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pharmacevtica 62 | Maio 2013

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Editorial Associação dos Estudantes da Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa Avenida Prof. Gama Pinto 1649-003 Lisboa telf: 21 793 39 56 telm: 963461342 email: geral@aefful.pt www.aefful.pt www.facebook.com/pharmacevtica publisherph.wix.com/pharmacevtica direcção Pedro Cortegaça Direcção Editorial directorph@aefful.pt

André Reis

Chefe de Redacção redaccaoph@aefful.pt

Tiago Vieira

Por | André Reis

Conselho Editorial ceditorial@aefful.pt

Estimados Leitores e Colegas, Tenho o prazer de abrir as portas a mais uma edição, e em nome do Núcleo Redactorial da Pharmacevtica (NRP) apresento-vos a sexagésima segunda edição da revista da Associação dos Estudantes da Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa. Na edição passada, o NRP deu um passo em frente ao criar o site da Pharmacevtica, com o objectivo de fornecer informação actual e em tempo real sobre tudo o que rodeia um estudante da FFUL. Com esta evolução a demanda de informação foi cada vez maior, o que levou ao crescimento do Núcleo. É nesta sequência de eventos que vos convido a participar no concurso de integração no NRP, para que assim, juntos, possamos dar ainda mais à história da Pharmacevtica. Na presente edição, fomos ao encontro

do Dr. Pedro Pires, administrador do Grupo Holon, para conhecer melhor este novo conceito. Desvendamos ainda o restante percurso da história da nossa instituição, na secção “Zoom”. A outra parte da revista será desvendada por vocês, leitores, que certamente não se irão arrepender, pois a par com o curso que se diz tão multidisciplinar, esta publicação contem uma variedade de conteúdos que põem à prova as mentalidades de hoje em dia, não só elogiando-as, mas também criticando-as. Por último, gostaria de agradecer à AEFFUL por reunir os esforços para que todos os semestres o NRP possa trabalhar para apresentar aos nossos colegas e a ti, uma revista que podemos dizer, de todos nós. Convido-vos então a desfolhar um pouco da vida de um aluno da FFUL.

Bernardo Rodrigues Cláudio Carmona Flávio Monteiro João Ravasco João Roma Rafaela Proença Teresa Dominguez Coordenador de Design designerph@aefful.pt

David Candeias Edição

dep.designph@aefful.pt

Inês Antunes Reis João Padilla Miguel Cavaco Ricardo Pouca-Roupa Publisher

publisherph@aefful.pt

João Bernardo Comercial

pharmacevtica@aefful.pt

Ana Margarida Tomé periodicidade Semestral Tiragem 800 Exemplares Agradecimentos Apoios | Colaboradores | AEFFUL | APEF |NAS | A Feminina | TAFUL | Núcleo de Fotografia |NRAEFFUL impressão Europress telf: 21 844 43 40 email: geral@europress.pt www.europress.pt

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Caros colegas, É com grande honra e apreço que vos dirijo, hoje, estas primeiras palavras como Presidente da DAEFFUL, nesta revista, pela qual todos temos um carinho especial. A Pharmacevtica, que conta já com 62 edições, é um exemplo de dedicação, empenho e excelência. Por tudo isto, gostaria de expressar um enorme apreço ao Núcleo Redactorial da Pharmacevtica pelo trabalho desenvolvido. Antes de mais, deixo um especial agradecimento a todos os sócios da AEFFUL. O voto de confiança por vós depositado nesta nova Direcção, não cairá em esquecimento, estaremos sempre dispostos a ouvir as vossas opiniões e críticas, tudo faremos pelos vossos interesses, bem-estar e formação. Esta nova equipa é uma equipa diferente, constituída por membros com competências e aptidões várias, que se complementam. Acredito piamente que continuarão a desenvolver um óptimo trabalho, como têm vindo a fazer durante estes meses, tendo sempre em mente os alunos que representam. Queria também congratular e desejar um óptimo mandato aos restantes Órgãos Sociais da AEFFUL: à Mesa da Assembleia Geral e ao Conselho Fiscal, certo que, em conjunto, faremos o melhor pelos alunos desta casa. Todos sabemos que os tempos que atravessamos não são movidos por ventos favoráveis e que os caminhos que hoje trilhamos são agora mais sinuosos e exigem muito mais de cada um de nós. A economia nacional não atravessa um momento fácil e, como tal, o sector farmacêutico e o ensino universitário não escapam a todas as adversidades que nos assolam, e as garantias de outrora são agora meras especulações. Desta feita, cabe aos alunos apostar na sua formação e tornarem-se multidisciplinares e polivalentes. É neste ponto que nos propomos a fazer o melhor para enriquecer as valências dos nossos estudantes, oferecendo-lhes meios para desenvolverem os seus conhecimentos, ajudando na formação de farmacêuticos preparados para a realidade actual. Nestes primeiros meses de mandato, já contamos com algumas actividades realizadas com esse mesmo propósito: preencher algumas lacunas do MICF e permitir enriquecer as valências dos nossos estudantes. Assim sendo, deixo aqui o apelo a todos para que participem nas nossas actividades, pois estas têm em vocês o único e último fim. Gostaria ainda de congratular as equipas desportivas da AEFFUL. Os óptimos resultados alcançados são um orgulho para todos nós! Gostaria de saudar também o recém-criado Núcleo de Mobilidade, a nova equipa do

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“Cabe aos alunos apostar na sua formação e tornarem-se multidisciplnares” NAS e do Núcleo de Rádio: os meus sinceros votos de muito sucesso! Juntos seremos, uma vez mais, uma mais valia para os estudantes desta casa. Por fim, um saudoso cumprimento a todos os alunos finalistas. Desejo-vos grandes sucessos na vossa vida profissional. Orgulhem-se sempre de terem sido alunos desta grande casa. Muito daquilo que vocês são hoje o devem a ela, mas acreditem que esta também vos deve muito. Obrigado por tudo o que fizeram e pelas marcas que deixaram. Despeço-me lembrando-vos que a AEFFUL tem a porta aberta para todos vocês e que só com o vosso contributo poderemos continuar a ser uma Associação dos e para os estudantes. Pedro Cortegaça | Presidente da DAEFFUL

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XVII Curso de Formação de Mediadores para a Educação na Saúde em SIDA, IST’s e Toxicodependência Por | Cláudio Carmona Um dos mais debatidos e conhecidos flagelos de todo o Mundo: o vírus HIV. Aliado ao tema, o GIPES apresentou o XVII Curso de Formação de Mediadores para a Educação na Saúde em SIDA, IST’s e Toxicodependência, um curso exigente, distribuído ao longo duma semana, com uma importante componente teórica e finalizando, com a vertente prática, assinalada com a campanha. Sendo uma temática muito divulgada hoje em dia, e com uma consciencialização crescente na população, torna-se imperativo que o farmacêutico seja capaz de acompanhar e responder às necessidades que se lhe exigem em torno

II Curso

de

Formação

de

desta problemática. Essencialmente o seu papel, deve incidir na prevenção, esclarecendo e aconselhando a população. Tanto a campanha como o curso conseguem fundamentalmente oferecer ao participante uma dinâmica e várias noções que o tornam mais familiarizado com a Toxicodependência, a SIDA e as Infecções Sexualmente Transmissíveis, é uma excelente oportunidade para enriquecer conhecimentos e ganhar valências num assunto tão actual.

Mediadores

para a

Cessação Tabágica

Por | Cláudio Carmona Um hábito que tende, cada vez mais, a ser largado pelos portugueses: o Tabaco. Não só pela saúde, mas também pelo factor preço. Ora, o farmacêutico é parte integrante neste processo, e a formação estabelecida pelo GIPES, vem no seguimento desta mesma intenção, realizando o II Curso de Formação de Mediadores para a Cessação Tabágica. Apostando não só numa componente teórica, abordando as principais temáticas relativas ao Tabagismo, nomeadamente, motivações, atitudes, terapêutica e o papel do farmacêutico; mas também completando a formação com uma vertente prática, representada pela

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II Campanha de sensibilização para a Cessação Tabágica. Aqui, os participantes tiveram a oportunidade de executar aquilo que aprenderam ao longo do curso, e contactar com a população, sobretudo com a comunidade académica e estudantil. Com iniciativas como a de “Troca de um cigarro por uma vida saudável”, imagens “chocantes” e curiosidades alusivas ao tema, puderam sensibilizar e aprender a combater o Tabagismo, e assim, dar mais um impacto positivo na luta contra este mau hábito. No fundo, o próprio maço de tabaco avisa “Se quer deixar de fumar consulte o seu médico ou farmacêutico”.

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X Ciclo

de

Workshops | Depressão,

uma realidade do séc.

XXI

Por | Patrícia Fernandes “A depressão major será, dentro de cinco anos, a primeira causa de anos de vida com saúde perdidos”. O Workshop iniciou-se com a apresentação do Professor Dr. Ricardo Gusmão, coordenador nacional da Aliança Portuguesa Contra a Depressão, que revelou dados de um estudo descritivo transversal, mostrando a baixa taxa de diagnóstico e tratamento desta patologia. Após o primeiro painel seguiu-se uma abordagem à terapêutica farmacológica associada à depressão e ainda foi salientado o papel preponderante do farmacêutico na dispensa do medicamento, realçando o número crescente de Autorizações de Introdução ao Mercado (AIM) de genéricos.

XV Curso

de

O terceiro e último painel do workshop, acerca da terapêutica não farmacológica, esclareceu os presentes em relação ao papel importantíssimo da psicoterapia na prevenção de recaídas e na manutenção de um estado não depressivo. A depressão, termo subvalorizado e facilmente potenciador de equívocos, é uma doença bastante limitante, sobre a qual nós, enquanto futuros farmacêuticos, devemos estar devidamente informados, de forma a conseguirmos, no futuro, providenciar um bom aconselhamento nesta área.

Farmácia Prática

Por | Nuno Cardoso No início do mês de Fevereiro realizou-se o Curso de Farmácia Prática da AEFFUL que, desta feita, contou com a sua XV edição. Conscientes de algumas lacunas existentes no plano curricular do MICF, cerca de 120 alunos, agora conhecidos como “estagiários”, aderiram à actividade com o intuito de colmatar as lacunas teóricas na vertente da farmacoterapia de não prescrição e da aplicação prática de diversos conceitos e conhecimentos adquiridos ao longo do seu percurso académico. Neste sentido, o Curso organizou-se em duas partes distintas. Nos dias 2 e 11 de Fevereiro realizaram-se diversas apresentações teóricas sobre temas actuais e de aplicação nas Farmácias, tais como, a contracepção de emergência, os medicamentos e produtos de uso

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veterinário e o sempre delicado tema acerca dos princípios e fundamentos da Homeopatia. Durante os dias 4, 5, 7 e 8 de Fevereiro realizaram-se os vários Workshops cujo objectivo era a realização de casos práticos em que os participantes se depararam com situações habituais em que a indicação e aconselhamento farmacêutico se revelam cruciais, como por exemplo, nas gripes, dores de garganta, dermatites, micoses, problemas intestinais, entre outros. Assim, foi consensual a opinião dos participantes que demonstraram o seu agrado com o Curso, sendo que possibilitou o esclarecimento das suas dúvidas nas temáticas abordadas consolidando, ainda, os conhecimentos noutras áreas.

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VII Formação Educativa | Movimento Desconstrói Por | Marisa Duarte O que é o “Movimento Desconstrói”? Este foi o tema da VII Formação Educativa organizada pela AEFFUL com o intuito de promover uma nova abordagem por parte dos alunos quanto ao seu futuro, seja ele profissional ou até pessoal. Coordenado pela Dr.ª Ana Freitas Reis, psicóloga, o “Movimento Desconstrói” foi descodificado de forma interactiva e criativa ao longo de toda a formação. Não é mais do que um movimento de consciencialização para a instabilidade, um movimento que nos obriga a pensar “ao contrário”, a saber gerir os obstáculos sejam eles medos ou

VI Ciclo

de

inseguranças. Nos dias que correm, estas são as palavras que mais rapidamente nos assaltam e nos assustam perante um futuro cheio de incertezas. Mas por que não fazer dessas incertezas oportunidades? Por que não ser criativo e procurar um futuro sem limites e inovador? Apesar das dificuldades pelas quais todos passamos, ainda podemos ter esperança naquilo que queremos construir para nós. Melhor dizendo “desconstruir”, porque “desconstruir é ver de outra forma”.

Scienceshops | HPV - Guia

para um final feliz

Por | André Frederico O GEF organizou o primeiro ScienceShop do ciclo, intitulado “HPV – Guia para um final feliz: O papel do farmacêutico no projecto de comunicação à população” que contou com a ajuda e moderação da Prof.ª Dra. Quirina Santos-Costa. Entre outros assuntos, foram abordados a importância clínica do vírus, a sua epidemiologia, mortalidade, morbilidade, vacinação, realçando a importância do rastreio e da prevalência de outros cancros associados ao HPV. Por último, falou-se da comunicação no âmbito desta temática, através de uma apresentação dinâmica com a finalidade de apresentar a importância dos meios de comunicação e das campanhas no que toca à passagem

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de informação à população em geral e na minimização do estigma que existia em relação ao cancro do colo do útero. Considero que o Scienceshop teve um tema muito interessante e actual e primou pela apresentação de dados actualizados e coerentes ao longo de todas as apresentações e que, embora seja um tema abordado no plano curricular do nosso mestrado, o facto de ser apresentado por diferentes pessoas, trouxe diferentes perspectivas e mostrou que como farmacêuticos podemos ter um papel activo na prevenção e divulgação deste tópico.

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I Programa

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Pharm-Talks

Por | Ana Rita Cunha | Pedro Pissarra Luís O Gabinete de Estágios e Saídas Profissionais (GESP) da Associação dos Estudantes da Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa (AEFFUL) criou, este ano, o primeiro programa de Pharm-Talks. Ciente do generalizado desconhecimento que os alunos do MICF têm das actuais saídas profissionais do curso, o GESP achou pertinente a elaboração deste programa, que consiste num conjunto de sessões informais – pep-talks – de curta duração, cujo objectivo é dar a conhecer aos alunos, de uma maneira mais íntima, as profissões do Sector Farmacêutico,

III Simpósio Científico

de

permitindo esclarecer todas as suas dúvidas e adquirir mais informação sobre as mesmas. Dirigido a estudantes de todos os anos do curso, este projecto tem como objectivo estimular a pró-actividade dos alunos dos primeiros anos e incentivá-los a procurar, de uma maneira mais específica, a carreira que ambicionam ter no futuro. Trata-se de uma actividade na qual depositamos muita confiança e acreditamos que poderá ser uma preciosa ajuda para muitos dos nossos colegas.

Saúde AEFFUL

Por | Rafaela Proença No passado dia 22 de Novembro decorreu o III Simpósio Científico de Saúde AEFFUL subordinado ao tema: Improving Health - Nanotechnology. Com organização entregue ao GEF, e contando com a colaboração do Prof. Dr. Rogério Gaspar enquanto conselheiro científico, o tema da nanotecnologia foi exposto ao grande número de participantes que preenchiam o grande auditório da FFUL. Esta actividade contou com a presença de diversos oradores, especialistas na área, muitos deles a desenvolver projectos directamente relacionados com nanotecnologias, provando, desta forma, que estas são uma realidade actual, ao invés de meras conjecturas do futuro. Concedendo especial destaque à intervenção da Prof. Ruth Duncan, com extenso currículo neste campo, que materializou

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algumas das aplicações práticas, com utilidade clínica, das nanotecnologias. Por parte dos restantes oradores, foi também mencionado o papel da nanotecnologia na área da oncologia, tal como foi feita uma abordagem às células estaminais. Por fim, foi referenciada a componente ética e legislação correspondente, que ainda enfrenta desafios por carecer de contornos definidos. O Simpósio veio reforçar a formação dos alunos num tema tão pertinente e promissor como é o da nanotecnologia, assim como dar a conhecer um pouco do que actualmente se está a desenvolver neste campo, através de testemunhos na primeira pessoa, por parte de investigadores de excelência.

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Por | Teresa Dominguez

Uma Farmo aconteceu, E por duas vezes ele morreu. “Três litros de cerveja”, foi o que me contaram… E nem quatro companheiros, para o deitar, bastaram. Mais tarde, às cinco, madrugou… E na piscina, seis peças de mobília encontrou. Pelo caminho, sete peças de roupa que não combinavam Mais oito caloiras de pijama, que da festa regressavam…! Nove memórias, só para a contagem, 2ª-feira lhe faltarão. Mas dez dezenas de fotografias para a posteridade ficarão!

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Por | Flávio Monteiro

Se me perguntassem há 5 meses atrás o que era Sharm el Sheik, dir-vos-ia: vocês devem ser malucos, não sei do que falam! Mas se me perguntarem agora: é um paraíso perdido no Mar Vermelho. Mutfakta kim var?

A primeira inquietação tomou-nos de assalto. Chegados a Sharm el Sheik deparamo-nos com um ambiente um tanto ou quanto pitoresco: edifícios desmoronados, ruas sujas e irregulares, ausência de habitantes. Estranho!, foi o que pensámos. Mas a verdade é que rapidamente nos deslocámos para a zona turística, a tão conhecida Naama Bay: as ruas mais movimentadas de Sharm el Sheik, cheias de vida, de lojas, de bares e restaurantes, cheias de tudo. Meio ensonados e com vontade de aproveitar tudo ao máximo, dirigimo-nos para o Noria Resort, aldeamento turístico que nos recebeu nestes 10 dias, e apressamo-nos a estender à beira da piscina. E sim, aproveitar o sol radiante que se fazia sentir. Hotel – praia, praia – hotel, quartos – piscina e piscina – quartos, passou a ser o nosso percurso diário. Entre momentos de sono e momentos de diversão na piscina, dos quais destacamos os jogos dentro de água, as aulas de dança do ventre, dança egípcia e dança brasileira, aproveitamos para recarregar as baterias para esta nova fase da vida de Estagiários. Se alguns dos dias foram preenchidos com o tão tradicional “papo para o ar”, os outros foram aproveitados com a realização de diversas actividades tão característicos da cultura egípcia: Boat Trip Party pelas praias de Ras Mohammed National Park; passeio Moto 4x4 no deserto onde aproveitamos para tomar um chá Beduíno em pleno deserto; visita ao Cleopark, um parque aquático cheio de diversão; visita ao Blue Hale, considerado um dos melhores locais para a prática de mergulho e snorkeling; percurso de jipe pelo deserto egípcio, e o tão aguardado passeio a camelo.

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Durante o dia visitámos ainda o Old Market, um mercado antigo para adquirirmos os “recuerdos” e o Soho Square, um centro comercial ao estilo moderno no qual pudemos ainda observar a Singing Fountain. Mas como não só do dia vive uma viagem, as várias noites foram preenchidas com as habituais presenças nas discotecas mais conhecidas de Sharm el Sheik. A diversão não faltou e a alegria esbanjou entre todos. Não me posso esquecer das tentativas exaustivas de filmar o videoclip com todo o grupo do Waka, Waka, a música oficial da nossa viagem. Uma das coisas que mais impressionou foi a hospitalidade com que fomos recebidos em Sharm el Sheik. Entre os empregados do hotel e os guias que nos apoiaram, a alegria da troca de ideias foi visível e os ensinamentos partilhados foram tantos. Palavras como “boa noite”, “gostosas”, “sodades” passaram a fazer parte do vocábulo dos egípcios. Ainda se lembram do início deste texto? Mutfakta kim var. Foi a expressão que nos acompanhou no primeiro voo e no último voo. Ficaram com curiosidade? Basta aprenderem um pouco de turco e logo saberão. Mas o melhor que se tirou desta aventura foi a união: a união do grupo que foi crescendo, dia após dia. Se fomos para Sharm el Sheik como vários grupos, viemos de lá como um só grupo. Foram momentos únicos, foram momentos partilhados. E porque o que aconteceu em Sharm em Sheik, fica em Sharm el Sheik, para vocês ficam estas recordações. Obrigado a todos os 21 que partilharam comigo esta aventura.

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Por | Rafaela Proença Entregue à Associação de Estudantes, a organização do já habitual Jantar de Natal, decorreu sem que faltasse a boa disposição e o espírito festivo característicos da época. A decoração estava igualmente de acordo com a quadra a celebrar, dando um novo colorido ao nosso familiar “Papa Caloiros”. Os participantes foram incentivados a levar uma peça de roupa vermelha à qual se juntou um gorro de Pai Natal, oferecido à entrada, com um número associado. Ao entrar no bar, era impossível não reparar na lareira de cartão improvisada e nas muitas caixinhas, também elas numeradas, que preenchiam toda uma parede. O objectivo era a troca de mensagens (natalícias ou de diferente natureza), entre os presentes. A ideia original estimulou o convívio e animou uma noite diferente, repleta de surpresas.

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Por | Bernardo Rodrigues Nos passados dias 22, 23, 24 e 25 de Março do presente ano ocorreu a décima quinta edição do Encontro Nacional de Estudantes de Farmácia que teve lugar no Hotel Axis, em Ofir. Foram cerca de 20 os alunos da nossa casa que embarcaram rumo a mais um fim-de-semana que, desde o início, prometia ser memorável. Entre campos de futebol relvados, courts de ténis, pistas de bowling e até um acesso directo à praia, o hotel parecia reunir todas as condições para este tipo de evento. Ao final da tarde, toda a gente se juntou numa das oito salas de reuniões para umas pequenas actividades “quebragelo”, orientadas pela Sara Torgal, de forma a deixar todas as pessoas mais à vontade. Após uma revigorante refeição, aproximava-se a passos largos a primeira das três noites temáticas que estavam programadas – a festa do acessório – que teve lugar na discoteca Bib’Ofir, onde cada estudante tinha de envergar um acessório que fora atribuído à sua faculdade. Acabada a noite, e depois de umas horas de descanso, a tarde de sábado prometia actividades para os mais diferentes gostos. Se por um lado uns optaram por participar nas eliminatórias do torneio de futebol 7, outros preferiram assistir a um training sobre communication

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skills. Ao jantar, todos se reuniram no espaço de convívio para um agradável porco no espeto. A segunda noite, intitulada de Pharma gone wild, não podia ter sido melhor nomeada. Com a camisola do evento vestida, todos os participantes se dirigiram ao Bar do Clube Náutico onde foram distribuídas canetas, de forma a que se assinassem as camisolas uns dos outros e, quando o espaço não chegava, até braços, costas ou mesmo a cara. A última tarde em Ofir reservava-nos as finais do torneio desportivo que foi ganho pela FFUL, numa final bastante disputada contra a UBI. Seguiu-se a última das noites deste grande ENEF cujo tema era Noite Tuga e onde ocorreu a entrega de prémios. Enquanto o prémio de melhor faculdade foi para o Instituto Superior de Ciências da Saúde – Norte, a FFUL trouxe para casa o prémio Personagem, ganho pela Margarida Rocha da Costa. Resta-me apelar a uma maior participação neste evento. A FFUL é o estabelecimento de ensino com maior número de alunos dos oito membros da APEF, porém é dos que, ano após ano, leva menos gente a este evento. Temos que deixar de ser tão “caseiros” e aderir a mais eventos destes e, desta forma, pode ser que para o ano o prémio de melhor faculdade venha parar a Lisboa.

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A APEF

de

Hoje

Novos Órgãos Sociais AEFFUL Por | David Santana | Vice-Presidente para as Relações Internas da DAEFFUL 2013

Por | Luís Azevedo | Presidente da DAPEF 2013 Caros leitores da Pharmacevtica, A Associação Portuguesa de Estudantes de Farmácia é para todos os efeitos a associação representativa dos estudantes do Mestrado Integrado de Ciências Farmacêuticas de Portugal. Eis que no dia 18 de Novembro de 2012 se apresentou uma proposta totalmente inovadora no que toca à abordagem e planificação de todo um mandato da APEF. Definimos um plano estratégico de actuação da associação partindo de alguns planos de intervenção, sendo estes formação, educação para a saúde, cultura, assuntos comerciais, representação internacional, saídas profissionais e plano político. Tendo presentes no núcleo de gestão desta direcção quatro presidentes de direcções cessantes de membros efetivos (AEFFUP, NEF/AAC, NECiFarm e NCF/AEISCS-N) temos a certeza de estar na posse do conhecimento interno e modus operandi de cada um dos membros e quais são as dificuldades e virtudes que cada um destes enfrenta todos os dias na sua área de actuação. Os novos órgãos sociais da APEF estão mobilizados para que este seja um ano marcante no histórico (ainda curto) da APEF. Diria Ghandi que “acreditar num sonho e não o viver, é desonesto”, talvez por isto tentamos fazer todos os dias mais pela Associação de todos nós.

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Caros colegas, A DAEFFUL 2013 tem como preocupação global o estudante e as suas necessidades, pretendendo assim criar uma maior abertura e melhorar de forma concreta a ligação entre ele e a AEFFUL. Exemplo claro dessa intenção é demonstrado através de várias iniciativas e planos tais como a abertura de vagas para colaboradores, ou a “hora aberta”. Por outro lado, a DAEFFUL tenciona dar continuidade ao trabalho de excelência realizado ao longo dos anos pelas antigas direcções, oferecendo aos seus associados formações extracurriculares, actividades culturais, desportivas ou educativas, com o devido prestígio que já lhes são merecidamente reconhecidas. Além disso, pretende ainda criar uma dinamização interna dos núcleos e dos espaços diretamente ligados à AEFFUL, tendo criado também, para facilitar essas ambições, um departamento comercial. Por fim, a visibilidade externa da AEFFUL não será obviamente esquecida, pretendendo continuar a dar ênfase à representação nacional e internacional da mais antiga associação de estudantes de farmácia em Portugal. É então assim de forma conclusiva, que se apresenta a AEFFUL 2013: “uma associação de todos e para todos os estudantes da Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa”. Mesa da Assembleia Geral: Nuno Cardoso, Isabel Fortunato e Maria Duarte Mariano Conselho Fiscal: Catarina Salgueiro, Inês Monteiro e José Pedro Jesus

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Por | João Ravasco Durante as festas e actividades da semana do caloiro, recordo com algum carinho o momento no XV TAFUL em que, depois de ouvir a Balada das Sete Saias, se criou o pensamento “eu quero estar ali”. É abissal a diferença entre ver a TAFUL e estar na TAFUL. Via nos tunos todo um orgulho, um gosto, uma dedicação quase cega. Eu não compreendia a extensão desse sentimento. Agora isso faz parte do meu quotidiano. Toda a camaradagem criada é fruto não só de grandes momentos vividos em festivais e arraiais, mas também de todo o esforço e trabalho partilhado durante os ensaios que nos “limam as arestas” duas vezes por semana. E o ensaio é um momento fantástico. A ideia geral é, de que estes eventos são puramente destinados aprender, treinar, alterar e corrigir músicas, mas esquecem-se do factor humano. Recheados de espontaneidade e de momentos brilhantes de cariz cómico, a roçar o surreal, criamos laços que ficam para a vida. A verdade é que quando se entra na Tuna, cai-se de páraquedas num ambiente novo, mas o facto de estarmos fora da nossa zona de conforto cria oportunidades únicas! Tendo toda a gente passado pelo mesmo, a integração de quem entra é muito fácil e espontânea, assim como a aprendizagem. Esta necessidade de aprender, mais do que sentirmos que é necessária, torna-se um gosto. Lembro com muito carinho o meu primeiro ensaio, primeira

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actuação, primeiro festival… agora, sempre que aparece alguém novo para um ensaio sinto um saudosismo imenso e revejo todo este processo. Mas o mais fascinante destes últimos anos é que tenho-me vindo a aperceber que não se compreende o que é estar na Tuna, até se estar na Tuna. Trabalha-se muito, mas com gosto. É viciante. Esforçamo-nos para fazer algo incrível e quando o conseguimos, quer-se mais. Mais músicas novas, mais inovação, mais gente. Quer-se que as vinte e tal vozes do ensaio não soem a cem, soem a mil. E é no final do ano que mostramos todo o trabalho e suor, no sarau académico frente a toda a FFUL. Culminando numa actuação de trinta ou quarenta minutos é o tudo por tudo. É para a faculdade que estamos a tocar. Para alunos, para ex-alunos, para pais, para professores! Temos a função, e muito mais do que isso, o desejo, de dar o melhor que há para dar. Vêm veteranos para tocar neste momento, pessoas que acabaram o curso há dois, cinco, ou mesmo quinze anos. Há electricidade no ar, uma calma antes da tempestade de cordas e vozes. Vive-se o êxtase. E no fim aplausos. Tocar para a faculdade é mágico. Espero que tenha conseguido com isto mostrar nem que seja um décimo do que é ser da TAFUL. A verdade é que só damos valor ao que obtemos com esforço e este é o segredo da dedicação à Tuna. E é por isso que “toda a gente sabe…”

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Todos temos sonhos. Ambicionamos cada dia que passa concretizá-los e ter a sensação de felicidade que estes nos proporcionarão! A Tuna “A Feminina” também tinha um sonho. Organizar a 3ª edição do seu festival de tunas! Passaram-se mais de três anos desde a última edição. Muitas vezes se falou do assunto, mas a conta bancária prendia os nossos desejos e condicionava a nossa vontade. E porque só todas juntas chegamos mais longe, inovamos, criamos e tivemos ideias megalómanas...no nosso espaço farmacêutico surgiu um conceito para disseminar a nossa ambição: “Pintar Lisboa de Roxo”! Numa época em que o ânimo português se encontra derrubado pela conjuntura económico-social achámos que era preciso acreditar! Quisemos fazer algo diferente, crescer e evoluir e propusemo-nos a animar os lisboetas e a “Pintar de Roxo” as suas vidas. O projecto viveu da grande vontade de espalhar a dose certa de magia musical por todos os cantos de Lisboa. Partilhámos o orgulho de estar nesta cidade e mergulhar na sua cultura. 
Muitas perguntas surgiram… Roxo porquê? Ora…isto certamente entenderão como ninguém!

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Roxo é a cor do nosso curso e deste modo também pudemos espalhar pela cidade um pouco da nossa paixão pelas ciências farmacêuticas. E quais foram os principais objectivos do projecto? • Não deixar de acreditar num Portugal e numa Lisboa viva e animada. • Estimular o gosto pela música tradicional portuguesa com entusiasmo. • Mostrar o valor das tunas na perpetuação da música portuguesa e cultura lisboeta. Realizar um Festival em Lisboa é ambicioso, tem custos associados que nós, enquanto grupo sem fins lucrativos, não conseguíamos suportar, e por isso… Quisemos conhecer as tendências! Informámo-nos e conseguimos mostrar que o que nos faltava em verba poderíamos compensar em criatividade e iniciativa. Assim, apresentámos o nosso projecto na Plataforma de Crowdfunding Massivemov (Não sabes o que é? Espreita na nossa página! Olha que ainda te vai dar jeito!). Para além disso, concebemos acções de divulgação: espalhámos balões por Lisboa, organizámos Flashmob por ruas lisboetas, pintámos um vidrão a partir de um concurso da Câmara, fizemos uma acção no dia dos namorados, cantámos com o David Fonseca, “spamámos” a FFUL… mas admitam…...não tornámos este ano de 2013 muito mais colorido?!?! Eis que chega o dia...a azáfama dos últimos preparativos,

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“Um festival onde a tradição, alegria e espírito académico viajaram às sete colinas e desceram à Aula Magna. Vai Tuna!” Samarituna

correrias por Lisboa a ultimar todos os detalhes e um nervoso miudinho à mistura. “Meninas, as tunas estão quase a chegar!”... começa a festa de sexta-feira com muitas surpresas noite fora! Fosse na battle de pandeiretas e estandartes ou na competição com penalties de traçadinho...a animação estava por todo o lado! Existiu interacção entre tunas, porco no espeto e guitarradas... no fundo, um espírito académico inesquecível! Se a noite de sexta acabou tarde, isso não impediu a alvorada de manhã às tunas, um almoço com coreografias, ou um passacalles cheio de música e folia! Deambulando pela Graça, enchendo cafés e miradouros de cor, as tunas sucederam uma

à outra sempre cheias de energia! O último posto tinha uma mística especial! Aí, um prémio seria atribuído à tuna cuja melodia se adequasse mais ao poema dado pl’A Feminina sobre a sua amada cidade: Lisboa! Este era o prémio “Pintar Lisboa de Roxo” e foi emocionante ver como as tunas se dedicaram ao nosso desafio de corpo e alma! Mais à noite, depressa se encheu a Aula Magna.. gente de todas as idades, curiosa e ansiosa que o festival começasse... Não há palavras que descrevam, mas superou grandemente as expectativas! Um grande obrigado a TODOS!

“A Feminina Pintou Lisboa de Roxo e a Legislatuna fez os contornos com a alma e espírito da Invicta! Este III Traçadinho foi a tela onde se fundiu o contributo de todas as tunas, representando a pintura final a música, a alegria, o espirito e o amor que caracterizam esta incrível tradição académica!” Legislatuna

“Foi um festival sem igual para a Encantatuna, com uma alegria imensa, um ambiente fantástico de grande partilha e interactividade entre as várias tunas. Pintámos Lisboa e os nossos corações de roxo, levamos Lisboa e o III Traçadinho como recordação desta vida maravilhosa de Tuna que partilhamos todos os dias de estudante.” Encantatuna

“Um festival espetacular! Do tema, às actividades, passando pelo espírito académico e pela grande noite de tunas, cheia de boa música. A receção d’A Feminina fez-nos sentir em casa e todo o conceito de Pintar Lisboa de Roxo teve um enorme impacto, fazendo deste, um festival de sucesso. Estão de Parabéns!!” TFIST

“Só o melhor festival de tunas femininas a nível nacional e já um marco cultural na cidade de Lisboa.” TAFUL

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Ph Online Por | João Ravasco| NRP Dizem que rir é o melhor remédio, a Pharmacevtica tenta dar-te um ainda melhor. Porque uma revista por semestre sabe a pouco, é com orgulho que damos a conhecer à FFUL o site da Ph. Este aborda temas de diversas áreas, sendo uma boa oportunidade para nos mantermos a par das novidades do sector farmacêutico, ler mais sobre as actividades da nossa faculdade ou quem sabe, para os mais curiosos, dar uma vista de olhos em algumas crónicas e textos livres. Quem preferir, reler algumas das últimas edições da revista, conhecer minuciosamente a faculdade na nossa

secção Zoom e ler entrevistas com das tuas personalidades preferidas no “Cara a cara”. Além do site proporcionar uma leitura direccionada e descontraida, tem ainda uma galeria fotográfica onde são colocadas as fotos dos momentos críticos do mundo farmacêutico. E porque a Pharmacevtica não é só textos, também dá prémios, a secção dos concursos têm todas as informações para que qualquer um possa usufruir de tais oportunidades. Para aceder a estes conteúdos basta visitar http:// publisherph.wix.com/pharmacevtica. Mantém-te a par das actualizações.

Desporto FFUL Por | Tiago Barros| Dep. Desportivo DAEFFUL O Desporto define-se como todo o tipo de actividade física competitiva em que, por participação casual ou organizada, se visa a manutenção da condição física e o entretenimento geral. No entanto, a esta definição faltam elementos cruciais, que se traduzem na capacidade de unir as massas em torno de um objectivo comum, de nos fazer sentir bem connosco e com as pessoas ao nosso redor, e de ser uma forma de lidar com as situações menos felizes do dia-a-dia. É principalmente sobre este ponto que recai a atenção da AEFFUL. À medida que crescem as equipas da casa e surgem os resultados positivos, aumenta o interesse pelas mesmas e consequentemente pelo Desporto. As conversas no bar Faculdade mencionam inevitavelmente “os oito a zero” impostos pela equipa de futsal feminino,

solidificando assim o primeiro lugar, ou “os oito a dois” da equipa de futsal masculino que se mantém na luta pelos lugares cimeiros do grupo. E o que dizer da exibição exímia das nossas atletas do voleibol feminino? Faltam adjectivos ao descrever o percurso irrepreensível desta equipa que chegou à fase final do Campeonato Universitário de Lisboa tendo no seu registo uma fase regular com nove vitórias em nove partidas disputadas. No entanto, mais importante foi sem dúvida a décima primeira vitória da série, que se traduziu na comemoração de um feito histórico, a consagração da equipa como campeã universitária de Lisboa. Resta unirmo-nos em torno das nossas equipas que trabalham regularmente divulgando o nome da nossa Faculdade e elevando o nome do desporto cada vez que entram em campo.

NRAEFFUL’2013 Por | NRAEFFUL 2012/2013 O Núcleo de Rádio da AEFFUL existe desde 2006 e tem como objectivo divulgar a música sem preconceitos. Pretendemos divulgar as mais recentes novidades no mundo da música, dando, sempre que possível, destaque ao que de mais bonito se faz em Portugal. Todos os meses criamos uma Newsletter com artigos sobre as mais variadas bandas, reviews dos concertos a que os membros do Núcleo de Rádio assistiram e damos vida à tão especial rubrica “Na hotte com…”, na

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qual entrevistamos personalidades da nossa FFUL. Temos, ainda, entrevistas feitas por nós a artistas portugueses. As Purple Sessions são um concurso de novas bandas portuguesas organizado pelo Núcleo de Rádio, que traz a Lisboa bandas de todo o país que vêm demonstrar o seu talento. Este ano, o concurso, que vai já na sua 7ª edição, realiza-se no dia 14 de Maio no Bacalhoeiro e contará com a presença de 4 bandas. Portanto, se amas o mundo da música, sintoniza-te connosco!

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Núcleo

de

Acção Social AEFFUL

Por | Carolina Caldeira “Envolve-te no mundo à tua volta” – foi esse o desafio que o NAS abraçou. Começámos por ajudar a comunidade, angariando fundos e aproveitámos a famosa Noite de Tunas da FFUL para pôr as mãos na massa (literalmente). Os Crepes Solidários foram um sucesso e angariámos 100 euros para doar a uma instituição de crianças escolhida pelos alunos – Instituto da Imaculada Para Pessoas com Necessidades Especiais. No dia 29 de Novembro, fomos recebidos com um sorriso no rosto e durante toda tarde conhecemos aquela que é a casa de muitas crianças e jovens com perturbações globais de desenvolvimento e Autismo. Devido ao aumento da fila de espera para o micro-ondas do bar, o NAS propôs-se a comprar mais um. Vendemos rifas que habilitavam os alunos a uma entrada na Farmo de Inverno, e como os alunos aderiram muito bem à iniciativa, conseguimos adquirir um novo micro-ondas. Para além disso, com o restante dinheiro comprámos 30kg de ração para doar à União Zoófila. Organizámos duas visitas à Instituição de forma a permitir que cerca de vinte alunos conseguissem conhecer o trabalho aí desenvolvido. Depois do sucesso anterior, na Festa do Magusto voltámos a vender Crepes. Desta vez, a causa era outra: ajudar as pessoas sem-abrigo a terem um Inverno mais quente. Foram muitos os que quiseram contribuir comprando um crepe, e com os lucros comprámos cerca de 20 cobertores. Mas houve quem quisesse contribuir de outra maneira e portanto houve também doação de cobertores. No final, o resultado deixou-nos muito satisfeitos, visto que conseguimos mais de 30 cobertores para distribuir pelas pessoas sem-abrigo de Lisboa. No dia 4 de Dezembro, um grupo de alunas da Faculdade vestiu os coletes da Legião da Boa Vontade e, após uma visita às instalações da Instituição, entraram na carrinha onde receberam instruções específicas sobre o que fazer: distribuir cobertores, sopa, um saco com comida e sumo. Uma noite inesquecível, cheia de rostos repletos de gratidão. Todo o trabalho desenvolvido foi reconhecido no passado dia 23 de Fevereiro, na 1ª Gala dos Prémios Farmacêuticos, onde o NAS ganhou o Prémio AMI – Melhor Actividade de Intervenção Cívica. Obrigado a todos os que nos ajudaram, se envolveram connosco e tornaram isto possível.

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O N煤cleo Redactorial da Pharmacevtica (NRP) abordou o Administrador do Grupo Holon, Dr. Pedro Pires (PP), numa conversa informal com o intuito de descobrir um pouco mais sobre os prim贸rdios e os objectivos deste grupo.

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Isto foi feito nunca denunciando o projecto na integridade, não para camuflar qual era a sua intenção, mas para não amedrontar, porque confunde-se uma série de coisas como o individualismo, com a independência. Mas sabíamos, que quando nos colocamos do lado do consumidor, não reconhecem a farmácia central de Almada como uma marca, falam das farmácias no geral. Então qual é a chave de sucesso num mercado? Qual é o modelo que vai ter futuro? Que tipos de farmácias é que vão ser? Quais é que vão cá ficar? Que tipo de farmacêuticos é que nós queremos? Que tipo de farmácias, que tipo de loja? Faz sentido uma pessoa que não é farmacêutico atender ao balcão? Não, nem a lei o permite, então faz sentido eu fazer de director de marketing? Começas a fazer de director de marketing não percebendo nada de marketing, corres o risco de estar a fazer uma coisa que não faz sentido nenhum. Eu não sei se é roxo. O que é que eu percebo de cores? Nada. Porque é que é Holon e não se chama Farmaplus? Mas quem é que percebe de marcas, de branding? Eu percebo, se perceber de alguma coisa, é de farmácia.

Por | André Reis NRP - Quem esteve por detrás do Grupo Holon? Dr. Pedro Pires (PP): Eu (Dr. Pedro Pires) e o Diogo (Cruz) fizemos o mesmo percurso escolar e académico, sempre na mesma instituição de ensino desde os dois anos, até a faculdade. Numa primeira fase, trabalhei na Alliance Unichem como delegado comercial, o que se revelou um processo bastante interessante para mim, dentro do mercado da distribuição. O Diogo esteve no Infarmed e depois foi para a ANF. Em determinada altura, deparamonos com quatro farmácias no meu agregado familiar e 2 no do Diogo. Seis farmácias. Criámos uma pequena empresa, um pequeno armazém de distribuição e centralizamos a negociação para as seis farmácias, tirando alguma rentabilidade e eficiência. No entanto, era algo limitativo porque eram só seis farmácias. NRP - Como surgiu a “ideia” do projecto Grupo Holon? PP: A ideia surge quando José Sócrates anuncia a saída de alguns medicamentos para fora das farmácias, e entro em contacto com o Diogo nesse mesmo dia. Apercebi-me que seis (Farmácias) éramos pouco, tínhamos que ter mais. Tínhamos que ir lá com sessenta, independentemente de perdermos aqui parte do nosso conforto, e começarmos num processo de mobilizar mais pessoas nesse sentido.

“Eu percebo, se perceber de alguma coisa, é de farmácia.“ pharmacevtica 62 | Maio 2013

“(...) temos de nos dedicar ao consumidor final, ao utente, no atendimento ao consumidor, na formação técnica.“ NRP - Explique-nos o que é o conceito Holon? PP: Quando se estagia na farmácia ou se trabalha, nem sempre somos Farmacêuticos. Arrumamos mercadoria ou limpamos as estantes, fazemos de tudo. Mas temos de nos dedicar ao consumidor final, ao utente, no atendimento ao consumidor, na formação técnica. Tem que se aliviar toda a parte back office para pessoas direccionadas para o mesmo. Não vemos numa farmácia a informação que têm pessoal qualificado para auxiliar em determinado problema, mas vemos a informação direccionada única e exclusivamente para a venda de produtos . O modelo e o conceito passa por tentar verticalizar e centralizar todas as actividades passíveis de centralização e passar de uma “venda de produtos, para uma venda de serviços”. É um modelo que, na minha opinião, satisfaz farmacêuticos que querem viver a profissão a nível da farmácia de oficina. Passa ainda, por tirar tudo aquilo que não deve estar na farmácia, até porque são actividades das quais o farmacêutico não tem “expertise”. Libertar o tempo para actividades onde têm “expertise”. Coabitação dos dois factores trará sucesso. O que digo à indústria é: se quiseres gerar adesão à terapêutica, é aqui, nestas farmácias. O que digo aos

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“(...) passar de uma “venda de produtos, para uma venda de serviços”.“ farmacêuticos é: se querem trabalhar como farmacêuticos, é aqui, nestas farmácias. O que pretendemos é que a consulta farmacêutica e o conceito farmacoterapêutico sejam uma realidade. Basicamente o objectivo é ter uma farmácia mais profissional, porque Pintar lojas de roxo é fácil, difícil é entrares numa farmácia e dizeres que esta é diferente, que é uma farmácia muito mais clinica e “clean”. Quando o utente entra percebe que está num ambiente, que diria, de farmácia. Pegámos neste conceito e começámos a vender ao mercado. NRP - As farmácias Holon têm que vantagens, face à farmácia “tradicional”? PP: Como é óbvio as farmácias do grupo Holon têm vantagens económicas mas essas também tiras de uma forma simples através de um grupo de compras. Este não é só um projecto para desenrascar agora porque temos de negociar melhor, mas tentar fazer um projecto com cabeça, tronco e membros e que se consiga criar um modelo de farmácia. Isso é que vai criar diferenciação para o consumidor, para a indústria e quem sabe para o próprio estado. Se tu estiveres à frente de uma seguradora ou do estado, queres é farmácias que consigam dispensar fármacos com maior responsabilidade e ser esse o seu principal foco. Essencialmente por quereres reduzir drasticamente a quantidade de medicamentos que ainda presencias no

“(...) queres é farmácias que consigam dispensar fármacos com maior responsabilidade e ser esse o seu principal foco.“

“Não há ninguém que não tenha uma farmácia em casa. Isso claramente é ineficiência do sistema.“ Valormed por exemplo. Não há ninguém que não tenha uma farmácia em casa. Isso claramente é ineficiência do sistema. É tentar que estas farmácias se consigam diferenciar não só pela capacidade de aquisição dos produtos, central de compras, mas consigam diferenciar-se pelo serviço que prestam ao consumidor final. As farmácias quando estão no grupo Holon já vivem no conceito de que o consumidor consegue percecionar a diferença. Essa é a grande diferença, é conseguires passar para o consumidor final o conceito. Num grupo de compras não consegues. NRP: Porquê o interesse de começar a fazer produtos da marca Holon? PP: Quando montas um conceito, tentas montá-lo de A a Z. Onde é que poderá estar a rentabilidade deste modelo? O conceito já o vimos: profissionais habilitados, a prestar o melhor serviço à população. De onde é que pode vir a rentabilidade? Boas negociações, uma homogeneização do nível de serviço praticado. Os produtos de marca própria aparecem nesse seguimento: como uma ocupação de um espaço, de uma rentabilidade que se torna imediata, sem “beliscar” as parcerias com os laboratórios. NRP: Qual o próximo passo a tomar pelo Grupo Holon? PP: Conseguir entrar na negociação dos medicamentos éticos, medicamentos sujeitos à prescrição, que não sejam genéricos. Esse passo só se consegue, com uma profissionalização total e através de uma interiorização do conceito do farmacêutico na farmácia como tal. Há sempre coisas a melhorar. Se me perguntares quando é que eu estaria satisfeito com o projecto, diria que ficaria satisfeito se visse uma rede de farmácias homogénea, com o conceito na sua plenitude. Se o conseguires, rapidamente tens a indústria dos medicamentos éticos a querer falar contigo, as associações de doentes também, porque claramente tens ali uma mais-valia.

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NRP: Qual a posição do Grupo Holon na remuneração do acto farmacêutico? PP: Tentamos prestar um serviço que seja pago, a consulta farmacêutica, cada vez mais a farmácia tem de viver de algo diferente do que a venda dos produtos. Mas se a “fee” não estiver bem materializada o que vai acontecer é que o utente passa a vê-la como uma taxa moderadora, uma coima. Eu tenho que ir a farmácia e perceber porque é que estou a pagar. Tem que se criar aqui substância ao nível do acto, o acto tem que estar mostrado. Nesse caso pareceme que compete a ordem dos farmacêuticos juntamente com as entidades reguladoras, o INFARMED e o Ministério da Saúde tutelarem, definirem e descreverem para a população, o que é o Acto Farmacêutico. Isto para quando um idoso ou doente cronico vá a farmácia perceba: Estou a pagar mas tenho direito a isto, é um direito que me acresce e tenho que reivindicar esse meu direito e não ver isto como uma multa. No grupo Holon, paga-se uma consulta farmacêutica, um serviço que nós prestamos a quem queira beneficiar dele, e as pessoas percebem que há uma vantagem clínica. Actualmente as farmácias são vistas como um local de aquisição de mercadoria e isso é uma actividade logística. As pessoas têm que ir mais vezes à farmácia sem ser para comprar medicamentos. Fazer outro tipo de serviços, a farmácia tem essa dinâmica de poder criar essa mais-valia.

“(...) cada vez mais a farmácia tem de viver de algo diferente do que a venda dos produtos. “ NRP - Que mensagem gostaria de deixar aos futuros farmacêuticos. PP: Ajudem-nos. Este modelo, se for vivido também por vocês nas farmácias para onde vão, seja Holon seja outra qualquer, trará vantagens. Revoltem-se profissionalmente. Dá para ganhar mais nas farmácias? Dá sim senhor, mas não nestas farmácias actuais. A revolução, que estamos a tentar fazer, faz-se nas bases, no povo. O povo somos nós, são os estudantes de farmácia, uma nova geração vindoura.

“(...) parece-me que compete a Órdem dos farmacêuticos juntamente com as entidades reguladoras, o INFARMED e o Ministério da Saúde tutelarem, definirem e descreverem para a população, o que é o Acto Farmacêutico.“ Se as farmácias não fizerem, alguém vai fazer, porque o espaço ocupa-se. Se o seguimento farmacoterapêutico não for feito na farmácia vai haver um grupo de farmacêuticos que o faz fora porque esse espaço que devia ser ocupado pela farmácia não o foi.

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PERFIL

PEDRO MIGUEL DOMINGOS PIRES Pedro Miguel Domingos Pires, nascido a 20 de Setembro de 1977 é Licenciado em Ciências Farmacêuticas pela Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa. Durante a sua carreira profissional foi, inicialmente, delegado comercial na Alliance Unichem em 2000 até 2002, ano que se torna proprietário da Farmácia Algarve, em Almada. Em 2008, torna-se administrador da MPS Farmacêutica e três anos mais tarde é administrador da Holon SGPS. Em 2010 tomou o cargo de presidente na Udifar.

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Por | Tiago Vieira Após a comemoração do centenário da Universidade de Lisboa o Núcleo Redactorial da Pharmacevtica sentiu o dever de explorar a história da nossa estimada instituição, a FFUL. Na edição passada começámos a desvendar um pouco deste percurso já tão longo, ficando aqui uma prospecção do futuro que nos espera… Após a recuperação da ruína na qual havia sido deixado o edifício e construção do pavilhão A, estes dois edifícios foram, durante largos anos, a Faculdade de Farmácia. O Castelinho era o local onde funcionavam os serviços administrativos e o pavilhão A albergava o restante da faculdade, desde a associação de estudantes até às salas de aulas e laboratórios. Em meados dos anos 60, foi construído o pavilhão E que seria dedicado à Tecnologia Farmacêutica e à Galénica. Este novo edifício veio dar mais espaço a uma faculdade em crescimento rápido. Já nos anos 70, foi possível o financiamento para a construção do pavilhão F e mais tarde o Pavilhão Almeida Ribeiro. Esta foi a estrutura da faculdade até meados do 25 de Abril. Após o 25 de Abril, a comissão responsável por construir a cidade universitária foi dissolvida e os engenheiros e arquitectos que a constituíam, ficando desempregados,

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decidiram fazer o projecto da Faculdade de Farmácia. Na altura existia em vigor um programa de financiamento chamado PRODEP. O projecto da faculdade, ainda incompleto, foi submetido ao programa e o financiamento foi aprovado. No entanto, como o pavilhão F era recente, havia bons laboratórios e o que faltava na faculdade era uma biblioteca e salas de aula. Essa foi então a prioridade e a primeira fase do projecto foi construído entre 1992 e 1995. No entanto, durante vários anos não foi possível avançar com a segunda fase do projecto. Por volta de 1999-2000 foi recebida aprovação para avançar com a segunda fase do projecto, mas entretanto tinha saído uma nova directiva europeia e o projecto teria que ser refeito. Não foi possível reunir o mesmo pessoal que tinha trabalhado no projecto inicial, como tal, a revisão do projecto demorou entre 2 e 3 anos. A conclusão da revisão do projecto coincidiu com o aparecimento de novas restrições e o declínio da economia e até hoje não voltou a ser possível avançar com o projecto, embora este seja considerado uma prioridade para a Reitoria da Universidade de Lisboa.

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Associação de Estudantes: duas palavras tão vulgares que unidas, há muito, fazem história e A história de muitos estudantes. As primeiras Associações de Estudantes foram criadas no sentido de alcançarem privilégios materiais e mecanismos que permitissem a participação na organização social nas faculdades por parte dos estudantes. Durante anos e anos, vários estudantes lutaram para fazer ouvir as suas vozes. Um crescimento que teve que passar por várias etapas com vários contra-tempos, conquistas e derrotas, até que a Associação de Estudantes atingisse o papel imponente que hoje reconhecemos. Empreendedorismo, Motivação e Dedicação foram palavras que desde cedo acompanharam a história das Associações de Estudantes. Na década de 50, mais precisamente em 1956, surge um decreto que procurou regular a vida das Associações de Estudantes, o qual despoletou a frente de conflito entre estudantes e o governo da altura, que culmina com a Crise Académica de 1962. Esta reacção estudantil teve consequências infrutíferas no posicionamento político do movimento associativista, onde o governo, como força repressiva, acaba por ilegalizar as Associações de Estudantes. Contudo, a repressão do governo não foi suficiente para travar a batalha dos estudantes, e principalmente dos dirigentes associativos, pelos seus direitos e, em meados de Março de 1962, a sua revolta é personificada através do luto académico, que atinge as três principais universidades do país – Lisboa, Coimbra e Porto - como forma de protesto contra aqueles que seguiam o tema de Salazar: “O Estudante estuda”. O dia 24 de Março de 1962, no qual decorreu o I Encontro Nacional de Associações de Estudante, fica então marcado na história como o dia de luta nacional, sendo hoje comemorado como o Dia do Estudante. Desde então, que as Associações de Estudantes são hoje um factor de diferenciação positiva na vida académica, tanto para os estudantes em geral como para aqueles que vestem a camisola de dirigente associativo. Assim, ser-se dirigente é muito mais do que a própria definição dita, como “qualquer estudante do ensino secundário ou superior que seja eleito para a direcção de uma Associação de estudantes…”. Mais que um nome ou um status social é, como referi, vestir com respeito a camisola de uma casa e ir ao encontro daquilo que os estudantes procuram. É saber gerir prioridades e o tempo entre estudante e dirigente. É saber abdicar do seu tempo pessoal em prol de um extenso Plano de Actividades que tem para cumprir. Vários foram, e são, os grupos de estudantes que, desde 23 de Janeiro de 1914, acrescentam um ponto à história da Associação de Estudantes da nossa Faculdade, a AEFFUL. Uma Associação que não é de Estudantes mas feita dos seus Estudantes. Uma Associação que cresceu aos poucos; que foi criando o seu próprio lar, a sua própria personalidade; especializou-se; amadureceu e hoje, contando com noventa e nove anos, é uma das vozes mais activa e respeitada entre as outras Associações de Estudantes de Farmácia, tanto nacionais como internacionais. E todos os prémios alcançados deveram-se ao trabalho de excelência desenvolvido pelos vários

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dirigentes associativos que, ao longo dos anos, transmitiram os ideais e prossecutaram os valores enraizados. Há dois anos recebi um convite. Aceitei e ingressei no mundo associativo como elemento integrante da Direcção da Associação dos Estudantes da Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa. Mais que uma Associação para a qual trabalhei e onde depositei grande parte do meu tempo, foi uma casa que me transmitiu grandes valores e que me fez crescer enquanto pessoa. Uma experiência desafiante e enriquecedora onde aprendi, absorvi e transmiti conhecimentos. Posso dizer que foi O input para o meu desenvolvimento pessoal e profissional, uma vez que me deu a oportunidade de desenvolver um conjunto de soft skills importantes para o meu futuro como a liderança, comunicação, trabalho de grupo, gestão de tempo e prioridades, e confiança. A AEFFUL é, de facto, uma escola para além da escola. É com saudade que recordo estes dois últimos anos que apesar de cansativos foram, sem dúvida, extremamente gratificantes! E como se diz “Quem corre por gosto, não cansa”. Por último, queria apenas deixar um dos grandes ensinamentos que a AEFFUL me transmitiu: Não se preocupem em ser Os melhores, preocupem-se em dar o Vosso melhor em tudo aquilo que fazem. Mostrem os vossos valores e de aquilo que são feitos. Criem o vosso espaço. Trabalhem, dediquem-se e diferenciem-se. E, acima de tudo, sejam sempre humildes! “O Bichinho entrou aos poucos. Foi conquistando. Tornou-me dependente. Consumiu-me. consumiu-me. Porque és-me tudo. E sei, que permanecerás sempre aqui”. Obrigado AEFFUL por esta grande família que criei”

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ALMEIDA GARRET

Por | Diogo Viana

No início deste ano parti para a Universidade do Algarve (UAlg) ao abrigo do programa Almeida Garrett, um programa de mobilidade nacional, com a duração de um semestre. Com cerca de 30 alunos por ano e apenas uma turma, não foram necessários mais do que uns minutos para a Professora se aperceber que tinha um novo aluno. Tendo já leccionado uma cadeira no ano anterior, esta conhecia já cada cara e nome. Foi aí que realmente percebi que ser estudante na UAlg seria uma experiência totalmente nova para mim. Na UAlg não nos sentimos mais um, não nos sentimos um número ou até mesmo invisíveis. “Sou aluno de Lisboa, chamo-me Diogo e serei seu aluno por um semestre”, informei a Professora na referida primeira aula. E durante aquele semestre nunca mais se esqueceu do meu nome. A Universidade do Algarve está dividida por campus, em que o nosso curso é leccionado no Campus de Gambelas, a 10 minutos do centro de Faro. Envolvendo a Universidade

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formou-se uma pequena aldeia, as Gambelas, quase exclusivamente povoada por estudantes. Lá nunca estamos afastados, e com os frequentes cafés e jantares, ora em casa de um, ora em casa de outro, tornamo-nos muito mais do que colegas ou vizinhos: tornamo-nos uma verdadeira família. Desde o primeiro dia me senti parte desta família, e embora a estadia tenha sido curta, trago do Algarve muitos e grandes amigos. No que toca a cerimónias académicas, são bastantes as festas, as actividades e jantares de curso. Da praxe pouco irei revelar, deixando o mistério de uma praxe que decorre tanto durante o dia como à noite, e tanto na cidade como nas matas. Das actividades não sujeitas a secretismo, o Desfile foi das que mais me marcou. As ruas enchem-se de alunos, desde caloiros aos veteranos, que desfilam em homenagem ao seu curso e ao espírito académico. Em marcha cantada, cada curso com o seu hino, e numa louca guerra de ovos, farinha e outros que tais, no fim esperava-

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-nos um banho de mangueira dos carros dos bombeiros e um mergulho na Ria de Faro para os mais aventureiros. Recomendo o salto do pontão, não só para se viver ao máximo esta experiência, mas também porque apanhar o autocarro de volta às Gambelas poderá revelar-se um desafio para os menos limpos e “cheirosos”. No que respeita ao programa educativo e aos professores, não poderia ter melhor opinião. O facto de muitos dos professores de Lisboa leccionarem no Algarve foi uma grande motivação para a realização deste projecto. Para além de me assegurar a qualidade do ensino, iria ter a hipótese de conhecer outro lado de alguns desses professores. E confirmou-se: enquanto muitos nos parecem distantes em Lisboa, aqui pude vê-los interagir mais com os estudantes, estarem num ambiente mais relaxado, tomarem um café à noite com os alunos, ou até acompanhá-los numa ida à praia.

“As experiências deste semestre não podem ser resumidas em tão poucas palavras. Foi algo único, que me fez crescer e me alargou os horizontes.” Alguns surpreenderam ao participarem activamente no flash-mob no jantar de gala, e outros impressionaram ao deslocarem-se à faculdade, fora do seu horário de docente, apenas para darem uma aula de substituição de Laboratório a alunos que tinham participado em congressos da EPSA. E assim, sendo flexíveis, permitem que o sejamos, mas sem prejudicarmos os nossos estudos. Na UAlg o aluno e a sua aprendizagem são o objectivo. Um professor, quando marca um trabalho, preocupa-se em saber qual a disponibilidade da turma, se já tem outros trabalhos ou avaliações nessa altura, e tenta encontrar sempre a melhor alternativa para todos. Um aluno

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desmotivado é rapidamente detectado pelos professores, que rapidamente tentam contrariar a situação. As teóricas param com o simples franzir de sobrancelha que indica uma provável dúvida e são distribuídas ao longo da semana, de modo a garantir a atenção e produtividade dos alunos. Este modelo de aulas mais interactivo, em oposição ao modelo mais expositivo de Lisboa, garante sempre uma sala cheia de alunos interessados e participativos. As experiências deste semestre não podem ser resumidas em tão poucas palavras. Foi algo único, que me fez crescer

e me alargou os horizontes. Fui muitas vezes questionado, tanto em Lisboa como no Algarve, sobre qual era a melhor faculdade. Não há resposta a esta questão. São faculdades diferentes. Cada uma tem os seus pontos fortes e pontos fracos e um estilo de ensino próprio. Mas graças ao programa Almeida Garrett, em vez de estarmos limitados a conhecer apenas um desses tipos, temos a hipótese de experimentar ambos. Para os que, como eu há uns anos (apesar de pouco ou nada conhecerem sobre as restantes faculdades do país) acham que a nossa faculdade é a melhor e, ignorantemente desvalorizam as outras, o meu conselho é apenas: vão e experimentem. Também eu já chamei à Universidade do Algarve “Faculdade de Praia” nos meus primeiros anos de estudante, e hoje dou por mim a desejar que em Lisboa houvesse mais “Praia”.

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sempre cheios e o trânsito é pouco organizado. No hospital trabalhávamos até as 14 horas. Assim tínhamos a tarde livre para aproveitar e conhecer Palermo. Algo que não podem deixar de provar é a comida típica: arancini, as pizzas, as pastas o gelado no pão... Decorrido quase um mês de Erasmus, as temperaturas eram exageradamente elevadas e, por isso, as praias foram o local de eleição. Entre as quais Cèfalu, San Vito lo Capo e Mondello. Visitámos também Lipari e Favignana. Nestas ilhas foi-nos possível visitar de barco várias grutas e tivemos a oportunidade de nadar em alto mar, num mar tão transparente que nos fazia crer que o fundo estava nos nossos pés. Aproveitámos para conhecer também Taormina, Agrigento,

duas palermas em palermo Por | Marisa Farrajota e Vânia Guerreiro Faz em Abril um ano que embarcámos numa experiência que iria mudar as nossas vidas. Essa inesquecível experiência foi o Erasmus de estágio hospitalar que fizemos em Palermo, na Sicília. Ao relembrar esses três meses sobressai a palavra aventura! A primeira semana foi caótica, havia sempre algo para fazer e tudo aconteceu a pé. Os transportes públicos estão

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Catania e o Etna. O conselho que vos podemos dar é: não hesitem, agarrem bem esta oportunidade, pois vai mudar a vossa vida e a maneira como vêem o mundo. Aproveitem ao máximo porque de Erasmus vai-se apenas uma vez.

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destino: brno, república checa Por | Bárbara Chambel Com uma porta de entrada no bolso, malas feitas e muita motivação, parti em direcção a Brno, na República Checa. Dentro de mim, a vontade de chegar misturava-se com o receio pelo desconhecido... Um nervoso miudinho parecia roer-me o estômago e perguntava-me como seriam os próximos 3 meses. Após um dia longo de viagem, lá cheguei. Cenário? Uma recepcionista que não falava nem uma palavra de inglês mas que, com o velho ditado “o gesto é tudo”, lá se conseguiu fazer entender e levar-me a mim e à minha colega Joana até à nossa nova casa. Seguiram-se dias inesquecíveis com as primeiras festas, as constantes noites “Erásmicas” no bar da residência onde não havia desculpas para faltas, as visitas pela cidade e a troca de culturas. Vivia-se um ambiente fantástico

Núcleo

de

e o calendário cultural começava a ficar lotado. No Laboratório, tentava-se decifrar o que seria “Všechny zkoušky” (um simples tubo de ensaio!!!) e ouvia-se uma língua desconhecida e que não se assemelha a nada. Foram três meses em que trabalhei, conheci e vivi. Agora, olho para trás e relembro cada momento com saudade e revivo o filme com alegria. Se puderem não deixem de ingressar nesta viagem!É uma oportunidade única que traz um novo sabor à vida.

Mobilidade

Por | Teresa Dominguez O Núcleo de Mobilidade pretende ser a ponte entre os estudantes incoming dos vários programas de mobilidade a que a FFUL pertence, e a nossa faculdade. Criado em Fevereiro de 2013, o principal objectivo passa por criar melhores condições para os estudantes que escolhem a FFUL como destino de Erasmus ou SEP, tanto a nível académico e de acompanhamento ao longo do ano, como a nível cultural, para que nada do universo ffuliano, lisboeta e português lhes escape!

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Trainers

A Whole New World Por | Ana Rita Santos, Rita Figueira e Sara Torgal Um training é na sua essência muito mais que um mero treino: é um ganhar novas competências, uma nova perspectiva, uma experiência fora do vulgar, um novo modo de encarar as várias etapas que se interpõem na nossa vida, tanto pessoal como profissional. Nos dias de hoje, possuir apenas habilitações dentro da nossa área profissional já não é suficiente. Precisamos de nos distinguir da multidão com algo diferente, talvez até irreverente, mas principalmente em que sejamos bons e que nos torne uma mais-valia. Num training ganhas essas novas competências que te fazem sobressair e existem inúmeros temas diferentes à tua disposição. A decisão de te tornares melhor nas tuas competências não formais, essa parte unicamente de ti. Como estudante tens inúmeras oportunidades para participar em trainings: tanto nos Congressos da EPSA como da IPSF são-te apresentados inúmeros temas que podes escolher consoante a área em que sentes que precisas de melhorar ou que queres que seja a tua competência mais forte. Tens também vários eventos dedicados unicamente a melhorar as tuas competências não formais e onde o grande objectivo é desafiar-te todos os dias. Bons exemplos disso são o APEF Training Project (ATP) da APEF, que decorre todos os anos em Setembro, e o Leaders In Training (LIT) da IPSF que ocorre todos os anos antes do World Congress, durante 4 dias, onde tens a oportunidade de desenvolver as tuas competências na área da liderança. Também nos finais de Julho, a Zero Generation organiza o Leadership Summer School (LSS), o melhor evento de training para estudantes e recémlicenciados onde desenvolves as tuas competências em variadíssimas áreas, como a liderança, comunicação e muito mais – tudo isto, em 10 dias do mais intensivo que há. Se trabalhar nesta área te desperta o interesse, também tu te podes tornar um trainer! Todos os anos a EPSA organiza o Training New Trainers (TNT) e a Zero Generation a Youth Trainers Academy (YTA) especialmente dedicados a desenvolver as tuas competências e a conferir-te competências para tu próprio desenhares um training e te tornares um trainer! Envolve-te neste mundo e diferencia-te!

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À CONVERSA COM AS TRAINERS DO YOUTH TRAINERS ACADEMY 2012 Rita Figueira | Trainer “Foram apenas 7 dias passados a norte do país, mas fizeram-me crescer como a minha mãe andava a ansear deste o meu 18º aniversário. Esta semana não foi um simples training, foi uma viagem em que embarcaram 4 portugueses e mais 20 estudantes dos mais diversos países para nos tornarmos trainers e sermos nós próprios a ajudar estudantes a aprimorar as suas soft skills.”

Ana Rita Santos | Trainer “Foi uma semana de trainings, onde aprendi não só a tornar-me um trainer, mas onde fui desafiada diariamente para me tornar melhor, para colocar objectivos na minha vida e aprender não só a importância de atingi-los mas de os fazer da melhor maneira possível. Foram apenas 7 dias mas mudaram a minha vida para sempre.”

Sara Torgal | Trainer “Foi, muito provavelmente, uma das semanas mais intensas que vivi até hoje. Intensa em trabalho, em falta de horas de sono, mas principalmente em aprendizagem, desafios, crescimento, vivências incriveis e emoções. Nunca pensei que 7 dias me pudessem dar tanto e fazerme conhecer pessoas tão únicas, mas tão especiais – no fundo, estávamos todos ali com o mesmo objectivo: beber conhecimento e aprender a tornarmo-nos o melhor trainer possivel.”

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Autumn Assembly | Tugas

na

Bulgária

Por | Margarida Rocha da Costa Como se torna já hábito, nos congressos da EPSA, começou uns dias antes do mesmo, a aventura Tugas na Bulgária (gostamos sempre de experimentar o que de melhor os países têm para nos oferecer). A comitiva portuguesa é sempre, sem sombra de dúvidas, a mais numerosa e das mais motivadas. Em relação ao congresso em si, não desiludiu como já era de esperar. Workshops e trainings lotados, assembleias gerais dinâmicas e noites típicas ao nível da EPSA. Por ter sido uma Autumn Assembly, com um menor número de vagas em relação ao congresso anual, houve um ambiente mais familiar tendo sido possível à comitiva portuguesa ter conhecido bastantes estudantes de outras faculdades da Europa. Participar num congresso destes é uma experiência especialmente enriquecedora. Não apenas a nível científico, mas também no desenvolvimento de soft skills e na criação de uma rede de contactos. Fazem-se amigos que se revêm anualmente e ganham-se competências que não seriam tão facilmente adquiridas

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no dia-a-dia da faculdade, sendo por isso, na minha opinião, uma experiência com uma importância gigante e de passagem obrigatória. Motivem-se, ganhem coragem e venham fazer parte desta viagem única! Vêmo-nos na Valência!

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"Temos de apostar mais em formação pós-graduada que depois nos dê as ferramentas para lidar com todas as valências que são necessárias para nos adaptarmos ao mercado de trabalho" Ema Paulino | in revista Reflexus | Outubro de 2012

“Devia haver (...) um período de contacto, nomeadamente no 3o ano, já com locais de inserção profissional, locais onde o profissional esteja a exercer.” Hipólito Aguiar | in revista Reflexus | Outubro de 2012

“O estágio profissionalizante de 1 semestre deveria ser mais abrangente e não limitado às áreas da farmácia comunitária e hospitalar, permitindo assim aos futuros profissionais escolherem as actividades que gostariam de desenvolver e investir nelas no final da sua formação pré-graduada.” Perpétua Gomes | Farmacêuticos 2020, Os desafios da próxima década “A Universidade tem de se programar para o futuro e não para o presente sob o risco de formar profissionais desfasados do mercado. (...) A Universidade deve discutir amplamente este tema, envolvendo não só as tradicionais estruturas académicas, mas também as empresas e os seus profissionais por forma a ter uma visão global e precisa das necessidades dos Farmacêuticos do futuro.” Francisco Castro | Farmacêuticos 2020, Os desafios da próxima década “A estratégia a seguir deverá contemplar formação pós-graduada (...), na qual sobressaem desde logo áreas de menos convencionais de formação pré-graduada como sejam componentes de gestão empresarial, gestão de recursos humanos, comunicação, marketing, psicologia comportamental, não esquecendo no entanto áreas nucleares de intervenção profissional como sejam a farmacoterapia e a farmacocinética.” Hipólito Aguiar | Farmacêuticos 2020, Os desafios da próxima década

“O mais importante a passar aos alunos na faculdade é o pensamento crítico e a capacidade de resolver problemas” Carlos Afonso | Congresso Nacional dos Farmacêuticos, painel Ensino Farmacêutico | in Netfarma

“Não conseguimos definir objectivos pedagógicos sem o envolvimento dos profissionais e da sociedade” José Cabrita | Congresso Nacional dos Farmacêuticos, painel Ensino Farmacêutico | in Netfarma

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Referências Observatório de Empregabilidade, constituído pela Associação Portuguesa de Estudantes de Farmácia (APEF), Associação Portuguesa de Jovens Farmacêuticos (APJF) e Ordem dos Farmacêuticos (OF). Comissão de Revisão do Plano Curricular da APEF Documento Estratégico da Fusão da UL e UTL

Por | João Roma Sabe-se que, em finais de 2012, 16% dos recém-mestres de 2010 e 2011 estavam desempregados, com 57% dos empregados a exercer em Farmácia Comunitária. 600 farmácias correm o risco de fechar em 2013, segundo a Associação Nacional das Farmácias (ANF). E o país atravessa umas das maiores crises económico-financeiras de que há memoria. Estes são apenas alguns dos factos preocupantes com que os estudantes do MICF se deparam e aos olhos dos quais ganham importância à medida que a entrada no mercado de trabalho se aproxima. Por outro lado, a Universidade de Lisboa encontra-se num processo de fusão com a Universidade Técnica de Lisboa, seguindo uma visão ligada a internacionalização, multidisciplinaridade e ligação ao tecido empresarial. A APEF analisa os planos curriculares do MICF. E os farmacêuticos procuram posicionar-se em novas áreas emergentes. Atentas a estas realidades, as faculdades de farmácia apostam numa revisão gradual dos seus planos curriculares e os estudantes da FFUL questionam qual a direcção tomada pela faculdade, enquadrada no contexto da nova Universidade de Lisboa, do Sector farmacêutico e do País. Verifica-se que o plano curricular do MICF na FFUL se centra no medicamento, com uma forte componente virada para a investigação. Está, por outro lado, direccionado para a área de Farmácia comunitária que, embora absorva a maioria dos recém-mestres, tende a diminuir o seu potencial de escoamento. Surge, deste modo, a necessidade de reverter o afunilamento da especialização dos estudantes, apostando na preparação para áreas emergentes. Neste sentido, a FFUL irá apostar na abertura das unidades curriculares opcionais do 1º semestre do 4º ano a unidades de outras faculdades, procurando assim potenciar os

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objectivos de multidisciplinaridade e mobilidade de estudantes defendidos pelo processo de fusão. Assim, pretende dotar os estudantes de conhecimentos noutras áreas do saber que complementem a sua formação, como é o exemplo do marketing, gestão, línguas estrangeiras, etc e possam ser factores diferenciadores na procura ou criação de emprego. Tendo como objectivo a preparação para outras áreas profissionais do sector, salienta-se ainda a extensão das áreas do estágio curricular à distribuição e indústria farmacêutica (em todas as suas vertentes). Tal permitirá ao futuro farmacêutico um contacto prévio promovido pela faculdade com a actividade profissional escolhida, vantagem óbvia na procura do 1º emprego. Espera-se que tais medidas resultem, de certo modo, no fortalecimento das condições de empregabilidade dos recém-mestres da FFUL, sendo no entanto de referir a importância da formação extracurricular, tanto a nível profissional como pessoal. Cada vez mais se revela verdadeira a afirmação de que os bons resultados a nível curricular não bastam, num mercado de trabalho de crescente competitividade.

O FUTURO DO MESTRADO INTEGRADO EM CIÊNCIAS FARMACÊUTICAS....

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Por | João Roma Em 31 de Dezembro de 2012, foi publicado o Decreto que procede à fusão da Universidade de Lisboa à Universidade Técnica de Lisboa, resultando assim na criação da nova Universidade de Lisboa (NU). Tal acontecimento constitui não o culminar, mas o início de um “processo dinâmico e criativo” de fusão que seguirá um conjunto de linhas estratégicas elaborado por docentes, não docentes e estudantes. Como tal, e perante o desafio de descrever as consequências deste processo para a Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa, cuja massa estudantil constitui 3,9% do total da NU, começo por referir que, no imediato, este terá apenas uma influência teórica. Importa sim analisar todas as potencialidades criadas no âmbito da visão e objectivos concretos deste projecto. Salienta-se que as mesmas requerem a nossa proactividade e capacidade criativa, podendo resultar em mais-valias significativas para os estudantes da FFUL. Ao nível da organização estrutural, destaca-se a criação dos Colégios, estruturas transversais a várias unidades orgânicas, que pretendem reunir os docentes e investigadores direccionados para determinadas áreas de conhecimento. Gera-se assim uma cooperação e mobilidade científica entre faculdades, precursora da optimização dos seus projectos de criação de conhecimento, gestão de recursos humanos e enriquecimento do percurso científico dos estudantes. A afirmação da NU como “um espaço internacional da ciência e inovação (...) que deve contribuir para que Lisboa seja uma (...) cidade de Erasmus e pólo de atracção de jovens de todo o mundo”, define a internacionalização como um dos pilares da fusão que deve estar patente na estratégia de desenvolvimento da FFUL. A NU propõe-se, entre outras medidas, a criação de novas estruturas de acolhimento, novos protocolos

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de colaboração científica entre universidades de todo o mundo e oferta de formação conjunta. Com os mesmos objectivos, pretende elaborar um Regulamento Geral e Universal de Erasmus, que contemple processos de seriação e atribuição de bolsas mais lógicos e estabelecimento a priori das equivalências. Longe do topo em termos quantitativos, a FFUL deve acompanhar estas medidas com a dinamização da procura de vagas outgoing e o desenvolvimento de melhores condições de recepção dos incoming, bem como a aposta no desenvolvimento de colaborações internacionais ao nível dos seus projectos de investigação. A multidisciplinaridade, como outro dos valores que constituem a visão deste projecto, afirma-se através da proposta da transversalidade e mobilidade na oferta formativa, por meio do estabelecimento de uma % de créditos a obter noutra faculdade, da abertura das opcionais e da criação de novos cursos conjuntos de formação pós-graduada. Como faculdade dedicada as ciências exactas, constituirá uma oportunidade a ligação a outras áreas do saber nas quais se incluam a gestão, o marketing, a comunicação, etc. No âmbito do empreendedorismo, transferência de tecnologia e ligação ao tecido empresarial, ressalvase a existência da Ul Inovar, sendo que a UTL dispõe de mais e mais desenvolvidas estruturas e apoio ao empreendedorismo, constituindo a OTIC|UTL (oficina de transferência de tecnologia e conhecimento da UTL), um exemplo central dessa rede. Pretende-se a optimização do apoio à criação de conhecimento, produtos, serviços, parcerias externas e até mesmo empresas que resultem no fortalecimento da ligação do tecido empresarial à NU. De referir a importância disso mesmo para a FFUL e para a afirmação do seu potencial de investigação e prestação de serviços. Concomitantemente, revelar-se-á

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fortemente vantajoso o envolvimento dos estudantes na gestão e promoção da investigação e desenvolvimento de projectos empreendedores ligados às Ciências Farmacêuticas. Ao nível da Acção Social, a NU visa a racionalização e centralização da gestão dos serviços, bem como o aumento qualitativo e quantitativo dos apoios aos estudantes, visando a igualdade de oportunidades e a manutenção dos mesmos no ensino superior. Também a Cultura e o Desporto se revelam uma prioridade, mediante a criação de novos protocolos e o desenvolvimento das estruturas preexistentes, entre outras medidas. Propõe inclusive, no âmbito desportivo, a criação de um Conselho Estratégico para a sua promoção e ainda a creditação curricular das actividades desportivas. Conclui-se que o processo de fusão constitui, em todas as suas vertentes, um projecto ambicioso que se enquadra e nos situa internacionalmente no futuro do Ensino Superior, como uma das maiores universidades mundiais. Reafirma-se indispensável o papel dos estudantes, inclusive os da FFUL, na prossecução e potenciação dos seus objectivos.

"A nova Universidade de Lisboa pode justamente constituir este lugar de liberdade, excelência, desassossego, inovação e tolerância para estudantes, docentes e não-docentes. Revelandose, a Oeste, como algo de novo"

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Por | Carlos Afonso

Nos últimos anos, assistimos, com a implementação de leis por parte dos sucessivos governos, ao colapso do sector farmacêutico, arrastando as farmácias para uma situação de insustentabilidade financeira e consequentemente, à degradação da carreira profissional do farmacêutico de oficina. Como resposta a esta grave crise do sector, surge uma possível medida que visa restabelecer o poder económico das farmácias, a introdução de um valor pelo acto farmacêutico. O acto farmacêutico é definido pelo Art.º5 do Código Deontológico da Ordem dos Farmacêuticos como exclusiva competência e responsabilidade do farmacêutico e no Art.º 72 do Decreto Lei 288/2001 de 10 de Novembro, “ O exercício da actividade farmacêutica como objectivo essencial à pessoa do doente”. Embora a linha de raciocínio dos governantes do nosso país não seja esta, é necessário avaliar os prós e contras associados a uma medida que terá grande impacto nas farmácias comunitárias, no sector farmacêutico e na sociedade. A meu ver, o rendimento das farmácias não pode estar totalmente dependente de margens que, ridiculamente baixas, inviabilizam qualquer investimento para um melhor serviço farmacêutico. A curto prazo esta medida irá atenuar a instabilidade financeira. Por outro lado, poderá aumentar o estigma de farmácia ser sinónimo de negócio, uma vez que a sociedade, aliada a uns media tendenciosos e de pouca transparência, não

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compreenderá o verdadeiro motivo da implementação desta medida para as farmácias comunitárias. Uma das questões que se levanta em relação a este assunto está relacionado com o pagamento deste serviço. Será que o Serviço Nacional de Saúde deverá suportar os custos? Ou será o utente a fazê-lo? Caso seja o Estado a assegurar este pagamento, temos que ter noção que, face à conjunctura atual, o valor será bastante reduzido, não correspondendo à verdadeira qualidade e importância do acto farmacêutico na sociedade. Se for o utente a suportar o valor, é provável que a relação de confiança para com o farmacêutico seja posta em causa, levando a que o utente deixe de procurar, com o “à vontade” demonstrado até agora, a farmácia e o farmacêutico como primeiro recurso, no que diz respeito à sua saúde. Existem ainda algumas questões que merecem resposta por parte das entidades responsáveis pela implementação desta proposta. O valor será fixo, ou deverá ser diferenciado para os Medicamentos Sujeitos a Receita Médica e Medicamentos Não Sujeitos a Receita Médica? Deverá ser acrescentado na responsabilidade do farmacêutico novas valências, como a possibilidade de renovação da prescrição médica? O atendimento passará a ser exclusivo do farmacêutico? Estarão as farmácias e o próprio farmacêutico preparadas/receptivo para receber esta medida?

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Por | Cláudio Carmona

“When life gives you lemons, make lemonade”. É assim que dita o provérbio e que, por tantas vezes, é exibido por esse Mundo fora. No entanto, na FFUL a realidade deste ditado é muito mais alargada. Ao longo do teu percurso nesta faculdade de excelência, aliado também ao facto dos tempos e conjuntura em que vivemos, vais aprendendo que não basta saber fazer limonada, quando a vida te dá limões. Um Aluno da FFUL vai assimilando que, hoje em dia, não basta saber fazer uma simples bebida refrescante. Nos tempos que correm, tem que ser mais versátil. Ele vai sendo capaz de fazer uma torta de limão, um sorvette de limão, uma caipirinha ou até mesmo um doce de limão. A sua formação tem que ser o mais completa possível e ser capaz de usufruir ao máximo dos meios que dispõe até porque, convenhamos, o mercado e o mundo do emprego é competitivo e saber somente fazer limonada só satisfaz os patrões que têm sede. Aqueles que tiverem fome, um apetite mais voraz, e até mesmo espaço para uma sobremesa mais elaborada, irão procurar quem as saiba já fazer, não há espaço nem tempo, nem mesmo situação financeira, nas circunstâncias actuais, para se dar ao luxo de azedar uma compota de limão, procura-se a competência e a polivalência de alguém que a saiba preparar.

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É por isto que ser Aluno da FFUL não é somente ser estudante. Ser Aluno desta casa é ser da tuna, é ser dirigente associativo, é pertencer a núcleos e comissões, é fazer projectos de investigação, é ser funcionário da biblioteca, e tantas outras coisas. A fatia mínima, mas acima de tudo importante e, concordemos, obrigatória, desta aventura e experiência que é ser Aluno da FFUL recaí sim sobre estudar e interiorizar conhecimento, adquirir determinadas ferramentas. Todavia, considero que, não por serem insuficientes, mas porque se exige mais nos tempos que correm, há também que obter outros utensílios. É importante, por exemplo, saber pedir Limões, mas também saber responder quando nos pedem Lemons, Citrons, Zitroen ou Limones. O valor encerrado num Aluno da FFUL está não só na sua exímia formação, mas também em tudo o que o lhe completa o canudo e que lhe traz um currículo e, acima de tudo, uma experiência de valor acrescentado. A verdade é que, mais ou menos doce, mais cedo ou mais tarde, acabamos por saber fazer Limonada. Agora, acordar todos os dias e somente saber fazer uma bebida é pouco estimulante, portanto, eu reformulo “Quando a FFUL te dá Limões, usa-os das mais variadas maneiras, nunca te limites à limonada”

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Por | Paulo Duarte | Presidente da ANF

A Farmácia é hoje um dos pilares fundamentais do Sistema de Saúde em Portugal. É um serviço de saúde essencial para a melhoria da qualidade de vida e maximização dos ganhos em saúde da população. Para além da sua actuação na Saúde, a farmácia representa também um importante papel no desenvolvimento económico das populações locais, na criação de emprego e coesão social, factores determinantes no actual contexto económico, financeiro e social do país. As farmácias evoluíram de uma actividade centrada na manipulação e dispensa de medicamentos, para uma actividade orientada para os doentes e necessidades em saúde das populações, assumindo-se actualmente como verdadeiros centros de prevenção e terapêutica. O sector de farmácias em Portugal é hoje reconhecido a nível internacional como um dos mais inovadores na prestação de serviços de saúde. É um dos países Europeus onde as farmácias disponibilizam aos seus utentes um maior número de serviços, sendo uma das referências internacionais no alargamento dos serviços prestados pelas farmácias, como a vacinação, detecção precoce da doença, seguimento de doentes e utilização racional do medicamento. Uma das principais razões para esta diferenciação positiva resulta do investimento na qualificação profissional (é um dos países com maior número de farmacêuticos por farmácia) e uma aposta clara no rejuvenescimento dos profissionais que exercem em farmácia de oficina. É uma profissão jovem (cerca de 40% dos farmacêuticos têm idade igual ou inferior a 35 anos), sendo a farmácia de oficina um dos principais empregadores dos jovens farmacêuticos. A perspectiva e empenho dos jovens farmacêuticos foram fundamentais para o desenvolvimento e afirmação do sector das farmácias. Esta evolução no sentido de uma maior diferenciação

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e qualidade dos serviços prestados permitiu ao sector ganhar a confiança e reconhecimento dos cidadãos e do Estado, não só como parte integrante do sistema de Saúde português, mas também como um parceiro incontornável na definição de políticas de Saúde. O desenvolvimento e organização da rede de farmácias tem sido um exemplo de claro sucesso, contribuindo muito positivamente para a melhoria da qualidade de vida e da saúde das populações, actuando a nível da prevenção, promoção e educação para a saúde, colocando o cidadão no centro do sistema de saúde. O actual contexto económico do País traz novos desafios e responsabilidades às farmácias e aos farmacêuticos. Temos de ser capazes de continuar a assumir a liderança em áreas chave para a saúde dos portugueses. Temos de continuar a desenvolver um papel mais activo dentro da organização do sistema, particularmente na colaboração com os cuidados de saúde primários. Temos de ser capazes de demonstrar a mais-valia da intervenção profissional e da rede de proximidade das farmácias na promoção de maior eficiência e racionalidade do sistema de Saúde português, e de uma maior capacitação do cidadão para se responsabilizar pela sua própria saúde. A nossa capacidade para continuar a responder aos problemas da sociedade e dos doentes, contribuindo activamente para a maximização de ganhos em saúde, bem-estar e qualidade de vida dos cidadãos é determinante para o futuro das Farmácias em Portugal. As farmácias e os farmacêuticos são indispensáveis em qualquer sistema de saúde. Foi assim no passado, é assim no presente. Tenho a firme convicção que, também no futuro, o País necessitará de mais Farmácia e mais Farmacêuticos, com cada vez maior relevância e responsabilidades para com a Saúde dos Portugueses.

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Por | João Bernardo Primeiro dia de estágio em Farmácia Comunitária. Um pequeno nervosinho na barriga que já não sentia desde que fui caloiro. Esta sensação foi demovida de imediato, quando me deram os afazeres para o dia. Aliás “afazer”: singular. “Dar entrada” às encomendas, que é como quem diz, receber as encomendas, “picar” os produtos, conferir validades e preços e finalmente arrumar nos sítios respectivos. Parece fácil, mas as banheiras – os contentores onde vêm os medicamentos – teimavam em aumentar o seu número, apesar dos meus esforços, à velocidade da luz, para acabar com a sua raça. Rapidamente evoluí, e passei a conferir receitas também. O chamado “receituário”. Escrevinhei umas regras e mais umas notas no já degradado caderninho, e rapidamente apanhei o jeito à coisa, conferindo mais de 100 receitas por dia. Duas semanas de estágio, e já espreitava o balcão. O atendimento, juntamente com a sua irmã gémea a Indicação Farmacêutica, colmatam num verdadeiro medo. Medo que 5 anos de matéria teórica não esteja assim tão acessível, medo de cometer um erro que ponha em causa a segurança de alguém, medo de deixar a minha classe mal vista. Semanas depois, mesmo com todos estes medos, tive a minha orientadora, que, apesar de me ter empurrado do ninho, não me deixou a voar sozinho.

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Não posso deixar de frisar a importância do Acto Farmacêutico. Apesar dos medos, esta é a principal função do Farmacêutico Comunitário. Aliás, se não o fosse, não teria sentido tanto temor. O Farmacêutico Comunitário, entre tantas outras tarefas, necessita de acalmar os doentes, detectar eventuais erros, fazê-los entender a terapêutica e ainda ter uma atitude compreensiva, simpática e acolhedora. Tudo em contra-relógio. Em média, o tempo de contacto entre o farmacêutico e o utente, por cada visita à farmácia, resume-se a 3 minutos... Com tudo isto a ocorrer na Farmácia Comunitária, ainda há que ter muita atenção às circulares informativas, como por exemplo, em relação às mudanças das regras das receitas. Este é um belo exemplo de como o farmacêutico é um ente burocrático, que tem que ter uma velocidade de adaptação inimaginável. Ou então a farmácia teria prejuízo devido à quantidade de receitas que viriam devolvidas do afamado Centro de Conferência de Facturas da Maia. Ao fim e ao cabo, com um mês de estágio, muitas encomendas, muitas receitas, alguns gaguejos em atendimentos, posso dizer que este estágio em Farmácia Comunitária está a superar todas as minhas expectativas, e agora, mais do que nunca, percebo o nosso 5º lugar no ranking das profissões com mais confiança por parte dos portugueses, a par com os médicos.

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Finalmente, o aguardado telefonema chegou! Depois de tantos CV’s enviados, a entrevista está marcada: estão interessados em conhecer-te melhor. É aqui que terás oportunidade de te fazer valer em pessoa e de causar uma boa impressão. Por mais fútil que possa parecer, a primeira coisa que o entrevistador vê quando entras na sala é a tua imagem, sendo que 60% das primeiras impressões são formadas com base na linguagem corporal e naquilo que o entrevistado veste. Afinal, “a imagem é o nosso cartão-de-visita” e se te sentires confortável, ficarás inevitavelmente mais confiante. Assim, o teu visual deverá ser cuidado, pois transmitirá a ideia de que a entrevista é importante para ti. Nos homens, a indumentária a usar será o típico fato e gravata, mas no caso de não estares habituado ou de não suportares a gravata, mais vale deixá-la em casa do que passar a entrevista a alargar o nó. Se o contexto ao qual te candidatas for um pouco mais informal, poderás optar por uns chinos ou jeans sóbrios, conjugados com uma camisa ou pólo e um blazer. As meias deverão ser discretas, bem como os sapatos, que deverão estar bem limpos e engraxados (se for caso disso). Opta por cores sóbrias, conjugando-os sempre com a cor do fato: um fato azul com uns sapatos pretos é uma muito má opção. As meninas têm mais opções de estilos e peças, o que pode tornar-se perigoso. Um decote exagerado ou uma mini-saia passam a imagem errada, as cores berrantes e acessórios demasiado elaborados desviam a atenção para o sítio errado. Quanto aos sapatos, é claro que o salto alto dá um toque de elegância, no entanto, se não te sentes confortável a andar, optar por uns sapatos rasos clássicos será preferível. As saias e vestidos não deverão ser demasiado curtos – atenção ao comprimento com que ficam quando te sentas! Opta por peças que assentem bem, sem serem demasiado justas ou largueironas, já que esta última poderá passar uma imagem de desleixo. A maquilhagem deverá primar pela discrição, sendo obviamente expectável que te esforces um pouco mais do que noutro qualquer dia banal, no entanto, tem sempre em conta que o que se procura é acima de tudo um aspecto clean e luminoso, e não uma reprodução da maquilhagem que usaste na última festa de Sábado à noite. O cuidado com as unhas, tanto nos homens como nas mulheres, é essencial, devendo estas estar limpas e bem tratadas. Sabias que falar com as mãos de forma a acompanhar o nosso discurso é considerado um sinal de inteligência? Imagina isso aliado a umas unhas sujas ou com o verniz a estalar... Também o cabelo deverá estar cuidado e bem penteado. Detalhes como o mau-hálito, o cheiro a suor ou um perfume demasiado intenso também são negativos e podem arruinar as hipóteses de sucesso. No fundo, simplificar é a palavra de ordem! Vestires-te adequadamente para uma entrevista de emprego é uma forma de aumentar a auto-confiança, o que leva a que consigas mostrar mais facilmente o porquê de seres ideal para o lugar. No entanto, mantém presente que, por mais importante que seja passar uma imagem cuidada, o que interessa é destacar a tua competência, ao invés do teu estilo. E nunca há uma segunda oportunidade para causar uma boa primeira impressão.

Lê a versão completa deste artigo em publisherph.wix.com/pharmacevtica

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Discrepâncias Por | Bernardo Rodrigues Há pouco tempo, enquanto me encontrava a desfrutar prazenteiramente do meu café, não pude deixar de ouvir a conversa de um grupo de jovens que se encontrava posteriormente a mim, tal era o nível de ruído que eles emitiam. Falavam sobre como a escola era uma “seca”, sobre os pais que não os compreendiam, entre variadíssimos temas que, na verdade, não passavam todos eles de lamúrias sobre quão más eram as suas vidas. Até podia ter deixado passar isto, os rapazes podiam apenas ter tido um mau dia e tinham aproveitado o final da tarde para o partilhar com os amigos. No entanto, é sobre o episódio que se seguiu que me quero debruçar. No canto da mesa, um rapaz pouco activo na conversa até à altura, pediu ao colega que lhe lesse o cabeçalho do jornal desportivo daquele dia. Achei a situação invulgar e foi então que percebi, após longa estória (sim, com “e” por mais se assemelhar a pura ficção), que o rapaz só tinha estudado até aos dez anos e que, desde então, tinha perdido a “prática”, não sabendo actualmente ler. A verdade é que, em Portugal, a taxa de analfabetismo continua a rondar os 5% o que, trocando isto por míudos, corresponde a mais de meio milhão de pessoas que não possui a capacidade de ler nem escrever. Não falo sequer em quem não desenvolveu capacidade interpretativa nem poder de argumentação ou até quem o faz deficientemente porque nesse caso os números seriam irrisórios para um país dito desenvolvido. Portugal apresenta desta forma o maior número de analfabetos da Europa, atrás de nações como a Roménia ou a Bósnia-Herzegovina (haja alguma coisa em que sejamos o primeiro). Mas como é isto possível? Num país recheado de licenciados nas mais variadíssimas áreas e com mestres pós-Bolonha para dar e vender, como corriqueiramente se diz, não seria de esperar um valor inferior?

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Mais, actualmente são abertas por ano mais de cinquenta mil vagas para o ensino superior, para os cerca de sessenta estabelecimentos de ensino de que dispômos, contabilizando universidades públicas e privadas, institutos, academias e escolas superiores, e apresentando assim um dos maiores números do continente europeu. Não serão estes valores um tanto contraditórios? Facilmente chegamos a uma conclusão acerca do tipo de ensino no país. Portugal não forma estudantes por excelência, forma em quantidade. A realidade é que é maioritariamente devido a este motivo que a taxa de desemprego de licenciados se encontra tão inflacionada. Com tantos estabelecimentos e com tanta gente a ingressar no mercado de trabalho é natural que este não consiga dar vazão a tanta procura, especialmente em áreas que já se encontram há muito sobrelotadas, isto para não falar de cursos que nada acrescentam cientificamente no desempenho de certas carreiras profissionais. Nos últimos anos muitas foram as escolas encerradas e a grande parte correspondia a escolas primárias. Hoje, vários são os alunos que têm de fazer dezenas de quilómetros para adquirirem uma instrução primária, simplesmente porque não há nenhuma escola na sua área de residência. Talvez este seja um dos factores que faça com que certos jovens como o supracitado se desmotivem academicamente ou não tenham mesmo acesso à educação. O nosso país possui uma grande décalage em termos cognitivos. Não é concebível ter uma taxa de analfabetização tão elevada e continuar a formar estudantes universitários em massa. Comecemos por baixo e tratemos de reduzir este hiato inicialmente. Depois sim, poderemos procupar-nos com o resto. Afinal, não vale a pena tentar correr se não soubermos sequer andar.

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Currículo

de

Vida

Por | Teresa Dominguez “Então e para além do curso, o que fez?”, pergunta o entrevistador ao farmacêutico. Com algum nervosismo, o entrevistado demonstra no currículo os inúmeros congressos, workshops e actividades que, enquanto participante ou colaborador, frequentou e ajudou a organizar. E como este recém-licenciado previu, assim pensam actualmente centenas de estudantes. Trata-se de um pensamento comum na comunidade estudantil de hoje em dia, o de que o currículo é muito mais do que a apresentação dos dados e a prova da média. É, actualmente, um caderno cuidadosamente organizado em diplomas, certificados de participação e cartas de recomendação. Palavras como empenhado, profissional, criativo e focado são lidas e ditas como se de senhas de entrada numa entrevista se tratassem. E, por um lado, ainda bem que é assim feito. Os não-mais estudantes aparecem melhor preparados nas entrevistas, com um à-vontade que foi planeado ao pormenor e com respostas ensaiadas na cabeça para que nada seja deixado ao acaso – o que, na actual conjuntura, é perfeitamente justificado devido à escassez de emprego. No entanto, assim como se preparam as palavras e expressões que serão ditas na entrevista, também o currículo é “preparado”, começando a engrossar muitos anos antes, ainda no período universitário do licenciado. Trocam-se as motivações pessoais pelas profissionais na

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altura de escolher a pertinência de determinada scienceshop na vida académica, e acabam por se frequentar certas actividades simplesmente com o objectivo a longo prazo de obter o trabalho desejado na empresa sonhada. Nota-se assim uma passagem, da frequência de actividades para melhoramento pessoal e académico, de projectos que se sonha e engrandece aos poucos e de grupos de trabalho com que se identifica, para uma procura desenfreada de momentos “pró-currículo”, perdendo-se aos poucos o foco do que há de mais essencial na experiência universitária: a procura contínua de experiências que ajudam a limar o carácter já formado e que completam o plano curricular fornecido pela faculdade. A solução? Dar um passo atrás, procurar ver a real pertinência daquilo em que nos estamos a inscrever, verificar até que ponto nos permite desenvolver competências necessárias como acessório à nossa formação e – não ou – se representa algo com que nos identificamos verdadeiramente. É com uma procura de conhecimento motivada primeiramente pela curiosidade pessoal, científica e profissional que seremos efectivamente capazes de atingir os nossos objectivos, porque apenas pela busca contínua da excelência pessoal e profissional somos capazes de nos mostrar mais aptos no mercado profissional e de “agarrar” o emprego merecido.

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MEO SUDOESTE

7-11 AGOSTO FATBOY SLIM; SNOOP LION; S.O.J.A.; CALVIN HARRIS

MILHÕES DE FESTA

25 A 28 JULHO THE PARTISAN SEED; MR. MIYAGI

COOLJAZZ FEST

MÊS DE JULHO DIANA KRALL; ; JAMIE CULLUM; JOHN LEGEND

SUPER BOCK SUPER ROCK

18-20 JULHO THE KILLERS; QUEENS OF THE STONE AGE; ARTIC MONKEYS

SUMOL SUMMER FEST

28 E 29 JULHO ALBOROSIE; EASY STAR ALL-STARS; MORGAN HERITAGE

PAREDES DE COURA

13 A 17 AGOSTO THE KILLS ; ALABAMA SHAKES; HOT CHIP

MARÉS VIVAS

18-20 JULHO THE SMASHING PUMPKINS; LA ROUX; 30 SECONDS TO MARS

SUPER BOCK SUPER ROCK

18-20 JULHO THE KILLERS; QUEENS OF THE STONE AGE; ARTIC MONKEYS

OPTIMUS ALIVE

12 A 14 JULHO KINGS OF LEON; DEPECHE MODE; TWO DOOR CINEMA CLUB

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NEOPOP FESTIVAL

8 A 10 AGOSTO DUBFIRE; LOCO DICE; TINI GÜNTER

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Pharmacevtica nº62  

O Núcleo Redactorial Pharmacevtica, tem o prazer de chegar até ti a 62ª edição da Revista Pharmacevtica

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