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News letter da SBM-MG - 10 de agosto de 2011 Av. João Pinheiro, 161 - Belo Horizonte/MG - Tel: (31) 3247-1613 - www.mastologiamg.org.br
O oncologista clínico Marcelo Rocha Cruz fala sobre “Biologia molecular no tratamento de câncer de mama” Entrevista a Luiz Francisco Corrêa/ Via Comunicação
O 5º Curso de Atualização em Patologia Mamária da Sociedade Brasileira de Mastologia - Regional Minas Gerais e Departamento de Anatomia Patológica da Faculdade de Medicina da UFMG foi realizado nos dias 26 e 27 de maio, em Belo Horizonte, no auditório do Hospital Mater Dei, com muito êxito. Reunidos no local, mastologistas, oncologistas, patologistas, ginecologistas, entre outros profissionais da área de saúde. A conferência de destaque foi “Biologia molecular no tratamento de câncer de mama”, proferida pelo Dr. Marcelo Rocha Cruz, oncologista clínico do Centro Avançado de Oncologia do Hospital São José, de São Paulo. Veja, a seguir, entrevista com o palestrante. De que forma a biologia molecular tem-se configurado eficiente no tratamento do câncer de mama? O estudo da biologia molecular do câncer de mama é algo que vem se desenvolvendo ao longo dos últimos dez anos. Os dados começaram a se consolidar a partir de 2009 e, sem dúvida, é uma ferramenta eficaz para um grupo de pacientes. A biologia molecular pode, sim, ajudar a definir não só quem precisa realmente receber um tratamento adjuvante sistêmico, como a quimioterapia, assim como, também, pode definir o tratamento a ser ministrado num futuro próximo, bem como os medicamentos, ou seja: a biologia molecular tem um valor muito grande no sentido de definir para quem dar o remédio e qual o remédio deve ser utilizado. Nesse sentido, o que existe de mais objetivo?
Dr. Marcelo Rocha Cruz: perspectivas da biologia molecular
Atualmente já existem alguns testes, que chamamos de assinaturas genéticas, disponíveis para utilização na prática clínica, sendo o principal deles o Oncotype DX que já utilizado em São Paulo. Para alguns casos selecionados de pacientes com diagnóstico de câncer de mama, nós solicitamos este exame com o objetivo de definir qual terapia adjuvante deve ser realizada. Na prática, quando a biologia molecular estará mais facilmente disponível? Na realidade, assinaturas genéticas disponíveis atualmente são indicadas para um grupo específico de pacientes, aquelas com tumores que apresentam receptores hormonais positivos e ausência de invasão tumoral nos linfonodos axilares. A tendência é que novos estudos científicos indiquem o benefício do uso destas ferramentas em outros grupos de tumores de mama, como, por exemplo, nas pacientes com linfonodos axilares positi-
vo. Certamente, as assinaturas genéticas também se tornarão cada vez mais acessíveis em laboratórios menores e não só nos grandes e internacionais. O estudo da biologia molecular vai ajudar muitos pacientes com câncer de mama, pois esta é uma doença de alta incidência. É importante lembrar que o desenvolvimento dos estudos sobre a biologia molecular ocorre em praticamente todos os tipos de câncer. Temos acompanhado, por exemplo, importantes avanços nos estudos do câncer de pulmão e nos tumores gastrointestinais e cerebrais. Tornar essa ferramenta como uma forma de definir as terapias e a evolução da doença é o diferencial que está acontecendo com o câncer de mama e que deverá acontecer, num futuro próximo, com outros tipos de tumores. Com o tempo, o método ficará mais acessível. Qual mensagem o senhor deixa para os mastologistas mineiros reunidos neste evento? A principal mensagem é que o tratamento do câncer de mama e de qualquer outro tipo de tumor é multidisciplinar. Portanto, deve haver uma grande interação entre o mastologista, o patologista, o radioterapeuta e o oncologista clínico. Por esta razão é que o curso de patologia mamária, que reúne todos esses especialistas, é tão importante. Com a interação entre os diversos profissionais vamos conseguir juntos, utilizar os benefícios que os métodos de biologia molecular oferecem e proporcionar o melhor tratamento às pacientes.