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Caderno especial de aniversário de Tatuí, assinado por Luiz Antonio Voss Campos, tem tatuianos marcantes e foco na música Em época de “pós-verdade’, em que o fato perde relevância em favor da opinião sem compromisso com o fundamento, em que as “fake news” ganham audiência em detrimento à história real, torna-se ainda mais urgente e fundamental não apenas a valorização do compromisso com a verdade, mas o resgate e a salvaguarda das tradições, das raízes, das personalidades expoentes, enfim, de tudo e todos que contribuem com a formação da própria identidade de um povo. E que maior traço de personalidade senão a música para marcar a história de Tatuí? Nossa Cidade Ternura, a Terra dos Doces Caseiros, que comemora 192 anos neste 11 de Agosto! Assim, sustentando também uma tradição de muitos anos, o jornal O Progresso apresenta, nesta data festiva, uma edição realmente especial, com conteúdo exclusivo, além das mensagens de felicitações. Em 2018, no entanto, “Inovando” no processo de edição do especial de aniversário – até então sempre concretizado pelos profissionais da própria redação -, O Progresso convidou um tatuianíssimo para assinar todas as reportagens e contribuir com a seleção de imagens. Essa figura, naturalmente, deveria ter claros compromissos e afinidades com a história do município, com suas tradições, e, claro, particularmente com a música! Daí o convite a Luiz Antonio Voss Campos, que não só mantém os pés fincados na “terra vermeia”, mas que, em diversas áreas de atuação, tem ajudado – e muito! - a escrever a história da Capital da Música. Nestas páginas, figuradas por outros tantos tatuianíssimos especiais, um pouco mais dessa resenha de amor pela Cidade Ternura!

Luiz Antonio Voss Campos – o Voss

Nasceu em Tatuí, em 16 de novembro de 1952, filho dos professores Diógenes Vieira de Campos e Maria Aparecida Voss Campos, de quem herdou o sobrenome pelo qual é conhecido em todos os lugares. Porém, existem aqueles que acreditam que “Voss” é porque ele usa muito a voz para apresentar e cantar. Ele fala que isso é “divino”! “Desde menino, sempre tive uma queda pela cultura no seu todo e tudo com o foco principal em Tatuí”, conta. Ainda no curso primário, conquistou o primeiro lugar em um concurso com uma redação sobre a história de Tatuí. Nos anos 1960, foi “contaminado” pela jovem guarda e a “beatlemania” e, junto a vários amigos, formou o conjunto musical The Johnnies, pela qual passaram:

Jarbinhas, José Erasmo, Thyrso Menezes, José Ricardo “Cacá”, Tatit, Paulo Xocaira, Zé Gaiola, Toninho Bonga, Tato do Sax, José Luiz Penatti e outros. Porém, a formação musical que mais permaneceu unida foi: Burt (guitarra), Didi (bateria), Zé Emílio (teclado), Dirceu (contrabaixo) e “na voz, Voss”. Essa banda teve grande apoio e direção musical de Jorge Rizek em todos os bailes temáticos mais famosos da época, como: Baile Hippie, Noite do Além, Miss Regional, Noite de Romeu e Julieta, entre outros. Voss também é um dos fundadores do bloco carnavalesco Banda Bandida, para a qual, em 1976, quando Tatuí completava 150 anos (há 42 anos), compôs o samba-enredo “Samba da Ternura”, no

qual conta a história da cidade e que foi cantado na rua pelo bloco. Teve um programa radiofônico na ZYL-5 Rádio Difusora de Tatuí, ao lado de Vera Holtz (Vera Lee), Rizek, Lineu, Joaquim Roberto. Voss personificava o DJ da Rádio Mundial (RJ) com o nome de Big Voss. Nos anos 1990, foi para a Rádio Notícias, onde criou o programa Salada Mista, no qual tocava de tudo e que, inclusive, introduziu o rock na rádio AM, ao lado de Sílvia Franco, Mário Da Coll e Marcos II. No Carnaval de 1991, com o advento da guerra Irã-Iraque, declarada pelo ditador iraquiano Saddam Hussein, compôs, ao lado do músico Xyro e da banda Sal da Terra, a marcha carnavalesca “Saddam, Deixa Pra Amanhã”, na qual convida o ditador a parar a guerra e vir passar o Carnaval no Brasil. Na vida pública, já foi vereador por dois mandatos, vice-prefeito por dois mandatos e, atualmente, é assessor especial do gabinete da prefeita Maria José Vieira de Camargo e cerimonialista da Prefeitura, apresentando todos os eventos municipais e públicos. Também atua como diretor do PAT (Posto de Atendimento ao Trabalhador). “Aproveito o momento para desejar a todos uma feliz leitura, muita saudade e parabéns à nossa querida Cidade Ternura, Terra dos Doces Caseiros, Capital da Música, Município de Interesse Turístico Tatuí, pelos seus 192 anos de prosperidade e felicidade”.

Aqui mora o talento, vive o trabalho e se comemora o sucesso. Homenagem da Guardian® pelos

192 anos de Tatuí.


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Especial 11 de Agosto - Tatuí 192 anos - VOSS DA anos HISTÓRIA Especial 11 de Agosto - Tatuí 191

Da esquerda para a direita , atrás: Ivori Maciel, Luiz ão, José Milt Abaixo: João on. Batista, João Rodrigues e Joaquim Ribe iro

Vai graxa aí? Os amigos leitores já sabem que sou um “pouco” saudosista. Cheguei à conclusão de que, com toda a velocidade do mundo, os aparelhos celulares, tablets, internet, o ser humano está com “saudades de sentir saudade”. Então, voltemos novamente à máquina do tempo, quando ainda não existia tênis - não o esporte, mas o calçado que domina os pés das pessoas no mundo. A ideia deste texto surgiu há dois anos, quando me encontrei com o Joaquim Ribeiro no Restaurante Tropical, de propriedade do amigo Evaldo.

Quando você começou a exercer a profissão de engraxate em Tatuí?

Comecei com 10, 12 anos, engraxando sapatos nas ruas, por volta dos anos 1950. Depois, com 15 anos de idade, fui trabalhar na fábrica Santa Adélia; com 17, fui mandado embora da fábrica. Naquela época, os jovens que estavam próximos de fazer o Tiro de Guerra eram dispensados. Assim, fui trabalhar como engraxate na rua Prudente de Moraes, na engraxataria do Sílvio Marques. Ali, trabalhei como engraxate, tinha quase 18 anos. Tempos depois, o Sílvio Marques vendeu a engraxataria para mim. Comprei o negócio dele, dando em troca uma bicicleta Merck Swissa e 3:000$000 (três contos de réis), que peguei de acerto da Santa Adélia. Fiquei com a engraxataria e com os meninos que trabalhavam comigo. Em 1962, o Rubião estava querendo vender uma engraxataria e, através dele e do Maciel, que ajeitou o negócio, comprei a engraxataria dele, que era na rua 11 de Agosto.

Naquele tempo, como se vestiam os homens?

Usavam terno e chapéu na cabeça e sapatos em couro, sempre brilhando. Tinha uma molecada no Mercado que engraxava sapatos, e, para pegarmos um “ponto” melhor (para trabalhar lá), tinha que ir de madrugada. O negócio era quente. Quase nasci nessa casa aqui na rua Santa Cruz.

Vim morar aqui em 1944, com quatro anos de idade.

Por causa da poeira das ruas, o movimento na sua engraxataria era forte naquele tempo?

As ruas tinham muito barro e poeira naquela época. Havia aqueles bailes no Tatuí Clube, no XI de Agosto, na Sociedade Recreativa, no Tatuiense. Então, nessas datas, a nossa engraxataria funcionava até a meia-noite. Formava fila de pessoas querendo engraxar os sapatos.

Como eram os sapatos naquele tempo?

Havia os sapatos de bico chato, quadrados, aqueles com bico fino, envernizados. Havia também os de duas cores, marrom e preto. Acho que você chegou a ver aqueles sapatos. Davam um trabalho para engraxar os bicolores, mas nós dávamos um jeito.

Só os homens engraxavam os sapatos ou as mulheres também?

Era raro, mas tinha algumas mulheres que engraxavam. A maioria da clientela era homem.

Seu Joaquim foi um dos primeiros a ter uma engraxataria em Tatuí, situada na rua 11 de Agosto, próxima ao Bar Itamaraty, do “seu” Orlando, pai do meu amigo Zé Orlando, e também da Foto Menezes, dos amigos Bogê e família. Para você que nunca engraxou um par de sapatos e sempre pediu para os pais ou outra pessoa fazer essa gentileza, vamos explicar o que é uma engraxataria. Ora, é o local onde você sobe em uma cadeira um pouco mais alta e seus pés, calçados, ficam na altura adequada

Nós tingíamos sapatos também. Às vezes, o freguês tinha sapatos brancos e tingíamos de preto com uma tinta própria para isso. Nós engraxávamos, também, sapatos de dentistas, médicos, enfermeiros, que até hoje usam sapatos brancos. Eu tinha muitos fregueses médicos.

Nos anos 1950, 1960, até 1970, podemos ver que os homens usavam muitos ternos, e isso sempre exigia sapatos bem engraxados?

Eles sempre queriam sapatos brilhando.

Como é sabido, nessa época, eram muito famosas as voltas em torno do coreto da Praça da Matriz...

É. Primeiro, eles (os rapazes) passavam na engraxataria para, depois, ir até a praça. A rua 11 de Agosto já tinha calçamento naquela época, com paralelepípedos, mas o restante da cidade tinha muita terra. Daí os sapatos ficavam cheios de barro, e isso exigia que se

passasse antes na engraxataria para limpá-los, para, depois, ir até a praça.

Quais eram as melhores datas para engraxar os sapatos?

No Natal, no final de ano, havia muito movimento. Nos sábados, antes dos bailes ou de irem até a Praça da Matriz, o pessoal ia para a engraxataria. Faturei muito dinheiro com o negócio. Esta casa que tenho construí com esse trabalho.

Em que ano o senhor começou a sentir a concorrência dos sapatos de couro com os tênis? Ou o senhor parou antes?

Eu parei antes da popularização do tênis. Naquela época, não tinha muito tênis, não sentia a concorrência, não, viu. Trabalhei com a engraxataria até 1972. Foi de 1957 até 1972 o meu negócio.

Eu me lembro que lá trabalhavam mais pessoas. Eram da sua família?

Meu irmão, o Zé Carlinhos do Banespa, trabalhou para mim.

Como era engraxar as botas que eram tão famosas nos pés das pessoas? Elas eram claras, e como era feito para limpá-las?

para que o engraxate proteja as suas meias com pedaços de couro. Depois, ele escova, tira a poeira, levanta a barra da calça do freguês, para não a sujar, e, assim, com uma boa graxa, preta, marrom ou incolor, “dá um talento” nos seus sapatos, deixando-os brilhando e limpos. Bem, essa profissão em Tatuí teve o seu tempo de glória. A partir de agora, vou conversar com o senhor Joaquim Ribeiro, que foi o proprietário da Engraxataria Morumbi, durante muitos anos. Segue a entrevista:

Ele foi presidente do Lar São Vicente uma época. Ele estudou na Industrial e trabalhou na minha engraxataria. Fez um curso lá, depois se formou em contabilidade e foi trabalhar em banco, virou gerente do Banespa. O Airton Gordo, lá do Peixoto, esteve comigo também. Os dois irmãos dele, o Ademir e o Adalberto, também.

Quem eram os clientes mais assíduos da sua engraxataria?

O “Juca da Farmácia”, os médicos, como o doutor Celso, doutor Medardo, doutor Almiro, o ministro Celso de Mello. Ele, naquela época, não era ministro ainda e morava em Tatuí. O Carlos Alberto, filho do Juca, ia muito lá. Tinha muita gente importante que passava por lá e engraxava o sapato.

E a conversa, como rolava por lá?

Tinha o doutor Farias também, que ia muito lá, e ele falava muito do Corinthians. Como era corintiano, gostava de falar bastante de futebol. O doutor Medardo era são-paulino. O doutor Almiro não lembro o

time de que ele gostava, mas falava muito de futebol. O papo era mais sobre futebol mesmo.

De repente, lógico que se protegia bem os sapatos, mas se manchasse a meia, como fazia?

Se a gente manchava as meias? Não, usávamos um protetor de couro que colocava de um lado a outro. Era complicado sujar as meias. Imagine ir manchado para o baile?

Conte para os leitores um fato curioso que marcou o tempo em que o senhor trabalhava com a engraxataria.

Uma coisa que aconteceu e não esqueço até hoje era que a engraxataria era em frente à Foto Menezes, na rua 11 de Agosto, 345. Então, todas as vezes que o Ari Gordo ia testar uma máquina fotográfica, ia lá tirar fotos da criançada. Às vezes, ele dava as fotos; em outras, não. Era praxe de toda semana ele ir lá tirar fotos, testando as máquinas.

Alguma coisa mais que o senhor queira contar para os nossos leitores?

Ah, tinha um freguês muito importante: era o Maurício Loureiro Gama. Ele sempre estava lá para engraxar os sapatos, quando vinha para Tatuí. Ele parava no Hotel Del Fiol e ia lá com a gente. Outro era o Alfredo Ramos, jogador de futebol, o Hélio Reali, o Roberto Choquete era um dos fregueses da engraxataria. Tinha muita gente importante que ia lá.

As botas estavam na moda naquela época. Nós engraxávamos. Tinha aquelas botas sanfonadas, e os donos puxavam o cano para engraxar bem. Era trabalhoso, viu?

Quer deixar uma mensagem?

Voss e Joaquim Ribeiro

Eu ganhei a minha vida com a engraxataria e, graças a Deus, naquela época, a criançada podia trabalhar desde pequeno. Eu ganhei dinheiro, viu? Então, tinha uns cinco ou seis garotos de oito, dez anos, pois tinha seis cadeiras, em ocasiões especiais, como final de ano, Natal, Carnaval. Tinha lista de gente, pai e mãe, que queria colocar os moleques para trabalhar com a gente. Foi um tempo muito bom, era ótima essa fase. Ganhei a minha vida.


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Minhas primeiras calças Lee Vamos relembrar, voltar no tempo e falar sobre uma peça de roupa-elemento fundamental para expressar a rebeldia dos anos 50 em diante. Quando o ator James Dean apareceu com esse visual, com as barras dobradas, camiseta branca, blusão e boné de couro, sentado sobre uma motocicleta, em 1955, no rosto exibia um ar de “bad boy” - nascia ali uma nova forma de se vestir. Dessas famosas calças “Lee” é que surgiria o tal do jeans, e nasciam ali as calças que revolucionariam todo o conceito de moda para ambos os sexos. E falando em James Dean, ele é considerado um ícone cultural, na verdade, a melhor personificação da rebeldia e angústias próprias da juventude da década de 50 – “Rebel Without a Case”. No Brasil, esse filme foi chamado de “Juventude Transviada”. Após sua atuação nos cinemas, essas calças, que eram feitas com um brim muito grosso, que diziam ser parecidas com um encerado daqueles que cobrem as cargas dos caminhões, deram origem a uma febre – a febre das calças Lee. Que nos comerciais se diziam ser feitas com o pano dos carroções usados na conquista do “Velho Oeste”. Na verdade, foram feitas para resistir ao desgaste do seu uso pelos mineradores, pois o atrito das calças nas rústicas paredes de pedras requeria que elas fossem feitas de tecido muito grosso, grosseiro mesmo. No Brasil, Roberto Carlos ditou tal moda quando apareceu na contracapa do disco LP (“long playing”) “É Proibido Fumar”, com as tais calças desbotadas na parte frontal das coxas, e que tinham que estar desbotadas para “estar na moda“. Ah! Quando as calças eram novas, todo mundo lavava-as com uma escova de cerdas duras para ficarem mais claras nas pernas, desbotavam “na marra”! Na década de 60, tudo era mais difícil, mais demora-

do. Nós, em Tatuí, só víamos essas calças com amigos e parentes que vinham de São Paulo para passear ou passar as férias aqui, e como faziam sucesso, eram chamados de “playboys”! Lembro-me quando as Alpargatas lançaram as calças “Far West” (faroeste). Nossa! Foi um sucesso, e quem as vendia era a Casa São Nicolau, do senhor Nicolau Sinisgalli, na rua Prudente de Moraes. Porém, essas calças, após algumas lavadas, o tecido ficava mole e “perdia o caimento”, e não tinha o estilo das famosas calças Lee. Em seguida, surgiram os amigos que, através de outros amigos que iam para os Estados Unidos, traziam-nas para vender. E aí começa a nossa história das calças Lee em Tatuí. As costureiras, que ajustavam as pernas ou faziam “pensas” na cintura, reclamavam que o pano era muito grosso e duro, que até quebravam as agulhas das máquinas de costura. Em nossa cidade, os primeiros a usarem as tais calças foram: Walter Camilo Abud (o “Abud Turco”), Rochinha, Tato Cigano, Carlinhos Ribeiro, doutor Kiko (que era primo do Dirceu, dos The Johnnies, e quem também trazia os sucessos musicais tocados no Círculo Militar em SP), Beline, Hélio Portela, Celso Fiuza “Birdão”, Carlinhos Tavares (Mercado Municipal), Ricardo Ferriello “Gervásio”, Canário, Nautílio, Lúcio Coelho, Paulo Sérgio Ribeiro, meus primos Lineu e Olavinho (os quais me apresentaram os The Beatles, George Benson, Joe Pass, Oscar Petterson, bossa nova, Os Mutantes, Rita Lee, Caetano, Gil, entre outros). Por sermos vizinhos de muro, um ligava a vitrola e, por cima do muro, o som vinha para os quartos das casas. Foi um tempo muito bom, e de paz! Ainda me lembro dos meus precursores das Lee e de sapatos. Naquela época, nós íamos sempre “pegar praça” em Tietê: Zé Elias Turco, Pardal Sallum, eu, Marcelo Peixoto e o piloto do carro (pois só ele tinha) era o

Fivela Riveted comple tava o “look” escolhido pelos jov ens na década de 19 50 e composto por botin as do Doca, que vin ham com salto do estilo “carrapeta”

nosso amigo Geraldo Gambá. Também, me lembrei do Xavier, os irmãos Toninho e Peixinho. Nessa história da moda em Tatuí, tem também o Eliazinho Sallum, que foi quem, além das calças Lee, começou a trazer sapatos mais modernos, pois, naquele tempo, só existiam sapatos tradicionais e “quadradões”, que mais pareciam um tanque de guerra nos pés, das marcas Vulcabrás e Makerli, vendidos na Casa Armênia, na rua José Bonifácio, onde hoje funciona um escritório imobiliário, na parte inferior, e, na superior, residem a família Cárdenas: dona Terezinha, Marcão, Licínio e Neto. Já o meu irmão Diógenes gostava muito de um macacão Lee, o qual só tirava para dormir. As minhas primeiras calças Lee, eu as comprei de segunda mão, já desbotadas e no “ponto”. Era só colocar um cinturão com fivela, pois os passadores das calças eram mais largos (com cinto comum ficava estranho), vestir botinas do Dóca com salto carrapeta - para imitar as botinhas Calhambeque, lançadas por Roberto Carlos - e ir à Praça da Matriz e nos clubes Recreativo e Tatuiense para mostrá-las às meninas e aos amigos que ainda não tinham as suas. Quem me vendeu as minhas foi o Paulo Xocaira, “Paulo Guelo”, que era primo do Gito Chammas e tocava tumbadora nos The Johnnies (por um breve tempo). Cheguei em casa com aquelas calças já surradas pra lavar e, depois, levar para ajustar na costureira dona Estela Fiuza (esposa do seresteiro Zé Fiuza e mãe do Eli e do Eduardo, também seresteiro e empresário em Cesário Lange). Só que, ao ajustá-las, sobrava pano de um lado e faltava de outro, porque o Paulo era mais gordo e havia comprado de outro jovem lá em São Paulo.

Mas, ela dava um “jeitinho”. Também, a dona Nair (mãe do Carioca), a dona Lourdes (mãe da Aracy) eram as minhas preferidas para acertar as calças - não só minhas, mas as de todos os jovens cujas calças precisavam de um reparo. Depois de prontas e lavadas, tornavam-se como que um uniforme, eram só usadas aos fins de semana, aniversários e bailinhos de quinta-feira no Clube Recreativo, com Pick Up e Seus Negrinhos, ou seja, “Vitrola do Clube”, para aonde todos levavam seus discos para tocar, e todo mundo era obrigado a ouvir as seis faixas de cada lado do disco, porque o senhor Hélio não tinha muita paciência em ficar mudando os discos. Assim, os jovens decoravam todas as músicas de Roberto Carlos, Renato e seus Blue Caps, e todos da jovem guarda. Somente quando eram compactos simples (uma música de cada lado) ou duplos (duas músicas de cada lado) é que ele era obrigado a mudá-los. Conclusão: essas calças só eram lavadas quando estavam, como diziam naquela época, “parando em pé de sujeira”. E, como começaram as falsificações, as verdadeiras tinham um selo no bolso traseiro. Quando iam para o tanque, lembro-me da empregada que falava para a minha mãe: “Ai, ai, ai, dona Aparecida, essas calças do Luiz Antonio (nesse tempo, esse era eu) judia dos meus dedos e das minhas mãos, parece um encerado ruim de lavar!”.

Assim, ela socava a escova para limpar mais - para a minha alegria -, pois mais as calças ficavam na moda! Certa vez, eu tive uma ideia: queria ter um paletó feito com calças Lee. Assim, consegui várias calças de amigos, que não serviam ou não as usavam mais. Fui até o Benê Alfaiate, ele desmontou umas cinco ou seis calças, aproveitou um pedaço daqui, costurou outro ali e, para a minha surpresa, montou um paletó desbotado, feito só com calças Lee, que só eu tinha! O tempo passou e as lojas começaram a vender as tais calças, que viraram sinônimo daquelas calças que desbotavam. Nesse mercado, surgem: as Levis Strauss, Wrangler, as japonesas Cone - em que todas desbotavam de acordo com as lavagens. Lembrei-me de um filme do Steve McQueen, “Terra de Ninguém”, em que ele apareceu com o conjunto de jaqueta, calças e o cinto da Levis Strauss. E, passados uns dias, vi o Abud Turco usando. Fui à casa dele e comprei o kit completo, sendo que tenho a fivela até hoje. Bons tempos! Nessa época, em São Paulo, existia a Galeria Pajé, onde a pessoa podia comprar essas calças. Porém, como eram produto de contrabando (já naquele tempo!!!), a polícia sempre dava batidas em buscas de vendedores e compradores. Aí, os leitores já imaginam a aventura estressante que era comprar as tais calças Lee naquele lugar! No entanto, se você tiver mais de 50 anos, vai se lembrar desse tempo em que essas calças eram o “terror das mãos das mães”! Aqui, eu mando um abraço

para todas as mães, irmãs, esposas, empregadas domésticas, costureiras, alfaiates, comerciantes, amigos que nos venderam as calças usadas e já desbotadas. Enfim, a todos que nos ajudaram a viver a moda das calças Lee, Levis, Cone, Wrangler e outras! E, se pensarmos que elas nasceram nos anos 50 e, hoje, só mudaram de nome, de calças Lee para calças jeans? Passaram-se apenas 60 e poucos anos e elas continuam na moda! Sejam desbotadas, rasgadas, com apliques. Inventam, pintam, enfeitam, mas elas vão ser sempre as preferidas e vai haver sempre uma ou mais no guarda-roupas de todos! E, para você que não viveu essa época mágica, deixo como lembrança uma estrofe da música “Detalhes”, do Roberto Carlos, em que ele canta: “A velha calça desbotada ou coisa assim, tudo isso vai fazer você lembrar de mim”! Foi um tempo lindo, de profundas e sinceras amizades, deliciosas noites sentados na Praça da Matriz, grandes bailes e noitadas com os amigos dos The Johnnies (Burt, Zé Emílio, Didi, Dirceu, Bonga, Cacá, doutor Thyrso, Tatit, Paulo Guelo, Zé Erasmo, e dali para alguma serenata para ser feita para as paqueras da época! Nem sequer pensávamos em futuro!! Como diz o velho ditado: “Éramos felizes e não sabíamos”! Acredito que fomos mais felizes, pois a felicidade completa não existe, apenas momentos felizes que vêm e duram um pouco! É preciso aproveitar os seus momentos, ser feliz, amar a vida e as pessoas!

va Carlos completa Disco de Roberto lava ba em e te en tigam a “magia” de an er música com jovens por cont ndo calça estrofe aborda


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A Orquestra do Céu: tributo aos amigos músicos de Tatuí De repente, em pleno sábado, dia 1º de novembro, véspera de Finados, parte tão rápido o nosso amigo trompetista, cantor, dono de um gosto musical muito eclético, amigo, simples, humilde, bom de conversa, talvez o único tatuiano que me chamava de Luiz! Falo do meu amigo “Carioca”, ou Valter Leite. Foi tão rápido que nem deu tempo de me despedir oficialmente! Soube que fizeram uma homenagem através do grande trompetista Leopoldo Artuzo, muito justo e merecido! E aí, eu fiquei pensando, será que Deus não estaria montando uma orquestra no céu para acompanhar o coro dos anjos? Pois Tatuí é conhecida como Capital da Música, possui um universo de vários estilos musicais e, como muitos músicos e musicistas já foram chamados, me veio a ideia de escrever este artigo como forma de homenageá-los. Se pensarmos no estilo musical da “seresta”, temos cantando e encantando as noites, dias de Tatuí, nas praças, clubes, casas, os nossos queridos Seresteiros com Ternura, com Inês, Adilson Pavanelli, João, Edson e Leo no acordeom. Mas, vamos relembrar os nossos cantores e violonistas daquele tempo: Osmil Mar-

milhares de lugares e com quem tivemos o prazer de vencer três festivais com a música “Flor Canção”, que é o grande Roberto Rosendo. No cavaquinho, tivemos Wilson Bossolan, Zé Rolim e Caio; no bandolim, o Zé Fiuza; no acordeom, o Dom Hegar; na flauta, o Módena. Na verdade, fui contaminado pelo som da música no seu todo, desde criança: sons da bandinha do Jardim da Infância, fanfarras, bandas de coreto, bandas de procissão, as “furiosas” como eram chamadas, com seus dobrados com cara de Interior; bandas de baile, corais; orfeão da professora Aline, professor José dos Santos; dos ensaios no Tatuí Clube e no anfiteatro do “Barão de Suruí” para a gravação da “Sinfonia da Pátria - o Sonho de Anchieta”, do qual ainda tenho o vinil. A apresentação no Cine Santa Helena, pois o teatro do Conservatório de Tatuí estava em construção... Tudo isso vindo num crescente dentro de mim, foi amor aos primeiros acordes! Na década de 60, surgem em Tatuí os então conjuntos musicais, e aí começa a minha história musical. Lembrei-me de uma noite em que, pas-

The Johnnies’ 60 (2ª fase) - Na bateria, Didi; baixo e vocal, Dirceu; guita rra, Burt; teclado e vocal, Zé Emílio; vocal principal, Voss (sentado)

tins, seu irmão Raul, Norberto (Conde), Noel Rudi, Ari Zani, Genimar Salles e José Carlos Severino (que ensinaram muita gente a tocar violão); Marivalton, Vadô Lua, José Carlos Oliveira, Nego, Joaquim Mistura, Edgar Vieira, João do Irineu, professor Paulo Ribeiro, Marcelo Diniz e outros. Quero citar um grande músico e seresteiro que levou e elevou o nome de Tatuí para

seando com a minha bicicleta Göricke preta, passei defronte a uma casa na rua Cel. Lúcio Seabra, de onde vinha um som de Carnaval. Parei, fui ver o que era aquilo e vi um senhor baixinho, conhecido como João Meu, que era sapateiro de profissão e músico por paixão, tocando seu sax, e mais alguns músicos ensaiando “Mamãe Eu Quero”, em um ensaio de Carnaval. Naquele tempo, no Carnaval,

as músicas eram só com sopro e percussão e o cantor tinha de ser afinado e “bom de ouvido” para não sair fora do tom. Nesse tempo, já existia o Jazz Tro-lo-ló em Tatuí. Mas o tempo vai passando e surge a bossa nova. Aparecem os conjuntos musicais para animar bailes em Tatuí, já que, nessa época, nós tínhamos os clubes Tatuiense, Recreativo, Tatuí Clube, Sociedade Italiana, Clube da Princesa Isabel e outros. Acredito que o precursor de música de baile com a influência da música americana foi o grupo Star Night. Já começava pelo nome em inglês, e, em pesquisa em meu acervo, encontrei em jornais de 1992, no Stopim (caderno de “O Progresso de Tatuí”), uma entrevista com o José Roberto Bertrami. Lá, vi algumas fotos nas quais aparecem: o Márcio (bateria), Miguelito (contrabaixo), Eliseu (percussão), Zé Roberto (piano), Grilo (violão elétrico), Og (sax tenor), Carioca (trompete), Arnaldo Minghini (acordeom), Marco Coruja, Bastinho, Paulo Ferreira, Edilberto. Nos vocais: Ditinho Rolim e Geraldo Padre. E, na direção geral, o pianista Mário Edson! Lembrei-me de uma certa noite em que fui com a minha irmã, a professora Maria Eugênia, na casa da dona Nair, que era costureira, e do senhor Delfino Leite, para ouvir um disco que tinha chegado em Tatuí e era o grande sucesso do mundo: Ray Conniff. Também foram a Maria Elisa Longhi e a Peti, que se apresentavam como vocalista do Star Night. Naquela noite, voltei alucinado com o som das vozes e dos instrumentos em seu “tchururu-tchururu”. Nessa noite eu fiquei conhecendo o Valter Leite, pois foi na casa dele que eu ouvi esse som. Ele começou a estudar “pistom” (trompete) no Conservatório e

s, Paulo GueThe Johnnies (1ª fase) - Vos t, no Clube Tati i, Did eu, Dirc lo, Zé Emílio, de 1969 ro emb Recreativo, em 7 de set

aí seguiu sua carreira musical, e, pelo sotaque, jeito diferente de falar, foi batizado de “Carioca”. Tatuí começa a viver a febre dos conjuntos musicais. Surgem: “Os Tonais”, com Neves no órgão, Raul Martins no baixo, Miguelito na guitarra, Mario Tomé na bateria e Dito Rolim nos vocais. A primeira vez que eu os vi e ouvi foi no Clube Tatuiense, durante um almoço beneficente! Com o surgimento da bossa nova - esse gênero musical que mexeu com o mundo e colocou o Brasil no cenário internacional -, em 1964, alguns músicos tatuianos se juntam e formam “Os Tatuís”: Zé Roberto Bertrami (piano e arranjos), Claudio Bertrami (contrabaixo), Eliseu Campos Vieira (bateria), Og Vasconcelos (sax tenor), Ivo Mendes (pistom) e Aresky Arato (órgão), que gravaram um disco com 12 músicas ícones da bossa nova. Lá se vão mais de 50 anos e, graças ao meu amigo Eliseu, consegui uma cópia em CD desta joia rara. Nessa história musical, surge também a jovem guarda e a “beatlemania”. Nesse mesmo ano, estávamos em uma festa junina no então Instituto de Educação Barão de Suruí. Eu de padre e o Reizinho, de coroinha, e surge na noite um grupo musical cha-

mado “Pássaros Vermelhos”, que, praticamente, era o primeiro grupo na linha guitarra-baixo-bateria-sax e “crooner” (cantor). Tocaram uma música do Renato e seus Blue Caps, “O Meu Primeiro amor”. Em seguida, o nome mudou para “Filtsons”, que foi formado por: bateria – Lauri e depois João Preto; guitarra-base – José Carlos Tambelli; guitarra–solo e vocal – Maurício; baixo – Isaac e depois Fia; órgão – Tato; pistons – Zé Paulo; e sax – Bigorna. Cabe destacar aqui a presença do senhor Ciro Tambelli, empresário que muito investiu em equipamentos e os colocava em muitos bailes e shows por todo o interior. Nesta proposta musical dos Filtsons, surge a época de uma banda em cada bairro. Eu mesmo, em 1965, numa brinca-

José Roberto Bertrami

deira de casa na rua Santa Cruz, juntei-me aos amigos Jarbas e Didi, e surgem “Os Leopardos em Brasa”, cantando em uma festa de aniversário a música “O Muro de Berlim”, dos The Jordans. O mundo vive o nascimento dos The Beatles, The Rolling Stones, e a Maria Eugênia nos batiza de “The Jhonnies”, que teve, em sua primeira fase: José Erasmo Peixoto, Cacá Vasconcelos, Paulo Xocaira, Tatit, Toninho Bonga. A partir de 1970, ficaram na banda: Zé Emílio – teclado; Dirceu – baixo; Burt – guitarra; Didi – bateria; e na voz, Voss. Na época, era uma banda de vanguarda, tocando muito rock’n’roll, Mutantes e sons internacionais. Na rua 15 de Novembro, em pleno domingo, às 9h, eu estava indo para a missa dos jovens quando ouvi um som “chapado” para a época: “Era um garoto que, como eu, amava os Beatles e os Rolling Stones”. Ali nascia, na casa do Cassiano, “Os Pinguins”: Cassiano – bateria; Geraldo Corinthinha – guitarra-base; José Carlos Mariano – guitarra-solo; José Francisco – baixo (que, inclusive, fabricou o seu, copiando o Hofner do Paul McCartney); Simeãozinho – órgão; e Celsinho – vocal. Na rua 13 de Maio, na casa do doutor Aniz e dona Modesta, o som


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rolava por conta do “Com- surgem os “Six Boys”, plexo 4”: bateria – Gerson com: Turibio – bateArato; contrabaixo - Anizinho ria, Marcão – guitarra “Tona”, depois substituído base, Toninho de Pápor Marinho Longhi, pois o dua – guitarra solo, Tona foi estudar medicina em Adilson Pavanelli – São Paulo; guitarra-solo – Zé baixo, Toniquinho Gaiola; guitarra-base – Roni. – pistom e Marinho O sucesso ficava por conta Neto “Simonal” da cantora da banda, que era vocal. irmã do Zé e do Tona e prima Nesse tempo, era do Roni, que cantava os su- comum shows nos cessos da Silvinha, Vanusa e cinemas e nas esWanderléa: a Picida. colas, com títulos Na rua 11 de Agosto, em uma ousados como: oficina de consertos de rádios Encontro da Jue TV, ficava um senhor que foi ventude, Fornalha o grande amigo, um quebra- de Ritmos, Baile dor de galhos nos consertos e da Pesada, Vai ser uma Brasa, reparos nas válvulas e ampli- Mora!, onde a paquera rolava ficadores, também pistonista. solta e, às vezes, pedidos de Tratava-se do senhor Walde- música anunciados no micromar Olivieri, que formou duas fone, como se fosse um correio bandas: “Supersom 4” (Bido elegante musical. – bateria, Firmino – guitarra Com um trabalho musical e vocal, Claudinei – guitarra e mais harmonioso, surge o SexMiltinho da Farmácia – baixo). teto Bossa Noite e, depois, “O Nos anos 80, os Jhonnies Sexteto”, formado por: Eliseu se desfazem e Voss e Dirceu – bateria, Mike – baixo, Geralvão para o New Sound Six, do – guitarra, Neves – teclado, em Cesário Lange, um grupo Luizinho do Maruca – sax, diferente, com estilo mais para Carioca – pistom e Anaciladei bailes, usando equipamento - cantora da banda. importado com a seguinte Foi nessa época que fiquei formação: Og mais ín– órgão Hamtimo do mond e piano Carioca, Fender; Dirceu pois, pela – com o baixo dificuldaFender; Zé Luis de em se – na guitarra conseguir Hofner; João as letras Preto – bateem inglês, ria Ludwig; nós trocáThiers – sax e vamos enflauta; Carlitre nós, pois nho – pistom, não existia depois o João curso de Xavier; na inglês, nem percussão – internet, era Carcule e Alna pesquisa mir; na voz, mesmo. e nt ra Voss, canO tempo eg , foi int Og Vasconcelos ís” tu Ta s “O tando com não para e o das bandas Six” microfone Neves veio a e “New Sound AKG, som ser o diretor Binson com eco e reverbe, do Conservatório e montou para a época um superluxo. uma orquestra com professoPara não ficar sem tocar, o Zé res e músicos, a “SamJazz”, que Emílio, a convite do seu Wal- fazia shows e acompanhava demar, monta o “Happy”, com: o Agnaldo Rayol nas festasMoura – bateria, Roquinho -bailes. – sanfona, Paulinho Bodo – E assim fizemos muitas viaguitarra e vocal, Toninho Don gens, todos de ônibus, com o Josa – baixo, Valdir (irmão Paulo Taquara, Zé Luís Penatti, do Tato) – órgão, Zé Emílio Neves, Carioca, Luizinho, – teclado, Didi Sobral – gui- Thiers, Caldana, João Preto, tarra e vocal. Além dela, tinha Cebola, João Xavier, Carlinhos também o “Sol – Fá 6”, que Pistom e muitos outros que não era uma junção dos músicos me recordo. de “Happy” e “Super Som 4”. Foram momentos inesquecíLá no Alto do Santa Cruz,

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rami Cláudio Bert

veis. Um tempo muito bom, muita troca de culturas, bagagem musical, pois cada um gostava de um estilo, e a conversa durava a viagem inteira. Quando o assunto era Carnaval, Tatuí sempre exportou músicos: Oscar Preto, Pretanha, Arlindinho, Ari de Campos, Maé de Porangaba, Bá, Caio, Ico, Chicão da Maraca, Waldemar e Jordão Olivieri, Baroni cantor, Perci Porta, Geraldo, Zulu, Bola Rolim, Cainho e muitos outros. E, como diz o belo ditado popular: “Ninguém fica pra semente”. Fiz questão de citar alguns músicos com os quais convivi. Com eles, cantei, passamos muitos momentos alegres e inesquecíveis. Assim, se você, ao ler este artigo, recordou-se de algum deles, talvez de um baile no qual eles estavam tocando e cantando e que a música serviu de pano de fundo para sua história de amor e amizades, não se esqueça de rezar ou orar por eles. Pois, se você analisar a música, ela soa no ar num determinado momento e, em segundos, ela some, desaparece, ficando apenas o vazio e a emoção! Quero aqui deixar grafados a minha grande homenagem e o meu total respeito a todos os músicos e musicistas desta terra, independentemente do seu estilo musical, da sua época, e ressaltar o seu trabalho, além de tudo, a sua arte, e que fizeram de cada acorde um ponto para que Tatuí continue sendo conhecida nacional e mundialmente como Capital da Música! Aos que estão vivos, pedimos que continuem a mostrar a sua arte. Os que partiram já cumpriram sua agenda, e que Deus os proteja. E os que não foram citados, que nos perdoem, fiz o possível para não deixar ninguém de fora do texto, mas se sintam representados! Até o próximo baile, ou até o próximo show. Como dizia Beethoven: “Quem ama a música não pode ser Maestro Neves, Arlene e Luiz Voss infeliz”.


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O homem que deu a Tatuí a Casa dos Presentes Bem, meus amigos, cá estou eu novamente, agora falando de mais um amigo, um grande amigo que todos nós perdemos, o senhor Jonas da Casa dos Presentes, como era conhecido. Sempre risonho atrás da sua mesa, tinha um tino comercial invejável, foi um grande professor para quem trabalhava com ele. Ou seja, você tinha que aprender e, no dia a dia, ia crescendo e aprendendo a arte do vender. Isso porque exige a arte, o dom, o carisma, a boa vontade, o saber atender, o não ter preguiça de mostrar, mostrar, ir na prateleira, subir na escada e mostrar mais um modelo, com um pequeno detalhe, e

era isso que fazia a diferença, e como faz! Como já foi noticiado, ele iniciou a vida comercial em 15 de novembro de l947! Bem, mas eu nasci em 16 de novembro de 1952, e me lembro que a Casa dos Presentes era a maior, a mais sortida, onde vendia-se de tudo, desde roupas, televisão, bicicletas, rádios portáteis, e foi nela que meus pais, Maria Aparecida e Diógenes, compraram o meu primeiro rádio de pilhas , um Philco Junior (que tenho até hoje na estante) no Natal de 1962. E nele eu coloquei uma pequena cinta que vinha para aumentar a alça e usá-lo a

A Casa dos Presentes na Praça da Matriz, esquina com a Rua Prud ente, endereço onde permaneceu dura nte a maior parte do tempo

tiracolo (precursor dos “walk men”). Era só uma faixa de onda e só “pegava” AM, a ZYL-5 Rádio Difusora de Tatuí, com as vozes ternura, voz paixão dos irmãos Walter e Oscar Motta, e as músicas natalinas na harpa do Luiz Bordon. E, com o rádio ligado, haja sola de sapato para dar voltas na Praça da Matriz! As mulheres pelo centro e os homens no sentido contrário, enquanto os olhares se cruzavam naquelas incontáveis voltas! A Casa dos Presentes era a “Rainha da Praça”, com seu luminoso em azul, suas inúmeras vitrines e seus incontáveis espelhos, onde todos, homens

e mulheres, “davam” uma passadinha e uma olhadinha para acertar a franja, o topete, o “pega-rapaz”. E o pente Flamengo não podia faltar nos bolsos traseiros dos rapazes, para acertar a brilhantina; o Gumex, a loção Brilhante e o Trim; a “olhadinha” era sagrada. Bem, na esquina da Praça da Matriz com a rua Prudente de Moraes, ficava o setor de venda de discos, e ali, quando surgiu a jovem guarda e os Beatles, eu passava todos os dias para ver e ouvir os últimos lançamentos, onde o rei Roberto Carlos tinha todo o tempo que quisesse, e a nossa querida e inesquecível Bartira Paes da Rosa colocava, com o maior prazer, e dava uma “aumentadinha” no volume da sonata. Os outros estilos musicais, todos os lançamentos em LPs com 12 músicas, ou compactos simples com duas músicas, ou duplos com quatro músicas, tudo em vinil, passavam pelas mãos e bom gosto da Bartira. Que saudades! Ah! Em 1967, com 15 anos de idade, meus pais me deram uma bicicleta Göricke verde esmeralda, e, após 30 anos, eu pintei de preta e a tenho até hoje, superconservada, e também comprada na Casa dos Presentes! Para facilitar a chamada aos funcionários na loja, já que

eram muitos, o senhor Jonas instalou um sistema de som, e, pelo microfone, o nome que mais se ouvia durante todo o dia era: “Domingas, venha aqui! Domingas, favor comparecer no setor de roupas!”. Ela era a funcionária Domingas Caresia, que aposentou lá e que teria milhares de histórias para contar! Quando eu fui estudar no colegial, tendo em vista a grande influência da música na minha vida, como Beatles, Renato e seus Blue Caps, Elvis e todos os demais, me esquecia de estudar e, assim, acabei “perdendo um ano”. Meus pais, para não me verem desde cedo até a noite ao lado da vitrola Philips ouvindo músicas e músicas, conversaram com o Jonas e me colocaram para trabalhar no setor de venda de roupas masculinas e calçados, naquele final de ano. Porém, eu já havia trabalhado um mês com o senhor Júlio Rodrigues de Lima, pai da Jussara, que era o proprietário da Casa 7, no Largo do Mercado. E assim foi que, naquela véspera do Natal, no Clube Recreativo (hoje Casas Pernambucanas), todos tinham o costume de ir festejar essa data em um “Baile Branco”, ao lado da Casa dos Presentes. E eu ali, vendendo, abrindo e fechando caixas, subindo e descendo escadas, tentando agradar os fregueses, e, modéstia à parte, senti que eu tinha jeito para a coisa. O senhor Jonas, um dia, conversando comigo, me convidou para mostrar o seu Mercedes preto, um dos primeiros importados da cidade. E a grande surpresa era o rádio Blaupunkt, que vinha no carro, pois, naquele tempo, os carros nacionais não possuíam tal equipamento. Saímos na estrada, e o senhor Jonas me levou até a ponte do rio Sarapuí, ouvindo a Eldorado FM, com o famoso programa “Um Piano ao Cair da Tarde”. Confesso que foi inesquecível, aquele carro, com aquele conforto, e o som estéreo, pois foi a primeira vez em que eu andei naquele carro. Depois desse episódio, nasceu entre nós uma grande amizade, muitos sorrisos, muitas boas conversas, sempre palavras de otimismo e amor à vida! Durante a minha

Alzira Pistoni e Jonas Teles no ano de 1960

passagem pela Câmara Municipal, me lembro que lhe outorguei, com o aval daquela Casa de Leis, o título de cidadão benemérito de Tatuí, tendo em vista a sua vida dedicada ao comércio de nossa cidade. Como ele não gostava de muita badalação, no dia da entrega, apesar de ter sido avisado, não compareceu. Porém, demos um jeitinho e levamos em mãos para ele,

Fachada da primeira loja

que ficou tão contente com aquela surpresa que mandou fotografar aquele momento e, em seguida, mandou pintar um quadro com a mesma imagem da fotografia da hora da entrega. E lá ficamos expostos na parede, ao lado de sua mesa: Jonas, Fábio Menezes e Voss!

O casal em festa pelos 54 anos da Casa dos Presentes

Daí para frente, todas as vezes que eu passava pela sua loja, dava uma “entradinha” para cumprimentá-lo e comentar sobre o Corinthians, time para o qual ele torcia e eu continuo torcendo. Quantas famílias de funcionários de Tatuí, ou não, viveram graças aos salários pagos pelo senhor Jonas! Quantos presentes! Quantas alegrias! Quantas surpresas! Quantos discos! Quantos milhares de olhares nos seus espelhos! Quantas portas para se entrar na Casa dos Presentes! E ali, quando se entrava, vivíamos um mundo de sonhos! Natais! Casamentos! Aniversários! Alegrias! Que professor ele foi, pois muitos funcionários, quando se aposentavam, ainda continuavam trabalhando, ou, então, abriam seus próprios comércios graças aos ensinamentos passados por ele. Naquela noite (em seguida ao falecimento), já passavam das 23 horas, o silêncio da Praça da Matriz, as árvores caladas, o coreto, os bancos mudos. Foi incrível: não havia ninguém, caiu uma chuva bem fina e eu senti que até a praça chorou pela morte do senhor Jonas! Foram 90 anos de lutas incansáveis ao lado do seu irmão, Mário, para manterem em seus tempos o comércio com as portas abertas para Tatuí! Passaram-se crises, mas, como a Águia da Fênix, renascia das cinzas e voava ainda mais alto e adiante! Fazia aquilo porque gostava, e era feliz porque gostava do que fazia! E, por tudo o que ele fez pela vida comercial de Tatuí, acredito que a Prefeitura Municipal e a Associação Comercial de Tatuí poderiam instituir alguma premiação ou denominar alguma obra que perpetue, para a eternidade, o nome de “Jonas da Silva Teles” nesta terra que ele tanto amou e onde tanto investiu. Muito obrigado ao senhor Jonas e a todos os funcionários que trabalharam na Casa dos Presentes durante todo o tempo!


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Parabéns Tatuí pelos seus 192 anos!

Responsável Técnico: Dra. Agnes Cian de Andrade CRO-SP-CD 122846 CRO-SP-18300 to dimen n e t A 0 io d e s 18:0 à 0 0 Horár : exta 8 S à a 12:00 nd s u à g 0 e 0 S do: 8: Sába

►Dentística

►Clínico Geral

►Implantodontia

►Ortodontia (Aparelho Dentário)

►Periodontia

►Endodontia

Rua Capitão Lisboa, 1339 - Centro Unidade Franqueada

(15)

3305-2235


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Especial 11 de Agosto - Tatuí 192 anos - VOSS DA anos HISTÓRIA Especial 11 de Agosto - Tatuí 191

No escurinho do cinema Bem, eu nunca escondi que sou apaixonado loucamente por Tatuí. E o mais incrível é que esse amor louco vem desde a minha infância. Essa loucura pela cidade, seus habitantes, suas histórias, seus heróis, sua pujança, suas lutas, suas músicas, seus doces, festas. Enfim, sua trajetória desde 1952, quando eu cheguei ao mundo pelas mãos e pelo amor do casal Maria Aparecida Voss Campos (de quem eu herdei o meu sobrenome, ou nome, sei lá?) e do meu querido pai, professor Diógenes Vieira de Campos. Lembrei-me que, aos 12 anos, eu estudava na escola “João Florêncio”, com o professor Cândido Sobral de Oliveira, e surgiu um concurso de redação. Isso, no terceiro ano do “Grupão”, como era conhecido. Acabei indo atrás de informações na Prefeitura, na Câmara, com pessoas ligadas à história dela, no museu e, resumindo, coletei os dados e fiz a tal redação. Para minha surpresa, acabei vencendo, e tive o prazer de participar, ao vivo, do programa do Pharaylio, na ZYL 5 Rádio Difusora de Tatuí, na praça Paulo Setúbal, ao lado da Igreja do Rosário, onde li a minha redação, ao lado do meu pai, que, na época, andava de terno e chapéu de feltro. Um charme de homem! Daquele dia em diante, comecei a viver intensamente a minha vida focada na história, no dia, no tempo, no progresso da nossa “Cidade Ternura”. E, agora, sinto uma sensação incrível quando passo por alguma rua onde tinha uma casa, ou um prédio, com estilo

“Nós tínhamos o cinema São Martinho, que era o ponto principal de atração, e o jardim em frente à Matriz”. Não bastando essas duas lendas tatuianas, meu pai Diógenes, a terceira lenda viva, também relata, com muita clareza e saudade, o que representou esse cinema na vida dele, nas matinês, aos domingos, onde, então, conheceu a minha mãe, numa história cheia de amor e carinho até hoje lembrada. Fiz essa abertura histórica para, a partir deste momento, contar a minha vida nos três cinemas de Tatuí, ressaltando a sua importância, para que, hoje, graças à memória e meus arquivos, pudéssemos voltar no tempo e saber um pouco mais sobre a arte do cinema. No jornal “Tribuna do Povo”, datado de 19 de novembro de 2000, à folha 8, o repórter João Levi relatou que: “O senhor Milton Stape, em uma palestra no Rotary, contou, que: ‘Em 15 de novembro de 1908, um senhor chamado Antenor de Carvalho, que era cinematógrafo, passou por

de gerenciar os cinemas, pois ele era o mais velho dos três irmãos. Como estava com o pai desde os 11 anos, não hesitou, pois, naquele tempo, professor ganhava somente oito mil reis. O Cine São Martinho foi reinaugurado em 5 de janeiro de 1939, com o primeiro longa-metragem em desenho animado: “Branca de Neve e os Sete Anões”. No dia 1º de novembro de 1935, foi inaugurado o Cine São José, que apresentou seu primeiro filme, “Scarface”. Tanto o São Martinho como o São José possuíam as poltronas Pullman, numeradas e almofadadas, pois as pessoas poderiam reservar seus lugares para não perderem as sessões de sábado e domingo,

Hely Lourdes e Milton Stape

diferente, e ambos já não estão mais lá. Foram demolidos. Confesso que sinto uma pontada dentro do coração, mesmo sabendo que o progresso pede essas mudanças. E assim é, e assim será. Mas, como diz o comercial de uma financeira, a vida passa e o tempo voa. Li neste bissemanário, na edição de 27 de dezembro de 2015: “Wilson Bertrami relembra Natais passados”. Então, aos 88 anos de idade, ele relembrou fatos incríveis da sua vida e, em certo ponto do texto, comentou: “A cidade tinha no centro três grandes cinemas. O cine teatro São Martinho era de uma beleza arquitetônica impressionante”. Inclusive, temos uma foto do Theatro São Martinho da década de 30-40, onde ele revelou ser lá o ponto de encontro da juventude de sua época. Em um segundo momento, neste mesmo bissemanário, datado de 24 de janeiro de 2016, o texto “Simeão Sobral à espera da tocha olímpica. 2016 será especial para o aposentado que vai completar um século em novembro”, no qual, também, a certa altura, ele declara:

Tatuí. E concluiu que a cidade já comportava um deles. Nos anos 20, Manoel Guedes construiu o Cine Theatro São Martinho, onde eram apresentadas peças teatrais e cinema mudo. E que era animado por uma excelente orquestra que fazia fundo musical dos filmes, com músicos como João Del Fiol, Bimbo Azevedo e outros. Em 1926, um incêndio destruiu o cinema. Porém, como ele era muito caprichoso, reconstruiu as paredes e o telhado’”. Em 1939, o senhor Alberto Stape comprou o cinema por 700 contos. Conta a história que, no dia da inauguração, um fato interessante ocorreu: um humorista chamado Mazzaropi, que estava com o seu circo montado no terreno do banhado (local onde está o Conservatório), pediu para fazer a inauguração. Porém, quem tinha sido convidado para aquele evento foi Procópio Ferreira. E, mesmo depois de famoso, o humorista não perdoava o episódio ocorrido em Tatuí. O professor Milton Stape recebeu, do pai, a proposta

que lotavam os cinemas. Elas ficavam na parte superior dos prédios. O São Martinho tinha capacidade de 200 lugares. Quando Alberto Stape faleceu, em 1953, havia, ainda, duas prestações a pagar na compra do Cine São Martinho. Ele não chegou a conhecer o que seria o terceiro cinema, o Santa Helena, inaugurado em 1955 e administrado pelos três filhos. Os três irmãos trabalharam no cinema, de lanterninha à bilheteria, estudando ao mesmo tempo em que se formaram, ficando para Milton Stape a tarefa de continuar o que fez por mais de 40 anos, aposentando-se como empresário de cinema. Os Stape abriram outros cinemas na região. Em Laranjal Paulista, Piedade, Cerquilho e Porangaba, formando uma pequena rede, pertencente à Empresa de Cinemas Alberto Stape Ltda. Porém, surgiu a televisão e, com o surgimento do videocassete, foi o golpe final. Nem mesmo uma empresa de Botucatu, que mantinha uma rede de 40 cinemas e que tentou arrendar o São José e o Santa

nas se abriam “não sei quanto” e a sessão e começava a das moças (às quartas-feiras), nossa viagem só filme de amor (compravapelo fantásti- -se ilusão por tão barato), e co mundo dos você teve o orgulho de assisfilmes. Esque- tir a inauguração da “fonte cíamo-nos de luminosa”. Quantas cores! tudo, e quanta Quantos sorrisos estampados folia! Quanta na face das pessoas que por lá alegria! Quan- passavam!!! tas balas! PiMas o tempo foi passando e a pocas! E chi- técnica mundial aperfeiçoando cletes! tudo. Começou a concorrência Ah! E o tem- com a TV, pois, com a facilidade po dos gibis? E apresentada, todos quase que a gente troca- compravam. va um por dois E você? Você foi perdendo a ou dois por disputa, acabando de uma hora um, e sempre para outra por sofrer modifiachava que cações, e daí para o inevitável era um “ne- foi um pulo! gocião”. Você foi vendido, e eu sinto A c a b a v a cada vez que passo defronte a sessão às a você, o seu murmurar silen16h30, a saí- cioso, clamando: “Piedade, Prédio onde funcionou da da massa piedade”. o Cine São Martinho humana era Mas qual nada, atualmente os até bonito de nossos corações serão surdos ver: a multi- e nada escutamos. Helena, conseguiu livrá-los da coloração das camisas, novas E você, coitado! Fica espefalência. transas, e o sol com seus raios rando a hora do fim, para O videocassete foi o golpe amarelos quase que nos cega- acabarem de vez com essa sua final. Bem antes de aparecer em va, anunciando que a tardinha agonia. cena, o vídeo já era conhecido já vinha calma e lenta. O que será? Você será esquepor Milton Stape. Foi em uma Lembro-me que um dia, à cido? Creio que nunca, mas só visita a uma produtora em São noite, nos meus oito ou dez o tempo dirá. Paulo, a Arte Filmes, que um anos – não me recordo – fui O destino ainda foi bom com diretor traduziu um telegrama até a praça para comprar “não você... Outro dia, com uma da Itália, revelando a Milton sei o quê”. E, quando cheguei, lufada de vento, arrancou uma Stape sobre um aparelho no vi o mais belo espetáculo de chapa que cobria seu nome e qual se podia colocar o filme e toda a minha infância. Aquela deixou, apesar de pequeno, o assisti-lo na TV, em casa. infinidade de luzinhas que se seu nome como num túmulo Bem, em 1977, o Cine São acendiam e apagavam conse- gravado: São Martinho. Martinho foi vendido e passava cutivamente, dando a imprespelo processo de demolição são que mil luzes corriam pelo ****** quando eu, com uma máretângulo iluminado. quina sem muitos recursos, Cheguei em casa e, nesse dia, Os mais velhos já sabem que fotografei a sua fachada e a até sonhei com a maravilha que onde era o Cine São Martinho parte interna. E não escondo havia presenciado. virou Banco Itaú, e onde era de vocês que até chorei ao ver Tatuí, naquele tempo, era o Cine São José havia virado tudo aquilo no chão, e de tudo mais calma. Na praça, havia o o Supermercado Barbosa, na o que ele representou na minha Clube Recreativo (atualmen- rua Santa Cruz, próximo à infância e parte da minha linda te, Casas Pernambucanas), a Praça da Santa. juventude. praça com seus bancos conviNessa história da vida dos Chegando à minha casa, pe- dativos e ELE, e nesse círculo cinemas em Tatuí, eu gosguei uma folha de papel e me ficavam os que na noite, após o taria de me lembrar do seu pus a escrever um texto com o jantar, não faziam nada. A tele- Henrique Olivieri; do Jaime; título “O Guardião da Praça”, visão desse tempo era melhor, da dona Inezita, que vendia que foi publicado na revista não tinha essa “bestificação balas dentro do cinema; do “Aldeia Global”, ano 1, número visual”, que causa crises ner- baleiro defronte ao cinema, 7, página 17, março de 1977. vosas a todos os que assistem que, aos domingos, montava Texto que eu faço questão de e tornam “fanáticos”. sua banquinha com balas reproduzir, nesta coluna, com a Você já percebeu que as pes- de café, abacaxi e coco; do mesma grafia de 39 anos atrás. soas comportam-se perante pipoqueiro seu Justo; do Zé um aparelho na “hora da nove- Antonio de Fati Ferreira; o Zé O Guardião da Praça la”? Ficam mudas e estúpidas, do Cinema, que está com Luis Quem passa pela Praça da sofrendo e atraindo a dor dos e Miguel desde a reinauguração do Cine Santa Helena; e, Matriz talvez não tenha tido personagens para si. E quando “dava na telha”, também, do meu amigo Luis tempo nem curiosidade de olhar para ele. Talvez o perigo íamos para lá. Talvez nem o Alfredo Teles, Xará, que era pelo qual temos no nosso trân- nome do filme sabíamos. Mas o homem que trabalhava na sito, ainda mais naquele trecho era bom, pois causava maior projeção e, às vezes, levava os da cidade, com semáforos e impacto. E, lá dentro, quase rolos de filme de um cinema grande movimento de carros, sempre aparecia um amigo para o outro. para conversar ou assistir ao Enfim, muitas pessoas que impeça-nos de vê-lo. É um prédio atualmente filme. Nesse tempo, as pessoas fizeram a história dos cinemas “deixado ao léu” para valorizar, eram mais pessoas (mais gen- mais rica na minha juventude, que eu também não citei, mas feio, sem atrativos que chamem te), havia maior diálogo. Sessões populares: duas por que se sintam representados. a atenção dos transeuntes. Mas “quem te viu e quem te vê, hein?!!” Esse prédio que já foi um dos mais bonitos de Tatuí, que assistiu a quantos namoros, quantas paqueras, quantos flertes. E as filas de pessoas nos dias dos melhores espetáculos. Começava na sua bilheteria e ia até onde está o Banco Nacional (Casas Bahia). Quantas vezes havia necessidade até de guardas virem para acalmar os nervos dos mais esfuziantes. Na matinê de domingo, às 14h30 da tarde, quantas crianças, até meninos nos seus 14 e 16 anos iam para ver a vibração da molecada na hora da famosa briga do “mocinho com o bandido”, na qual o chapéu do mocinho nunca caía, os revólveres que nunca acabavam as balas, e o herói, depois de lutar contra tudo e contra todos, saía-se vencedor sob os aplausos da plateia. Quando o gongo soava às 14h28 era o primeiro sinal; Cine São José Fachada do extinto às 14h29, o segundo sinal; às 14h30, o terceiro sinal, as corti-


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Nas ondas do rádio Este texto foi pesquisado, rascunhado e escrito originalmente em I982. Ele nasceu tendo em vista que, nessa época, só havia na cidade a ZYL-5 Rádio Difusora de Tatuí, e por problemas que desconheço ela ficou “fora do ar” por um longo tempo. Foi vendida para um grupo de Jundiaí (SP) e, após uma duradoura negociação, acabou comprada por empresários tatuianos e, graças a Deus e a eles, ela voltou para Tatuí. Durante todo aquele tempo em que a Rádio ficou muda, eu senti como se a cidade estivesse “calada” e comecei a conversar com pessoas ligadas àquele universo radiofônico, entrevistas, conversas etc., e acabei conhecendo um pouco da sua história. Para minha surpresa, em 1984, fui trabalhar na Comissão Municipal de Turismo e Cultura e, em 1985, fui convidado a estrear um programa na Rádio Notícias de Tatuí, que ia ao ar de segunda a sexta-feira, das 13h às 16h, e pela proposta de ser bem diversi-

rra, Voss, Teixeira Em pé: Guilhermo Tie dos: Edmur Pires, e Ayrton Pires. Senta Vermelho rão Ba e na Iva

da Viola, Jóca “Yázigi”, José Antonio Santos, Camilo Perez, Eliana Coca-Cola, Paulo e Sandro Sotero, Adilson Rippa, Claudinei “Cebolinha”, Célia Marteleto, Barão Vermelho, Sílvia Franco, Euclides Fer-

Voss no ar

ficado, tocando desde brega até sucessos, anos 60, 70, 80, country, rock, new wave, etc., de tudo um pouco. Nestes últimos anos, passou a ser administrada pela Alessandra Vieira de Camargo Teles, que é a responsável pelo grupo Central de Rádio, que engloba: Rádio Notícias de Tatuí, Ternura FM, FM Vale Verde e a 107 FM, levando notícias, entretenimento, músicas, diversão a milhares

reira, Mário Eduardo Da Coll, Jairo Pires, Rizek, Vera Holtz, Lineu Voss Avalone, Joaquim Roberto Neves, Marquinhos 2 (Eletrola Digital), Sérgio Caetano, JB, Macgaule, Cassianinho, Parahilio, Nicola Caporrino, Roberto Rosendo, entre outros. E, ainda: Bossolan, Marcelo Revoredo, André Aguiar, Bolão, Luizinho dos Esportes, Helinho Beijo-Frio, Manoel Donizetti, Mayara, Vla-

Festa no Lar Donato Flor es, promovida pela Rádio Notícias, no ano de 1987

de ouvintes de nossa região, também de todo o sudoeste e, principalmente, levando o nome de Tatuí para milhares de pessoas e cidades! Também, quero aproveitar para homenagear os meus ouvintes da época e amigos que trabalharam e trabalham fazendo a alegria e ajudando a passar o tempo mais rápido e alegre. Cada um na sua época e no seu estilo, lá estavam: Finfele, Zé Roberto, Carlinhos Nunes, Juraci Oscar, Milton Pires, Altamiro Vieira, Zé Vicente, Ari Pereira Borges, Costa Neves, Ademir, José Carlos Ferreira, Edmur Pires, Módena, Guarugy, Genimar, João Bueno “Furacão”, o Barth, Gleisson, Guilhermo Tierra, Sérgio Mascarenhas, Valter Leite “Carioca”, Abel

demir, Rogério Lisboa, Renato “Cabeça”, Wilson Bertrami, Figueiredo e outros. A todos, o meu abraço e, se por acaso, me esqueci de alguém, me desculpem e sintam-se representados no texto acima. Quem quer que seja, você faz parte dessa história! E, agora, vamos voltar no tempo mais precisamente há 32 anos, apertem o cinto e boa viagem no “Túnel do Tempo”, ou no “Vale a Pena Ler de Novo”. “A CIDADE CALADA” Estamos no ano de 1941 ou 42, a cidade continua silenciosa e calma. Tudo é calmo. Às vezes, o silêncio é quebrado pelo barulho do motor pipocante de um Fordinho ou de qualquer outro, “dos antigos”. Depois

tudo volta a seu lugar. A cidade não tem muitos divertimentos a oferecer e os que podem sair à noite vão até a Praça da Matriz e ficam conversando, “flertando” (paquerando da época), enquanto de um alto-falante despejam-se músicas da moda. A televisão dá seus primeiros passos já, mas, na verdade mesmo, é mais uma promessa, para quando for possível. Cinema? Ah! O cinema mostra filmes musicais, comédias tipo pastelão, com Charlie Chaplin e o Gordo e o Magro, e o fundo musical, sempre, é feito por músicos de Tatuí, como o seu Juca Fonseca, João Del Fiol, Bimbo Azevedo e outros. Os inventos eletrônicos ou elétricos começam a sofrer modificações, melhorias; sua fabricação é lenta e sem muitos retoques ou acabamentos. Um desses inventos que começam a ocupar o seu lugarzinho nas casas é o rádio, aqueles “caixões de abelhas”, ou “capela”, cheios de válvulas, com botões enormes e que ao redor dele sentavam-se todos, após o jantar, para ouvir, entre estalos e chiados, as músicas da época, como Francisco Alves, Carlos Galhardo, Vicente Celestino, Gilberto Alves, Nelson Gonçalves e outros, como também a “Hora do Brasil”, ou as ferrenhas campanhas políticas do tempo de Getúlio Vargas. E as radionovelas, então? Ah, temos como a mais formosa e interminável “O Direito de Nascer”, televisionada também algumas décadas depois... Na sala de estar, com móveis da época, o porta-chapéus, cadeiras de palhinha, o pai com um vasto e bem tratado bigodão, a mãe de óculos (enfeitando o rosto), aro dourado, e, perto dela, a filha com seus cabelos em cachos, o vestido em alva renda, o namorado com polainas alvas, gomalina, colete, palheta, conversam sob o olhar fumegante do pai dela. Nesse

o senhor Oscar Mota. O movimento estava melhorando, pois tinham, nas suas programações, propagandas de Itapetininga, Sorocaba, São Paulo e outras. Em vista disso, ele chegou à conclusão de que, em Tatuí, já poderia ter uma rádio emissora. Convidou, então, uns amigos, e todos estes aderiram à ideia, sendo que, na primeira tentativa, a coisa falhou, mas, na segunda, surtiu efeito. Decidiu-se pela formação de uma sociedade, que foi encabeçada por três elementos: Oscar Silveira da Mota, Eudóxio Xavier da Silva e doutor Itagyba Santiago. Constituíram-na em 13/12/1946 e, em 16/12/1946, foi expedido o despacho do senhor ministro da Viação (atualmente, comunicações), Clóvis Pestana, autorizando o funcionamento da Rádio Difusora de Tatuí (R.D.T.). Ela ganhou o prefixo ZYL- 5 R.D.T., com potência de 100 watts e frequência de 1.580 kilociclos. Como não havia prédio próprio, para o seu funcionamento, optou-se por uma casa de esquina, onde antes funcionava uma

tempo, era bem empregado o ditado que dizia: “Toda donzela tem um pai que é uma fera”. Tatuí teria nesse tempo, aproximadamente, uns 25 a 30 mil habitantes, e os serviços de alto-falantes continuam aliados aos ditos “rádios”, sua missão de comunicar e informar! Esses serviços de alto-falantes tiveram, em Tatuí, dois pioneiros: Osório de Camargo e Eudóxio Xavier da Silva, que, pelos seus microfones, ofereciam músicas, davam notícias da Cidade Ternura, faziam suas transmissões, mas sem muita seriedade. Por questão de dio Notícias, Show do 5º ano da Rá preços e outros 1987; de bro em setem problemas, os Voss e Kid Vinil dois proprietários (cada um tinha o seu serviço de alto-fa- pensão e ficava entre a rua lante) começaram a entrar em 15 de Novembro e a travessa desentendimentos, acabando Pracinhas. A tal pensão sofreu uma série por paralisarem por completo de remodelações e passou a ser as suas atividades. o primeiro estúdio da R.D.T., Estes resolveram, então, proe tal imóvel pertencia à Santa curar o senhor Oscar Silveira da Mota e propor-lhe a compra Casa de Misericórdia de Tatuí. dos aparelhos. O senhor Oscar, Foi feito um contrato por cinco como já tinha fundado uma anos entre aquela entidade e os série de coisas aqui na cidade três sócios. Compraram novos equipa(a ver: Escola de Comércio, Esmentos e começaram a ser cola Remington, Cooperativa montados os transmissores, de Crédito Agrícola e outros), causando grande expectativa resolve aceitar esse novo empreendimento, pois, ao ver por parte dos nossos ouvintes dele, Tatuí já necessitava de e donos. Após grande propaganda uma transmissão sonora séria. para a data da inauguração, Comprou-os e os reorganizou são abertas as portas do seu e, depois de algum tempo, auditório, sendo que as poltronotou que a coisa ia surtindo nas ali existentes foram poucas efeito. Resolveu puxar extenpara a acomodação da grande sões de fios para alto-falantes para o largo do Mercado, bairro massa humana que para lá se 400, Praça da Matriz e praça dirigiu, transformando tudo Antonio Prado (Concha Acús- numa grande festa. Era dia 7 de julho de 1947, e a tica), local este onde também primeira voz a ecoar pelos ares existiam alguns aparelhos de tatuianos, já na Rádio Difusora medição meteorológica, disde Tatuí, foi a do doutor Itagytribuindo, dessa maneira, uma ba Santiago. melhor forma de sonorização Com o passar do tempo, as pela cidade. No total, haviam sido ins- cotas de participação foram talados uns cinco ou seis sendo transferidas para novos alto-falantes por Tatuí, uma sócios. Entre os muitos, temos: verdadeira “estaçãozinha ra- Francisco Vieira de Campos, diofônica”, como definiu-nos Silvestre Segundo Nazário Xavier da Silva, Armando Minghini, Simeão José Sobral, Milton Stape, Martinho Ribeiro, José Celso de Mello, Cesário Franco e outros. Havia, na R.D.T., cursos para o ingresso de novos locutores, série de treinamentos, cuidados médicos, recomendação de leitura de bons livros, e, após uma série de “testes”, o candidato apto “entrava para o ar”. No seu palco-auditório, havia shows, concursos de calouros ao vivo e outras atividades. Nos tempos de “política brauí Rádio Notícias de Tat va”, havia transmissões, mas s anos 80 Avenida Salles Gome foram interrompidas por causa do grande atrito que gerava en-

tre as facções políticas, e, para evitar maiores problemas, decidiram os diretores encerrar esses “amistosos debates”. Muitas vozes passaram pelos seus microfones, o já famoso e exclusivo locutor das ofertas do Mappin e Jumbo, o conhecido Antonio Del Fiol, entre outros. O estúdio situado à rua 15 de Novembro aí permaneceu de 1947 até 1960, sendo de lá transferido para a praça Paulo Setúbal, no Teatro Rosário, sendo que tal local possuía cerca de 200 poltronas e um bom palco, onde, ao fim de cada mês, eram mostradas peças teatrais dirigidas pelo senhor Vessa Araújo, além de programas de calouros e outras atividades. No final de 1960, ficaram só três sócios: Oscar Silveira da Mota, Milton Stape e doutor Simeão José Sobral. Depois do Teatro Rosário, foram transferidos os estúdios para a praça Manoel Guedes (largo da cadeia velha, ou “Museu”), e, em 1970, a Fundação Manoel Guedes comprou as cotas restantes e passou a administrá-la. No ano de 1976, a R.D.T. passou a ter novo prefixo: Z Y

E-411, sua potência foi aumentada de 100 para 1.000 watts e sua frequência passou de 1.580 para 1.530 kilocyclos. Depois de ser administrada por vários grupos, passou a pertencer ao Grupo Notícias de Jundiaí/SP, sendo que depois de “sai, volta, oscila, some, chia”, volta aos ares tatuianos e adjacentes, a Rádio Notícias de Tatuí-ZYK-699,1530 kilohertz, com uma nova diretoria, composta pelos senhores Luiz Gonzaga Vieira de Camargo e José Francisco Delarole Mendes, os quais, aliados a uma nova equipe, voltam com força total, apta a transmitir tudo o que seja de utilidade para o povo de Tatuí e região. Este artigo é apenas uma amostragem do que foi a história do rádio na nossa cidade. Deixo aqui o meu abraço a todos que, de uma forma ou de outra, contribuíram para que ela pudesse permanecer até hoje no cantinho direito do nosso rádio, transmitindo alegria, tristeza, enfim, fazendo parte do nosso dia a dia. Alguma vez você imaginou Tatuí sem rádio, para transmitir coisas nossas, das gentes? É, imagine e sinta como seria triste! E, apenas mais um lembrete: cidade sem rádio é uma cidade calada. Tatuí, 11 de setembro de 1983. PS.: Este trabalho só foi possível com a ajuda das seguintes pessoas, a quem são deixados os meus mais sinceros agradecimentos: senhores Oscar Silveira da Mota, Walter Silveira da Mota, José Antonio dos Santos, e ao meu pai, professor Diógenes Vieira de Campos, e à minha irmã, professora Maria Eugênia Voss Campos.


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No tempo das carroças Lá vamos nós para mais um pouco da história de Tatuí. Agora, vamos conversar com dois irmãos que fizeram e viveram a vida acertando, consertando e pintando os veículos com tração animal. No tempo em que todo sítio, fazenda ou qualquer cidadão que morava com sua família na zona rural e que, por falta de caminhonetes e automóveis, fazia uso desses veículos. Da praça Anita Costa para a volta no tempo, com vocês, Luiz Batista Nogueira e Antônio Benedito Nogueira.

Soube que vocês tinham um presépio, como era?

Luiz – Papai era quem montava o presépio. Tinha até roda d’água. Ele montava em todos os anos. Está guardado. Tenho vontade de montá-lo de volta.

tem muita, mas ninguém vê. Quase todo sítio tem carroça, pois elas ainda têm serventia. Dizem que há mais de 2 milhões de carros de boi no Brasil. Se tem carro de boi, imagine carroças.

Antônio – Quantas vezes era tarde da noite, atendíamos clientes que vinham com a carroça quebrada, com a roda ferrada! Às vezes, colocávamos um costelão para assar no final da tarde e chegava cliente aqui, precisando de serviço.

Quem da família começou no ramo de construção e reparo de carroças, charretes e aranhas (trole)?

Luiz – Foi papai quem começou a trabalhar no ramo, em 1947. Estou com 77 anos e, há 57 anos, trabalho nisso. Eu e meu irmão assumimos a empresa depois de papai. Começamos aqui logo após sair da Industrial (Etec “Sales Gomes”), onde fizemos o curso de mecânico de máquinas. Formamos e viemos para cá, em 1960 ou 1961. Antônio – Aqui, nós aprendemos na curiosidade, mesmo, até porque não existia curso para aprender a fazer carroça. A escola nossa foi a vida, aprendemos vendo papai e os empregados aqui mesmo na oficina.

Naquela época a procura era bem grande?

Luiz – A vida toda teve procura, depois os carros tomaram conta. Na praça aí da frente (Anita Costa), as pessoas paravam as

Carroça na pr aça Anita Co sta, local tradicio nal do encont ro dos carroceiros de Tatuí

Hoje em dia, é difícil montar, colocar a roda d’água para funcionar. Antônio – Nós temos uma filmagem em fita cassete que mostra o presépio montado e funcionando.

Como foi o aprendizado de vocês aqui?

Luiz – Foi com papai e os empregados. As pessoas, naquela época, aprendiam a trabalhar em oficina no dia a dia. Aprendi a fazer ferragens com um ferreiro chamado Tico Cidade, que trabalhava

Tatuí está em vias de se tornar uma estância turística. Vocês acreditam que isso fará com possa aumentar o número de carroças na cidade, por conta dos turistas, como aconteceu em Águas de São Pedro e Piracicaba?

Luiz – Acho que não tem volta mais. Talvez, para os turistas andarem até pode ter alguma carroça na cidade. Acho que nem pode andar mais com roda de ferragem pelas ruas.

Em 1971, quando fiz o Tiro de Guerra, tinha um homem que passava de madrugada soando um sino, parecia o Papai Noel. Ele vinha com uma égua e colocava pães nas janelas dos fregueses. O povo falava, às vezes, “para mais do que égua de padeiro”. Vocês lembram? Luiz – Vou dizer outra coisa mais antiga para você: tinha carroça que entregava gelo na cidade. Fizemos algumas revestidas, para entregar gelo, pois não era todo mundo que tinha geladeira em casa. Outro andava por aí com uma cabra na carroça. Ele vendia pelo caminho e tirava leite direto da cabra.

Quais serviços vocês fazem na atualidade?

a Nogueira Os irmãos Luiz Batist Nogueira; ito ned Be o e Antôni s Vos no centro

carroças em volta. Vivia cheio. Nos sábados, chegávamos a atender de 70 a 80 pessoas aqui.

Como foi a infância de vocês dois?

Antônio – Foi aqui na praça. Nascemos e fomos criados aqui do lado, na rua Santa Cruz. Joguei futebol na praça. Naquela época, era uma barroca (barranco), muito mato em volta.

Tinha o ribeirão aqui ainda?

Luiz – Não. O ribeirão Lavapés é mais antigo, da época de papai. Tinha esse nome porque o povo vinha do sítio e lavava os pés aqui antes de entrar na cidade. Isso foi bem antes da gente.

O seu pai, o Vaninho, era um homem bem simples, mas adorava política, não é?

Antônio – Ele nunca foi político, mas tinha amigos da política.

aqui. Passava os sábados na oficina para aprender. De semana, nós estudávamos na Industrial. Aprendemos a montagem de carroça com nosso pai.

Quem dará a sequência no ofício? Algum filho se interessou no ramo?

Luiz – Acho que a oficina vai parar. Tenho um filho que trabalha com torno, mas é outro ramo. Antônio - Meu filho Fábio Augusto trabalha na Fatec. Ele estudou lá, Voss. Até no dia da formatura dele foi você quem apresentou. Quando abriu a Fatec aqui na cidade, ele se inscreveu, fez a prova e passou. Depois de formado, começou a trabalhar lá e virou professor.

Me disseram que as carroças daqui tinham até placa, é verdade?

Antônio – Isso foi muito tempo atrás. Antigamente, tinha muita carroça em Tatuí. Tinha gente que carregava tijolos em carroças pela cidade. Ainda

Vocês têm conhecimento de mais alguém que faça esse tipo de trabalho aqui na cidade?

Antônio - Não tem mais. Só nós dois fazemos. Muitos que faziam já morreram. O único ferreiro que resta na cidade é o meu irmão. O ferreiro antigo nem metro usa, ele mede no olho mesmo. Não é que nem hoje, que trabalham com um monte de ferramentas, de medidas.

Alguma história que marcou vocês aqui na oficina?

Luiz – Tem gente de sítio que frequenta aqui e que o avô vinha sempre também. O vosso pai (Diógenes) estava sempre aqui para arrumar o trole. Quanto serviço fizemos para ele. Nós tínhamos uma freguesia enorme. O povo vinha com disco e bico de arado, com carroça para arrumar. Nós apertávamos as ferragens das carroças.

Antônio – O número de carroças na cidade caiu e não montamos mais novas faz tempo. Somente arrumamos de alguns clientes. Teve uma época em que chegávamos a montar dois veículos por semana. Tem um cliente de Boituva que trouxe uma para nós consertarmos. Luiz – Eu bato ferramenta para gente daqui, de Quadra, Capela do Alto, Guareí e Boituva. Faço ferramenta para rompedor (conhecido também como britadeira) e arado. Não tem quem faça isso depois que eu parar. Já estou bem cansado, tenho 77 anos.

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Rizek: o ‘Dono da Noite’ Vamos conversar com uma pessoa que é apontada, pelos tatuianos, como sendo uma das responsáveis pela mudança cultural de nossa cidade, com seus eventos, festas temáticas, populares e algumas superproduções. Essa pessoa costuma falar e escrever somente sobre as outras em sua coluna, em O Progresso. Porém, resolvi falar com Jorge Roberto Rizek, para conhecer a história do “Dono da Noite”.

Quando você descobriu que levava jeito para festa e decorações?

Descobri no tempo de colégio, na época em que fizemos uma festa para a nossa classe, no “Barão de Suruí”. Foi um sucesso o primeiro evento, e achamos que poderíamos fazer outros. A partir daí, começamos a fazer festas para a comissão de formatura da Escola Normal e montamos um grupo. Os eventos viraram um sucesso, e fizemos sem parar. O primeiro deles foi o Baile Hippie, no Clube Tatuiense, em 1969.

Como era produzir eventos e decorá-los? Havia falta de materiais naqueles tempos?

No Baile Hippie, por exemplo, usamos muitas revistas. Saíamos para pedir flores, procurávamos elementos que agregassem a decoração da festa. Tínhamos no grupo pessoas que faziam decorativos, como Vera Holtz, Joaquim Roberto e Lineu. Era um grupo muito criativo.

Você participou de desfiles cívicos da cidade, montou carros alegóricos?

Nós participávamos na montagem de carros alegóricos para grupos e escolas de samba em Carnavais, além do desfile cívico de 11 de Agosto, no qual fiquei mais de 20 anos organizando. Foi um grande esforço para deixar o evento mais atraente e ágil.

e clubes, como a Thunder, o Alvorada, o XI de Agosto. Sempre procurei trazer o momento vivido pelo Brasil e pelo mundo.

A minha história com você, com a Vera Holtz, remonta aos anos 1960 e 1970, quando, juntamente com amigos criamos o The Johnnies, uma banda revolucionária que agitou os bailes que você promoveu. Entre os eventos, estão a Noite no Além e o Baile Hippie. Como foi mudar completamente os bailes, uma vez que, até então, os eventos em Tatuí eram tradicionais, com orquestras? Essas ideias brotavam em viagens? Na época, ainda não viajava. Ainda estava estudando no “Barão de Suruí”. Eu, a Vera e todo o grupo tínhamos muita criatividade e ficávamos pensando o tempo todo em fazer algo diferente, trazer para cá coisas que não tinham por aqui. Nesses bailes, mudamos o conceito de festa em Tatuí, até que abrimos um clube só para fazer as festas que tínhamos vontade.

Como foi a criação da Trupe? Como surgiu a ideia?

Estava morando em São Paulo e havia tempo que não vinha para Tatuí. Certa vez, quando vim, disseram-me que a Malu Ferreira queria conversar comigo. Ela tinha feito um desfile de inverno e queria continuar a fazer o desfile na Thunder e no Alvorada Clube. Montamos um desfile diferente. Através disso, conse-

Rizek como DJ em noite no Tro-lol-ló

Você trouxe as grandes ondas para Tatuí, como as agitações dos anos 1970, 1980, 1990 e de lá para cá. Como você conseguia captar a essência de cada época e fazer com que Tatuí, uma cidade tradicional, vivesse a cultura que acontecia no mundo?

Nós estávamos sempre plugados, ligados nas coisas que aconteciam e acontecem lá fora. Eu continuo na ativa, promovendo festas. Sempre procurei trazer as novidades para Tatuí, tanto quando tinha o Trololó, o 8 e 80 e o 567. Em algumas ocasiões, como contratado por outros bares

produzia minhas festas e desfiles lá. Isso tudo foi antes de eu abrir o Trololó. Na Sunrise, fiz desfile como convidado.

guimos fazer mais desfiles. Cheguei a fazer em São José dos Campos e até formei um grupo de top models por lá. Trouxe essa ideia para Tatuí e montei um grupo chamado Trupe. Esse grupo fez muitas coisas. Iniciou o Baile Vermelho e Preto, festas e até eventos infantis, não era limitado a só fazer desfiles. A Trupe produzia, organizava, arrumava e divulgava. Foi um grupo de jovens coeso e forte na cidade. O sucesso foi tanto que o Zezinho Teles criou uma grife chamada Trupe Jeans.

Como foi sua participação na Thunder e na Sunrise?

Comecei a coordenar a Thunder em 1981, mas, antes, eu

em quando. Isso não é somente em Tatuí. Em São Paulo e no Rio de Janeiro, a vida noturna está um pouco caída. Acredito que, atualmente, temos

é mais segmentado o negócio. Muitos vão a eventos do próprio condomínio; outros fazem festas, jantares e churrascos na própria casa.

O que a juventude gosta em termos de eventos? O sertanejo veio para ficar ou é um movimento passageiro?

Cada tempo tem sua moda. Já passamos pela jovem guarda, bossa nova, lambada. Assim é o sertanejo, que é muito forte na maior parte do país, assim como o funk. É uma questão de época. Atualmente, o modismo é esse.

s Rizek, Vera Holtz e Vos

E a Banda Bandida, como foi?

Nós criávamos várias fantasias para a Banda Bandida, fizemos do grupo quase uma escola de samba, com samba-enredo, carros alegóricos. Foi muito legal esse trabalho, pois toda a juventude participava nessa época. Todo mundo fazia fantasias nas férias escolares para o Carnaval da Banda Bandida. O movimento carnavalesco na cidade era muito grande.

Como surgiu o Trololó?

O Trololó foi uma parceria feita para trabalharmos com o bar do XI de Agosto, presidido por Mingo Poles. O convite foi feito para Orlando Silva. Conversamos e eu disse que aceitaríamos se fosse um novo bar, um novo espaço no clube. Foi aceito e convidamos o Paulo José Fiuza e criamos, na sala 30, um novo bar, que, a princípio, não iria se chamar Trololó. Pensei em ter um nome no dialeto caipira e, então, lembrei-me dos grandes bailes da década de 1950, uma época de grande animação em Tatuí. Havia uma banda chamada Trololó, e quis fazer uma homenagem.

Para criar os eventos e as noites temáticas, você viajava para São Paulo, Rio de Janeiro, para conhecer a cultura noturna? Como você criava essas coisas?

Aprendi a fazer noite indo para a noite. Então, eu ia para São Paulo; depois, para o Rio de Janeiro, para ver como era o trabalho nos clubes noturnos. Eu reparava como os DJs (profissional que comanda o som nas festas) trabalhavam, como funcionavam os bailes, as portarias. A partir desse conhecimento, abri o Trololó.

Na atualidade, poucos são os clubes recreativos que sobreviveram à falta de público. A que se deve isso?

Acho que tudo é moda. Como a sociedade, a vida noturna tem modismos. A juventude é o grande público da noite, pois ela frequenta os bares e festas. Os hábitos vão mudando de vez

que fazer a noite para pequenos grupos. Não há mais festas para grandes multidões, como naqueles bailes com mais de mil pessoas. Hoje, são pequenos clubes, com gostos diversificados.

Você imortalizou os grandes bailes de debutantes, Vermelho e Preto. Esses grandes bailes acabaram tendo em vista o grande custo de produção. Você acredita que, se for feito um resgate dessas tradições, elas irão voltar, ou você acha que o tempo deles já passou? A juventude atual exige outro tipo de evento?

O baile de debutantes foi criado pelo Rotary Club de Tatuí. Eu participei de alguns como produtor. Neste ano, fiz cinco aniversários de 15 anos. A moda vai e volta. Agora, não sei se o baile de 15 anos tem que ser formatado com outro conceito, pode ser que isso aconteça. O Vermelho e Preto completou 35 anos no XI de Agosto, e acho que não tem como voltar no formato antigo. O público mudou muito e não temos uma cultura de noite em Tatuí. O mercado era outro, havia pessoas que trabalhavam na noite, faziam eventos, vendiam ingressos, patrocinavam. Hoje, isso não tem mais. Os conceitos são outros. Estamos fazendo o Vermelho e Preto de outra forma, no Bangalô, e deu certo.

Em Tatuí você sempre inovou nos eventos, nas festas temáticas e noites de muito glamour e sofisticação. Você acredita que a sociedade sente falta desse tipo de evento ou o momento econômico atual afetou o mercado, diminuindo a procura?

Megaeventos são muito complicados de se produzir. Você faz um rodeio em Tatuí e não sei até que ponto isso dá certo. Participei de vários rodeios na cidade, através da Prefeitura, na produção. A cidade cresceu de uma forma que ficou dividida em castas. Não tem mais aquela mistura como antes. Antigamente, você fazia eventos e a cidade toda ia. Na atualidade,

Você teve vontade de ir para os grandes centros urbanos e colocar lá, em prática, a sua criatividade em eventos?

Eu morei em São Paulo e em São José dos Campos, e fiz eventos lá. Acho que, na verdade, Tatuí tinha um campo de trabalho grande quando voltei. Eu queria que a cidade fosse alegre, diferente. Realmente, aconteceu isso. Tatuí era, há algum tempo, um centro noturno da região. Inclusive, moradores de Sorocaba, cidade muito maior que a nossa, vinham para Tatuí curtir a noite. Tatuí era a “Rainha da Noite” na região. A juventude vibrava com eventos diferentes a cada semana. Isso se perdeu com o tempo, talvez com as dificuldades e sanções que aconteceram.

Não faço ideia. Eu comecei n’O Progresso em 1984. Eram colunas semanais e, hoje, são bissemanais. Por esse número dá para mensurar. Escrevo em uma revista, mas escrevi em outras. Fiz rádio, também. Queria que a cidade tivesse um conceito diferente, moderno e versátil. É essa a minha ideia desde quando voltei para Tatuí e fiz essas coisas.

Como é a montagem de um evento? Você inicia pela criação artística ou pelos custos?

Se existe uma sequência de um trabalho feito anteriormente, analisamos os números e relatórios do ano anterior. O planejamento é feito assim, sempre com os pés no chão, pois não é fácil ganhar dinheiro em eventos.

Faça suas considerações finais.

Foi um grande prazer voltar para Tatuí e fazer essas festas. Fiz eventos particulares, criei o Trololó, que talvez foi o berço de muitos namoros e casamentos. Não era somente um clube noturno, era uma vida social que havia lá. Fui trabalhar em outros lugares, fiz festas itinerantes, sempre em sociedade com alguém. Muitas vezes, com o Clóvis (Salles), com o Cassiano (Sinisgalli). Acho que essas festas foram memoráveis, mas não podemos viver de passado. Continuamos fazendo casamentos, aniversários, tenho um calendário de festas. Claro que menos do que naquela época, pois muita coisa mudou. Além de tudo, fiz um calendário municipal de eventos, que até hoje é seguido. É muito prazeroso para mim, gratificante, porque acho que as coisas têm que continuar, não podem parar. É assim que tudo cresce e fica melhor. É essa meta que

Momento do Ca rnaval de rua de Tatuí

Você é o colunista social que mais escreve para jornais locais e até da região. Você tem em mente quantas matérias escreveu?

temos que ter. Tudo isso que fiz foi de coração. Um profundo sentimento de cidadão, de fazer o melhor pela cidade. Obrigado a quem me acompanhou e que me acompanha.

Expediente O caderno especial “Voss da História” é uma edição especial comemorativa aos 192 anos de Tatuí. Edição: Ivan Camargo Textos e arquivo de fotos: Luiz Antonio Voss Campos Projeto gráfico e diagramação: Erivelton de Morais Arte final: Altair Vieira de Camargo (Bisteka) Revisão: Ana Maria Camargo Del Fiol


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Cassiano Sinisgalli, Rita Vagalume e Rizek

Luiz Antonio Voss Campos durante desfile na Sunrise

Final de Semana Especial no Ópera 11 e 12 de agosto

Fotos: arquivo Jorge Rizek

Desfile na boate Circus

e Maurício Erasmo Peixoto, Voss homenagem de te Loureiro Gama em noi ló -loTro no , ista nal jor ao

BACALHAU

do chef

Rizek e Clóvis Salles

Rizek e integrantes da banda Jota Quest

file Beth Roseiro em des 80 ou 8 no da de mo

Rua 13 de Fevereiro, 240 Centro -Tatuí - SP 15 3305.3000

@opera.mix /fanpageoperamix www.operamix.com.br


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Especial 11 de Agosto - Tatuí 192 anos - VOSS DA anos HISTÓRIA Especial 11 de Agosto - Tatuí 191

Parabéns, Tatuí, pelos 192 anos! A Yazaki orgulha-se de fazer parte dessa trajetória.

11 de agosto 192 anos de Tatuí. Juntos construindo o futuro da cidade.

Especial Tatuí 192 anos - Voss da História  

Caderno ' Voss da História' apresenta uma série de artigos e entrevistas assinadas por Luiz Antonio Voss Campos

Especial Tatuí 192 anos - Voss da História  

Caderno ' Voss da História' apresenta uma série de artigos e entrevistas assinadas por Luiz Antonio Voss Campos

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