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www.fab.mil.br

Ano XLI

Nº 03

Março, 2018

(PÁGS. 8 E 9)

EDUCAÇÃO:

CENIPA:

Conheça a história do zero-um do Corpo de Alunos da EEAR (Págs. 4 e 5)

Veja o trabalho conjunto pela prevenção de acidentes aeronáuticos (Págs. 10 e 11)

ISSN 1518-8558


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CARTA AO LEITOR

FOTO: CB SILVA LOPES / CECOMSAER

Expediente

Celebração, inspiração e comunicação A edição de março do NOTAER nos traz exemplos, que nos enchem de orgulho, sobre a participação das mulheres na FAB. Sendo a Força que possui proporcionalmente a maior participação feminina em seu efetivo, com mais de 16% em suas fileiras, a FAB se vale da garra e da persistência das mulheres para seguir cumprindo suas missões com muita eficiência. No mês da comemoração

do seu dia internacional, mostramos que elas estão presentes, diariamente, nas ações de CONTROLAR, DEFENDER e INTEGRAR a nossa DIMENSÃO 22. Nesta edição, celebramos também o Dia do Especialista de Aeronáutica, congraçando com esses homens e mulheres que tanto se dedicam nas mais diversas especialidades e que constituem a verdadeira espinha dorsal da Força Aérea Bra-

sileira. Parabéns, Especialistas! Diversos outros temas permeiam nossas páginas, buscando sempre trazer aos nossos leitores as informações mais atuais sobre as ações da Força Aérea. Entretanto, nunca é demais lembrar os variados canais de comunicação, por meio dos quais nosso efetivo pode se manter atualizado diariamente. Por isso, convidamos todos a participarem das nossas redes sociais, seguindo

os perfis oficiais da FAB no Twitter, Facebook, Instagram, Flickr e Youtube. Além disso, vale sempre a pena reforçar a atualização do aplicativo, já disponível nas lojas do iOS e Android, para que todo o efetivo tenha, literalmente, a FAB na palma de suas mãos. Participem e nos ajudem a melhorar a cada dia! Boa leitura a todos!

O jornal NOTAER é uma publicação mensal do Centro de Comunicação Social O jornal NOTAER é uma publicação da Aeronáutica (CECOMSAER), voltado ao mensal do Centro de Comunicação Social público interno. da Aeronáutica (CECOMSAER), voltado ao público interno. Chefe do CECOMSAER: Brigadeiro do Ar Antonio Ramirez Lorenzo. Chefe do CECOMSAER: Brigadeiro do Ar Antonio Ramirez Lorenzo. Vice-Chefe do CECOMSAER: Coronel Aviador Flávio Eduardo Mendonça Tarraf. Vice-Chefe do CECOMSAER: Coronel Aviador Flávio Eduardo Mendonça Tarraf. Chefe da Divisão de Comunicação Integrada: Coronel Aviador José Frederico Júnior. Chefe da Divisão de Comunicação Integrada: Coronel Aviador José Frederico Júnior. Chefe da Subdivisão de Produção e Divulgação: Major Aviador Pedro Fabiano Chefe da Subdivisão de Produção e DivulFigueira Peçanha. gação: Tenente-Coronel Aviador Rodrigo José Fontes de Almeida. Editores: Tenente Jornalista Felipe Bueno (MTB 0005913/PE) e Tenente Relações Editores: Tenente Jornalista Felipe Bueno Públicas Nara Lima (CONRERP/6 1759) (MTB 0005913/PE) e Tenente Relações Públicas Nara Lima (CONRERP/6 1759) Colaboradores: textos enviados ao CECOMSAER via SISCOMSAE. Colaboradores: textos enviados ao CECOMSAER via SISCOMSAE. Diagramação e Arte: Suboficial Ramos, Sargento Polyana e Cabos M. Gomes Diagramação e Arte: Suboficial Ramos, e Pedro. Sargento Polyana e Cabos M. Gomes e Pedro. Capa: Sargento Bruno Batista Tiragem: 18.000 exemplares Tiragem: 18.000 exemplares Estão autorizadas transcrições integrais ou Estão autorizadas transcrições integrais ou parciais das matérias, desde que mencioparciais das matérias, desde que mencionada a fonte. nada a fonte. Esplanada dos Ministérios - Bloco “M” Esplanada dos Ministérios - Bloco “M” 7º andar CEP - 70045-900 / Brasília - DF 7º andar CEP - 70045-900 / Brasília - DF

Brig Ar Antonio Ramirez Lorenzo Chefe do CECOMSAER

Impressão e Acabamento: Viva Bureau e Editora


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FOTO: CB VINICIUS SANTOS / CECOMSAER

PALAVRAS DO COMANDANTE

Objetivo em mente O maior patrimônio de uma organização são as pessoas; neste ensejo, enalteço o trabalho dos nossos especialistas, que no dia 25 de março celebram a sua data. Seguimos contando com seu apoio diário em prol da consolidação da reestruturação da Força Aérea Brasileira, adaptando e aprimorando processos em prol da construção de uma Força dinâmica e moderna. Na esteira desse valor, as mulheres também merecem destaque neste mês. Hoje, permeando os múltiplos setores da FAB, do administrativo ao operacional, elas ocu-

pam e se destacam nos mais variados cargos e funções, incluindo as de comando. Com isso, fortificaram uma história de abnegação e competência, que se iniciou há 35 anos. Parabéns, mulheres da Força Aérea Brasileira! Continuem firmes e com empenho nas missões de Controlar, Defender e Integrar o nosso imenso país, cientes da nossa responsabilidade neste vasto cenário de 22 milhões de quilômetros quadrados - a Dimensão 22. Nós, homens e mulheres da FAB, devemos ter sempre em mente que somos parte de uma Força Aérea de capacidade dissuasória crescente, operacionalmente moderna

e integrada, e cuja presença é necessária nos mais diferentes lugares do nosso Brasil. Por isso, temos de prosseguir na busca incessante pela capacitação nas diversas atividades que nos são confiadas. Estou certo de que assim, em 2041, ano do nosso centenário, nossa atuação em toda a Dimensão 22 estará com alicerces fincados em valores inegociáveis no seio da nossa tropa como: disciplina, patriotismo, integridade, comprometimento e profissionalismo. Tenente-Brigadeiro do Ar Nivaldo Luiz Rossato Comandante da Aeronáutica


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EDUCAÇÃO

De S2 a 01 Conheça a história do zero-um do Corpo de Alunos da Escola de Especialistas de Aeronáutica (EEAR) que foi soldado e cabo na mesma unidade Ten JOR Gabrielli Dala Vechia A rotina atual de Everton Gonçalves do Nascimento, de 26 anos, não é tão diferente de como era há oito anos, quando passou a compor as fileiras da Força Aérea Brasileira. O destino de todas as alvoradas continua sendo a Escola de Especialistas de Aeronáutica (EEAR), em Guaratinguetá (SP), e ainda é preciso acordar cedo e dormir tarde para dar conta da pesada rotina de estudos e serviços. A entrevista para esta publicação, para se ter uma ideia, foi respondida por volta de três horas da manhã. Mas, segundo ele, apesar das similaridades, tudo mudou nos últimos dois anos: após servir como soldado e cabo na unidade, Everton foi aprovado no concurso da EEAR. “Hoje eu tenho uma carreira e uma perspectiva de futuro”, conta. Embora ainda use o mesmo uniforme todas as manhãs desde 2010, um detalhe na farda indica que ele chegou aonde queria – o alamar usado no braço direito, junto à insígnia de aluno do quarto período da EEAR, distingue o militar como zero-um do Corpo de Alunos da Escola, além de três estrelas do lado esquerdo do peito. Desde o fim do primeiro período, ele vem se mantendo com as melhores notas da turma. Agora que está no último período, a co-

locação lhe dá a oportunidade de estar à frente da tropa e junto às lideranças. “Foi uma luta árdua para ser zero-um. Enquanto os demais estavam na cantina, participando de eventos, eu estava na Divisão de Ensino, estudando. Ouvindo só de longe a música. Estudar aos fins de semana também diminuiu meu tempo de atenção à família. Mas o esforço sempre compensa”, avalia. Apesar de essa ser uma história não tão rara na Força – militares que conhecem a instituição por meio do serviço militar obrigatório e acabam fazendo carreira como graduados ou oficiais – ela ainda inspira muitos jovens aos estudos. “Como soldado, cheguei a tirar nove serviços no mês. Quando tomei a decisão de fazer o concurso, já como cabo, todo o tempo livre era de estudo. Era em torno de oito horas diárias. No dia do nascimento da minha filha, eu estava com a apostila na maternidade”, conta ele. Prestes a se formar como mecânico de aeronaves (BMA), o aluno diz que espera da Força Aérea oportunidades de se profissionalizar, de realizar todos os cursos possíveis e de compor todas as missões que puder. “O que me estimulou a seguir em frente foi a certeza de que eu seria feliz nessa área, estando na Força Aérea Brasileira”, finaliza.


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Tome nota! Você quer seguir os passos de Everton e ser um graduado na Força? Siga as dicas do zero-um:

1- Saiba o que você quer e vá atrás desse objetivo. Antes de passar na prova, o aluno chegou a prestar outras duas vezes o concurso da EEAR, além de provas para ingresso em outras instituições, sem sucesso. O que fez com que ele “desse o gás” foi tomar a decisão de onde queria chegar.

2- Otimize seu tempo.

FOTOS: ARQUIVO PESSOAL

Todo o tempo livre deve ser de estudo. “Na quarentena, sempre deixava um papel com anotações no bolso. Quando caíamos na flexão, eu pegava o papel e ficava lendo e memorizando”, conta Everton.

3- Revise a matéria. É essencial para a memorização. Segundo Everton, conteúdos como regulamentos, ele chegou a rever por sete vezes. 4- Estude sempre que possível. Quando não se está no quarto de hora do serviço, o estudo é a melhor opção. “Não perca tempo com coisas inúteis nos intervalos. Deixe para descansar só à noite”, diz Everton. 5- Respeite seu tempo. Não adianta colocar objetivos inatingíveis, como, por exemplo, ir dormir às 3h e acordar às 6h, se você não é acostumado. Cada um precisa encontrar um planejamento que funcione para si.

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OPERACIONAL

FOTOS: CB G. SILVA / PAMA-LS

Operação Coruja Modernização do sistema de sinalização luminosa nos aeródromos da FAB traz economia e eficiência energética Ten JOR Raquel Alves Com o objetivo de garantir melhor visibilidade e eficiência energética dos auxílios luminosos nos aeródromos do Comando da Aeronáutica (COMAER), a Diretoria de Infraestrutura da Aeronáutica (DIRINFRA) implantou a Operação Coruja, campanha que garante a segurança da navegação aérea com redução de gastos públicos. A primeira etapa desse plano de modernização foi realizada no Parque de Material Aeronáutico de Lagoa Santa (PAMA-LS), em Minas Gerais, entre os meses de junho e julho de 2017. O antigo sistema, que usava regulador de corrente constante e lâmpadas incandescentes, foi substituído por luminárias com tecnologia LED e uma fonte de energia PWM (Modulação por Largura de Pulso). A atualização da estrutura proporciona uma maior confiabilidade do sistema, diminui os custos relacionados com a manutenção,

reduz o consumo de energia elétrica e adequa a infraestrutura do sistema de aterramento. “Como aviador, posso dizer que as mudanças da iluminação da pista de pouso de Lagoa Santa só trazem benefícios. Além de as novas luzes terem uma nitidez maior do que as luzes convencionais, com menores chances de falha, a economia gerada poderá ser muito bem aproveitada pela União e revertida em benefícios para a população”, explica o Tenente Aviador Felipe Carlos Jung Corrêa e Castro. De acordo com o Comandante da Operação Coruja, Capitão Iran Rosa Xavier, a modernização do sistema foi planejada pela Subdiretoria de Sistemas Operacionais da DIRINFRA, trazendo a redução de custos e melhorias. “O novo sistema apresenta maior eficiência energética, provendo uma intensidade luminosa muito superior, com três níveis de seleção de ajustes e uma redução do consumo de energia elétrica superior a 85%, quando

comparado ao antigo sistema. Além disso, a modernização proporciona uma maior confiabilidade do sistema e reduz, significativamente, o custeio requerido nas atividades de manutenção preventiva e corretiva”, afirma o Capitão Iran. O aeródromo da Ala 8, em Manaus (AM), começou sua modernização em janeiro, e a previsão de término é em abril. O próximo aeródromo a ser modernizado será o da Ala 12, em Santa Cruz (RJ), programado para agosto deste ano.

Operação Camaleão Em outubro de 2017, entrou em ação a Operação Camaleão, uma campanha de recuperação da pintura dos aeródromos do COMAER, para o aumento do nível de segurança operacional e consequente redução do risco de acidentes. A recuperação da sinalização horizontal teve sua primeira fase realizada no aeródromo de Guaratinguetá (SP), localizado na Escola de Especialistas de Aeronáutica (EEAR). Já a segunda fase da operação, realizada em dezembro, ocorreu no aeródromo da Base Aérea de Santos (SP). Para 2018, estão previstos os serviços de recuperação da sinalização horizontal dos aeródromos do Parque de Material Aeronáutico de Lagoa Santa (PAMA-LS); da Ala 8, em Manaus (AM); da Ala 3, em Canoas (RS); e da Base Aérea dos Afonsos, no Rio de Janeiro (RJ).


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DIA DA MULHER

A força das mulheres!

“Desafios que nos movem”. É como a Capitão Aviadora Gisele Cristina Coelho de Oliveira descreve sua carreira de 15 anos na FAB. Em 2003, ingressou na primeira turma de mulheres do Curso de Formação de Oficiais Aviadores, na Academia da Força Aérea (AFA) e foi a primeira piloto militar a voar sozinha em uma aeronave da FAB. Hoje, a capitão é a primeira mulher a ocupar a função de comando de um esquadrão da Escola de Especialistas de Aeronáutica (EEAR). Com mais de 350 alunos para conduzir, a oficial revela que o novo cargo é uma honra e, ao mesmo tempo, uma grande responsabilidade. “Sabemos que cada aluno tem sua personalidade. Temos o desafio de formar graduados de alto padrão para todo o Brasil”, afirma. A Capitão Gisele conta que, quando fez o concurso, não sabia dos tantos desafios vindouros. “Em 15 anos, meu maior desafio foi a formação na AFA, sem dúvidas. Minha vida mudou completamente, em todos os sentidos. O voo, atividades físicas, tempo curto... mas todo esforço e dedicação valeram a pena. Aprendi a valorizar as pequenas coisas que muitas vezes passam despercebidas”, revela.

FOTO: SGT JOHNSON BARROS / CECOMSAER

Capitão Gisele

Para homenagear as milhares de militares que compõem as fileiras da FAB, o NOTAER conta a história de algumas das mulheres que, com comprometimento e profissionalismo, cumprem diariamente suas missões, colaborando para garantir a soberania do espaço aéreo e para integrar todo o território nacional.

FOTO: SD CHARLEAUX / EEAR

No mês em que se comemora o Dia Internacional da Mulher, o NOTAER presta uma homenagem às mulheres do efetivo da FAB. Já faz mais de 35 anos que a Instituição permitiu o ingresso de mulheres em seus mais diversos Quadros

e Especialidades. Em 1982, elas chegaram pela primeira vez às Escolas da Aeronáutica, formando-se Sargentos e Aspirantes a Oficial. De lá pra cá, as mulheres somam mais de 10 mil militares no efetivo da FAB e alcançaram o posto de Coronel, atuando nas mais diversas áreas, sejam administrativas, da saúde ou operacionais.

FOTO: SGT BRUNO BATISTA / CECOMSAER

Ten JOR Aline Fuzisaki


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Sargento Raica A trajetória da primeira militar a saltar de paraquedas da aeronave KC-390 é repleta de motivação e emoção. Tudo começou quando concluiu o ensino médio e teve que optar pela profissão a seguir. Inspirada em seu pai, tenente do Exército Brasileiro, a gaúcha Raniela Raica Finatto viu na Escola de Especialistas da Aeronáutica (EEAR) a oportunidade de se tornar militar, em 2012. Durante sua formação na Escola, Raica conheceu um pouco do trabalho do Esquadrão Aeroterrestre de Salvamento (PARA-SAR) por meio do seu instrutor de equipamento de voo, o Suboficial Miguel Antônio Pereira Leitão. “Ele serviu por anos no Esquadrão. E, por tudo que ele me contava, despertou em mim a vontade de fazer parte da unidade com uma missão singular na Força”, revela. Decidida, a Sargento Raica seguiu no seu novo objetivo: ser paraquedista, vestir o gorro laranja e calçar a coturno marrom. Ao longo do curso do PARA-SAR, enfrentou uma rotina exaustiva, contudo, ela fala com entusiasmo sobre a formação e o primeiro salto. “Foi emocionante. Quando chegamos na fase dos saltos, os sentimentos mudam. A preocupação é se o velame vai abrir, se vai dar tudo certo, se você vai saber executar tudo que foi passado pela equipe de instrução, se a aterragem vai ser muito forte... Eu fiquei bem nervosa, mas, depois que saí do avião, a sensação foi de realização”, revela. Já em 2016, ela encarou o desafio de saltar do KC-390 na fase de testes da aeronave. “Não tinha muita noção do ‘ser a primeira mulher’, só assimilei depois, quando me perguntaram, e foi um privilégio sermos pioneiros naquela atividade e fazer parte do processo de teste do avião. A sensação foi parecida com a do primeiro salto e também tudo ocorreu bem. Fiquei muito feliz por representar a força feminina da FAB naquele momento histórico”, comemora.

Major Luanda Há seis meses, uma experiência inédita marca a carreira da Major Luanda dos Santos Bastos, a primeira mulher da FAB em missão de paz, na função individual de staff office ce. A mais de 9,5 mil quilômetros do Brasil e de casa, a oficial intendente vive o desafio de atuar numa missão no Sudão, na África. “Eu me sinto extremamente orgulhosa, realizada profissionalmente e feliz por poder participar”, acrescenta. Dentro das atribuições de peacekeeper, Major Luanda é peacekeeper oficial administrativo na Seção de Operações Militares de Darfur, região oeste do Sudão e também tira serviço de oficial de operações militares no país africano. Na área, cristãos e muçulmanos vivem em situação de conflito, e compete à militar ajudar nesse trabalho de cessar-fogo sem utilizar arma. Para se adaptar às culturas do País, Major Luanda usa o hijab, tradicional lenço utilizado pelas mulheres árabes para cobrir parte do corpo, quando não está no trabalho e vai para o centro da cidade. “Eu usei para não chamar atenção e, principalmente, para respeitar a cultura daqui”, afirma. A Major Luanda sabe também que, diariamente, quebra paradigmas por realizar tarefas antes executadas somente por homens. “Orgulho-me em poder representar as mulheres militares brasileiras e espero inspirar muitas outras a se tornarem peacekeepers peacekeepers. Viver essa experiência única vai marcar o resto da minha vida”, acredita.

“A Força Aérea valoriza o trabalho, independentemente de gênero, cor ou origem. A carreira proporcionou-me muita satisfação pessoal, e aqueles que tiverem esse objetivo vão encontrar na FAB o reconhecimento pelo seu esforço”, afirma a Coronel Médica Carla Lyrio Martins, que é, atualmente, a mulher mais antiga da FAB, com 28 anos de carreira. Ela ingressou no Curso de Adaptação de Médicos da Aeronáutica, em 12 de março de 1990, e conta que as experiências superaram as expectativas da carreira militar. “Fiz amigos, voei aeronave de caça, morei em cidades do Sul ao Nordeste. Cresci dentro de valores sólidos e, hoje, sinto-me realizada pela opção profissional”, revela. Como pioneira, participou de momentos marcantes na Força Aérea: em 2015, foi a primeira a assumir o comando de uma unidade, a Casa Gerontológica de Aeronáutica Brigadeiro Eduardo Gomes, no Rio de Janeiro (RJ). “Considero que esse foi o maior desafio na carreira, mesmo tendo vivência em atividades administrativas anteriores. Sempre fui muito envolvida na assistência médica. Foi uma experiência muito positiva, uma vez que trabalhar com idosos por si só já se transforma em aprendizado de vida”, conta. Atualmente, a hematologista é aluna na Escola Superior de Guerra. “Virar estagiária novamente é um privilégio. As expectativas em relação ao curso são as melhores. Espero que o convívio entre as Forças Armadas seja harmônico, complementar, e que as autoridades civis tragam novos conhecimentos”, comenta.

FOTO: ARQUIVO PESSOAL

Coronel Carla Lyrio

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INVESTIGAÇÃO

Trabalho conjunto pela prevenção de Em todas as regiões do País, militares da FAB trabalham Ten JOR Emilia Maria Ten REP Carla Azevedo Três profissionais: essa é a formação básica de uma Comissão de Investigação de Acidentes Aeronáuticos. Em casos mais complexos, como a queda da aeronave PR-SOM, que transportava o Ministro Teori Zavascki e outras quatro pessoas em janeiro de 2017, a Comissão foi formada por 18 especialistas, como pilotos, engenheiros, psicólogos, controladores de tráfego aéreo e mecânicos. O relatório dessa investigação foi divulgado pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CENIPA) no dia 22 de janeiro de 2018. Ou seja, durante um ano a equipe trabalhou para chegar às causas do ocorrido e prevenir outros acidentes. Esse é o grande objetivo do CENIPA, sediado em Brasília (DF), e dos Serviços Regionais de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (SERIPA), localizados por todo o Brasil. Os profissionais trabalham na identificação dos fatores contribuintes presentes, direta ou indiretamente, na ocorrência e na emissão de Recomendações de Segurança (RS) que possibilitem a ação direta ou tomada de decisões que eliminem aqueles fatores ou minimizem as suas consequências.

Veja o depoimento de alguns dos profissionais que integram Comissões de Investigação: “Trabalhar em uma investigação de acidentes aeronáuticos, além de ser motivo de muita responsabilidade, é uma oportunidade singular de integrar a medicina e a aviação em prol de um propósito comum e maior: o compromisso com a vida. É um trabalho em equipe, onde cada parte é importante, e o resultado final só se constrói com o empenho de cada um”. Coronel Médica Gisele Leite L’Abbate

“O trabalho de um engenheiro em uma comissão de investigação de acidentes aeronáuticos é algo certamente motivante e desafiador. Cada ocorrência possui características próprias, exigindo muita dedicação e horas de estudos. Porém, o resultado final sempre traz grande satisfação em contribuir para a segurança da aviação”. Tenente Engenheiro Aeronáutico Ricardo Maia Senna Delgado

“Uma das principais atuações do psicólogo envolve atividades promocionais e educativas de prevenção e de investigação de ocorrências aeronáuticas no âmbito dos Fatores Humanos. Assumimos, portanto, um compromisso ético com a sociedade, pois o produto do nosso trabalho reflete na segurança e eficiência do transporte aéreo brasileiro, benefício evidente para clientes e usuários desse serviço. Além disso, fomenta a qualidade de vida no trabalho para os profissionais que se dedicam a esta atividade. Impactar positivamente na vida de tantas pessoas é motivo de muito orgulho”. Tenente Psicóloga Camila Ferrari de Almeida

“Poder contribuir para que esse sistema seja mais eficiente, mais eficaz e, acima de tudo, mais seguro é uma grande satisfação e motivo de orgulho na minha carreira. Trabalho na área desde 2003 e tenho certeza que o trabalho que desenvolvemos no CENIPA é de muita relevância para a sociedade brasileira como um todo e até para o mundo. Por meio da prevenção, tornamos o sistema mais seguro e, mediante a investigação de acidentes, podemos dar respostas à sociedade - no caso da perda de entes queridos - e também aprendemos, mitigando riscos na atividade aérea”. Major Aviador Thiago Alexandre Lírio


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ETAPAS DA INVESTIGAÇÃO

acidentes aeronáuticos

COLETA DE DADOS

para prevenir e investigar acidentes

Ação Inicial das equipes de militares especializados que consiste na coleta de dados. Para isso, analisa os destroços, busca indícios de falhas, levanta hipóteses sobre performance da aeronave nos momentos finais do voo, fotografa detalhes, entrevista testemunhas e retira partes da aeronave para análise.

Formação básica da Comissão de Investigação

ANÁLISE DE DADOS FOTOS: SGT RUBENS SOARES / CENIPA

Fase em que os dados coletados são analisados, estabelecendo relações que levarão em conta diversos Fatores Contribuintes, sejam materiais (sistemas da aeronave e projeto), humanos (aspectos médicos e psicológicos) ou operacionais (rota, meteorologia entre outros). Ao longo dos trabalhos, outros profissionais (pilotos, engenheiros, médicos, psicólogos, mecânicos) poderão se integrar à comissão, conferindo um caráter multidisciplinar.

- Investigador-Encarregado: Responsável pela organização, condução e controle da investigação, de acordo com a legislação em vigor. Pode acumular a função responsável pelo fator operacional.

APRESENTAÇÃO DOS RESULTADOS

- Fator Operacional:

O resultado da investigação é divulgado somente após a conclusão do Relatório Final, que é publicado no site do CENIPA (fab.mil.br/cenipa). Ele identifica os fatores que contribuíram para o acidente e elabora as respectivas recomendações de segurança, de forma a tornar a aviação mais segura no Brasil e no mundo.

- Fator Material: Área responsável pela abordagem da segurança de voo que se refere à aeronave nos seus aspectos de projeto, fabricação e de manuseio de material. Não inclui os serviços de manutenção de aeronave.

- Fator Humano – Aspectos médico e psicológico: Área responsável pela abordagem da segurança de voo em relação ao complexo biológico do ser humano, nos aspectos fisiológicos e psicológicos que possam ter refletido nas ações da tripulação e demais pessoas envolvidas no acidente, servindo para clarificar a sequência dos acontecimentos na ocorrência. Todos devem ser profissionais credenciados pelo Sistema de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (SIPAER).

FOTO: SGT BRUNO BATISTA / CECOMSAER

Área responsável pela investigação de aspectos referentes ao desempenho do ser humano na atividade relacionada com o voo. Inclui as seguintes áreas: meteorologia, infraestrutura, instrução, manutenção, aplicação dos comandos da aeronave, tráfego aéreo, coordenação de cabine, julgamento da tripulação, deficiência de pessoal, deficiência de planejamento, deficiência de supervisão, indisciplina de voo, influência do meio ambiente e experiência de voo na aeronave, entre outros.


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TECNOLOGIA

Confiança nas Decisões FAB integra dados de preparo operacional em plataforma de apoio à decisão Ten ENG Isabelle de Andrade Alinhada à missão de controle, defesa e integração do território nacional, a FAB, desde 2008, fomenta iniciativas de sistemas de apoio à decisão por meio do Projeto Estratégico SIGAER (Sistema de Informações Gerenciais de Apoio à Decisão da Aeronáutica), de modo a amparar com confiabilidade as tomadas de decisão no âmbito do Comando da Aeronáutica (COMAER). No último ano, a área de preparo operacional vem se destacando na consolidação de informações estratégicas de apoio à decisão, com o desenvolvimento e utilização de painéis gerenciais. O objetivo principal é promover uma vi-

são global para a avaliação do preparo operacional dos militares da Força. Para isso, as informações de diversos sistemas e os dados de avaliação o p e ra c i o n a l são integrados na plataforma padronizada de apoio à decisão do COMAER. O Comando de Preparo (COMPREP) tem por missão preparar os meios de Força Aérea, a fim de manter a soberania do espaço aéreo e integrar o território nacional. O Comandante do COMPREP, Tenente-Brigadeiro do Ar Antônio Car-

los Egito do Amaral, destaca a importância da utilização da plataforma para embasar escolhas na preparação dos

militares, na ponta da linha da FAB: “Este tipo de solução é imprescindível para tomadas de decisão rápidas, garantindo a confiabilidade e a qualidade das informações. Com o SIGAER, por exemplo, é possível planejar a capacitação de militares, reunir informações para confecção do plano de movimentação e, principalmente, melhor acompanhar o desenvolvimento das atividades operacionais realizadas pelos Esquadrões Aéreos”, afirma. O chefe do Centro de Computação da Aeronáutica

de Brasília (CCA-BR), Coronel Marco Aurélio de Souza, ressalta que o apoio às decisões de preparo é apenas uma das possíveis ramificações da plataforma. Outras frentes de atuação como pessoal, saúde complementar, finanças, logística e espaço aéreo já estão sendo utilizadas e aperfeiçoadas pelo Centro, sob a coordenação do Estado-Maior da Aeronáutica e da Diretoria de Tecnologia da Informação. “A FAB com certeza ganha com um maior controle operacional por meio da integração de informações que possibilitam o monitoramento e a avaliação com fulcro em decisões mais acertadas. É a missão da Força Área Brasileira, embasada pela tecnologia”, conclui.


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SAÚDE

Prática de exercícios físicos é indispensável para a carreira militar O TACF de diagnóstico será realizado em março. Militares passarão por corrida, teste de flexibilidade, resistência abdominal e flexão de braço A prática de exercícios físicos é indispensável durante todo o ano; porém, muitos militares só se lembram disto quando chega o Teste de Avaliação do Condicionamento Físico (TACF). A importância da atividade física vai além de se conseguir um bom desempenho na prova, é essencial também para a saúde. Estudos apontam que fazer exercícios regularmente ajuda na prevenção de doenças, além de aumentar a expectativa de vida. A Comissão de Desportos da Aeronáutica (CDA) é responsável por estabelecer os critérios da avaliação de condicionamento físico e os métodos de treinamento. O objetivo é preparar melhor, fisicamente, os militares da Força Aérea Brasileira (FAB). O Chefe da Divisão de Educação Física Militar, Coronel da Reserva Sebastião Odecio

Pires de Camargo, explica que a avaliação, além de permitir um diagnóstico do nível de condicionamento físico militar, tem grande peso na avaliação da Comissão de Promoções de Oficiais e de Graduados. Segundo o Coronel Camargo, o bom desempenho físico depende de esforço conjunto. “O condicionamento físico tem responsabilidade compartilhada, ou seja, o Comandante, Chefe ou Diretor é o responsável pelas condições, pelos materiais e pela instrução de educação física, enquanto o próprio militar é o responsável pela excelência do seu condicionamento físico, conforme determina a ICA 54-1/2011”, observa. Com 16 anos de experiência em Educação Física, o Tenente Richards Furtado Alonan é aplicador e instrutor do TACF e orientador na Academia de Condicionamento Físico Militar (ACFM) do Grupamento de Apoio de

Brasília (GAP-BR). Ele observa que as maiores deficiências dos militares são flexibilidade e porcentagem de gordura. “O TACF em março é para diagnóstico. Os militares passarão por corrida, teste de flexibilidade, resistência abdominal e flexão de braço. O ideal é começar o preparo com pelo menos três meses de antecedência do teste, fazendo atividade, de forma gradual, de duas a três vezes por semana”, afirma. O Sargento Marcelo Rodrigues Machado também é instrutor de Educação Física na ACFM e concorda que o primeiro teste é de alerta, mas não deve ser negligenciado. “Aqueles militares que estão sedentários devem mudar seus hábitos. É importante praticar exercício físico, pois isto diminui a ausência no trabalho. Com saúde, o trabalho melhora e o militar se sente bem. É um ciclo vantajoso para todo mundo”, finaliza.

5 dicas de preparo para o TACF 1. Alimentar-se bem no dia anterior; 2. Dormir pelo menos 8 horas; 3. Beber 600 a 800 ml de água 2 horas antes; 4. Ingerir alimentos de baixo teor de gordura e proteína e alto teor de carboidrato composto 1 hora antes; 5. Usar tênis confortável e testado em alguns treinos antes do TACF.

FOTOS: 1S XAVIER / CDA

Ten JOR Cristiane dos Santos


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FOTO: FABIO MACIEL

PENSANDO EM SEGURANÇA DE VOO

Risco potencial do uso de drones é discutido no 68º CNPAA Pilotos de dois aviões informaram por rádio que um drone, aeronave remotamente pilotada, estava próximo à cabeceira sul do Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, e sobrevoou a região por cerca de 30 minutos. Dezenas de voos foram desviados e o aeroporto foi fechado por mais de duas horas para pousos no dia 12 de novembro de 2017. Cinco dias antes, 7 de novembro, o risco potencial do uso de drones foi tema relevante de discussão no 68º Comitê Nacional de Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CNPAA). Na oportunidade, foi criada a

Comissão de Avaliação de Risco da Implantação de Drones. Participam da Comissão o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CENIPA), o Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA) e o Helicentro – Distribuidor Autorizado MD Helicopters. O 68º CNPAA foi sediado no CENIPA, órgão militar do Comando da Aeronáutica, em Brasília (DF). O Comitê Nacional acontece duas vezes por ano e tem por finalidade reunir representantes de entidades nacionais envolvidas, direta ou indiretamente, com a atividade

aérea. O objetivo das reuniões é estabelecer a discussão, em âmbito nacional, de soluções para problemas ligados à segurança de voo, visando à prevenção de acidentes aeronáuticos. O CNPAA é uma entidade independente do CENIPA e tem como presidente o Chefe do Centro. No Comitê, são criadas algumas comissões que objetivam ampliar as discussões sobre temas técnicos específicos da aviação e, assim, promover a melhora dos processos relativos à segurança de voo.

(Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos - CENIPA)

PENSANDO EM INTELIGÊNCIA

Jamais seja “pego na mentira” Não perca tempo com notícias falsas, delete-as de sua rotina Pensadores modernos chamam os tempos atuais de Era do Conhecimento. Produção do conhecimento é o objetivo da Inteligência. Porém, sabemos que técnicas de desinformação são usadas para enganar o público. Fake news é o novo nome dado para uma antiga prática. Mais precisamente, o que seriam fake news? É o termo da moda para designar notícias falaciosas e muitas vezes polêmicas. Elas são revestidas, intencionalmente, com detalhes que fazem com que a informação pareça verdade.

Sabe aquele boato sobre a vida particular de uma pessoa pública? Ou aquela notícia em que se tem a sensação de parecer “bom demais para ser verdade”? Então, geralmente elas são notícias falsas ou boatos, ou seja, fake news. Em ano eleitoral, devemos redobrar a atenção para não definirmos nosso voto baseado em mentiras. Entre os objetivos pretendidos com a veiculação e divulgação dessas “notícias”, principalmente no meio cibernético, seja por redes sociais ou aplicativos de mensagem, estão: a ne-

cessidade de dar notoriedade e relevância a pessoas ou organizações em detrimento de outras; propagação de arquivo malicioso para danificar computadores ao se clicar no link (armadilha); e, principalmente, desinformar o leitor, fazendo-o crer em alguém ou em versão de fato inverídico. Para não ser vítima de tais mentiras, ou não cair no “conto do vigário”, seguem algumas recomendações: 1. Cheque a autoria e a origem da mensagem e pesquise também em outras fontes (sempre confiáveis) o

título e o teor da notícia; 2. Cheque a data da publicação e confirme se o conteúdo ainda é relevante e atual; 3. Questione se é uma piada, sátira ou brincadeira (ainda que de mau gosto); 4. Na dúvida, não clique no link da notícia: pode ser um malware para se ter acesso e causar danos ao seu computador e/ou smartphone; e 5. Fique atento: jamais divulgue/repasse tais notícias

e treine sua capacidade de identificar fake news! Colocando em prática essas recomendações, certamente você e sua família não serão presas fáceis para pessoas e organizações que pretendam enganar, manipular e ludibriar. Não perca sua capacidade de discernimento e de tomada de decisão. (Centro de Inteligência da Aeronáutica – CIAER)


Março - 2018

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ENTRETENIMENTO

CAÇA-PALAVRAS A FAB tem cerca de 11 mil MULHERES. Até o momento, elas ocupam postos de terceiro-sargento a coronel. A primeira TURMA dos quadros FEMININOS de oficiais e de GRADUADAS ingressou em 1982. Na AFA, ingressaram em 1996 no Quadro de INTENDENTES e atingiram o posto de tenente-coronel em 2017. Na EEAR, entraram em 2002 e podem alcançar o posto de CORONEL. Atualmente, mulheres do Quadro de SAÚDE já atingiram o posto de coronel e poderão ser PROMOVIDAS a major-brigadeiro médico. Em 2003, a AFA recebeu as primeiras AVIADORAS, que podem chegar a tenente-brigadeiro, podendo até assumir o COMANDO da Aeronáutica.

RESPOSTAS DO MÊS ANTERIOR


Notaer marco 2018  

A FORÇA DAS MULHERES

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A FORÇA DAS MULHERES