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© Gil Veloso 2015 © Paulo von Poser 2015 Coordenação Editorial Silvia Fernandes Projeto Gráfico Victor Tronconi Revisão Ilídia Moura Campos Impressão Corprint

Nesta edição respeitou-se o novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa.

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil) Veloso, Gil Um viaduto chamado minhocão / Gil Veloso ; desenhos Paulo von Poser. -- São Paulo : Editora Dedo de Prosa, 2015. ISBN 978-85-64333-06-2 1. Poesia - Literatura infantojuvenil I. Poser, Paulo von. II. Título. 14-13121

CDD-028.5

Índices para catálogo sistemático: 1. Poesia : Literatura infantojuvenil 028.5 2. Poesia : Literatura juvenil 028.5

PRIMEIRA EDIÇÃO JANEIRO | 2015 Todos os direitos desta edição reservados à Editora Dedo de Prosa Ltda. www.editoradedodeprosa.com.br

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para Maria Cristina Romero e Carlos Sampaio

para todos os que já fazem do Minhocão um parque

Agradecimentos Marcio Junji Sono Ciça Bueno Athos Comolatti Débora Motta Velardo Edu Mello Elô de Lucca Paulo Watanabe


Dru m m o n d i a n d o

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Prazer! Encantado...

Minha graça

Meu nome é Elevado Costa e Silva, vulgo Minhocão. Por favor, empreste-me atenção. Pra muitos sou estorvo, para outros solução. Derrubar ou tombar? Eis a questão. Quer motivos pra me conhecer? Eis, aqui estão.

Chamam-me Minhocão, mas não sou animal. É concreto o meu sistema vital. Minhas veias são vias de comunicação. Veicular é minha função. Odisseia e romaria, via-sacra e carnaval... Meu ser é invertebrado. Empresto, de bom grado, minha coluna serviçal.

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De graça

No M i n h ocão tem de tudo,

o Minhocão. tudo ca be n

Veja que ele se parece

co m a p a lm a d e s u a m ã o ; ade, igualz inho a uma cid co m o u s e m co n s o la ç ã o .

ão. o ch n s é sep ta, p a tin e l c bici Te m s ka te e

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Anjos

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Não me afrontem... Nem covil, nem vilão, sou a fonte, ponte instalação...

Avenida e viaduto,

par que busca interação.

Vinde a mim os artistas,

poetas, grafiteiros, malabaristas...

La Fontaines do Minhocão.

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Conhecimento Feito de cimento armado, sou modestamente elevado.

Nasci nos anos 70, portanto sou quarentão. Quem traçar meu mapa astral verá signo e ascendente e outros símbolos enraizados no subconsciente dos meus vãos. Igualzinho a muita gente, há rachaduras em minha estrutura, em muitas partes careço manutenção.

Você, feito do cimento humano, seja pleno, cidadão!

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16/17


Se o Minhocão fosse meu, mandava enfeitar, com artes e flores, lazer e prazer ... Para você desfrutar.

Se eu fosse o Minhocão pediria com paixão: menos miséria, mais comiseração !


18/19


Esta cidade tem bancos demais e praças de menos. Sabe o que queremos? Queremos bancos -sem poupança- pra assentar a população. Mais flores, menos concreto. Mais luz, mais afeto. . . Menos poluição. Pra SP deixar de ser Solidão Povoada.


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Vamos cuidar da metr贸pole e deixar tudo mais lindo! Que tal vestir os lugares com roupas de domingo?

Imagine o Elevado feito gravata gigante, multicolorido e bordado por bondades transbordantes, no colo desta cidade, mais limpa e mais elegante!


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:

A CIDADE DA DICA SAFARI GIRAFAS ABUSE E SUBA AURA DA RUA AULA NA LUA ACID AD EDADIC A SAFARIG IRAFAS ABUS E ESUBA AUR AD ARUA AUL AN ALUA


24/25


No Minhocão eu vi, não é besteira, um sujeito usando coleira enquanto puxado por seu cão.

Não vou mentir, o tal passou por mim e começou a latir...


Dic達o 26/27


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h

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N

um

o

ã m e l -a r o t s pa

: o ã ç a g e r faz p

Irmão, busque o Elevado! Admire o E

e alca

levado

nçará

salva

ção!


HAiCAiPiRA 28/29

P i p o c a , m i l h o v e r d e e d i v e r s 達 o. Amor e amizade... Cumplicidade Minhoc達o.


T r o c a r i d e i a é d a h o r a,

vamos joga r c o nve rsa fora !

Papo vai, papo vem...

Formiga não tem osso,

b a n a n a n ã o t e m c a r o ç o,

p u l g a n ã o t e m p e s co ç o ,

m i n h o c a t a m p o u co t e m.


Fotografei o Minhoc達o, idas, polaroides e vindas... Revelou-se sua enorme gratid達o!

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Retratos Na rua das Palmeiras não há palmeiras onde cantem sabiás.

Da sacada de um terceiro andar o gato observa um bebê engatinhando.

Solitário, um garoto anda e solta no ar melancólicas baforadas.

Cortaram suas asas, agora o papagaio aprende a voar nas palavras.

32/33


Do asfalto ao parapeito o skate salta... Ressalta o movimento perfeito.


Meninos descalรงos correm no asfalto. A bola redondamente rola.

34/35


A criança, ainda aprendendo a andar, se afasta dos pais, pouco mais que oito passos de vantagem, inquietações e alegria solar. Tropeça em si mesma e cai... Seu riso choro reverbera numa fuga de horizontes.

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38/39


Lambe-lambe O sol com sua lĂ­ngua quente lambe a pelĂ­cula do dia.


Aquarela A manhã choveu coisas miúdas... A tarde deu outra demão de chuva.

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A lua serena,

C R E S

C

E

ensimesmada e

E N T

provoca turbulĂŞncias nos sentimentos transeuntes.

Madrugada fria. No jardim, cabisbaixo, o girassol parece chorar.


O desleixo leva lixo, produz lixo, deixa lixo... O bicho-homem é homem-lixo?

Caçamba-canção anti-demolição: dó, ré, minhocão!

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Dica HĂĄ quem diga que sou feio, sujo imundo e perigoso, preferem me demolir a cuidar. Que tal me dar uns banhos, mostrar novos caminhos? Prometo que com agrados vou ďŹ car bem educado e um bocado bonitinho.


Estrela

O sol, a megagema, ilumina a cidade com luz de cinema.

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É domingo! Sejam todos bem-vindos. Eu Minhocão não sou bicho-papão.


Paraopeito Daqui, dos meus gigantescos parapeitos, pode-se ver a rua Lopes Chaves da Casa Mário de Andrade; a Praça Roosevelt dos Sátyros e Parlapatões, oficinas, jardins verticais e galerias, o Paiol, o Memorial, o Galpão do Folias... Mais adiante, onde me encurvo, vê-se a Funarte.

Transtornos à parte, o meu entorno respira arte.

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M e u n o b re v i z i n h o, o Te at ro S ã o Pe d ro, m a n d o u - m e to r p e d o:

E s t o u v e l h o , t o m b a d o. . . N ã o v o u v i s i t a r - l h e , p e ç o p e rd ã o. To d a v i a v o c ê , d e p o r t e e l e v a d o, v ej a d e s o s la i o e f o l g u e e m s a b e r : e s t o u d o s e u la d o !

Meu primo-parente não muito distante, se acha o tal, cartão postal... Talvez, por ter vista para o vale e ser vizinho do Teatro Municipal, me ache uma aberração... Quiçá! Nunca me convidou para um chá.


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Veracidade

Ódio ou ode, cada um dá o que pode.

Quem dera um profeta poeta me fizesse de lousa, ousasse e usasse minha real grandeza; da Roosevelt ao Largo Padre Péricles, sou traço-de-união. Nos feriados e domingos fico embevecido, gentileza gera gentileza, meu corpo aquiesce, arte e alegria, imagens que saltam da superfície do dia.

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Grande Minhoc達o :

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U V

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IL E DOIS M D O RÃ

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Capricorniano, ascendente touro, tigre no horóscopo chinês, Gil Veloso é professor de yoga e estudante de tai chi chuan, sempre nos arredores do Elevado; vive em Santa Cecília, São Paulo, há mais de 30 anos. Um Viaduto Chamado Minhocão é um olhar bondoso sobre este que, como a Blanche DuBois de Um Bonde Chamado Desejo (ou, se preferir, Uma Rua Chamada Pecado), depende da bondade alheia.

A paixão de Paulo von Poser pelo Minhocão se desenhou numa manhã de domingo. Libra com ascendente em sagitário, rato no chinês, Paulo nasceu em São Paulo, foi registrado em Santa Cecília e mora na represa Guarapiranga. Formou-se em arquitetura pela FAU-USP. Professor de artes, envolvido

em causas sociais e urbanas como o Parque Minhocão e o Projeto Rios e Ruas, publicou em 2010 o livro

A Cidade e a Rosa (Editora Luste).


Chamam-me Minhocão, mas não sou animal. É concreto o meu sistema vital.

Profile for Paulo von Poser

UM VIADUTO CHAMADO MINHOCÃO  

Livro ilustrado por Paulo von Poser com poesias de Gil Veloso sobre o Minhocão (Elevado Costa e Silva)

UM VIADUTO CHAMADO MINHOCÃO  

Livro ilustrado por Paulo von Poser com poesias de Gil Veloso sobre o Minhocão (Elevado Costa e Silva)

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