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GALA

12 OUT

ALGARVE 2019

14 SETEMBRO

ELES VÊM AÍ! ••• REGIÃO

Ulisses de Brito: "O Hospital Central do Algarve já devia estar a funcionar" P.4 e 5

••• REGIÃO

Águas do Algarve sensibilizou milhares nas praias P.13

MANEL CRUZ

THE LEGENDARY TIGERMAN

BUBBA BROTHERS

OLIVIER GIACOMOTTO

TUBE AND BERGER

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Já chegaram ao mercado uns sapatos com muita pintta P.15

DISTRIBUÍDO COM O EXPRESSO VENDA INTERDITA Diretor Henrique Dias Freire • Ano XXXII Edição 1230 • Quinzenário à sexta-feira 13 de Setembro de 2019 • Preço 1,50€

postaldoalgarve 128.651

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Verão no Algarve termina em grande Stafanie Palma / Henrique Dias Freire

fotos stefanie palma

/ postal d.r.

stefanie.palma.postal@gmail.com

O Verão no Algarve ainda não terminou... Prova disso é o festival que se vai realizar no próximo sábado, 14 de setembro, na discoteca Lick. A iniciativa é organizada por Eliseu Correia, um dos djs que integra o grupo Bubba Brothers.“Este evento já vai na segunda edição. É notório o facto de se realizarem muitos eventos durante o verão e eu sempre achei que era necessário existir um grande evento no início da época para fazer o kick off e um para fechar no final da estação”. O evento Sun and Moon terá uma programação bastante diversa. Pelas 22 horas vai atuar Manuel Cruz dos Ornatos Violeta. Pelas 23:30 horas, sobe ao palco The Legendary Tigerman. Depois, pela uma da manhã, a animação fica a cargo dos Bubba Brothers. Para encerrar o evento vão atuar Olivier Giacomotto e Tube and Berger. O festival é direcionado para a música eletrónica Eliseu Correia afirma que “o Festival F é uma grande iniciativa que tem lugar em setembro e que, se calhar, em si já era suficiente para fechar com chave de ouro o verão algarvio, mas achei por bem que se fizesse uma festa com um toque diferente, mais virado para a música eletrónica especificamente”. No ano passado o evento Sun and Moon baseou-se na atuação de vários artistas, no entanto, este ano o conceito é diferente. “Decidi alterar a estrutura do evento e ter uma primeira parte no palco Sun, onde existirão músicas ao vivo (com o Manuel Cruz e os Legendary Tiger Man) e o palco Moon, aí sim, só com djs”, revela. “Gostava que as pessoas olhassem para esta festa como a última grande festa de verão no Algarve”, salienta. Eliseu Correia conta que “muita gente nos sugeriu que fizéssemos esta festa em agosto, pois teria muito mais adesão. A minha opinião é diferente, pois durante esse mês existem muitos mais eventos e as pessoas dispersam-se naturalmente pelos vários locais”.

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􀪭􀪭 Eliseu Correia é o mentor do Festival Sun and Moon que já vai na segunda edição


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com Festival Sun and Moon Sun and Moon é uma iniciativa diferente

> O Festival Sun and Moon é um even-

to diferente da generalidade que acontece no Algarve. Segundo Eliseu Correia, “o Manuel Cruz e os The Legendary Tigerman não apelam à generalidade do público. Este evento é direcionado para um público muito específico”. Eliseu Correia diz que “a parte eletrónica com os Tube and Berger, os Bubba Brothers e o Giacomotto também apela a um público muito específico que foge da massa generalista”.

qualidade e em segurança”. Eliseu Correia afirma que “o cartaz do evento é de topo. Os Tube and Berger são das melhores duplas de djs do mundo e vão atuar em Portugal pela primeira vez no Sun and Moon e o Giacomotto é um dinossauro da música eletrónica. Acredito que não existe nenhum dj de renome mundial que não tenha pegado numa música dele e feito um remix”. Eliseu Correia integra a dupla de djs Bubba Brothers O criador do projeto também integra a dupla de djs Bubba Brothers. “É

“No ano passado diziam-me que não ia estar ninguém no Sun and Moon porque o evento era numa discoteca e também porque era o sábado mais forte de outro evento, no entanto, correu bastante bem” O Algarve precisa de mais eventos deste género Eliseu Correia é peremptório: "o Algarve precisa de eventos deste género, organizados por pessoas da terra". Segundo o mentor da iniciativa, “para sábado existem dois aspetos que estão garantidos: boa música e uma organização com qualidade. A ideia é o evento ter espaço suficiente para que toda a gente possa circular com

original, "Carla's Beat", e que continua a ser música lançada por um dj português com a melhor classificação em 2019 na Beatport, chegámos a estar em 21º lugar”, referiu. Eliseu Correia reconhece que “os Bubba Brothers têm evoluído muito ao longo do tempo. Hoje em dia temos um som que nos distingue de todos os outros colegas que passam música, porque temos um estilo muito próprio”. “Nós temos uma mistura que normalmente não se ouve nos djs comerciais que normalmente não arriscam tanto. Nós sempre tivemos a certeza que tínhamos de ter um fator de diferenciação”, confessou ao POSTAL Eliseu Correia. O dj afirma que “o trabalho do dj comercial se baseia no seguimento das tendências atuais, do que se passa na rádio com mais algum trabalho de fundo, enquanto que nós tentamos conjugar músicas que não são muito ouvidas”.

Bubba Brothers surgiram de uma brincadeira entre amigos Os Bubba Brothers surgiram de uma brincadeira de dois amigos. Eliseu Correia contou ao POSTAL como tudo começou: “a EC Travel organiza vários eventos e temos uma iniciativa que é marcante ao nível da região que é a gala EC Travel”. “Nas primeiras edições da gala, a EC Travel era muito diferente do que é hoje e eu quis contratar um grande dj para tocar no evento, no entanto, na altura o custo do serviço era insuportável para nós, pelo que decidi fazer uma brincadeira e meter eu próprio a música”, conta Eliseu Correia. "Eu pensei que talvez os convidados achassem piada a este pormenor e pedi ajuda ao meu amigo Zé Black, do Le Club, porque a festa era lá. Ele deu-me algumas directrizes e acabou por ser o padrinho dos Bubba Brothers porque foi ele que me meteu a mexer pela primeira vez numa mesa de mistura”, acrescenta. O evento correu muito bem e as pessoas começaram a convidar os Bubba Brothers para fazerem parte dos eventos algarvios.

“Quando estou a meter música concentro-me inteiramente naquilo que estou a fazer e é um gosto imenso constatar que a multidão está a sentir aquilo que lhe estamos a tentar transmitir”, afirma de sorriso nos lábios. Os Bubba Brothers misturam as músicas ao vivo. “Eu sei que poderia ter uma vida muito mais facilitada mas sinto-me bem ao fazê-lo desta forma”, reforça. Eliseu Correia chegou mesmo a ir para Londres tirar um curso e aperfeiçoar as suas competências musicais. “O caminho faz-se caminhando e quantos mais concertos fizermos mais tarimba ganhamos. Este ano tocámos umas 40 vezes e sentimos que estamos sempre a aprender mais e a evoluir”, destaca. Eliseu Correia deixa o convite a todos os algarvios: “espero que apareçam em peso no sábado porque este é um evento que é nosso, feito pelos nossos e eu tenho muito orgulho nesta iniciativa. Se queremos continuar a ter cá artistas de gabarito mundial temos de mostrar que estamos presentes. A promessa é garantida: Vai ser uma noite memorável”.

um privilégio tremendo poder partilhar a cabine com dois monstros da música”. revela. “Nós seremos uma ótima amostra daquilo que a região é capaz de produzir na área dos djs”, afirmou. “Os Bubba Brothers têm chegado a muitos sítios que muita gente nunca esperaria, inclusive lançámos o primeiro pub


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Entrevista a Ulisses de Brito, presidente da Sub-Região de Faro da Ordem dos Médicos:

O Hospital Central do Algarve já devia Stafanie Palma / Henrique Dias Freire

Como é que se ultrapassa este impasse? Em primeiro lugar, criando uma coisa que já devia estar em funcionamento há mais de sete ou oito anos, que é o chamado Hospital Central do Algarve.

fotos d.r.

stefanie.palma.postal@gmail.com

O POSTAL entrevistou Ulisses de Brito, presidente da Sub-Região de Faro da Ordem dos Médicos. O responsável falou sobre vários aspectos que têm de ser melhorados na área da saúde no Algarve. O médico apresentou ainda algumas sugestões para solucionar as questões mais gravosas. Uma entrevista totalmente focada na área da saúde, a não perder!

O Algarve necessita de um hospital mais diferenciado

Considera que uma boa relação médico-doente é fundamental para a eficácia no tratamento das mais variadas doenças? Obviamente que sim. A relação médico-doente é como o código postal, é meio caminho andado. Se você tem um médico em quem confia e com quem tem uma boa relação, claro que é mais fácil estabelecer uma ligação com essa pessoa e queixar-se daquilo que tem do que se tiver um médico com quem não se dá bem, com quem não se identifica ou com quem não está à vontade para poder falar dos seus problemas de saúde. O doutor Ulisses é especialista em Pneumologia. Qual o segredo para a manutenção de um estilo de vida saudável? O segredo é conhecido por toda a gente, no entanto existem algumas recomendações a ter em conta. Para ter um estilo de vida saudável é necessário ter uma alimentação variada, fazer exercício físico regular, não cometer grandes excessos em termos de álcool e não fumar. Essas são as regras que toda a gente já sabe. A saúde no Algarve tem os mesmos problemas que no resto do país Quais os principais obstáculos existentes na área da saúde no Algarve? Os obstáculos existentes são vários. É evidente que a saúde no Algarve tem, grosso modo, os mesmos problemas que no resto do país. De qualquer modo, são mais acentuados no Algarve porque nós estamos numa situação periférica em relação aos grandes centros. É preciso recordar que o Algarve está a 300 quilómetros de Lisboa, que é o grande centro mais próximo do Algarve e, portanto, isso acresce os nossos problemas.

􀪭􀪭 Ulisses de Brito diz que o Hospital de Faro está colapsado em termos de instalações

Existem vários obstáculos na área da Saúde no Algarve Existe uma grande carência de médicos Em primeiro lugar, existe uma grande carência de recursos humanos, carência de médicos. Esta situação acontece por várias razões. Por um lado, porque grande parte dos médicos fazem a sua formação nos grandes centros, como é o caso de Lisboa, Porto e Coimbra. Ao fazerem a formação nesses centros vão criando raízes nesses locais e quando acabam a especialidade, com perto de 30 anos, não têm vontade de se deslocar para zonas periféricas, nomeadamente para o Algarve. Por outro lado, existem especialidades que são muito carenciadas e não têm idoneidade formativa há vários

anos, existindo outras situações em que adquiriram idoneidade formativa há pouco tempo e ainda formam poucos médicos ainda. Assim, alguns médicos que fizeram a sua formação cá ficam no Algarve, outros não. No Algarve existe carência de projetos de desenvolvimento profissional Depois, existe outro aspecto muito importante que tem a ver com a questão dos projetos de desenvolvimento profissional. Muitas vezes, no Algarve há alguma carência de projetos deste género e as pessoas acabam por não vir para o Algarve porque não existem esses projetos de desenvolvimento profissional. E porque é que não têm? Porque o

Hospital de Faro é um hospital que está perfeitamente colapsado em termos de instalações. As instalações são más, são muito insuficientes, também porque existe uma grande sobrecarga de trabalho. As pessoas perdem muito tempo nas atividades que são de impacto imediato, nomeadamente, serviço de urgência e depois acabam por não ter o tempo suficiente para desenvolverem outros projetos de trabalho e de desenvolvimento. É importante salientar que não existem espaços, não existem equipamentos, sendo que muitos deles já chegaram ao seu limite de vida. Estas circunstâncias fazem com que as pessoas, não tendo perspectiva de se desenvolverem, também não venham para o Algarve.

Era necessário que este hospital fosse um local mais diferenciado, um hospital de ponta, digamos assim. Temos de ter em atenção que estamos a 300 quilómetros de Lisboa e temos uma população grande, com enormes flutuações, a quem temos de dar resposta. Uma forma de nós conseguirmos fazer com que os doentes não cheguem ao Algarve e tenham que ser transferidos para Lisboa é conseguirmos dar resposta aqui. Temos de ter meios humanos e materiais para podermos dar resposta a isso. Essa situação só seria possível com um novo hospital. Este novo hospital passa por não desativar o atual, que tem de passar a ter outra função, nomeadamente em termos de cuidados paliativos, cuidados de convalescência, cuidados de média e longa duração (unidades de cuidados continuados) e, além disso, eventualmente, ter capacidade para ter Unidades de Saúde Familiares e outras valências. Esse é um passo muito importante, porque nos permitirá arranjar equipamentos novos, instalações novas e fazer com que os profissionais se desenvolvam profissionalmente. O nosso desenvolvimento profissional não é uma questão meramente pessoal, é sobretudo uma forma de dar resposta às necessidades dos doentes. É muito confrangedor e triste quando percebemos que se tivéssemos determinados meios poderíamos dar uma melhor resposta aos doentes, fazer mais e melhor e não ter de transferi-los para outros centros mais diferenciados, onde terão esses meios. Essa é uma das grandes questões. Na função pública não se premeia o trabalho, o mérito Outra das situações é que na função pública não se premeia o trabalho, o mérito. As pessoas são pagas todas por igual, independentemente do trabalho que realizem, da quantidade ou da qualidade do trabalho que prestem, e isso era uma das coisas que devia ser pensada. Deveria existir um pagamento adicional para aquela que é a chamada produção

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estar a funcionar há mais de 8 anos

􀪭􀪭 O especialista em Pneumologia defende uma reformulação em vários centros de saúde da região

> extra. Há questões que estão con-

templadas, nomeadamente o SIGIC, que se relaciona com as listas de espera cirúrgicas, onde alguns médicos operam em SIGIC e recebem extras mas, por exemplo, em termos de consultas e outras coisas, nada disso está contemplado. Mais grave do que isso é o facto de no serviço de urgência termos falta de médicos. É necessário recordar que existe muita contratação de médicos de fora, que vêm fazer um serviço que é importante, mas que provavelmente os médicos da casa poderiam fazer com a vantagem de serem médicos daqui. Os médicos da casa acompanham os doentes ao longo do tempo O médico que vem de fora contratado, independentemente de ser um bom profissional, é um médico que vem fazer as suas 12 horas e vai-se embora, não está preocupado com mais nada acerca dos doentes. Por sua vez, os médicos da casa vão estar cá preocupados com os doentes e acompanhá-los ao longo do tempo. Esta situação está relacionada

com uma portaria que foi aprovada no tempo da Troika que não permite que os médicos sejam pagos de maneira diferente dentro da mesma instituição, dentro do seu trabalho. Isto quer dizer que se eu fizer um banco extra recebo um valor à hora, pelo mesmo valor que consta do meu contrato, segundo a minha categoria profissional. Já os médicos de fora são pagos com valores duplos ou triplos do meu por hora. As pessoas da casa assim também não querem este serviço porque não vale a pena. É uma grande diferença. Trabalhamos o mesmo, temos a mesma qualificação profissional e eles ganham o triplo daquilo que nós ganhamos. Se ganhassem melhor, as pessoas estariam mais dispostas a dar um pouco mais porque também se sentiam recompensadas. Já foi amplamente noticiado que a urgência de neonatologia e bloco de partos pode fechar já em setembro. O que tem a dizer sobre isto? É evidente que esta é uma situação perfeitamente anormal. Na unidade de neonatologia e pediatria existe um trabalho específico de pediatras que tem uma certa diferenciação.

Dos 10 funcionários, existem seis de baixa O corpo clínico dessas unidades é relativamente pequeno. Creio que neste caso concreto é constituído por dez profissionais. O que aconteceu foi que se deu uma situação excecional, em que duas colegas estão de baixa por doença, outras duas por parto e mais duas estão de baixa porque têm os pais com doenças graves. Num staff de dez, existem seis pessoas fora. As outras quatro não conseguem suportar o trabalho todo. Esta é uma situação excecional que mostra a fragilidade do sistema. Esta situação já vem desde julho As pessoas que ficaram têm dado tudo aquilo que têm, mas é claro que também têm limites. Os profissionais têm aguentado tudo. Esta situação já vem desde julho e aguentaram-se durante o mês de agosto, no entanto, chegou o final do mês e disseram que em setembro não conseguiam suportar a situação assim. A solução passa por virem mais pessoas de fora para nos ajudarem. A administração está a fazer todos os possíveis para

recrutar pessoas. A unidade continua aberta. Durante a primeira semana de setembro ainda estaria tudo assegurado, a partir daí é que seria complicado. Para conseguir entender melhor, é importante mencionar que são 30 dias, que correspondem a 60 turnos, sendo estes turnos de 12 horas. Para o mês de setembro existiam cerca de 30 turnos vazios, o que significa que tínhamos cerca de meio mês vazio (ainda que em dias intercalados). Nas unidades de cuidados intensivos não podemos estar a admitir crianças ligadas a um ventilador e dizer que hoje temos médicos mas amanhã já não. Isso é impossível. Tem de existir sempre médico de serviço, pelo que se não houver tem de fechar, com o risco de que todos os partos em que se preveja que haja problemas com as crianças também têm de ser transferidos. Agora resta-nos aguardar para ver se conseguiram resolver este problema. Grande parte dos médicos prefere ir para o estrangeiro em detrimento do seu país. Porque é que acha que isto acontece? Na prática é uma forma de as pessoas ganharem mais dinheiro. É importante relembrar que este tipo de situação pode acontecer em qualquer profissão. Muitos profissionais também sentem que existiu um grande desinvestimento na área da saúde. Os hospitais estão muito mal

mas também são iguais. O problema maior é o facto de não termos meios para resolver os problemas. É importante salientar que o facto de não conseguirmos resolver certas situações por falta de condições nos causa muita angústia e stress. Que passos ainda faltam dar para que a região algarvia se torne numa referencia na área da saúde? Os passos estão contemplados exatamente naquilo que já referi. Outro aspeto que é necessário realçar é a necessidade de uma reformulação em vários centros de saúde da regiã. Existem vários centros de saúde que precisam de ser remodelados Existem instalações que estão velhas e precisam ser remodeladas. Os centros de saúde não têm, muitas vezes, gabinetes para que todos os médicos possam dar consultas. As pessoas não podem trabalhar, por vezes, em full time por causa disso. A Faculdade de Medicina da Universidade do Algarve celebra 10 anos, considera que tem dado frutos? Claro que sim. Tem sido muito bom. A Faculdade de Medicina no Algarve tem permitido fixar no Algarve cerca de 30 a 40% dos alunos que estudam cá. A criação do curso no Algarve veio dar um incentivo muito importante também em termos de desenvolvimento profissional. As

A Faculdade de Medicina do Algarve tem permitido fixar cerca de 30 a 40% dos alunosque estudam cá preparados em termos de material e as pessoas são jovens, estão em início de carreia, e optam por ir para fora. É difícil ser médico no Algarve? A dificuldade que temos tem a ver com os constrangimentos anteriores de que lhe falei, porque de resto os doentes são os mesmo e os proble-

pessoas que querem ter uma carreira académica, além da carreira de medicina, podem dar aulas aqui, tornar-se assistentes, professores, etc.. A Faculdade do Algarve vem permitir isso e este pode ser mais um fator para que alguns médicos se sintam bem cá e optem por vir para o Algarve. pub


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Gymnasium expande para Portimão espaço na cidade de Portimão. Segundo Paula Caleça, responsável pela comunicação do Gymnasium, “faz parte do plano estratégico do grupo levar o conceito do Gymnasium a mais pontos do Algarve”. A responsável confessou ao POSTAL que “o grupo está a fazer prospeções para se fixar noutros sítios do Algarve, sendo Portimão o primeiro local escolhido”.

foto d.r.

􀪭􀪭 O Gymnasium de Portimão vai abrir no primeiro trimestre de 2020 Stafanie Palma / Henrique Dias Freire

stefanie.palma.postal@gmail.com

O grupo Gymnasium está atualmente presente em Olhão, Faro e Tavira. O ano de 2020 vai trazer muitas novidades ao Gymnasium, nomeadamente a abertura de um novo

O Gymnasium Portimão vai abrir no primeiro trimestre de 2020 O Gymnasium de Portimão vai abrir no primeiro trimestre de 2020. “A cidade de Portimão foi es-

colhida devido à densidade populacional e ao facto de termos identificado que existia uma lacuna no mercado de espaços semelhantes àqueles que oferecemos. O conceito do Gymnasium é muito caraterístico e diferenciador”, afirma Paula Caleça. O novo espaço vai ter 1.600 metros quadrados, com três estúdios de aulas de grupo (um estúdio power, um estúdio vyda – body and mind e um estúdio de cycle com 30 bicicletas disponíveis). Paula Caleça afirma que “à semelhança do que acontece no Gymnasium Faro, vamos ter o serviço de botões de apoio para esclarecimento de dúvidas nas salas de exercício, para que as pessoas não se sintam desamparadas durante os treinos”. O Gymnasium Portimão vai contemplar vários serviços O Gymnasium Portimão vai contemplar ainda um serviço de Gym Kids, onde os pais podem deixar, de forma gratuita, as suas crianças enquanto treinam.

A APP Gymnasium vai continuar igualmente a fazer parte da vida dos sócios Gymnasium. Com esta ferramenta é possível fazer um acompanhamento regular dos treinos. O Gymnasium Portimão vai localizar-se no Edifício Clube Praia Mar. Paula Caleça contou ao POSTAL que “em breve existirão mais informações e novidades sobre a abertura deste novo espaço”. “É importante salientar que o Gymnasium se foca em pessoas que ainda não fazem exercício. Com a nossa ida para Portimão, pretendemos tirar as pessoas de casa”, conclui a responsável. Paula Caleça sublinha que ”queremos ir buscar as pessoas que estão no sofá, com o objetivo de as tornar mais saudáveis, contribuindo para que possam aprender a treinar e a desenvolver-se tanto a nível físico como psicológico”. “Quando falamos no grupo Gymnasium, existe um aspecto muito importante que não podemos esquecer: a nossa missão é fazer as pessoas felizes e vamos continuar a trabalhar nisso”, remata a responsável.

Alcoutenejo Luís Conceição eleito treinador do ano de futsal feminino O alcoutenejo Luís Conceição, selecionador nacional de futsal feminino, foi distinguido na Gala Quinas de Ouro 2019, no passado dia 2 de setembro, promovida pela Federação Portuguesa de Futebol, com o Prémio de Treinador do Ano de Futsal Feminino. O técnico, natural de Martim Longo, orientou a equipa portuguesa de futsal, alcançando a medalha de ouro em futsal feminino nos Jogos Olímpicos da Juventude, em 2018, na Argentina, e já em 2019 o nosso país foi vice-campeão da Europa. A Câmara de Alcoutim recebeu Luís Conceição e felicitou-o pelo brilhante percurso e reconhecimento, afirmando que “o Município reconhece não só o esforço e o empenho do treinador da seleção nas suas atividades desportivas, mas, também, o facto de este levar o nome de Alcoutim a todo o mundo”. Atualmente, Luís Conceição é vereador da Câmara Municipal de Alcoutim.

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􀪭􀪭 Luís Conceição foi distinguido na Gala Quinas de Ouro 2019 com o Prémio de Treinador do Ano de Futsal Feminino pub


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Algarve vai ter Centro de Apoio ao Doente Oncológico fotos stefanie palma

“Vamos restaurar alguns aspetos, nomeadamente casas de banho que vão ser adequadas para pessoas com dificuldades de movimentação, que usem cadeiras de rodas, por exemplo”, complementou. A responsável salienta que “queremos ter um espaço com qualidade e com as condições necessárias para prestar apoio ao doente oncológico”. As obras começaram em agosto e existem previsões de que o espaço abra já no mês de outubro.

/ postal d.r.

O espaço está a sofrer remodelações

􀪭􀪭 Lurdes Santos Pereira, presidente da Associação Oncológica do Algarve, prevê que o novo espaço abra em outubro Stefanie Palma / Henrique Dias Freire stefanie.palma.postal@gmail.com

A Associação Oncológica do Algarve (AOA), em parceria com a Associação Espanhola Contra o Cancro – AECC de Huelva, vai implementar o Centro de Apoio ao Doente Oncológico no Algarve. O projeto foi aprovado recentemente e vai ter um financiamento europeu de um milhão de euros (400 mil para a Associação Oncológica do Algarve e 600 mil para a Associação Espa-

nhola Contra o Cancro). O novo espaço vai nascer no Largo das Mouras Velhas, número 17, em Faro, mais precisamente nas antigas instalações da Associação Oncológica do Algarve. O Centro de Apoio ao Doente Oncológico vai ter vários serviços O Centro de Apoio ao Doente Oncológico vai contemplar vários serviços, entre eles, serviços de fisioterapia, onde vão ser proporcionadas drenagens linfáticas aos doentes com linfedema (condição caraterizada por um inchaço das partes moles debaixo da pele). Vão existir também serviços de te-

rapia da fala e enfermagem para doentes que tenham sido submetidos a intervenções à garganta e para doentes ostomizados que necessitem de acompanhamento e material gratuito. De relembrar que os doentes ostomizados são aqueles que passaram por uma intervenção cirúrgica para fazer no corpo uma abertura ou caminho alternativo de comunicação com o meio exterior, para a saída de fezes ou urina, assim como auxiliar na respiração ou na alimentação. Lurdes Santos Pereira, presidente da Associação Oncológica do Algarve, afirmou ao POSTAL que “estão a ser feitas obras neste espaço no sentido de adequá-lo a estas finalidades”.

Lurdes Santos Pereira confidenciou ao POSTAL que “por vezes, como todos bem sabemos, os hospitais andam em crise, quer em termos de enfermagem, quer em termos de pessoal técnico especializado, pelo que existe a necessidade de um local que dê apoio às pessoas que necessitam”. “A Associação tem as portas abertas, de forma gratuita, para ajudar os doentes”, garantiu a responsável. A Associação Oncológica do Algarve foi fundada em 1994 e conta atualmente com 6.000 sócios. Lurdes Santos Pereira afirma que “a saúde é um bem precioso e a Associação Oncológica tem tido um papel ativo nesta área”. A Associação Oncológica do Algarve disponibiliza atualmente aos seus associados oncológicos e familiares consultas de Psico-Oncologia, organiza grupos terapêuticos mediante pré-inscrições em Faro, Tavira, Loulé e Portimão e realiza sessões de informação, sensibilização e esclarecimento à comunidade em vários locais da região. A AOA proporciona ainda próteses capilares e mamárias, soutiens e fatos de banho ergonómicos a preço de custo e proporciona diversa informação a doentes oncológicos sobre os cuidados a ter com a pele, maquilhagem, cabelo e aprendizagem de ferramentas para aplicação no dia-a-dia. A associação tem estado, desde sempre, bastante associada à problemática do cancro da mama, disponibilizan-

do quatro médicos especialistas em mamografias e oito técnicas também especialistas nesta área que dão cobertura ao Programa de Rastreio do Cancro da Mama, em parceria com a Administração Regional de Saúde. A AOA utiliza ainda uma unidade móvel para rastreio do cancro da mama, recentemente dotada de uma atualização da mais recente tecnologia, com exames a 3D, mais rápidos e com menor emissão de radiações. O tratamento do cancro evoluiu muitos nos últimos anos Lurdes Santos Pereira salienta que “o tratamento do cancro evoluiu muito nos últimos anos, sendo que o apoio familiar é absolutamente fulcral no processo de cura”. “Todas as outras necessidades vêm por acréscimo e de acordo com o tipo de cancro e apoio adequado. A Associação Oncológica do Algarve, que é uma IPSS, faz os possíveis e os impossíveis para manter e aumentar o apoio ao doente oncológico”, remata a responsável. A presidente salienta que “a prevenção é um fator preponderante quando falamos em cancro. Os rastreios são bastante importantes para detetar as doenças nos estágios iniciais”. A AOA realiza vários rastreios e promove eventos onde pretende alertar a população para vários comportamentos de risco. “A associação vai promover diversas atividades sobre sinais de alerta para deteção de doenças pulmonares obstrutivas crónicas e despiste de cancro cutâneo, dada a elevada exposição solar a que a população algarvia está sujeita. Para tal, a Unidade Móvel de Saúde vai percorrer várias zonas do Algarve”, afirmou a responsável. Lurdes Santos Pereira afirma que “é importante não esquecer que o tratamento do cancro envolve a colaboração de especialistas das mais variadas áreas. Felizmente, há estruturas, quer a nível particular, quer do Serviço Nacional de Saúde, que estão vocacionadas para formas de tratamento de pessoas com cancro e da sua doença. Tem de haver sempre uma esperança para o doente oncológico”. pub


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••• ROTEIRO GASTRONÓMICO

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Restaurante ALAMEDA & ROOFTOP

􀪭􀪭 PRATO EMBLEMÁTICO

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Integrado na zona histórica da cidade de Faro com a muralha seiscentista a ladear o terraço, poderíamos estar a falar de um restaurante cinzento, sem cor! Nada disso! O Alameda & Rooftop foi concebido, quer pela sua decoração, quer pelo seu conceito, descontraído, desenhado para as pessoas se abstraírem da cidade! E é como se de um jardim se tratasse que Rui Sequeira e a sua equipa tratam a cozinha que implementou, assente numa vasta experiência inspirada nas viagens que fez pelo mundo. O autor dá prioridade aos produtos portugueses e à cozinha algarvia progressiva. No que se refere à garrafeira, a casa dispõe de vinhos de todas as regiões do país, vinhos com personalidade e pequenas produções, orgânicos, biológicos e biodinâmicos em que incluem os algarvios.

BOLAS CROCANTES DE CATAPLANA ALGARVIA Leitão, legumes crocantes com amêndoas e Kimchi de couve coração.

Rua da Polícia de Segurança Pública, no 10 – Faro

289 824 831

37.015998, -7.928532

alamedarestauranterooftop@gmail.com

De Segunda a Domingo, das 19h às 24h

25€

d.r.

Restaurante O GREGO

Rua 1º Dezembro, N2 – Almancil

933 242 179 / 939 182 441

37.085358, -8.027378

filippos.valtinos@gmail.com

De Segunda a Sábado, das 19h às 22.30h

20 a 25€

􀪭􀪭 PRATO EMBLEMÁTICO

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Hoje, viajamos até terras gregas. Num ambiente mediterrânico, onde imperam os azuis e brancos, quadros onde belos veleiros ondulam em águas cristalinas, um terraço que de noite se veste de estrelas, o Restaurante O Grego, transporta-nos imediatamente para outra atmosfera. Filippos e Michalis Valtinos, pai e filho, são uns verdadeiros anfitriões e mestres na confeção e manipulação dos autênticos produtos gregos. Entram com 10 a 12 pratos, provocando uma explosão de sabores, seja com uns pastelinhos de massa filó recheados de queijo grego embebidos em mel, beterraba com laranja, as famosas “melitzanes” crocantes, pedaços de beringela panados e fritos, “TYrokafteri”, um pedaço de queijo no forno com uma fatia de tomate maduro e orégãos, etc, terminando o desfile com uma “Pavlova”, que embora não sendo de origem grega, não deixa de ser fantástica – suspiro crocante, yogurte grego, frutos vermelhos e deliciosos coulis. No terraço saboreia-se a tradicional aguardente grega – “Ouzo”!

TAPAS GREGAS

Restaurante O SÍTIO DO RIO

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Carrapateira – Praia da Bordeira – Aljezur (Costa Vicentina)

282 973 119 / 962 372 885

37.192465,-8.900212

N/D

Das 12.30h às 22h (encerra à terça-feira)

20 a 25€

􀪭􀪭 PRATO EMBLEMÁTICO

PERCEBES

d.r.

Com a indiscutível beleza da praia da Bordeira ao fundo e um pôr do sol de cortar a respiração, os veraneantes não resistem ao poder dos aromas do mar que o Sítio do Rio emana da grelha. Podemos dizer que é um trocadilho mas de facto o peixe que salta para o carvão vem da Costa Vicentina e estamos a falar do robalo, do pregado, do sargo e da corvina (na época), das douradas, das belas amêijoas, dos não menos fantásticos percebes, da sapateira e dos camarões que embora de viveiro, acompanhados por qualquer vinho nacional ou sangria, fazem salivar os comensais. As costeletas de novilho também saem a fumegar da grelha que, com batata frita, legumes cozidos ou saladas, são magia para o estômago. No interior do restaurante ou cá fora na esplanada, serve-se uma torta de queijo de figo, uma simples mousse de manga ou, se preferir, uma torta de batata doce.


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ROTEIRO GASTRONÓMICO •••

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27 restaurantes de Quarteira e Vilamoura aderem à semana do polvo foto d.r.

􀪭􀪭 Quarteira desde sempre esteve ligada ao mar e à captura do polvo

O polvo voltou a invadir Quarteira na 4ª Edição da Semana do Polvo, que decorre até domingo, 15 de setembro. Envolvendo a autarquia, os agentes económicos e a comunidade, este evento procura promover “o turismo gastronómico e contribuir para economia local em torno de um símbolo emblemático para a freguesia, que desde sempre esteve ligada ao mar e à captura do polvo”. Na mostra gastronómica que in-

tegra a programação da Semana do Polvo 2019, 27 restaurantes dão a conhecer a versatilidade gastronómica do polvo, em propostas que alternam entre a cozinha tradicional portuguesa e a internacional. Para além de um concurso de receitas aberto à população, a programação da semana do polvo inclui a exposição de esculturas elaboradas por utentes e equipa da Associação EXISTIR – Associação para a Intervenção

e Reabilitação de Populações Deficientes e Desfavorecidas, intitulada “Polvo de Quarteira, EXISTIR no Mundo de Hoje”, e que está instalada na Rua Vasco da Gama em Quarteira, além da realização de dois showcookings, em Quarteira, que dão a conhecer as diversas formas de confecção e degustação do polvo. Para a concretização da semana do Polvo, a AEQV conta com o apoio da Câmara Municipal de Loulé, Junta de Freguesia

de Quarteira, IPMA – Instituto Português do Mar e da Atmosfera, Docapesca – Portos e Lotas S.A, Inframoura, Marina de Vilamoura, Agrupamento de Escolas Dr.ª Laura Ayres, Jafers Supermercados, Superbock, Pastelaria Duodoce e Gelgarve. A semana do polvo é uma iniciativa da Associação dos Empresários de Quarteira e Vilamoura, em parceria com a Associação Armalgarve do Polvo OP, e com o apoio da Câmara de Loulé. pub

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Feira da Dieta Mediterrânica voltou a atrair milhares à cidade de Tavira foto stefanie palma /postal

ças, assinalámos aquilo que temos em comum”. “O turismo é um processo de acolhimento da diferença”

􀪭􀪭 A abertura da feira contou com a presença da secretária de Estado da Modernização Administrativa, entre outras personalidades Stafanie Palma / Henrique Dias Freire

stefanie.palma.postal@gmail.com

As ruas da cidade de Tavira encheram-se de cor e alegria para acolher mais uma edição da Feira da Dieta Mediterrânica, que se realizou de 5 a 9 de setembro. Pelo Centro Histórico da Cidade foi possível apreciar os sabores e saberes deste cantinho à beira-mar plantado. A feira resulta da inscrição da Dieta Mediterrânica na Lista do Património Cultural Imaterial da Humanidade, a 4 de dezembro de 2013, em Baku, com a inclusão de Portugal e da sua comunidade representativa Tavira. A Feira contemplou diversas atividades gastronómicas e temáticas O programa da feira contemplou diversas atividades, tais como, a feira institucional com presença de outros países, de instituições nacionais, regionais e locais, mercado de produtores, mostras botâni-

cas e de sementes, prevenção da saúde cardiológica e nutricional, jardim mediterrânico, praça da convivialidade e restauração, provas e degustações de azeite, de tomate e outros produtos, petiscos regionais, música mediterrânica em vários palcos, dança e outras artes performativas, exposições e projeções e visitas ao património natural e cultural. Ana Paula Martins, vice-presidente da Câmara Municipal de Tavira, disse ao POSTAL que “a Feira da Dieta Mediterrânica tem vindo, ao longo das sete edições, a ganhar a sua importância em tamanho e em número de visitantes”. Tavira encheu-se para viver mais uma edição da Dieta Mediterrânica “O nosso objetivo é que este certame não seja só uma mostra de produtos e de programação cultural. Queremos que as pessoas entendam que esta feira faz parte da nossa herança cultural e, como tal, devemos preservá-la, pois é a herança que vamos deixar para os nossos filhos, para os

nossos netos”, acrescentou. Durante os dias da Feira da Dieta Mediterrânica, a cidade de Tavira encheu-se de pessoas, luz e cor. Foi possível sentir o aroma dos nossos produtos locais a pairar pelo ar... Para além da gastronomia, a Câmara Municipal de Tavira apostou numa programação cultural diversificada. No Museu Municipal estiveram patentes as exposições “Artur Pastor e os Mundos do Sul” e a reestruturada “Dieta Mediterrânica – Património Cultural Milenar”, ambas com visitas guiadas. No Mercado da Ribeira tiveram lugar demonstrações culinárias e exposições e no Mercado Municipal também decorreram atividades, com uma nova edição das “Gentes do Mercado”. Para o público infantojuvenil foi pensado um programa especial para o Largo do Brincar e espaços adjacentes, com oficinas de construção, o percurso da lã, jogos, exposições de brinquedos e espetáculos: “O cardume”, “O nabo gigante”, “Dança da Chuva”, a

música dos “Fungaguinhos” e a exposição de trabalhos sobre os cavalos-marinhos da Ria Formosa pelos alunos da Escola D. Manuel I e muitas outras surpresas. Programação contemplou várias atividades de cariz cultural João Fernandes, presidente da Região de Turismo do Algarve, disse ao POSTAL que “o evento em si é, desde já, um elemento importante da animação turística neste período de setembro, que é uma época de grande procura”. “Este evento dá oportunidade a quem nos visita de nos conhecer melhor, de entrar pela nossa casa, uma vez que temos a casa exposta na feira. É também uma grande oportunidade de num tempo em que muita gente constrói muros, fazer pontes”, afirmou o responsável. O dirigente da RTA afirmou que “no decorrer da feira, estivemos numa conferência com oito países diferentes do sul da Europa e em vez de assinalarmos as diferen-

“É importante salientar que o turismo é também um processo de acolhimento da diferença e, obviamente, que se os casamentos se fazem pela boca, também se adoça bem a boca a quem nos visita”, conclui. O responsável salientou que “existe um estudo do perfil do turista no Algarve, que revela que um dos aspetos mais valorizados e satisfatórios apontados na visita é precisamente a nossa gastronomia. Temos, portanto, os ingredientes todos para um bom prato”. Durante a feira vários restaurantes do concelho disponibilizaram menus relacionados com a dieta mediterrânica a preços especiais. Maria do Céu Albuquerque, secretária de Estado do Desenvolvimento Regional,

explicou ao POSTAL que “este é um evento que, em primeiro lugar, mexe com a economia local, mexe com a vida das pessoas”. “Estas iniciativas, onde existe uma grande valorização da tradição e dos produtos locais, estimulam um sentimento de pertença e reforçam a identidade local”, afirmou. “Tudo começa por aquilo que comemos” A secretária de Estado mencionou que “por outro lado, quando falamos da dieta mediterrânica conseguimos perceber que hoje, numa altura em que todos falamos em qualidade de vida, tudo começa por aquilo que comemos”. “Esta iniciativa e o facto do projeto da dieta mediterrânica ter nascido aqui em Tavira e representar o nosso país em todo o mundo é muito importante”, concluiu. A Feira da Dieta Mediterrânica foi, uma vez mais, uma aposta ganha e promete regressar no próximo ano. pub

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GALA

12 OUT

ALGARVE 2019

􀪭􀪭 CONTINUAÇÃO DA PÁG. 32

Quer participar na eleição? Saiba como! TURISMO

A iniciativa do jornal POSTAL do ALGARVE já nomeou todas as Grandes Personalidades do Algarve, três por cada uma do total de 10 áreas. A Personalidade considerada mais relevante das três por cada área, será anunciada na “Gala Algarve 2019 POSTAL” no prestigiado Casino de Vilamoura, já no próximo dia 12 de outubro, sábado às 19:30. Das 30 Personalidades já nomeadas, cabe agora

ao leitor indicar ao POSTAL qual é a mais relevante! As votações podem ser enviadas para: - Email: GALAdoPOSTAL@gmail.com - Ou ainda, enviando pelo Facebook em mensagem privada para a nossa página: www.facebook.com/postaldoalgarve

AMBIENTE

ANTÓNIO PARENTE

ANTÓNIO GONÇALVES

QUEIROGA VALENTIM

O Grupo AP Hotels & Resorts pertence ao Grupo Madre, cujo fundador é António Parente. Com uma crescente oferta turística, tem-se distinguido sobretudo pela qualidade de excelência das suas várias unidades hoteleiras em Portugal e no estrangeiro. No Algarve, o investimento e o crescimento têm sido notórios, fruto da forte liderança do fundador do Grupo.

Licenciado em Contabilidade e Administração e mestrado em Finanças Empresarias, António Gonçalves é Administrador do Grupo Bernardino Gomes (Hotéis Real) há cerca de 13 anos, merecendo especial destaque pela humildade, simpatia e espírito de entre ajuda com que brinda todos os funcionários que com ele têm o prazer de trabalhar.

O aldeamento turístico Pedras D’El Rei é um dos mais emblemáticos de Portugal, cuja Praia do Barril, com acesso por comboio turístico, é considerada uma das melhores praias portuguesas. O seu administrador José Pedro Queiroga Valentim fez da sua paixão pelo turismo a sua própria vida que dedicou na elevação na oferta turística algarvia.

Presidente do Grupo AP Hotels & Resorts

ISABEL GONÇALVES

Fundadora e administradora da Hubel Verde

MANUEL LÁZARO BRITO

Sócio fundador da empresa Sun Concept

TERESA FERNANDES Responsável pela Comunicação e Educação Ambiental da Águas do Algarve

CULTURA

ADRIANA NOGUEIRA Diretora Regional de Cultura do Algarve

DINO D’SANTIAGO Cantor de Hip Hop e R&B

Procuradora no Tribunal de Família e Menores de Portimão

PAULO SEPÚLVEDA

Procurador-adjunto na Instância Criminal de Loulé da Comarca de Faro

Administrador do Grupo Pedras D’El Rei e Pedras da Rainha

EDUCAÇÃO E FAMÍLIA

JOÃO EVARISTO Presidente de Junta da Freguesia de Olhão

JORGE LEITÃO

Advogado e presidente da Associação Algarvia de Pais e Amigos de Crianças Diminuídas Mentais

LUÍS VILLAS-BOAS

Psicólogo Clínico e Diretor do Refúgio Aboim Ascensão

RUTE ROCHA

Docente de Biologia na Escola Superior de Educação e Comunicação da Universidade do Algarve

SOLIDARIEDADE

JUSTIÇA

LUÍSA BARAHONA

Administrador do Grupo Bernardino Gomes (Hotéis Real)

SUSANA CORREIA

Coordenadora da Delegação Regional do Algarve da DECO

ANA FAZENDA

Coordenadora das Comissões de Proteção de Crianças e Jovens do Algarve

FERNANDO GRAÇA Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Lagos

MARGARIDA FLORES Diretora de Segurança Social do Centro Distrital de Faro


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13 de Setembro de 2019

Redação: Rua Dr. Silvestre Falcão, 13 C 8800-412 Tavira - ALGARVE Tel: 281 320 900 Fax: 281 023 031 E-mail: jornalpostal@gmail.com Online: www.postal.pt FB: facebook.com/postaldoalgarve FB: facebook.com/ cultura.sulpostaldoalgarve Issuu: issuu.com/postaldoalgarve Twitter: twitter.com/postaldoalgarve Diretor: Henrique Dias Freire Diretora executiva: Ana Pinto Redação: Ana Pinto (CO-721 A) Cristina Mendonça (CP 3258) Henrique Dias Freire (2207 A) Stefanie Palma Design: Bruno Ferreira Colaboradores: Afonso Freire, Alexandre Moura, Beja Santos (defesa do consumidor) Colaboradores fotográficos e de vídeo: Luís Silva / Miguel Pires / Rui Pimentel Departamento comercial, publicidade e assinaturas: Anabela Gonçalves, Helena Gaudêncio José Francisco Propriedade do título: Henrique Manuel Dias Freire (mais de 5% do capital social) Edição: Postal do Algarve - Publicações e Editores, Lda. Centro de Negócios e Incubadora Level Up, 1 8800-399 Tavira Contribuinte: nº 502 597 917 Depósito Legal: nº 20779/88. Registo do título (DGCS): ERC nº 111 613 Impressão: Coraze Distribuição: Banca - Logista, ao sábado com o Expresso/ VASP - Sociedade de Transportes e Distribuição, Lda e CTT Estatuto editorial disponível: www.postal.pt/quem-somos

Tiragem desta edição:

9.653 exemplares

••• OPINIÃO

Beja Santos

Ana Amorim Dias

Assessor do Instituto do Consumidor e consultor do POSTAL

Escritora anamorimdias@gmail.com

A anemia não escolhe idades: Saiba como a prevenir e tratar

“O único medo que deves ter é de ti própria!”

A anemia constitui um importante problema de Saúde Pública de todo o mundo, incide tanto nas populações de países desenvolvidos como em vias de desenvolvimento. É mais prevalente em crianças e grávidas, mas pode afetar também mães a amamentar, mulheres adultas em fase reprodutiva, adolescentes, homens e idosos. Segundo a Organização Mundial de Saúde, é larguíssima a percentagem da população mundial que dela padece, sendo a sua prevalência entre as crianças com menos de dois anos de aproximadamente cinquenta por cento. A anemia carateriza-se por uma redução dos glóbulos vermelhos ou da hemoglobina (a proteína que transporta o oxigénio) no sangue, comprometendo o adequado fornecimento de oxigénio às várias partes do corpo. Há diversas causas para a anemia: o défice de ferro ou de vitaminas como a B12, as hemorragias e as doenças crónicas; mas a anemia mais comum é a anemia devido ao défice de ferro. A anemia manifesta-se por palidez, cansaço, indisposição, incapacidade para fazer exercício, tonturas, palpitações e muito mais. O défice de ferro pode produzir os seus próprios sintomas, como é o caso da malacia (apetência por elementos não alimentícios como terra), a inflamação da língua e cortes nas comissuras na boca e nas unhas. É face a estes sintomas que o médico pode requerer análises que permitem conhecer o perfil dos constituintes do sangue. A deficiência de ferro pode ser prevenida através de um regime alimentar adequado. Recorde-se que há doenças como a insuficiência renal ou as desordens hemorrágicas que carecem de um quadro preventivo diferente. O recurso a suplementos de ferro pode ser uma das precauções médicas, devendo o profissional de saúde estar atento ao regime alimentar do doente (como é o caso daqueles que seguem regimes vegetarianos muito severos). No caso da anemia por falta de ferro a reposição é feita recorrendo a medicamentos. A toma de medicamentos contendo ferro é normalmente recomendada entre as refeições. Por forma a melhorar a absorção do ferro, é aconselhada a ingestão de alimentos ricos em vitamina C. É totalmente desaconselhada qualquer forma de automedicação, pode ser prejudicial a toma de ferro por pessoas que dele não necessitem. O tratamento de uma anemia carece de cuidados médicos para identificar as causas e a terapêutica mais adequada. Os medicamentos à base de ferro são melhor absorvidos com o estômago vazio. Não suspenda o tratamento sem instruções médicas. Lembre-se de que se estiver medicado com ferro as suas fezes aparecerão mais escuras do que o habitual. Não se assuste. Esta cor deve-se ao ferro que não foi absorvido e é eliminado pelas fezes. Algum tempo após o fim de tratamento, as fezes adquirem a cor normal.

- Ai que susto! - dei um passo para trás e sou capaz de até ter levado a mão ao peito, embora já não me recorde porquê. - Mas tu andas sempre assustada? - perguntou-me o capitão, com um tom que não me agradou. - E tu devias ter era uma mulherzinha franzina e problemática, daquelas com medos mesmo à séria, para veres o que era bom... Mas ele continuou impávido, numa retórica de sábio ancião, a falar quase entre dentes: - Se as pessoas soubessem que não é preciso ter medos... se soubessem ao menos que somos maiores que isto tudo e que os medos são só um grande empecilho... - Olha desculpa lá: é impossível não ter alguns e às vezes até nos protegem, ok? E então ele disse a frase que me calou por completo: “O único medo que deves ter é

de ti própria!” Fiquei sem resposta possível, com o pensamento a ferver, a querer comprovar-lhe a razão. Levei dias a perceber o que me quis naquele momento explicar: só devemos temer os nossos medos, claro, e cuidar que não nos persigam. Só devemos assustar-nos com a nossa própria tendência de pintar tudo de negro. O único medo real deve ser, de facto, o de não entendermos o que andamos aqui a fazer e o quão poderosos e eternos somos. Por isso de nada serve temermos o que a vida possa trazer; basta temermos que as nossas reações a tudo não sejam as mais destemidas. É isso, sim: no fundo acho que ele quis dizer que só vale a pena termos medo de não saber reagir com calma, sabedoria e resiliência a todas as vicissitudes que constantemente ocorrem. E sim, como de costume, tinha razão! pub


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REGIÃO •••

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Já chegaram ao mercado uns sapatos com muita pintta Algarve, em Vilamoura e Portimão. O sucesso foi de tal forma grande que 90% dos modelos foram vendidos antes dos saldos”, afirma o responsável da Pintta.

fotos d.r.

A escolha do nome foi bastante difícil Luís Contreiras afirmou ao POSTAL que o processo de escolha do nome foi uma das coisas mais difíceis. “Levei dois dias a escrever rascunhos, a juntar nomes de família, nomes que me surgiam e não me saía nada que eu considerasse que fazia jus ao conceito que pretendia”, afirmou. O criador revela que “passados uns dias entrou numa loja e estava com os sapatos calçados. Uma amiga de Luís ao vê-lo entrar com os sapatos afirmou: Estás com uma pinta!”. “Foi aí que surgiu a ideia do nome que tem tudo a ver com a marca. O conceito da Pintta foi exatamente criado para pessoas que gostem de . . andar de forma diferente, que gostem de andar com pinta”, explicou. foto d r

􀪭􀪭 Luís Contreiras sempre teve um gosto particular pela área da moda Stefanie Palma / Henrique Dias Freire stefanie.palma.postal@gmail.com

São bastante coloridos e irreverentes... A marca Pintta Shoes tem conquistado o mercado pela diferença dos sapatos que apresenta. Luís Contreiras tem 45 anos e é o mentor do projeto. Entrou no mundo dos sapatos há três anos e revela que sempre teve um gosto particular pela área da moda. “O projeto nasceu porque sempre tive vontade de criar algo novo. Entretanto, abriu uma loja de sapatos na Rua de Santo António, em Faro, onde eram os próprios clientes que escolhiam os materiais e, basicamente, criavam o sapato que queriam”, começou por explicar em entrevista ao POSTAL. Luís Contreiras revela que “habitualmente os homens escolhiam sempre o preto ou o castanho e eu decidi criar algo verdadeiramente

diferente, ao ponto de o fabricante ficar surpreendido e questionar se eu queria mesmo o sapato tal como tinha pedido”. Os sapatos usados por Luís Contreiras fizeram sucesso O criador conta que “entretanto os sapatos chegaram e eu fui para Itália precisamente nesse dia com eles já calçados, porque na altura trabalhava numa loja e fazia as escolhas das coleções. As pessoas começaram a interagir imenso comigo e abordavam-me no meio da rua para saber onde é que tinha comprado os sapatos”. O sucesso que os sapatos estavam a ter fizeram com que Luís Contreiras decidisse apostar no seu próprio negócio. “Fui falar com o fabricante e fizemos uma experiência: colocámos os sapatos à venda em duas lojas no

Os sapatos já estão expostos no Museu do Calçado Os sapatos da Pintta estão expostos no Museu do Calçado em São João da Madeira. Neste momento a marca está presente em sete lojas portuguesas e quatro lojas no estrangeiro, nomeadamente, na Áustria, Alemanha (2) e Huelva. Luís Contreiras revelou ao POSTAL que a marca começou exclusivamente para homem, no entanto, a primeira coleção de mulher está a caminho. “Durante estes três anos existiam muitos comentários de senhoras a dizer que não eram só os homens que tinham pintta e, então, decidimos alargar o leque da nossa oferta”. Um par de sapatos da Pintta custa 200 euros Ao elaborar os sapatos da Pintta, “procuramos sempre a qualidade. Um par de sapatos da Pintta ronda

valores que se fixam nos 200 euros”. O mentor do projeto nasceu nos Estados Unidos da América, veio para Portugal com dois anos e considera-se mais português do que americano. Ao nosso jornal referiu que “uma das coisas que quer manter sempre é o Made in Portugal”. Portugal é o segundo melhor produtor de calçado O criador relembrou ainda que “Portugal está classificado como o segundo melhor do mundo na produção de calçado”. O POSTAL questionou o responsável acerca dos aspetos que diferenciam os sapatos Pintta de outros já existentes no mercado. “Desde logo o nome, pois se queres ter pinta tens de usar os pintta! Outra coisa que nos diferencia é o design único, o ADN único”, afirmou. Luís Contreiras revela que “a marca tem sido muito bem-sucedida no estrangeiro. Na Áustria temos um cliente que tem um grupo de lojas e tem vindo a aumentar sempre as compras”. A Pintta produz 1.500 pares em cada estação “Outro factor que é importante referir é o facto de até ao dia de hoje ainda não termos tido qualquer tipo de reclamação no que diz respeito aos nossos sapatos”, remata. A Pintta produz os sapatos ao semestre, o que quer dizer que saem novas coleções de seis em seis meses. “Nós temos duas estações: a Primavera/Verão e Outono/Inverno, sendo que por estação, a Pintta produz 1.500 pares. Quanto aos materiais utilizados na produção dos sapatos, Luís Contreiras está a adotar um conceito diferente. “Estamos a utilizar, cada vez menos, produtos de origem animal. Nesta coleção de inverno ainda estamos a habituar os nossos clientes a isso”. O criador afirma que “ainda temos alguns forros em vaca, mas para a estação Spring-Summer já não,

porque andei à procura de algo que conseguisse substituir este material”. Luís Contreiras conta que “não existe necessidade de estar a sacrificar animais e o planeta. Se cada um de nós contribuir um pouco, já estamos a fazer a nossa parte e a Pintta pretende aliar-se a este movimento e ser ambientalmente sustentável”, complementou. O mentor do projeto confessou ao POSTAL não ter formação na área do design, no entanto não esconde que essa é uma ambição futura. “Sempre gostei imenso de desenhar e trabalhei durante cerca de 20 anos numa loja onde fazia as montras e era responsável pela imagem da loja, pelo que considero que a formação que tenho são os anos todos que trabalhei ligado a marcas de reconhecimento mundial”. Luís Contreiras afirma que “a moda sempre esteve dentro de mim e agora estou a fazer parte dela”. A Pintta está presente no Facebook, Instagram, Linkedin e Twitter “É importante referir que nas lojas temos no máximo seis/sete modelos, no entanto, online temos cerca de 50 a 60”, explicou. Luís Contreiras afirma que a chave para o sucesso é simples: é necessário muito empenho e trabalho. O criador chega mesmo a trabalhar 14 horas por dia. Luís Contreiras revelou ao POSTAL um pouco do seu dia a dia. “Durante a fase da criação vou ao norte escolher os materiais aos fornecedores, depois chego ao Algarve faço o desenho, começo a juntar os materiais e texturas. Em seguida, crio as fichas, onde faço uma triagem e no final mando para a fábrica. No final, mandam-nos os protótipos para avaliarmos e testarmos se é exatamente aquilo que pretendíamos”. O mentor do projeto salienta que “a Pintta está virada para o mundo e, como tal, gostava que fosse reconhecida internacionalmente. E é exatamente para cumprir esse objetivo que vamos trabalhar imenso todos os dias”. pub


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••• REGIÃO

"Água com um Pingo de Consciência" percorreu as praias algarvias com excelente adesão outras ações que irão decorrer até final de outubro.

foto d.r.

􀪭􀪭 Campanha alerta para a escassez da água e para o seu uso mais eficiente Stafanie Palma / Henrique Dias Freire

stefanie.palma.postal@gmail.com

A Águas do Algarve tem divulgado a Campanha “Água com um Pingo de Consciência faz um Oceano de Diferença” através de vários canais. Recentemente, foram implementadas várias ações nas praias algarvias. Em entrevista ao POSTAL, Teresa Fernandes, responsável pela Comunicação e Educação Ambiental da empresa Águas do Algarve, fez um balanço da iniciativa. Qual é o objetivo da campanha? Como sabe, a atual problemática de escassez da água é um problema muito sério para a humanidade. Estudos recentes apontam para que já em 2025 um terço da população mundial sofra sérios problemas de abastecimento de água. Neste momento, o nosso país e a nossa região em particular começa já a sentir as consequências de um ano de fraca ou praticamente nula precipação. De acordo com os dados recentes do IPMA, “no final de agosto, aconteceu uma diminuição da percentagem de água no solo. Apenas 1,2% de todo o território continental está em situação normal, face aos 12% em seca extrema”. Estamos a viver um período de seca! As nossas origens de água estão com valores de armazenamento abaixo dos desejáveis para

esta época do ano (https://www. aguasdoalgarve.pt/content/disponibilidades-hidricas). Apesar de termos água disponível para abastecer toda a região, quer em quantidade, quer em qualidade, até ao final do corrente ano estamos, evidentemente, preocupados com o futuro. Face a esta problemática que nos envolve a todos, considerámos oportuno criar esta Campanha de Sensibilização Integrada, com o objetivo de fomentar consciências coletivas relativamente ao valor da água e à imperativa necessidade da mudança de comportamentos relativamente ao consumo de água. Não pretendemos alarmar a população, mas sim alertar para esta esta situação. A campanha teve início em julho, prolongando-se até meados de outubro. A que público alvo se destinou? É importante relembrar que o valor da água ultrapassa o seu valor monetário!!!!! A ÁGUA é um recurso essencial à vida e fundamental para o desenvolvimento social e económico de qualquer região. A melhoria da eficiência hídrica é uma obrigação para cada um de nós, uma vez que a água é um recurso limitado sendo necessário protegê-la. Mas esta é uma responsabilidade de todos. Não podemos permitir que ainda haja quem não se sinta responsável pelo mau uso que dela se possa fazer. Atrevo-me, inclusivamente, a dizer que é um crime esbanjar a água – não dependemos dela para viver???

Nesta conformidade, a campanha foi desenhada para ser desenvolvida junto dos principais utilizadores e da população em geral, quer para os nossos residentes, quer para os nossos turistas nacionais e internacionais, que nos visitam nesta altura do ano, havendo por isso vários peças em formato bilingue (português e inglês). Que atividades foram desenvolvidas? Sendo essencial “atingir” os nossos diferentes públicos-alvo sobre as práticas e medidas concretas a adotar, tendo em vista a mudança de comportamentos que contribuam para a utilização mais eficiente da água, esta campanha considerou um vasto conjunto de ações diferenciadas. Para além do Roadshow que esteve presente nos 14 concelhos que possuem praia (sendo uma fluvial), sendo a ação com maior visibilidade, a campanha destaca-se ainda pelas parcerias que efetuámos. Consequentemente, estivemos presentes nos principais eventos da região com ações de sensibilização (Fatacil, Feira da Serra, Feira da Dieta Mediterrânica, entre outros). Através do nosso parceiro ARS Algarve foi possivel colocar a campanha acessivel em todos os centros de saude da nossa região, temos ainda cerca de uma centena de autocarros algarvios a circular pela estrada com uma mensagem no vidro traseiro a alertar as pessoas para a necessidade de se poupar. Existem ainda várias

Quantas pessoas estiveram envolvidas na iniciativa? A campanha, pela sua multiplicidade de meios e ações, revestiu-se de muito interesse na região, com impacto inclusivamente fora do Algarve. Esta visibilidade, para a qual muito contribui a imprensa regional e nacional, teve e continua a ter como consequências muito positivas, que a própria população e entidades diversas procurem a Águas do Algarve e a campanha no sentido de a podermos replicar ainda noutros cenários e com novos parceiros. É o caso das escolas, por exemplo, que nos têm procurado, e empresas diversas, no sentido de realizarmos ações de sensibilização para os seus proprios colaboradores. Estes são apenas alguns exemplos que muito nos orgulham e motivam para continuar a querer continuar a trabalhar mais e melhor nesta matéria, onde muito há para fazer. É dificil por isso dizer quantas pessoas estiveram envolvidas nesta campanha, na certeza de termos atingido vários milhares. A campanha contou com vários parceiros da região. Quer comentar? O movimento de sensibilização para a importância de se integrar o uso eficiente e racional de água de forma permanente é, cada vez mais, uma causa nacional, uma vez que a escassez de água é uma realidade inevitável para a qual a população está cada vez mais desperta, designadamente no contexto das alterações climáticas. Com esta campanha, a Águas do Algarve pretende contribuir também para este movimento a nível da nossas região, sendo que para isso convidámos vários parceiros estratégicos, em especial os municípios e algumas das principais entidades da região, para participar na disseminação desta mensagem. Da parte da Águas do Algarve houve e continua a haver toda a abertura para as diferentes entidades integrarem esta e outras campanhas que promovemos. Nesta campanha em concreto, contamos com um conjunto muito rico de parceiros, os quais têm vindo a contribuir para o “sucesso” desta iniciativa, pelo que não posso deixar de os referir e aproveitar para agradecer todo o empenho que tem vindo a ser dado à

ação. São eles, a AMAL, ARS Algarve, Associação Bandeira Azul, CCDRAlgarve, DECO, DRAPAlgarve (Direção Regional de Agricultura e Pescas do Algarve), IPDJ ( Instituto Português da Juventude), RTA ( Região de Turismo do Algarve) e UALG (Universidade do Algarve). Qual o balanço que faz deste projeto? Na Águas do Algarve, a Comunicação é uma área que se assume com elevada responsabilidade. O empenho e dedicação que damos a todos os projetos, e a este concretamente, permite-nos acreditar que se trata de um balanço muito positivo, cujos resultados, numa primeira abordagem podem ser mensurados através da elevada participação nas diversas ações desenvolvidas a este propósito. Pensa que a iniciativa contribuiu para uma mudança efetiva nos hábitos dos cidadãos? Acredito que sim e, aliás, ao longo das várias ações que temos vindo a desenvolver é esse o feed-back que temos vindo a receber por parte daqueles que interagem com a campanha. Temos consciência de que é necessário continuar a insistir na passagem desta mensagem, munindo o consumidor de conhecimentos que enfatizem o valor da água, e em especial no contexto das alterações climáticas e os seus impactos ao nível das disponibilidades hídricas, no nosso dia-a-dia. Falo do consumidor individual e coletivo. A Águas do Algarve pretende dar continuidade a este projeto no próximo ano? A Águas do Algarve mantém ativa uma forte componente de Educação Ambiental durante todo o ano, e não apenas em alturas de maiores dificuldades (como é o caso atual da escassez de água). Esta proliferação concertada e contínua de ações, muitas vezes em parceria, dá-nos uma maior certeza daquela que deve ser a eficácia na inserção desta problemática ambiental no dia-dia da população. Pretendemos incentivar comportamentos e hábitos saudáveis, disseminando conhecimentos para que todos possam ser agentes sociais ativos e conscientes relativamente à preservação e proteção dos recursos hídricos e do ambiente em geral. pub


Alcoutim investe em novas infraestruturas na aldeia de Martim Longo As Infraestruturas de Apoio ao Ensino na Escola Básica Prof. Joaquim Moreira e a Revitalização Urbana na Aldeia de Martim Longo vão dar nova vida à localidade Regional do Algarve e da Comissão Diretiva do Programa Operacional CRESC Algarve 2020, Francisco Serra. A cerimónia contou também com a presença do presidente da Junta de Freguesia de Martim Longo, Paulo Ginga, e da diretora do Agrupamento de escolas de Alcoutim, Lurdes Gonçalves.

Este caderno faz parte integrante da edição n.º 1230 de 13 de Setembro de 2019, do jornal Postal do Algarve e não pode ser vendido separadamente

fotos d.r.

Revitalização Urbana na Aldeia foi executada pelo Programa Operacional CRESC Algarve 2020

tendo as Infraestruturas de Apoio ao Ensino na Escola Básica Prof. Joaquim Moreira sido executada através da candidatura designada por “Criação de Infraestrutura de Apoio ao Ensino na EBI 1,2,3, Joaquim Moreira, em Martim Longo”, pelo Programa Operacional CRESC Algarve 2020, eixo prioritário 7. Segundo as palavras de Osvaldo dos Santos Gonçalves, presidente da Câmara Municipal de Alcoutim, “a aposta na melhoria das instalações e

Francisco Serra e Osvaldo dos Santos Gonçalves inauguraram as obras de Revitalização Urbana na Aldeia de Martim Longo

A aldeia de Martim Longo, no concelho de Alcoutim, ganhou novas infraestruturas, que foram inauguradas no passado dia 30 de agosto e vão beneficiar a população e visitantes. Trata-se das Infraestruturas de Apoio ao Ensino na Escola Básica Prof. Joaquim Moreira (sala de

expressão artística e corredor de circulação ao pavilhão desportivo municipal) e da Revitalização Urbana na Aldeia de Martim Longo, considerando o arranjo paisagístico nas ruas principais e junto à igreja, assim como o espaço de acolhimento ao visitante/turista, onde é disponibilizada informação/divulgação

turística no Espaço Gerações. As inaugurações contaram com a presença da população, do executivo e convidados, que assistiram ao descerrar das placas de inauguração pelo presidente da Câmara Municipal de Alcoutim, Osvaldo dos Santos Gonçalves, e pelo presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento

As inaugurações contaram com a presença da população, executivo e vários convidados

A Revitalização Urbana na Aldeia foi executada através da candidatura Programa Operacional CRESC Algarve 2020, operação incluída no Plano de Ação de Desenvolvimento de Recursos Endógenos (PADRE),

das atividades nelas desenvolvidas conciliado com os objetivos de preservação, valorização e divulgação do património existente, refresca o interesse dos alcoutenejos e visitantes no nosso território”.

Obras nas igrejas de Alcoutim e Martim Longo vão ser apoiadas pela autarquia A Câmara de Alcoutim destinou mais de 80.000 mil euros para obras nas duas igrejas. A Câmara Municipal de Alcoutim vai apoiar financeiramente a realização de obras de beneficiação nas igrejas paroquiais de Alcoutim e Martim Longo.

Para a primeira a autarquia destinou 61.427 euros, no que respeita à segunda o

valor é de 20.995 euros. A Igreja Matriz de Alcoutim, um dos melhores exemplares do Primeiro Renascimento no Algarve e um dos símbolos da sede de concelho, será alvo de uma intervenção estrutural. O projeto de recuperação encontra-se já elaborado com o objetivo de submeter candidatura ao subprograma 2,

candidatura para comparticipação de equipamentos de utilização coletiva ao abrigo do despacho MCOTA n.º 7187/2003 de 11 de abril, podendo o investimento ser financiado a cinquenta por cento. Já a Igreja Matriz de Martim Longo vai ser alvo de obras de melhoria, ao nível do telhado e pinturas.

As igrejas de Alcoutim e Martim Longo vão ser alvo de vários melhoramentos


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Alcouteneja Joana Ramos sagra-se campeã nacional de canoagem pela quarta vez A atleta já tinha alcançado o título de campeã nacional individualmente, assim como por duas vezes conquistou o titulo de campeã nacional em K2 dos jovens enquanto pessoas, para se inserirem na sociedade com princípios cívicos e de cidadania, sabendo coexistir em grupo/comunidade, enaltecendo valores como o respeito, a tolerância, a cooperação e a entreajuda, entre outros.

fotos d.r.

Jovem canoísta vai representar Portugal no Olympic Hopes

Joana Ramos conquistou dois títulos nacionais, o de campeã de 200 metros e o de vice-campeã de 500 metros

A atleta Joana Ramos, do Grupo Desportivo de Alcoutim, participou no fim de semana de 27 e 28 de julho na prova do Campeonato Nacional de Velocidade de Canoagem, que

decorreu em Montemor-o-Velho e conquistou dois títulos nacionais, o de campeã nacional de 200 metros e o de vice-campeã nacional de 500 metros.

Os atletas do Grupo Desportivo de Alcoutim conquistaram até hoje 20 títulos nacionais, os resultados obtidos refletem a qualidade do trabalho que, diariamente, é reali-

zado na formação dos jovens, além da vertente desportiva, que dá importância à formação humana a nível pessoal, social e cultural, fortalecendo o desenvolvimento

Alcoutim recolhe uma tonelada de lixo na Estrada Nacional 124 “Por mim, Por Todos, Por Alcoutim sem lixo” é o mote da campanha lançada pela autarquia alcouteneja, dirigida à população em geral, mas que tem como principal alvo os jovens

Voluntários recolheram resíduos ao longo de 28 quilómetros da EN 124 A Campanha de Sensibilização e Limpeza “Por mim, Por Todos, Por Alcoutim sem lixo”, promovida pela autarquia local, tem dois eixos: ações de limpeza com voluntários e ações de sensibilização direta.

A campanha é dirigida à população em geral e tem como grande objetivo potenciar o desempenho de um papel mais ativo e consciente por parte dos cidadãos no âmbito da correta gestão dos resíduos produzidos, mas em especial dos jovens.

Com esta conquista, a atleta foi convocada para a seleção nacional de cadetes e vai representar Portugal no Olympic Hopes, a realizar em Bratislava na Eslováquia, de 13 a 15 de setembro de 2019.. Olympic Hopes é uma das regatas internacionais mais prestigiadas, direcionada a esperanças olímpicas, onde estão presentes os melhores atletas do mundo nos escalões de cadetes e juniores. O presidente da Câmara Municipal de Alcoutim, Osvaldo Gonçalves, saudou “a atleta alcouteneja pela conquista alcançada" e enaltece "a importância da mesma no reforço da imagem do concelho com potencial desportivo, onde o desporto dispõe de infraestruturas e vários programas de apoio que estimulam a prática individual e muito em especial o associativismo desportivo”.

A iniciativa teve a sua primeira ação no passado dia 6 de julho e juntou 15 voluntários, a maioria bolseiros da Bolsas de Estudo “Dr. João Dias”, o presidente da Câmara Municipal de Alcoutim, Osvaldo dos Santos Gonçalves, e os vereadores Paulo Paulino e José Galrito, que percorreram aproximadamente 28 quilómetros da Estrada Nacional 124, entre Martim Longo e Alcoutim, e algumas zonas urbanas da vila de Alcoutim, nos quais limparam a berma da estrada do concelho, recolhendo cerca de uma tonelada de lixo, destacando-se uma grande quantidade de objetos de plástico. A caminhada contou com a colaboração dos Bombeiros Voluntários de Alcoutim, da Guarda Nacional Republicana, do Agrupamento 1107 de Escuteiros de Alcoutim, da União de Freguesias de Alcoutim Pereiro, da Junta de freguesia de Martim Longo, da Junta de Freguesia de Giões e da empresa ALGAR.


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Câmara de Alcoutim descentraliza Centro Náutico de Alcoutim competências nas juntas de freguesias vai ser remodelado O apoio financeiro destina-se sobretudo à organização e ampliado para potenciar de festividades, atividades culturais e desportivas desportos aquáticos e à realização de obras e aquisições diversas A Câmara Municipal de Alcoutim transferiu para as quatro juntas de freguesia do concelho uma verba num montante total superior a 64 mil euros, no âmbito da delegação de competências. Os procedimentos administrativos consistem na celebração de contratos-programa.

fotos d.r.

A Câmara Municipal de Alcoutim vai transferir para as quatro juntas de freguesia do concelho mais de 64 mil euros

A delegação de competências é um instrumento legal de fulcral importância já que permite, em especial no âmbito da prestação de serviços de apoio direto à comunidade local, uma resolução mais eficaz das situações e uma resposta mais rápida dada a maior proximidade das juntas de freguesia com as populações. Esta colaboração permite dotar as freguesias dos meios necessários para a prestação de um serviço público de maior qualidade, nas diferentes vertentes, contribuindo desta forma para a aproximação do poder de decisão das populações, para a promoção da coesão social e territorial e para a melhoria das condições de vida dos cidadãos.

Município de Alcoutim constrói cinco novos fogos para fixar jovens A reabilitação do antigo edifício dos CTT, que apresenta um elevado grau de degradação, será em breve uma realidade

O preço da empreitada é de 464.700 euros O Município de Alcoutim assinou, no passado mês de maio, o contrato de empreitada para a reabilitação urbana do antigo edifício dos CTT com a empresa “José Quintino Lda”. A construção do edifício habitacional de cinco fogos na sede de concelho, através da reconversão do antigo

edifício dos CTT, será em breve uma realidade. O antigo edifício, situado junto ao castelo, numa zona privilegiada da vila, apresenta um elevado grau de degradação, pelo que a opção da autarquia passa pela sua demolição integral, sendo que o novo espaço que surgirá irá obedecer ao seu traçado original, bem como ao tipo

de revestimentos, proporções estruturais e estéticas, onde nascerá um edifício multifamiliar com cinco fogos habitacionais, quatro de tipologia T2, divididos por dois pisos com entrada pela Rua D. Sancho II e um fogo de tipologia T0, com um único piso e entrada pela rua junto ao castelo e acessível a pessoas com mobilidade reduzida. O preço da empreitada é de 464.700 euros, acrescido do imposto de valor acrescentando, tendo um prazo de execução de 24 meses e aguardando pelo visto do Tribunal de Contas. “Trata-se de mais uma medida para fixar os jovens e para resolver problemas de habitação já que a falta de habitação para venda ou arrendamento e os elevados preços das poucas existentes constitui um dos entraves à fixação das camadas mais jovens da população”, refere Osvaldo Gonçalves, presidente da autarquia alcouteneja.

A infraestrutura é recente e destina-se ao aproveitamento das potencialidades desportivas e recreativas do Rio Guadiana

Assinatura da empreitada da obra entre a autarquia e a CONDESP O Município de Alcoutim e a empresa CONSDEP - Engenharia e Construção, Lda assinaram, no passado dia 11 de junho, o contrato de empreitada para remodelação e ampliação do Edifício do Centro Náutico de Alcoutim. O Centro Náutico de Alcoutim beneficiará com esta obra de melhores condições de treino para os atletas e maior poder de atração de equipas externas ao território, para a realização de estágios, visto que será alvo de remodelações através da candidatura designada por “Remodelação do Centro Náutico”, aprovada pelo Programa Operacional CRESC Algarve 2020, operação incluída no Plano de Ação de Desenvolvimento de Recursos Endógenos (PADRE). Esta infraestrutura promove a prática de desportos náuticos, nomeada-

mente a canoagem de recreação/ lazer, formação e competição, com a candidatura o edifício será alvo de remodelações e ampliado, bem como apetrechado com equipamentos diversos, com vista a melhorar as condições de treino dos atletas. Alcoutim detém excelentes condições para a pratica de canoagem, beneficiando de magníficas condições naturais oferecidas pelo Rio Guadiana, tendo vindo a afirmar-se como grande potência regional de canoagem. O preço da empreitada é de 161.010 euros, acrescido do imposto de valor acrescentando, tendo um prazo de execução de 6 meses. O projecto, com um investimento elegível de 234.870 euros, ao qual foi atribuída uma comparticipação comunitária (FEDER) de 164.409 euros, tem conclusão prevista até ao final deste ano.

O Centro Náutico ficará dotado de melhores condições de treino


Mensalmente com o POSTAL em conjunto com o

SETEMBRO 2019 Ÿ n.º 130 9.653 EXEMPLARES

www.issuu.com/postaldoalgarve

MISSÃO CULTURA •••

Ermida de Nossa Senhora de Guadalupe: Experiência global e multi-sensorial num templo rural foto sergiy scheblykin

Projeto aprovado pelo Turismo de Portugal vai dotar a Ermida de Nossa Senhora de Guadalupe de condições de acessibilidade •

A Ermida de Nossa Senhora de Guadalupe constitui um ponto marcante no território na viagem entre Lagos e Sagres e integra-se numa paisagem ondulante de suaves colinas onde afloram os arenitos, o designado grés de Silves, ou “pedra farinheira”, como na região de Vila do Bispo é conhecida. Reconhecido como um dos mais

antigos testemunhos do gótico na região algarvia e um importante elemento patrimonial de particular relevância histórica, este templo constitui nos dias de hoje um importante lugar de memória para as comunidades locais. O “Projeto de Acessibilidade Física, Informativa e Sensorial”, recentemente aprovado pelo Turis-

foto vanda oliveira

Ermida é um importante lugar de memória para as comunidades locais •

mo de Portugal, no âmbito de uma candidatura da Direção Regional de Cultura do Algarve à Linha de Apoio ao Turismo Acessível do “Valorizar – Programa de Apoio à Valorização e Qualificação do Destino”, pretende munir o edifício da ermida de condições de acessibilidade física, informativa e sensorial, de forma compatível e coerente com a dimensão sagrada deste espaço, com as crescentes necessidades devido à afluência de públicos e com as dinâmicas especificas de funcionamento deste monumento nacional. O objetivo primordial deste projeto é o de dotar a Ermida de Nossa Senhora de Guadalupe de um percurso acessível para qualquer visitante com mobilidade reduzida temporária ou permanente, e o de promover uma comunicação inclusiva, útil a todos os visitantes, contemplando estratégias, ações e recursos para eliminar barreiras físicas, mas também intelectuais,

sensoriais, sociais ou culturais. Pretende-se proporcionar a todos os que visitam o templo uma experiência global mais inclusiva e mais próxima do lugar, oferecendo múltiplas oportunidades de aprendizagem, com uma estratégia de comunicação inclusiva, multissensorial e multimodal, com recurso a conteúdos mais humanizados e disponíveis em vários idiomas, letra ampliada, língua gestual portuguesa, sinais internacionais e braille. O caráter inovador do projeto traduz uma nova visão de intervir na recuperação e fruição do património e prende-se com a implementação estratégica do conjunto das seguintes intervenções: - um passadiço e rampa de acesso, que possibilitará, de forma muito simples, ultrapassar obstáculos de acessibilidade física ao interior do monumento; - sinalética informativa no interior e na envolvente do monumento; - um múpi interativo que nos dará a conhecer o enquadramento histórico do lugar, a origem do culto,

Ficha técnica Direcção: GORDA Associação Sócio-Cultural Editor: Henrique Dias Freire Paginação e gestão de conteúdos: Postal do Algarve Responsáveis pelas secções: • Artes visuais: Saul de Jesus • Espaço ALFA: Raúl Grade |Coelho • Espaço AGECAL: Jorge Queiroz • Espaço ao Património: Isabel Soares • Filosofia dia-a-dia: Maria João Neves • Letras e literatura: Paulo Serra • Missão Cultura: Direção Regional de Cultura do Algarve • Reflexões sobre urbanismo: Teresa Correia • Colaboradores desta edição: Filipe da Palma , Saúl Lopes Parceiros: Direcção Regional de Cultura do Algarve e-mail redacção: geralcultura.sul@gmail.com e-mail publicidade: anabelag.postal@gmail.com online em: www.postal.pt e-paper em: www.issuu.com/ postaldoalgarve FB: www.facebook.com/ postaldoalgarve/ Tiragem: 9.653 exemplares

foto lenea andrade

Projeto vai proporcionar aos visitantes do templo uma experiência mais inclusiva •

assim como também as vivências, saberes e memórias mais recentes das comunidades; - um efeito holográfico que permitirá uma experiência sensorial mais atrativa e diferenciadora, que ajudará a compreender a relevância histórica e patrimonial do lugar.

Pretende-se, com este projeto, proporcionar uma nova forma de ver, observar, interpretar e sentir este lugar de memória. l

Direção Regional de Cultura do Algarve


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CULTURA • SUL

LETRAS E LEITURAS •••

Entrevista a Patrícia Reis sobre As Crianças Invisíveis: “Ninguém quer uma criança crescida” Paulo Serra

foto carlos ramos

Doutorado em Literatura na Universidade do Algarve; Investigador do CLEPUL

Escrevi em tempos que A Construção do Vazio, o anterior romance de Patrícia Reis fechava um tríptico constituído por No Silêncio de Deus (2008) e Por Este Mundo Acima (2011), todos publicados pela Dom Quixote. Ressalve-se que esta conclusão não é minha mas surgia no próprio paratexto do livro, provavelmente na sinopse da contracapa. Atrevo-me, sim, a afirmar que com o seu mais recente As Crianças Invisíveis, esse tríptico converte-se em quarteto (a suspeita parece confirmar-se na última linha, aliás palavra, do romance) e pode ainda continuar. Em A Construção do Vazio, ficámos a conhecer Sofia, uma mulher que se remete a um silêncio que nem uma terapia de sete anos consegue romper, vítima de maus tratos, violada pelo pai e agredida pela mãe, numa narrativa crua e dura. Em As Crianças Invisíveis, a história centra-se em torno de M., uma criança invisível, que vive «na sombra da vigilância do Estado» (p. 210), devolvida já por duas vezes pelas famílias adoptivas, sendo a razão apontada o facto de sofrer de uma condição cardíaca (o seu coração sente demais), se bem que chega também a ser maltratada: «Ninguém quer uma criança crescida», como se pode ler neste livro. M. volta assim à Casa, uma instituição de acolhimento, onde convive com outras crianças igualmente rejeitadas com as suas próprias histórias, no seu único refúgio do mundo real. Num registo literário notável, em que consegue uma proeza linguística e narrativa singular, de que nos aperceberemos ao longo do livro mas que infelizmente vem anunciada na sinopse do livro pelo que podem sempre optar por ignorá-la (como eu costumo fazer antes de terminar o livro ou estar já bastante adiantado na leitura), como devem também ignorar o

Patrícia Reis é jornalista, cronista, editora da revista Egoísta e estreou-se na ficção em 2004 •

próximo parágrafo isolado em que explico essa singularidade narrativa do romance: Da mesma forma que M. e as outras crianças, dada a sua invisibilidade, uma vez que não passam de números e de processos, não têm nome, sendo designadas apenas pelas iniciais, também nunca se percebe qual o género de cada uma destas crianças. Como se na ausência de um nome se reflicta a própria identidade truncada, o vazio das suas vidas suspensas na ilusão de uma família, de uma pessoa a que possam chamar mãe. Apenas os adultos têm nomes. Saberemos, portanto, como é a relação de M. com S., Z., H., conforme esta criança, primeiro com dois anos, vai crescendo até atingir a maioridade e, por conseguinte, não pode continuar na Casa, tendo de enfrentar o mundo real de uma vida normal, mesmo sem ter tido as ferramentas emocionais que lhe dêem estabilidade e força. Mas M., e aqui reside uma das poucas notas de esperança do livro,

tem o apoio e o amor dos adultos que fazem daquela instituição um lar, como a assistente social Conceição, que aprendeu a ler os silêncios de M.. Da mesma forma que M. se irá apaixonar e perceber como a vida pode ser gloriosa e dolorosa. A violência e a desumanidade das histórias destas crianças ultrapassam a ficção, pelo que custa a crer que haja tantos casos como estes na realidade. Houve investigação feita por parte da autora, o que aliás se pode pressentir no próprio tema da narrativa, uma vez que ainda há dias circulava uma notícia, que já era de 2017, em que se dava conta de como em pouco mais de um ano, mais de 40 crianças cujo processo de adopção tinha sido iniciado (o processo de pré-adopção dura 6 meses, um “tempo de experiência” que as crianças passam com as famílias ou pais singulares adoptivos) foram devolvidas, em diversos casos por causa de condições de saúde. Patrícia Reis é jornalista,

cronista, editora da revista Egoísta desde 2000, e estreou-se na ficção em 2004. A infância é a geografia inicial Depois de um mundo pós-apocalíptico visto pelos olhos de uma criança em Por Este Mundo Acima (2011); da história de Sofia em A Construção do Vazio (2017), sobre uma mulher que se remete a um silêncio e um vazio que nem uma terapia de sete anos consegue romper, vítima de maus tratos, violada pelo pai e agredida pela mãe; silêncio de uma humanidade em busca de redenção já narrado em No Silêncio de Deus (2008), podemos considerar este romance um novo exercício literário em torno da infância como um tempo precioso que dificilmente se cura? Penso que a infância é, aliás, um universo a que voltas frequentemente. A infância é a geografia inicial, é aí que está o todo, seja por ser o começo da constru-

ção da identidade, seja pelo reconhecimento de emoções tantas vezes negativas. Nada é mais complexo do que crescer, do que ajustarmo-nos ao mundo. O que me importa verdadeiramente são as questões de identidade e as questões relacionais. Tudo na nossa vida nasce ali, na infância, e é definitivo a muitos níveis, mesmo que possamos invocar evolução e desenvolvimento pessoal. Regresso a esse tempo para entender o tempo da idade adulta. Fala-se muito do trabalho sobre a linguagem neste romance, numa escrita que aborda temas sérios e dolorosos com admirável contenção, distanciamento, numa “escrita límpida, poderosa e cirúrgica”. Inclusivamente conseguiste fazer o que acho que não tinha sido ainda feito na nossa língua, que é escrever um romance sobre uma personagem sem género... Mas mais admirável ainda, na minha óptica, foi conseguires narrar de forma

convincente a partir do olhar e sentir de uma criança. A plasticidade da língua foi um desafio, reconheço, contudo importava que o género não fosse determinante na forma como o leitor pode entender as personagens. O que queria sublinhar é o facto do espectro emocional ser o mesmo, ser para homens ou mulheres exactamente o mesmo: alegria, tristeza, dor, solidão. Nada disto tem género. A língua portuguesa, na sua infinita beleza, permitiu-me fazer este jogo. Foi muito difícil de apurar, não posso dizer que não o foi. O que me importa, na escrita, é a escrita “no osso”, como diria José Cardoso Pires. O vestir a pele da criança, a voz da criança, não é um feito, muitos o têm feito, é apenas o tal regressar à geografia inicial. Se bem que a leitura de A Construção do Vazio (2017) era já por si um murro no estômago, fizeste aqui uma intensa pesquisa para dar corpo ao romance, fazendo


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CULTURA • SUL

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foto d.r.

rias sem rosto, nesse sentido invisíveis, que talvez não tenham o impacto que podiam ter se fossem desvendados todos os pormenores. Devo dizer que parti para este romance considerando chocante a devolução; depois de tudo o que li e ouvi, não sou tão radical, existem circunstâncias. Leio na condição de M., com o seu problema de coração, uma alegoria a uma criança com falta de amor e que por isso mesmo se torna dura e quase fria... Achas M. uma personagem dura, quase fria? É engraçado porque a minha leitura é outra, é uma criança A violência e a desumanidade das histórias destas crianças ultrapassam a ficção • sobrevivente e todas as crianças jus à tua carreira de jornalis- se caldo de imaginação, por sobreviventes são, em certa. Podes descrever os passos isso a escrita é, tantas vezes, ta medida, crianças com um que deste? acompanhada de lágrimas. As estrago, uma cicatriz, o que Ouvi muito. Ouvir é crucial, histórias que eu ouvi não as as impele a comportamentos diria mesmo que é a função declinei directamente para o defensivos, mas não frios. O primordial do jornalista, que livro, nem isso faria sentido. facto de ter optado por uma é a minha formação, e é tam- As histórias inspiraram a cria- criança com um problema bém uma das funções do ção de outras histórias. Certas de saúde, para mais ao nível escritor. Ouvir. Observar. Co- opções narrativas, temáticas, cardíaco, era também uma nheci pessoas que viveram em são muito exigentes emocio- metáfora e, em simultâneo, instituições, profissionais que nalmente. um reflexo da condição huaí trabalham, pais e mães que mana. Não somos perfeitos. adoptaram. Mergulhei no amNum ano foram devolvidas Nenhum de nós. E todos pobiente para melhor entender mais de 40 crianças demos ser olhados de lado, como fazer a personagem M. com processo de adopção julgados, criticados, descarseguir o processo de invisibiiniciado tados com facilidade. Importa lidade para o de visibilidade, a sobreviver a essa realidade, sua construção de identidade Achei curiosa a sincronia de encontrar caminhos. a partir de uma cicatriz, de um que o livro, publicado em Jutrauma. Não foi uma pesqui- nho, saiu justamente quando Ao contrário de Sofia, do teu sa jornalística, não o é para a também se anunciava núme- romance anterior, que ficou ficção, não tomo notas, não ros chocantes de que, num de tal forma quebrada que faço perguntas como faria se ano, mais de 40 crianças cujo dificilmente se poderá reinestivesse a preparar uma re- processo de adopção tinha ventar... portagem, as coisas que me sido iniciado (o processo de A tristeza é uma escolha, interessam são outras. Preciso pré-adopção dura 6 meses, uma opção de cada um, sende sentir na pele e de me pôr um “tempo de experiência” do que é mais poderosa do no lugar do outro. que as crianças passam com que a alegria. É mais fácil ser as famílias ou pais singulares triste. É mais fácil a queixa ou A imaginação é terrível adoptivos) foram devolvidas, a crítica, o festejar o outro é em diversos casos por causa mais complicado. O problema Foi tão duro ouvir essas his- de condições de saúde, como é que a tristeza engole as pestórias como foi passá-las ao é o caso de M.. soas e isso foi o que sucedeu papel? É uma realidade. O proble- a Sofia, ela não quis, delibeA imaginação é terrível, é ma é a frieza dos números e radamente, fazer nada e, ao perturbadora, pode poten- o que escondem. Precisamos mesmo tempo, a vida proporciar o horror de uma maneira de proteger estas crianças, cionou-lhe isso, tinha dinheiro quase violenta. E eu vivo nes- é evidente, mas são histó- para viver sem precisar de se

mexer. A Sofia é uma personagem com outra complexidade, diria que ainda hoje a tento perceber na totalidade. Neste romance há pelo menos duas surpresas e um piscar de olho aos teus leitores, se bem que devo confessar que não fui propriamente surpreendido. Apercebi-me primeiro que a narrativa era feita com a tal neutralidade de género, mas depois senti, mais e mais, que M. só podia ser um rapaz... Quando o escreveste já tinhas em mente algum desfecho? E quando percebemos, também no final, quem é S., foi algo que eu já pressentia... Ou estarei a tergiversar? Muitas pessoas acharam que as personagens eram dois rapazes, muitas pessoas achavam que eram raparigas. Houve, aliás, uma amiga que ficou zangada comigo porque tinha entendido como um universo feminino e o fim veio estragar esse cenário que compôs na sua leitura. Portanto, diria que depende do leitor. Eu sabia que M. era menino e só decidi mais tar-

de o que seria S., sendo que S. é, na maioria das análises, entendida como rapaz por ir parar às oficinas, por trabalhar com madeira, o que prova o meu ponto de que temos ideias feitas e preconceitos que importam deitar por terra. O ser humano é capaz do bom e do mau, tem de escolher Daquilo que ouviste e descobriste no teu processo de pesquisa, achas que se pode afirmar que há pais que são intrinsecamente maus? Como há filhos intrinsecamente maus. Os violadores ou assassinos são filhos de alguém. Acontece apenas que o ser humano é capaz do bom e do mau, tem de escolher e, muitas vezes, a infância já dá pistas nesse sentido. Existem pais que têm as melhores intenções e que não são compreendidos pelos filhos e existem pais que são apenas pessoas más. Achei ainda curioso a forma como te debruçaste tanto

sobre a assistente social Conceição, o adulto que forma a ligação mais forte com M.. Vejo em Conceição o teu cuidado em dar voz à mulher e à dificuldade de a mulher, ao contrário do homem, poder ser julgada quando se dedica demasiado ao trabalho... A Conceição era a ponte para a realidade exterior à instituição, era a mulher profissional dedicada que falha no casamento e, porventura, no exercício da maternidade. Era a mãe que poderia ser e não foi. E é ainda uma homenagem a muitas mulheres que vi em instituições, profissionais que enfrentam esta realidade diariamente e que ajudam na construção de um futuro. Já tens em curso o teu próximo trabalho? Digamos que tenho umas páginas. Nunca entrego um livro à editora sem ter começado outro, preciso de saber que já tenho outro território narrativo no qual navegar, que não fico sozinha, sem personagens na cabeça a pedirem coisas. l pub


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ESPAÇO ALFA •••

O desafio da fotografia de rua foto saúl lopes

Saúl Lopes

Membro da ALFA

Um registo fotográfico de aspectos da vida quotidiana com espontaneidade e autenticidade num lugar público com um caracter documental, histórico ou social constitui a essência da fotografia de rua. Fotografia de rua é estar sempre preparado para poder fotografar o inesperado, o que lhe confere o caracter desafiador e ao mesmo tempo prazeroso. As fronteiras da fotografia de rua são esbatidas e as zonas de sombra enormes em relação a outros estilos de fotografia com os quais se cruza e convive. São registos fotográficos que transpiram por todos os pixéis utilizados um realismo envolvente e uma

"Em espera no aeroporto" - Pentax OPTIO W 80 28 mm,F/4.2,1/400 seg.,ISO 64 •

emoção subjacente, ao contar uma história, que não pode ser encenada ou invasiva. Sem fins manifestamente comerciais podemos fazer registos publicáveis ou não, dentro do res-

peito pela intimidade e dignidade humanas. Três premissas técnicas a considerar são o enquadramento, a focagem e a oportunidade do disparo. O enquadramento e a composição

definem o lugar físico onde decorre a história, englobando os elementos paisagísticos, arquitectónicos e dos seres vivos que possa conter. São linhas e curvas, luz e sombra, silhuetas e formas que comportam uma histó-

ria ou algo para contar. A focagem é aquilo que vai ajudar a definir os diferentes planos a realçar ou omitir. Os enfoques e desfoques ajudam a demarcar linhas de força ou a preservar a intimidade de quem é fotografado. O momento do disparo é crucial. Representa o culminar da interacção entre a objectiva e o objecto fotografado. Transporta consigo toda a emoção da captura que vai ser prolongada e ampliada por quem a vai visualizar. Traduz a magia de um momento que passa a ser importante no contexto pessoal ou social na medida em que a fotografia existe para ser partilhada. Na fotografia devemos ser rebeldes na adulteração das regras básicas da técnica fotográfica como forma de procurar resultados interessantes, harmoniosos e apelativos dentro dos condicionantes impostos pelo ambiente onde estamos a fotografar. Temos de ser arrojados na forma de encontrar sempre uma nova maneira de contar uma história em imagem. l

REFLEXÕES SOBRE URBANISMO •••

O urbanismo e as artes cem que seja efetuado um tratamento urbanístico por parte do Estado ou de uma autarquia que, por vezes, exigem abertura de vias, ou construção de espaços verdes, assim como habitação de diversa natureza. Procura-se um crescimento sustentável, baseado no respeito pelo ambiente, pela segurança e sã convivência entre as diversas partes da cidade.

fotos d.r.

Teresa Correia

Arquitecta / urbanista arq.teresa.correia@gmail.com

O urbanismo como arte Poder-se-á entender o urbanismo como uma arte? Dificilmente, o estudo da cidade é aceite como tal, porque normalmente decorre de iniciativas pontuais e de um normativo legal, ou seja, de algo que está imposto e ainda pela contingência do espaço e do seu aproveitamento. Porém, a intervenção de um urbanista como artista do espaço à escala macro irá proporcionar qualidade de vida aos utentes e construir uma simbiose entre a ciência e aquilo que é um desenho urbano equilibrado e belo. O urbanismo é uma ciência, uma técnica e uma arte, que elevará as cidades num mundo cada vez mais competitivo. A administração de uma cidade deverá conceber uma visão global, adequada à sua identidade cultural, social e económica, mas com uma ambição de desenho que seja forte, lógica e clara. Porém, quem valoriza os urbanis-

As artes urbanas como ferramenta do urbanismo O Museu do Louvre - Paris •

tas no nosso país? Facilmente são confundidos com os juristas de direito de urbanismo, porque reduziu-se praticamente os planos às normas, antes mesmo de se perceber o conceito, ou aquilo que será a correta distribuição das funções no espaço. Se compreendermos o desenho de Paris, este é forte e marcante, em que as singularidades dos monumentos marcam eixos longos na cidade, traduzidos em espaços de parques urbanos ou em avenidas, ou seja, os “Boulevards”. Outro exemplo de grande peso no urbanismo é Barcelona como uma cidade com um modelo forte. Foi Ildefonso Cerdá o urbanista que esteve por detrás dos desenhos, em

1859, e que produziu um plano estratégico com manifestação de diversos espaços públicos. O urbanismo como solução para um problema social O urbanismo deve também ser entendido como uma forma de resolução de problemas concretos de uma cidade, incluindo os problemas sociais existentes. Será relevante perceber como funciona a economia urbana e qual a leitura dos problemas atuais, propondo soluções que mesmo que sejam micro, poderão ser um grande sinal de estímulo ou de avanço. As áreas urbanas desqualificadas, como antigas áreas industriais, mere-

As artes urbanas são outra forma de gerar pontos singulares de interesse numa cidade, em que o edifício devoluto é já bastante patente e comum nos nossos centros históricos. As paredes envelhecidas e abandonadas, de repente ganham vida e criam forma numa arte sublime, tendo como exemplo o artista plástico Vhils, nascido em Lisboa e que já deixou obra pelo mundo inteiro. Outro exemplo são os espaços livres abandonados que poderão ser temporariamente utilizados, como

sejam um pátio ou um recanto, que possa recriar um ponto de estadia ou de palco para animação. As empenas cegas dos prédios, as quais nada contemplam, ou por vezes, só publicidade, poderão ser uma das telas de uma criação a realizar. Bastaria estimular concursos de ideias para tal situação, com prémios a atribuir pelo valor artístico. Não confundir com o graffity gratuito e de marcação de território, que normalmente acontece em zonas mais urbanas e que não valoriza nada os nossos territórios. Faro tem potencialidades para recriar espaços próprios para esta expressão artística e, por outro lado, estimular a realização d e exposições temporárias e rotativas em áreas públicas, valorizando as artes urbanas e, por outro lado, qualificando espaços urbanos pouco aproveitados. As nossas cidades merecem uma melhor atratividade, crescendo com um desenho urbano, lógico e claro, mas também artístico e belo. l


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MARCA D'ÁGUA •••

Cuidar da Casa Comum Maria Luísa Francisco Investigadora na área da Sociologia; Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa luisa.algarve@gmail.com

O sociólogo Michael Löwy refere que a emergência climática “já é, e vai-se tornar ainda mais nos próximos anos, a questão política central da nossa época”. Este sociólogo radicado em França, é director de investigação no Centre National de la Recherche Scientifique (CNRS) e defende um “modelo de civilização baseado na justiça social, na igualdade, na democracia, na solidariedade e no respeito pela nossa Casa Comum”. A expressão “Casa Comum” é cada vez mais usada, quer nos meios académicos, religiosos ou políticos. Existe cada vez mais o sentimento

de que a terra é a nossa casa comum da qual devemos cuidar. Michael Löwy reflecte sobre as vantagens do ecossocialismo e frisa que a Carta Encíclica Laudato si’ deveria ser lida pela esquerda: “A esquerda deveria ler este documento e inspirar-se no seu diagnóstico sobre a urgência de salvarmos a nossa Casa Comum, a Mãe Terra”. A meu ver, as questões ambientais estão para além do conceito de esquerda ou de direita, são questões globais e urgentes, porque estamos todos no mesmo barco. E quer ele se incline para a esquerda ou para a direita, afundamo-nos todos! Talvez só depois da actual situação da Amazónia algumas pessoas se tenham consciencializado dos limites do nosso planeta e dos limites da sua capacidade de carga, que há muito é referida por cientistas de diversas áreas. Filipe Duarte Santos, especialista em ambiente e alterações climáticas e presidente do Conselho Nacional do Ambiente e do Desenvolvimento Sustentável (CNADS) diz que a dependência dos combustíveis fósseis, tal como certas políticas são resultado dos interesses poderosos que estão por detrás desse sector económico. Este cientista considera

que no fundo não há “nada de novo” e acrescenta que “o egoísmo e a ganância, dois traços do Homo sapiens, sobrepõem-se a quaisquer preocupações com as alterações climáticas”. Unidos pela Terra-Mãe Setembro começou com um dia de reflexão e oração, sendo celebrado pela Igreja Católica o dia 1/09 como o Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação. O Papa Francisco instituiu este dia no ano de 2015. É uma iniciativa com sentido ecuménico porque a mesma data já era comemorada, há alguns anos, pela Igreja Ortodoxa, que deu início a esta celebração à qual se juntaram anglicanos, luteranos e evangélicos de todo o mundo. A celebração ecuménica anual de oração e acção pela Criação teve início no dia 1 deste mês, Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação, e termina no dia 4 de Outubro, precisamente no Dia de São Francisco, padroeiro dos ecologistas. Mais de um mês para que cristãos do mundo inteiro se unam em oração e acção para cuidar da casa comum. O tema para 2019 é: "A rede da vida". E para lançamento do tema o Papa Francisco proferiu estas palavras:

“Este é o tempo para voltar a habituarmo-nos a rezar imersos na natureza, para reflectir sobre os nossos estilos de vida, de empreender acções proféticas. As nossas orações e os nossos apelos visam sobretudo sensibilizar os responsáveis políticos e civis. Cada fiel cristão, cada membro da família humana pode contribuir para tecer, como um fio subtil, mas único e indispensável, a rede da vida que a todos abraça.” Laudato si’ Cuidar da Casa Comum: A Igreja ao serviço da Ecologia Integral é uma iniciativa de uma rede de instituições, organizações, obras, movimentos da igreja católica e de outras igrejas cristãs, bem como pessoas a título individual. A Rede procura aprofundar e difundir a Carta Encíclica Laudato si’ [Louvado sejas] do Papa Francisco, documento de 2015, que tem como sub-título: Sobre o cuidado da casa comum. A Laudato si’ acrescenta um novo contributo à Doutrina Social da Igreja e refere que toda a pretensão de cuidar e melhorar o mundo requer mudanças profundas “nos estilos de vida, nos modelos de produção e de consumo, nas estruturas consoli-

dadas de poder, que hoje regem as sociedades”. A Rede procura acompanhar, no espaço eclesial, as questões ecológicas de âmbito nacional e mundial, evidenciando as suas causas e consequências e equacionando-as à luz da referida encíclica. E não menos importante é o empenho em promover nas comunidades cristãs (paróquias, escolas, obras e movimentos) uma efectiva conversão ecológica e sugerir caminhos de actuação concreta com vista a uma ecologia integral. É com muito gosto que integro esta Rede (www.casacomum.pt) a convite da sua fundadora, Drª Manuela Silva, economista, catedrática (jubilada) do ISEG e ex-Secretária de Estado do Planeamento. E porque o espaço não permite mais, fica também o link da nota emitida pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) com o expressivo título “Levante a voz pela Amazónia”, que tem como referência a ecologia integral e a Laudato si’: http://www.cnbb.org. br/levante-a-voz-pela-amazonia-pede-cnbb-em-nota/ Que possamos levantar a voz, “não para gritar, mas para que os sem voz possam ser ouvidos...” l

ESPAÇO AGECAL •••

“Frei João de São José e a Corografia do Reino do Algarve”, uma obra do século XVI a reeditar Jorge Queiróz

Sociólogo Sócio da AGECAL - Associação dos Gestores Culturais do Algarve

Fernão Lopes foi o primeiro cronista do Reino, reconhecido pelo seu método rigoroso, estilo de prosa “realista”, sobre quem Alexandre Herculano afirmou já “ter nascido historiador”. Lopes teve importancia decisiva na reconstituição do passado nacional nos finais da Idade Média e na descrição das mudanças estruturais ocorridas num período turbulento, a crise 1383-1385, com ascensão de D.João I e o início da segunda dinastia. Questiona-se hoje os motivos porque Fernão Lopes deixou para outro a tarefa da descrição da conquista de Ceuta de 1415, sucesso que antecede a descoberta da Madeira e dos Açores, ao qual o Algarve esteve ligado. D. João I e os príncipes regressaram de Ceuta por Tavira e na cidade o

futuro rei D. Duarte e seus irmãos D. Pedro e D. Henrique foram distinguidos com honrarias e doações. Sucedeu-lhe Gomes Eanes de Zurara, homem ligado ao Infante D. Henrique, a quem dedicou textos laudatórios que viriam a originar a lenda do “Navegador”, na qual o Infante aparece como visionário e quase exclusivo obreiro das Descobertas Portuguesas. Alexandre Herculano refere que com Zurara houve, em relação à obra de Fernão Lopes, uma alteração do conceito de história e António José Saraiva chamou-lhe “ historiador da nobreza e dos seus ideais” como o confirma as obras que escreveu para casas senhoriais. Entre os cronistas mais relevantes da época, sobressaem Garcia de Resende, que foi “moço de escrivaninha” de D. João II e João de Barros com vivências e grande experiência no Oriente e que a pedido de D.João III escreveu “As décadas da Ásia”.

O mais destacado homem de letras do Algarve nesse século foi Jerónimo Osório (1506-1580), Bispo de Silves, humanista e latinista de renome, homem viajado e contrarreformista, escreveu “Da vida e feitos de El-Rei D. Manuel I”. O século XVI, pleno de movimentos de ideias, revoluções tecnológicas e artísticas, deixou marcas que permanecem em Portugal, na Europa e no mundo. Vários autores descreveram o Algarve quinhentista em textos que merecem especial referência. João Cascão, escudeiro de D. Sebastião, acompanhou o jovem monarca nas visitas pelo Algarve, entre Janeiro e Fevereiro de 1573, preparatórias da “jornada de África”, descrevendo-as pormenorizadamente na “Relação da jornada de El-Rei D. Sebastião quando partiu da Cidade de Évora”. No contexto das descrições do Algarve merece também referência a “História do

Reino do Algarve” de Henrique Fernandes Sarrão, mas o destaque maior vai para a obra de um religioso que viveu e morreu no Algarve na segunda metade do século XVI, Frei João de São José. Frei João de São José, natural de Tentúgal, religioso agostinho, publicou em 1577 a “Corografia do Reino do Algarve dividida em quatro livros ”que o historiador Joaquim Romero de Magalhães, recentemente falecido, considerou“ a mais notável corografia do Renascimento em Portugal”. Foi prior em Tavira, cidade onde terá falecido em 1580, ano também da morte de Jerónimo Osório e da perda da nacionalidade por morte do Cardeal D.Henrique, com disputa sucessória e intervenção militar de Felipe II. Pertencia à mesma ordem religiosa e foi contemporâneo de Frei Valentim da Luz, do Convento de Nossa Senhora da Graça em Tavira,

frade agostinho condenado pelo Tribunal da Inquisição, queimado em 1562 num auto de fé realizado no Terreiro do Paço. A corografia é um género descritivo que se diferencia da Geografia, incidindo numa escala espacial mais reduzida e muito detalhado em pormenores locais. A corografia do Reino do Algarve de Frei João é uma obra incontornável sobre o século XVI na região, inicia-se em Aljezur e termina em Alcoutim, com descrições detalhadas sobre as qualidades da região, origens e como se divide, produções agrícolas, pescas, as cidades e localidades… Medida de valorização histórico-cultural da região, num momento em que se vão completando efemérides importantes para a História do Algarve e do País, seria a reedição da Corografia de Frei João de São José e a sua divulgação pelos estabelecimentos e alunos do ensino secundário algarvios. l


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ARTES VISUAIS •••

Pode a arte visual ser sazonal? Saul Neves de Jesus

Professor Catedrático da Universidade do Algarve; Pós-doutorado em Artes Visuais; https://saul2017.wixsite.com/artes

É óbvio que a arte visual ocorre em qualquer altura do ano. No entanto, há produções artísticas que requerem condições climatéricas para poderem ser realizadas. Por exemplo, o Inverno é, nalguns países nórdicos, o período ideal para serem produzidas esculturas e estruturas com gelo, as quais permanecem construídas durante esse período do ano em que as temperaturas são muito baixas. A sua durabilidade é limitada, pois com o calor a água gelada começa a derreter, mas isso representa uma solução sustentável na produção artística. O aproveitamento das condições climatéricas para a produção artística ocorreu este Inverno nos EUA, em

Imagem do “Sand City” no Verão do Algarve •

particular no Estado do Minesota, em que as temperaturas atingiram os 50 graus negativos. Assim, surgiram muitas “exposições” de roupa congelada na neve, tendo até sido criado um desafio designado por “frozen pants”. Em artigos anteriores havíamos abordado o processo de democratização da cultura, através da

introdução da arte no quotidiano das pessoas, nos locais ou espaços que estas frequentam. Para além da arte urbana, também a “land art” (“arte da terra” ou “arte sobre a paisagem”) tem contribuído para uma maior ligação das pessoas às produções artísticas. Nesta perspetiva sazonal e da produção artística a partir da natureza,

no Algarve, desde o Verão de 2003, ocorre o Festival Internacional de Esculturas em Areia (FIESA). Este é considerado o maior evento do género em todo o mundo por utilizar cerca de quarenta mil toneladas de areia. Ao longo de 15 anos foram esculpidas mais de 700 obras originais, que se destacam pela técnica, pela estética e pela dimensão. As esculturas chegam a atingir os doze metros de altura e reproduzem, com grande detalhe, pessoas, objetos e cenários. Tendo sido realizado em Armação de Pêra, no concelho de Silves, até 2018, este ano a exposição está a decorrer em Lagoa. O parque temático designa-se Sand City Algarve, ocupando um terreno de cinco hectares, em que uma equipa internacional de 54 escultores construíram, usando várias técnicas de esculpir em areia, recriações de alguns dos mais célebres monumentos do planeta, tendo em conta que o tema é uma volta ao mundo em esculturas de areia. No mesmo espaço pode ser encontrada a Torre Eiffel (Paris, França), a Estátua

da Liberdade (Nova Iorque, EUA) ou a Torre de Belém (Lisboa, Portugal). Além disso, há uma zona dedicada ao mar, procurando mostrar o impacto negativo que os plásticos têm tido no ambiente marinho. A componente ambientalista desta exposição existe pela abordagem deste tema, mas sobretudo porque se trata da utilização de material reciclável e reutilizável, inserindo-se numa perspetiva de economia circular. Assim, quer as produções artísticas que usam o gelo, quer as que usam a areia, são sustentáveis, pois permitem a reutilização da matéria usada, não causando danos no meio ambiente. E é sobretudo esta perspetiva que gostaríamos de destacar neste artigo. O aproveitamento das condições climatéricas sazonais pode permitir uma produção artística mais “amiga do ambiente”, contribuindo para a sustentabilidade do planeta. Terminamos com a sugestão para visitarem o FIESA 2019, o que poderá ser feito até 8 de novembro. Vale a pena… l

ESPAÇO AO PATRIMÓNIO •••

Fotografando o Algarve há mais de duas décadas: “Expondo, exponho-me” Filipe da Palma Fotógrafo

Fotografando o Algarve há mais de duas décadas, em seus aspectos mais singulares, com especial atenção aos testemunhos ainda tangíveis de uma arquitectura aqui produzida e desenvolvida na primeira metade do passado século, encontro-me hoje na posse de milhares de imagens que dão corpo a um discurso antagónico a um outro, sendo este último simplório e redutor, acerca da Arquitectura Popular na Região do Algarve, cuja existência domina ainda sobre a maioria da população. De facto, se por um lado o discurso dá os primeiros passos de mudança ao nível da produção de conhecimento dentro das Universidades, revelando uma complexa e variada ocupação e vivência do espaço; por outro assiste-se, a um mesmo compasso, ao confinamento do mesmo a essas mesmas instituições não contagiando a população e desta forma perpetuando não só uma ideia errada acerca da Região,

mas igualmente condenando os testemunhos ainda existentes a uma efemeridade que não se coaduna com um possível estatuto que poderiam vir a lograr, se fossem reconhecidos enquanto Património. Somos educados no sentido do Património erudito e religioso, altaneiro e majestoso, formatados por doutrinas de criação de uma unidade de imagem de uma Arquitetura Algarvia alva e utilitária - uma determinada arquitectura popular do Algarve, cuja existência se caracterizava por elementos ligados somente à estética do prazer visual, encontra-se remetida para as sombrias dobras da História, onde nunca se deverá entrar, pois quem o fizer cairá no campo do exótico, do pastiche, da bizarria. Penso que não erro ao escrever que já todos teremos experimentado sensações transmitidas pelas ruas por onde caminhamos, e se algumas poderão transmitir a frieza dos alumínios, repelindo; outras transmitirão a maciez da madeira, envolvendo-nos. Nas urbes, sendo as ruas um espaço público confinado pelas fachadas das habitações, ao percorrê-las, já todos pensámos na

falta de urbanismo ligada a uma recente construção ou, pelo contrário, julgámos estar perante um tesouro: um testemunho de um Tempo Outro. “Já elaborei exposições por todo o território” A partir de certo momento que não saberei precisar no tempo, vi-me com um corpo de trabalho já imenso, e capaz - quer pelo seu número quer pela diversificante riqueza por si representada - de ser exequível a ideia de edificação de uma exposição em cujas linhas estivessem contidos os múltiplos elementos que imprimem à arquitectura algarvia um cunho singular e diferenciador. A primeira oportunidade surgiu na forma de um convite feito pelo saudoso António Rosa Mendes, para elaborar uma exposição de raiz na biblioteca da Universidade do Algarve. Concebi a criação de um conjunto expositivo a partir das existentes mesas-vitrine (cerca de 20) em cujo interior dispus cerca de 600 imagens impressas, sendo que todas elas se encontravam veladas sob uma camada de areia da praia, obrigando o

espectador a afastar a areia dos olhos, no que se assemelhava a um arqueológico exercício, para se poder ter acesso a uma outra realidade. A par tir desse moFilipe da Palma já expôs os seus trabalhos por todo o país • mento até aos dias de hoje, elaborei exposições vezes do dia-a-dia, um conjunto ou por todo o território, tendo sempre um pequeno elemento, trazê-lo de presente a tentativa de mostrar a um dissolvente firmamento para a existência de uma riqueza arquite- altura dos olhos ou à distância tangítónica presente nas formas, cores, vel do toque confere a tal elemento influências, materiais e soluções. na imagem representado uma outra Assim, pensando nas razões que visibilidade, uma outra existência, me levam a edificar um conjunto tornando-se possível não somente expositivo e a colocá-lo perante o a criação de uma políedra imagem olhar do outro, será não somente acerca da Arquitectura Popular Alo desejo de mostrar o trabalho por garvia como a sua sedimentação mim desenvolvido, fruto de paixão, enquanto existência sob ameaça. mas igualmente de uma tentativa de contaminação do próximo para que Se puderes olhar, vê. Se podes ver, repara. igualmente inscreva em si a importânLivro dos Conselhos cia da existência de tais elementos. Ao subtrair à realidade, muitas das d’El-Rei D. Duarte l


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FILOSOFIA DIA-A-DIA •••

Filosofia a duas rodas: pela nossa N2 Maria João Neves Ph.D Consultora Filosófica

A filosofia começa com o espanto. Assim reza o livro alfa da Metafísica de Aristóteles. A filosofia começa, portanto, com a capacidade de se surpreender, de se maravilhar. Viajar cria condições favoráveis para que tal aconteça. Abandonamos hábitos e rotinas, saímos desse quotidiano que conhecemos demasiado bem. Ao viajar, retiramos o manto de indiferença que cobre o mundo impedindo-nos de o apreciar. Como diz Charles Feitosa “Filosofar é migrar voluntariamente, exilar-se da própria casa, da cidade, de si mesmo (...) passamos a perceber de forma mais apurada as coisas e tornamo-nos revolucionários!” Viajar de mota é como colocar especiarias na comida! Os cheiros, os recortes da paisagem, os sons, tudo se intensifica! Podemos deslizar devagar, ou correr velozes. Viajar de mota é ter o corpo sempre presente: manter o equilíbrio em duas rodas, inclinar-se nas curvas durante o tempo necessário para as superar sem cair, retesar braços e levantar-se nas lombas e, sobretudo, encontrar a forma de relaxar entre uma coisa e outra. Viajar de mota é sentir o erotismo da deslocação do ar, a adrenalina da velocidade que se expressa no roncar dos motores, e uma sensação de liberdade que nos invade a alma!

Era uma vez três amigos e duas motas, um pano do motoclube de Faro, muitos pins, e uma pendura inexperiente mas entusiasmada: Live to ride and ride to live! Veremos se te aguentas! No meu espírito relembro as palavras de Raul Proença: “Quem é assim disposto para a felicidade não tem que lamentar as

estopadas dos caminhos.” (Guia de Portugal, 1927). E assim fizemos Faro-Chaves num dia para depois começar a saborear a descida pela lendária N2. As estradas não ligam apenas lugares, ligam pessoas. Pela N2 há colegas de curso ao longo das povoações. São memórias colectivas de há muitos anos que agora se revivem em redor de uma bela posta de bacalhau - tão alta como jamais vi! - , bem regada com um tinto a condizer! O casal amigo que nos recebeu no km Zero em Chaves foi tão bom cicerone que quase se torna difícil iniciar a viagem. A Ponte Trajano - ex libris da cidade - resiste às intempéries do Tâmega há cerca de 1900 anos e seduz, quer de dia quer de noite. Nas suas margens encontra-se o Museu Nadir Afonso com arquitectura de Siza Vieira - aqui o deleite é duplo, quer na geometria virtuosa e colorida das telas de Nadir, quer nos amplos espaços que Siza concebeu para as albergar. A gastronomia do lugar é saborosa e farta, não podendo dispensar-se o famoso pastel de Chaves. Depois de tanto prazer dado ao palato, recomenda-se beber a água que brota a 73 graus e tem a tradição milenar de cura de afecções músculo-esqueléticas, do aparelho digestivo e respiratórias, e também se diz benéfica para a prevenção de mazelas modernas como o stress e a ansiedade. Os seus vapores na noite fazem pensar que em tempos idos também aqui existiriam pitonisas. Nas redondezas é impossível não experimentar mais nascentes que brotam por toda a parte: Campilhos; Pedras Salgadas, Vidago... Mesmo junto ao marco do kilómetro zero encontramos em estética motard um bar/restaurante homónimo e a loja de recordações Templo N2, que abriu em Julho deste ano e é já um enorme sucesso! Descemos por Vila Real e na Régua a respiração suspende-se com

G a beleza da paisagem! Fica a vontade de um passeio de barco pelo Douro e as visitas às vinhas da região. Junto ao rio, pedimos uma limonada fresca com hortelã para retemperar as forças e seguimos caminho. A cada curva a paisagem deslumbra! Mais abaixo a estrada divide duas pequenas povoações: Matança, para a direita, e Forca para a esquerda. Caso para dizer: venha o diabo e escolha! Em Lamego pelas festas de Agosto colocaram um palco gigante mesmo em frente da monumental escadaria de acesso ao Santuário de Nossa Senhora dos Remédios! Haverá remédio para tamanha insensibilidade?! Rodeamos e subimos. Lá em cima, longe do check sound, é possível ouvir o silêncio e estender o olhar. A igreja está aberta e, pelos claustros, ensaiam espontâneos elementos do coro. Seguimos o caminho abençoados... Boa a benção que nos enche os depósitos da paciência! É que desce o crepúsculo e em Viseu das rotundas perde-se a N2! Não há como! Nem perguntando a Viriato “destro na lança mais que no cajado” (Lusíadas, VIII)! Por muito fieis que queiramos ser, só seguindo um pouco pela IP3 se sai daquele rodopio! É noite cerrada quando chegamos a Tondela, onde a generosa hospitalidade de antigos colegas não cessa de surpreender. Grelha-se no jardim carne da melhor, tão abundante que recorda as hecatombes descritas na Odisseia, e fazem-se libações aos deuses da amizade, esta que cai em cascatas de gargalhadas na recordação dos episódios caricatos, ou nas graças novas que se geram ali mesmo, ao sabor fotos joão dias e honorato

rilo

do momento. É a festa! É a alegria! É a dança! É o deslizar do corpo e da mente para esses vestígios de ritual dionisíaco dos tempos modernos. E é já tão tarde que se tornou manhã cedo... E quando de novo entardecemos não resistimos aos encantos da Fonte da Sereia que nos incita a conhecer a praia fluvial de Nandufe. Tão pequena mas tão bela! Dir-se-ia que podemos espreitar o habitat natural destas criaturas míticas. Em Santa Comba Dão vem à mente a polémica sobre a criação do Museu Salazar e a petição em contra que circula pela opinião pública via internet. Períodos nebulosos da nossa história a coincidir com esta manhã de pouca visibilidade. Desaguamos na lindíssima praia fluvial de Góis, com o seu areal branco no meio do rio e uma ampla esplanada por cima das águas. Enquanto degustamos uma bela alheira recordo que também Michel Vaillant - o meu piloto herói de banda desenhada - andou por aqui! Prosseguimos rumo a Pedrógão Grande. Em contraste com o verde de mais acima, o coração aperta à vista das árvores queimadas, e à ausência da ve g e t a ç ã o rasteira que ainda não recuperou! Pesarosos, recordamos o inferno que aqui se viveu em Julho de 2017. Apesar da proximidade com a grandiosa barragem de Cabril, o socorro não chegou a tempo! Com 66 mortos

e 254 feridos foi o maior incêndio florestal de sempre em Portugal e o mais mortífero da história do nosso amado país. Amado?! Sim, porque é impossível não se amar Portugal ao percorrer a N2. E aqui, em Pedrógão Grande, este amor dói. A próxima paragem será doce, palha de Abrantes. Do castelo-fortaleza alongamos o olhar a perder de vista. Daqui em diante a bacia hidrográfica do Tejo exibirá o seu esplendor, pela ribeira do Sôr, sobretudo nos quilómetros que ladeiam a enorme extensão de água do vale do Sorraia, que beneficia das barragens de Montargil, Maranhão e Magos. Os nomes das povoações fazem-lhe menção: “Água de todos os dias”, ou "Domingão”. Apetece parar a moto e viajar um pouco de canoa, ou estender-se muito quieto e observar as aves. Prosseguimos e o Alentejo estende sobre nós o seu manto de noite estrelada. O cansaço já pesa. Encontramos um belo porto de abrigo em Torrão, onde O Tordo está bem preparado para nos receber. O último dia reserva-nos as surpresas do Museu da escrita de Almodovar e, já prestes a terminar, a N2 faz as delícias dos motociclistas pelas curvas da Serra do Caldeirão. E eis a chegada ao Km 738 em Faro - a viagem terminou! Mas, afinal, é apenas o princípio do tanto que ficou por ver. Fica a promessa de regressar com mais tempo! l

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30 13 de Setembro de 2019

NECROLOGIA

MARIA VIOLINDA ARNALDA VIEIR A

MARCIA GUERREIRO PALMA

10-09-1930 Ÿ 23-08-2019

20-06-1935 Ÿ 28-08-2019

Os seus familiares vêm por este meio agradecer a todos quantos se dignaram acompanhar o seu ente querido à sua última morada ou que, de qualquer forma, lhes manifestaram o seu pesar.

Os seus familiares vêm, por este meio, agradecer a todos quantos a acompanharam em vida e nas suas cerimónias exéquias ou que de algum modo lhes manifestaram o seu sentimento e amizade.

SANTIAGO Ÿ TAVIRA SANTA MARIA E SANTIAGO Ÿ TAVIRA

ALDEIA NOVA Ÿ SERPA ALCOUTIM E PEREIRO Ÿ ALCOUTIM

Agência Funerária Santos & Bárbara, Lda.

Agência Funerária Santos & Bárbara, Lda.

MANUEL JOAQUIM 15-06-1930 Ÿ 20-08 2019

AGRADECIMENTO A família agradece reconhecidamente a todos os que se dignaram acompanhar o seu ente querido à sua última morada, assim como àqueles que assistiram à Missa do 7º Dia, que se realizou na Igreja do Azinhal – Castro Marim. “Paz à sua Alma”

MONTE DOS FORTES ODELEITE Ÿ CASTRO MARIM CARLOS FERNANDES PEREIR A AFONSO

MARIA TERESA DA CONCEIÇÃO

13-01-1965 Ÿ 02-09-2019

15-10-1936 Ÿ 06-09-2019

Os seus familiares vêm por este meio agradecer a todos quantos se dignaram acompanhar o seu ente querido à sua última morada ou que, de qualquer forma, lhes manifestaram o seu pesar.

Os seus familiares vêm, por este meio, agradecer a todos quantos a acompanharam em vida e nas suas cerimónias exéquias ou que de algum modo lhes manifestaram o seu sentimento e amizade.

SELA Ÿ ANGOLA SANTA MARIA E SANTIAGO Ÿ TAVIRA

CONCEIÇÃO Ÿ TAVIRA CONCEIÇÃO E CABANAS DE TAVIRA Ÿ TAVIRA

Agência Funerária Santos & Bárbara, Lda.

Agência Funerária Santos & Bárbara, Lda.

MARIA IVONE SOUSA NUNES 08-06-1933 Ÿ 21-07-2019

AGRADECIMENTO

MANUEL DA CONCEIÇÃO JUSTO

JOSÉ ANTÓNIO GUERREIRO CRISTO

16-12-1931 Ÿ 07-09-2019

09-01-1934 Ÿ 11-09-2019

Os seus familiares vêm por este meio agradecer a todos quantos se dignaram acompanhar o seu ente querido à sua última morada ou que, de qualquer forma, lhes manifestaram o seu pesar.

Os seus familiares vêm, por este meio, agradecer a todos quantos o acompanharam em vida e nas suas cerimónias exéquias ou que de algum modo lhes manifestaram o seu sentimento e amizade.

VILA NOVA DE CACELA Ÿ V.R.S.A.

VILA NOVA DE CACELA Ÿ V.R.S.A. SANTA MARIA E SANTIAGO Ÿ TAVIRA

Agência Funerária Santos & Bárbara, Lda.

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Filho, filha e restantes familiares, vêm muito reconhecidamente agradecer a todo o pessoal do Centro Intergeracional da Pégada, o carinho e a atenção que dispensaram durante o tempo que lá permaneceu, como a todas as pessoas que a acompanharam até à ultima morada bem como a todos aqueles que manifestaram o seu pesar. “Paz à sua Alma” TAVIRA

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13 de Setembro de 2019

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Município de Tavira Edital n.º 51/2019

CÂMARA MUNICIPAL DE CASTRO MARIM

Edital Dr. Francisco Augusto Caimoto Amaral Presidente da Câmara Municipal de Castro Marim TORNA PÚBLICO, que por seu despacho de 18/06/2019, exarado no processo de Reclamação nº. 09-25/2018, em que o Reclamado é o Condomínio do Prédio, sito no lote 154 da Urbanização em Praia Verde, referente à obra de construção de rampa de acesso á praia, junto ao Lote 154, na referida Urbanização, atendendo à impossibilidade de notificar por outras vias e tendo-se frustrado as tentativas de notificação por carta registada, vem a Câmara Municipal dar conhecimento da referida notificação para cumprimento, e que é do seguinte teor: "O prazo de 30 clias concedidos através do oficio nº. 11583 de 2018/08/27, a V.Ex.a para apresentar um levantamento topográfico geo referenciado, em papel e em formato digital editável, com a delimitação do lote, a implantação da construção e as respetivas áreas, acompanhado de termo de responsabilidade do topografo assim como seguro de responsabilidade civil e prova da sua inscrição em associação ou ordem profissional, terminou em 2018/10/12, sem que o tivesse feito. Assim, foi o processo submetido a parecer do Consultor Jurídico da Câmara Municipal. Provido o dito parecer e de acordo com o meu despacho de 2018/12/1O, serve o presente para notificar V.Ex.a, sobre a intenção a intenção de ser ordenada a reposição da legalidade no prazo de 30 (trinta) dias a contar da data do conhecimento do presente, dispondo V.Ex. a, nos termos do previsto no nº. 3 do artº. 106º. do Decreto-Lei nº. 555/99 de 16 ele dezembro, com a redação dada pelo Decreto-Lei nº. 136/2014, de 09 de setembro, de um prazo de 15 (quinze) dias a contar da data do conhecimento, para se pronunciar sobre o conteúdo da mesma, sob pena de se agir em conformiclade com o que dispõe a lei sobre a matéria". Para constar se publica o presente Edital e outros de igual teor que vão ser afixados nos lugares designados por Lei e ainda publicitados no Jornal do Algarve e Postal do Algarve.

Castro Marim 19 de agosto de 2019 O Presidente da Câmara Francisco Augusto Caimoto Amaral (POSTAL do ALGARVE, nº 1230, 13 de Setembro de 2019)

Reze 9 Ave-Marias com uma vela acessa durante 9 dias, pedindo 3 desejos, 1 de negócios e 2 impossíveis ao 9º dia publique este aviso, cumprir-se-á mesmo que não acredite. A.A.

Ana Paula Fernandes Martins, Vice-Presidente da Câmara Municipal de Tavira TORNA PÚBLICO, que nos termos do n.º1 do artigo 56.º do anexo I à Lei n.º 75/2013, de 12 de setembro, em reunião ordinária de Câmara Municipal, realizada no dia 27 de agosto de 2019, foram tomadas as seguintes deliberações: 1. Aprovada por maioria a proposta número 201/2019/CM, referente a Aprovação do Tarifário de 2019 - Taviraverde – Empresa Municipal de Ambiente, E.M.; 2. Aprovada por unanimidade a proposta número 202/2019/CM, referente a Atribuição de apoio ao abrigo do RMAAD - Tavira Tennis Open 2019; 3. Aprovada por unanimidade a proposta número 203/2019/CM, referente a Atribuição de apoio à Associação José Afonso - Núcleo de Tavira - exposição sobre a vida e obra de José Afonso (nova versão); 4. Aprovada por unanimidade a proposta número 204/2019/CM, referente a Atribuição de apoio ao Rancho Folclórico da Luz – 42.º Festival de Folclore da Luz de Tavira; 5. Aprovada por unanimidade a proposta número 205/2019/CM, referente a Atribuição de apoio à Fábrica da Igreja Paroquial da Freguesia de Cachopo - Festa em Honra de Santo Estêvão, Padroeiro de Cachopo – 2019; 6. Aprovada por unanimidade a proposta número 206/2019/CM, referente a Atribuição de apoio em espécie à Fábrica da Igreja Paroquial de Santa Maria do Castelo; 7. Aprovada por unanimidade a proposta número 207/2019/CM, referente a Atribuição de apoio à Fábrica da Igreja Paroquial da Freguesia da Conceição - Festa da Senhora do Mar – 2019. Para constar e produzir efeitos legais se publica o presente Edital e outros de igual teor que vão ser afixados nos lugares públicos de costume. Paços do Concelho, 27 de agosto de 2019 A Vice - Presidente da Câmara Municipal, Ana Paula Fernandes Martins (POSTAL do ALGARVE, nº 1230, 13 de Setembro de 2019)

Reze 9 Ave-Marias com uma vela acessa durante 9 dias, pedindo 3 desejos, 1 de negócios e 2 impossíveis ao 9º dia publique este aviso, cumprir-se-á mesmo que não acredite. M.S.

Tribunal Judicial da Comarca de Faro Juízo de Competência Genérica de Tavira Palácio da Justiça - Rua Dr. Silvestre Falcão, 10 8800-412 Tavira Telef: 281320970 Fax: 281093519 Mail: tavira.judicial@tribunais.org.pt

ANÚNCIO Processo: 162/15.2T8TVR Justificação no Caso de Morte Presumida Referência: 114100143 Data: 04-09-2019 Requerente: Maria João Poço Laranjo e outro(s)... Interessado: Maria Solange do Poço Laranjo e outro(s)...

Nos autos acima identificados, correm éditos de 4 (quatro) meses, contados da publicação do anúncio de que foi proferida sentença em 2611-2018 a declarar a morte presumida de Aldomiro Vicente Laranjo, nascido em 28-11-1922, freguesia de Santiago [Tavira], nacional de Portugal, BI – 226105, residente que foi em domicílio: Rua Capitão Jorge Ribeiro, 5, Santa Luzia, 8800-544 Tavira, reportando-a ao dia 31/12/1958. Tavira, 04-09-2019 O Juiz de Direito, Dr(a). Paulo Almeida O Oficial de Justiça, Noélia Guerreiro (POSTAL do ALGARVE, nº 1230, 13 de Setembro de 2019)

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GALA

12 OUT

ALGARVE Tiragem deste edição:

GALA ALGARVE 2019

9.653 EXEMPLARES

2019

O POSTAL regressa dia 11 de Outubro

SAIBA QUEM SÃO OS 30 NOMEADOS A cerca de um mês da realização da GALA ALGARVE 2019, com a presente edição fica completo o número das 30 Personalidades nomeadas, indicadas pelos nossos leitores, cuja redação do POSTAL selecionou para as restantes 5 áreas: “DESPORTO”, “ECONOMIA”, “POLÍTICA”, “SAÚDE” e “TURISMO”

DESPORTO

JOÃO RODRIGUES

Campeão da Volta a Portugal em bicicleta É tavirense, de Faz Fato, nascido há 24 anos e foi na casa da sua equipa, em plena cidade do Porto, que venceu pela primeira vez a Volta a Portugal. João Rodrigues (W52-FC Porto) já era considerado um dos potenciais vencedores da prova deste ano e é a grande promessa do ciclismo nacional. Tem potência e tem capacidade mental como poucos.

JORGE VIEGAS

ECONOMIA

LUÍS CONCEIÇÃO

Presidente da Federação Internacional de Motociclismo (FIM)

Selecionador Nacional de Futsal Feminino da Federação Portuguesa de Futebol

Nasceu em Faro e é o primeiro português a presidir à Federação Internacional de Motociclismo (FIM). Jorge Viegas é profissionalmente gestor e empresário, mas é sobretudo um apaixonado pelo motociclismo, com uma vida dedicada à modalidade, ocupando vários cargos dirigentes. É igualmente membro do Comité Olímpico de Portugal.

Nasceu em Faro, tendo iniciado a sua atividade como professor, lecionando em Vila do Bispo, Vila Real de Santo António e Alcoutim, onde vive e trabalha. Licenciou-se em Educação Física e Desporto e é com os excelentes resultados como Selecionador Nacional de Futsal Feminino da Federação Portuguesa de Futebol quer se distingue.

Fundador e administrador do Grupo Algardata

CLÁUDIO CORREIA

Reitor da Universidade do Algarve

PAULO ÁGUAS

RICARDO MARIANO

É uma das maiores empresas na área da informática e das novas tecnologias. O Grupo é uma referência de excelência e de qualidade, nos mercados e nos territórios onde atua. Prima por uma grande aposta na formação cujo quadro é maioritariamente licenciado. A liderança de Cláudio Correia é hoje uma referência sector das Novas Tecnologias da Informação e Comunicação.

Licenciado em Economia, doutorou-se em Gestão, especialidade em Marketing. Na UAlg, já ocupou vários cargos dirigentes e como Reitor, Paulo Águas tem melhorado a proximidade entre o mundo académico e empresarial, além de assumir uma gestão rigorosa na UAlg com reconhecidos resultados nacionais e internacionais

É licenciado em Gestão de Marketing Empresarial e CEO de nove empresas que fundou, sempre com “o sorriso da confiança”, como ele gosta de dizer. Quem conhece bem Ricardo Mariano sabe que é um homem com duas grandes características, inteligência e coração. Ambas responsáveis por ele ser uma pessoa com tanto sucesso e muito acarinhado.

POLÍTICA

DINIS FAÍSCA

Psicólogo, chefe de gabinete do município de Castro Marim e ex-padre Dinis Faísco foi padre, é psicólogo e tem sido chefe de gabinete do município de Castro Marim demonstrando que é possível exercer um cargo político com grande sensibilidade e bom senso. Diz quem o conhece bem que a preocupação com as pessoas é a sua paixão. Dotado de uma grande cultura geral e interesse na causa pública.

ISILDA GOMES

Empresário e CEO do Grupo Timing

SAÚDE

VÍTOR ALEIXO

FILIPE VIEIRA

JOÃO RAFAEL

VIVINA CABRITA

Presidente da Câmara Municipal de Portimão

Presidente da Câmara Municipal de Loulé

Administrador do Grupo Hospital de Loulé

Administrador do Centro Ortopédico do Sul

Administradora da Clínica Vivina Cabrita

É licenciada em Ensino de Matemática e Ciências da Natureza. Foi professora, mas é na atividade política que deposita o seu coração. Já exerceu vários cargos de grande relevância, mas o seu maior desafio tem sido o de liderar o concelho de Portimão, cuja economia estava devastada. Hoje, o município de Portimão voltou a ser uma referência nacional.

Vítor Aleixo é natural de Loulé. É licenciado em História e Ciências Sociais na Universidade de Rostov/ Don, na Rússia. Participou ativamente no movimento estudantil democrático após o 25 de Abril e hoje é reconhecido como um dos grandes autarcas da atualidade, levando o concelho de Loulé a uma nova dinâmica.

O Hospital de Loulé, antigo Hospital da Misericórdia, sofreu uma remodelação estrutural profunda de forma a converter-se numa referência na saúde privada no Algarve. Tem estabelecido excelentes parcerias na área da saúde com grandes vantagens para os utentes. Filipe Vieira tem realizado um trabalho notável na consolidação e crescimento do Grupo Hospital de Loulé, assegurando uma crescente presença regional.

O Centro Ortopédico do Sul nasceu em 2000, na cidade de Olhão. Um jovem fisioterapeuta queria ter uma loja de ortopedia e criar soluções ortopédicas para o mercado. Hoje, João Rafael revolucionou o setor com inovação tecnológica e com a eficiência dos processos produtivos, que se distinga perante a concorrência, com liderança a nível já nacional e ilhas

Em atividade desde 1987, a Clínica Vivina Cabrita é considerada o maior e mais antigo centro oftalmológico do sul do país, recebendo os casos mais complicados e com a maior variedade de pacientes. A fundadora é uma referência nacional na área que sempre apostou em técnicas e aparelhos dos mais avançados e modernos existentes no mercado mundial 􀪭􀪭 CONTINUAÇÃO NA PÁG. 13

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POSTAL 1230 13SET2019  

• LEIA O POSTAL DESTA SEMANA! • (Sábado 10/8) nas bancas com o jornal EXPRESSO • ON-LINE uma informação à distância de uma clique em www.pos...

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