Observação preliminar: a transcrição foi realizada de forma fiel, pelo que se trata de um registo oral, logo com algumas falhas na área da correcção semântica e sintáctica.
Entrevista com Laurindo Lopes – Presidente do Rancho Regional de Fafel (sede do Rancho) -Bom dia. Desde já, quero agradecer-lhe ter-nos aceite esta nossa proposta de nos explicar sobre o Rancho Folclórico de Fafel e gostaremos de fazer algumas perguntas sobre o Rancho e sobre os objectivos do Rancho aqui na Comunidade. -Ok. Vamos lá embora, siga. -Gostava de saber quantos elementos é que constituem o grupo? -Os elementos que constituem o grupo de Fafel neste momento são cerca de quarenta a quarenta e cinco. É evidente que esse número nunca é fixo, porque, ao longo destes cinquenta anos de existência que nós temos, as pessoas vão vindo, depois organizam a sua vida. Depois temos imensas dificuldades em fixar os jovens na cidade, porque a cidade não oferece as condições que eles querem para constituírem a sua vida e, portanto, esses procuram organizar a sua vida por fora e vão saindo. E nós temos de recrutar novos elementos, o que quer dizer que isto é um trabalho que nunca está terminado e também nunca temos assim um número certo de pessoas, porque ao longo destes anos muita gente tem passado por aqui. -Então tem pouca aderência dos jovens aqui ao grupo? -Não é que tenha pouca aderência. Nós, neste momento, posso-lhe dizer que 85% dos elementos do grupo é constituído por jovens da vossa idade, que nós tentamos aliciá-los para esta causa que eu considero nobre, que é a cultura popular tradicional, e portanto não nos podemos queixar. Embora saiba que há outros grupos que têm também algumas dificuldades em contactar e arranjar pessoas; nós temos um núcleo duro do Rancho que funciona, quer haja, quer não haja e depois, todos os anos nesta época que estamos a começar/ que já começamos há 2 meses atrás. -Nós, como pudemos constatar, vão receber uma Medalha, vão ser coroados pelo Presidente da Câmara.
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-Exacto. Esta medalha, temos lutado muito por ela, porque eu acho que o Rancho de Fafel, pelo trabalho que tem desenvolvido ao longo destes anos, era merecedor de uma Medalha de Ouro de Mérito Municipal, e temos lutado muito por isso e conseguimos, e por isso estamos felizes. E a Câmara Municipal de Lamego não faz mais que a obrigação dela em reconhecer o trabalho que nós temos desenvolvido, porque é difícil, se não, até impossível, aqui, na cidade de Lamego, encontrar uma instituição que se mantenha ao longo de cinquenta anos, sempre pujante, sempre viva, sempre actuante. E nós, Rancho de Fafel, temos conseguido isso e, como tal, é justa esta homenagem. Depois, eu atrevo-me a dizer, sem qualquer medo de ser desmentido por quem quer que seja, que o Rancho de Fafel é o maior Embaixador do nome de Lamego por este País fora e também no Estrangeiro, porque são centenas e centenas de actuações por todo o nosso Portugal e também são já algumas centenas, pelo menos ai à volta das duas centenas de actuações no Estrangeiro nestes últimos vinte e cinco anos. E, como tal, a Câmara não faz mais que a obrigação dela em reconhecer todo esse trabalho que nós temos desenvolvido em prol de Lamego, em prol da Cultura Popular de Lamego, em prol das Tradições de Lamego, em prol da forma de estar, sentir, de viver dos nossos ante passados, que, para nós, isso nos enche de orgulho. Conseguir mostrar a esta gente agora, e ficar gravado no CD que a gente gravou para os vindouros, a forma como se vestiam, trajavam, como cantavam, como dançavam esta gente toda, isto é fantástico. E, como tal, nós achamo-nos no direito disso e hoje estamos todos contentes, porque a Medalha de Ouro já nos foi atribuída há algum tempo. Nós insistimos com a Câmara e hoje é o dia em que nos vai entregar isso e eu estou muito contente. -Então o grupo Rancho Folclórico de Fafel é um motor do arranque cultural aqui na zona de Lamego? -Ah, sim, sim, sim, sim, na zona de Lamego, embora hajam outros, outras vertentes onde se desenvolve cultura e nós somos uma parte integrante desse movimento cultural de Lamego, e uma parte importante no meio de todo esse desenvolvimento. -Levam o nome de Lamego por todo o País e por aí fora? - E, naturalmente, fazemo-lo com muito gosto e então gostava de lhe dizer outra coisa. As pessoas que andam no Rancho de Fafel andam por carolice, não ganham um tostão, pelo contrário, ainda gastam. Por exemplo, a gente ainda há quinze dias fomos participar numa Peregrinação Nacional a Fátima e os elementos do Rancho pagaram as despesas. Cada um pagou as suas despesas e metemonos dentro do autocarro e fomos todos contentes e alegres, e participar neste movimento que a nível 2
nacional engloba milhares de jovens, homens e mulheres, rapazes e raparigas. E foi tão bom! Aquilo correu muito bem e foi tão giro, foi impecável, ainda saiu de lá vida, é assim a nossa vida -Então ouvi dizer que gravaram um CD, como é que correu? -Sim, gravámos um CD. Também achámos que era importante. - Uma maior divulgação. - Não só por isso. O importante de deixarmos gravado, porque, não sei se sabe, nós fizémos recolhas que nós consideramos fantásticas, admiráveis. Aliás, eu costumo dizer que foram os melhores momentos da minha vida folclorista. Em todo este tempo, dediquei-me a esta causa, porque nós vivemos no meio das pessoas, nas aldeias e nós tínhamos muita dificuldade quando lá chegávamos: “Ó minha senhora cante lá uma rameirinha, diga-nos como se dançava, diga-nos como foi ” . E as pessoas retraíam-se, fechavam-se e, como tal, e depois a gente lá ia conseguindo e a senhora lá se voltava, envergonhada, e tal, e lá dizia como se dançava e depois tínhamos que lá lanchar e a gente comia e bebia. E, depois, íamos para outra casa e assim sucessivamente e parávamos de comer a comida que eles nos tinham disponibilizado, e éramos: “não posso comer mais, não posso comer mais, lá tem nojo”. Nojo e aquelas eram fantásticas: as vacas por baixo e tudo por cima, as casas de habitação casas tradicionais – tradicionais eram fantásticas e isto nestas aldeias que a gente viveu aqui nas fraldas de Montemor, foi fantástico, foi uma coisa admirável, e pronto. E, depois, nós também achávamos que havia necessidade de gravar e deixar para os vindouros, e então isto é fruto de um trabalho muito amadurecido, que demorou algum tempo a concretizar-se e então conseguimos e temos aí, felizmente uma edição do CD que nos orgulha muito. Porquê? Porque, independentemente das músicas, das danças, das músicas e das letras, temos também os passos da dança, a forma como as pessoas dançavam, o que quer dizer que amanhã, um professor ou uma professora ou alguém que queira dizer “ó pá, em Lamego dançava-se assim”, temos aqui um documento, uma prova, uma prova evidente de que era assim que se dançava e enche-nos de orgulho porque não conheço nenhum trabalho a nível nacional. Há imensos CD´s gravados por grupos folclóricos e com muita qualidade e isso não está em causa. Agora, um CD que é acompanhado por um livrinho e com a história que o livro insere, porque nós, não sei se quer falar disso agora, ou se podemos aguentar, ou aguardar para mais daqui a bocado
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foi uma visita que nós fizémos a Roma ao Santo Padre, que nos enche com muito orgulho e, portanto, tudo isto está relatado, está lá a nossa história, está lá a nossa vida. Está um bocado da vida do grupo de Fafel. Está um bocado da vida do grupo de Fafel, está lá destes cinquenta anos que a gente viveu, está lá relatado e gravado para que toda a gente veja. - E, aqui no seio do grupo, ainda existe algum membro fundador? - Acho, eu não tenho sinceramente bem a certeza, mas se não são fundadores, são do início do grupo de Fafel. - Do arranque. - Do arranque, eu penso que ainda estão ainda aí três elementos, já com alguma idade, com setentas e perto dos oitenta e dois. É assim que temos aí dois que são praticamente da fundação do grupo, porque, como lhe disse à bocado, isto vai-se modificando. - É uma remodelação. - As pessoas vão rolando, como lhes chamamos assim, também gostava de lhe dizer que é muita característica, é muito nosso, é muito de Lamego, a fundação, o que deu origem à fundação do Rancho de Fafel, já não é do meu tempo, nem do seu, que é mais novo do que eu. Mas, antigamente, isto nos anos cinquenta, as pessoas das diversas ruas da cidade juntavam-se, formavam um grupo e cada rua da cidade arranjava um carro com que depois todos os anos participasse na Marcha Luminosa e Batalha das Flores, o que quer dizer que as festas da Senhora dos Remédios eram vividas pela gentes de Lamego, as ornamentações, os desfiles. E tudo isso era um movimento fantástico e que aconteceu durante aqui, e durante muitos anos. Depois, esse movimento foi-se esfumando, foi desaparecendo e que deu origem ao que é hoje a Marcha Luminosa e a Batalha das Flores. E, felizmente, naquela altura, à mercê da carolice dos fundadores que ficou cabródico, uma pessoa importantíssima na existência e na vida deste grupo, o Rancho de Fafel juntamente com o Rancho da Seara foi ficando, foi-se aguentando. Também ficaram célebres os, para ver as ofertas que haviam na altura para os jovens aqui na cidade, que não eram nenhumas, e então juntavam-se aqui, na casa também, aos domingos à tarde, para participar nos bailaricos e prometeram-se aqui muitos casamentos, e depois realizaram-se aqui muitos casamentos, quer dizer, isto aqui é fantástico, um movimento muito agradável e muito sintomático do que era a vida antigamente na cidade de Lamego e que nós hoje procuramos divulgar e retardar. - E concertos espalhados por Portugal têm tido bastantes? 4
- A gente não chama concertos a isso. A gente chama encontros de folclore. Há imensos. Eu posso-lhe dizer que, num domingo de Verão, cento e cinquenta a duzentos grupos de folclore que se cruzam nas terras de Portugal. Ir e vir é um movimento fantástico e muito giro e muito agradável, porque nós procuramos, por exemplo, vamos por aqui, como agora vai acontecer no próximo dia vinte e quatro, vamos para Porto de Mós para a Luz dos Candeeiros. Não vamos para lá só para dançar, vamos para lá de manhã cedo, levamos o nosso farnel, vamos visitar e vamo-nos enriquecer culturalmente nas cidades importantes ou vilas que nos aparecem pelo percurso e, depois lá, dançamos, cantamos e depois vimos embora. - É sempre um ambiente de festa. -É, é sempre em festa. Aliás, nós como folclore e nós com espírito de festa, está mais para o lado. - Folclore como o nome indica é festa desde o início. - Exactamente, e cor e alegria, mas não é o folclore que os nossos políticos muitas vezes… “ai isso é folclore”. - São as tradições Portuguesas. - Exactamente. - E além fronteiras? -Além fronteiras está um bocadinho mais difícil, porque não temos dinheiro, não é? A crise também nos atinge a nós, mas nós vivemos desde 1982, que foi a primeira vez que fomos a França, até agora muitos momentos inigualáveis e inesquecíveis pelo estrangeiro. Já tivemos praticamente em toda a Europa deste lado de cá, e foi fantástico. Eu estou a recordar da primeira vez que, em 1982, fomos para França, íamos com cinquenta / vinte e cinco contos no bolso e não sabíamos como respondíamos, não tínhamos algum contacto nem sabíamos bem o caminho, nem nunca tínhamos estado com as pessoas. Mas, tem corrido sempre muito bem e, lá fora, o nome de Lamego e a nossa cultura popular têm sido exaltadas. Eu costumo dizer muitas vezes: estamos na Europa. Não tenho nada contra isso, pelo contrário, não é? Todos comemos da mesma maneira, todos nos vestimos da mesma maneira, mas cantar, dançar e vestir como nós o fazemos, só nós os Portugueses, porque os outros é fogo-de-vista, é tudo
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preparado para esses espectáculos e vamos lá, consegues as coisas que fizemos e é assim que as apresentamos. - E é por isso que o Rancho Folclórico de Fafel consegue manter as tradições acima de tudo? - Exactamente, mantemos as tradições e nem nos dividimos delas tão pouco, tudo o que recolhemos, tudo o que nós ditamos e, depois, hoje quem anda no folclore já não é o Zé-Ninguém da aldeia que anda aqui a dançar, nem pensar nisso, não é? Eu posso-lhe dizer, que, sei lá, 80% do rancho de Fafel, e dos outros, não é só do nosso, pelo contrário, 80% são pessoas licenciadas, são professores, são engenheiros, são tudo isso. Hoje, essa gente identifica-se com a sua identidade, com a identidade dos seus antepassados, as pessoas hoje identificam-se e é isso. - Da altura que se aprendeu desde pequenino. - Exactamente. - Em Lamego, vocês em Lamego tem uma grande audácia, aqui pelo… - Não é audácia, não se chama audácia, é uma verdade. Quem procurou, trabalhou enquanto tivemos tempo e oportunidade em contactar com as pessoas idosas de então. Eles disseram algumas coisas como funcionavam, nós recolhemos, gravamos e agora gostamos. - E para o futuro, o que é que está reservado para o grupo de Fafel? - É o presente e o futuro, para nós é exactamente igual, porque no folclore nada se inventou, já está tudo inventado, não é? Porque nós, os expert do folclore, consideram folclore tudo o que vêm até 1920. De 1920 para cá, já apareceram as grafonolas, os discos e isso tudo já está tudo gravado, já resolve tudo e etc. E, até aí, isso não acontecia, daí a razão do que é folclore, têm ali aquela parente, daí para cá já não é folclórico, e portanto nós vamos procurar manter toda esta tradição. À bocado esqueci-me de lhe dizer, que nestas viagens ao estrangeiro, temos uma que nos enche de orgulho, de uma emoção, de uma coisa espantosa. Foi uma Audiência Privada que tivemos com o Santo Padre, João Paulo II, na Praça de São Pedro em Roma. Nós tínhamos lá o Padre da Diocese de Lamego. Estava muito bem conceituado no Vaticano. Pedimos para ele nos arranjar uma audiência, ele disse-nos que sim. Marcou-nos o dia, porque nós 6
queríamos lá estar e fomos. Acontece que antigamente, nós, quando fazíamos as viagens para o Estrangeiro ( hoje já não é assim) , mas antigamente, estávamos em 84, não é? Já foi há imensos anos, nós levávamos as tendas e ficávamos em parques de campismo, onde cozinhávamos, brincávamos, cantávamos e dançávamos, fazíamos tudo e nessa altura era assim e foi assim que fizemos. E então nós, no dia 4 de Agosto de 84, tínhamos a audiência com o Santo Padre e, no dia 3, paramos, montamos a tenda e lá estávamos. Houve uma moça nossa que se começou a sentir mal e nós, eu tentei que ela tomasse uma colher de azeite para vomitar, para aquilo passar, ela não quis, água salgada também não quis, e eu fiquei ali um bocado atrapalhado e pronto, lá fiz sinal a um carro com um lenço branco, o carro lá parou, e lá fomos nós para o hospital. Estávamos na auto-estrada Florença – Roma, depois cheguei às portagens, entregou-me a polícia e a polícia é que me levou ao hospital, o que quer dizer que, toda a noite, o grupo não dormiu, o grupo esteve atento ao que se tinha passado com a Maria (que eu tinha ido com ela para o hospital). E depois o hospital em Itália funciona de uma forma diferente de Portugal, porque nós aqui entramos numa ambulância e vamos lá, não é? Depois tive de vir escondido no carro da polícia até à portagem que nos deu à polícia estadual, e depois essa foi de mota chamar o autocarro e, às cinco da manhã, vinha o autocarro e a malta toda. Pronto, ninguém dormiu nessa noite e fomos para a casa da Dª Fátima em Roma para levantar os ingressos, porque, na Praça de S. Pedro, é tudo com ingressos. 8h da manhã na Praça de S. Pedro, ninguém dormiu, ninguém comeu, ninguém nada. Depois, vimos o sacerdote que lá nos identificou “Rancho de Fafel” : “então para aqui”. Fomos para o lado da tribuna do Santo Padre, ali isoladinho, sem ninguém. E depois aconteceu tudo aquilo que é conhecido e que está legitimado em fotografia. Foi uma comissão muito grande, não teve pressa nenhuma, quebrou-se protocolos, aquela vigilância apertada, que ele já tinha sido atentado lá, mas foi tudo fantástico. E é isto que a gente leva, é isto que a gente ganha, é a esta honra, este prazer, este orgulho de sermos gente do folclórico. -E sobre as músicas, são músicas originais? - As músicas, isso era o que o povo cantava e dançava, o povo cantava aquela música, não tem autor, sem qualquer registo, sem nada. A gente foi isso que recolheu e é isso que fazemos, cantamos, dançamos e vestimo-nos como se cantava, como se dançava e como se vestia antigamente, sem autor
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sem registo nenhum, porque o folclore o povo cantava, aquilo era giro, agradava-lhes, começavam a cantar, voltavam-se e acabou, sempre mantendo as tradições. -Ok, pronto, queria lhe agradecer esse compromisso. - Pelo contrário, estamos sempre disponíveis para mostrar a nossa Cultura Popular. - Obrigado, desejo-lhe boas felicidades. - Muito obrigado. - E que logo à tarde corra tudo bem para o grupo de Fafel. - Ok, muito obrigado.
A última questão - Prove-nos que o Rancho de Fafel é um TESOURO HUMANO VIVO. - Provo que o Rancho de Fafel é um tesouro humano vivo? Pelo contrário, é toda a nossa actividade e eu tenho pena que vocês tenham vindo numa altura em que esse Tesouro Humano Vivo, que somos, não esteja aqui presente, não está aqui presente. Hoje, como sabe, é um dia especial para nós, com a entrega da medalha de Ouro de Mérito Municipal. Mas, eu convido-o a vir cá num sábado à noite e veja como o movimento que nós temos aqui na sede, na preparação dos ensaios para que quando a gente vai para o palco as coisas corram bem. Eu convido-o a vir cá um sábado à noite, às 9h30m para ver o movimento e para ver o Tesouro Humano Vivo que é o rancho de Fafel. - Ok, Ok – Muito obrigado. - Adeus.
Na Câmara Municipal -Boa tarde a todos os presentes, em nome do senhor Presidente da Câmara Municipal de Lamego, declaro aberta a Cerimónia Pública tutória da Medalha de Mérito Municipal em Ouro à Associação Recreativa Rancho de Fafel (Rancho Regional). Uma instituição com cinquenta anos, que se distinguiu nas defesas das tradições da Etnografia, Folclore da nossa região.
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Seguidamente, passarei a apresentar as personalidades que constituem a mesa de honra: Francisco Lopes, Presidente da Câmara Municipal de Lamego; Laurindo Lopes Presidente da Direcção da Associação Recreativa de Fafel (Rancho Regional); Fernando Ferreira, Presidente da Federação de Folclore Português e, por último, integra a mesa de honra, António Barreto, Presidente da Direcção da Associação de Defesa de Etnografia e Folclore do Douro. Seguidamente, irei proceder à leitura da deliberação do Executivo da Câmara Municipal de Lamego, através do qual é fundamentada a concepção da Medalha de Mérito Municipal em Ouro à Associação Recreativa de Fafel (Rancho Regional), integrando esta instituição com inteira justiça, na placa das ilustres das instituições do Município de Lamego. Proposta de deliberação Associação Recreativa de Fafel (Rancho Regional), completou no passado dia 19 de Janeiro de 2008, cinquenta anos de existência oficial, embora já desde 1951 vivessem intensamente em prol da comunidade de Lamecense. Contínuo representante das Tradições da Etnografia e Folclore da região com centenas de actuações em Portugal e no Estrangeiro, tendo sido atribuída em 1987 a Medalha de Mérito Municipal em Prata. Vem desenvolvendo desde então uma ainda maior e melhor actividade, com uma crescente de actuações, organização de festivais nacional e internacional de folclore nas festas da cidade, realização de encontros de etnografia e folclore bem como, fiel depositado dos costumes e tradições do Concelho e da Região. Assim, faço aos expostos e de acordo com o Artº. 7 do capítulo 2 do Regulamento das Medalhas Municipais, proponho à excelentíssima Câmara à atribuição da Medalha de Mérito Municipal em Ouro da Associação Recreativa de Fafel ( Rancho Regional ). Passa o Município a 1 de Julho de 2008, o Presidente da Câmara Municipal de Lamego, o Eng. Francisco Gomes. Convido agora o ser. Presidente da Câmara Municipal de Lamego a proceder à entrega do Diploma com a Medalha de Mérito Municipal em Ouro, à Associação Recreativa de Fafel (Rancho Regional), a Laurindo Lopes em representação desta Instituição.
Entrevista ao Presidente da Federação de Folclore Português - Quero agradecer ter-nos recebido e por estas perguntas que gostávamos de lhe fazer. Uma primeira questão: - Considera um TESOURO HUMANO VIVO este grupo de Fafel? 9
- Sim. Este grupo de Fafel é realmente um depositário das tradições desta Região, é um grupo que se tem preocupado na salvaguarda, de todo o Património Imaterial e também de todo o Património Etnográfico. Eu penso que o trabalho desenvolvido pelo grupo de Fafel foi um trabalho que criterioso dentro da linha que a Federação de Folclore Português aconselha, seguindo os parâmetros e critérios da, precisamente, para que todo este Património ligado com o Folclore e a Etnografia, pudessem ainda hoje constituir realmente encanto e beleza para a actualidade com as pessoas que gostam ainda de assistirem a este tipo de espectáculos. - Acha que a Tradição Popular devia ser introduzida no Ensino da Língua Portuguesa? - Ora bem, nós temos feito também algum esforço nesse sentido, de que houvesse a possibilidade que, nós digamos assim, sobretudo logo, logo no Ensino Primário fosse incluído uma, não uma disciplina, mas pelo menos algumas questões relacionadas, até dentro do Estudo do Meio, em que se pudesse falar das coisas da terra. E isto normalmente tem sido muito difícil de entendimento da parte do Ministério, mas até pelas próprias professoras. Digamos que, qual é o perigo disto? Normalmente, as pessoas não são da localidade e o que elas ensinam aos miúdos, trazem outras coisas que realmente confundem tudo, portanto teria que ser… Em algumas terras, têm-se feito algumas experiências, sobretudo já depois do quarto ano, no quinto e no sexto ano. Algumas escolas, digamos assim, o Conselho Administrativo … têm pedido a alguns dirigentes que vão às escolas, que falam com os miúdos, que lhes mostram com os meios, os trajes, como se trajava, a própria alimentação, como era feita, como se fazia, como é que eram os trabalhos no campo, como eram as romarias. Portanto, há realmente um, algumas pessoas interessadas, num universo muito reduzido, portanto, num universo muito reduzido. Depois, em termos de mais universitários, aí já há neste momento bastante interesse, já há muita gente a estudar isto, mas também muitas das vezes baseado no teórico. Ir ao terreno é muito complicado.
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