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Teresa Vilaça C M

asa -M useu edeiros e A lmeida um T esouro na C idade

Mia CPouto recebe rémio C amões Património N acional Paço dos Duques de Bragança # 18.2013


Livros para executivos e empresas de Excelência O Protocolo é essencial na gestão de uma carreira de sucesso feita de reuniões, encontros, apresentações, jantares sociais, comunicação aos órgãos de comunicação social entre tantos outros eventos que fazem, cada vez mais, parte do dia-a-dia de um profissional exigente e conhecedor.


5 | Editorial 7|À

mesa com

Teresa Vilaça, Casa-Museu Fundação Medeiros

20 | O

sentido do paladar, por

e

da

Almeida

Maria Dulce Varela

24 | Elisabete Matos recebe

Prémio Femina 2013 26 | Mia Couto

28 | Património, Paço

40 | Conferência 42 | III Capítulo

na

da

Grémio Literário

recebe

Prémio Camões de

Bragança

centenária de

Portugal

dos

38 | Património, Imprensa

no

Duques

Assembleia

Confraria

Sintra

no

República

da

dos

Sabores

Palácio

47 | Protocolo, Visita Oficial

Colômbia

54 | Protocolo, Visita Oficial 58 | Sessão Solene

Queluz

de

à

ao

comemorativa do

Portugal,

de

de

Peru

Dia

Camões

de

e das

Comunidades Portuguesas

PORTUGAL PROTOCOLO Edição Digital Nº 18 | 2013

Director

João Micael

Jornalista Convidada Maria Dulce Varela Arte

Portugal Protocolo Design

Propriedade João Micael - Protocolo, Imagem e Comunicação

Unipessoal, Lda.

Rua Actor Augusto de Melo, Nº 4, 3º Dto. 1900-013 Lisboa Portugal Tel. +351 21 410 71 95 | Telem. +351 91 287 10 44 protocolo@portugalprotocolo.com www.portugalprotocolo.com

Registo ERC Nº 125909 INTERDITA A REPRODUÇÃO DE TEXTOS E IMAGENS POR QUAISQUER MEIOS

Por

vontade expressa do editor a revista respeita a ortografia

anterior ao actual acordo ortográfico. nº18

| Portugal Protocolo 2013 | 3


www.p ort u galp rot oc olo.c om


E

d i t o r i a l

Esta edição apresenta várias novidades, a participação da minha querida amiga e jornalista Maria Dulce Varela, que prontamente aceitou o convite para acompanhar-me na aventura – sua também de longos anos -, em escrever para a revista. Encetamos este propósito com um ciclo de entrevistas muito especiais, feitas a pessoas distintas, num ambiente informal, mas elegante, e de altíssima qualidade gastronómica e enológica, proporcionado por Carlos Medeiros no seu Aura Lounge Café no Terreiro do Paço em Lisboa.

Portuguesa, foi convidado a apresentar os centenários jornais portugueses, alguns são mesmo os mais antigos da Europa, o que é verdadeiramente motivo de orgulho para Portugal, bem como apresentará a sua candidatura a Património Cultural Imaterial.

Aventuramo-nos, também, através da pluma de Maria Dulce Varela, na apreciação dos sabores sentidos nas entrevistas, onde no seu tom inconfundível - podemos mesmo “ouvi-la” -, somos tentados pelo quinto pecado capital pelas iguarias apresentadas na nova rubrica “o sentido do paladar”. Ainda os resquícios vimaranenses ecoam da última edição relativa ao Prémio Femina 2013 em Guimarães, com a visita a um dos mais emblemáticos paços nacionais, o Paço dos Duques de Bragança, e também com a entrega do Prémio Femina 2013 por mérito nas artes musicais e bel canto a Elisabete Matos no Grémio Literário em Lisboa. Como é hábito Portugal Protocolo orgulha-se em evidenciar sempre os feitos nacionais, e, João Palmeiro, presidente da Associação da Imprensa

Também os sabores sintrenses são agora promovidos e defendidos, além de amados, pela recentemente criada Confraria dos Sabores de Sintra, cujos propósitos são dignos de louvor porquanto não contam com qualquer apoio oficial, somente a vontade dos seus confrades e confreiras, amantes daqueles sabores requintados e reconhecidos internacionalmente. João Micael Director de Portugal Protocolo nº18

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E n t r e v i s ta ,

à mesa com

Teresa Vilaça

Foi em Lisboa, no Terreiro do Paço, que nos encontrámos, eu e João Micael, com Teresa Vilaça, para uma conversa informal, mas muito interessante, durante o almoço no restaurante Aura. Uma conversa em que percorremos, um pouco, o

percurso profissional da directora da Casa-Museu da Fundação Medeiros e Almeida. E enquanto saboreávamos um fantástico champanhe, começámos por lhe pedir que nos oferecesse um olhar global sobre o património da Casa Museu.

Texto de Maria Dulce Varela Fotografias de João de Sousa nº18

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E n t r e v i s ta , Com orgulho indisfarçável, Teresa Vilaça falou-nos da fabulosa colecção de artes decorativas, única no país, feita por um português. “Adianto já que há uma colecção muito boa, que está na Fundação Gulbenkian, que em boa hora veio para Portugal, mas não é feita por um português. Esta, que está na Fundação, feita pelo Medeiros e Almeida, é uma colecção que eu considero única, não só pelo número de peças, como pela abrangência, pela qualidade das peças, únicas e extraordinárias, que as pessoas não vêm normalmente. Algumas delas, e já que estávamos a falar da rainha – posso citar o relógio de noite da Rainha D. Catarina de Bragança. Nós podemos comprovar isso através de um diário de um viajante inglês, como tendo pertencido a D. Catarina de Bragança e que esteve em Whitehall, no seu quarto. É uma peça única, na medida em que os relógios de noite estavam iluminados durante toda a noite, no século XVII, entre 1660 e 1670, com uma candeia de azeite. Foram peças que foram feitas por um relojoeiro inglês. A maior parte das peças acabaram por arder por estarem iluminadas durante toda a noite e a madeira ter aquecido e, naturalmente, acabaram por arder. Este teve a sorte de não ter ardido. Agora, já não está iluminado por uma candeia, como acontecia no século XXI, está iluminado por uma lâmpada 8 | Portugal Protocolo 2013 |

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à mesa com

Teresa Vilaça

eléctrica e faz o mesmo efeito. A outra peça é a Taça Aldo Brandini. Só existem doze no Mundo, segundo nós sabemos e estão todas identificadas. Nós possuímos uma das doze. Tem sido, ao longo destes últimos 5 ou 6 anos, objecto de um grande estudo, muito detalhado, por parte da Silvary British Civil Society que controla todos os donos das outras onze. São peças de aparato. Foram encomendadas em Itália, pelo Cardeal Aldo Brandini e estiveram todas juntas até ao final do século XIX, mas acabariam por ser vendidas, por razões financeiras, por um antiquário. E, neste momento, estão todas identificadas e temos um objectivo de as voltar a juntar, no próximo ano, numa grande exposição, que o Metropolitan Museum de Nova Iorque se propõe fazer. Cento e tal anos depois, vão voltar a estar juntas. São peças de grande qualidade pelo seu valor internacional .... Voltando a Portugal, o mesmo acontece com o Gomil de D. Manuel , agora que estamos a comemorar os 500 anos da chegada dos portugueses ao Mar da China. É a primeira peça que vem, em 1519, para Portugal, para a Europa, neste caso, para o rei de Portugal, decorada com as armas pessoais do Rei. Até ao momento é a primeira e única que nós conhecemos. Sabemos que há um gomil pequeno na Fundação Ricardo Espírito Santo e há um outro particular que tem um


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à mesa com

Teresa Vilaça

Gomil grande, com dimensões muito grandes. Portanto, como este, de que tinhamos conhecimento, porque havia uma carta do rei a encomendar um recipiente daquele género; é uma peça completamente inserida num grande momento da História de Portugal. Eu acho que é uma peça muito interessante”. Face a este entusiasmo, somos levados a concluir que existe uma ligação entre esta a colecção da Fundação com outras colecções e com outros espaços do Mundo. Algo que Teresa Vilaça nos confirma, enquanto saboreamos,

deliciados, um folhado especial. “O diálogo é permanente. Devo dizer-lhe que, desde que a colecção abriu ao público em Junho de 2001, portanto há doze anos, que não se faz uma exposição na Europa e na América e, já agora, posso dizer, mesmo no Mundo, - com a Ásia já está incluida uma exposição de “Arte Antiga” (entre aspas, digamos), que não passe pela colecção da Casa Museu da Fundação Medeiros e Almeida. Qualquer museu europeu nos pede peças emprestadas. Qualquer museu americano nos pede peças emprestadas e – isto é engraçado - ontem mesmo, tivemos uma reunião com um executivo nº18

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E n t r e v i s ta ,

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nº18

à mesa com

Teresa Vilaça


E n t r e v i s ta ,

à mesa com

Teresa Vilaça

do Ancient Museum de Singapura, para fazer uma exposição sobre o cristianismo na Ásia – contando com as grandes peças que estão na Europa e, claro, com as peças que estão na Fundação Medeiros e Almeida. Na Europa , a nossa colecção é uma das principais”. Quisemos

também

saber

se,

internamente, a Fundação conta com algumas colaborações dignas de nota. “Entre

Museus”,

diz-nos

a

nossa

entrevistada, “ há uma parceria inata. Entre os museus nacionais, destaco o Museu Gulbenkian, o Palácio da Ajuda ...” Ao falarmos do Palácio da Ajuda, recordámos

que

existe

um

conjunto de peças que são pouco faladas, é um tema muito original e que deveriam estar mais acessíveis ao comum dos visitantes, que é a colecção das jóias de luto .... “Ah! sim, por acaso, isso nunca foi feito. Mas nós temos na Casa-Museu um relógio de luto feminino, até porque o luto era uma coisa importantíssima , não só pelas jóias, como também pela etiqueta e os trajes”. Ao notarmos o entusiasmo de Teresa Vilaça, falando da “sua colecção”, que ela fez questão de sublinhar ser sua “entre aspas”,

- a directora da Casa-Museu da Fundação Medeiros e Almeida admite que a existência desta colecção foi esse um dos motivos que a levou a aceitar a posição de directora que neste momento ocupa. “Sou directora desde que abriu ao público, em Junho de 2001. De facto, foi uma das razões. Este é um trabalho que nasceu nas minhas mãos. E passo a explicar porquê. Medeiros e Almeida morreu em Fevereiro de 1986. E, mais ou menos, por volta de 1988-89, um dos administradores da Fundação Medeiros e Almeida convidou Simoneta da Luz Afonso, que era então directora do Palácio de Queluz, para ajudar a fazer o inventário da Casa-Museu. E eu, que trabalhava com ela no Palácio de Queluz desde 1982, sabia que ela estava também para partir – tinha sido convidada para abrir o Instituto Português dos Museus. Então ela destacou-me para fazer o inventário da colecção da Casa Museu da Fundação Medeiros de Almeida, que estava incipiente. Foi assim que, durante dois anos, estive destacada, em “full time”, na Fundação Medeiros e Almeida, por determinação da Simoneta Luz Afonso. Ao fim de dois anos, eu tive que regressar a Queluz, por necessidades do Palácio, mas mantive a ligação – mantive também o trabalho que tinha sido feito por mim e por uma pequena equipa de nº18

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E n t r e v i s ta ,

“O Metropolitan Museum of Art de Nova Iorque já nos pediu peças para cinco exposições diferentes.”

à mesa com

Teresa Vilaça

3 ou 4 pessoas ,que permaneceram na Fundação, inventariando as peças todas, que são imensas, cerca de nove mil. E eu fiquei a coordenar essa equipa; estava no Palácio de Queluz e na Fundação Medeiros e Almeida, que é uma fundação particular, mas isso era permitido na época. E assim foi. Assim me mantive, até que chegou a hora da Casa-Museu ser aberta ao público. Era já um assunto de não retorno. Era uma instituição particular e que necessitava de dinheiro próprio. Tivemos de fazer umas obras muito, muito difíceis, de restruturação de toda a parte eléctrica e de toda a parte de arejamento das salas ... e isso foi muito difícil e muito caro ... e foi demorando algum tempo. Em 2001, estava pronto. E em Setembro de 2000, fui convidada pelo presidente do Conselho de Administração da Fundação Medeiros e Almeida, Dr. João Oliveira e Silva, para ficar à frente da Casa-Museu. Eu aceitei. Era um trabalho que tinha nascido nas minhas mãos. Aceitei com o maior dos agrados, como devem imaginar. Daí o meu entusiasmo. É, de facto, como um filho – já tenho três – e é com muito entusiasmo que eu falo daquela colecção. E é um privilégio, do qual eu tenho consciência, trabalhar ali ...”. E Queluz ficou para trás, um local que, para Teresa Vilaça foi também

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E n t r e v i s ta ,

à mesa com

Teresa Vilaça

um privilégio e que é, para ela, uma espécie de oásis... “Sim! É um oásis muito emblemático, muito carismático , com os arredores um pouco degradados, graças ao J. Pimenta, e com as construções desenfreadas ... Era a Real Quinta de Queluz – ficou cortada a meio, pela estrada que vai para Sintra, a parte que ficou do lado esquerdo, está alienada. Ah! Mas o Palácio de Queluz é ... é a casa ... é o jardim ... são as rãs nos lagos ... Não faz ideia o que é chegar ali de manhã... Mas nunca deixou de ser um local de excepção, onde eram recebidos e Chefes de Estado...” Teresa Vilaça vai recordando: “O chamado Pavilhão D. Maria, onde a rainha foi viver depois de ter ficado doente, e quando D. Afonso VI assumiu a regência do Reino, em 1797. A rainha D. Maria que já estava dar os primeiros sinais de loucura quando foi para o Pavilhão D. Maria que é o pavilhão sul-esquerda do Palácio. E é aí a residência oficial dos Chefes de Estado convidados...” Foi, então, tempo para saborear a maravilhosa dourada, enquanto Teresa Vilaça recordava como foi magnífico o tempo que passou no palácio. “Queluz foi uma experiência magnífica a todos os níveis. Quando eu cheguei a Queluz em 1983, o palácio tinha passado recentemente para a Cultura

– os palácios nacionais, até então, pertenciam às Finanças. Os Palácios Reais, o de Sintra, Queluz, Mafra, tinham, por isso, à sua frente, um mundo inteiro para desbravar. As Finanças limitavam-se a abrir as portas, com meia dúzia de guardas, abrir às 10 e fechar às 15, cobrar bilhetes e mais nada. Sem qualquer outra preocupação, nem museológica, nem bibliográfica, nem de coisa alguma, nada. A Simoneta convidou-me para fazer parte da equipa dela. Que era eu, uma outra pessoa que lá estava, em “part-time”. Éramos nós as três e os guardas. Havia também uma equipa de jardineiros, porque era uma quinta muito grande. Tudo começou ali. Ainda hoje tenho uma saudade muito grande de Queluz. Foi um espaço que me marcou e ainda hoje me marca. Faço parte daquela família. De toda a família real que ali viveu e que nós investigámos, nos arquivos. Eu faço parte da família deles e eles são a minha família.” O futuro, mesmo agora, com alguma incerteza, novas apostas, novos projectos, estão, por certo, nos objectivos da Fundação, que não tenciona parar... “A Fundação, como tenho dito e é inegável, Medeiros e Almeida foi um homem visionário, em 1963; antes de tudo, e de nada, criou a Fundação Medeiros e Almeida, dotou-a de nº18

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E n t r e v i s ta , meios próprios de sobrevivência, mas, neste momento, também está a estagnar. Não podia deixar de ser, não está imune a isto tudo. Os meios de sobrevivência da Fundação são arrendamentos do Imobiliário, que nós temos. Os inquilinos entram e saem. Saem e não entram tão depressa como era desejável. Estamos a abrandar o ritmo. E os projectos estão um bocadinho em “stand by”. De qualquer modo - isso é ponto de honra – a Fundação deixou nos seus estatutos dois pontos essenciais: primeiro, dotar o país de uma Casa--Museu que pudesse ser do usufruto de todos e, segundo, criar bolsas de estudo para alunos de Arte, em todos os cursos do campo artístico. Isso também é um investimento grande que a Fundação faz. Damos doze bolsas anuais. E já as damos há quatro anos, com tanta procura, que é até dificil fazer a selecção. Por acaso essa selecção não passa por mim, devo dizer, não passa pela Casa-Museu. Isso está adstrito à Fundação. Há um director administrativo que trata da parte das bolsas e é ele que trata de tudo isso. Há uma parceria com a Universidade dos Açores e ele deu privilégo aos alunos de origem açoreana. Mas quero também referir que essas bolsas são apenas para alunos no campo das Artes, o que é bastante abrangente, pois vão da arquitectura à música, dança, à pintura, escultura e tudo o 14 | Portugal Protocolo 2013 |

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à mesa com

Teresa Vilaça

mais que se entender que está dentro do campo das Artes. E é para formação universitária. Nós temos uma parceria com a Universidade dos Açores e são eles que, mais ou menos, recrutam. Não vamos dar bolsas a quem, ou cujo pai tem, um IRS altíssimo. Este é um dos primeiros critérios e o outro são as notas e a qualidade do projecto, mas esse já está em terceiro. Eles têm que ter um bom aproveitamento. A conversa já ia no fim e estávamos prontos para o doce, soberbamente regado por um Porto Vintage. Altura para saber do reconhecimento a nível internacional do património da Fundação... “Como disse, o património é muito reconhecido. Não se faz uma exposição, sem que nos peçam uma peça. O Metropolitan Museum de Nova Iorque já nos pediu, que eu me lembre, cinco peças para cinco exposições diferentes. Aliás, foi através deste museu (confesso a minha falha), que nos pediu um retrato de um rapaz pintado pelo Delacroix, porque estavam a fazer uma exposição sobre o Degas e que eu não fazia ideia o que é que uma coisa tinha a haver com a outra. E foi o Metropolitan que nos informou que aquele quadro do Delacroix tinha pertencido à colecção do Degas. Imagine qual é o nível de conhecimento da comunidade internacional, neste caso da norte-


E n t r e v i s ta ,

à mesa com

Teresa Vilaça

“Entre

os museus há uma

parceria inata.”

nº18

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E n t r e v i s ta , -americana, sobre a nossa colecção. Eu não sabia que aquele quadro, que estava na nossa colecção, tinha pertencido à colecção do Degas. E ainda mais. Em Setembro de 2001, estávamos recém abertos ao público e, novamente, o Metropolitan pediu-nos emprestada uma tapeçaria da Renascença que nós temos, toda bordada a ouro, que representa um passo da Paixão de Cristo, porque estavam a fazer uma grande exposição sobre tapeçarias da Renascença europeia. Foram lá, fotografaram-na e, entretanto, dá-se o 11 de Setembro e eles mandam-nos uma carta pedindonos muita desculpa e dizendo que, por razões de segurança – a exposição seria inaugurada em Outubro – razões de não haveria nenhum voo entre a Europa e os Estados Unidos, mas que, de qualquer maneira, a tapeçaria iria figurar no catálogo, como se tivesse estado na exposição. Dá para perceber que eles sabem bem e conhecem bem. “ E foi sempre assim, quisemos saber... “No tempo do Medeiros e Almeida, ele fechou um bocadinho a colecção – ele tinha um receio imenso dos assaltos. E isso percebe-se ao longo da colecção, quando se vai percorrendo as salas, não há janelas. Ele mandou tapar todas as janelas, mandou fechar tudo. Primeiro, porque 16 | Portugal Protocolo 2013 |

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à mesa com

Teresa Vilaça

ele estava a envelhecer e as pessoas, quando envelhecem, amedrontam-se com mais facilidade e, segundo, com um receio real. E então fechou um bocado a colecção. No entanto, não fechou totalmente. As peças circulam por todo o país e a nível europeu, a mesma coisa. Quando se deu a Europália em 1991, tenho ideia que, pelo menos, doze peças da colecção saíram para fazer parte da exposição. Sem percalços nenhuns. Zero de percalços, até hoje. Espero que assim continue até ao fim.” Naturalmente há um envolvimento em termos museológicos, uma colaboração com as exposições. “Esse envolvimento é total. Não só pedimos emprestado para exposições nossas, como emprestamos sempre, sempre, para qualquer exposição, a nível nacional, que seja organizada pelos museus. É claro que eu não tenho a última palavra. Tenho um Conselho de Administração acima de mim, que tem a última palavra sobre empréstimos. Eu apresento um parecer sobre o assunto mas, quanto a mim, sou apologista que se deve emprestar sempre. Primeiro, porque a população em geral tem direito ao conhecimento das peças. Se, porque qualquer razão, não podem vir à Casa-Museu, têm direito a ver as peças em qualquer lado, onde os museus fazem as sua exposições e, ainda, porque


E n t r e v i s ta ,

à mesa com

Teresa Vilaça

valoriza muito mais as peças. Quanto mais vezes elas forem emprestadas, figurarem em exposições, não só se enriquece a própria peça, como também o património da Casa-Museu”.

reconhecimento do representante do Imperador. E é então que a embaixada de Tomé Pires entra em contacto com os produtores de porcelana e que se encomendam as doze garrafas de vinho para o Rei de Portugal.”

Falando de projectos, e ainda este ano, lembrámos os 500 anos da primeira chegada dos portugueses aos mares da China, tivemos alguma curiosidade em saber se haveria um envolvimento da Embaixada da República Popular da China nas celebrações e resposta foi surpreendente... “Não, para eles somos uns terroristas. Exactamente, uns terroristas, uns gansters da altura. Estávamos ali a tentar sair da Índia, onde estávamos, e íamos investir em Guangzu, naquele porto que era o que ficava mais perto para comerciar. Para eles éramos mais uns, como muitos outros, que tentavam comerciar. Para eles, não éramos ninguém. E de facto, foi isso que aconteceu, em 1513, conseguimos finalmente vender, comerciar aquilo que levávamos nos barcos que tinham saído da Índia, entre especiarias e sedas, comerciados com os chineses ali de Guangzu, mas nada oficial. Até porque o governo chinês de então não reconheceu coisíssima nenhuma. Só reconheceu muito mais tarde, em 1517, quando a embaixada de Tomé Pires já entrou oficialmente, com

Dessa perspectiva, para os chineses não foi muito importante, mas para nós teve e tem muita importância e é um grande momento para a cultura ocidental. Logicamente que a Fundação vai integrar as comemorações desse grande momento para a cultura portuguesa e europeia... Teresa Vilaça é peremptória :” Vamos. É obrigação nossa. É imperativo, apesar de algumas condicionantes financeiras, mas é para nós um imperativo. Como já disse, a Fundação é detentora das primeiras encomendas para o D. Manuel. Para além do Gomil de D. Manuel, nós temos mais cinco ou seis peças que fazem parte do núcleo das primeiras encomendas que vieram para a Europa e vieram para Portugal. Vieram para o Rei mais quatro peças, que nós temos, que estão todas armoreadas com as armas reais e com as armas pessoais do Rei, com a esfera armilar e as armas reais e, depois, nós temos também algumas peças pertencentes à aristocracia portuguesa que começou a encomendar, também, peças personalizadas à imagem do Rei.” nº18

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E n t r e v i s ta , Há, no entanto,aquelas pequenas curiosidades, ... a diferença, o desconhecimento na estampagem das armas reais ... “Sim”, diz Teresa Vilaça, “ as armas reais invertidas, pelo desconhecimento de quem as estampava. A norma era deixar uma gravura com o desenho daquilo que se queria que fosse impresso na peça. E os portugueses deixaram o escudo real - da época de D. Manuel -, só que se esqueceram de explicar qual era o lado do desenho que deveria ficar para cima, na posição correcta. E os chineses acharam, lá no entender deles, que se ficasse ao contrário ficaria muito mais... composto. Não havia ainda um gabinete de protocolo. As embaixadas dos portugueses na época esqueceram-se desse pormenor. E, então, saíu assim. E é muito engraçado hoje, para nós portugueses. Temos três peças. Temos dois pratos e uma taça com as armas reais. Assim, no âmbito destas comemorações, vamos fazer uma exposição e depois, provavelmente, vou tentar fazer uma ou duas conferências no âmbito dessas comemorações,para explicar o porquê e a importância. Foi uma época áurea para nós. Para os chineses, nós fomos só mais uns ...” Poderia também fazer–se uma palestra, que falasse, em termos protocolares, como foi essa época, 18 | Portugal Protocolo 2013 |

nº18

à mesa com

Teresa Vilaça

ou uma exposição fotográfica com imagens da época... sugestões que ficam no ar... Sugestões que Teresa Vilaça entende como válidas e recorda: “Há várias descrições, que eu conheça, há duas. Provavelmente, haverá outras, de como eram estas embaixadas, do que foi a entrada da embaixada portuguesa, de conseguir o visto e ir até Pequim. Mas tudo isso demorou anos. Demorou cerca de dois anos para ir até Pequim. Foi muito difícil, foi uma luta, mas por fim lá se conseguiu. Foi oficialmente reconhecido. E depois, como sabem, a presença dos jesuítas foi importante. Basicamente, o que nós queriamos fazer era comércio. Não éramos colonialistas, nunca fomos colonialistas. Nós chegávamos lá e casávamo-nos com eles. Nós misturávamo-nos. Na Índia, no Brasil, na China.


E n t r e v i s ta ,

à mesa com

Teresa Vilaça

nº18

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O Sentido

Falar

de sabores, de delícias

degustadas, é, neste caso, falar do restaurante

Medeiros,

Aura,

de

Carlos

onde cada prato

se reveste de um sabor muito especial.

Foi lá que estivemos há dias, para um almoço absolutamente irresistível, de que não resistimos a descrever, embora sem minúcias, porque o segredo é mesmo a alma do negócio.

Ora

vejam como foi

estar à mesa no 20 | Portugal Protocolo 2013 |

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Aura!

Texto de Maria Dulce Varela Fotografias de João de Sousa

do

Paladar


O Sentido

do

Paladar

Começámos por um Cesto Parmesão com espinafres baby frescos, gema de ovo e bacon. A massa do cesto derretia-se na boca, com um sabor especial, mais evidenciado pelo molho de iogurte e o molho vinagrete. E porque o vinho tinha de ser também especial, Antigos

saboreamos Loureiro

um

2011,

um

Muros vinho

internacional e elegante, onde as qualidades da casta Loureiro estão presentes.

Um

vinho

com

vasta

intensidade aromática, frutado e floral, combinado com uma suava acidez e perfeito para esta entrada. nº18

| Portugal Protocolo 2013 | 21


O Sentido

Depois,

uma

verdadeira

Paladar

metros de altitude. O que dizer? Uma

como prato principal, uns Filetes de

combinação perfeita entre a Dourada

Dourada,

e o Vinho, que muito apreciámos.

recheados

delícia

do

com

legumes

em juliana acompanhados de batata-doce, absolutamente fabulosa. Um

Finalmente,

prato

requintado

folhada com creme de baunilha. As

(aqui sem mais pormenores, porque,

peras, sem casca, foram cozidas em

como dissemos, há que manter o

açúcar, pau de canela e vinho tinto.

segredo), que foi acompanhado por

O recheio – noz em pasta, gemas e

um Beyra Quartz 2011. Diz quem

açucar amarelo – estava de comer

sabe que a alma deste vinho está

e chorar por mais. A massa folhada

na combinação única entre uvas das

desfazia-se na boca e o creme de

castas Síria e Fonte Cal, de vinhas

baunilha estava no ponto erto. Para

plantadas exclusivamente em solos

enriquecer mais a sobremesa (uma

graníticos dom filões de quartzo, na

verdadeira perdição!!!!), faltava ...

bacia hidrográfica do rio Douro, a 725

um Vinho do Porto Vintage.

extremamente

22 | Portugal Protocolo 2013 |

nº18

a

sobremesa

Pera


O Sentido

do

Paladar

Mas não faltou! Um Sandeman Porto Late Bottled Vintage 2008, com uma cor rubi profunda, um aroma intenso, em que se destacava a fruta madura e as notas de especiarias, como o gengibre e o cravinho. Feita a descrição, digam lá se não foi um verdadeiro festival de sabores.

nº18

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E l i s a b e t e M ato s

Elisabete Matos recebeu o Prémio Femina 2013 no Grémio Literário em Lisboa.

Fotografias de Victor Alfaia Página ao lado José Macedo e Cunha, Maria Albertina Freitas do Amaral, Elisabete Matos e João Micael 24 | Portugal Protocolo 2013 |

nº18

no

Grémio Literário

Devido à impossibilidade de comparecer na cerimónia de entrega do prémio realizada na cidade de Guimarães em Março, Elisabete Matos recebeu o Prémio Femina 2013 por mérito nas artes musicais e bel canto que lhe foi atribuído na quarta edição deste prémio nacional, das mãos de João Micael, Fundador e Presidente da Comissão de Honra do Prémio Femina, e de Maria Albertina Freitas do Amaral Presidente da Comissão Executiva do Prémio Femina, numa pequena cerimónia informal e a título excepcional, pois este prémio exige a presença das agraciadas. Estava presente na cerimónia José Macedo e Cunha, presidente do Grémio Literário.


E l i s a b e t e M ato s

no

Grémio Literário

nº18

| Portugal Protocolo 2013 | 25


Prémio Camões

Elisabete Matos recebeu o Prémio Femina 2013 no Grémio Literário em Lisboa.

Os Presidentes das Repúblicas de Portugal e do Brasil, Aníbal Cavaco Silva e Dilma Rousseff, entregaram o Prémio Camões ao escritor moçambicano, Mia Couto, numa cerimónia que decorreu no Palácio Nacional de Queluz.

Fonte: © 2006-2013 Presidência da República Portuguesa 26 | Portugal Protocolo 2013 |

nº18


Prémio Camões

nº18

| Portugal Protocolo 2013 | 27


P at r i m ó n i o , P a ç o

O Paço dos Duques de Bragança foi mandado construir entre os anos de

1420 e 1422, pelo 8.º Conde de Barcelos e 1.º Duque de Bragança, Dom Afonso, filho ilegítimo do rei Dom João I e Inês Pires Esteves.

Fotografias e texto de Paço dos Duques de Bragança 28 | Portugal Protocolo 2013 |

nº18

dos

Duques

Paço dos Duques de Bragança

de

Bragança


P at r i m ó n i o , P a ç o

dos

Duques

Apesar de ilegítimo, Dom Afonso foi logo reconhecido pelo pai, de quem recebeu sempre apoio, através de extensas doações e alianças matrimoniais. Dom Afonso casouse, em 1401, com Dona Beatriz de Alvim, filha do Condestável do Reino, Dom Nun’Álvares Pereira (São Nuno de Santa Maria), data a partir da qual ostenta o título de 8.º Conde de Barcelos. A construção do Paço ter-se-á iniciado por volta de 1420, aquando do segundo casamento de Dom Afonso com Dona Constança de Noronha, filha dos Condes de Gijón e Noroña. É pelo ano de 1442 que o seu irmão Infante Dom Pedro, o das Sete Partidas, na altura

de

Bragança

Em cima, Paço dos Duques de Bragança, páteo Páginas seguintes, Salão dos Passos Perdidos

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P at r i m รณ n i o , P a รง o

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dos

Duques

de

Braganรงa


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dos

Duques

de

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P at r i m ó n i o , P a ç o

P á g i n a s eguinte, V i t ra i s d a ca pela P á gi n a s se guintes, S a l ã o N ob re 32 | Portugal Protocolo 2013 |

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dos

Duques

de

Bragança

Regente, lhe concede o título de Duque de Bragança e Dom Afonso dá início a uma Casa que se torna numa das mais ricas e poderosas da Península Ibérica: a Casa de Bragança. Dom Afonso viajou pela Europa em compromissos diplomáticos e por iniciativa pessoal. Esteve na Inglaterra, Escócia, Navarra, Aragão, Castela, Provença, Auvergne, Borgonha e Itália, e participou em campanhas militares em Ceuta. Estas viagens influenciaram o seu modo de ver o mundo e de viver. Construiu o seu Paço à semelhança daqueles que viu pelas terras que visitou. A edificação de um palácio com as dimensões do Paço dos Duques também se pode justificar pela tentativa de afirmação social deste homem que, sendo um filho ilegítimo, tentava desta forma ultrapassar o estigma. Após a morte de Dom Afonso, a duquesa-viúva continuou a residir no Paço, que lhe conferiu um carácter


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Braganรงa

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P á g i n a s eguinte, Q u a r t o d e D. C a t a ri n a d e B ra g a nça 36 | Portugal Protocolo 2013 |

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Duques

de

Bragança

de albergue, acolhendo doentes e necessitados. O Paço foi habitado pela família ducal até à segunda metade do século XVI, momento a partir do qual entrou numa fase de abandono e consequente ruína, de tal modo que, em 1666, foi autorizado aos monges capuchos de Guimarães retirarem da sua pedra para outras finalidades. No século XIX, por altura das Invasões Francesas, o Paço foi adaptado a Quartel Militar e, no século seguinte, em pleno regime do Estado Novo, acabou sendo reconstruído, numa obra a cargo dos arquitectos Rogério de Azevedo, Silva Bessa, Joaquim Areal e Baltazar de Castro. Esta intervenção decorreu entre 1937 e 1959, sendo inaugurado neste último ano como Residência Oficial no Norte da Presidência da República (ou Residência de Verão da Presidência da República, como era denominado pela imprensa da época) e como Museu. O acervo actualmente existente conta com peças provenientes de outros museus e palácios nacionais e de colecções particulares, compreendendo exemplares únicos e de grande qualidade.


P at r i m รณ n i o , P a รง o

dos

Duques

de

Braganรงa

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P at r i m ó n i o , I mp r e n s a C e n t e n á r i a

Os

jornais centenários que

se publicam em

Portugal

são um sinal inequívoco do património cultural imaterial pelo seu importante papel que desempenham na produção, manutenção e recriação do património do nosso país, contribuindo assim para o enriquecimento da diversidade cultural e criatividade humana. Imagem cedida por Associação Portuguesa de Imprensa 38 | Portugal Protocolo 2013 |

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de

Portugal

Títulos dos jornais centenários portugueses


P at r i m ó n i o , I mp r e n s a C e n t e n á r i a A memória de Portugal nos últimos 200 anos está fundada no acervo informativo destes 22 jornais, para a qual é estritamente necessária a criação de uma base de dados que permita o acesso a estes conteúdos, servindo de base a futuras acções de conservação, gestão e difusão. As mais antigas publicações periódicas, os jornais centenários, constituem um núcleo muito importante do património histórico e cultural do nosso país, mas têm um suporte frágil como é o papel, a sua conservação levanta problemas que, desde sempre, as limitaram no tempo, criaram dificuldades acrescidas de conservação e da sua consulta posterior. A microfilmagem e a digitalização vieram potencialmente alterar a situação. A distribuição geográfica destes jornais traduz a homogeneidade e unidade cultural da língua portuguesa, e justifica-se no âmbito de uma vontade e preocupação comum em salvaguardar o património da imprensa escrita na medida em que este constitui um factor de aproximação, intercâmbio e entendimento entre as pessoas e as diferentes culturas, posicionando-se assim como instrumento de combate ao desaparecimento e destruição deste património decorrente dos atuais processos de globalização e de transformação social nos últimos anos. Se este conjunto de jornais generalistas constitui só por si uma fonte inesgotável de informação, ainda que, como todas as fontes, exija cuidados adequados na sua utilização, títulos dedicados a temas específicos virão lembrar-nos a multiplicidade de interesses, hábitos,

de

Portugal

carências e gostos na vida da região, ou de sectores sociais bem definidos dela. Um tão rico património, de que esta memória mais não pode ser que um apelo ao vosso interesse, tem que ser conservado e colocado ao dispor de quem o queira consultar. A sobrevivência destes 22 jornais centenários (a que se juntarão mais de uma dezena nos próximos dez anos) são uma prova inequívoca do apego da população portuguesa aos princípios do pluralismo e diversidade que baseiam as sociedades democráticas. Sob a égide da Associação Portuguesa de Imprensa, constituiu-se um grupo de trabalho, composto por representantes de jornais centenários, que tem reunido regularmente desde Fevereiro de 2012, que assumiu o compromisso de publicar uma edição especial “Jornal Nacional da Imprensa Centenária”, que conta a participação de todos os títulos com mais de um século de existência, para ser distribuído em todo o país. Esta edição pretende criar uma rede de jornais centenários para promover a preservação do património e o interesse pela imprensa de proximidade. Em primeiro lugar, iremos apresentar uma candidatura a património cultural imaterial, em Portugal, para posteriormente ser apresentada na UNESCO. João Palmeiro Presidente da Associação Portuguesa de Imprensa

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Conferência

A

conferência parlamentar sobre a temática “O papel dos meios de comunicação social locais e regionais: Desafios actuais e futuros” organizada pela Comissão para a Ética, a Cidadania e a Comunicação, teve lugar no auditório do Novo Edifício da Assembleia da República no dia 4 de Abril, tendo Teresa Caeiro, Vice-presidente da Assembleia da República, presidido à sessão de abertura. Fotografias cedidas por Assembleia da República Texto de João Micael 40 | Portugal Protocolo 2013 |

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na

Assembleia

da

República

Teresa Caeiro, Vice-Presidente da Assembleia da República


Conferência

na

Assembleia

Os vários painéis contaram com personalidades dos meios de comunicação social como Feliciano Barreiras Duarte, Secretário de Estado Adjunto do Ministro Adjunto e dos Assuntos Parlamentares; Carlos Magno, Presidente do Conselho Regulador da ERC; João Palmeiro, Presidente da Associação de Imprensa Portuguesa; José Faustino, Presidente da Associação Portuguesa de Rádiodifusão; Alfredo Maia, Presidente do Sindicato dos Jornalistas; Nuno Inácio, Presidente da Associação de Rádios de Inspiração Cristã; Pedro Berhan da Costa, Director do Gabinete para os Meios de Comunicação Social e João Paulo Faustino, professor universitário.

da

República

Após debate alargado a todo o auditório, a sessão foi encerrada por Mendes Bota, Presidente da Comissão para a Ética, a Cidadania e a Comunicação.

Em cima, Panorâmica do auditório nº18

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Confraria

Foi

no passado dia que o

Palácio

27 de Abril, Nacional de

Queluz recebeu a realização do III Capítulo da Confraria dos Sabores de Sintra.

Fotografias e texto de Confraria de Sabores de Sintra 42 | Portugal Protocolo 2013 |

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dos

Sabores

de

Sintra

Em cima, A Confraria dos Sabores de Sintra


Confraria

dos

Sabores

de

Sintra

A cerimónia deste ano ficou marcada pela entronização de S.A.R. Senhor Dom Duarte Pio de Bragança, como Confrade Honorário. Categoria que visa distinguir e enaltecer pessoas e entidades, que no âmbito do exercício das suas funções, são uma mais-valia e referência na divulgação e promoção da riqueza gastronómica e cultural do concelho. Tendo na sua intervenção, salientado a importância da Confraria ir além da defesa e promoção da gastronomia, Dom Duarte Pio de Bragança, realçou a premência da preservação do património edificado e de toda a natureza envolvente da região. No final de mais um capítulo, “numa desmonstração de empenho e tenacidade, na afirmação da qualidade dos produtos característicos do

Dom Duarte Pio, Duque de Bragança e o Grãomestre da Confraria dos Sabores de Sintra, António Jorge Alves

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Confraria

Em cima, João Micael, Catarina e Filomena Alves, Sara e Paulo Freitas do Amaral

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Sabores

de

Sintra

concelho” segundo o Grão-mestre António Jorge Alves, contabilizam-se agora mais de setenta confrades, que sobre a forma de juramento irão “Louvar Sintra, Amar Sintra”. Segundo António Jorge Alves, “uma confraria esta muito para além de uma qualquer associação empresarial, deste ou daquele produto”, nesse sentido, esta Confraria, que viu no passado dia 17 de Abril todos os seus órgãos reeleitos, visa defender e “valorizar tudo o que é autêntico de uma determinada região, referenciando as suas formas ancestrais de criação, valorizando a sua perduração e melhoria nos tempos vindouros.” Estiveram ainda presentes o Vereador do Turismo da Câmara Municipal de Sintra, Dr. José Lino Ramos, a Confraria Queirosiana de Vila Nova de Gaia, a Confraria da Chanfana de Vila Nova de Poiares, bem como a Confraria do Queijo Serra da Estrela de Oliveira do Hospital.


Confraria

dos

Sabores

de

Sintra

Dom Duarte Pio, Duque de Bragança e José Lino Ramos, Vereador do Turismo da Câmara Municipal de Sintra

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, Visita Oficial à Colômbia

O Presidente da República chegou a Bogotá para realizar uma Visita de Estado de três dias à Colômbia, a convite do seu homólogo colombiano Juan Manuel Santos. Aguardado à chegada pela Ministra dos Negócios Estrangeiros colombiana, Maria Angela Holguin, o Presidente atravessou alas de cortesia constituídas por soldados, ao som de uma marcha executada por uma banda militar.

Fonte: © 2006-2013 Presidência da República Portuguesa nº18

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O Presidente da República reuniu-se, em Bogotá, com o seu homólogo Juan Manuel Santos, no início da visita de Estado que realiza à Colômbia. Recebido no Palácio Presidencial de Bogotá, a Casa de Nariño, com honras militares, o Presidente Aníbal Cavaco Silva manteve depois um encontro restrito com o Presidente da Colômbia, que mais tarde foi alargado às delegações dos dois países. O Presidente Juan Manuel Santos ofereceu depois um almoço de Estado em honra do Presidente português e 48 | Portugal Protocolo 2013 |

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, Visita Oficial à Colômbia

da Dra. Maria Cavaco Silva, durante o qual os dois Chefes de Estado usaram da palavra. Antes, o Presidente Cavaco Silva prestou homenagem a Simón Bolivar, o herói libertador sul-americano que fundou e presidiu, no século XIX, à Grã-Colômbia, a primeira união de estados independentes da América Latina, depositando uma coroa de flores no monumento erigido em sua memória.


Pr

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, Visita Oficial à Colômbia

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Pr

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, Visita Oficial à Colômbia

O Presidente da República foi recebido no Congresso colombiano, em Bogotá. Tendo percorrido a pé a distância que separa a Casa de Nariño e o Capitólio, onde o Congresso tem sede, o Presidente Aníbal Cavaco Silva foi recebido pelo Presidente do Senado, Roy

Barreras,

e

o

Presidente

da

Câmara dos Representantes, Augusto Posada, com quem se reuniu depois a sós. Após este encontro, e já na Sala Plena do Congresso, o Presidente do Senado deu as boas-vindas ao Presidente da República. 50 | Portugal Protocolo 2013 |

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Pr

oto c o lo

, Visita Oficial à Colômbia

No início do segundo dia da sua visita de Estado à Colômbia, o Presidente da República foi recebido na Corte Suprema de Justiça, onde se reuniu com

a

respectiva

Presidente

do

tribunal, Ruth Marina Diaz, e proferiu um discurso perante o plenário do tribunal superior colombiano. Deslocou-se

depois

à

Alcaldia

de

Bogotá, a câmara municipal da capital colombiana, onde se encontrou com o Alcaide, Gustavo Petro Urejo, que numa sessão solene lhe fez entrega da Chave da Cidade. nº18

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Pr

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, Visita Oficial à Colômbia

O Presidente da República, juntamente com

o

seu

homólogo

colombiano

Juan Manuel Santos, participou na inauguração da Feira Internacional do Livro de Bogotá (FILBO) e na abertura do Pavilhão de Portugal, este ano convidado de honra do certame. Após a sessão solene inaugural os dois Chefes de Estado percorreram o pavilhão onde estavam expostos milhares

de

portugueses,

livros alguns

de dos

autores quais

estiveram presentes na inauguração. 52 | Portugal Protocolo 2013 |

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Pr

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, Visita Oficial à Colômbia

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Pr

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, Visita Oficial ao Peru

O Presidente da República, juntamente com

o

seu

homólogo

colombiano

Juan Manuel Santos, participou na inauguração da Feira Internacional do Livro de Bogotá (FILBO) e na abertura do Pavilhão de Portugal, este ano convidado de honra do certame. Após a sessão solene inaugural os dois Chefes de Estado percorreram o pavilhão onde estavam expostos milhares

de

portugueses, Fonte: © 2006-2013 Presidência da República Portuguesa 54 | Portugal Protocolo 2013 |

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livros alguns

de dos

autores quais

estiveram presentes na inauguração.


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, Visita Oficial ao Peru

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Pr

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, Visita Oficial ao Peru

No segundo dia da sua visita ao Peru, o Presidente da República foi recebido na Alcadia de Lima, onde a Alcaide, Susana Villarán, o homenageou entregando a Medalha da Cidade. Antes, o Presidente da República visitou, também na capital peruana, o Convento de São Francisco e o Museu ali existente.

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, Visita Oficial ao Peru

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P r o t o c o lo ,D i a

Fonte: © 2006-2013 Presidência da República Portuguesa 58 | Portugal Protocolo 2013 |

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de

Portugal

O Presidente da República procedeu à imposição de condecorações personalidades e instituições na Sessão Solene Comemorativa do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, que se realizou no Centro de Negócios de Elvas. Após a Sessão Solene, e ainda no Centro de Negócios, os participantes foram convidados para um almoço oferecido pelo Presidente da Câmara Municipal, José Rondão Almeida.


P r o t o c o lo ,D i a

de

Portugal

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P r o t o c o lo ,D i a

de

Portugal

Elisabete Matos, agraciada com o PrĂŠmio Femina 2013, foi condecorada com o grau de Grande-Oficial da Ordem do Infante D. Henrique

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Portugal Protocolo magazine #18  

Sumário 5 | Editorial 7 | À mesa com Teresa Vilaça, directora Casa Museu da Fundação Medeiros e Almeida 20 | O sentido do paladar, por...

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