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Envio: Soryu Monteiro Tradução: Moa Bellini, J. Snape, Thami R Revisão Inicial: Meg B.; Amanda G; Josie; Gabi Novaes Revisão Final: Cindy Pinky Leitura Final: Lola Formatação: Lola Verificação: Anna Azulzinha


Hope Richards sempre cuidou de si mesma, e quando adolescente sofria de distúrbio alimentar. Ela já não fica sem comer, mas ainda luta com problemas de autoestima. Agora em seus vinte anos, ela está pronta para começar a sua vida. Mas em sua primeira noite em Steel Corner, violência irrompe perto dela e um urso muito forte membro de um MC a protege. Dallas perdeu seu filho e sua ex-esposa em um acidente de carro há alguns meses. Ele permite que sua raiva cresça até consumir cada pedaço de sua alma. Mas, então, Hope entra em sua vida e ela é a primeira coisa verdadeira que ele quer em um longo tempo. Ela brinca com ele e com o seu urso, mas eles não podem seguir em frente até que seu passado estejam no passado. E às vezes é mais fácil dizer do que fazer.


Dallas Dallas levou a garrafa de Jack a boca e tomou outro longo gole, deixando a garrafa agora meio vazia. Ele estava em um dos sofás de couro vendo Stinger ter uma dança no colo de uma das prostitutas do clube. Ele já estava mais bêbado do que queria, porra. Sentindo seu animal mais do que o normal desde que ele foi ao túmulo de Maddix hoje para prestar seu respeito. E agora só queria esquecer. Ele levantou a garrafa e olhou-a. Ele já estava quase lá, mas ele queria estar muito fodido para não saber o que estava por vir e o que já foi. Ele tomou outro gole e relaxou ainda mais no sofá. Stinger tinha um baseado entre os lábios e as mãos na bunda da vagabunda do clube, enquanto ela sacudia essa merda, ele percebeu como isso estava saindo de moda. Ele viu o túmulo de Megan também, e embora eles não tenham realmente se falado civilizadamente desde o divórcio, ela ainda era mãe de seu filho, e ele a amou uma vez em sua vida. —Hey baby. Dallas virou e olhou para Cotton, uma das novas prostitutas do clube. Ela estava usando um desses vestidos


curtos o suficiente para que se um vento passasse por ela, ele não teria dúvidas que sua boceta apareceria ao mundo. —Você parece triste, baby —Ela colocou a mão sobre sua coxa. Dallas não pôde evitar o rosnado baixou que o deixou. Mas ela foi inteligente o suficiente para tirar a mão e dar um passo atrás. —Você não está a fim, Dallas? —Ela fez beicinho, obviamente pensando que poderia seduzi-lo com aqueles brilhantes lábios que foi apelidado pelo MC por boca de veludo. —Eu não estou com humor para você. —Ele realmente não era um bastardo, bem, ele não era até o acidente que matou Maddix e Meghan. —Você seria inteligente em se afastar, Cotton. Estou de mau humor e o álcool não está ajudando. Ele não olhou para ela, mas pelo canto dos olhos a viu dar mais alguns passos para trás e a ouviu engolir. As mulheres podem estar aqui por vontade própria e oferecer sua boceta como se fosse um bufê, e estavam aumentando, mas elas sabiam o que Grizzly MC era, e que eram animais assassinos a sangue frio. Ele acabou com o resto do jack e colocou a garrafa agora vazia sobre a mesa ao lado dele, sim, ele era um desgraçado, um que estava arrastando um monte de gente com ele.


Talvez esta fosse sua punição por todas as coisas ruins que fez em sua vida? Seria adequado tirar tantas vidas como fez para tantos outros —mesmo que as vidas que ele tirou fossem de homens ruins que fizeram muito mal neste mundo? Ele precisava de mais uísque, uma porra de muito mais álcool para tornar está vida suportável.

Hope Uma semana depois Hope tomou o caminho sinuoso da

montanha

e

inclinou-se para frente tentando ver por fora de seu parabrisa. Estava chovendo e seu para-brisa estava fazendo um trabalho de merda em deixar a estrada à sua frente visível. Ela esteve correndo sua vida inteira. Não porque ela tinha uma vida ruim ou arruinada, mas porque estava faltando alguma coisa. Ela só não sabia o que era. Hope estava trabalhando para se manter desde os quinze anos. Viver em uma cidade pequena como Silver Springs, Colorado, foi agradável e acolhedor, mas é claro que tinha os seus

problemas.

Havia

muitos

segredos

e

reprovações

excessivas. Se alguém não se encaixava no molde que os


moradores de Silver Springs queriam, então eles eram vistos como

uma

pária.

Ela

experimentou

algumas

dessas

reprovações, mas deixou isto no passado, e agora ela estava começando uma nova vida. Sua família era amorosa, e embora ela não tenha sido popular

na

escola

e não tivesse nenhum

amigo que

considerava próximo, ela foi até o fim. —Mesmo que os quatro anos antes de se formar tivessem sido uma merda de várias muitas maneiras. A vida após o ensino médio foi um pouco melhor. Ela frequentou a faculdade comunitária de Riverton, conseguiu seu diploma, e, somente depois de um ano, ela se candidatou por uma posição em sua área. Aos 23 anos, ela se viu em uma cidade grande, com edifícios altos e pessoas em torno dela. Hope queria ser invisível, e em uma cidade grande isto poderia acontecer. Mas onde ela estava indo não era tão grande de qualquer forma. Steel Corner era maior do que Silver Springs, mas depois de um ano enviando currículos, ela finalmente recebeu uma proposta para trabalhar no Jornal de Steel Corner, e ela aproveitou a oportunidade. Certamente não era a agitação de Denver ou a atmosfera artística de Boulder, era apenas para ser uma pequena jornalista, mas já era um começo. Ela foi ligeiramente para a esquerda e seu Jeep derrapou por um segundo. Foi capaz de obter o controle do carro, mas seu coração estava acelerado. Talvez se ela fosse uma pessoa supersticiosa, ela poderia ter pensado que isto era um mau presságio sobre sua mudança. Seu GPS soou na


voz feminina com um leve sotaque Inglês que estava a dez minutos de Steel Corner. As árvores desbastadas à direita eram muito bonitas, mas a visão assustadora de Steel Corner entrou em sua vista ao seu lado esquerdo. Não foi o maior lago que já viu, mas certamente foi o mais assustador, especialmente agora. Seu jeep derrapou novamente, e ela desviou para a direita. Hope apertou as mãos no volante e puxou para o lado da estrada. Ela odiava dirigir com o tempo assim, mas parecia que quanto mais ela subia a montanha, pior a chuva ficava. Esperar clarear um pouco pareceu à coisa mais inteligente e sensata a se fazer. Hope não viu nenhum carro na estrada, em pelo menos, meia hora, mas ninguém em seu perfeito juízo estaria tentando andar por essas estradas sinuosas com este tempo. Bem, ninguém além dela. Ela olhou para fora da janela pelo lado do motorista e observou o lago. Era enorme, mas com a chuva caindo, a partir daquela distância, parecia ameaçador e escuro, por isto ela achava uma das coisas mais assustadoras que ela viu. Estava tão concentrada no lago, que ela não viu uma pessoa estacionando à sua frente.

Ele parou um pouco longe de

onde ela estava estacionada, mas ficou claro que ele estava de pé ao lado de uma motocicleta. É evidente que ele parou para esperar a tempestade acabar. Ela apertou os olhos e passou a mão sobre a janela, limpando um pouco da neblina que começou a envolver o


vidro. Foi difícil realmente vê-lo, mas ele tinha algo escrito na parte de trás do colete de couro que usava. Ele estava ao lado de sua moto, os braços soltos ao seu lado. Por um ou dois minutos tudo o que ela fez foi olhar para ele. Ela deveria ver se ele estava bem? Ele não parecia ferido, e apenas estava lá olhando para o lago. E Hope certamente não deveria ter pensando em falar com um homem na beira da estrada, mas não poderia afastar a voz irritante de que poderia haver algo errado. Ela abaixou a janela, e vento e chuva imediatamente vieram e bateram em seu rosto. —Hey? —Ela teve que gritar sobre o barulho do vento. Ele não se virou. —Ei. Você está bem? —Ela gritou ainda mais alto, e limpou o rosto com a mão quando uma enorme rajada de vento e chuva foi contra sua pele como uma mão aberta. Ele lentamente se virou e a olhou por cima do ombro. Mesmo através da distância e do tempo horrível, ela podia ver as gotas escorrerem de seu cabelo loiro e deslizar sobre seu corpo

grande

e

musculoso.

Suas

roupas

estavam

encharcadas, e ela percebeu que o colete que ele usava não era apenas uma peça de roupa, mas uma declaração do MC em que ele pertencia. Ela poderia ser de uma cidade menor do que Steel Corner e poderia não ser capaz de vê-lo completamente por causa do tempo, mas ela sabia o suficiente sobre moto clubes para ver um colete quando estava a alguma distância dela. Parecia que eles se olharam por longos minutos.


—Você está bem? Novamente ele não lhe respondeu, e em vez disso se virou e enfiou as mãos nos jeans. Okay. Ela fechou sua janela, trancou as portas e alcançou um pano em seu banco de trás. Assim que secou a maior parte do seu rosto, ela olhou para ele mais uma vez. Ele estava na mesma posição, mas o estranho encontro —ou a falta disto — teve ele enfrentando as estradas e o tempo se fechando nele. Ele claramente não queria ajuda, e assim ela não estaria em seu caminho. Hope ligou seu Jeep e puxou de volta para a estrada. Ela esperava que o tempo e a estranha interação com o motociclista não fossem um grande alerta vermelho que o destino empurrou em seu rosto para ela voltar.

Dallas Dallas não se importava que estava um frio da porra, que

estava

encharcado

até

seus

ossos

ou

que

ele

provavelmente parecia um idiota mudo por estar na chuva ao lado da estrada. Nada disso importava e ele não dava a mínima para o que pensavam dele.


Faziam meses desde que perdeu Maddix e Meghan naquele acidente de carro, e embora ele tivesse estado afastado a maior parte do tempo de sua ex-esposa e filho, ainda doía para caralho. Ele era um bastardo por não ter tido um papel mais ativo na vida de Maddix e ter sido um pai de merda. Dallas olhou para o lago e assistiu à sombria, cinzenta e escura chuva cair. Parecia um véu a esta distância, como um véu sujo, frio e cruel tentando encobrir a beleza. Era assim que Dallas se sentia por dentro, como se sentia a um longo tempo. Mesmo antes de sua morte ele sempre sentiu essa escuridão profunda no fundo de seu corpo. Dizer que ele tentou jogar para fora de si mesmo, usando álcool e drogas para libertá-lo, teria sido um eufemismo, porque ele tentou isso um milhão de vezes e nunca ajudou. Ele queria o conjunto, queria a queimação doce da maconha enchendo seus pulmões e o entorpecimento de seu corpo. Mas foi um tempo de merda tentando fumar um. A água cobriu-o até que seus ossos pareciam gelo, pronto para a ruptura sem nenhuma provocação. Desde que ouviu sobre o que aconteceu com a Meghan e Maddix ele tentou agir normalmente

na

frente

dos

outros

membros

do

MC.

Escondendo-se através de uma farsa de que estava tudo bem, parecia um plano muito melhor do que tentar falar sobre essa merda. Ele foi morto por dentro, este bastardo frio era um profissional em jogar fingindo que estava tudo bem. Mas então houve essa merda com Diesel e sua Senhora e Dallas


dizendo à primeira e única pessoa sobre o que realmente aconteceu. Pequenos pedaços de cabelo caíram sobre seus olhos, mas ele não se preocupou em afastá-los. Ele simplesmente não se importava. O que ele ia fazer era montar em sua moto e ir para o bar mais próximo. Lá ele ia beber whisky o suficiente para garantir que ele não se importasse com mais nada, que ele não pensasse em mais nada, e que o esquecimento o levasse. Dallas ficou parado por mais dez minutos até que a chuva parou. Era quase crepúsculo, e ele virou-se e dirigiu-se para sua moto. Uma vez que ele voltou para a estrada, ele seguiu em direção a Steel Corner. Apesar de ser uma cidade pequena haviam vários bares e um que atendia ao MC e a qualquer Grizzly de passagem. Mas ele não queria estar próximo de alguém próximo a ele, e sabia que ninguém iria querer estar próximo dele quando estava neste estado de espirito.


Hope

Hope foi até a janela do motel e afastou as cortinas. Havia um pequeno bar e restaurante do outro lado da rua e o sinal de neon brilhou e apagou deixando os consumidores saberem que estava aberto. Parecia que o lugar era um pouco lixo, mas o estômago de Hope resmungou, apesar dela estar exausta da viagem de cinco horas. Virando e pegando sua bolsa e casaco de cima da cama, ela saiu do quarto e atravessou o estacionamento. O cheiro de chuva fresca agarrou o ar. Ela parou neste motel —que era singular, pequeno, mas do tipo caseiro. Provavelmente não havia nenhum hotel mais conhecido na cidade, pelo menos não um que ela notou quando pesquisou o lugar. Alguns carros passavam

e ela

se apressou para

atravessar. Havia algumas Harleys estacionadas em frente ao bar, juntamente com alguns caminhões e alguns carros. Ela apertou o casaco em torno de si e embora não estivesse muito frio lá fora, a tempestade e o vento soprando deixaram o ar gélido. Hope não pôde deixar de pensar no homem que ela viu na estrada. Ele era muito grande, e mesmo de longe parecia poderoso ali, com a chuva forte nele. Mas ele não se


importava, e ela viu isso em seus olhos quando olhou para ela. Ela empurrou tudo isto para longe, pois não era sua preocupação, e honestamente ela deveria ter sido mais esperta do que lhe perguntar se ele estava bem ou se precisava

de

alguma

coisa.

Era

perigoso,

tolo,

e

ele

claramente era instável para estar de pé numa chuva daquela. Sacudindo a cabeça, empurrar isto para longe era mais difícil do que deveria ser, o que ela achou estranho e desconcertante. Ela estendeu a mão para a maçaneta da porta da frente, mas a porta se abriu e atingiu a parede de tijolos. Hope deu alguns passos para trás quando um casal bêbado saiu tropeçando. A mulher estava pendurada no cara e rindo. —Eu acho que você está tentando se aproveitar de mim, Duke —Suas palavras saíram arrastadas, e o homem estava, obviamente, segurando-a. Ele resmungou. —Doll, não há ninguém tentando se aproveitar de você. Todo mundo sabe que você espalha sua boceta de graça. —O cara parou e olhou para Hope. Ele olhou-a de cima a baixo e seu sorriso se espalhou pelo seu rosto. Sua barba era sebosa, longa e cheia de cabelos brancos. Ele usava uma bandana suja, e parecia que ele não tomava banho há algum tempo. — Nunca te vi aqui antes. —Duke, vamos lá. Estou com tesão. O cara sorriu com seus dentes amarelados mais uma vez.


—Dever me chama, mas talvez você e eu nos veremos outra vez. Não é provável. Felizmente ele não se incomodou com Hope de novo, e arrastou a mulher para um dos caminhões enferrujados. Se ela não estivesse com tanta fome ela poderia ter voltado para seu quarto. Mas o que isso teria feito? Esta era sua nova casa. Ela estaria começando seu trabalho na próxima semana e meia, e ela teria que se acostumar em ver essas coisas. Nem todo lugar era pequeno e singular como sua casa foi. Mas Hope nunca teve uma casca grossa, nunca foi capaz de deixar as coisas, e sempre foi chamada de "alma sensível". Ela via isso como uma fraqueza e não uma força, assim como sua mãe disse a ela. —Você não esta mais no Kansas, Hope —Ela sacudiu a cabeça e agarrou a maçaneta da porta. Uma vez lá dentro, ela esperou um minuto para seus olhos se adaptarem à penumbra. O lugar era tão pequeno no interior como ele parecia do lado de fora. Havia um bar em frente à entrada da frente, onde alguns homens estavam sentados no bar, e havia um punhado de mesas espalhadas. Cheirava a mofo, cerveja derramada e fumaça de cigarro velho. A jukebox estava em um canto, e uma mesa de bilhar, que parecia ter visto dias melhores, no outro. Hope sentiu-se fora do lugar, muito mesmo, mas ela não iria fugir. Isso nunca resolveu nada, pelo menos não onde ela estava interessada. Ugh, não agora. Você não vai pensar sobre Parker agora. Yeah, pensar sobre seu ex-namorado

não

era

o

lugar

onde

ela

queria

seus


pensamentos agora, mas era difícil não pensar sobre o primeiro cara em que ela acreditou que estava apaixonada. Ela foi mais para dentro do bar e a porta se fechou atrás dela. Foi uma daquelas cenas de filmes, onde parece que todos param o que estão fazendo para ver a mulher estranha andando em seu bar. Mas, tão logo todos olharam para ela, voltaram a jogar bilhar, falar alto e obscenamente e beber cerveja. —Oi. Mesa ou no bar? Hope olhou para a jovem que falou ao seu lado. Ela não podia ter mais do que 21 anos, e usava maquiagem o suficiente para parecer pelo menos dez anos a mais do que tinha e as roupas eram tão apertadas e reveladoras que não deixaram nada para a imaginação. A menina teria sido muito mais bonita sem toda a porcaria no rosto, isto era evidente. —Você está aqui para comer ou beber? —Perguntou a jovem novamente. —Comer, por favor. A menina balançou a cabeça e deu um largo sorriso. Seus lábios vermelhos esticaram através de seus dentes brancos. Ela levou Hope para uma das mesas muito atrás, entregou o menu que parecia não ter sido lavado em muito tempo. Mas antes que Hope tivesse tirado seu casaco e olhado o menu, a garçonete voltou com um copo de agua e com seu pequeno bloco de notas. —Você descobriu o que você quer?


—Mara, por que você não vem até aqui e mostra para o Papa alguma atenção? —Um homem gritou sobre a mesa de bilhar. A garçonete se virou e mostrou-lhe o dedo do meio. Houve uma rodada de risos e, em seguida, Mara voltou a dar atenção a Hope. —Desculpe sobre isso. Este são os tipos de homens que ficam em torno da cidade. —Ela sorriu amplamente —Eles vêm aqui das cidades ao redor, são principalmente bons rapazes, apenas com muito tesão. Hope

balançou

a

cabeça

lentamente

porque

ela

realmente não sabia o que dizer. —Você é nova em Steel Corner ou está só de passagem? —Nova —O som de uma garrafa se quebrando veio do outro lado da sala. Hope esperava ver uma briga acontecer, mas só viu homens batendo uns nos outros nas costas e jogando a cabeça para trás para rir. —Bem, esta é uma boa cidade para se viver, tranquila a maior parte do tempo, mas é o MC que mantém as coisas em ordem e as pessoas na linha. —O MC? —Hope leu bastantes livros e viu filmes o suficiente para saber o que diabos acontecia em um moto clube —para a maior parte —mas haver um clube real nesta cidade que controlava as coisas? Parecia ridículo e.... assustador. A garçonete deve ter visto sua incerteza. Ela começou a rir.


—Não fique tão assustada. Acredite em mim, se eles não estivessem aqui, eu acho que um monte de merda realmente assustadora iria acontecer. —Ela balançou a cabeça e virouse em direção ao bar. —Rocky, coloque um hambúrguer na grelha e frite uma porção de batata frita. —Ela voltou para Hope e sorriu novamente. —Confie em mim, você não pode querer comer qualquer outra coisa aqui. —Ela piscou e levou o menu embora. Hope estava sem palavras. Ela pegou sua água e tomou um

gole.

Ok,

então

sua

nova

casa

seria

cheia

de

motociclistas, onde eram os policias não oficiais da cidade. Ela poderia lidar com isso. Não era como se ela tivesse que lidar com eles de qualquer forma. Suas despesas de mudanças seriam cuidadas, mas ela não poderia pegar as chaves de sua casa até segunda-feira. Era sábado, e embora ela pudesse ter esperado até depois para vir, ela imaginou que pudesse se familiarizar com Steel Corner e aprender sobre a cidade. Enquanto ela esperava por sua comida, ela pegou seu celular e olhou para a tela. Ela chamou seus pais assim que chegou ao motel, mas ignorou os poucos textos que Parker lhe enviara. Ela terminou com ele há um ano, e até ele descobrir que ela estava se mudando, manteve a distância dela. Pensou que ele seria o homem com quem ela se casaria, por mais triste que parecesse, ele foi o único homem que demonstrou sua atenção. Mas enquanto enfrentava baixoestima, distúrbio alimentar, e usava uma grande quantidade


de energia para esconder isso, Hope lidou com muito de sua própria aversão. Ela tentou se ver como uma pessoa especial e não gorda e feia. Parker foi aquele garoto que olhou para ela como algo a mais. Mas a realidade, ele nunca a viu como especial e não a amava. Acontece que seu "príncipe encantado" gostava de dormir com várias e menosprezá-la pelas costas, porque isso o fazia se sentir melhor sobre si mesmo. Ouvi-lo dizer às coisas que ele disse, coisas que ela disse a si mesma quando se olhava no espelho, encheu-a de nojo, teve que perder tudo, para ela perceber que tudo foi uma mentira. Nenhuma quantidade de tempo ia mudar o fato de que Parker não a ajudou, mas a manteve presa nessa parte de sua vida. Ele não se importava se ela estava quebrando. Não foi até ele descobrir que ela estava deixando a cidade que ele tentou tornar-se amigo dela. No início, ela não entendeu porque ele se importava, mas, em seguida, com Parker tornando-se mais carente, ela sabia que ele deveria ter algum tipo de inveja em relação a ela. Pelo menos essa era a única coisa lógica que ela conseguiu pensar. Vendo como ele era proprietário de uma parte da oficina mecânica de seu pai, e ele era obrigado financeiramente e moralmente a ficar em Silver Springs. Mas ela não deixou seu "charme" convencê-la, não importava quantas vezes ele disse que a amava. Ela sabia que não deveria acreditar em nada que Parker dissesse a ela. Nunca mais seria capacho de homem. Excluindo os textos de Parker e empurrando seu telefone de volta ao bolso, ela examinou o bar. Ninguém


realmente prestou atenção nela. Haviam alguns homens tocando algumas mulheres malvestidas, outros caras falando alto em uma mesa, e ali, em uma das mesas muito distante, do outro lado da sala, parcialmente escondido nas sombras, havia o cara que ela viu na estrada. Ele tinha uma garrafa quase vazia de whisky na frente dele e um copo ao lado. Mesmo a distância ele olhou para longe. Seus olhos pareciam brilhantes e vermelhos e seu cabelo loiro curto estava confuso ao redor de sua cabeça. Ela olhou para ele durante alguns segundos, e embora ela soubesse que era rude, ela não conseguia desviar o olhar. Ele parecia enorme sentado naquela mesa pequena, e ela não perdeu como muitas pessoas mantinham distância dele. A garçonete voltou com sua comida e colocou na frente dela. —Você precisa de mais alguma coisa? Hope tirou sua atenção do motociclista, e sabia a resposta para sua pergunta, antes mesmo que ela tenha perguntado. —Quem é aquele cara ali? A garçonete se virou e olhou: —É Dallas, um dos membros de The Grizzly MC. —ela virou-se para Hope novamente —No último mês ou algo assim, ele vem para cá, mas antes disso eu só o via ao redor da cidade em sua moto. Não sei porque ele vem aqui, quando o clube tem seu próprio lugar. —Ela encolheu os ombros. — Não é da minha conta, eu acho. Ele paga por sua bebida e


ninguém mexe com ele, a não ser que eles queiram seu shift em sua bunda. —Shift? —Hope perguntou. A garçonete assentiu: —Yeah, The Grizzly MC é composto por alguns muito grande e assustadores shifters de urso. Por isso o patch "Grizzly". —A garçonete riu, mas Hope não poderia dizer se ela estava sendo ou não uma cadela sobre isso. —Não tenho certeza o que se passa por sua cabeça quando ele se senta por lá, mas é um pouco triste, mesmo que eu saiba que ele poderia acabar com esse bar inteiro tão bêbado que mal conseguiria

ficar

de

pé.

—Mara

balançou

a

cabeça

lentamente. —Eu vejo um monte de pessoas tristes vir aqui, principalmente para afogar suas magoas ou mascarar sua raiva.

Ele,

porém,

—ela

continuou

olhando

para

o

motociclista —ele tem algo muito escuro dentro dele. —A garçonete não disse mais nada e deixou Hope quando outro cliente chamou sua atenção. Ela não deveria ter olhado para Dallas novamente, mas tudo o que ela continuava a ouvir em sua cabeça era que ele tinha algo escuro dentro dele. Ele levantou o copo e acabou com álcool de cor âmbar dentro dele. Mas assim que o copo bateu na mesa, ele lentamente levantou os olhos e olhou diretamente para ela. Houve uma centelha dentro dela, essa curiosidade e medo, e alguma outra coisa também. Hope não gostou de como se sentiu, não gostava de seu coração acelerado e das palmas das mãos suadas. Ela nem sequer


teve que estar ao lado dele para saber que ele era perigoso, e não apenas de uma forma violenta. Ele se inclinou para trás em sua cadeira, mantendo os olhos treinados sobre ela. Hope deixou seu olhar cair sobre seu colete de couro. Ele parecia desgastado, mas cuidado. Seu ombro era incrivelmente largo e até mesmo através da camisa de mangas compridas escura, ela poderia ver que ele era musculoso. Essa estranha sensação dentro dela se intensificou e ela percebeu que era luxúria. Ela nunca olhou para um homem e imediatamente se sentindo tão atraída por ele. Quando ela o viu em pé na beira da estrada não houve qualquer excitação, mas ela certamente sentiu essa crescente consciência de seu corpo. E agora, do jeito que ele olhava para

ela,

com

os

olhos

injetados

de

sangue,

cabelo

bagunçado, e essa aura de animal que o rodeava, Hope percebeu que este estranho não era apenas perigoso para todos ao seu redor, mas era perigoso para ela também.


Hope

O som da porta da frente batendo contra a parede teve seu foco desviado para longe do motociclista e para o homem que atravessou a porta da entrada. Ele era grande, com uma camisa de flanela nojenta com manchas sob os braços, um par de jeans rasgados e manchados, e um boné de beisebol também manchado. O gemido teve Hope olhando para o bar e observando como a garçonete revirou os olhos e começou a murmurar algo para o senhor que estava fazendo bebidas. —Dê-me uma bebida. —O homem vestindo flanela gritou e começou a ir em direção ao bar, mas ele encontrou uma mesa vazia e sentou-se, próxima de onde Hope estava. Ele não olhou para ela, mas não havia dúvidas de que ele estava verificando as mulheres seminuas sobre a mesa de bilhar. Comparada a elas, Hope estava vestida como se ela estivesse prestes a enfrentar uma tempestade de neve, que era uma camisa de mangas compridas e calças jeans. A garçonete trouxe-o uma jarra de cerveja e um copo, mas antes dela se afastar, ele estendeu a mão e deu um tapa na bunda dela. Mara revirou os olhos e quando ela passou pela mesa de Hope, ela parou a garçonete.


—Você está bem? Mara revirou os olhos novamente e olhou por cima do ombro para o cara. —Eu estou bem. Este é Frank. Ele vem aqui algumas vezes

ao

longo

dos

últimos

seis

meses.

Ele

é

um

caminhoneiro, pensa que é dono do mundo e que todas as mulheres o querem. —A garçonete se aproximou. —Ele é um porco maldito, e ele não vem muito aqui. —Antes que Hope pudesse dizer qualquer coisa a garçonete estava voltando para bar e falando suavemente com o barman. Hope só iria comer e sair dali. Quando aquele homem na entrada do bar olhou para ela como se ela fosse algum pedaço de carne, ela deveria ter ido para seu quarto e dormido. Este lugar claramente era demais para ela. Ela começou a comer, mas não podia ignorar a forma ofensiva que o cara de flanela provocava as mulheres ao redor do bar, dizendo todo tipo de coisas degradantes e desagradáveis. Mas, felizmente, Mara foi para sua mesa para levar algumas batatas fritas e asinhas, o que pareceu calá-lo antes de uma briga começar. Dez minutos se passaram sem incidentes, e ao som do rock clássico que explodia pela Jukebox. Hope estava quase terminando seu lanche, mas é claro que ela não poderia ter terminado e passado despercebida. —Hey, doce. Você não é como as outras prostitutas desse lugar.


Ela olhou-o —apesar de saber que ela não deveria ter feito —e fez contato visual com o imbecil. Ele sorriu, mostrando o espaço entre os dentes da frente amarelos. Seus olhos eram negros e redondos, mas não havia como negar que ele tinha toda sua atenção em Hope, e que ela precisava ir embora. Ela poderia ser inteligente, mas ela não foi esperta rápido, e esse cara parecia que não gostava de ouvir a palavra não. Ela não respondeu e pegou sua bolsa para pegar algum dinheiro. —Hey, eu estava falando com você. Ela contou seu dinheiro, pegou uma nota de dez dólares e jogou-a sobre a mesa. —Oh, eu vejo. Você é uma daquelas cadelas que pensam que são muito boas para os outros, né? Hope levantou-se e pegou sua jaqueta. —Frank, basta deixá-la sozinha. —O senhor por trás do bar gritou. —Fique o caralho fora disso, Bobby. —Frank se levantou e pegou sua cerveja antes de caminhar em direção a ela. Hope olhou para Mara e para o senhor atrás do bar. A garçonete parecia nervosa e o barmam parecia bravo. Ela sentiu os olhos de todos do bar nela, mas voltou sua atenção para Frank. Ele parou próximo a ela e a olhou de cima a baixo. Sentiu-se nua diante dele, cruzou os braços sobre o peito e tentou cobrir o seu corpo já coberto.


—Quero dizer isto, Frank. Não comece sua merda, especialmente não com esta jovem. Eu vou ligar para a polícia. Frank bufou: —Vá em frente. Eu conheço um monte de pessoas Bobby, um monte de policiais que me devem favores. —Frank zombou do barman. —Além disso, não estou fazendo nada de errado. Apenas perguntando para seu traseiro tenso porque ela está me esnobando. Ela sentiu seu olhar sobre ela e se sentiu tão suja, apenas depois de 5 minutos em sua presença. —Então, você acha que é boa demais para mim, mulher? Porque eu tenho certeza que você parece fora do lugar aqui, então estou pensando se você tem um pau gigante em sua bunda. Hope foi sair, mas ele agarrou seu braço em um aperto forte. —Eu lhe fiz uma pergunta maldição. —Deixa-a ir, ou você não vai ter mais uso para essa mão que você tem sobre ela agora. Hope virou-se e olhou para o homem que falou. Dallas estava apenas a alguns passos atrás, e embora ela pudesse ver que ele estava bêbado, ele ainda parecia feroz naquele momento. Ele também parecia chateado, e toda sua raiva era dirigida a Frank.


Frank começou a rir e soltou o seu braço. Ele levantou a caneca de cerveja a boca. Bebeu quase metade do conteúdo antes de batê-lo em cima da mesa com tanta força que o resto da cerveja caiu sobre a beira da mesa. Ele limpou a boca com a costa da mão e sorriu, mas não foi um sorriso bemhumorado, mas sim um sarcástico. —Você acha que só porque usa este colete e é uma espécie de aberração shifter urso, você pode me derrubar? — Frank ergueu as mãos no ar e sorriu enquanto olhava ao redor da sala. —Você tem que estar brincando comigo. —Escutem aqui, não vai haver nenhuma luta aqui dentro. —Bobby, o barmam, gritou —Frank, se você quer ter sua bunda chutada por um membro do Grizzly, isto é, com você,

mas

leve

sua

bunda

estupida

para

fora

no

estacionamento para fazê-lo. Frank virou-se para o homem mais velho e franziu os lábios. —O único sangue que será derramado será deste filho da puta. —Ele virou-se para Dallas e estendeu os braços. — Você realmente quer fazer isto tudo porque está tentando ser algum tipo de herói? —Frank começou a rir —Cara, eu sei tudo sobre você e seu maldito clube. Você sai por aí pensando que pode controlar a merda, fazendo todo tipo de merda odiosa. Você não é melhor do que eu ou qualquer outra pessoa. —O rosto de Frank começou a assumir uma tonalidade vermelha. —Eu não tenho medo da sua bunda louca de merda. Faça.


O coração de Hope estava acelerado e ela olhou entre os dois homens. Frank parecia irritado e estava prestes a ter um aneurisma e Dallas parecia calmo e alerta. —Bem, vamos lá, filho da puta. Você precisa sair dessa porra de pose de garanhão de qualquer maneira. —É evidente que Frank estava bêbado ou ele não seria estupido de falar desta forma com Dallas. Honestamente, ele provavelmente era ambos e algo mais. —Eu posso não estar em Steel Corner tanto, mas você e seu urso esquisito precisam aprender que há pessoas mais poderosas lá fora do que você. Okay, Hope não sabia se estes dois tinham músculo para isto, e ela estava grata que Dallas estava de pé atrás dela, mas ela certamente não queria estar entre a enorme briga que estava prestes a acontecer. —Obrigada, mas não há qualquer necessidade de violência. Eu só vou sair e tudo pode se acalmar. —Ela segurou mais forte em sua bolsa e mantendo o seu foco no chão, caminhou para a porta da frente. Mas Frank segurou em seu braço novamente e antes que ela pudesse dizer qualquer coisa ou puxar de seu aperto, seus pelos do braço se

arrepiaram

e

seu

coração

começou

a

bater

descontroladamente. No entanto, não foi porque o idiota estava com a mão sobre ela, mas sim porque ela sentiu a intensa ira de alguém bem atrás dela, e viu sua enorme sombra no chão. Ela não precisava olhar para trás para ver que era Dallas, e ela não sabia porque seu corpo estava reagindo assim por conta de um estranho.


—Eu lhe disse para não a tocar se você ainda quisesse ser capaz de usar sua fodida mão. Dallas disse baixo e profundo bem atrás dela. —Frank, é só você dar o fora daqui porra. Você é inteligente, sabe que isso não vai acabar bem para você. —Cale a boca, Bobby. —Frank falou entre os dentes. —A polícia estará aqui em breve, então eu sugiro que você só saia. Tudo o que você faz quando entra aqui é começar confusão. —A garçonete foi a única a falar e para uma pessoa tão pequena, ela tinha muita força em sua voz. Sua respiração roçou ao longo da nuca de Hope e, por um segundo, ela não pensou em mais nada além dele bem atrás dela. Este pensamento foi empurrado quando Frank apertou seu agarre sobre ela até que um suspiro de dor a deixou involuntariamente. Tudo o que aconteceu depois disso foi um borrão de ação. O grunhido baixo e muito animalesco que veio de Dallas um milésimo de segundo antes dela ser jogada de lado por Frank com tanta força que ela bateu sobre uma das mesas. O vidro de cerveja que estava sobre a mesa caiu no chão e quebrou. Sua cabeça girou ferozmente e ela tentou se levantar, a cerveja que estava no chão fez sua mão deslizar enquanto tentava se endireitar e, ela caiu sobre seu cotovelo. Um pedaço afiado do vidro quebrado entrou em seu antebraço e ela gritou de dor. O som de gemidos e maldições a rodeava e depois houve o silêncio. Tudo aconteceu em apenas poucos minutos e quando ela olhou para cima, viu que apenas naqueles poucos


minutos tudo estava destruído no interior do bar, várias mesas foram viradas ao seu lado, vidro quebrado se espalhava pelo chão e todos os clientes se colocaram contra as paredes olhando para o homem que estava atualmente no meio de toda esta destruição. Dallas virou lentamente em direção a ela, e o olhar duro, animalesco que estava em seu rosto fez seu coração parar em seu peito. Frank estava aos seus pés, e embora ele tenha sangue saindo de seu nariz e boca e seus olhos estejam fechados, ela viu seu peito subir e descer. —Deus, você está bem? —A garçonete perguntou e se ajoelhou na frente dela. Hope olhou para baixo em seu braço. A dor foi no instante em que o vidro a cortou, mas, em seguida, a adrenalina bombeou através de suas veias —ainda estava bombeando —e ela não focou sobre isso. Mas agora, como ela viu o filete de sangue escorrer pelo seu braço e gotejar no chão, todo o medo, preocupação e dor finalmente pegaram-na e bateram em seu corpo violentamente. —Bobby, me dê algo para seu braço. Ela está sangrando muito. —Mara pediu. Um segundo depois, ela teve um pano na mão pela gentileza de Bobby e pressionou no braço de Hope. Mara levantou o pano um minuto depois. —Não parece profundo, mas você quer que eu chame uma ambulância para ter certeza que não precisa de pontos?


Hope levantou-se e colocou a mão sobre o pano. Ela tirou o pano e olhou para a ferida, mas poderia dizer que não era muito profunda. —Eu acho que vou ficar bem, mas eu só quero voltar para o meu quarto. —Ela olhou para a garçonete e viu um olhar preocupado em seu rosto. —Obrigada pela ajuda, no entanto. Hope virou e olhou para a frente do bar e viu que todos os olhos estavam sobre ela. Seu estômago se agitou com náuseas e começou a suar frio pelas costas e testa. Ela oscilou e para não cair, teve que pôr a mão sobre a parede. Endorfinas e adrenalinas ainda bombeavam nela. —Hey, sente-se. Hope ouviu Mara falando, mas seu foco estava em Frank ainda deitado no chão. Sangue continuava a sair de seu nariz e um lado de seu rosto inchava ainda mais com cada segundo que se passava. Ela lentamente olhou para a garçonete e viu sua boca se mexendo, mas não conseguia ouvir nada, além do bater de seu coração em seus ouvidos. A presença ao lado de Hope teve seu olhar para outra direção. Dallas ficou bem na sua frente. Sua expressão era muito dura e, apesar de ter sido apenas uma luta —embora tenha sido extremamente curta —não havia uma marca em seu rosto. Sua boca começou a se mexer, mas ele manteve o foco nela. Ela começou a suar mais, sentir a náusea se intensificar e viu a escuridão começar a borrar sua visão. Se isso não era a última coisa que poderia empurrá-la sobre ao limite e avisá-la


que vir atĂŠ aqui foi uma ideia muito ruim, ela nĂŁo sabia o que mais poderia.


Dallas

Dallas sentou em uma das cadeiras de tecido de lã manchadas no canto do quarto de motel da fêmea humana. Ela desmaiou no bar, e embora ele não a conhecesse, e soubesse que deveria ter deixado Mara e Bobby lidarem com ela, Dallas não poderia tê-la deixado. Ele não sabia o que havia nela para que o fizesse se sentir assim. Talvez fosse mais curiosidade do que qualquer outra coisa, mas quando a viu estacionar na sua frente na estrada e perguntar se precisava de ajuda, havia essa sensação que se movia dentro dele e agarrava o seu animal interior. Foi muito estúpido da parte dela ter falado com ele. Os seus instintos deveriam ter lhe falado que ele era perigoso, até mesmo da curta distância que os separavam. Deveria

ter

partido

assim

que

a

pôs

na

cama,

entretanto, se encontrou sentando e observando seu tórax subir e descer. Não foi difícil achar seu quarto, já que Mara foi com ele ao escritório do motel e explicou o que aconteceu. Esse não era o jeito Dallas de obter informação, porque verdade seja dita, ele gostava de conversas violentas para obter respostas, mas recuou e deixou Mara fazer à sua


maneira. Cinco minutos depois e estávamos em seu quarto. Ele a expulsou, fumou fora do quarto e voltou para dentro. Ela fez um pequeno barulho e o tirou de seus pensamentos, endireitando-se na cadeira. O longo cabelo loiro estava espalhado sobre o travesseiro e o pulso dele disparou. Tudo sobre essa mulher despertou o urso dentro dele, fazendo seu corpo suar frio e seu pau ficar duro como aço. Fazia um par de horas que desmaiou, mas depois de verificar a ferida e ver que se fechou, era mais provável que estivesse em choque. Dallas não disse nada, mas observou silenciosamente ela abrir os olhos, piscar algumas vezes e encarar o teto. Virando a cabeça para olhá-lo e seus brilhantes olhos azuis alargando-se lentamente. Depois de dar uma olhada ao redor do quarto e se levantar da cama, ela sentou novamente por alguns minutos e jogou as pernas em cima do colchão. —Você me trouxe para meu quarto? — Ela perguntou, mas estava encarando os próprios pés. —Sim. Ela olhou para cima e o encarou. —Obrigada, acho que foi um choque cultural—. Ela riu, mas foi qualquer coisa, menos algo bem-humorado. —E como isso soa triste—. Não disse como uma pergunta e levantou o braço ileso, passando a mão sobre a testa. —Isso teria feito qualquer um não acostumado com a situação se traumatizar pelo choque. — Ela abaixou o braço e o olhou com uma expressão de surpresa nos olhos. Sim, ele


surpreendeu até a si mesmo com a afirmação, mas as palavras já haviam saído. —Aquele não é o primeiro idiota que eu pus para correr do bar—. Os dois ficaram em silêncio por um momento. Retirando

o

curativo

que

Mara

colocou

em

seu

ferimento, ela olhou para o corte. —Pelo menos não foi profundo. —Mara o limpou com um kit de primeiros socorros na recepção. Você ainda pode querer fazer um check out—. Desde que entrou no quarto, ele se perguntava por que diabos ainda estava ali. Ela não era sua preocupação, estava viva e ele estava confiante que o fodido do Frank aprendeu a lição dessa vez. E se não tivesse? Então Dallas se certificaria de ensiná-lo como respeitar uma fêmea e os seus futuros ensinamentos incluiriam um caralho de muito mais dor do que eles fizeram desta vez. —Obrigada—. Ela o olhou novamente. —A propósito, eu sou Hope Richards. Dallas deveria ter partido, não ter ficado até ela acordar, mas ele ainda estava ali, sentado à sua frente como se importasse. Mas ele ficou, e de certa maneira, aquela percepção o assustou. Quando não respondeu, (porque era um bastardo e não tinha desculpa para isso), ela lambeu os lábios e o aroma de sua incerteza encheu o quarto. —Você é Dallas, certo? Mara me falou que você está com a gangue de motoqueiros local.


—Gangue? — Ele não pôde deixar de grunhir. Durante os últimos meses esteve descendo ladeira abaixo. Deixou a raiva e o ódio comê-lo até não poder aguentar mais. Era perigoso para si mesmo e todos ao seu redor. Era por isso que fez um buraco na parede do bar. Eles podiam saber sobre ele, mas não o conheciam e era melhor assim. Ele era apenas um membro da Grizzly MC e eles eram a sua família. —Não estou em uma gangue. Faço parte de um clube de motoqueiros. Ele se levantou, começando a sentir uma coceira para libertar seu urso. Ele poderia ir para o celeiro ter algumas lutas ou apenas ter uma prostituta para foder. Este último não lhe pareceu muito atraente, mas precisava liberar sua energia selvagem. Bater em Frank, nem mesmo fez cócegas na superfície da sua raiva. —Eu sinto muito. Não quis te ofender—. Ela se levantou, seu rosto empalidecendo. Ele soube que ela estava a ponto de desfalecer, e então estava na sua frente, mãos em sua cintura, e a ajudando voltar para cama. Mas assim que a tocou, as palmas de suas mãos e dedos formigaram e Dallas não entendia a sua reação a ela. Não sabia nada ao seu respeito, exceto seu nome e não queria descobrir mais. Você tem certeza disso? —Eu tenho que ir—. Ele a olhou sentada na cama, o aroma de sua confusão e surpresa se misturando com o dele.


Soube que ela sentiu o mesmo entre eles. Mas Dallas não soube explicar claramente. —Você está bem? — Ela assentiu com a cabeça. —Se precisar de qualquer coisa, Mara deixou o seu número de telefone sobre a mesa. A garçonete disse que Hope era nova na cidade e precisaria de alguém para ajudá-la a se adaptar. Se Mara quisesse assumir a tarefa, bom para ela. Além disso, ele era uma companhia ruim e não precisava intoxicá-la com suas merdas. —Tenha cuidado—. Ele correu a mão na parte de trás da cabeça, deu uma última olhada e partiu. Mas o que mais o incomodou, até mesmo do que estes sentimentos estranhos que cresciam na escuridão do seu corpo, foi o fato de que não queria ir. Dallas repeliu essas estranhas sensações de fraqueza, elas não serviriam a nenhum propósito na sua vida do caralho ou a dela, e abriu a porta. Uma vez lá fora pegou outro cigarro, inalando profundamente. Sim, só caminhe para fora, homem. Caminhe toda a porra do caminho e não olhe para trás. Assim que o sol nasceu, Hope deixou o motel. Ela não conseguiu dormir, ao invés disso, passou a noite inteira repassando a cena do bar em sua cabeça. Dallas agiu como se fosse o seu protetor. Hope sempre foi tímida e introvertida, mas era independente e nunca lidou com tal desrespeito descarado como teve com Frank. Entretanto, Dallas estava lá, batendo no cara sem ter um arranhão. Ele podia ser um


shifter urso, ser mais forte que a maioria dos seres humanos, mas não era isso que o estava motivando naquela noite, pelo menos não pelo que podia ver. Ela percebeu a escuridão que Mara disse. Dallas a usou como uma segunda pele, como se quisesse que todo mundo soubesse que era parte dele. Viu isso cobrir o corpo dele quando se encontraram na chuva, e novamente quando ele estava do outro lado do bar. Tudo que estava tentando manter tão profundamente enterrado dentro dele, abrindo espaço lentamente para fora, comendo-o vivo e fazendo mal a qualquer um que estivesse perto demais. Dirigiu por horas a fio. Atravessou Steel Corner, reparando as lojas de um lado e outro, e percebeu, que mesmo

para

uma

cidade

pequena,

Steel

Corner

era

impressionante. Tinham seu próprio supermercado, não como o pequeno armazém de sua cidade natal. esquerda

e

seguiu

até

ver

o

escritório

Tomou à

onde

estaria

trabalhando, puxou a marcha e parou o carro. Era domingo e claro que estava fechado, mas ela quis caminhar para clarear a mente, e de qualquer maneira, esperava libertar seus pensamentos de Dallas. Deus, como um homem podia invadir sua mente tão intensamente que ela se sentia consumida por ele? Até mesmo agora, podia ouvir a profunda voz de barítono, ver o corpo grande e imponente a sua frente e imaginar a raiva feroz e pouco contida. Ela balançou a cabeça para clarear os pensamentos, sabendo que não havia espaço em sua vida para eles. Deixou para trás um cara difícil e exigente como Parker, não precisava de outro. Se permitisse que Dallas invadisse seus


pensamentos, estaria permitindo outro homem em sua vida, um que usaria tudo claramente para conseguir o que queria a todo custo. Isso era uma combinação muito perigosa. Uma vez fora do carro com sua bolsa na mão, começou a andar nas calçadas que ladeavam a cidade. Havia algumas pequenas lojas típicas, aquelas que se encaixavam com a aparência de cidade pequena, mas a maioria das lojas de Steel Corner foram modernizadas como essas grandes lojas em

cadeia.

A

primeira

parada

em

seu

passeio

de

reconhecimento, foi para ver seu novo lar. Era pequeno, com um só quarto e suficientemente perto de outras casas, de modo que não se sentiria isolada; mas isolada o bastante para que não se sentisse sufocada com os vizinhos. Depois de fazer algumas compras; agarrou um sanduíche de uma pequena delicatessen e achou um lugar para se sentar a sombra de uma árvore. O vento soprava, mas era um tipo agradável de brisa, e se escondendo sob a sombra dos ramos, teve a oportunidade de observar as pessoas. Algumas saíram das lojas em frente, vassoura na mão, e começaram a varrer a frente de seus negócios. Crianças podiam ser ouvidas, seus gritos e risadas de alegria vindas do parque do outro lado dos edifícios. Devia ter ficado sentada lá durante dez minutos e comido metade do seu sanduíche antes que ouvisse um som muito distinto de motores rugindo. Imediatamente seu coração começou a bater mais rápido, porque a primeira imagem que veio a sua mente foi a de Dallas. Um minuto depois, uma fila de Harleys pretas e reluzentes desciam a


estrada. Várias pessoas pararam o que faziam e assistiam os motoqueiros. Eles estacionaram suas motocicletas no meio fio e as desligaram. Ele era o quarto na fileira de homens, e como todos, removeu seu capacete e o coração dela se acelerou ainda mais. Uma rua inteira os separava, mas Deus, a presença dele era tão poderosa, que podia ser sentida até mesmo de longe. De repente, perdeu o apetite, jogou o resto do sanduíche fora e limpou as mãos. Dois dos motoqueiros entraram na loja de peças automotivas, enquanto Dallas e outros dois ficavam do lado de fora. Mas, quanto mais o encarava, mais notava as diferenças dele. Ele sabia que estava sendo observado. Endireitou-se, olhou para ambos os lados e então inclinou a cabeça inalando. Mesmo ela podia ver isso pela maneira que seu tórax expandia. Então, virou a cabeça em sua direção e, até mesmo com os óculos escuros que ele usava e os poucos carros que bloqueavam um pouco a visão um do outro, Hope sabia que ele a via tão bem quanto ela o fazia. Eles se encararam durante um longo minuto antes de um dos seus amigos motoqueiros o cutucar no ombro e começar a conversar com ele. Mas, apesar de Dallas estar falando com ele, seu foco era todo em Hope. Ela cogitou ir até lá e falar com ele, e agradecer-lhe mais uma vez, porque sentia que o ofendeu na noite anterior. Ele com certeza fugiu dela muito rapidamente. O seu desconforto quando ela acordou foi tangível, então ela chamou seu clube de gangue e tudo ficou desajeitado. Sim, ela deveria ir e dizer obrigada ou desculpe, caramba, ou qualquer outra coisa no momento. O


caminho mais fácil era apenas voltar para seu jipe, mas este era o lugar onde ela iria viver, e se este MC corria as coisas por aqui, ela não queria ter que se sentir como se estivesse evitando-o por causa de algum encontro estranho no bar. Ela lançou o resto na lata de lixo e o examinou novamente. Desta vez, ele estava de costas para ela e falando com um dos outros caras de couro. Ela estava nervosa, porque não queria que ele pensasse que era uma mulher persistente depois de levar um fora na outra noite. Mas, Hope cresceu retribuindo bondade com bondade e Dallas não só a salvou de um idiota, como também a acompanhou até seu quarto. Ok, não pense em quão assustador isso é. Ele a ajudou, mesmo sendo um incômodo, mas ajudou. Um carro passou e ela atravessou rapidamente a rua. Ela parou no pequeno patamar de grama que separava as duas ruas, e, em seguida, caminhou para mais perto dele. Ela ouviu suas vozes profundas estrondosas, e depois o homem que falava com Dallas inclinou a cabeça para o lado, para que ele pudesse ver a sua abordagem em torno do ombro largo de Dallas, e parar de falar. —Bom, e aí—. Através da espessa barba marrom dele, ela viu o brilho dos seus dentes brancos e retos. Ele também usava um par de óculos escuros, e a mesma roupa que o resto dos motoqueiros usavam: calças jeans desbotadas, camisetas de mangas longas e coletes de couro com a motocicleta e a marca de uma garra na parte de trás.


Ela viu como Dallas se enrijecia antes mesmo de se virar, e ela desejou saber se ele podia cheirá-la antes de vê-la. Ele é um shifter urso. Provavelmente podia fazer um monte de merda que explodiria sua cabeça. Os pensamentos fizeram com que suas bochechas se avermelhassem. —Você está perdida? — O motoqueiro de barba deslizou os óculos para a ponte do nariz e sorriu amplamente para ela. Hope não perdeu a viagem que ele fez com os olhos sobre seu corpo de baixo para cima. —Não, ela está aqui para falar comigo—. Dallas disse com aquela voz de barítono antes de se virar e a olhar. Ela não podia avaliar suas emoções, porque ele manteve aqueles óculos escuros sobre os olhos, mas de repente se sentia muito pequena perto dele, e isso dizia um monte, desde que nunca se sentiu pequena em toda a sua vida. —Garota, tem algumas curvas em você. Imediatamente Hope se sentiu desconfortável e puxou a barra de sua blusa solta. Ela nunca foi a garota magra tipo uma modelo. Ela tinha curvas, aquelas que nem sempre gostou, mas que lidava enquanto crescia. Mas foram essas inseguranças e o bullying de seus colegas que a fizeram ir a extremos para tentar obter o corpo —perfeito— que ela nunca teve. Agora ela não se privava mais quando comia e nem sentia fome. Quer dizer, não era mais o tempo em que lutava para ser uma mentira, cada dia era novo e ela usava a sua força para seguir em frente. Porém, haviam momentos como esse, aqueles em que alguém inadvertidamente dizia algo


para ela, e era empurrada de volta para uma parte de sua vida da qual tentava se afastar. Esses homens não conheciam seu passado e não faziam ideia do que um comentário — inocente— sobre suas curvas poderia fazê-la ver a si mesma como qualquer coisa, menos bonita. Mas agora não era tempo para esta merda, e assim utilizou toda sua força, empurrando de volta e tentando se acalmar. Eles poderiam sentir sua frequência cardíaca aumentada, o cheiro do suor que começou a cobrir seu corpo, ou ter uma sensação geral de quão nervosa ela ficou? Sim, ela sabia que poderia, e isso fez tudo muito pior. —Drevin, dê o fora daqui—. Dallas disse, dura e autoritariamente. O outro homem grunhiu e murmurou uma praga, então se virou e entrou na loja de autopeças. O outro motoqueiro estava encostado na lateral do prédio com um cigarro pendurado em seus lábios, e com sua atenção em algo do outro lado da rua. —O que está fazendo aqui? Hope se assustou tanto com o som áspero, que deu um passo para trás. Ela se acalmou um pouco, e seu foco era todo em Dallas agora. —Eu sinto muito? — Não tinha a intenção de fazê-lo soar como uma pergunta, mas saiu daquela maneira. —Eu só...— ela olhou para o cara ainda encostado na parede, e embora não se importasse, não podia negar que estava


envergonhada com a frieza vinda de Dallas e o fato que este homem assistia a coisa toda. Dallas se virou e olhou para onde o outro estava. Ele suspirou, agarrou sua mão e a levou para longe da loja e das motocicletas. Quando eles estavam bem distantes e sob a sombra de uma grande árvore, se encararam por alguns segundos. Ele cruzou os braços, e o movimento fez sua camiseta subir em seus antebraços. Ela viu tatuagens intricadas que espreitavam em seus braços e se perguntou o quanto de tinta cobria seu corpo musculoso. Ele era certamente muito grande, com aqueles ombros largos, um torso maciço indicando poder, e as coxas do tamanho de troncos

de

árvores.

Ela

tentou

não

olhar

para

a

protuberância impressionante de sua virilha, mas como não poderia notar, quando estava bem ali na sua cara? Suas bochechas se aqueceram ainda mais quando arrastou seu olhar até seu peito e então ao seu rosto. Ele a olhava com uma expressão quase irritada. Suas narinas tremeram e uma onda de calor se abateu sobre ela. —O que você está fazendo aqui Hope? Ao ouvi-lo dizer seu nome, não deveria ter tido esta sensação de formigamento perpassar seu corpo e realmente, realmente

não

deveria

ter

sentido

seus

arrepiarem como se tivessem sido acariciados. Ele deu um passo para mais perto.

mamilos

se


—Responda-me, fêmea humana. Não a assustei o suficiente a noite passada? Você não percebeu o quão perigoso eu sou? Estava tão perto dela agora, que uma pessoa em sã consciência teria se afastado, mas ela foi incapaz de se mover para longe de sua presença, tão intimidante. Em seus vinte e três anos, nunca sentiu esse tipo de atração, nunca com qualquer homem, e muito menos com um que acabou de conhecer na noite anterior. —Eu-eu só queria agradecer novamente. Eu não cheguei a dizê-lo adequadamente a noite passada. — É claro que disse isso, mas tudo foi uma mistura tão grande de incerteza e estranheza, que parecia um borrão. —Você já agradeceu e eu pensei ter deixado claro que se fosse necessária qualquer coisa era só chamar Mara—. Ele estava tentando ser intimidante, mas uma coisa que ela poderia dizer era o desconforto dele por causa disso. Ele estava se afastando dela e ela não entendia o porquê. —Eu só queria dizer isso e pensei que talvez pudesse recompensar seu ato de bondade pagando-lhe um almoço ou jantar um dia desses? Ele piscou várias vezes e deu um passo para trás. Por um segundo, ela se perguntou se ele estava indo embora e deixando-a ali sozinha, havia essa raiva nele, um homem tão grande e poderoso em seu limite. —Quer sair comigo? Agora foi a vez dela piscar diante de sua pergunta.


—Hum— ele provavelmente fez soar diferente do que ela pretendia. —Bem, sim eu suponho. Sairíamos para comer algo. Eu gostaria de retribuir seu gesto de bondade da outra noite. — Ela se viu torcendo os dedos. Ele a deixava extremamente nervosa, mas ela também estava fora do seu elemento. Nunca convidou um homem para sair antes, mesmo para

algo tão inocente

quanto

um

jantar

de

retribuição, mas ao mesmo tempo, esse homem não a fazia sentir coisas inocentes. Sentia como se tivesse se passado um longo e desconfortável tempo antes dele responder. —Eu não acho que seja uma boa ideia—. Ele passou a mão sobre a mandíbula, que parecia não ter visto navalha por um tempo. O cabelo loiro ao longo das bochechas eram um tom mais escuro que o do cabelo curto em sua cabeça. Seus bíceps se flexionaram quando moveu a mão sobre a cabeça, fazendo com que os fios ficassem arrepiados. —Estou te deixando desconfortável? — O pensamento era risível, como alguém como ela poderia deixar um homem como ele desconfortável? Mas sua linguagem corporal sugeria exatamente isso. —Não—. E assim ele voltou a ser indiferente, não mostrando nada em sua expressão. —Você é uma mulher inteligente, pode sentir o perigo mesmo sendo uma humana, certo? — Isso era uma pegadinha? Ela não sabia como responder. Mas ele começou novamente, salvando-a de analisar a questão profundamente. —Seus instintos lhe dizem que não sou bom, mas veio até a mim assim mesmo.


—Sim, para lhe oferecer um almoço—. Sua ex timidez estava desaparecendo. Ela não ia ficar intimidada porque ele tinha demônios e loucuras interiores e pensava que ela devia ficar longe. —Eu não estou pedindo sua história de vida. Eu não estou te pedindo em namoro. Estou apenas perguntando se posso te pagar um jantar uma noite. Só isso. — Apertando sua mandíbula porque era a mais pura verdade, ela o olhou e trouxe toda sua força para a superfície. —Eu sei quem você é, parceiro, posso vê-lo agora mesmo, no seu colete. Eu posso não saber sobre o estilo de vida MC ou sobre suas regras, e certamente não sou uma perita em shifters, mas eu sei que você tem que comer—. Ela respirou fundo, mas ele não parecia dizer nada em resposta. —Agora, eu posso comprarlhe algo para comer e agradecer adequadamente por ajudarme a noite passada? Se não, basta dizer e ir embora. Vários

segundos

se

passaram,

eles

apenas

se

encararam. Ele tinha os braços cruzados sobre o peito largo, e a sua camiseta escura estava esticada sobre seus músculos. Deus, ele os tinha aos montes. —Ok—. O canto de sua boca se contraiu. Ele achava seu aborrecimento engraçado? Bem, ela também. Hope balançou a cabeça e começou a rir. —Desculpe

por

isso.

Foi

um

pouco

demais

e

normalmente não ajo assim com as pessoas—. Mas era muito bom poder falar com alguém assim. Ah sim, era.


O canto de sua boca se contorceu. —Você tem muito mais do que demonstra—. A pequena elevação de sua boca não se tornou um sorriso completo, mas não transparecia essa leveza, que veio dele de repente. —Então.... Jantamos juntos, certo? Levou alguns minutos para responder. —Ok. Seu sorriso cresceu, mas ela tentou dizer a si mesma que não tinha nada a ver com passar mais tempo com esse homem, e sim que era porque estava retribuindo o favor. —Ótimo—. Ela enfiou a mão na bolsa e pegou papel e caneta. Escreveu seu número e entregou a ele. Uma vez que o pegou, olhou para ela. Seu celular vibrou, e ela o agarrou, vendo que era um telefonema de Parker. Depois de rejeitar a ligação, olhou para Dallas e o viu observando-a, mas sempre havia aquela parede sobre suas emoções, o que percebeu nas últimas doze horas. Ele estendeu a mão e tirou o celular de sua mão. Ela ficou tão surpresa com seu gesto que, por uns segundos, apenas o encarou. Ele o devolveu para ela. Olhou para o visor. —Você pegou meu celular para inserir seu número? — O nome Dallas estava em negrito acima do número que ele colocou. Quando ele não respondeu imediatamente, ela olhou para cima.


—Sim. Há algo que provavelmente você deveria saber—. Ele não disse nada por uns segundos e ela não sabia se por nervoso ou se pelo o que estava prestes a dizer. —Ok—. Podia ouvir a ligeira hesitação em sua voz. —Eu tendo a fazer um monte de merda que irrita as pessoas, faço coisas que são descaradamente ofensivas—, ele apontou para o telefone em sua mão —como o tipo de merda que eu fiz. Hope não pôde fazer nada além de olhá-lo, e sentir uma pontada de diversão por ele realmente estar tentando explicar suas ações para ela. Isso tinha que dizer alguma coisa, não? —Eu ajo antes de pensar, mas não há nenhuma maneira de contornar isso, e eu não vou mudar. Dallas falou com dureza na voz, mas ela também ouviu outro tipo de emoção, uma que não podia identificar direito... mas parecia remorso. —Então está me dizendo que você pode ser um grande idiota, às vezes? Ele riu suavemente e seus olhos verdes pareceram se iluminar. Era um olhar lindo em seu rosto áspero. —Na maioria das vezes—. Ele riu novamente. —Eu sou um idiota a maior parte do tempo. Ela sorriu e sentiu uma pontada no estômago. —Nunca me disse seu nome inteiro. Dallas é seu nome verdadeiro ou apelido? —. Hope não sabia o que estava acontecendo dentro dela. Sempre foi o tipo quieta e tímida e


nunca flertou. Começava a crescer como pessoa e não havia dúvidas que Dallas fazia com que sentisse que não deveria ter medo de dizer o que fosse para os outros. Era estranho perceber que ninguém a ajudou, mas que esse homem, um shifter,

a

ajudou

e

dado

um

impacto

em

sua

vida

instantaneamente. A fez sentir uma força interior, e que não se importasse com as repercussões que fossem, mesmo se flertasse com ele como agora. Ele estava sendo honesto, e ela estava admirada por que um homem fez isso, mesmo sendo bruto e sem desculpas. Ele não disse nada de novo por alguns segundos, e ela se perguntou se ele estava refletindo ou não, se deveria compartilhar sobre si mesmo. Era contra as regras dos MC’s dizer-lhe seu nome verdadeiro? Antes que pudesse dizer o que pensava, ele a interrompeu. —Michael Stoker. Chamam-me de Dallas, porque foi ali que nasci. Dizer que não estava um pouco surpresa por ele ter compartilhado informações pessoais, era mentira. Ela sorriu. —É bom conhecê-lo oficialmente, Michael —Dallas— Stoker. Vou ligar para marcarmos—. Havia excitação no meio de tudo isso, mas também havia esta conexão que sentia, e queria explorar isso que nunca sentiu antes. Podia ser porque o via como uma espécie de salvador? Talvez, mas no fundo ela sabia que não era o caso. Quando o viu parado na estrada sentiu e agora era o momento perfeito para conhecêlo melhor.


Dallas

Dallas observou Hope atravessar a rua e não se afastou até que a viu entrar em seu jipe. —O que diabos você está fazendo? — Merda, agora ele estava falando sozinho. —Eu ia te perguntar a mesma coisa. Dallas rangeu os dentes quando ouviu Stinger. Ele se virou e olhou para o outro membro do MC. Ele observou o outro homem pegar um cigarro da embalagem. Ele o trouxe a boca, levantou o isqueiro e o acendeu. —Que porra você quer? — Dallas amava todos os membros do MC, mas isso não significava que eles não o irritavam e Stinger mais do que os outros. Stinger sorriu e inalou novamente o cigarro. Ele olhou por cima dos ombros de Dallas, e ele sabia que estava olhando para Hope. Ele supunha que para todos os membros do MC, Dallas foi um verdadeiro idiota. Só disse a Diesel sobre a morte de Meghan e seu filho, e embora ele devesse ter contado a todos os membros do Grizzly na mesa, estava esperando que manter enterrado dentro dele, de alguma


forma faria a dor ir embora. Mas Dallas encontrou a maneira mais difícil de manter essa merda tóxica e isso só o levou a ser um bastardo odioso. Ele ajudava seus companheiros, porque eles eram sua família, mas fora isso, ele só viveu e se tornou uma coisa triste de se ver. O sorriso de Stinger desapareceu, e inalando mais uma vez, deixou o cigarro cair no chão e esmagou-o com a ponta de sua bota. —Eu não tenho certeza do que está corroendo-o nos últimos meses, e é claro que você não quer que ninguém o ajude sobre isso. — Ao longo destes últimos meses Stinger deixou crescer a barba, se envolveu com prostitutas de merda do clube e fumou maconha ainda mais intensamente. Dallas poderia facilmente ter feito Stinger falar sobre seu próprio mundo, porque também não estava escondendo toda a sua merda direito. Mas ele manteve sua boca fechada, porque chamá-lo para fora apenas pelo que Stinger fez para ele, não faria a situação ficar mais fácil. Ele era um bom membro, leal e verdadeiro na maior parte do tempo, mas também era um filho da puta inteligente e poderia fazer estragos mesmo não pondo seu urso para fora. —Eu não estou tentando me meter na merda que não quer revelar, mas você tem que se livrar dessa energia louca dentro de você, irmão. É tóxico e não está fazendo mal só a você, mas a todos os outros também. Podemos sentir isso vindo de você cada vez que senta sua bunda na mesa. — Stinger ficou lá, apenas o encarando, e provavelmente


esperando suas palavras fazerem efeito, mas Dallas não se via mudando tão cedo. —Estou bem— Dallas disse entredentes e olhou por cima do ombro. O jipe de Hope foi e tinha esse aperto no peito, que ele não sabia se gostava tanto assim. —Ouça, é óbvio que as prostitutas do clube não estão dando conta, então talvez você devesse entrar em uma briga, bater em algum filho da puta para ajudá-lo a se desgastar? Dallas não respondeu, apenas olhou para Stinger. Ele queria ter ido lutar noite passada, para tentar se livrar das necessidades loucas e ilógicas dentro dele, mas ao invés disso se encontrou em seu quarto, deitado na cama, no escuro e olhando para o teto. Como poderia uma mulher controlar todos seus pensamentos como está o fazia? Ele foi áspero e grosseiro com ela quando se aproximou alguns momentos atrás e embora soubesse que não era bom para ninguém, concordou em sair com ela. —Se você não quer as prostitutas do clube, então foda com a mulher que acabou de sair. É claro que você a quer. Dallas estava em frente a Stinger antes que terminasse de falar. O poder subiu pelo seu corpo e seu urso se levantou. —Você não vai falar merda sobre ela. Stinger não se moveu, nem sequer se sentiu ameaçado, nem se importando com quão irritado Dallas estava. Mas ele não era como o humano idiota do bar, era um shifter urso MC, e ele era tão forte quanto Dallas. Mas Dallas não entendia essa súbita vontade de proteger Hope que o


consumia, e não sabia se era uma emoção por causa do acontecido na noite anterior, ou se ele estava cavando um buraco mais profundo. —É melhor relaxar, cara. Foda-se. Eu posso sentir seu urso na superfície e não estou entrando em uma briga com outro membro por causa de uma boceta que apareceu. Dallas soltou um rosnado ameaçador e fechou as mãos em punhos. —É melhor mesmo, Stinger. O outro homem levantou uma sobrancelha escura e assobiou baixo. —Merda, Dallas, você está interessado nessa mulher ou algo do tipo? Seu urso está quase me agarrando e fazendo merda. —Eu não estou interessado em ninguém. Eu só acho que você não deveria falar sobre ela quando não a conhece direito. Stinger deu um passo para trás e levantou as mãos. —É suficiente, mas se controle. — Stinger o olhou mais uma vez e virou-se para voltar para loja de autopeças. Por um momento, tudo que Dallas fez foi ficar ali, tentando controlar seus pensamentos e acalmar seu urso para um nível que não fosse assassino. Ele já estava vivendo no limite de suas emoções, e ter Hope entrando em sua vida, complicava as coisas. Mas tanto quanto sabia que não deveria se envolver com ela, porque tudo o que faria seria arrastá-la ao nível mais escuro e profundo que criou para si


mesmo, sabia que não poderia deixá-la ir. Ele sentia que ela era uma pessoa boa e inocente de várias maneiras. Ali estava ele, um shifter urso em um MC perigoso, que estava envolvido em coisas ilegais e imorais, e que foi um pai de merda para seu filho. Que direito ele tinha de ter um tempo com ela? Sim, ela era linda em todos os sentidos imagináveis. Curvas, um longo cabelo loiro, que ele imaginou enrolados em volta do seu punho, seios e um rabo que não eram pequenos, que o teve duro para caralho e arrancando as calças apenas para aliviar um pouco a pressão de suas bolas. Ele era um bastardo doente, mas isso não significava que não queria Hope Richards da pior maneira possível. Passou a mão no rosto e exalou. Precisava ir e chutar alguém ou ter o seu traseiro chutado para aliviar um pouco essa agressão e escuridão reprimidas dentro dele. Estava perdendo o controle, e iria acabar machucando Hope, o que era a última coisa que queria.

Dallas estava no centro do celeiro nu como no dia em que nasceu. Havia humanos e shifters, prontos para assistir sangue sendo derramado e ossos se quebrando. O Grizzly MC estava presente. Diesel e Stinger estavam como apoio, caso as


coisas saíssem do controle, e Jagger, Brick e Devrin estavam ali para ver alguém se foder. Seria ele ou o urso polar a sua frente. O macho tinha os cabelos brancos como o pelo de seu lado animal, e os olhos azuis tão claros que pareciam quase transparentes. Era assustador para caralho. —Rasgue-o—,

Drevin gritou da parte de trás da

multidão. Dallas manteve o foco no homem a sua frente, e então deixou seu urso sair. Trocar pelo seu animal sempre o fazia se sentir livre, mas também o fazia ansiar por sangue. Era seu urso que queria rasgar o homem e usar seus ossos para limpar os dentes. E por causa de toda escuridão dentro dele, o deixou com ainda mais fome para destruição. O outro homem mudou para seu urso polar, e eles se moveram para o centro do círculo. Seus corpos grandes se chocaram, garras rasgando a carne, e ambas as mandíbulas travadas sobre o corpo um do outro. O sabor metálico do sangue do urso polar encheu a boca de Dallas. Ele se separou e rugiu para fora a violência de seu poder, e a dor se seguiu no momento que o urso polar afundou as garras em seu tronco. Sua carne se abriu, e o cheiro de seu próprio sangue encheu suas narinas. Algo nele estalou, e ele se jogou para frente apenas o tempo suficiente para bater contra o ombro do outro homem. Trouxe suas garras para o rosto do outro e rosnou baixo em sua garganta quando saiu a carne e seu pêlo branco virou um vermelho carmesim.


Ele não parou até o sangue se acumular no chão, manchando ainda mais o terreno já cor de ferrugem. Peles marrons e brancas estavam nos pedaços misturados ao rio vermelho sob seus pés. Dor turvava sua visão, mas sua adrenalina movia-se como lava pelo seu corpo, fazendo seus músculos

ficarem

maiores,

a

testosterona

e

agressão

formando outra entidade dentro dele. Dallas sintonizou-se com os gritos, grunhidos, maldições e rugidos para mais violência dos espectadores. Tudo o que podia pensar era essa paixão que sentia por Hope, como era errado, mas como o fazia se sentir bem e vivo, e não como um pedaço inútil de merda.

E

tudo

isso

porque

gastou

uma

quantidade

minúscula de tempo com ela. Mas mais do que a euforia, eram seu auto ódio, suas próprias razões para se odiar, por perder seu filho e a mãe dele, e por querer algo que não podia ir atrás. Em um movimento final, abriu sua mandíbula maciça ao redor do pescoço do urso polar. Ele viu o cartão vermelho e só intensificou a sensação, e terminou com a vida do urso polar com uma torção final de sua mandíbula. O outro animal bateu nele, lutando pela própria vida, mas não poderia derrotá-lo neste estado tão frágil. O urso caiu no chão sem vida, e Dallas olhou para ele, tentando controlar seu animal e não o rasgar para pura satisfação de destruir qualquer coisa que se parecesse com outro animal. Não havia nenhuma humanidade nele no momento, e seu urso sentia a onda de poder e dominação com as quais derrotaram seu adversário. Ele deu um passo para trás, e sua carne se


moveu sobre seus ossos com poder desenfreado. De pé sobre as patas traseiras ele era uma máquina de dois metros de altura. Ele balançou a cabeça para trás e para frente, olhou para todos os homens que estavam ao seu redor, e teria rido se pudesse pelo fato de que todos deram um passo para trás, todos, exceto o Grizzly MC. A desconfiança e incerteza dos outros homens encheram seu nariz. Os bastardos Grizzly MC ficaram sorrindo para ele de orelha-a-orelha, porque também conheciam a sensação de tirar a vida de alguém e deixar a intensa explosão de energia envolvê-los. Ele não tinha remorso pela vida que acabou de tirar, porque uma vez que um homem aceitasse a luta, sabia dos riscos envolvidos. Quando ele começou a acalmar um pouco, sentiu o movimento de mudança de seu urso. De volta a sua forma humana ele ainda tinha um pouco de ódio dentro de si, mas fisicamente estava exausto, e seu urso foi aplacado por enquanto. Ferimentos recobriam seu tórax, abdômen e braços. A maioria iria se curar por conta própria, no seu devido tempo, mas as garras e marcas de dentes em suas costas provavelmente precisariam de pontos. Ele nem sequer teve que olhar para saber isso. A sensação de seu sangue movendo-se lentamente, mas firmemente para baixo de seus ombros e sobre a sua cintura eram um lembrete constante da violência que acabara de acontecer. Essa dor ardente alimentou-o, fê-lo sentir-se vivo, mas parecia que teve o efeito oposto de tentar livrar seus intensos pensamentos em Hope. Ela ainda estava em sua mente, nunca saiu de fato, e ele sabia que nenhuma quantidade de combates faria sua


necessidade de estar perto dela diminuir. Dallas precisava descobrir por que estava tão atraído por ela, e então talvez ele pudesse obrigar-se a ir embora, porque ele não era bom para ninguém, especialmente alguém tão suave e delicada como ela o era. —Ele é uma besta mortífera. — Os murmúrios ásperos dos homens que viram a luta vieram de todas as direções. Dallas se virou e olhou mais uma vez para o corpo maciço e sem vida. Vários machos shifter estavam se movendo em torno dele e levantando o urso polar do chão. O levaram para fora, e apesar de Dallas ter acabado de tirar uma vida, toda esta luta show foi um jogo de matar ou ser morto. Se ele não tivesse matado o urso polar, então seria sua carcaça sendo carregada para fora. Sticks, o organizador da luta, jogou uma toalha escura para ele. Ele começou a falar com Jagger e a tripulação enquanto Dallas limpava o suor e o sangue. —Porra, cara, você vai precisar de alguns pontos para essa merda a sua volta. — Stinger caminhou até ele e se inclinou para o lado para verificar os ferimentos em questão. Ele encarou Dallas novamente e ficou em silêncio por alguns segundos. —Você está bem agora? Eu realmente não sinto mais aquela energia nervosa e irritada vindo de você. —Eu estou bem. — Dallas passou a toalha sobre o rosto mais uma vez e a jogou para o lado. Stinger observou-o em silêncio e ficou claro que o outro homem não acreditava


completamente nele. —Eu disse que estou bem, cara—, Dallas disse um pouco mais forte. Stinger levantou as mãos em sinal de rendição. —Certo, Dallas. — Houve um momento de silêncio entre eles. —Que tal nós irmos a um bar em outra cidade? Afastarmos um pouco das bocetas de Steel Corner? —Eu não sei, Stinger. — Ficar longe parecia bom, mas pensar em

outras mulheres, simplesmente não estava

fazendo bem para ele. Dallas virou e pegou suas roupas e colete que tirou para mudar para seu urso. —Ei Dallas, venha aos bastidores, eu vou apresentá-lo a alguém, — Sticks disse enquanto caminhava até ele. Desde que Court estava fora da cidade com sua mulher, ele estava tendo o membro organizador do Grizzly EMS atormentando-o. Dallas vestiu seus jeans e caminhou para fora. Pessoas saíram de seu caminho, uma atitude inteligente da parte deles. Ele pode estar mais à vontade, mas estava longe de ser menos perigoso. Sticks abriu a porta de madeira que dava para uma instalação de armazenamento. Ela foi convertida em uma sala improvisada com frigorífico e congelador, uma pia de aço inoxidável, e algumas camas. —Sente-se, e eu vou trazer Torris para dar uma olhada. — Sticks foi antes que Dallas pudesse responder. Sentou-se na cama e sentiu o suor escorrer pelas têmporas, mas não se incomodou em afastá-lo. A única vez


que o quarto foi usado, os homens ficaram de pé. Ir para o hospital não era uma opção dada a forma como as feridas foram infligidas. Dallas sabia que Sticks tinha alguns caras para fazerem o trabalho sujo. Eram pessoas que foram expulsos da escola de medicina, caído fora, ou que tinham experiência o suficiente na rua para poderem retirar uma bala de um corpo com as luzes apagadas. Poucos minutos depois, estava olhando para o cara que entrou, mas mesmo que

parecesse

ter

apenas

saído

de

algum

campus

universitário, o cheiro de drogas se agarrava a ele como uma memória ruim. Dallas poderia dizer que ele estava sóbrio no momento, mas o cheiro de sua necessidade por alguma merda tóxica e as marcas de faixa em seus braços contava sobre a vida que ele levava. —Este é Torris. Ele tem dois anos de experiência em med.... —E pelo que eu vejo, também tem experiência em química. — Dallas já estava fora da cama. —Eu acho que vou passar. —Eu estou bem homem, ainda não usei drogas hoje. — Torris estendeu as mãos. —Veja, está firme. Dallas não era nada para condenar ou julgar alguém, especialmente com as coisas que ele assistiu ou fez, mas o cara parecia desajustado como estava. —Eu vou procurar alguém. — Sticks levou Torris para fora da sala e em questão de poucos minutos, trouxe outro cara com ele. Pelo menos esse não fedia a drogas. —Tyler é


um bom garoto, fica longe das drogas e é firme com as mãos. — Sticks empurrou o garoto magro para frente. —Ele vai fazer você ficar bom em um momento. — Sticks esperou alguns minutos, provavelmente para se certificar de que Dallas seria legal com ele. Dallas assentiu e voltou para a cama. Sticks ficou à esquerda, e o garoto avançou. Droga, ele parecia jovem para caralho. —Quantos anos você tem, garoto? Ele olhou para Dallas por cima do ombro. —Vinte e dois. — Ele juntou o material e começou a limpar o braço. Normalmente Dallas não se preocupava com conversa, mas ele estava bem e descontraído da luta e esse garoto não sentia medo como todos os outros que normalmente ficavam em sua frente. —Qual a sua história? Tyler começou a limpar a ferida nas costas. —Não tenho uma história longa para contar. — Eles ficaram em silêncio por alguns minutos. Dallas não estava pressionando o garoto para contar nada que não quisesse. Ele tinha que respeitá-lo nesse caso. —Tive que deixar a escola de medicina, porque minha mãe ficou doente. — Outro momento de silêncio se estendeu entre eles. —Ela faleceu pouco depois que eu saí, e meu velho pulou fora do barco. — Ele deu de ombros. —Então, aqui


estou eu, tentando pagar minhas contas e esperando que um dia eu possa voltar para a escola. Bem merda, se isso não era a porra de uma história triste. —Sinto muito por sua mãe. — Apesar de Dallas não estar olhando para ele, viu o garoto encolher os ombros através dos cantos dos olhos. —Assim é a vida, certo? Todos nós temos uma data de validade. Droga, o garoto estava deprimido, mas era inteligente, e não tentava fantasiar o mundo real diferente do que era. Pelos próximos vinte minutos, ninguém disse nada. Dallas ficou rígido quando Tyler colocou a agulha em sua carne e começou

a

costurar.

A

ação

foi

repetitiva,

mas

em

comparação com algumas das coisas que Dallas sofreu ao longo dos anos, era mais uma cócega que qualquer outra coisa. —Todo remendado. Dallas se levantou e caminhou até o espelho que estava pendurado

na

parede.

Ele

estava

rachado

no

canto,

embaçado, mas servia ao seu propósito, e seu reflexo olhou de volta. Ele se virou para o lado e viu suas feridas recémfechadas. —Você fez bem, garoto. — Mesmo através do sangue em suas costas, sua tatuagem Grizzly MC, destacava-se entre as omoplatas como um emblema forte de orgulho e honra.


—Eu posso limpar as feridas menores, se você quiser. Elas são superficiais, mas ainda precisam ser olhadas. Dallas se virou e olhou para o garoto. Mesmo para um ser humano, era pequeno, mas Dallas poderia dizer que ele não era apenas inteligente, mas também com experiência de rua. Ele só tinha que olhar em seu rosto, sua expressão era a mesma que via nos caras do MC. Era algo que alguém tinha quando sobrevivia de alguma merda difícil. —Eu estou bem, mas obrigado. Tyler balançou a cabeça e virou-se para pegar algo dentro

dos

armários

amassados

e

enferrujados

que

mantinham os suprimentos médicos. Ele empurrou alguns frascos de comprimidos, levantou um para ler o rótulo, colocou-o de volta e então finalmente agarrou o que estava procurando. Quando ele se virou, foi para entregar o frasco de comprimidos para Dallas. Ele pegou e olhou para o rótulo. —Você vai precisar tomar os antibióticos para certificarse de que uma infecção não se espalhe. Dallas assentiu e empurrou o frasco no bolso da frente da calça jeans. Ele colocou a camisa e o colete, mas o desconforto pelos cortes era muito grande. Ele iria para casa, lavar o suor e sangue, na esperança que passasse. Antes de sair ele encarou Tyler novamente. Dallas normalmente não se preocupava com o rumo que os outros tomavam em suas vidas, mas ele sentia algo diferente neste garoto. —Com o que você trabalha para Sticks? Não tem jeito de mexer com as mesmas coisas que ele.


Tyler limpou as manchas de sangue com as gazes. —Eu acho que foi apenas um daqueles momentos em que eu estava no lugar certo na hora certa. — Ele se virou e olhou

para

Dallas.

Ele

não

ofereceu

mais

nenhuma

informação, e a conversa terminou. Dallas assentiu uma vez, virou-se e saiu da sala na hora que outra luta começava. Desta vez, eram dois lobos indo atrás um do outro, cerrando suas mandíbulas com raiva nos olhos. O Grizzly MC estava no canto, e Jagger e Sticks conversando absortos. Antes que ele pudesse avançar Stinger estava ao seu lado, e o cheiro da maconha que ele estava fumando atingiu em cheio a cabeça de Dallas. Stinger estendeu o cigarro para ele. —Eu sei que você tem sofrido, homem. Dallas levou o cigarro e inalou duas vezes antes de devolvê-lo. —Obrigado. — Sim, sofreu dano corporal, mas era uma sensação bem-vinda, e mais desejada do que a escuridão que ele vinha sentindo desde a morte de Maddix e Meghan. —Venha, vamos conseguir uma bebida e ver algumas tetas balançarem na nossa cara. —Na verdade, eu acho que eu vou voltar para o meu quarto. Eu só quero descansar. Stinger olhou para Dallas por alguns segundos e depois deu de ombros.


—Que seja, mas está perdendo. Eu ouvi que o bar na Traverns tem algumas das melhores dançarinas dos quatro municípios. Ao longo dos últimos meses, desde que Stinger foi baleado por um membro do clube rival, ele vinha guardando muito para si mesmo. Claro que havia tempos que ele parecia excessivamente extrovertido, e pronto para a festa. Mas Dallas sabia quando um homem guardava um monte de bagunça retorcida dentro dele quando via um. Stinger era um desses homens, e ele e Dallas eram os mesmos a esse respeito. Isso poderia ter soado tentador antes de conhecer Hope, mas ele não conseguia transar com outras mulheres tendo ela em sua mente o deixando duro e pensando em mil maneiras de fodê-la de diferentes formas sujas. Dallas caminhou em direção a Jagger e os outros caras, mas estava claro que a conversa terminou. —Precisamos encontrar mais alguns caras para a luta do fim de semana—, disse Sticks. —Eu tenho um que está com uma perna quebrada, outro morto de uma luta de beco e seu cara—, ele inclinou a cabeça em direção a Dallas, —só matou Stephan, o urso polar. —Você é a pessoa por trás do recrutamento. Nós procurarmos pessoas para isso não era parte do negócio. —Sim, eu sei, mas com Jace e O MC Lion em uma corrida para a Califórnia, estou sobrecarregado com mão de obra e tentando manter essa merda funcionando sem problemas. — Sticks olhou entre eles. —Se eu conseguir as


conexões de Denver o preço vai subir muito. — Sticks levou a mão ao bolso, tirou uma embalagem, e acendeu um cigarro. —Agora, eu sei que você tem conexões com os Brothers of Menace em River Run. Eu estou esperando que você possa chegar e ver se algum deles querem fazer algum dinheiro extra e meter a porrada em alguns caras. Jagger ficou em silêncio por um minuto. —Você sabe que os Brothers são humanos, e, embora eles sejam tão difíceis como qualquer shifter que eu me deparei,

eles

não

iriam

durar

em

uma

luta

shifter,

especialmente se eles forem contra um urso ou um animal igualmente grande. Eu sou tudo para sangue e violência por um bom tempo, mas eu não posso jogá-los nisso, a não ser que eu queira fazer um novo inimigo MC. Dallas sabia que os Brothers of Menace poderiam cuidar de si mesmos, e que eram tão mortais quanto qualquer humano ou shifter. Eles provaram aos Grizzlies, mas eles ainda eram seres humanos e, portanto, uma espécie mais fraca. —Eu não sou um porra louca, Jagger. Eu não jogaria alguns seres humanos com um shifter. Se eles concordarem terá que ser uma luta de humano para humano. Não é tão divertido ver dois humanos se atracando violentamente e não é tão lucrativo. Pode não ser tão brutal como dois shifters arrancando pedaços de carne um do outro—, Sticks deu de ombros, —mas ainda traz o dinheiro.


—Eu posso trazê-lo até Lucien, mas não posso prometer nada, e eu não estou fazendo isso uma ocorrência regular para pedir aos meus companheiros para juntarem-se a esta merda. — A voz de Jagger estava dura quando respondeu a Sticks. —Ei, eu não estou forçando nada. Você não quer perguntar, eu não estou pressionando-o. Mas saiba disso, se eu não conseguir encontrar caras dispostos a lutar e possivelmente morrer, não irá afetar somente meu bolso, como também dos Lions e Grizzlies MCs também. — Sticks podia ser humano, mas era um cara durão, e quase tão inteligente como Stinger quando se tratava de números. Ele era um homem de negócios a maior parte do tempo, entendia sobre toda a merda, mas também precisava entender seu lugar. Jagger deixou um rosnado baixo sair. —Cuidado com suas palavras, humano. Sticks não sentiu medo, mas percebeu de que precisava andar com cuidado, e que não só era cercado por shifters, mas que os ursos eram os seus parceiros de negócios. Sticks ergueu as mãos. —Apenas deixe-me saber o que você decidir. Se os Brothers não querem participar não terei escolha senão chamar minhas conexões de Denver, mas isso vai custar a todos nós. — Stickes deu de ombros e olhou para cada um deles. —Basta trazer para a mesa o que precisa ser feito e


deixe-me saber, — Sticks disse e se virou para caminhar de volta para a sala que foi convertido em um escritório. Quando ficaram só os membros do MC, Jagger inclinou a cabeça em direção às portas principais, e todos eles seguiram o seu Presidente para fora. O ar estava começando a ficar mais frio. Jagger parou alguns metros de suas motocicletas. —Eu vou fazer uma chamada para Lucien, e se ele autorizar sua tripulação para lutar, então eu quero mais alguns Grizzlies presente. — Ele enfiou a mão no bolso de trás e pegou seu celular. —Dallas, você está bem agora? — Jagger levantou o olhar para Dallas. —Eu estou bem. — Era evidente que ele não disfarçou bem suas coisas. Jagger acenou uma vez. —Bom, porque precisamos de você com a cabeça limpa, e manter tudo desagradável dentro de você só compromete o clube. — Houve um momento tenso de silêncio. Dallas passou a mão sobre o rosto, sentiu a sujeira de sangue seco com suor, e então suspirou. —Sim, eu tenho tentado manter meus problemas pessoais... pessoal. Eu não queria trazê-lo para a mesa e torná-lo negócio do clube, porque não faria nenhum bem. — Ele olhou para cada um dos membros e parou sobre a calçada. O VP era o único que sabia o que aconteceu para Dallas se transformar neste macho escuro, mas ele precisou dizer ao vice-presidente Grizzly por que ele foi um filho da


puta com ele. Quando Diesel ficou com sua fêmea, Dallas tentou ficar entre eles. Fora mais uma provocação de Dallas para Diesel sobre a fêmea que ele não reivindicou. Ele percebeu que era uma merda para se fazer, e que suas emoções sobre seus irmãos só terminavam em confusão. Mas eram coisas que não se controlavam, por isso Dallas teve esse momento. —Você precisa falar, você sabe que tem a gente a sua volta. Obviamente você está passando por alguma merda. Dallas assentiu, mas não respondeu, porque não sabia o que dizer. —Bom. Ok, vamos chamá-lo uma noite, rapazes. — Jagger virou-se e montou sua moto, e o resto da tripulação fez o mesmo, todos, exceto Diesel. O VP acenou para o resto do MC, e então era apenas ele e Dallas, e o silêncio se estendeu entre eles. —Como você está, cara? —, Perguntou Diesel com uma preocupação genuína em sua voz. —Eu pensei que tinha controle sobre tudo, mas claramente

eu

não

tenho,

e o

MC,

obviamente,

tem

conhecimento de como eu estou instável. Diesel assentiu. —Sim, eles sabem que algo é forte, mas eu não contei a ninguém o que você me disse. Dallas assentiu.


—Sim, eu sei, e eu aprecio isso. — Outro momento de silêncio se passou entre eles. —Não é que eu não confio no MC, porque eu confio com a minha vida, é só que eu tenho tentado ter um controle sobre isso, e claramente está além do meu alcance. —Eu entendo. Dallas não via como Diesel podia entender. Ele estava feliz com Maggie. Isso estava claro por essa leveza que cercava o VP. —Eu quis dizer que entendo que você não quer trazê-lo para o clube, não que eu posso entender o que você passou, irmão. — Diesel bateu-lhe nas costas. O som de um cara argumentando quebrou um pouco da tensão

que

os

rodeava

em

falar

sobre

essas

coisas

deprimentes. —Mas você tem que dizer ao clube em algum momento, e tirá-lo do seu peito. Você realmente não vai seguir em frente se não fizer, certo? Sim, Dallas sabia. Ele já sabia a vários meses, porque em vez de ficar melhor, piorou. —Descanse um pouco, cara. — Diesel bateu-lhe nas costas mais uma vez e montou em sua moto. Dallas ficou parado até sua luz traseira desaparecer. Ele sentou em sua Harley e viu-se puxando o seu celular e olhando para a tela. Ele não encontrou quaisquer chamadas não atendidas, e antes de Dallas saber o que estava fazendo,


estava discando o nĂşmero de Hope e chamando. Com o telefone agora em sua orelha e o som dele tocando, ele percebeu que poderia arruinar Hope com sua toxicidade, e ele realmente nĂŁo precisava de mais culpa para carregar.


Hope

Hope sentou no pequeno restaurante retrô que ficava no centro de Steel Corner. O Trudy's tinha cabines de vinil vermelho,

acentos

de

aço

inoxidável,

e

uma

jukebox

iluminada com néon no canto que tocava música dos anos cinquenta. As garçonetes estavam vestidas com saias poodle rosa e preto, cardigãs, e lenços vermelhos amarrados no pescoço. Hope recostou-se na cabine e olhou para a porta da frente mais uma vez. Dallas ligou na noite passada — para sua absoluta surpresa — e a convidou para almoçar. Quando ela o chamou para jantar e eles trocaram telefones, ela realmente não esperava que ele ligasse, ou, que pelo menos, desse algum tipo de desculpa sobre porque ele não poderia ir quando ela finalmente o convidou. Ela estava constantemente batendo o pé e correndo as pontas de seus dedos ao longo da bainha de sua blusa porque estava com os nervos à flor da pele. A temperatura caiu um pouco durante a noite, e estava começando a parecer mais com o outono. Olhando seu telefone mais uma vez, ela percebeu que estava ficando mais nervosa a cada minuto, e não conseguia entender o porquê.


Você sabe por quê. Você o quer de uma maneira que nunca quis outro homem antes. Você nunca sentiu algo assim. O que ela sentiu por Dallas foi instantâneo e poderoso, e honestamente não fazia sentido. Talvez fosse porque ele a defendeu, ou talvez porque ele permaneceu lá até ter certeza de que ela estava bem naquela noite? De qualquer maneira seus sentimentos eram muito turbulentos e reais dentro dela. Seu

celular

vibrou,

seus

pensamentos

estavam

tão

misturados e consumiram ela de tal forma, nestes últimos dois dias, que ela não se incomodou em olhar para a tela antes de aceitar a chamada. —Olá? —Ei. Ela fechou os olhos e silenciosamente gemeu quando ouviu a voz de Parker. Seu rompimento não foi só traumático, e na verdade ele parecia não se importar muito que eles tivessem se separado. Bem, ele não se importava até que descobriu que ela estava superando. —Parker. — A garçonete veio e colocou um milk-shake na frente dela. Hope olhou para ele, sentiu aquela pontada de suas próprias preocupações e problemas de autoimagem, mas os espantou. Ela pegou o milk-shake e tomou um longo gole. É claro que estava maravilhoso, e a pequena explosão de prazer que ela teve com isso sempre trouxe a sombra da dúvida e da repugnância sufocando-a. —Eu estou tentando falar com você desde que você foi embora. Eu queria ter certeza de que você está bem.


—Eu estou. Tenho andado ocupada. — Aquilo era mentira, porque ela estava ocupada coisa nenhuma, e tirando o dia do bar, ela raramente saía. Se ela fosse inteligente teria dito a ele para se ferrar quando ele tentou reatar o namoro. Ele a machucou dois anos atrás, e embora ela fosse uma mulher forte agora, ainda tinha traumas. Mas Hope queria seguir em frente e deixar tudo de ruim em seu passado para trás. Essa era a única maneira que ela conseguiu pensar em si mesma e, finalmente, ter um futuro significativo. Isso significava que ela precisava cortar os laços com Parker e seus jogos de manipulação. De jeito nenhum ela iria deixá-lo ser gentil agora. Ela se apaixonou por isso naquela época, mas ela não iria repetir o erro. —Eu sinto sua falta. Cobrindo os olhos com a mão, ela balançou a cabeça, embora ele não pudesse vê-la. —Parker, eu não tenho certeza do que você está fazendo, mas isso precisa parar. —O que você quer dizer? Ela expirou enquanto sua irritação cresceu, mas se segurou em sua força. —Você sabe do que eu estou falando. Desde que você descobriu que eu estava te deixando você está agindo como se não houvesse me magoado, Parker. — Ela fechou os olhos e suspirou. —Você está agindo como se não tivéssemos terminado no ano passado.


Houve um suspiro longo e arrastado do outro lado da linha. —Eu não agi como se você não existisse depois que terminamos. Hope não se incomodou em contradizê-lo, ele tinha de fato feito exatamente isso, e também se agarrou com toda mulher que lhe demonstrava o mínimo de interesse. Ele ostentava isso. Quando ela saíra com Parker ela vivia um dos piores momentos de sua vida, pensava muita merda sobre si mesma. Ela se agarrou a ele como uma tábua de salvação, porque ele fez ela se sentir especial e disse exatamente o que ela queria ouvir. Ele deu a atenção que ela ansiava, mas com o tempo ela percebera que ele não era realmente o que precisava ou o que ele mostrava ser, e suas ações também cimentaram esse fato. —Escute, eu odeio ter que fazer isso agora e por telefone, mas precisa ser feito. —Do que você está falando? — Ele parecia confuso, mas ela sabia o suficiente sobre ele, para saber que não era genuíno. —Eu saí para começar a minha vida e deixar tudo de ruim para trás. — Houve um momento de silêncio, mas ele não respondeu. —Parker, você é uma dessas coisas ruins em minha vida. —Por que você não disse isso antes? — Ele parecia irritado agora, mas bom, porque era assim que se sentia.


—Eu não sei, e honestamente não interessa. Eu acabei de dizer, Parker. — O som do sino acima da porta avisou que alguém entrou no restaurante e ela rapidamente olhou para cima em direção à frente da lanchonete. Lá estava ele, vestido com calça jeans azul desbotada, camiseta escura de manga longa e colete de couro. Ele tinha uma corrente de prata que estava pendurada no bolso, e suas escuras, surradas botas eram grandes e combinavam com o resto de sua bela aparência áspera. Ele usava os mesmos óculos escuros que usou ontem, quando o viu. Ele examinou a lanchonete de parede a parede, e então parou e olhou para ela, e ela jurou que podia sentir o calor em seu olhar, mesmo ele usando aqueles óculos de sol. —Isso é besteira, Hope. Passamos por muita coisa. Aquilo fez sua raiva aumentar, e deu a ela força para finalmente cimentar tudo aquilo dentro dela. —Sim, isso é besteira, mas não por causa do que eu disse. — Ela se virou para que seu lado estivesse voltado para Dallas e baixou a voz. —E nós não passamos por muita coisa. Eu já passei por muita coisa, mas sempre por sua causa. — Fechando os olhos e expirando, houve um momento de libertação quando ela disse aquelas palavras. Ela não sabia o que aconteceu desde que chegou ao River Run, mas ela estava finalmente pronta para colocar tudo isso para trás. — Você nunca foi bom para mim, Parker, e eu levei muito tempo para perceber e realmente aceitar. — A verdade era que o


afeto dele, tão falso como foi, foi a única coisa que ela conseguia enxergar. Mas não mais. —Hope... Ela desligou o telefone antes que ele pudesse terminar de falar, assim, impedindo a tentativa de Parker de tê-la de volta. Terminou tudo o que tiveram uma vez naquela ligação. Ela colocou o celular na mesa e viu Dallas caminhando em sua direção. Hope reparou quando algumas pessoas saíram do seu caminho, enquanto outros voltavam sua atenção para nada mais que ele. Ele dominou o pequeno interior do restaurante e parecia comandar esse poder, não importava onde estava. Quanto mais ele se aproximava, mais ela realmente o via. Ele tinha hematomas desagradáveis em um lado de seu rosto, e em um lado do pescoço parecia que tinha um corte, ou mais precisamente... marcas de garras. Ele parou quando chegou à mesa, e ela se levantou. Sorrindo, mas sem saber exatamente o que dizer, ela olhou ao redor da lanchonete mais como um ato de nervosismo. —Hope, sente-se. Não há nenhum motivo para estar nervosa. Ela olhou para Dallas novamente e sentiu as bochechas corarem, mas ela se sentou. Dallas fez o mesmo, em frente a ela, e a garçonete veio para a mesa um minuto depois. Ela parecia um pouco insegura quando olhou entre Hope e Dallas. —O que eu posso fazer por você? — A garçonete era mais jovem, com seios grandes.


Hope pode ser uma humana, mas ela com certeza sabia quando uma mulher estava interessada em um homem, e o desconforto desta garçonete lentamente desapareceu e se transformou em excitação enquanto ela continuava olhando para Dallas. Mas Hope não poderia culpá-la. Dallas era a personificação da bravura masculina e do perigo. Que mulher não seria atraída por isso? Hope estava prestes a fazer seu pedido,

porque

este

longo

período

de

silêncio

estava

começando a ficar constrangedor, mas a garçonete começou a falar. —O que eu posso trazer para vocês dois? — Embora a garçonete estivesse se dirigindo aos dois agora, ela ainda olhava para Dallas com um sorriso crescente no rosto. Seu rabo de cavalo começava no alto da cabeça, e seus lábios coloridos de rosa chiclete estavam esticados sobre seus dentes brancos quase neon. Mas Dallas estava olhando para Hope durante todo o tempo em que ele fez seu pedido. Quando a garçonete não conseguiu o efeito que ela esperava, ela se virou e olhou para Hope. Ela pediu a mesma coisa que Dallas: um hambúrguer e batatas fritas. A garçonete foi embora e então eram apenas os dois. O silêncio se estendeu entre eles, mas não era do tipo desconfortável. Ele ainda usava os óculos de sol, e como se ela dissesse em voz alta, ele ergueu a mão grande e os removeu. O ferimento estava evidente com os óculos, mas agora que ele estava sem ela viu que ele tinha um ferimento embaixo de seu olho. Estava vermelho, cerca de uma polegada de comprimento, mas já começava a cicatrizar. A


coloração preta e roxa em torno de seu olho se destacou mesmo contra sua carne bronzeada. —Meu Deus, você está bem? Ele se recostou em sua cadeira, deu de ombros, mas não respondeu. —Você andou brigando? — Isso era óbvio, mas ela ainda assim perguntou. —Eu estou bem. — Essas duas palavras foram bruscas e encobertas, e ficou claro que ele não queria falar sobre isso. —Ok. — Ela sorriu, na esperança de aliviar essa estranheza que de repente surgiu entre eles, mas ele apenas olhou para ela e não demonstrou nenhuma emoção. Hope limpou a garganta e olhou para a mesa. —Escute, se este é um mau momento, podemos fazer isso outro dia, ou simplesmente não fazer. — Ela olhou para ele novamente. Ele passou a mão sobre a parte de trás de sua cabeça, mas ainda ficou quieto. Estava claro que ele não queria estar aqui. —Foi você quem me ligou, Dallas. Ele suspirou, inclinou-se e apoiou os antebraços sobre a mesa. —Me desculpe. Eu estou apenas com um humor de merda. — Ele com certeza não mediu suas palavras, mas sua grosseria não a incomodou. Ele obviamente tinha problemas, problemas que tentava esconder. —Eu sou um idiota.


Aquilo a fez sorrir. Ele se recostou em seu assento e estreitou os olhos, mas havia um canto elevado em sua boca. Ela lhe deu um sorriso completo, mas uma expressão séria cobriu o rosto dele imediatamente. —O quê? — Seu sorriso desapareceu, também. —Nada. Você só fica realmente linda sorrindo. Eu não tenho visto um sorriso genuíno há muito tempo, não no rosto dos poucos membros da minha equipe, só isso. — Ele ficou em silêncio enquanto a observava. —Mas seu sorriso é muito diferente. — Ele disse essas últimas palavras tão suavemente que ela sabia que elas eram apenas para que ela ouvisse, ou talvez ele não teve a intenção de dizer isso em voz alta. Antes que ela pudesse dizer qualquer coisa, se é que ela ainda teria algo a dizer, a garçonete voltou com a comida. Hope nunca esteve mais grata com a rapidez de um serviço do que estava agora. —Eu deixei você desconfortável? Ela olhou por cima de seu prato e olhou para ele. —Sim. — Ela não mentiria, porque não havia dúvidas de que ele conseguiria sentir o cheiro. Ele era um shifter, afinal. Ele sorriu e deu uma risadinha. —Há muito tempo eu não ria. Sem pensar, porque sentiu a dor dele como se fosse sua, Hope estendeu o braço pela mesa e colocou a mão sobre a dele. Imediatamente ele ficou tenso, mas ele não tirou a mão e

nem

ela.

O

que

Hope

sentiu

foi

essa

faísca

se


movimentando ao longo de seus dedos e até seu braço. Eles olharam nos olhos um do outro, e ela viu como suas pupilas começaram a dilatar e a dominar a luz verde de suas íris. Bem diante dela, ele começou a mudar, apenas coisas sutis, mas ela notou mesmo assim. Ele começou a respirar mais rápido, apertou os dedos da outra mão na mesa com tanta força que suas juntas estavam brancas, e ela jurou que viu seus músculos inchando sob o tecido de sua camisa escura. —Você sente isso, Hope? — Sua voz era baixa, mas havia uma distinta característica animalesca ali. Hope sabia que naquele momento ela não estava conversando apenas com o lado humano de Dallas, mas com seu urso também. Isso deveria assustá-la, porque, embora o mundo fosse feito de shifters e seres humanos, ela nunca realmente viu este tipo de transformação antes, nunca esteve tão perto de um, e certamente nunca desejou um como ela desejava Dallas. Sua cidade era pequena e tradicional, e os poucos shifters que ela viu estavam apenas de passagem. —Senti o que? — Ela falou em voz alta, mas essas palavras foram tão suaves e ofegantes que ela se sentiu cada vez mais envergonhada pela forma necessitada que ela aparentava. Oh, ela sentiu aquilo, mas, na verdade, dizer a Dallas era muito mais difícil do que deveria ter sido. Ele colocou a outra mão sobre a dela, então agora a dela estava imprensada entre suas mãos enormes, e ele apenas olhou para ela. —Você sente isso, Hope.


Deus, ela gostou de ouvi-lo dizer seu nome. Ele se inclinou ainda mais, até que ela sentiu o perfume da menta que vinha de sua respiração, o couro que ele usava, e o suave aroma doce do que ela sabia que era maconha. Todos esses aromas não deveriam ser excitantes, mas juntos encheram seu nariz, invadiram sua cabeça, e a deixou embaraçosa e desconfortavelmente molhada. —Sim, você sente isso também. — Ele fechou os olhos, e suas narinas alargaram quando ele inalou profundamente. — Eu posso sentir seu cheiro, Hope. — Quando os abriu de novo suas pupilas tomaram completamente o verde de seus olhos. —Isso é loucura. — Foi como se não houvesse mais ninguém no restaurante além deles. —Porra, é verdade. — Ele rosnou as palavras. —Vocês estão bem? Precisam de alguma coisa? Hope piscou para afastar a neblina que cobria sua visão, e se virou para olhar para a garçonete. O pequeno crachá preso diretamente sobre seu seio gigante dizia Ashley. —Estamos bem. — Hope limpou a garganta e afastou a mão, colocando as duas em seu colo. Quando eles ficaram sozinhos novamente ela se forçou a relaxar. A maneira como ela se sentiu pode não parecer com qualquer uma de suas experiências, mas isso não significava que ela tinha que tornar as coisas ainda mais desconfortáveis. Dallas ainda estava olhando para ela, mas a maneira como ele olhava era


uma combinação de desejo e algo mais... aborrecimento talvez. Ele suspirou, esfregou uma mão sobre o rosto, e sacudiu a cabeça. —Você realmente não quer se envolver com um cara como eu, Hope. — A maneira como ele disse soou quase como se ele estivesse tentando convencer a si próprio mais do que a ela. Ela olhou para seu colo e deixou suas palavras rondarem através de sua cabeça. Talvez ele estivesse certo, mas não era ele que deveria dizê-lo. Hope estava cansada de pessoas que tentavam dizer-lhe o que era bom para ela, ou o que ela deveria se afastar. Claro, eles acabaram de se conhecer, e com certeza havia essa escuridão dentro dele que não conseguia esconder porque ela a via clara como o dia. Mas ele estava quente e depois frio, agindo como se ele quisesse o mesmo que ela, mas, em seguida, dizendo-lhe que ele não era alguém com quem ela devia se envolver. —Você não me conhece, e eu não conheço você. Ele estava encostado na cadeira, olhando para ela, mas não disse nada. Bom. —Você me perguntou se eu senti alguma coisa quando nós tocamos. — Ela sustentou o olhar dele com o seu próprio. —E você está certo, eu sinto alguma coisa, desde quando nos conhecemos. — Ela engoliu o nó na garganta que ameaçava impedi-la de falar. —Esta cidade é nova para mim, e estes


sentimentos também são, mas eu estou tentando recomeçar a minha vida, Dallas. Ficou ali sentado, ainda olhando sem parecer afetado, mas ela viu o jeito que ele apertava as mãos em punhos. —Eu posso ver que há uma dor dentro de você. Eu tenho meu próprio tipo de dor, e apesar de não ser o mesmo tipo com a qual você tem que lidar, eu ainda sei o que você sente. — Ele não respondeu imediatamente depois que ela falou, mas ela não disse isso para conseguir alguma resposta. —O que eu sei é que eu gostaria de passar mais tempo com você. — Esta foi provavelmente a coisa mais ousada que ela já disse, e apesar de ter sido tímida toda a sua vida e permitir que outros ditassem o que era certo e errado para ela, ela não podia mentir e dizer que não se sentia muito bem por dizer essas palavras para Dallas. Ela o queria, ainda que estivesse assustada sobre como se sentia, mas ela prometeu a si mesma quando decidiu se mudar para Steel Corner que teria um novo começo e uma nova vida. Por alguns momentos, ele não disse nada, mas mesmo depois de passar apenas alguns momentos com ele Hope sabia que Dallas se continha mais, em seguida, ele se soltava. —Você não sabe nada sobre mim, Hope. — Ele falou baixinho, mas não havia amargura em suas palavras. Ela sentia que havia, na verdade, uma pequena quantidade de aceitação. —E você não sabe nada sobre mim, Dallas. — Suas mãos pararam de tremer, e ela as colocou de volta na mesa se


movendo lentamente em direção as de Dallas novamente. Suas íris não estavam tomadas pela escuridão de suas pupilas, e a luz que cortou pela janela da frente iluminava a cor verde esmeralda de seus olhos. —Mas não é assim que as pessoas se conhecem? Elas não têm que passar um tempo com o outro, para ver se algo mais poderia acontecer? — Esta foi certamente uma das conversas mais incomuns que ela já teve, mas não porque ela estava expressando o que ela sentia. —Eu gostaria de ser sua amiga, Dallas, e eu gostaria de saber quem você realmente é.— Ela sorriu, esperando que ele visse que ela estava sendo sincera. —Eu acho que você e eu temos muito em comum, em referência ao que sentimos e a dor que guardamos. — Esse almoço não tinha a intenção de ser algo mais do que um agradecimento a sua bondade, mas não importa quantas vezes ela disse isso a si mesma, ela sempre voltava para o pensamento que ela queria apenas vê-lo. Hope queria explorar o que era está atração entre eles e por que parecia tomar todo o seu corpo e mente. Ela olhou para baixo, e ver este homem grande e forte em silêncio na frente dela, claramente pensando sobre o que ela acabou de dizer, a fazia se sentir muito poderosa. Será que

ele

achava

que

um

relacionamento

nascia

instantaneamente? Não, porque uma atração física não é o que traz uma base sólida. Mas isso não era só sobre ficar molhada e excitada quando ela estava perto dele. Ele olhou de volta para ela, e para sua surpresa, ele estendeu a mão e tomou as mãos dela entre as suas. Ele olhou para suas mãos entrelaçadas por alguns segundos, e Hope se viu olhando


para seu rosto, e tentando avaliar o que ele estava pensando. O corte e hematomas no rosto dele o fizeram parecer ainda mais mortal, mas por baixo daquele exterior duro que ele usava como uma armadura ela viu a fragilidade que alcançou e envolveu-se firmemente em torno de seu coração. Talvez fosse porque ambos tinham uma parte interior que estava em ruínas, que eles se ligaram daquela maneira? —O que eu sinto perto de você...—, ele passava o polegar para trás e para frente sobre o dorso da mão, —Eu nunca senti nada como isso antes. — Ele continuou a olhar para baixo, e ela se perguntou se ele estava evitando olhar para ela. —Isso me assusta para caralho, Hope. — Ele lentamente levantou a cabeça e finalmente olhou para o rosto dela. O

ar

foi

sugado

de

seus

pulmões

diante

da

vulnerabilidade que viu refletida nele. Sim, este homem foi ferido no passado. Ela não sabia o que o deixou assim, não sabia se isso era algo que ele algum dia partilharia, mas ela sabia que queria ajudá-lo a se curar. Hope não permitiu que qualquer pessoa entrasse em sua vida quando ela estava em seus piores dias, pelo menos não alguém que não se importasse com ela verdadeiramente. —Isso me assusta também. — Ela enrolou os dedos nos dele e segurou-o tão firmemente quanto ele a segurou. Era isso o que ela procurava quando ela chegou em Steel Corner? Nem mesmo remotamente perto. Às vezes as melhores coisas na vida não fazem muito sentido, aconteceu tão rápido quanto olhar em volta de um local, e fez toda a lógica e a razão desaparecerem. Mas eram essas coisas que faziam uma


pessoa realmente se sentir viva, e ela nem se deu conta disso até agora. Hope não queria deixar isso escapar.

Dallas

Dallas se sentou na mesa de encontros no The Grizzly MC e tamborilou seus dedos pela madeira macia. Seus pensamentos não estavam nos negócios do clube, como deveriam estar, e sim em Hope. Desde que entrou na sua vida tão inesperadamente, ela consumia seus pensamentos dia e noite. Talvez não fosse saudável, e com certeza não era seguro se envolver com uma mulher tão jovem e inocente como ela, mas o seu lado urso a queria tanto quanto seu lado humano. Dallas também era egoísta e o pensamento de se perder nela, e não só no sentido sexual, trazia uma sensação estranha que se movia pelo seu corpo, fazendo seu pau endurecer ainda mais. Ele não se apaixonava há muito tempo, mas mesmo quando ele era casado com Meghan, ele nunca sentiu uma fração da intensidade do que sentia por Hope. É esta sensação que o consumia, tal que não fazia sentido algum, mas também que ele não queria ignorar. Eles se despediram ontem no jantar e parecia que o celular dele estava tão pesado quanto um tijolo dentro do seu


bolso tamanha era a vontade que ele tinha de ligar para ela. Só para ouvir a sua voz acalmando seu urso e a bagunça dentro dele. Pela primeira vez desde o acidente ele teve uma pequena esperança de conseguir viver consigo mesmo. Só levou alguns dias para que ele imaginasse se podia ser feliz de novo depois do que perdeu. A culpa o consumia todos os dias, mas pensar em ficar com Hope, abraçá-la, cuidando e protegendo-a, o fazia se sentir ainda mais egoísta. Por que ele mereceria algo tão bom, alguém tão perfeita para estar ao seu lado? Ele foi um péssimo pai, não viu seu filho o suficiente, nem formou nenhum tipo de laço afetivo com ele ao longo dos anos. Mandar um cheque por mês e ver Maddix nos seus aniversários não era estar presente para seu filho. Dallas desperdiçou sua oportunidade de ser um pai, e isso era culpa dele, com isso ele teria que conviver pelo resto da vida. Ele nunca conseguiria corrigir seus erros, e essa era uma conclusão triste, algo em que ele pensava toda vez que acordava, e antes de ir para a cama novamente. —Dallas, você está bem, mano? — Stinger disse ao seu lado. Ele trouxe seus pensamentos de volta para o presente os afastando de Hope, e olhou para o outro membro: —Eu estou bem. — Ele precisava contar aos Grizzlies quais eram seus problemas, porque ele estava distante ultimamente, e deixar claro que ele não era o elo fraco do clube. Eles eram shifters urso, membros de um temível Moto Clube fora da lei e aqui estava Dallas, mantendo toda essa história dentro dele. Ele se remendou com estes homens,


eram sua família, morreria protegendo-os e ao MC. Já era o suficiente. Hoje ele deixaria que eles soubessem o que estava acontecendo, explicar por que ele os afastou quando ele poderia muito bem ter compartilhado tudo com o clube antes. —Não existe nada mais que precise ser discutido na mesa? —, Perguntou Jagger. Dallas olhou para o Presidente, mas antes que pudesse dizer qualquer coisa Court já estava falando. —Sim, eu estou saindo para um fim de semana com Lilly novamente. Eu quase não fiquei sozinho com a minha mulher. Vocês sobreviveram sem mim antes, e vai ser bom sair por mais alguns dias. — Court sorriu, todos riram e lançaram maldições brincalhonas para Court. —Mas sim, eu preciso estar com a minha mulher. Eu pensei em levá-la à Aspen desta vez. Ela tem uma queda por fazer compras lá. — Havia um sorriso no rosto de Court, e o amor claro que ele sentia por sua mulher emanou dele através de um perfume poderosamente possessivo. —Ouviram isso, idiotas? Não venham com seus paus cortados porque eu, com certeza, não sou quem vai costurar essa merda. — Diesel disse em uma risada, que tirou mais uma rodada de risos dos caras. —Alguém mais tem qualquer coisa para contar? —, Disse Jagger, suprimindo sua risada. Todos murmuram que não tinham nada para trazer para a mesa. Jagger ficou sério. —Lucien e seus homens toparam lutar, mas eles querem dez por cento a mais do que os shifters conseguirem. Tudo bem


que locais distantes são para isso, mas ele vai aumentar as apostas que rolarem lá. —Sem perder dinheiro? —, perguntou Drevin. Jagger sacudiu a cabeça. —Nada feito. Se os otários não querem apostar, então eles não assistem a luta. Simples assim. — Ele olhou para baixo e por um segundo ele ficou em silêncio. A eletricidade e pressão tomaram a sala, ficando claro que havia alguma coisa séria a ser discutida. —Mas eu tenho uma outra questão para tratar a respeito dos Brothers. —Mais espaço na estrada para o seu pequeno negócio com os cafetões? — Brick questionou com sua voz rouca. O sol entrava pela janela, e quando ele virou a cabeça, a luz atravessou a cicatriz que ficava ao lado de sua face. Brick não era contra a ideia do Grizzlies deixar os The Brothers of Menace terem a estrada. Brick era assim com todo mundo: durão, corajoso, e não levava desaforo para a cara. A única mulher que ele deixou quebrar a maciça parede que ele ergueu em torno de si era sua mulher, Darra. —Não, eles querem que a gente vá em uma viagem com eles até Denver para trazer algumas mulheres de volta a Steel Corner. —Por que eles precisam de nós para ajudá-los a transportarem algumas bocetas novas para cá? — Disse Stinger pegando seu baseado. Ele tinha essa atitude —Eu não dou a mínima para qualquer coisa—. Ele estava recostado na cadeira, com os olhos semicerrados, como se ele


não tivesse dormido, e uma barba por fazer cobrindo sua mandíbula. Jagger passou a mão sobre o rosto e se inclinou para trás em sua cadeira. —Inicialmente, eu disse que não, que não fazemos vendas de mulheres, e permitir que utilizassem as estradas de Steel Corner seria o mais longe que estávamos dispostos a ir. — O assento de couro em que Jagger estava, rangeu quando ele se moveu sobre ele. —Mas? — Court perguntou, porque estava claro que havia algo que Jagger não disse ainda. —Isto não é sobre ele pegar mais mercadoria. Isto é sobre resgatar mulheres que foram abusadas. — Disse Jagger e olhou para cada um deles direto nos olhos. Houve um momento de silêncio e depois uma maldição coletiva. —Porra, cara. De quanta merda estamos falando? — Perguntou Diesel e inclinou-se até apoiar os braços sobre a mesa. —Lucien

tem

algumas

ligações

com

uma

gangue

pequena em Denver. Ele recebeu um telefonema ontem à noite dizendo que o cafetão filho da puta e alguns membros de sua equipe se embebedaram, as maltrataram e feriramnas gravemente. Algumas só têm algumas contusões e cortes, enquanto

outras...—Jagger

sacudiu

a

cabeça

apenas dizer que elas estão bem machucadas.

—Vamos


—Merda, Jagger. Onde estão esses filhos da puta agora? — Perguntou Diesel. —Já cuidaram dos caras do cafetão, mas Lucien e os Brothers desceram para Denver na noite passada para lidar com os desgraçados eles mesmos. — Jagger olhou longe por um segundo, perdido em pensamentos. —Ele perguntou se poderíamos pegar algumas vans e buscar as mulheres. Ele quer mantê-las no prostíbulo que ele montou na periferia da cidade. —Se ele mantiver aquelas mulheres lá como diabos ele planeja vender o seu próprio estoque de bocetas? — Perguntou Drevin. —Eu não acho que ele se importe muito com isso agora, mas eu diria que mantê-las lá é apenas temporário. Os únicos imóveis que eles têm são o prostíbulo e o clube. Ou ele teria que mantê-las no The Brothers of Menace — que eu acho que todos concordamos que é o lugar menos terapêutico que elas precisam estar —, ou ele terá que encontrar outro lugar para colocá-las. Seu bordel é o seu fluxo de caixa, e têlas lá, provavelmente, não é algo realmente permanente. — Embora Jagger parecesse descontraído, a forma como suas mãos estavam fechadas em punhos apertados ficou claro que ele não estava. —Acho que todos concordamos que ferir uma mulher é uma merda bem grande. — Jagger fechou os olhos por um minuto. —Além disso, eu não estou decidindo nada ainda, mas Lucien me disse que algumas das mulheres feridas mal tem dezoito anos de idade.


—Filho da puta. — Brick pragueja, e a explosão de raiva e calor que veio do urso pardo tomou toda a sala. —O que ele planeja fazer com elas? — Todo mundo olhou para Stinger. —Eu não sou um especialista em vender bocetas, mas mulheres abusadas provavelmente não são as melhores candidatas para o mercado. — Embora Court tenha dito as palavras de forma uniforme e suave, havia raiva em sua voz. Dallas estava sentindo muita raiva ele mesmo, porque pensar nessas mulheres feridas, independentemente se elas vendiam seus corpos ou não, era muito pesado. Era difícil não imaginar a Hope no lugar de uma daquelas mulheres, não porque Dallas queria pensar sobre essa merda, mas porque ela não saia de sua cabeça. Pensar na dor dela fez seu urso emergir e uma fúria assassina o consumir. Se acalme, cara. Porra, se acalme. Ele estava pronto para destruir alguma coisa, machucar alguém, e vingar aquelas que não foram capazes de se defender. —O Lucien não planeja vendê-las. — A voz de Jagger endureceu. —Porque, mesmo escuro e frio como o bastardo é, ele quer se certificar de que elas estão seguras. Todos os Brothers estão nessa por isso. Eles realmente querem vê-las bem, independentes, deixá-las decidirem se querem trabalhar para o MC ou seguir outros caminhos. — A sala ficou em silêncio depois que Jagger falou. —Se fosse a minha mulher...— Jagger apertou a mandíbula com força suficiente para que o som do seu ranger de dentes soasse como uma bigorna

esmagando

asfalto.

Ele

balançou

a

cabeça


lentamente, e seu urso atravessou seu rosto, letal e mortal assim como os outros ursos sentados ao redor da mesa. —Eu não vou sequer ir até lá, mas sei que a votação deve ser feita com quem vai nesta viagem. — Jagger olhou ao redor da mesa. —Nós não combinamos os detalhes, mas é isso resumidamente. Vamos começar com Brick e seguir. Sim ou não em ajudar The Brothers of Menace com as mulheres. Brick foi o primeiro a responder com um sim, e cada membro adiante deu a mesma resposta. Uma vez que todos falaram e que a votação foi unânime, Jagger assentiu. —Bom. Vou entrar em contato com Lucien, e vamos sair amanhã à noite já que ele quer certificar-se que todas as meninas estão estáveis o suficiente para as várias horas de viagem que isso vai levar. Os Nômades que chegaram na noite de anteontem ficarão e manterão as coisas sob controle aqui, assim como Drevin. Drevin assentiu. Ele era o mais jovem dos membros do Grizzly MC Steel Corner aos trinta e dois. —Você quem manda, Prez. —Stinger, Diesel e Court podem trazer as vans. — Jagger abordou os três membros em questão. —E quanto a propriedade naquele pequeno terreno bem antes dos limites de River Run? — Todos voltaram sua atenção para Dallas quando ele falou.


—Você diz aqueles cinco acres com o celeiro debilitado e uma cabana que parece que já viu dias melhores? — Perguntou Jagger. Dallas assentiu. —Sim. — Ele olhou para os membros. —Está no mercado há alguns meses agora, e eu só posso supor que não foi vendido por causa dos edifícios malditos perto dela. É no meio do nada, mas ainda perto o suficiente para River Run e os Brothers. —Você pensa que talvez Lucien queira como um local potencial para essas mulheres? — Perguntou Diesel. Dallas deu de ombros, olhou para os membros em torno da mesa de novo, e então finalmente concordou. —Sim, eu acho. — Foi bom tomar parte do negócio no clube em vez de apenas seguir ordens e ter peso na consciência. Dallas sempre esteve lá para o clube, manteve sua auto aversão e ódio, sobre as merdas que ele fez na vida, profundamente guardados, mas ele também esteve distante. Pensar em Hope nesta situação, vendendo seu corpo e sendo espancada por um idiota de meia idade, fez seu sangue ferver de raiva. Ela era a luz para sua escuridão, e isso fez Dallas perceber que ela era sua em todos os sentidos, e ele não seria capaz de parar até que isso estivesse cravado em pedra. Desde que a conheceu ele não queria nada mais do que fazêla sua em todos os sentidos. Se ela percebeu ou não, ela inadvertidamente o ajudou a lidar com a sua própria bagunça. Isso o marcou. Este era o começo de algo, e embora


o lado inteligente dele dissesse que ela era muito boa para sua vida de fora da lei, ele não podia afastar-se dela. Ele não queria. —Esse lugar precisa de uma grande reforma para chegar a ser habitável. — A voz rouca de Stinger veio do lado dele. —Vou levar isso até Lucien, mas parece ser um plano sólido. — Jagger passou a mão sobre o rosto e recostou-se na cadeira. —Nós podemos reunir alguns exploradores e ajudar a consertar a cabana e o celeiro, se Lucien quiser ir por esse caminho. —Eu acho que o vendedor é Travis Brandon. Guy é dono de uma revendedora de carros em Hollowspoint, e se não me engano quer vender o lugar o mais rápido possível, porque ele e sua esposa querem comprar uma cabana em Springs. — Drevin disse, e todos eles olharam em sua direção. —O que? —Como você sabe tanto sobre isso? — Stinger comentou segurando seu baseado. Drevin deu de ombros. —Eu

estava

fodendo

sua

ex-amante.

Ela

estava

chateada que ele não deixaria a esposa, e foi vomitando tudo isso. Houve alguns grunhidos. —Ok, então podemos dizer que ele quer se livrar da propriedade. Se Lucien quiser isso vai funcionar bem para todo mundo.


Embora The Brothers of Menace e The Grizzly MC começaram em condições pré-determinadas, ao longo dos últimos meses cresceu uma aliança mais forte, especialmente quando Lucien e seu pessoal ajudaram Court e sua mulher, quando Lilly foi ferida. —Ok, eu vou chamar Lucien e dar a todos um tempo para se prepararem para ir. — Jagger terminou a reunião, e todos se levantaram. Mas, Dallas continuou em seu lugar, e quando Jagger levantou-se e olhou para ele, ele se acalmou. O Presidente Grizzly esperou até que o último membro tivesse deixado a sala de reunião e, em seguida, sentou-se. Por um momento não disse nada, e embora Dallas houvesse planejado contar a todos os membros, eventualmente, Jagger deve saber antes deles, bem, além de Diesel. Isso era uma situação diferente já que

Dallas

foi

um

verdadeiro

babaca

com

o

outro

motociclista. —Eu queria falar sobre por que eu estive distante nestes últimos meses. Jagger assentiu. —Eu me perguntei quanto tempo levaria para que você viesse até mim. Mas pelo menos você falou com Diesel. Talvez Dallas devesse estar surpreendido por Jagger saber que ele falou sobre isso com Diesel primeiro, mas ele não estava. —Ele não me disse o que você falou, só disse que você estava lidando com algum problema pesado. — O vice-


presidente e o presidente eram próximos, precisavam estar à par de tudo para garantir que o clube estivesse longe de problemas. Todo mundo como um todo era o que mantinha o MC unido e existindo, mas a força que vinha do vicepresidente e do presidente tinha de ser maior. —Você sabe que você é da família, Dallas. É um maldito Grizzly, e todos nós estamos aqui para você. O tempo é, por vezes, o que é necessário para passar por algum problema muito difícil, mas você também tem que se lembrar que se todos nós não trabalharmos como uma equipe, o MC não vai funcionar, e isso eu não aceito. Dallas assentiu e passou a mão sobre a parte de trás de sua cabeça. Ele olhou para o Presidente e pelos dez minutos seguintes explicou tudo. Ele não mediu suas palavras, não negou que ele não viu seu filho tanto quanto ele deveria ter visto, e ainda falou sobre a Hope e a luz que ela trouxe para a sua escuridão. Por vários minutos Jagger não disse nada, e Dallas se perguntou o que o outro motociclista estava pensando. —Merda, Dallas, eu sinto muito sobre seu filho e sua ex. Sabia que não era próximo de Meghan, mas porra, eu não sei mesmo o que você está passando. As emoções do Presidente dos Grizzly bateram em Dallas com tanta força que elas sugaram o ar direto para fora de seus pulmões. Dallas não podia falar, portanto, em vez disso ele olhou para baixo e balançou a cabeça. O som do ranger da cadeira fez Dallas erguer seu olhar e olhar para Jagger.


Jagger estava agora olhando para fora da janela, de costas para Dallas. Alguns exploradores podiam ser vistos trabalhando em uma Harley, mas diferente disto não havia qualquer ação exterior. —E você conheceu essa mulher há poucos dias? — Jagger perguntou, mas ainda havia uma emoção espessa que abafou a voz do presidente. —Sim. Eu sei que parece loucura. — Era realmente um pouco louco que ele sentisse algo tão forte por Hope tão cedo. Dallas também sabia que vários dos membros reivindicaram suas mulheres para si, mas não os conheceu antes disso. Todos eles compartilhavam a mesma possessividade intensa e a necessidade de proteger suas mulheres. Eram as mesmas emoções que Dallas sentia por Hope. —Não, mano, realmente não parece. — Jagger se virou e olhou para Dallas. —Quando você encontra algo que parece tão extremamente correto, e faz com que a escuridão dentro de você alivie, você agarra isso com ambas as mãos e nunca deixar ir. — Havia uma emoção muito forte na voz de Jagger. —Todos nós temos demônios, e enterramos algumas merdas feias profundamente dentro de nós na esperança de que elas nunca voltem a emergir. — Jagger exalou alto. —Porra, eu mesmo fiz um monte de coisas terríveis em minha vida, e oração ou esperança alguma de que eu possa ser uma pessoa melhor tornará isso uma realidade. Eu sou quem eu sou, e eu sou uma porra de um sortudo de ter a mulher que eu tenho na minha vida. Eu não sei quem decidiu me agraciar com essa bênção, mas eu nunca vou desistir disso, e você também


não deveria. — Jagger foi até Dallas. Ele bateu-lhe nas costas, e embora nenhum membro Grizzly MC fosse aberto sobre o amor fraternal que sentia, era uma compreensão silenciosa. —Nunca tenha medo de ir atrás do que você sente, é um dom.— Dallas continuou lá após Jagger sair, e deixou que suas palavras se repetissem diversas vezes em sua cabeça. Ele enfiou a mão dentro de seu colete e agarrou seu celular. Depois de encontrar o número de Hope, ele só olhou para ele por um momento antes de finalmente ligar. Ele precisava vêla mais do que nunca agora, precisava explicar o que sentia e quem ele era, e rezava, para quem quer que estivesse disposto a ouvir, para que ela não surtasse com tudo.


Hope

Hope ouviu a moto antes de vê-lo. Quando Dallas ligou, ela não conseguiu parar a reação instantânea do seu corpo ao ouvir sua voz profunda. Eles conversaram no restaurante e, embora ele não tivesse dito muito depois que ela lhe disse que queria explorar o que estava acontecendo com eles, ele também não concordou que queria o mesmo, mesmo olhando em seu rosto e vendo qual era a verdade. Ele ligou algumas horas atrás, quase parecendo desesperado para vê-la, e ela não podia negar que houve esse desespero dentro dela também. Ela conseguiu as chaves para sua casa esta manhã, e começou a descarregar o que ela trouxe com ela em seu jipe e no pequeno trailer de mudança que estava instalado na parte de trás do carro. A maioria dos móveis já estavam no local: sofá, eletrodomésticos, e até mesmo a cama. Essa foi outra vantagem de ter esse trabalho, entre outras coisas, e ela estava agradecida já que ela não tinha nenhuma dessas coisas. Caixas estavam cheias à sua volta na sala de estar, e, embora ela estivesse trabalhando para ter todas as pequenas coisas fora das caixas para pôr em seus lugares, ela ainda


tinha muito a fazer. Mas tomou um banho, colocou algo que não estava coberto de suor e poeira, e esperava Dallas chegar com borboletas no estômago. Hope foi para o banheiro mais uma vez e acendeu a luz. O espelho que estava pendurado na parte de trás da porta mostrou seu reflexo dos pés à cabeça. Ela tinha o cabelo louro em um rabo de cavalo, e apesar de ter sido puxado para cima ainda caía entre as omoplatas. Ela sempre amou seu cabelo, e pensava que era a única coisa boa que possuía, mas ela estava começando a perceber que o que via no espelho não era ruim. Sua autoimagem distorcida em sua mente já não era tão ruim quanto foi quando era mais jovem. Suas coxas podem ser muito maiores do que ela gostaria, e seus quadris mais largos, mas era apenas o seu biótipo. Não estava mais morrendo de fome, ou vomitando ao se encher de comida. A culpa que sentiu depois de fazer tudo isso por todos esses anos teria derrubado uma pessoa por mais forte que fosse. Ela certamente não tinha o corpo esbelto que as modelos tinham. Seus seios eram grandes, era uma das partes dela que Parker gostou. Na verdade, era provavelmente a única coisa que ele gostava já que ele elogiava só essa parte do seu corpo. Ela agarrou a barra de sua camisa e puxou o material

confortavelmente

através

de

sua

barriga.

O

arredondado estava lá, mas ela ainda podia lembrar-se de quando era uma adolescente e estava no pior momento de sua depressão e do transtorno alimentar que governou sua vida. Ela esteve doente e fraca, a tal ponto que seus pais finalmente

perceberam

o

que

estava

acontecendo

e


procuraram ajuda profissional. Mas isso ficou no passado, e não fazia parte do que ela era. Hope permaneceu forte, passou por um dos piores momentos de sua vida, e sobreviveu. Deixando de lado sua camisa e suspirando, ela alisou as mãos ao longo das laterais de seu corpo e sorriu para si mesma. Ela poderia fazer isso, superar seus demônios e ir atrás do que ela realmente queria. E o que ela realmente queria era Dallas. O som da motocicleta parando em sua garagem fez seu pulso acelerar. Ela saiu do banheiro e foi até a porta da frente. Ela abriu bem a tempo de ouvi-lo desligar o motor e se levantar de sua motocicleta. Ele usava a sempre presente camisa escura de mangas compridas, calça jeans surrada, botas escuras, colete, e, claro, os óculos que o faziam parecer tão malditamente assustador de uma forma que ela ficou molhada instantaneamente. Ele era tão grande e musculoso, tão alto e poderoso, que a fez se sentir muito feminina. Ele caminhou em sua direção como se ele estivesse em uma missão, ou talvez era como se ele fosse um predador e ele veio para devorar sua presa — ela. Um tremor a percorreu com esse pensamento, e enrolou a mão em torno do batente da porta para manter-se em pé. Ela não deveria ter aberto a porta e ficado lá parada, olhando para ele, porque o quão estranho era aquilo? Mas Deus, Hope acabou de agir por instinto, e não pensou em tudo, para ser honesta. Antes que ele chegasse à sua porta, tirou os óculos e colocou-os no colarinho de sua camisa. Ele estava apenas a alguns passos


da porta dela quando parou, e por um segundo tudo o que eles fizeram foi olhar um para o outro. Não foi preciso dizer quaisquer palavras para Hope sentir seu desejo por ela, porque era tão potente quanto o dela. E então ele lentamente a olhou de cima à baixo, e deixou seu olhar percorrer o comprimento de seu corpo. Ela estava muito molhada entre as coxas e teve que apertar as pernas juntas apenas para aliviar a dor que se instalara lá. Suas narinas se alargaram como sempre quando ele inalava, e por algum motivo aquela visão enviou uma onda de calor por todo seu corpo. Ele podia sentir o cheiro de seu desejo. Era sempre assim que seria quando ela estivesse perto dele? Porque foi assim em cada vez que eles estavam juntos, era como se seu corpo ganhasse uma consciência própria e ela não tinha mais controle sobre ele. —Você está ótima, Hope. — Dallas disse, em voz baixa e suave. Essa gentileza parecia tão diferente da sua presença física. Ela não pôde evitar o rubor que surgiu em suas bochechas ou o sorriso que cobriu sua boca com o elogio. —Obrigada. — Ela se afastou para permitir que ele entrasse, e ele se aproximou. Logo antes dele cruzar seu caminho e entrar na casa, ele parou e olhou para ela. Ele estava muito perto, um monte de coisas muito sujas passou pela mente de Hope. Ela foi íntima de Parker, enquanto eles estavam juntos, obviamente, e não sentiu uma fração desta excitação que ela sentia por Dallas. Ela só sabia que se ela se


entregasse a ele desse jeito ele arruinaria todos os outros homens para ela. Ele já fez. Mais uma vez ela viu suas pupilas começarem a dilatar, e ela sabia que seu urso estava perto. Ela podia sentir o cheiro da selvageria que veio dele, sentiu os cabelos em seus braços se arrepiarem, porque seu corpo sabia que aquele homem era perigoso em mais de uma maneira. Mas ela não disse nada, e nem ele. Antes que ela pudesse respirar ele estava entrando em sua casa. Respirando

calmamente,

ela

sabia

que

precisava

conseguir controlar suas emoções e a reação de seu corpo com ele. Hope entrou e fechou a porta. Ele só estava a alguns metros dela, e embora sua casa já fosse pequena, com Dallas dentro a fez parecer impossivelmente menor. —Desculpe pela bagunça. Eu só consegui as chaves hoje e estava tentando desempacotar algumas coisas quando você ligou. Ele se virou, e antes que ela pudesse reagir, ele estava bem na frente dela. O cheiro dele a rodeava. Um apimentado e doce aroma de tudo o que ela associava com Dallas Stoker. Ele procurou o rosto dela com o olhar, e então tudo ficou imóvel dentro dela quando ele levantou a mão e acariciou sua bochecha. Ela sentiu os calos ao longo de seus dedos longos e grossos, e um arrepio correu através dela. Por um momento, tudo que ele fez foi olhar em seus olhos e segurar seu rosto. E então ele estava acariciando-a, movendo o polegar para trás e


voltando ao longo de sua carne em uma maneira calmante e ainda a despertando. —Dallas...— Seu nome saiu em uma voz tão baixa que ela nem sabia ao certo se disse isso em voz alta. Ele baixou o olhar para sua boca e as pálpebras caíram. O olhar era tão intenso, tão revelador, que ela prendeu a respiração, com medo de respirar e quebrar o feitiço que controlava os dois. —Hope—. Ele disse o nome dela da mesma maneira ofegante quanto ela disse o dele. —Eu realmente quero te beijar

para

caralho

agora.

Suas

palavras

rudes

despertaram-na ainda mais. Ela piscou e não foi capaz de formar nenhuma palavra em resposta. Hope queria que ele a beijasse, queria sentir seus lábios nos dela, sua língua movendo-se lentamente contra a dela. —Você quer isso, Hope? — Ele ainda estava olhando para sua boca. —Você gostaria que eu te beijasse, e reclamasse você até que não haja dúvida de que você é minha? — Ele não estava perguntando de fato, e ela sabia que se ela fosse se render a Dallas em todos os sentidos possíveis não haveria volta. Mas ela não queria voltar. Isto parecia certo, como se estivesse seguindo em frente em vez de ficar no purgatório. Ele inalou novamente, e desta vez os olhos quase fecharam completamente. —Sim, amor, você quer isso tanto quanto eu, mas isso te assusta para caralho. — Ele se inclinou um palmo mais perto para que ela pudesse sentir seu hálito de canela percorrendo seu rosto. —Isso me


assusta para caralho, também. — Ele respirava forte, e ela sentiu o cheiro doce de sua respiração em seus lábios. — Quando alguma coisa na vida assusta você, faz você questionar o que deve fazer, então você precisa saber se está certo. Seu coração estava batendo tão forte que ela sentiu em sua garganta e ouviu em seus ouvidos. —Eu nunca senti nada como isso. — E agora ela não podia

sequer

controlar

suas

palavras

enquanto

elas

escapavam em toda sua glória embaraçosa. Ele não abriu um sorriso, e não havia nenhuma diversão em seu rosto. Ele parecia sério, determinado, e estava à beira de perder o controle. Ele moveu seu polegar ao longo

de

seu

lábio

inferior,

e

um

pequeno

som,

inadvertidamente, escapou dela. Seu peito começou a subir e descer mais rápido e mais difícil à medida que respirava com uma força que rivalizava com suas respirações frenéticas. Talvez fosse cedo demais para deixar as coisas seguirem tão rápido, e talvez tenha sido estúpido permitir que Dallas a tocasse como se fosse seu dono, ou mais apropriadamente, como ele estava tentando marcar território sobre ela. E isso era exatamente o que parecia ao ser tocada por ele, e pela maneira como ele olhava para ela. —Eu te quero tanto, Hope, você não tem ideia do quanto eu quero você. — Ele fechou os olhos em seguida, e havia quase um tom de dor em sua voz e em sua expressão.


Hope não se preocupou com qualquer outra coisa naquele momento, exceto Dallas bem na frente dela, e todas as coisas que queria fazer com ele. Ele não olhava para ela como se fosse gorda, e ele certamente não a fez se sentir desconfortável. O mal-estar que ela sentiu veio de si e suas próprias inseguranças. Mas ela queria isso, nunca quis ninguém tanto quanto queria Dallas, e ela estava cansada de negar-se e deixar seus medos ganharem. Ela estava pronta para fazer uma coisa por si mesma, e esperava não se machucar no final.

Dallas mal estava se segurando, e agora que ele estava tão perto de Hope, tocando-a, cheirando-a, e saber que ela estava molhada entre as coxas fez seu pau pressionar contra o fecho da calça jeans dolorosamente. Mas quando ele ia se afastar, e dar o espaço que ele sabia que ela precisava, ela o surpreendeu completamente enfiando as mãos em seus cabelos,

puxando

seu

rosto

para

perto

do

dela,

e

pressionando os lábios nos dele. Um gemido gutural escapou dele e o fez sentir a sua boca movendo-se suavemente, quase timidamente contra a dele. Seus lábios eram macios e suculentos, e estava tão completamente nisso que ele não conseguiu parar de envolver suas mãos em torno de seu


cabelo e puxar a cabeça dela para trás. Suas bocas se separaram, e um suspiro de prazer a deixou. Ele sabia que ela gostou, podia cheirar a umidade fresca que foi derramada por sua boceta, logo que ele fez isso. Mudou-se para a frente, usando seu corpo para empurrá-la para trás até a porta da frente impedindo-os de ir mais longe. Por um segundo, ele apenas olhou para o rosto dela, examinou o arco de suas bochechas, a plenitude de seus cílios loiro escuro, e a vermelhidão dos lábios. Porra, ele estava duro, e a queria como se quisesse tomar a sua próxima respiração. Seu pau estava apertado contra seu zíper, e ele jurou que a maldita coisa estava a poucos segundos de estourar. Ela respirava com dificuldade, e suas bochechas estavam em um tom claro de vermelho. Lentamente, deixando seu olhar viajando pela longa e suave coluna de seu pescoço, sobre suas clavículas delicadas, e parando nas ondas maciças de seus seios que estavam pressionados sobre a bainha de sua camisa, Dallas sentiu seu urso quase romper a superfície. —As coisas que eu quero fazer com você. — Ele não tinha a intenção de dizer isso em voz alta, mas ele descobriu que estar perto de Hope trazia esse outro lado dele, que era quase um estranho. Ele nunca agiu dessa maneira impulsiva quando se tratava de mulheres, e certamente não permitia que as emoções nublassem seu julgamento. —Como o quê? — Havia uma qualidade naturalmente sensual em sua voz, e ele sabia que ela não estava fazendo isso para tentá-lo. Era apenas quem ela era, e foi perfeito.


—Como coisas que assustariam você, Hope. — Ele arrastou seu olhar de volta até seu rosto e olhou em seus olhos azuis. —Coisas que eu duvido que você sequer pensou que deixaria um homem fazer com você. — Ele era um bastardo obsceno. Ele pressionou a parte inferior do corpo em sua barriga, pressionando sua ereção na ondulação suave de sua carne, e gemeu profundamente. Ela era cheia de curvas femininas, com coxas grossas agradáveis, uma bunda grande suculenta e seios que eram bem acima da média. Dallas não gostava dessas mulheres pele e osso, e Hope estava longe de ser isso. Ele se inclinou e passou a ponta do nariz por sua garganta. Parando logo abaixo da orelha, ele respirou fundo e grunhiu de prazer. —Você cheira bem para caralho, como limões. Ela suspirou bem ao seu ouvido. —Esta é a experiência mais erótica e sensual que eu já tive, e nós ainda nem fizemos nada. — Houve um ligeiro tremor na voz dela. Ele se afastou, o que foi difícil para caralho, e olhou para o rosto dela novamente. —Eu não quero parar, Dallas. Eu nunca quis nada como eu quero você agora. E então ele perdeu a porra do controle. Ele colou a boca na dela, acariciou seus lábios com a língua até que ele os persuadiu a abrir, e mergulhou a língua dentro. Ela era doce, e ele soube então que ela seria sua a partir deste momento. Ele estava embriagado por ela, mais alto do que ele alguma


vez esteve, e já estava viciado. Ele ainda segurava seu cabelo, e com a cabeça dela puxada para trás ele foi capaz de devorála como um homem faminto. Nunca experimentou algo tão bom quanto ter Hope pressionada contra ele. Ela era toda macia para seus músculos, e o fato de que ela estava molhada por ele foi o maior afrodisíaco no mundo. —Diga-me o quanto você me quer, Hope. Porra, eu preciso ouvir isso. — Ele murmurou contra os seus lábios e, em seguida, beijou-a mais duro do que antes. Ela suspirou contra sua boca. —Eu estou muito molhada para você, Dallas. — Ela murmurou contra ele. O som que veio dele não era de seu lado humano, mas seu urso. O bastardo queria sair, queria reclamá-la da forma como um companheiro faz: selvagem, forte, e por isso não havia como negar que Hope era toda dele. Não existe reação química

que

aconteça

dentro

de

um

shifter

quando

encontram seus companheiros, ou quando uma pessoa queira ficar com ele. Não existem almas gêmeas, ou amor à primeira vista que os controle. Mas quando um shifter descobre uma pessoa que muda algo dentro deles, inclina todo o seu maldito mundo até mudar seu eixo, não há nada que poderia refrear a necessidade de reclamá-los. Dallas nunca experimentou isso, nem mesmo com Meghan. Ela era a mãe de seu filho, então é claro que ele a amou, mas o que ele sentia por Hope não estava sequer no mesmo nível. Essa percepção o deixou cheio de culpa. Ele fechou os olhos e


tentou afastar seu passado, os sentimentos de que ele era um homem horrível, porque nunca tentou com ela. Hope merecia alguém muito melhor do que ele. —Hey. — Ela colocou as mãos em cada lado do rosto e segurou-o até que ele abriu os olhos. —O que quer que esteja machucando você, não deixe que ganhe. Dallas sabia que esta mulher tinha sua própria dor, porque a expressão no rosto e o doce aroma de entendimento veio dela se envolveu em torno dele como uma coberta reconfortante. Ele nunca pensou que fosse abençoado em encontrar uma mulher que poderia afastar a sua escuridão. Ele nunca pensou que era possível até que ele viu Hope pela primeira vez do outro lado da estrada. Mas Dallas estava tão absorto em sua culpa, raiva e ódio de si mesmo, que tudo o que via era o seu passado, e não achou que ele pudesse seguir em frente. —Nós podemos parar e conversar, Dallas. — Um sorriso delicado cobriu seu rosto. Ele balançou a cabeça, fechou os olhos mais uma vez e, em seguida, moveu as mãos para cima das dela. —Não, eu não quero acabar com isso, ou falar sobre o passado. Não agora, pelo menos. — Ele gentilmente puxou suas mãos longe do rosto e colocou-as em seu peito. —Você não acha que isso é loucura? — Ela falou baixinho, a sério. Ele abaixou a cabeça e enterrou-a na curva de seu pescoço. Dallas lambeu e chupou em sua carne doce, macia,


e continuou a moer sua ereção na curvatura de sua barriga. Não, ele não iria deixar seus problemas estragarem isso. Sua respiração começou a aumentar mais uma vez, e ele sabia que ela estava lá com ele. —Eu acho realmente louco, amor. — Ele deixou sua língua plana e a correu pelo comprimento de sua garganta. Ela tremeu sob seu toque, e ele moveu as mãos de volta para o cabelo dela e apertou seus cabelos sedosos. —Mas eu também senti em meus ossos o quanto isso é certo, e como eu estou cansado em tentar combater. Eu não me importo que tenham sido dias, e eu não me importo que não sabemos muito um sobre o outro, exceto que desejamos um ao outro incondicionalmente. — Ele moveu a boca e língua ao longo de sua mandíbula, e ao longo do seu pequeno queixo, lambendo o lábio inferior e, em seguida, o superior. —E eu não preciso ser sensato para saber que você é minha, Hope, e que não há ninguém ou qualquer coisa que irá levá-la para longe de mim. — Ele tirou uma das mãos de seu cabelo e deslizou para baixo para cobrir sua garganta de forma folgada. Ele se inclinou para trás apenas o suficiente para olhar em seus olhos. —Eu não sou um bom homem, Hope. Eu não sou leve e descontraído, nunca fiz o tipo chocolates e flores, mas quero tentar isso com você. — Eles podem estar conversando, mas a excitação só foi ficando mais intensa a cada segundo. —Eu tenho um monte de bagagem de merda, algumas coisas me deixam para baixo e trazem à tona meu lado sombrio. — Ele queria que ela soubesse que tipo de homem que ele realmente era, que ele não era doce e gentil, não importando


o quanto ela merecesse isso dele. Isso só não estava em seu DNA. —Eu sou um idiota nos melhores dias, mas eu juro para quem quer que esteja escutando que eu sempre vou estar lá para você, e que eu nunca vou deixar nada acontecer com você. — As palavras foram vindo dele por conta própria, mas precisavam ser ditas, e ela precisava ouvir cada uma delas. —Você me quer, Dallas? Ele sabia que ela não estava perguntando sobre desejála no sentido sexual, mas no sentido de minha. —Sim, amor, eu te quero, mas eu não vou forçar você a nada. — Ele teria de contar a ela sobre si mesmo e se ela se entregasse a ele, ele não a deixaria ir. Ela também precisava saber que as coisas que ele fez eram parte dele, uma parte de seu animal, e que ele seria sempre assim. Ele era um membro do Grizzly, um fodão, um filho da puta, bruto, que agia antes de pensar, e sempre seria assim. —Há coisas que você precisa saber sobre mim. Na verdade, falando sobre isso e admitindo tudo isso em voz alta foi uma das coisas mais difíceis que ele já fez. Seu pau rugiu para ele calar a boca, mas ele nunca parou de pressionar-se na suavidade de seu corpo. Um pré-gozo umedecia a ponta do seu eixo, e suas bolas estavam pesadas e cheias. Ele precisava preenchê-la com a sua porra, precisava do cheiro dele para cobri-la de dentro para fora até que qualquer macho que chegasse perto dela saberia que ela foi tomada por um membro dos Grizzly.


—Há coisas que eu quero dizer a você, também. Ele se afastou de novo, mas logo a beijou. —Mas agora eu só quero sentir você, Dallas. — Ela disse contra sua boca. —Eu não quero falar sobre coisas ruins, porque o aqui e o agora está muito bom para manchar com nosso passado. Ele gemeu contra sua boca e levou o beijo a um outro nível, um onde ele era feroz e possessivo, e que ela saberia o que significava tê-la à sua maneira. Durante vários segundos tudo o que fizeram foi mover suas línguas junto um do outro em um movimento frenético e desesperado. Ela gemeu e suspirou contra seus lábios, e então ela foi deslizando as mãos sobre seus ombros e enrolando seus dedos em seus bíceps. —Eu sinto como se isso não fosse real. Sim, Dallas sabia exatamente o que ela queria dizer. —É real, amor. Eu estou aqui com você, e eu não vou a lugar nenhum.


Dallas

Dallas forçou-se a dar um passo atrás. As bochechas de Hope ainda estavam coradas, os lábios vermelhos, inchados, e brilhantes por seu beijo. Tirou o colete e pendurou-o no cabideiro que estava na parede ao lado dele. Segurando a barra da sua camiseta, ele puxou-a sobre a cabeça e atirou-a ao chão. Ela soltou um pequeno suspiro quando olhou para seu corpo, e ficou surpresa ao ver que ele não tinha um pedaço de pele em seus braços, e em seu peito que não fosse coberto por tinta. Ele gostou daquele olhar em seu rosto, com desejo. Então quando ela olhou para sua virilha seu pau latejou em resposta. Ele sabia que se ele não fosse cuidadoso gozaria antes mesmo de estar dentro dela. —Tire a blusa, Hope. — Sua voz saiu mais forte do que pretendia, mas o urso foi tomando o controle da situação, também. Ela ergueu o olhar para o rosto dele, e piscou rapidamente. —Eu...— Ela hesitou, mas antes que ele tentasse confortá-la, ela já agarrou a barra de sua blusa.


Dallas queria ver aqueles peitos deliciosos por inteiro, queria ver como eles sacudiriam com força enquanto ele a foderia. —Tire a blusa, Hope. — Ele disse novamente um pouco mais forte para que ela soubesse o quanto ele a queria. Ele apertou seu pau por cima dos jeans. Ele estava duro e dolorido, e ele precisava dela agora. Ela era linda, e estava tímida de repente, embora fosse agradável não era o que ele precisava no momento. Ela ainda não tirou sua blusa, e quando ele respirou fundo e sentiu o cheiro de seu constrangimento, ele sabia que isso não tinha nada a ver com timidez, e tudo a ver com os seus próprios demônios. — Amor... Ela balançou a cabeça, impedindo-o de continuar. Quando ela olhou para seus pés, o cheiro de sua auto aversão bateu no nariz dele e partiu a porra do seu coração. Dallas não sabia se alguém fez ela não se sentir bonita o suficiente, ou se ela mesma se via assim. De qualquer maneira seu urso se enfureceu com a possibilidade de alguém a ter machucado assim. —Eu só... Dallas não a deixou terminar a frase, ao invés disto pressionou seu corpo ao dela e a beijou. Ele não diria apenas com palavras como ela era bonita, mas também mostraria a ela com as mãos e sua boca. Ela era sua agora, ele a valorizava, a protegeria e teria certeza de que nunca haveria um dia em sua vida onde ela pensaria novamente que era


menos do que perfeita. Ele passou as mãos por sua cintura e segurou seus quadris. —Hope, você é minha mulher agora. — Correndo sua língua pelo lábio inferior ele sentiu ela relaxar em seus braços e em seguida, estremecer em resposta. Deslizando as mãos sob a barra de sua blusa, ele a sentiu tensa mais uma vez, mas ele queria que ela se sentisse confortável perto dele. — Estas curvas—, ele beijou até sua garganta, —foram feitas para mim. — Ele continuou a beijar e beliscar a pele de sua garganta. Ele ajoelhou para que seu rosto ficasse ao nível de sua barriga, e levantou seu olhar para que ele pudesse olhála nos olhos. —Você é perfeita para mim, Hope. — E então ele foi lentamente empurrando sua blusa para cima e expondo sua barriga. Ela ainda estava muito tensa, mas ele não queria que ela se sentisse diminuída na frente dele, essa não era a intenção. —Dallas, eu me sinto tão fora de mim agora. Ele podia ouvir seu coração bater rápido, e foi uma mistura de medo e excitação. —Você quer que eu pare? — Ele sustentou seu olhar. — Porque se você quiser, amor, eu paro em um instante. — Seria difícil para caralho, mas de jeito nenhum ele iria apressar as coisas. Ela não empurrou suas mãos para longe, e sua barriga gostosa ainda estava exposta. Ela lambeu os lábios, e ele cerrou os dentes e segurou um gemido.


—Eu não quero parar. Eu só tenho problemas com a minha aparência, mas estou tentando superar isso. Ele odiava saber que ela se sentia assim em relação a si mesma, mas ele provaria a ela o quão bonita ela era aos seus olhos. Estando tão perto de sua boceta ele podia sentir o cheiro de sua umidade, e sua língua parecia mais grossa com a necessidade de lamber todo o mel de entre suas pernas. Ele não iria pressioná-la para dizer mais, porque quando ela estivesse pronta, ela o deixaria entrar nessa parte de sua vida. Até então, ele teria apenas que mostrar-lhe o quanto ele amava seu corpo, e ele provaria isso de mais de uma maneira. —Eu quero isso. — Ela entrelaçou sua mão nos cabelos dele, e ele apertou os braços em seus quadris. —E eu quero você. — Ainda havia apreensão na voz dela, mas ela parecia um pouco mais relaxada. O puxão em seu cabelo fez seu pau empurrar sua calça e ele sentiu o líquido escorrer pela ponta. Ele baixou os olhos para a ondulação suave de sua barriga, e não hesitou quando ele se inclinou para frente e passou a língua sobre seu umbigo. Ela começou a respirar mais rápido novamente, e ele aumentou o ritmo, arrastando os dentes sobre seu estômago, passando a língua, e descendo até alcançar o botão de sua calça jeans. —Eu posso sentir o cheiro de como você está molhada para mim, Hope.


Soltando seus quadris ele desfez o botão e deslizou o zíper

para

baixo.

Ele

foi

lentamente,

apesar

de

sua

necessidade de arrancar a porra da roupa de seu corpo, abrir sua boceta, e lamber sua fenda até que ela gozasse em sua língua. Mas ele se obrigou a ir devagar. A apreensão e desconforto dela desapareceram completamente quando ele empurrou toda sua blusa para cima, sobre os seios, e cobriu os montes enormes com as mãos. O sutiã que ela usava certamente não era ousado. Era de algodão rosa claro simples, mas ela estava sexy para caralho nele. Seu decote estava quase estourando o bojo e a respiração dele ficou presa na garganta, quando ele sentiu o peso de seus seios nas mãos. Os mamilos apontavam duros contra o tecido, e era ali que ele colocaria sua boca. Empurrando os jeans dela para baixo, ele olhou para suas coxas. Merda, ela estaria disposta a tomá-lo, a enrolar suas pernas em volta da cintura dele, segurar firme... —Dallas. Ele apertou seus seios uma e outra vez até que ela fechou os olhos e ofegante pediu mais. Puxando o bojo de seu sutiã para baixo até que os montes apareceram livres, seu coração acelerou ao vê-los por inteiro. Seus mamilos estavam vermelhos e duros, e ansiando por sua boca. Mas o que ele queria provar era o líquido que escorria da boceta dela. Olhando de volta para as calcinhas de algodão simples que ela usava, ele rapidamente terminou de tirar seus jeans. Ela levantou as pernas e chutou as calças para o lado, e então ele pegou uma perna dela pelo joelho, levantou-a e colocou-a no


ombro. Dallas puxou sua calcinha para o lado e rosnou baixo quando viu sua boceta rosada e suculenta. Ela estava inchada e brilhava molhada de sua excitação, e ele não adiaria isso por mais tempo. Dallas lambeu, chupou e penetrou em sua boceta até que ele estava rosnando contra sua carne ensopada, como uma espécie de animal selvagem. Mas isso era exatamente o que ele era, e ele não pararia até que ela estivesse se contorcendo contra ele e gritando seu nome. Ele a deixaria tão desequilibrada que não haveria sequer um pensamento na cabecinha dela, que não envolvesse todas as coisas más que ele faria com ela. Dallas ainda segurava sua calcinha, e em um movimento áspero rasgou a porra toda fora até que o som do tecido rasgando ficou alto e obsceno. Ele então pegou sua outra perna pelo joelho e trouxe para o outro ombro. Por um

segundo

ela

desequilibrou.

Ele

olhou

para

cima,

enquanto ainda passava a língua na boceta dela, e a viu segurar o batente da porta com força enquanto gemia por mais. Oh, ele lhe daria mais. Ele chupou sua boceta como se estivesse morrendo de sede e ela era a única coisa que poderia saciá-lo. Tomando seu clitóris em sua boca, ele chupava aquele pequeno feixe de nervos, até que sentiu ela ainda mais ensopada. Ele moveu sua boca para sua fenda, fodendo-a com a língua, e em seguida, circulou em torno de sua abertura. Seu mel exalou seu cheiro doce, sua nota almiscarada ameaçou libertar seu urso quando suas unhas se transformaram em garras. Ele a


fodeu com sua boca e língua, dentro e fora pressionando o polegar sobre o clitóris. —Deus, Dallas. Oh. Deus. Eu estou gozando—. O som de sua cabeça batendo contra a porta era alto e alimentou seu desejo como gasolina em um incêndio. Ele massageava seu clitóris e o pressionava com o polegar, ao mesmo tempo em que fodia sua boceta com a língua, ele sentiu o cheiro de seu orgasmo que parecia chuva recém caída. Porra, o que ele não daria para ter seu pau todo enterrado dentro dela nesse momento. Ele queria senti-la se apertando ao redor de seu pau como se fosse sua língua, e ele queria gozar tão forte que abandonaria seu corpo. Mas ele queria que ela se soltasse em primeiro lugar, e ela o faria quando percebesse que poderia ficar confortável perto dele. Então Dallas renovou seus esforços e a fodeu com a boca como ele faria logo com seu pau. Ela estremeceu quando ela gozou novamente, gritando seu nome, e puxando seu cabelo tão forte que ele sabia que faltaria alguns fios no final. Mas Dallas não ligava. Ele queria que ela fosse bruta com ele, porque ele com toda a certeza seria rude com ela, mas do melhor jeito. —Isso é tão bom. Eu nunca... —As palavras dela sumiram, e os pequenos gemidos sussurrados tomaram seu lugar. Quando seu corpo parou de tremer e ela suspirou, ele subiu lentamente, ajustando suas pernas para que elas estivessem agora em torno de sua cintura, e pressionou sua


ereção em sua boceta. Ela abriu os olhos lentamente, o encarando. —Me beije, Dallas. Ele não hesitou, porque ele queria fazer exatamente isso. Tomou sua boca em um beijo brutal até que seus dentes se chocaram e suas línguas foram dominando a boca. Ele sabia que ela poderia provar seu próprio gosto em sua boca, e isso o excitava tanto que ele apanhou seus cabelos com uma de suas mãos e inclinou sua cabeça para o lado. —Eu quero te foder tão forte, amor. Tão forte. Ela gemeu em resposta, e então alcançou e desfez o botão de seus jeans e deslizou o zíper para baixo. Eles continuaram a se beijar quando ela enfiou a mão nas suas boxers agarrando seu pau, sentindo todo seu comprimento. Batendo a mão na porta perto de sua cabeça, Dallas teve que parar de beijá-la e puxar o ar enquanto ela movia a mão para cima e para baixo em seu pau até ele segurar sua mão para que ela parasse. —Eu vou gozar no meu jeans se você continuar com isso. — Ela estava firme com as pernas em torno de sua cintura, e assim ele conseguiu abaixar seus jeans até o tornozelo. Ele tinha um preservativo no bolso de trás, mas que Deus o ajudasse ele queria sentir sua carne quente, molhada em torno de seu membro, sem nada entre eles. —Eu quero você, amor, sem nada. — Ele se inclinou para trás e olhou em seu rosto. —Eu estou limpo, fui testado na semana passada, e não estive com ninguém desde que te conheci. —


Ele podia sentir que ela tomava pílula, porque qualquer cheiro de produto químico que exalava por seus poros era facilmente captado por um transmorfo. E ela também estava limpa, porque ele não sentia cheiro de doenças. Ele estava louco para estar dentro dela nu. Por um momento ela não disse nada, mas ele não queria pressioná-la a nada, não importava o quanto ele queria isso. Tudo o que fariam, seria para ela. —Estou tomando pílula. — Ele sabia isso, mas não disse nada. E então ela colocou sua boca na dele e o beijou. O que estava acontecendo entre eles poderia não ser considerado racional ou saudável para algumas pessoas, mas para eles, era a coisa mais perfeita do mundo. Ela estava controlando o beijo agora, e seu gemido trouxe a urgência do urso que pedia mais. —Por favor, Dallas, fique comigo. Ele agarrou seu pau na base, e ela tirou a mão do meio de seus corpos e colocou os braços em volta do pescoço dele. Eles continuaram a se beijando quando ele colocou a cabeça de seu pau em sua entrada, e, lentamente, começou a empurrar os quadris para frente. —Jesus, Hope, você é apertada para caralho. — Ele murmurou contra seus lábios, mas não parou de beijá-la. Ele continuou a meter nela até que a cabeça de seu pau passou através da abertura apertada de sua boceta. E então sua umidade o inundou, o que lhe permitia deslizar com facilidade dentro dela. Ele se afundou dentro dela, suas bolas batendo contra sua carne lisa, e grunhiu quando ela se apertou em torno dele.


—Eu me sinto tão completa, Dallas, tão esticada. — Ela inclinou a cabeça para trás e arqueou sua garganta. —Você não sentiu nada ainda, linda. — E então ele estava movendo os quadris para trás e para a frente, empurrando todo o seu comprimento para dentro de seu corpo, e depois recuando. Ele continuava repetindo esses movimentos, mantendo um braço em volta da cintura e outro atrás de sua cabeça na porta. Ela estava com os olhos fechados, a boca aberta, gemendo de uma forma erótica que o deixava

frenético.

Ele sentia

o

urso chegando à

sua

superfície, seus músculos crescendo sob sua pele e seus caninos alongando-se. Ele não aguentaria muito tempo, não quando ela era melhor do que qualquer coisa no mundo inteiro. Os seios dela saltavam enquanto ele metia fundo nela, mais rápido e mais forte sentindo em suas bolas o orgasmo crescente. —Olhe para mim, Hope. Ela abriu os olhos lentamente, e suas pupilas estavam tão dilatadas de prazer que suas íris quase sumiram. —Você sente a minha reivindicação? — Ele meteu mais forte dessa vez, escutando ela gemer revirando os olhos. — Não quer saber o que significa ser possuída por um urso, ser fodida e protegida? Porque você agora é minha. — Ele meteu nela mais e mais. Suor revestia sua testa, escorriam por sua têmpora, e o deixou mais ansioso por mais quando viu suas gotículas de suor no vale entre os seus seios. Ele abaixou a


cabeça, passou a língua entre seus peitos e lambeu toda a umidade salgada. —Eu estou te reivindicando amor, e não existe nenhuma chance de eu voltar atrás agora. — Ela não respondeu, mas mais uma vez ele não deu a ela uma chance de dizer qualquer coisa. Passando as mãos por sua bunda, ele apertou os montes suculentos e virou-se de forma que ela já não estava mais apoiada contra a porta. —Quarto? Onde fica? — Ele tomou sua boca, e ainda que ele não estivesse bombeando

dentro

dela,

ele

ainda

estava

enterrado

profundamente dentro de seu corpo gostoso. —No corredor, primeira porta à esquerda. — Suas palavras saíram ofegantes, e ele não podia deixar de sorrir por causa disso. Ele mudou de posição e cambaleou para a sala, escorando-se na beirada do sofá. Bombeando dentro dela um par de vezes, porque ele simplesmente não podia evitar, ele se forçou a parar para que ele pudesse tirar suas botas e calças. E então ele caminhou na direção do quarto dela com seu pau ainda profundamente dentro de sua boceta, e sua boca em seu pescoço. —Eu não vou conseguir andar de manhã. Ele sorriu contra sua garganta. —Bom, amor, porque não vai ter um momento em que você venha a se sentar amanhã e não se lembre do meu pau enterrado na sua boceta—, ele rosnou e beijou-a com força. Ele encontrou seu quarto, entrou e fechou a porta com o pé. Ele a tinha na cama em poucos segundos, e deu um passo


para trás. Aqui estava ela, sua mulher, espalhada na cama como um presente dos deuses. —Abra suas pernas para mim. Deixe eu ver sua boceta. Ela respirava fundo, e quanto mais tempo ele olhava para ela, mais ele não conseguia entender por que ela se achava tudo menos bonita. Ela era cheia em todos os lugares certos, e tantas coisas imundas encheram sua cabeça que ele deveria se envergonhar delas. Ela colocou seus pés sobre a cama, e lentamente separou suas coxas. —Você olha para mim como se eu fosse bonita. — Havia tanta emoção em sua voz. Ele ficou na beira da cama, ajoelhando-se diante dela, e estendeu a mão para tomar seu rosto em suas mãos. Durante vários segundos ele só olhou em seus olhos, na esperança de que ela pudesse ver a verdade em seu rosto. —Você é linda, tão linda que eu não consigo entender como um bastardo como eu tem tanta sorte de ter você em minha vida. — Eles se olharam por um momento, e então ele se afastou e olhou para a carne lisa que estava ali para ele. — Eu vou te mostrar como você é linda, amor. Eu vou te mostrar até que você nunca duvide novamente.


Hope

Esta experiência foi o encontro mais sexualmente erótico que Hope teve. Ela sentia como se estivesse chapada, tão distante da realidade que ela não podia sequer entender o que estava acontecendo ao seu redor. Dallas a fez se sentir a única mulher que ele queria. Ele não olhou para suas curvas, como se fossem imperfeições que o enojavam, ou fazê-la ficar com sua blusa enquanto eles estavam transando como Parker fizera. O sol brilhou através da janela e, embora ela nunca tivesse tido sexo com as luzes acesas ou sem a segurança da escuridão, ela não se sentia feia com Dallas. No início, ela se sentiu assim, mas as palavras dele não eram doces apenas para acalmá-la, para conseguir ter relações sexuais com ele. Ela realmente sentia sua honestidade. Ele disse a ela como bela e perfeita ela era, e suas palavras foram suficientes para

encher

seus olhos d'água.

Hope

não

estragaria essa experiência com lágrimas, mesmo que fossem de alegria. Ele colocou as mãos sobre os joelhos dela, e abriu suas pernas ainda mais até que ela sentiu os lábios dele em sua


boceta. Grunhiu baixo, e foi um som tão feroz que ela jurou sentir as vibrações em seu clitóris. —Está tão molhada para mim. Sim, ela estava incrivelmente encharcada, e tudo por causa de Dallas. Ter relações sexuais com ele tão cedo e sem preservativo talvez tenha sido irresponsável e tolo, mas no fundo ela sabia que ele era um bom homem. Sim, ele era grosso superficialmente, mas ele foi a primeira pessoa que a fez sentir este calor escaldante. Ela confiava nele, e isso não aconteceu muitas vezes. Havia tanta determinação nele que ela considerou aquela força como se fosse sua própria. Ela levou um minuto para olhar o quão poderoso Dallas parecia, enquanto ele olhava entre suas pernas, como se memorizasse cada polegada dela. Seus ombros eram largos e fortes, com músculos definidos sob a pele definida. Quando ele tirou sua blusa ela ficou chocada ao ver que não havia nenhuma polegada de pele de seus pulsos até os ombros, e todo o seu peito que não foi coberta por tinta. Alguns dos desenhos eram

bem

definidos,

e outros eram

apenas

abstratos, linhas irregulares e símbolos pintados em sua pele. E então ele virou-se e ela viu o logotipo dos Grizzly MC a direita entre as omoplatas. Foi o mesmo logotipo que estava bordado em seu colete, e na verdade vê-lo em sua pele o fazia parecer

ainda

mais

perigoso.

Ainda

que

ele

estivesse

ajoelhado entre suas pernas, ela podia ver seu peitoral musculoso, as ondulações de seu abdômen, sua cintura estreita, e os oblíquos que apontavam ao sul para o pau duro e grosso entre suas pernas.


Ele se deitou na cama, e seu pau estava tão duro que balançou um pouco com o movimento. Uma gota de fluido escorreu pela ponta, e tudo o que ela podia pensar era em como ele fodeu ela com aquele pau duro, levou-a aos limites do prazer e da dor, e não terminou com ela ainda. Com as pernas ainda espalhadas ele se posicionou entre elas, pegou a base de seu membro, e apoiou sua outra mão perto da cabeça dela. —Você quer isso, amor? Você me quer? — Ele colocou a ponta do seu pau na entrada de sua boceta, mas acariciou-se da raiz à ponta antes de empurrar todo o cumprimento para dentro dela. Por um momento, nenhum deles falou nem respirou. —Me diga, Hope, porque eu nunca vou estar satisfeito de escutar que você quer o que só eu posso te dar. —Você sabe que eu quero você. Ele manteve o olhar fixo no dela quando ele lentamente empurrava para dentro. Ele colocou a outra mão ao lado de sua cabeça, e quando ele estava com a metade dentro dela, ele parou. Seus músculos internos se apertaram ao longo de cumprimento por conta própria, e Dallas fechou os olhos. —Se você fizer isso de novo eu não vou aguentar. — Ela não sabia como ele aguentou até aqui. Ela já gozou duas vezes, e embora tenha sido um milagre para ela gozar um tempo atrás, ela já estava ávida por mais. —Eu quero que você me possua, Dallas. — Ela não podia acreditar que aquelas palavras deixaram sua boca, mas elas tinham, e não havia como trazê-las de volta.


—Você é minha, Hope. — Essas palavras vieram dele como um tapa no rosto, mas ela se sentiu bem. Ele retirou todo o pau de dentro dela deixando só a cabeça, em seguida, em um movimento rápido voltou a enterrar o resto do seu pau dentro dela com tanta força que ela deslizou um pouco para cima na cama. Ela jogou a cabeça para trás, arqueou o pescoço, e abriu a boca em um grito silencioso, e não conseguiu conter o arrepio que passava por todo o seu corpo. Ele atingiu algo profundo e sensível dentro dela, e ela sentiu-se umedecer imediatamente. E então foi como se algo tivesse se libertado dentro de Dallas. Um rugido saiu de sua garganta e ele começou a meter dentro e fora dela com uma ferocidade que surpreendeu até mesmo nele. Seus seios sacudiram com a força e a parte inferior de seu abdômen cutucavam o clitóris dela em cada impulso. Sua excitação estava crescendo a um nível que ela sabia que não podia ser contido. Seu terceiro orgasmo se aproximava rapidamente, e logo antes dela explodir em ecstasy Dallas pegou seu queixo, apertou seu quadril com força, e ficou imóvel dentro dela. —Eu quero que você olhe para mim quando gozar, Hope. — Ele era exigente, dominante e tão possessivo que Hope não percebeu que ela estava de olhos fechados até este momento. Ela assentiu, sem nem mesmo saber se ele queria uma resposta, mas dando uma de qualquer forma. Ele sorriu, mas não era um sorriso macio, descontraído, mas era um sorriso possessivo. Hope nunca pensou que ela gostaria de ser dominada por um homem, mas agora, ali, estava ela e não se


sentia um capacho, se entregando de boa vontade dando seu corpo para ele e aceitando o prazer que ele dava em troca. E então ele realmente começou a transar com ela. Ele meteu dentro dela e puxou para fora tantas vezes, tão duro e rápido que sua cabeça girava. Seu coração disparou, e ela gozou mais forte do que nos últimos dois orgasmos. Hope gritou o nome dele sem se sentir envergonhada por estar arranhando seus braços como se estivesse tentando se aproximar dele. Os ruídos que ambos faziam combinados eram algo tão corajoso e primal que se alguém estivesse ouvindo não teria dúvida de que Dallas estava fodendo ela bem e completamente. —Olhe para mim. Ela não percebeu que ela fechou os olhos novamente até que ele rugiu essas três palavras. Obrigou-se a abri-los, apesar do prazer que se deslocava através dela como uma onda. A visão diante dela deveria tê-la assustado. Ao invés disso, ver rapidamente o urso em seu rosto foi o suficiente para ter vários minis orgasmos explodindo dentro dela. Ela engasgou, abriu a boca e fechou novamente tentando se concentrar quando luzes piscaram diante de seus olhos. —É isso aí. Veja o quanto eu quero você, Hope. — Ele meteu fundo alcançando esse ponto extremamente sensível dentro dela. —Você vê o quanto meu urso quer você? — Sua voz era tão profunda e gutural que ela sabia que agora ele era tanto animal como ele era um ser humano. Ele pegou ambos os seus seios nas mãos, apertou os mamilos com o polegar e


o indicador até que uma ponta de dor misturada com a excitação atingiu ela, e ele gemeu profundamente. —Eu não posso sequer conter o bastardo dentro de mim, porque ele quer você também, porra. — Ele fechou os olhos e gemeu tão alto que ela se surpreendeu de os quadros nas paredes não tremerem. Hope nunca viu algo tão primordial como a imagem de Dallas tentando conter seu animal. Ela sentiu o pau dele engrossar e depois sentiu os jatos fortes de seu gozo preenchendo-a. Quando seu orgasmo diminuiu e ele tirou seu pênis de dentro dela, sentiu um calor que crescia a um ponto que se sentiu corada e suada. Ele a preencheu de esperma até que escorreu de sua boceta até o vinco de sua bunda. Ele se posicionou em cima dela com as mãos sob a cabeça, e ela podia ver seus antebraços estremecendo com a força que ele estava usando para tentar se segurar. Se moveu deitando-se ao lado dela, e por alguns segundos tudo o que fez foi respirar freneticamente. Havia tanto de seu esperma nela que estava esparramado até em suas coxas. Ela se moveu e uma mancha molhada já estava se formando na cama. Dallas rolou para o lado e passou um braço possessivamente em volta da cintura, e puxou-a para junto de seu corpo. Ele imediatamente começou a beijar o pescoço dela e então passou a inspirar seu cheiro profundamente com o nariz logo abaixo da orelha. E assim seu pau começou a endurecer novamente. —Você é insaciável. — Os olhos dela estavam fechados, mas ela sorriu ao dizer aquelas palavras.


—Não se preocupe, eu sei que você está dolorida. Mas quando se trata de você eu sei que nunca vou me satisfazer. — Ele segurou seu queixo novamente e virou a cabeça para que ela estivesse de frente para ele. Dallas a beijou profundamente e lentamente até que ela estivesse sem ar. — Mas nós precisamos conversar, amor—, ele murmurou contra sua boca. —Sim, nós precisamos, mas não agora. — Ela não queria estragar este momento e a felicidade que estava sentindo para falar sobre as coisas que aconteceram em sua vida, e ela sabia que qualquer coisa que Dallas precisava dizer a ela provavelmente não era muito agradável. —OK? Ele passou a mão sobre a cabeça e sorriu, e Hope podia ver que era genuíno. —Ok. — Ele se inclinou e a beijou suavemente, e eles ficaram ali em um silêncio confortável por alguns minutos. — Eu tenho que ir para Denver amanhã, mas eu gostaria que ficássemos juntos depois disso, talvez ir ao lago para que possamos conversar, se estiver tudo bem para você? — Para um homem tão grande ele era muito gentil com ela. —Eu gostaria. — E então ela deitou seu rosto em seu peito, respirou profundamente até que o cheiro dele estava gravado em sua mente, e pela primeira vez em sua vida se deixou sentir o conforto e a aceitação de alguém, e sabia que realmente era real. E o quão triste era saber que eles só se conheceram dias antes? Ela não estava questionando o rumo


que sua vida estava tomando, mas a partir de agora ela daria um passo de cada vez.

Dallas Os Grizzly entraram em Denver há três horas. Já era tarde, mas eles precisavam das sombras da noite para ajudar a tornar esta viagem tranquila. Eles pegaram as vans e deixaram suas motos em Steel Corner. As Harleys eram muito

barulhentas,

despercebidos.

e

Embora

agora não

eles

precisavam

houvesse

nada

passar que

as

autoridades pudessem fazer se eles fossem parados, eles não fizeram nada de errado, já trouxeram mulheres suficientes, e um grupo de mulheres espancadas não iria passar muito desapercebido por alguém. Court dirigia a van que estava levando todos para o armazém

onde

as

mulheres

estavam

sendo

mantidas

temporariamente. Era um grande edifício industrial em uma parte decadente da cidade que antes crescia com a atividade. Agora ele só parecia estar abandonado no mundo. Eles estacionaram as três vans ao lado uma da outra. Dallas estava dirigindo uma delas e desligou o motor. Ele ouviu os outros dois seguirem em silêncio, e em seguida, todos foram saindo e indo em direção aos portões das docas de trás do armazém. Assim que eles se aproximaram dos portões um


dos homens de Lucien abriu e fez um gesto para que todos entrassem. O interior era tão sujo quanto o exterior, com ferrugem cobrindo tudo, vigas parecendo que cairiam a qualquer momento, o cheiro de mofo inundando o nariz. Jagger levou-os através do armazém acabado até que eles estavam em uma vasta sala que tinha vários colchões alinhados. Dallas parou, assim como o resto dos Grizzly, e olhou para as mulheres, que estavam sentados nos colchões ou amontoadas juntas. Era uma cena triste, mas o pior era o fato de que seus rostos estavam tão machucados e quebrados demais. Seu urso emergiu com a dor que essas mulheres sentiam, mas não podia permitir mostrar-se agora. Seja qual for a vingança exigida por Lucien e seus homens, eles participariam. Ele olhou para Diesel e o Brick que estavam ao lado dele, sentiu sua raiva e seu animal crescer. Sabia que cada membro do MC queria sangue em suas mãos para vingar o que foi feito. Mesmo que Dallas estivesse cheio de ódio e violência, quando ele esteve, aqui antes de conhecer Hope, agora que ela estava em sua vida isso ganhou um novo significado. Ele não podia deixar de imaginá-la entre aquelas mulheres.

As

lágrimas

delas

secaram,

mas

o

cheiro

persistente era forte o suficiente para sobrepor o cheiro de velho e decadente do edifício. Havia uma mulher entre as agredidas que parecia intocada. Ela dava a volta, aliviava e as consolava, até mesmo cobrindo as feridas. Houve uma mudança no ar ao lado dele, Dallas olhou para o lado para ver Stinger observando aquela


mulher ilesa. O que surpreendeu Dallas foi o fato do urso do Stinger não estar apenas irritado com a situação, mas também haver esse interesse imediato naquela mulher. O cheiro que encheu seu nariz era um aroma possessivo muito forte. —Agora não, cara—, Dallas disse entre dentes. Ele não sabia o que diabos estava acontecendo com urso do Stinger, mas o bastardo precisava controlar essa merda, porque agora não era o momento para isso. Stinger balançou a cabeça e, em seguida, olhou para Dallas. Antes que qualquer um pudesse dizer alguma coisa o som de passos vindos da direita fez todo mundo olhar nessa direção. Lucien e alguns de seus homens saíram de uma sala dos fundos. Seu rosto estava sombrio, sangue cobria a camisa de Lucien que uma vez fora branca, e os nós de seus dedos estavam vermelhos e inchados certamente de bater em algo. Ninguém precisava perguntar o que ele estava fazendo, porque, claramente, ali estava acontecendo uma pequena vingança. Ele parou na frente de Jagger, e os dois assentiram uma vez e, em seguida, se cumprimentaram com tapas nas costas. —Estas são as meninas. — Lucien estendeu o braço para

as mulheres,

e

todos

eles

olharam

para

frente

novamente. —Agora eu vou apenas mantê-las no puteiro. Lá tem quartos suficientes, então elas estarão seguras, e estarão fora do mapa. —Você olhou a propriedade que eu lhe falei?


Lucien assentiu com a cabeça, mas manteve sua atenção nas mulheres. —Sim, e obrigado por isso, cara. Um dos meus homens está trabalhando nos números e no layout da propriedade. Parece ser o lugar perfeito para instalá-las até que elas possam caminhar sobre os próprios pés. — Lucien se virou e olhou para cada uma delas antes de olhar para Jagger novamente. —Depois que elas se mudarem ainda poderemos usá-la para os negócios do clube, portanto, só ganhamos. — Ele apontou com o queixo para a sala dos fundos. —Vamos, eu não quero falar sobre essas coisas onde as mulheres possam ouvir. Eles seguiram Lucien e seus irmãos, e uma vez que estavam dentro da sala com a porta fechada atrás deles, o cheiro de sangue tornou-se insuportável. Haviam quatro caras todos amarrados a cadeiras no centro da sala. Seus rostos foram espancados a ponto de deformação, estavam inchados e tão ensanguentados que não havia nenhuma maneira deles ainda serem reconhecidos. Dois motociclistas dos The Brothers of Menace afastaram-se para o lado, as camisetas tão sangrentas e suas juntas tão inchadas quanto as de Lucien. —Estes são os filhos da puta que pensaram que era uma boa ideia bater em mulheres. Um dos caras murmurou algo, mas quando ele abriu a boca mais um pedaço de dente caiu no chão junto com uma grande quantidade de saliva e sangue.


—Nós estamos apenas começando com eles, e temos uma pequena aposta sobre qual vai desmaiar primeiro, e qual vai engasgar com seu próprio sangue. Os homens de Lucien riram sombriamente, mas isso não era a pior merda, que Dallas ou os Grizzly MC viram ou participaram. Ele estava preocupado com as mulheres e Dallas tinha certeza que fariam os culpados pagarem à vista. Lucien pegou um pano de um de seus homens e limpou suas mãos, mas ainda ficaram manchadas de vermelho. —Aquelas vinte garotas na sala, cresceram em lares de merda, conhecem a violência e a feiura do que alguns chamam de ‘amor’, e escolheram está profissão como uma maneira de terem o seu dinheiro, mas nenhuma mulher merece apanhar. — A raiva na voz de Lucien era tangível. —Alguns de seus homens lhe contou o que aconteceu com aquelas meninas? — Perguntou Diesel. Lucien assentiu. —Sim, Josh é o líder de um pequeno grupo aqui em Denver. Ajuda a manter a confusão dentro da ordem na sua área, mas ele tem uma prima que vive trabalhando como acompanhante. — Lucien se virou e caminhou até um dos caras amarrados à cadeira. Ele bateu com o punho na lateral da cabeça do cara com força suficiente para ele inclinar e tombar a cadeira para o lado. Os Brothers começaram a rir com o cara no chão ofegante e gemendo. O sangue em seu rosto formou uma trilha em sua têmpora, escorrendo e formando uma poça no canto de um de seus olhos. —Este


filho da puta aqui pensou que seria divertido deixar todas elas chapadas, fazerem uma fila com estas garotas e estuprando-as, em seguida, batendo o caralho fora delas. — Ele chutou o cara no estômago. Lucien deu um passo para trás apenas quando o cara começou a ter espasmos. Ele se debateu como um peixe fora d’água, mas ninguém se moveu, ao invés disso só o assistiam até que ele finalmente desmaiou. —Você só quer que levemos as meninas para o seu lugar seguro, certo? — Perguntou Jagger, mas seu foco estava no cara ainda no chão. Lucien já disse isso. —Sim. Eu poderia levá-las eu mesmo, mas eu confio em você e no seu bando. Quero ter certeza que estas mulheres estarão seguras. — Lucien olhou para os homens ainda sentados e irreconhecíveis. —Além disso, temos alguns negócios para tratar aqui. — Lucien estalou os dedos e olhou para seus homens. O resto dos Brothers of Menace deram um passo adiante, violência e fúria escritas em seus rostos. —Eu tenho alguns homens esperando sua chegada na casa. — Lucien se virou e olhou para Jagger, e então lentamente olhou para cada um dos Grizzly. —Obrigado por me ajudarem. Eu posso não conhecer estas mulheres, e posso ter feito alguma merda gigantesca nos meus tempos, mas esse tipo de abuso e dor—, Lucien sacudiu a cabeça e apertou os dentes, —Isso eu não fiz. Dallas não poderia concordar mais, e sentiu a afirmação de todos os Grizzly MC. Machucar uma mulher era uma das


coisas mais baixas, e qualquer coisa que tenha sido reservado a esses bastardos... bem, eles mereciam isso dez vezes mais. Dallas e os outros Grizzly MC deixaram a sala dos fundos com o som de punhos acertando algo. As mulheres estavam começando a reunir os poucos pertences que tinham, enquanto a mulher que estava ilesa ajudava as outras a chegar até eles. Seu longo cabelo ruivo estava empilhado

no

alto

da

cabeça,

e

seu

cansaço

estava

estampado em seu rosto. —Vocês estão aqui para ajudar a levar essas meninas para um lugar mais seguro? — Ela olhou para todos eles. Antes que alguém pudesse responder Stinger deu um passo à frente. —Sim. — Ele disse apenas uma palavra, e por ser um humano do sexo feminino ela pode não ter percebido o calor que emanou do Stinger, ou o fato de seu urso ter se interessado por ela subitamente, mas esses fatos não passaram desapercebidos por cada um dos outros Grizzly MC. Ela olhou para Stinger por um momento, franzindo a sobrancelha. Merda, de repente, ela talvez pudesse dizer que Stinger estava no limite? —Ok, bom. — Ela assentiu com a cabeça e virou-se de lado para encarar as mulheres que já reuniram suas coisas e estavam olhando para os MC com ansiedade e hesitação. Embora elas não precisassem temê-los, foi uma reação inteligente e eles entendiam que seus instintos estavam em


alerta. —Eu vou seguir vocês e ajudar as meninas a se estabelecerem quando chegarmos lá. Elas vão se sentir mais confortáveis com uma presença feminina por perto. Dallas concordava em todos os sentidos, e embora eles já soubessem do plano, ninguém disse algo diferente. —Nós precisamos ir. Quanto mais cedo chegarmos à casa dos Brothers, mais cedo elas poderão se instalar—, disse Jagger. A mulher virou e olhou para o seu presidente. —Concordo.

Deixe-me

apenas

verificar

se

todas

organizaram suas coisas e poderemos ir. — Ela virou-se para sair. —Como você conhece os Brothers of Menace? —, foi Diesel quem perguntou. Dallas viu seus ombros ficarem tensos, e então ela se virou e olhou para o VP deles. Ela era humana, mas ela tinha uma maldita centelha de força que emanou dela como um estalo de um chicote. Essa raiva bateu neles, e Court e Diesel gargalharam. Ela estreitou os olhos para eles e cruzou os braços sobre o peito. —Calem a porra da boca, Court e D.— Stinger rosnou as palavras. Stinger pode ser o idiota mais inteligente do bando, e tinha uma raiva que o enchia tão ferozmente como todos eles tinha, mas o tipo de raiva que emanava dele agora era do tipo possessivo. Stinger era o único que não encontrou uma mulher, além de Drevin, e Dallas, assim como o resto do MC, sentiram as emoções que vieram do outro motociclista agora.


O macho queria essa ruivinha, só a viu por cinco minutos, mas é evidente que o urso se interessou por ela. Ele queria foder ela, e tornou isso evidente deixando claro que ela era sua e de mais ninguém. Stinger ficou um pouco possessivo sobre a humana mais do que se ela fosse apenas um buraco gostoso para enfiar o pau. De qualquer forma, eles não tinham tempo para esta merda. Court e Diesel voltaram a si, a irritação por Stinger mandar neles veio como uma forte rajada de vento. —Ignore-os— disse Stinger para a ruiva. Ela olhou para Stinger, mas ainda havia aquela ponta de raiva emanando dela. Ela não disse nada por alguns segundos, mas depois a raiva desvaneceu-se lentamente e ela deixou cair os braços para os lados. —Escuta, como eu conheço os Brothers não é realmente relevante nesta situação. Me pediram para vir e ajudar estas mulheres e garantir que elas se instalem bem no novo local. Se isso não está dando certo para vocês, gente, sintam-se à vontade para falar com Lucien ou um dos outros Brothers sobre isso. —Falar conosco sobre o quê? — Malice, o Sargento de Armas dos Brothers of Menace, saiu da sala dos fundos, coberto de sangue e tinha um olhar irritado em seu rosto. Ele parou e olhou para os Grizzly, e depois olhou para a ruiva por vários segundos. Havia desejo claro no rosto do homem, e então ele se moveu em direção a ela, parando apenas quando alguns centímetros o separavam.


Ela deu alguns passos para trás e cruzou os braços sobre o peito. —Nada, Malice. Eu estava apenas dizendo a eles que eu estou pronta para ir, e eu sei que as meninas estão também. Dallas percebeu que havia claramente alguma história entre a ruiva e Malice pelo embaraço que os cercava. Ele segurou seu braço e a afastou de todos. Dallas viu Stinger dar um passo à frente, ele sentiu o urso do Stinger emergir. Dallas estendeu e colocou a mão no ombro do Stinger, impedindo-o de ir mais longe. —Que porra é essa, cara? — Dallas olhou para Stinger. Ele sabia tudo sobre ter uma conexão imediata com uma mulher, mas o que estava passando pela cabeça de Stinger agora era perigoso. Ele não precisava se meter com uma mulher que foi reivindicada por um outro homem, e embora estivesse claro que a ruiva não queria Malice, não havia como negar que ainda haviam alguns sentimentos muito possessivos provenientes do Sargento de Armas. — Vamos, vamos levar essas mulheres para fora daqui. Jagger acenou com a cabeça, e o resto dos Grizzly MC murmuraram o seu consentimento. A ruiva puxou seu braço do aperto de Malice, que disse algo que fizera o rosto dela ficar vermelho, e andou em direção a eles. —Sim, vamos tirá-las daqui. — Ela esfregou os olhos e suspirou. —Sou Molly, a propósito. — Ela baixou a mão e sorriu sem graça.


Dallas olhou para Malice, o motociclista passou a mão sobre seu cabelo escuro e curto, sobre a testa e esfregou a mão sobre sua mandíbula coberta de barba. Ele olhou irritado, e o cheiro de fortes emoções coçou o nariz de Dallas. Então Malice virou em seus calcanhares, à passos rápidos foi para a sala dos fundos e bateu a porta atrás de si. —Não se preocupe com ele. Ele se tornou um pé no saco nos últimos cinco anos. Dallas não percebeu que ele estava olhando para a porta fechada, onde os Brothers estavam até que ele ouviu a voz de Molly. Ele se virou para olhar para ela e percebeu que os outros Grizzly estavam observando o encontro entre ela e Malice, também. Ela sorriu, sacudiu a cabeça e foi em direção à saída. —Podemos dar o fora daqui agora? — Então ela se virou, se dirigiu às mulheres e começou a recolher as bolsas. O MC não esperou. Todos eles se moveram, pegaram as bolsas também, e se foram para as vans que estavam estacionadas ao lado de fora. Dallas continuava pensando em Hope todo o tempo, e em como ele queria estar com ela, abraçá-la, certificando-se que nunca nada a tocaria. Ele queria tirar esse olhar triste, distante e doloroso do rosto dela. Esta vida era difícil e fodida, e os Grizzly MC estavam no meio disso.


Hope

Hope agarrou-se firmemente na cintura de Dallas e descansou sua bochecha contra suas costas. Seu colete era de couro suave e macio, o cheiro envelhecido e de algo bem cuidado encheu seu nariz e fez com que fechasse seus olhos. Fazia cinco dias desde que eles realmente passaram uma quantidade substancial de tempo juntos. Com ela terminando de desempacotar suas coisas e indo ao escritório para se acostumar a tudo, ela esteve tão ocupada que não teve muito tempo para si mesma, muito menos Dallas. Mas agora era domingo, mais de uma semana desde que ela chegou a Steel Corner, e embora fizesse apenas oito dias desde que chegou e conheceu Dallas, parecia que foi uma vida inteira. Parker não ligou para ela, para seu alívio. Talvez ele finalmente viu que ela indo embora e tendo uma maravilhosa – embora pequena —posição em Steel Corner era a evidência de que ela finalmente amadureceu? Mas ela tinha sucesso por mérito próprios, mas sempre que alguém se erguia e fazia algo de suas vidas, isto causava inveja nos outros, que tendiam a querer destruir este sucesso. Hoje ela iria dizer a Dallas sobre


o seu passado, os problemas pessoais que enfrentou e claro o abuso verbal e mental, que ela se permitiu suportar nas mãos do homem que ela pensava amar. Elas eram partes feias e desagradáveis de sua vida, mas se ela quisesse ter algo significativo com Dallas —o que ela queria —então a honestidade era o único caminho a percorrer. Ela se sentou na parte de trás de sua Harley com o vento soprando através de seus cabelos, o sol batendo em suas costas, e a força e o poder que sentia de Dallas enchendo-a. Eles estavam dirigindo pelos últimos vinte minutos, estavam bem fora dos limites da cidade de Steel Corner, mas ela sabia que eles estavam indo para o lago que ficava entre River Run e Steel Corner. Ela leu sobre os pontos turísticos ao redor da cidade e sabia que era uma área isolada usada principalmente para a pesca e de fácil navegação. Aquele não era lugar para universitários irem curtir seus jet-skis, ou os pais trazerem seus filhos para um dia barulhento e desagradável de jogos na pequena praia costeira.

Era

tranquilo,

e

o

lugar

perfeito

para

eles

conversarem, como ela sabia que Dallas planejou. Ele dirigiu sua moto pela estrada de cascalho por mais cinco minutos e finalmente estacionou e desligou o motor. Ele desceu da Harley primeiro e colocou suas mãos em volta da cintura dela e puxou-a para fora da moto antes que ela pudesse se mover. O som do vento assobiando através das árvores e da água batendo contra a costa dava uma sensação hipnótica a paisagem. Ele abriu um de seus alforjes e tirou um cobertor, e depois deu a volta em sua moto e pegou a


bolsa térmica que ela trouxe com um almoço embalado para eles. Talvez essa conversa não fosse uma situação de um piquenique pitoresco, mas eles tinham que comer. Além disso, isso iria distraí-la e dar-lhe algo a fazer quando realmente chegasse a hora de contar tudo para ele. Ele segurou a bolsa térmica e cobertor em uma mão e estendeu a outra para entrelaçar os dedos juntos. Foi um ato tão simples, e que pode não significar muito para qualquer outra pessoa, mas ver este grande motociclista vestido de couro e jeans sendo gentil com ela foi o suficiente para fazê-la derreter por dentro. Ele levou-os através deste pequeno caminho até que as árvores se abriram e a visão do lago estava à vista. Era um dia gelado, mas o sol estava resplandecente e brilhando na água como mil pequenos cristais. Dallas encontrou um local para eles sentarem-se e colocou o cobertor no chão, e depois fez um gesto para ela sentar-se. Eles sentaram-se lado a lado, sem dizer nada, e ambos focaram na água. A tensão era evidente no ar ao redor deles, e seu apetite era inexistente. Ao longo dos últimos dias, e embora não tenham se visto muito, era como se houvesse algo errado com Dallas. Ele estava mais reservado, olhava para ela como se ela pudesse levantar e sair, e estava sempre a tocando. Não havia dúvidas de que ela gostava, e muito, mas ela também queria saber o que aconteceu com ele. Como agora que ainda tinha sua mão sobre a dela, mas seu foco estava no lago. — Há algo em sua mente? Algo que não é o que nós viemos aqui para falar?


Levou um segundo, mas ele finalmente virou e olhou para ela. Ele levantou a outra mão e acariciou sua bochecha. — Eu tenho um monte de coisas na minha cabeça, mas nenhuma que faria esta situação mais leve. Hope pensou que talvez tivesse a ver com o —negócio clube— que ele fez no início da semana. Ele não disse a ela o que ele estaria fazendo, e ela não perguntou por que não queria saber, mas quando ela o viu depois disso ele parecia diferente. O que ele viu ou fez que pudesse abalar um homem do seu tamanho e poder? Ele começou a esfregar o dedo ao longo de sua bochecha, e ela levantou a mão e colocou-a sobre a dele. — O que há de errado? — Quão estranho é ser capaz de sentir as emoções de alguém tão fortemente como se fossem suas próprias. — Minha vida. Ela franziu a sobrancelha, sem muita certeza do que ele quis dizer. — Sua vida está errada? Ele assentiu, mas examinou o rosto dela com seu olhar verde. — A minha vida e como eu vivo é o que está errado. Essas palavras detinham um significado muito maior do que o sentido literal. — A vida de todos tem partes que estão erradas, Dallas.


Ele a soltou e enfrentou o lago mais uma vez. Parecia que faziam anos que eles estavam sentados lá em silêncio, mas ela sabia que tudo o que ele iria dizer não precisava ser dito precipitadamente, assim como o que ela tinha a dizerlhe. — As coisas que eu tenho visto e feito, por vezes, me mantém acordado à noite. — Ele não a encarara, e ela não responde, porque sabia que ele não terminou. — Mas, de todas as coisas vis que eu fiz nos meus quarenta e um anos neste planeta, é o fato de que eu fui um pai de merda para o meu filho e é isso que faz com que seja difícil de aceitar está vida. — Ele olhou para ela então, e a dor crua em seu rosto era como um ferro em brasa no peito dela. Nos próximos dez minutos ela o escutou falar sobre a mulher com quem ele se casou e o filho que eles tiveram juntos. Ela descobriu que, depois de terem obtido um divórcio, quando Maddix ainda era jovem, Dallas viajou sem parar, entregue as drogas, bebidas e sexo aleatório com mulheres dispostas a dar para qualquer um. Ele não lhe poupou os detalhes da vida escandalosa, perigosa e violenta que ele levou, ou pelo menos ela não pensava assim, dada as coisas que ele descreveu. Hope não sabia muito sobre os clubes de motociclistas, ou shifters, verdade seja dita, exceto o que leu e viu na TV, mas o que ela realmente sabia era que não era uma vida bonitinha onde tudo acontecia do jeito que era suposto ser. Mas para o que Dallas continuava voltando, derramando seu coração e deixando sua dor escapar, era o fato dele dizer que


foi um péssimo pai. Ela não conhecia sua vida, não sabia quão verdadeiras aquelas palavras eram, mas o que ela sabia era que ele sentia tanta culpa que não havia um osso em seu corpo que não acreditava que ele não amou seu filho mais do que qualquer outra coisa. Sua dor o consumiu até que ele estivesse morrendo lentamente de dentro para fora. Hope não sabia o que dizer para fazê-lo se sentir melhor sobre isso, mas o que ela sabia era que as pessoas tendem a ser mais duras consigo mesmas do que qualquer outra pessoa teria sido. Ela não suavizaria nada porque ele sentia o que ele sentia, e era real. — Então, agora você conhece a fodida e inútil pessoa que eu sou. — Ele riu, mas foi sem humor. Hope deixou essas palavras pairarem entre eles, deixou o que ele disse ser assimilado. Ele era um homem áspero que era do tipo forte e silencioso. Mas o que ela sabia era que ele também era uma pessoa muito apaixonada em tudo o que ele fazia, e suas emoções eram tão poderosas quanto o resto dele. Sem pensar e apenas reagir, como ele disse a ela que fizesse em todas as ocasiões, ela montou em sua cintura. Sexo era a última coisa em sua mente, mas o que ela queria que Dallas percebesse era que ela estava bem aqui, que ele não

estava

sozinho,

e

que

ela

sentia

sua

dor

tão

profundamente como se fosse dela. — Não há nada que eu possa dizer que faria você se sentir menos culpado. E não há nada que eu possa fazer que fizesse você se sentir melhor sobre si mesmo ou sobre o que aconteceu.


Ela segurou cada lado de seu rosto entre as mãos e olhou em seus olhos. A barba curta que cobria seu rosto e mandíbula era áspera contra as palmas de suas mãos. As características

extremamente

bonitas

e

a

profunda

compaixão que ele mantinha no interior a atordoava. Seu cabelo loiro cai livremente em torno de seu rosto, e o traço forte de suas sobrancelhas sobre seus olhos verde-claro eram tão masculinos quanto bonitos. Ele tem um daqueles narizes fortes, lábios carnudos e um queixo quadrado. Por fora, ele era a personificação do que ela pensava que um homem deveria parecer: poderosamente construído, não bonito no sentido clássico, mas perigoso e protetor. Mas ela podia ver o verdadeiro Michael Stoker, aquele que estava morrendo lentamente por dentro, porque ele não podia se ver e deixar o passado para trás e perceber que nenhuma quantidade de culpa poderia fazer o passado ser diferente. Ouvindo tudo isso dele a fez perceber que ela não estava sozinha em seus problemas, e só bastava uma pessoa para entender o que o outro estava passando. Eles poderiam passar por isso. Eles só precisavam estar lá um para o outro. — Desde que eu te vi de pé lá no lado da estrada, sem se importar que a chuva estivesse ensopando você, eu sabia que havia muito mais em você, Dallas. — Ela moveu a mão até seu peito e pressionou a palma da mão sobre o seu coração. — Eu sabia que havia alguma coisa aqui, Dallas, algo que me fez perceber que você tinha muito a oferecer, mesmo que você não visse isso em si mesmo.


Ele balançou a cabeça e fechou os olhos quando ela correu seu polegar ao longo de seu lábio inferior. — Eu não sou bom o suficiente para você. Ela queria meter algum juízo na cabeça dele. — Olhe para mim. — Hope nunca foi o tipo de pessoa que assumia o controle, mas por algum motivo ela se sentia muito mais forte com Dallas. — Minha vida inteira eu sempre pensei que era inútil, feia, e nunca boa o suficientemente para ninguém. Ele soltou um rosnado baixo, e passou os braços fortemente em volta da cintura dela. — Baby, você sabe que é uma porra de uma mentira... Ela colocou um dedo sobre sua boca para impedi-lo de dizer mais, e ela sorriu quando ele a encarou. Ela cobriu seu rosto

novamente

e

se

inclinou

para

beijar

sua

boca

levemente. — Eu tive um distúrbio alimentar durante anos, passei fome, em seguida, vomitava a comida que eu comia porque eu sentia essa culpa horrível. — Ela se inclinou para trás e viu a preocupação em seu rosto. — Eu me envolvi com um cara que me mostrou a atenção que ninguém mais o faria, e eu deixei-me acreditar que as coisas que ele me dizia eram porque ele me amava. — Ela o sentiu tenso debaixo de seu corpo e sabia o que ele estava prestes a dizer. — Não, Dallas, não diga nada, apenas ouça, por favor.


Ele apertou a mandíbula, mas além disso, permaneceu em silêncio. — Para encurtar a história, eu percebi que beleza exterior era subjetiva, e mesmo que eu nunca achasse que eu fosse particularmente deslumbrante, eu precisava me amar. Eu me livrei do cara que me prendia, consegui um emprego com o diploma que eu trabalhei para caramba para adquirir, mudei-me para Steel Corner, e encontrei este homem extremamente mandão e mal-humorado, mas totalmente verdadeiro. — Ela não o esperou responder. — Eu nunca acreditei em mim mesma, mesmo depois que eu comecei a manter a comida e tentava não olhar para espelho com desgosto. Mesmo que cada dia seja uma luta, e quando eu olho, eu ainda sinto todos os meus defeitos e minhas inseguranças surgirem, eu sigo em frente. Coloco um pé na frente do outro e viver um dia de cada vez é a única coisa que posso fazer. — Eles olharam um para o outro por um longo tempo, sem dizer nada, e suas palavras pairam entre eles. — Levei muito tempo para perceber que eu não estava arruinada, mas que eu só precisava de algum tempo para descobrir minhas prioridades. — Ela se inclinou e beijou-o de novo, e pela primeira vez em sua vida ela percebeu a alegria de estar lá para alguém. Seus pais sempre a apoiaram, mas eles não souberam o quão profunda sua depressão e transtorno alimentar eram até que ela chegou ao fundo do posso. — Eu vou dizer de novo, e de novo, e de novo, porque sempre será verdade. — Ele se inclinou e desta vez foi o único


a beijá-la. — Eu não sou bom o suficiente para você, mas eu juro que vou passar o resto da minha vida mostrando-lhe que você é uma bênção para mim. — Ele tomou sua boca de novo, não suavemente, mas cheia de posse e necessidade, e combinando com a dela. Eles podem ter os seus próprios problemas,

e

eles

podem

nunca

ser

completamente

resolvidos, mas juntos eles criavam um círculo perfeito. O beijo se tornou frenético à medida que pressionaram suas línguas juntas, movendo-as de uma forma sexual, e repetiram a ação até que seu pulso estava acelerado e sua boceta estava molhada. Tudo o que precisava para deixá-la tão excitada que ela não conseguia nem pensar direito era um beijo de Dallas. Mesmo através de seu jeans e do dele, ela podia sentir quão duro que ele estava. Era como uma barra de ferro pressionado contra sua vagina, deixando-a ainda mais molhada e seu clitóris inchado de desejo. Mas aquele beijo e o aperto de seus dedos em seus quadris começaram a assumir um ritmo mais rápido e exigente. Antes que ela soubesse o que estava acontecendo, ele levantou sua camiseta e passou-a por sua cabeça, puxou seu sutiã para baixo

o

suficiente

para

que

seus

seios

derramassem

livremente, e desabotoou sua calça jeans. Ela estava tão necessitada quanto ele e empurrou seu colete, trabalhando para retirar a sua camisa também. Por um segundo, tudo o que ela fez foi olhar para seu peito e passar as mãos sobre a pele lisa, tatuada, e sem pelos. Um jorro fresco de umidade a deixou quando ele segurou seus seios, apertou os montes


ritmicamente,

e se inclinou para

chupar

seu mamilo

esquerdo. Durante

muito

tempo,

inebriantes

segundos

ele

gentilmente mordeu o cume túrgido, e depois alternou para o outro lado. O sangue subiu à superfície enquanto ele atormentava e brincava com ela, e logo ela estava segurando os curtos fios de seu cabelo e gemendo por mais. O som de um barco podia ser ouvido a distância, mas Hope não se importava que eles estivessem em campo aberto. Tudo o que ela queria era Dallas, aqui e agora, para eles deixarem tudo para trás e se concentrarem apenas um no outro. — Eu estou malditamente duro por você, baby. — Ele murmurou contra seus seios, mas não parou de chupá-los. Hope deixou sua cabeça cair para trás e fechou os olhos. Era tão bom ter sua boca morna e molhada em seu corpo. Parecia ainda mais incrível sentir sua dureza pressionada contra sua carne sensível. Tudo o que Hope podia pensar era que Dallas rasgasse suas calças, jogasse-a no chão e deslizasse este comprimento duro e grosso dentro dela. Mas eles eram tão perfeitamente sintonizados um com o outro que ela não precisava dizer nada. Em um movimento rápido, ele estava com ela nos braços, virou-se e deitou-a com o seu enorme corpo sobre o dela. Ele puxou a calça jeans com mãos experientes até que elas estivessem fora dela e jogou-as de lado em segundos. Ele colocou as mãos em suas coxas e abriu-as, e olhou para sua boceta que só estava coberta de uma fina camada de material


encharcado. Tudo o que podia fazer era ficar lá e deixá-lo olhar para boceta com satisfação. E ela gostava da maneira como ele a observava, com os olhos famintos que a deixava tão desesperada por seu toque que ela segurou seus ombros largos e puxou-o sobre ela. Eles se beijaram novamente e ela levantou os quadris, procurando sua dureza que ainda estava confinada atrás de seus jeans. Suas mãos estavam por toda parte sobre ela, tocando sua boceta, puxando a calcinha de lado e esfregando suas dobras nuas e lisas até que ela estava murmurando incoerentemente. Ela vagamente ouviu o som de seu zíper sendo abaixado, dele deslocando-se sobre ela, e então sentiu o comprimento quente de seu pau contra a parte interna de sua coxa. O escorregadio pré sêmen na ponta do seu eixo movia-se por sua carne aquecida como se estivesse queimando-a apenas da melhor maneira. Eles continuaram se beijando, apertando seus lábios um contra o outro, e então Dallas estava rasgando sua calcinha. Ela não se incomodou em dizer-lhe que o passeio de volta poderia ser um pouco desconfortável com a fricção do jeans em sua boceta, que certamente estará sensível, porque agora ela queria que ele a fodesse tão bem e duro, que mesmo andar a lembrasse de sua paixão. Com sua calcinha fora do caminho e seu pau separando as dobras de sua vagina, ela pensou que ele iria mergulhar profundamente, reclamá-la como ele fez antes, e fazê-la esquecer de tudo, exceto o que estava acontecendo agora, mas o que ele fez em seguida surpreendeu-a para cacete. Ele a virou em sua barriga, os joelhos sustentando seu corpo


acima do chão e as mãos dele sobre os montes de sua bunda antes que ela pudesse sequer piscar. Constrangimento deveria ter sido vital na posição em que ela estava, mas tudo o que sentia era o hálito quente de Dallas aproximando-se. O calor do corpo e as ásperas baforadas de ar que vinha dele banhava sua bunda e boceta e a fez fechar os olhos enquanto as deliciosas sensações passavam por ela. — Você não tem ideia das coisas que eu quero fazer com você. — Diga-me, Dallas. — Ela enrolou os dedos no cobertor atrás dela, mas ele não respondeu imediatamente, e bem quando ela iria olhar para ele uma dor pungente se espalhou em suas nádegas. Hope abiu os olhos ao mesmo tempo em que Dallas batia na outra nádega. Ele fez isso várias vezes, alternando entre os montes de sua bunda até que o sangue subisse à superfície e sua pele aquecesse. Ela nunca pensou que ser espancada poderia ser tão erótico e excitante. Logo sua carne ficou dormente, e os gemidos vinham dela por conta própria. — Eu quero foder este bunda muito em breve, baby. — Ele parou de espancá-la e espalhou sua bunda tão aberta quanto possível até o ar tocar seu ânus. — Eu quero lamber e chupar esse buraco apertado para caralho. — Ele estava tão perto da área que ele estava falando, mas não faz nada, apenas sussurrou essas palavras eróticas. O sentiu colocar o dedo na entrada de sua vagina, esfregá-lo ao redor do buraco e reunir sua umidade, e depois


levá-la para cobrir seu ânus. Ela separou os lábios e fechou os olhos novamente enquanto corria o polegar ao longo de seu buraco, movendo sua umidade em torno do esfíncter 1 apertado, e, em seguida, começou a empurrá-lo dentro dela. Ele não era violento, e não a fodeu com seu polegar também. Ele apenas provou suavemente seu buraco, sondou-o um pouco, e deixou-a prestes a gritar para que fosse mais duro. Isso era algo que ela nunca experimentou antes, e certamente era algo que ela jamais teria permitido Parker fazer com ela, se ele sequer tivesse tentado. Mas ele não foi mais longe do que isso, e bem na hora em que ela estava preste a gozar e seu corpo pronto para explodir de prazer, ele se afastou, para sua decepção. — Está na hora, baby. Eu vou tomar cada parte do seu corpo no seu devido tempo, mas agora eu preciso do meu pênis profundamente dentro de sua doce e apertada boceta. — Dallas moveu-se tão rapidamente que antes que ela soubesse o que estava acontecendo, ele estava de costas e puxou-a para cima dele. Ela montou sua cintura e olhou para ele, viu a tensão de seus músculos logo abaixo de sua pele tatuada, e pressionou

sua

pélvis

contra

ele.

Hope

se

esfregou

descaradamente contra ele, e espalhou sua umidade por seu ventre e seu pênis. — É isso aí, baby, mexa essa boceta molhada em cima de mim. — Ele segurou seus quadris, e ela sentiu a ferroada 1 Esfíncter

é uma estrutura, geralmente um músculo de fibras circulares concêntricas dispostas em forma de anel, que controla o grau de amplitude de um determinado orifício.


de suas garras de seu animal, querendo sair, picar sua pele. Mas esse leve desconforto e dor só fez intensificar sua excitação. — Tome meu pau, Hope, e coloque-o em sua boceta quente. Ela ofegou e levantou-se de joelhos, tomou a raiz do seu pau em sua mão, e apertou até que ele sibilou e enrolou os dedos ainda mais forte em sua carne. Ela estava muito molhada, sua excitação escorreu dela e deslizou pela parte interna de sua coxa, e ela podia ver que Dallas estava assistindo a trilha com acalorada aprovação. —

Faça-o,

bebê,

deslize

o

meu

grande

pau

profundamente dentro de você. — Seu peito subia e descia com força. — Não me torture. Eu estou mal aguentando do jeito que está. Mais uma vez, a picada de suas unhas em sua carne fez com que a transpiração cobrisse sua pele. Ela colocou a cabeça de sua ereção em sua entrada e estabeleceu-a para empurrar. Havia aquele sempre presente estiramento e sensação de ardor quando a grossura da cabeça de seu pau separava sua abertura. Antes mesmo dela estar com a metade de seu pênis dentro dela, ele levantou seus quadris, empurrando o resto de seu pênis dentro. Ela gritou de prazer e da doce sensação de agonia. — Sim, querida. Cristo, Hope, você está muito apertada e molhada. — Sua voz era esse som profundo e rouco, como uma faca afiada em movimento ao longo de seu corpo.


E então ela tomou o controle dos movimentos. Ela colocou as mãos em seus peitorais firmes, em seguida, levantou os quadris e pressionou até o fundo sobre ele. Ele gemeu, e ela engasgou. Hope repetiu a ação até que seus seios sacudiam com força pelo movimento de cima e para baixo em seu pênis. Ela sentiu sua boceta ficar flexível e, incrivelmente, mais úmida enquanto ela o fodia. Seu orgasmo foi uma onda constante dentro dela que se elevou a alturas violentas, pronto para levar tudo e qualquer coisa em seu caminho. Era como se outra entidade a possuísse enquanto ela se movia para cima e para baixo em cima de Dallas. Ela cravou as unhas em seu peito, sugou golfada depois de golfada de ar, e então, finalmente, todo aquele prazer se liberou e escuridão invadiu sua visão. — É isso, Hope. Goze forte, baby. Use-me — Dallas rugiu. Ela sentiu seu pênis inchar dentro dela, sentiu o primeiro jato poderoso da sua libertação enchê-la, aquecê-la e provocou outra rodada de tremores passando através de suas veias. — É tão bom. — As palavras saíram por conta própria, e Dallas não respondeu verbalmente, apenas resmungou e continuou a enchê-la com o seu sêmen. Ele se levantou enquanto ela ainda estava se movendo em cima dele e a mudança de posição fez com que seu clitóris moesse contra a raiz do seu pau. Os sons que vieram dele eram tão profundos e quase obscuros, como se estivesse liberando muito mais do que apenas o seu prazer. Quando o êxtase se desvaneceu, o


que restou foi Dallas segurando-a, seus corpos escorregadios de suor e suas respirações igualmente pesadas. Eles não se moveram de sua posição até que uma brisa fresca os apanhou e o som das folhas secas no chão sussurrava ao lado deles. — Eu nunca vou deixar você ir, Hope. — Dallas disse essas palavras como se estivesse falando sozinho. Ela se afastou para que pudesse olhar para o seu rosto e sorriu. — Eu pensei que já tivéssemos feito desta a nossa realidade. — Ela não formulou isso como uma pergunta. — Eu sou sua, tanto quanto você é meu, Michael 'Dallas' Stoker. — E então ela se inclinou e beijou-o. Esse foi um momento em que seus lábios estavam fundidos e que tudo no mundo era apenas totalmente perfeito.


Hope

Duas semanas depois...

Hope terminou de analisar algumas provas de artigos que seriam publicados na Steel Corner Gazette. Faziam algumas semanas que estava no cargo, e embora ela ainda estivesse em treinamento pelas próximas semanas, sentia-se confortável em sua posição, e feliz que decidiu fazer esta mudança. Ela falou com Parker, mais uma vez, mas foi para dizer-lhe que ela estava realmente feliz em Steel Corner, e estava recomeçando a sua vida. Tê-lo ainda em sua vida depois de todas as coisas que eles passaram —que ela passou —não era produtivo. Ela estava deixando todas as coisas negativas para trás, concentrando-se nas coisas boas que ela tinha agora, e Parker ainda se comunicar com ela só estava mantendo-a no passado. Ele não estava feliz, mas não importava com quais problemas ele estava lidando, o fato dele pensar que pudesse de alguma forma recuperá-la após a merda que ele a fez passar, era hilariante. Ele teria que chegar a um acordo com a sua própria vida e o que ele queria, por conta própria. Ela estava cansada de tudo isso.


Desde que estava com Dallas, ela amadureceu como uma mulher forte. Ela ainda teria dificuldades, ainda teria que lutar todos os dias para manter seus pensamentos positivos e sua autoestima alta, mas ela se sentia confortável e satisfeita na presença de Dallas. Eles podiam ser duas almas quebradas —ainda lutando com isso diariamente —mas juntos eles descobriram aquele pedaço que faltava dentro um do outro. Uma parte dela sabia que haviam algumas pessoas neste mundo que nasceram um para o outro, e era isso o que sentia estando com Dallas. Eles certamente teriam desafios e atribulações ao longo do caminho, mas era como se tudo de algum modo parecesse mais perfeito quando ela estava com ele. Ela sabia em seu coração que ela era a única para ele, também. Talvez ela tenha levado muito tempo para perceber que poderia canalizar sua própria força se ela afastasse toda a sua bagagem. Ela sorriu para os seus pensamentos e as sensações de euforia que a encheu com o pensamento de que ela estava genuinamente feliz. O som de uma motocicleta descendo a estrada a fez olhar para a esquerda e ver Dallas vindo em sua direção. Ele estacionou a Harley atrás do Jeep dela, e ela não perdeu tempo em ir em direção a ele. Ela era a única a envolver os braços ao redor de seu peito musculoso e descansar a cabeça bem em cima de seu coração. Era bom estar perto dele, e ainda melhor quando ele passou os braços em volta dela e segurou-a firmemente, como se ele não quisesse deixá-la ir.


— Você está bem, baby? — Sua voz era profunda e cheia de preocupação. Ela sentia muito bem, mais do que bem realmente. — Eu estou. — Ela inclinou a cabeça para trás e sorriu para ele. — Estou muito feliz em te ver. Ele colocou as mãos em seu rosto, e ela podia sentir o carinho emanar dele. — Eu já te disse o quão grato eu estou por você estar em minha vida? Ela sorriu e colocou a mão sobre a dele. — Sim, mas uma menina nunca ficará cansada de ouvir isso. Ele não sorriu de volta, e ao invés disso se inclinou e colocou seus lábios levemente nos dela. — É verdade, cada palavra maldita disso, e eu nunca sentirei nada além disso. — Ele a beijou de novo e de novo, até Hope se sentir bêbada disso. — E o fato de que você irá comigo para ver Maddix significa mais para mim do que você jamais saberá. — Ele se afastou, mas imediatamente pegou sua mão e levou-a para a Harley. Uma vez que ela montou na motocicleta e colocou o capacete, eles apenas ficaram sentados lá por alguns segundos. Ela tinha os braços confortavelmente em torno de sua cintura, e ele tinha uma mão sobre as dela que estavam enroladas em punhos contra seu abdômen duro. Isto deveria estar mexendo emocionalmente com ele, mas ela estaria lá


para apoiá-lo, assim como ele apoiou-a a cada passo do caminho. Ela sabia que Dallas estava pensando sobre ir para ver as sepulturas de seu filho e sua ex-esposa, e embora tivesse dito a ela que esteve lá uma vez que eles morreram, o fato de que ele queria que ela fosse com ele, para lhe dar força e apoio, significava mais do que ela jamais poderia transmitir em palavras. Ela descansou sua bochecha em suas costas, fechou os olhos e inalou o aroma de seu colete de couro. — Eu estou aqui com você e para você, e nós vamos passar por isso, Dallas. — Ela o sentiu apertar a mão sobre as dela, e eles ficaram assim por alguns segundos. Finalmente, ele a soltou, agarrou um dos guidões, e ligou o motor com a outra mão. — Eu sei querida, e eu te amo por isso. Suas

palavras

fizeram

seu

coração

disparar.

O

relacionamento deles era breve e novo, mas forte e profundo. Ela

se apaixonou intensamente

por

este grande urso

motociclista, e não importava onde eles estavam indo, ela queria estar lá para ele e com ele. A partir deste momento eles estavam juntos nisso, e ela estava ansiosa para experimentar um passeio. Ele entrou na rua, e eles dirigiram por um longo tempo. O cemitério em que eles foram enterrados estava a duas cidades de distância e algumas horas. A viagem foi longa, mas a sensação de estar na parte traseira de sua moto, do vento em seu rosto, o sol em sua pele, e apenas saber que


tudo o que a mantinha firme era o fato de estar segurando esse grande homem, era muito libertador. Finalmente, eles estavam entrando no pequeno e tranquilo cemitério, com os grandes

pinheiros

verdes

e

azuis.

Era

sombrio.

Ele

estacionou e desligou o motor, e o silêncio se estendeu diante deles. Ela podia ouvir um pássaro gorjeando a distância, viu as folhas das árvores balançam enquanto o vento passava por elas, e sentiu uma sensação de paz enchê-la. Era estranho ter esse tipo de sensação passar por ela em um lugar tão triste. Dallas desceu e ajudou-a, e então ele agarrou a mão dela, segurou-a em um punho de ferro, e começou a se mover em direção as sepulturas. Quando ele parou, foi em frente de duas lápides estabelecidas embaixo de um enorme pinheiro. O cheiro de floresta e natureza preencheu seu nariz, e enquanto examinava as lápides, viu as datas e sabia como eles morreram, as lágrimas reuniram-se em seus olhos. Mas Dallas ainda era como uma pedra ao lado dela, e quando ela olhou para ele, foi para ver esta expressão muito dolorosa em seu rosto. Hope não se moveu, não falou ou tentou confortálo, porque sabia que ele precisava desse tempo para processar isso. Ele pode até ter vindo aqui antes, mas nenhuma quantidade de tempo faria com que ver algo assim fosse mais fácil. — Você precisa de um momento? — Ela perguntou em uma voz muito calma. Ele não respondeu, mas apenas balançou a cabeça e segurou a mão dela ainda mais apertado. Ficaram ali por


alguns instantes, e embora este fosse um momento muito deprimente, ela estava feliz por poder estar aqui para apoiálo. — Maddix teria amado você. Ela olhou para ele, mas ele já estava olhando para ela. — Eu tenho certeza que eu o teria amado também. — Falar sobre uma criança no tempo passado era de partir o coração, e o sorriso triste fez com que as lágrimas, que ela tentou manter afastada, caísse rapidamente e com força. — Ei, agora. — Dallas virou-se e colocou as mãos em seus ombros, alisando os dedos pela pele exposta de seu pescoço. — Nada de lágrimas. — Ele se inclinou e beijou as lágrimas. — Eu deveria ser a única confortando você, — ela disse suavemente e viu como ele balançou a cabeça e sorriu. — Você já está apenas por estar aqui, Hope. — Ele se virou para enfrentar as sepulturas, e envolveu o braço em torno de seus ombros. Ela inclinou-se contra ele, e eles só ficaram lá, sem dizer nada, apenas dando forças um ao outro. A vida era uma coisa difícil de lidar, e a tragédia tornava ainda mais dolorosa, mas ele a tinha, e ela iria mostrar-lhe todos os dias que a felicidade ainda pode ser encontrada no mais escuro dos dias.

Fim.


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THE GRIZZLY MC the outlaw stakes HIS CLAIM #5 JENIKA SNOW  

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