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Janeiro - 2019 FOTO: SGT MARCELLA PEREZ / ALA10

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CARTA AO LEITOR

Expediente O j o r n a l N O TA E R é u m a publicação mensal do Centro de Comunicação Social da Aeronáutica (CECOMSAER), voltado ao público interno. Chefe do CECOMSAER: Brigadeiro do Ar Antonio Ramirez Lorenzo. Vice-Chefe do CECOMSAER: Coronel Aviador Flávio Eduardo Mendonça Tarraf. Chefe da Divisão de Comunicação Integrada: Coronel Aviador Paulo César Andari.

Que venha 2019! Um novo ano se inicia trazendo oportunidades para seguirmos superando obstáculos e alcançando objetivos. É com esse pensamento em mente que o Centro de Comunicação Social da Aeronáutica (CECOMSAER) lança a edição de janeiro do NOTAER. E já no início deste ano apresentamos, via plataforma Spotify, um novo produto: o FABCAST. Criado pela equipe da Rádio Força Aérea, o FABCAST apresenta, em formato de podcast, diversos conteúdos como programas, entrevistas, maté-

rias, curiosidades e especiais sobre datas comemorativas. Tudo isso já pode ser acessado a qualquer hora através do Spotify, digitando na busca a palavra FABCAST. Confira! Também nesta edição do NOTAER, destaque para matéria sobre um dos momentos mais marcantes na carreira de todos nós, militares: a formatura de alunos e cadetes. A despedida deles da rotina escolar marca o início de um novo período com ainda mais desafios. Parabéns, nossa instituição

conta com a competência de cada um de vocês para que a Força Aérea Brasileira siga alçando voos cada vez mais altos! E este mês também marca o dia do nascimento da FAB, que surgiu com a denominação inicial de Forças Aéreas Nacionais, juntamente com a Criação do Ministério da Aeronáutica, em 20 de janeiro de 1941. Já são 78 anos de dedicação total aos brasileiros que nela depositam sua confiança diariamente. Acumulando experiências e conquistas, a

FAB segue crescendo dia a dia, sempre de olho no futuro, como pode ser confirmado em nossa reportagem dedicada às inovações e aos investimentos na área espacial. A você, nosso fiel leitor, desejamos que 2019 seja repleto de novas vitórias: prepare a missão, faça seu plano de voo e decole para cumpri-la com muito sucesso! Boa leitura! Brigadeiro do Ar Antonio Ramirez Lorenzo Chefe do CECOMSAER

Chefe da Subdivisão de Produção e Divulgação: Major Aviador Mário César Ferreira Alle. Editores: Tenentes Jornalistas Felipe Bueno (MTB 0005913/PE) e Cristiane dos Santos (MTB 35288/SP). Colaboradores: Textos enviados ao CECOMSAER via SISCOMSAE. Diagramação e Arte: Tenente Chaves, Suboficial Ramos e Sargento Polyana. Capa: Foto: Sargento Bruno Batista / CECOMSAER Estão autorizadas transcrições integrais ou parciais das matérias, desde que mencionada a fonte. Endereço: Esplanada dos Ministérios - Bloco “M” 7º andar - CEP: 70045-900 Brasília/DF

Impressão e Acabamento: Viva Bureau e Editora


FOTO: CB ANDRÉ FEITOSA / CECOMSAER

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PALAVRAS DO COMANDANTE

Início de um novo ciclo! Ao ser designado para tão honroso cargo, senti-me contagiado por muitas emoções e sentimentos para os quais não existem palavras que possam descrevê-los com a devida precisão. Quando olho para o primoroso legado deixado pelos que me antecederam como Comandante da Aeronáutica, sinto-me desafiado, todavia, tranquilo, pois sei que na minha ala tenho homens e mulheres que, atuando nos mais diversos setores, voando e fazendo voar, contribuem para que esta grande aeronave se mantenha em voo ascendente. Tenho consciência da responsabilidade de conduzir e de aprimorar os processos de mudanças e as soluções implementadas nos últimos anos em prol do estabelecimento de um padrão de administração eficiente, racional e flexível. O mundo moderno nos traz inúmeros desafios. Por isso, enfatizo que um dos pontos focais da nossa administração será a continuidade do processo de aprimoramento operacional e gerencial a fim de garantir os meios necessários a uma Força Aérea capaz de manter a soberania do espaço aéreo e integrar o território nacional, com vistas à defesa da Pátria, em uma área de 22 milhões de km2, com as ações de Controlar, Defender e Integrar. Prezados comandados, vivemos um momento de esperança, de alegria e de grandes

expectativas de um crescimento profícuo. Nós somos daqueles que acreditam no futuro desta nação. Por isso, continuaremos a investir na incorporação de novas tecnologias e na capacitação dos nossos militares para que estejam aptos a operarem os modernos equipamentos embarcados no KC-390 e no F-39 Gripen, plataformas que proporcionarão uma perfeita integração entre vários sistemas. Além disso, com a entrada em operação do Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações (SGDC) e a ampliação, no setor aeroespacial, do Programa Estratégico de Sistemas Espaciais (PESE), somos agora uma Força Aeroespacial, com abrangência de atuação muito além dos ares. Esse foi o caminho que escolhemos; essa foi a nossa decisão. Valores como disciplina, hierarquia, patriotismo, integridade e comprometimento sustentarão acesa a chama daqueles que optaram pelo ofício das Armas e que dedicam os melhores esforços e capacidades para tornar a nossa Força Aérea um vetor de pronta-resposta aos clamores do Brasil. Parabéns a todos nós. Sejamos todos felizes. Tenente-Brigadeiro do Ar Antonio Carlos Moretti Bermudez Comandante da Força Aérea Brasileira


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DESPEDIDA

Final de uma jornada Foram quatro anos. Posso dizer que foi o período em que utilizei toda a experiência adquirida durante a carreira. Neste mês de janeiro, encerro meu ciclo como Comandante da Força Aérea Brasileira com um sentimento de missão cumprida. Juntamente com o Alto-Comando, busquei as melhores soluções para os desafios com os quais nos deparamos para deixar um legado positivo para a instituição, buscando preparar a Força para os seus 100 anos, em 2041, com um grande poder de dissuasão, um formato eficiente e integrado com as novas tecnologias. De 2015 até aqui, colocamos em prática a Reestruturação - projeto de muito estudo para a evolução da FAB. Com isso, aumentamos a eficiência concentrando o efetivo qualificado, fortalecendo a cultura organizacional, aumentando a padronização de procedimentos, economia nas aquisições e contratações de serviços, além do pleno atendimento das expectativas das organizações apoiadas, além da desoneração para que focassem em sua atividade principal. Os objetivos estão sendo gradativamente alcançados e já estamos prontos para a próxima revolução tecnológica na FAB. A partir deste ano, o KC-390 será o protagonista em nossa Aviação de Transporte. A frota de novas aeronaves terá um papel fundamental para os mais diversos projetos do Estado brasileiro: pesquisa científica, manutenção da soberania, integração do território nacional e muitos outros. Essa aquisição, aliada à chegada do Gripen NG nos próximos anos, aprimora nossa capacidade operacional. O avanço tecnológico também pode ser visto em larga escala no uso de Sistemas e Tecnologia da Informação: uma estrutura mais leve, focada na atividade-fim, mais profissionalizada nas áreas específicas, sejam administrativas ou operacionais. Nosso militar, claro, também precisa acompanhar essas evoluções. Para tanto, nossos programas de formação e pós-graduação estão se adequando às novas necessidades. O Programa de Capacitação e Valorização do Corpo de Graduados da Aeronáutica já se encontra em execução, incentivando e desenvolvendo nossos graduados que, em breve, trarão benefícios para a instituição. A qualidade de nossos militares

precisa fazer a diferença. Outra área impulsionada nestes quatro anos foi a atividade espacial. O uso de satélites óticos, radar de comunicações e de geoposicionamento nos permite um aumento significativo da consciência situacional. Isso se traduz em controle ambiental, planejamento da malha rodoviária, planejamento urbano das grandes cidades e uso intensivo na agricultura, entre outras áreas de aplicação. Em 2017, o primeiro satélite exclusivamente brasileiro entrou em órbita - o Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC) está sobre o Brasil a 36.000 km de distância, ampliando a capacidade de comunicações militares e integrando regiões remotas, desassistidas pelas empresas de serviço de comunicação. Não podemos jamais esquecer a razão desta constante busca por uma estrutura organizacional moderna e eficiente, equipamentos e sistemas de armas com alta tecnologia. Nosso país é riquíssimo, com áreas de baixa densidade populacional, grandes florestas e uma bacia hidrográfica invejável. O poder aéreo é o principal meio de dissuasão, garantidor de nosso patrimônio, guardião de nossa soberania. Devemos estar sempre preparados, capazes de controlar, defender e integrar plenamente o Brasil. Ajudar a nossa população através de atividades aéreas também foi pauta de 2015 a 2018. Após o Decreto Presidencial e a assinatura de um acordo com o Ministério da Saúde em 2016, nossa atuação no transporte de órgãos pôde ser ampliada. Desde lá, os aviões da FAB transportaram mais de 650 órgãos em missões que chegaram a cerca de 2.500 horas de voo até agora. Não há preço para isso: homens e mulheres da FAB, nós salvamos vidas. Agora, a minha expectativa é que a Força Aérea siga evoluindo. Aqui, termino o meu agradecimento pelo tempo em que estive à frente de um efetivo tão competente e comprometido com a missão constitucional: Manter a soberania do espaço aéreo e integrar o território nacional, com vistas à defesa da pátria. Obrigado, Força Aérea! Obrigado, efetivo! Boa sorte a todos! Tenente-Brigadeiro do Ar Nivaldo Luiz Rossato


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FOTO: SGT JOHNSON BARROS / CECOMSAER

“O poder aéreo é o principal meio de dissuasão, garantidor de nosso patrimônio, guardião de nossa soberania.”


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INFRAESTRUTURA

DIRINFRA é órgão gestor de apoio logístico da FAB Ten ENG Nicoli e Ten REP Anelise Com um efetivo de cerca de 900 integrantes, entre civis e militares, a Diretoria de Infraestrutura da Aeronáutica (DIRINFRA) tem atuado, principalmente, na elaboração de projetos de engenharia e de fiscalização das obras vinculadas à Reestruturação da FAB, especialmente aquelas que visam à adequação das instalações existentes para a futura operação das aeronaves KC-390 e F-39 Gripen. “Para o recebimento dessas aeronaves, estamos executando projetos e obras de adequação da nossa infraestrutura. Essas aeronaves ficarão sediadas na ALA 2, em Anápolis (GO), que está passando por adaptações. Entre as principais obras estão a duplicação do pátio de estacionamento, a construção

da sede administrativa dos esquadrões aéreos, a reforma do hangar 1 do Grupo Logístico, reforma dos prédios do 1º GDA e do 2º/6º GAV, adequação das instalações do Pelotão Contraincêndio e aquisição ou construção de mais 14 hangaretes para a linha de voo”, exemplifica o Diretor da DIRINFRA, Major-Brigadeiro do Ar Sérgio de Matos Mello.

Plano de infraestrutura prevê obras como recuperação de pistas, pátios e sinalização horizontal

Projetos e Fiscalização Atualmente, a DIRINFRA gerencia um Plano de Projetos de Engenharia e Obras priorizadas pelo Estado-Maior da Aeronáutica (EMAER), denominado Plano de Infraestrutura (PlanINFRA). Para o ano de 2019, serão 121 obras, como recuperação dos pavimentos das pistas de pouso e decolagem, pistas de táxi e pátios, além da sinalização horizontal e luminosa da pista

da Ala 12, no Rio de Janeiro (RJ), obra primordial para permitir a adequada operação de aeronaves P-3AM Orion. “A DIRINFRA está sempre buscando aprimoramento e desencadeando uma série de ações que permitirão vencer os desafios do amanhã, contribuindo para o desenvolvimento do Poder Aéreo e Espacial Brasileiro, sempre com o foco na missão-síntese da FAB”, afirma o Major-Brigadeiro Sérgio.

Início Desde a criação da Diretoria de Obras, em 26 de maio de 1942, órgão central de engenharia na FAB, o setor tem impulsionado o crescimento da FAB. Ao longo de sua história, a DIRINFRA contribuiu com inúmeras obras relevantes como a construção da maioria dos aeroportos domésticos de maior demanda, além da participação em projetos de grande vulto,

como a primeira expedição brasileira à Antártida e a construção do Centro de Lançamento de Alcântara. A criação da rede de Próprios Nacionais Residenciais (PNR) em todo o país, a adoção do sistema de microfilmagem e a inserção de programas na área de informática para estudo e desenvolvimento das práticas tecnológicas também fazem parte do seu currículo.

Ten REP Larissa

ticas de administração e gestão, voltados à liderança, estratégia, processos e resultados. A jornada de preparação para o PPQG, que teve início no ano de 2018, envolveu, direta e indiretamente, mais de 40 profissionais da Organização Militar (OM) que, por meio de diagnósticos e pesquisas, trabalharam na identificação das oportunidades de melhoria e sistematização dos processos gerenciais, assegurando a qualidade, competitividade e sustentabilidade, além de acelerar o alcance de resultados e a identificação de riscos. Para o presidente da CO-DCTA, Coronel Aviador

Steven Meier, o prêmio evidencia o reconhecimento do trabalho que a OM desenvolve desde sua criação. “Este é o reflexo da busca incessante da CO-DCTA em tornar-se a referência na área de fiscalização de obras públicas”, ressalta. Sobre a CO-DCTA - Criada em 2012, a Comissão de Obras tem por finalidade planejar, coordenar, controlar e executar as atividades relacionadas ao início, fiscalização e recebimentos das obras de construção das novas instalações e de reforma das instalações existentes do campus do DCTA, vinculadas à expansão do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA).

RECONHECIMENTO

FOTO: DCTA

Comissão de Obras do DCTA recebe o Prêmio Paulista de Qualidade da Gestão

Equipe da CO-DCTA com o troféu do Prêmio Paulista de Qualidade da Gestão

A Comissão de Obras do Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (CO-DCTA), localizado em São José dos Campos – SP, recebeu, no dia 22 de novembro, o Prêmio Paulista de Qualidade da Gestão (PPQG), outorgado pelo Instituto Paulista de Excelência da Gestão (IPEG). A organização obteve o melhor desempenho na categoria “Compromisso com a Excelência - 250 pontos”, o que marca seu reconhecimento como uma das organizações que atuam no Estado de São Paulo e apresentam os melhores sistemas e prá-


Campo dos Afonsos (RJ): Investimentos do recém-criado M i n i s té r i o d e s e n v o l v e r a m rapidamente a Escola de Aeronáutica, saltando de 3,6 mil horas de voo em 1940 para 25,9 mil em 1943.

HISTÓRIA

Força Aérea Brasileira completa 78 anos

Ten JOR Jonathan Jayme

FOTO: ACERVO CECOMSAER

Joaquim Salgado Filho, Primeiro Ministro da Aeronáutica

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O bom combate encarado por brasileiros e suas máquinas voadoras na Segunda Guerra Mundial; o desenvolvimento de tecnologias que resultaram no lançamento de satélites; a aquisição de novos caças e a modernização de tantas outras aeronaves que elevaram nosso Poder Aéreo. Estes e outros feitos foram alcançados na história da aviação do Brasil, impulsionados pela criação do Ministério da Aeronáutica, em janeiro de 1941. Há 78 anos, o presidente Getúlio Vargas decidiu pela unificação das aviações naval e militar e da infraestrutura aeronáutica existente até então. O documento que criava a nova pasta também incorporou o Departamento de Aeronáutica Civil (DAC) e o Ministério da Viação e Obras Públicas. Estava estabelecido então, pelo

Decreto-Lei 2.961, o Ministério da Aeronáutica e seu braço militar, as Forças Aéreas Nacionais, que passaram a se chamar Força Aérea Brasileira naquele mesmo ano, pelo Decreto-Lei 3.302, de 22 de maio. O primeiro Ministro da Aeronáutica foi Joaquim Salgado Filho. Seu desafio seria desenvolver a aviação civil, a infraestrutura, a indústria nacional do setor, as escolas de formação e o braço-armado da Aeronáutica, a Força Aérea Brasileira. Começava ali a edificação do poder aéreo brasileiro e todas as transformações que a aviação proporcionou à Nação. No decorrer dos anos seguintes, a Aeronáutica ampliou sua atuação em áreas como a defesa da soberania do espaço aéreo brasileiro, o controle de tráfego aéreo, o fomento à indústria nacional, as missões de busca e salvamento, o projeto espacial, a ciência e tecnologia,

a investigação e prevenção de acidentes aeronáuticos, e a integração nacional, por meio da construção de pistas de pouso e decolagem e dos voos de aeronaves de transporte. O Correio Aéreo Militar, antes realizado pelo Exército (no interior) e pela Marinha (no litoral), foi transformado no Correio Aéreo Nacional. O Ministério proporcionou, ainda, acordos internacionais na área de transporte aéreo entre o Brasil e diversos países, como França, Estados Unidos, Suécia, Dinamarca, Noruega, Países Baixos, Portugal, Suíça e Grã-Bretanha. Em 1999, o Ministério da Aeronáutica foi transformado em Comando da Aeronáutica. Confira mais na página especial da FAB:

www.fab.mil.br/ministerio

FOTO: ACERVO CECOMSAER

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NOVO COMANDANTE

Tenente-Brigadeiro Bermudez assume Comando da FAB Solenidade de passagem de comando aconteceu no dia 4 de janeiro na Capital Federal Ten JOR Gabrielli Dala Vechia Na presença do novo Presidente da República, Jair Bolsonaro, e do novo Ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, o Tenente-Brigadeiro do Ar Antonio Carlos Moretti Bermudez assumiu o cargo de Comandante da Força Aérea Brasileira. A solenidade de passagem de comando aconteceu no dia 4 de Janeiro, na Ala 1, em Brasília (DF), e também marcou a despedida do Tenente-Brigadeiro do Ar

Nivaldo Luiz Rossato – que esteve à frente da Instituição nos últimos quatro anos. O discurso de despedida do Tenente-Brigadeiro Rossato foi marcado por agradecimentos aos familiares, às demais autoridades que cooperaram com seu comando e ao efetivo. Também destacou aquele que foi seu principal objetivo: o processo de Reestruturação administrativa e operacional da Força. Segundo ele, nos últimos quatro anos, foram tomadas medidas necessárias à pavi-

mentação de um poder aéreo condizente com a estrutura geopolítica brasileira. O Tenente-Brigadeiro Rossato também falou sobre o futuro e a importância do trabalho das Forças Armadas que, atuando de forma cooperativa, têm essencial capacidade dissuasória para frustrar possíveis investidas contra a soberania do país. “As ameaças existem. Estão mimetizadas à nossa volta e até entre nós, prontas para mostrarem sua força, aproveitando nossas vulnera-

bilidades. A paz com nossos vizinhos não permite à Nação o direito de menosprezar suas Forças Armadas”, disse o ex-Comandante. O novo Comandante, que foi indicado para o cargo em 21 de novembro de 2018, quando estava à frente do Comando-Geral do Pessoal (COMGEP), soma mais de 43 anos dedicados à Força. Segundo ele, seu comando deverá priorizar a continuidade da Concepção Estratégica Força Aérea 100, estabelecida pelo seu anteces-

sor. Segundo o Tenente-Brigadeiro Bermudez, a Força Aérea transformou-se nos últimos anos, incorporando tecnologias que modificaram os modos de entender e aplicar o poder aeroespacial. Por isso, atualizações doutrinárias se tornam necessárias. “Não tenho dúvida de que o bem mais precioso que temos em uma instituição são as pessoas. E, para isso, todo nosso trabalho e esforço será voltado para que tenhamos os melhores profissionais combatentes”, disse.


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Defesa e Aeronáutico junto à Embaixada do Brasil na França e na Bélgica, Chefe do Centro de Comunicação Social da Aeronáutica (CECOMSAER), Comandante da Terceira Força Aérea (III FAE) – responsável pelo gerenciamento das unidades de caça e reconhecimento da FAB, Comandante do Sexto Comando Aéreo Regional (COMAR VI), Chefe do Estado-Maior do Comando-Geral de Operações Aéreas, Chefe da Logística do Estado-Maior Conjunto das

Forças Armadas do Ministério da Defesa e Diretor-Geral do Departamento de Ensino da Aeronáutica (DEPENS). Ao ser designado para o cargo de Comandante da Aeronáutica, estava à frente do Comando-Geral do Pessoal (COMGEP). O Oficial-General é oriundo da Aviação de Caça e possui 4.000 horas de voo nas seguintes aeronaves: TZ-13, T-23, T-25, T-37C, AT-26, C-95, H-13, UH-50, U-42, U-7A, F-103, VU-93, A-1, R-99, E-99, R-35 e A-29.

FOTO: SGT BRUNO BATISTA / CECOMSAER

A solenidade miilitar reuniu centenas de autoridades e convidados. A tropa foi composta por cerca de 250 militares de unidades da Guarnição de Aeronáutica de Brasília

em novembro de 2014. Ao longo dos 43 anos de carreira dedicados à vida militar, assumiu o comando, a chefia e a direção de diferentes organizações da FAB, dentre elas o Esquadrão Adelphi (1º/16º Grupo de Aviação) unidade que tem a sua história recente ligada ao projeto A-1, no qual o Brasil desenvolveu uma aeronave de caça em parceria com a Itália. Também foi Comandante da Base Aérea de Brasília (BABR), Adido de

FOTO: SGT BIANCA VIOL / CECOMSAER

FOTO: CB ANDRÉ FEITOSA / CECOMSAER

Currículo do novo Comandante

Natural de Santo Ângelo (RS), o Tenente-Brigadeiro Bermudez, 62 anos, ingressou na Força Aérea Brasileira em fevereiro de 1975 e foi promovido ao posto de Tenente-Brigadeiro FOTO: SGT BRUNO BATISTA / CECOMSAER

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OPERACIONAL

Quem fez a CRUZEX 2018

FOTO: SGT BIANCA VIOL / CECOMSAER

Os verdadeiros protagonistas do Exercício Cruzeiro do Sul – a CRUZEX 2018 – não foram as 100 aeronaves de sete países diferentes. Além dos equipamentos, o maior exercício multinacional e conjunto realizado pela Força Aé-

rea Brasileira foi feito graças a mais de 2 mil militares envolvidos em aproximadamente mil horas de voo destinadas ao treinamento de ações de Força Aérea. Veja, em imagens, como foi o exercício que aconteceu na Ala 10, em Natal (RN), entre os dias 18 e 30 de novembro de 2018.

A CRUZEX 2018 reuniu 13 países. Desses, sete participaram com aeronaves: o Chile com caças F-16 (na foto ao lado) e reabastecedores KC-135, mesmos equipamentos trazidos pelos Estados Unidos; Peru com os caças Mirage 2000 e A-37; Uruguai com caças A-37; Canadá com dois cargueiros CC-130J e França, com a aeronave de transporte C-235. O Brasil concentrou esforços de todo o país, reunindo em torno de 70 aeronaves na Ala 10.

Interoperabilidade foi uma das palavras-chave da CRUZEX 2018. Somados, Marinha e Exército participaram do exercício com 300 militares. A força naval participou também com os caças A-4.

FOTO: SGT BIANCA VIOL / CECOMSAER

As equipes de manutenção se destacaram no exercício: sempre as primeiras a chegar e as últimas a sair. Para que as horas de voo previstas no planejamento do exercício fossem cumpridas, o papel dos mecânicos foi fundamental, afinal, são eles que garantem a disponibilidade dos meios aéreos.

FOTO: SGT BIANCA VIOL / CECOMSAER

Ten JOR Emília Maria e Ten JOR Gabrielli Dala Vechia

Rotina da CRUZEX 2018, piloto chega à aeronave para mais um dia de voo. Dentro dos cenários de guerra regular e irregular, foram executadas em torno de mil horas de voo. Na foto, H-36 Caracal, o único modelo de helicóptero participante do exercício.

Essa cena se repetiu todos os dias, às 7h: militares realizam uma varredura na área operacional em busca de objetos que pudessem danificar as aeronaves. Na aviação, o evento é conhecido como “cata FOD”, que faz referência à sigla Foreign Object Damage.


FOTO: SGT BIANCA VIOL / CECOMSAER

O exercício não aconteceu só em Natal (RN). Além dos militares do Primeiro Grupo de Comunicações e Controle (1º GCC), que operaram radares e outros equipamentos em diversos pontos da Região Nordeste, o Terceiro Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle de Tráfego Aéreo (CINDACTA III), em Recife (PE), sediou uma parte importante da CRUZEX 2018. No local, foram acionadas células de onde são realizados o controle do combate BVR (sigla em inglês para “além do alcance visual”), o controle de tráfego das aeronaves e a validação do emprego simulado de armamento - o chamado Showtime. O treinamento de ações de Força Aérea que envolvem militares das Forças Especiais foi uma das novidades da CRUZEX 2018, dentro do cenário de guerra não convencional. Nesses tipos de missão, militares que estão em solo coordenam o apoio de aeronaves para o cumprimento de determinados objetivos.

FOTO: SGT MARCELLA / ALA 10

FOTO: SGT BIANCA VIOL / CECOMSAER

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FOTO: SGT JAIRO / CINDACTA III

FOTO: SGT BIANCA VIOL / CECOMSAER

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A CRUZEX 2018 recebeu mais de dois mil visitantes, que vieram de diversos pontos do Rio Grande do Norte e até de fora do Estado para conhecer um pouco da estrutura do exercício e ver de perto as aeronaves. Na foto, crianças do Grupo de Apoio à Criança com Câncer (GACC-RN).


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CARREIRA

FAB forma mais de 900 militares em cinco escolas Ten JOR João Elias A Força Aérea Brasileira (FAB) formou, no final do ano, um total de 976 militares nas seguintes Escolas: Academia da Força Aérea (AFA), Centro

de Instrução e Adaptação da Aeronáutica (CIAAR), Escola de Especialistas de Aeronáutica (EEAR), Escola Preparatória de Cadetes do Ar (EPCAR) e Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA).

Na AFA, em Pirassununga (SP), 148 novos Aspirantes a Oficial concluíram os cursos de formação de oficiais nas áreas de aviação, intendência e infantaria, após quatro anos de estudos.

Já o CIAAR realizou a formatura na nova sede, em Lagoa Santa (MG), de 19 militares do Curso de Formação de Oficiais Especialistas (CFOE), que tem a duração de dois anos. Em Guaratinguetá (SP), na EEAR, 530 militares foram formados nas mais diversas especialidades do Curso de Formação de Sargentos (CFS) e do Estágio de Adaptação à Gra-

duação de Sargentos (EAGS). No ITA, em São José dos Campos (SP), 131 novos engenheiros irão compor as fileiras da FAB em seis especialidades. E, na EPCAR, em Barbacena (MG), 148 alunos concluíram o Curso Preparatório de Cadetes do Ar que, além das disciplinas do Ensino Médio, tem instruções nos campos militar e físico.

ITA

FOTO: SD WILHAN CAMPOS / CECOMSAER

FOTO: SGT ROBERTO / ITA

O Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) formou 131 novos engenheiros, entre militares e civis, nas especialidades de Mecânica-Aeronáutica, Computação, Aeronáutica, Eletrônica, Civil-Aeronáutica e Aeroespacial. Do total, 32 se tornaram tenentes. A cerimônia foi presidida pelo Secretário-Geral do Ministério da Defesa, Tenente-Brigadeiro do Ar Carlos Augusto Amaral Oliveira, que entregou ao aluno Matheus Pacheco Guanabara Santiago uma homenagem por ter sido o mais bem classificado entre todos os formandos da turma 2018.

AFA

Durante a cerimônia, presidida pelo então Ministro da Defesa Joaquim Silva e Luna, os militares entregaram o espadim, que simboliza o fim da condição como cadete, e receberam a espada de oficial, que coroa a vitória dos jovens que se dedicaram a uma exigente rotina. A turma foi composta por 148 cadetes, sendo 85 aviadores, 36 intendentes e 27 de infantaria. Entre os formandos estão 14 mulheres, além de militares do Peru e do Senegal. A formação dos oficiais tem duração de quatro anos e, na conclusão do curso, tornam-se bacharéis em Administração com ênfase em Administração Pública e bacharéis na especialidade escolhida no ingresso.


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CIAAR

FOTO: CIAAR

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EPCAR O aluno Yuri Nunes Bitar recebeu o Prêmio EPCAR das mãos do Comandante da Escola, Coronel Aviador Mauro Bellintani, por ter se classificado em primeiro lugar da Turma Grifo, com a média geral 9,386. Dos formandos, 105 seguem a carreira militar e se apresentam este mês na AFA, onde vão iniciar o Curso de Formação de Oficiais Aviadores. A cerimônia foi presidida pelo Comandante-Geral do Pessoal da Aeronáutica, Tenente-Brigadeiro do Ar Luis Roberto do Carmo Lourenço, e contou com a presença de diversas autoridades militares e civis.

EEAR

A cerimônia foi presidida pelo então Comandante da Força Aérea Brasileira (FAB), Tenente-Brigadeiro do Ar Nivaldo Luiz Rossato, e contou com a presença do então Presidente eleito Jair Messias Bolsonaro, que, juntamente com o Comandante da Escola, Brigadeiro do Ar Valdir Eduardo Tuckumantel Codinhoto, entregaram o prêmio Força Aérea Brasileira ao primeiro colocado. Durante a cerimônia, além da entrega de prêmios aos primeiros colocados do CFS e do EAGS, ocorreu a entrega das divisas de Terceiro-Sargento pelos padrinhos, apresentação do Grupo de Ordem Unida Elite Especialista, desfile militar e o tradicional “fora de forma”.

FOTO: CB ANDRÉ FEITOSA / CECOMSAER

FOTO: SGT BIANCA VIOL / CECOMSAER

Os novos oficiais, que já eram graduados da FAB, receberam a espada, símbolo do oficialato nas Forças Armadas, e prestaram o compromisso perante a Bandeira Nacional, num ato que simboliza o juramento de bem cumprir os deveres inerentes à carreira do oficial. A cerimônia foi presidida pelo então Comandante-Geral do Pessoal, Tenente-Brigadeiro do Ar Antonio Carlos Moretti Bermudez. A primeira colocada, Segundo Tenente Marília Gusman Thomazi Pavani, especialista em Controle de Tráfego Aéreo, recebeu os Prêmios Honra ao Mérito do Ministério da Defesa e Força Aérea Brasileira que são concedidos aos alunos primeiros colocados nas escolas de formação de oficiais, e, também, a Medalha Eduardo Gomes Aplicação e Estudo.


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TECNOLOGIA

SEGURANÇA DE VOO

Diretoria de Tecnologia da Informação investe na atualização do Sistema de Apoio à Decisão do COMAER Ten ENG Isabelle e Sgt SAD Cristina O Centro de Computação da Aeronáutica de Brasília (CCA-BR), sob coordenação da Diretoria de Tecnologia da Informação (DTI), iniciou, em meados de 2018, o processo de atualização do Sistema de Apoio à Decisão do Comando da Aeronáutica (SADCOMAER), desenvolvido, em princípio, como um sistema de apoio à decisão. Atualmente, trata-se de uma ferramenta de análise de dados que auxilia no planejamento e gestão estratégica dos Recursos Humanos na FAB. O objetivo da atualização do SADCOMAER é gerar, de forma rápida e concisa, indicadores gerenciais que servirão de apoio à Gestão de Pessoal. Baseada em tecnologia recente de Data Discovery -

Ferramenta de Descoberta de Informações - e Self-Service BI - Inteligência de Negócios de Autoatendimento - a nova ferramenta permite ao usuário consultar e gerar informações sobre o efetivo, manipular dados, ordenar filtros e compartilhar relatórios.

Como uma solução de Inteligência de Negócio (BI), o SADCOMAER faz parte do portfólio das iniciativas de BI do projeto estratégico de Sistema de Informações Gerenciais de Apoio à Decisão da Aeronáutica (SIGAER), que visa prover informações

necessárias para a avaliação operacional e administrativa do COMAER, possibilitando o apoio à decisão nas mais diversas áreas da Força. O Chefe da Divisão de Planejamento do Comando-Geral do Pessoal (COMGEP), Coronel Aviador Lélio Walter Pinheiro da Silva Júnior, destaca a importância dessa ferramenta para a Gestão de Pessoal na FAB. “O SIGAER, por meio da geração de indicadores e análise da evolução dos dados estatísticos, assegura o alinhamento da Política de Pessoal em todas as unidades da nossa Organização e possibilita o estabelecimento, o acompanhamento e a avaliação das metas estratégicas da área de pessoal”, afirma. Para conhecer as soluções do projeto e informar-se sobre o procedimento de solicitação, acesse http://www. sigaer.intraer/.

Novo Decreto sobre o SIPAER é aprovado O Decreto nº 9.540, de 25 de outubro de 2018, dispõe sobre o Sistema de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (SIPAER). O novo Decreto regula os dispositivos do Código Brasileiro de Aeronáutica (CBA), que foram alterados pela Lei 12.970/2014. São destaques no novo Decreto: •Harmonização da superposição de competências identificada pelo Tribunal de Contas da União (TCU), constantes do Acórdão 11.03/2010-TCU-Plenário; •Menção expressa aos requisitos estabelecidos na Convenção de Chicago e seus Anexos técnicos, em especial o Anexo 13; e •Clarificação das competências do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CENIPA), em particular quanto ao exercício da Autoridade de Investigação SIPAER.


Janeiro - 2019

ENTRETENIMENTO

CAÇA-PALAVRAS A HISTÓRIA da Força Aérea Brasileira começou em 1941, com a CRIAÇÃO do Ministério da Aeronáutica. Nos últimos 78 ANOS, muitas mudanças ocorreram. A FAB combateu na SEGUNDA GUERRA Mundial, desenvolveu TECNOLOGIAS, integrou o país, foi reconhecida como responsável por um dos melhores controles de TRÁFEGO aéreo do mundo, modernizou aeronaves e EQUIPAMENTOS e atuou junto à população civil.

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NOTAER JANEIRO 2019  

A edição de Janeiro do Jornal NOTAER traz como destaque a Passagem de Comando da Força Aérea Brasileira. Os leitores saberão mais sobre o no...

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