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Ano XXXVIII

Nº 10

Outubro, 2015

ISSN 1518-8558

Quem faz a FAB voar?

Uma reportagem especial mostra exemplos daqueles que trabalham em prol da atividade fim da Força Aérea Brasileira (Págs. 8 e 9) SEU DINHEIRO

CARREIRA

EDUCAÇÃO

Escolhas que diferenciam devedor de investidor (Pág. 13)

Impressões de uma Engenheira de Aeronáutica (Pág. 11)

A história inspiradora de um professor da AFA (Pág. 10)


Outubro - 2015 FOTO: SGT BATISTA / CECOMSAER

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CARTA AO LEITOR

Dia de todos nós Outubro é o nosso mês. É o mês em que celebramos o Dia da Força Aérea Brasileira e o Dia do Aviador. Por isso, nesta edição do Notaer queremos destacar o trabalho imprescindível de diversas áreas de nossa instituição, que influenciam diretamente a atividade do piloto militar. Assim, aqueles que voam e aqueles que fazem voar estão representados nessas páginas que pretendem contemplar todo o nosso efetivo. Apresentamos conteúdos que mostram o relacionamento da FAB com a comunidade, a exemplo da realização dos Portões Abertos em todo o País e da campanha de doação de sangue do Hospital dos Afonsos. Ainda na área da saúde e considerando que este também é o mês da prevenção do câncer de mama, trazemos

a história de superação de uma de nossas militares. A operacionalidade de nossas organizações está representada nas matérias sobre o treinamento dos controladores para as mudanças no tráfego aéreo e sobre os exercícios como a operação que reuniu Peru e Brasil (PERBRA). Esta edição traz ainda orientações e informações importantes sobre mídias sociais, sob os aspectos dos cuidados em relação ao vazamento de informações e ao comportamento de militares e servidores civis no ambiente virtual. Nossas páginas centrais estão repletas de exemplos que traduzem o espírito da Força Aérea: o trabalho conjunto das mais variadas especialidades é o que permite que cumpramos nossas missões sempre da melhor maneira. Lá estão alguns

Expediente O jornal NOTAER é uma publicação mensal do Centro de Comunicação Social da Aeronáutica (CECOMSAER), voltada ao público interno. Chefe do CECOMSAER: Brigadeiro do Ar Pedro Luís Farcic Editora interina: Tenente Jornalista Emília Maria (MTB 14234RS) Repórteres: Ten JOR Cynthia Fernandes, Ten JOR Evellyn Abelha, Ten JOR Flávio Nishimori, Ten JOR Gabrielli Dala Vechia, Ten JOR Humberto Leite, Ten JOR Iris Vasconcellos, Ten JOR Jussara Peccini, Ten JOR Raquel Sigaud e Ten JOR Danielle Gruppi.

exemplos da importância de intendentes, infantes, especialistas e todo o pessoal que apoia nossa atividade fim. E como são necessários à formação de todos os profissionais, além de comemorarem seu dia em 15 de outubro, também trazemos exemplos de professores que fazem a diferença dentro da FAB. Embora não seja possível mostrar a função específica de todos os nossos profissionais nessas 16 páginas, esperamos que cada um se sinta prestigiado neste mês tão especial para todos nós que fazemos parte da Força Aérea Brasileira.

Boa leitura e não deixe de participar do Notaer enviando suas opiniões e sugestões! Brig Ar Pedro Luís Farcic Chefe do CECOMSAER

Capa:

Colaboradores: textos enviados ao CECOMSAER via Sistema Kataná. Revisão: Gabrielli Dala Vechia, Flávio Nishimori, Jussara Peccini, Evellyn Abelha. Diagramação e Arte: SO Cláudio Ramos, SGTs Emerson Linares, Santiago Moraes, Lucemberg Nascimento, Subdivisão de Publicidade e Propaganda. Tiragem: 30.000 exemplares Estão autorizadas transcrições integrais ou parciais das matérias, desde que mencionada a fonte. Endereço: Esplanada dos Ministérios Bloco “M” 7º andar CEP - 70045-900 / Brasília - DF

A capa desta edição é uma arte gráfica que reflete alguns de nossos profissionais em um capacete de piloto, representando o trabalho conjunto em prol da aviação.

PENSANDO EM INTELIGÊNCIA

Impressão e Acabamento: Log & Print Gráfica e Logística S.A

Publicações e vazamentos de dados classificados em redes sociais O uso das redes sociais digitais tornou-se um fenômeno marcante na sociedade atual. Pessoas e instituições passaram a se beneficiar das facilidades oferecidas por contatos mais rápidos e frequentes. Entretanto, essa transformação vem acompanhada de novos desafios a serem enfrentados, um dos quais a sensação de anonimato. A falta de maturidade ou de conhecimento no uso das ferramentas digitais pode passar a impressão de que o usuário de uma rede social estará anôni-

mo e essa falsa sensação pode acabar induzindo ao vazamento de dados classificados ou a publicações ofensivas. O fato é que existem formas de identificar os usuários que publicam conteúdo na internet. A recente Lei nº 12.965/2014, conhecida como “Marco Civil da Internet”, exige que os provedores mantenham dados das atividades dos seus usuários. As empresas responsáveis por administrar redes sociais deverão fornecer dados que identifiquem os responsáveis por postagens

que contrariem o ordenamento jurídico nacional. Militares e servidores Para os servidores civis ou militares da Força Aérea Brasileira, deve ser comum o entendimento de que publicar conteúdos em mídias sociais com informações, fotos de instalações ou de materiais classificados nas redes sociais constitui infração ao art. 32, inciso V da Lei nº 12.527/11. Também é inadequado postar comentários, fotos ou vídeos impróprios à conduta militar ou que deni-

gram a dignidade e a honra de outros companheiros de farda. Todas essas ações podem prejudicar a imagem e operacionalidade da instituição, sem mencionar as possíveis indenizações nos casos de danos morais. Assim, é prudente que o militar comporte-se no ambiente virtual tal qual se comportaria na vida real, como se estivesse frente a frente com todos os seus possíveis interlocutores. (Centro de Inteligência da Aeronáutica)

Tem um comentário, sugestão de reportagem ou crítica?

Aguardamos seu email notaer@fab.mil.br

Fale com a gente!


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PALAVRAS DO COMANDANTE

O Dia da FAB

FOTO: SGT JOHNSON / CECOMSAER

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Tenente-Brigadeiro do Ar Nivaldo Luiz Rossato Comandante da Aeronaútica

ão é um acaso o Dia do Aviador, 23 de Outubro, ser também o Dia da Força Aérea Brasileira. A data celebra a atividade daqueles capazes de utilizar asas para cumprir missões, e homenageia, também, aqueles responsáveis por fazerem essas asas alçarem voo. Se talvez pareça haver uma atenção maior com aqueles ligados à atividade aérea, o fato é que essa é a nossa atividade-fim. Nós, militares do Comando da Aeronáutica, estejamos ou não dentro de uma aeronave, devemos ter como foco da nossa vida a atividade aérea. Somos componentes de uma instituição que não apenas inclui o voo como parte de si. Somos uma Força criada única e exclusivamente para voar e fazer voar. O Dia do Aviador, aliás, é mais antigo que a própria Força Aérea: data 1936, quando se comemoraram as três décadas do voo pioneiro de Alberto Santos Dumont. O fato de a data ser mais antiga que a própria criação do então Ministério da Aeronáutica justifica termos o 23 de outubro como mais festivo que o aniversário de criação, em 20

de janeiro. O voo, enfim, veio antes de nossa existência. E é a nossa razão de existir. Exatamente por isso, mais que lembrar do passado, o Dia 23 de Outubro deve ser focado também no futuro da Força Aérea Brasileira. E temos a oportunidade de viver momento singular na história dessa Instituição! A modernização da FAB signifi ca uma mudança em nossas atividades. A chegada de novas aeronaves, como o Gripen NG e o KC-390, deve representar uma melhoria no papel desempenhado por cada um. A modernização de equipamentos deve, obrigatoriamente, ser acompanhada da modernização de mentalidades. Em cabines modernas, aviadores terão uma nova realidade no comando de aeronaves do século XXI. No solo, o controle do espaço aéreo também se moderniza. O mesmo vale para a manutenção, o apoio, a saúde e a segurança. Novos conceitos fazem a cada dia decolar mudanças significativas para as quais precisamos estar preparados. Contato, companheiros! É hora de comemorar os passos dados e pensar nos vindouros.

“Estejamos ou não dentro de uma aeronave, devemos ter como foco da nossa vida a atividade aérea.”

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A campanha itinerante continua até o fim do ano no Rio de Janeiro. Veja quando ela vai chegar à sua unidade:

FOTO: S2 ROSA / III COMAR

Banco de sangue faz campanha para aumentar doadores

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nico na Força Aérea Brasileira (FAB), o banco de sangue do Hospital de Aeronáutica dos Afonsos (HAAF) tem um desafio diário: manter um estoque suficiente de bolsas de sangue para atender aos pacientes dos hospitais da Aeronáutica localizados no Rio de Janeiro. Para suprir essa necessidade, o número ideal é de 350 bolsas por mês. Ou seja, 18 doadores por dia. Mas a meta ainda está longe de ser atingida. A média diária é de quatro doadores, o que é um problema devido ao prazo de validade de alguns componentes presentes no

sangue. Por exemplo, enquanto as hemácias têm duração de um mês e meio, as plaquetas duram apenas cinco dias. “Esses hemocomponentes são utilizados no atendimento aos pacientes internados, nas emergências e nas intervenções cirúrgicas”, explica a Tenente Enfermeira Alessandra Carla, integrante da equipe do banco de sangue dos Afonsos.

Banco vai até doadores Para ampliar o número de doadores, uma das soluções foi levar o banco de sangue até as unidades da Guarnição de Aeronáutica do Rio de Janeiro. Uma campanha itinerante que já passou por mais de dez locais em menos de um ano. A Sargento Aline Vasconcelos, do Comando-Geral de Apoio (COMGAP), foi uma das que aproveitou a oportunidade. Ela doou sangue pela segunda vez após muito tempo. De acordo com a militar, é um sentimento bom poder ajudar quem precisa. “A proximidade do local da campanha é um incentivo a mais. Nós ficamos sem desculpa para não ajudar”, afirmou. Já a Tenente Silvia Ribeiro Pereira Maia, do Terceiro

Ajude a aumentar os estoques dos bancos de sangue! Você não precisa estar no Rio de Janeiro para doar sangue. Informe-se nos demais Hospitais de Aeronáutica, Serviços Regionais de Saúde (SERSA), Esquadrilhas de Saúde ou bancos de sangue de sua cidade.

Outubro 01/10 - Casa Gerontológica de Aeronáutica Brigadeiro Eduardo Gomes 07/10 – Terceiro Comando Aéreo Regional 15/10 – Universidade da Força Aérea 21/10 – Base Aérea dos Afonsos 27/10 – Hospital Central da Aeronáutica 30/10 – Batalhão de Infantaria dos Afonsos Novembro 04/11 – Terceiro Comando Aéreo Regional 11/11 – Escola Municipal Miguel Calmon 18/11 – Hospital da Força Aérea do Galeão 24/11 – Hospital Central da Aeronáutica 27/11 – Batalhão de Infantaria dos Afonsos Dezembro 2/12 – Terceiro Comando Aéreo Regional 4/12 – Depósito de Controle Interno 9/12 – Hospital da Força Aérea do Galeão 11/12 – Batalhão de Infantaria dos Afonsos 15/12 – Hospital Central da Aeronáutica 17/12 – Base Aérea dos Afonsos

Comando Aéreo Regional (III COMAR), é doadora frequente. Ela acredita que o ato é muito significativo. “Para mim, doar sangue significa ter a sensação de dever cumprido. Sinto-me útil, um gesto tão simples capaz de salvar muitas vidas”, revelou. As doações salvam vidas como a do avô da jovem

Bruna Jacobsen Lampert. Ele está internado no CTI do Hospital de Força Aérea do Galeão, onde recebeu, em três momentos, os hemocomponentes produzidos pelo Banco de Sangue do HAAF. Desde então, os familiares já doaram e estão em campanha para aumentar o número de doadores.


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FOTO: ARQUIVO PESSOAL

OUTUBRO ROSA

Diagnóstico precoce significa 98% de chance de cura

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urante a gestação do seu segundo filho, a Sargento Fernanda Morgado desconfiou de um caroço no seio. Impossibilitada de realizar alguns exames devido à gravidez, a militar só teve o diagnóstico final nove meses depois: um tipo raro de tumor maligno na mama. “Os médicos acreditavam que pudesse ser um nódulo de gordura ou leite, pois é um câncer bastante incomum, com um aspecto diferente”, diz ela. Em pouco tempo, a Sargento Fernanda – que é da especialidade de enfermagem e servia no Hospital Central de Aeronáutica (HCA) – passou da posição de cuidadora à de paciente. Após a mastectomia, iniciou-se o processo de quimioterapia, que acontece semanalmente e deve terminar neste mês. Devido à grande chance de

recidiva, ou seja, retorno do câncer, ela optou por retirar também a outra mama preventivamente. A militar conta que a rotina mudou completamente e que o apoio dos filhos e do marido, que também é enfermeiro, é essencial na luta pela cura. “A Julia, minha filha mais velha, de 4 anos, sempre me diz ‘mamãe, você está linda careca’. O que me faz seguir em frente no tratamento é o desejo de prolongar meu tempo de vida para passar mais tempo com minha família”, afirma. A mastologista Capitão Adriana Caldas, que trabalha no Núcleo do Hospital de Força Aérea de São Paulo (NuHFASP), esclarece que só o autoexame não é suficiente na prevenção do câncer de mama, embora seja de extrema importância. “Identificar o tumor precoce, ou seja,

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Ao lado da família, a Sargento Fernanda busca motivação para continuar o tratamento

de até 1cm, significa 98% de chance de cura. Porém, nesse estágio, os nódulos ainda não são palpáveis”, diz a médica. Por isso, após os 40 anos, é recomendado que as mulheres realizem mamografias anualmente. Além de mastologistas e oncologistas, uma equipe multidisciplinar deve acompanhar a paciente. No Hospital de Força Aérea do Galeão (HFAG), por exemplo, onde a Sargento Fernanda realiza

seu tratamento, são facultados acompanhamentos de profissionais das especialidades de nutrição, psicologia, serviço social, terapia ocupacional e cirurgia plástica. “Vai ter dia que a pessoa não vai querer falar com ninguém, outros em que não terá ânimo para levantar da cama. Por outro lado, tem tanta coisa mais bonita na nossa vida, que precisamos lutar por ela. A doença é terrível, mas é temporária”, conta a Sargento.

Atenção, homens!

Embora raro, o câncer de mama também acomete homens. Eles representam 1% dos casos, mas como se acredita que seja algo exclusivamente feminino, o diagnóstico é tardio. Isso diminui as chances de cura e aumenta o risco de metástase. O câncer de mama nos homens tem grande chance de atingir o sistema linfático, o que facilita a “propagação” do tumor, atingindo outros órgãos.


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OPERACIONAL

Resgate na água

Assista ao vídeo do treinamento conjunto do Brasil com Peru. FOTOS: Força Aérea do Peru

FOTO: 1º/11º GAV

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Brasil e Peru treinam para combater crimes na fronteira

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uas forças aéreas e um desafio em comum: combater voos ilícitos na região de fronteira amazônica. Foi esse o a cenário da 5 edição do exercício PERBRA, realizado por Peru e Brasil em agosto. A partir de Cruzeiro do Sul, no Acre, e de Pucallpa, no Peru, aviões da Força Aérea Brasileira e da Fuerza Aerea del Perú (FAP) fizeram voos para simular o tráfego ilícito na região. Cabia aos caças dos dois países realizar medidas de policiamento do espaço aéreo até o pouso obrigatório. O desafio maior, contudo, era garantir a atuação conjunta dos órgãos de controle e defesa do espaço aé-

reo. O Centro de Operações Militares (COPM) do Quarto Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle de Tráfego Aéreo (CINDACTA IV) trabalhou em sintonia com o Comando de Control Aeroespacial (COMCA) da FAP. “É admirável o profissionalismo do efetivo, o equipamento moderno e o avanço tecnológico”, disse o Major Javier Cano Pérez, da FAP. “Observamos como há semelhanças de procedimentos. Ensinamos muito, mas aprendemos também”, completou o Tenente Otávio Luiz Barbosa dos Santos, do CINDACTA IV. Pilotos de A-29 Super Tucano do Esquadrão Grifo (3o/3o GAV) voaram a bordo de caças A-37 Dragonfly do Grupo Aéreo nº 7 da FAP. Um Beechcraft TC-690B Turbo Commander fez o papel de avião-alvo, assim como aeronaves C-98 Caravan do Esqua-

drão Cobra (7º ETA). A missão contou ainda com o apoio de aeronaves C-130 e C-97, além do 1º Grupo de Comunicações e Controle e da Unidade Celular de Intendência da Base Aérea de Manaus. O Destacamento de Controle do Espaço Aéreo de Cruzeiro do Sul também apoiou a PERBRA. “Esse exercício combinado é importante, sobretudo na parte operacional, para que os pilotos troquem experiências e estejam preparados para combater ilícitos”, afirmou o Coronel Américo Gonzales, da Força Aérea do Peru. “Se um avião ultrapassa a fronteira sem um plano de voo, já é um voo ilícito”, completou o diretor do exercício no Brasil, Coronel Marcelo Alvim. A PERBRA é resultado de um Acordo de Cooperação Mútua assinado entre os Governos do Brasil e do Peru. A Operação Aérea Combinada

Cruzeiro do sul Pucallpa

visa estabelecer procedimentos específicos de coordenação voltados para a defesa aérea na região. O Comando de Defesa Aeroespacial Brasileiro (COMDABRA) é responsável pelo planejamento, coordenação e supervisão dessas operações. Para o comandante do COMDABRA, Major-Brigadeiro do Ar Antônio Carlos Egito do Amaral, o exercício também serviu para mostrar o trabalho da Força Aérea Brasileira na região. “É importante para marcar a presença da FAB nesse rincão do País”, afirmou.

DESAFIO Quebra de recordes em travessia Major Adherbal Treidler de Oliveira, 45 anos, realizou a travessia do Canal da Mancha no dia 5 de setembro. O início do desafio foi na praia próxima à cidade de Folkestone, onde fazia 8

graus. A temperatura da água estava em 16,5 graus e o percurso foi de 34 quilômetros. “A travessia foi muito dura. O mar estava bastante agitado, com um tráfego intenso de navios mercantes, águas vivas

enormes e uma correnteza absurda”, descreveu o militar. Mesmo assim, o Major quebrou os recordes sul-americano e brasileiro, além de tornar-se o primeiro militar e o 23º brasileiro

a realizar a travessia, com o tempo de 8h 49min. Saiba mais sobre a preparação do Major na edição de setembro do Notaer e leia a matéria completa da travessia em www.fab.mil.br.

Assista o vídeo com a preparação do Major Treidler para a travessia do Canal da Mancha.

FOTO:ARQUIVO PESSOAL

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“A missão de salvar vidas sempre me chamou atenção e foi decisiva na escolha que fiz pela Aviação de Asas Rotativas. O treinamento de içamento inglês, o Kapoff, me trouxe a satisfação de, finalmente, ter contato com uma das ações mais nobres que a Força Aérea Brasileira desenvolve. Aprendemos e treinamos técnicas que serão usadas rotineira e efetivamente para fazer a diferença na vida de pessoas”. O depoimento do Tenente Airton de Medeiros Júnior sobre sua primeira missão de resgate na água, mesmo sendo um exercício, expressa o sentimento dos 21 pilotos que realizam a especialização operacional no Esquadrão Gavião (1º/11º GAV), em Natal (RN). O Kapoff consiste em resgatar pessoas na água, onde não é possível pousar, por isso a necessidade de emprego de helicópteros. A técnica é de origem inglesa e foi inserida na FAB na década de 80. De acordo com o Comandante do Esquadrão Gavião, Tenente-Coronel Jair Novais Almeida, a grande dificuldade da missão na água é manter o helicóptero pairado, porque o piloto fica sem referência espacial. “É preciso gerenciar esse risco, além do vento forte”, explica.


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XXXXXXXXXXXXXX TRÁFEGO AÉREO

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Assista ao vídeo dos controladores de tráfego aéreo em treinamento nos simuladores.

Controladores se preparam para mudanças no tráfego

FOTO: SGT BATISTA / CECOMSAER

Profissionais passam por treinamentos nos simuladores do Instituto de Controle do Espaço Aéreo

Simuladores apresentam situações próximas da realidade

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grande o movimento de controladores de tráfego aéreo em São José dos Campos, no interior de São Paulo. Das oito da manhã até as duas da madrugada são realizados treinamentos nos simuladores do Instituto de Controle do Espaço Aéreo (ICEA). Equipes de Brasília (DF) e de Belo Horizonte (MG) se preparam para as novidades a serem implantadas nos aeroportos dessas cidades, enquanto militares vindos do Rio de Janeiro, São Paulo e Curitiba já es-

tão concentrados no desafio dos Jogos Olímpicos de 2016. Diante da projeção em 360° que simula a torre de controle do Aeroporto de Confins, a Sargento Raquel Vargas elogia a possibilidade de aperfeiçoamento. "As pessoas têm que aproveitar esse treinamento como algo profícuo", disse. Depois de se preparar em um curso teórico, ela passou uma semana no ICEA, onde treinou para a modificação das trajetórias de pousos e de

decolagens. Os novos procedimentos devem ocorrer a partir de novembro. O nível de realismo impressiona. O Capitão Wesley Osthushenrick Júnior conta que após um longo treinamento em condições climáticas adversas, um controlador lamentou não ter levado um guarda-chuvas para não ficar molhado no caminho até o hotel. Ele havia esquecido que, na realidade, fazia sol naquele momento. "O envolvimento é muito grande", diz o Capitão Wesley. E não é apenas chuva e nevoeiro que entram nas simulações. Acidentes, pousos de emergência, invasões de pista e até ameaças de sequestro são criados nos cenários virtuais. "Esse simulador possibilita ao controlador vivenciar uma situação que dificilmente ele vai ter na realidade. Mas se por acaso ele tiver, vai conseguir resolver", explica o Capitão Wesley. Como instrutor, o militar permanece com o grupo durante os treinamentos e

observa os procedimentos adotados de acordo com a programação planejada com a equipe de simulação. Aumento da capacidade No simulador ao lado, controladores da torre de Brasília treinavam as providências para os pousos e decolagens simultâneos nas duas pistas do aeroporto da capital, um procedimento inédito no Brasil a ser iniciado no dia 12 de novembro com a expectiva de aumentar em 30% a capacidade do aeródromo. Para que isso seja possível, os controladores devem estar preparados para que um avião se aproximando de uma pista não invada a área prevista para o tráfego da pista paralela, localizada a 1.800 metros de distância. "O nosso cenário aqui é quase a realidade de Brasília. Aqui a gente consegue treinar qualquer tipo de situação", afirma o Tenente Carlos Kullman. A equipe de 60 controladores passou por cursos teóricos e cada profissional passa cinco dias no ICEA,

onde enfrenta uma rotina de até cinco horas de simulador. No primeiro dia no ICEA, o treinamento começa com 45 aeronaves por hora, depois aumenta até atingir a nova capacidade máxima: 80 pousos e decolagens a cada 60 minutos. "A gente está treinando o aumento dessa demanda que está por vir", diz a Sargento Priscila Tito. Apesar do trabalho intenso, ela disse estar feliz com a oportunidade de treinar. "A gente vê que o tráfego aéreo está crescendo e nós temos os equipamentos para poder exercer bem a nossa função", finaliza. Criado em 2004, o ICEA está localizado na área do Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA). A intensa movimentação de controladores em treinamento é o principal objetivo da unidade. "A ideia é treinar todos os controladores do sistema", afirma o Comandante, Coronel Dittz. Só em 2014, mais de 4 mil alunos passaram pelos laboratórios do instituto.


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XXXXXXXXXXX COMEMORAÇÃO

São eles! Em torno de nossos aviadores responsáveis pela atividade fim muitos profissionais contribuem para que nossas aeronaves alcem voo, cumpram seus objetivos e pousem com segurança. No mês em que celebramos nossa data mais importante, a homenagem a algumas das atividades essenciais para o cumprimento de nossa missão.

Engenharia A execução das atividades aéreas com segurança e eficácia depende da Engenharia. Os engenheiros estão presentes desde os requisitos para desenvolver novas aeronaves e sistemas, passando pela certificação, ensaios, implantação, manutenção, e até nos sistemas de controle do espaço aéreo. “É uma satisfação saber que o trabalho da engenharia faz com que a FAB seja colocada em posição de destaque e seus sistemas de defesa e aeronaves referências para outros países”, destaca o Engenheiro de Provas, Capitão Alan Uehara, do Instituto de Pesquisa e Ensaios em Voo.

Intendência A Intendência tem como missão o apoio ao homem. É por meio desses profissionais que as atividades como licitações, pagamento, moradia, fardamento, alimentação, entre outros, acontecem. Eles também acompanham os contratos dos equipamentos da FAB. No Grupo de Acompanhamento e Controle (GAC), na Suécia, por exemplo, há um representante da especialidade para tratar do contrato do Gripen. “Nós damos tranquilidade para o combatente sair para missão e saber que terá todo o suporte quando estiver em terra e também voando”, afirma o Chefe da Subdivisão de Análise de Custos da COPAC, Major André Rodrigues.


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Infantaria “Com a Infantaria e Defesa Antiaérea os pilotos têm a tranquilidade de saber que os aviões e toda a estrutura que lhe dá o suporte para um voo seguro estão bem protegidos”, afirma o Subcomandante do BINFA da Base Aérea de Anápolis, Capitão Leonardo Faustino. A Infantaria trabalha dia e noite pela segurança e proteção das instalações, equipamentos e pessoal da FAB. Além disso, faz a defesa aeroespacial de ataques inimigos por meio da artilharia antiaérea. “É muito gratificante saber que o nosso trabalho tem grande importância para a nação brasileira”, finaliza.

COPAC Responsável pelos projetos de aquisição e de desenvolvimento da FAB, o trabalho da Comissão Coordenadora do Programa de Aeronaves de Combate está presente em vários esquadrões. Na Aviação de Caça, 100% dos aviões são projetos oriundos da COPAC, como os F-5M modernizados, o A-1 e o A-29, além do F-39 Gripen. Contribui também com outros sistemas operacionais a exemplo dos mísseis A-DARTER. “A COPAC é designada à consecução dos objetivos da FAB, para que a instituição cumpra sua missão”, explica o Vice-Presidente da COPAC, Coronel Márcio Bonotto.

Especialistas “Para que o piloto possa girar os motores com segurança, vários Especialistas contribuem para este momento, a exemplo do sargento da área de administração que cuida e organiza os documentos necessários para que o piloto mantenha sua atenção voltada à missão”, explica o Suboficial Heliomar de Lima, encarregado da especialidade de Controle de Tráfego Aéreo na Escola de Especialistas de Aeronáutica. A unidade forma militares em 28 especialidades diferentes dentre elas Cartografia, Meteorologia, Material Bélico, Fotointeligência, Comunicações e Guarda e Segurança.

FOTOS: Intendencia: SGT JOHNSON / CECOMSAER Infantaria: SGT JOHNSON / CECOMSAER COPAC: SGT BATISTA / CECOMSAER Especialistas: ARQUIVO PESSOAL Saúde: CB FEITOSA / CECOMSAER Engenharia: SGT BATISTA / CECOMSAER Aviação: SGT JOHNSON / CECOMSAER Esquadrilha da Fumaça: SGT JOHNSON / CECOMSAER ARTE: Infográfico: SO RAMOS / CECOMSAER


Outubro - 2015 FOTO: SGT GAEDKE / AFA

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EDUCAÇÃO

Assista ao FAB em ação sobre a rotina do cadetes da Academia da Força aérea Brasileira.

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e hobby à ciência. Assim nasceu o projeto do professor da Academia da Força Aérea (AFA), doutor Guilherme Augusto Gualazzi que desenvolve um veículo aéreo não tripulado (VANT) para utilização em sala de aula. Gualazzi pesquisou durante um ano antes de começar a construção do VANT modelo Asa de Combate Zagui, com envergadura de 1,20 metros. Esse desenvolvimento durou quatro meses e foi finalizado com o primeiro voo experimental em 3 de agosto deste ano. O próximo passo será a programação do sistema autônomo de navegação. “Pretendo ainda embarcar alguns sensores, como altímetro, velocímetro e câmara”, planeja o professor. Ele conta que, primeiro, está aprendendo a desenvol-

Além da sala de aula ver o VANT para depois ensinar aos alunos. “É um projeto multidisciplinar, envolve conhecimentos de aerodinâmica, eletrônica e programação de computadores. A proposta é que os cadetes assimilem conhecimento por meio da prática, para quando chegarem ao oficialato poderem trabalhar em unidades como o Esquadrão Hórus.” Segundo ele, a aplicação do VANT no ambiente acadêmico da AFA pode ser diversificada. “A partir dessa plataforma, os cadetes poderão seguir várias linhas, por exemplo, para rastreamento de grupos em atividades de campanha, sensoriamento remoto, dentre outras”. Participação de cadetes O professor não está sozinho nessa empreitada. Parti-

Destaques no ENEM Das 15.640 escolas de todo o País que tiveram alunos realizando o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), três instituições do

Comando da Aeronáutica conseguiram boas classificações no ranking divulgado em agosto pelo Instituto Nacional de Estudos e Pes-

cipam do projeto os cadetes do terceiro ano Lucas Silva Lima, que elabora um algoritmo para estabilizar o eixo longitudinal da aeronave, e José Henrique Sitta Krawulski, que tem auxiliado no desenvolvimento do aeromodelo. O cadete Krawulski começou no aeromodelismo em 2006 e a partir daí passou a pesquisar sobre a prática de aeromodelismo e a relação direta com voos radiocontrolados. “A minha contribuição não é só pilotar o VANT, mas utilizar da experiência e dos conhecimentos aeronáuticos para aumentar a estabilidade e o desempenho da Zagui antes de embarcar a eletrônica específica para o voo autônomo”, explica. Já o cadete Lima propõe a criação de um semi-piloto

automático de um dos eixos de voo de uma aeronave em sua monografia de final de curso. “O estudo deixará substrato para trabalhos para construção de um VANT pelos próprios cadetes da AFA. Além de nos aproximar de detalhes técnicos pertinentes à atividade-fim que exerceremos ao longo da carreira, é um incentivo a possíveis especializações na área”, destaca.

quisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep): a Escola Preparatória de Cadetes do AR (EPCAR) de Barbacena (MG), a escola Tenente Rêgo Barros de Belém (PA) e o colégio Brigadeiro Newton Braga do Rio de janeiro (RJ).

Para o vice-diretor do Departamento de Ensino da Aeronáutica (DEPENS), Major-Brigadeiro do Ar Waldeísio Ferreira Campos, a boa colocação reflete o comprometimento de professores e alunos. “Os resultados obtidos

Orgulho de ensinar Filho de ex-professor da AFA, Gualazzi segue os passos do pai. “Ministro aulas com grande satisfação e orgulho em formar os futuros líderes da FAB. Amo o que faço e procuro fazê-lo bem, por meio de minhas aulas, orientações e pesquisa”, diz entusiasmado.

ESPORTE Atletas da FAB disputam Jogos Mundiais na Coreia do Sul Uma delegação da Força Aérea Brasileira (FAB), composta por 78 integrantes, incluindo atletas e comissão técnica, está entre os dias 2 e 11 de outubro na República da Coreia, participando dos 6º Jogos Mundiais Militares (JMM). O evento reúne mais de sete mil competidores de 110 países. Uma equipe de reportagem do Centro de Comunicação Social da Aeronáutica (CECOMSAER) seguiu para a Coreia no dia 27 de setembro para acompanhar o desempenho dos brasileiros durante a competição. Acompanhe a cobertura no site do evento: www.jogosmilitares.defesa.gov.br. A seleção brasileira nos JMM conta com 285 atletas, sendo 175 homens e 110 mulheres, das três Forças Armadas. O Brasil participa dos Jogos Mundiais Militares desde a primeira edição, realizada em 1995, na Itália. Organizado a cada quatro anos, os JMM antecedem em um ano os Jogos Olímpicos.

no Exame Nacional do Ensino Médio traduzem a dedicação multidisciplinar do corpo docente e discente das Escolas da Aeronáutica”, afirmou. Leia a matéria completa na página da FAB (www.fab.mil.br) buscando por “Enem”.


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CARREIRA XXXXXXXXX

“E

u sabia que a Engenharia era a carreira que eu deveria seguir e a Aeronáutica veio sanar mais uma curiosidade minha”. A declaração é da instrutora do Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA), Tenente Thaís Campos de Almeida, formada na mesma instituição em 2014. Ela começou o curso em 2010 já imaginando o desafio que teria pela frente. “Eu sabia que fazer Engenharia Aeronáutica no ITA não seria fácil, já que é considerado um dos melhores cursos do País. Em um dos meus primeiros dias no H8 (alojamento dos alunos do ITA), uma veterana do 5° ano me disse que era um curso muito bonito, mas muito exigente”, conta. Quando começou a estudar as disciplinas específicas de Engenharia Aeronáutica após dois anos de ensino básico, Thaís pôde entender do que a veterana falava: “tive contato com aerodinâmica, propulsão, materiais, estruturas, e mais uma infinidade de conceitos que

regem a aeronave. Ao longo dos anos, pude amadurecer meus conhecimentos e pesquisar mais a fundo as áreas que me interessavam”. Curiosidade científica A Tenente Thaís conta que a decisão por ser engenheira surgiu ainda na infância e a facilidade com as matérias de Ciências Exatas foram determinantes. “Desde cedo sempre fui muito curiosa, é claro que eu tinha bonecas, mas meus brinquedos favoritos eram os que me faziam pensar, montar prédios e máquinas ou fazer misturas e criar substâncias mal-cheirosas e coloridas. Além disso, eu tinha muita facilidade com química, física e matemática”. Atualmente, a militar trabalha com a criação de um novo conceito de asa e está concluindo o mestrado. Atuação O profissional formado em Engenharia Aeronáutica pode atuar em diversas indústrias do setor Aeroespacial e de Defesa, principalmente as fábricas de

FOTO: S1 LUCAS MARCO / GIA/SJ

Engenheira Aeronáutica: de aluna a instrutora

Tenente Thaís formou-se no Instituto Tecnológico da Aeronáutica em 2014 e hoje é instrutora

aviões e helicópteros. Outras oportunidades estão nos institutos de pesquisa aeroespacial, empresas de transporte aéreo, empresas de manutenção de aeronaves, fabricantes de peças aeronáuticas, empresas de consultoria, além da Força Aérea Brasileira (FAB).

Outras áreas Na FAB, as atividades de engenharia são utilizadas em diversos segmentos e, para isso, abrangem especialidades como Civil, Agrimensura, Cartografia, Computação, Elétrica, Eletrônica, Infraestrutura, Mecânica e Telecomunicações, entre outras.

Além das Engenharias diretamente ligadas à aviação, os profissionais dessa área destacam-se nos exercícios de campanha, em que são responsáveis por organizar e preparar o terreno, fornecer e instalar água e energia elétrica, saneamento básico e manutenção de equipamentos.


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Outubro - 2015

GESTÃO

FAB concentra serviços administrativos em unidades de apoio

GAP - AN

GAP - DF

Número de unidades gestoras executoras será reduzido de 54 para 36 em 2016

O

timização no emprego de recursos materiais e humanos, eficiência na administração e padronização de processos estão entre os principais objetivos da concentração de serviços administrativos no Comando da Aeronáutica. O primeiro passo para a mudança foi dado em agosto com a criação de quatro núcleos de grupamentos de apoio. As novas unidades em Pirassununga (SP), Brasília (DF), Anápolis (GO) e Afonsos (RJ) Grupamento de Apoio Pirassununga Distrito Federal Afonsos Anápolis

vão apoiar as demais nas respectivas localidades. “Esses grupamentos ‘piloto’ servem de base para a implantação nas demais organizações”, explica o Brigadeiro do Ar Mauro Martins Machado, coordenador do grupo de trabalho de concentração de atividades administrativas. A expansão da iniciativa para todo o Brasil, a partir de março de 2016, visa reduzir de 54 para 36 as unidades gestoras executoras, responsáveis pela execução do orçamento.

Unidades concentradas 04 17 16 03

Modelo para: Escola COMAR Diferentes Órgãos Unidade isolada

Até dezembro deste ano, durante a primeira fase de implantação, os núcleos concentrarão atividades de transporte, fardamento, pagamento, subsistência e boletim. A partir de janeiro de 2016, as novas unidades atuarão também com licitações, contratos e finanças. A ideia é que o modelo de gestão evite a redundância de atividades na mesma localidade e disponibilize profissionais para atender às atividades fim de cada unidade. De acordo com Coronel Sérgio Almeida de Paula e Silva, Comandante do Núcleo do Grupamento de Apoio dos Afonsos, como consequência deste processo de concentração, espera-se economia de escala e realocação de efetivo para atender às demandas de cada unidade.

“Vamos especializar o grupamento”, complementa. Quatro modelos - O processo de estudo, iniciado há mais de um ano pela Secretaria de Economia e Finanças da Aeronáutica (SEFA), com apoio de uma consultoria externa, e atende a uma diretriz da Estratégia Nacional de Defesa de 2009, sobre a racionalização da estrutura organizacional. A partir de abril deste ano, um grupo de trabalho chefiado pelo Estado-Maior da Aeronáutica (EMAER) estabeleceu as metas para tirar o projeto do papel. Cada uma das unidades abrange características específicas. O Grupamento de Apoio Pirassununga (GAP-YS), vai abrigar serviços de quatro unidades e será modelo a ser im-

GAP - YS

GAP - AF

Localização dos Núcleos dos Grupamentos de Apoio

plantando em unidades escola. Já o Grupamento de Apoio Afonsos (GAP-AF) apoiará 16 unidades de diferentes órgãos setoriais sediados na Guarnição de Aeronáutica dos Afonsos, ou seja, cujas naturezas e finalidades não têm uniformidade. O Grupamento de Apoio do Distrito Federal (GAP-DF) vai aglutinar os serviços de 17 unidades e servir de modelo para os Comandos Aéreos Regionais (COMAR). O Grupamento de Apoio de Anápolis (GAP-AN) abrange suporte para três unidades e será pioneiro para atender unidades isoladas.

PENSANDO EM SEGURANÇA DE VOO

Mais de 600 ocorrências com laser em 2015 O que para alguns é uma brincadeira – apontar raios laser para a cabine de aeronaves – é um risco para a aviação. A luz intensa pode ofuscar a visão dos pilotos e contribuir para que ocorram acidentes. Em 2015, até o dia 4 de setembro, 625 casos já foram registrados. A incidência é mais comum na aproximação final para pouso. A consequência do laser é predominantemente a distração, o ofuscamento da visão ou a cegueira momentânea do piloto, justa-

mente quando o tripulante precisa dedicar total atenção à operação da aeronave: no pouso e na decolagem. O vice-chefe do CENIPA, Coronel Marcelo Marques de Azevedo, alerta: “Temos, na frota nacional, aeronaves que voam com apenas um piloto. Quando atingido diretamente nos olhos, o comandante do avião pode ter dificuldade de interpretar os instrumentos. A cegueira momentânea e a formação de imagens falsas podem se tornar críticas”.

Na lista dos aeroportos com maior número de ocorrências estão os de São Paulo (116 casos), Vitória (75) e Campinas (20). No entanto, os casos ocorrem em todas as regiões do País. Atualmente, o mais preocupante é a facilidade de aquisição da ponteira ou caneta que fez aumentar o número de ocorrências. Esses reportes não são recentes e, tampouco, exclusividade dos céus brasileiros. Há registros de casos no Canadá, Reino Unido, Espanha e Estados Unidos. O primeiro caso re-

latado ocorreu em Los Angeles, no ano de 1993. O comandante de um Boeing 737 foi atingido e obrigado a passar o controle dos comandos da aeronave para o copiloto. Ele ficou quatro minutos sem conseguir interpretar os instrumentos. CRIME - Além de perigoso, apontar laser para aviões e helicópteros também se constitui crime. O artigo 261 do Código Penal Brasileiro prevê sanções para quem expor a perigo ou praticar qualquer ato que possa impedir ou dificultar a navegação aérea. Já existe, também, um projeto de lei (PL 3151/12)

para punir quem usar de forma indevida as canetas de raio laser. (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos)


Outubro - 2015

SEU DINHEIRO

Você pensa antes de comprar? Veja exemplos de escolhas que diferenciam o devedor do investidor

Q

uando o assunto é dinheiro, há duas opções: comprar agora e pagar depois, assumindo dívidas e juros, ou comprar depois, pagando à vista e recebendo juros. Tudo depende da decisão. Não existe uma receita pronta sobre o certo ou o errado. O importante é pensar bem e considerar se a antecipação do consumo ou a espera será mais ou menos vantajosa. Suponha que você queira comprar um produto de informática no valor de R$ 1 mil e possua R$ 600,00. Você analisa sua renda e verifica que consegue poupar R$ 100,00 por mês. Seguindo esse planejamento, você levaria quatro meses para adquirir o produto. Mas há uma forma de “manipular” o tempo para

obter o produto imediatamente: tomar um empréstimo no valor de R$ 400,00. Simples, certo? Errado. A antecipação de consumo traz um custo chamado “pagamento de juros”. Nesse caso, você terá de pagar prestações de valor maior do que R$ 100,00 por mês ou pagar um número maior de prestações de R$ 100,00. Imagine outra hipótese: você deseja comprar o produto que custa R$ 1 mil e verifica que possui a quantia na conta corrente. Você pode comprar o produto hoje, gastando todo o dinheiro, ou deixar para fazê-lo daqui a quatro meses. Ao deixar para comprar depois, você pode investir o dinheiro e receber juros. Nesse caso, a espera trará o benefício dos rendimentos.

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Tenho dinheiro agora? Eu preciso? Posso esperar?

Necessidade é diferente de desejo

Necessidade é tudo aquilo de que precisamos, indispensável para a sobrevivência. Desejo pode ser definido como tudo aquilo que queremos usufruir. Por exemplo, todo ser humano tem necessidade de se alimentar. Se for em restaurante de luxo, torna-se um desejo. Os desejos não são ruins. O problema surge quando são tratados como necessidades. Ao lidar com as finanças, procure ter em mente que o dinheiro é um mero instrumento para atender a necessidades e desejos e realizar sonhos. Por isso, é preciso saber administrá-lo bem. Ponha em prática • Eduque-se financeiramente. Não é porque lidamos com o dinheiro desde criança que não precisamos dedicar tempo e estudo a isso.

• Sonhe. Mas tão importante quanto sonhar é realizar. Transforme sonhos em projetos: saiba aonde quer chegar, internalize a visão de futuro, dimensione metas claras e objetivas, estabeleça etapas intermediárias. • Faça escolhas equilibradas: nem tanta emoção, para não ser vítima de decisões impulsivas; nem tanta razão, a ponto de exterminar o prazer de consumir. • Avalie o que é mais vantajoso: poupar para pagar à vista, de forma planejada, ou consumir agora e pagar mais caro depois. • Necessidade é diferente de desejo. Ambos são importantes, mas confundir os dois conceitos pode trazer sérios problemas financeiros.

GESTÃO

FOTO: SGT BATISTA / CECOMSAER

SEFA entrega prêmio em gestão contábil

O

Instituto de Controle do Espaço Aéreo (ICEA), localizado em São José dos Campos (SP), levou o segundo Prêmio “Destaque Execução Contábil do Comando da Aeronáutica”

promovido pela Secretaria de Economia e Finanças da Aeronáutica (SEFA). A entrega da premiação aconteceu no dia 20 de agosto na sede do ICEA, em São José dos Campos (SP).

O diretor do ICEA, Coronel Ivan Dittz, recebeu o prêmio do Secretário de Economia e Finanças da Aeronáutica, Tenente-Brigadeiro do Ar Antonio Franciscangelis Neto. A conquista foi motivo de comemoração. “É uma tarefa meticulosa, silenciosa, oculta. Muitas vezes a própria unidade não percebe isso. Com esse prêmio criado pela SEFA, os profissionais que trabalham no controle contábil aparecem”, afirmou o Coronel Dittz. Entre julho de 2014 e junho de 2015, o ICEA alcançou

99,76% de média no grau de performance contábil. A medição é realizada por meio das conformidades de procedimentos realizados no Sistema Integrado de Administração Financeira do Governo Federal, o SIAFI. O trabalho envolve as seções de licitação, de material, de pagamento, de recursos humanos e de controle interno. O prêmio “Destaque Execução Contábil do Comando da Aeronáutica” avalia mais de 50 Unidades Gestoras Executoras.

Descentralização de crédito Seguindo a linha de modernização da gestão, a SEFA passou a utilizar, desde setembro, uma nova ferramenta digital denominada “A5-web”para atender as solicitações de descentralização, remanejamento e alterações de crédito. Na próxima edição do Notaer, você vai saber mais sobre essa ferramenta e sobre os resultados já alcançados.


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Outubro - 2015

CURIOSIDADE NO

PADRÃO

Apoio de temporários •

Mais de 4 mil oficiais e quase 1500 sargentos da FAB são dos quadros de convocados – QOCON e QSCON.

690 oficiais são do Quadro Complementar de Oficiais da Aeronáutica (QCOA), cuja última turma formou-se em 2013.

As diversas especialidades desses militares – como Administração, Direito, Educação Física, Enfermagem, Fisioterapia, Psicologia, Relações Públicas, Serviço Social, entre outras – também são essenciais para o cumprimento das missões da FAB.

O celular é o seu grande aliado do dia a dia? Tudo bem. Ele ajuda, e muito, a se manter atualizado com as notícias do mundo, auxiliar nas tarefas do trabalho e, também, a se conectar com a família. Mas, de acordo com o Regulamento de Uniforme para Militares da Aeronáutica (RUMAER), o aparelho deve estar numa capa preta. Isso mesmo. Nada de enfeites com desenhos animados ou chaveiros pendurados. É orientado que o celular esteja fixado ao cinto da calça, saia ou bermuda. Também seja discreto com os toques do seu aparelho.

ARTE: SDPD / CECOMSASER

Clique em cima dos ícones e acesse as redes socias da Força Aérea Brasileira.


Outubro - 2015

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ENTRETENIMENTO Jogo dos seis erros

Caça palavras

Resposta da Edição de setembro de 2015

Em 23 de outubro de 1906, no campo de BAGATELLE na cidade de PARIS, o 14 Bis foi PILOTADO pelo brasileiro Alberto Santos DUMONT, que decolou usando seus PRÓPRIOS meios e sem auxílio de DISPOSITIVOS de lançamento. O PROJETO percorreu 60 metros em sete SEGUNDOS, a uma ALTURA de aproximadamente dois METROS, perante mais de mil espectadores. A data hoje é COMEMORADA como o Dia do AVIADOR e Dia da Força AÉREA Brasileira.


ARTE: SDPP / CECOMSAER

CONSTRUINDO

O FUTURO

Projetos Estratégicos da FAB

Assista ao vídeo da campanha institucional “construindo o futuro”.

NOTAER - Outubro de 2015  
NOTAER - Outubro de 2015  

Quem faz a FAB voar?

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