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destaque

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Cátia Marcelino / Henrique Dias Freire

Fotos: Cátia Marcelino / D.R.

Tesouro nacional das árvores de fruto está guardado em Tavira Tavira tem “a única colecção de citrinos do país, a única colecção de romãzeiras e a única colecção de nespereiras”, a Direcção Regional de Agricultura é a guardiã deste ‘bio-tesouro’ que tenta “preservar o passado para salvaguardar o futuro” da diversidade frutícola É EM TAVIRA, no Centro de Ex�

perimentação Agrícola, que milhares de fruteiras tradi� cionais, assim se chamam tecnicamente os exemplares de árvores de fruto, ajudam a preservar a riqueza da his� tória e do passado da região algarvia, formando a maior colecção de fruteiras do país. “Preservar o passado salva� guardando o futuro” são as palavras que João Costa, engenheiro da Direcção Re� gional de Agricultura e Pes� cas do Algarve (DRAP Algar� ve), utiliza para definir este projecto que teve início em 2011. Actualmente, ��������������������� em Tavi� ra existe “a única colecção de citrinos do país, a única co� lecção de romãzeiras e a úni� ca colecção de nespereiras”. A estas juntam-se ainda “as maiores colecções do país de vinhas de mesa, alfarrobeiras e figueiras”, revela António Marreiros, engenheiro da DRAP Algarve. Nos dados mais recentes que a DRAP Algarve dispo� nibilizou ao POSTAL, relati� vos a 2016, constam 44 aces� sos (denominação dada ao material genético que é re� colhido mas que ainda não apresenta garantias de ser verdadeiramente uma varie� dade e só depois de analisa� do pode ou não verificar-se ser uma variedade específica de uma espécie de árvore de fruto) de alfarrobeira, 122 de amendoeira, 97 de figueira, 29 de nespereira, 32 de ma� cieira/pêro de Monchique, 78 de romãzeira e uma co� lecção de citrinos com 150 acessos, esta última instala� da no Centro de Experimen� tação Hortofrutícola do Pa� tacão (CEHFP).

CITRINOS, A JÓIA DA COROA DA REGIÃO ����������������������� Os citrinos são os “me�

ninos dos olhos de ouro” para o sector agrícola da região, com 294 mil e 878 toneladas de produção, distribuídas por 14 mil e 878 hectares, afirman� do-se como a única produção de citrinos do país a cargo de uma Direcção Regional. Desta produção, 252 mil e 797 cor� respondem à laranja. Ao POSTAL, o engenheiro Florentino Valente revelou que a DRAP Algarve chegou a ter quase 20 mil hectares de citrinos plantados mas que “a crise fez com que se desse um decréscimo nesta produção e só há cerca de três anos a si� tuação começou a melhorar e os pequenos agricultores vol� taram a plantar”. O trabalho desenvolvido pela DRAP Algarve na área da preservação dos recursos gené� ticos já dura há vários anos e está longe de terminar. A pros� pecção, recolha e conservação de variedades tradicionais de fruteiras algarvias em perigo de extinção fez parte do pri� meiro projecto que começou em Janeiro de 2011 e terminou no final de Março de 2015.

21 VARIEDADES ESTÃO JÁ A SER CARACTERIZADAS PARA O SEGUNDO PROJECTO DA DRAP ALGARVE O director regional da

DRAP Algarve, Fernando Severino, revelou ao POSTAL que “actualmente, o grande foco da DRAP Algarve é conseguir a aprovação de um novo pro� jecto que se encontra agora em fase de apreciação”. Concluída a primeira fase do projecto, a DRAP Algarve está agora em condições de efectuar a caracterização das variedades, de acordo com

muito bem o que é o pêro de Monchique e por isso nós esta� mos a tentar descobrir o que é realmente essa variedade jun� to dos agricultores mais anti� gos, que a conhecem melhor e a identificam pelo cheiro in� tenso e outras características específicas. Depois, por via molecular, vamos analisando as pistas até descobrir o ver� dadeiro pêro de Monchique”.

DRAP ALGARVE QUER PRESERVAR A MAIOR DIVERSIDADE POSSÍVEL DE VARIEDADES O

ÔÔ Fernando Severino diz que o grande foco da DRAP Algarve é conseguir a aprovação de um novo projecto descritores/protocolos especí� ficos para cada espécie e, caso o programa seja aprovado, é depois apresentada a candida� tura “Conservação e Melhora� mento de Recursos Genéticos Vegetais”, no âmbito do PDR 2020. Para este segundo projecto, estão já em fase de caracteriza� ção cerca de sete variedades de amendoeira, quatro de figuei� ra e dez de alfarrobeira, e “há algumas que já identificámos com potencial para serem va� riedades específicas”, revela Florentino Valente João Costa explica que as variedades “costumavam re� ceber o nome da localidade ou do agricultor que as desco� briu” e por isso a fase de carac� terização é muito importante porque há muitas variedades “com nomes iguais que são

diferentes e muitas com no� mes diferentes que afinal são a mesma coisa”.

NÃO EXISTE NO PAÍS NENHUMA COLECÇÃO DESTA DIMENSÃO Principal objectivo do projec� to é preservar o património ge� nético tradicional de fruteiras Por todo o mundo têm sido recolhidos recursos genéticos vegetais e cada vez mais é reco� nhecida a sua importância na so� brevivência da humanidade e no equilíbrio ambiental. Ao POSTAL Fernando Severino garante que “no país existem outras colecções do género mas não há nada com esta dimensão”. Devido à perda de interesse na multiplicação de determi� nadas espécies, algumas varie� dades tradicionais começaram a desaparecer, perdas que António Marreiros considera “ir�

recuperáveis, são perdas que, à escala global, poderão vir a pôr em perigo a perenidade do homem na Terra, já que a biodiversidade é a melhor ga� rantia de um futuro equilibra� do”. O especialista mostra-se confiante no futuro e refere-se a José Vieira, engenheiro da DRAP Norte, que acredita que “a crescente preocupação dos consumidores europeus com a preservação do ambiente e com a qualidade dos produtos agrícolas pode vir a ser uma ja� nela de oportunidades para a reintrodução de antigas varie� dades na produção hortícola”. Florentino Valente dá o exemplo do pêro de Monchi� que “que antigamente se via muito e em grandes quanti� dades nas feiras tradicionais da região e foi desaparecen� do. Hoje em dia já não se sabe

objectivo da DRAP Algarve é precisamente preservar a maior diversidade possível de variedades na região, que foram sendo seleccionadas ao longo dos tempos por muitas gerações de agricultores. “De� pois de caracterizadas vamos então seleccionar as varieda� des que têm mais potencial e interesse regional, que se con� sigam impôr pela sua quali� dade e diferenciação, para que depois sejam divulgadas junto dos viveiristas autoriza� dos e possam ser produzidas em maior quantidade, con� tribuindo para a economia regional”, refere Florentino Valente. O principal interesse da DRAP Algarve é “recolher e acumular de tudo um pou� co, até porque há certas va� riedades que hoje podem ser menos importantes mas que amanhã podem ser as mais valiosas”, refere Fernando Severino. “Este projecto é muito importante para as próximas gerações e até mes� mo para as actuais, para que todos possam disfrutar da grande quantidade de varie� dades existente no Algarve”, acrescenta.


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Alguns dos exemplares existentes em Tavira

Agricultura: Colecção de fruteiras da DRAP Algarve

Jovens querem ressuscitar os velhos sabores da agricultura tradicional Principal interesse dos jovens agricultores é aliar a cultura tradicional às novas tecnologias CERCA DE 500 JOVENS agri-

cultores instalaram-se no sector agrícola no quadro passado de projectos PRODER e “metade desses jovens apresentou projectos relacionados com a agricultura tradicional”, refere ao POSTAL Fernando Severino, director regional da Direcção Regional de Agricultura e Pescas do Algarve (DRAP Algarve). Licenciados em Agronomia, Engenharia Biomédica, Farmacêutica, Engenharia Mecânica e muitos outros cursos nas mais diversas áreas, os novos agricultores interessam-se em ressuscitar os velhos sabores da agricultura regional, completando a cultura tradicional com as novas tecnologias. “Interessam-se pela alfarrobeira, pela medronheira, pelo figo fresco e pelo próprio pêro de Monchique. Demonstram muito interesse em todas as variedades que temos aqui”, refere Fernando Severino. Os citrinos continuam a ser uma

nais e por isso vêm certamente enriquecer o sector egrícola”. Uma opinião partilhada por Florentino Valente, engenheiro da DRAP Algarve, que considera “a juventude como o futuro da humanidade e por isso é muito importante que os jovens dêem continuidade ao sector, demonstrando sempre amor e carinho pelos produtos da terra e por aquilo que os nossos antepassados nos deixaram”.

JOVEM AGRICULTOR DE TAVIRA FOI CONDECORADO EM 2015 PELO PRESIDENTE DA REPÚBLICA COM A ORDEM DE MÉRITO EMPRESARIAL AGRÍCOLA Luís

ÔÔ Luís Sabbo é um exemplo entre os jovens agricultores da região das fortes apostas destes jovens agricultores que, no entanto, começam também a interessar-se pelos frutos vermelhos, os

frutos tropicais, os diospiros ou até mesmo pelo mel. O director regional da DRAP Algarve considera muito impor-

tante este interesse por parte dos jovens, pois estes “têm uma formação superior àquela que tinham os agricultores tradicio-

Sabbo, jovem agricultor de 33 anos e co-proprietário da Luís Sabbo, Frutas do Algarve, decidiu apostar no sector para dar continuidade ao negócio da família e, aos 31 anos, já foi condecorado pelo Presidente da República com a Ordem de Mérito Empresa-

rial Agrícola. Na agricultura, encanta-o sobretudo “a liberdade, o contacto com a natureza e o facto de não ser uma actividade monótona”. No que respeita às novas tecnologias, o jovem agricultor garante ao POSTAL que tenta inovar sempre que é possível e o seu espírito empreendedor levou-o a fazer crescer uma das maiores produções de dióspiro em Portugal e a inovar não só nas técnicas de produção como também na diversidade. No caso da romã, por exemplo, foi pioneiro a nível europeu relativamente à variedade produzida e às novas técnicas pós-colheita. Luís Sabbo acredita no desenvolvimento do sector agrícola no Algarve mas refere ao POSTAL que esse desenvolvimento “depende muito da vontade de trabalhar de cada pessoa que está na agricultura”.

Reclusos do Algarve produzem ‘Horta Solidária’ para ajudar pessoas carenciadas ATRAVÉS DE UM PROTOCOLO celebrado com o Banco Alimentar do Algarve, a Direcção Regional de Agricultura e Pescas do Algarve (DRAP Algarve) cedeu 2.670 metros quadrados dos seus terrenos para a “Horta Solidária”, um projecto que nasceu de uma parceria entre a Federação Portuguesa dos Bancos Alimentares Contra a Fome e os Estabelecimentos Prisionais e de Reinserção Social. “O protocolo com a DRAP Algarve surgiu do facto dos estabelecimentos prisionais de Silves, Olhão e Faro não terem terrenos agrícolas e a ideia foi aproveitar alguns dos terrenos sem uso da DRAP Algarve”, disse ao POSTAL Nuno Alves,

presidente do Banco Alimentar do Algarve. O principal objectivo da “Horta Solidária” é a integração social dos vários reclusos que integram o projecto e o presidente do Banco Alimentar do Algarve afirma que “a maior parte dos reclusos que temos ajudado conseguem trabalho quando saem dos estabelecimentos prisionais”. No projecto, o Banco Alimentar do Algarve trabalha em primeira instância com o Estabelecimento Prisional de Olhão e em alguns casos também com o Estabelecimento Prisional de Faro. O objectivo, refere Nuno Alves, “é que estes reclusos ganhem rotinas de trabalho para que depois quando saírem em

liberdade condicional se sintam integrados na sociedade”.

PROJECTO TEM INSTITUIÇÕES PARCEIRAS NAS MAIS DIVERSAS ÁREAS Como os terrenos

se situam fora das prisões e os reclusos não podem sair todos os dias, o Banco Alimentar do Algarve tem mais cinco instituições parceiras, de áreas distintas, que ajudam a manter o projecto. Ao Movimento de Apoio à Problemática da SIDA (MAPS) e ao GATO (Grupo de Ajuda a Toxicodependentes), juntam-se a Existir (Associação de Reabilitação de População Deficiente e Desfavorecidos), a AAPACDM (Associação Algarvia de Pais e Amigos de Crianças Diminu-

ÔÔ A ‘Horta Solidária’ já produziu 12 toneladas de alimentos ídas Mentais) e a ASMAL (Associação de Saúde Mental do Algarve), todas associações da região com expressão na área do apoio social. Além da cedência de terre-

nos, os profissionais da DRAP Algarve dão todo o apoio técnico neste projecto que Fernando Severino considera “muito interessante mas ainda pouco conhecido”. Ao POSTAL

o director regional da DRAP Algarve disse que “aqui as culturas são feitas em modo de produção biológico e o facto da mão-de-obra ser nacional é importante para divulgar o sector agrícola na nossa sociedade, através de um projecto que tem também uma função social bastante importante”. Ao longo do primeiro ano e meio de “Horta Solidária”, “foram produzidas 12 toneladas de alimentos que permitiram melhorar a alimentação das 18 mil pessoas que apoiamos”, refere Nuno Alves, acrescentando ainda que “é muito gratificante para o Banco Alimentar poder ajudar estas pessoas e ver os sorrisos e a alegria delas quando vêm trabalhar”.


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região

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Contagem decrescente para a abertura do MAR Shopping, do Grupo IKEA Maior centro comercial da região abre portas em Loulé a 26 de Outubro depois de ter falhado a data de abertura inicial prevista para Setembro fotos: cátia marcelino

Cátia Marcelino / Henrique Dias Freire

catiam.postal@gmail.com

JÁ COMEÇOU A CONTAGEM DECRESCENTE PARA A ABERTURA DO MAR SHOPPING ALGARVE, depois desta ter sido adiada por um mês devido à falta de um equipamento essencial para o sistema de segurança. Daqui a oito dias, a 26 de Outubro, o maior centro comercial da região abre portas em Loulé com 110 lojas e a maior área de lazer ao ar livre do país, conjugadas num espaço moderno que integra algumas das mais inovadoras soluções digitais do momento. Herman Gewert, director-geral do MAR Shopping Algarve, espera nove milhões de visitantes no primeiro ano de actividade do novo centro comercial de Loulé e está confiante de que o novo centro comercial abrirá portas na data prevista. “A abertura está a ser preparada com todo o empenho e vontade de apresentar à região um projecto desenvolvido com base nas preferências e gostos dos nossos visitantes, apresentando-lhes um centro comercial com características inovadoras, onde poderão passar tempo de qualidade”, refere Herman Gewert. O MAR Shopping está integrado num complexo comercial do Grupo IKEA, com 82 mil metros quadrados, do qual faz parte uma loja IKEA, que já está aberta, e o Designer Outlet Algarve, ainda sem data de abertura mas que a organização prevê que seja até ao final do ano.

GRUPO IKEA INVESTE CERCA DE 200 MILHÕES DE EUROS NO PROJECTO O Grupo IKEA

investe no total cerca de 200 milhões de euros neste projec-

ÔÔ Mar Shopping está integrado num complexo comercial do Grupo IKEA, com 82 mil metros quadrados

ÔÔ Herman Gewert, director-geral do MAR Shpping Algarve

to, que afirma “criar três mil postos de trabalho directos e indirectos na região algarvia”, para os quais ainda existem vagas disponíveis. A decoração é inspirada em elementos típicos da região como azulejos e uma instalação artística criada com 25 quilómetros de lã. Na construção do centro comercial foram consideradas diversas características

primeira loja Starbucks do Algarve, cinco salas de cinema, as primeiras do país com projecção laser, e uma zona de restauração com uma oferta variada. O complexo tem já 98% do espaço comercializado e a estas novidades juntam-se marcas do Grupo Inditex: Bershka, Lefties, Massimo Dutti, Oysho, Pull & Bear, Stradivarius, Zara

de eficiência energética, como a presença de plantas e espécies nativas em todo o complexo, a instalação de painéis solares fotovoltaicos, iluminação LED e software de controlo de consumo avançados. A sinalética será inteiramente digital, com vídeo walls, mupis e mesas interactivas. Nos materiais utilizados, a escolha teve em conta o reduzido

impacto ambiental, por isso toda a madeira é proveniente de florestas sustentáveis, acreditadas pela certificação Forest Stewardship Council.

MAR SHOPPING TEM A MAIOR PRIMARK DA REGIÃO E A PRIMEIRA LOJA STARBUCKS Entre

as 110 lojas que integram o gigante comercial, destaca-se a maior Primark da região, a

QUER TRABALHAR NO MAR SHOPPING?

INAUGURAÇÃO ESTÁ MARCADA PARA 25 DE OUTUBRO A inau-

Timing tem mais de 100 oportunidades de trabalho no Mar Shopping DE OPERADORAS DE LOJA , a

funcionários de limpezas e manutenção, passando por cozinheiros e ajudantes de cozinha a empregados de balcão, são mais de cem as posições que a empresa de recursos humanos algarvia ainda tem para preencher até ao final do mês. Para a abertura do novo espaço comercial de 110 lojas englobado no complexo IKEA, anunciada para 26

de Outubro, a Timing tem disponível uma centena de oportunidades em regime de full e part-time. “É uma excelente oportunidade para encontrar um novo trabalho ou um complemento a outro e a Timing orgulha-se muito de mais uma vez se assumir como a empresa de recursos humanos escolhida pelos algarvios. Mas deixo um conselho a todos, inscrevam-se o quanto antes, pois

estas ofertas, como todas as outras que disponibilizamos diariamente, estão a ‘voar’!” afirma Ricardo Mariano, CEO da Timing. Os candidatos devem formalizar a sua candidatura enviando o currículo para recrutamento1@timing.pt ou ligando para os consultores de recursos humanos da Timing da delegação de Quarteira através do número de telefone 289 140 850.

e Zara Home; e do Grupo Corefiel: Springfield e Woman’s Secrets. Entre as marcas já conhecidas encontram-se ainda: A Loja do Gato Preto, Aromas, Centros Único, Cinemas NOS, C&A, Deichman, Flying Tiger Copenhagem, José Luís Jóias, Joshua’s, McDonald’s, Mike Davis, Pingo Doce, Primark, Punto Roma, Salsa, Talho Burguer, Vitaminas, Wok to Walk, Worten, Zippy e 100 Montaditos.

d.r.

ÔÔ Ricardo Mariano, CEO da Timing Para conhecer estas e outras oportunidades visite www.timing.pt.

guração está marcada para o dia 25 de Outubro, numa cerimónia onde vão estar presentes o secretário de Estado Adjunto e do Comércio, Paulo Alexandre Ferreira, o vereador da Câmara de Loulé, Pedro Pimpão, o director-geral do MAR Shopping Algarve, Herman Gewert, o director de Gestão de Activos IKEA Centres Portugal, Espanha e França, Vasco Santos, e a country retail manager IKEA Portugal, Helen Duphorn.


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região

Verão Azul regressa a Lagos e Faro com propostas culturais imperdíveis pág. 8

Filipe Albuquerque luta pelo pódio no European Le Mans Series Autódromo Internacional do Algarve recebe evento internacional entre os dias 20 e 22 de Outubro Cátia Marcelino / Henrique Dias Freire

catiam.postal@gmail.com

HÁ UM PORTUGUÊS na luta

pelo pódio do European Le Mans Series, que se disputa no Autódromo Internacional do Algarve entre os dias 20 e 22 de Outubro. Filipe Albuquerque ambiciona alcançar o título de campeão e luta por um lugar no pódio nesta corrida onde tudo se decide. A equipa da United Autosports, da qual faz parte o piloto português, encontra-se a 80 pontos da liderança e ocupa actualmente a segun-

da posição da classificação geral. O piloto luso e os companheiros de equipa procuram alcançar o pódio em solo algarvio e a possibilidade da equipa de Filipe Albuquerque sair triunfante desta intensa corrida de quatro horas é muito elevada e promete uma luta renhida até ao final da competição. Pilotos de renome vão rasgar a pista do Autódromo Internacional do Algarve, num fim-de-semana que conta ainda com a participação das categorias TCR e Michellin Le Mans Cup.

d.r.

BRABHAM BMW DE NELSON PIQUET VEM PELA PRIMEIRA VEZ AO AUTÓDROMO INTERNACIONAL DO ALGARVE O Brabham

BMW BT52 foi um marco importante na história da Fórmula 1 ao tornar-se no primeiro carro turbo campeão do mundo de F1. O modelo utilizado pelo tricampeão Nelson Piquet, em 1983, vai estar pela primeira vez em Portugal, no Autódromo Internacional do Algarve, e durante os três dias do European Le Mans Series vai ser conduzido por Pedro Piquet, filho do conhecido pub

ÔÔ Filipe Albuquerque ambiciona alcançar o título de campeão piloto de F1, em diversas voltas de demonstração.

MUNICÍPIO DE TAVIRA EDITAL JOSÉ OTÍLIO PIRES BAIA, Presidente da Assembleia Municipal de Tavira TORNA PÚBLICO, que em sessão ordinária da Assembleia Municipal de Tavira, realizada no dia 18 de setembro de 2017, foram tomadas as seguintes deliberações: 1. Aprovada por maioria a proposta da Câmara Municipal número 128/2017/CM, referente ao aditamento ao Regulamento de Trânsito e Estacionamento do Concelho de Tavira – Versão Final; 2. Aprovada por unanimidade a proposta da Câmara Municipal número 130/2017/CM, referente ao júri para o procedimento concursal para provimento de cargo de Chefe de Divisão de Planeamento, Turismo, Inovação e Empreendorismo (5-PC/17); 3. Aprovada por unanimidade a proposta da Câmara Municipal número 131/2017/CM, referente ao júri para o procedimento concursal para provimento de cargo de Chefe de Divisão de Aprovisionamento e Infraestruturas (6-PC/17); 4. Aprovada por unanimidade a proposta da Câmara Municipal número 132/2017/CM, referente ao júri para o procedimento concursal para provimento do cargo de Chefe de Divisão de Equipamento e Mobilidade (4PC/17); 5. Aprovada por unanimidade a proposta da Câmara Municipal número 143/2017/CM, referente à dissolução da ANAS – Associação de Municípios do Algarve e de Huelva; 6. Aprovada por unanimidade a proposta da Câmara Municipal número 152/2017/CM, referente à dissolução da ANAS – Associação de Municípios do Algarve e Huelva – Aditamento à proposta 143/CM/2017; 7. Aprovada por unanimidade a proposta da Câmara Municipal número 150/2017/CM, referente à aquisição de software de gestão documental serviços Online e BPM – Assunção de compromisso plurianual; 8. Aprovada por unanimidade a proposta da Câmara Municipal número 153/2017/CM, referente à alteração do Plano de Urbanização de Santo Estevão – Aprovação final; 9. Aprovada por unanimidade a proposta da Câmara Municipal número 155/2017/CM, referente à atribuição de apoio à Freguesia de Tavira (Santa Maria e Santiago). Para constar e produzir efeitos legais se publica o presente Edital e outros de igual teor que vão ser afixados nos lugares de costume Paços do Concelho, aos 18 dias do mês de setembro do ano 2017 O Presidente da Assembleia Municipal, José Otílio Pires Baia (POSTAL do ALGARVE, nº 1192, de 20 de Outubro de 2017)

Com motor turbo de 850 cavalos de potência, estra-

tegicamente desenvolvido para ser um vencedor, o BMW da Fórmula 1 foi um ponto muito importante na consagração de Nelson Piquet como campeão, em 1983, numa junção perfeita entre piloto e carro. De acordo com responsáveis do Autódromo Internacional do Algarve, este evento vai ser “um fim-de-semana dedicado aos amantes do desporto sobre rodas, com várias diversões e actividades na zona do Paddock programadas para toda a família”. O acesso às bancadas do autódromo é gratuito e os bilhetes Paddock têm um custo de dez euros, com entrada gratuita para crianças até aos 16 anos.

Finge ter cancro e burla centenas de pessoas durante três anos Mulher residente em Albufeira subtraiu milhares de euros em donativos d.r.

Cátia Marcelino / Henrique Dias Freire

catiam.postal@gmail.com

UMA MULHER DE 32 ANOS, mãe de três filhos e residente em Albufeira, fingiu ter cancro durante cerca de três anos e burlou centenas de pessoas que participaram numa das maiores ondas de solidariedade no concelho. Daniela rapou o cabelo e fez-se passar por doente oncológica, dizendo ter um cancro raro. Milhares e euros foram angariados através de eventos e contas solidárias que supostamente serviam para pagar os tratamentos que fazia na Fundação Champalimaud, em Lisboa.

MULHER FOI DIAGNOSTICADA COM UM TRANSTORNO FACTÍCIO Foi na segunda-feira do passado dia 2 de Outubro que Daniela foi descoberta e acabou

ÔÔ Daniela rapou o cabelo e fez-se passar por doente oncológica por reconhecer que não tinha cancro. A PSP foi chamada à Fundação Champalimaud devido ao comportamento agressivo de Daniela, que acabou depois por ser encaminha para o Hospital São Francisco Xavier, onde lhe diagnosticaram Síndrome de Münchhausen, um transtorno factício que leva os doentes a fingir

ou causar doenças ou traumas psicológicos a si mesmos. Em Albufeira vive-se um clima de revolta e já foi criado um grupo no facebook com o nome de “Os Burlados de Albufeira” para todos aqueles que se sentem enganados. Até ao momento, a página conta já com mais de três mil membros.


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NOTARIADO PORTUGUÊS JOAQUIM AUGUSTO LUCAS DA SILVA NOTÁRIO em TAVIRA Certifico: Que no dia 15-09-2017, de folhas 105 a folhas 106, do livro de notas para escrituras diversas número 191–A, deste Cartório, foi lavrada uma escritura de JUSTIFICAÇÃO, na qual, RUI MANUEL DOMINGOS BARÃO, NIF 123.138.191 e mulher MARIA JOSÉ GUERREIRO MENDES, NIF 118.928.880, ambos naturais da freguesia de Cachopo, concelho de Tavira, casados sob o regime da comunhão de adquiridos, residentes na Rua do Regato, número 8, Cachopo, Tavira, declararam: Que, com exclusão de outrem, são donos e legítimos possuidores do prédio urbano, composto por edifício térreo, com vários compartimentos, destinado a habitação, sito em Feiteira, freguesia de Cachopo, concelho de Tavira, a confrontar do norte, nascente e poente com Rua e do sul com herdeiros de João de Brito Lopes, com a área de setenta e quatro metros quadrados, inscrito na matriz sob o artigo 2.244, não descrito na Conservatória do Registo Predial de Tavira. Que adquiriram o prédio por compra verbal e não titulada por escritura pública, feita em data imprecisa do ano de mil novecentos e oitenta e cinco a João Guerreiro, viúvo, residente que foi no dito sitio de Feiteira. Que adquiriram o prédio por usucapião.

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Tavira, em 15 de Setembro de 2017 A funcionária por delegação de poderes; Ana Margarida Silvestre Francisco – Inscrita na O.N. sob o n.º 87/3 Conta registada sob o nº. PAO/389/2017 Factura nº. 01391 (POSTAL do ALGARVE, nº 1192, de 20 de Outubro de 2017)

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- declararam ser donos e legítimos possuidores, com exclusão de outrem, do prédio rústico composto por terra de pastagem, que confronta a norte, nascente e poente com Manuel Jacinto Domingos e a sul com Manuel da Conceição Ramos, com a área de 840,00 m2, sito em Vale, na freguesia de União das Freguesias de Tavira (Santa Maria e Santiago), concelho de Tavira, inscrito na respetiva matriz sob o artigo 28795, que teve origem no artigo 27978 da extinta freguesia de Tavira (Santa Maria), com o valor patrimonial tributário de 10,03 €, não descrito na Conservatória do Registo Predial; - o referido prédio chegou à sua posse no ano de mil novecentos e oitenta, em data que não pode precisar, por partilha meramente verbal e nunca reduzida a escritura pública por óbito de seus pais José Viegas e Isabel Inácia, residentes que foram no dito Sítio de Corte Besteiros.

23

- porém, desde aquele ano, portanto, há mais de vinte anos, de forma pública, pacífica, contínua e de boa-fé, ou seja, com o conhecimento de toda a gente, sem violência nem oposição de ninguém, reiterada e ininterruptamente, na convicção de não lesar quaisquer direitos de outrem e ainda convencido de ser o titular do mencionado direito de propriedade daquele prédio, e assim o julgando as demais pessoas, tem possuído aquele prédio – cultivando-o, amanhando a terra, tratando das árvores, colhendo os respetivos frutos, suportando os encargos ou despesas com a sua manutenção – pelo que, tendo em consideração as referidas características de tal posse, adquiriu por USUCAPIÃO o referido imóvel, o que invoca Tavira e Cartório, em 11 de Outubro de 2017. O Notário, Bruno Filipe Torres Marcos Conta registada sob o n.º 2/3199 (POSTAL do ALGARVE, nº 1192, de 20 de Outubro de 2017)


20 de Outubro de 2017  |  7

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8  |  20 de Outu bro de 2017

região

DRAP Algarve está no terreno a ajudar agricultores contra a seca pág. 10

Verão Azul regressa a Lagos e Faro com propostas culturais imperdíveis Festival apresenta espectáculos para todos os públicos, sob a direcção artística de Ana Borralho e João Galante O FESTIVAL VERÃO AZUL CHEGA A LAGOS E FARO pela oitava vez, com um conjunto de manifestações culturais imperdíveis, do qual fazem parte

espectáculos de artes performativas, concertos, cinema, vídeo e um espaço dedicado ao público infanto-juvenil. Nascido em 2011 pelas mãos

OPINIÃO

Adicional ao IMI??? d.r.

Hugo Moreira Director-geral da Golden Properties

AIMI ou Adicional ao IMI, mais um Imposto criado pela Lei do Orçamento de Estado de 2017, mais uma forma de ir buscar mais dinheiro aos contribuintes para equilibrar as contas… Aparentemente tem causado tantos transtornos às famílias e reclamações, que o fisco não tem conseguido dar resposta. Este imposto acrescenta uma percentagem adicional ao IMI para as pessoas singulares ou colectivas que detêm um património imobiliário superior a 600 mil euros. No entanto, apenas os imóveis habitacionais e os terrenos para construção são incididos pelo AIMI. Ou seja, imóveis que na sua maioria nem estão a produzir uma rentabilidade, pois não estão a ser utilizados para negócio. Não seria mais justo este imposto incidir por imóveis que estejam a gerar rendimento? Para além do mais, no caso dos terrenos para construção temos logo uma par-

ticularidade, ora vejamos: um Armazém construído não paga AIMI, mas um terreno para construção de um Armazém já é sujeito a este imposto…??? Não me parece muito lógico, inclusive todos os terrenos que sejam para construção pagam AIMI, independentemente do seu fim… Depois, claro, como na maioria dos casos da Lei Portuguesa é possível “escapar” a este imposto, mas apenas no caso das pessoas singulares. Basta que um casal ou duas pessoas unidas de facto optem pela tributação conjunta e o valor tributável sobe para um milhão e 200 mil euros, fazendo com que fiquem isentos até este valor ou que minimizem a diferença juntando os 600 mil euros de cada um. Mas se optarem por esta modalidade de tributação, melhor não se chatearem ou separarem naquele ano, pois a Lei diz que esta opção é irreversível. Se juntaram o património apenas para um dos membros do casal pagar menos e por questões de arrufos não pagam, ambos são obrigados como devedores. Os que tiverem um património superior a um milhão e 200 mil euros já não há nada a fazer, só pagar. Tal como as pessoas colectivas, que pagam sempre. Por isso, tomem as vossas decisões relativamente a esta temática de forma informada e consciente!

da casaBranca, uma estrutura de criação e difusão artística sediada em Lagos, o Verão Azul traz a Lagos e Faro propostas culturais arrojadas, sob a direcção artística de Ana Borralho e João Galan� te, que prometem encantar todos os tipos de públicos. A arte contemporânea nacional e internacional propaga-se pela região algarvia durante as duas semanas em que o Verão se torna azul neste festival de cariz transdisciplinar onde a arte é rainha nas suas mais diversas formas. Uma conferência em forma teatral, um workshop de improvisação musical conduzida, uma viagem sonora e visual, histórias magnéticas, um dueto multi-instrumentista e uma masterclass são apenas algumas das sugestões que marcam a agenda cultural de Lagos e de Faro, entre os dias 17 e 28 de Outubro.

NA SÉTIMA ARTE, AS PROPOSTAS VÃO DESDE O CINEMA À VÍDEO-NOVELA O cinema che-

gou a 18 de Outubro com “O Ornitólogo”, de João Pedro Ro� drigues, e a vídeo-novela “Sadness is an Evil Gas Inside of Me” foi apresentada por Stine Omar & Max Boss������������������� /������������������ Easterjesus Pro� ductions. O documentário “Espanha Contracorrente”, de Marcus Toth, abre a programação cultural do Verão Azul na capital algarvia, a 24 de Outubro, numa altura em que o país vizinho se encontra em tempos de mudança. Na Galeria LAR, em Lagos, “Amanhã” é o documentário que Cyrill Dion e Mélanie Laurent apresentam. Sofia Dias e Vítor Roriz dão em Faro um workshop de Palavra e Movimento, na Companhia de Dança do Algarve, a 28

d.r.

ÔÔ Vera Mantero apresenta solo no Centro Cultural de Lagos de Outubro, e no mesma dia, a Masterclass de Tiago Rodrigues aborda o tema da morte no Teatro das Figuras. A arte teatral leva os lacobrigenses numa viagem sonora e visual pelo universo dos irmãos Grimm em “Pangeia” , por Tia� go Cadete e Eira, e em Faro, Tiago Rodrigues dirige Sofia Dias e Vítor Roriz em “António e Cleópatra”, uma peça que convida a “olhar o mundo através da sensibilidade das almas alheias de António e Cleópatra”, refere o autor.

ESPECTÁCULOS DE MÚSICA E DANÇA PERCORREM LAGOS E FARO A colaboração entre o

mexicano Fernando Corona e a pianista francesa Vanessa Wagner resultou na obra Statea que os artistas apresentam no Teatro das Figuras, a 28 de Outubro, numa alusão ao equilíbrio perfeito entre duas unidades de medida. O Clube Artístico Lacobri-

gense acolhe um dueto multi-instrumentista de rock experimental, pelos ZA!, e um trio composto por Alex Zhang Hungtai, David Maranha e Ga� briel Ferrandini, que alia a voz ao saxofone, percussão, órgão e bateria. Em Faro, a música passa pelo Club Farense, com “My Paradise is Better than Yours”, por Vasco Célio, Carlos Barretto e Mário Delgado e pelo Mercado Municipal com “Plethora”, por Jonathan Uliel Saldanha. Na dança, Vera Mantero é destaque com “uma misteriosa Coisa, disse o e. e. cummings”, um solo que estreou em 1996 para homenagear Josephine Baker, bailarina e cantora do século XX. Numa visão mais pessoal da vida e obra de Jose� phine, Vera Mantero apresenta o solo no Centro Cultural de Lagos, a 21 de Outubro. Aí dançam também Francisco Cama� cho / Eira, com “O Rei no Exílio”, e João Fiadeiro em “I Am Here – Restos e Rastos”.

O Verão Azul traz ainda a história-concerto de Sérgio Pe� lágio, projecto dedicado à composição de bandas-sonoras para histórias infantis, apresentado no Centro de Ciência Viva de Lagos, e a exposição “de uma natureza Híbrida”, de Sara Feio, na Galeria LAR.

DJ LYNCE E EASTER ANIMAM FESTA DE ENCERRAMENTO ������� A músi-

ca de Easter chega a Portugal pela primeira vez para a Festa de Encerramento do Verão Azul, a 28 de Outubro, na Associação Recreativa & Cultural de Músicos. A música electrónica não falta e o dj Lynce é chamado a palco para animar os algarvios. Participe nesta viagem pela contemporaneidade em modo festival, com propostas a não perder pelas terras algarvias. Toda a informação e programação do festival pode ser consultada em www.festivalveraoazul.com.

PROJECTO ‘UM CERTO PONTO DE VISTA’ INTEGRA O PROGRAMA 365 ALGARVE

Ciclo de arte contemporânea da Artadentro começa com exposição ‘Praia’ A EXPOSIÇÃO DE PINTURA ‘PRAIA’, da artista Ana André,

marca o início do ciclo de arte contemporânea intitulado “Um Certo Ponto de Vista”, um projecto da Artadentro que integra

o 365 Algarve. A artista reúne nesta exposição um conjunto de trabalhos que retratam a memória dos tempos em que passava os Verões da sua infância na praia

de Faro, reforçando a noção de ‘praia’ como o lugar de desejo por excelência. “É o ‘Éden’ contemporâneo, o lugar utópico do bem-estar”, refere a Artadentro. A exposição vai estar paten-

te ao público no Museu Municipal de Faro, até dia 3 de Dezembro, de terça a sexta-feira, entre as 10 e as 18 horas, e sábados e domingos, entre as 10.30 e as 17 horas.


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região

Algarve ganha ligação aérea directa para Itália em 2018 pág. 11

Autoridades tentam capturar raposas avistadas na praia de Cabanas de Tavira Caso está sinalizado desde 22 de Setembro e várias entidades tentam apanhar os animais Cátia Marcelino / Henrique Dias Freire

catiam.postal@gmail.com

TRÊS RAPOSAS, uma mãe e duas crias, apareceram há cerca de três semanas na praia de Cabanas, em Tavira, e têm sido avistadas pelas várias pessoas que frequentam a praia. No dia 22 de Setembro, o PAN enviou um pedido de intervenção ao Serviço de Protecção da Natureza e do Ambiente (SEPNA) e também o Centro de Recuperação e Investigação de Animais Sel-

vagens (RIAS) alertou as autoridades competentes para esta situação, da qual tem conhecimento desde o início. Diogo Amaro, responsável do RIAS, afirma que “temos conhecimento de que estão a ser feitos esforços para capturar os animais, em segurança, de modo a fazê-los chegar às nossas instalações para se iniciar o processo de recuperação o mais rapidamente possível”. De acordo com Pedro Palma, capitão Porto de Tavira e

Marco Sousa Santos lança livro sobre ‘A Igreja Matriz da Luz de Tavira’ Templo tem único exemplar de igreja-salão existente no Algarve O SALÃO DA JUNTA de Fregue-

sia da Luz de Tavira vai ser palco do lançamento do livro “A Igreja Matriz da Luz de Tavira”, este sábado, 21 de Outubro, entre as 15.30 e as 17 horas. A obra, da autoria do historiador de arte Marco Sousa Santos, será apresentada pelo professor doutor José Eduardo Horta Correia, catedrático em História da Arte pela Universidade do Algarve. A igreja paroquial de Nossa Senhora da Luz de Tavira, um edifício de três naves, todas com a mesma altura, totalmente coberto por abóbada, é o único exemplar de igreja-salão existente na região do Algarve e, provavelmente, o mais antigo exemplar desta tipologia a ser edificado em Portugal no período pós-manuelino. Outrora um importante centro de romaria, a actual igreja terá sido construída em meados do século XVI, algures entre 1548 e 1568, possivelmente segundo um projecto da autoria de Miguel de Arruda, arquitecto ligado a outros projectos de igrejas-salão, que se sabe ter passado por Tavira no mesmo período. Na actual igreja existem ainda elementos arquitectónicos de fábrica manuelina,

d.r.

foto: ana fernandes

Vila Real de Santo António, “a Polícia Marítima, juntamente com os funcionários do parque natural, deslocaram-se à ilha de Cabanas e montaram algumas gaiolas armadilhadas para capturar as raposas mas ainda não tivemos sucesso. A raposa é um animal selvagem e tem conseguido comer alguma comida que se encontra dentro da gaiola mas não fica lá dentro”.

ENTIDADES ALERTAM PESSOAS PARA NÃO ALIMENTAREM OS ANIMAIS Representantes

da ANIMAL, do PAN, vigilantes do Instituto de Conservação da Natureza e Florestas (ICNF), funcionários do CRO, da MVM, uma equipa do SEPNA da GNR e a Polícia Marítima estiveram no local, no dia 9 de Outubro, em mais uma tentativa de capturar a raposa, que está doente, e encaminhá-la para o centro onde poderá recuperar. As várias entidades alertam para que as pessoas não ali-

ÔÔ Entidades alertam para que as pessoas não alimentem estes animais e evitem contacto com eles mentem estes animais e evitem contacto com eles. Segundo o RIAS, “a sobrevivência de um animal selvagem numa situação como esta pode ficar gravemente comprometida, pois a habituação ao Homem

pode ser irreversível. No caso destas raposas, a alimentação errada disponibilizada pelas pessoas, é uma das causas para o seu estado de saúde. O facto deste animal estar a ser alimentado pelas pessoas

está também a atrasar e prejudicar o processo de captura pelas autoridades competentes. Este caso tem sido, infelizmente, um exemplo do que não deve ser feito na presença de um animal selvagem”. pub

ÔÔ A capa da obra do historiador de arte Marco S. Santos

reaproveitados de uma construção anterior, alguns de grande qualidade artística, merecendo particular destaque o portal lateral manuelino, provavelmente o antigo portal axial da primitiva paroquial, construída aquando da instituição da freguesia, que se julga ter ocorrido nos primeiros anos do século XVI. O actual portal axial, de grande monumentalidade, é um original exemplar maneirista. A ornamentação interior é constituída por um interessante conjunto de imagens, retábulos e tábuas pintadas, quase todos datados dos séculos XVI e XVII.


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região

Câmaras de Loulé e Albufeira apostam na mobilidade eléctrica pág. 12

DRAP Algarve está no terreno a ajudar agricultores contra a seca Director Regional de Agricultura e Pescas destaca a situação mais grave do nordeste algarvio ricardo claro

Ricardo Claro ricardoc.postal@gmail.com

A RESPOSTA À SITUAÇÃO DE GRAVE SECA QUE AFECTA A AGRICULTURA NACIONAL e à

qual o Algarve não escapa, muito embora não esteja entre as zonas mais atingidas pela carência de água para fins agrícolas, levou a Direcção Regional de Agricultura do Algarve (DRAP Algarve) a sair para o terreno na tentativa de ajudar a minorar os efeitos da situação climatológica adversa. A intervenção da DRAP Algarve enquadra-se, referiu ao POSTAL o director regional de Agricultura e Pescas, Fernando Severino, “nas medidas implementadas pelo Governo a nível nacional para fazer frente a esta situação” e desenvolve-se em duas frentes “desde logo na monitorização da situação da região no que respeita à disponibilidade de água nos solos, mas também na informação e sensibilização para os programas de apoio e respectivas verbas disponibili-

ÔÔ Director regional de Agricultura do Algarve esclarece sobre medidas para diminuir impacto da seca zadas pelo Estado para minorar os efeitos da seca.

MEDIÇÕES QUINZENAIS MANTÊM CONTROLO DOS DADOS RELATIVOS À SITUAÇÃO DOS SOLOS Quinzenalmente, os técnicos da DRAP Algarve

fazem medições técnicas que permitem determinar a condição dos solos no que respeita aos níveis de humidade, bem como outras análises destinadas a determinar o estado evolutivo das culturas, o que permite à institui-

ção saber o ponto da situação da seca no Algarve e munir o Governo de dados que permitam analisar o todo nacional relativamente à evolução da situação. “Estes dados vão permitindo aferir com elevada exac-

tidão e actualidade qual a situação da região”, diz Fernando Severino, e assim é possível adaptar a cada momento as estratégias de resposta a cada área e produção em concreto. “Por exemplo na área da olivicultura de sequeiro a situação actual é de um ano de produção excepcional que carece de chuva a curto prazo para que os frutos (azeitonas) se desenvolvam de forma a terem calibre e valor comercial. Também nas culturas outono-invernais a necessidade de chuva já se faz sentir”, refere o responsável da pasta regional da agricultura.

ALCOUTIM E MARTIM LONGO JÁ RECEBERAM SESSÕES DE ESCLARECIMENTO A acção ao nível da

informação e da sensibilização dos produtores agrícolas, pecuários e apícolas está a ser feita de perto com técnicos da DRAP Algarve a realizarem sessões de esclarecimento sobre os meios e programas de apoio à situação de excepção que se vive um pouco por

todo o país. Fernando Severino esclareceu ao POSTAL que entre as medidas disponibilizadas pelo Governo para fazer diminuir os impactos da actual falta de precipitação está uma medida para pequenos investimentos no âmbito do PDR e destinada a melhorar a capacidade de prover água aos animais, nomeadamente para furos, charcas, cisternas e bombas. A par desta medida o Governo determinou pagar as ajudas directas oriundas dos fundos europeus até ao final deste mês em vez de o fazer até ao final do ano como normalmente, antecipando, assim, liquidez aos produtores do sector primário que a elas elas tenham direito. Finalmente, está a ser preparada uma linha de crédito destinada ao pagamento da alimentação de animais, além de outras medidas que podem ser conhecidas dos agricultores através de uma consulta aos serviços da DRAP Algarve.

SAÚDE

Médicos de família já contratados dão para garantir atendimento a mais 45 mil utentes OS AGRUPAMENTOS DE CENTROS DE SAÚDE DO ALGARVE vêem reforçados os serviços de saúde neste mês de Outubro, com a entrada de 24 médicos de medicina geral e familiar. Estes profissionais de saúde foram colocados no âmbito do procedimento concursal aberto pelo Aviso n.º 10362-A/2017, no passado dia 7 de Setembro, para recrutamento de médicos recém especialistas em Medicina Geral e Familiar (1ª Época de 2017) para as várias unidades de saúde do SNS. Recorde-se que foram

publicitadas a nível nacional 290 vagas, das quais 238 ficaram ocupadas, sendo que no Algarve das 33 vagas colocadas a concurso, 24 ficaram ocupadas, correspondendo a 72% de taxa de ocupação, a mais elevada nos concursos recentes. Ficaram colocados no Algarve 14 médicos cuja formação foi concluída fora da região, e ficaram colocados, dos 11 internos que terminaram a sua formação no Algarve, dez que escolheram celebrar contrato com esta ARS, permitindo desta forma alargar a cobertura assistencial dos cuidados de

saúde primários e atribuir médico de família a mais 45.600 utentes na Região do Algarve. Estes novos médicos de medicina geral e familiar vão exercer funções nas respectivas unidades funcionais de saúde, tendo sido colocados 13 no ACES Barlavento (concelhos de Lagoa, Lagos e Portimão) e 11 no ACES Central (concelhos de Albufeira, Faro, Loulé), tendo ficado vagas de Aljezur, Silves, Vila do Bispo e Tavira por ocupar. A integração destes novos médicos de medicina geral e familiar no SNS do Algar-

d.r.

ÔÔ Novos profissionais vêm reforçar os serviços de saúde da região ve aumentará significativamente a taxa de cobertura de utentes residentes na Região e inscritos no Serviço Nacional de Saúde com mé-

dico de família atribuído. Estas medidas estão integradas na estratégica assumida pela ARS Algarve, “com vista a melhorar e

reforçar a prestação de cuidados de saúde de proximidade e a acessibilidade aos mesmos, para os algarvios e para quem visita a região”.


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RTA confiante de que vai ultrapassar recorde de dormidas de 2016 pág. 13

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Algarve ganha ligação aérea directa para Itália em 2018

MUNICÍPIO DE FARO EDITAL Nº 114/2017 Rogério Bacalhau Coelho, Presidente da Câmara Municipal de Faro TORNA PÚBLICO que:

Nova rota terá frequência semanal de Junho a Setembro

Bolsas de Estudo 2017/2018 DR

ÔÔ Voo será operado pela companhia aérea Volotea

O ALGARVE TERÁ UMA ROTA directa que ligará Faro a Verona a partir de 6 Junho de 2018. Operada pela companhia Volotea, esta será, até ao momento, a única ligação directa entre a região e o mercado italiano, o que faz desta uma acção estratégica para a região. “A Itália é um mercado que tem apresentado nos últimos anos valores de crescimento interessantes – em 2016 foram registadas perto de 108 mil dormidas de turistas italianos no Algarve -, pelo que consideramos este um mercado de aposta e de relevância estratégica para a região”, explica Dora Coelho, directora executiva da Associação Turismo do Algarve (ATA), a agência responsável pela promoção turística da região junto dos mercados externos e uma das entidades que contribuiu para a realização desta operação. Conforme explica a ATA, “a seguir aos britânicos, aos nórdicos e aos franceses, tem vindo a registar-se recentemente um aumento significativo de

turistas italianos que estão a escolher o Algarve como destino de turismo residencial, instalando-se na região para viver durante parte do ano”. “A criação de uma ligação aérea directa ao Algarve terá, com certeza, uma influência no crescimento desta tendência”, acredita Dora Coelho. Recorde-se que o mercado italiano teve já uma relevância muito significativa para este destino durante a década de 90, período durante o qual o Algarve chegou a receber cerca de 20 mil passageiros anuais oriundos de Itália. Entretanto, esta operação foi interrompida, pelo que o anúncio desta nova rota representa, nas palavras de Dora Coelho, “um desafio estimulante para a região, tendo em vista a reconquista deste mercado”. De acordo com a companhia Volotea, o Algarve é um destino de “grande fascínio e appeal turístico”, razão pela qual justifica este novo investimento. A nova rota terá uma frequência semanal, de Junho a Setembro, com uma capacidade de oferta de 5.400 lugares.

Os interessados nas Bolsas de Estudo do Município de Faro para o ano letivo 2017/2018 poderão candidatar-se de 1 a 30 de Novembro de 2017 das 9:00 às 16:00 horas, sendo que no último dia útil as candidaturas deverão dar entrada até às 13 horas; Para os devidos efeitos, conforme estipulado os candidatos, nos termos do Artº. 5º, devem apresentar juntamente com o boletim de candidatura (que se encontra disponível on-line para download ou na Divisão de Educação da Câmara Municipal de Faro), os seguintes documentos: a) Entrega do número de identificação civil e número de identificação fiscal do candidato; b) Atestado de residência com indicação do número de pessoas que compõem o agregado familiar e o tempo de residência no concelho ou no boletim de candidatura existe um espaço próprio, a preencher pela Junta de Freguesia respetiva; c) Fotocópia do documento comprovativo com o aproveitamento escolar obtido no ano letivo anterior ao da candidatura; d) Fotocópia do documento comprovativo da matrícula do candidato e restantes elementos estudantes do agregado; e) Fotocópia da última declaração do IRS/IRC e respectivos anexos referente ao ano anterior, ou certidão comprovativa emitida pelo Ministério das Finanças, em caso de inexistência de declaração; f) Fotocópia do último recibo de vencimento de cada elemento do agregado familiar no activo do mês imediatamente anterior ao da candidatura; g) Fotocópia do último recibo da renda no caso de residir em habitação alugada ou declaração da entidade financiadora do empréstimo para aquisição de habitação própria, comprovativa dos encargos com a habitação; h) Fotocópia da certidão de óbito em caso de falecimento (pai/mãe/ esposo(a)); i) Fotocópia do NIB de uma conta cujo titular seja o candidato ou o encarregado de educação se o candidato for menor; j) Declaração dos serviços de ação social do estabelecimento de ensino em que se encontra inscrito que comprove se usufrui ou não de SASE/ Bolsa de Estudo por parte do mesmo para o ano letivo a que se candidata; k) Em situação de desemprego terá que fazer prova com declaração do Centro Distrital de Solidariedade e Segurança Social da área de residência, da qual conste o montante do subsídio auferido, com indicação do início e termo, e na falta deste, a indicação sobre a não atribuição desse subsídio; i) Outros documentos que o requerente entenda melhor esclarecerem a sua pretensão. Mais se torna público que, de acordo com o estabelecido no Artº4 do referido regulamento, os candidatos deverão reunir cumulativamente sob pena de exclusão os seguintes requisitos: 1 - Os candidatos, de nacionalidade portuguesa, deverão reunir cumulativamente, sob pena de exclusão, os seguintes requisitos: a) Residirem no Concelho de Faro há mais de cinco anos; b) Estarem matriculados em estabelecimentos de Ensino Secundário ou Superior, no ano letivo para que requerem as bolsas;

c) Deterem aproveitamento escolar no ano imediatamente anterior àquele a que apresentem candidatura à bolsa de estudo, que não pode ser inferior ao nível 4 para os alunos do 9ºano de escolaridade, e à média de 13 (treze) valores para os alunos do Ensino Secundário e Ensino Superior, exigindo-se também que comprovem o aproveitamento escolar em todas as disciplinas; d) Pertencerem a um agregado familiar que não possua um rendimento mensal per capita superior ao salário mínimo nacional em vigor, no início do ano civil a que respeita a candidatura, calculado através da seguinte fórmula: C = R – (I+H+S) 12N Em que: C – rendimento per capita; R – rendimento familiar bruto anual; I – Impostos e contribuições; H – encargos anuais com habitação, sendo o valor máximo a considerar de € 2.500,00 (dois mil e quinhentos euros); S – encargos com a saúde; N – número de pessoas que compõem o agregado familiar; e) Não usufruírem de qualquer bolsa ou subsídio equivalente, concedida por qualquer instituição para o mesmo ano letivo. 2 – Os candidatos oriundos de Países/Cidades de Língua Oficial Portuguesa, com quem o Município de Faro esteja geminado, deverão reunir cumulativamente, sob pena de exclusão, os seguintes requisitos: a) Estarem matriculados em estabelecimento de Ensino Superior no Concelho de Faro; b) Fixarem residência no Concelho de Faro no ano da matrícula e da candidatura à bolsa; 3 – Aos candidatos constantes do n.º 2 do presente artigo serão atribuídas anualmente bolsas de estudo em número não superior a duas, sendo a seleção dos alunos efetuada pela edilidade local respetiva, que providenciará o envio de todos os documentos, bem como dos critérios que serviram de base para a seleção e análise dos candidatos. 4 – Os candidatos do ensino superior não podem ser detentores de nenhum grau de Ensino Superior equivalente ao que pretendem frequentar. Torna-se público ainda, que de acordo com o estipulado no artº6 do referido regulamento, é necessário ter em consideração o determinado relativamente à natureza das Bolsas: 1 – O apoio pecuniário é concedido em prestações mensais cujo valor é 2/5 do salário mínimo nacional, calculado com referência ao mês de novembro de cada ano e arredondado às dezenas. 2 – As bolsas de estudo são atribuídas anualmente em número não superior a dezasseis, para estudantes residentes no Concelho de Faro e duas para estudantes provenientes de Países/Cidades de Língua Oficial Portuguesa, geminadas com a cidade de Faro, cabendo ao júri, constituído nos termos do artigo seguinte, proceder à distribuição deste número, sendo atribuído no mínimo uma bolsa/ano desde que reúna as condições do regulamento. 3 – As bolsas de estudo são atribuídas para o ano escolar a que respeita a candidatura (Outubro a Julho) num total de dez mensalidades. Informa-se que o “Regulamento das Bolsas de Estudo do Município de Faro” se encontra disponível na Página da Internet da Câmara Municipal de Faro, bem como na Divisão de Educação do Departamento de Ação Social e Educação. Para constar e devidos efeitos se lavra o presente edital e outros de igual teor que vão ser afixados nos lugares públicos do costume. Paços do Município de Faro, 15 de Setembro de 2017 O Presidente da Câmara Municipal de Faro Rogério Bacalhau Coelho (POSTAL do ALGARVE, nº 1192, de 20 de Outubro de 2017)

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12  |  20 de Outubro de 2017

região

MAR2020 abre candidaturas para o sector das pescas pág. 14

Câmaras de Loulé e Albufeira apostam na mobilidade eléctrica Loulé e Albufeira reforçam frota com aquisição de veículos eléctricos Cátia Marcelino / Henrique Dias Freire

quilómetros cada.

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AS CÂMARAS DE LOULÉ E ALBUFEIRA apostam na mobili-

dade eléctrica e reforçaram as frotas com novos veículos eléctricos que visam “melhorar a qualidade de vida da população e promover a mobilidade sustentável”, refere a autarquia de Albufeira, que vai receber mais seis veículos até ao final do ano. No âmbito da candidatura ao Fundo Ambiental, a autarquia de Loulé adquiriu também mais três veículos ligeiros de mercadorias e dois postos de abastecimento, que considera “um claro contributo para a descarbonização do sector dos transportes, melhoria da qualidade do ar, redução de ruído e desaceleração do processo de alterações climáticas”, todos objetivos que estão cada vez mais na ordem do dia. Loulé pretende dar resposta a tarefas no âmbito dos serviços urbanos e, ambientais da autarquia e para isso, procedeu também ao abate de quatro viaturas, entre os 20 e os 31 anos de serviço, com mais de duzentos mil

VEÍCULOS TÊM O TRIPLO DA EFICIÊNCIA Os veículos eléctricos

seus trabalhadores, ascendendo a uma média de cerca de 616 euros poupados por ano, por cada veículo”.

FUNDO AMBIENTAL PRETENDE APOIAR O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL O Fundo Ambiental pretende apoiar

pub

NOTARIADO PORTUGUÊS JOAQUIM AUGUSTO LUCAS DA SILVA NOTÁRIO em TAVIRA Certifico: Que no dia 20-09-2017, a folhas 119, do livro de notas para escrituras diversas número 191–A, deste Cartório, foi lavrada uma escritura de JUSTIFICAÇÃO, na qual, JUSTINO JOSÉ DE MENDONÇA LOPES, NIF 116.550.848, natural da freguesia de Santo Estêvão, concelho de Tavira e mulher RICARDINA MARIA ESTÊVÃO PEREIRA LOPES, NIF 112.840.434, natural da freguesia de Moncarapacho, concelho de Olhão, casados sob o regime da comunhão de adquiridos, ambos residentes na Rua Dr. Cândido Guerreiro, número 1, Bloco C, 8.º Dto., Faro; e

ÔÔ Veículos vão contribuir para os objectivos do Plano Nacional de Acção para a a Eficiência Energética têm o triplo da eficiência dos motores de combustão interna. De acordo com a Câmara de Albufeira, “este tipo de veículo tem como particularidade o sistema de regeneração de energia, pelo facto de utilizar as travagens para recarregar a bateria e reutilizá-la nos arranques”. A autarquia refere que “estes factores possibilitam a poupança nos gastos dos transportes dos

Os veículos que Albufeira vai receber têm capacidade para cinco lugares e uma bateria de 30 kilowatts com autonomia para 200 quilómetros. Cada veículo tem um valor de 27 mil e 748 euros, com garantia de cinco anos, e a sua gestão pode ser feita através de uma aplicação que permite controlar a energia, a localização por GPS e o ambiente.

políticas ambientais para a prossecução dos objectivos do desenvolvimento sustentável, contribuindo para o cumprimento dos objectivos e compromissos nacionais e internacionais, designadamente aqueles relativos às alterações climáticas, aos recursos hídricos, aos resíduos e à conservação da natureza e biodiversidade. Estas aquisições vão contri-

Albufeira implementa sistema inovador de rega por wi-fi encontra-se a investir na ampliação da rede de rega com estações meteorológicas e sistemas de gestão remota para optimizar o consumo de água na rega e reduzir custos operacionais de manutenção. Conforme explica a autarquia de Albufeira em comunicado de imprensa, “a estratégia é simples: a instalação de estações meteorológicas nas zonas verdes e a correspondente adaptação do sistema de rega com unidades telemétricas emitindo dados

de 9% de energia em 2020, face a 2014, em linha com as metas previstas pela Uni\ão Europeia.

d.r.

INVESTIMENTO PÚBLICO

O MUNICÍPIO DE ALBUFEIRA

buir para o objectivo do Plano Nacional de Acção para a Eficiência Energética (PNAEE) 2020, que passa pela redução

via Wi-Fi permitirá a optimização do débito de água em função das condições meteorológicas. Quando chove, o sistema corta de imediato o fluxo de água, evitando assim o desperdício. Quando existe vento, o sistema adapta de forma automática o débito de água ou em casos de ventos fortes corta simplesmente o consumo, evitando desperdício de água. Todo o sistema, no valor de cerca de 70 mil euros, é gerido remotamente através do telemóvel ou mesmo PC, optimizando

desta forma o recurso à utilização de mão-de-obra”. Segundo a autarquia de Albufeira “este é o caminho que traçámos e estamos a percorrer que nos permite sermos cada vez mais sustentáveis na gestão da água que usamos para rega. Actualmente, em qualquer parte, podemos saber quanto estamos a consumir, e se o sistema de rega apresenta fugas ou consumos anormais de água. Em caso de existência de uma fuga de água, o sistema envia um alerta para os

telemóveis, permitindo desta forma uma celeridade impar na resolução destas ocorrências. A implementação deste modelo de gestão só foi possível graças à elevada capacidade técnica e operacional de toda a equipa envolvida na gestão de espaços verdes”. As zonas actualmente englobadas com este sistema incluem o Parque de Alfarrobeira, o Jardim da Biblioteca, o Parque de Vale Faro, o Parque da Cocheira e o eixo viário correspondente à EN 395.

b) MARIA HELENA MENDONÇA LOPES, NIF 118.221.477, solteira, maior, natural da referida freguesia de Santo Estêvão, residente na Rua dos Machados, número 27, Tavira, declararam: Que, com exclusão de outrem, são donos e legítimos possuidores, em comum e sem determinação de parte ou direito, do prédio rústico, composto por terra de cultura e pastagem com árvores, sito em Santa Margarida, União das Freguesias de Santa Maria e Santiago, concelho de Tavira, inscrito na matriz sob o artigo 1.386 (anterior artigo 156 da extinta freguesia de Santiago), com o valor patrimonial tributário de 129,21 €; descrito na Conservatória do Registo Predial de Tavira sob o número mil trezentos e oitenta e um, de dezanove de Abril de mil novecentos e noventa e três, da freguesia de Santiago, onde se mostra registada a aquisição, da seguinte maneira: - O direito a 13/48 a favor de Custódio da Conceição Lopes e mulher Gracinda de Mendonça Lopes, pelas apresentações vinte e um e vinte e dois, ambas de dezanove de Abril de mil novecentos e noventa e três; - O direito a 11/48 a favor de Maria Sotero Lopes, pela apresentação vinte e três, de dezanove de Abril de mil novecentos e noventa e três; - O direito a 24/48, em comum e sem determinação de parte ou direito, a favor dos referidos Custódio da Conceição Lopes e mulher Gracinda de Mendonça Lopes e da referida Maria Sotero Lopes, pela apresentação vinte e quatro, de dezanove deAbril de mil novecentos e noventa e três; e ao qual atribuem o valor de DUZENTOS EUROS. Que são os únicos herdeiros por óbito de seus pais, Custódio da Conceição Lopes, falecido em vinte e oito de Julho de dois mil e onze e de sua mãe, Gracinda de Mendonça Lopes, falecida em trinta e um de Março de dois mil e dezassete; conforme se verifica pela escritura de Habilitações, outorgada no dia nove de Maio de dois mil e dezassete, neste Cartório Notarial, exarada no Livro de Notas para escrituras diversas número cento e oitenta e nove – A, a folhas oitenta e quatro. Que a parte indivisa pertencente a Maria Sotero Lopes no referido prédio, foi adquirida pelo dissolvido casal, Custódio da Conceição Lopes e mulher Gracinda de Mendonça Lopes, no ano de mil novecentos e noventa e três, em data que não é possível precisar, por compra verbal e nunca reduzida a escritura pública feita à referida Maria Sotero Lopes, viúva, residente que foi na Rua Ramal da Câmara Municipal, Olhão. Que desde esse ano, os referidos Custódio da Conceição Lopes e mulher Gracinda de Mendonça Lopes estiveram na posse da totalidade do prédio, não tendo, dado o modo de aquisição, documento que lhes permita registar o referido direito a seu favor, pelo que adquiriram o prédio por usucapião. Tavira, em 20 de Setembro de 2017 A funcionária por delegação de poderes; Ana Margarida Silvestre Francisco – Inscrita na O.N. sob o n.º 87/3 Conta registada sob o nº. PAO1412/2017 Factura nº. 01412 (POSTAL do ALGARVE, nº 1192, de 20 de Outubro de 2017)


20 de Outubro de 2017  |  13

região

RTA confiante de que vai ultrapassar recorde de dormidas de 2016 Actividade hoteleira do Algarve registou mais de três milhões de dormidas em Agosto d.r.

Cátia Marcelino / Henrique Dias Freire

hélio ramos

catiam.postal@gmail.com

DESIDÉRIO SILVA, PRESIDENTE DA REGIÃO DE TURISMO DO ALGARVE (RTA), acredita que o

número total de dormidas registadas no Algarve durante este ano “vai claramente ultrapassar os mais de 18 milhões de dormidas registados em 2016”. No mês de Agosto, o Algarve registou mais de três milhões de dormidas, somando mais 83 mil e 700 dormidas do que em igual mês do ano anterior. “Já estamos em 10,7 milhões e ainda falta somar os registos do mês de Setembro, que teve uma taxa de ocupação entre 85% e 95%”, refere o presidente da RTA. A actividade na hotelaria do Algarve registou em Agosto mais hóspedes (+1,9%), mais dormidas (+2,0%) e mais proveitos (+11,7%) do que no ano anterior, contornando a desaceleração sinalizada pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) para o turismo nacional. No principal mês da época alta do turismo

ÔÔ Desidério Silva algarvio, os hotéis da região foram procurados por 590 mil hóspedes (+1,9% do que em Agosto de 2016), que geraram mais de três milhões de dormidas (+2,0%) e proveitos totais superiores a 218 milhões de euros (+11,7%).

MERCADO INTERNO CONTRIBUIU COM UM MILHÃO DE DORMIDAS E O MERCADO EXTERNO COM DOIS MILHÕES Na região

algarvia, o mercado interno ultrapassou a fasquia de um milhão de dormidas em Agosto, apresentando um crescimento muito ligeiro (+0,2% ou 2154 dormidas a mais), e os mercados exter-

ÔÔ Algarve registou em Agosto mais hóspedes, mais dormidas e mais proveitos do que em 2016 nos contribuíram com mais dois milhões (+2,9% ou mais 57.510 dormidas). Resultados esperados por Desidério Silva, “pois ano após ano o Algarve quase esgota a sua oferta hoteleira em Agosto, sendo utópico aspirar a crescimentos maiores”. Relativamente à falência da Monarch e às dificulda-

des que a Ryanair enfrenta actualmente, o presidente da RTA acredita que “os turistas não vão deixar de vir ao Algarve por isso. Tudo aquilo que acontece no Algarve ou possa causar impacto acaba por afectar a região mas apenas até todo o processo estar regularizado e esses passageiros que ficaram sem voos en-

contrem outras companhias aéreas que os tragam até cá. É apenas uma questão de reajustamento porque o mercado algarvio é apetecível, a oferta está aqui e a procura continua”.

ENTRE JANEIRO E AGOSTO OS RESULTADOS SÃO AINDA MAIS FAVORÁVEIS Os resultados

acumulados no Algarve entre Janeiro e Agosto são ainda mais favoráveis em todos os principais indicadores da actividade turística. O número acumulado de hóspedes supera os 2,8 milhões de turistas (+4,8% face ao ano anterior), os proveitos excedem 759 milhões de euros (+13,9%) e as dormidas totalizam cerca de 13,8 milhões de pernoitas (+6,0%). Nos primeiros oito meses do ano, o número absoluto de dormidas na hotelaria da região aumentou em 779 mil comparativamente com 2016 (+6,0%) mas, se recuarmos no tempo, há mais três milhões de dormidas acumuladas do que em 2013 (+27,8%). Segundo o INE, “em Agosto observaram-se aumentos das dormidas em todas as regiões do país, com uma maior concentração no Algarve (39,3%) e em Lisboa (20,5%). Neste mês houve um incremento total de 244,4 mil dormidas, do qual 24,4% foi gerado pelo acréscimo de dormidas no Algarve (59,7 mil dormidas adicionais)”.

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14  |  20 de Outubro de 2017

região

MAR2020 abre candidaturas para o sector das pescas Até 5 de Janeiro de 2018 pode apresentar a sua candidatura em suporte papel d.r.

ESTÃO ABERTAS AS CANDIDATURAS A FUNDOS DO MAR2020, que disponibiliza

um total de apoio público de 3 milhões 306 mil e 42 euros, provenientes do Fundo Europeu dos Assuntos Marítimos e das Pescas e do Orçamento de Estado. Em nota de imprensa, o Grupo de Acção Local Pesca do Sotavento do Algarve informa que “este aviso disponibiliza apoio não reembolsável, com uma taxa de co-financiamento público de 50% a 100%, mediante a tipologia de beneficiário e a natureza do projecto”. Até 5 de Janeiro de 2018 são elegíveis projectos nas seguintes áreas: inovação em espaço marítimo; qualificação escolar e profissional relacionada com o meio aquático; promoção de Planos de Mar; preservação, conservação e valorização dos elementos patrimoniais e dos recursos naturais e paisagísticos; reforço da competitividade da pesca; reforço da competitivi-

ÔÔ Estado disponibiliza mais de três milhões de euros para o sector dade do turismo; promoção de produtos locais de qualidade; melhoria dos circuitos curtos de bens alimentares e mercados locais, no âmbito do mar.

INTERESSADOS DEVEM PREENCHER FORMULÁRIO DISPONÍVEL NO SITE DO GAL OU DO

MAR2020 As candidaturas

devem ser apresentadas em suporte papel e em triplicado, com recurso ao formulário disponibilizado no site do GAL Pesca Sotavento Algarve (www.galsotavento.com) ou do Programa MAR2020 (www. mar2020.pt). Os interessados

SEGURANÇA INTERNA

Integrada; contribuir para o desenvolvimento das zonas costeiras; aumentar o emprego e a coesão territorial e aumentar a capacidade e qualificação dos profissionais do sector.

GAL PESCA SOTAVENTO ALGARVE PRETENDE INTERVIR NAS ZONAS COSTEIRAS E RIBEIRINHAS DOS CONCELHOS DO SOTAVENTO DO ALGARVE O GAL Pes-

ca Sotavento Algarve é uma parceria constituída por entidades públicas e privadas do sotavento algarvio, que tem o município de Olhão como parceiro gestor, com a finalidade de implementar a Estratégia de Desenvolvi-

mento Local de Base Comunitária Costeira na região do Sotavento do Algarve. O território de intervenção desta entidade engloba as zonas costeiras e ribeirinhas dos concelhos do Sotavento do Algarve e tem como objectivos estratégicos: promover e valorizar a competitividade das actividades do cluster Mar do Sotavento; promover a empregabilidade da população do território de intervenção; promover a sustentabilidade e valorização do património natural e cultural da Ria Formosa e do estuário do Guadiana; e dinamizar a cooperação e animação do território. pub

MUNICÍPIO DE TAVIRA EDITAL Nº 51/2017 Jorge Manuel do Nascimento Botelho

GNR promove ‘Operação Idosos em Segurança’ em Outubro d.r.

A GUARDA NACIONAL REPUBLICANA (GNR) realiza até dia 31

deste mês, em todo o território nacional, um conjunto de acções de sensibilização direccionadas aos idosos, com o objectivo de os sensibilizar para a adopção de procedimentos de segurança, no sentido de não serem vítimas de crimes, em particular de situações de violência, burlas, furtos e roubos. Para a operação foram destacados militares das secções de programas especiais e dos postos territoriais, que estão a contactar pessoalmente o maior número de idosos, quer nas residências, quer em locais onde seja possível a sua concentração, nomeadamente em centros de dia, lares, misericórdias, igrejas e em diversas entidades de saúde. No site da GNR é referido que no passado mês de Março, decorreu “em todo o território nacional a ‘Operação Cen-

podem obter esclarecimentos adicionais junto do GAL Pesca Sotavento Algarve, através do endereço de correio electrónico geral@galsotavento.com ou pelo telefone 289 700 171. O Mar2020 pretende implementar em Portugal as medidas de apoio enquadradas no Fundo Europeu dos Assuntos Marítimos e das Pescas, sendo as suas prioridades estratégicas: promover a competitividade com base na inovação e no conhecimento; assegurar a sustentabilidade económica, social e ambiental do sector da pesca e da aquicultura; contribuir para o bom estado ambiental do meio marinho; promover a Política Marítima

Presidente da Câmara Municipal de Tavira TORNA PÚBLICO, que em reunião ordinária de Câmara Municipal, realizada no dia 19 de setembro de 2017, foram tomadas as seguintes deliberações: 1. Aprovada por maioria a proposta número 156/2017/CM, referente a 13.ª Alteração ao Orçamento e às Grandes Opções do Plano/2017; 2. Aprovada por unanimidade a proposta número 157/2017/CM, referente à Atribuição de apoio - Partilha Alternativa Associação - Festa dos Anos de Álvaro de Campos 2017; 3. Aprovada por unanimidade a proposta número 158/2017/CM, referente a Atribuição de apoio - O Pontão Associação de Solidariedade Social da Conceição de Tavira; 4. Aprovada por unanimidade a proposta número 159/2017/CM, referente a Atribuição de apoio à Sociedade Orfeónica de Amadores de Musica e Teatro de Tavira - Festival de Musica Popular; 5. Aprovada por unanimidade a proposta número 160/2017/CM, referente ao Contrato promessa de comodato a celebrar entre o Município de Tavira e OndaSólida - Associação de Moradores - aprovação de minuta; 6. Aprovada por unanimidade a proposta número 161/2017/CM, referente ao Contrato de comodato a celebrar entre o Município de Tavira e o Clube Recreativo Tavirense - aprovação de minuta;

ÔÔ Militares dão conselhos aos idosos porta-a-porta sos Sénior’, uma operação que teve como objectivo actualizar o registo dos idosos que vivem sozinhos e/ou isolados, identificar novas situações e informar as entidades competentes das situações de potencial perigo, onde foram sinalizados 45.516

idosos dos quais: 28.279 vivem sozinhos; 5.124 vivem isolados; 3.521 vivem sozinhos e isolados e 8.592 não enquadrados nas situações anteriores, mas em situação de vulnerabilidade fruto de limitações físicas e/ ou psicológicas”.

7. Aprovada por unanimidade a proposta número 162/2017/CM, referente ao Fornecimento de energia elétrica em regime de mercado livre para o Algarve, ao abrigo do Acordo Quadro da CC-AMAL - lote 5 - lote compilado (BTN, BTN-IP, BTE e MT) - aprovação de minuta do contrato. Para constar e produzir efeitos legais se publica o presente Edital e outros de igual teor que vão ser afixados nos lugares de costume. Paços do Concelho, 19 de setembro de 2017 O Presidente da Câmara Municipal, Jorge Manuel Nascimento Botelho (POSTAL do ALGARVE, nº 1192, de 20 de Outubro de 2017)


Este caderno faz parte integrante da edição n.º 1192 de 20 de Outubro de 2017, do jornal Postal do Algarve e não pode ser vendido separadamente.

Alcoutim celebra Dia Internacional do Idoso


Câmara de Alcoutim ajuda a quebrar isolamento dos mais idosos Passeio náutico fortalece laços entre a comunidade mais idosa e desperta anciãos para a alegria de viver d.r.

SÃO OS MAIS EXPERIENTES DE ENTRE TODOS OS ALCOUTENEJOS, CARREGADOS DE SABEDORIA E VERDADEIROS GUARDIÕES DA GENUÍNA IDENTIDADE ALCOUTENEJA. Os anos passam e mais do que os vincos na face a roda do tempo deixa sulcos na pedra da vida de cada um dos mais idosos do concelho de Alcoutim. A laje da vida de cada um destes nossos anciãos faz-se de detalhes e de história, que são eles mesmos a nossa História colectiva enquanto alcoutenejos. A estrada da vida percorrida já é longa e por isso é razão de celebração e o Município de Alcoutim não poderia deixar passar em branco a celebração colectiva que o mundo anualmente reserva àqueles que de entre nós mais viveram. Exactamente por isso a autarquia assinalou o Dia Internacional do Idoso, 1 de Outubro, com um passeio de barco no Rio Guadiana, entre Vila Real de Santo António e Alcoutim. A iniciativa ocorreu no dia 5 de Outubro para os munícipes das freguesias de Giões, Martim Longo e Vaqueiros e no dia 7 para os munícipes da União das Freguesias de Alcoutim e Pereiro.

E foi nesta atitude que a Câmara Municipal se propôs actuar com a iniciativa que juntou várias centenas de idosos. A atenção com os mais idosos mostra-se no dia-a-dia

Cerca de 350 idosos participaram num passeio de barco no Rio Guadiana A experiência proporcionada aos participantes contou com aproximadamente 350 idosos do concelho que disfrutaram de um dia de convívio e animação, procurando neste convívio reforçar os laços que a todos nos unem. Celebrou-se assim, uma vez mais, um dia que se impõe de alegria e de celebração do bom que é viver com

histórias para contar e nas águas do Guadiana viram-se os rostos estampados da felicidade de quem fica com mais um episódio da vida para relembrar. Um dia celebrado no Mundo O Dia Internacional do Idoso celebra-se no primeiro de Outubro

desde 1991 pela Organização das Nações Unidas e tem como objectivo sensibilizar a sociedade para as questões do envelhecimento e da necessidade de proteger e cuidar da população mais idosa. A mensagem do dia do idoso é a de dar mais carinho aos menos jovens, muitas vezes esquecidos pela sociedade e pela família.

Para o presidente da Câmara Municipal, Osvaldo Gonçalves, “o Dia do Idoso assinala a importância da temática do envelhecimento das populações para todos”, mas o autarca sublinha que “a atenção para com os mais idosos se deve mostrar nas acções diárias e nas decisões que a cada momento respondem às necessidades desta faixa da população”. “Exactamente por isso temos no Município uma atenção redobrada e permanente para com a população mais envelhecida e actuamos diariamente para que cada dia seja melhor a resposta que damos aos anseios, às dificuldades e às expectativas daqueles de quem herdamos tudo o que temos e aquilo que somos”, destaca o presidente.” Tem sido assim em tudo o que fazemos a pensar nestes alcoutenejos e assim continuará a ser, porque só assim honramos a herança que nos deixaram e os direitos que cada idoso tem e que são intocáveis”, remata Osvaldo Gonçalves.

Feira da Perdiz: uma década a promover a vitalidade da cinegética em Alcoutim Dez anos de uma história recheada de sucessos celebram-se nesta edição do certame que decorre a 11 e 12 de Novembro d.r.

UMA VEZ MAIS A FEIRA DA PERDIZ SE APRESENTA AO PÚBLICO EM MARTIM LONGO PARA DAR A CONHECER O MELHOR DA ACTIVIDADE CINEGÉTICA ALCOUTENEJA.

2 OUT 2017

Trata-se da décima edição do certame, que decorre nos dias 11 e 12 de Novembro, e que conta com uma programação que alia a mostra cinegética à gastronomia e à animação, de forma a alcançar os mais variados públicos. Para saber tudo o que pode ver, ouvir e aprender na Feira da Perdiz a extensa programação pode ser consultada integralmente (ver caixa) e assim pode antecipar a escolha do que vai aproveitar deste certame entre a variada oferta. A informação também se encontra disponível no site da Câmara Municipal em www.cm-alcoutim.pt, e está assim à distância de um clique para

Evento atrai grande número de visitantes a Martim Longo todos os internautas. Osvaldo Gonçalves destaca a importância do certame Para o presidente da Câmara de Alcoutim a Feira da Perdiz é para a agenda de iniciativas da autarquia um marco por duas razões:

“trata-se do mais importante certame dedicado à cinegética e a todas as actividades envolventes deste património natural do concelho de Alcoutim, que é um factor de desenvolvimento, sustentabilidade económica e turismo para Alcoutim”, razões que por si só justificam a sua realização e continuidade.

Programação: 11 de Novembro

12 de Novembro

8 horas - Caçada aos Coelhos; 9 horas - BTT - Na Rota da Perdiz; 11.30 horas - Abertura Oficial; 14 horas - Colóquio: 3:º Jornadas Técnicas Opuntia Ficus-indica; 15 horas - IX Concurso Canino de Alcoutim “Para todos os rafeiros”; 16 horas - Magusto; 17 horas - Falcoaria com Demostração da Caça ao Coelho; 18 horas - Showcooking pelo Chefe de pastelaria Vítor Ramos; 19.30 horas - Exibição de Vôo e Demostração de Falcoaria; 22 horas - Animação Musical com Irmãos Verdade; 23.30 horas - Baile com Noémia e António Cardoso; 24 horas - Fecho dos Stands; 2 horas - Fecho das Tasquinhas

9 horas - Abertura da Feira; 10 horas - Marcha pedestre - Na Rota da Perdiz | Whorkshop de Obediência e Socialização Canina (Teórico); 10.30 horas - Início da Corrida de Galgos; 14 horas - Gravuras a buril em Armas de Caça | Whorkshop de Obediência e Socialização Canina Prático | Final da Corrida de Galgos - Entrega de Prémios; 14.30 horas - Exibição de Vôo e Demostração de Falcoaria; 17 horas - Demonstração de Obediência de Competição; 17.30 horas - Animação Musical com o grupo “CRUZEIRO”; 20 horas - Fecho dos Stands; 22 horas - Fecho das Tasquinhas


Órgãos autárquicos do concelho tomam posse com Osvaldo Gonçalves ao leme da Câmara Autarca promete manter o rumo do desenvolvimento num concelho onde a prioridade será sempre as pessoas fotos: d.r.

ELEITOS A 1 DE OUTUBRO OS TITULARES DOS VÁRIOS ÓRGÃOS AUTÁRQUICOS DO CONCELHO TOMARAM POSSE NO ESPAÇO GUADIANA NO PASSADO DIA 16 DE OUTUBRO, ESTANDO ENTRE ELES O REELEITO PRESIDENTE DA CÂMARA MUNICIPAL OSVALDO GONÇALVES. Para o órgão máximo do poder autárquico, a Assembleia Municipal, tomaram posse José António T. Pinheiro Moreira - Martim Longo (PS) - eleito Presidente da Assembleia; António da Costa Amorim Alcoutim (PS) - eleito 1º Secretário; e Isabel Martins Domingos Campos - Vaqueiros (PS) - eleita 2ª Secretária; além de Francisco Alho Xavier - Alcoutim; Nuno Teixeira Rodrigues - Castelhanos; Aurélio Teixeira Gonçalves - Malfrades; Humberto Octávio Mestre Costa - Várzea; Carlos Fernando de Jesus Escobar - Guerreiros do Rio; Milene Sofia Gonçalves Nobre - Várzea; e Sidónio Gonçalves Garcia - Santa Justa, todos pelo PS. A estes deputados se juntaram os

Osvaldo Gonçalves renovou o compromisso com os alcoutenejos eleitos Dalila Manuela da Costa Barros - Alcoutim, João Miguel Vitorino Dias - Santa Marta, Abílio Frade da Encarnação - Alcoutim e Graça Maria Palma Pereira - Martim Longo, e

O presidente da Câmara a tomar posse

Cristóvão Manuel Pedro Custódio Martim Longo, todos pela Coligação Renovar Alcoutim. Para a autarquia e perante uma sala cheia, onde marcaram presença

diversos titulares de órgãos regionais do poder político, tomou posse o novo executivo camarário presidido por Osvaldo dos Santos Gonçalves, e que conta com os vereadores Paulo

Espaço Guadiana cheio na cerimónia

Paulino (Vice-presidente) e José Galrito e Luís Conceição eleitos pelo PS e Jorge Inácio pela Coligação “Renovar Alcoutim”, que não compareceu. Na presidência das Juntas de Freguesia e com assento garantido na Assembleia Municipal por inerência de funções tomaram ainda posse os respectivos presidentes, João Carlos da Silva Simões - União das Freguesias de Alcoutim e Pereiro; Paulo José do Nascimento Ginja - Freguesia de Martim Longo; Perpétua Marta Teixeira Martins - Freguesia de Vaqueiros; e José Manuel Pereira Afonso Freguesia de Giões. São estes os representantes dos alcoutenejos a quem caberá o exercício das responsabilidades inerentes às respectivas funções O autarca Osvaldo Gonçalves sublinhou a forte participação dos alcoutenejos no acto eleitoral, dizendo que é assim que se constrói a democracia e reforçando o seu compromisso em construir para todos os munícipes condições que permitam um futuro melhor. O futuro colectivo de Alcoutim.

Os titulares dos órgãos autárqiuicos eleitos

Município reforça aposta na qualidade da água disponibilizada à população de Pessegueiro Nova conduta vai também levar água às gentes de Diogo Dias, Azinhal e Tremelgo d.r.

SETE QUILÓMETROS E MEIO LINEARES DE NOVAS CONDUTAS EM PVC VÃO FAZER TODA A DIFERENÇA NO ABASTECIMENTO DE ÁGUA ÀS POPULAÇÕES DE PESSEGUEIRO, DIOGO DIAS, AZINHAL E TREMELGO. Depois do projecto de execução e da decisão de abertura do concurso público da empreitada terem sido aprovados pela Câmara Municipal liderada por Osvaldo Gonçalves a 23 de Agosto, o Município vai avançar com a construção de condutas adutoras de abastecimento de água na

localidade de Pessegueiro e reforça assim o contínuo investimento na rede pública de abastecimento de água aos alcoutenejos. A Câmara Municipal assinou a 12 de Setembro o contrato de adjudicação da empreitada à empresa “José de Sousa Barra & Filhos LDA” e está assim em condições de avançar para esta obra que o autarca local considera “estruturante para as populações abrangidas pelo investimento”. Água de qualidade

Assinatura do contrato de adjudição da empreitada

Osvaldo Gonçalves mantém

assim a promessa feita desde o primeiro momento em que tomou posse de dar continuidade e reforçar o investimento camarário na disponibilização de água às populações, com “significativa melhoria nas condições de vida dos habitantes, aumentando assim a área coberta pela disponibilidade de água de consumo humano de excelente qualidade”. A empreitada tem um custo de 418 mil e 718 euros, acrescido de IVA e com um prazo de execução de seis meses.

3 OUT 2017


20 de Outubro de 2017  |  15

> ASSINALEA AFRASE FRASECORRETA CORRETA >> >ASSINALE

>> SOLUÇÃO da edição passada

Assinale a frase correta

A fome e o frio

…… …… …… ……

;; A – metem a lebre a caminho.

A – Se ele fechasse a porta, não entrava tanto frio. B – Se ele fecha-se a porta, não entrava tanto frio. C – Se ele fechasse a porta, não entrava tanto friu. D – Se ele fechá-se a porta, não entrava tanto frio.

…… B – paralisam os sentidos. …… C – afastam o tio. …… D – causam fastio.

Sobe & desce

Esta é uma iniciativa das Bibliotecas Paula Nogueira do Agrupamento de Escolas Professor Paula Nogueira (Olhão) em parceria com a Casa da Juventude de Olhão e o POSTAL, que semanalmente divulga os problemas e as soluções deste jogo. VáriasescolasdoAlgarve jáaderiramàiniciativa:AEProfessorPaulaNogueira(Olhão)/AEdaSé(Faro)/AED.AfonsoIII(Faro)/AEDr.AlbertoIria(Olhão)/ColégioBernardetteRomeira(Olhão)/AEDr.JoãoLúcio(Fuseta)/AEdeEstoi(Faro)/AEJoaquimMagalhães(Faro)/AEdoMontenegro(Faro)/AEdeCastroMarim (Vila Real de St. António) / AE Professora Diamantina Negrão / (Albufeira) / Agrupamento de Escolas José Belchior Viegas (Mega Agrupamento de São Brás de Alportel) / Escola Secundária João de Deus (Faro) / Agrupamento de Escolas D. Paio Peres Correia (Tavira) / Casa da Juventude (Olhão) / Postal do Algarve. Convidamos todas as escolas e bibliotecas, interessadas em aderir ao Jogo da Língua Portuguesa e receber os materiais para o mesmo, a contactar: biblioteca.epnogueira@gmail.com ou jornalpostal@gmail.com.

DRAP Algarve

Raposas na praia

A DRAP Algarve está no terreno a ajudar os agricultores a fazer frente à grave situação de seca que a agricultura nacional enfrenta. Fernando Severino destaca a situação mais grave no nordeste algarvio. (Ler pág. 10)

Desde 22 de Setembro que três raposas, mãe e crias, foram avistadas na Praia de Cabanas de Tavira. As autoridades estão a par da ocorrência, mas os animais ainda não foram capturados e continuam a ser alimentados pelas pessoas. (Ler pág. 9).

E-mail da redacção: jornalpostal@gmail.com

Um muito bom exemplo do que é a informação em saúde

ficha técnica

Sede: Rua Dr. Silvestre Falcão, n.º 13 C - 8800-412 Tavira - Algarve Tel: 281 320 900 | Fax: 281 023 031 E-mail: jornalpostal@gmail.com On-line: www.postal.pt Director: Henrique Dias (CP 3259). Editor: Ricardo Claro (CP 9238). Redacção: Cátia Marcelino (estagiária), Cristina Mendonça (CP 3258), Humberto Ricardo (CP 388). Design: Profissional Gráfica. Colaboradores fotográficos: José A. N. Encarnação “MIRA” Colaboradores: Beja Santos (defesa do consumidor), Nelson Pires (CO76). Departamento Comercial, Publicidade e Assinaturas: Anabela Gonçalves, José Francisco. Propriedade do título: Henrique Manuel Dias Freire ( mais de 5% do capital social) Edição: Postal do Algarve Publicações e Editores, Lda. Contribuinte nº 502 597 917. Depósito Legal: nº 20779/88. Registo do Título (dgcs): ERC nº 111 613. Impressão: Naveprinter Distribuição: Banca - Logista, à sexta-feira com o Público/VASP - Sociedade de Transportes e Distribuição, Lda e CTT. Estatuto editorial: disponível em http://www.postal.pt/quem-somos/ Membro: APCT - Associação Portuguesa para o Controlo de Tiragem e Circulação; API - Associação Portuguesa de Imprensa.

Tiragem desta edição:

5.708 exemplares

opinião

Beja Santos

Assessor do Instituto do Consumidor e consultor do POSTAL

É do senso comum que não há medicamentos inócuos, a escolha do medicamento está dependente, em tantos casos, de uma boa comunicação entre o profissional de saúde e o doente. A questão é tão mais delicada quando falamos de doenças crónicas em que a

medicação prescrita ou é alvo de rumores ou preconceitos ou há o risco, por diferentes factores, da pouca adesão à terapêutica por parte do doente. A Liga Portuguesa Contra as Doenças Reumáticas dispõe de uma publicação dirigida aos seus doentes (recorde-se que é bem possível haver um número aproximado de 200 doenças reumáticas). O seu número de Julho a Setembro de 2017 é exactamente reservado à adesão terapêutica, e diz-se que esta implica que o doente entenda e aceite a medicação conforme é prescrita. A presidente desta Liga observa: “O metotrexato é um dos tratamentos considerados

mais seguros e eficazes no tratamento da artrite reumatoide, artrite psoriática, artrite idiopática juvenil e espondiloartrites. Porém, vários estudos indicam que os doentes não seguem o tratamento conforme o recomendado. Porque a informação sobre os mecanismos de acção, estratégias para lidar com efeitos secundários e vigilância para reacções adversas é importante para desmitificar receios associados a um medicamento utilizado em quimioterapia, entendemos dedicar esta edição a tal medicamento”. Um reumatologista explica a importância do metotrexato, o que é e como actua, qual

é o objectivo do tratamento nas doenças reumáticas, em que doenças reumáticas pode o metotrexato ser utilizado e como deve ser tomado e quais os efeitos adversos e como são evitáveis. E faz-se um resumo dos cuidados que o doente reumático deve ter com a toma deste medicamento: a toma deve ser semanal; deve ser feita suplementação com ácido fólico; não deve ser tomado por mulheres grávidas ou que estejam a amamentar; mulheres em idade fértil a tomar metotrexato devem realizar método contraceptivo eficaz, já que este pode induzir malformações graves no feto ou no bebé; em mulheres

que pretendam engravidar, a toma deve ser interrompida pelo menos três meses antes da concepção. A grande mensagem a reter é que este medicamento é fundamental no tratamento de várias doenças reumáticas inflamatórias crónicas. Tal como qualquer outro medicamento, pode ter efeitos adversos e existe cuidados a ter durante a sua toma. No entanto, os benefícios ultrapassam claramente os riscos e médicos e doentes devem vê-lo como um importante aliado, não apenas para controlar os sintomas da doença reumática, mas também para evitar a destruição das articulações e a incapacidade.

Depois de devidamente comparadas as imagens e constatada a irrefutável coincidência, saltitei pela casa, mostrando aos meus três anjos o delicioso achado… e fiquei a pensar: não costumo tirar fotografias sentada no meio da rua, na verdade não me recordo de ter mais. Então porquê este impulso, tão separado no tempo, a repetir-se no mesmo sítio preciso? O que será que nos leva, sem que sequer percebamos, a fazer coisas obedecendo a uma vontade mais profunda, acatando um ímpeto que nos vem bem lá do fundo da alma

e nos deixa tão felizes? Talvez isto seja como aqueles sorrisos olhos nos olhos que abraçam a alma de quem não conhecemos, ou como um inesperado mergulho no mar que tem que ser dado em cuecas, ou como o instinto de abraçar uma árvore, acariciar um animal, tomar banho numa nascente ou dançar ao luar. Talvez o grau de êxtase que a obediência aos estranhos ímpetos nos confere seja apenas um atestado do universo tratando de nos provar que estamos ligados a algo muito mais grandioso do que a nossa vista e normais sentidos alcançam…

O que os ímpetos dizem de nós

Ana Amorim Dias - Escritora

www.anaamorimdias.blogspot.com anamorimdias@gmail.com

Passeava com eles pelas ruas da lindíssima Deià, uma das terras mais encantadoras da ilha de Maiorca, quando um qualquer estranho ímpeto me assolou. - Meninos, venham cá, sen-

tem-se aqui comigo. Ricardo, tiras-nos esta fotografia, por favor? Enquanto pousava com eles, um lampejo de memória fez-me recordar uma fotografia semelhante, tirada há muitos anos, também no chão de uma qualquer ruela inclinada da ilha. “Será que foi aqui?” perguntei-me em silêncio. “Não, que parvoíce, era muita coincidência…”, divaguei sem partilhar as minhas suspeitas aos três matulões que não costumam ser poupados nos gozos com que me brindam. Ontem, decidida a apaziguar

a curiosidade, dediquei-me a procurar a fotografia que bailava na minha memória com uma persistência que só podia estar a chamar-me. Depois de quarenta minutos de insistente busca, lá encontrei a pasta certa, reconditamente escondida dentro de pastas e pastinhas de um disco externo quase esquecido. Exultei, claro, que sou pessoa de exultar com detalhes saborosos. Embora com uma distância temporal de quase doze anos, a nossa posição espacial apenas não coincidia por estarmos dois escassos metros acima, na mesma ruela inclinada.


O POSTAL

regressa no dia 17 de Novembro Tiragem desta edição:

5.708 exemplares

última Festival de Órgão do Algarve chega a Portimão em Novembro Concertos percorrem as igrejas de Faro, Portimão, Loulé e Tavira A 10ª EDIÇÃO DO Festival de

Órgão do Algarve realiza-se entre 3 e 25 de Novembro, em dez concertos que percorrem os concelhos de Faro, Portimão, Loulé e Tavira distribuídos por várias igrejas da região. Portimão acolhe o concerto inaugural do Festival de Órgão do Algarve, a 3 de Novembro na Igreja Matriz, com o organista António Esteireiro e a participação do Coral Adágio dirigido pelo maestro António Alves. Em conjunto, apresentarão uma obra do compositor alemão Heinrich Schütz inspirada num salmo religioso.

O concerto seguinte na Igreja Matriz de Portimão tem lugar a 10 de Novembro, com a organista Daniela Moreira. Com obras de carácter bastante vivo e contrastante, o programa colocará à prova as potencialidades deste órgão de tubos. A Igreja Matriz de Boliqueime recebe a 17 de Novembro o primeiro dos concertos de órgão no local, com o organista Daniel Oliveira e o violinista Alexêi Tolpygo. Serão apresentadas obras predominantemente italianas e na forma de sonatas, adaptadas a este duo instrumental.

A 24 de Novembro, é a vez do organista André Ferreira se apresentar na Igreja Matriz de Boliqueime. Num programa intitulado “O canto dos pássaros”, muito haverá por descobrir nas obras seleccionadas para o concerto.

IGREJA DA MISERICÓRDIA EM TAVIRA ACOLHE CONCERTO DE ANDRÉ FERREIRA Em Tavira, a

Igreja da Misericórdia acolhe a 17 de Novembro o organista André Ferreira para um programa de concerto contrastante que versará “O sacro e o profano no barroco italiano”. Na semana seguinte, a 24 pub

de Novembro, o órgão da Igreja de Santiago ecoará pelas mãos da organista brasileira Elisa Freixo, que apresentará obras de compositores menos conhecidos. Os concertos em Faro iniciam-se a 4 de Novembro, na Igreja do Carmo, com um concerto a solo pelo organista António Esteireiro. A 18 de Novembro, neste local mas agora no formato de música de câmara, tem lugar a apresentação de Daniel Oliveira e Alexêi Tolpygo (órgão e violino barroco). Na Sé de Faro, o órgão histórico soará a 11 de Novembro com um concerto único do conceituado maestro e músico holandês Ton Koopman, considerado por muitos o melhor organista da actualidade. Fascinado pela música clássica e barroca, tendo-se fixado particularmente em Johann Sebastian Bach e Dietrich Buxtehude, interpretará algumas obras destes compositores. O encerramento do Festival ficará a cargo de Elisa Freixo, na Sé de Faro a 25 de Novembro. A organista brasileira tem uma das mais importantes carreiras no Brasil e é responsável

d.r.

ÔÔ Ton Koopman dará um concerto na Sé de Faro a 11 de Novembro pela série de concertos no órgão histórico instalado na Sé de Mariana, instrumento que é considerado gémeo do órgão da Sé de Faro. Todos os concertos realizam-se às 21.30 horas e são de entrada livre. O Festival de Órgão do Algarve 2017 é organizado pela

Associação Cultural Música XXI, conta com os apoios da Direcção Regional de Cultura do Algarve e dos Municípios de Faro, Loulé, Tavira e Portimão, com o apoio à divulgação da Região de Turismo do Algarve e com os parceiros de comunicação Antena 2, Sul Informação e Rua FM.

Bombeiros Voluntários de São Brás celebram 90 anos Instituição é a colectividade mais antiga do concelho A ASSOCIAÇÃO HUMANITÁRIA DE BOMBEIROS VOLUNTÁRIOS DE SÃO BRÁS DE ALPORTEL ce-

lebra o seu 90.º aniversário de serviço à comunidade no próximo domingo, 22 de Outubro. As comemorações têm início marcado pelas 9.30 horas com apresentação da Formatura na Avenida da Liberdade. O Largo de São Sebastião foi escolhido para a Cerimónia de Hastear da Bandeira, marcada para as 10 horas. Os soldados da paz são-brasenses rumarão ao Cemitério Municipal, pelas 10.30 horas, para prestar homenagem aos bombeiros falecidos. Seguidamente, o Salão Nobre

da Câmara Municipal é o anfitrião da Sessão Solene que está marcada para as 11.30. A Associação Humanitária de Bombeiros Voluntários de São Brás de Alportel é a colectividade mais antiga do concelho, com 90 anos ao serviço da comunidade. Fundada a 27 de Agosto de 1927, teve na sua origem um violento incêndio urbano, que eclodiu numa fábrica de cortiça do concelho. A ocorrência levou Manuel Pires Rico a desafiar um grupo de são-brasenses a criar um Corpo de Bombeiros, ideia que foi apoiada por várias gerações de homens e

mulheres que, com altruísmo, coragem, abnegação e espírito de missão, souberam ao longo dos anos elevar o nome dos Bombeiros Voluntários de São Brás de Alportel. Actualmente, a Direcção da Associação é dirigida pelo presidente Acácio Martins e o Corpo de Bombeiros é dirigido pelo comandante Vítor Martins, que comanda um Corpo de Bombeiros com cerca de seis dezenas de “soldados da paz” voluntários e profissionais, que constituem elementos activos da actividade de Protecção Civil realizada no concelho.


Mensalmente com o POSTAL em conjunto com o PÚBLICO

OUTUBRO 2017 | n.º 108 5.708 EXEMPLARES

www.issuu.com/postaldoalgarve d.r.

Missão Cultura:

foto: el legado andalusí

-

30 anos de rotas culturais

p. 2

Espaço ALFA: d.r.

Fotografar de avião

365 Algarve:

Deixe-se envolver, experimente viver ps. 6 e 7

p. 5

Letras e leituras:

d.r.

foto: fernando dinis

Um Deus em Ruínas, Kate Atkinson p. 8 Da minha biblioteca: d.r.

Americanah, de Chimamanda Ngozi Adichie

p. 11

Quotidianos poéticos: Luís Ene p. 12


2

20.10.2017

Cultura.Sul

Editorial

Missão Cultura

Surround cultural

30 anos de Rotas Culturais do Conselho da Europa e 20 anos das rotas do Legado Andalus foto: el legado andalusí

Ricardo Claro

Editor ricardoc.postal@gmail.com

AGENDAR

Não gosto de me repetir neste espaço editorial e procuro sempre temáticas diferentes que permitam ao Cultura.Sul aproximar-se dos leitores, dando destaque a determinadas questões que acreditamos estarem/merecerem ou deverem estar/merecer na ordem do dia em cada momento. Mas há razões para que me repita no destaque que pretendemos dar ao 365 Algarve e por isso ei-lo de novo a ocupar estas linhas. O 365 Algarve traz de novo e pela segunda vez à região um verdadeiro empuxo. Socorrendo-me da gíria aeronáutica o 365 é isso mesmo puro empuxo à cena cultural do Algarve e faz-se acompanhar das forças colaterais do peso de um cartaz de excelência, da sustentação de uma visão programática e do arrasto de um trabalho que gera terreiros que perduram para os públicos e fazedores de cultura. O 365 Algarve, que foi pensado sob o lema de 365 dias de cultura, vejo-o eu como um puro 365 graus, num verdadeiro e incontestável surround cultural. Era deste fenómeno envolvente e penetrante que necessitávamos e ei-lo criado para nos deslumbrar com a alta fidelidade de um programa pensado para ser o que deve ser, uma resposta aos públicos e à região que somos. 365 graus de som cultural que se faz de pureza clássica com a mesma destreza que se torna intenso beat, que tão depressa nos faz viajar como reencontrar-nos com o melhor da nossa tradição, que se apresenta genuíno e simultaneamente desafiador e que nos remete para a nossa reinvenção e para a beleza da tão nossa forma de estar secular que é a descoberta. Há mais e melhor Algarve entre Outubro e Maio. •

- fundación pública andaluza

O turismo é uma atividade global que se baseia numa descoberta de novos destinos e novas experiências. Estas rotas culturais têm dado um contributo fundamental para a alteração da relação que se estabelece ao longo de toda a Europa entre a cultura, o património e o turismo. Uma reflexão importante sobre a pressão e os efeitos nefastos do turismo tem sido acompanhada de um pensamento técnico e científico sobre a conservação e a preservação do património cultural. A procura dos benefí-

cios económicos e sociais do turismo junto das comunidades envolvidas, bem como, de uma maior disseminação por todo o território dos fluxos turísticos tem estado no centro destas rotas. Ainda que os países envolvidos possuam diferenças (culturais, religiosas, políticas, entre outras) há recursos e oportunidades partilhadas que estão a construir pontes para o seu desenvolvimento. O diálogo encetado tem sido profícuo e o Conselho da Europa aponta as rotas culturais como boas práticas de desenvolvimento sustentado. Existe ainda um processo em fase de implementação que necessita de maior união de esforços entre os agentes da cultura, do património e do turismo, do sector público, do privado e do terceiro sector, convocando e envolvendo a comunidade em geral. Este esforço conjunto trará a criação de novo valor e aumento de capacidade de atração das nossas regiões, pelo que, continuaremos neste processo e a trabalhar para a sua concretização, bem como, a partilhar e a implementar novos projectos. •

Na sua regular atividade desportiva, a coletividade tem cerca de 90 atletas federados, distribuídos pelas seguintes modalidades: Vela Ligeira, Canoagem e Pesca Desportiva. O Grupo Naval de Olhão organiza anualmente diversas provas de âmbito regional, nacional e para os associados: Prova de Vela ligeira, de âmbito regional; Prova de Vela/Catamarans, de âmbito nacional; Provas de Vela/IOM’S, de âmbito regional e nacional; Torneio de Snooker Inter-Sócios; Convívio de Pesca Desportiva Alto

Mar; Tertúlia aos Atuns. A nível de prémios destacamos: 2006 – Campeão do Mundo / Individual Pesca Desportiva Alto Mar; 2007/2008 – Campeão Nacional DART 18 / Catamarã; 2010 – Campeão Mundial de Pesca / Clubes. Em dezembro de 2016 foram eleitos os novos órgãos sociais do Clube para o triénio 2017/2019, sendo constituídos por 18 elementos, distribuídos pela Mesa da Assembleia Geral (3), Direção (12) e Conselho Fiscal (3). •

Direção Regional de Cultura do Algarve

Em 1987 o Conselho da Europa iniciou a programação de um conjunto de rotas culturais com o objetivo principal de demonstrar como as raízes da identidade europeia podem estar na base da fundação de uma visão de cidadania partilhada. Este programa tem hoje mais de 30 rotas certificadas que promovem a diversidade e a identidade cultural da Europa. No dia 5 de outubro a Fundação Pública Andaluza El legado Andalusi promoveu uma conferência internacional para comemorar este duplo aniversário na Madinat al-Zahra em Córdoba. A Direção Regional da Cultura do Algarve foi convidada a integrar uma mesa redonda sobre “Tourism Sustainability, future challenges”. No encontro participaram vários países parceiros da Fundação, como foi o caso de Itália, da Jordânia e do Líbano. Na cerimónia de abertura compareceu o Mi-

Imagem dos participantes da conferência internacional nistro do Turismo do Líbano, a Alcadeza de Córdoba e a reitoria da Universidade de Córdoba, e no encerramento esteve o Ministro Regional da Cultura da Andaluzia, um representante da Organização Mundial de Turismo e um Diretor Geral dos itinerários culturais do Conselho da Europa, expressando desta forma o seu apoio e a relevância da importância atribuída ao encontro e ao tema. Entre as rotas do Legado Andalusi está a rota Omíada, que foi apresentado e apontado como um caso de boas

práticas. São milhares de quilómetros que ligam países, locais, cidades e bens culturais (tangíveis e intangíveis) sob temas comuns. É uma rota internacional que une em torno da diversidade. Património e cultura comuns são base para um turismo sustentado? A resposta ficou clara: Sim. A criação de itinerários culturais está associada a vários benefícios na relação com o turismo.

Grupo Naval de Olhão

Jady Batista Coordenadora Editorial do J

O Grupo Naval de Olhão foi fundado há 78 anos, mais precisamente a 25 de Janeiro de 1939, por iniciativa de alguns olhanenses com uma grande paixão pelas atividades náuticas, com o objetivo

de dotar condignamente o concelho de Olhão de um clube de atividades desportivas diretamente ligadas ao mar, em geral, e à Ria Formosa, em particular, no sentido de proporcionar às camadas jovens uma prática desportiva saudável e educacional, bem como, oferecer à sua população em geral um pólo social de encontro e convívio, eis a realidade do Grupo Naval de Olhão ao longo de décadas. Contando atualmente com cerca de 1.500 sócios a quem são prestados uma série de

“CONCERTO COM VIVIANE” 26 OUT | 21.30 | Centro Cultural de Lagos Cantora, compositora e letrista faz um concerto envolvendo a comunidade onde toca, para isso a ideia é fazer o seu concerto com a participação de um coro juvenil do concelho de Lagos

serviços de apoio para as suas embarcações de recreio, o Grupo Naval de Olhão tem a sua sede social implantada num terreno concessionado pela Docapesca e situada na Avenida 5 de Outubro, junto ao Porto de Pesca de Olhão. A par desta realidade há a considerar as suas escolas de iniciação aos desportos náuticos para jovens, como são os casos da Vela e da Canoagem, para além de outras modalidades desportivas praticadas no clube, tais como a Pesca Desportiva.

“O PROCESSO” Até 30 OUT | Casa André Pilarte - Tavira A obra apresentada por Margarida Santos revela uma profusão simbólica complexa resultante de um olhar reflexivo e reinterpretativo sobre a obra do multifacetado artista Rafael Bordalo Pinheiro


Cultura.Sul

20.10.2017

 3

Filosofia dia-a-dia

A Voz da Sereia

Maria João Neves Ph.D Consultora Filosófica

Maravilhosas ou terríveis, sempre belas e sedutoras as sereias preenchem o imaginário dos povos marítimos. Na mitologia grega as sereias supõem-se filhas de Aqueloo - deus do rio homónimo, um dos mais antigos e poderosos espíritos da água na Grécia e da ninfa Calíope. Em grego Calíope significa “a da bela voz”. Ela foi a primeira das nove musas filhas de Zeus e de Mnemósine, deusa da memória. Com o poder encantatório da voz, herdado da mãe, e tendo a memória por avó, não admira que, nos seus ardis, as sereias façam com que os homens esqueçam quem são. Em inúmeras lendas o seu canto irresistível atrai os marinheiros levando-os a fazer naufragar os navios contra as rochas ou recifes onde habitam, produzindo o afogamento de toda a tripulação. De acordo com o mitologista espanhol Juan Eduardo Cirlot as sereias são também símbolos do desejo no seu aspecto mais doloroso que leva à autodestruição. O seu corpo não pode satisfazer os anseios que o seu canto e a beleza do seu rosto e busto despertam. Se entendermos a vida como uma navegação, as sereias podem também simbolizar tentações dispostas ao longo do caminho para impedir a evolução do espírito detendo-o em alguma ilha mágica ou morte prematura. Mas serão as sereias sempre tão malévolas? As Sereias de Platão No livro X da República Platão explica como está organizado o firmamento, de acordo com um sistema complexo em que da extremidade de uma coluna de luz “muito semelhante ao arco-íris mas mais brilhante e mais pura” pendia “o fuso da Necessidade, por cuja acção giravam as esferas”. Descrevem-se oito órbitas em torno do fuso “que girava nos joelhos da Necessidade”. Na mitologia grega a deusa Ne-

foto: íris mestre

cessidade Anánkê cuja origem etimológica enuncia força, restrição e inevitabilidade, é a mãe das Moiras e personificação do destino. Na narrativa platónica, no cimo de cada um dos referidos círculos “andava uma sereia que com ele girava, e que emitia um único som, uma única nota musical; e de todas elas que eram oito, resultava um acorde de uma única escala”. Aqui temos a origem da harmonia das esferas, cujo som não ouvimos por ser omnipresente. Por sua vez, as três Moiras, filhas da Necessidade, estavam “sentadas em círculo, a distâncias iguais, cada uma em seu trono, vestidas de branco, com grinaldas na cabeça e cantavam ao som da melodia das Sereias: Láquesis o passado, Cloto, o presente, e Átropos o futuro”. O canto das sereias tem em Platão um sentido muito mais profundo que o da habitual sensualidade mórbida. As sereias entoam o som que os planetas produzem na sua órbita criando a harmonia sobre a qual cada Moira cantará a melodia que entretece o passado, presente e futuro dos mundos. As Sereias de Camões Nos Lusíadas as sereias ou sirenas ajudam os navegantes ou enaltecem os feitos heróicos dos Portugueses. A sua voz mágica adormece malfeitores na esteira de Circe, uma feiticeira especialista em venenos; e Polifemo, o poderoso ciclope filho de Poseidon que devora marinheiros de dois em dois, quando Odisseu e os seus companheiros invadem inadvertidamente a sua caverna em busca de mantimentos. “Cantem, louvem e escrevam sempre extremos/Desses seus Semideuses e encareçam,/Fingindo magas, Circes, Polifemos,/Sirenas que co canto os adormeçam"; (Lusíadas V, 88) Há também, neste canto, uma referencia à musa Caliope, mãe das Sereias, quando Camões exorta Vasco da Gama a agradecer às musas, pois o desprezo pelas artes e a falta de cultura do povo português impera. Alerta o excelso poeta para a urgência de se alterar este panorama de pobreza cultural. O autor da epopeia enfatiza como é importante

Painel de azulejo de Carmo Saúde deixar um registo escrito das façanhas e glórias do povo português, corajoso, mas infelizmente rude e inculto. “Às Musas agradeça o nosso Gama/ O muito amor da pátria, que as obriga/A dar aos seus, na lira, nome e fama/De toda a ilustre e bélica fatiga;/ Que ele nem quem na estirpe seu se chama,/Caliope não tem por tão amiga/Nem as ninfas do Tejo que deixassem/ As telas d’ouro fino e que o cantassem”. (Lusíadas V, 99). Mais adiante na epopeia, festeja-se com grandes manjares e muita

música, “Cua voz de uma angélica Sirena” (Lusíadas X, 5) entoando panegíricos: “Mais estanças cantara esta Sirena/ Em louvor do ilustríssimo Albuquerque” (Lusíadas X, 45). A Sereia de Álvaro de Campos O heterónimo pessoano Álvaro de Campos, nascido em Tavira, estudará engenharia naval em Glascow e regressará à pátria onde permanece desempregado: “Pertenço a um género de portuguêses/Que

depois de estar a Índia descoberta/Ficaram sem trabalho. A morte é certa”. (Álvaro de Campos, Opiário) O desemprego, como a tantos de nós, suscita-lhe o desespero: “Caio no ópio por força. Lá querer/ Que eu leve a limpo uma vida destas/ Não se pode exigir”. (Ibid.) Álvaro de Campos é, tal como o próprio Pessoa afirma numa carta a Adolfo Casais Monteiro, “o mais histericamente histérico de mim”. É este homem de sensibilidade à flor da pele, que um dia “sózinho, no cais deserto” con-

templando o Indefinido ouvirá a voz de uma Sereia: “Subitamente abrangendo todo o horizonte marítimo/Úmido e sombrio marulho humano noturno,/Voz de sereia longínqua chorando, chamando,/Vem do fundo do Longe, do fundo do Mar, da alma dos Abismos,/ (...)” (Álvaro de Campos, Ode Marítima) O canto da Sereia, neta de Menemósine, desperta-lhe a memória: “E a minha infância feliz acorda, como uma lágrima, em mim./O meu passado ressurge, como se esse grito marítimo/Fosse um aroma, uma voz, o eco duma canção/ Que fosse chamar ao meu passado/Por aquela felicidade que nunca mais tornarei a ter”. (Ibid.) É a nostalgia da recordação de uma felicidade infantil que jamais voltará e da qual talvez não se tenha apercebido no momento. Uma felicidade vivida de forma provavelmente inconsciente, portanto, não sentida, e que agora está para sempre perdida. O desespero agrava-se, mas a Sereia não desiste: “Mas estupendamente vinda de além da aparência das coisas,/A Voz surda e remota tornada A Voz Absoluta, a Voz Sem Boca,/ Vinda de sobre e de dentro da solidão noturna dos mares,/ Chama por mim, chama por mim, chama por mim.../Vem surdamente, como se fosse suprimida e se ouvisse,/Longinquamente, como se estivesse soando noutro lugar e aqui não se pudesse ouvir,/Como um soluço abafado, uma luz que se apaga, um hálito silencioso./De nenhum lado do espaço, de nenhum local no tempo,/O grito eterno e noturno, o sopro fundo e confuso:/Ahô-ô-õ-õ-ô-ô-ô-ô-ô-ô-ô-ô - yyy... (...)/Tremo com frio da alma repassando-me o corpo/E abro de repente os olhos, que não tinha fechado./Ah, que alegria a de sair dos sonhos de vez!/Eis outra vez o mundo real, tão bondoso para os nervos!(...)” (Ibid.) A Sereia acorda o poeta que desperta para uma impassibilidade tecnológica que alivia: “Maravilhosa vida marítima moderna,/Toda limpeza, máquinas e saúde!” (Ibid.) Mas ai de nós que exaustos estamos da era da técnica! Não haverá outra solução? Urge o teu canto, ó Sereia do Gilão! Café Filosófico: filosofiamjn@gmail.com •


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Artes visuais

Pode a arte emergir da natureza?

Saul Neves de Jesus

Professor catedrático da UAlg; Pós-doutorado em Artes Visuais pela Universidade de Évora

Nos últimos artigos abordámos aspetos relativos à relação entre a arte e o meio urbano, através da arte urbana ou “street art,” sendo analisada em particular a produção artística feita a partir de “lixo”. Os artistas que se enquadram neste movimento apresentam em geral preocupações ambientais e ecológicas, nomeadamente ligadas à preservação do ambiente e à reciclagem ou reutilização de materiais. Desta vez, pretendemos aprofundar a relação da produção artística com o meio ambiente natural, em particular a “land art”. A “Land Art” (“Earth Art” ou “Earthwork”; pode traduzir-se como “arte da terra” ou “arte sobre a paisagem”) foi um movimento artístico que surgiu no final da década de 60 nos Estados Unidos e na Europa, expressando a interligação e integração entre a natureza e a arte, em que a natureza além de suporte, faz parte da própria criação artística. Assente na perspetiva de que na natureza nada se perde, pois tudo se transforma, a principal característica seria a utilização de recursos provenientes da própria natureza para o desenvolvimento do produto artístico, com o intuito de chamar atenção para a grandiosidade da natureza como local central de experimentação artística. Ao contrário da arte exposta nos museus, galerias ou ateliers, a “land art” propõe ultrapassar as limitações do espaço tradicional, sendo a arte realizada e exposta em vastos espaços, como praias, mares, lagos, lagoas, desertos, montanhas, canyons, campos, planícies, planaltos, dentre outros. Não se trata de representar a paisagem, mas criar nela, dentro dela e a partir dela, fundindo-se a arte com a natureza. Os produtos artísticos assim realizados não poderiam ser adquiridos, nem ter cotação, pelo que este movimento tam-

bém representou uma crítica à sociedade economicista e consumista, em que a arte seria para ser consumida como mera decoração. Além disso, sendo a arte expressão das mudanças sociais, este movimento representou também um aumento do interesse pelas questões ambientais e ecológicas. Ao serem na sua grande maioria efémeras, destruídas mais ou menos rapidamente por ação do tempo e dos agentes naturais, apenas persistindo no tempo através de meios de registo como o vídeo ou a fotografia, as criações em “land art” alertam para a precariedade de recursos naturais e para a necessidade em investir no planeta. O trabalho mais conhecido é provavelmente a “Plataforma Espiral” (“Spiral Jetty”),

fotos: d.r.

Trabalho em land art 'Plataforma Espiral' (Robert Smithson, 1970) obra veio posteriormente a ser destruída pela própria água. Uma manifestação de pro-

cional de Esculturas em Areia) é dedicado ao tema das artes. Nesta “cidade de areia” encon-

Imagem de trabalho ('Guernica', de Picasso) realizado no FIESA que Robert Smithson realizou em 1970, no Great Salt Lake, em Utah, nos EUA. Construída com terra e pedra sobre a água, numa extensão superior a quatrocentos metros, esta

dução artística a partir da natureza ocorre todos os anos em Armação de Pêra, no Algarve, durante o verão. Contando já com 15 edições, este ano o FIESA (Festival Interna-

tram-se esculpidas dezenas de esculturas a partir de 45 mil toneladas de areia. Este ano, até 31 de outubro, podemos encontrar esculpidas cenas de quadros de Picasso,

Imagem de trabalho realizado por Vhils

Dali ou Miguel Ângelo. Vale a pena visitar… Ao falarmos de escultura,

soas com menos de 30 anos, na categoria de Art & Style, e recentemente convidado pela banda U2 a produzir o vídeo de uma das músicas do último álbum, Raised by Wolves. Já em 2014, Vhils havia sido um dos nomes que constava na lista dos melhores murais executados em todo o mundo, com um mural realizado em Lodz, na Polónia. Este artista cresceu no Seixal, onde começou por pintar paredes e comboios com grafite, aos 13 anos, antes de ir para Londres estudar Belas Artes. Conta com criações em vários países, como Tailândia, Malásia, Hong Kong, Itália, Estados Unidos, Ucrânia e Brasil. Conhecido internacionalmente por esculpir rostos em paredes, criou este ano uma obra em Beja, no âmbito do segundo Festival Beja na

Foto de obra 'Concha com cérebro: Readymade do mar' (Jesus, 2012) gostaríamos de abordar neste artigo o trabalho de Vhils. As suas obras são realizadas e encontram-se expostas ao ar livre, consistindo em esculturas em paredes. Nos últimos artigos, para cada uma das questões que colocámos, procurámos aprofundar o trabalho de artistas plásticos que realizam o seu trabalho ao ar livre, em manifestações de arte urbana. Assim, foram analisados aspetos particulares dos trabalhos artísticos desenvolvidos por Banksy, no artigo “Qual o “peso” de se saber quem é o autor da obra?”, e por Bordalo II, no artigo “Pode a arte emergir a partir do “lixo?”. Desta vez, pretendemos analisar o trabalho artístico de Vhils (nome artístico de Alexandre Farto), mencionado pela revista Forbes na sua lista de histórias de sucesso de pes-

Rua. Este verão decorreu também uma exposição sua em Pequim, intitulada “Imprint”, constituída por 70 retratos esculpidos em baixo relevo. A preocupação com questões sociais está presente nos seus trabalhos. Por exemplo, homenageou os moradores de um bairro que estava em processo de despejo, esculpindo-os nas ruínas, para lembrar que, segundo as suas próprias palavras, “quando se destroem as paredes sem dar alternativa, é a vida da pessoa que se destrói também”. Terminamos este artigo com a referência a um trabalho que selecionámos, o qual ilustra que a natureza em si mesma é arte, pois trata-se dum “ready made” da própria natureza. Foi um coral encontrado na praia, com a forma de cérebro, que intitulámos “Concha com cérebro: Ready made do mar”. •


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Espaço ALFA

Um outro olhar: o fascínio de fotografar de avião

Raúl Grade Coelho Membro da ALFA

Na fotografia tudo é permitido. Fotografar de um avião é algo de fascinante, pois permite-nos captar o sítio onde sempre vivemos mas visto por outros olhos. Dá-nos um enquadramento diferente da forma como observamos o mundo. Uma vez tive a oportunidade de fotografar do alto

dos céus a partir do nosso Aeroporto de Faro. É magnífico observar toda a Ria Formosa e ver todas as pessoas que por lá passam. Umas de férias, outras a caminho de mais um dia de trabalho. E nós, com a nossa máquina fotográfica, capturamos toda esta vida e labuta. Há formas diferentes de captar estes momentos do nosso céu. Há muitas objetivas que nos permitem gravar momentos únicos a partir do avião onde viajamos e nos leva para os mais diversos lugares. Eu fiquei pela nossa vizinha Espanha. É um país também bonito e com muitas paisagens que

nos permitem tirar fotografias sem fim daquele espaço. Aconselho a quem tiver oportunidade de se deslocar por cima de nós a não se esquecer da máquina fotográfica para gravar os momentos únicos que nos dão uma visão diferente do pequeno mundo em que habitamos. Há, no entanto, de se precaver e se informar antes de levantar voo se é permitido o uso de máquinas fotográficas, pois algumas companhias aéreas não o permitem. É só perguntar antes de iniciar viagem. •

Espaço AGECAL

Origem, evolução e desenvolvimento da gestão cultural em Espanha (conclusão) d.r.

Rafael Morales Astola Doutor em Filologia Hispânica, gestor cultural, co-fundador e ex-presidente da GECA

Urgem, portanto e antes de mais medidas de resgate: - Salvaguardar as práticas que reforcem a ideia da cultura como recurso que deve estar supeditado sempre com a ideia de cultura como elemento constituinte da condição humana; - Aumentar o orçamento público da cultura para 3%. Este aumento repercutir-se-ia integralmente na programação de actividades; - Estabelecer, de maneira institucionalizada, fiscalizada, avaliável e identificável, um conjunto de serviços culturais que possam beneficiar

As conclusões de Rafael Morales Astola sobre a prática da gestão cultural em Espanha de um IVA cultural; - Aprovar o IVA cultural nos 5%; - Criar um catálogo de actividades culturais de taxa reduzida, que não inclua so-

mente as entradas o os livros. As actividades de gestão cultural têm por vezes orçamentos muito reduzidos para programas culturais pontuais em zonas rurais ou afastadas, o

que raia a desertificação cultural. Não falamos aqui de cultura como recurso. Trata-se de necessidades dessas populações no seu direito à cultura. Por exemplo, programas

de teatro de rua numa aldeia não será nunca um negócio, porque necessário e justo. Há que encontrar a fórmula para reduzir o IVA por motivos sociais e culturais.

Trata-se de um acto de responsabilidade política e social regular a economia empresarial da cultura (por justiça, respeito e consideração pela quantidade de empregados, autónomos e microempresas), assim como articular a partir da administração pública um plano estatal inter-autonómico de resgate coordenado com as comunidades autónomas e municípios, com as organizações profissionais e empresariais e da sociedade civil organizada através de órgãos de representação institucional. O Pacto para a Cultura de 2010 e a sua actualização em 2015, promovidos ambos pela FEAGC e rubricados por numerosas organizações profissionais e empresas do sector, constituem uma possível meta de trabalho colectivo para uma política cultural de futuro, com atenção ao presente que reclama compreensão e sobretudo acção. •


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Panorâmica

365 Algarve: a consolidação depois do 'milagre' É este o rosto que sem um único gabar fez da ideia da Região de Turismo uma realidade com a prata da casa e que apresenta agora a consolidação do 'milagre' que foi a primeira edição deste programa.

Ricardo Claro

Jornalista / Editor ricardoc.postal@gmail.com

O que se pode esperar de uma segunda edição do 365 Algarve? A resposta é antes de mais "um reforço da qualidade". As palavras são da comissária do programa cultural que a Região de Turismo do Algarve, liderada por Desidério Silva, conseguiu implementar na região com mestria numa união de turismo, economia e cultura. Dália Paulo é muito mais do que uma gestora de um orça-

As apostas O 365 Algarve aposta agora em Festivais - e há-os para todos os gostos - e em eventos âncora capazes de fidelizar públicos naquilo que se quer a construção contínua de um público de amantes deste verdadeiro périplo pela cultura. "Queremos que mais pessoas se encontrem com o 365 Algarve e com a actividade cultural numa relação de proximidade. Que sejam a grande comunidade do 365 Algarve e que passem pelo nosso site da internet como

o turismo traz ao Algarve. Nem tudo foi perfeito, nem o será certamente, mas o 365 Algarve aprendeu e prova-o Uma das falhas da primeira edição do programa foi definitivamente a comunicação. A cultura gerida com esta dimensão não se compadece da lonjura face aos públicos no que toca a divulgação e a comunicação é mais do que as notícias é um discurso cuja narrativa tem de ser global e multifacetada. Desta feita, o 365 Algarve conta com cerca de 170 mil euros para comunicação, que dão origem a uma nova abordagem nos materiais de comunicação e nos canais utilizados. Desde logo no site da internet onde convivem actualmente quatro línguas estrangeiras a par do português . A festa dos sentidos

Desidério Silva, presidente da RTA mento de 1,5 milhões de euros a despender numa programação que se estende deste mês de Outubro até Maio. É acima de tudo a obreira de uma aventura que poucos teriam ao início tido a coragem de abraçar quando aceitou criar de raiz um programa regional de oferta cultural pensado para derrubar tudo e mais alguma coisa, nomeadamente a sazonalidade da procura turística num tempo recorde e sem rede, como só faz quem realmente sabe do mister que abraça como profissão.

quem procura num amigo uma proposta cultural para uma jornada por bons momentos", diz. A programação procura também consolidar oferta cultural herdada da programação do ano passado e que importa manter neste que "foi e é um desafio de coesão territorial assente na cultura". Depois, as novidades compõem um arranjo que se deseja desafiador e inovador ao mesmo tempo que apostado no que é nosso e que pretende ser cativador para a multiplicidade de públicos que a região tem e que

fotos: d.r.

É este programa que constitui uma desafiante paleta de propostas que celebra um Algarve e um país virados para a interculturalidade que mostra três patrimónios imateriais a quem nos visita e os revisita para os que cá vivem. Unidos estarão o fado e a dieta mediterrânica de mãos dadas com o flamenco, numa celebração da cultura como património inalienável da existência dos povos. Numa chamada a rebate para a verdadeira festa dos sentidos o 365 Algarve está aí e, uma vez mais, irrepetível em cada edição, Assim, perder este apelo é deixar um pouquinho de viver, saia de casa e experimente esta ode à arte de sentir. •

Dália Paulo, comissária do 365 Algarve


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Panorâmica

Gastronomia

Uma mão cheia de propostas imperdíveis é o que propõe o 365 Algarve no que toca a festivais. Há os para todos os públicos e para todos os gostos ao longo da extensa programação. Destaque do Cultura.Sul para o LUZA, Festival Internacional de Luz do Algarve (24 a 26 de Novembro, Loulé); Festival do Contrabando (23 a 25 de Março, Alcoutim); Festival Algarve Jazz Gourmet Moments (25 a 27 a Maio, Lagos). Mas há mais, muito mais para viver neste colectivo de imersão cultural, a Festa dos Sentidos (Outubro e Novembro, Lagos); o Festival Verão Azul (17 a 28 de Outubro, Faro e Lagos) e o Festival Internacional de Piano do Algarve (Janeiro a Abril, Portimão), prometem. Ao mesmo tempo o FIMA - Festival Internacional de Música do Algarve (Março a Maio por todo o Algarve) e o imperdível VIDEO LUCEM (Outubro a Maio, Faro, Lagoa, Tavira, Loulé, VRSA, Aljezur e Silves), são outras das chamadas de atenção. Vemo-nos por estas andanças num palco perto de si e disfrutemos desta aventura que é a cultura feita multidão.

O que é o Algarve sem uma boa mesa e que melhor maneira de celebrarmos a tão nossa Dieta Mediterrânica do que vivê-la. A gastronomia é dona e senhora de um lugar de destaque no 365 Algarve e promete não deixar por mãos alheias o que lhe compete: juntar-nos a todos e fazer-nos comensais de mais do que de primores da arte culinária, levando-nos ao banquete da cultura. Não se faça rogado que a mesa é farta com CataPlay (Dezembro a Maio, Faro, VRAS, Loulé e Vila do Bispo); numa verdadeira ode à celebrada cataplana algarvia. Mas a interculturalidade também entra nos convites com Pasta e Basta Um Mambo Italiano. Lembra-se de Sophia Loren, a voluptuosa Smargiassa, pois a pasta italiana apresenta-se também ela recheada de volúpia e é a estrela do teatro culinário que propõe uma experiência única (Novembro, Rogil, Aljezur e Monchique). A festa continua com o Terras de Maio num desafio a passar pelo Azinhal em Castro Marim e deixar-se levar pelos segredos que a serra conserva na arte de bem-fazer no que toca à gastronomia. Não deixe de marcar na sua agenda porque o 365 Algarve convida a lambuzar-se.

Enche-nos a alma e à parte do que já tem de presença no campo dos festivais, o 365 tem várias propostas no que respeita à música. A Gala do Acordeão promete arrebatar os amantes deste instrumento em Faro, a 4 de Novembro, numa homenagem a Hermenegildo Guerreiro, o grande mestre. Conchorta é a proposta para Monchique e Aljezur, também em Novembro, num apelo à vida de hortelão pela mão de Biagio Biagini e de Luigi Carlone que prometem enlevar-nos nesta horta onde crescem canções pop, rock e modernas que contam as histórias das beringelas, dos pimentos e das courgettes. Já o Jazz nas Adegas é a incontornável chamada entre Janeiro e Março num brinde que junta os vinhos regionais e a excelência do género musical. Os espaços das quintas e vinhedos do Algarve feitos palco de mil sons é o fascínio proposto neste encontro de todo improvável e, antes, mais do que provável entre os etílicos dos dois mundos. Venha daí e deixe-se embalar pelas notas e melodias deste 365 Algarve que promete dar o tom de uma invernia bem mais cultural.

... e muito mais

Música

Festivais

(Re)Visite todo o Algarve num périplo pela Cultura de Outubro até Maio

Destacámos muito do que pode ver, ouvir, sentir e viver no 365 Algarve, que abraça a segunda edição a partir de agora. Mas o muito mais do programa cultural regional de Inverno estende-se pelas exposições, espraia-se pelo teatro, espreguiça-se na animação do património, enrola-se no circo contemporâneo e cobre-se também com a sétima arte. Tudo para que não fique nem na cama, nem no sofá, que a vida faz-se vivendo e a cultura é mais do que razão para que abandone o aconchego de casa e se deixe aquecer pelo muito que há para viver. Há dias assim e o 365 Algarve quere-os todos plenos de emoção, devaneio e ilusão. Pode saber tudo sobre o que acontece por estes dias e até Maio no site do 365 Algarve e agora que já sabe, o que faz ainda aí?! •

Toda a programação em 365algarve.pt


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Letras e leituras

A Queda de um Homem: Um Deus em Ruínas, Kate Atkinson fotos: d.r.

Paulo Serra

Doutorado em Literatura na Universidade do Algarve; Investigador do CLEPUL

Kate Atkinson, nascida em York (Grã-Bretanha) em 1951, conseguiu a proeza de ganhar o Prémio Costa pela terceira vez com esta obra que é um complemento, não uma sequela, segundo palavras da própria autora, de Vida após Vida, o seu romance anterior, igualmente premiado com o Costa e publicado pela Relógio d’Água. A autora teve ainda duas outras obras publicadas em Portugal. Retratos de Família, o seu romance de estreia e vencedor do Costa, com o título original de Behind the Scenes at the Museum, data de 1995 e foi publicado uns anos depois pela Planeta Editora, que também traduziu e publicou Croquete Humano. Vida após Vida, publicado pela Relógio d’Água em 2014, assenta numa ideia original. Na contracapa do livro pode ler-se: «Em 1910, durante uma tempestade de neve em Inglaterra, um bebé nasce e morre sem que tenha tempo de respirar. Em 1910, durante uma tempestade de neve em Inglaterra, o mesmo bebé nasce e vive para poder contar a aventura.». Ou, dito de outra forma, para poder contar a História. A história de Vida após Vida, como o título indica, é uma sucessão de desfechos alternativos, mas se ao início esses desfechos alternativos parecem cingir-se àquilo que aconteceria se Ursula sobrevivesse às várias mortes por que passa, depois começam a estar mais amplamente relacionados com o próprio livre arbítrio da personagem e das decisões que toma. A vida de Ursula desdobra-se numa míriade de vidas possíveis, até que, no fecho do primeiro capítulo, localizado temporalmente em Novembro de 1930, quando Ursula entra num café e dispara sobre Hitler, se pressente que a ideia central ao romance é não só a eterna questão de “E se eu tivesse decidido assim ou optado por ali” mas sim a de “E se fosse possível prever o futuro e reescrever a História?”. Nas palavras da própria heroína: «Uma vez ouvi alguém dizer que a presciência era uma coisa maravilhosa, que com ela não haveria história.» (pág. 428). Piloto de guerra Em Um Deus em Ruínas, publicado em Setembro de 2017, a autora centra-se agora em Teddy, Edward Todd, o irmão mais novo de Ursula e piloto do Comando de Bombardei-

Kate Atkinson já ganhou três prémios Costa ros. Ursula Todd, numa das suas várias vidas, é uma presença constante, até porque é a irmã preferida, e provavelmente a amizade mais sólida, de Teddy. A sua presença é contudo quase sempre indirecta, quase fantasmática, através de à partes que são relembrados por Teddy. W. G. Sebald, em História Natural da Destruição, referia que há muito pouca literatura sobre a guerra aérea que devastou a Alemanha. Pois, neste romance Kate Atkinson centra-se justamente no Blitz de Londres e na campanha de bombardeamentos estratégicos contra a Alemanha. Há uma aturada pesquisa histórica, que, aliás, perpassa na escrita, nunca de forma enfadonha, nas descrições pormenorizadas dos voos e dos pormenores associados à guerra, sendo que os episódios narrados são sempre baseados em factos reais. Existem momentos em que podemos mesmo visualizar vividamente as cenas. Mas este não é apenas um romance sobre a Segunda Guerra Mundial. É sobretudo um romance sobre a vida e as várias guerras que combatemos ao longo da vida, como a doença, a velhice, as relações familiares, ou tão simplesmente o esquecimento. Não é um romance em que se entre de ânimo leve. Levamos tempo a entrar na história, até porque temos de nos adaptar aos constantes saltos narrativos e ao desajuste cronológico na narração. Afinal, se tivéssemos de arriscar um motivo pelo qual este livro arrecadou o prémio Costa seria pelo tratamento do tempo. Não pelas prolepses ou analepses, que são constantes, nem ao facto de os capítulos, todos eles datados com um ano (entre 1925 e 2012), serem desordenados cronologicamente. Mas sim porque em poucas linhas os planos temporais enovelam-se

e quase perdemos o fio à meada, não fosse a perícia com que a autora tece o fio do tempo. Usar a metáfora de que ler este romance é como nos perdermos num labirinto seria incorrecto. Aqui andamos numa sala de espelhos, em que o passado faz luz sobre o futuro e o futuro se projecta no passado, à medida que um homem, num século que não é mais o seu, se apercebe de como a vida vai ruíndo apesar da sua bondade e da sua integridade. São características marcadas na escrita da autora o forte sentido de humor, capaz de arrancar pequenas gargalhadas, muitas vezes através de pequenos à partes que pontuam a narrativa, e uma prosa elegante, polvilhada de humor e ironia. Um humor tipicamente britânico, que aliás caracteriza fortemente Fox Corner, o espaço da juventude de Teddy e de Ursula, que convida a um certo distanciamento e olhar crítico sobre a realidade. Escreve a própria autora, na sua nota pessoal, que se lhe perguntassem do que trata este romance ela responderia «que é um romance sobre a ficção literária (e a necessidade de imaginar aquilo que não podemos conhecer) e sobre a Queda (do Homem)» (p. 387), sendo que proliferam no romance referências literárias alusivas a isso mesmo (há constantes citações e alusões literárias no romance, indicadas em notas finais). Este Deus em ruínas de que fala o título é também a fragilidade da condição humana, mesmo quando o Homem se arroga a ser Deus, é uma Europa que se perdeu e um passado irrecuperável, simbolizado pelo idílio de Fox Corner, a morada da inocência de Teddy: «A guerra fora um abismo aterrador e não havia forma de regressar ao outro lado, às

vidas que haviam tido antes, àqueles que tinham sido antes da guerra. Isto valia tanto para eles como para o resto da Europa, pobre e em ruínas.» (p. 75) E o que existe para lá da guerra? Mas não se pense que este romance trata apenas de guerra, pois findas as batalhas aéreas travadas por Teddy e vencida a guerra pelos Aliados, uma boa parte dos capítulos posteriores a esse período tratam da difícil relação de Teddy com a sua filha Viola, bem como da relação desta com os seus filhos, Sun Edward Todd (Sunny) e Moon Roberta (Bertie). É curioso como os netos de Teddy, este pólo Sol-Lua, parecem configurar uma sobrevivência da personagem do avô e da sua irmã Ursula. No caso de Sunny através do nome de Edward Todd que este herda do avô e no caso de Bertie porque é ela quem tem a relação mais forte com Teddy, e muitas vezes surgem reminiscências dos seus à partes de que Teddy nos dá conta conforme os recorda, tal como antes acontecia com Ursula, enquanto esta era viva. Existe a certa altura surpresa por parte de alguém em relação à pacatez da vida de Teddy, tendo ele sido um sobrevivente e um herói medalhado da guerra. Mas encontraremos depois uma explicação possível: «Tinha feito uma promessa, uma promessa secreta ao mundo, nas suas longas vigílias noturnas: se sobrevivesse, no grande futuro que depois viria, tentaria ser amável e levar uma vida digna e tranquila. Como Cândido, cultivaria o seu jardim. Discretamente. E seria essa a sua redenção. Ainda que só pudesse acrescentar uma pena ao prato da balança, seria a sua forma

de restituição por ter sido poupado. No fim de tudo, quando chegasse a altura de ajustar contas, talvez essa pena lhe pudesse valer.» (p. 337). Esta pena é símbolo (e não será por acaso que aparece como motivo da belíssima e enigmática capa do livro) da queda que se segue ao voo, pois se as aves são uma constante, a começar pelo canto da cotovia e a terminar nos pombos caçados pelos falcões, a pena simboliza aqui a efemeridade, a queda fatal após a ascensão, as vidas que se perderam no prato da balança da guerra e da injustiça humana. Correndo o risco de desvendar o final ou a grande surpresa, este livro joga ainda de forma muito original com a questão da ficção, da literatura como fantasia e criação de um real alternativo, de um mundo possível. A autora defende-se, na nota final, de que não tenta escrever pósmodernices. E se pensarmos na realidade da guerra que serve de fundo a esta história em torno da vida de Teddy percebemos que é de facto quase inverosímil acreditar neste piloto como um felizardo que sobreviveu a todas as suas missões, quando na verdade os soldados eram usados como carne para canhão e morriam: «Todos eles na flor da idade.» (p. 339). Tinham também um conhecimento deturpado do efeito das suas campanhas: «Cinquenta e cinco mil, quinhentos e setenta e três mortos no Comando de bombardeiros. Sete milhões de alemães mortos, dos quais quinhentos mil mortos pela campanha de bombardeamento dos Aliados. No total, a Segunda Guerra Mundial custou a vida a sessenta milhões, incluindo os onze milhões assassinados no Holocausto.» (p. 374). •


Cultura.Sul

Ficha técnica: Direcção: GORDA Associação Sócio-Cultural Editor: Ricardo Claro

20.10.2017

Espaço ao Património

Práticas de animação teatral no património museológico

Paginação e gestão de conteúdos: Postal do Algarve Responsáveis pelas secções: • Artes visuais: Saul de Jesus • Da minha biblioteca: Adriana Nogueira • Espaço AGECAL: Jorge Queiroz • Espaço ALFA: Raúl Grade Coelho • Espaço ao Património: Isabel Soares • Filosofia dia-a-dia: Maria João Neves • Juventude, artes e ideias: Jady Batista • Letras e literatura: Paulo Serra • Missão Cultura: Direcção Regional de Cultura do Algarve • Panorâmica: Ricardo Claro • Quotidianos poéticos Pedro Jubilot Colaboradores desta edição: Mário Rui Filipe, Rafael Morales Parceiros: Direcção Regional de Cultura do Algarve e-mail redacção: geralcultura.sul@gmail.com e-mail publicidade: anabelag.postal@gmail.com on-line em: www.postal.pt e-paper em: www.issuu.com/postaldoalgarve

facebook: Cultura.Sul Tiragem: 5.708 exemplares

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foto: beatriz frazão

Mário Rui Filipe

Professor e director do Curso Profissional de Artes do Espectáculo da Escola da Bemposta - Portimão

A prática da animação teatral e performativa no Museu de Portimão insere-se num plano contínuo de trabalho que põe em relevo questões como a identidade local, a representação fictícia de um passado pré-histórico, criando com isso imagens na memória colectiva do público, traçando um imaginário que nos aproxima dessa era. No fundo, a animação teatral que os alunos do Curso Profissional de Artes do Espectáculo da Escola da Bemposta em Portimão fazem, é sobretudo, de rigor na sua performance, pois têm objectivos essenciais como: foco no público; trabalhar a presença em cena; utilizar o corpo como ferramenta de atenção e memória; comunicar com o público, seja por palavras, gestos, provocação, riso. Desde há três anos que colaboramos activamente com o Museu de Portimão em vários eventos ao longo do ano, sobretudo no Dia da Pré-História, em Alcalar; nas Noites do Museu, quando se comemora o aniversário do Museu de Portimão e nas apresentações da Maratona Fotográfica, entre outras colaborações. Além do Teatro, alunos de Música Clássica e Jazz da mesma escola têm participado. O que é interessante revelar é como esta parceria tem feito crescer ambos os lados desta ponte. Nós, pois além de podermos fora da escola exercitar todas as técnicas, dá-nos visibilidade institucional, bem como aos actores que nela participam, que podem dar largas à sua criatividade e intuição sensível perante o público. Além de que um espaço como o Museu de Portimão, sendo um edifício de múltiplos cenários, permite em cada um deles realizar um trabalho de “Site Specific” deveras interessante. Em Alcalar, todo aquele imenso espaço aberto ao ar livre, permite outras valências criativas, como a exploração de imagens em grande formato,

O Xamã de Alcalar utilizando o corpo, os gestos e os objectos como matérias palpáveis dessa visibilidade. Além disso, os rituais xamãnicos da morte, trazem surpresa e uma atenção que aproxima o público dos actores. Sendo um espaço na paisagem, a voz, o eco e todas as sensações sonoras, como tocar um instrumento, aumentam essa percepção de envolvimento total naquele espaço, o que cria uma verdade perante a ficção histórica que estamos a assistir. O teatro tem este poder de congregar uma visibilidade nos locais onde decorre o espectáculo, a animação, a performance. A arte tem sempre este poder

de dar a conhecer e mostrar, de um modo ficcionado e por vezes catártico, não só uma história, mas sobretudo os locais, o que faz com que esse local produza novas linguagens na memória do espectador. Quantas vezes não acontece alguém ir ver um espectáculo, por exemplo numa igreja ou num museu e depois ter vontade de lá regressar, noutro contexto, para desbravar outras imagens e memórias que lhe foram dadas de um modo diferente por esse espectáculo. Portanto, tenho sempre presente esta ideia de que o teatro pode efectivamente congregar e reunir pessoas numa comu-

nhão de afectos e sensibilidades, de memórias e de histórias, proporcionadas pelos actores e pelas estórias que os mesmos recriam. Considero que os Museus e todos os espaços patrimoniais têm muito a ganhar com cada vez mais colocarem as artes de palco no meio deles. Porque traz novas pessoas, porque as sensibiliza para descobrirem novos detalhes de um espaço ínfimo no Museu, na Igreja, nas ruínas. Ou seja, os Museus e todo o património edificado são potenciais cenários para a criação de mundos ficcionais. E enquanto os cidadãos não tomarem em conta a importância da arte e

das ficções para as nossas vidas, não se produzirá a necessária mudança de mentalidades, de gestos e atitudes perante a realidade. Porque a arte ajuda a sensibilizar, a respeitar as diferenças, a redescobrir o outro e a si próprio, confrontando-o com os seus ideias e utopias, permitindo criar novos mundos, porventura mais justos, mais criativos e apaixonantes. A vida não pode ser apenas economia e finanças. São-nos úteis, mas o que nos completa como seres sociais e culturais é a arte, a verdadeira arte que desperta sentidos e emoções escondidas no âmago da nossa alma. •


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Cultura.Sul

Marca d'água

Um mar que nos une… Cultura Brasileira - Uma semana inteira

“O que verdadeiramente somos é aquilo que o impossível cria em nós”.

fotos: d.r.

Maria Luísa Francisco Investigadora na área da Sociologia; Vice-directora da Revista Nova Águia

luisa.algarve@gmail.com

A Semana do Brasil no Algarve é um evento cultural que decorreu pelo segundo ano consecutivo nesta região, criando pontes entre o Brasil e Portugal, através de participantes de ambos os países, não esquecendo o contexto ibérico, com participação de poetas do país vizinho. O Consulado-Geral do Brasil em Faro promoveu a iniciativa e apresentou uma ampla oferta cultural, entre 8 e 15 de Outubro, com eventos em Sagres e Faro. Enquanto coordenadora no Sul do Movimento Internacional Lusófono (MIL) congratulo-me com esta iniciativa e parceria, que incluiu a apresentação do 20º número da Revista Nova Águia, revista de cultura, ensaio e poesia, que é o órgão de comunicação deste Movimento, tal como no início do Séc. XX, a Revista Águia foi o órgão de comunicação do Movimento da Renascença Portuguesa. Poderá ser lido na Revista um artigo intitulado Literatura e Diplomacia: algumas reflexões, da autoria do vice-cônsul do Consulado-Geral do Brasil em Faro, Cláudio Guimarães dos Santos, grande impulsionador da Semana do Brasil. Clarice Lispector e os seus fascinantes horizontes poéticos

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Quando penso em literatura brasileira ocorrem-me alguns nomes marcantes, mas gostaria de referir Clarice Lispector pelo fascínio da sua obra literária e dos seus horizontes poéticos. A minha intervenção na mesa-redonda intitulada “Poesia Brasileira: um olhar estrangeiro”, não permitiu alongar-me muito, uma vez que eramos seis poetas a intervir. Aqui ficam algumas das palavras sobre

Análise de parecenças de algarvios com personalidades da literatura internacional, da autoria de Adília César Clarice Lispector e o estímulo à leitura de uma incontornável escritora brasileira. Clarice Lispector nasceu na Ucrânia em 1920 e foi para o Brasil ainda criança de colo, naturalizando-se mais tarde como brasileira. Os seus ensaios, crónicas, contos e textos, sejam mais ou menos poéticos, falam de realidades do dia-a-dia, de forma intensa e ao mesmo tempo com uma subtileza que não deixa o leitor indiferente. Quando se começa a ler Clarice Lispector, quer saber-se mais e compreender esta mulher enigmática, tal como as subtilezas do seu universo discursivo. O Prof. Doutor Carlos Mendes de Sousa, professor de literatura brasileira na Universidade do Minho, que escreveu a sua tese de doutoramento sobre Clarice Lispector, tem dois livros que ajudam a compreender melhor a escritora. Um deles intitulado Clarice Lispector - Figuras da Escrita (2000), obra com a qual conquistou o Grande Prémio de Ensaio da Associação Portuguesa de Escritores (APE) e outro Clarice Lispector - pinturas (2013). Neste mais recente livro apresenta as artes plásticas como uma parte relevante na vida de Clarice, e como a pintura foi fundamental para a sua criação literária. O livro apresenta várias das obras plásticas da artista, num género de “abstra-

cionismo naïf”. O professor da Universidade do Minho refere que a pintura era “um modo de se interrogar no interior do ato criativo, algo mais próximo de trazer paz e catarse do que a investigação das sombras da sua literatura. Era, então, a sua forma mais pura de se expressar”. Carlos Mendes de Sousa referiu na Feira do Livro do Porto que “a novidade de Clarice advém em grande medida da assunção do seu lugar a partir de um estranhamento projectado na afirmação de um território-língua (…). A sua biografia revela-nos o fascinante encontro consigo mesma”. 'Não se esmaguem com palavras as entrelinhas' Quando lemos Clarice Lispector sentimos a sua angústia, essa procura e insatisfação que ela transmite. Intui-se que há mistério, começamos a vislumbrar as entrelinhas, a entrar no indizível. Ela tanto é irónica e dura no que escreve, como é delicada e fluída numa fascinante prosa poética. “Já que se há-de escrever, que pelo menos não se esmaguem com palavras as entrelinhas”. (Clarice Lispector) Quem escreve sabe o que é sentir-se de mãos vazias, sabe o que é escrever e sentir que ainda não é o tempo de partilhar, conhece a

“PRAIA”

As escolhidas, Até 3 DEZ | Museu série de Municipal 12, 1994. deSépia Faro s/ papel. Col. Centro de Ana André reúne nesta exposição Arte Contemporânea um conjuntoGraça Morais de trabalhos que retratam a memória dos tempos em que passava os verões da sua infância na Praia de Faro

solidão de escrever, o refúgio na palavra, essa matéria viva! Por isso gostei deste trecho de A paixão segundo G.H.: “A realidade é a matéria-prima, a linguagem é o modo como vou buscá-la - e como não acho. Mas é do buscar e não achar que nasce o que eu não conhecia, e que instantaneamente reconheço. A linguagem é o meu esforço humano. Por destino tenho que ir buscar e por destino volto com as mãos vazias. Mas - volto com o indizível”. Já conhecia alguns textos “clariceanos”, mas passei a interessar-me mais quando há cerca de dois anos a escritora Adília César publicou no seu Facebook um jogo de parecenças entre pessoas do meio cultural algarvio com personalidades da literatura internacional. Achei curioso e procurei saber se também haveria parecenças ao nível do sentir a palavra. Pensei que Clarice fosse também uma mulher escorpião, é muito intensa. Afinal é uma sagitariana, daquelas escritoras que não têm medo de “sentir demais”. A sua escrita é tocante e a sua história de vida é cheia de sofrimento, com a perda da mãe aos oito anos de idade. Num excerto de uma crónica sua, li um parágrafo sobre a vida e a escrita: “Adestrei-me desde os sete anos de idade para que um dia eu tivesse a língua em meu poder. E, no entanto, cada vez que vou es-

Clarice Lispector (1920-1977)

crever, é como se fosse a primeira vez. Essa capacidade de me renovar toda à medida que o tempo passa é o que eu chamo de viver e escrever”. Há quem considere Clarice Lispector um Fernando Pessoa no feminino, pelo desassossego que provoca e porque os dois partilham um amor assumido pela língua portuguesa. Ambos escritores lusófonos, com um mar intenso de palavras que os une… A autora prende o leitor com o mistério e o jogo de palavras. Refere sobre si própria: “Sou tão misteriosa que nem eu me entendo”. Ao mesmo tempo há nela transparência: “Devemos modelar nossas palavras até se tornarem o mais fino invólucro dos nossos pensamentos”. Clarice Lispector morreu em 1977 no Rio de Janeiro, vítima de doença oncológica. Deixou mais de 20 obras publicadas, sendo as principais: Perto do Coração Selvagem, Sopro de vida, O lustre, Laços de Família, A descoberta do Mundo – crónicas, Felicidade Clandestina, A Paixão segundo G. H., Água Viva entre outras. As últimas palavras, já no hospital, foram: “Minha alma tem o peso da luz.   Tem o peso da música.  Tem o peso da palavra nunca dita, prestes quem sabe a ser dita.  Tem o peso de uma lembrança.  Tem o peso de uma saudade.  Tem o peso de um olhar.  Pesa como pesa uma ausência.  E a lágrima que não se chorou.  Tem o imaterial peso da solidão no meio de outros”. Bibliografia: Lispector, C. (2013). A descoberta do Mundo - crónicas. Lisboa: Relógio d'Água. Lispector, C. (2000). A paixão segundo GH. Lisboa: Relógio d'Água. Sousa, Carlos Mendes de. (2000). Clarice Lispector - Figuras da Escrita. Braga: Universidade do Minho. Sousa, Carlos Mendes de. (2013). Clarice Lispector - Pinturas. Curitiba Brasil: Rocco. https://www.escritas.org/pt/clarice-lispector •

“TALEGUINHO – COSTURAR CANTIGAS E HISTÓRIAS” 22 OUT | 21.30 | Cine-Teatro Louletano Performance proporciona uma experiência de contacto com o património imaterial tradicional, permitindo às crianças, pais e educadores o alargamento dos conhecimentos sobre a música tradicional


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Cultura.Sul

Da minha biblioteca

Americanah, de Chimamanda Ngozi Adichie fotos: d.r.

Adriana Nogueira

Classicista; Professora da Univ. do Algarve adriana.nogueira.cultura.sul@gmail.com

Li recentemente um livro que me surpreendeu. Recomendado por uma amiga, venci a inércia que as suas 712 páginas me tinham inicialmente imposto e em boa hora o fiz: refiro-me a Americanah, da escritora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie (nascida em 1977). De que trata o livro?

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«Porque é que as pessoas perguntavam “Sobre que é?” como se um romance tivesse de ser só sobre uma coisa?» (p.291). Este livro é assim mesmo, sobre muita coisa. A mim, o tema que mais me tocou foi a questão da cor da pele, como pano de fundo, associada à emigração: assuntos como racismo, uso de palavras como preto ou negro; a integração numa sociedade nova; o retorno ao país de origem. O romance começa com uma mulher nigeriana, Ifemelu, que vive na América e vai a uma cabeleira especializada em cabelos africanos, para entrançar o cabelo. Prepara-se para voltar à Nigéria, depois de 13 anos (e já com nacionalidade americana) nos EUA. Logo nas primeiras páginas resume-se o que se vai passar no final (a partir da p.575) «Tu vais fechar o teu blogue e vender o teu apartamento para voltar para Lagos e trabalhar para uma revista que não paga assim tão bem como isso – tinha dito a tia Uju, e voltara a repetir, como se para fazer Ifemelu ver a gravidade da sua asneira. Só a sua velha amiga em Lagos, Ranyinudo, fizera o seu regresso parecer normal. “Lagos está agora cheia de retornados americanos, por isso é melhor

Livro de Chimamanda Ngozi Adichie faz reflectir sobre o racismo tu voltares e juntares-te a eles. Todos os dias se veem muitos deles com uma garrafa de água na mão, como se morressem de calor se não bebessem água a toda a hora”» (p.28) O blogue de uma Negra Não Americana Alguns dos passos mais interessantes do livro são aqueles que citam o blogue de Ifemelu, salpicados ao longo desta obra. São momentos de reflexão numa linguagem descontraída, normalmente com humor, mas, nem por isso, menos séria. Ifemelu mantém-se anónima, para ter mais liberdade e «representar» mais povos que não apenas o seu, assinando os textos como Negra Não Americana. As entradas do blogue são extensas, porém, vou tentar deixar aqui alguns excertos: «Caros Negros Não Americanos, quando optam por vir para a América, tornam-se negros. Deixem de argumentar. Deixem de dizer «Sou jamaicano» ou «Sou do Gana». A América não quer saber. Que interessa que não fossem “negros” no vosso país? Agora estão na América. Todos nós temos o nosso momento de iniciação à Sociedade de Ex-

-Negros. A minha foi numa aula na faculdade, quando me pediram que apresentasse a perspetiva de uma negra, só que eu não fazia ideia do que isso fosse. Por isso, inventei qualquer coisa. […] Quando é noticiado um crime, rezem para que não tenha sido cometido por um negro e, se tiver sido cometido por um negro, mantenham-se longe do local do crime durante semanas ou correrão o risco de serem mandados parar por corresponderem ao perfil do criminoso» (pp.337-339). «Um Agradecimento a Michelle Obama e o Cabelo como Metáfora da Raça» Este livro fez-me olhar para mim e ver quão longe eu estava de situações tão básicas que se passarão também aqui, ao nosso lado, e que eu nem sabia que poderiam ser um problema: o modo de apresentar o cabelo. Para conseguir um emprego, aconselharam Ifemelu a alisar o cabelo. Ao fim de um tempo, decidiu mantê-lo natural. «Na cafetaria, Miss Margaret, a afro-americana de peito grande que presidia ao balcão – e que, para além de dois seguranças,

“GRUPO ART VISION” 31 OUT | 21.00 | Centro Cultural de Lagos O repertório do grupo engloba composições originais e danças dramáticas coreografadas por Ileana Citaristi, uma devota discípula do Guru Kelucharan Mohapatra

era a única outra negra da empresa […]. Alguns anos depois, no dia em que Ifemelu se demitiu, foi à cafetaria para um último almoço. – Vai-se embora? – perguntou Miss Margaret, abatida. – Lamento, minha jóia. Eles precisam de tratar melhor as pessoas cá. Acha que o seu cabelo foi parte do problema?» (pp. 324-5). No blogue, escreve uma entrada com o título em epígrafe: «Uma amiga branca e eu somos fãs da Michelle Obama. Então, no outro dia, eu digo-lhe: “Pergunto-me se a Michelle Obama tem extensões, o cabelo dela parece ter mais volume e aquele calor do secador todos os dias deve estragá-lo.” E ela diz-me: “Queres dizer que o cabelo dela não cresce assim?” Então, serei só eu a achar ou não será isso a perfeita metáfora da raça na América, ali mesmo? O cabelo. Já alguma vez repararam, naqueles programas de transformação do aspeto de uma pessoa, em como uma mulher negra aparece com cabelo natural (áspero, encrespado, com quebras ou encaracolado) na imagem feia “antes” e na bonita fotografia “depois” alguém lhe foi com um metal em brasa e lhe chamuscou o cabelo até

lho alisar? […] Quando se tem de facto o cabelo natural de negra, as pessoas pensam que se “fez” alguma coisa ao cabelo. Na realidade, as pessoas com penteados afro e com rastas são as que não “fizeram” nada ao cabelo» (pp.450-451).

Tratar, em menos de 7000 caracteres as mais de 700 páginas do livro é muito difícil. De fora ficaram temas tão profundos, e com os quais também tive de lidar e perceber os meus preconceitos, como a exploração dos emigrantes ilegais em Inglaterra (nos capítulos dedicados à experiência de Obinze naquele país), a aculturação, a resistência a isso (como a recusa de Ifemelu em aderir à pronúncia americana), ou o choque do regresso a casa. E também ficou de fora a vida na Nigéria, antes e depois da guerra e das ditaduras, assim como a história amorosa dos protagonistas, Ifemelu e Obinze. Um livro que pôs a nu a minha ignorância. A ler mais desta autora, sem dúvida. •

Preto ou negro e o privilégio branco Quando Ifemelu fala aos pais do namorado americano, dá-se esta conversa: «– Um preto americano? – perguntou o seu pai, soando perplexo. Ifemelu desatou a rir. – Papá, já ninguém diz preto. – Mas porquê um preto? Há uma escassez substancial de nigerianos aí?» (p. 476). A questão da raça colocou-se apenas porque, na América, ser negro é estar no fim de tudo: de uma escala social e, supostamente económica (mesmo quando não é verdade). Associada, está a questão do privilégio. Como se diz numa das entradas no blogue, «É uma Chatice Ser Pobre e Branco, Mas Experimentem Lá Ser Pobre e Não Branco» (p. 523).

A escritora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie “A NOVA HISTÓRIA DO COELHINHO BRANCO” 21 OUT | Teatro das Figuras - Faro Trata-se de um espectáculo de teatro com uma actriz e com amigos bonecos convidados. Juntos levarão as crianças por uma nova aventura cheia de peripécias divertidas


Última Quotidianos poéticos

Luís Ene mo a escrever, estou-me nas tintas para o dia, hora ou estação do ano, ainda que goste sobretudo de escrever muito cedo, desde a alvorada, e tenho pouco tempo no meu dia-a-dia, pelo menos mental, para escrever. Julgo que a brevidade se instalou na minha escrita por esse motivo, ainda que um texto breve possa exigir mais tempo do que parece e solicita muitas vezes a experiência de toda uma vida.

Pedro Jubilot

pedromalves2014@hotmail.com canalsonora.blogs.sapo.pt

Luís Nogueira, que assina o que escreve como Luís Ene, tinha 16 anos em 25 de Abril de 1974 e reside actualmente em Faro, onde passou grande parte da sua infância e a adolescência. O seu livro mais recente – "Guru de Algibeira" (Sílabas&Desafios, 2017) - é um pequeno grande livro de conselhos e de epifanias que leva a escrita breve aos limites entre a vulgaridade mais óbvia e a sabedoria mais profunda. Uma escrita cheia de paradoxos, como a vida. E de ironias. Em 2002, foi vencedor da 1ª edição do concurso Novos Talentos com o romance "A Justa Medida", publicado pela Porto Editora. Criou o blog Mil e Uma Pequenas Histórias, fazendo em simultâneo a sua entrada no mundo dos blogs e na arte da micro-narrativa. Manteve vários blogs e publicou os livros: "Blogs" (em colaboração com Paulo Querido); "Mil e uma pequenas histórias" (Leiturascomnet, 2005); "Muchas vezes me sucede olvidar quien soy" ( colecção Palavra Ibérica, 2006); "Saudade de água : memórias de Faro" (Cão Danado, 2011) e "Escrever é dobrar e desdobrar palavras à procura de um sentido" (Lua de Marfim, 2016). Está representado em diversas antologias de poesia e conto. Foi fundador e co-editor da Minguante, revista de micro-narrativas on line. Manteve durante dois anos um programa semanal dedicado à literatura na Rádio Universitária do Algarve. Esteve na origem dos grupos literários Sulscrito e Texto-al. Mantém actualmente o blogue Ene Coisas (em http://luis-ene. blogspot.com). É membro da associação Literatura Reunida. Detesta notas auto-biográficas. Como é o quotidiano do teu poeta ou eu poético? Como vives com a poesia da/na tua vida? No outro dia, um amigo, que é poeta, dizia-me que enquanto ele era poeta apenas quando escrevia, eu, por outro lado, era sempre poeta. Num país em que se insultam as pessoas dizendo-lhes que são uns grandes artistas

fotos: fernando dinis

/ d.r.

forma de a divulgar. O blogue ainda está acessível no seguinte endereço: http://1000euma.blogspot.pt/. Como então dizia, a concluir, “Foi uma estrada longa, uma lição de paciente e teimosa persistência que espero nunca esquecer.” Autores que gostas ou que possas dizer te inspiram a escrever? Se quiser indicar os livros que mais influenciaram a escrita breve que tenho sobretudo escrito, terei de indicar os ‘Contos do Gin-Tónic’, de Mário Henrique Leiria e as ‘Tisanas’ (as últimas são 463) da Ana Hatherly. O primeiro pela surpresa da sua escrita libertária, o segundo pela experimentação e disciplina poética. Mas depois disso li muito e gostaria de continuar a ler cada vez mais e melhor.

Luís Ene considera a escrita o seu maior vício – estejam com atenção em momentos de maior aperto rodoviário – não sei se ser sempre poeta será um elogio, no entanto acredito que existe poesia fora do poema e estou sempre disposto a encontrá-la no meu quotidiano. Não sei o que é a poesia, mas talvez seja esse mistério indefinível que existe no quotidiano e a que muitos poemas tão bem conseguem dar forma. Devo começar por confessar que não me sinto um poeta, ainda que aceite que a minha escrita tem muito de poesia. Foi sem dúvida o meu gosto pela concisão que me aproximou da poesia e se é verdade que escrevo sobretudo prosa, não é menos verdade que há muito existem poemas em prosa. A minha prosa, como alguém já disse, tem todas as virtudes da poesia, e eis algo com que eu posso viver e que gostaria de acreditar, todavia prefiro considerar-me um escritor a um poeta, ainda

que não enjeite ou despreze esse título. Consegues escolher o livro de tua autoria teu preferido? O mais relevante? O meu livro preferido é sempre o que estou a escrever e infelizmente neste momento não estou a escrever livro nenhum. O meu projeto preferido, e poderia chamá-lo livro, ainda que nunca tenha verdadeiramente sido publicado integralmente, foi o Mil e Uma Pequenas Histórias, com que me aventurei no mundo da escrita breve e em que experimentei quase tudo o que podia escrever nesse formato. Decidi escrever e publicar num blogue com o mesmo nome, mil e uma pequenas histórias, em formato de diário, alimentado todos os dias e que, começado em 2012, terminei em 2015. Esta experiência marcou profundamente a minha escrita bem como a

Já ninguém usa caneta e papel, quanto mais máquina de escrever, que material usas para escrever? Como a minha escrita é habitualmente breve, privilegio a escrita com caneta e papel, e confesso que me sinto mais próximo de mim e da minha verdade quando o faço. A escrita assim realizada está mais próxima do corpo e da respiração, sensação que em mim de outra forma se perde. A mão que escreve faz mais sentido assim. E onde? Sou, como dizia certo artista plástico, um rapaz de cafés, e gosto de escrever em cafés, ainda que, da forma como os concebo, estejam praticamente em vias de extinção. Gosto de observar as pessoas, de as ouvir, de as surpreender, e o café é ainda o melhor lugar para isso, em que podes estar presente e no entanto quase invisível. Quando (dia, hora, estação do ano) escreves? Quando escrevo, quando estou mes-

Vícios, manias e segredos relacionados com a tua escrita … Não consigo separar a minha escrita da minha vida, e esse talvez seja o meu maior vício, pelo menos vícios que possa e queira aqui revelar. A escrita é vício suficiente, que sinto a maior parte do tempo ficar aquém de satisfazer. Que livro de poesia estás a ler, leste recentemente? Estou a ler ‘Todas as Palavras’, poesia reunida, de Manuel António Pina. Tenho várias antologias de vários poetas, de consulta constante, e esta foi a última que comprei. Não te limitas a escrever, participas activamente na vida cultural. És membro de associações, e organizas festivais, eventos, tertúlias ou recitais e performances…. Tenho tentado não só não confundir literatura com livro como aproximá-la o mais possível da vida de todos os dias e toda a minha atividade vai nesse sentido. Ainda há pouco me perguntavam se queria planear leituras no mercado municipal e eu respondi que era uma boa ideia e ia pensar nisso. Continuo a acreditar que a literatura toca-nos no que temos de mais humano e é preciso aproximá-la das pessoas, surpreendendo-as nos locais onde menos estariam à espera. A microficção surgiu-me muitas vezes, pela sua breve profundidade, como uma forma eficaz de chamar leitores à literatura. Sinto-me inspirado pela afirmação de José Saramago de que somos todos escritores, só que alguns escrevem e outros não. •

Um poema inédito de Luís Ene…

Bem feitas as contas o pouco que fica do muito que se perde é tudo o que somos O resto é nada

POSTAL 1192 - 20 OUT 2017  

• LEIA O POSTAL DESTA SEMANA! • (Sexta-feira 20/10) nas bancas com o jornal PÚBLICO • ON-LINE a informação à distância de um clique em www.p...

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