FAULLER Corpo, cidade e imagens em evidência 42
O corpo carrega as marcas do tempo em que vive-
Fauller começou a trabalhar profissionalmente com
mos. Seja espremido num ônibus, desafiando o tédio
dança em 1999, como bailarino do Colégio de Dança
em filas, virando de um lado para o outro tentando dor-
do Ceará. Em 2003 criou a Cia. Dita, com a mesma
mir. A dança contemporânea tem revelado um sensível
tem incursionado pelo Brasil, Europa, África e América
olhar para esse estado de coisas, em que o corpo se
do Sul, criando obras que dialogam com o vídeo, a
torna reservatório de informações surgidas na relação
dança, a fotografia, a performance e a literatura. Ao
com o espaço urbano. O coreógrafo cearense Fauller
longo dos anos dançou e colaborou com os criadores
propôs olhar para esse vínculo na residência Corpo:
Rachid Ouramdane, Alain Buffard, Gary Stevens, Julie
Abrigo da Cidade. A atividade foi ministrada entre os
Nioche, Gilles Jobin, Paulo Caldas, Yann Marussich, e
dias 27 de setembro e 1º de outubro, no SESC SE-
Rosemberg Cariry.
NAC Iracema. A residência enveredou pelos caminhos da dança e da imagem, como forma de dar suporte à reflexão sobre as relações e corpo e cidade. Fauller partiu de estruturas coreográficas pensadas a partir de quatro fatores: deslocamento, tempo, escuta e comunicação através do olhar. Além disso, a atividade investigou o olhar fotográfico produzido por meio de câmeras digitais profissionais, amadoras e telefones celulares. Na residência, foram abordadas ainda questões consideradas pertinentes à criação e à produção artística, como estética, relações políticas e relações de trabalho.