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Cultura em Portugal e no Algarve longe dos padrões europeus O Cultura.Sul analisa, quando cumpre três anos de existência, a importância de um Caderno Cultural na região à luz dos resultados de um estudo, feito pela Augusto Mateus & Associados para o Ministério da Cultura, que coloca Portugal e o Algarve muito distantes dos padrões do sector da Cultura no resto da União Europeia a 27. Lugar ainda para a visão e opinião de várias figuras do sector no Algarve sobre o Cultura.Sul

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Cultura.Sul 30.0 6. 2011

momento

Simplex dictum

Vítor Correia

João Evaristo Editor Cultura.Sul

A Bela e o Monstro Primeiro começa com um sonho. Uma atitude adolescente. Uma excitação. Com mais ou menos honestidade nas intenções, por inocência ou malícia - Avança-se! Convence-se mais um ou dois, que se tornam cúmplices na empreitada. Do pouco se faz muito A motivação é o motor e o fruto. Uma espécie de bola de neve, mas não de neve, de auto-estima. Vá lá, um granizado, um refresco para o Ego. É o sonho criador… do Belo e do Sublime. Num limbo entre a tentação viciante e um vício tentador, o muito que se faça torna-se pouco. Há que aumentar a estrutura produtiva. É então que a Bela se transforma em Monstro E entre porcas e anilhas, bielas e pistões, já não se sabe o que move o quê! A máquina deixa de produzir e passa a trabalhar para auto-sustento. Mais ou menos. Com o tempo as peças da engrenagem começam a falhar. São elementos muito sensíveis que em determinadas conjecturas desalinham com facilidade. Pois. Outras são torcidas, outras difíceis de torcer e outras ainda há que sendo de ferro mantêm-se firmes. Ganham é ferrugem! Razão tem a D. Emília. Porca de muitos? Bem comida, mal sebada! Acabará faminta essa complexa estrutura de ferragens, completamente inútil que passa a servir o único fim de tornar úteis as peças que a compõe e que de outra forma não teriam utilidade alguma. E isto, parecendo que não, torna-a numa estrutura útil. De uma utilidade pública. Mantê-la é portanto um dever de todos. Até porque agora também era pena deixar isto morrer assim.

Museu de Portimão: Museu do Ano do Conselho da Europa de 2010

Um espaço que dá relevo a uma fonte de actividade literária que fervilha, muitas vezes, à margem dos circuitos convencionais.

Nas tuas mãos… Dissoluto num espaço e libertino num tempo, Solta-se meu coração No momento que passa pelas tuas mãos… Faz do teu corpo um leito onde se acalenta nu… Desprendido do nada, Flutua serenamente num sonho Na esperança desse olhar que toma forma. Num lado desconhecido… misterioso mesmo E coberto por uma suave névoa, Apenas ao abandono desse oculto, Contempla-te por entre luares… Ah meu doce sentido, Que nesse enleio faz respirar e toca a alma

blogosfera

Jady Batista

Como se lhe devolvesses o brilho… Naquela noite, Que o meu coração se desprendeu E na escarpa do sonho, Pousou e adormeceu nas tuas mãos… Fathy Kard http://blueangellina.blogspot.com/

Teu perfume Sinto por inteiro como brisa Finas pétalas que me envolvem, E ondulantes, navegam-me a pele Como mar agitado em desejo, Que mareia e desfalece assim, Feito onda que desmaia na orla da praia. À deriva neste aroma me deixo E absorvo o fino doce que se espuma em mim… O teu perfume… Fathy Kard http://blueangellina.blogspot.com/

Ficha Técnica Direcção: GORDA Associação Sócio-Cultural Editor: João Evaristo Paginação: Postal do Algarve

Responsáveis pelas secções: » baú.S: Joaquim Parra » blogosfera.S: Jady Batista » livro.S: Adriana Nogueira » momento.S: Vítor Correia » museu.S: Isabel Soares » palco.S: João Evaristo » políticas.S: Henrique Dias Freire » panorâmica.S: Ricardo Claro

Colaboradores: AGECAL, ALFA, CRIA, Cineclube de Faro, Cineclube de Tavira, DRCAlg, DREAlg, António Pina, Elisete Santos, Marta Dias, Pedro Jubilot; nesta edição: Graça Lobo, Luís Guerreiro, Mário Candeias, Mauro Rodrigues, Susana Imaginário

Parceiros: Direcção Regional de Cultura do Algarve, Direcção Regional de Educação do Algarve, Postal do Algarve

e-mail: geralcultura.sul@gmail.com

Capa: Fotografia: Paula Ferro

Tiragem: 15.000 exemplares

on-line: www.issuu.com/postaldoalgarve


Cultura.Sul 30.0 6. 2011

 

cinema Cineclube de Faro

Cineclube sai para a rua

E mais uma vez, como desde há décadas, o Cineclube de Faro sai para a rua nas noites de Verão. E mais uma vez, como no ano passado, promovemos uma Mostra de Cinema durante dez noites consecutivas. E mais uma vez, como em anos anteriores, nos belos Claustros do Museu Municipal.

Se durante muito tempo optávamos pelos ‘Amigos Americanos’, desta feita a nossa selecção não obedeceu a critérios geográficos. Bom cinema. Bom cinema, só isso. Assim, num programa em que só Woody Allen tinha estado na sala comercial da cidade (mas ele merece estar SEMPRE na nossa programação), os restantes nove filmes são

PROGRAMAÇÃO

www.cineclubefaro.com

estreia comercial absoluta em Faro. E que filmes… De Jeunet (Delicatessen), a sua última fita trágico-cómica, Micmacs. Em comédia também os outros dois franceses – leve e divertida, com Catherine Deneuve num filme boulevard, Potiche de seu nome, amarga e doce, com e de Mathieu Amalric a parodiar o nosso produtor Paulo Branco. Dois documentários sobre artistas – o fotógrafo/artista plástico Vic Muniz, que em Lixo Extraordinário criou, colectivamente, obras de arte com catadores de lixo brasileiros; Bansky sobre o anónimo que enche as paredes de arte da rua, muito mais que graffitis, muito além das galerias institucionalizadas. Duas formas de colocar a arte ao serviço de causas sociais e políticas. Norte-americanos? Só os independentes, aqueles que vale a pena seguir – de Sofia Coppola e a vacuidade de um quotidiano de estrela de cinema

CINEMA AO AR LIVRE CLAUSTROS DO MUSEU MUNICIPAL | 22H | Sócios 2€, Estudantes 3,50€, Restante público 4€, Passe para os 10 dias 25€ 18 JUL | Vais Conhecer o Homem dos teus Sonhos, Woody Allen, EUA/ Espanha, 2010, 98’, M/12 19 JUL | Micmacs - Uma Brilhante Confusão, Jean-Pierre Jeunet, França, 2009, 105’, M/12 20 JUL | O Estranho Caso de Angélica, Manoel de Oliveira, Portugal, 2010, 97’, M/12 21 JUL | Banksy - Pinta a Parede!, Banksy, EUA/Reino Unido, 2010, 87’, M/6

em Somewhere, a Derek Cianfrance cujo Blue Valentine garantiu a nomeação para Óscar de Melhor Actriz a Michelle Williams. Portugal? Claro. Oliveira em um Estranho Caso, o de Angélica, que

22 JUL | Somewhere - Algures, Sofia Coppola, EUA, 2010, 97’, M/12 23 JUL | Lixo Extraordinário, Lucy Walker, Karen Harley e João Jardim, Brasil/Reino Unido, 2010, 99’, M/6 24 JUL | Blue Valentine - Só Tu e Eu, Derek Cianfrance, EUA, 2010, 112’, M/16 25 JUL | Potiche - Minha Rica Mulherzinha, François Ozon, França, 2010, M/12 26 JUL | Road to Nowhere - Sem Destino, Monte Hellman, EUA, 2010, 112’, M/12 27 JUL | Tournée - Em Digressão, Mathieu Amalric, França, 2010, 111’, M/16

afinal não estava morta. Pois, por mais que passem atestados de óbito aos Cineclubes, nós e os nossos colegas do Algarve bem estamos aqui a demonstrar que vivos estamos. E seremos. Bem-vindo, Verão!

Cineclube de Tavira

Mostras de Cinema Europeu e Não-Europeu

destaque

O último ano passou a correr e cá estamos novamente, com o programa da 12ª Mostra de Cinema Europeu e da 7ª Mostra NãoEuropeu. O local é o mesmo dos últimos oito anos: os Claustros do Convento do Carmo, ao lado da igreja do mesmo nome. Mais

uma vez tentámos tecer o programa mais coerente e da mais alta qualidade possível, composto por filmes disponíveis no mercado nacional de distribuição. Também este ano, o programa conta com mais curtas-metragens como suplementos das longas-metragens, e também

neste caso a qualidade é o nosso critério principal. Todos os anos muitas pessoas colocam a mesma pergunta: “quais os teus filmes preferidos?” Bem, a meu ver apresentamos um dos programas mais fortes em termos qualitativos das últimos edições de ambas as nossas mostras. Filmes com sensibilidade em termos de tratamento do tema, sólidos em termos de argumento e realização, na grande maioria impressionantes nas caracterizações dos personagens. Ainda assim, uns destaques vão para o extraordinário documentário português JOSÉ E PILAR e o magnetizante NOTHING PERSONAL na parte europeia; o emocionante EL PERRO e o hipnotizante BIUTIFUL na parte não-europeia. Aproveitamos a estrutura montada nos Claustros do Convento do Carmo para lá exibirmos PINA, nossa sessão de quinta-feira 28. Espero que tanto a nossa selecção como o ambiente criado vos agradem!

LAGOA JAZZ 2011 1, 2 e 3 JUL | 19.00 | Sítio das Fontes – Lagoa O trio liderado por Omar Hakim, o projecto Cinco e o Quinteto de Daniel Mille compõem o elenco do festival de música

PROGRAMAÇÃO

www.cineclube-tavira.com 281 320 594 | 965 209 198

SESSÕES REGULARES Cine-Teatro António Pinheiro | 21.30 3 JUL | True Grit (Indomável), Rui Simões, Portugal 2003 (50’) M/12 7 JUL | Bal/Honey (Mel), Cary Fukanaga, Reino Unido/E.U.A. 2011 (120’) M/12 10 JUL | The Lincoln Lawyer (Cliente de risco), Francisco Manso, Portugal 2009 (104’) M/12 12ª MOSTRA DE CINEMA EUROPEU – AR LIVRE Claustros do Convento do Carmo | 21.30 15 JUL | Le Concert (O Concerto), Radu Mihaileanu, França/Itália/Roménia/Bélgica/Rússia 2009 (119’) M/6 16 JUL | The Ghost Writer (O Escritor Fantasma), Roman Polanski, França/Alemanha/Reino Unido 2010 (128’) M/12 17 JUL | L’Illusioniste (O Mágico), Sylvain Chomet, Reino Unido/França 2010 (90’) M/6

18 JUL | Celda 211 (Cela 211), Daniel Monzón, Espanha/França 2009 (113’) M/16 19 JUL | Another Year (Um Ano Mais), Mike Leigh, Reino Unido 2010 (129’) M/12 20 JUL | Deusynlige/Troubled Water (Águas Agitadas), Erik Poppe, Noruega/Suécia/Alemanha 2008 (115’) M/16 22 JUL | Nothing Personal (Nada Pessoal), Ursula Antoniak, Irlanda/ Holanda 2009 (85’) M/12 22 JUL | José e Pilar, Miguel Gonçalves Mendes, Portugal 2010 (125’) M/6 23 JUL | The King’s Speech (O Discurso do Rei), Francisco Manso, Portugal 2009 (104’) M/12 24 JUL | Micmacs à Tire Larigot (Micmacs - Uma Brilhante Confusão), Jean-Pierre Jeunet, França 2009 (105’) M/12 25 JUL | Jane Eyre, Cary Fukunaga, Reino Unido/E.U.A. 2011 (120’) M/12 28 JUL | Pina, Wim Wenders, Alemanha/F/R.U. 2011 (106’) M/6

FESTIVAL AL-BUHERA Entre 20 e 24 JUL | 20.00 às 24.00 | Praça dos Pescadores – Albufeira Música, artesanato e gastronomia marcam os cinco dias de Festival




Cultura.Sul 30.0 6. 2011

panorâmica • 3º aniversário do Cultura.Sul

Um compromisso com a Cultura para todos AP DE A CARR RTILOTT SIMIRO ALMEID UR A DRO BA PES · CA LIO · PE E · JÚLIO TO · JOÃO VENT RITA LO IÇO TERESA DO GR AD · VASCO CÉ CRUZ · TEVES PIN RLOS CAMPAN E ANDES · FERNANRN CA GASTÃO OS FERN ANDO ES · · SO DIAS RL JORG S SA ON O CA FE VE · AF RO SÉ DR AL R · S JO PE VA INHO · ÃO GONÇ E GALHOZ · O RAMO O FABIÃO GAL · JOSÉ BI JOSÉ NI · AZ UT EL TÓ BR AS OT MO · O DI A IET · AN SCO VIDI PALMAANABEL MENDES EDUARD A · MARI A AL · JÚDICE VA · URO SA CO · A AS LO NO RO CIS LA RG ND PE AN VA NIO · NU JOSÉ OLIV EIR A. MIRA DRÉ CA NÇALO ARES FR CARNAÇÃO · PTISTA A · ANTÓ · SARA TARINA RGE SO CER · AN MOS · LUÍS DE DRÉ · GO · PAULO SERR NUEL BA O · CA O SPEN SANTOS IR A · JO GELO EN E · MA S RI RA ANA AN NH O UE · ÂN SÉ RG RI O DO MÁ · RD NQ JO · SO FA E RD · UA ON NA LÍDIA · EDUA NISGA · IDÁLIA RO WILLIAM JU · LUÍS VICENT · MANUEL NETO· NUNO BICHO JO S · ZÉ ED · NUNO LORE DRO AF ITA PE MO · BR E RA UIM CA SA A PE SAND LUÍS EN PEDRO GOMES TEMTEM A · JOAQ PAULO RINA RO MOREIR RNANDO UITA · EIROZ · PAULO AS · FE LADO · A MESQ A · CATA · DUARTEELVIRO DA ROCHA O · RUI PARREIRMES · VICENTE JORGE QU EIRO DE SÁ · PEREIR VILHEN EIR A CA LIA VIEG FERRO A · VI A AD OS · NI O GO UL SÉ RL CH O NT SÓ RIAN S · JO · JOSÉ CA· PAULO PIRES · NO RUFINO · PA · JÚLIO CONR AD · JOSÉ PEDRO MAMANUEL TEIXEIR A ARDO DE PASSOS LUÍSA MO JOÃO MA BETE MARTIN A · XANA RN O NENÉ · · NU ETA VES NTAS STRO · STA · BE EL VEND TIAGO RICARD NIO BA Z · ELISA NUNES · JÚLIO DATÓNIO · BRUNO·AL E DE CA O DA CO O DA LU ANTÓNIO MANU VIEGAS · LUÍSA · SUSANABARR ADAS · ANTÓ VICENT RREIROS TURCAT · EMILIANIRIA · JOÃO DE DEUS · AN AS S· · JOÃO SANA DE MEDEIROS JÚDICE · JOSÉ · GLÓRIA MARIA MA· GOMES DA COSTAMES GUERREIRO AL RAMIRE RG REIRO ER IXEIR A SU LOLITA GU · TE ALO VA GO · BERTO BAPTISTA · NUNO UL A HO PAULO RAMOS A · LUÍS · É · GONÇ O · PAULO MANUEL ERREIRO L SANC EL NDES PA SA · ES DR UE GU O RE NU ME AN PIR I O LAGINH AN TE EIX A MA · ÃO EM O AL A · RU · CÂNDID· LÍDIA JORGE · O AFONSO · AN MOS · ZÉ EDUARDO MOREIR A IV EIR A RTA · JO VA CARRIÇO · LAGINH · ANTÓNIST LUÍS OL FR ANCO NO MU SIL PAUL · MANUELASSIS ESPERANÇAMÁ E · PEDR · ALEIXO DRO RA LY ER O · NU TÓNIO EN O O PE EIA SÁ EIR · LIA · RI NI ÍS AN RR O NT · DE LU TÓ OZ CO MO ÃO RIAN EL ES · · AN BRE · CIO · QUEIR NTEIRO HO BR AZ ÃES · EMMANU RTO NO · JOÃO MA RTINS ÍSA MO · JOÃO LÚJULIÃO QUINTINHABRITO · JOÃO BENTBARROS · JORGE AT RUIVIN S · ROBE O · LU NEVES GO NENÉ · ELISABETE MA NDA · MAGALH MARQUE IR A · LEONEL Z VE · CARLOSTTI · JOSÉ CARLOSALMEIDA CARR APÃO VENTUR A · TIAAT REIRO ROMERO · BERNARDO O DA LU BRITO MANUEL EGAS AS GUER DE O PERE O EG RC JO ILO NI AS · NI VI LIO TU IRO RT TÓ IN · SIM CAMP S · ANTÓ DRO BA ADE · JÚ ESTEVES PINTO ANIÇO IO · AN MANUEL · JOÃO VINA DE PES · CA DO GR PORFÍR LIO · PE LOPES · OS CAMP LOLITA RAMIRE GUER REIRO RITA LO ANDO SA CARLOS ANDES S · CARL · VASCO CÉSO DIAS · FERNAN TERESA LUÍS RGE · R · FERN MOS · SU PAULO NÇALVE CO FERN ANDES NHA · CRUZ · DRO JO FR ANCIS · AFON VIDIGAL · JOSÉ BIVA ES · AZÃO GO SÉ LAGI OS FERN · TERESA·RA GASTÃO OZ · PE ÃO PIR AS · JO RDO BR SÉ CARL OTELO FA BI ÃO IVEIR A ROSA · E GALH RTA JO SILVA CARR IÇO LMA-DI VASCO HO · JO LUÍS OL A ALIET A · EDUA RAMOS · · PA · MU IN RI ND ES O LA CO UT NO MA RA PE UR ND · O CIS NU A MO DRÉ CA JOSÉ LO IVEIR A DE A. MI ANTÓNI · EIRO · ROSA ME ES FR AN CORR EIA AN · ÍS OL ANABEL O NT · AR ÃO EL LU NI R ÃO NA · SO AÇ MO NU S RI CE · ANTÓ · MÁRIO SPEN UARDO RAMO RINHO · CATA UEIR A · JORGE GELO ENCARN SANTOS · SARA RUIVINHO BR AZ LHÃES · EMMA S · ROBERTO SERR A FA · JOSÉ ROMERO MAGA ARDO MARQUE O PEREIR A M JUNQ NTE · ÂN EL NETO DOS ITA · ED LORENA IDÁLIA ÍS VICE WILLIA BICHO NUNO DO CABR O PENISGA · NU M BERN ANTÓNI FERNAN · S · NUNO · SANDRO TARINA ROSA · LU JOAQUI EM · MA PAUL INAS · · IO ME TA MT · A ÍR MP UI TE GO · MANUEL RF DO VIEGAS EIR CA SQ A S E LA RR ME ARTE A · CA ROCH S LOPE RLOS PO VICENT RUI PA EIR A CA LHENA PEREIR RRO · DU RO DA TERESA ADO · JOSÉ VI RLOS VI -GOMES ·DO DE PASSOS · CAANCISCO FERNANDE SÓNIA CRUZ · · PAULA FE CONR ADO · ELVI O MACH IXEIR A JOSÉ CA PIRES · · FR · GASTÃO · JOSÉ CARLOS RUFINO RNAR SÉ PEDR NUEL TE PAULO XANA · LIO DANTAS S ROSA RDO · STA · BE VES · JO HO RO · MA S · NUNO O BAETA · JÚ MO LIO CA AL IN CO ST NE JÚ RI RA O UT · CA DA NU O MENDES UN MO DE LUÍSA ILIANO DE DEUS ANTÓNI ANTÓNI SUSANA OS · BR ABEL A CENTE O ROSA · · · EM ÃO VI NI AN S EIR · AS · CE JO · DRÉ TÓ O · RR A DI IRO AD AS AN IRIA COST MEDE BARR ER REIR RI A MA CER · AN O · NUNO ÉJÚ· GONÇALO VARG· PAULO SERR A · MÁ BERTO MES DA MES GU A · JOSÉ ÓR IA MA RIO SPEN PTISTA IRO · AL UL A · GO · MANUEL GO TEIXEIR · EDUARD HO · GL NA · RDO NUEL BA GUERRE NDES PA L SANC · ANA ANDR ZÉ EDUA A · NUNO LORE ANDO CABRITA O PENISGA E · MA NDIDO ALEIXO RUI ME EM ANUE MOS · AFONSO IA JORG IR CO · CÂ UL RN TÓNIO O RA NHA · RE PA FE AN LÍD O AN DR GI · · · · FR MO PE LA DR O A · OZ · PE · PAULO ANO · LIA VIEGASSÉ VIEIR A CALADO LHENA MESQUITA ÍS ENE O LYSTER O ALEIX MANUEL PERANÇ · ANTÓNI· JOÃO BENTES · LU OS · JORGE QUEIRMONTEIRO DE SÁ · ASSIS ESJOÃO LÚCIO · MÁRI RINA OS VI MARI S · JO NOBR E INTINHA SÉ CARL · A · CATA BARR · LUÍSA GO NENÉ · JOÃOELISABETE MARTIN NEVES LIÃO QU CARLOS BRITO CARLOS APATO · XANA · JOES · SÓNIA PEREIR ARTE TEMTEM · LEONEL · IRO · JU A · TIA A CARR VENDA I · JOSÉ DA LUZ PIR · DU GUER RE DE BRITO O BARTILOTT VENTUR ALMEID MANUEL GOMES RCATO PAULO ÃO FERRO IRO LIO TU JO JÚ VIEGAS · · SIM · TÓ DR E TO IÇO PE · AN NI·OLUÍSA RICARDO · RUFINO · PAULAELVIRO DA ROCHAJOAQUIM PES · CA VES PIN DO GR AD CAMPAN CÉLIO · MIRES TE AN O OS RA ES · RITA LO NO · SC A RN RL AS FE EIR A RNANDO NES · NU LIO CONR ADO DES · VA E · LOLIT VES · CA DIAS · ÃO VIEG · RUI PARRCENTE CAMPINAS FERNAN · AFONSO L · JOSÉ BIVAR · OFEBR AZÃO GONÇALLHOZ · PEDRO JORGÍS GUERREIRO · JO IROS · SUSANA NU A · JÚ CHADO FABIÃO O BAET DE S · VI RFÍR IO LU DRO MA DIGA E GA UARD OTELO NHA · A-GOME · ANTÓNI JOSÉ PE NA DE ME RLOS PO A ALIET · VASCO VIA. MIRANDA · EDEIR LOPES · JOSÉ LAGISA RAMOS · SUSA· JOSÉ BARR ADAS · BRUNO ALVES · · MANUEL TEIXEIR DE PASSOS · CARN A · MARI CAPELA ANDES A-DIAS ÍS DE OLIV RE A LM OS DO FE LU RO TE NA · PA AR EIR · EIR ST RI S CO A LOPES IX RN CO RR CA TE EIR CATA RAMO FR ANCIS RIA MA SA RITA · FR ANCIS STA · BE NTE DE PAULO ÍS OLIV NHO · RE MA · CE ES CO AS RI LU TE VI IA · ES AR · NT FA · DA O ÓR CÉLIO A O UZ E SO UR IDÁLIA JOÃO PIR SANCHO · GL JÚLIO DA VASCO · · · DA COST IRO · EMILI AN STÃO CR JOSÉ LO A · JORG A S S · US GA IR E RT DE · ME L ÃO DE UE AN MU SA AÇ NQ DO GR AD EMANUE UL A · GO MES GUER RE NUNO JOÃO DE · MOS RO OS FERN IAM JU · AN ENCARN · PA RL RA O ILL RN IA LO IÇO ES O CA W FE IR EIR GE RR GO · TO ND SÉ O · ÂN · SARA MONT NIO SILVA CA ANTÓNI SANDRO · RUI ME VES PIN SO DIAS ALBERT HO · JO · MANUEL TE · CE CENTE IN · A ON ES O VI DI O AF UT IR NH JÚ ÍS TÓ · DO OS GI EIX MO RE LU NO ÃO · AN S SANT FERNAN MPANIÇO ABEL A ROSA · O GUER O FABIÃO NUEL LA · ANTÓNIO AL A · NU AZ · DO CA AN EL ID R IST BR MA · TO OT OS VA · ND PT · AS NE CÂ A INHO VARG NDES · JOSÉ BI NÇALVES · CARL LITA RAMIRES NUEL BA CORR EIA ANCO · PERANÇ MANUEL NÇALO · JOSÉ RUIV ROSA ME SCO VIDIGAL E · MA MANUEL · LO O · ASSIS ES· MÁRIO LYSTER FR BICHO TÓNIO IA JORG DRÉ · GO VA AZÃO GO JORGE ER REIR ÃES · EM RTO NOBR E NUNO O · LÍD PELA · RR A · AN ANA AN RDO BR PEDRO LUÍS GU NA DE MAGALH ULO SE · ROBE VES · JOÃO LÚCIO · ANTÓNIO ALEIXPEDRO AFONSO · UA A · EDUA LHOZ · · ANDRÉ .CA NH A · SA ROMERO RDO · PA RQUES ENCER MIRAND RIA ALIETE GA SÉ LAGI · MOS · SU · JOSÉ DO MA INTINHA ONEL NE AS · JO ÍS ENE S · ZÉ ED NA · MÁRIO SP S · LUÍS DE A MA LE QU LU · · MO O · A A BERNAR A RA LIÃ ES LM -DI IR · TERESA RA IXEIR A PEDRO O PERE O RAMO TARINA OLIVEIR · NO LORE IRO · JU ÃO BENT IVEIR A ULO TE CISCO PA RIA RE JO RD NU OZ OL PA AN · MA · · ER UA ÍS EIR A FR IA ANTÓNI ES GU ES · ED ÓR · CA E QU REIR BRITO O · LU ÃO PIR VIEGAS HO · GL SÉ LOUR · CARLOS OS BARROS · JORGDE SÁ · PAULO MO RNANDO CABRITA· IDÁLIA FARINHOUEIR A · JORGE SOAR MES DA RTA · JO L SANC MANUEL ÃO · JO NO MU O DE BRITO · FE CARL · EMANUEMENDES PAULA · GO CARNAÇ NISGA O · NU M JUNQ GOMES VIEGAS MONTEIR RRIÇO CASIMIRO ILOTTI · JOSÉ ULO PE GELO EN W ILLIA MONTEIR · MANUELERREIRO SILVA CA GINHA · RUI O · LUÍSA MARIANO · LIA CALADO · PA BART NDRO NTE · ÂN NTOS · SARA TÓNIO RR APAT ALEIXO PEDRO S SA · JOÃO S · JOSÉ VIEIR A ENA MESQUITA · SA ROSA · LUÍS VICE O GU NUEL LA IDA CA ÃO · AN TÓNIO ID DO NÉ ME AZ MA AN ND NE TO · · AL BR ISTA CÂ A NE GO NA JÚLIO EL BAPT IVINHO CORR EIA ANCO · A · TIA PERANÇ CATARI MARTIN OS VILH MANUEL RU NU FR · EL ES UR · RL TE A SÉ MA NU ER NT CA SIS BE IR · JO EM ALO MT PERE HO · JOÃO VE RIO LYST · LÍDIA JORGE BR E · AS S · EMMA Z · ELISA · XANA · JOSÉ É · GONÇ A ARTE TE SÓNIA O GALHÃE · ROBERTO NO ÃO LÚCIO · MÁ A O DA LU · NUNO BIC O · DU A ANDR PIRES · RO MA O SERR O ALEIX TURCAT GOMES S A FERR JO EL VEND SO · AN UL NI ME PAULO · A UE UL · PA NU S TÓ ON RO CH · PA RQ O VE AF · M MA AN O RO · RD O R MA O O JOAQUI ONEL NE TINHA AR DO · EDUARD SPENCE VIRO DA ÍSA RICA · NUNO RUFIN E · PEDR ANTÓNI LE A IN O RN ZÉ EL · LU EN RI · · QU BE EIR A · S ÍS · O O IR MÁ · MO S S EGAS PERE NR AD ES · LU · JULIÃ MPINAS · RUI PARR LORENA O RAMO JOÃO VI NA NUNE LIO CO · PEDRO RA NTE CA NUNO · ANTÓNIVIOEGAS GUERREIRO BRITO · JOÃO BENT CHADO S · SUSA ETA · JÚ · EDUARD FARINHO QUEIROZ S · VICE RFÍR IO REIR A · DRO MA MEDEIRO · ANTÓNIO BA IA A-GOME NUEL JOSÉ PE RLOS PO · CARLOSOS BARROS · JORGEDE SÁ · PAULO MO· FERNANDO CABRITA AS TEIXEIR A · IDÁL IR A OS · CA PES · MA ALVES · BRITO SG UE EL SS LO O NI DE O S PA NQ NU RL BARR AD UN PE AS JU DE EIR CA DE MA O M NT OS · BR CASIMIRO AR DO FERNAN LIA VIEG LADO · PAUL LO I · JOSÉ STRO · · WILLIA · ÍSA MO S RN GE TT CO O LU PE RO BE ÂN · ILO CIS · AN LO · MARR EIR CENTE DE CA ND O RT A RI CA SA AT TA FR AN NTE ÃO MA DRO BA VIEIR A UITA · DA COST OS · VI RESA RI CARR AP NTAS · · LUÍS VICE NÉ · JO LIO · PE S SANT A MESQ COSTA ILIANO UZ · TE MEIDA S · JOSÉ JÚLIO DA STÃO CR IRO · EM DEUS · · VASCO CÉGR ADE · JÚLIO AL NTUR A · TIAGOELNEISABETE MARTINSÉ CARLOS VILHENA · CATARINA RO·SAMANUEL NETO DORUIVINHO GUER RE ANDES · JOÃO DEO RAMOS ROSA · GA OS FERN O IRIA · JOÃO VE ATO DA LUZ · NDA · XANA · JOES · SÓNIA PEREIRDUARTE TEMTEM NO BICHO · JOSÉ GALHÃES · FERNANDO TÓNI SÉ CARL PINTO ALBERT NU SO DIAS PIR TURC · O· EL VE CE · AN RO MA TEVES HO · JO · S O ON DI RR S ES NU IN ME UL AF ME JÚ FE IÇO · UT RO MA PA DO A · AN ÃO MO A GO AN UIM MARQUE NUNO · ANTÓNIO· LUÍSA RICARDO NO RUFINO · PAUL AR DO DA ROCH A · JOAQ · ANABELANDES · OTELO FA·BIJOSÉ BIVAR · FERNVES · CARLOS CAAMP MIRES VARGAS · NU CONR ADO · ELVIROO · RUI PARR EIRE CAMPINAS · BEORNPEREIR A · LEONEL ME AL L LIT RA VIEGAS NUNES O ROSA VIDIGA IRO ÃO GONÇ RGE · LO REIRO · JOÃO JÚLIO SUSANA VASCO ANTÓNI MACH AD MES · VICENT ANTÓNI · · · GUERRE DRO JO O BR AZ · S O A ER PE LA AS IO RD ET DR · IRO PE GU ÍR EG BA PE UA VI CA RF ED SÉ A-GO MEDE LUÍS GALHOZ TÓNIO · CARLOS ANDR É NDA · RLOS PO PES · MANUEL NHA · TEIXEIR VES · JO SANA DE ALIETE AS · AN OS · CA A. MIRA DE BRITO CARLOS LO UNO AL MANUEL MARIA MOS · SU JOSÉ BARR AD · JOSÉ LAGI DE PASS ANDES SIMIRO LUÍS DE OS · BR SÉ STRO · EIR A · A-DIAS RESA RA A· TTI · JO PES · CA RNARDO ANCISCO FERN O E DE CA MA RR EIR NA OLIV CO PALM OLIVEIR A · TE TEIXEIR RITA LO STA · BE BARTILO FR RR APAT VICENT CATARI MA RI A ÍS FR ANCIS PAULO · GLÓR IAGOMES DA COSTA · · EMILIANO DA CO· JÚLIO DANTASST· ÃO CRUZ · TERESASCO CÉLIO · PEDR·OJÚLIO ALMEIDA CA SOARES PIRES · URO · LU LO HO ÃO GO NENÉ JO SÉ NC JORGE · JO SA TIA · L IRO GA · VA RTA DEUS UR A · AÇÃO · GR ADE TE ROSA · ANDES ÃO DE · EMANUE I MENDES PAULAEL GOMES GUERRE · NUNO MU ENCARN RNANDO RAMOS OS FERN · JOÃO VEONTDA LUZ · ELISABE IRIA · JO CA RR IÇO NTEIRO A AS · FE TÓNIO PINTO SÉ CARL A · RU DI BERTO MANU ND S AN JO · AL · NH VE VE AT SO · O · GI TE RC CE SARA MO ANTÓNIO SILVA HO EIX AFON IRO MANUEL NUEL LA NO JÚDI NIO AL · ANDO ES MPANIÇO · TU MOUTIN BIÃO · GUERRE ELO FA EIA · MA RANÇA · ANTÓ CA R · FERN BR AZ ÃO ISTA · NU AS · ANABEL A NDIDO · ANTÓNIASO · LUÍSA RICARDOS ES · OT SÉ BIVA CARLOS PE EL CORR MIRES EL BAPT CO · CÂ RG JO ND · ES · RA NU NU S NE VA AN L ME A EG SIS O VE FR MA NU MA GA SA · · AS EM JOÃO VI GONÇAL GONÇAL E · LOLIT · NIO RO SUSANA · SCO VIDI O LYSTER · LÍDIA JORGE · NOBRE RG É TÓ ÃO VA RI IRO O JO · DR AZ OS AN ET RE MÁ O RT · IR LA BA A PE O BR ROBE CIO · EIXO ANA AN · PEDR A · LUÍS GUER SANA DE MEDE SERR A DRÉ CA EDUARD · ANTÓNIOO ALVES PAULO · JOÃO LÚHA · ANTÓNIO AL· PEDRO AFONSO · UA GALHOZ NH CER · AN . MIRANDA · RDO · S · SU RR ADAS NEVES ALIETE SÉ LAGI O SPEN A · BRUN STRO SA RAMO · JOSÉ BAMA AS · JO QUINTIN ES · LUÍS ENE · MARIA PA S · ZÉ ED RENA · MÁRI LUÍS DE RR EIROS LMA-DI JULIÃO A · TERE ULO TEIXEIR A IV EIR A NT DE CA O RAMO LO MOS · OL A E EIR BE DR RA CO RI NO IV NT PE NA ÃO O CIS · OL PA CE NU MA RI · JO A· EIROZ · EDUARDFARINHO · CATA RGE SOARES FR ANSÉ LOURO · LUÍS A · JOÃO PIRES · NCHO · GLÓRIA S DA COSTA · VI ILIANO DA COSTA BRITO MOREIR · JORGE QU CABRITA PAULO ME RT LIO IA L SA · EM · JO ÃO · JO DE SÁ · BARROS NO MU RNANDO NISGA · IDÁL UEIR A · EMANUEMENDES PAULA · GOMES GUERREIRO· JOÃO DE DEUS · JÚMOS CARNAÇ O · NU NTEIRO AS · FE M JUNQ ULO PE GO CARR IÇO GELO EN SARA MONTEIR PA WILLIA LUÍSA MO ANO · LIA VIEG · IRIA NIO RA RO A · RUI O SILVA MANUEL NTE · ÂN RI SAND CALADO LAGINH · ALBERTONO JÚDICE · ANTÓA MOUTINHO NTOS · ANTÓNI EIXO · ÍS VICE UITA · JOÃO MA JOSÉ VIEIR A DOS SA NIO AL AZÃO · ERREIRO SA · LU A MESQ · MANUEL EL S· ELO EL NETO A · ANTÓ · CÂNDIDO GU ISTA · NU RGAS · ANAB RR EIA INHO BR VILHEN RINA RO OT NU PT NÇ IV CO · TA OS MARTIN MA BA RU RA ES EL CA RL · SÉ A· NUEL ALO VA JOSÉ CA SA MEND · VASCO FR ANCO TEMTEM HO · JO · EMMANUNOBRE · ASSIS ESPE PEREIR E · MA XANA · É · GONÇ · ANTÓNIO RO LYSTER SÓNI A IA JORG · DUARTE MES · NUNO BIC RO MAGALHÃES RO PELA MÁRIO A ANDR A A BERTO PIR ES · O · LÍD FERRO DR É CA A GO O SERR S· SO · AN LÚCIO · ROME PAULO R · AN O ALEIX . MIRAND · PAULA RO O AFON O · PAUL MARQUE NEVES · JOÃO DA ROCH A · JOAQUIM SPENCE ANTÓNI ÍS DE A DR RD O · RUFINO DO LU PE RI UA · · VI AR HA MA NO E S ED · RIA EL RN · EL NU RR EIR INTIN NA · MÁ LUÍS EN IVEIR A O RAMO AS · BE MOS · ZÉ A · LEON NR ADO RUI PA NTES · NO LORE CAMPIN PEREIR · JULIÃO QU DRO RA ADO · · EDUARD O · CATARINA OLARES FR ANCISCO JÚLIO CO JOÃO BE CENTE REIRO IR A · NU TÓNIO · OZ · PE BR ITA VI ER RE O MACH AN · CA EIR NH ITO · O SO S GU DR MO RI E BR QU IO UR DO PE FA RLOS JOSÉ VIEGAS A-GOME RNAN PORFÍR · PAULO JOSÉ LO · JORGE A · JORG IDÁLIA TEIXEIR AÇÃO · NQUEIR NO NISGA · · CARLOS S LOPES · MANUEL IRO DE BRITO · CACARLOS BARROS MONTEIRO DE SÁO · LIA VIEGAS · FE MANUEL IAM JU O · NU ENCARN ULO PE PASSOS SÉ DO DE VA RNANDE S · CASIM · ÂNGELO · SARA MONTEIR · LUÍSA · JOÃO MARIAN EIR A CALADO · PATA · SANDRO WILL TTI · JO NIO SIL BERNAR CENTE APATO TA LOPE DRO BARTILO CISCO FE VI TÓ OS VI RI RR UI ÍS AN NÉ AN NT SÉ SQ CA SA · FR LU SA NE JO · IDA TERE · PE · TIAGO BETE MARTINS · RLOS VILHENA MECATARINA ROSA · NUEL NETO DOS IVINHO BR AZÃO RREIA · MANUEL DANTAS CRUZ · LIO ALME O CÉLIO NTUR A CO GASTÃO S · VASC ADE · JÚ NÇA · MA SÉ RU IR A · JOSÉ CA · JOÃO VEATO DA LUZ · ELISA ROSA · DO GR MANUEL ESPERA RNANDE HO · JO TEMTEM NIA PERE XANA · S PINTO FERNAN RLOS FE NO BIC ÃES · EM NOBRE · ASSIS · TURC MANUEL VENDA · · PAULO PIRES · SÓA FERRO · DUARTE ESTEVE DIAS · JOSÉ CA MES · NU MERO MAGALH · AFONSO VAR · FERNANDO RLOS CAMPANIÇO · ROBERTO NIO RDO · PAUL VIRO DA ROCHA GO M RO TÓ AN FABIÃO RQUES · BI CA S ÍSA RICA JOAQUI RUFINO ALVES · ARDO MA EIR A · AS · LU L · JOSÉ O · EL NUNO RAMIRE · NÇ EG RR RN A AD S VI PA BE GO LIT I NR · NE VIDIGA ÃO LO ÃO RGE · MPINAS JÚLIO CO SANA NU ADO · RU IRO · JO O BR AZ EDUARD · PEDRO JOA · LUÍS GUERREDE MEDEIROS · SUANTÓNIO BAETA ·JOSÉ PEDRO MACH MES · VICENTE CA GALHOZ GINH ALIETE · SUSANA JOSÉ BARR ADAS · · BRUNO ALVES · NUEL TEIXEIR A-GO JOSÉ LA DIAS · RAMOS A· · MA EIROS PALMATERESA TEIXEIR CASTRO A MARR O EIR A · DE RI UL IV E PA MA OL IA CENT ES · LUÍS · JOÃO PIRUEL SANCHO · GLÓRMES DA COSTA · VI MURTA · GO · EMAN PAUL A CARRIÇO RUI MENDES A· LAGINH

É neste panorama que o Cultura.Sul, que agora completa três anos, se integra como ferramenta à disposição do sector cultural algarvio e da informação dos algarvios genericamente considerados. A aposta num caderno cultural nunca foi, nem será fácil num quadro cultural como o nacional e menos o é num quadro como o regional, mas o Cultura.Sul afirma-se a cada edição como uma publicação perene e neste esforço participam as instituições oficiais, como os mais variados agentes culturais e,

Acontecem por este Algarve uma série de eventos culturais, de produção própria, muitos de grande qualidade, alguns inéditos. Grande parte não se sabe que existem, outros descobrem-se alguns dias ou semanas depois. Alguns são tidos como o exemplo do que o Algarve nunca terá, apesar de já cá existirem, só que ninguém sabe. Por poucos que fossem seriam muitos (demasiados), aqueles em que a afluência de público

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da UE a 27, ultrapassando ligeiramente os 100 euros por habitante, em linha com os gastos realizados em Espanha, Itália e Alemanha. Neste âmbito, tem especial relevância o investimento em cultura feito com base no Programa Operacional da Cultura e, quanto a este aspecto, analisados os dados quanto à despesa pública por região no período 20002008, o Algarve recebeu a menor fatia dos fundos, com o Alentejo, a segunda região menos beneficiada a atingir quase o dobro do Algarve. 10 | JUH |

Numa outra análise constante do estudo e que reflecte os resultados do inquérito realizado pela Comissão Europeia sobre a relevância dos consumos culturais na União, em que se perguntava se, nos últimos 12 meses, os inquiridos tinham participado em uma de dez actividades culturais (assistir a um programa cultural na rádio ou na TV, ler um livro, visitar um museu ou galeria, assistir a um evento desportivo, visitar um monumento histórico, ir ao cinema, visitar uma biblioteca, ir a um concerto, ir ao ballet ou à ópera e ir ao teatro), os resultados em Portugal estão sempre situados nos últimos quatro lugares dos países da UE a 27. A excepção só tem lugar no que respeita a idas ao cinema, visitas a bibliotecas e presenças em eventos desportivos e o pior resultado de Portugal encontra-se na leitura, onde ocupa o segundo valor mais baixo entre todos os países, com apenas 50% dos inquiridos a afirmar ter lido pelo menos um livro nos últimos 12 meses. Por outro lado, a despesa pública em cultura é, no nosso país, de acordo com os dados disponíveis no estudo (referentes a 2005), de 1,2 mil milhões de euros, situando-se a meio da tabela no ranking dos Estados-membro

Razões de sobra para o esforço em prol da Cultura

João Evaristo

ção nº nte da edi te integra

Análise comparativa da procura cultural

NTES

· JOÃO BE OS BRITO · CARLOSI · JOSÉ CARLOS BARRATO BRITO

de Artes caderno

A Cultura é, ainda hoje, uma das áreas onde Portugal se encontra a uma grande distância da posição relativa ocupada pela maioria dos Estadosmembros da União Europeia a 27 (UE27). Não se trata propriamente de uma novidade para aqueles que se encontram ligados directamente ao sector, mas a realidade está bem plasmada no estudo realizado pela Augusto Mateus & Associados para o Ministério da Cultura, em 2010, sobre o sector cultural e criativo em Portugal. “A maioria dos indicadores analisados sugere que Portugal enquanto país consumidor de cultura está ainda num patamar bastante inferior aos da maioria dos restantes estados membros da UE a 27”, refere o trabalho realizado por aquele que é um dos mais reconhecidos gabinetes de estudos do país, dirigido pelo ex-ministro das Finanças Augusto Mateus. A Cultura pesa pouco nas despesas familiares portuguesas, cerca de 3%, contra a média da UE a 25 que se situa acima dos 4,5%, com apenas a Itália, Chipre, Grécia e Letónia a ficarem abaixo de Portugal.

Câmaras algarvias lideram investimento em Cultura e Desporto A região está, no entanto, melhor situada quando se analisam os gastos municipais em Cultura e Desporto. Neste caso as Câmaras do Algarve gastam 12,5% do total da sua despesa nestas actividades, o que representa um investimento de 169,5 euros por

habitante. No primeiro caso, as Câmaras do Algarve são as terceiras no cômputo das regiões do país que mais gastam em Cultura e Desporto e, no segundo, o investimento por habitante nestas áreas é o mais elevado de entre as regiões portuguesas. Os dados do estudo realizado para o Ministério da Cultura não podem ser motivo de satisfação nem para o país, nem para o Algarve, e os resultados efectivos dos investimentos feitos indicam que, apesar dos valores gastos, Portugal tarda em descolar da cauda da Europa no que respeita à fruição da Cultura. Importa, no entanto, reconhecer que nos últimos anos, tal como o estudo da Augusto Mateus e Associados reconhece, registaram-se evoluções positivas significativas em muitas variáveis de análise no sector cultural.

muito em particular, os colaboradores que dão corpo ao caderno, numa presença unida sob uma mesma plataforma que constitui por si só, e porque livre e independente, um caso de relevo. Mas, mais do que um suporte comunicacional de divulgação do que no Algarve se faz em termos culturais, o Cultura.Sul é hoje um verdadeiro espaço da realidade algarvia do sector nas suas mais variadas facetas. Abriu-se à cultura sem preconceito nem elitismo, porque a Cultura, e no seu mais lato sentido o conhecimento, não têm, ou pelo menos não devem ter, fronteiras, espartilhos ou quaisquer outras menoridades. Porque a Cultura é maior e de todos, feita por todos e para todos, porque é essência do nós e dos outros, o Cultura.Sul manterá o azimute e turbulentas as águas que sejam caminhará para um destino de sempre maior dedicação, esforço e qualidade.

António Pina

Vereador da Cultura da Câmara de Olhão

Começo por felicitar todos quantos, mês após mês, continuam a fazer o Cultura.Sul e pela passagem de mais um aniversário. Sou conhecedor das dificuldades existentes em fazer jornalismo em regiões com baixos índices de leitura, em particular no caso do Algarve, onde as actividades culturais, políticas e sociais estão concentradas em meia dúzia de cidades junto à


Cultura.Sul 30.0 6. 2011

 

Ricardo Claro

Divulgar a Cultura Autóctone fica muito aquém do que seria de esperar ou por vezes o investimento e a qualidade impunham. Fala-se em formação de públicos Mas não se formam públicos com salas vazias. Gasta-se dinheiro e energia em organizar, por vezes com bastante empenho, brio, rigor, eventos de qualidade mas que não chegam às pessoas. Falta divulgação Peca-se por excesso ou por defeito. Cartazes, panfletos, agendas mais de ruído do que de informação. Para divulgar não basta emitir informação, é preciso que ela chegue ao destinatário, o público.

Mas como exigir às estruturas algarvias que compitam por um espaço comunicacional com as grandes estruturas/empresas económicas ou com produtos financeiros de cariz cultural. Já basta a exigência competitiva a nível de todos os restantes aspectos de produção. Dar voz à Cultura O Cultura.Sul surge assim, com a sua reestruturação em Julho de 2010 e depois de dois anos ao serviço da cultura algarvia, como um espaço único que pretende dar voz à Cultura algarvia. Um espaço multidisciplinar e abrangente. Um espaço aberto à participação activa dos nossos agentes culturais, independentemente da sua dimensão. E foram muitos os que tomaram

a palavra para contribuir para a valorização da nossa Cultura. Mais do que a subjectividade das ideias, o consenso de opiniões ou as diferentes formas de fazer e estar, o Cultura.Sul é sensivel ao acto criador e isso obriga a uma linha editorial plural, uma verdadeira democratização da expressão criativa. Já aqui foi sugerido que «muitos usam a Cultura como se de uma gravata se tratasse. Não sabem bem para que serve mas usam-na, porque fica bem!». Seria necessária uma reflexão profunda sobre a Cultura algarvia. Ou talvez baste ir ao fundo de nós. Estão de parabéns o Cultura.Sul e todos aqueles que nele têm vindo a colaborar, de forma altruísta, em prol da nossa região.

“Parabéns ao Cultura.Sul por dar voz àquilo que dá sentido à vida e nos torna gente com alma e saber – a Educação e a Cultura que se faz no nosso Algarve”.

Luís Correia Director Regional de Educação

“O Cultura.Sul mudou e inovou a comunicação sobre Cultura no Algarve, dando ‘palco’ a investigadores, criadores e produtores, aproximando-os do(s) público(s) e despertando a sua curiosidade e exigência”. Dália Paulo Directora Regional de Cultura

Cultura.Sul, agente cultural regional

Maria Cabral

Pró-reitora para a Comunicação e Artes da Universidade do Algarve

O suplemento Cultura.Sul designa-se, com toda a propriedade, como o jornal de Artes e Letras do Algarve. Com o apoio das Direcções Regionais da Cultura e da Educação, este caderno conta já com três anos de existência. No cumprimento da sua missão de divulgar a actividade cultural e artística realizada no Algarve, o Cultura.Sul tem também permitido a visibilidade de actores culturais regionais, na medida em que se constitui como interface mediática entre as suas produções e o público leitor. Se, de acordo com uma visão actual, definirmos o conceito de cultura como o conjunto de conhecimentos e modos de significação valorizados numa determinada comunidade, então teremos de conceder ao Cultura.Sul o estatuto de agente cultural regional.

Diz o povo…

CULTURA (SUL) É VIDA! orla costeira, numa vasta área geográfica. Muito tem sido feito por autarcas e por agentes culturais, para diversificar as actividades culturais, levando-as a todos os algarvios, assim como novas forma de as programar – programas em rede –, proporcionando às cidades aderentes a possibilidade de assistirem a um maior número de espectáculos a custos mais reduzidos. Há que acompanhar os novos tempos… há que redefinir prioridades e apostar na cultura como forma de educar públicos e formar os mais jovens, habituando-os a consumir cultura e a participar activamente na divulgação. A isto chama-se também, cidadania! A Divisão de Cultura da Câmara

Municipal de Olhão, a qual coordeno como vereador do pelouro, e sem qualquer imodéstia, já entendeu este novo paradigma, e tem vindo ao longo deste ano e meio a direccionar toda a sua estratégia de acção. Apresentamos uma programação mais eclética, efectuamos parcerias com outras Câmaras Municipais – Algarve Central – e com entidades privadas, arriscamos em espectáculos populares e com artistas da terra e, principalmente, apostamos nos mais jovens! Muito nos orgulhamos que durante os meses de Maio e Junho, cerca de 2.500 jovens tenham passado pelo nosso Auditório gratuitamente. Mas, muito deste sucesso, passa sem dúvida alguma por uma forte, constante e sistemática divulgação, e

nisso, temos tido sem dúvida alguma a grande colaboração do Cultura Sul. Outras organizações culturais e municípios dirão de sua justiça, mas nós estamos agradecidos e, duplamente satisfeitos: Este projecto é coordenado por uma associação da nossa terra: A Gorda! Não quero deixar de referir e enaltecer a aposta que o Postal do Algarve teve ao iniciar este projecto e dar-lhe continuidade; tem todo o mérito, por pioneiro e único! Também soube ler a necessidade de o fazer crescer, partilhar com quem sabe, com quem está disponível e, acima de tudo, com quem acredita na cultura como uma forma viva e de vida! Sem dúvida alguma: Cultura Sul é Vida e está VIVO! Parabéns…

Nas páginas de cada uma das suas edições estão patentes as referências ao que por cá produzimos em termos de arte e de cultura, assim, cada edição do Cultura.Sul é também o espelho do nosso modo particular de ver e de sentir a realidade. Certamente que este suplemento não seria o mesmo se fosse publicado noutra região do Portugal. Aqui, no jornal da Cultura ao Sul, frequentemente se dá conta da ocorrência de realizações culturais de natureza diversificada, como convém a uma região marcada pela interculturalidade e pela diversidade linguística dos seus habitantes e visitantes. No Cultura.Sul fala-se de festivais de música únicos no país, perscruta-se a actividade de grupos de teatro mais e menos urbanos, reflecte-se sobre a herança cultural patrimonial do Algarve, dá-se voz à escrita de poetas e à obra de pintores e escultores que ultrapassaram há muito as fronteiras da região e até do país. Mesmo que, eventualmente, como acontece após a leitura de qualquer outro meio de comunicação impresso, disputemos os critérios de selecção do que por vezes nele se publica, facto que nos identifica com o estatuto de leitores críticos e atentos, a verdade é que este suplemento é indispensável. Sem ele certamente que o panorama cultural do Algarve seria menos visível e, logo, pareceria mais pobre.

Paulo Moreira

Prof. e encenador de Teatro

Diz o povo com razão “Portugal é Lisboa, o resto é paisagem”. No caso particular da cultura, mais verdade é esta afirmação: espectáculo ou exposição, por exemplo, que não ocorram na capital são equivalentes a eventos que não aconteceram de todo, ou que, no mínimo, não chegaram ao conhecimento da intelligentzia, razão pela qual os seus responsáveis continuarão desconhecidos da crítica especializada e do grande público. Quem trabalha no Algarve nesta área sabe do que estou a falar.

Assim sendo, é com muito agrado que tenho acompanhado o trabalho meritório feito pelo Cultura. Sul no último ano. Só tenho pena é que a periodicidade do mesmo não seja mais curta, pois que o seu carácter mensal não permite um maior contributo para a divulgação de eventos a acontecer nestas paragens longínquas (da já citada capital macrocéfala). A terminar esta crónica não resisto a comentar o facto de a publicação em causa ser distribuída (conjuntamente com o jornal-mãe “Postal do Algarve”) com o prestigiado jornal Público, que embora seja oficialmente considerado um jornal nacional não passa de… um jornal “regional”, isto é lisboeta, isto se tivermos em conta o número de artigos/notícias que esta publicação dedica a outras zonas do país, nomeadamente o Algarve. Com o Postal do Algarve e o Cultura.Sul finalmente vale a pena comprar o Público para saber o que se passa nesta ponta do país! Bem hajam!




Cultura.Sul 30.0 6. 2011

baú

Tens pá troca?

À memória do meu pai que sempre incentivou e apadrinhou o meu espírito coleccionista

Joaquim Parra

Professor de História e coleccionador baudopostal@gmail.com

In illo tempore, quando os tempos livres dos miúdos não eram ocupados com Play Stations, Internet ou telemóveis, a rapaziada jogava à bola, brincava aos “caubois”, polícias e ladrões, fazia corridas de “carrinhos de rolamentos” e … fazia colecções de cromos (fossem elas dos caramelos ou de envelopes surpresa). A primeira colecção que entrou lá em casa (pela mão do meu pai) foi a do “Pinóquio no Espaço”. Eu era ainda um pirralho, mas seguia o ritual com grande atenção. Depois do jantar, o meu pai sentava-se à secretária e, com um canivete, abria cuidadosamente os envelopes, retirava os cromos e dava baixa numa lista numerada. Separados os da colecção dos repetidos, passava à colagem. Por fim dava uma vista de olhos à caderneta e fechavaa. Mais tarde, quando comecei eu a fazer as colecções, vim a descobrir outras motivações. Tudo começava com a compra dos envelopes. Não era bom augúrio comprar sempre no mesmo local, convinha variar de loja (para evitar os repetidos). Depois, a ansiedade de ver o que estava no envelope… tenho, tenho, não tenho, não tenho, boa, este é dos difíceis… Depois de dar baixa e separar os que não tinha, colocava os repetidos no montinho das trocas. No intervalo da escola ou depois das aulas, pro-

cedia-se ao ritual das trocas: “tens pá troca?”. Os montinhos mudavam de mãos e fazia-se a escolha, a que se seguia, por vezes, um complexo e discutido negócio (que podia chegar a vias de facto): “este é mais difícil”, “tens tantos deste”, “este vale mais do que um” e por aí fora. O negócio por

vezes ainda se complicava mais quando se tratava de arranjar os últimos (claro que se podia encomendar à editora, mas não dava tanto gozo). Por fim, chegado a casa procedia-se ao ritual da colagem com cola Cisne, Pelikan ou água e farinha. Quanto às temáticas eram muito variadas, ao contrário do que acontece hoje em dia em que as colecções de cromos estão quase exclusivamente centradas no futebol. De uma forma geral, ao carácter lúdico juntava-se o aspecto didáctico e até científico. Além dos ídolos desportivos, havia colecções de artistas, de figuras históricas, do corpo humano, da natureza, invenções, armas e soldados, transportes, de história do homem, bandeiras, raças, etc etc. Recordo-me de uma (foi a que demorei menos tempo a fazer) que foi uma autêntica loucura porque atingiu miúdos e graúdos: “Notas de Banco de Todo o Mundo”. Em Olhão juntavam-se “magotes” de gente ao pé das Portas de Ferro, num quiosque que lá havia, para trocar cromos. Lembro-me de ter arranjado a um senhor o último cromo e de ele me dar todos os seus repetidos que eram uma “montanha”. Esta variedade era, em parte, proporcionada por uma certa concorrência existente entre as várias editoras, como por exemplo a Agência Portuguesa de Revistas (que durante alguns anos teve um certo

monopólio) a Palirex Lda., Clube do Cromo, Editorial Globo, Edições Francisco Más Lda., Disvenda Lda., Livraria Bertrand, Arcádia Editora, Editorial Íbis e, claro a Panini (que actualmente detém o monopólio das colecções de cromos em Portugal e que, só muito pontualmente e lo-

calmente, é quebrado). Havia ainda outras colecções associadas a produtos alimentares como o Kocky (pó de chocolate para o leite), Tulicreme (creme para barrar no pão), os gelados Olá ou as Pastilhas Elásticas Pirata que também proporcionavam cromos e cadernetas para os colar. O colar do último cromo na

caderneta era (é?) uma sensação única, era uma aventura e um desafio que chegavam ao fim e, também, um bocadinho da nossa educação, porque sem repararmos nisso, aprendíamos sempre alguma coisa nova. Ao que parece, os primeiros cromos (de cromolitografia, processo de

litografia a cores patenteado em 1873 por Engelmann) surgem em finais do século XIX como decoração em caixas de fósforos, estendendo-se posteriormente aos chocolates, cigarros e outros produtos. É também, por esta época, que surgem em França os primeiros álbuns para colar cromos. A transformação dos cromos coleccionáveis, per si, num produto vendável, foi um processo ainda pouco estudado, mas parece ter sido na Espanha dos anos 40, quando a Editora Gato Negro (mais tarde Bruguera) colocou no mercado o primeiro álbum dos Cromos Cultura, provavelmente já vendida em envelopes surpresa e que se tornarão, nos anos 50 e 60, num ícone característico de uma zona geográfica limitada, constituída por Espanha, Portugal, Itália e países da América Latina. Em Portugal, a história deste tipo de cromos começa com Mário de Aguiar, que em 1949 formou, com António Dias, a Agência Portuguesa de Revistas (APR). A primeira ideia de Mário de Aguiar foi a edição de uma colecção própria, tendo como tema a História de Portugal. Para a ilustrar escolheu um jovem desenhador de 16 anos que trabalhava na Fotogravura Nacional e que se chamava Carlos Alberto Santos. Como a elaboração da História de Portugal demorasse, a APR comprou as suas primeiras colecções de cromos à Bruguera (Barcelona) e anunciou em inícios de Outubro de 1951, o lançamento da colecção “Os Três Mos-

queteiros”, que só seria concretizado em Junho de 1952 com a indicação de que o texto seria publicado num álbum, com a indicação para colar os cromos e que estes seriam vendidos separadamente, em série de três, num envelope surpresa. Em Outubro de 1953 a APR publicou finalmente “História de Portugal”, que constituiria (e constitui) o maior sucesso de sempre de uma colecção de cromos em Portugal, com mais de 17 edições. A Editorial Bruguera estava representada junto da APR por Jaime Mas, que estava ligado à pequena Editorial Íbis. Em 1957/58 com a colecção “A Conquista do Espaço” dá-se a cisão entre Jaime Mas e Mário de Aguiar que resultou na perda, para a APR, da relação com a Editorial Bruguera no que respeitava ao fornecimento de colecções de cromos. Estes passaram a ser editados directamente pela Ibis com distribuição pela Livraria Bertrand. A partir de 1958 e durante cerca de dez anos estabeleceu-se uma bipolarização da oferta de colecções. Por um lado, a Ibis lançava uma catadupa de colecções Bruguera de grande qualidade gráfica (“História Natural”, “Figuras Imortais”, “História do Automóvel” ou “Cine Foto”), enquanto que a Agência lançava colecções de outras editoras (“Navios e Navegadores” da Editorial Crisol) e investia na produção própria (“História de Lisboa” de 1960, “Campeões Nacionais” ou “Camões”). A entrada no mercado do cromo, em 1969, do primeiro de vários novos concorrentes marca o fim da época de ouro das colecções em envelopes surpresa. Em 1973 Mário de Aguiar vendeu a sua quota na Agência Portuguesa de Revistas, que acabaria por fechar portas uma década mais tarde. Carlos Alberto Santos abandonou a APR no final desse ano. Em 1974 romperia com a editora por causa dos direitos de autor sobre as sucessivas edições da História de Portugal. Deixou algumas colecções em vários estados de acabamento que nunca viriam a ser publicadas. Os valores que estas colecções (completas) atingem hoje em dia, são motivadores para um volta aos velhos “baús” lá de casa, pois podem variar entre os 20 e mais de 500 euros. Quem quiser comprar ou completar alguma caderneta mais antiga (ou moderna) não pode deixar de, numa visita a Lisboa, passar à porta da estação ferroviária do Rossio ou no Mercado da Ribeira (aos domingos de manhã). Normalmente, os preços dos cromos começam nos 25 cêntimos e chegam até aos 1,5/dois euros. Claro que também há a Internet (Miau, Leilões.Net, etc.), mas isso são modernices…


Cultura.Sul 30.0 6. 2011

 

museu

• Museus – a vez e a voz do visitante

Isabel Soares

Museu Municipal de Arqueologia de Silves

Museóloga/Arqueóloga

Silves é uma cidade repleta de magníficos vestígios do passado, exibindo, do alto de uma colina, o seu admirável castelo e todo o casario que desce, quase em cascata, até ao rio Arade. A posição geográfica da cidade, a abundância de recursos naturais do território, a função histórica e estratégica do rio Arade, como principal via de navegabilidade nas diferentes épocas e porta de entrada para o interior do Barlavento Algarvio, motivaram a fixação de grupos humanos, desde os tempos préhistóricos. Ao longe avista-se uma imponente fortificação militar; um castelo de tonalidade avermelhada, que nos permite adivinhar o regresso ao passado, como que se o tempo tivesse descansando nesta cidade, tornando-se, por isso, Silves uma visita obrigatória. Segundo conta a história, no período de ocupação islâmica, Xelb (Silves) tornou-se num dos mais importantes centros económicos, sociais e culturais, possuindo um sistema defensivo imponente e bastante sofisticado que envolvia toda a cidade. Este castelo encontra-se situado numa elevada colina, como se fosse o guardião do então concorrido rio Arade. Mas deixemos o Castelo e sigamos rumo ao Centro Histórico da Cidade, particularmente próximo da entrada principal da Medina, a rua da Porta de Loulé, onde encontramos o Museu Municipal de Arqueologia de Silves, que vamos visitar e dar a conhecer. Numa casa de habitação do século XIX foram colocados a descoberto importantes vestí-

Exposição de referência e o Poço-Cisterna gios arqueológicos, dos quais se destaca um reservatório de água, denominado Poço-Cisterna, construído em “grés de Silves”, tal como acontece com outros monumentos da cidade. Este poço de forma circular é rodeado por uma escadaria abobadada e em espiral, que apresenta vários nichos, através dos quais era possível aceder à água. Segundo se sabe, este reservatório abastecia a zona baixa da cidade, especialmente os banhos públicos. Desta forma, a necessidade de expor e comunicar a notável obra de engenheira dos finais do sec. XII e inícios do XIII, o Poço-Cisterna, associada à riqueza do espólio arqueológico da cidade proveniente de

Exposição Silves Islâmica: cinco séculos de ocupação do arrabalde oriental

Vitrine do período romano escavações, esta antiga casa deu lugar, na década de noventa, ao Museu Municipal de Arqueologia de Silves. Este museu apresenta três pisos, sendo o Poço-Cisterna Almóada a peça central e o elemento ordenador de todo o edifício. Um outro aspecto que merece relevo é o facto de a partir do interior deste museu podermos observar e aproximar-nos de um pano de muralha. O acervo do museu, que é na maioria proveniente de escavações, reúne um conjunto de testemunhos materiais bastante significativo, que nos informa acerca da história e do modo de

ocupação do território de Silves, desde a Pré-História até ao século XVIII. Comecemos então a visita à exposição de referência do Museu. O percurso expositivo apresenta-se segundo uma sequência cronológica. As colecções aqui expostas são constituídas por objectos do Paleolítico, Neolítico, Calcolítico, Idade do Bronze, Idade do Ferro e Período Romano, assumindo particular relevância as peças do Período Islâmico que, pela sua qualidade e pela sua quantidade, demonstram a importância da cidade naquele período histórico. As peças encontram-se, na

sua maioria, dispostas dentro de vitrinas. O visitante pode obter informações sobre as peças e o seu contexto através de textos escritos e imagens que completam o discurso expositivo. O percurso orienta-nos, primeiro, para o núcleo da PréHistória, com a sua colecção de menires e instrumentos de pedra, pertencentes às mais antigas ocupações humanas, passando depois para objectos que remetem para a Idade do Bronze e Idade do Ferro; deste último destacam-se as lápides epigrafadas com a “escrita do sudoeste”. Seguidamente o visitante contacta, visualmente, com um conjunto de cerâmicas e moedas do período romano.

Contudo, nesta visita assume importância o conjunto vastíssimo de materiais cerâmicos do período islâmico (Omíada, Califal, Taifa, Almorávida e Almóada). A fechar o ciclo de ocupação, a exposição apresenta um conjunto de materiais do Período Moderno. Para além da exposição de referência, o Museu tem patente uma mostra temporária, no piso superior, “Silves Islâmica: cinco séculos de ocupação do arrabalde oriental”. Aqui, mais uma vez, estão retratados diferentes aspectos do passado da cidade de Silves, no Período Islâmico. Nesta sala é possível observar os objectos provenientes da escavação da obra da Biblioteca Municipal, realizada nos finais de 2001, onde foram colocadas a descoberto estruturas e materiais arqueológicos importantes. Os objectos apresentados são bastante diversificados e dão-nos informação sobre diferentes aspectos do quotidiano: religião, alimentação, lazer e defesa. De entre o conjunto de objectos destacamos a colecção de utensílios (louça de cozinha, louça de mesa), apetrechos de armazenamento e transporte de alimentos, utensílios de fogo e iluminação, objectos em osso, metal e vidro. Terminamos esta visita, referindo que saímos surpreendidos pela riqueza incomensurável do espólio arqueológico… Este espaço transporta-nos para outros períodos históricos e permitenos a fruição de sentimentos e o cruzamento de culturas e ideias. De facto, o conhecimento está em constante construção e este museu é prova disso, estudando, expondo e comunicando aquilo que outrora se encontrava escondido sob a terra.

Conjunto de candis (utensílios de iluminação)




Cultura.Sul 30.0 6. 2011

Quotidianos poéticos

Teixeira Gomes

Algures num espaço e tempo do Algarve, a vida e a ficção intrometeram-se na poesia de Manuel Teixeira Gomes

Pedro Jubilot

pjubilot@hotmail.com canalsonora.blogs.sapo.pt

Bibliografia: Teixeira Gomes, ‘Agosto Azul’; 1904. http://www.presidencia.pt http://www.leme.pt/biografias/portugal/presidentes/gomes.html Discografia: ‘Obras de António Fragoso’, Miguel Henriques (piano); Numérica, 2007.

A primeira namorada era da praia de Ferragudo ali junto à foz do Arade, - de areia fina e doirada, rochas de pitoresco recorte emergindo do mar cerúleo, árvores floridas, como a amendoeira, debruçando-se sobre as águas tranquilas de curtas enseadas -. Mas tal como Corto Maltese, Manuel Gomes pensava das mulheres que seriam maravilhosas se pudéssemos cair-lhes nos braços sem ficar nas suas mãos. Por isso só aos 39 anos, Teixeira Gomes se decide casar com Belmira das Neves, jovem algarvia proveniente de uma família de pescadores. Andou pelo mundo mas a mulher que geraria as suas duas filhas estava mesmo ali ao lado. Outros dirão depois que tal demora se devia (também tal como o herói de Hugo Pratt) a diversas orientações afectivas. Da então Vila Nova de Portimão parte - pus-me a correr mundo para me certificar como era incomparavelmente bela a minha terra -. Por causa dos figos secos algarvios que a família negociava conheceu a Europa e o Mediterrâneo; para estudar passou por Coimbra e Porto; e politicamente ocupa o cargo de Ministro dos Estrangeiros em Londres, vai à Escócia, é diplomata em Madrid e Londres, chegando ao Palácio de Belém em 1923. O então Presidente da República explica assim por que resignou ao cargo em 1925: - A política longe de me oferecer encantos ou compensações converteuse para mim, talvez por exagerada sensibilidade minha, num sacrifício inglório. Dia a dia, vejo desfolhar, de uma imaginária jarra de cristal, as

Teixeira Gomes na Embaixada de Portugal em Londres minhas ilusões políticas -. Em seguida embarca no paquete grego Zeus para o chamado autoexílio argelino, apesar de considerar, e ele sabia-o melhor que ninguém, que - a realização perfeita da paisagem marítima grega, tal como os poetas da antiguidade a conceberam, está entre o troço da costa do Algarve, entre a ponta do Altar e a ponta da Piedade, isto é, desde a barra de Portimão até ao fecho da baía de Lagos -.

Mesmo depois de morto (1941) continuou a viajar. Regressa de Argélia para Portimão em 1950, chegando os seus restos mortais ao Algarve, ironicamente num dia de chuva, ele que tanto amava a luz do sul. Mas mesmo assim ainda teria direito a mais uma subtil provocação ao Estado Novo. Foi recebido por familiares (as filhas Ana Rosa Calapez e Maria Pearce de Azevedo), velhos amigos e admiradores. Mas também por novos opositores

ao regime que ali se manifestaram, apesar de se saber de antemão que a PIDE iria aparecer na cerimónia. Nesse dia foram efectivamente presos alguns dos democratas, que tal como ele estavam descontentes com a situação que o fez abandonar o país em 1925 para Bougie, uma Sintra à beiramar mediterrâneo, mas também por uma necessidade porventura fisiológica, de voltar às minhas preferências, aos meus livros, justificou-se.

Espaço CRIA

A criatividade e empreendedorismo nas escolas: uma aposta no futuro das próximas gerações

Susana Imaginário

Gestora de Ciência e Tecnologia do CRIA - Divisão de Empreendedorismo e Transferência de Tecnologia www.cria.pt

A sociedade é marcada, actualmente, por uma grave crise educacional, nomeadamente abandono escolar e insucesso académico e profissional (desemprego), tornando-se fundamental dotar os nossos jovens, desde tenra idade, de competências criativas e empreendedoras. Dada a rigidez do nosso sistema educativo é importante formar e mobilizar pessoas capazes de incentivar os alunos e de fugir às

estratégias adoptadas pelo ensino tradicional, estimulando um plano de vida mais criativo e empreendedor. Exemplos disto, poderão ser as aulas de empreendedorismo asseguradas a grande parte dos estudantes da Universidade do Algarve, que, ano após ano, abrangem mais alunos da instituição; e, ainda, os Concursos de Ideias promovidos pelos vários organismos/entidades regionais, que premeiam as melho-

res ideias de negócio e promovem o espírito empreendedor em cada um de nós. Jovens mais criativos e empreendedores apresentam não só bons resultados a nível académico, mas também a nível profissional. Todavia, é necessário ter em conta que os esforços que se começam a evidenciar são sobretudo ao nível do ensino superior. Contudo, estes deveriam começar o mais cedo possível, abrangendo igualmente os

indivíduos que pretendem seguir ou seguem directamente para o mercado de trabalho, independentemente da sua escolaridade. Motivar os jovens para serem mais criativos e empreendedores não é tarefa fácil! No entanto, a motivação é essencial, pois representa um processo que lhes permitirá desenvolver competências, tais como, a pro-actividade na procura de emprego e construção do seu próprio negócio.


Cultura.Sul 30.0 6. 2011

 

livro

Ler e ouvir Amar em Círculo O livro estrutura-se em pequenos capítulos (frequentemente um por página), que começam com uma epígrafe musical, composta por um verso de uma canção, que, de algum modo, nos remete para o estado de espírito que a personagem vai revelar ao longo dessa página. Podemos, nessas janelinhas epigráficas que a autora connosco partilha, descortinar os seus variados gostos musicais: Paulo de Carvalho, João Pedro Pais, Delfins, Ana Moura, Bryan Adams, Pink Floyd, Robbie Williams, entre muitos outros. Contado pelo ponto de vista de uma única personagem (com excepção da última página, que se distingue por não ter citação, mas título), um médico viúvo, vamos folheando os dias deste homem e recolhendo uma informação aqui, outra acolá, que juntamos para perceber a intriga: a mulher advogada, provavelmente amante de um seu colega, morre na sala de operações do hospital; a mulher que ele agora ama é casada com outro homem, e tem dois filhos. Mas nada disto interessa. Não interessa quem é quem e faz o quê. A história não é uma história que se possa contar em forma de trama, pois isso seria reduzi-la. A trama existente é um suporte de sentimentos e são esses

Adriana Nogueira

Classicista Professora da Universidade do Algarve adriana.nogueira.cultura.sul@gmail.com

Este espaço onde escrevo há um ano, é um espaço de liberdade onde rabisco sobre o que gosto. Não é um espaço de crítica literária pura e dura, mas um lugar onde comento livros que me deram prazer ler e que, suponho, poderão dar prazer também a outras pessoas. Hoje escrevo sobre um desses livros, que ainda há pouco devolvi à estante. Comprei-o há poucas semanas (apesar de ter saído em Outubro de 2010). Sendo o segundo livro da jovem Isa Mestre (22 anos), é o primeiro que leio: Amar em Círculo, chama-se. Catalogado, logo na capa, como «romance», atrevo-me a dizer que é uma «novela», visto que a sua extensão (80 páginas) e estrutura se aproximam mais deste género de narrativa literária do que daquele. Acompanha-o uma versão áudio, em formato Mp3, lida por Afonso Dias.

• Da minha biblioteca Quéreas e Calírroe, um romance grego helenístico

destaque

Gregos helenísticos… não é uma redundância? Gregos e helenísticos não é o mesmo? – perguntaram-me. Parece, eu sei, mas não é. Chama-se helenística à época que sucede ao período clássico e que vai do séc. IV a.C. em diante, até à época romana, em que os gregos (e todo o resto do ocidente) viveram sob aquele império. O romance grego foi um pouco maltratado pelos intelectuais, mas muito apreciado pelo povo: a quantidade de versões encontradas em locais muito díspares demonstra que era aquilo a que hoje se chama obra de grande circulação. Se as elites culturais as consideravam pouco elegantes, sem a elevação que a forma poética conferia às composições (era assim que as tragédias

eram escritas, por exemplo), visto serem em prosa, já o povo gostava dos exageros das histórias de amor, localizadas em contextos exóticos, com muito drama (ou talvez deva dizer «dramalhão»: raptos por piratas, casamentos contrariados ou por interesse, tentativas de suicídio, processos em tribunal), em que tudo acabava bem, com os amantes reunidos, depois de inacreditáveis peripécias. O romance que aconselho é de um autor chamado Cáriton, que terá vivido no séc. I.d.C., em Afrodísias, na Cária (actual Turquia), e chamase Quéreas e Calírroe. A tradução foi feita em 1996 por Maria de Fátima Sousa e Silva, professora catedrática da Universidade de Coimbra, para as Edições Cosmos. Neste romance temos uma trama

muito rica de amores, traições, raptos, morte aparente, gravidez, ponderação sobre aborto… Como se percebe, já não estamos no mundo dos valores elevados da honra, dos grandes dilemas morais de respeito por leis humanas ou divinas. Nesta época individualista, em que a cidade já não é aconchegante e protectora, mas o homem se vê sozinho no grande império, outras são as suas preocupações. Com estes romances podiam sonhar com mulheres maravilhosamente lindas, com aventuras e amores impossíveis, mas as preocupações reflectidas são as do homem – e mulher – comum. O que se discute agora não é como salvar um reino ou um povo, mas uma família. As palavras do próprio autor resumem o romance: «Afrodite apiedou-se dele. Aquele laço com que, à partida, tinha unido aquelas duas criaturas perfeitas, que empurrou por terras e mares, quis a deusa reatá-lo. Julgo que este remate da história vai agradar em cheio aos meus leitores, pois vem desanuviar as tristezas dos episódios precedentes.

“A ESTRELA” 1 JUL | 22.00 | Jardim Pescador Olhanense L’Etoile (A Estrela) é o nome da escultura–estrutura auto-sustentável, é também o nome genérico do conjunto dos pequenos espectáculos

Fim às piratarias, escravidões, processos, combates, tentativas de suicídio, guerras, capturas; voltemo-nos agora para amores legítimos e casamentos legais». Um passo deste romance é significativo: a jovem rica é dada como morta e, depois de raptada do seu túmulo por piratas e de ter sido feito escrava, descobre que está grávida do marido que se encontra longe dali (pensa ela, mas isso só lendo o livro). Estes assuntos, numa linguagem tão pragmática, não eram tratados pela «grande literatura», mas era para eles que os novos ouvintes tinham apetência: «Pouco antes da queda que sofreu, Calírroe tinha engravidado. Mas os perigos e as desgraças que sobrevieram não a deixaram perceber logo o estado em que estava. No início do terceiro mês, o ventre começou a crescer-lhe. No banho, Plângon [uma velha escrava] reparou nisso, com toda a sua experiência em questões femininas (…), sentou-se na beira da cama de Calírroe e disse-lhe: «Sabes, minha

que ressaltam na narrativa. Ao som dos The Gift a cantarem obrigada por saberes cuidar de mim, tratar de mim, o narrador começa: «Tenho a desvantagem de não ter nada meu. Nada que me agarre quando quero cair. E por vezes agarrar-me a ti não chega porque não consegues ser suficiente para todos os corpos que se te colam à pele. Sou uma casa desabitada. Dois quartos de solidão e uma sala cheia de angústia. E tu tens medo de entrar, de olhar para dentro de mim». Gostei do livro. Não procura grandes efeitos, mas mantém uma simplicidade elegante: não é fácil falar de sentimentos contidos. Não há aqui banalizações de sentimentos, nem fáceis explosões temperamentais. Uma calma de morte, diria, atravessa toda a narrativa. Não sei quem editou o livro, pois não é dada informação. Suponho que tenha sido edição de autor. É esse o problema de muitos que estão a iniciar as suas vidas como escritores: ter quem os edite. Neste caso é pena não ter havido uma editora, com um bom paginador que não tivesse feito tantos erros de translineação, e com um bom revisor de texto, para corrigir alguns lapsus calami. O livro merecia-os.

filha, estás grávida». Calírroe começou a chorar, a lastimar-se, a arrancar os cabelos […]. Plângon pegou-lhe nas mãos, propondo-se preparar-lhe, para o dia seguinte, um aborto sem mais complicações». Durante três páginas seguimos os pensamentos e as conversas de ambas, ponderando os prós e os contras de se fazer um aborto, apresentando razões para as duas decisões possíveis. Antes de tomar uma resolução final (está bem, eu digo: não aborta), a jovem mantém uma conversa com uma efígie do marido (se fosse hoje seria uma fotografia) e o bebé que traz no ventre: «fechou a porta, pousou a efígie de Quéreas sobre a barriga e disse: ‘Pois bem, agora passámos a ser três, marido, mulher e filho. Vamos decidir sobre os nossos interesses em comum’». Estamos muito mais próximos deste mundo com 2000 anos do que pensamos e ler os autores antigos ajuda-nos a perceber como a nossa essência humana mudou tão pouco…

“O PRIMEIRO” 9 JUL | 21.30 | Centro Cultural de Vila do Bispo A ACTA apresenta espectáculo, com texto de Israel Horovitz e encenação de Elisabete Martins


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Cultura.Sul 30.0 6. 2011

política

Henrique Dias Freire

• Entrevista com Jorge Queiroz, presidente da AGECAL - Associação de Gestores Culturais do Algarve

Devemos intensificar as relações com o Alentejo e a Andaluzia Defende que o Algarve terá de activar relações mais intensas com o Alentejo e a Andaluzia e aumentar projectos entre associações. As autarquias deverão cooperar mais em programas estratégicos, potenciar e partilhar meios. Para Jorge Queiroz, o grande objectivo é construir uma contemporaneidade com identidade, a bem de todos. CULTURA.SUL – Que balanço faz destes primeiros três anos da AGECAL? Jorge Queiroz – A AGECAL, fundada em 2008 por 14 profissionais, possui hoje expressão regional com 62 associados de 13 dos 16 concelhos algarvios. Nestes anos, ainda sem sede, organizámos três importantes seminários, em Faro (Que desenvolvimento cultural para o Algarve? - 2008), Tavira (Concepção e Gestão de Infra-estruturas Culturais - 2009) e Lagos (Serviços Educativos em Espaços Culturais 2010), realizámos cursos de “Jornalismo de Cultura” em Loulé e Tavira. Apoiámos a pós-graduação, agora mestrado em “Gestão Cultural” da Universidade do Algarve. Aceitámos o honroso convite para integrar o Conselho Económico e Social da UAlg. A AGECAL participou na criação da Associação Ibérica de Gestores Culturais – AIGC e fomos co-organizadores do 1º Congresso Internacional de Gestão Cultural realizado em El Ejido – Almeria em 2009. A boa notícia é que a Câmara Municipal de Faro cedeu recentemente à AGECAL uma sede. Que ajustamentos deverão as autarquias fazer em termos de apoio e promoção de iniciativas culturais? Nas duas últimas décadas o investimento foi significativo, construíram-se bibliotecas, museus, teatros, centros de ciência, foram reabilitados monumentos… O Algarve tem hoje uma vida cultural mais evoluída e diversificada, projectos em todas as áreas. Na situação actual as autarquias deverão cooperar mais em programas estratégicos, potenciar e partilhar meios, valorizar o património material e imaterial regional. O Estado está a garantir as bases do desenvolvimento educativo e cultural desejável? O Estado pós-25 de Abril realizou um enorme esforço de democratização, também na Cultura. Sectores como a Saúde foram um sucesso, mas exage-

rou-se na “política do betão”. Devemos ultrapassar, na linha das recomendações da UNESCO, o seguidismo de modelos culturais alheios. Somos um país claramente mediterrânico, com uma riquíssima cultura milenar. A candidatura da Dieta Mediterrânica Portuguesa a Património Imaterial da Humanidade, que envolve Tavira, identificará no Plano de Salvaguarda o valor dos nossos produtos, o estilo de vida e as sociabilidades a preservar. Podemos construir uma contemporaneidade com identidade o que é bom para os visitantes e para todos. Considera que o Algarve se encontra bem apetrechado em termos de equipamentos culturais? Tirando um ou outro caso de necessidade, possuímos uma boa cobertura de bibliotecas, novos teatros (Faro, Olhão, Loulé, Portimão, …) e a região é reconhecida a nível nacional pelo trabalho dos museus e da sua rede, a RMA, temos já museus premiados. Alguns festivais são sucessos.

A escala competitiva é mais ampla que os concelhos. O Algarve com meio milhão de habitantes e 6% do território nacional terá de activar relações mais intensas com o Alentejo e a Andaluzia e aumentar projectos entre associações. Também neste aspecto poderemos ajudar. Que avaliação faz do papel do anterior e último Ministério da Cultura? Se o Ministério da Cultura viveu um contexto geral de crise financeira, também houve insuficiente clareza na explicitação das prioridades. Com a influência cultural de Portugal no mundo, somos a sexta língua mundial, não se percebe porque não temos uma forte estrutura de apoio à cooperação cultural internacional.

Quais as principais infra-estruturas que a nossa região carece? O problema não está hoje na construção de mais infra-estruturas mas nos objectivos estratégicos e na forma como trabalhamos colectivamente, na correcta concepção e hierarquização regional das infra-estruturas (supramunicipais, de cidade ou locais), na adopção de modelos de gestão que garantam sustentabilidade e eficácia, participação e inclusão. Como vê a dinâmica das associações culturais sediadas no Algarve? Estado, autarquias, associações e empresas têm naturezas diferentes, papéis específicos mas complementares. Ao Estado compete garantir direitos e o acesso dos cidadãos ao património colectivo, às associações estimular a participação e a iniciativa organizada dos cidadãos, às empresas culturais o fornecimento de bens e serviços especializados. A dinâmica do associativismo no Algarve é semelhante à de outras regiões do País, contudo deveremos construir projectos tendencialmente auto-suficientes. As autarquias deveriam apostar mais no fomento de intercâmbios entre a produção dos agentes culturais dos diferentes concelhos da região?

O caminho passa por construir projectos tendencialmente auto-suficientes, aponta Jorge Queiroz

E como avalia a Direcção Regional da Cultura? Defendo uma regionalização legitimada, assente na subsidiariedade e complementaridades, com autonomia decisória para quem tem a responsabilidade de gerir os recursos, nomeadamente culturais e patrimoniais. Reconhecendo o empenho dos responsáveis das Direcções Regionais, considero-as um modelo esgotado na lógica de um Estado excessivamente centralizado, com titulares de nome-

ação, sujeitos aos jogos da política nacional. Quanto à DRC do Algarve constatei várias acções que procuraram valorizar a região. Qual é para si a importância do futuro Plano Estratégico de Cultura para o Algarve (PECALG)? Conhecíamos a experiência da Andaluzia e a AGECAL sugeriu-o ao MC logo em 2008. Há basicamente no Plano Estratégico duas fases: os diagnósticos e

os programas decorrentes. Para que o PECALG tenha resultados são imprescindíveis compromissos políticos que transcendem o Ministério da Cultura, recursos supletivos, nomeadamente financeiros sob pena de ficarmos pelos diagnósticos. Qual é para si a relevância do «Cultura.Sul»? É um bom contributo para a informação e reflexão sobre a Cultura no Algarve.


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Cultura.Sul 30.0 6. 2011

Espaço AGECAL

Luís Guerreiro

Chefe de Divisão de Cultura e Museus da C. M. de Loulé S ó c i o d a AG E C A L – A s s o c i a ç ã o de Gestores Culturais do Algarve

A historiografia nacional durante muito tempo não deu grande importância à História Local. Era considerada uma arte menor, exercida por amadores, meros curiosos de coisas antigas, na maior parte das vezes sem a adequada formação. Houve sempre excepções, como tudo na vida, pessoas de grande craveira intelectual que publicaram obras e estudos de assinalável rigor científico, mas que na dimensão do alhe-

Espaço ALFA

Mauro Rodrigues www.alfa.pt

Numa altura em que a fotografia se tornou tão banal e presente na vida das pessoas, vale a pena falar um pouco de sacrifício. A maior parte dos fotógrafos que conheço procura a beleza das coisas que os rodeiam, um processo que requer um sacrifício elevado para a obter, às vezes até demais, ao ponto de alterar o nosso estilo de vida radicalmente. Vejamos então em pormenor a macrofotografia e a fotografia de Natureza. Existem muitos lugares e situações que podemos explorar ao máximo e obter imagens únicas, mas curiosamente muitos fotógrafos iniciantes procuram imediatamente o mais palpável, estou a falar de paisagens, flores, texturas e insectos. Estes bichos de que a maior parte das pessoas fogem ou os acham simplesmente repugnantes, são exactamente o motivo de fascínio para o fotógrafo. Porquê? – Dizem vocês! Será por causa da beleza? Sim, na realidade existem insectos bastante

O papel da história local para a identidade regional do Algarve amento geral acabaram esquecidas, ostracizadas ou apenas valorizadas por uma minoria esclarecida. No entanto, houve momentos, sobretudo nos últimos três séculos, em que o interesse pela História Local foi pontualmente fomentado. Desde logo com a criação da Academia Real da História em 1720 e o incremento que a mesma deu à valorização dos estudos locais. As Memórias Paroquiais organizadas pelo Padre Luís Cardoso após o terramoto de 1755 são ainda hoje preciosas fontes para o estudo da História Local. Importa aqui registar o nome de Alexandre Herculano, acérrimo defensor da história local, cuja obra – vasta e de referência – deu origem à publicação da Portaria de 8 de Novembro de 1847 que no essencial determinava que em todos os Concelhos, as respectivas Câmaras Municipais elaborassem um livro especial, denominado «Anais do Município», onde se registariam os acon-

tecimentos e factos mais importantes que ocorressem e cuja memória fosse digna de conservar-se, enunciando de seguida o que se considerava de interesse registar para as gerações futuras, indicando por fim a forma de o fazer. É óbvio que esta Portaria não teve grandes resultados práticos. Que eu tenha conhecimento, no Algarve ela não teve cumprimento, não obstante haver pessoas nalgumas Câmaras que, mais por sensibilidade pessoal e gosto pela história do que por orientações legislativas, organizaram os seus Arquivos e preservaram documentos que actualmente são verdadeiras preciosidades para a História Local, Regional e até Nacional. Por exemplo, em Loulé guardaram-se as Actas desde o século XIV, seguramente as mais antigas do País, e outros documentos de relevante interesse histórico, autênticos testemunhos de uma época que se estende até à Idade Média. João Baptista da

Silva Lopes, uma das tais excepções de que falava atrás, escreveu muito e bem sobre o Algarve e no prefácio das Memórias para a História Eclesiástica do Algarve escreveu que um membro da Academia Real da História foi incumbido de escrever a História do Algarve e desculpou-se com a falta de notícias e monumentos em que pudesse colher alguns dados seguros. Esta mentalidade nacional de desconfiança e desinteresse pelo local e regional fez escola e entrou pelo século XX adentro. Os nossos grandes Historiadores, salvo raras excepções, não iam à Província consultar as fontes, entendidas aqui numa perspectiva transdisciplinar onde entrava a geografia regional, a arqueologia, a toponímia, a tradição oral, a documentação administrativa etc... No Algarve, apesar de tudo há um conjunto de personalidades que ao longo dos tempos desenvolveram um trabalho notável e nos deixaram

obras de apreciável valor. Sem contudo ser exaustivo e penitenciando-me por algum esquecimento imperdoável, gostaria de mencionar o já referido Baptista Lopes, Ataíde de Oliveira, Estácio da Veiga, Alberto Iria, Joaquim Romero Magalhães e mais recentemente Maria João Raminhos Duarte, Rosa Mendes, Vilhena Mesquita, Joaquim Rodrigues e muitos outros investigadores ligados à Universidade e uma listagem enorme de jovens que estão a elaborar ou já fizeram Dissertações de Mestrado ou Doutoramento sobre temas da região. O interesse por esta área tem vindo a crescer de forma significativa, em grande medida devido às instituições académicas, devendo aqui realçar o Mestrado sobre a História do Algarve ministrado pela Universidade do Algarve, não descurando o papel das Câmaras Municipais através dos seus Museus e outros serviços culturais.

Sacrifício pela beleza bonitos, enquanto outros em contrapartida, parecem vindos de um filme de terror, mas o fascínio pelas formas, cores e pelo bizarro serão sempre motivos que os fotógrafos vão explorar, para de alguma forma impressionar o público em geral e passar a ideia de que a Mãe Natureza é cheia de maravilhas e que vale a pena preservá-la. Mas o que eu acho que leva os fotógrafos a procurar estas pequenas criaturas é certamente o desafio excruciante que é capturar a imagem perfeita delas. É difícil, recompensa no final, mas só aqueles que se sujeitam ao sofrimento é que realmente retiram alguma glória. Para terem uma ideia, começa logo pelo equipamento. Aqueles que pensam que conseguem capturar alguma coisa verdadeiramente macro com uma lente que não é macro podem tirar o cavalinho da chuva, porque o sentido real da palavra “macro” é 1:1, ou seja, a objectiva tem de ser capaz de capturar o insecto a 100%, encher visualmente a tela toda e ir mais além, ver os pormenores dos olhos, a segmentação do abdómen, a configuração das patas, verificar a complexidade das asas e até mesmo contar o número de pêlos que o bicho tem. E isso custa dinheiro. A Canon EF 100mm/2,8 L IS USM Macro e a Canon MP-E 65mm f/2.8 1-5x, que são objectivas dedicadas, verdadeiramente macro custam perto dos mil euros cada. Qualquer pessoa que entenda

Libélula de nervuras‑vermelhas / Red-veined Darter Dragonfly

minimamente de fotografia, tem de possuir igualmente equipamento especializado que produza luz adicional que irá compensar as sombras causadas pela luz do sol, estou a falar obviamente do Flash que para macro tem obrigatoriamente de ser diferente dos outros. O excelente Canon Macro Twin Lite MT-24EX Flash custa cerca de 700 euros. Entre os outros acessórios igualmente importantes temos filtros polarizadores, tripé, tubos de extensão para obter ainda mais magnificação, botas de borracha e um colete para

carregar o material todo. Mas que loucura é esta? É este o preço a pagar pela captura da beleza destes animais. É certamente este dinheiro e possivelmente ainda mais, porque a especialização e o conhecimento leva o fotógrafo a patamares ainda mais elevados. Por isso é melhor que tenham alguma forma de obter algum retorno desse dinheiro porque o sacrifício é elevado. E fisicamente? Sim, já me estava a esquecer da segunda parte. Acordar antes do sol nascer e aproveitar o facto deles, como animais de sangue frio, se

mexerem muito menos nas primeiras horas do dia. A fatiga da procura, porque os mais interessantes são também os mais difíceis de encontrar. Lidar com as flutuações do vento (fotografar em movimento é obviamente difícil). Percorrer os montes, a lama, os pântanos, rios e lagos são tudo pormenores que intensificam o sacrifício da procura pela beleza na macrofotografia e pela Natureza. Enfim, isto só mostra o quanto estamos desligados dela, é ao mesmo tempo tão bela e tão cheia de sacrifícios.


Cultura.Sul 30.0 6. 2011

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Espaço Educação

“Da Janela da Minha Escola… vejo um Monumento”

Graça Lobo

Coordenadora do concurso escolar na DREAlg

Ao considerarmos que a Educação é uma tarefa de todos, do Estado, da Escola, dos Professores, dos Pais e da comunidade civil em geral, no sentido de promover e alicerçar os princípios da cidadania de pleno direito, onde o sucesso educativo das nossas crianças e jovens seja uma efetiva realidade, consideramos que a atividade cultural na sua maior expressão é um valor insubstituível no desenvolvimento de qualquer cidadão do século XXI e que a sua prática se faz através da vivência continuada e participada, num apelo à expressão humana do saber e do ser e, ainda, que a cultura se assume como uma componente transdisciplinar da educação, do ensino e da aprendizagem. O que pode a Cultura trazer à Educação e vice-versa? Assinado em Setembro de 2010, o Protocolo de Colaboração entre a Direção Regional de Cultura do

Algarve (DRCAlg), a Direção Regional de Educação do Algarve (DREALg), o Governo Civil de Faro e as Autarquias do Algarve, permitiu o lançamento do concurso escolar “Da Janela da Minha Escola… vejo um Monumento”, tendo como técnicas operacionais Graça Lobo pela Educação e Clarinda Moutinho pela Cultura. Este concurso visa divulgar o património cultural algarvio junto da população escolar, sensibilizando para a necessidade de preservação e de valorização do património da região. Assim, a sua principal meta consistiu na promoção de uma Educação pelo Património, que contribuísse para uma cidadania ativa e para o reforço da identidade regional. Ao ser desenhado este Projeto, gizou-se um percurso em torno do património edificado no Algarve que potenciou aos alunos um conhecimento efetivo do monumento vizinho à sua escola, numa ligação ao currículo escolar – conhecimento do meio envolvente, História de Portugal e desenvolvimento de capacidades de análise, crítica e expressão. Para esse efeito, para além da consulta bibliográfica e da internet, foram fundamentais as visitas guiadas por técnicos das autarquias que fizeram viver esses espaços e criaram junto dos mais pequenos a verdadeira identidade dos monumentos. Munidos de bonés e mochilas criados para o efeito, os alunos foram investidos do papel de “investigadores” no terreno. A etapa seguinte desenvolveu-se em oficinas de quatro horas com artistas de vários domínios: Pintura (António Alonso e Fernando Pinheiro), Escultura (Jorge Pereira e Teresa Paulino),

Vista dos alunos no dia 3 de junho na Fortaleza de Sagres Algarv Direcção Regional de Educação do Algarve

Entrega de Certificados à EB1 da Conceição

Fotografia (Vasco Célio), Literatura (Isa Mateus), Vídeo (Cláudia Nunes), Música (João Cuña) e Dança (Isadora Mateus). Em reuniões prévias entre professores das turmas e artistas foram encontradas pistas de trabalho, quer para os projetos que as escolas tinham em mente, quer para a visão dos artistas. Daí saíram sugestões que foram depois postas em prática com a presença dos artistas em sala de aula. De realçar o contributo dos artistas que trouxeram uma mais-valia à realização dos trabalhos, aspeto que foi evidenciado pelas escolas participantes. Na verdade, esta intervenção permitiu a execução de obras que demonstram uma interpretação original sobre os monumentos estudados, muito para além de uma visão realista do património. Todo este processo culminou na execução de trabalhos que foram apresentados na Fortaleza de Sagres no dia 3 de junho com uma cerimónia aberta ao público, cerca de 400 crianças das escolas concorrentes dos 15 municípios algarvios receberam os certificados de participação e os prémios. A riqueza do processo e a satisfação que professores e alunos tiveram em participar evidenciaram-se nos trabalhos expostos, onde a originalidade de propostas interdisciplinares foi revelada, bem como a demonstração do conhecimento concreto sobre os monumentos. De realçar as memórias descritivas dos traba-

lhos, onde se percebe a validação de todo o processo e a sua implicação nas várias áreas de conhecimento, bem como a participação de pais e encarregados de educação e comunidade em geral. Ao relacionar os alunos com o património, mas também com a arte contemporânea, estamos certos que foram abertos olhares e horizontes sobre o passado e sobre o presente, com implicações no futuro. A Cultura é um processo dinâmico no tempo e estes alunos tiveram uma oportunidade única de explorar diversas abordagens artísticas. O mesmo é dizer que este processo teve e poderá ter reflexos numa perspetiva de formação global e interdisciplinar que seja uma peça no contributo para uma cidadania ativa. Serão estes alunos, os potenciais divulgadores do seu património, num ato de pertença fundamental para a cidadania, objetivo primeiro deste projeto. Se quiserem visitar estes monumentos tentem que os vossos guias sejam estes alunos de palmo e meio. Para além da informação que vos podem dar, ouçam as suas interpretações e a sua visão de um legado que já não está morto, mas encontrou novos horizontes. Até setembro podem ver os resultados desta experiência em exposição na Fortaleza de Sagres. Esta parceria institucional com a experiência do Projeto “Da Janela da Minha Escola… vejo um Monu-

1º Prémio

2º Prémio

3º Prémio mento” veio demonstrar as potencialidades da ligação entre Educação e Cultura, ligação fundamental para aquilo que se pretende em educação, possibilitar aprendizagens que contribuam para um crescimento plural em todas as vertentes. Esse foi o sentimento de todos os envolvidos.


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Cultura.Sul 30.0 6. 2011

Espaço Cultura

A Cultura sente-se? A missão cometida, no Algarve, à Direção Regional de Cultura1, inclui a criação de condições de acesso aos bens culturais e o acompanhamento das atividades culturais. Tendo em vista o apoio a agentes, estruturas e projetos artísticos, foi criada a Divisão de Promoção e Dinamização Cultural (DPDC)2, sendo através desta unidade orgânica flexível3 que se agiliza o apoio a iniciativas culturais locais e regionais que, não integrando programas de âmbito nacional, correspondem, pela sua natureza, a necessidades ou aptidões específicas da região e que se assegura o apoio técnico necessário à plena execução da política cultural aos níveis regional e local, nos diversos domínios de intervenção. Os apoios financeiros correspondem aos domínios da Criação/Produção (Artes Visuais, Teatro, Música, Dança, Audiovisual e Multimédia), Formação Artística, Atividades Socioculturais, Difusão/ Divulgação, Edição, Equipamentos de palco e instrumentos, e Outras Iniciativas culturais de âmbito regional. Embora ficando aquém do desejável – sobretudo se tivermos em conta que o formato nem sempre tem sabido acompanhar a emergência de novas expressões artística e que o orçamento dos projetos candidatos ao Apoio à Ação Cultural ronda, anualmente, um milhão de euros, enquanto a dotação orçamental para apoios, quer diretos, indiretos, tem sido, em média, de 10% do orçamento dos projetos anuais –, foi possível apoiar quase centena e meia de associações e agentes culturais do Algarve, sem fins lucrativos, na concretização dos seus projetos.

Se a realidade dos incentivos da DRCAlgarve à ação do tecido cultural regional desmente o alegado peso excessivo dos decisores do Estado no domínio da Cultura, essa mesma realidade indicia o longo caminho ainda a percorrer para aprofundar as ligações com o tecido cultural; a urgência de uma aposta clara na construção de um tecido cultural mais dinâmico, forte e qualificado, promovendo uma maior limpidez nos regulamentos de apoio, criando sinergias entre as instituições públicas, as entidades privadas, os agentes culturais e as comunidades; e, não dispiciendo, a premência de fomentar

no funcionalismo do setor cultural as competências técnicas necessárias a uma relação horizontal com os agentes da criação artística da região. A Cultura envolve um horizonte de longo prazo, compromete estratégias e políticas culturais claramente definidas, de forma a ir ao encontro das carências dos agentes culturais e a corresponder, crescentemente, com humildade e seriedade, às expectativas culturais das comunidades no Algarve. A aposta deverá ser, francamente, numa ligação estreita a todos os agentes culturais, estando no terreno, abordando diretamente

a comunidade, enfrentando a rua, confrontando ideias. É necessário criar pontes entre herança cultural e criação contemporânea, incentivando ligações transversais com as áreas da Educação, Economia, Ordenamento do Território, Ensino Superior e Investigação. O desenvolvimento cultural regional obriga a olhar o território e as suas especificidades numa perspetiva diversificada. Implica um processo participativo de criação cultural, potenciador de novas dinâmicas sociais e criativas, novas redes, novos instrumentos – porque é na Cultura

que reside a matriz diferenciadora do Algarve. A Cultura é o mais duradouro fator de afirmação da região no plano internacional, um importante instrumento de inclusão social e um incontornável meio de potenciação da autoestima pessoal e comunitária. 1 Decreto regulamentar n.º 34/2007, de 29 de Março. 2 Despacho n.º 29267/2007, de 21 de Dezembro. 3 Nos termos da Portaria n.º 395/2007, de 30 de Março. Direção Regional de Cultura

António Pina Convida

Cultura e Turismo: autenticidade rumo à diferenciação competitiva! Mário Candeias Director de hotel

O Turismo é uma indústria transversal. É um fenómeno social, económico, demográfico e cultural. Alimenta-se das componentes distintivas dum destino turístico, duma região, de um povo. Promove a sua identidade, a sua autenticidade, as componentes que o diferenciam e

dissociam dos demais, dos concorrentes, das alternativas. Quanto mais vincada, visível e notória for essa personalidade e identidade, mais atractivos seremos perante os que nos procuram, mais competitivos nos tornaremos. Valeremos mais. A Cultura, além de constituir um elemento identificador e agregador duma nação, é o principal veículo de afirmação e projecção regional, nacional e internacional de um país. É também um veículo de emoção e de interacção entre pessoas, entre povos. De atracção e aproximação. Uma linguagem que integra e une. Nas suas múltiplas facetas e com-

ponentes, da música ao cinema, da arquitectura à escultura e pintura, da etnografia às múltiplas manifestações populares e aos eventos, é uma ferramenta potente para aplicar na consecução dos objectivos duma região. Permite a segmentação de consumidores e o posicionamento distintivo e diferenciado de quem a desenvolve e a promove. É, nesta perspectiva, mais um investimento do que um custo. Reproduz. A sua implementação é sempre o passar duma mensagem, dum propósito. Como tal, projecta conceitos, visões, alternativas. Interpreta. E, assim, gera marcas. Marcas com

significado. Marcas que, numa óptica regional, reforçam a “marca-mãe”: o Algarve. O Algarve, como destino turístico maduro, precisa duma componente cultural vibrante e em permanente reinvenção. Esta vibração cria, regenera, actualiza, moderniza. Ajuda-nos a surpreender. Eleva a nossa sofisticação e a de quem a consome. Contribui em muito para nos diferenciarmos dos que connosco concorrem. Precisamos agora de criar mais sinergias, para podermos aumentar a nossa escala. É necessário um masterplan cultural para o Algarve, muito para além do programa Allgarve

(que em muito tem reforçado a oferta de conteúdos no Algarve). Um masterplan que integre os 16 programas culturais municipais, que os organize em formato cluster, especializando cada um dos municípios nas uma ou duas componentes que culturalmente os tornam mais distintivos e depois complementarizando a oferta de todos, para concorrermos a uma escala nacional e internacional e não mais a uma escala municipal. Daqui, advirá maior competitividade e alcance, melhor identificação e branding, maior valor económico e riqueza, num Algarve que se pretende de qualidade sempre ascendente.

Cultura.Sul35Julho  

3º Aniversário do Cultura.Sul: testemunhos «Cultura em Portugal e no Algarve longe dos padrões europeus: o Cultura.Sul analisa, quando cumpr...

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