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Ano XXXV

Nº 07

Julho, 2012

ISSN 1518-8558

FAB prepara 4º contingente para o Haiti SOLIDARIEDADE

Sgt Johnson/ CECOMSAER

Sgt Cícero Roberto/ BACG

Dez toneladas de alimentos arrecadados em Portões Abertos beneficiam 42 entidades em Campo Grande (Pág 12)

RIO+20: Forças Especiais atuam na segurança da Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável. Saiba como foi a participação da Força Aérea Brasileira (Pág 8 a 10)

ASAS ROTATIVAS

BUSCA E RESGATE

Formação técnica-profissional complementa treinamento de soldados em Brasília. Primeira fase do projeto “A Base da Base” oferece curso de auxiliar de escritório para 70 recrutras. (Pág 12)

Esquadrão Poti vence competição de helicópteros de combate realizada em Campo Grande (MS). Seis esquadrões participaram do Segundo Torneio de Asas Rotativas (II TAAR) (Pág 11)

Esquadrão Puma realiza 95 missões de busca e resgate durante manobra no litoral do Rio de Janeiro. Entenda por que o resgate na água é uma das modalidades mais complicadas (Pág 7)

OPERAÇÃO S1 Diego/ AFA

TREINAMENTO

Anhanguera I reúne 390 recrutas para exercício de campanha em Pirassununga (Pág 13)


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Expediente

CARTA AO LEITOR

Experiência acumulada A Rio+20 acabou, mas a experiência que acumulamos com este evento mundial é algo importantíssimo. Os números do balanço da operação que envolveu mais de cinco mil militares da Força Aérea – no total foram mais de 20 mil militares e civis que trabalharam na segurança do evento - é um parâmetro para as grandes competições que o país sediará nos próximos anos, como a Copa 2014 e as Olimpíadas de 2016. Os números divulgados pelo Centro de Gerenciamento da Navegação Aérea (CGNA) comprovam que o esquema especial de gerenciamento conseguiu evitar impacto no tráfego aéreo. As nossas forças especiais

trabalharam sem serem percebidas, o que faz parte da incumbência destes homens, para manter a segurança do evento. Além disso, um fato desperta nossa atenção. O projeto dos alunos de um dos colégios mantidos pela FAB, apresentado na Conferência, mobilizou a comunidade escolar em torno de um propósito: a mudança de hábitos. Ao falar de uma conferência com alcance global, são as atitudes de cada um que refletem a consciência prática, as mudanças imediatas na nossa vida. Um outro caso de experiência é a atuação da FAB no Haiti. O 4º contingente, sediado em Natal (RN)

já iniciou a preparação. No final do ano, eles embarcam para contribuir com o país na missão de manutenção da paz. Neste mês, o Notaer traz ainda matérias sobre segurança de voo, as novidades de Alcântara a partir da retomada dos testes na nova plataforma de lançamento de satélites, o treinamento dos militares em operações por todo o Brasil e a solidariedade do povo brasileiro, onde a FAB entra como coadjuvante na aproximação de instituições beneficentes e população. Boa leitura! Brig Ar Marcelo Kanitz Damasceno Chefe do CECOMSAER

O jornal NOTAER é uma publicação mensal do Centro de Comunicação Social da Aeronáutica (CECOMSAER), voltado ao público interno. Chefe do CECOMSAER: Brigadeiro do Ar Marcelo Kanitz Damasceno Chefe da Divisão de Comunicação Corporativa: Coronel-Aviador Gustavo Alberto Krüger Chefe da Divisão de Comunicação Integrada: Coronel-Aviador Antonio Pereira da Silva Filho Chefe da Divisão de Apoio à Comunicação: Tenente-Coronel-Aviador Mário Sérgio Rodrigues da Costa Chefe da Subdivisão de Produção e Divulgação: Tenente-Coronel-Aviador João Carlos Araújo Amaral Chefe da Agência Força Aérea: MajorAviador Rodrigo José Fontes de Almeida Chefe da Seção de Divulgação: CapitãoAviador Diogo Piassi Dalvi Tiragem: 30.000 exemplares Jornalista Responsável: Tenente Jussara Peccini (MTB 01975-SC)

PENSANDO EM INTELIGÊNCIA

Inspeção de Segurança Orgânica, para que serve? Ao longo do processo de planejamento e de execução da ação política, os responsáveis pela decisão, em qualquer nível hierárquico, necessitam de conhecimentos que lhes permitam identificar quais riscos podem influenciar o cumprimento dos objetivos de sua organização. Sendo assim, determinar os pontos vulneráveis e avaliar os possíveis impactos a serem causados no caso de um ataque contra os ativos de uma OM é de fundamental importância para a implementação de medidas que possam reduzir os riscos a um valor aceitável. Como parte desse processo, a Segurança Orgânica visa a obter um grau de proteção ideal, por meio da adoção eficaz e consciente de um conjunto de medidas destinadas a prevenir e obstruir as ações de qualquer natureza que ameacem a salvaguarda de dados, conhecimentos e seus suportes de interesse do COMAER.

Dessa forma, as medidas de Segurança Orgânica dedicam-se à proteção direta dos dados e de conhecimentos e atua objetivamente sobre seus suportes: o pessoal, a documentação, o material, os meios de tecnologia da informação e as áreas e instalações. Como forma de assessorar os Comandantes, Chefes e Diretores, o CIAER é o responsável por realizar Inspeções de Segurança Orgânica destinadas a identificar as vulnerabilidades, as ameaças e a propor medidas e procedimentos para salvaguardar as áreas e os assuntos sensíveis e/ ou sigilosos das Organizações do COMAER. Cada inspeção é composta por Analistas de Inteligência cujas experiências técnico-profissionais imprimem um caráter abrangente e com a profundidade adequada ao trabalho de assessoramento. Ao final de cada Inspeção de Segurança Orgânica é elaborado um relatório contendo as medidas consa-

gradas pela Doutrina de Inteligência, cuja estrutura é subdividida em três partes, sendo que a primeira relata o aspecto observado sobre determinado assunto, a segunda tece considerações sobre as possíveis implicações daqueles fatos, enquanto que a terceira recomenda ações que podem minimizar ou, até mesmo, corrigir o eventual problema. Cabe esclarecer que as Inspeções de Segurança Orgânica podem ser solicitadas diretamente ao CIAER, em qualquer época do ano, e que o relatório com o delineamento da situação de Segurança Orgânica da OM é encaminhado única e exclusivamente ao solicitante. Por fim, considere que a forma mais eficiente para se reduzir os riscos de sucesso de ações adversas é a participação de todos os integrantes do COMAER na execução de medidas de Segurança Orgânica. (Centro de Inteligência da Aeronáutica)

Repórteres (JOR): Tenente Cesar Guerrero, Tenente Alessandro Silva, Tenente Marcia Silva, Tenente Gabriela Hollenbach (BAFL), Tenente Emília Cristina (V COMAR), Tenente Flávio Nishimori, Tenente Humberto Leite, Tenente Glória (III COMAR), Tenente Roberta (VI COMAR), Tenente Willian Cavalcati, Tenente Jussara Peccini, Tenente Jefferson (IV COMAR) e Neli Trindade (CENIPA). Colaboradores: CIAER e SISCOMSAE (textos enviados ao CECOMSAER, via Sistema Kataná, por diversas unidades) Diagramação, Arte e Infográficos: Sargento Rafael da Costa Lopes e Cabo Lucas Maurício Alves Zigunow Revisão: Ten Cel Amaral, Maj Fontes e Ten Nishimori Estão autorizadas transcrições integrais ou parciais das matérias, desde que mencionada a fonte. Comentários e sugestões de pauta sobre aviação militar devem ser enviados para: redacao@fab.mil.br Esplanada dos Ministérios - Bloco “M” - 7º andar CEP - 70045-900 / Brasília - DF

Impressão e Acabamento: Log & Print Gráfica e Logística S.A


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PALAVRAS DO COMANDANTE

Sgt Rezende/ CECOMSAER

Força Aérea é formada por homens e mulheres de todos os recantos deste país distribuídos em todos os postos e especializações. Cerca de 30 mil destes profissionais estão no primeiro posto da carreira militar: os soldados. Ao abrir as portas para estes jovens, a FAB assume não só a tarefa de formar combatentes, mas também a responsabilidade de contribuir para a formação de mais cidadãos brasileiros. Porém, nossa preocupação vai além. Incentivamos que estas pessoas continuem estudando, aperfeiçoando os conhecimentos, estabelecendo novas metas que levem ao crescimento pessoal e profissional. Capacitar este militar é fundamental. Ele está na linha de frente, em contato direto com a população. O leitor atento vai perceber que o militar na capa deste jornal é soldado. Ele está entregando às entidades de Campo Grande alimentos que, com certeza, serão essenciais para a vida daquelas pessoas. É confiada também aos soldados a responsabilidade de

Sgt Simo/ CECOMSAER

PR

A

manter as unidades em funcionamento 24 horas por dia durante 365 dias do ano. Serviços essenciais, aos quais pouco prestamos atenção, mas que estão sempre à disposição dos usuários das unidades militares. São soldados também os voluntários que estão ajudando a abastecer os estoques de sangue em hemocentros Brasil afora. Em poucos dias, os soldados na fase final do curso preparatório durante a Operação Anhanguera estarão exercendo suas atividades nas unidades da região de São Paulo. Na maioria, também são soldados os militares que representam o Brasil e a FAB nas ruas de Porto Príncipe, no Haiti, na missão de manutenção de paz. A história comprova que a perseverança, numa batalha diária vencendo adversidades, dos militares que iniciaram a carreira no primeiro degrau os levaram para postos mais elevados. E, acima de tudo, a doutrina que aprenderam nesta fase da vida os acompanha até hoje. É a garra de soldado presente no trabalho diário que constrói grandes homens. Temos que ter presente que as sementes plantadas hoje geram impacto nas futuras gerações.

Sgt Johnson/ CECOMSAER

Tenente-Brigadeiro do Ar Juniti Saito Comandante da Aeronáutica

Sgt Rezende/ CECOMSAER

CB V. Santos/ CECOMSAER

Sgt Johnson/ CECOMSAER

Somos todos soldados


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ACONTECE

FOTOS: ARQUIVO/ FAYS

Envie as informações sobre a sua unidade via Sistema Kataná.

França - O Instituto de Pesquisas e Ensaios em Voo (IPEV) recebeu (de 28/5 a 6/6) a visita de alunos e instrutores da École du Personnel Navigant d’Essais et de Réception (EPNER), unidade de formação em ensaios em voo da França. O objetivo principal do encontro foi proceder a

avaliação sumária da aeronave C-97 Brasília por parte dos futuros pilotos e engenheiros de prova, como exercício final do curso de formação da escola francesa. Eles realizaram também voos de avaliação qualitativa nas aeronaves A-29 Super Tucano, AT-26 Xavante e Embraer Phenom 300. A Divisão de Formação em Ensaios em Voo (EFEV) do IPEV é a escola brasileira de ensaios em voo reconhecida internacionalmente pela Society of Experimental Test Pilots (SETP). Atualmente no mundo apenas EUA, França, Inglaterra, Índia e Brasil possuem escolas de ensaio em voo com reconhecimento. China - Uma comitiva da Força Aérea Chinesa, liderada pelo Brigadeiro Wang Yisheng, vice-chefe do Estado Maior da Força Aérea da China, conheceu (5/6) as instalações da Base Aérea de Campo Grande (BACG) e os esquadrões sediados, demonstrando interesse, principalmente, pelo sistema de busca e resgate do Esquadrão Pelicano (2º/10º GAV).

Troca da Bandeira Nacional - Doze pacientes do Hospital Sarah Kubitschek e seus familiares acompanharam a solenidade de substituição da Bandeira Nacional realizada em 01/7 na Praça dos Três Poderes, no DF. Eles fazem parte do Programa de Humanização da

instituição, que desde janeiro deste ano leva pacientes em processo de recuperação para assistirem a solenidade. Segundo um dos coordenadores do programa, o psicólogo Ygor Lustosa, esta é uma oportunidade para os pacientes se reintegrarem a comunidade.

trabalho na contemporaneidade foram os temas de palestras, dinâmicas de grupos, debates e apresentações realizadas para 299 soldados neste semestre no Rio de Janeiro. Eles integram o Projeto de Atenção Integral aos Recrutas do Batalhão de Infantaria de Aeronáutica Especial do Rio de Janeiro (BINFAE-RJ), programa desenvolvido pelo Núcleo de Serviço Social do Rio de Janeiro (NUSESO- RJ) que contribui para o preparo dos jovens à vida militar, além de promover melhores condições de qualidade de vida no trabalho e prevenção de situações sociais e de saúde inerentes à faixa etária dos recrutas.

INTERCÂMBIO

ANIVERSÁRIOS

serviços de meteorologia, informações aeronáuticas e comunicações às Unidades Aéreas sediadas, desdobradas, bem como às aeronaves em trânsito na Base Aérea de Canoas (BACO).

Sgt Rezende/ CECOMSAER

Fazenda da Aeronáutica de Pirassununga (FAYS) – A fazenda, que completou 64 anos em 15/6, tem como missão ocupar produtivamente as áreas destinadas à instalação da Academia da Força Aérea (AFA), ainda não utilizadas, com atividades agroindustriais, de modo a apoiar a formação dos futuros oficiais da Força Aérea Brasileira (FAB). Atualmente, são produzidos, em média, 55 mil litros de leite por mês, que são processados na própria fazenda, em queijo minas, iogurtes e leite tipo A. Além dos laticínios, a unidade cultiva laranja, feno, soja, cana de açúcar, milho, e mantém um plantel de aproximadamente 1.300 suínos, dos quais cerca de 200 são abatidos mensalmente. Os produtos abastecem regularmente as unidades subordinadas ao Quarto Comando Aéreo Regional (IV COMAR). Eventualmente, outras unidades da FAB também são atendidas com os produtos, como a Casa Gerontológica, no Rio de Janeiro. Destacamento de Controle do Espaço Aéreo de Canoas (DTCEA – CO) – Conhecido como Esquadrão Coruja, a unidade celebrou os 65 anos com uma solenidade militar. A missão do Esquadrão é apoiar o tráfego aéreo, com

SOLDADOS Recruta Sangue Bom - Após uma campanha de conscientização, 35 militares da Base Aérea de Florianópolis (BAFL) doaram sangue ao Centro de Hematologia e Hemoterapia de Santa Catarina (HEMOSC). A iniciativa faz parte das atividades do Projeto Recruta Sangue Bom 2012. Segundo a responsável pelo Setor de Captação de Doadores do HEMOSC, Deise Vicente Oliveira Veloso, além de ajudar a manter os estoques de sangue, o ato contribui para a conscientização de uma população mais solidária e participativa. Projeto multidisciplinar – Educação financeira, direitos sociais, alimentação saudável, direção defensiva, crimes e transgressões disciplinares, uso de álcool e drogas, mercado de


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SEGURANÇA DE VOO

Equipe vai atuar no aprimoramento da segurança

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a participação do homem. Dentre os fatores contribuintes que podem deflagrar o caos, há uma lista interminável de situações estressantes na aviação, tais como erro de julgamento, falha de planejamento, falta de supervisão ou atitude, falha de comunicação, desatenção, falta de coordenação entre a equipe de tripulantes e outros. A nova metodologia é uma forma de influenciar na melhoria da segurança aérea. Na concepção do Chefe do CENIPA, Brigadeiro do Ar Luis Roberto do Carmo Lourenço, a criação da Assessoria de Fatores Humanos reflete a importância dada à contribuição dos aspectos psicológicos, médicos e operacionais na aviação brasileira. A atuação de profissionais implica desenvolvimento de estratégias para resguardar os fatores humanos e mitigar os riscos na atividade aérea. “A intenção é levar o bem-estar para as organizações de trabalho e aprimorar o desempenho do sistema aeronáutico, pelos estudos e pesquisas na adoção de técnicas e ferramentas de prevenção

S2 Gilberto/ CLA

Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CENIPA) criou a Assessoria de Fatores Humanos que vai aprofundar a pesquisa e a análise de fatores humanos no contexto da segurança de voo. A nova estrutura é composta por uma equipe multidisciplinar que inclui profissionais de medicina, psicologia e aspectos operacionais, como engenheiros e mecânicos. Para a Chefe da Assessoria, Tenente-Coronel Laura Suely Cavalcante Marcolino da Silva, o trabalho consolida cada vez mais as diretrizes do Sistema de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (SIPAER). “Atuar em equipe significa um ganho de autonomia que prioriza o planejamento e a execução das ações de apoio de forma mais eficaz no contexto da investigação e da prevenção”, esclarece ela. Na aviação, a falha humana aparece com os maiores índices nos aspectos operacionais. De acordo com dados levantados pelo CENIPA, mais de 80% dos acidentes aéreos envolvem direta ou indiretamente

Operação Salina testa integração do mock up com nova torre

FOTO CENIPA

De acordo com CENIPA, a nova assessoria tem papel fundamental para evitar falha humana como fator contribuinte

Equipe multidisciplinar atua para influenciar na melhoria da segurança de voo

de acidentes, afirma o Brigadeiro. A assessoria conta com oito psicólogas: quatro em Brasília e quatro nos serviços regionais de Porto Alegre, São Paulo, Rio de Janeiro e Belém. Embora as áreas de medicina e fatores operacionais estejam em fase de formação de seu quadro de pessoal, a assessoria apresenta

várias frentes de trabalho em andamento tais como o processo de formação e capacitação dos técnicos de segurança de voo, missões de vistorias de prevenção, supervisão das atividades dos Serviços Regionais (SERIPAS), revisão de normas e regulamentos de fatores humanos e o Plano de Trabalho Anual.

VLS-1 é testado na nova torre

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Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), no Maranhão, realiza até julho testes de integração do mock up (maquete em tamanho real) do Veículo Lançador de Satélites (VLS-1) na nova Torre Móvel de Integração. Os ensaios fazem parte da Operação Salina realizada pelo Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), do Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA). O principal objetivo do exercício que marca a retomada das atividades operacionais na torre ( plataforma de lançamento) são os ensaios e simulações para a verificação da integração

física, elétrica e lógica da torre e dos meios de solo do CLA, associados à preparação para voo do VLS-1. De acordo com o Coordenador Geral da Operação IAE, Tenente-Coronel Engenheiro Alberto Walter da Silva Mello Junior, essa é a fase essencial do projeto. “Qualquer programa espacial envolve, antes do lançamento, testar as interfaces mecânicas porque as partes mecânicas são extremamente complexas. Com o término da operação, vamos ter a certeza de que a torre, o CLA e o nosso pessoal estão em condições de realizar uma operação real de lançamento”.


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REAPARELHAMENTO

Caça A-1 modernizado voa pela primeira vez

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primeiro voo da aeronave de caça A-1 modernizada foi realizado (19/6) na fábrica da Embraer, em Gavião Peixoto, no interior paulista. Na cerimônia de demonstração do protótipo, o Comandante da Aeronáutica, Tenente-Brigadeiro do Ar Juniti Saito, explicou que o A-1 está recebendo sistemas modernos, semelhantes aos que já equipam outras aeronaves de caça brasileiras: F-5M e A-29. “A similaridade entre os aviônicos destas aeronaves ajudará na adaptação dos nossos pilotos e representa uma padronização que oferece inúmeras vantagens operacionais, tais como o aprimoramento da doutrina de emprego da FAB e o melhor rendimento das horas de voo”, afirmou o Comandante. O contrato entre a FAB e a Embraer prevê a revitalização e a modernização de 43 caças subsônicos A-1, nas versões A e B. As aeronaves que estão sendo modernizadas passarão por ensaios em voo, que incluem avaliação de desempenho e validação aerodinâmica, com teste das novas configu-

rações de cargas externas (bombas e mísseis). Dez aeronaves já estão nas instalações da Embraer. Segundo a empresa, as primeiras entregas serão em 2013. “Após cerca de 20 anos de operação, o projeto do A-1 se revela como uma grande plataforma. Agora, com novos equipamentos, com capacidade de autodefesa maior e de transportar mais armamentos, é a confirmação que ele continua moderno e capaz de cumprir as missões para as quais foi desenhado na década de 80”, afirmou o presidente da Comissão Coordenadora do Programa Aeronave de Combate (COPAC), Brigadeiro do Ar Carlos de Almeida Baptista Junior. As aeronaves A-1 estão passando por uma revitalização estrutural e vão receber novos equipamentos, entre eles o radar SCP-01, com modos ar-ar, ar-solo e ar-mar. Serão mantidas características elogiadas da aeronave, como o raio de ação, a capacidade de reabastecimento em voo e os dois canhões de 30mm. Além do radar, os caças serão

Projeto KC-390 FAB ganha reforço

CB V. Santos/ CECOMSAER

Aeronave, que recebeu novos sistemas eletrônicos e revitalização estrutural, agora vai passar por ensaios em voo

Primeiro voo da aeronave de caça A-1 modernizado realizado em Gavião Peixoto, SP

atualizados o sistema integrado de autodefesa com alerta de detecção de radar (RWR), contramedidas (AECM) e lançadores de iscas para mísseis (chaff e flare), além do novo sistema de aproximação de mísseis (MAWS). Os A-1M também terão sistemas de reconhecimento e designação de alvos, além do Skyshield, que tem a

capacidade de bloquear e despistar radares de busca em solo. Entrega de aeronaves - Na ocasião, a Embraer entregou o 99º e último A-29 Super Tucano e os dois últimos caças F-5M do lote de 46 aeronaves modernizadas. Em breve, mais 11 F-5 comprados pela FAB da Jordânia deverão ser modernizados.

PATRULHA

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riado pela Embraer a partir de um requisito operacional da Força Aérea Brasileira de um novo avião de transporte e reabastecimento em voo, o projeto do KC-390 conta agora com a participação da Boeing. As duas empresas assinaram (26/6), em São Paulo (SP), um acordo de cooperação para troca de conhecimentos técnicos e avaliação conjunta de oportunidades de mercado para o KC-390. “Este acordo reforçará a posição de destaque do KC-390 no mercado global de transporte militar”, disse Luiz Carlos Aguiar, Presidente da Embraer Defesa e Segurança. O avião já conta hoje com cerca de 60 inten-

ções de compra do Brasil, Argentina, Chile, Colômbia, Portugal e República Tcheca, mas a expectativa das empresas é de alcançar mais vendas. “A Boeing tem grande experiência em aeronaves militares de transporte e reabastecimento em voo, assim como profundo conhecimento de clientes potenciais para o KC-390, em especial nos mercados que não foram incluídos no nosso plano de marketing original”, completou Aguiar. O primeiro protótipo do KC-390 deve voar em 2014, e está prevista para 2016 a entrega das primeiras unidades. O desenvolvimento do projeto iniciou-se em 2009.

Sgt Batista / CECOMSAER

Embraer assina acordo de cooperação com a Boeing

Pela primeira vez desde que foi adquirida a aeronave de patrulha marítima P-3AM Orion pôde ser vista por dentro. A foto do interior da aeronave foi realizada durante um dos voos de treinamento em diversas capitais do País. Segundo o piloto da aeronave

e chefe de operações do Esquadrão Orungan (1º/7º GAv), Major-Aviador José Henrique Kaipper, o treinamento é importante para verificar como a aeronave se comporta nos diferentes pontos do País, com as mudanças climáticas e geográficas.


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OPERAÇÕES

Puma treina resgate no litoral carioca

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É com esta missão que o Esquadrão Puma realizou no início de junho, na Praia do Pontal, em Arraial do Cabo, região dos Lagos do Rio de Janeiro, o Exercício PABEFI XXI. O exercício reuniu 110 militares que cumpriram 95 missões. O objetivo da FAB é manter os militares treinados para atuarem em caso de acidentes no mar ou desastres naturais. As tripulações do esquadrão treinaram procedimentos do método inglês de içamento, mais conhecido como “Kapoff”. Este método preconiza a execução de fraseologia e circuitos de tráfego específicos, com a finalidade de retirar o sobrevivente, por meio de alça de salvamento ou maca, reduzindo, sobremaneira, o tempo do socorro e a exposição da aeronave, equipe de resgate e sobrevivente.

Ten Perdoná/ Esq ADELPHI

sucesso de uma operação de resgate depende da qualificação operacional e do entrosamento das equipagens. Quando a missão é realizada no mar, esses pré-requisitos tornam-se mais relevantes ainda. “O resgate no mar está entre os mais complicados de serem realizados”, afirma o Tenente-Aviador Pedro Felipe de Assis Silva, Oficial de comunicação social do Esquadrão Puma (3º/8º GAV). “Por ser no mar, não há referências. A visualização da vítima é mais difícil, temos que lançar sinalizadores na água e trabalhar com a posição do vento” explica o Oficial. A máquina também interfere. Num resgate na água, a autonomia do helicóptero Super Puma, que é em torno de 4h50, é reduzida para três horas por conta do peso do equipamento e da equipe.

Esquadrão Puma

Falta de referência no mar coloca a modalidade entre as manobras de resgate mais complicadas de serem realizadas

Exercício realizado no litoral do Rio reuniu 110 militares para cumprir 95 missões

DELTA - Combate ao narcotráfico na fronteira

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Exercício Operacional Delta 2012 (EXOP-2012) realizado em São José do Rio Preto, aproximadamente 600 km da capital paulista, simula o combate ao narcotráfico em região de fronteira do Brasil. Nesse cenário, a missão da Força Aérea Brasileira (FAB) é dar sustentação ao combate de grupos terrestres. O objetivo é proporcionar o aprimoramento da

capacidade de planejar, coordenar e executar a mobilização do Quarto Esquadrão de Transporte Aéreo (4º ETA), sediado em São Paulo. Participaram do treinamento 88 militares, que encerrou em 4/7. Aeronaves C-95 Bandeirante fizeram lançamento de suprimentos, voo a baixa altura, voo em formação tática, interação técnica e mecânica.

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Exercício Colina II realizado pelo Esquadrão Adelphi (1º/16º GAV) no mês de junho treinou os militares para o emprego da aeronave como plataforma de armamento nos períodos diurno e noturno, para qualificar e medir a eficiência de suas equipagens. A

manobra para o emprego de armamento inerte foi realizada na área Saicã, próximo à cidade de Cacequi (RS), que fica a 130 km a oeste da cidade de Santa Maria (RS). O treinamento também contemplou o lançamento de bombas reais de emprego geral.

Ten Jefferson/ IV COMAR

Adelphi treina emprego de armamento


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RIO + 20

Quem são os militares que receberam as autoridades ma cena virou rotina na Base Aérea do Galeão (BAGL). Ao som marcial da corneta, a tropa presta continência e anuncia a chegada da autoridade. Em minutos, a comitiva entra nos carros e segue para os compromissos na Conferência sobre Sustentabilidade da Organização das Nações Unidas, a Rio+20. É nessa hora que o recruta Diogo de Souza, 19 anos, liga para a namorada. “Recebi o Chefe de Estado de tal país. Dá uma olhada se eu vou aparecer na televisão”. O colega, Douglas Santos, 18 anos, liga para casa. “Mãe, eu recebi o Presidente de tal país. Ela sai comentando pra todo mundo”. Os dois fazem parte do grupo de militares da Força Aérea responsáveis por fazer a Ala, honraria para o desembarque de autoridades em áreas militares da FAB. Eles se consideram privilegiados. Com tantos curiosos em busca de ver só por um instante os Chefes de Estado estrangeiros, os soldados da FAB ficam perto deles. É por pouco tempo, mas o suficiente para encher de orgulho os recrutas. “Depois que a comitiva vai embora, a gente se afasta um pouquinho do avião e faz a foto para aparecer”,

conta Diego Figueiredo. É uma chance também de matar as saudades de amigos e familiares: na Rio + 20 eles já chegaram a passar 24 horas de prontidão para receber os aviões dos Chefes de Estado. Sonho - A chegada do Presidente da Nigéria, Goodluck Jonathan foi inesquecível. “Ele parou no tapete, olhou para cada um, prestou continência de volta”, conta Diego. Mas um sonho perseguido por todos é fazer Ala para a Presidenta Dilma Roussef. “Já honramos muitos Chefes de Estado estrangeiros. Tinha vontade mesmo era de fazer isso pela nossa Presidenta”, sonha Douglas Silva. Com menos de 20 anos, nenhum deles tinha nascido ainda na época da Eco 92. Eles entraram na Aeronáutica há menos de quatro meses, pelo Alistamento Militar, sem ter ideia de que trabalhariam no evento nem a importância das discussões ambientais que acontecem no Rio de Janeiro. Mas sabem que é alguma coisa importante. “O Sargento falou lá com a gente. É sobre sustentabilidade”. Já Diego torce para mais eventos assim: “Quanto mais autoridades vierem, mais Ala nós vamos fazer!”.

ALA: a honraria para o desembarque de autoridades é feita pelos soldados

Na formatura de Douglas Santos, Diego, Douglas Silva e Diogo, em 28/6, eles foram declarados Soldados da Força Aérea Brasileira. É a patente mais simples nas Forças Armadas, mas o suficiente para orgulhar a mãe. “Ver aquela criança crescendo, desde pequeninho acompanhando,

sabendo que um dia virou o que virou, ser um grande homem, honrar a Bandeira Nacional... a minha mãe fica realmente muito orgulhosa”, diz Douglas Santos, já vestido de uniforme azul e com capacete, luva e cinto, pronto para receber mais um presidente.

FORÇAS ESPECIAIS NA RIO+20

Sgt Johnson/ CECOMSAER

U

Sgt Johnson/ CECOMSAER

Recrutas ficaram até 24horas de prontidão para receber 99 comitivas num único dia

Com máscaras negras sobre o rosto e mantendo o anonimato, os homens do Esquadrão Aeroterrestre de Salvamento (EAS), unidade especializada em operações especiais da Força Aérea Brasileira (FAB) participaram da Rio + 20 sem serem vistos, mas de olho nas aeronaves que transportaram 66 comitivas estrangeiras ao Rio de Janeiro. “Não basta só ter coragem. É preciso também estudar muito, ter conhecimento doutrinário, estar ligado nas mais recentes estratégias utilizadas ao redor do mundo”, explica um capitão formado em Infantaria pela Academia da Força Aérea e com cursos de Comandos e Operações Especiais, paraquedismo, mergulho, salto livre, tiro de precisão (sniper), dentre outros. Dependendo da missão, cada membro do grupo precisa utilizar várias técnicas, armamentos e equipamentos que variam de acordo com a situação tática, como óculos de visão noturna (NVG). Para entrar no grupo é preciso passar por um rigoroso processo seletivo, que inclui avaliação das capacidades físicas e psicológicas.


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RIO+20

Colégio apresenta projeto em Conferência da ONU

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s alunas Natália Werneck, Alessandra Lemos, Laisa Bittencourt, Letícia Feitosa, Jhéssica Naiara Martins e Lawrraine Passos foram as responsáveis por representar o Colégio Brigadeiro Newton Braga (CBNB), instituição de ensino mantida pelo Comando da Aeronáutica no Rio de Janeiro, durante a Feira de Meio Ambiente, Ciência e Tecnologia da Rio+20. O evento realizado no Armazém 4, no Pier Mauá, entre os dias 12 e 14 de junho, reuniu dois mil projetos sobre sustentabilidade. Elas apresentaram o projeto “Coleta do óleo usado: preservar o meio ambiente e adquirir melhores alternativas para a saúde” desenvolvido desde março deste ano na instituição de ensino. “A finalidade é promover a sustentabilidade, a consciência com relação à saúde, além da preservação do meio ambiente”, disse a aluna

Letícia Feitosa. O projeto, coordenado pelo professor de Química do CBNB, Suboficial Marcelo Delena Trancoso, mobilizou toda a escola. Segundo ele, a quantidade de óleo coletado indica modificações de hábitos. Em quatro meses, a escola contabilizou 152 litros de óleo coletado. “As pessoas estão colaborando, evitando reutilizar o óleo. Também não estão jogando na pia ou no solo, contribuindo ativamente para melhoria da saúde e conservação do meio ambiente”, avalia o professor. Parte do óleo arrecadado e que não foi transformado em sabão, foi doado para uma cooperativa disk-óleo usado, que em troca forneceu materiais de limpeza, como panos de chão, vassouras e desinfetantes. Os sabonetes produzidos foram destinados para o uso do colégio.

S2 Antunes/ III COMAR

A coleta de óleo de cozinha usado contribui para a mudança de hábitos na escola mantida pela Força Aérea

Projeto apresentado na Rio+20 indica modificações de hábitos

DEFESA AÉREA NA RIO+20

Garantir a segurança de aeroportos e do espaço aéreo. Essa foi a missão da Força Aérea Brasileira na Conferência Rio + 20, que reuniu no Brasil representantes de mais de 90 países. Ao longo de duas semanas, em junho, foram implementadas áreas com restrição para voos. Aeronaves de combate vigiaram os céus do Rio de Janeiro, ao mesmo tempo em que tropas especiais cuidaram da segurança nos aeroportos que receberam as delegações estrangeiras. Veja algumas das ações efetuadas: 1. O Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA) emitiu informações-avisos sobre as regras de segurança do espaço aéreo no Rio de Janeiro, para o período de 8 e 23 de junho. Foram definidas áreas de sobrevoo proibido e outras com restrições. 2. Houve um planejamento para que a operação nos Aeroportos do Galeão e Santos Dumont não fosse prejudicada. O Centro de Gerenciamento da Navegação Aérea (CGNA) acompanhou todos os voos, e, ao lado de representantes da Infraero, ANAC e empresas aéreas, ajustou o volume de tráfego. 3. A partir da Base Aérea de Santa Cruz, caças F-5M e A-29 Super Tucano ficaram de prontidão para inteceptar eventuais voos que descumprissem as áreas de restrições de voo. 4. Na Base Aérea dos Afonsos, helicópteros da FAB, do Exército Brasileiro, da Marinha do Brasil e de órgãos de segurança pública apoiaram o esquema de segurança. Os H-60 Blackhawk e AH-2 Sabre da FAB tiveram como missão específica a defesa do espaço aéreo contra alvos de baixa velocidade. Arte: CB Zigonow/ CECOMSAER


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BALANÇO DA RIO +20

Balanço: gerenciamento evita impacto no tráfego aéreo

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esquema especial, montado para gerenciar o tráfego de aeronaves para os aeroportos do Rio de Janeiro durante a Rio+20 obteve sucesso e fluiu conforme o previsto. O índice de atrasos de voos no período da Conferência foi até menor que o registrado regularmente. Entre 16 e 23 de junho, período de maior movimento de aeronaves de delegações, 9,3% dos voos do Galeão e 8,4% dos voos do Santos Dumont tiveram atrasos superiores a 30 minutos. Os números da Infraero apontam que o índice médio de atraso nesses aeroportos é de 12,1% e 13,1%, respectivamente. De acordo com o chefe do Centro de Gerenciamento da Navegação

Aérea (CGNA), Tenente-Coronel-Aviador Ary Bertolino, em nenhum momento esses aeroportos operaram acima de 80% da sua capacidade, conforme recomenda a Organização da Aviação Civil Internacional ,como norma de segurança. “Os aviões que participaram do evento foram totalmente absorvidos no aeroporto do Galeão”, explica. A coordenação do tráfego aéreo durante a Rio+20 também pôde ser considerada um treinamento do setor para a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016. “Foi criada uma Sala de Operações, nos mesmos moldes utilizadas nas manobras militares, que se mostrou bastante adequada”, afirmou.

Números 3.042 pousos e decolagens do aeroporto do Galeão entre 18 e 24 de junho

118

pousos e decolagens de voos oficiais de comitivas estrangeiras

74 aviões

de comitivas estrangeiras passaram pela Base Aérea do Galeão

63 Chefes de Estado desembarcaram e embarcaram na Base Aérea do Galeão 121 voos regulares com autoridades 40 movimentos aéreos em uma hora - pico de opera-

ção no aeroporto do Galeão, às 21h de 20 de junho

3.200 militares da FAB somente na Base Aérea do

Galeão

SAÚDE

Quais os cuidados para evitar as doenças de inverno? Saiba o que fazer quando caem as temperaturas no Sul e a umidade no Planalto Central

O

inverno, que iniciou em 21/6, é uma estação discrepante entre as regiões brasileiras. No Planalto Central, o clima seco é responsável por fazer adultos e crianças manifestarem doenças respiratórias. No Sul do Brasil, as temperaturas que caem abaixo de zero grau provocam o aparecimento de resfriados e viroses. Veja o que fazer para prevenir o corpo dos efeitos do inverno: Planalto Central – O clima seco não atinge só o Distrito Federal. Quem vive nos estados de Tocantins, Mato Grosso e Goiás também sofre as consequências da umidade relativa do ar baixa. A estiagem e a temperatura na casa dos 12°C provocam o aparecimento de doenças respiratórias. “Infecções das vias aéreas superiores, resfriados comuns, gripe, rinite alérgica e desidratação são comuns nessa época do ano”, explica o Tenente Médico Gustavo Cunha, do Sexto Serviço

Regional de Saúde (SERSA-6). Alguns sintomas, como tosse, lacrimejamento, irritação e congestão nasal, mal-estar, cansaço, são comuns e, se não forem tomados os cuidados necessários, pequenos resfriados e alergias podem se converter em doenças mais graves. Para prevenir, adote em suas rotinas diárias alguns hábitos, como ”tomar bastante água, comer muitas frutas, umedecer o ambiente e colocar colírio nos olhos”, explica o médico. Quem também sente as fortes consequências do clima seco é a nossa pele. Mais ressecada, chega a apresentar rachaduras nas partes mais sensíveis, como os lábios e face. “Os cuidados devem ser diários. Usar bastante hidratante na pele e nos lábios, sabonete com hidratante e filtro solar sempre, pois mesmo no inverno, o sol de Brasília é muito forte”, explica a Capitão Médica Dermatologista Lú-

cia Lyra Santos, do Hospital de Força Aérea de Brasília (HFAB). A médica também indica que os banhos devem ser rápidos e com água morna para fria. Sul - O inverno na região Sul é a estação mais rigorosa. As temperaturas baixas, o aumento da umidade relativa do ar, o excesso de vento e a procura por locais fechados propiciam o aparecimento de problemas respiratórios, urinários e dermatológicos. Segundo a Aspirante Médica Priscila Soares Martins, do Quinto Serviço Regional de Saúde (SERSA -5), de Canoas (RS), as patologias que acometem os habitantes das regiões frias do país podem ser evitadas ao serem adotadas algumas medidas de prevenção, como: manter a prática de atividades físicas, mesmo nos meses com temperaturas mais baixas, hidratação abundante, evitar locais fechados com grande quantidade de

pessoas, deixar janelas abertas para não haver proliferação de fungos (mofo). “A higiene pessoal deve ser rígida. Devemos lavar as mãos a cada espirro ou tossida, para não transmitar o vírus através de aperto de mão ou uso de algum material contaminado”, explica a médica. Lembre-se: caso venha a ser contaminado por qualquer patologia, procure um médico. Evite a automedicação, pois isso acaba por prolongar os sintomas e dificultar o diagnóstico e o consequente tratamento. Saiba mais: pele ressecada: é causada pela diminuição da sudorese (suor) nos meses de frio, agravada com a exposição ao vento e banho com água muito quente. Mesmo pessoas com pele oleosa necessitam fazer uso de hidratantes, nesses casos, sem óleo (oil free). Hidratação abundante também evita o ressecamento de lábios, mãos e corpo.


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ASAS ROTATIVAS

Helicópteros de ataque competem em Campo Grande

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das provas aéreas permite observar a condição de emprego em missões de ataque, de resgate em ambientes hostis (Combate SAR) e de infiltração ou retirada de tropas. Este ano foram disputadas as seguintes modalidades: navegação à baixa altura e tiro aéreo, provas terrestres de tiro de combate, corrida rústica, fuga e evasão (para militares das equipes de resgate que simulam a fuga de um território inimigo) e provas de conhecimento teórico sobre as aeronaves empregadas pela Aviação de Asas Rotativas. Como funcionam as competições Corrida rústica - A prova abriu as competições do torneio. Os competidores enfrentaram uma pista de obstáculos, com transposição de curso d’água, falsa baiana, fosso, ponte de cordas, rastejo, entre outros. Prova de fuga e evasão - Simulou uma atividade antiaérea hostil que, após incursão dos helicópteros em território inimigo, resultou num pouso forçado. Em decorrência disto, o comando acionou uma missão de Combate SAR para resgatar a tripulação da área de conflito. Com 3,5 quilômetros de extensão, com terrenos variados, incluindo alagadiços, a pista foi monFOTO II FAE

s helicópteros da Força Aérea Brasileira H-60 Black Hawk, AH-2 Sabre, H-34 Super Puma, H-50 Esquilo e H-1H se concentraram na Base Aérea de Campo Grande (BACG) durante seis dias para o Segundo Torneio de Aviação de Asas Rotativas (II TAAR). O evento organizado pela Segunda Força Aérea (FAE II) reuniu 12 aeronaves e cerca de 200 militares de seis esquadrões de diversos estados brasileiros. O campeão geral foi o Esquadrão Poti (2º/8º GAV), que conquistou as competições terrestres e aéreas. Na cerimônia de encerramento da competição, o Comandante da FAE II, Brigadeiro do Ar José Alberto de Mattos, ressaltou que todas as provas do torneio, diretamente ou indiretamente, tiveram por premissa o emprego em combate. Durante o torneio, a FAE II pode avaliar o grau de operacionalidade das unidades aéreas de Asas Rotativas, bem como o emprego coordenado entre os tripulantes. Durante as competições, foram colocadas em prática táticas e técnicas de emprego dos helicópteros com a realização de provas aéreas e terrestres focadas em condições simuladas de combate. O contexto

Corrida rústica inclui transposição de curso d’água e pista de obstáculos, entre outros

FOTO II FAE

Esquadrão Poti vence torneio que reuniu 12 aeronaves e cerca de 200 militares de seis esquadrões

Prova de fuga e evasão simula uma missão de Combate SAR onde o tempo é essencial

tada numa fazenda localizada a 20 quilômetros da Base Aérea de Campo Grande. Para prover o apoio de informações, alimentos e medicamentos, uma linha de apoio à fuga também foi montada. Cada equipe foi lançada no ponto inicial do circuito, com 45 minutos de intervalo. Para progredir no terreno, os militares tiveram que utilizar habilidade e o auxílio de bússola e GPS. Em cada ponto de controle, eles receberam novas informações até atingirem a área de resgate, de onde foram retirados pela missão CSAR, no menor tempo possível. Percepção Visual de Objetivos - A prova simulou o reconhecimento visual de helicópteros, aviões de combate, radares e peças de antiaérea, durante a realização de uma missão em ambiente hostil. Cada unidade aérea participou com duas equipes, somando 56 competidores. A avaliação constou de 75 questões projetadas ininterruptamente no telão. O tempo de exposição das projeções foi de cinco segundos para cada imagem e de dez segundos para o preenchimento da resposta no caderno de questões. Navegação aérea a baixa altura -

Todas as etapas de um voo operacional são importantes: a manutenção dos helicópteros, a correta instalação do armamento, informações meteorológicas precisas, a localização das tropas hostis que representam ameaça à nossa integridade. Todos esses itens fazeram parte das duas provas de navegação a baixa altura. A competição culminou no emprego de armamento de cano em alvos táticos ou padrões, dependendo da fase. Esquadrões participantes: Falcão (1º/8º GAV), sediado na Base Aérea Belém (PA); Poti (2º/8º GAV), sediado na Base Aérea de Porto Velho (RO); Puma (3º/8º GAV), sediado na Base Aérea do Afonsos (RJ); Pantera (5º/8º GAV), sediado na Base Aérea de Santa Maria (RS) Harpia (7º/8º GAV), sediado na Base Aérea de Manaus (AM); Gavião (1º/11º GAV), unidade Aérea onde são formados os pilotos de Asas Rotativas da FAB, com sede na Base Aérea de Natal (RN), subordinado à Primeira Força Aérea (I FAE).


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QUALIFICAÇÃO

Soldados participam de treinamento profissional Profissionalização é foco do projeto desenvolvido pela Base Aérea de Brasília em parceria com o Sistema ‘S’ curso profissionalizante de auxiliar administrativo trouxe nova perspectiva para o soldado Felipe Sousa, 21 anos. Ele trabalha na Base Aérea de Brasília (BABR) e está preocupado com seu futuro. “As aulas são dinâmicas, os professores criam situações que remetem o aluno ao mercado de trabalho, procurando identificar problemas e buscar soluções”, avalia o militar que iniciou o curso no início de junho e pretende continuar estudando, pois o mercado de trabalho é muito competitivo. Felipe integra a turma dos primeiros 70 soldados que integram o projeto “A Base da Base” e, em três meses, serão formados no curso de Auxiliar Administrativo, ministrado pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (SENAC). O projeto social tem o objetivo de propor a

FOTO BABR

O

Soldado Felipe já está utilizando os conhecimentos do curso na sua seção de trabalho

integração, descobrir novos talentos e aperfeiçoar o cidadão durante o serviço militar obrigatório, além

de prepará-lo para o mercado de trabalho. De acordo com o Comandante

da Base Aérea de Brasília, Geraldo Corrêa de Lyra Junior, a intenção é expandir a formação para outras áreas, como hotelaria, logística, motoristas, gastronomia e padaria. “A Base da Base atuará como uma relevante complementação da formação militar, preparando os jovens para a vida profissional. A partir dessas ações, forneceremos subsídios para que os militares aproveitem da melhor forma o seu tempo de serviço na FAB”. Além do curso, o programa prevê para 2012 a seleção de soldados para realização de outros cursos técnicos e de qualificação profissional, parcerias com o Sistema “S” (SENAC, SENAI e SEST SENAT), realização de cursos específicos em diversas áreas, palestras de conscientização profissional e a interação com o Núcleo de Serviço Social – NUSESO.

SOCIAL

Base Aérea de Campo Grande distribui dez toneladas de alimentos

“N

o nosso armário só tinha um pacote de arroz. Esses alimentos vão garantir a nossa alimentação por vários dias”. A afirmação é de Maria Santana da Silva, responsável pelo Centro Cultural Maria Catarina, ao receber 300 quilos de donativos. A comida para alimentar as 160 pessoas, entre crianças e pessoas idosas assistidas pelo instituto já estava no fim. A instituição é uma das 42 entidades filantrópicas de Campo Grande (MS) beneficiadas, como a APAE, Lar das Crianças com AIDS (Afrangel), ABRAPEC, que trata de pessoas com câncer, entre outras. A entrega das cerca de 10 toneladas de alimentos foi realizada em 22/6. Os alimentos foram doados pelas 40 mil pessoas que visitaram a Base Aérea de Campo Grande (BACG) nos

Portões Abertos. A coleta e distribuição de donativos recolhidos pelos militares durante o evento é feita há 11 anos. Ao longo desse tempo, mais de 100 toneladas de alimentos foram arrecadadas e distribuídas Marcos Ricci, que trabalha com ex-detentos numa casa de apoio, também recebeu os donativos. “Com essa ação promovida pala Base Aérea, conseguimos dar um pouco mais de dignidade aos que saem da cadeia e não tem para onde ir. Proporcionar uma boa alimentação já é um passo importante e esses alimentos doados hoje, certamente serão muito bem recebidos”, explica. Dez toneladas de alimentos arrecadados durante o evento Portões-Abertos beneficiam 42 entidades filantrópicas de Campo Grande (MS).

Sgt Cícero Roberto/ BACG

Foram beneficiadas 42 instituições assistenciais que cuidam de pessoas com câncer e crianças com AIDS


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MISSÃO DE PAZ

Base Aérea de Natal treina 4º contingente da FAB

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para o período de 27 de agosto a 9 de novembro. “Os militares estão muito motivados por essa oportunidade ímpar. As expectativas, tanto profissionais quanto pessoais, são muito grandes”, explica o Major de Infantaria Fábio Silveira de Lima, comandante do BINFA- 22. Além das instruções física, militar e psicológica, a BANT é responsável por aplicar as vacinas para o pelotão, como hepatites A e B, difteria, tétano, febre tifóide, sarampo, rubéola e caxumba. Entre as missões do PINFA 17 na ruas de Porto Príncipe, capital haitiana, estão a escolta de comboio, controle de distúrbios, além de patrulhas a pé e motorizada. O PINFA 17 é o quarto contingente de Infantaria da Aeronáutica a participar dessa missão de paz. O primeiro foi composto por militares do BINFAE-RF e de unidades de Infantaria das Bases

Pelotão de Infantaria da Aeronáutica (PINFA 17), composto por militares das Guarnições de Aeronáutica de Natal, Recife, Fortaleza e Salvador, deve embarcar no final de novembro para integrar a Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti (MINUSTAH). O grupo, composto por 27 militares, vai substituir o Pelotão de Aeronáutica Especial de Brasília (BINFAE-BR), no Haiti desde março deste ano. A preparação é realizada pelo Batalhão de Infantaria da Base Aérea de Natal (BINFA-22). Os treinamentos também ocorrem no 16º Batalhão de Infantaria Motorizada (16º BIMTz), unidade do Exército Brasileiro, localizada em Natal. A primeira etapa desses preparativos iniciou no dia 11 de junho com um período de adaptação e prossegue até o dia 24 de agosto. Depois, os militares passarão por etapas de instrução comum e especializadas, previstas

FOTO PINFA 17

O grupo composto por 27 militares já iniciou a preparação. Eles devem embarcar no final de novembro deste ano

Militares realizam preparação antes do embarque para a missão de paz no Haiti

Aéreas de Fortaleza e Natal e do Centro de Lançamento da Barreira do Inferno, enviado ao Haiti em fevereiro de 2011. O segundo Pelotão da Aeronáutica a

integrar a MINUSTAH foi formado por militares do Batalhão de Infantaria de Aeronáutica Especial de Manaus (BINFAE-MN).

TREINAMENTO

Academia da Força Aérea sedia Operação Anhanguera I

S1 Diego/ AFA

S1 Diego/ AFA

O exercício de campanha da primeira turma de soldados da região do IV COMAR reuniu 390 recrutas

A

Operação Anhanguera I realizada na Academia da Força Aérea (AFA) em Pirassunungua (SP) de 27 a 29/6 é o exercício de campanha da primeira turma de soldados de 2012 do Quarto Comando Aéreo Regional (IV COMAR), do Parque de Material Aeronáutico de São Paulo (PAMA-SP), da Base Aérea de São Paulo (BASP) e do Núcleo da Base Aérea de Santos. Os 390 recrutas iniciaram o exercício com uma marcha de 10 quilômetros até a área do acampamento. No local, receberam instru-

Ao lado, os recrutas aprendem técnica de camuflagem utilizando a pintura no rosto. Acima, militar durante treinamento de exercício de campanha.

ções sobre ofidismo, camuflagem, abrigos, bivaque (abrigo improvisado), orientação diurna/noturna e nós e amarrações, entre outras. A atividade teve como objetivo treinar os soldados da FAB para exercerem a função de combatente básico em campanha, de treinar os oficiais de Infantaria no planejamento e no comando de tropa e os graduados da especialidade serviço de guarda e segurança a atuarem em campanha, além de testar os meios de apoio logístico a uma tropa deslocada. O exercício contou ainda com a participação de cadetes do 4º ano do curso de formação de Oficiais de Infantaria desempenhando as funções de Comandante de Pelotão e ministrando as instruções de nós e amarrações.


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ARTIGO:

A armadilha do subdesempenho satisfatório

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irrefreável avanço tecnológico que temos presenciado nos leva a acreditar, cada vez mais, que todo invento será rapidamente superado, por algo melhor, ou mais adequado. A indústria que não lança novos produtos, a loja que não reinventa sua vitrine, a escola que não recicla professores, ou o artista que não muda o visual, certamente viverão por pouco tempo o sucesso alcançado, não importa sua magnitude. Essa constatação, que não é novidade, se aplica a qualquer tipo de organização. No mundo atual, onde ser competitivo é um dos principais atributos para o sucesso, o binômio criatividade e ousadia na definição dos novos produtos ou serviços, bem como a agilidade em materializar uma boa ideia, tem sido a estratégia para obter resultados mais rápidos. Assim, vivenciamos não apenas um torvelinho de novos lançamentos no mercado, mas também os “sucessos efêmeros”, notados em todas as áreas empresariais. Controlar o ciclo de um produto no mercado é relativamente fácil. Basta usar indicadores numéricos que avaliem clara e continuamente seu desempenho, tais como dados sobre lucro, tendência das vendas, custos e etc. No entanto, nem todas as organizações podem utilizar tais indicadores, principalmente as prestadoras de serviço, sem fins lucrativos, como é o caso das instituições governamentais. Em consequência, é muito comum verificarmos organizações que desempenham sua missão até de forma satisfatória, mas que ficam muito aquém da melhor performance, quando comparamos, por exemplo, o Centro de Custo (tudo que se gasta para realizar o trabalho) com o serviço fornecido. Ou seja, os custos são demasiados em relação à qualidade ou quantidade de serviço prestado. A isso podemos chamar de subdesempenho satisfatório. São diversas as razões que podem levar as instituições a caírem nessa armadilha - que pode nela se instalar, mesmo de forma involuntária.

Entre as principais causas, podemos citar: a) Deficiências na administração principalmente pela ausência de Plano de Metas factível, objetivo e claro, juntamente com a falta de estrutura adequada para fiscalizar e controlar os cronogramas estipulados. A consequência é o descontrole e o desvio dos objetivos principais. b) A prolongada escassez de recursos conduz à perda da cultura em investir e implantar novas idéias na organização. Desse modo, os funcionários acabam se acostumando com determinado tipo, ou nível de desempenho, que pode até ser satisfatório, mas insustentável pelo o que custa ou pelo esforço que se realiza. c) A falta de competência, de reciclagem ou de motivação do pessoal facilita os integrantes a adotarem uma postura de letargia em buscar novos rumos para solucionar os problemas, quando não, a assumirem a indesejada atitude de reagir a qualquer tentativa de mudança no status quo da organização. O resultado é a estagnação. d) Deficiente engajamento político, ou seja, a política de qualidade, de inovação e de melhorias não permeia todas as camadas da estrutura da organização, provocando, entre elas, desarmonia nos níveis de desempenhos, originando conflitos internos insolúveis e a perda do foco no cumprimento da missão. Um sintoma dessa ocorrência é o desconhecimento, entre os integrantes, acerca dos reais objetivos e da estratégia adotada pela Instituição para cumprir a missão, ou pior: as pessoas não identificam, sequer, a importância do seu trabalho na consecução dos objetivos da organização. e) A falta de comprometimento com a missão gera, além da inércia na execução das tarefas e confusão nas ordens emanadas, a delegação indevida de responsabilidades dos níveis superiores para os inferiores da cadeia administrativa, ou o mais grave: os níveis superiores assumem tarefas de níveis inferiores, por inépcia destes. O resultado é o acúmulo de trabalho em níveis hierárquicos errados, complicando o ciclo natural do Planejamento, Execução, Controle e Avaliação de resultados (PDCA), o que

pode comprometer, definitivamente, uma organização. f) A acomodação - significando a antítese da coragem de pensar, ousar e de trabalhar na constante melhoria das coisas ao seu redor. Um fato típico é o excesso de terceirização, que acaba por aumentar os custos e facilitar a corrupção, devido ao afastamento progressivo dos gerentes e fiscais das suas atividades específicas. O auge do excesso se verifica quando entidades - que deveriam ser as responsáveis e capazes de definir requisitos para melhorar seu desempenho, acabam por contratar outras empresas para definir o que elas “deveriam QUERER”. Identificar se um setor, ou a organização como um todo está sofrendo um processo de subdesempenho satisfatório é muito simples. Por meio de respostas, “sim e não”, a poucas perguntas, é possível obter um rápido diagnóstico. São elas: a) A formação do pessoal atende às expectativas da sua organização para o que já se vislumbra no futuro? b) Os integrantes da organização possuem atitude de “eternos inconformados com seus procedimentos e performances”? Cada um está produzindo o máximo no trabalho? c) Todos realizam as tarefas previstas para seu nível de responsabilidade? Há delegação ou assunção de tarefas indevidamente? d) Os recursos disponíveis estão sendo canalizados para o cumprimento da missão? e) Há adequada comunicação e coordenação entre os níveis de hierarquia e da estrutura organizacional para a consecução das tarefas? f) Existe um Plano de Metas ou de Gestão que oriente o cumprimento das tarefas? Nele é possível identificar programas motivacionais? g) Todos os integrantes conhecem os objetivos da organização? Eles identificam a importância do trabalho que realizam para a consecução da missão? h) Há ouvidos para as sugestões? i) A liderança exercida pelas chefias é do tipo proativa? As inovações partem das camadas superiores da administração

(top-down)? j) A percepção que os componentes possuem acerca do cumprimento da missão se coaduna com a das chefias imediatas ou dos níveis superiores da administração? E a pergunta orientadora a adicionar ao final de cada resposta negativa é: porque é assim e porque está assim? Esse rápido teste pode ser feito por meio de formulários ou de pesquisa de opinião, para serem respondidas por pessoas isentas. Analise as respostas. Se alguma resposta dessas for negativa, é bom agir rápido. Se a função em que estiver exercendo é em nível de alto gerenciamento, institua pequenos grupos de análise e proposta de solução para os problemas encontrados. Utilize pessoas de diversas áreas e não somente os especialistas. Você irá se surpreender com as boas ideias latentes nas cabeças das pessoas que podem estar ao seu lado. Basta instigá-las com um bom desafio. Implemente um programa de qualidade. Eles estão disponíveis no SEBRAE, no Governo Federal e existe vasta orientação na Internet. Dessa forma, muitos dos problemas advindos de alguns “des” (descompromisso, desqualificação, desinformação, descaso, desmotivação e outros) sumirão da sua sala. Por outro lado, alguém pode estar pensando: “Ah - mas essa responsabilidade é da Chefia! Eu nem tenho subordinado!” Que ótimo! Faça então essas perguntas a você mesmo, como se fora o sujeito da frase e note que excelente ferramenta ganhou para melhorar sua atuação como profissional e como pessoa, em beneficio de si próprio. Faça isso amigo, e muitos colegas e também sua querida família, certamente, agradecerão. Boa Sorte! Tenente Brigadeiro do Ar Antonio Franciscangelis Neto - Secretário de Economia e Finanças da Aeronáutica


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IMPORTANTE:

Esclarecimento sobre identidade militar expedida pelo COMAER

O

Decreto nº 29.079, de 30 de dezembro de 1950, durante 56 anos assegurou fé pública aos cartões de identidade expedidos pelos Ministérios e órgãos subordinados à Presidência da República. Todavia, em 2006, esse instrumento foi revogado pelo Decreto nº 5.703, de 15 de fevereiro, gerando uma lacuna na base jurídica para a emissão e validade das cédulas de identidade, produzidas no âmbito do Comando da Aeronáutica (COMAER) para os militares da reserva remunerada, reformados, pensionistas e seus dependentes. Em virtude das peculiaridades que envolvem a carreira militar, dentre elas as prerrogativas e responsabilidades inerentes às funções desempenhadas, além de missões oficiais, obrigações e outras situações, nas quais o alcance da identificação militar seja requerida ou necessária, o Comando da Aeronáutica e o Ministério da Defesa (MD) não podem prescindir do amparo de lei para a expedição de seus documentos de identidade. Dessa forma, com o objetivo de regulamentar a situação acima exposta, o MD formulou a proposta de Projeto de Lei nº 188, de 2010, acrescentando a possibilidade de

emissão de carteira de identidade por parte do próprio Ministério, através das respectivas Forças Singulares. A proposta foi vetada em sua totalidade pela Presidenta da República, tendo em vista que o Poder Executivo está atuando no sentido de implementar o número único de Registro de Identidade Civil (RIC). No propósito de solucionar o impasse, o MD manteve entendimentos com a Casa Civil da Presidência da República e com o Ministério da Justiça, buscando alternativas possíveis para o caso. Inicialmente, cogitou-se estabelecer um Decreto para prover sustentação jurídica para a emissão de carteiras de identidade militar pelo MD. Todavia, após uma análise mais profunda dos envolvidos, decidiu-se que seria apresentado um novo Projeto de Lei. Diante do acima descrito, vale ressaltar que as cédulas de Identidade Militar, emitidas pelo Comando da Aeronáutica, AOS MILITARES DA ATIVA, possuem fé pública estabelecida pelo Decreto nº 5.703, de 2006, conforme transcrição abaixo: “Art. 1º Terão fé pública em todo território nacional, para os seus efeitos específicos, os cartões de identidade funcional expedidos para os

A nova identidade traz impresso o número do decreto que dá fé pública ao documento

agentes públicos militares e civis em exercício nos Ministérios e em órgãos da Presidência e Vice-Presidência da República”. Para que a validade seja inequívoca, foi solicitado à Diretoria de Administração do Pessoal (DIRAP) – Órgão responsável pela regulamentação de identidade no âmbito do COMAER - que a referência ao “Decreto 5.703/2006” seja impressa na cédula de identidade dos militares da ativa. Nesse contexto, o Ministério da Defesa, em coordenação com as três

Forças, a Casa Civil da Presidência da República e o Ministério da Justiça, está conduzindo o processo de encaminhamento de Projeto de Lei ao Congresso Nacional, com vistas à aprovação da regulamentação que solucione o assunto definitivamente, abrangendo a situação dos militares da reserva remunerada, reformados, pensionistas e dependentes. Estado-Maior da Aeronáutica


de Junho

24

Dia da Aviação de Reconhecimento

Sgt Johnson/ CECOMSAER

Notaer - Edição de julho de 2012  

FAB prepara 4º contingente para o Haiti

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