Especial Raio X 2021 - A revolução da infraestrutura

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001 JULIO CAESAR

FORTALEZA - CEARÁ, DOMINGO, 28 DE NOVEMBRO DE 2021

A REVOLUÇÃO DA INFRAESTRUTURA

EM UM ANO QUE A PANDEMIA DÁ SINAIS DE CONTROLE COM O AVANÇO DA VACINAÇÃO, O CEARÁ CELEBRA PROJETOS DE INFRAESTRUTURA QUE SERÃO CAPAZES DE PROMOVER UMA VERDADEIRA REVOLUÇÃO ECONÔMICA. NAS PÁGINAS A SEGUIR, UMA ANÁLISE SOBRE OS CENÁRIOS QUE SE DESENHAM COM O HUB DE HIDROGÊNIO VERDE, O AVANÇO DA PRODUÇÃO DE ENERGIA SOLAR E EÓLICA, AS EXPECTATIVAS DO 5G E OS DESAFIOS DE LOGÍSTICA


EXPEDIENTE

EDITORIAL

FCO FONTENELE

FORTALEZA - CEARÁ, DOMINGO, 28 DE NOVEMBRO DE 2021

Futuro

O impulso da infraestrutura A competitividade econômica do Ceará é impulsionada pela infraestrutura. Os mundos que se abrem com o projeto da usina de hidrogênio verde posicionam o Estado como um polo desenvolvedor de energia limpa, estimulando toda a indústria. A análise sobre os rumos dos investimentos necessários para a implantação do HUB de H2V você lê nas páginas a seguir. “O Ceará tem toda a capacidade de desenvolver toda a indústria complementar do hidrogênio verde”, diz Maia Júnior, titular da Secretaria Desenvolvimento Econômico e Trabalho no Ceará (Sedet), em entrevista ao jornalista Italo Cosme. Ainda na pauta sobre energia, a Secretaria da Infraestrutura do Estado (Seinfra) anuncia a capacidade de instalação energética do Ceará que é hoje de cerca de 2 GW, com potencial de 643 GW de energia solar fotovoltaica, 94 GW de energia eólica em terra, e 117 GW de energia eólica no mar, isso nos 573 km do estado do Ceará. A região ainda tem um potencial híbrido (sol e vento) de 137 GW de produção energética. “Uma das ideias do estado é transformar o excedente de energia solar e eólica em hidrogênio verde e mandar para todo o mundo”, disse a Seinfra. As expectativas são altas. A evolução do 5G propõe um mundo mais inteligente. O jornalista Samuel Pimentel conta como esse cenário se desenha na reportagem das páginas 8 a 11. A primeira evolução deve ser mesmo no setor de telecomunicações, com melhoria dos serviços de banda larga, novos serviços sendo desenvolvidos já que a maior velocidade, estabilidade e resposta rápida da rede, permitem uma grande movimentação de dados. O RaioX ainda traça os desafios da logística no Ceará. E reflete sobre as estratégias para driblar a alta dos combustíveis e custos de exportações. Boa leitura!

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ACOMPANHE O PROJETO RAIO X O projeto “Raio X” Ceará é um estudo sobre análises setoriais, tendências e perspectivas da economia cearense. O projeto apresenta as perspectivas dos mercados frente ao crescimento da economia nacional. Além de três cadernos especiais, são três lives e um webinar baseados em estudos de análises setoriais, tendências e perspectivas da economia cearense, com foco em negócios e inovação.

PROGRAMAÇÃO

As três lives e o webinar são transmitidos no Facebook e Youtube do O POVO e da Fundação Demócrito Rocha

Datas e temas das lives

16/11 – ENERGIA, VISÃO PARA 2022 Entrevista com o presidente do Grupo Qair no Brasil, Armando Abreu

19/11 - A FORÇA DO AGRONEGÓCIO BRASILEIRO

Entrevista com Sílvio Carlos Ribeiro Vieira Lima, secretário executivo do Agronegócio da Secretaria do Desenvolvimento Econômico e Trabalho do Ceará

23/11 - SERVIÇOS - INCENTIVO AOS PEQUENOS NEGÓCIOS E EMPREENDEDORISMO

Entrevista com Alci Porto, diretor técnico do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae-Ceará)

Data e tema do webinar

30/11 - RAIOX - CEARÁ:

DESAFIOS DA ECONOMIA 2022 Datas e temas dos cadernos especiais:

28/11/2021 – INFRAESTRUTURA ENERGIA EÓLICA E HIDROGÊNIO VERDE 29/11/2021 - INDÚSTRIA, COMÉRCIO E AGRONEGÓCIO

30/11/2021 - TURISMO E

SERVIÇOS - SETOR DE EVENTOS

Confira as lives já realizadas em: https://fdr.org.br/raiox/


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A CASA DO HIDROGÊNIO VERDE NO

MUND COM O INTERESSE MUNDIAL EM ENERGIA LIMPA, HUB DE HIDROGÊNIO VERDE (H2V) PODE REVOLUCIONAR ECONOMIA DO CEARÁ


DO

JÚLIO CAESAR

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Complexo do Pecém prevê expansão para receber usina de hidrogênio verde


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ÍTALO COSME ESPECIAL PARA O POVO

O

ano de 2021 marca o Ceará como forte player no mercado mundial de Hidrogênio Verde. O estado foi à COP26 para vender a proposta do HUB de H2V; protagonizou o 1º Congresso para acelerar o mercado na América Latina e no Caribe; e sediou um seminário Internacional, organizado pela editora Globo. Nesta ocasião, o governador Camilo Santana abriu o evento com a seguinte frase: "A casa do hidrogênio verde no mundo será o Ceará." E o estado se esforça para isso. No total, já são 12 memorandos de intenção assinados neste ano, e seis em negociação. Ainda que os acordos estejam sob sigilo, a média dos projetos é de cerca de US$ 3 bilhões. Há intenções que chegam a US$ 8 bi. Apesar disso, os interessados ainda podem buscar outras oportunidades pelo País. “Nós estamos fazendo o dever de casa: criar condições para que os projetos se viabilizem e sejam implantados”, reforça Maia Júnior, titular da Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Trabalho no Ceará (Sedet). A fala engloba, por exemplo, a expansão do complexo portuário. Até agora, o investimento para receber projetos de H2V gira em torno de R$ 1,3 bi. Maia Júnior detalha que ainda é preciso construir cais exclusivos para importação e exportação, montagem de plantas offshore. Sem contar as linhas de transmissão, pontos de conexões, subestações de redes de água específicas para os projetos. “Nós estamos inicialmente entrando com a proposta de trabalhar água disponível através do reúso e também de plantas de salinização”. O esforço se dá para que a água acumulada nos períodos chuvosos seja destinada apenas para atender o desenvolvimento econômico e o consumo ani-

mal e humano. Em relação às empresas, o emprego de recursos também começa antes de o mercado retribuir em forma de compra da produção de hidrogênio. Só para começar um projeto, os valores podem chegar a US$ 100 milhões. A expectativa é de que as plantas cearenses estejam em pleno funcionamento em até cinco anos. “Além do potencial de enviar à Europa e outros continentes, o Ceará tem toda a capacidade de desenvolver toda a indústria complementar do hidrogênio verde”, reitera Maia Júnior. O secretário exemplifica os segmentos de fertilizante, indústria química, cimenteiras, siderúrgicas, além da indústria de bens a partir do processo de eletrólise. Joaquim Rolim, coordenador de Energia da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec), apresentou o ousado projeto do HUB de H2V do Ceará ao mundo na COP26. "A gente percebeu claramente que realmente é um interesse não somente das empresas, como das entidades e dos países, para que realmente mudemos o processo. Haverá uma grande revolução econômica."

O professor expõe que os esforços intersetoriais, públicos e privados, para acolher os projetos devem fazer do Ceará líder nesta corrida, que, segundo ele, tende a ser a nova fronteira energética mundial. Um dos principais norteadores dessa empreitada é o Atlas Eólico Solar. Em outubro, integrantes do Governo do Ceará, Federação das Indústrias (Fiec) e Universidade Federal (UFC) decolaram para missão em Madrid, onde conheceram o Centro Nacional do Hidrogênio e uma unidade industrial em construção. Enquanto em solo cearense, a primeira planta de H2V do Brasil saía do papel. A data prevista para operação é dezembro de 2022. O projeto piloto será o primeiro da EDP, instalado no Complexo Industrial e Portuário do Pecém (CIPP), com capacidade de 3 MW e um módulo eletrolisador. A unidade modular terá capacidade de produzir 250 Nm3/h do gás, com potencial de atração de um total de R$ 41,9 milhões de investimento. Para a Secretaria da Infraestrutura do Estado, um ponto de destaque é a definição da regulamentação da cadeia do hidrogênio, onde já foi aprovada a resolução do CNPE definindo as diretrizes do Plano Nacional do Hidrogênio. “Por último, e também de grande relevância é a regulamentação da geração eólica offshore (eólica no mar), que deverá ser aprovada e publicada no início de dezembro”, espera.

Em meio à crise elétrica, Ceará consolida avanço da energia solar O Brasil passou todo o ano de 2021 sob ameaça de apagões por conta da crise hídrica, o que ocasionou alta no custo da energia no País. Apesar do estresse, o Ceará conseguiu avançar com a produção de energia solar e eólica, setores importantes para cearenses na busca pelo HUB de Hidrogênio Verde (H2V). Em novembro, o estado superou o marco de 20 mil consumidores de energia solar gerando sua própria energia. O crescimento foi de 93%, comparando janeiro a outubro de 2020 com o mesmo período de 2021. "O cearense está entendendo cada vez mais a importância da energia limpa e rentabilidade para o seu negócio", comemora Daniel Queiroz, diretor técnico do Sindicato das Indústrias de Energia e de Serviços do Setor Elétrico do Ceará (Sindienergia-CE). Queiroz reforça ainda que o mercado tende a aquecer ainda mais. A justifica recai sobre a possibilidade de aprovação do Projeto de Lei (PL) 5829, que institui o marco legal da microgeração e minigeração distribuída, que aguarda apreciação no Senado. Além disso, outro ponto positivo no setor foi a entrada de mais bancos para financiar projetos de energia solar. Conforme Hanter Pessoa, diretor de Geração Distribuída do Sindienergia, o Ceará hoje é o décimo estado em geração de energia so-


DIVULGAÇÃO

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“Além do potencial de enviar à Europa e outros continentes, o Ceará tem capacidade de desenvolver toda a indústria complementar do hidrogênio verde”

GERAÇÃO FOTOVOLTAICA EM EQUIPAMENTOS PÚBLICOS O Estado do Ceará estabeleceu, através do Decreto 33.264 (set/2019), a premissa para que todo prédio público contemple o uso de fonte renovável e eficiência energética

METRÔ

AEROPORTO

ESCOLAS

588 placas

fotovoltaicas instaladas No aguardo da licença da Enel para o sistema funcionar ESTAÇÃO PADRE CÍCERO

882 placas

fotovoltaicas Local está sendo preparado para instalação

32 escolas

EXPANSÃO: A Companhia Cearense de Transportes Metropolitanos estuda a expansão do projeto para outras estações.

estaduais Unidades passam por ajustes para implantação dos sistemas. CENTRO DE MANUTENÇÃO DO VLT PARANGABA-MUCURIPE Além do sistema de energia solar, o local também terá máquina capaz de reutilizar águas de lavagens.

DESDOBRAMENTO: energia solar produzida poderá suprir demandas de ao menos quatro estações da linha sul do Metrô de Fortaleza.

AEROPORTO REGIONAL DE SOBRAL Uma usina fotovoltaica no local está em conclusão. Objetivo do projeto é que o sistema de energia solar seja suficiente para garantir a operação do terminal como todo, do prédio do sistema de combate a incêndio e demais equipamentos FONTE: SEINFRA

175,12

ESTAÇÃO JUSCELINO KUBITSCHEK (JK)

75,78

Evolução da Geração Distribuída no Ceará (MW)

este ano 2021:

264,53

1,07

2013

0,17

11,84

22,70

36.77

(Consumidores gerando sua própria energia)

0,05

lar distribuída, com capacidade de 276 megawatts instalado. O Brasil tem 7,6 GW. Fortaleza, aponta Pessoa, é a sexta cidade com maior número de geradores fotovoltaicos no País, com 61 MW instalado. Dos 184 municípios, apenas Potengi e Senador Sá não possuem ao menos um gerador. Conforme a Secretaria da Infraestrutura do Estado (Seinfra), o Ceará tem hoje a capacidade de instalação energética de cerca de 2 GW, com potencial de 643 GW de energia solar fotovoltaica, 94 GW de energia eólica em terra, e 117 GW de energia eólica no mar, isso nos 573 km do estado do Ceará. A região ainda tem um potencial híbrido (sol e vento) de 137 GW de produção energética. "Uma das ideias do estado é transformar o excedente de energia solar e eólica em hidrogênio verde e mandar para todo o mundo", disse a Seinfra. De acordo com Maia Júnior, titular da Sedet, a franja litorânea é o principal atrativo para projetos do tipo em território cearense. Porém, a região Oeste, Central, Região Metropolitana, Chapada do Apodi, Ibiapaba e Araripe têm sido bastante cobiçadas. Em nota, a Superintendência Estadual do Meio Ambiente (Semace) informou que, de 2011 até a 1.ª quinzena de novembro, contando com projetos de modalidade de energia alternativa (de usina solar e eólicas), foram emitidas 136 LO (Licença de Operação). Além de LO, esse quantitativo também contempla licenças como LAC (Licença Ambiental por Adesão e Compromisso) e LIO (Licença de Instalação e Operação).

2014

2015

2016

2017

2018

2019

2020

FONTE: SEDET (NOV/2021)


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O FUTURO DO 5G E AS PERSPECTIVAS PARA O

CEAR

CORRIDA PELA INOVAÇÃO SE ACENTUA E AS POSSIBILIDADES SÃO VARIADAS. QUINTA GERAÇÃO DE INTERNET DE ALTA VELOCIDADE DEVE PROPICIAR DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO E SOCIAL E PERMITIR AVANÇOS CIENTÍFICOS


RÁ GETTYIMAGES

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SAMUEL PIMENTEL

U

samuelpimentel@opovo.com.br

m acontecimento que certamente irá marcar o ano de 2021 na história do desenvolvimento tecnológico é o avanço consistente dos países rumo ao 5G. Não é exagero dizer que as perspectivas positivas com a adoção da quinta geração das redes móveis vai tornar o mundo mais “inteligente”. E os avanços econômicos, sociais e científicos são esperados. O professor do curso de Engenharia de Telecomunicações e coordenador do Grupo de Pesquisa em Telecomunicações Sem Fio (GTEL/UFC), Rodrigo Porto, ressalta que o 5G é uma tecnologia sem fio, móvel e de alta velocidade que tem várias implicações. Testes realizados mostram que a velocidade é tamanha que tem a capacidade de transferência de 1 GB por segundo, centenas de vezes mais rápido que até mesmo o 4G mais avançado. Circuitos de monitoramento em tempo real sem fios, desenvolvimento da automação, robótica e processos que melhorem a produtividade, assistentes de trabalhos que exigem grande atenção. Todos esses são exemplos dados por Rodrigo, que também é pró-reitor adjunto de Pesquisa e Pós-Graduação da Universidade Federal do Ceará (UFC). “Já temos automações residenciais, mas muito baseadas em wi-fi, e o 5G deve facilitar esse processo”, destaca ele, lembrando ainda que as possibilidades são das mais variadas. “O 5G vem como uma grande plataforma de telecomunicações, mas em cima disso pode haver diversas soluções para empresas, setor público, indústria, para que aumentem a produtividade de seus processos”. Esse processo evolutivo dentro do 5G está sendo feito de maneira colaborativa. A UFC, por meio do GTEL, desenvolve diversas pesquisas que têm contribuído com esse salto evolutivo. Rodrigo lembra que o 4G e smartphones são contemporâneos, produzidos por cabeças diferentes, mas são complementares. Promoveram uma revolução na vida na última década. O 5G já está sendo lançado, agora resta esperar qual deve ser o novo dispositivo complementar revolucionário. “São várias possibilidades, certamente. Aí é onde entra a criatividade dos empreendedores. São ideias arrojadas que com o 5G serão possíveis em larga escala em alguns anos. Isso está avançando, estamos sempre olhando para frente, prevendo os cenários futuros, um exercício de culturologia”, afirma. Rodrigo enfatiza que a primeira evolução deve ser mesmo no setor de telecomunicações, com melhoria dos serviços de banda larga, novos serviços sendo desenvolvidos já que a maior velocidade, estabilidade e resposta rápida da rede, permitam uma grande movimentação de dados. E não é só de banda larga móvel que estamos falando... O coordenador do GTEL diz ainda que até mesmo a banda larga fixa pode ser beneficiada, com a adoção de antenas fixas como a próxima evolução desse mercado, que já teve internet via rádio e agora a fibra óptica. “Isso abre uma nova forma de atuação dos provedores de internet”, destaca.

“O 5G vem como uma grande plataforma de telecomunicações, mas em cima disso pode haver diversas soluções para empresas, setor público, indústria, para que aumentem a produtividade de seus processos”

Próximos passos após o leilão Quando a Brisanet, do cearense José Roberto Nogueira, arrematou três blocos do leilão de 5G, desembolsando R$ 1,466 bilhão para atuar com a tecnologia no Nordeste e no Centro-Oeste, muita gente do mercado ficou surpresa. Mas, segundo Nogueira, esse já era um passo que vinha sendo planejado desde 2018. Em entrevista ao O POVO, um dia após o arremate - e em meio aos burburinhos do mercado se a empresa teria perna para entregar o que se compromete - o presidente da Brisanet demonstrou conhecimento do mercado. Destaca que o valor de R$ 1,466 bilhão é expressivo para construir infraestrutura para as 1.448 localidades se observamos pela ótica do dinheiro em 2023. "O compromisso é em 2030", lembra. "Da forma como a Brisanet constrói rápido e estamos avançando, antes de chegar 2030, vamos conseguir isso de forma natural". "Então, o mercado não entendeu. Teve operadora que teve a oportunidade de colocar 3.000% de ágio, mas no fim, não colocou e correu o risco de

perder a frequência por não entender a lógica do edital ou não entender bem a sua região". José Roberto ainda diz que a Brisanet fez todo um mapeamento de forma que o investimento não alterou o Capex projetado, a compra foi assertiva. O próximo passo, de entrada na telefonia móvel, também já está traçado: a partir de julho de 2022 chega às capitais, como Fortaleza, e em cidades pequenas a partir de julho de 2023 - mesmo que o leilão delimite como prazo os anos entre 2026 e 2029. Levando em consideração que a maioria dos aparelhos nem tem habilitação para receber o sinal do 5G, as previsões são plausíveis. "O nosso investimento ano a ano é sempre maior do que o ano anterior. Tivemos um crescimento acelerado e vamos continuar. Chamamos essa década, entre 2017 a 2027, de a década da infraestrutura. Ou seja, serão os dez anos de maior construção de infraestrutura, que começou com a fibra óptica e passa agora com o 5G".


ARQUIVO/BRISANET

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ARTIGO

Impactos sociais e econômicos da 5G

Vivaldo José Breternitz

Vivaldo é Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo (USP) e professor do Programa de Mestrado em Computação Aplicada da Universidade Presbiteriana Mackenzie.

Brisanet anuncia que o próximo passo de entrada na telefonia móvel chegar a Fortaleza a partir de julho de 2022 e em cidades pequenas a partir de julho de 2023

SAIBA MAIS INTERNET DAS COISAS

Números do Ministério das Comunicações apontam que, com a adoção do 5G, os dispositivos móveis conectados à IoT devem passar dos atuais 30 milhões para 100 milhões em 2023.

CIDADES INTELIGENTES

Nas chamadas Cidades Inteligentes, será possível controlar melhor o tráfego, com semáforos eficientes, sistemas de monitoramento de trânsito, gestão eficiente da iluminação e outros pontos que permitirão elevar a qualidade de vida das pessoas, chegando ao ponto de viabilizar os veículos autônomos.

Realizado o leilão de faixas de frequências que permitirá a implantação em nosso país da quinta geração de telecomunicações (5G), observa-se agora a movimentação dos vencedores, pois o leilão lhes impôs algumas obrigações, dentre as quais a mais próxima e visível é a disponibilização da 5G em todas as capitais até 31 de julho de 2022. Para o cidadão comum, o uso da tecnologia em um primeiro momento permitirá conexões mais rápidas à internet, melhorando a qualidade e a velocidade em jogos, filmes e downloads em geral. Em um nível mais amplo, permitirá avanços em áreas como Internet das Coisas (IoT), 4ª Revolução Industrial e Cidades Inteligentes. Esses são alguns pontos que merecem ser ressaltados, pelas esperanças que 5G traz no sentido de contribuir para o desenvolvimento de nosso País. Estudos da consultoria britânica Omdia e da Nokia, empresa finlandesa que deverá estar entre os fornecedores de equipamentos 5G para nossas operadoras de telecomunicações, mostram que a chegada dessa tecnologia ao Brasil pode ter um impacto da ordem de US$ 1,2 trilhão no período de 2021 até 2035, o que é capaz de adicionar um ponto percentual por ano ao nosso PIB, tornando-se um dos motores da economia nos próximos anos e uma alavanca para a retomada do crescimento no pós-pandemia. Temas como a IoT, a 4ª Revolução Industrial e as Cidades Inteligentes entrelaçam-se quando se ligam a 5G: IoT pode melhorar a produtividade em diversos setores, permitindo que diferentes equipamentos se conectem e operem de forma coordenada, com pouquíssima intervenção de operadores humanos. Concluindo, é preciso dizer que apesar de 5G ser uma grande oportunidade para o Brasil reverter o processo contínuo de desindustrialização por que passa desde os anos 80 e, mais do que isso, para inovar nos serviços disponibilizados aos diversos segmentos da atividade produtiva e da sociedade, não basta apenas preocupação com os aspectos puramente tecnológicos. É preciso planejar, e todas as esferas de governo precisam também desenvolver a capacidade de coordenar atores públicos e privados. É preciso investir em educação, ciência, tecnologia e inovação para que haja crescimento econômico, redução das desigualdades e uma integração do Brasil ao cenário internacional, para o qual o 5G é uma ferramenta importante.


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LOGÍSTICA MAIS

CARA REABERTURA ECONÔMICA ANIMA SETOR LOGÍSTICO, MAS ALTA NO PREÇO DE COMBUSTÍVEIS E FALTA DE INSUMOS IMPÕEM DESAFIO AO SETOR


JÚLIO CAESAR

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O

setor logístico mundial ainda sofre com os impactos da pandemia de Covid-19. No Ceará não é diferente. Apesar da reabertura do mercado global, facilitando a formação de novos negócios, fatores externos e internos ao mercado brasileiro impõem desafios aos fabricantes, distribuidores e consumidores da cadeia logística. O aumento exponencial no preço dos combustíveis é um dos principais vilões nesta novela e está no limite para as empresas, que ainda relutam e tentam minimizar os impactos nos consumidores, conforme Marcelo Maranhão, presidente do Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas e Logística do Estado do Ceará (Setcarce). Também presidente da Câmara de Logística da Agência de Desenvolvimento do Estado do Ceará (Adece), Maranhão calcula que, no último ano, com o aumento no preço dos combustíveis - gasolina teve alta de 73% em 2021, e o diesel 65,3%, o custo sobre os transportes gira em torno de 25% a 30%. André Arruda, diretor-geral do segmento de carga fracionada na Termaco Logística, destaca que a inflação no setor transporte rodoviário para linhas longas variou de 15% a 20% no último ano. O porta-voz reitera que a alta no combustível é apenas o carro-chefe na crise do setor, mas que os custos com óleo lubrificante, pneus, aluguel de terminais, por exemplo, também subiram, e impactam todo o segmento. Para ele, o cenário é de apreensão. Com o quadro fiscal e inflacionário, o setor não vislumbra grandes possibilidades de melhora nos próximos meses. “A preocupação maior, que antigamente era com a infraestrutura e sobrecarga dos impostos, deu lugar, novamente, à preocupação com o aumento em larga escala de custos e como não repassar aos clientes”, lamenta. Outro elemento de destaque durante todo o ano de 2021 trata da falta de contêineres, tanto para importação quanto para exportação de produtos. A escassez fez com que grandes empresas reduzissem suas operações por conta da crise com os equipamentos. Em abril, por exemplo, cargas perecíveis de frutas demoraram além do adequado para embarcar. À época, o CEO do grupo FTrade Brasil, Bruno Farias, especializado em exportações, comentou ao O POVO que antes conseguia pagar uma média de frete de US$ 2.100 por cada contêiner exportado, mas que naquele cenário o preço mais baixo que conseguiu fechar por carga foi de US$ 8.500. É exatamente o setor de agronegócio - principal ativo da exportação brasileira e cearense - o mais afetado por essa carência. Para o Porto do Pecém, Marcelo Maranhão diz que o principal desafio é a conclusão da rodovia cearense 155 (CE-155) para interligar a BR-222 com a zona portuária. “Quanto o projeto foi feito, nós utilizamos pás eólicas de 36 metros. Hoje, nós estamos com pás de até 107m”, diz. “O preço do frete marítimo subiu em todo o mundo. Nós aqui não temos como controlar exatamente essa falta de containers e outras situações. O Porto (do Pecém) está estruturado para fazer esse trabalho de hub, com o porto de Rotterdam, e é sucesso total. Mas precisamos melhorar o acesso. E esperar a economia

DESAFIOS NA LOGÍSTICA 2021

PORTOS

Alto preço dos combustíveis Escassez de contêineres Insumos e peças para maquinário mais caras Exportações e importações prejudicadas

RODOVIAS

Expectativa de conclusão do projeto da CE-155 Expectativa de relicitação da Transnordestina (sendo o ramal do Pecém prioritário) Combustíveis mais caros Insumos mais caros Consumidor final prejudicado

AEROPORTOS

Capacidade de atender voos intercontinentais Ampliação das pistas de pousos e decolagens Retomada do turismo resulta em reabertura dos aeroportos regionais

mundial reagir para ter fretes marítimos mais competitivos”, reforça Marcelo. Assim como o Porto do Pecém, o Aeroporto Internacional de Fortaleza também é ponto de passagem importante no mercado global. Prevista no contrato de concessão à Fraport Brasil, a obra de expansão da pista de pouso e decolagem fez do local apto a receber voos intercontinentais. Cerca de R$ 100 milhões foram investidos. Para o Ministério da Infraestrutura, os recursos são “estratégicos para modernizar e melhorar a conectividade da principal porta de entrada para a quinta maior cidade brasileira e maior do Ceará em população – estado com destaque turístico mundial por suas belezas naturais. Hoje, a cabeceira 31 já opera com 2.755 metros para pouso e decolagens. A cabeceira 13, por sua vez, está com 2.755 metros permitidos para decolagens e 2.613 metros para pousos – a capacidade total será atingida após a instalação de novo equipamento de auxílio para pouso (ILS) na segunda cabeceira, o que deve ser feito ainda neste ano pelo Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea). (Ítalo Cosme)

“A escassez fez com que grandes empresas reduzissem suas operações por conta da crise com os equipamentos”


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ENVOLVER AS PESSOAS, REAPRENDER E OLHAR PRA FRENTE

RICARDO PARENTE

Gerente Geral de Relações Institucionais e Comunicação na Companhia Siderúrgica do Pecém (CSP)

A

jornada tem sido árdua, de muito trabalho, empatia, adaptações e reaprendizados. Permita-me apresentar um caminho que preza pela melhoria contínua às pessoas, processos e produtos - os três “p” que impactam no presente e futuro de uma empresa. Em meio à crise sanitária, com a economia em baixa e algumas siderúrgicas desligando seus alto-fornos, a Companhia Siderúrgica do Pecém (CSP) manteve, em 2020 e 2021, a produção e as vendas, sob rigorosos protocolos sanitários e mais de 50 ações internas e externas implantadas para cumprir valores inegociáveis a nós: segurança e saúde. Entramos rapidamente na direção certa e temos dado importantes passos rumo à essencial sustentabilidade financeira, com 94% dos empregados com a primeira dose de vacina contra a Covid-19 e 74% com a segunda, até 16/11/2021. Esse é o “p” de “pessoas”. Aqui, os fins não justificam os meios. Somos absolutamente conectados com a ética, cuidado com o meio ambiente, além do diálogo e envolvimento com as comunidades próximas a nós e com o estado do Ceará. Precisamos garantir uma caminhada ao conceito que também nos move: eficiência – “capacidade para produzir um efeito”, como define o dicionário Michaelis. No primeiro semestre de

2021, foram R$ 623 milhões em produtos, serviços e equipamentos comprados de 264 empresas cearenses. O “p” de “processos”. Uma mudança importante pela qual a empresa vem passando é a consolidação do propósito coletivo em detrimento de metas individuais. Essa mentalidade colaborativa, de eficiência e excelência produtiva nos trouxe resultados de produção melhores que o ano passado e com uma placa de aço cada vez mais premium. Foram 2,225 milhões de toneladas de placas de aço de janeiro a outubro de 2021. O “p” de “produtos”. Os resultados de uma siderúrgica não são imediatos para a empresa nem para os parceiros públicos e privados. Tudo requer sólido planejamento e execução fluida. Temos contribuído para um crescimento vertiginoso, ao longo dos últimos anos, com o município de São Gonçalo do Amarante e com o Ceará, com um povo trabalhador e inteligência altiva na criatividade científica, empresários visionários e um governo de gestão estadista. Um exemplo da contribuição da CSP é na arrecadação do ISS municipal, com participação de 40% do total desse tributo em 2020. Além disso, contribuiu para o impulso do PIB, PIB per Capita e IDEB. Seguimos firmes com o objetivo de gerar valor a todos que fazem parte da nossa cadeia – acionistas, fornecedores, clientes, parceiros, empregados e sociedade. Que venha 2022!

“Temos contribuído para um crescimento vertiginoso, ao longo dos últimos anos, com o município de São Gonçalo do Amarante e com o Ceará, com um povo trabalhador e inteligência altiva na criatividade científica”

UM CEARÁ PRONTO PARA RECEBER INVESTIMENTOS

ARTIGOS

FRANCISCO RABELO

Presidente da Agência de Desenvolvimento do Estado do Ceará (Adece)

P

ara além das praias e demais belezas naturais, o Ceará é dotado de uma infraestrutura essencial para o bom funcionamento e evolução da atividade econômica. Aproveitar as vantagens naturais, como localização geográfica privilegiada, capaz de garantir proximidade com mercados consumidores da Ásia, América do Norte e Europa, tem sido uma das prioridades do Governo do Ceará, que não tem medido esforços para investir no segmento. Conforme Índice FIEC de Inovação 2021, divulgado em setembro deste ano, o Estado ocupa a primeira posição do Nordeste em infraestrutura. Os investimentos do Governo do Ceará nos últimos anos nos Hubs Portuário, Aéreo e Tecnológico, bem como a segurança hídrica, têm proporcionado ao Estado um aumento de competitividade econômica considerável. Tais apostas têm afetado diretamente na decisão de investidores e possuem elevada capacidade de geração de emprego e renda no curto, médio e longo prazo. É imprescindível citar a mais forte âncora de infraestrutura e mola propulsora do desenvolvimento econômico do Estado, o Complexo Industrial e Portuário do Pecém, bem como sua extensa Zona de Processamento de Exportação (ZPE). Ambos estão entre as principais vantagens encontradas pelos investidores ao aportarem recursos no Ceará. Única em funcionamento do Brasil, a ZPE Ceará inaugurou recentemente uma expansão de 1.911 hectares e deverá receber, entre outros

empreendimentos, plantas industriais de produção de hidrogênio verde, outro grande setor de destaque para o Estado, que desponta como pioneiro no segmento. Atualmente, o Ceará já conta com 12 protocolos de intenção para a instalação de empresas fornecedoras do combustível do futuro. Iniciativa do Governo do Ceará, em parceria com a Federação das Indústrias do Ceará (FIEC) e Universidade Federal do Ceará (UFC), o Hub de Hidrogênio Verde é outro projeto primordial para alavancar a economia do Estado. O programa foi apresentado na Conferência das Nações Unidas para as Mudanças Climáticas (COP26), em Glasgow, na Escócia. No quesito tecnologia, com 16 cabos submarinos de fibra óptica e data centers, Fortaleza hoje é um dos pontos mais conectados do planeta e o principal do Brasil. Os investimentos no Hub Tecnológico têm possibilitado a oferta de internet banda larga e, consequentemente, a atração de novas empresas para o Estado. O pacote de investimentos em infraestrutura, especialmente nos Hubs de setores priorizados pelo Governo do Ceará para alavancar o crescimento econômico, bem como segurança jurídica, hospitalidade, incentivos fiscais e equilíbrio nas contas podem ser considerados o mais importante cartão de visita do Estado do Ceará. Daqui em diante, é chegada a hora de colher frutos de um trabalho árduo de preparação do território cearense para a chegada de novos horizontes.

“Daqui em diante, é chegada a hora de colher frutos de um trabalho árduo de preparação do território cearense para a chegada de novos horizontes.”


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A ENERGIA DA TRANSFORMAÇÃO

ELBIA GANNOUM Presidente da ABEEólica

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ostaria de aproveitar este espaço para falar de um assunto que considero crucial. Refiro-me à transformação energética e seus efeitos para a sociedade. Falar de transição energética, no caso do Brasil, é fácil. Já temos uma matriz elétrica e energética com participação de renováveis acima da média mundial. Nosso desafio não é, portanto, gerenciar escassez de recursos naturais limpos. Nosso desafio é gerenciar sua abundância para produção de energia, tirar de cada um deles o melhor possível, protegendo a natureza e trazendo retornos sociais e econômicos para a sociedade. E é exatamente por termos essa abundância que podemos entender o processo de transição energética como uma oportunidade para que isso signifique uma transformação energética, que é o fato de o investimento nos recursos naturais, de forma responsável, gerar desenvolvimento econômico e social por meio da distribuição de renda, da inclusão e da diminuição das desigualdades econômicas e sociais. Sobre este assunto, a ABEEólica publicou, no ano passado, o estudo “Impactos Socioeconômicos e Ambientais da Geração de Energia Eólica no Brasil”, realizado pela consultoria GO Associados, que quantificou os

já conhecidos impactos positivos da energia eólica. O trabalho analisa, por exemplo, os efeitos multiplicadores dos investimentos realizados pelas empresas, assim como o impacto dos valores pagos para arrendamentos de terras para colocação de aerogeradores. O estudo também fez uma comparação entre um grupo de municípios que recebeu parques eólicos e outro que não tem energia eólica, para avaliar o impacto da chegada dos parques no Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) e no PIB municipal. No que se refere ao IDHM e PIB municipal, os municípios que têm parques eólicos tiveram uma performance 20,19% e 21,15% melhor, respectivamente, para estes dois indicadores. Este é um resultado que mostra que não há dúvidas: a energia eólica chega e seus efeitos positivos multiplicadores impactam nos indicadores do município. Esta nova energia tem a capacidade de modificar não apenas as matrizes elétricas e energéticas, o que já é algo espetacular e imprescindível; ela pode transformar também a sociedade de forma mais profunda, diminuindo desigualdades e contribuindo para que tenhamos um futuro melhor para deixar para as próximas gerações.

“Esta nova energia pode transformar também a sociedade de forma mais profunda, diminuindo desigualdades e contribuindo para que tenhamos um futuro melhor para deixar para as próximas gerações.”



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