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Ano XLI

Nยบ 07

Julho, 2018

ISSN 1518-8558


Julho - 2018 FOTO: ARQUIVO FAB

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CARTA AO LEITOR

Informe-se sobre sua Força! Em mais uma edição do jornal NOTAER, o Centro de Comunicação Social da Aeronáutica (CECOMSAER) traz ao efetivo da Força Aérea as principais notícias e informações sobre diversos temas ligados à instituição. Neste exemplar, você pode acompanhar a atuação da FAB na área operacional, saber mais sobre as possibilidades de carreira na Força e entender melhor os planos para o futuro do país na área espacial. A capa desta edição de julho traz como destaque a Escola de Especialistas de Aeronáutica (EEAR) e sua contribuição na formação qualificada dos novos profissionais da FAB. Após a conclusão dos cursos em Guaratinguetá (SP),

os especialistas se tornam elos fundamentais para assegurar a eficiência e a eficácia da FAB em todo o território nacional. Desejamos que nossas páginas tenham um impacto duplo: aos que passaram pela EEAR, que a leitura seja um deleite, relembrando as boas experiências e as dificuldades superadas; àqueles que pretendem passar por lá, que nosso conteúdo sirva de inspiração para que este objetivo seja alcançado. O mês de julho é sempre época de reverenciar o Pai da Aviação, Alberto Santos-Dumont. Um exemplo de tenacidade na batalha para superar os limites de seu tempo. A inquietude deste brasileiro acabou por revo-

Expediente

lucionar a maneira como a sociedade viria a lidar com um meio de transporte tão comum atualmente: o avião. Evidentemente, a importância do seu aniversário é algo a ser sempre destacado em toda a Força Aérea Brasileira. Nas próximas páginas do NOTAER, resgatamos a memória da Fazenda Cabangu, um bem tombado sob a tutela da FAB, onde Santos-Dumont viveu

parte da sua vida. Que esta edição do nosso jornal ajude você, leitor, a se manter informado sobre as mais diversas atividades tocantes à atuação da FAB em todo o país. Boa leitura!

Brigadeiro do Ar Antonio Ramirez Lorenzo Chefe do CECOMSAER

ESPAÇO DO LEITOR “As declarações dos militares que participaram do Exercício Operacional Tápio mexeram com meu orgulho, militar da FAB há 42 anos. O Sargento Barros foi muito feliz em suas palavras: ‘Tenho o dever de cumprir a missão, de salvar vidas.’ Que esse seja o combustível das nossas aeronaves e o motor de todos os brasileiros.” Capitão R/1 Hermógenes Viviani de Campos (GAP-YS)

“A matéria sobre o Exercício Operacional Tápio na última edição mostra como a FAB está se preparando para atuar no tipo de conflito atual. É muito interessante perceber como a nossa visão operacional está se voltando para a soma de esforços entre os mais diversos tipos de aviação e para a constante atualização da doutrina de combate.” Tenente QOAV Diego Araújo de Carvalho (Ala 7)

O jornal NOTAER é uma publicação mensal do Centro de Comunicação Social da Aeronáutica (CECOMSAER), voltado ao O j ointerno. r n a l N O TA E R é u m a público publicação mensal do Centro de do Comunicação Social da Chefe CECOMSAER: Brigadeiro do Ar Aeronáutica (CECOMSAER), Antonio Ramirez Lorenzo. voltado ao público interno. Vice-Chefe do CECOMSAER: Coronel ChefeFlávio do CECOMSAER: Aviador Eduardo Mendonça Tarraf. Brigadeiro do Ar Antonio Ramirez Lorenzo. Chefe da Divisão de Comunicação Integrada: Coronel Aviador José Frederico Júnior. Vice-Chefe do CECOMSAER: Coronel Aviadorde Flávio Eduardo Chefe da Subdivisão Produção e DivulMendonça Tarraf. gação: Tenente-Coronel Aviador Rodrigo José Fontes de Almeida. Chefe da Divisão de Comunicação Integrada: Editores: Tenente Jornalista Felipe Bueno Coronel Aviador Paulo César (MTB 0005913/PE) e Tenente Relações Andari. Públicas Nara Lima (CONRERP/6 1759) Chefe da Subdivisão Produção ao Colaboradores: textosdeenviados e Divulgação: CECOMSAER via SISCOMSAE. Tenente Coronel Aviador Bruno Pedra. Diagramação e Arte: Suboficial Ramos, Sargento Polyana e Cabos M. Gomes Editores: e Pedro. Tenente Jornalista Felipe Bueno (MTB 18.000 0005913/PE) e Tenente Tiragem: exemplares Jornalista Cristiane dos Santos (MTB 35288/SP). Estão autorizadas transcrições integrais ou parciais das matérias, desde que mencioColaboradores: nada a fonte. Textos enviados ao CECOMSAER via SISCOMSAE. Esplanada dos Ministérios - Bloco “M” 7º andar CEP - 70045-900 / Brasília - DF Diagramação e Arte: Tenente Chaves, Suboficial Ramos e Sargento Polyana. Capa: Foto Sargento Bruno Batista Tiragem: 18.000 exemplares. Estão autorizadas transcrições integrais ou parciais das matérias, desde que mencionada a fonte. Endereço: Esplanada dos Ministérios - Bloco “M” 7º andar - CEP: 70045-900 Brasília/DF

“É de extrema relevância a FAB realizar a série sobre bens tombados que estão sob sua tutela. Para nós, historiadores, o reconhecimento, a preservação e a manutenção do Patrimônio Histórico Cultural, seja este material móvel e/ou material imóvel, possibilitam a compreensão da responsabilidade de cada um sobre nosso patrimônio.” Tenente QOCON HIS Glauciene da Costa Maia (Ala 8)

Este espaço é para você, Leitor! Envie seus comentários e sugestões para notaer@fab.mil.br

Impressão e Acabamento: Viva Bureau e Editora


PALAVRAS DO COMANDANTE

Patrono e inspiração A cada dia 20 de julho lembramos o nascimento de Alberto Santos-Dumont, um brasileiro que foi capaz de inspirar gerações e transformar o mundo com seus feitos e inovações. A lembrança da sua história reforça o sentimento de resiliência frente às adversidades, característica tão presente no dia a dia dos brasileiros. Em 1906, Santos-Dumont tornou-se o Pai da Aviação ao voar e pousar em segurança com um veículo mais pesado que o ar, mas sua genialidade também se manifestava de outras formas. Em sua busca pela conquista dos céus, ele precisava de um espaço para armazenar dirigíveis: acabou desenvolvendo um prático hangar com portas corrediças. E para testar a dirigibilidade do 14-Bis, construiu um sistema de cabos inclinados: um inovador simulador de voo. Sua inquietação pela evolução também teve reflexos em sua vida pessoal. À época, o ato de olhar as horas

requeria a busca do relógio no bolso, o que acabava lhe atrapalhando em voo. Em conversa com Louis Cartier, Santos-Dumont se queixou de tal dificuldade, colaborando com o projeto do primeiro relógio de pulso. Há pessoas que não hesitam ao encarar desafios e transformar dificuldades em inovação. Alberto Santos-Dumont, sem dúvida, é um desses indivíduos. Com genialidade e empenho desmedidos, sempre será um exemplo para futuras gerações de brasileiros. N e s t e m ê s , ta m b é m aproveito para reforçar os cuidados de nosso efetivo com as mídias sociais. Durante a última crise de abastecimento no país, constatamos muitas informações falsas ou tendenciosas sendo divulgadas por esses meios, e devemos sempre ser críticos antes de aceitá-las como verdadeiras. Devemos nos manter atentos e atualizados, e para isso reforço que

3 FOTO: SGT BRUNO BATISTA / CECOMSAER

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deem prioridade aos nossos canais institucionais de informação, pois será por meio deles que divulgaremos as orientações que porventura sejam necessárias. Assim como o foi Santos-Dumont, a Força Aérea Bra-

sileira permanece corajosa e motivada. E continuaremos melhorando em nosso compromisso de servir ao Brasil e ao povo brasileiro. Neste início de semestre, conto com a dedicação de todos vocês, homens e mulheres

da Força Aérea Brasileira. Estaremos juntos, uma vez mais, trabalhando em prol da prosperidade do nosso Brasil. Tenente-Brigadeiro do Ar Nivaldo Luiz Rossato Comandante da Aeronáutica


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REESTRUTURAÇÃO

Novos exercícios operacionais são resultados do processo de Reestruturação

contexto de guerra irregular, ou seja, quando o combate é contra forças insurgentes ou paramilitares – cenário encontrado em missões de paz da ONU. Os futuros Exercícios Operacionais vão simular combates aéreos e conflitos em áreas marítimas. No primeiro, o planejamento envolve o treinamento de ações como Defesa Aérea, Varredura, Escolta, Ataque e Reabastecimento em Voo. Já no de conflitos em áreas marítimas, em parceria com a Marinha do Brasil, serão praticadas ações como Patrulha Marítima, Antissubmarino e Busca e Salvamento (SAR).

FOTO: SGT BRUNO BATISTA / CECOMSAER

Capa do NOTAER do mês de junho, o Exercício Operacional Tápio – que reuniu mais de 700 militares e 42 aeronaves em Campo Grande (MS) – inaugurou, na FAB, uma nova fase de treinamentos. Ele foi o primeiro exercício realizado a partir de uma estrutura organizacional, mais enxuta, que, segundo o Comandante da Aeronáutica, Tenente-Brigadeiro do Ar Nivaldo Luiz Rossato, “deixou mais clara e evidente a separação entre preparo e emprego”. Com a desativação das FAE (Forças Aéreas) e a cria-

ção do Comando de Preparo (COMPREP), foi necessária a realização de estudos para que os exercícios fossem adequados às mudanças. Com isso, segundo explica o Chefe da Divisão de Controle do Preparo Operacional do COMPREP, Coronel Aviador André Luiz Alves Ferreira, foram estruturados Exercícios Operacionais e Exercícios Técnicos. “Nós nos perguntamos quais capacidades queríamos desenvolver. Concluímos que era preciso treinar cenários atuais e de forma racionalizada”, explica. O Exercício Operacional Tápio se desenvolveu em um

Entre as atividades realizadas em Campo Grande (MS), foi simulado o resgate de um piloto que havia sido ferido em combate

Exercício Operacional Tápio envolveu mais de 700 militares

Etimologia Tápio é o nome de um dos deuses da mitologia fino-húngara, que representa a divindade das florestas.

FOTO: SGT JOHNSON BARROS / CECOMSAER

Ten JOR Gabriélli Dala Vechia

FOTO: SGT JOHNSON BARROS / CECOMSAER

Tápio e outros exercícios visam ao adestramento dos militares da FAB e foram planejados em um contexto organizacional reestruturado

Treinamento executado na Ala 5 simulou contexto de guerra irregular, cenário comumente encontrado em missões de paz da ONU


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FOTO: CB ANDRE FEITOSA / CECOMSAER

ESPAÇO

Simpósio de Observação da Terra discute futuro do setor espacial Especialistas, instituições civis e militares discutiram potenciais e desafios para investimentos em satélites

Imagine poder ver o que está acontecendo de longe, sem estar no mesmo lugar, mas como se acompanhasse tudo, praticamente em tempo real, de um ponto privilegiado do planeta Terra. Há quase cinco anos que Lucíola Magalhães, analista de geoprocessamento da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Territorial, conta com isso na rotina de trabalho. Quase todas as imagens usadas atualmente, segundo ela, são de média resolução. “A vantagem da cultura de dados abertos é que a gente adquire as imagens de alguns sistemas de monitoramento e não paga por elas. Mas estamos sempre dependendo dos países vizinhos”, afirma. Apesar de toda a evolução constatada desde que ingressou na Embrapa, a servidora ressalta a importância da evolução na resolução das imagens para o monitoramento de atividades relacionadas à produção e à preservação ambiental. “Para conseguirmos ampliar esse entendimento das culturas, dos sistemas produtivos e de tecnologias no campo, precisamos de imagens de maior

resolução”, aponta a servidora. Necessidade de investimentos, viabilidade de implantação e benefícios do uso de satélites de monitoramento remoto de imagens em alta definição foram discutidos com representantes de instituições civis e militares em um simpósio focado na observação da Terra, organizado pela Airbus Space, no mês de junho em Brasília (DF). O vice-presidente da Airbus na América Latina, Christophe Roux, destaca o potencial do país. “Esse evento é uma demonstração de que o espaço não é uma área civil ou militar. É um espaço dual, com uma janela de oportunidades enorme e uma gama de projetos que podem ser desenvolvidos”, conta. Uma série de funcionalidades associadas ao sistema de monitoramento remoto ótico foi apresentada aos participantes: vigilância de fronteiras, prevenção de desastres naturais, gestão de recursos hídricos, entre outras. Para especialistas de agências espaciais internacionais, a troca de experiências contribui para que o Brasil aprenda com nações que já investem no uso da própria tecnologia. “É um benefício

que nós não sabíamos que seria tão positivo: usar as imagens para muitos tipos de aplicação, sobretudo, em muitas situações que nem havíamos previsto”, compartilha o secretário-geral da Agência Espacial Peruana (CONIDA), Gustavo Henriquez Camacho. A aposta no domínio do próprio satélite e também da estação de recebimento das imagens capturadas é uma boa estratégia, de acordo com a tecnologista da Diretoria de Política Espacial em Investimentos Estratégicos da Agência Espacial Brasileira (AEB), Fernanda Lima. “Temos que agir rapidamente. É essencial um alinhamento estratégico intenso para que os esforços sejam todos concentrados numa mesma direção”, pontua. Com o lançamento e o controle do primeiro satélite de sensoriamento remoto, as Forças Armadas pretendem ganhar mais autonomia, além de obter privacidade e maior segurança na gestão espacial. O representante da Agência Espacial Francesa (CNES), Henry Roquefeuil, destaca as semelhanças entre o Brasil e seu país e defende uma constelação própria brasileira. “Quando vi que o Brasil tem

exatamente a mesma situação aqui, com uso civil e militar, vi que seus usuários precisam de um sistema e de instrumentos que forneçam informações completas. Um país grande como o Brasil precisa de seu próprio sistema de satélites.” Detalhes do novo programa espacial brasileiro devem ser divulgados até agosto para que a aquisição do satélite ótico pela FAB ocorra no próximo ano. “Toda a nação vai tirar proveito do que esse satélite vai proporcionar”, acredita o Presidente da Comissão de Coordenação e Implantação de Sistemas Espaciais (CCISE), Major-Brigadeiro Luiz Fernando de Aguiar. O que ainda falta são parcerias para baratear os custos sem comprometer a eficiência

do projeto. O assessor do Estado-Maior da Armada, Capitão de Fragata Felippe Macieira, também reforçou que o assunto seja tratado com prioridade. “Estamos um pouco atrasados em relação aos nossos vizinhos e temos, agora, que tentar buscar soluções para tentar alavancar o nosso programa espacial”, defende. O assessor da Subchefia de Comando e Controle do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, Coronel do Exército Anderson Tesch Hosken Alvarenga, acredita no potencial do país. “O mercado é de alta tecnologia, mas é dinâmico, está em constante evolução. Aproveitando isso, o Brasil ainda tem chance de se inserir nele”, avalia. “Toda a nação se beneficiará do que esse satélite vai proporcionar” Major-Brigadeiro Aguiar

FOTO: SGT BIANCA VIOL / CECOMSAER

Asp JOR Carlos Balbino


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HISTÓRIA

Casa onde nasceu Santos-Dumont é tombada por órgãos federal, estadual e municipal Casa é situada no Parque Cabangu (MG) e possui acervo do Pai da Aviação Ten JOR João Elias Alberto Santos-Dumont nasceu em 20 de julho de 1873, no Sítio Cabangu – local que, em 1890, passou a pertencer ao município de Palmyra (MG) -, e sua casa é um dos bens tombados sob tutela da FAB. Em 31 de julho de 1932, a cidade passou a denominar-se Santos Dumont, em homenagem ao Pai da Aviação. Localizada dentro do Parque Cabangu, no alto da Serra da Mantiqueira, a construção da casa é datada do final do século XIX. Foi residência de mantenedores da ferrovia e, de 1872 a 1875, abrigou a família do engenheiro Henrique Du-

mont, pai de Santos-Dumont, que tinha a missão de empreender a construção do prolongamento da atual Estrada de Ferro Central do Brasil. A casa térrea fica numa pequena elevação, à beira de um lago. Ela possui uma área construída de 187,89 m² e tem influência arquitetônica colonial. É composta por dois quartos, sala, banheiro, sala de refeições, cozinha, dispensa e varanda. Em 1973, foi transformada no Museu Casa Natal de Santos-Dumont. Atualmente, nomeada simplesmente de Museu Santos-Dumont, expõe parte do acervo existente, que é composto tanto pela casa quanto

pelos registros históricos referentes a sua vida, além de outros ícones da aviação brasileira. É possível observar objetos pessoais, a mobília original, fotografias históricas e réplicas de invenções. O Parque possui, ainda, a Casa de Máquinas, três Pavilhões, que são destinados a exposições de curta duração, uma sede administrativa, uma área de lazer com quiosques, lanchonete e sanitários, e uma casa para a hospedagem da guarda. O patrimônio é protegido em três esferas. São elas: Tombamento Federal - Processo 421-T-50, de 02/05/1950 - Casa e Sítio Cabangu;

Tombamento Estadual - Decreto nº 19.482, de 24/10/1978 - Parque Cabangu e respectivo acervo; e Tombamento Municipal - Decreto nº 1.435, de 28/12/1998 - Conjunto Arquitetônico – exteriores e fachadas. A responsabilidade da manutenção do museu é dividida entre a Fundação Casa de Cabangu, que toma conta do acervo; a Prefeitura do município, que provê recursos para manutenção dos funcionários; e a FAB, por meio da Escola Preparatória de Cadetes do Ar (EPCAR), que é responsável pela proteção do local. A manutenção de áreas

verdes e edificações é realizada a cada trimestre (ou conforme necessidade) por uma equipe de 10 militares. Já a equipe de serviço da guarda e segurança das instalações é composta por 10 militares e é trocada semanalmente. “A Casa de Cabangu guarda a memória de um dos maiores inventores do país, o Pai da Aviação e Patrono da Aeronáutica, Santos-Dumont, e nós trabalhamos para ajudar a preservar esse patrimônio para que ele esteja sempre aberto à população”, ressaltou o Comandante da EPCAR, Coronel Aviador Mauro Bellintani.


FOTO: SGT JOHNSON BARROS / CECOMSAER

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FOTO: ARQUIVO FAB

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3 1- Na Serra da Mantiqueira, a construção da casa é datada do final do século XIX 2- Acervo da Casa de Santos-Dumont conta com fotos e objetos do aeronauta 3- Projetos do brasileiro foram distribuídos para fabricantes de motores visando à popularização

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145 anos do Patrono da Aeronáutica O filho de Henrique e Francisca Dumont, aos 18 anos, já se mudava para Paris, França, e, antes de completar 25 anos, tinha sua primeira decolagem bem sucedida a bordo de um balão livre. Viveu em um período de grandes revoluções na tecnologia – e, nos ares, foi protagonista. Em 1900, o magnata Henri Deutsch de la Meurthe ofereceu um prêmio àquele que conseguisse conduzir um dirigível do campo de Saint Cloud, contornar a Torre Eiffel e retornar em segurança ao ponto de partida em até meia hora. Santos-Dumont, já reconhecido como aeronauta na capital francesa, aceitou o desafio. Após tentativas frustradas, o brasileiro superou todas as limitações de voo conhecidas até então: em 19 de outubro de 1901, o voo do balão número 6 durou 29 minutos e 30 segundos. Após o sucesso com balões e dirigíveis, Santos-Dumont partiu para outra linha de pesquisa: queria, agora, voar com um veículo mais pesado que o ar. O protótipo era composto por uma fuselagem longa, com a nacele do balão número 14 na parte de trás - um biplano com uma construção parecida com pipas japonesas, portando um motor de oito cilindros e sobre três rodas: o primeiro trem de pouso que se tem notícia. A inovação era pulsante desde os testes. O aviador construiu um sistema de cabos inclinados para testar a dirigibilidade do 14-Bis: um inovador simulador de voo. A primeira tentativa de voo foi em 21 de agosto de 1906, mas o insucesso fez Santos-Dumont buscar um motor melhor, com 40 ou 50 cavalos de potência. Em 13 de setembro,

houve o primeiro voo; contudo, após poucos metros, uma aterrissagem violenta danificou o trem de pouso e a hélice da aeronave. Finalmente, em 23 de outubro, o sonho se concretizou: no Campo de Bagatelle, uma multidão viu o 14-Bis voar por aproximadamente 60 metros e pousar sem dificuldades. Foi a primeira vez que o homem conseguiu decolar e aterrissar por meios próprios em um objeto mais pesado que o ar. A partir daí, o voo só se tornava mais sólido. Menos de um mês depois, o 14-Bis já superava 220 metros de distância e 21,5 segundos de voo a 41 km/h. Desde então, a evolução foi constante. O próprio Santos-Dumont seguiu desenvolvendo projetos de aeronaves, como o número 19, posteriormente chamado de Libellule e, em seguida, Demoiselle: um monoplano de menos de 100 kg idealizado para a popularização do voo, cujo projeto foi cedido para vários fabricantes de motores, permitindo a produção em maior escala. Santos-Dumont realizou seu último voo em 18 de setembro de 1909. Em 1915, com a saúde abalada, retornou ao Brasil e encontrou refúgio em Petrópolis (RJ), onde projetou seu chalé “A Encantada”, com diversas criações próprias, como um chuveiro de água quente, por exemplo. Após isso, passou a se dividir entre Europa, São Paulo (SP), Rio de Janeiro (RJ), Petrópolis e a Fazenda Cabangu. Em junho de 1931, foi eleito membro da Academia Brasileira de Letras. A data de 20 de julho de 2018 marca os 145 anos do nascimento do inspirador e destemido brasileiro, exemplo de coragem e determinação àqueles que almejam tornar sonhos em realidade.


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FOTO: SGT BRUNO BATISTA / CECOMSAER

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ENSINO

FAB abre processo seletivo para graduados neste mês Edital de Exame de Admissão ao Curso de Formação de Sargentos 2/2019 será publicado em julho Ten JOR Raquel Alves Ten JOR Cynthia Fernandes “Quando vi o meu nome publicado na lista de aprovados, não acreditei. Verifiquei várias vezes o número da matrícula para ter certeza. O sentimento é surreal”. Essa é a declaração da aluna da Escola de Especialistas da Aeronáutica (EEAR) Tamires Silva, que ingressou ocupando a quadragésima posição da especialidade de serviços administrativos, no Estágio de Adaptação à Graduação de Sargentos (EAGS). Durante a entrevista, a carioca de 21 anos não escondia a alegria em realizar o sonho de ingressar nas fileiras da FAB. “Quero fazer o meu melhor, exercendo minha especialidade com dedicação e responsabilidade”, diz ela. Esse é apenas um dos milhares de sonhos realizados Brasil afora pelos aprovados nos exames

de admissão da EEAR. Para quem pretende ser um futuro sargento da FAB, a instituição publicará, em julho, o edital para o Exame de Admissão ao Curso de Formação de Sargentos (CFS) 2/2019. O processo seletivo é composto de provas escritas de línguas portuguesa e inglesa, matemática e física, inspeção de saúde, exame de aptidão psicológica, teste de avaliação do condicionamento físico e validação documental. Referência no ensino técnico, a EEAR registrou, em 2018, 45 mil candidatos em busca de uma vaga em seus exames de seleção. A concorrência, dependendo do curso, chegou a 138 candidatos por vaga. Durante o exame de seleção, não há distinção de vagas entre homens e mulheres na maioria das especialidades. Após a formatura na instituição de ensino, o aluno será promovido à graduação

de terceiro-sargento e será classificado em uma das organizações militares do Comando da Aeronáutica, localizadas em todo o território nacional, de acordo com a necessidade da administração. A EEAR é o maior centro de formação técnica militar da América do Sul. Ao longo de 77 anos, já formou mais de 70 mil sargentos para as fileiras da FAB. Ao se apresentarem na Escola para a concentração final, prevista no edital do exame de admissão, os alunos passam pela semana administrativa, quando acontece a verificação documental, recebimento e ajustes de fardamento, corte de cabelo, identificação, palestras sobre doutrina, orientações quanto à rotina do Corpo de Alunos e apresentação das especialidades. A rotina já começa com muito estudo: inicia por volta das 5h da manhã e vai até às 22h.

A aluna Tamires Silva ingressou na EEAR através do Estágio de Adaptação à Graduação de Sargentos (EAGS), com a especialidade em Serviços Administrativos


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A aluna da terceira série, Isabela Cristina Resende, da especialidade de Fotointeligência, relata que a adaptação não é fácil, mas vale a pena passar por tudo e realizar o sonho de ser especialista da FAB. “A Escola é um lugar incrível e aqui nos identificamos em nossas escolhas, nos estudos, na disciplina, em tudo. A possibilidade de adquirir novos conhecimentos é o que tiro de mais importante no tempo que estou aqui”, declara.

FOTO: SGT BRUNO BATISTA / CECOMSAER

FOTO: SGT BRUNO BATISTA / CECOMSAER

FOTO: SGT BRUNO BATISTA / CECOMSAER

E não são apenas os alunos brasileiros que têm a oportunidade de ingresso na Escola. Devido a uma parceria da Força Aérea com outros países, a EEAR recebe alunos estrangeiros. No ano de 2018, oito alunos do exterior foram matriculados e vão se formar no Berço dos Especialistas. É o caso de Ismaila Sow, que veio do Senegal e está na terceira série da especialidade de Estrutura e Pintura. “Voltarei para o meu país com novos conhecimentos. O sonho de estudar na EEAR, escola de disciplina, amor e coragem, se tornou realidade. Só tenho a agradecer a oportunidade”, declara.


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OPERACIONAL

Pontaria afiada Aviação de Caça simula situações de combate na preparação de pilotos e testa poder bélico de aeronaves em exercícios No norte do Brasil, os motores dos aviões A-29 Super Tucano e as explosões dos artefatos lançados quebram o silêncio da selva amazônica. No outro extremo do país, os céus gaúchos são o cenário para que aeronaves F5-M empreguem seus canhões. Exercícios Técnicos (EXTEC) realizados nos últimos dois meses, na Serra do Cachimbo (PA) e na cidade de Canoas (RS), adestraram esquadrões da FAB no emprego de armamento aéreo contra alvos no solo e rebocados, testando a efetividade dos pilotos e dos sistemas bélicos das aeronaves. Confira como foram as atividades. Ten JOR Jonathan Jayme, Ten AV Ives Ranyer

FOTO: SGT BRUNO BATISTA / CECOMSAER

O Campo de Provas Brigadeiro Velloso (CPBV), no Pará, sediou o EXTEC Ar-solo 3° Grupo. Durante 45 dias, cerca de 250 militares e mais de 20 aeronaves A-29 Super Tucano dos esquadrões do 3° Grupo de Aviação treinaram disparos contra alvos no solo. Sediados, respectivamente, em Boa Vista (RR), Porto Velho (RO) e Campo Grande (MS), os Esquadrões Escorpião (1°/3° GAV), Grifo (2°/3° GAV) e Flecha (3°/3° GAV) utilizaram artefatos

bélicos reais e de exercício. Assim, cumpriram missões previstas no Curso de Formação de Líderes de Esquadrilha de Caça (CFLEC) e exercitaram atividade que auxilia no adestramento do pessoal de manutenção quanto à preparação e operação de armamento real. Durante o dia ou à noite, com a utilização de óculos de visão noturna, os pilotos executaram bombardeios de grandes altitudes (acima de 3 mil metros), de média altitude

FOTO: TEN RENATO / ALA 5

Exercício Técnico Ar-Solo 3° Grupo (entre 1,5 mil metros e 3 mil metros) e rasantes (abaixo dos 1,5 mil metros). Para isso, utilizaram bombas de exercício - apenas com sinalização do local do impacto -, e reais. Os participantes ainda lançaram foguetes SBAT-70, executaram tiro terrestre, utilizando metralhadoras municiadas com cartuchos .50 e realizaram missões como Controladores Aéreos Avançados (CAA) em apoio às missões de Apoio Aéreo Aproximado (ApAA).

Exercícios Técnicos Pampa e Jambock No céu do Rio Grande do Sul, durante o mês de maio, aconteceu o treinamento de tiro aéreo dos esquadrões que operam o F-5M na FAB. Em exercício, as aeronaves empregavam seu armamento em um alvo rebocado por outros aviões, adestrando pilotos de caça no emprego do canhão 20mm. Os esquadrões Pacau

(1º/4º GAV), Jambock (1º GAVCA), Jaguar (1º GDA) e Pampa (1º/14º GAV) participaram dos exercícios. Essas unidades trabalharam situações que exigem a utilização do armamento de cano em vez de mísseis, devido à proximidade com o inimigo, treinamento essencial para a formação e manutenção operacional do piloto de caça.

Durante o mesmo período, os F-5M também praticaram o reabastecimento em voo, feito pela aeronave KC-130 Hércules, com o apoio dos pilotos dos esquadrões Coral (1º GTT) e Gordo (1º/1° GT). A prática testou o aumento do raio de ação e da capacidade de permanecer em combate sem a necessidade de pousos intermediários.


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COMUNICAÇÃO

FAB participa da 2ª Edição do Greenk Tech Show Evento, realizado de 25 a 27 de maio, é o maior festival de tecnologia e sustentabilidade do Brasil, e discutiu importância do descarte correto do lixo eletrônico família. “Eu nunca havia entrado no mockup do Gripen. Conhecer assim, de perto, um avião supersônico e poder entrar nele é uma experiência incrível. O evento todo foi muito bacana e é interessante ver de perto o trabalho da FAB. A aquisição dessa aeronave é, sem dúvida, importante para o Brasil”, destacou o publicitário. Além das atrações, a Força Aérea interagiu com o público também nas redes sociais. Integrantes de várias Organizações Militares estiveram engajados no evento, recebendo os visitantes e apresentando as atrações do estande. O Soldado Mateus da Silva Pereira, que atua no Serviço Regional de Proteção ao Voo de São Paulo (SRPV-SP), foi um deles: “É o primeiro evento no qual represento a Força, tendo

esse contato direto com a sociedade. Nesse contexto, fico feliz de ver o grande interesse das pessoas pelo trabalho que realizamos.

Eu mesmo sou muito fã de tudo relacionado ao Gripen e ao tema desse evento, que reúne famílias apaixonadas por tecnologia”, destacou.

Redes Sociais da FAB no evento 45 postagens, entre tweets, stories e postagens no Facebook e no Instagram 5.125 novos seguidores no Twitter 33.004 reações nas redes sociais 808.000 visualizações no Insta Stories 1.479.345 visualizações somando as três redes sociais

FOTO: SGT JOHNSON BARROS / CECOMSAER

Entrar no cockpit do Gripen-NG, conhecer suas principais funcionalidades de perto e até participar de um voo em formatura utilizando óculos de realidade virtual. Essa foi a experiência de quem visitou o estande da Força Aérea Brasileira durante o 2º Greenk Tech Show, evento realizado no Pavilhão Oeste do Anhembi, em São Paulo (SP), no fim do mês de maio. Mais de 1,5 mil pessoas compareceram ao local e puderam, ainda, conversar com militares sobre a carreira e também a respeito das ações de Controlar, Defender e Integrar os 22 milhões de quilômetros quadrados sob responsabilidade da FAB. “A participação da Força Aérea Brasileira no 2º Greenk Tech Show superou

todas as nossas expectativas. Nós tínhamos esse sonho de trazer a FAB e a réplica do Gripen-NG para o nosso evento e, felizmente, conseguimos. Por meio das redes sociais e também pela reação das pessoas, foi possível ver a felicidade delas ao participar das experiências oferecidas pela instituição no estande”, afirmou a Gerente de Comunicação e Produção do Greenk, Christiane Ruegg. O evento conscientizou e mobilizou as pessoas sobre a importância do descarte correto do lixo eletrônico, arrecadando quase 80 toneladas, bem como apresentou um mix da cultura digital com conteúdos sobre inovação, ciência, tecnologia e entretenimento digital. Felipe Madruga Santos compareceu ao evento no sábado (26/5) e levou sua

FOTOS: SDRP / CECOMSAER

Ten REP Saulo Vargas

Projeto FX-2 O projeto consiste na aquisição de 36 novas aeronaves de caça Gripen-NG de múltiplo emprego. O caça sueco é um modelo supersônico projetado para missões ar-ar, ar-mar e ar-solo. O primeiro lote de aeronaves de série será entregue à FAB a partir de 2021. A Diretriz de Implantação prevê que a Ala 2, em Anápolis (GO), sediará os 36 vetores, e estes poderão operar a partir de pistas de pouso espalhadas em todo o país. Com 14,1 metros de comprimento e 8,6 metros de largura, o Gripen-NG atinge mais de duas vezes a velocidade do som.


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FOTO: SD WILHAN CAMPOS / CECOMSAER

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SOLIDARIEDADE

Doando esperança Campanha “Você era a gota que faltava. Doe sangue. Doe vida!” realizada pelo COMGEP supera expectativas Julho costuma ser uma época em que os hemocentros de todo o país enfrentam baixas nos estoques de sangue, especialmente por ser um período de frio em algumas regiões e que também coincide com as férias escolares. Mas a realidade é que os bancos de sangue sofrem com a ausência de doadores em várias ocasiões no ano todo. A partir dessa constatação, o Comando-Geral do Pessoal (COMGEP) deu início a uma campanha que tem sido realizada desde agosto do ano passado, incentivando a solidariedade dentro do efetivo. “A campanha surgiu no momento em que, constantemente, recebíamos pedidos, não só no COMGEP, mas em várias das nossas organizações para que militares compare-

cessem aos hospitais com a finalidade de atender a essa necessidade de doação de sangue”, explica o Comandante do COMGEP, Tenente-Brigadeiro do Ar Antonio Carlos Moretti Bermudez. Intitulada “Você era a gota que faltava. Doe sangue. Doe vida!”, a campanha tem um aspecto educativo, com o objetivo de conscientizar o efetivo da FAB e mobilizar os militares a aderirem às ações voluntárias. Essa conscientização garante a regularidade das doações, possibilitando manter os estoques de bolsas de sangue e garantindo a continuidade do abastecimento em todos os centros de saúde e hospitais. Desde o início da campanha, o COMGEP solicita a participação de todas as unidades militares sediadas em Brasília (DF). Com a parceria da Fundação Hemocentro de Brasília, que disponibi-

liza o apoio de transporte, mensalmente, cerca de 30 voluntários comparecem à instituição, onde é realizada a avaliação clínica com profissionais capacitados, que, baseando-se no perfil mínimo para a doação, definem se o militar está apto. De acordo com o Comandante-Geral do Pessoal, a campanha ultrapassou as expectativas iniciais. Entre agosto e dezembro de 2017, 160 voluntários aderiram à ação. Já de fevereiro a maio de 2018, foram 115 doadores. “Uma das grandes diferenças entre 2017 e este ano é que houve a conscientização e um maior comprometimento dos nossos militares. No início, o COMGEP necessitava motivar e buscar voluntários. Hoje, eles já nos procuram agendando a melhor data para a ida ao Hemocentro”,

afirma o oficial-general. Atualmente, a campanha está sendo realizada na Ala 7, localizada em Boa Vista (RR), e também há um intenso trabalho na divulgação para as unidades da FAB em todo o país. “A campanha veio para ficar, sendo muito importante a sua continuidade para que,

a cada ano, mais organizações militares participem desse movimento de solidariedade e exercício de cidadania. Afinal, doar sangue é compartilhar a vida, é um ato de nobreza, que representa uma grande prova de respeito e amor ao próximo”, ressalta o Tenente-Brigadeiro Bermudez. FOTO: CB V. SANTOS / CECOMSAER

Ten JOR Aline Fuzisaki

Campanha já contabiliza mais de uma centena de militares voluntários que doaram sangue apenas em 2018


Julho - 2018

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FOTO: SD MESSIAS / AFA

CARREIRA

AFA reformula curso para instrutores de voo Ten REP Vanessa Ortolan Asp JOR Carlos Balbino Após concluir a especialização em Natal (RN) e morar dois anos em Porto Velho (RO), o Tenente Aviador Gabriel Tavares Todesco retornou à Academia da Força Aérea (AFA) para realizar o sonho de ser instrutor. “Quando chegamos aqui, nós recebemos o aviso de que o curso seria em moldes diferentes, que seria mais abrangente e mais completo”, conta o novo instrutor. O formato das aulas do curso de formação de instrutores de voo foi atualizado em 2018 com o intuito de aperfeiçoar o processo de ensino-aprendizagem e a avaliação. O Tenente Todesco lembra que as missões foram voltadas para a técnica de instrução. “Nós tivemos uma primeira fase ampla sobre a pilotagem da aeronave e, a partir desse reaprendizado de voar a aeronave, começamos a segunda fase do curso: missões com outros instrutores simulando o aluno e nós avaliando os erros. O aumento das horas de voo e de missões fez a gente

estar mais adaptado e mais confiante na aeronave para, no futuro, ensinar o cadete”, completa o aviador. As mudanças adotadas foram propostas pela Divisão de Operações Aéreas após um levantamento ter identificado a necessidade de mudanças relacionadas à segurança de voo e à qualidade da instrução aérea. “Um dos principais resultados apontados foi o de que, para aprimorar a formação do cadete e do aspirante a oficial aviador, seria primordial capacitar o instrutor de voo”, conta o Tenente-Coronel Aviador Yuri Brauner, chefe da Subdivisão de Instrução de Voo. O curso, antes realizado em três semanas - incluindo aproximadamente 33 horas de instrução aérea -, passou a ter duas semanas de instrução teórica (incluindo didática e direito aeronáutico) e mais 47 horas cumpridas em três meses de instruções aéreas. Além de ampliar a parte prática, o grau de exigência na avaliação aumentou. “Anteriormente, o piloto passava por 24 missões duplo comando e duas missões solo, focadas, principalmente, na

FOTO: SD MESSIAS / AFA

Atualização da metodologia de ensino reformula processo de formação de instrutores

readaptação da aeronave. Agora, são 38 missões, sendo três delas missões solo”, explica o Chefe da Seção de Formação de Instrutor, Major Aviador Ricardo Juppe Viana. “Colocamos pontos de controle no curso com as missões de cheque, nas quais um instrutor habilitado como checador verifica o desempenho do outro que está em formação, se atingiu ou não a proficiência na fase observada. Repetir a missão não é demérito, mas algo que visa

ao aprimoramento”, conclui. Os 29 militares da turma deste ano foram designados para o 2º Esquadrão de Instrução Aérea para operar a aeronave T-25 Universal. A ideia foi centralizar os oficiais para que todos participassem do curso nesse novo formato. “Agora, já tendo o contato com o cadete aviador, posso dizer que tudo é muito dinâmico, e às vezes aqueles 10 segundos que você passa de orientação podem modificar totalmente um voo, tanto

para o sucesso quanto para o insucesso”, avalia o novo instrutor, Tenente Todesco. O grupo que vai auxiliar a formação dos futuros oficiais aviadores recebeu o distintivo de instrutor no fim de maio, em cerimônia no Corpo de Cadetes. O “Ninho das Águias”, como a AFA tornou-se conhecida, completou, nos primeiros meses de 2018, 6.981 horas de voo. No total, já são relevantes 1.672.755 horas voadas na história da instrução aérea.


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Julho - 2018

PENSANDO EM INTELIGÊNCIA

Perdeu o celular? E agora? Saiba o que você pode fazer para evitar o acesso a dados pessoais ou funcionais por terceiros. Quem já passou pela situação de perda, roubo ou furto de seu aparelho celular sabe bem como são os sentimentos de momento: um misto de tristeza e preocupação. Tristeza por perder um item essencial de investimento financeiro considerável e preocupação com o eventual acesso a conteúdos privados que não devem ser acessados por terceiros, sobretudo mal intencionados. Quando há extravio consumado e insucesso ao se tentar ligar para o aparelho, é necessário efetuar algumas ações para se tentar

recuperar a posse do celular e impedir o acesso ao seu conteúdo. São algumas destas ações recomendadas: 1) Rastrear o celular. Se o aparelho estiver com conexão via internet ativada e atrelado a uma conta (Gmail para dispositivos Android e iCloud para aparelhos iOS, por exemplo), é possível localizá-lo remotamente a partir do painel de gerenciamento de dispositivos da referida conta, além de efetuar o seu bloqueio e exclusão das informações do celular extraviado. No entanto, é bom estar atento que, ao

perceber o furto ou roubo de seu celular, não se deve tentar recuperá-lo por conta própria. Faça um boletim de ocorrência e deixe que a polícia cuide do caso para você. Fazer as coisas sozinho pode levá-lo a situações arriscadas e até mesmo custar sua vida. 2) Efetuar logout das contas de serviços, aplicativos e redes sociais ativados a partir do aparelho perdido. Uma das funções mais interessantes presentes em aplicativos de e-mails e redes sociais é a possibilidade de encerrar uma sessão ativa de maneira remota. Isto é, se você acessa Gmail ou Facebook, por exemplo, pode “deslogar” de todos os outros aparelhos em que estava conectado. Assim, você garante que quem encontrou o seu

celular não terá como acessar a sua conta de e-mail ou das redes sociais, algo essencial para manter sua privacidade e sua segurança. 3) Comunicar a operadora. Contate sua operadora. Algumas operadoras de celular oferecem serviços de localização via GPS para os clientes. Mesmo que eles não disponibilizem o serviço, você poderá ao menos bloquear temporariamente ou cancelar em definitivo a linha/chip. 4) Bloquear o aparelho celular via IMEI (International Mobile Equipment Identity). Antes de tudo, é preciso ter em mente que bloquear por IMEI um celular irá cortar todas as comunicações entre o seu aparelho e a sua operadora. Esse bloqueio é realizado por intermédio da operadora.

Faça isso apenas como última opção caso o aparelho contenha informações importantes. Ciente disso, há duas maneiras básicas para identificar o IMEI de seu celular, antes e após a perda do aparelho: Antes: Pressione os seguintes botões do teclado *#06#. Mantenha a informação de resposta em um lugar seguro para o dia em que precisar. Após: Localize a embalagem original (caixa) do seu aparelho e procure pela etiqueta com o código de barras presa à caixa; procure pelo número IMEI, que deve estar claramente indicado e é geralmente listado juntamente com o código de barras e o número serial, na referida etiqueta. Centro de Inteligência da Aeronáutica - CIAER

PENSANDO EM SEGURANÇA DE VOO

Comando da Aeronáutica reedita o Plano Básico de Gerenciamento do Risco de Fauna No dia 23 de maio, o Comandante da Aeronáutica, Tenente-Brigadeiro do Ar Nivaldo Luiz Rossato, assinou a reedição da legislação que trata do Plano Básico de Gerenciamento de Risco de Fauna (PCA 3-3). O documento tem entre suas finalidades estabelecer protocolos, parâmetros e atribuições referentes à emissão do parecer técnico do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CENIPA) para empreendimento ou atividade, a ser instalada ou em

operação, na Área de Segurança Aeroportuária (ASA) dos aeródromos brasileiros. Dentre as mudanças nesta reedição está o meio de solicitação de pareceres técnicos ao CENIPA. A partir de agora, o interessado (responsável por empreendimentos/atividades com potencial atrativo de fauna) deverá iniciar o processo somente através do Portal AGA, disponível em http://servicos2.decea.gov.br/ aga/?i=sysaga. Nesse portal, o interessado terá todas as informações necessárias para tramitar o pedido. Informa-

ções sobre a documentação necessária para emissão do parecer estão na nova versão do PCA 3-3, disponível em http://www2.fab.mil.br/cenipa/index.php/prevencao/ risco-de-fauna/pbgrf. Essa nova forma de requerer parecer técnico do CENIPA deixará o processo mais ágil e menos burocrático. Outra mudança importante contida nessa reedição é a redefinição de empreendimento novo e do empreendimento existente. Para alterar essa definição, o CENIPA convidou diversos representantes da

sociedade, dentre eles órgãos ambientais, associações representantes de empreendimentos com potencial atrativo de fauna e o Ministério Público para discutir o tema. Com base nessa discussão, ficou definido que todo empreendimento possuidor de licença ambiental, mesmo a Licença Prévia, será considerado como empreendimento existente. Empreendimentos que não possuem nenhum tipo de licença, mesmo operando em áreas adjacentes, serão considerados empreendimentos novos.

Para mais informações, o interessado pode entrar em contato com a Assessoria de Gerenciamento de Risco de Fauna do CENIPA, por meio do e-mail: riscodefauna.cenipa@ fab.mil.br. Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos - CENIPA


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ENTRETENIMENTO

CAÇA-PALAVRAS O primeiro acordo de cooperação entre o Ministério da SAÚDE e companhias aéreas para TRANSPORTE de órgãos aconteceu em 2001, e a FAB participa desde então. Em agosto de 2016, foi assinado um TERMO de Execução DESCENTRALIZADA (TED) entre o Ministério e a FAB, por intermédio do Ministério da DEFESA. A parceria tem sido útil, preferencialmente para transporte de órgãos em que a ISQUEMIA é menor, ou seja, quando há pouco tempo entre a retirada do DOADOR e TRANSPLANTE no RECEPTOR. É o caso do coração e do pulmão, que ‘sobrevivem’ por apenas 4 e 6 horas, respectivamente. Outro benefício da parceria é o fato de as aeronaves da FAB possuírem condições para pousar em pistas e aeroportos menores, o que possibilita maior MOBILIDADE fora das capitais.

RESPOSTAS DO MÊS ANTERIOR


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Notaer julho 2018  

ESPECIALISTAS Jornal traz histórias de quem busca se tornar graduado da FAB

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