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R$ 11,00 - Ano 23 - nº 1.183 9 a 15 de setembro de 2015

Após Londres e Cidade do Cabo, projeto da PANROTAS seguiu à Riviera Maya, no México, para quatro semanas de imersão no idioma espanhol > PANROTAS Destinos


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9 a 15 de setembro de 2015 JORNAL PANROTAS

Check-IN “

Não é possível voar a baixo custo pagando altos salários

LEIA NESTA EDIÇÃO

Carsten Spohr, CEO do grupo Lufthansa, em mais uma dura rodada de negociações com os sindicatos de pilotos, que ameaçam a 14ª greve em 15 meses

Páginas 04 e 06

Gapnet e MMTGapnet lançam ferramentas em evento Sammy Nego, presidente executivo da Condor Travel e futuro CEO e diretor do novo grupo formado pela Condor e Nuevo Mundo, operadoras peruanas compradas pelo Grupo Carlyle (também dono da CVC)

> PANROTAS 27/8 a 2/9

1 Esposa de Sávio Neves é assassinada em assalto no Rio – em 2/9

2 Confira 20 perfis e pessoas que valem a pena seguir na web – em 28/8

abrem vagas; confira – em 27/8

Junto com a Nuevo Mundo e graças ao knowhow e alcance global da Carlyle, conseguiremos um crescimento acelerado no mercado local e internacional

4 CVC oficializa compra da Rextur Advance – em 31/8

5 Em dia histórico CVC fecha compra de segunda empresa – em 31/8

6 Operadora Viagens Master contrata Cleiton Feijó – em 27/8

7 Novela da Globo será gravada na Austrália; saiba mais – em 27/8

8 Com empréstimo, Gol chega a R$ 3,5 bi em caixa – em 1/9

9 CVC, Beto Carrero, Maringá e muito mais contratam; confira – em 2/9

O segmento de negócios e eventos merece atenção diferenciada, pois movimenta mais do que o dobro de recursos que o turismo de lazer. Perdemos muito tempo procurando os caminhos. Agora que conhecemos, vamos recuperar este Vinicius tempo

Lummertz, presidente da Embratur

DO PORTAL

3 CVC, Alatur, Rextur Advance e mais

Página 07

Escolha do hub Nordeste da Latam entra na reta final

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E U Q A DEST

10 Qatar Airways é condenada por discriminar aeromoças – em 27/8

11 BRT Operadora anuncia 33 vagas em sete Estados – em 28/8

12 Luiz Caldas celebra 30 anos de axé e do Tivoli Ecoresort – em 29/8

13 Aposentados e pensionistas da Varig e TR vão receber – em 1/9

14 As 20 melhores (e mais difíceis) trilhas do mundo – em 28/8

15 Gabriella Cavalheiro não está mais na Trend Operadora – em 31/8

E d i t o r i a l > Artur Luiz Andrade > artur@panrotas.com.br Páginas 08 e 09

Novotel chega à Barra da Tijuca, no Rio

Páginas 14 e 15

Tivoli Ecoresort Praia do Forte completa 30 anos com festa

Viajando pelo Brasil Alguns resorts e destinos nacionais já sentem claramente o efeito do dólar alto. Ninguém quer deixar de viajar. Tirar férias, além de um prazer, de um benefício para corpo e alma, é obrigatório no País. Se a instabilidade assusta, é a hora de olhar com cuidado para nosso variado mas pouco criativo País. Sim, temos muitos cenários únicos, uma hospitalidade que emociona, e uma incrível diversidade. Mas os produtos tendem a ser muito parecidos. E viajar com a família não é o mesmo do que a dois, ou com amigos, sozinho, em grupo de desconhecidos... Essa é a hora, portanto, de destinos e empreendimentos mostrarem seus diferenciais, colocarem campanhas nas ruas. O brasileiro vai viajar pelo Brasil. Mas irá para o seu hotel? Para a sua cidade? Na esfera pública, a crise e o contingenciamento do governo federal aper-

tam as contas de muitos, e, como ainda alguns líderes políticos não veem o turismo como um dos principais motores da economia, haverá pouca exposição e oportunidades perdidas. Quem conseguir priorizar o turismo pode ter um verão como há muito não se via. Na iniciativa privada, arrumar a casa é obrigação, mas cortar investimentos e o marketing inteligente, sabemos, não é a solução. Alguns já viram isso, voltaram seus canhões em direção ao Brasil e conseguirão atrair quem por ventura venha a desistir de ir ao Exterior. A América do Sul, cujos países também tiveram suas moedas desvalorizadas (ou seja, estão mais em conta), deve se beneficiar desse movimento temporário de fuga das longas viagens internacionais. E ainda o Brasil deveria atrair mais estrangeiros, mas isso dependeria de uma política de promoção consisten-

te... que não há. A cada governo, é um tal de para tudo e vamos recomeçar que realmente não dá para ter colheitas previsíveis. Mas e as viagens ao Exterior? Vão cair drasticamente? Apostamos que não. Sim, o brasileiro está gastando menos lá fora, adiando viagens, mas esse desejo de uma nova etapa em seu histórico de viagens continua. As companhias aéreas estão ajudando. Falta maior engajamento dos serviços terrestres internacionais. Mostrar que ainda vale a pena e que as experiências continuam incríveis. Assim, todos ganham e mostramos mais uma vez aos governos a força do turismo. Quanto às viagens corporativas, mais atingidas pela crise, já há quem veja um segundo semestre melhor, e um março de 2016 com uma energia bem mais positiva.


03 Expediente

#FICADICA VITRINE DE FOTOS

PRESIDENTE José Guillermo Condomí Alcorta DIRETOR EXECUTIVO José Guilherme Condomí Alcorta DIRETORA INTERNACIONAL Marianna C. Alcorta DIRETORA DE MARKETING Heloísa Prass DIRETOR DE TI Ricardo Jun Iti Tsugawa

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REDAÇÃO Editor-chefe: Artur Luiz Andrade (artur@panrotas.com.br) Editores: Alex Souza (alex@panrotas.com.br) e Renê Castro (rcastro@panrotas.com.br) Editor Rio de Janeiro: Diego Verticchio (diego@ panrotas.com.br) Reportagens: Claudio Schapochnik, Danilo Alves, Henrique Santiago, Rodrigo Vieira, Hugo Okada, Karina Cedeño, Luiza Gil (estagiária) e Roberta Queiroz (estagiária) Fotógrafos: Emerson de Souza e Marluce Balbino MARKETING Assistente: Erica Venturim Marketing Digital: Sandra Gonçalves PRODUÇÃO Coordenação: Alice I. Rezende (alice@panrotas.com.br) Gerente de Produção: Newton dos Santos (newton@panrotas.com.br) Diagramação e tratamento de imagens: Kátia Alessandra, Marilani Pistori e Pedro Guilherme Moreno Querim Projeto Gráfico: Graph-In Comunicações COMERCIAL Executivos: Angela Chamma (angela@panrotas.com.br) Paula Monasque (paula@panrotas.com.br) Priscilla Ponce (priscilla@panrotas.com.br) Ricardo Sidaras (rsidaras@panrotas.com.br) Tais Ballestero de Moura (tais@panrotas.com.br) Analista Adm. de Vendas Nathália Falcão (nathalia@panrotas.com.br) EXECUTIVO SÊNIOR DE RP Antonio Jorge Filho (jorge@panrotas.com.br) FALE CONOSCO Matriz: Avenida Jabaquara, 1761 – Saúde São Paulo - Cep: 04045-901 Tel.: (11) 2764-4800 Brasilia: Flavio Trombieri (new.cast@panrotas.com.br) New Cast Publicidade Ltda SRTVS - QD 701 - BL. k - Sala 624 Ed. Embassy Tower - Cep: 70340-908 | Tel : (61) 3224-9565 Rio de Janeiro: Simone Lara (sblara@seasoneventos.tur.br) Season Turismo e Marketing e Esportes Ltda R. Gal. Severiano, 40/613 - Botafogo | Cep: 22290-040 - Rio de Janeiro - RJ Tel: (21) 2529-2415 / 8873-2415 ASSINATURAS Chefe de Assinaturas: Valderez Wallner O Jornal PANROTAS é vendido somente por assinatura. Para assinar, ligue no (11) 2764-4816 ou acesse o site www.panrotas.com.br Assinatura anual: R$ 468 Impresso na Lis Gráfica e Editora Ltda. (Guarulhos/SP)

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Eventos

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> Karina Cedeño — Belo Horizonte e Costa do Sauípe (BA)

Integração Máxima O GRUPO GAPNET PROMOVEU NO MÊS PASSADO, EM SÃO PAULO E BELO HORIZONTE, O WORKSHOP CARIBE. NA COSTA DO SAUÍPE (BA), A COMPANHIA REALIZOU SEU ENCONTRO ANUAL NORTE E NORDESTE. Um dos principais destaques nos eventos foi o lançamento de duas ferramentas voltadas aos agentes de viagens. Uma delas é a Hotelair, com foco no corporativo, que tem o objetivo de facilitar a venda de passagens aéreas e hotéis com preços e condições especiais, por meio de um único sistema de busca. “Geralmente, as ofertas encontramse separadas, e este sistema as integra por meio de um mecanismo, a exemplo de um carrinho de compras”, explica um dos sócios-diretores da Gapnet, Rui Alves. Testada em cinco agências de viagens, a ferramenta será utilizada em mais dez antes de ser disponibilizada ao mercado em geral, o que deverá acontecer entre este mês e o próximo, quando serão inclusos carros e serviços na plataforma, de acordo com o CEO da MMTGapnet, Sylvio Ferraz. A outra novidade apresentada é a Travel World System (TWS), que ofe-

Rui Alves (Grupo Gapnet), Sylvio Ferraz, Arnaldo Franken (ambos da MMTGapnet), Jorge Souza (Grupo Gapnet) e Wilson Silva (Gapnet)

recerá aos agentes a possibilidade de criação do próprio site de suas empresas, podendo utilizá-lo como desktop ou divulgá-lo para o mercado. “As ferramentas se adaptam ao perfil do agente, seja lazer ou corporativo, e a maneira de administrar a página também é flexível: o agente

escolhe se quer gerenciar ou se prefere que o Grupo Gapnet faça a divulgação”, afirma Ferraz. De acordo com ele, já há alguns agentes usando a TWS, que pode ter um custo ou não, dependendo do grau de fidelização do agente com a MMTGapnet.

CARIBE

Em São Paulo, o Workshop Caribe reuniu 40 expositores, entre destinos, hotéis e companhias aéreas, além de 700 agentes de viagens, sendo 500 da capital paulista e os demais do interior e outros Estados. Além das rodadas de negócios e palestras, os participantes puderam conferir novidades de destinos como Turkeys & Caicos e Santa Lucia, presentes pela primeira vez, além dos já tradicionais Cancun e República Dominicana, líderes de vendas na MMTGapnet. Participaram também países e ilhas em ascensão como Cuba, Aruba, Curaçao, St. Maarten e St. Martin. O Workshop Caribe chega em um momento mais do que oportuno ao mercado brasileiro, na opinião do diretor de Marketing, Promoção e Eventos do Grupo Gapnet, Jorge Souza. “Os pacotes agora estão mais baratos do que estavam antes da alta do dólar no Brasil. Cientes da situação econômica do País, hotéis e aéreas estão com promoções agressivas na região caribenha e, na hora de converter, o preço fica abaixo da média. A alta da moeda norte-americana afeta vários destinos, mas a maioria do Caribe está mais barata, muitas vezes com pacotes abaixo de US$ 1 mil no modelo all inclusive”, explica Souza. No dia 20 de agosto, foi a vez de Belo Horizonte receber o evento, no hotel Mercure Lourdes. A capital mineira está entre os três principais mercados da MMTGapnet, junto com São Paulo e Campinas. “Queremos que os agentes de viagens da região tenham ainda mais proximidade com o destino e conheçam novidades como Santa Lucia e Turks & Caicos, por exemplo. Cuba > Continua na pág. 06


venha para a Patagonia

© Claudio Fierro D

- Chile e se não... venha para o Chile

© Andrea Barría

Costanera, Estreito de Magalhães / Caiaque no Lago Grey , Última Esperança

Se você quer desafiar a aventura acompanhado,

www.chile.travel/patagonia www.patagonia-chile.com


< Continuação da pág. 04

remos desenvolver ainda mais este produto”, afirma Ferraz, ressaltando que a operadora está presente em Belo Horizonte há oito anos e conta com 600 agências mineiras cadastradas. Por meio da promoção destes eventos, a MMTGapnet espera incremento de 10% no volume de vendas de Caribe, o segundo principal produto do internacional da empresa junto com a Europa, cada um com 20% de share - o primeiro lugar é dos Estados Unidos, com cerca de 40%. Para os próximos anos, a ideia do Grupo Gapnet é tornar o workshop itinerante. “Em 2016 os agentes de viagens de outras grandes cidades devem ter acesso a essa capacitação”, revela Jorge Souza. “Porto Alegre, Florianópolis, Rio de Janeiro... ainda estamos estudando. Isso sem contar que ainda há a possibilidade de levar o evento para algum destino caribenho nas próximas temporadas, assim os agentes podem sentir in loco o quanto esse produto é incrível.”

ENCONTRO COMERCIAL Dois dias depois do workshop em Belo Horizonte, o Grupo Gapnet se reuniu na Costa do Sauípe, na Bahia, para a sétima edição do Encontro Comercial Norte e Nordeste. Cerca de 320 agências de viagens marcaram presença, sendo 160 convidadas pela MMTGapnet e 160 pela Gapnet. “Nosso intuito com este evento é estreitar a parceria com os agentes de

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Equipe MMTGapnet e Gapnet junto aos agentes de viagens que participaram das atividades na praia em Sauípe

viagens e facilitar a relação deles com o consumidor final. A região Nordeste se destaca com a venda de destinos na Europa, América do Sul, Estados Unidos e em especial Serra Gaúcha, no Brasil, enquanto o Norte tem vendas expressivas do destino Caribe”, afirma Sylvio Ferraz. Segundo ele, a operadora está presente na região Nordeste com escritórios em Salvador, Natal, Fortaleza, São Luís, Aracaju, Maceió, Recife e João Pessoa, e nas cidades de Manaus e Belém, no Norte do País. O sócio-diretor do Grupo Gapnet, Rui Alves, também destacou a relevância da região para o grupo. “O Nordeste foi a região que mais cresceu economicamente no Brasil, nos últimos anos, e temos a visão de que é importante acompanhar este crescimento”, complementou.p

--- O Jornal PANROTAS viajou a convite da MMTGapnet

O representante da República Dominicana, René Contreras, entre as representantes de resorts do país: Mari Magalhães, do Oasis, Ângela Martinez, do Barceló, Ismenia Rodriguez, do Majestic, Glaucia Barbosa, do Posadas, e Alessandra Savoia, do Bahia Príncipe

As rodadas de negócios permaneceram cheias durante o evento em BH

O diretor de Marketing, Promoção e Eventos do Grupo Gapnet, Jorge Souza, a diretora de Promoção Turística da Belo Horizonte Turismo (Belotur), Stella Kleinrath, e o CEO da MMTGapnet, Sylvio Ferraz

Claudio Pedroza e Rose Florêncio (ambos da Gapnet) junto à equipe de agentes de viagens de Fortaleza e Teresina

Diana Pomar, do Conselho de Promoção Turística do México (CPTM), e o diretor de Marketing, Promoção e Eventos do Grupo Gapnet, Jorge Souza


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Aviação

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> Antônio Roberto Rocha

Hub do Nordeste O GRUPO LATAM CONVIDOU OS GOVERNADORES DE PERNAMBUCO, RIO GRANDE DO NORTE E CEARÁ PARA REUNIÃO NO PRÓXIMO DIA 17, NA SEDE DA TAM, EM SÃO PAULO. O tema será o hub que a empresa pretende instalar no Nordeste no próximo ano. A companhia vai apresentar o resultado do estudo técnico realizado por duas empresas internacionais de consultoria. O relatório aponta os prós e contras de cada Estado. O resultado oficial não sairá nesta reunião (será anunciado em dezembro), mas é provável que os governadores saiam com um panorama sobre as possibilidades reais de sediar o hub. Vale lembrar que as reuniões entre representantes da Latam e os governadores serão separadas, mas todas ocorrerão no dia 17 de setembro, no mesmo local. A guerra travada pelos concorrentes tem novos capítulos a cada dia. No último dia 2, foi anunciado que Pernambuco receberá do governo federal um terreno da Base Aérea para aumentar a área do Aeroporto dos Guararapes. De acordo com os principais jornais e portais cearenses, o mesmo acontecerá em Fortaleza, cujo Aeroporto Pinto Martins também será beneficiado com área pertencente ao Governo Federal. Tais concessões incomodam o Governo do Rio Grande do Norte, que acredita em decisão técnica e não precisa de área aeroportuária (tem de sobra), mas de verbas para concluir os dois acessos e a própria sinalização ao aeroporto Aluízio Alves, em São Gonçalo do Amarante.

GUERRA POLÍTICA

A possibilidade de cessão do terreno da Fab para ampliação do Ae-

roporto Internacional dos Guararapes, no Recife, não repercutiu bem nos outros dois Estados concorrentes ao hub da Latam. Por que tal privilégio? Indagaram autoridades, trade turístico e a própria imprensa de Natal e Fortaleza. Estaria virando uma “guerra política” este importante centro de conectividade aérea, de logística e de distribuição e armazenamento de carga no Nordeste? Rio Grande do Norte e Pernambuco, por sua vez, também estranharam o fato de, há três meses, o Aeroporto Pinto Martins, em Fortaleza, entrar no rol de privatizações na última hora, o que — segundo a Latam — seria um ponto favorável na disputa pelo hub, pois evitaria a interlocução com a carga de burocracia inerente à Infraero. Se a escolha for realmente técnica, como garantiu a própria presidente da Tam, Cláudia Sender, durante várias entrevistas, e se prevalecerem os estudos já realizados por duas empresas de consultoria internacional, tem Estado que considera que “já levou”. O secretário de Turismo, Esporte e Lazer de Pernambuco, Felipe Carreras, enviou ofício ao presidente da Embratur, Vinicius Lummertz, condenando uma afirmação que o mandatário do instituto teria feito em um evento realizado em Natal, colocando-se a favor da instalação do hub da Latam no Rio Grande do Norte. “Desta forma, fica explicitado o meu descontentamento, bem como de todos os pernambucanos. Contamos com o seu bom senso em fazer uma retratação pública, afinal, o seu pronunciamento vai à contramão do que está sendo feito em prol da união dos Estados nordestinos”, escreveu Carreras. 


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Hotelaria

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>Diego Verticchio

Novotel na Barra

PRINCIPAL POLO DE INVESTIMENTO DO RIO DE JANEIRO NA ATUALIDADE, A BARRA DA TIJUCA VEM AOS POUCOS GANHANDO SOTAQUE FRANCÊS. Quatro meses após inaugurar o Gran Mercure Riocentro, a francesa Accor abriu o Novotel Barra da Tijuca. “Não há outra região no mundo onde estamos investindo tanto quanto no Rio”, afirmou o CEO da Accor Hotels para América do Sul, Patrick Mendes, referindo-se aos 20 empreendimentos do grupo na cidade e aos planos de abrir mais 20 no Estado até 2018. Outra novidade da rede no bairro da Zona Oeste carioca será a inauguração de um Ibis no ano que vem. Diferentemente de alguns hoteleiros, que enxergam com preocupação o grande número de hotéis na Barra, Mendes vê o fato com bons olhos. “A Barra da Tijuca se tornou um

Luiz Rodrigues, do Centro Serra Emprendimentos, José Loureiro, da Galwan Construtora, Patrick Mendes, da Accor, e Luis Oswaldo Lopes, da Performance Incorporadora

destino à parte do Rio de Janeiro. Hoje, quem vem à Barra não quer ir ao Centro e vai no máximo à Zona Sul. O hóspede da Barra, seja a ne-

gócio ou lazer, fica no bairro e explora os atrativos que toda a região tem a oferecer”, analisa o CEO. Hoje, a Accor conta com seis em-

preendimentos no bairro — quatro em frente à praia. Ao contrário dos demais hotéis, que estão localizados nas extremidades da orla, o Novotel Barra da Tijuca se encontra em frente ao Posto 7, bem no meio da praia. A localidade, segundo Mendes, é o ponto-chave. “Este hotel está muito próximo de qualquer ponto no bairro. Daqui é possível chegar em poucos minutos na Cidade da Música ou Riocentro”, disse. Fruto de uma parceria entre Funcef, Performance e Centro Serra Empreendimentos, e construído pela Galwan Construtora, o hotel recebeu investimentos de R$ 71 milhões. A Accor é administradora pelos próximos 15 anos. O hotel tem 234 apartamentos e é considerado o maior Novotel da cidade, também o terceiro maior (em número de quartos) do Estado do Rio.


09 São 12 andares. Em cada um há, no mínimo, um quarto para portadores de necessidades especiais. As unidades habitacionais estão divididas em quatro categorias: suítes (com dois quartos, ambos vista mar), twin (para até dois solteiros — com vista mar e lateral), queen (para casal — com vista mar e lateral) e queen família (com uma cama de casa e sofá cama para duas pessoas – com vista mar e lateral). Além das camas, o que diferencia os quartos é a vista. Dentro deles o Novotel Barra da Tijuca é praticamente padronizado, com ar condicionado, TV com canal a cabo, wi-fi gratuito, minibar, cofre e bancada

UM A CADA

DEZ DIAS A AMÉRICA DO SUL É A BOLA DA VEZ PARA A ACCOR. EM 2015, A REDE ESTÁ COM A MÉDIA DE UM NOVO HOTEL A CADA DEZ DIAS. Até o momento

já foram abertos 19 empreendimentos no continente, com grande destaque para o Rio de Janeiro — até dezembro, outras 14 unidades serão inauguradas, totalizando 35 empreendimentos. “Enquanto o País fala em crise, nós seguimos investindo. O momento é bom, de segurança na economia e de grande potencial para investimento e por isso estamos investindo e acreditando não só no País como na América do Sul”, falou o CEO da Accor Hotels para América do Sul, Patrick Mendes. O Brasil é o foco principal, mas outros três países seguem atraindo atenção da rede. São eles: Colômbia, Chile e Peru. “Também estamos de olho na Argentina, mas esses citados são nossos principais focos neste momento devido ao bom momento que cada um passa”, concluiu.

Um dos novos apartamentos do Novotel Barra

de trabalho. Fazendo jus à padronização, o empreendimento traz o Restaurante e Bar 365, presente em todas as unidades da marca no mundo. O restaurante está aberto para café da manhã, almoço e jantar, e há room service por 24h. O Novotel Barra da Tijuca conta ainda com serviço de manobrista e garagem, área de convenção com dez salas, sendo seis para reuniões e quatro salas modulares — a capacidade total é de 500 pessoas. No rooftop o hotel oferece piscina com vista total para a praia, academia, sauna e um bar, que funciona até o pôr do sol (ou fechamento da piscina). p

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Fachada do Novotel Barra


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Assistência de viagens: baixo custo para um benefício incalculável

Celso Guelfi Presidente da GTA

Planejar as férias ou aquela viagem dos sonhos, que muitas vezes consome as economias de toda uma vida, é uma necessidade real, pelo menos para aqueles que desejam que tudo corra bem, na mais perfeita ordem, sem o mínimo de contratempos. Uma vez determinado o destino, pesquisar hotéis, passeios, atrações turísticas, meios de transporte e restaurantes passa a ser tão divertido e prazeroso quanto a viagem em si. Mas nesse quesito, também deveria constar a pesquisa sobre contratação de assistência de viagem. E por que eu digo isso? Uma recente pesquisa mostrou que 65% dos brasileiros não contratam nenhum tipo de assistência de viagem ou seguro quando vão para o Exterior. A organização da viagem inteira sempre é feita sob os mínimos detalhes, mas é falha no quesito prevenção. Claro que ninguém quer planejar uma viagem já pensando que alguma coisa pode dar errado. Os viajantes não escolhem hotel pela proximidade de um hospital ou reserva passagens aéreas tendo em mente que a bagagem pode fazer um tour em outro continente. Muito menos querem desembolsar seu dinheiro suado para bancar uma situação hipotética que pode nem vir a se concretizar. O que não se pode fazer é fechar os olhos para o fato de que imprevistos sempre podem ocorrer ao longo da viagem, sejam pequenos ou drásticos. É aí que muitos descobrem o quanto a realidade pode ser cruel e acabam acumulando dívidas e dores de cabeça, que poderiam muito bem ser evitadas se houvessem contratado algum tipo de proteção. Querer economizar numa hora dessas é incoerente, pois o custo de uma assistência de viagem é extremamente acessível. Por outro lado, as despesas com atendimento médico particular em terras estrangeiras são exorbitantes. Para se ter uma ideia, um atendimento médico-hospitalar nos Estados Unidos custa, no mínimo, US$ 3 mil. Se houver cirurgias e procedimentos complexos, o valor final pode variar de US$ 30 mil a 100 mil. Já um atendimento odontológico simples pode custar € 200 para quem estiver na Europa. Exames de sangue e raios-X variam de US$ 200 a US$ 700 nos Estados Unidos, enquanto na Europa saem entre € 150 e € 500. A conta, no final, pode chegar a níveis estratosféricos. O que muitos viajantes fazem é usu-

fruir do seguro de viagem oferecido pelas empresas de cartões de crédito. É importante destacar, neste ponto, que há uma diferença entre seguro e assistência de viagem, o que gera muitas dúvidas e confusões entre os consumidores. O seguro funciona na forma de reembolso das despesas que estejam previstas na apólice. Em uma eventual necessidade, o consumidor deve pagar pelos serviços e, quando regressar de viagem, solicitar o reembolso, o que requer disponibilidade financeira para arcar com as eventualidades. Já ao adquirir uma assistência de viagem, o cliente conta com todo o pacote de serviços e benefícios ofertados pelo plano contratado, sem precisar arcar com nenhuma despesa. O mais importante, acima de tudo, é analisar, com cuidado, o tipo de plano mais adequado ao perfil da viagem e ao estado de saúde do viajante. Além dos planos direcionados aos países que exigem a contratação de seguro, há planos específicos para viagens de lazer, esportistas, cruzeiros, intercâmbios, corporativos e até para terceira idade e doenças pré-existentes. É essencial verificar minuciosamente as coberturas e exclusões antes de fechar o contrato, assim como averiguar qual seguradora está por trás do contrato. Outro ponto preponderante é escolher uma assistência que ofereça atendimento em português. Imagine ter que explicar um problema de saúde, relatar os sintomas e entender as recomendações em uma língua que não se domina. Numa situação em que o turista já está fragilizado emocionalmente, isto é desanimador. Também vale conferir se o plano adquirido possui cobertura por evento, ou seja, a cada eventualidade que ocorrer, o cliente terá o valor integral da cobertura contratada para cuidar da ocorrência. De acordo com a Federação Nacional de Previdência Privada (Fenaprevi), o mercado de assistência de viagem cresceu 45,18% em 2014. Em viagens corporativas, as vendas registraram um aumento de 5,1%, segundo a Associação Brasileira de Agências de Viagens Corporativas (Abracorp). Os números atestam a crescente preocupação do viajante com prevenção e segurança. Mas também há um grande caminho a percorrer, um vasto nicho de mercado ainda a explorar e milhares de clientes a conquistar.p


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1. Caravanas rodoviárias Para os agentes de viagens do interior paulista que desejam participar das caravanas rodoviárias há opções a partir de oito cidades (Bauru, Campinas, Franca, Presidente Prudente, Ribeirão Preto, Santos, São José do Rio Preto e São José dos Campos), com saídas em diversas datas e horários, além de opções de pernoite para destinos específicos, que podem atender também localidades do entorno. Para participar, basta acessar o site do evento, clicar no ícone “caravanas rodoviárias”, selecionar a entidade da qual o agente de viagens é associado ou sinalizar que não é associado e preencher a ficha de inscrição. As caravanas rodoviárias são gratuitas. 2. Caravanas aéreas Há vagas também nas caravanas aéreas organizadas pelas Abavs estaduais, também patrocinadas pela Federação Brasileira de Hospedagem e Alimentação (FBHA), e para preenchê-las na totalidade o prazo de inscrições gratuitas foi prorrogado até 8 de setembro. Os associados à Abav poderão realizar suas inscrições online ou presencialmente na feira, gratuitamente, com direito a solicitação de cinco ADs 90 por CNPJ. As caravanas já incluem pernoites em hotéis. Já os profissionais associados a uma das sete entidades congêneres têm direito à solicitação de duas ADs 90 por CNPJ. 3. Transfers Além do transporte e da hospedagem, os profissionais do setor também contarão com transfers até o local da feira. O transporte para o Anhembi parte de três pontos diferentes da cidade de São Paulo: Aeroportos de Congonhas e Guarulhos, com opções de hora em hora, e do Terminal Rodoviário do Tietê, com saída a cada 15 minutos.

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poucas semanas do início da 43ª Abav Expo Internacional de Turismo, que se realizará entre 24 e 26 de setembro, no Pavilhão de Exposições do Anhembi, na capital paulista, as expectativas para a maior e melhor feira do setor de viagens e turismo da América Latina e do Hemisfério Sul já empolga os organizadores com seus números. São mais de dez mil profissionais previamente inscritos, 1,2 mil hosted buyers internacionais e nacionais confirmados e expectativa de público de 42 mil visitantes. Diferentemente das duas últimas edições, a feira deste ano tem os três dias dedicados exclusivamente aos profissionais do setor. Com isso, a organização preparou uma programação mais do que especial para a data. “Sabemos que para alguns agentes de viagens por vezes é difícil deixar o expediente no horário regular. Por esse motivo postergamos o início do evento de quarta para quinta-feira e inserimos o sábado na programa-

ção. Ainda pensando no público que só poderá visitar a feira no sábado, desenvolvemos uma programação bem elaborada também na Vila do Saber, que tem como âncora o Congresso Abav de Turismo”, afirma Antonio Azevedo, presidente da Abav Nacional. O Congresso Abav de Turismo, patrocinado este ano pelo Sebrae, Senac, Fecomércio-PR e Ministério do Turismo, também funcionará nos três dias. Temas de relevância serão debatidos nas cinco salas, subdivididas em: negócios, conhecimento, relacionamento, destino e plenárias. Entre alguns dos assuntos em pauta no sábado, por exemplo, estão: turismo LGBT, sustentabilidade em viagens, educação fora do Brasil, big data, mobile e a segurança de compras em viagens, relações públicas e mídias sociais, turismo rodoviário, central de atendimento, turismo acessível, festividades regionais, papel das operadoras e o seu relacionamento com as agências de viagens, ferramentas digitais, entre outros.


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Eventos

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> Claudio Schapochinik — Porto Seguro (BA)

Show Tour Um dos principais destinos turísticos do País, a cidade baiana de Porto Seguro passou a integrar a lista de municípios com evento profissional de turismo. A ABIH-BA Regional Extremo Sul e a Associação Comercial e Empresarial de Porto Seguro (Aceps), com apoio da Prefeitura Municipal e do Sebrae-BA, organizaram e realizaram o 1o Festival de Turismo e Negócios de Porto Seguro —Show Tour. O evento ocorreu nos dias 21 e 22 de agosto no Arraial d’Ajuda Eco Resort. “Um dos principais polos turísticos do País precisava criar uma identidade de um grande encontro de turismo, com rodada de negócios”, explica sobre a iniciativa o membro da Acep e delegado regional da Abav-BA em Porto Seguro, Geovson Magno. O Show Tour teve palestras, feira de produtos, equipamentos e serviços para o setor hoteleiro e uma Rodada de Negócios, com a participação de aproximadamente 220 empresas

de Porto Seguro e região. Segundo os organizadores, ocorreram 185 encontros. “A economia gerada está estimada em R$ 1,8 milhão, o que seria gasto com viagens, alimentação, estandes, aéreos, hospedagens, deslocamentos etc”, destaca Magno. “Trouxemos mais de 20 representantes de operadoras associadas à Braztoa para conhecer e conversar com os empresários da rede hoteleira, de receptivos e atrações”, emenda o ABIH-BA Regional Extremo Sul, Wilson Spagnol. “Queremos aproximar o trade com a cidade”, afirma a prefeita de Porto Seguro, Claudia Oliveira. “O Showtour não só superou nossas expectativas, bem como gerou agendamentos para a segunda edição, que já tem data marcada”, diz Magno.

AGENTES DE VIAGENS No próximo Show Tour — dias 19 e 20 de agosto de 2016 —, a organização

A prefeita de Porto Seguro, Claudia Oliveira, participa da abertura do Show Tour

fechou parceria com a Abav-BA. Objetivo: trazer agentes de viagens para participar da Rodada de Negócios e conhecer a região de Porto Seguro. “A pretensão é convidarmos cerca de 1,5 mil agentes, além de operadoras e imprensa especializada”, estima Magno. O presidente da Abav-BA, José Al-

ves, presente no Show Tour, aprovou a parceria com a organização para trazer os agentes. Alves também aproveitou para apresentar formalmente duas delegacias regionais da associação. “A Bahia é muito grande, e aprovamos no conselho a criação das duas delegacias para prestigiar mais os nossos associados: em Porto Seguro, com jurisdição entre Ilhéus e Prado, e Lençóis, com atuação em toda a região da Chapada Diamantina —áreas onde a indústria turística é muito desenvolvida e forte”, justifica Alves. Os delegados da Abav-BA são Geovson Magno, da Coconut Tours Receptivo, em Porto Seguro, e Ofer Mauhnoom, da Zen Tur, em Lençóis. “Ofer assume oficialmente em outubro”, finaliza Alves. p

O delegado regional da Abav-BA em Porto Seguro e membro da Associação Comercial e Empresarial de Porto Seguro, Geovson Magno, e o presidente da AbavBA, José Alves

--- O Jornal PANROTAS viajou a convite da ABIH-BA Regional Extremo Sul, com hospedagem no La Torre Resort All Inclusive


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Hotelaria da cidade se moderniza Os hotéis, os resorts e as pousadas de Porto Seguro estão se modernizando ou se readequando de olho na mudança do perfil do hóspede e/ou se adaptando à economia do País. Essa é a opinião do gerente adjunto da Unidade Regional Teixeira de Freitas do Sebrae-BA e diretor financeiro do Porto Seguro Convention Bureau, Enivaldo Piloto Santos. “Nos últimos cinco anos, algumas pousadas no centro fecharam, outras mantiveram a hospedagem mas transformaram parte da área em loja ou galeria de arte”, afirma Piloto. “Em relação aos hotéis, observamos uma expansão para a orla, inclusive com a construção, reforma e ampliação de empreendimentos”, analisa ele. “Outro ponto a salientar, muito importante, é que há, sim, um movimento dos hoteleiros na melhor qualificação dos serviços e no treinamento e capacitação de seus recursos humanos.”

NOVIDADES

O La Torre Resort All Inclusive recentemente agregou dois novos serviços: inaugurou um restaurante à la carte e uma copa para atender crianças de até dois anos. “Agora os hóspedes têm a opção de saborear uma refeição completa de alto nível, à la carte, em um ambiente muito bonito”, afirma diretor geral do La Torre, Luigi Rotunno. O hóspede tem direito a jantar uma vez no local durante o período de hospedagem. “Basta fazer a reserva na sala de atendimento do Guest Service e escolher um dos dois turnos, às 19h30 e às 21h30”, explica Rotunno. O local recebe pessoas acima de 12 anos de idade. A copa para os bebês e as crianças funciona 24h, tem poltronas de amamentação e equipamentos para que as mães preparem os alimentos. “Esse tipo de atenção está cada vez mais presente no hotel”, destaca Rotunno. A Rede Soberano, dona de cinco hotéis na cidade, abrirá a sexta unidade no final do ano. “Será o Portal Ville, com 30 apartamentos, e investimento de cerca de R$ 3 milhões”, diz o sócio-diretor da empresa, Vinicius Oliveira. “Há deman-

da aqui na cidade e acredito que será mais um empreendimento de sucesso”, diz Oliveira. O Arraial d’Ajuda Eco Resort vai oferecer um novo restaurante aos hóspedes, com expectativa de abertura em dezembro. “Será o Buranhém, com espaço para 250 pessoas”, explica a gerente de Eventos, Beth Machado. Com a casa pronta, o atual Restaurante Buranhém, que fica entre a recepção e a piscina, será desativado. “No lugar, vamos construir mais lounges para a recepção e ampliar a infraestrutura do serviço da piscina”, conta Beth. p

A gerente comercial do La Torre Resort, Renata Righi, o diretor geral do hotel, Luigi Rotunno, o chef do Restaurante À La Carte La Torre, Leo Ássimos, as auxiliares de cozinha, Cassiane Santos Bonfim e Iara Alves, e a supervisora de Marketing, Bruna Eugênia


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Hotelaria

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> Artur Luiz Andrade – Praia do Forte (BA)

30 anos

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estrelados

Coral Ecos do Tivoli, formado por 30 funcionários, foi uma das surpresas do final de semana de comemoração dos 30 anos do resort

CONHECIDO COMO UM DOS MELHORES RESORTS DO PAÍS, EM SERVIÇO, GASTRONOMIA E INFRAESTRUTURA, O TIVOLI ECORESORT PRAIA DO FORTE, A 45 minutos de Salvador, na Bahia, comemora 30 anos com o alto índice de 40% de hóspedes repeaters. São eles a principal força de vendas do empreendimento, que criou vínculos com muitos hóspedes e suas famílias por décadas. Para celebrar o aniversário, o resort programou um final de semana especial, aberto aos clientes, e que contou com shows de Ivete Sangalo e Luiz Caldas, pool party, jantar comemorativo, e a entrega do prêmio Golden Friends a 20 parceiros da indústria, incluindo a PANROTAS Editora. A área de Vendas, comandada por Cristian Bernardi, diretor de Vendas e Marketing da rede, e Maria Hele-

na Sant´Anna, diretora de Vendas, premiou, como maiores vendedores, as empresas Blumar, CVC, Elcotour, GM Group, Interpool, Journeys, Litoral Verde, Viagens Master, MGM, Prime (Abreu & Vargas), Solferias, de Portugal, Tam Viagens, Tours Bahia, Trend Operadora, Turnet e Visual Turismo. E como parceiros do resort, a Avianca, que apoia o evento, e os veículos PANROTAS, Brasil Travel News e Tribuna da Bahia. Estiveram presentes na premiação o time de Vendas e Marketing, o diretor geral do resort, João Eça Pinheiro, o vice-presidente de Operações e Desenvolvimento do Minor Hotel Group, Marco Amaral, e o embaixador da Tailândia, Pitchayaphant Charnbhumidol. O Minor Group é o novo dono da rede Tivoli e promete investimentos de US$ 20 milhões nos dois hotéis

Diretoria da Tivoli Hotels e do Minor Hotel Group com os operadores e parceiros premiados com o Golden Friends

do País: Tivoli Mofarrej, em São Paulo, e o resort na Praia do Forte, que no próximo ano ganha nova piscina, e terá seu spa e piscinas centrais reformados. A sede do Minor Group fica na Tailândia. Outras marcas do grupo também chegarão ao País, em destinos diversos que estão sendo estuda-

dos, como Rio de Janeiro, São Paulo, Brasília e Curitiba. “Em seis meses devemos anunciar algo”, disse Bernardi, que aposta nas marcas Avani, quatro estrelas e meia, e Anantara, resort entre cinco e seis estrelas. Segundo Cristian Bernardi, a maioria dos negócios do resort vem da venda


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direta, devido ao alto grau de fidelização dos hóspedes. Em seguida, vem o canal de agências e operadoras e em terceiro lugar o canal on-line, incluindo OTAs e o site do hotel. O segmento de Mice vem crescendo bastante nos últimos cinco anos e já representa mais de 20% do faturamento (as vendas desse nicho vêm dos organizadores de eventos em sua maioria). “Mas tomamos o cuidado de não misturar os públicos. Não aceitamos grupos Mice e eventos na alta temporada e feriados em que o lazer é mais forte”, explica o diretor.

OS DOIS LADOS

D A CR ISE PARA O TIVOLI ECORESORT, A ALTA DO DÓLAR ESTÁ SENDO FAVORÁVEL DUAS VEZES: O HOTEL SE TORNA MAIS ACESSÍVEL PARA ESTRANGEIROS (HÁ um bom fluxo de alemães,

Uma das três suítes das Tivoli Pool Villas

VILLAS EXCLUSIVAS ALÉM DE NOVIDADES COMO A REFORMA DO CLUBE INFANTIL CARETA CARETA, JÁ TERMINADA,

HOMENAGENS

do spa e das piscinas (prevista para 2016), o Tivoli Ecoresort Praia do Forte acaba de lançar quatro casas de três suítes, chamas de Tivoli Pool Villas. Elas são parte do condomínio Ecoresidences Praia do Forte, que fica no mesmo terreno do hotel, dentro de um parque coberto de verde. As casas ficam “escondidas” entre as árvores e a poucos minutos do resort. “Resolvemos deixar quatro casas para uso de nossos hóspedes, para oferecer uma opção de hospedagem mais diferenciada ainda e que é tendência no Exterior”, disse o diretor de Vendas e Marketing da rede no

--- O Jornal PANROTAS viajou a convite da Tivoli Hotels, via Avianca

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Antes do show de Ivete Sangalo, o diretor geral do hotel, João Eça Pinheiro, lembrou e homenageou o fundador, Klaus Peters, já falecido, os funcionários que passaram e os que estão no resort, os clientes fieis e parceiros. “Muito obrigado a todos vocês”, disse antes de anunciar a cantora. O coral Ecos do Tivoli, formado por 30 funcionários, também se apresentou. Os convidados da data especial ganharam, ainda, o livro oficial dos 30 anos, com fotos do resort e da região feitas pelo fotógrafo Christian Cravo.

Brasil, Cristian Bernardi. As Tivoli Pool Villas têm 320m² com três suítes, piscina privativa e acesso a todos os serviços do ecoresort. Acomodam seis pessoas (duas em cada quarto, todos no térreo) e possuem área de convivência (sala de TV, cozinha equipada, longe e o terraço) no segundo andar. Os hóspedes podem pedir o café da manhã servido nas casas e solicitar o transporte em carros elétricos para ir ao resort e voltar. A entrada no condomínio é controlada por seguranças e também os donos das demais casas podem usar as dependências do hotel. A diária de lançamento equivale a três diárias de apartamento standard.

portugueses, entre outras nacionalidades), e os brasileiros que deixam de ir para o Exterior escolhem o empreendimento baiano para passar longas férias. Segundo Cristian Bernardi, a ocupação do resort em 2015 será maior que no ano passado. Já em São Paulo, houve queda na diária média e no segmento corporativo no Tivolo Mofarrej. A duração das estadas diminuiu também e o room nights do mercado brasileiro caiu 15%.

Ivete Sangalo com Cristian Bernardi

Flashes 30 anos Tivoli Praia do For te

1 Artur Luiz Andrade, editor-chefe da PANROTAS, representa a empresa na premiação e recebe troféu de Melita Meloni, do Marketing da rede Tivoli no Brasil, ao lado de João Eça Pinheiro, Maria Helena Sant´Anna e Cristian Bernardi 2 Maria Helena Sant’Anna premia Rodrigo Galvão, da CVC 3 Renato Carone, da Turnet, celebra o prêmio do Tivoli com as filhas Fernanda e Bruna e a esposa, Denise 4 Afonso Louro, da Visual, e Maria Helena Sant’Anna 5 Ivete Sangalo e Gilberto Hingel, da Litoral Verde 6 Time Avianca: Rodrigo Napoli, Fernanda Coelho e Flavia Zulzke, e o casal Rita e Tarcísio Gargioni 7 Ivete Sangalo cantou seus maiores hits 8 Luiz Caldas e os 30 anos de axé 9 Adriane Galisteu 10 Jonas Sulzbach, Rodrigo Lima, Rachel Apollonio e Erasmo Viana

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SurFACE

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Céus quase abertos

Antonio Pallu (Infraero), Ian Gillespie, Tarcísio Gargioni, (ambos da Avianca), Haroldo Ferreira (Aeroporto de Curitiba), Rodrigo Napoli, Mario Andreolli, Rodrigo Viana e Juliana Cabrini (todos da Avianca)

São Paulo-Curitiba

A Avianca Brasil retomou as operações da rota São Paulo-Curitiba. São três voos semanais a bordo de um A320 para 162 passageiros. “É com imenso prazer que retomamos nossas operações na região metropolitana de Curitiba. No voo inaugural tivemos entre 97% e 98% de ocupação. Nesta primeira semana em que ele operará, já temos 78% dos assentos vendidos”, afirmou o vice-presidente comercial, de Marketing e de Cargas da Avianca, Tarcísio Gargioni, durante a inauguração da operação. Esta será a única nova rota aberta pela companhia este ano. Durante almoço com empresários do Lide, grupo comandado por João Dória Júnior, o ministro da Aviação Civil, Eliseu Padilha (foto), foi perguntado pelo diretor da American Airlines no Brasil, Dilson Verçosa Júnior, sobre como andam as tratativas para a implementação do programa de Céus Abertos, que seria implementado na íntegra a partir deste ano. “Não há conclusão sobre o que o Brasil vai fazer, não temos ainda como será a regulação da questão. Estamos trabalhando no texto final. Nós retomamos o assunto no começo do ano, quando da viagem da presidente Dilma aos Estados Unidos, mas acabou não havendo nenhuma definição”, admitiu.

Após pouco mais de um ano...

Fabiano Baccari

Novo mantenedor na Alagev

... Fabiano Baccari deixou a Nova Operadora, do Grupo Forma. Segundo o sócio-diretor Fábio Depret, a saída foi de comum acordo, sendo que André Pereira e Flávio Baccari, irmão de Fabiano, continuam na empresa e na sociedade com os cinco diretores da Forma. “O Flávio passa a cuidar da rede de agências de viagens Family, que já são 17, dentro das lojas Forma. E o André tocará a Nova Operadora, que terá um lançamento nos próximos dias, que vai agitar o mercado”, disse Depret ao Jornal PANROTAS. Sobre demissões na empresa com a saída de Baccari, Depret afirmou que houve o desligamento de um executivo de Contas, mas dois novos serão anunciados na próxima semana, exclusivos da Nova Operadora.

O Grupo HRS, provedor global de serviços e soluções para hospedagem corporativa, é o mais novo integrante do time de mantenedores associados à Associação Latino Americana de Gestores de Eventos e Viagens Corporativas (Alagev). Segundo Paulo Amorim, gerente executivo da entidade, o apoio “contribui para a manutenção, crescimento e fortalecimento do segmento de viagens corporativas, além de colaborar na disseminação do conhecimento e melhores práticas de gestão de eventos e viagens corporativas”. “Nos tornarmos mantenedores de uma organização como a Alagev é uma decisão totalmente em linha com nossa missão: habilitar empresas a reduzir custos e a melhorar a satisfação dos funcionários, prestadores de serviço e gestores, oferecendo soluções completas e de classe mundial para suas necessidades. O time da Alagev tem demonstrado competência, conhecimento e profissionalismo em suas ações e ao concretizarmos nosso apoio institucional, esperamos contribuir para o seu continuado sucesso”, afirmou Alexandre Pereira de Oliveira, diretor da HRS Corporate para América Latina.

Ponto a ponto  Ana Lucia Neves, esposa de Sávio Neves, diretor do Trem do Corcovado, foi assassinada durante assalto no último dia 2, na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro.  No mesmo dia, faleceu o assessor de imprensa Rodrigo Figueiredo, da agência Scritta, que se recuperava de uma pneumonia e foi vítima de problema hospitalar não identificado até o fechamento desta edição do JP.  A Trend contratou Débora Kondo para gerenciar o Departemento de Lazer. Contato: dkondo@ trendoperadora.com.br.


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50 anos de tango

Leonardo Ortega e Gabriella Cavalheiro

Novos desafios

Contratada em 2011 e promovida dois anos depois à vicepresidência comercial da Trend, Gabriella Cavalheiro (foto) não faz mais parte do quadro de colaboradores da operadora. Segundo a empresa, ela segue para novos desafios pessoais e profissionais. “Estou em um novo momento e na Feira da Abav já estarei de camisa nova. A Trend foi uma escola, já passei pelas indústrias de aviação e de marítimo, e tudo foi feito com planejamento. Vou tirar uns dias de folga e na Abav reverei todo mundo”, disse ela ao Jornal PANROTAS. Gabriela acaba de ser mãe e também quer se dedicar mais ao filho, de nove meses. “Mas continuarei viajando, vivendo as pressões do turismo, que é minha paixão”. Com a saída de Gabriella, Leonardo Ortega assumiu a vicepresidência de todas as áreas do Grupo Trend, formado pela Trend Operadora e Shop Hotel. Há oito anos na companhia, Ortega trabalhou na Shop Hotel desde o lançamento, no ano passado. “Na Trend e na Shop Hotel contamos com excelentes líderes, que aprimoram continuamente as áreas e qualificam cada vez mais as respectivas equipes. O meu trabalho é desenvolvido em parceria com os diretores e gerentes gerais e, juntos, oferecemos excelência no atendimento e extraordinárias condições comerciais aos nossos parceiros (agentes de viagens e fornecedores). Esta atuação conjunta nos permite, ao longo de 23 anos, estar em constante evolução tecnológica com sistemas que efetivamente facilitam a forma de trabalhar do agente de viagem”, destacou Ortega.p

A famosa casa de dança Señor Tango, em Buenos Aires, na Argentina, celebrou os 50 anos de carreira do proprietário, Fernando Soler, reconhecido como um dos maiores representantes do estilo musical. Mais de 500 pessoas participaram da celebração, que teve não só as devidas homenagens a Soler, como também uma programação com refeição e, claro, muito tango. Durante discurso de agradecimento, Soler lembrou dos momentos mais importantes da carreira e dos discos de ouro e platina que conquistou no período.p

Fernando Soler e Soledad


Edição 84 - 9 a 15 de setembro de 2015

Educação no Exterior > Rodrigo Vieira – Playa del Carmen (México)

Muito além do

PORTUNHOL O número de brasileiros que procuram oportunidades de estudo em outros países cresceu 600% na última década, de acordo com a Associação Brasileira de Organizadores de Viagens Educacionais e Culturais (Belta). Só no ano passado, 240 mil estudantes viajaram ao Exterior para fins educacionais. Com ou sem crise, mais e mais brasileiros estão cientes da importância de enriquecer o currículo com um novo idioma.

“Vista que a Tam me proporcionou na chegada ao Caribe”

Aliás, muito mais do que idioma. Quando o estudante coloca o pé na estrada para se tornar um intercambista, ele está dando outro rumo a seu futuro. Em um intercâmbio, esse jovem vai ultrapassar fronteiras bem maiores do que a da língua. Conhecendo os amigos dos mais variados países, ele compreenderá a grandeza do mundo, que a vida não se resume apenas ao que viveu até então. Ao imergir em outra cultura, ele vai valorizar as coisas boas do Brasil e lamentar o que lhe desagrada. Nos “perrengues”, vai amadurecer vários anos por mês. Nos momentos de solidão, refletirá sobre sua vida em seu país, sobre o quanto sua família faz falta nos mínimos detalhes de carinho, de afeto... O exercício de reflexão sobre seu próprio umbigo é um dos fatores mais enriquecedores de um intercâmbio. “O que eu poderia fazer para ser uma pessoa melhor?” é uma das perguntas que mesmo involuntariamente o intercambista vai se fazer. E as respostas virão... E eu sou prova de tudo isso. Sou um desses brasileiros que resolveu enriquecer o currículo da vida por um mês em Playa del Carmen, no Caribe mexicano, ali do ladinho de Cancun. Neste paraíso de água cristalina, trabalhei para passar do “portunhol” para, ao menos, o “espanhol básico”.


Portal em homenagem aos maias na praça principal de Playa del Carmen

No dia 12 de julho embarquei no voo direto da Tam de São Paulo para Cancun. E já na chegada ao aeroporto mexicano, às 17h, o primeiro desses perrengues enriquecedores (na hora não foi nada aprazível). Dia claro e quente, 35°C. Minha cabeça já estava no mar de Playa del Carmen, onde estaria hospedado. Nem sequer cogitei que algo me atrasaria e… me barraram no balcão de Migración. Preguntas, preguntas y más preguntas: onde estará hospedado? Quanto traz de dinheiro? Que história é essa de escuela? Quem está pagando? Faltou chegar ao ponto do guarda perguntar “mas por que inventar moda? Por que raios não faz como todos os outros brasileiros e vai a um resort all inclusive?”. Fui

levado para à “salinha” para analisarem meu caso. Mais ou menos 45 minutos depois, fui liberado. Em momento algum fui desrespeitado, mas ficar todo esse tempo em uma sala sem respostas é horrível. Um baita exercício, principalmente sem poder usar o celular. Depois me explicaram que é o procedimento para casos similares, principalmente pelo México ser porta de entrada para emigrantes clandestinos rumo aos Estados Unidos. Cancun, apesar de longe da terra do Tio Sam, não é diferente. Já no final da minha viagem, uma amiga me perguntou o que eu mais gostei no México. Ô perguntinha ingrata. Tanta gente que conheci, tantos passeios, praias lindas, mergulhos de tirar o fôlego, paisagens estontean-

tes, comida deliciosa, baladas, mil experiências incríveis para que, no fim das contas, eu tivesse o veredito: a escola. Eu adorava as minhas quatro horas diárias na sala de aula da International House Riviera Maya. Sou fã de ficar escutando outras línguas em aeroportos, nas ruas de outro país e ter a oportunidade de conseguir me comunicar com pessoas de outros países me fascina. A escola é o principal item que diferencia a vida de um intercambista da de um turista. É um norte para que as coisas não entrem em desordem. Em média, estudantes internacionais de idioma têm entre 16 e 25 anos. Agora você imagina esses jovens em outro país durante pelo menos um mês, soltinhos feito arroz de mãe, conhe-

cendo um monte de gente e sem ter de acordar cedo no dia seguinte, sem ter de fazer lição de casa, sem ter de se preocupar em passar de nível, sem pensar na ressaca… Não, os estudos não limitam a diversão. Pelo contrário, é nas aulas onde são construídas as relações com jovens de outras nacionalidades. Na sala de aula, o coreano combina com a suíça de ir à praia à tarde. É de um exercício de conjugar o verbo “comer” que a italiana garante a todos cozinhar a melhor pasta com camarón do mundo, e daí marcarem de comprar as coisas para o jantar no residencial estudantil. O clima na escola de idiomas era incrível a ponto de não haver motivo para mau humor ao despertar cedo.

A ROTINA

Pátio da International House Riviera Maya. Ambiente descontraído e com bela natureza reflete bem as características do destino. À esquerda, estão as salas de aula

Até porque não é tão cedo assim. Ciente da necessidade do jovem de sair com os colegas para jantar, se divertir e praticar o idioma da maneira mais aprazível, as aulas na International House Riviera Maya começam às 9h30. Às 11h há um intervalo de 20 minutos e, sem seguida, seguem até as 13h30. Quatro horinhas diárias de atividades quase sempre muito dinâmicas. No meu primeiro dia, fui submetido a uma entrevista para saber como andava meu espanhol. Consegui “enganar” a professora e fui mandado para um nível alto. É mais fácil para quem fala o português. Alícia, minha primeira professora, disse que um brasileiro fica fluente em menos de seis meses, enquanto um asiático, por exemplo, pode demorar cinco anos. Os motivos são óbvios. Em princípio, esse nível alto me preocupou um pouco, pois não ensinavam o básico. Além dis-

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Eu e a professora Verónica, uma das principais personagens do meu intercâmbio

> Continuação da página 02 so, conheço bem o vocabulário. Entre meu interesse pelo futebol argentino e minhas idas e vindas pelos vizinhos de América do Sul, aprendi uns macetes e enriqueci bastante meu portunhol. O que precisava mesmo era construir as frases e mexer um pouco na gramática. Yo, tú, ello, nosotros, vosotros y ellos. Coisa básica. “Talvez em um nível um pouco mais baixo eles dão mais enfoque ao tempo verbal, aos pronomes, aos verbos irregulares, às conjugações”, pensei após a primeira aula. Próximo ao final da minha segunda semana de aula, já senti uma diferença bem grande no espanhol. Longe de entender o que os mexicanos conversavam entre eles, mas já eram tarefas mais fáceis pedir uma informação na rua ou solicitar algo a um garçom. Não adianta achar que é fácil. Brasileiro tem mania de colocar no currículo que possui um espanhol avançado ou médio só porque deu um pulinho ana Argentina e não morreu de fome. Não é assim. Se lemos um texto ou escutamos alguém falando devagar, conseguimos entender o contexto, a ideia geral, mas até aí são poucas as situações em que nos deparamos com tanta paciência alheia. Portanto, não tem como: um curso fora do Brasil é a melhor opção para os que realmente precisam estar bem com esse idioma. Creio que um mês in loco se equivale a uns quatro meses de curso no Brasil. Chutando baixo. Meu avanço me motivou a pedir para trocar de sala na segunda semana. Meu nível, como brasileiro, estava bem acima do espanhol dos europeus da classe. Sei disso porque uma suíça veio conversar comigo para dizer que uma semana antes de eu ter chegado, a professora conduzia a aula bem mais lentamente e ela podia aprender mais. Nunca fui o melhor aluno da sala em nenhum lugar que passei pelo Brasil. É que a língua é realmente mais fácil para nós. Ouvi em algum lugar que nosso vocabulário é 65% igual ao espanhol. Então, pô, coitada dessa suíça, a Ines, cuja língua materna é o alemão (ela, com 21 anos,

também fala francês e inglês, ou seja, está longe de ser má aluna). Acontece que enquanto ela lia no dicionário para saber o que é almorzo, verguenza, camisa, verdad, puente, madera e ojos, eu já terminei o exercício em dois minutos e estou perguntando alguma curiosidade à professora, só para praticar. Então, lá fui eu pedi para trocar de sala. De bate-pronto, Monica, uma das coordenadoras da IH Riviera Maya, me encaixou em outra sala. “Essa professora é mais teórica e o nível é bem acima da sua sala”, alertou. Dito e feito. Troquei de Alícia para Verónica e também amei a nova professora. Na minha nova sala éramos eu, uma norte-americana, uma suíça e uma italiana. Já de início, Verónica me ensinou muita coisa. A começar com o verbo presente do subjuntivo, para expressar desejos, reclamações ou necessidades (“necesito que vayan a la biblioteca”), ou para valorar situações e feitos (“és fantástico que la gente estean tán amable en Brasil aunque tenga muchos problemas”). Ela também ensinou como expressar valores e sentimentos (“a mi me encanta la musica brasileña”) e as preposições (a, bajo, com, contra, de, desde, hacia, hasta…) e a descrição de um objeto ou de uma pessoa (“un abrigo es una prenda de vestir com la que te proteges del frío”). Tudo isso é ensinado em um clima muito divertido, descontraído. Isso é

demais, pois a parte mais educativa da viagem se torna uma delícia. Certa manhã de segunda, passei por um dos momentos mais privilegiados do meu intercâmbio. Tive uma aula particular. Formada por quatro alunos, a turma da professora Verónica resolveu tirar o dia para mergulhar com tubarão-baleia. Como fui o único a ficar em Playa del Carmen, sobrou para mim a vantagem de ter essa excelente maestra em uma aula privada. Brasileiros que, assim como eu, estudaram pouco o espanhol e falam mais pelo instinto, ou pelo achismo, acabam cometendo muitos erros. Isso porque o portunhol é uma espécie de batalha naval: muitas vezes você arrisca, acerta em cheio e vai tentando ir por caminhos semelhantes ao que te fez acertar. Entre-

tanto, a chance de suas apostas darem em “água” são enormes, e aí é a maior vergonha que nem o professor, treinado para compreender erros, consegue entender o que você quis dizer. Quando Verónica me disse “hoje não seguiremos a matéria do livro, vamos aproveitar que está sozinho para tirar dúvidas particulares”, ela ficou surpresa com minha resposta. Eu disse que gostaria de aprender os verbos mais básicos em todos os tempos, modos e conjugações. “Mas achei que isso era tão fácil para brasileiros”, ela disse. Revisei o básico: fazer afirmações, previsões, hipóteses, falar de feitos passados, de ações anteriores a feitos passados, enfim, tudo. Fica a dica para todo brasileiro que deseja estudar espanhol. Seguir o instinto vai ajudar, mas não é o suficiente. Caso tenha a oportunidade, reserve umas três, quatro, cinco aulas para aprender esse tipo de coisa. Nem que seja com um professor de espanhol no Brasil antes de viajar para seu intercâmbio. No fim, Verónica não estava mais surpresa. Viu que eu realmente precisava desse conteúdo e disse que sentiu uma boa evolução.

NA PRÁTICA

Escola oferece passeio ao Museu da Tequila

Segunda (lunes): city tour. Terça (martes): comer e aprender a preparar pratos locais. Quarta (miércoles): dia de aprender a dançar salsa. Quinta (jueves): jogar vôlei, futebol ou o que queira na praia. Sexta (viernes): fiesta. Poderia ser a programação de um resort, um clube ou algo que remeta a férias, mas na verdade é a programação semanal da International House, ou, se preferir, uma das melhores maneiras de aprender espanhol. No Brasil, temos a expressão “treino é treino, jogo é jogo”, oriunda do meio futebolístico, para designar que na “hora do vamos ver, a coisa é diferente”. É o que acontece o tempo todo no intercâmbio. A sala de aula é onde acontecem os treinos, onde se pode errar mais, onde se adquire entrosamento, habilidade, técnica, verbos, expressões e substantivos. Já as atividades citadas mais acima são os jogos, a hora H, o momento de colocar em campo tudo o que foi aprendido nas manhãs de treinamento. É saindo às ruas que se fala


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BALANÇO

com os garçons, nativos, turistas de outras partes do México. É assim que se aprende nome de comida, nome de jogadas e dribles de futebol, a linguagem da noite, gírias, palavrões, brincadeiras… Nessas atividades você vai se aproximar das pessoas, construir histórias inesquecíveis, formar laços.

--- O Jornal PANROTAS viajou a convite da Belta e International House, voando Tam, com apoio do receptivo AT Travel e com proteção GTA

Vôlei com os colegas de escola no calor do Caribe

A primeira vez que saí do Brasil foi em 2009, com 19 anos, em um mochilão de um mês que iniciou no Uruguai, passou por Argentina e terminou no Chile. Claro que foi uma viagem ótima que contou com a vantagem do fator “a primeira vez a gente nunca esquece”, porém, poderia ter sido melhor aproveitada se eu conhecesse o espanhol. Desde então fui evoluindo aos poucos. Um filme com ator argentino Ricardo Darín aqui, uma canção do Maná ali e um pulinho na Argentina acolá... Contudo, depois desse mês em Playa del Carmen, estou seguro de que os meus próximos embarques rumo aos países vizinhos ou a qualquer destino de língua espanhola serão de um deleite bem mais completo. Estou preparado para explorar com mais categoria. Considero-me pronto para desfrutar de um bate papo com um cidadão local sobre a situação do campeonato nacional, sobre o que pensa do Brasil e sobre a recomendação de um restaurante nada turístico. Isso significa extrair o que penso ser a melhor parte do turismo: o tato com o autêntico, a impressão da vida fora das fronteiras tupiniquins. Isso não quer dizer que estou fluente em espanhol. Como disse, creio que necessitava de algo como três ou quatro meses para poder colocá-lo em meu currículo. A experiência, entretanto, é absolutamente válida. Recomendaria a todos, sem exceção de idade, pois Playa del Carmen é um destino agregador que satisfaz um público muito abrangente. É a maneira ideal de aprender esse que está

Por falar em imersão na cultura local, aí estão alguns estereotipos mexicanos. Será que consegui tirar a imagem de turista?

entre os três idiomas mais falados no mundo. Ser um turista mais completo: check! Ser um profissional mais bem preparado: check! Evoluir como pessoa: check! Ser um cara de mais amigos: check! Conhecer um dos destinos mais especiais do mundo: check! Conhecer os cenotes, uma das maiores belezas naturais do mundo: check! Voltei de Playa del Carmen com uma check list bem mais preenchida e essa riqueza ninguém nunca tirará da minha vida. 

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05 > Continuação da página 04 PARTINDO DO PRINCÍPIO DE QUE É IMPOSSÍVEL FICAR EM UM RESORT ALL INCLUSIVE E ESTUDAR AO MESMO TEMPO, HÁ BASICAmente três maneiras de se hospedar em um intercâmbio em Playa del Carmen: em um apartamento por conta própria, em casa de família ou em um residencial estudantil. Fiquei hospedado no que nós, alunos, chamávamos de habitación. Creio que seja o lugar perfeito para minha proposta de ficar apenas um mês e aprender o idioma, mas sem a cobrança tão rigorosa. Em um destino tão turístico como Playa del Carmen, é bom ter um pouco mais de liberdade para sair com os amigos, chegar tarde em casa e ter privacidade. Entre os destaques do residencial estudantil da IH Riviera Maya está a localização: certa manhã calculei exatos dois minutos e 44 segundos a pé da escola num ritmo bem preguiçoso. É muito perto. É mais perto ainda do

9 a 15 de setembro de 2015 PANROTAS DESTINOS

Hospedagem e gastronomia Coco Bongo Playa del Carmen, talvez a balada mais famosa desse destino e da vizinha Cancun. Restaurantes, conveniências, farmácia, lojinhas, a Calle 5 (rua mais movimentada turisticamente) também são bem próximos. Tudo menos de cinco minutos a pé. É de uma estupenda qualidade de vida poder fazer tudo de Havaianas (aquelas com bandeira do Brasil são febre no destino). Tudo a ver com Playa del Carmen. A casa de família é recomendada para os que buscam uma imersão total na língua e na cultura local. Além de geralmente ser vantajosa economicamente, é uma opção para ter um progresso ainda mais rápido com o idioma.

CULINÁRIA

Diz o norte-americano que os melhores restaurantes mexicanos são os com o maior número de moscas na frente – eles juram que é em referência aos mais baratos. Neste Mé-

xico fui obrigado a concordar ao menos em parte com os yankees. Ô povo para ter excelência no bueno, bonito e barato! Uma combinação de guacamole e taco de camarão pode custar 65 pesos mexicanos, pouco mais de R$12. Pimenta sempre à parte, que, segundo o garçom, é para não assustar os turistas. As entradas são muito fartas, praticamente uma refeição. Um dos meus restaurantes prediletos não tinha nome na fachada. Perguntei para o garçom e ele disse “el nombre es guacamole” (que tal a originalidade?!). É daquelas portinhas que você encontra por aí. Um achado! Entretanto, Playa del Carmen é um destino muito diversificado para se restringir à comida mexicana. Há restaurantes de todos os tipos e nacionalidades. Nós, estudantes, provávamos de tudo o que nosso bolso permitia. Fazíamos também muitas reuniões no residencial para cada um cozinhar

algo diferente. Na minha noite, o estrogonofe fez muito sucesso. Aliás, também no residencial, as aulas de cozinha com o chef Julio fazem muito sucesso. Cada terça-feira ele ensina algo diferente de sua cultura aos intercambistas. Aprendemos a preparar um prato chamado sopes, uma espécie de taco, mas com massa diferente, sem aquele gosto típico de milho, além de moles e tacos. Era uma delícia. O ambiente que se formava na cozinha era sensacional. Todos loucos para aprender (e devorar). Nessas horas o idioma saía naturalmente, sem as obrigações da sala de aula. A gramática e o vocabulário podem escorregar um pouquinho, mas todos se esforçam para entender e se fazer entendidos. Além de mandar muito na cozinha, Julio nos ensinou que “que chido” é “que legal”. Logo depois já saquei que os mexicanos usam muito a expressão.

Residencial estudantil da IH Riviera Maya

Chef Julio e a aula de cozinha mexicana


Passeios na

Riv iera M aya Río Secreto e o mergulho por toda extensão de um cenote

FIZ UMA SÉRIE DE PASSEIOS NA RIVIERA MAYA COM O APOIO DO RECEPTIVO BRASILEIRO AT TRAVEL, BASEADO EM Cancun e atuação em área bem abrangente. A região é repleta de atrativos e a empresa da curitibana Lilian Zanon oferece a grande maioria deles. Uma experiência autêntica na encantadora natureza do destino é o El Río Secreto. Fica a cerca de 20 minutos de Playa del Carmen. Passei lá uma das melhores tardes de sábado da minha vida. Fiz o pacote plus, que custa em torno de US$ 100, US$ 20 acima do pacote básico. Vale o investimento, pois há o adicional de descer ao cenote (caverna com fendas) de rapel, andar de bicicleta e assistir a um show muito diferente de projeções. Todo o tour dura aproximadamente seis horas e o almoço é incluído. O principal atrativo é, sem dúvida, o mergulho por toda a extensão de um cenote. O guia vai explicando em espanhol ou inglês toda a formação das estalagmites, das estalactites, da relação delas com o cálcio, com a água da chuva e com o tempo. Ele também relaciona o local com a cultura maia, o que se torna ainda mais espetacular. Ah, a água é fria no começo, mas com a roupa de neoprene e com o calor típico da Riviera Maya, não há combinação melhor. O ponto alto, para mim, foi no momento em que o guia mandou todos apagarem as lanternas. Nunca presenciei tal escuridão. É algo absurdo, a ponto de não conseguir enxergar a palma da mão a um centímetro do rosto. Nesse momento ele explica a relação dessa escuridão com os outros sentidos e também com a espirituali-

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> Continuação da página 06 dade – o renascimento quando da volta à claridade. É muito bonito. Já depois do término do meu período de aulas, resolvi tirar a última segunda-feira na Riviera Maya para dar um passeio de barco no mar do Caribe. Solzão, ceviche na paradisíaca Isla Mujeres e eu tirando uma onda no paraíso. Sim, legal. Mas para ficar fascinante só se desse de cara com o maior tubarão do mundo. E não é que aconteceu? Foi um dia digno de cinema – ou um documentário no Discovery Channel, se preferir. Na verdade, nadei com mais de um tubarão-baleia. Vi uns três ou quatro deles. Fui ao mar em quatro sessões de cinco minutos que mudaram minha vida para sempre. A partir de então, vou levar um asterisco sobre a testa dizendo “já estive a um centímetro de um dos maiores animais do mundo em seu habitat natural”. Dificilmente darei de cara com algo tão bonito assim novamente. Dificilmente algo vai me arrepiar tanto como a manhã daquela segunda-feira de agosto. Não foi ao acaso que vi o tubarão-baleia, o maior peixe do mundo. É um tour que ocorre de julho até o fim de setembro no Caribe mexicano, com várias empresas saindo de Cancun. Agradeço mais uma vez ao receptivo brasileiro AT Travel que realizou esse sonho. É digno de voltar e pagar mais um ingresso, de tão lindo. O passeio custa pouco mais de US$ 160. Intercambista que vem ao México: guarde aos poucos sua graninha no Brasil, pois cada centavo é bem gasto nesse tour.

SNORKEL E ISLA MUJERES Esse foi, na verdade, meu primeiro passeio, e o sentimento inicial de que meu espanhol havia dado o primeiro grande passo. Palavras começaram a sair com mais segurança e a comunicação fluiu melhor com as pessoas que têm o idioma como língua materna. Claro que se não fosse pelos estudos em sala de aula, eu não estaria falando isso, pois lá construí essa noção. Este primeiro passeio foi um ótimo car-

Foto de divulgação do nado com tubarão baleia. Esse não sou eu, mas cheguei tão perto quanto esse felizardo

tão de visita. Estou falando de um dia inteiro curtindo o sol, os novos amigos e o mar brilhante, transparente, verde, azul, limpíssimo e incrível do Caribe mexicano. Fizemos snorkel no Museu Subaquático, o qual já havia tido o prazer de conhecer em dezembro, graças à querida Diana Pomar, do Conselho de Promoção Turística do México no Brasil. Dessa vez, porém, conheci outras peças: um fusca e um aglomerado de estátuas de trabalhadores locais. De lá almoçamos em uma ilha muy chica. Novamente reitero: tudo incluído e farto, para tentar chegar ao menos perto do que o hóspede mal acostumado encontra nos resorts all inclusive de Cancun. Um tempo para descansar na ilha e partimos para Isla Mujeres, uma famosa ilha com um outro mar cheio de adjetivos. Nos divertimos do começo ao fim: suíços, italianos, belgas, um pai e um filho de 11 anos de San Diego (EUA) e o brasileiro. Todos da escola. Uma turma fora de série.

Cenotes, uma das maiores preciosidades da Riviera Maya

Esse dia foi um dos mais felizes da minha vida. O tubarão-baleia é um bicho esplendoroso e tive a chance de estar a centímetros dele

Snorkel nas proximidades do Museu Subaquático


Turismo sustentável NÃO É À TOA QUE SÓ CANCUN E RIVIERA MAYA RECEBEM O EQUIVALENTE DO NÚMERO DE TURISTAS QUE O BRASIL INTEIRO RECEBE POR ANO. OS MEXICANOS PARECEM TER CAPTADO

a receita de como fomentar a atividade e trazê-la para o bem de sua economia. Um exemplo disso é o Grupo Experiencias XCaret, que se tornou uma espécie de Disneylândia do Caribe. Mas não são só eles. As belezas naturais da região são incrivelmente bem exploradas por vários parques, sempre deixando claro o respeito à natureza e ao desenvolvimento sustentável do turismo. Outra maneira

de fazer Cancun e Playa del Carmen destinos muitos conhecidos são suas baladas. Além do ícone Coco Bongo, os destinos apresentam uma variedade enorme para os turistas caírem na noite.

PARQUES E COZUMEL Xel-Há é o parque mais família entre todos do XCaret. Grande parte das atividades agrada desde bebês de meses a idosos. Por isso, vemos lá pessoas de todas as idades dividindo espaço com água doce, água salgada, peixes, pássaros, golfinhos, tarta-

Mergulho em Isla Mujeres

rugas, iguanas, verde, azul, branco… com o paraíso. Sim, até porque XelHá significa “nascente da água” em maia – em sua propriedade há o que eles chamam em espanhol de caleta, ou seja, uma entrada de mar, uma pequena enseada. Lá, são 70 hectares de terra e 14 hectares de água. Se você, assim como eu, não tem tanta noção do quanto é isso, posso garantir depois que fui: é muito! Tanto que abriga 78 espécies de peixes de água salgada e doce, além de vários outros animais terrestres. O parque também pode ser considerado uma referência no conceito all-inclusive na Riviera Maya. Tudo o que Divulgação

Parte do parque Xel-Há

o visitante queira comer e beber está incluso o dia inteiro. São vários restaurantes: comida mexicana, comida internacional, churrasco, sobremesas… não é enganação de conceito tudo incluído.

XPLOR

O simpático guia do Xplor, Leonel Partido, me ensinou, antes de começarmos o passeio, expressões como está super, que chido, a todo lar, que chévere, que padre, que buena onda, está padríssimo, a toda madre. Elas designam coisas bacanas, legais, fantásticas. Ele foi como um professor de coisas para lá de úteis, mas fora da sala de aula. Eu mal sabia o quão úteis seriam esses adjetivos. Quando saí do parque, logo me dei conta: o Xplor é um dos seis parques do Xcaret, o melhor quando o assunto é aventura. São 59 hectares, dos quais oito abaixo da terra, dez quilômetros de pista para jipes, 400 metros de rio subterrâneo com estalactites e estalagmites, um quilômetro de circuito de jangada e 3,8 quilômetros de tirolesa – a mais longa e alta tem 700 metros de comprimento e 45 de altura. Confesso que essa última atividade quase me matou do coração, mais porque não sou dos mais corajosos do que por qualquer outra coisa. O jipe, ou anfíbio, foi a melhor das atividades para mim. Uma dos destaques de toda a viagem. É um jipe grande e veloz, que pode percorrer dois circuitos. Nele é possível explorar as trilhas de Xplor e as cavernas. Parece que à luz do dia dá até para

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achar animais silvestres durante o percurso. Posso garantir que à noite a escuridão é total. Algumas vezes apaguei a luz do jipe e é de arrepiar. Logo acendi de volta. Isso sem contar as árvores no meio da pista e as curvas fechadas. Nas cavernas é possível notar que em alguns pontos o nível da água sobe, mas não há com o que se preocupar pois estes veículos são preparados para flutuar. Pedi pra fazer de novo.

Jipe anfíbio do Xplor foi minha parte predileta do parque

COZUMEL E PLAYA MIA Cozumel é uma ilha a 50 minutos de balsa de Playa del Carmen. O Parque Playa Mia é o tour que o receptivo brasileiro de Cancun AT Travel promove por lá. Foi um passeio de um dia, bem típico da região. Saímos de Playa del Carmen por volta das 10h, debaixo de um um calor de derreter. Após pegar a balsa com ar condicionado e wi-fi,

desembarcamos em Cozumel, onde é impossível chegar de carro. Assim que descemos já embarcamos no catamarã da Playa Mia para mergulhar. Taí uma coisa que não dá para enjoar. A sensação de dar o primeiro pulo do barco na água é a melhor. Dá a impressão de que vou ver tudo turvo e embaçado, que o fundo do oceano é

algo intocável, mas de repente, após aquele primeiro salto próximo aos corais, o sentimento é de que você sempre pertenceu àquilo, é da nossa natureza e é maravilhoso. De quebra ainda alivia o calor (sempre) de rachar. Após uma hora de mergulho, embarcamos no catamarã para chegar ao Parque Playa Mia. Estávamos morrendo de

fome e aproveitamos o bufê de comida mexicana. Tudo à vontade novamente. Delícia. Para depois do almoço há várias opções. São cerca de duas horas para desfrutar do parque. Há um parque aquático com piscinas e toboáguas, espreguiçadeiras para descansar e caiaque. Tem também opcionais, como jet ski, parashoot e banana boat.

Uma das atrações do Parque Playa Mia, em Cozumel


Cancun e baladas

Vista aérea da torre do XCaret em Cancun

NO JUNGLE TOUR, EM CANCUN, VOCÊ PEGA UMA PEQUENA LANCHA E PILOTA EM ALTA VELOCIDADE POR CERCA DE 30 MINUTOS ATÉ CHEGAR EM UM

arrecife de coral. Não precisa de habilitação náutica, nem nada do tipo, e o barquinho é super fácil de conduzir. Acho que foi a sexta vez que fiz snorkel no Caribe, mas essa leva dois grandes pontos positivos: são 40 minutos de flutuação, mas não há um caminho certo a seguir. Desde que fique perto da sua lancha, está tudo bem, faça o que quiser, mergulhe, boie, veja os peixinhos, tire fotos… Além disso, esse foi o local mais raso em que fiz snorkel. Isso faz toda diferença porque dá para chegar bem mais perto dos bichos. Além disso, vi um pequeno polvo e outros peixes bem diferentes dos encontrados nos corais mais fundos. O jungle tour custa cerca de US$ 60 e também pode ser comprado na AT Travel.

Mais do que estudar e conhecer um mundo novo, um intercambista também põe os pés na estrada para marcar capítulos inesquecíveis em suas vidas. Como geralmente estamos falando de um público jovem, a noitada é um alvo praticamente certo para essa missão de compor histórias incríveis. Isso dá mil pontos a favor de Playa del Carmen em comparação à maioria dos outros destinos. Playa apresenta uma carta diversificada de bares e boates. Há de tudo: música eletrônica, reggaeton, salsa, bachata, espetáculos, reggae, música ao vivo, karaokê. Até noite brasileira! A Calle 12, onde também fica o residencial da

Coco Bongo, a balada que é atrativo turístico Divulgação/Reprodução site

LAS NOCHES

A caminho do mergulho no Jungle Tour

IH Riviera Maya, é o principal ponto de encontro dos baladeiros. Não há sequer um dia da semana em que essa rua se encontre vazia. De domingo a domingo lá estarão mexicanos, norte-americanos, brasileiros, europeus, asiáticos e o resto do mundo concentrados, em busca de uma noite divertida. Isso porque na Calle 12 estão concentradas quase todas as baladas da cidade. São mais de dez gigantes, uma ao lado da outra. Abolengo, Mandala, La Vaquita, Blue Parrot, Tribeca, La Salsanera, La Santanera, Pallazzo, Coco Bongo e tantos outros nomes. Para mim, a notícia boa é que poucas tocam música eletrônica, já que não sou muito fã do bate-estaca, mas claro que também há. Os DJs de lá optam mais por músicas latinas.


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Jornal PANROTAS 1183  

Após Londres e Cidade do Cabo, projeto da PANROTAS seguiu à Riviera Maya, no México, para quatro semanas de imersão no idioma espanhol

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Após Londres e Cidade do Cabo, projeto da PANROTAS seguiu à Riviera Maya, no México, para quatro semanas de imersão no idioma espanhol

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