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Suplemento Especial Comemorativo aos 55 anos do Jornal Município Dia a Dia - Edição 09 - Outubro/2009

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Cultura Obras e artistas que encantam nosso dia a dia


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Apresentação Teatro Amador de Brusque Grupo Teatral Vestígios e S&T Prod. TEATRO | Maria de Lourdes Schmitz TEATRO | Luciano Mafra TEATRO | Sônia Regina Boing TEATRO | Associação Jogral TEATRO | Patrícia Souza e Lieza Neves TEATRO | Eu, Tu, Elas TEATRO | De mãe para filha LITERATURA | Saulo Adami LITERATURA | Suzana Mafra LITERATURA | Ayres G. e Antônio C. LITERATURA | Jornais alternativos DANÇA | Balé Clássico DANÇA | Dança contemporânea DANÇA | Dança do ventre ARTES PLÁSTICAS | Marina Pazzini ARTES PLÁSTICAS | Silvia Teske ARTES PLÁSTICAS | Jocelito de Souza ARTES PLÁSTICAS | Wany Zen ARTES PLÁSTICAS | Artistas plásticas ARTES PLÁSTICAS | Galeria particular ENTIDADES | Museu A. Dom Joaquim ENTIDADES | Casa de Brusque ENTIDADES | Biblioteca Pública ENTIDADES | Instituto Aldo Krieger ENTIDADES | Fundação Cultural CINEMA | Sétima arte CINEMA | Nayr Gracher CINEMA | Cine Gracher

PROJETO IDENTIDADE

Jornal Município Dia a Dia Rua Felipe Schmidt, 31 - sl. 01 Centro - Brusque - SC Fone: (47) 3351-1980 www.municipiodiaadia.com.br municipiodiaadia@municipiodiaadia.com.br comercial@municipiodiaadia.com.br

Diretor: Cláudio José Schlindwein Editora-Chefe: Letícia Schlindwein Edição e redação: Guédria Baron Motta

(Palavra e Cia - Agência de Comunicação)

Fotografia: Maicon Schlindwein e Fotos Divulgação/Arquivo Projeto Gráfico e Diagramação: Paulo Morelli | Chess Design Gráfico Impressão: Jornal de Santa Catarina

Colaboradores e Agradecimentos:

A nona edição do projeto Identidade contou com o apoio e informações de muitas pessoas. Para elas, que guardam conhecimentos tão importantes sobre Brusque, nossa gratidão e respeito: Saulo Adami, Eleutério Graff, Maria de Lourdes Schmitz, Luciano Mafra, Sônia Boing, membros da Associação Jogral, Patrícia Souza e Lieza Neves, Lúcia Orthmann, Suzana Mafra, Antônio Cervi, Casa de Brusque, Cláudia Bia, Rosélis Slowsky, Betinho Ghislandi, Milana Zanon, Marina Pazzini, Silvia Teske, Jocelito de Souza, Wany Zen, Neusa Lorita Leite, Denise Dubiella, Maria Rejane dos Santos Gomes, Ana Maria Soprana Leal, Sérgio Valle, José Francisco de Souza, Nayr Gracher.

CAPA: Reprodução de Brusque em 1949, por Erich Stratz.


Apresentação

Um passado rico em diversidade cultural. Assim é Brusque, cidade que já comportou bandas de jazz, teatro amador, grandes escritores e compositores, artistas plásticos, além de diversas entidades preocupadas com a valorização e manutenção da arte. Em 2009, quando o Jornal Município Dia a Dia completa 55 anos de fundação, se observa um movimento diferente dos últimos anos. Está formado o Conselho Municipal de Cultura e, nesse mês, ainda foram aprovados os primeiros projetos beneficiados pelo Fundo Municipal de Cultura. Parece que o foco atual está em olhar para o passado, na tentativa de construir um futuro diferente no campo da cultura e da arte. Nossa introdução ao nono capítulo do Projeto Identidade inicia com um pedido sincero de desculpas. Seria impossível resgatar, dentro de nosso número limitado de páginas, todas as manifestações artísticas que foram, e ainda são, desenvolvidas na cidade. De qualquer forma, queremos manifestar nossa estima, apreço e admiração por quem ainda acredita que é possível construir uma cidade melhor, que não quer “apenas comida”, mas, sobretudo, “diversão e ARTE”.

Escultura de Santo Antônio, no Museu Arquidiocesano Dom Joaquim, um dos mais representativos do Brasil em termos de arte sacra

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TEATRO | Teatro Amador de Brusque

A primeira entidade de teatro registrada na história de nossa cidade foi a Sociedade de Cantores Brusque - Gesangverein Sängerbund, fundada em 22 de julho de 1896. Depois da prática do canto coral masculino, o grupo apresentava pequenas peças de teatro e a noite seguia, embalada pelo baile. Já nas primeiras décadas do século XX foram fundados os grupos Theater - Verein Harmonie (1911-1915), Grupo Dramático Horácio Nunes (1916-1936) e o Teatro Amador do Seminário de Azambuja (1950). Com uma vida longa - nasceu em 1958 e resistiu até 1981 - o grupo Teatro Amador de Brusque, o TAB, marcou algumas gerações. Começou com o comando do diretor uruguaio Jorge Rembado Peiró, que montou em 1958 a primeira peça “Deus lhe Pague”, com texto de Juracy Camargo. No ano seguinte, Peiró saiu de Brusque, mas os trabalhos continuaram, com nomes como Oscar Maluche e José Laércio Gonzaga. Em 1959, eles lançaram o espetáculo “O Homem do Destino”, com texto de Bernard Shaw e “A Última Quimera, texto de Renato Vianna. Em 1962, já sem Maluche, que falecera anos antes, o TAB ganhou um estatuto, que passou a nortear as atividades do grupo. Assim, José Laércio Gonzaga assumiu a direção do grupo e manteve viva a chama do teatro entre os jovens da época. Mas, na década de 80, faleceu, colocando fim ao trabalho de mais de 20 anos do grupo e aos inúmeros planos teatrais, entre eles, remontar o espetáculo “Deus lhe Pague”.

TEATRO | S&T Produções

Fazer teatro de qualidade, mas também receber por isso. Foi com esta intenção que em 1987 surgiu a S&T Produções, criada por Saulo Adami (que atuou no teatro amador de 1975 a 1997) e Tina Rosa. Somando forças com atores, diretores, iluminadores, músicos e cenógrafos (Íris da Silva Serpa, Rosa Luciana Marchi, Márcio Fumagalli, Marcelo Carminatti, Luciano Mafra, Sônia Boing, Wilson Silva, Jorge Marcos, Sérgio Westrupp, Karina Adami e Jacson Assino, entre outros), Saulo Adami e Tina Rosa escreviam, produziam, captavam patrocínio e conquistavam o público para suas montagens. Ao todo, produziram 12 peças teatrais, sendo a mais marcante delas “Porões da Liberdade” (foto), montada em parceria com o Grupo Teatral Vestígios e o Sesc - Serviço Social do Comércio. As peças da S&T Produções participaram de festivais nacionais importantes, como os de Blumenau (“Porões da Liberdade”, 1994) e de Teresina, Piauí (“Nada de Love Story”, 1995; “Paredes de Lona Sem Brilho”, 1996), e foram indicadas para prêmios de melhor espetáculo, ator, direção e sonoplastia. A S&T Produções encerrou atividades em 1997, em função de mudanças nos objetivos individuais dos participantes. 4


TEATRO | Maria de Lourdes Schmitz

Viver de teatro, na visão de Maria de Lourdes Schmitz, é muito difícil. Por isso, apesar da formação em Artes Cênicas, pela Udesc, a dona do sebo, como muitos a conhecem, faz muito mais do que encenar, dirigir e criar roteiros. Seu objetivo é plantar a semente do teatro na cidade e, como ela mesma diz, “levar um pouquinho de amor à vida das pessoas”. Esse amor é conduzido através de vários grupos teatrais os quais atua ou já atuou: o Cenareta, composto por profissionais de teatro, o Trupe, com crianças na Santa Rita, a Usina, do Centro Cultural de Azambuja, e esporadicamente trabalhos junto ao SESC e no Bairro Águas Claras.

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TEATRO | Luciano Mafra

Para Luciano Mafra, depois da influência da irmã Inês Mafra e do primeiro contato com teatro na escola, três são as experiências fundamentais que fizeram com que o teatro nunca mais saísse de sua vida. A primeira, aos 17 anos, foi o Improviso, ex-grupo teatral da comunidade evangélica onde teve a experiência com iluminação, em peças como “Bodas de Sangue” e “Velório à Brasileira”. Aos 22 anos, passou a integrar a companhia Só Nós Três, dirigida por Eduardo Fão, que tinha uma proposta mais profissional. Rodou boa parte do Brasil, com a peça “Bicicleta do Condenado”, performance de rua com mais de de mil apresentações. Ao mesmo tempo, integrou o projeto Mergulho Teatral, do Instituto Brasileiro de Arte e Cultura, no qual teve contato com nomes do teatro catarinense e brasileiro, de forma intensiva. Desde então, não parou mais. Formou-se em Artes Cênicas pela Furb e é um dos principais fomentadores do teatro local, principalmente através do teatro produzido dentro de escolas, atualmente no Colégio Cônsul Carlos Renaux, além de ter grupo próprio o Eu, Tu, Elas. Para ele, a inserção do teatro nas escolas é uma forma de a ensinar o respeito e a dignidade às pessoas através dessa forma de arte.

TEATRO | Sônia Regina Boing

Aos 60 anos de idade, Sônia Regina Boing não tem pudores em admitir: depois que começou a fazer teatro, se tornou outra pessoa. A brusquense, antes reprimida, tornou-se mais alegre, espontânea e cheia de ideias. A mudança ocorreu no começo da década de 1990, quando trabalhava com grupos no SESC, e entre eles, acabou assumindo também o de teatro. A influência foi tão grande que, logo, se viu fazendo várias oficinas, produzindo projetos, roteiros e, mais a frente, montando a sua própria companhia, Karikathos, além de conduzir grupos de teatro no Colégio São Luiz, na empresa Irmãos Zen, no próprio SESC e formando parcerias com outros artistas da cidade. Mas, sempre com objetivos muito claros em mente: fazer um teatro gostoso, que leve à reflexão do público temas polêmicos e, principalmente, relacionados aos preconceitos. Um dos últimos trabalhos foi um programa de televisão, no ano passado, em que apresentava encenações de bonecos. No momento, como ela mesma diz, decidiu estrelar a própria vida, dando um tempo dos palcos. Mas para 2010, Sônia prepara alguns projetos que relacionam teatro e marketing, este último, área em que possui formação. 6


TEATRO | Associação Jogral

Uma Companhia que se transformou em Associação. Essa é a história da Jogral, fundada em 2006 pela crítica teatral e dramaturgista Eliane Lisbôa, após dois anos de curso de teatro e a partir da montagem da peça “Um Inimigo do Povo”, de Henrik Ibsen. O espetáculo circulou em Brusque e na região, sendo remontado em 2007, já em caráter profissional, quando recebeu apoio do Funcultural, incentivo do Governo Estadual. No mesmo ano, o grupo iniciou o projeto “Leituras Dramáticas”, seguida pela montagem do espetáculo “Último Ato, o suicídio em Questão”. Hoje, seus integrantes atuam na área de contação de histórias e mantém dois trabalhos coletivos elaborados: “As Aventuras de Pedro Malazartes” e “Fábulas: Contos de Marina Colasanti”. Em 2009 o grupo apresentou a leitura dramática “Num sol Amarelo”, de César Brie, durante o projeto Enter, do Sesc de Brusque. Ainda protagonizou “Nelson em Pedaços”, sob direção de Carlos Meloni e Lieza Neves.

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TEATRO | Patrícia Souza e Lieza Neves

Talentosas, versáteis, divertidas. Lieza Neves e Patrícia Souza se conheceram na juventude, precisamente em 1997, durante um curso de teatro oferecido pelo extinto Núcleo de Difusão Cultural. Nascia ali mais do que uma amizade: era a cumplicidade necessária para dividir o mesmo palco pelos próximos anos. “Nossa fusão de amizade e trabalho deu certo porque temos uma presença de espírito bem parecida, quase gêmea. E, hoje, nossos personagens já são íntimos, tanto que é possível instigar um diálogo bem previsível”, explica Patrícia. As meninas atuaram em musicais e diferentes gêneros teatrais. No entanto, preferem o humor. “É algo que está enraizado na gente. Fazemos piadas até dos problemas. Talvez por isso, no palco, o humor flua de maneira natural”, observa Lieza.

TEATRO | Eu, Tu, Elas

Em 2003, em comemoração ao aniversário de Brusque no dia 4 de agosto, a RBS TV desenvolveu um quadro especial do Jornal do Almoço, com uma encenação sobre a história da cidade. Da representação, exibida para boa parte do Estado, nasceu a companhia teatral Eu, Tu e Elas. Integrada por Daniel Mafra, Barbara dos Santos, Andrea Gonçalves, Douglas Leoni, Joice Mafra, Natália Giacomini, Eduardo da Silva, Jaqueline da Silva e Alexandro Gonçalves, ela se especializou principalmente no clown, estilo teatral que utiliza os recursos do palhaço. Entre os espetáculos mais conhecidos do grupo está “Há-Malas”, apresentado diversas vezes, com casa cheia e público conquistado no sucesso do boca a boca. O grupo, que mudou de formação, atualmente prepara outro espetáculo de clowns, chamado “O Segredo.” 8


TEATRO | De mãe para filha

Em 26 de julho de 1975, estava em cartaz em Brusque a peça “Roleta Paulista”, dirigida por José Laércio Gonzaga, com apoio de Arnaldo André Tormena e Vilson Dietrich e os atores: Lúcia Valle, Lenita Zucco, Inês Mafra, Saulo Tavares, Horácio Siegel, Jorge Hildebrandt e Rubens Schmidt. Era o Teatro Amador de Brusque (TAB) preparado para mais uma temporada de aplausos e sucessos. No ano seguinte, Lúcia viajou para São Paulo em busca do sonho de ser atriz e voltou para Brusque formada em Educação Artística. Desde então, é protagonista de uma grande história de amor, escrita ao lado de Walter Orthmann. A paixão pelos palcos, no entanto, foi transferida para a filha Sabrina que, depois de uma carreira brilhante de modelo, agora se dedica ao teatro e já apresentou duas grandes peças em São Paulo. “Ela já fez cursos nas escolas de Wolf Maia e Nilton Tavares, é atriz profissional e está realizando o meu sonho”, ressalta, cheia de emoção, a mamãe Lucia. 9


Literatura | Saulo Adami

É impossível falar de literatura sem lembrar de Saulo Adami, que escreve todos os dias. Nascido em Brusque em 1965 e criado em Itajaí, o escritor (ao lado da esposa Tina Rosa) é um dos grandes responsáveis por transformar a história regional em livro. O casal escreveu e editou cinco obras sobre o nosso município (Brusque: Cidade Schneeburg, 2005; Brusque Era Maior: Viajantes do Tempo, 2006; Brusque Vai à Guerra: Novas Visões da História, 2007; Brusque Operária: Comércio e Indústria, 2008; e Histórias e Lendas da Cidade Schneeburg, 2009), que juntas somam mais de 2.300 páginas. Autodidata, despertou para literatura e história na infância, vivida no Arraial dos Cunhas, antes de fazer carreira no jornalismo (1982-2002). Como repórter, não se contentava em contar o fato, queria resgatar as origens de personagens e ocorrências. Foi assim que enveredou para a investigação histórica. Trouxe à tona a origem de outros municípios (Vidal Ramos, Imbuia, Massaranduba, Agrolândia, Rio do Oeste, Guabiruba, Presidente Nereu, Botuverá, Guaramirim, Aurora e Itajaí), lançou obras sobre empresas, entidades e famílias. Hoje, divide-se entre Itajaí e Guabiruba, onde mantém estúdio para produzir com mais tranqüilidade. Além de dar vazão às suas ideias (é autor de 42 livros, alguns em co-autoria), realiza sonhos de outros autores por meio da S&T Editores, editora criada por ele e Tina Rosa em 2003, que já lançou mais de 50 títulos. 10


Literatura | Suzana Mafra

Quando o assunto é livro, em Brusque ninguém se esquece daquela bibliotecária pública de olhos claros, voz suave e postura tão mansa. Com certeza você já foi atendido por Suzana Mafra, a brusquense que teve a coragem de saltar o balcão e eternizar sua história nas prateleiras de pilhas e mais pilhas de livros que tanto precisou organizar. Formada em Biblioteconomia, mestre em Literatura e hoje cursando especialização de Gestão em Biblioteca, Suzana é autora do livro “Borboletras”, cronista de um jornal estadual, já recebeu a menção honrosa em um concurso sobre blogs, em Portugal, foi finalista dos projetos Habita Sul e Carta para Clarice Lispector, além de receber o prêmio Franklin Cascaes, com sua poesia para Antonieta de Barros. “Venho de uma família de 13 irmãos, onde nunca faltou música, contação de história e leituras, mesmo de gibi ou fotonovela. A lembrança marcante da escola foi na quarta série, quando a professora de Português utilizava os minutinhos restantes da aula para contar histórias, sempre interrompida pelo sinal. Isso provocou uma corrente de diálogo entre os alunos no intervalo, ansiosos para saber o final do conto narrado pela professora. Por isso acredito que a família e a escola tem papel fundamental na formação de novos leitores”, observa Suzana. 11


Literatura | Ayres Gevaerd e Antônio Cervi

Antigo relojoeiro, fundador da Sociedade Amigos de Brusque (SAB), que mantém o Museu e Arquivo Histórico do Vale do Itajaí-Mirim, mais conhecido como “Casa de Brusque. A vocação para contar histórias de sua cidade, resgatar memórias de sua gente, no entanto, levou Ayres Gevaerd além. Foi ele que idealizou a publicação “Notícias de Vicente Só”, lançada em 1977. Mais do que alguém interessado pela preservação da história do município, em Ayres Gevaerd, Antônio Cervi encontrou um grande amigo. Tanto que, depois da partida de Neco Heil, Horst Schlösser e do próprio Ayres, foi Antônio que assumiu a presidência da Casa de Brusque, cargo ocupado por mais de 10 anos ininterruptos. Aliás, Antônio sempre esteve envolvido em serviços comunitários: desde a tesouraria de paróquias até clube de futebol... Sem ideias tímidas, ele já foi presidente da Associação Comercial e Industrial de Brusque e fundou a Câmara de Dirigentes Lojistas e o Sindicato dos Contabilistas. No entanto, seu grande prazer parece mesmo estar ligado ao zelo pelo passado. Tanto que já planeja trabalhar na Casa de Brusque como voluntário, pelo menos duas vezes por semana. “Estou disposto para executar bons projetos”, diz ele, cheio de entusiasmo, aos 76 anos.

Literatura | Jornais alternativos

“Cogumelo Atômico” é o nome de um jornal alternativo que fez sucesso em Brusque na década de 70, liderado por Luiz Teixeira, Aloísio Buss, Jorge Grimm e Almir Feller. Impresso e distribuído por correio em cidades do Brasil e do Exterior, o periódico sofria a influência hippie e se tornou um grande veículo de comunicação para apreciadores do movimento. Quinze anos mais tarde, Luiz Teixeira voltou a se aventurar pela imprensa alternativa, dessa vez ao lado de Cláudia Bia, através do periódico “Contracorrente”. “A gente não tem mais o direito de ser ingênuo. De engolir sem mastigar mitos, propagandas, padrões”, dizia o discurso de abertura do jornal, com um ar de punk rock. Em três anos de circulação foram lançadas 20 edições. “Era o tipo de atividade que ainda me define, uma forma diferente de encarar o mundo. Minha cabeça continua sendo idealista”, confessa Cláudia Bia. 12


DANÇA | Balé Clássico

“O balé clássico é a base da formação para outras modalidades de dança. É um trabalho de longo prazo, que precisa de disciplina e respeito com o corpo”. A explicação é da bailarina e professora de dança Rosélis Slowsky, que estudou diversos ritmos em São Paulo. Hoje, em Brusque, a profissional oferece aulas de balé clássico, balé contemporâneo, jazz adulto, axé, hip hop, entre outros e garante que perder-se no embalo da música pode ser benéfico para a saúde. “Já sabemos que a dança melhora o déficit de atenção da criança na escola. E o mais importante é que os bailarinos agora são reconhecidos como profissionais e deixaram de ocupar apenas mais uma cadeira na formação da arte cênica”, completa, Rosélis.

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DANÇA | Dança contemporânea

Era uma vez um menino, que vivia em uma cidade industrial e sonhava ser bailarino. “Não é rentável, como você vai se sustentar?”, diziam os menos otimistas, aqueles que não sabem o quão doce é realizar um sonho. Betinho Ghislandi, já no início da juventude, provou que é maior que os preconceitos e se tornou o primeiro homem a se aventurar pela dança em Brusque. “Acredito que qualquer profissional que presta um bom serviço é valorizado, bem aceito. Por isso, trabalho com dedicação, seriedade e aposto na educação”, diz Betinho, que hoje leciona as modalidades de dança contemporânea e jazz.

DANÇA | Dança do ventre

Tecidos leves, muitos acessórios, ritmos precisos e uma música que exige performance para lá de sensual. A dança do ventre aportou em Brusque em 2001, por influência da novela global O Clone e, mais uma vez roubou a cena nos últimos meses, estimulada pelo sucesso Caminho das Índias. A profissional de Educação Física e especialista em Dança e Consciência Corporal, Milana Zanon, no entanto, sempre acreditou na beleza dessa modalidade e, em 2009, realizou em Brusque o Sétimo Festival de Dança do Ventre, com mais de 300 bailarinas de Santa Catarina e do Brasil. “É um evento pioneiro e desafiador, até porque existia certo preconceito pela dança do ventre. Felizmente o conceito tem mudado e hoje muitas pessoas querem aprender essa arte que, como as outras, exige persistência e dedicação”, afirma Milana. 14


ARTES PLÁSTICAS | Marina Pazzini

Contemplar o belo como metodologia para construção de uma obra de arte. Assim são os olhinhos claros da artista plástica Marina Pazzini: perceptíveis ao que há de vivo, colorido e encantador ao redor. Em suas telas há borboletas, pássaros, flores. Tudo que viu ou ouviu por aí, pelas calçadas de Brusque, tão próximo de todos nós. Apesar de estimular a preservação, suas obras não querem apenas valorizar a fauna e a flora por conveniência humana, ou seja, plantar árvores para purificar nosso ar, criar um bichinho de estimação para afastar o estresse. Em seus quadros, faunas e floras são valorizados como seres vivos e, portanto, merecedores de respeito.

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ARTES PLÁSTICAS | Silvia Teske

Difícil encontrar sinônimos para essa artista plástica brusquense. Talvez porque Silvia Teske seja mesmo indescritível, única, autêntica. O tempo trouxe experiência, mas não foi capaz de ofuscar o brilho intenso do olhar de menina curiosa, que se permite encantar com tudo e todos. Hoje Silvia trabalha com memórias de infância, traduzidas em telinhas de 10 centímetros de largura e até 100 centímetros de comprimento. No mesmo formato, pinta mulheres rainhas, onde eterniza o poder feminino e perpetua seu talento. “Acredito que vivemos um momento bem propício. A nova Fundação Cultural tem trazido à baila muitos artistas que haviam sumido ou desistido de aparecer. Sem dúvidas, é um momento de possibilidades que eu espero intensamente que não se esvazie por narcisismos e vaidades pessoais”, destaca Silvia.

ARTES PLÁSTICAS | Jocelito de Souza

A última obra produzida por Jocelito até a veiculação desse caderno. Em arte contemporânea, o quadro é chamado “O mundo de Camila”, mas conhecido como “Eu adoro Coca-Cola”

Aos 30 anos, o atual presidente da Fundação Cultural e artista plástico Jocelito de Souza, decidiu interromper sua carreira administrativa para investir em uma aptidão já descoberta na infância: a facilidade em desenhar e pintar. Pelos anos seguintes, ele se tornou professor de artes plásticas e viveu exclusivamente de suas aulas e da venda de obras próprias. Nos quadros que produz, Jocelito revela a influência impressionista, com ênfase em Manet, Sisley e Van Gogh. E foi nessa linha que ele produziu, durante dois anos, pinturas de antigos casarões de Brusque, preservados ou não. “O que ainda sinto falta na cidade é de um espaço público municipal para a realização de exposições, uma iniciativa que daria visibilidade aos nossos artistas que, certamente, seriam mais reconhecidos pelo talento”, observa Jocelito. 16


ARTES PLÁSTICAS | Wany Zen

Um dos quadros que adornam a casa de Wany Zen é uma pintura que partiu da reprodução de uma foto de família (foto). Na imagem, o pai e o avô da artista plástica, na década de 1930. Os dois, segundo a pintora, foram grandes influências em seu trabalho com as artes. Natural do Rio de Janeiro, mas radicada em Brusque há 35 anos, é de família italiana e cresceu em meio as atividades artísticas, as quais viriam a aflorar com mais força no começo da década de 90, pela própria necessidade de se expressar. Foi assim, neste afã, que produziu sete telas com São Francisco. Anos depois, o trabalho ganhou mais propulsão graças a professora Marli Gevaerd, que lhe ensinou técnicas e deu vazão aos seu sentimentos. A partir de então, Wany começou a sentir na arte o seu porto seguro e a paz de espírito que procurava. Entre as imagens mais encontradas em suas obras está a figura humana. Hoje a artista plástica espera ver suas telas circulando por diversos ambientes. Tanto que Wany planeja a criação de uma galeria de artes plásticas, inaugurada ainda em 2009, onde espera ser o novo reduto dos artistas.

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ARTES PLÁSTICAS | Artistas plásticas

Expressão, sensibilidade e linguagem universal. Essas são algumas palavras que resumem o trabalho em artes plásticas de Neusa Lorita Leite, Denise Dubiella e Maria Rejane dos Santos Gomes. Lorita, aos 63 anos, deixa que as telas e os seus trabalhos em papel machê falem por si. De poucas palavras, considera a arte um dom natural e a técnica aperfeiçoada no autodidatismo. Denise e Maria Rejane, que tiveram o primeiro contato com as artes plásticas na adolescência com a artista Raquel dos Santos e, mais tarde, buscaram formação fora da cidade até se tornarem professoras, também tem seus traços característicos. Maria Rejane vai da tela à porcelana. Mas é nesta última que se identifica, em um difícil trabalho fabricado artesanalmente com tons dourados. Denise estuda e coloca em prática a arte moderna e contemporânea, com um trabalho envolvendo o hiperrrealismo.

ARTES PLÁSTICAS | Galeria particular

Quadros, flores, livros e esculturas. O que se costuma ver com mais evidência em museus ou galerias está organizadamente disposto pelas paredes e cômodos da casa onde vive Ana Maria Soprana Leal. Apenas no endereço de Brusque são mais de 100 obras, de artistas plásticos do Brasil e do mundo. Seus preferidos, no entanto, encontram-se na sala principal: dois do italiano Cencini e um de Pléticos, natural da Croácia e radicado em Florianópolis. Também podem ser citados Vera Sabino, Mirian Portal, Érico da Silva, Eli Heil, Henry Vitor e os brusquenses Raynério Krieger e Silvia Teske. “O bonito depende de quem vê. Quando visito alguém, dificilmente lembro dos móveis da casa, mas nunca esqueço o quadro que havia na parede”, explica Ana Maria. 18


ENTIDADES | Museu Arquidiocesano Dom Joaquim

Com 76 anos de existência, o Museu Arquidiocesano Dom Joaquim, conhecido carinhosamente por Museu de Azambuja, é parada obrigatória para turistas e escolas da cidade. Atualmente, recebe uma média de 250 pessoas ao mês, que vêm conferir o acervo da instituição, em torno de quatro mil peças. Localizado no bairro Azambuja, um dos pontos fortes do museu é ter um grande número em termos de acervo de artes sacras do país. Aqui é possível encontrar obras centenárias, vindas até mesmo da Europa. Apesar disso, em sua fundação em 1933, não havia grandes pretensões para o espaço. Tudo começou com uma pequena coleção de objetos, doados pela família de João Marques Brandão, que tinham o objetivo de pagar os estudos do filho no seminário. Aos poucos, mais e mais doações - registre-se peças do padre Raulino Reitz - foram o transformando no espaço que é hoje, que ganhou o nome de Museu Arquidiocesano Dom Joaquim somente em 1960. Além de arte sacra, possuiu objetos geológicos, arqueológicos, de botânica, zoologia, armaria e objetos de uso dos imigrantes europeus.

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ENTIDADES | Casa de Brusque

A Sociedade Amigos de Brusque (SAB), conhecida como Casa de Brusque, foi fundada em 4 de agosto de 1953, pelo relojoeiro Ayres Gevaerd. O objetivo da entidade era contribuir para a melhora do desempenho cultural do município, bem como guardar e preservar seus documentos, obras de arte, artefatos, móveis e utensílios de instalação da cidade, das primeiras famílias e da região do Vale do Itajaí. A Sociedade atuou de modo efetivo e exemplar nas comemorações do 1º Centenário de Brusque, quando editou e lançou os livros “Brusque - Subsídios para a história de uma colônia nos tempos do império” (1958), de Oswaldo Rodrigues Cabral, “Folclore de Brusque: Estudo de uma comunidade” (1960), de Walter Fernando Piazza e o “Álbum do 1º Centenário de Brusque” (1960). Hoje a Casa de Brusque guarda periódicos escritos em português e alemão, do início do século passado, documentos da Colônia, assinados pelo Barão de Schneéburg, a divisão de lotes entre os colonos, mais de cinco mil fotos e diversos utensílios.

ENTIDADES | Biblioteca Pública

Um projeto de Lei do Ministério da Educação, aprovado pelo Congresso Nacional em 1962 exigia das cidades com mais de 10 mil habitantes a obrigatoriedade de instalação e funcionamento de uma biblioteca pública. Em cumprimento a Lei, foi fundada em Brusque, no dia 3 de agosto de 1963, a Biblioteca Pública Municipal Ary Cabral. No ano seguinte, o bibliotecário José Francisco de Souza (foto) foi contratado para organizar o local, que não tinha mais 300 livros, dos quais apenas 1/3 era aproveitável. Estava lançado então o “Mutirão do livro”, no qual as famílias e empresas poderiam doar obras para incrementar o acervo público. “Eu, com minha bicicleta, uma cesta dependurada em seu guidão e uma caixa no bagageiro; com os endereços passados por telefone durante o dia anterior, recolhia uma remessa de doações pela manhã, ao ir pro trabalho e outra após o almoço”, lembra Francisco, que por 24 anos trabalhou no local. 20


ENTIDADES | Instituto Aldo Krieger

Era de uma casa cor de terra, instalada na rua Paes Leme, centro de Brusque, que já ecoaram afinadíssimas canções. Exatamente onde viveu o maestro Aldo Krieger (1903- 1972) foi fundado um instituto que guarda e valoriza suas memórias. A entidade, de direito privado e sem fins lucrativos, iniciou as atividades em 5 de julho de 2002, um ano antes das comemorações do Centenário de Nascimento do Maestro Aldo Krieger. Hoje, o Instituto executa, promove, fomenta e apoia atividades de manutenção, conservação e divulgação do acervo e da obra desse grande músico, reconhecido no Brasil e no mundo.

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ENTIDADES | Fundação Cultural

Democratizar a cultura e oferecer arte de qualidade para todos. Este é o objetivo da Fundação Cultural de Brusque, que desde o início de 2009 vem desenvolvendo diversos projetos na cidade. O primeiro implantado foi o “Cine Casarão”, que toda sexta-feira, às 20h, exibe curtas e longas-metragens nacionais, disponibilizados pela Programadora Brasil. Há também o projeto “Arte nos bairros”, que não se limita em barreiras geográficas e leva a cultura onde o povo está. Já o projeto “Arte em toda parte”, incentiva, forma e muda a vida das pessoas. Através de parcerias firmadas com centros comunitários, associação de moradores e paróquias, são oferecidos cursos de dança, teclado, técnica vocal, violão, teatro e artesanato. Apenas esse ano, a Fundação Cultural também organizou o “1º Festival de Inverno” e trouxe a inédita apresentação do Teatro Bolshoi, que se repetirá em dezembro.

CINEMA | Sétima arte

A história do cinema em Brusque, que tem início no começo do século passado, está ligada diretamente ao nome de Carlos Gracher. Empreendedor, o patriarca da família aguardou a chegada da energia em Brusque para trazer, em 1915, os primeiros filmes ao Cine Esperança, anexo ao Hotel Schaefer, no Centro de Brusque. Conforme as expectativas da época, as películas eram em preto-e-branco e mudas. Mas isso não era motivo para impedir a diversão. As sessões tinham bom público, com a presença de delegados de polícia, empresários e pessoas importantes da cidade. Para animar o cinema, Gracher costumava contratar uma banda para tocar músicas durante o filme ou ainda colocava alguma música de vitrola. 22


CINEMA | Nayr Gracher

De Oscarito a Flash Gordon, de Mazzaropi a King Kong, foram muitos os sucessos que passaram nas telas do cinema de Brusque. No entanto, em todas as suas épocas, mais do que uma sessão de filme, era considerado um ponto de encontro. As pessoas costumavam comparecer às sessões para verem e serem vistas, conversar, beber e, em alguns casos, até mesmo fumar. Foi em uma dessas sessões, no Cine Guarany, em 1940, que Nayr conheceu o marido Arno Carlos Gracher. Ela tinha apenas 12 anos e ele, 17. Assim, entre uma imagem e outra projetada na grande tela que surgiu a paixão do casal que, anos mais tarde, dariam início à família que manteria os empreendimentos surgidos no começo do século.

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CINEMA | Cine Gracher

A primeira experiência da Família Gracher com o Cine Esperança foi seguida por várias outras ações empreendedoras, sempre com a expectativa de tornar o cinema uma atração cada vez melhor na cidade. Foi assim que, em 1932, o Cine Esperança se tornou Cine Guarany - construído junto ao primeiro hotel da família e o primeiro cinema falado, graças a aparelhos como Vitaphone e Moviephone. O empreendimento foi aumentando cada dia mais. Em 1949, Arno Carlos e o filho Carlos inauguraram o Cine Real, com mais de 500 lugares - que passou por um incêndio em 1952 - e mais tarde se tornou no Cine Teatro Real, que além de cinema sediava também peças teatrais, trazidas até mesmo de outros estados e manteve-se na ativa até 1994. Depois de tantos anos dedicados à sétima arte, a família buscou aperfeiçoar o trabalho e a interrupção dos serviços em 1994 estava ligada a uma reforma no espaço, reinaugurado em 1999, com o nome de Cine Gracher, e ampliado em 2005. Hoje, Brusque conta com três salas de cinema, com som digital, um dos mais modernos do Estado.

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Projeto Identidade