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9.465 exemplares

out | 2012 • Nº 50 • Mensal • O Cultura.Sul faz parte integrante da edição do POSTAL do ALGARVE e não pode ser vendido separadamente

outubro • Mensalmente com o postal em conjunto com o público

www.issuu.com/postaldoalgarve

Igor Silva

A arte expressa sem rótulos p. 5




Cultura.Sul

05.10.2012

Um espaço que dá relevo a uma fonte de actividade literária que fervilha, muitas vezes, à margem dos circuitos convencionais.

blogosfera

Jady Batista

Via Urbana Magazine JOSÉ CID 5 de Outubro - 21h30 Auditório Municipal de Olhão

Henrique Dias Freire Editor do CULTURA.SUL

Por um orçamento sem mordomias políticas O país vai viver, nas próximas semanas, momentos de grande preocupação quanto ao futuro na discussão do Orçamento de Estado (OE). Vamos viver num ambiente de “Casa onde não há pão, todos ralham e ninguém tem razão”. No caso concreto, onde todos mandam menos o cidadão! Mas mais aterrador é o silêncio da classe política que teima em governar ou fazer oposição sem abdicar das escandalosas mordomias que foi somando, em detrimento da legítima esperança de quem os tem elegidos. Perigosamente, caminhamos para a irrelevância dos partidos enquanto instrumentos necessários para o exercício do poder com a sua crescente fragilização e deslegitimação. O que está em causa é saber se a classe política estará consciente disso. Se os sinais das crescentes manifestações populares espontâneas foram ou não um aviso claro. É que, no mínimo, elas expressaram uma vontade que pré-anuncia uma ruptura com o modelo de representação democrática, tal como hoje o conhecemos. O resultado final da discussão do OE só terá os dois conhecidos caminhos, quando se está à beira do precipício: ou o país é levado a dar um passo em frente ou um atrás evitando a queda iminente. Ou persiste na ameaça, ou faz deste OE uma oportunidade para restituir à população a sua legítima expectativa, acabando, de vez, com todas as mordomias enquanto a quase totalidade do povo português continuar a ser o parente pobre do seu próprio país...

Ficha Técnica Direcção: GORDA Associação Sócio-Cultural Editor: Henrique Dias Freire

José Cid possui uma longa carreira musical. Iniciou-a em 1956, com a fundação de Os Babies e, em 1960, ainda aluno da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, criou nessa cidade o Conjunto Orfeão, com José Niza, Proença de Carvalho e Rui Ressurreição. Foi ainda teclista e vocalista no conjunto Quarteto 1111, no qual obteve grande êxito com a canção «A lenda de El-Rei D.Sebastião», em 1967. No Festival da OTI de 1979, ficou em 3.º lugar com «Na cabana junto à praia» mas foi com a canção «Um grande, grande amor» que ven-

Espaço CRIA

João Mil-Homens

Gestor de Ciência e Tecnologia do CRIA – Divisão de Empreendedorismo e Transferência de Tecnologia da Universidade do Algarve

Setembro foi um mês complicado. Surgiu sem aviso e atingiu-nos com um autêntico flagelo de situações para os quais não estávamos minimamente preparados. Para uns foi o regresso ao trabalho e para outros, bem pior, o regresso ao desemprego a que esta maldita sazonalidade obriga. De qualquer forma, tudo aconteceu depressa demais. De um dia para o outro, trocam-se os chinelos pelos sapatos, a areia quente por uma secretária, e levamos com a rentrée política, a avaliação da troika, o arranque do campeonato

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ceu o Festival RTP da Canção (1980) com 93 pontos. 2006 foi um ano de grande sucesso para José Cid. Reapareceu em grande, para espanto de muitos que já haviam vaticinado o final da sua carreira. Lançou um novo disco, «Baladas da Minha Vida», com velhas canções regravadas de forma acústica sem recurso a computadores e dois novos temas. «Um grande grande amor», «20 Anos», «A rosa que te dei», «Como o macaco gosta de banana», «No dia em que o rei fez anos», entre tantas outras, fazem já parte do património da música portuguesa. José Cid, um músico intemporal, apresenta-se num concerto intimista em Olhão, com o seu piano, onde

privilegia a interação com o público. Interpretará temas do seu novo disco, “Quem Tem Medo de Baladas”, assim como muitos outros que marcaram a sua carreira como autor e compositor. Um concerto inédito onde músico e

público serão um todo. Blog: http://www.viaurbanamagazine. com/ Postagem: http://www.viaurbanamagazine.com/Artes-de-Palco.php

De pequenino… se aprende o empreendedorismo! e, mais grave que tudo, o início do ano escolar. O martírio do regresso à escola é algo que me acompanha desde que me lembro. Primeiro, como aluno, onde qual condenado sofria horrores por antecipação. Depois, como professor, com o desgaste associado à excelência pedagógica com que sonhava. E finalmente, como pai, o início da escola traz consigo uma abundância de sinistras preocupações. O nosso sistema de ensino vive um período extremamente conturbado, onde parece cada vez mais profunda a clivagem entre o processo de aprendizagem e o da avaliação. É um sistema desprovido de envolvência emocional onde impera a monotonia e a falta de rigor, gerador de autómatos que premeia somente os mais obedientes. Entretanto, aniquilou-se o processo de aprendizagem baseado no ensino de valores e no aprender fazendo. Progressivamente, vai-se abolindo o ensino por projectos, o ensino das artes, e

mais recentemente até o da educação física. Com eles vai morrendo também o amor à aprendizagem, a iniciativa, a experimentação (e o erro), a reflexão, a descoberta, a excelência, e a curiosidade. É um chavão já repetido vezes sem conta: a educação está a matar a criatividade. E sem ela, não temos capacidade inovadora, não temos espírito empreendedor, não temos competitividade. Sabendo-se que a capacidade criativa e empreendedora não é inata, mas culturalmente adquirida e estimulada enquanto jovens, é fundamental reavaliar o papel do sistema de ensino na promoção destes valores. Ao nível do ensino superior, a Universidade do Algarve e a maioria das Universidades do nosso País, já têm extensos programas de promoção do empreendedorismo. Sendo de louvar, não é no entanto suficiente. É necessário ir a montante, desde o ensino básico, e estimular eficazmente um conjunto de competências transversais que potenciem o espírito

Colaboradores: AGECAL, ALFA, CRIA, Cineclube de Faro, Cineclube de Tavira, DRCAlg, DREAlg, Pedro Jubilot Nesta edição: Ana Rosa Sousa, João Cuña, João Mil-Homens, João Sequeira e Márcia André

Parceiros: Direcção Regional de Cultura do Algarve, Direcção Regional de Educação do Algarve, Postal do Algarve e-mail: geralcultura.sul@gmail.com

criativo, inovador e empreendedor dos jovens pré-universitários. Invista-se na literacia, sem esquecer o pensamento crítico e criativo, através da resolução de problemas, e do trabalho ao nível das competências sociais, das artes, do desporto, e da tecnologia. Enalteça-se então o Programa Empreender na Escola, promovido pelo SinesTecnopolo, com o apoio especializado do CRIA/UAlg, que visa desenvolver competências empreendedoras nos jovens adolescentes de escolas EB 2, 3 e Secundárias, localizadas no território da rede “corredor azul”, de Sines a Elvas. Este projecto propõe aos alunos criar e gerir a sua própria empresa durante um ano lectivo, estabelecendo relações comerciais com uma “empresa” parceira, com o objectivo de “importar e “exportar” produtos entre si, e vendê-los ao consumidor final através da internet e de um mercado local. Os lucros deste projecto serão repartidos entre os alunos no final do ano, mas as verdadeiras mais-

on-line: www.issuu.com/postaldoalgarve Tiragem: 9.465 exemplares


Cultura.Sul

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cinema Cineclube de Tavira

Parlamento Europeu mostra cinema em Tavira Parte da nossa programação deste mês de Outubro é preenchida por cinco filmes exibidos no âmbito do Festival Lux de Cinema Europeu no Algarve, uma iniciativa do Parlamento Europeu em Portugal. Apesar de também este ter sido multi-premiado, o primeiro filme (Die Fremde - A Estrangeira) é inédito em Portugal, a cópia é-nos cedida pelo Göethe Institut em Lisboa. Antes dessas sessões iremos servir um “Porto de Honra” (bebidas e snacks), oferecido pelo mesmo Parlamento Europeu. Duas razões para não faltarem: filmes de alta qualidade e um copinho à borla, da mesma qualidade! O que podem querer mais nestes tempos turbulentos? No domingo, dia 7, será a vez de ser exibido um dos melhores filmes dos últimos anos: Moonrise Kingdom, certamente a não perder! Mais informação no nosso folheto mensal

Espaço AGECAL

João Sequeira

Assistente técnico - Município de Albufeira Sócio da AGECAL – Associação de Gestores Culturais do algarve

destaque

O Algarve vive um período de mudança e com a crise que afeta o país esta é a altura certa para mudar as mentalidades. O turismo e a construção civil, que eram a maior fonte de rendimento dos municípios, perderam força.

ou no nosso web-site. Já anunciámos a nossa próxima iniciativa para evitarmos a falência do Cineclube de Tavira (que no próximo mês de Abril irá celebrar 14 anos): um leilão de obras de arte (cada peça é oferecida ao Cineclube pelo seu autor ou pro-

prietário), que terá lugar na galeria da Casa das Artes em Tavira, no sábado, dia 8 de Dezembro, às 21.30 horas. Já agora, se tiverem uma(s) peça(s) em casa que possam dispensar (pinturas, desenhos, gravuras, litografias, colagens, fotografias – com

PROGRAMAÇÃO

www.cineclube-tavira.com 281 320 594 | 965 209 198 | cinetavira@gmail.com

SESSÕES REGULARES Cine-Teatro António Pinheiro | 21.30 horas 4 OUT | Festival Lux de Cinema Europeu no Algarve: Die Fremde (A Estrangeira), Feo Aladag, Alemanha 2010 (119’) M/12 7 OUT | Moonrise Kingdom, Wes Anderson, E.U.A. 2012 (94’) M/12 11 OUT | El Vuelcro del Cangrejo (A Armadilha do Carangueijo), Oscar Ruiz Navia, Colombia/França 2009 (95’) M/12 14 OUT | Festival Lux de Cinema Europeu no Algarve: Les Neiges du Kilimandjaro (As Neves do Kilimanjaro), Robert Guédigan, França 2011 (107’) M/12

ou sem moldura – esculturas em qualquer material e tamanho, artesanato, trabalhos de macramé ou malha, até aceitamos motorizadas, máquinas de relva, móveis e/ou utensilhos de casa

18 OUT | Festival Lux de Cinema Europeu no Algarve: Welcome (Welcome – Bem-vindo), Philippe Lloret, França 2009 (110’) M/12 21 OUT | Festival Lux de Cinema Europeu no Algarve: Auf der Anderen Seite (Do Outro Lado) Fatih Akin, Alemanha/Turquia/Itália 2007 (122’) M/12 25 OUT | Skavabölen Pojat – The Last Cowboy (O Último Cowboy em Pé), Zaida Bergroth, Finlândia/ Alemanha 2009 (123’) M/16 28 OUT | Festival Lux de Cinema Europeu no Algarve: Le Silence de Lorna (O Silêncio de Lorna), Luc e Jean-Pierre Dardenne, Bélgica/França/Itália/Alemanha 2008 (105’) M/12

ou de cozinha concebidos e executados artesanalmente), tudo será bem vindo. Mais tarde iremos publicar a lista de todos os nossos benfeitores. Desde já, obrigado!

Desenvolvimento e Mudança Num momento em que as verbas são escassas ou nulas, precisamos de mudar os modelos de trabalho. Para que a cultura algarvia passe a ganhar mais importância, é essencial que haja uma relação entre cultura e turismo, podendo, assim, conduzir a um maior desenvolvimento da região, estabelecendo prioridades para que este desenvolvimento seja sustentado e não efémero. O Algarve tem de olhar para o interior e redescobrir-se. Em alguns pontos da região, esse trabalho já está a ser feito, com ações que visam mostrar o verdadeiro Algarve, que não é apenas o sol, a praia e o golfe. Temos património edificado, material e imaterial, pelo que o nosso turismo deve assentar nestes pontos e criar bases sólidas para que a cultura algarvia passe a ser um dos

principais fatores para o turismo da região. Pessoas que nos visitam deixaram de poder ver a construção algarvia, pois as cidades perderam em grande parte essas características, o que torna importante esta mudança de mentalidades. As nossas cidades estão desvirtuadas, com prédios pensados somente no aumento da capacidade de hospedagem, sem terem em conta os traços característicos da construção tradicional da região. No entanto, nos últimos anos, tem-se notado uma mudança lenta, mas progressiva das mentalidades em relação a este tipo de construção que desfigurou as cidades algarvias. Isto deve-se muito aos jovens saídos das universidades, com visão e com capacidades essenciais para a reabilitação das cidades e que são importantes para

“INTO THE TRANQUILITY” 6 OUT | 21.30 | Centro Cultural de Lagos Na plataforma do que é o sentido racional e emocional de uma decisão num tempo e espaço específicos, relacionam-se os condutores do processo

o melhoramento dos quadros técnicos dos municípios. Portanto, temos de dar oportunidade a esses jovens para conseguirem emprego e fazerem o seu trabalho de forma a alcançarem esse objetivo. Com efeito, eles serão o futuro da cultura no Algarve, criando bases para um desenvolvimento sustentado. Trabalhando na área da reabilitação urbana, no estudo do património arqueológico, na proteção e valorização do património material e imaterial, os gestores culturais têm alcançado resultados, mas, a par deste trabalho, tem de existir vontade política. Temos de mostrar aos responsáveis dos municípios a importância da cultura para o desenvolvimento regional, começando com proje-

tos que sigam o seu próprio ritmo de desenvolvimento e não estejam exclusivamente relacionados com a duração dos mandatos. Todo este processo de mudança passa pelos técnicos que, ao se depararem com este momento crítico, devem mostrar a sua criatividade e não se deixarem afetar por eventuais dificuldades que possam surgir, de modo a conseguirem uma boa gestão cultural, sem grandes fundos, mas sustentada num projeto de longa duração e com efeitos práticos. Deve ser um trabalho de persistência, fazendo com que as ideias certas prevaleçam. Não será fácil certamente, mas será essencial para que consigamos um Algarve melhor, onde o turismo trabalhe em colaboração com a cultura em prol do desenvolvimento regional.

“O LIBERTINO” 5 e 6 OUT | 21.30 | Auditório Pedro Ruivo Faro Protagonizada por José Raposo e Maria João Abreu, Diderot e Mme Therbouche, esta peça é um presente raro para que estes grandes actores se reencontrem e divirtam o público, através de uma irreverente comédia




Cultura.Sul

05.10.2012

• Teatro Musical nos Monumentos

panorâmica

Pedro Ruas/Ricardo Claro

Conta-me outros Fados nas Jornadas Europeias do Património

destaque

‘Conta-me outros fados’ brilhou sexta-feira da passada semana em Estoi, no Cine-Teatro Ossónoba, no âmbito do programa cultural ‘Teatro nos Monumentos’, a cargo da Direcção Regional de Cultura do Algarve (DRCA), inserido nas Jornadas Europeias do Património 2012, iniciativa conjunta do Conselho da Europa e da União Europeia. A peça de teatro musical resulta da associação da companhia Al-MaSRAH Teatro, de Tavira, a vários artistas e vai continuar em digressão. A apresentação de património imaterial consubstanciado em património material foi o mote que fez com que esta produção pluridisciplinar tivesse marcado presença na programação a convite da directora da DRCA, Dália Paulo, e vá prosseguir o seu périplo por terras algarvias, durante o mês de Outubro. ‘Conta-me outros fados’ inclui o canto, a música, a dança e o teatro como forma de dar a conhecer como algumas das raízes árabes, africanas ou de expressão ibérica fazem de diferentes géneros musicais, como o Flamenco, o Samba, a Morna ou o Tango, expressões culturais tão semelhantes por cantarem o fado como destino e como história de vida. Juntar Fernando Pessoa, Cesária Évora e Carlos Paredes, a Chico Buarque, Carlos Paião, Tom Jobim e Vinicius de Moraes, passando por Piazzola, Sérgio Godinho, Caetano, Paulo de Carvalho ou André Segóvia num só palco já seria motivo mais do que suficiente para uma viagem musical de sonho, junte-se-lhe a dança contemporânea e a dramaturgia e estão reunidos os ingredientes para um momento cultural a não perder. Tela Leão, coordenadora da plataforma ‘Tavira Ilimitada’ e co-directora desta produção, assim como autora da ideia e roteiro originais, juntamente

Espectáculo conta e canta o fado através do canto, música, dança e teatro com Pedro Ramos, actor e director da companhia teatral tavirense são dois dos rostos desta produção. No elenco, a Pedro Ramos juntam-se a fadista Catarina Viegas, o músico Hélder Viegas e a dançarina e actriz Adriana Castro. Pedro Nascimento, na produção, Bruno Guerra nos figurinos, assim como a costureira Maria Luísa Fernandes fazem, dentro das actuais limitações inerentes à produção cultural, o possível e por vezes o impossível para dar forma a uma criação colectiva e levar a palco esta peça multicultural.

Dificuldades financeiras não abrandam companhia Reconhecendo que a verdadeira estrela desta peça é o repertório interpretado, Tela Leão reconheceu ao POSTAL que a “pobreza franciscana” foi a maior dificuldade com que se depararam na fase de produção. “Não tivemos meios para investir na preparação dos artistas, com a intervenção de profissionais especializados, o que numa produção regularmente financiada, é apenas normal”,

“EU CONHEÇO-TE” 26 e 27 OUT | 21.30 | Auditório Pedro Ruivo - Faro Comédia musical com encenação de Almeno Gonçalves e protagonizada por quatro artistas bem conhecidos, nomeadamente: Maria João Abreu, Mico da Câmara Pereira, Sónia Brazão e Paulo Vintém

mas apesar dos poucos recursos humanos e tecnológicos considera algumas das soluções encontradas “muito bem conseguidas”, como acontece com “os acompanhamentos gravados que nos proporcionam a oportunidade de apreciar músicos como os geniais guitarristas André Segóvia ou Yamandu Costa”. Segundo a co-directora, outro factor positivo é a “inequívoca existência de um fogo sagrado, de uma entrega por parte desses intérpretes, que empresta à peça pontos impor-

tantes de uma qualidade que em outras esferas técnicas pode não brilhar em pleno”. Quanto a apoios financeiros, Tela Leão refere que “são inexistentes”, uma vez que os apoios da Direcção Geral das Artes e da Câmara de Tavira foram cortados este ano e sobrou apenas a “autorização da Câmara para utilizar um antigo armazém no centro da cidade como sede, mas que a própria Câmara interditou ao público por falta de condições de segurança”. Ainda assim, Tela Leão vê futuro nesta “joint venture”, que junta um grupo de artistas a uma companhia de teatro. “Aqui cada um investiu o que tinha, tempo e criatividade, e emprestou à peça o melhor de si”, refere, “com o propósito de, com a rodagem da peça, ver recuperado o investimento realizado”. A divulgação e a conquista de público é, segundo a autora do projecto, a forma deste espectáculo ter o “futuro que merece” e vê nesta inclusão nas Jornadas Europeias do Património uma possibilidade para que “os que ainda não conhecem estes artistas e o seu trabalho, vejam a qualidade que revelam”. O grande objectivo passa por conseguir apresentar a peça ‘Conta-nos outros fados’ em Lisboa, que “tão poucas vezes olha para o que é produzido na província”. Por ora, é nos palcos algarvios que a peça musical pretende deslumbrar os espectadores e já estão marcadas futuras apresentações no dia 14 de Outubro, no centro paroquial de Paderne, dia 19 no Espaço +, em Aljezur, e no dia 21 na Igreja da Ermida de Guadalupe, em Vila do Bispo. ‘Conta-me outros fados’ estará igualmente presente em Faro, no Teatro Lethes, de 31 de Outubro a 4 de Novembro.

“CERÂMICA DE JORGE MEALHA” Até 20 OUT | Galeria Municipal de Albufeira Obra de Jorge Mealha caracteriza-se por uma abordagem contemporânea de temas, desde a estatuária à cerâmica utilitária, essencialmente produzidas em grés


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05.10.2012

panorâmica

 

Ricardo Claro

• Artes Plásticas

Igor Silva no desafio aos ditâmes dos rótulos artísticos

Nas fotos, várias obras do artista Igor Silva Quem o vê lado-a-lado com a sua escultura de ar cibernético (foto de primeira página) está longe de imaginar que Igor Silva é um artista polifacetado. Muito mais do que um escultor, do que um pintor ou do que um criador de ambientes é um artista multifacetado, avassaladoramente dotado de uma versatilidade que impõe mesmo a impossibilidade de enquadramento num único espaço artístico dentro das artes plásticas. Se à primeira vista pode parecer um

elogio esta definição de pluralidade artística, e é-o, na verdade esta é afinal, também, a constatação de uma limitação, como o próprio explica. “As galerias querem o artista definido, querem um estilo único, numa única forma de expressão e técnica”, refere Igor Silva. “Não sou capaz de me definir”, confessa, dizendo-se caricaturista e pintor, escultor, pensador das artes e reconhecendo a capacidade de se exprimir na arte sacra, como na tela, na pedra como na madeira, no espaço e suporte convencionais

ou não convencionais como quem se move fluído pelo acto de produção artística sem medos, nem pejos e com absoluto domínio das técnicas que, não obstante, afirma serem sempre campos de aprendizagem. Uma vida recheada de périplos por terras do mundo fizeram de Igor Silva um cidadão do planeta, mas acima de tudo um aprendiz assertivo do saber artístico e da génese sócio-cultural dos povos com quem se cruzou. Da Dinamarca, para onde partiu com 16 anos, à gelada Gronelândia, da China a Marrocos, do Japão às mil paragens no Portugal de origem, o olhanense perdeu-se nos saberes feitos de ouvir e experimentar com quem mais sabe e encontrou-se numa capacidade de expressão feita arte em cada um dos seus trabalhos. O artista por detrás deste homem nascido em 1972 em terras algarvias não consente a rotulagem imposta pelos ditâmes comerciais do universo das artes. Quer-se livre e dominante porque faz da variação fonte de inspiração e porque se quer pródigo na práxis da expressão e do pensamento artísticos. A adopção de pseudónimos que tenham por base o seu nome artístico ‘Igor’, como por exemplo o reverso Rogi podem ser a solução a longo prazo, afirma Igor Silva por entre um sorriso desafiador. Mas a verdade é que Rogi existe já na expressão e no pensamento do artista, é um reverso que já consubstancia a massa de que é feito Igor Silva, um artista complexo no discurso, mas com o golpe de asa de quem convive perfeitamente com as idiossincrasias que assume e domina.

A perfeição como auto-imposição Repentista e radical, o artista que fez bustos de Jorge Sampaio ou Luís Figo, assume-se difícil de acompanhar em termos de trabalho. “Sou muito perfeccionista e se tiver de levar dez anos a completar uma obra levo e isso é muitas vezes um obstáculo para conseguir uma colecção que corresponda àquilo que se espera de um artista para expor numa galeria”, diz Igor Silva. As galerias não são um problema, nem as suas limitações em termos co-

merciais o são, necessariamente, diz o artista que assume que a sua volatibilidade criativa está na base da menor visibilidade do seu trabalho, apesar de ter já participado em dezenas de exposições e mostras. Para o futuro, Igor Silva aponta bateriais à ideia de desenvolvimento de trabalhos na área da pintura cibernética, em que o elemento humano ‘cibernóide’ se movimenta na tela ou no suporte ganhando vida de uma forma ainda nunca explorada. Muito para além do “esquadrão tridimensional” Igor Silva quer a vida humanoide a pulsar sobre a tela e a ganhar expres-

são junto do observador. É em função do observador que a expressão do artista ganha um particular entendimento e dimensão, ultrapassa a expressão artística e ganha significância individual, sublinha. A arte é também formação, sensibilização e desvelo na promoção da emoção no interlocutor, recorda, assumindo a posição de magister da arte de emocionar pela arte. Afinal, Igor Silva artista é expressão do aprendiz eterno do ser artístico e sucumbe invariavelmente ao desafio maior de gerar emoção a quem deslumbra com o produto do seu mister.


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05.10.2012

momento

 

Vítor Correia

O fim do verão

Espaço ALFA

Recital de Guitarra Portuguesa na ALFA rolando oliveira

João Cuña

(www.joaocuna.com) Músico, compositor e professor de Guitarra; autor e produtor do “Recital de Guitarra Portuguesa” (www.recitalguitarraportuguesa.com) Sócio nº 432 da ALFA - Associação Livre Fotógrafos do Algarve (www.alfa.pt)

O “Recital de Guitarra Portuguesa“ organizado pela ALFA, na Galeria ARCO durante todo o mês de Outubro (sessões de 30 minutos a decorrer todos os dias, das 10.30 às 12 e das 17 às 18 horas), pretende constituir uma experiência cultural única e um verdadeiro tributo à história da Guitarra Portuguesa em diversas perspectivas: A sua identidade Cultural e ligação ao Fado, Origem, construtores, guitarristas e o seu Futuro. Esta oferta cultural diferenciada e genuína, com exposição de fotografias, música ao vivo e documentário, além de fazer todo o sentido

numa perspectiva turística em Faro, principalmente numa zona histórica que merece ser divulgada ao máximo pela sua beleza e património cultural, apresenta outras características interessantes de serem exploradas: é um facto que a “Cidade Velha” tem sido pouco visitada pe-

los seus conterrâneos, e nessa perspectiva, nada melhor do que organizar visitas das escolas à Galeria Arco para assistirem ao “Recital”, não só com o intuito de divulgar a nossa guitarra portuguesa junto das camadas mais jovens, mas também desta forma conseguir chegar aos

pais destes jovens, de forma a sensibilizá-los para a necessidade de que este magnifico sítio precisa de ser “acarinhado”, visitado e desta forma podermos contribuir para que a nossa “Cidade Velha” rejuvenesca e passe a ser um ponto de encontro para todos os Farenses.

O surgimento de diversos projectos culturais e de entertenimento na zona histórica de Faro, além do “Recital de Guitarra Portuguesa”, constituem sem dúvida um factor importante para conseguir este objectivo: Dar vida à nossa “Cidade Velha”




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05.10.2012

Espaço Educação

Escola: Espaço de Segurança

destaque

O clima de estabilidade, respeito e segurança existente no interior das escolas assume-se como um fator essencial que contribui para a criação de condições adequadas ao desenvolvimento das aprendizagens dos alunos, bem como da sua formação enquanto jovens cidadãos. Sendo certo que as condições de segurança nas escolas dependem, principalmente, da prevenção que os agentes da comunidade educativa possam ter na sua ação diária dentro das escolas, a atividade do Gabinete de Segurança da Direção Regional de Educação do Algarve (DREAlg) desenvolve-se através da concretização de princípios de sensibilização, coordenação e informação/formação dirigida a todos os elementos que intervêm no contexto educativo, designadamente, pessoal docente e não docente, alunos, pais, encarregados de educação, ao mesmo tempo que promove a necessária articulação com as forças de segurança, entidades de protecção civil e representantes autárquicos. Sendo na óptica da prevenção que o Gabinete de Segurança da DREAlg estrutura a sua intervenção, é nessa perspetiva que coordena e apoia a implementação

das medidas de política educativa nesta matéria, designadamente no interior da escola e no seu pe-

rímetro exterior, em duas vertentes complementares: uma linha de orientação para a segurança ativa das pessoas que utilizam o espaço escolar e uma outra para a segurança das instalações. No quadro destas linhas de orientação, a DREAlg tem vindo a apostar em vários tipos de ações, nomeadamente: a) - No Programa dos Vigilantes Escolares, que consiste na colocação de ex-agentes das forças de segurança em estabelecimentos de ensino dos 2.º e 3.º ciclos e do ensino secundário. Este programa conta com a intervenção de 32 vigilantes provenientes da PSP e GNR, que desempenham funções, a tempo inteiro, em 23 Agrupamentos de Escolas, distribuídos por oito concelhos da Região. A intervenção destes elementos tem constituído um importante recurso colocado à disposição das escolas que regis-

“GALA TERPSÍCORE” 12 OUT | 21.30 | Teatro das Figuras - Faro A Companhia de Dança do Algarve celebra o seu oitavo aniversário com uma gala que conta com a presença de bailarinos e solistas de várias companhias europeias

tam situações mais problemáticas em termos de segurança escolar, tendo contribuído, de forma inquestionável, para a melhoria efetiva do ambiente de tranquilidade e segurança que, hoje, se regista na maioria das escolas. b) - No Sistema de Videovigilância e Alarmes de Intrusão, da responsabilidade das estruturas centrais do Ministério da Educação e Ciência, que se encontra em funcionamento na quase totalidade das escolas dos 2.º, 3.º ciclos e ensino secundário da região. Este sistema, que incorpora a colocação de câmaras de videovigilância em locais estratégicos dos edifícios escolares, permite assegurar a videovigilância das instalações das escolas, em permanência, durante 24 horas por dia. c) – Em incentivar e assegurar a realização periódica de exercícios e simulacros, em situação de incêndios e de sismos. Estes simulacros têm em vista exercitar e testar os procedimentos de evacuação das instalações escolares,

em situações de catástrofe, bem como testar os meios de socorro exteriores envolvidos, procurando fomentar uma maior consciencialização da segurança escolar e uma habituação da comunidade escolar ao cumprimento dos planos de segurança e emergência das escolas. Transversal a toda a problemática da segurança nas escolas é a formação dos respetivos recursos humanos. Neste sentido, o Gabinete de Segurança da DREAlg tem procurado promover, anualmente, a realização de seminários, ações de formação/informação destinadas aos docentes responsáveis da segurança nas escolas e ao pessoal não docente, tendo como principal objetivo que os recursos humanos em funções nos estabelecimentos de ensino adquiram e aprofundem, cada vez mais, competências no âmbito da implementação das medidas necessárias para combater situações de insegurança e violência escolar.

“EDUARDO RAMOS ENSEMBLE MOÇÁRABE” 19 OUT | 21.30 | Centro Cultural de Lagos Eduardo Ramos é cantor e toca alaúde árabe e outros instrumentos árabes, portugueses e africanos. Músico autodidacta começou a sua carreira a tocar música tradicional portuguesa e algum rock-jazz, assim como música africana


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05.10.2012

 

Contos de Verão na Ria Formosa

O Actor e o Carpinteiro

Pedro Jubilot

pjubilot@hotmail.com canalsonora.blogs.sapo.pt

Aquela oportunidade de trabalhar como carpinteiro na oficina do teatro pareceu-lhe uma dádiva superior. Sempre fora um apaixonado pelo mundo das artes cénicas. As grandes representações eram o seu fascínio desde criança e algumas vezes ia mesmo assistir a peças no clube recreativo da cidade onde nascera. Aquele antigo edifício que tanto lhe dizia tinha sido restaurado para em breve se transformar numa nova sala de espectáculos, e encontrava-se já em fase de acabamentos. Gostava muito do seu novo local de trabalho e não ocupava um momento livre que não fosse para dar uma espreitadela ao trabalho dos actores. Estava simplesmente maravilhado com o ambiente que se vivia por ali nos bastidores. Logo no mês seguinte recebeu alguns convites para poder assistir à estreia duma peça. Mas não se ficou por aí. Voltou mais noites para ver essa mesma representação. Aqueles primeiros três, quatro meses foram de grande excitação. Sentia-se bem ali. Sonhava com aquilo o tempo todo. Pena foi… que ele… que ele nunca tivesse podido estudar teatro, nem mesmo outra coisa qualquer. Por circunstâncias da sua vida pessoal e familiar. Mas o teatro era o lugar onde sempre soube que um dia podia ser feliz. Entretanto a companhia havia começado a ler um novo texto para a encenação seguinte. O carpinteiro, que agora já ajudava nos cenários, conseguira também uma cópia, que lia e relia diariamente, nos seus tempos livres. Para além disso seguia atentamente todos os movimentos e segredos da nova peça. Quase todos os dias se deixava ficar por ali como que despercebido para observar os ensaios. Depois acabou por ganhar coragem e pedir licença para se sentar na plateia. Era melhor assim, pois podia alguém vê-lo por ali meio escondido e não compreender a sua simples intenção. Ninguém se opôs, e alguns dias depois até lhe perguntavam o que achava sobre alguns detalhes da representação, apesar de pessoalmente achar estranha essa interacção, que o deixava muito encavacado e confuso. Mas agora

podia ficar oficialmente a presenciar o trabalho de cena. Lá no seu íntimo sentia-se como se fosse um deles. A dada altura reparou que o encenador se mostrava preocupado e nervoso com o evoluir do trabalho. As coisas não estavam a correr nada bem. O carpinteiro já se apercebera disso. Ele sabia tudo sobre a peça e todos os dias notava logo quando qualquer pormenor falhava. Um novo problema entretanto surgiu - era um dos principais actores que sempre se desconcentrava facilmente, que se esquecia desta ou daquela palavra, duma frase ou movimento, que se precipitava… Certo dia o ensaio acabou bem mais cedo que o habitual. O encenador precisava ter uma conversa com aquele actor. Quando não avistou ninguém na sala, ao julgar que todos tinham já saído, o carpinteiro Luís Miguel subiu ao palco, de mansinho, e colocou-se no lugar e no papel daquele actor que momentos antes saíra cabisbaixo, acompanhado do encenador seu amigo. Dizia o texto, fazia os gestos perfeitos. Parava quando devia e continuava a desenrolar a sua personagem. Como se tivesse nascido no palco e sempre lá tivesse continuado. Por fim parou um pouco ficando a contemplar a sala, o palco, os lugares agora vazios que costumavam estar ocupados pelo público. Imaginou os aplausos vindos da plateia. E assim se foi deixando levar pela personagem que tomara ali nessa noite.

aquele que trabalhava na oficina e agora era ajudante de cenários e que pedira para assistir aos ensaios. Ambos ficaram tão surpreendidos com a revelação, que soltaram um bravo enquanto batiam palmas, numa excelente passagem dita pelo carpinteiro. Ele estava perfeito naquele papel. Mas como que desperto de um sonho, ficou deveras atrapalhado e a sua face enrubesceu tomando a cor dos cortinados a seu lado. Se o homem tivesse conseguido mover-se, ter-se-ia enfiado pelo velho buraco do palco que antigamente servia para acolher o ponto. Mas lá acabou por conseguir dizer que aquilo era só uma brincadeira, uma fantasia sua, que não levassem a mal e sobretudo que não o despedissem porque precisava muito daquele em-

Quando encenador e actor voltavam dos camarins ouviram uma voz na sala. Reconheceram aquelas palavras e dirigiram-se para a porta. Mas quem era aquele homem no palco escurecido? Ah !? Pois! Sim… o Luís,

prego, que desculpassem, que não voltaria mais a incomodar, de maneira nenhuma, ia já pôr-se dali para fora, podiam voltar ao trabalho novamente, e que mil perdões. Mesmo a ‘representar’-se neste

Teatro Lethes em Faro desabafo, Luís parecia aos olhos do encenador a pessoa ideal. Não, nada disso, acalme-se homem, não há problema. E então o encenador passou a explicar que o queria no dia seguinte para integrar o ensaio da companhia, para com eles trabalhar aquela personagem. O actor e o carpinteiro, tinham aproximadamente a mesma idade e semelhante compleição física. E só do pouco que vira, já perspectivara uma possível solução. E ele que não, de modo algum podia aceitar, era apenas o carpinteiro, e gostava era de ver os actores, só isso, mais nada, que isso parecia absurdo e o deixassem ir. Claro que compreendia que depois de ter invadido o espaço privado do grupo, merecia que zombassem da sua figura, é verdade, mas que se ia já embora. E que nunca mais voltaria a repetir a gracinha… Mas não se tratava de uma brincadeira, o convite era sério. Já tinha ficado deliberado entre encenador e actor que este se retiraria por algum tempo, por causa do cansaço acumulado nos últimos tempos. Dois anos sem férias, e a seguir a esta nova peça, a estrear na rentrée de Outubro, vinha nova digressão nacional. Estava exausto e precisava de descansar. Além disso era casado, e passava pouco tempo com a família desde que decidira trocar a sua companhia na capital por este novo projecto na província. A mulher é que tinha de suportar sozinha a educação das crianças que não andavam a comer bem, nem a prestar muita atenção aos estudos pois sentiam a falta do pai. Por isso era bom que ele parasse e não arruinasse a sua carreira e a desta companhia em ascensão. Era uma decisão pensada, conversada e ponderada inteligentemente. É verdade, não se aflija, ninguém vai tirar nada a ninguém. Assim é melhor para todos. E o facto de ser desconhecido é bom. Joga a nosso favor. Vai surpreender e não temos de ir buscar um profissional estranho ao grupo. Só depois de ouvir a sincera confissão da boca do actor que tanto admi-

rava, é que Luís Miguel acedeu a tentar na manhã seguinte. Mas só à experiência, pediu. Tinham passado dois meses, quando o actor e a família regressavam dumas merecidas férias. Todos tinham gostado e estavam bem mais felizes agora. Só o pai nesse dia se mostrava um pouco nervoso. Mal passaram a fronteira, o actor que vinha a conduzir virou na primeira saída que lhe indicava uma estação de serviço, onde apressado comprou o jornal e regressou ao volante. Só depois estacionou o carro no parque à entrada da pequena aldeia de casinhas térreas de que tanto gostavam. Dirigiram-se para uma cafetaria, porque os miúdos queriam beber um sumo natural antes de chegarem a casa. Sentou-se apreensivo, folheando o jornal de trás para a frente, procurando a página cultural e só queria ter a certeza de que ele e o encenador e o grupo tinham tomado a decisão acertada. E fora. A crítica à estreia era altamente positiva. Luís Miguel fora um sucesso - actor revelação do ano, um portento de naturalidade, já se escrevia na imprensa sempre ávida de novidades. Olhando fixamente o jornal sobre os joelhos, os olhos do actor brilhavam de comoção. Tinha sido mais uma grande aposta ganha pelo grupo, frisava ainda o crítico. Mas não lera ainda o último parágrafo. Depois, chegado ao fim do texto, poisou o jornal aberto sobre a mesa e lágrimas suaves deslizavam pelo seu rosto. A mulher, não percebendo a reacção, fixou o final da notícia. Envolveu-o com os braços e beijou-o. Estava orgulhosa dele. As crianças mesmo sem perceberem o que se estava a passar, imitaram a mãe. Quando por sua vez, pegaram no diário, descobriram que lá estava escrito o nome do pai. O rapaz que era o mais velho leu em voz alta: “…além de ser um grande actor com provas já dadas em palco, que muitos conhecem e admiram, desta vez revelou ser também um homem digno e um profissional consciente, que teve a coragem de ceder o seu lugar, algo que raramente acontece no mundo competitivo do teatro”. Explicava-se assim a sua substituição, só há pouco tempo revelada, numa entrevista dada pelo encenador, de modo a esclarecer a curiosidade sempre insistente e ansiosa dos jornalistas. Embora que ainda pela metade - até então, pois nem se lembraram de perguntar a origem de Luís Miguel. Ali junto à igreja, encostados ao muro de pedra caiada de um branco ofuscante, apreciavam em silêncio a beleza da península, onde a Ria Formosa se começa a revelar a partir do Sotavento. O azul da maré cheia fazia ainda realçar mais o estado de pura ventura estampada na paisagem.


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Cultura.Sul

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livro

Quando o livro acontece… sugerindo Budapeste Adriana Nogueira

Classicista Professora da Universidade do Algarve adriana.nogueira.cultura.sul@gmail.com

Nesta época em que nos encontramos, em que temos de escolher prioridades, a cultura costuma ficar para trás: quando o dinheiro mal chega para comer ou para pagar a renda, muitas vezes nem nos lembramos que precisamente nestas alturas é que sabe bem parar um pouco, virarmos as costas à realidade que nos quer esmagar e sentarmo-nos a ler um livro. Não nos esqueçamos que há muitos – e bons – livros nas bibliotecas da rede pública, que os emprestam a custo zero. Até pelo cartão não se paga. Mas para quem gosta de comprar um de vez em quando, a proposta deste mês é um pequeno livro de Chico Buarque, já com uma década de existência, que foi publicado em 2008 a um preço muito acessível, na coleção Bis – Leya, chamado Budapeste. A escolha recaiu nesta obra, pois ainda há poucos dias, a 26 de setembro, se comemorou o Dia Europeu das Línguas, uma iniciativa do Conselho da Europa, que se repete desde 2001. Na sua página oficial (edl.ecml. at), diz-se que o objetivo é «incrementar o plurilinguismo e a comunicação intercultural», «promover a riqueza da diversidade linguística e cultural da Europa» e «encorajar a aprendizagem permanente de línguas, tanto dentro como fora da escola» (tradução minha). Foi por isso que me lembrei desta história. A personagem principal, o brasileiro José Costa, escrevia, traduzia e seria aquilo a que os gregos chamavam um logógrafo, isto é, «um fazedor de discursos» para quem deles precisasse (principalmente políticos). Mais modernamente falando, seria também um gost-writer (escritor-fantasma), isto é, aquele a quem os outros, os que querem publicar, mas não têm capacidades literárias, dão as suas obras a escrever.

destaque

«Cortar um rio à faca» Aprender uma língua nova é fascinante. Mesmo sem ter aprendido in-

glês, os sons desta língua entram-nos diariamente nos ouvidos, quer através de filmes na televisão, quer através de letras de canções que ouvimos na rádio, de modo que a sua aprendizagem não nos fascina tanto como a aprendizagem de uma língua que não tem nada em comum com a nossa, onde a estranheza é total. O início do livro prendeu imediatamente a minha atenção, pois consegue descrever a magia da descoberta de uma língua estrangeira, mas de uma língua exótica, da qual a personagem nada conhecia e com a qual se defrontou quando teve de fazer uma paragem

momentos de grande emoção, quase comparáveis, numa escala pequenina, à descoberta, em 1799, da Pedra de Roseta, um texto trilingue, que permitiu a decifração dos hieróglifos egípcios. Ou comparáveis a encontrar a chave que resolve um texto encriptado. Personificando as palavras, como se estas tivessem vida própria, num campo semântico do mundo de espionagem, diz-nos o narrador: «Vinha eu escutando aqueles sons amalgamados, quando de repente detetei a palavra clandestina, Lufthansa. Sim, Lufthansa, com certeza o locutor a deixara escapar, a palavra alemã infiltrada na parede de palavras húngaras, a brecha que me permitiria destrinchar todo o vocabulário (…). Meteorologia, Parlamento, bolsa de valores, estudantes na rua, shopping center, camponesa com repolho, meu avião, e já me arriscava a reproduzir alguns fonemas a partir de Lufthansa». Depois da aproximação pelo som, a feliz descrição do encontro com as palavras escritas: «Cortei o som, me fixei nas legendas, e observando em letras pela primeira vez palavras húngaras, tive a impressão de ver seus esqueletos: ö az álom előtti talajon táncol» (p. 10).

forçada em Budapeste, vinda da Alemanha, e ouviu húngaro, «a única língua do mundo que, segundo as más-línguas, o diabo respeita» (p.8). Ao ver (e ouvir) um noticiário, não consegue captar nem «ao menos uma palavra. Palavra? Sem a mínima noção do aspeto, da estrutura, do corpo mesmo das palavras, eu não tinha como saber onde cada palavra começava ou até onde ia. Era impossível destacar uma palavra da outra, seria como pretender cortar um rio à faca. Aos meus ouvidos o húngaro poderia ser mesmo uma língua sem emendas, não constituída de palavras, mas que se desse a conhecer por inteiro». Como podemos entender um povo sem entender a sua língua? É através dela que conseguimos chegar ao seu modo de pensar, sem intermediários. Aprender uma língua nova, numa situação de imersão total em sons desconhecidos que, pouco a pouco, se vão tornando mais familiares, proporciona

As vidas dos outros Ser um gost-writer é prescindir do reconhecimento do seu trabalho, é deixar para outros a glória, o nome, a fama, em troca de um pagamento. É viver num mundo falso e alimentá-lo com o trabalho que se faz. É questionar a identidade que se apresenta. É saberse ou não se saber quem é. Este também é um livro de entendimentos e desentendimentos, onde os espaços, a cultura, a língua marcam a separação de dois mundos: Brasil e Hungria, mais concretamente Rio de Janeiro e Budapeste. Um livro que José Costa está a escrever para um alemão mistura-se com a sua própria narrativa, ambas na primeira pessoa. O momento da entrega da obra tem o peso da legalidade, na presença de um tabelião, em forma de escritura. Apesar de legalmente pertencer a outro, como um filho que se dá em adoção, aquele que a escreveu foi

“JUAN ESTEBAN CUACCI – POWER TANGO TRÍO” 12 e 13 OUT | 21.30 | Centro Cultural de Lagos O músico apresenta obras próprias e tangos tradicionais argentinos, com um novo ponto de vista, recriando este género, sem desvirtuar as suas origens

aquele que a escreveu. Ponto. Como um pai ou uma mãe que só podem ver o filho de longe, através da grade de uma escola, levantando alguma suspeição, assim ele se descreve: «Postado no centro da pequena livraria, num pedaço de tarde perdi a conta dos fregueses que saíram com o meu livro. Passavam por mim sem me olhar, esbarravam em mim sem imaginar quem eu fosse, e aquilo me enchia de uma vaidade que havia muito tempo eu não sentia. Talvez julgando que eu perturbasse a circulação, em má hora o livreiro decidiu me interpelar: deseja alguma coisa? Não falei nada, somente lhe mostrei meu Ginógrafo [o nome do livro] aberto na folha de rosto, com o autógrafo, para ele ver que eu não era um ladrão de livros. E ali permaneci, soprando fumaça, encarando o idiota, ruminando palavras de desdém, porque, se não fosse pelo meu livro, aquela quitanda já teria fechado as portas» (p. 76). Uma vez ditas… … não se podem retirar. A revelação da autoria do livro à mulher torna-se insustentável e permite refletir sobre o peso que as palavras têm, muito diferente do pensamento, que é leve enquanto não se materializa nelas: «Para esquecer aquelas palavras [«o autor do livro sou eu» - p. 91], talvez fosse necessário esquecer a própria língua em que foram ditas, como nos mudamos de casa que nos lembra um morto. Talvez fosse possível substituir na cabeça uma língua por outra, paulatinamente, descartando uma palavra a cada palavra adquirida. Durante algum tempo, minha cabeça seria assim como uma casa em obras, com palavras novas subindo por um ouvido e o entulho descendo

por outro. Sem dúvida me daria pena ver se desperdiçarem tantas palavras belas, azulejos, por culpa de umas poucas peças que eu usara de forma desastrada» (p. 97). Quando José Costa se torna no escritor Zsoze Kósta que não escreveu o seu livro… então, todos os escritos e autores se misturam, no instante em que «lia o livro ao mesmo tempo que o livro acontecia». Lindo.

“DEAD COMBO LISBOA MULATA” 6 OUT | 21.30 | Teatro das Figuras - Faro A dupla de músicos Tó Trips e Pedro Gonçalves apresenta o seu último trabalho Lisboa Mulata. Formado em 2003, o grupo já lançou cinco álbuns


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património

• Vivências no algarve - património cultural imaterial

Loulé: Pólo Museológico da Água em Querença Márcia André e Ana Rosa Sousa

transmitido de geração em geração, em contextos familiares ou em contextos diferentes dos habituais. Nesta data surgiram as “Memórias Tradicionais de Vale Judeu” e no ano seguinte foi publicado o segundo volume desta edição. Mais tarde, na continuação deste projecto de recolha surge uma edição, espaçada no tempo em volumes, que contém dizeres e tradições das populações louletanas: “Património Oral do Concelho de Loulé”. Iniciou com uma colectânea de “Contos” (2004), passou para o género “Romances” (2006), tocou na expressão da fé e tradição religiosa do povo com “Orações” (2009) e finalmente o último volume, o “Cancioneiro” (2011). Estas publicações são um bom exemplo da riqueza do património de literatura oral que há neste concelho.

Técnicas Superiores da Câmara Municipal de Loulé

A valorização que tem vindo a ser atribuída ao Património Cultural Imaterial (doravante designado neste artigo pela sigla PCI) vem mudar a perspectiva patrimonial existente até há poucos anos, baseada na focalização da importância do património material, ou seja, na relevância que os objectos possuem em si para contar a história ou para identificar a identidade de um povo. Hoje, mais do que nunca, sabe-se que tudo o que envolve os objectos (material), é essencial para os fazer falar e para serem característicos da expressão de uma cultura ou de uma sociedade. Esta crescente escalada de importância do PCI, deve-se sobretudo à publicação de legislação que veio permitir o desenvolvimento de estudos científicos nesta área e promover a sua salvaguarda (preservação e conservação) e a sua divulgação. Pólo Museológico de Querença, dedicado à água, foi inaugurado em Maio

destaque

Quando se fala de património cultural imaterial em Loulé, começamos por dar destaque ao trabalho científico realizado para a constituição do Pólo Museológico da Água, em Querença. Recentemente inaugurado, no passado dia 18 de Maio, os seus conteúdos respiram conhecimentos e saberes das pessoas, das tradições, hábitos e costumes locais. São estas pessoas que nos transmitem um conjunto de práticas, de saberes tradicionais e que trazem o conhecimento para dentro deste espaço. A partilha desses saberes que vêm sendo transmitidos de geração em geração, permite engrandecer e destacar a riqueza patrimonial que detêm as próprias pessoas de uma dada localidade, memórias ainda em prática de uma identidade social e cultural muito específica.

Mãe Soberana, procissão maior de Loulé e da região

Pólo Museológico da Água, Querença Loulé e a aposta nos saberes locais Desde 1996 que a Autarquia de Lou-

lé tem vindo a apostar nos saberes locais e na sua divulgação, através do apoio dado a publicações do género, cuja recolha/pesquisa, estudo e catalo-

gação têm estado sob a responsabilidade das Dr.ªs Idália Farinho Custódio e Maria Aliete Farinho Galhoz. Património oral vivo que continua a ser

Não podemos deixar de falar nas manifestações religiosas que ocorrem em Loulé, sobretudo a Festa da Mãe Soberana, tal como é apelidada carinhosamente Nossa Senhora da Piedade pelos louletanos. Uma tradição que conta com mais de 450 anos de existência e que faz já parte da cultura e tradição do povo louletano, onde o sagrado e o profano se fundem de uma maneira muito natural, mas cuja essência ou genuidade baseada na fé com que é vivida não vai sendo desvirtuada pelas reinvenções que o próprio tempo vai introduzindo. A investigação como pedra de toque da salvaguarda do Património Cultura Imaterial Mas haverá certamente ainda muito por estudar em Loulé no que concerne ao PCI, muitos levantamentos ainda estarão por ser feitos e estudados, mas a seu tempo tentaremos ir trabalhando para a salvaguarda e divulgação deste importantíssimo património que temos entre nós.

“MARÉS VIVAS” Até 29 OUT | Centro Antigo de Albufeira Exposição de Aurora Campos. A artista começou a dedicar-se à pintura recentemente e, apesar de pintar aguarela e pastel, o óleo é a técnica que mais utiliza

“JOÃO FRIZZA CONVIDA WANDA STUART” 5 OUT | 22.00 | Centro Cultural António Aleixo - Vila Real de Santo António A cantora vai ter a sua primeira actuação na cidade pombalina, onde vai dar vida a momentos únicos que mostram a sua versatilidade e que fazem jus ao título de “one woman show”


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Espaço Cultura

Audioguias ajudam a Ouvir a História

Real Marina Hotel & Spa Entre os oito imóveis tutelados pela Direção Regional de Cultura do Algarve, contam-se três castelos da Idade Média. Embora a sua origem remonte à época em

sul islâmico mas cujas muralhas de taipa albergavam as habitações permanentes de uma comunidade abastada. E o Castelo de Loulé corresponde à alcáçova de

Algarve (produção da Direção Regional de Cultura do Algarve, publicada pela editorial Letras Várias1), os textos contam histórias da História daqueles dois luga-

«Desde o passado fim de semana, os castelos algarvios de Aljezur e de Paderne têm as suas histórias contadas através de audioguias – para ouvir e partilhar a História. que o território algarvio se encontrava sob domínio islâmico, cada um destes três monumentos apresenta um caráter distinto e uma história própria. O Castelo de Aljezur é um pequeno recinto fortificado, dotado de duas torres altaneiras e de uma entrada resguardada, protegendo os celeiros e os haveres de uma modesta comunidade, que abrigava dos perigos de assaltos inimigos e de razias. Já o Castelo de Paderne é uma pequena fortificação rural, com caráter predominantemente militar, que integrava a linha defensiva do extremo

uma cidade islâmica, reduto fortificado e residência do governador da medina de al-Uliã, que era então a maior do Algarve interior, sem porto de mar próprio. Desde o passado fim de semana, dois destes castelos – o de Aljezur e o de Paderne – têm as suas histórias contadas através de audioguias, apresentados no âmbito das Jornadas Europeias do Património. Da autoria de Natércia Magalhães, investigadora que em 2008 nos havia brindado já com um magnífico álbum ilustrado sobre os Castelos, Cercas e Fortalezas do

res de memória do passado algarvio. Tornando estes castelos acessíveis a um público mais alargado, as narrativas podem ser ouvidas e descarregadas em http:// www.cultalg.pt/aljezur/ e em http://www.cultalg. pt/paderne/. Para escutar e partilhar a História.

Criamos momentos únicos para si

Direcção Regional de Cultura do Algarve Magalhães, N., Algarve (2008) – Castelos, Cercas e Fortalezas: As Muralhas como Património Histórico. Faro: Letras Várias, Edições e Arte, 300 págs. 1

Real Marina Hotel & Spa - Olhão Info e reservas Spa: 289 091 310 - spa @realmarina.com


Cultura.Sul50Outubro  

Igor Silva no desafio aos ditâmes dos rótulos artísticos • Por um orçamento sem mordomias políticas, por Henrique Freire » BLOGOSFERA.S: Via...

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