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Vila das Aves: a terra entre rios

Vila das Aves é, hoje, o título dignificante e urbano da antiga freguesia rural de S. Miguel das Aves, situada justamente no bico terráqueo onde os rios Ave e Vizela se abraçam. Desde meados do Liberalismo, esta freguesia experimentou um surto assinalável de progresso e teve, por isso, um historial algo complicado do ponto de vista administrativo. Na realidade, a partir de 1835/36, aquando da primeira grande tentativa de reorganização administrativa do país, passou ela a englobar as pequenas paróquias de Santo André de Sobrado e de S. Lourenço de Romão, pois estas três paróquias da Arquidiocese de Braga estavam enlaçadas pelo abraço mesopotâmico de entre ambos-os-rios, a saber do Ave e do Vizela (Avicella) e, como tais, ligadas ao Julgado de Vermoim, que veio a dar o con-

celho de Famalicão, e pertencia ao antigo concelho de Barcelos. Já agora, diga-se que o nome Aves nada tem a ver com pássaros, mas antes com água, conforme sugere AV, possivelmente celta, tão comum a outras terras portuguesas, onde a água constitui um elemento natural e característico. A freguesia de S. Miguel das Aves havia de beneficiar muito com a instalação da Fábrica do Rio Vizela em 1845/46. Inicialmente, na margem esquerda do rio Vizela e por causa da sua grandiosa e pioneira indústria de fiação e tecelagem, a rainha das fábricas portuguesas muito havia de fazer progredir a freguesia, atraindo operários e dando origem a uma população fabril concentrada, o que contribuiu para o aparecimento de outras fábricas mais pequenas. Aliás, o surto do progresso demopub

gráfico no Norte deve imenso à indústria têxtil-algodoeira. Mais tarde, seria exactamente o progresso industrial e económico que desencadearia o movimento bairrista, o qual havia de levar o Governo, em data de 1955, a dar a esta terra o merecido diploma, que elevava a freguesia a Vila das Aves. Nos últimos 25 anos, proliferou a indústria de confecção de vestuário, o fim da fileira têxtil que se encontra em rápida movimentação para Marrocos ou para o Oriente, por questões de custos. Entretanto, as pequenas ou muito pequenas empresas são hoje o principal modelo industrial. Há algumas que pela sua dimensão ou volume de negócios sobressaem e habitualmente aparecem no ranking das mil maiores empresas. Em Vila das Aves há escolas, vários

bancos, diversos equipamentos sociais, entre outros serviços. A vila é servida por um posto da GNR e por um corpo de bombeiros – Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Vila das Aves, ambos com instalações próprias. Durante o ano de 2005, ano das comemorações dos 50 anos de elevação de Aves a vila, foram também inaugurados a actual sede da Junta de Freguesia, o Centro Cultural de Vila das Aves e o Centro (extensão) de Saúde de Vila das Aves. De destacar ainda muitas associações culturais, recreativas e desportivas. Na realidade, o Centro Desportivo das Aves é um dos clubes mais representativos do concelho de SantoTirso. Fo nt e: www. jf-vila da saves .p t

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A celebrar o seu 56º aniversário como vila, a Vila das Aves reclama mais investimento. As reivindicações são feitas pela voz do autarca daquela freguesia, Carlos Valente, que não compreende como é que a Câmara de Santo Tirso ainda não resolveu, por exemplo, construir um parque de lazer, prometido há anos. Perante uma freguesia que perdeu o fulgor da indústria têxtil, a preocupação vai também para aqueles que ficcam sem emprego. Uma terra onde fi é preciso investimento.

especial

ENTREVISTA Presidente da Junta de Vila das Aves, Carlos Valente

OPINIÃO PÚBLICA: Aves é vila há 56 anos. Como caracteriza hoje esta freguesia? CARLOS VALENTE: Vila das Aves é, actualmente, completamente diferente da vila que era há 20 anos. Como sabe, estamos inseridos numa zona que era predominantemente têxtil e hoje estamos, infelizmente, com uma taxa de desemprego preocupante. Andaremos no dobro da média nacional, cerca de 18, 19%, e isso, de facto, preocupanos. Têm aparecido algumas indústrias alternativas é certo, mas não são insuficientes para colmatar o desemprego criado pelo fecho da indústria têxtil. As pessoas que fi ficcam desempregadas procuram a Junta de Freguesia? Há sempre pessoas que nos procuram, mas precisamos de ver que nós não temos orçamento para a Acção Social e, como sabe, são as Câmaras Municipais que estão mais incumbidas dessa função, em termos de ajuda de habitação social e outro tipo de auxílio para minimizar as dificuldades das famílias. Obviamente que aparece muita gente, muitas vezes com assuntos que me deixam preocupado, com questões sérias. Vamos tentando ajudar de forma mais particular e não tanto a nível de Junta, porque não temos orçamento, nem verba. Temos apoiado, sim, as instituições que actuam nessa área. Em termos de infra-estruturas, quais aquelas que estão, neste momento, em construção? Por incrível que pareça, nós, a nível

de Junta, não temos verba para qualquer obra. Temos pedido o apoio à Câmara para a realização de determinadas obras e a Câmara definiu um critério para atribuição de subsídios para obra. É feito o pedido em primeiro lugar, depois a Câmara avalia a obra em causa e só depois vem a resposta. Temos 12 ou 13 pedidos feitos e lamentamos que até hoje não tenhamos tido, por parte da Câmara, qualquer resposta afirmativa aos nossos pedidos de subsídios. Desde 2002 que tivemos apenas uma única obra subsidiada pela Câmara. Temos receitas próprias vindas da gestão do mercado

“É inadmissível que Vila das Aves não tenha um parque de lazer”

e do cemitério, temos as verbas que são transferidas do fundo de vencimento das freguesias, assim como as verbas que são transferidas em termos de protocolo. Tudo isto junto, não nos permite realizar obra relevante, apenas dá para resolver algumas situações que vão surgindo. Queríamos fazer a passagem superior dos dois cemitérios, resolver o problema da Rua de Paredes e da Quinta dos Pinheiros, por isso temos de aguardar pacientemente a disponibilidade da Câmara para a atribuição desses subsídios, porque só assim é possível realizar obra por parte da Junta. Fora disso, man-

temos o dia-a-dia com o pessoal que temos. Mas estamos a falar de falta de vontade da Câmara de Santa Tirso? Eu acho que, no fundo, há um pouco de falta de vontade de quem gere, actualmente, a Câmara Municipal. Eu explico. Por exemplo, a Câmara levou a concurso a Quinta de Verdial, um parque de lazer. Foram feitos dois planos de pormenor e foram apresentados com pompa e circunstância há anos. Em Agosto de 2008, lançou-se a obra a concurso. Até hoje, que eu saiba, a obra não foi adjudicada e este é um equipa-

mento essencial para a população de Vila das Aves que se mantém no papel. Eu não posso aceitar aquilo que a Câmara de Santo Tirso está a fazer junto ao Tribunal. É um insulto às freguesias. Não posso aceitar que se esteja a fazer um investimento de 1,5 milhões de euros numa praça que já era bastante superior a qualquer praça das 23 freguesias de Santo Tirso. Obviamente que se colocar esta pergunta ao presidente da Câmara, ele dirá que esta é uma obra comparticipada com fundos comunitários, mas nós também temos essa possibilidade. Se a Câmara quisesse, não haveria hipópub


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especial tese de concorrer a esses fundos? Não aceita essa decisão? Os investimentos na cidade de Santo Tirso ascendem a um total de 10 milhões de euros. O concelho é constituído pelas 24 freguesias e será que nós também não contribuímos com os nossos impostos para o bolo total da Câmara? Eu não posso aceitar, como cidadão, como autarca, como português, que a democracia esteja a este nível. É inadmissível que a nossa freguesia, com 12 mil habitantes, não tenha um parque de lazer, sobretudo quando temos uma freguesia junto ao rio que, em termos de beleza, ninguém imagina. Não posso aceitar que a Câmara canalize tudo para o Parque da Rabada, não tenho nada contra o parque, mas ainda recentemente foram adjudicados mais 550 mil euros. Eu tenho é contra aquilo que Vila das Aves não tem em equipamentos do género, um espaço de lazer. É inadmissível que não haja visão de quem está a gerir uma Câmara há 30 anos para satisfazer as necessidades quanto a uma zona de lazer. Vamos comemorar 56 anos como vila, portanto é lamentável. E quanto à rede viária, como estão as coisas? Há muito para fazer. Infelizmente há uns anos a esta parte, também por força da criação de infraestruturas necessárias, como água, gás e saneamento, foram feitas intervenções nas ruas e não foram repostos os pavimentos, como era de esperar. A mais evidente é a Rua Silva Araújo, uma estrada municipal que está num estado lamentável há mais de 15, 16 anos e tudo pela força da colocação dessas infra-estruturas. Mas isso não pode ser motivo para mantermos uma estrada como está até hoje. É falta de ac-

Festas da Vila das Aves com muita animação No próximo dia 1 de Abril, sexta-feira, arrancam as Festas da Vila das Aves no recinto da Fábrica do Rio Vizela. No primeiro dia de manhã, decorrerão diversas actividades nos vários estabelecimentos de ensino da freguesia, enquanto que à noite, pelas 21 horas, o destaque vai para a actuação do Grupo Oamis e Grupo Coral Arva. No sábado de manhã, realiza-se o Torneio de Futebol de Praia na Quinta dos Pinheiros. Já para a tarde, está marcado o Torneio de Malha, numa organização da Associação S. Miguel Arcanjo. A noite fica reservada para o espectáculo musical do grupo “Novo Império”. À meia-noite, há fogo-de-artifício. No domingo, às 11h15, realiza-se uma missa na igreja matriz de Vila das Aves. A tarde será preenchida com bombos na rua e às 15 horas começa o cortejo de carros alegóricos. Segue-se a actuação dos ranchos folclóricos de Santo André de Sobrado, Santo André de Vila das Aves e Grupo Etnográfico das Aves. Às 21 horas, actua o Grupo Musical P&P. Na segunda-feira, ao meio-dia, acontece uma sessão de fogo comemorativo dos 56 anos de vila.

tuação da Câmara que autoriza as empresas a fazer a colocação das infra-estruturas e tem obrigação de fazer repor os pavimentos tal como estavam antes das intervenções. Porém, na questão das escolas estão bem servidos? Sim. Estamos hoje bem servidos de escolas, temos as escolas do ensino básico e secundário. Temos a Escola da Ponte, que é uma referência a nível nacional e internacional. Foi a primeira escola com contrato de autonomia assinado em Portugal, que hoje está a passar por algumas dificuldades e que não sei bem o futuro. Há rumores que se perspectiva que a escola possa sair das Aves para a freguesia vizinha. Estamos bem neste aspecto, mas não temos tantas crianças assim, daí esta disposição do Governo de querer centralizar um bocadinho mais as escolas. Vilas das Aves possui um centro de saúde, algo que traz mais qualidade de vida à população… Custa-me falar neste assunto, porque uma das grandes aspirações de Vila das Aves há uns anos era a criação de um Centro de Saúde. Ele foi criado, só que há falta de médicos. É um problema nacional e isso aqui também tem criado muitas dificuldades às pessoas, o que obriga a que estas recorram a outros locais para resolver os seus problemas. Temos óptimas instalações, têm 5 anos, é pena esta falta de médicos. Que tipo de serviços é que a Junta de Vila das Aves proporciona? Numa ocasião em que se questiona o papel das juntas de freguesia, eu considero que alguns serviços podiam ser descentralizados de uma câmara municipal para uma junta de freguesia. Se as câmaras reivindicam a descentralização do Estado para as câmaras, porque não descentralizar outros serviços para as juntas de freguesia. Se for para continuar esta política, temos de repensar o que se quer das juntas de freguesia. Se o presidente da junta apenas serve para assinar atestados e pouco mais, estamos mal, temos de rever esse papel. Aqui em Vila das Aves, temos os serviços normais de uma Junta. Além disso, os desempregados fazem aqui a sua apresentação quinzenal para o Centro de Emprego. Eu peço os números mensalmente e, de facto, é preocupante. Temos ainda um posto de atendimento da Segurança Social, que é um dos poucos postos de atendimento, que temos mantido em funcionamento, apesar de alguns encargos com a funcionária. Temos resolvido muitos problemas em termos da Segurança Social, não recebemos dinheiro, mas recebemos entrega de declarações, resolvemos uma série de situações e as pessoas não precisam de ir até Santo Tirso. E como serão as comemorações do 56º aniversário de elevação a vila? A festa vai ser realizada no recinto da Fábrica do Rio Vizela. Iremos, mais uma vez, pedir às associações, às escolas e ao comércio, como tem acontecido. Iremos fazer com que a receita pague a despesa. Não há obras na freguesia, por isso não era justo pegar no dinheiro e gastar na festa. A Câmara de Santo Tirso tem comparticipado com 5 mil euros desde sempre, uma ajuda que agradecemos. De resto, as festas têm de se pagar a elas próprias.

Associação Aves Solidária ajuda quem precisa No edifício antigo da Junta de Freguesia de Vila das Aves funciona a Associação Aves Solidária. O nome diz tudo. Esta entidade existe há dois anos e recebe donativos em dinheiro, géneros alimentícios, roupas e electrodomésticos, que depois distribui por aqueles que mais precisam. Na essência, é uma associação constituída sobretudo por senhoras que se disponibilizam a dar o seu tempo aos outros. São estas mulheres que estão às segundas, quartas e quintas na Junta de Freguesia das Aves para receber as pessoas que precisam de alguns destes bens. “Os donativos nunca são suficientes, mas minimizam as dificuldades de muitas famílias. Há gente que usa e abusa de quem tem a porta aberta, mas é um trabalho meritório e que diminui as dificuldades de muita gente”, sublinha Carlos Valente, autarca da freguesia e presidente da assembleia-geral da associação, que agradece a contribuição de todos os que ajuda.

Desportivo das Aves sonha com Liga principal

O Clube Desportivo das Aves foi fundado no dia 12 de Novembro de 1930 com a designação de “Onze Vermelhos das Aves”, nome que se extinguiu dois anos depois por exigência das autoridades da época, que consideravam o heterónimo “Vermelhos” alusivo ao comunismo. A entrada do Aves em competições oficiais deu-se na época futebolista de 1932/33, militando, na altura, no Campeonato Regional da II Divisão da Associação de Futebol do Porto. A partir de 1940, o clube entra numa época de relativa ascensão, patente em várias subidas de divisão. Mas só em 1972/73 ascende à II Divisão nacional. Em 1981 foi inaugurado o actual estádio. Três anos depois, na época

1984/85, o Aves sagrou-se Campeão Nacional da II Divisão, ascendendo, pela primeira vez ao escalão máximo do futebol português. Na década de 90, o Aves teve de passar por um período de constituição de Comissões Administrativas, nas quais se reuniam os esforços de todos contra os impasses directivos. O Clube Desportivo das Aves entrava na denominada Divisão de Honra, de onde não mais desceu. Para além do futebol, o clube sempre se virou para outras modalidades, como o ciclismo, o voleibol, o atletismo e o futsal, tendo inaugurado um pavilhão gimnodesportivo em 2004. Actualmente, o Aves está a lutar pela subida à Liga principal ocupando o sétimo posto, com 31 pontos. pub


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Proporciona diversas actividades ao longo do ano

Lar Tranquilidade: viver feliz na velhice

O Lar Tranquilidade, em Vila das Aves, é uma daquelas obras que nasce do grande coração de um homem que recebeu, cultivou e fez crescer uma quinta onde hoje se instalam alguns dos principais equipamentos sociais. Entre estes está, precisamente, o Lar de Idosos designado Lar Familiar da Tranquilidade. António Martins Ribeiro nasceu em 19 de Setembro de 1880 e morreu em 24 de Novembro de 1966, tendo constituído como sua herdeira universal a Comissão Fabriqueira da Paroquia de S. Miguel das Aves em 13 de Janeiro de 1955, exigindo que se fizesse um asilo para os velhos da terra. Assim, o Lar da Tranquilidade, fundação de direito canónico desde 7 de Março de 1990, viu em 1 de Abril do mesmo ano entrarem os primeiros 12 utentes para o Lar e os primeiros 25 utentes para o Centro de Dia, tendo a inauguração oficial ocorrido no dia 20 de Outubro de 1990. Actualmente, a instituição tem 3 valências com acordos com a Segurança Social. Um Centro de Dia com capacidade para 20 utentes, um Lar para 50 utentes e um Serviço de Apoio Domiciliário para 30

utentes. Dispõe ainda de um Centro de Apoio – Centro de Apoio António Martins Ribeiro – inaugurado no dia 1 de Abril de 2000. Este centro está equipado com piscina, ginásio, hidroterapia, jacuzzi, sauna e 4 quartos de casal e 1 individual para repouso temporário. A actividade e o convívio são fundamentais no bem-estar dos utentes e na construção de uma vida feliz. Assim, na vida quotidiana da instituição os idosos podem usufruir de um excelente espaço verde, de uma quinta com várias pequenas hortas, além de espaços de ateliês. Claro que, para além destes espaços, a instituição dispõe de um conjunto de actividades sócio culturais, onde se incluem outras iniciativas, como é o caso do piquenique dos santos populares, que reúne cerca de 500 pessoas. No essencial, o Lar Familiar da Tranquilidade tem como missão, promover a prestação de serviços pautados pela inovação, personalização e qualidade, com o objectivo de obter a satisfação dos seus utentes e demais envolvidos.

Associação de Reformados movimenta 550 sócios

A Associação de Reformados de Vila das Aves (Arva) foi criada para ocupar os tempos livres das pessoas que iam para a reforma. De acordo com João Ferreira, presidente desta colectividade, foram meia dúzia de pessoas que tiveram esta ideia e “muito bem”. “Havia muitos reformados que se sentavam pelos bancos do jardim, que andavam dispersos e no Inverno era mais difícil”, explica. Hoje, os sócios da Arva têm “uma salinha” cedida pela Junta de Freguesia. “Não temos grande disponibilidade, porque a cota anual são 6 euros, mas é o suficiente para termos o nosso espaço, pois a malta gosta de lá estar”, relata. A associação conta hoje com 550 sócios a pagar, o que no entender de João Ferreira é um número muito positivo e permite a realização de algumas actividades, embora o espaço não abunde. “Nós não temos muito espaço, temos uma sala praticamente e mais um espaço pequeno que nós chamamos secção feminina, que até lançou o

grupo coral”, acrescenta. Além do coro, ao longo do ano há lugar para a ginástica sénior, trabalhos manuais e para os passeios: “Temos umas excursões em que todos colaboram e é um convívio”. Depois, há a festa de Natal, que conta sempre com grupos corais. “É sempre uma grande iniciativa. No último Natal tivemos cá um grupo de Vigo e em Julho somos nós que lá vamos”, anuncia. João Ferreira não tem

dúvidas de que esta é uma oportunidade para a associação, “quer dizer, é diferente”. “Não é ir só ao bairro cantar, vamos a Vigo. É uma coisa interessantíssima”, afirma. Na verdade, o grupo coral não dará “frutos monetários, nem coisa nenhuma”, mas “todos dizem que é uma maneira extraordinária de desanuviar o espírito e conservar a saúde”. Num olhar para a freguesia de Vila das Aves, João Ferreira é peremptório: “Aqui falta tudo. Creio que podia estar muito mais desenvolvida se houvesse mais cuidado por parte das autoridades”. No entender deste responsável faz falta um hospital, um cinema, teatro e outros espectáculos. Na realidade, a própria associação já pensou em criar um grupo de teatro, mas a falta de instalações adiou esse sonho. “Podíamos ir para outro lado, se nos cedessem as instalações, mas isso implica muitas mudanças. Depois era preciso arranjar um ensaiador, voluntário, porque um ensaiador de teatro não é uma pessoa qualquer”, conclui.

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Primeira corporação a alcançar a certificação a nível nacional

Bombeiros de Vilas das Aves: trabalho de qualidade certificado A área de actuação do Corpo de Bombeiros de Vila das Aves engloba as freguesias de S. Tomé de Negrelos, Roriz, S. Martinho do Campo, S. Salvador do Campo, S. Mamede de Negrelos e Vilarinho, pertencentes ao concelho de Santo Tirso. Porém, em breve irão actuar na freguesia de Lordelo, no concelho vizinho de Guimarães. José Pedro Monteiro Magalhães é o comandante desta corporação e começa por afirmar que os bombeiros de Vila das Aves “estão bem e recomendamse”. Em termos de operacionalidade, na corporação todas as categorias estão a funcionar, desde os bombeiros de terceira, segunda e primeira. Aliás, a escola para novos bombeiros não pára e em breve haverá mais vinte novos bombeiros prontos a integrar a corporação. “Dentro de dois meses espera-se o fim do percurso de 350 horas de formação base inicial, que requer um grande esforço por parte de quem quer integrar os bombeiros”, revela José Pedro Magalhães, garantindo que desta forma se consegue “corresponder em termos humanos com pessoas bem treinadas e formadas”. Na verdade, a formação tem sido a grande aposta do comandante, desde que tomou posse há sete anos. “Conseguimos ter formadores reconhecidos pela Escola Nacional de Bombeiros. Tivemos também a preocupação de trazer mais valências ao corpo de bombeiros, nomeadamente com equipas de mergulho e equipa de resgate cinotécnico, o que veio criar uma maior abrangência na capacidade operacional”. Nos bombeiros de Vila das Aves, em 2008, quando a legislação foi publicada, já existiam as duas figuras de bombeiros, profissionais e voluntários. “Na nossa associação temos doze pessoas profissionais para o socorro, entre as quais cinco fazem parte da EIP, Equipa de Intervenção Permanente”, explica. Recorde-se que este foi um programa lançado pelo Governo, em que 50% do ordenado é suportado pela Autoridade Nacional de Protecção Civil, sendo o restante financiado pelas câmaras municipais. Segundo o comandante José Pedro Magalhães, em bom tempo se fez ver aos governantes, nomeadamente às câmaras municipais e às autoridades, que estes profissionais eram precisos. O comandante sublinha que a boa disponibilidade do voluntariado é sempre nos horários pós laborais e pós estudos, mas o maior índice de ocorrências é entre as 8 e as 20 horas.

“Foi necessário uma preparação para corresponder às necessidades das populações. Além da questão operacional, verifica-se que 98% das ocorrências é na área do pré-hospitalar, o que exige formação contínua e equipamentos à altura”, reforça. E no que respeita a equipamentos, a corporação apresenta instalações que correspondem às necessidades da população. “Recentemente tivemos a inauguração de mais uma sala de formação co-financiada pelo QREN. Além disso, como 30% do corpo de bombeiros é constituído por mulheres, precisávamos para os piquetes nocturnos de um espaço que está também conseguido”. Ainda no que respeita a viaturas, a corporação tem na área da saúde 4 viaturas de socorro, enquanto em termos de fogo, há algumas carências. “Em fogos urbanos estamos bem servidos, enquanto em florestas tínhamos algumas dificuldades, mas um benemérito já se disponibilizou para nos oferecer essa viatura, que nos ajudará já no próximo Verão”, revela José Pedro Magalhães. Em breve, a corporação deverá receber, igualmente, uma viatura de salvamento e desencarceramento que deverá chegar em Julho. Será a décima viatura num pacote de 98 viaturas dentro do financiamento do programa QREN. Porque o Verão se aproxima, os bombeiros de Vila das Aves não têm equipas de combate a incêndios florestais durante três meses, porque a operacionalidade é durante todo o ano igual: “Temos conseguido ter equipas para a primeira intervenção muito bem treinadas e bem equipadas a nível de equipamentos de protecção”. “Temos um conceito de combate aos fogos, com a preparação de floresta e coordenação de meios, excelente. É um bom trabalho de equipa”, acrescenta o responsável, apontando que o que custa mais é a parte pedagógica. “Temos de fazer entender às pessoas que fazer fogo é crime. Sabemos que as queimadas são benéficas para a agricultura, mas temos de perceber que nos dias de Verão, fogo não”, sustenta. O trabalho dos Bombeiros Voluntários de Vila das Aves tem dado frutos, uma vez que esta foi a primeira corporação a nível nacional a alcançar a certificação da qualidade. A reconhecida norma ISO 9001, que certifica a qualidade dos serviços prestados pelas instituições, é uma referência universal incontornável que está, na realidade, na base da gestão moderna. pub


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IPSS de Vila das Aves funciona há 32 anos

AIVA: ser criança com qualidade

Qualidade será a característica mais forte da AIVA – Associação do Infantário de Solidariedade Social (IPSS), de Vila de Aves, orientada para a área da educação, que existe há 32 anos. Porque educar é verdadeiramente uma missão, manter “a qualidade é a principal prioridade”, afirma Cecília Carvalho, presidente da direcção da AIVA. Uma tarefa que não tem sido fácil. “Nós estamos numa zona complicada do Vale do Ave, em que cada vez mais há pais desempregados e que deixaram de precisar do infantário e do ATL”, explica, acrescentando que há ainda a concorrência das escolas, que são muitas, com as pré-primárias públicas, agravado pelo facto do 1º ciclo ter as actividades extra-curriculares. Cecília Carvalho refere, porém, que à parte disso, “dentro da qualidade e dos pais que nos conhecem, temos neste momento 120 crianças, o que é muito bom”. “São 32 anos, hoje são os filhos dos pais que já cá andaram”, sublinha. Para a presidente da direcção, há muitos pais que não precisam do público e que preferem os serviços da AIVA: “Vêm cá, porque ouviram a experiência de outros pais que gostam de ter aqui os filhos. Muitos ficam logo que nos visitam”. A AIVA – Associação do Infantário de Solidariedade Social tem várias respostas, como a creche, que recebe bebés a partir de 4 meses até 1 ano de idade. A sala de transição acolhe crianças com idades entre 1 e 3 anos, se-

guindo depois para o jardim-de-infância. Depois, há o ATL, frequentado pelas crianças do 1º ciclo. Questionada sobre as reais dificuldades quanto à entrada dos meninos e das meninas nas instituições, Cecília Carvalho, por experiência própria como mãe de dois filhos, não tem dúvidas: “quanto mais cedo melhor”. “Quanto mais tarde pior, não é tanto que não se habituem, mas vão criando as suas defesas, como por exemplo, os pais vêm cá trazêlos e eles choram”. Se em termos pedagógicos, a AIVA aponta para a qualidade, no capítulo das condições não é diferente. “Em termos de serviços, como limpeza e alimentação, somos muito bons. São os próprios técnicos da Segurança Social que ficam surpreendidos pela limpeza e organização que temos”, assume, não deixando de sublinhar que para isso contribuem os funcionários que “são fora de série e têm uma boa vontade que não é vista noutras instituições”. Os recursos humanos da AIVA são, no entender da direcção, “gente muito dedicada e interessada”. “A direcção não está cá o dia todo, temos outros empregos, mas saber que o infantário está entregue a pessoas que procuram a mesma qualidade que nós, é um conforto muito grande”, manifesta Cecília Carvalho. “Vestem a camisola, o infantário não é só o emprego deles, o infantário é deles”. As actuais instalações da AIVA não pertencem ao infantário. Foram cedidas, há 32 anos, pela Junta de Freguesia de Vila das Aves. “É uma casa antiga e nós procuramos mantê-la o mais confortável possível. Podiam ser melhores, podiam, mas não estamos mal servidos, estamos bem”, declara a directora. E desde que esta direcção tomou posse, o infantário ficou mais colorido: “Era muito branco e todos foram incentivados a colorir os diferentes espaços”. Na vertente dos projectos, a AIVA pretende dar novamente um nome ao infantário, porque se não “tivermos pais que nos conheçam, as crianças não vêm para cá”. Precisamente quanto aos pais, esta direcção tem procurado aproximar os pais à instituição e isso tem acontecido “gradualmente”. “Os pais participam e gostam que nós lhe mostremos o infantário e neste momento isso está a acontecer muito bem”, explica. pub

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pública: 23 de Março de 2011 23

Escuteiros querem mais actividades

O Agrupamento de S. Miguel de Vila das Aves existe há 78 anos e conta hoje com 50 elementos. O balanço do trabalho é positivo, segundo o chefe Joaquim Sérgio Ferreira: “Mediante as nossas possibilidades, conseguimos proporcionar várias actividades aos jovens e manter o agrupamento vivo”. O agrupamento possui instalações próprias, com uma sede para reuniões e um espaço exterior para as actividades ao ar livre. Aliás, recentemente foram investidos cerca de 20 mil euros na reabilitação daquele espaço, sobretudo ao nível do tecto, da pintura e da parte exterior. No que respeita a apoios, os escuteiros das Aves recebem a ajuda da Câmara de Santo Tirso e da Junta de Freguesia. Depois, “tudo o resto são donativos ou angariações de fundos através das actividades que os escuteiros realizam ou das famílias que também custeiam algumas actividades”, explicou Joaquim Sérgio Ferreira. As actividades ao longo do ano são também diversas, entre as quais as relacionadas com as iniciativas da paróquia, como as procissões e o cortejo pascal. Entretanto, destaque ainda para as acções programadas pelas secções do agrupamento que têm as suas próprias actividades, além do passeio anual. “Temos também um sarau de reis, que já é uma actividade anual emblemática da nossa freguesia, com 16 grupos participantes que proporcionam uma noite de reisadas, sempre aberta ao pública e com entrada gratuita”, acrescenta. Para o futuro que está no seu último ano de mandato, poderá eventualmente continuar à frente dos destinos dos escuteiros avenses, porque não gosta de desistir e se for necessário, não dirá que não. Depois de muita atenção e investimento nas infra-estruturas, Joaquim Sérgio Ferreira entende que é necessário alargar o que se oferece aos miúdos. “Queremos angariar mais adultos para o agrupamento, porque o escutismo é exigente e implica muita dedicação para oferecer mais experiências e actividades, porque o escutismo permite actividades nacionais e também internacionais”. pub

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