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Edição Especial - 2020 - Nº 263 - Ano 47


Aerovisão ARTE: Subdivisão de Publicidade e Propaganda / CECOMSAER


Prepare seu plano de voo soldado Thallys Amorim / Agência Força Aérea

Soldado Felipe Coelho / Agência Força Aérea

Edição Especial - nº 263 2020 - Ano 47

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ENTREVISTA Estruturação do COMAE

Comandante de Operações Aeroespaciais e Chefes dos seus respectivos Centros destacam melhorias após implementação de novos modelos de Gestão

RETROSPECTIVA Um ano no Comando

Confira os principais destaques do primeiro ano de Comando do TenenteBrigadeiro Bermudez à frente da Força Aérea Brasileira (FAB)

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EXPEDIENTE

Publicação oficial da Força Aérea Brasileira, a revista Aerovisão é produzida pela Agência Força Aérea, do Centro de Comunicação Social da Aeronáutica (CECOMSAER).

Esplanada dos Ministérios, Bloco M, 7º Andar CEP: 70045-900 - Brasília - DF

Tiragem: 18 mil exemplares. Edição Especial/2020 Ano 47 Contato: redacao@fab.mil.br

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Edição Especial/2020

Chefe do CECOMSAER: Brigadeiro do Ar Paulo César Andari

Diagramação: Suboficial SDE R1 Cláudio Bomfim Ramos

Vice-Chefe do CECOMSAER: Coronel Aviador Ricardo Feijó Pinheiro

Estão autorizadas transcrições integrais ou parciais das matérias, desde que mencionada a fonte.

Chefe da Divisão de Comunicação Integrada: Tenente-Coronel Aviador Denys Martins de Oliveira

Distribuição Gratuita Acesse a edição eletrônica: www.fab.mil.br/publicacao/listagemAerovisao

Chefe da Subdivisão de Produção e Divulgação: Tenente-Coronel Aviador Claudio Mariano Rodrigues Santana Edição: Tenente Jornalista Jonathan Jayme (MTB - 2481) Aspirante Jornalista Flávia Rocha (DRT - 1354)

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Impressão: Gráfica Pallotti ArtLaser.


Veja a edição digital OPERAÇÃO REGRESSO Transporte e acolhimento

FAB conduziu brasileiros e familiares estrangeiros que estavam na China, epicentro do novo coronavírus, até a Ala 2 - Base Aérea de Anápolis. Grupo ficou 14 dias em quarentena

Sargento Johnson Barros / Agência Força Aérea

Sargento Marcos Poleto / Agência Força Aérea

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PREPARO Asas integradas

Exercício Operacional Tinia reúne diferentes Aviações em Santa Maria e Canoas (RS)

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ESPAÇO AÉREO Grandes eventos sob controle

Década marcada por atividades de grande vulto, como a Copa do Mundo, contou com forte atuação do DECEA para garantir o controle e a segurança do espaço aéreo brasileiro

VOO MENTAL Memória e futuro da FAB: algumas contribuições

Carlos Lorch, jornalista especialista em temas aeronáuticos, fala sobre história, tecnologia e futuro da Força Aérea Brasileira

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Aos Leitores ESCREVENDO A HISTÓRIA Embarcamos em 2020 impulsionados pelos grandes feitos do ano que passou. Presenciamos fatos marcantes para a Força Aérea Brasileira que, por consequência, desafiaram-nos a estampar novos capítulos da história da aviação militar em nossas páginas. A nova edição da revista Aerovisão traz uma retrospectiva do primeiro ano do Tenente-Brigadeiro do Ar Antonio Carlos Moretti Bermudez à frente do Comando da Aeronáutica e carrega nosso otimismo para continuar apresentando ao público a trajetória para a construção de uma Força cada vez mais profissional, tecnológica e operacional. E nossa matéria de capa é uma prévia de quão vultosos devem ser nossos desafios neste ano. Ela traz os detalhes da participação da FAB na Operação Regresso à Pátria Amada Brasil, ocorrida em fevereiro, quando foram transportados e acolhidos 34 brasileiros e familiares estrangeiros que estavam na China, epicentro do surto do novo coronavírus. Estampamos páginas sobre o Exercício Operacional Tinia, realizado nas Alas 3, em Canoas (RS), e 4, em Santa Maria (RS). Mais de 600 militares e 50 aeronaves demonstraram o poder da integração entre as Aviações em um ambiente de guerra convencional. O desafio foi mostrar o resultado do processo de adequação dos Exercícios Operacionais da FAB a simulações mais complexas. Trouxemos uma reportagem que faz um balanço da atuação do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA) nos últimos dez anos, marcados pelos grandes eventos no Brasil. O texto mostra como o DECEA atuou para que o tráfego aéreo fluísse de maneira mais eficaz, além da operação para garantir a segurança e a defesa das áreas dos eventos. Esta publicação traz uma entrevista com o Comandante de Operações Aeroespaciais, Tenente-Brigadeiro do Ar José Magno Resende de Araujo, e, ainda, com os Chefes dos respectivos Centros desse Grande Comando, que falam sobre as principais atividades que demandaram suas atuações em 2019. A bordo desta Edição Especial, esperamos que o leitor conheça um pouco mais da contribuição de integrantes da Força Aérea Brasileira, afinal, formamos um expressivo efetivo de Força Aérea, com o objetivo de cumprir a nossa missão institucional. Boa leitura! Brigadeiro do Ar Paulo César Andari Chefe do Centro de Comunicação Social da Aeronáutica

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Nossa capa: Est a edição fala sobre a participação da Força Aérea Brasileira na Operação Regresso à Pátria Amada Brasil. Foram contabilizados mais de 160 horas de voo e 14 dias de quarentena. Confira o esforço para transport ar e acolher brasileiros e familiares estrangeiros que estavam na China.


Palavras do Comandante Concluímos mais um dos 79 anos de história do Comando da Aeronáutica – o primeiro em que tenho a honra de ocupar o cargo de Comandante. Ao longo de 2019, deparamo-nos com inúmeros desafios, que foram superados com determinação, criatividade, desprendimento, competência e, principalmente, profissionalismo. Mas essas não são obras construídas a partir do labor de um único soldado. É preciso reconhecer que a consonância de nossos valores, somada à união de todos os integrantes da Força Aérea Brasileira, tem nos conduzido até aqui e direciona nossa marcha a desígnios muito bem planejados. Tal trabalho em sinergia proporcionou a chegada das primeiras aeronaves multimissão KC-390 Millennium e a apresentação do primeiro F-39 Gripen brasileiro, em Linköping, na Suécia; foi responsável pelo bom desempenho dos vetores da FAB no combate a incêndios durante a Operação Verde Brasil e na contenção de danos na Operação Amazônia Azul; permitiu que déssemos um passo rumo ao futuro na aprovação do Acordo de Salvaguardas Tecnológicas (que viabilizará o uso comercial do Centro de Lançamento de Alcântara) e que implementássemos ações do Programa de Capacitação e Valorização do Corpo de Graduados. Por essas e outras metas cumpridas e superadas, é imperiosa a necessidade de agradecer a cada um que se dedicou para bem desempenhar suas funções. É gratificante constatar, todos os dias, o alto grau de dedicação que nossos militares empregam em seu ofício. E, ao encerrarmos um ciclo, iniciamos outro com o mesmo ânimo que nos moveu até aqui. No prelúdio de 2020, já conseguimos perceber os frutos colhidos pela convergência de esforços na Operação Regresso à Pátria Amada Brasil. Por meio de uma ação interministerial, a FAB foi participante fundamental no transporte e no acolhimento de brasileiros e seus

familiares estrangeiros que estavam em Wuhan, na província de Hubei, China, epicentro do surto do novo coronavírus. O êxito da missão no âmbito da FAB decorre do comprometimento de todos. O Estado-Maior da Aeronáutica (EMAER) foi incumbido de conduzir a integração das ações dos Grandes Comandos, assim como fez gestão junto a Adidos e ao Ministério das Relações Exteriores, viabilizando as autorizações de pousos, decolagens e sobrevoos dos países da rota Brasil-China-Brasil. O Comando de Operações Aeroespaciais (COMAE) mostrou sua versatilidade ao mobilizar os meios aéreos, no âmbito nacional, na velocidade então requerida; o Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA) atuou no controle de tráfego aéreo das aeronaves envolvidas, permitiu a priorização dos voos e apoiou com o Primeiro Grupo de Comunicações e Controle (1º GCC); para que tripulações e vetores aéreos chegassem ao outro lado do mundo, o Comando-Geral de Apoio (COMGAP) também demonstrou sua capacidade de prontidão logística. O Comando de Preparo (COMPREP), ligado a todos os eventos centrais que envolveram embarque e desembarque dos repatriados, somados às inúmeras providências do seu efetivo necessárias na Ala 2 – Base Aérea de Anápolis, demonstrou com propriedade sua vocação para operar com planejamento. É importante ressaltar, ainda, o envolvimento da Secretaria de Economia, Finanças e Administração da Aeronáutica (SEFA) como Coordenadora-Geral da Operação, com decisões acertadas nas aquisições e nos recursos financeiros alocados; do Comando-Geral de Pessoal (COMGEP), que, por intermédio da Diretoria de Saúde da Aeronáutica (DIRSA), disponibilizou o Instituto de Medicina Aeroespacial Brigadeiro Médico Roberto Teixeira (IMAE) e outras Unidades de Saúde da FAB, empregando

Sargento Johnson Barros / Agência Força Aérea

NO CAMINHO CERTO

Tenente-Brigadeiro do Ar Antonio Carlos Moretti Bermudez Comandante da Aeronáutica

profissionais e materiais específicos; e do Gabinete do Comandante da Aeronáutica (GABAER), por meio do Grupo de Transporte Especial (GTE), pela dedicação de seus tripulantes no planejamento e na execução dos voos. Assim, somos estimulados a pensar sobre nossos desempenhos, desafios e conquistas. É tempo de firmar passos, focar no desenvolvimento profissional e pessoal, solidificar as relações que ora edificamos. Sabemos que ainda há muito para ser feito, mas seguimos com a tranquilidade de que estamos na trajetória certa. O ano de 2019 e o começo de 2020 provaram que sonhos são possíveis e que, concretizados, tornam-se motores para novas missões. Seguiremos confi antes para as próximas etapas de grandes projetos estratégicos, determinantes para a construção de uma Força moderna e capaz – contando sempre com o talento e o empenho de todos os militares e civis do Comando da Aeronáutica.

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ENTREVISTAS ENTREVISTA

Tenente-Brigadeiro Araujo:”Nossos militares estão em constante aprendizado para aplicarem seus conhecimentos e operarem os sistemas espaciais voltados para o emprego operacional”

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Soldado Felipe Coelho / Agência Força Aérea

O Comando de Operações Aeroespaciais (COMAE), criado em 2017, no processo de Reestruturação da Força Aérea Brasileira (FAB), completará seu terceiro ano de ativação na Capital Federal, e está na fase final da estruturação. Ainda este ano entrará em operação o Centro Conjunto Operacional de Inteligência (CCOI), um dos que compõem a estrutura organizacional do Grande Comando. O Centro de Planejamento, Orçamento e Gestão Institucionais (CPOGI), o Centro Conjunto de Operações Aéreas (CCOA), o Centro de Operações Espaciais (COPE), já estão ativos e atuando nas suas respectivas áreas. Com a consolidação dos Centros, que são subordinados ao EstadoMaior Conjunto do COMAE, responsável por coordenar e supervisionar as atividades, essas Unidades foram criadas para o desenvolvimento tecnológico, administrativo, operacional e doutrinário do COMAE. A seguir, o Comandante de Operações Aeroespaciais, Tenente-Brigadeiro do Ar José Magno Resende de Araujo; o Chefe do Estado-Maior Conjunto do COMAE, Major-Brigadeiro do Ar Ricardo Cesar Mangrich; e os Chefes dos Centros fazem um balanço das atividades e falam sobre perspectivas. TENENTE JORNALISTA RAQUEL ALVES

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também, na Operação Verde Brasil, no combate aos focos de incêndio na região da Floresta Amazônica; transportamos suprimentos e militares da Força Nacional e do Corpo de Bombeiros de Minas Gerais para Moçambique, país devastado por um ciclone; na Operação Amazônia Azul, na detecção das manchas de óleo nas praias do Nordeste; no apoio às buscas da aeronave C-130

“A Força Aérea do

futuro que se projeta estará voltada prioritariamente à modernidade operacional

Soldado Felipe Coelho / Agência Força Aérea

O senhor deu continuidade ao processo de estruturação do COMAE e está à frente do Comando da Organização desde janeiro de 2019. Em 2020, encerra o seu ciclo de atividades na Força Aérea Brasileira. Como o senhor avalia o período que esteve à frente do COMAE? A centralização dos meios e a unificação do Comando e Controle-C2 no COMAE fazem com que nós possamos atingir indicadores elevados de eficiência. Em 2019, atuamos em muitas missões e operações, que foram muito bem planejadas e cumpridas, sem deixar que as demais atividades sofressem qualquer descontinuidade. Entre elas, cito o resgate às vítimas do desastre ocorrido em Brumadinho, região metropolitana de Belo Horizonte (MG); a Operação Acolhida, quando transportamos imigrantes venezuelanos que chegaram ao Brasil; as ações de reforço na Defesa Aérea e no Controle de Tráfego Aéreo durante a Cúpula do BRICS, em Brasília (DF). Atuamos,

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da Força Aérea Chilena desaparecida, entre outras. Não podemos deixar de destacar aqui que, graças ao preparo e capacitação que a Força Aérea Brasileira proporciona a seus militares, o COMAE realiza suas missões e operações com profissionalismo e dedicação. Encerro minhas atividades com o sentimento de dever cumprido e de que pudemos levar resultados positivos ao país. A tecnologia caminha a passos largos a cada dia e os modelos operacionais precisam andar lado a lado com o desenvolvimento de novos aparatos e atualizações de plataformas. Quais as medidas que o COMAE tem tomado para que a Força Aérea cumpra sua missão de Controlar, Defender e Integrar o território nacional? O COMAE passou por mudanças significativas em sua estrutura, visando sempre contribuir para a soberania do espaço aéreo e para a integração de todo o território nacional. O planejamento e a execução das missões operacionais sob sua gerência elevam a responsabilidade com o controle da atividade aérea. Além disso, no COMAE, a FAB trabalha em conjunto com a Marinha do Brasil e com o Exército Brasileiro de forma sinérgica em prol da defesa da Pátria. A Força Aérea do futuro que se projeta estará voltada prioritariamente à modernidade operacional. Por consequência, nós, profissionais da guerra, devemos focar os esforços para atender a essa realidade, mantendo um continuado aperfeiçoamento das atividades para o domínio do ambiente aeroespacial. Outro ponto que posso destacar é a capacitação e a qualificação profissional dos nossos militares. Um exemplo é dos que atuam na área espacial. Eles estão em constante aprendizado para aplicarem seus conhecimentos e operarem os sistemas espaciais voltados para o emprego operacional. Assim, com os olhos voltados para o futuro, tenho a certeza de que o caminho será desafiador e gratificante, fortalecendo a Força Aérea para o cumprimento de sua missão.


Soldado Felipe Coelho / Agência Força Aérea

ESTADO-MAIOR CONJUNTO DO COMAE Major-Brigadeiro do Ar Ricardo Cesar Mangrich

Como o senhor avalia a transição do COMDABRA para o COMAE? Foi benéfica? A Reestruturação foi extremamente benéfica. O grande ponto foi a criação de um Comando Aeroespacial Conjunto dedicado exclusivamente ao emprego do poder aeroespacial. Nós, hoje, temos uma capacidade de Comando e Controle de empregar o Poder Aeroespacial muito mais eficaz. Somos capazes de compor qualquer Estado-Maior Conjunto que for criado em situação real ou de exercício, além

“Nós, hoje, temos uma ca-

pacidade de Comando e Controle de empregar o poder aeroespacial muito mais eficaz, somos capazes de compor qualquer Estado-Maior Conjunto que for criado em situação real ou de exercício...

de criarmos uma estrutura de componente aéreo permanentemente ativada. Ao estruturarmos o COMAE, criamos quatro Centros para o apoio administrativo, organizacional e de serviços necessários. Ainda em 2020, entrará em operação o quarto e último Centro, o CCOI [Centro Conjunto Operacional de Inteligência], que proverá informações e produtos de inteligência em nível operacional, e serão disponibilizados não só para Forças Singulares, Marinha do Brasil, Exército Brasileiro, mas para outros órgãos governamentais.

Na foto, a sala de decisão do COMAE. Estruturação do Comando elevou a capacidade do efetivo para atuar em exercícios e em mísseis reais

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Brigadeiro do Ar João Campos Ferreira Filho

Como o trabalho do CCOA na coordenação das operações aeroespaciais contribui para o cumprimento da missão constitucional da FAB, no que se refere à soberania do espaço aéreo e a integração do território nacional? Dentro do COMAE, o CCOA é o responsável por planejar e conduzir todas as operações aéreas da FAB, no que se refere ao emprego, ou seja, todas as ações de Força Aérea, aéreas ou terrestres: Defesa Aérea, Transporte Aéreo Logístico, missões de Busca e Salvamento, Patrulha Marítima, Reconhecimento, entre outras, são todas planejadas, coordenadas e conduzidas pelo CCOA. Todos os dias realizamos um briefing das ações rotineiras, ou seja, logo no início do dia temos a consciência situacional de como estão os

alertas de Defesa Aérea, os alertas de Busca e Salvamento, missões de Reconhecimento, missões terrestres, Meteorologia, entre outros fatores. Um exemplo de ação rotineira é a de Garantia da Lei e da Ordem, quando as tropas terrestres são coordenadas, planejadas e conduzidas pelo CCOA. São analisadas, também, as operações aéreas inopinadas, como a Verde Brasil, Amazônia Azul, a São Cristovão, entre outras, que realizamos em prol da sociedade. Essas ações que são acionadas imediatamente, sem necessariamente precisar ser ativado um plano de operações, já estão dentro do ciclo de operações aéreas. No CCOA, temos três divisões que trabalham com o tempo das missões. A Divisão de Planos e Diretrizes é a responsável por trabalhar com ações planejadas ou inopinadas no ciclo de 72 horas ou mais. Já a Divisão de Programação, com missões que estão por acontecer nas próximas 48 horas. E a Divisão de Operações Correntes, que não só acompanha o que

está ocorrendo, mas também pode programar ações para o mesmo dia. No COMAE, existe Integração com as Forças. Qual a participação delas nas operações aeroespaciais? No dia a dia, os militares que atuam no CCOA nos ajudam a fazer essa ligação entre a Força Aérea e as demais Forças. Eles atuam nas divisões e, quando há necessidade de um contato com um determinado órgão de outra Força, são eles que fazem a ponte entre os envolvidos. Já em operações de grande vulto, como, por exemplo, a Amazônia Azul, é inserido um militar da FAB dentro do comando ativado para que ele possa ajudar os demais envolvidos sobre como a atuação da FAB pode auxiliar na missão. Há também a possibilidade de adjudicar meios à FAB por parte de outros Comandos, como o Comando de Preparo e o Comando-Geral do Pessoal, como são feitas em operações que envolvem os profissionais da saúde. Prédio do CCOA, localizado em Brasília (DF), onde ocorrem o planejamento e a condução das operações aéreas da FAB

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Soldado Felipe Coelho / Agência Força Aérea

CCOA - CENTRO CONJUNTO DE OPERAÇÕES AÉREAS


CPOGI - CENTRO DE PLANEJAMENTO, ORÇAMENTO E GESTÃO INSTITUCIONAIS A capacitação dos militares é fundamental para o desempenho de suas funções, e as diretrizes do Comando da Aeronáutica seguem essa linha, priorizando a capacitação técnica do efetivo. Como o COMAE tem atuado na qualificação profissional desses militares? O CPOGI é responsável por coordenar os processos afetos ao planejamento e gestão institucionais, à gestão/capacitação de Recursos Humanos e à gestão do conhecimento no âmbito do COMAE, além de coordenar os projetos e as atividades desenvolvidos pelas Divisões de Planejamento Institucional, de Gestão Institucional, de Recursos Humanos e de Legislação e Doutrina. Para 2020, a Divisão de Recursos Humanos

preparou o plano de capacitação que já foi aprovado pelo Estado–Maior do COMAE. Ou seja, todas as demandas de capacitação foram compiladas no plano e no decorrer do ano, conforme o surgimento das demandas será executado de acordo com o previsto. Aqui no CPOGI também tratamos da capacitação dos militares do COPE, que é uma qualifi cação específi ca, que não só foi gerada pelo Comando da Aeronáutica, mas também pelas outras Forças, pois temos militares da Marinha do Brasil e do Exército Brasileiro que exercem as atividades aqui no COPE. Até os militares que assumirão os postos dos atuais que já atuam no COPE são qualificados para que não haja uma descontinuidade. A atualização doutrinária é fundamental para o emprego eficiente do Poder Aeroespacial. Nesse sentido, quais atividades o CPOGI

tem desenvolvido em proporcionar o conhecimento doutrinário adequado aos militares que cumprem as missões operacionais da FAB? Apesar do pouco tempo de existência do COMAE, é fundamental termos um Comando que trata diretamente do emprego. Aqui trabalhamos com todas as tarefas de Força Aérea e necessitamos empregar os meios de força aérea para o cumprimento das missões. É fundamental que nós tenhamos a parte doutrinária bem solidificada, ter o conhecimento de como está o nível de treinamento e capacitação das unidades aéreas para que os Esquadrões possam ser empregados da melhor forma. No caso de uma calamidade, por exemplo, tendo todo esse panorama atualizado, nós já sabemos quais os Esquadrões que podem ser empregados, os meios necessários para determinado tipo de missão.

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Soldado Felipe Coelho / Agência Força Aérea

Militares do CPOGI trabalham nos processos de planejamento e gestão de Recursos Humanos


Soldado Felipe Coelho / Agência Força Aérea Soldado Felipe Coelho / Agência Força Aérea

Novas instalações do COPE, em BrasÌlia (DF): operações no novo espaço devem começar ainda este ano

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Brigadeiro-Engenheiro Luciano Valentim Rechiuti

A comunicação via satélite constitui um recurso de alta complexidade tecnológica e vital para a defesa dos interesses nacionais. Com o advento do Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicação (SGDC), como o senhor avalia o progresso do setor aeroespacial, em relação aos benefícios para a FAB e para o Brasil? Desde julho de 2017, com o início da operação do SGDC pelo Centro de Operações Espaciais, além de controlar totalmente uma plataforma satelital geoestacionária, o país passou a contar com capacidade de comunicações civis e militares via satélite sob integral domínio nacional. Esse fato representou um importante passo para o setor espacial brasileiro, pois além de fortalecer a soberania nacional, por meio de um satélite de comunicações totalmente operado por organizações brasileiras, também proporcionou um considerável ganho em termos de transferência de tecnologia para o país, por intermédio da participação de técnicos e engenheiros brasileiros no desenvolvimento do SGDC. Além dos conhecimentos gerados pela transferência de tecnologia, com aplicações práticas nas mais diversas áreas, o SGDC irá permitir que Administração Pública Federal amplie consideravelmente a capacidade de conexão à Internet em banda larga para universidades, centros de pesquisa, escolas, hospitais, postos de atendimento, telecentros comunitários e outros pontos de interesse público. Nesse contexto, ao aumentar também a capacidade dos sistemas de comunicações militares gerenciados pelo Ministério da Defesa, o SGDC possibilitou melhorar consideravelmente a qualidade dos serviços prestados, bem como incrementar o

número de usuários atendidos, além de ampliar o nível de segurança das comunicações militares. Qual a atuação do COPE nas atividades ligadas ao Programa Estratégico de Sistemas Espaciais (PESE)? O PESE foi um programa criado para atender às necessidades estratégicas das Forças Armadas e da sociedade brasileira.

Além de todos os “ benefícios para a sociedade brasileira citados anteriormente, a criação do COPE proporcionou à FAB mais um importante passo na consolidação do Setor Espacial brasileiro, considerado um dos três setores estratégicos para a defesa nacional, conforme previsto na Estratégia Nacional de Defesa (END)

COPE - CENTRO DE OPERAÇÕES ESPACIAIS

Nesse contexto, o efetivo do COPE participa diretamente das principais atividades ligadas ao Programa, provendo assessorias de alto nível na elaboração de requisitos técnicos e operacionais dos próximos satélites brasileiros previstos no PESE.

Além disso, considerando que o SGDC é um dos satélites que faz parte do PESE, o controle desse satélite já é exercido integralmente nas atuais instalações do COPE em Brasília (DF) e no Rio de Janeiro (RJ) (COPE-S). Assim que as próximas constelações de satélites brasileiros previstos no PESE estiverem em órbita, todo o controle dessas plataformas satelitais e de suas respectivas cargas úteis estarão também a cargo do COPE. No intuito de gerar imagens de satélite de interesse do Governo, bem como preparar o Centro para a futura operação dos satélites brasileiros de órbita baixa, previstos no PESE, o COPE atualmente opera a carga útil de dois sistemas de satélites estrangeiros destinados à observação da terra (Sensoriamento Remoto), quando suas órbitas estão acessíveis à cobertura das antenas localizadas no território nacional. Um desses sistemas é composto por sensores ópticos israelenses (satélite EROS-B), e o outro é composto por um Radar de Abertura Sintética (SAR), que é o satélite Iceye, finlandês. As operações das cargas úteis desses satélites de sensoriamento remoto são realizadas nas instalações do COPE, localizado em Brasília (DF). Quais melhorias o COPE proporcionou ao COMAE e à FAB? Além de todos os benefícios para a sociedade brasileira citados anteriormente, a criação do COPE proporcionou à FAB mais um importante passo na consolidação do Setor Espacial brasileiro, considerado um dos três setores estratégicos para a defesa nacional, conforme previsto na Estratégia Nacional de Defesa (END). Ao mesmo tempo, a criação do COPE no âmbito do COMAE ampliou e reforçou a importante atuação da Força Aérea Brasileira no comando das operações aeroespaciais de interesse do Brasil.

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Coronel Aviador Cláudio José Lopez David

O CCOI está em fase de estruturação no âmbito do COMAE. O senhor poderia explicar como será o funcionamento deste Centro e como será estruturado? Como fruto da Reestruturação do Comando da Aeronáutica, ocorrida nos últimos anos, o COMAE passou a comportar como componentes de seu Estado-Maior, três Centros: o Centro Conjunto de Operações Aéreas (CCOA), Centro de Operações Espaciais (COPE) e o Centro de Planejamento, Orçamento e Gestão Institucionais (CPOGI). À medida que a organização foi sendo empregada nos seus primeiros anos, naturalmente, a sua atividade vem assimilando gradativamente algumas acomodações funcionais comuns a toda jovem Organização Militar. Sendo assim, diante do aprofundamento do conhecimento da sua potencialidade de emprego e perante o crescimento das demandas por coleta de imagens, sejam elas adquiridas por meio do emprego de plataformas satelitais ou aéreas (convencionais ou remotamente pilotadas), passou-se a exigir esforços crescentes de gerenciamento dessas demandas, em dois sentidos: no gerenciamento dos pedidos recebidos e no tratamento de seus produtos de coleta (imagens). No primeiro sentido, o gerenciamento dos pedidos se dá exercendo-se as relações intra e extra-institucionais, com a definição das prioridades e o correto encaminhamento para a mais adequada plataforma de coleta. Já no segundo sentido, há o engajamento no trato das imagens coletadas, seja na análise no nível operacional para a geração de produtos de inteligência para o setor de Defesa, seja na administração do banco de dados e gerência do Portal

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de Imagens, operacionalizando-se o encaminhamento dos produtos para os órgãos governamentais demandantes. Até o momento, grande parte dessas atividades estavam sendo realizadas por outras Divisões e Seções dos diferentes Centros da estrutura original, impedindo o foco desses setores nas suas atribuições regimentais, como no caso da Divisão de Inteligência (DIVINT), do CCOA. É exatamente com essas atribuições que o CCOI está sendo implantado na nova estrutura do COMAE e, para isso, contará com

“Na prática, grande parte das atividades e dos esforços que serão de competência do CCOI já são realizados hoje no âmbito do COMAE

CCOI - CENTRO DE CONTROLE DE OPERAÇÕES DE INTELIGÊNCIA

uma Divisão de Coleta (DIVCO), uma Divisão de Análise (DIVAN), uma Divisão de Produtos e Serviços (DIVPS), além de uma Assessoria de Contrainteligência (ACINTEL) e uma Secretaria (SCCOI). Mesmo estando em fase de estruturação o CCOI já atuou em alguma operação aeroespacial? Temos algum exemplo ou resultado alcançado? Sim, mas sem confi gurar a participação direta do CCOI, pois ele ainda está na fase de implantação. Na

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prática, grande parte das atividades e dos esforços que serão de competência do CCOI já são realizados hoje no âmbito do COMAE, com menor aprofundamento, sejam elas ações executadas por setores do COPE ou outras executadas dentro do CCOA, por intermédio da DIVINT. Muitas dessas competências comporão as atribuições regimentais do CCOI e migrarão para o novo Centro, tão logo ele seja ativado, juntamente com boa parte dos recursos humanos que hoje se encontram trabalhando nesses outros Centros. Há também a previsão da chegada gradativa de um reforço de militares transferidos, devido à ampliação dessas competências. Durante o período de estruturação do novo Centro, ainda antecedendo a sua ativação, algumas das novas conexões e relações institucionais que serão efetivadas a partir desse novo modelo organizacional já têm sido praticadas, contabilizando diversas participações dos futuros componentes do Centro em reuniões de discussões e decisões no nível operacional, fornecendo assessorias técnicas, operacionais e estratégicas, tendo atuado e produzido também resultados práticos, atuando num modelo misto entre a estrutura anterior e a futura, como no casos das buscas e monitoramento dos focos de queimadas na Região Amazônica e das manchas de óleo na área oceânica/ litorânea, ocorridas durante o ano de 2019. No primeiro caso, o estreitamento das relações junto ao Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia [CENSIPAM] permitiu uma melhor dinâmica do ciclo decisório diante da situação-problema. Já diante do caso das manchas de óleo, o planejamento e a operação dos satélites empregados na coleta de imagens forneceram um valioso material em colaboração com a Força-Tarefa engajada na gerência do caso e permitiu consolidar a pronta-resposta necessária que a situação exigia.


Imagens satélite - COMAE Imagens satélite - COMAE

Ao lado, imagens de satélite operadas pelo COMAE. Materiais colaboram com forças-tarefas e permitem pronta-resposta

Coma criação do CCOI quais serão as melhorias para o COMAE e para a FAB? A partir da ativação do CCOI, com a atuação de seus integrantes ainda mais especializados e dedicados com o foco exclusivamente nas suas atribuições, e estando essa claramente explicitada no novo Regimento Interno, espera-se obter um elevado grau de eficiência em seus desempenhos funcionais, concorrendo diretamente para a excelência de toda a OM. A sua ativação também contribuirá para que os outros Centros do COMAE, como o COPE e o CCOA, desonerem-se quanto a algumas das atividades que hoje processam devido ao ajustamento de demandas funcionais crescentes. As interrelações com outros órgãos demandantes externos deixarão de existir no âmbito desses Centros, permitindo que essas estruturas, essencialmente operacionais, possam focar seus esforços de rotina e seus conhecimentos nas suas respectivas atividades, proporcionando também uma maior eficiência e reduzindo a probabilidade da geração de vulnerabilidades no trato das informações sensíveis. Ao CCOI caberá a análise e o trato dessas questões. Busca-se, assim, o funcionamento com uma dinâmica mais ágil e moderna, desde as solicitações dos demandantes, coletas, análises e distribuições de seu produto principal para os órgãos externos (imagens), e ainda, no âmbito interno, uma estrutura que viabilize a análise de inteligência no nível operacional/ estratégico, com a geração de produtos de inteligência para assessorias consistentes para os processos decisórios na linha de Comando e Controle.

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PASSAGEM DE COMANDO

Na presença do Presidente da República, Jair Bolsonaro, e do Ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, o Tenente-Brigadeiro do Ar Antonio Carlos Moretti Bermudez assumiu o cargo de Comandante da Aeronáutica. A solenidade de passagem de comando aconteceu no dia 4 de Janeiro, na Ala 1, em Brasília (DF). 20

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Sargento Bruno Batista / Agência Força Aérea

Sargento Bruno Batista / Agência Força Aérea

2019 - UM ANO DE DESAFIOS E CONQUISTAS


PREPARO

EXERCÍCIOS OPERACIONAIS Com a participação de 28 Esquadrões Aéreos, o EXOP Tápio foi realizado na Ala 5, em Campo Grande (MS), entre os meses de abril e maio. O objetivo foi treinar os esquadrões em um cenário de guerra irregular. Nas atividades, em mais de 1.200 horas de voo, houve resgate de evasores, apoio aéreo aproximado, evacuação aeromédica, assalto aeroterrestre e atendimento pré-hospitalar em condições

de combate. Estiveram envolvidos no EXOP esquadrões aéreos das aviações de Transporte, Caça, Asas Rotativas, Reconhecimento e Busca e Salvamento, além do Esquadrão Aeroterrestre de Salvamento (EAS) – conhecido como PARA-SAR, que executa missões de Guiamento Aéreo Avançado (GAA) –, da Brigada de Defesa Antiaérea (BDAAE) e dos Grupos de Defesa Antiaérea (GDAAE).

FOTO: CB ANDRÉ FEITOSA / CECOMSAER

EXOP TÁPIO

GREEN FLAG WEST Pa r t i c i p a ç ã o d a FA B n o E x e r c í c i o Internacional Green Flag West, em maio e junho, na Base Aérea de Nellis, em Nevada, nos Estados Unidos, contou com mais de 300 horas de voo. Nesse Exercício, houve uma rotina de treinamentos envolvendo operações ar-solo

em um cenário tático, simulando conflitos regulares e irregulares em ambiente de deserto. Além dos Esquadrões Aéreos, também participou do treinamento o Esquadrão Aeroterrestre de Salvamento (EAS), que executou missões de Guiament o A é r e o Ava n ç a d o (GAA).

Armadas de dois países ou alianças de nações. Participaram do Exercício os caças F-5M, A-1 e A-29; a aeronave-radar E-99; as de reconhecimento R-99, R-35AM e R-35A; os aviões de transporte C-130 Hércules e C-105 Amazonas; e os helicópteros H-60L, além do Primeiro Grupo de Comunicações e Controle (1º GCC) e os Grupos de Defesa Antiaérea (GDAAE).

FOTO: SGT BIANCA VIOL / CECOMSAER

EXOP TINIA Com mais de 800 horas voadas, o EXOP Tinia foi realizado em novembro, simultaneamente, nas Alas 3, em Canoas (RS), e 4, em Santa Maria (RS). Mais de 600 militares e 50 aeronaves das Aviações de Caça, Transporte, Asas Rotativas e Reconhecimento treinaram em um cenário simulado de guerra convencional, ou seja, quando há um conflito entre Forças

Aerovisão

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OPERAÇÕES

FAB EMPREGA SEUS MEIOS E ESTRUTURA Ações de reforço na Defesa Aérea e no Controle do Tráfego Aéreo foram realizadas pela FAB durante o ato de posse do Presidente da República, Jair Bolsonaro, em janeiro de 2019. O esquema especial, organizado pelo Comando de Operações Aeroespaciais (COMAE), foi considerado um sucesso, garantindo a segurança aérea. Áreas de exclusão, com três níveis de restrição, em que só aeronaves autorizadas podiam sobrevoar, foram definidas. As aeronaves A-29 e F-5 se intercalaram no policiamento do espaço aéreo, para o caso de tráfegos não autorizados em áreas proibidas. Aviões-radar E-99 também se mantiveram no ar durante todo o período de ativação das áreas, reforçando a visualização dos tráfegos.

FOTO: CB V. SANTOS / CECOMSAER

OPERAÇÃO POSSE

BRUMADINHO

ASSISTÊNCIA HUMANITÁRIA A MOÇAMBIQUE Duas aeronaves C-130 Hércules da FAB integraram a missão de Assistência Humanitária do Brasil em apoio às vítimas do ciclone Idai, ocorrido em março, em Moçambique. Os aviões, coordenados pelo Comando de Operações Aeroespaciais (COMAE), transportaram mais de 20 toneladas de suprimentos e equipamentos, além de 40 militares da Força Nacional e do Corpo de Bombeiros de Minas Gerais.

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Aerovisão

FOTO: SGT BRUNO BATISTA / CECOMSAER

FOTO: CEL ANDRÉ GUSTAVO DE SOUZA / CIAAR

A FAB empregou, em janeiro, a aeronave H-36 Caracal na operação de resgate às vítimas do desastre ocorrido em Brumadinho (MG). A estrutura montada na região, sob a coordenação do Primeiro Grupo de Comunicações e Controle (1º GCC), unidade subordinada ao Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA), deu suporte e garantiu a segurança das aeronaves envolvidas no resgate. Foi realizado o gerenciamento de até 20 voos simultâneos.


OPERAÇÃO VERDE BRASIL A atuação foi para combater os focos de incêndio na região da Floresta Amazônica que tiveram início no mês de agosto. Com o envolvimento de 15 Unidades Aéreas, a FAB realizou missões de Combate a Incêndio em Voo e Transporte Aéreo Logístico, dentre outras, somando 875 horas de voo. As áreas onde os militares das Forças Armadas atuaram foram indicadas pelo Centro Nacional de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais, pertencente à estrutura do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA).

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FOTO: CECOMSAER

Dezembro - 2019

OPERAÇÃO AMAZÔNIA AZUL

FOTO: CB SILVA LOPES / CECOMSAER

Militares do Comando de Operações Aeroespaciais (COMAE) integraram o Comando de Operações Navais (CON), no Rio de Janeiro (RJ). Foram empregados quatro tipos de aeronaves: C-95M, P-95M, C-130 e P-3M - em missões de Patrulha Marítima e Transporte Aéreo Logístico. As missões de Patrulha Marítima buscaram localizar as manchas de óleo. Além dos meios aéreos disponibilizados para a Operação Amazônia Azul, a FAB atuou com a análise de imagens de satélites.

Trata-se de um instrumento de ação do Estado Brasileiro, destinado a apoiar, com pessoal, material e instalações, a organização das atividades necessárias ao acolhimento de pessoas em situação de vulnerabilidade, decorrente do fluxo migratório para o Estado de Roraima. Com o objetivo de tornar mais efetiva a ajuda humanitária prestada aos imigrantes e refugiados venezuelanos, o Governo Federal celebrou um Protocolo de Intenções que incentiva municípios brasileiros a acolherem pessoas vindas do país vizinho.

FOTO: CB ANDRÉ FEITOSA / CECOMSAER

OPERAÇÃO ACOLHIDA

Aerovisão

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OPERAÇÕES

FOTO: SGT BIANCA VIOL / CECOMSAER

A FAB realizou a Operação Ostium, ação de combate a voos irregulares na fronteira. O objetivo foi reforçar a vigilância no espaço aéreo sobre a região de fronteira do Brasil, a fim de dissuadir, principalmente, as ações ligadas aos ilícitos transnacionais. As ações foram coordenadas a partir do Comando de Operações Aeroespaciais (COMAE).

FOTO: SGT BIANCA VIOL / CECOMSAER

OPERAÇÃO OSTIUM

BRICS A atuação da FAB foi referente à Defesa Aérea e o Controle de Tráfego Aéreo com uma estrutura especial. Durante os dias de reunião com Chefes de Estado, militares das Forças Armadas e das Forças Auxiliares acompanharam a movimentação aérea e gerenciaram as restrições de voo nas áreas de exclusão estipuladas para segurança das comitivas. As aeronaves A-29, E-99 e F-5 da FAB se revezavam no policiamento do espaço aéreo, para o caso de tráfegos não autorizados em áreas proibidas.

REVO KC-390 Em junho do ano passado, sob os céus do Rio Grande do Sul, nas bases de Canoas (Ala 3) e Santa Maria (Ala 4), o KC-390 Millennium realizou reabastecimento em voo (REVO) nos caças A-1 e F-5. Capaz de transferir 1500 litros por minuto, o KC provou que pode reabastecer um caça em menos de dois minutos.

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FOTO: SGT ANDERSON GOMES / DCTA

CIÊNCIA E TECNOLOGIA

Outras operações e exercícios também foram realizados em 2019, entre eles: - Operação Brasil 2019; - Exercício Escudo Antiaéreo; - Plano Emergencial Nuclear; - Exercício Multinacional PANAMAX 2020; - Operação Rio Branco; - Operação Sentinela 2019; e - Exercício COMAEX 2019.


CIÊNCIA E TECNOLOGIA FOTO: SGT JOHNSON BARROS / CECOMSAER

ASSINADO ACORDO DE SALVAGUARDAS TECNOLÓGICAS Ar Antonio Carlos Moretti Bermudez, participou, entre os meses de março e abril, de diversas reuniões e audiências, a fim de sanar dúvidas e explanar os benefícios e conquistas com o novo acordo. Em novembro, foi aprovado pelo Congresso Nacional o decreto legislativo oficializando o AST.

FOTO: SD WILHAN CAMPOS / CECOMSAER

Os governos do Brasil e dos Estados Unidos da América assinaram, em cerimônia oficial em Washington (DC), o Acordo de Salvaguardas Tecnológicas (AST), que trata da proteção de tecnologias sensíveis e estratégicas na área espacial. O Comandante da Aeronáutica, Tenente-Brigadeiro do

CLA LANÇA FOGUETE DE TREINAMENTO INTERMEDIÁRIO

FOTO: SD ALBERTO / CLA

O Centro de Lançamento de Alcântara (CLA) realizou em setembro o lançamento de um Foguete de Treinamento Intermediário (FTI) na Operação Águia II/ 2019. Além do treinamento operacional e teste de equipamentos em solo associados às operações de lançamentos em Alcântara, a operação teve por objetivo dar andamento ao processo de verificação do novo sistema de terminação de voo, recentemente adquirido pelo Centro visando a realização da teledestruição remota de foguetes em situações previstas.

Dentre as atividades no campo da Ciência e da Tecnologia, destacaram-se ainda: - Ciclo de Desenvolvimento do projeto A-Darter; - ITASAT completou um ano em órbita; - Instituto de Fomento e Coordenação Industrial (IFI) emitiu Permissão Especial de Voo Inicial (PEVi) as 2 primeiras aeronaves KC-390; - Recebimento do SC-105 (C-295M), na Airbus Defense & Space, em Sevilha, na Espanha; -IFI realizou auditoria de produção na Saab, através do projeto F-X2; - IFI e Autoridade Aeronáutica Nacional (AAN) iniciaram processo de reconhecimento de atividades relacionadas à aquisição das aeronaves KC-390 por Portugal; - IPEV promoveu treinamento operacional com 1º/9º GAV, em Surucucu (RR); e - Pilotos e engenheiros do IPEV participam de cursos ministrados pela Saab. Aerovisão

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FOTO: SGT BIANCA VIOL / CECOMSAER

CONTROLE

TORRE DE CONTROLE DE AERÓDROMO REMOTA PROPORCIONA NOVAS TECNOLOGIAS

FOTO: CECOMSAER

A implantação de novas tecnologias em 2019 proporcionou avanços expressivos para as ações de Controle de Tráfego Aéreo da Força Aérea Brasileira (FAB). Instalada na Ala 12, em Santa Cruz, no Rio de Janeiro (RJ), a Torre de Controle de Aeródromo Remota está sob a coordenação do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA). A unidade é composta por 16 câmeras fixas,

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sendo duas com a tecnologia Pan Tilt Zoom (PTZ), a partir das quais é possível aumentar a imagem em até 24 vezes, para dar mais nitidez a objetos localizados a quilômetros de distância. Na Torre de Controle Remota, são realizadas as mesmas atividades de controle de uma torre convencional: informação de voo, prestação do serviço de alerta, autorização para pousos, decolagens e cruzamentos, orientação para o taxiamento de aeronaves, além da disponibilização de quaisquer informações necessárias à condução segura das operações aéreas, como dados meteorológicos e informações aeronáuticas.

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BRASIL REELEITO PARA O GRUPO I DA OACI DURANTE A 40ª ASSEMBLEIA

O Brasil foi eleito para compor novamente o Grupo I do Conselho da Organização da Aviação Civil Internacional (OACI) para o período de 2020-2023. A votação ocorreu durante a 40ª Assembleia da OACI, em Montreal (Canadá), e o Brasil foi o quarto país mais votado, recebendo 157 votos dos 168 países presentes, ficando atrás apenas de China, Itália e Japão. O

Grupo é formado por 11 países representando o sistema da aviação mundial. A 40ª Assembleia da OACI ocorreu em setembro e outubro. A escolha do Brasil durante a 40ª Assembleia assegura a continuidade do país no corpo executivo da OACI e preserva a capacidade de influência brasileira nos principais temas da aviação civil internacional.


CONTROLE Com o objetivo de aumentar a eficácia do controle de tráfego aéreo na região de fronteira comum às cidades de Foz do Iguaçu (PR), no Brasil, e Ciudad Del Este, no Paraguai, e, ainda, monitorar o tráfego de aeronaves envolvidas em atividades ilícitas transnacionais, a Força Aérea Brasileira (FAB) e a Dirección Nacional de Aeronáutica Civil (DINAC) inauguraram, no mês de novembro, o Controle de Aproximação Guarani. O sistema utilizado foi desenvolvido com tecnologia brasileira e terá como finalidade modernizar e facilitar o trabalho dos controladores, de forma a aprimorar a segurança das atividades de controle de tráfego aéreo.

FOTO: SD T. AMORIM / CECOMSAER

FAB INAUGURA CONTROLE DE APROXIMAÇÃO EM COOPERAÇÃO COM O PARAGUAI

SERVIÇOS DE NAVEGAÇÃO AÉREA

O Presidente Jair Bolsonaro sancionou, em novembro, a Lei 13.903/19 que cria a empresa pública NAV Brasil - Serviços de Navegação Aérea S/A, vinculada ao Ministério da Defesa, por meio do Comando da Aeronáutica (COMAER). A NAV Brasil terá por objeto implantar, administrar, operar e explorar, industrial e comercialmente, a infraestrutura aeronáutica destinada à prestação de serviços de navegação aérea que lhe forem atribuídos pelo Comando da Aeronáutica (COMAER).

E destacaram-se também outras atividades de Controle do Espaço Aéreo, dentre elas: - Formação da primeira turma de validação da Comunicação Data Link entre Controlador e Piloto, na ferramenta CPDLC Continental, no Instituto de Controle do Espaço Aéreo (ICEA), em São José dos Campos (SP); - Primeiros testes utilizando CPDLC em espaço aéreo continental; - Comemoração dos 60 anos de Inspeção em Voo no Brasil; - Ativação do Centro Integrado de Meteorologia Aeronáutica (CIMAER); - Missões de Assistência Integradas; - 1º Simpósio de Tecnologias Antidrones (aspectos legais); - Confecção do Plano de Logística Sustentável; - Copa América 2019; - Drone Show 2019; - 1º Simpósio Regional sobre Sistema de Aeronaves Não Tripuladas SIReSANT; - LABACE 2019; - Seminário Internacional de A-CDM; - II International Brazil Air Show (IBAS); -DECEA promove Rio de Janeiro como cidade sede para o Drone Enable 2020; e - SMS Brazil 2019.

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KC-390 MILLENNIUM

A Força Aérea Brasileira (FAB) recebeu, no mês de setembro, na Ala 2, em Anápolis (GO), a primeira aeronave multimissão KC-390. O Presidente da República, Jair Bolsonaro, presidiu a solenidade acompanhado do Ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, e do Comandante da Aeronáutica, Tenente-Brigadeiro do Ar Antonio Carlos Moretti Bermudez. Participaram da cerimônia Ministros de Estado, Oficiais-Generais da Marinha, do Exército e da Aeronáutica, autoridades civis e militares, e executivos da Embraer. O avião firma-se como um novo

padrão de aeronave para o emprego militar no cenário mundial. Trata-se de um jato de transporte tático projetado para estabelecer novos padrões em sua categoria. Algumas das principais características da aeronave são: maior mobilidade e flexibilidade, design robusto, tecnologia de ponta comprovada e fácil manutenção. Além disso, é capaz de executar uma variedade de missões, como Transporte Aéreo Logístico, Busca e Salvamento, Combate a Incêndios em Voo, Evacuação Aeromédica e Ajuda Humanitária, dentre outras.

CHEGADA DA SEGUNDA UNIDADE DO KC-390

KC-390 MILLENNIUM

FOTO: SGT JENIFFER RAMOS / ALA 2

A FAB recebeu no início do mês de dezembro a segunda unidade da aeronave multimissão KC-390 Millennium. O avião de matrícula FAB 2854 pousou na Ala 2,

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Organização Militar sediada em Anápolis (GO), e foi recebida pelo Primeiro Grupo de Transporte de Tropa (1º GTT) e pelo Grupo Logístico de Anápolis (GLOG 2).

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FOTO: SGT BIANCA VIOL / CECOMSAER

MAIOR AVIÃO MILITAR PRODUZIDO NO BRASIL

A nova aeronave multimissão da FAB recebeu seu nome durante o mês de novembro, em Dubai (Emirados Árabes Unidos): KC-390 Millennium. A divulgação foi feita pela Em-

braer durante a Feira Dubai Airshow, considerado um dos mais importantes eventos relacionados à aviação. O avião apresenta-se como uma das mais modernas propostas da categoria.


PREMIAÇÃO Produto, em inglês Best New Product, por ser a maior e mais sofisticada aeronave de defesa já produzida. A premiação foi através da Aviation

Week Network, empresa de publicação e produção de eventos com sede em Nova York. Os vencedores serão homenageados no dia 12

de março de 2020, no National Building Museum, em Washington (EUA), quando também concorrerão ao Prêmio Grand Laureate.

ENSAIO DE CHAFF E FLARE

FOTO: SD FELIPE COELHO / CECOMSAER

A nova aeronave da FAB, KC-390 Millennium, foi uma das vencedoras do 63º Prêmio Laureate Awards 2020, na categoria Melhor Novo

Os dispositivos chamados de chaff e flare são contramedidas defensivas essenciais a uma aeronave militar. O ensaio aconteceu no Rio Grande do Sul, e teve o objetivo de realizar as manobras nos limites do “envelope” da aeronave para garantir que o avião possa empregar todos os chaffs e flares da melhor maneira possível. Aerovisão

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FOTOS: SAAB

F-39 GRIPEN

F-39 GRIPEN: O NOVO SUPERSÔNICO DA FAB A apresentação do primeiro F-39 Gripen brasileiro aconteceu em Linköping, na Suécia, no mês de setembro. O Ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, e o Comandante da Aeronáutica, Tenente-Brigadeiro do Ar Antonio Carlos Moretti Bermudez, participaram do encontro que marcou o início da fase de ensaios em voo da plataforma. Inicialmente, os voos de teste serão feitos na Suécia e, em seguida, a campanha prosseguirá no Brasil. A entrada em operação da nova aeronave de caça na Força Aérea Brasileira (FAB) está programada para ocorrer em 2022.

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FOTO: SAAB

A APRESENTAÇÃO DO AVIÃO ACONTECEU EM SETEMBRO, NA SUÉCIA

O Comandante da Aeronáutica, acompanhado de autoridades brasileiras, esteve em Linköping, na Suécia, no mês de setembro, participando do evento

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Aerovisão


As atividades conjuntas iniciaram em 2014 com a assinatura do contrato para o desenvolvimento e produção de 36 aeronaves F-39 Gripen para a Força Aérea Brasileira, incluindo sistemas embarcados, suporte e equipamentos. As plataformas são desenvolvidas e produzidas com a participação de técnicos e engenheiros brasileiros. Essa integração faz parte da transferência tecnológica e visa proporcionar o conhecimento necessário para a continuidade das atividades no Brasil. A aeronave brasileira se baseia no design de

HOMENAGEM

FOTO: SAAB

O PROJETO

“O F-39 Gripen representa um significativo salto tecnológico para a aviação de caça”, afirma o Comandante versões anteriores, porém com as particularidades solicitadas pelo Comando da Aeronáutica (COMAER). Atualmente, cinco países

operam o Gripen: Suécia, África do Sul, República Tcheca, Hungria e Tailândia, e, em breve, o Brasil fará parte desse grupo.

AYRTON SENNA

FOTO: SGT BRUNO BATISTA / CECOMSAER

FOTO:ARQUIVO PESSOAL

Em 1989, a FAB recebeu a visita do herói nacional Ayrton Senna ao Esquadrão Jaguar (1º GDA). Na foto, ele é preparado para a decolagem no Mirage III pelo então Capitão Aviador Antonio Carlos Moretti Bermudez, atual Comandante da Aeronáutica.

Em 2019, o irmão do tricampeão, Leonardo Senna, numa visita para homenagear os 25 anos de legado de Ayrton, rememora o voo inesquecível nos céus de Anápolis (GO).

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CARREIRA

PROGRAMA DE CAPACITAÇÃO E VALORIZAÇÃO DE GRADUADOS PALESTRAS FORAM REALIZADAS PELO EMAER, COMGEP E DIRENS

FOTO: SD T. AMORIM / CECOMSAER

Militares do Estado-Maior da Aeronáutica (EMAER), do Comando-Geral do Pessoal (COMGEP) e da Diretoria de Ensino da Aeronáutica (DIRENS) visitaram, durante o ano de 2019, diversas Guarnições de Aeronáutica para apresentar o Programa de Capacitação e Valorização do Corpo de Graduados. Foi uma oportunidade para mostrar a uma parcela do efetivo as mudanças estruturantes que estão sendo implementadas na carreira dos graduados.

EDUCAÇÃO CONTINUADA

FOTO: SD T. AMORIM / CECOMSAER

Em julho, foi publicada a reestruturação do Curso de Aperfeiçoamento de Sargentos e instituição do Curso de Especialização de Graduados, do Curso de Aperfeiçoamento Avançado e do Curso de Estudos Avançados para Graduados. Dentre outras finalidades, os cursos pretendem consolidar os conhecimentos acadêmicos, técnicos e militares; proporcionar visão abrangente da administração e o desenvolvimento de capacidades para tomada de decisão e assessoramento; desenvolver características de liderança; e consolidar estudos e capacidades de gerenciamento.

PROGRAMA DE FORMAÇÃO E FORTALECIMENTO DE VALORES FOTO: SD A. SOARES / CECOMSAER

O Programa de Formação e Fortalecimento de Valores (PFFV) é um conjunto de ações que norteiam as atividades a serem desenvolvidas por todos os setores das Organizações Militares do Comando da Aeronáutica. Durante o ano de 2019, várias unidades da FAB realizaram palestras sobre o tema. No Comando-Geral de Apoio (COMGAP) foi abordado o debate e a reflexão sobre diversos assuntos ligados à vida militar. O Porta-Voz do Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais, Tenente Pedro Aihara, discursou sobre o tema “Nossos Valores”. Já o jornalista Alexandre Garcia comentou a respeito da “Ética e Valores Militares”. Entre os valores debatidos ao longo do ano nas Organizações Militares, estão: Disciplina, Profissionalismo, Integridade, Patriotismo, Comprometimento, entre outros.

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Ao longo de 2019, o Comandante da Aeronáutica, Tenente-Brigadeiro do Ar Antonio Carlos Moretti Bermudez, participou de audiências públicas junto à comissão especial que analisou o Projeto de Lei 1645/2019, que tratou da reestruturação do Sistema de Proteção Social dos Militares das Forças Armadas. O projeto passou pela Câmara dos Deputados e foi aprovado em 4 de dezembro pelo Senado.

FOTO: SD T. AMORIM / CECOMSAER

SISTEMA DE PROTEÇÃO SOCIAL DOS MILITARES E REESTRUTURAÇÃO DA CARREIRA

FOTO: SGT BRUNO BATISTA / CECOMSAER

LEI Nº 13.954/19 Com a publicação da Lei nº 13.954/19 em 16 de dezembro, no Diário Oficial da União, passam a vigorar as alterações decorrentes da Reestruturação da Carreira Militar e do Sistema de Proteção Social dos Militares das Forças Armadas, cujos efeitos remuneratórios incidirão ao longo dos próximos quatro anos.

FOTO: SGT BRUNO BATISTA / CECOMSAER

Em 2019, com o processo de modernização do Sistema de Saúde da Aeronáutica (SISAU), hospitais da FAB receberam investimentos que permitiram a utilização de técnicas e equipamentos de última geração, como o Hospital Central da Aeronáutica (HCA) e o Hospital de Força Aérea do Galeão (HFAG), ambos no Rio de Janeiro (RJ).

FOTO: SD WILHAN CAMPOS / CECOMSAER

TECNOLOGIA A SERVIÇO DA HUMANIZAÇÃO

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ENSINO

FAB CONTABILIZA MAIS DE MIL FORMANDOS EM CINCO ESCOLAS A Força Aérea Brasileira (FAB) somou, em 2019, mais de mil formandos nas seguintes Escolas: Academia da Força Aérea (AFA), Centro de Instrução e Adaptação da Aeronáutica (CIAAR), Escola de Especialistas de Aeronáutica (EEAR), Escola Preparatória de Cadetes do Ar (EPCAR) e Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA).

EEAR A Escola de Especialistas de Aeronáutica (EEAR) formou, em 2019, 650 militares do Curso de Formação de Sargentos (CFS) e do Estágio de Adaptação à Graduação de Sargento (EAGS). As formaturas ocorreram em junho, com a presença do Presidente da República Jair Bolsonaro e novembro, em Guaratinguetá (SP). Após a formatura na instituição de ensino, o aluno será promovido à graduação de Terceiro-Sargento e será classificado em uma das Organizações Militares do Comando da Aeronáutica (COMAER), localizadas em todo o território nacional, de acordo com a necessidade da Administração.

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Durante a cerimônia da Academia da Força Aérea (AFA), presidida pelo Presidente da República Jair Bolsonaro, os militares entregaram o espadim, que simboliza o fim da condição de cadete, e receberam a espada de oficial, que coroa a vitória dos jovens que se dedicaram a uma exigente rotina. A turma era composta por 140 cadetes, sendo 80 aviadores, 42 intendentes e 18 de infantaria. Entre os formandos, estavam 23 mulheres. A Turma contou também com cadetes estrangeiros da República Dominicana, Togo, Honduras e Paraguai, que foram indicados por seus países para realizar o curso na AFA. A iniciativa parte de um acordo de cooperação entre o Brasil e Nações-Amigas.

FOTO: SGT BIANCA VIOL / CECOMSAER

FOTO: SD WILHAN CAMPOS / CECOMSAER

AFA


Os 237 novos oficiais de carreira do Centro de Instrução e Adaptação da Aeronáutica (CIAAR) receberam a espada, símbolo do oficialato nas Forças Armadas, e prestaram o compromisso perante a Bandeira Nacional, num ato que simboliza o juramento de bem cumprir os deveres inerentes ao oficial. A cerimônia contou, ainda, com a entrega da espada aos formandos pelos padrinhos e madrinhas e o tradicional desfi le da tropa. Os novos oficiais exercerão as novas funções em Organizações Militares distribuídas por todo o país.

FOTO: SD A. SOARES / CECOMSAER

CIAAR

EPCAR Dos 154 formandos da Escola Preparatória de Cadetes do Ar (EPCAR), 126 seguem a carreira militar na AFA, onde vão iniciar o Curso de Formação de Oficiais Aviadores. Esta é a primeira vez na história da EPCAR, ao longo de seus 70 anos de criação, que alunas integraram uma turma. Ao total, 14 alunas fizeram parte da primeira turma da EPCAR. O CPCAR tem duração de três anos e prepara os alunos seguindo o preconizado no currículo do Ensino Militar, com instruções nos campos militar e físico.

O Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) formou 127 novos engenheiros, entre militares e civis, nas especialidades de Mecânica-Aeronáutica, Computação, Aeronáutica, Eletrônica, Civil-Aeronáutica e Aeroespacial. Do total, 32 se tornaram tenentes. A missão do ITA é ministrar o ensino e a educação necessários à formação de profissionais de nível superior, nas especializações de interesse para a aviação em geral, e, em particular, à Força Aérea Brasileira; além de manter cursos de extensão universitária, de pós-graduação e de doutorado.

FOTO: SGT DOMINGOS / EPCAR

FOTO: SD WILHAN CAMPOS / CECOMSAER

ITA

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INOVAÇÃO Os futuros pilotos da aeronave C-95M Bandeirante já contam com um novo equipamento que vai auxiliar na sua formação: o FTD (do inglês Flight Training Device, Dispositivo de Treinamento de Voo), criado pelo Centro de Computação da Aeronáutica de São José dos Campos

(CCA-SJ). A inauguração ocorreu em abril, na Ala 10, em Parnamirim, região metropolitana de Natal (RN). O FTD reproduz exatamente a cabine do avião, os controles, os sistemas eletrônicos e as situações de emergência que podem ocorrer durante o voo.

FOTO: SGT MARCELLA PEREZ / ALA 10

VOANDO SEM SAIR DO CHÃO

SIMULADOR DE VOO DO T-27 TUCANO

FOTO: MAJ FAULSTICH / CCA-SJ

O sistema de simulação de voo denominado FTD (do inglês Flight Training Device) da aeronave T-27 Tucano, em desenvolvimento pelo CCA-SJ, foi apresentado a autoridades em setembro. A tecnologia atenderá às necessidades de treinamento dos cadetes da Academia da Força Aérea (AFA), com base nos requisitos técnicos e operacionais identificados como fundamentais para a formação dos novos pilotos. Por meio de óculos de realidade virtual, os militares podem experimentar uma visualização em 360 graus, executando exercícios das diversas fases da instrução aérea.

LOGÍSTICA E INFRAESTRUTURA

FOTO: COMARA

Destacaram-se ainda, nos campos da inovação, logística e infraestrutura, as seguintes atividades:

Projeto de infraestrutura do aeroporto de Coari (AM) A Divisão de Engenharia da Comissão de Aeroportos da Região Amazônica (COMARA) concluiu, em março, o projeto de infraestrutura do aeroporto de Coari (AM). Esse projeto, que faz parte do TED nº 2/2017, firmado entre o Comando da Aeronáutica (COMAER) e o Ministério da Infraestrutura, contempla a reciclagem dos pavimentos atuais do aeroporto, execução de revestimento em placas de concreto e execução do sistema de drenagem. As mudanças no aeroporto de Coari propostas no projeto visam ao aumento da categoria do aeroporto, permitindo assim a operação do Airbus A319, operado por diversas companhias aéreas no Brasil, bem como aeronaves similares.

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Aerovisão

- Cumprimentos das metas, contabilizando 115 mil horas de voo, com 61% de disponibilidade das aeronaves da frota da FAB; - Aquisição de duas aeronaves Phenom 100; - Conclusão de 58 projetos de engenharia, como a readequação das Bases de Anápolis e Santa Cruz, ampliação do hangar do ESM, na Ala 4 e construção da pista de táxi, na Ala 5; - Implantação do módulo de aquisição e contratos no SILOMS, com aquisição centralizada de ativos de TI; e - Revitalização do MSC e MT/TAT da aeronave P3.


LAAD 2019

Na LAAD 2019 Defence & Security, maior feira de Segurança e Defesa da América Latina, a Força Aérea Brasileira (FAB) apresentou 14 projetos estratégicos em uma exposição que contou com a visita de delegações nacionais e internacionais. O evento aconteceu em maio, no Rio de Janeiro (RJ). As novas aeronaves F-39 Gripen e KC390 e o Programa Estratégico de Sistemas Espaciais (PESE) se destacam entre os projetos apresentados pelo Comando da Aeronáutica. Outros 11 projetos, produtos, serviços e tecnologias desenvolvidas por organizações militares das áreas operacional, de ciência e tecnologia, e do controle de tráfego aéreo também ganharam destaques no estande da FAB.

FOTO: CB ANDRÉ FEITOSA / CECOMSAER

EXPOSIÇÃO

FOTO: TEN-CEL BRAGA / GAC-SEVILHA

SC- 105

RECEBIMENTO DA SEGUNDA AERONAVE SAR SC-105 O Comandante da Aeronáutica, Tenente-Brigadeiro do Ar Antonio Carlos Moretti Bermudez recebeu, em Sevilha (Espanha), a segunda aeronave SC-105 (C-295M), de Busca e Salvamento, do Projeto CLX-2. A cerimônia foi realizada pela empresa Airbus, em novembro. Esta é a primeira aeronave do projeto a ser entregue com o sistema de reabastecimento em voo, o que permitirá ampliar seu alcance e tempo de permanência em voo. Aerovisão

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INTEGRAÇÃO

TRANSPORTE DE ÓRGÃOS

FOTO: ETA 2

Em 2019, a FAB dedicou 822 horas de voo no transporte de 170 órgãos, dos quais 62 corações, 78 fígados, 20 rins, oito pulmões e dois pâncreas. Cabe ao Centro de Gerenciamento de Navegação Aérea (CGNA), Organização da FAB sediada no Rio de Janeiro (RJ), a coordenação da distribuição, por meio de transporte aéreo, dos órgãos para transplante no Brasil.

GOVERNANÇA

PRÊMIO TRANSFORMAÇÃO DIGITAL A Força Aérea Brasileira (FAB) foi uma das instituições homenageadas na 18ª Edição do Prêmio Learning & Performance Brasil. A cerimônia de entrega dos troféus, que reconheceu as melhores práticas em desenvolvimento de talentos e gestão de performance nas instituições públicas e privadas brasileiras, foi realizada em agosto, em São Paulo (SP). A Secretaria de Economia, FOTO: SGT BIANCA VIOL / CECOMSAER Finanças e Administração da Aeronáutica (SEFA) e o Comando-Geral de Apoio (COMGAP) foram as duas organizações da FAB agraciadas. A SEFA, na categoria Iniciativa de Sucesso, recebeu o prêmio pelo projeto Capacitação de Gestores da Aeronáutica. Já o COMGAP, na categoria Referência Nacional, ficou entre os oito projetos homenageados com o Programa de Pós-Formação de Graduados.

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Dentre outras atividades, a gestão de governança teve ainda atuação nos seguintes campos: - Criação da Base de Recepção de Veteranos (BREVET); e - Acompanhamento do Projeto de Lei que tratou da Reestruturação do Sistema de Proteção Social dos Militares das Forças Armadas até a aprovação da lei.


GESTÃO ORÇAMENTÁRIA, ADMINISTRATIVA E FINANCEIRA

BALANÇO ORÇAMENTÁRIO DE 2019 E PERSPECTIVAS PARA 2020 SEFA E EMAER DEMONSTRAM EQUILÍBRIO NAS CONTAS DA AERONÁUTICA A Diretoria de Economia e Finanças da Aeronáutica (DIREF), subordinada à Secretaria de Economia, Finanças e Administração da Aeronáutica (SEFA), divulgou um Balanço da Execução Orçamentária de 2019. As informações demonstram que o orçamento do COMAER teve um incremento de 20,24%, ao longo do ano, em relação ao estabelecido na Lei Orçamentária Anual para a execução de despesas de custeio e investimentos. Segundo o Diretor da DIREF, Major-Brigadeiro do Ar Marcos Vinicius Rezende Mrad, o Comando da Aeronáutica (COMAER) iniciou 2019 com recursos na casa dos R$ 6,693 bilhões e chegou a dezembro com R$ 8,048 bilhões (excluídos os valores de pagamento de pessoal e pagamento da dívida externa – principal, juros e encargos), distribuídos em 33 Ações Orçamentárias. “Podemos afirmar que o balanço orçamentário de 2019 para o COMAER, ainda que dentro de um cenário repleto de restrições orçamentárias em nível do Governo Federal, foi muito profícuo, haja vista a evolução dos recursos”, pontuou o Major-Brigadeiro Mrad. Ainda de acordo com o Diretor da DIREF, atualmente, o COMAER aguarda a liberação iminente de outros R$

170 milhões de destaques que beneficiarão a área de Ciência e Tecnologia e o reaparelhamento da Força Aérea. “Com isso, finalizaremos o ano com um montante da ordem de R$ 883,58 milhões de créditos oriundos de outros Órgãos e Ministérios”, destacou. Complementando o orçamento original e os destaques recebidos de outros órgãos por meio de mais de 64 processos de alterações orçamentárias, foi possível ao COMAER – além da execução dos seus créditos, durante o período de contingenciamento – o recebimento de créditos adicionais no valor de R$ 471,19 milhões.

Perspectivas para 2020 O Projeto da Lei Orçamentária Anual (PLOA) 2020 prevê recursos na ordem de R$ 28,229 bilhões para o Comando da Aeronáutica. O Orçamento Público da União para 2020 foi aprovado pelo Congresso Nacional, na terça-feira (17/12), e seguiu para sanção da Presidência da República. Os principais Investimentos Plurianuais Prioritários do Programa Defesa Nacional, estabelecidos no Plano Plurianual (PPA) 2020-2023, são: o Projeto F-X2 – Aquisição de Aeronaves de Caça e Sistemas Afins; o Projeto H-XBR – Aquisição de Helicópteros de Médio Porte de Emprego Geral; e o Projeto KC-390 – Aquisição de Cargueiros Táticos Militares. O Chefe da Seção de Planejamento e Orçamento da Quinta Subchefia do Estado-Maior da Aeronáutica (EMAER), Coronel Intendente Francisco Luiz Guerra Figueira, informou ainda que o texto aprovado no CongressoNacional prevê R$ 1,740 bilhão para os projetos estratégicos de desenvolvimento/aquisição de aeronaves.

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OPERAÇÃO REGRESSO

BRASILEIROS TRANSPORTADOS E ACOLHIDOS FAB transportou 34 brasileiros e familiares de Wuhan, na China, até o Brasil. Após uma complexa missão, todos foram entregues às suas famílias livres de contaminação pelo novo coronavírus

TENENTE JORNALISTA FELIPE BUENO

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Sargento Marcos Poleto / Agência Força Aérea

Grupo desembarca na Ala 2 - Base Aérea de Anápolis após mais de 37 de horas de voo desde Wuhan, na China. Ao todo, foram somadas cerca de 160 horas de voo e 14 dias de quarentena em Goiás

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Soldado A. Soares / Agência Força Aérea

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Ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, e Comandante da Aeronáutica, Tenente-Brigadeiro do Ar Antonio Carlos Moretti Bermudez, despedem-se de tripulantes da FAB antes da partida para o Oriente Soldado A. Soares / Agência Força Aérea

s primeiras notícias do novo coronavírus, divulgadas ainda entre o fim de 2019 e o início de 2020, não pareciam algo próximo à realidade brasileira. O epicentro da crise, Wuhan, na província de Hubei, China, fica a mais de 17 mil quilômetros de Brasília (DF) - e foi a partir da Capital Federal que se iniciou a Operação Regresso à Pátria Amada Brasil, no dia 5 de fevereiro. Por determinação do Presidente da República, Jair Bolsonaro, um esforço conjunto dos Ministérios da Defesa, das Relações Exteriores e da Saúde, bem como da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), transformou um complexo planejamento em realidade. Como resultado, foram somadas cerca de 160 horas de voo e 14 dias de quarentena cumprida por 34 brasileiros e familiares estrangeiros, juntamente com a equipe de apoio. Nenhum deles contaminado pelo vírus causador da doença respiratória COVID-19. O Estado-Maior da Aeronáutica (EMAER) gerenciou as ações dos Grandes Comandos e fez gestão junto a Adidos e Ministério das Relações Exteriores para viabilizar as autorizações de pousos, decolagens e sobrevoos dos países da rota Brasil-China-Brasil. O Comando de Operações Aeroespaciais (COMAE) mobilizou meios aéreos, no âmbito nacional, proporcionando a velocidade então requerida. O Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA) atuou na coordenação de tráfego aéreo das aeronaves envolvidas, além de ter permitido a priorização dos voos e apoiado com o Primeiro Grupo de Comunicações e Controle (1º GCC). A prontidão logística do Comando-Geral de Apoio (COMGAP) propiciou que pilotos e vetores aéreos cruzassem o globo terrestre. A atuação do Comando de Preparo (COMPREP), berço e sede de todos os eventos centrais, envolveu embarque e desembarque dos repatriados, somados às inúmeras providências do seu efetivo, necessárias na Ala 2 – Base Aérea de Anápolis. A Secretaria de Economia,

Finanças e Administração da Aeronáutica (SEFA), como Coordenadora-Geral da Operação, conduziu as aquisições e os recursos financeiros utilizados. O Comando-Geral de Pessoal (COMGEP), por intermédio da Diretoria de Saúde

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da Aeronáutica (DIRSA), disponibilizou o Instituto de Medicina Aeroespacial Brigadeiro Médico Roberto Teixeira (IMAE) e outras Unidades de Saúde da FAB. Já o Gabinete do Comandante da Aeronáutica (GABAER), por meio do


“ Todos nós temos um

carinho especial pela Pátria e por nossos compatriotas. Assim, ter a oportunidade de participar dessa Operação nos comove e nos motiva.

GTE, empenhou seus tripulantes no planejamento e na execução dos voos. O esforço aéreo do GTE contou com duas aeronaves VC-99 Legacy de apoio, que deixaram Brasília em 4 de fevereiro e passaram por Fortaleza (CE), Ilha do Sal (Cabo Verde) e Lisboa (Portugal) até chegarem em Varsóvia (Polônia), onde duas tripulações ficaram a postos para as aeronaves principais - os VC-2 Embraer 190. O revezamento dos militares a bordo destas aeronaves permitiu que fizessem uma viagem quase ininterrupta. Elas partiram no dia seguinte, também da Ala 1 - Base Aérea de Brasília, passando por Fortaleza, Las Palmas (Espanha), Varsóvia, Ürümqi (China), até finalmente a isolada Wuhan – meios rodoviários, ferroviários e aéreos foram fechados. A Operação Regresso era o único meio de saída para os 34 brasileiros e familiares do local. Além deles, quatro poloneses e uma chinesa também seguiram nas aeronaves até Varsóvia. Comandante da aeronave FAB 2591 em um dos trechos da missão, o Capitão

Tenente Médico Gustavo Messias Costa

Aviador José Ananias Cossetin Pereira falou sobre a apreensão durante o voo, mas destacou a satisfação de poder ajudar compatriotas. “Quando entramos na Força Aérea Brasileira [FAB], estabelecemos nossos valores, principalmente, fé na missão e coragem. Somos preparados desde a nossa formação para enfrentar situações difíceis e esse voo envolvia a questão do novo coronavírus. Ficamos felizes em poder cumprir a missão e ajudar os companheiros brasileiros. Se a nossa situação era delicada, a deles era pior ainda, longe de casa e com familiares preocupados. Então, ficamos muito felizes em poder ajudá-los”, disse. Desde o seu embarque no Aeroporto Internacional de Wuhan Tianhe, o grupo foi acompanhado pelos 12 integrantes da equipe médica do IMAE. Este é o Órgão no âmbito do Comando da Aeronáutica responsável pela coordenação e condução das ações de Defesa Química, Biológica, Radiológica e Nuclear (DQBRN), que consiste em empregar Meios de Força Aérea para

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“ Esses dias aqui

superaram muito as expectativas que a gente tinha. Foi extremamente carinhosa a forma como fomos tratados.

Cleiton Calebe Guerra, estudante universitário

de 2007, quando o Brasil passou por um período de grandes eventos. Todos os esforços foram feitos para que eles tivessem o melhor transporte possível e os cuidados devidos para um bom retorno ao território brasileiro. Todos nós temos um carinho especial pela Pátria e por nossos compatriotas. Assim, ter a oportunidade de participar dessa Operação nos comove e nos motiva”, afirmou. Após mais de 37 horas embarcados, a chegada foi na Ala 2 - Base Aérea de Anápolis (GO), onde o Hotel de Trânsito havia sido totalmente preparado para receber um grupo de 58 pessoas que passaram pelo processo de quarentena. Além dos 34 repatriados de Wuhan, militares da equipe do IMAE, integrantes das tripulações do GTE, médicos ligados ao Ministério da Saúde e dois profissionais da área de comunicação, um do Centro Divulgação:Igor Soares / Ministério da Defesa

deslocar pessoal e material que tenham sido submetidos à ação de agentes Químicos, Biológicos, Radiológicos e/ou Nucleares, e para transportar pessoal e material especializados nas atividades decorrentes de eventos DQBRN. Militares da Marinha do Brasil e do Exército Brasileiro também atuaram nessas ações após o desembarque em Anápolis. Todo o preparo visou à segurança dos repatriados, da equipe médica e dos tripulantes. Como todos os passageiros a bordo residiam na área de exposição ao vírus, poderiam apresentar sintomas durante o translado de retorno ao país. Por isso, fez-se necessária a presença de uma equipe médica especializada, caracterizando uma Evacuação Aeromédica (EVAM), como explicou o Tenente Médico Gustavo Messias Costa, presente na missão. “A equipe engajada é muito especializada na área, tendo atuado durante os Jogos Olímpicos e Paralímpicos de 2016 e preparada para esse tipo de atividade desde os Jogos Panamericanos

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Sargento Marcos Poleto / Agência Força Aérea Sargento Marcos Poleto / Agência Força Aérea Sargento Marcos Poleto / Agência Força Aérea

Acima e à direita: estrutura montada na Ala 2 - Base Aérea de Anápolis permitiu segurança e conforto aos brasileiros e seus familiares. Ao lado: cerimônia de encerramento da Operação Regresso à Pátria Amada Brasil após 14 dias de quarentena

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Tenente Bueno / Agência Força Aérea

À direita: equipe de saúde analisa condições dos passageiros. Abaixo: brasileiros e familiares que receberam o apoio

Sargento Marcos Poleto / Agência Força Aérea

de Comunicação Social da Aeronáutica (CECOMSAER) e outro da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), também permaneceram no período de observação. A Operação contou, ainda, com a participação de um helicóptero H-60L Black Hawk,  do Esquadrão Pelicano (2º/10º GAV), para transporte de participantes da quarentena ao Hospital das Forças Armadas (HFA), na Capital Federal, no caso de quadro clínico agravado. Apesar do isolamento, Victor Campos Siqueira, de 28 anos, falou que a experiência não teve nada de solidão. “Como viemos da mesma cidade, muitos já se conheciam antes e mantinham uma relação de amizade, havia colegas de trabalho ou estudos, então não viemos com

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estranhos. Além disso, todos foram muito solidários, um ajudando o outro e tudo ficou mais tranquilo. O serviço também foi exemplar. Comparando com nossos amigos de outros países, o Brasil foi nota 10. Estou impressionado, até brinquei com eles que poderia ter passado mais tempo, não teria problema”, brincou o estudante de mestrado da Universidade Huazhong de Ciência e Tecnologia. Além disso, a Ala 2 ofereceu uma programação com atividades físicas e culturais, contando com o apoio da Secretaria de Cultura do Estado de Goiás e, também, da Prefeitura de Anápolis. “Esses dias aqui


Soldado Thallys Amorim / Agência Força Aérea

Concluída a Operação, grupo que passou por quarentena retorna em segurança para o seio de seus familiares

superaram muito as expectativas que a gente tinha. Foi extremamente carinhosa a forma como fomos tratados”, ressaltou o estudante universitário Cleiton Calebe Guerra, logo após receber a declaração de estado de saúde livre do novo coronavírus. Durante todo o período de acompanhamento médico do IMAE, os 34 brasileiros e familiares passaram por quatro avaliações: uma em Wuhan, antes do embarque, e outras três em Anápolis. Nestas, as equipes de saúde colheram amostras de secreção nasal e oral de todos os participantes da quarentena nos exames swabs combinados - e não foi constatado qualquer indício do novo coronavírus. Na noite de 23 de fevereiro de 2020,

foi declarado encerrado o período de quarentena da Operação Regresso à Pátria Amada Brasil. A cerimônia de encerramento foi realizada no dia seguinte, presidida pelo Ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, acompanhado do Governador do Estado de Goiás, Ronaldo Caiado, e do Comandante da Aeronáutica, Tenente-Brigadeiro do Ar Antonio Carlos Moretti Bermudez. “Quando o Ministério da Saúde me mandou o resultado dos exames, todos negativos, a sensação foi de alívio”, disse o Ministro. O Comandante da Aeronáutica falou sobre a importância da participação da FAB nessa Operação. “Nós nos sentimos muito honrados pela confiança

recebida do Presidente da República e do Ministro da Defesa, diante de uma missão complexa como a Operação Regresso, que hoje se encerra”, destacou. Durante a desmobilização da Operação, o grupo de repatriados ainda foi apoiado por aeronaves da FAB em aproveitamento de voos de transporte logístico de material e de militares, tendo como destinos: Distrito Federal, São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Santa Catarina, Minas Gerais e Pará. “Agora, voltamos para nossas famílias e poderemos retomar nossas atividades. A sensação é de tranquilidade e de gratidão aos esforços para que essa Operação fosse um sucesso”, enfatizou o piloto civil Márcio Paula de Oliveira.

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TREINAMENTO

DESAFIO CONCLUÍDO O Exercício Operacional Tinia foi realizado nas Alas 3 e 4, em Canoas (RS) e Santa Maria (RS), respectivamente, somando mais de 800 horas de voo, dezenas de aeronaves e centenas de militares envolvidos. O fato das atividades do treinamento serem divididas em duas Organizações Militares era um desafio, que foi cumprido com êxito, pondo à prova a sinergia entre Alas, aeronaves de diferentes Aviações e militares atuando em solo. TENENTE JORNALISTA FELIPE BUENO

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Sargento Bianca Viol / Agência Força Aérea

Aeronave A-1M decola da Ala 3 para realizar Missões Aéreas Compost as (COMAO)


muito por estarmos atualizando documentos e registrando tudo o que é realizado a cada exercício. Essa base está nos permitindo criar treinamentos cada vez mais complexos, com as aviações trabalhando em sinergia Tenente-Brigadeiro do Ar Antonio Carlos Egito do Amaral

cios Operacionais da FAB a simulações mais complexas, em sintonia com o perfil comumente encontrado no cenário internacional. “Esse trabalho não começou agora, é parte de um caminho que vem sendo trilhado desde a criação do COMPREP. Estamos evoluindo muito por estarmos atualizando documentos e registrando tudo o que é realizado a cada Exercício. Essa base está nos permitindo criar treinamentos cada vez mais complexos, com as Aviações trabalhando em sinergia”, afirmou. Durante os 16 dias de batalha simulada, foram praticadas as Ações de Escolta, Reconhecimento Aéreo, Controle e Alarme em Voo, Varredura, Reabastecimento em Voo, Posto de Comunicação no Ar, Defesa Aérea, Defesa Antiaérea, Transporte Aéreo Logístico, Assalto Aeroterrestre e Busca e Salvamento em Combate, entre outras. Elas foram cumpridas por Esquadrões das Aviações de Caça, Reconhecimento, Asas Rotativas e Transporte. Além Sargento Bianca Viol / Agência Força Aérea

Pátio de aeronaves da Ala 4 recebeu vetores das Aviações de Caça, Transporte e Asas Rotativas durante o Exercício Operacional Tinia

“ Estamos evoluindo

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Força Aérea Brasileira (FAB) realizou, entre os meses de novembro e dezembro de 2019, o Exercício Operacional (EXOP) Tinia, nas Alas 3, em Canoas (RS), e 4, em Santa Maria (RS). O treinamento envolveu mais de vinte Unidades de todo o Brasil e 600 militares, além dos efetivos das sedes. As mais de 50 aeronaves envolvidas somaram mais de 800 horas de voo durante o EXOP, treinando as equipagens para um ambiente de guerra convencional – quando há um conflito entre forças armadas de dois países ou alianças de nações. De acordo com o então Comandante de Preparo (COMPREP), Tenente-Brigadeiro do Ar Antonio Carlos Egito do Amaral, o EXOP Tinia é resultado de um processo de adequação dos Exercí-

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Sargento Bianca Viol / Agência Força Aérea

Momentos antes da decolagem de um COMAO, C-105 Amazonas se prepara para cumprir Transporte Aéreo Logístico, enquanto A-29 Super Tucano inicia seu taxi Aerovisão

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Sargento Bianca Viol / Agência Força Aérea

Durante o Tinia, o H-60L Black Hawk, da Aviação de Asas Rotativas, cumpriu missões de Busca e Salvamento em Combate (CSAR, do inglês Combat Search and Rescue)

Sargento Bianca Viol / Agência Força Aérea

As aeronaves da Aviação de Reconhecimento tiveram como sede a Ala 3, em Canoas (RS), durante o Exercício Operacional realizado entre novembro e dezembro de 2019

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Sargento Bianca Viol / Agência Força Aérea

destes, o Primeiro Grupo de Comunicações e Controle (1º GCC) e os Grupos de Defesa Antiaérea (GDAAE) também participaram do Exercício. Entre as aeronaves empregadas estão os caças F-5M, A-1 e A-29; a aeronave-radar E-99; as aeronaves de reconhecimento R-99, R-35AM e R-35A; as aeronaves de transporte C-130 Hércules e C-105 Amazonas; e os helicópteros H-60L. O foco do EXOP Tinia foi o treinamento dessas ações, simultaneamente, nas Missões Aéreas Compostas (COMAO, do inglês Composite Air Operations), com o objetivo de treinar todos os pilotos participantes, dos iniciantes

“ Estamos certos de que

há uma evolução em cada Exercício e os militares se sentem cada vez mais confiantes. Os equipamentos são importantes, mas o treinamento é fundamental

Aeronaves A-29 Super Tucano cumprem uma dinâmica rotina de treinamentos envolvendo operações ar-solo em um cenário tático, simulando o ambiente de guerra convencional

Brigadeiro do Ar Raimundo Nogueira Lopes Neto

aos mais experientes. O Comandante da Ala 3, à época, Brigadeiro do Ar Raimundo Nogueira Lopes Neto, esteve à frente do EXOP Tinia e falou sobre o progresso alcançado durante o treinamento. “Estamos certos de que há uma evolução em cada Exercício, e os militares se sentem cada vez mais confiantes. Os equipamentos são importantes, mas o treinamento é fundamental”, concluiu. Nos bastidores Para coordenar toda a realização do EXOP Tinia, o Comando de Preparo (COMPREP) também conta com a cooperação de Órgãos ligados a outros Grandes Comandos. Subordinado ao Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA), o Primeiro Grupo de Comunicações e Controle (1º GCC)

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esteve presente nas duas localidades da manobra para garantir a integração entre os militares que atuam na Direção do Exercício, nas duas Organizações Militares, e o Controle de Operações Aéreas Militares. A atuação do 1º GCC foi desde o controle do espaço aéreo até os briefings diários entre as Alas, realizados por videoconferência, como explicou o Comandante do Segundo Esquadrão do 1º GCC (2º/1º GCC) - Esquadrão Aranha, Major Aviador Diego Ilvo Hennig. “Esse Exercício envolve uma estrutura muito grande, e para o 1º GCC conseguir montar os diversos equipamentos, apoiar com a participação de todos os seus Esquadrões, que já atuam em conjunto há bastante tempo, é uma característica forte nossa. Para nós, é uma satisfação conseguir treinar nossos técnicos, empregar os equipamentos e mostrar toda a nossa capacidade”, explicou. A sintonia entre militares do

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Militares envolvidos no Exercício Operacional participam de briefing de abertura

Sargento Bianca Viol / Agência Força Aérea

Sargento Bianca Viol / Agência Força Aérea

Na foto, inteiração da equipe de graduados durante a manutenção de um dos Caças F-5EM

COMPREP e do DECEA também é fundamental na Célula de Avaliação de Desempenho Operacional (CADO). Por meio da comunicação com os pilotos das aeronaves empregadas e do monitoramento das atividades aéreas militares, a Direção do Exercício cria todo o ambiente simulado em tempo real, passando aos pilotos a situação baseada em manobras efetivas ou não. Após as missões, a CADO também é responsável por um debriefing que guia o aprendizado dos pilotos, conforme citado pelo Major Aviador Fernando Portugal Ráfare Ribeiro, do efetivo do COMPREP. “A CADO se esforça para mostrar o que realmente aconteceu no voo e, baseado nisso, os pilotos têm um aprendizado com maior valor agregado. É também uma oportunidade para operarem a mesma console dos controladores, o que gera um intercâmbio de conhecimento muito grande”, descreveu. Já na área de informática, a Diretoria de Tecnologia da Informação da Aeronáutica (DTI), subordinada ao


Sargento Bianca Viol / Agência Força Aérea

Caças F-5 realizam manobras conjuntas no céu do Rio Grande do Sul em um dos 16 dias de exercício

“Os equipamentos

são importantes, mas o treinamento é fundamental. Quando os F-39 Gripen chegarem, já estaremos em outro patamar

Comando-Geral de Apoio (COMGAP), proporciona aos Exercícios Operacionais da FAB o Sistema de Informações Gerenciais para Exercícios (SIGEX), que administra as diversas informações que trafegam no âmbito do treinamento, desde relatórios operacionais a gestão de recursos, gerando estatísticas atualizadas instantaneamente. “O sistema agrupa todas as informações de rotina do Exercício, tanto da área administrativa quanto operacional. No Tinia, o sistema apresentou, inclusive, a escala de voo em tempo real, o que gera indicativos de aproveitamento, mesmo com as aeronaves ainda em voo”, contou o Tenente Analista de Sistemas Marcelo Alexandre Martins da Conceição, do Centro de Computação de Aeronáutica

Brigadeiro do Ar Raimundo Nogueira Lopes Neto

do Rio de Janeiro (CCA-RJ). O Major Aviador Juarez Bessa Leal, do COMPREP, explicou que a ferramenta foi fundamental na manobra, por conta do fato de ela ter sido realizada em duas sedes. “O sistema permitiu que a parte de apoio fosse dividida entre as Alas 3 e 4 e a parte operacional fosse unificada: a cada decolagem, os aspectos do voo eram atualizados pelo pessoal em solo e, de qualquer local, era possível visualizar suas informações. Isso interferiu inclusive no andamento do Exercício, pois tornou possível extrair um relatório diário ou acumulado do aproveitamento do EXOP, possibilitando melhorias. É um ciclo alimentado a todo momento e que proporciona evoluções de maneira ágil, permitindo que as lições fossem aprendidas”, finalizou.

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ESPAÇO AÉREO

TUDO SOB CONTROLE Atuação da Força Aérea Brasileira durante a última década, marcada pela expansão do movimento no céu do país, permitiu fluidez, segurança e eficiência no uso do espaço aéreo TENENTE JORNALISTA JONATHAN JAYME

Grandes eventos, como a Copa do Mundo FIFA 2014, os Jogos Olímpicos e Paralímpicos 2016 e a Copa América 2019, exigiram desempenho impecável no controle do espaço aéreo

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Sargento Johnson Barros / Agência Força Aérea

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Copa América, realizada em 2019, encerrou uma década que deixa um legado técnico-operacional ao povo brasileiro quanto ao gerenciamento e controle do espaço aéreo. Os grandes eventos ocorridos no país, como a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio +20), em 2012, a Copa das Confederações e a Jornada Mundial da Juventude, em 2013, a Copa do Mundo, em 2014, e os Jogos Olímpicos e Paralímpicos, em 2016, possibilitaram que a Força Aérea Brasileira (FAB) desenvolvesse uma doutrina de Comando e Controle de excelência, colocando-se como referência no cenário internacional. Para garantir a segurança e a fluidez das operações áreas durante as atividades, o Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA), sediado no Rio de Janeiro (RJ), unificou e padronizou complexos processos dos diversos elos envolvidos, direta ou indiretamente, nas questões relativas ao espaço aéreo e aos aeroportos. As efetivas integração e coordenação possibilitaram, por exemplo, no período dos jogos da Copa América, índices de pontualidade de 100% nos aeroportos brasileiros. Foram, em média, 3.300 voos diários na aviação comercial. Durante os Jogos Olímpicos e Paralímpicos 2016, a pontualidade alcançou, respectivamente, 94,8% e 95,3%, superando os números dos Jogos de Londres 2012. Ao todo, mais de um milhão de atletas, delegações e turistas circularam pelos aeroportos brasileiros durante as competições. O Aeroporto Internacional Tom Jobim, o Galeão, no Rio de Janeiro (RJ), teve um movimento jamais registrado na sua história. No dia seguinte ao encerramento da Olimpíada (22/08), recebeu 85 mil passageiros, mais que o dobro de um dia normal.


Em 2014, após 42 dias de atividades, a Sala Master de Comando e Controle - estrutura formada por militares da FAB, representantes de órgãos governamentais e entidades do setor de aviação - para a Copa do Mundo da Fifa contabilizou 865 voos controlados. Foram registrados 16,7 milhões de passageiros nos aeroportos, com recordes de movimentos aéreos em Brasília (DF), Salvador (BA) e Belo Horizonte (MG).

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Sargento Johnson Barros / Agência Força Aérea

Sargento Johnson Barros / Agência Força Aérea

Durante os Jogos Olímpicos e Paralímpicos, realizados em 2016 no Rio de Janeiro (RJ), os índices de pontualidade nos aeroportos brasileiros alcançaram, respectivamente, 94,8% e 95,3%


Sargento Johnson Barros / Agência Força Aérea

Em 2019, durante a Copa América, foram, em média, 3.300 voos diários com índice de 100% de pontualidade nos aeroportos brasileiros

Áreas de exclusão Na Copa das Confederações, há quase sete anos, seguindo critérios de segurança adotados mundialmente e a manutenção dos níveis dos serviços de tráfego aéreo prestados, o Centro de Gerenciamento da Navegação Aérea (CGNA), no Rio de Janeiro (RJ), juntamente com o então Comando de Defesa Aeroespacial Brasileiro (COMDABRA) - hoje Comando de Operações Aeroespaciais (COMAE), em Brasília (DF) -, estabeleceram áreas de exclusão em determinadas regiões do espaço aéreo para cada um dos eventos. Durante a competição, as áreas foram traçadas a partir dos estádios onde ocorreram as partidas, nas cidades de Belo Horizonte (MG), Brasília (DF), Rio de Janeiro (RJ), Fortaleza (CE), Recife (PE) e Salvador (BA). Divididas entre reservada, restrita e proibida, elas fo-

ram ativadas sempre uma hora antes do início das partidas e desativadas quatro horas após o começo dos jogos. A área reservada, também chamada de área branca, correspondia aos limites laterais e verticais da área terminal de cada uma das cidades. Nela, ficaram proibidos voos de treinamento, atividades de paraquedas, ultraleve, dentre outros. A área restrita ou área amarela, dentro de um raio de cerca de 14 quilômetros ao redor do estádio, só poderia ser utilizada por aeronaves comerciais, além daquelas envolvidas nos eventos, como as que transportaram as seleções de futebol. Já na área proibida ou vermelha, correspondendo a 7,4 quilômetros do entorno do campo de futebol, foram permitidas somente aeronaves previamente autorizadas pela FAB. Já para a Jornada Mundial da Juventude, na capital fluminense, as áre-

as de exclusão foram pensadas a partir dos principais locais frequentados pelo Papa Francisco e seus fiéis, como a área de Guaratiba, o bairro de Copacabana e a comunidade de Manguinhos. A Força Aérea também atuou na cidade de Aparecida (SP). Durante o período de ativação das áreas, as aeronaves que desrespeitassem as restrições e proibições estariam sujeitas à intervenção, persuasão e detenção, situações previstas nas Medidas de Policiamento do Espaço Aéreo (MPEA). No dia da abertura da Copa do Mundo, em 15 de junho de 2014, em Brasília, um bimotor foi interceptado pelo órgão de defesa aérea depois de entrar na área branca. No outro dia, um helicóptero de turismo foi interceptado, no Rio de Janeiro, também por adentrar uma área reservada.

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Para as temporadas de grande movimentação de passageiros, 2 mil controladores foram formados no Programa de Simulação de Moviment os Aéreos (PROSIMA)

Hoje, temos a convicção de

Sargento Johnson Barros / Agência Força Aérea

Sargento Johnson Barros / Agência Força Aérea

Legado Desde 2006, ano em que ocorreu a Copa do Mundo da Alemanha, passando por 2010, quando houve a Copa do Mundo da África do Sul, o DECEA tem buscado a expertise necessária para potencializar o controle do espaço aéreo em grandes eventos sob sua jurisdição. O Chefe do CGNA, Coronel Aviador Sidnei Nascimento de Souza, diz que, nessa evolução marcada pelos grandes números registrados nos eventos, lições foram aprendidas e diversos métodos aplicados. “Dentre os ganhos, estão as

estarmos caminhando para um futuro próspero e alinhados à Concepção Estratégica Força Aérea 100, com militares e civis comprometidos, em um cenário operacionalmente moderno, integrado aos diversos setores da sociedade e atuante na defesa

dos interesses nacionais

diversas operações cíclicas planejadas de forma integrada, possibilitando a redução dos índices de atrasos nos períodos de alta demanda e aumentando a eficiência e a qualidade do serviço prestado aos passageiros com adoção das melhoras práticas de gestão”, avalia. Outro legado é a elaboração de manuais, contemplando procedimentos que foram acordados em planejamento integrado com diversos órgãos. Como exemplo, o mais recente, o Manual de Planejamento do Setor de Aviação Civil - Copa América 2019. Em linhas gerais, o documento contemplou orientações gerais sobre procedimentos aduaneiros,

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Aerovisão

Por conta dos grandes eventos, documentos como o Manual de Planejamento do Setor de Aviação Civil foram elaborados

Sargento Johnson Barros / Agência Força Aérea

Coronel Sidnei


imigração e emigração, recepção de delegações e autoridades, mapeamento do fluxo de passageiros, melhoria do nível de conforto nos aeroportos, entre outros. Segundo o Coronel Sidnei, também houve a otimização das informações do Sistema Integrado de Gestão de Movimentos Aéreos (SIGMA), com informações precisas sobre a localização de aeronaves em sobrevoo no território nacional e parte do Oceano Atlântico, contabilizando uma área de cobertura de 22 milhões de quilômetros quadrados. Nesse período, também foi criado o portal operacional do CGNA, que tornou possível, durante os grandes even-

Cabo V. Santos / Agência Força Aérea

Durant e os event os, áreas de exclusão foram estabelecidas: na área vermelha (um raio de 7,4 km do local), apenas aeronaves previamente autorizadas pela FAB eram permitidas

tos, o acesso de pilotos estrangeiros às normas, contingências, capacidades de pistas e aos setores de controle de tráfego aéreo, além de informações aeronáuticas e condições meteorológicas no Brasil. As necessidades para os grandes eventos permitiram, ainda, o treinamento de mais de 2 mil controladores de tráfego aéreo no Programa de Simulação de Movimentos Aéreos (PROSIMA). “A FAB também elaborou diversas cartas de voo com novos procedimentos de chegada e saída e aumentou sua capacidade de controle, duplicando os postos de controladores”, afirma o Chefe do CGNA.

Na opinião do oficial, as experiências obtidas em cada grande evento, aliadas à capacidade das diversas instituições envolvidas, colocam o Brasil e a FAB em um patamar de destaque no cenário internacional. “Hoje, temos a convicção de estarmos caminhando para um futuro próspero e alinhados à Concepção Estratégica Força Aérea 100, com militares e civis comprometidos, em um cenário operacionalmente moderno, integrado aos diversos setores da sociedade e atuante na defesa dos interesses nacionais”, conclui.

Aerovisão

*COM INFORMAÇÕES DA ASSESSORIA DE COMUNICAÇÃO SOCIAL DO DECEA

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ARTE: SubdivisĂŁo de Publicidade e Propaganda


VOO MENTAL

Os artigos publicados nesta coluna são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam necessariamente a opinião do Centro de Comunicação Social da Aeronáutica

Acervo pessoal

MEMÓRIA E FUTURO DA FAB: ALGUMAS CONTRIBUIÇÕES Novos livros incluíram “Do CAN ao SIVAM – a FAB na Amazônia”, sobre a importância do trabalho da FAB, das primeiras rotas do Correio Aéreo Nacional na Amazônia até o modelo atual que barateia o transporte aéreo que cruza a região trazendo conforto, segurança e economia ao usuário. Realizamos ainda diversos simpósios e seminários, trazendo novas técnicas, ensinamentos e doutrinas.

O atual Comando “ vem consolidando esta

A

Action Editora trabalha com a Força Aérea desde 1986. Era outro Brasil naquela época. Especializamo-nos em livros fotográficos e talvez o mais memorável daquele período tenha sido “Asas da Força Aérea Brasileira”, que nos deu a oportunidade de apresentar uma nova proposta fotográfica, na época revolucionária. “Guerreiros da Selva”, de 1991, também foi marcante por apresentar a atuação das Forças Armadas na Amazônia. Muitos dos problemas, e ameaças, que hoje são corajosamente expostas pelo atual Governo já eram realidade naquele tempo. Em 1995, nasceu a Revista Força Aérea, especializada em aviação militar, desde o primeiro número uma campeã de vendas. Ousada, inaugurou diversos tipos de reportagens, como voos de pilotos-jornalistas, análises, furos históricos e outros, passando a ser disputada nas bancas a cada edição.

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arquitetura de gestão que aponta para o futuro, com a discrição, a competência e a responsabilidade que são marca registrada de seu Comandante e que é traduzida pelas ações de cada oficial de seu comando.

Por Carlos Lorch, jornalista especialista em temas aeronáuticos

Jornalista Carlos Lorch

Convivemos com os veteranos do 1º Grupo de Caça. Com eles lançamos a iconografia mais completa sobre as atividades da unidade na Segunda Guerra Mundial e a primeira versão do clássico “Senta a Pua” em inglês, ajudando a divulgar internacionalmente os feitos daquele punhado de heróis. Acompanhamos de perto o dia a dia da Força Aérea. Em 1995, a FAB enfrentava um ambiente de estagnação,

Aerovisão

advindo de cortes orçamentários e um desinteresse econômico que teimava em mantê-la quase sem recursos. Mas ainda assim a Força Aérea voava. Houve enormes avanços. Melhorou o nível de conhecimento e discernimento tecnológico. Exercícios internacionais aumentaram o preparo operacional. A experiência sofisticou a escolha dos meios necessários à Força e como adquiri-los. E a educação e o apoio ao efetivo se profissionalizaram. Com este boom de conhecimento cresceu o esforço da FAB para se manter saudável financeiramente diante do seu orçamento, o que vem fazendo dela um exemplo de gestão para todo o País, que aprende que é importante estar preparado para as cíclicas intempéries econômicas que ocorrem em intervalos cada vez mais curtos. Ao invés de esperar a ordem vir de cima, a Força Aérea tratou de se reorganizar por conta própria, maximizando o orçamento para que atendesse de forma eficaz as suas necessidades logísticas e operacionais. E, assim, estar pronta para realizar a entrega do produto que oferece à sociedade brasileira, que é o de Controlar, Defender e Integrar o espaço vital que lhe é confiado. O atual Comando vem consolidando esta arquitetura de gestão que aponta para o futuro, com a discrição, a competência e a responsabilidade que são marca registrada de seu Comandante e que é traduzida pelas ações de cada oficial de seu comando. Ao mesmo tempo, prepara, no campo das ideias e da pesquisa, o caminho do futuro, porque sabe que aos poucos ele se afastará das funções da guerra aérea tradicional e exigirá que se busquem novos meios e possibilidades, no espaço, na robotização e no combate entre mísseis e outras armas dos mais variados tipos.


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OPERAÇÃO REGRESSO À PÁTRIA AMADA BRASIL

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