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Ano XXXIV

Nº 3

Março, 2011

ISSN 1518-8558

SGT Johnson / CECOMSAER

Carreira de Especialistas da Aeronáutica completa 70 anos

“Capacetes Azuis” da Infantaria da FAB já atuam nas ruas do Haiti Missões de patrulha, guarda e segurança e manutenção da lei e da e da ordem. Essa é a missão que vem sendo desempenhada pelo primeiro Pelotão da Aeronáutica enviado para participar de uma Força de Paz da ONU. (Pág. 11)

ACONTECE na FAB Passagens de comando e aniversários (Pág. 13) Esquadrão de Santa Maria (RS) recebe novo helicóptero H-60(Pág 14) Tocha Olímpica dos Jogos Mundiais Militares chega ao Rio de Janeiro (Pág. 15)

Experiência da Saúde ajuda a criar cartilha com dicas para voo seguro O Conselho Federal de Medicina montou uma Câmara Técnica para debater o assunto com o envolvimento de médicos especializados em Medicina Aeroespacial. O resultado desse trabalho deu origem a uma cartilha (Pág. 12)

Há exatas sete décadas, em março de 1941, nascia a Escola de Especialistas de Aeronáutica, sediada na Ponta do Galeão, na Ilha do Governador, no Rio de Janeiro. Era um dos vários esforços do recém-criado Ministério da Aeronáutica para reorganizar a aviação brasileira. A nova escola nasceu como ideia para unificar a formação de profissionais especialistas, após a extinção das Escolas de Aviação Naval (Marinha) e de Aviação Militar (Exército). O cenário da aviação brasileira no início dos anos 40 era precário. Faltavam pilotos, aeronaves, pistas, equipamentos, mão-de-obra especializada, normas de segurança, indústrias e investimentos. Conheça um pouco mais dessa história e dos militares que já viveram mais da metade desse período - NOTAER ouviu o graduado e o oficial especialista com mais tempo de serviço na ativa. Dia 25 de março é uma data histórica a ser celebrada com esses profissionais. (Pág. 4 e 5)

ESPECIAL 70 ANOS

Anos 80 - A hora e a vez da indústria aeronáutica no Brasil Os projetos dos aviões C-95 Brasília, T-27 Tucano e A-1 (AMX) decolam, colocando o país no seleto grupo de vanguarda na indústria da aviação mundial. Os reflexos desse período influenciam o país até hoje. (Pág. 7 a 10)


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CARTA AO LEITOR

Expediente O jornal NOTAER é uma publicação mensal do Centro de Comunicação Social da Aeronáutica (CECOMSAER), voltado ao público interno.

O nome por excelência Ao ampliar o aumento da tiragem do Notaer para 30 mil exemplares, um dos principais objetivos foi o de fazer com que mais profissionais se “vissem” e avaliassem como são indispensáveis para cada conquista da instituição. Esta edição homenageia, em especial, um grupo cuja história confundese com a própria história da FAB. Chegamos ao terceiro Notaer com o foco voltado para um quadro consagrado. Um grande quadro, aliás, os especialistas. Nesta edição, em várias oportunidades o prezado leitor verá a palavra neste jornal e lembrará que, sob essa denominação, existe o conceito dos trabalhadores técnicos que

apoiam o voo. E isso não ocorre há pouco tempo. Não é coincidência, por exemplo, o fato da Escola de Especialistas ter nascido no mesmo ano do Ministério da Aeronáutica. Significou que a instituição iniciou e evoluiu apoiada por profissionais que, em voo ou em terra, em centros urbanos ou em afastados rincões, denotariam a importância de quem fez e faz tudo para que as missões ocorram. Nestes 70 anos, diversas especialidades surgiram para fazer frente aos desafios. Atualmente são 27. Em diferentes organizações, ostentando divisas nos braços, nos ombros e nos corações.

Chefe-Interino do CECOMSAER: Coronel-Aviador Marcelo Kanitz Damasceno Chefe da Divisão de Produção e Divulgação: Tenente-Coronel Alexandre Emílio Spengler SGT Johnson / CECOMSAER

Divisas que revelam a força do que sua farda distingue. Divisas que unem. Devem ser cumprimentados todos os dias. Mas dia 25 é um dia muito especial. Que o nosso Notaer chegue longe como faz cada um dos especialistas de Aeronáutica. Marcelo Kanitz Damasceno Cel Av Chefe-Interino do CECOMSAER

Chefe da Divisão de Relações Públicas: Coronel Marcos da Costa Trindade Editores: Tenente Luiz Claudio Ferreira e Tenente Alessandro Silva Repórteres: Tenente Luiz Claudio Ferreira, Tenente Alessandro Silva, Tenente Adriana Alvares, Tenente Marcia Silva, Tenente Flávio Hisakasu Nishimori e Tenente Carla Dieppe

PENSANDO EM INTELIGÊNCIA

Colaboradores: CIAER, COMAR I, COMAR II, COMAR III, COMAR VI, BAAF, COMARA, 1º/7º GAV, 5º/8º GAV e SISCOMSAE (textos enviados ao CECOMSAER, via Sistema Kataná, por diversas unidades)

A importância da Contrainteligência no COMAER

Tiragem: 30.000 exemplares

A Atividade de Inteligência gera o conhecimento necessário à assessoria das autoridades que conduzem uma organização em prol da execução de suas variadas missões. Porém, tão importante quanto a produção do conhecimento é a proteção do conhecimento que já se detém ou daquele que se busca. A Contrainteligência é o ramo da Inteligência que se ocupa da proteção do conhecimento de posse de uma organização. A Contrainteligência é inseparável de toda e qualquer atividade de caráter sigiloso relacionada aos interesses do COMAER. Suas ações decorrem das necessidades estabelecidas pela Inteligência, sendo efetivadas conforme decisão das autoridades competentes, em todos os níveis. Os principais ramos de atuação da Contrainteligência são: A Segurança Orgânica, a Contraespionagem e a Desinformação. No caso mais prático, o da Segurança Orgâni-

ca, se foca a segurança física das áreas, instalações (barreiras, sensores, alarmes, cofres, prédios, sistemas de segurança etc), documentação (classificação de documentos, manuseio conforme a classificação, trâmites sigilosos, desclassificação, destruição etc), TI (segurança lógica e física, compartimentação, criptografia etc), comunicações (meios seguros de comunicação e criptografia) e, também, do pessoal (seleção, acompanhamento, desligamento, treinamento, capacitação etc). É muito importante que todo o pessoal do COMAER sinta-se responsável pela integridade e preservação da segurança das áreas e instalações, materiais, documentação e meios de TI, pois não apenas o setor de contrainteligência é responsável por isso. Podemos exemplificar: o cumprimento de todos os protocolos, normas e demais procedimentos relacionados com o acesso às organizações, o envio e recebimento de

documentação e de mensagens (de quaisquer tipos), aquilo que se fala, para quem se fala e onde se fala, os cuidados com senhas, códigos, identificações, cartões de acesso e etc. Toda e qualquer atividade ou ocorrência suspeita que fira os preceitos de conduta de sigilo da organização, o acesso indevido aos diversos setores, o extravio de documentação ou de materiais, questionamentos estranhos por parte de pessoas externas ao COMAER, entre outros, devem ser comunicados ao setor de segurança ou de inteligência de sua organização ou da organização mais próxima do COMAER. Deve-se lembrar, constantemente, que por mais sofisticados, caros, estruturados e bem montados que sejam os sistemas de proteção dos conhecimentos eles serão tão fortes ou vulneráveis conforme o pessoal que os suporta. (Artigo de autoria do Centro de Inteligência da Aeronáutica)

Jornalista Responsável: Tenente Luiz Claudio Ferreira (MTB 2857 - PE) Diagramação: Tenente Alessandro Silva, Sargento Rafael da Costa Lopes e Cabo Lucas Maurício Alves Zigunow Revisão: Major Alexandre Daniel Pinheiro da Silva e Suboficial Cláudio Bonfim Ramos Estão autorizadas transcrições integrais ou parciais das matérias, desde que mencionada a fonte. Comentários e sugestões de pauta sobre aviação militar devem ser enviados para: redacao@fab.mil.br ISSN 1518-8558 Esplanada dos Ministérios - Bloco “M” - 7º andar CEP - 70045-900 - Brasília - DF Impressão e acabamento: Aquarius Gráfica e Editora


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PALAVRAS DO COMANDANTE

S1 Silva Lopes / CECOMSAER

Inspiração de vida

Formatura de sargentos na Escola de Especialistas de Aeronáutica (EEAR), em Guaratinguetá, no interior de São Paulo

Essa nossa carreira permitenos adiantar e retroceder os olhares. Adianto quando revejo a turma enfileirada, de olhares jovens, cheio de expectativas. Ao entoar dos gritos de seja bemvindo, alude-nos a imagem futura, daqueles moços e moças procedendo todo apoio ao voo. Ao adiantar o olhar, vibramos com a missão técnica, especial e abnegada. Mas nosso coração também regressa ao ponto de onde partimos. Aproveito esta oportunidade no NOTAER para olhar, observar e voltar. Pessoalmente, a inspiração abrigada na própria história. Este comandante que se dirige a cada um de vocês era apenas um rapaz

curioso quando um sargento da Aeronáutica, amigo da família, chegou a minha casa, fardado. Admirei as divisas, o quepe e a postura daquele senhor. Foi um especialista que me trouxe até aqui. Perguntei a ele como poderia fazer para ingressar na FAB. Nas palavras imediatas e sábias do sargento, recomendou que eu estudasse muito e tivesse persistência. Resolvi seguir a carreira da aviação e a cada passo relembrei das palavras certeiras e repletas de significado. Certo, pois, é que aquilo que ouvi ele teria aprendido também. E esses ensinamentos aconteceram dia após dia. Como piloto, convivi com es-

pecialistas que atuavam em várias áreas, todos companheiros em voo ou em solo determinantes para que cada missão fosse cumprida. Recordo do verso iluminado do Hino dos Especialistas que exprime o sentimento de toda a Família Aeronáutica. “Nós sentimos orgulho sem par”. É verdade! Orgulho e mais um sem-número de sentimentos de admiração que rebrilham a cada dia, emoldurado pelo respeito e a devoção que essas pessoas doam ao ofício. Adianto o olhar, de vir o menino e a menina, e enxergar homens e mulheres. Do porvir de suas existências. Especialistas de Aeronáutica em 27 áreas profissionais.

Turmas com mais de mil novos militares se formam a cada ano. Como não olhar, cumprimentar, emocionar com seu juramento e não pensar no amanhã... Imaginar cada um desses homens e mulheres chegando à casa de um amigo, e um jovem estudante, admirado com suas divisas, perguntar como é possível ingressar na FAB. Assim como eu fiz. A farda azul, o quepe, a postura e o amor também falam por si mesmos. Especialistas dirão que é preciso estudar muito. E para sempre serão inspirações inadiáveis. Tenente-Brigadeiro-do-Ar Juniti Saito Comandante da Aeronáutica


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PROFISSÃO MILITAR - Especialistas de Aeronáutica

Carreira começou com a criação da Força Aérea

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Guaratinguetá abriga o maior complexo de ensino técnico da América Latina

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SGT Johnson / CECOMSAER

vião, mecânico e piloto formam um triângulo profissional perfeito na aviação civil e militar. Juntos, cumprem a missão. O raciocínio ilustra a frase que abre o hino do Especialista de Aeronáutica e a importância dessa parceria: “Com os pilotos e asas, seremos um conjunto de todo eficaz”. Os militares dessa área, hoje, não são apenas mecânicos. Formam um grupo com mais de 24 mil especialistas – um terço do contingente total da Força Aérea Brasileira (FAB) –, entre graduados e oficiais, distribuídos em 27 diferentes áreas de atuação. Há exatas sete décadas, em março de 1941, nascia a Escola de Especialistas de Aeronáutica, sediada na Ponta do Galeão, na Ilha do Governador, no Rio de Janeiro, dentro do esforço do recémcriado Ministério da Aeronáutica de reorganizar a aviação brasileira. A nova escola foi criada para unificar a formação dos profissionais especialistas no país, após a extinção das Escolas de Aviação Naval (Marinha) e de Aviação Militar (Exército). Até então, cada Força tinha sua própria aviação. O cenário da aviação no início dos anos 40 era precário: faltavam pilotos, aeronaves, pistas, equipamentos, mão-de-obra especializada, normas de segurança, indústrias e investimentos. Nas palavras do primeiro Ministro da Aeronáutica, Joaquim Pedro Salgado Filho, os desafios eram muitos. “A aviação civil, na época, era mais voltada para a área esportiva em incipientes aeroclubes. Os pilotos comerciais recebiam treinamento dentro das próprias companhias que os empregavam.” Os desafios não paravam por aí. Mesmo as escolas militares existentes apresentavam divergências quanto à formação. A

Especialistas representam um terço do efetivo de militares da Força Aérea

Escola de Aviação do Exército, por exemplo, recebeu em seus primórdios o modelo da Missão Militar Francesa, a partir do final de Primeira Guerra (1918). Já a escola de Aviação Naval recebia orientação tanto da aviação inglesa quanto da aviação alemã. “Dar unidade à didática dessas duas escolas, tão diferentes em seus conceitos, era também outro desafio”, afirmou o ministro Salgado Filho. Em 1941, no primeiro concurso de admissão, apenas 34 candidatos passaram na prova, apesar das 200 vagas oferecidas. De lá para cá, a concorrência cresceu bastante, incentivada pela qualidade do ensino oferecido e pelas oportunidades da profissão militar: a relação candidato-vaga, em 2009, no Curso de Formação de Sargentos (CFS), chegou a 47,06 – mais do que o curso líder em

concorrência na Universidade de São Paulo no mesmo ano (publicidade – 40,66). A entrada do Brasil na Segunda Guerra também foi decisiva para que o país ampliasse a frota de aeronaves, investisse na preparação de mão-de-obra qualificada, novos e modernos equipamentos. Nesse período, para ampliar a capacidade de formação de técnicos para a aviação, o Brasil enviou pessoal para escolas no exterior. Em 1950, o Ministério da Aeronáutica criou a Escola de Especialistas de Aeronáutica (EEAR) em Guaratinguetá (SP), instalada na antiga Escola Prática de Agricultura e Pecuária. A unidade ocupa hoje uma área de 10 milhões de metros quadrados, com uma área construída superior a 119 mil metros quadrados, contendo 93 prédios administrativos e três vilas militares residenciais.

ocalizada no Vale do Paraíba, a 176 km de São Paulo, a Escola de Especialistas de Aeronáutica (EEAR) abre todos os anos 1,5 mil vagas para jovens que já possuem diploma de nível técnico ou que desejam cursar uma das especialidades oferecidas pela Força Aérea em 27 diferentes áreas profissionais (veja fotos na página 16). Durante o curso, o aluno recebe fardamento, assistência médica e odontológica, auxílio para material escolar e uma ajuda de custo mensal (soldo). Os estudantes passam a semana em regime de internato, com a expectativa de serem liberados às sextas-feiras ao final da instrução diária. A escola oferece dois tipos de oportunidades para quem busca uma profissão na carreira militar: o Curso de Formação de Sargentos (CFS), com duração de quatro semestres letivos e que corresponde ao ensino técnico; e o Estágio de Adaptação à Graduação de Sargento (EAGS), para quem já possui diploma de curso técnico, com duração de 24 semanas. O corpo docente da Escola de Especialistas é formado por 180 professores, entre civis e militares. Estudo – Até o ano passado, a EEAR formou cerca de 64 mil sargentos especialistas para a Força Aérea Brasileira. A concorrência para uma dessas vagas não foi fácil. “É preciso ser persistente. Passei dois anos tentando concretizar esse sonho. Abri mão de muita coisa, mas valeu a pena”, afirma a estudante Fernanda Goulart, primeira colocada no Curso de Formação de Sargentos de 2010.


5 Personagens

SGT Simo / CECOMSAER

SGT Johnson / CECOMSAER

Os militares que viveram mais da metade da história da Força Aérea

U

m viu um anúncio no jornal. O outro ouviu um parente contar sobre a carreira. Em comum, eram jovens com idade na faixa dos 17 anos. Buscavam uma profissão e um futuro. Lá se vão mais de três décadas no serviço ativo, dedicados à Força Aérea Brasileira e ao Brasil. Juntos, viram nascer o atual sistema integrado de controle de tráfego aéreo e a defesa aérea. Desbravaram o interior do país e ajudaram a escrever, ao lado de tantos outros, mais da metade da história da instituição que completou 70 anos em janeiro. “Sou grato pela carreira que escolhi. Realizado e reconhecido”, afirma o Tenente-Coronel Controlador de Tráfego Aéreo Jari Carlos da Silva, o oficial especialista com mais tempo de serviço ativo da Força Aérea. São mais de 42 anos de trabalho. Uma histórica que começou em 1968 a partir de um anúncio no jornal O Dia, falando sobre um cursinho preparatório para a carreira. O estudante disputou uma das 550 vagas oferecidas naquele ano e, ao lado de 22 mil candidatos em todo o

país, garantiu a oportunidade com a 17ª melhor nota do concurso. Na Escola de Especialistas de Aeronáutica, optou e foi escolhido para o curso de Controlador de Voo, nome dado à época aos Controladores de Tráfego Aéreo. Era uma época em que o país tinha cobertura radar apenas nas regiões terminais de São Paulo e Rio de Janeiro. O controle do tráfego era feito de forma convencional, apoiado em comunicações por rádio. Os atuais Centros Integrados de Defesa Aérea e Controle de Tráfego Aéreo (CINDACTA) ainda não existiam. De São Paulo, o então TerceiroSargento Jari seguiu para o Destacamento de Aeronáutica de Porto Nacional, hoje no Estado de Tocantins. Ali, conheceu a esposa, viu nascer o primeiro filho e a região central do país ser ocupada após a inauguração de Brasília. “Você não imagina o que era isso aqui naquela época. Era possível ver cobras atravessando a rua”, conta. Nos anos 80, passou no concorrido concurso para oficial especialista e, como aspirante, foi trabalhar

em Belém (PA). De lá, seguiu para o Serviço Regional de Proteção ao Voo de Brasília (SRPV), mais tarde absorvido pelo CINDACTA I. Hoje, o oficial trabalha na Subdivisão de Gerenciamento de Tráfego Aéreo do CINDACTA I, numa das regiões com maior volume de aeronaves no país. “Valeu a pena. Tudo o que um graduado poderia atingir, eu consegui”, afirma o Suboficial Marcos Antonio Batista Coutinho, que tem mais de 36 anos de serviço ativo na Força Aérea. O terceiro de cinco filhos, ouviu de um cunhado as primeiras informações da carreira. Na época, um cabo recém-aprovado para o curso de sargento da Escola de Especialistas de Aeronáutica. Da primeira vez que prestou a prova, o Suboficial Coutinho foi aprovado, disputando um das vagas oferecidas com mais de 20 mil candidatos de todo o país. “Comecei como radiotelegrafista de terra”, afirma. Na época, esse profissional era o responsável pelo trâmite de informações entre as unidades militares, cuidava ainda da confecção e difusão dos boletins meteorológi-

cos, da transmissão dos planos de voo, dentre outras funções. Hoje, essas atividades são apoiadas por modernos equipamentos. Da Escola de Especialistas, em 1976, o jovem militar seguiu para o Comando de Defesa Aérea (COMDA). Lá, viu nascer a atual estrutura de defesa do país e trabalhou ao lado de lendários “DijonBoys”, como ficaram conhecidos os militares que introduziram o primeiro caça supersônico da Força Aérea no país: o Mirage III. Na carreira, o militar foi o primeiro graduado do recém-criado Destacamento da Chapada dos Guimarães, nos anos 80, e comandante do Destacamento de Cachimbo, no Pará, de onde saiu em 2005. O Suboficial Coutinho passou a ainda pela Adidância do Brasil na França e trabalha hoje em dia no Centro de Comunicação Social da Aeronáutica (CECOMSAER), em Brasília. “Acredito que o momento mais feliz da minha carreira foi o reconhecimento com a indicação para missão no exterior”, afirma


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TECNOLOGIA E DEFESA

O evento deste ano contará com a participação de 53 países. A expectativa dos organizadores é receber 21 mil visitantes.

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istema de defesa aérea, peças de aeronaves e tecnologias de ponta desenvolvidas por suas unidades militares estão entre os itens a serem expostos pela Força Aérea Brasileira (FAB) na 8ª Edição da Latin America Aerospace & Defense (LAAD), feira de defesa e segurança, que acontece de 12 a 15 de abril, no Rio de Janeiro. O evento terá a presença de 55 delegações de 53 países e 350 expositores em uma área total de 45 mil metros quadrados. O Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA) vai apresentar uma maquete do foguete VSB-30, a exposição do míssil MAA-1B (ar-ar) de curto alcance de quarta geração, usado em combate do tipo “dog-fight”, com guiamento por infravermelho. O Centro Logístico da Aeronáutica (CELOG) também fará parte da exposição. A organização militar tem entre suas atribuições

realizar as atividades necessárias à nacionalização do material aeroespacial e bélico para assegurar a operação e o emprego das aeronaves da FAB, seus componentes, acessórios e equipamentos. “Vamos apresentar cerca de uma centena de peças, entre elas partes de trens de pouso das aeronaves T-27 e do Bandeirante. O CELOG tem conseguido, no Brasil, juntamente com empresas privadas, produzir itens de aviões que já não são encontrados no mercado, além de nacionalizar peças, uma solução para prolongar o tempo de atuação das aeronaves”, ressalta o Coronel-Aviador José Carlos Dias Rodrigues, chefe da divisão de nacionalização do CELOG. O Centro de Catalogação da Aeronáutica (CECAT) apresenta aos visitantes o Sistema OTAN de Catalogação (SOC), ilustrando as vantagens desse sistema às empresas de defesa do Brasil. Além disso,

mostrará a utilização do NSN (NATO STOCK NUMBER) como código internacional de identificação de materiais nos processos logísticos. Na parte externa da feira, em uma área de 600 metros quadrados, a FAB terá uma unidade do RODOMAPRE, versão automotiva do Módulo de Alimentação a Pontos Remotos (MAPRE). A unidade foi utilizada com sucesso na operação de ajuda ao terremoto do Haiti, no ano passado, e como apoio no V Exercício Cruzeiro do Sul (Cruzex V), realizado na cidade de Natal em novembro de 2010. Também está prevista a exposição de uma unidade móvel odontológica. A LAAD reúne bienalmente empresas brasileiras e internacionais especializadas no fornecimento de equipamentos e serviços para as três Forças Armadas, polícias, forças especiais, serviços de segurança, consultores e agências governamentais.

“Dentre os inúmeros desafios que o Brasil terá pela frente, destacam-se aqueles nas áreas de defesa e segurança. As descobertas do pré-sal e necessidade de proteger nossas fronteiras terrestres e marítimas exigirão a aplicação de recursos na ampliação e modernização das Forças Armadas. O combate à criminalidade e a realização de importantes eventos esportivos no Brasil como Copa do Mundo de Futebol e Jogos Olímpicos exigirão um salto na qualidade na infra-estrutura e nas atividades de segurança pública e privada, com conseqüentes investimentos em pessoal e meios”, explica Sergio Jardim, Diretor da LAAD. Este ano, a Feira contará com novos setores em exposição. O “Space Zone”, alinhada com a Estratégia Nacional de Defesa, reunirá a indústria espacial e os órgãos governamentais do setor. Outra novidade será a presença de autoridades de segurança de cada um dos países da América Latina. Haverá ainda um pavilhão de Treinamento e Simulação. Na programação estão previstos simpósios e seminários abordando temas como Defesa, Segurança e Logística Militar.

CELOG

S1 Silva Lopes / CECOMSAER

Força Aérea participará de Feira de Defesa e Segurança no RJ


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ESPECIAL FAB 70 ANOS

Centro Histórico EMBRAER

Anos 80

A aeronave de transporte Brasília, na Força Aérea batizada de C-97, é apresentada em evento para a imprensa nacional e internacional

A hora e a vez da indústria aeronáutica brasileira O

q u e h á e m comu m n as Forças Aéreas do Brasil, Irã, Reino Unido, Egito, Argentina, França, Kuwait, Angola, Venezuela e muitas outras de

vários continentes? A presença de aeronaves desenvolvidas no Brasil pela EMBRAER. Fundada em 1969, a empresa iniciou suas atividades com a produção do

turboélice Bandeirante. Mas a década de 80 pode ser lembrada como aquela em que a empresa brasileira alcançou sucesso com projetos como o Brasília, o Tuca-

no e o AMX. Conheça um pouco desses aviões que marcam a história da indústria nacional e da Força Aérea Brasileira, que conduziu esse processo.


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ESPECIAL FAB 70 ANOS primeiro fato histórico daquela década foi a apresentação, no dia 19 de agosto de 1980, do YT-27. O protótipo do treinador tinha desenho avançado para a época e várias características inovadoras que acabaram por se tornar padrão mundial para aeronaves de treinamento básico. O avião, por exemplo, foi o primeiro do gênero a vir equipado com assentos ejetáveis. Além disso, os dois tripulantes não sentavam na clássica posição “lado-a-lado”, e sim em “tandem”, com o piloto à frente, como nas mais avançadas aeronaves de caça. Em 1981, em um concurso realizado com os cadetes da Academia da Força Aérea (AFA), a nova aeronave foi batizada de Tucano. Foi ali, em Pirassununga (SP), no dia 29 de setembro de 1983, que os primeiros T-27 da FAB foram recebidos para voarem com as cores do Esquadrão de Demonstração

Centro Histórico EMBRAER

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T-27 TUCANO - Um treinador pioneiro e de sucesso

Os primeiros T-27 entregues à FAB foram para a Esquadrilha da Fumaça

Aérea (EDA), a “Esquadrilha da Fumaça”. A AFA também recebeu o Tucano para a função de instrução intermediária. Além das características inovadoras, o Tucano também se revelou estável e manobrável em

baixas velocidades. Essas características, além do baixo custo de operação se comparado a outros treinadores, logo garantiram as primeiras encomendas internacionais. Em 1984, apenas um ano após a entrada em serviço na FAB,

a EMBRAER já exportava o avião para Honduras. O treinador da EMBRAER entrou para a história, no entanto, quando em 1985 foi escolhido pelo Reino Unido para se tornar o treinador básico da Real Força Aérea (RAF). A versão produzida localmente pela British Short Brothers foi equipada com um motor mais potente, entre outras modificações, e também foi exportado para o Quênia e o Kuwait. O Tucano também foi fabricado sob licença pela Helwan, empresa egípcia que fez entregas para as Forças Aéreas do Egito e do Iraque. Além de cumprir o papel de treinador, o Tucano também possui sob as asas quatro pontos duros para receber cargas externas, como bombas e casulos de metralhadoras, e assim poder voar missões de treinamento armado, apoio aéreo, ataque ao solo e defesa do espaço aéreo.

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ead Up Display (HUD), Chaff, Hands on Trottle and Sticks (HOTAS), Flare, Continuosly Computed Initial Point (CCIP), Multifunction Display (MFD), Radar Warning Receiver (RWR). Estas e outras tecnologias deram ao caça A-1 o apelido de “O avião computador” quando foi recebido pelo Esquadrão Adelphi em 1989. A aeronave trouxe para a Força Aérea Brasileira uma nova visão para a aviação de combate. Inicialmente chamado de AMX, o A-1 foi projetado pela EMBRAER em parceria com as empresas italianas Aermacchi e Aeritalia. Em 27 de março de 1981, os governos do Brasil e da Itália assinaram um acordo para estudar os requisitos da aeronave, e quatro meses depois as três empresas recebiam o contrato de desenvolvimento. O programa contaria com a

construção de seis protótipos, dois deles no Brasil. A EMBRAER ficou responsável pelo projeto e produção das asas, profundores, tomadas de ar, pilones, trens de pouso, tanques de combustível, equipamentos para missões de reconhecimento e instalação dos canhões DEFA, de 30mm, que seriam utilizados na versão brasileira. Em 15 de maio de 1984, o primeiro protótipo voou na Itália. Em 16 de outubro de 1985, o primeiro AMX produzido no Brasil, designado YA-1, decolou com a matrícula FAB 4200. Em 16 de dezembro do ano seguinte, o YA-1 4201 também fez o primeiro voo. Criado para missões de ataque, o AMX se destaca ainda hoje pelo raio de alcance, robustez e confiabilidade nos sistemas eletrônicos. Entre os principais recursos tecnológicos estão

Centro Histórico EMBRAER

AMX - O caça brasileiro que nasceu como “avião-computador”

O aprendizado com o projeto AMX revolucionou a indústria brasileira

os sistemas de mira computadorizada (CCIP) e o alerta de emissões de radar (RWR), que avisa o piloto quando o A-1 é “iluminado” pelos inimigos. A cabine do caça também segue o conceito HOTAS, em que o piloto pode controlar toda a aeronave

com comandos nas pontas dos dedos. O HUD também permite visualizar todas as informações da missão sem precisar retirar os olhos da arena de combate. Em 17 de outubro de 1990, a Força Aérea Brasileira recebeu seu primeiro A-1.


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ESPECIAL FAB 70 ANOS TRANSPORTE - Brasília conquista as linhas regionais

Alcântara, no Maranhão, é escolhida para ser o “trampolim” para o espaço PROGRAMA ESPACIAL -

ntes mesmo de ser entregue, o EMBRAER 120 Brasília já era o avião líder da sua categoria na aviação regional. Este sucesso remonta a 1974, quando começaram os estudos de uma aeronave pressurizada para substituir o Bandeirante. O primeiro protótipo foi apresentado 1983, quando fez o seu primeiro voo. Com capacidade para 30 passageiros, o Brasília foi o primeiro avião da EMBRAER projetado com o auxílio de computadores. Capaz de superar os 580 km/h e com um nível de ruído baixo se comparado aos seus concorrentes, o avião brasileiro foi desenvolvido com um sistema de programação e controle de voo digitalizado, um dos mais avançados da época. No ano seguinte, a aeronave entrou em produção e, curiosamente, teve como primeiro operador uma companhia aérea estrangeira, a norte-americana Atlantic Southeast Airlines. Em setembro daquele ano, o Brasília fez seu primeiro voo em operação regular, ligando as cidades de Gainesville e Atlanta, nos Estados Unidos. A brasileira Rio-Sul recebeu suas primeiras unidades em 1988. Foram produzidas ainda versões de longo alcance (EMB120ER) e para transporte de carga. Ao todo, 352 aviões foram entregues para 33 operadores em vários países. A Força Aérea Brasileira recebeu seus primeiros EMB 120, designados C-97, ainda nos anos 80. Quatro aeronaves passaram a ser operadas pelo 6° Esquadrão de Transporte Aéreo, cumprindo missões de transporte a partir da Base Aérea de Brasília. Um dos protótipos foi incorporado pelo então Centro Técnico Aeroespacial (CTA). A partir dos anos 90, mais unidades foram adquiridas para outros esquadrões de transporte.

Arquivo

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Lançamento do foguete VLS no Centro de Lançamento de Alcântara, no Maranhão

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conquista do espaço requer investimento, tecnologia, projetos financeiramente viáveis e, se possível, uma localização geográfica privilegiada. E o Brasil possui este lugar. Situado no pequeno município de Alcântara (MA), separado por 10 km de faixa de mar da ilha de São Luís, o Centro de Lançamento de Alcântara (CLA) foi criado pelo Ministério da Aeronáutica nos anos 80 para assumir a responsabilidade de ser a principal base da então Missão Espacial Completa Brasileira (MECB). Localizado a pouco mais de dois graus da linha do Equador, o CLA se destaca por possibilitar lançamentos de foguetes com menor consumo de combustível, ou com maior capacidade de carga. Isto é, se um foguete for lançado no CLA, o artefato poderá levar satélites até

31% mais pesados que outro semelhante que saiu de bases de outros países. Foi por este motivo, e ainda pelo clima favorável, facilidade logística e estabilidade geológica, que em 1982 foi criado o Grupo para Implantação do Centro de Lançamento de Alcântara (GICLA). Transformar o litoral maranhense em uma moderna base do programa espacial significou investimentos em equipamentos como plataformas de lançamento, radares de acompanhamento, sistemas de telemetria, centrais de meteorologia, edifícios para preparo de satélites e propulsores, depósitos de combustíveis, pista de pouso e toda a infraestrutura necessária para apoiar os militares e civis que trabalhariam ali. Para tornar o projeto real, foi ativado em 1° de março de 1983

o Núcleo do CLA. Outra preocupação foi o cuidado com as famílias que moravam na área, pois, entre instalações e áreas de segurança, a nova base ocuparia 620 km quadrados de área. Finalmente, em dezembro de 1989, a Operação Pioneira efetivamente inaugurou o CLA. Quinze foguetes SBAT-70 e dois SBAT-152 foram lançados para os primeiros testes. Dois meses depois, seria a vez de um foguete Sonda-2, em uma sequência de operações que teriam como destaque o lançamento de 83 foguetes em parceria com a NASA, em 1994, do VS-30 e dos testes com o Veículo Lançador de Satélites (VLS). Em 2010 foi assinado ainda o acordo de cooperaçao com a Ucrânia para que o CLA também possa servir como base para os foguetes Cyclone-4, capazes de transportar satélites de até 5,3 toneladas para uma órbita baixa. O CLA está preparado para o futuro, com destaque para as operações de lançamento e de rastreio de foguetes. O lançamento de foguetes de treinamento, desenvolvidos pelo Comando da Aeronáutica em parceria com a Agência Espacial Brasileira e a indústria nacional, fecha-se o ciclo de capacitação dos profissionais, garantindo o sucesso das operações no horizonte da área espacial. Outro destaque é a constante modernização dos equipamentos do CLA, como a construção de uma nova torre de lançamento, sala de controle, casamata, torres de integração, radares e sistemas de telemetria. O intuito é o de comportar novos sítios de lançamento para os mais diversos tipos de veículos suborbitais e orbitais, tais como o VLS e o Cyclone 4.


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ESPECIAL FAB 70 ANOS

Episódio 1 - Abril de 1982, feriado de Sexta-feira Santa. Uma tempestade desaba sobre o Planalto Central. Na Base Aérea de Anápolis (BAAN), o 1° Grupo de Defesa Aérea mantém caças F-103 Mirage e tripulações em alerta, prontas para decolar. Passava das 8 horas da noite, quando o Comando de Defesa Aérea acionou a unidade. De acordo com as primeiras informações, uma aeronave sobrevoava o território brasileiro e a tripulação se negava a prestar qualquer esclarecimento. A noite era tomada por uma grossa camada de nuvens, com raios e trovões. Apesar do tempo adverso, dois pilotos da Força Aérea decolam. Com o uso dos pós-combustores, os dois Mirage sobem rapidamente e, em poucos minutos, o Jaguar Negro Um aproximava-se do alvo a 1,15 vezes a velocidade do som. As nuvens manchavam a imagem do radar, mas os caçadores localizam e identificam o alvo: Ilyushin 62 da empresa estatal Cubana. De fabricação soviética, a aeronave de transporte podia atingir até 900 km/h e 13 mil metros de altitude. Seguindo as orientações do controle em terra, os Mirage se posicionaram ao lado da cabine do avião de transporte, e, quando os pilotos cubanos se negaram mais uma vez a atenderem os chamados do CINDACTA I, o Major José Orlando Bellon afirmou em inglês pelo rádio: “Você foi interceptado. Há duas aeronaves de combate ao seu lado. A ordem é pousar em Brasília imediatamente”. A tripulação cubana avistou os caças brasileiros e, em seguida, fizeram contato solicitando informações para o pouso. O Ilyushin 62 tentava cruzar todo o território brasileiro para seguir diretamente para a Argentina. Entre os passageiros, um diplomata cubano. A aeronave foi liberada apenas no dia seguinte. Episódio 2 - Junho de 1982. Pouco antes das 11 horas, o Capitão

Arquivo

Guerra das Malvinas: a defesa aérea brasileira é testada

Na Guerra das Malvinas, uma aeronave inglesa Vulcan foi interceptada

Raul Dias se preparava para mais uma missão de treinamento com o seu F-5 do Esquadrão “Pif-Paf”, do Primeiro Grupo de Aviação de Caça (1º GAVCA). Pouco antes da decolagem, viu um mecânico correr para o caça e preparar os canhões de 20 mm. Sem entender a situação, ligou o rádio e ouviu o código “Rojão de Fogo” - indicação de que aquela havia se tornado uma missão real de interceptação. Com o Capitão Marco Aurélio Coelho na ala, o Capitão Dias acionou o pós-combustor e rasgou o céu do Rio Janeiro em busca do alvo detectado pelos radares do Primeiro Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle de Tráfego Aéreo (CINDACTA I). Aparentemente em emergência, uma aeronave vinha em direção à capital fluminense e se anunciava como um quadrimotor. “Tivemos um tempo de reação muito rápido, naquelas condições de acionamento. Os minutos que consumimos para decolar, após o

primeiro entoar da sirene, não cabem em todos os dedos das mãos”, contou em entrevista recente o Major-Brigadeiro R1 Raul Dias. Com a localização do alvo, a verdade: um bombardeiro britânico Avro Vulcan (foto). Com mais de 30 metros de uma ponta à outra da asa em delta, o quadrimotor participava da missão Blackbuck Six, uma das voadas pela Royal Air Force (RAF) entre a ilha de Ascenção e as Malvinas. Para atacar alvos no arquipélago disputado com a Argentina, as aeronaves da RAF tinham de voar 15 mil quilômetros em até 16 horas. Na Blackbuck Six, a sonda de reabastecimento em voo do Vulcan com matrícula XM 597 quebrou durante um dos procedimentos com um jato Page Victor. Sem combustível para prosseguir, a aeronave foi obrigada a seguir para o Rio de Janeiro, único local onde teria chances de pousar. Para complicar, um míssil AGM-45 Shrike falhou durante o ataque e

continuava preso à asa do Vulcan. Criada para detectar emissões de radar, a arma poderia ser acionada quando detectasse o sistema brasileiro de defesa aérea. Foi nesta situação, sem combustível, com problemas no armamento, que o piloto inglês seguiu para o Rio de Janeiro, sem responder aos contatos da defesa áerea. As manobras dos F-5 haviam deixado os brasileiros exatamente atrás e à esquerda do Vulcan. No diálogo, a tripulação do Vulcan deixou claro que não seria possível seguir para a Base Aérea de Santa Cruz (BASC), e que o pouso no Galeão era a única chance. Os F-5 da Força Aérea acompanharam o alvo até o pouso. Fontes consultadas: - “Blackbuck 6”. Revista Força Aérea N° 49 (jan 2008) - “Interceptado!”. Revista Força Aérea N° 18 (abr 2000) - ”Um Vulcan inglês apanhado na rede do Cindacta”, Veja (jun 1982.)


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INTERNACIONAL - HAITI

Infantaria da Aeronáutica inicia missão histórica no Haiti issões de patrulha, guarda e segurança e manutenção da lei da e da ordem. Essa é a missão que vem sendo desempenhada pelo primeiro Pelotão da Aeronáutica a participar de uma Força de Paz. Vinte e sete militares integram desde 10 de fevereiro a Missão das Nações Unidas para Estabilização no Haiti (MINUSTAH). “Eles atuarão como as demais frações de nível pelotão, enquadrados por uma subunidade, que é a nossa Terceira Companhia de Fuzileiros de Força de Paz. Ela tem uma área de responsabilidade e, dentro dela, a missão básica de contribuir com a MINUSTAH para a manutenção de um ambiente seguro e estável”, destaca o comandante do Contingente Brasileiro, Coronel Willian Georges Felipe Abrahão (Exército). Transportados por um KC-137 do Segundo Esquadrão do Segundo Grupo de Transporte (2º/2º GT), os militares da FAB desembarcaram em Porto Príncipe. Do aeroporto da capital haitiana, seguiram com militares do Exército até a Base General Bacellar. Durante o trajeto, tiveram as primeiras impressões do país. “Conhecer o Haiti in loco é diferente de ver em mapas e cartas como fizemos no treinamento. A tropa está toda ansiosa para fazer o reconhecimento e ver como será a nossa rotina aqui. A ansiedade está superando a saudade nesse momento”, destaca o comandante do pelotão, Tenente de Infantaria Marcos Vinícius de Oliveira Pereira. “Estamos aqui para manter um ambiente seguro e estável a um país que vendo sendo assolado por catástrofes e epidemias. Vamos nos empenhar ao máximo para dar o nosso melhor e contribuir para a melhoria do país”, afirma o Soldado Diego José Cursino da Mota. Antes do embarque, os militares participaram de duas solenidades, receberam o distintivo

SGT Johnson / CECOMSAER

M

Militares de Infantaria da Força Aérea no dia do embarque, em Recife, com destino a Porto Príncipe, no Haiti

de mantenedores da Paz da ONU e puderam se despedir de seus familiares. A esposa do SegundoSargento Gustavo César Lima de Freitas, Michele Regina Santos de Freitas, descobriu dias antes que estava grávida. “O mais difícil na missão será a ausência física, mas vamos conseguir superar”, diz o militar. “Nós dois, eu e o bebê, estaremos esperando por ele. Eles irão levar a paz e também voltarão em paz”, afirma Michele. O Cabo Felipe Queiroz Torres despediu-se da esposa e das duas filhas. “Elas precisam de mim, mas o povo haitiano, neste momento,

também está precisando”, destaca. “Sei que para ele, profissionalmente, é uma ótima oportunidade e tenho certeza que vão cumprir o que foi determinado”, afirma a esposa dele, Cláudia Fernanda Thomas Maya Tabosa. Para integrar a MINUSTAH, o grupo passou por um treinamento de oito meses. Receberam instruções no Batalhão de Infantaria de Aeronáutica Especial de Recife (BINFAE-RF) e no 14º Batalhão de Infantaria Motorizada do Exército. Foram ministradas instruções que simulavam situações reais, que poderiam ser enfrentadas no Haiti.

Os integrantes do Pelotão servem em unidades pertencentes aos Segundo Comando Aéreo Regional (II COMAR), sendo que 22 integram o efetivo do BINFAE-RF. Os outros estão lotados nas Bases Aéreas de Natal e Fortaleza e no Centro de Lançamento da Barreira do Inferno. “Estou certo que irão honrar a Força Aérea Brasileira, o nosso país e, sobretudo, irão mostrar mais uma vez a capacidade do nordestino de vencer quaisquer barreiras, por mais penosas e difíceis que possam parecer”, diz o comandante do II COMAR, Major-Brigadeirodo-Ar Hélio Paes de Barros Júnior.


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SAÚDE

Experiência da Força Aérea auxilia cartilha sobre voo seguro

A

partir de quantos meses de gravidez não se deve viajar? Pacientes pós-operados podem voar sem restrições? Para responder a essas e outras perguntas, o Conselho Federal de Medicina montou uma Câmara Técnica para debater o assunto com o envolvimento de médicos especializados em Medicina Aeroespacial. A Força Aérea Brasileira (FAB) participou desse trabalho com o conhecimento que possui na área. “Não diria que há desconhecimento, mas sim um conhecimento lacunar do assunto entre os profissionais de saúde por se tratar de uma área muito específica. Diante da necessidade de haver uma informação básica mais apropriada sobre o tema, o Conselho Federal de Medicina está trabalhando para produzir documentação técnica adequada para a disseminação no meio profissional”, explica o Brigadeiro-Médico Flávio José Morici de Paula Xavier, diretor do Hospital de Aeronáutica do Galeão (HFAG), e integrante da Câmara que estudou o assunto. “O objetivo era que essas recomendações fossem bastante genéricas para dar uma noção ao profissional da aérea, e também ao público, de que há necessidade, em certas situações, de que um médico seja consultado para proporcionar um transporte aéreo seguro”, explica o oficial-general. A Força Aérea Brasileira possui dois centros de referência em medicina aeroespacial. Um deles é Centro de Medicina Aeroespacial (CEMAL), que faz a avaliação médica de aeronavegantes. O outro é o Instituto de Medicina Aeroespacial Brigadeiro Médico Roberto Teixeira (IMAE), unidade voltada à pesquisa e informação sobre o preparo do

aeronavegante, incluindo treinamento fisiológico. Veja abaixo, algumas das recomendações da cartilha: Gestantes - Visite o médico antes de viajar; - A partir da 36ª semana, a gestante necessita de uma declaração do seu médico permitindo o voo. Em gestações múltiplas, a declaração deve ser feita após a 32ª semana. Já a partir da 38ª semana, a gestante só pode embarcar acompanhada de médicos responsáveis; - Não há restrições de voo para a mãe no pós-parto normal; - As mulheres com dores ou sangramentos não devem embarcar; - No caso de um recém-nascido, é prudente que se espere pelo menos uma ou duas semanas de vida até a viagem. Isso ajuda a determinar, com maior certeza, a ausência de doenças, congênitas ou não, que podem ser prejudiciais. Medicação - O passageiro que precisar ingerir remédios no voo deve levar a medicação prescrita pelo médico em quantidade suficiente para ser utilizada durante toda a viagem. Enjoos - Evite a ingestão excessiva de líquidos, comida gordurosa, condimentos e refrigerantes no voo; - Utilize assentos próximos às asas do avião por ser o local menos turbulento e menos propenso a induzir náuseas e vômitos; - Procure assistência ou orientação médica antes do voo, caso apresente febre alta, tremores, sangue ou muco nas fezes e vômitos que impeçam a ingestão de líquidos. Doenças respiratórias - Viagens aéreas são contra-indicadas para pessoas com infecções ativas (pneumonia e sinusite); - Pessoas com bronquite crônica

SGT Johnson / CECOMSAER

Recomendações foram formuladas pelo Conselho Federal de Medicina para auxiliar profissionais de saúde e passageiros do transporte aéreo; cartilha está disponível no portal da entidade na internet

Recomendações são úteis para passageiros e profissionais de saúde

e enfisema pulmonar apresentam reduzida capacidade de oxigenar o sangue, o que pode descompensar os sintomas da doença durante o voo. Os viajantes devem buscar orientação médica antes de embarcarem para que seja determinado se há necessidade de suporte de oxigênio. Doenças Cardiovasculares - Pacientes e tripulantes acometidos de complicações cardiovasculares devem ser orientados a adiar os voos durante o período de estabilização e recuperação; - Quem teve infarto não complicado, por exemplo, deve aguardar de duas a três semanas para viajar; - Nos casos de Acidente Vascular Cerebral (AVC), deve-se levar em consideração o estado geral do passageiro e a extensão da doença. A quem sofreu um AVC isquêmico pequeno aconselha-se observar o prazo de recuperação de quatro a cinco dias antes do embarque. Não há restrições quanto a marcapassos e desfibri-

ladores implantáveis. Pós-operatório - Após trauma crânio-encefálico ou qualquer procedimento neurocurúrgico, pode ocorrer aumento da pressão intracraniana durante o voo. É preciso aguardar o tempo necessário até a confirmação da melhora do referido quadro compressivo por tomografia de crânio; - Para quem realizou uma cirurgia abdominal é contra-indicado o voo por duas semanas, em média. O voo também pode causar dor de cabeça severa até sete dias após a anestesia raquidural. Não há contra-indicação ao paciente que tomou uma anestesia geral desde que ele tenha se recuperado; - Fraturas instáveis ou não tratadas também são contra-indicações para voo. Considerando que uma pequena quantidade de ar poderá ficar retida no gesso, aqueles feitos entre 24 e 48 horas antes da viagem devem ser bi-valvulados. (Saiba mais: http://portal.cfm.org.br – buscar pela palavra “cartilha”)


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ACONTECE na Força Aérea (passagens de comando e aniversários de unidades) Adidância no Uruguai - O Coronel-Aviador Robson Roger Garcia Tavares de Melo assumiu o cargo de Adido Aeronáutico substituindo o Coronel-Aviador Carlos José Rodrigues de Alencastro.

Centro de Catalogação da Aeronáutica - O Coronel-Intendente Ulisses Dias da Mota assumiu o cargo de Chefe do CECAT, em substituição ao Tenente-Coronel Intendente Nelson Kengi Missano.

Batalhão de Infantaria de Aeronáutica Especial do Rio de Janeiro – O Tenente-CoronelInfantaria Almir Pinto de Lima passou o Comando do BINFAE-RJ ao Tenente-Coronel-Infantaria José Ramos de Queirós Junior.

Corpo de Alunos da Escola de Especialistas de Aeronáutica – O Coronel-Aviador Jayme Ferreira Junior assumiu o Comando do Corpo de Alunos da EEAR, substituindo o Coronel-Aviador Ivan Camarão Telles Ribeiro.

Base Aérea do Galeão - O Coronel-Aviador Saulo Valadares do Amaral entregou o cargo de Comandante da BAGL ao TenenteCoronel-Aviador José Madureira Junior.

Depósito de Aeronáutica do Rio de Janeiro - O Coronel-Intendente Sérgio Lins de Castro passou o comando da unidade ao Coronel-Intendente Marco Antônio de Oliveira Monteiro.

Esquadrão Pampa - O Tenente-Coronel-Aviador Alexandre Rocha Alves é o novo Comandante do 1º/14º GAV em substituição ao Tenente-Coronel-Aviador Sergio Barros de Oliveira.

Campo de Provas Brigadeiro Velloso - O Tenente-Coronel-Aviador Sandro Francalacci de Castro Faria é o novo diretor do CPBV, substituindo o Tenente-CoronelAviador Jorge José Carmo.

Esquadrão Adelphi - O MajorAviador Denison José Leite Ferreira assumiu o Comando do 1º/16º GAV substituindo o TenenteCoronel-Aviador Sérgio Rodrigues Pereira Bastos Junior.

Esquadrão Phoenix - No dia 18/02, o 2º/7º GAV comemorou vinte nove anos de sua criação.

Central de Produção do Galeão – A unidade tornou-se o primeiro Serviço de Subsistência das Forças Armadas a receber a Certificação ISO 22000. A Central é responsável pela alimentação de quatro organizações militares no Rio de Janeiro.

Esquadrão Apolo - O MajorAviador Afonso Henrique Junqueira de Andrade Júnior, passou o cargo de Comandante do 2º EIA para o Major-Aviador Altamir Pereira do Rosário Júnior.

Centro de Medicina Aeroespacial – O CEMAL completou, no dia 13/02, 76 anos de sua criação.

Esquadrão Centauro - O Tenente-Coronel-Aviador David Almeida Alcoforado passou a liderança do 3º/10º GAV ao MajorAviador Rodrigo Alvim de Oliveira.

Esquadrão Gordo - O 1º/1º GT completou, no dia 18/02, 46 anos de sua criação. Esquadrão Grifo - O TenenteCoronel-Aviador Ricardo de Lima e Souza assumiu o Comando do 2º/3º GAV, substituindo o Tenente-Coronel-Aviador Carlos Alberto Gonçalves. Esquadrão Flecha - No dia 11/02, o 3º/3º GAV comemorou sete anos de existência.

Instituto de Logística da Aeronáutica - o Coronel-Intendente Adílio Martins de Moura Filho assumiu a Direção do ILA, substituindo o Coronel Intendente Carlos Alberto Dias Martins. Laboratório Químico-Farmacêutico da Aeronáutica - O Coronel Farmacêutico Jorge Luiz Petry recebeu a direção do LAQFA, substituindo o CoronelFarmacêutico Paulo José Camilo Antunes. A unidade produz medicamentos para a Força Aérea.

Saiba Mais - A diferença entre notícia e “agenda”

P

or que uma notícia é divulgada na internet e outras são aproveitadas apenas na intraer? Esse é o questionamento mais comum em relação ao aproveitamento de textos e fotos enviados ao Centro de Comunicação Social da Aeronáutica (CECOMSAER). A resposta é que determinados textos são notícias e outros, agendas. O Manual de Redação e de

Assessoria de Imprensa da Força Aérea Brasileira (www.cecomsaer.intraer) traz em seu primeiro capítulo um guia para ajudar a identificar o que é notícia e como ela deve ser tratada para divulgação. A regra geral é avaliar o público que mais se interessa pelo assunto, dentre outras coisas. A internet, por exemplo, recebe um fluxo considerável de acessos

de público externo, enquanto a intraer só atende ao público interno. Todos os textos enviados pelo Sistema Kataná passam por triagem e são aproveitados ou não para divulgação segundo os critérios do Manual de Redação.Saiba mais sobre o assunto consultando a publicação ou entre em contato os jornalistas da Agência Força Aérea: (61) 3966-9685.

Prefeitura de Aeronáutica de Curitiba - O Tenente-CoronelIntendente Samuel de Mattos Barroso Júnior passou o cargo de Prefeito ao Tenente-CoronelIntendente José Lopes Fernandes. Primeiro Grupo de Aviação de Caça - O Tenente-Coronel-Aviador Marco Antonio Fazio assumiu o Comando do Primeiro Grupo de Aviação de Caça (1º GAVCA), substituindo o Tenente-Coronel-Aviador Rodrigo Fernandes Santos. Primeiro Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos - O SERIPA I (Belém-PA) comemorou em janeiro seu 4º ano de ativação. Odontoclínica de Aeronáutica de Recife - O Tenente-Coronel-Dentista César Junqueira passou o cargo da unidade para o Tenente-CoronelDentista Jorge Alberto Farinassi. Terceiro Comando Aéreo Regional - O Coronel-Aviador Fabio Rogério Dutra Sucena passou passou a Chefia do Estado-Maior do III COMAR ao Coronel-Aviador Gilvan Chaves Coelho. Sexto Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos - O TenenteCoronel Aviador Roberto Fernandez Alves passou a Chefia do SERIPA VI para o Tenente-Coronel Aviador Valter Barreto Silva.


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Reaparelhamento

Os dos dois primeiros helicópteros H-60 BlackHawk, os famosos “Falcões Negros”, chegaram ao Esquadrão Pantera, o Quinto Esquadrão do Oitavo Grupo de Aviação (5º/8º GAV), sediado na Base Aérea de Santa Maria (RS). A cerimônia de incorporação das novas aeronaves será realizada neste mês na unidade. A chegada das aeronaves faz parte do programa de modernização da Força Aérea Brasileira (FAB) e irá elevar a capacidade operacional da aviação de asas rotativas na região sul do Brasil. O novo modelo, que já é utilizado no Esquadrão Harpia (7º/8º

GAV), na região Amazônica, e pelo Exército Brasileiro, substituirá os antigos H-1H que voam no país há mais de três décadas. No mês passado, um grupo de militares da FAB, liderados pelo Tenente-Coronel-Aviador Luiz Marques de Lima, comandante do Esquadrão Pantera, partiu da cidade de Emira, Nova Iorque, nos Estados Unidos. No total, as equipes percorreram 11.200 km, em cerca de 50 horas de voo. Os H-60 da FAB já foram empregados em importantes missões, no Brasil e no exterior, como na Operação Santa Catarina e no terremoto no Chile.

5º/8º GAV

Helicópteros H-60 BlackHawk serão usados no Sul do país

Helicóptero H-60 BlackHawk fotografado durante a viagem para o Brasil

Helicópteros da FAB participam de operação de combate ao tráfico de drogas no Nordeste

Integrantes do Primeiro Esquadrão do Sétimo Grupo de Aviação (1º/7º GAV), Esquadrão Orungan, iniciaram o recebimento da aeronave de patrulha P-3AM, no mês passado, na Fábrica da Airbus Military em Sevilha, na Espanha. Além dos técnicos do esquadrão, participam representantes do Grupo de Acompanhamento e Controle na Empresa EADS-CASA (GAC-CASA), do Grupo Especial de Ensaios de Voo (GEEV) e do Instituto de Estudos Avançados (IEAv), os quais, juntos, vão avaliar a adequabilidade do projeto aos requisitos e especificações contratuais firmados com a empresa. Os testes fazem parte da primeira etapa do recebimento e começam com as primeiras provas de funcionalidades em solo da aeronave. Também serão verificadas as funcionalidades e performances dos equipamentos modernizados e performance em voo, com operação real de lança-

Helicóptero H-1H da Força Aérea participou de operação para o combate ao plantio de maconha no Sertão Nordestino, nos Estados de Pernambuco e Bahia, em apoio à Polícia Federal. Na operação, foram destruídas 294 mil mudas da planta e derrubados 394 mil pés da droga, tirando de circulação aproximadamente 117 toneladas de entorpecente. Os helicópteros transportaram policiais federais de diversos Estados para desmantelar o plantio e produção da droga na região. Na primeira etapa, nos municípios de Carnaubeira da Penha, Cabrobó, Betânia, Belém do São Francisco, Orocó, Santa Maria da Boa Vista, Floresta, Salgueiro e ilhas do rio São Francisco, foram alvo da operação. Na etapa seguinte, já no Estado da Bahia, os municípios de Sobradinho, Casanova e Juazeiro. A operação teve ampla repercussão na imprensa nacional após a conclusão dos trabalhos.

COPAC

Esquadrão Orungan inicia recebimento das aeronaves de patrulha P-3AM na Espanha

Esquadrão de Patrulha inicia recebimento de aeronave na Espanha

mento de sonobóias, avaliação dos sistemas RADAR, FLIR, MAD, ESM, ACÚSTICO, incluindo transmissão de dados em voo. Os voos finais de recebimento estão previstos para ocorrer neste mês e, depois de concluída, as

tripulações cumprirão os voos de integração para avaliar o sensores. No cronograma atual, o traslado da primeira aeronave de patrulha para Salvador (BA) tem previsão de ocorrer a partir do final de abril deste ano.


15 A FAB EM AÇÕES SOCIAIS

ESPORTE

EDUCAÇÃO - O Programa Socioeducativo Colibri (PROSEC), desenvolvido pela Base Aérea dos Afonsos, atendeu, no ano passado, a 60 alunos em dois turnos, com aulas de segunda a sábado. A ação socioeducativa aprovou 54 alunos em concursos públicos de ensino médio, com destaque para o Colégio Pedro II e Colégio Naval, dentre outros.O programa começou em 1991 com o objetivo de oferecer aos dependentes dos militares e dos civis cursos pré-profissionalizantes. Atualmente o PROSEC, além do público-alvo supracitado, também atende alunos da rede pública municipal do entorno da unidade.

Chegada da tocha olímpica e Corrida da Paz dão início aos V Jogos Mundiais Militares

ATENDIMENTO - O Sexto Comando Aéreo Regional (VI COMAR) inaugurou (16/02) o seu Núcleo de Serviço Social (NUSESO). O novo setor tem como finalidade a centralização, unificação e ampliação do atendimento sócio-assistencial, bem como o desenvolvimento das atividades previstas nos programas de ações sociais integradas do Comando da Aeronáutica, em proveito dos militares, dependentes, inativos e pensionistas. Estão sediados nas instalações do NUSESO os serviços de identificação, material bélico e de assistência aos militares e civis inativos e pensionistas.

Fotos S2 Sérgio / CECOMSAER

DOAÇÃO - A Comissão de Aeroportos da Região Amazônica (COMARA) doou um ônibus para a Prefeitura de São Gabriel da Cachoeira (AM), cidade com cerca de 40 mil habitantes. O veículo com capacidade para 44 passageiros havia sido descarregado do material permanente da COMARA no ano passado. Após passar por uma revisão completa, o ônibus foi entregue ao distrito de Yauaretê, onde, atualmente, a COMARA trabalha na ampliação e recuperação da pista de pouso e decolagem que atende à população local.

A

cidade do Rio de Janeiro deu a largada, no dia 20 de fevereiro, para os V Jogos Mundiais Militares com a chegada da tocha olímpica e a realização da CISM Day Run – a Corrida da Paz. O fogo olímpico chegou ao Terceiro Comando Aéreo Regional (III COMAR) e foi recebido pelo Coordenador Geral do Comitê de Planejamento Operacional dos Jogos (CPO), General de Brigada Jamil Megid Júnior. O Fogo Simbólico dos Jogos Mundiais Militares foi entregue ao Brasil após o término da última edição dos Jogos Mundiais Militares na Índia. Cinco atletas militares conduziram a tocha até o Monumento dos Pracinhas, entre eles o Tenente Ribamar Bandeira, quatro vezes campeão mundial no Pentatlo Militar, que teve a honra de acender a pira dos Jogos Rio 2011 ao lado da atleta militar MN Ana Paula Carvalho, do atletismo. A largada da Corrida da Paz no Rio de Janeiro começou a sequência, a partir do Monumento dos Pracinhas e reuniu atletas civis e militares. Com percurso de 10 Km, os corredores passaram pelo Aterro do Flamengo, na Zona Sul carioca. Mais de oito mil pessoas participaram do evento, segundo os organizadores. Além do Rio de Janeiro, outras 21 cidades brasileiras realizaram a Corrida da Paz, evento que se repetiu em 133 países. Em Brasília, militares das três Forças, famílias, jovens, crianças e adultos percorreram os 5 km de caminhada ou corrida no Eixão Norte. O evento também contou com a presença da mascote dos V Jogos Mundiais Militares, Arion. “Eu vim aqui participar por causa do tema dos Jogos. Eu não tenho o costume de correr na rua. Meus filhos correm com o pai, mas vou tentar correr tudo”, afirmou

Chegada da Tocha Olímpica ao Monumento dos Pracinhas, no Rio de Janeiro

Gabriela Vasquez, que participou do evento com a família. Corrida da Paz - Acontece simultaneamente em diversas cidades do mundo desde 2006 e comemora o aniversário do Conselho Internacional do Esporte Militar (CISM). O evento tem como objetivo promover a integração das Forças Armadas com a sociedade civil por intermédio do esporte, além de divulgar os 5º Jogos Mundiais Militares de 2011. “Este evento foi criado para divulgar a amizade através do esporte e, também, para comemorar o aniversário do Conselho Internacional de Esportes Militar. O grande objetivo é integrar a sociedade civil e militar. Não há

competição entre os participantes, o clima é de congraçamento entre eles”, explicou o gerente esportivo da Comissão Desportiva Militar do Brasil, Capitão-de-Mar-e-Guerra Luiz Carlos Pinheiro Serrano.

A Tocha Olímpica foi transportada em aeronave da Força Aérea Brasileira


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IMAGENS DA FAB Fotos: SGT Johnson, SGT Rezende e S2 Sérgio / CECOMSAER

Administração - Gerenciando tarefas administrativas

Cartografia - Efetuando levantamentos cartográficos

C o m u n i c a ç õ e s - Tr a n s m i t i n d o e recebendo mensagens

Desenho - Executando desenhos de plantas e projetos

Eletricidade e Instrumento - Mantendo instrumento de voo

Informações Aeronáuticas - Provendo informações aeronáuticas

Eletrônica - Disponibilizando equipamentos eletrônicos

Eletricidade - Mantendo as redes elétricas

Enfermagem - Preservando a saúde e a vida

Laboratório - Executando serviços laboratoriais na área de saúde

Eletromecânica - Mantendo e conduzindo viaturas

Metalurgia - Produzindo e usinando peças

Metereologia - Realizando previsões metereológicas

Músico - Estimulando as atividades castrenses

Radiologia - Operando equipamentos de Raio-X

Obras - Supervisionando obras e instalações prediais

Pavimentação - Operacionalizando técnicas de pavimentação

Sistema de informação - Gerenciando sistema de informática

Topografia - Efetuando levantamento topográfico

Suprimento - Controlando e provendo o suprimento

Estrutura e Pintura - Recuperando estruturas de aeronaves

Fotointeligência sensoriamento remoto

Mecânica de Aeronaves - Realizando a manutenção de aeronaves

Material Bélico - Disponibilizando itens bélicos em voo e em terra

Equipamento de Voo - Gerenciando equipamentos de segurança, salvamento e sobrevivência

Realizando

25 de Março Dia do Especialista Controle de Tráfego Aéreo - Controlando aeronaves civis e militares

Guarda e Segurança - Zelando pela segurança das organizações militares

Notaer - Edição de Março  
Notaer - Edição de Março  

Carreira de Especialistas da Aeronáutica completa 70 anos

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