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revista do meio

amBiente Rebia Rede Brasileira de Informação Ambiental

Mãe Terra, perdoa-nos

ano IV • abril 2010

Distribuição gratuita

Projeto sem fins lucrativos

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Alternativas para acabar com as favelas Mapa da injustiça ambiental A greve verde dos servidores públicos Congresso Brasileiro de Jornalismo Ambiental Acesse: www.portaldomeioambiente.org.br


nesta edição 

Especial

Momento crítico no planeta

Conselho Consultivo e Editorial Aristides Arthur Soffiati, Bernardo Niskier, Carlos Alberto Muniz, David Man Wai Zee, Flávio Lemos de Souza, Keylah Tavares, Luiz Prado, Paulo Braga, Raul Mazzei, Ricardo Harduim, Rogério Álvaro Serra de Castro, Roberto Henrique de Gold Hortale (Petrópolis, RJ) e Rogério Ruschel Diretoria Executiva Presidente do Conselho Diretor: Vilmar Sidnei Demamam Berna, escritor e jornalista Presidente do Conselho Deliberativo: JC Moreira, jornalista Presidente do Conselho Fiscal: Flávio Lemos, psicólogo Superintendente Executivo Gustavo da Silva Demaman Berna, biólogo pós-graduado em meio ambiente (Coppe/UFRJ) e especialista em resíduos sólidos • (21) 7826-2326 ID 11605*1 gustavo@rebia.org.br Moderadores dos Fóruns Rebia Rebia Nacional (rebia-subscribe@ yahoogrupos.com.br): Fabrício Fonseca Ângelo, jornalista ambiental Rebia Norte (rebianorte-subscribe@ yahoogrupos.com.br) – Rebia Acre: Evandro J. L. Ferreira, pesquisador do INPA/UFAC • Rebia Manaus: Demis Lima, gestor ambiental • Rebia Pará: José Varella, escritor Rebia Nordeste (rebianordeste-subscribe@ yahoogrupos.com.br) – Coordenador: Efraim Neto, jornalista ambiental • Rebia Bahia: Liliana Peixinho, jornalista ambiental e educadora ambiental • Rebia Alagoas: Carlos Roberto, jornalista ambiental • Rebia Ceará: Zacharias B. de Oliveira, jornalista, mestre em Desenvolvimento e Meio Ambiente • Rebia Piauí: Dionísio Carvalho, jornalista ambiental • Rebia Paraíba: Ronilson José da Paz, mestre em Biologia • Rebia Natal: Luciana Maia Xavier, jornalista ambiental Rebia Centro-Oeste (rebiacentrooestesubscribe@yahoogrupos.com.br): Eric Fischer Rempe, consultor técnico (Brasília) e Ivan Ruela, gestor ambiental (Cuiabá) Rebia Sudeste (rebiasudeste-subscribe@ yahoogrupos.com.br) - Rebia Espírito Santo: Sebastião Francisco Alves, biólogo Rebia Sul (rebiasul-subscribe@yahoogrupos. com.br) - Coordenador regional: Paulo Pizzi, biólogo • Rebia Paraná: Juliano Raramilho, biólogo • Rebia Santa Catarina: Germano Woehl Junior, mestre e doutor em Física. Pessoa Jurídica A Rebia mantém parceria com uma rede solidária de OSCIPs (Organização da Sociedade Civil de Interesse Público) que respondem juridicamente pela finanças dos veículos de comunicação e projetos da Rebia: • Associação Ecológica Piratingaúna CNPJ nº 03.744.280/0001-30 – Sede à Rua Maria Luiza Gonzaga, nº 217 - no bairro Ano Bom - Barra Mansa, RJ • CEP: 27323-300 – Utilidade Pública Municipal e isenta das inscrições estadual e municipal • Prima – Mata Atlântica e Sustentabilidade (Ministério da Justiça - registro nº 08015.011781/2003-61) – CNPJ nº 06.034.803/0001-43 – Sede à Rua Fagundes Varela, nº 305/1032, Ingá, Niterói, RJ CEP: 24210-520 – Inscrição estadual: Isenta e inscrição Municipal: 131974-0 www.prima.org.br

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Dia do Índio, Dia da Terra e Belo Monte por Eloy Fassi Casagrande Jr.

Fórum Stop a destruição do mundo Dia do Índio? por J. Rosha

Alternativas para acabar com as favelas • 10 Tecnologias sociais e o cenário externo • 12 Água suja mata mais que guerras • 14 Energia limpa ao alcance de todos • 15 Mapa da injustiça ambiental é lançado • 16 Nestlé financia a destruição • 18 Animais ameaçados de extinção • 19 O que é hoarding? • 20 Discursos vazios nas enchentes do Rio • 21 Servidores públicos em greve verde • 22 Jogo sujo de petroleira • 24 Boicote ruralista contra patrocínio a ONGs • 25 III Congresso de Jornalismo Ambiental • 26 A dignidade do planeta • 28 Espaço infantil • 29 Guia do Meio Ambiente • 30

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Os artigos, ensaios, análises e reportagens assinadas expressam a opinião de seus autores, não representando, necessariamente, o ponto de vista das organizações parceiras e da Rebia.

Redação: Tv. Gonçalo Ferreira, 777 - casarão da Ponta da Ilha, Jurujuba Niterói, RJ - 24370-290 • Tel.: (21) 2620-2272 Editor e Redator-chefe: Vilmar Sidnei Demamam Berna, escritor e jornalista. Em 1999 recebeu o Prêmio Global 500 da ONU Para o Meio Ambiente e, em 2003, o Prêmio Verde das Américas www.escritorvilmarberna.com.br http://escritorvilmarberna.blogspot.com/ Contatos: vilmar@rebia.org.br • Celulares (21) 9994-7634 e7883-5913 ID 12*88990 Editor Científico: Fabrício Fonseca Ângelo, jornalista, mestre em Ciência Ambiental, especialista em Informação Científica e Tecnológica em Saúde Pública • (21) 2710-5798 / 9509-3960 • MSN: fabricioangelo@hotmail.com Skype: fabricioangelo • www.midiaemeioambiente.blogspot.com Produção gráfica: Projeto gráfico e diagramação: Estúdio Mutum • (11) 3852-5489 Skype: estudio.mutum • contato@estudiomutum.com.br Impressão: Imprinta Express Gráfica e Editora Ltda. Portal do Meio Ambiente www.portaldomeioambiente.org.br Webmaster: Rodrigo Oliveira da Silva • webmaster@rebia.org.br Estagiário: Leandro Maia • consultor@rebia.org.br Comercial Linha direta com o editor: vilmar@rebia.org.br • Celular (21) 7883-5913 ID 12*88990 e 9994-7634 • Telfax: (21) 2610-2272 Diretor: Maurício Cabral • (21) 7872-9293 ID 10*96559 • mauriciocabral@ revistadomeioambiente.org.br e mauriciocabral@rebia.org.br Representação em Brasília: Minas de Ideias Comunicação Integrada (Emília Rabello e Agatha Carnielli • Brasília (61) 3408-4361 / 9556-4242 Rio de Janeiro: (21) 2558-3751 / 9114-7707 • brasilia@minasdeideias.com.br Skype: agatha.cn • www.minasdeideias.com.br

A linha fina da atmosfera da Terra e do sol são destaques nesta imagem fotografada por um membro da tripulação a Estação Espacial Internacional, enquanto ônibus espacial Atlantis (STS-129) permanece ancorada com a estação. Crédito: ©Nasa

Rebia – Rede Brasileira de Informação Ambiental: organização da sociedade civil, sem fins lucrativos, dedicada à democratização da informação ambiental com a proposta de colaborar na formação e mobilização da Cidadania Ambiental planetária através da edição e distribuição gratuita da Revista do Meio Ambiente, Portal do Meio Ambiente e do boletim digital Notícias do Meio Ambiente. CNPJ: 05.291.019/0001-58. Sede: Trav. Gonçalo Ferreira, 777 - casarão da Ponta da Ilha, Jurujuba - Niterói, RJ - CEP 24370-290 www.rebia.org.br

por Marcelo Bancalero

revista do meio ambiente abr 2010


Progresso

e meio ambiente

Caramba 4u (SXC)

texto Vilmar Sidnei Demamam Berna*

 editorial

O problema está na forma como o meio ambiente vem sendo compreendido! Em vez dos governantes ou administradores públicos ou privados ecologizarem todas as suas ações, principalmente a partir da década de 80, preferiram copiar modelos estrangeiros. Surgiram então os ‘compartimentos estanques’ e por vezes impermeáveis com a pretensão de ‘cuidar’ do meio ambiente. Calou-se, assim, todo um segmento da sociedade que teve suas energias e esperanças canalizadas numa direção, além de se criarem verdadeiros nichos de emprego para técnicos e profissionais do setor e mesmo nichos políticos para representantes ambientalistas da sociedade. Aparentemente, tudo parecia bem, entretanto, esta é uma situação paradoxal por principio e que se mostra inadequada para tratar de um tema transversal, horizontal e multidisciplinar como o meio ambiente. Ao se adotar este modelo criou-se, por um lado, um órgão para preservar o meio ambiente, e por outro, na mesma administração, vários outros órgãos para destruí-lo, ou que não levam o meio ambiente em conta em suas ações e políticas! E pior, que ficam impedidos de cuidar da questão ambiental já que existe, na mesma administração, um órgão para isso. Ou porque na titularidade do órgão ambiental estão desafetos políticos ou o órgão ambiental ‘pertence’ politicamente a um outro partido da base de sustentação da Administração. O ideal seria uma administração ‘ecologista’ onde cada um e TODOS os órgãos de uma mesma administração tivessem responsabilidades de acordo com sua especificidade. Só para citar um exemplo disso, educação ambiental seria responsabilidade dos setores de Educação. Logo de cara essa proposta vai na contramão do que está aí, principalmente dos atuais detentores de cargos e posições políticas em setores ambientais. Então, não será nada fácil ecologizar uma administração depois que ela construiu áreas de conforto para técnicos e políticos ligados ao setor ambiental e deu à sociedade e a espeabr 2010 revista do meio ambiente

Não é o meio ambiente que ‘atrapalha’ o progresso, como tem afirmado em alto e bom som o Deputado Aldo Rebelo, ou disse e desdisse a candidata do Lula à Presidência!

rança de que com um órgão especifico para cuidar do meio ambiente então estará bem! O administrador que pretender mudar isso terá de ter coragem e resistir ao chororo e às tentativas de boicotes do próprio nicho ambiental! E isso é bem humano e compreensível pois tendemos a temer e a reagir ao que desconhecemos! Numa administração ecologizada os técnicos ambientais teriam muito mais oportunidades que numa administração ambiental compartimentalizada, pois mais órgãos terão de demandar esses conhecimentos ambientais! E enquanto isso não acontecer, continuaremos assistindo a administrações ambientais fracas e isoladas dentro de administrações que não se consideram comprometidas com o meio ambiente tanto quanto se acham comprometidas com o desenvolvimento. E continuaremos assistindo administrações ambientais que falam apenas para o próprio umbigo, que especializaram-se em dizer o que NÃO se pode fazer com o meio ambiente, em vez de dizer o que pode ser feito com ele sem destruí-lo! Nenhum ambientalista sensato quer a natureza apenas para as plantas e os bichos, pois nossa espécie também faz parte da natureza e tem todo direito ao desenvolvimento, à superação da miséria e à qualidade de vida. Por outro lado, nenhum desenvolvimentista sensato quer um tipo de progresso que resulte numa terra arrasada atrás de si e de seus empreendimentos! Entretanto, buscar a possível e desejável compatibilizacao entre progresso e meio ambiente diante de administrações compartimentalizadas e quase sempre estanques entre si será uma perda enorme de talentos e de energias, que poderiam estar sendo empregados para encontrar soluções em vez de tentarem se desqualificar e demonizar mutuamente. * Vilmar é escritor, autor de 20 livros, entre eles

A administração com consciência ambiental, das Edições Paulinas. Mais informações: www.escritorvilmarberna.com.br


A própria linha fina já é quase a conclusão a que se propõe este texto dissertativo. Onde se ousa a falar de um assunto que já virou como que uma máxima nos meios de comunicação. De repente, todo mundo resolve falar sobre a cruel situação em que a humanidade deixou o planeta. Todo mundo quer aliviar a própria consciência, arrotando palavras em defesa à Natureza, contra os que colaboram com o aquecimento global e tudo o mais. Como se não tivéssemos todos, uma parcela de culpa em tudo isso. Se formos analisar de um modo mais sincero, uma visão mais imparcial. Entenderemos que a situação chegou a esse ponto, devido à cobiça (ou entenda-se estupidez), da humanidade como um todo. Desde o descaso das grandes industrias e nações. Até mesmo o nosso próprio descaso. Que vai do mal uso da água, energia elétrica e a fumaça de nossos carros até ao nosso consumismo desenfreado, que faz com que as indústrias queiram produzir ainda mais. E assim o ciclo se renova, e a destruição segue seu curso (agora quase natural). Então, a solução não é somente nos unirmos ao Greenpeace e ong’s por aí afora, vestindo camisas com frases de denúncias, colando adesivos em nossos automóveis, artefatos estes que também incitam a indústria a continuar a destruição. Não basta ficarmos indignados com a situação como se não fôssemos também responsáveis por ela. A indignação é sim legítima, desde que possamos compreender as nossas parcelas de culpa.

Momento

Estamos vivendo um momento crítico entre a nossa civilização e o planeta Terra

texto Marcelo Bancalero* (marcelobancalero@bol.com.br)

Sofamonkez (SXC)

especial 

crítico Contudo, é necessário saber até que ponto estamos decididos a mudar nosso estilo de vida. Quanto estaremos dispostos a renunciar em nome da salvação do planeta. E o principal, quantos de nós estamos preparados para essa mudança radical. A Terra tem segundo a ciência, milhões de anos. E a Natureza sempre deu um jeito de manter a vida. Até que um dia não muito longe, o homem apareceu por aqui. Mas quando esse “bicho destacado da Natureza” (nas palavras de Edgar Morin), descobre do que é capaz, a coisa começou a mudar. E devida à ganância dessa humanidade que recebe o adjetivo de “racional”, chegamos a essa situação. E agora ou nunca. Devemos nos unir de uma maneira mais verdadeira. Pois podemos estar vivendo um momento crucial, onde algo de mais real de vê ser feito. Assim, termino minhas palavras com a conclusão já anunciada na linha fina: “Estamos vivendo um momento crítico entre a nossa civilização e o planeta Terra”.

*O autor é escritor, poeta e estudante de Psicologia. Aprendeu o segredo da superação ao voltar a estudar aos 30 anos na 5ª série do 1ºgrau revista do meio ambiente abr 2010


(Roosewelt Pinheiro/ABr)

texto Eloy Fassi Casagrande Jr., PhD (eloy.casagrande@gmail.com)

 especial

Em Brasília, manifestantes do Greenpeace despejam um caminhão de esterco na porta da Aneel, em protesto contra o leilão da Hidrelétrica de Belo Monte

Dia do Índio, Dia da Terra

e Belo monte Na mesma semana que o embate sobre a proteção ambiental e desenvolvimento a qualquer custo aumentam, em relação a construção da usina hidrelétrica de Belo Monte, vimos imagens e mensagens produzidas para comemorações do Dia do Índio e o Dia da Terra, 19 e 22 de abril, respectivamente. Estas datas se complementam, a medida que a cultura indígena esteve sempre associada a preservação da natureza, no seu estilo de vida respeitando a floresta, no seu convívio com a fauna e flora, sem a ameaça de um predador, identificado como o homem branco. Não faltaram belas imagens de seus rituais, de suas crianças brincando nos rios, de sua luta para manter suas tradições, lembrando o quanto a cultura indígena contribuiu para a língua portuguesa-brasileira, para nossos hábitos alimentares e para formação do nosso povo. Depoimentos de especialistas e ambientalistas chamaram a atenção do público para o delicado abr 2010 revista do meio ambiente

Queremos as benesses do BNDES e da isenção de impostos que o governo oferece para construir Belo Monte. Com metade disto se pode construir dezenas de usinas solares e parques eólicos para gerar energia verdadeiramente limpa ao Brasil

momento que atravessa o Planeta, da urgência de se adotar um novo modelo de desenvolvimento, de gerar energia, de lidar com as questões da água e da uso da terra. De ser sustentável! Oposto a isto, vimos declarações de figuras públicas defendendo a construção da usina de Belo Monte, como do deputado Delfim Neto, chamando aos que se opõe ao projeto, de oposição ideológica, de um “bando de pessoas que vivem na idade da pedra, mas querem andar de automóvel”. Nada mais retrógrado e representativo do que esta visão de um ministro da época da ditadura militar. Do tempo dos mega-projetos, de hidrelétricas para alimentar multinacionais produtoras de alumínio. De quando se pregava o crescimento do bolo para poder distribuir, se referindo a economia que crescia com a dívida externa e que transformou o milagre econômico dos anos 70, em pesadelo da década perdida dos anos 80! Daquele que participou ativamente dos velhos slogans, “Brasil ame-o ou deixe-o”, “Prá frente Brasil”, “Ninguém mais segura este país”! Lembro de um slogan, este do povo, de um bloco de carnaval de rua em Olinda, em 1980: “Delfim


7 no bolso do povo”! O tempo passa e a visão progressista pura de Brasília não se renova, apesar de completar 50 anos em pleno Século XXI! E a sustentabilidade, senhor deputado? O mundo mudou. Os brasileiros querem andar de carro sim, mas um carro elétrico-solar, movido a células de hidrogênio ou a ar comprimido, tecnologias que já estão resolvidas, basta ultrapassar o lobby do petróleo para serem implantadas. Também queremos energia para nosso conforto, a eólica, a solar, as das marés, a de biomassa, todas renováveis e que não contribuem para o aquecimento global. Queremos as benesses do BNDES e da isenção de impostos que o governo oferece para construir Belo Monte. Com metade disto se pode construir dezenas de usinas solares e parques eólicos para gerar energia verdadeiramente limpa ao Brasil. Sem inundar mais de 500 km2 de terras cultiváveis, sem destruir florestas, sem destruir habitats indígenas, sem desviar rios e criar problemas ambientais ainda maiores. Queremos que o dinheiro público seja bem empregado, sem ir para as mesmas empreiteiras, que desde o regime militar acumulam riqueza sem distribuir. Deputado, sua receita nunca funcionou, o bolo não foi dividido, e o senhor insiste na mesma fórmula petrificada! O modelo de geração de energia deve ser revisto no Brasil. Estudos demonstram que cada metro quadrado de painel fotovoltaico evita a inundação de cerca de 60 metros quadrados para a geração elétrica. Se toda a superfície do lago a ser formado pela Usina de Belo Monte fosse coberta com painéis fotovoltaicos, seriam geradas cerca de 44 GWp (gigawatts potência), ou seja, cerca de 20% da energia consumida no país. A proposta não é cobrir áreas tão extensas com painéis, mas é um exemplo de seu potencial, onde novos modelos devem gerar energia de forma descentralizada. A cobertura de um estádio de futebol pode virar uma usina ou mesmo os telhados de vinte casas de um condomínio. No final da década de 70, cada watt produzido por meio de células fotovoltaicas custava 150 dólares. Hoje, o preço varia entre 3 e 4 dólares. Especialistas estimam que quando o valor baixar para entre 1,5 e 2 dólares, a energia solar conseguirá competir com qualquer outro tipo de energia. Ao adotarmos medidas mais sustentáveis, todos ganham. O índio ficará com suas terras, rios e florestas serão preservados, a agricultura aumentará sua produção e deputados economistas se aposentarão, retornando às suas cavernas! Eloy é Coordenador do Escritório Verde da Universidade Tecnológica Federal do Paraná - UTFPR

Pela cura do

mundo Nos tempos mais difíceis, uma luz para a humanidade: a descoberta da Inversão

Pela primeira vez um grupo de pessoas vindas de diversos países, profissões e religiões reúnem-se em São Paulo, de 13 a 15 de maio, para debruçar-se sobre o estudo da causa primeira da destruição do mundo e da humanidade: o ser humano. Por detrás de todo desastre e sofrimento existe um principal responsável: o ser humano – que, inconsciente de sua psicopatologia (maus sentimentos, más intenções, valores invertidos, corrupção etc.), age sem freios, numa empreitada suicida e homicida. Um dos sinais mais claros de que o ser humano criou uma sociedade invertida para viver é o fato de ele ter se deixado escravizar pela fantasia do dinheiro. Não é o dinheiro que faz a riqueza, nem a saúde e muito menos o bem-estar e felicidade da humanidade, mas são as atitudes éticas, humanitárias, estéticas, espiritualizadas que fornecem tudo de bom a todos, inclusive a riqueza material. Outro exemplo são as leis que deveriam proteger e agilizar o cumprimento dos direitos humanos em todas as classes e nações. No entanto, o que se tem verificado é que elas vêm sendo elaboradas para preservar o poder e os privilégios daqueles que nem sempre dão o melhor exemplo. A inversão que prioriza o ter em relação ao ser vem causando a grande mediocrização da civilização, que passou a colocar o consumo daquilo que agrada os cinco sentidos em primeiro plano e a rejeitar o campo do conhecimento, da ciência, da tecnologia sustentável, das artes, da espiritualidade. Há muito poderíamos ter tido a solução para problemas como o câncer, doenças hereditárias e autoimunes, cardiovasculares, psiquiátricas, entre outras, se o lucro da indústria médico-farmacêutica não dominasse a pesquisa e a prática médica. Problemas de tóxico-dependência também estariam resolvidos se a estrutura social fosse organizada de forma a prover os elementos básicos para a segurança, saúde e bem-estar dos cidadãos. Estamos entrando numa era da humanidade em que deparamos com uma encruzilhada: ou nos tornamos seres mais conscientes, conhecedores dos nossos problemas interiores e responsáveis por nossos semelhantes e pela sociedade em que vivemos, dando início a uma era de incrível desenvolvimento sustentável, saúde e prosperidade, ou assistiremos (de forma ativa ou omissa) a extinção da vida no planeta Terra.Uma era em que a trilogia da beleza, verdade e bondade passará a estar presente no nosso cotidiano ao invés da violência, da fome e da injustiça.

Serviço:

Fórum Psico-Social Curando o Mundo pela Consciência (da Inversão) Data: 13 a 15 de Maio de 2010 Local: Colégio Stella Maris – São Paulo Informações: www.stopforum.org Fone: (11)3034.1550

revista do meio ambiente abr 2010


 especial texto J. Rosha (www.adital.com.br)

Dia do

Índio?

Rubens Nemitz Jr (www. fotopontocom.com)

É preciso desfazer esse equívoco: não existe e nunca existiu índio no Brasil. Esse termo tem sido usado ao longo de cinco séculos com uma violenta carga de preconceito “Índio”, enquanto conceito para designar os primeiros habitantes, é um termo genérico, impreciso. Quando os primeiros colonizadores chegaram, não encontraram “índios”, mas os Tupiniquim, Guarani, Xukuru, Xavante e muitos outros que formavam uma população de mais de cinco milhões de pessoas de vários povos e culturas diferentes. Não foi só homens “pardos, ...nus, sem coisa alguma que lhes cobrisse suas vergonhas” – como escreveu Pero Vaz de Caminha ao rei de Portugal – que a tripulação de Pedro Álvares Cabral encontrou. Foi muito mais que isso. Eles encontram um tipo de organização social para o qual não tinham paradigma. Para eles, a forma de organização social conhecida era o Estado – uma instituição ainda em formação naquele momento da história da Humanidade. Portanto, uma terra onde não havia um rei, um estado ou um exército para repelir os invasores, era uma terra pronta para ser ocupada e dominada. E para que pudessem ocupar o território e tomar posse dele, era preciso, primeiro, negar aos indígenas a sua condição de povos pela ausência, dentre

abr 2010 revista do meio ambiente

outras coisas, de uma organização social nos moldes em que eles, colonizadores, conheciam. O que se fez, a partir daí, foi uma verdadeira “limpeza étnica” no território brasileiro. Os povos indígenas foram – e continuam sendo – agredidos das formas mais impiedosas para dar lugar ao modelo capitalista de “desenvolvimento” de tal sorte que nos 70 o governo militar previa a completa eliminação deles até o fim do século XX. Para o bem do povo brasileiro e dos povos indígenas, a ditadura militar de 64 não resistiu às pressões populares e teve seu fim na metade dos anos 80. De cerca de 100 mil que eram nos anos 70, na primeira década do século XXI eles passaram a ser mais de 700 mil, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE. A partir das mobilizações para a Assembléia Nacional Constituinte (1987-1988), as lutas do movimento indígena passaram a ter maior visibilidade. Precisamente a partir daí alguns conflitos ganham maior espaço nos noticiários e, em muitos municípios onde antes se dizia que não existiam mais indígenas, eles surgem com muita força, incomodando principalmente os grandes latifundiários. Tornaram-se alvo de campanhas difamatórias empreendidas por fazendeiros, mineradoras, militares e políticos. A luta pela demarcação da terra indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima, é um dos exemplos disso. Com a Constituição de 1988 vem o reconhecimento, pelo Estado Brasileiro, dos direitos dos povos indígenas à terra tradicionalmente ocupada e a viver de acordo com seus costumes e tradições. Foram reconhecidas também suas formas próprias de organização, mas isso tem ficado só no papel. Na prática, o estado tem falhado em formular políticas públicas que garantam e viabilizem esses direitos. A situação da saúde é a que com muita propriedade ilustra essa afirmação e a que tem causado maiores transtornos aos indígenas nos últimos anos. Desfazer o equívoco e o preconceito é, portanto, um passo para compreender a importância que têm os indígenas no mundo de hoje e sua contribuição para outros povos do planeta. Fonte: CIMI Norte 2


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texto Zínia Baeta (Jornal Valor)

10 ecologia humana

Favela nunca mais Juiz encontra alternativas para acabar com favelas

São 10h30 da manhã de uma segunda-feira, quase 30 graus em Ribeirão Preto (SP). O juiz João Gandini, titular da 2ª Vara de Fazenda do município, deixa por algumas horas o conforto do ar-condicionado do gabinete e os 34 mil processos sob sua responsabilidade para acompanhar a última etapa do projeto de urbanização de uma das mais antigas favelas da cidade – agora, o bairro Monte Alegre. No local, não há mais barracos de madeira, mas casas de alvenaria. As 330 famílias que moram no bairro possuem água encanada e energia elétrica. Com a demolição de 90 barracos, os becos deram passagem a ruas, o que permite a coleta semanal de lixo, algo impensável até então. A urbanização da favela não foi proposta pelo Poder Executivo – apesar de contar com verbas públicas e implementação técnica da Cohab – mas pelo magistrado, que há quatro anos idealizou o projeto Moradia Legal, responsável pelo encaminhamento de 1,7 mil famílias de Ribeirão Preto que vivem em situação precária. O magistrado passou parte de sua vida no Jardim Ângela, bairro da zona sul da cidade de São Paulo, que já foi considerado um dos mais violentos do país. Filho de um pequeno agricultor de Adolfo, cidade do interior de São Paulo, Gandini mudou-se com a família para a capital quando tinha dez anos. Para ajudar nas despesas de casa, foi catador de papelão e vendedor de sorvete, mas acabou realizando o grande sonho: aos 21 anos, entrou na faculdade do Largo São Francisco. Gandini, que superou inúmeros obstáculos para chegar à magistratura, diz que gosta de solucionar o drama por trás de cada ação. “O processo é frio, um livro onde há um drama humano. O juiz tem que solucionar esse drama e não apenas o processo”, diz. Foi com essa motivação e também inspirado em sua história de vida que Gandini saiu muitas vezes do gabinete para buscar uma solução real para os diversos processos de reintegração de posse de áreas do município, que foram invadidas e já possuíam alguma decisão judicial, mas sem resultado efetivo. O magistrado, acompanhado pelo também juiz Júlio César Dominguez, titular da 1ª Vara da Fazenda Pública de Ribeirão, mobilizou a sociedade para resolver não só os processos que estavam sob sua mesa, mas também para acabar com as 34 favelas da cidade – mapeadas por ele e um fotógrafo, que sobrevoaram o município por 51 minutos em um helicóptero. Feito isto, Gandini buscou os governos municipal, estadual e federal, Câmara de Vereadores, Ministério Público, empresários, uniu igrejas e contou com muitos voluntários. Montou um grupo dividido por áreas (financeira, abr 2010 revista do meio ambiente

jurídica e físico-territorial) – que deu origem ao Moradia Legal – encarregado de fazer um raio-X das favelas, levantar o número de famílias e a situação de cada uma. “Cada barraco foi numerado e os nomes das famílias registrados”, afirma. O resultado do “censo” foi a constatação da existência de 4,5 mil famílias, ou 20 mil pessoas nessas comunidades. Em uma segunda etapa do projeto, foram escolhidos os núcleos que deveriam ter prioridade e, a partir daí, buscou-se recursos para a retirada de famílias de áreas de risco e ainda a urbanização das favelas onde a medida fosse viável. Foi necessário também propor alterações na legislação do município sobre o uso e ocupação do solo, com a criação de áreas de interesse social – o que permite a concessão de isenções tributárias – e normas que coibissem a construção em áreas irregulares, para evitar o surgimento de novas favelas. Quatro anos após o início do Moradia Legal, os resultados são animadores. Uma das áreas escolhidas pelo programa está no entorno do aeroporto do município. De lá serão retiradas 720 famílias, das quais 29 já estão instaladas em casas construídas pela prefeitura no bairro Paulo Gomes Romeu. As obras estão sendo custeadas pelo município, Estado e União. Segundo Gandini, R$ 47 milhões são provenientes do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do governo federal. As demais 692 moradias, que estão em fase de construção da cobertura, devem ser entregues no máximo até o início de 2011. Para o local de transferência, a infraestrutura já está pronta: há creches, escolas e postos de saúde funcionando. Outra área cujo projeto já foi finalizado é o núcleo de Monte Alegre, hoje um bairro do


Alex Wolcott (Flickr)

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município, reconhecido por lei aprovada na Câmara. Para a urbanização, 90 barracos foram derrubados para a abertura de ruas, canalização de água, esgoto, instalação de postes de luz e a construção de três praças. As famílias, cujas casas deixaram de existir, foram transferidas para moradias construídas pela Cohab, distantes cerca de um quilômetro da antiga favela. As moradias são subsidiadas e as famílias pagarão R$ 65,00 por mês, ao longo de dez anos, para a aquisição do bem. As 330 casas que permaneceram no núcleo são de alvenaria. Segundo Gandini, o programa fechou um acordo com a CPFL Energia, que doou para cada casa do Monte Alegre relógios para a medição de energia, geladeiras, postinhos de iluminação, chuveiro e lâmpadas econômicas. Além disso, toda a reforma elétrica interna foi realizada pela companhia. O gerente de relações com o poder público da CPFL, Luiz Carlos Valli, afirma que, além do aspecto social da medida – que permitirá aos moradores terem contas de energia e forma de comprovação de endereço –, as adultera-

A urbanização da favela não foi proposta pelo Poder Executivo – apesar de contar com verbas públicas e implementação técnica da Cohab – mas pelo magistrado, que há quatro anos idealizou o projeto Moradia Legal, responsável pelo encaminhamento de 1,7 mil famílias de Ribeirão Preto que vivem em situação precária

ções na rede elétrica, conhecidas como gatos, foram solucionadas. O programa de desfavelização do Monte Alegre foi custeado pelo município, com uma verba de R$ 3,8 milhões. Na favela Faiane, distrito de Bonfim Paulista, a solução para a área de risco veio de uma parceria com a iniciativa privada. Gandini explica que 44 famílias serão retiradas para uma área contígua ao longo dos próximos dois anos. As obras são custeadas por uma construtora, que está implantando um grande empreendimento residencial na região. Outros dois núcleos também estão com programas em andamento. Em Mangueiras, zona oeste de Ribeirão, as obras para a construção de 384 apartamentos estão em fase de licitação pelo governo estadual. A favela de Várzea, zona norte, possui 530 famílias, e passa por estudos geológico e topográfico. “Cerca de 1.700 famílias estão com a situação resolvida ou encaminhada. Meu objetivo é que não existam mais favelas em Ribeirão em alguns anos”, afirma o juiz. Fonte:  IHU Online / Jornal Valor

• Carimbos automáticos • Cartões e panfletos coloridos • Impressos em geral • Placas de aço, metal, acrílico e outros • Crachás, broches, botons e acessórios • Sinalização de segurança e vias públicas • Imã de geladeira e carro • Chaveiros e brindes em geral • Xerox, encadernação, plastificação

(22) 2762-0025 / 2770-4634 • sulimpress@gmail.com revista do meio ambiente abr 2010


Em Cristalina (GO), unidade demonstrativa do Pais em plena produção

O Banco de Tecnologias Sociais (BTS), disponível na Internet, reúne mais de 500 tecnologias sociais

Tecnologias sociais e o cenário internacional Nos últimos 10 anos o Brasil vem se apresentando como um país que se envolve em questões globais, demonstrando interesse em oferecer apoio aos países que enfrentam problemas socioambientais. Essa aparição geralmente surge com a oferta de soluções que foram aplicadas aqui e obtiveram resultados positivos no enfrentamento de entraves para o desenvolvimento, como a desigualdade social, o acesso à educação de qualidade e oportunidades de trabalho. Os avanços no Brasil se devem a um fenômeno interessante e importante de ser observado – uma série de iniciativas feitas pelas próprias comunidades e, às vezes, com o conhecimento técnico de universidades ou outros centros de pesquisa, para beneficiar pequenos grupos de famílias, mas que se expandiram e melhoraram as condições de vida de centenas de pessoas e reforçaram as políticas públicas. Esses projetos se tornaram cada vez mais completos e complexos, tendo em vista a necessidade de se organizarem para abarcar o grande número de mazelas sociais. Os projetos evoluíram para uma dinâmica diferente chamada Tecnologia Social, que considera que produtos, técnicas ou metodologias sejam, desenvolvidas na interação com a comunidade e que representem efetivas soluções de transformação social e possam ser reaplicadas em escala. Exemplo dessa evolução de tecnologias sociais, destacamos o Banco de Tecnologias Sociais (BTS), disponível na Internet. O BTS, idealizado e mantido pela Fundação Banco do Brasil, reúne mais de 500 tecnologias sociais de diversas fontes e categorias e serve como um pólo disseminador de soluções práticas e de reaplicação fácil para toda a sociedade. Essas tecnologias são de fácil aplicação e baixo custo, o que as tornam eficazes em cenários de extrema pobreza ou aqueles afetados por desequilíbrios ambientais. O recente episódio do Haiti reacendeu o debate sobre a forma como o Brasil pode ajudar a reconstruir aquele país e as tecnologias sociais se mostraram a forma mais adequada. Tecnologias Sociais como a Produção Agroecológica Integrada e Sustentável (Pais) – reaplicada em mais de 6 mil unidades, em 19 estados, pela Fundação Banco do Brasil em conjunto com diversos parceiros como BNDES, Petrobras, SEBRAE e governos –

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Marcia Gouthier/Agência Sebrae

texto Jacques Pena (Presidente da Fundação Banco do Brasil)

12 ecologia humana

surgem nesse mesmo contexto, apresentando alternativas de segurança alimentar em um país que sofre com a falta de alimentos. O Pais promove um sistema de produção orgânica de hortaliças, frutas e pequenos animais, tendo como pressupostos a racionalização de recursos e o manejo ecológico da terra. Toda a produção acontece sem o uso de agrotóxicos, propiciando alimentos saudáveis e livres de quaisquer interferências químicas. Já a irrigação é feita por meio de um sistema de gotejamento, o que evita o desperdício de água e possibilita a implantação do modelo inclusive em regiões com poucas reservas hídricas, como é o caso do Haiti. Moçambicanos e salvadorenhos também já demonstraram interesse em conhecer as tecnologias sociais brasileiras. Eles querem saber o que as suas comunidades vêm fazendo para mudar suas realidades. A Fundação Banco do Brasil faz do incentivo à estas tecnologias sua contribuição para o desenvolvimento do nosso país e acredita que elas podem, sim, fazer a transformação social de milhares de pessoas. Fonte: David Telles - Fundação Banco do Brasil

Comentário do leitor do Portal

Se realmente todos tivessem a consciência social muita coisa boa iria e vai acontecer no mundo, isso é importante para existirmos como planeta neste imenso universo, é preciso tentar, é preciso arriscar, é preciso agir....

Isabela Santos


www.estudiomutum.com.br • (11) 3852-5489 • skype: estudio.mutum


14 água e saneamento

Água suja De acordo com o estudo, intitulado “Água doente”, a falta de água limpa mata 1,8 milhão de crianças com menos de 5 anos de idade anualmente, o que representa uma morte a cada 20 segundos. Grande parte do despejo de resíduos acontece nos países em desenvolvimento, que lançam 90% da água de esgoto sem tratamento. No Brasil, uma das maiores causas de morte associada à falta de saneamento é a diarreia. A doença mata cerca de 2,2 milhões de pessoas em todo o mundo anualmente. Mais da metade dos leitos de hospital no planeta, diz o estudo, é ocupada por pessoas com doenças ligadas à água contaminada. “Precisamos nos tornar mais inteligentes sobre a administração de água de esgoto se pretendemos sobreviver num mundo que caminha para ter mais de 9 bilhões de habitantes até 2050”, alertou o diretor do Unep, o brasileiro naturalizado alemão Achim Steiner.

Questão de direitos humanos O relatório da Unep ressalta que dois milhões de toneladas de resíduos contaminam cerca de dois bilhões de toneladas de água diariamente, seja em rios ou oceanos, causando gigantescas zonas mortas, sufocando recifes de corais e peixes. Para tentar solucionar o problema, o Unep recomenda sistemas de reciclagem de água e projetos para o tratamento de esgoto. Seu estudo coincide com outro relatório das Nações Unidas, publicado semana passada, que revela que uma entre cada seis pessoas no planeta não tem acesso à água potável e que até 2025, a estimativa é que dois terços da população mundial vão sofrer com a escassez de água. Em mensagem sobre a data, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, afirmou que a água é uma questão de direitos humanos e está ligada a todos os objetivos da entidade, entre eles o desenvolvimento sustentável e a adaptação aos efeitos das mudanças climáticas. Na Suíça, manifestantes espalharam em uma praça em Berna, capital do país, quatro mil mamadeiras cheias de água poluída. No Reino Unido, ativistas do Greenpeace colocaram um vaso sanitário em frente ao Parlamento britânico, em protesto contra a poluição das águas e a falta de tratamento sanitário no planeta. Fonte: IHU Online / O Globo abr 2010 revista do meio ambiente

Na Semana Mundial da Água, o alerta de um relatório do Programa do Meio Ambiente das Nações Unidas foi duro: as águas do planeta estão cada vez mais poluídas e mais pessoas morrem hoje por causa dessa contaminação do que por todas as formas de violência, inclusive as guerras

Chang Ha Park / Good Neighbors (www.goodneighbors.org)

mata mais que guerras

Crianças coletam água suja em garrafas, na região do Chade, país do centro-norte africano


energia limPa

ao alcance de todos Gerador caseiro promete revolucionar setor energético nos EUA

Divulgação

A energia que em um futuro próximo iluminará nossas casas será limpa, barata e, para a felicidade dos ferrenhos consumidores de luz, permitirá praticamente se desvincular das companhias de energia elétrica. Pelo menos é o que promete a Bloom Energy, uma empresa californiana que há oito anos trabalha de forma secreta em uma nova fonte de energia. Esta semana, ela apresentou seu produto a especialistas do setor e jornalistas. O Bloom Box, como se chama o aparelho, é um inovador gerador que utiliza biocombustíveis ou gás para produzir eletricidade e, segundo seus criadores, permitirá a empresas e pessoas comuns gerar sua própria energia de forma limpa e econômica. Por enquanto, os geradores têm o tamanho de um carro pequeno e custam em torno de US$ 800 mil. Embora a Bloom Energy insista que o investimento inicial pode ser recuperado em entre três e cinco anos, o preço não está ao alcance da maioria. A empresa acredita que em dez anos poderá fabricar geradores do tamanho de um tijolo e a um preço em torno de US$ 3 mil, transformando cada consumidor em uma potencial central elétrica. Por enquanto, só grandes empresas têm acesso ao aparelho e algumas companhias como CocaCola e eBay testaram seu uso nos últimos meses. O primeiro cliente da Bloom Energy foi outra companhia do Vale do Silício, Google, que tem instalado um gerador de 400 quilowatts em um de seus prédios e cobre com ele boa parte de seu consumo elétrico desde julho de 2008. A Bloom Energy não é a única empresa trabalhando neste promissor setor, mas foi, talvez, a mais rápida. “Há provavelmente cerca de 100 companhias trabalhando em algo muito similar”, disse Jack Brower, diretor associado

texto Paula Gil (Efe)

energia 1

Gerador de 500 kw instalado no eBay

A grande vantagem é que o gerador permitirá aos consumidores abrir mão da companhia elétrica ou usála só em casos de emergência, apesar de ser necessário dispor de uma provisão de gás ou biocombustível para fazê-lo funcionar

do Centro Nacional de Pesquisa de Pilhas de Combustível ao diário “Los Angeles Times”. Os especialistas opinam que ainda há muitas questões por resolver antes de a inovação chegar às mãos de todos os consumidores, como por exemplo a vida útil do aparelho, que a Bloom Energy não esclareceu ainda. Pouca duração poderia significar o fracasso da invenção. Outros analistas apontaram que a inovação poderia ter um indesejável efeito sobre o preço do gás natural ou dos biocombustíveis, disparando o valor pelo aumento na demanda. Alguns temem também que o aparelho se transforme em um novo Segway, aquele patinete elétrico com o qual seus criadores esperavam revolucionar o mundo do transporte há cerca de dez anos e que hoje é simplesmente uma curiosidade para turistas em algumas cidades. Fonte: InfoBio / Folha Online

Leia matéria na íntegra em: http:// www.portaldomeioambiente.org.br/ energia/ 3654-gerador-caseiro-prometerevolucionar-setor-energetico-nos-eua.html

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16 denúncia socioambiental

Mapa da injustiça Foi lançado o Mapa de Injustiça Ambiental e Saúde no Brasil. O trabalho, que está disponível na Internet, é resultado de um projeto desenvolvido em conjunto pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e pela Fundação de Atendimento Socioeducativo (Fase), com o apoio do Departamento de Saúde Ambiental e Saúde do Trabalhador do Ministério da Saúde. O objetivo do mapeamento é apoiar a luta de inúmeras populações e grupos atingidos em seus territórios por projetos e políticas baseadas numa visão de desenvolvimento considerada insustentável e prejudicial à saúde. A busca por socializar informações, desse modo, pretende dar visibilidade a denúncias, permitindo o monitoramento de ações e projetos que enfrentem situações de injustiças ambientais e problemas de saúde em diferentes territórios, como cidades, campos e florestas, sem esquecer as zonas costeiras. Os organizadores da iniciativa pedem que os visitantes do mapa preencham a página “Fale conosco”, dedicada a comentários, críticas, complementações e/ou correções de dados, assim como novas denúncias e sugestões. “O Mapa é de todas e todos nós. Mas, para que isso se torne uma realidade de fato e de direito, é fundamental que nos apropriemos dele e que, de agora em diante, ele se torne uma construção coletiva a serviço da justiça ambiental, da cidadania, da democracia e contra todo tipo de abuso, de exploração e de racismo”, informam os coordenadores do mapa. Mapa da injustiça ambiental Este mapa de conflitos envolvendo injustiça ambiental e Saúde no Brasil é resultado de um projeto desenvolvido em conjunto pela Fiocruz e pela Fase, com o apoiodo Departamento de Saúde Ambiental e Saúde do Trabalhador do Ministério da Saúde O objetivo maior deste mapa é apoiar a luta de inúmeras populações e grupos atingidos/as em seus territórios por projetos e políticas baseadas numa visão de desenvolvimento considerada insustentável e prejudicial à saúde. Nesse sentido, busca socializar informações, dar visibilidade a denúncias e permitir o monitoramento de ações e de projetos que enfrentem situações de injustiças ambientais e problemas de saúde em diferentes ter-

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A busca por socializar informações, desse modo, pretende dar visibilidade a denúncias, permitindo o monitoramento de ações e projetos que enfrentem situações de injustiças ambientais e problemas de saúde em diferentes territórios, como cidades, campos e florestas, sem esquecer as zonas costeiras

Mapa de exclusão da pesca na Baía de Guanabara

Legenda

Hidrografia

Ramal ferroviário Comperj

Lagos, reservatórios

Limite municipal

Áreas alagadas

Limites distritais no município de Itaboraí

Estradas Federais

Áreas de proteção ambiental

Estradas Estaduais

Faixa de dutos existente

Acesso rodoviário principal

Faixa de dutos Comperj - Sul

Áreas urbanas

Faixa de dutos Comperj - Norte

Área da Comperj Ferrovia

Outros dutos na Baía de Guanabara

APA de Guapimirim GLP/GNL - Área diretamente afetada GLP/GNL - Área de influência indireta Duto Comperj Sul - Área diretamente afetada Duto Comperj Sul - Área de influência indireta Outros existentes - Área diretamente afetada Outros existentes - Área de influência indireta Polibrasil/Suzano - Área diretamente afetada Reduc - Área diretamente afetada


17

amBiental

Associação Homens do Mar da Baía de Guanabara (Ahomar) defendendo o meio ambiente e aqueles que sempre viveram em harmonia de maneira sustentável: o pescador artesanal

Para ter acesso ao laudo técnico do Ibama referente aos empreendimentos da Petrobras, na Baía de Guanabara, solicitado pelo MPF/RJ, fruto de representação da Ahomar), em 2009, faça contato com o presidente da Ahomar, Alexandre Anderson: (21) 2631-8289 / (21) 8626-3988, grupohomensdomar@gmail.com

ritórios e populações das cidades, campos e florestas, sem esquecer as zonas costeiras. Os conflitos foram levantados tendo por base principalmente as situações de injustiça ambiental discutidas em diferentes fóruns e redes a partir do início de 2006, em particular a Rede Brasileira de Justiça Ambiental (www.justicaambiental.org.br). Esse universo não esgota as inúmeras situações existentes no país, mas reflete uma parcela importante de casos nos quais populações atingidas, movimentos sociais e entidades ambientalistas vêm se posicionando. Embora tenha contado com apoio governamental para a sua realização (e esperamos venha a ser utilizado pelo Ministério da Saúde e por outros órgãos e instâncias - federais, estaduais e municipais – na busca de dados e diagnósticos para suas políticas e gestões), ele é direcionado para a sociedade civil. A ela e às diferentes entidades que a conformam,

acima de tudo, o Mapa está aberto para informar, para receber denúncias e para monitorar as ações dos diversos níveis do Estado tomadas a respeito. Nesse sentido, ele está democraticamente a serviço do público em geral e, principalmente, das populações atingidas, dos parceiros solidários e de todos e todas que se preocupam com a justiça social e ambiental. O Mapa apresenta cerca de 300 casos distribuídos por todo o país e georreferenciados. A busca de casos pode ser feita por Unidade federativa (UF) ou por palavra chave. Clicando em cima do caso que aparece no mapa por estado surge inicialmente uma ficha inicial com os municípios e populações atingidas, os riscos e impactos ambientais, bem como os problemas de saúde relacionados. Clicando na ficha completa do conflito aparecem as informações mais detalhadas, incluindo populações atingidas, danos causados, uma síntese resumida, uma síntese ampliada e as fontes de informação utilizadas. O Mapa pertence a todos/as os/as interessados/as na construção de uma sociedade socialmente justa e ambientalmente sustentável. Por isso mesmo, cabe a nós não apenas usá-lo, mas também mantê-lo alimentado de novas informações, fazendo dele um importante instrumento para o aprimoramento da democracia e para a garantia dos direitos humanos e da cidadania plena para cada habitante deste País. Sejam bem-vindas/os! Fonte: Ecoagência / Envolverde

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18 animais

Financiando a

destruição Frames: ©Greenpeace

O vídeo da campanha do Greenpeace pode ser visto em http:// www. greenpeace.org. br/kitkat/

Nestlé financia destruição de floresta e põe orangotangos no rumo da extinção Protestos pipocaram por toda a Europa contra a destruição das florestas que servem de habitat para orangotangos na Indonésia. O motor dessa devastação, que colocou os primatas à beira da extinção, é a conversão do uso do solo de mata virgem para o plantio de palmáceas. A Nestlé, que sustenta essa atividade comprando óleo de palma da Indonésia para produzir chocolates como o KitKat, foi o alvo das manifestações no continente europeu, parte de uma campanha global que o Greenpeace lançou contra a companhia. A Nestlé por enquanto continua jogando de ponta de lança no time das empresas que estimulam a destruição das florestas tropicais. Além de financiar a derrubada em massa de mata na Indonésia e empurrar os orangotangos para o abismo da extinção, a Nestlé está contribuindo para agravar o aquecimento global. Florestas ajudam a regular o clima e acabar com o desmatamento, uma das maneiras mais rápidas de reduzir as emissões de Co2 na atmosfera. Foi por isso que escritórios da Nestlé na Inglaterra, Holanda e Alemanha acabaram sendo palco de protestos por ativistas do Greenpeace, pedindo  para que a empresa deixe de utilizar óleo de palma proveniente da destruição de área antes ocupada por florestas na Indonésia. As manifestações concidiram com o lançamento de um novo relatório do Greenpeace – Pega com a mão na cumbuca: como o emprego de óleo de palma pela Nestlé tem um impacto devastador na floresta tropical, no clima e nos orangotangos – que expõe os laços entre a Nestlé e fornecedores de óleo de palma, como a Sinar Mas, que estão ampliando suas plantações em florestas de turfa (ricas em carbono) e nas florestas tropicias da Indonésia. Além da produção de óleo de palma, a Sinar Mas também é proprietária da Ásia celulose, a maior empresa de papel da Indonésia. A empresa também infringe a lei da Indonésia ao destruir as florestas protegidas para cultivar plantações de óleo de palma. Como todos devem saber, a Nestlé é a maior empresa de alimentos e bebidas do mundo. O que ninguém sabia até então era que a empresa também é um grande consumidor de óleo de palma produzido às custas do desmatamento das florestas tropicais. Nos últimos três anos, a utilização anual do óleo quaabr 2010 revista do meio ambiente

se duplicou, alcançando a marca de 320.000 toneladas  que entram em uma enorme gama de produtos, incluindo o chocolate mega popular KitKat, que não é vendido no Brasil. “Toda vez que você der uma mordida em um KitKat, você pode estar dando uma mordida nas florestas tropicais da Indonésia, que são fundamentais para a sobrevivência dos orangotangos. A Nestlé precisa dar aos orangotangos uma pausa e parar de utilizar óleo de palma de fornecedores que estão destruindo as florestas”, disse Daniela Montalto, do Greenpeace internacional. O lançamento do relatório segue numerosas tentativas de convencer a Nestlé a cancelar seus contratos com a Sinar Mas. Recentemente, o Greenpeace contactou várias vezes a empresa com provas sobre as práticas da Sinar Mas,  mas mesmo assim a Nestlé continua usando o óleo de palma da Indonésia em seus produtos. Diversas empresas importantes, incluindo a Unilever e Kraft, cancelaram os contratos de óleo de palma com a Sinar Mas. A Unilever cancelou um contrato de 30 milhões de dólares no ano passado. A Kraft cancelou o seu em fevereiro. “Outras grandes empresas estão agindo, mas a Nestlé continua fechando os olhos para os piores infratores. É tempo de a Nestlé cancelar seus contratos com a Sinar Mas e parar de contribuir com a destruição das floresta tropical e de turfas,” frisou Montalto. Fonte: Greenpeace / Reasul


Extinção Animais ameaçados de extinção no “Ano da Biodiversidade”

A borboleta monarca é uma das espécies mais ameaçadas

achar comida. Não à toa, eles têm aparecido nas praias brasileiras, muitas vezes magros demais ou muito doentes. Das 17 espécies de pinguins, 12 já estão ameaçadas pelo aquecimento global. 5. Tartaruga-gigante: também conhecida tartaruga-de-couro, são um dos maiores répteis do planeta e chegam a pesar 700 quilos. Estimativas mostram que há apenas 2,3 mil fêmeas no Oceano Pacífico, seu habitat natural. O aumento das temperaturas, a pesca e a poluição têm ameaçado sua procriação. 6. Atum-azul: um dos ingredientes principais do sushi de boa qualidade, o atum encontrado nos oceanos Atlântico e Mediterrâneo está sendo extinto por causa da pesca predatória. Uma proibição temporária da pesca desta espécie de atum ajudaria suas populações a voltar a um equilíbrio. 7. Gorila das montanhas: podem deixar de existir na próxima década. Existem apenas 720 animais vivendo nas florestas da África, e outros 200 no Parque Nacional de Virunga, a maior área de preservação desta espécie. Em muitas partes da África, os gorilas são caçados porque partes do seu corpo são consideradas medicinais. 8. Borboleta monarca: as temperaturas extremas são a principal ameaça destas borboletas, que todo ano cruzam os Estados Unidos em busca do calor mexicano. Elas vivem em florestas de pinheiros, área cada vez mais ameaçada pelo aquecimento global e urbanização crescente. 9. Rinoceronte de Java: existem apenas 60 destes rinocerontes em seus habitat natural. Como seu chifre é usado na medicina tradicional asiática, os rinocerontes são caçados de forma predatória. A expansão das plantações também tem acabado com as florestas que abrigam a espécie. O Vietnã, país que era um grande habitat dos rinocerontes, abriga apenas 12 animais no momento. 10. Panda: restam apenas 1,6 mil pandas na natureza, de acordo com o WWF. Eles vivem nas florestas da China, que estão cada vez mais ameaçadas pelo crescimento das cidades chinesas. Existe mais de 20 áreas de proteção ambiental no país para proteger estes animais. Metade dos pandas vive hoje em áreas protegidas ou em zoológicos.

texto Marcelo Szpilman, biólogo marinho e diretor do Instituto Ecológico Aqualung (instaqua@uol.com.br)

à vista

Diane Hammond (Flickr)

Com o objetivo de chamar a atenção dos governantes e da população para a necessidade de preservação da vida em nosso Planeta, a ONU lançou recentemente uma campanha elegendo 2010 como o “Ano da Biodiversidade”. Em janeiro desse ano, o World Wildlife Fund (WWF) divulgou uma lista com os principais animais ameaçados de extinção. Apesar de achar que nessa lista deveriam constar também algumas espécies de tubarões vulneráveis e em perigo de extinção, como o grande tubarão-branco, vale a pena repassá-la e refletir sobre o comportamento do ser humano e sua arrogante pretensão de se achar mais evoluído e mais importante do que os outros seres que compartilham o mesmo Planeta. Fora as causas já bastante conhecidas, como o desmatamento e o aquecimento global, ambos diretamente relacionados com atividades humanas que muitas vezes são inevitáveis para proporcionar a todos nós proteção e conforto nas cidades, pode-se perceber que nessa lista existem animais também ameaçados pela inadmissível perseguição para a extração de partes de seu corpo para obtenção de produtos supérfluos cujos benefícios apregoados não têm nenhuma base científica comprovada. 1. Tigre: novos levantamentos indicam que existem menos de 3,2 mil tigres na natureza. Hoje, só restam apenas 7% do habitat natural destes animais. O extermínio dos tigres também está ligado à falta de informação. Em muitas partes da Ásia, os tigres são caçados porque partes do seu corpo são consideradas medicinais. 2. Urso polar: o urso polar se tornou o principal símbolo dos animais que perdem seu habitat natural devido ao aquecimento global. A elevação da temperatura no Ártico é uma das principais ameaças aos ursos, assim como os petroleiros e os derramamentos de óleo na região. 3. Morsa: os mais novos animais a entrarem para a lista dos ameaçados, as morsas também são diretamente afetadas pelo aquecimento global. Em setembro, 200 morsas foram encontradas mortas nas praias do Alasca. Com o derretimento das geleiras, os animais estão ficando sem comida. 4. Pinguim de Magalhães: o aquecimento das correntes marítimas tem forçado os pinguins a nadarem cada vez mais longe para

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20 animais

O que é

HOARDING?

A pessoa começa abrigando alguns animais, na melhor das intenções e vai aos poucos perdendo a noção de espaço e de limites, até que tenha um número considerável de animais vivendo em sua casa, agora já totalmente inadequada para tantos bichos. Começa, então, a vedar portas e janelas, a impedir a entrada de pessoas em sua casa, a descuidar-se completamente da higiene e já não acolhe apenas os animais que lhe são entregues, mas vai compulsivamente buscando mais e mais animais e os colocando prisioneiros nessa pocilga. É comum encontrar-se carcaças junto com lixo, restos de comida, roupas e camadas de fezes nesses “abrigos”. Segundo pesquisa divulgada pela PETA, tratam-se de pessoas inteligentes, educadas, com boa escolaridade, provenientes de famílias de classe media em sua maioria, e muito bem intencionadas. Acreditam sinceramente que estão propiciando aos bichos um lugar seguro e muitas vezes só são “descobertos” quando morrem ou quando o cheiro de suas casas fica insuportável para os vizinhos. Recusam-se a doar os animais, mesmo para lares adequados. É preciso ter em mente que se trata de uma doença, que requer tratamento psiquiátrico e retirada imediata dos animais sob sua proteção. Todos nós, protetores, temos um pé no hoarding. Para nós, é quase impossível ver um animalzinho necessitado sem o impulso de recolhê-lo, sem medir muito as reais possibilidades de espaço, alimentação e tratamento veterinário. É nosso dever ter em mente, em primeiro lugar, o bem-estar dos animais e isso inclui um abrigo e cuidados adequados.

Perfil dos “hoarders”

Dr. Gary Patronek, veterinário americano, diretor do Centro para Animais e Políticas Públicas da Universidade de Tufts e seu grupo chamado “The Hoarding of Animals Research Consortium”, criado em 1997, conduziram uma pesquisa, em 1999, para delinear o perfil do acumulador de animais, e chegaram às seguintes conclusões: • 76% são mulheres. • 46% têm 60 anos ou mais. • A maioria é de solteiros e mais da metade vive sozinho. • Em 69% dos casos, fezes e urina de animais estavam acumuladas nas áreas sociais da casa. Em mais de 25% dos casos, a cama do acumulador estava suja com fezes e urina. • Animais doentes ou mortos foram descobertos em 80% dos casos relatados, ainda que em 60% dos casos os acumuladores não reconhecessem o problema.

Herman Brinkman (SXC)

A palavra tem o significado de esconder, colecionar e é o termo empregado para identificar um tipo de doença psíquica que atinge um grande número de protetores de animais

É bom ficar alerta para os primeiros sinais de ultrapassagem dos limites e evitar, ao máximo, sobrecarregar aqueles protetores que já demonstram alguma tendência para essa enfermidade. Os animais que morrem, freqüentemente não são retirados do local. O acumulador não tem a percepção da falta de higiene e dos riscos para a própria saúde e a dos animais. O acumulador não consegue dizer “não” a colocar mais um bicho em sua casa, por mais que esteja superlotada ou que o animal recolhido esteja muito doente (contagiando os outros animais). Ele acha que o bicho estará bem com ele, melhor do que em qualquer outro lugar e “nega” que seus animais estejam em condições precárias de saúde. Cães e gatos são as principais vítimas: 65% de gatos e 60% de cães, estão envolvidos nas ocorrências. Como o acumulador é uma pessoa mentalmente doente, há controvérsias em relação à punição desse tipo de pessoa. Mas, de uma forma geral, o acumulador é enquadrado nos crimes de negligência e crueldade contra os animais – maus-tratos. Esse tipo de situação é preocupante, em termos de saúde pública, em todo o Brasil. Não podemos mais fechar os nossos olhos. Envolve a vida desses animais que se encontram confinados em muitas casas. “Cuidados” por pessoas extremamente doentes. É um caso de saúde pública. Fonte: REASul / Blog dos cachorrinhos Leia matéria na íntegra em: http:// www.portaldomeioambiente.org.br/ animais/3639-o-que-e-hoarding-.html

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Discursos Vazios

Vitor Abdala/ABr

nas enchentes do Rio

Quando se ouve o governo, em todos os níveis, pedir à população que abandone as áreas de encostas, a primeira vontade que se tem é mesmo vaiar, jogar ovos e tomates podres na cara deles. Fingem não saber ou não sabem mesmo que as pessoas moram em “áreas de risco” por falta de opção – já que o país não tem qualquer programa habitacional significativo há décadas, e o atual slogan é fundamentalmente um programa de financiamento, sem que sejam definidas áreas ou planejadas as necessárias estruturas urbanas de transportes rápidos e seguros, saneamento e similares. Na maioria dos casos, as áreas de riscos poderiam não representar quaisquer riscos se as necessárias obras de contenção geológica fossem feitas. E aí, como está na moda, lá vem os evangélicos ambientalistas dizer que tudo aconteceu porque eles não foram ouvidos, ou porque a lei otária não foi respeitada. Não se trata, definitivamente, de uma questão de leis, mas de falta de políticas públicas e do uso do estado da arte na engenharia e no planejamento urbano. Rios são contidos com a análise séries históricas de chuvas máximas, barragens que combinem os múltiplos usos das águas – incluindo a regularização de vazões – e muros de arrimo / contenção – todas coisas que já foram feitas, por exemplo, na Alemanha, no século XIX. Da mesma forma, a estabilidade dos morros é estudada por geólogos – ou, no passado, pela observação – e não por leis e mitos. Se assim não fosse, Salzburg não existiria ou já teria sido

Morador observa o que estou de sua casa depois do deslizamento, no bairro Novo México, em São Gonçalo (RJ)

O Brasil está se acostumando a isso: autoridades que, tomadas pelo poder, não se responsabilizam por nada, exceto por slogans. “Minha chuva, minha vida” poderia ser um deles

punida pela “vingança da natureza” e outras bobagens do gênero. De fato, a opção de Salzbruck foi a ocupação das margens dos rio e dos topos de morro (estes, pelas mesmas razões que a Corte portuguesa os reservava para a construção de fortalezas, castelos e igrejas). Já no caso de Passa Três, distrito de Rio Claro, no Rio de Janeiro, a ocupação de alto risco é mais do que evidente. Mas ela se dá por falta de opção numa região em que as autoridades não buscaram alternativas para os pequenos produtores e trabalhadores rurais. Não será por falta de terras para fazer loteamentos populares que essas pessoas investiram o seu pouco dinheiro nessas casas, mas sim por falta de loteamentos para a baixa renda. E o esgotos seguem direto para o ribeirão. Mas quem se importa com isso? Lá, o Ibama e as ONGs que jantam nos restaurantes de luxo e jogam no tapetão ou na mídia das grandes cidades não vão. Até porque não têm uma agenda positiva para o problema da urbanização em geral. Com o já antigo teatro de guerrilha, sonegam das cidades as informações relevantes: os rios e o ar ambiente estão a cada dia mais poluídos. Pois bem, as cidades foram, por lei, obrigadas a elaborar planos diretores que renderam um bom dinheiro a empresas de consultoria. Depois, esses planos foram e continuam sendo mudados ao sabor das conveniências da indústria imobiliária, que privatiza os lucros e socializa os custos, já que só depois, muito mais tarde, é que alguém vai pensar em coisas elementares como drenagem de águas pluviais e esgotos, tratamento de esgotos, disponibilidade de transporte público e de escolas, e outros “detalhes”. É bem fácil conclamar as pessoas que vivem em “encostas” no Rio de Janeiro a sairem de lá. A mesma usual falação, o mesmo desgastado discurso balofo. Dá um pouco mais de trabalho programar obras de contenção adequadas – como as que abundam em áreas mais “nobres” como a lagoa Rodrigo de Freitas.

texto Luiz Prado (www.luizprado.com.br)

artigo 21

E o plano diretor?

O Rio de Janeiro continua sem um plano diretor de macro-drenagem. Quando falei isso na coluna de meio ambiente que faço com Ricardo Boechat e Rodolfo Schneider na Band News Rio FM, a assessoria de comunicações da prefeitura apressou-se a dizer que o plano havia sido recentemente contratado. Mas nada sobre quando serão disponibilizados os primeiros relatórios para o “distinto público”. revista do meio ambiente abr 2010


Colaboração Raquel Miguel

22 política ambiental

verde

Cristina Gallo / Agência Senado

A greve

Pedimos assim, a gentileza de falarmos com você, que tem estado atento a tudo isso. Não há dúvida que muito vêm ocorrendo, não é mesmo? E que nunca o estado do meio ambiente tem influenciado tanto nossas vidas e nosso dia-a-dia. No entanto, muito deve e pode ser feito para garantir um presente e um futuro melhor, mais seguro, mais humano, mais vivo e justo para a sociedade brasileira. É exatamente para isso que existem as ações das instâncias ambientais públicas. Você sabia que o Ibama, o ICMBio, o MMA, o SFB e todos os órgãos públicos federais ambientais possuem em seu quadro técnicos fixos e concursados – pessoas capacitadas que estudaram e estudam biologia, ecologia, geografia, sociologia, educação ambiental, agronomia, e tantos outros saberes das áreas biológicas, exatas e sociais para protegerem a sociedade garantindo um meio ambiente saudável e um desenvolvimento sustentável e justo para a vida? Você sabia que os laudos, licenças, pareceres, multas, cuidados com áreas de proteção ambiental, ações de educação ambiental, entre outros, executados por estes técnicos que são independentes das questões políticas e econômicas é que garantem o cumprimento das normas e leis que a nossa democracia escolheu? (só que este muitas vezes são descartados por questões políticas e econômicas) Pois bem, este pequeno “exército” silencioso e incompreendido vêm trabalhado há anos para garantir o que o artigo 225 da nossa constituição brasileira garante e o que a ética aconselha. abr 2010 revista do meio ambiente

Você, que tem visto ocupações irregulares, que tem lido sobre transposições de rios e construções de grandes barragens e hidrelétricas. Que tem vivenciado o aquecimento global, as mudanças climáticas. Que tem notado mais secas, ou mais chuvas. Rios mais sujos, transbordamentos mais constantes. Peixes mais caros, água mais cara... Pedimos cinco minutos de sua atenção

Em ato em frente ao Congresso Nacional, servidores do Ibama, MMA, ICMBio e SFB ‘escreveram’ com seus corpos “Greve Verde”

No entanto, dentro do quadro da administração pública federal, esta função tão importante é relegada ao descaso já que o salário destes profissionais é de verdade um dos mais baixos da esfera pública federal e o orçamento destes órgãos públicos e do Ministério do Meio Ambiente também um dos mais baixos destinado pelo orçamento da União... Você sabia ainda que estes servidores (integrantes da Carreira de Especialista em Meio Ambiente do Ministério do Meio Ambiente - MMA), do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e Serviço Florestal Brasileiro (SFB), estão em greve por tempo indeterminado em resposta à intransigência do governo em negociar uma proposta digna de reestruturação da carreira? Não? Pois, é... Ninguém sabe. Afinal, quem se importa? Para muitos, a paralisação das atividades dos agentes ambientais federais é um alívio. Em greve, deixam de incomodar infratores e aqueles que vêem o meio ambiente como mais um dos empecilhos para o crescimento do país. Apesar da falta de reconhecimento de sua excelência técnica, da falta de infra-estrutura, das deficientes condições de trabalho, dos baixos salários, dos riscos físicos e orgânicos a que estão expostos – incluindo ameaças de morte em lugares remotos, ou enfrentamentos com infratores, os servidores da carreira de Especialista em Meio Ambiente têm cumpri-


2 do a sua parte, superando metas do governo e expectativas da sociedade, bem como gerando resultados positivos para o país. Basta verificar a redução histórica dos índices de desmatamento, o número de licenças ambientais concedidas com critério e rigor, a melhoria dos índices de conservação da biodiversidade e o fortalecimento da gestão das áreas protegidas e ameaçadas, entre outros. Tais resultados deram ao Brasil posição de destaque na reunião sobre o clima em Conpenhague e foram, em muito, resultantes do esforço e dedicação dos servidores do IBAMA, ICMBio, SFB e MMA espalhados pelo Brasil afora. Estes servidores trabalham para garantir o direito constitucional do brasileiro. Afinal, todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá- lo para as presentes e futuras gerações? (Constituição Federal - Art. 225). Mesmo sendo notório e indiscutível o esforço, a dedicação e, principalmente, os resultados positivos alcançados por estes servidores, é nítida a falta de consideração do Governo Federal para com eles. Basta comparar a Tabela de Remuneração dos Servidores Públicos Federais, publicada em janeiro deste ano pelo Ministério do Planejamento Orçamento e Gestão. Nela, verificase que servidores de nível superior da carreira de Especialista em Recursos Hídricos recebem aproximadamente 157% a mais que servidores de mesmo nível da carreira de Especialista em Meio Ambiente (como se um especialista em meio ambiente não necessitasse compreender questões relacionadas a recursos hídricos!...). O Especialista em Recursos Minerais possui honorários 93% maiores que o Especialista em Meio Ambiente. O fiscal agropecuário de nível superior possui vencimentos 120% maiores que o de fiscal ambiental. E por aí vai... Em 5 de novembro de 2009, o então Ministro Carlos Minc, reconhecendo a defasagem salarial dos servidores de sua pasta e a necessidade da reestruturação do plano de carreira de especialista em Meio Ambiente, enviou ao Ministro Paulo Bernardo, do Planejamento, o Aviso Ministerial nº 238/09/MMA (Esta reestruturação pretende valorizar o profissional, de modo a garantir que seu esforço em prol de um melhor futuro comum seja reconhecido e evitar que profissionais qualificados abandonem suas carreiras devido a salários incompatíveis com as responsabilidades). No entanto, desde então, a Secretaria de Recursos Humanos/Min. Planejamento têm se

Quantas enchentes teremos que viver, quantos deslizamentos, catástrofes, mortes de gente, de rios, de matas, de animais, enfim de vida e beleza ainda terão de ocorrer? Nós, servidores públicos da gestão ambiental federal, além de lutarmos por um desenvolvimento sustentável, ético e justo, também lutamos por melhores condições trabalhistas para servimos melhor a sociedade. Assim, estamos em greve!!

Leia matéria na íntegra em: http:// www.portaldo meioambiente.org.br/

esquivado em analisar o Aviso Ministerial, propondo alterações que não condizem com as realidades vividas pelos agentes ambientais. Afinal, quem se importa se os escritórios do IBAMA estão sendo queimados no interior, como aconteceu tempos atrás em Guarantã do Norte, Mato Grosso? Quem se importa se os agentes ambientais federais são feitos reféns em Novo Progresso, Pará, cercados pela população do município insuflada por comandantes da região e impedidos de voltar para casa? Quem se importa se os servidores ambientais são processados pelo Ministério Público por obedecerem ordens superiores e assinarem licenças ambientais, ou então obedecerem à lei e não fornecerem licenças ambientais a toque de caixa? Quem se importa se agentes ambientais arriscam sua vida e têm sua integridade física ameaçada diariamente nos mais distantes rincões do país, se passam noites no meio do mato sujeitos a perigos naturais, doenças tropicais e emboscadas feitas por infratores, trabalhando pela causa ambiental? Diante deste quadro fica a indagação se a questão ambiental é, de fato, uma das prioridades do Governo Federal ou se figura apenas como bandeira para garantir uma boa imagem junto à comunidade internacional. Também protestamos fortemente contra um projeto de lei que poucos conhecem, o PLP nº549/2009, que irá congelar os gastos públicos com a folha de pagamentos de funcionários concursados por 10 anos. Isso, à primeira vista parece bom, pois dá a impressão que o governo vai economizar, não é mesmo? Mas, ao mesmo tempo que queremos sim que a verba pública seja bem gasta e revertida a benefícios sociais, este projeto de lei impede novos concursos para adequação de quadros de funcionalismo público. Assim, imaginem a Polícia Federal sem poder contratar novos agentes para dar maior segurança nacional, o IBAMA e o ICMBio sem poder adequar seu já diminuto quadro funcional para garantir a proteção ambiental? Ou pior ainda, este projeto de lei permite a contratação. Assim poderemos até ter técnicos contratados, mas estes não serão tão independentes das questões políticas e econômicas... é quase que uma forma de “privatização” ou “politização” da coisa pública (único ente neutro do tecido social). Não vale mesmo à pena lutar para que isso não ocorra? Se você concorda conosco e quer um Brasil mais justo ajude-nos neste nosso movimento. Atenciosamente, Cidadãos brasileiros como vocês. revista do meio ambiente abr 2010


24 política ambiental Alexander Korabelnikov (SXC)

Também financiaram um estudo “suspeito” que nega que ursos polares estão em perigo e um instituto dinamarquês que produziu material usado como crítica à energia eólica. O relatório indica que o conglomerado, baseado no Kansas, gastou quase três vezes mais do que a petrolífera ExxonMobil entre 2005 e 2008 – US$ 25 milhões contra US$ 9 milhões – no financiamento de grupos antimudança climática. Também empregou US$ 43,7 milhões com lobby direto e campanhas políticas. “É hora de a Koch Industries abandonar sua campanha suja e de bastidores contra a ação para combater a mudança climática”, disse ontem Kert Davies, diretor de pesquisas do Greenpeace nos EUA.

Jogo sujo de petroleira Um relatório divulgado no dia 30 de março deste ano pela ONG Greenpeace acusa umas das maiores companhias de petróleo dos EUA, a Koch Industries, de canalizar discretamente quase US$ 50 milhões em uma década (metade disso só entre 2005 e 2008) a uma rede de estudiosos e “think tanks” para “minar a confiança na ciência do clima e promover oposição à energia limpa, nos EUA e internacionalmente”. Entre os grupos que mais receberam fundos da Koch estão os influentes Instituto Cato (mais de US$ 5 milhões de 1997 a 2008), Heritage Foundation (US$ 3,3 milhões no período), Mercatus Center (US$ 9,2 milhões de 2005 a 2008) e Americanos pela Prosperidade (US$ 5,2 milhões de 2005 a 2008), segundo o Greenpeace. No total, segundo o texto, a Koch ajudou a pagar operações de mais de 20 organizações que “repetidamente reproduziram e espalharam a história do chamado ‘climagate’ [divulgação de e-mails de climatólogos, revelando tentativa de negar informação a céticos do clima]”. abr 2010 revista do meio ambiente

Petroleira dos EUA deu US$ 50 mi a céticos do clima

Demonização O conglomerado não nega os números, mas afirma que o relatório oferece uma representação incorreta de suas atividades e “distorce o histórico ambiental de suas empresas”. “As companhias Koch há muito apoiam a pesquisa e o diálogo científicos sobre a mudança climática e as propostas de resposta [ao fenômeno]. Tanto a sociedade livre quanto o método científico exigem um debate aberto e honesto de todos os lados, não a demonização e o silêncio daqueles com os quais você discorda”, disse a Koch em comunicado à imprensa. Sem nenhuma empresa operando com o nome, mas dona de marcas como a Lycra e os copos de plástico Dixie, a Koch tem operações em mais de 60 países, que rendem US$ 100 bilhões anuais em vendas. Emprega cerca de 70 mil pessoas – é atualmente o segundo maior grupo privado dos EUA, atrás da Cargill. No Brasil, o grupo tem quatro subsidiárias em operação: três em São Paulo (Koch Chemical Technology Group, Georgia-Pacific e Invista) e uma no Rio de Janeiro (Koch Exploration, de petróleo e gás natural). Procurado pela Folha, o presidente do Instituto Cato, Ed Crane, disse em nota que “o Greenpeace parece mais interessado em nossas fontes de financiamento do que na precisão das pesquisas sendo financiadas”. “O ‘Climagate’ fala por essa precisão. Dito isso, 95% de nosso orçamento vem de fontes não relacionadas [aos irmãos] Charles Koch e David Koch [controladores do conglomerado], e nenhuma verba dos Koch jamais foi designada para um projeto específico.” O Cato tem em seu time o climatologista Pat Michaels, um dos mais célebres céticos, que esteve no Brasil nesta semana. Fonte: Murilo Marques / Folha Online


Boicote ruralista

a patrocinadoras de ONGs “Vamos dar essa medalha a quem tiver interesse em prejudicar o Brasil”, disse Rebelo

Janine Moraes/Câmara dos Deputados

A Frente Parlamentar Nacionalista, composta em sua maioria por ruralistas, ameaçou iniciar um boicote a produtos de empresas patrocinadoras de ONGs ambientalistas. “Se querem nos intimidar, estamos para aqui reagir. Se não sabem dialogar, certamente o Bradesco saberá”, disse o coordenador do movimento suprapartidário, o deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP). Relator da comissão especial de reforma do Código Florestal, ele sugere que a pressão comece pelos produtores rurais. “As cooperativas podem sugerir aos seus produtores que fechem suas contas no Bradesco”, afirmou, em referência à parceria mantida pelo banco e a Fundação SOS Mata Atlântica, a ONG que lidera a campanha para identificar os “exterminadores” ruralistas. No mesmo tom usado pelas ONGs para constranger os ruralistas, a nova Frente Nacionalista lançou o “Prêmio Joaquim Silvério dos Reis”, sugerindo uma ligação entre o delator do movimento patriótico Inconfidência Mineira e as motivações políticas de ONGs ambientalistas que atuariam em favor de interesses estrangeiros. “Vamos dar essa medalha a quem tiver interesse em prejudicar o Brasil”, disse Rebelo. “Quem patrocina essas ONGs são a Volkswagen, a Coca Cola, a Colgate-Palmolive, estimuladas pelos chiques e famosos de São Paulo”. O deputado Sarney Filho (PV-MA) foi apontado como principal articulador parlamentar do movimento. Procurado pela reportagem, ele não foi localizado ontem. Os ruralistas acusam uma tentativa de intimidação por parte dos ambientalistas às vésperas das eleições de outubro. “É uma campanha difamatória, claramente intimidatória”, disse o deputado Moacir Micheletto (PMDB-PR), presidente da comissão especial do Código. Parceira do Bradesco na emissão de 200 mil cartões de crédito e 2 milhões de títulos de capitalização, a SOS Mata Atlântica afirma que os parlamentares estão “trilhando um caminho perigoso” ao tentar rotular as ONGs como inimigas do setor rural. “Estão apelando, é um caminho perigoso porque tem deputados patrocinados pelas empresas do Klabin”, afirmou o diretor de Políticas Públicas, Mario Mantovani, em alusão ao grupo produtor de papel, celulose e embalagens do presidente da organiza-

texto Mauro Zanatta

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A bancada ruralista na Câmara reagiu ao lançamento da campanha “Exterminadores do Futuro”, criada pelos ambientalistas para identificar os principais líderes do movimento de alteração das leis ambientais do país na tentativa de retardar a tramitação de propostas de mudança no Código Florestal Brasileiro

ção, Roberto Klabin. “Sabíamos que era um ano eleitoral e que viria a reação. O Bradesco é um parceirão de 20 anos, mas não temos patrocínio deles. Trabalhamos com direitos difusos e eles com interesses específicos”. Os ambientalistas afirmam que a reação dos ruralistas é “desproposital, descabida” porque a lista dos parlamentares ainda não está concluída. “Não queremos encrenca nem briga. Não tem lista, foi só uma indicação. Eles ainda serão informados antes do fim do processo. Não somos irresponsáveis”, disse Mantovani. “É uma reação muito maior do que a nossa ação, desproposital, descabida. Essa campanha pode ser um fiasco, está mais na mão deles”. O diretor da SOS Mata Atlântica afirmou que os deputados ruralistas romperam acordos firmados antes do início da tramitação da proposta de um novo Código Florestal. “ Quem rompeu os debates foi uma parte dos ruralistas. Por isso, deixamos de ir a debates. Não vamos legitimar isso”, afirmou Mantovani. O diálogo ficou insustentável, segundo ele, porque o projeto do deputado Valdir Colatto (PMDB-SC), que prevê a criação do Código Ambiental, acabaria com as principais regras e instituições ambientais do país. “O Colatto quer acabar com o Conama, o Sisnama e as unidades de conservação”, disse Mario Mantovani, em referência ao colegiado de representação paritária e o sistema nacional que decide as regras ambientais brasileiras. Fontes: Reasul / RBrasil (Gabriel Strautman) Fonte: Último Segundo – iG revista do meio ambiente abr 2010


texto Fabrício Fonseca Ângelo (msn: fabricioangelo@hotmail.com) fotos ©Comissão Organizadora - CBJA

26 comunicação ambiental Palestra da senadora Marina Silva: Até onde vai o desenvolvimento que não considera os limites dos ecossistemas?

Meio ambiente e

desenvolvimento Profissionais e estudantes de jornalismo defendem políticas sustentáveis

abr 2010 revista do meio ambiente

Que melhor lugar do que o Mato Grosso, estado berço do agronegócio e que abriga os maiores biomas do Brasil, para se debater a relação harmoniosa entre Meio Ambiente e Desenvolvimento. Foi com esse objetivo que o III Congresso Brasileiro de Jornalismo Ambiental (CBJA) reuniu cerca de 300 pessoas entre profissionais e estudantes na cidade de Cuiabá, do dia 18 a 20 de março. Segundo o secretário executivo do Núcleo de Ecomunicadores dos Matos e membro da comissão organizadora do evento, André Alves, o CBJA foi importante para a discussão da questão ambiental principalmente da região CentroOeste. “Acredito que houve um amadurecimento do jornalismo ambiental com essa discussão no estado, que gerou impactos positivos”. Para Alves resultado foi importante para a região da Amazônia. “O estado do Mato Grosso não tem costume de realizar eventos em jornalismo, ainda mais com a temática ambiental”, enfatizou. O congresso teve dez mesas redondas, além de oficinas e lançamentos de livros. Os maiores destaques ficaram por conta da palestra da senadora e pré candidata a presidência, Marina Silva (PV), o debate sobre a construção da hidrelétrica de Belo Monte e a apresentação do chefe Afukaka Kuikuro do Parque Indígena do Xingu. “A mesa da senadora Marina Silva mobilizou muita gente, como políticos, imprensa e curiosos, com isso divulgamos o evento para várias partes da região e do país”, analisou André Alves.

Para a jornalista baiana Mariana Ramos, o CBJA teve bons debates e palestrantes bem preparados. “Estava um pouco distante do jornalismo ambiental nos últimos dois anos e a evolução na abordagem dos assuntos ficou nítida”, afirmou. Mariana só lamentou o fato da pouca abrangência de alguns temas importantes, como a questão da pesca predatória. “Ainda sinto falta de mais enfoque em outros problemas que não sejam o desmatamento”, disse. Ela também destacou a apresentação de Marina Silva e o debate sobre Belo Monte como os mais importantes. Marina Silva A senadora Marina Silva falou para um auditório lotado sobre sua candidatura e os debates ambientais que tem sido feitos, principalmente no Congresso Nacional. Para Marina é fantástico que após 30 anos de luta socioambiental haja um crescente aumento pela causas ambientais, que antes ficavam restritas as ONGs e movimentos sociais. “São pessoas que querem o melhor para o Brasil. Como o país vai acompanhar as mudanças climáticas? E a economia de baixo carbono? Nesse sentido, tem sido incrível a adesão de pessoas de todas as áreas. A sociedade está sentindo que precisa agir. Nada é mais forte do que uma ideia cujo tempo chegou”, ressaltou. Ainda segundo a ex-ministra do Meio Ambiente, já estamos ultrapassando os limites. “Se conti-


27 Oficina Comunicação Ambiental, com Fabrício Fonseca Ângelo

nuarmos neste ritmo, iremos inviabilizar a vida na terra. Em São Paulo, por exemplo, a temperatura subiu 3º nos últimos 30 anos”, apontou. Apesar das críticas sobre sua candidatura ter apenas uma bandeira, a do meio ambiente, a senadora foi enfática ao dizer que hoje sustentabilidade não diz só respeito às florestas e sim a toda estrutura social e econômica de um país. “Esse discurso já está defasado, não se pode falar em meio ambiente sem analisar as questões culturais e sociais de uma região”. Marina disse que apesar da situação crítica da questão ambiental no país, continua otimista. “Sou uma mantenedora de utopias. Desenvolvimento e sustentabilidade podem sim andar juntos. Só depende de nós, e os jornalistas têm importante papel como mediadores capazes de despertar a sensibilidade das pessoas”. A jornalista Danielle Silva veio do Rio de Janeiro para acompanhar os debates e gostou do que viu. “Acredito que um dos principais pontos desse congresso foi a consolidação da Rede Brasileira de Jornalistas Ambientais (RBJA), pois a interação entre as diversas faixas etárias foi nítida durante os três dias de atividades”, analisou. Ainda de acordo com Danielle o ambiente acolhedor proporcionou a troca de ideias entre estudantes, jovens profissionais, jornalistas em exercício e acadêmicos de diversas universidades do País. “Esse contato físico foi fundamental para recarregar nossas energias e assim criarmos novas discussões e nos engajarmos na luta por um jornalismo ambiental parcial”, disse.

Palestra com Afukaka Kuikuro, cacique do Parque Indígena do Xingu

Rio de Janeiro receberá IV CBJA A cidade maravilhosa foi escolhida como próxima sede do Congresso Brasileiro de Jornalismo Ambiental, que será em 2012, mesmo ano da Conferência da ONU para o Meio Ambiente (Rio + 20). Lugar de belas paisagens e gente acolhedora, o Rio de Janeiro hoje é referencia na temática ambiental, sendo residência de diversos especialistas da área. Para o jornalista Vilmar Berna, fundador da Rede Brasileira de Informação Ambiental (Rebia), a democratização da informação ambiental não deve ser uma benesse dos poderosos para a sociedade, mas uma conquista. “Sem informação ambiental independente e de qualidade, a sociedade tenderá a reproduzir as mesmas escolhas que nos trouxeram até o abismo da insustentabilidade socioambiental”, afirmou. Berna reforça que foi muito importante a decisão do III Congresso Brasileiro de Jornalismo Ambiental, realizado agora em Cuiabá, pela sua continuidade. “Nos sentimos orgulhosos pelo Rio de Janeiro ter sido escolhido para sediar o IV CBJA, em 2012. Desde já a Rebia estará empenhada, com os demais parceiros, a trabalhar pelo seu sucesso. Até lá, teremos uma longa caminhada onde é importante enraizar localmente este debate, principalmente entre aquelas pessoas, veículos e organizações que compreendem a importância da democratização da informação ambiental para uma sociedade sustentável!”, finalizou. Com informações do site Dom Total

Acredito que um dos principais pontos desse congresso foi a consolidação da Rede Brasileira de Jornalistas Ambientais (RBJA), pois a interação entre as diversas faixas etárias foi nítida durante os três dias de atividades (Danielle Silva, jornalista carioca)

*Jornalista, Mestre em Ciência Ambiental, Especialista em Informação Científica e Tecnológica em Saúde, Editor Científico da Rebia - Rede Brasileira de Informação Ambiental e Editor do Portal Proqualis (www.proqualis.net) revista do meio ambiente abr 2010


Um tema central da Cúpula dos Povos sobre as Mudanças Climáticas, reunida em Cochabamba de 19-23 de abril, convocada pelo Presidente da Bolívia Evo Morales é o da subjetividade da Terra, de sua dignidade e direitos. O tema é relativamente novo, pois dignidade e direitos eram reservados somente aos seres humanos, portadores de consciência e inteligência. Predomina ainda uma visão antropocêntrica como se nós exclusivamente fôssemos portadores de dignidade. Esquecemos que somos parte de um todo maior. Como dizem renomados cosmólogos, se o espírito está em nós é sinal que ele estava antes no universo do qual somos fruto e parte. Há uma tradição da mais alta ancestralidade que sempre entendeu a Terra como a Grande Mãe que nos gera e que fornece tudo o que precisamos para viver. As ciências da Terra e da vida vieram, pela via científica, nos confirmaram esta visão. A Terra é um superorganismo vivo, Gaia, que se autorregula para ser sempre apta para manter a vida no planeta. A própria biosfera é um produto biológico, pois se origina da sinergia dos organismos vivos com todos os demais elementos da Terra e do cosmos. Criaram o habitat adequado para a vida, a biosfera. Portanto, não há apenas vida sobre a Terra. A Terra mesma é viva e como tal possui um valor intrínseco e deve ser respeitada e cuidada como todo ser vivo. Este é um dos títulos de sua dignidade e a base real de seu direito de existir e de ser respeitada como os demais seres. Os astronautas nos deixaram este legado: vista de fora da Terra, Terra e Humanidade fundam uma única entidade; não podem ser separadas. A Terra é um momento da evolução do cosmos, a vida é um momento da evolução da Terra e a vida humana, um momento posterior da evolução da vida. Por isso, podemos com razão dizer: o ser humano é aquele momento em que a Terra começou a ter consciência, a sentir, a pensar e a amar. Somos a parte consciente e inteligente da Terra. Se os seres humanos possuem dignidade e direitos, como é consenso dos povos, e se Terra e seres humanos constituem uma unidade indivisível, então podemos dizer que a Terra participa da dignidade e dos direitos dos seres humanos. Por isso não pode sofrer sistemática agressão, exploração e depredação por um projeto de civilização que apenas a vê como algo sem inteligência e por isso a trata sem qualquer respeito, negando-lhe valor autônomo e intrínseco em função da acumulação de bens materiais. É uma ofensa à sua dignidade e uma violação de seus direitos de poder continuar inteira, limpa e com capacidade de

abr 2010 revista do meio ambiente

A Terra, sujeito de dignidade e de direitos

©Nasa

texto Leonardo Boff*

28 artigo

Um planeta

DIGNO

reprodução e de regeneração. Por isso, está em discussão um projeto na ONU de um Tribunal da Terra que pune quem viola sua dignidade, desfloresta e contamina seus oceanos e destrói seus ecossistemas, vitais para a manutenção dos climas e da vida. Por fim há um último argumento que se deriva de uma visão quântica da realidade. Esta constata, seguindo Einstein, Bohr e Heisenberg, que tudo, no fundo, é energia em distintos graus de densidade. A própria matéria é energia altamente interativa. A matéria, desde os hádrions e os topquarks, não possui apenas massa e energia. Todos os seres são portadores de informação. O jogo das relações de todos com todos, faz com que eles se modifiquem e guardem a informações desta relação. Cada ser se relaciona com os outros do seu jeito de tal forma que se pode falar que surge níveis de subjetividade e de história. A Terra na sua longa história de 4,3 bilhões de anos guarda esta memória ancestral de sua trajetória evolucionária. Ela tem subjetividade e história. Logicamente ela é diferente da subjetividade e da história humana. Mas a diferença não é de princípio (todos estão conectados) mas de grau (cada um à sua maneira). Uma razão a mais para entender, com os dados da ciência cosmológica mais avança, que a Terra possui dignidade e por isso é portadora de direitos e de nossa parte de deveres de cuidá-la, amá-la e mantê-la saudável para continuar a nos gerar e nos oferecer os bens e serviços que nos presta. Agora começa o tempo de uma biocivilização, na qual Terra e Humanidade, dignas e com direitos, reconhecem a recíproca pertença, a origem e o destino comuns. *Leonardo Boff é autor de Virtudes para um outro mundo possível. Vozes 2008


espaço infantil 29

Você sabia que existem animais que estão praticamente desaparecendo do planeta? Isso é, no mínimo, muito preocupante, pois qualquer espécie, animal ou vegetal, por mais simples que seja, tem muito valor para o meio ambiente e é insubstituível. Desrespeito ao meio ambiente é principal causa da extinção Quantas notícias vemos atualmente sobre desmatamento das florestas e queimadas em diversas regiões? Pense em quantos animais morrem ou ficam “desabrigados” por essas ações inconsequentes do ser humano. Fica fácil perceber que o principal motivo da extinção dos animais é a destruição de florestas, seja pelo desmatamento ou por queimadas. Só na Amazônia atualmente, a área total afetada pelo desmatamento da floresta corresponde a mais de 350 mil Km2, a um ritmo de 20 hectares por minuto, 30 mil por dia e 8 milhões por ano. A poluição também contribui para a extinção de animais, pois prejudicam diretamente o ciclo de vida de muitas espécies. Outro fator que contribui é a caça em busca de aproveitamento de partes desses animais, como por exemplo, para obtenção de carne, gordura, peles, plumas, troféus e lembranças. A coleta de ovos para venda também é bastante comum, pois gera lucro para os caçadores. O tráfico de animais também é um fator de muita preocupação: de acordo com Polícia Federal, a cada ano 12 milhões de animais, a maioria integrante da lista de espécies em extinção, são apanhados na fauna brasileira e 30% deles são enviados ao exterior. Eles são transportados em condições precárias, ficam doentes e chegam a morrer fora de seu habitat natural. Veja matéria no site do Ibama sobre o assunto: http:// www.ibama.gov.br/fauna/trafico/procedimentos.htm Lista de animais em extinção: http://www.fiocruz/biosseguranca/Bis/infantil/fauna.htm

Descubra aqui alguns animais em risco de extinção:

A C P M H Q H I

M W R R I P Q L

A Q R R A C A S

N T G W R W R T

D C O N I P A O

U L E O R T R H

A D F T A V A Y

Q S R O N A V B

W J Y J H M S R

M J A C A R E Z

Você também pode ajudar... Cada um de nós pode ajudar a combater a extinção de animais mesmo estando longe deles. Uma forma é denunciar qualquer tipo de agressão ao meio ambiente. Com relação ao tráfico de animais, fica mais fácil de contribuir: • Não compre nenhum tipo de artesanato que tenha partes retiradas de animais, como penas, couro, etc.; •Não use roupas feitas de pele de animais; • Observe que canários, maritacas e outras aves fazem parte das espécies de animais que sofrem com o tráfico, portanto, oriente amigos e parentes que tenham o hábito de manter esses animais presos em gaiolas; • Denuncie sempre que perceber ações de maus tratos e manutenção de animais em cativeiro. http://www.smartkids.com.br/especiais/animaisem-extincao.html

s

Número

8 l de 200 erca a n fi o é c At ificaram lógicas t n e d i s a io cientist s de espécies b nfia-se e co õ s e lh i D de 1,4 m o de extinção. ões, ainda s es 0 milh em proc ais de 3 parte delas em m e t s i x que e maior idas. tificar, a s tropicais úm n e d i r o p sta arecem de flore regiões la-se que desap dia. da Calcu ies, a ca c é p s e 100

Respostas: horizontal: tamanduá, ariranha e arara • vertical: jacaré e guará.

T Q V G U A R A

O que está sendo feito... No Brasil o órgão responsável por cuidar do meio ambiente e especificamente de reverter o quadro da extinção animal é o IBAMA – Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis. Este órgão fiscaliza, muitas vezes em conjunto com a Polícia Federal, tudo que é relativo ao meio ambiente, assim, está sempre de alerta para as questões do desmatamento, repressão ao tráfico de animais e possibilidades da procriação de espécies em cativeiro para diminuir o risco de extinção, neste caso, depois de crescidos os animais são introduzidos em seu habitat natural.

revista do meio ambiente abr 2010


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Foto: Luana Pagliarini e Gilson Filho

inclui hospedagem no Hotel Turrance, passagens aéreas, transfers, inscrição e city tour, na cidade de Foz do Iguaçu, PR. O Festival de Turismo das Cataratas do Iguaçu é um evento aberto à comunidade de turismo, agentes de viagens, hoteleiros, guias, estudantes, pesquisadores, representantes governamentais e da iniciativa privada. Seu principal objetivo é ser uma ferramenta de negócios, envolvendo toda a cadeia de serviços do setor turístico. VIVÊNCIA TURISTICA - MÓDULO FESTIVAL DAS CATARATAS DO IGUAÇU, entre os dias 16 e 20 de junho, Foz do Iguaçu, PR. INVESTIMENTO: R$ 920,00 - que poderá ser parcelado em três cheques de R$350,00 reais. Inclui: Estadia no Hotel Turrance (www.turrancehotel.com. br), Material do Festival, Meia Pensão, atividades do Festival Internacional do Turismo, IV Fórum Internacional de Turismo do Iguaçu, Visitas Técnicas, Atividades Sociais, I Mostra de Turismo, Feira de Turismo, Certificado de Participação, Visita a Argentina, ao Parque Nacional do Iguassu, Visita a Usina Hidrelétrica de Itaipu e a Consultoria de Agentes de Viagens. Em anexo seguem a programação. Para Maiores informações os interessados deverão entrar em contato com o Coord. Pedagógico Msc José Mauro Farias - Tels: (21) 8632-0452, (21) 2588-1644, 2588-1328 - E-mail: josemaurofarias@ig.com.br



Revista do Meio Ambiente 30