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Distribuído mensalmente com o POSTAL em conjunto com o PÚBLICO

I Encontro Internacional

Álvaro de Campos

7 | OUT | 2010 • Nº 26 • Mensal • Este caderno faz parte integrante da edição nº1004 do POSTAL do ALGARVE e não pode ser vendido separadamente

p. 4 e 5

• A morte de Sidónio Pais, em teatro » p. 11 • Homossexualidade no Estado Novo » p. 13 • Castro Marim: a autenticidade » p. 14


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SIMPLEX DICTUM

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CINEMA DR

Visões do Sul Mostra internacional de Cinema de Portimão

João Evaristo Editor Cultura.Sul

"Palco para idiotas!" «Só letra só letra, figura nenhuma!» Diziam, antigamente, os iletrados perante um texto escrito que não fosse acompanhado de imagem. O povo era analfabeto. No cinema, juntavam-se uns poucos para pagar a um mais letrado, para que este que lhes lesse as legendas. Quem sabia ler era respeitado pelos restantes. E tinha acesso à intimidade da correspondência dos mais próximos. A leitura era o motor dessas «redes sociais». Hoje não há analfabetos (Dizem!) Existem os infoexcluídos! E as redes são outras. Comemora-se em Outubro, desde 2007, o Mês Internacional das Bibliotecas Escolares. O número de bibliotecas e o acesso à leitura aumentaram exponencialmente. É outro tempo! Dizem que se lê mais. Não sei!

A Mostra Internacional de Cinema de Portimão “Visões do Sul” está de volta para a sua segunda edição. De 26 a 31 de Outubro vão ser exibidos filmes que têm como inspiração a vida e obra de Manuel Teixeira Gomes, assim como a ideia de cruzamento de culturas sustentada no carácter cosmopolita da cidade de Portimão. Durante os seis dias da mostra vão ser exibidas 12 longas metragens seleccionadas pela Associação Zero em Comportamento que incluem documentário e ficção. Cada filme vai ser apresentado por um convidado, proveniente de diversas áreas da sociedade portuguesa, da cultura à política. Esta é

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uma forma de proporcionar um outro olhar sobre o cinema, enquanto espaço de reflexão e partilha de experiências pessoais relacionadas com as obras, propiciando um encontro com o público. As “Visões do Sul” 2010 inserem-se nas comemorações dos 150 anos do nascimento de Manuel Teixeira Gomes, cujas viagens pelos países do Mediterrâneo têm servido de inspiração para esta mostra de cinema, que teve a sua primeira edição em 2008. A mostra é organizada pelo Município de Portimão/ Museu de Portimão em colaboração com a Associação Zero em Comportamento. www.visoesdosul.blogspot.com

EXPOSIÇÃO

Exposição de Cruzeiro Seixas, na Zem Arte

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Mas ler continua a estar na moda. Mesmo os que não lêem sentem-se inibidos a confessá-lo. E conheço poucos que o assumam com orgulho. Bem, F. Pessoa chegou a escrever que «ler é maçada» e que «livros são papeis pintados com tinta». É obvio que o Poeta estava a ironizar! Dizem alguns entendidos. (Nessa coisa de interpretar os mortos é que eu não me meto. Até porque, eles não se podem vir cá defender!) Que livro é que andas a ler? Continua a ser uma das perguntas mais embaraçosas que se pode fazer a alguém. Principalmente a um não leitor. Hoje, para se conhecer os hábitos de leitura de alguém, nem precisa perguntar. Basta ir ao Facebook… e ao Twiter. Está tudo lá: Os livros lidos (ou por ler, não interessa) as sinopses, os excertos e as frases mais bonitas.

destaque

Tudo mal referenciado… mas que fazem do maior analfabeto um eloquente! E até lá está a intimidade das cartas… e a revelação pública dos amores e desamores. É a nova sociedade em rede. Acabaram-se os espectadores. As «redes sociais» tornam-se, assim, numa espécie de democratizador do protagonismo. Um palco para idiotas. Uma versão autista de um One Man Show. Com a possibilidade de atingir milhares de amigos virtuais/público anónimo, com opção única de dizer «gosto!». E isto, parecendo que não, anima o ego. Com pouca letra se faz muita figura!

Ficha Técnica Direcção: Gorda Editor: João Evaristo Concepção gráfica: Ricardo Claro

A exposição, inaugurada a 24 de Setembro, ficará patente até final de Outubro, na galeria Zem Arte - Armazém de Arte, em S. Brás de Alportel, terra onde Cruzeiro Seixas viveu durante 7 anos e à qual regressa 25 anos depois.

Design e paginação: Marta Vilhena Responsáveis pelas secções: »panorâmica.S - Ricardo Claro »cinema.S - Cineclubes de Faro, Olhão e Tavira

Para Paulo Pensiga, “os desenhos do artista, do homem que desenha, são formas de vida expandida, pedaços de realidade subvertida, diferentemente captada e percepcionada. O olhar provocado, deslocado para o interior de um outro olhar.

»livro.S - Adriana Nogueira »arte.S - João Evaristo »política.S - Henrique Dias Freire »património.S - Joaquim Parra »biblioteca.S - Elisete Santos

É nesta expressão mais intimista e humanista que se desenha e escreve a noção de que para exaltar o lado luminoso da vida é necessário não ter receio do confronto com o lado mais sombrio. O ideal seria ligar a arte à vida, objectivo maior da in-

Colaboraram nesta edição: Direcção Regional de Cultura do Algarve; AGECAL; Cristian Valsecchi; Luís Vicente; Tela Leão e Luís Gameiro.

tervenção surrealista, ligá-la à vertente mais espiritual e carnal da alma humana, simultaneamente individual e social.” >31 OUT | 15.00>20.00 (excepto 5ªF) | Galeria Zem Arte - S.Brás de Alportel e-mail: geralcultura.sul@gmail.com Tiragem: 9.491


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TEATRO ACTA apresenta «Um Homem Singular» DR

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Filomena Campos vai ter a sua obra em exposição na Galeria de Arte Pintor Samora Barros, entre os dias 7 e 28 de Outubro. A artista descreve a mostra como “rastos de momentos e lugares que ficam gravados, a sobressair na linha contínua do caminho”. “Sons e Cores” poderá ser contemplada na Galeria de Arte Pintor Samora Barros, das 10h30 às 16h30h, com excepção de Domingos e Feriados. 7 a 28 OUT | 10.30 às 16.30 |Galeria de Arte Pintor Samora Barros (Albufeira)

EXPOSIÇÃO

Projecto Artalaia

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EXPOSIÇÃO «Sons e Cores» em Albufeira

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A ACTA estreou a peça “Um Homem Singular – Retratos de Manuel Teixeira Gomes”, com texto de Alexandre Honrado e encenação de Luís Vicente, no dia 5 de Outubro, no Pavilhão do NERA, Zona Industrial de Loulé. Este espectáculo constitui um modesto contributo de honra à memória de Manuel Teixeira Gomes e foi construído a partir de um texto que Alexandre Honrado escreveu, a pedido da ACTA. Os materiais que constituem o texto que dá corpo ao espectáculo, referem-se directamente a situações, episódios e momentos da vida de Teixeira Gomes e da sua obra que serão apresentados através do conceito de retratos. Retratos a preto e branco, como eram antigamente.

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Tem como objectivo alcançar privilegiadamente o público jovem que apenas de forma transversal terá ouvido falar de Manuel Teixeira Gomes - ou a propósito de alguma obra sua, ou a propósito das comemorações do centenário da República, no âmbito das quais, este espectáculo se insere. Este espectáculo, com a duração de 1h30m, é indicado para maiores de 12 anos e conta com a participação dos actores Bruno Martins, Carlos Pereira, Elisabete Martins, Glória Fernandes, Luís de A. Miranda, Pedro Mendes e Tânia Silva, da bailarina Ana Filipa Antunes e do músico José Alegre. A coreografia ficou a cargo de Evegueni Beliaev, os figurinos são de Sónia Benite e Ana Rita Fernandes a execução ce-

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nográfica é de Tó Quintas, as imagens e o vídeo de Marco Mártires, desenho e operação de Luz de Octávio Oliveira, sonoplastia e operação de som de Pedro Leote Mendes, produção executiva de Elisabete Martins, comunicação de Cristina Braga, secretariado de António Marques e direcção de produção de Luís Vicente. 14 OUT | 15.30 |Auditório Municipal de Albufeira 15 e 16 OUT | 21.30 | Auditório Municipal de Albufeira 23 OUT | 21.30 | Centro Cultural de Lagos 30 OUT | 21.30 | Centro Cultural António Aleixo – V. R. Sto. António

MÚSICA

Orquestra do Algarve: Nova temporada começa em Portimão

Está patente até dia 10 de Outubro, no Quartel da Atalaia, em Tavira, uma exposição 12 artistas plásticos e a exposição

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JAZZ

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“Art Al Vent”, integradas no projecto Artalaia. >10 OUT | 8.00>19.00 |Quartel da Atalaia (Tavira)

Aníbal Del Corral no Cantaloupe, em Olhão

O Cantaloupe Café , nos Mercados de Olhão, vai dar início à sua programação da época invernal nos próximos dias 8 e 9 de Outubro, com o concerto do Aníbal Del Corral Latim Jazz Trio.

Uma festa latino-americana com músicos convidados: Luís Henrique (baixo); Christ MCartney (percursão); Aníbal del Corral (guitarra e voz) 8 e 9 OUT | 22.30 | €5

O concerto inaugural da Temporada 2010/11 está marcado para dia 16 de Outubro, no Teatro Municipal de Portimão, e será dirigido pelo maestro Osvaldo Ferreira, maestro titular da Orquestra do Algarve. O programa é dedicado ao famoso compositor Robert Shumann, com a apresentação do Concerto para Piano e Orquestra, em Lá Menor, Op. 54,

interpretado pelos músicos da OA e a pianista Teresa Palma Pereira, premiada em concursos nacionais e internacionais. A Sinfonia N.º 3 em Mi bemol Maior, Op. 55, reconhecida como “Eroica”, do compositor alemão Ludwig van Beethoven, preenche a segunda parte do concerto. O concerto faz parte do ciclo de concertos integrado no progra-

ma de comemorações do 150º aniversário do nascimento de Manuel Teixeira Gomes. 16 OUT | 21.30 |Tempo Teatro Municipal de Portimão 23 OUT | 00.00 |Igreja do Carmo (Tavira) Reserva de Bilhetes: 282 402 475 / 961 579 917

destaque

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 4 I Encontro Internacional Álvaro de Campos Programa:

15 de Outubro (Sexta-feira)

14 horas > Secretariado e saudações 15 horas > Palestra inaugural “Álvaro de Campos hoje” Pela Professora Doutora Teresa Rita Lopes, Presidente do Instituto de Estudos sobre o Modernismo da Faculdade Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa 16 horas > Debate 17 horas > Mesa redonda “Pessoa ficcionado por artistas plásticos” Introduzida e coordenada pela Doutora Maria João Infante Serrado, com os artistas plásticos Costa Pinheiro e Rinoceronte (Renato Cruz) > Debate 18.30 horas > Leitura encenada de cartas de Pessoa, Álvaro de Campos, Íbis e Ophelia Queiroz por Mário Rosário e Mariana Guerra 21.30 horas > Poemas de Álvaro de Campos musicados e cantados por Rui Moura > Recitação de poemas por Vítor Correia

Dia 16 de Outubro (Sábado)

10 horas > Mesa redonda Introduzida e coordenada pela Professora Doutora Manuela Parreira da Silva • “No tempo em que Campos escrevia cartas”, pela Professora Doutora Manuela Parreira da Silva • “Razoavelmente mas com lapsos”, pela Professora Doutora Luísa Medeiros Em torno de “Notas para a recordação do meu Mestre Caeiro”, pela Professora Doutora Ana Maria Freitas: • “Campos, actor e encenador de si próprio”, pela Professora Doutora Luísa Monteiro • “Cesário, mestre de Campos”, pela doutora Madalena Dine • “Álvaro de Campos: “Tabacaria” / Paul Celan: “Tabakladen”, pela Professora Doutora Maria do Sameiro Barroso > Debate

panorâmica

14 horas > Visita guiada à exposição no Palácio da Galeria 16 horas > Mesa redonda Introduzida e conduzida pela Professora Doutora Teresa Rita Lopes • “Campos revisited”, pela Doutora Ana Raquel Roque • “Fernando y Álvaro, compañeros de viaje “, pelo Doutor Manuel Moya • Acerca do “Ultimatum”, pela Professora Doutora Helena Barbas • “Dois filhos de Álvaro de Campos: Ruy Belo e Nuno Júdice”, pelo Professor Doutor Ricardo Marques • “Álvaro de Campos e Natália Correia”, pelo Doutor Miguel Magalhães > Debate 18 horas > Conversa com o Engenheiro Jacques Pessoa 18.30 horas > “A música no tempo de Pessoa”, pelo maestro António Victorino d´Almeida: 20 horas

> Encerramento


••ENCONTRO INTERNACIONAL ÁLVARO DE CAMPOS

O Pessoa de Tavira Por Ricardo Claro

lançá-lo nas ruas de Tavira, nas mentes dos tavirenses”. Teresa Rita Lopes como madrinha De entre as iniciativas promovidas pela Casa Álvaro de Campos, destaque para o Primeiro Encontro Internacional Álvaro de Campos, que decorre Sexta-feira e Sábado, dias 15 e 16 de Outubro, no Hotel Porta Nova em Tavira. Apadrinhado por Teresa Rita Lopes, uma das mais prestigiadas investigadoras de Fernando Pessoa no mundo, o encontro, que se pretende, de acordo com a organização, “venha a realizar-se pelo menos de dois em dois anos”, promete uma visita guiada a Álvaro de Campos através das mais variadas formas de arte, da música à pintura e à escrita passando pelo dizer Álvaro de Campos. As personalidades que dirigem cientificamente e que participam nos vários momentos da programação (ver caixa na página ao lado), encabeçadas por Teresa Rita Lopes, responsável científica do encontro, são o garante de uma qualidade rara, difícil de reunir num único evento e prometem dar a conhecer de forma profunda o heterónimo de Pessoa. Incontornável no campo das personalidades partici-

pantes do Primeiro Encontro Internacional Álvaro de Campos, o maestro António Vitorino d’Almeida, dá a conhecer no acto de encerramento do encontro a música no tempo de Pessoa, um momento que promete uma viagem sobre os sons dos finais do século XIX e boa parte da primeira metade do século XX, nascido que foi em 1888 e falecido em 1935. Para Fernanda Guerra, da Casa Álvaro de Campos, “Pessoa deixou aos tavirenses esta herança que tem de ser aproveitada”, uma ideia reforçada por Carlos Lopes que vê a herança como um “poder/dever”, pois na óptica do presidente da associação “há um dever de exaltar o heterónimo tavirense de Pessoa, quer pela sua singularidade, quer pela sua importância no contexto da poesia e da cultura portuguesa”. Pôr Tavira a respirar Álvaro de Campos é o grande objectivo da associação, nas palavras de Fernanda Guerra. “É um legado que importa fazer interiorizar na consciência dos tavirenses”, refere, desejando que o poeta ultrapasse o estatuto que já atingiu com a biblioteca municipal e uma rua a ostentar o seu nome e se torne parte da identidade e da vida dos tavirenses. Poeta universalista “Trata-se de um poeta universalista e moderno, em que

a poesia é muito próxima da vida”, destaca Fernanda Guerra em jeito de convite a todos para conhecerem Álvaro de Campos. O poeta modernista e sensacionista, de verso torrencial e livre como o definem os especialistas, atravessou três fases na sua obra, desde o Decadentismo inicial, passando pela segunda fase, Futurista e Sensacionista, até à fase Pessimista, a terceira, para terminar. Com um estilo de verso livre, em geral muito longo, com uma mistura de níveis linguísticos, o uso de grafismos expressivos e o recurso a assonância onomatopeias e aliterações, consideradas em alguns casos ousadas, são traços do poeta que com enumerações excessivas e exclamações, interjeições e uma pontuação criada à medida tem sempre a expressão da emoção como objectivo maior. A expressão da emoção é para muitos dos estudiosos e amantes de Álvaro de Campos um traço caracterizador da pena do poeta, uma emoção que se quer trazida à vida e aos tavirenses, aos algarvios e aos portugueses, bem como ao mundo em geral, porque Fernando Pessoa é uma figura incontornável da poesia mundial. Um objectivo da Casa Álvaro de Campos que tem como eixo fundamental o Primeiro Encontro Internacional Álvaro de Campos.

Teresa Rita Lopes

Considerada uma das mais notórias especialistas mundias sobre Fernando Pessoa, Teresa Rita Lopes nasceu em Faro, em 1937. Viveu 13 anos em Paris onde foi professora na Sorbonne e defendeu a tese de doutoramento “Fernando Pessoa et le drame symboliste – héritage et création”. É professora catedrática na Universidade Nova de Lisboa. Enquanto uma das maiores especialistas contemporâneas em Fernando Pessoa, centrou o seu trabalho académico na obra deste poeta e dedicou-se especialmente à divulgação da parte inédita da sua obra. Dirige um grupo de investigadores que produziu várias obras, nomeadamente um guia de Lisboa, escrito por Pessoa, com traduções em várias línguas (espanhol, francês, italiano e duas em alemão). Das obras produzidas individualmente em português destaca-se Pessoa por conhecer (2 volumes, mais de 400 inéditos) e uma edição crítica: Álvaro de Campos – Livro de Versos (mais de 80 poemas inéditos).

Não sou nada. Nunca serei nada. Não posso querer ser nada. À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo. Excerto do poema Tabacaria Álvaro de Campos, in “Poemas”

Fernando Pessoa, resenha de uma vida Lisboa ganhou na tarde de 13 de Junho de 1888 um dos seus nomes mais notórios, Fernando Pessoa. De famílias da pequena aristocracia, pelos lados paterno e materno, o pai era funcionário público do Ministério da Justiça e crítico musical do «Diário de Notícias» e a mãe era natural da Ilha Terceira, nos Açores. As suas infância e adolescência foram marcadas por factos que o influenciariam posteriormente. Fernando tinha

apenas cinco anos, quando o pai faleceu de tuberculose. O irmão Jorge viria a falecer no ano seguinte, sem completar um ano. A mãe vê-se obrigada a leiloar parte da mobília e muda-se para uma casa mais modesta. A mãe casa-se pela segunda vez em 1895, com o comandante João Miguel Rosa, cônsul de Portugal em Durban (África do Sul). Em África, onde passa a maior parte da juventude e recebe educação inglesa, Pessoa viria a demons-

trar desde cedo talento para a literatura. Deixando a família em Durban, regressa definitivamente à capital portuguesa, sozinho, em 1905 e continua a produção de poemas em inglês. A partir de 1908, dedica-se à tradução de correspondência comercial. Nessa profissão trabalha a vida toda, tendo uma modesta vida pública. Inicia a sua actividade de ensaísta e crítico literário com o artigo «A Nova Poesia

Portuguesa Sociologicamente Considerada», a que se seguiriam «Reincidindo…» e «A Nova Poesia Portuguesa no Seu Aspecto Psicológico» publicados em 1912 pela revista A Águia, órgão da Renascença Portuguesa. Morre no dia 30 de Novembro, com 47 anos de idade. A sua última frase foi escrita no idioma no qual foi educado, o Inglês: «I know not what tomorrow will bring» (Não sei o que o futuro trará).

panorâmica

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á um Pessoa em Tavira. Álvaro de Campos nasceu em Tavira, às 13.30 horas de 15 de Outubro de 1890, é o que nos diz a informação retirada da carta a Adolfo Casais Monteiro. A faceta Tavirense de Pessoa teve uma educação vulgar de liceu e foi estudar engenharia para a Escócia. Estudou mecânica primeiro e naval depois. O engenheiro Campos é, segundo Pessoa, vanguardista e cosmopolita, características intelectuais de um homem que fisicamente é magro, com cabelo liso, cara rapada e um metro e setenta e cinco de altura, e que tem um traço distintivo evidente: usa monóculo. Comemoram-se este ano os 120 anos do nascimento de Álvaro de Campos, heterónimo de Fernando Pessoa, e a associação Casa Álvaro de Campos, aproveitada a data para avançar com várias iniciativas que, de acordo com Carlos Lopes, actual presidente da instituição com 23 anos de existência, “pretendem tirar o poeta dos livros e

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••Cineclube de Faro

••Cineclube de Olhão

••Cineclube de Tavira

Apelo à mobilização

Proposta para Outubro

Programação com selo de grande qualidade

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utubro será o momento para aferir da mobilização de sócios e não-sócios perante a difícil situação que o Cineclube de Faro atravessa. A programação é aliciante, com um conjunto de 3 títulos de elevada qualidade. Do cinema revigorante que não se compadece com esquemas ou códigos ultrapassados. Daquele que comove o mais fundo da alma – O Segredo dos Seus Olhos, uma espécie de mix thriller-melodrama-filme de intervenção -, que devolve ao espectador a essência de um filme – Shirin, uma aposta singularíssima e genial de um dos maiores realizadores de todos os tempos, Abbas Kiarostami -, que consegue ser revivalista e pós-modernista, operático e singelo – Eu Sou O Amor, de Luca Guadagnino. Mas para além, muito para além da importância dos filmes, o interesse reside nesta questão elementar: quer o público que o CCF continue a sua actividade? Querem os sócios ajudar o CCF pagando as suas quotas em atraso? Estão todos dispostos a colaborar com o CCF nesta fase complicada? Aguardamos, entre o ansiosos, o preocupados e o confiantes, que tal como nós dizemos ‘presente’ nos melhores e nos piores momentos da vida da nossa associação, também o nosso público saberá expressar a mesma vontade e a mesma coragem. Desde já gratos pela vossa presença solidária. A Direcção do Cineclube de Faro

Agenda do Cineclube de Faro www.cineclubefaro.com

>>Ciclo Segredos Não Muito Secretos IPJ | 21.30 | Entrada paga

04 OUT

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programação de Outubro do Cineclube de Olhão começa com a apresentação, no dia 5, do filme «A Caminho de Santiago», de Roberto Santiago: «Nacho é fotógrafo. Pilar é jornalista. Detestam-se um ao outro. Mas quando são enviados para cobrir a história de Olmo, um guru que cura as crises sentimentais de casais durante a peregrinação a Santiago de Compostela, são forçados a fingir que são um casal. » No dia 12 entramos em «Águas agitadas», de Erik Poppe: «O último dia na prisão de Jan Thomas começa com um mergulho em água a ferver e um espancamento por parte dos seus colegas de cadeia. Agora, Jan está em liberdade e tem uma segunda oportunidade para fazer alguma coisa com a sua vida. Jan decide não contar nada o seu passado. Mas é esse passado que vem ter com ele…» Dia 19 chega «Sem Nome», de Cary Fukunaga: «Em busca do sonho americano, Sayra (Paulina Gaytan), uma jovem das Honduras, junta-se ao seu pai e ao seu tio numa odisseia desafiante da travessia da paisagem latino-americana para os Estados Unidos. Ao longo do caminho, cruza-se com um jovem membro de um gangue mexicano, El Casper (Edgar M. Flores), que tenta escapar ao seu passado violento e aos pouco compreensivos antigos associados.» Canino, de Giorgios Lanthimos, encerra as sessões de Outubro: «O pai, a mãe e os três filhos vivem numa casa nos subúrbios da cidade. À volta da casa existe uma cerca alta, que as crianças nunca passaram. Acreditam que os aviões que voam por cima da casa são brinquedos e, que os zombies são pequenas flores amarelas. A única pessoa autorizada a entrar em casa é Cristina. Um dia, Cristina oferece a uma das filhas uma bandolete com umas pedras que brilham no escuro e pede-lhe algo em troca.»

|O  Segredo dos Teus Olhos de Juan José Campanella (127’)(M/16)

Agenda do cineclube de Olhão www.cineclubeolhao.com

>>Sessões Regulares

Ria Shopping – sala 2 | 21.30 |Sócios:€1 | Não Sócios: €3

5 OUT | Al final del camino de Roberto Santiago (100’)(M/16) 12 OUT

11 OUT | Shirin de Abbas Kiarostami (92’)(M/12)

| DeUsynlige de Erik Poppe (115’)(M/16)

19 OUT | Sin Nombre de Hanno Höfer, Razvan Marculescu, Cristian Mungiu, Constantin Popescu, Ioana Uricaru (96’)(M/16)

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Outono chega ao Cineclube de Tavira. Mas as chuvas e as temperaturas a descer ficam fora do Cine-Teatro António Pinheiro. Ali, o ambiente é quente graças à programação de Outubro, com selo de grande qualidade. Assim, o filme luso-francês A Religiosa Portuguesa (7/10) de Eugène Green fala da relação entre uma actriz e uma freira, abordagem sobre o sentido da vida com Lisboa como pano de fundo. De Portugal vem também o documentário Ainda Há Pastores? de Jorge Pelicano (21/10). Independentemente da linguagem televisiva, Pelicano faz uma reflexão sobre ancestrais modos de vida em regiões remotas – Serra da Estrela – o que tem levado ao desaparecimento de inúmeras aldeias. Os filmes Nothing Personal (14/10) e Deusynlige de Erik Poppe (28/10) completam as quintasfeiras do Cineclube. O primeiro é realizado pela holandesa Ursula Antoniak, filme dominado pela melancolia em que a protagonista deixa a sua vida e parte para uma existência solitária. Quanto ao filme de Poppe, obra psicologicamente intensa, nela um ex-condenado regressa à sociedade, sem deixar o fantasma do crime cometido. A programação de fim-de-semana, a cargo do Cineclube, insiste na qualidade. Aos Domingos, oferece ao público Shrink (3/10), L’Age des Ténèbres (24/10) e Brothers (31/10). Jonas Pate assina o primeiro, dirigindo Kevin Spacey na dor e alheamento depois de uma tragédia pessoal. Dia 24, Denys Arcand oferece uma realidade “onírica”, tal como um funcionário público encontra para fugir à sua vida de rotina. Dia 31, Jim Sheridan assina uma obra sobre o fantasma da guerra e do terrorismo. Afeganistão, gestão familiar, desaparecimento de um ente querido, são ingredientes para que brilhem Jake Gyllenhal, Natalie Portman e Tobey Maguire. Deixamos para o fim o cineasta que marca o mês de Outubro. Controverso e misterioso, Werner Herzog surge nos dias 10 e 17. Primeiro, um remake de The Bad Lieutenant de Abel Ferrara. Nicholas Cage, polícia corrupto e animais explorados que Herzog sempre usou, mais ou menos, desde os tempos do Cinema Novo Alemão. Quanto ao filme My Son, My Son, What Have Ye Done?, fala do ponto em que a imaginação humana se sobrepõe à realidade e com que consequências, através de Willem DaFoe e Brad Douriff. Como sempre, o lugar é o Cine-Teatro António Pinheiro, em Tavira. Bons filmes! Luís Gameiro Sócio-colaborador

Agenda do Cineclube de Tavira www.cineclube-tavira.com

>>Sessões Regulares

Cine-Teatro António Pinheiro | 21.30

18 OUT | Eu sou o Amor de Luca Guadagnino (120’) (M/12)

03 OUT | Shrink de Jonas Pate (104’)(M/12) 07 OUT | A Religiosa Portuguesa de Eugène Green (127’)(M/12) 28 SET | Kynodontas de Claudia Llosa (954’)(M/18)

10 OUT | The Bad Lieutenant: Port of Call - New Orleans de Werner Herzog (122’)(M/16) 14 OUT | Nothing Personal de Ursula Antoniak (85’)(M/12)

cinema

17 OUT | My son, my son, what have ye done? de Werner Herzog (91’)(M/16)

>>Ciclo Olhares Forasteiros - O Algarve num certo ci-

21 OUT | Ainda há pastores de João Pelicano (72’)(M/12)

nema

24 OUT | L’age des ténèbres de Denys Arcand (104’)(M/12)

Museu Municipal | 21.30 | Entrada livre

28 OUT | Deusynlige - Troubled Water de Erik Poppe (115’) (M/16)

12 out | Nas correntes de Luz da Ria Formosa de Jon Jost (104’) *

30 OUT | Vincere de Marco Bellocchio (118’)(M/12)

filme igualmente em exibição entre 13 e 31 Outubro em sistema de sessões contínuas – 10h / 12h / 14h / 16h, entrada livre

O Cineclube é apoiado pela CM e JF de Olhão e pelo ICA (REDE 2010)

APOIOS: ICA, Ministério da Cultura, Câmara Municipal de Tavira


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••RIQUEZA MAIOR

Forte de Sto. António de Tavira Joaquim Parra

Nome

Forte de Santo António de Tavira (também conhecido por Forte do Rato ou Forte da Ilha das Lebres) Localização

Sapal do Rato, na zona das Quatro Águas, próximo do antigo Arraial Ferreira Neto (actual Hotel Vila Galé Albacora), Concelho de Tavira, Distrito de Faro. Data de Edificação

Reinado de D. Sebastião (século XVI), sendo Governador do Algarve, D. Diogo de Sousa.

Nótula Histórica Integrado no perímetro de defesa da entrada do porto da cidade de Tavira, a Natureza ditou-lhe a sorte uma vez que, sendo a sua área de implantação uma ilha, com os movimentos geomorfológicos deixou de o ser, ao mesmo tempo que a barra também se afastou, passando a estar fora do alcance da artilharia. De acordo com a memória

descritiva elaborada pelo Eng.º Alexandre Massai em 1621, este forte seria constituído por cinco baluartes, dos quais três (do lado sul) já estão “na sua necessária altura” estando os outros dois por concluir, apontando igualmente a falta de operacionalidade deste forte, pelas razões acima descritas. Com a Guerra da Restauração, desperta novamente o interesse por este forte que, em 1654 e por ordem

de D. João IV, vê reiniciarem-se as suas obras. Mas os desígnios da Natureza são mais fortes e o deslocamento da barra para Este e a construção do forte da Conceição, ditam, uma vez mais, a sua sorte. Na actualidade o forte mantém uma planta poligonal, com os referidos três baluartes virados para a barra e, a Norte, uma cortina corrida, cortada por uma porta servida por uma pequena ponte. No seu

interior são ainda visíveis as ruínas do paiol, alojamentos da guarnição e do poço.

Outras notas de interesse Os diferentes nomes terão a ver respectivamente com o nome da ilha onde foi construído (Ilha das Lebres), ao ser rebaptizado, no reinado de D. João V, com o nome

do padroeiro de Lisboa (Santo António) e o nome do sapal onde se encontra actualmente (Sapal do Rato). Actualmente encontra-se em ruína e em total abandono, não havendo sequer uma indicação da sua localização. Para chegar ao forte o visitante pode seguir o trajecto que indica o Hotel Vila Galé Albacora.

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O CROMO DA BOLA

Joaquim Parra Professor de História e Coleccionista

património

N

o tempo em que os brinquedos eram caros e, por isso, raros nas mãos de grande parte das crianças, e em que o “namoro” por aquele brinquedo em exposição na loja era diariamente alimentado, fazendo do Natal, do aniversário ou da feira momentos ansiosamente aguardados, em que, na falta de Playstations ou computadores, as crianças recorriam à imaginação para fazer os seus brinquedos e brincadeiras, no tempo em que as colecções de cromos ainda não eram um monopólio da Panini, havia algo que ocupava os miúdos, no recreio da escola ou naqueles momentos que antecediam a futebolada do final da tarde (bem como os magros recursos económicos): a troca de cromos ou, para ser mais exacto, a troca dos cromos de jogadores que saíam nos caramelos/rebuçados. Comprados a

1 centavo (se a memória não me falha) na mercearia ou na tasca, os pequenos caramelos de açúcar eram rapidamente desembrulhados do papel em que, manualmente, os tinham envolvido e, lá estava o papelito com o jogador. Primeira coisa a fazer, ver se havia alguma senha ou se o cromo estava carimbado. Depois é que se via se já o tínhamos ou não. Chegados a casa procedia-se à colagem na caderneta. Podia-se colar com cola ou com uma mistura de água e farinha que se aplicava com um pincel (por vezes feito com um tufo de cabelo amarrado a um pauzinho). É verdade que o cromo era importante, mas mais importante eram os brinquedos que podiam sair nas senhas (instrumentos musicais, carrinhos de plástico, equipamentos de futebol, bolas de borracha e plástico), principalmente, a bola de cabedal ou, como se dizia, a bola de “catchú” a que se tinha direito quando saía o “cromo da bola”, um cromo carimbado nas costas. O problema é que este caramelo normalmente vinha colado no fundo da lata, o que levava a miudagem a inventar estratégias para o tentar “caçar”como por exemplo, controlar uma lata. Quando se calculava que esta estava quase no fim, fazia-se uma vaquinha para “arrebentar” ou “desfundar a lata”. Esta magia terminou por volta dos anos 70 quando começam a surgir os envelopes surpresa cujos cromos apresentavam uma melhoria substancial da qualidade gráfica.

Normalmente os jogadores apareciam distribuídos em folhas com onze cromos, podendo ou não, incluir mais o emblema do clube num total de cerca de 192 cromos. As mais antigas, cerca dos anos 30, traziam apenas os jogadores, só mais tarde é que aparecem agrupados por equipas. Também havia de outros desportos, com jogadores da Iª e IIª divisões, com árbitros e também com outras temáticas (ex. artistas de cinema e teatro) e quase sempre associadas a fábricas ou casas de confeitaria como por exemplo a Universal, Francesa, Victória, Altesa etc. Sendo hoje relativamente raras, devido à sua antiguidade (principalmente anos 50 e 60) e porque depois de completas eram devolvidas no ponto de venda a troco de um brinde, normalmente uma bola de couro ou borracha, e porque as poucas que existem estão quase sempre incompletas (faltando normalmente o “cromo da bola”, que permitia terminar a colecção e, desta forma, levantar o prémio), o estado de conservação, o ano e a percentagem de preenchimento são decisivos na hora da valorização destas colecções que poderão oscilar entre os 50 e os 2000 Euros. Uma bola poderá valer entre os 100 e os 300 €uros.

Joaquim Parra

Joaquim Parra


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N.06 OUT.2010

AGENDA CULTURAL PUBLICIDADE


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MÚSICA

Do Algarve para o CCB

Estreia absoluta de obra musical dedicada à República

Por João Evaristo

Estreou no passado dia 5 de Outubro de 2010, «Proclamação», uma obra de Pedro Louzeiro para trompete solista e orquestra de sopros, integrada num concerto comemorativo do Centenário da República,

pela Orquestra de Sopros do Algarve (OSA), no Centro Cultural de Lagos. A OSA volta a apresentar a obra no próximo dia 10, no Centro Cultural de Belém. Um excelente exemplo do melhor

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DR

que se faz no Algarve, a provar que os artistas e os produtos culturais da região têm qualidade para serem apresentados nos grandes centros, contrariando a ideia de que o Algarve é essencialmente um consumidor do que se faz fora da região e do pais. «Proclamação» é uma obra dedicada à implantação da República, encomendada pela Academia de Música de Lagos (AML) ao compositor Pedro Louzeiro, no âmbito das comemorações do Centenário da República Portuguesa. A obra é constituída por 4 andamentos que marcam quatro momentos-chave do período que antecedeu a proclamação da República: Monarquia retrata o regime político vigente na época, Conspiração – Regicídio recorda o assassinato de D. Carlos no Terreiro do Paço em Lisboa, Exortação ilustra a crescente revolta e organização dos republicanos por todo o país, e Revolução retrata os dias 4 e 5 de Outubro, que conduziram à instauração da República em Portugal. Pedro Louzeiro é músico e professor de Formação Musical há mais de 10 anos, sendo actual-

mente docente na Academia de Música de Lagos, bem como no Instituto Superior Dom Afonso III, em Loulé. Frequenta igualmente o Mestrado de Composição na Universidade de Évora sob a direcção do compositor Christopher Bochmann. Foi recentemente distinguido com uma Menção Honrosa pela Universidade de Oldenburg (Alemanha), por uma obra para 4 guitarras, que compôs para o Xº Concurso de Composição Carl von Ossietzky. A OSA é sedeada em Lagoa e é constituída por músicos profissionais e estudantes de música da Academia de Música de Lagos, do Conservatório de Música de Portimão - Joly Braga Santos e do Conservatório de Música de Lagoa. Actualmente dirigida pelo Maestro Carlos Ramalho, conta com a participação do trompetista João Rocha, enquanto solista da obra «Proclamação». As próximas apresentações de «Proclamação» terão lugar no dia 10 de Outubro, pelas 17h30, no Grande Auditório do CCB em Lisboa (integrado no evento «1001 Músicos»), e no dia 16 de Outubro em Lagoa, pelas 21h30, no Auditório

«”Proclamação” é uma obra programática em que procurei retratar o percurso da luta dos republicanos pela implantação desta forma de governo em Portugal» Pedro Louzeiro Municipal de Lagoa. 5 OUT |Centro Cultural de Lagos |21:30 | Entrada Livre 10 OUT |Grande Auditório do Centro Cultural de Belém |17.30 16 OUTUBRO | 21h30 | Auditório Municipal Lagoa

FORMAÇÃO ARTÍSTICA

Valados - Um projecto único no país

arte

Olhão recebeu João Mota Realizou-se nos passados dias 2 e 3 de Outubro, na Biblioteca Municipal de Olhão, o workshop «Como pensar uma criação de teatro», dirigido por João Mota, uma figura incontornável e com responsabilidade activa na história do teatro português. O professor, pedagogo, encenador e actor trabalhou durante 15 horas com um público heterogéneo e de diferentes localidades. Para os formandos algarvios foi uma oportunidade única de aprender com o mestre que em 70-71 ingressou com Peter Brook no Centre Int. de Recherche Theatral. Recorde-se que João Mota esteve no Algarve entre 2002 e 2003 a dirigir o primeiro Mestrado em Teatro e Educação, na Universidade do Algarve. A grande adesão do público, que ultrapassou o limite de inscrições, prova a necessidade e interesse deste tipo de iniciativas que uma vez dinamizadas têm público garantido. Esta é apenas uma das activida-

Por João Evaristo João Evaristo

momento da formação com João Mota

des de um conjunto abrangente e diversificado que a DeVIR/ CAPA se propõe desenvolver nos próximos 3 anos nas

5 cidades que integram o Algarve Central – Faro, Loulé, Olhão, S. Brás de Alportel e Tavira. «Neste âmbito serão

desenvolvidos anulamente 21 workshops de curta duração (15h) ministrados por profissionais no activo, por teóricos

e pedagogos, por programadores e jornalistas. Paralela e complementarmente serão apresentados espectáculos, residências, ensaios abertos, sendo que no final de cada ciclo de formação, os formandos terão oportunidade de pôr em prática os conhecimentos adquiridos, através do seu envolvimento em actividades que serão desenvolvidas e coordenadas pela DeVIR/CAPA, na qualidade de estrutura responsável pela organização, programação e produção do projecto, sempre em articulação com os sectores educativos e culturais das referidas autarquias.» Um dos objectivos deste projecto é criar condições que favoreçam a génese de uma nova estrutura de criação no Algarve.

Os interessados por esta área, com ou sem experiência devem contactar a DeVIR/CAPA: 289 828 784/ 918 703 416 / devir@mail.telepac.pt


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TEATRO

Do Lado da Verdade

Uma nova abordagem à República Por João Evaristo DR

Segundo a autora Para Ana Cristina Oliveira, «a época à qual se convencionou chamar a primeira República em Portugal foi marcada por vários incidentes. Escolher um deles para o mostrar como paradigmático daquela época de convulsões tornou-se uma tarefa difícil e arriscada. A euforia dos primeiros governantes, a sucessão absurda de governos, a entrada na 1ª Guerra Mundial, as greves gerais, constituem por si só matéria mais que suficiente para começar um pequeno esboço da vida dos portugueses nessa época. Detive-me na figura de Sidónio Pais porque este governante, para além de ter sido o único presidente a ser assassinado na sua função de chefe de Estado, surgiu como o símbolo da estabilidade que a nação tanto ansiava depois das convulsões dos governos após a queda da monarquia. O homem que irrompe pela República a cavalo cai aos seus pés abatido com dois tiros. A morte de Sidónio Pais levou-me à natural interrogação: porquê? Se este estadista deu à nação aquilo por que ela ansiava, então por que razão foi ele abatido? A resposta poderia estar na vida do homem que o matou, José Júlio da Costa. A partir da projecção da vida e do discurso entre o alienado e o coerente do homem que foi José Júlio da Costa pretendi levantar um pouco o véu e revisitar a realidade de Portugal nas duas primeiras décadas do século XX, sendo essa realidade construída e comentada pelo director de um jornal vinte anos depois, já em plena ascensão do Estado Novo.»

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Autoria e Encenação

Ana Cristina Oliveira coordena há 15 anos o grupo de teatro Tapete Mágico. Tem o Mestrado em Educação Artística dirigido por João Mota. Sócia fundadora da Associação Ideias do Levante, colaborou com a ACTA e encenou para a Associação Música XXI os espectáculos “As Vedetas” e “Maria Adelaide”.

Actores antónio gambóias e henrique prudêncio na peça «do lado da verdade»

recentemente chegado de Inglaterra, que decide entrevistar José Júlio da Costa, o homem que assassinou Sidónio Pais e 20 anos passados ainda aguarda julgamento. A António Gambóias coube o desafio de interpretar duas personagens muito distintas. Uma tarefa tão complicada quanto interessante. «Por um lado o homem que matou Sidónio Pais, um individuo alucinado pelo tipo de vida que teve e sobretudo um homem bastante revoltado. Um homem que acreditou nos ideais da República e que considera terem sido absolutamente traídos por Sidónio Pais. Ao servir-se de uma polícia politica, da censura, é um homem que foi amordaçando e cortando algumas liberdades da República para poder dominar em torno da sua imagem, em torno da sua vontade. E José Júlio da Costa entende que só pode lavar a sua

honra e a dos ideais da República matando o Sidónio pais.» A segunda personagem interpretada por António Gambóias é um director de jornal «que se confronta com a história que lhe é apresentada por um jovem jornalista (Henrique Prudêncio), já em pleno Estado Novo. Portanto confronta-se com o facto de ter que num jornal gerir o que foi a história do assassínio de um presidente da República com aquilo que são os novos ideais do Estado Novo, a nova moral vigente, que obviamente não é sensível à ideia de revolta, revolução, greve geral, alteração da ordem pública e muito menos de um homem que tem sobre si as atenções pelo facto de ter morto um presidente da República. »

Henrique Prudêncio formou-se em teatro na Escola Profissional de Teatro de Cascais. Participou em várias peças escolares, entre elas: “Timeland” e “Qual é a distância do meu coração ao teu?”, escritas e dirigidas por Ana Oliveira. A sua última produção teatral foi “A Nossa Cidade” de Thorton Wilder, dirigida por Carlos Avilez.

António Gambóias iniciou a sua aventura no Teatro com a integração no grupo de Teatro dos Pupilos do Exército durante 6 anos. Integrou o Coro Gulbenkian e o grupo de Teatro da Faculdade de Letras da Universidade Clássica de Lisboa. Colaborou com a Companhia Cornucópia e lecciona a disciplina de Dramaturgia no Curso Profissional de Artes do Espectáculo, em Faro. Participou ainda como actor na peça “Maria Adelaide” encenada por Ana Cristina Oliveira.

arte

A peça de teatro «Do lado da Verdade» apresenta-nos uma abordagem diferente e original sobre os 100 anos passados sobre a proclamação da República. A morte de Sidónio Pais é o pretexto para a história que a autora Ana Cristina Oliveira considerou «mais interessante desenvolver sob o ponto de vista não da figura do presidente mas do homem que o matou. O espectáculo passa-se em 1935. São as memórias do prisioneiro José Júlio da Costa que nos vão transportar para o Portugal no principio do Século XX e aquilo em que Portugal se estava a transformar, uma vez que a peça retrata o principio do Estado Novo.» A peça que passou por Sagres, a 25 de Setembro e por Pechão, no dia 4 Outubro foi muito bem recebida pelo público, pela qualidade do texto, da encenação e das interpretações. Henrique Prudêncio interpreta um jovem jornalista


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••ALGARVE

••ALBUFEIRA

Mês Internacional da Biblioteca Escolar

Mostra de pintura “AS FABULOSAS”

Outubro é o Mês Internacional das Bibliotecas Escolares (MIBE). Por todo o país as bibliotecas escolares preparam actividades para celebrar a sua importância. O Algarve não é excepção e nos últimos anos a população tem sido surpreendida com eventos de grande qualidade, como foram, a título de exemplo, as Mostras de Bibliotecas Escolares no Fórum Algarve (2008 e 2009), em Faro ou a Mostra na Avenida da República (2009), em Olhão. e esperam-se uma grande dinâmica em continuidade do que têm vindo a acontecer nos últimos anos. O MIBE foi criado pela International Association of School Librarianship (IASL), para ser comemorado em Outubro de cada ano, em substituição do Dia Internacional da Biblioteca Escolar. Esta alteração foi aprovada pelo comité da IASL em Dezembro de 2007 e anunciada através do coordenador, Rick Mullholland. O presidente da IASL, James Henri, acredita que o MIBE trará outra dimensão às actividades dedicadas à biblioteca escolar. Segundo os princípios estabelecidos pela IASL, o MIBE permitirá aos responsáveis pelas bibliotecas escolares, em todo o mundo, escolher um

dia, em Outubro, que melhor se adeqúe à sua situação de forma a celebrar a importância das bibliotecas escolares. O Gabinete da Rede de Bibliotecas Escolares (RBE) decidiu declarar o dia 25 de Outubro como o Dia da Biblioteca Escolar, permitindo, deste modo, às escolas a preparação atempada de actividades específicas a realizar neste dia, independentemente de todas as acções que possam levar a efeito

••VILA REAL DE SANTO ANTÓNIO

noutros dias do mês. O Programa da RBE criado pelo Ministério da Educação em parceria com o Ministério da Cultura é coordenado pelo Gabinete da RBE e tem como objectivo principal a instalação e o desenvolvimento de bibliotecas escolares nas escolas públicas de todos os níveis de ensino.

“As Fabulosas” é o nome da mostra de pintura que Sofia Pinto Correia Melo traz a Albufeira. A exposição retrata o universo feminino num conjunto de 12 trabalhos de colagem sobre papel em exibição na Biblioteca Municipal Lídia Jorge, de 8 a 26 de Outubro. A artista pretende abordar o lado divertido e um pouco irónico das preocupações do quotidiano da mulher actual. A partir de imagens fotográficas, recortes de revistas e papéis vários, foram criadas personagens, mulheres ícones, representando diversos imaginários e ambições.

Sofia Melo possui o curso de Design de Moda, com especialização em Audiovisuais de Moda e ainda o curso de Modelagem Industrial. Profissionalmente, dedicou-se à “acessorização” de moda, em desfiles, revistas e colecções de marcas e designers portugueses. Na área da pintura, fez o curso de formação artística na Sociedade Nacional de Belas Artes e tem exposto individualmente com regularidade, desde 2003. 8>26 OUT |9.30> 19.15 (Ter/Sex) – 13.45> 19.15 (Seg e Sáb) |Biblioteca Municipal Lídia Jorge (Albufeira)

••OLHÃO

Exposição “A descoberta de Cabo Verde Apresentação do romance “Amanhecer na Rotunda” de José 550 Anos Sequeira Gonçalves e João Espada

biblioteca

DR

No âmbito dos 550 anos da descoberta de Cabo Verde, a Câmara Municipal e a Biblioteca Municipal Vicente Campinas inaugurou no passado dia 1 de Outubro, pelas 18.00, a exposição “A DESCOBERTA DE CABO VERDE – 550 ANOS – A HISTÓRIA EM PINTURAS”, seguida da conferência “A HISTÓRIA DE CABO VERDE NUNCA CONTADA” pelo Dr. Marcel

Gomes Balla, historiador americano de ascendência cabo-verdiana, a residir actualmente em Vila Real de Santo António. A exposição está patente ao público até final do mês. 1>30 OUT |9.30> 18.30 (Seg/Sex) – 14.00> 18.30 (Sáb) | Biblioteca Municipal Vicente Campinas (Vila Real de Stº António)

O autor, nascido em Messines em 1952, mestre em História Contemporânea de Portugal e professor no Colégio Internacional de Vilamoura, traz com esta obra (cuja edição se insere no programa das Comemorações do Centenário da República) para a primeira linha “o povo”, as figuras anónimas das quais normalmente não se fala nos livros de História, mas que, neste caso da vitória da República, como séculos mais tarde, na vitória do 25 de Abril, foram decisivas para a alteração da História. «Imaginemos um sonho chamado “República”. Um sonho que falava de justiça, liberdade, igualdade. Um sonho que levou dois mil anos a atravessar a História, da Roma Antiga à França Revolucionária. Tão perto no espaço e tão longe no tempo, afinal. Por esse sonho lutaram e morreram pessoas que se tornaram heróis, umas, e pessoas de que nunca ouviremos falar, outras. Entre o herói e o desconhecido se vai construindo a História de todos nós». 8 OUT | 21.30 | Biblioteca Municipal de Olhão

DR


Professora Universitária de Estudos Clássicos adriana.nogueira.cultura.sul@gmail.com

Neste espaço dedicado aos livros, já aqui fiz uma homenagem (a Saramgo), já trouxe ficção (de António Manuel Venda) e poesia (de Frederico Lourenço). Hoje trago um ensaio sobre a realidade portuguesa, vivida pelos homossexuais (de ambos os sexos), durante o fascismo. O livro chama-se, pois, Homossexuais no Estado Novo (Sextante Editora, 2010) e é da autoria da jornalista no Público São José Almeida, que irá participar no debate «A homossexualidade durante a Ditadura», no próximo sábado, 9 de Outubro, às 21.30h, no Pátio de Letras, em Faro. Neste evento vão estar também presentes o psicólogo Nuno Santos Carneiro (cuja tese de doutoramento «Ser, pertencer, participar: construção da identidade homossexual, redes de apoio e participação comunitária» serviu de base ao livro “Homossexualidades” – uma psicologia entre ser, pertencer e participar, publicado em 2009, numa edição Livpsic) e Fabíola Cardoso, a primeira presidente do Clube Safo, uma associação que se define como de «apoio e defesa dos direitos das mulheres lésbicas».

vilegiados social e economicamente: fala também da gente do povo, mais vulnerável a todo o tipo de arbitrariedades, nomeadamente à violência por parte da polícia: se um

Também o Algarve é referido: como centro gay, menciona Albufeira nos anos 60, «desde que [o cantor britânico] Cliff Richard comprou lá uma casa» (citando d.r.

rico podia sair com uma «multa» (extorsão por parte dos agentes), já um pobre era espancado (cf. p164). Só que não era assim tão simples, pois, tirando raras excepções, mesmo a posição social não impedia a prisão e a chantagem (de que o actor João Villaret foi vítima durante anos – p.162).

Fernando Dacosta, na p.170); como local de degredo, lembra Castro Marim: «O juizconselheiro Bernardo Fischer Sá Nogueira desmente categoricamente que tenha aplicado alguma vez uma pena de degredo a duas lésbicas, que por isso tenham sido enviadas para Castro Marim – um dos lo-

••da minha biblioteca

Poesia Grega É

difícil esquivar-me de citar os clássicos, pois ocupam uma grande parte da minha biblioteca. Além disso, a temática principal deste mês levou-me a percorrer as várias publicações em português que aqui tenho de Safo, a poetisa grega, da ilha de Lesbos. Uma das edições mais bonitas é a de Eugénio de Andrade, Poemas e Fragmentos de Safo em que este poeta faz uma recriação poética de parte da obra daquela poetisa. Escolhi três pequenos poemas, com dois versos cada um: Este, porque vemos a ética a sobrepor-se à estética: Quem é belo é belo de se ver, e basta; /mas quem é bom subitamente será belo. Este, porque é bem-humorado: “Virgindade, virgindade, para onde vais?”/ “A ti não voltarei, não voltarei jamais.” Este, porque só quem ama intensamente se consegue exprimir assim:

d.r.

Pudesse esta noite durar/ não uma mas duas noites inteiras. Frederico Lourenço também traduziu Safo, e dele escolho os primeiros versos de um poema que faz parte, provavelmente, daqueles que nos terão levado a assumir que a poetisa de Lesbos amaria, de um modo não apenas fraternal, as suas pupilas: Morrer, é isso que quero: não estou a fingir./ Ela despedia-se de mim com muitas lágrimas// e ainda me disse mais isto: “Ai, que coisas terríveis nós sofremos,/ ó Safo! É contra a minha vontade que te deixo.”// A ela respondi eu estas palavras:/ “Vai, sê feliz e lembra-te/ de mim. Pois sabes como te amei. Poemas e Fragmentos de Safo. Obra de Eugénio de Andrade/11. Editora Limiar. Porto. 1982. Frederico Lourenço, Poesia Grega de Álcman a Teócrito. Lisboa. Livros Cotovia. 2006.

Frederico Lourenço, Poesia Grega de Álcman a Teócrito. Lisboa. Livros Cotovia. 2006.

cais de degredo de homossexuais, desde a Idade Moderna, a par do Brasil e das colónias africanas». O juiz explica que se tratava de uma curandeira, denunciada por dois médicos, a quem ele decidiu ameaçar com desterro em Castro Marim, caso reincidisse nas actividades. «Passou então a correr o boato que eu tinha desterrado duas mulheres para Castro Marim e como Castro Marim tinha sido um local de degredo homossexual, pensaram que o caso era de acusação homossexual. Mas não.» (pp.80-81) A consulta de arquivos da PIDE, na Torre do Tombo, permitiu a São José Almeida destrancar páginas vergonhosas, nunca até agora examinadas. Senti falta de um índice remissivo onde pudesse procurar personagens e assuntos específicos, bem como de uma bibliografia agrupada no final. A opção pelas notas no fim de cada capítulo, onde as referências bibliográficas estão incluídas, não é uma solução prática para um livro desta natureza, que facilmente se constitui um importante documento de consulta. Mas tudo isto são pormenores facilmente resolvidos numa próxima edição.

••Diziam os antigos… A forma de cada ser humano era inteira e globular, com as costas e os flancos arredondados. Tinham quatro mãos e igual número de pernas; sobre o pescoço redondo, duas faces, iguaizinhas uma à outra; uma única cabeça onde assentavam as faces, colocadas em sentido oposto; quatro orelhas; órgãos genitais em número de dois; (…) «Parece-me», anunciou [Zeus], «que arranjei processo de continuar a haver homens e acabar de vez com a sua arrogância: é enfraquecê-los. Agora mesmo vou dividi-los ao meio um por um;(…) Cada um de nós (…) é a sua própria metade que cada um infatigavelmente procura. Em consequência, todos os homens que resultam do corte de um ser misto (o mesmo que em tempos era chamado andrógino) só gostam de mulheres. É deste género que descende a maior parte dos adúlteros, bem como todas as mulheres que gostam de homens - sem esquecer as adúlteras! Por outro lado, todas as mulheres do corte de um ser feminino não ligam praticamente aos homens e voltam-se de preferência para as mulheres (…). Finalmente, todos os que resultam do corte de um ser masculino só andam atrás de homens. Teoria sobre o Amor, apresentada por Aristófanes no Banquete de Platão, em tradução, de Maria Teresa Schiappa de Azevedo. Edições 70, 1991.

livro

Adriana Nogueira

Depois de ler este livro, não me espanta nada que o estudo que esteve na base desta publicação, intitulado “Homossexuais perseguidos no Estado Novo”, tenha ganho o primeiro prémio no concurso para Portugal, da Comissão Europeia, “Pela Diversidade. Contra a Discriminação”. É um estudo sério, não panfletário, com alguma exaustividade: São José Almeida consulta textos de diversa natureza, desde literários, leis, teses académicas, cita a história, faz entrevistas a académicos, a personagens intervenientes na época, a activistas dos direitos dos homossexuais, a vítimas do sistema judicial que vigorou tantos anos em Portugal… um trabalho que, se não deve ser entendido como «a História da Homossexualidade», como a sua autora modestamente afirma (p.22), constitui, sem dúvida, um importante capítulo para a reconstituição do que foi essa realidade no nosso país. A prática jornalística de São José Almeida não será alheia ao modo como conduziu a investigação e montou o livro, pleno de excertos de entrevistas que dão um rosto humano a leis, a “tratamentos” médicos, a relações sociais; com frases curtas e incisivas, que não cansam; numa linguagem acessível, mas exacta. Aprende-se muito com este estudo. Confesso que sabia apenas alguma coisa sobre o modo como os poetas António Botto e Judith Teixeira tinham sido (mal) tratados, mas não tinha ideia do panorama concreto que se viveu no Estado Novo. E não trata só de personagens famosas da nossa cultura, ou de pri-

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Homossexuais no Estado Novo – os anos de silêncio

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••CASTRO MARIM

Valorizamos o que de mais genuíno e autêntico nos distingue

José Estevens, presidente da Câmara Municipal de Castro Marim, revela em entrevista ao «CULTURA.SUL» qual tem sido a estratégia cultural da autarquia Castro Marim apostou, nos últimos anos, na valorização do património histórico edificado e dos saberes tradicionais como principais alavancas do seu desenvolvimento cultural. Os Dias Medievais tornaram-se no grande cartaz que mais projecta Castro Marim dentro e fora do país. CULTURA.SUL – Como define culturalmente o concelho de Castro Marim?

Uma das primeiras medidas desenvolvidas por este executivo foi desenvolver um conjunto de projectos que nos permitisse recuperar e requalificar o nosso património histórico, que estava votado ao abandono, ameaçando mesmo desaparecer, exemplo disto é o Forte de São Sebastião. A recuperação deste monumen-

o processo de recuperação do património histórico ou militar de Castro Marim. Uma atitude muito positiva e pró-activa que tem possibilitado ultrapassar todas as dificuldades na concretização desses projectos, tendo-se viabilizado a requalificação da Colina de Santo António, bem como a reconstrução do Forte de São Sebastião e ain-

CULTURA.SUL – Actualmente, como vê a dinâmica e a capacidade dos agentes culturais do concelho e da região?

sinalização, factor de afirmação da região neste campo, o que tem também constituído uma inegável qualificação da oferta turística.

José Estevens – Regista-se alguma dinâmica, especialmente por parte de algumas associações do concelho, que revelam alguma capacidade e acima de

CULTURA.SUL – Quais os agentes culturais da região que destacaria com maior relevo?

José Estevens – A cultura será por ventura dos elementos mais importantes no desenvolvimento das sociedades, reflectindo o seu nível cultural e o estádio de desenvolvimento de uma comunidade, por outro lado, os bens culturais são cada vez mais bens económicos cujo nível de produção e qualidade é factor de distinção entre as sociedades.

José Estevens – No que concerne aos do concelho de Castro Marim, sendo certo que o principal agente é o próprio Município através nomeadamente da Câmara Municipal e da empresa Municipal NovBaesuris, os nomeados têm que ver com projectos que passam pela Banda Musical Castromarinense, pelo Rancho Folclórico de Azinhal, pelas danças medievais “Compassos do Tempo” e pelas ARUTLA grupo de dança moderna. No que concerne a Orquestra do Algarve a dimensão verdadeiramente regional do projecto, a afirmação de qualidade do mesmo são elementos suficientes para merecer o nosso destaque.

No seu projecto de afirmação, Castro Marim olha para o legado constituído pelo património histórico edificado e pelo património humano espelhado nos saberes tradicionais, como principais alavancas do desenvolvimento cultural do concelho, sendo os Dias Medievais de Castro Marim uma expressão muito feliz do que pode resultar desta combinação.

CULTURA.SUL – O que é que para si mais distingue culturalmente Castro Marim dos outros concelhos?

CULTURA.SUL – Qual é a estratégia cultural da autarquia? José Estevens – Quando há 13 anos, chegamos à presidência da Câmara Municipal, constatamos que o concelho não dispunha de qualquer política cultural, que o pudesse projectar na região e no país. Assim tivemos a preocupação de lançar um conjunto de obras e iniciativas, que nos dessem a garantia que estávamos a trilhar uma estratégia para o desenvolvimento cultural desta terra.

Recuperar e Requalificar o património histórico

José Estevens – Destacaria pelo significado, como agente de grande relevo a Associação Musical do Algarve, com o projecto “Orquestra do Algarve”. Projecto não isento de dificuldades que deve merecer todo o carinho e apoio dos algarvios pelo que representa para a região. CULTURA.SUL – A título de exemplo, pode indicar algumas das razões que o levam a indicar esses agentes culturais?

Património histórico e humano como alavanca do desenvolvimento cultural

política

Por Henrique Dias Freire

josé estevens, presidente da câmara municipal da castro marim

to, a requalificação da Colina de Santo António, a construção da Biblioteca Municipal e do Centro Multiusos do Azinhal são bem a expressão do muito que temos vindo a fazer pela deste nosso concelho. CULTURA.SUL – Da relação com o Ministério da Cultura, nomeadamente com a Direcção Regional de Cultura do Algarve, quais são os resultados visíveis? José Estevens – O principal resultado visível é o bom entendimento que tem permitido

da os avanços já alcançados no processo de consolidação e requalificação do Castelo de Castro Marim. Entendimento também expresso no projecto da 2ª fase de requalificação do Forte de São Sebastião. É justo ainda realçar que os Dias Medievais de Castro Marim tiveram na sua génese o contributo do antigo IPAR.

Agentes culturais merecem destaque

tudo uma extraordinária vontade, uma vez que é sabido o nível de adversidades com que estes agentes se defrontam. Sem querer causar melindre permite-me aqui destacar a relevância do trabalho nesta área de associações como a Banda Musical Castromarinense, a Casa do Povo do Azinhal, Associação Recreativa Cultura e Desportiva dos Amigos da Alta Mora, Campesino Recreativo Futebol Clube, Clube Recreativo Alturense, entre outros. Na região, tem-se assistido nos últimos anos a uma quantidade e diversidade de ofertas dignas de

José Estevens – Pensando não ofender ninguém a genuinidade e autenticidade das expressões culturais mais representativas do concelho de Castro Marim. CULTURA.SUL – Como espera ver o concelho, em termos culturais, até ao final deste seu mandato? José Estevens – Espero cumprir uma boa parte do programa que temos vindo a delinear, sabendo que alguns dos projectos desenvolvidos e mesmo já em funcionamento irão ganhar uma maior estatura e provocar resultados no futuro.


Matemática Perversa: Arte X Indústria Cultural e Criativa, Expressar sentimentos x Explorar sentimentos E

Tela Leão Actriz, Programadora Cultural, sócia da AGECAL

ste tem sido um ano dedicado à importância das Industrias Culturais e Criativas no contexto Europeu. Todos falam nisso. Na reunião do CE em Lisboa em 2000 pleiteou-se que em uma década a Europa se tornaria a mais competitiva e dinâmica economia do mundo, capaz de gerar um crescimento com mais e melhores empregos e maior coesão social. É tempo de fazer por cumprir os objectivos da “Agenda Lisboa”. Em 2006 a Comissão Europeia encomendou um estudo sobre a importância económica do sector cultural. Admitia-se que o seu papel na economia ainda era ignorado e contabilizar tais parâmetros um exercício difícil. Não existiam ferramentas estatísticas e as artes eram consideradas economicamente marginais. Apesar disso o estudo apresentou números como “uma evidência de que o sector das ICC crescia num ritmo mais elevado do que o resto da economia, e criava empregos em quantidade e velocidade superiores a qualquer outra indústria na Europa”

Os surpreendentes números passaram a ser divulgados. A Comissária Europeia para Educação e Cultura reafirmou: “As Indústrias Culturais e Criativas Europeias são também um dos mais dinâmicos dos nossos sectores económicos. Estas indústrias, que incluem as artes do espectáculo, artes visuais, património cultural, filme, televisão e rádio, música, publicações, jogos de vídeo, novos meios de comunicação, arquitectura, design, moda e publicidade, juntas, propiciam postos de trabalho qualificados para cerca de 5 milhões de pessoas em toda a União Europeia e contribuem com cerca de 2,6% para o PIB Europeu…” Ah bem! Alargando-se dessa maneira o escopo das actividades, entende-se como um sector que em 2000 era chamado marginal, tornava-se tão importante na economia Europeia. As artes e as indústrias que utilizam disciplinas artísticas em produtos comercializáveis nunca entravam nas mesmas contas… mas a mudança de paradigma fez com que se passasse

a somar alhos com bugalhos e a criação de empregos durante as efémeras capitais culturais fosse vista com os mesmos olhos que a indústria de videojogos. Não se sabe em que momento da actual crise esses números foram cristalizados em resultados tão atraentes. Os Ministérios da Cultura manifestam orgulho em representar um sector tão promissor mas os governos cortam o investimento na cultura. Não seria isso cortar-se o galho onde se está pousado? Para compreender o papel das ICC portuguesas na equação fiz várias consultas. Respondeu-me a EUROSTAT a dizer que os dados existentes vêm do estudo"The economy of culture in Europe". Não existem outras estatísticas europeias sobre as ICC por que ainda não há um acordo sobre os sectores a se incluir, nem dados sobre os mesmos. A ESSnet-culture está trabalhando numa metodologia para se poder fazer tais estatísticas, mas não se esperam resultados antes de finais de 2011. Olhando para os frágeis da-

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••ESPAÇO AGECAL

dos disponíveis… vemos que a contribuição das ICC portuguesas ao total de uma Europa de 25 países seria de 1% (PIB de 2006), e que o sector albergaria 1,4% da força de trabalho portuguesa. A contribuição do Algarve terá ainda menor expressão. Ou seja, a realidade das ICC não é a nossa. Mesmo assim… senhores artistas e mui distinta plateia… o espectáculo vai começar… do lago dos cisnes à dança do ventre… do malhão ao electroacústico… juntos, uns a lucrar outros a suplicar, podemos afirmar que nós, artistas, produtores, gestores, criadores, palhaços e bailarinas… temos uma enorme importância: vamos salvar a Europa da crise!

••OPINIÃO

A

Cristian Valsecchi Economista da cultura

e Gestor Factor Desenvolvimento Lda cv@factordesenvolvimento.pt.

definição de uma política cultural no Algarve passa pela redacção de um plano estratégico da cultura que a Direcção Regional está finalmente a elaborar. Nos tempos que correm onde a rápida evolução (ou involução?) do mundo impõe velocidade de análise, pensamento e acção, o tempo de produção do plano estratégico em causa é certamente anacrónico – atendendo às declarações oficiais estará concluído um ano após o início da sua realização. A iniciativa merece no entanto todo o suporte, na medida em que é com base nas políticas de desenvolvimento cultural e social que as economias contemporâneas baseiam o seu próprio sucesso. Todavia, para que um documento programático produza resultados adequados no Algarve, será impe-

rativo que a Direcção Regional de Cultura faça um salto de qualidade relativamente ao que tem vindo a ser produzido nos últimos anos pelos diversos organismos públicos. É desconcertante observar a substancial inutilidade da maior parte dos planos estratégicos produzidos a nível regional nos mais diversos sectores e imaginar o desperdício de recursos públicos que daí advém. Desperdícios que derivam não apenas dos custos de produção dos estudos, mas também, e de modo ainda mais consistente, das deseconomias ligadas à carência de conteúdos indispensáveis para a concreta aplicação das orientações estratégicas. Conteúdos como o modelo de governance, os objectivos específicos e as linhas de acção para alcançá-los, a pontual individuação dos recursos humanos, a

planificação temporal e orçamental, o plano de monitorização dos resultados e do estado de evolução dos projectos encontram-se sistematicamente ausentes dos pseudo-planos estratégicos algarvios, que parecem por vezes esconder a precisa vontade de não dar seguimento às ideias. A árdua tarefa que a Direcção Regional de Cultura tem a seu cargo agora será apenas alcançada apenas e só mediante um distanciamento da discutível metodologia que caracterizou o resto da planificação estratégica no Algarve. Ao agir em contraposição à norma poderão ser garantidos os objectivos constitutivos da programação estratégica territorial. Em primeiro lugar a correcta actuação do plano. Em segundo lugar o sucesso da

acção cultural no território. Em terceiro lugar, e consequentemente, a legitimação dos financiamentos públicos e privados. Com efeito, por quanto lícitas sejam as recriminações dos operadores culturais pelos dramáticos cortes no âmbito da cultura, não se pode esconder o facto de raramente se verificar uma argumentação adequada em termos de programa e resultados esperados a médio e longo prazo mediante os pedidos de financiamentos pelos institutos culturais.

apontamento

Plano Estratégico de Cultura para o Algarve


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••DIRECÇÃO REGIONAL DE CULTURA DO ALGARVE

A dimensão educativa dos Monumentos do Algarve “O essencial não está na conservação do que é material e visível. O que torna o quotidiano ainda habitável e poético são as artes, inúmeras e secretas, da memória e do esquecimento” (A Política do Património, Marc Guillaume) dr

Actividades educativas atraem centenas de pessoas (Milreu)

À

s Direcções Regionais de Cultura compete gerir espaços patrimoniais, promovendo a sua fruição pública e, simultaneamente, apoiar a actividade cultural na região, potenciando sinergias entre os vários actores. É precisamente no cruzamento destes dois pólos – património e artes – que a Direcção Regional de Cultura do Algarve vem desenvolvendo a dimensão educativa da sua actividade. A criação de centros interpretativos e/ou a edição de cader-

dr

Iniciativas com diversidade de públicos (Alcalar)

dr

Um outro olhar sobre o património (Alcalar)

nos pedagógicos foram os primeiros passos na aproximação dos públicos aos monumentos geridos directamente pela Direcção Regional, como Milreu, Alcalar, Paderne. Seguiu-se a realização de parcerias com as autarquias, através dos Museus Municipais (Albufeira, Faro e Portimão) e a realização de actividades educativas – visitas orientadas, ateliês educativos, recriações históricas, nomeadamente nos Monumentos Megalíticos de Alcalar, com Um

dia na Pré-História, actividade que conta já com várias edições, levando às ruínas, nesses dias, largas centenas de pessoas. Este ano iniciaram-se vários projectos educativos e de fruição patrimonial que tiveram como premissa potenciar cruzamentos entre o património histórico e a criação artística. Assim, nasceram os projectos Música nos Monumentos, Lugares Mágicos e Da janela da minha escola... vejo um monumento. Estes projectos têm

outro denominador comum: foram construídos, desenhados e sonhados em parceria, com a Orquestra do Algarve, com o Atelier Educativo e com a Direcção Regional de Educação do Algarve, respectivamente. Dirigidos a públicos diversos – famílias, jovens institucionalizados, pessoas de mobilidade reduzida, crianças do 1.º Ciclo – os projectos permitem um outro olhar sobre o património histórico algarvio. Marcas na paisagem con-

temporânea, os monumentos algarvios constituem-se como espaços culturais, cuja dimensão educativa contribui, também, para reforçar o potencial de criatividade, preservar a identidade regional e qualificar a “marca” Algarve.

to aos primeiros, admita-se a seriedade intelectual das suas invectivas, mas, evidentemente, que não o fundamento – o Popper tocou-lhes pela fímbria a razão e aconteceu um assombro. Dos outros - em regra afectos a alguma imprensa mais dada a procurar a questiúncula do que o esclarecimento, através da qual, os ditos, quais arautos da decência pública, lançam as suas imprecações – deles, diga-se que são a um tempo significante e significado de pródigo espalhafato. Porém, talvez se possa identificar em um e outro discursos, um momento de comedimento no diverso recurso à expressão em causa: aquele em que foi tornado público o estudo do Prof. Augusto Mateus sobre a importância económica do sector cultural e criativo em Portugal. Os primeiros fingem desconhecer e os segundos desconhecem realmente, que a génese estrutural do ser humano colhe substância que está para além da sua própria consciência imediata. Em Shakespeare, que no dizer de Ionesco, criou a Humanidade; em Sófocles que criou Édipo e Antígona, monumentos em que alicerçamos a nossa audácia, o nosso desespero, ou a nossa lucidez; em Picasso e em Cézanne, que reinventaram o olhar humano e sem eles jamais veríamos como

vemos; em Santo Agostinho, que foi actor e deixou-nos umas Confissões onde nos podemos rever e reencontrar... E eles não sabem que mesmo que o não saibam está-lhes na matriz... e continuar seria infindável. Não sabem os primeiros, que reduzir a mais-valia da criação a uma mera lógica contabilística deixa de fora o valor da imaginação, a qual, segundo Einstein, é mais valiosa que o conhecimento, visto que este é finito e aquela infinita. E ignoram os segundos do que aqui estamos a falar. Sejamos rasos para curtos entendedores: saibam que, depois da Bíblia, o livro mais vendido no ocidente no século XX foi O

Capital, de Karl Marx, de cuja primeira edição, de 1867, apenas se venderam 8 exemplares. A situação financeira de Marx era de tal forma desesperada que Engels, que o sustentava, foi pedir ajuda à mãe de Marx, que vivia desafogadamente, mas a senhora ter-lhe-á respondido: “O meu filho, já que sabe tanto de Capital, que trate de o ganhar!”. Bem mais pobre seria o mundo se Marx tivesse seguido o conselho materno. E outro caso, o de Grotowski: a tomar por certo o que me diz um amigo polaco, o Estado democrático da Polónia recebe hoje em direitos o que o Estado comunista financiou durante anos a

fio, até Grotowski ser tentado pelos americanos, que lhe ofereceram dólares, e depois pelos italianos, que lhe ofereceram um castelo. Um dos maiores criadores teatrais do século XX, falecido em 1999, hoje considerável fonte de divisas. Neo-liberais: estudem!; ignorantes: calem-se!

••convidado.S

Luís Vicente Actor, encenador e director artístico e de produção da ACTA – A Companhia de Teatro do Algarve.

estratégia

O valor económico da cultura e da criação O termo subsídio-dependente tem vindo entre nós a fazer parte do léxico politico conotado com a posição chamada neo-liberal, mas também os simples ignorantes a ele têm recorrido na devassa da circunstância para exprimir a idéia de que a criação artística financeiramente apoiada pelo Estado constitui um foco de devastação dos dinheiros públicos. Quan-

••próximo

José Duarte

convidado.S O próximo convidado.S é José Duarte. «1…2…1, 2, 3, 4, 5 minutos de jazz» Há 44 anos que se ouve na rádio portuguesa a voz inconfundível de José Duarte, o homem do jazz, actualmente o mais importante representante da geração que divulgou e fomentou o jazz em Portugal, na rádio, na televisão, na imprensa e na internet (www.jazzportugal.

ua.pt). Privou com grandes nomes (alguns que ainda ouvimos no Algarve recentemente, como Diana Krall ou David Murray) e não pára: discos, livros, conferências, concursos, aulas… Em 2009, a Presidência da República concedeu-lhe o grau de «Grande Oficial da Ordem de Mérito» e a Universidade do Algarve homenageou-o, no mesmo ano.

Cultura.Sul 26  

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