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Director Henrique Dias Freire • Ano XXVI • Edição 1117 • Semanário à sexta-feira • 7 de Fevereiro de 2014 • Preço € 1 ÀS SEXTAS EM CONJUNTO COM O PÚBLICO POR €1,60

EM FOCO 2 TRÊS PRAIAS DE VILA DO BISPO ALVO DE OBRAS DO POLIS 3 ALGARVE VAI TER REBOCADOR EM PERMANÊNCIA 4 LIGAÇÃO QUARTEIRA E VILAMOURA VAI SER REQUALIFICADA 7 CLASSIFICADOS 9 d.r.

d.r.

AMAL ganha voz na região

Actividade portuária:

Portos do Algarve com rebocador em permanência >4 d.r.

TURISMO

Desidério Silva

espera ano de 2014 em grande

> 12

d.r.

POLIS

Comunidade Intermunicipal do Algarve: A agenda carregada de temas quentes e transversais a toda a região, como a Saúde e os investimentos públicos, ajuda mas a verdade é que a AMAL está a ganhar protagonismo defendendo e dando voz aos algarvios. Jorge Botelho e António Eusébio, sem alarde nem demagogias, geram consensos e põem os autarcas, do PSD à CDU, passando pelo PS, a falar a uma só voz. Exactamente o que era preciso fazer a bem do Algarve > 2

Vila do Bispo vai ter três praias de cara lavada >3

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2  |  7 de Fevereiro de 2014

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AMAL ganha relevo a dar voz aos algarvios Saúde e investimento público são apenas dois exemplos de um organismo com uma nova performance que se posiciona como interlocutor privilegiado para os algarvios junto do poder central Ricardo Claro ricardoc.postal@gmail.com

A AMAL - COMUNIDADE INTERMUNICIPAL DO ALGARVE tem

estado nas últimas semanas no centro da agenda noticiosa e assumiu em diversas matérias um protagonismo que a posiciona como porta-voz privilegiada dos algarvios e das suas necessidades junto da Administração Central e, muito em particular, junto do Governo. A AMAL tem de facto novas competências mais alargadas em vários domínios, fruto da revisão do enquadramento legal de competências no domínio das comunidades intermunicipais, mas mais do que isso tem novos rostos e uma nova atitude, que se vai fazendo notar pelas intervenções que desenvolve em prol dos algarvios e dos seus interesses, sem alarde ou demagogia, através de consensos entre os autarcas algarvios do PSD, PS e CDU e, acima de tudo, através da tomada de posições focadas nas matérias de especial relevância para a região. Saúde e investimentos públicos são apenas dois exemplos de como se pode intervir em prol das populações, depois de ouvir os envolvidos em cada questão, e defender sem demagogia o que importa para o Algarve em cada momento.

A POSIÇÃO NA ÁREA DA SAÚDE Na área da saúde em causa estão, em primeira linha, as questões do funcionamento do Centro Hospitalar do Algarve que agrega o Hospital de Portimão e de Faro, o acesso às cirurgias e consultas de especialidade, a falta de médicos e enfermeiros, bem como de medicamentos e material e, ainda, o encerramento de extensões de saúde do interior algarvio. Perante a catadupa de quei-

xas e dificuldades vividas pelos algarvios no acesso aos cuidados de Saúde, o óbvio à primeira vista seria, face à transversalidade dos relatos que vai desde o pessoal afecto ao sector, aos cidadãos e destes aos doentes e aos seus familiares, uma tomada de posição sem mais. A AMAL andou melhor, ouviu a Administração Regional de Saúde, os médicos e o responsável pelo Centro Hospitalar regional, Pedro Nunes, e de seguida fez-se ouvir. Unânimes, os autarcas dos 16 concelhos da região são claros e manifestam-se “preocupados pela falta de prontidão e qualidade na prestação de serviços de saúde aos algarvios” e “entendem que é hora de, uma vez por todas, o Governo olhar para a Saúde no Algarve com o propósito de resolver os muitos problemas existentes”. Quem o diz são também os autarcas da cor política do Governo de Passos Coelho. A AMAL exige que “a curto prazo se verifique a melhoria dos cuidados de saúde” na região, “a bem dos algarvios e dos milhares de turistas” que o Algarve recebe anualmente como porta-estandarte turístico do país. A exigência dos autarcas estende-se à “reabertura das extensões de saúde entretanto encerradas” e fazem-no com o pedido de uma reunião urgente ao ministro da tutela. Um encontro com Paulo Macedo que ao POSTAL Jorge Botelho, presidente da AMAL, disse antes do fecho desta edição, decorreu ontem em Lisboa.

A PREOCUPAÇÃO COM O INVESTIMENTO PÚBLICO Mas a voz da

AMAL não se fica pela área da Saúde - notoriamente de grande relevo para o bem-estar das populações - e estende-se ao sec-

ricardo claro

ÔÔ Jorge Botelho, presidente da AMAL e da Câmara de Tavira tor dos investimentos do Estado previstos para a região. Depois de enterrado o Programa de Investimentos e Despesas de Desenvolvimento da Administração Central (PIDDAC) pelo actual Governo, as regiões ficaram sem um instrumento que permitisse antecipar os investimentos do Estado para o país. Pese embora o PIDDAC estivesse pautado pela ineficiência e pelo incumprimento, era, ainda assim, um guia do comportamento do Estado em termos de investimento público e com o seu fim criou-se um verdadeiro vazio centralista que tudo deixa no segredo dos corredores dos ministérios e do Conselho de Ministros. Entretanto, foi revelado o resultado do estudo levado a cabo para identificar os investimentos de maior prioridade para o país na área dos transportes e infra-estruturas. São 411 páginas de

relatório que se debruçam sobre todos os investimentos de monta que estão em cima da mesa para serem levados a cabo e, de acordo com o Grupo de Trabalho para as Infra-estruturas de Elevado Valor Acrescentado - GT IEVA, o Algarve apenas obtém, na análise efectuada, dois projectos prioritários no âmbito destas infra-estruturas. A determinação do estudo por parte do secretário de Estado das Infra-estruturas, Transportes e Comunicações, deveu-se à necessidade de compreender quais dos investimentos em projectos seriam aqueles que, a nível nacional, melhor respondiam às necessidades de consolidação, desenvolvimento e eliminação de constrangimentos na rede na área das infra-estruturas de transportes. Aos algarvios decerto não faltariam opções várias de pro-

jectos de investimento capazes de responder a estes desígnios no panorama regional, desde logo a requalificação da Estrada Nacional 125, aliás já em obra, mas não. Apenas a electrificação e modernização da linha do Algarve (nos troços ainda não electrificados entre Lagos e Tunes e entre Faro e Vila Real de Santo António, com a construção do acesso ferroviário ao Aeroporto de Faro) e a melhoria das condições de acesso marítimo e instalações portuárias entraram na lista dos investimentos preferenciais na região. No primeiro caso, o lugar ocupado pelo projecto na lista de 30 obras de máxima prioridade é o 26º e no segundo alcançou-se a posição 20, sendo que em ambos os casos o volume de investimento ascende aos 55 milhões de euros. Jorge Botelho concorda em

abstracto com as duas prioridades estabelecidas e apesar de sublinhar que se “trata apenas de um estudo”, o político algarvio “não consegue compreender como é que em sede de transportes e infra-estruturas se deixa passar como não prioritária a requalificação da Estrada Nacional 125”. “Tinha de lá [no estudo] estar”, afirma peremptório. O autarca tavirense e dirigente da AMAL deixa ainda nota da “insuficiência” das verbas previstas no estudo, 55 milhões de euros para cada um dos projectos seleccionados. “Não se sabe exactamente o que é que cada um daqueles projectos abrange, mas os valores são manifestamente insuficientes para o que em ambos os casos se necessita fazer”, diz, “ainda mais para um horizonte de seis anos”, reforça. Por outro lado, Jorge Botelho alerta para o facto de quanto à linha do Algarve se prever uma aposta na requalificação sem que se tenha perfeitamente definido o que se deveria ter como meio de transporte ferroviário na região. “Devemos ter o actual modelo de linha com as estações onde estão ou deveríamos ter outra solução diferente?”, questiona o autarca que estende as suas dúvidas à tipologia do material circulante quanto a saber se “a solução correcta será a aposta em meios pesados ou pelo contrário em soluções mais ligeiras”. Sem esquecer, diz, que de fora dos investimentos marítimo-portuários ficaram todos os portos da região que não os de Faro e Portimão, deixando assim arredadas dos investimentos várias infra-estruturas fundamentais, nomeadamente as ligadas à pesca.


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7 de Fevereiro de 2014  |  3

região

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Três praias de Vila do Bispo alvo de obras do Polis Intervenções têm objectivo de requalificar aquelas zonas balneares AS PRAIAS DA INGRINA, MARTINHAL E BOCA DO RIO, em Vila

do Bispo, vão ser as primeiras do concelho alvo de intervenções ao abrigo do Polis Litoral Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina, disse o presidente desta sociedade. “Encontram-se actualmente em fase de instalação - trabalhos de piquetagem e montagem -, os estaleiros de apoio à execução das obras associadas às intervenções nas praias da Ingrina, Martinhal e Boca do Rio”, disse à Lusa o presidente do conselho de administração da Sociedade Polis Litoral Sudoeste, André Matoso. As intervenções previstas na-

quele concelho do barlavento algarvio abrangem cinco praias - Ingrina, Martinhal, Boca do Rio, Castelejo e Mareta -, com o objectivo de valorizar e qualificar aquelas zonas balneares, estando também planeada a requalificação do porto da Baleeira, entre outros trabalhos. O programa Polis Litoral Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina é uma operação integrada de requalificação e valorização da orla costeira dos concelhos de Sines, Odemira, Aljezur e Vila do Bispo.

INVESTIMENTO DE 7,8 MILHÕES DE EUROS André Matoso acres-

centou que está também pre-

visto no programa Polis Litoral Sudoeste a requalificação do porto da Baleeira, em Sagres, e a requalificação urbana das frentes marítimas de Burgau e Salema. A protecção e recuperação de sistemas dunares e arribas em Ponta da Atalaia e Salema/ Forte de Almádena e a reposição das condições de ambiente natural entre a Ponta de Sagres e o Cabo de S. Vicente, são outras acções previstas nas zonas da faixa litoral do concelho de Vila do Bispo. O investimento total no concelho é na ordem dos 7,8 milhões de euros e visa a promoção da conservação da natureza

d.r.

ÔÔ Praia do Martinhal será uma das intervencionadas pelo Polis

e biodiversidade, defesa costeira, protecção de pessoas e bens e fruição ordenada do litoral e das actividades económicas ligadas aos recursos do litoral”, acrescentou André Matoso. Dos 7,8 milhões de euros, há uma verba de dois milhões de euros assegurada, e já aprovada, pela Câmara de Vila do Bispo, conformou à Lusa fonte do gabinete da presidência daquela autarquia. A área de intervenção do Polis Litoral Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina contempla 9.500 hectares e o valor global de investimento previsto para esta intervenção é de 47 milhões de euros. Lusa pub


4  |  7 de Fevereiro de 2014

região

Algarve vai ter rebocador em permanência Promessa está agendada para Março deste ano d.r.

Ricardo Claro ricardoc.postal@gmail.com

A ADMINISTRAÇÃO DOS PORTOS DE SINES E DO ALGARVE, S.A. (APS) espera ter em per-

manência na região um rebocador a partir de Março. A afirmação foi feita à Lusa por José Pedro Soares, administrador da sociedade anónima que tutela a administração dos três portos e que sucedeu à gestão existente dos portos de Faro e Portimão, que era competência do Instituto Portuário e dos Transportes Marítimos, um organismo que se encontrava em processo de extinção. A chegada do rebocador ao

Algarve está assim prevista para dar resposta à primeira escala programada de cruzeiros no Porto de Portimão, agendada para 16 de Março, data em que fundeará no estuário do Arade o navio Thomson Majesty.

PORTIMÃO ESPERA 33 NAVIOS DE CRUZEIRO ESTE ANO Para

2014 estão agendadas para o Porto de Portimão 33 escalas programadas de navios de cruzeiro, de acordo com o sítio da Portimão Cruises na internet, e para já “o licenciamento é neste momento uma das ponderações com maior peso”, diz José Pedro Soares, que, no entanto, não exclui a hipótese de ser adquirido

ÔÔ O Thomson Majesty é o primeiro navio programado para atracar este ano em Portimão, faz escala em Março

um rebocador para o Algarve. A mesma fonte diz que o rebocador servirá os portos de Faro, vocacionado para cargas, e

Portimão, mais voltado para os cruzeiros, e que a embarcação pode servir ainda para operações de salvamento e de con-

trolo costeiro.

INVESTIMENTOS NOS PORTOS DE FARO E PORTIMÃO NA CALHA A integração dos portos algarvios na Administração do Porto de Sines deverá permitir avançar com os investimentos de dez milhões de euros no porto de Portimão e de quatro milhões no de Faro, anunciados em Agosto passado pelo ministro da Economia, no Algarve.  Segundo José Pedro Soares, os estudos de impacto ambiental prévios à execução das obras deverão avançar de imediato, prevendo-se que demorem entre oito a dez meses, o que significa que as obras previstas para os dois portos só deverão iniciar-se no terreno em 2015.  Os trabalhos a realizar no porto de Portimão incluem a realização de dragagens no canal de navegação, o alargamento do canal e bacia de rotação e o prolongamento do cais, obras que deverão permitir o acesso ao

porto de navios de maior porte.  Em Faro está prevista a requalificação do cais, para que dois navios possam operar em simultâneo, o que actualmente não acontece, e também a realização de trabalhos para melhorar a acessibilidade ao canal de navegação.  Recorde-se que de acordo com dados avançados por Graco Trindade, até recentemente um dos responsáveis pelo Porto de Faro, o aumento de carga movimentada pela infra-estrutura em 2013, cifrou-se nos 30% face ao ano de 2012, tendo fechado o último ano com perto de 400 mil toneladas de movimento. Parece assim estar resolvido o problema da falta de um rebocador na região que esteve recentemente na origem da situação que levou o Paquete Funchal a não poder atracar em Portimão numa escala de recurso provocada pelo mau tempo registado no mar.

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cia Bensafrim ı Loulé: Clínica de Medicina & Cirurgia - CMC ı Centro Clínico Almancil ı Policlínica Eurosaúde (Quarteira) ı Idealclínica - (Vilamoura) ı Assoc. In-Loco (Salir) ı Olhão: Policlínica Etienne ı Portimão: Policlínica da Mó ı São Brás: Clínica S. Brás ı Silves: Xelclínica ı Clínica Osteoreuma (S.B. Messines) ı Tavira: Cruz Vermelha Tavira ı Parafarmácia Pharmaromus ı Farmácia Tavares (Stº Estêvão) ı Clínica Santiago

-Tavimédico ı Vila do Bispo: Parafarmácia MC Farma (Sagres) ı Vila Real de Sto. António: Clínica S. Cristóvão ı Clínica Stº António ı Baixo Alentejo: Farmácia Saúde Moderna (Relíquias) ı Farmácia Mil Fontes ı Parafarmácia Express Med (B. V. Pinheiros) ı Parafarmácia Express Med (Colos) ı Casa do Povo Stª Clara-a-Velha E ainda em todas as Juntas de Freguesia do Algarve e Baixo Alentejo


7 de Fevereiro de 2014  |  5 pub

ANÚNCIO DE CONCURSO SECÇÃO I: ENTIDADE ADJUDICANTE I.1) DESIGNAÇÃO, ENDEREÇOS E PONTOS DE CONTACTO Designação oficial: Águas do Algarve, S.A. Endereço postal: Rua do Repouso, n.º 10 Localidade: Faro Código postal: 8000 302 País: PORTUGAL Pontos de contacto: +351 289899070 À atenção de: Maria Isabel Fernandes da Silva Soares, Administradora Telefone: +351 289899070 Correio Electrónico: geral@aguasdoalgarve.pt Fax: +351 289899079 Mais informações podem ser obtidas no seguinte endereço: Ver pontos de contacto Caderno de encargos e documentos complementares (incluindo documentos para diálogo concorrencial e para um Sistema de Aquisição Dinâmico) podem ser obtidos no seguinte endereço: Ver anexo A.II As propostas ou pedidos de participação devem ser enviados para o seguinte endereço: Ver pontos de contacto I.2) TIPO DE ENTIDADE ADJUDICANTE E SUAS PRINCIPAIS ACTIVIDADES Outro Outro: Empresa privada com capitais maioritariamente públicos SECÇÃO II: OBJECTO DO CONTRATO II.1) DESCRIÇÃO II.1.1) Designação dada ao contrato pela entidade adjudicante EMPREITADA DE CONCEÇÃO CONSTRUÇÃO DA ETAR DA COMPANHEIRA II.1.2) Tipo de contrato e local da realização das obras, da entrega dos fornecimentos ou da prestação de serviços a) Obras

Concepção e execução Principal local de execução, de entrega ou da prestação dos serviços: Portimão Código NUTS: PT150 - ALGARVE II.1.3) O anúncio implica: Um contrato público II.1.5) Breve descrição do contrato ou das aquisições O presente Contrato tem por objeto a Conceção-Construção da ETAR da Companheira.. II.1.6) CLASSIFICAÇÃO CPV (VOCABULÁRIO COMUM PARA OS CONTRATOS PÚBLICOS) Objecto principal Vocabulário principal: 45252127 Construção de estação de tratamento de águas residuais II.1.7) O contrato está abrangido pelo Acordo sobre Contratos Público (ACP): Não II.1.8) Divisão em lotes: Não II.1.9) São aceites variantes: Sim II.2) QUANTIDADE OU EXTENSÃO DO CONTRATO II.2.1) Quantidade ou extensão total O presente Contrato tem por objeto a elaboração do Projeto de Execução da ETAR da Companheira, do Relatório de Conformidade Ambiental do Projeto de Execução (RECAPE), Plano de Segurança e Saúde, Compilação Técnica, Plano de Gestão Ambiental em Obra e a execução das obras de construção civil(movimentos de terras, órgãos de betão armado, circuitos hidráulicos), de fornecimento e montagem de equipamentos (metalomecânicos, eletromecânicos, elétricos, automação, instrumentação e supervisão) e emissário de descarga do efluente tratado no meio recetor, da nova Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR) da Companheira. Constitui obrigação contratual o cumprimento, por parte da entidade adjudicatária, de todas as medidas constantes da Declaração de Impacte Ambiental (DIA) quer durante a fase de Construção, quer durante a fase do período de “Arranque”, até à data da “Receção Provisória”, de acordo com o estipulado na cláusula 55.3, nomeadamente as mencionadas para o licenciamento ou autorização do projeto, assim como as apresentadas em fase de RECAPE; A empreitada inclui ainda o desenvolvimento prático do Plano de Segurança e Saúde para a fase de execução da obra, nos termos do Decreto-Lei nº273/2003 de 29 de Outubro, assim como o Plano de Prevenção e Gestão (PPG) de Resíduos de Construção e Demolição (RCD), nos termos do Decreto-Lei

N.º 46/2008, de 12 de Março. Valor do Preço Base do Procedimento: 12.000.000,00 EUR (doze milhões de euros), não incluindo o imposto sobre o valor acrescentado. II.3) DURAÇÃO DO CONTRATO OU PRAZO PARA A SUA EXECUÇÃO Período em dias: 720 (a contar da data de adjudicação) SECÇÃO IV: PROCESSO IV.1) TIPO DE PROCESSO IV.1.1) Tipo de processo: Concurso público IV.2) CRITÉRIOS DE ADJUDICAÇÃO IV.2.1) Critérios de adjudicação: Proposta economicamente mais vantajosa, tendo em conta os critérios enunciados a seguir (os critérios de adjudicação deverão ser apresentados com a respectiva ponderação ou por ordem de importância sempre que a ponderação não seja possível por razões justificáveis) Critério: Valia Técnica da Proposta - Ponderação: 60 Critério: Preço - Ponderação: 40 IV.2.2) Proceder-se-á a leilão electrónico: Não IV.3) INFORMAÇÕES DE CARÁCTER ADMINISTRATIVO IV.3.2) Publicações anteriores referentes ao mesmo projecto: Não IV.3.4) Prazos de recepção das propostas ou dos pedidos de participação Data: 28/03/2014 Hora: 18 :00 IV.3.6) Língua ou línguas que podem ser utilizadas nas propostas ou nos pedidos de participação PT IV.3.7) Período mínimo durante o qual o concorrente é obrigado a manter a sua proposta: Por 90 dias (a contar da data-limite para a recepção das propostas) SECÇÃO VI: INFORMAÇÕES COMPLEMENTARES VI.3) OUTRAS INFORMAÇÕES - As peças do procedimento estão integralmente disponibilizadas na Plataforma Electrónica de Contratação Pública VortalGov acessível através do sítio electrónico http:// www.vortalgov.pt (ou também acessível através do sítio oficial da empresa http://www.aguasdoalgarve. pt), desde o dia da publicação do

Anúncio no Diário da República e Jornal Oficial da União Europeia. - Preço a pagar pelo fornecimento das peças do concurso: 200 EUR (duzentos euros), acrescidos do IVA à taxa em vigor. O pagamento das peças do procedimento deverá ser efectuado por transferência bancária para a conta da ÁGUAS DO ALGARVE, S.A. com o NIB: 0019 0027 0020 0018 548 71. - Os concorrentes são obrigados a manter as respectivas propostas pelo prazo de 90 dias contados da data do termo do prazo fixado para a apresentação das propostas, que se prorroga sucessivamente por períodos de 30 dias no caso de, no decurso de cada período, osconcorrentes nada declararem em contrário; - Os concorrentes, nos termos do n.º 16 do Programa de concurso, devem obedecer aos seguintes termos ou condições de vínculo obrigatório: a) as definidas no nº 16 do Programa do concurso (Sistema de Gestão da Qualidade, Ambiente e Segurança e Saúde e Responsabilidade Social) e no Anexo X do mesmo documento (Declaração de Garantias) que se revestem de carácter vinculativo e obrigatório; - Possibilidade de Adoção de Ajuste Direto Nos termos do disposto na alínea a) do n.º 1 do Artigo 25.º do CCP, existirá a possibilidade de adoção de Ajuste Direto VI.5) DATA DE ENVIO DO PRESENTE ANÚNCIO: 24/01/2014 ANEXO A: ENDEREÇOS SUPLEMENTARES E PONTOS DE CONTACTO II) ENDEREÇOS E PONTOS DE CONTACTO JUNTO DOS QUAIS SE PODE OBTER O CADERNO DE ENCARGOS E OS DOCUMENTOS COMPLEMENTARES (INCLUINDO DOCUMENTOS RELATIVOS A UM SISTEMA DE AQUISIÇÃO DINÂMICO) Designação Oficial: Águas do Algarve, S.A.- Departamento de Engenharia Endereço postal: Rua do Repouso, n.º 10 Localidade: Faro Código Postal: 8000 302 País: PORTUGAL Pontos de contacto: Plataforma eletrónica VortalNext Endereço internet (URL): http://www. vortalgov.pt 24/01/2014 - A Administradora , Maria Isabel Fernandes da Silva Soares


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Ligação Quarteira e Vilamoura vai ser requalificada Passeio da Duna ligará as duas localidades junto à costa A CÂMARA DE LOULÉ ADJUDICOU na semana passada, em

sessão camarária, a obra para a Requalificação Urbanística da Zona Costeira Poente de Quarteira-Vilamoura, revelou

a autarquia louletana, que promete para daqui a cerca de um ano apresentar já concluído o Passeio da Duna, assim se chamará o novo espaço a criar. A obra terá um custo esti-

mado de cerca de 2,9 milhões de euros, com uma comparticipação financeira do PO Algarve 21 de 2,3 milhões de euros. Prevê-se que a obra esteja concluída num prazo de pub

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390 dias após o arranque. Com esta intervenção pretende-se criar um passeio marginal que ligue Quarteira a Vilamoura, com a criação de espaços verdes, privilegiando a circulação pedonal e de ciclistas, criando espaços de lazer, valorizando e reabilitando o contacto com o mar e funcionando como um novo ponto de atracção, tendo presente a envolvente construída e em construção e a valorização do acesso às praias com as quais confina a sul, e que constituem o principal “espaço lazer” destas zonas, refere a autarquia.

d.r.

ÔÔ Obra vai custar 2,9 milhões de euros O processo de requalificação agora adjudicado iniciou-se com um concurso de ideias no qual foi atribuído o primeiro prémio à firma “PROAP – Estudos e Projetos de Arquitetura Paisagista, Lda.”, à qual foi adjudicado posteriormente o

desenvolvimento do projecto. A área abrangida requalifica assim uma das zonas mais deprimidas de Quarteira e cria em continuidade um corredor de lazer entre o calçadão daquela localidade e a zona turística privilegiada de Vilamoura. pub


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NOTÁRIO

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Extrato de Escritura de Justificação CERTIFICO, para efeitos de publicação, nos termos do artigo 100.º do Código do Notariado que, por escritura pública de Justificação outorgada em vinte e três de Janeiro de dois mil e catorze, exarada a folhas quarenta e sete e seguintes do Livro de notas para escrituras diversas número Quarenta e quatro–A, do Cartório Notarial em Tavira, do Notário privado Bruno Filipe Torres Marcos, sito na Rua da Silva, n.º 17-A, freguesia de Tavira (Santa Maria): José Domingues e mulher Maria do Nascimento Domingues, casados sob o regime da comunhão geral de bens, ambos naturais da freguesia de Tavira (Santa Maria) concelho de Tavira, onde também residem no Monte da Picota, caixa postal número 208-Z, 8800-211 Tavira, contribuintes fiscais números 111502497 e 120059223, declararam: - Que são donos e legítimos possuidores, com exclusão de outrem, dos Prédios Rústicos, a seguir identificados, sitos na actual União das Freguesias de Tavira (Santa Maria e Santiago), com origem na freguesia de Tavira (Santa Maria), do concelho de Tavira, não descritos na Conservatória do Registo Predial de Tavira: VERBA UM: prédio rústico composto por terra de cultura, com a área de mil e quinhentos metros quadrados, sito no Serro do Coelho, que confronta a norte com José António Carriço, sul com José Sebastião, nascente com José António de Jesus e poente com José Domingos, inscrito na matriz sob o artigo 560 (com proveniência no artigo 541 da anterior freguesia), com o valor patrimonial tributário de 17,23 €, igual ao atribuído; VERBA DOIS: prédio rústico composto por terra de cultura com árvores, com a área de mil e duzentos metros quadrados, sito em Corga da Pia, que confronta a norte com José Sebastião, sul com José Domingos, nascente com Manuel do Nascimento, e poente com José António Carriço, inscrito na matriz sob o artigo 565 (com proveniência no artigo 546 da anterior freguesia), com o valor patrimonial tributário de 56,05 €, igual ao atribuído; VERBA TRÊS: prédio rústico composto por terra de pastagem e cultura com árvores, com a área de novecentos metros quadrados, sito em Serro do Coelho, que confronta a norte com ribeira, sul com José António Carriço, nascente com António Domingos, e poente com Manuel Domingos Martins, inscrito na respectiva matriz sob o artigo 587 (com proveniência no artigo 568 da anterior freguesia), com o valor patrimonial tributário de 69,03 €, igual ao atribuído; VERBA QUATRO: prédio rústico composto por terra de pastagem, com a área de mil e quinhentos metros quadrados, sito no Serro do Coelho, que confronta a norte com Ribeiro, sul e poente com António Domingos, e nascente com Manuel Domingos Martins, inscrito na respectiva matriz sob o artigo 548 (com proveniência no artigo 529 da anterior freguesia), com o valor patrimonial tributário de 2,83 €, igual ao atribuído; VERBA CINCO: prédio rústico composto por terra de cultura, com a área de mil e duzentos metros quadrados, sito em Serro do Coelho, que confronta a norte com ribeira, sul com José António Garcia, nascente e poente com José Sebastião, inscrito na respectiva matriz sob o artigo 582 (com proveniência no artigo 563 da anterior freguesia), com o valor patrimonial tributário de 14,40 €, igual ao atribuído. VERBA SEIS: prédio rústico composto por terra de cultura com árvores, com a área de três mil e novecentos metros quadrados, sito em Serro do Coelho, que confronta a norte com José Domingos, e sul com José António Garcia e outro, nascente com Manuel João Custódio, e poente com José António, inscrito na respectiva matriz sob o artigo 552 (com proveniência no artigo 533 da anterior freguesia), com o valor patrimonial tributário de 112,10 €, igual ao atribuído. VERBA SETE: prédio rústico composto por terra de cultura, com a área de mil e oitocentos metros quadrados, sito em Serro do Coelho, que confronta a norte com José António Garcias, sul com António Domingos, nascente e poente com José António Carriço, inscrito na respectiva matriz sob o artigo 584 (com proveniência no artigo 565 da anterior freguesia), com o valor patrimonial tributário de 21,59 €, igual ao atribuído. VERBA OITO: prédio rústico composto por terra de cultura, com a área de dois mil e quatrocentos metros quadrados, sito em Serro do Coelho, que confronta a norte com José António Carriço, sul e nascente com José Sebastião, e poente com Faustino Gonçalves, inscrito na respectiva matriz sob o artigo 577 (com proveniência no artigo 558 da anterior freguesia), com o valor patrimonial tributário de 27,26 €, igual ao atribuído. - Que aqueles prédios, com a indicada composição e área, vieram à sua posse da seguinte forma: a) os identificados nas verbas UM e TRÊS, em data imprecisa do ano de mil novecentos e sessenta e nove, por compra meramente verbal feita a Faustino Gonçalves e mulher Maria José Martins, já falecidos, residentes que foram em Asseca, freguesia de Tavira (Santa Maria), concelho de Tavira; b) o identificado na verba DOIS, em data imprecisa do ano de mil novecentos e sessenta e nove, por compra meramente verbal feita a José Rosa Gonçalves e mulher Conceição Gonçalves, ele já falecido, residentes que foram em Asseca, freguesia de Tavira (Santiago), concelho de Tavira; c) os identificados nas verbas QUATRO a CINCO, em data imprecisa do ano de mil novecentos e sessenta e nove, por partilha meramente verbal por óbito da avó do justificante marido Custódia da Conceição, à data viúva, residente que foi no referido Sítio da Picota, Santa Maria, Tavira; d) os identificados nas verbas SEIS e SETE, em data imprecisa do ano de mil novecentos e oitenta e cinco, por partilha meramente verbal por óbito da mãe do justificante marido Maria Ana, à data viúva, residente que foi no referido Sítio da Picota, Santa Maria, Tavira; e) o identificado na verba OITO, em data imprecisa do ano de mil novecentos e noventa e dois, por compra meramente verbal feita a José António de Jesus e mulher Maria Teresa de Jesus, ele já falecido, residente que foi no referido Sítio da Picota, Santa Maria, Tavira. - Que nunca chegaram a outorgar as respectivas escrituras de compra e venda, não tendo deste modo título que lhes permita fazer o registo dos prédios em seu nome. - Que, porém, há mais de vinte anos, de forma pública, pacífica, contínua e de boa fé, ou seja, com o conhecimento de toda a gente, sem violência nem oposição de ninguém, reiterada e ininterruptamente, na convicção de não lesarem quaisquer direitos de outrem e ainda convencidos de serem titulares do respectivo direito de propriedade e assim o julgando as demais pessoas, têm possuído aqueles prédios – amanhando e limpando a terra, tratando das árvores existentes, neles pastando os animais, e deles retirando os respectivos rendimentos – pelo que, tendo em consideração as referidas características de tal posse, adquiriram os referidos prédios por USUCAPIÃO, o que invocam. Tavira, 23 de Janeiro de 2014. O Notário, Bruno Filipe Torres Marcos Conta registada sob o n.º 2/158 (POSTAL do ALGARVE, nº 1117, de 7 de Fevereiro de 2014)

Extrato de Escritura de Justificação

CERTIFICO, para efeitos de publicação, nos termos do artigo 100.º do Código do Notariado que, por escritura pública de Justificação outorgada em dezassete de Janeiro de dois mil e catorze, exarada a folhas trinta e dois e seguintes do Livro de notas para escrituras diversas número Quarenta e quatro-A, do Cartório Notarial em Tavira, do Notário privado Bruno Filipe Torres Marcos, sito na Rua da Silva, n.º 17-A, freguesia de Tavira (Santa Maria): - José Maria Rosa Domingues e mulher Ilda Marta Silva Domingues, casados sob o regime da comunhão geral de bens, naturais ele da freguesia de Tavira (Santa Maria) concelho de Tavira, e ela da freguesia de Vaqueiros, concelho de Alcoutim, residentes no Sítio da Picota, caixa postal número 211-Z, 8800-211 Tavira, contribuintes fiscais números 108095568 e 140144773, declararam: - Que são donos e legítimos possuidores, com exclusão de outrem, dos Prédios Rústicos, a seguir identificados, sitos na actual União das Freguesias de Tavira (Santa Maria e Santiago), com origem na freguesia de Tavira (Santa Maria), do concelho de Tavira, não descritos na Conservatória do Registo Predial de Tavira: VERBA UM: prédio rústico composto por terra de cultura com árvores, com a área de quinhentos metros quadrados, sito em Fonte Bonita, que confronta a norte e sul com Maria do Carmo Viegas, nascente com Anatólio Gago Simão e poente com José Beatriz Dias, inscrito na matriz sob o artigo 1397 (com proveniência no artigo 1237 da anterior freguesia), com o valor patrimonial tributário de 30,21 €, igual ao atribuído; VERBA DOIS: prédio rústico composto por terra de pastagem, com a área de seiscentos metros quadrados, sito em Fonte Bonita, que confronta a norte com Maria Forte, sul com Custódio Bento, nascente com Maria do Carmo Viegas, poente com Marciano Rodrigues, inscrito na matriz sob o artigo 1425 (com proveniência no artigo 1251 da anterior freguesia), com o valor patrimonial tributário de 2,83 €, igual ao atribuído. - Que aqueles prédios, com a indicada composição e área, vieram à sua posse, em data imprecisa do ano de mil novecentos e sessenta e oito, por compra meramente verbal feita a Manuel Valente Gonçalves ou Manuel Valentim Gonçalves, já falecido, residente que foi em Malhada do Alcaide, Santo Estêvão, Tavira, nunca chegando a outorgar a respectiva escritura de compra e venda, não tendo deste modo título que lhes permita fazer o registo dos prédios em seu nome. - Que, porém, há mais de vinte anos, de forma pública, pacífica, contínua e de boa fé, ou seja, com o conhecimento de toda a gente, sem violência nem oposição de ninguém, reiterada e ininterruptamente, na convicção de não lesarem quaisquer direitos de outrem e ainda convencidos de serem titulares do respectivo direito de propriedade e assim o julgando as demais pessoas, têm possuído aqueles prédios – amanhando e limpando a terra, tratando das árvores existentes, neles pastando os animais, e deles retirando os respectivos rendimentos – pelo que, tendo em consideração as referidas características de tal posse, adquiriram os referidos prédios por USUCAPIÃO, o que invocam. Tavira, 17 de Janeiro de 2014. O Notário, Bruno Filipe Torres Marcos Conta registada sob o n.º 2/161 (POSTAL do ALGARVE, nº 1117, de 7 de Fevereiro de 2014)

NOTARIADO PORTUGUÊS JOAQUIM AUGUSTO LUCAS DA SILVA NOTÁRIO em TAVIRA Nos termos do Artº. 100, número 1, do Código do Notariado, na redacção que lhe foi dada pelo Dec – Lei número 207/95, de 14 de Agosto, faço saber que no dia vinte e dois de Janeiro de dois mil e catorze, de folhas um verso a folhas dois verso, do livro de notas para escrituras diversas número cento e sessenta e oito – A, deste Cartório, foi lavrada uma escritura de justificação, na qual: VALÉRIO AFONSO, NIF 114.463.875 e mulher MARIA IDÁLIA BARÃO AFONSO, NIF 138.330.212, ambos naturais da freguesia de Cachopo, concelho de Tavira, casados sob o regime da comunhão de adquiridos, residentes em Eira da Cruz, número 21, Cachopo, Tavira, declararam: Que, com exclusão de outrem, são donos e legítimos possuidores dos seguintes prédios rústicos, ambos sitos em Portelada ou Portela da, freguesia de Cachopo, concelho de Tavira e não descritos na Conservatória do Registo Predial de Tavira, a saber: a) Prédio composto por terra de cultura, pastagem e azinheiras, com a área de dezassete mil setecentos e noventa metros quadrados, a confrontar do norte com Manuel de Sousa e outros, do sul e poente com José dos Santos Júnior e do nascente com caminho, inscrito na matriz sob o artigo 5.013, com o valor patrimonial tributável e igual ao atribuído de OITENTA E SETE EUROS E SESSENTA E SETE CÊNTIMOS. b) Prédio composto por terra de cultura, pastagem e azinheiras, com a área de dezoito mil duzentos e noventa metros quadrados, a confrontar do norte com Maria do Nascimento Gago, do sul e poente com Maria Inácia Martins e do nascente com caminho, inscrito na matriz sob o artigo 5.014, com o valor patrimonial tributável e igual ao atribuído de CENTO E TREZE EUROS E CINQUENTA E DOIS CÊNTIMOS. Que eles justificantes adquiriram os prédios, no ano de mil novecentos e noventa e três, em data que não podem precisar, por compra verbal e nunca reduzida a escritura pública, feita a Maria Inácia Martins e marido Eduardo Gago Guerreiro, casados sob o regime da comunhão de adquiridos, residentes na Rua do Bom João, número dois, Faro e a Maria José Martins e marido António Joaquim Francisco, casados sob o regime da comunhão de adquiridos, residentes na Rua João Veríssimo, lote quatro, r/c esquerdo, Faro. Que desde esse ano possuem os prédios em nome próprio, usufruindo dos mesmos, fazendo as culturas e recolhendo os frutos, pagando contribuições e impostos devidos, sem a menor oposição de quem quer que seja desde o seu inicio, posse que sempre exerceram sem interrupção e ostensivamente, com o conhecimento de toda a gente, sendo por isso uma posse pacífica, contínua e pública, pelo que adquiriram os prédios por usucapião. Vai conforme o original. Tavira, em 22 de Janeiro de 2014 A funcionária por delegação de poderes; Ana Margarida Silvestre Francisco - Inscrita na O.N. sob o n.º 87/1 Conta registada sob o nº. PAO 69/2014 Factura nº. 070. (POSTAL do ALGARVE, nº 1117, de 7 de Fevereiro de 2014)

Cartório Notarial em Tavira Bruno Filipe Torres Marcos

NOTÁRIO Extrato de Escritura de Justificação

CERTIFICO, para efeitos de publicação, nos termos do artigo 100.º do Código do Notariado que, por escritura pública de Justificação outorgada em vinte e três de Janeiro de dois mil e catorze, exarada a folhas cinquenta e sete e seguintes do Livro de notas para escrituras diversas número Quarenta e quatro–A, do Cartório Notarial em Tavira, do Notário privado Bruno Filipe Torres Marcos, sito na Rua da Silva, n.º 17-A, freguesia de Tavira (Santa Maria): - Marciano Rodrigues Martins e mulher Maria Hortense da Conceição do Carmo, naturais do concelho de Tavira, ele da freguesia de Tavira (Santa Maria), e ela da freguesia de Santo Estêvão, casados sob o regime da comunhão geral de bens, residentes no Sítio do Barranco da Nora, caixa postal 154-B, 8800-502 Santo Estêvão, Tavira, contribuintes fiscais números 138710120 e 138710139, declararam: - Que são donos e legítimos possuidores, com exclusão de outrem do prédio rústico composto por terra de pastagem, sito em Fonte Bonita, com a área de mil e duzentos metros quadrados, a confrontar do norte com Maria do Carmo Viegas, sul com João Laurêncio, nascente com Manuel Valentim Gonçalves, e poente com Manuel Francisco, na freguesia da União das Freguesias de Tavira (Santa Maria e Santiago), concelho de Tavira, inscrito na respectiva matriz sob o artigo 1423, com proveniência no artigo 1250 da extinta freguesia de Tavira (Santa Maria), com o valor patrimonial tributário de 4,37 €, igual ao atribuído para efeitos deste acto, não descrito na Conservatória do Registo Predial de Tavira. - Que o referido prédio, com a indicada composição e área, chegou à posse deles, justificantes, em data imprecisa do ano de mil novecentos e setenta e seis, já no estado de casados entre si, por partilha meramente verbal feita com os demais interessados, por óbito dos pais do justificante marido José Rodrigues e mulher Gertrudes Martins, residentes que foram no sítio da Soalheira do Pereiro, freguesia de Tavira (Santa Maria), concelho de Tavira. - Que, assim sendo, não têm título suficiente da aquisição do referido prédio, estando, por isso, impossibilitados de comprovar a referida aquisição pelos meios extrajudiciais normais e de efectuar o registo do mesmo a seu favor. - Que, porém, desde aquele ano, portanto, há mais de vinte anos, de forma pública, pacífica, contínua e de boa fé, ou seja, com o conhecimento de toda a gente, sem violência nem oposição de ninguém, reiterada e ininterruptamente, na convicção de não lesarem quaisquer direitos de outrem e ainda convencidos de serem os únicos titulares do direito de propriedade sobre o identificado prédio, e assim o julgando as demais pessoas, têm possuído aquele prédio – limpando a terra, nela pastando os animais, dele retirando os respectivos rendimentos e pagando os devidos impostos –, pelo que, tendo em consideração as referidas características de tal posse, adquiriram o referido prédio por USUCAPIÃO. Tavira, 23 de Janeiro de 2014. O Notário, Bruno Filipe Torres Marcos Conta registada sob o n.º 2/161 (POSTAL do ALGARVE, nº 1117, de 7 de Fevereiro de 2014)

CONVOCATORIA Convocam-se, nos termos legais e estatutarios, os accionistas da sociedade denominada EMPET - Parques Empresariais de Tavira, EM, pessoa colectiva n.º 505 873 567, com sede nos Paços do Municipio de Tavira, Praça das Republica, concelho de Tavira, para a Assembleia Geral a realizar nos escritórios da empresa sitos na Rua 1º de Maio, n.º 38, em Tavira, no dia 17 de Fevereiro de 2014, pelas 17 horas, com a seguinte

Ordem de trabalhos: 1. Informações sobre a atividade da empresa; 2. Apreciação e Deliberação sobre o Relatório de Gestão e Contas de 2013; 3. Outros assuntos de interesse geral para a empresa. Tavira, 3 de Fevereiro de 2014 0 Presidente da Mesa da Assembleia Geral João de Almeida Vidal (POSTAL do ALGARVE, nº 1117, de 7 de Fevereiro de 2014)

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Bruno Filipe Torres Marcos

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Extrato de Escritura de Justificação

CERTIFICO, para efeitos de publicação, nos termos do artigo 100.º do Código do Notariado que, por escritura pública de Justificação outorgada em vinte e três de Janeiro de dois mil e catorze, exarada a folhas cinquenta e quatro e seguintes do Livro de notas para escrituras diversas número Quarenta e quatro-A, do Cartório Notarial em Tavira, do Notário privado Bruno Filipe Torres Marcos, sito na Rua da Silva, n.º 17-A, freguesia de Tavira (Santa Maria): - José António Domingues, e mulher Maria Vitória Da Cruz Sousa Domingues, casados sob o regime da comunhão de adquiridos, naturais ele da freguesia de Tavira (Santa Maria) concelho de Tavira, e ela da freguesia de Quelfes, concelho de Olhão, onde residem na Rua João Augusto Saias, n.º 21, 4.º esquerdo, Brancanes, Quelfes, Olhão, contribuintes fiscais números 112687016 e 125830335, declararam: - Que são donos e legítimos possuidores, com exclusão de outrem, dos Prédios Rústicos, a seguir identificados, sitos na actual União das Freguesias de Tavira (Santa Maria e Santiago), com origem na freguesia de Tavira (Santa Maria), do concelho de Tavira, não descritos na Conservatória do Registo Predial de Tavira: VERBA UM: prédio rústico composto por pastagem com a área de cinco mil oitocentos e cinquenta metros quadrados, sito Serro dos Coelhos, que confronta a norte com António Pedro, sul com Custódio Viegas ,nascente com José Sebastião e poente com Ribeiro, inscrito na matriz sob o artigo 545 (com proveniência no artigo 526 da anterior freguesia), com o valor patrimonial tributár io de 11,56 €, igual ao atribuído; VERBA DOIS: prédio rústico composto por cultura, com a área de sete mil e duzentos metros quadrados, sito em Serro do Coelho, que confronta a norte com José Domingos, sul com Manuel do Nascimento, nascente com Manuel João Custódio e poente com António Domingos, inscrito na matriz sob o artigo 556 (com proveniência no artigo 537 da anterior freguesia), com o valor patrimonial tributário de 81,89 €, igual ao atribuído. VERBA TRÊS: prédio rústico composto por pastagem com a área de mil e oitocentos metros quadrados, sito Rocha dos Corvos, que confronta a norte com José Joaquim Rodrigues Neto, sul com Ribeira, nascente com Manuel Martins e poente com João Caçapo, inscrito na matriz sob o artigo 521 (com proveniência no artigo 502 da anterior freguesia), com o valor patrimonial tributário de 5,78 €, igual ao atribuído; VERBA QUATRO: prédio rústico composto por pastagem, com a área de mil e oitocentos metros quadrados, sito em Rocha dos Corvos, que confronta a norte com José Joaquim Rodrigues Neto, sul com Custódia Bento, nascente com Manuel Martins e poente Custódio Bento, inscrito na matriz sob o artigo 525 (com proveniência no artigo 506 da anterior freguesia), com o valor patrimonial tributário de 5,78 €, igual ao atribuído. VERBA CINCO: prédio rústico composto por pastagem, com a área de mil e seiscentos metros quadrados, sito em Rocha dos Corvos, que confronta a norte com José Domingos, sul com João da Conceição e Outros, nascente com José Domingos e poente com António Domingos , inscrito na matriz sob o artigo 531 (com proveniência no artigo 512 da anterior freguesia), com o valor patrimonial tributário de 7,20 €, igual ao atribuído. - Que aqueles prédios, com a indicada composição e área, vieram à sua posse em data imprecisa do ano de mil novecentos e oitenta e nove, já no estado de casados entre si, por partilha meramente verbal com os demais interessados feita por óbito do pai do justificante marido António Pedro, falecido no ano de mil novecentos e oitenta e sete, residente que foi no sítio do Livramento, em Luz de Tavira, nunca chegando a outorgar a respectiva escritura de partilha, não tendo deste modo título que lhes permita fazer o registo dos prédios em seu nome. - Que, porém, há mais de vinte anos, de forma pública, pacífica, contínua e de boa fé, ou seja, com o conhecimento de toda a gente, sem violência nem oposição de ninguém, reiterada e ininterruptamente, na convicção de não lesar quaisquer direitos de outrem e ainda convencidos de serem titulares do respectivo direito de propriedade e assim o julgando as demais pessoas, têm possuído aqueles prédios – amanhando e limpando a terra, tratando das árvores existentes, neles pastando os animais, e deles retirando os respectivos rendimentos – pelo que, tendo em consideração as referidas características de tal posse, adquiriram os referidos prédios por USUCAPIÃO, o que invocam.

Extrato de Escritura de Justificação

CERTIFICO, para efeitos de publicação, nos termos do artigo 100.º do Código do Notariado que, por escritura pública de Justificação outorgada em vinte e três de Janeiro de dois mil e catorze, exarada a folhas cinquenta e uma e seguintes do Livro de notas para escrituras diversas número Quarenta e quatro–A, do Cartório Notarial em Tavira, do Notário privado Bruno Filipe Torres Marcos, sito na Rua da Silva, n.º 17-A, freguesia de Tavira (Santa Maria):

- Maria Teresa Fernandes e marido Manuel Domingos Martins, casados sob o regime da comunhão geral de bens, ambos naturais da freguesia de Tavira (Santa Maria) concelho de Tavira, residentes no Sítio da Picota, caixa postal número 203-Z, 8800-211 Tavira, contribuintes fiscais números 105572047 e 105572055, declararam: - Que são donos e legítimos possuidores, com exclusão de outrem, dos Prédios Rústicos, a seguir identificados, sitos na actual União das Freguesias de Tavira (Santa Maria e Santiago), com origem na freguesia de Tavira (Santa Maria), do concelho de Tavira, não descritos na Conservatória do Registo Predial de Tavira: VERBA UM: prédio rústico composto por terra de cultura com árvore com a área de mil e oitocentos metros quadrados, sito no Lendroeiro, que confronta a norte com Manuel António Dias, sul com e nascente com Silvério Garcia e poente com José Joaquim Rodrigues Neto, inscrito na matriz sob o artigo 484 (com proveniência no artigo 461 da anterior freguesia), com o valor patrimonial tributário de 54,63 €, igual ao atribuído;

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VERBA DOIS: prédio rústico composto por terra de cultura com árvore, com a área de duzentos e cinquenta metros quadrados, sito no Cerro do Coelho, que confronta a norte, nascente e poente com José Joaquim Rodrigues Neto, e a sul com José Sebastião, inscrito na matriz sob o artigo 487 (com proveniência no artigo 464 da anterior freguesia), com o valor patrimonial tributário de 2,83 €, igual ao atribuído; VERBA TRÊS: prédio rústico composto por terra de pastagem e cultura com árvores, com a área de mil e duzentos metros quadrados, sito em Serro do Coelho, que confron ta a norte com ribeiro, sul com António Domingos, nascente com Manuel do Nascimento, e poente com Custódia da Conceição, inscrito na respectiva matriz sob o artigo 549 (com proveniência no artigo 530 da anterior freguesia), com o valor patrimonial tributário de 11,56 €, igual ao atribuído;

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VERBA QUATRO: prédio rústico composto por terra de pastagem com árvores, com a área de mil e duzentos metros quadrados, sito no Serro do Coelho, que confronta a norte com José António Carriço, sul com Custódia da Conceição, nascente com Faustino Gonçalves, e poente com José António Garcias, inscrito na respectiva matriz sob o artigo 586 (com proveniência no artigo 567 da anterior freguesia), com o valor patrimonial tributário de 40,24 €, igual ao atribuído; VERBA CINCO: prédio rústico composto por terra de cultura com árvores, com a área de seiscentos metros quadrados, sito em Serro do Coelho, que confronta a norte e poente com José Joaquim Rodrigues Neto, sul com Silvério Garcia e nascente com João da Ascenção Santos, inscrito na respectiva matriz sob o artigo 568 (com proveniência no artigo 549 da anterior freguesia), com o valor patrimonial tributário de 37,41 €, igual ao atribuído.

Tavira, 23 de Janeiro de 2014. O Notário, Bruno Filipe Torres Marcos Conta registada sob o n.º 2/157

VERBA SEIS: prédio rústico composto por terra de cultura, com a área de mil metros quadrados, sito em Serro do Coelho, que confronta a norte e sul com José Joaquim Rodrigues Neto, nascente com José Domingos e poente com João da Ascenção Santos, inscrito na respectiva matriz sob o artigo 570 (com proveniência no artigo 551 da anterior freguesia), com o valor patrimonial tributário de 11,56 €, igual ao atribuído. - Que aqueles prédios, com a indicada composição e área, vieram à sua posse em data imprecisa do ano de mil novecentos e oitenta e dois, já no estado de casados entre si, por partilha meramente verbal com os demais interessados feita por óbito dos pais da justificante mulher José Fernandes e Maria Laurência, residente que foram no referido Sítio da Picota, nunca chegando a outorgar a respectiva escritura de partilha, não tendo deste modo título que lhes permita fazer o registo dos prédios em seu nome. - Que, porém, há mais de vinte anos, de forma pública, pacífica, contínua e de boa fé, ou seja, com o conhecimento de toda a gente, sem violência nem oposição de ninguém, reiterada e ininterruptamente, na convicção de não lesarem quaisquer direitos de outrem e ainda convencidos de serem titulares do respectivo direito de propriedade e assim o julgando as demais pessoas, têm possuído aqueles prédios – amanhando e limpando a terra, tratando das árvores existentes, neles pastando os animais, deles retirando os respectivos rendimentos e pagando os respectivos impostos – pelo que, tendo em consideração as referidas características de tal posse, adquiriram os referidos prédios por USUCAPIÃO, o que invocam. Tavira, 23 de Janeiro de 2014. O Notário, Bruno Filipe Torres Marcos Conta registada sob o n.º 2/159

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82 ANOS

82 ANOS

AGRADECIMENTO

AGRADECIMENTO

A sua querida família cumpre o doloroso dever de agradecer reconhecidamente a todas as pessoas que assistiram ao funeral do seu ente querido, realizado no dia 31 de Janeiro, para o Cemitério de Luz de Tavira, bem como a todos os amigos que manifestaram o seu pesar e solidariedade. Agradecem também a todos que rezaram Missa do 7º Dia, pelo seu eterno descanso, dia 5 de Fevereiro, quarta-feira, pelas 18 horas, na Igreja de São Paulo em Tavira.

A sua querida família cumpre o doloroso dever de agradecer reconhecidamente a todas as pessoas que assistiram ao funeral do seu ente querido, realizado no dia 4 de Janeiro, para o Cemitério da Conceição de Tavira, bem como a todos os amigos que manifestaram o seu pesar e solidariedade. Agradecem também a todos os que rezaram Missa do 7º Dia, pelo seu eterno descanso, dia 11 de Janeiro, sábado, pelas 10.30 horas, na Igreja Nossa Senhora da Conceição em Conceição de Tavira.

JOSÉ FERNANDES MARIA 83 ANOS

AGRADECIMENTO Sua querida família cumpre o doloroso dever de agradecer reconhecidamente a todas as pessoas que assistiram ao funeral do seu ente querido, realizado no dia 22 de Janeiro, para o Cemitério da Luz de Tavira, bem como a todos os amigos que manifestaram o seu pesar e solidariedade. Agradecem também a todos que rezaram Missa do 7º Dia, pelo seu eterno descanso, dia 27 de Janeiro, pelas 9.30 horas, na Igreja Nossa Senhora da Luz. “Paz à sua Alma” “Serviços Fúnebres efectuados pela Agência Funerária Pedro & Viegas, Ldª” Tavira • Luz • V.R.Stº António Telm. 964 006 390 - 965 040 428

“Paz à sua Alma”

Paz à sua Alma”

“Serviços Fúnebres efectuados pela Agência Funerária Pedro & Viegas, Ldª” Tavira • Luz • V.R.Stº António Telm. 964 006 390 - 965 040 428

“Serviços Fúnebres efectuados pela Agência Funerária Pedro & Viegas, Ldª” Tavira • Luz • V.R.Stº António Telm. 964 006 390 - 965 040 428

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AGRADECIMENTO

AGRADECIMENTO

Os seus familiares vêm, por este meio, agradecer a todos quantos o acompanharam em vida e nas suas cerimónias exéquias ou que de algum modo lhes manifestaram o seu sentimento e amizade.

Os seus familiares vêm por este meio agradecer a todos quantos se dignaram acompanhar o seu ente querido à sua última morada ou que, de qualquer forma, lhes manifestaram o seu pesar.


7 de Fevereiro de 2014  |  11

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JOAQUIM ANTÓNIO DA SILVA 30-12-1930 / 30-01-2014

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Os seus familiares vêm por este meio agradecer a todos quantos se dignaram acompanhar o seu ente querido à sua última morada ou que, de qualquer forma, lhes manifestaram o seu pesar.

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MARIA VICTÓRIA MEDEIROS 05-08-1933 / 19-01-2014

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AGRADECIMENTO

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AGRADECIMENTO Os seus familiares vêm, por este meio, agradecer a todos quantos o acompanharam em vida e nas suas cerimónias exéquias ou que de algum modo lhes manifestaram o seu sentimento e amizade.

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Tiragem desta edição: 8.302 exemplares

O POSTAL regressa no dia 21 de Fevereiro

última

Turismo do Algarve prevê ano muito bom Subida do mercado alemão justifica optimismo D.R.

O PRESIDENTE DO TURISMO DO ALGARVE, Desidério Silva,

perspectivou um 2014 “muito bom” ao nível dos indicadores da conjuntura turística, após os dados do Verão passado apontarem para subidas nas dormidas, nos proveitos e nas taxas de ocupação. Em declarações à Lusa, Desidério Silva comentou os números divulgados pelo Turismo do Algarve no boletim da conjuntura turística do terceiro trimestre de 2013 e apontou ainda o incremento de 25,4% verificado nos turistas provenientes de um mercado tradicional que procura a região, o alemão, para justificar o optimismo com que encara

ÔÔ Desidério Silva perspectiva um ano muito positivo a actividade turística em 2014. O dirigente considerou que, “em função dessa evolução e imagem muito positiva da região, perspectiva-se um 2014 com indicadores muito bons,

face à procura que existe já de alguns mercados, nomeadamente do alemão”. “Estes indicadores e números já vêm um pouco na sequência daquilo que foi a evoPUB

lução do ano de 2013, porque quando chegámos ao fim do primeiro semestre já tínhamos um número considerável de mais cerca de 300 mil dormidas”, afirmou o presidente do Turismo do Algarve quando questionado sobre se estava satisfeito com os números divulgados pelo boletim trimestral da conjuntura turística do Algarve.

DADOS REVELAM SUBIDAS EM TODOS OS INDICADORES Desi-

dério Silva sublinhou que os dados constantes do boletim da conjuntura turística do terceiro trimestre de 2013 vêm “na sequência do que foi verificado no primeiro semestre” e tradu-

zem “subidas em todos os indicadores: hóspedes, dormidas, proveitos e taxa de ocupação”. O presidente do Turismo do Algarve destacou ainda a importância da promoção turística realizada e da cativação de “operadores e parceiros que possam trazer turistas para a região” como medidas que ajudaram à subida desses indicadores. Entre essas medidas, está a criação de pacotes de férias completos, com hotel e voos, negociados com operadores turísticos e que ajudaram a aumentar também o número de dormidas dos mercados tradicionais, como o alemão ou o holandês.

“Obviamente que isso também é importante, porque os holandeses e os alemães têm números de dormidas que apontam para as seis/sete noites, isso é um bom sinal. Há aqui alguma retoma do tal mercado tradicional, temos feito esse esforço, conjuntamente com o Turismo de Portugal, e as coisas têm estado a correr de uma forma muito positiva”, afirmou. Por isso, o dirigente considerou que “tudo aponta para que essa procura, e particularmente do mercado alemão, seja claramente um dos sinais que podem fazer com que 2014 atinja números muito interessantes em relação aos de 2013”. Lusa PUB


Mensalmente com o POSTAL em conjunto com o PÚBLICO

FEVEREIRO 2014 | n.º 66 8.302 EXEMPLARES

www.issuu.com/postaldoalgarve ricardo claro

Espaço CRIA:

d.r.

Novo dicionário Cultural

p. 2

Espaço AGECAL:

d.r.

“Se não vai à eira, vai à feira” - Ou talvez não...

p. 3

Espaço ALFA:

Alexandra Gonçalves: As expectativas de uma nova liderança na Cultura p. 4 e 5

d.r.

d.r.

Crescer a fotografar para mais tarde recordar

p. 7

Na senda da Cultura: d.r.

Patrícia Reis:

Monchique a serra d’água

Por Este Mundo Acima p. 8

p. 6


2

07.02.2014

Cultura.Sul

Editorial

Espaço CRIA

As pequenas coisas

Novo dicionário Cultural

Ricardo Claro

Editor ricardoc.postal@gmail.com

Não interessa a marca, nem o modelo. Pouco interessa o proprietário, ou o negócio que lhe possa estar associado. Interessa sim que de pequenas coisas se pode fazer a diferença na cultura. Incidentalmente cruzei-me nas viagens ‘facebookianas’ com a Carrinha das Artes. Branca, disponível, e preparada para carregar para os mais diversos destinos o material de artistas que têm na mobilidade especiais dificuldades. A ideia é lisboeta, mas bem poderia ser replicada por terras algarvias, se é que o já não é de forma menos formal. De acordo com o promotor da ideia a Carrinha das Artes “destina-se a todos os artistas que andam na estrada e muitas vezes não têm como transportar material de maiores dimensões, como cenários, instrumentos musicais, obras de arte, etc.”. Está tudo explicado na página do Facebook - https://www. facebook.com/acarrinhadasartes/info - as características técnicas, preços associados e outras descrições necessárias para perceber o que se disponibiliza. Eis uma ideia onde ganham todos, o proprietário e promotor do conceito e aqueles para quem a mobilidade possa constituir um problema e que não podem investir num meio de transporte por sua conta. Este é apenas um exemplo de muitos que poderiam ser explorados para uma verdadeira promoção do desenvolvimento da produção de cultura em rede. O desafio está aliás cada vez mais aqui, na majoração do aproveitamento dos investimentos em meios, tornando-os por um lado acessíveis e por outro sustentáveis do ponto de vista da rentabilidade dos investimentos realizados. Porque os tempos parcos de financiamento assim o exigem e porque não devemos desperdiçar a oportunidade de, ainda que à força, aprendermos que unir esforços é mais do que, simplesmente, somar aritmeticamente.

Marisa Madeira Gestora de Ciência e Tecnologia no CRIA - Divisão de Empreendedorismo e Transferência de Tecnologia da UAlg

Todos ficámos confusos com as alterações ortográficas na Língua Portuguesa, tivemos de suprimir “cs” de algumas palavras (e não foram poucos), mas o mais valioso C manteve-se, quer no novo acordo ortográfico, quer na predominância: a Cultura. Qualquer dicionário universal define Cultura (do latim colere, que significa cultivar) como um conceito que abrange vários ramos do conhecimento humano. Independentemente do tipo de Cultura de que se fala, o seu conceito, por si só, evidencia Saber. Apesar desta qualidade nos distinguir dos animais, muitas vezes, é subjugada como pouco necessária para a evolução e condição humanas. A Cultura não existe apenas nos dicionários, não é somente uma palavra com significado, não é estática, é uma ação viva, intemporal, geracional, que faz tanto

a diferenciação como a ligação entre povos (ou culturas). Cultura é o cultivo incessante das nossas necessidades e desejos enquanto passageiros deste mundo. Todos temos alguma responsabilização relativamente ao papel da Cultura, mesmo quando a desprezamos, pois a Cultura é sensível às influências exte-

Ficha Técnica:

durecimento pessoal. É deveras um valor acrescentado, tanto a nível humano como económico. Por estas e outras razões, a Comissão Europeia lançou no início de janeiro o programa de apoio Creative Europe (Europa Criativa), dirigido aos profissionais das áreas do Cinema, Televisão, Cultura, d.r.

riores, precisa de ser bem alimentada e regada para que o seu crescimento seja saudável e frutuoso. A Cultura estimula a autoestima pessoal e da sociedade, constrói sociedades mais inclusivas e promove o ama-

Música, Artes do Espetáculo, Património e domínios conexos. Foi sem dúvida uma excelente notícia para começar o ano de 2014, perspetivando-se este apoio até 2020, que, com certeza, irá impulsionar estes setores que são

uma importante fonte de emprego e crescimento. A nível nacional também existem apoios, basta estar-se atento e informado. Citam-se, como exemplo, as bolsas e os subsídios que a Fundação Calouste Gulbenkian tem vindo a promover para ajudar na criação artística e cultural. Mas a Cultura não se faz apenas de subsídios, é certo. Faz-se de muita vontade, persistência e cada vez mais de espírito empreendedor. É preciso ter perspetiva negocial para abarcar a Cultura como uma atividade rentável, que contribui para o desenvolvimento intelectual e experiencial da sociedade. O CRIA está cada vez mais empenhado em ajudar criadores e profissionais das áreas culturais e criativas do Algarve, ou que queiram implementar-se na região, para efetivação do seu negócio. Aqui, estamos dispostos a potenciar a criatividade, a produção artística e cultural, e a trabalhar para que estas palavras não fiquem estanques nos dicionários. O nosso futuro acordo cultural contemplará palavras que se afirmem em feitos, criando um dicionário ativo e rico, repleto de significados e realizações que preencham as páginas da nossa existência, comunidade e História.

Juventude, artes e ideias

Ouve lá Jady Batista

Estudante Coordenadora do jornal J

A partir do século VI a. C., as crenças e as práticas budistas já se tinham desenvolvido por mais de trinta países. Jesus Cristo nasceu há mais de 2000 anos. Estes dois homens responsáveis pela criação de religiões são seguidos por milhares de pessoas, homens estes que de certa forma tentaram transmitir o que o ser humano é. Em 1946, Wilhelm Reich (psicanalista austríaco) escreveu o livro Escuta, Zé Ninguém!, um livro onde o autor desnuda o ser humano. “(...) O grande homem é, pois, aquele que reconhece quando e em que é pequeno.

O homem pequeno é aquele que não reconhece a sua pequenez e teme reconhecê-la; (...) A verdade diz que mais ninguém senão tu é culpado da tua escravatura. (...) Quanto menos entendes, mais prezas. (...).” Estes excertos de Reich fazem-me pensar que o ser humano conseguiu desenvolver, excelentemente, a tecnologia. Alguns até tentaram transmitir o conhecimento da essência do ser e tornaram-se personalidades deturpadas para o consumismo a partir do usufruto da esperança. Concluo que a dor define toda a nossa vida, criando diferentes tendências que andam nos cantos do decidir da mente. Ensinam-nos a ven-

d.r.

Direcção: GORDA Associação Sócio-Cultural Editor: Ricardo Claro Paginação: Postal do Algarve Responsáveis pelas secções: • O(s) Sentido(s) da Vida a 37º N: Pedro Jubilot • Espaço ALFA: Raúl Grade Coelho • Espaço AGECAL: Jorge Queiroz • Espaço CRIA: Hugo Barros • Espaço Educação: Direcção Regional de Educação do Algarve • Espaço Cultura: Direcção Regional de Cultura do Algarve • Grande ecrã: Cineclube de Faro Cineclube de Tavira • Juventude, artes e ideias: Jady Batist a • Da minha biblioteca: Adriana Nogueira • Momento: Vítor Correia • Panorâmica: Ricardo Claro • Património: Isabel Soares • Sala de leitura: Paulo Pires Colaboradores desta edição: Luísa Ricardo Marisa Madeira Paulo Serra Tânia Guerreiro Parceiros: Direcção Regional de Cultura do Algarve, Direcção Regional de Educação do Algarve, Postal do Algarve e-mail redacção: geralcultura.sul@gmail.com e-mail publicidade: anabelagoncalves3@gmail.com

on-line em: www.issuu.com/postaldoalgarve

Tiragem: 8.302 exemplares

der superficialidade, fazendo com que indivíduos vivam escondidos a vida inteira. A dor faz com que indivíduos que lutam pela prosperidade sirvam de chacota para homens que se auto-vitimi-

zam; e estes pseudo-mártires pintam-se como vítimas da sociedade. Ó Mulher, cala-te masé! Todo mundo só quer saber com quem te deitas. O resto, é o resto.


Cultura.Sul

07.02.2014

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Grande ecrã Cineclube de Faro

Programação: cineclubefaro.blogspot.pt IPJ | 21.30 HORAS | ENTRADA PAGA CICLO EROTICIDADES 11 FEV | HISTÓRIAS QUE CONTAMOS, Sarah Polley, Canadá, 2012, 108’, M/12 18 FEV | GRAND CENTRAL, Rebecca Zlotowski, França/Áustria, 2013, 94’, M/12 25 FEV | NINFOMANÍACA, Vol 1, Lars Von Trier, Dinamarca/Alemanha/França/Bélgica/ Reino Unido, 2013, 124’, M/18 SEDE | 21.30 HORAS | ENTRADA GRATUITA CICLO OLGA RORIZ... A BAILAR NA TELA

13 FEV | OLGA RORIZ - PROPRIEDADE PRIVADA + TANGO PRIVADO, Rui Simões, Portugal, 2000, 58’ 20 FEV | OLGA RORIZ - ANJOS, ARCANJOS, SERAFINS, QUERUBINS E POTESTADES, Rui Simões, Portugal, 2000, 34’ 27 FEV | OS SAPATOS VERMELHOS, Michael Powell e Emmeric Pressburger, EUA, 1948, 133’ FILME FRANCÊS DO MÊS | BIBLIOTECA MUNICIPAL | 21.30 HORAS 28 FEV | COMPLICES, Frédéric Mermoud, França, 2010, 93’, M/12

Tavira recorda Senna Todos os anos é a mesma cantiga, estamos quase a chegar à altura em que as distribuidoras estreiam os melhores filmes do ano, já que as nomeações para os Óscares estão próximas. As listas de previsões de estreias incluem muitos títulos com interesse para os cineclubes. Infelizmente, apenas podemos programar uma sessão por semana... Para poder contar com a ajuda do Instituto do Cinema e do Audiovisual (cujo concurso para 2014 ainda não abriu, continuando neste momento à espera de receber e assinar o contrato para 2013...), somos obrigados a programar 30% de cinema nacional (ou co-produções com Portugal). Por isso, este mês iremos exibir dois. Na sexta feira, 14 de Fevereiro, numa sessão extraordinária e em colaboração com o Cineclube de Guimarães, apresentaremos um dos melhores documentários dos últimos anos (que não estreou entre

Cineclube de Tavira d.r.

Programação: www.cineclubetavira.com 281 971 546 | 965 209 198 | 934 485 440 cinetavira@gmail.com SESSÕES REGULARES Cine-Teatro António Pinheiro | 21.30 horas 13 FEV | O BEFORE MIDNIGHT (ANTES DE MEIA-NOITE), Richard Linklater - E.U.A. 2013 (108’) M/12 14 FEV | SENNA, Asif Kapadia - Reino Unido/França 2010 (112’) M/12 20 FEV | TERRA DE NINGUÉM + REDEMPTION, Salomé Lamas - Portugal 2012 (98’) M/16 27 FEV | LIKE SOMEONE IN LOVE, Abbas Kiarostami - França/Japão 2012 (109’) M/12

O piloto de Fórmula 1 Ayrton Senna nós): SENNA. Sim, sobre Ayrton Senna. Por favor, não o percam, é realmente muito bem feito e

ainda por cima a sessão será gratuita para todos... Até breve! Cineclube de Tavira

Espaço AGECAL

“Se não vai à eira, vai à feira” - Ou talvez não... d.r.

Luísa Ricardo

Antropóloga, sócia da AGECAL

A primeira mala escolar que tive oportunidade de escolher na minha vida foi, mau grado a piroseira à vista de hoje, quadriculada. Quadrados verdes e azuis. Recordo-me dela, não pelo seu bonito aspecto, mas porque foi muito negociada no seio da família - os meus pais e os meus avós paternos. A mala custou-lhes o rendimento da venda do excedente dos margutões* daquele ano, algures no final da década de 80. Os meus avós paternos eram agricultores de subsistência. Muito daquilo que tinham em casa era fruto directo do seu trabalho nas lides no campo, do que resultava da venda do excedente que não era muito e, ainda, da reforma, igualmente parca. “Se não vai à eira, vai à feira”, disse-me, há uns tempos, uma senhora que vende produtos hortofrutícolas no mercado municipal, a propósi-

Imagem de margutões, variedade de pêssegos de Monchique to da sua actividade. Questionado o seu sentido, deparámo-nos com várias interpretações, todas elas remetendo para a ideia de que todo o produto é aproveitado - guardada a quantidade suficiente para consumo próprio, o restante serve para

venda. Ideia igualmente proveitosa para retratar a chamada agricultura familiar, de ontem e de hoje. E o que é que isto tudo tem a ver com gestão cultural? Falemos de património cultural imaterial. Mais precisamente, de “dieta mediterrâ-

nica”. Esta não é só um receituário, é um estilo de vida, que inclui , entre outros aspectos, os modos de produção que estão a montante da “comida” propriamente dita. A salvaguarda das manifestações de património imaterial, mais precisamente, as que se relacionam com a agricultura familiar (e áreas afins) poderá passar por várias vertentes: a) transmissão das técnicas “tradicionais” de produção (em contexto educativo informal- demonstrações, passeios de interpretação da paisagem, oficinas, etc. - e em contexto educativo formal); b) sensibilização para o consumo de bens alimentares produzidos de forma sustentável (social, ambiental e económica); c) salvaguarda do produto alimentar propriamente dito. Sobre esta última vertente, bem como as outras, claro, importa ouvir as pessoas que o fazem - as suas expectativas e, também, as dificuldades. Terminou no passado dia 31 de janeiro, o prazo para os pequenos agricultores e outras actividades afins se colectarem nas Finanças. Esta questão levanta problemas. As novas regras fiscais obrigam a novos gastos que os rendimentos agrícolas não suportam. O resultado, alvitram algumas vozes, poderá ser o aban-

dono dos campos ou, noutros casos (como seria, provavelmente, o dos meus avós paternos), a não disponibilidade de certos produtos no mercado- algo que já se vai verificando nos mercados locais... bancas vazias, aqui e ali. Volto à mala. Ou não. Volto antes ao cheiro e sabor (maravilhosos!) dos margutões dos meus falecidos avós, e de tantos outros bens alimentares, de tantas outras pessoas que vão vivendo (ou sobrevivendo) da sua produção e comércio, e que, se não forem devidamente salvaguardados, poderão desaparecer das nossas mesas. Apesar desta conversa, sou optimista. Há testemunhos positivos sobre circuitos curtos de produção e consumo. Creio que, de uma forma concertada (pessoas, comunidades, instituições), saberemos lidar com estes e outros problemas que se colocam hoje no panorama da agricultura familiar. E que, actualmente, e de um ponto de vista mais alargado, também dizem respeito a uma gestão participada do património. 31 de janeiro do ano de 2014, Ano Internacional da Agricultura Familiar. * nome dado a uma variedade de pêssego na serra de Monchique.


4

07.02.2014

Cultura.Sul

Panorâmica

Alexandra Gonçalves, a primeira grande entrevista da nova directora regional de Cultura Maria Alexandra Patrocínio Rodrigues Gonçalves, assim se chama a nova directora regional de Cultura, nomeada para o cargo pelo secretário de Estado da Cultura, Jorge

Agendar

Depois de uma breve passagem, um “regresso”, à Universidade do Algarve, instituição onde se formou e é docente, Alexandra Gonçalves regressa aos domínios da coisa pública, uma área que se tornou um espaço de conforto e desafio, que a directora regional diz “gostar” de assumir, numa herança que lhe “ficou da experiência autárquica” na câmara farense. Como sempre e em todas as áreas da administração desconcentrada do Estado, há muito para fazer na Direcção Regional de Cultura (DRCAlg) e a responsável reconhece a importância do desafio e as dificuldades que lhe estão inerentes. Desde logo na área do património, onde o Plano Regional de Intervenções Prioritárias do Algarve (PRIPALG) apresenta necessidades de investimento identificadas no domínio patrimonial, da responsabilidade directa da DRCAlg, dos municípios e de outras entidades, nomeadamente, privadas, orçadas actualmente em 17,7 milhões de euros. Não há verba para responder a este esforço por inteiro e, por isso, o PRIPALG é o responsável por ordenar por prioridades as intervenções. Neste âmbito, a directora regional refere que a “identificação de prioridades é uma importante ferramenta a que o plano dá resposta e fá-lo de forma actualizada anualmente”. “Sabemos onde estão os principais problemas neste domínio e a respectiva identificação está feita”. “Esta é a base necessária para a tomada de decisões para futuros investimentos nesta área”, diz.

Barreto Xavier, sob proposta da Comissão de Recrutamento e Selecção para a Administração Pública. Depois da passagem pela Câmara de Faro, ricardo claro

no consulado de Macário Correia, Alexandra Gonçalves é aos 41 anos a mulher à frente dos destinos da Direcção Regional de Cultura no Algarve. e manutenção dos nossos próprios monumentos”. Orçamento

Alexandra Gonçalves, directora regional de Cultura Mas o orçamento é escasso. Em 2013 a direcção regional teve um orçamento de 2,192 milhões de euros, dos quais 547,7 mil se destinaram a investimento e 1,644 milhões a despesas de funcionamento. Assim se podem ver as dificuldades inerentes à alocação financeira de verbas às necessidades do PRIPALG. Alexandra Gonçalves é nesta matéria clara, “os recursos são os que são, num orçamento que está fechado a esta altura” e “a prioridade em termos de PRIPALG está

na aplicação das verbas disponíveis no nosso orçamento naqueles monumentos que são nossa responsabilidade directa e que são monumentos nacionais”. A responsável ressalva a possibilidade de recurso, “caso haja necessidade”, ao fundo criado pela Administração Central para responder a necessidades de intervenção de emergência. Mas neste momento, refere, “a prioridade para o Algarve foi identificada como sendo a Fortaleza de Sagres, sem esforço directo do orçamento

“CORTIÇA - DA TERRA AO CÉU” Até 2 MAR | Museu Municipal de Arqueologia de Albufeira Apoema Calheiros mostra 30 fotografias sobre o descortiçamento e as diferentes fases do processamento industrial da cortiça

da DRCAlg, mas com o empenhamento de verbas do orçamento geral do Estado e de fundos europeus”. “A acção será assim predominantemente virada para aquela que é a jóia da coroa do património do Algarve”, diz a directora regional. A fechar, Alexandra Gonçalves refere que “de momento na intervenção programada da DRCAlg não estão previstas mais nenhumas obras ao nível do património, excepção feita a pequenas e pontuais intervenções de conservação

Em termos de orçamento da DRCAlg para 2014, “os valores são muito semelhantes a 2013”, refere a titular regional da Cultura. Há uma diminuição dos custos de funcionamento, nomeadamente de pessoal, que se deve a duas razões, por um lado a gestão partilhada de recursos e por outro a saída de pessoal que ou se reformou ou optou por aderir ao programa de rescisões amigáveis na Administração Pública”. Este é um esforço que Alexandra Gonçalves pretende continuar à imagem e semelhança “do que está a ser feito um pouco por todas as esferas da Administração Pública”. No âmbito da gestão partilhada, a responsável destaca o trabalho já realizado em parcerias com as autarquias de Albufeira (Castelo de Paderne), Portimão (Alcalar) e Aljezur (Castelo de Aljezur) e que, refere, “importa aprofundar e alargar”. Neste momento estamos a rever o protocolo com Albufeira e a terminar a definição final dos termos do protocolo tripartido que se celebrará com a Câmara de Aljezur. “Nesta área a conservação e manutenção serão sempre da nossa responsabilidade, mas as dinâmicas associadas à vivência do património contam assim com a preciosa ajuda de quem estando perto dos monumentos pode de forma mais eficiente garantir o seu aproveitamento e a majoração das interac-

ções com o mesmo”, diz. A direcção regional como motor da dinâmica cultural A DRCAlg que Alexandra Gonçalves herda das mãos de Dália Paulo é um organismo muito diferente daquele que normalmente os algarvios associavam a uma Direcção Regional de Cultura. Dália Paulo tirou-lhe a distância face à acção cultural, quebrou a ideia de casa dos subsídios culturais e deu-lhe visibilidade. A acção é para continuar. Isto mesmo se retira do discurso da nova titular que quer a instituição perto dos algarvios e em relação directa com a cultura e o território. “Iniciei desde a tomada de posse um périplo por todos os municípios da região que, mais do que servir para as normais apresentações, tem por base a ideia de uma relação estreita com quem, em cada local melhor compreende as necessidades de cada comunidade e de cada território, sob todos os aspectos, nomeadamente o cultural”, refere Alexandra Gonçalves. “Articulação com os municípios e estratégias de cooperação para o futuro” são as palavras de ordem deste início de um mandato que se prolongará por cinco anos. Nos contactos com a Região de Turismo do Algarve (RTA) também já se definem estratégias. “Há muito trabalho a desenvolver no âmbito das rotas, itinerários e percursos que neste momento estão disseminados entre aquilo que é produzido pela RTA, pelos municípios e pela

“JOSÉ PEDRO MACHADO” Até 1 MAR | Biblioteca Municipal de Loulé Exposição bibliográfica pretende assinalar o 100º aniversário do nascimento, na cidade de Faro, do filólogo, bibliógrafo, arabista e historiador que foi José Pedro Machado (1914-2005), que, pelos estudos desenvolvidos, atingiu notabilidade internacional


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própria DRCAlg”. Para Alexandra Gonçalves “importa perceber aquilo que pode ter interesse turístico-cultural e dinamizar essas rotas de forma a poder criar verdadeiros produtos nesta área capazes de diferenciarem a oferta que fazemos nesta que é a região turística de excelência no país”. Para Fevereiro a directora regional conta ter em campo os contactos com o sector privado no sentido de também nesta área definir estratégias capazes de ajudar a desenvolver a Cultura na região. Dinâmicas integradas

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Ao nível do património Alexandra Gonçalves sublinha “a necessidade de se continuar e certamente de se reinventar a aposta nas dinâmicas integradas em que o património deixe de ser algo imóvel que espera a visita das pessoas, para passar a ser por um lado um espaço de dinamização cultural e simultaneamente passar a integrar as dinâmicas já existentes noutras rotas e percursos onde as sinergias podem ser aproveitadas para que se conheça e valorize cada vez mais o valor destes espaços”. “O nosso património pode ser pouco mas tem potencialidades e de facto a interacção com várias outras realidades pode ter um efeito catalisador que deve ser aproveitado”, refere. As redes e as parcerias são hoje, diz a responsável pela pasta na região, “determinantes” e “quanto mais houverem melhor”. “É aqui que reside em grande medida a resposta para a falta de recursos de que actualmente padecemos, mas também é por aqui, cada vez mais, que se selam cooperações deter-

A Fortaleza de Sagres é a grande aposta no investimento em património minantes para o desenvolvimento cultural integrado e sustentável”, sublinha. Apoio à acção cultural Na casa dos 70 a 80 mil euros nos últimos anos - excepção feita ao ano de 2013 onde por razões específicas se saldou em 230 mil euros - o apoio à acção cultural da responsabilidade da DRCAlg é um importante instrumento de desenvolvimento cultural. Nesta área de intervenção, Alexandra Gonçalves avança que há uma lógica diferente na análise e definição dos apoios que serão prestados no domínio do apoio à acção cultural, uma matéria que ainda está em discussão ao nível do Governo. Certo é que entrará nas fileiras destes apoios o incentivo à edição de produção cultural nas diversas áreas que terá por base um júri capaz de decidir em cada ano para que se aposte naquilo que se produz localmente e que importa dar a

conhecer. No âmbito do resto dos apoios culturais passam a existir novas linhas mestras para definição em sede de selecção quais aqueles que merecerão o apoio da direcção regional.

Património imaterial da humanidade, que futuro? Para a nova responsável da Cultura, esta área, ainda que tenha contado com uma intervenção muito marginal da

DRCAlg no processo de candidatura é um dos pontos de maior interesse a nível cultural na região. “Nesta área a CCDR está a ter um papel preponderante na medida em que domina o processo de planeamento estratégico para a região”, refere Alexandra Gonçalves, que afirma estar a procurar envolver-se profundamente neste âmbito. Em particular a directora regional realça a importância da participação da direcção regional na área da inventariação, que é um ponto fulcral das acções a desenvolver no âmbito da classificação atribuída pela UNESCO. Novidades para breve Na calha está a criação de um programa de dinamização e valorização dos monumentos. “O desejo é o de que a programação para os monumentos na dependência directa da direcção regional possa rapidamente ser dericardo claro

Nova directora regional de Cultura tem pela frente um grande desafio

“14º FESTIVAL AL-MUTAMID” 8 FEV | 21.30 | Centro Cultural de Lagos Neste espectáculo Chekara & Media Luna Flamenca promovem um encontro entre a música árabe-andalusí e o flamenco mais tradicional

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senvolvida de forma integrada e com um horizonte de antecipação pelo menos anual”, diz Alexandra Gonçalves. O conceito de programação pretende pôr no terreno uma imagem e marca já desenvolvidas internamente e que se chamará Bons Momentos, destinado a identificar o conceito de experiência pessoal na relação das pessoas com o património. “Há bons momentos de música, teatro, artes visuais e tudo o mais, querendo-se passar a mensagem que no património há lugar a verdadeiros Bons Momentos”, diz a responsável, que aposta este ano na temática “40 anos de Democracia”, exactamente no ano em que se atingem quatro décadas sobre a data da revolução de Abril. Lugar ainda para a criação de um prémio destinado a reconhecer trabalhos culturais desenvolvidos na defesa e promoção da igualdade de género e de oportunidades entre homens e mulheres no valor de cinco mil euros, com novidades sobre esta matéria a serem prometidas para breve. Entretanto, é tempo de trabalho, muito, e Alexandra Gonçalves não deixa os créditos por mãos alheias pelo que a nova directora regional já está no terreno. São cinco anos para mostrar o que pode e sabe fazer com a sua dedicação à luta pela Cultura num lugar de topo na administração desconcentrada do Estado. O Algarve, esse, e os algarvios, esperam sempre o melhor de quem quer e pode dar a cara pelo interesse comum da região a bem de todos, porque o desafio é enorme, tão grande como é decerto a vontade da nova titular de o vencer. Ricardo Claro

“CONTACTO DE AUTOR” Até 7 MAR | Galeria de Joalharia Pontos Iguais (Rua Castilho, 16 - Faro) Exposição apresenta um grupo da escola Contacto de Autor, do Porto, dando a conhecer os melhores trabalhos de Ana Negrão, Joana Andresen, Nádia Basto, Tatiana Barros e Ângelo Cardoso


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Letras e Leituras

Nenhum homem é uma ilha

Paulo Serra

Investigador da UAlg associado ao CLEPUL

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Por este mundo acima é um livro peculiar de uma autora que, como tantos outros nomes que inundam os escaparates das livrarias, é também jornalista. No entanto, a sua escrita é de uma sensibilidade apurada e toca temas de forma alegórica enquanto outros insistem em mastigar e deglutir a mensagem por inteiro. Patrícia Reis nasceu em 1970, estudou História de Arte e Comunicação, tendo passado por diversos órgãos de comunicação, como o Expresso, Marie Claire e, mais recentemente, dirige a revista Egoísta. No final do ano passado lançou dois livros, o romance Contracorpo, e uma entrevista em jeito de conversa com Simone de Oliveira, intitulada Força de viver. É ainda autora juvenil, tendo escrito uma interessante coleção que apresenta, através do Micas, diversos museus e instituições culturais. Os seus últimos dois romances, Por este mundo acima e Contracorpo, possuem em comum o facto de se dirigirem a um filho ou, por outras palavras, a essa camada da população portuguesa em que reside o futuro e que vive estes momentos de confusão e angústia mas que, provavelmente, não sente ainda muito a necessidade de parar para pensar no que será esse mesmo futuro. O tema da adolescência parece assim revestir-se de alguma importância na escrita da autora, como se pode constatar em Antes de ser feliz (2009) ou no seu mais recente Contracorpo, onde se tece uma conversa, durante uma road trip, em que uma mãe tenta comunicar com um filho que se fecha na sua concha de um mutismo quase autista, ainda que falar de autismo acerca da adolescência pareça um pouco redundante... O romance Por este mundo acima nasce de um cenário de destruição, ainda que este seja apenas subtilmente delineado no livro. Nunca se sabe concretamente o que destruiu Lisboa, havendo apenas alusões indiretas a um qualquer acidente (nu-

clear?) que inclusivamente acarretou consequências nas crianças nascidas depois disso. Da mesma forma que estes cenários pós-apocalípticos já se vão tornando familiares, mediante o visionamento de certos filmes e séries televisivas, a própria ação começa «in media res», um pouco como uma imagem de um filme, em que a imagem que abre o filme é depois retomada a meio da narrativa: «A VIDA TRANSFORMA-SE. Agora está ali o miúdo. Continuamos a andar. Pedro à frente, saltando rochas e declives, os ténis sujos de terra. Eu fico um pouco mais atrás, as mãos nos bolsos, passos hesitantes, por vezes a falhar, um certo receio em avançar, mas enfeitiçado pela sua voz. Trauteia uma melodia sem letra. Saudades súbitas de música. E digo-o./ Tenho saudades de música./Sim? Eu tenho uma harmónica. Tenho, sim, em casa. Era do meu pai. Nunca aprendi a tocar./ É pena./Se soubesse tocar, tê-la-ia trazido comigo./Tu falas muito bem./A minha mãe obrigava-me a falar correctamente. Diz que é muito importante. Dizia./A tua mãe tinha razão.» (pág. 15-16). Neste trecho com que se inicia o romance, e que aparecerá novamente repetido mais à frente, delineiam-se duas linhas centrais de um romance aparentemente fragmentário, como que escrito em desabafo, aos soluços: a importância da música, que é como quem diz da literatura, aliada à importância da língua e do bem falar, mesmo que o mundo se tenha desmoronado e esses valores não sirvam a ninguém como instintos básicos de sobrevivência. A escritora chamou a este livro, em entrevista, de “peregrinação futurista”, pois projeta num futuro ficcionado os desafios que se colocam à Humanidade de hoje. Os valores humanos são, sem dúvida, a cola que permite refazer a destruição e a luz que ilumina o vazio de uma vida. A

d.r.

Patrícia Reis

autora foca-se assim, “como quem escreve uma carta a um filho”, em construir uma parábola sobre o valor da amizade e da solidariedade, independentemente da idade, da situação e da existência de laços de sangue. Os flashbacks no livro, através de Eduardo, são constantes, quando recorda os amigos que deixou, enquanto este homem se move pelo cenário de desolação, talvez como forma de tentar encontrar um fio condutor na ruína que o cerca e atravessar o peso da solidão, até porque ao contrário de Pedro, o rapaz que ele depois encontra, os outros que se movem pela paisagem, deslocam-se fugidiamente, esquivando-se: «As pessoas, os sobreviventes, não querem conversar.». Pedro torna-se então homem sob a alçada de Eduardo, o editor, e com ele vai aprender o valor não só

“PEQUENAS E GRANDES MARAVILHAS DA NATUREZA” Até 28 FEV | Polo Museológico Cândido Guerreiro e Condes de Alte – Loulé Fotografias de Alexis Morgan retratam algumas espécies botânicas e borboletas que se encontram na região

da amizade mas também dos livros. Eduardo é uma memória prodigiosa que reúne imensas histórias que vai partilhando com Pedro, educando-o, tal como a mãe antes o preparara a falar corretamente, para o gosto pela leitura e pela maleabilidade e inventividade das palavras. Em jeito de compensação, o jovem vai aprender de tudo um pouco, tornando-se instruído, mesmo que o conhecimento já pouco se aplique a um mundo que deixou de ser. O horizonte de esperança com que o livro encerra é o facto de este jovem, depois da morte de Eduardo, o editor, se apaixonar por uma mulher, conseguir recuperar técnicas tipográficas que permitem fazer um livro. Como gesto de amor para com o editor que o adota, Pedro recupera, inclusivamente, as técnicas de imprensa gráfica. É esse o manifesto gesto de esperança que pode redimir a vida de uma humanidade praticamente desaparecida, quando um livro, de um jovem autor, curiosamente chamado Sebastião, é descoberto pelo editor. Este nunca chega a ler o livro antes da catástrofe, apesar de ter sido apresentado ao jovem e ficado intrigado com o mesmo, e só depois de tudo mudar e um livro de um jovem autor parecer uma ninharia a quem tenta sobreviver, reveste-se, independentemente da sua genuína qualidade, da maior

importância para outro tipo de pessoas. Como uma elite que vive dessas pequenas grandes inutilidades, como a música e a literatura, que animam os nossos dias e podem até, em última análise (histórica, cultural, antropológica) reflectir os nossos valores. É curioso que se registe, quase no final do livro, como o legado que Eduardo deixa ser a sua biblioteca: as estantes de livros que herdara da avó, e que, depois, tentou compor com alguns “empréstimos” de outros locais por onde iam pilhando o que precisando, biblioteca essa que constitui um centro conglomerador das réstias da humanidade: «Decidiram passar a biblioteca da avó de Eduardo para um centro cultural, para estar sempre disponível, para ser a memória de todos. Ocuparam a estação de metropolitano que ficou intacta: têm um centro de acolhimento, um centro de estudos, a biblioteca e uma sala de convívio.» (pág. 180). E, mais uma vez, é inevitável um outro paralelo com os media, quando a adaptação cinematográfica da obra A rapariga que roubava livros acaba de estrear, sobre uma jovem que, durante a II Guerra, salva livros de arderem nas fogueiras ateadas pelos nazis. Nenhum homem é uma ilha, portanto, mesmo que cada leitor possa ter em si uma biblioteca imensa que o entretenha.

“RAÍZES” Até 28 MAR | Paços do Concelho de Albufeira Exposição de pintura de Zorba (Luís Romão), residente em Albufeira desde os dois anos. Autodidacta, utiliza muito pouco os pincéis, uma vez que o que lhe interessa são as texturas e movimentos que os materiais possam criar quando utilizados de forma ‘grosseira’


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Momento

Noite infantil Foto de Vítor Correia

Espaço ALFA

Crescer a fotografar para mais tarde recordar Tânia Guerreiro Sócia da ALFA

O meu interesse pela fotografia começou muito cedo. Desde os 12 anos que me lembro de andar com uma máquina fotográfica atrás e querer fotografar tudo: pessoas, animais, paisagens, etc. No entanto, só comecei a levar este meu “hobby” mais a sério há cerca de quatro anos. Foi quando a minha curiosidade começou a aumentar e senti necessidade de ter formação na área e foi assim que descobri a “Alfa” em 2011, com quem já fiz formações e passeios fotográficos que me permitiram evoluir enquanto fotógrafa. Cerca de três meses depois de me ter juntado a esta associação surgiu-me o meu primeiro trabalho remunerado, um casamento. Fotografar um dos dias mais importantes da vida de um casal é sempre uma grande responsabilidade mas também é uma experiência muito gratificante

e que me permitiu aprender muito enquanto profissional. Para mim, a fotografia é uma paixão. À medida que vou adquirindo mais conhecimento e formação a minha paixão aumenta. Espero horas se necessário para conseguir tirar a fotografia que quero e por vezes perco a noção do tempo. Pego na câmara e saio de casa para fotografar. Estou constantemente à procura de novas formas para fotografar lugares ou pessoas, de fazer algo diferente. Seja para trabalhos ou projetos pessoais, tenho sempre um enorme prazer e dedicação por aquilo que faço. Em Maio de 2012, tive a minha primeira exposição na Casa da Juventude de Olhão, que reuniu retratos dos trabalhos e projetos pessoais que tinha feito até aquela data. Já este ano, participei na mostra fotográfica Cor e Criatividade da Alfa, da qual fui vencedora da cor Branca e que está a decorrer até ao mês de Junho e convido todos a participarem. Peguem nas vossas câmaras e sejam criativos. Não se esqueçam também que a fotografia é também uma forma de eternizar aqueles momentos mais especiais. Podem encontrar mais informações sobre a mostra fotográfica Cor e Criatividade em www.alfa.pt.

d.r.


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Na senda da Cultura

Monchique, a serra d’água A 902 metros de altitude estamos no ponto mais alto do Algarve. Altaneira a Fóia encima a Serra de Monchique feita de xisto e de fóiaite, um tipo raro de sienite (rocha granítica), e dela se pode mirar o oeste algarvio que se espraia até ao mar. A localização junto ao Atlântico dá à Serra de Monchique um clima único na região, misto de mar e altitude, denominado subtropical marítimo de montanha, característico pela humidade. É neste enquadramento que a serra de origem vulcânica se faz serra d’água, não só pelas famosas termas, nas Caldas de Monchique, onde a água medicinal brota a elevadas temperaturas (aproximadamente 32 graus centígrados) mas, também, porque no Inverno a face da serra exibe a sua beleza sob a forma líquida. Para quem desconhece, o Algarve também tem cascatas e em Monchique estão três das mais belas da região, com a força bruta da rocha a deixar-se acariciar pela água em catadupa que se solta das entranhas das escarpas. Vale a pena conhecer e deixar-se envolver pela beleza sempre impressionante das quedas de água enquanto se solta o pensamento aos ritmos borbulhantes do marulhar das águas que só à gravidade obedecem, rasgando por força dos séculos sulcos na encosta capazes de contar histórias de outros tempos. A cascata do Barbelote é a primeira de três jóias de Monchique que se convida a conhecer. Por entre a vegetação luxuriante do Inverno monchiquense, num estradão que sai da estrada nacional 266-2, ali se revela a queda de água onde o branco da espuma se impõe contra o fundo cinza da rocha pontilhado daquele verde único de Monchique que faz desta serra a Sin-

d.r.

Cascata do Barbelote tra do Algarve. Para chegar ao segundo deslumbre desta rota das cascatas o destino é a cascata do Penedo do Buraco, que se pode

encontrar quando se segue na estrada que liga Monchique Casais e Marmelete, desviando para a direita no sentido Marmelete – Chilrão antes de chegar ao

sítio dos Gralhos. Por fim, perto do sítio com o mesmo nome, pode ver-se a cascata do Penedo do Buraco, também ela acessível

a partir da estrada nacional 266-3, e com esta terceira maravilha se fecha o périplo pelas cascatas da Serra de Monchique. Pode ainda optar por fazer a rota pedestre proposta pela autarquia de Monchique. Na Rota das Cascatas a proposta é a de realizar um percurso de 20 quilómetros com uma dificuldade considerada alta e que propõe numa viagem circular percorrer as três cascatas com passagem pela Fóia. Para tanto, diz o sítio da autarquia na internet, serão necessárias três horas e a consulta do mapa da rota e demais dados pode ser feita on-line em www. cm-monchique.pt. Junte-se à paisagem rara oferecida por estes três sítios únicos com o que de melhor a serra tem para oferecer por aquelas paragens, leia-se enchidos, boa gastronomia serrana e o inestimável medronho de Monchique e o passeio é mais do que uma simples proposta e revela-se um must do por estes tempos de maior invernia. Há de facto para descobrir muitos algarves dentro do Algarve, insuspeitos e inusitados lugares que são segredos guardados por uma região onde a serra resistiu estóica aos avanços dos tempos e do homem. Imperdíveis estes lugares secretos são as preciosidades de uma região que tem muito por descobrir, mesmo para os algarvios, e há lá melhor forma de viver o Algarve do que conhecê-lo no seu íntimo e muito para além do óbvio. Deixe-se transportar para outro mundo, numa realidade em que tempo avança fora do compasso do relógio e em que a água em queda livre se propõe ser, por momentos, dona e senhora dos seus pensamentos, aqui mesmo ao lado na Serra de Monchique, a serra d’água. Ricardo Claro

Sala de leitura

Requisitar uma stripper numa biblioteca? Paulo Pires

Programador Cultural no Departamento Sociocultural do Município de Silves esteoficiodepoeta@gmail.com

Porque não? Ousem e imaginem uma biblioteca repleta de livros com títulos como: Refugiado, Treinador desportivo, Dono de Agência Funerária, Homossexual, Imigrante, Stripper, Alcoólico, Invisual, Doente com cancro, Cantor hip-hop, Cirurgião plástico, Desempregado, Matemático, Budista, Po-

lícia, Padre, etc. “Livros humanos”, que valem pelo seu conteúdo intrínseco e não pela sua capa/aparência, feitos de/por pessoas que, em regra, são representativas de um dado grupo social ou profissional, convictas das suas ideias e avessas a estereótipos, as quais pretendem partilhar as suas histórias, valores, experiências e visões do mundo, tal como os livros feitos de papel. Para os leitores é uma oportunidade inesperada de, gratuitamente, “requisitar exemplares únicos” – mediante reserva prévia e durante um período de tempo prede-

finido (variável, mas que pode ser, por exemplo, até 60 min.) –, interpelando-os, na primeira pessoa, sobre as suas inúmeras “estradas” e “folheando” assim, oralmente, páginas e páginas de vidas incríveis. Estes “human books” são geralmente escolhidos a dedo: pessoas reais (de proveniências diversas e até, nalguns casos, díspares), com estilos de vida e ideias diferentes que as tornam autênticas obras abertas, e que se voluntariam para dar a conhecer, a um ou mais “leitores” interessados” – num ambiente aberto, seguro e acolhedor –, a sua forma de

estar, pensar e sentir o mundo, feita de singularidades, imprevistos, originalidades, surrealismos e, não poucas vezes, de discriminações ou exclusão sociais. Nos países em que o projecto já foi implementado têm surgido figuras interessantíssimas, com estórias empolgantes, como uma mulher que cresceu na África do Sul em pleno apartheid, um ex-professor que passou por uma operação de mudança de sexo ou um ex-veterano da guerra do Vietnam. Os livros humanos ostentam uma t-shirt que identifica o seu título e ao leitor basta escolher o que quer ler.

É fundamental – de forma a manter um diálogo estimulante e interessante com os leitores, respondendo às suas questões e ajudando-os a ultrapassar distorções sociais e outras ideias feitas – que estes “livros vivos” tenham personalidades estáveis e tenham desenvolvido previamente uma reflexão madura e consciente sobre os assuntos que estão abordando. Só assim se produzirá, junto dos receptores, o (literariamente) chamado “efeito de real” e o élan que certas obras escritas tanto almejam. A escolha, pela entidade organizadora, dos “títulos” dos livros deve ainda coa-


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Espaço ao Património

Património Cultural algarvio: o último espaço (ainda) habitável

Gestora cultural

Ontem como hoje as questões de salvaguarda e valorização do Património Cultural são complexas, sendo o seu papel como garante de memória e de evolução civilizacional controversas na opinião pública. Já no final do século XIX, um jornal algarvio, aquando das obras do Largo da Sé, em Faro, mandava que se tapasse os vestígios arqueológicos para os “arqueólogos não meterem o bedelho” e o arquiteto Alexandre Alves Costa no seu artigo “Lugares praticados versus lugares de memória”, na Revista Património, afirma que “A visão do desmoronamento do passado é tão desoladora como a mesquinhez dos sobreviventes e, por isso, Marinetti propôs, como terapia de choque, “libertar o país da sua fétida gangrena de professores, arqueólogos, cicerones e antiquários.””, sob pena de nos tornarmos “construtores de utopias”, como lembra Marc Guillaume, no precioso livro “Política do Património”. Esta erosão do passado não nos deve aprisionar, deve, pelo contrário, impelir-

dunar-se com as especificidades locais das áreas de implantação e estar atenta à conjuntura do momento. As bibliotecas são, entre outras vocações, verdadeiros lugares de aprendizagem intercultural, de reflexão sobre cidadania e direitos humanos, e de desenvolvimento (inter)pessoal, funcionando como contextos inclusivos que estimulam e propiciam a aproximação sensível e criativa, a humanização dos temas e a desconstrução mental (o “sair da caixa”). Daí que estes encontros entre leitores e livros humanos funcionem como pontes preciosas de diálogo construtivo entre pessoas que, em condições normais, não teriam a oportunidade de falar umas com as outras. O conceito de Biblioteca Humana surgiu em 2000, na Dinamarca, com a ONG “Parar a violência”, procuran-

d.r.

garve em colaboração com os Municípios, o que permite uma radiografia das necessidades de intervenção e uma linha orientadora; os museus da região têm trabalhado a questão do inventário do património (material e imaterial); requalificado a oferta museológica, tendo sido criada, em 2007, a Rede de Museus do Algarve que tanto permitiu ganhar escala como qualificar os seus técnicos. Foram trabalha-

do lutar contra os estereótipos e incrementar atitudes tolerantes face à diferença. Foi depois exportado para mais de sessenta países pelo mundo, sendo praticado em bibliotecas, escolas, associações, fundações e em espaços culturalmente menos convencionais. Na Internet – o site oficial é: http:// humanlibrary.org – é possível aceder a descrições de boas práticas, guias para organizadores, cursos de formação para dinamizadores, exemplos de catálogos de “livros” disponíveis, bem como a vídeos sobre projectos já desenvolvidos em diferentes realidades geográficas e culturais. Em Portugal, pelo que sei, apenas foram feitas duas experiências: o conceito estreou-se no Rock in Rio no Verão de 2004, de forma pontual; e no Município de Valongo a partir de 2010, através

d.r.

Dália Paulo

-nos a trabalhar o Património Cultural com um olhar atual, integrador na sociedade e não como último reduto de um passado que queremos preservar imutável. A consciência de que temos de fazer opções e perceber que muito da preservação de memória implica, igualmente, muito de esquecimento é um processo de construção (a cada momento) de um território. No Algarve, qual a importância do Património Cultural no desenvolvimento regional, no ordenamento do território e na construção/fortalecimento da nossa identidade? Na definição da estratégia regional o Plano Regional de Ordenamento do Território do Algarve, aprovado em Conselho de Ministros de 2007, preconizava para a área do património 12 objectivos operativos que se mantêm atuais e a necessitar de trabalho, objectivos para os quais têm de convergir as administrações, locais e central, focando a inventariação, a investigação e a conversão de recursos em produtos turísticos, bem como a monotorização, através de dados fiáveis, dos impactos da cultura e do património na região. Será legítimo o leitor perguntar: que caminho se percorreu, desde 2007, para dar corpo a esses objectivos operativos? Ora vejamos, a região dispõe de um Plano Regional de Intervenções Prioritárias, realizado pela Direção Regional de Cultura do Al-

dos, ainda que não em extensão suficiente, roteiros temáticos, como: o Al-mutamid, a Rota Europeia dos Descobrimentos e a Umayad; e, concluiu-se, em junho de 2013, os processos de classificação, como Monumento Nacional ou de Interesse Público, que estavam pendentes. Permita-me o leitor a incursão na prática da gestão deste Património Cultural. Muito se tem escrito sobre a falta de po-

líticas coerentes, consistentes e continuadas de educação para e pelo património e a relação deste com o turismo, sobre a descaracterização que o território sofreu ao longo das últimas cinco décadas e de como o desenvolvimento assentou em modelos (quase) aniquiladores da identidade dos lugares. Mas, ainda, pouco se escreveu ou discutiu sobre novas abordagens e olhares plurais da gestão do património, colocando o património no centro da discussão e não como “auxiliar” de um turismo cultural ou criativo; como o património deve ser visto como parte integrante do território e por isso um recurso útil, necessário e diferenciador dos territórios, fazendo parte do quotidiano das populações (residentes e visitantes) e assumindo-se como uma força da comunidade. Existe um longo caminho a percorrer sobre a questão da gestão privada do património: riscos e oportunidades. Este tema será discutido num seminário no dia 14 de fevereiro na CCDR Algarve, promovido na sequência do estudo nacional, que a Universidade do Algarve está a realizar intitulado, “Património e Território”, e integrado no “Plano de Estudos – Cultura 2020”, uma iniciativa do secretário de Estado da Cultura. Aí serão discutidas algumas destas questões: as apropriações da renda e o investimento na dua-

lidade público privado; o papel do privado e do Estado no Património português; quais os monumentos passíveis de gestão privada; quais os modelos sustentáveis de gestão do Património Cultural; e quais os garantes que a gestão privada pode dar na manutenção da identidade do lugar face aos perigos (mas também seduções) do modelo “one fits all”. Estes temas devem ser debatidos com grande abertura e sem preconceitos, ouvindo e criando novos pensamentos. A nível regional importa perceber que o património se tornou nos últimos anos no último espaço (ainda) habitável, e que isto obriga aos decisores políticos compreender que uma estratégia de desenvolvimento regional e de valorização turística só pode passar pela identidade e pela valorização patrimonial, porque aliado ao golfe e ao sol e mar (e não à praia) o Património Cultural é um produto 365 dias/ano. Cabe-nos a nós, mulheres e homens da cultura, nesta questão do Património Cultural - como nos recorda Paulo Pereira: “por ser um universo em permanente crescimento, será sempre, também, uma área em que o trabalho nunca acaba, nem é essa a sua natureza. Recomeçar, e recomeçar de novo” – ser resilientes e continuar a criar diálogos para contribuir para uma paisagem cultural de excelência e um foco de desenvolvimento.

da sua Agência para a Vida Local, que tem replicado anualmente este formato, já reconhecido internacionalmente. Há um poema de Adília Lopes que a certo passo diz: “eu não sou um livro / e quando me dizem / gosto muito de seus livros / gostava de poder dizer / como o poeta Cesariny / olha / eu gostava / é que tu gostasses de mim / os livros não são feitos / de carne e osso / e quando tenho / vontade de chorar / abrir um livro / não me chega / preciso de um abraço”. A este grande poema permitam-me contrapor: sim, (também) pode haver livros de carne e osso, com enredos cativantes, páginas surpreendentes e estilos inusitados – livros cujas histórias têm o poder de um abraço e de um silêncio pleno de gritos e danças lá dentro…


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O(s) Sentido(s) da Vida a 37º N

Fevereiro te fria. os peixes não nadam por aqui. resta-me um livro de Hemingway que trago na mochila, com cheiro a sandes de conserva de cavala à portuguesa. e a paisagem que só olhos treinados neste horizonte daqui, conseguem perceber como se modifica.

Pedro Jubilot

pedromalves2014@hotmail.com canalsonora.blogs.sapo.pt

Prunus Dulcis fotos: d.r.

José Afonso

~ Estofo de Maré ~

Agendar

quero ficar na manhã para pescar na ria azul, a linha já lançada repousa agora na corren-

Vítor Gil Cardeira

que um determinado dia vimos a conhecê-las... a árvore já ali estava há tanto tempo, mas só hoje nos conhecemos. Gostei de falar com ela. Até lhe tirei uma fotografia que postei no facebook. Talvez fiquemos amigos e possamos aprofundar a nossa relação.

‘Os Pescadores’

Postais da Costa Sul Aqui neste lugar da costa sul onde me exilei para vos mandar postais, não posso ver campos de trigo a perder de vista, nem tão pouco olhando para as serras me é difícil adivinhar o seu ponto mais alto. Se caminho entre grupos de árvores consigo sempre ver o que está para lá delas. Mais de dois carros em marcha lenta à minha frente, já me trazem o desespero de um engarrafamento, e prédios com mais de 4 andares causam-me vertigem mesmo com os pés no chão. Se desço o rio, observo desde a nascente à foz. Só esse imenso pranto de água azul me preenche a totalidade do olhar até à infinitude.

Quando os dias que deixam Janeiro fora, se acrescentam de uma hora de mais luz, há uma outra luminosidade a cobrir as pequenas árvores caducifólias da nossa paisagem, do barrocal ao litoral. Essa planta levemente rosácea que cobre as amendoeiras, ao contrário da princesa nórdica da lenda, representa para mim o princípio do fim da estação Inverno. Nesta outra estação, a de Tavira, não há como não lembrar o poema de Álvaro de Campos (Tavira, 15.10.1890) que começa assim: «Cheguei finalmente à vila da minha infância./ Desci do comboio, recordei-me, olhei, vi, comparei./(Tudo isto levou o espaço de tempo de um olhar cansado)./Tudo é velho onde fui novo.» (…)

‘Cantares de José Afonso’ (ep,Columbia,1964-1ªedição). Faleceu a 23 de Fevereiro de 1987.

Trauteando os seus tititirriiri, o distraído e sonhador Zeca era seguido pelos cães vadios da ‘branca noiva do mar’ (nome poético para a terra da Fuzeta), no caminho que o levava, passando pela doca ou parando no ‘Escandinávia bar’ (também nome de canção no lp ‘Galinhas do Mato’, 1985) a caminho da casa de Zélia… «O conhecimento da Zélia, no lugar da Fuzeta no Algarve, reconciliou-me com a água fresca e com os tons maiores. Passei a fazer canções maiores.» Refere-se a ‘Maria’, canção que se encontra em

“LOST HAVEN – YOU ONLY MISS WHAT’S GONE” 9 FEV | 21.00 | Cine-Teatro Louletano Trata-se de uma curta-metragem independente inteiramente rodada no Algarve pela New Light Pictures, a mesma equipa que criou “Comando”, curta que conquistou múltiplos prémios, fez sensação no Youtube, e foi exibida um pouco por todo o mundo

‘Espuma Evanescente’ é o mais recente livro deste autor (Conceição de Tavira,1958) e terá o seu lançamento em Tavira, no Clube de Tavira (r. da liberdade, 23) pelas 17h30, de sábado 22 de fevereiro, com apresentação de Miguel Godinho e Pedro Jubilot. Numa edição da editora CanalSonora, decorrerão leituras de textos da obra e música por Orlando Almeida (guitarra) e João Ornelas (viola). Do livro, página 32: A passagem conforta os que não têm nada os que procuram os que nunca encontram. A passagem é um caminho que reflecte as sombras do passado enquanto dormem os inúteis sobressaltos.   Há gente que precisava de mais vidas para amar os sinuosos tremores da paixão as escolhas impossíveis e imateriais os labirintos claros da impotência que sopra da juventude difusa, larvar  e narcótica.   A passagem une o que respira ilusão.   Os sonhos são a realidade por cumprir quando da solidão nasce a palavra que embriaga que sorve o conforto incontornável das distâncias. Há gente que precisa de mais vidas para sofrer.

Uma Árvore Hoje de manhã conheci uma árvore. Ali no cruzamento dos bombeiros. Como as pessoas que habitam a cidade há tanto tempo e

Quando alguém nascido e criado numa cidade costeira do litoral algarvio, abre e lê pela primeira vez ‘Os Pescadores’ (Raul Brandão, 1923) nunca mais o abandonará cioso que o levem da sua biblioteca. Os hábitos e costumes do povo e as suas práticas de pesca, a descrição da atmosfera, da paisagem, da luz, dos sentidos despertos, do olfacto…surpreendem pela sua aproximação à realidade, mesmo passados tantos anos. Brandão chegou ao Algarve no esplendor do mês de Agosto em 1922, e parece ter ficado tão enfeitiçado pelo estio destas terras levantinas, que chega mesmo a dizer: «...Teria aqui uma casa numa das vielas(…) seria um deslumbramento: no pátio caiado,(…) viver num meio adormecimento, seduzido pela luz, fora de todos os interesses e realidades...» E quando parte é: «Tarde. Olho pela última vez a brancura imaculada dos terraços com o céu todo de oiro em cima e deixo com saudade esta luz e esta terra embruxada.» ….e escreve quase a segredar, tão a segredar, que terá sido mais um pensamento, muito intimo. Percebe-se pela paixão e pelo número de páginas que dedica a Olhão como foi esta a terra da costa sul que mais lhe ficou no coração «(…) este homem é um homem à parte no Algarve. Se veio de Ílhavo, como dizem, não sei, mas é o único homem arrojado desta costa.» Deixou cerca de duas centenas de obras publicadas, mas é através de ‘Os Pescadores’ que nunca esqueceremos a voz do mar.».

“MOSAICO” Até 25 FEV | Galeria de Arte Pintor Samora Barros - Albufeira Lídia Almeida apresenta uma mostra colectiva que tem por objectivo dar a conhecer ao público os trabalhos executados pelos seus alunos, com vista a incentivar o seu talento, empenho e desenvolvimento artístico


07.02.2014  11

Cultura.Sul

Da minha biblioteca

A Mulher que Venceu Don Juan ou As mulheres que venceram os “dones Juanes” desta vida d.r.

Adriana Nogueira

Classicista Professora da Univ. do Algarve adriana.nogueira.cultura.sul@gmail.com

Teresa Martins Marques é professora na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e conhecida ensaísta no meio académico, sobretudo pelos trabalhos sobre José Rodrigues Miguéis e David Mourão-Ferreira. Em 2009 escreveu um conto, «Carioca de café», que já deixava antever a fluência da escrita, o mundano e o erudito fundidos nas personagens, tal como podemos encontrar neste seu primeiro romance, A Mulher que Venceu Don Juan. Don Juan e Doña Juana

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Inicialmente publicado em forma de folhetim no Facebook, ganhou nova forma, de modo a tornar-se num romance consistente, sem deixar de lado a estrutura em pequenos capítulos que deixam o leitor em suspenso até que a história que cada um deles conta se complete mais adiante na narrativa. Neste livro não há apenas uma voz, pois vamos acompanhando a vida das personagens de diversas maneiras: através de diários, de pensamentos, de cartas e de comentários do narrador, que se vai transformando ao longo das 324 páginas, ora contando-nos tudo, ora fazendo-nos adivinhar que há muito mais para saber, até à revelação final, que liga todas as pontas que foram sendo soltas pelo livro. De que trata, afinal, esta história? O título e as epígrafes remetem para a personagem de Don Juan, o sedutor sem escrúpulos, que abandona as mulheres depois de as enganar, mas neste ro-

mance não são apenas os homens que seduzem e abandonam: as mulheres também o fazem. Joana (nome que já por si remete para o feminino “Doña Juana”, como, aliás, a jovem algumas vezes é tratada) é uma conquistadora de corações, uma destruidora de felicidade alheia, e assim se mantém até ao fim, sem remissão. Esta é uma das características mais marcantes das personagens, que nos faz pensar que não se deve esperar que as pessoas mudem, porque, no seu mais íntimo, elas não o fazem. Facto e ficção Talvez por resultar de uma publicação no Facebook que terá sido lida e comentada por outros membros desta rede social, ou apenas por opção da autora, muitos lugares e personagens são reais (se bem que ali, no livro, não deixam de ser criação literária), de Lisboa ao Porto, de Buenos Aires ao Rio de Janeiro, de Trás-os-Montes ao Algarve. Por aqui circulam conhecidos professores da Faculdade de Letras de Lisboa e intelectuais, aqui se explica muita história e filosofia (Kierkegaard e o seu Diário

do Sedutor são mesmo o alvo de uma tese de doutoramento de uma das personagens), aqui se aprende muita psicologia. Dos lugares, destaco, naturalmente, o Algarve, onde Rui e Marinela Soares, de Tavira, são os anfitriões de Luís e Sara (as personagens principais). Todo um capítulo (e um bocadinho de outro) é passado nesta cidade (da página 147 à 167), mostrando ao leitor a região, locais como a Ilha de Tavira, Praia do Barril ou Santa Luzia, alguns monumentos como a Igreja da Misericórdia, espaços como a Biblioteca Álvaro de Campos e algumas delícias gastronómicas, como o polvo ou a flor do sal. É destacada a intensa atividade da Associação Internacional de Paremiologia, presidida por Rui Soares, aproveitando a autora para nos “piscar o olho” e fazer uma passagem discreta pela história (lembrando Hitchcock a fazer de figurante nos seus filmes): «– A única história que conhecemos ligada ao Convento das Bernardas é a da bastarda

“A SOMBRA DA GUERRA” 8 FEV | 16.00 | Biblioteca Municipal de Lagos Apresentação do livro de Pedro Cantinho Pereira. Milhões de soldados anónimos esfumaram-se em cinzas, levando com eles sofrimentos incomensuráveis e inconfessáveis, e onde os agressores, quantas vezes, se transformaram em vítimas dos seus próprios actos

de D. João VI, que a Teresa Martins Marques nos veio há tempos contar. Luís perguntou: – A Teresa também esteve cá? Ela já me contou essa história. (…) Sara olhou para Luís com ar intrigado. Quem seria essa Teresa? Mas a boa educação impediu-a de perguntar.» (p.154-5) As mulheres que venceram os “Dones Juanes” desta vida Espero que a minha afirmação de há uns parágrafos não dê a entender que o livro mostra que não há esperança na mudança: esta ocorre, sim, mas apenas naqueles que querem modificar as suas circunstâncias, naqueles que lutam, que pedem ajuda e apoio para conseguir alterar o curso que as suas vidas estão a levar. Apesar de também haver uma personagem masculina que está numa situação algo semelhante e uma outra que de agressor passa a agredido, a maioria são mulheres, vítimas de violência

doméstica: «A Odete apanhou o marido a violar a irmã mais nova. Foi denunciá-lo à polícia e teve de fugir de casa. A Maria levou anos e anos a levar pancada do marido bêbado e foi a filha que a levou à esquadra. A Antónia era manipulada por um namorado violento que a obrigada a prostituir-se. A Marta vivia com um drogado que a sovava sempre que estava de ressaca» (p.133). Na verdade, quem venceu Don Juan não foi apenas a Sara, ou a Lúcia, ou a Manuela: foram as Odetes, as Marias, as Antónias e as Martas, que conseguiram interromper percursos de violência. Para o sucesso deste feito, demonstra-se que o recurso à polícia e à APAV (Associação Portuguesa de Apoio à Vítima) são fundamentais. Há uma evidente preocupação em frisar a importância da colaboração entre estas entidades. A polícia é aqui representada por um comissário empenhado em apanhar os agressores e a APAV

por uma psicóloga dedicada a cuidar das vítimas. Nota-se um especial cuidado com as informações que são prestadas, não só nas inúmeras referências culturais, como neste aspeto específico, de modo que este livro possa também ser motivacional: que aqueles e aquelas que são vítimas de violência, quer doméstica, quer no trabalho ou na escola, não tenham vergonha nem medo de denunciar, pois a vergonha e o medo são algumas das armas usadas pelos agressores para perpetuarem o seu domínio. Como diz Manuela (a tipificação da jovem sensata): «Sabia, com uma sabedoria intuitiva, mas certeira, que não se forçam sentimentos, que não se empurram situações amorosas. Gostar de alguém começa por ser uma forma de respeito» (p.116). Nota: este livro vai ser apresentado no Salão Nobre da Câmara Municipal de Tavira, às 17.30 do próximo sábado, dia 8 de fevereiro.

“CONCERTO DE PIANO POR ANTÓNIO OLIVEIRA 8 FEV | 21.30 | Cine-Teatro Louletano No âmbito das comemorações do centenário do nascimento de Maria Campina vão ser interpretadas por António Oliveira músicas de alguns compositores preferidos da pianista


12 07.02.2014

Cultura.Sul

Bons momentos

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d.r.

Castelo de Paderne Num texto de reflexão sobre lugares patrimonializados, que publicou faz agora 11 anos1, o professor Vítor Oliveira Jorge distinguia três categorias de perceção do território. «Espaço», correspondendo a uma realidade física mais ou menos extensa, suscetível de ser cartograda, administrada, subdividida, objeto de transações, convertida num ativo financeiro. «Lugar», correspondendo a uma realidade percecionada, repleta de nomes, experiências, narrativas, densa de história, de tempos e de sentidos, com uma espessura antropológica de pessoas concretas e memórias. «Sítio», situável entre as duas precedentes categorias e correspondendo a uma invenção da modernidade, fixando vivências, narrativas e passados ao espaço abstrato, tornando-o um recurso cultural convertível num produto suscetível de ser experienciado e fruído por todos. No Algarve, o Estado Português administra diretamente um conjunto destes «sítios», mediante a sua «afetação» à Direção Regional de Cultura do Algarve, feita por portaria dos membros do Governo responsáveis pelas áreas das finanças e da cultura. Isto é, o Estado assegura a administração pública desses imóveis através de um serviço periférico de tutela. São imóveis classificados como bens culturais de grau nacional, preservados e pre-

parados de forma a possibilitar que neles se cruzem públicos diversificados, estudantes, visitantes, turistas. Nesse rol se incluem o Castelo de Aljezur, a Fortaleza de Sagres, a Ermida de Nossa Senhora de Guadalupe, os Monumentos Megalíticos

A Direção Regional de Cultura do Algarve criou a marca «Monumentos do Algarve, Bons Momentos», mote de uma agenda de atividades de extensão cultural que inclui a mediação de saberes, contemplando a educação para o património e para as artes e a inclusão social, a conceção e curadoria de exposições, a qualificação das experiências de visita turística e a mobilização de recursos de Alcalar, a Villa romana da Abicada, o Castelo de Paderne, o Castelo de Loulé e a Villa romana de Milreu. Esses oito sítios museografados e os equipamentos que lhes estão associados (infraestruturas museográficas e centros de receção e interpretação) desempenham um papel incontornável na pro-

gramação de atividades de extensão cultural: na mediação de saberes, na conceção e curadoria de exposições, na qualificação das experiências de visita turística, na mobilização de recursos, mormente voluntariado, e na angariação de financiamentos. Para esse conjunto de sítios afetos, a Direção Regional de Cultura do Algarve criou a marca «Monumentos do Algarve, Bons Momentos». Este é o mote de toda uma agenda de atividades de extensão cultural que se configuram como projetos educativos e pedagógicos, compreendendo iniciativas com públicos escolares e juvenis, ações de difusão de conhecimentos e fruição dos sítios, privilegiando a boa articulação entre a Direção Regional de Cultura e outras entidades que prossigam políticas educativas e de inclusão social, maximizadas através de protocolos e de apoios pontuais ao associativismo regional e incentivando o voluntariado. Isto porque os «sítios patrimoniais» têm que ser espaços de aprendizagem mas também de fruição e de bem-estar. 1

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Os sítios arqueológicos como heterotopias. In: «Olhar o Mundo como Arqueólogo».

Coimbra: Quarteto Editora, fevereiro de 2003, pp. 147-162.

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POSTAL 1117 - 7 FEV 2014