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Ano XXXVI

Nº 9

Setembro, 2013

ISSN 1518-8558

SEGURANÇA DE VOO - Simpósio do CENIPA alerta para número de acidentes 1S REZENDE / CECOMSAER

O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CENIPA) realizou em São Paulo o maior evento de segurança de voo do Brasil. O Simpósio Nacional de Prevenção de Acidentes Aeronáuticos reuniu pilotos, mecânicos, proprietários de empresas e operadores de aeronaves. Durante o evento, foi lançada a revista da Turma da Mônica alertando para os riscos do laser verde e balões. Pág. 8 e 9.

OPERACIONAL

SEGURANÇA DE VOO - O Brigadeiro do Ar Luis Roberto do Carmo Lourenço convocou toda a comunidade aeronáutica para a prevenção de acidentes durante o simpósio realizado pelo CENIPA em São Paulo.

SIRIUS

DOUTRINA

DIA DO SOLDADO

Adeus a um herói

O Departamento de Controle do Espaço Aéreo lançou o site do programa Sirius, que trouxe diversas inovações para o controle do tráfego aéreo, como a navegação baseada em performance. Pág. 12

O Estado-Maior da Aeronáutica lançou o Portal de Doutrina Militar Aeroespacial. O sistema permite o debate e a revisão das doutrinas da Força Aérea. Conheça o portal e participe. Pág. 12

Conheça a história de alguns soldados da Força Aérea Brasileira que fazem a diferença em suas unidades. Batalhadores, valentes e sonhadores, esses jovens dão uma lição de vida. Pág. 14

A aviação brasileira se despediu em agosto de um dos seus maiores heróis, o Major-Brigadeiro do Ar Rui Moreira Lima, que executou 94 missões de ataque durante a 2ª Guerra Mundial. Pág. 5

O P-3AM da FAB cobriu uma área superior a 1 milhão de km2 e identificou 230 embarcações durante a Operação Albacora, realizada em Fortaleza (CE) e Natal (RN). Pág. 11


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CARTA AO LEITOR

Expediente

Nesta edição do NOTAER trazemos uma cobertura completa do Simpósio Nacional de Prevenção de Acidentes Aeronáuticos. Realizado pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CENIPA) em São Paulo, o evento foi uma importante ação na busca pela diminuição dos acidentes com aeronaves. Representantes de diversos setores da aviação brasileira discutiram temas relevantes para a consolidação de uma cultura de segurança de voo no país. Este mês você acompanha as di-

versas ações operacionais desempenhadas por militares da Força Aérea em diferentes áreas. As aeronaves P-3AM do Esquadrão Orungan varreram mais de um milhão de km2 no mar durante a operação Albacora. Nossos pilotos de caça foram à Suécia para treinar em um simulador com oito pilotos ao mesmo tempo. O robusto helicóptero H-60 Black Hawk pela primeira vez foi pilotado por duas mulheres. Conheça também o Portal de Doutrina Militar criado pelo Estado-

2S JOHNSON / CECOMSAER

Voo seguro Maior da Aeronáutica como um espaço para discussão e revisão de documentos doutrinários de toda Força Aérea. Não deixe de acompanhar ainda o que está em alta nas mídias sociais da Força Aérea. Boa leitura! Brig Ar Marcelo Kanitz Damasceno Chefe do CECOMSAER

Insegurança cibernética falhas permitem que o atacante acesse a captura ao vivo, altere em tempo real a imagem transmitida ou interrompa a transmissão. - Privacidade em Navegadores – um pesquisador provou que era possível obter dados pessoais dos plugins das mídias sociais que são embutidos nas páginas de internet. A técnica consiste em ler pixel a pixel a informação protegida e transmiti-la ao atacante. Na demonstração o autor da façanha obteve, em 15 segundos, o nome do usuário de uma importante rede social que visitou sua página. - Recursos do Navegador – hackers estão se especializando em explorar os recursos de armazenamento e processamento dos navegadores dos usuários por meio das redes de propaganda. Desta forma, o atacante tem à sua disposição uma vasta rede de computadores para realizar as mais diversas tarefas com um custo muito pequeno. - Android – falhas no sistema de verificação de assinatura do Android permitem que qualquer desenvolvedor de software disponibilize seu aplicativo para instalação no sistema operacional. A técnica explora também um comportamento comum – a maioria dos usuários não dá atenção às permissões que o aplicativo está requisitando. Assim, o atacante tem

Chefe do CECOMSAER: Brigadeiro do Ar Marcelo Kanitz Damasceno Chefe da Divisão de Comunicação Integrada: Coronel Aviador Henry Munhoz Wender Chefe da Divisão de Comunicação Corporativa: Tenente-Coronel Aviador Max Luiz da Silva Barreto Chefe da Subdivisão de Produção e Divulgação: Major Aviador Rodrigo Alessandro Cano Chefe da Seção de Divulgação: Capitão Aviador Bruno Perrut Gomes Garcez dos Reis Chefe da Agência Força Aérea: Capitão Aviador Bruno Perrut Gomes Garcez dos Reis

PENSANDO EM INTELIGÊNCIA Las Vegas sediou no fim do mês de julho as duas maiores conferências de segurança da informação. Profissionais da área de tecnologia utilizaram estes dois eventos para divulgar e discutir vulnerabilidades de produtos e serviços tecnológicos. A “Black Hat” é destinada aos profissionais da área de segurança da informação. A maior parte dos participantes são funcionários de empresas ou de órgãos governamentais. O público da “DefCon” é caracterizado por hackers independentes ou aficionados pela área de tecnologia. As principais vulnerabilidades divulgadas nesta edição foram: - Smart TVs – especialistas demonstraram ataques que permitiam ao invasor obter acesso às câmeras, microfones e dados pessoais. - Câmeras IP – mais de 50 equipamentos tiveram suas vulnerabilidades divulgadas. Algumas dessas

O jornal NOTAER é uma publicação mensal do Centro de Comunicação Social da Aeronáutica (CECOMSAER), voltado ao público interno.

acesso aos dados de localização GPS, microfones, câmeras, redes Wifi, e-mails, SMS, chamadas telefônicas, lista de contatos e informações pessoais. Para reduzir a chance de se tornar vítima dessas vulnerabilidades de domínio público, o usuário deverá tomar as seguintes precauções: - atualizar todos os seus equipamentos que estejam conectados na internet (firmware, software e sistemas operacionais). - antes de comprar um equipamento (câmera, smart TV, impressoras etc.), pesquisar se o mesmo não tem vulnerabilidade publicada. - fazer sempre “logoff ” das mídias sociais, mesmo no próprio computador. - ler atentamente as permissões solicitadas pelos aplicativos do Android. Se as requisições de acesso não forem compatíveis com o que se espera que o software precisa ter, não instalar o aplicativo. Nesta edição da Black Hat e DefCon houve a divulgação de vulnerabilidades que atacam principalmente a privacidade do usuário. Com simples medidas é possível minimizar a exposição dos seus dados pessoais e os da sua família, permitindo assim uma navegação mais segura. (CENTRO DE INTELIGÊNCIA DA AERONÁUTICA)

Editor: Tenente Jornalista Willian Cavalcanti Repórteres: Ten JOR Humberto Leite, Ten JOR Flávio Nishimori, Ten JOR Willian Cavalcanti, Ten JOR Jussara Peccini, Ten REP Juliene Salomão, Ten REP Saulo Vargas (CECOMSAER), Ten JOR Maria da Glória Galembeck (III COMAR), Ten JOR Emília Cristina (V COMAR), Ten REP Daiana Marodin (VI COMAR). Colaboradores: EMAER, CIAER, AFA, EEAR, IAE, CENIPA, III FAE, 1º/5º GAV, 7º/8º GAV, 1º/7º GAV, II COMAR, VII COMAR e SISCOMSAE (textos enviados ao CECOMSAER via Sistema Kataná). Diagramação e Arte: Ten FOT José Mauricio Brum de Mello, Suboficial Claudio Bomfim Ramos, Sargento Emerson G. Rocha Linares, Sargento Jobson Augusto Pacheco e S2 Yago Vinicius Santos. Revisão: Cap Av Bruno Perrut Gomes Garcez dos Reis Tiragem: 30.000 exemplares Estão autorizadas transcrições integrais ou parciais das matérias, desde que mencionada a fonte. Comentários e sugestões de pauta sobre aviação militar devem ser enviados para: redacao@fab.mil.br Esplanada dos Ministérios - Bloco “M” 7º andar CEP - 70045-900 / Brasília - DF

Impressão e Acabamento: Log & Print Gráfica e Logística S.A


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PALAVRAS DO COMANDANTE

Por uma Força Aérea mais forte 3S BATISTA / CECOMSAER

Tenente-Brigadeiro do Ar Juniti Saito Comandante da Aeronáutica

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mês de dezembro reserva à Aviação de Caça da Força Aérea Brasileira um momento de inflexão que certamente trará lições oportunas. A retirada de serviço dos caças Mirage 2000 é uma decisão irrevogável. O cronograma inicial previa o uso dessas aeronaves até o final de 2011, contudo, graças ao bom trabalho das equipes de manutenção em um esforço coordenado, foi possível adiar esta data por dois anos.

Se por um lado esta saída representa uma retração dos meios disponíveis para o cumprimento da missão, abre-se também uma janela de oportunidade para os militares da Força Aérea Brasileira mostrarem seu profissionalismo e dedicação. Longe de existir uma descontinuidade da aviação de caça brasileira, o que há, isto sim, é a constante busca de aperfeiçoamento. Hoje, já fazem parte do dia-a-dia dos nossos pilotos de combate tecnologias, doutrinas e táticas antes impensáveis. Combates em cenários além do alcance visual, uso de datalink, armamentos inteligentes e doutrinas de emprego equiparadas às Forças Aéreas mais operacionais do mundo, como mais uma vez será proximamente visto no exercício CRUZEX, são avanços que muito devem orgulhar todos os membros da Força Aérea Brasileira. Antigas aeronaves voam, atualmente, modernizadas. Mas bem mais importante que os novos equipamentos eletrônicos é a modernização também do componente mais importante

TEN CEL SÉRGIO

de uma arma de aviação: o ser humano. O piloto de hoje é um diferencial. É um profissional capacitado, atualizado e, vale ressaltar, pronto para brevemente operar a nova aeronave de combate que será adquirida para equipar nossos Esquadrões de Caça. Cada um ao seu nível, Comando da Aeronáutica e Governo Federal são responsáveis pelo processo de aquisição das novas aeronaves. A este 2S BARROS / CECOMSAER

Comando coube uma análise técnica que fornecesse subsídios e assessoramento adequados a um nível decisório acima, que precisa considerar aspectos do Brasil como um Estado dentro do Sistema Internacional, bem como as perspectivas econômicas e desenvolvimentistas desta decisão. O Comando da Aeronáutica não deve, atento aos seus princípios de Hierarquia e Disciplina, fazer pressão. Não é essa a nossa forma de trabalhar. Reportamos realidades e nos mantemos preparados. Temos bases aéreas adequadas, equipes de solo capacitadas e os melhores pilotos para ocupar as cabines de comando. Estou certo de que estes são os principais elementos para uma Força Aérea dar orgulho para seu efetivo e para a população.

O Mirage F-2000 para de voar no final deste ano e será substituído pelo F-5 EM.


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ACONTECE NA FAB VANT desenvolvido pela FAB faz primeira decolagem automática

CB RENAN / EEAR

IAE

Durante três semanas, a Escola de Especialistas de Aeronáutica, em Guaratinguetá (SP), foi sede do Estágio de Intendência Operacional (EIOP), que formou 42 aspirantes e 75 graduados e praças. Durante o estágio, os militares participaram de instruções teóricas e práticas nas áreas de infraestrutura, elétrica, hidráulica, contraincêndio, além de atividades físicas e treinamentos. O EIOP é realizado pela Diretoria de Intendência por intermédio da Subdiretoria de Encargos Especiais.

Com o objetivo de aprimorar os meios de defesa antiaérea, o Primeiro Grupo de Artilharia Antiaérea de Autodefesa (1° GAAAD) recebeu em agosto o primeiro radar SABER M60 em Canoas (RS). Feito com tecnologia exclusivamente nacional, o novo mecanismo integrará o sistema de controle e alerta do GAAAD e proporcionará a detecção à baixa altura de alvos de asa fixa ou rotativa, em uma distância de até 60 km. GAAD

O Major-Brigadeiro do Ar Luis Antonio Pinto Machado recebeu um “voto de aplauso” da Assembleia Legislativa de Pernambuco por sua passagem pela chefia do Segundo Comando Aéreo Regional (II COMAR) de Recife (PE). A homenagem foi proposta pelo deputado estadual Antônio Moraes em reconhecimento pelas diversas ações do comandante a frente do II COMAR em favor de Pernambuco. II COMAR

O protótipo do vant Acauã, que faz parte do projeto de desenvolvimento de tecnologias nacionais para veículos aéreos não-tripulados, fez a primeira decolagem automática. Os ensaios em voo foram executados na Academia da Força Aérea, em Pirassununga (SP). Durante os voos foram verificadas a nova configuração dos equipamentos e novas funcionalidades do software embarcado e execução dos ensaios iniciais de decolagem automática. Além disso, foram realizadas corridas no solo para comprovação do controle direcional.

1° GAAAD recebe o primeiro radar de fabricação nacional

EEAR sedia Estágio Operacional de Intendência

Ex-comandante do II COMAR é homenageado pela Assembleia de Pernambuco

ANIVERSÁRIOS Centro de Computação de Aeronáutica do Rio de Janeiro - CCARJ

Odontoclínica de Aeronáutica de Recife OARF

Base Aérea de Belém BABE

01/08 - 47 anos

15/08 - 27 anos

21/08 - 69 anos

Terceira Força Aérea III FAE

Escola Superior de Guerra ESG

Base Aérea de Campo Grande – BACG

Diretoria de Intendência DIRINT

05/08 - 22 anos

20/08 - 64 anos

21/08 - 69 anos

22/08 - 68 anos

Base Aérea de Natal BANT

Instituto de Fomento e Coordenação Industrial IFI 20/08 - 42 anos

Base Aérea de Canoas BACO

Depósito Central de Intendência – DCI

21/08 - 69 anos

23/08 - 68 anos

Comissão Aeronáutica Brasileira em Washington CABW 21/08 - 68 anos

Subdiretoria de Abastecimento - SDAB

Instituto de Controle do Espaço Aéreo – ICEA

22/08 - 24 anos

26/08 - 53 anos

07/08 - 71 anos Quinto Esquadrão do Primeiro Grupo de Comunicações e Controle 15/08 - 27 anos Quinto Esquadrão de Transporte Aéreo 5º ETA 15/08 - 44 anos

Quer ver a sua unidade no NOTAER? Mande sua notícia pelo sistema Kataná. Não tem a senha? Cadastre-se pelo e-mail: web.dpd@cecomsaer.aer.mil.br

Hospital Central da Aeronáutica – HCA 27/08 - 71 anos


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MEMÓRIA

FAB chora a perda do herói Major-Brigadeiro Rui Moreira Lima Aviador cumpriu 94 missões de combate na Segunda Guerra Mundial e foi autor do livro Senta a Pua!

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epopéia que ele e seus colegas viveram. Sua obra transformou-se em leitura de referência e palavras que provocavam lágrimas e sorrisos por onde passava. Não ter sua presença física amanhã naquelas palestras que arrancavam aplausos empolgados deixa silêncio, mas não o vazio.

denotava a alma modesta que guerreiros e heróis têm. Dizia-se inspirado pelo exemplo do pai. Palavras do desembargador Bento Moreira Lima, contidas em uma carta escrita em 1939, eram o seu “vade-mécum da vida militar”. Na carta está que “obediência aos teus superiores, 1S REZENDE / CECOMSAER

homem se fez mito. O mito grandioso, magnânimo, extraordinário. O mito guerreiro. O mito-herói. O herói-homem. Em cada linha do rosto com suas impressões do tempo, cabiam mais de mil histórias. Mas, história não morre. Herói não morre. Mito não morre. Nele, havia mais. Havia o olhar brasileiro, daqueles guerreiros da Nação que são lembrados indefinidamente. Se é certo que será sempre momento de evocar a sua memória, é fato também que a Força Aérea Brasileira (FAB) chora, consternada, a perda do herói Major-Brigadeiro Rui Moreira Lima, aos 94 anos, no Hospital Central da Aeronáutica, no Rio de Janeiro, onde estava internado havia dois meses. Herói da Segunda Guerra Mundial como piloto do 1º Grupo de Aviação de Caça, realizou 94 missões com a aeronave P-47 no front de combate. Era casado com Dona Julinha. A dor do momento não sobrepuja a alegria da existência desse homem. Sempre tão lúcido, costumava desfilar sua memória impecável com detalhes sobre fatos ocorridos há seis décadas. O senso de observação diferenciado transformou feitos em histórias recontadas com minúcias. Disfarçava não ser um protagonista. “Rui, que foi um dos mais destacados combatentes nos céus da Itália, fala de tudo e de todos, mas pouco dele mesmo, ou das 94 missões que executou sobre as tropas alemãs”, disse certa vez o patrono da aviação de caça do Brasil, Brigadeiro Nero Moura. O Major-Brigadeiro Rui foi autor do livro Senta a Pua!, que inspirou também um documentário do mesmo nome. No livro e no filme fez ecoar a incrível trajetória dos militares brasileiros na campanha vitoriosa durante a batalha. Era preocupado em não deixar se apagar a

O Major-Brigadeiro Rui Moreira Lima faleceu aos 94 anos no Rio de Janeiro

O luto da Força Aérea Brasileira tem um som mais alto. Agora, diferente de todos os outros momentos, cabe a honra de se prestar a tradicional saudação Adelphi dos caçadores ao Major-Brigadeiro Rui. “-1,2,3... - Palmas! - Adelphi!” É impossível não ouvir a melodia de “Carnaval em Veneza” e a voz do Brigadeiro Rui, vibrante com a história que ajudou a construir, trazendo os amigos consigo. Em entrevistas para veículos de comunicação da FAB, o herói lembrava características pessoais e profissionais dos seus colegas na guerra. “Viramos irmãos”, dizia. Retratou todos os “irmãos” com seus brilhos singulares. Nunca fez questão de falar de si mesmo e

lealdade aos teus companheiros, dignidade no desempenho do que te for confiado...”. O filho seguiu o conselho. Virou guerreiro e herói. Foi além. O legado sobrevive forte e sempre tão lúcido. 94 missões na Segunda Guerra e uma volta para casa emocionante Durante a Segunda Guerra Mundial, o então Tenente Rui Moreira Lima fez nada menos do que 94 missões. A primeira ocorreu no dia seis de novembro de 1944 e a última no dia 1º de maio de 1945. Sempre sob o fogo cerrado da artilharia alemã. “Em cada missão, eram mais de duas horas e meia no combate ao inimigo. Foi bastante difícil para todos”, comentava.

Cada dia na Itália foi registrado em uma caderneta que o Brigadeiro guardava em casa como uma verdadeira relíquia. Também nela está o voo mais emocionante de sua vida, o de volta para o Brasil após a vitória no combate. “Quando fui para a guerra, deixei minha mulher grávida. Ao pisar no chão brasileiro, fui direto ao encontro de minha mulher e minha filhinha que já havia nascido”, relembrou o Brigadeiro em entrevista à Aerovisão. No reencontro, emoção e a maior recompensa que poderia imaginar, o sorriso da filha. Foi uma grande vitória do herói. Desde 1939 O maranhense da cidade de Colinas nasceu em junho de 1919. Aos 20 anos de idade, já era cadete da escola militar de Realengo, no Rio de Janeiro. Ingressou na Força Aérea Brasileira assim que a instituição foi criada, em 1941. Costumava repetir que atuar no Correio Aéreo Nacional foi um grande aprendizado para os pilotos de caça que iriam participar da guerra. “No Brasil, aprendemos a voar em situações bastante adversas. Quando chegamos na guerra, os americanos ficaram impressionados conosco”. O Brigadeiro Rui falava sempre com muita tristeza a respeito dos companheiros do Grupo de Caça que foram abatidos nas linhas inimigas. Considerava-os heróis e ficou obstinado por contar as histórias na guerra bastante difundidas no meio militar e pouco conhecidas por toda a sociedade. “Temos que gritar Senta a Pua!, cantar o Carnaval em Veneza, encenar a Ópera do Danilo. Essa é a nossa história”, bradava o herói. Histórias que ficaram muito mais conhecidas por causa do Brigadeiro-do-Ar Rui Moreira Lima. As canções entoadas, a partir de agora, também glorificarão o legado desse homem histórico.


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MÍDIAS SOCIAIS

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Navegue em imagens da FAB pelo Instagram

Instagram é um aplicativo gratuito que permite aos usuários tirar fotos, aplicar um filtro e depois compartilhá-la numa variedade de redes sociais. Recentemente o aplicativo também começou a aceitar pequenos vídeos. A Força Aérea tem utilizado a mídia social para divulgar as atividades que desenvolve, desde exercícios e operações conjuntas com outras Forças Armadas até formaturas diárias, fotos históricas e muito mais. O Instagram também tem as hashtags, que são usadas para facilitar o acesso a temas específicos. No perfil da FAB são publicadas tanto imagens com uma grande produção fotográfica quanto as mais comuns, ou seja, captadas por qualquer militar da Força Aérea.

“No Instagram mostramos aos seguidores momentos ímpares que envolvem as atividades dos nossos militares, desde uma instrução de paraquedistas do PARA-SAR até a capa do gibi da Turma da Mônica sobre segurança de voo”, explica o Tenente Relações Públicas Saulo Roberto de Vargas, do Centro de Comunicação Social da Aeronáutica. Você também pode enviar suas fotos pelo e-mail instagramfab@ gmail.com. “Estamos aguardando suas imagens. Aproveite e siga também os perfis da FAB nas outras mídias sociais”, completa o Tenente.

Acesse: instagram.com/fab_oficial

Mais curtidas do mês

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m agosto o vídeo no YouTube com as imagens captadas pelo vant mostrando o gol do Neymar na Copa das Confederações foi o mais visto pelos internautas. Outra imagem que recebeu muitas “curtidas” no Instagram foi a das aviadoras, pilotos do H-60 Black Hawk, em uma missão de resgate na Amazônia. E o destaque na nossa fanpage no Facebook foi uma linda homenagem de um fã aos Fumaceiros depois de um triste acontecimento.

Conheça e faça parte da Força Aérea Brasileira através das mídias sociais. Estamos esperando por você!


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FABTV completa um ano com programação de sucesso

Acompanhe toda a programação da FABTV no YouTube. Acesse o QR code:

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oncebido para ser mais um canal de comunicação da Força Aérea Brasileira com a sociedade, a FABTV completou em agosto um ano de atividades. Os programas, que podem ser assistidos no portal da FAB e também no YouTube, já tiveram um total de quase 250 mil visualizações.

A estréia da FABTV ocorreu no dia 5 de agosto do ano passado com o FAB em Ação. O programa, com periodicidade mensal, mostrou os bastidores da participação da Força Aérea na Operação Ágata 4 do Ministério da Defesa. A grade inicial de veiculação contava ainda com os programas Conexão FAB, FAB no Controle, FAB pela FAB e FAB entrevista. Em janeiro deste ano, com a incorporação do Especialistas da FAB, e, em maio, com a estreia

do FAB na História, a programação da FABTV passou a exibir sete formatos, todos em alta resolução (Full HD). Os programas são produzidos e editados pelo Centro de Comunicação Social da Força Aérea (CECOMSAER), em Brasília (DF). O objetivo da FABTV é mostrar para a sociedade as diversas frentes de atuação dos militares da Aeronáutica nas aviações, controle de tráfego aéreo, saúde, ensino e pesquisa.

Assista: youtube.com/portalfab


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SEGURANÇA DE VOO

Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CENIPA) registrou até 31 de julho 103 acidentes na aviação do país. Os dados foram divulgados pelo chefe do CENIPA, Brigadeiro do Ar Luis Roberto do Carmo Lourenço, durante o Simpósio Nacional de Prevenção de Acidentes Aeronáuticos, realizado em agosto em São Paulo. Pilotos, mecânicos, proprietários de empresas e operadores de aeronaves participaram de palestras voltadas a promoção da cultura de segurança na aviação.

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Apesar do número expressivo de acidentes, a expectativa é que o índice se estabilize este ano. “Alcançando essa estabilização, a tendência é que as ocorrências entrem numa curva descendente nos próximos anos”, disse o Brigadeiro Lourenço. O chefe do CENIPA abordou também os vilões dos acidentes aeronáuticos e falou do “jeitinho brasileiro”: em cerca de 35% das ocorrências, há violação de leis e normas da aviação. “Não somente o CENIPA, mas todos que estão ligados à aviação têm que tra-

1S REZENDE / CECOMSAER

O

Simpósio de segurança de voo revela dados de acidentes no país

A professora americana Katherine Lemos abordou “o fator humano”

balhar ainda mais para que os acidentes diminuam. Ninguém pode se eximir dessa responsabilidade”, completou.

A responsabilidade criminal em acidentes aeronáuticos

urante o simpósio, o juiz federal Marcelo Honorato falou sobre a responsabilidade criminal nos acidentes aéreos. O palestrante, que foi piloto da Força Aérea Brasileira por mais de 16 anos, abordou os aspectos jurídicos na responsabilidade dos profissionais que atuam na aviação, quer seja como mecânico, piloto, diretor ou proprietário de empresa aérea.

Além disso, o juiz mostrou casos reais de acidentes que aconteceram no Brasil, esclarecendo como a atuação dos profissionais reflete diretamente na vida dos passageiros. “Delitos culposos ocorrem em razão da falta de cuidado dos aeronavegantes”, afirma Honorato. O juiz explicou ainda que, a responsabilidade criminal no contexto da aviação pode

render penas severas aos operadores, que em muitas situações, não se dão conta dos aspectos jurídicos que envolvem suas atividades.

1S REZENDE / CECOMSAER

O juiz Marcelo Honorato alertou para os crimes aeronáuticos

Promoção da segurança Marcelo Honorato tem desempenhado papel relevante na promoção da segurança de voo em razão do conhecimento e da ampla experiência na área da aviação. O juiz Honorato coordena cursos e palestras para integrantes do poder judiciário com a finalidade de proporcionar um melhor entendimento dos magistrados na preservação das informações da investigação do Sistema de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (SIPAER) nos processos judiciais. Em agosto, o juiz coordenou, em Brasília, o curso sobre o papel do poder judiciário na segurança de voo, com a presença de mais de 50 juízes federais.

O chamado “fator humano”, que está presente cerca de 90% dos acidentes, foi abordado pela norte-america-

na Katherine Lemos, professora do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA). “A investigação é muito trabalhosa. Por isso, as informações obtidas nesse processo precisam ser compartilhadas ao máximo entre a comunidade aeronáutica”, disse. O aumento da frota de aeronaves no país, aspectos jurídicos da aviação e os projetos e perspectivas dos fabricantes também foram temas abordados durante o simpósio. No final, o chefe do CENIPA reafirmou: “a prevenção é responsabilidade de todos”.

O papel da ANAC na segurança da Aviação Brasileira

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diretor-presidente da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), o advogado e economista Marcelo Guaranys (foto), foi o primeiro palestrante do Simpósio Nacional de Prevenção de Acidentes Aeronáuticos. O diretor falou sobre o papel da ANAC na aviação brasileira, contribuindo para um transporte aéreo seguro e de qualidade diante do alto crescimento da aviação no Brasil. A ANAC atua em sistema de vigilância continuada, realizando fiscalizações programadas, não programadas e motivadas por denúncia. A maior parte dos esforços da Agência tem sido nas ações de fiscalização com foco na segurança das operações das aeronaves e do pessoal da aviação civil. Em 2012, a ANAC criou uma unidade focada em ope-

1S REZENDE / CECOMSAER

Marcelo Guaranys, presidente da ANAC

rações fiscais em âmbito nacional e com o poder de polícia. “A atuação tem sido intensificada em parceria com diversos órgãos públicos. O trabalho visa aprimorar os resultados das ações e contribuir para elevar, cada vez mais, o nível de segurança do transporte aéreo brasileiro”, disse Marcelo Guaranys.


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CENIPA lança revista com a Turma da Mônica

O

Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CENIPA) e o cartunista Maurício de Sousa apresentaram uma edição especial da Turma da Mônica durante o Simpósio Nacional de Prevenção de Acidentes Aeronáuticos. A revista em quadrinhos mostra a Mônica, Cebolinha, Magali e Cascão em uma história sobre os riscos do laser verde e balões para a aviação.

“Queremos levar a mensagem de prevenção às crianças e também aos jovens e adultos. Espero que a credibilidade da Turma da Mônica colabore neste trabalho tão importante”, disse Maurício de Sousa. “Maurício de Sousa é reconhecido em todo país não só pelo sucesso da Turma da Mônica, mas também pela repercussão de suas campanhas de cunho social. Há mais de 50 anos leva informação de forma

simples e bem-humorada, conquistando adultos e crianças”, disse o Brigadeiro do Ar Luis Roberto do Carmo Lourenço, chefe do CENIPA. “É uma forma de esclarecer ao público infanto-juvenil sobre os riscos do uso indiscriminado de laser verde e balões. A credibilidade e aceitação da Turma da Mônica junto ao público-alvo contribuem para o sucesso da ação”, afirma o chefe do CENIPA.

O chefe do CENIPA recebe revista autografada por Maurício de Sousa

1S REZENDE / CECOMSAER

criança, “tiveQuando o sonho de ser

aviador. Me sinto muito orgulhoso em colaborar com esse projeto. Começamos por aqui, mas acredito que podemos colaborar ainda mais com a segurança de voo

Maurício de Sousa, cartunista Maurício se diz satisfeito em contribuir com a segurança de voo

FOTOS: 1S REZENDE / CECOMSAER

O papel dos fabricantes na segurança de voo 1S REZENDE / CECOMSAER

Irgang falou das perspectivas dos fabricantes para novas tecnologias

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gerente de segurança de voo da Embraer, engenheiro Umberto Irgang, foi um dos palestrantes do Simpósio Nacional de Prevenção de Acidentes Aeronáuticos. Ele mostrou a visão dos fabricantes de aeronaves para produzir aviões seguros e os processos que buscam para elevar a segurança. “A aviação atingiu um nível de segurança elevado graças à dedicação de profissionais e organizações e a troca de informações livre e não competitiva entre os vários elos do sistema”, afirma

o engenheiro. A busca contínua de meios e inovações na construção de aviões, segundo o engenheiro, criou a automação que deve estar aliada ao adequado treinamento, seguindo as boas práticas de cultura organizacional e a correta supervisão para níveis de segurança ainda maiores. Na visão do palestrante, no futuro o foco da aviação promete máquinas cada vez mais voltadas para o conforto, comodidade e a segurança do usuário. A automação trará a necessidade de estudar meios adicionais

para minimizar eventos de distração e criar formas que favoreçam o monitoramento da integração homem-máquina. Para Irgang, a importância do simpósio pode ser medida pela grande procura da comunidade aeronáutica em participar do evento. “Isso demonstra que existe uma consciência em contínuo aprendizado”, afirmou. Ele ainda destaca a necessidade de que sejam promovidos mais fóruns para elevação dos níveis de segurança da atividade aérea.


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OPERACIONAL

oze pilotos operacionais, de quatro unidades de primeira linha da Aviação de Caça, além de quatro controladores militares, sendo dois de uma Unidade de Controle e Alarme em voo e outros dois do Departamento de Controle do Espaço Aéreo, treinaram, durante uma semana, táticas e técnicas aplicadas ao combate BVR, do inglês Beyond Visual Range, ou seja, além do alcance visual. Tudo isso ocorreu em um dos mais modernos centros de treinamento simulado do mundo localizado na Suécia. No Centro de Simulação de Combate sueco, oito pilotos podem atuar simultaneamente dentro de um ambiente onde vários fatores podem ser configurados: desempenho da aeronave, tipo e quantidade de armamentos, tipo de radar etc. Nesse mesmo ambiente, os controladores podem interagir com as aeronaves como se estivessem em suas posições rotineiras, com a vantagem de

Pilotos, controladores e representantes da III FAE participam de treinamento

da missão, execução e, finalmente, a crítica de cada “voo” realizado. “Esse foi um ponto importante, pois todos operaram como uma equipe, trocando experiências, e permitindo

uma avaliação das táticas e técnicas empregadas por nossos pilotos de combate e controladores de voo”, afirma o Coronel Aviador Jefson Borges, comandante da missão.

Aspirantes escolhem: Transporte ou Patrulha

té o fim deste ano, a Força Aérea Brasileira (FAB) deve ter mais dez pilotos de aviação de patrulha e 54 da aviação de transporte. Mais cinco meses de estudos e voos de instrução separam os 64 Aspirantes-a-Oficial do sonho de se tornarem aviadores operacionais da FAB. É nesse clima de expectativa e concentração que vive atualmente o Esquadrão Rumba, de Fortaleza (CE). No próximo ano, a turma estará espalhada por várias unidades da FAB, já cumprindo missões reais. Em agosto, durante o “Simpósio de Aviações”, ocorreu o aguardado momento de definição da futura aviação dos Aspirantes. Aqueles com melhores notas nas provas aéreas e teóricas, além de teste físico e conceito militar, puderam fazer a escolha de acordo com o gosto pessoal. Foi o caso do Aspirante Felipe de Paula. “Sempre tive o sonho de servir na Amazônia, ajudar no apoio social

1º/5º GAV

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acompanhar, pessoalmente, tanto a preparação quanto a crítica da missão. Além disso, podem visualizar, juntamente com os pilotos, toda a arena de combate em modo tridimensional, tornando o aprendizado no treinamento muito eficiente. Além das aeronaves “pilotadas”, o Centro de Simulação de Combate permite a inclusão de aeronaves de diversos tipos no cenário tático, aumentando a quantidade e a complexidade dos combates aéreos. Tudo isso dentro de um mundo virtual que utiliza o datalink. Essa tecnologia permite que diversas aeronaves troquem, automaticamente, informações entre si, aumentando a capacidade dos pilotos em perceber o ambiente à sua volta – a chamada consciência situacional. Junto com os pilotos e controladores brasileiros, pilotos e controladores suecos participaram do treinamento, interagindo desde o preparo

III FAE

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III FAE treina em centro de simulação na Suécia

Aspirantes voam o C-95 Bandeirante modernizado durante instrução em Fortaleza (CE)

que é dado naquela área”, confessa. Ele optou pela aviação de transporte e quer agora disputar uma vaga no Esquadrão Arara, de Manaus (AM), equipado com os aviões C-105 Amazonas.

Já o Aspirante Thales Araújo preferiu ir para a aviação de patrulha. “Gostaria muito de participar de uma Ágata”, disse. Em 2014, já como Oficial, ele deverá ser piloto

de aviões P-95 das bases de Florianópolis (SC) ou Belém (PA). Mas até lá é preciso concluir a segunda fase do curso de especialização operacional, com missões de busca, de vigilância e de ataque com lançamento de foguetes. “É um desafio, mas a programação da instrução facilita esse aprendizado”, conta. Depois de voarem os treinadores T-25 e T-27 na Academia da Força Aérea, os Aspirantes voam no Esquadrão Rumba os bimotores C-95M Bandeirante. É a primeira experiência deles com aeronaves de porte maior e com dois pilotos sentados lado-a-lado na cabine de comando. O “Simpósio de Aviações” é um dos momentos mais importantes do ano porque encerra a fase inicial de treinamento no C-95M e marcar o começo dos voos mais complexos, voltados para o cumprimento de missões.


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Black Hawk pilotado por mulheres pela primeira vez

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dretti foi passar no Curso de Adaptação Básica ao Ambiente de Selva (CABAS), exigido para os aviadores que voam na região amazônica. “Aprendemos bastante coisa sobre a selva. Se a gente precisar pernoitar em alguma localidade remota, por exemplo, vai ser muito útil”.

Já para a Tenente Déborah, comandante da missão, fazer parte do Esquadrão Harpia também é uma experiência relevante por conta das missões que a Força Aérea executa na região amazônica. “É uma região muito carente, onde as pessoas precisam muito de ajuda”, afirma. VII COMAR

Black Hawk é o maior e mais pesado helicóptero militar em operação no Brasil. São 19 metros de comprimento e até 9.185 kg sustentados por duas turbinas de 1.940 shp de potência. Como um verdadeiro “faz-tudo”, a aeronave é presença constante em exercícios militares e missões reais, como busca e resgate, transporte de tropas e ajuda humanitária. No dia 1° de agosto, pela primeira vez, toda essa capacidade esteve nas mãos duas mulheres, as Tenentes Aviadoras Déborah Gonçalves e Caroline Pedretti, ambas do Esquadrão Harpia (7º/8º GAV), de Manaus (AM). “Pra gente é uma missão normal. Não interessa se é homem ou mulher, e sim se é capaz de cumprir o que está previsto”, diz a Tenente Pedretti. Formada em 2010 pela Academia da Força Aérea, no ano seguinte ela tirou o primeiro lugar no curso de formação de pilotos de helicóptero e escolheu servir em Manaus com o único objetivo de voar

2S JOHNSON / CECOMSAER

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Black Hawk voando na Amazônia

o Black Hawk. “Ele consegue transportar muito peso. É incrível”, conta. Com 1,63 m de altura, ela garante que as mulheres são tão capazes quanto os homens de dominar essa máquina de guerra. “Nós treinamos com o módulo de assistência ao piloto desligado, o que aumenta o peso nos comandos. Mas isso pra gente não faz diferença”, explica. Outro desafi o vencido pela Tenente Pe-

Pra gente é uma missão normal. Não interessa se é homem ou mulher, e sim se é capaz de cumprir o que está previsto Ten Caroline Pedretti

P-3AM cobrem mais de 1 milhão de km2 no mar

uas aeronaves P-3AM Órion da Força Aérea Brasileira (FAB) cobriram uma área superior a um milhão de quilômetros quadrados e identificaram 230 embarcações durante a Operação Albacora. Em doze dias, um P-3AM baseado em Fortaleza (CE) e outro em Natal (RN)

conseguiram mapear toda a atividade marítima de navios na região que envolve o arquipélago de Fernando de Noronha e os penedos de São Pedro e São Paulo. De acordo com o Tenente-Coronel Aviador Fábio Morau, comandante do Esquadrão Orungan (1º/7º GAV),

CB SILVA LOPES / CECOMSAER

Aeronaves P-3AM identificaram 230 embarcações no litoral brasileiro

durante a Albacora os P-3AM utilizaram sistemas capazes de detectar todo tipo de embarcação, inclusive à noite. “A tecnologia empregada é a mais moderna do mundo”, explica. Com mais de 30 metros de uma ponta da asa à outra e com o comprimento de nove carros populares, o P-3AM é capaz de realizar voos com até 16 horas de duração, o suficiente para patrulhar grandes áreas do litoral brasileiro ou até para ir à África e voltar sem reabastecer. Dentro do avião, computadores ligados em rede postos lado a lado fazem a cabine parecer uma lan house. A diferença é que as telas mostram dados de sensores como o radar, detector de anomalias magnéticas e sistemas de visão de longo alcance. Operações como a Albacora acontecem de forma conjunta com a Marinha do Brasil e envolvem, sobretudo, a vigilância da zona econô-

mica exclusiva brasileira. Por força de tratados internacionais, o Brasil é responsável pela busca e salvamento de uma área de 22 milhões de quilômetros quadrados, quase três vezes o território continental do País, o que inclui praticamente a metade do Atlântico Sul. As operações também resultam na defesa do meio ambiente, coibindo práticas criminosas que afetam a vida marinha. Em missões de patrulha, as aeronaves da FAB podem identificar embarcações que deixam vazar óleo ou fazem a “lavagem de porão”, quando os tanques são lavados com a água do mar. O P-3AM fotografa o navio infrator e encaminha um relatório para as autoridades ambientais. A FAB irá receber no total oito unidades do P-3AM Órion. Baseado em Salvador (BA), as aeronaves do Esquadrão Orungan podem atuar em qualquer ponto do Brasil.


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SISTEMA

EMAER cria portal para gerenciar doutrina militar

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3ª Subchefia do Estado-Maior da Aeronáutica (EMAER) lançou em junho o Portal de Doutrina Militar Aeroespacial. O lançamento do Portal de Doutrina coincidiu com a publicação da Norma sobre o Sistema de Doutrina Militar Aeroespacial (SIDMAE), a NSCA 1-1. O SIDMAE visa unificar as atividades de elaboração, revisão, atualização, acompanhamento e divulgação doutrinária da FAB. Para isso, o sistema possui um conselho, presidido pelo EMAER, que analisa as sugestões de modificações mais importantes e garante que a

doutrina atualizada esteja em consonância com a política e estratégia definidas pelo Comando da Aeronáutica. “O SIDMAE surgiu para organizar as diversas doutrinas do Comando da Aeronáutica. Muitas vezes uma unidade elaborava um documento doutrinário que afetava, ainda que indiretamente, outra unidade, que sequer estava incluída no processo de discussão”, conta o Brigadeiro do Ar Hudson Costa Potiguara, chefe da 3ª Subchefia do EMAER. O Portal de Doutrina O Portal de Doutrina é uma fer1S REZENDE / CECOMSAER

O Brigadeiro Potiguara, o Coronel Pralon e o Tenente-Coronel Tolentino conduzem o projeto

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ramenta interativa em que qualquer militar pode fazer sugestões ou observações das doutrinas da Força Aérea. Nele são apresentados artigos de interesse geral. Os conteúdos estão disponíveis em três formatos: textos escritos, podcasts e videocasts. O portal também disponibiliza atualizações, correções ou explicações doutrinárias ao público interno por meio de notas de coordenação e relatórios de lições aprendidas. “O portal permite, também, que o efetivo opine sobre a doutrina e sugira modificações ou até mesmo proponha discussões mais aprofundadas sobre um tema”, explica o Tenente-Coronel Aviador Marcello Tolentino, da seção de Doutrina da 3ª Subchefia do EMAER. Espada Para complementar as ferramentas do Portal de Doutrina,

foi criado um Espaço Interativo para Atualização em Doutrina Militar Aeroespacial, chamado de Espada. “A ferramenta permite a interação de militares de diferentes regiões e organizações da FAB para discutir um assunto comum entre eles”, explica o Coronel Aviador André Pralon, também da seção de Doutrina do EMAER. O Espada possui chats, fóruns e mensagens em que é possível compartilhar documentos e fazer sugestões para revisão conjunta ou simplesmente o debate sobre o tema. O militar pode acompanhar debates abertos ou se cadastrar para participar de grupos fechados. Conheça o Portal de Doutrina e o Espada. Acesse: www.doutrina.intraer www.espada.intraer

DECEA lança site do sistema Sírius

gora batizado de Sírius, o sistema anteriormente conhecido pela sigla CNS/ATM ganhou um site para explicar todas as funcionalidades desse novo paradigma de controle de tráfego aéreo. O nome Sírius, que remete à estrela mais brilhante no céu noturno, se explica porque o novo sistema tem como uma das principais diferenças o uso de satélites. Na prática, o Sírius traz várias inovações para o controle do espaço aéreo no Brasil e no mundo. A implantação total, prevista para acontecer até 2025, é coordenada pela Organização da Aviação Civil Internacional (OACI) e, no Brasil, pelo Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA).

No site, é possível conhecer todas as funcionalidades do Sírius, bem como acessar os documentos que norteiam a implantação e a história do novo sistema. Entre as ações já adotadas pelo Brasil está a criação do Centro de Gerenciamento da Navegação Aérea (CGNA), a aplicação de tecnologias de vigilância para as aeronaves que sobrevoam o Oceano (ADS), implantação na Navegação Baseada em Perfomance (PBN), a instalação de sistemas de aproximação com base em informações providas por satélites (GBAS) e a implantação de novas ferramentas para a organização da sequência de pousos das aeronaves nos aeródromos.

Além das autoridades ligadas à aviação, o programa desenvolvido pelo DECEA também deve ser implantado por companhias aéreas e demais usuários de espaço aéreo. É preciso que as aeronaves tenham sistemas de bordo capazes de operar de acordo com as novas metodologias de controle de espaço aéreo, além de pilotos capacitados.

O novo site quer promover a integração a essa nova tecnologia ao demonstrar as vantagens do programa Sírius, que poderá reduzir a carga de trabalho de pilotos e controladores e custos operacionais e aumentar a eficiência do transporte aéreo no Brasil e no mundo.

Acesse: www.decea.gov.br/cnsatm


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FORMAÇÃO

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São Gabriel da Cachoeira foi a parada seguinte. Visitamos o DTCEA-UA, unidade da Aeronáutica que faz o controle do espaço aéreo da região, e a 2ª Brigada de Infantaria de Selva (2ª BdaInfSl) do Exército Brasileiro. Vale destacar também a excelente recepção que tivemos no Destacamento de Aeronáutica de São Gabriel (DASG). Quando deixamos a cidade sabíamos que uma experiência única estava por vir: conhecer um pelotão de fronteira do Exército.

A pista curta e estreita era apenas um traço na grandiosa floresta. Isso já nos dava uma ideia das dificuldades que os militares do Pelotão Especial de Fronteira de Maturacá enfrentam diariamente para defender nosso território. Quando desembarcamos da aeronave percebemos que aquilo que ouvíramos na 2ª BdaInfSl era uma realidade: estar naquela região de fronteira é muito difícil e o apoio logístico da FAB é fundamental face o isolamento. ARQUIVO PESSOAL

urante quatro dias, tivemos a oportunidade de estar na Região Amazônica conhecendo o trabalho desenvolvido pela Força Aérea e pelo Exército Brasileiro no norte do país. Nossa viagem ocorreu no mês de julho e teve como destinos Porto Velho, São Gabriel da Cachoeira e Manaus. A expectativa por esta viagem sempre foi muito grande, pois é uma parte do Brasil que poucos conheciam e que todos gostariam de visitar. Além disso, queríamos ver com nossos próprios olhos aquilo que ouvimos com bastante frequência na Academia: as Forças Armadas são essenciais para que o Estado se faça presente na Amazônia. Nossa primeira visita foi à Base Aérea de Porto Velho (BAPV), onde pudemos conhecer duas unidades aéreas. O 2º/3º GAv – Esquadrão Grifo – despertou particular interesse aos que pretendem se tornar pilotos de caça, pois lá vimos jovens oficiais – nossos contemporâneos de AFA em 2011 – voando a aeronave A-29 Super Tucano. A segunda unidade aérea que conhecemos em Porto Velho foi o 2º/8º GAv – Esquadrão Poti. Chamou nossa atenção o helicóptero de ataque AH-2 Sabre operado pelo Poti. Alguns cadetes ainda realizaram voos no A-29 e no AH-2 antes da Turma Cerberus se despedir de Porto Velho.

Um cadete na Amazônia Após a experiência que tivemos em Maturacá, ainda restava conhecer Manaus. Vimos a grandiosidade, a complexidade e a importância de unidades que em breve serão nossos locais de trabalho. Visitamos o CINDACTA IV, o 2º GAAAD, a UCI-MN e as unidades aéreas sediadas na Base Aérea de Manaus (BAMN) – 1º/9º GAv, 7º ETA, 7º/8º GAv e 1º/4º GAv. Foi uma oportunidade única de ver aviadores, intendentes e infantes desempenhando suas funções. Regressamos ao Ninho das Águias diferentes. Além de ver o que o futuro nos reserva, aprendemos que estar defendendo o que é nosso e se fazer presente na vida dos brasileiros é uma missão árdua, depende do esforço de um número muito grande de pessoas e de recursos muitas vezes escassos. Esperamos voltar em breve para engrandecer ainda mais o trabalho das Forças Armadas na Amazônia. Selva! Cadete Aviador Guilherme Krutz

Os cadetes da AFA conheceram diversas unidades militares na Amazônia, incluindo o pelotão de fronteira do Exército em Maturacá (AM)


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DIA DO SOLDADO

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Arthur, Lima e Domingues resgataram vítimas na tragédia da boate Kiss

que teve problemas respiratórios e insônia por alguns dias depois do incêndio. O S1 Jeferson Lima, 23 anos, estava próximo à boate quando percebeu a movimentação. Tinha amigos e conhecidos no local e, ao se deparar com aquele cenário assustador, também resolveu

hesitaram em ajudar como podiam: levando os feridos para as ambulâncias e, infelizmente, resgatando corpos. “Pude ajudar no resgate de muitas pessoas. Ajudei no que pude... Se estivesse em outro incidente parecido faria novamente e, se pudesse, um pouco mais”, conta Anderson,

ajudar retirando as pessoas de dentro do prédio pela única porta existente. Os jovens dentro da boate já lutavam por suas vidas e o S2 Domingues, 20 anos, estava quase no final de seu serviço no Pelotão de Contra Incêndio do Batalhão de Infantaria de Aeronáutica. O pedido de ajuda para combate ao fogo foi feito pelos bombeiros da Brigada Militar e rapidamente todos estavam prontos para o deslocamento. “A vontade de ir era de todos, mas só poderia ir a metade da equipe e fui um dos escolhidos”, relata Domingues. Diante da situação que encontraram, os bombeiros da BASM não ajudaram apenas a apagar as chamas e a resfriar o local, envolveram-se

Trabalho duro

Correndo atrás de um sonho

S oldado de segunda classe Helder Cruz Souza, do efetivo do Batalhão de Infantaria do Sexto Comando Aéreo Regional, é o típico brasileiro com aspirações nobres. Quando

criança, sonhava ser piloto. Desde então passou a traçar seus objetivos. Em 2010 mudou-se de Goiânia para Brasília para servir na Força Aérea. “Ser soldado da FAB era uma das minhas metas ARQUIVO PESSOAL

para que eu conseguisse chegar ao meu objetivo final”, revela. Em 2011 sua carreira na FAB se desviou ligeiramente do caminho: foi selecionado para a missão de paz no Haiti, embarcando para o país em março de 2012. Helder relata como uma experiência inesquecível. “O sorriso das crianças e como a população como um todo nos tratava era e é motivo de muito orgulho por ter desempenhado a missão”. Continuando na busca do seu objetivo, ingressou na faculdade de aviação civil. Acredita que com a conclusão do curso irá realizar seu sonho e terá a carreira que sempre almejou. O soldado Helder fez parte da tropa de paz no Haiti e sonha em se tornar piloto

também na busca e resgate dos sobreviventes. Apesar do conhecimento técnico, o S2 Domingues acredita que mesmo para o bombeiro é muito difícil encarar aquela situação. “A minha motivação era o sentimento, que não sei explicar, que vem depois de ajudar as pessoas. Faria novamente quantas vezes fosse preciso. Só queria ter ajudado mais. Mas essa experiência me fez crescer como bombeiro e, principalmente, como ser humano”, resume o soldado. A boate Kiss tinha autorização para comportar 690 pessoas e estava lotada na hora do incêndio. Apesar dos incansáveis esforços dos soldados e de outros anônimos, 242 pessoas morreram em decorrência da tragédia.

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trabalho começou cedo na vida de Vando Gomes de Araújo, 22 anos, soldado do Batalhão de Infantaria de Aeronáutica Especial do Rio de Janeiro (BINFAE-RJ). Aos 13 anos ele ingressou como artesão na Escola de Samba Mirim Nova Geração do Estácio. O dinheiro era destinado a ajudar sua tia, com quem morava desde bebê devido a problemas de saúde da mãe. Durante a adolescência, Vando trabalhou como garçom, monitor de festas infantis até que, aos 16 anos, conseguiu uma vaga na Fundação da Infância e Adolescência (FIA) como aprendiz, realizando serviços de escritório. O militarismo surgiu na vida do Soldado por meio de um amigo da família, que o incentivou a prestar o serviço militar obrigatório na Força

3S ROCHA / III COMAR

m meio ao fogo, fumaça tóxica e gritos de centenas de jovens vítimas do incêndio na boate Kiss, em Santa Maria (RS), toda a ajuda possível – improvisada ou profissional – era necessária. Naquela noite, muitas pessoas comuns arriscaram a própria vida tentando ajudar aos outros. Os soldados da Base Aérea de Santa Maria (BASM), Jeferson Lima, Pedro Arthur Zanini Santana Lourenço, Anderson Lima de Campos e Lucas Domingues, viveram aquela situação extrema e precisaram tomar atitudes rápidas e corajosas. Quando o incêndio começou, o S1 Arthur e o S2 Lima, ambos de 21 anos, estavam na boate e, apesar de também serem vítimas da tragédia que se desenrolava, não

BASM

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Soldados heróis

Vando é soldado no BINFAE-RJ

Aérea Brasileira. Vando se formou S2 no BINFAE-RJ na segunda turma de 2010, e sonha seguir carreira na FAB. “Já tentei e vou continuar tentando passar na prova para S1. Estou fazendo o curso de técnico em administração e quero fazer faculdade nessa área. Mas meu sonho é ser Sargento da FAB”, afirmou.


Jornal NOTAER - Edição de setembro de 2013  
Jornal NOTAER - Edição de setembro de 2013  

SEGURANÇA DE VOO - Simpósio do CENIPA alerta para número de acidentes

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