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Ano XXXV

Nº 04

Abril, 2012

ISSN 1518-8558

As dificuldades para construir pistas na Amazônia Conheça o trabalho da Força Aérea Brasileira na construção da infraestrutura necessária para permitir que o transporte aéreo chegue aos locais mais distantes da região Norte do país. Um dos exemplos dos esforços de militares e civis em meio à floresta é a ampliação da pista de Iauaretê (AM), na fronteira com a Colômbia. (Pág 8 e 9)

TRÁFEGO AÉREO Controladores de voo e esquadrões aéreos realizam intercâmbio para ampliar conhecimento mútuo das atividades. (Pág 15)

AVIAÇÃO DE CAÇA SGT Batista / CECOMSAER

Em entrevista ao Notaer, Comandante da Terceira Força Aérea fala sobre o atual momento desta aviação e relembra o heroísmo do 1º Grupo de Aviação de Caça. (Pág 7)

FUMAÇA - Esquadrilha abre calendário internacional com apresentações no Chile e Argentina. (Pág 10)

OPERAÇÃO TRANSPORTEX

Helicópteros H-60 Black Hawk são empregados em mais de 300 simulações de resgate de vítimas no mar em Santa Catarina. (Pág 11)

Operação da aviação de transporte na Amazônia envolveu treinamento intenso de lançamento de cargas, paraquedistas e voos em formações de aeronaves para assaltos aeroterrestres. (Pág 5)

Guto Kuerten / DC

OPERAÇÃO GUASCA

PÔSTER


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Expediente

CARTA AO LEITOR

A presença da FAB na Amazônia Esta edição publica a entrevista com o Comandante da Terceira Força Aérea que avalia o atual momento e traça perspectivas sobre o futuro da Aviação de Caça, celebrado em 22 de abril, uma data histórica para a aviação brasileira. O Notaer também traz uma reportagem especial sobre o trabalho de infraestrutura que a Força Aérea Brasileira desempenha na Amazônia.

Com quase 300 pistas construídas, a maior parte no meio da floresta, a FAB permitiu que a região Norte fosse incluída na malha aeroportuária do Brasil. Mas o que poucos sabem é que há uma outra logística extremamente complexa para esta infraestrutra ganhar vida. É no Porto Fluvial de Brucutu, em Belém, que são construídas as embarcações para transportar as dezenas de

toneladas de material que vão navegar pelos rios amazônicos até o local de construção. Nas páginas centrais desta edição, você vai conhecer um pouco do trabalho dos militares e civis responsáveis por esta tarefa. Boa leitura! Brig Ar Marcelo Kanitz Damasceno Chefe do CECOMSAER

Chefe da Divisão de Comunicação Corporativa: Coronel-Aviador Gustavo Alberto Krüger Chefe da Divisão de Comunicação Integrada: Coronel-Aviador Antonio Pereira da Silva Filho Chefe da Divisão de Apoio à Comunicação: Tenente-Coronel-Aviador Mário Sérgio Rodrigues da Costa

Chefe da Agência Força Aérea: MajorAviador Rodrigo José Fontes de Almeida

Elicitação, você sabe reconhecê-la? terizada pela inteligência proveniente das fontes humanas, continua sendo uma das técnicas mais utilizadas para a obtenção de dados. Embora necessite de menos investimentos financeiros, a HUMINT possui uma aplicabilidade maior na Atividade de Inteligência pela simplicidade de suas ações, pelo desconhecimento ou incapacidade das pessoas em reconhecerem que estão sendo alvos de uma técnica de inteligência e, principalmente, pelas características intrínsecas ao ser humano: ego, vaidade, humildade, etc. A Elicitação, tradução da expressão da língua inglesa Elicitation, embora seja uma palavra pouco conhecida pela maioria das pessoas, é uma técnica muito empregada por profissionais de inteligência de vários países. Consiste em extrair, de forma sutil, informações de uma pessoa sem que ela perceba que isto esteja acontecendo. Também conhecida como a arte da conversação, via de regra, a pessoa que aplica essa técnica é especializada em relações interpessoais e suas abordagens quase nunca são feitas por impulso, mas por meio de um detalhado planejamento e uma avaliação completa do alvo, onde são identificados, dentre outros, os dados

Chefe do CECOMSAER: Brigadeiro do Ar Marcelo Kanitz Damasceno

Chefe da Subdivisão de Produção e Divulgação: Tenente-Coronel-Aviador João Carlos Araújo Amaral

PENSANDO EM INTELIGÊNCIA

Como forma de simplificar o entendimento, o processo de produção do conhecimento pode ser definido como a conversão do(s) dado(s) em conhecimento por intermédio das seguintes etapas: planejamento, coleta, análise e difusão. Embora todas as etapas sejam essenciais ao processo como um todo, a coleta de dados assume destacada importância, uma vez que o dado é o elemento ou a base para a formação de juízo do Analista de Inteligência. Os meios de coleta e as fontes típicas de informação definem disciplinas especializadas na Atividade de Inteligência (SIGINT, COMINT, ELINT, MASINT, IMINT, OSINT, etc), baseadas na obtenção dos dados nos meios de comunicação, na análise do espectro eletromagnético, nas imagens satélites e fotografias, jornais, revistas científicas, internet, transmissões de TV, dentre outras. Numa época marcada por rápidas e constantes mudanças e pelos avanços nos campos científicos e tecnológicos, o emprego crescente de tecnologias e modernos equipamentos tem sido fundamental para o incremento de informações confiáveis e oportunas. Contudo, em que pese essa notória vantagem, a HUMINT-Human Intelligence, carac-

O jornal NOTAER é uma publicação mensal do Centro de Comunicação Social da Aeronáutica (CECOMSAER), voltado ao público interno.

que podem ser obtidos. Como a Elicitação não é ameaçadora e nem agressiva, é difícil diferenciá-la de uma mera conversa sem pretensões. Contudo, se você sentir que está sendo atraído para uma conversa que te faça sentir desconfortável, tenha em mente o seguinte: • Need to Know - A pessoa tem necessidade de conhecer o assunto?; • Resista a vaidade de mostrar que está bem informado; • Não forneça informações sobre você, seus chefes e pares, tampouco de aspectos inerentes ao seu trabalho ou à sua Organização; • Assuntos nacionais sensíveis e da FAB não devem ser comentados na presença de estranhos ao serviço, que não tenham necessidade de conhecê-los; • A informação pode não ser classificada, mas será importante e útil para sua nação e para a FAB não divulgá-la. Por fim, comunique imediatamente ao Oficial de Inteligência de sua Organização quaisquer questionamentos ou atitudes de pessoas que possam indicar intenções e propósitos prejudiciais aos interesses da sua OM, do COMAER ou do País. (Centro de Inteligência da Aeronáutica)

Chefe da Seção de Divulgação: CapitãoAviador Diogo Piassi Dalvi Tiragem: 30.000 exemplares Jornalista Responsável: Tenente Jussara Peccini (MTB 01975-SC) Repórteres (JOR): Tenente Alessandro Silva, Tenente Marcia Silva, Tenente Alexandre Fernandes, Tenente Flávio Nishimori, Tenente Humberto Leite, Tenente Gabriela Hollenbach, Tenente Juliene Salomão, Tenente, Tenente Carla Dieppe, Tenente Jussara Peccini e Tenente Simone Dantas. Colaboradores: CIAER e SISCOMSAE (textos enviados ao CECOMSAER, via Sistema Kataná, por diversas unidades) Diagramação, Arte e Infográficos: Suboficial Cláudio Bonfim Ramos, Sargento Rafael da Costa Lopes e Cabo Lucas Maurício Alves Zigunow Revisão: Tenente REP Talita Vieira Lopes e Suboficial Cláudio Bonfim Ramos Estão autorizadas transcrições integrais ou parciais das matérias, desde que mencionada a fonte. Comentários e sugestões de pauta sobre aviação militar devem ser enviados para: redacao@fab.mil.br Esplanada dos Ministérios - Bloco “M” - 7º andar CEP - 70045-900 / Brasília - DF

Impressão e Acabamento: Log & Print Gráfica e Logística S.A


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PALAVRAS DO COMANDANTE

Arquivo CECOMSAER

Em defesa da Pátria, fizemos história

Brigadeiro Nero Moura durante briefing de combate do 1º Grupo de Aviação de Caça na campanha brasileira na Itália, em 1945

PR

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Tenente-Brigadeiro do Ar Juniti Saito Comandante da Aeronáutica

dia 22 de abril entrou para o calendário da Força Aérea Brasileira como uma data em que homens corajosos, ousados e com alta capacidade técnica provaram ao mundo o seu profissionalismo. A história escrita pelo 1º Grupo de Aviação de Caça na Itália tem consequências até hoje. Não só pelos resultados excelentes nas missões de combate a bordo dos P-47 Thunderbolt, mas também pela obra que construíram ao retornarem ao Brasil. O Brigadeiro Nero Moura organizou e desenvolveu a Aviação de Caça em território brasileiro, tornando-se seu patrono. Sob seu comando, o grupo recém-chegado da Segunda Guerra foi o responsável pela transformação doutrinária na FAB. A semente lançada por eles, por meio da implantação do Estágio de Seleção de Pilotos de Caça – o que

seria a gênese dos Esquadrões Pacau e Joker, tornou-se o berço dos pilotos de combate no país. Se, hoje, estamos prontos para defender as riquezas, os ideais, a soberania nacional e o povo brasileiro, devemos ao trabalho dos pioneiros que nos antecederam e à motivação que tiveram em sonhar uma aviação condizente com a dimensão do Brasil. Esta é a fonte que nos impulsiona para construir no presente o futuro da aviação brasileira, fundamentado em tecnologia e treinamento. Por isso, ao longo das últimas décadas, temos escrito novos capítulos na defesa da Pátria. Foi assim com o desenvolvimento das aeronaves que atendem as necessidades específicas da região amazônica, como o A-29; ou com a modernização do F-5. E é, especialmente neste ano, com a entrega

do A-1 modernizado, que contribui significativamente para manter a Força pronta para combater nos próximos 20 anos, com a capacidade de se adaptar às mais modernas táticas da guerra aérea. De Norte a Sul, Leste a Oeste, a Aviação de Caça está presente e pronta para desempenhar o papel que lhe foi atribuído, seja na vigilância de fronteiras, na prontidão para defender, interceptar, interditar, atacar ou garantir a superioridade aérea. É nosso dever manter viva a memória e as conquistas desses bravos guerreiros. O legado e os ensinamentos desses heróis já produziram gerações de novos combatentes do ar. A determinação que eles tiveram à época permanece como importante inspiração que ajuda a moldar a identidade da Força Aérea Brasileira.


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PESQUISA

Aumenta vida útil do trem de pouso do T-27 Tucano

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niciado em 2006, o projeto de desenvolvimento da nacionalização do trem de pouso da aeronave T-27 Tucano criou uma peça que aumentou o tempo de vida útil do produto. O trabalho do Centro de Logística da Aeronáutica (CELOG) proporcionou economia, produção em larga escala e royalties à Aeronáutica. A demanda da nacionalização surgiu porque o mercado não oferecia mais a peça para manutenção, o que impediria, a médio prazo, o emprego destas aeronaves utilizadas para treinamento de instrução avançada dos cadetes e pelo Esquadrão de Demonstração Aérea (EDA). Por dois anos, o CELOG estudou e pesquisou até desenvolver uma peça diferenciada, que hoje é produzida em larga escala para manutenção das aeronaves em todo o mundo. De

acordo com o Diretor Presidente da Geometra - empresa que produz a peça -, Graciliano Campos, este processo foi inédito no país. “Este projeto foi uma decisão ousada do CELOG de fazer o desenvolvimento completamente novo do equipamento e não apenas sua substituição” afirma. O engenheiro da subdivisão de certificação do CELOG, Eduardo Baliulevicius, que participou das etapas de idealização, elaboração de protótipos e testes, esclarece a importância estratégica da nacionalização de peças aeronáuticas. “Isso propicia que as aeronaves continuem voando em condição segura”, enfatiza ao citar como exemplo a aeronave AT-26 Xavante que teve seu tempo de vida útil estendido devido à nacionalização de peças. O Brigadeiro do Ar Roland Leo-

SO Prieto / EDA

Ao optar por nacionalizar a peça, projeto da Força Aérea aprimorou e diferenciou o equipamento

O trem de pouso é utilizado pelas aeronaves T-27 Tucano da Esquadrilha da Fumaça

nard Avramesco, da Quarta Subchefia do Estado-Maior da Aeronáutica (EMAER), acompanhou todo o trâmite de nacionalização no CELOG, quando pertencia à unidade. “A economia financeira foi bem expressiva,

na ordem de oito milhões de dólares para toda a frota de T-27 e em termos tecnológicos foram ganhos incomensuráveis”, aponta o oficial, ao avaliar a economia que o projeto representou para a FAB.

ACONTECE NA FAB Acompanhe as mudanças nos comandos das unidades militares em todo o Brasil Batalhão de Infantaria-84 da AFA - O Ten. Cel. Inf. Josoe dos Santos Lubas passou o comando ao Cap.Inf. Luiz Eduardo Bueno da Silva. Base Aérea de Santa Maria (BASM) – O Cel. Av. José Eduardo Ruppenthal passou o comando ao Ten. Cel. Av. David Almeida Alcoforado. Instituto de Fomento e Coordenação Industrial (IFI) – O Cel. Av. Nilton Cícero Alves passou a direção ao Cel. Eng. Augusto Luiz de Castro Otero. Instituto de Pesquisas e Ensaios em Voo (IPEV) - O Ten. Cel. Av. Allan Elvis de Lima passou a direção ao Ten. Cel. Av. Clóvis Travassos Evangelista. Grupo de Acompanhamento e Controle na EMBRAER (GAC-EMBRAER) – O Cel. Eng.Augusto Luiz de Castro Otero passou a direção ao Ten. Cel. Av. Alan Elvis de Lima. Quarto Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle do Tráfego Aéreo (CINDACTA IV - Manaus) - O Brig do Ar José Alves Candez Neto passou o comando ao Brig do Ar Luiz Cláudio Ribeiro da Silva.

Prefeitura de Aeronáutica de São Paulo O Cel. Int. Adalberto Alves Pedroza passou o cargo para o Cel. Int. Geraldo Testi Junior. Segundo Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (SERIPA II - Recife) – O Ten. Cel. Av. Evenilton Antônio Mendes de Barros passou o cargo ao Ten. Cel. Av. Luis Claudio Veloso Gonçalves. Odontoclínica de Aeronáutica de Brasília (OABR) - O Cel. Dent. Ney Mayworm de Carvalho passou o comando ao Ten. Cel. Dentista Marcos Aricieri Ribeiro. Prefeitura de Aeronáutica dos Afonsos (PAAF) – O Cel. Int. Djalma de Oliveira Souza passou o cargo ao Cel. Int. Antonio José Moreira Evangelista. Corpo de Alunos do Centro de Instrução e Adaptação da Aeronáutica (CIAAR) - O Cel. Av. Daniel Simões da Veiga passou o comando ao Ten. Cel. Av. José Luis Jardim Gouveia. Serviço Geral de Correspondência e Arquivo da Aeronáutica (SGEAAER) – O Cel. Int. Marcus Cunha da Gama passou a

chefia ao Ten. Cel. Int. Cláudio dos Santos Eduardo. Prefeitura de Aeronáutica do Galeão (PAGL) - O Cel. Int. Wilson Chaves Costa passou o cargo ao Cel. Int. Alexandre Menezes Andrade. Quarto Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (SERIPA IV /São Paulo) - Ten. Cel. Av. Ricardo Beltran Crespo passou o cargo ao O Ten. Cel. Av. Raul Moreira Neto. Grupamento de Apoio do Rio de Janeiro (GAP-RJ) - O Cel. Int. José Jorge de Medeiros Garcia passou o comando ao Cel. Int. Sérgio Almeida de Paula e Silva. Prefeitura de Aeronáutica de Guaratinguetá (PAGW) - O Cel. Int. Carlos Adriano Pinheiro Barreira passou o cargo ao Ten. Cel. Int. Darly Vieira. Hospital de Aeronáutica de Recife (HARF) – O Cel. Med. Paschoal Balthazar Baltar da Silva passou a direção ao Ten. Cel. Med. Joseilson Angelino Vilela Sá Barreto. Grupamento de Infraestrutura e Apoio de São José dos Campos (GIA-SJ) - O Cel.

Envie as informações sobre a sua unidade via Sistema Kataná. Int. Gilmar Cunha Maia passou a chefia ao Coronel Intendente Humberto de Faria Alvim. Primeiro Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (SERIPA I/Belém) - O Ten. Cel. Av. Adriano Ferreira de Carvalho passou a chefia ao Ten. Cel. Av. Maurício Teixeira Leite. Depósito Central de Intendência (DCI) O Cel. Int. Roberto Marques dos Santos passou o cargo ao Cel. Int. Paulo Pereira Goulart. Base Aérea de Porto Velho (BAPV) - O Cel. Av. Roberto Cezar Salvado Fleury Curado passou o comando ao Cel. Av. Augusto Cesar Abreu dos Santos. Parque de Material Aeronáutico de Recife (PAMA-RF) - O Cel. Av. Ricardo Augusto Fonseca Neubert passou o cargo ao Cel. Av. Salvador Elísio Talzzia. Parque de Material Aeronáutico de Lagoa Santa (PAMA-LS) - O Cel. Av. Mário Augusto de Araújo Luzzi Júnior passou o cargo ao Cel. Av. Adalberto Fontoura Gomes.


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OPERAÇÃO TRANSPORTEX

Tripulantes treinam para situações reais de conflito

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temperaturas que podem chegar a 33º C, e de difícil locomoção, com árvores que chegam, em média, a 25 metros de altura. No caso da Aviação de Transporte, a dificuldade está no lançamento de cargas e de paraquedistas em clareiras pequenas, em meio à mata fechada. “Nosso objetivo maior foi o aprimoramento e o adestramento de todas as nossas equipagens, fossem elas do transporte, da caça ou do reconhecimento, buscando novas soluções, novos métodos, técnicas, táticas e a consolidação da nossa doutrina”, destacou o Comandante da Quinta Força Aérea, Brigadeiro do Ar Cesar Estevam Barbosa. Cargueiro modernizado - No primeiro dia, três aeronaves C-95 Bandeirante executaram um voo de formação para lançar paraquedistas e cargas. A zona de lançamento foi a Fazenda Santa Emília, que fica a duas horas da Base Aérea de Belém (BABE). A ação marcou a primeira atuação da versão modernizada do cargueiro, do

3S SIMO/ CECOMSAER

epois das áreas alagadas do Pantanal, o cenário para a edição 2012 do Exercício Operacional TRANSPORTEX foi a Floresta Amazônica. Um total de 420 horas de voo, durante o dia e a noite, que envolveu treinamento intenso de lançamento de cargas, de paraquedistas e de voos em formação de aeronaves para assaltos a zonas de conflito marcou os sete dias do exercício operacional, realizado entre os dias 17 e 23 de março, na Base Aérea de Belém, em Belém (PA). A atuação na maior floresta tropical do mundo é considerada um diferencial das Forças Armadas brasileiras. A Amazônia ocupa 3.800.000 km2 ou 59% do território nacional e abrange os estados do Acre, Amazonas, Roraima, Rondônia, Mato Grosso, Pará e Amapá, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Poucos países do mundo têm a oportunidade de atuar em uma região de mata fechada, com alta umidade do ar e

Bandeirante modernizado, com novo painel, é utilizado pela primeira vez em missão

3S Simo/ CECOMSAER

Exercício Operacional da Aviação de Transporte realizado na Floresta Amazônica é diferencial das Forças Armadas

Aviações de Transporte e de Caça trabalham em sintonia nas missões de reabastecimento

Terceiro Esquadrão de Transporte Aéreo (3º ETA). Na visão dos tripulantes, a versão modernizada do cargueiro provou a sua eficiência na atuação em assaltos a locais de pequeno porte, como por exemplo, aeródromos em áreas de dificil acesso. “As missões cumpridas aqui são diferentes das que são cumpridas no dia a dia do esquadrão”, explica o Comandante do 3o ETA, Tenente-Coronel-Aviador Maurício Derenne. Ressuprimento - Outro destaque do exercício foi a execução de ressuprimento aéreo na água. Dois C-130 Hércules, dois C-105 Amazonas e sete C-95 Bandeirante, escoltados por dois caças F-5EM, lançaram quatro toneladas de carga na Baía do Guajará, às margens do Porto Fluvial Brucutu, pertencente à Comissão de Aeroportos da Região Amazônica (COMARA). A missão simula o ressuprimento de alimentos, medicamentos e armas para tropas terrestres em operações ribeirinhas. Em terra, os tripulantes da aeronave C-105 Amazonas e militares

do Exército Brasileiro realizaram treinamentos de lançamento de cargas pesadas (heavy), como carros de combate e geradores de energia, e de paraquedistas em total escuridão nas madrugadas de Belém com os óculos de visão noturna (Night Vision Googles – NVG). Reabastecimento - A Aviação de Transporte também trabalha em sintonia com a Aviação de Caça nas missões de reabastecimento em voo (REVO). As aeronaves KC-130 Hércules e KC-137 Boeing reabasteceram caças F-5EM de dia e à noite. Segundo o Comandante do Primeiro Esquadrão do Primeiro Grupo de Transporte (1º/1º GT), o Esquadrão Gordo, Tenente-Coronel-Aviador Carlos Alberto Tavares Pereira, aeronaves como o KC-130 fazem diferença nos ataques dos caças ao território inimigo. “A Aviação de Caça tem uma autonomia reduzida e em uma zona de guerra eles precisam do reabastecimento para ter um maior alcance e penetração dentro do território inimigo”, explicou o Tenente Coronel Carlos Alberto.


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SEMINÁRIO 1

Apoio de Fogo produz instrução comum às três Forças

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urante uma semana, cerca de 90 militares do Ministério da Defesa, Marinha, Exército e Aeronáutica estiveram reunidos no I Seminário sobre Apoio de Fogo em Operações Conjuntas, realizado entre os dias 12 e 16 de março, em Brasília. Os resultados das discussões dos trabalhos desenvolvidos no evento foram encaminhados ao Ministério da Defesa (MD) e servirão de subsídios para a elaboração de uma doutrina comum às três Forças sobre Apoio de Fogo, ou seja, uma padronização sobre os procedimentos em operações conjuntas. “É interessante notar que essas instruções provisórias, fruto deste seminário, que preliminarmente enviaremos ao Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, vem ao encontro das necessidades que temos hoje, uma vez que o nosso manual sobre o assunto data de 1980. A previsão é de que esse trabalho fique pronto no primeiro semestre deste ano”, ressalta o chefe da Terceira Subchefia do Estado-Maior da Aeronáutica, Brigadeiro do Ar Maximo Ballatore Holland, coordenador do grupo de

planejamento e execução do seminário. A programação do evento foi pontuada por debates, palestras e grupos de trabalho sobre temas como as possibilidades e limitações do Apoio de Fogo Naval, Terrestre e Aéreo; os aspectos de coordenação e controle relativos ao apoio de fogo naval, terrestre e aéreo; medidas de coordenação e controle do espaço aéreo relativas ao apoio de fogo. O Tenente-Coronel Moises da Paixão Junior, do Exército Brasileiro, um dos palestrantes do evento, salientou a importância e as vantagens de uma coordenação em uma situação operacional conjunta. “Essa coordenação vai otimizar a utilização dos recursos, proporcionando uma economia de meios, uma diminuição dos danos colaterais, enfim, um melhor controle da operação”, explicou o Tenente-Coronel Paixão. “Operar sinergicamente no ambiente de batalha significa a maximização do poder de combate e da defesa brasileira”, complementou o Major-Aviador Sandro Bernardon, da seção de doutrina

SGT Rezende / CECOMSAER

No evento foram debatidos temas como as possibilidades e limitações do Apoio de Fogo Naval, Terrestre e Aéreo

Grupos de trabalho debateram e produziram indicações para instrução integrada

do Comando-Geral de Operações Aéreas (COMGAR). O Apoio de Fogo Conjunto nas Forças Armadas da Inglaterra foi um dos temas discutidos no seminário. O Tenente-Coronel-Aviador Mark Jackson, da Royal Air Force (RAF) explicou que uma doutrina conjunta é o alicerce para se fazer entender, em cada nível e posto, no campo de batalha, exemplificando como essa coordenação é vital em uma

situação real. “No ano passado, asseguramos, com o emprego tanto das forças terrestres quanto aéreas, a retirada de unidades no norte do Afeganistão”, explicou o Tenente-Coronel Jackson. “É importante compartilhar com os países amigos as lições aprendidas sobre esse tema. Espero que possamos ensinar por meio de nossos erros e que tenhamos uma ótima parceria visando o futuro”, disse o militar inglês.

SEMINÁRIO 2

Envio de trabalhos para I Seminário de História da Aviação Brasileira termina em 30 de abril

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s interessados em enviar trabalhos para serem apresentados no I Seminário de História da Aviação Brasileira devem estar atentos ao prazo, que se encerra no dia 30 de abril. O evento, promovido pelo Centro de Memória do Ensino Militar da Universidade da Força Aérea (UNIFA) será realizado entre os dias 17 e 19 de julho no Campos dos Afonsos, Rio de Janeiro (RJ).

O seminário, cujo tema é “Campo dos Afonsos: Um século de História da Aviação (1912-2012)” é uma homenagem ao centenário do Berço da Aviação Militar Brasileira. Os eixos temáticos do evento são a aviação brasileira até 1941, a aviação brasileira pós-1951 e o ensino formal e não-formal da aviação brasileira. “Um dos objetivos do seminário é promover a integração dos

pesquisadores da área de História da Aviação. Nós queremos divulgar as pesquisas que são desenvolvidas sobre o tema e as instituições que realizam pesquisas sobre o assunto”, explica a coordenadora do seminário, Tenente-Coronel Maria Luisa Cardoso. Mais informações no site www. unifa.aer.mil.br ou pelos telefones (21)2157-2646/2268.


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ENTREVISTA - DIA DA AVIAÇÃO DE CAÇA

Esforço visa obter os melhores equipamentos

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esde a década de 90, a Aviação de Caça passa por modernizações de frota. Em entrevista ao Notaer, o Comandante da Terceira Força Aérea (III FAe), Brigadeiro do Ar Paulo Érico Santos de Oliveira, avalia o atual momento desta aviação. Acompanhe os principais trechos da entrevista: Notaer - Qual a importância da Aviação de Caça para a FAB e o País? Brig. Paulo Érico - Apesar de a Aviação de Caça ter evoluído técnica e doutrinariamente ao longo dos conflitos que se sucederam no mundo, ainda hoje estão válidos os preceitos enunciados pelos primeiros teóricos do poder aéreo. Assim, temos visto nos conflitos recentes a ratificação do emprego da arma aérea como condicionante sine qua non para qualquer emprego de forças de médio ou grande vulto. Nesse contexto, é a Aviação de Caça a responsável por adquirir a necessária superioridade aérea perante as forças adversárias, de modo a permitir que as demais aviações de combate, assim como as forças de superfície, operem com a adequada segurança. Sem esse passo inicial, qualquer tentativa de manobra terá boas chances de insucesso. Notaer - Como o Sr. avalia o atual momento da Aviação de Caça no Brasil? Brig. Paulo Érico - Por ser a primeira linha de defesa no ar, necessita estar equipada com vetores modernos e com os mais bem treinados pilotos. Para tal, é importante haver periodicamente a reposição de seus meios por aeronaves e equipamentos que estejam mais próximos ao estado da arte, de forma a manter seus recursos humanos atualizados e capacitados a identificar vulnerabilidades e necessidades, assim como apontar obsolescências e descrever requisitos. Embora aguardando ansiosamente a definição do vetor principal, a Aviação de Caça tem passado por uma modernização de sua frota desde o início da década de 90. A incorporação dos A-29, mais do que possibilitar aos

novos pilotos voarem uma aeronave com modernos sistemas, proporcionou o emprego em ambiente noturno com mais precisão e segurança. A modernização dos F-5 permitiu uma sobrevida operacional, e hoje conta com recursos tecnológicos que facilitam o controle da batalha e compensam a performance da aeronave. O seu novo sistema de pontaria aumentou significativamente a eficiência do emprego ar-solo. A aquisição dos Mirage 2000, juntamente com a modernização dos F-5, possibilitou, também, a introdução de novas táticas de combate, com a incorporação de radares mais modernos e a utilização de mísseis de curto e de médio alcance. A modernização em curso da frota de A-1, proporcionará mais precisão no emprego ar-solo, por meio do emprego de armamentos inteligentes, maior conectividade e consciência situacional. Espera-se um consistente salto qualitativo. O treinamento de nossos pilotos também tem sido alvo de atenção nos últimos anos. A participação em exercícios internacionais têm possibilitado a troca de experiências com diversas Forças Aéreas. O Comando da Aeronáutica tem feito o máximo esforço para que os esquadrões da Aviação de Caça disponham dos melhores recursos possíveis, mantendo seus pilotos e técnicos atualizados. Notaer - Quais os principais destaques desta categoria na história brasileira da aviação militar? Brig. Paulo Érico - Poucos jovens conhecem a história dos pilotos brasileiros nos céus da Itália. Os resultados auferidos pelo 1º Grupo de Aviação de Caça foram expressivos. Não há melhor fonte de inspiração para um piloto de combate do que o exemplo glorioso de seus antecessores. No caso do Brasil, podemos afirmar que os veteranos do Primeiro Grupo de Caça, enquanto pilotos, são referências de coragem, lealdade, honra, dever e Pátria. Enquanto visionários, formaram a Aviação de Caça

3S Simo/ CECOMSAER

Segundo o comandante, a Aviação de Caça sempre terá o compromisso de ser a primeira linha de defesa da pátria

“Poucos jovens conhecem a história dos pilotos brasileiros nos céus da Itália”

do Brasil, e assim, são reconhecidos pelo empreendedorismo, perseverança, tenacidade, tradição e camaradagem. A chama viva do Piloto de Caça de hoje é fruto e sempre o será do valoroso legado deixado por aqueles poucos bravos. Notaer - Quais as vantagens que a modernização do A-1 proporciona? Brig. Paulo Érico - O A-1 foi um marco na Indústria Aeronáutica Brasileira e na aviação de combate do Brasil. As características deste vetor como caça-bombardeiro possibilitou a FAB ter uma capacidade singular no contexto de suas operações. Por ser um projeto pioneiro e de características peculiares, a sua manutenção como vetor de combate é de fundamental importância para a afirmação do Brasil como país de destaque no cenário internacional. A sua modernização é vista com um caráter estratégico, porque, além da extensão da sobrevida operacional, aperfeiçoará o seus sistemas de defesa, permitirá o emprego de armamento inteligente e de novos sensores, capacitando-o ao emprego diurno ou noturno com mais precisão. Notaer - O que o futuro reserva à Aviação de Caça no país?

Brig. Paulo Érico - Nos últimos anos, o Brasil ganhou destaque no cenário internacional. Dessa tendência, emergirá a necessidade de redimensionar seus sistemas de defesa, o que significará a busca do domínio tecnológico para a produção de seus artefatos, a redução da dependência externa e o fortalecimento de suas Forças Armadas. Nesse contexto, a Aviação de Caça deverá dispor de vetores, sistemas e armas tecnologicamente sofisticadas, e de domínio nacional. O desenvolvimento profissional continuará na pauta. A adoção do emprego do ensino a distância poderá acelerar a elevação do nível de conhecimento e acelerar o amadurecimento profissional. Independente do que o futuro nos reserva, a Aviação de Caça sempre terá o compromisso, qualquer que seja o cenário, de continuar a ser a primeira linha de defesa da Pátria no contexto aeroespacial.

Leia a entrevista na íntegra no site da FAB www.fab. mil.br ou acesse pelo endereço do QR Code ao lado


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FAB NA AMAZÔNIA

Os desafios de ampliar uma pista em meio à floresta

CB Silva Lopes / CECOMSAER

No norte, as pistas construídas pela COMARA são, literalmente no meio da floresta

COMARA

Comissão de Aeroportos da Região Amazônica (COMARA), responsável por construir as embarcações que transportam os insumos para a construção de pistas que ficam, literalmente, no meio da floresta. A partir delas é possível que aeronaves militares patrulhem as fronteiras, apóiem os Pelotões Especiais do Exército e transportem populações indígenas e ribeirinhas. As pistas beneficiam ainda a aviação civil e o desenvolvimento das localidades. Com distâncias continentais – cerca de 55 milhões de km2 – e abundância de rios, a região amazônica se integra, basicamente, por hidrovias. Para viabilizar o transporte de volumes gigantescos de cimento, brita, seixo, máquinas pesadas e todos os demais insumos necessários para a construção de aeródromos, com o menor custo, a FAB vem se especializando em ciência náutica desde 2002, por meio do Programa de Renovação das Frotas (RENFROTA). O Porto Fluvial Brucutu (PFB), localizado em Belém (PA), é responsável por construir, reparar e gerenciar o fluxo logístico das balsas e empurradores. A tarefa de construir as embarcações é feita no Porto Fluvial Brucutu,

Desafio: empurrador e balsas foram literalmente arrastados até a parte navegável do rio CB Silva Lopes / CECOMSAER

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uando se pensa em Força Aérea Brasileira, a primeira imagem que vem à mente são aviões rasgando os céus para defender o país e levar ajuda humanitária a quem quer que precise. Mas, o que muitos desconhecem, é que, para manter a operacionalidade aeronáutica em qualquer ponto do território nacional, a FAB conta também com estaleiro, portos, balsas e empurradores, indispensáveis para a construção da infraestrutura aeroportuária na região Norte do país. Um dos exemplos dos esforços de militares e civis em meio à floresta é a ampliação da pista de Iauaretê (AM), na fronteira com a Colômbia, de 1.600 m para 2.000 m. Na obra, serão consumidos 180 mil sacos de cimento. O material é transportado em balsas, que carregam cerca de 20 mil sacos por viagem e levam aproximadamente 45 dias para chegar no destino. São 1.061 Km de distância em linha reta a partir de Manaus. Caso a mesma carga fosse transportada na aeronave C-105 Amazonas, seriam necessárias 1.500 viagens, o que aumentaria extraordinariamente o custo da operação. O apoio para erguer a infraestrutura é feito por meio do trabalho da

CB Silva Lopes / CECOMSAER

Conheça o esforço da COMARA para permitir que o transporte aéreo chegue a distantes locais da região Norte

Serão 45 dias para a embarcação carregada com material chegar ao destino da obra


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Do aço à embarcação: a tarefa de construir a infraestrutura de apoio O soldador Rômulo Souza do Espírito Santo é um exemplo do esforço que a FAB faz para empreender na Amazônia. Com uma roupa que pesa 4,8 kg, se diz orgulhoso de seu trabalho: “sei que minha solda é fundamental para que a balsa fique bem feita e possa navegar com segurança, pois sem ela, o material não chega, a pista não é feita e o avião não pode operar. Sinto-me muito útil e orgulhoso por ajudar o meu país”, declara.

“ O empurrador e as balsas foram arrastados por tratores de esteiras e pás mecânicas por um trecho de 4 km de estrada de chão, para serem postas novamente na água, na parte navegável do rio. ”

COMARA

Navegabilidade - Outro desafio dos “marinheiros da FAB” é adaptar-se à navegação nos rios amazônicos.

Adaptação: características dos rios tornam as cartas náuticas sempre desatualizadas

REASMOCEC / sepoL avliS BC

onde 60 colaboradores dividem-se nas funções de montadores, soldadores, lixadores, meio-oficiais, caldeireiros, carpinteiros, marceneiros, operadores de máquinas, auxiliares, ajudantes, encarregados e jateadores. Para erguer um empurrador são necessárias 45 toneladas de aço. Uma balsa consome 150 toneladas. Todo esse material é fornecido em chapas que são riscadas, cortadas e soldadas em peças que se somam até dar forma à embarcação. Do projeto básico até os testes hidrostáticos de vazamento, em média, são 10 meses. O encarregado do Porto, Sargento Roosevelt Casanova de Oliveira Soeiro, explica que o trabalho no estaleiro é duro. “No caso da soldagem, se for feita de modo irregular, a água pode infiltrar causando naufrágio, com risco para a carga e para própria tripulação”, explica. Segundo o sargento, para realizar o trabalho com eficiência, os soldadores atuam muitas vezes embaixo das chapas de aço e dentro dos tanques, onde a temperatura pode chegar a 60º C, devido ao clima amazônico e aos equipamentos de proteção.

Com uma roupa que pesa quase 5kg, soldador trabalha na construção das embarcações

Com mais de 17 anos de experiência, o Coordenador do Serviço de Praticagem da Bacia Amazônica, Linésio Gomes Barbosa Júnior, explica que o sistema de cheias e vazantes e a característica sedimentar dos rios da região despejam grande quantidade de material nas calhas, tornando as cartas náuticas desatualizadas. As ilhas e os bancos de areia também estão sempre em movimento. “A correnteza intensa e a fragilidade do leito, que é facilmente erodido, não permitem nem mesmo um balizamento seguro, já que em pouco tempo os faróis e sinalizadores são arrastados pelas águas”, conta o profissional. Segundo ele, “navegar na Amazônia não é fácil. Você pode viajar por um mesmo trecho a vida toda, mas, a cada viagem, encontra-se sempre um novo rio”. As dificuldades não são restritas aos rios. O Chefe da Divisão de Logística da COMARA, Capitão Elesbão do Nascimento Júnior, relata aqui que as novas embarcações passaram por situações inusitadas para chegarem aos rios. Pela dificuldade de navegação do rio Uaupés, entre as localidades de Ipanoré e Urubuquara/ AM, o empurrador e as balsas foram arrastados por tratores de esteiras e

pás mecânicas por um trecho de 4 km de estrada de chão, para serem postas novamente na água, na parte navegável do rio. “Foi necessário acoplar uma estrutura metálica no fundo das embarcações para que pudessem ser arrastadas sem danificar o casco”, explica. O chefe da Divisão de Planejamento e Controle, Major Aviador Alexandre Daniel Pinheiro da Silva, ressalta que as balsas empregadas pela Força Aérea possuem sinalização via satélite chamada AUTOTRAC. O sistema permite o acompanhamento e a troca de mensagens de texto entre as balsas em qualquer parte do país, em tempo real.

História Em 55 anos, a COMARA realizou 262 obras aeroportuárias, sendo 174 de infraestrutura e 88 de edificações em praticamente todas as regiões do país. Atualmente, estão em execução obras e projetos nas localidades de Santa Rosa dos Purus (AC); Eirunepé, Estirão do Equador, Moura, Palmeira do Javari, Tunuí Cachoeira e Yauaretê (AM); Salvador (BA); Porto Velho (RO); Surucucu (RR).


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INTERNACIONAL

Fumaça encanta público na Argentina e no Chile

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róxima da comemoração dos 60 anos, a Esquadrilha da Fumaça realizou suas primeiras apresentações do ano em solo estrangeiro: Chile e Argentina. As demonstrações aéreas aconteceram entre os dias 27/03 e 05/04. Os T-27 Tucanos iniciaram o circuito na Feira Internacional do Ar e do Espaço 2012 (FIDAE), a maior feira aeroespacial e de defesa da América Latina, em Santiago do Chile. “Somos conhecidos como os embaixadores do Brasil nos céus e, através do nosso trabalho, representamos o trabalho da Força Aérea Brasileira. O trabalho de um país que tem sua própria indústria de aviação nacional, que tem sua capacidade de defesa comprovada e consagrada

no teatro mundial”, relata o Major-Aviador Alexandre de Carvalho Ribeiro, número seis da Esquadrilha da Fumaça. Além dos brasileiros, houve manobras da Esquadrilha de Alta Acrobacia da Força Aérea do Chile, os Halcones. A segunda parada para apresentações foi na Argentina. O esquadrão fez apresentações na Escola de Aviação Militar em Córdoba e na Base Aérea da cidade de Mendoza. Exposição – Durante a FIDAE, as aeronaves da Força Aérea Brasileira (FAB) reuniram os visitantes para conhecerem o jato E-99, dois caças F-2000 Mirage e um helicóptero H-36. A feira contou com a participação de mais de 557 empresas de 41 países.

SGT Batista / CECOMSAER

Demonstrações aéreas fazem parte do circuito internacional do grupo que iniciou pela América Latina

Multidão acompanha espetáculo da Esquadrilha da Fumaça no Chile e na Argentina

HAITI

Familiares e amigos dão apoio aos militares que integram a missão de paz Enquanto 27 militares embarcam em Brasília, outros 27 desembarcam em Manaus com a missão cumprida Sgt Rezende / CECOMSAER

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ágrimas, abraços apertados dos familiares e um sentimento de saudade antecipada marcaram a cerimônia de despedida dos 27 militares pertencentes ao Batalhão de Infantaria de Aeronáutica Especial de Brasília (BINFAE-BR), que embarcaram no final de março na Base Aérea de Brasília (BABR), rumo ao Haiti. Eles devem permanecer no país por cerca de oito meses. Este é o 16º Contingente Brasileiro da Missão da Organização das Nações Unidas para estabilização do Haiti (MINUSTAH). “Ele vai se afastar da família e dos amigos, mas em compensação vai receber em troca a satisfação de estar proporcionando ajuda a um povo que teve o país devastado pelo terremoto. Será um aprendizado pessoal e profissional muito grande. É difícil, mas é

Terceiro contingente da FAB momentos antes do embarque na Base Aérea de Brasília

um orgulho para a família”, ressaltou Catia Pereira, irmã do Sargento Paulo Robson Pereira Leite. O pelotão da

Aeronáutica, composto por 15 soldados, sete cabos, quatro sargentos e um oficial passou por um período de

treinamento de oito meses no Brasil. O contingente da FAB vai integrar a 1ª Companhia de Fuzileiros da Força de Paz, ao lado dos efetivos do Exército Brasileiro e do Paraguai. Eles vão realizar escolta de comboio, patrulhas a pé e motorizada, e controle de distúrbios. Retorno - Depois de oito meses em missão no Haiti, os 27 militares do Batalhão de Infantaria de Aeronáutica Especial de Manaus (BINFAE-MN) desembarcaram no Aeroporto Internacional Eduardo Gomes, em Manaus (AM), em 27/03. Este foi o período mais longo em que uma tropa de paz brasileira permaneceu naquela nação. O grupo foi recebido por parentes e amigos. Em seguida, os militares foram conduzidos para instituições especializadas, a fim de cumprir uma rotina de exames médicos e psicológicos.


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OPERAÇÃO GUASCA

Militares treinam resgate de vítimas no mar

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urante 18 dias, 85 militares trabalharam cerca de 12 horas por dia para cumprir aproximadamente 300 simulações de resgate de vítimas no mar na 28ª edição da Operação Guasca, que foi realizada entre 12 e 30 de março em Florianópolis (SC). O Esquadrão Pantera (5º/8º GAv), sediado em Santa Maria (RS), esteve na Base Aérea de Florianópolis (BAFL) para o exercício que visa o aprimoramento dos métodos de busca e resgate da Força Aérea Brasileira (FAB), utilizados em acidentes no mar e na terra ou em caso de desastres naturais, como nas enchentes em Santa Catarina em 2008. O esquadrão fez simulações de resgate de pessoas na água por meio do método de içamento inglês KAPOFF, em que o resgate acontece com rapidez, eficiência e segurança. De acordo com o Tenente-Aviador Thiago Barros, é da qualificação operacional das tripulações que depende o sucesso de uma operação

de resgate, ou seja, a padronização de procedimentos e o entrosamento das equipes são decisivos. Durante a missão, os pilotos nem sempre veem a vítima. “Precisamos seguir as orientações do operador de equipamentos, que indica a posição em que o helicóptero deve estar para a descida do guincho e dos homens SAR. É um trabalho em equipe”, explica o Tenente-Aviador. A escolha de Florianópolis como local para fazer o treinamento tem suas razões. “Aqui é uma região em que o vento muda constantemente. A cada situação nós temos que adequar o helicóptero para um posicionamento diferente para facilitar o trabalho da tripulação e principalmente na hora do resgate da vítima na água”, explica o militar. Cinco helicópteros H-60 Black Hawk voaram sobre as baías norte e sul da ilha de Santa Catarina, inclusive à noite, com utilização de Óculos de Visão Noturna (NVG).

Guto Kuerten / DC

Em 18 dias de operação, Esquadrão Pantera realizou aproximadamente 300 simulações para aprimorar técnicas

Foco do treinamento é aprimorar as técnicas de busca e resgate no mar

EDUCAÇÃO

Aumentam aprovações de curso pré-vestibular voluntário do ITA Cursinho mantido por alunos do instituto contabiliza mais de 200 aprovações só em 2012 “As listas ainda estão sendo publicadas, mas já contabilizamos mais de 200 aprovações nos vestibulares realizados em 2011”, informa Lucas de Brito Rocha, presidente do Curso Alberto Santos Dumont Vestibulares (CASDVest), criado e mantido voluntariamente há 15 anos por alunos do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA). O curso preparatório, gratuito, atende 520 estudantes carentes principalmente da cidade de São José dos Campos (SP). O CASDVest é uma Organização Não-Governamental (ONG), surgiu

em 1997 quando um pequeno grupo de alunos de graduação do ITA decidiu criar um curso pré-vestibular gratuito para alunos da rede pública de ensino. Nesses 15 anos, a ONG vem concretizando o sonho de muitos jovens. Thaís Juliana Ribeiro da Silva, 20 anos, conseguiu uma vaga no curso mais antigo de direito do Brasil, a Faculdade de Direito do Largo São Francisco da Universidade de São Paulo (USP). Em dois anos de CASDVest, ela conseguiu recuperar a defasagem nas áreas de ciências exatas, como química, física e matemática. “Eu sempre estudei

em escola pública. Algumas coisas eu nem tinha noção”, diz a estudante. O dia em que viu o nome estampado na lista de aprovados (de 530 vagas, ela ficou em 380º lugar) os sentimentos de felicidade e alívio afloraram. “Tenho muita gratidão a todos do cursinho. Eles são como uma família”, resume Thaís que agora vai ajudar outros estudantes elucidando dúvidas de História do Brasil no cursinho pré-vestibular. Entre os anos de 2001 e 2010, o cursinho aprovou mais de 1,3 mil alunos em cursos disputados em diversas universidades brasileiras renomadas,

como USP, Unicamp, UFRJ, UFSC e UFScar, entre outras. O CASDVest já atingiu as maiores taxas de aprovação dos cursos extensivos noturnos da região. De 2001 a 2010, foram 1323 aprovações. Em 2010 o cursinho aprovou 225 alunos. No ano de 2009, foram 254 aprovações. Em 2007, os alunos da ONG conseguiram o primeiro lugar em Engenharia Mecânica e as segundas colocações em Engenharia Elétrica e Odontologia, todas na Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (UNESP).


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SOCIAL

Feira aproxima produtor e consumidor no COMAR VII

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rutas, hortaliças, legumes, laticínios e carnes, tudo com preço reduzido. Essa é uma nova realidade para a população da zona sul de Manaus e para os 3.400 militares que trabalham na capital do Estado. A iniciativa é resultado da parceria do Sétimo Comando Aéreo Regional (VII COMAR), por meio de convênio firmado com o Governo do Estado do Amazonas, que cedeu uma área para a realização da Feira de Economia Feminista e Solidária de Produtos Regionais. A feira é realizada quinzenalmente, aos sábados, numa área de 1.100m2, abriga em torno de 100 expositores/produtores de hortifrutigranjeiros de Manaus e outros 15 municípios do interior, além de artesanato indígena.

Para o Sargento Gilson Nascimento de Paula, morador da Vila Militar Ajuricaba, é uma boa oportunidade para ter acesso a bons produtos com preço justo, em local organizado, limpo e próximo à vila. O Cabo Paulo Nixson Vieira Barreto, morador do bairro Canaranas, Cidade Nova II, acredita que os moradores poderão desfrutar de boa estrutura, preços acessíveis, qualidade e quantidade. O produtor de hortaliças e legumes de Iranduba, município da região metropolitana de Manaus, Carlos Alberto Matos Gomes e sua esposa, Naira dos Santos Gomes, acharam excelente a iniciativa, que proporciona ao homem do campo o aumento da renda familiar e torna o escoamento da produção mais organizado. Apoio - O projeto, apoiado pelo

VII COMAR

Parceria permite a realização de feira de produtos regionais na área do Sétimo Comando Aéreo Regional

Aproximação entre consumidores, civis e militares, e produtores beneficia ambos

Ministério da Pesca e Aquicultura, é operacionalizado pela Agência de Desenvolvimento Sustentável do

Amazonas (ADS) em parceria com o Sétimo Comando Aéreo Regional e a Prefeitura de Aeronáutica de Manaus.

PESQUISA

As Forças Armadas são a instituição mais confiável, diz pesquisa

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os olhos da população brasileira, as Forças Armadas são a instituição mais confiável. É o que diz a pesquisa divulgada recentemente pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), que avaliou o índice de confiança do 4º trimestre de 2011. Em primeiro lugar, com 72% na preferência dos entrevistados, a instituição ficou à frente da Igreja Católica (58%) e do Ministério Público (51%). O levantamento realizado pela Escola de Direito da FGV de São Paulo ouviu 1.550 pessoas de diferentes Estados, como Rio de janeiro, Minas Gerais, Bahia, Rio Grande do Sul, São Paulo e do Distrito Federal. A coleta de dados ocorreu entre os meses de outubro e dezembro de 2011. O prestígio das Forças Armadas também pôde ser medido pelo

estudo elaborado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) sobre a percepção da população em geral acerca da Defesa Nacional. O levantamento, divulgado em janeiro deste ano, foi realizado com 3.796 entrevistados em todo o Brasil. As 30 questões da pesquisa, estruturadas em torno de quatro eixos temáticos, abordavam itens como percepção de ameaças; percepção sobre a Defesa Nacional e as Forças Armadas; poder militar do Brasil e inserção internacional; e a relação entre as Forças Armadas e sociedade. A pesquisa do IPEA concluiu que a maior parte dos entrevistados confia nas Forças Armadas, apóia as suas atividades e considera que elas têm uma função importante no País, opinião presente em todas as regiões.

Forças Armadas

72%

Igreja Católica

58%

Ministério Público Grandes Empresas

51% 46%

Imprensa Escrita Poder Judiciário

44% 39%

Governo Federal

38%

Polícia

38%

Emissoras de TV Congresso Nacional Partidos Políticos

36% 21% 8%

Fonte: Pesquisa da FGV


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SUA SAÚDE

Diabetes: rotina saudavél é saída para doença Causada pela falta de insulina, diabetes tem sintomas que, às vezes, não são percebidos pelo paciente

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erca de 10 milhões de pessoas são portadoras de diabetes no Brasil e 500 novos casos surgem a cada dia. Segundo o Ministério da Saúde, metade dos brasileiros sequer sabe que tem a doença que causa falência renal, cegueira, amputação, além de reduzir a expectativa de vida dos pacientes em 5 a 10 anos. Para falar sobre o assunto, o Notaer conversou com o chefe do Serviço de Endocrinologia do Hospital de Força Aérea do Galeão (HFAG), Major Médico Sérgio Furrer Notaer - O que é diabetes? Maj. Méd. Furrer - É uma doença provocada por um defeito na produção de insulina pelo organismo e/ou pela incapacidade de usá-la adequadamente. A insulina é um hormônio produzido pelo pâncreas (uma grande glândula localizada atrás do estômago). Ao alimentar-se, o organismo transforma grande parte do alimento em açúcar (glicose) que o sangue levará para as células do corpo como energia. A insulina auxilia a entrada do açúcar nas células e controla sua taxa no sangue. Quando o organismo não produz insulina suficiente ou tem dificuldade de usá-la adequadamente, as células não absorvem suficientemente o açúcar do sangue.

O resultado é uma alta na taxa de açúcar no sangue. Notaer - Qual a diferença entre diabetes tipo 1 e 2? Maj. Méd. Furrer -Diabetes tipo 1 é aquele que aparece em crianças e adolescentes com sintomas de fome e sede excessivas, eliminação exagerada de urina, grande elevação do açúcar no sangue e, frequentemente, perda de peso. Esses pacientes são totalmente dependentes de aplicações de insulina e de uma dieta rigorosa. O diabetes tipo 2 aparece na idade adulta e normalmente poderá ser controlado com dieta e remédios. Em alguns casos, os sintomas da doença são tão sutis que, às vezes, não são nem notados pelo doente. A predisposição familiar é um fator de risco muito grande: as pessoas com pais diabéticos têm duas vezes e meia mais chance de se tornarem diabéticos. Notaer - Por que a doença está associada à obesidade? Maj. Méd. Furrer - Há uma alteração no metabolismo da insulina presente na obesidade. Isso, normalmente, acaba evoluindo para uma alteração nos níveis de glicose, o que acaba por determinar o diagnóstico do diabetes. Hoje está muito claro que, para evitarmos a doença,

Fique atento aos sintomas:

Aumento na frequencia e volume da urina;

Perda ou ganho de peso;

Sede excessiva e ingestão de muito líquido;

Visão embaçada ou turva;

Fome excessiva;

Fadiga, cansaço e tonturas;

Outros sinais - Infecções cutâneas - Cicatrização lenta; - Sensações de formigamento, queimação e coceira na pele, normalmente nas mãos e pés;

De acordo com o Maj. Méd. Furrer, o diagnóstico laboratorial do diabetes será comprovado pela medida da glicemia, realizada por exame de sangue após um jejum de 8 a 12 horas. Ilustrações: worlddiabetsday.org

é necessário adotar uma rotina saudável, que inclui fazer atividade física, controle do estresse emocional, uma dieta com pouca gordura e açúcares,

rica em fibras e produtos naturais. Há muitos tratamentos disponíveis para o controle do diabetes, mas nenhum deles pode levar à cura.


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EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA

Modalidade oferece flexibilidade de horários

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Desde que foi transferida do Rio de Janeiro para o novo local trabalho, em São Gabriel da Chachoeira (AM), a Sargento Cristiane Teixeira da Mota, 32, iniciou o curso de Ciências Contábeis a distância. “Eu não podia ficar parada”, diz a militar da Seção Administrativa do Destacamento de São Gabriel da Cachoeira (AM). O Sargento Agenor Antonio do Nascimento Neto, 36, trabalha no Ministério da Defesa como Supervisor da Coordenação de Suporte Técnico. Depois de constituir família, o ensino a distância surgiu como uma facilidade para que ele conquistasse o nível superior. “Proporciona flexibilidade. Eu executo todos os trabalhos em casa”, diz o militar que concluiu o curso a distância na área de Tecnologia de Informação e já iniciou o de Administração, cuja previsão de término é para o primeiro semestre de 2013. Segundo o Ministério da Educação, o número de cursos de graduação a distância saltou de dez, em 2000, para 930 em dez anos. A quantidade de alunos também aumentou, de 1,6 mil para 930 mil. Hoje, cerca de 15% dos universitários estudam em cursos não presenciais. Os números impressionam, pois o ensino superior a distância

ACERVO PESSOAL

ara quem deseja realizar o sonho de conquistar o diploma e graduar-se num curso de nível superior, ter uma segunda carreira, aprimorar-se na sua atividade ou ainda fazer uma especialização, mas esbarra na difícil tarefa de conciliar os estudos, o ensino a distância é uma alternativa que apresenta diversas vantagens. Pensando na realidade dos militares, cuja rotina envolve mudanças constantes de cidades, viagens e trabalho em diferentes horários, as Forças Armadas estabeleceram convênios com diversas instituições de ensino. “O convênio com as Forças Armadas foi elaborado pensando em três fatores fundamentais: a democratização do acesso ao ensino superior, a flexibilidade de horários e a mobilidade”, explica a Diretora do Campus Virtual da Universidade do Sul de Santa Catarina (Unisul), Jucimara Roesler. Além da flexibilidade, os convênios prevêem descontos. Um exemplo é o acordo firmado entre a Unisul e o Departamento de Ensino da Aeronáutica (Depens) que prevê descontos de até 25%, de acordo com o posto e número de matriculados na família. Caso o dependente do graduado também queira estudar, ele receberá 35% de desconto.

ACERVO PESSOAL

Convênios entre as Forças Armadas e universidades prevêem descontos de até 25% para militares

Curso realizado pelo Sargento Agenor contribuí para o desempenho da atual função

é uma modalidade ainda recente no país. Os fundamentos só surgiram em 1996, na Lei de Diretrizes e Bases. Em outros países, como Inglaterra e Espanha, instituições de EaD surgiram por volta dos anos 70. Como são as rotinas – As disciplinas são ministradas por módulos, que duram em torno de dois meses. O aluno recebe o cronograma de tudo o que vai acontecer, desde o dia do recebimento do livro para estudos – desenvolvido especialmente para atender as necessidades de aprendizagem que o ensino virtual requer - até o dia da avaliação presencial. Como no sistema tradicional de en-

sino, o aluno é submetido a avaliações. No EaD, todas as provas são discursivas, exigindo do aluno conhecimento real para dissertar. A cada disciplina, também há uma avaliação presencial que vale 70% da nota final do semestre. A prova é aplicada em polos, escolhidos pelo próprio aluno, considerando a facilidade de acesso. “Planejar e executar um curso a distância não é tarefa fácil, muito menos um trabalho trivial”, afirma o Major-Brigadeiro do Ar da Reserva Adenir Siqueira Viana, assessor institucional com a Defesa e Forças Armadas da Universidade do Sul de Santa Catarina (Unisul).

Dicas para escolher um bom curso Para ter certeza de que você está optando por um bom curso, observe essas dicas: Verifique se a instituição é credenciada junto ao Ministério da Educação. Sargento Cristiane não deixou de estudar por estar numa localidade distante

Confirme se o curso escolhido é

homologado e reconhecido. Caso seja a primeira turma, certifique-se de como é o histórico de homologações dos demais cursos da instituição junto aos órgãos competentes. Avalie qual as habilidades e competências que o aluno terá ao final do curso.


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TRÁFEGO AÉREO

Intercâmbio aproxima controladores e esquadrões a próxima vez que a Esquadrilha Beta Centauro (A-1) fizer contato com a torre de Santa Maria e o operador de serviço for o 1º Sargento Controlador de Tráfego Aéreo Luís André Missio, ele lembrará do marcante voo que fez na aeronave A-1. O Destacamento de Controle do Espaço Aéreo de Santa Maria (DTCEA-SMM) e as unidades aéreas sediadas na Base Aérea de Santa Maria iniciaram várias atividades para aproximar controladores de voo e pilotos, permitindo ampliar o conhecimento mútuo das atividades por eles exercidas. O intercâmbio prevê visitas de controladores ao simulador de voo da aeronave A-1 e às instalações do 1º/12º GAV (Esquadrão Horus), que opera as Aeronaves Remotamente Pilotadas (ARP), também conhecidos como VANT, além de voo em aeronaves da Força Aérea Brasileira. O responsável pelo projeto, Comandante do DTCEA-SM MajorAviador Edson Luis Balbinot, ressalta que este intercâmbio é importante para aproximar militares de diferentes especialidades e unidades que trabalham juntos diariamente. “Isso faz com que cada um conheça as particularidades do trabalho de cada setor, viabiliza a troca de sugestões e a compreensão das limitações de cada atividade”, afirma o major. O intercâmbio ganha mais importância à medida que o DTCEA presta serviços de navegação aérea, como controle, meteorologia e informações aeronáuticas para as unidades aéreas sediadas na região. “A aproximação possibilita um controle de tráfego mais dedicado e profícuo, baseado no desempenho de cada tipo de aeronave. Essa interação aumenta a eficácia do serviço prestado e eleva os níveis de segurança”, complementa. Na opinião do Sargento Missio, o intercâmbio possibilita conhecer a carga de trabalho de um piloto em

comando de aeronave militar. “Com esta percepção a mais, passamos a entender melhor as situações de tráfego aéreo que vivenciamos diariamente”, diz o sargento. Para a Sargento BCT Carolina Diversi do Nascimento Stefani Zucateli vivenciar o voo, amplia a visão sobre o trabalho do controlador. “Além de acompanharmos cada fase do voo, os pilotos estiveram à disposição para sanar dúvidas e até mesmo ouvirem opiniões dos controladores a respeito de diversas situações rotineiras”, afirma. No outro lado, quem comanda a aeronave concorda que esta é uma oportunidade única para que os controladores vivenciem a missão sob a ótica do piloto e aumente a confiança de ambas as partes. “Além de observar as posições do tráfego e ouvir as coordenações realizadas pelos colegas de trabalho, torna-se possível que o controlador conheça as dificuldades e particularidades que eventualmente surgem”, afirma o Major-Aviador Milber Moura Bertolino. O militar explica que no caso dos voos em aeronaves A-1, numa missão típica de ataque, diversos aspectos como a navegação a baixa altura, a velocidade da aeronave, a comunicação dentro da esquadrilha, a coordenação com outros órgãos de controle e todo o gerenciamento da missão podem ser observados pelo controlador. Simulador – De acordo com o Chefe do Simulador de Vôo da Aeronave A-1, Tenente-Aviador Guilherme Gonçalves Herculian, na visita ao simulador, os controladores conhecem os detalhes da subida e descida em condições IFR; Circuito de tráfego visual, contemplando os tráfegos padrão, de pilofe, sem flape e de emergência simulado, emergências na decolagem e emergências críticas. O briefing é todo realizado em inglês. Aeronave Remotamente Pilo-

Intercâmbio é oportunidade para os controladores conhecerem as peculiaridades do voo

REVISTA AEROVISÃO

DTCEA SM

D

DTCEA SM

Objetivo é conhecer as particularidades de cada setor, aumentar a interação e a eficácia do serviço

Sargento Missio pronto para voar no A-1

tada – Nas instalações da Estação de Controle de Solo e do Terminal de Dados de Telemetria do 1º/12º GAV, os controladores conheceram a concepção geral do Sistema Hermes 450 de Aeronaves Remotamente Pilotadas (ARP) sediado na BASM. Segundo o Major Especialista em Fotografia Leandro Rogério Camboim da Silveira, a ênfase foram as possibilidades de operação do Sistema, que é totalmente automatizado.

Na revista A e ro v i s ã o d e abril você vai conhecer melhor o ‘avião-computador’ desenvolvido pelo Brasil na década de 80 e que está em processo de modernização para defender o país pelos próximos 20 anos. A publicação traz também algumas histórias de fãs apaixonados pela Fumaça, que completa 60 anos em 2012. Veja outros destaques: Caixa-preta – Veja como elas ajudam a desvendar os mistérios dos acidentes aeronáuticos e conheça o único laboratório de leitura de dados da América Latina. Aeronaves histórias – Conheça a saga do B-25, o primeiro avião a entrar em combate pelo Brasil na Segunda Guerra. Para ler a edição completa de abril da Aerovisão acesse o site www.fab.mil.br


TC Parreiras / 1º/4º GAv

22 de Abril Dia da Aviação de Caça

Notaer Abril 2012  
Notaer Abril 2012  

As dificuldades para construir pistas na Amazonia

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