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Palavras do Comandante

Sistema de Saúde da Aeronáutica em busca do seu modelo ideal

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Sistema de Saúde da Aeronáutica (SISAU) se aproxima dos 80 anos prestando imprescindíveis serviços a militares, servidores civis e dependentes que fazem parte da família Força Aérea. Mesmo diante da variedade de responsabilidades em diferentes áreas – preventiva, assistencial, pericial e operacional – o SISAU especializou-se e conquistou a satisfação dos usuários. Embora haja uma série de avan-

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ços obtidos e reconhecidos ao longo de décadas, o sistema ainda busca alcançar seu modelo ideal. Portanto, a continuidade do bom trabalho que vem sendo realizado ao longo dessas oito décadas passa pela atualização e pelo aperfeiçoamento da gestão dos serviços de saúde, em convergência com o Aprimoramento da Reestruturação da Força Aérea Brasileira. A Reestruturação do SISAU busca a conformidade com os desafios do século da informação, racionalizando

cada vez mais os recursos e reforçando o equilíbrio de variáveis na equação que pondera economia e saúde. Essas mudanças são importantes oportunidades para implantação de melhorias e visam sempre ao melhor suporte aos usuários.

Tenente-Brigadeiro do Ar Antonio Carlos Moretti Bermudez Comandante da Aeronáutica


Reestruturação do Sistema de Saúde da Aeronáutica foca na melhoria contínua e na satisfação dos usuários Neste ano, o Dia do Serviço de Saúde da Aeronáutica, comemorado em 02 de dezembro, é marcado pela Reestruturação do Sistema de Saúde da Aeronáutica (SISAU), que atende os militares e seus dependentes em todo o território nacional. Em sinergia com o Plano de Aprimoramento da Reestruturação da Força Aérea Brasileira (FAB), o SISAU implementa a Rede de Atenção à Saúde (RAS) e Atenção Integral à Saúde (AIS) com foco na Atenção Primária, além de adotar um modelo de gestão alicerçado em tecnologia da informação. Isso permitirá exercitar a tão almejada gestão integrada, tornando possível agregar ainda mais valor em saúde aos serviços e, assim, gerar melhores resultados clínicos e de qualidade de vida. Em artigo e em entrevista, respectivamente, o Comandante-Geral do Pessoal da Aeronáutica, Tenente-Brigadeiro do Ar Luis Roberto do Carmo Lourenço, e o Diretor de Saúde da Aeronáutica, Major-Brigadeiro Médico José Luiz Ribeiro Miguel, explicam as principais mudanças e melhorias no SISAU. Confira na íntegra.

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ARTIGO Comandante-Geral do Pessoal da Aeronáutica, Tenente-Brigadeiro do Ar Luis Roberto do Carmo Lourenço

O novo modelo do Sistema de Saúde da Aeronáutica (SISAU) está baseado na estratégia de Atenção Integral à Saúde (AIS), as ações serão planejadas e voltadas para as necessidades de seus usuários, proporcionando um tratamento integralizado, mais resolutivo e humanizado, a ponto de oferecer um plano de cuidado personalizado. Isso se torna possível a partir da inserção da Atenção Primária à Saúde (APS). A APS é a porta de entrada do sistema de saúde. Seu objetivo é orientar sobre a previsão de doenças e direcionar os casos mais graves para níveis de atendimento superiores em complexidade. A ênfase estará nas Equipes Multidisciplinares de Saúde que conduzirão e acompanharão o usuário no seu

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“O acesso a todas as vantagens desse atendimento integral será fácil e acolhedor por meio dos Centros de Atenção Integral à Saúde (CAIS). ”

percurso assistencial orientado, construindo um vínculo desde o seu primeiro contato com o sistema. A atenção será centrada na pessoa, a fim de que as equipes possam conhecer a fundo os problemas de saúde e necessidades decorrentes, atuando para que todos os atendimentos estejam articulados e realizados a tempo, de modo eficiente e eficaz, garantindo a continuidade do cuidado e do tratamento, de modo integral e coordenado. O acesso a todas as vantagens desse atendimento integral será fácil e acolhedor por meio dos Centros de Atenção Integral à Saúde (CAIS). O primeiro CAIS já foi inaugurado e está funcionando a pleno no Hospital de Força Aérea de Brasília (HFAB). Já estão também em funcionamento

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os CAIS do Hospital Central da Aeronáutica (HCA), Hospital de Aeronáutica de Belém (HABE), Hospital de Aeronáutica de Canoas (HACO) e Hospital de Aeronáutica de Manaus (HAMN). Em breve, todas as Organizações de Saúde da Aeronáutica (OSA) contarão com um Centro de Atenção Integral à Saúde. Outra novidade é a implantação do sistema informatizado chamado AGHUse (aplicativo para Gestão Hospitalar), que traz o prontuário eletrônico. O AGHUse permite ao profissional que está atendendo o acesso imediato a todos os dados de saúde do usuário, em qualquer ponto de atenção do SISAU, trazendo mais qualidade e segurança ao permitir que todas as informações importantes sobre o paciente – em tempo real – estejam acessíveis no momento do atendimento, que passa a ser mais ágil e assertivo. Deste modo, o usuário terá seu prontuário disponível para ser atendido em qualquer organização do SISAU.

“Assim, com a reestruturação do Sistema de Saúde da Aeronáutica, o Comando-Geral do Pessoal e a Diretoria de Saúde da Aeronáutica buscam atingir elevado patamar na qualidade do atendimento dos usuários, integrando ações de cuidado e prevenção, visando não só ao tratamento da doença existente, mas também prevenindo o surgimento de novas doenças. É o usuário no centro da atenção do SISAU.”

Ainda tem mais, agora o usuário pode fazer sua consulta sem sair de casa! A Telemedicina já está implantada no HCA, no HFAB, no HACO, no HABE e no HAMN. Tal modalidade permite que consultas com algumas especialidades sejam feitas através de videoconferências, em ambiente não presencial, no conforto do seu lar e com todas as facilidades daí decorrentes. Com isso, o usuário passa a ter na palma de sua mão a possibilidade de marcar consultas, receber atendimento, prescrições e acessar os resultados de seus exames, de modo ágil e seguro, basta acessar o SAME virtual de sua OSA. Assim, com a reestruturação do Sistema de Saúde da Aeronáutica, o Comando-Geral do Pessoal e a Diretoria de Saúde da Aeronáutica buscam atingir elevado patamar na qualidade do atendimento dos usuários, integrando ações de cuidado e prevenção, visando não só ao tratamento da doença existente, mas também prevenindo o surgimento de novas doenças. É o usuário no centro da atenção do SISAU.

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ENTREVISTA Diretor de Saúde da Aeronáutica, Major-Brigadeiro Médico José Luiz Ribeiro Miguel

O que motivou a necessidade de Reestruturação do Sistema de Saúde da Aeronáutica (SISAU)? Após o processo de pesquisa e elaboração da proposta de Reestruturação do SISAU, que seguiu uma metodologia mesclando diversas ferramentas (Matriz SWOT, Matriz GUT e Balanced Scored Card) e diferentes métodos (Cones de Tendência, Safe Net Medical Home Initiative). Posteriormente, analisouse o atual cenário da saúde no Século XXI, do histórico da saúde na Aeronáutica e da estrutura que estava vigente no SISAU, sendo assim, foram identificados os pontos principais a serem modificados e alterados, sob três vertentes: infraestrutura, pessoas e

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processos. Como elementos norteadores do estudo foram estabelecidas duas premissas como estratégia: melhoria contínua dos processos que suportam o SISAU para gerar economia de meios e de recursos (foco na sustentabilidade) e incremento da satisfação dos usuários em relação ao Sistema de Saúde (foco na qualidade). Qual o intuito da Reestruturação do SISAU? A Reestruturação do SISAU encontra-se em sinergia com o Plano de Aprimoramento da Reestruturação da FAB, implementando a Rede de Atenção à Saúde (RAS) e a Atenção Integral à Saúde (AIS) com foco na Atenção Primária, além de adotar

um modelo de gestão alicerçado em tecnologia da informação, o que permitirá exercitar a tão almejada gestão integrada, tornando possível agregar-se ainda mais valor em saúde aos serviços e, assim percebidos pelos usuários, gerando melhores resultados clínicos e em qualidade de vida. Em relação ao ComandoG e r a l d o Pe s s o a l ( C O M G E P ) , ampliará a oportunidade de avanços sistêmicos na gestão; e quanto à Diretoria de Saúde da Aeronáutica (DIRSA), disponibilizará novas oportunidades para implantar as melhores práticas e adequadas condições técnicas para melhoria contínua e sustentabilidade do Sistema de Saúde.


Quais pontos principais necessitam ser aperfeiçoados com essa reestruturação? Anacronismo: o SISAU foi concebido no Século XX (pós-guerra) e até os dias atuais havia sofrido somente ajustes estruturais – de cunho reativo e para acomodação da oferta de serviços frente à demanda – mas não havia sido submetido a um profundo estudo e análise prospectiva em relação ao cenário; os resultados que vinham sendo obtidos estavam muito aquém dos possíveis e desejáveis para um sistema de saúde que necessita enfrentar um panorama de disrupção em termos de processos, como o que se impõe à saúde no Século XXI; ou seja, a condição anacrônica da saúde na Aeronáutica foi identificada como sendo o ponto fulcral para alavancar a mudança; - Carência de informação estruturada e fidedigna: dificuldade em termos de obtenção de informação de saúde para auxílio à decisão, seja no âmbito clínico ou nos diversos níveis da gestão, o que vinha comprometendo tanto a agilidade quanto a assertividade no processo decisório, seja clínico ou de

gestão, o que vinha demonstrando a incapacidade de adequado enfrentamento de fenômenos como a transição demográfica, transição epidemiológica

“ A Reestruturação do SISAU encontra-se em sinergia com o Plano de Aprimoramento da Reestruturação da FAB, implementando a Rede de Atenção à Saúde (RAS) e a Atenção Integral à Saúde (AIS),com foco na Atenção Primária, além de adotar um modelo de gestão alicerçado em tecnologia da informação,...”

e transição tecnológica; - Falta de integração dos sistemas informatizados e fragmentação do registro em diferentes plataformas: tal condição vinha provocando duplicação ou multiplicação de iniciativas e de procedimentos, o que elevava significativamente o custo, tanto de processamento quanto pela geração de desperdício pela falta de aproveitamento do que já estava disponível; - Fragmentação do cuidado e desarticulação entre os pontos de atenção: vinham provocando replicação de processos e falta de continuidade no acompanhamento das condições de saúde dos usuários, cujo percurso assistencial se dava a partir da própria percepção, com fraca orientação profissional, gerando hiperutilização dos serviços sem evidência de melhoria nos resultados; ao contrário, há vários anos o sistema vinha amargando elevação crescente dos custos, apesar das medidas adotadas pela gestão, na medida em que não havia sido ainda estudado adequadamente o seu modelo de atenção à saúde, predominantemente “hospitalocêntrico”

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e com fraca orientação para Atenção Primária à Saúde; do mesmo modo, as ações do SISAU – majoritariamente – seguiam o princípio do atendimento presencial, sem considerar a disrupção provocada na saúde pela introdução de novos processos de cuidado em ambientes virtuais, de modo não presencial; - Restrição orçamentária e carência de gestão: a combinação desses dois elementos afeta exponencialmente os resultados, à medida que um agrava o outro; cada vez mais, frente a um cenário macroeconômico mundial onde há escassez de recursos para a saúde, tais restrições passam a exigir melhoria contínua da gestão para obtenção de melhores resultados, a fim de que o sistema consiga fazer mais com menos, visto que a vida não tem preço, mas a saúde tem custo e, num sistema mutualista e de autogestão como é o caso do SISAU, há que se ter a gestão em saúde como ponto forte para à sustentabilidade; - Fracos resultados tanto em indicadores de saúde quanto

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em desempenho sistêmico: essa combinação vinha resultando do somatório dos diversos aspectos que necessitavam ser modificados, aprimorados e aperfeiçoados no SISAU, o que, por si só, já demonstrava a necessidade de se fazer uma profunda

“Melhores resultados serão colhidos à medida que se firmar a melhoria no acesso, na integralidade, na continuidade e na coordenação do cuidado, com adequada definição do percurso assistencial dos usuários, a partir da adoção de Linhas de Cuidado que compõem uma Matriz de Atenção à Saúde, decorrente do Modelo de Atenção às Condições Crônicas (MACC)”

REESTRUTURAÇÃO; o modelo adotado não mais propiciava a oportunidade de melhoria, uma vez que encontrava-se associado às premissas estabelecidas no Século passado, portanto, desatualizadas, o que levou a um ciclo vicioso de constante elevação dos custos para prover saúde no atual cenário. Quais são os eixos das principais mudanças estruturantes do SISAU? - GOVERNANÇA: passou a contemplar quatro níveis, sendo MACRO (COMGEP), MESO (DIRSA), MICRO (OSA) e NANO (EQUIPE/ SERVIÇO); trata-se de uma profunda transformação, jamais feita no SISAU, pois integra desde a GOVERNANÇA CLÍNICA, na ponta do sistema, até a GOVERNANÇA ESTRATÉGICA, no Grande Comando; - GESTÃO POR PROCESSOS e POR RESULTADOS: inserção do modelo de gestão calcado no Quádruplo Cuidado (Quadruple Aim), que compreende a melhor experiência do cuidado individual e valor agregado percebido


pelo usuário (i), melhores resultados na saúde populacional (ii), melhoria do engajamento das equipes de saúde (iii) e a prestação de serviços de saúde a um custo sustentável (iiii); assim, no âmbito hospitalar e administrativo, a gestão dar-se-á por PROCESSOS e na atenção à saúde será por RESULTADOS; - ATENÇÃO INTEGRAL À SAÚDE (AIS) organizada em REDE DE ATEÇÃO À SAÚDE (RAS): a partir da definição de uma Estratégia de AIS, busca-se inserir a Atenção Primária à Saúde (APS) como porta de entrada preferencial de acesso à RAS, sendo esta o primeiro nível de contato dos indivíduos e das famílias com o Sistema de Saúde da Aeronáutica, levando a atenção à saúde o mais próximo possível do local onde as pessoas vivem e trabalham, constituindo o elemento prioritário, coordenador e pilar central da Rede de Atenção à Saúde, num processo de cuidado contínuo, coordenado, integral e centrado na pessoa; - NOVA ESTRUTURA POR

NÍVEIS DE COMPLEXIDADE: o antigo escalonamento dará lugar a um modelo estruturado quanto ao nível de COMPLEXIDADE DA ATENÇÃO À SAÚDE, considerando o adensamento populacional, o adensamento tecnológico e a as peculiaridades do SISAU, à medida que, por ser um serviço integrante das Forças Armadas, inclui áreas como Saúde Operacional (Aeroespacial, Operativa e de Campanha, Pericial e Ocupacional); os pontos de atenção à saúde passarão a atuar de modo sinérgico e integrado e em complexidade crescente, desde os Médicos de Esquadrão e Médicos do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA), passando pelas Seções Médicas, Postos Médicos, Esquadrilhas de Saúde, Policlínicas, Esquadrões de Saúde, Hospitais de Aeronáutica e Hospitais de Força Aérea. De uma estrutura escalonada e desarticulada, o SISAU evoluirá para uma Rede de Atenção à Saúde com pontos integrados, colaborativos entre si e organizados de modo a melhor atender às necessidades das

populações vinculadas, seguindo as mesmas diretrizes clínicas e protocolos. Haverá um ranking de desempenho entre as OSA. - CONECTIVIDADE e INTEROPERABILIDADE: a partir da difusão da plataforma AGHUse, que até dezembro de 2020 alcançará todos os pontos de atenção do SISAU – desde os Médicos de Esquadrão e Médicos do DECEA até os Hospitais de Força Aérea – e integração desta com os demais sistemas informatizados utilizados na saúde, tornar-se-á possível coletar a informação de modo estruturado nos diferentes níveis da gestão, a fim de melhor utilizá-la, tanto em prol do processo decisório quanto na obtenção e mensuração de resultados (indicadores); - PARCERIAS ESTRATÉGICAS: ao se promover o alinhamento conceitual e de terminologias a serem utilizadas doravante, ampliaram-se significativamente as oportunidades da saúde de aproximação com diversas instituições, entidades e organizações de saúde, especialmente no âmbito externo ao Comando da Aeronáutica (COMAER), à SISAU - REESTRUTURAÇÃO

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medida que os conceitos e princípios do novo SISAU se alinham perfeitamente com o contexto moderno dos sistemas de saúde associados a melhores resultados no mundo no Século XXI, o que facilita a comparação de desempenho e promove a abertura de novas oportunidades de intercâmbio de experiências e de projetos sinérgicos. Poderia destacar como ficarão e como irão funcionar as novas Subdiretorias da DIRSA que abrangem o novo modelo do SISAU? A Diretoria de Saúde passará por profundas mudanças, na medida em que se cria uma nova Subdiretoria de Atenção à Saúde e Regulação da Assistência Médica-Hospitalar (SARAM), cuja sigla foi mantida, assim como o número de identificação dos usuários, pois já fazem parte do contexto há muitas décadas; no entanto, a atual estrutura foi completamente reformulada e ampliada, pois passará a aglutinar toda a atenção à saúde, incorporando as áreas que atualmente compõem

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“...o SISAU evoluirá para uma Rede de Atenção à Saúde com pontos integrados, colaborativos entre si e organizados de modo a melhor atender às necessidades das populações vinculadas, seguindo as mesmas diretrizes clínicas e protocolos. Haverá um ranking de desempenho entre as OSA. ” a Subdiretoria Técnica, que deixará de existir; cria-se a Subdiretoria de Saúde Operacional (SDSOP) que aglutinará as áreas peculiares como Medicina Aeroespacial, Operativa e de Campanha, Pericial e Ocupacional, além

de incorporar a Medicina Veterinária, doravante. Com isso, extingue-se a Subdiretoria de Perícias Médicas (SDPM). Mantém a Subdiretoria de Logística, agregando-se a ela a área de Ensino que ficará vinculada à Gestão de Pessoas. Cria-se a Subdiretoria de Orçamento, Planejamento e Gestão (SDPOG), o que representará a retomada desses processos no âmbito da DIRSA, que terá a partir de 2021 uma diferenciada estrutura de Governança para melhor gestão em saúde em busca de melhores resultados. Que novidades podem ser destacadas com essa reestruturação? Na área ASSISTENCIAL, a inovação como alavanca da melhoria contínua, a partir da inserção de uma Estratégia de Atenção Integral à Saúde, que compreende ações integradas desde a promoção e prevenção primária até a reabilitação, aproximando e articulando os diversos pontos de atenção à saúde no contexto da Rede de Atenção à Saúde, cuja conectividade e interoperabilidade serão garantidos


pela implementação do Registro Eletrônico de Saúde (AGHUse) presente em todo o sistema. Melhores resultados serão colhidos à medida que se firmar a melhoria no acesso, na integralidade, na continuidade e na coordenação do cuidado, com adequada definição do percurso assistencial dos usuários, a partir da adoção de Linhas de Cuidado que compõem uma Matriz de Atenção à Saúde, decorrente do Modelo de Atenção às Condições Crônicas (MACC). A mensuração dos efeitos dessas ações ao longo do tempo permitirá a verificação longitudinal do risco acumulado para cada beneficiário, de modo a se planejar as abordagens à luz das melhores evidências, sob a ótica não somente da efetividade e de indicadores de saúde, mas, sobretudo, da qualidade de vida das pessoas. A adoção de novas tecnologias (aplicativos integrados às plataformas virtuais) permitirá uma melhor transição do cuidado e

mais proximidade com os usuários, viabilizando desde a marcação de consulta online como também o recebimento de orientações à saúde,

“A adoção de novas tecnologias (aplicativos integrados às plataformas virtuais) permitirá uma melhor transição do cuidado e mais proximidade com os usuários, viabilizando desde a marcação de consulta online como também o recebimento de orientações à saúde, resultados de exames e de inspeção de saúde, além de uma gama de novos serviços viabilizados pela expansão das ferramentas de TELESSAÚDE. ”

resultados de exames e de inspeção de saúde, além de uma gama de novos serviços viabilizados pela expansão das ferramentas de TELESSAÚDE. Em 2021 os usuários contarão com o e-SISAU, ou seja, o acesso à maioria dos serviços pela plataforma virtual, incluindo-se a TELEMEDICINA (Teleconsulta, Teleinterconsulta, Telemonitoramento e Teleorientação). Diversas outras modalidades já estão em uso, como a TELERRADIOLOGIA e TELECONSULTORIA. Uma das maiores novidades é a criação do Centro de Atenção Integral à Saúde (CAIS), cuja estrutura modelo foi concebida no Hospital de Força Aérea de Brasília (HFAB), já em 2019, propiciando benchmarking às demais OSA. De modo inovador, o CAIS servirá como porta de entrada do SISAU, aglutinando desde o acolhimento na Atenção Primária à Saúde e integrando-se aos demais serviços agregados, por meio de microrredes. Tais ações englobarão as que hoje são

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oferecidas parcialmente no PASIN, de modo a reforça-lo enquanto programa que já faz parte do escopo, mas trarão expansão da cesta de serviços e dos meios de acesso. Na área PERICIAL, toda a legislação está sendo revisada e atualizada já com a inserção de novas tecnologias, a exemplo do Sistema Informatizado de Perícias Médicas, que estará disponível já a partir do primeiro semestre de 2021, integrado ao AGHUse. Haverá incremento e agilidade dos processos com a criação das Juntas Superiores de Saúde - Regionais, além de passar a existir o Agente Médico Pericial (AMP), cuja atuação será a de ir até os locais onde existem pequenos contingentes de militares ou civis a serem inspecionados, de modo a economizar recursos financeiros e logísticos, priorizando o tempo de todos os envolvidos. Na área de Ensino em saúde criam-se novas oportunidades de capacitação para os profissionais de diversas formações em preparação à implementação das

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ações do novo SISAU: - Curso para Gestores: 40 horas/aula (EAD), podendo ser semipresencial; a b o r d a r á o s n o vo s c o n c e i t o s e princípios acerca da Estratégia de Atenção Integral à Saúde, preparando os profissionais para a nova proposta de gestão em saúde; - Curso de Perícias Médicas: 40 horas/

“As principais melhorias aos usuários encontramse no incremento do ACESSO, visto que a criação do CAIS trará melhoria no cuidado integral e coordenado, com recursos assistenciais orientados em linhas de cuidado. ”

aula (EAD), podendo ser semipresencial; abordará a nova sistemática do Sistema Pericial, além de servir como base para a formação do Agente Médico Pericial e requisito para certificação periódica desse profissional; - Curso de Auditoria em Saúde (CADSAU): 40 horas, presencial; a atual grade curricular está sendo revisada, a fim de torná-la compatível com os novos processos de gestão do SISAU; - Curso de Atualização em Atenção Primária à Saúde: 120 horas/aula (EAD), podendo ser semipresencial; preparará os profissionais da saúde para atuação na área assistencial. O que os usuários / profissionais terão de melhorias? As principais melhorias aos usuários encontram-se no incremento do ACESSO, visto que a criação do CAIS trará melhoria no cuidado integral e coordenado, com recursos assistenciais orientados em linhas de cuidado. Do ponto de vista da


QUALIDADE dos serviços prestados, o novo modelo orienta-se pelo cuidado oferecido a tempo, seguro, eficiente, eficaz, centrado na pessoa e equânime. A SATISFAÇÃO passa a ser uma premissa, cuja mensuração dar-se-á pela aplicação sistemática do Net Promoter Score (NPS). A Governança Clínica agregará ainda mais valor ao cuidado oferecido aos usuários, na medida em que o registro eletrônico de saúde proporcionado pelo AGHUse permitirá o compartilhamento seguro das informações, evitando-se o desperdício de tempo e de recursos, eliminando replicações desnecessárias e tornando os planos de cuidado e terapêuticos mais assertivos, à luz das melhores evidências clínicas. Aos profissionais, entende-se que as capacitações oferecidas e abertura para novas área de parceria e s t r a t é g i c a s e r ã o a t r a t i vo s a o engajamento das equipes, visto que promovem melhoria do desempenho

profissional, a partir da geração de melhores condições ao exercício das diversas profissões que compõem as equipes multiprofissionais e multidisciplinares. Quais ações foram ou estão sendo realizadas durante a pandemia da COVID-19? Dentre tantas ações ao enfrentamento da COVID-19, destacam-se o êxito do planejamento às aquisições e na elaboração dos planos de contingência para a rede hospitalar, a mobilização de efetivos, além de orientação técnica às Organizações do COMAER e às OSA, estas para receberem contingentes crescentes de pacientes, cujos tratamentos e recuperação poderiam se estender na linha do tempo. O desafio se deu à medida que as OSA mantiveram atendimentos e procedimentos de urgência e de emergência, o que exigiu dedicação e esforço imensuráveis dos efetivos de profissionais da saúde de

todo o SISAU, criando-se áreas de triagem segregadas à COVID-19. A área de logística da DIRSA, em parceria com o Centro de Aquisições Específicas (CAE), antecipou a aquisição e distribuição de insumos (álcool gel, medicamentos e testes), de materiais (EPI) e de equipamentos (respiradores, usinas de oxigênio, monitores, camas hospitalares, dentre outros). As ações de planejamento sistêmico foram decisivas para se obter excelentes resultados, como a baixíssima mortalidade (comparada aos menores índices do mundo), atribuída a dois grandes fatores: diagnóstico e intervenções terapêuticas precoces e absorção de toda a demanda, sem lacuna assistencial. Algumas participações do corpo de saúde foram emblemáticas (IMAE), tanto na Operação Regresso à Pátria Amada Brasil quanto na Operação COVID-19, por ocasião do transporte de brasileiros que estavam no Peru.

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