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VI Seminário Nacional sobre Qualidade na Educação Básica - O Desafio de ler e escrever nos anos iniciais A contextualização do problema Academia de Educação de Feira de Santana


Um tema recorrente

Confesso que não venho, até aqui, falar-vos sôbre o problema da Educação, sem certo constrangimento: quem percorrer a legislação do país a respeito da Educação, tudo aí encontrará. Sôbre assunto algum se falou tanto no Brasil e, em nenhum outro tão pouco se realizou. Não há, assim, como fugir a impressão penosa de nos estarmos a repetir. Há cem anos os educadores se repetem entre nós. Esvaem-se em palavras, esvaimo-nos em palavras e nada fazemos. Atacou-nos, por isto mesmo, um estranho pudor pela palavra. Pouco falamos os educadores de hoje. Estamos possuidos de um desespero mudo pela ação.

Anisio Teixeira – Explanação dos problemas educacionais na Assembleia Constitutinte Estadual- 1947


Olhar o passado pode iluminar o presente “Falamos em Democracia, temos aspirações democráticas, sentimentos democráticos. Suspiramos pela Democracia, mas nunca lhe quisemos pagar o preço. O preço da Democracia é a educação para todos, educação boa e bastante para todos, a mais difícil, repetimos, das educações: a educação que faz homens livres e virtuosos. E por que não a tivemos? – Porque força é insistir, jamais fizemos da educação o serviço fundamental da República. .............. A escola sempre foi um dos deveres mais relegados e menos sérios do Poder Público; a polícia, a cadeia foram sempre mais importantes do que a escola pública.”


Ressignificar o problema ou lendo para além dos dados Dados do Relatorio INAF Brasil 2011- serie de 10 anos Indicador de alfabetismo funcional Instituto Paulo Montenegro e Ação Educativa Amostra de 2000 pessoas entre 15 e 64 anos em zonas urbana e rural em todas as regiões do país. Aplicação de testes: • leitura e interpretação de textos cotidianos. • Questionário que aborda as características sóciodemográficas e as práticas de leitura, de escrita e de cálculo. 4 níveis de alfabetismo: analfabeto Nivel Rudimentar Nivel Básico Nível Pleno


Ressignificar o problema ou lendo para além dos dados Década 2001-2011 Progressos maiores: transição do analfabetismo absoluto e rudimentar para o nível básico. Analfabetos: 12% para 6% Nível Rudimentar: 27% para 21% Nivel Básico: 34% para 47 Atenção: Nível pleno manteve-se estável ao longo da década. 25% ou um quarto da população. Escolarização»»principal fator explicativo dos níveis de alfabetismo. Quanto maior a escolaridade, maior a probabilidade de alcançar níveis mais altos.


Ressignificar o problema ou lendo para além dos dados Atenção: 1/4 no EF II estão no Nivel Rudimentar. Apenas 35% do EM e 62% do ES estão no Nivel Pleno. Dados do IBGE (Censo 2000) e PNAD (2009-2010): Aumento de: • 11% com Ensino Médio e • 6% chegam ao Ensino Superior Atenção: o aumento da escolaridade não corresponde na mesma proporção a ganhos no dominio das habilidades de leitura, escrita e cálculo. Só há ganhos de aprendizagem no EF I.


Outras leituras possiveis Niveis de alfabetismo melhoraram: • em todas as faixas etárias. Atenção: Na faixa dos 15 aos 24 quase superação do analfabetismo absoluto. • de forma semelhante entre homens e mulheres. Importante correlação: renda familiar e nível de alfabetismo.


Outras leituras possiveis Sinais de iniquidade: • Cor/etnia A escolaridade difere entre os que se declaram brancos, pretos e pardos (classificação IBGE), em favor dos brancos. Atenção: houve aumento significativo na escolaridade de pretos e pardos, principalmente no Ensino Médio. Os níveis de alfabetismo melhoraram na mesma proporção embora os pontos de partida sejam diferentes, favorecendo a população auto declarada branca. • Região: os níveis de alfabetismo variam conforme a região. Atenção: melhoraram em todas as regiões, menos na Região sul. A Região Nordeste foi a que mais se destacou: reverteu de 51% de analfabetos (2001) para 62% de alfabetizados funcionais (2011).


Outras leituras possiveis Zona Urbana e Zona Rural: Melhora em ambas, mantendo a desigualdade em favor das áreas urbanas. Atenção: Redução significativa de analfabetismo na zona rural: queda de 16%. Em todos os recortes: melhora nos níveis de alfabetismo são concomitantes à evolução positiva nos indicadores de escolaridade.


À guisa de síntese: O Brasil avançou nos níveis iniciais de alfabetização, mas o progresso não e visível nos níveis mais altos. Os esforços do governo e da população em se manter mais tempo na escola básica e em buscar o ensino superior não resulta nos ganhos de aprendizagem esperados. Novos estratos sociais chegam a etapas mais elevadas mas não alcançam o nível pleno.


Já enfrentamos o problema na origem? “ Mesmo pois com a fundação da República, ainda não chegamos à democracia. O regime educativo visava assegurar a construção de uma sociedade de classes, em que um grupo seria beneficiado com uma educação alta e o povo, as "classes menos favorecidas" (singular linguagem democrática) teriam escolas primárias seguidas de inadequadas e precárias escolas profissionais. Êsse dualismo entre educação para os dirigentes e educação para os dirigidos corrompeu desde o início o nosso conceito de educação democrática. E aqui faz-se indispensável prolongar a nossa análise, a fim de descobrir as razões por que a nossa consciência democrática, a despeito de assomos por vêzes vigorosos, se mostra tão débil e corruptível. Há, com efeito, algo de orgânico na falta de coerência e de consistência nacional, na extrema tenuidade nacional.”


Desafios Romper o dualismo desvelado no discurso de Anisio: Falso dilema: Excelência para poucos X Massificação sem qualidade Construir uma nova qualidade com base na equidade e na garantia dos princípios da Constituição.


Desafios Investimento em qualidade: • Formação do professor: inicial e continuada • Adequação: das escolas, dos equipamentos dos currículos • Políticas intersetoriais que favoreçam a permanência na escola. • Modelos flexíveis. Atenção: fortalecer a dimensão do alfabetismo(des. de habilidades de leitura/escrita e matemática) não somente nos anos iniciais mas ao longo de todo o Ensino Básico e EJA.


E por último, mas não menos importante... Em cada minuto passado na escola vivemos não só esse minuto : também contribuimos para a criação de um mundo....” Raths, 1967

Que tipo de mundo estamos ajudando a criar?


OBRIGADA! Maria Thereza Marcilio www.avante.org.br mariathereza@avante.org.br Tel: (71) 3332-3344


VI Seminário Nacional sobre Qualidade na Educação Básica - O Desafio de ler e escrever nos anos inic