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Entrevista

Balneário Camboriú, 5 de fevereiro de 2011

O Piriquito vive como se fosse a Alice no País das Maravilhas” (Claudir Maciel, líder do bloco de oposição na Câmara Municipal)

n o s s a

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g e n t e

Marlise Schneider

marlise.jp3@gmail.com

Waldemar Cezar Neto

waldemar@camboriu.com.br

Fernanda Schneider

Nome – CLAUDIR MACIEL. Idade – 39. Natural – Nonoai (RS). Em BC desde - 1978. Formação – Superior (Administração) e Mestrando em Políticas Públicas da Educação. Profissão – Empresário. Carreira política – Vereador em 3º mandato; presidente da Câmara em 2006; 2º suplente deputado estadual 2010. Carreira iniciou no PDT em 1988 e em 1995 transferiu-se para o PPS, onde está até hoje. Estado civil – Divorciado e hoje vive com Christina Barichello. Filhos – Izabella, 14, Gabriel, 12 e Letícia, 8. Comida predileta – Churrasco (comer e fazer). Música – Todas, ‘sou eclético’. Um livro – “Política para não ser idiota” (Mário Cortella). Um filme – “Quase irmãos”. Religião – Cristão, pertence à Luz da Vida. Um momento bom – O nascimento dos meus filhos. Um momento ruim – A morte do meu pai. Planos – Trabalhar nos projetos da minha empresa e seguir participando da política municipal. Perfil – Sou tranquilo, disposto, estudioso e extremamente acessível.

E

sta semana quando a Câmara de Vereadores retomou suas atividades, além da nova Mesa Diretora, também apresentou-se um novo bloco de oposição, liderado pelo vereador do PPS, Claudir Maciel. Ele costuma ser uma ‘pedra no sapato’, quando está na oposição e provou isso de forma muito contundente na legislatura anterior, quando paralisou o governo Rubens Spernau por quase 40 dias. “No estágio em que está Balneário Camboriú nós temos que acelerar o passo na questão da organização da administração, se não tiver projeto, não vai a lugar nenhum e a cidade não pode mais andar para trás”, disse ele, dando o

tom do que será sua atuação legislativa daqui pra frente. Ele disse que a sociedade espera por respostas e posturas e é isso que quer dar a ela. Estudioso, sabe tudo sobre leis na ponta da língua e é exigente nas questões administrativas. Fez campanha para ajudar a administrar a cidade com o grupo que venceu a eleição, mas frustrou-se quando viu que não havia plano de governo nem antes, nem durante e nem dois anos depois que o governo estava instalado. Na segunda-feira, Claudir esteve na redação do Página 3 e concedeu longa entrevista. Acompanhe os principais trechos.


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Balneário Camboriú, 5 de fevereiro de 2011

JP3 – Essa entrevista atrasou um pouco segunda-feira porque você iria receber o secretário da Saúde para discutir o projeto da terceirização do hospital Ruth Cardoso. Aquilo sintetiza algumas coisas que você coloca na Câmara de Vereadores, porque eles mandaram um rascunho para aprovar. Parece às vezes que não temos um governo, mas um rascunho de governo... porque um assunto daquela importância chegar sem revisão, rabiscado, sem valores... para os vereadores aprovar... e você tem colocado isso sistematicamente nas suas falas na Câmara. É porque você virou oposição ou só agora percebeu? Claudir – Olha, a oposição foi formada por diversos descontentamentos, que num determinado momento, estrategicamente se uniu para ganhar uma eleição. Todos que se opunham a quem estava no poder. O que nós esperávamos? Que tivesse um plano de governo e isso foi vendido como uma verdade. A oposição que definiu se unir na convenção do dia 30 de junho de 2008 só soube que o Piriquito não tinha um plano de governo, depois de ter declarado apoio. Tanto é que o Piriquito mandou imprimir apenas 20 cópias de uma proposta de governo a três dias das eleições. Para apresentar no último debate. Até aí é um erro, mas não seria tão grave se o prefeito admitisse que não tinha um plano para cidade e quisesse construir um plano. Foi isso que a equipe de governo pensava que iria fazer. Pelo menos até junho de 2009. Quando se começou internamente a debater essas questões, o prefeito aboliu definitivamente toda e qualquer reunião de secretariado. Hoje nós temos ainda secretários que há quatro meses não são recebidos pelo prefeito. Claudir – Porque ele é desequilibrado. Pode escrever isso. Clinicamente ele é completamente comprometido.

Claudir – Eu diria que sim. Imagine uma pessoa que você está conversando, tem um alto grau de responsabilidade, que de repente sobe na mesa, fica pulando no chão, contando piada, abraça enlouquecidamente as pessoas, beija a qualquer momento e, no dia seguinte, entra numa depressão, que ninguém acha ele. Isso

Arquivo Pessoal

não pode ser normal. Me considero uma pessoa razoavelmente normal, mas isso não é padrão de comportamento de ninguém que dirige um município. JP3 – Mas você já assistiu uma cena dessas? Claudir – Todas da prefeitura que tiveram acesso a ele já assistiram. Pode em off conversar com secretários, diretores... JP3 - ...ele alterna momentos de euforia com depressão, é isso? Claudir – Exatamente, e o que leva ele a fazer isso eu suponho que seja algum problema clínico. JP3 - ... precisaria de um tratamento. Claudir - ...exatamente, aliás me lembro que numa reunião depois de agosto de 2009 foi recomendado isso pra ele. Por um parceiro dele, que ele não tivesse vergonha e que procurasse um tratamento. Porque existe tratamento para isso. Essa é a questão. Então, o que dá errado no governo hoje? É que não teve um plano de governo para ganhar as eleições. Não se teve humildade para construir um plano de governo no primeiro ano, que é compreensível pela sociedade e o pior, não se tem projetado nenhuma construção, projeto para a cidade, para os próximos anos. Se tiver, eu me rendo a qualquer crítica.

“O prefeito precisa construir um projeto para a cidade. Não temos planos nem para agora nem para o futuro”

JP3 – Como assim, diagnosticado?

Entrevista

JP3 – Aparentemente o prefeito é muito eficiente na divulgação da imagem dele porque não parece que, majoritariamente a população está insatisfeita com ele, ou a leitura está errada? Claudir – Acho que temos que avaliar Balneário Camboriú como a cidade que consegue caminhar por si só. JP3 – Independente do prefeito, ela caminha? Claudir - Exatamente. O que o setor produtivo e a sociedade de Balneário esperam da prefeitura? Que ela não atrapalhe. Por ex: vai fazer uma obra? Que ela tenha um cronograma dessa obra, para iniciar e para terminar. Isso é o mínimo que ela espera. Ela espera que o município não crie novos impostos e que possa utilizar os impostos cobrados da melhor maneira possível. Então os atos internos da administração acabam não se exteriorizando. A população não sabe disso, mas avalia conceitualmente aquilo que o prefeito apresenta.

Claudir com os filhos Gabriel, Letícia e Izabella

JP3 – Aparentemente a população não avalia tanto. Vamos usar o exemplo da Avenida do Estado. Quando saiu o prefeito anterior aquela obra estava planejada e com dinheiro em caixa. E ela só foi concretizada em dezembro último, ou seja, quase dois anos depois. É verdade que melhoraram, o caso da galeria, botaram uma melhor, mas isso é uma coisa pra fazer em 90 dias. Mas demorou dois anos e assim mesmo, o povo acha uma maravilha... Claudir - É difícil codificar isso, porque não temos mecanismo para medir a opinião das pessoas. Qual é o maior termômetro que vai acontecer? São as eleições em 2012. Como funciona a política? Os partidos mudam pra lá e pra cá, mas quem define a eleição é a população. E a população se baseia no conceito do administrador. Qual era o conceito que o Rubens Spernau tinha como administrador da população? Era um gestor, responsável. Qual é o conceito que o Piriquito tem em relação à prefeitura perante à população? É isso que vai valer. Com relação a partidos e imprensa isso se modifica, o conceito deles, com barganha. No ano 2009 o prefeito foi massacrado pela imprensa. No ano 2010 ele fez uma distribuição de recursos para boa parte dos setores da imprensa e hoje mudaram completamente o conceito. JP3 – Publicam os releases na íntegra e está tudo certo. Claudir – E fazem de colunistas, comentaristas favoráveis à administração. Isso é público, notório e descarado. JP3 – Você tem pretensões de ser prefeito, já revelou isso em outras ocasiões, o que acha desse ‘relacionamento’ com a mídia? Claudir – É uma relação muito frágil, ela gera uma instabilidade

para a cidade, porque o prefeito nunca vai conseguir construir um projeto, se ele não tiver um apoio sólido. Por exemplo: os partidos que estão apoiando ele, estão barganhando. Setores da imprensa que estão apoiando ele, pode ter certeza, é porque há uma grande distribuição de recursos. No momento que isso faltar, isso vai se desmanchar. Não tenho a menor dúvida, nunca funcionou, não é agora que vai funcionar. O prefeito precisa construir um projeto para a cidade. Nós precisamos saber que daqui a cinco anos nós estaremos melhor na questão viária. Daqui a 10 anos nós estaremos melhor na questão do turismo? Nós não temos um plano para a cidade. Nem no turismo, nem na questão viária, nem na questão da infra-estrutura geral da cidade, muito menos para a Educação, qual é o plano que temos? São R$ 70 milhões que vamos investir esse ano. Qual é o nosso plano pra questão da Saúde? Nenhum, não tem um plano da administração para a questão da saúde.

nistrar o feijão-com-arroz, mas coloca uma passarela daquelas por cima do rio, impressiona as pessoas... Claudir – Eu acho que quando alguém se elege, a população além de conceder o mandato, concede a oportunidade dele se apresentar. O Piriquito provou que até os dois anos de mandato ele não conseguiu terminar aquilo já estava em andamento, quase pronto. Muito menos implementar novos projetos. Balneário Camboriú não tem hoje, pode escrever, nenhum projeto do Executivo completo, que possa favorecer a cidade. Nenhum. Tem os que ficaram da administração anterior, mas estão inacabados. Mas não tem nenhum projeto que possa ser executado no momento. Tem obras mirabolantes. Idéias alucinadas em relação a isso. Agora pergunto aqui: com R$ 23 milhões é mais importante fazer uma passarela ligando o bairro da Barra pela Barra Sul ou fazer uma, aliás duas pontes dá para fazer, ligando as duas marginais com o futuro Centro de Eventos? É uma questão de prioridades. Quando discutimos isso, era o que seria feito. Agora talvez ele ache que isso é mais importante na mídia.

“Não é feio ser do governo e nem é feio ser oposição. Feio é não ter posição”

JP3 – Nem para já nem para o futuro. Claudir – Nem pra agora nem para o futuro, se tem, está escondido. Ninguém sabe, mas não tem, porque não é discutido com ninguém. JP3 – É, mas existem projetos de obras grandes, como a ponte que vai ligar a Barra Sul à Barra, aquele outro, mirabolante da praça Tamandaré, o projeto da ‘onda perfeita’, que ele dizia na campanha que traria 2 milhões de turistas pra cidade, esse aliás foi o cavalo de batalha na reta final da campanha. Se ele não consegue admi-

JP3 – O prefeito parece estar apostando na popularidade ‘barata’, daqui a pouco ele traz uma escola de samba do Rio... têm pessoas que se impressionam com isso. Claudir – Não temos como interferir. O prefeito tem a possibilidade de escolher o caminho que ele vai caminhar. E acho que ele caminha para isso mesmo, um governo fantasioso.


Entrevista

Balneário Camboriú, 5 de fevereiro de 2011

Divulgação

“O Piriquito mata qualquer profissional, ele tira o poder, passa por cima, não atende. Não é nada intencional, é ação doentia” JP3 – É Natal, Páscoa, Carnaval... Claudir – São fantasias. O Piriquito vive como se fosse a ‘Alice no país das maravilhas’. Ele não tem o pé no chão. Ele não conhece 70% da estrutura da prefeitura. Ele não conhece as secretarias e nem os departamentos. Em off vocês podem perguntar a diretores e funcionários... JP3 – Como foi que ele conseguiu convencer você na época? Claudir – Foi uma questão de posicionamento político. Chega um momento em que estreita, você tem que tomar uma posição. Eu achava que era um mal necessário, tinha que haver uma mudança. Tentei construir uma terceira via, mas não tinha espaço. Os partidos ainda são muito superficiais, acabam indo na onda. Balneário até então discutia a política de maneira pessoal, quem era contra e quem era a favor do Pavan. JP3 – O momento atual não está parecido? Claudir – Acho que não. A sociedade com certeza vai tomar uma decisão com relação à postura da administração. É impossível que uma administração viva de fantasias. Quer um exemplo? A operação consorciada para continuação do binário foi projetada agora em R$ 38 milhões. A prefeitura gastou, em aumento de folha de pagamento, em dois anos, R$ 32 milhões. Quer dizer, tu não precisava construir mais, gerar mais apartamentos, mais carros, para corrigir um erro do passado, quando bastava manter um ajuste administrativo. Isso que fizemos ao longo do tempo. A previdência do município, em 2002, tinha uma diferença de caixa de R$ 19 milhões. Por pressão da Câmara, da oposição, nós corrigimos isso... agora se o prefeito não tiver um plano de ajuste para o município, cada vez vai criar mais impostos para a população para poder corrigir. São as mazelas da administração. JP3 – O Pavan foi um populista, mas realizava, sabia administrar, ainda que da maneira dele, aos gritos, tapa na mesa, isso gerou tremendos passivos para a prefeitura que, felizmente, a própria Câmara de Vereadores conseguiu reparar, Funservir, incorporação etc. Agora entrou outro populista. Essa leitura está correta? Claudir – O Lula é um populista, mas fez um bom governo para o

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país, não votei nele dessa vez, mas votei nas outras. A questão de ter uma linha populista ou uma linha mais conservadora não é o caso, é uma questão de postura. O que não pode é ser desleixado com a administração pública. O PT nacional tinha um projeto para o país. O Piriquito não tem um projeto para Balneário Camboriú. Não tem. JP3 – O que espanta é a facilidade com que as coisas acontecem. Tivemos reajuste agora de IPTU e de todas as taxas que dependem da Unidade Fiscal acima da inflação, isso é eterno, fica cravado no bolso, nunca mais vai baixar. Tivemos esse crescimento de folha e o mais grave, a gente não investiu em nenhum colégio. Claudir – Nós tínhamos projetado no orçamento 2009, aprovado em 2008, duas escolas e três creches. Não foi executado pelo prefeito, inclusive com projeto pronto, licitado e tudo. Depois projetamos para 2010. Também não foi executado nenhum colégio, nenhuma creche. A única creche que foi feita, senão me engano abriga 19 crianças, foi no Estaleirinho, uma casa que alugamos e montamos por uma pressão que tinha, mas nenhuma creche, nenhum colégio foi executado. A demanda reprimida na educação cresceu violentamente, porque vamos completar 5 anos sem nenhuma ação efetiva do município. JP3 – Mas onde vai o dinheiro, nos excessos de gastos? Claudir – Citei aqui R$ 32 milhões só de folha de pagamento. Agora é difícil codificar o aumento que teve na despesa administrativa, de combustível, de diárias, de material de expediente, hora extra cresceu 150% no primeiro ano e não só isso, em contratos que o município mantém com empreiteiras, prestadores de serviço, que estão sendo pagos mais caros. JP3 – Um desses casos é o teatro municipal... Claudir - ...exatamente, ele não concedeu R$ 800 mil para um aditivo que era uma decisão que entendo era correta naquele momento, tinha que ter pulso diante das empreiteiras e ele licitou por um valor maior... JP3 - ...e o teatro continua ali, sem estar pronto... Claudir - ...sem estar pronto e assim é dentro da Emasa, por exemplo, que é um paraíso das empreiteiras. Todos os vícios que

Claudir com Christina, durante a campanha a deputado estadual, ano passado.

já vinham sendo denunciados desde a administração anterior foram mantidos agora. JP3 – E todos os contratos agora renovados. Claudir - Renovou todos e a própria Viapav, que era considerada a empresa do Pavan, nada contra a empresa pessoalmente... mas vê que a conduta do governo é não mexer no que estava pronto e pior, onde ele puder estragar, ele estraga. JP3 – Os principais fornecedores são os mesmos dos últimos 10 anos e quando entra um ou outro novo, exemplo dos uniformes escolares, custa o dobro... é complicado. Claudir – É isso aí. JP3 – Você tinha um bom diálogo com o Rubens Spernau quando presidiu a Câmara e liderava a oposição. Mesmo assim você chegou a paralisar o governo dele por 40 dias. Agora você é líder de um novo bloco de oposição, pequeno, com quatro vereadores. Como vocês pretendem conduzir essa oposição nesse ano? Claudir – Da mesma maneira. Qual é a função da oposição, é ser o equilíbrio na discussão política. Eu coloquei aos vereadores que têm a mesma postura nossa, do PPS, de que não tínhamos dúvidas do que iríamos fazer na Câmara. Que a sociedade precisa saber disso. Por exemplo, uma matéria como essa do contrato de gestão do hospital Ruth Cardoso. Não podemos cometer o mesmo erro que cometemos com a Coneville. Hoje somos reféns. Não se rompe o contrato porque fica com medo de não ter onde botar o lixo. Hoje somos

reféns da Enops/Saneter. Não se rompe o contrato e a justificativa é que poderíamos ficar sem água. Nós não podemos fazer um contrato de gestão do hospital em que tenha qualquer risco de se tornar refém no futuro. JP3 – E a esse custo, R$ 1,8 por mês... Claudir – Exatamente, é maior do que qualquer um dos outros contratos. E o que tenho colocado? Que a sociedade precisa saber disso. Hoje na proposta mandada pra Câmara não existe número de funcionários, o valor, nem médicos, não tem nada previsto e o projeto está errado, porque você vai cumprir três etapas, a primeira é a lei que autorizou a fazer o contrato; a segunda tem que ser a licitação, que é onde define exatamente o que o município quer e por último é o contrato que vai ser assinado. Eles mandaram a lei para autorizar e depois mandaram a proposta do contrato, sem ter o edital de licitação, para definir as condições... nós vamos discutir essas questões na Câmara sem o menor receio. Nunca tive medo de discutir qualquer assunto, não tenho o rabo preso com absolutamente ninguém, se tivesse não teria tomado as posturas que tomei até hoje, e quero discutir isso com a sociedade claramente.

para a Câmara, a imprensa denunciava a Câmara por atrasar a abertura do hospital, porque trancou o rascunho aquele. Claudir – Setores da imprensa. Estou sempre à disposição para debater com quem quer que seja. Tive uma reunião com o Dr. Spósito e Dr. Rafael Schroeder e eles concordaram plenamente comigo de que o projeto assim não pode ser votado, nas condições em que está. Comuniquei que iria pedir vistas e eles não se opuseram, pelo contrário, respaldaram e disseram que encaminharão uma proposta substitutiva.

“Em 2009 o prefeito foi massacrado pela imprensa. Em 2010 fez uma distribuição de recursos para setores da imprensa e mudaram completamente o conceito”

JP3 – Naquela semana que aquele rascunho de projeto foi

JP3 – Vai demorar para abrir aquele hospital, prometeram para janeiro... Claudir – Era para ser em 2009. Eu pergunto assim: onde a população é atendida hoje? No Santa Inês. E porque não transfere isso para lá? É simples. Se você tem uma estrutura física pronta, equipada, precisa de recursos humanos, o município investe no Santa Inês... já poderia estar fazendo o atendimento desde o primeiro mês. Não tem razão de manter os dois. É só o município não mandar o dinheiro para o Santa Inês e manda para abrir lá. Nós já teríamos aberto o hospital e estaríamos discutindo apenas a melhoria do atendimento.


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Entrevista

“A sociedade vai tomar uma decisão com relação à postura da administração. É impossível que uma administração viva de fantasias” JP3 – Mas as freiras do Marieta, a Ordem Religiosa propôs R$ 800 mil era o valor... Claudir - ...como é que você vai construir um plano para saúde se o prefeito fica quatro meses sem falar com o secretário? Existe isso? Nós vivemos uma crise na saúde, não tem possibilidade. JP3 – Você avalia que a culpa não é mesmo dos assessores, eles não conseguem falar com o prefeito, é isso? Claudir – O Dr. Spósito tem 40 anos de medicina. O Piriquito mata todo e qualquer profissional. Ele tira o poder, passa por cima, não atende. Não é nada intencional, é ação doentia. JP3 – É o que acontece na educação municipal, que hoje está no seu quinto secretário! Claudir – Ele queimou, falava mal do Jaime Guth todos os dias, até tirar ele de lá. Nomeou a Christina, queimou ela. Assumiu, falava mal dele mesmo. Aí nomeou o Coelho. Foi prefeito três vezes, é um homem experiente, o Piriquito torrou ele, deixou 60 dias e não atendeu ele. Espero que agora o Nelcy tenha melhor sorte, porque a Educação precisa de um secretário.

Claudir – O binário foi idealizado em 1991 numa visita que o Jaime Lerner fez a Balneário Camboriú, porque ele era do PDT e o Pavan era do PDT, começou a fazer um plano para a cidade e sugeriu que se abrisse uma avenida exatamente naquele traçado. E esse é o caminho, não tinha outra alternativa. JP3 – A impressão que se tem é que a Câmara também compactuou com muitas coisas, foi camarada, qual é a sua opinião sobre a Câmara hoje? Claudir – Não existe conquista sem sacrifício. A Câmara é formada por políticos que foram forjados no governo. Ninguém nunca foi oposição. A maioria é primeira vez, o PSDB é maior bancada, o Hannibal é primeiro mandato, então a Câmara acabou fazendo barulho, mas na hora H ficou com medo de tomar uma postura. Se a Câmara não tomar uma postura, ela não vai crescer no conceito da população. Quando éramos da oposição, nos mandatos passados, nós renunciávamos cargos na administração, nós tínhamos um projeto político para a cidade, não tínhamos medo de enfrentar qualquer tipo de discussão. Quando você toma uma postura, agrada uns e desagrada outros. Se tiver medo de desagradar alguns, não vai progredir nunca. E a Câmara tem que ter propostas.

“A prefeitura tem 4.180 funcionários. Esse ano vamos gastar R$ 129 milhões com folha de pagamento”

JP3 – A entrada do Auri Pavoni no governo deu uma melhorada na obra pública pelo menos. Claudir – O Auri é uma pessoa qualificada profissionalmente e com as faculdades mentais equilibradas. É verdade o que estou falando e é tão verdade que o Auri entrou ali e tocou... JP3 - ...até porque muitos planos ali começaram na época do Pavan, fazer uma estrada no Ariribá, certo que foram idéias, desenhadas no papel, depois o Spernau, depois outro, depois o Auri... não é que o plano não existe, ele existe há muito tempo.

JP3 – Vocês estão tentando trazer o Hannibal para o bloco de oposição ou isolaram ele? Claudir – Acho que há uma ação constante de trazer o vereador Hannibal, o vereador Dão e trazer todos os que tiverem interesse em debater os assuntos de interesse da cidade. JP3 – Neste momento parece que vários têm intenção de ser prefeito e que tudo que farão agora vai refletir lá na campa-

nha municipal. Ou não é? Claudir – É normal. Quando eu defendi a formação do bloco, eu disse que com esse bloco iríamos clarear o posicionamento da Câmara, quem é governo, quem é oposição e quem está por se definir. Acho que está acontecendo isso, mas a tendência é que os afins acabem se reunindo. Até setembro vamos viver essa polêmica, é o último prazo de troca de partido. Passou setembro, as coisas estarão completamente definidas no campo político. JP3 – Você tinha expectativa, na condição de segundo suplente de tomar posse na Assembléia. Não deu liga? Claudir – Fizemos uma reunião por volta do dia 20 de novembro com o governador e ficou definida a nossa participação no governo. O deputado Altair Guidi manifestou interesse de compor o governo, assim como o primeiro suplente, o Sandro, que foi nomeado presidente do Deter. Eu disse que não gostaria de assumir cargos, mas se possível assumir a Assembléia. JP3 – Mas isso pode mudar. Claudir – É, o que tínhamos era a Secretaria de Inclusão Social, que seria do partido e acabou indo para o Venzon. Vamos aguardar, eu sou suplente até 2014. JP3 – Você é um prefeiturável assumido? Claudir – Confesso que durante minha habilitação política, joguei todos os sonhos, esforços e energias para que ganhássemos a eleição com o grupo político do Piriquito e fizéssemos as mudanças que a cidade precisava, no campo político e administrativo. Foi uma grande frustração. Não tinha programado nenhuma candidatura a prefeito... depois que assumimos o governo não tinha nenhum plano de ser prefeito. Tinha projetado ser candidato a deputado. JP3 – O povo comentava que ele tinha que te ‘matar’ senão você engoliria ele na próxima eleição. Claudir – Bobagem... mas veja como o governo Piriquito é uma fraude pessoal. Se você analisar as secretarias... a Fazenda que é importante é do PP, a Educação é Democrata; o Planejamento é Democrata; a Obras é do PR; a Inclusão Social é do PR; o Turismo não tem secretário; o PMDB não tem nenhuma secretaria importante. O PSB do vice não tem nenhum secretário. JP3 – O PMDB tem o Sandro no Esporte.

Claudir – Mas há quanto tempo o prefeito não atende ele? Pergunte ao Sandro um único projeto que ele tenha tido condições de implantar em Balneário Camboriú. Não tem prestígio, não tem autonomia pra fazer, o prefeito veta. Nunca houve na história política de Balneário Camboriú, nem do governo do Estado, nem do governo federal, em que o titular não tenha quase que nenhuma secretaria importante ou estratégica. JP3 – Diante desse quadro todo, ainda faltam dois anos, o que vai acontecer com Balneário Camboriú? A Câmara vai ter que interferir mais firmemente? Claudir – Eu não tenho bola de cristal para dizer o que vai acontecer. Mas entendo que na Câmara temos que ter uma postura, não é feio ser do governo e nem é feio ser oposição, feio é não ter posição. Precisamos ter postura na Câmara para informar a sociedade o que está acontecendo na administração pública. A questão de recursos, a aplicação destes recursos e das prioridades para a cidade, caso contrário vamos atrasar mais ainda aquilo que já deveria estar sendo feito. JP3 – O resultado na última campanha não foi muito bom, isso deu uma queimada na sua imagem ou o fato de estar atritado com o grupo do prefeito prejudicou? Como você avalia hoje o desempenho na urna que surpreendeu muita gente? Claudir – Eu sempre militei num único campo, que foi o grupo que ganhou a eleição. Fiz um compromisso para ser deputado e projetei a campanha em cima disso. O Piriquito me traiu e lançou o Dalvesco como candidato. JP3 – Foi aí que começou a ‘dissidência’? Claudir – A discussão já vinha internamente, ele fez isso para criar um fato político e abafar a discussão administrativa. Eu saí do governo no dia 29 de junho. Dia 30 saí candidato. Não houve a construção de um projeto alternativo. Houve apenas um descolamento do governo. Agora podemos analisar que a minha saída do governo trouxe junto um terço dos eleitores do governo. Dalvesco fez 10 mil votos e eu fiz 5 mil em Balneário e 12.700 no geral. A estimativa era que o candidato do governo fizesse 15, 18 mil... As demais candidaturas, Fábio, Salete, Aristo, Vacari etc... somaram 19 mil votos. A cidade não tinha votos para tudo isso. Eu espe-

rava fazer 7 mil votos aqui, mas é um processo de reconstrução. JP3 – O quadro político ficou bastante confuso, o DEM era aliado ao PSDB, o PPS ao PMDB... vai ficar interessante em 2012... mas o eleitor vota na pessoa e não no partido. Claudir – O eleitor vota na pessoa. Mas olha só, até 2012 teremos muitos fatos políticos acontecendo, pode ter certeza. Eu sei o sentimento pessoal de pessoas de liderança do PR, lideranças do PV, do PMDB e de muitos outros partidos que compõem o governo. Foram deixados de lado não tem prestígio, participar de uma discussão do governo... não existe isso, não há diálogo, nada. Vai haver mudanças de postura de diversos partidos. No governo não cabe todo mundo, não tem como dar certo. JP3 – Como você avalia essa nova situação, o DEM aliado com o governo e ao mesmo tempo processando por fraude eleitoral na campanha... Claudir – É uma relação partidária estranha, quem não está entendendo é a população, como eles propuseram uma ação para cassar o mandato do prefeito e de repente por um acordo de divisão do poder, o Piriquito passa a ser inocente. É culpado num momento, mas inocente quando faz concessões. JP3 – Como fica a situação daqueles partidos que compuseram para eleger o Piriquito, afinal o DEM queria eleger o Dado Cherem. Claudir – O pior é que a ação cível pública para cassar o mandato do Piriquito, quem assinou nem foi o PSDB, foi o DEM e isso está em andamento. Então cassando o mandato, o governo vai para o PSDB. Quero saber se o DEM vai para a oposição ou continua no governo? JP3 – Não acredito no afastamento porque a lei tem muitas brechas, mas ele pode ficar inelegível por uma condenação colegiada. Aí mudaria muito o quadro político. Claudir – Minha opinião pessoal é que o Piriquito tem que ser candidato, disputar a eleição e olhar nos olhos da população de Balneário Camboriú e de cada companheiro dele e justificar a traição que ele fez. Ele não tem como comprovar nem 10% no final do governo dele daquilo que ele escreveu num plano de governo três dias antes da eleição. Vai dizer o que para a população? O que modificou na cidade? As empreiteiras são as mesmas, os fornecedores são


Entrevista

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“A Emasa é o paraíso das empreiteiras. Todos os vícios que já vinham sendo denunciados desde a administração anterior, foram mantidos agora” os mesmos, os vícios são os mesmos piorados, a cidade andou para trás, não teve avanço em nenhum setor... a ordem de serviço para fazer a Estação de Tratamento de Esgoto de Balneário Camboriú, que estava licitada, pronta, ele demorou cinco meses para assinar, só para assinar, já tendo conhecimento e sabendo que seria feito com a mesma empresa! JP3 – Na Câmara essa mudança do DEM muda alguma coisa? Claudir – Em determinadas situações, muita gente atrapalha. É melhor do jeito que está, uma oposição menor. O prefeito não tem que botar culpa que tem minoria na Câmara, que tem dificuldade, até porque nunca teve, nunca foi rejeitado nenhum projeto dele, e esses quatro vereadores, se possível cinco terão plenas condições de fazer o debate político. Podemos perder na votação, mas vamos ganhar sempre no debate. JP3 – Você não conheceu o Piriquito só na campanha. Você foi vereador com ele. O que mudou? Claudir – Mudou para pior. Acho que o distúrbio foi piorando. Quando era vereador ele

só falava, não tinha que tomar decisão executiva nenhuma. Não se conhecia esse lado dele. JP3 – Quantos funcionários tem a prefeitura? Claudir – Até o final do ano eram 4.180 funcionários. Temos 250 cargos comissionados, mais umas 200 funções comissionadas, aquelas comissões que vai se criando e nomeando com gratificações de até 100% do salário, é uma máquina muito grande. Vamos gastar esse ano R$ 129 milhões com folha de pagamento.

JP3 – Mas aí não precisa 4.200 para criar conceitos! Claudir – Não, não, mas o que o município faz hoje e continua fazendo há muito tempo? Desprestigia os arquitetos que temos. Os técnicos em geral. JP3 – A Emasa é o melhor exemplo disso. Claudir – Todos estão pendurados. A Emasa é o exemplo 100%. Mas olha só, quem faz os projetos para a administração são as próprias empreiteiras, isso é o maior crime que se comete. F a z e m , embutem, burlam, é assim que funciona. Contra tudo isso lutávamos e com o governo Piriquito pioraram, estão mais agravados.

“Cassando o mandato o governo vai para o PSDB. Quero saber se o DEM vai para a oposição ou continua no governo”

JP3 – Mas essa máquina não tem um engenheiro para fazer uma Licença Ambiental Prévia. Não tem um engenheiro para projetar uma casa. Tem que contratar fora, se precisar. Nem para projetar uma ponte e nem para projetar um canteiro. Claudir – A função da administração pública é de criar alguns conceitos. Qual é o nosso conceito sobre mobilidade?

JP3 – O que você mudaria imediatamente se fosse o chefe da cidade? Claudir – Os gastos públicos, porque há uma dificuldade muito grande para fazer inves-

Falando nisso...

timentos quando se gasta muito em coisas desnecessárias. Precisa fazer uma reforma administrativa, séria, valorizar os profissionais de carreira e assim melhorar a administração. O funcionalismo de um modo geral é completamente descontente com os salários (...). Outra questão mais grave, nós lançamos 1300 apartamentos todo o ano, temos cerca de 200 0bras em andamento, é 1 milhão de metros quadrados que se constrói por ano em Balneário Camboriú. A cidade precisar ser pensada de outra maneira. Temos que ter um plano de frear isso. O Piriquito condenava a construção civil e hoje abriu mais as portas do que todos os governos anteriores. É um negócio sem controle. JP3 – Mas aí somos vítimas do nosso modelo, não tem como parar a construção civil. Claudir – Não precisamos parar, não precisamos permitir que se construa mais. JP3 – As pessoas ligam muito aqui pra reclamar da falta de fiscais na cidade, de um modo geral. Aí você tem mais de 4 mil funcionários e não tem fiscais? Claudir – Temos dificuldade

na fiscalização de obras privadas, não temos fiscais nas obras públicas. Na Emasa, por exemplo, quem fiscaliza as obras é uma empreiteira contratada para fiscalizar as outras empreiteiras. É assim que funciona. O município não tem nenhum dispositivo de fiscalização. JP3 – Gostaria de colocar mais alguma coisa? Claudir – Gostaria que o prefeito realmente tivesse consciência de que a passagem dele pela prefeitura é de uma importância muito grande. E que a falta de ação pode ser um retrocesso violento para a cidade. Nunca votei contra nenhum projeto que veio da administração e quero continuar votando favorável nas coisas que sejam de interesse da sociedade. Se não quiser me chamar, que ele chame a sociedade para dialogar, que discuta com os setores organizados, que possamos vencer esses obstáculos, porque a cidade merece andar para frente e não andar para trás (...) Talvez seja a conduta do Piriquito, ele se formou em Administração em um curso à distância e acha que tem que administrar à distância também... não pode, tem que ser presencial.

Marlise S. Cezar

marlise.jp3@gmail.com

Frases “Qual é a responsabilidade social da poderosa tevê Globo com o desfecho da novela ‘Passione’. Que contribuição trouxe à sociedade? E os sucessivos BBB´s do Bial?

Do álbum

Marlise Schneider Cezar

(Pastor Valdim Utech, da igreja luterana Martin Luther, durante culto dominical em janeiro)

Frases 2 “Não desejava o cargo, mas dele não pude fugir”.

(José Sarney, dizendo que sua eleição para presidir o Senado pela quarta vez é um sacrifício pessoal)

Frases 3 “Os rivais da escola são a televisão e o uso indiscriminado do computador como mero recurso de entretenimento individual” (Frei Beto, em entrevista recente)

Frase 4 “Neste marco colocamos uma Bíblia assinada pelo pastor, diretoria e conselho fiscal; os dois informativos deste ano da congregação, a liturgia do culto de Dedicação do Templo e o Jornal Página 3 do dia 29 de Janeiro de 2011, onde está a matéria sobre a realização deste culto” (Pastor Ezequiel Blum, da Congregação Luterana Esperança, sobre o cerimonial da inauguração das reformas internas do templo, domingo)

Frase 5 “Sou contra a homofobia e contra a ‘boiolagem” (Jair Bolsonaro, deputado carioca, em entrevista recente)

Frase 6 “Um bom gestor público deve copiar os exemplos de sucesso de outros administradores” (Jairo Jorge, prefeito petista que tirou a gaúcha Canoas do buraco)

Cenas que machucam - Domingo esta mulher que deve ter uns 40 anos amanheceu dormindo na porta do jornal, sob sol escaldante, coberta com plástico e rodeada de sacos de latinhas etc. Alguém deve ter chamado os bombeiros, mais tarde uma viatura da PM, conversaram com ela, que já estava instalada do outro lado da rua, na sombra, em um terreno baldio e foram embora. Fazer o quê? Soube que a vizinhança tentou ainda o serviço de fiscalização da prefeitura. Não sei o que deu. À tarde a mulher sumiu. Triste.


O Piriquito vivecomo se fosse a Aliceno País das Maravilhas