Ponto de Apoio Anuário

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A história que a arquitetura conta PASSEIO PELA HISTÓRIA Um resgate de momentos inspiradores do passado e apostas para o futuro

AMBIENTES INSPIRADORES 17 projetos cheios de personalidade assinados por profissionais selecionados

NOVOS TALENTOS Oito projetos desenvolvidos por jovens arquitetos que despontam no mercado

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links clicáveis ao longo do anuário para facilitar a navegação


EDITORIAL

Grandes transformações, novas oportunidades

Marinice Bettega Diretora de Marketing da Associação Ponto de Apoio

Do Zigurate de Ur aos mais modernos edifícios do século 21, o ser humano utiliza a arquitetura como forma de abrigo, expressão, adoração e evolução. Olhar atentamente para a organização das cidades e as construções ao redor do mundo é como viajar pela história da humanidade. Séculos depois da sua criação, as pirâmides do Egito, o Partenon e outras incomensuráveis edificações pelo globo podem ser conferidas de perto como a lembrança concreta dos desejos de antigas civilizações. Mais do que memórias, construções históricas também revelam permanências na arquitetura do presente. Criações de construtores e arquitetos separados temporalmente de nós em centenas ou mesmo milhares de anos seguem inspirando gerações de profissionais não só da arquitetura, mas também da arte, da moda, do design e de tantas outras áreas. A história nos ensina que tempos de grandes rupturas e mudanças também são tempos de novas oportunidades. Vivemos um período de grandes desafios, e cabe a nós projetar um futuro que possa diminuir distâncias e reinventar histórias. Nesta edição do anuário da Associação Ponto de

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Apoio, abrimos espaço para honrar o passado e celebrar o novo. Refletimos sobre a influência do que veio antes de nós e apresentamos tendências e reflexões sobre o que virá adiante com o auxílio do aclamado arquiteto italiano Carlo Ratti, professor do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) e diretor do MIT Senseable City Lab, grupo de pesquisa que explora como as novas tecnologias estão mudando a maneira como entendemos, projetamos e vivenciamos as cidades.

A Associação de Decoração Ponto

Nesta edição, destacamos projetos assinados por profissionais parceiros. São ambientes cheios de personalidade, com estilos que variam do clássico ao contemporâneo, da paleta sóbria até a mais colorida. Todos aliam personalidade e conforto a detalhes únicos expressos no mobiliário exclusivo e peças de arte. Nas próximas páginas você confere também oito projetos de jovens talentos, assinados por arquitetos de até 32 anos que estão despontando no mercado, além de uma entrevista sobre multipotencialidade com a arquiteta, artista plástica e musicista Raísa Bueno, e um delicioso relato parisiense da jornalista e cronista Ana Clara Garmendia. Fique atento: nosso anuário digital é interativo, e tem vários links clicáveis para facilitar a navegação.

final por meio do Selo Ponto de

de Apoio é formada por lojas de decoração de Curitiba. Desenvolvemos, desde 2003, um trabalho de valorização de arquitetos e designers de interiores por meio de concursos, publicações de projetos, palestras e intercâmbio nacional e internacional. Junto às lojas associadas, a associação também serve como um balizador de qualidade para o consumidor Apoio, que assegura a excelência dos produtos, do serviço e do atendimento fornecido pelas empresas associadas. Av. Batel, 1230. Curitiba/PR (41) 3018-9720 contato@pontodeapoio.org.br www.pontodeapoio.org.br instagram.com/pontodeapoiocuritiba facebook.com/associacaopontodeapoio

Boa leitura! 2021 PONTO DE APOIO

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SUMÁRIO

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Projetos em destaque

Capa A evolução da arquitetura

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ANDRÉ BERTOLUCI

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CLAUDIA PIMENTEL BUENO E RAÍSA BUENO

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ELAINE ZANON E CLAUDIA MACHADO

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JOCYMARA NICOLAU E ANDRÉA POSONSKI

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SÉRGIO VALLIATTI E LUCIANA PATRÃO VALLIATTI

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VIVIANE LOYOLA

Ana Clara Garmendia Da vida simples em Paris

55 Entrevista com jovem profissional multitalento Entre tintas, melodias e compassos

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Projetos Parceria+

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BIANCA LOMBARDI

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CARLA RIBAS E CAMILLA MOTA

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CAROLINE BOLLMANN

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DEBORAH NICOLAU

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FLÁVIA BONET

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ISIS VIRMOND

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JAQUELINE ZENI E BIANCA YUMI

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LARISSA GOMES

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SAMARA BARBOSA

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SUMARA BOTTAZZARI

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TALITA NOGUEIRA

Novos Talentos 2020

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CAMILA KRIEGER E LUIZA MONCLARO

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CAROLINA BONETTI

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FABIO PETILLO

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GABRIELA CASAGRANDE

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TACIANA NAKALSKI

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TATIANA RAVACHE E LAURA RIBAS

EDGARD CORSI E ANA CAROLINA BOSCARDIN KATHERINE WEBER E NICOLLE NOGUEIRA

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A arquitetura que constrói a história e projeta o futuro Em uma época de redefinições sobre os modos de morar e viver, resgatamos momentos transformadores do passado que, assim como o nosso presente, trouxeram grandes desafios para a humanidade e alteraram a trajetória da arquitetura, arte, moda e do design TEXTO: STEPHANIE D’ORNELAS

Pirâmides de Gizé, Gizé, 2613-2563 a.C.

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A arquitetura evolui junto com as transformações de seu tempo. A crescente busca por cidades e edificações mais inteligentes, sustentáveis e humanas reflete o espírito de uma época de efervescentes mudanças sociais e culturais. A atuação arquitetônica é indissociável dos acontecimentos do presente, e fundamental para moldar o futuro que desejamos. Da mesma maneira, vestígios do passado podem ser observados mesmo nos mais tecnológicos e inventivos ambientes construídos da contemporaneidade, do High Line, o parque suspenso nova-iorquino, aos colossais arranhacéus de Dubai. Para seguir em frente, é indispensável entender o que veio antes de nós. Foi necessário que Leonardo da Vinci desenhasse o homem vitruviano no século 15 para que Le Corbusier desenvolvesse seu homem modulador na década de 1940. O Império Romano, que construiu as maiores cidades que o mundo já vira com métodos de engenharia superiores ao que existia até então, inspirou-se na arquitetura grega, produzindo técnicas únicas a partir dela. Sem a arquitetura

gótica, não haveria o barroco ou o rococó como os conhecemos, assim como a arquitetura contemporânea não seria a mesma sem o modernismo. Cada movimento dialoga com seus antecessores, tentando melhorá-los ou se afastando deles. As construções e cidades que vemos hoje refletem a trajetória da humanidade. Mas a história também acontece agora: estamos vivenciando o período que apresenta os maiores desafios e as transformações mais impactantes do século 21 até o momento. Seja no espaço público ou no ambiente doméstico, arquitetos e urbanistas são convidados a repensar os locais onde habitamos, trabalhamos e coexistimos. Se antes, no ritmo acelerado da vida, a residência era sinônimo de dormitório para muitos, os novos tempos nos obrigaram a diminuir a velocidade e redescobrir o interior desse lar em tempo integral. Para além dos muros das habitações, as cidades também passaram a ser vistas sob uma nova perspectiva: as vulnerabilidades urbanas ficaram mais evidentes, mas soluções

Partenon, Atenas, 447-436 a.C a.C.

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resilientes surgem em velocidade inédita para superá-las. Em entrevista para a Ponto de Apoio, o arquiteto italiano Carlo Ratti, professor de planejamento e tecnologias urbanas do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) e diretor do MIT Senseable City Lab, afirma que longe de tornar as cidades obsoletas, como alguns previram no início, a pandemia abriu um potencial cada vez mais amplo para o renascimento — o que o economista Joseph Schumpeter chamou de “destruição criativa” em escala urbana. “A pandemia acelerou o ritmo da inovação urbana, comprimindo o que levaria anos em meses, ou mesmo semanas. Além de destacar as falhas nos sistemas urbanos prépandêmicos, como altos níveis de poluição, permitiu que os líderes da cidade contornassem burocracias complicadas e respondessem com muito mais eficiência às necessidades das pessoas e empresas”, avalia o arquiteto. A época em que vivemos é complexa e desafiadora, mas a história da humanidade nos mostra que em momentos de ruptura a humanidade se adaptou, criou, transformou. Epidemias do passado, como a da gripe de 1918, da cólera e da tuberculose, fizeram com que governos adotassem medidas sanitaristas que foram incorporadas desde a esfera do urbanismo — como o saneamento das cidades e o deslocamento dos depósitos de lixo para longe dos centros urbanos — até a do espaço doméstico — com, por exemplo, a popularização do uso de azulejos para facilitar a limpeza da casa, a substituição de baús por armários e a criação Coliseu, Roma, 68-79 d.C.

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do lavabo para evitar o compartilhamento de banheiros da família com visitas. Mudanças criadas décadas ou mesmo séculos atrás refletem no nosso cotidiano até hoje. Evocamos aqui cinco momentos de rompimento com o passado que levaram a grandes transformações, dos passos iniciais da arquitetura na Grécia Antiga até a atualidade, incluindo apostas de Ratti para o futuro das cidades. É um lembrete de que grandes mudanças trazem também novas oportunidades.

O clássico que atravessa os séculos Ordem, harmonia e perfeição geométrica são marcas da arquitetura clássica que foi criada e desenvolvida na antiguidade grega e romana. Mesmo nascido milênios de anos atrás, o estilo clássico não ficou preso ao passado — na realidade, ele nunca saiu da história. Obras imponentes como o Partenon, que resiste em Atenas há quase 2.500 anos, e o Panteão, no coração de Roma há quase 19 séculos, continuam fascinando e inspirando arquitetos de todo o mundo. Reflexo disso são edificações que trazem elementos baseados neste período que fazem parte do cotidiano das cidades contemporâneas, desde o prédio histórico da Universidade Federal do Paraná, em Curitiba, até a Casa Branca, residência oficial do presidente dos Estados Unidos, em Washington. Bruno Perenha, arquiteto e especialista em História da Arte e Arquitetura pelo Birkbeck College, da Universidade de


Andrew Baldwin

Panteão, Roma, 118 d.C.-c.128

Londres, reside há mais de três anos na capital inglesa e nota como, ainda hoje, são construídos diversos edifícios em linguagem clássica na metrópole. “No centro de Londres, conseguimos encontrar várias edificações com essa linguagem clássica, em que podem ser identificados elementos como frontão, colunas com caneluras e capitéis. A função mudou, é claro que não são mais aqueles templos gregos do passado onde deuses eram adorados, mas a linguagem permanece a mesma, com diferentes materiais e técnicas construtivas”, aponta. Embora hoje seja amplamente reconhecido pelos historiadores que as estátuas e os templos do período clássico eram originalmente coloridos com tons vivos, por séculos se acreditou que eles eram brancos e acinzentados, já que as tinturas vibrantes se desgastaram com o passar do tempo, revelando a superfície alva dos materiais. Essa crença levou arquitetos renascentistas e

neoclássicos a adotarem o branco em edificações que referenciam o passado grecoromano, influenciando o modo como a cor é utilizada na arquitetura até hoje. “O Neoclassicismo é um movimento que começa no século 18 e se espalha por todo o período subsequente até a nossa contemporaneidade. O branco, usado desde a antiguidade grecoromana, é a cor que vai influenciar os arquitetos neoclássicos, e consequentemente a arquitetura dos nossos dias”, comenta Perenha. Muito além da arquitetura, foi na Grécia e em Roma que surgiu a base do pensamento jurídico, político e filosófico do Ocidente. Até o que enxergamos hoje como belo tem influências clássicas, um conceito que na arte grega era baseado em um ideal de simetria, proporção, harmonia, equilíbrio e graça. A ideia de beleza é ampla e não é imutável, nem um valor absoluto, mas a busca pela estética grega acompanhou muitos momentos não só da história arquitetônica, mas também da arte, do design e da moda.

Hagia Sophia, Istambul, 532-537 Basílica de São Pedro, Vaticano, 1506-1626

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Renascimento de ideias

ARTE E VESTUÁRIO NA ANTIGUIDADE Na arte, os gregos são considerados mestres nas esculturas, mas um fato menos conhecido é que também havia entre eles excelentes pintores — muitos eram inclusive mais famosos naquele período que os colegas escultores. Essas pinturas podem ser observadas principalmente em decorações de cerâmica, como vasos que eram destinados ao armazenamento de vinho ou azeite. Sejam nas representações artísticas bi ou tridimensionais, as obras gregas revelam figuras humanas idealizadas e dão informações sobre como era o vestuário da época. Assim como nas artes, a beleza das formas humanas também era realçada pela maneira como as roupas eram utilizadas. A indumentária mais característica da Grécia Antiga foi o quíton, feito a partir de um retângulo de tecido que era drapeado de forma a salientar o corpo. A túnica, que era mais comprida para mulheres, é a origem do vestido moderno, de acordo com o pesquisador em filosofia e moda Brunno Almeida Maia. Foi na Antiguidade Clássica que surgiu pela primeira vez no Ocidente a distinção entre o que cada grupo social poderia ou não vestir. No Império Romano, que adquiriu muitos dos valores gregos, a peça de maior destaque foi a toga. Muito mais do que um traje de adorno e proteção, ela indicava a posição social dos romanos: seu uso era proibido a estrangeiros e escravos, e quanto mais volumosa era a indumentária, maior era o nível de prestígio de quem a vestia.

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A Despedida do Guerreiro, c. 510-500 a.C.

O Renascimento representou um divisor de águas para a arquitetura. O período que redescobriu a cultura greco-romana em meados do século 14 colocou o homem como “a medida de todas as coisas”, como diria Protágoras, e é para o ser humano que a arquitetura deveria ser feita. Se até o período gótico boa parte dos arquitetos eram anônimos, é na Renascença que eles passam a ganhar ênfase pelo seu papel e individualidades. Um exemplo disso é o Tempietto, edificação romana feita por Donato Bramante no ano de 1502 em homenagem ao apóstolo Pedro. “Ali a gente

Vênus de Milo, c. 200 a.C. Taj Mahal, Agra, 1630-1653


Herbert Frank

O RENASCIMENTO DA ARTE

Filippo Brunelleschi. Zimbório da Catedral de Florença, c. 1420-36

vê um abuso da individualidade do arquiteto, que realmente projetou um edifício da maneira como ele bem entendia, colocando diversos toques pessoais. A liberdade do arquiteto é muito significativa nesse período, e esse legado da Renascença é muito importante nos dias de hoje”, explica Perenha. Foi também neste momento da história que o arquiteto Filippo Brunelleschi desenvolveu de maneira matematicamente fundamentada a perspectiva linear, que levou a grandes mudanças na maneira de pensar e projetar o espaço, possibilitando novas técnicas de construção e formas estruturais. Um marco do período é a cúpula da Catedral Santa Maria del Fiore, em Florença, obra mais notável de Brunelleschi, que a projetou em formato ogival com linhas curvas convergindo para o cume. Portão de Brandemburgo, Berlim, 1789-1793

A descoberta das leis matemáticas da perspectiva dominou não só os projetos arquitetônicos, mas toda a arte dos séculos subsequentes — apontando para uma das inumeráveis relações entre a arte e a arquitetura ao longo da história. A partir desse conhecimento, aliado a outros recursos visuais ilusionistas, os artistas renascen­tistas conseguiram retratar cenas que transmitiam a ideia de profundida­ de do espaço tridimensio­nal em uma superfície plana. Uma das primeiras pinturas produzidas de acordo com essa ciência da representação foi “A Santíssima Trindade com a Virgem, S. João e doadores”, um mural assinado por Masaccio localizado em uma igreja em Florença, cidade berço do Renascimento. Com o passar das décadas, o abandono das ideias medievais se espalhou da Itália para toda a Europa. Embora cada região tenha desenvolvido um processo renascentista particular, cada um desses muitos “renascimentos” se uniu pelos ideais de valorização do ser humano e da natureza em oposição ao divino e sobrenatural. Assim como ocorreu com os arquitetos, é neste período intermediário entre a Idade Média e a Idade Moderna que os artistas passaram a gerir sua própria capacidade de execução e criatividade como indivíduos autônomos.

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OS NOVOS ESTILOS DO SÉCULO 20

Paisagem de ferro

Os artistas modernistas foram incansáveis em suas experimentações que resultaram em uma série de novos estilos, que buscaram romper com a exigência de origem renascentista de reproduzir “o que viam” — da maneira mais foto­ gráfica possível — na pintura. Os pós-impressio­ nistas abrem o caminho para os movimentos de vanguarda, que experimentam o dadaísmo irôni­ co que insere o caos de uma sociedade em guer­ ra na arte; o surrealismo que apresenta um mun­ do para além do mimético; o expressionismo abstrato que rompe com a pintura de cavalete e a arte pop que se apropria de elementos gera­ dos pela sociedade de consumo. Enquanto isso, na moda, a massificação e o prêt-a-porter trans­ forma a forma de produção de roupas de maneira definitiva. No início do século 20, Coco Chanel provocou extraordinárias transforma­ ções, que incluíam a simplificação de roupas em linhas retas, a silhueta feminina, a informali­ dade e a simplicidade. A partir dos anos 60, com a ascensão do movimento da contracultu­ ra que exaltou a juventude, surge um novo esti­ lo que se contrapõe ao classicis­mo chanelia­no, representado pelo fran­ cês André Courrèges, considerado um “arqui­ teto da moda” pela sua preocupação com a forma das roupas. Foi ele um dos responsá­ veis pela populariza­ ção da minissaia, que causou alvoroço entre os mais recatados que viveram na épo­ ca dos Beatles, e que posterior­ mente se trans­ formou em um ícone fashion.

A Revolução Industrial surgiu no fim do século 18 como um novo Renascimento — mas diferente do original, pautado no passado greco-romano, tinha olhos exclusivamente voltados para o futuro. A arquitetura construída até ali foi desafiada pelo surgimento de novos modos de construção e materiais, como ferro fundido, aço e vidro, que passaram a ser produzidos em escala industrial. A edificação mais marcante do período foi o Palácio de Cristal, um dos edifícios mais radicais e importantes de todos os tempos nas palavras do crítico e escritor de arquitetura britânico Jonathan Glancey, que em seu livro A História da Arquitetura o descreve como “o Parthenon da Revolução Industrial”. Inaugurada em 1851, a enorme edificação em ferro fundido e vidro foi erguida no Hyde Park, em Londres. Alguns anos depois, o edifício foi transferido para Sydenham Hill, no sul da cidade, e lá permaneceu até 1936, quando foi destruído por um incêndio. A obra foi o prenúncio dos grandes edifícios envidraçados que surgiriam a partir do século 20, e inspirou diretamente outras edificações icônicas, como o edifício high-tech londrino Lloyd’s Building, de Richard Rogers. A bela estufa envidraçada do Jardim Botânico de Curitiba também foi baseada no Palácio de Cristal, assim como o Palácio de Cristal localizado em Petrópolis e o Palácio de Cristal del

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A Sagrada Família, Barcelona, a partir de 1882


Philip Henry Delamotte

Palácio de Cristal, Londres, 1850-1851

Retiro, em Madrid. Outro ícone do período industrial é a Torre Eiffel, símbolo de Paris, construída como o arco de entrada da Exposição Universal de 1889. A Revolução Industrial pode ter trazido imensos avanços técnicos e tecnológicos para o mundo, mas nem todos estavam satisfeitos com as mudanças trazidas pelas grandes indústrias. Enquanto os engenheiros ganhavam os holofotes projetando estruturas grandiosas da maneira mais rápida e barata que o mundo já vira, muitos arquitetos da época resistiram a adotar a nova linguagem da civilização industrial, enquanto artesãos temiam ser descartados com a produção de móveis e objetos em larga escala. Um dos mais veementes críticos da industrialização em seus primórdios foi William Morris, que na segunda metade do século 19 liderou o movimento estético Arts and Crafts, um dos mais importantes períodos da história

do design. “O Arts and Crafts é uma espécie de reação a toda essa industrialização que estava sendo imposta para esses profissionais e arquitetos. Eu diria que o grande legado desse movimento foi a retomada do trabalho manual em contraposição aos excessos da indústria”, explica Perenha. De volta à atualidade, o consumo foi uma das áreas mais impactadas durante a pandemia, e a preferência pelo consumo local e responsável vem ganhando cada vez mais força. Comprar de quem faz e valorizar esse tipo de produção é uma tendência que encontra precedentes nos valores defendidos pelo Arts and Crafts. Na moda, esse movimento pode ser observado na tendência slow fashion, que prega o consumo consciente de roupas e acessórios, contrapondoEdifício Empire State, se ao fast fashion, uma Nova York, das indústrias que mais 1929-1931 polui o meio ambiente.

Torre Eiffel, Paris, 1887-1889

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ARTE E MODA EM UM MUNDO VELOZ

Vida moderna

A Revolução Industrial também ocasionou uma revolução na maneira como as pessoas se vestiam. Os tecidos e roupas, que até então eram produzidos artesanalmente, passaram a ser fabricados de maneira muito mais rápida — e barata — por meio de máquinas, como a spinning mule. Foi a industrialização que permitiu o surgimento da moda pautada pela transitoriedade. Se no mundo antigo as indumentárias representavam a continuidade da tradição e marcavam posições de hierarquia e autoridade, o início da modernidade ocidental trouxe consigo a moda como fenômeno social de expressão individual, que passa a exprimir o espírito de uma época de culto ao presente e à novidade.

Entre o fim do século 19 e início do 20, os arquitetos exploraram uma arquitetura que rompeu com tudo o que havia sido feito até ali. Surge então o período conhecido como modernismo, que propôs uma arquitetura mais racional, funcional, orgânica e humana. Além dos novos materiais trazidos pela Revolução Industrial, como ferro, aço e vidro, o concreto armado possibilitou inovações nas formas de projetar edificações. “O uso do concreto armado muda para sempre a história da arquitetura, porque a partir desse momento você pode trabalhar com o concreto de uma maneira muito mais moldável. Oscar Niemeyer é o grande exemplo disso no Brasil, ele vai fazer o uso massivo do concreto armado em diversas das suas edificações”, aponta Perenha. Não há como falar sobre modernismo sem citar a Bauhaus, considerada a primeira escola de design do mundo. Fundada em 1919 na Alemanha, a instituição surgiu com o objetivo de unir o mundo artesanal do Arts and Crafts à produção industrial, unificando disciplinas artísticas e arquitetônicas para promover uma formação completa ao aluno. “A Bauhaus foi uma escola revolucionária em todos os sentidos. Hoje, nas faculdades de arquitetura, temos ateliês como algo comum, é impossível imaginá-las sem eles, e é na Bauhaus que a ideia de ateliê foi desenvolvida. É lá que o aluno começa a fazer esse trabalho mais prático, pegar os materiais com a mão, pensar em diversas formas a partir do uso deles”, afirma o especialista em História da Arquitetura.

Enquanto na Idade Média as leis suntuárias regulamentavam a aparência, impondo o uso de vestimentas distintas para as diferentes classes e grupos sociais, na Idade Moderna a burguesia utiliza as tendências para se distinguir dos trabalhadores, que por sua vez buscavam imitar os mais abastados, que criavam novas tendências de forma cíclica. A revolução pós-industrialização também foi expressiva no campo artístico. O tempo acelerado que começou a ser ordenado pela produção fabril e que foi questionado pelo Arts and Crafts passa a ser tema das artes visuais, como no paisagismo romântico que manifesta a percepção alterada por um mundo cada vez mais veloz, e que abre as portas para o impressionismo e a arte moderna.

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Instituto Bardi/Reprodução Divulgação Bauhaus Dessau

Lina Bo Bardi. Casa de Vidro, São Paulo, 1950-1951

Walter Gropius. Edifícios Bauhaus, Dessau, 1925-1926

Outro grande legado da Bauhaus para o século 21 é a unificação das disciplinas, até hoje almejada em currículos de faculdades de arquitetura do Brasil e do mundo. “Walter Gropius, fundador da Bauhaus, buscou aquilo que conhecemos como “total work of art”, que levava uma formação holística para o aluno, que sabia pensar o design de uma colher e ao mesmo tempo o projeto arquitetônico de uma residência”. Três arquitetos modernos se consolidaram como os maiores do século 20: o mestre do minimalismo Mies Van Der Rohe, o idiossincrático Frank Lloyd Wright e o inventivo Le Corbusier. O último formulou os cinco pontos da arquitetura moderna, que continuam presentes nos mais variados projetos contemporâneos: o pilotis, a planta

livre, a fachada livre, as janelas em fita e o terraço jardim. “A fachada livre permitiu que os arquitetos trabalhassem a fachada do jeito que preferissem, já que ela não cumpria mais função estrutural. A partir disso, muitos profissionais começaram a projetar fachadas completamente feitas em vidro, como a sede da Bauhaus em Dessau. Isso vai ser muito importante para a arquitetura moderna porque cria essa conexão do ambiente interno com o externo. No Brasil, isso ganhou muito destaque por ser um país de clima tropical, onde o sol reina praticamente o ano todo. A Casa de Vidro de Lina Bo Bardi, por exemplo, é um edifício de extrema conexão com a natureza”.

Casa da Ópera, Sydney, 1957-1973

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Novo normal: o retorno à casa Estamos vivendo um momento de profundas mudanças na maneira como nos relacionamos com nossas casas e o espaço ao nosso redor. De modo repentino, o espaço residencial teve que assumir novas funções: de escritório, lazer e até escola. Dentro dessa configuração, os desejos de habitação também mudaram. Uma pista disso são os dados do mercado imobiliário, que registram aumento na busca por casas e apartamentos mais amplos. De acordo com levantamento da imobiliária digital QuintoAndar em parceria com o instituto Offerwise divulgado em fevereiro de 2021, caso precisassem se mudar agora, 19,5% dos brasileiros escolheriam uma casa maior. Além disso, 31,8% sentiram necessidade de ter um escritório em casa, 28,4% passaram a dar mais importância para a área verde ao entorno do imóvel e 25% a áreas de lazer em casa. Com a adoção do home office por muitas empresas e sem a necessidade de morar perto do trabalho, cresce também a demanda por imóveis longe dos centros urbanos, que possam oferecer mais qualidade de vida e melhor custo-benefício. As cidades também despertam novos desejos de seus habitantes para os espaços públicos, como mais ambientes ao ar livre e que permitam a mobilidade ativa. A tendência da formação de cidades multicêntricas — com bairros autossuficientes em que as oportunidades de trabalho e serviços são melhor distribuídos — também se fortalece no período de pandemia, na opinião de Ratti. “Não desejamos, todos nós, que a cidade esteja um pouco mais próxima? E se

Pirâmide de Vidro, Paris, 1983-1989

Lars Kruger

Carlo Ratti está à frente do Senseable City Lab, que estuda e prevê como a tecnologia digital está alterando a forma como projetamos e ocupamos as cidades.

construíssemos bairros onde tudo que precisamos — o supermercado, a escola, o escritório e até o parquinho — estivesse a quinze minutos de distância a pé ou de bicicleta? É por isso que sou um defensor da cidade de quinze minutos, inicialmente concebida por meu amigo Carlos Moreno em Paris. A ideia visa reorganizar o espaço físico em torno da experiência humana do tempo. Cada bairro é uma isócrona, uma área que pode ser explorada no mesmo período de tempo. Essa abordagem tem benefícios


Carlo Ratti Associati

Assinado pelo escritório Carlo Ratti Associati, BIOTEC (2017-2020) é um projeto de distrito tecnológico para Brasília que propõe transformar as superquadras da capital federal com inovação, tecnologia e imersão na natureza.

evidentes para a sustentabilidade e a habitabilidade, e está sendo implementada em novos empreendimentos de Paris a Portland, entrelaçando cada parte da cidade em um todo que pode ser percorrido e vivido”, aponta o diretor do MIT Senseable City Lab. Ratti acredita em uma arquitetura póspandêmica ainda mais conectada com as tecnologias da Internet das Coisas (IoT), que possibilitam a geração de grande quantidade de dados que podem ser utilizados para tomar melhores decisões e desenvolver projetos relevantes para as cidades. “Em geral, a arquitetura costuma ser descrita como uma espécie de “terceira pele”, além da nossa própria pele biológica e de nossas roupas. No entanto, por muito tempo ela funcionou como Museu Guggenheim, Bilbao, 1993-1997

um espartilho: uma adição rígida e intransigente ao nosso corpo. As tecnologias da IoT têm o potencial de transformar tudo isso, dando forma a um ambiente infinitamente reconfigurável. No futuro, poderíamos imaginar uma arquitetura que se adapta às necessidades humanas, ao invés do contrário — um espaço flexível que é moldado às necessidades e desejos de seus habitantes”. Em meio a tantas mudanças que estão impactando o planeta, as transformações das cidades não são opcionais. Quais serão as mudanças que permanecerão para o futuro? É preciso colocá-las em prática para entender o que funciona, opina Ratti. “Não há como saber qual transformação urbana é a melhor, a menos que a testemos”.


EXPRESSÕES CONTEMPORÂNEAS Divulgação

A tecnologia também se integra das mais diversas formas à arte contemporânea, conectando pessoas a obras de arte a partir de experiências multissensoriais inéditas na história da humanidade. Um exemplo disso são as exposições imersivas, que utilizam elementos como projeções e Instalação “Beyond Infinity” do artista, arquiteto e urbanista francês Serge Salat, integrou a exposição de arte imersiva “Além do Infinito” no Farol Santander, em São Paulo. realidade virtual para levar o espectador a um novo campo de experimentação. Em tempos de florescente valorização de artistas e distanciamento social, a tecnologia também permite artesãos brasileiros. Isso pode ser que, sem sair de casa, o público possa visitar os observado por meio de lojas de principais museus do mundo. Com a plataforma decoração, galerias e feiras locais que Google Arts & Culture, por exemplo, é possível fazer dão cada vez mais destaque a artistas e uma visita virtual às mais recentes exposições do designers independentes que exaltam a Museu Oscar Niemeyer e até conferir as mais identidade brasileira em criações importantes coleções do Museu do Louvre. A autorais, cada vez mais cobiçadas pelos crescente tendência de consumo local, fortalecida amantes de arte, arquitetura e design. pela pandemia, também pode ser percebida com a

Museu Oscar Niemeyer, Curitiba, 2000-2002

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Projetos em destaque

ANDRÉ BERTOLUCI

CLAUDIA PIMENTEL BUENO E RAÍSA BUENO

ELAINE ZANON E CLAUDIA MACHADO

JOCYMARA NICOLAU E ANDRÉA POSONSKI

SÉRGIO VALLIATTI E VIVIANE LOYOLA LUCIANA PATRÃO VALLIATTI


ANDRÉ BERTOLUCI 20 PONTO DE APOIO 2021


Fotos: Eduardo Macarios

ANDRÉ BERTOLUCI • ANDRÉ BERTOLUCI ARQUITETURA E INTERIORES • Rua Padre Anchieta, 1691 - SALA 1707 – CURITIBA/PR • (41) 3039-2021 - (41) 99931-3266 • andre@andrebertoluci.com.br • www.andrebertoluci.com.br • www.instagram.com/andrebertoluciarquitetura • www.facebook.com/andrebertoluciarquitetura • 2021 PONTO DE APOIO

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CLAUDIA PIMENTEL BUENO E RAÍSA BUENO


Fotos: Matheus Kaplun

CLAUDIA PIMENTEL BUENO E RAÍSA BUENO • INTERARQUIT ARQUITETOS ASSOCIADOS • Rua Chile, 644 - Curitiba/PR • (41) 3334-2726 - (41) 99977-3290 • interarquit@yahoo.com.br • www.interarquit.com.br • www.instagram.com/interarquitarquitetos • www.facebook.com/INTERARQUITARQUITETOS 2021 PONTO DE APOIO

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24 PONTO DE APOIO 2021

ELAINE ZANON E CLAUDIA MACHADO


Fotos: Eduardo Macarios

ELAINE ZANON E CLAUDIA MACHADO • ARQUITETARE - ELAINE ZANON & CLAUDIA MACHADO ARQUITETOS ASSOCIADOS • Rua Rockefeller,736 – Rebouças - Curitiba/PR • (41) 3013-5521 - (41) 99932-9857 • arquitetare@arquitetare.com.br • www.arquitetare.com.br • www.instagram.com/arquitetareoficial • www.facebook.com/arquitetare.arquitetosassociados • 2021 PONTO DE APOIO

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26 PONTO DE APOIO 2021

JOCYMARA NICOLAU E ANDRÉA POSONSKI


Fotos: Dea Fylyk

JOCYMARA NICOLAU E ANDRÉA POSONSKI • NP ARQUITETURA • Rua Buenos Aires, 441 – cj. 111 - Curitiba/PR • (41) 3324-8592 (41) 99996-1244 - (41) 99649-1244 • jocymara@np.arq.br • andrea@np.arq.br • www.np.arq.br • www.instagram.com/nparquitetura • www.facebook.com/nparquiteturaeinteriores • 2021 PONTO DE APOIO

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28 PONTO DE APOIO 2021

SÉRGIO VALLIATTI E LUCIANA PATRÃO VALLIATTI


Fotos: Celso Pilati

SÉRGIO VALLIATTI E LUCIANA PATRÃO VALLIATTI • VALLIATTI TOMASI & PATRÃO • Rua Belo Horizonte, 434 - Curitiba/PR • (41) 3342-6861 - (41) 99987-7689 • contato@valliattipatrao.com.br • www.valliattipatrao.com.br • www.instagram.com/valliattipatrao • www.facebook.com/valliattipatrao • 2021 PONTO DE APOIO

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VIVIANE LOYOLA 30 PONTO DE APOIO 2021


Fotos: Marcelo Stammer

VIVIANE LOYOLA • VIVIANE LOYOLA ARQUITETOS ASSOCIADOS • RuaLuisa Dariva, 40 - sala 1802 - Curitiba/PR • (41) 3079-3702 - (41) 99242-5600 • escritorio@vivineloyola.arq.br• www.vivianeloyola.arq.br • www.instagram.com/viviane_loyola • www.facebook.com/vivianeloyolaarquitetura • 2021 PONTO DE APOIO

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Ana Clara Garmendia DA VIDA SIMPLES EM PARIS Pelo reflexo do espelho da sala onde estou, vejo os telhados de Paris enfileirados com suas chaminés e pequenas janelas disformes. Elas são uma das marcas registradas dessa cidade que nesse segundo ano de pandemia é minha casa no mundo. Não é o meu lugar definitivo, não só ela, a cidade, a casa, o que me abriga e abraça, até porque não gosto de deixar para trás outras paragens que amo igualmente estar e por contingências inexplicáveis acabei não estando hoje. Adoro várias, considero-as igualmente, quando lá estou. Why? Porque estou aqui sozinha tão longe de tudo escrevendo livros e retratando o momento? Porque simplesmente Paris deu espaço para minha alma se acalmar. Quando vim pela primeira vez, acho que era 1999, detestei o cinza que agora vejo pelo espelho e tanto me nutre. Como explicar que, sem nunca ter feito sequer um plano de vida aqui eu tenha realmente estabelecido uma ligação tão forte de pertencimento a essa cidade que fala muitas línguas e onde a cultura é quase a oposta a do meu país de nascença? É bem simples. Sem frescura alguma, bem, quase. Paris é associada ao luxo e mil e uma regras de viver em sociedade com ele. Muita gente ama e mata por Paris ou para dizer que esteve ou conhece a cidade como ninguém. Na real, essa Paris esnobe existe muito mais no imaginário e na rotina de pessoas que não vivem aqui. Para quem pega metrô, tem filhos na escola, faz farmácia, supermercado, médico e vaga pelas ruas dos bairros e agora ainda POR CIMA vive uma 32 PONTO DE APOIO 2021

pandemia, onde o supérfluo implodiu com o fechamento de tudo que não é essencial e o sumiço dos turistas, Paris é espaço onde todos têm mais voz. Não estou dizendo que é zero problemas e que não exista desigualdade social a ser combatida. É só uma sociedade, no geral, mais justa. Equilibrada. E mais, apesar de aqui termos as mais caras marcas de roupas, jóias, restaurantes cheios de estrelas, existe também a presença da solidariedade, mesmo no mal-humorado olhar do parisiense. Complexo, mas é isso mesmo. Explico melhor. Um dia eu estava no mercado, onde vou quase diariamente, pois aqui a gente come fresco. A alimentação de base são legumes, ovos, frutas, queijos, pão e vinho, então é cultural sair e fazer suas compras para o que se vai consumir no dia. É uma conexão à la ancienne. Na minha frente, um homem em situação de rua comprava sua cerveja e um sanduíche. Ao pagar, ele revira os bolsos da calça, rasgada pelo uso, não pela moda, e vê que não tinha o suficiente, faltavam centavos. Atenta, a moça do caixa abriu a bolsa e completou o que faltava. Foi um ato tão natural da parte dela e reciprocamente recebido com polidez pelo homem que eu fiquei pensando como essa balança social se faz sozinha, mas é evidente: uns pensam nos outros. Na etiqueta do queijo, o fato de cortar de tal jeito que ele fique reto e obedeça uma linha, é para deixar ao próximo uma fatia suficiente e respeitosamente recortada. O que poderia ser esnobismo, é educação, cultura e se pratica em mesa de pobre e


Pablo Araújo

ricos. Tão fácil, tão simples e acredito que esse conforto é o que faz de Paris uma cidade luz, onde, além da beleza e do luxo, existe calor humano, respeito, mesmo que tudo pareça frio. Não é. É apenas um jeito deles, de estar acostumados ancestralmente a conhecer e reconhecer a dificuldade do outro e a se solidarizar com isso. Uma outra característica do comportamento dos parisienses que eu amo é o comprometimento com horários e compromissos. Você tem um jantar às 21 horas? Você chega às 21 em ponto. Pode até avançar 5 minutos, se forem pessoas íntimas. Você tem um encontro marcado há dias (e aqui até um cafezinho se marca com dias de antecedência) e não está a fim de ir? Prepare-se para arranjar, quem sabe, uma inimizade eterna! Horários e compromissos são levados a sério. As pessoas têm suas vidas e é natural que tudo seja organizado com um certo tempo. Telefonar para passar e sair? Almocinho 2 horas antes? Não rola. Todo mundo gosta de ter seu tempo para si, o

que é uma delícia depois que a gente pega o jeito e se programa igual a eles. Esse comportamento faz de nós, hoje, em plena quase, dizem, terceira onda da Covid-19, estarmos juntos nessa espera por uma primavera mais livre, onde possamos sair para rua sem medo, sem ter que olhar tudo pela janela, e imaginarmos juntos que vamos sair dessa. Por fim, há uma simplicidade na complexidade de viver aqui e isso eu sinto todos os dias, que mesmo eu sendo estrangeira, sou um deles, do povo, da região, alguém que entrou nos códigos deles e que com isso pode encontrar um lugar tranquilo para viver, uma sensação que o Brasil não foi capaz de me proporcionar. Quem sabe a utopia se faz por um dia? Ana Clara Garmendia é jornalista e escritora, vive entre Paris e Brasil desde 2006. Autora dos livros Retratos de uma Cidade do Século 21 (Editora Ahôm 2013) e Crônicas Pandêmicas, O Mar é Logo Ali (Garmendia Editora 2020) atualmente à venda pelo insta @anagarmendia.

2021 PONTO DE APOIO

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Projetos Parceria+

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BIANCA LOMBARDI

CARLA RIBAS E CAMILLA MOTA

CAROLINE BOLLMANN

DEBORAH NICOLAU

FLÁVIA BONET

ISIS VIRMOND

JAQUELINE ZENI E BIANCA YUMI

LARISSA GOMES

SAMARA BARBOSA

SUMARA BOTTAZZARI PONTO DE APOIO 2021

TALITA NOGUEIRA


BIANCA LOMBARDI

Fotos: Dea Fykyk

BIANCA LOMBARDI • BIANCA LOMBARDI ARQUITETURA E DESIGN • •Al. Augusto Stellfeld, 891 ap.1002 - Curitiba/PR • (41) 99108-0421 - (41) 99108-0421 • contato@biancalombardi.com.br • www.biancalombardi.com.br • www.instagram.com/biancalombardi_arq • www.facebook.com/biancalombardiarquiteta • 2021 PONTO DE APOIO

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CARLA RIBAS E CAMILLA MOTA

Fotos: Lio Simas

CARLA RIBAS E CAMILLA MOTA • A3 ARQUITETAS ASSOCIADAS • Rua Gutemberg, 425 - Curitiba/PR • (41) 3014-9918 - (41) 99974-6620 • carlaribas@a3arquitetas.com • www.instagram.com/a3arquitetasassociadas • 36 PONTO DE APOIO 2021


CAROLINE BOLLMANN

Fotos: Dea Fykyk

CAROLINE BOLLMANN • ESPAÇO A ARQUITETURA • Rua Padre Agostinho, 1926 – Curitiba/PR • (41) 3336-5430 - (41) 99977-1943 • caroline@espacoa.com.br • www.espacoa.com.br • www.facebook.com/arqcarolbollmann • www.instagram.com/carol_bollmann/ • 2021 PONTO DE APOIO

37


DEBORAH NICOLAU

Fotos: Gerson Lima

DEBORAH NICOLAU • DEBORAH NICOLAU DESIGN DE INTERIORES | DECORAÇÃO | PAISAGISMO • Rua Prof. Álvaro Jorge, 62 Sala 7 - Curitiba/PR • (41) 3342-5801 - (41) 99803-8717 • deborah@deborahnicolau.com.br • www.deborahnicolau.com.br • www.instagram.com/deborahnicolau • www.facebook.com/deborahnicolaudesign • 38 PONTO DE APOIO 2021


FLÁVIA BONET

Fotos: Eduardo Macarios

FLÁVIA BONET • FLÁVIA BONET ARQUITETURA • Avenida Sete de Setembro, 4615 - 18 andar - Curitiba/PR • (41) 3045-2141 - (41) 99997-9700 • arquitetura@flaviabonet.com.br • www.flaviabonet.com.br • www.instagram.com/flaviabonet • www.facebook.com/flaviabonetarquitetura • 2021 PONTO DE APOIO

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ISIS VIRMOND

Fotos: Ricardo Perini

ISIS VIRMOND • ISIS VIRMOND ARQUITETURA • Av. Sete de Setembro, 5402, cj 62 Curitiba/PR • (41) 99911-9449 - (41) 99911-9449 • isis@isisvirmond.com.br • www.isisvirmond.com.br • www.instagram.com/isisvirmondarq • 40 PONTO DE APOIO 2021


JAQUELINE ZENI E BIANCA YUMI

Fotos: Daniel Katz

JAQUELINE ZENI E BIANCA YUMI • JZ ARQUITETOS ASSOCIADOS • Rua João Angelo Cordeiro, 572 São José dos Pinhais/PR • (41) 3035-4599 - (41) 99977-7433 • jz@jzarquitetosassociados.com.br • www.instagram.com/jz.arquitetos.associados• www.facebook.com/jzarquitetosassociados • 2021 PONTO DE APOIO

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LARISSA GOMES

Fotos: Eduardo Macarios

LARISSA GOMES • LARISSA GOMES DESIGNER DE INTERIORES • Rua Gen. Mário Tourinho, 1805. SL 502 - Curitiba/PR • (41) 98848-3364 - (41) 98816-2194 • projetos@larissagomes.net • www.larissagomes.net.br • www.instagram.com/larissagomesdesign• www.facebook.com/larissa.gomes.3956 • 42 PONTO DE APOIO 2021


SAMARA BARBOSA

Fotos: Marcelo Stammer

SAMARA BARBOSA • SAMARA BARBOSA ARQUITETURA E INTERIORES • Av. República Argentina, 452 sala 709 - Curitiba/PR • (41) 3016-5404 - (41) 99971-6621 • contato@samarabarbosa.com.br • www.samarabarbosa.com.br • www.instagram.com/arq_samarabarbosa • www.facebook.com/samarabarbosaarquitetura • 2021 PONTO DE APOIO

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SUMARA BOTTAZZARI

Fotos: Bia Nauiack

SUMARA BOTTAZZARI • SUMARA BOTTAZZARI ARQUITETURA E INTERIORES • Rua Acyr Guimarães, 436, Conjunto 1101 - Curitiba/PR • (41) 3242-8696 - (41) 98445-8282 • bottazzari@bottazzari.com.br • www.bottazzari.com.br • www.instagram.com/sumarabottazzari_arq • www.facebook.com/sumara.bottazzari.arquitetura • 44 PONTO DE APOIO 2021


TALITA NOGUEIRA

Fotos: Eduardo Macarios

TALITA NOGUEIRA • TALITA NOGUEIRA ARQUITETURA • Rua Heitor Stockler de França, 396 - Curitiba/PR • (41) 4141-8188 - (41) 99836-0273 - (11) 998803-1881• contato@talitanogueira.com.br • www.talitanogueira.com.br • www.instagram.com/talitanogueiraarquitetura • www.facebook.com/talitanogueiraarquitetura • 2021 PONTO DE APOIO

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Novos Talentos 2020

CAMILA KRIEGER E LUIZA MONCLARO

CAROLINA BONETTI

EDGARD CORSI E ANA CAROLINA BOSCARDIN

FABIO PETILLO

GABRIELA CASAGRANDE

KATHERINE WEBER E NICOLLE NOGUEIRA

TACIANA NAKALSKI

TATIANA RAVACHE E LAURA RIBAS

46 PONTO DE APOIO 2021


CAMILA KRIEGER E LUIZA MONCLARO

Fotos: Eduardo Macarios

CAMILA KRIEGER E LUIZA MONCLARO - ARQ+CO STUDIO • Rua Dídimo Cercal da Silva, 184 Curitiba/PR • (41) 99951-3330 • contato@arqcostudio.com.br • www.arqcostudio.com.br • www.instagram.com/arqcostudio • www.facebook.com/arqcostudioo • 2021 PONTO DE APOIO

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CAROLINA BONETTI

Fotos: Eduardo Macarios

CAROLINA BONETTI • CAROLINA BONETTI ARQUITETURA • (41) 99919-6973 / (81) 99995-2506 • contato@carolinabonetti.com.br • www.carolinabonetti.com.br • www.instagram.com/arq_carolinebonetti • 48 PONTO DE APOIO 2021


EDGARD CORSI E ANA CAROLINA BOSCARDIN

Fotos: Eduardo Macarios

ANA CAROLINA BOSCARDIN E EDGARD CORSI • BOSCARDIN CORSI • Rua Emiliano Perneta, 822 (Sala 608) - Curitiba/PR • (41) 98788-5665 • arquitetura@studioboscardincorsi.com.br • www.studioboscardincorsi.com.br • www.instagram.com/boscardincorsi • 2021 PONTO DE APOIO

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FABIO PETILLO

Fotos: Ricardo Perini

FABIO PETILLO • PETILLO ARQ + INT • Rua Nicolau Maeder, 39 - Sala 2 - Curitiba/PR • (41) 99144-3712 / (41) 3311-1881 • fabiopetillo.arq@gmail.com • www.petillo.arq.br • www.instagram.com/petillo.arq • 50 PONTO DE APOIO 2021


GABRIELA CASAGRANDE

Fotos: Denilson Machado

GABRIELA CASAGRANDE • GABRIELA CASAGRANDE ARQUITETURA • Rua Sete de Setembro 5402, sala 71/72 - Curitiba/PR • (41) 99655-6014 • contato@gabrielacasagrande.com.br • www.gabrielacasagrande.com.br • www.instagram.com/gabrielacasagrandearquitetura • 2021 PONTO DE APOIO

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KATHERINE WEBER E NICOLLE NOGUEIRA

Fotos: Eduardo Macarios

NICOLLE NOGUEIRA E KATHERINE WEBER • NK ARQUITETURA • Travessa João Nociti, 143B - Curitiba/PR • (41) 3209-0966 - (41) 99978-2737 - (41) 99682-7019 • contato@nkarquitetura.com.br • www.nkarquitetura.com.br • www.instagram.com/nkarquitetura • www.facebook.com/NKarquitetos • 52 PONTO DE APOIO 2021


TACIANA NAKALSKI

Fotos: Marcelo Stammer

TACIANA NAKALSKI • TACIANA NAKALSKI ARQUITETURA E INTERIORES • Rua Sete de Setembro, 346 - Sala 202 - Porto União/SC • (42) 98425-4579 • atendimento@tnarquitetura.com.br • www.tnarquitetura.com.br • www.instagram.com/tnarquiteturaeinteriores • www.facebook.com/tnarquiteturaeinteriores • 2021 PONTO DE APOIO

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TATIANA RAVACHE E LAURA RIBAS

Fotos: Matheus Kaplun

TATIANA RAVACHE E LAURA RIBAS • TATIANA RAVACHE E LAURA RIBAS ARQUITETURA • Av. Sete de Setembro, 5388 - Conj. 906 - Curitiba/PR • (41) 98811-9961 (41) 3155-1311 • laura@arqtl.com.br • tatiana@arqtl.com.br • www.instagram.com/arqtlarquitetura • www.facebook.com/arqtlarquitetura • 54 PONTO DE APOIO 2021


Entre tintas, melodias e compassos Arquitetura, música e artes plásticas são áreas que se integram na rotina de Raísa Bueno, que mostra que se a vida apresenta muitos caminhos que agradam, não é preciso escolher apenas um

Arquivo pessoal

2021 PONTO DE APOIO

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TEXTO: STEPHANIE D’ORNELAS

Nem boneca, nem carrinho: quando era criança, o que mais entretinha Raísa Bueno eram os desenhos que fazia na prancheta da mãe arquiteta, com direito ao uso de régua de madeira, nanquim e papel vegetal. Se achasse uma caixa de papelão na rua, transformava em casinha, e se tintas ou lápis coloridos caíssem em suas mãos, virava arte na certa. Envolta e encantada pelo mundo da arquitetura desde a infância, Raísa seguiu a mesma profissão da mãe, Claudia Bueno. Hoje, as duas são sócias proprietárias da Interarquit Arquitetos Associados. Mas ao longo de sua trajetória, Raísa não deixou nenhuma de suas outras habilidades artísticas de lado. A curitibana de 26 anos também é uma talentosa artista plástica, especialista em quadros que retratam pessoas de diferentes etnias com muitas cores, e uma musicista apaixonada por jazz, blues, R&B e MPB. A jovem é um exemplo de que é possível vivenciar na prática uma das dicas de Austin Kleon no livro “Roube como um Artista”, que diz que “se você tem duas ou três paixões, não se sinta como se precisasse escolher entre elas e ficar com uma. Não descarte. Mantenha todas suas paixões na sua vida”. Conversamos com a Raísa para saber como é a vida de uma pessoa multipotencial. Ela conta como é a sua relação com a arte, música e arquitetura, e a busca pelo equilíbrio dessas áreas no cotidiano. Como nasceu o seu interesse pela arquitetura e pelas diferentes expressões artísticas às quais você se dedica? Minha trajetória na arquitetura começou muito cedo, quando a minha mãe me levava de um lado 56 PONTO DE APOIO 2021

Mariana Koentopp

pro outro, bem pequenininha mesmo, no banco de trás do carro com mostruário, maquete, revestimento. Sempre gostei muito de atividades que envolvessem a parte visual e do tato, de brincar com cor. Eu tenho dois irmãos, cada um foi para um lado e eu acabei indo para esse, mais criativo. Minha mãe me colocou nas aulas de música muito cedo, o que foi bacana. A arquitetura envolve muita lógica, matemática e burocracias. É uma área exata, por mais que também envolva a parte compositiva, orgânica e criativa. Então, querendo ou não, é algo que te exige bastante mentalmente. Em contrapartida, eu vejo a música e a arte como algo bem empírico, que permite o improviso, e acaba me desacelerando dessa rotina. Hoje, quando me perguntam como consigo me


Cores fortes e contrastes acentuados criam cenas expressivas nas obras assinadas por Raísa. Arquivo pessoal

dedicar a todas essas áreas, eu digo que é uma busca pelo equilíbrio. Tenho uma rotina atribulada: das oito da manhã às oito da noite eu sou arquiteta, das oito à meia-noite eu sou artista plástica e nos fins de semana eu sou musicista, é mais ou menos isso, não necessariamente nessa ordem. Eu gosto muito dessa rotina agitada e no fim eu vejo que todas essas coisas, de diferentes maneiras, são formas de expressão. Todas elas passam um

sentimento. Muita gente me pergunta: “você faz muita coisa, e se fosse para você deixar de fazer alguma delas?”. É difícil, porque eu divido uma paixão muito igual pela arquitetura, música e arte, não vejo como três atividades diferentes, mas como uma coisa só. Essas três áreas me direcionam em busca de conhecimento e me fazem questionar e entender cada dia mais o que eu quero, para onde eu vou, da onde eu vim.

2021 PONTO DE APOIO

57


Arquivo pessoal

Como é a sua relação com a música e as artes plásticas hoje, e de que maneira essas áreas influenciam o seu fazer arquitetônico? A música surgiu como um hobby, é algo que me acalma. Hoje eu canto e toco violão, ukulele, guitarra e piano. Eu considero que tenho uma “old soul”, uma alma antiga. Eu gosto muito de jazz e blues e quando eu toco em bar, à noite, eu vou pro R&B, uma mistura de Aretha Franklin, Etta James e Rihanna. Gosto muito de música popular brasileira, a bossa nova tem essa base que é uma mistura, que é essa brasilidade, igual ao mix que a gente faz nas artes e em tudo. Eu, como gosto muito da arte do improviso, também utilizo essa mistura nos meus

58 PONTO DE APOIO 2021

quadros e expressões visuais. Não gosto de me prender a padrões — isso é pintura, isso é escultura, isso é desenho. Em um quadro meu, você vai ver nanquim misturado com aquarela, acrílica, óleo, massa corrida, que vai acabar gerando no aspecto 2D da pintura um 3D, um relevo. Eu gosto muito de estimular a pessoa a querer sentir, com o toque mesmo, e desejar entrar em outra atmosfera a partir do que ela está visualizando. Quanto mais eu pinto, quanto mais eu toco, mais eu consigo ter liberdade criativa para criar, para desenvolver, principalmente em uma arquitetura orgânica. Essas práticas artísticas fazem você se soltar, e são grandes incentivos criativos na hora em que estou criando meus projetos.


Por muito tempo, a área acadêmica, a indústria e o mundo do trabalho prezaram pelo caminho da especialização. Você acredita que, na contramão disso, a multipotencialidade está sendo mais valorizada? Com certeza, e deve ser cada vez mais. Ser uma pessoa plural é algo que acaba sendo um diferencial nas escolhas profissionais e pessoais. Todo ser humano é multifacetado. Às vezes a pessoa pensa que não tenho nenhum dom, mas a busca por esse talento é necessária. Temos cinco sentidos, a dimensão física e a mental, e podemos desenvolver vários lados de nós mesmos para ver onde nos encaixamos. Que dicas você daria para as pessoas que, assim como você, têm interesses em múltiplas áreas? A gente não pode ser imediatista e ansioso. Hoje, acabamos querendo tudo ao mesmo tempo, querendo ser o melhor possível em tudo, e essas ideias têm que ser deixadas de lado. De tempos em tempos temos que buscar e aprender o que é melhor para nós. Temos múltiplas áreas para explorar, mas você pode se aprofundar em uma área só, se for do seu interesse. Você tem que ter liberdade para poder seguir o caminho que deseja. Não existe idade certa para nada, cada um é cada um, com o seu próprio tempo. Se você tem interesse em muitas áreas, vá atrás, mas tente equilibrar da melhor forma para você não surtar. Explore as áreas com o melhor equilíbrio possível e sem ficar buscando apenas a linha de chegada, antecipando situações, sem ficar pensando “ah, agora eu tenho que escolher”. É preciso ir com calma, equilíbrio e sem ansiedade.

Mariana Koentopp

SOBRE Raísa Bueno do Valle Ribeiro é arquiteta e urbanista formada pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (2017) e pós-graduada em Construções Sustentáveis pela Universidade Tecnológica Federal do Paraná (2018). É sócia proprietária da Interarquit Arquitetos Associados, artista plástica no raisabueno.studio, musicista e empresária. Você pode acompanhar seu trabalho pelos perfis no Instagram: @raisabueno.studio e @interarquitarquitetos. 2021 PONTO DE APOIO

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