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FLORESTAL: celulose, papel, carvão, siderurgia, painéis e madeira ano 23 • número 82 • Divisão F • dez-fev 2026


Alexandre PTSM/IPEF

Alberto Laranjeiro Equilibrio


Ana Paula Dalla Corte UF-Paraná

Carla e Joana Veracel

Ezio Aperam

Edson Furtado Unesp

Diego e Gabriel Ibá e Suzano


João Bellotte Eldorado

Hewlley UF-Viçosa
Heitor Dallapiccola Suzano


Hugo e Benone Aperam

Reginaldo Mafia Bracell-BA

Capa: Acervo Cenibra
Índice: Acervo Cenibra
Leonardo Esalq-USP

Júlio César Cenibra

Samuel UF-Espirito Santo

Nilmara Caires Suzano
Roosevelt Ferrinho

Veracel

Sebastião Venâncio UF-Viçosa



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Boas práticas para o manejo ecológico do solo
A busca por sistemas produtivos mais resilientes tem colocado o manejo ecológico do solo no centro das discussões do setor florestal. Esse foi um dos temas de destaque da 66ª Reunião do Programa Cooperativo de Silvicultura e Manejo (PTSM) do IPEF, realizada na unidade da Suzano em Ribas do Rio Pardo-MS, no encontro comemorativo dos 30 anos do Programa. Além disso, a aceleração das mudanças climáticas e a maior frequência de eventos extremos tornaram ainda mais urgente a adoção de práticas capazes de ampliar a resiliência das plantações florestais.

O consenso é inequívoco: conservar ou restaurar apenas as condições físicas e químicas do solo já não basta. Para se alcançar a verdadeira saúde do solo, é indispensável recuperar também seus atributos biológicos, que constituem a base de qualquer ecossistema produtivo estável e sustentável.
A qualidade do solo é definida pela sua capacidade de sustentar a atividade biológica e, por consequência, manter a saúde de plantas, fauna e serviços ambientais. Entre os indicadores edáficos, os biológicos, como a biomassa microbiana, a respiração basal, a composição da comunidade fúngica e bacteriana e a atividade enzimática, são os mais sensíveis às alterações provocadas pelo uso e manejo do solo.
Eles respondem rapidamente às mudanças físicas e químicas do solo, permitindo o diagnóstico precoce e de baixo custo de processos de degradação ou de recuperação. Sem uma comunidade ativa e diversa de organismos, simplesmente não há solo saudável, tampouco ciclos biogeoquímicos eficientes ou resiliência diante de estresses climáticos.
Conservar apenas as condições físicas e químicas do solo já não basta. Para se alcançar a saúde do solo, é indispensável recuperar também seus atributos biológicos. "
José Leonardo de Moraes Gonçalves
Professor Titular de Solos e Nutrição da Esalq-USP
Nesse contexto, a bioestimulação do solo ganha força estratégica. Estimular a microbiota do solo acelera a ciclagem de nutrientes, reduz a necessidade de fertilizantes minerais, favorece o enraizamento inicial, solubiliza fósforo, mineraliza nitrogênio, melhora a estrutura física do solo e aumenta sua capacidade de retenção de água. Em síntese, cria-se um ambiente mais sustentável, resiliente e produtivo, com efeitos diretos na estabilidade econômica do sistema florestal e na redução do custo de produção ao longo das rotações.
Repensar o paradigma do “cultivo no limpo”: Na agricultura, estratégias como sucessão, consórcio ou rotação de culturas são amplamente reconhecidas por elevar os teores de carbono e nitrogênio, romper ciclos de pragas e doenças, melhorar a estrutura do solo e estabilizar produtividades. No setor florestal, entretanto, predomina há décadas o paradigma do cultivo no limpo, caracterizado pelo controle rigoroso de plantas infestantes (daninhas) desde o plantio até o fechamento das copas.
Nesse período, consolidaram-se algumas boas práticas operacionais, como a colheita com impacto reduzido no solo (com corte por colheitadeiras mecanizadas e baldeio com forwarders ) e o cultivo mínimo do solo. Esses avanços preservam a qualidade do solo ao reduzir compactação, manter agregados estáveis e proteger nichos microbianos essenciais. Foram passos decisivos na evolução da silvicultura moderna.
Entretanto, embora fundamentais, essas práticas não resolvem um problema estrutural: como as plantações comerciais são predominantemente monoespecíficas, a diversidade de plantas vivas e de resíduos orgânicos é reduzida, limitando a oferta de substratos variados para a microbiota.
Assim, os organismos do solo permanecem funcionalmente restritos e pouco diversos, incapazes de desempenhar plenamente seu papel ecológico.
Até que ponto a perda acumulada de produtividade está ligada ao empobrecimento biológico do solo e não apenas à adubação mineral insuficiente? Essa é uma pergunta incômoda, mas que precisa ser feita.
Área de manejo conservacionista recém-implantada, com controle em faixas da braquiária (Sidinei Dallacort) ;
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Em plantações homogêneas, a cobertura morta e viva é recalcitrante, de renovação lenta e pouco diversa. A microbiota permanece empobrecida, e o solo entra em um processo de degradação biológica gradual, menos perceptível que a degradação física ou química, mas igualmente danosa. A redução da diversidade de macro e microrganismos e da funcionalidade biológica leva à perda cumulativa de produtividade e ao aumento da dependência de insumos.
Manejo integrado do sub-bosque: um novo conceito: Uma alternativa promissora é o manejo integrado do sub-bosque, que reconhece as plantas infestantes não como inimigas a serem eliminadas sistematicamente, mas como componentes funcionais do ecossistema.
Ao permitir a presença controlada de gramíneas e folhas largas nos estágios iniciais da cultura, amplia-se a diversidade biológica, reduz-se a erosão, moderam-se as temperaturas do solo e favorecem-se processos essenciais de ciclagem e estabilização ecológica.
Se a floresta é um ecossistema, faz sentido eliminar toda a vegetação espontânea, ou seria hora de reconhecer seu potencial ecológico e funcional?
Esse conceito foi ilustrado na apresentação da Dra. Liamara Masullo, pesquisadora da Bracell no Mato Grosso do Sul, durante a 66ª Reunião do PTSM. Em solos arenosos, a empresa implantou um projeto piloto com controle em faixas de braquiária (1 metro) entre linhas de 2,4 m, durante 120 dias. Os resultados preliminares são expressivos:
1) controle total da erosão;
2) redução do assoreamento das covas; 3) diminuição de até 4°C da temperatura do solo;
4) prevenção da queima de coleto;
5) menor demanda por herbicidas;
6) maior abundância de inimigos naturais das pragas;
7) aumento do crescimento e redução da mortalidade das mudas.
Em um outro estudo, conduzido na Suzano em Imperatriz-MA, apresentado na 62ª Reunião do PTSM (2023), foi mostrado que após seis anos de convivência

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conservacionista (à esquerda) e convencional (à direita). convencional. (Bruno Arruda)
irrestrita do povoamento de eucalipto com espécies regenerantes amazônicas (predominantemente, folhas largas) resultou em apenas 14% menos volume de madeira em relação ao manejo no limpo.
Em outras palavras, mesmo sem controle total de plantas infestantes, a produtividade diminuiu pouco. Portanto, um controle parcial das plantas infestantes, é possível conseguir produtividades equivalentes ou superiores às obtidas no manejo convencional.
Esses resultados mostram que o caminho mais eficiente é o do controle seletivo e temporal das plantas competidoras até o fechamento das copas e, posteriormente, permitir que um sub-bosque manejado contribua para a estabilidade ecológica da plantação.
Considerações finais: Adotar o manejo integrado do sub-bosque é mais que uma prática operacional: é uma mudança de paradigma. Aumentar a diversidade vegetal em plantações homogêneas recupera a biologia do solo, reforça a funcionalidade ecológica, reduz custos operacionais, diminui aplicações de herbicidas e melhora a imagem ambiental do setor.
A prática se alinha aos princípios da silvicultura regenerativa, da economia circular e das agendas ESG, além de contribuir para a adaptação climática e a mitigação de emissões de GEE (Gases de Efeito Estufa).
No cenário de metas climáticas ambiciosas e de rigor crescente em rastreabilidade ambiental, já não basta produzir florestas: é preciso regenerar o solo que as sustenta. A evolução da silvicultura consolidou práticas eficientes no manejo físico e químico do solo, mas a próxima fronteira é a reconstrução da funcionalidade biológica.
Para isso, é necessário compreender que os organismos do solo dependem de diversidade vegetal e oferta contínua de substratos, muitos deles fornecidos pelas espécies antes tratadas exclusivamente como plantas daninhas. Meu agradecimentos ao time de P&D e de Desenvolvimento Operacional e Silvicultura da MS Florestal, pelo apoio recebido. n
O conhecimento técnico referente à produção vegetal evoluiu de forma expressiva nas últimas décadas. Inicialmente, esse avanço foi impulsionado pelo entendimento sobre fertilidade do solo, especialmente entre as décadas de 1970 e 1990 quando o foco se concentrou na química do solo e no fornecimento adequado de nutrientes.
O manejo da fertilidade — com correção da acidez, aplicação de fertilizantes minerais, adubações equilibradas de macro e micronutrientes e controle de deficiências nutricionais — permitiu elevar os rendimentos e consolidar sistemas produtivos mais eficientes. Esse enfoque, aliado ao uso de materiais genéticos adaptados, adubação de base e complementar, além de monitoramentos nutricionais rigorosos, permitiu consolidar povoamentos florestais mais produtivos.
Já entre os anos 1990 e 2000, ganhou força a compreensão de que, além da nutrição, era fundamental manejar a física do solo. Dessa forma, entendeu-se que a estrutura, a porosidade, a infiltração, a densidade e a
condutividade hidráulica são determinantes para o estabelecimento radicular, onde solos compactados, mal estruturados ou com baixa capacidade de retenção de água prejudicam o desenvolvimento das raízes e limitam o potencial produtivo. Em regiões com solos arenosos, como parte do estado do Mato Grosso do Sul, esses aspectos tornam-se ainda mais críticos: baixa capacidade de retenção hídrica, alta percolação e reduzida capacidade tampão exigem estratégias específicas para garantir bom enraizamento e sobrevivência das mudas.
Atualmente, a “nova fronteira” do conhecimento técnico-científico reside na biologia do solo, ou seja, no papel dos organismos vivos – microrganismos, fungos micorrízicos, bactérias promotoras de crescimento, ciclagem de nutrientes orgânicos, microbioma radicular e bioinsumos – no estabelecimento, crescimento inicial e produtividade dos povoamentos florestais.


Reconhecendo que não basta apenas corrigir a nutrição ou garantir boa estrutura física do solo, é necessário também ativar e manter processos microbianos favoráveis ao enraizamento e ao crescimento. Em outras palavras, o solo deve ser visto não apenas como um meio abiótico bem manejado, mas um ecossistema biológico funcional. Essa mudança de paradigma abre oportunidades para o uso de bioinsumos — produtos biológicos ou baseados em organismos vivos — visando estimular o enraizamento das mudas, acelerar o estabelecimento da floresta, melhorar a eficiência no uso de água e nutrientes e reduzir o risco de falhas iniciais.
o solo deve ser visto não apenas como um meio abiótico bem manejado, mas um ecossistema biológico funcional. Essa mudança de paradigma abre oportunidades para o uso de bioinsumos "
João Leonardo Miranda Bellotte Coordenador de Extensão Florestal da Eldorado Brasil
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No âmbito agrícola e silvicultural, o uso de bioinsumos ainda é baixo quando comparado a outros produtos do segmento de fertilizantes. Entretanto, o crescimento tem sido significativo nos últimos anos. O sucesso de um povoamento florestal produtivo depende de uma série de fatores, dentre eles garantir a densidade recomendada de plantas por hectare assegurando os recursos necessários para o desenvolvimento dos povoamentos e de que eles apresentem uniformidade entre si. Para isso, é essencial assegurar o estabelecimento inicial das mudas em campo, evitando altas taxas de mortalidade e reduzindo replantios tardios. No contexto do Mato Grosso do Sul — região com solos arenosos, baixa retenção hídrica, altas temperaturas (que podem alcançar 65 °C na superfície do solo) e frequente estresse hídrico —, esse desafio é ainda maior. Diante disso, o estímulo biológico ao enraizamento assume papel de grande destaque. Sistemas radiculares mais estruturados e ramificados podem auxiliar na captação da água disponível e na exploração eficiente do perfil do solo.
Além disso, em condições de solos arenosos e com maiores temperaturas, o estímulo promovido por microrganismos adaptados pode favorecer maior atividade biológica, conferindo maior resistência ao estresse e acelerando o estabelecimento inicial.
No que se refere especificamente ao enraizamento, os principais agentes biológicos que têm-se mostrado promissores na formação do sistema radicular de mudas incluem: (1) bactérias promotoras de crescimento vegetal, destacando-se o grupo Bacillus spp.; (2) fungos micorrízicos, arbusculares ou ectomicorrízicos; (3) bioestimulantes (extratos de microrganismos, algas, ácidos húmicos e fúlvicos); e (4) inoculações de microrganismos específicos adaptados ao solo ou à cultura. A ilustração em destaque apresenta um exemplo de campo, avaliado com aproximadamente 60 dias após o plantio, no qual se observa um ganho aproximado de duas vezes no peso do sistema radicular nos tratamentos B e C, com aplicação de bioinsumos (Bacillus spp.), em comparação ao tratamento A, sem bioinsumos: Apesar dos avanços e do evidente potencial dos bioinsumos voltados ao enraizamento, ainda existem desafios para que essa tecnologia seja
amplamente adotada e eficaz na cultura do eucalipto, especialmente em condições tão adversas quanto as do Mato Grosso do Sul.
O primeiro desafio diz respeito à adaptação dos microrganismos ao solo e ao clima local: solos arenosos, altas temperaturas, déficit hídrico e baixa matéria orgânica podem restringir a sobrevivência e a eficiência dos inoculantes. Microrganismos desenvolvidos em outras regiões podem não apresentar o mesmo desempenho quando aplicados nessa localidade.
O segundo desafio refere-se à uniformidade dos resultados, visto que diferentes materiais genéticos podem responder de maneira distinta aos mesmos organismos. O terceiro envolve a definição do melhor manejo — época e forma de aplicação, doses e combinação ideal de organismos — para garantir repetitividade dos resultados ao longo dos anos de plantio. Por fim, há a necessidade de equalizar custo e acesso: embora o mercado de bioinsumos esteja em expansão, ainda existem lacunas para que as empresas disponibilizem produtos competitivos e adequados às necessidades do setor florestal.
Em síntese, o uso de bioinsumos para estimular o enraizamento em eucalipto representa uma fronteira promissora — sobretudo em cenários críticos, como solos arenosos, déficit hídrico, altas temperaturas e precipitações concentradas. Logo, ao adotar tais tecnologias, o produtor deve avaliar cuidadosamente a compatibilidade do agente biológico com as condições locais, associar o uso de inoculantes a boas práticas de manejo tanto em campo quanto no viveiro e realizar experimentos-piloto em sua região. Dessa forma, poderá beneficiar-se da integração entre fertilidade, física e biologia do solo, estabelecendo povoamentos florestais de eucalipto mais vigorosos, com maior sobrevivência, uniformidade, resistência ao estresse e elevado potencial produtivo. n
CRESCIMENTO RADICULAR INICIAL EM VIRTUDE DO USO DE BIOINSUMOS

B C

O termo bioinsumos foi utilizado formalmente pela primeira vez no Brasil no âmbito do Plano Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica (Planapo II), em seu ciclo de 2016-19. É utilizado como sinônimo de outros termos como: produto biológico, bioproduto, produto de base biológica. Como exemplos de produtos desta natureza, podem ser citados: os bioinseticidas, biofertilizantes, bioinoculantes, entre outros. Os bioinsumos podem ser classificados como macrobiológicos, microbiológicos, promotores de crescimento, fotoquímicos, substâncias químicas de plantas, semioquímicos e feromônios.
Embora o conceito de usar produtos de origem biológica na agricultura exista há milênios, de forma empírica, as pesquisas ganharam força, no Brasil, a partir da década de 1970, diante da necessidade de padronização conceitual e criação de políticas públicas específicas que levaram à formalização do termo no contexto governamental brasileiro, a seguir: a) Programa Nacional de Bioinsumos (PNB): Instituído pelo Decreto nº 10.375, de maio de 2020. Este decreto foi crucial para definir o termo bioinsumos para fins de aplicação de políticas públicas no País. Trazendo a seguinte definição: Os bioinsumos são produtos, processos ou tecnologias de origem vegetal, animal ou microbiana, utilizados na produção, armazenamento e processamento de produtos agropecuários, sistemas aquáticos ou florestas
Um alerta para o setor é que novas pragas exóticas estão chegando, a exemplo: uma nova espécie de vespa-da-madeira foi identificada no Brasil por meio de métodos moleculares e análise morfológica, provavelmente introduzida pelo comércio de madeira entre países. "
Edson Luiz Furtado Professor do Departamento de Proteção Vegetal da FCA da UNESP
plantadas. Eles ajudam no crescimento, desenvolvimento e resposta de plantas, animais e microrganismos, além de interagirem com processos físico-químicos e biológicos; b) Lei de Bioinsumos: sancionada pela Lei 15.070 em dezembro de 2024, que regulamenta a produção, uso e comercialização dos bioinsumos no Brasil, consolidando ainda mais o termo no cenário legal e dos setores agrícolas e florestais brasileiros.
Os bioinsumos podem ser desdobrados nos seguintes tipos de aplicações:
Biofertilizantes: melhoram a fertilidade do solo e promovem o crescimento das plantas; Bioinseticidas e Bioacaricidas: controlam insetos e ácaros que prejudicam as plantações; Biofungicidas: tratam e previnem doenças causadas por fungos;
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Inoculantes: Introduzem microrganismos benéficos para a saúde e nutrição das plantas; Bioestimulantes: estimulam processos fisiológicos nas plantas, como o crescimento e a resistência a estresses.
O setor florestal, por sua vez, apesar de ter atingido 10,5 milhões de hectares de árvores plantadas, em 2024, ainda utiliza pouco os bioinsumos e tem muito o que crescer nesta área.
O primeiro registro de controle biológico data do século III A.C. quando chineses utilizaram as formigas predadoras Oecophylla smaragdina no controle de desfolhadores e coleobrocas em citros. Outros inimigos naturais começaram a ser estudados, e, entre 1602 a 1706, surgiram os primeiros relatos sobre parasitismo de insetos.
Em 1835, a infecção pelo fungo Beauveria bassiana em lagartas de bicho-da-seda, Bombyx mori L., foi o primeiro registro experimental de microrganismo patogênico a insetos.
O primeiro caso de sucesso de controle biológico ocorreu em 1888, quando a joaninha Rodolia cardinalis foi importada da Austrália para o controle da cochonilha Icerya purchasi em citros, na Califórnia. Desde então, muitos exemplos de sucesso de controle biológico em diferentes partes do mundo têm sido documentados.
No Brasil, Adolph Hempel, um eminente entomólogo e pesquisador do Instituto Biológico de São Paulo, em 1928 introduziu a vespa-de-uganda, Prorops nasuta, no Brasil com o objetivo de realizar o controle biológico da broca-do-café (Hypothenemus hampei).
O primeiro exemplo documentado de controle biológico em florestas, ou pelo menos um dos primeiros e mais notáveis, envolveu o uso do nematoide Deladenus siricidicola para controlar a vespa-da-madeira (Sirex noctilio). As culturas de D. siricidicola foram importadas da Austrália e introduzidas no Brasil em 1989/90 e 1994. Este nematoide é o organismo mais eficiente no controle da vespa-da-madeira esterilizando as fêmeas do inseto. Ele apresenta dois ciclos de vida: um micetófago ou de vida livre, quando se alimenta do fungo simbionte de S. noctilio, e outro de vida parasitária, dentro de larvas, pupas e adultos da vespa-da-madeira. Por apresentar o ciclo de vida livre, pode ser multiplicado em laboratório, em meio de cultura de ágar com dextrose de batata e em meio de trigo. Ao ser liberado no campo, pode atingir níveis de parasitismo próximos a 100%. Nas florestas plantadas, a crescente uniformidade genética em escala global do
domínio generalizado de um reduzido número de espécies de crescimento rápido, em grande parte pinus, eucaliptos, acácias e álamo, é um agravante no contexto florestal. A utilização de agentes de controle biológico é a medida mais eficaz para o controle de pragas e doenças.
Na cultura de eucalipto, as pragas se destacam em importância e uso de bioinsumos, sobre as demais espécies.
Os fungos micorrízicos como as endomicorrizas, arbúsculo-vesicular (FVA) e os ectomicorrizícos (FEM) fazem associações simbióticas com muitas espécies florestais nativas e cultivadas, exercendo vários efeitos benéficos para as espécies envolvidas, como:
1. Nutricionais: aumento na absorção de nutrientes e água; maior volume de solo explorado; maior longevidade das raízes; contato mais intenso com as partículas do solo; sítios específicos e de afinidade elevada para o fósforo; e na armazenagem de nutrientes ou acúmulo de nutrientes nas raízes e parte aérea da planta. 2. Não nutricionais: proteção contra patógenos: barreira física do manto (FEM), antibiose, indução de resistência, competição e antagonismo na rizosfera. Redução dos estresses abióticos: maior tolerância à seca, temperaturas elevadas, acidez e toxidez de metais.
Espécies mais frequentes: a) Endomicorrizas: Glomus clarum; Glomus etunicatum; Gigaspora margarita; Entrophospora colombiana e Glomus sp. b) Ectomicorrizas: Suillus granulatus, Scleroderma fuscum e Rhizopogon roseolus. Algumas espécies de fungos, como os do gênero Suillus, são particularmente eficazes em ajudar o pinus a se estabelecer, especialmente em áreas de pioneirismo e em plantações.
As ectomicorrizas e pinus têm uma associação simbiótica benéfica: os fungos formam um manto de hifas em torno das raízes, o que aumenta a absorção de água e nutrientes (especialmente fósforo) e protege contra patógenos. Essa relação é particularmente importante para os pinus, que dependem fortemente das ectomicorrizas em ambientes com poucos nutrientes. A inoculação de FEM no solo poderia favorecer a remediação de agrotóxicos de uso florestal, e simultaneamente, favorecer o desenvolvimento das plantas, reduzindo custos de replantio na implantação destes povoamentos.
O uso de inóculo micorrízico específico, através de técnicas que envolvem culturas puras dos simbiontes, apresenta boa potencialidade para empregos práticos dos fungos P. tinctorius e T. terrestris nas condições brasileiras.
Por outro lado, os fungos endomicorrízicos (FVA) são multiplicados em rizosfera de plantas hospedeiras, depois peneirados e reaplicados.
Existem pesquisas diversas com bioinsumos aplicados ao setor florestal, que ainda carecem de estímulos do setor, tanto para validação em campo como no envase, para registro e utilização em campo, a citar: Sacharomyces como indutor de resistência a ferrugem e outras doenças foliares; voláteis de fungos sabróbios como estimuladores de crescimento em mudas de eucalipto, biodegradação de tocos por fungos nativos para a silvicultura regenerativa; endomicorrizas como estimuladores de crescimento, microrganismos endofíticos como indutores de resistência, entre outros.
Um alerta para o setor é que novas pragas exóticas estão chegando, a exemplo: uma nova espécie de vespa-da-madeira, Sirex obesus
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Bradley, foi identificada no Brasil por meio de métodos moleculares e análise morfológica, provavelmente introduzida pelo comércio de madeira entre países. Nativa do México e dos EUA e considerada de pouca importância econômica nesses países, essa vespa causou aproximadamente 40% de mortalidade em plantio afetados de Pinus spp. na região SE do Brasil. No entanto, devido aos estudos limitados sobre S. obesus, ainda não se sabe qual espécie de Amylostereum pode estabelecer relações simbióticas com essa vespa. Essa informação impacta diretamente a eficiência do seu manejo com o nematoide D. siricidicola, amplamente utilizado no Brasil para o controle de S. noctilio, uma vez que esse nematoide é incapaz de se desenvolver em outras espécies de Amylostereum além de A. areolatum durante sua fase micófaga. n
PRINCIPAIS CULTURAS FLORESTAIS NO BRASIL E RESPECTIVAS PRAGAS, BIOINSUMO (INIMIGOS
CULTURAS PRAGAS
INIMIGO NATURAL/ BIOINSUMO
Onfarm Laboratório Industrial
Seringueira Leptopharsa hevea (percevejo de renda) Sporotrix insectorum (fungo) X IB-Campinas
Microcyclus ulei (mal das folhas) Dycima pulvinata (fungo) Embrapa
Mogno Hypsipyla grandella (broca do mogno) Bacillus thuringiensis (bactéria) X
Louro pardo Dictyla monotropidia (percevejo de renda) Beauveria bassiana (fungo) IB-Campinas X
Chrysodeixis sp. (lagarta do viveiro)
Bacillus thuringiensis (bactéria) X
Pinus Sirex noctilio (vespa da madeira) Deladenus siricidicola (nematoide) Embrapa
Sirex obesus (vespa da madeira) Ibalia leucospoides (inseto) Protef/Ipef
Eucaliptus Lagartas desfolhadoras (várias espécies) Bacillus thuringiensis (bactéria) X
Gonipterus platensis (gorgulho)
Baculovirus spp. (vírus) X IB-Campinas
Anaphes nitens (inseto) X Protef/Ipef
Beauveria bassiana (fungo) IB-Campinas X
Phoracantha sp.(besouro da madeira) Beauveria brengniartii (fungo) A ser introd.
Glycaspis blimblemcombei (psilídio concha)
Thaumastocoris peregrinus (percevejo bronzeado)
Doenças de viveiro
Hirsutella sp. (fungo) IB-Campinas
Psyllaephagus blitens (inseto) X Protef/Ipef
Clerucoides noxius (inseto) X Protef/Ipef
Trichoderma spp. (fungo) IB-Campinas X Bacillus spp. (bactéria) X
Clonostachys rósea (fungo) Embrapa X
Pseudomonas fluorescens (bactéria) X
On-farm: Produzido em laboratórios de multiplicação ou criação, mantidos nas propriedades rurais ou empresas florestais.
Laboratório: Laboratórios de multiplicação e treinamento de equipes, manutenção de cepas, órgãos públicos ou privados.
Industrial: Produção e envase em escala comercial, com estirpes próprias registradas.
Nos últimos anos, a agricultura e a silvicultura têm presenciado uma ampliação progressiva no uso de bioinsumos e de ativos derivados de produtos naturais como alternativas, totais ou parciais, aos insumos químicos convencionais. Esse movimento não deriva apenas de mudanças regulatórias ou de pressões sociais, mas de uma transformação mais ampla nos processos produtivos, que passam a integrar novas rotas tecnológicas para aumentar a eficiência, reduzir custos ambientais e ampliar a previsibilidade operacional.
A transição para sistemas produtivos sustentáveis tem acontecido em ritmo variado a depender do segmento, mas podemos entendê-la como um caminho apenas de ida, dada a possibilidade de trabalhar de forma mais responsável ambientalmente, mas, principalmente, pelo cenário de aumento da rentabilidade dos atores envolvidos no processo. No caso específico do setor florestal, historicamente pautado por eficiência, escalabilidade e controle operacional, não somente essas tecnologias, mas outras tantas que estão sendo introduzidas, têm propiciado um período em que a inovação deixa de ser apenas desejável para se tornar moral e economicamente incontornável. É no ponto de inflexão descrito acima que entram os bioinsumos e os novos ativos naturais.
No setor, a busca por soluções mais sustentáveis coincide com demandas técnicas muito claras: necessidade de reduzir custos relacionados ao controle de pragas, doenças e plantas daninhas; exigências crescentes por rastreabilidade e indicadores ambientais; e a busca por novos mecanismos de ação que minimizem riscos de resistência ou perda de eficiência de moléculas tradicionais. Nesse cenário, programas biológicos surgem como complementos aos sistemas químicos, e não como substitutos imediatos.
Por definição, os bioinsumos podem ser entendidos como produtos, processos ou tecnologias de base biológica, obtidos a partir de organismos vivos (micro ou macroorganismos), seus metabólitos, extratos, compostos bioativos ou materiais genéticos, empregados, principalmente, na produção agrícola e florestal e aquícola com a finalidades diversas que vão desde o crescimento vegetal até o controle de pragas e doenças. No Brasil, a definição é estruturada pelo PNPB – Programa Nacional de Bioinsumos do MAPA e incorpora tanto produtos industrializados quanto on farm e incluem grupos técnicos como biofertilizantes e inoculantes, biocontroladores (bioinseticidas e biofungicidas, por exemplo), bioestimulantes e indutores de defesa, corretivos e condicionadores de solo de base biológica, RNAi bioindutores, endófitos aplicados como consórcios microbianos complexos e, mais recentemente,


O setor florestal, historicamente pautado por eficiência, escalabilidade e controle operacional, tem propiciado um período em que a inovação deixa de ser apenas desejável para se tornar moral e economicamente incontornável."
Samuel de Assis Silva
Professor de Mecanização Agrícola da UFESUniversidade Federal do Espírito Santo
nanobioprodutos de origem biológica. Já os ativos naturais isolados constituem moléculas específicas, extraídas de organismos vivos, e que apresentam ação definida, maior estabilidade e melhor previsibilidade do que extratos brutos. Ambos têm sido considerados alternativas viáveis para reduzir o emprego de moléculas sintéticas e ampliar a diversidade de mecanismos de controle.
As opções de bioprodutos são vastas e têm crescido a cada instante uma vez que a descoberta de um organismo (ou estrutura deste), por exemplo, e/ou de sua capacidade para uso agrícola e florestal é contínua, o que aumenta a oferta e a possibilidade de adoção da tecnologia. Em que pese o aumento do interesse por soluções biológicas, a utilização desses produtos, no entanto, ainda demanda rigor técnico. A adoção de bioinsumos requer entendimento aprofundado sobre formulação, estabilidade, interação com fatores ambientais e mecanismos de ação. Assim como ocorreu com a Inteligência Artificial no setor florestal, descrita em artigo anterior escrito igualmente por este autor, a incorporação de bioinsumos exige maturidade científico-operacional e a superação de problemas ordinários do manejo, sob pena de restringir sua eficácia prática.
Dentre os desafios para a adoção dos bioinsumos e dos produtos naturais, a instabilidade e sensibilidade dos organismos e compostos são os mais relevantes. Por serem altamente sensíveis à temperatura, luminosidade, umidade e condições edáficas, as formulações precisam assegurar maior vida útil, compatibilidades em tanque, menor sensibilidade ao pH e à dureza da água etc. – todos esses fatores comprometem a eficiência operacional em larga escala.
O desenvolvimento de ativos naturais de alta pureza tem buscado contornar parte desses desafios. Ao isolarem moléculas específicas, pesquisadores têm ampliado a previsibilidade de ação e a compatibilidade operacional. No entanto, tais tecnologias ainda dependem de investimentos robustos em escalabilidade industrial, validação multiambiental e modelagem de desempenho.
Em termos práticos, o setor florestal já utiliza bioinsumos em diferentes etapas do ciclo produtivo. Na fitossanidade, fungos antagonistas, bactérias promotoras de resistência e metabólitos antifúngicos

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têm sido empregados em conjunto com métodos convencionais. No campo da nutrição e fisiologia, bioestimulantes, peptídeos e compostos orgânicos têm ampliado o vigor inicial das plantas, especialmente em viveiros. No campo do manejo das plantas daninhas, é onde temos ainda o maior gargalo; mesmo com o surgimento tímido de bio-herbicidas e inibidores de germinação, as ferramentas são complexas e de baixa eficácia. A integração dessas práticas com sistemas de aplicação mais precisos – incluindo drones, sensores ópticos e plataformas digitais – reforça a tendência de programas híbridos de manejo. As perspectivas futuras indicam uma consolidação gradual dessa rota tecnológica. Biofábricas de nova geração, capazes de padronizar a produção com maior pureza e estabilidade, devem impulsionar o mercado. Modelos preditivos baseados em dados históricos e em séries temporais poderão auxiliar na definição das melhores janelas de aplicação. Ativos naturais isolados tendem a ampliar a previsibilidade de ação, reduzindo a variabilidade associada a extratos complexos. Por fim, sistemas múltiplos de controle – combinando agentes biológicos, ativos naturais e moléculas sintéticas – continuarão a ser a base operacional nos curto e médio prazos.
A evolução desses produtos no setor florestal seguirá condicionada à superação de limitações técnicas essenciais: padronização, escalabilidade, estabilidade e reprodutibilidade dos resultados. Assim como em outras inovações recentes, a efetividade dos bioinsumos será tanto maior quanto mais resolvidos estiverem os problemas básicos do sistema produtivo, incluindo preparo adequado de áreas, controle inicial eficaz e precisão operacional.
Bioinsumos e ativos naturais não representam uma ruptura imediata, mas uma transição ordenada e baseada na combinação entre ciência, tecnologia e manejo. À medida que o setor avança em processos de validação, integração operacional e melhoria contínua, essas tecnologias tendem a ocupar espaço relevante como ferramentas complementares no manejo florestal moderno. n
do futuro para produção biológicos e naturais e tratamento direto das estruturas vegetativas em modelos biotecológicos. Inseto submetido um processo infecção fúngica letal típica do controle biológico microbiano.





As plantações florestais brasileiras são frequentemente afetadas por pragas e doenças. Em 2024, as três pragas mais importantes nos plantios de eucalipto, excetuando as formigas cortadeiras, foram o psilídeo-de-concha, com aproximadamente 860 mil ha, as lagartas desfolhadoras, em torno de 570 mil ha, e o besouro amarelo, com 148 mil ha, de acordo com dados do levantamento anual de pragas florestais, do Programa Cooperativo sobre Proteção Florestal (Protef) do Instituto de Pesquisas e Estudos Florestais (IPEF). As principais táticas de manejo das duas primeiras são o controle biológico, seguido do químico.
Na cultura do Pinus, a principal praga é vespa-da-madeira Sirex noctilio, e o principal método de controle é o biológico, com uso do nematoide parasita Deladenus siricidicola. O aumento das áreas afetadas por pragas gerou também aumento no registro e uso de inseticidas químicos e, principalmente, bioló gicos em plantios florestais, sendo considerados mais adequados quanto à sustentabilidade ambientais das florestas plantadas. Segundo o sistema Agrofit, do MAPA, atualmente temos como bioinseticidas oficialmente registrados para controle de lagartas desfolhadoras: 19 produtos de Bacillus thuringiensis (Bt), 6 produtos de parasitoides de pupas e 1 produ to à base de extrato de planta (oxymatrine) para o psilídeo-de-concha: 4 produtos à base
Os desafios persistem. Um deles é a obtenção de bioinseticidas eficazes para o manejo das formigas cortadeiras, as principais pragas da silvicultura, que têm seu manejo totalmente dependente do controle químico. "
Carlos Frederico Wilcken Professor de Entomologia Florestal da UNESP - Campus de Botucatu
de fungos entomopatogênicos (Beauveria bassiana e Isaria fumosorosea), um à base de bactérias e um de crisopídeo predador; para o gorgulho do eucalipto (Gonipterus platensis): 8 produtos de B. bassiana; e para o percevejo bronzeado temos um produto de B. bassiana . Para o besouro amarelo Costalimaita ferruginea ainda não há nenhum inseticida químico ou biológico registrado. Para a vespa-da-madeira em Pinus, há apenas um produto registrado, que é o nematoide parasita específico da praga (Deladenus siricidicola). Isso totaliza 42 produtos, entre macro e microbiológicos. Há cinco anos não havia 25% dessa quantidade.

Até 2025, segundo a Croplife (2025), temos 924 bioinsumos registrados no MAPA para a agricultura em geral. Desse total, 72% são produtos microbiológicos, 11% de macrobiológicos (parasitoides e predadores) e 11% de bioquímicos (toxinas e extratos botânicos). Considerando o tipo de alvo biológico, 508 são bioinseticidas (45,2% do total). Portanto, bioinseticidas para uso florestal são apenas 8,3% do total registrado no Brasil, mas que está acima da proporção de inseticidas químicos registrados para florestas plantadas.
Os bioinseticidas têm menos restrições pelos sistemas de certificação florestal principalmente pelo FSC. Outra vantagem dos bioinsumos é a rapidez na aprovação do registro, levando aproximadamente 1 ano, enquanto o registro de agrotóxicos químicos leva entre 5 e 8 anos.
Esse cenário demonstra o aumento expressivo de bioinseticidas registrados e que deve seguir em crescimento após a aprovação da lei dos bioinsumos em dezembro de 2024 e em fase final de regulamentação até o final de 2025. A lei de bioinsumos permite também a produção própria do agente de controle biológico pelos produtores e empresas agrícolas e florestais, chamada de produção “on farm ”. A produção on farm é particularmente importante para as empresas que cultivam eucalipto, pois várias pragas são exóticas (não-nativas do Brasil) e já realizamos a introdução de parasitoides específicos para o controle do psilídeo-de-concha, percevejo bronzeado e vespa-da-galha. Geralmente, esses parasitoides não são alvo de interesse das empresas de bioinsumos por serem muito específicos quanto à praga-alvo (não é possível produzi-los com hospedeiros alternativos ou com meio de cultura sintéticos) e à cultura (eucalipto). Dessa forma, as próprias empresas florestais os produzem em biofábricas nas suas áreas florestais.
Em 2025, o Protef realizou o 1º levantamento da produção de inimigos naturais pelo setor florestal. Em 2024, foram produzidos mais de 752 milhões de insetos visando o controle de lagartas desfolhadoras, entre parasitoides de pupas e de ovos e percevejo predadores. Para o psilídeo-de-concha foram produzidos 7,3 milhões de insetos, sendo o crisopídeo Chrysoperla externa (pre-
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dador) o mais produzido (aproximadamente 97% do total), seguido de joaninha, do parasitoide de ninfas Psyllaephagus bliteus e do percevejo predador Atopozelus opsimus.
Para o percevejo bronzeado, foram produzidos 4,4 milhões do parasitoide de ovos Cleruchoides noackae (introduzido da Austrália). Números que evidenciam o comprometimento do setor florestal com a adoção do controle biológico.
As plantações florestais são um agroecossistema adequado para o uso de controle biológico aplicado direto, pois são culturas perenes e têm um microclima propício para o controle, considerando o sombreamento das copas e maior umidade relativa, em comparação com as culturas agrícolas anuais.
O manejo florestal também é importante para manter a resiliência desses inimigos naturais no campo, adultos de parasitoides e de alguns predadores se alimentam de néctar, e a oferta de alimento no interior do plantio florestal permite que estes insetos permaneçam no sistema.
Há várias pesquisas do Brasil e no mundo sobre manutenção de sub-bosque nos talhões e/ou proximidade de fragmentos de nativas como locais de abrigo e multiplicação de predadores e parasitoides. Algumas empresas florestais estão conduzindo experimentos com redução de aplicações de herbicidas em plantios de eucalipto a partir de 2 anos de idade para verificar se há aumento nas populações de inimigos naturais e redução na infestação das pragas, associado a liberações de inimigos naturais produzidos nas biofábricas.
Apesar dos progressos expressivos, desafios persistem. Com destaque especial se encontra a obtenção de bioinseticidas eficazes para o manejo das formigas cortadeiras em campo, as principais pragas da silvicultura brasileira e que hoje têm seu manejo totalmente dependente do controle químico. Para isso, é necessária a continuidade de pesquisas e cooperação entre o setor produtivo, instituições científicas e órgãos reguladores. Espera-se que a regulamentação da lei de bioinsumos atue de modo a fortalecer as estratégias atuais empregadas no controle químico e possibilite o desenvolvimento de novas ferramentas para um manejo de pragas cada vez mais desafiador. n
Inseto submetido a um processo de infecção fúngica letal típica do controle biológico microbiano.
Bioinsumos: regulamentação dos bioinsumos
O setor brasileiro de árvores cultivadas demonstra, na prática, que é possível produzir em escala global sem renunciar à conservação efetiva da biodiversidade. Os números mais recentes confirmam essa vocação: são 10,5 milhões de hectares de árvores plantadas que convivem com cerca de 7 milhões de hectares de vegetação nativa conservada dentro das áreas das próprias empresas, formando paisagens em mosaico que integram manejo responsável, conectividade ecológica e geração de valor econômico. Essa combinação única faz do Brasil referência internacional em bioeconomia de larga escala.
Em um cenário global em que a demanda por produtos renováveis cresce de forma acelerada, o País tem-se destacado não apenas pela competitividade industrial, mas, sobretudo, pela capacidade de oferecer soluções que conciliam produção, conservação e clima. A cada dia, 1,8 milhão de novas árvores são plantadas, sequestrando carbono, protegendo o solo e renovando o ciclo produtivo de celulose, papel, madeira e bioprodutos.
Ao mesmo tempo, as empresas conservam extensas áreas nativas que asseguram a manutenção de serviços ecossistêmicos essenciais, como a regulação hídrica, a preservação da biodiversidade e a mitigação de emissões.
Há mais de duas décadas, o setor adota voluntariamente certificações florestais, como FSC e PEFC/Cerflor, que garantem práticas sustentáveis, manejo responsável e conformidade legal. Esses sistemas avaliam critérios sociais, ambientais e econômicos, incluindo proteção da biodiversidade, conservação de áreas nativas, manejo de solo e água e respeito às comunidades. A ampla adesão das empresas brasileiras reforça o compromisso do setor com transparência, rastreabilidade e práticas que unem produtividade, conservação e benefícios socioambientais em escala.



As mudanças climáticas têm ampliado de forma significativa os desafios produtivos no campo e nas florestas, alterando regimes de chuvas, intensificando eventos extremos, aumentando a variabilidade climática e pressionando sistemas de produção em múltiplas frentes, da produtividade à sanidade, da fertilidade ao manejo integrado de riscos. Nesse novo cenário, os bioinsumos, especialmente as soluções biológicas de controle e de promoção do desenvolvimento, tornam-se ferramentas estratégicas para construir resiliência, reduzir vulnerabilidades e sustentar a produção de maneira mais eficiente e sustentável.
O setor de árvores cultivadas tem ampliado o uso de soluções biológicas para o manejo integrado de pragas, melhoria da saúde do solo e aumento da resiliência ecológica. ;
Em 2024 as biofábricas do setor produziram mais de 300 milhões de insetos benéficos para o controle de pragas desfolhadoras "
Coordenador de Políticas Florestais da Ibá e Analista de Assuntos Regulatórios na Suzano, respectivamente

Segundo levantamento do Protef, Programa Cooperativo sobre Proteção Florestal do IPEF, apenas em 2024 as biofábricas do setor produziram mais de 300 milhões de insetos benéficos para o controle de pragas desfolhadoras, além de parasitoides e predadores usados contra psilídeo-de-concha, percevejo-bronzeado e vespas galhadoras. Esses resultados evidenciam que o Brasil não apenas incorporou o controle biológico, mas se destaca como líder em inovação florestal.
Para sustentar esse avanço, a regulamentação da Lei de Bioinsumos (Lei nº 15.070/24), que preencheu uma lacuna histórica no arcabouço legal, deve consolidar um ambiente regulatório seguro, equilibrado e favorável à inovação. O setor de árvores cultivadas, por meio da Ibá e de suas associadas, vem atuando ativamente para garantir diretrizes que reforcem a segurança jurídica e, ao mesmo tempo, preservem a liberdade necessária à inovação. Entre esses pilares, destaca-se o reconhecimento da produção on-farm como eixo estratégico da bioeconomia florestal. O manejo on-farm consiste na produção de bioinsumos dentro da própria unidade produtiva, seja em unidades de produção em fazendas próprias, em estruturas descentralizadas ou por meio de associações e programas cooperativos, permitindo que o produtor desenvolva soluções adaptadas às condições locais de solo, clima, pragas e dinâmica da paisagem. Esse modelo reduz custos, aumenta a autonomia tecnológica, diminui a dependência de insumos externos e acelera a adoção de práticas de manejo biológico em larga escala.
Por essas razões, a regulamentação deve estabelecer regras proporcionais, diferenciando claramente a produção para uso próprio da produção comercial, evitando burocracias que poderiam inviabilizar pequenos e médios produtores e desestimular a inovação descentralizada. Ao mesmo tempo, é essencial garantir parâmetros mínimos de qualidade e rastreabilidade, assegurando que os agentes biológicos utilizados sejam eficazes, seguros e compatíveis com as boas práticas de manejo.
Da mesma forma, é fundamental que as normas de boas práticas de fabricação e biossegurança sejam moduladas, permitindo requisitos mais completos para biofábricas industriais e protocolos mais simples para unidades de produção de bioinsumos e estruturas de produção on-farm. Esse equilíbrio permitirá ao Brasil ampliar sua capacidade produtiva, fortalecer a sustentabilidade do setor agropecuário e
florestal e posicionar os bioinsumos como um dos principais vetores de inovação e competitividade da economia verde brasileira.
O manejo biológico já se tornou uma das ferramentas mais relevantes para a construção de sistemas produtivos de baixo impacto. Ao substituir parte dos insumos químicos por organismos vivos, parasitoides, predadores, microrganismos e outros agentes de controle, o setor reduz emissões, melhora a qualidade ambiental, protege recursos naturais e aumenta a resiliência das florestas diante de pragas, estresses climáticos e mudanças ambientais. Para um país de dimensões continentais e com enorme diversidade de biomas, permitir que produtores desenvolvam, adaptem e utilizem bioinsumos compatíveis com suas condições locais não é apenas desejável: é essencial para garantir competitividade, segurança fitossanitária e sustentabilidade em longo prazo.
O setor florestal brasileiro já demonstrou que não existe contradição entre produção e conservação. Pelo contrário: quando integradas, essas agendas geram empregos, divisas, proteção ambiental e prestação de serviços ecossistêmicos que beneficiam todo o País. A regulamentação da Lei de Bioinsumos é uma oportunidade de reforçar esse modelo, ampliando a competitividade, a autonomia e a sustentabilidade do setor. Com equilíbrio técnico, segurança jurídica e visão de longo prazo, o Brasil pode consolidar uma nova etapa da bioeconomia, uma etapa em que inovação, conservação e produção caminham juntas, assegurando que nossas árvores cultivadas continuem sendo símbolo global de sustentabilidade. n










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O X da questão no transporte de carga orestal.
Nos últimos anos, o emprego dos bioinsumos vem apresentando grande evolução no mundo, tendo o Brasil uma posição de destaque, em função de sua vocação agroflorestal, seu tamanho, biodiversidade e investimentos privados e públicos.
Eles estão vindo para transformar estratégias relacionadas, principalmente, ao controle de pragas e doenças, à nutrição vegetal e até a resistência à seca. No entanto, na maioria das vezes – e especialmente no setor florestal – o sucesso dos bioinsumos depende de integração com as diversas práticas de manejo, sendo que a principal meta a ser alcançada é a resiliência da cultura.
Algumas razões, para que essa integração tenha papel de destaque na silvicultura, são o ciclo longo da cultura, a grande extensão das plantações e a diversidade tanto biótica (pragas, inimigos naturais etc.) quanto abiótica (solo, clima etc.). Enquanto em certas culturas agrícolas é sustentável realizar aplicações de insumos químicos e biológicos com frequência mensal ou até semanal, na silvicultura isso é pouco viável, com raras exceções, como são as aplicações de herbicidas nos primeiros anos, de formicidas nos primeiros meses, de desenvolvimento da plantação florestal; assim como em casos pontuais de controles químicos e ou biológicos de pragas.
Na silvicultura, mais do que na agricultura, os bioinsumos precisam contar com a contribuição do controle biológico natural, do controle cultural e, algumas vezes, até do controle químico para o manejo de pragas. Assim, deve ser considerado o planejamento das áreas de conservação, fontes de biodiversidade e, consequentemente, do controle biológico natural. Também é necessário contar com o melhoramento genético e nutrição florestal, que conferem resistência às pragas, além de considerar todas as interações com produtos químicos aplicados e operações realizadas.


Alberto Jorge Laranjeiro
Diretor da Equilíbrio Proteção Florestal os inimigos da produção e da qualidade estão no campo, apenas esperando que o equilíbrio se rompa. "
Só o eucalipto, principal base da silvicultura no Brasil, tem dezenas de pragas potenciais. Por outro lado, existe um número ainda maior de inimigos naturais dessas pragas. Sendo assim, a principal estratégia é manter ambos coexistindo em equilíbrio na plantação, onde os bioinsumos representam um recurso de reserva, preferencial aos insumos químicos, por serem mais específicos para a praga-alvo e porque não afetam os inimigos naturais.
O sub-bosque das florestas plantadas poderia ser outra fonte de biodiversidade capaz de interagir positivamente com os bioinsumos. Contudo, nos moldes atuais, ele prejudica a produtividade e aumenta a severidade dos incêndios. Estudos ainda precisam ser conduzidos para avaliar sua viabilidade, embora existam exemplos positivos na agricultura, não exatamente com o sub-bosque, mas com o consórcio de culturas com outras espécies vegetais que, de certa forma, podem até ser consideradas bioinsumos.
No caso dos bioinsumos voltados a conferir resistência ao estresse hídrico, não adianta investir nessa tecnologia, sem realizar o trabalho de base, que inclui selecionar um material genético adequado à região. Da mesma forma, não adianta investir em bioinsumos, para controle biológico de pragas e, ao mesmo tempo, adotar práticas químicas cujo princípio ativo, formulação ou método de aplicação possa comprometer a efetividade dos bioinsumos, por não conservar os inimigos naturais e microbiota benéfica do solo e da planta, que se somam para obter o controle das pragas e/ou a resiliência da plantação florestal.
A interação dos bioinsumos em todo o manejo é complexa, mas precisa ser considerada. Há exemplos em que o controle químico de uma praga, além de apresentar eficácia duvidosa, atrapalhou a ação dos bioinsumos e outros em que a integração entre insumos biológicos e químicos foi essencial. Um bom exemplo ocorreu há cerca de 20 anos, quando o gorgulho do eucalipto, Gonipterus sp., surgiu nas plantações de eucalipto do Estado do Espírito Santo, desacompanhado do seu principal inimigo natural, a microvespa parasitóide Anaphes nitens. Nessas condições, a praga expandiu sua ocorrência e densidade populacional, provocando danos econômicos. Na época, a estratégia adotada foi aplicar um inseticida químico (piretroide, deltametrina) nas áreas de maior infestação e liberar o para-
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sitoide, criado em laboratório, nas áreas menos infestadas, que não sofreriam danos expressivos. Essa estratégia contou com outra operação essencial: o monitoramento, que permitiu identificar e quantificar as áreas a receberem cada tratamento. A cada nova geração da praga, diminuía a quantidade de áreas com sua alta densidade populacional e aumentava a presença do inimigo natural, reduzindo gradativamente o uso do controle químico e ampliando a liberação do inimigo parasitoide, até o químico poder ser dispensado e, posteriormente, até o biológico. Essa ação de controle do Gonipterus é um exemplo de sucesso do “controle de biológico clássico”, que envolve a introdução do inimigo natural.
Assim, no controle biológico de pragas em áreas florestais, a prioridade deve seguir a ordem: controle conservativo, controle clássico e, por último, o controle aumentativo, que consiste na introdução de inimigos naturais em grande quantidade, para obter controle rápido da praga e evitar danos econômicos. O controle aumentativo ocupa a última posição, devido aos aspectos econômicos e operacionais de aplicação, especialmente no caso de macros bioinsumos (insetos inimigos naturais), cuja produção em escala é difícil. Neste aspecto, microrganismos como bactérias e fungos apresentam grande vantagem, assim como os bioinsumos de nova geração, baseados em moléculas e substâncias orgânicas.
Sabe-se que a nutrição florestal pode favorecer ou desfavorecer o surgimento de focos de pragas e doenças. Tanto deficiências quanto excessos, geralmente, contribuem para a ocorrência de focos. Outros fatores de estresse também podem desencadear questões fitossanitárias. Nesse sentido, a contribuição dos bioinsumos tende a ser positiva, seja pelo fornecimento complementar de nutrientes m menores taxas e por períodos mais longos, seja pelo melhor desenvolvimento das raízes ou pela maior resistência ao déficit hídrico, dentre outros benefícios.
Concluindo, o emprego de bioinsumos na área florestal precisa começar pela conservação deles próprios e do ambiente como um todo e avançar para a interação positiva com todos os outros insumos e operações florestais, visando, acima de tudo, a resiliência e o equilíbrio. Afinal, os inimigos da produção e da qualidade estão no campo, apenas esperando que esse equilíbrio se rompa. n



Reconhecido mundialmente pelos avanços na genética e no manejo de plantações comerciais, com consequente referência em altas produtividades volumétricas, o setor florestal brasileiro defronta-se agora com um desafio de grande magnitude: como manter e, na evolução natural dos programas de melhoramento, aumentar a produtividade diante da instabilidade climática?
É inegável que vivemos uma emergência climática. A análise de séries históricas de 30 anos em três regiões representativas da silvicultura em Minas Gerais revela uma tendência clara: redução consistente da precipitação anual e elevação das temperaturas médias, resultando em um aumento severo do déficit hídrico.

Em estudos aprofundados com dados reais de inventário florestal, especificamente nas regiões Centro-Oeste e Norte de Minas Gerais, aplicou-se o ISNA (Índice de Satisfação de Necessidade de Água), principal indicador de riscos hídricos do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC/MAPA), em conjunto com modelagens fisiológicas baseadas no 3-PG (Physiological Principles in Prediction Growth). Os resultados demonstram uma correlação direta e penalizadora entre a escassez hídrica e a perda de produtividade.
A tabela sobre a Sensibilidade Climática – em destaque na página seguinte – ilustra o impacto real na produtividade, quantificando a perda de Incremento Médio Anual (IMA) para cada 100 milímetros de redução na chuva:
Os dados evidenciam que a deficiência hídrica se consolidou como o principal fator de risco para a produção de eucalipto no Brasil, exigindo uma resposta imediata baseada em dois pilares: adaptação e mitigação.

A expansão da fronteira florestal para áreas de maior temperatura, solos arenosos e menor disponibilidade hídrica expôs a fragilidade dos materiais genéticos convencionais. A base clonal predominante, selecionada historicamente para ambientes de menor estresse, não tem suportado a pressão das novas condições edafoclimáticas.
a sustentabilidade da silvicultura frente à emergência climática exige a superação de gargalos estruturais que transcendem a biologia básica "
Roosevelt de Paula Almado CEO da Ferrinho Consultoria em Inovabilidade
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O gráfico abaixo apresenta a evolução da produtividade média no Estado de Minas Gerais mostrando a tendência de redução, muito em função das questões climáticas aliadas a ataques oportunistas de pragas, tais como o psilideo-de-concha.
3,87
Grão Mogol -10,1 53,96 3,42
Projeto Techs** -5,0
*(m³/ha) a cada -100mm de chuva ** Média em experimentos em diversas empresas
A imagem abaixo mostra um teste clonal com 36 meses de um clone com base genética convencional morto (clone de Urograndis) e um clone de Corymbia torelliodora vivo.

Em uma apresentação que fiz em uma das versões do Florestas Uai, destaquei dois dados emblemáticos que demonstraram que a nossa base genética comercial é extremamente restrita e que a produtividade florestal aponta para uma tendência de queda.
Conforme a distribuição abaixo, dos clones plantados no Estado de Minas Gerais, 21% do total é do híbrido espontâneo de E. urophylla (AEC-I144) selecionado em uma APS da antiga Acesita Energética, hoje Aperam na década de 1970.
Levantamentos recentes em programas de melhoramento de 23 empresas do setor, realizados pela AssisTech comandada pelo geneticista florestal Teotonio de Assis, corroboram essa vulnerabilidade.
De um universo de 259 clones retirados de produção nos últimos anos, 137 clones (aproximadamente 53%) foram descartados exclusivamente devido a fatores abióticos e 122 (aproximadamente 47%) por razões bióticos. Este alto índice de descarte revela que quase metade do esforço de melhoramento é perdido porque os genótipos, embora produtivos em condições ideais, colapsam sob estresse térmico e hídrico.
Existem atualmente na região Sudeste do Brasil cerca de 23 viveiros: 11 dos quais no estado de Minas Gerais, 2 no estado do Espírito Santo e 10 no estado de São Paulo. Juntos, eles produzem em torno de 190 milhões de mudas por ano.
Na pesquisa realizada, dos 11 viveiros situados em Minas Gerais, 8 responderam às informações solicitadas demonstrando que atualmente são produzidos 15 diferentes clones comerciais, sendo que o AEC I-144 ainda é o clone mais produzido, portanto, em termos de perspectivas futuras, entendemos que ainda teremos vários ciclos com a mesma base genética.
Minas Gerais é o estado mais estruturado para poder fornecer novos clones para o mercado. O portfólio de clones é maior em Minas Gerais do que em todos os outros estados.
As empresas estão com bons programas de melhoramento e materiais para serem lançados, mas ainda em fase de plantio piloto.
Para reverter este cenário, a genética deve priorizar a rusticidade. A insistência em híbridos puros de Eucalyptus grandis x E. urophylla em zonas de alto déficit de pressão de vapor (DPV) mostra-se insustentável.
A estratégia deve focar na introgressão de genes de espécies adaptadas a zonas áridas, resgatando o potencial da seção Exsertaria (como E. camaldulensis, E. brassiana e E. tereticornis ) e explorando o gênero Corymbia e seus híbridos.
Estes materiais oferecem mecanismos fisiológicos superiores de controle estomático e resistência à cavitação, essenciais para garantir a sobrevivência e a estabilidade produtiva onde o urograndis tradicional falha.
A esta estratégia complementam-se outras tais como: a Fenotipagem de Alto Rendimento: para selecionar clones com melhor eficiência no uso da água; o Uso de Isótopos Estáveis para garantir que a tolerância à seca não seja apenas por "fechamento de estômatos" que para o crescimento, mas por eficiência intrínseca; seleção genômica ampla para caracteres fisiológicos de forma a permitir a seleção de genótipos resilientes ainda na fase de plântula, acelerando o ciclo de melhoramento; e, por fim, o teste de interação genótipo versus microbioma: para investigar se determinados clones respondem melhor à inoculação biológica do que outros.
Com relação a este último, é mister que a genética caminhe em conjunto com novas formas de manejo. A adaptação às mudanças climáticas exige uma visão holística, onde a planta é tratada como um "holobionte" (hospedeiro + microbiota).
A inoculação com microrganismos benéficos surge como uma ferramenta tecnológica vital para induzir tolerância a estresses ambientais:
• atenuação do estresse hídrico: O uso de bactérias promotoras de crescimento, como Pseudomonas sp., capazes de produzir a enzima ACC desaminase, reduz os níveis de etileno na planta, mitigando a senescência precoce causada pela seca.
• osmorregulação: A inoculação com cepas específicas de Bacillus subtilis estimula a produção de osmólitos e o desenvolvimento do sistema radicular, permitindo maior exploração do perfil do solo.
• eficiência nutricional: O uso de Azospirillum brasilense tem demonstrado eficácia no aumento da densidade de pelos radiculares, fundamental para a absorção de água em solos com menor retenção.
Os dados de redução de IMA apresentados na tabela de Sensibilidade Climática são um alerta claro: o ambiente produtivo mudou mais rápido do que a nossa base genética.
A sustentabilidade do setor florestal brasileiro depende agora da nossa capacidade de integrar dados climáticos robustos a modelos ecofisiológicos (ISNA/3PG) com uma nova geração de materiais genéticos rústicos e um manejo biológico avançado.
Apenas através dessa convergência tecnológica será possível transformar o risco da emergência climática em uma nova fronteira de eficiência e adaptação.
Em suma, a sustentabilidade da silvicultura frente à emergência climática exige a superação de gargalos estruturais que transcendem a biologia básica. O setor enfrenta a necessidade crítica de garantir e ampliar as fronteiras de adaptação para novas regiões de estresse hídrico, ao mesmo tempo em que é imperativo reduzir os ciclos de melhoramento e aumentar a eficiência da clonagem. A escassez de melhoristas qualificados agrava este cenário, exigindo que a inovação tecnológica e o "foco no negócio" sejam os vetores para não apenas mitigar perdas produtivas, mas assegurar a perenidade dos ativos florestais em um futuro de incertezas climáticas. n





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O setor brasileiro de árvores plantadas é referência mundial em bioeconomia. Além de oferecer bioprodutos em larga escala a partir de matérias-primas renováveis, auxilia na conservação do solo, protege os recursos hídricos, conserva a biodiversidade dos ecossistemas e promove a retenção do gás carbônico. Por tudo isso, o manejo florestal sustentável exige cada vez mais ferramentas de controle e de análise de dados, mas sem deixar de lado o conhecimento técnico de campo.
Com o aumento crescente da demanda por recursos florestais sustentáveis, o uso de ferramentas tecnológicas e a governança de dados tornam-se fundamentais para garantir que as tomadas de decisões sejam embasadas em informações precisas.
Inserido neste cenário, o setor florestal brasileiro vivencia uma transformação sem precedentes, impulsionado pelo avanço acelerado da tecnologia. Ferramentas como geotecnologias, inteligência artificial, big data, automação e softwares de gestão vêm revolucionando a forma como planejamos, monitoramos e tomamos decisões cruciais no manejo florestal. A inovação tornou-se um pilar fundamental para maximizar a produtividade, acelerar a mecanização da operação reduzindo dependência de mão-de-obra e assegurar a ampliação de áreas plantadas, demanda necessária já no presente. No entanto, diante desse cenário de modernização, surge uma reflexão importante: será que estamos negligenciando os conceitos teóricos fundamentais do manejo florestal?


A base técnica, construída ao longo de décadas de pesquisa e prática, parece estar sendo deixada em segundo plano pelas novas gerações de engenheiros florestais, cada vez mais atraídas pelo universo da inovação, dos algoritmos e dos softwares. ;
Participava de um congresso florestal com mais de 250 estudantes. Durante o evento, perguntei à plateia quem gostaria de ser engenheiro de campo, aquele profissional que lida com os desafios da floresta de perto. Para minha surpresa, apenas meia dúzia de estudantes levantou a mão."
Júlio César Tôrres Ribeiro
Diretor Presidente Executivo da Cenibra – Celulose Nipo-Brasileira

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Recentemente, participei de um congresso florestal com mais de 250 estudantes. Durante o evento, perguntei à plateia quem gostaria de ser engenheiro de campo, aquele profissional que visita os plantios, observa a floresta de perto e lida com os desafios do dia a dia.
Para minha surpresa, apenas meia dúzia de estudantes levantou a mão. A esmagadora maioria manifestou interesse em atuar no escritório, desenvolvendo soluções digitais, algoritmos inovadores ou mesmo trabalhando exclusivamente em home office
Esse episódio isolado, sem o rigor da estatística, ilustra uma tendência preocupante: o distanciamento do campo e dos fundamentos clássicos do manejo florestal. Conceitos como planejamento operacional, inventário florestal, dinâmica de crescimento, manejo de pragas e doenças e tomada de decisão baseada em observação direta estão, pouco a pouco, perdendo espaço para a busca incessante por inovação. Os fundamentos não podem ser esquecidos pois a tecnologia só entrega seu potencial máximo quando aplicada sobre uma base sólida de conhecimento. O manejo florestal eficiente depende de decisões embasadas em princípios técnicos, ecológicos e econômicos. Sem domínio dos fundamentos, corre-se o risco de interpretar dados de forma equivocada, propor soluções inadequadas ou até comprometer a sustentabilidade dos sistemas produtivos.
São inúmeras as situações que podem ser citadas. Em sequência algumas, somente para ilustrar o meu pensamento:
• Diagnóstico de Campo: Imagine um engenheiro florestal que, ao visitar um talhão, identifica visualmente sintomas de ataque de formigas cortadeiras e já determina ações a serem tomadas. Nesta simples observação, é possível até mesmo identificar a espécie de formigas. Embora existam sensores e imagens de satélite capazes de indicar áreas de estresse, a observação direta permite uma resposta rápida e precisa, evitando perdas significativas.
• Inventário Florestal: O uso de drones e softwares para estimar volume de madeira é valioso, mas a calibração desses sistemas depende de medições tradicionais, como a cubagem manual e o conhecimento dos modelos de crescimento das espécies. Sem essa base de conhecimento, os algoritmos podem gerar estimativas distorcidas.
• Planejamento Realista: Ao planejar a colheita, softwares podem sugerir rotas ideais para máquinas, mas apenas quem conhece o solo, o relevo e as condições climáticas locais


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consegue ajustar o plano para otimizar todo o processo. Em resumo, é a visita de campo que gera dados de entrada essenciais para modelos matemáticos e softwares.
• Gestão Sustentável: A compreensão dos ciclos ecológicos e das interações entre solo, clima e vegetação é essencial para garantir a perenidade das florestas. Por exemplo, a decisão de espaçamento entre mudas, rotação de culturas ou escolha de espécies depende de conhecimento técnico, de ensaios e plantios de pesquisa, não apenas de simulações digitais. Imaginemos o processo de melhoramento genético, seria viável tomar decisões sobre o desenvolvimento de novos clones de eucalipto a partir de “cruzamentos digitais” de indivíduos, por mais robusto que seja o modelo adotado?
Além disso, o contato com o campo desenvolve habilidades essenciais, como a capacidade de adaptação, o senso crítico e a criatividade para solucionar problemas complexos, características fundamentais para qualquer engenheiro florestal.
Inovação, fundamentos teóricos e presença no campo são caminhos complementares. Não se trata de rejeitar a inovação, mas de integrá-la de forma equilibrada ao conhecimento tradicional. O engenheiro florestal do futuro precisa dominar tanto os algoritmos quanto o compasso do campo. A tecnologia deve ser vista como uma aliada para potencializar o manejo e não como um substituto do saber fundamental. A integração entre a teoria e prática é o que permite extrair o melhor das ferramentas digitais. Softwares de gestão, drones, sensores e sistemas de informação geográfica são extremamente valiosos, mas sua eficácia depende da correta interpretação dos dados e da aplicação criteriosa dos conceitos técnicos. Um engenheiro que domina o manejo tradicional pode utilizar um sistema de sensoriamento remoto para identificar áreas de baixa produtividade e, ao visitar o local, aplicar técnicas de correção de solo ou manejo de pragas, potencializando os resultados. Da mesma forma, softwares de rastreabilidade garantem a origem da madeira, mas é o conhecimento de campo que assegura o cumprimento das práticas certificadas. Em síntese, a sinergia entre inovação e fundamentos é a chave para o futuro do setor florestal. É urgente resgatar o interesse pelo campo e valorizar o aprendizado prático, sem perder de vista as oportunidades que a tecnologia oferece. Só assim conseguiremos formar profissionais completos, capazes de conciliar produtividade, sustentabilidade e inovação, garantindo a perenidade das florestas para as próximas gerações. n
A talhadia do eucalipto é uma prática essencial no manejo florestal, pois permite aproveitar a capacidade de rebrota das cepas após o primeiro corte. Essa técnica reduz significativamente os custos de implantação e acelera o início de um novo ciclo produtivo. Contudo, seu sucesso depende diretamente da sanidade das cepas remanescentes, que devem permanecer íntegras e fisiologicamente ativas para sustentar o estabelecimento das novas brotações.
Após o corte, as cepas permanecem expostas, apresentando ferimentos abertos e tecidos tenros. Essas condições as tornam altamente vulneráveis à infecção por microrganismos oportunistas. O vigor das rebrotas depende da integridade do câmbio e do sistema vascular, responsáveis pela condução de água e nutrientes. Assim, doenças que afetam o xilema, o câmbio ou os tecidos próximos à superfície de corte figuram entre as principais causas de falhas de rebrota e mortalidade de cepas.
Entre os patógenos de maior relevância para sistemas de talhadia, destacam-se a murcha causada pelo fungo Ceratocystis fimbriata e a murcha bacteriana provocada por Ralstonia solanacearum, ambos patógenos vasculares associados a severas perdas de produtividade; além do fungo Austropuccinia psidii , que, embora foliar, possui caráter agressivo em tecidos tenros, tendo impacto significativo nas brotações.

Murcha de Ceratocystis fimbriata:
A murcha causada por Ceratocystis fimbriata é considerada uma das doenças mais severas em plantios de eucalipto. O fungo, que é um habitante natural do solo, pode estar presente previamente ao plantio ou, ainda, ser disseminado por meio de mudas contaminadas.
O patógeno pode colonizar o sistema vascular de algumas plantas do stand de forma lenta, permanecendo no povoamento desde o primeiro ciclo sem necessariamente causar a morte da árvore. Entretanto, os ferimentos gerados durante a colheita favorecem sua dispersão entre as cepas, e o estresse pós-corte facilita a rápida colonização dos tecidos.
Os sintomas incluem escurecimento dos vasos do xilema, murcha progressiva das brotações e morte completa da cepa. Em sistemas de talhadia, o patógeno encontra condições ideais devido à presença de ferimentos frescos. Em cortes transversais, nas plantas infectadas, é comum observar lenho escurecido em padrões radiais, característico da colonização fúngica.
Murcha Bacteriana ( Ralstonia solanacearum ) : A murcha bacteriana, causada por Ralstonia solanacearum, é uma doença vascular altamente destrutiva, especialmente em regiões quentes e úmidas. Semelhante à Ceratocystis fimbriata , a bactéria pode persistir no solo, ser introduzida por mudas contaminadas ou penetrar nas plantas por ferimentos recentes, colonizando os vasos
Após o corte, as cepas permanecem expostas, apresentando ferimentos abertos e tecidos tenros. Essas condições as tornam altamente vulneráveis à infecção por microrganismos oportunistas. "
Nilmara Pereira Caires
Pesquisadora Sênior de Sanidade e Proteção Florestal da Suzano
Coautor: Lúcio Guimarães, Coordenador de Pesquisa da FuturaGene
do xilema e bloqueando a condução de seiva. Os sintomas incluem murcha súbita das rebrotas, amarelecimento foliar, necrose ascendente e morte da cepa. No corte transversal, do caule da planta infectada, observa-se escurecimento dos vasos do xilema e uma exsudação bacteriana de coloração leitosa, característica que auxilia na diferenciação em relação à infecção por Ceratocystis, já que os sintomas na copa podem ser semelhantes.
Medidas Integradas de Controle: Tanto Ceratocystis fimbriata quanto Ralstonia solanacearum apresentam elevada capacidade de sobrevivência no ambiente e forte associação com ferimentos pós-colheita, o que torna a talhadia especialmente vulnerável. Na Suzano, já fizemos diversos estudos internos e com parceiros externos e chegamos à conclusão de que, neste momento, não existem métodos curativos eficazes.
Desta forma, o manejo é exclusivamente preventivo, baseado em duas estratégias centrais:
• Uso de mudas sadias, provenientes de viveiros com rigoroso controle sanitário e substratos livres de patógenos, o que assegura uma melhor sanidade no primeiro, assim como nos ciclos subsequentes da floresta; e
• Adoção de clones resistentes, uma vez que há no eucalipto variabilidade genética suficiente para obtenção desses materiais. Sendo mais frequente a resistência para o fungo Ceratocystis fimbriata e relativamente limitada para murcha de Ralstonia.
Em talhões onde esses patógenos já foram registrados, a condução da talhadia é desaconselhada se os clones forem suscetíveis, pois ambos persistem no solo e nos restos de raízes, reinfectando as novas brotações e comprometendo a viabilidade econômica do sistema.
Ferrugem do Eucalipto (Austropuccinia psidii) : A ferrugem, causada por Austropuccinia psidii , é a doença foliar mais importante da cultura do eucalipto no Brasil e um dos principais fatores de redução do vigor em rebrotas jovens. O patógeno infecta folhas novas, brotos e hastes tenras, formando pústulas alaranjadas e levando à desfolha precoce. Durante a fase inicial da rebrota, a ferrugem pode provocar morte de brotos, deformações e redução drástica do crescimento, sobretudo em clones suscetíveis e em condições de alta umidade ou prolongado molhamento foliar.
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radial do lenho, sintoma típico da murcha-de- Ceratocystis

Em situações severas, o impacto sobre o estabelecimento da talhadia é expressivo, afetando diretamente o número e o vigor dos brotos.
O manejo baseia-se principalmente em:
• Resistência genética, por meio do uso de clones resistentes;
• Monitoramento fitossanitário contínuo, com possibilidade de aplicação de fungicidas em situações de alta pressão da doença; e
• Evitar áreas excessivamente sombreadas ou densamente plantadas, que favorecem a infecção e aumentam a severidade da ferrugem.
Outros patógenos também podem limitar e até mesmo inviabilizar a talhadia. Nos últimos anos, têm sido frequentes perdas de stand por fungos da família Botryosphaeriaceae , como Neofusicoccum spp. e Botryosphaeria spp. Esses fungos vivem como endofíticos e tornam-se patogênicos após o estresse desencadeado na colheita, embora ainda tenham menor impacto documentado que os patógenos principais citados.
A sanidade das cepas e das rebrotas é um elemento central para o sucesso da talhadia do eucalipto, especialmente em sistemas produtivos que dependem da redução de custos e da aceleração dos ciclos de corte. Esses patógenos representam ameaças diretas à sustentabilidade do manejo, prejudicando a capacidade de rebrota, o vigor inicial das plantas e a longevidade produtiva dos povoamentos.
O manejo preventivo, iniciado já no primeiro ciclo, com o uso de mudas sadias, substratos livres de patógenos, resistência genética e monitoramento sistemático, constitui a estratégia mais eficaz para reduzir a incidência e o impacto dessas doenças. Em áreas com histórico de contaminação, a decisão sobre a condução ou não da talhadia deve ser avaliada com rigor técnico, considerando o risco de reinfecção, suscetibilidade do clone plantado e a viabilidade econômica do sistema.
A integração de práticas sanitárias, manejo adequado do ambiente e seleção de materiais genéticos mais resistentes permitirão não apenas mitigar perdas, mas também fortalecer a resiliência dos plantios frente às principais doenças associadas às talhadias de eucalipto. Esse conjunto de ações é essencial para garantir produtividade e sustentabilidade no longo prazo. n

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A partir de janeiro de 2025, todo novo reboque e semirreboque fabricado no Brasil sairá de fábrica com o Sistema Eletrônico de Frenagem (EBS) — tecnologia que inclui o controle de estabilidade do veículo. A medida marca um divisor de águas para a segurança e a modernização do transporte de cargas no país.
O que é o EBS e por que ele é tão importante:
Até pouco tempo, os freios dos implementos eram totalmente pneumáticos, comandados apenas pela pressão do ar. Com o EBS, o comando passa a ser eletrônico, reagindo de forma instantânea e precisa. O sistema é capaz de acionar cada roda separadamente, equilibrando a frenagem conforme o peso e as condições da pista.
O módulo eletrônico recebe informações de sensores que monitoram velocidade, aceleração lateral e tendência de derrapagem. Quando detecta risco de perda de controle, o sistema aplica automaticamente os freios corretos, estabilizando o conjunto antes mesmo que o motorista perceba o desvio.
Em resumo, o EBS traz inteligência para o sistema de freio — e, junto com o controle de estabilidade, evita situações que poderiam levar a derrapagens ou tombamentos, especialmente em curvas, descidas e pisos irregulares.
Mais segurança e eficiência para o transporte: O transporte de cargas no Brasil é desafiador. Estradas longas, curvas acentuadas e variações de terreno colocam à prova motoristas e equipamentos. Com o EBS e o controle de estabilidade, o implemento ganha uma camada extra de proteção: o sistema “lê” o comportamento do veículo e reage em milésimos de segundo.
Os benefícios vão além da segurança: Menor desgaste de pneus e lonas, maior estabilidade em curvas e frenagens de emergência, menos acidentes e paradas não programadas e redução de custos operacionais.
O desafio para os fabricantes:
Para as fabricantes de implementos, a obrigatoriedade do EBS representa uma mudança estrutural. O projeto do chassi precisa prever espaço e fixação para módulos eletrônicos, sensores e cabos.

Além disso, é necessário garantir compatibilidade elétrica com o cavalo-mecânico e adotar conectores padronizados.
Outro ponto importante é a capacitação técnica. As equipes de engenharia, produção e pós-venda passam a lidar com diagnósticos eletrônicos, calibração de sensores e novas rotinas de testes. Essa transformação exige investimento em treinamento e integração com fornecedores especializados.
A visão da Sergomel:
Na Sergomel a chegada do EBS é vista como um passo natural rumo à inovação. A empresa vem adaptando seus projetos para acomodar o novo sistema e trabalha em parceria com fornecedores para oferecer soluções robustas e acessíveis.
“Nosso foco é entregar ao cliente um produto preparado para o futuro — mais seguro, inteligente e confiável”, destaca a engenharia da Sergomel.
Benefícios do EBS:
Reação mais rápida: frenagem eletrônica em milissegundos.
Estabilidade ativa: sistema corrige derrapagens automaticamente.
Menos desgaste: otimiza uso de pneus e lonas de freio.
Mais segurança: reduz risco de tombamento e perda de controle.
Valor agregado: implementos mais modernos e valorizados no mercado. Assim como o ABS e o airbag se tornaram obrigatórios nos automóveis, o EBS com controle de estabilidade será, em poucos anos, item indispensável nos implementos rodoviários. A tecnologia traz ganhos concretos de segurança e eficiência, sem comprometer a robustez que o transporte pesado exige.

Mais do que atender a uma norma, o EBS marca o início de uma nova era de segurança, tecnologia e confiabilidade no transporte rodoviário brasileiro — e a Sergomel está pronta para esse caminho.
A silvicultura brasileira ocupa posição de destaque no cenário global, sustentada por produtividades médias estimadas de 34,4 m³/ ha/ano para eucalipto e 31,1 m³/ha/ano para pinus. Esses índices refletem décadas de pesquisa, inovação e aplicação científica que transformaram desafios em vantagem competitiva. Tal desempenho é resultado da integração de tecnologias avançadas, como mecanização, agricultura de precisão, melhoramento genético, manejo integrado e estratégias de proteção florestal. Recordes em produção, exportações e inovação evidenciam que o setor vai além do simples ato de plantar árvores: constrói um modelo de desenvolvimento sustentável, resiliente e competitivo. Em um contexto global marcado por incertezas, a silvicultura brasileira demonstra que é possível aliar eficiência, responsabilidade e visão de longo prazo.

O futuro exige ação imediata. Mais do que eficiência, requer decisões assertivas, investimentos responsáveis e respostas às crescentes demandas ambientais e sociais. Para isso, é indispensável adotar estratégias de manejo integrado capazes de proteger as florestas plantadas contra pragas, doenças e plantas daninhas, por meio de ações diretas e indiretas.
A proteção florestal deixou de ser uma prática rotineira e evoluiu para inteligência estratégica. Compreender a dinâmica dos ecossistemas, estruturar processos e antecipar cenários tornaram-se requisitos para decisões consistentes. A transformação do setor depende da integração entre ciência, tecnologia e gestão para minimizar perdas e ampliar competitividade.
Essa mudança de paradigma é fundamental porque os desafios da proteção florestal se tornaram mais complexos. Durante décadas, acreditou-se que problemas poderiam ser resolvidos com respostas padronizadas. Em se tratando de plantas daninhas, a lógica era quase binária: identificar, controlar e repetir. Hoje, essa abordagem é insuficiente. Mudanças climáticas alteram ciclos de germinação; espécies antes secundárias tornam-se dominantes; bancos de sementes se comportam de forma imprevisível; expansão da fronteira; e novas resistências a herbicidas redefinem fronteiras técnicas. Nesse cenário, a floresta plantada opera em um ambiente que exige interpretação, não apenas execução. É aqui que a Matologia, ciência de estuda o manejo das plantas daninhas, deixa de ser atividade operacional e passa a atuar como instrumento estratégico de sanidade e proteção florestal.
É aqui que a Matologia, ciência de estuda o manejo das plantas daninhas, deixa de ser atividade operacional e passa a atuar como instrumento estratégico de sanidade e proteção florestal. "
Pesquisador em Matologia Florestal na Suzano
O manejo de plantas daninhas, ou da matocompetição, deixou de ser uma operação complementar para se consolidar como um componente crítico da silvicultura moderna. A matologia, ciência dedicada ao estudo da biologia, ecofisiologia, dinâmica populacional e processos de interferência dessas espécies, vem ganhando protagonismo, influenciando diretamente decisões técnicas e econômicas. Seus impactos não se limitam à redução da produtividade, amplamente documentada em pesquisas; estendem-se por toda a cadeia produtiva, afetando segurança operacional, gestão patrimonial, colheita, manutenção, logística e até processos industriais. Atualmente, é reconhecida como fator crítico, podendo representar até um terço do custo de formação florestal, o que demanda abordagens cada vez mais sofisticadas, integrando ciência, tecnologia e governança.
Em florestas plantadas, o manejo de plantas daninhas envolve duas abordagens: ações diretas, aplicadas sobre a infestação já estabelecida, e ações indiretas, voltadas à prevenção. Das ações diretas, o controle químico com herbicidas pré e pós-emergentes é principal ferramenta, seguido por controle mecânico por roçadas e gradagens, além de combinações entre esses dois métodos. Essas intervenções exigem precisão e compreensão da dinâmica do banco de sementes, estruturas subterrâneas e mecanismos fisiológicos que regulam a germinação. A aplicação de herbicidas não se limita à eliminação visual da infestação; é uma intervenção em um sistema biológico, influenciando processos como absorção, translocação e metabolismo, além de interações ecológicas. Da mesma forma, a roçada não é apenas um corte físico: altera a interceptação luminosa, modifica relações de competição e pode estimular rebrota ou favorecer espécies oportunistas.
As ações indiretas atuam sobre os fatores que condicionam a instalação das plantas daninhas, abrangendo preparo do solo, espaçamento otimizado, regime de desbastes, manejo de resíduos, desenho da fertilização, uso de plantas de cobertura para supressão e genética, empregando clones com maior índice de área foliar (IAF). Essas medidas reduzem a pressão de infestação e aceleram o fechamento do dossel, sendo fundamentais para limitar a matocompetição. Historicamente tratadas como práticas isoladas, devem ser reconhecidas como parte da matologia aplicada, pois cada decisão silvicultural influencia a dinâmica populacional das plantas daninhas e, consequentemente, o risco de interferência no povoamento.
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Longevidade do manejo sequencial na entrelinha de plantio ;
Esse entendimento consolida um novo paradigma: a integração estratégica entre ações diretas e indiretas no manejo de plantas daninhas. Não se trata de optar por uma abordagem isolada, mas de coordená-las de forma sistêmica, garantindo que práticas químicas, mecânicas e culturais atuem em sinergia com decisões silviculturais e manejo. A ausência dessa integração gera paradoxos operacionais, como preparo de solo que estimula germinação indesejada, roçadas que favorecem rebrota de espécies perenes ou fechamento tardio do dossel que aumenta a idade crítica de controle da matocompetição. O equilíbrio não está na intensidade das intervenções, mas na compreensão de que a matologia define o momento, o método e a frequência das ações. Proteger a floresta não é apenas intervir, é interpretar processos, planejar estratégias e antecipar cenários.
A matologia propõe um novo modelo de manejo: a integração estratégica. Esse conceito não busca eliminar completamente as plantas daninhas, prática que, na maioria dos casos, seria antieconômica, mas manter a interferência abaixo do limiar de dano por decisões fundamentadas em ciência. Trata-se de construir florestas em que o fechamento do dossel ocorra no momento ideal, resultado de espaçamento otimizado, escolha de clones com maior IAF e sincronização com a sazonalidade. Florestas em que o banco de sementes é manejado preventivamente, evitando emergências críticas; em que herbicidas são utilizados como ferramentas de precisão, e não como rotina indiscriminada; e em que a proteção começa antes do plantio, estendendo-se por todo o ciclo produtivo, mesmo quando não há plantas daninhas visíveis.
O setor florestal brasileiro tem potencial para consolidar-se como referência global não apenas pela elevada produtividade, mas pela capacidade de inovar em modelos de manejo que integrem eficiência operacional, sustentabilidade e responsabilidade ambiental. Para alcançar esse patamar, será necessário romper paradigmas, como aqui na Suzano onde a área de matologia foi criada há mais de 5 anos para realização de pesquisa dedicada. Assim, é possível adotar estratégias baseadas em ciência e assumir riscos calculados, reconhecendo que o futuro da proteção florestal dependerá de conhecimento, tecnologia e, sobretudo, da integração entre ações diretas e indiretas. No fim, a reflexão é inevitável: estamos preparados para proteger a floresta de forma estratégica ou continuaremos apenas combatendo o mato? n


Importância do fechamento do dossel na supressão germinativa,
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Matologia, Bataguassu-MS Proteção integrada refletindo produtividade e estabilidade florestal, Açailândia-MA


Cristiane de Pieri e Maria Fernanda Simões
Bióloga
e Engenheira Florestal, respectivamente, Consultoras da Dinagro
As formigas cortadeiras são insetos-praga nativos do continente americano, pertencentes à tribo Attini, dos gêneros Atta e Acromyrmex, sendo conhecidos no Brasil como “saúvas” e “quenquéns”, respectivamente.
Os ninhos são sociedades extremamente evoluídas e organizadas, capazes de se recuperar e se adaptar a diversas situações.
O melhor método para o controle de formigas cortadeiras é o uso de iscas formicidas com ingrediente ativo Sulfluramida, pois possuem alta eficiência, alto rendimento operacional, baixa toxicidade e podem ser aplicadas de forma sistemática e localizada.
Para o sucesso no controle de formigas cortadeiras, é fundamental reconhecermos que existem os fatores intrínsecos ligados à biologia e comportamento do inseto e também os fatores extrínsecos ligados a fatores climáticos como temperatura e umidade, operacionais e metodológicos. Os fatores operacionais e metodológicos podem ser manipulados, estrategicamente, através do manejo integrado de formigas cortadeiras e, se bem conduzidos, trarão não
só resultados satisfatórios de eficiência de controle como também de redução do custo operacional como um todo.
Considerando o fator climático, importante para a atividade de forrageamento, e a necessidade do controle de formigas cortadeiras em todos os meses do ano, a Dinagro desenvolveu a isca formicida Dinagro–S Resistente.
Constituída de uma mistura de substrato atrativo (polpa cítrica de laranja desidratada) com princípio ativo sulfluramida (0,3%) na forma de pellets, a isca resistente apresenta como característica a capacidade de repelir água, condição esta que abre a janela de aplicação/controle mesmo nas estações chuvosas e/ou para regiões onde há alta umidade relativa no período da manhã.
A inovação tecnológica no processo de produção da isca permitiu elevar a resistência à umidade nos pellets, sem alterar a estrutura, a atratividade e a eficiência da isca formicida.
De acordo com estudos recentes, a atividade diurna das formigas cortadeiras é mais intensa e com maior ritmo de forrageio em

Indicação de uso de Dinagro- S Resistente em dias chuvosos ou com prenúncio de chuva

períodos de alta temperatura e alta umidade relativa, o que coincide com o período do verão em algumas regiões do País. Para essas situações, a isca Dinagro-S Resistente é a melhor opção, uma vez que não desestrutura-se nem esfarela-se em situações de molhamento (período chuvoso) e/ou solo úmido, mantendo, portanto, sua atratividade e garantindo eficiência de carregamento e controle.
Estudos científicos com Atta (saúvas) mostram que temperatura e umidade relativa do ar (UR) são os fatores que influenciam no forrageamento, que é a atividade de exploração do meio, corte e transporte de vegetais para a colônia. A atividade de forrageamento apresenta sazonalidade ao longo do ano e pôde ser comprovada por diferentes pesquisas: o forrageamento de formigas de A. sexdens ocorreu sob 100% de umidade relativa; o forrageamento durante a estação úmida é mais intenso, e o pico de forrageamento ocorre entre 75 e 80% de umidade relativa do ar; o maior fluxo de operárias foi registrado sob alta umidade relativa; a atividade de forrageamento aumenta proporcionalmente à umidade; o forrageamento de A. sexdens diminui em condições extremas de temperatura e se intensifica com o aumento da umidade relativa do ar.
Estudos conduzidos pela equipe de pesquisa da Dinagro mostraram o comportamento de forrageamento das cortadeiras com a isca resistente em diferentes volumes de chuva. Após chuva de verão moderada (2,5 a 10 mm), seguida de mormaço e sol, as formigas cortadeiras

com chuva de 20mm
voltaram à atividade de forrageamento imediatamente após o cessamento da chuva e, após chuva forte (20 mm), a atividade de forrageamento retornou com 24 horas. Nestes estudos, independentemente do volume de chuva, a isca Dinagro S-Resistente permaneceu íntegra e pronta para o carregamento, comprovando assim sua atratividade e controle, verificado 150 dias após o carregamento.
A isca resistente à umidade é indicada para uso estratégico de cada empresa. Na utilização deste produto, algumas variáveis que compõem o custo final do controle de formigas cortadeiras devem ser consideradas para cálculo do custo-benefício.
Ao escolher a isca resistente à umidade, inúmeras vantagens poderão ser alcançadas, tais como: diminuição dos custos com a atividade de replantio em área de repasse; economia de retrabalho (insumos e mão de obra); maior área controlada no período chuvoso, oferecendo mais segurança para o planejamento das operações seguintes; otimização do trabalho das equipes e máquinas durante todo o ano; aumento da eficiência do controle de formigas cortadeiras no período chuvoso.
Diante do exposto, fica evidente a importância de ter um reforço como a isca Dinagro-S Resistente no controle das formigas cortadeiras, especialmente nas épocas chuvosas, uma vez que seu uso protege a produtividade das florestas, garante a eficiência do controle e assegura o sucesso das atividades silviculturais subsequentes.

Formigas forrageando e carregando a isca Resistente logo após chuva de 20mm
Por que recomeçar se a base já está pronta?
O sistema de talhadia, também chamado de condução, em povoamentos de Eucalyptus tem ganhado destaque por sua eficiência. Em vez de eliminar todo o material e reiniciar o ciclo, essa estratégia aproveita o sistema radicular já estabelecido, garantindo estabilidade fisiológica e reduzindo os custos operacionais em até 50%. Entre suas principais vantagens estão: rápido crescimento inicial e maior eficiência no uso dos recursos essenciais (água, nutrientes etc.).
Além de ser uma solução econômica, atende às demandas ambientais usando racionalmente os recursos disponíveis (máquinas, combustíveis, mudas, insumos etc).
Mas aqui vai a provocação: estamos realmente adotando uma estratégia sustentável e inovadora ou apenas encontrando uma forma elegante de cortar custos de formação? O manejo por talhadia apresenta potencial produtivo comparável ou superior à reforma convencional, desde que sejam implementadas práticas rigorosas, fundamentadas em pesquisa, procedimentos silviculturais e pelo planejamento de longo prazo. Afinal, o sistema de talhadia não começa após o corte, mas sim no ciclo anterior, quando a primeira muda é plantada no solo.


Entretanto, o processo enfrenta desafios, como a sobrevivência das cepas, fortemente influenciada pela qualidade e distribuição dos resíduos de colheita e pela altura do corte, danos por formigas cortadeiras, eficiência dos métodos de desbrota e ocorrência de brotações epicórmicas indesejadas, popularmente conhecidas como brotos-ladrões.
Quando não controlado, essas brotações podem comprometer a uniformidade, reduzir o diâmetro, altura e vigor do fuste selecionado.
Talhadia: estamos realmente adotando uma estratégia sustentável e inovadora ou apenas encontrando uma forma elegante de cortar custos de formação? "
Wendel Magno de Souza Pesquisador Senior em Matologia Florestal na Suzano
A definição do momento ideal para seleção do fuste (desbrota), precoce ou tardia, permanece como um dos principais pontos de divergência no setor florestal pois temos diversas variáveis envolvidas, clima, clone, solo etc. No campo, a desbrota precoce, realizada aproximadamente 90 dias após o corte, utilizando a técnica de deslocamento da casca, tende a maximizar a emissão de brotações indesejadas, intensificando a competição intra-cepa. Por outro lado, a desbrota tardia pode reduzir esse efeito, devido à maior capacidade competitiva do fuste dominante, embora não elimine totalmente a ocorrência dessas brotações. Essa variabilidade reforça a complexidade do sistema e a necessidade de estratégias de manejo adaptadas às condições locais, considerando fatores como material genético, sazonalidade, regime pluviométrico, técnica empregada e momento da desbrota.
Operacionalmente, o controle dos brotos-ladrões pode ser realizado por métodos mecânicos ou químicos. O controle mecânico, utilizando ferramentas como foices, motopodas e cavadeiras manuais, é o mais usual. Normalmente, esse método é empregado em fases iniciais, alguns dias após a desbrota, quando a copa ainda permanecer rente à cepa.
Atualmente, essa técnica vem sendo cada vez menos utilizada, devido à indisponibilidade de mão-de-obra, baixo rendimento, custo elevado e problemas relacionados a ergonomia e segurança dos trabalhadores.
O controle químico, com uso de herbicidas, torna-se viável em estágios mais avançados de desenvolvimento da floresta, aproximadamente 200 dias após o corte, exigindo conhecimento e técnica adequada. A aplicação, majoritariamente, deve ser dirigida aos brotos-ladrões, evitando a deriva nas folhas do fuste selecionado. Para uso correto da técnica, é preciso muito conhecimento básico de fisiologia e comportamento da molécula na planta. Herbicidas de contato, como glufosinate-ammonium, têm sido utilizados, embora exijam elevada cobertura do alvo para maximizar a performance, além disso observa-se rápida regeneração dos brotos-ladrões. A molécula glyphosate também é utilizada para tal finalidade. Entretando, dada sua alta mobilidade e translocação, sintomas de fitotoxidez e redução do crescimento têm sido relatados.
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Talhadia com brotos-ladrões

Talhadia após controle quimico dos brotos-ladrões

Alternativamente, moléculas do grupo das auxínas sintéticas (triclopyr e fluroxypyr) têm demonstrado potencial de controle. Contudo, pouco se sabe sobre o impacto real na produtividade da talhadia em detrimento a toxidez por herbicidas sistêmicos. Essa observação traz consigo os seguintes questionamentos: existe uma interação e/ou compartimentalização entre as brotações indesejadas e o fuste selecionado? Se sim, quais mecanismos estão intrinsecamente envolvidos no processo?
O manejo do broto-ladrão, assim como a determinação do método de controle, deve levar em consideração os seguintes aspectos: idade da floresta, momento da desbrota, porte ou biomassa do alvo, altura da copa do fuste selecionado em relação ao broto-ladrão, dose recomendada e tecnologia de aplicação.
Assim, o sucesso do controle químico está diretamente relacionado a qualidade da aplicação (cobertura do alvo, penetração de gotas etc.), timing de aplicação, condições climáticas favoráveis (velocidade do vento, temperatura e umidade relativa), especificações técnicas e normas de segurança para evitar impacto à cultura e ao meio ambiente. Face ao exposto, o manejo dos brotos-ladrões é uma atividade complexa, influenciada por uma série de fatores relacionados ao clima, manejo e genética. A alta variabilidade entre materiais genéticos (clones), ambientes de produção e escassez de estudos aplicados nos leva às seguintes indagações: qual o impacto da interferência pelos brotos-ladrões à produtividade? Existe um nível tolerável? Quais são as alternativas de controle operacionais mais viáveis?
Perguntas como essas reforçam a importância do controle do broto-ladrão e acendem um alerta para o desenvolvimento de estratégias futuras em florestas sob regime de talhadia. Na prática, isso exige ações integradas, planejamento operacional e excelência na execução para minimizar perdas de produtividade. Aqui na Suzano acreditamos que, mais do que uma alternativa, a talhadia do eucalipto é um caminho promissor para resiliência, sustentabilidade e competitividade e deve receber a mesma seriedade que o manejo de implantação e reforma, e para isso estamos fazendo muitas pesquisas nessa área. n
Tecnologia, eficiência e sustentabilidade marcaram as entregas da Reflorestar e transformaram o setor.
Aquisição de duas
PlantMax X3: tecnologia


Primeira máquina de roçada mecanizada em alta declividade no Brasil


Testes com soluções eficientes, como os Feller Bunchers TimberPro e Eltec
Reflorestar: entregando tecnologia que impulsiona o futuro florestal do Brasil.


Irrigador mecanizado Bizmaq no módulo de plantio

Acesse e conheça como transformamos desafios em produtividade: reflorestar.ind.br

As mudanças climáticas deixaram de ser uma abstração ambiental para se tornarem um fator operacional decisivo no setor florestal.
A variabilidade de chuvas, o avanço de períodos secos, a intensificação de ondas de calor e o risco crescente de incêndios impõem novos desafios ao manejo das florestas plantadas no Brasil.
No Vale do Jequitinhonha, região que já convive historicamente com irregularidades hídricas, essa pressão climática tem exigido uma combinação de ciência, tecnologia e integração entre unidades florestais e industriais para garantir produtividade, segurança ambiental e estabilidade da cadeia de suprimento.
A base florestal, que funciona como pilar e coração das operações industriais da região, passou a demandar estratégias de manejo adaptativo. Rotinas como seleção genética, definição de idade de corte, adubação racional, conservação de solos e manutenção de corredores ecológicos ganham


nova relevância diante de um clima mais imprevisível. Em ciclos mais secos, a taxa de evapotranspiração se eleva, o solo perde umidade mais rapidamente e o estresse hídrico pode afetar desde o desenvolvimento do eucalipto até sua densidade básica — um parâmetro essencial para a etapa seguinte da cadeia: a conversão da madeira em carvão vegetal.
Esse ponto é crucial, porque a qualidade da biomassa determina a performance metalúrgica.
Em um ambiente climático mais instável, o setor florestal precisa garantir que a madeira entregue ao processo de carbonização mantenha padrões consistentes de densidade, umidade e composição.
Variações climáticas não controladas podem resultar em carvão com menor teor de carbono fixo ou maior presença de voláteis, o que impacta diretamente a eficiência dos altos-fornos e a qualidade dos aços produzidos.
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se antes a floresta era vista como aliada estratégica no enfrentamento das mudanças climáticas, agora ela também precisa ser protegida "
Analista de Projetos e Gerente de P&D e Novos Negócios da Aperam BioEnergia, respectivamente











Isso explica por que a climatologia deixou de ser um dado contextual para se tornar variável crítica no planejamento operacional.
Ao mesmo tempo, o clima influencia o próprio ciclo de carbono das florestas. Secas prolongadas reduzem o ritmo de crescimento, diminuem o sequestro de CO₂ e podem aumentar a mortalidade em áreas mais sensíveis.
Alterações no regime hídrico também ampliam o risco de incêndios, que, além de prejuízos ambientais evidentes, representam perdas significativas de carbono estocado.
Assim, a manutenção de áreas nativas, a proteção de nascentes e a criação de zonas de amortecimento não são apenas medidas ambientais: tornam-se parte da estratégia de resiliência frente às mudanças climáticas.
O avanço tecnológico tem desempenhado papel central nessa adaptação. A automação dos fornos de carbonização, o aproveitamento dos gases da pirólise e a conversão de alcatrão em bio-óleo exemplificam como a cadeia industrial responde a um ambiente climático mais desafiador.
O bio-óleo, derivado da condensação de vapores do processo, emerge como alternativa energética renovável em um cenário global de transição e volatilidade dos combustíveis fósseis. Empresas de setores intensivos em calor, como mineração e metalurgia, já testam e aplicam o bio-óleo como substituto parcial ou total de óleo combustível, reduzindo emissões diretas e ampliando segurança energética frente a riscos climáticos que podem afetar cadeias de suprimento.
Outro desdobramento relevante é o biochar, um material sólido e altamente estável gerado durante a pirólise. Em tempos de maior pressão climática sobre áreas agrícolas,
o biochar se torna ferramenta de adaptação, pois melhora a retenção de água no solo, reduz sua densidade e aumenta a estabilidade estrutural.
Além de mitigar emissões por meio do sequestro de carbono de longa duração, ele oferece respostas concretas a uma agricultura que enfrenta solos mais compactados, erosão e maior irregularidade de chuvas — fenômenos amplificados por mudanças climáticas.
Essas soluções não anulam os impactos do clima, mas criam um ecossistema mais resiliente. Tecnologias de monitoramento remoto, inventários de carbono mais frequentes e modelos de crescimento baseados em clima permitem antecipar riscos e ajustar o planejamento florestal.
Sistemas de certificação e rastreabilidade fortalecem a transparência e a credibilidade ambiental, atributos essenciais em mercados que exigem comprovação rigorosa de desempenho climático.
Em síntese, se antes a floresta era vista como aliada estratégica no enfrentamento das mudanças climáticas, agora ela também precisa ser protegida e adaptada para continuar cumprindo esse papel.
A interação entre clima, manejo florestal, processos termoquímicos e inovação industrial mostra que a transição sustentável não depende apenas de capturar carbono, depende de garantir que as bases produtivas permaneçam saudáveis, resilientes e tecnicamente capazes de sustentar cadeias industriais de baixo carbono.
No Vale do Jequitinhonha, essa visão integrada já orienta decisões e projeta o futuro de um setor que precisa se preparar não para um clima estável, mas para um clima em transformação contínua. n





Ao avaliar possíveis cenários futuros de produtividade, didaticamente, o estabelecimento de um novo balanço precisa ser considerado. Existe a expectativa de aumento da produtividade em função do avanço tecnológico, dos conhecimentos e de melhoria da qualidade dos plantios; por outro lado, parte deste ganho deverá ser subtraído em decorrência das mudanças climáticas e de outros fatores relacionados.
Dessa forma, é extremamente complexo determinar, com precisão, o resultado deste novo balanço, tornando-se mais seguro estudar cenários climáticos futuros, mas, ao mesmo tempo, adotar, de forma antecipada, ações técnicas e estratégicas. Estas ações podem ser direcionadas para o escape ou aumento da resiliência dos plantios.
Para facilitar o nosso entendimento, antes de iniciar qualquer discussão, torna-se necessário diferenciar o que são as variações periódicas do clima daquelas alterações no padrão climático, denominadas de mudanças climáticas globais. No primeiro caso, as variações observadas são decorrentes de ciclos naturais no sistema climático e que não são persistentes, com variações em curto espaço de tempo.

Os melhores exemplos são os fenômenos El Niño e La Niña, que sabidamente apresentam impactos distintos a depender da região do Brasil. Enquanto El Niño causa, normalmente, aumento das temperaturas e secas nas regiões Norte e Nordeste, com intensificação das chuvas no Sul; o fenômeno La Niña causa chuvas intensas nas regiões Norte e Nordeste, ao mesmo tempo que períodos de seca na região Sul.
As mudanças climáticas, por sua vez, são alterações causadas pela ação antrópica, de carácter persistente e de ocorrência em médio e longo prazos. Com o avanço das mudanças climáticas, tem-se observado maior frequência e intensidade das variações periódicas do clima, em uma relação de sinergia e com potencial de causar ainda mais problemas.
Estas duas fontes de variação do clima têm impactos sobre a produtividade florestal e, logicamente, precisam ser monitoradas. As variações periódicas do clima, incluindo previsão trimestral, podem ser obtidas na agência NOAA (National Oceanic and Atmospheric Administration), enquanto o monitoramento dos cenários de mudanças climáticas no IPCC (Intergovernmental Panel on Climate Change).
Para quantificar os efeitos destas duas fontes de variação do clima, pode-se adotar duas abordagens distintas. A partir da primeira, com base no histórico de produtividade e de condições de clima, pode-se determinar as
diferentemente do que se pensava no passado, existem riscos importantes para o futuro em termos de garantir a produtividade florestal. "
Reginaldo Gonçalves Mafia
Gerente de Pesquisa e Desenvolvimento em Manejo Florestal da Bracell-BA
probabilidades para ocorrência de diferentes intensidades de chuvas, por exemplo, e, consequentemente, de produtividade, com base em modelagem híbrida.
No segundo caso, pode-se estimar as condições climáticas futuras e, também, a partir de modelos híbridos estimar o efeito sobre a produtividade florestal. Em ambos os casos, estas estimativas, sobretudo quando associadas com medidas de probabilidade de ocorrência, permitem adotar medidas mais assertivas.
Estudos recentes, realizados por diferentes especialistas, com uso de vários modelos e cenários futuros, apontam risco elevado para a produtividade florestal, especialmente para regiões mais ao norte e no sentido do interior do País.
Ao passo que as regiões Centro-Sul e litorânea apresentam maior preservação das condições de clima. Para as regiões de maior risco espera-se aumento do déficit hídrico, seja por aumento da temperatura e/ou redução da intensidade de chuvas, além de eventos climáticos extremos, incluindo maior frequência de períodos de secas.
Como sabemos, para a cultura do eucalipto, por exemplo, variações das condições de clima apresentam um desafio adicional para seleção e adaptação de material genético.
Adicionalmente, condições mais críticas de seca e aumento da temperatura podem afetar a intensidade e distribuição de pragas e doenças. Para complementar esse quadro de análise de riscos, é importante considerar que a expansão da atividade de silvicultura está ocorrendo em áreas marginais para produtividade, sobretudo em menor altitude, em solos de textura mais arenosa e em regiões com chuvas mais sazonais, ou seja, de maior risco para a produção de madeira.
Por fim e de forma mais estruturante, é necessário estabelecer ações para enfrentar os desafios do clima futuro. Essas ações podem ser divididas em dois grupos, de escape ou de aumento da resiliência dos plantios.
No primeiro caso, conhecendo os cenários futuros de clima, de forma regionalizada, torna-se mais fácil adotar medidas para reposicionamento da base florestal, dando preferência para regiões de menor risco, conhecendo as condições mínimas necessárias de clima para atingir uma adequada produtividade florestal.
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Logicamente, essa ação tem certas limitações, em função da disponibilidade e preço da terra, distância e custo logístico de abastecimento de madeira, entre outros fatores.
Sendo assim, além do reposicionamento da base florestal, ações para melhoria logística e novos modelos de negócios podem ser estudados. Neste último caso, por exemplo, a venda de terras em regiões de maior risco para outras atividades, incluindo culturas de ciclo curto ou com tecnologia de irrigação, que sofrem menos efeito das mudanças climáticas, pode ser uma boa opção.
Além do reposicionamento da base florestal, ou seja, de buscar escape das condições mais adversas do clima, é necessário investir em tecnologias e conhecimentos para aumento da resiliência dos plantios florestais.
De uma forma simples, podemos compreender a resiliência como sendo um atributo de um sistema produtivo, o qual após sofrer qualquer perturbação, neste caso imposta pelas novas condições de clima, retorna de forma mais rápida ao seu estado inicial, ou seja, de produtividade adequada.
Existem várias linhas de pesquisa e tecnologia que podem ser adotadas para aumentar a resiliência florestal. Alguns exemplos incluem: 1) aumento da base genética de melhoramento, 2) introdução e melhoramento de espécies de eucalipto resistentes à seca, 3) desenvolvimento de novos híbridos, além de E. grandis x E. urophylla, 4) priorização de clones com melhor arquitetura radicular,
5) maior segregação dos ambientes de produção e adoção de silvicultura com maior precisão, 6 ) desenvolvimento de técnicas de manejo regenerativo e melhoria da qualidade do solo, e 7) ampliação da base genética para resistência a pragas e doenças; entre outras.
Dessa forma podemos concluir que, diferentemente do que se pensava no passado, existem riscos importantes para o futuro em termos de garantir a produtividade florestal.
Mas, ao mesmo tempo, temos ações imediatas e muito trabalho pela frente. Acredito que o investimento em ciência e tecnologia florestal, no modelo de parceria entre empresas e academia, considerando a alta qualidade dos nossos profissionais, será, mais uma vez, o diferencial para enfrentar e vencer mais este desafio do setor florestal brasileiro. n
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A COP 30 recolocou o Brasil no centro das discussões globais sobre sustentabilidade, transição energética e combate às mudanças climáticas. E a experiência da Aperam BioEnergia ofereceu lições valiosas para esse debate. Isso porque o futuro sustentável discutido na conferência já se materializa há décadas no Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais, onde o manejo florestal responsável permite a produção do carvão vegetal, um combustível renovável, e a geração de múltiplos benefícios socioambientais.
Concentradas em uma área com cerca de 150 mil hectares – com aproximadamente 90 mil hectares de área plantada –, as florestas de eucalipto da Aperam BioEnergia capturam carbono, fortalecem a conservação da biodiversidade, regulam o ciclo hídrico e fornecem, anualmente, 440 mil toneladas de carvão vegetal para abastecer a usina da Aperam South America, no Vale do Aço mineiro. Ao substituir o coque mineral – responsável por cerca de 90% das emissões da siderurgia global – por carvão vegetal renovável em seus altos-fornos, desde 2011, a Aperam South America alcançou um dos menores índices de emissão de Gases de Efeito Estufa do setor.
Além de capturar CO₂ e armazená-lo no solo por centenas de anos, o biochar oferece benefícios agronômicos relevantes: melhora a retenção de água, reduz a densidade do solo e contribui significativamente para a saúde e a fertilidade do solo. "
Ezio Vinicius Santos Diretor de Operação da Aperam BioEnergia
São apenas 0,34 tonelada de CO₂ equivalente por tonelada de aço, valor aproximadamente três vezes inferior à média mundial. Na prática, isso representa evitar que mais de 500 mil toneladas de CO₂ sejam lançadas na atmosfera todos os anos.
Além disso, a Aperam BioEnergia mantém 60 mil hectares de matas nativas – cerca de 35% da área total, muito acima dos 20% exigidos pela legislação brasileira. ;




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A empresa é rigorosa na proteção dos corredores de flora nativa, fundamentais para o ciclo hídrico local e para a manutenção da biodiversidade. Esses ecossistemas sensíveis permanecem intocados, garantindo a preservação de sua função natural.
Adaptação às mudanças climáticas
A adaptabilidade do eucalipto a diferentes ecossistemas é amplamente reconhecida em todo o mundo. Originária da Austrália, a espécie se estabeleceu com sucesso em regiões de clima tropical, subtropical e até mesmo em áreas semiáridas, graças à sua elevada eficiência no uso da água.
Em países da África, Ásia e América Latina, o eucalipto se tornou uma alternativa estratégica para programas de reflorestamento e produção sustentável de biomassa, demonstrando resiliência tanto em solos pobres quanto em ambientes de alta variabilidade climática. Essa versatilidade explica seu papel crescente em iniciativas globais voltadas ao sequestro de carbono, à restauração de paisagens, ao fortalecimento de cadeias produtivas de bioenergia e ao uso integrado com lavouras e pastagens.
A literatura científica também é consistente ao demonstrar que o manejo florestal responsável de eucalipto gera impactos positivos sobre os recursos hídricos. Áreas manejadas adequadamente contribuem para conservar a umidade do solo, reduzir a velocidade dos ventos e a taxa de evapotranspiração. A cobertura florestal contínua desempenha papel fundamental na manutenção do ciclo hidrológico, favorece a infiltração da água, reduz o escoamento superficial e previne o assoreamento de nascentes e córregos, reforçando os serviços ecossistêmicos essenciais do bioma.
Tecnologias que reduzem emissões e regeneram o solo
Na produção de carvão vegetal, a madeira colhida é submetida a um processo de carbonização em fornos ultramodernos desenvolvidos pela própria empresa. Totalmente automatizados, esses fornos são integrados a queimadores de gases – também projetados internamente pela Aperam que capturam e incineram a maior parte dos Gases de Efeito Estufa liberados durante a carbonização. A coleta, o beneficiamento e a condensação desses vapores permitem a recuperação do alcatrão, um coproduto valioso dessa etapa do processo.
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O alcatrão, após processos industriais desenvolvidos pela Aperam BioEnergia, é convertido em bio-óleo, um combustível renovável, de origem vegetal, com baixo teor de enxofre e capaz de substituir derivados fósseis em diversas aplicações industriais. Trata-se de um exemplo claro de como a empresa agrega valor a cada etapa da cadeia florestal, transformando resíduos em soluções energéticas de baixo carbono.
O bio-óleo tem avançado como uma alternativa competitiva para matrizes energéticas mais limpas, sendo testado e aplicado como substituto de combustíveis fósseis em diferentes processos industriais. É uma solução prática, escalável e plenamente alinhada às exigências de descarbonização da indústria brasileira e global.
Outro exemplo é o biochar, também um coproduto gerado durante o processo de carbonização da madeira para a produção de carvão vegetal. O biochar deu origem aos primeiros contratos de certificados de remoção de carbono na América Latina. Hoje, a Aperam BioEnergia é a segunda maior vendedora desse tipo de crédito no mundo.
Além de capturar CO₂ e armazená-lo no solo por centenas de anos, o biochar oferece benefícios agronômicos relevantes: melhora a retenção de água, reduz a densidade do solo e contribui significativamente para a saúde e a fertilidade do solo. Trata-se de uma solução que une eficiência climática e ganhos produtivos, ampliando o papel da bioenergia como ferramenta de adaptação e mitigação das mudanças climáticas.
Essas iniciativas demonstram que o potencial das florestas plantadas vai muito além do carvão vegetal. Hoje, a base florestal já sustenta uma matriz energética renovável, de baixas emissões e com viabilidade econômica e ambiental comprovada.
A combinação entre manejo responsável, inovação industrial e uso integral da biomassa reforça que a silvicultura de eucalipto é uma fonte estratégica de energia verde – e que tende a ampliar ainda mais esse papel num futuro próximo. É com essa visão que a Aperam BioEnergia segue buscando novas soluções que aliam sustentabilidade, eficiência e competitividade, gerando valor para todo o ecossistema em que atua, incluindo clientes e a sociedade. n





Ao longo dos meus anos na Veracel, tenho visto de perto a transformação profunda pela qual a empresa vem passando para reduzir a emissão de GEE (Gases de Efeito Estufa) e ampliar o seu impacto positivo no clima. A pauta climática deixou de ser um projeto para se tornar parte do nosso modelo de negócio, da nossa cultura e das nossas decisões diárias. Hoje, quando olho para o que construímos, tenho orgulho em afirmar que estamos entre as empresas brasileiras que tratam a sustentabilidade como um compromisso real, mensurável e contínuo.
Mesmo operando em um setor intensivo em energia e logística, conseguimos manter emissões controladas e, ao mesmo tempo, ampliar significativamente a nossa capacidade de remoção de carbono dos plantios de eucalipto e das florestas que conservamos e restauramos. A combinação entre áreas de produção de eucalipto manejadas de forma responsável e fragmentos de Mata Atlântica é um dos pilares que sustentam o nosso balanço positivo de carbono.
Essa jornada é composta por diversos marcos que viemos estabelecendo ao longo dos últimos anos. Intensificamos investimentos em energia renovável e hoje contamos com
Empresas que atuam diretamente com a terra têm um papel determinante na construção de soluções escaláveis, mensuráveis e de efeito permanente. "
Gerente de Meio Ambiente e Gestão Integradada da Veracel Celulose
usinas solares instaladas em todas as nossas unidades, contribuindo para uma matriz energética mais limpa e eficiente. Também aprimoramos nossa mobilidade corporativa, substituindo o uso de gasolina por etanol na frota leve.
Toda energia consumida em nossa fábrica é gerada a partir da queima de combustíveis de fontes renováveis. Do montante de energia gerada na fábrica, consumimos uma parte e vendemos o excedente para o Sistema Interligado Nacional (SIN) e para a Planta Química, localizada na fábrica. A partir do projeto Veracel Solar, iniciado em 2023, realizamos a instalação de duas mil placas fotovoltaicas espalhadas por todas as nossas instalações, que garantem uma capacidade de geração de energia de 1,8 GWh por ano – valor aproximado ao consumo mensal de mais de 11.800 residências médias brasileiras.

No transporte da celulose, desde a adoção exclusiva do modal marítimo para o transporte da celulose, a Veracel eliminou aproximadamente 380 viagens de caminhões a cada 48 horas na BR-101, numa rota de 1.080 km. Considerando o consumo médio de combustível e o fator de emissão de carbono para caminhões pesados, essa operação evitou a emissão de mais de 103 mil toneladas de CO₂, o equivalente ao que seria gerado em dez anos.
Realizamos anualmente o inventário de GEE para monitorar a nossa atividade, e os resultados do último acompanhamento impressionam positivamente.
Em 2024, removemos 1.615.785,40 toneladas de CO2 eq da atmosfera, enquanto emitimos 371.948 toneladas de CO2 eq, ou seja, foi emitido apenas 23% do total que capturamos, um saldo positivo de extrema relevância para o planeta.
Outro marco importante para celebrarmos é a entrada da Veracel no mercado de carbono, com o lançamento do Projeto Muçununga, uma iniciativa que vai restaurar 1.200 hectares de Mata Atlântica em nossas áreas. A expectativa é de que este projeto gere aproximadamente 500 mil créditos de carbono em 40 anos.
O caráter inovador dessa iniciativa está no fato de que os créditos de carbono gerados serão consequência de um processo de restauração de alta integridade, com diversidade de espécies e benefícios ambientais robustos. Para nós, isso é essencial.
O carbono não é o fim; é o meio que viabiliza a ampliação da conservação e cria oportunidades para as comunidades e para o território em que atuamos.
Essa visão também está conectada a um compromisso que nos acompanha desde a criação da empresa: conservar, no mínimo, um hectare de Mata Atlântica para cada hectare de eucalipto plantado.
Trata-se de um compromisso raro para o setor e que reforça a centralidade da restauração ecológica como estratégia da Veracel. Anualmente, avançamos em novos projetos de recomposição florestal e pesquisa aplicada, buscando modelos produtivos que conciliem conservação, geração de renda e fortalecimento das comunidades locais.
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A tecnologia tem sido uma grande aliada nessa jornada. Avançamos fortemente no uso de geolocalização para monitoramento florestal e em soluções digitais que ampliam a eficiência e reduzem desperdícios. Esses sistemas permitem respostas mais rápidas a eventos climáticos extremos, melhor planejamento territorial e maior precisão em nossas operações. Também estamos investindo em inteligência artificial aplicada à otimização de estoques, consumo energético e processos fabris (iniciativas que, somadas, ajudam a reduzir nossa pegada ambiental).
Este ano, a realização da COP30, em Belém (PA), reforçou ainda mais a urgência de acelerarmos as soluções climáticas baseadas na natureza e de fortalecermos parcerias entre empresas, governos, instituições científicas e comunidades. Para nós, participar desse encontro global foi uma oportunidade de reafirmar que desenvolvimento econômico e conservação ambiental não apenas são compatíveis, como precisam caminhar juntos.
Na COP30, apresentamos nossas iniciativas de restauração, nossos sistemas agroflorestais desenvolvidos com comunidades da região e nossa metodologia de monitoramento da biodiversidade, construída em parceria com instituições científicas. Para mim, um ponto central dessa participação foi destacar que a transição climática justa só será possível se valorizarmos o conhecimento, as necessidades e o protagonismo das populações locais. É assim que trabalhamos na Veracel: com diálogo, transparência e compromisso com o território.
A sociedade brasileira demonstrou, ao longo da COP30, que está mais mobilizada e informada sobre as urgências climáticas. Isso nos inspira e nos obriga a ir além. Empresas que atuam diretamente com a terra, como a Veracel, têm um papel determinante na construção de soluções escaláveis, mensuráveis e de efeito permanente.
Olhando para essa trajetória, sinto confiança no caminho que estamos construindo. Diretamente do sul da Bahia, mostramos para o mundo que é possível estimular o desenvolvimento da nossa região, reduzir emissões, capturar CO2 e auxiliar na mitigação das mudanças climáticas. n
O tema das políticas ambientais e do mercado de carbono hoje abre uma janela concreta de oportunidades econômicas, tecnológicas e sociais, especialmente para o setor florestal brasileiro. Sem entrar na polêmica sobre a causa das mudanças climáticas, o foco passa a ser como transformar a agenda de Gases de Efeito Estufa (GEE) em inovação, renda, empregos verdes e fortalecimento de paisagens produtivas e conservadas.
Do debate climático às oportunidades: O Brasil assumiu metas formais de reduzir emissões e caminhar para emissões líquidas zero até 2050, com compromissos intermediários de corte expressivo em relação a 2005. Mais do que uma obrigação, esse movimento reposiciona o País como protagonista em soluções baseadas na natureza, em biocombustíveis e em sistemas produtivos de baixo carbono.
A discussão sobre se o aquecimento global é causado pelo ser humano ou não segue em fóruns científicos e políticos, mas não precisa paralisar decisões. Independente mente da origem, eventos extremos, pressão de mercados e novas regras de comércio já estão reorientando investimentos, exigindo transparência climática e abrindo espaço para quem consegue produzir mais, emitin do menos.
Políticas ambientais em atualiza ção: A política climática brasileira está em
Conservar e restaurar não é apenas um custo, mas um bom negócio para quem vive da terra e para a sociedade como um todo."
Willian Bucker Moraes
Professor da UFES - Universidade Federal do Espírito Santo
revisão, com consultas públicas para atualizar a Política Nacional sobre Mudança do Clima e alinhar leis setoriais às novas metas de redução. Isso significa rever instrumentos econômicos, metas setoriais e mecanismos de monitoramento, inclusive para uso da terra, agricultura e florestas.
O Plano Clima, que orienta a ação federal até 2035, organiza a agenda em dois pilares: mitigação (redução de emissões) e adaptação (preparar cidades, produção rural e ecossistemas para eventos extremos). Nesse contexto, as florestas aparecem como eixo central, tanto pelo controle do desmatamento quanto pela restauração de vegetação nativa em larga escala.


Florestas como infraestrutura de carbono: A nova NDC brasileira e documentos correlatos tratam a restauração florestal como um dos principais vetores para alcançar emissões líquidas zero em 2050. Reconstituir vegetação nativa e recuperar áreas degradadas significam remover carbono da atmosfera, proteger água, solo e biodiversidade e, ao mesmo tempo, gerar trabalho no campo.
Planos específicos para a Amazônia, Cerrado, Mata Atlântica e outros biomas combinam comando e controle com incentivos econômicos para tornar vantajosa a manutenção e a recomposição de florestas em propriedades privadas. Isso cria um novo papel para produtores rurais, empresas de base florestal e comunidades tradicionais como provedores de serviços ambientais. Mercado de carbono: da teoria ao bolso: O passo decisivo recente foi a criação do Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SBCE), por lei sancionada em 2024, que estrutura o mercado regulado de carbono no País. Esse sistema prevê que milhares de empresas com grandes emissões tenham metas obrigatórias de redução e possam comprar Cotas Brasileiras de Emissão (CBEs) para complementar seus esforços internos.
Em paralelo, o mercado voluntário segue ativo, com empresas que não são obrigadas por lei, mas buscam neutralizar emissões e atender a exigências de investidores e consumidores. Hoje o mercado global de créditos de carbono movimenta bilhões de dólares, mas ainda compensa apenas uma fração pequena das emissões, o que revela um espaço enorme de crescimento para projetos robustos, especialmente em países florestais como o Brasil.
Inovação e soluções de baixo carbono: No campo tecnológico, o País avança em biocombustíveis, fertilizantes de menor pegada de carbono e maquinário agrícola de alta eficiência, reforçando a autonomia energética e produtiva com menor emissão por unidade de produto. Ao mesmo tempo, plataformas digitais, sensoriamento remoto e sistemas de monitoramento em tempo quase real aumentam a confiabilidade dos dados de emissões e remoções, condição essencial para a credibilidade de créditos florestais.
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Ferramentas de modelagem e cenários de mitigação permitem avaliar quanto cada prática – de reflorestamento à mudança de manejo – contribui para reduzir GEE ao longo do tempo. Esse ambiente de dados e transparência abre espaço para startups , cooperativas e empresas florestais desenvolverem soluções sob medida para cadeias específicas, de papel e celulose à madeira engenheirada e produtos não madeireiros.
Agricultura, florestas e sistemas integrados: A agricultura brasileira aparece como fonte e, ao mesmo tempo, solução para as emissões de GEE, com forte destaque para práticas de baixo carbono. O Plano ABC+ estimou que ações como integração Lavoura-Pecuária-Floresta (iLPF), plantio direto e recuperação de pastagens degradadas podem evitar ou remover mais de um bilhão de toneladas de CO₂ equivalente até 2030.
Sistemas integrados com componente florestal capturam carbono no solo e na biomassa, reduzem pressão sobre novas áreas de desmatamento e elevam a resiliência dos sistemas produtivos. Para o produtor, isso se traduz em ganhos de produtividade, diversificação de renda e possibilidade de remuneração adicional via créditos de carbono ou pagamentos por serviços ambientais.
Setor florestal como protagonista: Para o setor florestal, o novo marco de carbono redefine florestas plantadas e nativas como ativos climáticos e financeiros, não apenas como fonte de madeira. Projetos de manejo sustentável, restauração de áreas de preservação permanente, recuperação de nascentes e corredores ecológicos podem gerar créditos elegíveis no mercado regulado ou voluntário, desde que demonstrem adicionalidade, monitoramento rigoroso e benefício social local.
Os desafios são significativos: garantir integridade ambiental, evitar dupla contagem, incluir comunidades e resolver a volatilidade de preços vista em anos recentes no mercado voluntário.
Mas, ajustados esses pontos, o potencial é claro: transformar fazendas, cooperativas, municípios e empresas florestais em protagonistas de uma economia de baixo carbono, em que conservar e restaurar não é apenas um custo, mas um bom negócio para quem vive da terra e para a sociedade como um todo. n















Ela foi identificada nas áreas de preservação da CENIBRA, no distrito de Serra de Cocais, em Coronel Fabriciano/MG.
São 11 exemplares catalogados nas áreas. Pertencente à família Myrtaceae — a mesma da goiaba, araçá, pitanga e eucalipto — a espécie recebeu seu nome popular por escolha dos colaboradores da empresa.


SAIBA MAIS SOBRE NOSSAS AÇÕES! Aponte a câmera e acesse o site da CENIBRA.









Por milênios, o clima da Terra permaneceu pouco alterado. Os primeiros seres humanos prosperaram, vivendo com a abundância de plantas e animais, dos quais muitos eram domesticados para atender às suas próprias necessidades. A principal fonte de energia para cozinhar os alimentos e aquecer as suas habitações era a queima da madeira. A sua queima gerava emissão de carbono para a atmosfera, porém, essa mesma quantidade de carbono era posteriormente fixada por meio da fotossíntese. Podemos dizer que as atividades humanas tinham pouco mais do que impactos locais.
As mudanças naturais no clima da Terra sempre ocorreram, mas eram graduais e aconteciam ao longo de dezenas de milhares a milhões de anos.
Há cerca de 200 anos, avanços na medicina, na produção de alimentos e na tecnologia impulsionaram um crescimento populacional

acelerado: de 795 milhões em 1750 para 8,2 bilhões hoje. Esse salto coincidiu com a adoção em larga escala de combustíveis fósseis (carvão, petróleo e gás) como fonte principal de energia. Ao contrário da madeira, esses combustíveis liberam carbono armazenado há milhões de anos, elevando a concentração de CO2 na atmosfera de 280 ppmv para 424 ppmv, um aumento de 70%.
Diante disso, a humanidade enfrenta desafios complexos: atender à crescente demanda por recursos naturais e bens industriais sem comprometer o meio ambiente, especialmente em um cenário de intensificação das mudanças climáticas, com secas, enchentes e tempestades mais frequentes. O futuro exige respostas urgentes e sustentáveis. Nesse contexto, as florestas plantadas emergem como uma estratégia fundamental de mitigação.
De acordo com relatórios do IPCC, o setor de uso da terra (que inclui florestas manejadas e plantações) pode contribuir com até 30% da redução global de emissões necessária para limitar o aquecimento a 1,5°C a 2°C. As florestas plantadas funcionam como importantes sumidouros de carbono, absorvendo CO2 da atmosfera durante o crescimento das árvores e estocando esse carbono na biomassa (troncos, galhos, folhas e raízes). Ao mesmo tempo, ajudam a conservar florestas nativas ao oferecer madeira e outros produtos florestais de forma sustentável, reduzindo a pressão por desmatamento em ecossistemas sensíveis.
Nos últimos anos, o mercado voluntário de carbono florestal cresceu mais de 170% no Brasil, impulsionado por projetos de reflorestamento e de redução do desmatamento, em sinal de um movimento global que mobilizou mais de US$ 2 bilhões em 2023. "
Hewlley Maria Acioli Imbuzeiro
Professora de Meteorologia da UFVUniversidade Federal de Viçosa
Os serviços prestados pelas florestas plantadas podem ir além do sequestro de CO2 atmosférico. Quando bem manejadas, desempenham um papel fundamental na regulação do microclima local por meio dos fluxos de energia. Seus dosséis apresentam albedo (fração da radiação solar refletida por uma superfície) relativamente baixo, absorvendo mais radiação solar e redistribuindo essa energia de forma mais equilibrada entre os processos de evapotranspiração (calor latente) e aquecimento do ar (calor sensível) e do solo (calor no solo).
Essas florestas tendem a aumentar a evapotranspiração, ou seja, disponibilizam vapor d’água à atmosfera, ao mesmo tempo em que favorecem o resfriamento evaporativo e amenizam o aquecimento do ar próximo à superfície. Simultaneamente, protegem o solo e mantêm condições de temperatura edáfica mais estáveis. Esses mecanismos contribuem para condições microclimáticas favoráveis, pois elevam o suprimento de vapor d’água à atmosfera e reduzem a temperatura do ar e do solo.
Além disso, as florestas podem conferir maior resiliência a eventos climáticos extremos, como a seca, dependendo da demanda hídrica da espécie e da distribuição e da profundidade do sistema radicular, ao ampliarem a infiltração de água no solo e fornecerem acesso à água em camadas mais profundas do solo, o que mantém as plantas evapotranspirando mesmo durante períodos de escassez de água nas primeiras camadas do solo.
Além disso, florestas plantadas funcionam como barreiras naturais ao avanço do fogo, reduzindo os ventos, estabilizando a umidade do ar e interrompendo a propagação de chamas, e oferecem forte controle da erosão ao proteger o solo contra o impacto das chuvas e promover maior agregação e estabilidade estrutural. Assim, além do papel produtivo e climático, essas formações são aliadas à conservação hídrica e à proteção ambiental.
Benefícios Econômicos:
O Brasil possui cerca de 10 milhões de hectares de florestas plantadas, com predominância de eucalipto e pinus. Esse setor representa 1,2% do PIB nacional e gerou R$ 130 bilhões em 2023. Ele também promove a recuperação de áreas degradadas e pode ser integrado a sistemas agropecuários, como a Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (iLPF), que melhora o solo, a produtividade e a resiliência ao clima. Plantações bem manejadas conservam recursos hídricos e favorecem a biodiversidade.
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Com a crescente demanda por soluções climáticas, as florestas plantadas também ganham destaque no mercado de carbono. O carbono capturado por essas árvores pode ser mensurado, certificado e convertido em créditos, negociados tanto em mercados voluntários quanto em mercados regulados. Nos últimos anos, o mercado voluntário de carbono florestal cresceu mais de 170% no Brasil (2020-2023), impulsionado por projetos de reflorestamento e de redução do desmatamento, em sinal de um movimento global que mobilizou mais de US$ 2 bilhões em 2023. Para ampliar a escala e a confiabilidade desses créditos, o País avança na criação de um mercado regulado: em 2024 foi instituído o Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões, baseado em cap-and-trade, que deve trazer regras claras e estímulo à descarbonização em setores-chave da economia.
Com uma regulação adequada, estudos indicam que a contribuição do setor de florestas plantadas ao PIB nacional pode dobrar até 2030, ultrapassando 2,5%, gerando milhares de empregos verdes e atraindo investimentos internacionais. Em termos climáticos, estima-se que as florestas plantadas no Brasil possam sequestrar de 30 a 50 milhões de toneladas de CO2 por ano, o que representa um volume significativo de créditos negociáveis e uma contribuição robusta para as metas de redução de emissões.
Para ampliar os benefícios das florestas plantadas, são necessárias ações coordenadas. Entre as diretas, destacam-se o reflorestamento de áreas degradadas, alinhado à meta brasileira de restaurar 12 milhões de hectares até 2030, e a adoção de sistemas integrados, como Lavoura-Pecuária-Floresta, que aumentam a produtividade e a sustentabilidade. Também é essencial garantir o replantio e a conservação do solo e da água após a colheita.
Nas ações indiretas, políticas públicas e incentivos são fundamentais. O País conta com um mercado de carbono regulado e com a Política Nacional de Manejo Integrado do Fogo, que previne incêndios e protege estoques de carbono. Programas de Pagamento por Serviços Ambientais e linhas de crédito verdes apoiam novos plantios. Investir em capacitação técnica e em projetos cooperativos facilita o acesso de pequenos produtores ao mercado de carbono. Certificações rigorosas asseguram a credibilidade climática dos projetos, evitando o greenwashing e promovendo um ambiente propício à expansão do setor florestal com responsabilidade ambiental e impacto socioeconômico positivo. n
A Organização das Nações Unidas (ONU) definiu o período de 2021 a 2030 como a Década da Restauração de Ecossistemas, como uma forma de incentivar e cobrar a restauração ecológica visando mitigar as mudanças climáticas, além de outros objetivos secundários. Na prática, essa e outras iniciativas internacionais resultaram em um aumento substancial de projetos de restauração, principalmente dos ecossistemas florestais.
Paralelamente ao aumento recente das demandas por projetos de restauração florestal e considerando que inúmeros projetos já foram implantados Brasil afora nas últimas duas décadas, surgiu também a necessidade de avaliação e monitoramento das áreas em processo de restauração.
Neste contexto, o monitoramento da restauração florestal é certamente um dos maiores desafios atuais, dada a extensão continental do País, diversidade de biomas e formações florestais resultantes de diferentes tipos climáticos, altitudes, tipos de solos, entre outras variáveis. Além disso, cabe destacar também as diferentes técnicas de restauração florestal implantadas em regiões distintas. Tudo isso torna o monitoramento complexo e desafiador, porém não impossível de ser realizado.
Entre os indicadores de monitoramento, aqueles relacionados a medições da vegetação (figura 1) têm sido os mais aplicados e que apresentam resultados que expressam melhor o sucesso, ou o fracasso, dos projetos de restauração florestal principalmente nos primeiros anos da implantação, pois a sobrevivência, a riqueza de espécies e o crescimento das mudas plantadas e dos regenerantes resultam da combinação de vários fatores como fertilidade do solo, competição com espécies invasoras, ataque de formigas cortadeiras, chegada de sementes via dispersão etc. Mas outros indicadores também são importantes, particularmente nas fases seguintes aos primeiros anos dos plantios,

Fica evidente a ampla gama de indicadores e tecnologias disponíveis para o monitoramento da restauração florestal, cabendo ao pesquisador escolher aquelas que melhor atendam às peculiaridades de cada projeto. "
Sebastião Venâncio Martins
Professor do Departamento de Ciências Florestais da UF-Viçosa
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ou seja, no monitoramento ecológico, como presença de fauna (figura 2), serapilheira e ciclagem de nutrientes (figura 3) e o banco de sementes do solo (figura 4).
Buscando padronizar o monitoramento da restauração florestal, alguns protocolos foram criados para os biomas brasileiros, nos quais critérios e indicadores foram definidos, como densidade e riqueza mínimas de espécies a serem atingidas em determinados períodos após a implantação do projeto, taxas de cobertura mínima do solo e de gramíneas exóticas, presença de espécies invasoras, entre outras.
Contudo, apesar dos avanços e da grande contribuição destes protocolos para o sucesso da restauração em larga escala no Brasil, eles ainda esbarram em aspectos como generalização para diferentes situações e regiões. Por exemplo, não se pode esperar a mesma velocidade do processo de restauração para áreas extensas localizadas em paisagens agrícolas onde fragmentos florestais são ausentes ou muito isolados, de áreas menores próximas de remanescentes em bom estado de conservação. Indicadores que podem ser rapidamente atingidos em áreas com forte potencial de regeneração, com matriz florestal e solo não degradados, podem levar um tempo muito maior ou mesmo nem serem atingidos em áreas e paisagens muito antropizadas e em solos degradados.
Um aspecto importante e que muitas vezes não é considerado nos monitoramentos é a altura das mudas ao longo do tempo da restauração, pois, no reflorestamento com plantio em área total, é possível corrigir desvios dos projetos em termos de densidade de mudas e riqueza de espécies, através de replantios constantes, ainda que a custos elevados. Assim, uma empresa prestadora de serviços de restauração pode assumir o compromisso de entregar determinada área com no mínimo certa densidade de mudas e número de espécies, e conseguir atingir os valores assumidos, fazendo replantios no final do projeto dois ou três anos após o plantio. Mas se as mudas do plantio original ou do replantio não crescerem o suficiente para superar a competição com gramíneas agressivas, por exemplo, altas taxas de mortalidade podem resultar nos anos seguintes e comprometer todo o projeto.



4.

5. Dossel de área processo de restauração florestal.
Após anos de avaliação e monitoramentos de projetos de restauração, em parceria com empresas como Energisa, CBA, CMPC, Gerdau, Samarco, TTG e Vale, foi elaborado pelo Laboratório de Restauração Florestal da Universidade Federal de Viçosa – LARF, um protocolo mais facilmente aplicável, de baixo custo na aplicação e que leva em conta o crescimento em altura das mudas.
Como este primeiro protocolo do LARF é específico para projetos de restauração na Mata Atlântica, está em fase de elaboração versões para os demais biomas brasileiros.
Tecnologias modernas de monitoramento da vegetação em áreas em restauração têm ganhado força nos últimos anos, como o uso de imagens de satélites e drones e de LiDAR (Light Detection and Ranching), que permitem avaliar a cobertura do solo, densidade de mudas, estrutura do plantio entre outros parâmetros, tendo sido a dissertação de mestrado em Ciência Florestal pela UFV, de Bruna Paolinelli Reis, um dos primeiros estudos nesta linha.
É inquestionável o avanço do monitoramento remoto com tais tecnologias, possibilitando a redução de custos, o monitoramento em larga escala e de áreas de difícil acesso, contudo, um gargalo que ainda persiste é a identificação total das espécies plantadas e de regenerantes através de imagens, sendo muitas vezes indispensável a checagem de campo, embora grande esforço e investimentos em pesquisas estejam sendo direcionados para melhorar essa identificação.
A cobertura de dossel das áreas em restauração também é um bom indicador do avanço do processo e pode ser obtida através de imagens áreas de drones e satélites, mas também internamente através de fotografias hemisféricas (figura 5). Contudo, sempre deve ser associada a outros indicadores, pois é possível atingir uma boa cobertura de dossel em florestas com baixa diversidade ou mesmo monodominantes.
Finalizando, fica evidente a ampla gama de indicadores e tecnologias disponíveis para o monitoramento da restauração florestal, cabendo ao pesquisador escolher aquelas que melhor atendam aos seus objetivos e às peculiaridades de cada projeto. n

de experiência para proteger hoje o que garante o seu amanhã.
Proteger florestas não é apenas um trabalho. É compromisso. É responsabilidade. É experiência.
Equilíbrio Florestal. Confiança que atravessa gerações







































O manejo responsável das florestas plantadas depende de práticas capazes de garantir a produtividade sem comprometer a integridade dos recursos naturais, como a água. Entre as ações de proteção ambiental, o monitoramento hidrológico se destaca como um instrumento eficaz para avaliar possíveis impactos das plantações sobre microbacias e cursos d’água. Nesse contexto, o método das microbacias pareadas, utilizado por empresas florestais e por iniciativas como o Programa de Monitoramento Ambiental em Bacias Hidrográficas (PROMAB), do IPEF (Instituto de Pesquisas e Estudos Florestais), fundamenta o programa de monitoramento da Veracel Celulose, no sul da Bahia.
O princípio do método é simples e robusto: monitoram-se, de forma contínua e simultânea, duas microbacias adjacentes com condições edafoclimáticas semelhantes. Uma delas recebe o manejo florestal e a outra permanece como área de referência, com vegetação nativa preservada e sem intervenções. A comparação dos resultados permite identificar eventuais alterações no regime hídrico decorrentes do manejo.
Cada microbacia é equipada com uma estação linimétrica dotada de um vertedor misto e um transdutor de pressão para medir continuamente o nível da lâmina d’água. Pluviômetros digitais e uma estação meteorológica comple-
mentam o sistema, registrando dados de precipitação, temperatura, umidade e outros parâmetros relevantes.
A Veracel adotou essa metodologia em quatro microbacias experimentais, distribuídas entre as bacias dos rios Jequitinhonha e Buranhém. Os monitoramentos na bacia do Jequitinhonha têm mais de 20 anos de histórico, enquanto na bacia do Buranhém as medições têm 10 anos de histórico. Os pares de microbacias foram posicionados de modo a representar dois ambientes típicos da região: um mais próximo ao litoral, em Santa Cruz Cabrália, marcado por maiores índices de precipitação; e outro mais interiorizado, em Guaratinga, onde naturalmente chove menos. Essa distribuição possibilita avaliar o comportamento hidrológico das florestas plantadas sob diferentes cenários climáticos.
Nas microbacias do Jequitinhonha, um ponto central está relacionado às mudanças no uso do solo ao longo das operações florestais. As atividades de manejo na microbacia com florestas plantadas tiveram início em janeiro de 2007 e já envolveram três ciclos de colheita. Após a colheita realizada em 2009, foi realizada a conversão de parte das áreas de efetivo plantio para vegetação nativa, seguindo o plano de manejo da Veracel. Com isso, a proporção de área plantada, que antes representava cerca de 70% da microbacia, foi reduzida para 42%. Essa mudança ampliou a participação da vegetação nativa em um cenário já caracterizado por forte representatividade ecológica.


Ainda que as duas microbacias operem sob regimes hidrológicos distintos, comprova-se que as florestas plantadas não comprometeram a dinâmica hidrológica natural. "
Gerente de P&D Florestal e Coordenadora de Manejo Florestal da Veracel, respectivamente
Do ponto de vista da conservação da água, essa configuração é considerada especialmente favorável e permite que o balanço hídrico da microbacia não apresente alterações significativas devido à relação adotada entre áreas plantadas e áreas de floresta nativa.
A análise dos dois ciclos de monitoramento nas microbacias do Jequitinhonha –de 2009 a 2014 e de 2015 a 2020 – revela que, embora a precipitação média no segundo ciclo tenha sido menor, os valores médios de deflúvio – água produzida pela microbacia e disponível para outros usos – permaneceram semelhantes, com 109 e 113 mm, respectivamente.
Tanto a microbacia com floresta plantada quanto a microbacia com vegetação nativa apresentaram maior consumo de água no primeiro ciclo, como consequência da maior disponibilidade hídrica naquele período. Esses resultados indicam que as variações climáticas afetam ambos os ambientes e reforçam a importância de manter metodologias baseadas em parcelas pareadas, que permitem isolar o efeito do clima e assegurar comparações entre diferentes usos do solo.
Ainda que as duas microbacias operem sob regimes hidrológicos distintos, a tendência observada nos ciclos é convergente: mesmo com menor precipitação no segundo ciclo, o deflúvio permaneceu estável, confirmando que as florestas plantadas não comprometeram a dinâmica hidrológica natural.

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Esse comportamento está associado à proporção entre áreas de vegetação nativa e áreas plantadas, bem como às práticas de manejo adotadas – como manutenção de APPs (Áreas de Proteção Permanentes), planejamento das operações de colheita e técnicas silviculturais de baixo impacto. Em conjunto, esses fatores contribuíram para preservar a disponibilidade hídrica, demonstrando a efetividade do manejo florestal e das ações de conservação conduzidas pela empresa.
O monitoramento contínuo dessas microbacias permanece essencial, especialmente porque permitirá avaliar, ao longo dos anos, como a composição da vegetação nativa e florestal influencia o regime hídrico e a resiliência ambiental. Trata-se de um investimento estratégico, que fortalece o conhecimento técnico e oferece base sólida para a gestão sustentável das florestas plantadas na Veracel.
A Veracel Celulose é uma empresa da bioeconomia brasileira que produz celulose de forma sustentável no sul da Bahia, atuando em 11 municípios da Costa do Descobrimento. Com acionistas Suzano e Stora Enso, conta com um time diverso e reconhecido em clima organizacional. Inserida em uma região de alta biodiversidade, preserva mais de 90 mil hectares de áreas naturais, incluindo a RPPN Estação Veracel, e promove ações de desenvolvimento social nas comunidades vizinhas. Seu propósito é crescer com responsabilidade, inspirar pessoas e valorizar a vida. n

Duas microbacias experimentais em Santa Cruz Cabrália-BA.
Acima: Em uma floresta planta com Eucaliptos
Abaixo: Em uma floresta com vegetação nativa

As geotecnologias têm avançado rapidamente nos últimos anos, proporcionando resultados cada vez mais precisos e eficientes. Evoluímos da silvicultura 4.0 para a silvicultura 5.0, com a combinação de plataformas integradas, cadeias produtivas rastreáveis e princípios de economia circular, mostrando uma nova forma de enxergar a silvicultura.
Estamos deixando para trás o monitoramento baseado em medições pontuais e avançando para uma abordagem contínua, rastreável e escalável, apoiada por tecnologias que ampliam nosso alcance e a robustez das análises ao longo do tempo. O diagnóstico e a informação deixaram de ser um diferencial e passaram a compor a base mínima.
O diferencial agora está na capacidade de processar, interpretar e converter esses dados em ações efetivas, capazes de responder aos desafios e potencializar as oportunidades para florestas plantadas e nativas, inclusive no contexto de uma economia mais sustentável e de baixo carbono.

Para tanto, tem-se observado um amplo uso de combinações de dados de sensores remotos, conjuntamente com técnicas de modelagem e inteligência artificial para, assim, proporcionar um monitoramento e planejamento mais precisos, subsidiando melhores tomadas de decisão sobre as florestas.
Observa-se também a crescente aplicação de dados multiescalares coletados por sensores terrestres, aéreos e orbitais, permitindo compreender a floresta em quatro dimensões: espaço, tempo, estrutura e função. Entre as tecnologias que mais impulsionaram essa evolução, estão os sensores ativos: LiDAR (Light Detection and Ranging) e RADAR com os sensores de abertura sintética (SAR). O LiDAR permite gerar modelos tridimensionais da vegetação e do terreno com alta precisão, possibilitando a descrição da estrutura vertical das florestas, o planejamento topográfico, o mapeamento de áreas suscetíveis à erosão e o delineamento de drenagens e estradas florestais. No microplanejamento, o LiDAR é essencial para delimitar talhões, otimizar o traçado de pátios e prever restrições operacionais, reduzindo custos e impactos ambientais.
Além disso, a integração de dados LiDAR com dados de campo de inventário florestal tem permitido avançar nas estimativas florestais com grande acurácia, como volume, biomassa e carbono. As plataformas orbitais LiDAR, como GEDI e ICESat-2, ampliaram essa capacidade em escala regional e nacional,
Estamos diante de uma transformação estrutural na forma de monitorar e manejar as florestas "
Ana Paula Dalla Corte
Professora de Inventário e Sensoriamento
Remoto na UFPR - Universidade Federal do Paraná
permitindo abordagens multiescalares com levantamentos UAS-LiDAR e alimentando modelos de crescimento e da dinâmica florestal. O SAR tem a vantagem de operar independentemente das condições meteorológicas e de iluminação, tornando-se essencial em regiões com alta cobertura de nuvens.
Entre os principais sensores, destacam-se sensores orbitais como Sentinel-1 com a banda C (ESA), NISAR com bandas L e S (NASA/ISRO – lançado em julho de 2025 e em fase de testes) e Biomass com banda P (ESA – lançado em abril de 2025 e em fase de testes). Há também a previsão de lançamento, em 2028, do satélite CBERS-6 (da série CBERS), que se trata de uma cooperação entre a Agência Espacial Brasileira (AEB)/INPE e a China Academy of Space Technology (CAST). O CBERS-6 incluirá um sensor SAR em banda X. O radar é particularmente eficiente para o monitoramento contínuo de plantios, detecção de distúrbios, estimativas de biomassa e umidade do solo.
Sua integração com dados ópticos de satélites como Sentinel-2 e Landsat 8/9, entre outros, representa uma tendência consolidada de fusão multissensor, na qual diferentes tipos de informação se complementam para gerar produtos mais robustos e espacialmente coerentes. Tem-se observado também uma nova geração de sensores ópticos, com maior número de bandas espectrais, como o caso do sensor hiperspectral EnMAP ( Environmental Mapping and Analysis Program), operado pelo German Aerospace Center (DLR) em cooperação com o German Research Centre for Geosciences (GFZ) e que foi lançado em abril de 2022. Outro exemplo é o PRISMA (PRecursore IperSpettrale della Missione Applicativa), que é uma missão hiperespectral da Agência Espacial Italiana (ASI) e que teve seu lançamento em março de 2019. A NASA/ USGS também anunciou o lançamento, para 2030/2031, de um novo satélite da família Landsat, chamado de Landsat Next e que será um sensor superespectral com 26 bandas distintas que marcará uma nova era do mapeamento dessa família tão consagrada em aplicações florestais. Lançamentos de vetores de embedding (representações de alta dimensão para dados de sensoriamento remoto/observação da Terra) representam um marco em 2025.
Um exemplo é o disponibilizado pelo AlphaEarth Foundations, chamado de Alpha Earth e que reúne informações provenientes de satélites ópticos, radar e LiDAR orbitais,
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dados climáticos, dentre outros, e fornece todas essas informações juntas para auxílio em análises de uso e cobertura do solo com resolução de 10x10 m, permitindo o monitoramento de mudanças ao longo do tempo com alta precisão.
Outro exemplo muito similar é o TESSERA, que gera embeddings de 128 dimensões por pixel (resolução espacial de 10 m), baseados principalmente em séries temporais (2017–2024) do Sentinel-2 (10 bandas selecionadas, resolução 10-60 m) e dados de radar de abertura sintética (SAR) do Sentinel 1 (10 m) para cada pixel.
Destaca-se também o papel fundamental das linguagens de programação e plataformas de código aberto, como Python, R e Google Earth Engine (GEE) para acesso e processamento desses dados, tornando o monitoramento avançado acessível para qualquer usuário. É importante destacar que, neste ano, nosso grupo de pesquisa publicou um livro gratuito chamado “Sensoriamento Remoto com o GEE: um enfoque para a engenharia florestal”, que pode ser acessado em nosso perfil no Instagram (@gpforesteyes) e que tem como foco a capacitação de profissionais para utilização do GEE.
O monitoramento florestal tende a se beneficiar cada vez mais da integração entre múltiplas fontes de informações geotecnológicas, técnicas de inteligência artificial e modelos multiescalares, viabilizando avanços que abrangem desde o acompanhamento do crescimento das florestas, avaliação da qualidade dos plantios e controle operacional até a modelagem do terreno para planejamento de estradas, pátios e drenagem, monitoramento contínuo da colheita e transporte com rastreabilidade, detecção rápida de danos por pragas, doenças ou eventos climáticos, identificação de falhas em plantios, análises de mato-competição e estimativas contínuas de volume, biomassa e carbono em escala global.
Estamos diante de uma transformação estrutural na forma de monitorar e manejar as florestas, em que a evolução das geotecnologias, aliada à inteligência artificial, à fusão de diferentes sensores e ao uso de plataformas abertas, deixa de ser apenas um suporte técnico e passa a assumir papel central na construção de uma silvicultura inteligente, mensurável, rastreável e alinhada a metas sustentáveis e de baixo carbono, consolidando um presente e um futuro cada vez mais digital, multiescalar e sustentável. n
Fundado há 30 anos, o Programa Cooperativo de Silvicultura e Manejo (PTSM), do Instituto de Pesquisas e Estudos Florestais (IPEF), tornou-se um dos grupos de pesquisa, ensino e extensão mais proeminentes do setor florestal, especialmente na produção e disseminação de conhecimento científico, técnico e operacional. Ter tamanha longevidade é para poucos e um dos segredos para alcançar esta marca é o espírito cooperativista, a busca por objetivos comuns e a união de esforços de várias pessoas, que se identificam pela curiosidade nata de um pesquisador, seja ele profissional ou não, pelas suas virtudes e competências, bem como pela vontade de fazer acontecer.
Criado originalmente para estudar práticas silviculturais alternativas ao cultivo intensivo do solo, o PTSM conseguiu juntamente com empresas florestais parceiras esclarecer cientificamente os benefícios do cultivo mínimo do solo, como por exemplo: a maior ciclagem de nutrientes e, consequentemente, redução da demanda por fertilizantes; a melhoria do teor de matéria organiza do solo; a redução da compactação do solo; a maior estocagem de água em camadas superficiais e subsuperficiais do solo.
Apesar disso, a adoção do cultivo mínimo em escala operacional não foi tarefa fácil. A manutenção dos resíduos oriundos da colheita da madeira (exemplo: folhas, galhos e casca) sobre o solo, bem como da serapilheira acumulada ao longo da rotação de cultivo,
a maior conquista do PTSM foi aglutinar pessoas com espírito cooperativista e competência técnica diferenciada, compartilhando suas críticas e sugestões de melhoria em prol da silvicultura brasileira "
Alexandre de Vicente Ferraz
Coordenador Executivo do Programa Cooperativo sobre Silvicultura e Manejo (PTSM) do Instituto de Pesquisas e Estudos Florestais (IPEF)
acarretava uma série de obstáculos para a silvicultura da época, tais como:
1) a dificuldade de realizar o controle das formigas cortadeiras;
2) a manutenção de fontes de propágulos de doenças (exemplo: Puccinia psidii);
3) dificuldade de operacionalizar algumas práticas silviculturais, como, por exemplo, o preparo de solo e a fertilização de base, seja pelo o “embuchamento” dos implementos devido ao acúmulo dos resíduos na haste de subsolagem, seja pela desuniformidade da distribuição do fertilizante em profundidade, ao longo do sulco de plantio.


Ao superar esses desafios com a colaboração e esforço de vários atores da academia e setor privado (figura 1 e 2), o PTSM se destacou pelo ineditismo técnico-científico e operacional no setor florestal.
Um grande diferencial do PTSM tem sido a transferência e rápida incorporação do conhecimento gerado no âmbito do programa pelas equipes de silvicultura das empresas florestais, fomentados e prestadores de serviço. O cultivo mínimo é evidência cabal deste processo e, devido ao seu êxito, o PTSM passou a ser demandado pelas empresas em outras vertentes, tais como:
1) conservação e técnicas de preparo de solos, contribuindo para o desenvolvimento de técnicas e implementos destinados a relevos planos ou declivosos (ex. coveamento), bem como solos coesos (subsolagem profunda) ou friáveis (escarificação superficial);
2) produção e qualidade de mudas considerando diferentes critérios de avaliação (ex. atividade do sistema radicular), classes de qualidade (ex. A, B ou C) e, recentemente, a operacionalização do plantio mecanizado (ex. mudas centralizadas, com pouca ou nenhuma tortuosidade do caule);
3) a racionalização dos recursos necessários (ex. água e nutrientes) para o estabelecimento, crescimento e produtividade de uma plantação florestal;
4) consolidação ou estímulo ao uso de fontes alternativas de nutrientes comparado a fertilizantes minerais convencionais (ex. substituição parcial do KCl pelo NaCl);
5) diagnose foliar e balanço nutricional das plantações florestais como base para as recomendações de fertilização (ex. doses, fontes e formas de aplicação), objetivando inclusive a redução do parcelamento e, consequentemente, o número de operações;
6) estímulo à fertilidade biológica do solo, tanto pela adoção do cultivo mínimo quanto pelo uso práticas menos intervencionistas (ex. controle reduzido de plantas daninhas);
7) bioprospecção e operacionalização no uso de bioinsumos, tais como consórcios de bactérias ou utilização de estirpes de fungos selecionadas para tolerância à seca logo após o plantio, reduzindo a frequência de irrigação ou promovendo antagonismo a microrganismos patogênicos (ex. Ceratocystis fimbriata);

8) na recomendação técnica para o manejo de brotações de eucalipto (talhadia), esclarecendo sobre os critérios para a desbrota precoce ou tardia, a porcentagem de falhas máxima aceitável e a manutenção do número de fustes por hectare (densidade populacional), além da oportunidade de redução da fertilização, o tempo de pousio e recarda do estoque de água no solo; e
9) ajustes do espaçamento de plantio em função das condições edafoclimáticas, permitindo a redução dos riscos de mortalidade ou, até mesmo, ganho de produção pelo melhor aproveitamento dos recursos disponíveis (regiões com excedente hídrico). Vale destacar que houve muitas outras conquistas que o grupo do PTSM pôde compartilhar com os seus parceiros e que trouxeram ganhos operacionais, em produtividade ou aprimoramento profissional, como, por exemplo, o uso de drones na silvicultura e equipamentos de precisão, monitoramento com sensores óticos, térmico e multiespectrais, entre outros.
Além da infraestrutura física e recursos humanos suportados pelo IPEF, o PTSM conta com uma rede de parceiros extensa e profícua, compreendendo desde pesquisadores internacionais (CIRAD e CSIRO), pesquisadores/professores de instituições de pesquisa e ensino nacionais (ex. ESALQ, EMBRAPA, UNESP, UFV, UFRJ, UFRA etc.), bem como alunos de graduação e pós-graduação de todas as regiões do Brasil. Esses alunos são, na maioria dos casos, os principais responsáveis pela condução dos experimentos, avaliações e análises dos resultados. Neste ponto, é imprescindível reforçar o papel que o PTSM e todas as pessoas que passaram ou fazem parte do grupo têm na formação de vários profissionais que atuam no setor florestal e que a ocupam posição de destaque, seja como professor ou pesquisador de relevância internacional quanto empresas florestais, em cargos de gerência ou presidência. Já vivenciaram o PTSM cerca de 250 estudantes de graduação, pós-graduação, pós-docs, pesquisadores visitantes, entre outros. São mais de 6.000 profissionais capacitados via workshops , seminários, congressos e reuniões técnico-cientificas, além de visitas técnicas e cursos de curta duração.
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O PTSM possui na sua essência a pesquisa científica básica, com métodos de experimentação robustos e caráter inovador. Neste contexto, o programa ganhou notoriedade no meio científico, chegando à marca de mais de 100 artigos publicados em periódicos internacionais, com elevado fator de impacto e relevância na área de ciências florestais.
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Apesar do forte viés científico, o PTSM se destaca pela pesquisa alinhada à demanda do campo, bem como pela imediata aplicação desses conhecimentos pelos silvicultores, principalmente os filiados ao programa. Em suma, a maior conquista do PTSM foi aglutinar pessoas com espírito cooperativista e competência técnica diferenciada, compartilhando suas críticas e sugestões de melhoria em prol da silvicultura brasileira. n


do Rio Pardo-MS, 5 e 6 de Novembro de 2025

















A área de florestas plantadas no Brasil atingiu 10 milhões de hectares em 2024, com maior crescimento nas últimas décadas e projeção de continuidade da expansão, para os novos projetos de celulose. Entretanto, nem sempre este aumento foi acompanhado pelo incremento da produção de madeira. Para os mais de 8 milhões de hectares de eucalipto, a produtividade média (IMA) aumentou de 10 a 25 m3/ha/ano nas décadas de 70 e 80, para 30 a 40 m3/ha/ano nas duas décadas seguintes. Em seguida, ocorreu um período de estabilidade e declínio da produtividade, sendo que atualmente a produtividade média é cerca de 35 m3/ha/ano.
Os principais motivos do aumento da produtividade, e que tornaram a silvicultura brasileira referência mundial, são bem conhecidos: a introdução de programas robustos de pesquisa e desenvolvimento, a recomendação e aplicação dos resultados em larga escala, com destaque para a clonagem do eucalipto, o desenvolvimento operacional, com a mecanização e controle de qualidade das operações florestais.
Sobre a estabilização e declínio da produtividade, as principais razões são a expansão dos plantios para regiões com condições edafoclimáticas mais restritivas, as alterações nos padrões climáticos, com a maior frequência de eventos extremos, como a redução e concentração do volume de chuva anual e o aumento da temperatura média. Outras causas incluem a detecção de novas pragas e doenças e a expansão das conhecidas, muitas vezes com
Uma silvicultura mais regenerativa, menos impactante e mais integrada ao meio ambiente é a chave para a perenidade das florestas plantadas. "
Eduardo Nogueira Campinhos Consultor Especialista em Pesquisa e Desenvolvimento Florestal
maior severidade, além de questões operacionais e estruturais inerentes à grande escala dos programas de implantação florestal.
Considerando o cenário atual do setor de florestas plantadas, um dos questionamentos é se os plantios de eucalipto e pinus já retomaram a produtividade. Porém, a mais importante é como reverter esta situação, estabilizando ou mesmo retomando a produtividade. Tecnicamente, uma das principais respostas está relacionada com o aumento da resiliência dos plantios florestais. Não somente de resistência, tolerância ou adaptação às condições ambientais, mas sim de resiliência às condições ambientais cada vez mais restritivas.
Em ecologia, resiliência é a capacidade de um sistema restabelecer seu equilíbrio após um distúrbio, ou seja, sua capacidade de recuperação. Este mesmo conceito aplicado ao cultivo de espécies florestais pode ser definido

como a capacidade dos plantios absorverem e reagirem aos estresses bióticos e abióticos, reestabelecerem o equilíbrio, recuperando-se em parte ou completamente ao longo do tempo. Esses estresses ou distúrbios podem ter causas ambientais, como déficit hídrico, temperaturas extremas ou vendavais, ou bióticas, como a ocorrência de pragas e doenças.
O nível de resiliência dos plantios florestais é resultado da combinação de diversos aspectos da planta, do ambiente e da interação entre os mesmos. Os materiais genéticos plantados, sejam clones ou sementes, as práticas de manejo aplicadas, como espaçamento de plantio e fertilização, e os métodos de controle de pragas, como o biológico, são práticas com potencial para aumentar a resiliência dos plantios. Importante mencionar que os programas de pesquisa florestal em andamento e as práticas de manejo empregadas nas atividades florestais das empresas já conferem resiliência aos plantios, mas que a mesma pode ser aumentada com a adoção de novas tecnologias em estudo, nas áreas de manejo, proteção, melhoramento, biotecnologia, sustentabilidade, dentre outras.
No melhoramento genético, alguns exemplos são a introdução de espécies mais tolerantes a estresses hídricos e térmicos, visando a hibridação e seleção de clones mais tolerantes a seca e doenças bióticas, e a utilização de compostos clonais, onde o plantio de clones selecionados criteriosamente pode propiciar maior resiliência. Técnicas biotecnológicas, como a poliploidia (geração de clones poliploides), e a transformação genética, com a introdução de genes para tolerância à seca, têm potencial para a geração de clones mais resilientes.
Para a avaliação das plantas, é importante o desenvolvimento de ferramentas de caracterização fisiológica para tolerância aos estresses. Importante ressaltar que a resiliência dos materiais plantados é maximizada com a estratificação ambiental das áreas, recomendação e alocação clonal por unidades de manejo. No manejo florestal, a resiliência pode ser aumentada com práticas de conservação e de manejo regenerativo do solo, incluindo a utilização de práticas de cultivo mínimo, plantio em nível, manutenção de resíduos florestais, cobertura do solo com gramíneas, espécies fixadoras de nitrogênio e outras culturas de ciclo curto. A utilização de fertilizantes organominerais, orgânicos, biológicos e foliares, além de biochar e insumos protetores de plantas, tem potencial para aumentar a resiliência.
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Outras práticas para avaliação incluem espaçamentos e arranjos de plantio otimizados, os sistemas agroflorestais e ILPFs, o regime de condução de brotação e a otimização do tempo de rotação.
Na área de sanidade e proteção, destaca-se o avanço contínuo das tecnologias de monitoramento integrado de pragas e doenças, a utilização em larga escala do controle biológico, que permitem maior equilíbrio ambiental, e a redução do consumo de insumos químicos.
A resiliência dos plantios também é influenciada pelas áreas circunvizinhas, ou seja, em um sentido mais amplo devemos considerar ações na escala de bacia hidrográfica, incluindo os plantios comerciais e as áreas de Reserva Legal e Áreas de Preservação Permanente (RLs e APPs), com mosaico de idades e materiais genéticos, mosaico com matas nativas, criação de corredores ecológicos, e aumento das áreas de conservação.
Para a avaliação e mensuração, devem ser desenvolvidas e aplicadas tecnologias orbitais que permitam o monitoramento em larga escala da resiliência dos plantios florestais e a adoção de medidas preventivas e curativas, incluindo sistemas de monitoramento climático, ocorrência de pragas e doenças, e sistemas de detecção e prevenção de incêndios. O desenvolvimento de índices ou indicadores de resiliência permitem acompanhar o impacto das condições ambientais e das recomendações técnicas na resiliência dos plantios ao longo do tempo.
O aumento da resiliência dos plantios florestais demanda a condução de programas transversais, com a interação e colaboração de diversas áreas de pesquisa, desenvolvimento, sustentabilidade e operação, com o estabelecimento de estratégia contemplando ações de curto, médio e longo prazos, incluindo o desenvolvimento de sistemas de alerta e monitoramento que ajudem na adoção de medidas preventivas e de acompanhamento da evolução da resiliência com indicadores e índices. Considerando a natureza pré-competitiva do tema e a magnitude do desafio, deve-se pensar na estruturação de programas cooperativos entre universidades e empresas, para a elaboração de um plano estruturado de resiliência florestal e redução dos impactos de alterações ambientais nos plantios florestais. Uma silvicultura mais regenerativa, menos impactante e mais integrada ao meio ambiente é a chave para a perenidade das florestas plantadas, principal matéria-prima das indústrias de base florestal. n


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A biblioteca contendo os artigos publicados nos 23 anos de existência da Revista Opiniões, estão disponíveis em 7 idiomas com livre acesso, para todos os alunos e professores das universidades, para todos os pesquisadores de centros de P&D, para todos os funcionários e executivos das empresas produtoras e dos fornecedores dos sistemas florestal e bioenergético do mundo todo.
Over 4 billion people around the Planet Earth speak one of the languages in which Opiniões (Opinions) Magazine is written.
The library containing articles published during the 23 years of Opiniões Magazine's existence is available in 7 languages with free access for all students and professors at universities, for all researchers at R&D centers, and for all employees and executives of companies that produce and supply forestry and bioenergy systems worldwide.







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Se sua empresa é produtora ou fornecedora do sistema florestal, mostre sua marca.
O Anuário de Sustentabilidade da Revista Opiniões tem o objetivo de registrar as centenas de ações sociais e ambientais, anualmente realizadas pelas empresas de base florestal por todo o Brasil, em favor de seus empregados e de toda a população das cidades que vivem no seu entorno.
O Guia de Compras é a vitrine ideal para apresentar a marca, os produtos e os serviços da sua empresa para este público.
• Fechamento: 24 Jun 2026
If your company produces or supplies products for the forestry system, highlight your trademark. The Forest System Sustainability Yearbook from Opiniões Magazine aims to record the hundreds of social and environmental actions carried out annually by companies in the forestry sector throughout Brazil, benefiting their employees and the entire population of neighboring cities.
The Buyer's Guide is the ideal showcase to present your company's trademark, products, and services to this audience.
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O Guia de Compras é a vitrine ideal para apresentar a marca, os produtos e os serviços da sua empresa para este público.
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Imagine se você descobrisse que o médico com o qual você vai fazer uma cirurgia cardíaca na manhã seguinte se formou há 20 anos como o melhor aluno da sua classe, na melhor faculdade de medicina do País. Muito bom, não?
Entretanto, nos últimos 20 anos, ele não leu nenhum livro, nem participou de nenhum congresso, nem teve por costume ler regularmente revistas especializadas da sua área médica. Você faria a cirurgia em paz?

No que se refere a nossa área, quantas tecnologias foram desenvolvidas e implantadas nessas duas décadas como o estado da arte e, depois de algum tempo, substituídas por uma nova opção, muito mais eficaz e eficiente, que tomaria o lugar da anterior, até ser igualmente substituída por uma mais nova ainda.
Quantas pragas e doenças apareceram, desapareceram, e algumas até voltaram? Quantas técnicas foram substituídas nesses últimos 20 anos?
Nenhum conhecimento é definitivamente eterno. A faculdade está sempre atualizada, mas tão somente até o dia da sua formatura. Os livros, igualmente, até o dia da sua publicação. As opções que são continuadamente atualizadas são os congressos e as publicações regulares das áreas.
Conhecendo esse cenário e o que passou a representar nesses 23 anos de operação para as universidades, centros de pesquisa e empresas do sistema agrícola e florestal, a Revista Opiniões decidiu abrir inscrições gratuitas para que todos os estudantes, professores e cientistas de todos os cursos de agroconhecimento de qualquer parte do mundo, passem a receber todas as nossas publicações.
Todos os artigos da Revista Opiniões têm textos publicados em 7 idiomas, quais sejam: português, espanhol, inglês, francês, chinês, árabe e hindi, cobrindo a língua falada pelo incrível numero de mais de 4 Bilhões de pessoas.
O objetivo é fazer com que o estudante, desde o primeiro dia de aula, passe a participar da vida empresarial na qual se integrará, em alguns anos, já com atualizado conhecimento do que está sendo discutido, avaliado e implantado nas empresas.
Muitos dos executivos e cientistas que hoje escrevem na Revista Opiniões declararam que liam nossas edições desde quando ainda eram estudantes nas universidades.
Ampliando o projeto de Educação Continuada, decidimos também abrir as inscrições gratuitas para todos os funcionários das áreas técnicas, agrícolas, industriais e administrativas das empresas produtoras e fornecedoras dos sistemas florestal e bioenergético de qualquer parte do Brasil e do mundo.
O acesso à informação dirigida é a mais eficiente forma de unificar e atualizar o conhecimento entre todos os funcionários em cargos de comando, bem como preparar os funcionários em ascensão para assumir estes cargos. Esta é a mais natural forma de gerar a Educação Continuada.
Para passar a receber regular e gratuitamente as edições de nossas revistas, basta enviar um e-mail com os dados abaixo:
• Para: Jornalismo@RevistaOpinioes.com.br
• Assunto: Educação Continuada Gratuita
• Informe apenas:
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- e-mail profissional
- e-mail pessoal
William Domingues de Souza Editor-chefe das Revistas Opiniões
WDS@RevistaOpinioes.com.br Celular e WhatsApp: +55 16 99777-7799
Imagine if you found out that the doctor you're going to have heart surgery with the next morning graduated 20 years ago as the top student in his class at the best medical school in the country. Pretty good, right?
However, in the last 20 years, he hasn't read any books, attended any conferences, or regularly read specialized magazines in his medical field. Would you have the surgery done in peace?

In our field, how many technologies have been developed and implemented in these two decades as state-of-the-art, only to be replaced after some time by a new, much more effective and efficient option, which would take the place of the previous one, until it too was replaced by an even newer one?
How many pests and diseases have appeared, disappeared, and some have even returned? How many techniques have been replaced in the last 20 years?
No knowledge is truly eternal. University is always up-to-date, but only until the day you graduate. Books, likewise, are up-to-date until the day they are published. The options that are continuously updated are conferences and regular publications in the fields.
Knowing this scenario and what it has come to represent in these 23 years of operation for universities, research centers, and companies in the agricultural and forestry sectors, Opinions Magazine decided to open free registration so that all students, professors, and scientists from all agricultural knowledge courses from anywhere in the world can receive all of our publications.
All articles in Opinions Magazine are published in 7 languages: Portuguese, Spanish, English, French, Chinese, Arabic, and Hindi, covering the languages spoken by an incredible number of over 4 billion people.
The goal is for the student, from the very first day of class, to participate in the business world into which they will integrate in a few years, already possessing up-to-date knowledge of what is being discussed, evaluated, and implemented in companies.
Many of the executives and scientists who write for Opinions Magazine today have stated that they have been reading our editions since they were still students at universities.
Expanding the Continuing Education project, we have also decided to open free registration to all employees in the technical, agricultural, industrial, and administrative areas of companies that produce and supply forestry and bioenergy systems from anywhere in Brazil and the world.
Access to targeted information is the most efficient way to unify and update knowledge among all employees in management positions, as well as to prepare employees on the rise to assume these positions. This is the most natural way to generate Continuing Education.
To start receiving regular, free issues of our magazines, simply send an email with the information below:
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• Subject: Free Continuing Education
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