Os segredos de uma colheita florestal - OpCP47

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Opiniões www.RevistaOpinioes.com.br

ISSN: 2177-6504

FLORESTAL: celulose, papel, carvão, siderurgia, painéis e madeira ano 14 • número 47 • Divisão F • mar-mai 2017

Os segredos de uma

colheita florestal


Os fueiros , os mais leves do mercado e líder de vendas na América Latina, são fabricados pela Unylaser. A Unylaser é uma empresa do grupo PCP Steel, que tem 40 anos de mercado e é a pioneira na manufatura de aços de alta resistência no Brasil. A empresa opera no fornecimento de soluções completas a partir do aço. Atua em diversos segmentos de mercado e busca oferecer ao cliente a melhor proposta de custo-benefício na manufatura de componentes e conjuntos metálicos; de médio e grande porte. Com 13.000m 2 de área disponível, é a maior fábrica de fueiros da América Latina e uma das maiores do mundo; e com capacidade anual de transformação de mais de 20.000 t de aço em componentes. No processo de produção dos fueiros Raptor, são utilizados software de simulação virtual, análise de elementos finitos, análise de impacto ambiental, testes por ciclos, ensaios destrutivos, metalografia e performance estrutural. Entre os diferenciais a Unylaser oferece soluções customizadas em um processo de cocriação de produtos em parceira com os seus clientes.

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índice

Os segredos do planejamento, dos movimentos envolvidos e das operações de uma colheita florestal

Editorial:

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Antonio Joaquim de Oliveira Presidente Executivo da Duratex

Ensaio especial:

52

Rafael Alexandre Malinovski Diretor da Malinovski Florestal

Cientistas:

Produtores de floresta:

8 12 14 18 20 24 26 28

Sérgio Lopes dos Santos

Gerente de Operações Florestais da Suzano

Wagner Itria Jr.

Gerente de Operações da Amata

Júlio César de Castro

Gerente de Suprimento da ArcelorMittal BioFlorestas

Fabiano da Rocha Stein

Gerente de Suprimento de Madeira da Veracel

32 34 36 38

Igor Dutra Souza

Gerente de Colheita e Manutenção da Fibria-SP

Andréia Pimentel e Diego Piva Cezana Executivos do Planejamento Florestal da Klabin

Paulo Sadi Silochi Produtor Rural

Nilton Cesar Fiedler

Professor de Mecanização e Colheita da UF-ES

Paulo Torres Fenner

Professor de Colheita da Unesp de Botucatu

Danilo Simões

Professor de Economia da Unesp de Itapeva

Geradores de tecnologia:

Gerente de Colheita da Vallourec Florestal

Luiz Sérgio Coelho de Cerqueira Filho

Catize Brandelero

Professora de Colheita e Transporte da UF-SM

40 42 46 48

Edson Leonardo Martini

Diretor Superintendente da Komatsu

Rodrigo Soares Junqueira

Gerente de Vendas da John Deere Florestal

Tuomo Moilanen

Gerente de Sistemas Informações da Ponsse

Franc Mauro Roxo

Diretor de Operações da Savcor-Trimble

Editora WDS Ltda e Editora VRDS Brasil Ltda: Rua Jerônimo Panazollo, 350 - 14096-430, Ribeirão Preto, SP, Brasil - Pabx: +55 16 3965-4600 - e-Mail Geral: Opinioes@RevistaOpinioes.com.br n n Diretor Geral de Operações e Editor Chefe: William Domingues de Souza - 16 3965-4660- WDS@RevistaOpinioes.com.br Coordenadora Nacional de Marketing: Valdirene Ribeiro Souza - Fone: 16 3965-4606 - VRDS@RevistaOpinioes.com.br nVendas: Lilian Restino - 16 3965-4696 - LR@RevistaOpinioes.com.br • Priscila Boniceli de Souza Rolo - Fone: 16 99132-9231 - boniceli@globo.com nJornalista Responsável: William Domingues de Souza - MTb35088 - jornalismo@RevistaOpinioes.com.br nEdição Fotográfica: Priscila Boniceli de Souza Rolo - Fone: 16 99132-9231 - boniceli@globo.com nProjetos Futuros: Julia Boniceli Rolo - 2604-2006 - JuliaBR@RevistaOpinioes.com.br nProjetos Avançados: Luisa Boniceli Rolo - 2304-2012 - LuisaBR@RevistaOpinioes.com.br nConsultoria Juridica: Priscilla Araujo Rocha nCorrespondente na Europa (Augsburg Alemanha): Sonia Liepold-Mai Fone: +49 821 48-7507 - sl-mai@T-online.de nExpedição: Donizete Souza Mendonça - DSM@RevistaOpinioes.com.br nCopydesk: Roseli Aparecida de Sousa - RAS@RevistaOpinioes.com. br nTratamento das Imagens: João Carlos Leite nFinalização: Douglas José de Almeira nArtigos: Os artigos refletem individualmente as opiniões pessoais sob a responsabilidade de seus próprios autores nFoto da Capa: Acervo Revista Opiniões nFoto do Índice: Acervo Revista Opiniões nFotos das Ilustrações: Paulo Alfafin Fotografia - 19 3422-2502 - 19 8111-8887 - paulo@pauloaltafin.com.br • Ary Diesendruck Photografer - 11 3814-4644 - 11 99604-5244 - ad@arydiesendruck.com.br • Tadeu Fessel Fotografias - 11 3262-2360 - 11 95606-9777 - tadeu.fessel@gmail.com • Acervo Revista Opiniões e dos específicos articulistas nFotos dos Articulistas: Acervo Pessoal dos Articulistas e de seus fotógrafos pessoais ou corporativos n Veiculação Comprovada: Através da apresentação dos documentos fiscais e comprovantes de pagamento dos serviços de Gráfica e de Postagem dos Correios nTiragem Revista Impressa: 4.500 exemplares nRevista eletrônica: Cadastre-se no Site da Revista Opiniões e receba diretamente em seu computador a edição eletrônica, imagemn fiel da revista impressa n Portal: Estão disponíveis em nosso Site todos os artigos, de todos os articulistas, de todas as edições, de todas as divisões das publicações da Editora WDS, desde os seus respectivos lançamentos n Home-Page: www.RevistaOpinioes.com.br South Asia Operation: Opinions Magazine-India: Specific publication on agricultural, industrial and strategic issues of Indian regional market. Editorial language: English. Advertising language: English and Hindi n Business Researcher: Marcelo Gonçalez - +91 9559 001 773 - MG@RevistaOpinioes.com.br nMarketing Researcher: Eliete Aparecida Alves Goncalez - +91 9580 824 411 - EG@RevistaOpinioes. com.br nChief Editor Assistant: Gabrielle Gonçalez - +91 9580 824 411 - GG@RevistaOpinioes.com.br n

Conselho Editorial da Revista Opiniões: ISSN - International Standard Serial Number: 2177-6504 Divisão Florestal: • Amantino Ramos de Freitas • Antonio Paulo Mendes Galvão • Celso Edmundo Bochetti Foelkel • João Fernando Borges • Joésio Deoclécio Pierin Siqueira • Jorge Roberto Malinovski • Luiz Ernesto George Barrichelo • Marcio Nahuz • Maria José Brito Zakia • Mario Sant'Anna Junior • Mauro Valdir Schumacher • Moacir José Sales Medrado • Nairam Félix de Barros • Nelson Barboza Leite • Roosevelt de Paula Almado • Rubens Cristiano Damas Garlipp • Sebastião Renato Valverde • Walter de Paula Lima Divisão Sucroenergética: • Carlos Eduardo Cavalcanti • Eduardo Pereira de Carvalho • Evaristo Eduardo de Miranda • Jaime Finguerut • Jairo Menesis Balbo • José Geraldo Eugênio de França • Manoel Carlos de Azevedo Ortolan • Manoel Vicente Fernandes Bertone • Marcos Guimarães Andrade Landell • Marcos Silveira Bernardes • Nilson Zaramella Boeta • Paulo Adalberto Zanetti • Paulo Roberto Gallo • Pedro Robério de Melo Nogueira • Plinio Mário Nastari • Raffaella Rossetto • Roberto Isao Kishinami • Tadeu Luiz Colucci de Andrade • Xico Graziano



editorial de abertura

Os segredos

de uma colheita florestal

As atividades de colheita nas rotinas de produção florestal são as maiores detentoras de tecnologia operacional e que expressam com grande rapidez o resultado de todo o planejamento estratégico focado nas demandas dos clientes. Atingimos, hoje, um nível de produção e de custos de patamares bastante competitivos, decorrentes de anos de experiência, acompanhamento da evolução tecnológica dos equipamentos e do desenvolvimento de métodos operacionais que focaram a otimização dos recursos mecanizados. Iniciada na Duratex em 1995, a colheita mecanizada mudou radicalmente nossos resultados de rendimentos e de custos decorrentes dessa atividade. Optamos, na época, por uma operação com retorno de investimento de longo prazo, mas que acreditamos, corajosamente, ser muito mais sustentável no médio/longo prazo, uma vez que já visualizávamos falta de mão de obra local para operar a colheita semimecanizada com motosserristas. A questão de saúde e segurança também foi fator relevante para essa decisão, pois focamos na melhora de condições ergonômicas de trabalho para essas atividades por meio das máquinas específicas de colheita florestal. Essas projeções só foram identificadas por meio dos cenários prospectados pelo planejamento de longo prazo, atividade permanente na nossa agenda de trabalhos, a qual concatenou diversas variáveis e traçou planos de recuperação gradativa dos altos investimentos feitos. Atualmente, nossa escala de ganhos na colheita em termos operacionais e, consequentemente, em custos, é menor, e nosso desafio será obter pequenos e constantes ganhos focados na gestão, esta orientada por uma rotina atuante e persistente de acompanhamento de resultados feita por meio do Sistema de Gestão Duratex, SGD, utilizado em toda a companhia.

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A base desse sistema é fundamentada no PDCA, ferramenta de gestão composta por quatro etapas, que, na nossa sistemática de trabalho, descrevemos com: planejamento detalhado das atividades, execução do planejamento, acompanhamento dos resultados preconizados e atuação sobre os desvios. Seguimos, invariavelmente, essas etapas e envolvemos equipes multidisciplinares para a obtenção das metas estipuladas para os ganhos previstos. Outras linhas de atuação para os ganhos na colheita abordam demais variáveis relevantes como a capacitação dos nossos operadores, com foco não só no rendimento, mas também na manutenção mecânica das máquinas; classificá-los em níveis de performance de modo que todos busquem os melhores resultados e replicar de modo integrado e colaborativo as melhores práticas operacionais, tudo isso sem perder de vista os movimentos de modernização alinhados à era digital (Agricultura 4.0). Os recursos digitais, como tecnologia embarcada com computadores de bordo, sensores que monitoram e registram as etapas e o desempenho das atividades, módulos de calibração eletrônica e apontamento e disponibilização de dados operacionais em tempo real já são ferramentas de mercado para atividades de campo e dão subsídio para tomadas de decisões estratégicas, possibilitando a visão dos cenários produtivos globais e também detalhados. Tudo isso facilita a gestão da operação e permite que os responsáveis pelos processos tenham mais tempo para tratar a qualidade dos produtos finais. Na Duratex, isso já é uma realidade que vem sendo incorporada gradativamente na rotina dos nossos gestores através de recursos como apontamentos de campo de forma digital, com tablets e demais tecnologias embarcadas que já compõem os equipamentos que adquirimos. A diversidade de produtos também é um fator que nos fez evoluir e nos traz desafios diariamente. Nosso portfólio abrange as necessidades de diversos clientes, que atualmente são nossas fábricas e também clientes externos, estes desenvolvidos em função das oportunidades do nosso modelo de negócios. Dessa forma, nossa oferta de produtos contempla: madeira processada com e sem casca, toras para serraria com diversos sortimentos e, mais recentemente, cavaco para geração de energia. ;


Opiniões Operar todas essas realidades demanda, além do alinhamento tecnológico com uso de equipamentos de ponta, o exercício da criatividade e da inovação para racionalizarmos ao máximo os recursos humanos e as soluções para as dificuldades operacionais encontradas no campo. Exemplos de adaptações e adequações desenvolvidas conjuntamente no setor florestal nos últimos anos são: operação de processamento da madeira com garra traçadora no interior das quadras para baldeio com forwarders, uso de garras traçadora com máquinas base de grande porte (35 t) e cabeçote de grande autonomia (1 m²), aumento das caixas de carga dos forwarders, desenvolvimento de sensores de medição de comprimento para processamento com garras traçadoras, aplicação de herbicida na derrubada com feller buncher, uso de caminhões extra pesados carregados no interior das quadras, com posterior transporte direto para a fábrica, e aumento dos tanques de combustíveis das máquinas, permitindo maior autonomia operacional. Esses são alguns dos exemplos de soluções geradas não apenas pelos gestores e áreas de apoio envolvidos com a colheita, mas também pelos colaboradores que operam os equipamentos. Ouvir e aplicar as sugestões de melhorias contínuas das pessoas que materializam a produção é extremamente relevante dentro de um processo de evolução operacional. Por fim, de tudo que foi abordado, a questão mais estratégica para a Duratex, e que deve reger todos os movimentos, planejamento e iniciativas nos processos de colheita, são as necessidades dos clientes, que demandam padrões diferentes, obviamente de volume, mas, sobretudo, de qualidade com processos seguros.

Ouvir e aplicar as sugestões de melhorias contínuas das pessoas que materializam a produção é extremamente relevante dentro de um processo de evolução operacional. "

Antonio Joaquim de Oliveira Presidente Executivo da Duratex

O equilíbrio entre custos e qualidade desejada para produção de cada m³ de painel produzido ou de madeira vendida deve ser o maior diferencial dentro do aspecto competitivo no mercado, e, dentro desse contexto, a colheita deve se adequar para que os resultados almejados pelos clientes e fornecedores sejam otimizados e interessantes para ambos. Independente de aonde queremos chegar, que produto entregar, com que tempo e valor, para o sucesso de uma atividade de colheita, é imprescindível percorrer com extremo cuidado cada etapa do planejamento. É como construir uma casa, em que economizar no projeto pode significar despesas e dores de cabeça pela frente. E o planejamento não termina ao iniciar as atividades. As etapas de correção de rumos pós-análises de desvios são críticas para aprimorar os processos e ter sustentabilidade nos custos e resultados. Uma atividade de colheita e a consequente logística de transporte podem responder por mais de 50% dos custos envolvidos na entrega de uma madeira ao seu destino final. Alocar profissionais excelentes e tomar as melhores decisões com planos adequados são condições fundamentais para o êxito do empreendimento. n


produtores

Opiniões

práticas primárias de

gestão

Manter a clareza na estratégia significa defini-la com nitidez, comunicá-la com clareza e garantir que seja bem compreendida por funcionários, clientes e parceiros, numa clara proposição de valor para as operações e para o negócio. "

Sérgio Lopes dos Santos

Gerente de Operações Florestais da Suzano Papel e Celulose

A colheita florestal é definida, segundo Machado (2004), como um conjunto de operações que visa preparar e extrair a madeira até o local de transporte, através de técnicas e padrões definidos, que levam em consideração fatores como: a) a floresta e seu ambiente: espécie, declividade, volume individual, condições de solo e clima, destinação econômica; b) a tecnologia empregada; c) a mão de obra: capacitação e aperfeiçoamento; o suporte administrativo, logístico, operacional e de áreas de apoio estratégico. O planejamento de uma colheita florestal tem o objetivo de determinar a melhor forma de alocar os recursos frente às oportunidades e desafios, através do aumento da produtividade, da redução de custos, das melhorias de qualidade, de padrões de segurança e que proporcione a rentabilidade desejável ao negócio. Tudo isso é possível através da utilização de ferramentas e de modelos matemáticos, softwares de modelagem comparada, ferramentas operacionais e

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gerenciais, sistemas de informações geográficas, planilhas eletrônicas, banco de dados, simuladores, expertise técnica e gerencial, que desdobrem as decisões estratégicas em ações de médio e curto prazo. Em se tratando de operações de colheita florestal, o microplanejamento exerce papel fundamental na obtenção das melhores performances operacionais, principalmente quando elaborado por equipe com visão multidisciplinar, baseado nos pilares da sustentabilidade: econômico, ambiental e social. Afinal, em meio a importantes avanços tecnológicos, de gestão e em processos, o que efetivamente continua fazendo a diferença em termos de competitividade? Uma importante pesquisa realizada na Universidade de Harvard avaliou cuidadosamente 200 práticas de gestão estabelecidas e empregadas por 160 empresas ao longo de 10 anos e revelou quais práticas de gestão são indispensáveis e realmente produzem resultados superiores para as empresas ; e os negócios.


OS PIONEIROS NO MÉTODO CTL – CUT TO LENGTH A PONSSE É UMA DAS MAIORES FABRICANTES de máquinas florestais para o método CTL – Cut to Length, no mundo. Trabalhando há mais de 40 anos na evolução e desenvolvimento de máquinas florestais de pneus. O desenvolvimento dos produtos da Ponsse baseia-se principalmente em uma profunda colaboração com os seus clientes. É por isso que somos considerados “A melhor amiga do produtor florestal”. O CABEÇOTE PONSSE H77EUCA representa a tecnologia de ponta para a colheita de eucalipto. O H77euca é altamente eficiente e confiável, e adequado para uso em harvesters de pneus ou máquinas base de esteira de 16 a 22 toneladas. O PONSSE Ergo é uma harvester ergonômico, eficiente e com 205kW de potência no motor, desenvolvido principalmente para condições exigentes na colheita florestal, e um excelente suporte para PONSSE H77euca. A PONSSE AINDA PRODUZ FORWARDERS com capacidade de carga superior e força de tração para o transporte da madeira, que vão do PONSSE Buffalo, com capacidade para 14 toneladas, até o PONSSE ElephantKing com capacidade de 20 toneladas. PONSSE LATIN AMERICA - BRASIL R. Joaquim Nabuco, 115 – Vila Nancy Mogi das Cruzes/ São Paulo – BRASIL CEP 08735-120 Tel:+55 11 4795 - 4600

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produtores Foram estudadas práticas amplas, como estratégia, inovação, processos empresariais, além de outras específicas, como feedback 360 graus e gestão da cadeia de suprimentos. Os pesquisadores Nitin Nohria, William Joyce e Bruce Roberson (Harvard Business Review, 2003) demonstraram que uma grande maioria das técnicas e ferramentas de gestão estudadas não tinham nenhuma relação causal direta com um desempenho superior das empresas. Comprovou-se, nesse estudo, que o importante continua sendo o domínio a fundo do básico dos negócios, que aqui denominamos práticas primárias de gestão. Sem exceção, as empresas cujo desempenho foi superior, inclusive gerando maior retorno total aos acionistas, sobressaíram na aplicação do conceito de práticas primárias de gestão: estratégia, execução, cultura e estrutura, perfeitamente aplicáveis às operações florestais. Estratégia focada e claramente anunciada: A chave da excelência na estratégia ─ não importa o que se faça e que abordagem se adote ─ é definir com clareza tal estratégia e comunicá-la reiteradamente. Manter a clareza na estratégia significa defini-la com nitidez, comunicá-la com clareza e garantir que seja bem compreendida por funcionários, clientes e parceiros, numa clara proposição de valor para as operações e para o negócio. Inclusive nos momentos de ajustes, com base em mudanças de mercado, novas tecnologias, tendência social, regulamentação governamental e até mesmo em mudança de estratégia. Tão importante quanto um excelente planejamento, apoiado por ferramentas diferenciadas e de alto padrão, necessário é manter o foco na estratégia e garantir que seja efetivamente anunciada e compreendida, em todos os níveis, inclusive os operacionais. Execução operacional impecável: Exatamente como na estratégia, tão importante quanto o que se executa é a forma como se executa. Isso implica uma atenção disciplinada às operações e aos seus detalhes. Lute constantemente para eliminar todo tipo de excesso, perdas e desperdício. Eleve a produtividade. Tenha foco na rotina da excelência. Aprimore os sistemas de gestão da qualidade e segurança ocupacional. Importante também atentar para o contínuo aperfeiçoamento técnico da mão de obra, principalmente operadores, mecânicos, técnicos e assistentes. Estudos e técnicas de tempo e movimento demonstram que é possível melhorar significativamente os rendimentos operacionais através de um detalhado plano de desenvolvimento individual (PDI), que permita o contínuo aprimoramento

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Opiniões técnico da equipe, frente às novas tecnologias disponíveis, condições da floresta e do ambiente. Desenvolva e mantenha impecável a execução operacional. A melhoria contínua deve ser um compromisso estratégico firmado em toda a organização. Estrutura simplicada: Simplifique e facilite o trabalho na sua organização e com a sua organização. Promova a cooperação e a troca de informações em toda a empresa (quebra de silos). Coloque seu melhor pessoal o mais perto possível da ação e estabeleça sistemas para uma troca contínua de conhecimento. Toda a organização precisa de procedimentos e protocolos para funcionar bem. No entanto os excessos burocráticos devem ser evitados. Simplifique ao máximo as estruturas e os processos. Trabalhe no empoderamento de todos os níveis, inclusive os operacionais. Desenvolva e mantenha uma cultura voltada para o desempenho: Promova um ambiente que valorize o alto desempenho e o comportamento ético, que estimule marcantes contribuições individuais e de equipe. Tão importante quanto tornar o trabalho prazeroso, é manter elevadas as expectativas de desempenho. Inspire os colaboradores e parceiros a darem o melhor de si. Dê poder aos funcionários para que eles tomem decisões independentes e encontrem meios de melhorar as operações. Além das recompensas financeiras, não descuide das psicológicas. Crie um ambiente de trabalho desafiador e satisfatório. Estabeleça valores claros na empresa e mantenha-se fiel a eles. Como podemos observar, apesar dos importantes e necessários avanços tecnológicos, que permitem a escolha dos melhores sistemas de colheita, a aplicação das melhores técnicas e a ampla quantidade de ferramentas e aplicativos de planejamento e controle operacional disponíveis, a aplicação do saber administrativo convencional, cientificamente testado e validado, ainda é um importante diferencial competitivo. Tais práticas básicas de gestão, como estratégia focada e claramente anunciada, execução operacional impecável, cultura da recompensa e estrutura simplificada, são perfeitamente aplicáveis às operações florestais. Obviamente, a perícia nessas áreas deve sempre ser complementada com o domínio de outras práticas de gestão de reconhecida importância, como liderança, inovação, atração e retenção de talentos, dentre tantas outras. O diferencial competitivo não consiste apenas no que está se executando, mas principalmente na forma como a estratégia do negócio está sendo conduzida. n


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produtores

falhas na implantação do

processo de colheita

Coautor: Luciano Budant Schaaf – Diretor de Operações, Planejamento e Tecnologia da Amata

Colheita é um dos assuntos mais apaixonantes da área florestal. É o futebol-política-religião da área florestal. "

Wagner Itria Jr. Gerente de Operações da Amata

Colheita é um dos assuntos mais apaixonantes da área florestal. É comum nos depararmos com discussões sobre qual o melhor sistema de colheita, os melhores equipamentos ou as melhores marcas e modelos. É o futebol-política-religião da área florestal. E é exatamente pela diversidade de opiniões e gostos que cada empresa tem uma solução mais personalizada. Muitas variáveis são consideradas na tomada de decisões sobre a colheita, como alinhamento com a visão, a missão e os valores da empresa, aderência às políticas da organização e certificações, condições de caixa e crédito, metas de custo e endividamento, disponibilidade de recursos humanos – próprios ou terceirizados – para a operação e manutenção, escala de produção e características e qualidade da madeira para abastecimento fabril ou requisitos do cliente final. Com tamanha complexidade, é impossível ter respostas para todas as situações. Para reduzir as incertezas, na etapa de planejamento da implantação de um processo de colheita, é comum a contratação de consultorias, a realização de benchmarking, a visita a feiras florestais e a realização de testes com máquinas. Apesar de todos os cuidados, vivenciei processos de implantação de dois tipos: com poucas falhas e com muitas falhas. Uma busca na internet, ou consulta à bibliografia técnica, apresentará uma

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série de artigos com informações sobre planejamento, implementação e operação de colheita, mas dificilmente serão apresentados, de forma tão transparente, os problemas e as dificuldades encontrados pelas empresas florestais. O meu objetivo, neste artigo, é compartilhar as principais dificuldades e as “cascas de banana” que vivenciei no processo de implantação de processos de colheita. São quatro os pontos a serem abordados: planejamento, simplicidade no controle, gente e gestão, e máquinas e equipamentos. Dentre as falhas de planejamento, a principal diz respeito às informações básicas. Informações cadastrais devem estar atualizadas e, obviamente, corretas. Já deparei com um planejamento que foi feito e revisado em escritório por uma equipe formada por excelentes profissionais, mas, na hora de iniciar a colheita, o volume era muito menor do que o planejado, porque a idade que constava no cadastro estava errada. Além da data de plantio correta, o apontamento de intervenções realizadas, principalmente desbastes, podas e também de sinistros, pode evitar a escolha indevida de áreas para colheita. Uma ferramenta de planejamento imprescindível são os mapas contendo a realidade de campo, curvas de nível e detalhes do terreno. Houve uma ocasião em que, ao final da colheita, houve diferença significativa no volume de madeira. Houve desconfiança sobre a qualidade do inventário, ineficácia dos controles e até furto de madeira. Mas qual foi o real motivo do desvio? Diferença entre a área cadastral e a área efetivamente colhida. Houve retalhonamento da área, mas os mapas não foram atualizados. O segundo ponto diz respeito à simplicidade nos controles. O controle deve ser entendido tanto pela alta administração ;


Opiniões da empresa, como pelos trabalhadores de campo. Houve uma situação em que foram implantados controles de produção, paradas e manutenção, mas não foi considerado o grau de instrução dos trabalhadores. Verificamos que todas as paradas para abastecimento levavam o mesmo tempo, então observei que o trabalhador não tinha relógio. Ainda sobre controles, é importante o estabelecimento de metas que possam ser entendidas pelos trabalhadores. Passei por uma situação em que pactuamos com os trabalhadores da colheita um determinado volume, porém, pelos controles, essa meta nunca tinha sido atingida. Ao questionar os trabalhadores sobre os motivos, eles disseram que sempre atingiram as metas. Onde estava a falha? Na comunicação! O trabalhador entendia que metro cúbico era metro estéreo. A solução foi traduzir as metas para unidade mais simples, como número de árvores por dia. O próximo tema é sobre gente e gestão. Aqui é possível escrever um livro com exemplos. Começo pela contratação dos profissionais, pois um bom currículo e experiência em grandes empresas não garantem que a contratação foi de sucesso. Selecionei pessoas de altíssima produtividade, mas que não tinham cuidado com a manutenção das máquinas. Contratei gestores de campo que foram muito bem nas entrevistas, mas, na verdade, não gostavam de campo. O desejável é a formação de pessoal de dentro de casa e que tenha residência próxima da operação. Imprescindível aplicar testes (de habilidade e comportamentais) para identificar as potencialidades das pessoas na operação e na gestão.

Importante respeitar a curva de aprendizagem das pessoas, cobrar de acordo com o potencial e reconhecer o bom desempenho. Finalmente, erros em máquinas e equipamentos são os que mais doem no bolso. Vivenciei a abertura do mercado brasileiro para a importação de máquinas. Antes disso, o que tínhamos no Brasil eram adaptações de máquinas agrícolas e de construção para a área florestal. Dentre os exemplos que posso compartilhar, uma empresa em que eu trabalhei testou um forwarder 6x4 em uma área plana, mas comprou essa máquina para operar na região montanhosa. Por que isso aconteceu? Por falta de experimentar a solução na condição em que ela seria aplicada (ou o vendedor era muito bom!). Hoje em dia, a informação é mais compartilhada, seja em eventos mais formais ou em redes sociais. É importante visitar outras operações para verificar se a opção é viável e conversar não só com os gestores florestais, mas também com os operadores e mecânicos. O preço de aquisição não pode ser a única variável a ser considerada em uma compra. O pensamento tem que estar no menor custo (e não preço e valor de revenda), no menor impacto ambiental (emissões e compactação) e na facilidade de operar e manter. O segredo dos processos de implantação com número reduzido de falhas é o planejamento e o gerenciamento da implantação do processo de colheita. Faça um bom planejamento. Não queime etapas na fase de projeto. Realize as “prototipagens” necessárias, pois errar rápido é errar barato. Defina o momento do stop loss. E tenha um “plano B”. n


produtores

Opiniões

um breve olhar sobre os

segredos

Não saberia dizer se é correto afirmar que haja “segredos” nas operações da colheita florestal. O que existe em maior ou menor escala é a aplicação dos conhecimentos, das técnicas, dos procedimentos que, em muitas das vezes, estão associados aos recursos, às condições das florestas, à capacidade de investimento e, mais recentemente (de novo), às instabilidades do mercado. O setor florestal brasileiro, como um todo, é aberto, as informações são acessíveis, as empresas normalmente disponibilizam as recentes conquistas, e é graças a isso que se alcançou o atual resultado, por exemplo, com a produtividade florestal. Sendo assim, o que teríamos seriam pequenos vazios nas fases envolvendo cada atividade e daí nas operações que culminam em diferenças significativas no processo.

O setor florestal brasileiro é aberto, as informações são acessíveis, as empresas normalmente disponibilizam as recentes conquistas, e é graças a isso que se alcançou o atual resultado, por exemplo, com a produtividade florestal. "

Júlio César de Castro

Gerente de Silvicultura e Suprimento de Madeira da ArcelorMittal BioFlorestas

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Então, cabe atuarmos de maneira que as oportunidades sejam identificadas e trabalhadas de forma a levar os resultados a outros níveis. E a possibilidade de melhorarmos sempre, alcançar o que antes não era possível, gera energia, motivação, que talvez possa ser um dos “segredos” que têm levado a colheita florestal a resultados que evoluem. As alterações nas operações mais recentes estão mais associadas ao desgalhamento, quando aplicável. A atividade que normalmente era feita de maneira semimecanizada (com uso de motosserras, motodesgalhadeiras, foices) passou a ser feita em algumas empresas com uso de grades hidráulicas, que exigem máquinas adicionais. Outra forma é através da formação de feixe de madeira com árvores maiores e mais pesadas, sem a copa, que são arrastados pelo skidder, que se desloca sobre a pilha de árvores baldeadas e dispostas ao longo das ; beiras dos talhões.



produtores Como não temos, em linhas gerais, nenhum grande vazio a ser preenchido, o que nos cabe é a reanálise constante do como estamos fazendo e o que poderíamos fazer diferente para atingirmos resultado diferente. Nesse sentido, o planejamento é de suma importância. Não é sábio considerar que a colheita eficaz seja possível de se obter a partir da floresta pronta para a derrubada e operações subsequentes. É preciso considerar alguns pontos na fase de formação da floresta, que, se não tratados, têm impactos significativos nas operações. A definição de materiais genéticos produtivos, com menos copa, boa resistência física para o manejo da árvore quando da derrubada, a definição do alinhamento, do espaçamento, da distância que será percorrida pelas máquinas, o layout dos talhões e da malha viária. O volume médio individual das árvores tem enorme interferência nas produtividades da colheita. Enfim, o que não foi realizado de melhor na silvicultura certamente trará impactos na colheita, e, como algo normalmente não está no estado da arte, caberá sempre à colheita se adaptar a essa condição. A colheita tem representado na ordem de 40% do custo da madeira posta no pátio, o que nos dá a ideia de quanto é necessário atuarmos efetivamente para a manutenção dessa proporção ou, preferencialmente, pela diminuição desses custos. O planejamento precisa considerar uma série de variáveis, cujos graus de priorização podem sofrer alterações situacionais, como, por exemplo, a época das chuvas, ainda que esta tenha tido também suas variações. A relação cliente-fornecedor precisa ser aplicada fortemente na colheita, de forma envolvente e participativa. Em momento que antecede o início das operações, os responsáveis precisam visitar as áreas e criar entendimento do que é necessário ser feito, identificando cada ponto e tratando cada dificuldade, de forma a se obter os melhores resultados. É importante, aqui, que se tenha o entendimento de que alguma operação possa perder, desde que o processo a empresa ganhe. Às vezes, perde-se no deslocamento do arraste da madeira, mas, em contrapartida, evita-se aplicar uma melhoria em parte de estrada (menor investimento) e/ou ainda a possibilidade de transporte dessa madeira em época de chuva. Do aprendizado contínuo do processo, as maiores oportunidades têm surgido quando das realizações do microplanejamento. Nele, cada operação, considerando o que lhe trará melhor resultado, concilia os interesses, atuando como parte de um todo, focados na segurança, atendimento, custo e qualidade. Os especialistas se juntam, e é surpreendente o que tem sido alcançado, aonde temos chegado com esse trabalho. É surpreendente, mas não surpresa. A soma dos esforços pode e nos leva, de fato, mais longe. Porém não é suficiente ter macro e microplanejamento. É preciso usá-los. Indicadores precisam ser construídos e acompanhados numa periodicidade em

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Opiniões que seja possível perceber desvios, a menor ou a maior que as metas, em menor intervalo de tempo para que as devidas correções de rumo sejam tomadas. As máquinas de colheita, principalmente pelo custo de aquisição, não nos permite tão facilmente atualização do parque. Vez por outra, é possível atualizar alguns implementos durante a vida útil da máquina base. Os custos não são sempre convidativos nesse sentido. Das mudanças mais recentes e que trouxeram melhores resultados, temos aumentos nos tamanhos das garras traçadoras, ainda que, com custos consideráveis, nos permita, em alguns dimensionamentos de produção, optar por troca de equipamento maior e mais produtivo. Mas não podemos nos permitir pensar que estamos chegando ao limite das capacidades. É certo que, com os recursos atuais, ainda temos muito que andar, muito a fazer. Há ainda o quanto podemos anexar ao que já temos para atingir outros patamares. A começar pela mão de obra, respeitadas todas as regras associadas, temos uma oportunidade considerável. Há grande dificuldade em se obter operadores treinados. Os treinamentos ocorrem, em sua grande maioria, dentro das empresas, e o aprendizado, a evolução se fazem na medida em que trabalham nas operações. Há demanda de profissionais capacitados, e o mercado não oferta. Esse cenário pode ser equacionado com centros de treinamentos virtuais, com estruturas específicas a serem produzidas pelas universidades, por exemplo. É muito caro treinar mão de obra em equipamentos que, a priori, normalmente, existem nas empresas para atender às produções necessárias. Conhecer o que ocorre em tempo real com cada máquina, no sistema rodante, no motor e em implementos tem levado ao desenvolvimento de softwares que nos trazem indicadores importantes para o monitoramento do que, de fato, está ocorrendo. É necessária uma gestão muito próxima para que resultados melhores sejam atingidos e mantidos. O mercado tem oferecido algumas opções, e temos tido avanços, que têm estimulado o interesse do uso pelas empresas. Alguns sistemas têm sido desenvolvidos para dar menor variabilidade no tamanho das peças traçadas, o que é de grande importância em alguns usos da madeira. Os resultados ainda não foram satisfatórios. É impensável atingir e querer continuar atingindo cada vez degraus mais altos de produtividades, de custos, de qualidade, sem considerar o uso da tecnologia. A tecnologia tem capacidade de atuar melhorando significativamente o parque de máquinas atual e com muito mais expressão para o desenvolvimento de futuros modelos. Longo caminho foi percorrido, mas, dadas as possibilidades, quem sabe teremos, no futuro, a mesma comparação que hoje, quando o fazemos com colheitas realizadas com uso de motosserra? Fica a pergunta! n


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mudança no processo

de colheita florestal com interação na silvicultura A busca por melhorias e inovações em processos florestais, procedimentos operacionais e equipamentos de trabalho é foco de todas as empresas de base florestal na busca de redução de custos, aumento de produtividade e qualidade de trabalho e segurança. "

Fabiano da Rocha Stein Gerente de Suprimento de Madeira da Veracel

A busca por melhorias e inovações em processos florestais, procedimentos operacionais e equipamentos de trabalho é foco de todas as empresas de base florestal na busca de redução de custos, aumento de produtividade e qualidade de trabalho e segurança. Sendo assim, a realização de estudos que aperfeiçoem as operações e reduzam os custos operacionais torna-se cada vez mais importante. Para as atividades de colheita florestal, são amplamente usados os equipamentos do sistema Full Tree (feller buncher, skidder e garra traçadora), ou sistema Cut-To-Lenght (harvester e forwarder), sendo a escolha do sistema geralmente definida pelo uso final da madeira. O processo Cut-To-Lenght é caracterizado pela realização de todas as atividades complementares ao corte (desgalhamento, destopo, traçamento e descascamento), no próprio local onde a árvore foi derrubada. A derrubada é a que desencadeia mais impactos na manutenção mecânica, pois, com a queda da árvore suportada pelo cabeçote, o choque da queda provoca vibrações em todo o sistema estrutural e hidráulico do equipamento. O cabeçote processador possui uma estrutura metálica que envolve o conjunto de corte chamado “caixa do sabre”. Tal estrutura tem como uma de suas funções suportar e proteger o sabre com corrente quando apoiado no solo para realizar o corte da árvore. Assim, a distância do sabre, somada à massa de resíduo vegetal sobre o solo e perfil do terreno, não permite que a operação seja feita normalmente rente ao solo sem que haja danos à estrutura do cabeçote e sua ferramenta de corte.

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Já no processo Full-Tree, as árvores são derrubadas, arrastadas até estradas ou carreadores, onde são traçadas, podendo ser descascadas ou não por um processador. O feller buncher, equipamento florestal responsável pela primeira etapa desse sistema, possui cabeçote acumulador com ferramenta de corte tipo disco, no qual estão distribuídos os “dentes” que podem ser fabricados em material de aço e revestidos com outro metal de maior dureza chamado de vídia. Estes possuem alta resistência à abrasividade e ao esforço de trabalho. Isso permite esse tipo de equipamento colher áreas com grandes diâmetros como também áreas de segunda rotação, principalmente do gênero Eucalyptus. Nas atividades da Veracel, o sistema adotado é Cut-To-Lenght, por permitir adicionar, em média, 14 t/ha de matéria seca de casca (florestas colhidas aos sete anos de idade). Juntamente com outros resíduos deixados no campo, como folhas (2,5 t/ha) e galhos (6,87 t/ha), são a principal fonte de material orgânico para a formação futura de matéria orgânica do solo, por meio da ação decompositora dos microrganismos. Além disso, esses resíduos servem como cobertura e proteção do solo contra a incidência direta da irradiação solar e o impacto da chuva sobre o solo. Dentre todos os resíduos que permanecem na área, os tocos de eucalipto remanescentes após a colheita são os que mais dificultam a mecanização das operações silviculturais, como preparo do solo e adubação, impossibilitando o tráfego de máquinas e implementos devido ao impedimento físico. Portanto, assim como a silvicultura exerce forte influência sobre as operações de colheita, a colheita florestal tem papel fundamental na contribuição dos bons padrões de florestas, principalmente no que tange à compactação de solo pelo tráfego de equipamentos, organização da área pós-operação e altura de tocos ; resultantes do corte.


Opiniões Pensando nessa relação, a Veracel mudou seu sistema de colheita, buscando unir, mesmo que de forma parcial, as vantagens de cada equipamento participante e otimizar a especialidade de cada um, sendo assim o feller buncher destinado para a derrubada, harvester realizando somente o processamento e forwarder para o baldeio das toras. Manutenção de resíduos distribuídos na área colhida, ganhos de produtividade dos equipamentos, rebaixamento dos tocos, ergonomia operacional e melhor aproveitamento das árvores foram os principais ganhos encontrados nessa mudança. De forma resumida, foram encontrados, nas operações de colheita, ganhos significativos em produtividade dos equipamentos harvester e forwarder, ganhos ergonômicos nas atividades, melhora de logística interna de trabalho e redução de danos aos cabeçotes. Considerando a interação do novo sistema com as atividades silviculturais, este é ainda mais benéfico ao processo operacional de formação de florestas, sendo uma das grandes vantagens o rebaixamento de tocos remanescentes de segunda rotação, os quais, anteriormente, não eram possíveis de rebaixamento pela operação de colheita devido às limitações do cabeçote processador do harvester. O corte rente ao solo, permitido pelo uso de feller buncher, possibilitou à silvicultura mecanizar as áreas sem a necessidade prévia de rebaixamento de tocos. Os tocos remanescentes de florestas de segunda rotação dificultam a mecanização das atividades subsequentes da silvicultura.

Outro benefício foi o aproveitamento de madeira, pois tocos altos significam perda de madeira do tronco, exatamente no local onde o diâmetro do tronco está em seu máximo valor, que é na base da árvore. Quando deixamos cerca de 5 a 10 cm de altura de toco, perdemos entre 0,4% a 0,7% do volume útil e comercial do tronco. Quando esse toco fica alto demais, acima de 15 cm de altura, chega-se a perder até 1,5% a 2% do volume do tronco comercial da árvore. Em áreas de segunda rotação, a base da árvore possui alta densidade e acúmulo de areia e terra, impossibilitando o corte da cepa a uma altura menor que 15 a 20 centímetros, pois, além do impedimento físico proporcionado pelas laterais inferiores dos troncos, há o risco de quebra do sabre por prensagem pelo peso da árvore e alto desgaste das correntes de corte, reduzindo a eficiência operacional da atividade. Colher com feller buncher permite melhor aproveitamento da árvore, pois esse equipamento permite não somente nivelar o ângulo de ataque como também o corte de materiais de maior densidade. Esse foi um exemplo de que precisamos questionar os modelos de sistemas que existem em nosso setor e quebrar alguns paradigmas. Isso foi feito por dois engenheiros da Veracel, o que oportunizou aumento de qualidade, ganhos de produtividade, racionalização dos processos e de custos, pois, só assim, teremos condição de manter a indústria de base florestal brasileira sendo competitiva mundial. n

A Bortoli Mudas Florestais está no mercado há vinte anos oferecendo mudas de Pinus e Eucalipto preparadas com os melhores insumos e originadas a partir de materiais com excelente genética. Em localização privilegiada e dentro de uma região polo, o viveiro atende a empresas e produtores rurais de diversos tamanhos.

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Opiniões

o valor do talento Ao longo dos anos, o processo de colheita florestal evoluiu de forma significativa, alcançou um nível de mecanização extremamente elevado, transformou o ambiente de trabalho, deixando-o mais seguro, e reduziu os custos operacionais. Além disso, está exigindo maior qualificação da mão de obra operacional e da gestão, pois os recursos utilizados atualmente possuem alta tecnologia embarcada e precisam ser maximizados para trazerem, no menor tempo possível, o retorno do investimento realizado. Mesmo com tanta evolução, o processo de colheita ainda representa uma parcela expressiva dos custos de produção da madeira posto fábrica, merecendo, ainda, investimentos em pesquisa e desenvolvimento de tecnologias para ganhos de performance. Não há mais espaço para dúvidas em relação à necessidade de um exercício sistemático do planejamento para implementar as melhores alternativas.

O objetivo é maximizar as operações e, consequentemente, os lucros das empresas, preservando o meio ambiente e as particularidades sociais das regiões de atuação. Para isso, diversas tecnologias estão sendo disponibilizadas no mercado para conferir ao planejamento operacional maior confiabilidade e, aos gestores, maior agilidade no processo decisório. Nesse sentido, tecnologias via satélite estão ganhando força, pois disponibilizam, em tempo real, informações sobre o funcionamento dos equipamentos. A automação da colheita florestal tem permitido obter informações-chave para os gestores, aumentando, assim, as variáveis contempladas nos planejamentos operacionais. Todos os movimentos e operações envolvidos na colheita florestal podem, atualmente, ser disponibilizados em tempo real, tais como: localização dos equipamentos e sua utilização, consumo de combustível, Atrair e reter talentos é parte integrante do sucesso e da sustentabilidade da empresa, e isso não quer dizer apenas salários e incentivos. É algo maior. É transformar toda a organização para criar um ambiente no qual as pessoas queiram entrar e permanecer. "

Igor Dutra Souza

Gerente de Colheita de Madeira da Vallourec Florestal

produção por equipamento, necessidade de intervenção mecânica, distância percorrida, bem como o horímetro e a distância e o tempo de transporte do equipamento, informações básicas para a tomada de decisão na rotina de gestão de uma operação de colheita. O que antes demandava apontamentos em papel para posterior digitação, processamento e disponibilização para os gestores está disponível em tempo real em função da automação. Dentro desse processo, a telemetria – sistema tecnológico de monitoramento – permite extrair o máximo de cada equipamento, seguindo o que é recomendado pelo ;


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produtores fabricante, o que proporciona ganhos de eficiência, flexibilidade e economia, com reduções de custos operacionais e de manutenção. Toda essa tecnologia só faz sentido se utilizada de forma eficaz, monitorando diariamente o planejamento operacional para que os ajustes necessários para contornar possíveis desvios sejam feitos em tempo, o que garante eficiência operacional, disponibilidade mecânica e, consequentemente, produção por equipamento. A demanda por sistemas que fazem essa ligação entre “plano e real” está latente, pois a inteligência por trás de algoritmos é muito superior ao que conseguimos colocar em planilhas, por mais sofisticadas que sejam. Essa inteligência é capaz de “rodar” o planejamento com informações atualizadas e sugerir mudanças que vão ao encontro do que foi planejado, além, é claro, de construir um planejamento com o máximo de variáveis otimizadas. Com esse recurso, fica ainda mais clara a identificação dos gargalos operacionais, e é possível disponibilizar aos gestores o caminho para os trabalhos de melhoria contínua. Entretanto nem tudo será substituído pela automação, logo, padrões operacionais devem ser constantemente verificados in loco para assegurar que as atividades de colheita e pós-colheita sejam realizadas de acordo com as respectivas premissas técnicas. Contudo o controle de qualidade nas operações de colheita é fundamental para assegurar que o produto gerado em cada atividade esteja conforme demanda. Portanto itens importantes devem ser monitorados, como altura e/ou danos na cepa; ângulo, número de árvores, uniformidade e encabeçamento/alinhamento dos feixes de madeira; sentido de arraste/baldeio, disposição e altura das pilhas de madeira na borda do talhão; árvores perdidas no talhão; comprimento das toras de madeira; limpeza da madeira, entre outros. Seguindo essa linha, o controle “quantitativo” tem considerável importância. Podemos destacar: tempo de ciclo de cada operação; quantidade de árvores cortadas por hora; tempo de parada do equipamento por motivos operacionais e mecânicos; balanceamento da produção entre as operações; e tempo de permanência da madeira dentro e na borda do talhão. Quando falamos de controle “qualitativo e quantitativo” na colheita, entra, na minha visão, o segredo do planejamento, dos movimentos envolvidos e das operações de uma colheita florestal, pois estamos falando dos atores do processo: operadores e gestores. Evoluímos muito em equipamentos, recursos de monitoramento e ferramentas de controle, mas nada substituiu a habilidade e a liderança das pessoas. Muito pelo contrário, temos sido cada vez mais exigidos. Afinal, de que adiantam os avanços tecnológicos nos equipamentos se não tivermos operadores capacitados e com habilidades para extrair do equipamento o máximo permitido? De que adiantam os avanços em monitoramento dos

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Opiniões equipamentos se não tivermos gestores e lideranças capazes de utilizar essas informações, transformá-las em ganhos de performance e, consequentemente, redução dos custos operacionais? O foco em desenvolvimento desses atores do processo de colheita deve ser prioridade no planejamento das empresas, haja vista sua importância, a grande dificuldade de encontrar mão de obra qualificada, principalmente para o setor de manutenção mecânica, e o alto custo de formação dessa mão de obra internamente. A isso soma-se o risco de formação e a perda desse profissional qualificado para o mercado. Resumindo: o segmento continuará desenvolvendo equipamentos e tecnologias para suporte às operações, logo, as empresas precisam desenvolver sua mão de obra interna para extrair desses recursos sempre o melhor. Nesse sentido, atrair as pessoas certas para os cargos e estabelecer políticas de retenção e motivação dessa mão de obra qualificada, de modo a combinar objetivos próprios de carreira com os da empresa, é de extrema importância. Atrair e reter talentos é parte integrante do sucesso e da sustentabilidade da empresa, e isso não quer dizer apenas salários e incentivos. É algo maior. É transformar toda a organização para criar um ambiente no qual as pessoas queiram entrar e permanecer. Afinal, encontrar e manter os talentos necessários para o sucesso é um dos maiores desafios enfrentados pelas empresas. Importante salientar que é preciso simplicidade para garantir a continuidade e despertar a percepção de valor pelos principais interessados, os colaboradores. Alguns itens impactam fortemente na obtenção do engajamento: investir na ampliação do conhecimento técnico – formando operadores e mecânicos polivalentes para atuar em todos os equipamentos do processo de colheita; investir na capacitação e no desenvolvimento de operadores, buscando a autogestão e a divisão clara de responsabilidades; desenvolver programas de estímulo e valorização ao alto desempenho; incentivar o equilíbrio entre vida pessoal e profissional para aumentar a qualidade de vida; e investir no desenvolvimento da liderança responsável pelo crescimento direto da equipe. Ainda nesse contexto, investir na implantação de estruturas organizacionais que permitam um fluxo de trabalho ágil e eficiente, na comunicação clara e assertiva, em políticas de reconhecimento e consequência e nas relações de trabalho entre líder e liderado, são decisões que reforçam o impacto na obtenção do engajamento e, consequentemente, na efetividade dos profissionais. O engajamento é o vínculo afetivo, a vontade de ir além, e indica o entusiasmo pelo trabalho e pela empresa. Em um cenário no qual as pessoas são um dos fatores determinantes para o sucesso organizacional e um ativo vital, é chegada a hora de receber a mesma atenção dos grandes investimentos em desenvolvimento de equipamentos e tecnologias para o setor florestal. n


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e conhecimento

O conhecimento detalhado das atividades operacionais e um bom planejamento são aspectos fundamentais para garantir a eficiência de processos produtivos. O uso dessas informações determina uma tomada de decisão para o melhor modelo de produção e gera conhecimento para a melhoria do processo produtivo. Na área de colheita florestal, isso não é diferente, se faz necessário conhecer os detalhes das áreas em que iniciaremos a operação: quais as condições de acesso, as características de declividade, as restrições operacionais, os vizinhos no entorno da fazenda, as rotas para transporte de pessoas e madeira, a localização das redes elétricas e das áreas de preservação ambiental. A Fibria tem priorizado o uso de tecnologias de ponta como o LIDAR – Light Detection and Ranging, no levantamento de dados, aliado ao conhecimento de equipes multidisciplinares, que em vistorias ao campo consideram todos os aspectos e impactos no planejamento da operação. Ponto não menos importante são os indicadores, que impactam diretamente os custos e as capacidades de produção.

As equipes precisam ter a mesma visão e deixar de olhar somente para o resultado do seu processo; o que o seu processo ganha ou perde pode gerar um impacto ainda maior para o todo "

Luiz Sérgio Coelho de Cerqueira Filho Gerente de Colheita e Manutenção da Fibria-SP

Na atividade de colheita e de processamento com harvester, por exemplo, a produtividade (m³/h) por classe de árvore média, por classe de declividade, por rotação de floresta (primeira ou segunda). Já na operação com o forwarder, a distância de baldeio, classe de declividade, rotação de floresta. Para equipamentos, o custo de manutenção por tempo de uso da máquina, horas trabalhadas, dependendo dos períodos de chuva e estiagem, etc. Na operação de logística, a caixa de carga de cada tipo de composição por faixa de secagem das toras, produtividade dos caminhões nas ;


Opiniões estradas de terra, nas estradas asfaltadas, consumo de combustível por tipo de composição. Enfim, a lista de indicadores que interferem diretamente nos custos e na produtividade é grande. Com esse levantamento de dados, podemos, com o planejamento de longo prazo, buscar soluções para maximizar os resultados de nossas operações e, além disso, prever os resultados ano a ano, suportando a tomada de decisão, seja para a melhoria da eficiência operacional ou no apoio à estratégia de longo prazo da Fibria. Com base no planejamento de longo prazo, garantimos a sustentabilidade de nossa base florestal, definimos os planos de médio e curto prazo, o sequenciamento das fazendas, detalhando a operacionalização das atividades, tendo em vista as condições físicas e climáticas. Definido o planejamento anual, iniciamos uma nova etapa, o microplanejamento, que vai detalhar todas as atividades operacionais, ambientais e de relacionamento com comunidades, necessárias dentro de cada fazenda, a madeira a ser colhida e transportada até a unidade fabril. Em algumas atividades de planejamento, são utilizados dados de imagens de satélite, drones e informações disponibilizadas em tablets e smartphones, otimizando o deslocamento e, consequentemente, diminuindo custo e tempo gasto por equipes. Mas nada se consolida em resultado se a equipe de campo não estiver preparada para tomar as decisões necessárias de acordo com o planejamento realizado. O papel da liderança é fundamental para operacionalizar o planejamento, definir o posicionamento correto dos equipamentos na fazenda, sequenciar as atividades, considerando também as condições climáticas e adversidades, que possam indicar a necessidade de mudança de planos. É fundamental medir a aderência do realizado em relação ao planejado e entender o porquê dos desvios. Somente geramos aprendizado e melhoria do processo de produção se tivermos um processo sistêmico de análise, que, além de equipe de elevada capacidade analítica, também utiliza ferramentas de Business Intelligence, inteligência espacial de dados e uso de Big Data, em processos de análise com maior complexidade. Com o acesso facilitado às novas tecnologias, estamos automatizando cada vez mais nossos controles, sejam eles de produção, de consumo (combustíveis/lubrificantes), rastreamento de máquinas, caminhões etc. O que facilita a geração de informações com maior acurácia. Com essa gama de informações detalhadas e precisas, conseguimos entender perfeitamente que todos os processos estão conectados e são interdependentes, a variação em um processo impacta diretamente os demais e, consequentemente, o resultado do todo. As equipes precisam ter a mesma visão e deixar de olhar somente para o resultado do seu processo; o que o seu processo ganha ou perde pode gerar um impacto ainda maior para o todo, por isso a importância do planejamento integrado das operações. Só assim garantimos a eficiência do processo e o melhor resultado para o negócio. n

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o planejamento aplicado O planejamento florestal tem como objetivo otimizar e garantir a sustentabilidade econômica, ambiental e do abastecimento de madeira às fábricas, a curto, médio e longo prazos. Configurando-se, assim, em uma das principais atividades para o correto manejo dos recursos florestais, dada a complexidade de múltiplos destinos, espécies e produtos da empresa. O planejamento deve ser capaz de olhar para o sistema como um todo, preocupando-se com os vários elos da operação florestal, como colheita, transporte, silvicultura, estradas, ambiência e comercialização, de modo a alinhar ganhos locais com a otimização global da cadeia de abastecimento, respeitando restrições ambientais e de comunidades locais. Existem níveis distintos, com horizontes de tempo bem diferentes, com o objetivo geral de garantir o abastecimento e a minimização de custos, evitando que decisões de curto prazo possam comprometer a sustentabilidade do negócio a longo prazo e para que seja possível identificar gargalos e oportunidades no processo.

Quanto maior o detalhamento do plano, maior a complexidade e a necessidade de respostas rápidas. Um desafio encontrado é o de ter informações acuradas e disponíveis em tempo hábil para se analisar e tomar decisões que visem reduzir custos, aumentar receitas e manter o “equilíbrio” das operações. Com um planejamento cada vez mais detalhado e complexo, é necessário que se tenha processos estruturados, pessoas capacitadas e ferramentas de alta tecnologia. Por processos, entende-se um conjunto de atividades que produzam os entregáveis do planejamento florestal. Significa saber o que fazer, o que entregar, para quem e quais indicadores gerar. Pessoas qualificadas: quem faz o quê, papéis e responsabilidades bem definidos e capacitação delas nos processos e nas ferramentas. Por ferramentas, entende-se o apoio computacional para a realização dos processos e da obtenção dos resultados O planejamento configura-se, como uma das principais atividades para o correto manejo dos recursos florestais, dada a complexidade de múltiplos destinos, espécies e produtos da empresa. "

Andréia Pimentel e Diego Piva Cezana respectivamente, Coordenadora de Planejamento Florestal e Engenheiro de Planejamento Florestal da Klabin Coautor: Arnaldo S. Gunzi, Consultor de Projeto da Klabin

desejados, além da governança, que garante que o tripé citado tenha patrocínio gerencial para desempenhar a sua função com autonomia das demais áreas operacionais e que os gargalos e as oportunidades apontados sejam efetivamente mitigados/explorados pela gerência da companhia. O planejamento utiliza ferramentas de programação matemática para a otimização de recursos. Quanto mais próxima à realidade, ou seja, nos níveis semanal e mensal, ; mais complexa a modelagem.


Opiniões Ferramentas de otimização matemática tendem a ser pesadas, difíceis de manipular, exigindo vasta quantidade de dados para gerar respostas. Já simuladores simples, com menos variáveis, têm menos respostas, porém são mais rápidos e leves. O ideal é utilizar as duas abordagens, dependendo da complexidade e maturidade do processo: Além de modelos de otimização e de simulação no auxílio à tomada de decisão, são necessárias informações específicas de campo, que são levantadas com apoio do microplanejamento, que tem um papel fundamental no planejamento da operação em si, definindo a melhor alocação das estradas, pensando em sustentabilidade e custos das operações. O uso de tecnologia é de extrema importância para esse processo. Imagens de satélite, VANT e simuladores de custos são utilizados pensando em como agilizar e acurar as decisões tomadas nesse nível de planejamento. Os efeitos de uma estratégia são difíceis de serem mensurados diretamente. Um acerto ou erro hoje pode demorar anos até gerar frutos, e um dos desafios do planejamento é avaliar o impacto que cada decisão tomada hoje pode causar ao longo da cadeia florestal. Algumas práticas vêm sendo adotadas para avaliar ou mitigar esse impacto: • mensurar a valor presente o efeito de ações que desviam do plano; • inserir restrições atreladas a limites ambientais e de comunidades; • aumentar a integração entre níveis de planejamento. LONGO PRAZO: 30+ anos MÉDIO PRAZO: 5 anos Sustentabilidade do Negócio Cenários Estratégicos

Formação de Blocos

CURTO PRAZO: 18 meses

Plano de Estradas

Plano de Colheita • Estoques • Orçamento • Silvicultura • Biomassa

Investimentos

OPERACIONAL: 30 dias SEMANAL

Revisão mensal

Revisão semanal

Plano focado em logística • Estoques • Transporte • Baldeio

Revisão anual

Alta

Métodos Simulação

Métodos Otimização

Métodos Otimização

Média

Planilhas Apoio

Planilhas Simulação

Métodos Otimização

Baixa

Planilhas Apoio

Planilhas Apoio

Planilhas Simulação

COMPLEXIDADE

Revisão anual

Baixa

Revisão a cada 3 meses

Plano detalhado • Estoques • Colheita • Baldeio • Logística • Biomassa

Média

MATURIDADE DO PROCESSO

Alta

As atividades planejadas estão sujeitas a mudanças, como quebra de máquinas, consumo diferente do previsto e, principalmente, mudanças climáticas: a chuva afeta fortemente a construção de estradas e transporte de madeira; geadas podem impactar as atividades da silvicultura. Os horizontes mais operacionais (semanal e mensal) são os mais sensíveis às mudanças. Para contornar esses problemas, busca-se ter uma relação próxima com os clientes e fornecedores de informação. Para as variáveis climáticas, previamente são levantadas alternativas. Casos especiais necessitam rediscussão com os diversos elos da cadeia. Existem, ainda, eventos de baixa probabilidade de ocorrência e de alto impacto, são chamados Cisnes Negros (Taleb, 2007), que, apesar de raros, ocorrem na vida real e possuem um efeito devastador no negócio. Algumas práticas adotadas: • mapear possíveis eventos de alto impacto, como chuvas acima da média, geadas, vento ou redução abrupta da frota; • ter planos alternativos; • manter reservas estratégicas de recursos. O planejamento é fortemente impactado pela qualidade da informação recebida e pelas premissas adotadas; além disso, é necessário acompanhar uma série de indicadores para a tomada de decisão. Nesse contexto, um sistema de gerenciamento de informações é essencial. O sistema deve conter informações acuradas, atualizadas e fáceis de extrair, além de guardar um bom histórico dos dados. Dessa forma, planejamento florestal é um elo importante para garantir a correta exploração dos recursos florestais de uma empresa, de modo a antever gargalos e explorar oportunidades. Este deve olhar para a cadeia de abastecimento como um todo, mensurando ganhos globais. É importante visar à sustentabilidade no longo prazo, sem deixar de otimizar o curto prazo, assim como a implementação operacional deve ser levada em conta ao rodar o plano estratégico. Os processos de planejamento foram evoluindo a prazos cada vez mais curtos, que são fortemente ligados à logística de construção de estradas, de colheita e de transporte. O planejamento florestal da Klabin conseguiu avanços importantes nos últimos anos, entretanto há muito mais desafios a serem vencidos. Os processos estão em constante evolução, a fim de acompanhar as mudanças, estreitar laços com áreas clientes e atingir de forma plena os objetivos da empresa. n

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produtor rural

eu fui testemunha desta

história

Foi com surpresa que recebi o convite do editor-chefe da Revista Opiniões para ser articulista desta edição. Afinal, já se vão três anos que deixei o setor florestal, onde estive por quase 4 décadas. Agora sou produtor rural. Produzo café e, obviamente, madeira de eucalipto, em Capelinha, no Vale do Jequitinhonha-MG. Na conversa inicial, ele me sugeriu que escrevesse sobre a história da mecanização da colheita florestal em Minas Gerais – da qual fui testemunha. Aceitei o desafio. Espero que a leitura seja agradável aos que a ela se dispuserem. Tive a honra de trabalhar, por 36 anos, em uma empresa siderúrgica de Minas Gerais que produz aço verde a partir de carvão vegetal, oriundo de floresta plantada de eucalipto. Essa empresa era estatal. Em 1992, foi privatizada. O corpo diretivo da agora empresa privada estabeleceu que a transformaria

O setor florestal tem uma característica única: a livre troca de informação entre as equipes de produção das grandes empresas, as visitas constantes entre elas, os seminários e a interação com o meio acadêmico. "

Paulo Sadi Silochi Produtor Rural

em uma corporação de primeiro mundo, na qual não haveria espaço para o modelo, terceiro mundista, de produção de carvão vegetal praticado pela subsidiária florestal. O carvão vegetal, matéria-prima da indústria, em breve seria substituído pelo coque. Estava aí estabelecido o desafio para a empresa florestal: ou se reinventava ou desapareceria. Esse foi o ponto de partida para a antiga Acesita Energética se tornar a primeira empresa florestal de Minas Gerais a mecanizar a colheita florestal. ;

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Opiniões


Qual é o diâmetro do seu problema?

Detalhe de encaixe para ferramentas de 4 lados

• Disco de corte com encaixe para

utilização de até 20 ferramentas, conforme possibilidade devido ao O // externo.

• Diâmetro externo e encaixe central

de acordo com a máquina

de corte para Feller P Discos conforme modelo ou amostra P Discos especiais conforme desenho P Pistões hidráulicos (fabricação e reforma) P Usinagem de peças conforme desenho ou amostra Rolamentos para bug e giro de cabeçotes feller: recuperação, reforma, P troca de esferas e espaçadores de rolamentos do bug de skider, forwarder (outros)

• Esferas em aço inox ou aço cromo • Espaçadores em nylon ou latão

(fabricados conforme medida para o mínimo de folga entre as esferas)

D’Antonio Equipamentos Mecânicos e Industriais Ltda. Av. Marginal Francisco D’Antônio, 337 - Água Vermelha - Sertãozinho - SP Fone: 16 3942-6855 - Fax: 16 3942-6650 dantonio@dantonio.com.br - www.dantonio.com.br


produtor rural Formou-se uma equipe de planejamento estratégico, multidisciplinar, com os principais técnicos da empresa, os quais saíram em busca de soluções. Neste artigo, vou me ater às soluções da colheita florestal, que é o foco desta edição. Foram visitadas todas as principais empresas florestais do País, tanto as de base siderúrgica como as de celulose. A equipe viajou para os Estados Unidos, Canadá, Suécia e Finlândia, países de forte economia florestal e com variados sistemas mecanizados de colheita de madeira. Lá foram visitadas inúmeras empresas, pequenos e grandes produtores e fábricas de equipamentos florestais de várias marcas. A presença em feiras como a Demo, no Canadá, e a Elmia, na Suécia, era obrigatória. A cada viagem, ficava claro que os países visitados possuíam um adiantado sistema operacional e uma sólida economia de base florestal, mas com enorme barreira. As florestas de lá levavam até 70 anos para chegarem ao ponto de corte e nem por isso deixavam de ser plantadas novamente por quem as colhia. No Brasil, atingiam esse mesmo estágio com sete anos. Nos países escandinavos, a colheita florestal era feita por fazendeiros, com suas próprias máquinas, e a madeira, entregue na indústria. Esses fazendeiros se deslocavam para as frentes de trabalho em automóveis Volvo e Scania que até hoje a maioria da nossa população não têm condição de adquirir. Como o produto final deles ia para o mesmo mercado que o nosso, sempre ficou claro que, no futuro, o Brasil teria um custo imbatível e seria muito competitivo. Só não é mais pelo nosso sistema político fiscal e pela falta de infraestrutura, enfim, o custo Brasil. As viagens empreendidas permitiram a seguinte convicção: em um futuro breve, a exemplo dos países mais desenvolvidos, aconteceria uma escassez de mão de obra no Brasil. As novas gerações não se submeteriam mais a trabalhos manuais extenuantes. Os filhos de operadores de motosserra, carvoeiros e outros profissionais jamais seguiriam os passos dos pais. Ventos do neoliberalismo sopravam forte, e estudos mostravam que, em breve, o salário mínimo chegaria à casa dos US$ 100 mensais, tornando o uso intensivo da mão de obra proibitivo. Esses indicadores mostravam que a mecanização imediata era imperiosa. O modelo de produção definido como o mais apropriado foi o de colheita de madeira em grandes volumes, com módulos compostos por feller buncher, skidder e garra traçadora. A indústria nacional não fabricava nenhum desses equipamentos. A importação era proibitiva. Optou-se, então, por iniciar testes com o feller de roda, que era mais acessível e já usado com sucesso em São Paulo pela área de celulose. Com pouco tempo de uso do feller de roda, o sistema mostrou-se viável e já pedia melhoria. Partiu-se, então, para a substituição do feller de roda pelo de esteira. A importação continuava proibitiva. Conseguiu-se, então, um parceiro nacional, que passou a fabricar, em Piracicaba, escavadeiras adaptadas ao serviço florestal.

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Opiniões Com a máquina básica nacional, tornou-se viável a importação dos cabeçotes de corte, garras traçadoras e garras de movimentação de madeira. Foi a redenção da colheita mecanizada. Com as mudanças econômicas do País, foi possível, mais tarde, importar as máquinas de colheita diretamente dos fabricantes. Simultaneamente, desenvolveram-se fornecedores nacionais para as ferramentas de corte, carga e descarga de madeira. Implantar um sistema de colheita mecanizada no Vale do Jequitinhonha, uma região afastada dos grandes centros comerciais, longe de qualquer fornecedor, era outro desafio. Foi necessário desenvolver equipes de manutenção própria, qualificar os mecânicos e operadores. A logística de abastecimento dos equipamentos e de deslocamento dos mesmos foi outra barreira vencida. Como não existiam simuladores para formar os operadores, a missão ficou com os instrutores florestais. A forma de consolidar a nova cultura mecanizada foi erradicar a motosserra da empresa para não se ter um plano “B” e evitar o efeito serrote e a tentativa de, perante as dificuldades, voltar à antiga rotina. Os ganhos com a mecanização da colheita foram enormes. Os custos caíram na mesma proporção em que o sistema ia se consolidando. O trabalho em três turnos no campo igualou a empresa rural à indústria. A qualificação dos empregos melhorou. A exigência de maior escolaridade dos operadores facilitou as implantações dos controles informatizados. Esse pessoal passou a ser elite e a gerar novas demandas no mercado local, passando a ser também geradores de empregos. A mecanização da colheita e das outras atividades produtivas, a melhoria genética dos plantios e um inovador manejo florestal permitiram a sobrevivência da empresa, pois ficou competitiva e desbancou o uso do coque em favor do carvão vegetal. A adoção de certificações internacionais foi uma consequência e serviram de aval para um trabalho executado com responsabilidade social, ambientalmente correto e economicamente viável. O processo de melhoria contínua e de qualidade total também foram fundamentais para a equalização do projeto. O segredo para o sucesso da transformação de uma empresa florestal em uma corporação de primeiro mundo foi o planejamento estratégico que definiu aonde e como se queria chegar em dez anos. Estabeleceu cada passo da jornada, com constantes correções de rumo. A busca de conhecimento e troca de informações com as empresas congêneres foi outro pilar de sustentação. O setor florestal brasileiro tem uma característica única, que contribuiu para seu imenso crescimento e torná-lo imbatível: a livre troca de informação entre as equipes de produção das grandes empresas, as visitas constantes entre elas, os seminários e a interação com o meio acadêmico. Com o avanço das tecnologias, o desafio a ser posto para os atuais planejadores estratégicos das empresas florestais e fabricantes de equipamentos é como colocar a inteligência artificial a serviço da colheita florestal. n



cientistas

detalhes que têm transformado os

processos

Coautores: Damáris Gonçalves Padilha e Valmir Werner, respectivamente, Professora de Floresta de Precisão e Professor de Máquinas e Mecanização Agrícola da UF-SM

Apesar de o Brasil estar na lista dos maiores produtores de matéria-prima advinda de floresta plantada, grande parte dos empreendimentos no País apresentam baixa precisão nas atividades operacionais, desde as atividades pré-implantação, implantação e manejo até as operações de colheita. "

Catize Brandelero Professora de Colheita e Transporte Florestal da UF-SM

Com o passar do tempo, acompanhamos significativas mudanças no setor florestal, que, em sua maioria, vêm marcadas por quebras de paradigmas aliadas a muito trabalho das empresas e das instituições de ensino e de pesquisa. A evolução traz consigo várias dúvidas e incertezas que podem ser minimizadas ao inserirmos táticas de controle e gerência nos processos de planejamento. No planejamento florestal, essa evolução demanda de novas estratégias que têm originado um novo panorama na gestão da cadeia produtiva, focando, basicamente, nas exigências do mercado consumidor com relação à qualidade e à disponibilidade dos produtos florestais. Os processos de certificação florestal também têm pressionado a reorganização das empresas do setor, estabelecendo padrões para melhoria na gestão e na qualidade em seus processos. Nesse contexto, o que se observa é o franco desenvolvimento de modelos de planejamento florestal, apoiados no surgimento de cada tecnologia emergente no mercado, que visam contribuir como aporte facilitador das operações. O planejamento das operações florestais transcendeu para a era digital, trazendo consigo demandas e desafios. Com o preceito de preparar os empreendimentos, em um determinado período de tempo, seguindo planos e métodos, o planejamento, na atualidade, vem potencializando a integração de diversos setores, tornando-se um facilitador pa; ra a tomada de decisões.

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Opiniões Ao mesmo tempo, proporciona não apenas a possibilidade de antever restrições e futuras falhas no processo produtivo, mas também otimizar as operações, melhorar a produtividade, reduzir os gastos, organizar a manutenção, incrementar a lucratividade operacional e, ainda, contribuir para a saúde e bem-estar de todas as pessoas envolvidas no processo. Com relação às evoluções das operações mecanizadas da colheita florestal no País, estas contribuíram para que assumíssemos representatividade junto ao mercado internacional de produtos de origem florestal. Isso porque o mercado tem solicitado que os gestores de colheita interajam de forma dinâmica nos setores técnicos, ambientais e sociais, pois se tem a compreensão de que colher florestas não é somente dispor um modal no campo, organizar uma estrutura física ou planejar estratégias. O empreendimento florestal requer a excelência na gestão das operações, logo, a meta é realizar um excelente planejamento, zelar nos detalhes e inovar sempre. Estar entre os líderes do mercado mundial não tem sido uma tarefa fácil, pois exige trabalho e dedicação constante de todos os setores, para assim manter os projetos em plena atividade. Com o entendimento de que os pequenos detalhes, hoje, fazem a diferença, o microplanejamento tem se apresentado como uma ferramenta importante no processo produtivo como um todo, ao apontar as qualidades e as possíveis falhas nas operações, pois visa ao melhor aproveitamento do tempo e ao aumento da produtividade. Nesse enfoque, o estudo de tempos e de movimentos possibilita: determinar o tempo-padrão que se deseja alcançar em uma tarefa específica, indicar a melhor forma de executar esse trabalho, padronizar esse trabalho dentro de suas limitações e, ainda, orientar os operadores através de treinamentos, até que as metas estipuladas pela empresa sejam alcançadas. Na prática, com esse estudo, passamos a conhecer os tempos investidos na operação e obteremos os indicadores de produtividade média, rendimento operacional médio; grau de disponibilidade mecânica e eficiência operacional, considerados básicos para manter um ativo de colheita florestal. No cenário atual, não podemos deixar de mencionar a evolução que ocorre junto aos operadores, que passaram a ser gestores das máquinas com sistemas complexos, demandando eficiência e treinamento, pois não basta apenas operar. É também necessário ser mantenedor, gerir os processos de manutenção de qualidade total e, ainda, ser capaz de transferir conhecimento. Em função de normas e legislação cada vez mais restritas, a padronização da produção de máquinas é uma realidade cada vez mais presente no meio. A eletrônica embarcada exige dos fabricantes essa padronização para possibilitar a comunicação entre os diversos componentes, atendendo à padronização Isobus. No Brasil, a partir de janeiro deste ano, entrou em vigor a lei que estabelece os limites máximos de emissão de poluentes nos motores fase Proconve Mar-1, com potência igual ou superior a 75 kW (101 cv) até 560 kW (761 cv) (Mar-1 2011). Para atender aos limites estabelecidos, são necessários motores com injeção eletrônica, sistemas de recirculação de gases do escapamento (EGR) e redução catalítica seletiva (SCR), bem como combustível de melhor qualidade.

Ainda na operação, não podemos deixar de mencionar o controle do tráfego das máquinas dentro do talhão. Entender e planejar o deslocamento das máquinas pode minimizar o agente negativo e a compactação do solo para a próxima etapa produtiva. Se o microplanejamento for capaz de fazer essa leitura de forma pontual e geoespacializada, as próximas interferências serão locais e precisas. Parece pouco, mas, assim, estamos entrando na engenharia de processos conhecidos, em que podemos realizar interferências setorizadas ou pontuais, conforme demandas em cada área, compreendo, enfim, a dinâmica e a complexidade da variabilidade espacial do empreendimento (floresta de precisão). Acompanhando a evolução do setor, podemos citar, ainda, tendências e expectativas do mercado, como automação de processos; controles pontuais; controle diário de informações em tempo real, com acompanhamento do ciclo efetivo; reconhecimento de alta precisão da variabilidade espacial dos indicadores biofísicos, antrópicos e socioeconômicos; e simuladores de realidade virtual e de cenário futuro das condições dos ativos. Essa evolução, contudo, considera a execução de um acompanhamento pleno das necessidades de mudanças de estratégias, as quais devem preconizar a viabilidade dos empreendimentos. Aliadas a essa premissa, as geotecnologias têm disponibilizado uma gama crescente de equipamentos, ferramentas e metodologias inovadoras para a compreensão da complexidade que envolve todo o processo de planejamento florestal. Apesar de o Brasil estar na lista dos maiores produtores de matéria-prima advinda de floresta plantada, grande parte dos empreendimentos no País apresentam baixa precisão nas atividades operacionais, desde as atividades pré-implantação, implantação e manejo até as operações de colheita. É compreensível que os questionamentos em relação à viabilidade de técnicas e da tecnologia estejam sempre presente, uma vez que estas tenham avançado a passos largos, exigindo daqueles que delas necessitam visão e coragem para ousar. Isso porque existem situações de incertezas relativas à precisão e à eficácia de algumas das informações utilizadas como parâmetros para a tomada de decisão. Cabe destacar que as incertezas tendem a ser temporárias. Na medida em que os estudos, os processos, as técnicas e os equipamentos são consistidos e otimizados, sua aplicabilidade se torna efetiva e eficiente, repercutindo na evolução da gestão e do gerenciamento das atividades florestais. Diante desse cenário de transformações e preocupados com a exigente demanda do mercado de trabalho no setor florestal, grande parte da academia tem buscado inovar não apenas nas temáticas abordadas em sala de aula, mas também no perfil do profissional engenheiro florestal que será disponibilizado ao mercado. É salutar e primordial que o estreitamento empresa-academia seja constantemente estimulado e fortalecido, visto que muito dessa evolução já está em prática no campo. Portanto temos a certeza de que não há como garantir formação de qualidade se desconsiderarmos as transformações e as tendências estabelecidas pelo setor produtivo e pelo mercado consumidor; e é acreditando nessa relação que o nosso grupo de pesquisa tem trabalhado. n

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cientistas

Opiniões

colheita nas áreas de fomento Atualmente, no Brasil, várias empresas florestais investem significativamente em incentivo aos produtores rurais, por meio do plantio de florestas nas propriedades rurais. Em algumas regiões, o fomento já representa, aproximadamente, 30% do abastecimento da indústria. O incentivo é feito de várias formas: com o apoio ao produtor no fornecimento de mudas de alta qualidade, fertilizantes, formicidas, herbicidas, adiantamento de recursos financeiros, garantia da compra da madeira ou produto fomentado e, principalmente, assistência técnica. A garantia de compra a preço de mercado e a assistência técnica são imprescindíveis, pois a grande maioria dos produtores rurais não estão habituados ao cultivo de florestas de produção com elevado nível tecnológico – e não têm tradição nisso. O planejamento deve abranger a escolha da área, o licenciamento ambiental, o mapeamento dos talhões, o cercamento, o alinhamento do plantio, a construção de estradas, o preparo do solo, as fertilizações, o plantio e as manutenções. As atividades prévias e a silvicultura, quando realizadas de forma correta, favorecem muito a colheita florestal, com maiores rendimentos e menores custos. O corte, a extração, o empilhamento, o carregamento e o transporte são as operações mais caras, chegando a representar mais de 50% dos custos do produtor rural com a atividade. Como na maioria das vezes a floresta plantada na propriedade rural é uma atividade oriunda da diversificação de culturas, os plantios se localizam nas áreas mais distantes da sede, por vezes em terrenos declivosos, desgastados e com baixa fertilidade natural. Daí a importância da assistência técnica contínua para garantir o planejamento correto, o uso das técnicas apropriadas de condução da floresta, garantindo, consequentemente, alta produtividade. O produtor rural e a empresa fomentadora devem estar sempre atentos a cumprirem a legislação trabalhista, ambiental e as exigências de controle de qualidade em todo o processo de produção.

Como se trata de operações de altos custos, o produtor rural deve atentar para planejar todos os seus custos de produção, colheita e transporte. "

Nilton Cesar Fiedler

Professor de Mecanização e Colheita Florestal da UF-ES

Para isso, é muito importante que os profissionais da assistência técnica sejam também fiscalizadores, com orientação correta durante todo o ciclo de produção. Assim, para a colheita, todos os trabalhadores devem ser registrados, treinados, orientados a trabalhar com segurança, portando os equipamentos de proteção individual adequados e sempre em boas condições de uso. As máquinas, os equipamentos e as ferramentas utilizadas devem ter manutenção frequente e correta. As atividades realizadas são de alta periculosidade. Assim, as equipes de trabalho devem seguir normas e procedimentos rígidos de segurança, como trabalhar com distância de segurança adequada entre equipes, atentar sempre para as regras de trabalho com condições meteorológicas adversas, como ventos, raios e chuva. Para realizar a atividade de colheita e transporte com segurança, qualidade, satisfação de todos os envolvidos e atendimento à legislação, o produtor rural deve atentar para que tenha sempre próximo das equipes uma área de convivência, locais para as refeições e banheiro. Além disso, deve haver local apropriado para as manutenções preventivas e corretivas das máquinas, armazenamento de óleos, graxas, peças e combustíveis e local apropriado para o acondicionamento do lixo gerado com as operações. Como se trata de operações de altos custos, o produtor rural deve atentar para planejar todos os seus custos de produção, colheita e transporte. Deve avaliar quais são as melhores decisões para uma maior produtividade, menor custo e com a qualidade necessária. É de vital importância que os produtores, junto com os técnicos, busquem as tecnologias disponíveis e as opções para operacionalizar as atividades. Assim, é importante que visitem outros produtores rurais fomentados e dialoguem com eles, para que sejam tomadas as melhores decisões. O fomento ao produtor rural é uma parceria imprescindível para as empresas florestais e o proprietário rural, pois gera, na indústria, opção para auxílio no abastecimento e proporciona trabalho e renda para as pessoas que vivem no campo e toda uma cadeia de produção, principalmente em municípios carentes do interior do País. São atividades que diminuem o êxodo rural e proporcionam melhoria na qualidade de vida dos produtores, seus familiares e trabalhadores rurais. Assim, o plantio e a condução de florestas pelos produtores rurais devem ser cada vez mais incentivados pelas empresas florestais e órgãos governamentais.n


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cientistas

o custo total da colheita

florestal A substituição do trabalho manual pelos sistemas mecanizados e automatizados, que, atualmente, predominam na maioria dos plantios florestais, proporcionou marcantes mudanças no planejamento, na organização, na administração e no controle operacional. "

Paulo Torres Fenner Professor de Colheita e Transporte da Unesp-Botucatu

A evolução dos sistemas de colheita florestal e da logística de abastecimento das indústrias florestais contribuiu fortemente para que o setor florestal brasileiro se tornasse um dos principais líderes globais na produção de madeira de reflorestamento. A substituição do trabalho manual pelos sistemas mecanizados e automatizados, que, atualmente, predominam na maioria dos plantios florestais, proporcionou marcantes mudanças no planejamento, na organização, na administração e no controle operacional. Com a mecanização, diversos aspectos ergonômicos foram melhorados, com destaque para a redução do esforço físico, do absenteísmo e do número de acidentes de trabalho, entre outros.

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A redução da quantidade de mão de obra, por sua vez, tornou todo o gerenciamento mais fácil e ágil. Houve, também, um aumento na produtividade, na eficiência e na qualidade e uma redução no custo por metro cúbico de madeira. Por outro lado, a mecanização e as novas tecnologias expuseram novas restrições, problemas e desafios. Sistemas de colheita florestal mecanizados com máquinas como: harvester, feller buncher, skidder e forwarder só são economicamente viáveis para grandes áreas. Além disso, para que essas máquinas tenham boa performance, a mão de obra precisa ser qualificada e altamente especializada. As árvores, preferencialmente clonadas, devem ter características específicas de casca, retidão, cilindricidade, galhosidade, diâmetro e altura. Com a mecanização, aumentou o consumo de energia e a emis; são de CO2 por metro cúbico de madeira colhido.


Opiniões Em 2011, Becker, Fischbach e Fenner compararam sistemas de derrubada e extração de madeira e verificaram que tanto o consumo de energia quanto a emissão de gases de efeito estufa mais do que duplicaram ao substituir um sistema semimecanizado (motosserra e força animal) por um mecanizado (harvester e forwarder). O setor florestal é reconhecido pelas remoções de GEE (gases do efeito estufa) e pelos estoques de carbono nas áreas de plantio e de conservação. Segundo estimativa publicada em 2016, no Relatório IBÁ – Indústria Brasileira de Árvores, os 7,8 milhões de hectares de área de plantio florestal no Brasil são responsáveis pelo estoque de, aproximadamente, 1,7 bilhão de toneladas de CO2 eq (dióxido de carbono equivalente). No entanto estima-se que, para a colheita mecanizada (harvester e forwarder) de 1 hectare de eucalipto, com 250 m3 de madeira, seriam necessários cerca de 37 mil kW de energia e seriam emitidas cerca de 3 toneladas de GEE. Se considerarmos que, no Brasil, é colhido mais ou menos 1 milhão de hectares por ano, teríamos um consumo de cerca de 37 bilhões de kW de energia e a emissão de 3 milhões de toneladas de GEE, apenas nas operações de derrubada e extração da madeira, sem incluir o transporte. Embora sejam estimativas, elas servem para alertar que a busca por máquinas, veículos e sistemas menos poluentes se tornou uma questão chave para o setor florestal, especialmente neste momento, em que se discute a descarbonização da economia. A questão dos danos ao solo e ao meio ambiente é outro problema que ainda não foi resolvido. O cultivo mínimo e a eliminação das queimadas representaram um grande avanço nesse sentido. O emprego de máquinas equipadas com pneus de baixa pressão e a adoção de sistemas de colheita com o tráfego concentrado nos ramais de extração também contribuíram para reduzir os danos ao solo. Porém a busca pelo aumento da produtividade vem implicando o emprego de máquinas maiores e mais pesadas, cujos efeitos sobre o solo ainda são desconhecidos. O emprego de máquinas e sistemas que têm como característica trafegar randomicamente no interior dos talhões, como usualmente acontece por exemplo com os skidders, resulta que, ao final da extração, praticamente toda área do talhão foi trafegada e compactada. Sabe-se que não é possível evitar o tráfego de máquinas durante a colheita. Entretanto quanto mais concentrado nas trilhas ou ramais, menores serão os danos causados pelo tráfego e menor será a área afetada pela compactação.

Atrelado ao problema da compactação está o risco de erosão do solo. Sabe-se que, em geral, tanto no interior dos talhões quanto nas estradas florestais, o risco de erosão do solo é pequeno. Porém as mudanças climáticas expõem um novo cenário que poderá afetar a logística da colheita e do transporte florestal, afetando os preços e a disponibilidade dos recursos florestais. As mudanças climáticas vêm alterando os aspectos que mais interferem no processo erosivo, que são a intensidade, a duração e a frequência das chuvas. Chuvas mais intensas e mais frequentes aumentam o risco de erosão, especialmente nas áreas de relevo mais acidentado. Isso pode resultar em consequências tanto in site quanto off site. As consequências in site, como a perda de solo e de nutrientes, a abertura de sulcos, a deterioração das estradas e os danos às APPs, têm efeitos imediatos, pois reduzem a produtividade dos povoamentos e geram custos de recuperação. Já as consequências off site resultam no assoreamento de rios, lagos e represas, com custos ainda desconhecidos. O efeito conjunto desses diversos fatores: máquinas maiores, tráfego randômico e mudanças climáticas criam uma condição de maior risco de erosão. Em suma, não se pode afirmar que máquinas ou veículos maiores são menos adequados, pois, por exemplo, caminhões com 50 toneladas de carga líquida, em geral, consomem menos combustível e emitem menos GEE por unidade transportada do que os de 40 toneladas. Muito embora o setor florestal contribua para a redução das causas do efeito estufa, é razoável acreditar que os efeitos das mudanças climáticas não serão eliminados em curto prazo. Também não é possível imaginar, em larga escala, o processo inverso da mecanização e da automação. Esse cenário revela que, além dos problemas já conhecidos pelos profissionais do setor florestal, um novo conjunto de fatores e restrições requer atenção no planejamento operacional moderno. O desafio está em escolher o melhor sistema de colheita florestal não apenas pelo valor de aquisição das máquinas, veículos e equipamentos, ou pelo custo por unidade produzida. Mas sim a escolha deve considerar também os danos ao solo e ao meio ambiente, o consumo de energia e a emissão de GEE por metro cúbico colhido. Da mesma forma, é um desafio acrescentar ao custo de colheita e transporte de madeira, que sempre foi um dos gargalos do setor florestal, os novos custos decorrentes das mudanças climáticas, da recuperação dos passivos ambientais, bem como os demais custos necessários para se adaptar à nova política econômica de baixo carbono. n

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cientistas

Opiniões

os detalhes de uma Nos últimos 30 anos, a colheita florestal no Brasil passou por considerável transformação, sobretudo a colheita mecanizada, a qual culminou na substituição de maquinário agrícola por máquinas e equipamentos fabricados especificamente para o setor florestal, o que assegurou maiores capacidades produtivas, empregados principalmente por empresas de grande porte. Destarte, com a consolidação da mecanização e, por conseguinte, com a inovação tecnológica, tornou-se imprescindível às empresas do setor florestal, propiciar qualificação profissional aos seus colaboradores, para capacitá-los a maximizar os resultados organizacionais. Para alcançar tal objetivo, houve a necessidade da adoção de instrumentos que permitiram a efetividade organizacional que, ao serem aplicados, contribuíram para o equilíbrio emocional dos colaboradores e para o aumento da potencialidade desses recursos humanos, determinantes para o planejamento operacional e estratégico das empresas florestais. Assim, a aplicação de conceitos como eficiência e produtividade das operações é de suma importância para a avaliação do grau de excelência das operações de colheita florestal. A eficiência indica como os fatores produtivos estão sendo empregados; analogamente, a produtividade operacional constitui a essência da eficiência, portanto, como premissa, faz-se necessário o estabelecimento do macroplanejamento e do microplanejamento florestal. Nos últimos 30 anos, a colheita florestal no Brasil passou por considerável transformação, a qual culminou na substituição de maquinário agrícola por máquinas e equipamentos fabricados especificamente para o setor florestal "

Danilo Simões

Professor de Economia Florestal da UNESP-Itapeva

O macroplanejamento florestal elaborado pelo gerente de operações florestais contemplará informações acerca de áreas a serem cortadas, rotas de transporte, investimentos financeiros a serem realizados, entre outros, enquanto o microplanejamento florestal preparado de forma paulatina pelo supervisor florestal visa obter, com acurácia, informações pontuais sobre os reflorestamentos comerciais a serem cortados e principalmente sobre o modal de colheita a ser empregado.

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colheita

O modal de colheita demanda da estruturação de algumas vertentes, dentre as quais se destacam produtividade das máquinas e implementos florestais, custos e ergonomia. Essa abordagem vem sendo desenvolvida junto às empresas florestais com o objetivo de incorporar um planejamento orientado a maximizar a produtividade operacional, minimizar o custo horário do maquinário florestal e, consequentemente, do custo da colheita florestal, o qual impacta fortemente o custo final do produto e, por último, mas não menos importante, a ergonomia no posto de trabalho, a qual vem alcançando uma visão de primordial importância por parte das empresas e das universidades, por consentir o entendimento das interações entre os seres humanos e os fatores produtivos. Desse modo, tornaram-se indispensáveis modais com sistema de posicionamento global, com vistas a disponibilizarem aos gestores informações em tempo real sobre localização, frequência do uso, consumo de combustível, monitoramento da fadiga dos operadores, dentre outros fatores, que possam subsidiar o processo de tomada de deci; são gerencial.


macroplanejamento quanto o microplanejamento florestal são submetidos a eventos, cujos tempos e dimensões não podem ser previstos. Essas operações estão sujeitas a contratempos relacionados à declividade do terreno, clima, arranjo produtivo, finalidade da madeira, nível de treinamento dos operadores, entre outros, e, portanto, possuem incertezas intrínsecas. Essas incertezas exercem um impacto importante sobre os ativos de uma empresa florestal, sobretudo aos modais de colheita, em decorrência da representatividade dos investimentos financeiros realizados, que são determinantes na operacionalização da empresa como um todo. Nesse contexto, a aplicação do conceito de risco permite, a partir de dados determinísticos ou históricos, a realização de simulações estocásticas, ou seja, procedimentos que geram números pseudoaleatórios que proporcionam condições para mensurar e identificar os riscos técnicos e econômico-financeiros envolvidos nas operações florestais. Com a adoção desse procedimento, torna-se possível a obtenção de distribuições probabilísticas, isto é, possibilita descrever o comportamento das variáveis de interesse, como os tempos dos movimentos envolvidos nas operações, cronogramas da colheita, produtividade operacional, custo horário do maquinário e de colheita florestal, dos métodos quantitativos de análise de investimentos financeiros, dentre outros. Logo, é uma condição de caráter essencial e determinante para a escolha das melhores opções disponíveis para a aquisição da matéria-prima, a madeira. n

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O gerenciamento dessas informações são conquistas potencializadas na última década que vêm sendo adotadas frequentemente pelas empresas de base florestal, por propiciar o aumento da eficiência, com base em informações mais fidedignas, como a compreensão dos movimentos realizados durante as operações de colheita. Esses movimentos, se realizados de forma demasiada e desnecessária, influenciam, respectivamente, a qualidade do trabalho dos operadores e, principalmente, a produtividade das operações. Nesse sentido, outra contribuição tecnológica para as operações de colheita florestal são os simuladores de realidade virtual, que permitem capacitar os operadores em diferentes situações de trabalho, de forma a minimizar os tempos com os movimentos que compõem as operações. Esses movimentos, normalmente, ocorrem de forma planejada para cada modal de colheita, o qual diferencia-se em função da especificidade do produto final, como celulose, painel particulado ou biomassa florestal. Ademais, forneceu subsídios para a eliminação de um atraso tecnológico por parte dos operadores, ou seja, possibilitou a atualização e a formação de novos operadores, afora permitir a redução de danos mecânicos das máquinas e fisiológicos às árvores causados por operações inadequadas, a redução de impactos causados ao meio ambiente, a verificação de particularidades do maquinário, dentre demais benefícios. Outro aspecto relevante que vem sendo incorporado é a atribuição de risco às operações de colheita florestal, pois tanto o


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planejamento: uma atividade de lógica simples O difícil é fazer acontecer. É executar. E não há planejamento que preste se a execução for ruim. Execução é uma disciplina, uma arte, e nem todos são talhados para isso. "

Edson Leonardo Martini Diretor-superintendente da Komatsu

Ao me deparar com o convite da Revista Opiniões para discorrer sobre planejamento, fiquei muito satisfeito ao identificar velhos amigos na lista dos articulistas, alguns deles, responsáveis por grandes avanços no planejamento das empresas em que atuavam lá pela metade dos anos 1980. Embora, nos últimos 6 anos, tenha trabalhado como CEO de uma indústria de máquinas florestais, de alguma forma, sempre estive ligado ao planejamento durante os 33 anos da minha carreira de engenheiro florestal e, por isso, talvez, tenha sido convidado para expressar minha opinião sobre este tema. O planejamento é realmente um assunto instigante e imprescindível em qualquer atividade humana. Como se diz, não há vento bom para barco sem rumo. O planejamento é uma tentativa de se prever os acontecimentos, direcionar esforços e evitar surpresas. O planejamento, essencialmente, é uma atividade de lógica simples, que, algumas vezes, requer a aplicação de técnicas com certo nível de complexidade, como a programação linear, dada a quantidade de variáveis com que tem ; que se lidar ao mesmo tempo.


Opiniões Limitando a abordagem do tema a seus aspectos mais estratégicos e, é claro, sem a pretensão de esgotar o assunto, vamos tentar listar aqui 10 tópicos que considero mais importantes para se atingir a excelência operacional na colheita florestal. A ordem em que estão apresentados não tem correlação com sua importância. 1. Floresta: Success-key para alta produtividade e custo baixo. Sem floresta boa, não há que se pensar em ter custo baixo de colheita. Estamos falando de árvores com volume médio acima de 0,20m³. Ideal entre 0,25 e 0,30m³ por árvore. 2. Estradas: Interferem diretamente na operação e nos custos. Más condições de estradas aumentam o tempo de viagem do pessoal, causam atrasos, dificultam abastecimento, a lubrificação e o acesso dos mecânicos e operadores às máquinas. Em suma, gera ineficiência. 3. Definição da sequência de corte: Uma sequência bem definida reduz a necessidade de deslocamento e transporte dos equipamentos, reduz consumo de combustível e desgaste de material rodante nos equipamentos de esteiras. Sobra mais tempo para a produção. 4. Distribuição de máquinas no campo: Frentes de corte muito amplas resultam em maior tempo e distância de deslocamento dos equipamentos de apoio, da equipe de manutenção e também dos operadores. Piora muito quando o sistema de comunicação não é bom. Esse é outro fator gerador de ineficiência. 5. Equipamentos de apoio: Nesse caso, o ótimo é inimigo do bom, e supostas economias não fazem sentido, pois irão resultar em custos maiores. Subdimensionar esses recursos é um erro terrível. É preciso dimensionar corretamente a frota requerida para a tarefa: comboio, pipa, guindauto, veículos que consigam trafegar nas condições do site para que não sejam destruídos devido à sua inadequação. Outro fator importante: como minimizar as paradas das máquinas sem radiocomunicação? É preciso adivinhar que o equipamento parou, qual foi o problema e que tipo de solução ou recurso deve ser encaminhado. 6. Equipamentos de colheita: No mercado, existe uma gama de marcas. Umas melhores e outras nem tanto. Mas qual escolher? Não estamos discutindo especificação, pois esta é mandatária. É preciso lembrar que, ao se escolher determinada marca, estará se estabelecendo uma convivência de, no mínimo, 5 ou 6 anos. Então, sem o dote de um bom pós-venda, não se deve casar com a noiva. 7. Logística: Essa é uma das partes mais complicadas. Estamos abordando tudo aquilo que precisa ser movimentado: pessoas, combustíveis e lubrificantes, peças, máquinas, trailers de campo, ferramentas, etc. Cada um desses itens tem suas próprias especificidades e requer planejamento detalhado para que nada dê errado e transforme a operação numa emergência, com suas correrias e improvisações características.

8. Manutenção: Nos últimos 15 anos, houve uma evolução significativa nos processos de manutenção. Saímos de um patamar de disponibilidade mecânica de 80% para 90% nos dias atuais, válidos para toda a vida útil dos equipamentos. A performance da manutenção está intimamente ligada a alguns pilares básicos: planejamento, controle de processos, logística de peças, lubrificação, recursos operacionais e qualificação da equipe. Simples assim. 9. Qualificação: Tudo que foi abordado até este ponto só terá efeito se o pessoal for qualificado. Estamos falando de operadores que precisam, ao menos, 1 ano de treinamento para atingirem seu potencial de produtividade e mecânicos cuja formação requer, ao menos, 3 anos. Supervisores, técnicos de apoio, técnicos de segurança, instrutores, almoxarifes de campo também requerem formação e experiência. Às vezes, alguns envolvidos são esquecidos. 10. Gestão: Não sei se estou ficando ranzinza por causa da experiência ou se estou ficando mais exigente, mas, apesar daquilo que ousei simplificar acima, volta e meia me deparo com situações em que nem o feijão com arroz está sendo feito. E, então, eu me pergunto: como é que pode uma coisa dessas? E a resposta é simples: o problema e a sua solução estão sempre nas pessoas e na comunicação. Considerando o ferramental disponível e a qualificação dos profissionais dessa área, organizar os processos de planejamento nem é uma tarefa tão difícil. Estabelecer as atividades e serviços, as prioridades, os recursos necessários, os rendimentos operacionais e os prazos e suas interdependências constitui tarefa simples hoje em dia. Afinal, qual é a dificuldade de se definir uma sequência de corte, lembrar que é preciso ter estradas transitáveis para transportar diariamente máquinas, pessoas, alimentação, combustíveis, peças e também a madeira? Não vejo dificuldade nisso. O difícil é fazer acontecer. É executar. E não há planejamento que preste se a execução for ruim. Execução é uma disciplina, uma arte, e nem todos são talhados para isso. Exige gerenciamento, comando, relacionamento afinado, comunicação clara e comprometimento. Em outras palavras, os processos precisam ser robustos, mas o sucesso depende integralmente da competência da equipe. Boas equipes anteveem e superam as falhas do planejamento, superam dificuldades decorrentes da imprevisibilidade, atuam com custos competitivos e entregam mais. Mas, para chegar lá, é preciso mudar comportamento, e isso nunca é rápido. Um amigo me disse uma vez que, para fazer isso, é preciso 1 milhão de homens-hora. E 1 milhão de homens trabalhando ao mesmo tempo, por uma hora, não resolve. Então, é preciso paciência e persistência. E, com isso em mente, prosseguimos confiantes de que é possível fazer mais, melhor e com menor custo. Não há outro caminho nem atalhos. n

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Opiniões

colheita florestal:

tecnologia e inovação nos movimentos e operações No início dos anos 2000, em uma de minhas primeiras viagens como coordenador de vendas, seguia meio desconfiado por um trecho de terra bem cuidado em uma floresta de pínus entre Porto União-SC e União da Vitória-PR, para visitar um cliente que opera na área. No meio do talhão, com árvores recém-trabalhadas e outras remanescentes, avistei um senhor e um cavalo bretão. Na beira da estrada, as pilhas de toras indicavam claramente uma operação de corte. Ao ver a cena, abaixei o vidro do carro e ali fiquei, olhando atentamente a operação.

Já temos modelos de máquinas florestais sendo operadas por controle remoto. Conseguem imaginar o que virá? "

Rodrigo Soares Junqueira Gerente de Vendas da John Deere Florestal

No local, as estradas principais e de acesso estavam em ótimas condições. A cena era de um sistema de desbaste seletivo, em que apenas as árvores de melhor porte eram mantidas, enquanto as bifurcadas ou tortas recebiam uma marca, indicando que não seriam aproveitadas. O cavalo seguia trilhas de extração, garantindo que essas árvores remanescentes não fossem danificadas durante o arraste. Por fim, havia, ainda, pilhas baixas (bem organizadas em diversos sortimentos) aguardando o transporte. Se voltarmos ao início do século, quando o engenheiro agrônomo Edmundo Navarro de Andrade trouxe as primeiras mudas de eucalipto para o Brasil, ou até mesmo no fim dos anos 1940, quando o pínus passou a ser cultivado na região Sul, com

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certeza já havia planejamento na operação de colheita florestal, e o sistema de colheita, na época, era algo similar ao descrito, porém ainda com o uso do machado, uma vez que a motosserra só chegaria ao Brasil na década de 1960. No paralelo entre o ontem e o hoje, a principal evolução estabelecida é que, agora, o planejamento de um projeto florestal utiliza muita tecnologia, além de levar em consideração os possíveis impactos em todo o ciclo – desde a formação da floresta até sua colheita. A visão do ciclo completo (silvicultura, colheita e transporte) aliada à gestão dos processos de colheita com o uso de tecnologia e sistemas mistos são os grandes pilares para a redução considerável de custo da madeira na beira da ; estrada.


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desenvolvedores de tecnologia O espaçamento dos plantios atuais considera distâncias maiores entre as árvores, pois permite o uso de implementos maiores e de maior capacidade, reduzindo o custo da operação de silvicultura. Isso facilita a operação de colheita quando é necessário realizar desbaste, permitindo operações de corte seletivo e reduzindo a necessidade de cortes sistemáticos. O alinhamento do plantio é feito “morro abaixo”, pensando na colheita, dado que, por condições de segurança (risco de tombamento), nenhum equipamento florestal deve trabalhar em declividades laterais. Já ao tratarmos de planejamento de colheita, um item que ainda acompanha as máquinas e operadores é o mapa do microplanejamento. Atualmente, existem soluções de navegação por mapas embarcados no sistema dos equipamentos, onde esse planejamento pode ser feito de maneira digital no escritório e transferido para a máquina. Com isso, cercas virtuais, rotas de colheita, direção de derrubada das árvores, possíveis obstáculos no talhão, sentido de extração, posicionamento das pilhas e outras informações estão à vista do operador, por meio de um monitor digital de alta definição. Em alguns mercados, toda a gestão da frota de equipamentos, dos turnos de trabalho, produção, desempenho dos operadores e pagamentos são feitos utilizando informações geradas pelos equipamentos. O volume total de madeira colhida é georreferenciado na fazenda, e os gestores têm uma visão atualizada da quantidade de madeira disponível, por meio de um mapa, no escritório das fazendas. Esses mercados possuem certificações nacionais que garantem a acuracidade das informações geradas pelas máquinas, cuja confiabilidade e sistemática evitam a necessidade de pesadas estruturas administrativas para suportar tais operações. Os pouco mais de 20 anos de mecanização florestal no Brasil e as limitações técnicas e de infraestrutura (cobertura de telefonia móvel e alto custo para transporte de informações via satélite) ainda nos colocam a meio caminho dessa realidade, mas, com certeza, chegaremos a esse patamar, pois somos referências em utilização e produtividade com os equipamentos florestais. Sabemos que o mercado de commodities, no qual está inserido o florestal, exerce uma pressão constante para a redução de custo, pois o preço das commodities é definido pela lei de oferta e demanda. Para influenciar em custos, a solução é ter gestão assertiva e, principalmente, adotar tecnologias embarcadas. Nesse ponto, a adoção de tecnologia no mercado florestal garante disponibilidade dos equipamentos, segurança da operação e, principalmente, custos produtivos cada vez menores – em linha com a necessidade mercadológica.

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Tal pressão, aliada à criatividade dos brasileiros, vem resultando em soluções inovadoras, por exemplo, quanto ao uso de sistemas mistos de colheita. Algumas empresas que trabalhavam essencialmente no sistema de corte-no-tamanho (em inglês, cut-to-length) já estão trabalhando com um feller buncher, máquina de corte do sistema de árvore inteira (em inglês, full-tree). Essa inovação, além de aumentar a produtividade do harvester/forwarder e de reduzir os custos de manutenção, também reduz o custo do preparo de solo. Isso porque, ao utilizar um feller buncher, as árvores são cortadas rente ao solo, reduzindo a necessidade de rebaixar os tocos antes do preparo do solo. Esse sistema também já está sendo utilizado na América do Norte e em outros países da América Latina. Como a silvicultura também impacta o custo da madeira, existem empresas que estão trabalhando com a opção de remoção da árvore inteira junto com sua raiz, literalmente retirando totalmente a árvore do solo. Com a casca, essa raiz vira biomassa, enquanto as toras são destinadas à indústria, e o solo fica praticamente livre dos tão indesejados tocos, que são um desafio para as operações mecanizadas em silvicultura. Vale ser mencionado, ainda, a utilização dos guinchos em máquinas florestais. Essa mesma pressão por custos levou empresas do setor florestal nacional a reduzir o custo de colheita da madeira em áreas com declividades acima de 30º. Essas empresas foram pioneiras, pois, apesar de os guinchos já serem uma realidade no mercado europeu, nenhuma empresa usava guinchos em plantações de eucalipto, no ritmo operacional e no volume de máquinas que temos no Brasil. Hoje, muitas operações são feitas acima de 40º de declividade, com segurança e produtividade. Essa mesma tendência foi multiplicada para os principais mercados florestais no mundo, e, hoje, existem diversas soluções para o uso de guinchos, nos diversos tamanhos de máquinas e sistemas de colheita. Como vimos, ao longo do tempo, as inovações introduzidas nos movimentos e nas operações da colheita florestal foram extremamente importantes para a atividade. Em um mercado que exige inovação constante e marcado pela pressão por custos, é somente pela via da tecnologia e das soluções integradas que vamos garantir que todas as etapas do processo sejam cada vez mais seguras, eficazes e produtivas. Por exemplo, já temos exemplos de máquinas florestais sendo operadas por controle remoto. Conseguem imaginar o que virá? Por isso, nossa missão é mostrar – por meio de nossas soluções integradas – que a floresta é, acima de tudo, o lugar das inovações tecnológicas. n


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desenvolvedores de tecnologia

o uso efetivo do método de colheita

cut-to-length

Os principais métodos de colheita mecanizada são os de “corte no comprimento” (cut-to-length – CTL) e o “árvore completa” (FT – full-tree). No método CTL, o harvester abate a árvore e processa em diferentes medidas. É típico para o método CTL o processamento de diferentes dimensões de toras, que são chamadas sortimentos, derivados de uma mesma árvore. Os tipos de sortimentos mais comuns são para uso de serraria, mourões, madeira para polpa de celulose e também biomassa – que geralmente é retirada do topo da árvore. Nas plantações de eucalipto, é muito comum produzir apenas madeira de polpa de celulose. O método de colheita CTL é muito efetivo em custo, seguro e orientado para a qualidade, o que permite a alta produtividade em várias condições, caso a colheita seja adequadamente planejada, o operador, qualificado e o método de trabalho correto seja utilizado. O mais comum em todo o mundo é a combinação de um harvester e um forwarder no mesmo local de colheita. No entanto, se o local de colheita é muito grande, faz sentido organizar a equipe para que a relação harvester para forwarder não seja 1:1, mas, por exemplo, 3 harvesters para cada 2 forwarders.

Planejamento do local de colheita e operação: A colheita também precisa ser planejada para que o trabalho seja seguro, produtivo e não tenha qualquer dano ao meio ambiente. Em operações eficazes com harvester e forwarder, as máquinas se deslocam de acordo com o terreno, e todos os movimentos da máquina são minimizados. As estradas dentro do talhão precisam ser planejadas nas áreas mais elevadas, para que a máquina seja conduzida diretamente para cima ou para baixo. O principal item a ser pensado e definido é onde as toras serão mais fáceis de serem transportadas. Consequentemente, é mais sábio fazer várias pilhas pequenas ao lado da estrada em vez de uma pilha grande. O harvester de pneus do método CTL e o forwarder podem operar, sem problemas, em terrenos planos e com inclinações até 27 graus. Se a operação for executada em áreas acidentadas, o harvester e o forwarder podem trabalhar em inclinações maiores do que 27 graus, mas é preciso garantir uma rota segura no caminho de volta para o topo (estrada). O harvester pode operar normalmente enquanto se desloca subindo, mas, caso isso não seja possível, a máquina precisa ser equipada com o guincho de tração sincronizada. Em encostas extremamente íngremes, é necessário usar o guincho sincronizado, tanto para o ; harvester quanto para o forwarder.

Os operadores precisam ser treinados em diferentes tipos de métodos de colheita, de modo que eles sejam capazes de escolher o método mais eficaz e adequado para cada tipo de área. "

Tuomo Moilanen

Gerente para Cooperação com Empresas Florestais e Sistemas de Informações da Ponsse

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Opiniões Utilizando o guincho, as máquinas conseguem operar com até 40 graus de inclinação. Observe que o guincho sincronizado não é um equipamento de segurança, mas sim um equipamento para auxiliar a máquina a subir de volta a colina. É importante planejar ainda a localização das pilhas de madeira na beira do talhão para que sejam fáceis de alcançar e descarregar, mantendo o trabalho do forwarder seguro. A área de colheita precisa ser dividida em seções, de modo que a distância de transporte seja a mais curta. Dessa forma, é possível não só tornar o trabalho mais eficaz, mas também reduzir a compactação do solo, que é tipicamente maior próximo das pilhas. Métodos de trabalho: O harvester construído especificamente para a colheita de madeira em conjunto com um operador habilidoso pode alterar o método de trabalho de acordo com as condições. Os principais métodos de operação no corte raso com o harvester CTL são a colheita convencional, a colheita longitudinal e a colheita por setor, ou "espinha de peixe". A colheita transversal é adequada para estradas ou áreas especiais, como ao lado de linhas elétricas, perto das áreas protegidas, etc. A colheita longitudinal é muito apropriada para árvores grandes e para quando o operador precisa verificar cuidadosamente a qualidade das toras. Já o método setorial é útil na maioria das condições. Tanto os métodos de colheita longitudinal quanto os métodos de colheita setorial são métodos muito produtivos. Vejamos o exemplo: há um local de colheita onde as árvores estão em fileiras e há 280 m³/hectare. No caso de um operador usar método transversal e colher 4 linhas ao mesmo tempo e com distância de linha para linha de 4 metros, isso significa que a distância de dois eitos é de 16 metros. Isso dá um resultado de 0,385 toneladas de madeira em cada metro do eito, assumindo que 1 m³ é 860 kg. Com um forwarder em que a capacidade de carga é de 20 toneladas, é possível obter uma carga completa em 52 metros em média de percurso percorrido. No caso B, o mesmo operador usa o método setorizado e colhe 5 fileiras ao mesmo tempo, na mesma condição que no caso A. A distância dos eitos é, agora, de 20 metros, e isso significa que há 0,482 toneladas de madeira em cada metro do eito. Com um forwarder de 20 toneladas, é necessário percorrer apenas 42 metros para uma carga completa. Nesse caso, o operador do harvester B é mais eficaz porque ele precisa dirigir 25% menos hectares do que no caso A.

Do ponto de vista do forwarder, o método do setor também é melhor porque a distância do ponto de gravidade central de cada feixe está mais próxima da linha central do forwarder. Portanto realizar a carga no método de setor é bem mais fácil do que no método transversal. No caso B, o harvester também é mais eficaz do que no caso A, pelo harvester fazer menos trabalho por árvore. Como isso é possível? No caso A, o operador move a primeira árvore cerca de 1 metro do ponto de abate até o local da pilha, e a segunda árvore precisa ser movida 5 metros. No total do caso A, o operador movimenta 4 árvores, percorrendo cerca de 28 metros, que é de 7 metros por árvore em média. Já o operador B move a primeira árvore cerca de 6 metros, e o resto das 4 árvores são movidas com apenas 2 metros cada. No total, o operador B move 5 árvores em apenas 14 metros, sendo inferior a 3 metros por árvore. O operador do método de setor faz menos trabalho porque ele move os troncos 50% a menos do que no método transversal. Também o movimento do cabeçote do harvester é minimizado. O método de colheita por setor fornece alta eficiência de colheita porque: • o movimento em cada árvore é bastante curto (o movimento da grua é minimizado no processo); • o movimento da grua de uma árvore a outra é bem curto; • podem ser utilizados movimentos lineares rápidos da grua; • o balanço da máquina é melhorado durante a movimentação da grua no método setor, assim o operador consegue ser mais rápido; • menos deslocamento com o harvester, pois a máquina consegue colher mais árvores parada em um mesmo ponto. Requisitos da máquina e do operador para métodos de colheita eficazes: A maioria dos harvesters de pneus são projetados para métodos de trabalho eficazes. Essas máquinas possuem gruas poderosas localizadas de modo que a visibilidade da cabine seja boa em ambos os lados e em toda a área de trabalho. É necessário que haja suficiente potência do motor e potência hidráulica na máquina de colheita. Para trabalhar em terrenos com inclinações muito íngremes, o harvester e o forwarder precisam ser capazes de ser equipados com o guincho de tração sincronizada. Os operadores precisam ser treinados em diferentes tipos de métodos de colheita, de modo que eles sejam capazes de escolher o método mais eficaz e adequado para cada tipo de área. O operador com grande hábilidade pode processar algumas árvores grandes no início do eito e mudar logo após para o método de setor quando entrar um pouco mais no talhão. Próximo da estrada ou nos limites dos talhões, ele muda para o método transversal. Um operador profissional sabe a importância de um método eficaz e o porquê de eles serem mais eficientes para cada área da colheita, exigindo menos da máquina, tornando muito mais produtivo e rentável para os proprietários de máquinas. n

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desenvolvedores de tecnologia

expandindo a percepção do

Opiniões

valor agregado da colheita

gestão ampla de processos, pessoas e tecnologias que unam a cadeia ponta a ponta, realmente na forma de uma floresta conectada, será indispensável para ganhos de competitividade "

Franc Mauro Roxo

Diretor de Operações da Savcor-Trimble

Não é novidade que os resultados da colheita florestal são altamente atrelados à escolha de um sistema de colheita adequado aos objetivos da floresta, tais como cut-to-lenght, tree-length, full-tree, e da composição da colheita mecanizada, com maquinário moderno em suas diferentes variedades, como harvesters, forwarders, skidders, harwarders, feller bunchers, slingshots e outros. Também o importante papel desempenhado por tecnologias, planejamento florestal e gestão do capital humano, envolvendo aspectos ligados à formação de equipes, capacitação, motivação, retenção de talentos e planos de carreiras. Contudo este artigo não se refere a esses tópicos de incontestável importância, os quais podem não ser novidade para muitos dos leitores. O presente artigo tem o objetivo de conduzir a uma reflexão que diz respeito à percepção expandida de valor agregado da colheita ou, de outra forma, a busca de novos patamares de valor agregado que podem ser criados a partir da colheita, os quais podem não estar sendo completamente explorados. ;

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desenvolvedores de tecnologia Para um melhor entendimento, gostaria de compartilhar duas experiências peculiares ao longo de alguns trabalhos em que tive participação. Na primeira, há alguns anos, estava monitorando o comportamento de uma caldeira de recuperação química de uma planta de celulose. Em certo momento, a caldeira começou a mostrar redução na eficiência de combustão do licor negro que, após análise, constatou ser ocasionada pela entrada de madeira de mesmo material genético, porém oriunda de fazendas de diferentes localidades. Quanto à segunda experiência, dessa vez monitorando uma máquina de papel, observou-se a variação de performance na parte úmida da máquina, resultante da mudança da entrada de celulose de mesmo material genético, porém produzida a partir de florestas de regiões diferentes. Para aqueles que talvez não sejam familiares ao contexto fabril, a variação de eficiência de uma caldeira de recuperação ou a performance de uma máquina de papel podem não assumir conotação relevante. Todavia, sem nenhuma sombra de dúvida, o tema envolve cifras vultosas e com relevância mais do que suficiente para impactar a competitividade empresarial. O que ambos os casos têm em comum é o fato de que mudança na origem da madeira pode impactar substancialmente os elos subsequentes da cadeia de produção. Na realidade, esses são apenas alguns exemplos da relevância extrema que a madeira exerce na performance fabril e na ponta final dos produtos, os quais podem estar acontecendo, em alta intensidade e frequência, até mesmo diária, no contexto dos clientes internos e externos do suprimento da madeira. Essa dinâmica de interações da madeira com processos industriais e qualidade de produto é um importante elemento na produção de celulose, papel, carvão vegetal e outros. Mas de que forma isso se relaciona à colheita florestal? Aqui, permeia a reflexão deste artigo. O tema diz respeito à decisão de cortar um ativo com anos para formação e os reflexos ao longo dos processos produtivos, qualidade do produto final e competitividade, sob uma visão holística. Se tenho duas diferentes áreas disponíveis para corte, será que ambas produzirão o mesmo resultado sobre o desempenho da fábrica, os custos variáveis de produção ou qualidade do produto final? Sem dúvida, há que se ponderar a influência de outras variáveis, a exemplo do material genético, da estocagem da madeira e das condições edafoclimáticas. Nessa última, vale a pena analisar o tema na ótica do desempenho da área de colheita, em função do histórico e da previsão das variações climáticas e como o conhecimento e a gestão dessas informações podem desencadear grandes ganhos, especialmente associados com o planejamento e o sequenciamento de corte. Aqui, a avaliação deve estender-se para além do ponto de vista operacional e contemplar também o entendimento das características tecnológicas do produto florestal formado sob aquelas condições. Quando se fala em colheita, sabe-se que existe uma relação forte desta com, por exemplo, índices pluviométricos, condições de estradas, balanço hídrico, compactação do solo, impactos ambientais. Entretanto é preciso avaliar a forma como essas informações podem estar chegando aos tomadores de decisão da colheita, como são geridas e que ações são colocadas em prática.

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Nesse ponto, é possível ressaltar, ainda mais, a capacidade de ampliar a geração de valor ao negócio, a partir da colheita. Como origem para o suprimento da madeira, esta assume uma função chave no desempenho e na competitividade das empresas. É necessário analisar como a área de colheita está realmente posicionada dentro da estratégia da organização, e, até que ponto, sua capacidade de gerar valor está sendo explorada na sua máxima plenitude. Significa que será fundamental assegurar a implantação de mecanismos para retroalimentação de informações relevantes advindas ao longo da linha de produção, produto e mercado, para os elos anteriores da cadeia produtora, onde a colheita figura como elemento de destaque. Fazer chegar ao início da cadeia de suprimentos da madeira, no caso a colheita, informações ou indicadores acerca dos impactos resultantes de decisões de corte (quando, onde e o que cortar) sobre a eficiência de produção, custos variáveis e qualidade de produtos resultantes. Com isso, permitir a criação de uma base de conhecimento, que viabilize um trabalho multidisciplinar na organização, voltado ao aperfeiçoamento constante do mix de madeira para o ganho de competitividade do negócio ao longo de toda a sua cadeia de produção e de valor. Quando se fala em aperfeiçoamento constante do mix de madeira, implica dominar o fluxo de suprimentos de forma quantitativa e, acima de tudo, qualitativa. Fica evidente a necessidade de se dispor de tecnologias ao longo de toda a cadeia de produção, respaldada por um sistema ponta a ponta que conecte eficientemente, por um lado, todas as variáveis da floresta em pé, pronta para o corte. Por outro lado, os processos com seus custos variáveis de produção, eficiência produtiva e também a qualidade do produto. Obviamente, isso requer um fluxo dinâmico de informações que possa ser trazido ao alcance do planejamento e da gestão da colheita, amparado por um moderno e eficaz sistema de despachos e logística. Pode-se pensar se o caminho nessa direção esbarra em defasagem tecnológica. Particularmente, entendo que os elementos tecnológicos necessários já existem. O tema pode estar condicionado muito mais à quebra de alguns paradigmas do que à existência de tecnologias disponíveis para viabilizar ações nesse sentido. Possivelmente, o avanço nessa direção requeira algumas revisões e expansão dos fluxos de informações ao longo da cadeia para potencializar o processo decisório dos elos produtivos. Também requerer ajustes em modelos de gestão para uma perspectiva ampla, ponta a ponta, com especial envolvimento da colheita. Não obstante, reavaliar como a colheita pode ser melhor posicionada na estratégica de competitividade empresarial definida pela alta administração e, com o comprometimento desta, conduzir possíveis correções. Significa que a gestão ampla de processos, pessoas e tecnologias que unam a cadeia ponta a ponta, realmente na forma de uma floresta conectada, será indispensável para ganhos de competitividade. A colheita florestal representa o elo fundamental nesse contexto. n


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tempos e

movimentos Só se muda e se melhora aquilo que se controla. Se não há o controle ou a compreensão de um processo, não é possível obter referenciais, estabelecer metas ou alterar o que está acontecendo. "

Rafael Alexandre Malinovski Diretor da Malinovski Florestal

A sabedoria popular não está equivocada quando afirma que “tempo é dinheiro”. Na gestão de qualquer processo de produção florestal, há sempre a possibilidade de otimizar as operações ou atividades que devem ser executadas. Essas atividades incluem, por exemplo, os processos envolvidos na colheita de madeira: da operação de derrubada ao arraste, do processamento ao carregamento e transporte. Paralelamente, temos os processos de silvicultura, da limpeza e do preparo do solo ao plantio e à manutenção, e assim por diante. Cada uma dessas operações pode ser desempenhada de formas diversas, seja manualmente, de forma mecanizada ou semimecanizada.

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Para que uma atividade ocorra, é preciso percorrer todo o seu ciclo operacional, composto por todas as etapas que devem ser executadas para que se cumpra um ciclo de operação de produção. Ou seja, ao término de cada ciclo sucessivo, obtém-se uma unidade de produção. O que se faz, de maneira geral, é descrever os procedimentos de como deve ser a execução das atividades e acompanhar os indicadores de produção. Contudo, se o objetivo é melhorar a produtividade (e não a produção), é preciso especializar o uso dos recursos, compreendendo ; a totalidade do ciclo de operação.


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O Ethanol Summit é o principal congresso realizado no Brasil e um dos mais importantes do mundo, com foco nos produtos e energias renováveis que vem da cana-de-açúcar

2015 Antonio Delfim Netto Ex-ministro da Fazenda e Planejamento

Eduardo Braga Ministro de Minas e Energia

Magda Chambriard Diretora-geral da ANP – Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Bicombustíveis Aldemir Bendine Presidente da Petrobras Conrad Burke Global Marketing Director for Advanced Biofuels, DuPont

2011 Vinod Khosla Presidente da Khosla Ventures Luiz Inácio Lula da Silva Ex-presidente da República do Brasil

Cledorvino Belini Presidente da ANFAVEA Phil New Presidente, BP Biocombustíveis Jason Clay Vice-Presidente de Transformações de Mercado, WWF

2007 Daniel Yergin Autor e especialista global em petróleo e energia George Soros Open Society Institute e Soros Foundations Network

Fernando Henrique Cardoso Ex-presidente da República do Brasil

2017 Em comemoração aos 10 anos do evento, preparamos uma retrospectiva com os principais nomes que já passaram por nossos palcos. Confira a lista abaixo e aguarde, em breve serão divulgados os nomes de destaque desta edição. Inscrições: ethanolsummit.com.br

2013 Mariangela Rebuá Diretora-Geral do Departamento de Energia, Ministério das Relações Exteriores Britta Thomsen Deputada do Parlamento Europeu para a Dinamarca Michael McAdams Presidente, ABFA – Associação dos Biocombustíveis Avançados dos EUA Luiz Moan Yabiku Jr. Presidente da ANFAVEA

2009 Lord John Browne Ex-CEO da BP, Presidente da Academia Real de Engenharia do Reino Unido Henrik Fisker Fundador e Presidente, Fisker Automotive Luciano Coutinho Presidente do BNDES Kátia Abreu Senadora da República do Brasil John Melo Presidente e CEO, Amyris

Reinhold Stephanes Ministro da Agricultura Dilma Rousseff Ministra Chefe da Casa Civil

Carlos Gutierrez Ex-Secretário do Comércio dos Estados Unidos

Realização:

Organização:

Bill Clinton Ex-presidente dos Estados Unidos e criador da Fundação William J. Clinton


ensaio especial É necessário mapear esse ciclo e perceber o que está sendo feito de forma eficiente e onde há oportunidades para ganhar tempo e aprimorar os processos, ou seja, onde a operação não está tão eficiente como poderia. É justamente para fornecer essa compreensão que são realizados os estudos de tempos e movimentos, que consistem no mapeamento e na análise de uma determinada operação. Tomemos como exemplo uma operação de transporte de madeira, composta, de forma geral, por quatro grandes atividades: a viagem vazia, o carregamento, a viagem carregada e o descarregamento. Além do tempo empreendido na realização desses pilares básicos, é necessário analisar o ciclo de maneira mais aprofundada, incluindo, por exemplo, o tempo para a obtenção da nota fiscal que acompanha a carga, a fila de espera para o carregamento, o reaperto da carga na viagem carregada, a fila de balança no pátio da indústria, o tempo de pesagem, a limpeza da carroceria, etc. Em suma, os estudos de tempos e movimentos desmembram as etapas de um ciclo de produção de determinada operação e as analisam detalhadamente. Essa análise vai além dos tempos efetivos de uma operação, conforme listados acima. Compreende também os tempos não efetivos gastos nos processos, como abastecimento, lubrificação, alimentação, higiene pessoal, descanso, tempo perdido devido a intempéries ou outras circunstâncias não operacionais e muitas outras variáveis que precisam ser mensuradas para que se possa obter os reais indicadores de eficiência. Quando se faz a análise do ciclo operacional, pode-se enxergar exatamente em quais etapas do processo produtivo está ocorrendo desperdício de tempo – resultando, logicamente, na perda de dinheiro. Para empresas do setor florestal, que lidam com grandes volumes em suas operações, a possibilidade de realizar um processo de forma mais rápida e eficiente, mesmo que o ganho seja de alguns minutos, pode representar milhares de reais ao término do ano fiscal. Apesar disso, ainda são raras as companhias que realizam estudos de tempos e movimentos de suas operações, pois um estudo aprofundado e competente requer planejamento adequado e a disponibilidade de profissionais capacitados e comprometidos para empreender essa análise com um nível de dedicação e atenção adequados, visto que a coleta mal realizada das informações acarreta maus resultados. Ademais, é preciso realizar um trabalho estatístico que seja realmente representativo daquilo que se pretende analisar, calcular o número mínimo de amostras necessá-

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Opiniões rias para que se possa, de fato, compreender com segurança cada etapa. Os benefícios efetivos dos estudos de tempos e movimentos são diversos e facilmente reconhecíveis. Torna-se possível analisar referenciais de produção, respondendo, por exemplo, a questionamentos comuns, como por que um operador é melhor do que outro; por que a produção de um, ao término do dia de trabalho, é 20% maior que a de outro; o que esse operador faz de diferente. Através da divisão do ciclo e do acompanhamento do trabalho desses profissionais, compreendem-se fatores como sincronia de movimento, ou número menor e mais eficiente de movimentos, ou se constata que a maior produtividade desgasta mais o equipamento, ou resulta em menor tempo de descanso para um operador sobrecarregado, etc. Estudar a variabilidade dos operadores e compreender o que os melhores dentre eles fazem em seus ciclos de produção é o referencial para que se possa fazer com que os outros consigam atingir o mesmo patamar. Igualmente importante, quando se propõe uma análise de tempos e movimentos, é determinar, já na fase de planejamento, qual é o método mais adequado para atingir os resultados de otimização almejados. Basicamente, são três os principais métodos, categorizados de acordo com a forma de medição temporal de cada atividade do ciclo: há o método de tempo contínuo, caracterizado pela medição sequencial das atividades parciais; o método de tempo individual, que mede o tempo específico gasto na realização de cada atividade parcial; e o método de multimomento, no qual se estabelecem determinados intervalos em que o profissional responsável analisa o decorrer da atividade. Cada método tem suas vantagens e desvantagens e traz demandas específicas para a compilação e a análise dos dados coletados. É necessário, portanto, definir previamente a metodologia ideal para o tipo de estudo a que se propõe fazer. A importância dessa análise pode ser resumida da seguinte forma: só se muda e se melhora aquilo que se controla. Se não há o controle ou a compreensão de um processo, não é possível obter referenciais, estabelecer metas ou alterar o que está acontecendo. Ainda: não se trata de um estudo que deve ser engavetado após finalizado. É preciso revisitá-lo e refazê-lo com certa periodicidade, para que se possa manter o grau de aprimoramento visado. É este o significado da especialização: fazer mais com aquilo que se tem, ou mesmo com ainda menos. É a verdadeira otimização do processo produtivo. n C

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