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Noticiário da Aeronáutica Ano XXXIII - nº 9 - 15 jun 2010

na tarjeta e sob nossas asas Q

uando o militar traja a farda, veste junto diversos valores que a instituição possui. Alguns não ligados diretamente à principal missão. Responsabilidade ambiental está na agenda da FAB muito antes das repercussões das mudanças climáticas. Tudo ocorre graças a esses valores implementados, tecnologia, conscientização profissional e iniciativas em todo o Brasil a partir de organizações militares que entendem que cada um pode, literalmente, fazer a sua parte. Pode ter orgulho: a Aeronáutica tornouse um participante ativo de ações em prol da sustentabilidade e da ecologia no País.

Para se ter uma ideia do alcance das atividades, basta evidenciar que esquadrões de Aviação de Reconhecimento da Aeronáutica realizam periodicamente o sensoriamento remoto da Região Amazônica. A tecnologia monitora a superfície terrestre e é capaz de detectar queimadas e áreas de desmatamentos. Além disso, adensamentos de florestas, plantio de árvores e ações permanentes de proteção a grandes patrimônios ecológicos, como na Serra do Cachimbo, são exemplares e tidas como referência por diversos setores que atuam nessa direção. A Força entende que trabalhar pela sustentabilidade é também uma guerra em que todos ganham. Acompanhe algumas das iniciativas de preservação ambiental da FAB nas páginas 7 e 8.

Serra do Cachimbo: área protegida pela FAB


2 24 de junho - Dia da Aviação de Reconhecimento

SGT Johnson / CECOMSAER

“Da Pátria os olhos, na guerra e na paz”. Lema traduz espírito de luta dos militares

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bjetivos traçados, quando os aviões de reconhecimento decolam, é para produzir conhecimento e começar a vencer a “batalha”. Aeronaves como RA-1, R-35A, R-95, R-99 e E-99 operam com equipamentos fotográficos digitais, sensores eletrônicos, radares e avançados sistemas de navegação. Os equipamentos aumentaram a capacidade operacional da Força Aérea Brasileira para diferentes ocasiões. Ficou marcante, por exemplo, a atuação do R-99 durante a operação de busca e resgate à aeronave AF-447, acidentada no meio do Oceano Atlântico. Foi graças aos equipamentos do avião da FAB e à persistência diuturna dos militares que muitas partes da aeronave acidentada foram encontradas. Naquele mar aberto, era como achar uma agulha em um palheiro.

Da mesma forma ocorreu no ano de 2006. O “mar”, na ocasião, era a Floresta Amazônica. Os equipamentos da aeronave permitiram encontrar, em meio a árvores fechadas, sinais de que havia destroços de metal naquele lugar. No final do ano passado, o R-99 voou e ajudou na grande operação para achar em um braço de rio na floresta nove sobreviventes de um acidente com uma aeronave C-98. Outra missão da Aviação de Reconhecimento da Aeronáutica tem relação direta com o assunto de capa deste Notaer. Isso porque aeronaves realizam periodicamente o sensoriamento remoto da Região Amazônica a fim de averiguar áreas de desmatamento no País. O objetivo do reconhecimento aéreo, que é uma tarefa tipicamente militar, é o de obter informações

sobre as atividades inimigas e o ambiente operacional. Tornou-se uma ferramenta essencial para o emprego do poder aéreo. Nesse tipo de aviação, o piloto, navegador e o fotógrafo formam um verdadeiro time. História - O reconhecimento aéreo na FAB nasceu em 1947, com o 1°/10º Grupo de Aviação de Reconhecimento-Foto. Na década seguinte, houve a criação do 6º Grupo de Aviação, formado pelo 1º/6º Grupo de Aviação e pelo 2º/6º Grupo de Aviação. Em todas as épocas, foi possível verificar a permanente evolução dos equipamentos. Ao longo dessa trajetória, também, a Força Aérea Brasileira tem ciência de que os Esquadrões Poker, Carcará e Guardião são os primeiros e os últimos no campo de batalha. Estejam onde estiverem.

NOTAER é uma publicação quinzenal do Centro de Comunicação Social da Aeronáutica (CECOMSAER). Está autorizada a transcrição parcial ou integral dos artigos publicados, com o devido crédito e remessa de um exemplar da publicação. Os textos foram produzidos pelas respectivas unidades e/ou pela equipe de jornalismo do CECOMSAER ISSN 1518-8558. Tiragem: 6.000 exemplares Chefe Interino do Cecomsaer: Cel Av Marcelo Kanitz Damasceno Chefe da Divisão de Produção e Divulgação: Ten Cel Av Marcelo Luis Freire Cardoso Tosta Edição: 1º Ten QCOA CSO Luiz Claudio Ferreira, 1º Ten QCOA JOR Alessandro Paulo da Silva, 2º Ten QCOA JOR Flávia Sidônia Camargos Pereira e 2º Ten QCOA JOR Flávio Hisakasu Nishimori Jornalista Responsável: 1º Ten QCOA CSO Luiz Claudio Ferreira

Revisão: 1º Ten QCOA JOR Alessandro Paulo da Silva Arte Gráfica e Diagramação: 3S SDE Renato de Oliveira Pereira e 3S SAD Jéssica de Melo Pereira Internet: www.fab.mil.br - E-mail: redacao@fab.mil.br. Endereço: Esplanada dos Ministérios - Bloco “M” - 7º andar - 70045-900 Brasília-DF - Telefone: (61) 3966-9665 - FAX: (61) 3966-9755.

NOTAER nº 9 - 15 jun 2010


3 26 de junho - Dia da Aviação de Busca e Salvamento

Eles estão sempre em prontidão para salvar vidas

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m acionamento a qualquer hora do dia ou da noite. Quando o sinal de socorro é emitido, segundos ou minutos podem fazer a diferença. É assim, sempre atuando no limite tênue entre a vida e a morte, o cotidiano dos militares especializados em busca e resgate de vítimas de acidentes aéreos. No dia 26, celebra-se o Dia da Aviação de Busca e Resgate, uma justa homenagem àqueles que arrriscam suas próprias vidas em prol de quem precisa. A Força Aérea Brasileira (FAB) conta atualmente com equipes especializadas nesta atividade. O Segundo Esquadrão do Décimo Grupo de Aviação (2º/10º GAv), conhecido como Esquadrão Pelicano, é um exemplo. Militares do Esquadrão Aeroterrestre de Salvamento (EAS), o PARA-SAR, também são treinados para missões especiais. Porém, além desses esquadrões, todas as unidades da FAB podem ser engajadas em atividades de busca. Para os militares que atuam na busca e resgate a profissão é um verdadeiro sacerdócio. O Suboficial João Batista Fusquine, 47 anos, há 29 anos na Força Aérea e desde o ano de 1982 no Esquadrão Pelicano, é um desses abnegados. Com cerca de seis mil horas de voo, o Suboficial Fusquine tem muitas histórias de salvamento

efetuadas ao longo dos 24 anos na função de “resgateiro”. “Uma das missões que mais me marcou foi a do acidente ocorrido com o avião da Varig em 1989. Chegamos ao local na tarde do terceiro dia de buscas. Encontramos um verdadeiro caos, pois havia muita gente morta, muitos feridos e crianças. O cenário era tão desolador que doamos nossas roupas para vestir as vítimas do acidente. Foi uma verdadeira luta contra a morte”, relembra o militar. “Outra foi um parto de uma criança índia. Fomos acionados e decolamos de Iuaretê, na Amazônia. A bordo estava uma índia grávida de gêmeos que trasladaríamos para São Gabriel da Cachoeira. Um das crianças já estava em óbito, mas a outra acabou nascendo no meio do percurso, durante o voo. Em agradecimento a mãe colocou o nome da filha de Fabiana, em alusão à FAB”, complementa o suboficial. O melhor termômetro para se medir a importância da missão dos militares de busca e salvamento sem dúvida é o sentimento de agradecimento das vítimas socorridas nessas missões. Os elos consolidados nessas ocasiões dificilmente são desatados. O empresário Sérgio Roberto Sodré, 45 anos, lembrase com gratidão do salvamento proporcionado pelo Esquadrão Pelicano ASAS QUE PROTEGEM O PAÍS

SGT Johnson / CECOMSAER

2º/10º GAv

Dia da Aviação de Busca e Resgate: uma homenagem aos militares abnegados que arriscam suas próprias vidas para salvar vítimas de acidentes.

no dia 29 de outubro de 2009. Ele sofreu um acidente com um parapente logo após a decolagem no Morro do Ernesto, a 12 quilômetros do centro da cidade de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul. “O parapente entrou em giro e na queda fraturei o quadril. Fui socorrido inicialmente pelo corpo de bombeiros. O resgate demorou cerca de quatro horas. Para me tirar do local, colocaramme na maca e o transporte seria feito em cima de uma caminhonete. Como o caminho era muito acidentado fiquei receoso de que minha situação poderia piorar. Então, solicitei que chamassem o esquadrão Pelicano. Quando vi o helicóptero fique mais tranquilo”, diz Sodré. “A intervenção do Pelicano foi fundamental. Se não fosse isso, acredito que não tinha me recuperado tão bem. Tenho uma profunda admiração e gratidão por esses militares”, afirma o empresário. Em função de sua devoção ao trabalho, o Suboficial Fusquine já perdeu as contas de quantas ocasiões importantes deixou de comemorar com a família. Foram batizados e aniversários de filhos em que não pôde estar presente. Mas, segundo ele, a profissão é recompensadora. “A nossa carreira é sacrificada, mas ao mesmo tempo nos traz muitas recompensas. Tenho muito orgulho do que faço. Estou quase indo para a reserva, mas fui tão feliz aqui como militar especializado em salvamento que faria tudo de novo”, diz o militar.


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DCTA faz aniversário e homenageia seus pioneir O

Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA), localizado em São José dos Campos, comemorou, em maio (28/5), seu primeiro aniversário com essa nova denominação. Criado em 30 de abril de 2009, o DCTA, anterior-

mente denominado Comando-Geral de Tecnologia Aeroespacial, é o resultado da fusão do Departamento de Pesquisas e Desenvolvimento com o então Centro Técnico Aeroespacial, ocorrida em 2005. Independente da nomenclatura, a instituição está há mais de meio século sustentando as bases da ciência e tecnologia aeroespacial no País. Considerada um

centro de excelência na área, o DCTA deve grande parte de sua reputação à contribuição de civis e militares com uma visão muito além de seus tempos. Conheça um pouco mais sobre a história de quem ajudou a escrever, ao longo de 60 anos, uma notável história de desafios e conquistas em prol do desenvolvimento aeroespacial no Brasil.

Marechal-do-Ar Casimiro Montenegro Filho Patrono da Engenharia da Aeronáutica Brasileira e Fundador do CTA A magnífica obra que empreendeu transformou um grande sonho em realidade: o Instituto Tecnológico de Aeronáutica, que surgiu do seu idealismo e da sua ótica inspiradora. Pioneiro e visionário, definiu a tríade ensino-pesquisa-indústria como estratégia de desenvolvimento e educação para a formação

e preparação de técnicos de alto nível no País. Seu maior legado ao avanço da tecnologia e à soberania do Brasil são os reconhecidos feitos em prol da ciência, a contribuição à engenharia aeronáutica e a fundação do CTA, ideia iniciada na década de 40.

Professor Richard Harbert Smith Primeiro Reitor do ITA e Autor do Plano de Criação do CTA Indicado pelo Massachusetts Institute of Technology, após plano apresentado pelo Marechal Montenegro, nos EUA, contribuiu com a organização e a assistência à singular escola de engenharia aeronáutica que surgia no Brasil. Seus estudos, ideias e observações

deram origem a dois documentos de vital importância: o “Plano de Criação do Centro Técnico de Aeronáutica”, aprovado, em 16 de novembro de 1945, pelo Presidente da República, e a Conferência “Brasil - Futura Potência Aérea”.

Tenente-Brigadeiro-do-Ar Paulo Victor da Silva Desenvolveu o Projeto do Avião Bandeirante e o Programa de Foguetes de Sondagem Meteorológica Sua visão de futuro e seu espírito empreendedor são exemplos de determinação em favor do progresso nacional. Nos anos 60, desenvolveu o Projeto do Avião Bandeirante e o Programa de Foguetes de Sondagem Meteorológica. Sua busca por inovações

para o avanço da ciência e da tecnologia aeroespacial culminou na criação da Empresa Brasileira de Aeronáutica - EMBRAER, em 1969, dotando o País de uma indústria aeronáutica própria e competitiva no cenário internacional

Major-Brigadeiro-do-Ar Hugo de Oliveira Piva “Pai do Programa Espacial Brasileiro” Formado em Engenharia Aeronáutica pelo ITA (Turma 1958), com o título “summa cum laude”, teve participação destacada na atividade de voos de ensaios técnicos no Brasil, no final dos anos 50. Doutor em Aeronáutica e Matemática Aplicada pelo California Institute of Technology,

desenvolveu modelos matemáticos para a área de meteorologia e destacou-se nos campos da pesquisa científica, nacionalização de produtos estratégicos e desenvolvimento de mísseis. Idealizou e atuou no Projeto Veículo Lançador de Satélites.

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ros. Conheça a trajetória e a contribuição deles. Tenente-Coronel Aviador Ozires Silva Fundador da EMBRAER e Líder no Desenvolvimento da Indústria Aeronáutica Brasileira Personalidade de destaque e de presença determinante na implantação da indústria aeronáutica no Brasil. Engenheiro aeronáutico formado pelo ITA, com seu espírito arrojado e empreendedor, liderou a equipe que projetou e construiu o avião

Bandeirante, dando início à produção industrial de aeronaves de interesse da aviação civil e militar. Foi o primeiro Presidente da EMBRAER, Presidente da PETROBRAS e Ministro de Estado da Infraestrutura, nas décadas de 70 a 90.

Engenheiro Jayme Boscov “Pai do Programa VLS” e Fomentador de Recursos Humanos para a Área Espacial Após passar nove anos na França, onde participou de programa de desenvolvimento de veículos lançadores e atuou em indústrias aeroespaciais, formou e liderou, nas décadas de 70 e 80, a área espacial do CTA, projetando e ensaiando foguetes de sondagem

e desenvolvendo o Veículo Lançador de Satélites. Destacou-se também como fomentador de recursos humanos técnico-científicos na área espacial, criando meios no Brasil e no exterior para formar equipes de alto nível para o Programa Espacial Brasileiro.

Tenente-Brigadeiro-do-Ar Reginaldo dos Santos Pioneiro nas Áreas de Fotônica e Laser Formado em Engenharia Eletrônica pelo ITA (Turma 1970), com o título “summa cum laude”, tornou-se Reitor do Instituto, marcando uma expressiva passagem pelo setor de pesquisa, desenvolvimento e ensino da Aeronáutica. Doutor em Ótica Aplicada e Mestre em Ciência

da Engenharia pela Purdue University (EUA), dirigiu importantes órgãos do CTA, o próprio CTA e o Departamento de Pesquisas e Desenvolvimento - DEPED, de 1981 a 2003, reunindo significativa experiência profissional na área de Ciência e Tecnologia.

Brigadeiro-do-Ar Aldo Weber Vieira da Rosa Pioneiro de Ensaios em Voo no Brasil e Fundador do IPD e INPE Doutor em Engenharia Elétrica pela Stanford University (EUA), tornou-se destaque na história da indústria aeronáutica brasileira e na área de ciência e tecnologia. Criou o Instituto de Pesquisas e Desenvolvimento - IPD, em 1954, estruturado nos setores de aeronáutica, mo-

tores, eletrônica e materiais, e teve atuação decisiva junto ao Governo na constituição da Comissão Nacional de Atividades Espaciais, posteriormente Instituto Nacional de Atividades Espaciais (INPE), marco pioneiro do Programa Espacial Brasileiro.

Coronel Aviador José Alberto Albano do Amarante Pioneiro das Atividades Nucleares na Aeronáutica e Idealizador do IEAv Doutor em Física pela UNICAMP e Mestre em Ciências pelo California Institute of Technology (EUA), foi um dos mais dedicados mentores da implantação da pesquisa e desenvolvimento nuclear no País, introduzindo esses estudos, na Aeronáutica, em 1972, o que contribuiu para levar o Brasil a um alto grau de

independência tecnológica nessa área. Com forte espírito nacionalista e sólida visão estratégica, idealizou a criação do Instituto de Estudos Avançados – IEAv, com o objetivo de reunir pesquisadores de alto nível, dando suporte científico ao CTA para atuar na fronteira do conhecimento.

ASAS QUE PROTEGEM O PAÍS


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Instituto de Aeronáutica e Espaço recebe novo telescópio para divulgar astronomia Observatório Astronômico, integrado ao Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), localizado na cidade de São José dos Campos (SP), recebeu um novo telescópio, um equipamento potente para a astronomia amadora. O novo aparelho, um Telescópio Refletor Newtoniano, de 12 polegadas e portátil, é constituído de um sistema conhecido como “lightbridge”. Ele permite que a estrutura de tubos do equipamento se movimente, aumentando seu comprimento focal. O telescópio oferece maior nitidez para a visualização de planetas, nebulosas, aglomerados estrelares e globulares e estrelas. O observatório pertence ao Núcleo de Atividades Espaciais Educativas (NAEE). Segundo os organizadores do observatório, o novo telescópio, que dispensa ações sofisticadas e é simples de utilizar, foi adquirido com o objetivo de estimular as pessoas a praticar a Astronomia de maneira autônoma. Diferentemente da astronomia profissional, que trabalha com a publicação de artigos científicos e utiliza equipamentos como espectrógrafos para a medida de propriedades de um objeto celeste (como composição química e

Fotos: IAE

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Aparelho possibilita visualizar planetas e nebulosas com maior grau de nitidez

velocidade), a astronomia amadora pode ser educativa e até lúdica. Os alunos da escola EEMF Áurea Cantinho Rodrigues, da cidade de São José dos Campos, já conheceram o novo aparelho em uma visita monitorada. Os 32 estudantes estiveram acompanhados da Coordenadora do Programa de Educação de Jovens e Adultos (EJA), Iracema Vieira Pinto Seixas, além de professores de geografia, ciências e matemática. Na

sala de aula, o grupo pôde discutir o que assimilaram no observatório. Os alunos debateram o tema, de forma interdisciplinar, e assistiram ao vídeo sobre sistema solar, completando o aprendizado de maneira integrada. “Esse é um programa de enriquecimento curricular que existe há cinco anos na escola e que oferece uma nova oportunidade para aqueles que, por dificuldades diversas, não puderam retornar ao estudo”, explica Iracema.

O Observatório Astronômico O Observatório, que proporcionou a formação da primeira geração de Astrônomos no Brasil, conta ainda com mais dois equipamentos para a visualização astronômica: o telescópio do tipo Newtoniano/ Cassegraniano e outro refletor. O primeiro, fixo dentro da cúpula de observação e considerado o principal, é capaz de proporcionar a observação contínua de um objeto em seu percurso, próprio para a obtenção de fotografias astronômicas de longa exposição. Esse telescópio possui um sistema de acompanhaNOTAER nº 9 - 15 jun 2010

mento que compensa o movimento de Rotação da Terra e permite que o objeto em observação mantenhase sempre dentro do campo visual. O segundo telescópio, um Celestron de 8 polegadas, é portátil e também constituído de motor para acompanhamento. Como diferencial, é constituído de um banco de dados com informações sobre objetos celestes e permite o deslocamento automático do instrumento na direção do elemento que se deseja visualizar. Este sistema é conhecido por “go-to”.


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Em Natal (RN), militares fazem adensamento da Mata Atlântica com plantio de espécies nativas Base Aérea de Natal (BANT), dando seqüência ao seu projeto de adensamento da Mata Atlântica, plantou 200 mudas de árvores no perímetro sob a sua jurisdição no início do mês de junho. O projeto de enriquecimento da Mata Atlântica na BANT iniciou-se em abril de 2009 em parceria com o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) e a Organização NãoGovernamental Nature Viva Mangue (NAVIMA), que coordena o plantio. Na ocasião foram plantadas 200 mudas de espécies nativas na área da BANT, como ipê rosa, ipê amarelo, ipê roxo, cedro, sapucaia, massaranduba, jatobá, macaúba, pau-brasil, oiti, pitanga, peroba, pitomba e juazeiro. No dia 28 de abril daquele ano, houve o plantio de mais 150 mudas de ipê roxo, ipê amarelo, pau-brasil, oiti e pitanga. E nos dias 7 e 8 de maio, foram plantadas 220 mudas de cedro, jatobá, ipê roxo e ipê amarelo, pau-brasil. De acordo com a bióloga Rosimeire Dantas, presidente da Ong NAVIMA, a preservação ambiental, não só na Base de Natal, assim como

BANT

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Desde o início do programa, em 2009, já foram plantadas mais de 500 mudas de árvores

no Centro de Lançamento da Barreira do Inferno (CLBI), também pertencente à Aeronáutica, contribui sob vários aspectos para o equilíbrio do ecossistema local. “O desmatamento no Rio Grande do Norte é muito grande, principalmente em função da ampliação da produção de cana-de-açúcar e da construção de empreendimentos imobiliários. Portanto, a preservação da mata nessas duas unidades, que somam juntas

mais de 3 mil hectares é importante, pois ajuda a regular o microclima da cidade de Natal proporcionando uma sensação de conforto térmico, explica Rosimeire Dantas. “O adensamento também garante a sustentabilidade do rio Pitimbu, um dos mananciais mais importantes da região, responsável por 70% da água potável de Natal. É justamente o trecho desse rio situado dentro da Base que está preservado”, complementa a bióloga.

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Ho s pit a l d e Aeronáutica de São Paulo também está empenhado em preservar o meio ambiente. Iniciado em setembro de 2008, o Projeto RECICLA-HASP começou com a adequação de uma área para armazenamento, coleta e descarte apropriado de papelão, papel sulfite e latinhas de alumínio, ampliado posteriormente para óleo de cozinha. Historicamente, a média mensal de geração de lixo é de 1.272kg/mês (42,4kg/dia). Com as ações do projeto

houve uma redução substancial do descarte de lixo em razão da reciclagem de aproximadamente 10 toneladas de papelão, bem como economia dos custos praticados com os serviços terceirizados de destino de resíduos. Além disso, o hospital possui um projeto de monitoramento dos hábitos das diferentes espécies de pássaros que habitam a unidade. O estudo, realizado em janeiro deste ano, visa ao plantio das árvores adequadas às necessidades de cada pássaro. A iniciativa será uma importante contribuição para a preservação da Mata do Campo de Marte. ASAS QUE PROTEGEM O PAÍS

HASP

Campanha de reciclagem é realizada por hospital em SP

Projeto, iniciado em 2008, diminuiu sensivelmente o descarte de lixo na organização militar


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Área de 22 mil quilômetros quadrados é protegida por militares na Serra do Cachimbo no Pará preocupação ambiental na FAB é levada ao extremo no Campo de Provas Brigadeiro Velloso (CPBV), localizado na Serra do Cachimbo, Sul do Pará. A área de 22 mil quilômetros quadrados de extensão (equivalente ao estado de Sergipe) onde está instalado o Campo continua praticamente intacta. “Se não houvesse a Base de Cachimbo e o Campo de Prova Brigadeiro Velloso, o avanço do desmatamento de Mato Grosso no sentido Amazônia e Pará iria se perpetuar. A área do CPBV fez com que essa devastação não progredisse mais. É uma região onde a natureza está cem por cento preservada sendo muito importante a manutenção desse bioma para pesquisas e para as futuras gerações”, avalia Martinho Philippsen, diretor regional da secretaria do meio ambiente de Guarantã do Norte (Mato Grosso), cidade distante cerca de 90 quilômetros do CPBV. Em razão dessa preservação e da ampla extensão territorial, o CPBV já foi várias vezes escolhido pelo IBAMA para a reintegração de espécies da

Fotos: SD Sérgio / CECOMSAER

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O Campo de Provas Brigadeiro Velloso (CPBV) está com sua cobertura vegetal praticamente intacta

fauna brasileira. Conforme explica a analista do IBAMA, Denise Englert, a parceria iniciou-se em 2004. “ Começamos este projeto com a soltura de animais recém-capturados, como jabutis, quatis e aves selvagens. Essa parceria foi evoluindo e nós começamos a fazer um trabalho mais intenso visando a repatriação de espécies. Os animais que são pegos no tráfico nas regiões sul e sudeste, após reabilitados,

são trazidos para cá a fim de serem repatriados, ou seja, para voltarem aos locais de origem de onde foram retirados. Um primeiro trabalho com 40 papagaios já foi realizado e repercutiu de forma bastante positiva”, diz Denise Englert. “Já soltamos aqui uma onça, muitas jibóias, gaviões, corujas. Aqui é uma área ideal para a libertação desses animais”, ressalta a analista do IBAMA.

FAB já foi premiada por proteção ao meio ambiente

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Força Aérea Brasileira recebeu, no ano passado, o prêmio Top Ambiental, concedido pela Associação dos Dirigentes de Vendas e Marketing do Brasil (ADVB) - São Paulo. A premiação é destinada a empresas e instituições que tenham ações que contribuam para a preservação do meio ambiente. A FAB foi homenageada, particularmente, pelas iniciativas na Amazônia. O Coordenador do Top Ambiental, Paulo Bastos Cruz Filho, citou o “trabalho excelente desenvolvido pela FAB na proteção da Amazônia” e contou que teve a oportunidade de conhecê-lo pessoalmente em uma visita realizada no ano passado. NOTAER nº 9 - 15 jun 2010

NOTAER - Junho 2010  
NOTAER - Junho 2010  
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