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Paola da Cunha Cury 2015

Arquitetura

e a unidade de moradia social

celular

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Pense diferente. Seja diferente.

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Dedico cada página desse trabalho primeiramente a Deus, que me deu forças e me iluminou por todo o caminho até aqui. Minha família que, acima de tudo, me apoiou e acompanhou por não só uma, mas duas graduações completas, sem nunca hesitar. Meu amigo, companheiro e namorado que esteve presente e entendeu a falta da minha presença durante todo o curso. Agradeço à minha orientadora Fabiana Mori por toda a paciência, confiança e por, além de tudo, me fazer ver o mundo e todo o meu estudo de uma maneira nova. Muito obrigada.

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Sumário 1 Introdução à habitação de interesse social

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2 Arquitetura orgânica

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3 Referências de estudos já realizados: materiais da construção civil

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4 Referências projetuais

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5 Área de estudo

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6 Partido arquitetônico e intenções iniciais

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7 Apresentação do projeto

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8 O projeto

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Referências

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1 Introdução à habitação de interesse social Sabe-se que o Brasil sofre, há anos, com muitos problemas na questão habitacional. Conceitualmente falando, devemos citar a falta de moradia adequada como principal problema. Segundo o Dicionário Aurélio, moradia é “s.f. Habitação, morada, casa. / Pensão que se dava antigamente aos fidalgos e aos funcionários.”, mas, de forma conotativa, pode significar muito mais, podendo ser considerada uma necessidade básica, como a alimentação e a vestimenta. A carência de moradia adequada, entendida não apenas como abrigo, mas também como um conjunto de elementos ligados ao saneamento básico, serviços urbanos, educação e saúde, constitui um dos mais graves problemas com que se defrontam as sociedades atuais. Embora não seja um problema restrito à realidade brasileira, apresenta-se como foco dos governos atuais e de certa urgência, à vista do caráter intenso e concentrador que marcou o processo de urbanização do país. A habitação é um bem de consumo de características únicas, sendo um produto potencialmente muito durável onde muito frequentemente são observados tempos de vida útil superior a 50 anos, de acordo com Ornstein (1992). Por ser um produto caro, as classes menos privilegiadas constituem a maior demanda imediata por habitação, no Brasil, de acordo com a Fundação João Pinheiro (2011). O conceito de habitar:

Com o desenvolvimento das habilidades humanas, o homem começou a empregar diversos materiais para construir os seus abrigos: a pedra, as peles, a madeira e a terra, tanto crua como queimada, a cerâmica. Este abrigo se tornou cada vez mais elaborado, e no entanto continuava primordialmente coma sua função básica, isto é, constituia-se em um espaço que protege o homem dos intrusos e das intempéries. (ABIKO, 1995, p.3)

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1.1

HABITAÇÃO DE INTERESSE SOCIAL E DEFINIÇÕES

Habitação de Interesse Social (HIS) define variadas soluções voltadas à população de baixa renda. Este termo vem sendo, segundo Abiko (1995), juntamente com outros listados abaixo, utilizado em estudos de várias entidades e universidades: • Habitação de Baixo Custo (affordable housing) – termo utilizado para designar habitação de baixo custo, sem necessariamente significar habitação de baixa renda; • Habitação para População de Baixa Renda (housing for low-income people) – termo mais adequado do que o anterior, tendo a mesma conotação que habitação de interesse social mas, no entanto, trazem a necessidade de se definir a renda máxima das pessoas nessa faixa de atendimento; • Habitação Popular – termo genérico que engloba as soluções destinadas ao atendimento das necessidades habitacionais. A habitação de interesse social ou popular se propõe como solução para três tipologias comuns de moradia: favelas (unidades domiciliares construídas de madeira, zinco, lata, papelão ou mesmo em alvenaria, distribuídas desordenadamente em terrenos cuja propriedade individual do lote não é legalizada para os ocupantes), casas precárias de periferia (unidades construídas de forma rudimentar e sem auxílio técnico) e cortiços (habitação de aluguel precária) ainda, segundo Abiko (1995). O Poder Público tem então a responsabilidade de fornecer esta solução para famílias que habitam moradias que se encaixem nas situações citadas acima ou mesmo desabrigadas. Para isso, foram criados, recentemente, padrões e diretrizes para programas habitacionais por todo o país. É citado abaixo, como exemplo, padrões do acordo entre a Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU) e Caixa Econômica Federal (CEF) para caracterização deste tipo de construção. A tipologia sugerida pela CEF para uma habitação com 2 dormitórios e 1 banheiro ocupa uma área de 52,90m² (incluído a calçada de proteção) e considerando a existência de aberturas


em todos os lados da residência, área construída de 36,84m² e área útil de 33,54m². As Estruturas mais utilizadas são blocos tipo calha e formas de madeira para composição da viga baldrame e cinta de amarração, segundo a CEF (2006).

Figura 1: Planta layout sugestão CEF para HIS

lógico, é a falta física da unidade habitacional (casa, apartamento, etc.) no estoque de habitações de mercado. A demanda habitacional é a necessidade, por parte de uma população, do “bem habitação”, considerando as características intrínsecas e extrínsecas do imóvel, além das características socioeconômicas da população. (CEF, 2012, p.21).

Entre outras definições, “O déficit habitacional é uma fotografia que mostra o excesso de população que necessita de habitações. Ou seja,é o excedente entre a demanda e oferta de um bem de caráter social.” (GARCIA; CASTELO, 2006).

Quando analisados dados de déficit habitacional por estado, ainda em Nota Técnica do IPEA, percebe-se grande discrepância do estado de São Paulo comparado aos demais. Entre os 27 estados Brasileiros, São Paulo representa, sozinho, 20% do déficit total do Brasil. Tabela 2: Estimativa déficit habitacional por estado do CENSO de 2010

Em 17 de Maio de 2013 o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), publicou em Nota Técnica produzida por sua Diretoria de Estudos e Políticas Regionais, Urbanas e Ambientais, que o déficit habitacional urbano brasileiro no ano de 2011 é, em número absoluto, 5,4 milhões de residências, conteúdo da Tabela 1, com base nos dados das tabelas de Domicílios Particulares fornecidos pelo PNAD. A metodologia utilizada para o cálculo considera “déficit habitacional” qualquer moradia que contenha um das seguintes situações: domicílios precários (rústicos ou improvisados); situação de coabitação (famílias conviventes com intenção de se mudar ou residentes em cômodos); domicílios cujo valor do aluguel é superior a 30% da renda domiciliar total (excedente de aluguel); e domicílios alugados com mais de três habitantes utilizando o mesmo cômodo (adensamento excessivo). Fonte: (IPEA, 2010. Não paginado) Fonte: (CEF, 2006. Não paginado)

1.2

Tabela 1: Estimativa déficit habitacional do CENSO de 2010

DEMANDA E DÉFICT HABITACIONAIS

Sabe-se que há a necessidade de criar habitação, mas qual o tamanho da mesma? Qual sua urgência? As necessidades habitacionais podem ser medidas pelo estudo do déficit ou da demanda atual. O déficit habitacional, pelo conceito etimo-

Fonte: (IPEA, 2010. Não paginado)

Os conceitos de déficit e demanda habitacional se estruturam a partir da disponibilidade de bases de informações seguras e com abrangência territorial adequada para seu cálculo. As diferenças metodológicas entre as instituições que calculam o déficit ou demanda habitacional geram distorções nas estimativas que, entre 2000 e 2007, variavam de 3 a 14 milhões de unidades habitacionais. (CEF, 2012. Não paginado).

Em 2012, a CEF publicou o estudo “Demanda Habitacional no Brasil”, conceituando a demanda como uma necessidade dos indivíduos residirem em local adequado, sob o aspecto de-

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mográfico das relações sociais e econômicas da população com o meio urbano. A demanda pode ser potencial, se no cálculo forem considerados os indivíduos caracterizados como demandantes, sem levar em conta sua capacidade econômica e financeira para aquisição do “bem habitação”, ou efetiva quando este aspecto é verificado. O estudo em questão se fundamenta na premissa de que a demanda por habitação é constituída por pessoas que pretendem formar um novo arranjo domiciliar ou que necessitam substituir um domicílio inadequado, levando em consideração condições demográficas, crescimento e envelhecimento da população e domicílios improvisados (Aqueles localizados em unidades não-residenciais (lojas, fábricas,etc) que não têm dependências destinadas exclusivamente à moradia). Finalmente, a CEF estima, para 2009, a Demanda Habitacional Total no Brasil 9.297.214 de domicílios. Em relação aos 58.646.432 de domicílios existentes no mesmo período, a proporção equivale a Demanda Relativa de 15,85%

Moradores por Domicílio Gráfico 1: Crescimento (% acumulado) da População por Domicílios Particulares

Fonte: (CEF, 2010. Não paginado) Gráfico 2: Envelhecimento da População

Fonte: (CEF, 2010. Não paginado) Figura 2: Participação das regiões no incremento de domicílios no Brasil entre 2001 e 2009

Fonte: (CEF, 2010. Não paginado)

Gráfico 3: Domicílios Particulares Permanentes X Número de Fonte: (CEF, 2010. Não paginado)

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Com estes dois valores em mãos, é possível estimar número de habitações à serem construídas no Brasil. Vale ressaltar que a meta habitacional Brasileira, segundo o jornal Folha de São Paulo, é entregar 23 milhões de moradias até 2022.

1.3

UM PADRÃO PARA A CONSTRUÇÃO DE HIS

De posse dos conceitos de habitação e moradia, acompanhados dos valores de déficit e demanda habitacionais da situação atual brasileira e sabendo, também, que é dever do governo a garantia de moradia digna à população, citam-se os movimentos conhecidos como “políticas habitacionais”, nome dado aos diversos processos de habitação adotados pelo poder público para atendimento dessa demanda habitacional. A primeira medida do governo brasileiro na tentativa de suprir necessidades habitacionais e urbanas foi o fornecimento de créditos à empresas privadas para a construção de habitações e ocorreu no fim do século XIX, pós Revolução Industrial, momento de ampliação e formação dos espaços urbanos no país. Não obtendo lucros com habitações populares, a medida foi em vão, uma vez que os créditos fornecidos tiveram fim em habitações de alto padrão. A partir do ano de 1893, onde a denominação “favela” parece surgir em decorrência da Guerra dos Canudos, segundo Zunino (2010), várias intervenções políticas começam a aparecer por todo país, todas na tentativa de resolver a questão da ocupação desregrada que classifica a favela. Como destaques, cita-se no Rio de Janeiro, por exemplo, a criação da Fundação Leão XIII atuando em serviços básicos em 1946, seguido do apontamento de 138 mil moradores nas favelas cidade em 1948 e a criação da Companhia de Habitação (COHAB) em 1962, com seus programas de melhorias em favelas em 1979. Entre outros fatos importantes para a questão habitacional, apontam-se os recentes: A Criação da Lei Nº 11.124 em 2005, que dispõe sobre o Sistema Nacional de Habitação de Interesse Social (SNHIS), criando o Fundo Nacional de Interesse Social (FNHIS) e instituindo seu Conselho Gestor, que determi-

nou prazo para que municípios com população acima de 20 mil habitantes, elaborassem ou revessem o Plano Diretor. No ano de 2007, surge o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), que objetiva estimular o crescimento da economia do país, gerar empregos e melhorar a condição de vida da população. Finalmente, em 2009, cria-se a Lei Nº 11.977 que dispõe sobre o Programa Minha Casa Minha Vida (PMCMV) e a regularização fundiária de assentamentos localizados em áreas urbanas. O PMCMV funciona com financiamentos oferecidos pela CEF com o uso de fundos do Banco Nacional do Desenvolvimento (BNDES) para construtoras viabilizarem empreendimentos habitacionais e de infraestrutura que prometam contribuir com a redução do déficit habitacional do país. O programa funciona da seguinte maneira: A empresa empreendedora apresenta seu projeto a CEF, que analisa a viabilidade econômico-financeira e negocial do empreendimento. Em seguida, a empresa apresenta grupos de pessoas físicas interessadas em comprar unidades daquele projeto, que a CEF, mais uma vez, faz a análise das condições de pagamento de um possível financiamento dessas pessoas. Após cadastro e aprovação dos compradores, calcula-se o valor, prazo e condições do financiamento de cada unidade. Finalmente, a CEF faz o pagamento da obra executada à Entidade, de acordo com o cumprimento do cronograma pré-estabelecido.

Para uma empresa construir se faz necessário:

Legalidade de constituição, dos regimentos, dos estatutos e da representação jurídica;

Situação cadastral regular;

Saúde econômico-financeira;

A Construtora deve apresentar nível de qualificação/certificação no SiAC /PBQP-H;

Empreendimento localizado na área urbana;

Incorporação registrada no Registro de Imóveis (para contratação);

Projeto de arquitetura aprovado pelo Município e alvará de aprovação;

Declaração de viabilidade das concessionárias de energia elétrica, água e esgoto;

Licenças ambientais aplicáveis;

Existência de infraestrutura interna e externa ao empreendimento: equipamentos urbanos de escoamento de águas pluviais, iluminação pública, soluções de esgotamento sanitário, abastecimento de água potável, energia elétrica pública e domiciliar, vias de acesso, pavimentação, serviços públicos como transporte e coleta de lixo. (CEF, 2013. Não paginado.)

A própria CEF apresenta um padrão de projeto específico, visando auxiliar aos municípios que procuram construir o máximo de habitações com o menor custo possível. O padrão em questão foi escolhido e adotado nesse trabalho como base para comparação de materiais e busca por soluções mais modernas e sustentáveis para um projeto executado em larga escala como um loteamento popular. Apresentado anteriormente segue projeto padrão para uma habitação de interesse social detalhado, de autoria da CEF:

Área de Intervenção: A área mínima necessária para o terreno onde a edificação será implantada será função dos limites municipais para o parcelamento imobiliário da área de intervenção e os afastamentos mínimos necessários para a implantação da unidade habitacional. A edificação ocupa uma área de 58,90m² (incluído a calçada de proteção), deve-se levar em consideração a existência de aberturas em todos os lados da residência. Área construída – 41,87m² Área útil – 36,93m² Deverá acompanhar os projetos a planta de localização do empreendimento (planta de situação), identificando os lotes nos quais as edificações serão construídas. (CEF, 2006. Página 03)

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Projeto 1: Casa Modulada 41,87m²: Planta baixa de arquitetura

Projeto 2: Casa Modulada 41,87m² - Fachada e cobertura

Fonte: (CEF, 2007, p. 6)

Fonte: (CEF, 2007, p. 8)


1.4 HIS

CONDIÇÕES DE CARACTERIZAÇÃO DE PROJETO COMO

• Pé-direito mínimo de 2,50m para os demais compartimentos; • No máximo 01 vaga de estacionamento por unidade. (SECRETARIA MUNICIPAL DE LICENCIAMENTO DE SÃO PAULO, 2015, não paginado)

A Secretaria Municipal de Licenciamento da cidade de São Paulo apresenta um guia para aprovação de projetos de HIS, apresentando ainda mais uma tipologia, a Habitação do Mercado Popular (HMP) e suas características padrões: UNIDADE HABITACIONAL HIS – HABITAÇÃO DE INTERESSE SOCIAL

A prefeitura apresenta ainda um documento com considerações à serem seguidas sobre acessibilidade, árvores, elevadores, áreas computáveis e não computáveis, insolação e aeração, segurança, estacionamento e áreas de lazer.

• Destinada a população com renda de 01 a 06 salários mínimos • Área útil máxima igual a 50,00m², podendo ser acrescida em 30%, desde que garanta condições de acessibilidade e desenho universal; • No máximo 01 sanitário, podendo ser previstas peças sanitárias em espaços separados; • Pé-direito mínimo de 2,30m para cozinhas, banheiros e áreas de serviço; • Pé-direito mínimo de 2,40m para os demais compartimentos; • No máximo 01 vaga de estacionamento por unidade. • Terraço não computável 5,00m² máximo • Unidade com área de até 65,00m² (Desenho universal - Lei 15.358/11)

UNIDADE HABITACIONAL HMP – HABITAÇÃO DO MERCADO POPULAR • Destinada a população com renda de até 16 salários mínimos •

Área útil máxima igual a 70,00m²

No máximo 02 sanitários.

• Pé-direito mínimo de 2,30m para cozinhas, banheiros e áreas de serviço;

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2 Arquitetura orgânica Dentre linhas distintas de pensamento que existem na arquitetura contemporânea, inúmeras soluções poderiam se apresentar na busca de adaptações e melhoras na qualidade de vida de quem habita. A arquitetura teve vários sentidos em diversas épocas e seu uso foi se modificando de acordo com as necessidades do homem, sempre seguindo um propósito, mesmo que o mesmo

estética nas construções. A arquitetura orgânica possui a teoria de que o homem é simpático aos processos orgânicos da natureza, ou seja, busca a abstração das formas regulares. Uma questão psicológica humana que busca nas formas abstratas um refúgio das intempéries. Busca-se a expressão orgânica na arquitetura o movimento e o dinamismo na composição dos espaços. Ao usuário desta arquitetura resulta o bem estar e questões relacionadas à vida, apoiando e incentivando os processos vitais.

fosse apenas a beleza da forma. Traz-se então um pensamento de

arquitetura que diz-se independente de esteticismos sem propósitos, como falado por Frank Lloyd Wright: Eu trago para vocês uma nova Declaração de Independência... Uma arquitetura orgânica significa nada mais e nada menos que uma sociedade orgânica. Os ideais orgânicos na arquitetura recusam as regras impostas por um estetismo exterior e pelo mero gosto, como as pessoas a quem esta arquitetura pertence repudiará as imposições que estão em desacordo com a natureza e o caráter do homem... Demasiadas vezes ao longo da história a beleza foi contrária ao bom senso. Eu acredito que chegou a hora em que a beleza deve ter um sentido... Nesta época moderna, a arte, a ciência e a religião se encontrarão, se tornarão a mesma coisa, e tal unidade será alcançada por meio de um processo cujo centro será a arquitetura orgânica. (ZEVI, 1945, p. 63, 71-75, apud WRIGHT, 1939, não paginado)

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O conceito do organicismo foi desenvolvido através das pesquisas de Frank Lloyd Wright, que acreditava que uma casa deve nascer para atender às necessidades das pessoas e do caráter do país como um organismo vivo. Segundo Wright em seu livro The Natural House, sua convicção era de que os edifícios influenciam profundamente as pessoas que neles residem, trabalham ou rezam, e por esse motivo o arquiteto é um modelador de homens. Enquanto isso, a sociedade buscava identidade própria, onde o ser humano fosse a escala da arquitetura, e isso veio a se transformar num conceito, onde o orgânico significa um protesto contra a busca incansável pela função única como

2.1

CARACTERÍSTICAS DA ARQUITETURA ORGÂNICA

Wright teve a ideia por trás de arquitetura orgânica de seu mentor, Louis Sullivan, que seguia o conceito de que “a forma segue a função”, onde Wright foi mais além e afirmou que “a forma é função”. Seguindo esta lógica, ele acreditava que toda estrutura deve ser capaz de engrenar com o seu ambiente e crescer junto com ele. A arquitetura orgânica é cuidadosa em examinar desde o terreno até seu entorno, uma vez que a estrutura concebida deve evoluir como uma semente que brotou e cresceu. Busca-se ainda a sensação de naturalidade através dos materiais utilizados na construção. Arquitetura orgânica utiliza curvas como uma assinatura e, de acordo com David Peterson em seu livro “The Breaking Wave: New Organic Architecture”, projetos que são considerados orgânicos deve ter sido influenciados por ambientes naturais em função da preservação do meio ambiente. Sobre a forma: A forma de um edifício deve seguir o fluxo de uma energia e ser criado por ela. A arquitetura deve fluir a favor, e não contra, as forças dinâmicas da natureza. Isso se aplica a todas as formas de energia: forças estruturais, vento, correntes de calor e de água, energias da Terra, campos magnéticos e elétricos, assim como a energia viva do corpo, mente e espírito humano. O escoamento das forças naturais é curvilíneo e cíclico, e formas orgânicas da arquitetura, portanto, naturalmente, surgem da sentença: “a forma segue o fluxo”.(PETERSON, 2001, p. 14, tradução nossa¹)


Figura 3: O fluxo da água segundo Peterson

Figura 4: Casa da cascata e seu entorno

Figura 4: A forma curvilínea do Guggenheim Museum

Fonte: (GUGGENHEIM, 2015, não paginado.) Fonte: (PETERSON, p. 14)

2.2 DA TEORIA À PRÁTICA: OBRAS DA ARQUITETURA ORGÂNICA Mesmo originários do século XIX, os conceitos da arquitetura orgânica se mantém atuais e geraram obras modernas e contemporâneas marcantes. Algumas obras do movimento serão apresentadas como forma de ilustração e melhor entendimento prático dos conceitos e características, e não ainda como referências projetuais. A primeira obra a ser citada é destaque por ser do próprio Frank Lloyd Wright, que funda o movimento e o aplica em seus projetos. A “Fallingwater house” ou “Casa da Cascata” tem como proposta a integração entre a obra e o entorno, que é literalmente uma cascata envolvida por florestas. O projeto é concebido quase como um mirante construído para contemplar a beleza da natureza local. O que o caracteriza como orgânico é o fato de que ele aproveita o declive do terreno e se assenta sobre as pedras que estão lá desde sempre. Diante da lareira é possível ver, aflorando do piso, uma das pedras originais do terreno, que Lloyd preferiu não remover e, assim, ela passou a ser um elemento da casa.

Fonte: (FALLINGWATER, 2015, não paginado)

Ainda como obra de Frank Lloyd Wright, apresenta-se o “Solomon R. Guggenheim Museum” ou “Museu Solomon R. Guggenheim”, localizado em Nova Iorque, nos Estados Unidos. Tendo o cenário urbano como seu entorno, Wright utiliza então outro conceito do organicismo da arquitetura no edifício, adotando um partido arquitetônico que tem a origem nas formas geométricas puras como o cilindro, o tronco de cone, o troco de prisma, o polígono de três lados e formas orgânicas. Esses elementos estão presentes em todos os momentos no edifício, seja definindo a espacialidade de um ambiente ou através dos detalhes construtivos. O projeto demonstra também planos flutuando sobre planos, numa sobreposição e estratificação de camadas, cortadas e colocadas uma sobre as outras, de forma a estabelecer uma maneira de construir que não seja a tradicional. Peterson em seu livro, citado anteriormente, ainda compara o formato do museu com a imagem do fluxo das águas, mostrada anteriormente na Figura 3.

Como referência contemporânea do uso dos conceitos orgânicos, citamos o edifício Hatert Housing, do escritório 24h Architecture na cidade de Nimigue, na Holanda. Projetado em 2009 e concluído em 2011, o edifício possui 72 apartamentos construídos sobre um centro comunitário de saúde e foi construído pelo governo local com planos de revigorar a sua habitação. As varandas não alinhadas e curvas, inspiradas em padrões de folhagens, asseguram que cada unidade recebe luz natural suficiente, ao mesmo tempo, oferecendo aos moradores vistas panorâmicas do entorno.

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Figura 5: Varandas desalinhadas e com padrões de folhas do Hatert Housing

Fonte: (MORFAE, 2015, não paginado)

A união entre estética e funcionalidade são algumas das características que definem uma boa execução da arquitetura orgânica. O grande website de artes humanas Contemporist define o edifício da cidade de Nimigue como uma “escultura reconhecida de qualquer direção”, (CONTEMPORIST, 2011, não paginado) dando ênfase também à multifuncionalidade do prédio, que organiza seu bolsão de estacionamento no nível de subsolo criando áreas públicas em um deque logo acima, enquanto o nível do solo será utilizado como posto de saúde, logo abaixo da área de habitações. Destaca-se a necessidade de unir o âmbito estético ao funcional nas políticas habitacionais e de saúde tão necessárias e precárias do Brasil, propondo este como um grande exemplo a ser seguido, desviando do padrão de que o nível de esforço em busca dessas características belas e funcionais ocorre quase que de maneira diretamente proporcional à escala de classe social ou ao número de salários mínimos de seu público alvo.

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3 Referências de estudos já realizados: materiais da construção civil Deve-se salientar que esse trabalho segue como continuação de um trabalho de conclusão do curso de Engenharia Civil por essa mesma universidade, concluído no ano de 2013, nomeado “Sustentabilidade na habitação de interesse social”. O trabalho citado leva em consideração uma preocupação com o meio ambiente e o desempenho dos materiais mais utilizados na construção civil, e assim elegeu materiais alternativos que beneficiariam paralelamente o meio ambiente, o usuário e o construtor de um empreendimento (no caso, moradias de interesse social), seguindo padrões internacionais de emissão de carbono e comparando os materiais por desempenho segundo a norma NBR 15.575 “Edificações Habitacionais: Desempenho” vigente desde 19 de junho de 2013. O presente trabalho tem como ob-

jetivo analisar um padrão de habitação popular existente no setor da construção civil, situando-o dentro do quadro atual de déficit habitacional do Brasil, junto à questão ambiental, que excede níveis nacionais, dividindo preocupações e medidas em todo o planeta. Além da análise do padrão encontrado, o trabalho propõe opções de materiais alternativos aos utilizados comumente no mercado, prezando pela mínima emissão do gás carbônico, principal causador do efeito estufa, e pelo desempenho desses materiais. Espera-se, somando o dióxido de carbono que for poupado de ser emitido por cada material em cada habitação entre milhões que o Brasil há de construir, supor uma minimização considerável do principal vetor da questão ambiental atual, apenas para essa parcela do setor da construção civil, visando ainda aumentar o conforto dos usuários beneficiados por esse mercado. Com essa economia de gás carbônico, é possível gerar Créditos de Carbono, certificados emitidos para uma pessoa ou empresa que reduziu a sua emissão de gases do efeito estufa, que podem ser negociados no mercado internacional. (BORGES, CURY e DAMMAGIO, 2013, p.4)

3.1 METODOLOGIA

Cada material tem suas vantagens e desvantagens, em diversos fatores, como questões sustentáveis, econômicas ou de desempenho. No dia 19 de junho de 2013 a LEI NBR 15.575 “Edificações Habitacionais: Desempenho” entrou em vigor instituindo parâmetros técnicos para vários requisitos importantes de uma edificação e tem como características estabelecer as responsabilidades de cada um dos envolvidos: construtores, incorporadores, projetistas, fabricantes de materiais, administradores condominiais e os próprios usuários. Contudo, procura-se pela opção de materiais que satisfaça a nova norma, visando, também, a durabilidade das construções.

Dos inúmeros valores e características, foram prioriza-

das: as características de impacto ambiental durante a produção dos materiais (pelo cálculo da quantidade de dióxido de carbono (CO2) emitida durante o processo, “from cradle to gate”, conceito comum americano, referente ao caminho percorrido da extração até o portão de saída das fábricas), os valores médios de perda e desperdício do material em obras, e, finalmente, a análise do modo de descarte do material, por sua classificação nos quesitos do Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA), e forma de reciclagem do material, se existente. Foram então comparados e avaliados alguns dos materiais julgados opcionais pela CEF para a construção da HIS dos seguintes itens:

• Alvenaria •

Estrutura de cobertura

• Telhas •

Laje cobertura

Isolamento térmico e acústico

Os itens como fundação, esquadrias, revestimentos, instalações elétricas, hidráulicas e sanitárias foram considerados satisfatórios e não foram modificados, assim, considerados padrões os materiais propostos pela CEF em seu memorial descri-

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tivo. Para serem eleitos os materiais mais satisfatórios para cada categoria, foram analisados os seguintes pontos para cada material: 3.1.1 Emissão de CO2 A Universidade de Bath, localizada no Reino Unido, publicou em 2008 um estudo chamado Inventário de Carbono e Energia (Inventory of Carbon and Energy, ICE), um sumário de um banco de dados criado a partir de fontes públicas e disponíveis à qualquer leitor, como jornais, revistas e estudos, chamado Banco de Dados do ICE. Esse banco de dados estrutura 34 grupos de materiais, traçando perfis e assim, estimando gastos de energia embutida (energia total gerada durante um processo de fabricação de um determinado produto, a partir da análise de cada etapa deste processo) e emissões de CO2 em seu processo de fabricação ou extração para cada material e suas variações. Utilizando os dados fornecidos pelo banco de dados do ICE, ou ainda, calculados, junto aos cálculos de emissões e energia gasta pelo transporte da fábrica ao ponto de utilização dos materiais (no caso, o ponto da obra ou construção da casa), chegou-se a um valor relativo estimado de emissões e gastos energéticos da extração de cada material até sua chegada à cidade de Ribeirão Preto, e assim, foi possível coloca-los em comparação.

dem ser igualmente ou até significantemente maiores do que os males causados ao meio ambiente em sua extração e fabricação e, por isso, foram incluídos ao trabalho as classificações do órgão Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA) em sua resolução 307, que “Estabelece diretrizes, critérios e procedimentos para a gestão dos resíduos da construção civil” (CONAMA, 2002. Não paginado), dividindo os resíduos da construção civil em quatro classes: Classe A, B, C e D, cujos valores de agressão ao meio ambiente são crescentes, respectivamente. O CONAMA também estabelece as formas corretas de descarte de cada classe de materiais, porém, foram consideras as formas usuais para cada material pesquisado, espelhando uma condição mais realística do mercado atual. 3.1.4 Outros fatores decisivos Ainda priorizando os fatores anteriormente citados, não podem ser excluídas algumas outras características particulares de cada material, como tempo de produção, acabamento do material, durabilidade e desempenho. Fatores como esse influenciaram e até definiram algumas das escolhas. 3.1.5 Escolha dos materiais Por um sistema de pontuação simples, adotando um valor ou situação média entre os resultados obtidos, o material mais benéfico entre os parâmetros adotados foram escolhidos.

3.1.2 Perda de materiais A perda é considerada um possível desperdício de materiais a partir do momento em que eles começam a ser usados, comumente utilizada em orçamentos e compra de materiais. Os valores adotados como parâmetros foram, em sua maior parte, retirados das revistas da PINIWEB: Guia da Construção, Construção Mercado e Equipe de Obra, material muito respeitado e atualizado sobre vários ramos da construção civil. Os demais, adotados seguindo recomendações dos fornecedores escolhidos para cada material ou, quando sem parâmetros, adotado o valor de 10%, parâmetro de censo comum utilizado, majoritariamente, na compra de materiais.

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3.1.3 Descarte de materiais: CONAMA e reciclagem

Os impactos ambientais do descarte de um material po-

3.2 RESULTADOS FINAIS E CONTRIBUIÇÕES PARA ESSE TRABALHO Depois de feita a comparação seguindo todas as variáveis anteriormente citadas, os materiais elegidos como benéficos para a construção de HIS como substituição aos materiais usuais e propostos pela CEF foram: • Alvenaria: Blocos de Gesso; • Forro: Placas em Drywall combinadas ao uso da lã de rocha como isolante térmico e acústico; • Estrutura de cobertura: Estrutura metálica;

• Telhas: Shingle. Com os quantitativos e emissões de CO2 dos materiais definidos, calculou-se o total emitido na construção de uma habitação pelo uso dos materiais sugeridos pela CEF e sugeridos no trabalho, respectivamente. Os valores a seguir são relativos e consideram, somente, os materiais estudados de forma isolada, de economia na Emissão de Carbono (E.C.) e Energia Embutida (E.E.) (energia total gerada durante um processo de fabricação de um determinado produto, a partir da análise de cada etapa deste processo). E.C. ECONOMIZADO E.E. ECONOMIZADO (kgCO2) (MJ) 1.902,03 319.727,30 Fonte: (SUSTENTABILIDADE NA HIS, 2013, p. 63)

Com os resultados obtidos a partir do cálculo de E.C. e E.E. para cada material, colocando-os em comparação, chega-se a estimar cerca de 300 mil Megajoules de energia embutida e quase 2 toneladas de dióxido de carbono poupados com a troca de, apenas, 4 materiais em toda a construção. Além de beneficiar o meio ambiente, os materiais possuem menor índice de perda por material, gerando possível economia na execução de projetos, e possuem melhor desempenho, gerando maior conforto ao seu usuário. No projeto a ser desenvolvido nesse trabalho, procura-se manter o uso de pelo menos dois dos quatro materiais citados, sendo esses: alvenaria estrutural de blocos de gesso e forro em drywall com o uso de lã de rocha. O uso da estrutura de cobertura e telhas dependerá do desenvolvimento do projeto e sua configuração final.


4 Referências projetuais Toda elaboração de um bom projeto necessita da presença de bons embasamentos. Muito sobre diversos assuntos que envolvem a arquitetura contemporânea já foi produzido e ainda é produzido todos os dias. Quanto à questão de habitação social, os governos do mundo todo buscam de maneira incessável por novas soluções para os problemas habitacionais da população, o que resulta na vasta gama de projetos e obras executadas envolvendo o assunto.

4.1

QUINTA MONROY, ELEMENTAL, CHILE

um orçamento de $750.000,00, junto à necessidade de ampliação de 50% para cada residência, a empresa excluiu algumas das tipologias não viáveis, como uma habitação por lote ou um edifício com habitações verticais. A solução proposta é uma construção que possui somente o pavimento térreo o último andar, uma vez que o térreo poderá crescer horizontalmente sobre o terreno que tem ao seu entorno e, o último pavimento sempre poderá crescer verticalmente. No primeiro nível a residência é entregue com 6x6 m, área que pode crescer dentro do lote de 9x9 m. Já no segundo, a área inicial é de 3x6 m, ampliável em mais 3 metros para o lado.

Figura 6: Etapas de construção

Como um problema comum em todos os continentes, as políticas habitacionais na América Latina também esbarram ora na falta de recursos, ora na mudança de contexto. E é dentro desse contexto que a empresa chilena Elemental, associada à Pontifícia Universidade Católica do Chile e à Companhia de Petróleo do Chile (COPEC) trabalha na busca de soluções para resolver tanto o problema da habitação quanto o da integração da população à cidade de Iquique, no Chile. Buscando transformar o gasto com habitação social em investimento, os projetos da Elemental funcionam dentro de um programa do Ministério da Habitação Social chileno que concede um subsídio para famílias carentes para o financiamento da construção de suas casas. Visto que o subsídio fornecido corresponde apenas a metade da construção de uma casa por família, a empresa resolveu ficar responsável pela metade mais complicada e essencial da casa, incluindo banheiros, cozinha, escadas e muros intermediários, e deixando a outra metade como responsabilidade das famílias que, segundo o planejamento, podem ampliar sua moradia até chegar a cerca de 72 m², incentivando a família a crescer e valorizar sua própria casa ao longo do tempo. Uma vez que as famílias constroem por si mesmas a segunda metade da casa, isso resulta em casas individualmente diferentes, o que quebra a monotonia e semelhança comum às HIS.

Com uma população de 100 famílias a serem abrigadas e

Fonte: (ARKTETONIX, 2012, não paginado) Figura 7: Habitação entregue x habitação ampliada

Fonte: (ARKTETONIX, 2012, não paginado)

17


Figura 9:Habitação entregue x habitação como moradia

Figura 9: Análise da planta baixa do nível térreo – escala indicada

Fonte: (ARKTETONIX, 2012, não paginado) Figura 8: Análise da Implantação no terreno – escala indicada

Fonte: (ARKTETONIX, 2012, não paginado) Figura 10: Análise da planta baixa do nível dois – escala indicada

Fonte: (ARKTETONIX, 2012, não paginado)

18

Fonte: (ARKTETONIX, 2012, não paginado)


Figura 11: Análise da planta baixa do nível três – escala indicada

4.2

LOGROÑO CUBES, MVRDV, ESPANHA

Ainda não executado, mas com conceitos inovadores é o projeto Logroñho Cubes, projetado para ser implantado na cidade de Logroñho, na Espanha, pelo escritório de arquitetura MVRDV. Programado para possuir 554 apartamentos, espaços públicos e 2.800m² de área comercial, o projeto foi implantado como conjunto habitacional em uma área com entorno agrícola com o intuito de que uma certa visão de “anarquia” no projeto poderia ajudar a atrair as pessoas para a área e trazer mudanças positivas ao desenvolvimento da área. Como atrativo, foram propostas pequenos blocos com diferentes tipologias, evitando corredores e possuindo halls, comuns em edifícios de apartamentos. Todas as unidades possuem um canto, duas fachadas e duas vistas diferentes do entorno. Assim, todos os blocos viabilizam a variedade de habitações, podendo conter habitações pequenas, duplex ou apartamentos maiores, garantindo uma diversidade ao bairro.

Fonte: (ARKTETONIX, 2012, não paginado)

Além disso, os blocos são sobrepostos em várias tipologias, inclusive tipologias inclinadas. Os elementos mais comuns estão situados no bloco inclinado: a biblioteca, pavilhão desportivo, o jardim de infância, o café e um bar e os telhados podem servir também como áreas livres com vista para a paisagem.

Figura 12: Análise do corte transversal – escala indicada

Figura 15: Perspectiva do projeto e sua implantação no terreno

Fonte: (MVRDV, 2015, não paginado)

Fonte: (ARKTETONIX, 2012, não paginado)

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Figura 16: Tipologias sobrepostas e lajes com uso livre

Figura 18: Conceito dos blocos

Fonte: (MVRDV, 2015, não paginado) Figura 17: Blocos inclinados e áreas públicas

Fonte: (MVRDV, 2015, não paginado)

20

Fonte: (MVRDV, 2015, não paginado)


4.3

CONDOMÍNIO RESIDENCIAL HELIÓPOLIS DE RUY OHTAKE

Figura 19: Esquemas de encaixe do conceito

Como exemplo de projeto executado em âmbito nacional, cita-se o autor de prédios internacionalmente reconhecidos o Skyline paulistano, Hotel Unique ou o instituto Tomie Ohtake: Ruy Ohtake. O arquiteto trabalhou anos em Heliópolis, favela que já foi uma das maiores da cidade de São Paulo, procurando estabelecer ali uma espécie de laboratório de urbanização e participação social. A relação de Ohtake com Heliópolis começou com um trabalho artístico em três ruas. Depois de perguntar a cada morador qual cor queriam para as suas casas, criou um projeto de intervenção cromática nas fachadas das moradias, misturando tons fortes. Todo o trabalho de pintura foi realizado por pintores do bairro, exigência do próprio arquiteto, que afirma que a comunidade tem que participar de todo o processo. Em 2009 o arquiteto concebe o projeto do Condomínio Residencial Heliópolis, uma das obras mais famosas do arquiteto. O projeto possui 71 edifícios para a população de baixa renda, contemplada pelo programa federal Minha Casa, Minha Vida, os prédios coloridos tem formato circular para acabar com as noções de “frente” e ”trás” dos edifícios tradicionais e não privilegiam de forma desigual nenhuma unidade.

Figura 20: Heliópolis e croquis do projeto

Fonte: (MVRDV, 2015, não paginado)

Através do esquema conceitual mostrado, percebem-se as tipologias existentes e suas combinações, junto à circulação vertical resolvida do encaixe dos blocos. O projeto foi inspirado em cubos aparentemente sem disposição previamente organizada. Apesar de não terem publicadas plantas, cortes e maiores detalhamentos técnicos do projeto pelo escritório MVRDV, a maior referência em estudo é o modo de implantação e encaixe de moradias e circulação.

Fonte: (RUY OHTAKE, 2015, não paginado)

21


Figura 21: Áreas de convivência e edifícios

Figura 23: Análise do pavimento tipo – escala indicada

Fonte: (RUY OHTAKE, 2015, não paginado)

Outro ponto alto do projeto é a localização dos carros, que ficam na parte externa do projeto, enquanto o espaço interno é destinado ao parquinho das crianças e a convivência dos moradores. Segundo Ohtake, “Com o mesmo orçamento e metragem de projetos semelhantes é possível fazer construções muito mais interessantes, e não é só porque o projeto urbanístico é na periferia que tem que fazer de qualquer jeito.” (PORTAL APRENDIZ, 2012, não paginado).

Figura 22: Implantação dos edifícios em vista aérea

Fonte: (RUY OHTAKE, 2015, não paginado)

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Fonte: (RUY OHTAKE, 2015, não paginado)


Figura 24: Análise do apartamento tipo – escala indicada

Fonte: (RUY OHTAKE, 2015, não paginado)

Figura 25: Análise do apartamento tipo – escala indicada

Fonte: (RUY OHTAKE, 2015, não paginado)

23


5 Área de estudo

Figura 28: Ribeirão Preto – foto satélite

A área selecionada para estudo de uma possível implantação de projeto de HIS fica no subsetor L3 do setor Leste cidade de Ribeirão Preto, no Estado de São Paulo, na Avenida Castelo Branco. 5.1 LOCALIZAÇÃO Figura 26: Ribeirão Preto e regiões administrativas do estado de São Paulo

Fonte: (GOOGLE MAPS, 2015, não paginado) Figura 28: Ribeirão Preto – foto satélite Fonte: (SCIELO, 2015, não paginado)

Figura 27: Região Administrativa de Ribeirão Preto

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Fonte: (GOOGLE MAPS, 2015, não paginado)

Fonte: (GOOGLE EARTH, 2015, não paginado)


5.2 EQUIPAMENTOS Figura 30: Comércio e serviço local na via lateral da Av. Pres. Castelo Branco Figura 29: Entorno da área e seus equipamentos

Fonte: (GOOGLE STREET VIEW, 2012, não paginado) Figura 31: Equipamento de lazer: Parque Pref. Dr. Luiz Roberto Jábali

Fonte: (RIBEIRAO PRETO IMOBILIÁRIA, 2012, não paginado) Figura 32: Centro esportivo SESI Fonte: (RIBEIRÃO PRETO, 2015, não paginado)

A área de estudo é cercada, predominantemente, por áreas residenciais e lotes de uso misto ao redor das

principais avenidas (Av. Presidente Castelo Branco e Av. Maria de Jesus Condeixa) com pequenos comércios e serviços que atendem o bairro. O espaço também é caracterizado pelo Córrego dos Catetos e sua área de proteção permanente e um grande vazio de área privada de uso rural que também o cerca. Cita-se também os equipamentos de lazer mais próximos, como Estádio Palma Travassos e Parque Prefeito Dr. Luiz Roberto Jábali. Os equipamentos marcados no mapa são:

2- Educação pré-escolar; 2A- Educação pré-escolar e de primeiro grau; A- Educação de primeiro grau; D- Unidade básica distrital de saúde (UBDS); H- Hospital; S- Unidade de Ensino Universitário. Os equipamentos demarcados em amarelo pertencem ao município e os demais são particulares, sendo equilibrados na região.

Fonte: (GOOGLE STREET VIEW, 2012, não paginado)

25


5.3 OCUPAÇÃO

• Taxa de ocupação máxima do lote: 75%; • Coeficiente de aproveitamento máximo: 5 vezes a área do terreno; • Área permeável: de 5 a 15%, variando com a área e uso do terreno;

Apesar da área não ser muito adensada e conter alguns grandes lotes vazios, a maior parte dos lotes construídos são altamente adensados e, dos lotes menores residenciais, não há mais lotes sem construção. A área possui grandes lotes para edifícios altos e lotes menores mistos e residenciais.

• Lote mínimo de 140m²; • Densidade populacional líquida máxima: 1700 habitantes por hectare.

Figura 33: Figura fundo – área em vermelho

5.4

CARACTERÍSTICAS DO TERRENO

Localização: Subsetor L3 da Região Leste da cidade de Ribeirão Preto Área total: 6.1913,50 m² Desnível total: 4% Propriedade privada: Grupo Pão de Açúcar Zona de Urbanização: ZUP (Zona de Urbanização Preferencial) Gabarito máximo: 10m, podendo ser ultrapassado desde que atendidas as disposições pertinentes da lei Municipal 2157.

5.4 LEGISLAÇÃO A área de estudo está localizada na Zona de Urbanização Preferencial de Ribeirão Preto (ZUP) e, de acordo com a Lei Municipal 2157 que dispõe sobre o parcelamento, uso e ocupação do solo no município: ZUP - Zona de Urbanização Preferencial: composta por áreas dotadas de infra-estrutura e condições geomorfológicas propícias para urbanização, onde são permitidas densidades demográficas médias e altas; (LEI 2157 DE RIBEIRÃO PRETO, 2008, p.3)

26

Nessa área o gabarito básico estabelecido é de 10m a partir do nível da rua, podendo, pela mesma lei, ser ultrapassado na ZUP desde que atendidas as disposições pertinentes da lei, tais como: recuos, taxa de ocupação, coeficiente de aproveitamento, etc. Outras informações que devem ser consideradas, definidas pela lei:

Demarcação de área e curvas de nível extrapoladas de 1 em 1 metro. Informações cedidas pela Prefeitura de Ribeirão Preto.


6 Partido arquitetônico e intenções iniciais O projeto busca, principalmente, desvincular-se de um método de construção em massa de habitações idênticas e desprovidas de individualidade que se utiliza de desculpas como “soluções temporárias” e de “construir mais com menos” para criar habitações descartáveis e imutáveis. Para isso, procura atrelar funcionalidade à estética, organização, máximo convívio e um número máximo de possibilidades de formas de viver e habitar, tudo para uma população de baixa renda.

6.1

PARTIDO ARQUITETÔNICO

Fortemente apoiado e baseado nos conceitos da Arquitetura Orgânica de Frank Lloyd Wright e sua linha de pensamento que um edifício deve ser tratado e se comportar como um organismo vivo, capaz de mutações de acordo com variáveis como o tempo e as necessidades do homem, o partido arquitetônico resgata a forma, a individualidade e, principalmente, a organização de células: células do corpo humano, vegetais ou de qualquer ser vivo da Terra. São milhões de células se organizando e trabalhando juntas à favor do organismo em que elas mesmas ocupam. E essa é a grande semelhança com o sistema de HIS: milhares que devem se organizar para contribuir e tornar mais agradável o espaço em que vivem.

assim como uma família que cresce de forma individual e um dia será a origem de novos núcleos e novas famílias. Mas apesar de sua individualidade, cada célula é igualmente necessária para a criação de um sistema eficiente e de contribuição muito maior. Cada uma delas tem seu espaço e sua função organizando algo maior. O sistema formado por essas células representa a nossa organização urbana, quase equivalente ao corpo humano, por exemplo. Uma célula irregular e podemos ter um órgão todo e até um sistema defeituoso ou não funcionando como deveria. Por outro lado, é tanto possível como esperado o funcionamento perfeito do corpo humano, mesmo com os mínimos defeitos e, por isso, pode-se prever a possibilidade de um sistema urbano que funcione por completo e ainda respeite e valorize o espaço individual tanto quanto o coletivo. Cada pessoa tem seu espaço dentro do planejamento, com direito a mudar, expandir, dividir ou até acabar e zerar suas funções.

6.3 FORMAS ESTUDADAS

6.2 CONCEITO A questão sobre as células é que elas necessitam de sua própria individualidade, seu espaço de crescimento e divisão, Células humanas vistas por um microscópio

Foram consideradas no estudo células humanas, vegetais, organizações celulares e de seus núcleos.

27


O desenho bidimensional inicial partiu de um hexágono, inspirado em alguns desenhos da organização celular humana. Células reais apresentam uma forma complexa, mas hexágonos representam uma boa aproximação de suas formas reais.

A figura então evolui a partir do desenho inicial, trazendo soluções para os ângulos agudos da unidade de moradia:

28


6.4

PLANO DE NECESSIDADES

Baseado no estudo de Mascaró publicado em 1989 e um relatório sobre densidades publicado pela Secretaria de Planejamento de Porto Alegre, o trabalho leva em consideração uma densidade desejável economicamente de 100 a 150 famílias por hectare. A área possui 6 hectares e, por isso, trabalha-se com o número de 600 unidades de habitação. • 600 unidades unifamiliares;

Dessa maneira estabelecem-se três platôs que fazem do terreno sem inclinação em sua maior parcela, facilitando o trânsito de pedestres e a criação de níveis subterrâneos para estacionamento. 6.6

IMPLANTAÇÃO DOS SUBSOLOS

6.6.1 Locação

• Área útil máxima igual a 50,00m², podendo ser acrescida em 30%, desde que garanta condições de acessibilidade e desenho universal;

A implantação de todos os itens do projeto levam em conta, primeiramente, a vegetação nativa de grande porte da área, prevendo mantê-la. Além disso, prevê-se o maior aproveitamento dos pedestres dentro do complexo, e, por isso, todo o estacionamento de moradores será implantado em subsolos.

• 01 sanitário;

• 01 vaga de estacionamento por unidade + vagas para visitantes;

A Secretaria de Planejamento da cidade de Ribeirão Preto já prevê uma diretriz viária para o local que passa dentro da área de estudo. Aproveitando-a como acesso ao complexo, a diretriz foi desviada para o limite da área, mas ainda alcança a Av. Castelo Branco.

• Destinada a população com renda de 01 a 06 salários mínimos;

• Terraço não computável 5,00m² (máximo); • Unidade com área de até 65,00m² (Desenho universal – Lei 15.358/11); • Blocos verticais de 6, 10 e 12 pavimentos (exclui o térreo). 6.5

Terreno: movimentação de terra

Na tentativa de utilizar o desnível natural do terreno ao máximo, o mesmo foi divido em quatro níveis:

6.6.2 Diretriz Viária

6.6.3 Cálculo e locação dos bolsões

Com a diretriz de 1 vaga de 2,5 x 5 m por unidade habitacional e vagas posicionadas em paralelo, foi previsto corredor de circulação de acordo com medidas do Código de Obras Municipal (Lei 2185): ”Art. 87 - As faixas de circulação de veículos deverão apresentar dimensões mínimas, para cada sentido de tráfego de:a) 2,75 m (dois metros e cinqüenta centímetros) de largura e 2,30 m. (dois metros e trinta centímetros) de altura livre de passagem quando destinadas a circulação de automóveis e utilitários. Art. 88 - Será admitida uma única faixa de circulação quando esta se destinar, no máximo, ao transito de 60 (sessenta) veículos em edificações de uso habitacional e 30 (trinta) veículos nos demais usos.”

29


Representações tridimensionais de células humanas. Fonte: Dreamstime

Base: Foto aérea do local fornecida pela Secretaria de Planejamento de Ribeirão Preto.

Desenho de estudo: implantação

6.7

IMPLANTAÇÃO GERAL: DESENHO INICIAL

Ainda inspirado no formato das células do corpo humano, a implantação geral levou em consideração áreas de convívio e que envolvessem e interligassem todos os edifícios, priorizando a escala do pedestre tanto pela ação de caminhar como pelo uso de equipamentos.

30


7 Apresentação do projeto 7.1

ar livre, espaços de descanso e atividades ao ar livre em geral.

IMPLANTAÇÃO GERAL

Considerando também tipologias com diferentes números de andares (12, 15 e 18 andares), faz-se um cálculo simples para chegar a um número de edifícios aceitável de acordo com a densidade prevista, alcançando cerca de 700 hab/hectare.

Tabela de cálculo do número de unidades habitacionais A implantação dos edifícios também considerou, além de parte da vegetação nativa que será mantida, a organização celular do partido arquitetônico , mas ainda de maneira irregular. A ideia é que os edifícios se encaixem mas de maneira aparentemente aleatória, todos rodeando uma grande área de convívio central e próximos uns dos outros, para que suas áreas do pavimento térreo, que ficam livre para a implantação de serviços ou lazer de uso comum, possam ser compartilhadas entre edifícios vizinhos. Foram levados em consideração:

• Áreas com vegetação densa: Com o intuito de filtrar os ruídos, poluição e agitação do alto fluxo de veículos da Avenida Castelo Branco e, também, aproveitando grande parte da vegetação já existente da área, foram previstas áreas de vegetação mais densa “envolvendo” parte do complexo.

A implantação e distribuição de edifícios baseou-se também em um estudo de insolação que prioriza o sol da manhã, posicionando os prédios mais baixos na direção do nascer do sol, para que houvesse menos sombras sobre os outros edifícios. O número de andares diferente de cada edifício visa tornar a implantação intuitiva e irregular, quase que espontânea.

• Principais acessos: Tanto pedestres como veículos de visitantes compartilham dos mesmos acessos principais. O intuito é de que moradores acessem o complexo através dos subsolos e então acessem a circulação mais próxima de sua torre. • Bolsões de estacionamento para visitantes/serviços: Como o complexo é extenso, vagas também foram calculadas para visitantes e prestadores de serviços de manutenção que precisem utilizar o local e, assim, espalhadas junto aos principais acessos do terreno.

Imagem microscópica de células do cérebro humano

• Áreas centrais livres: Cercadas por todos os edifícios implantados, são reservadas áreas de convívio centrais, garantindo que nenhum edifício fique sem espaços de convivência e circulação para pedestres, prevendo equipamentos como playground infantil, equipamentos esportivos como quadras, pistas de corrida/caminhada, hortas comunitárias, academia ao

Estudo de insolação matutina na implantação durante o verão

31


32


de número 7 (classificação FIFA), horta comunitária e áreas de descanso e contemplação da paisagem. Além disso, todos so pavimentos térreos dos edifícios contam com lotes reservados para serviço / comércio / institucional, que além de contribuir para o comércio de bairro, aumenta o fluxo da região, tornando a área mais segura durante o dia e principalmente durante a noite.

Perspectiva com vista da Av. Castelo Branco: Volumetria proposta Gabarito: indicação de número de pavimentos por torre implantada

7.1.1 Acessos e vagas de estacionamento para moradores

Os bolsões de estacionamento localizados nos níveis de subsolo prevêem uma vaga por morador na medida de 2,5 x 5m, contando também com 17 vagas acessíveis (uma por torre) num total de 1092 vagas, ocupando uma área de cerca de 18.000 m². O acesso dos subsolos para o nível térreo pode ser feito através de rampas ou pelos elevadores das torres.

7.1.2 Rampas de acesso internas

Além da rampa de acesso diretamente da Marginal da Av. Castelo Branco e o subsolo (marcada com o número 1 no mapa), que possui 70m de extensão a 7% de inclinação, rampas foram calculadas com a mesma inclinação de inclinação interligando os platôs previstos em projeto (representadas pelo número 3 no mapa de implantação geral). Essas rampas serão em estrutura metálica e vidro, passando por cima dos corredores verdes deixados entre cada platô, interligando-os. As extensões variam de 13 a 50m. 7.1.3 Equipamentos e serviços Os principais equipamentos implantados se localizam nas áreas de convívio social. Pela grande extensão da área, equipamentos como playground infantil e áreas de esporte ao ar livre foram locados de maneira setorizada em áreas opostas, com no mínimo duas unidades de cada, permitindo atender a todos os moradores do complexo. Além de atividades infantis e academia ao ar livre, o complexo contará com quadras poliesportivas, campo de futebol nas medidas

Perspectiva com vista da futura Diretriz viária: Volumetria proposta

Perspectiva com vista da Av. Castelo Branco: Volumetria proposta

33


7.2

VOLUME PROPOSTO: O EDIFÍCIO

O volume proposto é uma combinação de cheios e vazios nascida de uma forma de “descontrução” do hexágono. O volume se verticaliza a partir de um eixo central, que gira cada pavimento, intercalando-os, criando vazios que são cobertos por lajes do andar de cima.

Dessa maneira, o volume cria uma caixa central (circulação vertical) que é comum a todos os andares e sustenta todo o edifício. Além dela, a estrutura conta com travamentos na parede comum entre duas unidades de moradia. Além da estrutura, pontos estratégicos foram escolhidos para os shafts do edifício.

7.2.1 Estrutura Para todos os modelos projetados foi previsto uma combinação de estrutura de concreto armado e estrutura metálica. A estrutura do volume todo é composta pela caixa de circulação vertical (escadas e elevador) e volumes nela engastados, reforçados com pilares posicionados em pontos comuns de todos os blocos, normalmente em arestas (apesar da rotação criada pelos volumes).

Edifício em “raio-x”

34

7.2.2 Materialidade Apesar de ainda não representadas, prevê-se máxima iluminação e ventilação para as unidades habitacionais, contando com faces transparentes (vidros e janelas). O trabalho também é baseado em um estudo prévio de materiais utilizados na construção de HIS, com sugestões da troca de alguns desses materiais para uma menor emissão de CO2 e conceito de menor gasto de energia embutida em sua produção e transporte. Materiais estudados a serem considerados: • Alvenaria: Blocos de Gesso; • Forro: Placas em Drywall combinadas ao uso da lã de rocha como isolante térmico e acústico; • Estrutura: Estrutura metálica;

Planta baixa: estrutura


7.3

USO COMERCIAL E RESIDENCIAL

Como falado anteriormente, os edifícios prevêem em seus pavimentos térreos quatro (4) espaços voltados a serviços, comércios ou áreas institucionais, que visam atender e bairro criado e ao mesmo tempo aumentam o número de pessoas circulando pela região, demonstrando um gesto de abertura do espaço, que poderá inclusive ser ponto de lazer e serviços para o loteamento vizinho.

7.4

UNIDADES DE MORADIA

Com 60 m² e um formato assimétrico formado através do desenho do edifício, a proposta de unidade de moradia segue o conceito de expansão e divisão das células como uma metáfora de como o homem se transforma durante seu tempo de vida e, consequentemente, se sua habitação for mutável ela sempre se adaptará às mudanças e suprirá suas necessidades, como um organismo vivo. Esse conceito busca a mudança no padrão de uso da habitação de interesse social como apenas um “degrau” ou solução “temporária” para o défict habitacional. Assim, o apartamento se apresenta com apenas áreas molhadas e aberturas resolvidas, possuindo trilhos que deslocam painéis pivotantes que podem criar diferentes configurações para a mesma unidade:

Estudo de planta de unidade habitacional A proposta é de que o espaço interno seja bem iluminado e, por isso, duas das quatro paredes externas do volume são quase totalmente rasgadas por aberturas, sejam portas ou janelas. As aberturas laterais, configuradas como grandes portas de correr, são previstas em vidro e dão acesso a uma “varanda” compartilhada, com o conceito de que a expansão do espaço pode ser feita através de áreas de convívio. O projeto prevê também brises externos que correm por uma jardineira, dando ainda a opção de abertura ou fechamento total de toda a iluminação externa. Os prédios contarão com espaço de lavanderia comunitário, o que pode liberar ainda mais espaço dentro do espaço privado.

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Unidade de moradia mobilidada com a opção de dois dormitórios, cozinha e sala de estar: totalmente iluminado.

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Formas de habitar: exemplos de diferentes layouts para o mesmo espaรงo 37


8 O projeto De posse de todos os conceitos apresentados, é construído o projeto. Pavimento por pavimento, o complexo busca tornar-se um só organismo. 8.1 SUBSOLO Refletindo o desenho criado pelo pavimento térreo através dos cortes e taludes do terreno, o subsolo é divido em quatro níveis, que dão acesso direto à todos os edifícios e possuem, no total , 1098 vagas de estacionamento que medem 2.2x4.5m e 17 vagas acessíveis localizadas próximas ao acesso de cada torre. O acesso ao subsolo é feito através de uma rampa lateral ligada diretamente à Av. Castelo Branco, com quatro portões de garagem para veículos, um para cada nível de subsolo. Níveis (em relação ao ponto mais baixo do terreno): Subsolo 1: -1.55m Subsolo 2: 0,96m Subsolo 3: 3,13m Subsolo 4: 4,00 m

38


Subsolos: planta baixa Escala grรกfica indicada

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8.1 PAVIMENTO TÉRREO PLANTA BAIXA - Escala gráfica indicada Quadro de áreas Área Valor % Área total do terreno 60749,22 100,00% Áreas verdes 18558,86 30,55% Estacionamento (permeável) - térreo 26917,65 44,31% Subsolos 26850,34 44,20% Áreas reservadas para comércio, serviço ou institucionais 4420,00 7,28% Áreas residenciais (apartamentos) - 60m² 65520,00 107,85% Área construída total 70940,00 116,78%

40


8.1 PAVIMENTO TÉRREO - EDIFÍCIOS: PLANTA BAIXA - Escala gráfica indicada

Detalhe: banheiro

Detalhe: porta corta fogo

41


Detalhamentos:

Detalhe: vagas comuns e acessĂ­veis

Listagem: portas e janelas

42

Detalhe: ĂĄrea de circulacĂŁo


8.2 PAVIMENTO TIPO - EDIFรCIOS: PLANTA BAIXA - Escala grรกfica indicada

A

A

A

Detalhe: banheiro

43


44


8.3 COBERTURA: PLANTA BAIXA - Escala grรกfica indicada

CORTE AA

45


8.4

ELEVAÇÃO

36.00 33.00 30.00 27.00 24.00 21.00 18.00 15.00 12.00 9.00 6.00 3.00 0.00

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Referências bibliográficas ABIKO, A. K. Introdução a Gestão Habitacional. Escola Politécnica da USP. Departamento de Engenharia de Construção Civil. São Paulo, 1995, p.11-12. Disponível em: < http://www.pcc.usp.br/ files/text/publications/TT_00012.pdf>. Acesso em: 16 de março 2015. CAIXA ECONÔMICA FEDERAL. Cadernos Caixa: Projeto padrão – casas populares, 2006. Disponível em: <http://www.diretorio. ufrj.br/aurelionogueira/materialdeapoiograduacaoebabar/estudograduacaoeba_arquivos/casa_37m2.pdf>. Acesso em: 12 de março 2015. CAIXA ECONÔMICA FEDERAL. Demanda Habitacional no Brasil. Brasília, 2012. p. 13-22 Disponível em: <http://downloads.caixa. gov.br/_arquivos/habita/documentos_gerais/demanda_habitacional.pdf>. Acesso em: 07 de set. 2013. COSTA, LÚCIO Sobre Arquitetura, Porto Alegre, Editora José Olympio, 2003, 1962. LEMOS, CARLOS A.C. O Que é Arquitetura. Brasília, Editora Brasiliense, 2003. PERRET, AUGUSTE Contribution à une théorie de l’architecture, Paris, 1952. WESTMANN, FLAVIO Arquitetura Holística, Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) Mackenzie / USP São Paulo, 1993. ZEVI, BRUNO Saber ver Arquitetura, 5ª edição, São Paulo, Martins Fontes Editora Ltda., setembro de 1996, 1984.

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Arquitetura e a unidade de moradia celular  

Trabalho de conclusão de curso - Arquitetura e Urbanismo

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