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A Queda, a Depravação Total do Homem em seu Estado Natural e a sua Total Incapacidade de vir a Cristo para ter Vida


Sumário Prefácio Comemorativo............................................................................................ 3

PARTE I – O Homem, Seu Pecado, Sua Queda, Sua Depravação e Sua Miséria: Introdução à Doutrina da Depravação Humana, por A. W. Pink........................................... 8 As Evidências da Depravação Humana, por A. W. Pink ......................................................15

Não É Razoável Que Pessoas Não-Convertidas Se Alegrem, por R. M. M’Cheyne ..................30 Pecado Imensurável, por C. H. Spurgeon ........................................................................38 As Ramificações Da Depravação Humana, por A. W. Pink ..................................................49 A Terrível Condição Dos Homens Naturais, por R. M. M’Cheyne..........................................69

A Pecaminosidade Do Homem Em Seu Estado Natural, por Thomas Boston .........................74 Um Verdadeiro Mapa Do Estado Miserável Do Homem Por Natureza, por Christopher Love ...96 Homens Em Seu Estado Caído, John Newton ................................................................. 102 As Consequências Da Depravação Humana, por A. W. Pink ............................................. 110 A Santidade De Deus E A Depravação Total Do Homem, Paul Washer .............................. 131 A Porção Dos Ímpios, por Jonathan Edwards ................................................................. 143 O Remédio De Deus Para A Depravação Humana, por A. W. Pink..................................... 171 A Necessidade Da Morte De Cristo, por Stephen Charnock .............................................. 193 Inimigos Reconciliados Pela Morte, por R. M. M’Cheyne .................................................. 197

A Gloriosa Bem-Aventurança Proposta No Evangelho, por A. W. Pink................................ 204

PARTE II – Deus, Sua Graça, Seu Amor, Seu Evangelho e Sua Eterna Salvação: Uma Breve Exortação Evangélica, por paul Washer ........................................................ 212

Uma Palavra Sincera Aos Não-Convertidos, por Richard Baxter ........................................ 214 Perdão Para Os Maiores Pecadores, por Jonathan Edwards ............................................. 227 JESUS!, por C. H. Spurgeon ......................................................................................... 236 Ele Me Amou, E Se Entregou Por Mim, por John Piper..................................................... 250 Graça Para O Culpado, por C. H. Spurgeon .................................................................... 253 Semper Idem ou A Imutável Misericórdia de Jesus Cristo, por Thomas Adams ................... 262 A Livre Graça, por C. H. Spurgeon ................................................................................ 274 O Som Alegre Do Evangelho Da Graça De Deus, por Augustus Toplady ............................ 288 Graça Abundante, por C. H. Spurgeon .......................................................................... 310 A Plenitude Do Mediador, por John Gill ......................................................................... 324 Referências Dos Textos Deste Volume: ......................................................................... 338

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Prefácio Louvamos a Deus muitíssimo por mais esta publicação que já é a ducentésima que Ele nos concede. Calvino costumava finalizar seus sermões com palavras semelhantes a estas: “Agora, prostremo-nos em humilde reverência diante da majestade do nosso Deus”. De fato, este é nosso sentimento agora, e o que temos sentido nos últimos dias e meses. “Vinde, cantemos ao SENHOR; jubilemos. Ó, vinde, adoremos e prostremo-nos; ajoelhemos diante do Senhor” (Salmos 95:1, 6). Semanas atrás escolhemos um tema para esta ocasião que julgamos ser da mais alta relevância para a Igreja Brasileira, para os Cristãos de forma geral. Pois, A chave que nos abre o mistério da depravação humana é encontrada em uma correta compreensão das relações que Deus nomeou entre o primeiro homem e a sua posteridade. Como a grande verdade da redenção não pode ser correta e inteligentemente apreendida até que percebamos a conexão federal, que Deus ordenou entre o Redentor e os redimidos, nem pode a tragédia da ruína do homem ser contemplada em sua correta perspectiva, a menos que a vejamos à luz da apostasia de Adão do seu Criador (A. W. Pink, As Consequências Da Depravação Humana). Um grande e fundamental erro de nossa geração consiste no entendimento errôneo a respeito da Queda, isto é, o pecado de nossos primeiros pais no Éden. Entre alguns círculos Cristãos atuais a mais absoluta ignorância impera no que diz respeito ao pecado de Adão e Eva, e aos seus efeitos sobre nós, sua descendência. A grande maioria dos Cristãos desta geração, mesmo alguns mais ortodoxos e saudáveis na fé, pensa que nascemos inocentes e puros, em outras palavras, que os bebês são inocentes e não pecadores, que o nascido de mulher nasce puro e não depravado, quando, na verdade, as Escrituras declaram que nisto consiste a miséria da descendência de Adão e Eva, a saber, que ela não precisa fazer nada para pecar e fazer-se condenável diante de um Deus santo, senão somente nascer; de fato, não nascemos bons, mas, sim, “em pecado e iniquidade” somos formados e concebidos desde os ventres de nossas mães (Salmo 51:5, veja o Salmo 58:3). Sim, somos “por natureza filhos da ira, como os outros também” (Efésios 2:3). É por isso que um homem não se torna pecador, mas, ele é naturalmente pecador, por nascimento. O homem não peca e se torna um pecador, mas ele peca por que já é pecador. O pecado é a expressão natural de sua natureza corrupta e depravada. Assim o homem natural vive em pecados como os peixes vivem na água. E estão tão à vontade no pecado como acontece com os pássaros quando voam no céu.

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Adão como nosso representante federal pecou e caiu — do seu estado de pureza original e perdeu sua comunhão com Deus —, e, portanto, nós caímos nele. “Portanto, como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens por isso que todos pecaram” (Romanos 5:12). Desde então os homens não somente morrem, mas já nascem mortos, mortos em seus delitos pecados, espiritualmente mortos, definitivamente mortos e completamente destituídos da vida Divina. O homem nasce morto para Deus, e para a santidade, todavia bem vivo e ativo para o serviço do Diabo, para satisfazer as concupiscências da carne e para amar o mundo. Totalmente reprovado para o Céu, bem apto para o inferno. Muitos gemidos são ouvidos da cama de um enfermo, mas jamais algum foi ouvido de uma sepultura. No santo, como no homem doente, há uma grande luta; a vida e a morte lutando pelo domínio, mas no homem natural, como no cadáver, não há um só ruído, porque a morte tem pleno domínio... O homem comeu o fruto do conhecimento do bem e do mal, e passou a conhecer o bem e a praticar o mal. O homem desobedeceu a Deus e morreu. Quando homem comeu o fruto morreu espiritualmente e ficou completamente morto, morto para Deus e vivo para si mesmo, morto para o céu e vivo para o inferno; sedento pelo mal e inimigo de todo bem (Thomas Boston, A Pecaminosidade Do Estado Natural Do Homem). Mas, ai! tal é o estado completamente corrompido do homem natural que ele pode mesmo gabar-se dizendo: “Rico sou, e estou enriquecido, e de nada tenho falta”, somente para ouvir da própria boca do Senhor: “não sabes que és um desgraçado, e miserável, e pobre, e cego, e nu” (Apocalipse 3:17). Visto que o testemunho claro das Escrituras é que todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus e que homem está morto em delitos e pecados e (Efésios 2; Romanos 1 e 3), quem ousaria dizer que alguém nascido morto-escravo tem livre-arbítrio, e que pode ir a Cristo quando quiser? Quem diria que um filho de Adão morto em seus pecados e iniquidades não somente pode levantar-se e ir a Cristo, mas também pode resistir à vontade soberana do Todo-Poderoso? Se os vivos não podem resistir à vontade soberana de Deus, como poderiam os mortos? Para alguns, Deus já não é o salvador dos homens, mas somente tornou a salvação possível, e depois reserva-se ao papel de torcedor e espectador impotente esperando para saber a vontade de Suas criaturas. E tais pessoas ainda se atrevem a chamar este deus de soberano. Como é que um morto poderia ressuscitar a menos que o “Príncipe da vida” lhe vivificasse? O homem natural não está “meio morto” como aquele homem que caiu nas mãos dos salteadores, como diz a parábola do bom samaritano, mas completamente morto espiritu-

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almente e sepultado na tumba do pecado assim como Lázaro esteve antes de Jesus o ressuscitar (João 11). O simples fato de eu crer nesta doutrina bíblica da depravação total do homem me leva a rejeitar completamente a doutrina dos méritos e do livre-arbítrio humanos e a me apegar com firmeza e inteira certeza de fé às grandes doutrinas bíblicas da Divina eleição e predestinação dos santos, para filhos de adoção em e por Jesus Cristo, antes da fundação do mundo, segundo o beneplácito da vontade Divina, para louvor da glória da livre graça de Deus (Efésios 1:4-6). Se um homem está morto em desobediência, quem poderia salvá-lo senão Deus somente? Se, como afirmam as Escrituras, os homens estão presos nos laços do pecado, da morte e do inferno quem poderia libertá-los? O seu livre-arbítrio e boa vontade? Dizer isto é negar o Deus Salvador e vituperar a Cristo quem morreu, ou antes quem ressuscitou dentre os mortos, o qual está à direita de Deus, e também intercede por aqueles por quem Ele experimentou a morte, isto é os eleitos de Deus (Romanos 8:34-39). Se perdermos a doutrina da Queda, do Pecado Original e da Depravação Total do homem, perdemos a má notícia e a verdade dos fatos tais como eles são, segundo o testemunho das Escrituras, e desta forma todo o Evangelho, que é poder de Deus para salvação de todos aqueles que creem, fica comprometido; a salvação dos homens é prejudicada; e o mais terrível, o nome de Deus não recebe todo o poder, e riquezas, e sabedoria, e força, e honra, e glória, e ações de graças que lhe são devidos (Apocalipse 5:12; Judas 25; 1 Timóteo 1:17, 6:16). Certamente, esta é uma doutrina indesejável para os “dias delicados” em vivemos, onde a “pregação” do “evangelho moderno” criou um Deus sem ira e um homem sem pecado. Sem dúvida muitos em nossos dias não suportam ler ou ouvir nada que lhes fale a verdade sobre o seu pecado em termos claros e dos quais eles não possam escapar. Triste é este caso, pois o doente que recusa saber de sua doença, também nega a si mesmo a possibilidade de medicação, e cura. É impossível valorizar o remédio quando não se tem um conhecimento claro da gravidade da doença. O Evangelho torna-se literalmente “sem graça” para muitos, pelo simples fato de que eles não entendem que este é o poder de Deus para salvação e libertação do homem de seus gravíssimos pecados, e que estes são tão terríveis a ponto de não poderem ser removidos senão pelo sangue do Cordeiro de Deus. Eu ainda tinha muito para falar sobre o pecado do homem e a graça de Deus, mas a ocasião me obriga a parar por aqui, assim para finalizar direi apenas mais isto: Conheça sua corrupção e abundante pecado, e somente assim poderás conhecer e realmente adorar o grandioso Salvador, Jesus Cristo, e Sua superabundante graça.

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É dito de Jacó que ele obteve a bênção de seu pai por estar vestido com as roupas de seu irmão mais velho, e assim nós apenas somos abençoados por Deus nosso Pai, porquanto nós somos vestidos com as vestes de nosso irmão mais velho, Jesus Cristo (Christopher Love, Um Verdadeiro Mapa Do Estado Miserável Do Homem Por Natureza]. “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. Aquele que crê no Filho tem a vida eterna; mas aquele que não crê no Filho não verá a vida, mas a ira de Deus sobre ele permanece. Quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado” (João 3:16, 36; Marcos 16:16).

William Teixeira, EC. 24 de julho de 2014.

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PARTE I O Homem, Seu Pecado, Sua Queda, Sua Depravação e Sua Miséria.

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Introdução à Doutrina da Depravação Humana Por Arthur Walkington Pink

[Capítulo 14 do livro The Total Depravity of Man • Editado]

A entrada do mal no domínio de Deus é, reconhecidamente, um profundo mistério, no entanto, o suficiente é revelado nas Escrituras para nos prevenir de formar pontos de vista errô-neos em relação a isto. Por exemplo, é terminantemente contrário à Palavra da verdade apoiar a noção de que a Queda de Satanás e seus anjos ou dos nossos primeiros pais pegaram Deus de surpresa e arruinaram Seus planos. Desde toda a eternidade Deus projetou esta terra como devendo ser o palco sobre o qual ele mostraria as Suas perfeições: na criação, na providência e na redenção (1 Coríntios 4:9). Assim, Ele predestinou tudo o que viria a acontecer neste cenário (Atos 15:18; Romanos 11:36; Efésios 1:11). Deus não é um espectador ocioso, olhando à distância os acontecimentos deste mundo, mas é o próprio Ordenador e Modelador de tudo para a promoção final de Sua glória, não só, apesar da oposição dos homens e Satanás, mas por meio deles, tudo está sendo feito para servir ao Seu propósito. Nem a introdução do mal no universo ocorre simplesmente pela simples permissão do Altíssimo, pois nada pode acontecer em oposição à Sua vontade decretiva. Em vez disso, devemos acreditar que, por razões sábias e santas, Deus predestinou Suas criaturas mutáveis a cair, e, assim, gerar uma ocasião para Ele demonstrar mais e plenamente os Seus atributos. Partindo da perspectiva de Deus, o resultado da provação de Adão não deixa espaço para nenhuma incerteza. Antes de formá-lo do pó da terra e de haver soprado o fôlego da vida em suas narinas, Ele sabia exatamente como a referida provação sucederia. Sim, e ainda mais: Ele decretou que ele deveria comer do fruto proibido. Está claro em 1 Pedro 1:19-20 que nos diz que o derramamento do sangue de Cristo foi, na verdade, “conhecido ainda antes da fundação do mundo” (cf. Apocalipse 13:8). Como Witsius corretamente afirmou em relação ao pecado de Adão: “se ele foi conhecido foi também predestinado, assim Pedro une 'determinado conselho e presciência de Deus’ (Atos 2:23)”. Em plena harmonia com esta verdade, é preciso lembrar que foi o próprio Deus quem colocou no Éden a árvore do conhecimento do bem e do mal! Além disso, o célebre Moderador da Assembleia de Westminster perguntou: “O Diabo não incitou Adão e Eva contra Deus estando no Paraíso? Deus não poderia ter mantido o Diabo fora do Paraíso? Por que Ele não fez isso? Porven-tura não é manifestamente aparente que era a vontade de Deus que eles fossem tentados, e incitados ao pecado? E por que não?” (W. Twisse, 1653). Deus negou-lhes uma maior manifestação da Sua glória. Assim como se não houvesse noite não poderíamos admirar a

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beleza do dia, este fundo era necessário escuro no qual a graça e misericórdia Divina pudessem brilhar mais resplandecentes (Romanos 5:20). Tem-se afirmado, mais dogmaticamente, por papistas e Arminianos, que Deus não poderia ter impedido a Queda de nossos primeiros pais, sem reduzi-los a meras máquinas. Argumenta-se que uma vez que o Criador dotou o homem com uma vontade livre ele deve ser deixado inteiramente às suas próprias volições, que ele não pode ser coagido, muito menos compelido, sem destruir sua agência moral. Isso pode parecer um raciocínio sólido, no entanto, é refutado pelas Sagradas Escrituras! Quando Deus declarou a Abimeleque sobre a mulher de Abraão: “também eu te tenho impedido de pecar contra mim; por isso não te permiti tocá-la” (Gênesis 20:6). Assim fica muito claro que não é impossível para Deus exercer Seu poder sobre o homem, sem destruir a sua responsabilidade, pois aqui está um caso onde Ele restringiu a liberdade do homem para fazer o mal e o impediu de cometer pecado. Da mesma forma, Ele impediu Balaão de realizar os maus desejos do seu coração (Números 22:38; 23:2, 20); sim, Ele impediu reinos de fazerem guerra contra Josafá (2 Crônicas 17:10). Por que, então, Deus não exerceu Seu poder para impedir que Adão e Eva pecassem? Porque a Queda deles serviria melhor aos Seus próprios desígnios sábios e benditos. Mas isso faz de Deus o autor do pecado? O Autor culpado, não, pois, como Piscator há muito tempo apontou: “A culpabilidade é uma falha em fazer o que deve ser feito”. É evidente que era a vontade Divina que o pecado entrasse neste mundo, ou ele não teria entrado, pois Deus não somente tinha o poder de evitar isto, mas também nada disso aconteceria, exceto o que Ele decretou. “Ainda que o decreto de Deus fez a Queda de Adão infalivelmente necessária como um evento, contudo isso não se deu por meio de eficiência, ou pela força e coerção sobre a vontade” (John Gill). Nem o decreto de Deus de forma alguma desculpou a maldade dos nossos primeiros pais nem os isentou do castigo. Eles foram deixados inteiramente livres para o exercício da sua natureza, e, portanto, plenamente responsáveis e culpados por suas ações. Enquanto a árvore do conhecimento do bem e do mal e as tentações da serpente para que comessem do fruto foram as ocasiões de seu pecado, contudo eles não foram a causa do mesmo, que estava em seu abandono voluntário da sujeição à vontade de seu Criador e verdadeiro Senhor. Deus não é o autor eficiente dos pecados dos homens, assim como Ele o é naqueles que Ele opera a santidade. Que Deus decretou que o pecado deveria entrar neste mundo foi um segredo oculto em Si mesmo. A respeito disso, os nossos pais nada sabiam, e isso fez toda a diferença no que concerne à sua responsabilidade, pois tivessem sido informados sobre o propósito Divino e a certeza de seu cumprimento por suas ações, o caso havia sido radicalmente alterado. Eles estavam bastante familiarizados com os conselhos secretos do Criador. O que lhes dizia respeito era a vontade revelada de Deus, e esta era totalmente clara. Ele os havia

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proibido de comer de uma certa árvore, e isso era o suficiente. Porém Ele foi mais longe, o Senhor mesmo advertiu a Adão das consequências terríveis que sucederiam a sua desobediência, a morte seria a penalidade. Assim, a transgressão de sua parte era inteiramente indesculpável. Deus o criou moralmente “vertical”, sem qualquer inclinação para o mal. Ele também não injetou qualquer mau pensamento ou desejo em Eva. Não, “Deus não pode ser tentado pelo mal, e a ninguém tenta” (Tiago 1:13). Em vez disso, quando a serpente veio e tentou a Eva, Deus fez com que ela se lembrasse de Sua proibição! Admire, então, a maravilhosa sabedoria de Deus, pois tendo Ele predestinado a Queda de nossos primeiros pais, ainda assim, em nenhum sentido, era Ele o instigador ou aprovador de seus pecados e sua prestação de contas não sofreu nenhum dano. Nós devemos acreditar nestas duas coisas se não quisermos repudiar a verdade: que Deus predestinou tudo o que venha a acontecer e que de forma alguma Ele é responsável por qualquer maldade um homem, a criminalidade deste sendo de sua total responsabilidade. O decreto de Deus não infringe de modo algum a agência moral do homem, pois nem força nem impede a vontade do homem, embora as ordene e limite suas ações. Tanto a existência e as operações do pecado são subservientes aos conselhos da vontade de Deus, mas isso não diminui o mal da sua natureza ou a culpa do transgressor. “Ainda que Ele não estime o mal como bem, contudo Ele considera bom que o mal exista” (William Perkins, 1587); no entanto, o pecado é “essa coisa abominável” (Jeremias 44:4), que o Santo sempre odiou. Em relação à crucificação de Cristo houve a agência de Deus (João 19:11; Atos 4:27-28), a agência de Satanás (Gênesis 3:13; Lucas 22:53), e a agência dos homens; contudo, Deus não concordou nem cooperou com as ações internas de suas vontades, e Deus cobrou depois a maldade de seus atos (Atos 2:23). Deus governa mal o para o bem (Gênesis 44:8, Salmo 76:10), e, portanto, Ele é tão verdadeiramente soberano sobre o pecado e o Inferno como Ele é sobre a santidade e o Céu. Deus não deseja nada que seja errado: “Justo é o Senhor em todos os seus caminhos, e santo em todas as suas obras” (Salmo 145:17). Ele, desta forma, não permanece em qualquer necessidade de vindicação por nenhuma de Suas insignificantes criaturas. No entanto, mesmo a mente finita, quando iluminada pelo Espírito da verdade, pode-se perceber como essa admissão de Deus do mal neste mundo provoca ocasião, para Ele demonstrar Suas perfeições inefáveis de uma maneira e em um grau que de outra forma Ele não poderia magnificar a Si mesmo por trazer uma coisa pura de uma impura, e por assegurar a Si mesmo o louvor dos pecadores redimidos, como Ele não recebe dos anjos não caídos. Horrível e terrível além do que se pode descrever foi a revolta do homem contra o seu Criador, tão terrível e total foi a ruína que ele trouxe consigo toda a sua posteridade. No entanto, a sabedoria de Deus planejou uma maneira de salvar uma parte da raça humana, de tal maneira que Ele é mais glorificado neles do que por todas as suas obras da criação e da

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providência, e é assim que a miséria dos pecadores torna-se a ocasião à sua maior felicidade; tal é uma maravilha sem fim. Esse caminho de salvação foi determinado e definido nos termos do eterno Pacto da Graça. Era aquele pelo qual cada uma das pessoas Divinas é extremamente honrada. Como o famoso Jonathan Edwards há muito tempo apontou: “Aqui a obra da redenção se distingue de todas as outras obras de Deus. Os atributos de Deus são gloriosos em suas outras obras; mas as três Pessoas da Santíssima Trindade claramente não são glorificadas em nenhuma outra obra como nesta da redenção. Nesta obra cada Pessoa distinta tem Suas partes e ofícios distintos atribuídos a Si. Cada um tem sua importância especial nela agradavelmente às Suas próprias distinções pessoais, relações e organização. O redimido tem um igual interesse e dependência em relação a cada Pessoa nesta questão, e deve igual honra e louvor a cada um dEles. O Pai nomeia e provê o Redentor, e aceita o preço da redenção. O Filho é o Redentor e o preço, Ele redime, oferecendo-se a Si mesmo. O Espírito Santo nos comunica imediatamente ao que foi comprado; sim, e Ele é o bem adquirido. A suma do que Cristo comprou para nós é a santidade e a felicidade. ‘Cristo foi feito maldição por nós... Para que a bênção de Abraão chegasse aos gentios por Jesus Cristo, e para que pela fé nós recebamos a promessa do Espírito’ (Gálatas 3:13-14). A bem-aventurança dos redimidos consiste na participação da plenitude de Cristo, que consiste na participação naquele Espírito que não é dado por medida a Ele. Este é o óleo que foi derramado sobre a Cabeça da Igreja, que correu para os membros do seu corpo (Salmo 133:2)”. É um grave erro considerar o Senhor Jesus como nosso Salvador, excluindo as operações salvíficas do Pai e do Espírito. Se o Pai não houvesse eternamente proposto a salvação de Seu povo, escolhendo-os em Cristo dando lhes a Ele, se Ele não tivesse entrado em um Pacto eterno com Ele, encarregando-Lhe a encarnar-Se, e os redimir, Seu Amado nunca teria deixado o Céu a fim de poder morrer, o Justo pelos injustos. Assim, vemos que Ele amou o mundo de tal maneira que deu o Seu Filho unigênito e atribuiu a Ele a salvação da Igreja: “Que nos salvou... segundo as nossas obras, mas segundo o seu próprio propósito e graça que nos foi dada em Cristo Jesus antes dos tempos dos séculos” (2 Timóteo 1:9). Igualmente necessárias são as operações do Espírito Santo para realmente aplicar aos corações dos eleitos de Deus o bem que Cristo realizou por eles: Ele é quem convence do pecado e lhes concede a fé. Por isso, a sua salvação também é atribuída a Ele: “Mas devemos sempre dar graças a Deus por vós, irmãos amados do Senhor, por vos ter Deus elegido desde o princípio para a salvação, em santificação do Espírito, e fé da verdade” (2 Tessalonicenses 2:13). Uma leitura cuidadosa de Tito 3:4-6, mostra as três Pessoas agindo em conjunto, segundo este propósito: “Deus, nosso Salvador” no versículo 4 é claramente o Pai, e “nos salvou pela lavagem da regeneração e da renovação do Espírito Santo” (v.5), “Que abundantemente ele derramou sobre nós por Jesus Cristo nosso Salvador” (v. 6); compare a doxologia de 2 Coríntios 13:14!

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É muito abençoador refletir sobre as muitas promessas que o Pai fez a respeito de Cristo. Após a aceitação do Filho dos termos exatos do Pacto da Graça, o Pai concordou em investi-lO com um tríplice ofício, autenticando grandemente assim a Sua missão com o selo do Céu: o profético (Deuteronômio 18:15, 18. Veja também Atos 3:22), o sacerdócio (Hebreus 5:5, 6:20), e o reinado (Jeremias 22:5; Salmos 89:27). Assim, Cristo não veio sem ser envia-do. Ele prometeu suprir e preparar o Mediador com o derramamento abundante das graças e dons do Espírito Santo (Isaías 42:1-2. Veja Atos 10:38; Mateus 12:27-28). Ele prometeu fortalecer a Cristo, apoiando-O e protegendo-O na realização da Sua grande obra da reden-ção (Isaías 42:1, 6; Salmo 89:21). Seu compromisso seria marcado com tais dificuldades que o poder da criatura, ainda que não prejudicado pelo pecado, teria sido inapropriado para Ele: por isso o Pai Lhe assegurou de tudo que lhe era necessário para ajuda e socorro, para conduzi-lO através da oposição e aflições que Ele encontraria. É muito precioso observar como o Filho encarnado repousou sobre essas promessas: Salmo 22:10; Isaías 69:4-7, 1:6-9; Salmo 16:1. O Pai prometeu levantar o Messias dos mortos (Salmo 21:8; 102:23, 24; Isaías 53:10), e mais abençoado é observar como Cristo lançou mão disto (Salmo 16:8-11). A promessa de Sua ascensão também lhe foi feita (Salmo 24:3, 7; 67:18; 89:27; Isaías 52:13.), da qual o Salvador também se apropriou enquanto ainda na terra (Lucas 24:26). Tendo cumprido fielmente os termos da Aliança, Cristo foi sumamente exaltado por Deus, e feito Senhor e Cristo (Atos 2:36), Deus O assentou à Sua mão direita. Essa é uma salvação por senhorio, uma dispensação comprometida com Ele como o Deus-homem. Aquele a quem os homens coroaram de espinhos, Deus tem coroado de glória e honra. O “governo” está sobre os Seus ombros. Cristo foi assegurado de uma “posteridade” (Isaías 53:10), Sua crucificação não deve ser considerada como uma infâmia a Ele, já que era o próprio meio ordenado por Deus, pela qual Ele deveria propagar uma numerosa descendência espiritual, a isto até Ele se referiu em João 12:24. A “posteridade”, prometida a Cristo ocupa um lugar de destaque no Salmo 89, veja os versos 3, 4, 31-36 e cf. 22:30. Assim, desde o início, Cristo foi assegurado do sucesso de seu empreendimento. Posto que havia duas partes no Pacto, então os eleitos foram dados a Cristo de uma forma dupla. Assim Ele estava a cumprir os seus termos, que foram confiados a Ele como uma carga; mas no cumprimento dos mesmos, o Pai prometeu conceder-lhes a Ele como uma recompensa. No primeiro sentido, eles são considerados como caídos, e Cristo foi responsável por sua salvação, eles estavam comprometidos com Ele, como ovelhas perdidas e desgarradas (Isaías 53:6), a quem Ele deveria buscar e trazer para o rebanho (João 10:16). Neste último sentido, eles são vistos como fruto de Sua agonia, os troféus de Sua vitória sobre o pecado, Satanás e a morte; como Sua coroa de regozijo no dia vindouro (quando Ele deverá ser “glorificado nos seus santos, e para se fazer ad-

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mirável naquele dia em todos os que creem”, 2 Tessalonicenses 1:10); como a esposa amada do Cordeiro. Finalmente, Deus fez a promessa do Espírito Santo a Cristo. Ele repousou sobre Esse durante os dias da Sua carne, ungindo-O para pregar o Evangelho (Isaías 61:1) e operar milagres (Mateus 12:28). Ele, porém, recebeu o Espírito depois de outra forma (Salmo 45:7, Atos 2:33) e para uma finalidade diferente após Sua ascensão, ou seja, este o Deus-Homem Mediador foi dado a administração das atividades e operações do Espírito em relação ao mundo na providência e em relação à Igreja na graça, João 16:7 deixa claro que o advento do Espírito era dependente da exaltação de Cristo. Cristo também se apropriou dessa garantia antes de partir deste mundo, em Sua partida, Ele disse aos seus discípulos: “E eis que sobre vós envio a promessa de meu Pai” (Lucas 24:49), o qual foi devidamente cumprida 10 dias mais tarde. Em pleno acordo com o que acaba de ser apontado, ouvimos o Salvador do Céu dizendo: “Isto diz o que tem os sete espíritos de Deus” (Apocalipse 3:1), “tem” para comunicar ao Seu resgatado individualmente, e às Suas igrejas coletivamente. O grande desígnio da descida do Espírito a esta terra é glorificar a Cristo (João 16:14). Ele está aqui para testemunhar-vos a exaltação do Salvador, sendo o Pentecostes o selo de Deus sobre a Messianidade de Jesus. O Espírito está aqui para substituir a Cristo. Isso é inferido de Suas próprias palavras aos Apóstolos: “E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, para que fique convosco para sempre” (João 14:16). Até então, o Senhor Jesus tinha sido o seu Consolador, mas Ele estava às vésperas de voltar ao Céu; no entanto, Ele graciosamente lhes assegurou: “Não vos deixarei órfãos; voltarei para vós” (João 14:18), isto foi cumprido plenamente no advento se Seu sucessor. O Espírito está aqui para promover a causa de Cristo. A palavra Paráclito (traduzida como “Consolador”, no Evangelho de João) é traduzida como “advogado”, no início do segundo capítulo de sua primeira Epístola, e um advogado é aquele que aparece como representante de outro. O Espírito está aqui para interpretar e reivindicar a Cristo, para administrar por Cristo o Seu Reino e a Sua Igreja. Ele está aqui para fazer bem sucedido o Seu propósito redentor, aplicando os benefícios de Seu sacrifício àqueles em nome dos quais foi oferecido. Ele está aqui para revestir os servos de Cristo (Lucas 24:49). É de primeira importância reconhecer e entender que o Senhor Jesus não só obteve para o povo de Deus a redenção das consequências penais do pecado, mas também garantiu a sua santificação pessoal. Ai! quão pouco isso é enfatizado hoje. Em muitos casos aqueles que pensam e falam da “salvação” que Cristo comprou não acrescentam mais nenhuma ideia à mesma do que a de libertação da condenação, omitindo a libertação do amor, domínio e poder do pecado. Porém este último não é menos essencial, e é uma bênção tão necessária quanto a primeira. É tão necessário para criaturas caídas serem libertas da polui-

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ção e impotência moral que elas contraíram, como é o ser liberto das penalidades que tenham incorrido; para que, quando forem reintegradas ao favor de Deus, elas possam ao mesmo tempo ser capacitadas para amar, servir e deleitar-se nEle para sempre. A este respeito o remédio Divino também preenche todos os requisitos de nossa doença pecaminosa (veja 2 Coríntios 5:15; Efésios 5:25-27; Tito 2:14; Hebreus 9:14). Isto é obtido através das operações graciosas do Espírito de Cristo: iniciado na regeneração, continuado ao longo de suas vidas terrenas e consumado no Céu. Não somente o Deus triuno é mais honrado pela redenção que Ele foi desonrado pela deserção de Suas criaturas, como os do Seu povo também se tornam maiores ganhadores. Como isso também magnifica a Sabedoria Divina! Seria maravilhoso, de fato, se tivessem sido apenas restaurados ao seu estado original, mas é muito mais maravilhoso que eles sejam levados a um estado muito mais elevado de bem-aventurança, que a Queda seja a ocasião de sua exaltação! Seu pecado merecia desgraça, porém a eterna bem-aventurança tornou-se a sua porção. Eles agora são favorecidos com uma maior manifestação da glória de Deus e a um pleno conhecimento do Seu amor do que de outra forma teriam tido, e é nessas duas coisas a sua felicidade consiste principalmente. Eles são levados para uma relação muito mais próxima e afetuosa para com Deus. Eles são agora não apenas criaturas santas, mas herdeiros de Deus e coerdeiros com Cristo. O Filho tomou a sua natureza sobre Ele, e vocês tornaram-se seus “irmãos”, os membros do Seu corpo, sim, Sua esposa. Eles são, assim, providos dos mais poderosos motivos e incentivos para amá-lO e servi-lO do que tinham em sua condição não caída. Quanto mais apreendemos do amor de Deus, mais O amamos em retribuição, por toda a eternidade o conhecimento do amor de Deus em dar Seu Filho amado por nós, e de Cristo ao morrer em nosso lugar, fixará os nossos corações nEle de uma forma que os Seus favores a Adão nunca teriam feito. Agora é no Evangelho que o remédio maravilhoso para todos os nossos males é revelado. Este glorioso Evangelho proclama que Cristo é capaz de salvar perfeitamente aqueles que se achegam a Deus por meio dEle. Ele nos diz que o Filho do homem veio buscar e salvar o que estava perdido. Ele anuncia que os pecadores, até mesmo o maior dos pecadores, são os únicos que são livremente convidados a vir. Ele proclama a libertação aos cativos de Satanás e a abertura das portas para os prisioneiros do pecado. Ele revela que Deus escolheu os maiores pecadores para serem os monumentos eternos da Sua misericórdia. Ele declara que o sangue de Jesus Cristo, Filho de Deus, purifica os crentes de todo o pecado. Ele fornece esperança para os casos mais desesperados. Os prodígios que Cristo realizou sobre os corpos dos homens eram tipos de Seus milagres de graça sobre as almas dos pecadores. Nenhum caso estava além de poder para curar. Ele não somente deu a vista aos cegos e purificou o leproso, mas libertou o endemoninhado e deu vida aos mortos. Ele nunca recusou um único apelo feito à Sua compaixão. Qualquer que seja o passado do leitor, se ele confiar no sacrifício expiatório de Cristo, ele será salvo, agora e para sempre.

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As Evidências da Depravação Humana Por Arthur Walkington Pink

[Capítulo 11 do livro The Total Depravity of Man • Editado]

Após termos descoberto o terreno, pode ser pensado que não havia necessidade de dedicarmos uma seção separada para o fornecimento da prova de que o homem é uma criatura caída e depravada, alguém que se extraviou para longe de seu Criador e legítimo Senhor. Embora a Palavra de Deus não precise de confirmação por qualquer coisa fora de si mesma, não é sem valor ou interesse achar que o ensino de Gênesis 3 é fundamentado pelos fatos da história e da observação. E uma vez que não há nenhum ponto em que o mundo é tão escuro como sobre a sua própria escuridão, julgamos este requisito para fazer a demonstração do mesmo. Todos os homens naturais, não-regenerados em suas mentes pelas operações salvíficas do Espírito Santo, estão em um estado de trevas com respeito a qualquer conhecimento vital de Deus. Sejam eles em outras coisas tão instruídos e habilidosos, em assuntos espirituais eles são cegos e estúpidos. Mas isso é algo que eles não podem suportar ouvir falar, e quando eles são pressionados com estas afirmações sua ira é simultaneamente inflamada. Os intelectualistas orgulhosos se consideram muito mais sábios do que o crente humilde e simples, consideram isto como um conceito vazio de analfabetos quando lhes disse que eles “não conheceram o caminho da paz” [Romanos 3:17]. Tais almas enfeitiçadas são completamente ignorantes de sua própria ignorância. Os Sinais Da Ruína Do Homem Mesmo no Cristianismo, o crente médio está plenamente satisfeito se ele aprende por repetição alguns dos princípios elementares da Religião. Ao fazer isso, ele conforta a si mesmo de que ele não é um infiel, e uma vez que ele acredita que há um Deus (apesar deste ser criado por sua própria imaginação) ele ilude a si mesmo dizendo que ele está longe de ser um ateu. No entanto, quanto a ter qualquer vida; conhecimento espiritual, influente e prático do Senhor e dos Seus caminhos, ele é muito estranho, completamente ignorante. Ele também não sente a menor necessidade de iluminação Divina; não, ele não tem nenhum prazer ou desejo de um conhecimento mais íntimo com Deus. Nunca tem percebido a si mesmo como sendo um pecador perdido, ele nunca buscou o Salvador, pois somente aqueles que são sensíveis de sua doença é que valorizam um médico, assim como ninguém, senão aqueles que estão conscientes da fome de suas almas é que anseiam pelo Pão da Vida. Os homens podem estar orgulhosamente convencidos que este século XX é uma era de iluminação, e, embora, possa ser assim em um sentido material e mecânico está certamen-

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te muito longe de ser o caso, espiritualmente falando. É muitas vezes asseverado por aqueles que deveriam saber melhor, que os homens de hoje estão mais ansiosos em sua busca pela verdade do que nos dias anteriores, mas fatos concretos desmentem tal afirmação. Em Jó 12:24-25, nos é dito sobre “chefes dos povos da terra” que “nas trevas andam às apalpadelas, sem terem luz”. Quão evidente isso é para aqueles cujos olhos foram ungidos com o Espírito Santo, sim, mesmo para os homens naturais que não abandonaram uma forte desilusão que eles teriam crido em uma mentira. Quem, senão os cegos pelo preconceito são incapazes de perceber a certeza dos fatos que estão diante deles e ainda acreditam no “progresso do homem” e “no avanço constante da raça humana”? E, no entanto, tais postulados são feitos diariamente por aqueles que são considerados como sendo os mais instruídos e os grandes pensadores. Alguém tinha suposto que os sonhos vãos dos idealistas e teóricos teriam sido dissipados pelos acontecimentos dos últimos trinta anos, quando centenas de milhões de habitantes da Terra estavam engajados em uma luta de vida e morte, em que as desumanidades mais bárbaras foram cometidas, dezenas de milhares de cidadãos pacíficos mortos em suas casas, centenas de milhares de mutilados pelo restante de seus dias, e danos materiais incalculáveis infligidos. Mas tão persistente é o erro, tão amplamente aceita é essa quimera da “evolução”, e tão radicalmente isso é oposto àquilo que nós estamos pleiteando, que nenhum esforço deve ser poupado em remover um e estabelecer o outro. É com o desejo de fazer isto que agora apresento algumas das evidências abundantes que atestam claramente a condição completamente arruinada da humanidade caída. Estas provas podem ser extraídas a partir do ensinamento da Sagrada Escritura, os registros de historiadores humanos, nossas próprias observações e experiências pessoais. O terceiro capítulo de Gênesis descreve a origem da depravação humana, e no próximo capítulo, os frutos amargos da Queda rapidamente começam a se manifestar. No primeiro vemos o pecado em nossos primeiros pais, no último o pecado nos seus primogênitos, que muito em breve dariam prova de que eles tinham recebido uma natureza má deles. Em Gênesis 3, o pecado era contra Deus, em Gênesis 4 era tanto contra Ele como contra um companheiro. Essa é sempre a ordem: onde não há temor de Deus diante dos olhos, não haverá respeito genuíno pelos direitos dos nossos semelhantes. No entanto, mesmo nessa data inicial, nós vemos a graça soberana e distintiva de Deus em ação, pois foi por uma fé dada por Deus, que Abel apresentou ao Senhor um sacrifício aceitável (Hebreus 11:4), foi enquanto ele estava notoriamente em sua vontade própria e autossatisfação que Caim trouxe do fruto da terra como oferta. Após sua rejeição por parte do Senhor nos é dito: “Caim ficou muito irado” (Gênesis 4:5), Caim irou-se porque não podia aproximar-se e adorar a Deus segundo os ditames de sua própria mente, e, assim, mostrou sua inimizade natural contra Ele. Ciumento por causa de Abel ter sido aprovado por Deus, Caim se levantou e matou seu irmão.

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Como a lepra, o pecado contamina, se espalha e produz a morte. Perto do fim de Gênesis 4 vemos o pecado corrompendo a vida familiar, pois Lameque era culpado de poligamia, assassinato e de um espírito de vingança feroz (v. 23). Em Gênesis 5 a morte está escrita em letras maiúsculas sobre o registro inspirado, por nada menos que oito vezes nós lemos ali: “e morreu”. Contudo, mais uma vez, nos é mostrada a graça superabundante em meio ao pecado abundante, pois Enoque, o sétimo depois de Adão, não morreu, sendo trasladado sem ver a morte; o tempo em que esteve na terra foi gasto contendendo e advertindo o ímpio, dos seus dias é mencionado em Judas 14 e 15, onde nos é dito que ele profetizou: “Eis que é vindo o Senhor com milhares de seus santos; para fazer juízo contra todos e condenar dentre eles todos os ímpios, por todas as suas obras de impiedade, que impiamente cometeram, e por todas as duras palavras que ímpios pecadores disseram contra ele”. Noé também era um “pregoeiro da justiça” (2 Pedro 2:5) aos antediluvianos, mas aparentemente com pouco efeito, pois lemos: “viu o Senhor que a maldade do homem se multiplicara sobre a terra e que toda a imaginação dos pensamentos de seu coração era só má continuamente”; que “toda a carne havia corrompido o seu caminho sobre a terra”, e que a Terra estava “cheia de violência” (Gênesis 6:5, 12, 13). Mas, ainda que Deus tenha enviado uma inundação que varreu toda aquela geração perversa, o pecado não foi erradicado do ser humano: em vez disso, novas evidências da depravação do homem foram dadas logo em seguida. Depois de uma misericordiosa libertação do dilúvio, após assistir a tal terrível demonstração da santa ira de Deus contra o pecado, e depois do Senhor ter feito um pacto gracioso com Noé, que continha promessas e garantias mui abençoadas, se suponha que a raça humana iria após isso aderir aos caminhos da virtude. Mas, infelizmente, a próxima coisa que lemos é que “Começou Noé a ser lavrador da terra, e plantou uma vinha. E bebeu do vinho, e embebedou-se; e descobriu-se no meio de sua tenda” (Gênesis 9:20-21). Os estudiosos nos dizem que a palavra hebraica para “descobriu-se” indica claramente um ato deliberado, e não um mero efeito inconsciente de embriaguez, os pecados de intemperança e impureza são irmãs gêmeas. O triste lapso de Noé deu ocasião para seu filho pecar, e então, em vez de jogar o manto da caridade sobre a nudez de seu pai, ele desonrou seu pai, manifestando um total desrespeito e insubmissão a ele. Em consequência disso, ele lançou sobre ele e sobre seus descendentes uma maldição, e os efeitos e resultados desta são visíveis até hoje (v. 25). Como dissemos há mais de trinta anos, em um artigo sobre o assunto, Gênesis 9 coloca diante de nós a inauguração de um novo começo, e uma ponderação do mesmo faz com que nossas mentes se voltem ao primeiro início da raça humana. Uma comparação cuidadosa dos dois revela uma série dos mais notáveis paralelos entre as histórias de Adão e Noé. Adão foi colocado em cima de uma terra que subiu do “grande abismo” (Gênesis 1:2), assim também fez Noé saiu para uma terra que tinha acabado de imergir das águas do

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grande dilúvio. Adão foi feito senhor da criação (1:28), e na mão de Noé Deus também entregou todas as coisas (9:2). Adão foi “abençoado” por Deus e disse “e multiplicai-vos, e enchei a terra” (1:28), da mesma forma como Noé foi abençoado e disse “Frutificai e multiplicai-vos e enchei a terra” (9:1). Adão foi colocado por Deus em um jardim “para o lavrar e o guardar” (2:15), e Noé “começou... a ser lavrador da terra, e plantou uma vinha” (9:20). Isto estava no jardim que Adão transgrediu e caiu, e o produto da vinha foi a ocasião da triste queda de Noé. O pecado de Adão resultou na exposição de sua nudez (3:7), e da mesma forma, lemos que Noé “descobriu-se no meio de sua tenda” (9:21). O pecado de Adão trouxe uma terrível maldição sobre sua descendência (Romanos 5:12), e assim fez o de Noé (Gênesis 9:24-25). Imediatamente após a queda de Adão uma profecia notável foi dada, contendo em resumo a história da redenção (3:15), e logo após a queda de Noé uma notável profecia foi proferida, contendo em resumo a história das grandes divisões da nossa raça. O Sistema Mundial Carnal Gênesis 10 e 11 tratam da história da terra pós-diluviana. Eles nos mostram algo dos caminhos dos homens neste novo mundo revoltoso contra Deus, procurando glorificar-se e divinizar a si mesmos. Eles dão a conhecer os princípios carnais pelo qual o sistema do mundo está agora regulamentado. Desde Gênesis 10:8-12 e 11:1-9, interrompe-se o curso das genealogias ali indicadas, eles devem ser considerados como um parêntese importante: o primeiro explica este último. O primeiro está preocupado com Ninrode, e dele aprendemos que: 1. Ele era descendente de Cão, por meio de Cuxe (10:8), e, portanto, o descendente da família de Noé em que a maldição repousava. 2. Ninrode significa “o rebelde”. 3. “Ele começou a ser poderoso na terra”, o que implica que ele lutou por preeminência e pela força da vontade a obteve. 4. “Na terra” sugere conquista e subjugação, tornando-se um líder e governante de mais homens. 5. Ele era um poderoso caçador (10:9): mais três vezes em Gênesis 10 e novamente em 1 Crônicas 4:10, este termo “poderoso” para ele, em hebraico também está tencionando “chefe “e “líder”. 6. Ele era um poderoso caçador “diante da face do Senhor”: compare isso com “a terra, porém, estava corrompida diante da face de Deus” (6:11) e temos a impressão de que esse rebelde e orgulhoso prosseguiu os seus projetos ambiciosos e ímpios em desafio aberto ao Todo-Poderoso. 7. Ninrode era um rei e teve sua sede em Babilônia (10:10). A partir dos versos inicias de Gênesis 10, fica claro que Ninrode tinha um desejo desenfreado por fama, a ponto de cobiçar o supremo domínio ou a constituição de um império mundial (10:10-11), e que ele liderou uma grande confederação em rebelião aberta contra Jeová. A própria palavra “Babel” significa “a porta de Deus”, mas depois, e por causa do julgamento Divino infligido sobre ele, ela veio a significar “confusão”. Juntando as diferentes

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informações fornecidas pelo Espírito, não pode haver dúvida de que Ninrode não só organizou um governo imperial, ao qual ele presidia como rei, mas que ele também instituiu uma nova e idólatra adoração. Apesar de não ser mencionado pelo nome em Gênesis 11, é evidente a partir do capítulo anterior que ele era o líder do movimento aqui descrito. A referência topográfica em 11:2 é muito significativa, moralmente, como “desce para o Egito” e “sobe a Jerusalém”: “partindo eles do oriente” denota que eles viraram as costas para o nascer do sol. Deus havia ordenado a Noé para “multiplicar e encher a terra”, mas aqui lemos: “E disseram: Eia, edifiquemos nós uma cidade e uma torre cujo cume toque nos céus, e façamo-nos um nome, para que não sejamos espalhados sobre a face de toda a terra” (11:4). Isso foi diretamente contrário a Deus, e Ele imediatamente interveio, levando a nada o plano de Ninrode, e “dali os espalhou o Senhor sobre a face de toda a terra” (11:9). Na Torre de Babel outra crise havia acontecido na história da raça humana. A humanidade foi novamente culpada de apostasia e declaradamente desafiou ao Altíssimo. A confusão que Deus trouxe sobre a raça humana deu origem às diferentes nações da terra, e depois da derrubada do esforço de Ninrode temos a formação de “o mundo”, uma vez que já existia desde então. Isto é confirmado em Romanos 1, onde o apóstolo fornece a prova da culpa dos gentios. No versículo 19 lemos sobre “o que de Deus se pode conhecer”, através da exibição de Suas perfeições nas obras da criação. O versículo 21 vai mais longe, e afirma: “tendo conhecido a Deus [isto é, nos dias de Ninrode], não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças, antes em seus discursos se desvaneceram, e o seu coração insensato se obscureceu. Dizendo-se sábios, tornaram-se loucos [em conexão com a Torre de Babel]. E mudaram a glória do Deus incorruptível em semelhança da imagem de homem corruptível”. Foi então que a idolatria começou. No que se segue nos é dito três vezes que “Deus os entregou” (vv. 24, 26, 28). Foi então que Ele os abandonou e “deixou andar todas as nações em seus próprios caminhos” (Atos 14:16). O próximo acontecimento depois dessa grande crise nos assuntos humanos registrada em Gênesis 11 foi o chamado Divino de Abraão, o pai da nação de Israel; mas antes de nos voltarmos para isto, vamos considerar alguns dos efeitos do primeiro. A primeira das nações dos gentios sobre os quais a Escritura tem muito a dizer são os egípcios, e eles manifestaram claramente a sua evidente depravação por maltratar os hebreus e desafiarem ao Senhor. As sete nações que habitavam Canaã quando Israel entrou naquela terra nos dias de Josué eram devotadas às mais terríveis abominações e impiedades (Levítico 18:6-25; Deuteronômio 9:5). As características dos impérios renomados da Babilônia, Medo-Pérsia, Grécia e Roma são referidas em Daniel 7:4-7, onde eles são comparados a animais selvagens. Fora dos limites estreitos do Judaísmo o mundo inteiro era pagão, completamente dominado pelo Diabo. Após virar as costas para Aquele, que é luz, eles estavam em total escuridão espiritual e entregues à ignorância, superstição e vício. Todos buscaram a felicidade nos

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prazeres da terra, de acordo com seus vários desejos e apetites. Mas qualquer “felicidade” que foi apreciada por eles, era apenas uma felicidade animalesca e passageira, totalmente indigna de criaturas feitas para a eternidade. Eles estavam inteiramente insensíveis de sua verdadeira miséria, pobreza e cegueira. É verdade que as artes foram desenvolvidas em um alto grau por alguns dos antigos, e que havia sábios famosos entre eles, mas as massas populares foram grosseiramente materialistas, e seus professores propagaram os absurdos mais selvagens. Eles todos e cada um deles negaram a criação Divina do mundo, retendo a maior parte daquilo que é de caráter eterno. Alguns acreditavam que não havia sobrevivência da alma após a morte, outros na teoria da transmigração, isto é, que as almas dos homens passam para os corpos dos animais. Em suma, “o mundo não conheceu a Deus pela sua sabedoria” (1 Coríntios 1:21), e onde há ignorância de Deus há sempre a ignorância de nós mesmos. Eles não perceberam que foram vítimas do grande enganador das almas, que cega as mentes daqueles que não creem. Nenhuma nação da antiguidade foi tão altamente erudita como os gregos, no entanto, as vidas privadas de seus homens mais eminentes foram manchadas pelos crimes mais revoltantes. Aqueles que tinham o ouvido do público e mais falavam sobre a definição de homens livres de suas paixões, e gozavam da mais alta estima como sendo mestres da verdade e da virtude, fizeram-se os escravos abjetos do pecado e de Satanás, e, moralmente falando, a sociedade estava podre até o seu âmago. O mundo inteiro inflamou-se em sua corrupção. A indulgência sensual foi em todos os lugares levada ao seu mais alto grau, a gula era uma arte, a fornicação foi o espetáculo sem restrição. O profeta mostra (Oséias 4) que, onde não há conhecimento de Deus na terra não há misericórdia e verdade entre seus habitantes: em vez disso, o egoísmo, a opressão e a perseguição vem sobre todos. É difícil encontrar uma página nos anais do mundo, que não forneça ilustrações trágicas da ganância e da opressão, da injustiça e da chicana, da avareza e falta de consciência, da intemperança e da imoralidade em que caíram e em relação aos quais a natureza humana é tão terrivelmente propensa. Ah, que triste espetáculo produz a história presente de nossa raça! Abundantemente ela testemunha a declaração Divina: “Certamente que os homens de classe baixa são vaidade, e os homens de ordem elevada são mentira; pesados em balanças, eles juntos são mais leves do que a vaidade” (Salmos 62:9). Os infiéis modernos podem pintar uma bela imagem das virtudes de muitas das nações, e a partir de seu ódio pelo Cristianismo, exaltá-los aos mais altos patamares da realização intelectual e excelência moral, mas o testemunho claro da história definitivamente os refuta. A terra foi feita um Aceldama por seus assassinatos e contendas, inundando-a com sangue. “Os lugares tenebrosos da terra estão cheios de moradas de crueldade” (Salmos 74:20).

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Na Grécia antiga, os pais tinham a liberdade de expor seus filhos a perecer de frio e de fome, ou serem devorados por animais selvagens; e, apesar de que tais exposições fossem frequentemente praticadas passavam sem punição ou censura. Guerras foram travadas com a maior ferocidade, e se algum dos vencidos escapasse da morte, a escravidão do tipo mais abjeto ao longo da vida era a única perspectiva diante deles. Em Roma, que era então a metrópole do mundo, o tribunal de César estava mergulhado na licenciosidade. Para proporcionar diversão aos seus senadores, seiscentos gladiadores lutaram entre si, mão a mão, no teatro público. Para não ficar atrás, Pompéia levou quinhentos leões para arena e envolveu um número igual de seus valentes, e “senhoras delicadas” sentadas, aplaudindo e regozijando-se sobre o banho de sangue. Os idosos e enfermos foram banidos para uma ilha no rio Tibre. Quase dois terços do mundo “civilizado” era composto por escravos, e seus senhores detinham poder absoluto sobre eles. Sacrifícios humanos eram frequentemente oferecidos nos altares de seus templos. Em seus caminhos estavam a destruição e a miséria; e não conheceram o caminho da paz (Romanos 3:16-17). Os “deístas” dos séculos XVII e XVIII discursaram muito sobre a inocência encantadora das tribos que habitavam nos caramanchões silvestres de florestas virgens, intocadas pelos vícios da civilização, não poluídas pelo comércio moderno. Mas quando as florestas da América foram visitadas pelo homem branco, ele encontrou os índios como sendo tão ferozes e cruéis como os animais selvagens, de modo que, como se expressou, “A macha-dinha vermelha poderia ter sido estampada como o revestimento do braço do homem vermelho, e seus olhos de vingança eram como o indício de seu caráter”. Quando os viajantes penetraram no interior da África, onde esperava-se encontrar a natureza humana em sua excelência primitiva, eles descobriram, em vez disso, diabrura primitiva. Tome as raças mais calmas, olhe para o rosto gentil de um hindu, alguém poderia supor que ele é incapaz de brutalidade e bestialidade, mas deixe que os fatos da rebelião Sepoy do século passado sejam lidos, e você encontrará a inclemência do tigre. Assim também é com o chinês plácido, o Levante dos boxers1 e as atrocidades no início deste século testemunharam desumanidades similares. Se uma nova tribo for descoberta, devemos saber que essa também deve ser depravada e viciosa; apenas o fato de sermos informados de que eles eram homens nos obriga a concluir que eles eram “odiosos e odiando uns aos outros” [Tito 3:3].

A Depravação Tanto de Judeus Quanto de Gentios

A depravação dos gentios não pode excitar surpresa, uma vez que as suas religiões, em __________ [1] Levante, Rebelião ou Guerra dos boxers (1899-1900), chamado também de Movimento Yijetuan, foi um movimento popular antiocidental e anticristão na China (Wikipédia).

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vez de restringir, fornecem estímulo para os vícios mais horríveis, nos exemplos de seus deuses extravagantes. Todavia os judeus eram melhores? A consideração de seu caso, deve não só voltar-se a partir do geral para o particular, mas também temos diante de nós aquelas pessoas que foram designadas por Deus para serem uma amostra da natureza humana. O Ser Divino os escolheu e os separou de todas as outras nações, derramando sobre eles Seus benefícios, os fortaleceu com muitos encorajamentos, fez milagres em Seu nome, os impressionou com as ameaças mais terríveis, castigou-os severamente e frequentemente inspirou Seus servos a dá-nos um relato preciso da Sua resposta. E que resposta infeliz era esta! Excetuando-se a conduta de alguns indivíduos, entre eles, os quais, sendo o efeito da graça Divina, não fizeram nada contra o que estamos aqui apenas demonstrando — na verdade servem para intensificar o contraste — a história triste dos judeus, de forma geral, não foi nada além de uma série de rebeliões e contínuos afastamentos do Deus vivo. Nenhuma outra nação foi tão altamente favorecida e ricamente abençoada pelo Céu, e ninguém retribuiu de forma tão miserável à bondade Divina. Providos com uma lei que foi elaborada e proclamada pelo próprio Deus, e que foi imposta pela mais cativante e também a mais impressionante das sanções, dentro de poucos dias após a sua recepção a nação inteira estava envolvida na adoração obscena de um bezerro de ouro. Foram-lhes concedidos os oráculos e ordenanças Divinas, mas eles não foram nem apreciados nem atendidos. No deserto eles provocaram muito o Santo por suas murmurações, suas concupiscências pelas panelas de carne do Egito, quando supridos com “pão dos anjos” (Salmo 78:25), sua idolatria se prolongou, (Atos 7:42-43), e também sua incredulidade (Hebreus 3:18). Depois que eles receberam por herança a terra de Canaã, logo evidenciaram sua vil ingratidão, pelo que o Senhor disse ao seu servo entristecido: “Não te têm rejeitado a ti, antes a mim me têm rejeitado, para eu não reinar sobre eles” (1 Samuel 8:7). Então, eles foram avessos a Deus e aos Seus caminhos que eles odiavam, perseguiram e mataram os mensageiros que Ele enviou para convertê-los de sua maldade. “Não guardaram a aliança de Deus, e recusaram andar na sua lei” (Salmos 78:10). Eles declararam: “Não há esperança; porque amo os estranhos, após eles andarei” (Jeremias 2:25). Após a prova em Romanos 1 da depravação total do mundo gentio, o apóstolo voltou-se para o caso do privilegiado Israel, e a partir de suas próprias Escrituras demonstrou que eles eram igualmente contaminados, e estavam igualmente sob a maldição de Deus. Fazendo a pergunta: “Pois quê? Somos nós mais excelentes?”, ele respondeu: “De maneira nenhuma, pois já dantes demonstramos que, tanto judeus como gregos, todos estão debaixo do pecado” (Romanos 3:9). Assim também em 1 Coríntios 1, onde o maior desprezo é lançado sobre o que é altamente estimado entre os homens, o judeu é colocado no mesmo nível que o gentio. Ali nos é mostrado como Deus vê as pretensões arrogantes do intelectual

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deste mundo. Quando ele pergunta “Onde está o sábio?” [v. 20], faz referência aos filósofos gregos que eram honrados com esse título. Seu próprio questionamento é um derramamento de desprezo sobre suas reivindicações orgulhosas. Com todo o seu conhecimento alardeado, você já descobriu o Deus vivo e verdadeiro? Eles são desafiados a se apresentarem com seus esquemas de religião. Depois de tudo que você ensinou aos outros, o que você tem feito? Você já descobriu o caminho para a felicidade eterna? Você já aprendeu como pecadores culpados podem ter acesso a um Deus santo? Longe de serem sábios, Deus declara que tais sábios como Pitágoras e Platão eram tolos. Em seguida, Paulo pergunta “onde está o escriba?” (1 Coríntios 1:20), que era o homem sábio, o professor estimado entre os judeus. Ele também estava em tão grande distância e muito ignorante do verdadeiro Deus. Assim, longe de possuir qualquer verdadeiro conhecimento de Deus, ele era um inimigo amargo para o mesmo quando foi proclamado por Seu Filho encarnado. Embora os escribas apreciaram a vantagem inestimável de possuir as Escrituras do Antigo Testamento, eles eram, em geral, tão ignorantes da salvação de Deus como foram os filósofos pagãos. Em vez de apontar para a morte do Messias prometido como o grande sacrifício pelo pecado, eles ensinaram os seus discípulos a dependerem das leis e cerimônias de Moisés, e das tradições inventadas por homens. Quando Cristo se manifestou a eles foram, portanto, os primeiros que, longe de recebê-lO, tornaram-se Seus perseguidores mais amargos; porque Ele apareceu diante deles na forma de um servo, o que não se harmonizou com seus corações orgulhosos. Embora Ele fosse “cheio de graça e de verdade”, não viram nenhuma beleza nEle para que O desejassem. Embora tenha anunciado boas novas, eles se recusaram a dar ouvidos a elas. Quando Cristo realizou milagres de misericórdia, diante deles, eles não acreditaram nEle. Embora Ele tenha buscado apenas o seu bem, eles lhe retornaram somente o mal. Sua linguagem era: “Não queremos que este reine sobre nós” (Lucas 19:14). O Desprezo Por Cristo A negligência geral e até mesmo desprezo que o Senhor Jesus encontrou entre as pessoas, proporciona uma visão muito humilhante do que é a nossa natureza humana caída, mas as profundezas terríveis da depravação humana foram mais claramente evidenciadas pelos escribas e fariseus, os sacerdotes e os anciãos. Embora bem familiarizados com os profetas, e professando estarem esperando o Messias, contudo com malignidade desesperada e impiedosa estes buscavam Sua destruição. Todo o curso de sua conduta mostra que eles agiram contra suas convicções de que Jesus Cristo era o Messias, certamente eles tinham pleno conhecimento de Sua inocência de tudo que eles O acusavam. Isto é evidente a partir da clara intimação dEle que ao ler seus corações, e saber o que eles estavam dizendo dentro de si. “Este é o herdeiro; vinde, matemo-lo” (Mateus 21:38). Eram tão incansáveis

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quanto sem escrúpulos em sua malícia. Eles ou seus servos, perseguiram Seus passos de um lugar para outro, esperando que em Sua relação mais íntima com os Seus discípulos pudessem mais facilmente apanhá-lO, ou encontrar algo em Suas palavras ou ações que poderiam distorcer para acusá-lO. Eles usaram todas as oportunidades para envenenar as mentes do povo contra Ele, e, não contentes com calúnias ordinárias dirigidas ao Seu caráter, disseram que Ele estava ministrando sob a ins-piração imediata de Satanás. Donde tal tratamento iníquo dispensado ao Filho de Deus procede? Donde, senão das vis corrupções de seus corações? “Odiaram-me sem causa” (João 15:25), declarou o Senhor da Glória. Não havia nada, seja em Seu caráter ou em Sua conduta, que merecesse o seu vil desprezo e inimizade. Eles amaram mais as trevas, e, portanto, odiaram a luz. Eles estavam apaixonados por suas más concupiscências e se deleitavam em gratificá-las. Assim, também, com seus seguidores iludidos, que deram ouvidos aos falsos profetas, que disseram: “Paz, paz” para eles, lisonjeando-os e encorajando-os em sua carnalidade. Consequentemente, eles não podiam tolerar o que era desagradável aos seus gostos depravados e condenava suas práticas pecaminosas; e, portanto, este “povo”, bem como seus principais sacerdotes e governantes gritaram: “Fora daqui com este, e solta-nos Barrabás” (Lucas 23:18). Depois de O haverem perseguido até a morte de um criminoso, sua má vontade O perseguiu até o túmulo, pois eles vieram a Pilatos e exigiram que ele guardasse Seu sepulcro. Quando o seu esforço foi provado ser em vão, o alto Sinédrio de Israel subornou os soldados que tentaram guardar o túmulo, e com deliberação premeditada colocaram uma terrível mentira em suas bocas (Mateus 28:11-15). Nem a inimizade dos inimigos de Cristo diminui depois que Ele partiu deste cenário e voltou para o céu. Quando Seus embaixadores saíram a pregar o Seu Evangelho, eles foram presos e proibidos de ensinar em nome de Jesus, e, em seguida, liberados sob ameaça de punição (Atos 4). Após a recusa dos apóstolos a cumprir isso, eles foram novamente espancados (Atos 5:40). A Estevão eles apedrejaram até a morte. Tiago foi decapitado, e muitos outros foram dispersos para escapar da perseguição. Exceto quando Deus quis pôr Sua mão restringidora sobre eles, e aqueles em quem Ele operou um milagre da graça, judeus e gentios igualmente desprezaram o Evangelho e voluntariamente se opuseram ao seu progresso. Em alguns casos, o seu ódio à verdade foi menos abertamente exibido do que em outros, no entanto, não era menos real. Aconteceu o mesmo desde então. Não importando quão seriamente e de modo cativante o Evangelho seja pregado, não ganha quem o ouve, na maioria das vezes eles são como aqueles dos dias de nosso Senhor, “eles, porém, não fazendo caso, foram, um para o seu campo, outro para o seu negócio” (Mateus 22:5). A grande maioria é demasiada indiferente a buscar até mesmo um conhecimento doutrinal da verdade. Há muitas pessoas que consideram esta ebriedade dos perdidos como mera indiferença, mas na verdade é algo muito pior do que isso, ou seja, não gostam de coração das coisas de Deus, são diretamente antagônicos a Ele.

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Sua hostilidade é evidenciada pela forma como eles tratam o povo de Deus. Quanto mais próximo o crente anda com o seu Senhor, mais ele será ofendido e maltratado por aqueles que são estranhos a Ele. Mas “bem-aventurados os que sofrem perseguição por causa da justiça” (Mateus 5:10). Como alguém pontuou, “É uma forte prova da depravação humana que as maldições dos homens e as bênçãos de Cristo devam reunir-se nas mesmas pessoas. Quem teria pensado que um homem podia ser perseguido e injuriado, e ter todo o mal dito a seu respeito por causa da justiça?”. Mas os ímpios realmente odeiam a justiça e integridade, e amam aqueles que os defraudam e erram com eles? Não, eles não se desagradam da justiça que respeita os seus próprios interesses, isso é apenas quanto àquela espécie de justiça que pleiteia os direitos de Deus. Se os santos estivessem satisfeitos com o estabelecimento da justiça e da misericórdia amorosa, e deixassem de andar humildemente com Deus, eles poderiam ir por todo o mundo, não somente em paz, mas com a aprovação do não-regenerado; mas “todos os que piamente querem viver em Cristo Jesus padecerão perseguições” (2 Timóteo 3:12), pois tal vida reprova a impiedade do ímpio. Se a compaixão move o Cristão a alertar seus vizinhos pecaminosos de seu perigo, ele é susceptível de ser insultado por suas advertências. Suas melhores ações serão atribuídas aos piores motivos. No entanto, longe de ser abatido por tal tratamento, o discípulo deve regozijar-se de que ele é considerado digno de sofrer um pouco por amor do seu Mestre. O Repúdio Da Lei De Deus A depravação do homem aparece em seu repudiar a Lei Divina posta sobre ele. É direito de Deus ser reconhecido como Soberano por Suas criaturas, mas eles nunca são tão satisfeitos como quando invadem Sua prerrogativa, quebram Suas leis, e contradizem Sua vontade revelada. Quão pouco é compreendido que é tudo a mesma coisa, repudiar o Seu cetro, e repudiar o Seu Ser: quando repudiam Sua autoridade, negam Sua Divindade. Há no homem natural uma aversão a ter qualquer familiaridade com a regra a qual o seu Criador lhe impôs: “E, todavia, dizem a Deus: Retira-te de nós; porque não desejamos ter conhecimento dos teus caminhos. Quem é o Todo-Poderoso, para que nós o sirvamos? E que nos aproveitará que lhe façamos orações?” (Jó 21:14-15). Isso é visto em sua relutância em usar os meios para a obtenção de um conhecimento de Sua vontade: porém eles são ávidos em sua busca por todos os outros tipos de conhecimento, embora sejam diligentes em estudar a formação, constituição e as formas de criaturas, eles se recusam a familiarizar-se com o seu Criador. Ao tomar conhecimento de alguma parte de Sua vontade, eles se esforçam para removê-la: eles não “se importaram de ter conhecimento de Deus” (Romanos 1:28). Se eles não prosperam, eles não têm prazer na consideração de tais conhecimentos, mas fazem o possível para removê-lo de suas mentes. Se há uma classe de não-regenerados que são exceções à regra geral, são aqueles que

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frequentam a igreja, fazem uma profissão de religião, e tornam-se “estudantes da Bíblia”, eles são motivados pelo orgulho do intelecto e da reputação. Eles têm vergonha de ser considerados como ignorantes espirituais, e desejam ter uma boa reputação nos círculos religiosos. Assim, eles garantem um manto de respeitabilidade, e muitas vezes a estima do povo de Deus. No entanto, eles não possuem a graça. Eles “detêm a verdade em injustiça” (Romanos 1:18), eles a detêm, mas não aderem a ela, sua influência não os transforma. Se eles ponderam sobre, não é com prazer; se têm prazer nela, é apenas porque o seu estoque de informações é aumentado e eles estão melhor equipados para manter suas próprias opiniões em uma discussão. Seu desígnio é informar a sua compreensão, e não vivificar sua afeição. Há muito mais hipocrisia do que sinceridade dentro dos limites da Igreja. Judas era um seguidor de Cristo, porque ele “tinha a bolsa, e tirava o que ali se lançava” (João 12:6), e não por qualquer amor pelo Salvador. Alguns têm a fé ou a verdade de Deus “em acepção de pessoas” (Tiago 2:1), eles recebem não da Fonte, mas a partir do canal, de modo que muitas vezes a mesma verdade entregue por outro é rejeitada, a qual, quando vindo da boca (e fantasia) de seu ídolo, é considerada como um oráculo. Isso é fazer o homem e não Deus sua regra, pois, embora seja reconhecido que é verdade, no entanto, não é recebido no amor da verdade, mas sim como o que é dado por um instru-mento admirado. A depravação da natureza humana é vista na reversão triste e geral para a escuridão de um povo após ter sido favorecido com a luz. Mesmo quando Deus tem sido conhecido e Sua verdade tem sido proclamada, se Ele deixa os homens ao trabalho de seus maus corações, eles rapidamente caem em um estado de ignorância. Noé e seus filhos viveram por séculos após o dilúvio a ponto de fazer conhecidas no mundo as perfeições de Deus, mas todo o conhecimento dEle logo desapareceu; Abrão e seu pai eram idólatras (Josué 24:2). Mesmo depois que um homem tem experimentado o novo nascimento e tornar-se o objeto da influência Divina imediata, quanta ignorância e erro, imperfeição e impropriedade ainda permanecem! Somente pelo fato de que ele não é completamente sujeito ao Senhor. As rebeliões e apostasias parciais de Cristãos genuínos são uma demonstração terrível da corrupção da natureza humana. A nossa tendência a cair em erro após a iluminação Divina é solenemente ilustrada pelos Gálatas. Eles tinham sido instruídos por Paulo, e por meio do poder do Espírito tinha acreditado no Salvador anunciado. Então, se alegraram e o receberam “como um anjo de Deus” (4:14); ainda no decorrer de alguns anos muitos desses conversos deram ouvidos a falsos mestres, até que renunciaram a seus princípios, a ponto do apóstolo ter dizer-lhes “estou perplexo a vosso respeito” (4:20). Olhe para a Europa, Ásia, África, após a pregação dos Apóstolos e aqueles que imediatamente os sucederam. Embora a luz do Cristianismo tenha iluminado a maioria das partes do Império Romano, foi rapidamente extinta e deu lugar à escuridão. A maior parte do mundo caiu como vítima do Catolicismo Romano e do Islamismo.

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Nada demonstra mais fortemente a pecaminosidade do homem do que sua propensão à idolatria: nenhum outro pecado foi tão fortemente denunciado ou tão severamente punido por Deus. Ídolos são apenas obra das mãos dos homens, e, portanto, inferiores a eles mesmos, logo, quão irracional é adorá-los! Pode a loucura humana ir mais longe do que os homens imaginarem ser capazes de fabricar deuses? Aqueles que têm caído tão baixo a ponto de confiar em um bloco de madeira ou pedra chegaram ao extremo da tolice. Como o Salmo 115 aponta: “Têm boca, mas não falam; olhos têm, mas não veem... A eles se tornem semelhantes os que os fazem”, tornam-se tão tolos, tão incapazes de ouvir e ver as coisas que pertencem à sua salvação. Os Romanistas e seus imitadores não são melhores do que os gentios que não possuem uma Bíblia, pois pervertem a espiritualidade e a simplicidade do culto Divino por cerimônias infantis. Deus exige a adoração da alma, e eles oferecem a Ele a do corpo. Ele pede o coração, eles dão-Lhe os lábios. Ele exige uma homenagem da compreensão, mas eles zombam dEle com altares e crucifixos, velas e incenso, vestes pomposas e genuflexões. A corrupção da natureza humana descobre-se em crianças pequenas. Como os nossos pais tinham o costume de dizer: “O que é produzido no osso aflora na carne”. E quão cedo isto acontece! Se houvesse alguma bondade inata no homem, seria certamente mostrada durante os dias de sua infância, antes dos princípios virtuosos serem corrompidos, e maus hábitos formados por seu contato com o mundo. Mas podemos encontrar crianças inclinadas a tudo o que é puro e excelente, e avessas a tudo que seja errado? Elas são mansas, dóceis, cedendo facilmente à autoridade? Elas são altruístas, magnânimas quando outra criança pega o seu brinquedo? Longe disso. O resultado invariável do crescimento nos seres humanos é que, logo que seja maduro o suficiente para expor quaisquer qualidades morais através na ação humana eles exibem as más. Muito antes de atingirem idade suficiente para entender seus próprios temperamentos maus, eles manifestam a vontade própria, cobiça, engano, raiva, rancor e vingança. Eles choram e se afligem pelo que não é bom para eles, e estão indignados com os mais velhos por sua recusa, muitas vezes tentando atacá-los. Aqueles nascidos e criados no meio de honestidade são culpados de furtos insignificantes antes mesmo de testemunharem um ato de roubo. Estas manchas não devem ser atribuídas à ignorância, mas à sua discordância com a Lei Divina, a qual a natureza do homem foi originalmente conformada; que mudança terrível o pecado operou na constituição humana. A natureza humana é visivelmente contaminada desde o início de sua existência. A prevalência universal da doença e morte testemunham inequivocamente a queda do homem. Todas as dores e doenças dos nossos corpos, pelas quais a nossa saúde é prejudicada e nossa passagem por este mundo se torna inquieta, são as consequências de nossa apostasia de Deus. O Salvador fez uma insinuação clara de que a doença é o efeito do pecado quando Ele curou o homem com a paralisia, dizendo: “Os teus pecados te são per-

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doados” (Mateus 9:2); como o salmista também liga entre si o fato de Deus perdoar o Seu povo e a cura de suas enfermidades (103:3). “Não é algo que acontece a todos”. Sim, mas por que deveria? Por que deveria haver desperdício e dissolução? A Filosofia não oferece nenhuma explicação. A ciência pode fornecer nenhuma resposta satisfatória, para dizer que a doença resulta da decadência da natureza e com isso somente esquivar-se do questionamento. A doença e a morte são anormalidades. O homem é criado pelo Deus eterno, dotado de uma alma imortal; por que, então, ele não continua a viver aqui para sempre? A resposta é: por causa da Queda, a morte é o salário do pecado. A ingratidão do homem ao Seu benfeitor gracioso é mais uma evidência de sua triste condição. Os israelitas eram uma amostra lamentável de toda a humanidade a este respeito. Embora o Senhor os livrou da casa da servidão, milagrosamente os conduziu através do Mar Vermelho, conduziu-os de forma segura através do deserto, eles não valorizaram isto. Embora Ele, com uma nuvem, os escondeu do calor do sol, e tenha lhes iluminado de noite numa coluna de fogo, e os alimentou com pão do céu, tenha feito ribeiros fluírem no deserto de areia, e os trouxe para a posse de uma terra que mana leite e mel, eles estavam continuamente murmurando e descontentes. E nós não somos melhores. As misericórdias de Deus são recebidas como uma coisa natural. A mão que tão generosamente ministra às suas necessidades não é reconhecida ou mesmo conhecida pelos homens. Ninguém está satisfeito com o lugar e parte que lhe foi atribuído pela Providência, ele está sempre cobiçando o que não tem. Ele é uma criatura dada a mudanças, acometido de uma doença que Salomão chamou de “o vaguear da cobiça” (Eclesiastes 6:9). “Todo cão que ladra contra mim, cada cavalo que levanta o seu calcanhar contra mim, prova que eu sou uma criatura caída. A criação bruta não tinha inimizade contra o homem antes da Queda. A criação prestou uma homenagem voluntária a Adão (Gênesis 2:19). Eva não mais temia a serpente do que uma mosca. Mas quando o homem renunciou à fidelidade do seu Deus, os animais por permissão Divina deixaram a fidelidade ao homem” (John Berridge, O Mundo Cristão Desvelado). É uma prova de sua degradação que o preguiçoso seja exortado a “ir ter com a formiga” e aprender com uma criatura muito mais baixa na escala dos seres! Considere a necessidade das leis humanas, cercada com punições e terrores para conter as concupiscências dos homens, no entanto, apesar do grande e custoso aparato das forças policiais, tribunais e prisões, quão pequeno é o sucesso que seus esforços alcançam para reprimir a maldade humana! Nem a educação, nem a legislação e nem a religião são suficientes. Por fim, pegue a experiência invariável dos santos. É parte da obra do Espírito Santo: abrir os olhos dos cegos, fazer a alma ver sua miséria e torná-la sensível em relação à sua extrema necessidade de Cristo. E quando Ele, portanto, leva um pecador a perceber sua condi-

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ção arruinada por transmitir um conhecimento experimental do pecado, sua beleza é imediatamente transformada em corrupção, e ele grita: “Eis que sou vil” [Jó 40:4]. Apesar de graça ter entrado em seu coração, sua depravação natural não foi expulsa. Embora o pecado não tenha mais domínio sobre ele, ele se enfurece e, muitas vezes, prevalece contra ele. Há uma guerra incessante interiormente entre a carne e o espírito. Não há necessidade de nos estendermos sobre este ponto, pois cada Cristão geme dentro de si mesmo, e por causa da praga do seu coração clama: “Miserável homem que eu sou” [Romanos 7:24]. Miserável, porque ele não vive como sinceramente ele deseja viver, e porque ele muitas vezes faz as próprias coisas que ele odeia, gemendo diariamente durante suas imaginações más, pensamentos errantes, incredulidade, orgulho, frieza, pretensão.

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Não É Razoável Que Pessoas Não-Convertidas Se Alegrem Por Robert Murray M’Cheyne

“A espada, a espada está afiada e polida. Para grande matança está afiada, para reluzir está polida. Alegrar-nos-emos pois? A vara de meu filho é que despreza todo o madeiro.” (Ezequiel 21:9-10) A partir do segundo verso deste capítulo, aprendemos que esta profecia foi dirigida contra Jerusalém: “Filho do homem, dirige o teu rosto contra Jerusalém, e derrama as tuas palavras sobre os santuários, e profetiza sobre a terra de Israel” [Ezequiel 21:2]. Já lhes disse que Ezequiel, embora ainda jovem, foi levado cativo por Nabucodonosor, e colocado, dentre um número de seus compatriotas, junto ao rio Quebar. Foi lá que ele profetizou durante um espaço de vinte e dois anos. A profecia que eu li foi profetizada no sétimo ano de seu cativeiro, e apenas três anos antes de Jerusalém ter sido destruída, e o templo queimado. A partir do versículo 2, aprendemos que estas palavras foram dirigidas contra Jerusalém, pois embora Deus tenha levado Ezequiel para longe para ministrar aos cativos, junto ao rio Quebar, contudo, fez-lhe enviar muitas mensagens de advertência e de misericórdia para sua amada Jerusalém. “Filho do homem, dirige o teu rosto contra Jerusalém, e derrama as tuas palavras sobre os santuários, e profetiza sobre a terra de Israel”. Deus já havia cumprido muitas das palavras de Seus profetas contra Jerusalém. Ele tinha cumprido a palavra de Jeremias contra um dos seus reis (Jeoiaquim): “Em sepultura de jumento será sepultado, sendo arrastado e lançado para bem longe, fora das portas de Jerusalém” [Jeremias 22:18-19]. Ele tinha cumprido a palavra do mesmo profeta levando outro rei (Jeconias) para a Babilônia com todos os vasos preciosos da Casa do Senhor. Mas ainda assim, nem profecias nem julgamentos despertariam Jerusalém; de modo que nos é dito em 2 Crônicas 36:12 que o próximo rei, Zedequias, “fez o que era mau aos olhos do Senhor seu Deus; nem se humilhou perante o profeta Jeremias, que falava da parte do Senhor”, v. 14 em diante: “Também todos os chefes dos sacerdotes e o povo aumentavam de mais em mais as transgressões, segundo todas as abominações dos gentios; e contaminaram a casa do Senhor, que ele tinha santificado em Jerusalém. E o Senhor Deus de seus pais, falou-lhes constantemente por intermédio dos mensageiros, porque se compadeceu do Seu povo e da Sua habitação. Eles, porém, zombaram dos mensageiros de Deus, e desprezaram as suas palavras, e mofaram dos seus profetas; até que o furor do Senhor tanto subiu contra o Seu povo, que mais nenhum remédio houve”. Foi em um momento de grande dureza e impenitência em Jerusalém que a profecia dian-

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te de mim foi entregue, e apenas três anos antes da ira de Deus ter sido derramada sobre eles até ao fim. (1) Tudo era alegria e sensualidade em Jerusalém. (2) Os falsos profetas profetizavam paz, e as pessoas gostavam que isto fosse assim. (3) Não havia som, senão o de festas no interior da devotada cidade. Mas no meio desse barulho e folia, o profeta solitário à beira do rio Quebar ouviu o murmúrio do trovão distante. O fiel servo de Deus viu Deus armando-se como um homem poderoso para a guerra, e a espada reluzente da vingança em Sua mão, e ele clama em alta voz, com trovões, para seus conterrâneos, todos à vontade, despertarem: “A espada, a espada está afiada e polida. Para grande matança está afiada, para reluzir está polida. Alegrar-nos-emos pois?”. Meus amigos, aqueles de vocês que não são convertidos estão na mesma situação em que Jerusalém estava. Nos anos que agora passaram, como as brumas da manhã, quantas mensagens vocês tiveram da parte de Deus? Quantas vezes Ele enviou Seus mensageiros para vocês, madrugando e enviando-os? Sua Bíblia está em suas casas, um silencioso, mas um poderosíssimo defensor de Deus; Sua providência tem estado em suas famílias, na doença e morte, na abundância ou na pobreza, todos estes lhes rogando fugirem da ira vindoura e lhes suplicando para apegarem-se ao Senhor Jesus, o único, o Salvador todosuficiente. Todas estas mensagens têm vindo a vocês, e vocês ainda permanecem não-convertidos, ainda mortos, ossos secos, sem Cristo e sem Deus no mundo. E vocês estão dizendo: Alma, folgue, coma e beba, e seja feliz. Mas, meus amigos, ouçam mais uma vez, pois Deus não quer que ninguém pereça. Eu tenho uma palavra de Deus para ti: “A espada, a espada está afiada e polida. Para grande matança está afiada, para reluzir está polida. Alegrar-nos-emos pois?”. Doutrina. Não é razoável que pessoas não-convertidas se alegrem. 1. Não é razoável, porque eles estão sob condenação. A espada está afiada e polida. Ela está afiada para fazer uma grande matança; está polida para reluzir. Deveríamos, então, nos alegrar? Há uma ideia comum de que os homens estão em liberdade condicional, como Adão estava, e que as pessoas sem Cristo não serão condenadas até o julgamento; mas este não é o caso. A Bíblia diz: “Aquele que não crê já está condenado” [João 3:18]. “Aquele que não crê no Filho não verá a vida, mas a ira de Deus sobre ele permanece” [João 3:36]. “Maldito (“é maldito” e não “será maldito”) aquele que não confirmar as palavras desta lei, não as cumprindo” [Deuteronômio 27:26]. Almas sem Cristo estão atualmente no poço horrível, toda a boca está calada, e elas são culpadas diante de Deus. Elas estão na prisão, prontas para serem levadas para a execução. Portanto, quando Deus nos envia a pregar às pessoas sem Cristo Ele chama isto de “pregar aos espíritos em prisão”, ou seja, que

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estão sob condenação. A espada não está somente desembainhada, está afiada e polida. Paira sobre as suas cabeças. Vocês deveriam, então, alegrar-se? Não é razoável que um malfeitor condenado alegre-se. Será que não assombra grandemente toda mente sensível ver um grupo de homens condenados à morte reunidos e alegrando-se, falando de forma descontraída e fazendo zombarias, como se a espada não estivesse sobre eles? No entanto, este é o caso daqueles de vocês que não são convertidos e vivem vidas alegres. Você foi pesado na balança e achado em falta. Você foi condenado pelo justo juiz. Sua sentença está lavrada. Você está agora em prisão, e não pode sair dela; a espada é incitada e atraída por você. E oh! não é demasiado irracional alegrar-se? Não é mui irrazoável ser feliz e contente consigo mesmo e com seus amigos? Não é uma loucura cantar a canção do bêbado? “Comamos e bebamos, porque amanhã morreremos” [Isaías 22:13; 1 Coríntios 15:32]. 2. Porque os instrumentos destruidores de Deus estão todos prontos. As pessoas sem Cristo já estão não apenas condenadas, mas os instrumentos de sua destruição estão prontos. A espada da vingança está afiada e polida. Quando as espadas estão guardadas no arsenal, são mantidas embotadas, para que a ferrugem não danifique seu fio; mas quando o trabalho deve ser feito, e elas são levadas para fora para a matança, então elas são amoladas e afiadas, tornando-se agudas e brilhantes. Assim é com a espada do carrasco; quando não está em uso, ela é mantida sem corte; mas quando o trabalho deve ser feito, está afiada e preparada. Ela está aguda e polida, pouco antes do golpe ser desferido, nítidamente cortante. Assim é com a espada da vingança de Deus. Não está embainhada e sem corte, está afiada e polida, está completamente pronta para fazer o seu trabalho, está bastante preparada para uma grande matança. A doença pelo qual cada homem não-convertido morrerá está completamente pronta, talvez esteja em suas veias, neste exato momento. O acidente pelo qual ele deve ser lançado na eternidade está completamente pronto, todas as partes e meios disso já estão arranjados. A seta que deve lhe ferir não está no arco, talvez tenha deixado a corda, e esteja agora mesmo voando em sua direção. O lugar no inferno está completamente pronto para todas as almas não-convertidas. Quando Judas morreu, as Escrituras dizem: “ele foi para o seu próprio lugar” [Atos 1:25]. Este era seu lugar antes de ir para lá, estando mui preparado e pronto para ele. Como quando um homem se retira à noite ao seu quarto de dormir, diz-se que ele se foi para seu próprio quarto, assim, um lugar no inferno está completamente pronto para todas as pessoas sem Cristo. Este é o seu próprio lugar. Quando o homem rico morreu e foi sepultado, ele foi imediatamente para seu próprio lugar. Ele encontrou tudo pronto. Ele levantou os olhos no inferno, estando em tormentos. Então, o Inferno está completamente pronto para todas as pessoas sem Cristo. Foi preparado, há muito tempo, para o diabo e seus anjos. As chamas estão todas prontas, e totalmente inflamadas, ardendo.

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Ah! Deverão, então, as almas sem Cristo alegrarem-se? Um malfeitor pode, talvez, dizer que ele seria feliz, desde que o patíbulo não fosse erigido para que ele morresse. Mas se lhe fosse dito que o patíbulo estava pronto, que a espada foi afiada e que o carrasco está pronto, oh! não seria loucura se ele se alegrasse? Ai! esta é a sua loucura, pobre alma sem Cristo. Você não está apenas condenada, mas a espada está afiada e pronta para ferir a sua alma; e você ainda pode ser feliz, e sonhar passar os seus dias e noites em prazeres que perecem pelo uso. A doença está pronta, o acidente está pronto, a seta está no arco, o túmulo está pronto, sim, o próprio inferno está pronto, o seu próprio lugar está preparado; e você ainda pode alegrar-se!? Você pode jogar e divertir-se em companhias. Quão verdadeiramente o seu riso é como o crepitar dos espinhos debaixo de uma panela: uma chama flamejante, e então a escuridão das trevas para sempre! 3. A espada pode vir a qualquer momento. As pessoas sem Cristo já não estão apenas condenadas, e não somente a espada da vingança está completamente pronta, mas a espada pode vir a qualquer momento. Não é assim com malfeitores; seu dia é determinado e anunciado a eles, para que eles possam contar seu tempo. Se eles têm muitos dias eles se alegram hoje, pelo menos, e ficam sérios amanhã. Mas não é assim com as pessoas sem Cristo; seu dia está determinado, mas não é dito para elas. Pode ser neste exato momento. Ah! eles devem, então, alegrarem-se? Alguns malfeitores foram encontrados muito duros de coração até o fim. Muitos já receberam a sua sentença com muita indiferença, e com um semblante determinado. Alguns têm até mesmo ido para o patíbulo mui impassíveis; alguns até mesmo levemente, com o espírito descuidado. Mas quando a cabeça está posta sobre cepo, quando os olhos são cobertos, e seu pescoço é desnudado, quando a espada reluzente é suspensa, e pode descer a qualquer momento, este é um momento de terrível suspense. Seria muito horrível ver um homem tranquilo e de espírito descuidado, naquele momento. Oh! Não seria uma loucura estar feliz naquele momento!? Ai! Esta é a sua loucura, pobre alma sem Cristo. Você não está apenas condenada, e não somente a espada está pronta, mas pode cair sobre você a qualquer momento. Sua cabeça está posta, por assim dizer, no cepo. Seu pescoço está exposto diante de Deus, e a espada afiada está aguçada sobre você; e você ainda pode alegrar-se? Você pode entreter a sua mente com os negócios e as coisas do mundo, buscando riqueza, construindo e plantando, e se nesta noite a sua alma for requerida de você? Você pode preencher o seu tempo com jogos e diversões, livros tolos e companheiros divertidos? Você pode preencher suas horas depois do trabalho com a conversa fiada e comportamento lascivo, acrescentando pecado a pecado, entesourando ira para o dia da ira, quando você não sabe a que hora a ira de Deus pode vir sobre você finalmente? Você pode ir para sua cama à noite sem oração, com sua mente cheia de imaginações sombrias e horríveis que nem sequer podem ser mencionadas; você não poderia estar no inferno antes do amanhecer? A espada, a espada, está polida!

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4. Porque Deus não fez nenhuma promessa para almas sem Cristo de deter a Sua mão nem por um só momento. Todas as promessas de Deus são sim e amém; ou seja, elas são verdadeiras. Ele sempre cumpre Suas promessas. Mas a mesma Bíblia diz que elas são “sim e amém em Cristo Jesus” [2 Coríntios 1:20]. Todas as promessas de Deus são feitas a Cristo e aos pecadores que se unem a Cristo. Eu acredito que é impossível, pela natureza das coisas, que Deus fizesse uma promessa a um homem não-convertido. Dessa forma, todas as promessas de Deus são feitas a Cristo, e a cada pecador que se une a Cristo. Mas as pessoas não-convertidas são aquelas que nunca vieram a Cristo; por conseguinte, não há promessas feitas para elas [...]. Ele não promete em nenhum lugar mantê-los um momento sequer fora do inferno. “Alegrar-nos-emos pois?”. Deixe-me falar com pessoas que estão sem Cristo, entregues à sua própria vontade. Sei que muitos de vocês que me ouvem estão sem Cristo; e ainda assim vocês percebem que vocês estão à vontade e felizes. Por que isso é assim? Isso é porque vocês esperam serem levados a Cristo antes de morrer. Vocês dizem: “outro dia servirá também, e eu te ouvirei novamente sobre esta questão”, e assim vocês se acomodam agora. Mas isso é muito irrazoável. Não é digno da racionalidade aquele que age desta forma. Em nenhum lugar Deus prometeu trazê-lo a Cristo antes de morrer. Deus não colocou-Se sob nenhum tipo de obrigação para com você. Ele não prometeu em nenhum lugar que você verá o amanhã, ou que você ouvirá outro sermão. Há um dia à mão quando você não mais verá o amanhã. Se este não for o último, há ainda um sermão a ser pregado, que será o último que você ouvirá. Deixe-me falar com as pessoas sem Cristo que estão preocupadas em relação suas almas. Alguns que me ouvem sabem que eles estão sem Cristo, e isso os preocupa, e ainda devese temer que alguns estejam perdendo essa ansiedade, e agora voltando para as alegrias do mundo. Por que isso? Isto é o mais irrazoável. Se você ainda está fora de Cristo, embora tenha ficado preocupado por causa disto, lembre-se que Deus não fez promessas para salvar você. A espada ainda está mui polida e afiada sobre você. Ah! Então não se alegre. Esforce-se para entrar pela porta estreita. Tome o reino dos céus pela força. Porfie por ele. Nunca descanse até que você esteja nos laços da aliança. Depois, seja tão feliz enquanto o dia durar. 5. Há uma grande matança: “A espada! a espada!”. Em primeiro lugar, grande porque será sobre todos os que estão sem Cristo. O horror do massacre em Jerusalém foi que todos foram mortos, tanto velhos como jovens. A ordem que o profeta ouviu foi: “Passai pela cidade após ele, e feri; não poupe o vosso olho, nem vos compadeçais. Matai velhos, jovens, virgens, meninos e mulheres, até exterminá-los;

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mas a todo o homem que tiver o sinal não vos chegueis” (Ezequiel 9:5-6). Tal é a grande matança que espera as almas não-convertidas. Todas as pessoas sem Cristo perecerão, jovens e velhos. Deus não poupará nem se apiedará o Seu olho. Pensem nisso, pessoas idosas e de cabelos brancos, que viveram em pecado, e nunca vieram a Cristo: se vocês morrerem assim, certamente perecerão na grande matança. Pensem nisso, você, pessoas de meia-idade, comerciantes e trabalhadores, que ganham dinheiro, mas não vendem tudo pela pérola de valor. Pensem nisso Martas, que são estão ansiosas e afadigadas com muitas coisas, mas que se esquecem de uma coisa que é necessária, você também cairá na grande matança. Pensem nisto, jovens, que vivem sem oração, mas em alegrias e jovialidade, que se reúnem para zombar e se alegrar nas noites de Sabath, você que anda na vista de seus próprios olhos, você também cairá na grande matança. Pensem nisso, filhinhos, vocês que são o orgulho do coração de sua mãe, mas que se desviaram desde o ventre, falando mentiras [Salmos 58:3]. Filhinhos, que gostam de seus brinquedos, mas não gostam de aproximarem-se de Jesus Cristo, que é o Salvador de crianças pequenas, a espada virá sobre vocês também. Oh! é um massacre dolorido, que não poupará o jovem, nem o belo, nem o amável; nem a mãe gentil e a criança carinhosa; nem a viúva e seu único filho. Então, devemos nos alegrar? Famílias não-convertidas, quando vocês se encontram à noite para gracejos e jogos uns com os outros, façam esta pergunta, deveríamos nos alegrar? É a sua alegria, razoável? É digna de seres racionais? Companheiros não-convertidos, que se encontram tantas vezes para regozijo e diversão, vocês devem juntamente se alegrarem quando vocês estão em tal caso? Ah! quão triste será o contraste quando Deus disser: “Atai-os em molhos para os queimar” [Mateus 13:30] Em segundo lugar, grande matança, porque a espada é a espada de Deus. Se fosse apenas a espada do homem que é polida e afiada para a matança, não seria muito terrível. Mas é a espada de Deus todo-poderoso, e por isso é muito terrível. “Não temais os que matam o corpo e, depois, não têm mais que fazer. Mas eu vos mostrarei a quem deveis temer; temei aquele que, depois de matar, tem poder para lançar no inferno; sim, vos digo, a esse temei” [Lucas 12:4-5]. Se fosse a espada do homem, ele poderia atingir apenas o corpo; mas, ah! é a espada de Deus, e o ferro entra na alma. É a mesma espada que apareceu no jardim do Éden. “Uma espada inflamada que andava ao redor, para guardar o caminho da árvore da vida” [Gênesis 3:24]. É a mesma espada que perfurou o lado de Jesus Cristo em Sua agonia: “Ó espada, desperta-te contra o meu pastor, e contra o homem que é o meu companheiro, diz o Senhor dos Exércitos. Fere ao pastor, e espalhar-se-ão as ovelhas” [Zacarias 13:7]. É a espada de que Cristo fala, quando diz: “E cortá-lo-á, e destinará a sua parte com os hipócritas; ali haverá pranto e ranger de dentes” [Mateus 24:51 – tradução literal].

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Queridos irmãos, não são algumas feridas na carne que essa espada fará. Ela cortará em pedaços, será um golpe mortal, morte eterna. Esta é a morte do corpo, mas a alma estará sempre morrendo, ainda assim, nunca morrerá. 1. Permita-me falar com o idoso. Pode haver algum me ouvindo em quem estas três coisas se encontram, a saber, ele está velho, sem Cristo e cheio de alegria. Oh! se houver um tal a me ouvir, considere seus caminhos; considere se a sua alegria pode ser digna de um ser racional. Eu lhe mostrei claramente a partir das Escrituras o que o seu caso é: (1) Que já estás condenado. (2) Essa espada de Deus está pronta. (3) Ela pode vir a qualquer momento. (4) Que Deus não te fez nenhuma promessa para refrear a Sua mão. E (5) isso será uma grande matança. Considere, então, se é razoável acreditar em uma mentira para enganar sua própria alma e dizer: Paz! Paz! quando não há paz. Segundo o curso normal das coisas, você deve em breve seguir o caminho de todos os viventes, você deve ser recolhido aos seus pais; e, em seguida, será cumprido tudo o que eu disse. Então você alegrar-seá? Você está cambaleando à beira do inferno, e ainda vivendo sem oração e sem Cristo, e divertindo-se com ninharias, falando o repetindo os contos de sua juventude, e rindo nas brincadeiras costumeiras? Ai! Que profundidade de significado há ali na palavra de Salomão! “Ao riso disse: Está doido; e da alegria: De que serve esta? Até no riso o coração sente dor e o fim da alegria é tristeza” [Eclesiastes 2:2; Provérbios 14:13]. 2. Deixe-me falar com o jovem. Pode haver muitos a me ouvir em quem estas três coisas se encontram: são jovens na idade, distantes de Cristo e, ainda assim, cheios de alegria. Agora, meus queridos amigos, peço que vocês considerem se a sua alegria é razoável. A espada está afiada para uma grande matança. Então, vocês se alegrarão? Objeção 1. A juventude é o momento de alegria. Resposta. Eu sei bem que a juventude é o tempo para a alegria. O jovem cordeiro é uma criatura feliz enquanto salta no pasto verdejante. O jovem cabrito salta de rocha em rocha com a mais animada alegria. O potro lança seus saltos no ar, cheio de vida e atividade. Contudo, eles não têm nenhum pecado, e você tem; eles não têm um inferno, e você tem. Se você se achegar a Jesus Cristo agora, e for liberto da ira, ah! então, você encontrará que a juventude é o tempo para a alegria; a juventude é o tempo para desfrutar da doce paz no peito, e da mais vívida comunhão com Deus, e das mais resplandecentes esperanças de glória. Objeção 2. Você queria que fôssemos melancólicos e tristes? Resposta. Deus me livre. Tudo o que eu afirmo é que, até que vocês venham a Cristo, sua

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alegria é louca e irracional. Se você vier a Cristo, então, será tão feliz quanto quiser; não há limites para sua alegria ali, pois você se alegrará em Deus. E quando você morrer, você alcançará a plenitude da alegria em Sua presença; à Sua destra há delícias perpetuamente. Objeção 3. Se eu estiver sem Cristo, ficar triste não me trará a Cristo, então, portanto, eu posso também ser feliz. Resposta. É verdade, ficar triste não vai trazê-lo para Cristo; e ainda, se você estivesse realmente despertado para clamar a Deus, porventura, Ele ouviria seu clamor. Se você estivesse se esforçando para entrar, você poderia encontrar entrada. Se você estivesse porfiando pelo o reino, você, talvez, pudesse tomá-lo pela violência. Buscai a mansidão, buscai a justiça. Pode ser que sejais escondidos no dia da ira do Senhor. Se você ficar onde está, esteja certo que estará perdido. Se você viver em segurança carnal, em alegria e jovialidade, enquanto você estiver fora de Cristo, esteja certo de que perecerá. “Alegra-te, jovem, na tua mocidade, e recreie-se o teu coração nos dias da tua mocidade, e anda pelos caminhos do teu coração, e pela vista dos teus olhos; sabe, porém, que por todas estas coisas te trará Deus a juízo” [Eclesiastes 11:9]. Dundee, 1837.

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Pecado Imensurável (Sermão Nº 299) Pregado na manhã de Sabath, 12 de fevereiro de 1860. Por C. H. Spurgeon, em Exeter Hall, Strand.

“Quem pode entender os seus erros?” (Salmo 19:12) O que sabemos é como nada em comparação com o que nós não sabemos. O mar de sabedoria lançou de si uma concha ou duas sobre a nossa praia, mas as suas vastas profundezas nunca foram conhecidas a cada passo do pesquisador. Mesmo as coisas naturais que conhecemos são apenas matérias superficiais. Aquele, que mais tem viajado pelo vasto mundo e descido às suas minas mais profundas, ainda assim deve estar ciente de que ele tenha visto, somente uma parte da mera crosta deste mundo; que, em relação ao seu vasto centro, seus fogos misteriosos e segredos de fundição, a mente do homem não os tem ainda concebido! Se você olhará para cima, o astrônomo irá dizer-lhe sobre as estrelas não descobertas, que a grande massa de mundos que formam a Via Láctea e as massas abundantes de nebulosas, que esses grandes grupos de mundos desconhecidos, infinitamente excedem o pouco que podemos explorar, como uma montanha excede um grão de areia! Todo o conhecimento que os homens mais sábios podem, eventualmente, atingir em toda uma vida não é mais do que aquilo que a criança pode retirar do mar, com sua pequena xícara, em comparação à imensidão das águas que enchem os seus canais até a borda. Pois, quando nos tornamos mais sábios, temos que vir para o limiar do conhecimento; não demos, senão um passo nessa corrida da descoberta que vamos ter que perseguir por toda a eternidade. Este é igualmente o caso no que diz respeito às coisas do coração e às coisas espirituais, que diz respeito a este pequeno mundo chamado homem. Não sabemos nada sobre as coisas, senão superficialmente. Se eu falar com você sobre Deus, de Seus atributos, de Cristo, de Sua expiação, ou de nós mesmos e do nosso pecado, devo confessar que ainda não conhecemos nada, senão o exterior; que não podemos compreender o comprimento, a largura, a altura de qualquer um desses assuntos! O assunto desta manhã: nosso próprio pecado e o erro dos nossos próprios corações, é aquele que às vezes pensamos que conhecemos, mas do qual podemos sempre ter a certeza de que só começamos a conhecer, e que, quando nós aprendermos o máximo que alguma vez conheceremos na terra, a questão ainda será pertinente: “Quem pode entender os seus erros?”. Agora, nesta manhã me proponho em primeiro lugar, muito brevemente, de fato, a explicar a questão; em seguida, em maior extensão impressioná-la em nossos corações; e, finalmente, vamos aprender as lições que ela nos ensina.

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I. Primeiro, então, deixe-me EXPLICAR A PERGUNTA: “Quem pode entender os seus erros?” Todos nós reconhecemos que temos erros. Certamente não somos tão orgulhosos a ponto de imaginarmos que somos perfeitos. Se pretendemos perfeição, somos completamente ignorantes, pois cada profissão da perfeição humana surge da perfeita ignorância! Qualquer noção de que somos livres do pecado deve ao mesmo tempo ensinar-nos que abundamos no mesmo. Pois, ao justificar a minha vanglória de perfeição, devo negar a Palavra de Deus, esquecer a Lei e exaltar a mim mesmo acima do testemunho da verdade de Deus! Por isso, eu digo, nós estamos dispostos a confessar que temos muitos erros, mas quem de nós pode entendê-los? Quem sabe com precisão o quanto uma coisa pode ser errada mas, nós imaginamos ser uma virtude? Quem entre nós pode definir o quanto de maldade está misturado com a nossa retidão, o quanto de injustiça com a nossa justiça? Quem é capaz de detectar os componentes de cada ação, de modo a ver a proporção de motivo que a constituiria certa ou errada? Seria realmente um homem astuto aquele que é capaz de desmascarar uma ação e dividi-la nos motivos essenciais que são seus componentes. Onde achamos que estamos certos, quem sabe, não estejamos errados? Mesmo onde com o escrutínio mais rigoroso, chegamos à conclusão de que fizemos uma coisa boa, quem entre nós pode ter certeza de que não foi enganado? Não pode a boa aparência estar tão desfigurada com motivação interna, a ponto de se tornar um mal real? Quem pode entender os seus erros, de modo a sempre detectar uma falha quando é cometida? As sombras do mal são perceptíveis a Deus, mas nem sempre perceptíveis para nós. Nossos olhos ficaram tão cegos e sua visão tão arruinada pela Queda, que a absoluta tenebrosidade do pecado nós podemos detectar, mas somos incapazes de discernir os tons de sua escuridão. E ainda assim a menor sombra de pecado é perceptível a Deus e cada sombra nos separa do Perfeito e nos faz ser culpados de pecado. Quem entre nós tem esse método apurado de julgar a si mesmo, de modo que ele deve ser capaz de descobrir o primeiro traço de mal? “Quem pode entender os seus erros?”. Certamente ninguém reclamará uma sabedoria tão profunda como esta. Mas, passemos às questões mais comuns por que, talvez, nós possamos entender melhor o nosso texto. Quem pode discernir o número de seus erros? A mente mais poderosa não poderia contar os pecados de um único dia! Tal qual a multidão de faíscas de uma fornalha, assim são inumeráveis as iniquidades de um único dia. Podemos antes contar os grãos de areia da praia do mar, do que as iniquidades da vida de um homem. Uma vida mais purificada e limpa é ainda tão cheia de pecado como o mar é cheio de sal; e quem é aquele que pode pesar o sal do mar, ou pode detectá-lo, uma vez que se mistura com cada partícula de água? Mas se ele pudesse fazer isso, ele não poderia dizer quão grande quantidade de mal satura toda a nossa vida e quão inúmeras são as ações, pensamentos e palavras de desobediência que nos afastam da presença de Deus e fazem com que Ele abomine as criaturas que as Suas próprias mãos fizeram!

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Mais uma vez, mesmo se pudéssemos contar o número de pecados humanos, quem, então, poderia estimar sua culpa? Perante a mente de Deus a culpa de um pecado é indescritível e nós estupidamente chamamos de coisa pequena, a culpa de um pecado merece o Seu desprazer eterno! Até que uma iniquidade seja lavada com sangue, Deus não pode aceitar a alma e levá-la ao Seu coração como Seu próprio filho. Embora Ele tenha feito o homem e seja infinitamente benevolente, ainda assim o Seu senso de justiça é tão forte, severo e inflexível, que para fora Sua presença, Ele lançará o Seu filho querido, se um único pecado permanecer sem perdão! Quem, então, entre nós pode dizer a culpa da culpa, a hediondez da ingrata rebelião que a homem iniciou e continuou contra o seu Criador sábio e compassivo? O pecado, como o inferno, é um poço sem fundo! Oh, irmãos e irmãs, jamais viveu um homem que realmente soube como ele era culpado! Se tal ser pudesse estar plenamente consciente de toda a sua culpa, ele carregaria o inferno em seu coração. Não, penso muitas vezes que dificilmente os condenados ao inferno podem conhecer toda a culpa de sua maldade, ou então até mesmo o seu forno seria aquecido sete vezes mais do as chamas de Tofete, seria ampliado para uma profundidade imensurável! O inferno que está contido em um único mau pensamento é indescritível e inimaginável! Só Deus conhece a escuridão, o horror das trevas, que está condensado em um mau pensamento! Outrossim, eu penso que o nosso texto queria transmitir-nos esta ideia. Quem pode entender o agravamento peculiar de sua própria transgressão? Ora, respondendo à pergunta por mim, eu sinto que, como ministro de Cristo eu não consigo entender os meus erros. Colocado onde multidões ouvem a Palavra através de meus lábios, minhas responsabilidades são tão tremendas que no momento em que eu penso nelas, uma montanha cai sobre a minha alma! Houve momentos em que eu quis imitar Jonas e tomar um navio e fugir para longe da obra que Deus tem confiado a mim, porque sou consciente de que eu não sirvo como devo. Quando eu tenho pregado mais sinceramente, eu vou para o meu quarto me arrepender por eu ter pregado de maneira tão fria. Quando eu choro por suas almas e quando eu agonizo em oração, eu ainda estou consciente que eu não lutei com Deus como eu deveria ter lutado e que eu não tenho sentido pelas suas almas como eu deveria sentir. Os erros que um homem pode cometer no ministério são incalculáveis! Não há inferno, eu penso, que deve estar quente o suficiente para o homem que é infiel aqui! Não pode haver uma maldição horrível demais para ser arremessada sobre a cabeça do homem que leva os outros a se desviarem quando ele deveria guiá-los no caminho da paz, ou que lida com as coisas sagradas como se fossem coisas que não têm peso e são de pequena importância. Traga aqui qualquer ministro de Cristo que vive e se ele está realmente cheio do Espírito Santo, ele irá dizer-lhe que quando ele está abatido pela solenidade de seu ofício, ele desistiria da obra, se ele se atrevesse; que se não fosse por algo superior, impulsos misteriosos que o impulsionam para a frente, ele tiraria a mão do arado e abandonaria o campo de batalha. Senhor tenha misericórdia de seus ministros, pois, mais do que todos os outros homens, nós precisamos de misericórdia!

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E agora eu tomo qualquer outro membro da minha igreja, e qual é a sua posição na vida, qualquer que seja sua educação, ou as providências peculiares pelo que vocês passaram, eu insistirei nisso de que há algo de especial sobre o seu caso, que faz seu pecado um tal pecado que não se pode entender como é vil! Talvez você tenha tido uma mãe piedosa que chorou por você na sua infância e te dedicou a Deus, quando você estava em seu berço. Seu pecado é duplamente pecado! Há nisso uma tonalidade escarlate que não pode ser encontrada em um criminoso comum. Você tem sido dirigido desde a sua mocidade no caminho da justiça e tem se desviado, cada passo que você deu não foi um passo para o inferno, mas um passo lá! O seu pecado é mais grave do que o dos outros. Outras dezenas de homens correm apressadamente, mas onde há um centavo depositado para outros pecadores, há libras colocadas em sua conta, pois você conhece o seu dever, mas você não o cumpre. Aquele que rompe do seio de uma mãe para o inferno, vai para as suas profundezas! Não há no inferno nenhum grau de tortura ou profundeza que deva certamente ser reservado para o homem que pisoteia as orações de uma mãe, para sua própria perdição. Ou você pode nunca ter de prestar conta por isso; mas você pode ter um agravamento igual. Você que tem estado no mar, senhor, Muitas vezes você este em perigo de naufragar. Você teve livramentos milagrosos. Agora, cada um desses naufrágios foi um aviso para você. Deus o trouxe até as portas da morte e você prometeu que se Ele salvasse a sua alma miserável você levaria uma vida nova, que você começaria a servir ao seu Criador. Você mentiu para o seu Deus! Seus pecados antes de proferir esse voto foram malignos o suficiente; mas agora você não apenas quebra a Lei, mas a própria aliança que voluntariamente você fez com Deus na hora da aflição! Talvez alguns de vocês, tenham caído de um cavalo, ou tenham sido atacados por febre, ou de outras formas foram levados até às portas da morte, que solenidade está ligada à sua vida agora! Ele que vestiu a balaclava1 e ainda voltou vivo, aquele que teve sua vida poupada, onde centenas morreram, deve a partir desse momento se considerar um homem de Deus, salvo por uma providência singular para fins singulares! Mas, também, tiveram seus escapes, se não são tão surpreendentes, ainda assim casos certamente tão especiais da bondade de Deus! E agora, a cada erro que você cometer torna-se indescritivelmente mau e sobre você eu posso dizer: “Quem pode entender os seus erros?”. Mas eu poderia esgotar a congregação, trazendo um por um. Aí vem o pai; senhor, os seus pecados serão imitados por seus filhos! Você não pode, portanto, compreender os seus erros, porque são pecados contra sua própria prole, você peca contra os filhos que procederam de suas próprias entranhas! Aqui está o magistrado; senhor, os seus pecados são __________ [1] Balaclava: (palavra ucraniana) Peça de malha feita para aquecer ou defender a cabeça, que a cobre toda até o pescoço, com uma abertura apenas para os olhos (Dicio.com.br). Aqui provavelmente faz referência à cobertura de cabeça que usavam aqueles que estavam prestes a serem executados por um determinado motivo.

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de uma cor peculiar, pois, estando em sua posição, seu caráter é visto e conhecido, e faça o que você fizer se tornará a desculpa de outros homens. Trago um outro homem que não possui nenhum ofício no Estado e que, talvez, é pouco conhecido entre os homens, mas, senhor, recebemos a graça especial de Deus; você teve rico gozo da luz do semblante de seu Salvador. Você tem sido pobre, mas Ele te fez rico, rico em fé! Agora, quando você se rebelou contra Ele, os pecados dos favoritos de Deus são pecados de fato! Iniquidades cometidas pelo povo de Deus tornam-se tão grandes como o alto Monte Olimpo e alcançam as próprias estrelas! Quem de nós, então, pode entender os seus erros, seus agravos especiais, seu número e sua culpa? Senhor, sonda-nos e conhece os nossos caminhos!

II. Tenho, portanto, tentado brevemente explicar o meu texto; agora eu buscarei IMPRESSIONÁ-LO NO CORAÇÃO, como Deus, o Espírito Santo me ajudar. Antes que um homem possa entender os seus erros existem vários mistérios que ele deve saber. Mas cada um desses mistérios, em minha opinião, está além de seu conhecimento e, consequentemente, a compreensão de toda a profundidade da culpa do seu pecado deve estar muito além do poder humano. Agora, o primeiro mistério que o homem deve entender é a Queda. Até que eu saiba o quanto todos os meus poderes estão degradados e depravados, quão completamente a minha vontade está pervertida e meu juízo desviou-se da retidão, quão real e essencialmente ímpia minha natureza se tornou, não pode ser possível que eu conheça toda a extensão da minha culpa. Aqui está um pedaço de ferro colocado sobre a bigorna. Os martelos são brandidos sobre ela vigorosamente. Milhares de faíscas estão espalhadas por todos os lados. Suponha que seja possível contar cada centelha, que cai da bigorna; ainda que pudéssemos adivinhar o número de faíscas produzidas, quantas ainda se encontram latentes e escondidas na massa de ferro? Agora, irmãos e irmãs, a sua natureza pecaminosa pode ser comparada com a barra de ferro aquecida. As tentações são os martelos; seus pecados as faíscas. Se você pudesse contá-los (o que você não pode), ainda assim quem poderia contar a multidão de iniquidades em gestação, ovos do pecado que jazem adormecidos em suas almas? No entanto, você deve saber isso antes de saber toda a pecaminosidade de sua natureza! Nossos pecados visíveis são como pequena amostra que o fazendeiro traz para o mercado. Há celeiros cheios em sua casa. As iniquidades que vemos são como as ervas daninhas sobre a superfície do solo; mas foi-me dito, e de fato o tenho visto, que se você cavar seis pés na terra e revolver o solo fresco, ali será encontrada no solo a seis pés de profundidade, as sementes das ervas daninhas nativas à terra. E assim, não devemos pensar apenas nos pecados que crescem na superfície, mas se pudéssemos revolver o nosso coração até seu núcleo e cerce, iríamos encontrá-lo como total-

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mente envolvido com o pecado como cada pedaço de podridão está com vermes e putrefação! O fato é que o homem é uma massa cheirando à corrupção. Toda a sua alma é, por natureza, tão degradada e tão depravada, que nenhuma descrição pode ser dada a ela, pois nem mesmo línguas inspiradas podem dizer plenamente quão vil e infame ela é! Um antigo escritor disse uma vez da iniquidade interior como sendo um aquífero que está escondido nas profundezas da terra, Deus já rompeu as fontes do grande abismo e, então, eles cobriram as montanhas vinte côvados para cima. Se Deus retirasse Sua graça restringidora e abrisse em nossos corações todas as fontes do grande abismo da nossa iniquidade, seria uma inundação tão espantosa que cobriria os mais altos cumes das nossas esperanças e todo o verme dentro de nós seria afogado em temor e desespero! Nenhuma coisa viva poderia ser encontrada neste mar de mal. Isso cobriria tudo e engoliria toda a nossa humanidade! Ah, diz um velho provérbio: “Se o homem tivesse que usar seus pecados na testa, ele puxaria o chapéu por sobre os olhos”. Aquele velho romano que disse que gostaria de ter uma janela para o seu coração, para que todo homem pudesse ver seu interior, não se conhecia, pois se ele houvesse tido tal janela, ele logo teria implorado por um par de persianas e ele as teria mantido fechadas, tenho certeza que ele nunca teria visto o seu coração, pois ele teria sido levado à loucura delirante! Deus, portanto, poupa todos os olhos, exceto os Seus próprios desta visão desesperadora: um coração humano desvelado. Grande Deus, aqui nós fazemos uma pausa e clamamos: “Eis que em iniquidade fui formado, e em pecado me concebeu minha mãe. Eis que amas a verdade no íntimo, e no oculto me fazes conhecer a sabedoria. Purifica-me com hissopo, e ficarei puro; lava-me, e ficarei mais branco do que a neve” [Salmos 51:5-7]. A segunda coisa que será necessária entendermos, antes que possamos compreender os nossos erros é a Lei de Deus. Se eu apenas descrever a Lei, por um momento, você muito facilmente verá que você nunca pode esperar, por qualquer meio compreendê-la totalmente. A Lei de Deus, como lemos nos Dez Grandes Mandamentos, parece muito simples, muito fácil. Quando chegamos, no entanto, a colocar até mesmo seus preceitos expostos em prática, descobrimos que é quase impossível para nós mantê-los plenamente. A nossa surpresa, no entanto, aumenta, quando descobrimos que a Lei não significa apenas o que diz, mas que tem um significado espiritual, uma profundidade oculta na letra que à primeira vista nós não descobrimos. Por exemplo, o mandamento: “Não cometerás adultério”, significa mais do que o simples ato, ele se refere à fornicação e a impureza de qualquer forma, tanto no ato, quanto na palavra e no pensamento. Não, para usar a própria exposição de nosso Salvador: “Qualquer que atentar numa mulher para a cobiçar, já em seu coração cometeu adultério com ela” [Mateus 5:28]. É assim, com cada mandamento, a letra nua não é nada comparada com todo o significado grandioso e rigidez severa da regra. Os mandamentos, se assim posso dizer, são como as estrelas, quando vistas a olho nu, parecem ser pontos brilhantes, mas se pudéssemos nos aproximar deles, veríamos que eles são mun-

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dos infinitos, maiores até mesmo do que o nosso sol, de tão grandiosos que são. Assim é com a Lei de Deus: parece ser somente um ponto luminoso, porque a vemos à distância, mas quando chegamos mais perto onde Cristo permaneceu e estimou a Lei, como Ele a via, então nós encontramos que ela é grande, incomensurável! “O teu mandamento é amplíssimo” [Salmos 119:96]. Pense em seguida, por um momento na espiritualidade da Lei, em sua extensão e rigor. A Lei de Moisés condena por ofensa, sem esperança de per-dão e o pecado, como uma pedra de moinho, é amarrado ao redor do pescoço do pecador e lançado nas profundezas. Porém, muito mais a Lei trata de pecados de pensamento, imaginar o mau é pecado! Do fluir do pecado através do coração sai a mancha de impureza por trás dele. Esta Lei, também, estende-se a cada ato, nos acompanha ao nosso quarto de dormir, vai conosco para a nossa Casa de Oração, e se descobre mesmo o menor sinal de hesitação do estreito caminho da integridade, ela nos condena! Quando pensamos na Lei de Deus, podemos com razão ficar sobrecarregados com horror, e nos sentando dizer: “Deus, tem misericórdia de mim, pois guardar esta Lei está totalmente fora do meu poder; até mesmo conhecer a plenitude do seu significado não está dentro da capacidade finita. Portanto, grande Deus, purifique-nos de nossas falhas secretas, salve-nos por Sua graça, pois pela Lei nunca poderemos ser salvos”. Nem mesmo ainda se você soubesse dessas duas coisas, você seria capaz de responder a essa pergunta; pois para compreender os nossos próprios erros, devemos ser capazes de compreender a perfeição de Deus. Para se ter uma ideia completa de como o pecado é sombrio, você deve saber como Deus é brilhante. Vemos as coisas por oposição. Você terá em um momento que apontar para uma cor que parece perfeitamente branca; ainda é possível que algo seja ainda mais branco; e quando você acha que já chegou à própria perfeição de brancura, você descobre que ainda há nela uma sombra e que algo pode ser encontrado para branqueá-la elevando sua pureza. Quando nos colocamos em comparação com os apóstolos, descobrimos que não somos o que deveríamos ser. Mas se pudéssemos nos colocar, lado a lado com a pureza de Deus, oh que manchas! Oh quantas contaminações encontraríamos em nossa superfície! O Deus imaculado está diante de nós e como o fundo brilhante revela a escuridão de nossas almas iníquas! Antes que você possa conhecer a sua própria corrupção, os olhos devem olhar para a glória inexprimível do caráter Divino. Perante Ele nem os céus são puros, Ele encontra loucura nos anjos, você deve conhecêlO antes que você possa conhecer a si mesmo! Não espere, então, que você alcance um perfeito conhecimento das profundezas do seu próprio pecado! Mais uma vez, aquele que deseja entender os seus erros em toda a sua hediondez deve conhecer o mistério do inferno. Devemos caminhar até aquele monte queimando, ficar no meio da chama ardente; não, senti-lo! Devemos sentir o veneno da destruição, pois faz o sangue ferver em cada veia. Temos de ter os nossos nervos convertidos em estradas de

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fogo, ao longo do qual os pés quentes da dor devem viajar, correndo como relâmpagos. Devemos conhecer a extensão da eternidade e, em seguida, a agonia indescritível da ira eterna de Deus, que habita nas almas dos perdidos, antes que possamos conhecer o caráter terrível do pecado! Você pode mensurar melhor o pecado pela punição. Dependendo disto, Deus não submeterá suas criaturas a uma dor maior do que a justiça absolutamente demanda. Não existe tal coisa como tortura soberana ou inferno soberano. Deus não tortura sua criatura como um tirano; Ele dará a ela, somente o que ela merece e, talvez, até mesmo quando a ira de Deus é mais feroz contra o pecado, Ele não pune o pecador, tanto quanto o seu pecado poderia merecer, mas apenas o quanto ele exige. De qualquer forma, não haverá um grão a mais de absinto no copo dos perdidos do que a pura justiça absolutamente requer! Então, oh meu Deus, se Tuas criaturas devem ser lançadas no lago que arde com fogo e enxofre, se é para um poço sem fundo que as almas perdidas devem ser conduzidas, então que coisa horrível o pecado deve ser! Eu não posso entender esta tortura, por isso eu não consigo entender a culpa que a merece. No entanto, estou consciente de que a minha culpa a merece, ou então Deus não teria me ameaçado com ela, porque Ele é justo e eu sou injusto. Ele é santo, justo e bom, e Ele não me puniria por meus pecados mais do que os meus pecados absolutamente merecem. Ainda outra vez, um último esforço para impressionar essa questão do meu texto em nossos corações. George Herbert diz mui docemente: “Aquele que quiser conhecer o pecado, deixe-o olhar para o monte das Oliveiras, e ele verá um Homem tão espremido com a dor que toda a Sua cabeça, Seu cabelo, Suas vestes estavam ensanguentadas. O pecado era aquela força e impiedade que infligiu dor para perseguir seu sustento através de cada veia”. Você tem que ver Cristo, suando, por assim dizer, grandes gotas de sangue! Você precisa ter uma visão dEle com o cuspe escorrendo pelo Seu rosto, com as costas rasgadas pelo chicote amaldiçoado. Você deve vê-lO indo em Sua jornada dolorosa por Jerusalém. Você deve contemplá-lO a desmaiar sob o peso da cruz. Você deve vê-lO como os cravos são conduzidos através de Suas mãos e através de Seus pés. Seus olhos cheios de lágrimas devem assistir a agonia das sombrias agonias da morte. Você deve beber da amargura do absinto misturado com fel. Você deve estar na escuridão com sua própria alma triste até à morte. Você deve gritar terrivelmente assustando a terra: “Lama Sabactâni”, você também, deve, como Ele fez, sentir toda a pesada ira do Deus todo-poderoso. Você deve ser moído entre as mós superiores e inferiores de ira e vingança; você deve beber o cálice até às últimas borras e como Jesus bradar: “Está consumado”, ou de outra forma você nunca poderá conhecer todos os seus erros e entender a culpa do seu pecado. Mas isso é claramente impossível e indesejável. Quem quer sofrer como o Salvador sofreu; suportar todos os horrores que Ele suportou? Ele, bendito seja o Seu nome, sofreu por nós! O cálice está vazio! A cruz ergue-se não mais para nós morrermos nela! Extinta está a chama do inferno para sempre para o verdadeiro crente! Deus não mais está irado com o Seu povo, pois Ele

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aniquilou o pecado pelo sacrifício de Si mesmo! No entanto, eu digo novamente, antes que possamos entender o pecado, devemos conhecer toda aquela terrível ira de Deus, que Jesus Cristo suportou! Quem, então, pode entender os seus erros?

III. Espero ter a sua atenção paciente, apenas por mais alguns momentos enquanto eu faço a aplicação prática, passando às lições que são tiradas de um assunto como este. A primeira lição é: eis a loucura de toda a esperança de salvação pela nossa própria justiça. Venham aqui, os que confiam em si mesmos. Olhem para o Sinai, completamente em chamas, tremor e desespero! Vocês dizem que têm boas obras. Infelizmente, suas boas obras são más, não têm vocês sido maus? Vocês negam que já pecaram? Ah, meu ouvinte, você está tão obcecado a ponto de declarar que todos seus pensamentos foram castos, todos os seus desejos celestiais, todas as suas ações puras? Oh, homem, se tudo isso fosse verdade, se você não tivesse pecados de comissão, ainda que seria de seus pecados de omissão? Você já fez tudo o que Deus e que seu irmão poderiam requerer de você? Oh estes pecados de omissão! O faminto que você não tem alimentado, o nu que você não tem vestido, os doentes e os que estão na prisão, que você ainda não visitou, lembre-se que era por pecados como estes que os bodes foram encontrados na mão esquerda, finalmente! Não pelo que fizeram, mas pelo que não fizeram, pois pelas coisas que eles deixaram de fazer esses homens foram lançados no lago de fogo! Oh, meu ouvinte, acabe com sua jactância! Retirem as plumas de vossos capacetes, vós rebeldes, e venham com a vossa glória arrastando na lama, e com sua roupa brilhante manchada, e agora confessem que vocês não têm nenhuma justiça própria, que vocês são todos imundos e cheios de pecado! Se apenas uma lição prática fosse aprendida, seria suficiente para compensar a reunião desta manhã e uma bênção seria transmitida para todo o espírito que tivesse aprendido. Mas agora chegamos a outra: quão vãs são todas as esperanças de salvação por nossos sentimentos. Temos um novo legalismo contra o qual lutar em nossas Igrejas cristãs. Há homens e mulheres que acham que não devem crer em Cristo até que eles sintam seus pecados até um ponto demasiado angustiante! Eles acham que devem sentir um certo grau de tristeza, um alto grau de senso de necessidade, antes que possam vir a Cristo. Ah, alma, se você nunca pudesse ser salva até que você conhece toda a sua culpa, você nunca seria salva, pois jamais pôde conhecer isso! Eu lhe mostrei a absoluta impossibilidade de ser capaz de descobrir as alturas e profundidades inteiras de seu próprio estado perdido. Oh homem, não tente ser salvo por seus sentimentos! Venha tome a Cristo como Ele é, venha a Ele assim como você está! “Mas, senhor, posso ir? Eu não sou convidado para ir”. Sim, você é: “Quem quiser, venha”. Não acredito que os convites do Evangelho são dados apenas para alguns. Eles são, alguns delas, convites ilimitados. Este é o dever de todo homem

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crer no Senhor Jesus Cristo. É o dever sagrado de cada homem confiar em Cristo, e não por causa de qualquer coisa que o homem é ou não é, mas porque ele é ordenado a fazêlo! “E o seu mandamento é este: que creiamos no nome de seu Filho Jesus Cristo” [1 João 3:23]: “Oh, acredite na promessa verdadeira, Deus para você, Seu Filho deu.” Confie agora em Seu precioso sangue, e você será salvo e você verá Sua face no Céu! Não espere ser salvo pelo sentimento, pois sentimentos perfeitos são impossíveis e um perfeito conhecimento da nossa própria culpa está muito além do nosso alcance! Venha, então, a Cristo, de coração duro como você está, e tome-o como para ser o Salvador do seu coração duro. Venha, pobre consciência de pedra, pobre alma gelada, venha como você está! Ele vai aquecê-la, Ele derreterá você: “A verdadeira crença e o verdadeiro arrependimento, Toda graça nos aproxima; Sem dinheiro, Venha a Jesus Cristo e compre.” Entretanto, novamente, há outra doce inferência, e certamente esta poderia muito bem ser a última, que graça é esta que perdoa o pecado, o pecado tão grande que a maior capacidade não pode compreender sua atrocidade? Oh, eu sei que os meus pecados vão desde o leste até o oeste, buscando elevarem-se até aos céus eternos como montanhas apontam para o Céu. Mas, então, bendito seja o nome de Deus, o sangue de Cristo é maior do que o meu pecado! Essa inundação sem limites do mérito de Jesus é mais profunda do que as alturas das minhas iniquidades! Meu pecado pode ser grande, mas o Seu mérito é ainda maior. Eu não consigo conceber a minha própria culpa, muito menos expressá-la, mas o sangue de Jesus Cristo, Filho amado de Deus, nos purifica de todo pecado! Há infinita culpa, mas há infinito perdão! Iniquidades sem limites, mas méritos ilimitados a ultrapassam totalmente! E se os seus pecados foram maiores do que a largura do céu, Cristo é maior do que o Céu! O céu dos céus não pode contê-lO. Se os seus pecados eram mais profundos do que o inferno sem fundo, ainda assim a expiação de Cristo é ainda mais profunda, pois Ele desceu mais profundo do que jamais nenhum homem mergulhou, nem mesmo os homens condenados em todo o horror de sua agonia, pois Cristo foi até o fim da punição e mais profundo seus pecados nunca poderão mergulhar! Ah, o amor sem limites, que cobre todos os meus defeitos! Meu pobre ouvinte, creia em Cristo agora. Deus te ajude a crer! Que o Espírito agora lhe capacite a confiar em Jesus! Você não pode salvar a si mesmo. Todas as suas esperanças de auto-salvação são ilusórias. Desista delas agora; venha e

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tome a Cristo! Justamente como você está, caia em Seus braços. Ele vai conduzi-lo. Ele te salvará. Ele morreu para fazer isso e Ele vive para realizá-lo. Ele não lançará fora o espírito que se lança em Suas mãos e faz dEle seu tudo em Todos. Eu penso que não devo detê-lo por mais tempo. O assunto demanda uma mente muito maior do que a minha e melhores palavras do que eu possa reunir agora. Mas se tiver lhe atingido, eu sou grato a Deus. Deixe-me repetir uma e outra vez o sentimento que eu desejo que todos vocês recebam, é apenas este: somos tão vis que nossa vileza está além da nossa própria compreensão, mas, no entanto, o sangue de Cristo tem infinita eficácia, e quem crê no Senhor Jesus é salvo, sejam seus pecados muitíssimos, ainda assim aquele que crê não será perdido, sejam seus pecados mui poucos. Deus abençoe a todos vocês, por amor de Cristo.

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As Ramificações Da Depravação Humana Por Arthur Walkington Pink

Parte 1 Enquanto me esforço para apresentar um quadro completo do homem caído como ele é retratado pelo lápis Divino nas Escrituras, é muito difícil evitar uma medida de sobreposição à medida que nos afastamos de um aspecto ou recurso do mesmo para outro, ou evitamos uma certa quantidade de repetição quando nos dedicamos a um retrato separado de cada um. No entanto, visto que este é o método que o Espírito Santo tem tomado em grande parte, um pedido de desculpas é pouco exigido daqueles que procuram seguir o Seu plano. Nos capítulos anteriores mostramos de uma forma mais ou menos geral a terrível devastação que o pecado operou na constituição humana; agora vamos considerar o mesmo, mais especificamente. Tendo apresentado as linhas gerais, resta-nos preencher os detalhes. Em outras palavras, a nossa tarefa imediata é a de refletir e descrever as várias partes da depravação humana de acordo como isso tem corrompido as diversas seções do nosso homem interior. Embora a alma, como o corpo, seja uma unidade, ela também tem um número de membros distintos ou faculdades, e nenhum deles ficou isento dos efeitos degradantes da apostasia do homem em relação ao seu Criador. A depravação humana, consideramos, foi notavelmente exemplificada nos milagres de Cristo. Os vários distúrbios corporais que o Divino Médico curou durante Sua jornada na terra não eram apenas tantas prefigurações das maravilhas da graça que Ele realizou no reino espiritual em conexão com os redimidos, mas também foram muitas representações emblemáticas das doenças morais que afetam e afligem a alma do homem caído. O pobre leproso, coberto de feridas fétidas, solenemente retratou as corrupções horríveis do coração humano. O homem que nasceu cego, incapaz de contemplar as maravilhas e belezas das obras exteriores de Deus, expressa o estado ignorante da mente humana, que, por causa da escuridão que está sobre ela, não é capaz de descobrir ou aceitar as coisas do Espírito, não importa o quão simples e claramente elas sejam explicadas para ele. Os membros lânguidos do paralítico prefiguraram a incapacidade da vontade para vir a Deus, sendo esta totalmente desprovida de qualquer poder para nos converter a Cristo. A mulher deitada acometida de febre, com desejos não naturais, delírio e etc. retratou o estado desordenado de nossas afeições. O homem possuído pelo demônio, habitando em meio aos túmulos, incapaz de ser devidamente contido, gritando e ferindo-se, esboçou as diversas atividades da consciência no não-regenerado. A corrupção tem invadido cada parte da nossa natureza, espalhando-se por todo o ser com-

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plexo do homem. Assim como distúrbios físicos não poupam os membros do corpo, de modo muito semelhante o espírito do homem não escapou da devastação da depravação; no entanto, quem é capaz de compreendê-la em sua terrível amplitude e profundidade, comprimento e altura? Não são simplesmente as potências inferiores da alma que foram infetadas com esta praga do pecado, mas o contágio subiu para as regiões mais altas das nossas pessoas, poluindo as faculdades sublimes. Esta é uma parte do castigo de Deus. É um grande erro supor que o julgamento Divino sobre a deserção do homem está reservado para a próxima vida. A humanidade está fortemente penalizada neste mundo, tanto externa como internamente, uma vez que nele estão sujeitos a muitas dispensações adversas da providência: Externamente, em seus corpos, nomes, propriedades, relações e empregos e finalmente, com a morte física e dissolução. E interiormente, pela cegueira de espírito, dureza de coração, paixões turbulentas, o roer de consciência. Embora estas últimas sejam pouco consideradas, em razão da sua estupidez e insensibilidade, contudo as visitas internas da maldição de Deus são muito mais terríveis do que as externas, e são consideradas como tal por aqueles que verdadeiramente temem ao Senhor e veem as coisas em Sua luz. 1. Cegueira de espírito. A mente é aquela faculdade da alma pela qual os objetos e as coisas são primeiramente conscientizados e apreendidos. Para distinguir o entendimento dela, o último é o que pesa, discrimina e determina o julgamento entre os conceitos formados na primeira, sendo o guia da alma, o seletor e rejeitador dessas noções que a mente recebeu. Ambos são igualmente perturbados pelo pecado, pois nos é dito que “os seus sentidos foram endurecidos” (2 Coríntios 3:14), e também lemos: “Entenebrecidos no entendimento” (Efésios 4:18). Como um abandonado de Deus, a Queda fechou completamente as janelas da alma do homem, mas ele pensa que não; sim, enfaticamente ele nega isso. Tanto os filósofos pagãos como os escolásticos do medievalismo admitiram que as afeições, na parte inferior da alma, foram um pouco contaminadas, mas insistiram que a faculdade intelectual era pura, dizendo que a razão ainda dirige e nos aconselha as melhores coisas. Quando nosso Senhor declarou: “Eu vim a este mundo para juízo, a fim de que os que não veem vejam, e os que veem sejam cegos”, alguns dos fariseus que o ouviam, indignados perguntaram: “Também nós somos cegos?” (João 9:39-40). Agora, não é estranho que a razão cega pense que pode ver, pois, enquanto ela julga todo o restante, ela é menos capaz de avaliar-se por causa da muita proximidade consigo mesma. Embora o olho de um homem possa ver a deformidade das mãos ou pés, não pode ver o que é subjetivo em si mesmo, a menos que tenha uma lente através do qual possa discerni-lo. Da mesma forma, até mesmo a natureza corrupta, por sua própria luz, reconhece a desordem na parte sensorial do homem, mas ela não pode discernir a corrupção que está no próprio espírito. A lente da Palavra de Deus é necessária para descobri-la, e até mesmo o espelho não é suficiente: a luz da graça Divina tem que brilhar interiormente, a fim de

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expor e desvelar a imbecilidade da faculdade de raciocínio. E, portanto, é assim que a Sagrada Escritura lança a principal ênfase na depravação desta parte mais alta do ser do homem. Quando o apóstolo mostrou quão impuros são os incrédulos, embora estes conhecessem a Deus, ele asseverou, “antes o seu entendimento e consciência estão contaminados” (Tito 1:15). Acima de todas as suspeitas, estas partes deles foram contaminadas, especialmente desde que foram iluminados com alguns raios do conhecimento de Deus. Assim, em oposição a esta presunção, as faculdades superiores só são mencionadas, e enfatizadas com um “antes”. Quão significativo e pleno o testemunho da Escritura é sobre essa característica solene que transparece a partir do seguinte: “Porquanto, tendo conhecido a Deus [tradicionalmente], não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças, antes em seus discursos se desvaneceram, e o seu coração insensato se obscureceu. Dizendo-se sábios, tornaram-se loucos” (Romanos 1:20-21), a referência aqui é aos gentios, depois do dilúvio. Uma das maldições terríveis executadas sobre Israel, porque eles não deram ouvidos à voz do Senhor seu Deus, e se recusaram a observar os seus mandamentos, foi: “O Senhor te ferirá com loucura, e com cegueira, e com pasmo de coração; e apalparás ao meio-dia, como o cego apalpa na escuridão”, (Deuteronômio 28:28-29). De toda a humanidade, é dito: “Não há ninguém que entenda... e não conhecem o caminho da paz” (Romanos 3:11, 17); tão longe disso que “há um caminho que ao homem parece direito, mas o fim dele são os caminhos da morte” (Provérbios 14:12). “O mundo não conheceu a Deus pela sua sabedoria” (1 Coríntios 1:21). Apesar de todas as suas escolas, eles eram ignorantes dEle. “Querendo ser mestres da lei, e não entendendo nem o que dizem nem o que afirmam” (1 Timóteo 1:7). “Que aprendem sempre, e nunca podem chegar ao conhecimento da verdade” (2 Timóteo 3:7). A escuridão natural que os cega dessas operações regulares que são direcionadas por seus sentidos exteriores é dupla: externa ou interna. Quando a noite cai, a menos que haja o auxílio de luz artificial, eles não podem mais realizar seu trabalho. Se eles forem cegos, então para eles é noite perpetuamente. Assim também é com a escuridão espiritual: objetiva e subjetiva, uma escuridão que está tanto sobre os homens quanto nos homens. A primeira consiste em uma falta desses meios pelos quais, somente, eles podem ser iluminados no conhecimento de Deus e das coisas celestiais. O que o sol é para a terra em relação às coisas naturais, assim a Palavra e a pregação do Evangelho são para as coisas espirituais (Salmo 19:1-4. Cf. Romanos 10:10-11). Esta escuridão está sobre todos a quem o Evangelho ainda não foi declarado ou sobre quem o despreza e rejeita. Ora, é a missão e a obra do Espírito Santo remover essa escuridão objetiva, e até que isso seja feito ninguém pode ver ou entrar no reino de Deus. Isso Ele faz enviando o Evangelho a um país, nação ou cidade. Ele não obtém entrada ali, nem é retido em qualquer lugar, por acidente ou por esforço humano, mas é dispensado de acordo com a vontade soberana do Espírito de

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Deus. Ele é Quem capacita, chama e envia homens para pregar, determinando os locais onde eles ministrarão, seja por Seus impulsos secretos ou pelas operações de Sua providência (Atos 16:6-10). Entretanto sobre as mentes dos não-regenerados está a escuridão subjetiva com suas influências e consequências, o que é aqui mais imediatamente considerado. Esta não é uma mera coisa privativa, mas algo positivo, que consiste não apenas de ignorância, mas em uma doença maligna, com uma habitual disposição para mal. “É soberbo, e nada sabe, mas delira acerca de questões e contendas de palavras, das quais nascem invejas, porfias, blasfêmias, ruins suspeitas, perversas contendas de homens corruptos de entendimento, e privados da verdade, cuidando que a piedade seja causa de ganho; aparta-te dos tais” (1 Timóteo 6:4-5). Não são apenas as suas mentes que não assentem a sã doutrina, mas eles estão doentes e corruptos: “delira acerca de questões” [...] Esta destemperança da mente é também chamada de “comichão nos ouvindo por desejo de ouvir fábulas” (2 Timóteo 4:34). Ainda mais solenemente, a Escritura chama esta sabedoria controversa da qual o erudito deste mundo é tão orgulhoso, de: “terrena, animal e diabólica” (Tiago 3:15); tanto o versículo anterior quanto o seguinte mostram que toda inveja, malícia, mentira e dissimulação, embora encontrem-se também nas afeições e na vontade, estão enraizadas na compreensão. Por isso, é que Deus deve dar “arrependimento” ou uma mudança de mente antes que haja um reconhecimento da verdade e uma libertação do laço do Diabo (2 Timóteo 2:25-26). Esta escuridão do entendimento é a causa da rebelião que está nas afeições e, por esta é que os homens procuram assim desordenadamente os prazeres do pecado; mas, porque suas mentes não conhecem a Deus e são estranhas a Ele e não podem ter comunhão com Ele? Porque toda a amizade e companheirismo são fundamentados no conhecimento. Para ter comunhão com Deus, é necessário o conhecimento de Deus, e, consequentemente, a principal coisa que Deus faz quando Ele dá admissão no Pacto da Graça é ensinar os homens a conhecê-lO (Jeremias 31:33-34): Por outro lado, os homens estão afastados dEle por ignorância (Efésios 4:17-19). A escuridão da mente não é apenas a raiz de todo o pecado, mas é a causa da maioria das corrupções na vida dos homens. Assim vemos que Paulo menciona “sabedoria carnal”, como a antítese do princípio da graça (2 Coríntios 1:12). Pela mesma razão, sobre os homens é dito: “são filhos néscios, e não entendidos; são sábios para fazer mal, mas não sabem fazer o bem” (Jeremias 4:22). Que esta é a causa da maior parte da maldade que há no mundo Isaías 47:10 deixa bem claro: “a tua sabedoria e o teu conhecimento, isso te fez desviar”. Raciocínios corruptos e falsos julgamentos das coisas são os principais motivos de todo o nosso pecado. O orgulho tem o seu lugar de primazia na mente, como Colossenses 2:18 demonstra. Que essa escuridão é forte e influente, transparece na dinâmica da expressão registrada

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em Colossenses 1:13: “O qual nos tirou da potestade das trevas”, a palavra significando aquilo que vacila ou dominado. Isso preenche a mente com inimizade contra Deus e contra todos os seus caminhos, e leva à vontade no sentido contrário, de modo que, em vez das afeições serem postas nas coisas de acima, os não-regenerados “só pensam nas coisas terrenas” (Filipenses 3:19). Essa é a sua inclinação habitual. Ele pensa nas coisas da carne (Romanos 8:5), buscando atender aos objetivos sensuais para a gratificação do corpo. Ele preenche a mente com fortes preconceitos contra as coisas espirituais propostas no Evangelho. Esses preconceitos são chamados de “fortalezas” e “conselhos [ou “raciocínios”], e toda a altivez que se levanta contra o conhecimento de Deus” (2 Coríntios 10:4-5), que são destruídos e expressos e derrubados no dia do poder de Deus, levando as almas à sujeição voluntária a Ele. Os pecados da mente são os mais permanentes, pois quando o corpo se decompõe e suas concupiscências murcham, os pecados da mente são tão vigorosos e ativos na velhice como na juventude. Posto que o entendimento é a parte mais excelente do homem, a sua corrupção é pior do que a das outras faculdades: “Se... a luz que em ti há são trevas, quão grandes serão tais trevas!” (Mateus 6:23). Temerosos de fato são os efeitos dessa escuridão. Suas faculdades se mostram incapazes de discernir as coisas espirituais ou de recebê-las, pelo que há uma total incapacidade no que diz respeito a Deus e as formas de agradá-lO. Não importa o quão bem dotado intelectualmente o homem não-regenerado seja, ou a extensão de seu saber e aprendizado, ou quão hábil em relação às coisas naturais, em assuntos espirituais ele é desprovido de inteligência até que ele seja renovado no espírito de sua mente. Como uma pessoa que não tem o poder de ver é incapaz de ficar impressionada com os raios mais fortes de luz quando refletidos sobre ele, e não pode formar qualquer ideia real da aparência das coisas, de modo semelhante o homem natural, por causa desta cegueira de espírito, é incapaz de discernir a natureza das coisas celestiais. Disse Cristo aos judeus de sua época: “Ah! se tu conhecesses também, ao menos neste teu dia, o que à tua paz pertence! Mas agora isto está encoberto aos teus olhos” (Lucas 19:42). As coisas celestiais estão ocultas de sua percepção tão eficazmente como as coisas que são propositadamente escondidas de olhares indiscretos. Mesmo que um homem tivesse o desejo de descobri-las, ele iria procurar em vão por toda a eternidade, a menos que Deus quisesse revelá-las, como fez a Pedro (Mateus 16:17). A cegueira espiritual que está sobre a mente do homem natural não só impossibilita de fazer a primeira descoberta das coisas de Deus, mas, mesmo quando elas são publicadas e postas diante de seus olhos, como claramente estão na Palavra da verdade, ele não pode discerni-las. Quaisquer que sejam as noções que ele possa formar delas, elas são dissonantes à sua natureza, e os pensamentos que ele concebe em relação a elas são o inverso do que de fato são, a mais alta sabedoria eles consideram como loucura, e os objetos mais

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gloriosos em si são desprezados e rejeitados. “Vede, ó desprezadores, e espantai-vos e desaparecei; porque opero uma obra em vossos dias, ora tal que não crereis, se alguém vo-la contar” (Atos 13:41). Os versículos anteriores mostram que Paulo claramente lhes havia pregado a Cristo e Seu Evangelho, e, em seguida, concluído com uma advertência para que vigiassem para que não viesse sobre eles o que foi dito pelo profeta. Assim, não é a apresentação clara da verdade que irá convencer os homens. Embora claramente proposta, a verdade ainda pode ser obscura para eles: “Mas, se ainda o nosso evangelho está encoberto, para os que se perdem está encoberto. Nos quais o deus deste século cegou os entendimentos dos incrédulos” (2 Coríntios 4:3-4). Seus entendimentos precisam ser divinamente abertos para que possam compreender as Escrituras (Lucas 24:45)! Os objetos desta escuridão são espiritualmente insensíveis e tolos. Isso é o que os impede de fazer um verdadeiro exame de seus corações. Eles veem apenas o homem exterior, e não sentem a ferida mortal que está por dentro. Há um mar de corrupção, mas é imperceptível. A santidade, beleza e retidão de sua natureza já se foram, mas eles estão mui despreocupados. Eles são miseráveis e pobres, cegos e nus, mas são totalmente inconscientes disso. Isso é o que faz com que os não-regenerados prossigam em um curso de rebelião contra o Senhor, e ao mesmo tempo concluam que todas as coisas estão bem com eles. Assim, eles vivem de forma segura e feliz. Como se a bondade de Deus não os quebrantasse, nem os Seus mais dolorosos juízos os movem a consertarem os seus caminhos. Muito longe disto, eles são semelhantes ao ímpio rei Acaz, de quem está registrado: “E ao tempo em que este o apertou, então ainda mais transgrediu contra o Senhor” (2 Crônicas 28:22); quão louca e desafiadoramente as massas se comportaram durante a batalha da Grã-Bretanha! Então, mesmo agora, enquanto a paz de todo o mundo está tão seriamente ameaçada: “Senhor, a tua mão está exaltada, mas nem por isso a veem” (Isaías 26:11). Este espaço vai permitir-nos mencionar apenas um outro efeito, e é o que está em Efésios 4:17: “A vaidade de sua mente”. As coisas na Escritura são ditas ser vãs quando são inúteis e infrutíferas; em Mateus 15:9, significa “sem propósito”. Por isso, os ídolos das nações e os ritos utilizados na sua adoração são chamados de coisas vãs (Atos 15:15). Em 1 Samuel 12:21, coisas vãs seriam aquelas “que nada aproveitam”. Isto também é sinônimo de loucura, pois em Provérbios 12:11, os homens vãos são todos como aqueles que são “faltos de juízo”. Em Jeremias 4:14, coisas vãs estão unidas com “maldade”, assim homens vãos pecaminosos e filhos de Belial são sinônimos (2 Crônicas 13:7). Esta vaidade da mente induz o homem natural a perseguir sombras e perder a substância, a envolver-se com invenções em vez de realidades, a preferir a mentira ao invés da verdade. Isso é o que leva os homens a seguirem a moda e se deleitarem com os prazeres de um mundo vão. Esta vaidade pecaminosa da mente está em todos os tipos de pessoas e idades agindo em si mesma com imaginações insensatas, pelo que cuidam de agradar à sua carne e às suas

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concupiscências. Ela se manifesta em um ódio de pensar sobre as coisas sagradas, de forma que, quando sob a pregação da Palavra a mente vagueia como uma borboleta no jardim. Ela “apascenta de estultícia” (Provérbios 15:14), e tem uma curiosidade inquietante para saber dos outros. 2. Dureza de coração. O coração é o centro do nosso ser moral, do qual fluem as fontes da vida (Provérbios 4:23, cf. Mateus 12:35). A natureza deste é ao mesmo tempo indicada por ele ser descrito como um “coração de pedra” (Ezequiel 11:19). A figura é muito adequada. Como uma pedra nada mais é que um produto da terra, assim tem a propriedade da terra, pesada e com tendência a cair. Assim, é com a mente natural: as afeições dos homens são totalmente postas sobre o mundo, e se Deus fez o homem reto, com a cabeça erguida, agora a alma está abatida até o pó. A maldição física pronunciada sobre a serpente também é cumprida em sua semente, pois as coisas sobre as quais eles se nutrem tornam às cinzas, assim, que aquele pó é o alimento deles (Isaías 65:25). O pecado deixa o coração do homem tão calejado que, para com Deus, é sem amor e sem vida, frio e insensível. Essa é uma razão pela qual a lei moral foi escrita em tábuas de pedra: para representar emblematicamente o tipo de coração que os homens tinham, como é claramente implícito o contraste apresentado em 2 Coríntios 3:3. O coração de pedra é tolo e inflexível. O coração do regenerado também é comparado a uma “rocha” (Jeremias 23:29), e uma “pedra de diamante” (Zacarias 7:12), que é mais duro do que uma pederneira. Semelhantemente também os não-regenerados são chamados de “duros de coração” (Isaías 46:12), e em Isaías 48:4, Deus diz: “Porque eu sabia que eras duro, e a tua cerviz um nervo de ferro, e a tua testa de bronze”. Esta dureza é frequentemente atribuída ao pescoço (“dura cerviz”), esta é uma figura da obstinação do homem extraída a partir do exemplo dos bois indomados que não aceitam o jugo. Esta dureza se evidencia por uma completa ausência de sensibilidade espiritual, pois eles não se importam com a bondade de Deus, não têm temor de Sua autoridade e majestade, e não temem a sua ira e vingança, uma apresentação das alegrias do Céu ou dos horrores do Inferno não lhes causam nenhuma impressão. Como o antigo profeta lamentou: “Ó vós que afastais o dia mau” (Amós 6:3), rechaçando-os de seus pensamentos como um assunto desagradável sobre o qual meditar. Eles não têm nenhum sentimento de culpa, nem consciência de ter ofendido o seu Criador, nem se assombram por Sua ira permanecer sobre eles, antes estão seguros e à vontade em seus pecados. Até o momento em que o pecado se torne um fardo para eles, ele é a substância e deleite do desfrute de seus prazeres temporais. Parte 2 Essa dureza de coração a que se fez referência no encerramento do nosso último capítulo é a perversidade e obstinação da natureza do homem caído, o que faz com que ele resolva

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continuar no pecado, sem se importar com as consequências do mesmo. A dureza de coração faz com que ele aborreça ser repreendido pela sua própria loucura, e que se recuse a abandona-la, não importa quais métodos sejam ordenados e usados para isso. O profeta fez menção a isso em seus dias, para se referir àqueles que haviam sido advertidos por juízos violentos, e estavam naquele tempo sob as repreensões mais solenes da providência, Deus tinha a dizer sobre eles, “Não me querem dar ouvidos a mim; pois toda a casa de Israel é de fronte obstinada e dura de coração” (Ezequiel 3:7). Assim também o Senhor Jesus se queixou: “Tocamo-vos flauta, e não dançastes; cantamo-vos lamentações, e não chorastes” (Mateus 11:17). As súplicas mais comoventes e postulações cativantes não moverão o não-regenerado a aderir ao que é absolutamente necessário para sua paz presente e felicidade final. “São como a víbora surda, que tapa os ouvidos, para não ouvir a voz dos encantadores, do encantador sábio em encantamentos” (Salmo 58:4-5; e cf. Atos 8:57). Os corações dos regenerados são flexíveis e maleáveis, facilmente dobrados à vontade de Deus, mas os corações dos ímpios são tão apegados aos seus desejos a ponto de serem inatingíveis por qualquer apelo. Há uma disposição tão firme contra as coisas celestiais que permanecem indiferentes às ameaças mais alarmantes e trovões. Eles nem são convencidos pelos argumentos mais convincentes nem vencidos pelos incentivos mais tentadores. Eles são tão viciados na autossatisfação que eles não podem ser persuadidos a tomar o jugo de Cristo sobre eles. Em Zacarias 7:11-12, é dito: “Eles, porém, não quiseram escutar, e deram-me o ombro rebelde, e ensurdeceram os seus ouvidos, para que não ouvissem. Sim, fizeram os seus corações como pedra de diamante, para que não ouvissem a lei, nem as palavras que o Senhor dos Exércitos enviara pelo seu Espírito por intermédio dos primeiros profetas; daí veio a grande ira do Senhor dos Exércitos”. Eles são menos suscetíveis a serem forjados pelo pregador para receber qualquer impressão de santidade do que o granito é para ser gravado pela ferramenta do artífice. Eles desprezam ser controlados e se recusam a receber admoestação. Eles são “uma geração contumaz e rebelde” (Salmo 78:8), não estando sujeitos nem à lei e nem ao Evangelho. As doutrinas do arrependimento, da autonegação e do andar com Deus, não encontram entrada em seus corações. 3. Afeições desordenadas. Alguns escritores ampliam mais e outros menos o escopo do termo “afeições”, e talvez seja um ponto discutível tanto teológica quanto psicologicamente se a natureza do desejo deve ser incluída ou considerada separadamente no âmbito das afeições. No sentido mais amplo, em relação às afeições pode-se dizer que são a faculdade sensível da alma. Assim como o entendimento é o poder que julga e discerne as coisas, assim as afeições fascinam e dispõem a alma a favor ou contra os objetos contemplados. É pelas afeições que a alma torna-se satisfeita ou insatisfeita com o que é percebido pelos sentidos corporais ou contemplado pela mente e, assim, movida a aprovar ou rejeitar. Como distinguir os dois? A vontade é essa faculdade que executa a decisão final da mente ou o

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desejo mais forte das afeições, o que motiva a ação. Posto que as afeições pertencem ao lado sensível da alma, estamos mais conscientes de suas agitações do que dos atos de nossas mentes ou vontades. Neste capítulo vamos empregar o termo na sua mais ampla latitude, incluindo os desejos, pois o que os apetites são para o corpo as afeições são para a alma. Goodwin comparou o desejo natural ao estômago para o corpo. É um vazio completo, feito para receber o que vem de fora, ansiando por um objeto satisfatório. Sua linguagem universal é: “Quem nos mostrará o bem?” (Salmo 4:6). Agora o próprio Deus é o bom chefe do homem, o único que pode pagar a real, duradoura e plena satisfação. No início Ele o criou à Sua própria semelhança; assim como a agulha da bússola sempre se move para o norte, deste modo a alma tocada com a imagem Divina deve levar o entendimento, afeições e vontade, para Ele mesmo. Ele também colocou a alma em um corpo material, e que, neste mundo, arranjando-os um ao outro, lhes forneceu todos os elementos necessários e adequados para cada parte do complexo ser do homem. O desejo natural levou a alma à criatura, mas apenas como um meio de desfrutar de Deus. As maravilhas da obra de Deus foram feitas para serem admiradas, mas, principalmente, como a indicação de Sua sabedoria. A comida deveria ser usada e apreciada, apenas a fim de aprofundar a gratidão pela bondade do Doador e fornecer força para servi-lO. Mas, infelizmente, quando o homem apostatou, seu entendimento, afeições e vontade se divorciaram de Deus e o exercício destes passou a ser dirigidos somente pelo amor-próprio. Originalmente, o Senhor sustentou e dirigiu a ação das afeições humanas para Si mesmo. Então, Ele reteve o poder, e deixou os nossos primeiros pais por conta própria em sua condição de criatura e, em consequência seus desejos vaguearam buscando alegrias proibidas. Eles procuraram a sua felicidade não na comunhão com o seu Criador, mas na relação com a criatura. Tal como os seus filhos, desde então, eles adoraram e serviram mais a criatura do que o Criador. O resultado foi desastroso em extremo: eles se apartaram do Santo. Isso foi enfaticamente evidenciado por sua tentativa de esconder-se dEle, se o prazer deles estivesse em Deus como seu principal bem, o desejo de ocultação não poderia ter possuído suas mentes. E, como aconteceu com Adão e Eva, assim tem sido com todos os seus descendentes. Muitos provérbios expressam esta verdade geral: “O fluxo não pode subir mais alto do que a fonte”. “Porventura colhem-se uvas dos espinheiros, ou figos dos abrolhos?” [Mateus 7:16] [...] A linhagem do pai da família humana produz descendentes de sua própria natureza. “E, todavia, dizem a Deus: Retira-te de nós; porque não desejamos ter conhecimento dos teus caminhos” (Jó 21:14), isto é o que os corações e as vidas de todos os nãoregenerados dizem ao Todo-Poderoso. O centro natural da alma do homem não caído, tanto para seu descanso e prazer, era o Único que lhe deu existência e, portanto, Davi diz: “Volta, minha alma, para o teu repouso”

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(Salmo 116:7). Mas o pecado tem levado os homens a “recuar” de segui-lO, e “apartar-se do Deus vivo” (Hebreus 10:38, 3:12). Deus não deveria apenas ser a porção deleitosa daquele a quem Ele fez à Sua imagem, mas também o fim último de todos os seus movimentos e ações, e seu objetivo deveria ser o de glorificá-lO e agradá-lO em todas as coisas. Mas ele deixou “o manancial de águas vivas” (Jeremias 2:13), a primavera infinita e perpétua de conforto e alegria. E agora as inclinações e desejos da natureza do homem são totalmente retirados de Deus, tudo e qualquer coisa é mais agradável para ele do que Deus, que é a soma de toda excelência; ele faz das coisas temporais e sensuais o seu bem principal, e o agradar de si mesmo o seu fim supremo. É por isso que as suas afeições são denominadas “ímpias concupiscências” (Judas 18), eles estão todos alienados de Deus. Eles não gostam da Sua santidade, não possuem nenhum desejo de comunhão com Ele, nenhum desejo de tê-lO em seus pensamentos. Mas o que acaba de ser pontuado (a aversão de nossas afeições por Deus) é apenas a parte privativa, o positivo é a sua conversão para outras coisas. Foi disto que Deus acusou a Israel, “Porque o meu povo fez duas maldades: a mim me deixaram, o manancial de águas vivas, e cavaram cisternas, cisternas rotas, que não retêm águas” [Jeremias 2:13]. Apegando-se a pobres ninharias que não lhes dão nenhuma satisfação. A criatura é preferida antes do Criador, pois toda a preocupação do homem natural está voltada para como viver à vontade no mundo, e não para honrar e deleitar-se em Deus. Assim eles observam “falsas vaidades” e “deixam a sua misericórdia” (Jonas 2:8), pois, quanto ao seu vazio, elas são vãs, e em relação às suas expectativas, “falsas vaidades”. Eles estão enganados por uma demonstração de vaidade, e o resultado é aflição de espírito, por causa da frustração de suas esperanças. Assim como o amor de Deus derramado nos corações dos redimidos não busca eles próprios (1 Coríntios 13:5), assim o amor-próprio não faz nada além disso, a saber: “todos eles se tornam para o seu caminho, cada um para a sua ganância, cada um por sua parte” (Isaías 56:11). Os desejos do não-regenerado não estão apenas apartados de Deus e fixados nas criaturas, mas isso de forma excessiva e ávida. Assim, lemos de “afeições desordenadas” (Colossenses 3:5), o que significa tanto imoderadas quanto anormais, um espírito de gula e um desejo por coisas que são contrárias a Deus: “cobiçando as coisas más” (1 Coríntios 10:6). O primeiro é o pecado de intemperança, este último tendo “prazer na injustiça” (2 Tessalonicenses 2:12). O corpo é valorizado mais do que a alma, visto que todos os esforços do homem natural são direcionados para fazer provisão para a carne e para satisfazer as suas concupiscências, enquanto ele pensa pouco e cuida menos ainda de seu espírito imortal. Quando a providência sorri sobre seu trabalho, sua linguagem é: “Alma, tens em depósito muitos bens para muitos anos; descansa, come, bebe e folga” (Lucas 12:19). Seus pensamentos se elevam para uma vida superior no futuro. Eles estão muito mais preocupados

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com a roupa e com o adorno do homem exterior do que com o cultivo de um espírito manso e tranquilo, que aos olhos de Deus é de grande valor (1 Pedro 3:4). A terra é preferida antes do Céu, as coisas temporais antes do que as eternas. Embora a morte e a sepultura possam colocar um fim a tudo o que tiveram aqui muito mais cedo do que imaginam, ainda assim os seus corações estão tão fixados sobre essas coisas que eles se alegram certos de que não serão privados dessas coisas. Assim é que as afeições, que no princípio eram servas da razão, agora ocupam o trono. Aquela que é a glória da natureza humana elevando-a acima dos animais do campo é presa agora aqui e acolá pela rude turba de nossas paixões. Deus colocou no homem um instinto de felicidade para que ele encontrasse a felicidade nEle, mas agora este instinto se arrasta no pó e se derrama sobre cada vaidade. Os conselhos e as invenções da mente estão engajados para a realização dos desejos carnais do homem. Não somente as suas afeições não se deleitam nas coisas espirituais como possuem forte preconceito contra elas, pois as suas afeições correm diretamente para a gratificação de sua natureza corrupta. Seus desejos são fixados sobre mais riqueza, mais honra mundana e poder, mais alegria carnal, e porque o Evangelho não contém nenhuma promessa de tais coisas ele é desprezado. Porque inculca a santidade, a mortificação da carne, a separação do mundo e o resistir ao Diabo o Evangelho torna-se muito desagradável para eles. Pois apartar as afeições daquelas coisas materiais e temporais das quais ele fez o seu principal bem, e convertê-las às coisas espirituais invisíveis e às coisas eternas, distancia a mente carnal do Evangelho, pois este não oferece nada que atraia o homem natural mais do que os ídolos que estão no âmago de seus corações. Portanto, renunciar à sua justiça própria e fazer-se dependente de Outro é igualmente desagradável para seu orgulho. As afeições não estão apenas alienadas e opostas às exigências sagradas do Evangelho, mas também opostas ao seu mistério. Esse mistério é o que as Escrituras denominam: a sabedoria oculta de Deus, e, o homem natural não somente é incapaz admira-lo e adorálo, mas considera-o com desprezo e contumácia. Ele olha para todas as partes de sua declaração como noções vazias e ininteligíveis. Esse preconceito tem prevalecido sobre os sábios e entendidos deste mundo em todas as épocas, e nunca tão eficazmente do que em nosso dia mau. A maior sabedoria de Deus parece loucura para todos os que andam inchados pelo orgulho de sua própria inteligência, e o que é loucura para eles é desprezado e escarnecido. Aquilo que direciona à fé mais do que a razão é repulsivo. Pois, “não te estribes no seu próprio entendimento, mas confie no Senhor de todo o coração”, é um “duro discurso” para aqueles consideram-se como tendo grande intelecto. Renunciar às suas próprias ideias, abandonar seus pensamentos (Isaías 55:7) e tornar-se como “crianças pequenas”, e dizer que sem isto eles de modo algum entrarão no reino dos céus é muitíssimo abominável para eles. Não pequena parte da depravação do homem consiste na sua dispo-

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nibilidade para abraçar esses preconceitos, a aderir a eles perniciosamente, sendo totalmente impotentes para livrarem-se deles. O estado desordenado de nossas afeições é visto no fato de que as ações do homem natural são reguladas muito mais por seus sentidos do que pela sua razão. Sua conduta consiste principalmente na resposta aos clamores de suas concupiscências ou invés dos ditames da razão. Os desejos de crianças são inclinados e velozes para qualquer desvio que leve à corrupção, mas lentos para exercitarem-se em fazer qualquer bem; daquele dificilmente podem ser contidos, para estes devem ser obrigados. Que as afeições estão alienadas de Deus se manifesta cada vez que Sua vontade se opõe aos nossos desejos. Esta doença aparece muito nos objetos nos quais nossas diversas afeições são colocadas. Em vez do amor estar posto em Deus, ele está centrado no mundo e na adoração de ídolos. Em vez de dirigir ódio contra o pecado, elas se opõem à santidade. Em vez de alegrar-se e encontrar o seu deleite nas coisas espirituais, gastam-se naquelas que em breve passarão. Em vez de temer agir de maneira que desagrade ao Senhor, ele teme mais as carrancas de seus companheiros. Se há dor, é pela frustração de nossos prazeres e esperanças, e não por causa da nossa desobediência. Se há compaixão, é exercida sobre si mesmo, e não em relação aos sofrimentos dos outros. Agora nos resta salientar que a primeira ambição dos nossos desejos é o próprio mal. As paixões ou desejos são os movimentos da criatura dirigidos por sua natureza, para uma inclinação aos objetos que promovam o seu bem, e uma aversão àqueles que são nocivos. E, assim, eles são para a alma o que as asas são para o pássaro e as velas são para o navio. O desejo está sempre em busca da satisfação, e se é para ser satisfeito deve ser regulado pela razão correta. Mas, infelizmente, a razão foi destronada e as paixões e inclinações do homem estão sem lei, e, portanto, Suas primeiras aspirações pelos objetos proibidos são essencialmente más. Estes eram, como Mateus 5 demonstra, negados pelos rabinos, que restringiram o pecado a uma transgressão aberta e externa. Mas o nosso Senhor declarou que a raiva injustificável contra o outro se constitui um assassinato, e que olhar para uma mulher e cobiçá-la era uma violação do sétimo mandamento, que pensamentos impuros e imaginações devassas eram nada menos do que adultério. Por isso, é que a Escritura fala de “concupiscências do engano” (Efésios 4:22), “concupiscências loucas e nocivas” (1 Timóteo 6:9), “paixões mundanas” (Tito 2:12), “concupiscências carnais, que combatem contra a alma” (1 Pedro 2:11) e “paixões pecaminosas” (Judas 18). Mesmo a primeira agitação de desejo por algo mau, a menor irregularidade nos movimentos da alma é pecado. Isso fica claro a partir do mandamento universal: “Não cobiçarás”, ou desejar qualquer coisa que Deus proibiu. Esse anseio irregular e maligno é chamado de “concupiscência” em Romanos 7:8 “no qual o apóstolo incluiu o desejo mental bem como o

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sensual” (Calvino). A palavra grega é geralmente traduzida como “desejos”; em 1 Tessalonicenses 4:5, este é encontrado em uma forma intensificada: “a paixão da concupiscência”. Estas concupiscências da alma são seus movimentos iniciais, muitas vezes, inesperados por nós mesmos, que precedem o consentimento da mente, e são designados “a vil concupiscência” (Colossenses 3:5). Eles são as sementes de onde brotam nossas más obras, as ambições originais da corrupção que habita em nós. Elas são condenadas pela lei de Deus, pois o décimo mandamento proíbe as primeiras inclinações das afeições para o que pertence a outrem, de modo que o desejo que inicia-se, antes da aprovação da mente ser obtida, é pecado, e precisa ser confessado a Deus. Gênesis 6:5 declara sobre o homem caído que “toda a imaginação dos pensamentos de seu coração era só má continuamente”, pois pecados enquanto na sua fase embrionária, contaminam a alma, sendo o contrário à pureza que a santidade de Deus exige. O que tem sido demostrado acima é repudiado pelos católicos romanos, pois enquanto eles concordam que os desejos da carne são a matéria do pecado, ou nos quais o pecado se origina, eles não vão admitir os mesmos como sendo essencialmente maus. O Concílio de Trento negou que o movimento original da alma tende para o mal é próprio do pecador, afirmando que estes só se tornam assim, quando são consentidos ou cedidos. Semelhantemente, a maioria dos Arminianos (que em muitas de suas crenças são um com os papistas) limitam o pecado a um ato da vontade. Agora é livremente confessado por todos os Calvinistas em alto e bom som que a mente entretém-se inicialmente com o desejo do mal e este é mais um grau de pecado, e que o assentimento real ao mesmo é ainda mais hediondo; mas os Arminianos, enfaticamente argumentam se o impulso original também é mau aos olhos de Deus. Se o impulso original é inocente (em si mesmo), como poderia sua gratificação ser pecado? Os motivos e excitações não sofrem qualquer alteração em sua natureza essencial em consequência de ser consentida ou incentivada. Não pode ser errado atender impulsos inocentes. O Senhor Jesus nos ensina a julgar a árvore pelos seus frutos, se os frutos forem corruptos, assim também é a árvore que a produz. Em Romanos 7:7, o termo é efetivamente atribuído ao pecado: “Mas eu não conheci o pecado senão pela lei; porque eu não conheceria a concupiscência, se a lei não dissesse: Não cobiçarás [ou desejarás]”, pois no grego a mesma palavra é empregada para ambos os termos. Aqui, então, o pecado e os desejos são usados alternadamente, qualquer não-conformidade interior com a Lei é pecaminosa. Paulo estava ciente desse fato quando o mandamento foi aplicado com poder, assim como o sol que brilha em um monte de excremento faz exalar seu fedor. Os homens podem negar que o próprio desejo pelo que é proibido é culpável, mas a Escritura afirma que até mesmo as imaginação são más, os brotos da maldade, pois elas são contrárias a essa retidão de coração que a Lei exige. Observe quão terrível é esta lista que Cristo enumerou com as coisas que procedem do coração, sendo

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iniciada com “maus pensamentos” (Mateus 15:19). Nós não podemos conceber qualquer inclinação ou propensão para o pecado em um ser absolutamente santo; certamente não havia nenhuma no Senhor Jesus: “se aproxima o príncipe deste mundo, e nada tem em mim” (João 14:30), nada que fosse capaz de responder às suas solicitações vis, nenhum movimento de seus apetites ou afeições dos quais ele poderia tirar proveito. Cristo estava inclinado apenas para o que é bom. Porque, quando estávamos na carne [ou seja, enquanto os Cristãos estavam em seu estado não-regenerado], as paixões dos pecados [literalmente, as afeições do pecado, ou o princípio de nossas paixões], que são pela lei, operavam em nossos membros [as faculdades da alma, bem como do corpo] para darem fruto para a morte” (Romanos 7:5). Essas “afeições do pecado” são os fluxos imundos que fluem da fonte poluída de nossos corações. Eles são os primeiros sinais de nossa natureza decaída, os quais precedem os atos explícitos de transgressão. Eles são os movimentos ilegais de nossos desejos antes de examinarmos e consentirmos com os pensamentos pecaminosos da mente. “Mas o pecado [corrupção que habita em nós], tomando ocasião pelo mandamento, operou em mim toda a concupiscência [ou concupiscência do mal]” (Romanos 7:8). Atente bem que para a expressão “operou em mim”, havia uma disposição poluída ou propensão para o mal operando, distinta da fonte das obras que ele produziu. O pecado que habita em nós é um princípio poderoso, constantemente exerce uma má influência, estimulando sentimentos profanos, despertando a avareza, a inimizade, maldade e etc. Parte 3 Julgamos de tal importância o que foi abordado no final do nosso último capítulo, e que tão pouco o mesmo é apreendido e compreendido hoje, que agora adicionaremos mais algumas palavras a ele. A ideia popular que prevalece agora é que nada é pecado, exceto uma transgressão aberta e externa, mas tal conceito está muito aquém do exame e do ensino humilhante da Sagrada Escritura. Ela afirma que a fonte de toda a tentação está dentro do próprio homem caído, é a depravação de seu próprio coração que o induz a ouvir o Diabo ou ser influenciado pelo desregramento dos outros. Se assim não fosse, então há solicitações que induzem ao delito não teriam qualquer força, pois não haveria nada dentro dele para que fosse estimulado, nada a que essas solicitações correspondessem ou sobre as quais elas pudessem exercer qual poder. Um exemplo do mal seria rejeitado com horror se fôssemos interiormente puros. Deve haver um desejo insatisfeito para o qual a tentação recorra. Onde não há nenhum desejo por comida, uma mesa bem farta não possui poder de sedução. Se não há amor à aquisição, o ouro não pode atrair o coração. Em todos os casos a força da tentação está no poder que ela exerce sobre alguma propensão de nossa natureza caída.

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Aqui reside a singularidade da Bíblia; a saber, a sua altíssima espiritualidade, insistindo que qualquer inclinação interior, a menor atração da alma para longe de Deus e de Sua vontade é pecaminoso e culpável, não importando se a ação é realizada ou não. Ela revela que a primeira aspiração do pecado em si é o de afastar a alma daquilo que ela deveria estar fixada, por meio de um desejo anormal por algum objeto estranho que parece prazeroso. Quando as nossas corrupções naturais são convidadas por algo externo que promete prazer ou lucro, e as paixões são atraídas pelo mesmo, então a tentação começa, e o coração é atraído após isto. Desde que o homem caído é mormente influenciado por seus desejos, estes imperaram tanto sobre a sua mente quanto sobre a sua vontade. Tão poderosos são que governam toda a sua alma; por isso é que o apóstolo disse: “vejo nos meus membros outra lei” (Romanos 7:23), pois tais desejos são imperiosos, dominando todo o homem. É pelo fato de que suas cobiças são tão violentas que os homens incorrem tão loucamente no pecado: “andam-se cansando em proceder perversamente” (Jeremias 9:5). Tiago 1:14-15 traça a origem de todo o nosso pecado, e é para esta passagem que agora nos voltamos. “Mas cada um é tentado, quando atraído e engodado pela sua própria concupiscência. Depois, havendo a concupiscência concebido, dá à luz o pecado; e o pecado, sendo consumado, gera a morte”. Essas palavras mostram que o pecado invade o espírito gradualmente, e descreve as várias etapas dele ser consumado no ato exterior. Esta passagem revela que a causa da concepção de todos os pecados reside na alma de cada um, ou seja, em suas concupiscências, que ele tem dentro de si mesmo tanto a provisão quanto o estímulo para isso. Justamente sobre isto Goodwin declara: “Você nunca pode chegar a ver o quão profundamente e quão abominável criatura corrupta você é, até que Deus abra os seus olhos para que você veja as suas concupiscências”. O velho homem “se corrompe pelas concupiscências do engano” (Efésios 4:22). A cobiça é tanto o útero quanto a raiz de toda a maldade que há sobre a terra. Diz o apóstolo ao povo de Deus “havendo escapado da corrupção, que pela concupiscência que há no mundo” (2 Pedro 1:4) “A corrupção”, é a praga arruinando e destruindo toda a humanidade. “Que... há no mundo”, como veneno no copo, como a podridão na madeira, como uma peste que contamina o ar e a qual não se pode erradicar. Ela contamina todas as partes de um homem seja física, mental ou moral; e todos os relacionamentos de sua vida, sejam na família, sociedade ou país. “Cada um é tentado, quando atraído e engodado pela sua própria concupiscência”. Quando os homens são tentados eles procuram normalmente lançar o ônus sobre Deus, sobre o Diabo, ou sobre os seus companheiros; ao passo que a culpa recai inteiramente sobre si mesmos. Primeiro, suas afeições estão afastadas do que é bom e eles são incitados a uma conduta ilícita por suas inclinações corruptas, sendo atraídos por uma isca que Satanás ou

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o mundo chacoalhe diante dele. “Concupiscência” aqui significa um anseio ou desejo de obter alguma coisa, e é tão forte a ponto de atrair a alma para um objeto proibido. A palavra grega para “afastadas” significa forçosamente impelido, uma violência impetuosa do desejo que cobiça alguma coisa sensual ou mundana exigindo gratificação. Estas nada são senão uma espécie de vontade própria, um anseio por aquilo que Deus não concedeu, decorrente do descontentamento em relação à nossa presente condição ou porção. Mesmo que esse desejo seja passageiro e involuntário, sim, contra o nosso melhor julgamento, ainda assim, é pecaminoso, e quando consentido produz uma culpa ainda mais profunda. “E engodado”. A atração pela irregularidade e veemência do desejo, a sedução acontece pela contemplação do objeto. Mas esse mesmo engodo é algo pelo qual nós somos culpados. É porque não conseguimos resistir, abominamos e rejeitamos a primeira investida do desejo ilícito, e em vez disso, o entretemos e o encorajamos, de forma que a isca pareça tão atrativa. As promessas tentadoras de prazer ou lucro, são o “o engano do pecado” (Hebreus 3:13) atuando no que nos seduz. Em seguida, o mal lhe é doce na boca, e ele o esconde debaixo da sua língua (Jó 20:12). “Depois, havendo a concupiscência concebido”: prazer antecipado é valorizado, e tendo em vista o mesmo a mente consente plenamente. O ato pecaminoso está presente em embrião, e os pensamentos estão envolvidos em maquinar formas e meios de gratificação. “Dá à luz o pecado” por um decreto da vontade, o que antes era contemplado agora é realmente perpetrado. Justamente sobre isto Thomas Manton diz: “O pecado não conhece outra mãe exceto o nosso próprio coração”. “E o pecado, sendo consumado, gera a morte”: assim o seu salário é pago e colhe-se o que foi semeado, a condenação sendo o resultado final. Tal é o progresso do pecado dentro de nós, e esses seus diversos graus de enormidade. 4. Consciência corrompida. Se há uma faculdade da alma do homem mais do que qualquer outra da qual poderia ser pensado ter retido a imagem original de Deus sobre ela, esta certamente é a consciência. Tal ponto de vista, de fato, foi amplamente difundido. Então eles decididamente eram desta opinião, não poucos dos filósofos mais renomados e moralistas afirmaram que a consciência não é nada menos do que a própria voz Divina falando na câmara interior do nosso ser. Mas, sem de forma alguma minimizar a grande importância e o valor deste monitor interno, seja no seu ofício ou em suas operações, deve ser declarado enfaticamente que tais teóricos erraram, que mesmo essa faculdade não escapou da ruína comum que atingiu todo o nosso ser. Isto é evidente a partir do claro ensino da Palavra de Deus sobre isto. Escritura fala de uma “fraca consciência” (1 Coríntios 8:12), dos homens “tendo cauterizada a sua própria consciência” (1 Timóteo 4:2), e é dito que a sua “consciência está contaminada” (Tito 1:15), que eles têm “má consciência” (Hebreus 10:22). A demonstração disto é feita no que se segue. Aqueles que afirmam que há algo essencialmente bom no homem natural insistem que a

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sua consciência é uma inimiga para o mal e uma amiga para a santidade. Eles apontam e ressaltam o fato de que a consciência produz uma convicção interior contra ilegalidade, uma luta no coração contra o pecado, uma relutância este. Eles chamam a atenção para o fato de que faraó reconheceu seu pecado (Êxodo 10:16), e que Dario “ficou muito penalizado” por seu ato injusto de condenar Daniel a ser lançado na cova dos leões (6:14). Alguns têm mesmo ido tão longe a ponto de afirmar que a oposição aos maiores e mais grosseiros crimes se encontra a princípio em todos os homens diferindo pouco ou nada desse conflito entre a carne e o Espírito descrito em Romanos 7:21-23. Mas tal sofisma é facilmente refutado. Em primeiro lugar, embora seja verdade que o homem caído possui uma noção geral de certo e errado, e seja capaz, em alguns casos de discernir entre o bem e o mal, contudo enquanto ele permanece não-regenerado este instinto moral nunca faz com que ele se deleite cordialmente no bem ou realmente abomine o mal; e em qualquer medida que possa aprovar o bem ou reprovar o mal, isto não se deriva de nenhuma consideração por Deus que porventura ele possua. A consciência só é capaz de trabalhar de acordo com a luz que tem, e uma vez que o homem natural não pode discernir as coisas espirituais (1 Coríntios 2:14), isso é inútil em relação a elas. Quão fraca é a sua luz! É mais parecida com a de uma vela brilhando do que com os raios do sol, apenas suficiente para fazer a escuridão visível. Devido à estultícia que se encontra em seu entendimento, a sua consciência é terrivelmente ignorante. E quando ela o faz descobrir o que lhe é hostil, fá-lo débil e ineficazmente. Em vez de esclarecer, na maioria das vezes confunde. Como isso é manifesto no caso das nações! A consciência dá-lhes um sentimento de culpa e, em seguida, os leva a praticar os ritos mais abomináveis e muitas vezes desumanos. Ela os induz a inventar e propagar as deturpações mais ímpias da Divindade. Como um bálsamo para a sua consciência, eles muitas vezes fazem os próprios objetos de sua adoração os precedentes e patronos de seus vícios favoritos. O fato é que a consciência é tão tristemente deficiente a ponto de ser incapaz de cumprir o seu dever até que Deus a ilumine, desperte e renove. Suas operações são igualmente defeituosas. A consciência não é defeituosa apenas na visão, mas a sua voz também é muito fraca. Quão fortemente ela deveria censurar-nos por nossa surpreendente ingratidão para com o nosso grande Benfeitor! Quão alta deveria ser a voz para opor-se contra a negligência estúpida de nossos interesses espirituais e bemestar eterno. No entanto, ela não faz nem uma coisa nem outra. Embora ela ofereça alguns avisos sobre inocorrências grosseiras no pecado, não faz resistência aos trabalhos mais sutis e secretos da corrupção que em nós habita. Se ela demanda o cumprimento do dever, ignora a parte mais importante e espiritual do mesmo. Pode ser desconfortável se não conseguirmos passar a mesma quantidade de tempo todos os dias na oração secreta, mas está pouco preocupada com a nossa reverência, humildade, fé e fervor nela. Aqueles que vi-

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viam nos dias do profeta eram culpados de oferecer a Deus sacrifícios defeituosos, ainda assim suas consciências nunca lhes perturbaram em relação a isto (Malaquias 1:7-8). A consciência pode ser muito escrupulosa no cumprimento dos preceitos dos homens ou nossas predileções pessoais, e ainda totalmente negligente naquelas coisas que o Senhor ordenou, como os Fariseus que não comiam enquanto suas mãos permanecessem cerimonialmente impuras, porém, desconsideravam o que Deus havia ordenado (Marcos 7:6-9). A consciência é terrivelmente parcial: desconsiderando pecados favoritos e desculpando aqueles que mais de mais perto nos rodeiam. Todas essas tentativas de atenuar as nossas faltas são fundadas na ignorância de Deus, de nós mesmos e do nosso dever; caso contrário, a consciência nos daria o veredito de culpados. A consciência muitas vezes se junta às nossas concupiscências para incentivar um ato perverso. Saul disse que ele não ofereceria o sacrifício até que Samuel chegasse, mas para agradar as pessoas e impedir que elas o abandonassem, ele o fez. E quando esse servo de Deus o repreendeu o rei procurou justificar seu crime dizendo que os filisteus estavam reunidos contra Israel, e que ele não se atreveu a atacá-los antes de fazer súplicas a Deus, e acrescentou: “constrangi-me, e ofereci holocausto” (1 Samuel 13:8-12). A consciência se esforçará para encontrar alguma consideração com a qual apaziguar-se e, em seguida, aprovar o ato de maldade. Mesmo quando repreende certos pecados, ela encontrará motivos e arranjará incentivos para praticá-lo. Assim, quando Herodes estava prestes a cometer o assassinato covarde de João Batista, que era contra as suas convicções, a sua própria consciência veio em seu auxílio, e pediulhe para seguir em frente, instando que ele não deveria violar o juramento que ele havia feito diante de outros (Marcos 6:26). A consciência frequentemente ignora grandes pecados enquanto condena outros menores, como Saul era severo com os israelitas em relação à violação da lei cerimonial (1 Samuel 14:33), mas não teve nenhum escrúpulo de matar oitenta e cinco sacerdotes do Senhor. A consciência ainda inventará argumentos que favorecem — sim, até mesmo autorizam — os atos mais ultrajantes e, portanto, ela não é apenas um advogado corrupto pleiteando a causa do mal, mas um juiz corrupto que justifica o ímpio. Assim, aqueles que clamavam pela crucificação de Cristo o fizeram sob o pretexto de que era lícita e necessária: “Nós temos uma lei e, segundo a nossa lei, deve morrer, porque se fez Filho de Deus” (João 19:7). Não é de admirar que o Senhor diz a respeito dos homens que “ao mal chamam bem, e ao bem mal; que fazem das trevas luz, e da luz trevas” (Isaías 5:20). A consciência nunca move o homem natural a reder ações de graças e reconhecimento a Deus; nunca o convence da culpa pesada da ofensa de Adão, que jaz sobre a sua alma, nem de sua falta de fé em Cristo; e assim a consciência permite que os pecadores durmam em paz em meio a sua terrível incredulidade, mas estes não são um sono e paz sólidos, pois não há razão ou motivo para isso: é, antes, uma segurança falsa e estúpida. Deus a seu respeito: “Eles não dizem no seu coração que eu me lembro de toda a sua maldade” (Oseias 7:2).

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Suas acusações são ineficazes, pois não produzem bons frutos, não produzem mansidão e humildade, nem arrependimento genuíno, mas sim um medo sensível de Deus como um juiz severo ou um ódio como inimigo inexorável. As suas acusações não são apenas ineficazes, mas muitas vezes elas são muito errôneas. Por causa da escuridão que está sobre sua compreensão, a percepção moral do homem natural erra muito. Como Thomas Boston disse da consciência corrupta: “Por isso, ela é frequentemente como um cavalo louco e furioso, que violentamente derruba, o seu cavaleiro, e todos que entram em seu caminho”. Um terrível exemplo disto aparece na previsão de nosso Senhor em João 16:2, que recebeu cumprimento repetido em Atos: “Expulsar-vos-ão das sinagogas; vem mesmo a hora em que qualquer que vos matar cuidará fazer um serviço a Deus”. Da mesma maneira Saulo de Tarso, depois de sua conversão, reconheceu: “Bem tinha eu imaginado que contra o nome de Jesus Nazareno devia eu praticar muitos atos” (Atos 26:9). Aqui fazer do “amargo, doce e do doce, amargo” foi o caso! O guia menos confiável é a consciência não-renovada. Mesmo quando a consciência do não-regenerado é despertada pela mão imediata de Deus e é ferida com convicções profundas e dolorosas de pecado, tão longe está a alma de mover-se em busca da misericórdia de Deus através do Mediador, antes enche-se de tremor e consternação. Como Jó 6:4, declara, quando as flechas do Todo-Poderoso estão cravadas nele, o veneno delas embebe seu espírito, e os terrores de Deus o assaltam. Até então tal pessoa tinha feito um grande esforço para abafar as acusações de seu juiz interior, e agora ele iria fazê-lo de bom grado, mas não pode. Em vez disso, a consciência se enfurece e murmura, colocando todo o homem em uma consternação terrível, à medida que é aterrorizado por um senso da ira de um Deus santo e está com medo do ardor do fogo que há de devorar os Seus adversários. Isso o enche de tal horror e desespero que, em vez de se voltar para o Senhor que ele se esforça para fugir dEle. Assim foi o caso de Judas, que, quando foi levado a perceber a gravidade de sua terrível e vil ação, saiu e enforcou-se. Que esta violência do pecado dentro do homem natural o leva a desviar-se de Cristo ao invés de para Cristo, foi demonstrada pelos Fariseus em João 8:9, que, “redarguidos da consciência, saíram um a um, a começar pelos mais velhos até aos últimos”. 5. Incapacidade da Vontade. Deixamos isso por último, porque a vontade não é o senhor, mas o servo das outras faculdades, executando a convicção mais forte da mente ou o comando mais imperioso de nossas paixões, pois pode haver apenas uma influência dominante na vontade em um e mesmo tempo. A excelência da vontade do homem consistia, originalmente, em seguir a orientação da reta razão e submeter-se à influência de autoridade apropriada. Mas no Éden a vontade do homem rejeitou a primeira, e se rebelou contra a última, e em consequência da Queda sua vontade tem estado desde então sob o controle de um entendimento que prefere antes as trevas do que a luz e de afeições que desejam mais o mal do que o bem. E assim é que os prazeres fugazes do bom senso e os interesses

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mesquinhos do tempo excitam nossos desejos, enquanto os deleites duradouros da piedade e as riquezas da imortalidade recebem pouca ou nenhuma atenção. A vontade do homem natural é influenciada por suas corrupções, pois suas inclinações gravitam na direção oposta ao seu dever e, portanto, ele está completamente cativo ao pecado, impelido por suas paixões. Não é apenas que os não-regenerados não estão dispostos a buscar a santidade, eles inveteradamente a odeiam. Desde que a vontade transformou-se em uma traidora de Deus e apresentou-se ao serviço de Satanás, ela foi completamente incapacitada para fazer o bem. Disse o Salvador: “Ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou o não trouxer” (João 6:44). E por que ele não pode vir a Cristo por suas próprias forças naturais? Porque ele não somente tem inclinação para fazer isso, mas porque o Salvador é um objeto que o repele, Seu jugo não é bemvindo, Seu cetro é repulsivo. Em relação às coisas espirituais a condição da vontade é como a da mulher em Lucas 13:11, ela “andava curvada, e não podia de modo algum endireitarse”. Se tal for o caso, então como pode ser dito que o homem é capaz de agir voluntariamente? Pois ele escolhe livremente o mal, e isso porque “a alma do ímpio deseja o mal” (Provérbios 21:10), e ele sempre realiza esse desejo, exceto quando impedido pelo governo Divino. O homem é o escravo de suas corrupções, nascido como um potro selvagem, desde a mais tenra infância ele é avesso à restrição. A vontade do homem é uniformemente rebelde para com Deus; quando a providência frustra seus esforços, em vez de se curvar em humilde resignação, ele se aborrece com inquietação e age como um touro selvagem em uma rede. Somente o Filho pode “libertá-lo” (João 8:36), e há “liberdade” somente onde está o Espírito do Senhor. (2 Coríntios 3:17). Aqui, então, estão as ramificações da depravação humana. A Queda cegou a mente do homem, endureceu o seu coração, desordenou as suas afeições, corrompeu a sua consciência, mitigou a capacidade de sua vontade, e deste modo não há “coisa sã” nele (Isaías 1:6), “não habita bem algum” em sua carne (Romanos 7:18).

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A Terrível Condição Dos Homens Naturais Por Robert Murray M'Cheyne

“Alienam-se os ímpios desde a madre; andam errados desde que nasceram, falando mentiras. O seu veneno é semelhante ao veneno da serpente; são como a víbora surda, que tapa os ouvidos, para não ouvir a voz dos encantadores, do encantador sábio em encantamentos.” (Salmos 58:3-5) Foi suposto por alguns intérpretes que este salmo foi escrito como uma descrição profética dos juízes injustos que condenaram nosso Senhor Jesus Cristo. 1. Começa por repreendêlos pelo seu julgamento injusto. Verso 1: “Acaso falais vós, deveras, ó congregação, a justiça?” e etc. 2. Ele desvela os recessos sombrios de seu coração e história, versículo 3, “Alienam-se os ímpios desde a madre”. 3. E mostra a sua destruição vindoura, versículo 10: “O justo se alegrará quando vir a vingança; lavará os seus pés no sangue do ímpio” [Salmos 58:10]. Embora possa ser isso: eles possuíam a mesma natureza que nós. Os escribas e Fariseus que condenaram nosso Senhor tinham corações do mesmo tipo que o nosso, para que pudéssemos aprender hoje a terrível depravação do coração do homem.

I. Depravação original. Versículo 3: “Alienam-se os ímpios desde a madre”. A expressão “desde a madre” ocorre frequentemente nas Escrituras e significa: a partir do primeiro período de nossa existência. O anjo do Senhor disse à esposa de Manoá: “o menino será nazireu de Deus desde o ventre” (Juízes 13:5); isto é, desde o primeiro momento de sua existência. Deus diz a Jeremias “Antes que te formasse no ventre te conheci, e antes que saísses da madre, te santifiquei; às nações te dei por profeta” (Jeremias 1:5). Jeremias foi designado como um profeta antes de nascer. Paulo diz: “Mas, quando aprouve a Deus, que desde o ventre de minha mãe me separou, e me chamou pela sua graça, revelar seu Filho em mim” [Gálatas 1:15-16a]. Paulo foi separado por Deus para a obra do ministério, desde o princípio. Assim, nas palavras diante de nós, é declarado que desde o início os ímpios alienam-se de Deus. Agora, esta alienação é dupla. 1. A cabeça. Toda a mente está afastada de Deus. “Naquele tempo vocês estavam sem Deus” [Efésios 2:12]. O homem natural é ignorante de Deus desde o ventre materno. Deus é um estranho para ele, pois não O conhece. Ele não tem uma verdadeira visão da infinita pureza de Deus, de Sua justiça imutável, e do rigor da Lei. Ele não conhece o amor de Deus, nem como voluntariamente Ele providenciou um Salvador. Ele é predominantemente ignorante de Deus. Salmo 10:4: “todas as suas cogitações são que não há Deus”, ou ele

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de modo algum volta sua mente para Deus, ou então ele imagina Deus como sendo inteiramente tal como ele mesmo: “Não há ninguém que entenda” (Salmo 14). 2. O coração. Uma criança recém-nascida, naturalmente sente desejo pela mama de sua mãe; ela naturalmente procura a mama, mas não busca a Deus da mesma forma. “Não há ninguém que busque a Deus” [Romanos 3:11]. Desde o início somos avessos a Deus. A criança logo trata de apreciar a presença de seus pais terrenos e de outras crianças, mas ele não gosta da presença de Deus. A tendência natural do coração é ir para longe de Deus e manter-se fora de sua vista. Um homem natural não gosta da presença de um santo muito eminente, se ele tiver plena liberdade ele sairá da sala e procurará outra coisa que fazer que seja mais adequada ao seu gosto. Esta é a maneira como ele trata a Deus. Deus é santo demais para ele; Ele é muito puro e, portanto, ele faz todo o possível para sair de Sua presença. Esta é a razão por que você não pode fazer homens não-convertidos orarem em secreto. Eles preferem passar meia hora trabalhando no moinho todas as manhãs do que ir ao encontro de Deus. Esta é a verdadeira condição de cada um de vocês que agora está não-convertido; na verdade, era a condição de todos nós, mas alguns de vocês foram libertos dela. A partir do momento que você estava no útero até agora toda a sua cabeça e coração estavam alienados de Deus, Gênesis 8:21: “a imaginação do coração do homem é má desde a sua meninice”; Jó 14:4: Quem do imundo tirará o puro?”. Toda a sua natureza é totalmente depravada. Você está acostumado a pensar que você tem algumas partes boas, que embora alguma parte tenha sido depravada, outra esteja doente e todo o coração seja fraco, sua história permanece completamente boa; mas aprenda que toda a sua cabeça está coberta com o pecado. Você está acostumado a pensar que grande parte de sua vida tem sido inocente. Você admite que algumas páginas de sua vida estão manchadas de carmesim e de pecados escarlates; que você se envergonha de olhar para algumas páginas do passado; mas certamente você tem algumas páginas de justiça também. Saiba que você está “alienado desde o ventre”. Você passou cada momento sem Deus e afastando-se dEle; no cabeçalho de cada página de sua vida isto tem sido escrito: “Neste dia Deus não esteve em nenhum dos meus pensamentos, ele não desejou reter Deus em seu conhecimento”. Gênesis 6:5: “toda a imaginação dos pensamentos de seu coração era só má continuamente”.

II. Pecado real. “Alienam-se”. Existem dois caminhos nos quais cada homem natural se perde assim que nasce. 1. O caminho dos mandamentos de Deus. Este é o caminho puro de luz em que santos anjos andam. Eles guardam os Seus mandamentos, obedecendo à voz da Sua palavra (Salmo 103). Esta é uma via pura, tendo dez caminhos nela em que os pés do amor caminham.

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“Bem-aventurados os retos em seus caminhos, que andam na lei do Senhor” [Salmos 119: 1]. “Faze-me andar na vereda dos teus mandamentos, porque nela tenho prazer” [Salmos 119:35]. Deste caminho eles se alienam desde que nascem, falando mentiras. Um desses caminhos diz: “Não dirás falso testemunho contra o teu próximo” [Deuteronômio 5:20]; mas este é um dos primeiros a ser abandonado, falando mentiras. Isaías 53:6: “Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo seu caminho” [Isaías 53:6]. 2. O caminho do perdão. Disse-lhe Jesus: “Eu sou o caminho” [João 14:6]; e novamente, “Estreita é a porta, e apertado o caminho que leva à vida” [Mateus 7:14]. O mesmo diz Isaías 35:9: “só os remidos andarão por ele”. Deste modo também “andam errados desde que nasceram, falando mentiras”. A vida é dada aos pecadores apenas para que eles possam andar por este caminho, mas eles a gastam indo cada vez mais longe. A parábola da ovelha perdida mostra o verdadeiro estado de cada alma não-convertida vagando longe do bom pastor. Ele está buscando salvar os perdidos, você está andando errado para cada vez mais longe. Romanos 3:12, “Todos se extraviaram”. “Em seus caminhos há destruição e miséria; e não conheceram o caminho da paz” [Romanos 3:16-17]. E oh! que terrível significado isso confere à declaração: “falando mentiras!”, porque está escrito em 1 João 2:22: “Quem é o mentiroso, senão aquele que nega que Jesus é o Cristo?”, E mais uma vez: “Quem crê no Filho de Deus, em si mesmo tem o testemunho; quem a Deus não crê mentiroso o fez, porquanto não creu no testemunho que Deus de seu Filho deu” [1 João 5:10]. Nenhum homem pode alienar-se de Cristo sem falar mentiras. Conheça a terrível condição daqueles de vocês que são homens naturais. Em primeiro lugar, a partir do dia em que nasceu você se desviou do caminho dos mandamentos de Deus; cada ano, mês, semana, dia, hora e minuto foi preenchido com o pecado. Todos os dias têm visto você ir para mais longe da santidade, mais longe de Deus e para mais perto do inferno. Você está entesourando ira para o dia da ira. Oh! que tesouro é este! pois contém combustível para queimá-lo por toda a eternidade. Se algum de vocês vive em bebedeiras ou xingamentos ou em qualquer pecado, você está acumulando combustível para seu inferno eterno. Você está prosseguindo cada vez mais em seu pecado. Está enrolando suas correntes mais e mais em volta de você. Pela lei da natureza humana, cada vez que pecamos, o hábito se torna mais forte, de modo que você está a cada dia se tornando mais completamente como o Diabo. A cada dia torna-se mais difícil converter-se. A experiência mostra que a maioria das pessoas são convertidas quando jovens. Queridos jovens, a cada dia você que vive em pecado será mais impossível converter-se. “Os que cedo me buscarem, me acharão” [Provérbios 8:17]. Em segundo lugar, desde o dia em que você nasceu, você se alienou de Cristo. O bom

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pastor tem procurado você. Todos os dias que você permanecer não-salvo, você está andando para longe dEle. Todos os dias você está se aproximando do inferno e distanciandose de Cristo. A incredulidade fica mais forte a cada dia.

III. A inimizade mortal dos homens naturais contra Deus. “O seu veneno” etc. Por duas razões: 1. Porque eles são os filhos da antiga serpente, o Diabo. Todos os homens naturais são a semente da serpente. Veja Gênesis 3:15. Todos os que se opõem e não gostam dos filhos de Deus fazem isto por que eles são a semente da serpente, e o veneno da antiga serpente permanece neles. João, o Batista chama os Fariseus de uma raça de víboras (Mateus 3:7). De maneira ainda mais terrível o nosso abençoado Senhor fala em Mateus 23:33: “Serpentes, raça de víboras”. Os Fariseus e Saduceus não eram de natureza diferente da nossa; eles tinham a mesma carne e sangue, e o mesmo coração perverso; eles eram filhos de seu pai, o Diabo, e queriam satisfazer os desejos de seu pai: “O seu veneno é semelhante ao veneno da serpente”. 2. Porque eles têm uma inimizade mortal contra Deus. O veneno da serpente é um veneno mortal. Quando ela lança um bote em um homem ela procura matá-lo. Esse é o veneno cruel do coração natural contra Deus. Ele é um inimigo mortal de santo governo de Deus. Foi dito: “Se o trono de Deus estivesse dentro de seu alcance, e você soubesse, ele não estaria seguro nem mesmo por uma hora”. Ele é um inimigo mortal do próprio ser de Deus, Salmo 14:1: “Disse o néscio no seu coração: Não há Deus”, em seu coração ele diz isto, este é o desejo secreto de cada peito não-convertido. Se o peito de Deus estivesse ao alcance dos homens seria esfaqueado um milhão de vezes em um momento. Quando Deus se manifestou em carne, Ele era totalmente desejável; Ele não cometeu pecado; Ele andava continuamente fazendo o bem e ainda assim eles O tomaram e O penduraram no madeiro; eles zombaram e cuspiram nEle. E desta mesma maneira os homens fariam com Deus novamente. Conheça: (1) A depravação terrível de seu coração. Atrevo-me a dizer que não há um homem não-convertido presente que tem uma vaga ideia sobre a maldade monstruosa que está agora dentro de seu peito. Pare, antes que você esteja no inferno, ou isso irromperá sem restrição. Mas, ainda deixe-me dizer-lhe o que é: você tem um coração que assassinaria a Deus se tivesse poder para isso. Se o peito de Deus estivesse agora ao seu alcance, um golpe baniria Deus do universo, você tem um coração qualificado para realizar esta ação. (2) O incrível amor de Cristo: “Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores” [Romanos 5:8].

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IV. Surdos à voz do Evangelho. É um fato bem conhecido que muitos tipos de serpentes podem ser encantadas pelo poder da música. Isto é referido em Eclesiastes 10:11 e Jeremias 8:17. Muitos viajantes ao Egito e à Índia têm visto isso, mas aqui é dito ser um tipo de serpente que é surda, de modo que não possa ouvir a música, mas que ela tem o poder de fazer-se surda por um tempo de modo que não fica encantada. Assim é com os homens não-convertidos. Cristo é o grande encantador. Sua voz é como o som de muitas águas. Jamais alguém falou como este homem. Quando André e Pedro O ouviram, eles deixaram tudo e seguiramnO; assim como Tiago, João e Mateus. Quando a noiva O ouve, ela exclama: “A voz do meu amado!”. Quando as ovelhas ouvem a Sua voz elas O seguem; quando os mortos ouvem a Sua voz, eles ressuscitam; quando os oprimidos O ouvem, eles encontram descanso. Mas os homens não-convertidos não ouvirão. Eles são como Manassés, eles não darão ouvidos; eles são como os judeus quando Estevão pregou, eles taparam os ouvidos e prosseguiram. Ah, quantos de vocês estão fazendo a mesma coisa, tapando os seus ouvidos? Quantos de você taparam seus ouvidos com o barulho do mundo, com seus negócios e cuidados, com alguma luxúria favorita? A voz do grande encantador foi ouvida muitas vezes neste lugar, e alguns já a ouviram e seguiram-nO; e por que você seria deixado para trás? Conheça: (1) A loucura disto. Ele busca lhe encantar para abençoá-lo, para lhe trazer a paz, o perdão e a santidade. “Nenhum outro nome há, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos” [Atos 4:12]. (2) A culpa que há nisto. É o maior de todos os pecados, recusar o que fala do céu (Hebreus 7:25). Isto é colocado por último aqui. É imperdoável. Todo o pecado e blasfêmia pode ser perdoado a você, mas se você não ouvir a voz de Cristo você perecerá. Cristo está batendo à sua porta e dizendo: “Se alguém ouvir a minha voz, e abrir a porta, entrarei” [Apocalipse 3:20]. Oh, pense na culpa de deixar o Filho de Deus esperando em sua porta? Alguns de bom grado colocariam a culpa fora de si mesmos, mas Deus lava a Si mesmo da culpa do incrédulo. Estes são vocês que tapam seus ouvidos; vocês sempre resistem ao Espírito Santo. Vocês um dia descobrirão que aquele que não crer será condenado.

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A Pecaminosidade Do Homem Em Seu Estado Natural Por Thomas Boston

DOUTRINA: O homem natural está agora completamente corrompido Agora, confirmarei a doutrina da corrupção da natureza. Levarei uma lente aos seus olhos, pela qual você possa ver a sua natureza pecaminosa; a qual, apesar de Deus tomar particular conhecimento sobre ela, muitos inteiramente a ignoram. Consultemos a Palavra de Deus e a experiência e observação dos homens. Como prova Escriturística, consideremos: Como a Escritura toma particular conhecimento da Queda de Adão, comunicando a sua imagem à sua posteridade: “E Adão viveu cento e trinta anos, e gerou um filho à sua semelhança, conforme a sua imagem, e pôs-lhe o nome de Sete” [Gênesis 5:3]. Compare isto com o primeiro versículo do capítulo: “No dia em que Deus criou o homem, à semelhança de Deus o fez”. Eis aqui, como a imagem do homem depois da queda e a imagem em que ele foi originalmente criado são opostas. O homem foi criado à semelhança de Deus; isto é, o Deus santo e justo fez uma criatura santa e justa, mas o Adão caído gerou um filho, e não à semelhança de Deus, mas à sua própria semelhança; ou seja, o corrupto e pecaminoso Adão gerou um filho pecador e corrupto. Porque, assim como a i magem de Deus trazia consigo a justiça e a imortalidade, como foi mostrado antes; assim esta imagem do caído Adão trazia consigo a corrupção e morte (1 Coríntios 15:49-50; compare o versículo 22 do mesmo capitulo). Moisés, no quinto capítulo de Gênesis, dá-nos a primeira nota da mortalidade que já existiu no mundo, ele começa o capitulo com isso, que, antes morrer, Adão gerou mortais. Tendo pecado, se tornado mortal, de acordo com a ameaça [Gênesis 2:17]; e por isso ele gerou um filho à sua semelhança, pecaminoso e, portanto, mortal. Assim, o pecado e a morte passaram a todos. Sem dúvida ele gerou tanto Caim quanto Abel à sua semelhança, assim como Sete; mas isto não é registrado de Abel, porque ele não deixou nenhuma questão por trás dele, e sua queda gerou o primeiro sacrifício de morte no mundo, isto foi um relatório suficiente a seu respeito, nem isso é registrado de Caim, de quem poderia ter sido, embora peculiar, por causa da sua maldade monstruosa; e, além disso, a sua posteridade foi afogada no dilúvio, mas é registrado sobre Sete, porque ele era o pai da raça santa; e dele toda a humanidade desde o dilúvio descendeu, e a própria semelhança do caído Adão com eles. Isto se infere a partir do texto da Escritura: “Quem do imundo tirará o puro? Ninguém” (Jó 14:4). Nossos primeiros pais eram impuros, como então podemos ser puros? Como pode-

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riam nossos pais imediatos ser puros? Como nossos filhos podem ser? A impureza aqui referida é uma impureza pecaminosa; pois tal impureza é que enche os dias dos homens de problemas; e é natural, sendo derivada de pais impuros: “O homem, nascido da mulher” (Jó 14:1), “Como seria puro aquele que nasce de mulher?” (Jó 25:4). O Deus onipotente, cujo poder não é aqui desafiado, pode trazer uma coisa pura de uma impura, e fê-lo, no caso do homem Cristo, mas nenhum outro pode. Toda pessoa que nasce de acordo com o curso da natureza nasce impuro. Se a raiz é corrupta, assim devem ser os ramos. Nem é o caso reparado, embora os pais sejam santificados; pois eles são santos apenas em parte, e isto pela graça, não por natureza, mas eles geram seus filhos como homens, não como homens santos. Portanto, assim como o pai circuncidado gera um incircunciso, e depois que o grão mais puro é semeado, colhemos joio com o trigo; deste modo os pais mais santos geram filhos profanos, e não podem comunicar a sua graça a eles, como eles fazem com a sua natureza; isto muitos pais piedosos encontram ser verdadeiro em sua triste experiência. Considere a confissão do salmista Davi (Salmos 51:5): “Eis que em iniquidade fui formado, e em pecado me concebeu minha mãe”. Aqui, ele sobe de seu pecado atual, até a fonte do mesmo, ou seja, a natureza corrupta. Ele era um homem segundo o coração de Deus, mas não foi assim com ele desde o princípio. Ele foi gerado em casamento legal, mas quando o embrião foi gerado no útero, era um embrião pecaminoso. Daí a corrupção da natureza ser chamada de “velho homem”; sendo tão antiga quanto nós mesmos somos, mais antiga do que a graça, mesmo naqueles que são santificados desde o ventre. Ouça a constatação de nosso Senhor sobre este ponto em João 3:6: “O que é nascido da carne é carne”. Eis aqui a corrupção universal da humanidade — todos são carne! Não que todos são frágeis, embora, isto seja uma verdade triste demais; sim, a nossa fragilidade natural é uma evidência de nossa corrupção natural, mas esse não é o sentido do texto. O significado dele é: todos são corruptos e pecadores, e isto se dá de forma natural. Daí o nosso Senhor argumenta que porque eles são carne, portanto, eles devem nascer de novo, ou então eles não podem entrar no reino de Deus (vv. 3-5). E assim como a corrupção de nossa natureza mostra a necessidade absoluta de regeneração, assim a necessidade absoluta de regeneração claramente comprova a corrupção de nossa natureza; pois, por que um homem precisa de um segundo nascimento, se a sua natureza não fosse bastante prejudicada em seu primeiro nascimento? O homem certamente está mais afundado agora, em comparação ao que ele já foi. Deus o fez, um “pouco menor que os anjos”, mas agora vamos encontrá-lo comparado aos animais que perecem. Ele foi obedecido pelos animais, e agora tornou-se como um deles. Como Nabucodonosor, sua porção em seu estado natural é com os animais, “que só pensam nas

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coisas terrenas” (Filipenses 3:19). Não, os brutos, em algum modo, possuem alguma vantagem sobre o homem natural, que está afundado um grau abaixo do deles. Ele é mais negligente do que lhe diz respeito, mais do que a cegonha, ou a tartaruga, ou o grou, ou a andorinha, no que é de seu interesse (Jeremias 8:7). Ele é mais tolo do que o boi ou jumento (Isaías 1:3). Ele é encontrado sendo enviado à escola da formiga, que não tem nenhum chefe ou líder para ir antes dela; nem superintendente ou dominador para obriga-la ou pressioná-la para o trabalho; nenhum governante, mas ela pode fazer o que enumera, não estando sob o domínio de ninguém; e ainda assim “prepara no verão o seu pão; na sega ajunta o seu mantimento” (Provérbios 6:6-8); enquanto o homem natural tem tudo isso, e ainda se expõe à fome eterna. Não, mais do que tudo isso, as Escrituras sustentam o homem natural, não só como carecendo das boas qualidades dessas criaturas, mas como um composto das más qualidades da pior das criaturas tais como: a ferocidade do leão, o ofício da raposa, a ignorância do jumento selvagem, a imundície do cão e do porco e o veneno da víbora. A própria Verdade os chama de “serpentes, raça de víboras!”; sim, e mais, até mesmo de filhos do diabo (Mateus 23:33; João 8:44). Certamente, então, a natureza do homem é miseravelmente corrompida. Somos “por natureza filhos da ira” (Efésios 2:3). Somos dignos e susceptíveis da ira de Deus; e isto naturalmente, porquanto sem dúvida somos, por natureza, criaturas pecadoras. Estamos condenados antes mesmo de termos feito o bem ou o mal; sob a maldição, antes de sabermos o que ela é. Entretanto, “rugirá o leão no bosque, sem que tenha presa?” (Amós 3:4); ou seja, rugirá o Deus santo e justo, em Sua ira contra o homem, se este não tiver, por seu pecado, se tornado uma presa para a Sua ira? Não, Ele não o fará; Ele não pode. Isso nos leva a concluir, então, que, de acordo com a Palavra de Deus, a natureza do homem é corrupta. Se consultarmos a experiência, e observarmos o caso do mundo, nas coisas que são óbvias para qualquer pessoa que não fechará os olhos contra a luz clara, perceberemos rapidamente tais frutos, bem como descobriremos esta raiz de amargura. Vou propor algumas coisas que podem servir para convencer-nos deste ponto. Quem não vê uma enxurrada de misérias transbordando do mundo? Para onde um homem pode ir de maneira que não molhe seu pé, se, antes esta enxurrada passa a cobrir até mesmo sua cabeça e orelhas? Todos em casa e na rua, na cidade e no campo, em palácios e casas de campo, estão gemendo sob alguma uma coisa ou outra que lhes desagrada. Alguns são oprimidos pela pobreza, alguns castigados com doenças e dores, alguns estão lamentando por suas perdas, cada um tem uma cruz de um tipo ou de outro. A condição de nenhum homem é tão tranquila, antes há sempre algum espinho de mal-estar nela. Com a morte vem o salário do pecado e depois desses seus arautos, e varrem tudo. Agora, não

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foi o pecado que abriu as comportas da tristeza? Não é uma queixa, um suspiro ouvido no mundo, uma lágrima que cai de nossos olhos uma evidência de que o homem caiu como uma estrela do céu; pois “Deus na sua ira lhes reparte dores!” (Jó 21:17). Esta é uma prova clara da corrupção da natureza; pois aqueles que embora ainda não tenham realmente cometido pecado, têm sua parcela dessas tristezas; sim, e a sua primeira respiração no mundo é acompanhada de choro, como se soubessem de pronto que este mundo é um Boquim, o lugar das carpideiras. Há sepulturas pequenas e grandes no adro da igreja; nunca faltou alguém no mundo, que esteja, como Raquel, chorando por seus filhos, porque eles já não existem (Mateus 2:18). Observe quão cedo esta corrupção da natureza começa a aparecer nos jovens. Salomão observa que “até a criança se dará a conhecer pelas suas ações, se a sua obra é pura e reta” (Provérbios 20:11). Isso pode em breve ser discernido pela inclinação que se encontra no coração. Os filhos do caído Adão não seguem os passos de seu pai antes mesmo que possam andar por conta própria? Não é grande a quantidade de orgulho, ambição, curiosidade pecaminosa, vaidade, teimosia e aversão ao bem que aparece neles? E quando eles saem da infância, há uma necessidade de usar a vara da correção, para afastar a loucura que está ligada aos seus corações (Provérbios 22:15), o que mostra que, se a graça não prevalecer, a criança será como Ismael: “homem feroz” (Gênesis 16:12). Observe o surgimento grosseiro das múltiplas formas de pecado no mundo, a maldade do homem está ainda maior na terra. Eis os frutos amargos da corrupção de nossa natureza: “Só permanecem o perjurar, o mentir, o matar, o furtar e o adulterar; fazem violência, um ato sanguinário segue imediatamente a outro” (Oséias 4:2). O mundo está cheio de imundícia e de toda sorte de perversidade, maldade e palavrões. De onde vem o dilúvio do pecado sobre a terra, senão desde o rompimento das fontes do grande abismo, o coração do homem? dos quais procedem os maus pensamentos, os adultérios, as prostituições, os homicídios, os furtos, a avareza etc. (Marcos 7:21,22). Pode ser que você dê graças a Deus com todo o coração, pelo fato de pensar que você não é como esses outros homens; e deveras, você tem mais razões para isso do que, eu temo, você é consciente, pois “como na água o rosto corresponde ao rosto, assim o coração do homem ao homem” (Provérbios 27:19). Assim como ao olhar para a água clara, você vê o seu próprio rosto, olhando para o seu coração, você pode ver o dos outros homens ali; e, olhando para outros homens, neles você pode ver a si próprio. Pois os desgraçados mais vis e profanos que estão no mundo, devem servir-lhe como um espelho, no qual você deve discernir a corrupção de sua própria natureza, e se você fizesse isso, seu coração realmente seria tocado e você daria graças a Deus e não a si mesmo, pelo fato de você não ser como os outros homens em suas vidas; visto que a corrupção natural é a mesma em você assim como neles. Lança o teu olho sobre aquelas terríveis convulsões nas quais o mundo está entregue pelas

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concupiscências dos homens! Leões não são presas de leões, nem lobos matam lobos, mas os homens são transformados em leões e lobos para seus semelhantes, assassinos devorando-se uns aos outros. Quão rápidos os homens são para desembainharem suas espadas uns contra os outros! O mundo é um deserto, onde o fogo mais claro que os homens podem trazer com eles não afugentará os animais selvagens que o habitam (e isto, porque são homens e não animais selvagens); antes de uma forma ou outra eles serão feridos. Desde que Caim derramou o sangue de Abel, a terra foi transformada em um matadouro; e a perseguição continuou desde que Ninrode começou sua caça; tanto sobre a terra como no mar, o maior ainda devora o menor. Quando vemos o mundo com uma tal efervescência, cada um atacando o outro com palavras ou espadas, podemos concluir que há um espírito maligno entre eles. Esta violência ardente entre filhos de Adão mostra que todo o corpo está corrompido, toda a cabeça está doente, e todo o coração está fraco. Estes certamente procedem de uma causa interior, “a saber, dos vossos deleites, que nos vossos membros guerreiam?” (Tiago 4:1). Considere a necessidade de leis humanas, resguardada por terrores e gravidade; para que possamos aplicar o que diz o apóstolo: “a lei não é feita para o justo, mas para os injustos e obstinados, para os ímpios e pecadores, para os profanos e irreligiosos, para os parricidas e matricidas, para os homicidas” (1 Timóteo 1:9). O homem foi feito para a sociedade; e o próprio Deus disse sobre o primeiro homem, quando Ele o havia criado, que “não é bom que o homem esteja só” [Gênesis 2:18]; no entanto, o caso é de tal ordem que, agora, na sociedade ele deve ser coberto com espinhos. E a partir daí podemos ver melhor a corrupção da natureza do homem, consideremos: (1) Todo homem naturalmente gosta de estar em plena liberdade para agir segundo o que bem lhe parece; de ter sua própria vontade e sua própria lei e, se fosse para seguir as suas inclinações naturais, ele iria colocar-se fora do alcance de todas as leis, quer Divinas quer humanas. Por isso em alguns, o poder de cujas mãos têm respondido à sua inclinação natural, têm, de fato, feito a si mesmos soberanos e acima da lei; conformemente ao intento inicial e monstruoso dos homens, a saber, serem como deuses (Gênesis 3:5). (2) Não há um homem que estivesse disposto a aventurar-se viver em uma sociedade sem lei: portanto, até mesmo os piratas e ladrões têm leis entre si, apesar de toda a sociedade desrespeitar a lei e o direito. Assim, os homens se descobrem como tendo consciência da corrupção natural; não se atrevendo a confiar uns nos outros, senão quando estão assegurados. (3) Muito embora seja perigoso romper a sebe, ainda assim a violência das concupiscências faz com que muitos se aventurem diáriamente a correr riscos. Eles não somente vão sacrificar seu crédito e sua consciência, o qual a última é desprezada no mundo, por um prazer de alguns momentos que são imediatamente sucedidos por terrores interiores, como eles vão expor-se a uma morte violenta pelas leis do país no qual vivem. (4) As leis são muitas vezes feitas para ceder à concupiscência dos homens. Às vezes, sociedades inteiras incorrem em tais extravagâncias, como um

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bando de prisioneiros, eles se desfazem de seus grilhões, e lançam fora seus grilhões; e assim a voz das leis não pode ser ouvida por causa do barulho das armas. E raramente há um tempo, no qual não há algumas pessoas tão grandes e ousadas, que as leis não se atrevem a encarar seus desejos na face; por isso Davi disse a Joabe que havia assassinado Abner: “Estes homens, filhos de Zeruia, são mais duros do que eu” (2 Samuel 3:39). As concupiscências, por vezes, tornam-se muito fortes para as leis, pelo que a lei torna-se frouxa, como o pulso de um moribundo (Habacuque 1:3-4). (5) Considere que muitas vezes surge a necessidade de alterar leis antigas, e fazer novas, por causa do surgimento de novos crimes, para os quais a natureza do homem é muito frutífera. Não haveria necessidade de concertar a sebe, se os homens não estivessem, como bestas incontroláveis, sempre quebrando-as. É atordoante ver o que os israelitas, que foram separados para Deus dentre todas as nações da terra, fizeram de sua história; confusões horríveis estavam entre eles, quando não havia rei em Israel, como você pode ver a partir do décimo oitavo ao vigésimo primeiro capítulo de Juízes: o quão difícil era reformá-los, mesmo quando eles tinham o melhor dos magistrados! E a rapidez com que se desviavam de novo, quando os governantes maus assumiam o poder! Não posso deixar de pensar, que um grande projeto da história sagrada, era descortinar a corrupção da natureza do homem e a necessidade absoluta do Messias e de Sua graça; e que devemos, ao lê-la, nos aprimorar para este fim. Quão cortante é a palavra que o Senhor deu para Samuel, sobre Saul: “Eis aqui o homem de quem eu te falei. Este dominará [ou, como a palavra é, restringirá] sobre o meu povo” (1 Samuel 9:17). Oh! A corrupção da natureza do homem! O temor e o pavor do Deus do céu não os restringem; antes eles devem ter deuses na terra para fazer isso, “para levá-los à vergonha” (Juízes 18:7). Considere os remanescentes da corrupção natural nos santos. Apesar da graça ter sido infundida, ainda assim a corrupção não é totalmente expulsa; ainda que haja uma nova criatura, contudo grande parte da velha natureza corrupta permanece; e estas lutam entre si dentro deles, como os gêmeos no ventre de Rebeca (Gálatas 5:17). Eles encontram isto presente com eles em todos os momentos e em todos os lugares, mesmo nos lugares mais recônditos. Se um homem tem um vizinho problemático ele pode mudar-se; se ele tem um servo doente, ele pode afastá-lo até que melhore; se ele possui uma má companhia, ele pode, por vezes, sair de casa, e estar livre de ser incomodado por ela, mas se o santo for para um deserto, ou montar a sua tenda em alguma rocha remota no mar, onde jamais pisou homem, nem besta ou ave houvesse tocado, ali a sua corrupção natural estaria com ele. Ele poderia ser como Paulo, arrebatado ao terceiro céu, e ainda assim ele voltaria com ela (2 Coríntios 12:7). A corrupção natural lhe segue como a sombra faz com o corpo; faz uma mancha na linha mais fina que se possa desenhar. É como a figueira na parede, que, embora, tenha sido bem cortada, ainda assim cresceu, até que o muro foi derrubado, assim, pois as raízes da corrupção natural estão fixadas no coração, enquanto o santo está no

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mundo, como raízes de ferro e bronze. É especialmente ativa quando ele deseja fazer o bem (Romanos 7:21), então as aves descem sobre os cadáveres. Por isso, muitas vezes, nos deveres sagrados, o espírito de um santo, por assim dizer, se evapora; e ele os deixa antes que ele esteja ciente, como Mical, com uma imagem na cama em vez de um marido. Eu não preciso permanecer por mais tempo neste assunto para provar aos piedosos a corrupção natural que neles há, pois eles sofrem com ele; e tentar provar isto a eles é como tomar uma vela e ir mostra-la ao sol, assim como para os ímpios, eles estão prontos a atribuir pilhas de defeitos aos santos tão grandes como montanhas, se não considerar a todos como hipócritas. Mas considere estas poucas coisas sobre este assunto: “Se ao madeiro verde fizeram isto, que se fará ao seco?” [Lucas 23:31]. Os santos não nascem santos, mas são feitos assim pelo poder da graça regeneradora. (1) Eles têm uma nova natureza, e ainda a velha permanece neles? Quão grande deve ser a corrupção nos outros, em quem não há graça! (2) Os santos gemem sob isso, como que sob um fardo pesado. Ouça o apóstolo: “Miserável homem que eu sou! Quem me livrará do corpo desta morte?” (Romanos 7:24). Porque o homem carnal vive sossegado e tranquilo, e a corrupção natural não é o seu fardo, ele está, portanto, livre dela? Não, não; é porque ele está morto que ele não sente o seu peso lhe pressionando para baixo. Muitos gemidos são ouvidos da cama de um enfermo, mas jamais algum foi ouvido de uma sepultura. No santo, como no homem doente, há uma grande luta; a vida e a morte lutando pelo domínio, mas no homem natural, como no cadáver, não há um só ruído, porque a morte tem pleno domínio. (3) O homem de Deus resiste à sua velha natureza corrupta; ele se esforça para mortificá-la, no entanto, ela permanece; ele esforça-se por matá-la de fome, e por estes meios enfraquecê-la, ainda assim, ela está ativa. Como deve se espalhar, então, e se fortalecer naquela alma, onde não passa fome, mas antes é alimentada! E este é o caso de todos os não-regenerados, que “cuidam da carne em suas concupiscências” [Romanos 13:14]. Se o jardim do diligente aguarda um novo dia de trabalho para poda e limpeza, com certeza o jardim do preguiçoso deve necessariamente estar “todo cheio de cardos” [Provérbios 24:31]. Acrescentarei apenas mais uma observação, e esta é que, em cada homem, naturalmente, a imagem de Adão caído se manifesta. Algumas crianças, pelas características e traços de seu rosto, são por assim dizer, como seus pais: e, assim, nos assemelhamos aos nossos primeiros pais. Cada um de nós carrega a imagem e impressão da queda sobre si, e para evidenciar a verdade sobre isso, eu faço um apelo às consciências de todos, nestas seguintes particularidades: Não é a curiosidade pecaminosa natural para nós? E isso não é uma cópia da imagem de Adão (Gênesis 3:6). Não é o homem, naturalmente, muito mais ávido para saber coisas novas, do que para praticar as antigas verdades já conhecidas? Como o velho Adão, nós não andamos nesta ânsia por novidades, e perdemos o gosto pelas sólidas doutrinas antigas?

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Nós buscamos o conhecimento mais do que a santidade, e estudamos mais para conhecer aquelas coisas que são menos edificantes. Nossas fantasias selvagens e errantes precisam de um freio para contê-las, ao mesmo tempo em que os afetos bons e sólidos precisam ser vivificados e estimulados. Se o Senhor, por Sua santa lei e sábia providência, coloca uma restrição sobre nós, para nos resguardar de qualquer coisa, a restrição não nos afia o gume de nossas inclinações naturais, e nos faz mais ávidos em nossos desejos? E nisto não somos claramente denunciados, pela verdade de que somos filhos de Adão? (Genesis 3:2-6). Eu acho que isso não pode ser negado, pois a observação diária evidencia que este princípio natural, que, “as águas roubadas são doces, e o pão tomado às escondidas é agradável” (Provérbios 9:17). Os próprios pagãos estavam convencidos de que o homem estava possuído com este espírito de contradição, embora eles não conhecessem a raiz dele. Quantas vezes os homens se perderam naquelas coisas, das quais havendo Deus lhes posto em liberdade, eles desejaram tê-las ligadas a si mesmos! Mas a natureza corrupta tem prazer no próprio ato de saltar por cima da cerca. E não é uma repetição da loucura do nosso pai, o fato dos homens desejarem mais o fruto proibido, do que sacudir a árvore da boa providência para eles, embora eles tenham permissão expressa de Deus para isto? Qual de todos os filhos de Adão não é, naturalmente, mais disposto a ouvir a instrução que causa o erro? E não foi essa a pedra sobre a qual nossos primeiros pais se espatifaram (Gênesis 3:4-6)? Quão apto é o homem fraco, desde aquela época, para negociar com as tentações! “Antes Deus fala uma e duas vezes; porém ninguém atenta para isso” (Jó 33:14), mas ele prontamente ouve a Satanás. Os homens podem, muitas vezes parecer justos exteriormente, como se pudessem desprezar as tentações com horror, quando elas primeiramente aparecem; se eles pudessem esmagá-las no broto, eles logo as dissipariam, mas, ai de mim! Ainda que víssemos um trem em chamas vindo em nossa direção permaneceríamos inertes até que ele visse e nos esmagasse com a sua força. Os olhos de nossas mentes não estão muitas vezes como que cegos? E não era esse o caso de nossos primeiros pais (Gênesis 3:6)? O homem nunca é mais cego do que quando ele está olhando sobre os objetos que lhe são mais agradáveis ao sentido. Uma vez que os olhos dos nossos primeiros pais foram abertos para o fruto proibido, os olhos dos homens se tornaram as portas para a destruição de suas almas; pelos quais imaginações impuras e desejos pecaminosos entraram no coração, ferindo a alma, prejudicando a consciência e trazendo efeitos funestos, por vezes, a sociedades inteiras, como no caso de Acã (Josué 7:21). O santo Jó estava ciente do perigo destes dois pequenos corpos redondos, que podem ser arruinados por uma pequena lasca de madeira; de modo que, assim como o rei que não ousou, com seus dez mil, sair àquele que vinha contra ele com vinte mil (Lucas

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14:31-32), e mandou pedir condições de paz, assim Jó diz: “Fiz aliança com os meus olhos” (Jó 31:1). Não é natural para nós cuidarmos do corpo, mesmo em detrimento da alma? Este foi um ingrediente no pecado de nossos primeiros pais (Gênesis 3:6). Quão felizes poderíamos ser se tivéssemos metade das dores de nossos corpos sobre as nossas almas! Se essa pergunta: “Senhores, que é necessário que eu faça para me salvar?” (Atos 16:30), apenas passasse tão frequentemente em nossas mentes quanto esta: “Que comeremos, ou que beberemos, ou com que nos vestiremos?” (Mateus 6:31), então, em muitos casos o pedido se tornaria esperançoso. Mas a verdade é que a maioria dos homens vive como se fosse nada mais do que um pedaço de carne; ou como se a sua alma não servisse para nenhum outro uso, senão atuar como sal para guardar seu corpo da corrupção. “Eles são carne” (João 3:6); Eles “são segundo a carne e inclinam-se para as coisas da carne” (Romanos 8:5); “e vivem segundo a carne” (v. 13). Se a carne obtiver consentimento para agir, o consentimento da consciência raramente é esperado, por isso o corpo é muitas vezes servido mesmo quando a consciência entra em protesto contra ele. Não está cada um, por natureza, descontente com a sua presente sorte no mundo, ou com alguma coisa ou outra nele? Este também foi o caso de Adão (Gênesis 3:5-6). Alguns estão sempre querendo alguma coisa; pois o homem é uma criatura dada às mudanças. Se alguma dúvida os permite olhar para todos os seus prazeres; e, após uma averiguação sobre eles, ouvem os seus próprios corações, eles ouvirão um murmúrio secreto sobre a falta de alguma coisa; embora, talvez, se o assunto fosse considerado corretamente, veriam que é melhor para eles carecerem do que terem aquela coisa. Desde que no coração de nossos primeiros pais voou por meio de seus olhos em direção ao fruto proibido, uma noite de escuridão foi assim trazida para o mundo, os seus descendentes têm uma doença natural que Salomão chama de, “vaguear da cobiça”, ou, como a palavra é: “o passeio da alma” (Eclesiastes 6:9). Esta é uma espécie de transe diabólico, no qual a alma percorre o mundo; alimenta-se com mil novas futilidades; arrebata a sua e as outras excelências criadas em sua imaginação e desejo; vai aqui e ali, e em todos os lugares, exceto onde ela deveria ir. E a alma nunca se cura desta doença, até a graça conquistadora a traga de volta ao seu descanso eterno em Deus por meio de Cristo. Entretanto até que isso aconteça, se o homem fosse criado novamente no paraíso, o jardim do Senhor, todos os prazeres de lá não o impediriam de cobiças, sim, e ele saltaria sobre a sebe uma segunda vez. Não somos muito mais facilmente impressionados e influenciados por maus conselhos e exemplos, do que por aqueles que são bons!? Veja que está foi a ruína de Adão (Gênesis 3:6). O mau exemplo, até hoje, é um dos principais ardis de Satanás para arruinar os homens. Embora tenhamos, por natureza, mais a ver com a raposa do que com o cordeiro;

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ainda assim, aquela péssima característica desta criatura pode ser observada em alguns, a saber, que se um cordeiro pular na água, os outros que estiverem próximos logo o seguem, tal característica pode ser observada também na disposição dos filhos dos homens; aos quais é muito natural aderirem a um mau caminho, porque veem os outros andando nele. Um exemplo frequentemente possui a força de uma correnteza violenta, para levarnos para longe do dever claro, mas especialmente se o exemplo for dado por aqueles por quem temos uma grande afeição; neste caso a nossa afeição cega nosso julgamento; e o que devemos abominar em outros, é consentido com bom humor neles. Nada é mais claro do que o fato de que os homens geralmente escolhem fazer o que a maioria faz, em vez de fazer aquilo que deve ser feito. Quem de todos os filhos de Adão precisa ser ensinado na arte de coser folhas de figueira, para cobrir sua nudez (Gênesis 3:7)? Quando nós nos arruinamos, e nos tornamos nus para nossa vergonha, nós naturalmente procuramos ajudar a nós mesmos: mui fracos artifícios são empregados, tão tolos e insignificantes quanto as folhas de figueira de Adão. Que dores os homens não experimentaram para cobrir seu pecado de sua própria consciência, e desenhar sobre ela todas as cores justas que podem! E quando uma vez as convicções são estabelecidas sobre eles, para que eles não consigam deixar de ver a sua nudez, é muito natural para eles que tentem encobri-la por autoengano, tão naturalmente quanto os peixes nadam na água ou pássaros voam no ar. Portanto, a primeira questão do convencido é: “Que faremos?” (Atos 2:37). Como vamos nos qualificar? O que devemos realizar? Não considerando que a nova criatura é a própria obra de Deus (Efésios 2:10), mais do que Adão ponderamos e pensamos em sermos vestidos com peles de sacrifícios (Gênesis 3:21). Os filhos de Adão não seguem naturalmente os seus passos em esconder-se da presença do Senhor? (Gênesis 3:8). Somos tão cegos nesta matéria quanto ele foi quando pensou em esconder-se da presença de Deus, entre as árvores frondosas do jardim. Estamos muito provavelmente nos prometendo mais segurança em um pecado secreto, do que em um que esteja abertamente exposto. “Assim como o olho do adúltero aguarda o crepúsculo, dizendo: Não me verá olho nenhum” (Jó 24:15). Os homens vão livremente fazer em segredo aquilo que teriam vergonha de fazer na presença de uma criança; como se a escuridão pudesse escondê-los do Deus que tudo vê. Não somos naturalmente descuidados da comunhão com Deus; sim, e até mesmo avessos a ela? Nunca houve qualquer comunhão entre Deus e os filhos de Adão, onde o próprio Senhor não teve a primeira palavra. Se Ele os deixasse em paz estes nunca O buscariam; “escondi-me” (Isaías 57:17). Será que ele buscaria a Deus escondendo-se? Muito longe disso: “seguiu o caminho do seu coração”. Quão relutantes os homens são para confessar o pecado e para tomar a culpa e a vergonha

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sobre si mesmos? Não foi assim no caso diante nós? (Gênesis 3:10). Adão confessa a sua nudez, pois não poderia ser negada; mas não diz uma palavra a respeito de seu pecado; a razão disso era que ele de bom grado teria escondido, se pudesse. É tão natural para nós escondermos o pecado quanto o cometermos. Muitos exemplos tristes disto temos neste mundo, mas uma prova muito mais clara disto será no dia do Julgamento, o dia em que “Deus há de julgar os segredos dos homens” (Romanos 2:16). Muitas bocas sujas, serão então vistas, embora agora estes “limpem a sua boca e digam: Não fizemos nada de mal!” (Provérbios 30:20). Não é natural para nós atenuarmos o nosso pecado e transferirmos a nossa culpa para outros? Quando Deus examinou nossos primeiros pais culpados, Adão não colocou a culpa na mulher? E a mulher não colocou a culpa sobre a serpente? (Gênesis 3:12-13). Agora os filhos de Adão não precisam ser ensinados nesta política infernal; pois antes que possam falar bem, se eles não podem negar o fato, eles engenhosamente dirão alguma coisa para diminuir a culpa deles, e colocar a culpa sobre outro. Não, tão natural isto é para os homens, que nos maiores pecados, eles colocarão a culpa sobre o próprio Deus; eles blasfemarão de Sua santa providência sob o nome equivocado de infortúnio ou duro golpe, e, assim, colocarão a culpa de seu pecado à porta do céu. E não foi este um dos truques de Adão depois de sua queda? “Então disse Adão: A mulher que me deste por companheira, ela me deu da árvore, e comi” (Gênesis 3:12). Observe a ordem do discurso. Ele faz o seu pedido de desculpas, em primeiro lugar, e em seguida, vem a confissão: o seu pedido de desculpas é longo, mas a sua confissão muito curta; tudo é compreendido em uma palavra: “e comi”. Quão enfático e distinto é seu pedido de desculpas, como se ele estivesse temeroso de dizer que ele havia sido enganado! “A mulher”, diz ele, ou “aquela mulher”, como se ele tivesse apontado para o Juiz de suas próprias obras, das quais lemos (Gênesis 2:22). Havia, então, apenas uma mulher no mundo, de modo que se poderia pensar que ele não precisava ter sido tão refinado e exato em apontar para ela; mas “ela” é tão cuidadosamente acentuada em sua defesa, como se houvesse dez mil: “A mulher que me deste”. Aqui ele fala, como se ele tivesse sido arruinado pelo dom de Deus. E, para fazer o dom mais sombrio, ele é adicionou: “me deste por companheira”, como minha companheira constante, para ficar ao meu lado como uma auxiliadora. Isso parece como se Adão tivesse insinuado um mau desígnio sobre Senhor, dando-lhe esta dádiva. E, afinal, há uma nova demonstração aqui, antes que a sentença seja completada; ele não diz: “A mulher me deu”, mas “a mulher, ela me deu”, enfaticamente; como se ele se referisse diretamente a ela, ela mesma, me deu da árvore. Isto é muito para seu pedido de desculpas. Mas sua confissão é rapidamente feita em uma palavra, quando ele falou isso: “e comi”. Não há nada aqui a apontar para si mesmo e tão pouco para mostrar que ele tinha comido. Quão natural é esta arte negra para a posteridade de Adão! Aquele que corre pode lê-lo. Então, universalmente a observação de Salomão se mantém verdadeiras: “A estultícia do homem perverterá o seu caminho, e o

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seu coração se irará contra o Senhor” (Provérbios 19:3). Vamos, então, chamar o caído Adão de nosso pai; não neguemos a nossa relação, posto que trazemos conosco a sua imagem. Para encerrar este ponto, suficientemente confirmado por concordância da evidência da Palavra do Senhor, e da nossa própria experiência e observação; sejamos convencidos a acreditar na doutrina da corrupção de nossa natureza; e olhemos para o segundo Adão, o bendito Jesus, para a aplicação de Seu precioso sangue, para remover a culpa do nosso pecado; e para a eficácia do Seu Espírito Santo, para nos fazer novas criaturas; sabendo que “aquele que não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus” [João 3:3].

[Extraído do livro: Natureza Humana em seu Estado Quádruplo, por Thomas Boston]

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O Terrível Estado Dos Não-Convertidos Por Jonathan Edwards

“Então, o carcereiro, tendo pedido uma luz, entrou precipitadamente e, trêmulo, prostrou-se diante de Paulo e Silas. Depois, trazendo-os para fora, disse: Senhores, que devo fazer para que seja salvo?” (Atos 16:29-30) Temos aqui e no contexto um relato da conversão do carcereiro, que é uma das mais notaveis nas Escrituras. Ele, anteriormente, parece não apenas ter estado completamente insensível às coisas da Religião, mas ter sido um perseguidor, tendo perseguido estes mesmos homens, Paulo e Silas, embora agora venha a eles de forma tão urgente, perguntandolhes o que devia fazer para ser salvo. Lemos no contexto que todos os magistrados e multidões da cidade juntaram-se a uma em um tumulto contra Paulo e Silas, arrebatando-os, e lançando-os na prisão, encarregando o carcereiro da sua guarda. Imediatamente ele os lançou na prisão interior, e prendeu seus pés ao tronco. E é provável que não tenha agido assim meramente como um servo ou instrumento dos magistrados, mas que tenha se juntado com o resto do povo na sua fúria contra os apóstolos, e que assim o fez induzido por sua própria vontade, bem como pelas ordens dos magistrados, o que o fez executar suas ordens com tal rigor. Mas quando, à meia noite, Paulo e Silas oravam e cantavam louvores, repentinamente houve um grande terremoto, e Deus abriu de forma tão maravilhosa as portas da prisão, e todas as cadeias foram afrouxadas, o carcereiro ficou extremamente aterrorizado, e, em uma espécie de desespero, estava prestes a se matar. Mas Paulo e Silas gritaram para ele: “Não te faças mal algum, pois estamos todos aqui”. Então, pediu uma luz, e saltou dentro [ARC], como temos o relato no texto. Podemos observar: 1. O objeto de sua preocupação. Ele está ansioso acerca de sua salvação: está aterrorizado por sua culpa, especialmente por sua culpa no maltrato destes ministros de Cristo. Está preocupado em escapar desse estado de culpa, o estado miserável que se encontrava devido ao pecado. 2. O senso que tem do horror do seu estado atual. Isto ele manifesta de diversas maneiras: 1. Por sua grande pressa em escapar desse estado. Por seu afã em inquirir o que deve fazer. Ele parece estar tolhido pela mais premente preocupação, sensível à sua presente necessidade de libertação, sem qualquer adiamento. Antes, estava quieto e seguro em seu estado natural; mas agora seus olhos foram abertos, está na mais urgente pressa. Se a

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casa estivesse em chamas sobre sua cabeça, não poderia ter sido mais diligente, ou estar mais apressado. Se apenas tivesse andado, poderia logo ter chegado a Paulo e Silas, para perguntar-lhes o que devia fazer. Mas estava em grande pressa para andar apenas, ou correr, pois saltou; pulou para o lugar em que estavam. Ele fugia da ira. Fugia do fogo da justiça Divina, e por isso apressava-se, como alguém que foge pela sua vida. 2. Pelo seu comportamento e gesto diante de Paulo e Silas. Ele se prostrou. Que tenha se prostrado diante daqueles a quem havia perseguido, e atirado à prisão interior, e prendido os pés ao tronco, mostra qual era o estado de sua mente. Mostra alguma grande perturbação, que o alterou de tal maneira que o levou a isto. Estava, por assim dizer, despedaçado pela perturbação de sua mente, em um senso do horror de sua condição. 3. Sua maneira urgente de inquiri-los acerca do que devia fazer para escapar desta condição miserável: “Senhores, que devo fazer para ser salvo?”. Estava tão perturbado, que foi levado a se dispor a qualquer coisa; ter a salvação em qualquer termo, e por qualquer meio, mesmo que difícil; foi levado, por assim dizer, a escrever uma fórmula, e entregá-la a Deus, para que Ele prescrevesse seus próprios termos. DOUTRINA: Os que estão em um estado natural, estão em uma condição terrível. Isto me esforçarei para provar por uma consideração particular do estado e condição das pessoas não regeneradas.

I. Quanto ao seu estado atual neste mundo. II. Quanto às suas relações com o mundo futuro.

I. A condição daqueles que não são convertidos é terrível no mundo presente. Primeiro. Devido ao estado depravado de suas naturezas. Os homens, quando vêm ao mundo, têm naturezas terrivelmente depravadas. O homem, em seu estado primitivo, era uma peça nobre de habilidade Divina; mas, pela Queda, está horrivelmente desfigurado. É triste pensar que uma criatura tão excelente deva estar tão arruinada. O horror desta condição, na qual se encontram os não-convertidos neste respeito, prova-se pelo seguinte: 1. O horror de sua depravação evidencia-se pelo fato de serem tão insensivelmente cegos e ignorantes. Deus deu ao homem a faculdade da razão e do entendimento, que é uma

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nobre faculdade. Por ela, ele se diferencia de todas as outras criaturas inferiores. É exaltado em sua natureza acima delas, e é, neste aspecto, semelhante aos anjos, capacitado a conhecer a Deus, e conhecer as coisas eternas e espirituais. Deus lhe deu entendimento para este fim, para que O pudesse conhecer, e conhecer as coisas celestiais, e o fez capaz de compreendê-las como quaisquer outras. Mas o homem degradou a si mesmo, e perdeu sua glória neste respeito. Tornou-se ignorante da excelência de Deus à maneira das próprias feras. Seu entendimento está cheio de obscuridade; sua mente está cega; está completamente cego para as coisas espirituais. Os homens são ignorantes de Deus, e ignorantes de Cristo, ignorantes do caminho da salvação, ignorantes de sua própria felicidade, cegos em meio a mais brilhante e clara luz, ignorantes sob todas as formas de instrução. Romanos 3:17: “Desconheceram o caminho da paz”. Isaías 27:11: “Não é povo de entendimento”. Jeremias 4:22: “O meu povo está louco, já não me conhece; são filhos néscios e não inteligentes”. Salmos 95:10-11: “É povo de coração transviado, não conhece os meus caminhos. Por isso, jurei na minha ira: não entrarão no meu descanso”; 1 Coríntios 15:34: “Alguns ainda não têm conhecimento de Deus; isto digo para vergonha vossa”. Há um espírito de ateísmo prevalecendo nos corações dos homens; uma estranha disposição para duvidar da própria existência de Deus, e do outro mundo, e de qualquer coisa que não possa ser vista com os olhos físicos. Salmos 14:1: “Diz o insensato no seu coração, não há Deus”. Não percebem que Deus os vê, quando pecam, e os chamará a prestar contas por isso. E, portanto, se podem esconder os pecados dos olhos dos homens, não se preocupam, e são ousados em cometê-los. Salmos 94:7-9: “E dizem: O SENHOR não o verá; nem para isso atentará o Deus de Jacó. Atendei, ó brutais dentre o povo; e vós, loucos, quando sereis sábios? Aquele que fez o ouvido, não ouvirá? E o que formou o olho, não verá? [ARC]”. Salmos 73:11: “E diz: Como sabe Deus? Acaso, há conhecimento no Altíssimo?”. São tão insensivelmente incrédulos das coisas futuras, do céu e do inferno, que comumente preferem correr o risco da condenação a serem convencidos. São estupidamente insensíveis da importância das coisas eternas. Como é difícil levá-los à fé, e dar-lhes real convicção de que ser feliz por toda a eternidade é melhor que todos os outros bens; e ser miserável por toda eternidade, debaixo da ira de Deus, é pior que todo mal. Os homens mostram-se insensíveis o suficiente nas coisas temporais, porém muito mais nas espirituais. Lucas 12:56: “Hipócritas, sabeis interpretar o aspecto da terra e do céu e, entretanto, não sabeis discernir esta época?”. São muito engenhosos para o mal; mas rudes naquelas coisas que mais os importam. Jeremias 4:22: “São sábios para o mal e não sabem fazer o bem”. Os ímpios se mostram mais tolos e insensíveis para o que lhes é melhor, do que os brutos. Isaías 1:3: “O boi conhece o seu possuidor, e o jumento, o dono da sua manjedoura; mas Israel não tem conhecimento, o meu povo não entende”. Jeremias 8:7: “Até a cegonha no céu conhece as suas estações; a rola, a andorinha e o grou observam o tempo da sua arribação; mas o meu povo não conhece o juízo do SENHOR”.

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2. Não há bem algum neles. Romanos 7:18: “Em mim, isto é, na minha carne, não habita bem algum”. Não há neles nenhum princípio que os disponha a qualquer coisa boa. Os não-convertidos não têm princípio mais elevado em seus corações do que o amor-próprio. E nisso não excedem os demônios. Estes amam a si mesmos, e sua própria felicidade, e temem sua própria miséria. E não vão mais longe. Seriam tão religiosos quanto os melhores dos não-convertidos, se estivessem nas mesmas circunstâncias. Seriam tão moralistas, e orariam com o mesmo fervor a Deus, e sofreriam o mesmo tanto pela salvação, se houvesse oportunidades semelhantes. E, assim como não há bom princípio nos corações dos não-convertidos, também nunca há quaisquer bons exercícios do coração, nunca um bom pensamento, ou mover de coração neles. Particularmente, neles não há amor por Deus. Jamais tiveram o mínimo grau de amor pelo Ser infinitamente glorioso. Jamais tiveram o mínimo respeito verdadeiro pelo Ser que os criou, e em cujas mãos está sua respiração, e de quem procedem todas as suas misericórdias. Conquanto, às vezes, possam parecer fazer coisas por respeito a Deus, e revestem o rosto como se O honrassem, e altamente O estimassem, tudo não passa de hipocrisia. Mesmo que haja um exterior limpo, são como sepulcros caiados; por dentro não há nada senão putrefação e podridão. Não têm amor por Cristo, o glorioso Filho de Deus, que é tão digno de seu amor, e que mostrou graça tão maravilhosa pelos pecadores ao morrer por eles. Jamais fizeram qualquer coisa por respeito verdadeiro ao Redentor do mundo, desde que nasceram. Jamais produziram quaisquer frutos a esse Deus que os criou, e em quem vivem, movem-se e tem seu ser. Jamais responderam de alguma forma ao fim para o qual foram criados. Têm, até agora, vivido completamente em vão, e sem nenhum propósito. Jamais obedeceram com sinceridade a um mandamento de Deus; nunca moveram um dedo motivados por um espírito verdadeiro de obediência a Ele, que os fez para servi-lO. E quando pareceram, externamente, concordar com os mandamentos de Deus, em seus corações não o fizeram. Jamais obedeceram movidos por um espírito de sujeição a Deus, ou por qualquer disposição em obedecê-lO, mas meramente foram levados a isso pelo medo, ou de alguma forma influenciados por seus interesses mundanos. Jamais deram a Deus a honra de nenhum de Seus atributos. Nunca Lhe deram a honra de Sua autoridade, obedecendo-Lhe. Jamais Lhe deram a honra por Sua soberania, submetendo-se a Ele. Jamais Lhe deram a honra de Sua santidade e misericórdia, amando-O. Nunca Lhe deram a honra por Sua suficiência e fidelidade, confiando nEle; mas olharam para Deus como Alguém indigno de ser crido e confiado, e o trataram como se fosse um mentiroso: 1 João 5:10: “Aquele que não dá crédito a Deus o faz mentiroso”. Eles jamais agradeceram de coração a Deus por uma simples misericórdia recebida em toda sua vida, embora Ele os tenha sustentado, e tenham vivido debaixo de Sua liberalidade. Jamais agradeceram genuinamente a Cristo por ter vindo ao mundo, e morrido para lhes dar a oportunidade de serem salvos. Jamais lhe mostrariam alguma gratidão a ponto de recebê-lO, quando bateu em suas portas; mas sempre lha fecharam, embora tenha batido sem nenhum outro propósito senão o de oferecer-Se para ser seu Salvador.

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Jamais tiveram qualquer desejo verdadeiro por Deus ou Cristo em toda a sua vida. Quando Deus se ofereceu para ser sua porção, e Cristo, para ser o amigo de suas almas, não os desejaram. Jamais quiseram ter Deus e Cristo como sua porção. Prefeririam, ao contrário, estar sem eles, se pudessem evitar o inferno sem Sua companhia. Jamais tiveram um pensamento honroso sobre Deus. Sempre estimaram as coisas terrenas antes dEle. E, apesar de tudo o que ouviram nos mandamentos de Deus e de Cristo, sempre preferiram um pequeno ganho mundano ou um prazer pecaminoso a eles. 3. Os não-convertidos estão em uma condição terrível devido à horrível impiedade que há neles. 1. O pecado possui uma natureza terrível, e isso se dá porque é cometido contra um Deus infinitamente grande e santo. Há na natureza do homem inimizade, desprezo e rebelião contra Deus. O pecado se levanta como um inimigo do Altíssimo. É terrível para a criatura ser inimiga do Criador, ou ter no coração algo como uma inimizade, como ficará bem claro, se considerarmos a diferença que há entre Deus e a criatura, e como as criaturas, comparadas a Ele, são como o pó da balança, como nada, menos do que nada, um vácuo. Há um mal infinito no pecado. Se víssemos a centésima parte do mal que há no pecado, isso nos tornaria sensíveis que aqueles que têm qualquer pecado, ainda que seja mínimo, estão em uma condição terrível. 2. Os corações dos não-convertidos estão completamente cheios de pecado. Se tivessem apenas um pecado neles, seria suficiente para tornar suas condições muito terríveis. Mas têm não apenas um pecado, mas todo tipo de pecado. Há todo tipo de desejo carnal. O coração é um mero poço de pecado, uma fonte de corrupção, de onde emerge todo tipo de córregos imundos. Marcos 7:21-22: “Porque de dentro, do coração dos homens, é que procedem os maus desígnios, a prostituição, os furtos, os homicídios, os adultérios, a avareza, as malícias, o dolo, a lascívia, a inveja, a blasfêmia, a soberba, a loucura”. Não há um desejo maligno no coração do Diabo, que não esteja no coração do homem. Os homens naturais são à imagem do Diabo. A imagem de Deus é demolida, e a imagem do Diabo é estampada nele. Deus graciosamente se agrada em restringir a impiedade dos homens, especialmente pelo temor e respeito que têm pelos seus créditos e reputações, e pela educação. Não fosse tais restrições, não haveria tipo de impiedade que os homens não cometeriam, quando lhes viessem ao encontro. A prática daquelas coisas que os homens agora, à simples menção, prontamente ficam chocados quando ouvem o relato, seria comum e geral; e a terra seria um tipo de inferno. Se não temesse, o que o homem natural não faria? Mateus 10:17: “acautelai-vos dos homens”. Os homens têm não apenas todo tipo de luxúria, e disposições ímpias e perversas em seus corações, mas as têm em um grau desesperador. Não há apenas o orgulho, mas um grau fantástico dele: orgulho tal que o dispõe a colocar-se acima até mesmo do trono do próprio Deus. Os corações dos não-

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convertidos são meras sarjetas de sensualidade. O homem se tornou como as feras ao colocar sua felicidade nas diversões sensuais. O coração está cheio das paixões mais repugnantes. Suas almas são mais vis e abomináveis que a de qualquer réptil. Se Deus abrisse uma janela no coração, de forma que pudéssemos contemplar o seu interior, seria o espetáculo mais repugnante que já se viu sob nossos olhos. Não há apenas malícia nos corações dos homens naturais, mas uma fonte dela. Os homens merecem, portanto, a linguagem aplicada a eles por Cristo em Mateus 3.7: “Raça de víboras, quem vos induziu a fugir da ira vindoura?” e Mateus 23:33: “Serpentes, raça de víboras!”. Eles, não fosse pelo medo e outras restrições, não apenas cometeriam toda sorte de pecado, mas a que grau, a que distância não procederiam! O que impede um homem natural de abertamente blasfemar contra Deus, como faz qualquer um dos demônios; sim, de destroná-lO, se fosse possível, e não houvesse o medo e outras restrições no caminho? Sim, não aconteceria isto com muitos dos que agora aparecem com um rosto justo, falando muito de Deus, e com muitas pretensões de adorá-lO e servi-lO? A grande impiedade dos homens naturais aparece abundantemente nos pecados que cometem, não obstante todas estas restrições. Todo homem natural, se refletir, pode ver o suficiente para mostrar-lhe como é excessivamente pecador. O pecado flui do coração com tanta constância como a água flui de uma fonte. Jeremias 6:7: “Como o poço conserva frescas as suas águas, assim ela, a sua malícia”. E esta impiedade, que abunda desta maneira nos corações, tem domínio sobre eles. São escravos dela: Romanos 7:14: “eu, todavia, sou carnal, vendido à escravidão do pecado”. Estão de tal maneira debaixo do pecado, que são conduzidos por suas luxúrias em um curso contra suas próprias consciências, e contra seu próprio interesse. Apressam-se em direção à própria ruína, e isso ao mesmo tempo em que suas próprias razões lhes advertem que isto provavelmente será sua perdição. 2 Pedro 2:14: “Insaciáveis no pecado”. Devido ao fato dos ímpios estarem de tal maneira sob o poder do pecado, o coração humano é descrito como desesperadamente corrupto em Jeremias 17:9 e Efésios 2:1 diz: “[estáveis] mortos nos vossos delitos e pecados”. 3. Os corações dos não-convertidos são terrivelmente endurecidos e incorrigíveis. Nada, a não ser o poder de Deus, os moverá. Apegar-se-ão ao pecado, e continuarão nele, aconteça o que acontecer. Provérbios 27:22: “Ainda que pises o insensato com mão de gral entre grãos pilados de cevada, não se vai dele a sua estultícia”. Não há nada que abale seus corações, e nada que os leve à obediência: quer sejam misericórdias ou aflições, ameaças ou chamados e convites da graça, reprovação ou paciência e longanimidade, ou conselhos e exortações paternais. Isaías 26:10: “Ainda que se mostre favor ao perverso, nem por isso aprende a justiça; até na terra da retidão ele comete a iniquidade e não atenta para a majestade do SENHOR”. Em segundo lugar: O estado relativo dos não-convertidos é terrível. Isso será evidente se considerarmos:

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1. Seu estado relativo com respeito a Deus; e isso porque: 1. Eles estão sem Deus no mundo. Não têm interesse ou parte com Deus: Ele não é o Deus deles. Ele próprio declarou que não o seria (Oséias 1:9). Deus e os crentes têm uma relação pactual mútua e direito um ao outro. Eles são o Seu povo, e Ele é o Deus deles. Mas não é o Deus pactual daqueles que estão em um estado natural. Há uma grande alienação e estranhamento entre Deus e os ímpios: Ele não é seu pai e porção, não têm nada com que possam questioná-lO, não têm direito a nenhum de Seus atributos. O crente pode reivindicar um direito no poder de Deus, em Sua sabedoria e santidade, Sua graça e amor. Tudo é renovado para ele, em seu benefício. Mas o não-convertido não pode reivindicar direito algum a qualquer das perfeições de Deus. Não têm Deus para defendê-los e protegê-los neste mundo mau: para defendê-los do pecado, de Satanás ou de qualquer mal. Não têm Deus para guiá-los e orientá-los em quaisquer dúvidas ou dificuldades, para confortá-los e apoiar suas mentes nas aflições. Estão sem Deus em todos as suas ocupações, em todos os negócios que realizam, em seus assuntos familiares, e em todas os seus projetos pessoais, nas suas preocupações exteriores e nas preocupações de suas almas. Como poderia uma criatura ser mais miserável do que estando separada de seu Criador, e não ter um Deus a quem possa chamar de seu? É miserável, de fato, aquele que vagueia pelo mundo, sem um Deus para velar por si, e ser seu guia e protetor, e abençoá-lo nos seus afazeres. A própria luz da natureza ensina que o Deus de um homem é seu tudo. Juízes 18:24: “Os deuses que eu fiz me tomastes; que mais me resta?”. Não há senão um Deus, e não têm direito algum a Ele. Estão sem aquele Deus, cuja vontade deve determinar sua inteira existência, tanto aqui quanto na eternidade. Que os não-convertidos estão sem Deus mostra que estão sujeitos a todo tipo de mal. Estão sujeito ao poder do Diabo, ao poder de todo tipo de tentação, pois não têm Deus para protegê-los. Estão sujeitos a ser seduzidos e enganados pelas opiniões errôneas, e a abraçarem doutrinas condenadas. Não é possível enganar os santos desta maneira. Mas os não-convertidos podem ser enganados. Podem tornar-se papistas, ou pagãos ou ateus. Nada que tenham pode livrálos disso. Estão sujeitos a ser entregues à dureza judicial de Deus no coração. Eles a merecem, e, uma vez que Deus não é o seu Deus, não têm certeza se não lhes aplicará esse terrível julgamento. Como estão sem Deus no mundo, estão sujeitos a cometer todo tipo de pecado, e, até mesmo, o pecado imperdoável. Não podem ter certeza se não vão cometêlo. Estão sujeitos a construir uma falsa esperança do Céu, e, com essa esperança, irem ao inferno. Estão sujeitos a morrer insensíveis e estúpidos, como muitos morrem. Estão sujeitos a morrer da mesma maneira que morreram Judas e Saul, sem temor do inferno. Não estão seguros disso. Estão sujeitos a todo tipo de engano, uma vez que estão sem Deus. Não podem dizer o que poderá lhes suceder, nem quando estão seguros de qualquer coisa. Não estão seguros nem por um momento. Dez mil enganos fatais podem recair sobre eles, e torná-los miseráveis para sempre.

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Os que têm Deus por seu Deus estão livres de tais males. Não é possível que recaiam sobre eles. Deus é seu Deus pactual, e têm sua promessa fiel de ser seu refúgio. Mas quantos enganos há que não possam recair sobre os não-convertidos? Quaisquer esperanças que tiverem poderão ser desapontadas. Qualquer perspectiva ingênua que possa aparentemente haver de sua conversão e salvação, pode desvanecer. Podem fazer grandes progressos em direção ao reino de Deus, e, ainda assim, falhar no final. Podem parecer estar em um estado deveras esperançoso de serem convertidos, e, ainda assim, jamais o serem. Um homem natural não tem segurança alguma. Não está seguro de bem nenhum, nem de escapar de qualquer mal. É, portanto, terrível a condição na qual se encontra o nãoconvertido. Os que estão no seu estado natural estão perdidos. Desviaram-se de Deus, e são como ovelhas perdidas, que se desviaram do seu pastor. São pobres criaturas desamparadas, em um deserto cheio de uivos, sem pastor para protegê-las ou guiá-las. Estão desolados, e expostos a inúmeros enganos fatais. 2. Estão não apenas sem Deus, mas a Sua ira permanece sobre eles, João 3.36: “O que, todavia, se mantém rebelde contra o Filho não verá a vida, mas sobre ele permanece a ira de Deus”. Não há paz entre Deus e eles, mas Deus está irado com eles, diariamente. Não está apenas irado, mas o está num grau terrível. Há um fogo aceso na ira de Deus: ela está em chamas. A ira permanece sobre eles, que, se fosse ela executada, os lançaria no mais profundo inferno, e os tornaria miseráveis por toda eternidade. Provocaram o Santo de Israel à ira. Deus sempre esteve irado com eles, desde que começaram a pecar: tem sido provocado diariamente, e mais e mais, a cada hora. A chama de sua ira está continuamente ardendo. Provocaram a Deus mais do que muitos no inferno, e com maior frequência. Aonde quer que vão, convivem com a terrível ira de Deus sobre si. Comem, bebem e dormem debaixo de Sua ira. Como é terrível, portanto, a condição em que estão! É muito triste para a criatura ter a ira do seu Criador sobre si. Essa ira de Deus é algo infinitamente terrível. A ira de um rei é como o rugido de um leão; mas o que é a ira de um rei, que não é senão um verme do pó, comparada à ira do Deus infinitamente grande e terrível? Como é horrível estar debaixo da ira do Ser Primeiro, o Ser dos seres, o grande Criador e poderoso dono dos céus e da terra! Como é terrível para uma pessoa estar debaixo da ira de Deus, que lhe deu a existência, e em quem se move e existe, que é onipresente e sem o qual ela não pode dar um passo, nem um suspiro! Os não-convertidos, além de estarem debaixo de ira, estão debaixo de maldição. A ira e a maldição de Deus estão continuamente sobre eles. Não podem ter um conforto razoável, portanto, em qualquer de suas diversões, pois nada sabem, senão que elas lhes são dadas em ira, e serão amaldiçoados por elas, e não abençoados. Como é dito em Jó 18.15: “Espalhar-se-á enxofre sobre a sua habitação”. Como podem, então, ter algum conforto em suas refeições, ou posses, quando nada sabem senão que isso lhes é dado para prepará-los para a execução?

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II. O estado relativo deles se mostrará terrível, se considerarmos como estão relacionados ao Diabo. 1. Os que estão em um estado natural são filhos do Diabo. Assim como os santos são filhos de Deus, os ímpios são filhos do Diabo: 1 João 3:10: “Nisto são manifestos os filhos de Deus e os filhos do Diabo”. Mateus 13:38-39: “o campo é o mundo; a boa semente são os filhos do reino; o joio são os filhos do maligno; o inimigo que o semeou é o Diabo”. João 8:44: “Vós sois do Diabo, que é vosso pai, e quereis satisfazer-lhe os desejos”. São, por assim dizer, descendência do Diabo; procedem dele: 1 João 3:8: “Aquele que pratica o pecado procede do Diabo”. Assim como Adão gerou um filho à sua semelhança, os ímpios são à imagem e semelhança do Diabo. Eles reconhecem esta relação, e se consideram filhos do Diabo, consentindo que ele seja seu pai. Sujeitam-se a ele, ouvem os seus conselhos, como os filhos ouvem os conselhos de um pai. Ele os ensina a imitá-lo, e a fazer como ele faz, assim como as crianças aprendem a imitar seus pais. João 8:38: “Eu falo das coisas que vi junto de meu Pai; vós, porém, fazeis o que vistes em vosso pai”. Como é terrível este estado! Como é horrível ser um filho do Diabo, o espírito das trevas, o príncipe do inferno, esse ímpio, maligno e cruel espírito! Ter alguma relação com ele é mui terrível. Seria considerado algo medonho e assustador o mero encontro com o Diabo, aparecendo ele em uma forma visível para alguém. Como é terrível, então, ser seu filho; como é assustador para qualquer pessoa ter o Diabo por seu pai! 2. Eles são cativos e servos do Diabo. O homem, antes da queda, estava em um estado de liberdade; mas, agora, caiu nas mãos de satanás. O Diabo foi vitorioso, e o tomou cativo. Os homens naturais estão em posse de satanás, e estão sob seu domínio. São conduzidos por ele em sujeição à sua vontade, para seguirem suas instruções, e fazerem o que ele ordena, 2 Timóteo 2:16: “Tendo sido feitos cativos por ele para cumprirem a sua vontade”. O Diabo governa sobre os ímpios. São todos seus escravos, e o servem com trabalhos forçados. Isto mostra que sua condição é terrível. Os homens consideram um estado de vida infeliz ser um escravo; e, especialmente, ser escravo de um senhor mau, de alguém que seja duro, implacável e cruel. Quão miseráveis consideramos aqueles que caíram nas mãos dos turcos, ou outras nações bárbaras semelhantes, sendo destinados à mais baixa e cruel escravidão, e tratados pior do que o gado! Mas o que é ser tomado cativo pelo Diabo, o príncipe do inferno, e ser escravo dele? Não seria melhor ser escravo de qualquer um na terra a ser seu escravo? O Diabo é, de todos os senhores, o mais cruel, e trata os seus servos da pior maneira. Coloca-os na realização dos mais vis serviços, os mais desonrosos no mundo. Nada é mais desonroso que a prática do pecado. O Diabo põe seus servos para realizarem obras que os degrada abaixo da dignidade da natureza humana. Devem tornarse semelhantes às feras para fazer esse serviço e servir às suas concupiscências imundas. E, além da vileza do trabalho, é um trabalho árduo. O Diabo os escraviza às custas de sua

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própria paz de consciência, e, com frequência, às custas de suas reputações, de suas posses, e encurtando seus dias. O Diabo é um senhor cruel, pois o serviço a que submete seus escravos os destrói. Ele os põe em trabalhos forçados, dia e noite, para trabalharem em suas próprias ruínas. Jamais pretende lhes recompensar por suas lidas, mas estas servem para edificar sua destruição eterna. Serve para acumular combustível e chamas de fogo para eles mesmos serem atormentados por toda a eternidade. 3. A alma de um não-convertido é a habitação do Diabo. Ele é não apenas pai deles, e seu chefe, mas habita neles. É terrível para um homem ter o Diabo nas cercanias, visitando-o com frequência. Mas é ainda mais terrível tê-lo habitando com um homem, e aceitar sua habitação; e é ainda terrível tê-lo consigo, habitando no coração. Mas é isto que ocorre com o não-convertido. Ele tem o Diabo habitando no seu coração. Assim como a alma de um justo é a habitação do Espírito de Deus, a alma de um ímpio é a habitação de espíritos imundos. Assim como a alma de um justo é o templo de Deus, a alma do ímpio é a sinagoga de Satanás. Ela é chamada na Escritura de casa de Satanás, e palácio de Satanás, Mateus 12:27: “Ou como pode alguém entrar na casa do valente”, querendo dizer, o Diabo. E Lucas 11:21: “Quando o valente, bem armado, guarda a sua própria casa, ficam em segurança todos os seus bens”. Satanás não apenas vive, mas reina, no coração do ímpio. Não apenas fez sua morada lá, mas estabeleceu seu trono. O coração de um ímpio é lugar de encontro do Diabo. As portas do seu coração estão abertas aos demônios. Têm livre acesso a ele, embora esteja fechado para Deus e Jesus Cristo. Há muitos demônios, sem dúvidas, que se relacionam com um ímpio, e seu coração é lugar de encontro deles. A alma de um ímpio é, como se diz da Babilônia, a habitação dos demônios, e a casa de todo espírito imundo, e um ninho de toda ave imunda e odiosa. Assim, terrível é a condição de um homem natural por causa da relação em que ele está com o Diabo.

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Um Verdadeiro Mapa Do Estado Miserável Do Homem Por Natureza Por Christopher Love

Eu vos mostrarei as oito características particulares de um homem sem Cristo. 1. Todo homem sem Cristo é um homem vil; 2. Ele é um escravo; 3. Ele é um homem miserável; 4. Ele é um homem cego; 5. Ele é um homem deformado; 6. Ele é um homem desconsolado; 7. Ele é um homem morto; e 8. Ele é um homem condenado; Estas são as oito características de um homem sem Jesus Cristo. Primeiro, todo homem sem Jesus Cristo é um homem vil. Embora você seja nascido de sangue de nobres, e embora você seja da descendência de príncipes, ainda assim, se você não tem o sangue real de Cristo correndo em suas veias, você é um homem vil. Em Daniel 11:21 e Salmos 15:4, vocês leem sobre pessoas vis. Assim é todo o homem sem Cristo, e ele deve ser assim, por que é somente Cristo quem pode retirar esta vileza na qual cada um está por natureza. Em Isaías 43:4, Deus diz: “isto que foste precioso aos meus olhos, também foste honrado”. E, em 1 Pedro 2:7: “E assim para vós, os que credes” Cristo é “precioso”. É Jesus Cristo quem coloca um diamante de honrosa glória sobre os homens. Todos os que estão fora de Jesus Cristo são homens vis, e isto nestes três aspectos: 1 - Eles vêm de uma origem vil; 2 - Eles comentem ações vis; e 3 - Eles aspiram por finalidades vis. Todo homem que está fora de Cristo vem de uma origem vil. Ele não tem sua origem no Espírito, mas na carne. Ele não procede de Deus, que é o Pai das luzes, mas do Diabo, que é o príncipe das trevas. Ele é vil porque ele comete ações vis. Todas as ações e serviços de um homem sem Cristo, no máximo, são apenas como trapos imundos e obras mortas. Um homem, em seu estado

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não-convertido é o escravo e servo do Diabo, um obreiro da iniquidade, ainda executando os desejos da carne e da mente, sendo entregue a vis afeições. É um homem vil, aquele que está sem Cristo, porque deseja finalidades vis em tudo o que faz, e isto de duas formas: (1) Neste mundo, ele anseia por finalidades vis em seu ouvir, ler, orar, e profissão de fé. Ele se importa consigo mesmo e seus próprios fins em tudo o que faz. (2) Todas as suas ações tendem a fins vis no mundo vindouro. Como as ações do homem em Cristo tendem à salvação, assim as ações do homem sem Cristo tendem à condenação. Segundo, um homem sem Cristo não é somente um homem vil, mas um escravo. Isto Cristo nos diz em João 8:36: “Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres,” indicando que se tu não tens um interesse em Cristo para livrar-te da escravidão do pecado e de Satanás, tu ainda és escravo. Estas servidão e escravidão, de igual modo, consistem em três particularidades: 1. Eles são escravos do pecado; 2. Do Diabo, e 3. Da Lei. 1. Todo homem sem Cristo é um escravo do pecado. Em João 8:34, Jesus diz: “Em verdade, em verdade vos digo que todo aquele que comete pecado é servo do pecado”, e em 2 Pedro 2:19: “Prometendo-lhes liberdade, sendo eles mesmos servos da corrupção. Porque de quem alguém é vencido, do tal faz-se também servo”. Todo homem, por natureza, é um servo de suas luxúrias, um escravo do pecado, e das criaturas. Deus fez o homem acima de todas as criaturas, mas o homem fez-se servo de todas as criaturas. 2. Ele não está somente em servidão e escravidão do pecado, mas também do Diabo. Os últimos dois versículos de 2 Timóteo 2:25-26 dizem: “Instruindo com mansidão os que resistem, a ver se porventura Deus lhes dará arrependimento para conhecerem a verdade, e tornarem a despertar, desprendendo-se dos laços do diabo, em que à vontade dele estão presos”. 3. Ele está em escravidão da Lei, ou seja, ele não faz nada em obediência à Lei; e esta é a grande miséria de um homem sem Cristo. Ele é limitado a guardar toda a Lei de Deus. Há uma expressão bem singular em Apocalipse 18:10-13. São João diz que todos aqueles que adoraram a besta clamarão: Ai! ai daquela grande cidade de Babilônia [caiu], E sobre ela choram e lamentam, corpos e almas de homens. Todos os homens ímpios são escravos do anticristo, do pecado e da Lei, e esta é a grande miséria de um homem não-regenerado. Terceiro, sem Jesus Cristo, você não é somente um homem vil e um escravo, mas um homem miserável também, pois todas as riquezas da graça e misericórdia estão escondidas e seladas em Cristo como em uma loja comum ou celeiro. Colossenses 2:3: “Em quem

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estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e da ciência”. Se você está fora de Cristo, você não tem nada. Como está escrito em Apocalipse 3:17: “Como dizes: Rico sou, e estou enriquecido, e de nada tenho falta; e não sabes que és um desgraçado, e miserável, e pobre, e cego, e nu”. Você admitirá que é um pobre e miserável o homem que carece destas quatro coisas: carne para a sua barriga, roupas para as suas costas, dinheiro para a sua bolsa, e uma casa para descansar sua cabeça. Ora, em todos estes aspectos, cada homem que está fora de Cristo é um homem miserável. 1. Um homem miserável é alguém que não tem alimento para pôr em seu ventre, e todos vocês que não têm interesse em Jesus Cristo são miseráveis neste aspecto, porque vocês não se alimentam do Pão da Vida, nem bebem da Água da Vida, o Senhor Jesus Cristo, Aquele cuja carne é de fato alimento, e cujo sangue é de fato bebida, sem o que as suas almas morrerão de fome. 2. Você dirá que é um pobre homem, aquele que não tem roupas para pôr sobre suas costas. Assim, todo homem sem Cristo, não é apenas pobre, mas nu. Apocalipse 3:17: “e não sabes que és um desgraçado, e miserável, e pobre, e cego, e nu”. Este homem que não está vestido com as longas vestes da justiça de Cristo é um homem nu, e é exposto à ira e vingança do Deus todo-poderoso. Aqueles que são vestidos com as vestes da justiça de Cristo são homens que têm um manto para cobrir a sua nudez e vergonha. É dito de Jacó que ele obteve a bênção de seu pai por estar vestido com as roupas de seu irmão mais velho, e assim nós apenas somos abençoados por Deus nosso Pai, porquanto nós somos vestidos com as vestes de nosso irmão mais velho, Jesus Cristo. 3. O homem que não tem dinheiro em sua bolsa é um homem miserável. Assim, embora as suas bolsas estejam cheias de ouro, se os seus corações não estiverem cheios de graça, vocês são homens mui miseráveis, Lucas 16:11. A graça é a única riqueza verdadeira. Todas as riquezas duráveis são vinculadas a Cristo. 4. E finalmente, é um homem miserável aquele que não tem uma casa para reclinar a cabeça, que é destituído de um lar para alojar-se e uma cama para repousar. Assim, você que não tem interesse em Cristo, quando os seus dias são expirados e a morte vem, você não sabe o que fazer nem para onde ir. Você não pode dizer como o homem piedoso que quando a morte o tirar daqui, que você será recebido nas habitações eternas. Você não pode dizer que Cristo partiu antes para preparar um lugar para você no Céu. Assim, então, nestas quatro particularidades, vocês veem que o homem sem Cristo é um homem mui miserável, não tendo nem alimento para o seu corpo, nem roupas para as suas costas, nem dinheiro para a sua bolsa, nem uma casa para reclinar sua cabeça, a menos que esta seja um calabouço das trevas com demônios e espíritos condenados.

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Quarto, outra característica do homem sem Cristo é que ele é um homem cego. Apocalipse 3:17: “e não sabes que és um desgraçado, e miserável, e pobre, e cego, e nu”. Por causa disso os homens ímpios, durante a sua não-regeneração, são chamados “trevas”. Efésios 5:8: “Porque noutro tempo éreis trevas, mas agora sois luz no Senhor; andai como filhos da luz”. Assim, a luz veio ao mundo, e os homens amaram mais as trevas do que a luz, porque as suas obras eram más. Jesus Cristo é para a alma o que o sol é para a terra. Retire o sol da terra, e não é nada, senão um calabouço das trevas. Assim, retire Cristo da alma, e esta não é nada, senão um calabouço do Diabo. Embora haja um Cristo no mundo, se o coração está fechado e Jesus Cristo não está em você, você está no estado de trevas e cegueira. Quinto, todo homem sem Cristo é um homem deformado, como você pode ler em Ezequiel 16:3-14: “E dize: Assim diz o Senhor DEUS a Jerusalém: A tua origem e o teu nascimento procedem da terra dos cananeus. Teu pai era amorreu, e tua mãe hetéia”; no versículo 6: “E, passando eu junto de ti, vi-te a revolver-te no teu sangue, e disse-te: Ainda que estejas no teu sangue, vive; sim, disse-te: Ainda que estejas no teu sangue, vive”. Quando uma pobre criança repousa banhada em seu sangue, não enfaixada, não lavada, não cuidada, que triste condição em que está? E, assim estava você, diz Deus. Mas, depois, leia o versículo 7: “Eu te fiz multiplicar como o renovo do campo, e cresceste, e te engrandeceste, e chegaste à grande formosura”. Depois o que está no versículo 14: “E correu de ti a tua fama entre os gentios, por causa da tua formosura, pois era perfeita, por causa da minha glória que eu pusera em ti, diz o Senhor DEUS”, indicando que, antes de Cristo olhar sobre uma alma, ela repousa banhada em seu próprio sangue e incapaz de ajudar a si mesma, mas quando alguém vem graciosamente através de Cristo, formosura é lançada sobre ele. Se você carece de Cristo, você carece de seu melhor ornamento. Sexto, outra característica de um homem sem Cristo é que ele é um homem desconsolado. Cristo é a única nascente de consolo e a fonte de todo júbilo e consolação. Retire Cristo da alma, e isto é como se você retirasse o sol do firmamento. Se um homem tem todas as bênçãos no mundo, e carece de Cristo, ele carece daquilo que poderia adoçar todos os restantes de seus desconfortos. Em Êxodo 15:23-25, você lê sobre as águas de Mara. Elas eram tão amargas que ninguém poderia bebê-las, mas quando o Senhor mostrou a Moisés uma árvore a qual, quando ele lançou sobre as águas, as tornou em água doce. Ora, Jesus Cristo é esta árvore. Ele adoça a amargura de qualquer aflição exterior e Ele pode fazer todos os seus sofrimentos fugirem para longe. Não há nada no mundo que adoce os consolos e nos dê alegria na posse das coisas desde mundo mais do que ter um interesse em Jesus Cristo. Não é nada, amados, ter muito da criatura em nossa casa, mas ter a Cristo em nossos cora-

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ções é o que faz você viver confortavelmente. Todo o pão que você come será pão de amargura se você não se alimentar do corpo de Jesus Cristo; e tudo o que você beber será apenas vinho de assombro de você não beber do sangue de Jesus Cristo. Sem um interesse em Cristo, todos os seus confortos são apenas cruzes; e todas as suas misericórdias são apenas misérias, como em Jó 20:22: “Sendo plena a sua abastança, estará angustiado; toda a força da miséria virá sobre ele”. Embora você tenha abundância de coisas desta vida, embora você tenha mais do que o suficiente, ainda se você não tem um interesse em Cristo, você não tem nada. Sétimo, outra propriedade de um homem fora de Cristo é que ele é um homem morto. Você conhece a notória passagem em 1 João 5:12: “Quem tem o Filho tem a vida; quem não tem o Filho de Deus não tem a vida”. Por isso nós lemos em Efésios 2:1 que os homens nãoregenerados estão mortos em delitos e pecados, e a razão é que Cristo é a vida do crente. Colossenses 3:3: “e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus”. Retire Cristo de um homem e você retira a sua vida, e retire a vida de um homem e ele é uma massa de carne morta. Homens não-regenerados são estranhos à vida de piedade e, portanto, devem estar mortos em seus pecados. Embora eles não se agradem da vida de um homem, ainda se a vida que ele vive não é pela fé no Filho de Deus, ele está espiritualmente morto. Por exemplo, você sabe que um homem morto não sente nada. Faça o que quiser com ele, que ele não sente isto. Assim um homem que é espiritualmente morto não sente o peso de seus pecados, embora eles sejam um fardo pesado pressionando-o para dentro do abismo do inferno. Ele é um estranho à vida de piedade, havendo perdido a sensibilidade, entregou-se a um senso de reprovação, assim ele não sente o peso e fardo de todos os seus pecados. Um homem morto tem um título de nada aqui nesta vida. Embora ele fosse muito rico, ainda ele perderia este título por fim, e suas riquezas passariam dele para outro. Assim, sendo morto espiritualmente, você não pode exigir nada, nem a graça, nem misericórdia, ou felicidade por Jesus Cristo. Um homem morto ainda está apodrecendo e voltando ao pó de onde veio; e assim, um homem que é morto espiritualmente cai de iniquidade em iniquidade, e de um pecado para outro, até que no fim, cai no fogo do inferno. Oito, a última característica de um homem sem Cristo é que ele é um homem condenado. Se ele vive e morre sem Cristo, ele é um homem condenado. Assim diz João 3:18, aquele que não crê, já está condenado. Ele é certamente condenado como se ele já estivesse no inferno. Aquele que está sem Jesus Cristo deve seguir sem céu, pois o céu e glória e felicidade estão vinculados a Ele. O céu não é dado a ninguém, senão àqueles que são herdeiros juntamente com Cristo, e portanto, você que está sem Cristo deve estar sem o céu, e consequentemente sem felicidade e salvação, e desta forma, você deve ser condenado. Assim vocês veem, nestas oito características particulares em que triste e miserável condi-

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ção está todo homem sem Cristo, e oh, que o que tem sido agora anunciado a respeito da desventura de um homem sem Cristo possa provocar cada alma dentre vocês para um entusiasmo e sinceridade de espírito sobre todas as suas buscas, para que se empenhem em obter a Jesus Cristo.

[Este sermão foi editado por Don Kistler. O resumo é reimpresso de Sola Scriptura, uma loja formalmente publicada pela Soli Deo Gloria Ministries, com permissão do editor. Para informações adicionais sobre este e outros livros Puritanos, entre em contato com Don Kistler em: Soli Deo Gloria P.O. Box 451 Morgan, PA 15064 (412) 221-1901/ Fax (412) 221-1902]

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Homens Em Seu Estado Caído Por John Newton

Ouvimos falar muito nos dias de hoje sobre a dignidade da natureza humana. É bem verdade que o homem era uma excelente criatura quando ele saiu das mãos de Deus; mas se considerarmos esta questão, tendo em vista o homem caído, como depravado pelo pecado, como podemos nos juntar com o salmista, em nos admirarmos que o grande Deus possa lembrar-se dele? Caído como o homem está de seu estado de original felicidade e santidade, suas faculdades e habilidades naturais constituem prova suficiente de que a mão que o fez é Divina. Ele é capaz de grandes coisas. Sua compreensão, vontade, afeições, imaginação e memória são faculdades nobres e surpreendentes. Mas ao vê-lo sob uma luz moral, como um ser inteligente, incessantemente dependente de Deus, responsável diante dEle, e designado por Ele para um estado de existência em um mundo imutável; considerando esta relação, o homem é um monstro, uma criatura vil, baixa, estúpida, obstinada e maliciosa; não há palavras para descrevê-lo por completo. O homem, com toda sua inteligência e realizações alardeadas, é um tolo; enquanto ele está destituído da graça salvadora de Deus, a sua conduta, como a suas preocupações mais importantes, são as mais absurdas e inconsistentes, então, que idiota mais cruel; com relação às suas afeições e objetivos, ele se degrada muito abaixo das bestas; e pela malignidade e maldade de sua vontade, não pode ser comparado a nada tão adequadamente quanto com o diabo. A questão aqui não é sobre este ou aquele homem, um Nero ou um Heliogábalo 1, mas sobre a natureza humana, toda a raça humana, com exceção dos poucos que nascem de Deus. Há de fato uma diferença entre os homens, mas é devida às restrições da Divina providência, sem a qual a terra seria a própria imagem do inferno. Um lobo ou um leão, enquanto acorrentados, não podem fazer muito mal, como se fossem soltos, mas a natureza é a mesma em toda a espécie. A educação e a preocupação, o medo e a vergonha, as leis humanas, o poder secreto de Deus sobre a mente, se combinam para formar muitas personalidades que são externamente decentes e respeitáveis; e até mesmo os mais perdidos estão sob uma restrição que os impede de manifestar uma milésima parte da maldade que está em seus corações. Mas __________ [1] Heliogábalo (Emesa, na Síria, c. 203 — Roma, 11 de março 222) foi um imperador romano. Ao tornar-se imperador tomou o nome de Marcus Aurelius Antoninus Augustus, e só ficou conhecido como Heliogábalo muito tempo depois de sua morte. Seu reinado foi marcado pela polêmica, idolatria e depravação sexual.

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o próprio coração é universalmente enganoso e desesperadamente corrupto. O homem é um tolo. Ele pode realmente medir a terra e quase contar as estrelas; ele é rico em artes e invenções da ciência e da política; e deverá então ele ser chamado de tolo? Os pagãos antigos, os habitantes do Egito, Grécia e Roma, foram eminentes neste tipo de sabedoria. Eles são até hoje estudados como modelos por aqueles que visam a excelência em história, poesia, pintura, arquitetura e outros esforços do gênio humano, que são adequados para polir as maneiras, sem melhorar o coração. Mas os seus filósofos mais admirados, os legisladores, os lógicos, oradores e artistas eram tão destituídos como loucos ou crianças daquele único conhecimento que merece o nome de verdadeira sabedoria. Dizendo-se sábios tornaram-se loucos (Romanos 1:22). Ignorantes a respeito de Deus, mas conscientes de sua própria fraqueza e da sua dependência de um poder acima dos seus próprios, e estimulados por um princípio interior de medo, do qual não conheciam nem a origem nem a aplicação correta, eles adoraram a criatura em vez do Criador, sim, colocaram a sua confiança em madeira e pedras, nas obras das mãos dos homens, em vaidades e quimeras. Uma familiaridade com a sua mitologia, ou fábulas religiosas se passa conosco, por um ramo considerável de aprendizagem, porque ele é desenhado a partir de livros antigos, escritos em línguas não conhecidas pelo vulgo; mas no ponto de certeza da verdade, podemos receber tanta satisfação de uma coleção de sonhos quanto a partir de dos delírios de lunáticos. Se, portanto, admitimos estes sábios admirando-os como uns espécimes toleráveis de humanidade, não devemos confessar que o homem, em sua melhor condição, porém estando inteiramente sem a instrução do Espírito de Deus, é um tolo? Mas será que somos mais sábios do que eles? Nem um pouco, até que a graça de Deus nos faça assim. Nossas vantagens superiores mostram apenas a nossa loucura de uma forma mais marcante. Por que todas as pessoas são contadas como tolos? Um tolo não tem bom senso; ele é regido totalmente pelas aparências, e prefere um casaco fino em relação às escrituras de uma grande propriedade. Ele não considera as consequências. Tolos às vezes ferem ou matam os seus melhores amigos, e pensam não terem feito mal nenhum. Um tolo não pode raciocinar, pois os argumentos são inúteis para ele. Ao mesmo tempo, se amarrado com uma palha, ele não ousa se mexer; em outro momento, talvez, ele dificilmente seja persuadido a se mover, embora a casa estivesse pegando fogo. São estas as características de um tolo? Então, não há tolo como o pecador, que prefere os brinquedos da terra à felicidade do Céu, que é mantido em cativeiro pelos costumes do mundo, e tem mais medo das ameaças do homem, do que da ira de Deus. Mais uma vez, o homem em seu estado natural é uma besta, sim inferior aos animais que perecem. Em duas coisas ele se assemelha fortemente aos animais: em olhar para nada mais elevado do que a gratificação sensual, e o espírito de egoísmo o leva a considera a si mesmo e ao seu interesse próprio como seu adequado e mais alto fim; entretanto em muitos

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aspectos, ele afunda, infelizmente, abaixo deles. As paixões não naturais e a falta de afeição natural para com os seus descendentes são abominações não encontradas entre a criação irracional. Que diremos das mães destruindo seus filhos com suas próprias mãos, ou do ato horrível de suicídio!? Semelhantemente, homens são piores do que animais em sua obstinação; eles não tomarão advertência. Se um animal foge de uma armadilha ele será cauteloso para não se aproximar dela novamente, e em vão se estende a rede à vista de qualquer ave, porém o homem, embora seja muitas vezes repreendido, endurece a cerviz e corre em direção à sua própria ruína com os olhos abertos, e pode desafiar a Deus em sua face e expor-se à condenação. Mais uma vez, vamos observar como o homem se assemelha ao Diabo. Há pecados espirituais e estes, em sua proeminência, a Escritura nos ensina a julgar o caráter de Satanás. Cada característica nesta descrição é um forte traço no homem; por isso, então o que o Senhor disse aos judeus é de aplicação geral: “Vós tendes por pai ao diabo, e quereis satisfazer os desejos de vosso pai” [João 8:44]. O homem se assemelha a Satanás em orgulho; esta criatura fraca e estúpida valoriza-se quanto à sua sabedoria, poder e virtude, e falará sobre ser salvo por suas boas obras; mas se ele pode, o próprio Satanás não precisa se desesperar. Ele se assemelha a ele em malícia, e desta disposição diabólica muitas vezes procede o assassinato, e isto aconteceria diariamente se o Senhor não o restringisse. Ele deriva de Satanás, o espírito de ódio e inveja. Ele é frequentemente atormentado além do que se pode expressar por contemplar a prosperidade de seus vizinhos; e proporcionalmente satisfeito com suas calamidades, embora ele não obtenha nenhuma outra vantagem com isso além da gratificação deste princípio rancoroso. Ele expressa a imagem de Satanás em sua crueldade. Esse mal está ligado, até mesmo ao coração de uma criança. A disposição para ter o prazer de provocar dor nos os outros aparece muito cedo. Crianças, se deixadas a si mesmas, desde cedo sentem prazer em torturar insetos e animais. Que miséria é que a crueldade gratuita de homens inflige a galos, cães, touros, ursos e outras criaturas, a ponto de aparentarem não terem sido formados para nenhum outro fim senão para deleitarem os seus espíritos selvagens com seus tormentos! Se formamos nosso julgamento dos homens quando eles parecem mais satisfeitos, e não tendo nem raiva nem ressentimento para pleitear sua desculpa, é demasiado evidente, mesmo na natureza de suas diversões, quem eles são e a quem servem; e eles são os piores inimigos uns dos outros. Pense nos horrores da guerra, na ira dos de duelistas, nos morticínios e assassinatos com que o mundo está cheio, e então diga: “Senhor, que é o homem?” [Salmo 144:3]. Além disso, se o engano e a traição pertencem ao caráter de Satanás, então certamente o homem se assemelha ele. Não é a observação universal, e queixa de todas as eras, um comentário feito a respeito das palavras do profeta: “Não creiais no amigo, nem confieis no vosso guia; daquela que repousa no teu seio, guarda as portas da tua boca, pois cada um caça a seu irmão com a rede” [Miquéias 7:5, 2]. Quantos neste momento têm motivos para dizer com

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Davi: “As palavras da sua boca eram mais macias do que a manteiga, mas havia guerra no seu coração: as suas palavras eram mais brandas do que o azeite; contudo, eram espadas desembainhadas” [Salmos 55:21]. Mais uma vez, como Satanás, os homens estão ansiosos em tentar outros a pecar; não contentes em condenar a si mesmos, eles empregam todas as suas artimanhas e influência para seduzir tantos quantos eles possam a lhes seguirem para a mesma destruição. Por fim, na oposição direta a Deus e à bondade, na inimizade e desprezo ao Evangelho de Sua graça, e em um espírito de perseguição e amarga para com aqueles que o professam, o próprio Satanás dificilmente pode excedê-los. Aqui, na verdade, eles são seus agentes e servos voluntários; e porque o próprio Deus bendito está fora de seu alcance, eles trabalham para mostrar o seu despeito por Ele na pessoa de Seu povo. Eu desenharei mais alguns contornos da imagem do homem caído, pois oferecer uma cópia exata dele, que possuísse cada aspecto do seu pleno agravamento de horror, e pintá-lo como ele é, seria impossível. Muito já foi observado para ilustrar a propriedade da exclamação: “Senhor, que é o homem?”, talvez alguns dos meus leitores possam negar ou atenuar este peso, e podem pleitear que não tenho descrito a humanidade, mas somente alguns dos mais depravados que mal merecem o nome de “homens”. Mas eu já tenho me precavido contra essa exceção. É a natureza humana que descrevo; e os indivíduos mais vis e perdulários não podem pecar além dos poderes e limites desta natureza que eles possuem em comum com o mais benigno e moderado. Embora possa haver uma diferença na fecundidade das árvores, no entanto, a produção de uma maçã, determina a natureza da árvore que a gerou, tão certamente como se tivesse produzido mil maçãs, assim, no presente caso, se admitimos que estas extravagâncias não são encontradas em todas as pessoas, isso seria suficiente confirmação do que eu antecipei, porém elas podem ser encontrados em qualquer um; a menos que pudesse também ser provado, que os que pareceram mais perversos do que outros, são de uma espécie diferente do restante. Mas eu não preciso fazer esta concessão, devem ser verdadeiramente insensíveis aqueles que não sentem dentro de si algo tão contrário às nossas noções comuns de bondade, como se quisessem talvez, antes submeterem-se a ser banidos da sociedade humana, a serem compelidos a estarem de boa fé ao desvelar cada pensamento e desejo que surgem nos corações de seus companheiros criaturas. A natureza do homem caído corresponde à descrição que o apóstolo nos deu de sua sabedoria orgulhosa: é terrena, animal e diabólica [Tiago 3:15]. Tentei esboçar alguns aspectos gerais disto nas palavras anteriores; mas o auge de sua maldade não pode ser adequadamente estimado, a menos que nós consideremos as suas atuações com relação à luz do Evangelho. Os judeus eram extremamente perversos no momento da aparição de nosso Senhor sobre a terra, mas ainda assim é dito deles: “Se eu não viera, nem lhes hou-

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vera falado” (João 15:22), isto é, a luz e a força do Seu ministério os privou de toda desculpa para continuar no pecado, esta foi a ocasião de mostrar a sua malícia, da maneira mais agravada; e todos os seus outros pecados eram apenas provas tênues do verdadeiro estado do seu coração, se comparado com a descoberta que fizeram de si mesmos, por sua oposição pertinaz a Ele. Neste sentido, o que o apóstolo tem observado em relação à lei de Moisés, pode ser aplicado ao Evangelho de Cristo: Ele foi introduzido para que o pecado abundasse [Romanos 5:20]. Se quisermos calcular toda a extensão da depravação humana e os efeitos mais fortes que ela é capaz de produzir, devemos selecionar nossos casos a partir da conduta daqueles a quem o Evangelho é conhecido. Os índios, que assam seus inimigos vivos, dão provas suficientes de que o homem é bárbaro em relação à sua própria espécie; o que pode também ser facilmente demonstrado, sem ir tão longe de casa; mas a pregação do Evangelho desvela a inimizade do coração contra Deus de modos e graus que selvagens ignorantes e pagãos não são capazes. Por Evangelho, agora eu quero dizer não apenas a doutrina da salvação, uma vez que se encontra na Sagrada Escritura, mas a pregação pública e oficial desta doutrina que o Senhor Jesus Cristo tem comissionado aos Seus verdadeiros ministros; que, tendo sido eles mesmos, pelo poder da Sua graça, transportados das trevas para a maravilhosa luz, pelo seu Espírito Santo, são capacitados e enviados para declarar aos seus companheiros pecadores sobre o que viram, sentiram e provaram da palavra da vida. Sua comissão é exaltar o Senhor somente, e denegrir a soberba de toda a vanglória humana. Eles devem expor o mal e o demérito do pecado, o rigor, a espiritualidade e a sanção da Lei de Deus e a apostasia total da humanidade; e a partir dessas premissas demonstrar a absoluta impossibilidade de escapar da condenação do pecado por quaisquer obras ou empreendimentos de sua autoria; e, em seguida, proclamar a salvação plena e livre do pecado e da ira, pela fé no nome, sangue, obediência e mediação do Deus manifestado na carne; juntamente com uma denúncia da miséria eterna a todos os que finalmente rejeitarão o testemunho que Deus deu de Seu Filho. Embora estes vários aspectos da vontade de Deus em relação aos pecadores, e outras verdades em conexão com eles, sejam claramente revelados e repetidamente incutidos na Bíblia; e que a Bíblia é encontrada em quase todas as casas, no entanto vemos, de fato, que ela é um livro selado, pouco lido, pouco compreendido, e, portanto, ainda menos considerado, exceto nos lugares que o Senhor se agrada de favorecer ministros que podem confirmar essas pessoas a partir de sua própria experiência, e que, por um senso de Seu amor constrangedor e do valor das almas, estão motivados em fazer um fiel cumprimento de seu ministério e uma grande coisa pelas suas vidas; estes não visam adquirir riquezas, mas promover o bem-estar de seus ouvintes; são igualmente indiferentes às carrancas ou sorrisos do mundo; e não amam as suas vidas, contanto que possam ser sábios e bem sucedidos em ganhar almas para Cristo. Quando o Evangelho, neste sentido da palavra, em primeiro lugar chega a algum lugar, em-

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bora as pessoas estejam vivendo em pecado, pode ser dito que elas pecam por ignorância; eles ainda não foram avisados do perigo. Alguns estão bebendo a iniquidade como a água; outros mais sobriamente enterrando-se vivos nos cuidados e negócios do mundo; outros encontram um pouco de tempo para o que eles chamam de deveres religiosos e perseveram nisto apesar de serem estranhos à natureza ou ao prazer da adoração espiritual; em parte, eles pensam em barganhar com Deus e compensar tais pecados visto que eles não optam por abrir mão destes; e em parte porque gratifica o seu orgulho, e lhes proporciona (como pensam) alguma base para dizer: “Ó Deus, graças te dou porque não sou como os demais homens” [Lucas 18:11]. A pregação do Evangelho declara a vaidade e o perigo desses caminhos nos quais os pecadores escolhem. Ele declara, demonstra que embora pareçam diferentes dos outros eles estão igualmente distantes do caminho da segurança e da paz, e todos tendem para o mesmo desfecho: a destruição daqueles que persistem neles. Ao mesmo tempo em que se acautelam contra esse desespero no qual os homens seriam de outra forma mergulhados quando são convencidos de seus pecados, revelando o imenso amor de Deus, a glória e a graça de Cristo, e convidando todos a virem a Ele, para que possam obter perdão, vida e felicidade. Em uma palavra, isso mostra o abismo do inferno sob os pés dos homens, e abre a porta, e aponta o caminho para o céu. Vamos agora observar brevemente os efeitos que o Evangelho produz em quem não o recebe como o poder de Deus para a salvação. Estes efeitos são diversos, assim como os temperamentos e circunstâncias variam; mas todos eles podem nos levar a adotar a exclamação do salmista: “Senhor, que é o homem?”. Muitos dos que ouviram o Evangelho, uma ou algumas vezes, não irão mais ouvi-lo; ele desperta seu desprezo, o ódio e raiva. Eles derramam desprezo sobre a sabedoria de Deus, desprezam sua bondade, desafiam o seu poder; e eles próprios parecem expressar o espírito dos judeus rebeldes, que disseram ao profeta Jeremias em sua face: “Quanto à palavra que nos anunciaste em nome do Senhor, não obedeceremos a ti” [Jeremias 44:16]. Os ministros que pregam o Evangelho são contados como os homens que põem o mundo de cabeça para baixo; e as pessoas que o recebem, como tolos ou hipócritas. A palavra do Senhor é um fardo para eles, e eles a odeiam com um ódio perfeito. Quão fortemente a disposição do coração natural é manifestada pela confusão que muitas vezes ocorre nas famílias onde o Senhor se agrada em um ou dois daquela casa, enquanto o restante permanece em seus pecados! Professar, ou mesmo ser suspeito disso, ou aderir ao Evangelho de Cristo, é frequentemente considerado e tratado como o pior dos crimes, suficiente para anular os vínculos mais fortes de relação ou amizade. Os pais, após tal provocação, odiarão os seus filhos, e os filhos ridicularizarão seus pais; muitos concordam com a declaração de nosso Senhor, que a partir do momento em que um sentido do Seu amor tem envolvido seu coração para amá-lO mais uma vez, seus piores inimigos foram aqueles de sua própria casa; e que aqueles que expressaram o maior amor e carinho para com eles antes de sua conversão, agora dificilmente podem suportar vê-los.

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A maior parte do povo, talvez continue a ouvir, pelo menos de vez em quando; e para aqueles que o fazem, o Espírito de Deus em geral, em um momento ou outro, é um testemunho para a verdade: as suas consciências são atingidas, e por algum tempo eles creem e termem. Mas qual é a consequência? Nenhum homem que tomou veneno procura mais intensamente ou rapidamente um antídoto, do que estes buscam fazer alguma coisa para abafar e sufocar suas convicções. Eles buscam as companhias para beber ou para qualquer outra coisa, buscando alívio contra a intrusão indesejável de pensamentos graves; e quando eles conseguem recuperar sua antiga indiferença, eles se alegram, como se tivessem escapado de algum grande perigo. O próximo passo é ridicularizar as suas próprias convicções; e junto a isso, se percebem algum conhecido com as impressões que ele teve, usam todas as artimanhas e empregam todos os esforços para que possam torná-los tão obstinados como eles mesmos. Para este propósito, eles espreitam como um passarinheiro ao passarinho, lisonjeiam ou injuriam, tentam ou ameaçam; e se eles podem, prevalecem, e se são a ocasião de “endurecimento de qualquer um em seus pecados” eles se regozijam e triunfam como se considerassem isso como seu próprio interesse e a sua glória, a saber, ver a ruína das almas de seus semelhantes. Por ouvirem frequentemente o Evangelho eles recebem mais luz, e são compelidos a saber, quer queiram que não, que a ira de Deus paira sobre os filhos da desobediência. Eles levam uma picada em suas consciências, e, por vezes, sentem-se os mais miseráveis, e não podem, mas gostariam que nunca tivessem nascido, ou que fossem cães ou sapos, ao invés de criaturas racionais. No entanto, eles se endurecem ainda mais. Eles se determinam a serem feliz e estarem sossegados, se obrigam a usar um sorriso enquanto a angústia está presa em seus corações. Eles blasfemam o caminho da verdade, por ver as falhas dos professos, e com uma alegria maliciosa publicam suas falhas e os ofendem. Eles veem, talvez, como o ímpio morre, mas não ficam alarmados; eles veem o justo morrer, mas não são comovidos. Nem providências, nem ordenanças, nem misericórdias, nem julgamentos podem pará-los, pois eles estão determinados a prosseguir e morrer com os olhos abertos, ao invés de se submeterem ao Evangelho. Porém nem sempre eles rejeitam abertamente as verdades do Evangelho. Alguns que professam aprova-las e recebê-las, por este meio desvelam os males do coração do homem, se possível, em uma luz ainda mais forte. Eles fazem de Cristo um ministro do pecado, e transformam a Sua graça em libertinagem. Como Judas, eles dizem: “Eu te saúdo, Rabi!” E O traem. Este é o mais alto grau de iniquidade. Eles pervertem todas as doutrinas do Evangelho, da eleição eles tiram uma desculpa para continuarem em seus maus caminhos; e defendem a salvação sem as obras, porque não amam a obediência. Eles exaltam a justiça de Cristo, mas se opõem à santidade pessoal. Em uma palavra, porque eles ouvem que Deus é bom estão determinados a persistir no mal. “Senhor, que é o homem?”.

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Assim os pecadores obstinados e impenitentes vão de mal a pior, enganando e sendo enganados. A palavra que eles desprezam torna-se para eles um cheiro de morte para morte. Eles tomam diferentes cursos, mas em todos estão viajando para descer à cova; e, a menos que a misericórdia soberana impeça, em breve eles cairão para não mais se levantarem. O evento final normalmente é duplo. Muitos, depois de terem sido mais ou menos comovidos pela Palavra, se acomodam às formalidades. Se a audição suprisse o lugar da fé, do amor e da obediência, eles iriam fazê-lo bem; mas aos poucos eles se tornam impassíveis ao sermão, as verdades que uma vez os atingiram, muitas vezes, perdem o seu poder ao serem ouvidas; e, assim, multidões vivem e morrem na escuridão, embora por muito tempo a luz tenha brilhado ao redor deles. Outros são mais abertamente entregues a um sentimento perverso. O desprezo do Evangelho produz infiéis, deístas e ateus. Eles estão cheios de um espírito de ilusão para acreditarem em uma mentira. Estes são escarnecedores, andando segundo as suas próprias concupiscências; pois onde os princípios da religião são abandonados, a conduta será vil e abominável. Tais pessoas zombam de si mesmas em suas dissimulações, e fortemente provam a verdade do Evangelho, enquanto elas disputam contra ele. Nós muitas vezes achamos que as pessoas deste tipo têm sido anteriormente objeto de fortes convicções; mas quando o espírito maligno pareceu se afastar por um tempo, e voltou novamente, o último estado desse homem é pior do que o primeiro. Não é improvável que alguns dos meus leitores possam encontrar-se com seus próprios caráteres sob um ou outro dos vislumbres que dei da maldade desesperada do coração, em suas atuações contra a verdade. Que o Espírito de Deus possa compeli-los a ler com atenção, o seu caso é perigoso, mas eu espero que você não se desespere totalmente, pois Jesus é poderoso para salvar. Sua graça pode perdoar as ofensas mais graves, e subjugar os hábitos mais inveterados do pecado. O Evangelho que você até aqui desprezou, resistiu ou se opôs ainda é o poder de Deus para a salvação. O sangue de Jesus, sobre o qual até agora você tem pisoteado, fala melhor do que o sangue de Abel, e possui virtude para limpar aqueles cujos pecados são escarlate e carmesim, e para fazê-los brancos como a neve. Até agora você foi poupado; mas já é tempo de parar, baixar os braços da rebelião, e humilhar-se aos pés do Senhor Jesus Cristo. Se você fizer isso, você ainda pode escapar; mas se não, saiba com certeza que a ira vindoura cairá sobre você ao máximo; e você perceberá em breve, em sua consternação indizível, que terrível coisa é cair nas mãos do Deus vivo.

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As Consequências Da Depravação Humana Por A. W. Pink

[Capítulo 4 do livro The Total Depravity of Man • Editado]

A chave que nos abre o mistério da depravação humana é encontrada em uma correta compreensão das relações que Deus nomeou entre o primeiro homem e a sua posteridade. Como a grande verdade da redenção não pode ser correta e inteligentemente apreendida até que percebamos a conexão federal, que Deus ordenou entre o Redentor e os redimidos, nem pode a tragédia da ruína do homem ser contemplada em sua correta perspectiva, a menos que a vejamos à luz da apostasia de Adão do seu Criador. Ele foi o protótipo de toda a humanidade. Enquanto ele permanecia por toda a raça humana, assim nele Deus lidou com todos os que descenderiam dele. Se Adão não fosse a nossa cabeça do pacto e representante federal, a mera circunstância de que ele era o nosso primeiro pai não nos teria envolvido nas consequências jurídicas de seu pecado, nem teríamos o direito de recompensa legal de sua justiça se ele tivesse mantido a sua integridade e servido sua experiência condicional ao render ao seu Criador e Senhor aquela obediência que Lhe era devida e que era totalmente capacitado a executar. Foi divinamente constituído o nexo (princípio conectante ou vínculo) e unidade do primeiro homem e toda a humanidade à vista da Lei, o que explica a participação deste último na penalidade efetuada sobre o primeiro. Consequências Para Adão Nos capítulos anteriores deste livro permanecemos durante algum tempo na origem da depravação humana, e da imputação Divina da culpa da transgressão de Adão a todos os seus descendentes. Estamos agora considerando as consequências decorrentes da Queda. Abominável de fato é o pecado, temerosos são os salários que ele recebe, terríveis são os efeitos que ele produziu. É aí que nos é mostrada a estimativa do Santo Ser sobre o pecado, na severidade de Sua punição, expressando o Seu ódio a ele. Por outro lado a terrível desgraça de Adão torna evidente a maldade de sua ofensa. Esse crime não deve ser medido pelo ato exterior de comer o fruto, mas pela terrível afronta que foi feita contra a majestade de Deus. Em seu único pecado havia uma complicação de muitos crimes. Houve ingratidão contra Aquele que tão ricamente o dotou, e o descontentamento com a formosa herança atribuída a ele. Havia a descrença da santa veracidade de Deus, uma dúvida quanto à Sua palavra e crença na mentira da serpente. Houve um repúdio das obrigações infinitas sob as quais ele estava, de amar e servir ao seu Criador, uma preferência à sua própria vontade e caminho. Houve um desprezo da elevada autoridade de Deus, um rompimento

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de Sua aliança, uma fuga em face de Sua ameaça solene. A maldição do Céu caiu sobre ele, porque ele deliberada e presunçosamente desafiou o Todo-Poderoso. Muitíssimo mais estava incluído e envolvido na transgressão de Adão do que comumente se supõe ou se reconhece. Trezentos anos atrás, aquele profundo teólogo, James Usher, apontou que isso havia se condensado na “violação de toda a Lei de Deus”. Resumindo em nossa própria língua o que o Bispo de Armagh desenvolveu extensamente, a violação de Adão de todos os Dez Mandamentos da Lei moral pode ser definida assim: O primeiro mandamento ele quebrou ao escolher para si um outro “deus”, quando ele seguiu o conselho de Satanás. O segundo, ao idolatrar a sua boca, fazendo de seu ventre um deus, por comer do fruto proibido. O terceiro, por não acreditar na ameaça de Deus, por haver tomando o Seu nome em vão. O quarto, quebrando o puro descanso no qual ele havia sido colocado. O quinto, por haver desonrando o seu Pai Celestial. O sexto, pelo seu próprio assassinato e de toda a sua posteridade. O sétimo, por ter cometido adultério espiritual, e preferir a criatura acima do Criador. O oitavo, colocando as mãos sobre aquilo que ele não tinha direito. O nono, aceitando o falso testemunho da serpente contra Deus. O décimo, por cobiçar o que Deus não havia lhe dado. Nós, de forma alguma, compartilhamos a ideia popular de que o Senhor salvou Adão logo depois de sua Queda, mas sim tomou decidida exceção por isso. Negativamente, não podemos encontrar qualquer coisa que seja na Sagrada Escritura para fundamentar tal crença: positivamente, muito pelo contrário. Em primeiro lugar, é claro que o seu pecado não foi um de “enfermidade”, mas sim uma “presunção”, um, pertencendo àquela classe de pecados intencionais e desafio aberto a Deus para o qual nenhum sacrifício foi fornecido (Êxodo 21:14; Números 15:30-31; Deuteronômio 17:12; Hebreus 10:26-29) e, portanto, um pecado imperdoável. Não há o menor sinal de que ele alguma vez se arrependeu de seu pecado ou registro de sua confissão a Deus; pelo contrário, quando cobrado sobre isso, ele tentou desculpá-lo e atenuá-lo. Gênesis 3 encerra com a declaração terrível: “E havendo lançado fora o homem”. Nada que seja foi mencionado para seu crédito posteriormente: nenhuma oferta de sacrifício, não houve atos de fé ou obediência! Em vez disso, é-nos dito apenas que ele conheceu a sua esposa (4:1, 25), gerou um filho à sua semelhança, e morreu (5:35). Se o leitor puder ver nessas declarações, intimações ou mesmo indícios de que Adão era um homem regenerado, então ele tem olhos muito melhores do que os do escritor, ou, possivelmente, uma imaginação mais vívida. Também não há uma única palavra a seu favor nas Escrituras posteriores; em vez disso, tudo o condena. Jó negou que ele cobriu sua transgressão ou escondeu sua iniquidade em seu seio “como Adão” o fez (31:33). O salmista declarou que aqueles que julgam injustamente e as pessoas dos ímpios deveriam “morrer como homens” (82:7), pois a palavra he-

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braica aqui usada para “homens” é Adão! No Novo Testamento, ele é contrastado em detalhes consideráveis com Cristo (Romanos 5:12, 21; 1 Coríntios 15:22, 45-47), e se ele foi salvo, então a antítese falharia em seu ponto principal. Além disso, uma anomalia tão gritante é bastante fora de sintonia com o que é revelado sobre o Deus de justiça, que a grande maioria das pessoas a quem ele representava perecerá eternamente, enquanto a cabeça responsável será resgatada. Em 1 Timóteo 2:14 é feita menção específica ao fato de que “Adão não foi enganado”, o que enfatiza a maldade de sua transgressão. Em Hebreus 11, o Espírito Santo citou a fé dos santos do Antigo Testamento, e embora Ele mencione a de Abel, Enoque, Abraão, Isaque, Jacó e etc. Ele não diz nada sobre Adão! A sua exclusão da lista é solenemente significativa. Assim, depois dele ser expulso do Éden, a Escritura não faz menção de Deus ter qualquer outra vez lidado com Adão! Antes de dedicar-nos às consequências da deserção de Adão sobre os seus descendentes, consideremos aqueles que sentiram mais imediatamente sobre ele e sua parte da culpada. Estes são registrados em Gênesis 3. Tão logo ele se revoltou contra o seu gracioso Criador e Benfeitor e os efeitos maléficos do mesmo tornou-se aparente. Seu entendimento, originalmente iluminado com sabedoria celestial, tornou-se sombrio e nublado com crassa ignorância. Seu coração, formalmente em chamas com santa veneração em direção ao seu Criador e aquecido com amor a Ele, agora se tornou alienado e cheio de inimizade contra Deus. Sua vontade, que estava em sujeição ao seu legítimo Governador, havia rejeitado o jugo da obediência. Toda a sua constituição moral foi arruinada, tornou-se desequilibrada, perversa. Em uma palavra: a vida de Deus se retirou de sua alma. Sua aversão por Aquele que é supremamente excelente apareceu em sua fuga dEle assim que ele ouviu a Sua aproximação. Sua ignorância crassa e estupidez foram evidenciadas por sua vã tentativa de esconder-se dos olhos do Onisciente. Seu orgulho foi exibido em se recusar a reconhecer a sua culpa; a ingratidão quando ele indiretamente censurou Deus por dar-lhe uma esposa. Mas, voltemos ao relato inspirado destas coisas. “Então foram abertos os olhos de ambos, e conheceram que estavam nus” (Gênesis 3:7). Muito, muito impressionante é isso. Nós não lemos sobre a ocorrência de qualquer alteração quando Eva comeu do fruto proibido, mas assim que Adão fez isso, “foram abertos os olhos de ambos”. Isto fornece a confirmação definitiva do que nos debruçamos nos capítulos precedentes. Adão era a cabeça do pacto e representante legal de sua esposa, bem como dos futuros filhos que descenderiam deles. Portanto, a penalidade para a desobediência não foi infligida por Deus até que aquele a quem a proibição fora feita, violasse a mesma, e então, as consequências disso começaram a ser imediatamente sentidas por ambos. Mas o que se quer dizer com “foram abertos os olhos de ambos”? Certamente não seus olhos físicos, os quais já haviam sido abertos, portanto, temos aqui mais uma indicação de que não devemos limitar-nos servilmente ao significado literal de todos os termos usados

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neste capítulo. A resposta, então, devem ser os “olhos” de sua compreensão, ou mais estritamente, os de sua consciência, que veem ou percebem, assim como ouvem, falam e castigam. Nessa expressão, “foram abertos os olhos de ambos” encontra-se a chave para o que se segue. O resultado de comer o fruto proibido não foi a aquisição da sabedoria sobrenatural, como eles ingenuamente esperavam, mas a descoberta de que eles haviam sido reduzidos a uma condição de miséria. Eles sabiam que estavam “nus”, e isto em um sentido muito diferente do mencionado em Gênesis 2:25. Embora em seu estado original eles não usassem nenhuma roupa material, ainda assim, não acredito por um momento que eles estavam sem qualquer cobertura em absoluto. Em vez disso, concordamos com o Bishop G. H., que eles ...não estavam sem esplendor brilhante a partir deles e em torno deles, que lhes envolvia em um radiante e translúcido manto e de certa maneira encantadora obscurecia seus contornos. É contrário à natureza e é repugnante para nós que alguma coisa deve estar despida, absolutamente nua. Cada pássaro tem sua plumagem e cada animal seu casaco, e não há beleza se a cobertura for removida. Remova da mais bela ave as suas penas, e, embora a forma permaneça inalterada, não mais a admiramos. Concebemos, então, que os artistas estão totalmente em falta e grosseiramente ofendem a pureza quando retratam a forma humana sem roupa, e pleiteiam como desculpa o caso de Adão no Éden. Poderiam os animais em todos os seus esplêndidos casacos de cobertura curvarem-se aos vice-regentes de Deus (Gênesis 1:28), estando antes totalmente sem roupa? Seria Adão, a coroa e rei da criação, ser o único ser vivente sem um manto? Impossível. Para o sentido espiritual certamente há a indicação de algo sobre nossos primeiros pais que impressionava e intimidava a criação animal. O que era aquilo? O que, senão aquele brilho como o sol, que descreve o corpo da ressurreição (Daniel 12:3)? Se o rosto de Moisés brilhava de modo que os filhos de Israel tinham medo de chegar perto dele, quanto mais deve a (desimpedida) habitação do Espírito de Deus em Adão e Eva ter espalhado ao redor deles um brilho que fazia com que toda a criação os respeitassem em sua abordagem, contemplando neles a imagem e semelhança do Senhor Deus Todo-Poderoso e glorioso em resplendor-brilhante como um sol? Complementando o que foi dito acima, permitam ser pontuado que sobre o Senhor Deus, é dito: “Tu és magnificentíssimo; estás vestido de glória e de majestade. Ele se cobre de luz como de um vestido” (Salmos 104:1-2), e o homem foi feito, originalmente, à sua imagem! Deus “de glória e de honra o coroou”, e fez “com que ele tenha domínio sobre as obras das Suas mãos” (Salmos 8:5-6), e, consequentemente, o cobriu com roupas brilhantes, como será o caso final daqueles recuperados da Queda e de suas consequências, pois

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“são iguais aos anjos” (Lucas 20:36), comparem “dois homens, com vestes resplandecentes” (Lucas 24:4). Além disso, a implicação de Romanos 8:3 é irresistível: “Deus, enviando o seu Filho em semelhança da carne do pecado”. Notem como discriminante é esta linguagem: não meramente em “semelhança da carne”, mas literalmente “carne do pecado”. Após essas palavras, R. Haldane corretamente observou: Se a carne de Jesus Cristo era a semelhança da carne do pecado, deve haver uma diferença entre a aparência da carne do pecado e da nossa natureza ou a carne em sua condição original, quando Adão fora criado. Cristo, então, não foi feito à semelhança da carne do homem antes que o pecado entrou no mundo, mas à semelhança de sua carne caída. E uma vez que Cristo restituiu o que Ele não furtou (Salmos 69:4), então o seu estado ressuscitado nos mostra a sua glória primitiva (Filipenses 3:21). 1ª Consequência da Queda: Foram abertos os olhos de ambos e conheceram que estavam nus. Após a declaração “então foram abertos os olhos de ambos”, nós naturalmente esperaríamos ler a próxima cláusula: “e viram que estavam nus”, mas em vez disso, diz, “e conheceram que estavam nus”, algo mais do que uma descoberta de sua lamentável condição física foi incluída nisso. O verbo hebraico é traduzido por “conheceram” na grande maioria das referências, mas dezoito vezes é traduzido como “perceberam” e três vezes por “sentiram”. Como a abertura dos seus olhos refere-se aos de sua compreensão, assim, somos informados sobre o que eles agora discernem, ou seja, a perda de sua inocência. Há uma nudez da alma, que é muito pior do que um corpo nu, pois a incapacita a estar na presença do Santo Ser. A nudez de Adão e Eva foi a perda da imagem de Deus, da justiça e santidade inerentes no qual Ele os criou. Essa é a condição terrível em que todos os seus descendentes nascem. É por isso que Cristo os convida a comprar dEle “roupas brancas, para que te vistas, e não apareça a vergonha da tua nudez” (Apocalipse 3:18). As “roupas brancas” é “o manto de justiça” (Isaías 61:10), a “veste de núpcias” de Mateus 22:11-13, sem a qual a alma está eternamente perdida. “Eles conheceram que estavam nus”. Como o Bishop o expressou: “A auréola havia desaparecido, e o Espírito de justiça que havia sido para eles uma cobertura de luz e pureza retirou-se, e eles sentiram que eles estavam despidos e descalços. Porém, mais: eles perceberam que a sua condição física registrava a sua perda espiritual. Eles foram dolorosamente conscientizados do pecado e de suas terríveis consequências. Este foi o primeiro resultado de sua transgressão: a consciência culpada os condenou, e um sentimento de vergonha possuiu as suas almas. Seus corações os feriram pelo que haviam feito. Agora

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que a temível ação de desobediência havia sido cometida, eles perceberam a felicidade que arremessaram para longe e a miséria em que eles próprios haviam mergulhado. Eles conheceram que não estavam apenas despojados de toda a felicidade e honra do estado do Paraíso, mas foram corrompidos e degradados, e um sentimento de miséria os possuiu. Eles conheceram que estavam nus de tudo o que é santo. Eles podem agora ser corretamente chamado de ‘Icabode’, pois a glória do Senhor havia se retirado deles”. Tal, meu leitor, é sempre o efeito do pecado: ele destrói a nossa paz, rouba a nossa alegria, e traz em seu trilho uma consciência de culpa e um sentimento de vergonha. Há, acreditamos, um significado ainda mais profundo nessas palavras, “eles conheceram que estavam nus”, ou seja, uma percepção de que eles foram expostos à ira de um Deus ofendido. Eles perceberam que a sua defesa fora embora. Eles estavam moralmente nus, sem qualquer proteção contra a Lei violada! Isso é muito impressionante e solene. Antes que o Senhor lhes houvesse aparecido, antes que Ele dissesse uma palavra ou Se aproximasse deles, Adão e Eva conheceram o estado terrível em que eles estavam agora, e tiveram vergonha! Ah, o poder da consciência! Nossos primeiros pais se auto-acusaram e autocondenaram! Antes de seu Juiz ter aparecido em cena, o homem tornou-se, por assim dizer, o juiz de sua própria condição caída e débil. Sim, eles conheceram de si mesmos que estavam em desgraça: sua santidade contaminada, sua inocência se fora, a imagem de Deus foi rompida em suas almas, sua tranquilidade perturbada, a sua proteção contra a Lei removida. Despojados de sua retidão original, eles estavam indefesos. Que terrível descoberta a fazer! Tal é o estado em que o homem caído chegou, um do qual ele próprio envergonha-se! E o que fez a dupla culpada a respeito de sua dolorosa descoberta? Como eles se comportam agora? Clamam a Deus por misericórdia? Buscam a Ele por uma cobertura? Não, de fato, nem mesmo uma consciência despertada move seu possuidor atormentado para converter-se ao Senhor, embora esta deva fazer o seu trabalho, antes que o pecador fuja para Ele em busca de refúgio. Uma alma perdida precisa de algo mais do que uma consci-ência ativa para atraí-lo a Cristo. Isso é muito evidente no caso dos escribas e Fariseus em Sua presença, pois, “redarguidos da consciência, saíram” (João 8:9). Em vez de uma consciência condenada os levar a lançarem-se aos pés do Salvador, isso resultou em seu abandono dEle! Nada menos do que a vivificação do Espírito Santo, subjugando a inimizade, derretendo o coração, concedendo as operações da fé, traz alguém a um contato salvífico com o Senhor Jesus. Ele, de fato, fere antes que Ele aplique o bálsamo de Gileade, faz uso da Lei para preparar o caminho para o Evangelho, quebra o solo duro do coração para tornálo receptivo à Semente. Porém, mesmo uma consciência despertada por Ele, acusando a alma com uma voz que não pode ser silenciada, nunca trará, por si mesma, alguém para “o caminho da paz”.

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2ª Consequência da Queda: Tentativa inútil de ocultar o seu verdadeiro caráter e esconder sua vergonha de si mesmos. Não, em vez de recorrerem a Deus, Adão e Eva tentaram reparar o dano que havia feito neles mesmos por meio de seus próprios esforços insignificantes. “E coseram folhas de figueira, e fizeram para si aventais” [Gênesis 3:7]. Aqui vemos a segunda consequência do pecado: um expediente sem valor, tentativa inútil de ocultar o seu verdadeiro caráter e esconder sua vergonha de si mesmos. Como já foi indicado, os nossos primeiros pais estavam mais ansiosos por salvarem o seu crédito diante um do outro do que estavam buscando o perdão de Deus. Eles tentaram se armar contra um sentimento de vergonha e, assim, acalmaram a sua consciência acusadora. Não houve preocupação com a sua inaptidão para comparecer diante de Deus em tal condição, mas apenas que eles permanecessem impassíveis diante um do outro! E, é assim com os seus filhos até hoje. Eles têm mais medo de serem detectados em pecado do que cometê-los, e mais preocupados com a boa aparência diante do que seus companheiros do que em obter a aprovação de Deus. O principal objetivo que os caídos filhos dos homens propõem para si mesmos é aquietar a sua consciência culpada e permanecerem bem com seus próximos. E, assim, é que muitos dos nãoregenerados assumem a veste da religião. 3ª Consequência da Queda: um medo de Deus. “E ouviram a voz do Senhor Deus, que passeava no jardim pela viração do dia; e esconderam-se Adão e sua mulher da presença do Senhor Deus, entre as árvores do jardim” (Gênesis 3:8). Aqui ocorreu a terceira consequência de sua Queda: um medo de Deus. Até este ponto eles haviam se preocupado apenas com seus próprios egos e miséria, mas agora eles tiveram que considerar o Outro. Essa foi a aproximação do seu Juiz. Aparentemente, eles não viram a Sua forma neste momento, mas ouviram apenas a Sua voz. Isso foi para prova-los. Mas, em vez de acolherem tal som, eles ficaram horrorizados, e fugiram em terror. Mas para onde eles poderiam fugir de Sua presença? “Esconder-se-ia alguém em esconderijos, de modo que eu não o veja? Diz o Senhor” (Jeremias 23:24). Na tentativa de Adão e Eva isolarem-se entre as árvores vemos como o pecado transformou o homem em um completo tolo, pois ninguém, senão um imbecil poderia imaginar que ele poderia esconder-se dos olhos da Onisciência. Quando Adão e Eva, por um ato de transgressão intencional, quebraram a condição do pacto ao qual haviam sido colocados, eles incorreram na dupla culpa de descrer da Palavra de Deus e desafiar a vontade dEle. Assim, eles perderam a promessa da vida e trouxeram sobre si a pena da morte. Aquele ato deles mudou completamente sua relação com Deus e, ao mesmo tempo, inverteu os seus sentimentos para com Ele. Eles já não eram os

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objetos de Seu favor, mas sim os sujeitos de Sua ira. Como o efeito de sua pecaminosidade, e o resultado de sua morte espiritual, o Senhor Deus deixou de ser o objeto de seu amor e confiança, e se tornou o objeto de sua aversão e desconfiança. Uma sensação de degradação e do desagrado de Deus encheu-os de medo e os inspirou a uma inimizade terrível contra Ele. Tão rápida e tão drástica foi a mudança que o pecado produziu em suas relações e sentimentos em relação ao seu Criador que eles estavam envergonhados e com medo de comparecer perante Ele, e assim que ouviram a Sua voz no jardim, eles fugiram em horror e terror, buscando esconderem-se dEle entre as árvores. Temiam ouvi-lO pronunciar a sentença formal da condenação sobre eles, pois eles conheceram em si mesmos que eles a mereciam. Cada ação dos nossos primeiros pais, após a Queda foi emblemática e profética, pois prefigurava como seus descendentes se comportariam. Em primeiro lugar, após a descoberta de sua nudez, ou perda de sua pureza original e glória, eles costuraram para si aventais de folhas de figueira, na tentativa de reservar a sua autoestima e tornarem-se apresentáveis um para o outro. Assim é com o homem natural em todo o mundo; por uma variedade de esforços ele procura esconder sua miséria espiritual, mas na melhor das hipóteses seus exercícios religiosos e performances altruístas são apenas coisas temporais, e não resistirá ao teste da eternidade. Em segundo lugar, Adão e Eva tentaram esconder-se dAquele que agora eles temiam e odiavam. Assim é com os seus filhos. Eles são caídos e depravados; Deus é santo e justo, e apesar de seus revestimentos autofabricados de respeitabilidade e piedade de criatura, a própria ideia de um encontro face a face com o seu Soberano deixa o não-regenerado inquieto. É por isso que a Bíblia é muito negligenciada, porque nela Deus é ouvido falar. É por isso que o teatro é preferido à reunião de oração. A prova é esta, que todos compartilharam do primeiro pecado e morreram em Adão, pois todos herdaram a sua natureza e perpetuaram a sua conduta. Quão claramente as ações do casal culpado tornam evidente a mentira da serpente. Quanto mais de perto os versículos 4 e 5 são examinados à luz da imediata sequela, mais aparecerá a falsidade deles. A serpente assegurou a eles. “Vós certamente não morrereis”, mas eles haviam morrido espiritualmente, e agora fugiram aterrorizados para que eles não perdessem as suas vidas físicas. Ela prometeu que eles progrediriam, pois “seus olhos serão abertos”; em vez disso, eles tinham sido humilhados. Ele havia prometido que eles aumentariam em conhecimento, ao passo que eles se tornaram tão estúpidos de forma a entreter a ideia de que eles poderiam esconder-se de Alguém onisciente e onipresente. Ele disse que eles seriam “como deuses”, mas aqui nós os contemplamos como criminosos autoacusados e trêmulos. Tenhamos sempre em mente o pronunciamento do Senhor a respeito do Diabo: “Ele é um mentiroso, e pai da mentira” (João 8:44), o pervertedor e negador da verdade, o promotor e instigador da falsidade de todos os tipos por toda a terra, sempre empregando a dissimulação e traição, sutileza e engano para promover seus interesses malignos.

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Olhem para as terríveis consequências de ouvir as mentiras do Diabo. Vejam a terrível devastação que o pecado opera. Adão e Eva não apenas irreparavelmente prejudicaram a si mesmos, mas eles se tornaram fugitivos de seu Criador todo-glorioso. Ele é inefavelmente puro, e eles foram contaminados e, portanto, procuraram evitá-lO. Quão insuportável o pensamento para uma consciência culpada que o pecador não perdoado ainda terá que comparecer perante o três vezes Santo! No entanto, ele deve. Não há nenhuma maneira possível, em que qualquer um de nós possa escapar desse encontro terrível. O escritor e leitor ainda devem comparecer diante dEle e prestar contas de sua mordomia, e a menos que tenhamos fugido para Cristo em busca de refúgio, e tenhamos os nossos pecados apagados pelo Seu sangue expiatório, ouviremos Sua sentença de condenação eterna. Então, busque-O enquanto se pode achar a misericórdia; invoque-O enquanto está perto em Seus graciosos oferecimentos do Evangelho, pois “Como nós escaparemos” do lago de fogo se negligenciarmos “tão grande salvação?” Não declare que você é um Cristão, mas examine bem o seu fundamento; sim, peça a Deus que sonde o seu coração e mostre-lhe a sua real condição. Tome o lugar de um pecador merecedor do Inferno e receba o Salvador dos pecadores. Nos versos que se seguem podemos descobrir uma quarta sombra solene do dia vindouro. “E chamou o Senhor Deus a Adão, e disse-lhe: Onde estás?” (Gênesis 3:9). Isso foi o Juiz Divino convocando-o para uma prestação de contas do que tinha feito. Era uma palavra projetada para imprimir sobre ele a culpa da distância de Deus para a qual o pecado o removeu. Sua ofensa tinha rompido toda a comunhão entre eles, “porque, que sociedade tem a justiça com a injustiça? E que comunhão tem a luz com as trevas?” [2 Coríntios 6:14]. Observem bem que o Senhor ignorou Eva e limitou o Seu discurso à cabeça responsável! Deus claramente o avisara sobre o fruto proibido, “no dia em que dela comeres, certamente morrerás” [Gênesis 2:17]. E a morte, meu leitor, não é aniquilação, mas alienação; como a morte física é a separação da alma do corpo, assim a morte espiritual é a separação da alma do Santo Ser. “Mas as vossas iniquidades fazem separação entre vós e o vosso Deus; e os vossos pecados encobrem o seu rosto de vós, para que não vos ouça” (Isaías 59:2). Essa é a terrível situação de todos nós, por natureza, estamos “longe” (Efésios 2:13), e, a menos que a graça Divina nos salve, nós padeceremos “eterna perdição, longe da face do Senhor e da glória do seu poder” (2 Tessalonicenses 1:9). “E ele disse: Ouvi a tua voz soar no jardim (o que sugere que Ele havia sido agora visto em manifestação teofânica), e temi, porque estava nu, e escondi-me” (Gênesis 3:10). Observe quão totalmente incapaz o homem pecador deve encontrar-se frente à inquisição Divina. Ele não poderia oferecer nenhuma defesa adequada. Ouça sua triste admissão: “temi”, sua consciência o condenou. Essa será a situação lamentável de toda alma perdida quando, trazida do “refúgio de mentiras”, no qual ela anteriormente se abrigava, ela agora aparece

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diante de seu Criador, destituída daquela justiça e santidade que Ele inexoravelmente exige, e que podemos obter apenas em e de Cristo: cheio de horror e terror. Pese bem essas palavras: “temi, porque estava nu”. Seu avental de folhas de figueira de nada valeu! Assim, acontece mesmo agora quando o Espírito Santo convence uma alma. O manto da religião é descoberto como nada sendo senão trapos imundos, quando a alguém é concedido ver a luz na luz de Deus; o coração está cheio de medo e vergonha quando ele percebe que tem que lidar com Alguém diante de quem todas as coisas estão nuas e patentes. Você já passou por tal experiência? Viu e sentiu a si mesmo sendo um falido espiritual, um leproso moral, um pecador perdido? Se não, você sentirá isso no dia vindouro. “E Deus disse: Quem te mostrou que estavas nu?” (v. 11). A este inquérito Adão não respondeu. Em vez de humilhar-se diante de seu Benfeitor ofendido, o culpado não conseguiu responder. Então o Senhor disse: “Comeste tu da árvore de que te ordenei que não comesses?”. É impressionante notar que Deus não respondeu às desculpas ociosas e perversas que Adão proferiu a princípio. Elas eram indignas de Sua atenção. Se as palavras de Adão no versículo 10 forem cuidadosamente ponderadas, uma omissão grave e fatal delas será observada: ele não disse nada sobre seu pecado, mas mencionou apenas os efeitos dolorosos que isso havia produzido. Como alguém já disse, “esta foi a linguagem da miséria impenitente”. Por isso Deus o dirigiu para a causa desses efeitos. No entanto, observe a maneira pela qual Ele emoldurou Suas palavras. O Senhor não cobrou diretamente o infrator com o seu crime, mas em vez disso o interrogou: “Comeste tu?” Isso abriu o caminho e tornou muito mais fácil para Adão contritamente reconhecer a sua transgressão, mas, infelizmente, ele não conseguiu valer-se da oportunidade e se recusou a fazer a confissão de sua maldade com coração quebrantado. 4ª e 5ª Consequência da Queda: O endurecimento do coração pelo pecado e autojustificação. Deus não colocou essas perguntas a Adão porque Ele desejava ser informado, mas sim para lhe proporcionar uma ocasião para penitentemente confessar o que havia feito; e em sua recusa a fazê-lo nós contemplamos a quarta consequência da Queda, ou seja, o endurecimento do coração pelo pecado. Não houve profunda tristeza por sua desobediência flagrante e, portanto, nenhuma confissão sincera sobre o mesmo. À segunda pergunta de Deus, o homem disse: “A mulher que me deste por companheira, ela me deu da árvore, e comi”. Aqui estava a quinta consequência da Queda: autojustificação por meio de uma tentativa de desculpar seu pecado. Em vez de confessar sua maldade, Adão buscou mitiga-la e atenua-la, jogando a responsabilidade sobre outro. A entrada do mal no homem produziu um coração desonesto e hipócrita: ao invés de assumir a culpa sobre si, Adão tentou colocála sobre sua esposa. E assim é com os seus descendentes. Eles se esforçam para engave-

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tar a sua responsabilidade e repudiar sua culpabilidade, atribuindo a transgressão a alguém ou a alguma coisa, em vez de a si mesmos, atribuindo os seus pecados à força das circunstâncias, a um ambiente mau, às tentações ou ao Diabo. 6ª Consequência da Queda: Uma blasfema contestação do próprio Deus. Mas, nestas palavras de Adão podemos contemplar algo ainda mais hediondo, e uma sexta consequência de sua Queda, ou seja, uma blasfema contestação do próprio Deus. Adão não se limitou a dizer: “minha esposa me deu da árvore, e comi”, mas “A mulher que me deste por companheira, ela me deu da árvore, e comi”. Assim que ele secretamente afronta o Senhor. Era como se dissesse: Se Tu não tivesses me dado essa mulher, eu não comeria. Por que Tu puseste tal armadilha sobre mim? Contemple aqui o orgulho e teimosia que caracteriza o Diabo, cujo reino agora fora criado dentro do homem! Assim é com os seus filhos até hoje. É por isso que somos conclamados: “Ninguém, sendo tentado, diga: De Deus sou tentado; porque Deus não pode ser tentado pelo mal, e a ninguém tenta” (Tiago 1:13). Isto é porque a mente depravada da criatura caída é tão inclinada a pensar em buscar refúgio em cada coisa que vê. “Se Deus não tivesse ordenado Suas providências, eu nunca teria sido tão fortemente tentado; se Ele tivesse disposto as coisas de forma diferente, eu não teria sido seduzido, e menos ainda vencido”. Assim nós fazemos, em nossos esforços de autodefesa, lançamos a reflexão sobre os caminhos dAquele que não pode errar. “A estultícia do homem perverterá o seu caminho, e o seu coração se irará contra o Senhor” (Provérbios 19:3). Esta é uma das formas mais vis em que a depravação humana se manifesta: que depois de deliberadamente agir como tolo, e ao descobrir que o caminho dos prevaricadores é difícil, nós murmuramos contra Deus, em vez de nos submetermos humildemente à Sua vara. Quando nós pervertemos o nosso caminho da vontade própria, cobiça carnal, conduta imprudente, ações precipitadas, não cobremos de Deus pelos frutos amargos dos mesmos; uma vez que somos os autores de nossa miséria, não é razoável que nos queixemos senão contra nós mesmos. Mas tal é o orgulho de nossos corações, e insubmissa inimizade contra Deus, que somos temivelmente aptos a nos queixarmos contra Ele, como se Ele fosse responsável pelos nossos problemas. Não devemos esperar colher uvas dos espinheiros ou figos dos abrolhos! Não se queixe da severidade de Deus na colheita desagradável, mas de sua própria perversidade. Não diga, Deus não deveria ter me dotado de tais fortes paixões, se eu não posso suportá-las. Não pergunte: por que Ele não concedeu tal graça para que eu pudesse resistir à tentação? Não acuse a Sua soberania, não questione as Suas dispensações, não acolha dúvidas sobre a Sua bondade. Se você fizer isso, você está apenas repetindo a maldade de seu primeiro pai. 7ª Consequência da Queda: ela produziu uma violação do afeto entre o homem e o seu próximo.

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“Então disse Adão: A mulher que me deste por companheira, ela me deu da árvore, e comi”. Ele realmente recitou os fatos do caso, mas ao fazê-lo tornou isso pior ao invés de melhor. Ele era a cabeça e protetor da mulher, e, portanto, deveria ter tomado mais cuidado para evitar que ela caísse no mal. Quando ela havia sucumbido às artimanhas da serpente, mui longe de seguir o seu exemplo, ele deveria tê-la repreendido e recusado a sua oferta. Pleitear que fomos seduzidos por outros não é desculpa válida; ainda assim é algo que acontece comumente. Quando Arão foi acusado de fazer o bezerro de ouro, ele admitiu o fato, mas procurou atenuar a culpa, culpando a congregação (Êxodo 32:22-24). Da mesma forma, o desobediente Saul procurou transferir o ônus ao “povo” (1 Samuel 15:21). Assim também Pilatos deu ordens para a crucificação de Cristo, e depois acusou o crime contra os judeus (Mateus 27:24). Finalmente, contemple aqui mais uma consequência da Queda: ela produziu uma violação do afeto entre o homem e o seu próximo, neste caso a sua esposa, a quem agora ele amava tão pouco que a empurrou para receber o golpe da Divina vingança. “E disse o Senhor Deus à mulher: Por que fizeste isto?” Contemple aqui tanto a infinita condescendência do Altíssimo e Sua equidade como Juiz. Ele não agiu em elevada soberania, desdenhando a conversa com a criatura; nem Ele condenou os transgressores sem ouvilos, mas concedeu-lhes a oportunidade de se defenderem ou de confessarem seu crime. Assim, será no Grande Julgamento: ele será conduzido de forma a torná-lo transparentemente evidente que cada transgressor recebe “a devida recompensa por suas iniquidades”, e que “Deus é puro quando Ele julga” (Salmos 51:4). “E disse a mulher: A serpente me enganou, e eu comi” (Gênesis 3:13). Eva seguiu o mesmo curso e manifesta o mesmo espírito maligno como seu marido. Ela não se humilhou diante do Senhor, não deu nenhum sinal de arrependimento, não fez nenhuma confissão de coração quebrantado. Em vez disso, houve uma vã tentativa de justificar-se, lançando a culpa sobre a serpente. A desculpa óciosa foi essa, pois Deus a havia capacitado a perceber suas mentiras e retidão da natureza para rejeitá-las com horror. Igualmente inútil para os seus filhos implorarem: “Eu não tinha intenção de pecar, mas o diabo me tentou”, pois ele não pode forçar ninguém, nem prevalecer sem o nosso consentimento. Permanecendo diante de seu Juiz, auto-cusados e autocondenados, Ele agora começou a pronunciar a sentença sobre o casal culpado. Mas antes de fazê-lo, Ele lidou com o que havia sido instrumental na sua Queda: “Então o Senhor Deus disse à serpente: Porquanto fizeste isto, maldita serás mais que toda a fera, e mais que todos os animais do campo; sobre o teu ventre andarás, e pó comerás todos os dias da tua vida. E porei inimizade entre ti e a mulher, e entre a tua semente e a sua semente; esta te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar” (Gênesis 3:14-15). Observe que nenhuma pergunta foi feita à serpente: em vez disso, o Senhor lidou com ela como um inimigo declarado. Sua sentença deve ser tomada literalmente na sua aplicação à serpente, misticamente em relação a Satanás. “As pala-

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vras podem implicar uma punição visível a ser executada sobre a serpente, como o instrumento nesta tentação; mas a maldição foi dirigida contra o tentador invisível, cuja abjeta e desgraçada condição, e esforços básicos para encontrar satisfação na realização de outros maus e miseráveis, pode ser figurativamente intimado pelo movimento da serpente sobre seu ventre, e alimentando-se do pó” (Thomas Scott). O Senhor começou Suas denúncias, onde o pecado começou, com a serpente. Cada parte da frase expressa a temível degradação que deve passar a ser a sua porção. Primeiro, ela foi “maldita mais que toda a fera”, a maldição se estendeu a toda a criação, como Romanos 8:20-23 deixa claro. Em segundo lugar, doravante rastejaria no pó; a partir do que se infere que originalmente ela permanecia de pé, compare as nossas observações sobre Gênesis 3:1. Em terceiro lugar, o próprio Deus agora coloca uma inimizade entre ela e a mulher, de modo que, onde houve conversa íntima, agora deve existir aversão mútua. Em quarto lugar, passando da serpente literal para “a antiga serpente, o diabo”, Deus anunciou que ele deve finalmente ser esmagado, e não por Sua mão lidar imediatamente com ele, mas por Alguém de natureza humana, e o que seria ainda mais humilhante, por meio da Semente da mulher. Satanás havia feito uso do vaso mais frágil, e Deus o derrotaria através do mesmo meio! Condensado naquele pronunciamento estava uma profecia e uma promessa, ainda assim, permita ser cuidadosamente notado que ela estava na forma de uma sentença de condenação a Satanás, e não uma declaração graciosa feita a Adão e Eva, dando a entender que eles não tinham nenhum interesse pessoal nesta! 8ª Consequência da Queda: Sofrimento físico e morte. As sentenças pronunciadas sobre os nossos primeiros pais não precisam deter-nos, pois sua linguagem é tão clara e simples que elas não precisam nem de explicação nem de comentário. Desde que Eva foi a primeira na transgressão, e tentou Adão, ela foi a próximo a receber a sentença. “E à mulher disse: Multiplicarei grandemente a tua dor, e a tua conceição; com dor darás à luz filhos; e o teu desejo será para o teu marido, e ele te dominará” (Gênesis 3:16). Assim, ela estava condenada a um estado de tristeza, sofrimento e servidão. “E a Adão disse: Porquanto destes ouvidos à voz de tua mulher, e comeste da árvore de que te ordenei, dizendo: Não comerás dela, maldita é a terra por causa de ti; com dor comerás dela todos os dias da tua vida (definitivamente se opondo à ideia de que, mais tarde, Deus o salvou!); Espinhos, e cardos também, te produzirá; e comerás a erva do campo. No suor do teu rosto comerás o teu pão, até que te tornes à terra; porque dela foste tomado; porquanto és pó e em pó te tornarás” (Gênesis 3:17-19). Sofrimento, labuta e suor seriam o fardo pesadíssimo sobre o macho. Aqui nós vemos a oitava consequência da Queda: sofrimento físico e morte, “és pó e em pó te tornarás”.

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9ª Consequência da Queda: O homem e desceu ao nível dos animais. “E chamou Adão o nome de sua mulher Eva (ou seja, “viva”); porquanto era a mãe de todos os viventes” (v. 20). Isto é manifestamente um detalhe comunicado por Deus a Moisés, o historiador, pois Eva não deu à luz a nenhuma criança até que ela e seu marido fossem expulsos do Éden. Parece ser introduzido aqui com o propósito de ilustrar e exemplificar a parte final da sentença proferida sobre a mulher no versículo 16. Conforme Adão tinha feito prova de seu domínio sobre todas as criaturas inferiores (1:28), dando nomes a eles (2:19), de modo que, em sinal de seu domínio sobre sua esposa, ele concedeu um nome sobre ela. “E fez o Senhor Deus a Adão e à sua mulher túnicas de peles, e os vestiu” (Gênesis 3: 21). Com que propósito não nos é dito, para que cada leitor fosse livre para formar sua própria opinião. Em face de tudo o que faz diretamente oposição a tal teoria, muitos têm suposto que estas palavras indicam que Deus agora tratou (tipicamente, pelo menos) em misericórdia com o casal caído, e que emblematicamente eles foram vestidos na justiça de Cristo e cobertos com as vestes de salvação. Ao contrário, este escritor vê nela a nona consequência da Queda: que o homem tinha, assim, descido ao nível do animal, observe como em Daniel 7 e Apocalipse 17, onde Deus coloca diante de nós o caráter dos principais reinos do mundo (como Ele os vê), Ele emprega o símbolo das bestas! 10ª Consequência da Queda: O homem é banido da presença de Deus e lançado, como um fugitivo, para o mundo. “Então disse o Senhor Deus: Eis que o homem é como um de nós, sabendo o bem e o mal” (v. 22), esta é obviamente, a linguagem do sarcasmo e ironia: “Veja aquele que de forma vã imaginou que Nos desafiando seria ‘como Deus’ (3:5), agora degradado ao nível das bestas!”. Por isso o Senhor Deus o lançou fora do jardim do Éden, “para lavrar a terra de onde ele fora tomado”, ou seja, ordenou-lhe deixar o jardim. Mas, como Matthew Henry indica, tal ordem não apela de modo algum para o rebelde apóstata. “E havendo lançado fora o homem, pôs querubins ao oriente do jardim do Éden, e uma espada inflamada que andava ao redor, para guardar o caminho da árvore da vida” (Gênesis 3:24), assim efetivamente impedindo o seu retorno. É aí que vemos a décima consequência da Queda: o homem, um pária de Deus, distante de Seu favor e comunhão, banido do lugar de deleite, lançado um fugitivo para o mundo. Observe como o verso final corrobora nossa interpretação do verso 21. O Senhor não desvia dEle qualquer filho Seu! E este é o ato finalmente registrado de Deus em conexão com Adão! Como Ele expulsou do Céu os anjos que pecaram, assim Ele retirou Adão e Eva do paraíso terrestre, em prova de sua aversão a Ele e alienação dEle. Consequências Para a Humanidade Tendo considerado essas consequências que caíram mais imediatamente sobre os nossos

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primeiros pais por seu pecado original, vamos agora olhar para aquelas vinculadas sobre os seus descendentes. Também não temos que sair do capítulo 3 de Gênesis para encontrar a prova de que aquelas consequências penais de sua transgressão são visitadas sobre a sua posteridade. O que Deus disse a eles foi dito para toda a humanidade, pois o pecado é comum a todos, assim foi a penalidade também. “E à mulher disse: Multiplicarei grandemente a tua dor, e a tua conceição; com dor darás à luz filhos” (Gênesis 3:16), e tal tem sido a porção de todas as filhas de Eva. “Maldita é a terra por causa de ti; com dor comerás dela todos os dias da tua vida [...] No suor do teu rosto comerás o teu pão, até que te tornes à terra; porque dela foste tomado; porquanto és pó e em pó te tornarás” (versículos 17, 19), e tal tem sido a porção dos filhos de Adão, em todas as gerações e partes da terra. A calamidade ou mal, que, em seguida, desceu sobre o mundo continua até esta hora: todos os filhos de Adão e Eva estão igualmente envolvidos na sentença da dor do parto, na maldição sobre a terra, na obrigação de viver por meio do trabalho e suor, na decadência e morte do corpo. 11ª Consequência da Queda: O homem foi alienado da vida de Deus, tornou-se totalmente depravado e objeto da ira de Deus. Mas deixe ser sinalizado que as coisas que acabei de mencionar acima, embora sejam severas e dolorosas, são triviais em comparação com o julgamento Divino que foi visto sobre a alma do homem, de forma que eles são apenas os sinais exteriores e visíveis da calamidade moral e espiritual que alcançou Adão e a sua raça. Por sua desobediência, ele perdeu o favor de seu Criador, caiu sob Sua santa condenação e maldição, recebeu os salários terríveis de seu pecado, veio para debaixo da penalidade da Lei, foi alienado da vida de Deus, tornou-se totalmente depravado, e como tal, um objeto da aversão do Santo Ser, expulso de Sua presença. Desde que a culpa de seu delito foi imputada ou judicialmente cobrada de todos aqueles que ele representava, segue-se que eles participam de toda a miséria que se abateu sobre ele. A culpa consiste em uma obrigação ou responsabilidade de sofrer a punição por um delito cometido, e isto em proporção ao agravamento da mesma. Em consequência disso, toda criança nasce neste mundo em um estado de pré-natal desgraça e condenação, e com uma total depravação da natureza ou disposição que inevitavelmente conduz à e produz real transgressão, e com uma completa incapacidade da alma para mudar a sua natureza ou fazer qualquer coisa agradável a Deus. 12ª Consequência da Queda: A Desgraça de Adão foi passada aos seus filhos, que passaram a ser como ele, inclusive você que está lendo isto agora. “Alienam-se os ímpios desde a madre; andam errados desde que nasceram, falando mentiras” (Salmos 58:3). Em primeiro lugar, a partir do momento do nascimento toda criança é

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moral e espiritualmente alienada do Senhor, um pecador perdido. “Estranhos a Deus e a todo o bem: alienados da vida Divina, e dos seus princípios, poderes e bênçãos” (Matthew Henry). Adão perdeu não somente a imagem de Deus, mas também a Sua graça e comunhão, sendo expulso de Sua presença; e cada um dos seus filhos nasceram fora do Éden, nasceram em um estado de culpa. Em segundo lugar, em decorrência do mesmo, são delinquentes, pervertidos, desde o princípio. Seu próprio ser é contaminado, pois o mal é produzido no osso com eles, a sua “natureza” sendo inclinada somente para a maldade: e se Deus os deixar por si mesmos, eles nunca voltarão daí. Em terceiro lugar, rapidamente eles fornecem a evidência de sua separação de Deus e da corrupção de seus corações, como todos os pais piedosos percebem para a sua tristeza. Enquanto no próprio berço, eles evidenciam a sua oposição à verdade, sinceridade, integridade. “A estultícia está ligada ao coração da criança” (Provérbios 22:15); não “infantilidade”, mas “estultícia”, esta propensão positiva para o mal, a entrada em um curso de impiedade, a formação e seguimento dos maus hábitos “ligada ao coração” apega-se firmemente por meio das correntes invencíveis ao poder humano. Mas em todas as épocas houve aqueles que procuraram atenuar a lâmina afiada do Salmo 58:3, por injustificadamente estreitar seu escopo, negando que ele tem uma ampla aplicação à raça: aqueles que estão determinados a todo custo a se livrarem da intragável verdade da depravação total de toda a humanidade. Pelagianos e Socinianos têm insistido que esse versículo está falando apenas de uma classe particularmente perversa, aqueles que são flagrantemente rebeldes desde tenra idade. Corretamente pontuou John Owen: Não há nenhum propósito em dizer que ele fala somente de homens ímpios, isto é, os que são habitual e libertinamente assim. Pois, seja o que for que qualquer homem possa posteriormente correr por um caminho de pecado, todos os homens são moralmente iguais desde o ventre, e é um agravamento da impiedade dos homens que isso começa tão cedo e se agarra a um curso ininterrupto. As crianças não são capazes de falar a partir do útero, assim que nascem; no entanto, aqui se diz que elas falam mentiras. É, portanto, a atuação perversa da natureza depravada na infância que é intencionada, pois tudo o que é irregular, que não respondem à lei de nossa criação e regra de nossa obediência, é uma mentira. “Éramos por natureza filhos da ira, como os outros também” (Efésios 2:3). Esta afirmação é, se possível, ainda mais terrível e solene do que a do Salmo 58:3. Significa muito mais do que nós nascermos no mundo com uma constituição contaminada, pois não é simplesmente “filhos de corrupção”, mas “da ira”, desagradáveis a Deus, criminosos à Sua vista. A depravação da nossa natureza não é um mero infortúnio; se fosse, evocaria compaixão, e não a ira! A expressão “filhos da ira” é um hebraísmo, algo muito forte e enfático. Na margem

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de 1 Samuel 20:30, e 2 Samuel 12:5, lemos sobre “o filho da morte”, ou seja, aquele a quem a morte é devida. Em Mateus 23:15, Cristo usou o temeroso termo “filho do inferno” isto é, alguém um cuja porção certa é o inferno; enquanto que em João 17:12, Ele designou Judas de “o filho da perdição”, Divinamente nomeado a isso. Assim, “filhos da ira” conota aqueles que são merecedores da ira, os herdeiros da mesma, adequados a ela. Eles nascem para a ira, e sob ela, como sua herança. Não apenas criaturas contaminadas e corruptas, mas os objetos da indignação judicial de Deus. Mas por quê? Porque o pecado de Adão é imputado a eles, e, portanto, eles são considerados como culpados de terem violado a Lei de Deus. Igualmente enérgicas e explícitas são as palavras “por natureza filhos da ira”, pois isto está em proposital contraste com o que é adquirido artificialmente. Muitos têm insistido (contrários aos fatos da experiência comum e observação) que as crianças são corrompidas pelo contato externo com o mal, que adquirem maus hábitos por imitação dos outros. Não negamos que o ambiente tem uma medida de influência, mas se qualquer bebê for colocado em um lugar perfeito e cercado apenas por seres sem pecado, logo seria evidente que ele era corrupto. Nós não somos depravados por um processo de desenvolvimento, mas por genese. Não é “por causa da natureza”, mas “por natureza”, por causa do nosso nascimento, isto é inato, gerado em nós. Como Goodwin solenemente expressou: “Eles são filhos da ira, mesmo no útero, antes de cometerem qualquer pecado real”. A própria natureza depravada é um mal penal, e isso é por causa da nossa união federal com Adão, como participantes de sua transgressão. Nós somos os filhos da ira, porque a nossa cabeça federal caiu sob a ira de Deus: “não haveria nenhuma verdade na afirmação de Paulo de que todos são por natureza filhos da ira, se eles já não estivessem sob a maldição antes de seu nascimento” (Calvino). Mas, um maior do que Calvino nos informou: “Porque, não tendo eles ainda nascido, nem tendo feito bem ou mal (para que o propósito de Deus, segundo a eleição, ficasse firme, não por causa das obras, mas por aquele que chama), Foi-lhe dito a ela: O maior servirá ao menor. Como está escrito: Amei a Jacó, e odiei a Esaú” (Romanos 9:11-13). Isso remonta ainda mais longe: Esaú foi um objeto do ódio de Deus antes dele nascer. Obviamente, um Deus justo não poderia abominar aquele que é puro e inocente. Mas como poderia ser culpado Esaú antes de fazer qualquer bem ou o mal? Porque ele compartilhava a criminalidade de Adão, e precisamente pela mesma razão todos nós somos por natureza filhos da ira, detestáveis para a Divina punição, não somente em virtude de nossas próprias transgressões pessoais, mas em primeiro lugar por causa da nossa constituição, que é contemporânea com o nosso próprio ser. Somos membros de uma cabeça maldita, ramos de uma árvore condenada, os fluxos de uma fonte contaminada, numa palavra, a culpa do pecado de Adão repousa rígida sobre nós. Nenhuma outra explicação é possível; desde que a nos-

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sa culpa e sujeição à punição não são, em primeiro lugar, devido aos nossos pecados pessoais, eles o devem ser por causa do ser de Adão imputado a nós. É pela mesma razão que as crianças morrem naturalmente, pois o pecado não é apenas a ocasião de dissolução física, mas a causa da mesma. A morte é o salário do pecado, a sentença da Lei quebrada, a imposição penal de um Deus justo. Se Adão nunca pecasse, nem ele nem nenhum dos seus descendentes se tornariam sujeitos à morte. A morte é completamente não-natural e anormal para o homem, como a longevidade dos patriarcas evidenciou. Se a culpa pela ofensa de Adão não fosse cobrada de sua posteridade, ninguém morreria na infância. No entanto, isso não implica necessariamente que qualquer um que expire na primeira infância está eternamente perdido. Que eles nasceram neste mundo espiritualmente mortos, separados da vida de Deus, é claro; mas se morrem eternamente, ou são salvos pela soberana graça, é provavelmente uma das coisas secretas que pertencem ao Senhor. Se eles são salvos, deve ser porque eles estão entre o número de eleitos pelo Pai, redimidos pelo Filho e regenerados pelo Espírito, sem o que ninguém pode entrar no Céu; mas a respeito destas coisas, a Escritura parece-nos ficar em silêncio. O Juiz de toda a terra fará o certo, e aqui nós podemos submissamente ainda que confiantemente deixar isso. Paternidade é uma questão inefavelmente solene! Nos versículos de abertura de Efésios 2, o Espírito Santo descreveu nosso estado caído. Em primeiro lugar, como sendo mortos em delitos e pecados (v. 1): mortos judicialmente, sob a sentença da Lei; mortos experimentalmente, sem uma centelha de vida espiritual. Em segundo lugar, a maldição exterior disso é retratada (v. 2-3): como completamente dominados pela “carne”, ou o mau princípio, inclinado a um caminhar ímpio por Satanás, de modo que cada ação nossa é pecaminosa. Em terceiro lugar, a punição resultante (v. 3): desagradáveis ao Juiz Divino, nascidos em tal condição, e permanecendo assim, enquanto em um estado de natureza. Até que o pecador creia, “a ira de Deus permanece sobre ele” (João 3:36). Embora a sentença ainda não esteja executada, ela está suspensa sobre ele. A palavra “permanece” aqui denota perpetuidade; como Agostinho disse: “Isto esteve sobre ele desde o nascimento, e permanece sobre ele até este dia”. “Filhos da ira, como os outros também”: este é o caso de todos descendentes de Adão, e é igualmente assim. É uma herança comum: por natureza, nenhum homem é melhor ou pior do que seus companheiros. O próprio fato de que esta terrível visitação é universal só pode ser explicada por nossa relação com o primeiro homem, como nossa cabeça da aliança e representante legal. Dificilmente seria justo concluir este capítulo sem fazer alguma observação sobre aqueles que tentam descartar tudo o que tem sido apontado anteriormente por dogmaticamente insistir que “Cristo fez expiação pelo pecado original”, a fim de que a culpa da transgressão de nosso primeiro pai não repouse sobre os seus filhos. Mas tal afirmação arbitrária é mani-

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festamente contrária aos fatos patentes que nos confrontam em cada lado. O julgamento que Deus pronunciou sobre Adão e Eva está tão seguramente sendo visitado sobre seus filhos, hoje como sempre foi antes que o Filho de Deus morresse na cruz. A maldição sobre a terra, os sofrimentos peculiares das mulheres e toda a dor do parto, a necessidade de trabalhar duro pelo nosso pão de cada dia, o reinado universal da morte, incluindo a morte de tantas crianças, são todas exatamente tão evidentes e prevalentes na era do Novo Testamento como sempre foram no Antigo. Mas, obviamente, essas coisas não poderiam ser sãs na visão Arminiana, pois se a culpa pelo pecado original foi removida, os seus efeitos não mais poderiam continuar. Tal afirmação é sem fundamento, não confirmada por uma única declaração clara nas Escrituras, embora alguns façam uma tentativa absurda de comprovar isso, apelando para João 1:29. “No dia seguinte João viu a Jesus, que vinha para ele, e disse: Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo” (João 1:29). Nós desejamos saber quantos de nossos leitores podem perceber qualquer coisa naquelas palavras que lhes parece tão relevante a ponto negarem o que temos dito. Os homens devem certamente ser firmes ao emprega-lo quando eles insistem nesse versículo a fim de reforçar a sua teoria. O precursor de nosso Senhor apresentou aqui o Messias ao povo naquele caráter sacrificial que tanto o tipo e a profecia os haviam preparado para olharem para Ele, e não levantarem uma questão obscura em teologia, o que não é mencionado em nenhum outro lugar nas Escrituras. Se essas palavras houvessem sido lembradas nas profundas discussões doutrinárias de Paulo, estaríamos prontos a procurar um significado mais profundo nelas, embora nós requereríamos algo mui específico no contexto obrigando-nos a definir “o pecado do mundo” como o pecado de Adão! João foi o arauto de uma nova dispensação: uma que seria radicalmente diferente em seu escopo da anterior, e que deve ser inaugurada por quebrar “a parede de separação que estava no meio” [Efésios 2:14]. Por dois mil anos, a graça de Deus havia sido quase totalmente restrita a uma única nação; mas agora ela estava a ponto de fluir para todos. O Batista estava ali anunciando a Cristo como o sacrifício apontado do Céu, que devia expiar o pecado não apenas dos judeus crentes, mas também dos gentios. Embora “o mundo” seja uma expressão geral, não deve ser considerado como compreendendo uma universalidade de indivíduos, como sinônimo de humanidade. É uma expressão indefinida, como “e a glória do Senhor se manifestará, e toda a carne juntamente a verá” (Isaías 40:5) e “toda a carne saberá que eu sou o Senhor, o teu Salvador” (Isaías 49:26). “O pecado do mundo” significa todos os pecados do povo de Deus como um todo coletivo, como um grande e pesado fardo, assim como em Isaías 53:6: “o Senhor fez cair sobre ele a iniquidade de nós todos”. Isto é, toda a penalidade e castigo do pecado que Cristo tomou sobre Ele mesmo, e levou de diante do Juiz Divino. Como Hebreus 9:26 nos diz: “Mas agora na consumação dos séculos uma vez se manifestou, para

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aniquilar o pecado pelo sacrifício de si mesmo”, e desde que o sacrifício foi vicário, é necessariamente removida a culpa de todos aqueles em cujo lugar esse foi feito. A teoria que estamos aqui nos opondo não é apenas sem qualquer evidência bíblica para apoiá-la, mas antes, é refutada por evidências muito consideráveis. Se a atenção for dada às relações que Cristo sustentou por aqueles em cujo lugar Ele obedeceu e sofreu, de uma vez, evidencia-se que Seu trabalho não era uma mera obra indefinida e geral, mas com um propósito específico e restrito. Ele a realizou como um Pastor, no lugar de Suas ovelhas (João 10:11, compare com 10:26), se Ele também morreu pelos bodes e lobos, então não havia nenhum propósito em dizer que Ele deu a Sua vida pelas ovelhas. Essa foi a relação de um Marido que serve (Efésios 5:25-27): aqui há a singeleza de afeto, a exclusividade do amor conjugal! Ele sustentou pelos Seus beneficiários a relação da Cabeça, havendo uma unidade federal e legal entre eles (Hebreus 2:11). A obra redentora de Cristo era como sua túnica, “sem costura”, um todo completo e indivisível, de modo que o que Ele fez por um Ele fez por todos, e não meramente retirou a culpa pelo pecado original. Se fosse verdade que Cristo expiou a ofensa de Adão, então isso seguiria necessariamente que o governo sob o qual a raça humana está agora colocada é um que não reconhece a maldição original. Mas esse está longe de ser o caso. Desde a Queda, até agora, todos nascem mortos no pecado, objetos do desagrado de Deus. Isso é muito evidente a partir do ensino de Romanos 3, onde, em linguagem inequívoca, o mundo inteiro é descrito como estando sob condenação, sendo “condenável diante de Deus” (versículos 10-19), e não apenas uma possível condenação, mas uma condenação real; não uma condenação que poderá ser efetuada, mas que já foi constituída, e sob a qual todos estão vivendo agora; e a única maneira de libertar-se desta é pela fé em Cristo. Precisamente a mesma representação é dada no Novo Testamento da condição de todos quando visitados pela primeira vez pelo Evangelho. Eles são tratados como aqueles que são pecadores, perdidos, vivendo sob a maldição de uma Lei violada, pois, o sombrio plano de fundo do Evangelho é este: “Porque do céu se manifesta a ira de Deus sobre toda a impiedade e injustiça dos homens, que detêm a verdade em injustiça” (Romanos 1:18) e até que se cumpram os termos desse Evangelho, os homens não têm esperança (Efésios 2:12). A própria cena em que nascemos nos confronta com inúmeras evidências de que a Terra está sob a maldição do seu Criador. Para citar J. Thornwell: O aspecto carrancudo da providência, que tantas vezes escurece o nosso mundo e assusta as nossas mentes, recebe a única solução adequada no fato de que a Queda tenha temerosamente modificado as relações de Deus e a criatura. Somos manifestamente tratados como criminosos sob guarda. Somos tratados como culpados, sem fé,

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seres suspeitos em quem não se pode confiar por um momento. Nossa terra foi transformada em uma prisão, e sentinelas estão postos em torno de nós para nos amedrontar, repreender e vigiar. Ainda assim, existem vestígios de nossa grandeza antiga; há tanta consideração mostrada para nós como para justificar a impressão de que os prisioneiros já foram reis, e que este calabouço fora, uma vez, um palácio. Para alguém não familiarizado com a história da nossa raça, as relações da providência relativas a nós devem parecer inexplicavelmente misteriosas. Mas toda a questão é coberta com luz quando a doutrina da Queda é compreendida. Os mais graves erros teológicos no que diz respeito tanto ao caráter de Deus e ao caráter do homem têm surgido a partir da hipótese monstruosa que nosso presente é a nossa condição primitiva, que somos agora o que Deus originalmente nos fez.

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A Santidade De Deus E A Depravação Total Do Homem Por Paul David Washer

Primeira pregação de uma série de 7 mensagens, intitulada “O Evangelho”. Proferida, na manhã do dia 1 de março de 2014, na 16ª Consciência Cristã — VINACC. Campina Grande, Paraíba, Brasil.

É um grande privilégio para mim estar com vocês nesta noite de hoje. E vou ficar aqui sob uma condição, e a condição é esta: que vocês não quebrem o meu coração. Como é que vocês vão quebrar o meu coração? Ao atribuir a homens a glória que só pertence a Deus! [Ouvintes aplaudem] Outra coisa: Nós já tivemos palmas o suficiente hoje à noite. Por favor, não batam palmas. Às vezes eu gostaria de pegar você pela mão e conduzir você na história da igreja, eu gostaria de introduzir você a homens e a igrejas na história, que estimavam a Deus a tal ponto, que honravam a Deus a tal ponto, que eles nunca fariam o que vocês fizeram aqui hoje à noite. Homens são pó, e à parte da graça de Deus eles não são nada mais do que pessoas que odeiam a Deus. Isso inclui até aqueles de nós que pregamos. Se nós verdadeiramente conhecemos a Deus. Se nós realmente estamos na Sua Presença, se um homem é verdadeiramente homem de Deus, ele não pode suportar as palmas, ele não pode suportar as honras dadas a homens. A Deus somente pertence a glória! Você conhece a Deus? De tal forma que você O teme, eu conheço um Deus, o Deus das Escrituras, que quando a glória é dada aos homens, Ele mata aqueles homens. Eu quero viver. Eu quero honrar a Deus. E eu quero que você aprenda a honrar a Deus, ao não estimar homens. Homens são homens. O que nós vamos fazer hoje à noite? Nesta manhã, nós falamos sobre a preeminência do Evangelho. Hoje à noite nós vamos falar sobre a necessidade do Evangelho. Eu tenho que fazer algo hoje à noite que não será agradável, eu preciso falar do pecado do ser humano, e eu preciso falar da ira de Deus, só então você consegue entender o Evangelho de Cristo Jesus. Alguns de vocês vão dizer o seguinte: “Por que ele veio este caminho todo até aqui para nos ensinar sobre pecado?”, e eu vou te dar uma razão: Porque muitos pregadores hoje em dia não estão falando sobre pecado, e por causa disso você não consegue apreciar a graça, e por causa disso você não consegue entender o temor do Senhor. A fim de viver uma vida Cristã, nós temos que entender e saber quem nós éramos antes de Jesus Cristo intervir em nossa vida. Eu ouvi muitos pregadores dizerem o seguinte: “Nós não falamos

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muito de pecado em nossa igreja, porque nós queremos falar do amor de Deus. Então, nós não vamos falar de pecado”. Eu quero dizer das Escrituras, o Espírito Santo não está naquela igreja. E o Espírito Santo não está no ministério daquele homem. Por que que eu sei disso? Por causa daquilo que Jesus disse: Quando o Espírito vier, um dos seus ministérios prioritários será de convencer o mundo do pecado [João 16:8]. Se a nossa pregação não está levando as pessoas à convicção de pecado. Então o Espírito Santo não está no nosso ministério, palavras de Jesus. Então, agora vamos para umas das passagens mais importantes em toda a Bíblia, Romanos capítulo 3. Vamos começar no verso 23: Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus; 24 Sendo justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus. 25 Ao qual Deus propôs para propiciação pela fé no seu sangue, para demonstrar a sua justiça pela remissão dos pecados dantes cometidos, sob a paciência de Deus; 26 Para demonstração da sua justiça neste tempo presente, para que ele seja justo e justificador daquele que tem fé em Jesus. 27 Onde está logo a jactância? É excluída. Por qual lei? Das obras? Não; mas pela lei da fé. Verso 23, “Pois todos pecaram”, isso atemoriza você? Isso faz você tremer? Quando você foi convertido, alguém falou para você do pecado? Eles explicaram para você a doutrina do pecado? Eles explicaram para você quem é Deus, de tal forma que você tremesse diante do seu pecado? Muitas pessoas hoje em dia não sabem nada sobre o pecado. Os pregadores não lhes explicam sobre o pecado. Eles não ensinam os atributos de Deus. Então, algumas pessoas olham para Deus como se fosse um vovô tolo ou um Papai Noel, e eles veem o seu pecado como se fosse uma coisa pequena. Não existe forma de eu explicar para você quão terrível é o pecado diante de um Deus Santo. Deixe-me dar uma ilustração, no dia da criação Deus ordenou às estrelas a serem colocadas em lugares diferentes do espaço, e todas elas se curvaram em adoração diante de Deus. Deus falou para os planetas se moverem em esferas, em círculos, e eles disseram: “Amém”, e obedeceram ao Criador. Deus falou para as montanhas: “Se levantem”. E Ele falou para os vales: “Abaixem-se”, e eles se submeteram à Sua voz. Deus falou para o mar: “Tu virás até aqui, mas não passarás daqui”, e o mar O adorou e O obedeceu. Então, Deus olhou para você, e disse: “Venha”. E você disse: “Não!”. E por esta razão, se você não está em Cristo no dia do Juízo toda a criação se levantará e vai acusar você diante de Deus. E eles vão dizer: “Amém!”, quando Deus condenar a sua alma ao Inferno. É assim que é o pecado, horrível desse jeito. Mas é tão difícil as pessoas entenderem isto hoje. Por quê? Porque eles entendem tão pouco sobre Deus... Por que o pecado é horrível?

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Será que é por que resulta em morte? Não! Será que é por que atrapalha a sociedade? Não! Então, por que é tão horrível? É porque ele é cometido contra um Deus que é absolutamente digno, que é digno de toda adoração, louvor e obediência. Agora, eu gostaria de por alguns instantes aqui olhar para o pecado em uma perspectiva bíblica. Eu quero que você observe duas coisas acerca do pecado: Eu quero que você entenda primeiramente que é mais do que uma coisa que você faz, é uma parte de nós. Os teólogos falam de uma depravação radical. Significa que a corrupção moral permeia todos os aspectos do nosso ser. E antes de uma pessoa vir a Cristo, é isso que é o homem. Volte para o livro de Gênesis comigo, por favor. Capítulo 6, verso 5: “E viu o Senhor que a maldade do homem se multiplicara sobre a terra e que toda a imaginação dos pensamentos de seu coração era só má continuamente”. Olha para a última frase: “toda a imaginação dos pensamentos de seu coração era só má”, isto aqui está falando do homem, antes do Dilúvio, mas entenda uma coisa: o Dilúvio lavou a terra dos homens, mas o Dilúvio não poderia lavar o coração dos homens. Assim que Noé e a sua família saíram da arca o pecado começou de novo. Enquanto estavam na arca havia pecado. E ele, cresceu, cresceu e cresceu na terra. Agora, veja o que diz, olhe para sua Bíblia: É isso que é dito de você e de mim antes de nós nos achegarmos a Cristo. E se você está aqui hoje à noite sem Cristo, este verso descreve você agora! Diz que “todo desígnio do seu coração era continuamente mal”. Um dia depois de pregar em certo lugar, um repórter se aproximou de mim, ele estava muito irado. Ele disse: “Eu não acredito no que você está dizendo, eu não acredito no que você prega sobre o mal estar continuamente presente no coração do homem”. Então, eu olhei para ele e disse o seguinte: “Senhor, eu não preguei isto, eu li da Bíblia, está na Bíblia, é a verdade. A Bíblia testifica disto, a História dá testemunho disso e até a sua consciência, se você tem uma, ela dá testemunho disso”. Deixe-me dar um exemplo: Se eu pudesse chegar até o seu coração agora, e eu conseguisse tirá-lo, e tirasse todos os pensamentos que você já pensou, e os colocasse em um DVD. E eu dissesse a você o seguinte: Hoje à noite, ao invés de pregar, eu vou mostrar o seu DVD. Todo o pensamento que você já teve, todo o mal que você cometeu na escuridão, toda obra. Eu vou mostrar hoje à noite. O que você faria? Você cairia de joelhos e imploraria para eu não fazer isso, porque você já pensou coisas tão perversas que você não poderia compartilhar nem com o seu melhor amigo. Se os seus melhores amigos soubessem o que você já pensou deles em algum momento da sua vida, eles não seriam amigos seus. Então, o que a Bíblia testemunha, o que ela diz, é verdadeiro. E eu não estou dizendo isto porque eu sou mau, eu estou dizendo isto porque eu amo você! E a única maneira de ser

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curado é saber que você tem esse câncer, você tem que saber disso. O que você pensaria de mim se eu fosse um médico, e soubesse que você tem câncer, mas não tinha vontade de dizer isto para você, porque eu não queria magoar você. Imagina se eu faço isto. Eu sou considerado imoral, eu poderia perder a minha licença, quanto mais um pregador! Se eu sei que a Bíblia diz isso de nós, se eu não proclamo isto, eu sou imoral. Se eu não proclamo isso, não é porque eu amo você, é porque eu me amo. E eu quero que você goste de mim, e isso é mais importante para mim do que a sua alma. E é assim que muitos pregadores são hoje, por causa do temor dos homens, para preservarem a si mesmos, eles vão fazer “coceirinhas” nos seus ouvidos para você gostar deles. Mas, aí você vai se encontrar com eles nos Inferno, porque não pode ser assim. Você precisa saber a verdade, é isso que é o homem. É por isso que um pouquinho de religiosidade não conserta você. É por isso que a igreja católica e nem a igreja evangélica pode consertar você. Só uma obra sobrenatural de Deus pode consertar você através da cruz de Jesus Cristo. É assim que nós somos! Agora, dê uma olhada em Gênesis capítulo 8, verso 21: “E o Senhor sentiu o suave cheiro, e o Senhor disse em seu coração: Não tornarei mais a amaldiçoar a terra por causa do homem; porque a imaginação do coração do homem é má desde a sua meninice, nem tornarei mais a ferir todo o vivente, como fiz”. O seu coração é mal desde a sua mocidade, diz o texto. O termo hebraico é até mais amplo, e não se refere somente à mocidade, mas se refere inclusive à infância. E o quê que isso significa? A corrupção moral do nosso coração, não é algo aprendido, é algo com o qual nós nascemos é algo que nós somos desde o nosso nascimento. É o resultado da Queda de Adão. E uma parte disso permanece um mistério, mas a Escritura é clara todos os homens nasceram em pecado e todos os homens nascem moralmente corruptos [Salmos 51:5]. Eu já ouvi músicas que eram tão heréticas... Uma delas, em particular, tinha a seguinte frase: “se crianças nos guiassem o mundo estaria em paz”. Quem escreveu esta música nunca teve criança, quem escreveu esta música não sabe nada da humanidade e não sabe nada da Bíblia também. Deixe-me provar isto para você: Eu tenho uma criança de três anos, e eu a coloco em uma sala, e lhe dou todos os brinquedos do mundo, um a um os coloco em sua mão; até que eu encontro um brinquedo que ele não quer, então eu o coloco em sua mão de novo e ele joga fora, eu coloco em sua mão novamente, ele grita e chora e joga o brinquedo fora de novo. Mas, eu sei de algo que pode fazer a criança desejar aquele brinquedo mais do que todos os demais. Sabe o que eu tenho que fazer? Trazer outra criança, colocar esta criança em frente dela e dar o brinquedo que ela não gosta na mão da outra criança. E o que acontece? Terceira Guerra Mundial! É assim que nós somos, o que nós vemos naquelas crianças é a razão de toda a guerra, a razão de todo assassinato, de todo estupro. Está lá! E, à parte da graça restringidora de Deus, isto permearia o mundo e nós seríamos destruídos!

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Deixe-me dar um exemplo: Hitler. Você acha que ele era uma anomalia? Você acha que ele era um fenômeno? Uma pessoa rara, diferente da sociedade? Tem algo que você precisa aprender sobre Teologia: Tem uma graça comum que restringe todo o mundo, e se você não é como Hitler, é só por causa da graça de Deus que restringe você, e se Deus puxasse esse “freio” de você, você ia fazer com que Hitler parecesse um mocinho de coral. Você está entendendo o que eu estou dizendo? Ele não era uma anomalia, ele era um reflexo do que todos nós somos, a não ser que Deus restrinja a maldade do homem. Essas são verdades que ninguém quer ouvir, e são verdades que pregadores não querem pregar, mas são necessárias. Elas são as Escrituras! E elas foram ensinadas em toda a História da Igreja até o presente. Agora os profetas, ao invés de irem até Deus para obterem uma Palavra de Deus para o povo, eles vão até o povo para descobrir o que é que o povo quer ouvir. Você tem que saber disso para que você seja salvo. Agora vamos para Isaías 64, verso 6: “Mas todos nós somos como o imundo, e todas as nossas justiças como trapo da imundícia; e todos nós murchamos como a folha, e as nossas iniquidades como um vento nos arrebatam”. Deus é perfeitamente Justo, perfeitamente Reto. E Ele não pode tolerar a injustiça. Deixeme provar isto a você: Quantas vezes Adão e Eva pecaram, antes de serem expulsos do Jardim? Só uma vez. Eles pecaram uma única vez. Eles pecaram uma vez e o universo inteiro foi lançado no caos. Toda a criação foi trazida para debaixo do Juízo de Deus... Um pecado. Pergunta: quantas vezes você pecou? Agora multiplique um pouco, e pense naquilo que está acontecendo. Nós não pensamos muito em pecado, mas nós temos que pensar! Olhe o que diz aqui “todos nós somos como o imundo”, diz o verso 6. A palavra no hebraico pode significar diferentes coisas e você tem sempre que considerar o contexto. Refere-se a coisas tão feias, que não quero nem compartilhar diante de todos que estão aqui. Mas, uma das coisas que pode se referir aqui nesse texto, é a lepra. Você já viu um leproso? Eu sei que têm diferentes estágios e fases da lepra. Existe um tipo que é pior e é horrível. Se eu trouxesse um leproso aqui para este lugar, você ia cheirá-lo. Se eu o trouxesse para o palco, você não poderia olhar para ele. Mas, supomos que façamos o seguinte: olhamos para o leproso e temos compaixão. Então, vamos para o Rio de Janeiro e compramos o melhor linho, a melhor seda que encontramos. Com essa seda linda que achamos, cobrimos o leproso de cima em baixo, fazendo-o se tornar “apresentável”, mas só por alguns segundos. Mas, o que acontece? A corrupção dentro do leproso vai começar a sangrar e a sujar aquela seda, e vai contaminar tudo. É por isso que você não pode ser salvo pelas suas boas obras. É por isso que as suas boas obras são como trapos de imundícia. Antes de ser um Cristão, você não tem boas obras, porque todas elas são permeadas pela corrupção moral do seu coração. Agora vamos voltar par ao nosso texto [inicial], Romanos, capítulo 3: “Pois todos pecaram”.

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Agora eu quero que você pense em uma coisa. A primeira coisa que eu quero dizer é a seguinte: A Bíblia não é um livro de teologia sistemática. A coisa mais próxima de uma teologia sistemática na Bíblia é o livro de Romanos, onde Paulo está explicando à igreja de Roma aquilo que ele crê. O livro tem 16 capítulos. Os primeiros 11 capítulos lidam com teologia, com doutrina. E os capítulos 12 a 16 lidam com a prática. Então, nós temos 11 capítulos de teologia. Não é incrível que Paulo dedica os três primeiros capítulos à doutrina do pecado? Um quarto da sistemática dele, ele dedica à doutrina do pecado. Eu acredito que para o apóstolo Paulo ensinar sobre o pecado era muito importante. Olhe o que ele faz em Romanos, capítulo 3, verso 10: “Como está escrito: Não há um justo, nem um sequer”. Paulo é um apóstolo e escreve sobre a inspiração do Espírito Santo. Mas, ele quer provar o ponto dele com tanto poder, que ele traz, então, uma longa sequência de textos do Antigo Testamento, “não há um justo”. O que significa justo? Significa um padrão, significa estar de acordo com aquele padrão. Qual é o padrão? O caráter de Deus e a vontade de Deus. E, a fim de que você esteja na Presença de Deus, você tem que estar perfeitamente conformado à sua Retidão, à Sua Justiça. Sem um pecado sequer. Às vezes eu estou no avião e eu quero testemunhar para as pessoas. Abro o Novo Testamento grego, porque eles começam a olhar e dizer: “O que é isso? Que língua é essa?”. Aí me dá uma oportunidade para testemunhar. E, às vezes, alguém vai fazer a seguinte pergunta: “O que eu tenho que fazer para ir para o céu?”. Aí, eu olho para a pessoa e falo: “É fácil... Você tem que ser absolutamente perfeito na sua moral, desde o momento que você nasce até o momento que você morre”. E, então, eu volto a ler, e eu consigo olhar para eles, pelos cantos dos meus olhos, e eles estão assim [aparentando perplexidade], e eles me perguntam: “Como é que eu vou para o céu mesmo?”. Aí eu digo: “Desculpe-me, deixeme explicar de novo… Você deve ser moralmente perfeito do momento que você nasce até a sua morte”, e eu volto a ler. E eles me olham, eles me cutucam no ombro e falam: “Isso é impossível”, e eu olho para eles e respondo: “É... Realmente é impossível. Então, você tem um grande problema, não é?”. Então, está vendo? É isso que você deve enxergar: não é simplesmente ser bom comparado com outras pessoas, você tem que ser perfeitamente justo em comparação com Deus, sem um desvio sequer da Sua Lei. Paulo diz que não há justo, nem um sequer. Aí, ele diz no verso 11, que “não há quem entenda, não há quem busque a Deus”. Ouça o que eu vou dizer com muita atenção, porque ao redor do mundo eu tenho ouvido o seguinte, e nos Estados Unidos também, e aqui no Brasil: que há grandes avivamentos acontecendo. Não, não está acontecendo, e eu vou [lhes] dizer o porquê não está acontecendo: porque a maioria das igrejas que estão repletas, com 10, 15, 20 mil pessoas, eu escuto a pregação, eles não estão buscando a Deus; o pregador não está pregando a Deus, ele prega a Deus como se Deus fosse uma máquina, onde você coloca uma moedinha e con-

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segue alguma coisa. E as pessoas se aproximam de Deus, não por causa de Deus, mas por aquilo que eles podem conseguir de Deus! Isto não é avivamento! Avivamento é quando você deseja a Cristo somente! É assim que o Espírito de Deus verdadeiramente se move em você. O que a Bíblia diz sobre o pecador? Ele não busca a Deus. Uma das características do homem carnal: Ele não busca a Deus. Ele pode buscar coisas religiosas, ele pode desejar a prosperidade que supostamente vem de Deus, mas ele não quer Deus somente porque ele ama a Deus. Tem algo que você precisa entender aqui: Todo mundo quer ir para Céu, mas tem um problema: A maioria das pessoas não quer que Deus esteja lá quando eles chegarem, mas o Cristão preferiria ir para o Inferno com Cristo, do que estar no Céu sem Ele. Um Cristão não tem medo de Inferno, ele tem medo de ser separado de seu Amado! Um Cristão considera tudo como refugo para ter o conhecimento de Deus. A Bíblia fala que não há quem entenda, não há quem busque a Deus, verso 12: “Todos se extraviaram, e juntamente se fizeram inúteis. Não há quem faça o bem, não há nem um só”. Ouça o que eu vou dizer. Se nós terminássemos agora e você saísse, mesmo se eu chegasse até alguns de vocês hoje, se eu perguntasse a alguns de vocês: “se você morrer você vai para o Céu? Muitos diriam: “Sim”. “Por quê?”. “Eu sou uma pessoa boa, eu nunca matei ninguém, eu sei que eu já cometi muitos erros moralmente falando, mas eu sou basicamente bom”. Você percebe a grande heresia do homem? É que ele pensa que ele é bom. E a única forma do Cristianismo entrar na vida dele, é realmente conhecer que não é bom. Você não pode salvar a si mesmo. Você não chega neste tipo de justiça. Não existem um sequer que seja bom, nenhum sequer. Vamos agora para o verso 19: “Ora, nós sabemos que tudo o que a lei diz, aos que estão debaixo da lei o diz, para que toda a boca esteja fechada e todo o mundo seja condenável diante de Deus”. Muitas pessoas têm a ideia de que para ir para o Céu, tem que guardar os dez mandamentos, que através de guardar os dez mandamentos você pode ser salvo. Você não entende o propósito da Lei. A Lei nunca foi dada para salvar ninguém. Ela está repleta de coisas lindas, de verdades maravilhosas, é um guia excelente para a vida, é muito benéfica para a vida Cristã, quando usada apropriadamente. Mas veja o problema com a Lei: você não consegue guardá-la! Lembra-se do que Moisés disse? Aquele que vive pela Lei, por ela viverá; aquele que não faz isso, morrerá. Não existe uma pessoa sequer nesse recinto que viveu de acordo com a Lei. Mas, esse é o propósito da Lei. O propósito da Lei é condenar você! Você olha para a Lei “não terás outros deuses diante de mim” e se você é uma pessoa egocêntrica, mas você honestamente olha para a Lei, você percebe, “eu tenho outros deuses, toda a minha vida eu já tive outros deuses. Eu tenho sido o outro deus. Eu penso mais sobre carros e roupas, do que eu penso sobre Deus. Eu tenho outros deuses”. Você não deve fazer uma imagem, diz o mandamento. “Eu já fiz várias imagens, eu adoro uma série de coisas que fiz com minhas mãos”. Você não pode tomar o nome de

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Deus em vão. Você sabe que você pode tomar o nome de Deus em vão, inclusive falando “aleluia”? Você sabia disso? Porque você fala “aleluia”, de forma que você não pensa na profundidade disto, simplesmente falando-a, porque é uma resposta natural. Você percebe que o Nome de Deus tem que ser dito com muita reverência? Muitas pessoas usam o nome de Deus em vão. Desobedecendo aos pais? Deus detesta isso! Ele ordenava morte aqueles que faziam isto. No Antigo Testamento, os jovens morriam por isso. Isso era comum. Adultério — Jesus deixou isso muito claro: só o olhar para uma mulher com lascívia no seu coração, e você cometeu adultério [Mateus 5:28]. Então, qual é o propósito da Lei? Deixar-nos, em todos os sentidos, sujeitos a ela. É como se nos bloqueasse todos os caminhos, se você fosse por este caminho tentar se salvar a Lei diz: Não! “Ah, eu vou me salvar por aqui”, a Lei diz: “Não!”. “Ah, eu vou me salvar aqui ou por este caminho aqui”, a Lei diz: “Não!”. Então, nós tentamos passar por baixo e a Lei é como um chão de cimento. E ela faz isso com um propósito: para que nós olhemos para cima, para que nós olhemos para o Deus que fez por nós aquilo que nós não podemos fazer por nós mesmos. Nós dizemos: “Eu sou um pecador, eu mereço morte! Eu mereço separação de Deus lá no Inferno! Eu não tenho argumentos, eu não tenho boas obras para tentar me defender! Ó Deus, tem misericórdia de mim pecador!” Este é o propósito da Lei, é por isso que você precisar ensinar sobre pecado. Nós temos que amar as pessoas, nós temos que ser repletos de graça, mas nós precisamos ensinar sobre pecado. Há mais uma razão antes de nós prosseguirmos: O conhecimento do nosso pecado, nos torna aptos a apreciar a graça. Se eu chegasse para o Bill Gates: “Bill Gates, está aqui um sanduíche para você”, ele diria para mim: “Eu não preciso de um sanduiche, eu posso comprar um restaurante a cada hora. Eu não preciso de um sanduiche”. Mas, se eu pegar aquele mesmo sanduíche e eu chegar na Índia, a uma das vizinhanças mais pobres, e eu chegar para eles e disser assim: “está aqui um sanduíche para você”, aquele homem vai beijar as minhas mãos, ele vai chorar, ele vai contar para os seus vizinhos, e ele vai levar aquele sanduíche inteiro para a sua esposa. E ele vai dizer para a esposa sobre mim, que fez esta coisa maravilhosa por ele. À medida que um homem cresce em Cristo Jesus, quanto mais ele vê a Justiça e a Santidade de Deus, mais ele enxerga sua falha moral, e mais cresce o seu apreço pelo Senhor Jesus e à Sua morte sanguinolenta no Calvário, e é por isso que eu disse o que eu disse hoje de manhã... Não fale comigo sobre coisas tolas, se eu chegar na sua igreja não fale para mim sobre prosperidade, não fale para mim sobre a sua fé, não fale para mim sobre as suas experiências, não compartilhe do seu coração, eu não quero ouvir! Fale para mim sobre Jesus, fale para mim sobre o que Ele fez por mim na cruz, fale para mim sobre Deus em toda Sua glória, fale para mim sobre o pecado do homem em toda a sua depravação, para que quando eu olhe para Jesus de novo Ele fique mais precioso aos meus olhos. Deixe-me dar um exemplo: Nesta tarde, onde foram as estrelas? Será que

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um gigante pegou uma cesta, colocou as estrelas dentro e as levou embora, onde é que eles foram? Elas não foram há lugar nenhum, mas porque nós não as conseguíamos ver? Por causa da luz do Sol. O que é que isso nos ensina? Nós só conseguimos ver a beleza das estrelas quando existe um céu totalmente escuro por detrás delas. E você só consegue entender a graça de Deus e ver Sua real beleza, quando você contrasta com o lado negro da nossa depravação. E, então, você não precisa dessas coisas triviais para você crer, você não precisa dessas coisas triviais para você amar a Deus, você O ama porque O Seu Filho morreu por você, e isso basta. Já falamos um pouco sobre o homem. Agora vamos falar um pouco sobre Deus. Lá em Oséias 4:6 fala que “O meu povo é destruído por falta de conhecimento”. Ouça-me, a palavra “destruído”, meu povo é arruinado, eles não sabem como viver, porque eles não têm o conhecimento de Deus Agora, dê uma olhada em Provérbios 29:18: “Não havendo profecia, o povo perece; porém o que guarda a lei, esse é bem-aventurado”. Onde não há visão ou profecia... No contexto aqui, o que ele está falando? Ele está falando o seguinte: Onde não há revelação do caráter e da Lei de Deus, o quê que acontece com o povo? Eles correm sem restrições, eles saem fazendo loucura, eles continuam em corrupção. Então, se não há um conhecimento de Deus a imoralidade entre o povo de Deus cresce cada vez mais. Você sabe o que torna a igreja dos Estados Unidos famosa, conhecida? Imoralidade. Sabe o que faz você famoso? Sua Igreja famosa? Você quer saber? A Igreja no Brasil é conhecida pela sua imoralidade. Você pode ficar com raiva, observe que eu me incluí nisto, o meu povo também. Você tem que encarar isso. Têm muitas pessoas professando fé em Cristo, que vivem em carnalidade, imoralidade e sensualidade! Isso acontece o tempo todo, em todo o Evangelicalismo. Por quê? Qual a razão disso? “Meu povo é destruído porque lhe falta conhecimento”. Porque não há profecia sobre o caráter de Deus e a Sua Lei. Todos estes profetas tolos, profetizando coisas tolas. Em todos os Estados Unidos, em todo o Brasil. Eles não são nada mais do que meninos, que veem rostos em nuvens que não existem. Eles falam: “Paz! Paz!”, quando não há paz. E se você cair no ensino deles, a sua queda vai ser terrível. O povo de Deus é destruído por causa de uma falta de conhecimento de Deus. Vamos dar uma olha em no Salmo 50, verso 17: “Visto que odeias a correção, e lanças as minhas palavras para detrás de ti”. Eles não querem o ensino de Deus. “Quando vês o ladrão, consentes com ele, e tens a tua parte com adúlteros.

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19

Soltas


a tua boca para o mal, e a tua língua compõe o engano. teu irmão; falas mal contra o filho de tua mãe”.

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Assentas-te a falar contra

Veja um verso importante agora, verso 21: “Estas coisas tens feito, e eu me calei; pensavas que era tal como tu...”. Escute-me, eles pensavam que Deus era como eles. Por que eles pensavam que Deus era igual a eles? Porque ninguém estava pregando sobre Deus, e quando ninguém está ensinando sobre Deus, o que acontece? As pessoas começam a fazer Deus à sua própria imagem. Domingo de manhã é um dos momentos de maior idolatria em toda a semana; porque eu digo isso? Porque as pessoas estão adorando um Deus que elas fizeram com a sua própria mente. Eles criam um deus e então adoram o deus que criam. E você diz: “Irmão Paul, por que você está falando isto?”. Eu quero que você escute o que eu vou falar, o que nós estamos falando? O conhecimento de quem é Deus... Escute bem atentamente: Se você não conhece o que a Bíblia fala sobre quem é Deus e os Seus atributos, então você terá a tendência de criar o seu próprio Deus e adorar ao Deus que você construiu em sua mente. Agora vem uma pergunta. Perguntas para vocês. Perguntas para pastores. Perguntas para alunos de seminário: Cristão, quantos anos de sua vida você gastou estudando os atributos de Deus? A maioria de vocês vai dizer: “nunca”. Cristão, quantos anos você já esteve sob a pregação de um pregador, onde ele gastou a maior parte do tempo falando sobre os atributos de Deus, quem é Deus? A maioria de vocês vai dizer: “Nunca, pastor”. Agora, para os alunos de Institutos bíblicos... Quando você estuda lá no seminário, no instituto, quatro anos, quantos foram gastos estudando os atributos de Deus? A maioria de vocês vai dizer: “Um semestre, pastor”. Quando você vai para o seminário, para obter o seu grau de pastor, quanto tempo você gasta nos atributos de Deus? Quando você começou a pregar lá no púlpito depois que você se formou, quanto tempo você gastou e dedicou estudando os atributos de Deus? Quanto esforço você empreendeu para ensinar o seu povo sobre os atributos de Deus? Você pode ouvir milhares de sermões amanhã, infelizmente é raro encontrar um sobre os atributos de Deus. Você diz que Deus é Santo, mas você já estudou isto? Você consegue entender o que isto significa? Você diz: “Ele é Justo”. Você entende o que isto significa?

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Você sabe como é que Deus olha para o pecado? Você sabe como é que Ele responde a isto? Você está entendendo o que eu estou dizendo? Eu provei, não provei? O povo de Deus é ignorante a respeito de Deus. A razão pela qual há tantos programas e eventos nas igrejas, têm tantas estratégias sobre discipulado, é porque nestas atividades estamos tentando trocar o conhecimento de Deus por outra coisa. Se as pessoas são realmente convertidas sob um Evangelho verdadeiro e são ensinadas nas verdades mais importantes, “Quem é Deus?”, eles vão andar com Ele. Eles serão um povo santo. Deixe-me dar um exemplo: Se nós fizéssemos uma conferência aqui no Brasil e nos Estados Unidos e esta conferência fosse sobre prosperidade, se fosse sobre cura, nós poderíamos encher o maior auditório neste país, mas se nós tivéssemos uma conferência sobre os atributos de Deus, não encheríamos nem a metade deste auditório, por quê? Porque eles querem prosperidade, eles não querem Deus. Se nós fizéssemos uma conferência sobre a cruz de Cristo, e falássemos sobre o Filho de Deus sendo moído debaixo da ira de Deus, quantas pessoas viriam? Você percebe quão errado tudo isso é? Avivamento genuíno é quando as pessoas se voltam para Deus em obediência, em amor... Eu quero ir com vocês bem rapidamente em Jeremias 9, versos 23 e 24: “Assim diz o Senhor: Não se glorie o sábio na sua sabedoria, nem se glorie o forte na sua força; não se glorie o rico nas suas riquezas, mas o que se gloriar, glorie-se nisto: em me entender e me conhecer, que eu sou o Senhor, que faço beneficência, juízo e justiça na terra; porque destas coisas me agrado, diz o Senhor”. Este texto tinha que estar em seu coração, tinha que estar em seu coração. Por que os homens não poderiam se vangloriar na sua sabedoria? Por que os fortes não poderiam se vangloriar na sua força, e os ricos na sua riqueza, mas o que se gloria deveria se gloriar nisto, que você conhece a Deus, que Ele é Santo, que Ele é Justo. Alguns de vocês estão muito desapontados... Você veio hoje à noite esperando outra coisa. Mas, escute uma coisa, antes de eu lhes dizer as boas notícias, eu preciso lhes dizer as más notícias, para que, quando eu chegar na boas notícias, ela seja realmente boa, a melhor notícia! E ela eclipsa todas as outras coisas! E, é isso que eu desejo para vocês. Como eu lhes disse hoje de manhã: eu quero que vocês aprendam a discernir as coisas mais excelentes daquelas que são vis, as coisas santas das coisas comuns. Amanhã, quando eu pregar, se Deus quiser, eu vou falar sobre duas coisas — vão ser difíceis —, eu vou falar sobre o que Deus diz acerca do Juízo dEle sobre o pecador, e eu concluirei com ilustrações diferentes do Antigo Testamento, mostrando a você o que Deus fez por nós em Cristo Jesus. E, então, no próximo dia, gastaremos tempo em Romanos 3 e falaremos sobre o que significa: “Jesus Cristo morreu”. Eu imploro a você: venha, por favor.

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Nós vamos trabalhar estas verdades e você sairá dessa conferência conhecendo mais do Evangelho, do que você já sabia antes. E você vai aprender a apreciá-lo: Jesus Cristo! E o que Ele fez por você. Que Ele sofreu a ira de Deus, e tendo pago o preço pelo seu pecado, você agora pode ser justificado diante de Deus.

Vamos orar: Pai, Obrigado por esta oportunidade. Por favor, Senhor, trabalhe no coração das pessoas para que elas percebam a necessidade de Te conhecer, em todos os Teus atributos, Senhor, em toda a Tua glória. Que eles escolham a Ti sobre todas as coisas. Que eles vivam para o Teu Filho, Senhor. Amém.

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A Porção Dos Ímpios Por Jonathan Edwards

“Mas ira e indignação aos facciosos, que desobedecem à verdade e obedecem à injustiça. Tribulação e angústia virão sobre a alma de qualquer homem que faz o mal, ao judeu primeiro e também ao grego.” (Romanos 2:8-9) É a intenção do apóstolo Paulo, nos três primeiros capítulos desta Epístola, mostrar que tanto judeus quanto gentios estão debaixo do pecado e que, portanto, não podem ser justificados por obras da lei, mas apenas pela fé em Cristo. No primeiro capítulo, ele mostrou que os gentios estavam debaixo do pecado. Neste, mostra que os judeus também estão, e que, conquanto fossem severos nas suas censuras aos gentios, faziam as mesmas coisas que condenavam, pelo que o apóstolo os acusa: “Portanto, és indesculpável, ó homem, quando julgas, quem quer que sejas; porque, no que julgas a outro, a ti mesmo te condenas; pois praticas as próprias coisas que condenas”. E os adverte que não sigam por este caminho, prevenindo-os da miséria a que ficariam expostos, e dando-lhes a entender que, ao invés de sua miséria ser menor que a dos gentios, seria maior, pelo fato de Deus ter sido mais benevolente para com eles do que para com os gentios. Os judeus achavam que estavam livres da ira vindoura, porque Deus os escolhera para ser Seu povo peculiar. Mas o apóstolo os informa que haveria indignação e ira, tribulação e angústia, para a alma de todo homem, não apenas dos gentios, mas para toda alma, e para o do judeu primeiramente e em especial, quando faziam o mal, pois seus pecados tinham mais agravantes. Na passagem lida, encontramos: 1. Uma descrição dos ímpios, na qual podem ser observadas aquelas suas características que têm a natureza de uma causa, e as que têm a natureza de um efeito. Aquelas características dos ímpios aqui mencionadas que têm a natureza de uma causa são o fato de serem facciosos, e não obedecerem à verdade, mas obedecerem à injustiça. Ser faccioso significa ser avesso à verdade, disputar com o Evangelho, achar defeitos nas suas declarações e ofertas. Os incrédulos encontram muitas coisas nos caminhos de Deus em que tropeçam, e pelas quais se ofendem. Sempre estão disputando e achando defeitos em uma coisa ou outra. Com isso são impedidos de crer na verdade e render-se a ela. Cristo é para eles uma pedra de tropeço, uma rocha de ofensa. Não obedecem à verdade, ou seja, não se rendem a ela, não a recebem com fé. Esse render-se à verdade e abraçála, que se encontra na fé salvífica, é chamado de obedecer, na Escritura. Romanos 6:17: “Mas graças a Deus porque, outrora, escravos do pecado, contudo, viestes a obedecer de

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coração à forma de doutrina a que fostes entregues”. Hebreus 5:9: “E, tendo sido aperfeiçoado, tornou-se o Autor da salvação eterna para todos os que lhe obedecem”. Mas os ímpios obedecem à injustiça, ao invés de se renderem ao Evangelho. Estão sob o poder e domínio do pecado, e são escravos de suas luxúrias e corrupções. São nestas características dos ímpios que está a essência de sua impiedade. Sua descrença e oposição à verdade e sua submissão servil aos desejos pecaminosos são o fundamento de toda impiedade. Aquelas características dos ímpios que têm a natureza de um efeito são o fazer o mal. Esta é a sua menor oposição contra o Evangelho, e é por serem servilmente submissos a seus desejos carnais que fazem o mal. Aqueles princípios ímpios são o fundamento, e a prática ímpia é a estrutura. Aqueles são a raiz, esta, o fruto. 2. Encontramos também a punição dos ímpios, na qual podem ser também notados a causa e o efeito. As coisas mencionadas em sua punição que têm a natureza de uma causa são indignação e ira; ou seja, a indignação e ira de Deus. É o furor de Deus que tornará os homens miseráveis. Serão os objetos da ira Divina, e daí surgirá toda sua total punição. As coisas em sua punição que têm a natureza de um efeito são tribulação e angústia. A indignação e ira de Deus se converterão em extrema dor, aflição e angústia de coração neles. Doutrina: Indignação, ira, miséria e angústia de alma são a porção que Deus reservou aos ímpios. Todo ser humano terá a porção que lhe pertence. Deus reserva a cada um a sua porção. A porção do ímpio nada mais é senão ira, aflição e angústia de alma. Embora possam gozar alguns prazeres e deleites vazios e inúteis, por alguns dias, enquanto permanecem neste mundo, contudo, o que lhes está reservado pelo Senhor e Governador de todas as coisas, como sua porção, é apenas indignação e ira, tribulação e angústia. Essa não é a porção que os ímpios escolhem. O que escolhem é a felicidade mundana. Contudo, essa é a porção que Deus lhes concede. É a porção que, para todos os efeitos, eles escolhem para si, pois escolhem aquelas coisas que natural e necessariamente conduzem a esta porção, e aquelas que são claramente ditas, incontáveis vezes, que levam a ela. Provérbios 8:36: “Mas o que peca contra mim violenta a própria alma. Todos os que

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me aborrecem amam a morte”. Mas, quer a escolham ou não, esta será a porção por toda a eternidade daqueles que vivem e morrem como ímpios. Indignação e ira os perseguirão enquanto viverem neste mundo, daqui os arrebatarão, e os seguirão para o mundo vindouro. E lá, ira e miséria permanecerão sobre eles por toda a eternidade. O método que usarei para tratar deste assunto é descrever a ira e a miséria das quais os ímpios serão os objetos, tanto aqui quanto na eternidade, em suas partes e períodos sucessivos, de acordo com a ordem do tempo.

I. Descreverei a ira que frequentemente acompanha os ímpios nesta vida. Indignação e ira, com frequência, os alcançam ainda aqui. 1. Deus, com frequência, na Sua ira, os entrega a si mesmos. São entregues aos seus pecados, e abandonados para que destruam a si mesmos, e trabalhem em sua própria ruína; Ele os abandona no pecado. Oséias 4:17: “Efraim está entregue aos ídolos; é deixá-lo”. Deus, com frequência, permite que caminhem grandes distâncias no pecado, e não lhes concede a graça refreadora que dá a outros. Ele os entrega à sua própria cegueira, de maneira que permanecem ignorantes de Deus e de Cristo, e das coisas que pertencem à sua paz [Lucas 19:42]. Eles são, às vezes, entregues à dureza de coração, e se tornam estúpidos e insensíveis, de tal maneira que nada, jamais, os despertará completamente. São entregues à própria cobiça dos corações, para insistirem em certas práticas ímpias, todos os seus dias. Alguns são entregues à avareza, outros à bebedeira, alguns à impureza, outros ao orgulho, disputas e espírito invejoso, e alguns a uma disposição acusadora e antagonista para com Deus. Ele os entrega à sua estultice, para agirem com excessiva tolice, para que adiem os cuidados de suas almas de tempos em tempos, para nunca acharem que o presente é o melhor tempo, mas sempre O mantêm à distância, e tolamente se gabam com esperanças de uma vida longa, e adiam o dia mau, e se bendizem no coração, dizendo: “Terei paz, ainda que ande na perversidade do meu coração, para acrescentar à sede a bebedice”. Alguns são deixados em tal estado que se tornam miseravelmente endurecidos e insensíveis, enquanto outros ao seu redor são despertados e, muito preocupados, perguntam-se o que devem fazer para ser salvos. Às vezes, Deus entrega os homens a uma fatal apostasia devido ao mau aproveitamento dos esforços do Seu Espírito. São abandonados para a apostasia eterna. Terrível é a vida e a condição dos que são assim deixados sem Deus. Temos exemplos da miséria dos tais na santa Palavra de Deus, particularmente de Saul e Judas. Estes são, às vezes, entregues ao poder de Satanás para que os tente, e os conduza a práticas ímpias, agravando bastante sua própria culpa e miséria.

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2. Indignação e ira são, às vezes, exercidas contra eles neste mundo, sendo amaldiçoados em todas as suas ocupações. Esta maldição de Deus os segue em tudo. São amaldiçoados nos seus prazeres. Se eles têm prosperidade, ela lhes é amaldiçoada; se possuem riquezas, se têm honra, se desfrutam prazeres, lá está a maldição de Deus presente. Salmos 92:7: “Ainda que os ímpios brotam como a erva, e florescem todos os que praticam a iniquidade, nada obstante, serão destruídos para sempre”. Há uma maldição de Deus que acompanha sua alimentação diária: cada pedaço de pão que comem, cada gota de água que bebem. Salmos 69:22: “Sua mesa torne-se-lhes diante deles em laço, e a prosperidade, em armadilha”. São amaldiçoados em todas suas ocupações, em qualquer coisa em que põem a mão; quando vão ao campo trabalhar, ou quando trabalham nos seus respectivos negócios. Deuteronômio 28:16: “Maldito serás tu na cidade e maldito serás no campo”. A maldição de Deus permanece na casa em que habitam, e o enxofre está espalhado nas suas habitações [Jó 18:15]. A maldição de Deus está presente nas suas aflições, enquanto que as aflições dos justos são correções paternais, e vêm pela misericórdia. As aflições que os ímpios enfrentam são devidas à ira, e vêm de Deus como um inimigo, e são o prenúncio de sua punição eterna. A maldição de Deus também os acompanha nos seus aproveitamentos e oportunidades espirituais, e lhes seria melhor não haver nascido em uma terra onde há a luz [do Evangelho]. O fato de terem a Bíblia e o Dia do Senhor apenas agrava sua culpa e miséria. A palavra de Deus quando lhes é pregada é cheiro de morte para a morte. Melhor lhes seria se Cristo jamais houvesse vindo ao mundo, se jamais houvesse oferta de um Salvador. A própria vida lhes é uma maldição; pois vivem apenas para encher a medida dos seus pecados. O que buscam em todos os divertimentos, e empregos, e preocupações da vida, é sua própria felicidade; mas jamais a obtêm. Jamais obtêm conforto verdadeiro, todos os consolos que têm são inúteis e não satisfazem. Se vivessem cem anos, com muito do mundo em sua possessão, suas vidas seriam todas preenchidas com vaidade. Tudo o que possuem é vaidade de vaidades, não acham descanso verdadeiro paras suas almas, tudo o que fazem é alimentar o vento oriental [Oséias 12:1] e não têm real contentamento. Sejam quais forem os prazeres exteriores que possam ter, suas almas estão famintas. Não têm paz real de consciência, não têm nada do favor de Deus. O que quer que façam, vivem em vão, e futilmente. São inúteis na criação de Deus, pois não respondem ao fim para o qual foram criados. Vivem sem Deus, não têm a Sua presença, e nenhuma comunhão com Ele. Pelo contrário, tudo o que têm, e tudo o que fazem, não têm outro fim senão o de contribuir para sua própria miséria, e tornar seu estado eterno e futuro mais terrível. Os melhores dos ímpios vivem vidas miseráveis e mesquinhas, mesmo com toda a sua prosperidade; suas vidas são muito indesejadas, e, o que quer que tenham, a ira de Deus permanece sobre eles. 3. Depois de um tempo devem morrer. Eclesiastes 9:3: “Este é o mal que há em tudo quanto

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se faz debaixo do sol: a todos sucede o mesmo; também o coração dos homens está cheio de maldade, nele há desvarios enquanto vivem; depois, rumo aos mortos”. A morte que recai sobre os ímpios é bem diferente da que recai sobre os justos; para os ímpios é uma execução da maldição da lei, e da ira de Deus. Quando um ímpio morre, Deus o extirpa em ira, ele é levado por uma tempestade de ira, e é impelido em sua impiedade. Provérbios 14:32: “Pela sua malícia é derribado o perverso, mas o justo, ainda morrendo, tem esperança”. Jó 18:18: “Da luz o lançarão nas trevas e o afugentarão do mundo”. Jó 27:21: “O vento oriental o leva, e ele se vai; varre-o com ímpeto do seu lugar”. Embora os ímpios, em vida, possam viver na prosperidade mundana, contudo, não podem viver sempre aqui, mas devem morrer. O lugar que conhecem não mais conhecerão; e o olho que os veem não mais os verão na terra dos vivos [Jó 7:8]. Seus limites estão inalteravelmente estabelecidos, e, quando o atingirem, devem partir, e deixar todas as boas coisas mundanas. Se viveram na glória exterior, sua glória não os acompanhará; nada que possuem poderá ser levado. Eclesiastes 5:15: “Como saiu do ventre de sua mãe, assim nu voltará, indo-se como veio; e do seu trabalho nada poderá levar consigo”. Ele deve deixar todas as suas posses para outros. Se estão tranquilos e quietos, a morte acabará com essa tranquilidade, roubará seu escárnio carnal, e os desnudará de toda sua glória. Como vieram nus ao mundo, nus voltarão, e irão como vieram. Se estocaram muitos bens, por muitos anos, se armazenaram em depósitos, na esperança de ter conforto e prazer, a morte lhes cortará tudo isso. Lucas 12:16: “E lhes proferiu ainda uma parábola, dizendo: O campo de um homem rico produziu com abun-dância. E arrazoava consigo mesmo, dizendo: Que farei, pois não tenho onde recolher os meus frutos? E disse: Farei isto: destruirei os meus celeiros, reconstruí-los-ei maiores e aí recolherei todo o meu produto e todos os meus bens. Então, direi à minha alma: tens em depósito muitos bens para muitos anos; descansa, come, bebe e regala-te. Mas Deus lhe disse: Louco, esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será?” Se têm nos seus peitos muitos desígnios e projetos para promoverem sua prosperidade e vantagem mundana, quando vem a morte, tudo vai-se embora com um sopro. Salmos 144:4: “Sai-lhes o espírito, e eles tornam ao pó; nesse mesmo dia, perecem todos os seus desígnios”. E assim, qualquer diligência que tenham tido em buscar sua salvação, a morte a desapontará, não aguardará que eles cumpram seus projetos e esquemas. Se afagaram, enfeitaram e adornaram seus corpos, a morte roubará todo seu prazer e glória; tornará seu semblante pálido e seu aspecto repulsivo. Ao invés das alegres roupas e dos belos ornamentos, terão apenas uma mortalha; sua casa será o escuro e silencioso túmulo; e esse corpo que tanto adoravam, se converterá em podridão repugnante, será comido pelos vermes, e se tornará pó. Alguns ímpios morrem na juventude, a ira os persegue, e logo os derruba e não lhes é permitido viver metade dos seus dias. Jó 36:14: “Perdem a vida na sua mocidade e morrem

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entre os prostitutos cultuais”. Salmos 55:23: “Tu, porém, ó Deus, os precipitarás à cova profunda; homens sanguinários e fraudulentos não chegarão à metade dos seus dias”. Eles são, às vezes, arrebatados em meio ao pecado e à vaidade, e a morte põe fim súbito a todos os seus prazeres juvenis. São, com frequência, interrompidos no meio de uma carreira no pecado, e se seu coração já se apegou firmemente a essas coisas, devem ser separados delas. Não possuem bens, senão os exteriores; mas, então, deverão eternamente os abandonar, devem para sempre fechar os olhos para tudo o que lhes foi querido e agradável aqui. 4. Os ímpios são, às vezes, objetos de muita tribulação e angústia de coração nos seus leitos de morte. Às vezes, as dores do corpo são muito extremas e terríveis; e o que suportam nestas agonias e lutas pela vida, quando corpo e alma estão lutando para se separar, ninguém saberá. Ezequias teve um senso terrível disso. Ele compara a um leão quebrando todos os seus ossos. Isaías 38:12, 13: “A minha habitação foi arrancada e removida para longe de mim, como a tenda de um pastor; tu, como tecelão, me cortarás a vida da urdidura, do dia para a noite darás cabo de mim. Espero com paciência até à madrugada, mas ele, como leão, me quebrou todos os ossos; do dia para a noite darás cabo de mim”. Mas isto é pouco comparado ao que, às vezes, é suportado pelas almas dos ímpios quando estão no seu leito de morte. A morte parece, às vezes, ter um aspecto muito horrível para eles, quando ela vem e os encara na face, não conseguem contemplá-la. É sempre assim quando os ímpios têm notícias da aproximação da morte, e têm a razão e a consciência em exercício, e não são estúpidos ou distraídos. Quando essa rainha dos terrores vem e se revela, e são chamados a encontrá-la, oh, como é terrível seu conflito! Mas é necessário que a encontrem: Eclesiastes 8:8: “Não há nenhum homem que tenha domínio sobre o vento para o reter; nem tampouco tem ele poder sobre o dia da morte; nem há tréguas nesta peleja; nem tampouco a perversidade livrará aquele que a ela se entrega”. A morte vem a eles com toda sua terrível armadura, e com seu aguilhão; e é o suficiente para encher suas almas com um tormento que não pode ser expresso. É ruim para uma pessoa estar em uma cama, doente, ser desenganada pelos médicos, com os amigos ao redor chorando, como se esperassem partir juntos; e em tais circunstâncias não ter esperança, não ter interesse em Cristo, e ter a culpa dos pecados posta sobre sua alma; estar saindo do mundo ser ter feito a paz com Deus; permanecer diante do Seu trono de julgamento com todos os seus pecados, sem ter nada para objetar, ou responder. Ver a única oportunidade para se preparar para a eternidade chegando ao fim, depois da qual não haverá mais tempo para aprovação, mas sua situação estará inalteravelmente fixada, e jamais haverá outra oferta de um Salvador. É horrível para a alma chegar às margens do ilimitado mar da eternidade e insensivelmente se atirar nele, sem qualquer

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Deus ou Salvador para lhe preservar. Ser trazida à beira do precipício e ver a si mesma caindo no lago de fogo e enxofre, e sentir que não tem nenhum poder de impedir sua queda: quem poderá contar os apertos e apreensões do coração em tal situação? Como ela tenta voltar, mas, não obstante, continua; é vão desejar mais uma oportunidade! Oh, como pensa que são felizes aqueles que estão à sua volta, que ainda podem viver, ter sua vida prolongada, enquanto ele vai para uma eternidade infindável! Como desejaria que acontecesse consigo o mesmo que ocorre com os que têm mais tempo de se preparar para o julgamento! Mas não será assim. A morte, enviada com o propósito de chamá-lo, não lhe dará descanso nem alívio: ele deve comparecer diante do trono de Deus como está, ter seu estado eterno determinado de acordo com suas obras. Para tais pessoas, como as coisas parecem diferentes dos seus tempos de saúde, quando contemplavam a morte à distância! Como o pecado lhes parece diferente agora, aqueles mesmos pecados que costumavam menosprezar! Como é terrível olhar para trás e considerar como gastaram seu tempo, sendo tolos, e como gratificaram e premiaram seus desejos carnais, e viveram nos caminhos da impiedade; como foram descuidados, e como negligenciaram suas oportunidades e vantagens, recusando-se a ouvir o conselho, e como não se arrependeram apesar de todos os avisos que receberam! (Provérbios 5:11-13): “e gemas no fim de tua vida, quando se consumirem a tua carne e o teu corpo, e digas: Como aborreci o ensino! E desprezou o meu coração a disciplina! E não escutei a voz dos que me ensinavam, nem a meus mestres inclinei os ouvidos!” Como o mundo lhes parece diferente agora! Costumavam lhe dar muito valor, e ter seus corações arrebatados por ele; mas de que vale agora? Como são insignificantes todas as riquezas! (Provérbios 11:4): “As riquezas de nada aproveitam no dia da ira, mas a justiça livra da morte”. Que pensamentos diferentes têm agora a respeito de Deus e de Sua ira! Eles costumavam desprezar a ira de Deus, mas como ela parece terrível agora! Como os seus corações se comprimem ao pensar em comparecer diante desse Deus! Como seus pensamentos a respeito do tempo são diferentes! Agora o tempo parece precioso e o que não dariam por mais um pouco de tempo! Alguns, nestas circunstâncias, foram levados a clamar: “Oh, um milhão de mundos por uma hora, por um momento!” E como a eternidade parece diferente agora! Sim, ela é de fato terrível. Alguns, no leito de morte, foram levados a clamar: “Oh essa palavra ‘eternidade! eternidade! eternidade!’” Que mar sombrio ela lhes parece, quando chegam às suas margens! Com frequência, nestes tempos, clamam por misericórdia, e clamam em vão. Deus os chamou, mas não ouviram. “Antes, rejeitastes todo o meu conselho e não quisestes a minha repreensão; também eu me rirei na vossa desventura, e, em vindo o vosso terror, eu zombarei” (Provérbios 1:26). Rogam a outros que orem por eles, chamam os pastores, mas nada resolve. Chegam mais e mais perto da morte, e a eternidade está mais e mais à porta. E quem pode expressar o seu horror, quando se sentem agarrados pelos braços gelados da morte, quando sua respiração falha mais e

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mais, e seus olhos começam a ficar fixos e a fraquejar! O que eles sentem não pode ser dito ou concebido. Alguns ímpios têm muito do horror e desespero do inferno na sua última doença. Eclesiastes 5:17: “Nas trevas, comeu em todos os seus dias, com muito enfado, com enfermidades e indignação”.

II. Descreverei agora a ira que acompanha os ímpios no porvir. 1. A alma, quando separada do corpo, será lançada no inferno. Há, sem dúvida, um julgamento específico pelo qual todo homem deve ser provado na morte, além do julgamento geral, pois a alma, tão logo parte do corpo, aparece diante de Deus para ser julgada. Eclesiastes 12:7: “e o pó volte à terra, como o era, e o espírito volte a Deus, que o deu”. Isto é, para ser julgada e preparada por Ele. Hebreus 9:27: “E, assim como aos homens está ordenado morrerem uma só vez, vindo, depois disto, o juízo”. Mas este julgamento particular provavelmente não é uma ocasião solene como aquele que acontecerá no dia final. A alma deve aparecer diante de Deus, mas não da forma como os homens aparecerão no fim do mundo. As almas dos ímpios não irão ao céu para se apresentar diante de Deus, nem Cristo descerá de lá para a alma se apresentar diante dele. Nem se supõe que a alma será carregada a algum lugar, onde haja algum símbolo especial da presença Divina. Mas Deus está presente em todo lugar, então a alma se conscientizará imediatamente da Sua presença. As almas em um estado separado [do corpo] estarão sensíveis da presença de Deus e de Suas operações de maneira diferente do que estão agora. Pode-se dizer que todos os espíritos separados estão diante de Deus: os santos estão em Sua gloriosa presença, e os ímpios no inferno estão em Sua terrível presença. Somos informados que são atormentados na presença do Cordeiro. Apocalipse 14:10: “Também esse beberá do vinho da cólera de Deus, preparado, sem mistura, do cálice da sua ira, e será atormentado com fogo e enxofre, diante dos santos anjos e na presença do Cordeiro”. Assim, a alma de um ímpio, na sua partida do corpo, ficará imediatamente consciente de que está diante de um Deus infinitamente santo e terrível, e do seu próprio Juiz final. E então verá como Ele é um Deus terrível, verá como é santo, como odeia infinitamente o pecado; estará ciente da grandeza da ira de Deus contra o pecado, e como é terrível Seu desprazer. Estará consciente da terrível majestade e poder de Deus, e como é horrível coisa cair em Suas mãos. Então a alma virá nua, com toda a sua culpa, em toda sua imundície; uma vil, repugnante, abominável criatura, uma inimiga de Deus, rebelde contra Ele, com a culpa de toda sua rebelião e menosprezo dos mandamentos de Deus, e desprezo de Sua autoridade, e desrespeito pelo glorioso Evangelho, diante de Deus como seu Juiz. Isso a encherá de horror e espanto. Não se deve pensar que esse julgamento será acompanhado com qualquer voz ou qualquer outro relatório, como o julgamento no fim do mundo; mas Deus Se manifestará em sua estrita justiça interiormente, às vistas imediatas da alma, e ao sentido e apreensão da consciência.

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Este julgamento particular não será obstáculo para que a alma seja lançada no inferno imediatamente ao sair do corpo. Tão logo ela saia do corpo, saberá qual será seu estado e condição por toda a eternidade. Enquanto houver vida, há esperança. O homem, enquanto vivia, embora sua situação fosse extremamente terrível, possuía ainda esperança. Quando estava moribundo, havia ainda possibilidade de salvação. Mas, uma vez que a união entre a alma e corpo for quebrada, nesse exato momento o caso se torna desesperador, e não subsiste mais esperança alguma, nenhuma possibilidade. Nos seus leitos de morte talvez tivessem esperança que Deus se compadeceria deles e ouviria seus clamores, ou que ouviria as preces dos seus amigos piedosos por eles; estavam prontos para se agarrar em qualquer coisa que encontrassem, algum afeto religioso ou alguma mudança na sua conduta externa, e se gabavam que eram então convertidos. Eram capazes de se permitir algum grau de esperança devido às vidas morais que viviam e que Deus os respeitaria e os salvaria. Mas tão logo a alma parte do corpo, a partir desse momento o caso está absolutamente determinado. Haverá então um fim eterno para toda esperança, para tudo que os homens se agarravam nesta vida; a alma então saberá com segurança que deve ser miserável por toda eternidade, sem qualquer remédio. Verá que Deus é seu inimigo; verá seu Juiz vestido em Sua ira e vingança. Então, sua miséria começará e será, neste momento, engolida pelo desespero. O grande mar estará fixo entre ela e a felicidade, a porta da misericórdia fechada para sempre, a sentença irrevogável será dada. Então, os ímpios saberão o que está diante deles. Antes, a alma estava aflita por temer como seria; mas agora, todos os seus temores sobrevirão. Sobrevirão como um dilúvio poderoso, e não haverá escape. Devido ao medo, a alma anteriormente estava cheia de espanto; mas agora, quem pode conceber o assombro que a enche, quando toda esperança estiver cortada, e estiver ciente que nada fará alguma diferença! Quando morre um homem bom, sua alma é conduzida pelos santos anjos ao céu. Lucas 16:22: “Aconteceu morrer o mendigo e ser levado pelos anjos para o seio de Abraão; morreu também o rico e foi sepultado”. Assim, podemos bem supor que quando um ímpio morre, sua alma é agarrada pelos anjos maus; que eles cercam sua cama prontos para arrebatar a alma miserável tão logo ela deixe o corpo. E com que violência e fúria estes espíritos cruéis voarão sobre sua presa e ela será deixada em suas mãos! Não haverá bons anjos para guardá-la e defendê-la. Deus não terá cuidado dela, não haverá nada que lhe sirva de auxílio contra estes espíritos cruéis que a tomarão e a levarão ao inferno, para ser atormentada para sempre. Deus a deixará completamente em suas mãos, e a dará para sua possessão, quando vier a morrer; e será conduzida ao inferno, a habitação dos demônios e espíritos condenados. Se o temor do inferno no leito de morte, às vezes, enche os ímpios

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de terror, como serão esmagados quando sentirem seus tormentos, quando descobrirem que são não apenas tão grandes, mas até mesmo maiores que seus temores! Descobrirão que são muito além do que poderiam conceber ao sentirem; pois ninguém sabe o poder da ira de Deus, senão os que a experimentam. Salmos 90:11: “Quem conhece o poder da tua ira? E a tua cólera, segundo o temor que te é devido?” As almas dos ímpios que partiram são, sem dúvidas, levadas para algum lugar específico no universo que Deus preparou para ser o receptáculo dos seus súditos ímpios, rebeldes e miseráveis. Um lugar onde a justiça vingadora de Deus será glorificada; um lugar feito para a prisão, onde demônios e ímpios estão reservados até o dia do julgamento. 2. Aqui, as almas dos ímpios sofrerão miséria extrema e incrível, em um estado separado [do corpo], até ao dia da ressurreição. Esta miséria não é, na verdade, seu castigo pleno, assim como não é a felicidade dos santos completa antes do dia do julgamento. Acontece com as almas dos ímpios o mesmo que acontece com os demônios. Embora estes sofram tormentos extremos agora, contudo ainda não sofrem seu castigo completo; e, portanto, é dito que foram lançados ao inferno e presos em cadeias. 2 Pedro 2:4: “Ora, se Deus não poupou anjos quando pecaram, antes, precipitando-os no inferno, os entregou a abismos de trevas, reservando-os para juízo”. Judas 6: “E a anjos, os que não guardaram o seu estado original, mas abandonaram o seu próprio domicílio, ele tem guardado sob trevas, em algemas eternas, para o juízo do grande Dia”. Eles são reservados no estado em que estão; e para que estão reservados, senão para grau maior de punição? Logo, vemos que tremem de medo. Tiago 2:19: “Crês, tu, que Deus é um só? Fazes bem. Até os demônios creem e tremem”. Da mesma forma, quando Cristo esteve sobre a terra, os demônios tinham muito medo que Ele tivesse vindo para os atormentar. Mateus 8:29: “E eis que gritaram: Que temos nós contigo, ó Filho de Deus! Vieste aqui atormentar-nos antes de tempo?” Marcos 5:7: “exclamando com alta voz: Que tenho eu contigo, Jesus, Filho do Deus Altíssimo? Conjuro-te por Deus que não me atormentes!” Mas, ainda assim, lá eles estão, em extrema e inconcebível miséria; privados de todo bem, sem nenhum descanso ou conforto, e estão sujeitos à ira de Deus. Ele lá executa Sua ira contra eles sem misericórdia, e são engolidos em ira. Lucas 16:24: “Então, clamando, disse: Pai Abraão, tem misericórdia de mim! E manda a Lázaro que molhe em água a ponta do dedo e me refresque a língua, porque estou atormentado nesta chama”. Aqui nos é dito que, quando o rico morreu, estando em tormentos, levantou seus olhos e disse a Abraão que estava atormentado em uma chama. E parece que a chama não estava apenas sobre ele, mas nele; assim, pede por uma gota de água para refrescar sua língua. Isto, sem dúvida, serve para nos representar que eles estão cheios da ira de Deus, como se fosse fogo, e estarão lá atormentados em meio a demônios e espíritos condenados; e terão tormentos

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indizíveis devidos às suas próprias consciências. A ira de Deus é o fogo que nunca será apagado, e a consciência o verme que nunca morre (Isaías 66:24). Como os homens sofrem do horror da consciência, às vezes, neste mundo! Mas como sofrerão ainda mais no inferno! Quantas reflexões amargas e atormentadoras terão com relação à tolice de que foram culpados em suas vidas, por terem negligenciado suas almas, quando tiveram oportunidade de arrependimento; por terem continuado tão tolamente a entesourar ira para o dia da ira, acrescentando pecados ao seu registro, dia após dia, fazendo sua miséria cada mais maior; como atiçaram as chamas do inferno para si mesmos, e passaram suas vidas ajuntando combustível! Não serão capazes de resolver tais pensamentos em suas mentes; e como serão atormentadores! E os que vão ao inferno, jamais podem escapar de lá; lá ficarão aprisionados até o dia do julgamento, e seus tormentos continuarão perpetuamente. Os ímpios que morreram muitos anos atrás, suas almas foram para o inferno, e ainda estão lá; os que foram ao inferno nas eras passadas, desde então, estão lá, sempre em tormentos. Não têm mais nada para passar o tempo, senão sofrendo tormentos, são mantidos conscientes para nenhum outro propósito; e, embora tenham muitos companheiros no inferno, contudo não têm conforto, pois não há amigo, amor, piedade, quietude, nem sombra de esperança. 3. As almas separadas dos ímpios, além da miséria presente que sofrem, estarão em terrível medo de seu julgamento mais pleno no Dia do julgamento. Embora sua punição no estado separado seja extremamente terrível, e muito além do que possam suportar, embora seja tão grande a ponto de afundá-las e esmagá-las, contudo, não termina aqui, pois estão reservadas para uma punição muito maior e mais terrível. Seus tormentos serão, então, vastamente aumentados, e continuarão aumentando por toda a eternidade. Seu castigo será tão grande que suas misérias nesse estado separado não são senão como uma prisão antes da execução; elas, bem como os demônios, estão presas em cadeias de escuridão. Judas 6: “E a anjos, os que não guardaram o seu estado original, mas abandonaram o seu próprio domicílio, ele tem guardado sob trevas, em algemas eternas, para o juízo do grande Dia”. Os espíritos separados são chamados “espíritos em prisão”. 1 Pedro 3:19: “no qual também foi e pregou aos espíritos em prisão”. E, se a prisão é terrível, como será terrível a execução! Quando estamos sofrendo alguma dor muito forte no corpo, como lamentamos qualquer aumento nela! Só o fato de continuar a doer é muito ruim, quanto mais aumentar. Como esses espíritos separados, que sofrem os tormentos do inferno, temerão ainda mais o aumento e plenitude do seu tormento que haverá no Dia do julgamento. O que já sentem é largamente mais do que podem suportar; quando estão, por assim dizer, rogando por uma gota d’água para refrescar sua língua, quando dariam dez mil mundos por um mínimo de abatimento de sua miséria! Como seria então sinistro pensar que, ao invés disso, está vindo o Dia quando Deus dará do céu a sentença de um grau de miséria muito mais terrível, e que continuarão debaixo dela para sempre! A experiência que têm do terror da ira de

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Deus os convence completamente como é terrível Sua ira; eles, portanto, ficarão extremamente temerosos dessa ira plena que ele executará no Dia do julgamento; não terão esperança de escapar, saberão com certeza que ela virá. O temor disso faz os demônios, estes espíritos poderosos, orgulhosos e teimosos, tremerem: eles creem na ameaça, e, portanto, tremem. Se este temor os vence, como não esmagará as almas dos ímpios! Todo o inferno treme ao pensar no dia do julgamento. 4. Quando vier o dia do julgamento, deverão levantar-se para a ressurreição da condenação. Quando esse dia vier, toda a humanidade que houver morrido na face da terra ressurgirá; não apenas os justos, mas também os ímpios. Daniel 12:2: “Muitos dos que dormem no pó da terra ressuscitarão, uns para a vida eterna, e outros para vergonha e horror eterno”. Apocalipse 20:13: “Deu o mar os mortos que nele estavam. A morte e o além entregaram os mortos que neles havia. E foram julgados, um por um, segundo as suas obras”. Os condenados no inferno não sabem o tempo em que o Dia do julgamento acon-tecerá, mas quando este tempo chegar, será conhecido, e serão as notícias mais terríveis que jamais foram ouvidas neste mundo de misérias. Sempre é tempo doloroso no inferno; o mundo da escuridão é cheio de gritos e clamores dolorosos; mas quando as novas forem ouvidas, que o Dia apontado do julgamento chegou, o inferno se encherá de gritos mais altos e clamores mais terríveis que jamais houve. Quando Cristo vier nas nuvens dos céus para o julgamento, as notícias sobre Ele encherão tanto a terra quanto o inferno com gemidos e gritos amargos. Lemos que todas as famílias da terra se lamentarão por sua causa, e, da mesma forma, os habitantes do inferno; e então as almas dos ímpios devem ser unidas aos seus corpos, e permanecerão diante do Juiz. Não devem vir voluntariamente, mas serão arrastadas, como o malfeitor é arrastado do calabouço para a execução. Não foi de boa vontade que morreram, e deixaram a terra para ir ao inferno; mas é de muito mais má vontade que sairão do inferno para se dirigirem ao julgamento final. Não será uma libertação para elas, será apenas uma ida para a execução. Retrocederão, mas devem vir; os demonios e espíritos condenados devem vir juntos. A última trombeta será então ouvida, e este será o som mais pavoroso para os ímpios e demônios que jamais foi ouvido; e não apenas os ímpios, que então serão achados habitando a terra, a ouvirão, mas também os que estiverem nos seus túmulos. João 5:28-29: “Não vos maravilheis disto, porque vem a hora em que todos os que se acham nos túmulos ouvirão a sua voz e sairão: os que tiverem feito o bem, para a ressurreição da vida; e os que tiverem praticado o mal, para a ressurreição do juízo”. E então as almas dos ímpios deverão entrar novamente nos seus corpos, que estarão preparados apenas para serem os vasos de tormento e miséria. Será uma visão terrível para elas quando entrarem novamente nos seus corpos, os mesmos que anteriormente foram usados como membros e instrumentos do pecado e da impiedade, e cujos apetites e desejos elas permitiram e gratificaram. A separação do corpo e da alma lhes foi terrível

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quando morreram, mas a reunião na ressurreição será ainda mais terrível. Receberão seus corpos imundos e odiosos, de acordo com a vergonha e desprezo eterno para o qual estão destinados. Assim como os corpos dos santos surgirão mais gloriosos que na terra, e serão à semelhança do corpo glorioso de Cristo, da mesma forma, podemos bem supor que os corpos dos ímpios serão proporcionalmente mais deformados e odiosos. Muitas vezes neste mundo uma alma poluída está escondida em um corpo fino e belo, mas não será assim então, quando as coisas aparecerão como elas são; a forma e o aspecto do corpo serão de acordo com a deformidade infernal da alma. Assim surgirão dos seus túmulos, e levantarão os olhos, e verão o Filho de Deus nas nuvens dos céus, na glória de Seu Pai, com Seus santos anjos com Ele. Então verão seu Juiz em Sua terrível majestade, que será a visão mais incrível que jamais tiveram, e acrescentará ainda mais novos horrores. Essa terrível e esplêndida majestade na qual Ele aparecerá, e as manifestações de Sua infinita santidade, espicaçará suas almas. Virão dos seus túmulos, todos tremendo e atônitos; o terror os surpreenderá. 5. Então, aparecerão diante do seu Juiz para prestar contas. Não acharão montanhas ou rochas que caiam sobre eles, que possam cobri-los, e escondê-los da ira do Cordeiro. Muito deles verão outros nessa ocasião, que foram seus antigos conhecidos, que aparecerão em corpos gloriosos, e com semblantes alegres e cânticos de louvor, e se elevando como que com asas para encontrar o Senhor nos ares, enquanto eles são deixados para trás. Muitos verão seus antigos vizinhos e conhecidos, seus companheiros, irmãos, e suas esposas sendo levados. Serão convocados a comparecer diante do tribunal; e devem ir, mesmo que não queiram; devem permanecer à esquerda de Cristo, em meio a demônios e ímpios. Isto, de novo, acrescentará mais espanto, e fará com que seu horror seja ainda maior. Com que terror essa sociedade se ajuntará! E então serão chamados a prestar contas; serão trazidas à luz as coisas ocultas das trevas; todas as impiedades do coração serão conhecidas; serão declaradas as reais impiedades de que são culpados; aparecerão seus pecados secretos, que foram cometidos longe dos olhos do mundo; agora serão manifestos na sua luz verdadeira aqueles pecados que costumavam apreciar, e desculpar e justificar. E todos os seus pecados serão apresentados com todos os seus terríveis agravantes, e sua imundície será trazida à luz para sua vergonha e desprezo eterno. Então ficará claro como muitas destas coisas eram hediondas, coisas que em vida faziam pouco caso; então aparecerá como foi terrível sua culpa no seu desprezo por um Salvador tão glorioso e bendito. E todo mundo verá e muitos se levantarão em julgamento contra eles e os condenarão; seus companheiros a quem tentaram para a impiedade, outros que foram endurecidos pelo seu exemplo, se levantarão contra muitos deles; e os pagãos que não tiveram tantas vantagens em comparação com eles, e muitos que, ainda assim, viveram vidas melhores, se levantarão contra eles. Serão, então, chamados para um relato especial; o Juiz declarará sua pena, ficarão mudos, sem ter o que dizer, pois verão então como Ele é um Deus grande e

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terrível, este mesmo contra quem pecaram. Então ficarão à Sua esquerda, enquanto outros a quem conheceram na terra sentarão à direita de Cristo em glória, brilhando como o sol, aceitos por Cristo, e sentados com Ele para julgá-los e condená-los. 6. Então a sentença da condenação será pronunciada pelo Juiz sobre eles. Mateus 25:41: “Então, o Rei dirá também aos que estiverem à sua esquerda: Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos”. Essa sentença será pronunciada com terrível majestade; e haverá grande indignação, e terrível ira aparecerá no Juiz, e em Sua voz, com a qual pronunciará a sentença; e com que horror e surpresa estas palavras atingirão os corações dos ímpios, para quem serão pronunciadas! Cada palavra e sílaba será como o mais terrível trovão para eles, e espicaçará suas almas como o relâmpago mais penetrante. O Juiz lhes ordenará que se apartem dele; os expulsará de Sua presença, como grandemente abomináveis para Ele, e lhes alcunhará de malditos; serão uma sociedade maldita, e não apenas lhes ordenará que saiam de Sua presença, mas que vão para o fogo eterno, para lá habitar como a sua única morada digna. E o que mostra como o fogo é terrível é que ele está preparado para o diabo e seus anjos: eles permanecerão para sempre no mesmo fogo em que os demônios, estes grandes inimigos de Deus, serão atormentados. Quando esta sentença for pronunciada, haverá no vasto grupo à esquerda termores e soluços, e gritos, e ranger de dentes, de uma nova forma, que jamais houve antes. Se os demônios, estes espíritos soberbos e elevados, tremem há muitas eras de antemão ao mero pensamento desta sentença, como irão tremer quando ela vier a ser pronunciada! E como os ímpios tremerão! Sua angústia será agravada ao ouvirem a bendita sentença pronunciada para aqueles que estarão à direita: “então, dirá o Rei aos que estiverem à sua direita: Vinde, benditos de meu Pai! Entrai na posse do reino que vos está preparado desde a fundação do mundo”. 7. Então a sentença será executada. Quando o Juiz ordenar que partam, devem ir; mesmo contra sua vontade, devem ir. Imediatamente após o fim do julgamento e a pronúncia da sentença, chegará ao fim o mundo. A estrutura deste mundo será dissolvida. A pronúncia da sentença será, provavelmente, seguida de trovões, que rasgarão os céus e tremerão a terra do seu lugar. 2 Pedro 3:10: “Virá, entretanto, como ladrão, o Dia do Senhor, no qual os céus passarão com estrepitoso estrondo, e os elementos se desfarão abrasados; também a terra e as obras que nela existem serão atingidas”. Então o mar e as ondas se agitarão, e as rochas serão derrubadas, e as montanhas serão rasgadas, e haverá um naufrágio universal deste grande mundo. Os céus serão dissolvidos, e a terra será posta em chamas. Assim como Deus, em ira, uma vez destruiu o mundo por um dilúvio de águas, assim agora faz com que ele se afogue em um dilúvio de fogo; e os céus estarão em chamas, serão dissolvidos, e os elementos se fundirão com o calor fervente. (2 Pedro 3:10); e aquelas grandes súcias de demônios e ímpios entrarão nessas chamas eternas para a qual foram sentenciados.

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8. Nesta condição permanecerão por todas as infindáveis eras da eternidade. Sua punição estará, então, completa, e permanecerá nesta completude para sempre. Agora virá sobre eles tudo o que temeram enquanto suas almas estavam no estado separado. Habitarão em um fogo que jamais se apagará, e aqui vestirão a eternidade. Aqui suportarão mil anos após mil anos, e sem chegar ao fim. Não há cálculo dos milhões de anos ou milhões de eras; toda aritmética falha aqui, não há regras de multiplicação que possa alcançar a quantidade, pois não haverá fim. Não terão nada a fazer para passar a eternidade, a não ser serem atormentados com aqueles tormentos; este será seu trabalho para todo o sempre; Deus não terá nenhum outro uso para eles; esta é a maneira que responderão ao propósito de suas existências. E nunca terão descanso, nem expiação, mas seus tormentos se manterão a sua altura, e nunca ficarão mais toleráveis, pois jamais se acostumarão a eles. O tempo lhes parecerá longo, todo momento será longo para eles, mas jamais acabará, como todas as eras de seu tormento.

Aplicação I. Assim, que cuidado temos que ter que nosso fundamento para a eternidade esteja assegurado! Os que edificam em um falso fundamento, não estão seguros dessa miséria. Os que constroem um refúgio de mentiras descobrirão que seu refúgio de nada lhes adiantará. Os muros que rebocaram com cimento frágil cairão. Quanto mais terrível a miséria, mais necessidade temos de assegurar que estejamos livres dela. Será terrível, de fato, ser desapontado em tal matéria. Acariciar-nos com sonhos e vãs imaginações de ser filho de Deus, e de ir para o céu, e, ao fim, acordar no inferno, ver nosso refúgio varrido, e nossa esperança eternamente perdida, e nos descobrir engolidos pelas chamas, e ver uma eternidade infindável diante de nós; como será terrível! Haverá muitos que serão assim desapontados. Muitos virão à porta e a encontrarão fechada, estes mesmos que a esperavam aberta, e baterão, mas Cristo lhes dirá que não os conhece, e os ordenará que partam, e será inútil para eles comunicar a Cristo acerca das afeições que tiveram, e como foram religiosos, e como foram bem reputados na terra. Não terão resposta alguma senão: “Apartai-vos de mim, não vos conheço, vós os que praticais a iniquidade”. Consideremos isto, e tenhamos toda diligência em ver que edificamos na certeza de que, de toda forma, seremos achados em Cristo. Observemos se, de fato, estamos bem seguros desta terrível miséria. Do que adiantará nos agradar com uma noção de sermos convertidos, e sermos amados por Deus? E do que adiantará termos uma boa reputação com os nossos vizinhos por alguns dias, se formos no fim lançados no inferno, e aparecermos no dia do julgamento à esquerda [de Cristo], e termos nossa porção eterna com os ímpios? Uma falsa esperança não tem valor, e é mil vezes pior do que o total deses-

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pero. E quem é mais miserável do que aqueles que acham que Deus perdoou seus pecados e que esperam ter uma porção com os santos na eternidade, mas, enquanto isso, estão se precipitando de cabeça nesta miséria terrível? Que situação seria mais triste do que a dos que assim são conduzidos vendados para a morte, prometendo a si mesmos uma felicidade que jamais virá, pelo contrário, estarão se afogando na tribulação e angústia infindáveis! Que todos, portanto, que mantêm esperança de seu próprio estado, vejam se estão bem fundamentados; e que não descansem em sucessos passados, mas prossigam em frente, para as coisas que estão adiante com toda a sua força.

II. Também podemos derivar um argumento para o despertamento dos ímpios. Esta indignação e ira, tribulação e angústia é a porção reservada a você, se continuar no seu estado atual. Você é a pessoa a quem me referia; é para você que toda essa miséria está reservada pelas ameaças da santa Palavra de Deus. É sobre você que permanece essa ira de Deus. Neste momento, você está em um estado de condenação a esta miséria. João 3:18: “o que não crê já está condenado”. Ainda não foi executada a sentença, mas você já está condenado a ela; não está simplesmente exposto à condenação, mas já está sob a sentença real de condenação. Esta é a porção que lhe está reservada pela lei, e você está sob a lei e não sob a graça. Esta é a miséria na qual você corre o perigo diário de cair. Você não está seguro nem por uma hora. O tempo em que ela virá, é incerto. Você está suspenso sobre ela por um fio, que a cada dia se torna mais e mais fraco. Esta miséria terrível, em todas as suas partes sucessivas, lhe pertence, e é a sua porção. Se seus amigos e vizinhos, se todos ao seu redor, soubessem qual é a sua condição, poderiam muito bem levantar a voz em um clamor alto e amargo por sua causa, quando o contemplassem. Poderiam dizer: “Eis aqui um ser infeliz, condenado a ser entregue eternamente nas mãos dos demônios e ser atormentado por eles. Eis aqui um miserável, que está em perigo diário de ser engolido pelo mar sem fundo de tristeza e miséria. Eis aqui uma criatura miserável e perdida, condenada a passar a eternidade em fogo que não se apaga, e habitar em meio a chamas eternas; e ainda assim, não tem interesse em um Salvador, não tem nada para o defender, nada com que possa aplacar a ira de um Deus ofendido”. Aqui, considere duas coisas: 1. Você não tem razão alguma para questionar a realidade destas misérias e tormentos futuros, que são ameaçados na Palavra de Deus. Não se exalte com o pensamento de que isso pode não acontecer. Não diga: “Como eu saberei que existe tal miséria a ser infligida em outro mundo? Como eu saberei se isso não passa de uma fábula, e que quando vier a morrer haverá um fim para mim, e ocorrerá comigo o mesmo que acontece com as feras?”

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Não diga: “Como eu saberei se tudo isso não passa de fantasmas da invenção humana? Como eu saberei se as Escrituras, que ameaçam estas coisas, são a Palavra de Deus? Talvez Ele tenha ameaçado essas coisas apenas para amedrontar os homens, para mantêlos no seu dever, sem ter jamais a intenção de cumprir com Suas ameaças”. Digo que não há base para suspeitas, nem razões para ela, pois que não haverá um castigo futuro é não apenas contrário à Escritura, mas à razão. Não é razoável supor que não haverá um castigo futuro, ou supor que Deus, que fez o homem racional, capacitado a reconhecer seu dever, e sensível de que merece punição quando não o faz, deixaria o homem abandonado, para viver ao seu capricho, e que nunca o puniria por seus pecados, e não diferenciaria entre o bom e o mau. Ou que faria a humanidade e a abandonaria, que deixaria o homem viver todos os seus dias na impiedade, no adultério, homicídio, roubo e abuso, e coisas tais, e permitiria que vivessem prosperamente, sem puni-los jamais; que ficaria passivo vendo sua prosperidade no mundo, muito além dos justos, sem puni-los na eternidade. Como é irracional supor que Aquele que fez o mundo deixaria as coisas em tal confusão, e nunca tomaria cuidado com o governo de Suas criaturas e que jamais julgaria Suas criaturas racionais! A razão ensina que há um Deus, e também ensina que, se há, Ele deve ser um Deus sábio e justo, e que deve se preocupar em ordenar as coisas sábia e justamente entre Suas criaturas. Portanto, não é razoável supor que os homens morrem como as feras e que não há castigo futuro. E se há castigo futuro, não é razoável supor que Deus não tenha, em algum lugar ou outro, dado aviso aos homens acerca dele, e lhes revelado que tipo de punição devem esperar. Um legislador sábio manteria seus súditos em ignorância quanto à punição que devem esperar por quebrar sua lei? E se Deus a revelou, onde mais será encontrada a não ser na Escritura? Que revelação temos de um estado futuro se não estiver nela revelada? Onde mais, senão aqui, Deus fala à humanidade que tipo de recompensas e punições deve ela esperar? E está abundantemente manifesto, por inúmeras evidências, que estas ameaças são as ameaças de Deus, e que este livro temível é Sua revelação. E uma vez que esta ameaça procede de Deus, não há motivo para objeção quanto ao seu cumprimento. Pois Ele disse, sim, até mesmo jurou, que retribuirá ao ímpio na sua face, de acordo com suas ameaças, e que será glorificado em sua destruição, e que este céu e esta terra passarão. Quão tolo é, então, pensar que Deus possa apenas ameaçar tais castigos para o amedrontamento dos homens, sem jamais pretender executá-los! Pois tão certo como Deus é Deus, fará conforme Suas palavras. Ele destruirá as montanhas da iniquidade conforme Suas ameaças, e não haverá escape. Como é vão o pensamento daqueles que se iludem dizendo que Deus não cumprirá Suas ameaças, e que Ele apenas atemoriza e engana os homens por meio delas. Como se Deus não pudesse de outra maneira governar o mundo senão por meio de engodos e embustes falaciosos para iludir Seus súditos! Os que acariciam tais pensamentos, conquanto possam estar endurecidos no presente, os entreterão somente por um pouco. Sua experiência, em breve, lhes convencerá

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que Deus é um Deus da verdade, e que Suas ameaças não são ilusões. Quando for tarde demais para escapar, serão convencidos de que ele é um Deus que de forma alguma inocenta o culpado, e que Suas ameaças são substanciais e não meras sombras. Deuteronômio 29:18-21: “Para que, entre vós, não haja homem, nem mulher, nem família, nem tribo cujo coração, hoje, se desvie do SENHOR, nosso Deus, e vá servir aos deuses destas nações; para que não haja entre vós raiz que produza erva venenosa e amarga, ninguém que, ouvindo as palavras desta maldição, se abençoe no seu íntimo, dizendo: Terei paz, ainda que ande na perversidade do meu coração, para acrescentar à sede a bebedice. O SENHOR não lhe quererá perdoar; antes, fumegará a ira do SENHOR e o seu zelo sobre tal homem, e toda maldição escrita neste livro jazerá sobre ele; e o SENHOR lhe apagará o nome de debaixo do céu. O SENHOR o separará de todas as tribos de Israel para calamidade, segundo todas as maldições da aliança escrita neste Livro da Lei”. Salmos 50:21: “Tens feito estas coisas, e eu me calei; pensavas que eu era teu igual; mas eu te arguirei e porei tudo à tua vista”. 2. Não há razão para pensar que seja possível que os ministros [do Evangelho] apresentem este assunto além do que realmente seja; que possivelmente não seja tão horrível e terrível como se pretende, e que os ministros forçam a sua descrição além dos limites justos. Alguns prontamente pensam assim, pois lhes parece incrível que haja miséria tão terrível para qualquer criatura; mas não há razão alguma para tais pensamentos, se considerarmos: Primeiro. Quão é grande a punição que merecem os pecados dos ímpios. A Escritura nos ensina que qualquer pecado merece a morte eterna: Romanos 6:23: “porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor”. E que ele merece a maldição eterna de Deus. Deuteronômio 27:26: “Maldito aquele que não confirmar as palavras desta lei, não as cumprindo. E todo o povo dirá: Amém! ” Gálatas 3:10: “Todos quantos, pois, são das obras da lei estão debaixo de maldição; porque está escrito: Maldito todo aquele que não permanece em todas as coisas escritas no Livro da lei, para praticá-las”. Tudo isso implica que o menor pecado merece destruição eterna e total. A morte eterna, no seu grau mínimo, equivale a tal grau de miséria, assim como a destruição perfeita da criatura, a perda de todo bem, e a perfeita miséria; e, portanto, ser maldito de Deus implica nisso. Ser maldito de Deus é ser destinado à perfeita e final destruição. A Escritura ensina que os ímpios serão punidos em seu completo merecimento, que devem pagar toda sua dívida. Segundo. Não há razão para achar que os ministros descrevem a miséria dos ímpios além do que ela é, porque a Escritura nos ensina que este é um dos fins dos ímpios: Romanos 9:22: “Que diremos, pois, se Deus, querendo mostrar a sua ira e dar a conhecer o seu poder, suportou com muita longanimidade os vasos de ira, preparados para a perdição”. A

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Bíblia, com frequência, nos diz que é parte da glória de Deus que Ele seja um Deus terrível e temível. Salmos 68:35: “Ó Deus, tu és tremendo nos teus santuários”; que é um fogo consumidor. Salmos 66:3: “Que tremendos são os teus feitos! Pela grandeza do teu poder, a ti se mostram submissos os teus inimigos”. E que assim uma parte da glória de Deus seja representada, é terrível coisa injuriar e ofender a Deus. A ira de um rei é como o rugido de um leão, a de um homem é, às vezes, terrível, mas a punição futura dos ímpios serve para mostrar como é a ira de Deus; é para mostrar a todo o universo a glória do Seu poder. 2 Tessalonicenses 1:9: “Estes sofrerão penalidade de eterna destruição, banidos da face do Senhor e da glória do seu poder”. E, portanto, o sofrimento aqui descrito não é de forma alguma incrível, e não há razão para supor que tenha sido minimamente descrito além do que realmente seja. Terceiro. A Escritura mostra que a ira de Deus sobre os ímpios é terrível além do que possamos conceber. Salmos 90:11: “Quem conhece o poder da tua ira? E a tua cólera, segundo o temor que te é devido?” Assim como não sabemos senão um pouco acerca de Deus, da mesma forma que não conhecemos e podemos conceber senão um pouco do seu poder e de sua grandeza, também é verdade que não conhecemos senão um pouco do terror de Sua ira; e, portanto, não há razão para crer que a apresentamos além do que é. Temos razão, ao contrário, para supor que, após ter dito e pensado no nosso limite, tudo o que dissemos ou pensamos não passa de tosca sombra da realidade. Somos ensinados que a recompensa dos santos está além de tudo que pode ser dito ou concebido. Efésios 3:20: “Ora, àquele que é poderoso para fazer infinitamente mais do que tudo quanto pedimos ou pensamos”. 1 Coríntios 2:9: “Nem olhos viram, nem ouvidos ouviram, nem jamais penetrou em coração humano o que Deus tem preparado para aqueles que o amam”. E assim podemos racionalmente supor que o castigo dos ímpios da mesma forma será inconcebivelmente terrível. Quarto. Não há razão para pensar que apresentamos a miséria do inferno além da realidade, porque a Escritura nos ensina que a ira de Deus é de acordo com seu temor (Salmos 90:11). Esta passagem afirma que a ira de Deus é de acordo com os Seus grandiosos atributos, a sua grandeza e seu poder, sua santidade e força. A majestade de Deus é extremamente grande e temível, e de acordo com Seu temor é a Sua ira; este é o sentido das palavras. Daí, podemos concluir que a ira de Deus é, sem dúvidas, terrível, além de toda expressão e significado. Como é, de fato, grande e temível Sua majestade, que criou os céus e a terra, e com que majestade virá julgar o mundo no último dia! Virá para tomar vingança contra os ímpios. A visão desta majestade atingirá os ímpios com apreensões e temores de destruição.

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Quinto. A descrição que fiz da tribulação e ira que virá sobre os ímpios não está além da verdade, pois é a mesma descrição que a Escritura dá. Ela diz que os ímpios serão lançados na fornalha de fogo; não apenas no fogo, mas em uma fornalha. Mateus 13:42: “e os lançarão na fornalha acesa; ali haverá choro e ranger de dentes”. Apocalipse 20:15: “E, se alguém não foi achado inscrito no Livro da Vida, esse foi lançado para dentro do lago de fogo”. Salmos 21:8, 9: “A tua mão alcançará todos os teus inimigos, a tua destra apanhará os que te odeiam. Tu os tornarás como em fornalha ardente, quando te manifestares; o SENHOR, na sua indignação, os consumirá, o fogo os devorará”. Se, portanto, representei esta miséria além da verdade, então a Escritura fez o mesmo. É evidente, então, que não há razão para se exaltar com tais imaginações. Se Deus for verdadeiro, você encontrará Sua ira, e sua miséria futura, tão plena quanto grande; e não apenas isso, mas muito maior, e descobrirá que conhecemos um pouco, e dissemos pouco sobre ela, e todas as nossas expressões são toscas quando comparadas à realidade.

III. Da mesma maneira, pode ser derivado um argumento para convencer os ímpios da justiça de Deus ao reservar-lhes tal porção. Os ímpios, quando ouvem falar de como é terrível a miséria que os ameaça, com frequência levantam os corações contra Deus por isso; parece-lhes muito dura a maneira que Deus lida com as Suas criaturas. Não concebem o porquê de Deus ser tão severo com os ímpios, por seus pecados e tolices transitórios neste mundo; e quando consideram que Ele ameaçou tais castigos, são prontos a entreter pensamentos blasfemos contra Ele. Portanto, esforçar-me-ei para lhe mostrar como você está, com justiça, exposto a essa indignação e ira, tribulação e angústia, que ouviu. Em particular, quero mostrar: Primeiro, como seria justo se Deus o abandonasse a si mesmo: seria muito justo se Deus rejeitasse estar com você ou ajudá-lo. Você abraçou e se recusou a abandonar aquelas coisas que Deus odeia; recusou-se a esquecer de seus desejos carnais e abandonar os caminhos do pecado que são abomináveis a Ele. Quando Deus lhe ordenou que os abandonasse, se recusou, e ainda permanece neles, de maneira obstinada! Nem se apartou seu coração até hoje do pecado; mas ele lhe é querido, você o guarda no melhor lugar do coração, e ali o entroniza. Seria incrível então se Deus o abandonasse completamente, já que você não abandonará o pecado? Ele sempre declarou Seu ódio pela iniquidade; e seria incrível se não estivesse disposto a habitar junto com o que lhe é tão odioso? Não é razoável que Deus insista que você se aparte da concupiscência a fim de desfrutar Sua presença, e, visto que há tanto tempo se recusa, não seria justo se Deus o abandonasse completamente? Você sustenta e abriga

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os inimigos mortais de Deus, o pecado e Satanás; como é justo, portanto, que Deus se mantenha à distância! Ele é obrigado a estar presente com alguém que abriga Seus inimigos, e se recusa a abandoná-los? Seria Ele injusto, se o abandonasse completamente a si mesmo, já que você não esqueceu seus ídolos? Considere como seria justo se Deus o abandonasse, já que você O abandonou. Você não O buscou e à Sua presença e auxílio como deveria ter feito. Você O negligenciou. Não seria justo, portanto, se Ele o negligenciasse? Por quanto tempo muitos de vocês viveram na negligência de buscá-lO? Por quanto tempo vocês restringiram as orações? Portanto, uma vez que se recusaram tanto a buscar a Sua presença e ajuda, não poderia Ele, com justiça, reter [essas bênçãos] para sempre, e, dessa maneira, deixá-los completamente entregues a si mesmos? Você fez o que esteve ao seu alcance para se alienar de Deus, e fazer com que Ele o abandonasse completamente. Quando Deus, nos tempos passados, não o abandonou, mas foi incansável em despertá-lo, você não resistiu aos movimentos e influências do Seu Espírito? Não se recusou a ser conduzido, ou render-se a Ele? Zacarias 7:11: “Eles, porém, não quiseram atender e, rebeldes, me deram as costas e ensurdeceram os ouvidos, para que não ouvissem”. Como seria justo, então, que Deus recusar-se a mover ou lutar por você! Quando Deus esteve batendo a sua porta, você se recusou a abri-la; como seria justo então se Ele fosse embora, e não mais batesse nela! Quando o Espírito de Deus esteve lutando com você, não foi você culpado de entristecer o Espírito Santo ao dar espaço a um espírito disputador, e ao render-se como uma presa para a luxúria? E alguns de vocês não apagaram o Espírito, e não são culpados de apostasia? E Deus é obrigado, apesar disso tudo, a continuar a lutar com Seu Espírito com vocês, a ser resistido e entristecido, até o momento que se agradarem? Pelo contrário, não seria justo se os abandonasse eternamente, e os deixasse sozinhos? 2. Como seria justo se você fosse amaldiçoado em todos os seus interesses neste mundo! Seria justo se Deus o amaldiçoasse em tudo, e fizesse todas as suas diversões e ocupações voltarem-se para a sua destruição. Você vive aqui em todas as ocupações da vida como um inimigo de Deus; e usou todas as suas posses e prazeres contra Ele, e para a Sua desonra. Não seria, então, justo se Deus o amaldiçoasse nessas coisas, e as revertesse contra você, e para a sua destruição? Que benção temporal que Deus lhe deu, que você não usou no serviço de suas luxúrias, e no serviço do pecado e de Satanás? Se teve prosperidade, você a usou para a desonra de Deus; quando prosperou, abandonou o Deus que o criou. Como não seria justo, portanto, se a maldição de Deus acompanhasse todas as suas diversões! Quaisquer empregos que

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teve, não serviu a Deus com eles, mas aos Seus inimigos. Como seria justo então se fosse amaldiçoado nos seus empregos! Os meios de graça que desfrutou, você não fez uso deles como deveria ter feito; mas os menosprezou, e os tratou de uma maneira desrespeitosa e descuidada; fez o pior e o não o melhor com eles. Assim atendeu e fez uso do Dia do Senhor, e das oportunidades espirituais, apenas como ocasião para manifestar seu desprezo por Deus e por Cristo, e pelas coisas Divinas, pela sua maneira profana de aproveitá-los. Portanto, não seria justo se a maldição de Deus acompanhasse seus meios de graça, e as oportunidades que você desfruta para a salvação da sua alma? Você aproveitou seu tempo apenas com provocações e acrescentando às suas transgressões, em oposição a todos os chamados e avisos que lhe poderiam ter sido dados; quão justo seria, portanto, se Deus tornasse a sua própria vida uma maldição, e se Ele o tolerasse apenas para encher a medida dos seus pecados! Você, agindo ao contrário dos conselhos de Deus, fez uso das suas diversões apenas para ferir sua [própria] alma, portanto, se Deus as revertesse para a sua dor e ruína, estaria lidando com você como você lida consigo mesmo. Deus o aconselhou incansavelmente a usar os aproveitamentos temporais para o seu bem espiritual, mas você se recusou a ouvilo, e tolamente os perverteu para entesourar ira para o dia da ira, e voluntariamente usou o que Deus lhe deu para a sua ruína espiritual, para aumentar a culpa e machucar sua própria alma; e, portanto, se a maldição de Deus os acompanhar, de forma que eles se tornem para a ruína da sua alma, você estaria sendo tratado da mesma forma como trata a si mesmo. 3. Como seria justo se Deus o cortasse e pusesse um fim a sua vida! Você grandemente abusou da paciência e longanimidade de Deus, que já foi exercida em seu favor. Deus, com maravilhosa longanimidade, suportou-o, quando se rebelou contra Ele, e recusou-se a se desviar dos maus caminhos. Ele o contemplou caminhando obstinadamente nos caminhos da provocação, e ainda assim não derramou sua ira sobre você, para destruí-lo, mas ainda tem aguardado para ser gracioso. Ele tem sido longânimo com você, ao permiti-lo ainda viver em Sua terra, e respirar Seu ar; e o manteve e o preservou, e continuou a alimentá-lo, e vesti-lo, e a mantê-lo, e dar-lhe tempo para se arrepender. Mas, em vez de fazer o melhor em troca de sua paciência, você fez o pior, em vez de ser quebrantado por isso, você foi endurecido, e se tornou mais ousado no pecado. Eclesiastes 8:11: “Visto como se não executa logo a sentença sobre a má obra, o coração dos filhos dos homens está inteiramente disposto a praticar o mal”. Você foi culpado de desprezar as riquezas de Sua bondade, e tolerância e paciência ao invés de ser levado ao arrependimento por elas. Você não pode viver um só dia sem que Deus o mantenha e sustente; não pode dar um suspiro, ou viver um momento, a menos que Deus o sustente, pois a sua respiração

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está nas Suas mãos, e Ele preserva a sua alma com vida, e Sua visitação preserva o seu espírito. Mas, que graças Deus recebeu por isso, uma vez que você, ao invés de se voltar para Ele, apenas tornou-se mais plenamente consolidado e terrivelmente endurecido nos caminhos do pecado? Como seria justo, portanto, se a paciência de Deus se acabasse, e Ele cessasse de ainda tolerar você. Você não apenas abusou de Sua paciência passada, mas também abusou de Suas intenções de paciência futura. Tem se gabado de que a morte não está próxima, e que deve viver muito tempo no mundo, e isto o tornou ainda mais abundantemente ousado no pecado. Portanto, uma vez que esse foi o uso que fez da esperança de ter sua vida preservada, como seria justo se Deus desapontasse sua expectativa, e lhe cortasse dessa longa vida de que você se gaba, e em cujos pensamentos se encoraja no pecado contra Ele! Como seria justo se sua respiração fosse em breve cortada, e isso repentinamente, quando menos pensasse, e você fosse levado na sua impiedade! Enquanto vive no pecado, nada faz senão sobrecarregar o solo, você é completamente inútil e vive em vão. Aquele que se recusa a viver para a glória de Deus não responde ao fim da sua criação, e vive para quê? Deus fez os homens para servi-lO. Para este fim, lhes deu vida; e se não devotarem suas vidas a este fim, não seria justo se Deus se recusasse a continuar ainda com suas vidas? Ele o plantou em sua vinha, para produzir fruto; e se você não produz, por que deveria ainda mantê-lo? Como seria justo se o cortasse! Enquanto você viveu, muitas das bênçãos de Deus foram gastas com você dia após dia; você devora os frutos da terra e consome muito de sua gordura e doçura; e tudo sem nenhum propósito senão mantê-lo vivo para pecar contra Deus, e gastar tudo na impiedade. Toda a criação, por assim dizer, geme por sua causa; o sol nasce e se põe para lhe dar à luz, as nuvens derramam chuva sobre você, e a terra produz seus frutos e labores de ano a ano para supri-lo; e você, neste meio tempo, não responde ao fim daquele que criou todas as coisas. Como seria justo, então, se Deus o cortasse, e o levasse embora, e libertasse a terra deste peso, para que a criação não mais gema por sua causa, e lhe expulsasse como um ramo abominável! Lucas 13:7: “Pelo que disse ao viticultor: Há três anos venho procurar fruto nesta figueira e não acho; podes cortá-la; para que está ela ainda ocupando inutilmente a terra?” João 15:2,6: “Todo ramo que, estando em mim, não der fruto, ele o corta; e todo o que dá fruto limpa, para que produza mais fruto ainda. Se alguém não permanecer em mim, será lançado fora, à semelhança do ramo, e secará; e o apanham, lançam no fogo e o queimam”. 4. Como seria justo se você morresse no maior horror e espanto! Com quanta frequência você tem sido exortado a aproveitar seu tempo, construir um funda-

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mento de paz e conforto para o seu leito de morte; e, ainda assim, recusou-se a ouvir! Você tem sido muitas e muitas vezes lembrado de que morrerá, que é incerto quando, e que não sabe a hora, e foi-lhe dito quão vis e insignificantes todos os seus prazeres terrenos então parecerão, e como serão incapazes de lhe dar qualquer conforto no seu leito de mor-te. Você tem sido sempre alertado sobre como é terrível estar em um leito de morte numa condição sem Cristo, nada tendo para lhe confortar senão os prazeres mundanos. Você foi, com frequência, conscientizado do tormento e espanto que os pecadores, que aproveitaram mal seu precioso tempo, estão sujeitos quando arrastados pela morte. Foi-lhe dito como necessitaria infinitamente ter Deus como seu amigo, e ter o testemunho de uma boa consciência, e uma esperança bem fundamentada de bem-aventurança futura. E com que frequência foi exortado a ter o cuidado de prover contra este dia, e entesourar nos céus, para que possa ter algo em que depender quando partir deste mundo, algo para esperar quando todas as coisas aqui falharem! Mas lembre-se como esteve despreocupado, como foi lerdo e negligente de tempo em tempo, quando se assentou para ouvir estas coisas, e, ainda assim, obstinadamente recusou-se a se preparar para a morte, e não teve cuidado em assentar um bom fundamento contra este tempo. E você não apenas foi aconselhado, mas presenciou outros em seus leitos de morte, em temor e aflição, ou ouviu falar deles, e não tomou aviso; sim, alguns de vocês estiveram doentes, e ficaram temerosos de que estivessem nos seus dias finais, porém Deus foi misericordioso, e os restaurou, mas não ficaram alertas para se prepararem para a morte. Como seria justo então se você pudesse ser o objeto desse horror e espanto que ouviu, quando a sua hora chegar! E não apenas isso, mas como você arduamente gastou seu tempo entesourando coisas para a tribulação e angústia naquele dia! Você não foi apenas negligente em assentar um fundamento para a paz e conforto então, mas gastou seu tempo contínua e incansavelmente assentando um fundamento para a aflição e o horror. Como alguns de vocês continuaram dia após dia, empilhando mais e mais culpa; mais e mais ferindo a própria consciência, aumentando ainda a porção de tolice e impiedade para que você mesmo venha a refletir sobre elas! Como seria justo, portanto, se essa tribulação e angústia viessem sobre você! 5. Como é justo que você deva sofrer a ira de Deus em outro mundo! Porque voluntariamente provocou e atiçou essa ira. Se não está disposto a sofrer a ira de Deus, então por que O provocou à ira? Por que agiu como se pudesse arranjar uma maneira para que ele não se irasse contra você? Por que desobedeceu deliberadamente a Deus? Você sabe que a desobediência deliberada tende a provocar aquele que é desobedecido; assim acontece com um rei, chefe ou pai terreno. Se você tem um servo que é deliberadamente desobediente, isto provoca sua ira. E, novamente, se não suporta a ira de Deus,

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por que, com tanta frequência, O despreza? Se alguém despreza os homens, isto tende a provocá-los: quanto mais a Majestade infinita dos céus pode ser provocado, quando é menosprezado! Você também roubou de Deus a sua propriedade, recusou-se a dar a Ele o que Lhe pertence. Os homens são provocados quando são privados do que lhes é devido e quando tratados injuriosamente; quanto mais Deus pode ser provocado quando você O rouba! E também desprezou a bondade de Deus para com você, e esta é a maior bondade e amor que se pode conceber. Você tem sido supremamente ingrato e tem abusado dessa bondade. Nada provoca mais os homens do que ter sua bondade menosprezada e abusada; quanto mais Deus pode ser provocado quando os homens retribuem Sua misericórdia infinita apenas com desobediência e ingratidão! Portanto, se continua a provocá-lO, e atiçar a Sua ira, como pode esperar outra coisa, senão sofrer essa mesma ira? Se, então, você de fato sofrer a ira de um Deus ofendido, lembre-se que é o que procurou para si mesmo, é um fogo que você mesmo acendeu. Você não aceitou a libertação da ira de Deus, quando lhe foi ofertada. Quando Ele, em sua misericórdia, enviou Seu Filho unigênito ao mundo, você se recusou a admiti-lO. Amou demais seus pecados para que os abandonasse e viesse a Cristo, e por causa deles rejeitou as ofertas de um Salvador, de forma que escolheu a morte ao invés da vida. Após assegurar a ira para si mesmo, apegou-se a ela, e não a abandonou pela misericórdia. Provérbios 8:36: “Mas o que peca contra mim violenta a própria alma. Todos os que me aborrecem amam a morte”. 6. Como seria justo se você fosse entregue nãos mãos do Diabo e seus anjos, para ser atormentado para sempre, já que voluntariamente se entregou para servi-los aqui! Você os ouviu, ao invés de ouvir a Deus. Como seria justo, então, se Deus o entregasse a eles! Você seguiu a Satanás e aderiu aos seus interesses em oposição a Deus, e se sujeitou a sua vontade neste mundo, ao invés de se submeter à vontade de Deus; como seria justo então se Deus o entregasse para a vontade do Diabo daqui para frente! 7. Como seria justo se o seu corpo fosse feito objeto do tormento do porvir, o mesmo corpo que você tornou instrumento do pecado neste mundo! Você entregou o seu corpo como um sacrifício para o pecado e Satanás: como seria justo então se Deus o entregasse como um sacrifício para a ira! Você empregou seu corpo como um servo para os seus desejos vis e odiosos. Como seria justo, portanto, se Deus, no porvir, ressuscitasse seu corpo para ser objeto e instrumento da miséria; e para enchê-lo tão plenamente do tormento como eles estiveram cheios do pecado! 8. Mas a maior objeção dos ímpios contra a justiça do futuro castigo que é ameaçado por

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Deus advém da grandeza desse castigo: que Deus deva infligir sobre os impenitentes tormentos tão extremos, tão incrivelmente terríveis, ter seus corpos lançados na fornalha de fogo de tão imenso calor e fúria, lá ficar sem se consumir, e ainda cheio de senso e sentimento, com chamas por dentro e por fora; e a alma cheia do ainda mais terrível horror e tormento; e assim permanecer sem remédio ou descanso para sempre, e sempre, e sempre. Portanto, mencionar-lhe-ei algumas coisas, para mostrar como você, com justiça, está exposto à punição tão terrível. 1. Esta punição, tão terrível quanto seja, não é maior do que o grandioso e glorioso Ser contra quem você pecou. É verdade que é uma punição terrível além de toda expressão e concepção, da mesma forma que a grandeza e glória de Deus estão muito acima de toda expressão e concepção; mas, ainda assim, você continua nos seus pecados contra Ele, sim, tem sido ousado e presunçoso nos seus pecados, e tem multiplicado as transgressões contra Ele infinitamente. A ira de Deus, que vocês ouviram, terrível como é, não é mais que essa Majestade que vocês desprezaram e pisaram. Essa punição é de fato suficiente para encher de horror alguém que meramente pense sobre ela; e assim, se você a concebesse corretamente, ficaria cheio de no mínimo igual horror em pensar em pecar tão grandemente contra Deus tão grandioso e glorioso. Jeremias 2:12-13: “Espantai-vos disto, ó céus, e horrorizai-vos! Ficai estupefatos, diz o SENHOR. Porque dois males cometeu o meu povo: a mim me deixaram, o manancial de águas vivas, e cavaram cisternas, cisternas rotas, que não retêm as águas”. Deus, sendo tão infinitamente grande e excelente, não o influenciou a pecar contra Ele, mas você o fez ousadamente, e fez pouco caso, milhares de vezes; e pelo fato dessa miséria ser tão infinitamente grande e terrível, impediria Deus de infringi-la sobre você? 1 Samuel 2:25: “Pecando o homem contra o próximo, Deus lhe será o árbitro; pecando, porém, contra o SENHOR, quem intercederá por ele?” 2. Sua natureza não abomina mais esta miséria que você ouviu, do que a natureza de Deus abomina o pecado de que você é culpado. A natureza do homem é muito avessa à dor e ao tormento, e é especialmente avessa a tal tormento terrível e eterno; mas, ainda assim, isso não impede que seja justo o que é infligido, pois os homens não odeiam a miséria mais do que Deus odeia o pecado. Deus é tão santo, e de natureza tão pura, que tem aversão infinita ao pecado; mas, ainda assim, você menospreza o pecado, e eles têm excessivamente se multiplicado e crescido. A consideração de que Deus o odeia não impediu você de cometê-lo; por que, portanto, a consideração de que você odeia a miséria deveria impedir Deus de trazê-la sobre você? Deus representa a Si mesmo na Sua Palavra como cansado e aborrecido com os pecados dos ímpios: Isaías 1:14: “As vossas Festas da Lua Nova e as vossas solenidades, a minha alma as aborrece; já me são pesadas; estou cansado de as sofrer”. Malaquias 2:17: “Enfadais o SENHOR com vossas palavras; e ainda dizeis: Em que o enfadamos? Nisto, que pensais: Qualquer que faz o mal passa por bom aos olhos do SENHOR, e desses é que ele se agrada; ou: Onde está o Deus do juízo?”.

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3. Você não se preocupou com o quanto a honra de Deus tem sofrido; e por que Deus deveria se preocupar que a sua miséria não fosse tão grande? Você foi alertado sobre como aquelas coisas que praticou traziam desonra a Deus; contudo, não se importou, mas continuou a multiplicar as transgressões. A consideração de que quanto mais você pecava, mais Deus era desonrado, nem ao menos o restringiu. Se não fosse pelo temor do desgosto de Deus, você não teria se importado que o desonrasse dez mil vezes como fez. Devido à falta de respeito a Deus, você não se importou com o que sucedeu de Sua honra, nem de Seu deleite, não, nem do Seu Ser. Por que então Deus é obrigado a ser cuidadoso com o quanto você sofre? Por que deveria se preocupar com o seu bem estar, ou usar qualquer precaução para que não venha a colocar sobre você mais do que possa suportar? 4. Tão grande quanto seja esta ira, não é maior do que o amor de Deus que você desprezou e rejeitou. Deus, em sua infinita misericórdia pelos pecadores perdidos, forneceu um modo para eles escaparem da miséria futura, e obterem vida eterna. Para esse fim deu o Seu Filho unigênito, uma pessoa infinitamente gloriosa e honrada, em si mesmo igual a Deus, e infinitamente próximo a Ele. Foi dez mil vezes mais do que se Deus houvesse dado todos os anjos nos céus, ou o mundo inteiro pelos pecadores. Ele O deu para se encarnar, sofrer a morte, ser feito maldição por nós, sofrer a terrível ira de Deus em nosso lugar, e assim adquirir-nos a glória eterna. Esta Pessoa gloriosa foi ofertada a você inúmeras vezes, e ele esteve e bateu em sua porta, até que Seus cabelos ficassem úmidos com o orvalho da noite; mas tudo o que fez não o ganhou; você não viu nEle forma nem formosura, nem beleza alguma que o agradasse. Quando Ele se ofertou a você como o seu Salvador, você jamais o aceitou livremente e de coração. Este amor que você dessa maneira abusou é tão grande quanto essa ira que você corre perigo. Se você o houvesse aceitado, teria o gozo deste amor ao invés de suportar essa terrível ira: assim, a miséria que você ouviu não é maior que o amor que você desprezou, e a felicidade e glória que rejeitou. Como seria justo então em Deus executar essa ira sobre você, que não é maior do que o amor que você desprezou! Hebreus 2:3: “como escaparemos nós, se negligenciarmos tão grande salvação? A qual, tendo sido anunciada inicialmente pelo Senhor, foi-nos depois confirmada pelos que a ouviram”. 5. Se você reclama desta punição como sendo muito grande, então por que ela não foi grande o suficiente para o impedir de pecar? Conquanto seja grande, você fez pouco caso dela. Quando Deus ameaçou infringi-la, você não se importou com as ameaças, mas foi ousado em desobedecê-lO, e fazer aquelas mesmas coisas pelas quais Ele ameaçou esta punição. Grande como ela é, não foi o suficiente para impedi-lo de viver deliberadamente uma vida ímpia, e continuar nos caminhos que sabia que eram maus. Quando soube que tais e tais coisas certamente o expunham a essa punição, você não se absteve por esses relatos, mas continuou dia a dia, ainda mais presunçoso, e Deus ameaçar tal punição não

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teve um efeito sobre você. Por que, portanto, reclama agora que essa punição seja grande demais, e dispute contra ela, dizendo que Deus não é razoável e é cruel em infringi-la? Ao dizer assim, se condena com sua própria boca, pois se é um castigo tão terrível, mais do que é justo, então porque não foi grande o suficiente para restringi-lo do pecado deliberado? Lucas 19:21: “Pois tive medo de ti, que és homem rigoroso; tiras o que não puseste e ceifas o que não semeaste. Respondeu-lhe: Servo mau, por tua própria boca te condenarei”. Você reclama que a punição é grande demais, contudo, agiu como se não fosse grande o suficiente, e a desprezou. Se a punição é tão grande, por que você se esforçou para torná-la ainda maior? Pois continuou dia após dia entesourando ira para o dia da ira, acrescentado ao seu castigo, e o aumentando substancialmente; e ainda assim agora você reclama que seja grande demais, como se Deus não pudesse justamente infligir castigo tão grande. Como é absurda e contraditória a conduta de alguém que reclama de Deus por tornar o castigo grande demais, mas dia a dia grandemente ajunta e recolhe combustível, para tornar o fogo maior! 6. Você não tem motivo para reclamar da punição ser injusta; pois muitíssimas vezes provocou a Deus com o seu pior. Se você proibisse um servo por fazer uma dada coisa, e o ameaçasse de que, se a fizesse, você infligiria sobre ele uma punição terrível, e ele, apesar disso tudo a fizesse, e você renovasse o mandamento, e o avisasse da maneira mais estrita possível a não fazê-lo, e lhe dissesse que certamente o puniria se persistisse, e declarasse que sua punição seria muito terrível, e ele completamente o desprezasse, e desobedecesse novamente, e você continuasse a repetir seus mandamentos e avisos, ainda falando do terror do castigo, e ele, ainda sem se preocupar, continuasse e continuasse a desobedecê-lo descaradamente e isso imediatamente após suas proibições e ameaças: você poderia agir de outra maneira senão fazendo o que fosse mais terrível? Mas assim você agiu com Deus; você teve Seus mandamentos repetidos, e Suas ameaças postas diante de si centenas de vezes, e foi mui solenemente advertido; contudo, apesar disso tudo, continuou nos caminhos que sabia serem pecaminosos, e fez as exatas coisas que foram proibidas, diretamente diante de Sua face. Jó 15:25-26: “porque estendeu a mão contra Deus e desafiou o Todo-Poderoso; arremete contra ele obstinadamente, atrás da grossura dos seus escudos”. Você assim invocou o desafio ao Todo-Poderoso, mesmo quando viu a espada de Sua ira vingadora desembainhada, pronta a cair sobre sua cabeça. Seria então, uma maravilha se Ele o fizesse conhecer como é terrível essa ira, na sua completa destruição?

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O Remédio De Deus Para A Depravação Humana Por Arthur Walkington Pink

Parte 1 Talvez alguns de nossos leitores mais jovens e mais impacientes estejam inclinados a objetar: “Por que dedicar um capítulo especial para isso? Nós já sabemos tudo sobre isso: o remédio para o homem arruinado encontra-se na salvação de Deus”. Mas isso é uma visão muito superficial a tomar, e uma visão injusta também; pois a maior e mais grandiosa de todas as obras maravilhosas de Deus nunca deve, ser mencionada de forma tão banal e desprezada tão superficialmente. Além disso, a questão está muito longe de ser tão simples quanto is-so, e uma vez que há essa ignorância generalizada sobre a doença em si, é necessário exa-minar de perto e entrar em alguns detalhes sobre a descrição da cura para a mesma. O fato precisa ser profundamente percebido desde o início para toda perspicácia natural, que a condição do homem natural e caído está além do reparo, de forma que enquanto a autoajuda ou habilidade humana é considerada, o seu caso é sem esperança. Sim, nenhum outro além do próprio Filho de Deus declarou: “Aos homens isso é impossível” (Mateus 19:26), e isto é apenas como nós percebemos, em alguma mínima extensão, os vários as-pectos em que essa impossibilidade baseia-se, para que possamos começar a apreciar o milagre da graça que assegura a recuperação dos pecadores perdidos. A doença mortal que se apoderou do homem não é algo simples, mas complexo, não consistindo de um único elemento, mas de uma combinação destes, cada um dos quais é fatal em si mesmo. Olhem para alguns deles. A própria natureza do homem é totalmente corrompida, mas ele não é sensato, e nem fica horrorizado por causa disso. O pecado não é apenas parte integrante do seu ser, mas ele é profundamente apaixonado por ele. Ele está cheio de inimizade contra Deus, e seu coração é tão duro quanto uma pedra. Ele está totalmente paralisado para ir a Deus, e completamente sob o domínio e influência de Satanás. Ele não somente está desprovido de justiça, mas é um pecador culpado sem uma centelha de santidade, um leproso moral. Ele é completamente incapaz de ajudar a si mesmo, pois ele está “fraco” (Romanos 5:6). A ira de Deus permanece sobre ele, e ele está morto em delitos e pecados. O homem caído não está apenas em perigo de ruína e destruição, mas já está afundado na mesma. Ele é como um tição próximo de um fogo intenso, que rapidamente será consumido a menos que a mão Divina o arranque dali (Zacarias 3:2). Sua condição não é apenas infeliz, mas desesperada, na medida em que ele é totalmente incapaz de conceber qualquer expediente para a sua cura. O pecador é culpado, e nenhuma criatura pode fazer expiação por ele. Ele é um pária de

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Deus, aterrorizado por Suas próprias perfeições, e, portanto, faz o possível para baní-lO de seus pensamentos. Nenhuma língua pode expressar ou coração é adequadamente afetado com a situação lamentável e abjeta miséria do homem natural. E tal será o seu caso para sempre a menos que Deus intervenha. No entanto, tudo isso representa apenas um lado do problema — e o menos ruim — isto é, que mesmo assim ele permanecer no caminho onde o homem ainda pode ser recuperado. Para a inteligência finita pareceria que uma criatura tão vil e contaminada, tão desobediente e rebelde, tão desagradável à justa maldição da Lei, está além de toda esperança, e que não seria incompatível à honra Divina salvar tal verme. Como um transgressor pode ser perdoado de forma coerente com os requisitos daquela Lei que ele desprezou e ignorou, e ser liberto da penalidade que ela justamente demanda, e como ele poderia ser recuperado até o favor de Deus em concórdia com a manutenção do governo Divino, apresentou-se uma dificuldade que nenhuma sabedoria angelical poderia resolver. Este foi um segredo escondido em Deus até que Ele teve o prazer de fazê-lo conhecido. Há aqueles, sem consideração com a Palavra da verdade, que supõem ao fato de que Deus deve perdoar e receber em favor aqueles que renunciam às armas de sua rebelião contra Ele e pedem misericórdia. Mas a solução para o problema está longe de ser tão simples quanto uma questão como esta. Encontrando essas pessoas em seu próprio terreno, deve ser salientado que a razão humana não pode promover nenhum argumento válido e suficiente pelo qual Deus deveria perdoar o pecador somente porque ele se arrepende, ou que isso poderia ser feito de forma consistente com o Seu governo moral. Em vez disso, o contrário é evidente. A contrição de um criminoso não o exonerará em um tribunal humano de direito, pois isso não oferece nenhuma satisfação e reparação por seus crimes. Qualquer pecador que acalenta a ideia de que seu arrependimento lhe oferece uma reivindicação de clemência e favor Divinos demonstra que ele é um estranho ao verdadeiro arrependimento; e nunca se arrependerá até que ele abandone tal presunção. A experiência e observação universais, bem como a Escritura, atestam plenamente o fato de que nenhum dos homens jamais se arrepende enquanto é deixado a si mesmo, e não são feitos os sujeitos daquelas operações Divinas para as quais eles não têm nenhuma reivindicação, e que a mera razão é incapaz de concluir que Deus lhes concederá. Que um adequado remédio para a doença complexa e fatal pela qual o homem está atingido deve ser de Deus é muito óbvio; é necessário que seja da Sua concepção, Sua providência, Sua aplicação, Sua realização eficaz do mesmo. Isso é apenas outra maneira de dizer que isso deve ser inteiramente dEle do início ao fim, pois se qualquer parte disso for deixado para o pecador, em qualquer fase, a falha é certa. Ainda assim, é necessário ser destacado mais uma vez que Deus não tinha obrigação alguma de efetuar tal disposição, pois quando o homem deliberadamente apostatou dEle, perdeu toda recompensa favorável do seu Cria-

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dor. Não somente Deus poderia agora justamente infligir a pena total de Sua Lei violada sobre toda a raça humana, mas, de acordo com a Sua santa natureza, Ele poderia ter deixado toda a humanidade perecer eternamente naquela condenação em que eles mesmos haviam se lançado. Se Ele inteiramente abandonasse toda a posteridade do apóstata Adão e os deixasse como os anjos irremediavelmente caídos, isso não teria qualquer repercussão sobre a Sua bondade, mas sim uma demonstração de Sua inexorável justiça. Portanto, sempre que a redenção é mencionada, ela é constantemente descrita como procedente da graça soberana e pura misericórdia (Efésios 1:3-11). No entanto, algo mais do que um desígnio gracioso foi exigido da parte de Deus a fim de que qualquer pecador fosse salvo. A graça é de fato a fonte disso, ainda assim, ela não foi suficiente em si mesma. Alguém pode ser preenchido com as intenções mais amáveis, mas ser incapaz de realizá-las. Quão frequentemente o terno amor de uma mãe impotente está na presença de seu filho em sofrimento! Deve haver também a aplicação de poder Divino se o propósito da graça deve ser cumprido. E não qualquer poder ordinário, mas, como a Escritura afirma: “a sobreexcelente grandeza do seu poder sobre nós, os que cremos, segundo a operação da força do seu poder” (Efésios 1:19). Demanda o exercício de muito mais força para recriar uma criatura caída do que é demandado para criar o universo a partir do nada. Por que isso? Porque nisto não havia oposição, nada para resistir à Sua obra; enquanto no caso do homem caído, há a hostilidade de sua vontade, a alienação de seu coração, a inimizade inveterada de sua mente carnal a serem superadas. Além disso, há a malícia e a oposição de Satanás a serem neutralizadas, pois ele se esforça com todas as suas forças para manter o seu domínio sobre suas vítimas. O Diabo deve ser despojado da vantagem que ele tinha obtido, pois não é consistente com a glória de Deus, que lhe seja permitido triunfar em seu sucesso. Porém, algo mais do que o exercício do poder de Deus ainda era necessário: a onisciência deve ser exercida, bem como onipotência. A força em si mesma não construirá uma casa: deve haver também a arte de planejar e harmonizar os materiais. A habilidade é o principal requisito de um arquiteto. Permitam fracamente ilustrar o que procuramos expressar aqui. Aqueles que são salvos não são apenas os produtos da maravilhosa graça de Deus e poder onipotente, mas eles também são “feitura Sua” (Efésios 2:10). Maravilhosamente a sabedoria de Deus aparece no belo tecido de Sua graça, no templo espiritual que Ele ergue para a Sua própria morada. Ele “para isto mesmo nos preparou” (2 Coríntios 5:5); como as pedras são esculpidas e polidas, assim os crentes são “pedras vivas” nesse edifício em que Deus habitará para sempre. Ora, o que é excelente na execução serve para fazer manifesta a excelente habilidade no planejamento da mesma. A contrapartida da Lei de Deus nos corações dos Seus filhos vivificados não é menos o fruto de Sua sabedoria do que ela escrita em tábuas de pedra: sabedoria na primeira formação disso, sabedoria também na impressão dela sobre a compreensão e as afeições.

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Não é nem nas maravilhas da criação, nem nos mistérios da providência que as profundidades e riquezas da sabedoria de Deus devem ser encontradas: antes, é no plano e frutos da redenção que elas são mais plena e ilustrativamente reveladas. Isso fica claro a partir de várias Escrituras. É no Mediador Deus-Homem “em quem estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e da ciência” (Colossenses 2:3): Sim, Ele é expressamente denominado “sabedoria de Deus” (1 Coríntios 1:24). Aos “principados e potestades nos céus” agora está sendo manifesta, por meios, “pela igreja, a multiforme sabedoria de Deus” (Efésios 3:10). A elaboração de um método pelo qual uma parte da humanidade deve ser resgatada de sua condição miserável é de fato a obra-prima da sabedoria Divina: nada, senão a própria onisciência poderia ter encontrado uma maneira de efetuar tal triunfo de uma forma adequada para todas as perfeições Divinas. Os sábios deste mundo são chamados de “príncipes” (1 Coríntios 2:6, 8), mas os anjos são designados “principados e potestades nos lugares celestiais”, por causa de sua dignidade, sabedoria e força superiores. No entanto, apesar de serem tão grandes em inteligência, sempre contemplando a face do Pai, ainda assim, uma nova e grandiosa descoberta da sabedoria de Deus é feita a eles por meio da Igreja, pois a Sua obra na redenção dela transcende em muito a compreensão natural deles. As hierarquias celestes testemunharam a desonra que havia sido feito à autoridade de Deus e a discórdia trazida para a esfera de Seu governo pelo pecado e rebelião de Adão. Era, portanto, necessário, moralmente falando, que esse desafio ao governo de Deus fosse tratado, e que essa afronta ao Seu trono fosse corrigida. Isso não poderia ser feito a não ser pela imposição daquela punição que na regra inalterável e padrão de justiça Divina era devida para isso. A tolerância do pecado em quaisquer outros termos deixaria o governo de Deus em indizível desonra e confusão. “Porque, onde está a justiça do governo se o maior pecado e provocação que a nossa natureza era capaz de praticar, e que trouxe confusão sobre toda a criação, ficasse para sempre impune? A primeira intimação expressa que Deus deu de Sua justiça no governo da humanidade foi a Sua ameaçadora punição equivalente ao demérito da desobediência em que o homem poderia cair: ‘no dia em que dela comeres, certamente morrerás’ [Gênesis 2:17]. Se Ele revogasse e invalidasse esta sentença, como a glória de Sua justiça no governo de tudo será conhecida? Mas como essa punição deveria ser sofrida, a qual consistia na ruína eterna do homem, e ainda assim o homem ser salvo eternamente, foi uma obra para a sabedoria Divina idealizar” (John Owen). Não apenas era necessário à honra da justiça de Deus, sendo Ele o Governador moral e Juiz supremo de toda a terra, que o pecado fosse sumariamente punido, mas foi necessário que houvesse uma obediência a Deus, e tal obediência como que traria mais glória a Ele do que a desonra e opróbrio que resultou da desobediência do homem. “Isto foi devido à glória da Sua santidade ao dar a Lei. Até isso foi feito, a excelência daquela Lei como sendo a santidade de Deus, e como um efeito disso, não poderia ser feita manifesta. Pois,

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se esta nunca fosse mantida em qualquer instância, nunca cumprida por qualquer pessoa no mundo, como a glória dela seria declarada? Como a santidade de Deus seria representada por ela? Como seria evidente que a transgressão não era antes algum defeito na própria Lei, do que de qualquer mal naqueles que deveriam ter rendido obediência a ela? Se a Lei dada ao homem nunca fosse cumprida, sobretudo, em perfeita obediência por qualquer um que seja, poderia ser pensado que a própria Lei não era adequada à nossa natureza, e impossível de ser assim cumprida” (John Owen). Ele não se tornou o Reitor do universo para dar ao homem uma Lei cuja espiritualidade e equidade nunca pudesse ser exemplificada em obediência. Essa Lei não foi imposta, principalmente, para que o homem sofresse justamente por sua transgressão, mas sim para que Deus fosse glorificado em seu desempenho. Mas, desde que a ofensa de Adão trouxe ruína sobre toda a sua posteridade, de forma que eles são incapazes de responder às suas demandas, como poderia uma perfeita obediência ser prestada a ela? Somente a onisciência poderia fornecer a resposta. Oh, que coisa verdadeiramente surpreendente é, leitor Cristão, que a sabedoria de Deus, por meio de nossa redenção, fez daquilo que é a maior desonra possível a Ele tornar-se a ocasião de Sua maior glória! Ainda assim, tal é verdadeiramente o caso. Nada é tão desagradável ao Altíssimo quanto o pecado, nada desonra tanto a Ele, pois isto é em sua própria natureza inimizade contra Deus, desprezo a Ele. O pecado é uma vergonha à Sua majestade, um insulto à Sua santidade, uma insurreição contra o Seu governo. E, no entanto esta “coisa abominável”, que Ele odeia (Jeremias 44:4), para a qual Ele não pode olhar, senão com infinito desfavor (Habacuque 1:13), é feita por ocasião do maior bem possível. Que milagre dos milagres é que o Senhor faça a ira do homem louvá-lO (Salmos 76:10), que o próprio mal que visa destronar a Ele transmute-se em meios de magnificação dEle; sim, pois, assim Ele fez a grandiosa manifestação de Suas perfeições que sempre existiram. O pecado lança desprezo sobre a Lei de Deus, no entanto, por meio da redenção, aquela Lei é extremamente honrada. Nunca o Rei do Céu foi tão gravemente menosprezado como quando aqueles feitos à Sua imagem e semelhança irromperam em revolta contra Ele; nunca tal honra foi prestada ao Seu trono, como pela forma com a qual Ele escolheu efetuar a salvação de Seu povo. Nunca a santidade de Deus foi tão menosprezada como quando o homem preferiu prestar lealdade à antiga serpente, o Diabo; nunca a santidade de Deus brilhou tão rutilantemente como na vitória que Ele obteve sobre Satanás. Igualmente maravilhoso é, leitor Cristão, que Deus planejou uma maneira pela qual um transgressor flagrante deve tornar-se inocente, e que aquele que é completamente destituído de justiça seja justificado ou declarado justo pelo Juiz de toda a terra. Houvesse coisas como estas sido submetidas à solução, elas sempre pareceriam ser contradições irreconciliáveis para todas as compreensões finitas. Parece ser absolutamente impossível para um culpado condenado o ser inocentado de qualquer acusação contra ele. O pecado implica

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necessariamente em punição, como pode, então, qualquer transgressor fugir da “devida recompensa” de suas obras (Lucas 23:41), exceto por uma manifesta violação da justiça? Deus declarou claramente que Ele “não inocenta o culpado” (Êxodo 34:7). Ele tem determinado por um decreto inalterável de que o pecado deve ter a paga de seus salários; então como pode o culpado ser isentos da sentença de morte? Nem é menos formidável o problema de como Deus pode, com equidade perfeita, declarar justos aqueles que não têm cumprido as exigências da Lei. Conceder a declaração de obediência àquele cujo registro é de desobediência ao longo da vida parece ser algo pior do que uma anomalia. No entanto, a Onisciência planejou uma solução para ambos os problemas, uma solução que é, em todos os aspectos, uma solução perfeita e gloriosa. Sem essa solução, a restauração de qualquer um da humanidade no favor e na comunhão e gozo do próprio Deus seria totalmente impossível. Isso seria assim não somente por causa da própria depravação total do homem, mas por causa da relevância da glória das perfeições Divinas em nosso pecado e apostasia. Eles não somente estavam acometidos de uma doença fatal, da qual não havia a menor esperança de libertação, a menos que fosse fornecido um remédio sobrenatural, mas o governo de Deus estava tão gravemente indignado com nossa revolta, que a compensação integral deveria ser feita ao Seu cetro insultado, e a completa satisfação oferecida à Sua Lei violada, para que o trono do Céu pudesse ser satisfeito. Muito além da concepção da inteligência finita como foi a dificuldade de reparar os danos causados em toda a nossa constituição e ser pelo pecado, ainda mais longe estavam os obstáculos que permaneciam no caminho do exercício da graça e da misericórdia de Deus na restauração do pária. Essa maneira de restauração deve ser algo no qual Deus seja magnificado, Sua justiça vindicada, Suas ameaças cumpridas e Sua santidade glorificada. A maneira pela qual todos esses fins foram alcançados e esses resultados garantidos é a maravilha adorada, semelhantemente, pelos redimidos e pelos anjos. Como outros antes de nós têm apontado, se o governo Divino fosse vindicado, toda a obra do nosso resgate deveria ser realizada em nossa natureza, e a própria natureza daqueles que pecaram, e que viriam a ser recuperados desde as ruínas da Queda e trazidos à felicidade eterna: a partir da natureza humana, mas esta teria que ser não somente livre de qualquer contaminação, mas intrinsecamente santa. Quanto à salvação de pecadores, nenhuma satisfação poderia ser feita para a glória de Deus, devido, à depravação da natureza apóstata do homem e todos os frutos malignos desta, contudo deveria ser por uma natureza igual à daqueles que pecaram e deveriam ser salvos. A entrega da Lei por Deus aos nossos primeiros pais foi por si só um efeito de Sua sabedoria e santidade, em que a glória delas seria exaltada, se essa regra de justiça fosse cumprida por uma natureza de um tipo totalmente diferente? Se um anjo a cumprisse, a sua obediência não seria nenhuma prova de que a Lei era adequada à natureza do homem, para a qual ela foi originalmente prescrita;

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antes, poderia um cumprimento angelical da Lei ter sido um reflexo da bondade Divina em concedê-la aos homens. Nem poderia ter havido a necessária relação entre a natureza do substituto e aqueles em nome de quem o substituto agiu e sofreu, e, portanto, tal arranjo não teria magnificado a sabedoria Divina, antes teria sido, na melhor das hipóteses, uma obra insatisfatória. As Escrituras são muito explícitas em seu ensino sobre a necessidade da natureza ser a mesma entre o fiador e aqueles a quem ele representava, como sendo condescendente à sabedoria de Deus. Falando sobre a forma de nosso auxílio, o apóstolo declarou: “E, visto como os filhos participam da carne e do sangue, também ele [o Resgatador] participou das mesmas coisas” (Hebreus 2:14). A natureza humana foi aqui expressa por: “da carne e do sangue”, que deveria ser liberta, e, portanto, era em natureza humana que esta libertação deveria ser feita. O apóstolo entra em detalhes consideráveis sobre este ponto em Romanos 5:12-21, a soma disso é: “se pela ofensa de um morreram muitos, muito mais a graça de Deus, e o dom pela graça, que é de um só homem, Jesus Cristo, abundou sobre muitos” [v.15]. A mesma natureza que transgrediu deve operar o remédio para a mesma. Mais uma vez, em 1 Coríntios 15:21: “Porque assim como a morte veio por um homem, também a ressurreição dos mortos veio por um homem”. A nossa ruína não poderia ser recuperada, nem a libertação de nossa culpa ser efetuada, exceto por alguém em nossa própria natureza. Além disso, deve ser observado que a libertação para ser assegurada deve ser feita por alguém cuja substância foi derivada de nossos primeiros pais. Não havia encontrado as exigências do caso para que Deus criasse um segundo homem do pó da terra, ou de qualquer coisa que seria de natureza diferente de nós mesmos, pois, nesse caso, não haveria nexo e relação entre ele e nós, e, portanto, não teríamos, de modo algum, uma participação em qualquer coisa que ele fizesse ou sofresse. Essa aliança dependia apenas disso, que Deus “de um só sangue fez toda a geração dos homens” (Atos 17:26). Todavia, neste momento uma dificuldade adicional foi apresentada, uma que outra vez se provava insuperável a todas as inteligências criadas, não houvesse “o único Deus sábio” revelado a Sua provisão para a resolução da mesma. Qualquer libertador de homens pecadores deveria derivar sua natureza de suas ações originais, mas ele não deveria trazer junto com ele a menor mácula de corrupção ou a mesma responsabilidade, que temos em nossa própria conta, pois, se a sua natureza se contaminasse, se ela carecesse da imagem de Deus, ele não poderia fazer nada que fosse aceitável a Deus, e ele estaria sujeito à penalidade da Lei por conta própria, então ele não poderia fazer nenhuma satisfação pelos pecados dos outros. Mas, desde que todo descendente de Eva é formado em pecado e concebido em iniquidade, como poderia qualquer um de sua semente estar sem pecado? Somente a Onisciência poderia trazer algo imaculadamente puro da completa impureza. Não devemos perder de vista os fundamentos em que a corrupção e culpa aderem à nossa

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natureza, como elas atuam em todos os indivíduos. Primeiramente, toda a nossa natureza, quanto à participação nela, estava em Adão como nossa cabeça pactual e representante federal. Portanto, sua ofensa era nossa também, e justamente imputada a nós. Porque nós pecamos nele, nos tornamos “por natureza filhos da ira”, os sujeitos do desagrado judicial de Deus. Em segundo lugar, nós derivamos a nossa natureza de Adão por meio de geração natural, de modo que a sua profanação é comunicada a todos os seus descendentes. Nós somos as plantas degeneradas de uma vinha degenerada. Assim, ainda outra dificuldade foi apresentada: a natureza de um libertador para o homem caído deveria, como em sua substância, ser derivada de nossos primeiros pais, mas de modo a não ser em Adão como representante legal, nem ser derivado dele por geração natural. Mas como isso poderia ocorrer: que sua natureza estivesse verdadeiramente relacionada a Adão, como a nossa, e ainda assim, não sendo participante da culpa de sua transgressão, nem participando de sua contaminação? Tal prodígio estava totalmente fora do conceito de toda mente finita. Parte 2 No último capítulo, nos dedicamos a algumas das dificuldades, sim, aparentemente impossibilidades que estavam no caminho do resgate de qualquer um dos filhos caídos de Adão, mostrando que precisava haver algo mais do que um benigno propósito da graça da parte de Deus para efetuar o mesmo, algo mais do que aplicar o Seu grande poder, de forma que os obstáculos que precisam ser removidos eram tantos e tão grandes que “a multiforme sabedoria de Deus” (Efésios 3:10) também precisou ser convocada para a ação. A dificuldade do lado humano era o estado desesperado do pecador: como sua escuridão poderia ser transformada em luz, sua inimizade em amor, sua falta de vontade em vontade, sem qualquer tipo de violência sendo feita em sua agência moral. Os obstáculos do lado Divino eram como o Altíssimo poderia restaurar tais desgraçados ao Seu favor, e ainda assim não comprometer as Suas perfeições: como Ele poderia ter relações com leprosos morais, sem manchar a Sua santidade, inocentar o culpado sem repudiar a Sua Lei, exercer misericórdia em coerência a Sua justiça, e, contudo, fornecer um remédio para tal doença, e fazê-lo de uma maneira que honrasse Seu trono, estava muito além do alcance da inteligência criada. Nós vimos que, a fim de salvar um pecador legalmente condenado e merecedor do inferno era necessário que algum método e meio fosse concebido pelo qual ele seria liberto de todas as consequências da Queda, e ao mesmo tempo atendesse a todas as exigências do governo Divino. O pecado tinha que ser tratado severamente, mas os transgressores deveriam ser eximidos de sua merecida condenação. Uma plena conformidade à Lei deveria ser realizada, mas por alguém na mesma natureza que aqueles que a tinham violado. Isso foi claramente esboçado sob os tipos do Antigo Testamento: o redentor tinha que ser um parente de quem ele favorecia (Levítico 25:25; Rute 4:4-6). Além disso, as exigências

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da Lei somente poderiam ser atendidas por um alguém cuja natureza fosse derivada da mesma linhagem como a daqueles em nome de quem ele efetuou, mas a sua humanidade não deveria ser maculada em menor grau pela corrupção comum deles. Era necessário que ele fosse um homem da descendência de Adão (Lucas 3:38) e Eva (Gênesis 3:15), no entanto, um homem absolutamente puro e santo, pois nenhum outro poderia pessoal e perpetuamente obedecer em pensamento, palavra e ação. Mas ninguém assim existia: “Na verdade que não há homem justo sobre a terra, que faça o bem, e nunca peque” (Eclesiastes 7:20), nem jamais haveria alguém se a raça humana fosse deixada por si mesma. Nada, senão a multiforme sabedoria e poder sobrenatural de Deus poderiam produzi-lo. Ainda assim, alguém que era mais do que o homem, mesmo alguém perfeito, sim, muito superior àqueles seres celestiais que cobrem o rosto na presença da Divindade era necessário, a fim de quitar as responsabilidades dos pecadores depravados, e renová-los em santidade. Isto é evidente a partir de várias considerações. A criatura mais exaltada, simplesmente porque é uma criatura, é obrigada a prestar obediência perfeita ao seu Criador, e, portanto, não poderia merecer nada em nome de outros. Se ele cumpriu plenamente o seu dever, ele de fato, aperaria uma justiça e direito à recompensa da Lei; mas ele necessitaria daquela justiça em sua própria conta, e, portanto, esta não estaria disponível para a imputação a outro, e menos ainda a muitos outros. Mais uma vez, a obra que ele tinha de fazer, a saber, pagar integralmente a dívida incalculável incorrida por aqueles que deveriam ser salvos, fazer expiação por todos os seus pecados, reconciliá-los com Deus, restaurálos ao Seu favor, fazê-los encontrar a herança dos santos na luz, estava muito além da abrangência de qualquer mera criatura, não importa quão alta fosse a sua posição. Além disso, qualquer libertador dos apóstatas filhos de Adão deveria ser essencial e infinitamente santo, pois ninguém menos poderia ser qualificado para pôr de lado a infinita culpa das inúmeras iniquidades deles. Para que qualquer parte da humanidade fosse eternamente salva para a glória de Deus, era necessário que não somente a obediência impecável fosse prestada à Lei de Deus, mas tal obediência como que trouxesse mais honra à Sua santidade do que a desonra que foi lançada sobre ela por meio da desobediência de todos; afirmar que pouco importa o que aconteça com a glória de Deus, desde que os miseráveis pecadores sejam salvos de uma maneira ou outra não é senão o vômito blasfemo da mente carnal. Onde Deus é reverenciado e amado acima de tudo, mui diferentes serão os sentimentos de tal pessoa; ou seja, bem melhor que toda a raça de Adão pereça do que o caráter da Deidade ser manchado e os fundamentos de Seu trono prejudicado. Mas tal obediência não poderia ser prestada por qualquer mera criatura, não importa quão puro a sua natureza ou eminente a sua posição, pois, necessariamente, não há algo do Divino nele, para que o seu desempenho possua um valor infinito. Nem deve esta obediência ser constrangida, mas sim ser voluntária, pois

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o que é forçado não procede do amor e é sem valor. Nem deve a sua conformidade à Lei ser uma em que ele seja pessoalmente responsável a render-se a ela, pois em tal caso, isso não poderia ser aceito como uma devida compensação pela desobediência de todos. Não era apenas uma única pessoa que devia ser resgatada a partir da Queda e ser trazida para a glória, mas “milhares” (Judas 1:14), e cada um deles tinha mais pecados em sua conta do que cabelos sobre a cabeça, e cada pecado tinha em si uma culpa imensurável, uma vez que fora cometido contra a infinita Majestade do Céu. A desventura em que todos eles eram ofensivos também era infinita, posto que a duração desta era eterna, tudo indescritivelmente terrível e doloroso para que a nossa natureza seja capaz de suportar. Nem eles poderiam ser libertos da terrível consequência do pecado, sem uma satisfação adequada sendo feita à justiça ofendida de Deus. Afirmar o contrário é como se alguém dissesse que não importa para Deus se Ele é obedecido ou desobedecido, se Ele é honrado ou desonrado em e por Suas criaturas, e isso seria negar Seu próprio ser, visto que é diretamente contrário à glória de todas as Suas perfeições. Mas, onde estava a pessoa qualificada e capacitada para realizar a requerida propiciação pelo pecado? Onde estava a pessoa apropriada para agir como mediador entre Deus e os homens, entre o Santo e o profano? Onde estava o único que poderia conceder vida aos mortos, e mérito de bem-aventurança eterna para eles? Se um remédio é providenciado aos pecadores, ele deve ser aquele que lhes restaura àquela mesma condição e dignidade em que foram colocados antes da Queda. Pois, recuperálos a alguma menor honra e bem-aventurança do que aquelas que eram as deles originalmente não consistiria tanto com a Divina sabedoria ou recompensa. “Sim, considerando isso, a infinita graça, bondade e misericórdia de Deus para restaurá-lo, parece agradável para a glória das Divinas excelências em suas operações que ele deve ser levado a uma condição melhor e mais honrosa do que a que ele tinha perdido” (John Owen). Em seu estado primitivo o homem não estava sujeito a ninguém, senão ao seu Criador. Embora ele fosse menos digno do que os anjos, ainda assim, ele não lhes devia nenhuma obediência, eles eram seus conservos do Senhor Deus. Obviamente [como Owen também apontou], se o pecador fosse salvo por qualquer mera criatura, ele não poderia ser restaurado ao seu primeiro estado e dignidade, pois, nesse caso, ele deveria fidelidade e subserviência àquela criatura que o havia redimido, ele se tornaria a propriedade de quem o comprou. Isso não somente introduziria maior confusão, mas o pecador estaria em um caso ainda pior do que estava antes da Queda, pois ele não estaria na posição em que ele devia sujeição e honra apenas a Deus. A partir do exposto, será visto que o único suficiente libertador dos homens caídos deve ser alguém possuidor de infinita dignidade e merecimento, a fim de que ele seja capaz de mere-

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cer bênçãos infinitas. Ele deve ser uma pessoa de poder e sabedoria infinitas, porque a obra que ele deve executar não poderia ser realizada com sucesso por ninguém menos. Ainda mais, era necessário que ele fosse uma pessoa que era infinitamente querida de Deus Pai, a fim de conceder um valor infinito às suas operações na estima do Pai, e que o amor do Pai por ele pudesse equilibrar a ofensa e a provocação de nossos pecados. Ele também deveria ser uma pessoa que poderia agir nesta questão em seu próprio direito, que, em si mesmo, ele não fosse um servo e sujeito ao Altíssimo; caso contrário, ele não poderia merecer alguma coisa por aqueles que ele salvaria. Além disso, ele deveria ser uma pessoa dotada de infinita misericórdia e amor, pois ninguém voluntariamente assumiria uma tarefa tão árdua, tão humilhante, e envolvendo tanto sofrimento indizível, por criaturas tão indignas e sujas quanto os homens caídos. Mas onde, em todo o universo alguém assim seria encontrado? Nenhuma pessoa criada possuía as qualificações necessárias. Quando o apóstolo João contemplou (na visão) o livro com sete selos, nos é dito que ele chorava muito, porque ninguém no céu ou na terra foi achado digno de abrir o livro (Apocalipse 5:1-4), e não tivesse a multiforme sabedoria de Deus encontrado a solução para todos esses problemas, homens e anjos, igualmente, ficariam para sempre perplexos por eles. Os vários elementos do complicado problema da salvação para qualquer um dos filhos de Adão estão longe de estar esgotados naqueles já foram apontados. O homem foi feito para servir e glorificar a Deus. Em espírito, alma e corpo, em todas as suas faculdades e forças, em tudo o que foi dado e confiado a ele, ele não era seu próprio, mas em lugar de um servo. O mesmo era, igualmente, o caso com os anjos. Uma criatura e alguém que em todos os aspectos está em sujeição ao seu Criador são termos conversíveis. Mas a essa condição e posição a raça humana em Adão se revoltou, determinando ser “como deuses”, senhores sobre si mesmos. Há algo disso em cada pecado: a preferência da vontade própria e rejeição da vontade do Todo-Poderoso. Por sua insurreição, o homem caiu em completa escravidão ao pecado e a Satanás. A fim de libertar o pecador de seu cativeiro, era necessário para qualquer libertador tomar a posição que o homem originalmente ocupou, ele deveria entrar no lugar de absoluta sujeição a Deus, subordinando inteiramente a sua própria vontade à dEle, pois de nenhuma outra maneira poderia ser feita adequada compensação ao insultado governo de Deus, e os danos causados pelos nossos primeiros pais serem reparados. Mas, como qualquer ser incriado ocuparia a posição de uma criatura? Com que propriedade um possuidor de infinita dignidade e excelência poderia sofrer tamanha humilhação? Como poderia aquele que estava acima de toda a Lei, submeter-se à Lei e prestarlhe obediência? Mais uma vez, em seu estado original o homem não tinha nada, senão o que o Criador concedesse a ele. Feito do pó da terra, ele era dotado de inteligência e agência moral, mas para serem empregadas no serviço Divino. Ele também era dependente de seu Criador para cada movimento de sua respiração. Esse estado de necessidade e dependência ele delibe-

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radamente abandonou, determinando enriquecer a si mesmo e assumir o domínio absoluto. Mas o seu terrível crime trouxe sobre ele e todos a quem ele representava a perda de seus dons originais: ele perdeu a imagem de Deus, o seu direito às criaturas aqui abaixo, sua própria alma. Consequentemente, qualquer salvador para ele deveria necessariamente experimentar a degradação e a pobreza que o pecador tinha trazido sobre si mesmo, de modo que ele não teria aonde reclinar a cabeça. Mas como essa experiência foi possível para quem seria infinitamente rico em si mesmo, e em seu próprio direito? Desde que Adão representava e agia em nome de todos aqueles a quem ele representava legalmente, seguese que qualquer salvador não deveria servir em uma capacidade privada, mas como a cabeça da aliança daqueles a quem ele devia resgatar. Finalmente, uma vez que Deus fez o primeiro homem senhor da terra, dando-lhe o domínio sobre todas as criaturas nela, cujo domínio ele perdeu na sua Queda, então, um libertador deveria ser capaz de recuperar a propriedade perdida. Mas onde estava aquele que era capaz de comprar tão vasta herança? “As coisas que são impossíveis aos homens são possíveis a Deus” (Lucas 18:27). A Onisciência encontrou uma solução para todos os problemas que sempre haviam confundido as mentes dos homens. A Escritura lança não pouca ênfase sobre isso. É referida como “a sabedoria de Deus, oculta em mistério, a qual Deus ordenou antes dos séculos para nossa glória”, ou seja, a nossa salvação (1 Coríntios 2:7). “Em mistério” denota aquilo que é insondável pela razão humana, incompreensível para a capacidade finita, completamente escondido até que fosse Divinamente revelado, e, mesmo assim, para além dos nossos poderes de compreender plenamente. Em Efésios 1:8, somos informados de que: “ele fez abundar para conosco em toda a sabedoria e prudência”. A palavra “abundou” tem a força de jorrando, transbordando. É chamado de “toda a sabedoria”, por sua excelência. Não foi um único conceito ou ato, mas um conjunto de muitos excelentes fins e meios para a glória de Deus. À sabedoria é adicionada a “prudência”: a primeira refere-se ao planejamento eterno de um caminho, a prudência refere-se à ordenação de todas as coisas ao cumprimento dos conselhos ou propósitos de Deus; sabedoria na elaboração, a prudência na execução. Em Efésios 3:10, isso é designado como: “a multiforme sabedoria de Deus” por causa de sua complexidade e variedade; a salvação dos pecadores, a derrota de Satanás, a plena revelação da Santíssima Trindade, em suas diferentes pessoas, operações separadas, ações combinadas e expressões de bondade; e por causa da vastidão de sua extensão. Essa multiforme sabedoria de Deus, agora exibida diante dos anjos na redenção da Igreja, é dita ser “segundo o eterno propósito que fez em Cristo Jesus nosso Senhor” (Efésios 3:11). O Filho eterno de Deus, predestinado a ser o mediador Deus-homem é o grande meio, capacidade e manifestação da onisciência Divina e, portanto, Ele é chamado de “A Palavra de Deus” (Apocalipse 19:13), e “sabedoria de Deus” (1 Coríntios 1:24). “Tornando a nós conhecido o mistério da Sua vontade, segundo o Seu beneplácito, que propusera em Si

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mesmo, de tornar a congregar em Cristo todas as coisas, na dispensação da plenitude dos tempos, tanto as que estão nos céus como as que estão na terra” (Efésios 1:9-10). “O mistério da vontade de Deus são os Seus conselhos referentes à Sua própria glória eterna na santificação e salvação da Igreja aqui na terra, para ser unida àquela acima. A origem absoluta disso foi o Seu próprio prazer, ou a atuação soberana de Sua sabedoria e vontade. Mas tudo isso devia ser efetuado, em Cristo, o qual o apóstolo repete duas vezes: Ele reuniu ‘tudo naquele que é a cabeça, Cristo’, ou seja, somente nEle”. “Assim, é dito dele com respeito à Sua futura encarnação e obra de mediação que ‘O Senhor me possuiu no princípio de seus caminhos, desde então, e antes de suas obras. Desde a eternidade fui ungida, desde o princípio, antes do começo da terra’ (Provérbios 8:22-23). A eterna existência pessoal do Filho de Deus estava nestas expressões... sem isso nenhuma dessas coisas poderiam ser afirmadas sobre Ele. Mas há uma relação de ambas, a Sua futura encarnação e a realização dos conselhos de Deus por meio desta. Com relação a isso, Deus O possuiu no princípio de Seus caminhos, ungiu-O desde a eternidade. Deus O possuía eternamente como a Sua sabedoria essencial, pois Ele sempre foi e sempre esteve no seio do Pai, no amor mútuo, inefável do Pai e do Filho, no vínculo eterno do Espírito. Mas Ele notavelmente O possuía no princípio de Seu caminho como a Sua sabedoria atuando na produção de todos os caminhos e obras que existem exteriormente nEle. O início do caminho de Deus antes de Suas obras são os Seus conselhos que lhes dizem respeito, assim como os nossos conselhos são o início de nossas maneiras com relação aos trabalhos futuros. E Ele O ungiu desde a eternidade como o fundamento de todos os conselhos de Sua vontade, e por meio de quem eles deveriam ser executados e cumpridos” (John Owen). O oitavo capítulo de Provérbios é um capítulo extremamente profundo, mas também mui abençoado. Nele, como o primeiro versículo demonstra, a voz da “sabedoria” é ouvida falar. Que há uma pessoa que está ali em vista é evidente, mais uma vez, a partir do versículo 12: “Eu, a sabedoria, habito com a prudência”, e versículo 17: “Eu amo aos que me amam”. Que esta é uma pessoa Divina pode ser visto a partir do versículo 15: “por mim reinam os reis”. Mas é igualmente claro a partir da linguagem dos versículos 24 e 25, “fui gerada”, e “eu estava com Ele [o Pai]... perante Ele” [versículo 30], que tais expressões não podiam ser predicadas ao Filho de Deus absolutamente, que é co-eterno e co-igual com o Pai. Não, “sabedoria” aqui deve ser entendida como o Filho enquanto Mediador Homem-Deus em suas duas naturezas, como o Alguém ordenado para ser a encarnação da “sabedoria de Deus” (1 Coríntios 1:24). Quando Ele diz: “O Senhor Me possuiu: princípio [no hebraico é sem o “no”] de Seus caminhos, desde então, e antes de suas obras”, este é o Mediador falando na subsistente aliança que Ele tinha diante de Deus antes que o universo fosse chamado à união com o Filho eterno, era “o princípio” (Apocalipse 1:8) dos “caminhos” do Deus Triuno, pois em todas as coisas Ele deve “ter a preeminência” (Colossenses 1:18).

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O primeiro conselho de Deus relacionou-se ao Homem Cristo Jesus, pois Ele foi nomeado para ser não somente a cabeça da Sua Igreja, mas “o primogênito de toda a criação” (Colossenses 1:15), Aquele a quem o Senhor dos Exércitos indicou como “o homem que é o meu companheiro” (Zacarias 13:7) foi predestinado para a graça da união e da glória Divina. “Na cabeça [assim é que está no grego] do livro está escrito de Mim” (Hebreus 10:7). Sendo Ele o Objeto e Sujeito do decreto original de Deus. “Nosso Redentor saiu do ventre de um decreto desde a eternidade, antes que Ele saísse do ventre da virgem no tempo. Ele esteve escondido na vontade de Deus antes que Ele se manifestasse na carne de um Redentor. Ele era um Cordeiro que foi morto no propósito, antes que Ele fosse morto na Cruz. Ele foi possuído por Deus no princípio ou no início de Seus caminhos (a Cabeça de Suas obras), e ungido desde a eternidade para ter as Suas delícias entre os filhos dos homens” (Charnock). A pessoa do Deus-Homem Mediador foi a origem dos conselhos Divinos. Como tal, o Jeová Triuno “possuiu” ou abraçou-o, como um Tesouro no qual todos os conselhos Divinos foram depositados, como um Agente eficaz para a execução de todas as Suas obras. Cristo foi o primeiro Eleito de Deus (Isaías 42:1) e, em seguida, a Igreja foi escolhida nEle (Efésios 1:4). “Desde a eternidade fui ungida” [Provérbios 8:23]. Essa declaração diz respeito a Ele não essencialmente como Deus o Filho, mas economicamente como o Mediador: “estabelecido” ou, literalmente, “ungido” por uma constituição da Aliança e pela subsistência Divina diante da mente de Deus. Antes de todos os mundos, no “conselho de paz” (Zacarias 6:13), Cristo foi designado e ungido com o Seu caráter oficial. Antes que Deus planejasse criar qualquer criatura, Ele primeiro “ungiu” a Cristo como o grande Arquiteto e Origem. “Então eu estava com ele, e era seu arquiteto; era cada dia as suas delícias, alegrando-me perante ele em todo o tempo” (Provérbios 8:30). Não foi a complacência do Pai na segunda Pessoa da Trindade (como tal) que está ali em vista, mas a Sua satisfação e alegria no Mediador, como Deus O contemplou nas lentes de Seus decretos como o Repositório de todos os Seus desígnios. A palavra hebraica para “arquiteto” também significa “mestre construtor”, e é assim apresentado na Versão Revisada [da Bíblia King James], quão abençoadamente isso descreveu Aquele que seria invocado para realizar o propósito do Pai! Em Seus pensamentos eternos e visões primitivas, o homem Cristo Jesus era o objeto do amor de Deus. Por Ele todas as coisas seriam criadas. Por meio dEle, vasos seriam formados para a Sua glória. Por Ele, o grande remédio seria fornecido para as vítimas do pecado. É realmente lamentável que tão poucos do povo do Senhor estejam sendo instruídos nestas “profundezas de Deus” (1 Coríntios 2:10), pois elas foram reveladas para sua edificação e consolação. O que temos procurado explicar em Provérbios 8 lança luz sobre outras passagens. Por exemplo, quantos leitores perplexos foram confundidos por João 6:62: “Que seria, pois, se vísseis subir o Filho do homem para onde primeiro estava?”. Em que sentido Ele

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estava no Céu como Homem antes que Ele se tornasse encarnado? Mas, ainda que nós sejamos ignorantes desta verdade maravilhosa, santos do Antigo Testamento não eram, como é evidente a partir do Salmo 80:17: “Seja a tua mão sobre o homem da tua destra, sobre o filho do homem, que fortificaste para ti”. Embora o Homem Jesus Cristo ainda não tinha existência histórica, Ele tinha uma subsistência Pactual perante o Pai, como tomada em união com a segunda Pessoa da Santíssima Trindade. Como a fé concede uma presente “substância” (a palavra grega significa “uma verdadeira subsistência”) no coração e mente do crente sobre as coisas que se esperam, a fim de que ele tenha um presente gozo de coisas ainda futuras, assim, na mente dEle diante de quem todas as coisas estão sempre presentes, Cristo como encarnado foi sempre uma realidade viva. Assim, quando Deus disse: “Façamos o homem à nossa imagem” (Gênesis 1:26), a referência final foi ao Deushomem, que é por excelência a “imagem do Deus invisível” (Colossenses 1:15). Façamos uma pausa aqui e admiremos e adoremos a gloriosa sabedoria de Deus, que encontrou um caminho para salvar o Seu povo, de uma forma que foi infinitamente apropriada e honrosa para Si próprio, e nos prostremos em admiração e adoração diante do Senhor Jesus, que, não obstante a vergonha e o sofrimento indizíveis envolvidos nisso, agradouLhe fazer a vontade do Pai. A multiforme sabedoria de Deus é vista em Sua escolha de Alguém para ser a Cabeça e Salvador da Igreja, em que Ele era em todos os aspectos adequado para desempenhar esse ofício e obra, dotado de todas as qualificações necessárias, e em que Ele era a única Pessoa apropriada para isso. A sabedoria abundante de Deus foi demonstrada em Seu conhecimento de que Cristo era uma pessoa apta. Ninguém, senão a própria onisciência poderia ter pensado sobre o querido Filho de Deus tornando-se o Redentor de pecadores merecedores do Inferno. Parte 3 A escolha de Deus sobre a Pessoa que deveria ser o Restaurador de Sua honra, o Conquistador de Satanás, o Vitorioso sobre a morte, e o Libertador de Seu povo caído, foi uma escolha que nada, senão a própria onisciência fez. Quem, senão Aquele dotado de infinita sabedoria alguma vez teria pensado em selecionar o Seu Filho unigênito para um empreendimento tão temível? Pois, Cristo, como Deus, é uma das Três Pessoas eternas que foi ofendida pelo pecado, e contra quem os homens haviam se rebelado. Eles eram seus inimigos declarados, e dEle, eles mereciam infinita punição. Quem, então, O conceberia como Aquele que pôs Seu coração sobre miseráveis depravados, que exerceria infinito amor e compaixão para com eles, estando disposto a prover um remédio todo-suficiente para todos os males deles? Mas quando essa escolha foi feita, dificuldades insuperáveis pareciam permanecer no caminho de sua realização. Como era possível para uma Pessoa Divina entrar no lugar de pecadores arruinados, vir sob a Lei e prestar-lhe perfeita obediência, e assim

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elaborar uma justiça perfeita para quem não tinha nenhuma? E como poderia ser possível para o Ser Santo ser feito uma maldição, para o Senhor da glória sofrer a penalidade da Lei violada, para o Amado do Pai experimentar o fogo da ira Divina, para o Senhor da vida, morrer? Tais problemas como estes teriam desconcertado todos as inteligências criadas. Mas a sabedoria Divina encontrou uma solução. Em primeiro lugar, a multiforme sabedoria de Deus ordenou que Seu Filho amado seria constituído o último Adão, que, como Ele fez um pacto de obras com o primeiro homem que esteve na terra, assim Ele faria uma Pacto da Graça com o “segundo homem”, que é o Senhor do céu. Que, como o primeiro Adão permaneceu como a cabeça da aliança e representante federal de toda a sua posteridade, assim, este último Adão ficaria como a Cabeça pactual e representante de toda a Sua descendência. Mas, como o primeiro Adão quebrou o Pacto de Obras e trouxe ruína sobre todos aqueles que ele representava, portanto, este último Adão deveria cumprir os termos do Pacto da Graça, e, assim, garantir a bem-aventurança eterna de todos em nome de quem Ele efetuou. Assim, um pacto foi firmado entre o Pai e o Filho, o Pai prometendo uma recompensa gloriosa sobre o cumprimento pelo Filho de todas as condições deste. Esta maravilhosa transação é referida no Salmo 89:3-5: “Fiz uma aliança com o meu escolhido, e jurei ao meu servo [o antitípico] Davi [que significa “Amado”], dizendo: A tua semente estabelecerei para sempre, e edificarei o teu trono de geração em geração (Selá). E os céus louvarão as tuas maravilhas, ó Senhor, a tua fidelidade também na congregação dos santos”. Essa passagem, como Provérbios 8, leva-nos de volta para os eternos conselhos de Deus, pois o Salmo 89:19 declara: “Então falaste em visão ao teu santo, e disseste: Pus o socorro sobre um que é poderoso; exaltei a um eleito do povo”, plenamente capaz de realizar Meus grandiosos e graciosos desígnios. Esse Pacto da Graça foi um compacto mútuo que foi voluntariamente assumido entre o Pai e o Filho, Aquele prometendo uma rica recompensa em troca do cumprimento dos termos acordados: o Outro solenemente comprometendo-se a desempenhar as suas estipulações. Muitas são as Escrituras que falam de Cristo em conexão com o pacto. Em Isaías 42:6, ouvimos o Pai dizendo a Ele: “Eu, o Senhor, te chamei em justiça, e te tomarei pela mão, e te guardarei, e te darei por aliança do povo, e para luz dos gentios”. Em Malaquias 3:1, Cristo é designado “o mensageiro da aliança” porque Ele veio aqui para fazer conhecido o Seu conteúdo e proclamar as suas boas novas. Em Hebreus 7:22, Ele é designado um “fiador de melhor aliança”, em 9:15: “o mediador de um novo testamento”, enquanto em 13:20 lemos sobre “o sangue da aliança eterna”. Nesse pacto, o Filho concordou em ser a Cabeça dos eleitos de Deus, e fazer tudo o que era necessário para a glória Divina e a garantia da bem-aventurança eternal deles. A isso, faz-se referência em “segundo o seu próprio propósito e graça que nos foi dada em Cristo Jesus antes dos tempos dos séculos” (2 Timóteo 1:9), uma relação federal, então, subsistiu entre Cristo e a Igreja, embora a mes-

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mo não foi plenamente manifesta até que Ele Se encarnou. Foi, então, que o Filho foi designado para o ofício de Mediador, quando Ele foi “estabelecido” ou “ungido”, quando foi “gerado” a partir do decreto eterno (Provérbios 8:23-24) e concedido um pacto de subsistência diante do Deus Triuno. Foi proposto e livremente pactuado que o Amado do Pai tomaria sobre Si a forma de servo e seria feito em semelhança da carne do pecado. Assim, quando veio a plenitude dos tempos, Ele foi “nascido de mulher”, tendo um espírito, alma e corpo humanos em união perpétua conSigo mesmo. Como o corpo de Adão foi feito de maneira sobrenatural a partir da terra virgem pela imediata mão de Deus, assim o corpo de Cristo foi sobrenaturalmente feito da substância da Virgem pela operação imediata do Espírito Santo. Assim também a união da alma e do corpo em Adão prefiguraram a união hipostática de nossa natureza com o Filho de Deus, de forma que Ele não é duas pessoas em uma, mas uma Pessoa com duas naturezas, não sendo estas naturezas confundidas, mas cada uma preserva as suas propriedades distintivas. Owen bem fez a observação: “Sua concepção no ventre da Virgem, como à integridade da natureza humana, foi uma operação milagrosa do poder Divino. Mas a prevenção desta natureza de qualquer subsistência de si mesma, por sua assunção à união pessoal com o Filho de Deus, em primeira instância de sua concepção, é aquela que está acima de todos os milagres, nem pode ser designada por esse nome. Isto é mistério, assim, muito acima da ordem de todas as operações da criação e providenciais, que transcende totalmente a esfera daqueles que são os maiores milagres. Nisto, Deus glorifica todas as propriedades da natureza Divina, agindo em uma maneira de infinita sabedoria, graça e condescendência”. Aquele que era o Senhor de todos, e não devia nenhum serviço ou obediência a qualquer um, sendo em forma de Deus e igual a Ele, desceu em uma condição de submissão absoluta. Como Adão deliberadamente abandonou o lugar de completa submissão a Deus, que era adequado à sua natureza e adequado a Deus, aspirando por senhorio, assim o Filho de Deus deixou o estado de domínio absoluto que era Seu, por direito, e tomou sobre Si o jugo da servidão. A descida do Filho envolveu muito maior humilhação para Si mesmo do que a glória da ascensão que o primeiro homem aspirava em seu orgulho. Como já foi mostrado, esta auto-humilhação do Senhor da Glória a um estado de completa sujeição é referida pelo apóstolo em Hebreus 10:5, onde Cristo é ouvido dizendo: “corpo me preparaste”. Essas palavras são uma paráfrase explicativa de “os meus ouvidos abriste”, a margem escavada no Salmo 40:6, o que por sua vez, remota a Êxodo 21:6, onde um estatuto foi nomeado para o efeito de alguém que voluntariamente se entregou ao serviço absoluto e perpétuo, significava o mesmo que ter a orelha furada com uma sovela. Assim, Hebreus 10:5, à luz do Salmo 40:6 e Êxodo 21:6, implica que o corpo de Cristo foi preparado para Ele com o desígnio expresso de Seu serviço absoluto a Deus nele.

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Por Sua assunção da natureza humana, Cristo não foi capacitado apenas para prestar sujeição a Deus, mas Ele se tornou qualificado para servir como mediador entre Deus e os homens. Pois, é necessário que o mediador seja relacionado a ambas as partes que se reconciliariam, e seja igual a cada uma delas, assim, um anjo não estaria qualificado para este ofício, já que ele não possui nem a natureza Divina, nem a humana. Era necessário que Cristo fosse homem de verdade, assim como Deus, a fim de realizasse a obra da redenção. Homem, para que Ele fosse suscetível a sofrer, qualificado para oferecer a Si mesmo como um sacrifício, e fosse capaz de morrer. Assim também a assunção da natureza humana capacitou a Cristo para ser um Substituto de Seu povo, a não somente agir em seu nome, mas em seu lugar e proveito. Verdadeiramente, tomar o lugar deles na Lei e prestar plena satisfação a esta, obedecendo seus preceitos e suportando a sua penalidade. Mas isso, por sua vez, exigiu que Ele fosse seu Fiador e Responsável; ou seja, fosse tão relacionado a eles de forma legal e federal que pudesse apropriadamente servir como seu Substituto. Como havia uma unidade federal e representativa entre o primeiro Adão e aqueles a quem Ele representava, então deveria haver uma semelhante unidade entre o último Adão e aqueles por quem Ele tratou, de forma que, como a culpa do primeiro foi cobrada na conta de sua posteridade, assim, a justiça do último fosse imputada a toda a sua descendência. Ainda assim, a verdade sobre a posição que o Filho de Deus assumiu não se expressa plenamente pelas declarações acima. Não é suficiente dizer que Ele se tornou o seu Fiador e Substituto, mas temos de ir mais para trás e perguntar: O que foi aquilo que o fez cumprir isso, de forma que Ele tornou-se o Fiador e Responsável de Seu Povo diante do ofendido Legislador e Juiz deles? E a resposta é: Sua união pactual. Cristo serviu como seu Fiador e Substituto porque Ele era um com eles e, portanto, Ele poderia e Ele assumiu e cumpriu todas as responsabilidades deles. Na Aliança da Graça Cristo disse ao Pai: “Anunciarei o teu nome a meus irmãos, Cantar-te-ei louvores no meio da congregação. E outra vez: Porei nele a minha confiança. E outra vez: Eis-me aqui a mim, e aos filhos que Deus me deu” (Hebreus 2:12-13). Mais abençoadamente isto é explicado no que se segue imediatamente: “E, visto como os filhos participam da carne e do sangue, também ele participou das mesmas coisas”, portanto, Ele não se envergonha de lhes chamar irmãos. A Federação é a raiz desta maravilhosa misericórdia, a identificação da chave que a destranca. Cristo não veio para os estranhos, mas para os Seus “irmãos”: Ele assumiu a natureza humana, não a fim de adquirir um povo para Si mesmo, mas para garantir um povo já era Seu (Efésios 1:4; Mateus 1:21). Uma vez que existia uma união entre Cristo e Seu povo desde toda a eternidade, inevitavelmente segue-se que quando Ele veio a esta terra, Ele tomou sobre Si as suas dívidas, e agora que Ele foi para o Céu, eles devem ser revestidos (Isaias 61:10), com todos os frutos de Sua perfeita obediência. Isto é muito mais do que uma questão técnica de teologia, sen-

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do o pilar mais forte de todos nos muros da verdade que protegem a Expiação, embora seja algo atacado com mais frequência e ferocidade por seus inimigos. Os homens têm argumentado que a punição do Inocente como se Ele fosse culpado foi um ultraje à justiça. No reino humano, punir uma pessoa por algo quando ela não é responsável nem culpada está fora de questão, é injusto. Entretanto essa objeção é inválida e totalmente inútil em conexão com o Senhor Jesus, pois Ele voluntariamente adentrou no lugar e porção de Seu povo de um modo tão íntimo que se pode dizer: “Porque, assim o que santifica, como os que são santificados, são todos de um” (Hebreus 2:1). Eles não são apenas um em natureza, mas também são tão unidos diante de Deus e diante de Sua Lei a ponto de envolver a identificação das relações jurídicas e as obrigações e direitos recíprocos: “[...] pela obediência de um muitos serão feitos [legalmente constituídos] justos” (Romanos 5:19). Foi exigido do Fiador do povo de Deus que Ele não somente prestasse uma obediência plena e perfeita aos preceitos da Lei, e, assim, fornecesse os meios meritórios da justificação deles, mas que Ele também efetuasse a plena satisfação dos pecados deles, por ter visitado sobre Si a maldição da Lei. Mas antes que a punição fosse infligida, a culpa dos transgressores deveria ser transferida para Ele, ou seja, os seus pecados deveriam ser judicialmente imputados a Ele. A esse concerto o Santo Ser consentiu voluntariamente, de modo que aquele que “não conheceu pecado” foi legalmente “feito pecado” por eles (2 Coríntios 5:21). Deus derramou sobre Ele a iniquidade de todos eles, e, em seguida, a espada da justiça divina O feriu (Zacarias 13:7), exigindo a plena satisfação. Sem derramamento de sangue não há remissão. A remoção das transgressões, obtendo para nós o favor de Deus, a compra da herança celestial, exigiu a morte de Cristo. Aquilo que exigiu a pena de morte foi a culpa de nossos pecados; faça com que isto seja removido, e a condenação para nós se vai para sempre. Porém, como a culpa poderia ser “removida”? Apenas por sua transferência a outro. A punição devida à Igreja foi levada por seu Fiador e Substituto. Deus demandou dEle todos os pecados de Seus eleitos e procedeu contra Ele nesse sentido, visitando sobre Ele a Sua ira judicial. Quão maravilhosos são os caminhos de Deus! Como a morte foi destruída pela morte, a morte do Filho; assim, o pecado pelo pecado, o maior que já foi cometido — a crucificação de Cristo — afastou a si mesmo, tanto quanto o oriente está do ocidente [Salmos 103:2]. Porque Deus imputou as transgressões de Seu povo ao seu Fiador, Cristo foi condenado para que eles fossem absolvidos. Cristo tomou sobre Si as suas dívidas acumuladas e incalculáveis, e por Seu pagamento do mesmo, eles estão para sempre livres e absolvidos. Por meio de Seu precioso sangue todas as iniquidades deles foram expiadas, para que o desafio triunfante ressoe: “Quem intentará acusação contra os escolhidos de Deus?” (Romanos 8:33). Ao longo de Sua vida e por Sua morte Cristo esteve restaurando e reparando todos os prejuízos que os pecados da Igreja haviam feito à manifesta glória de Deus. Deus

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agora perdoa os pecados de todos os que verdadeiramente creem em Cristo, porque a Deidade recebeu uma satisfação vicária, mas plena para eles na Pessoa de seu Substituto. Através de Cristo, eles são libertos da ira vindoura. Necessariamente assim, pois a aceitação do sacrifício do Cordeiro de Deus obteve a redenção eterna de todos por quem ele foi oferecido. Da forma como uma nuvem escura se esvazia sobre a terra e, em seguida, se derrete sob os raios do sol, assim, quando a tempestade do juízo Divino havia se esgotado sobre a cruz, nossos os nossos pecados desapareceram de diante da face de Deus, e fomos recebidos em Seu favor eterno. Tão maravilhosa foi a obra que o Filho encarnado realizou por Seu povo, ainda assim, algo mais ainda era necessário a fim de fornecer um remédio completo para complexa ruína deles, pois, isto cobria apenas os aspectos jurídicos da punição deles. Um milagre da graça necessitava ser operado neles, a fim de torná-los experimentalmente prontos para glória eterna; sim, tal é absolutamente indispensável para adequá-los à comunhão com Deus nesta vida. Os Seus eleitos precisam ser vivificados e levados à novidade de vida, sua inimizade contra Deus precisa ser destruída, suas trevas, dissipadas, suas vontades, libertadas, o amor ao pecado e o ódio à santidade também precisam retificados. Em uma palavra, eles precisavam experimentar uma mudança completa do coração, um princípio de graça ser comunicado a eles, e serem feitos novas criaturas em Cristo. Que milagre da graça é realizado pelo Espírito Santo naqueles que são “por natureza filhos da ira, como os outros também” (Efésios 2:3). Mas quão pouco isso é compreendido hoje; a insistência disso tem quase desaparecido do púlpito moderno, mesmo naqueles que se orgulham de serem ortodoxos. A obra do Espírito na salvação dos pecadores não tem lugar no credo do membro de igreja normal, e onde isso é nominalmente reconhecida, não possui nenhum peso real e não exerce nenhuma influência prática. Na maioria dos lugares onde o Senhor Jesus ainda é formalmente tido como o único Salvador, o ensino atual é que Ele tornou possível que os homens sejam salvos, mas que eles próprios devem decidir se querem ou não querem ser salvos; e, assim, a maior de todas as obras de Deus é deixada na dependência da inconstante vontade dos homens quanto a saber se será um sucesso ou um fracasso. Estreitando o círculo para aqueles lugares onde ainda é considerado que o Espírito tem uma missão e ministério, em conexão com o Evangelho, a ideia geral que prevalece é que, quando a Palavra é pregada com fidelidade, o Espírito convence os homens do pecado e revela-lhes a sua necessidade de um Salvador; mas, além disso, muito poucos estão dispostos a ir. A visão popular é que o pecador tem que cooperar com o Espírito: que ele deve se entregar ao Seu “esforço”, ou ele não será e não pode ser salvo. Mas um conceito tão pernicioso e insultante a Deus repudia dois fatos cardinais: afirmar que o homem natural é capaz de cooperar com o Espírito é negar que ele está “morto em delitos e pecados”, pois um homem morto é impotente para fazer algo de

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bom; enquanto dizer que as operações específicas do Espírito no coração e na consciência de um homem podem ser assim resistidas, como a frustrar seus esforços, é negar a Sua onipotência. O fato solene e intragável é, meu leitor, que se Espírito de Deus fosse retirado em suas operações, nem uma única pessoa na terra se beneficiaria salvificamente da obra redentora de Cristo. O homem natural é como um inimigo de Deus e tão obstinado em sua rebelião que ele não aprecia um Cristo santo, e continua se opondo ao Seu caminho de salvação até que seu coração seja divinamente renovado. Essa criminosa escuridão e ilusão que preenche toda a alma na qual reina o pecado não podem ser removidas por qualquer agente, senão por Deus o Espírito, por meio de Seu conceder um novo coração e iluminar a compreensão para que perceba a excessiva malignidade do pecado. De fato, há milhares de pessoas dispostas a responder ao erro fatal que os pecadores podem ser salvos sem lançar para baixo as armas de sua guerra contra Deus; que recebem a Cristo como seu Salvador, mas que não estão dispostos a renderem-se a Ele como seu Senhor. Eles gostariam de obter Seu descanso, mas eles recusam submeterem-se ao Seu “jugo”, sem o qual o Seu descanso não pode ser obtido. Suas promessas agradam a eles, mas os Seus preceitos lhes são repulsivos. Eles acreditam em um Cristo imaginário que é adequado para a sua natureza corrupta, mas eles desprezam e rejeitam o Cristo de Deus. Como as multidões do passado, eles estão satisfeitos com Seus pães e peixes, mas para o Seu exame de coração, mortificação da carne, ensino condenatório do pecado, eles não têm apetite. Nada, senão o poder milagroso do Espírito pode transformá-los. “O homem é absoluta e totalmente avesso a tudo o que é bom e direito. ‘Porquanto a inclinação da carne é inimizade contra Deus, pois não é sujeita à Lei de Deus, nem, em verdade, o pode ser’ (Romanos 8:7). Vá através de toda a Escritura, e você encontrará continuamente a vontade do homem descrita como sendo contrária às coisas de Deus. O que disse Cristo naquele texto tantas vezes citado pelo Arminiano para refutar a própria doutrina que ele afirma claramente? O que Cristo disse àqueles que imaginaram que os homens viriam sem a influência Divina? Ele disse, em primeiro lugar, “Ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou o não trouxer” [João 6:44], mas Ele disse algo mais severo: “E não quereis vir a mim para terdes vida” [João 5:40]. Aqui reside o erro mortal: não apenas ele é impotente para fazer o bem, mas ele é poderoso o suficiente para fazer o que é errado, e que sua vontade é desesperadamente tendenciosa contra tudo o que é certo. Homens não virão; você não pode forçá-los por todos os seus trovões, nem atraí-los por todos os seus convites, até que o Espírito os atraia, eles não querem vir, nem o podem” (Spurgeon). A multiforme sabedoria de Deus é tão evidente na tarefa oficial atribuída ao Espírito Santo, como na obra que o Filho foi comissionado a executar. Os milagres da regeneração e santi-

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ficação são tão maravilhosos quanto a obediência e sofrimentos, a morte e a ressurreição de Cristo foram; e o santo está tão verdadeira e tão profundamente em dívida para com um quanto para com o outro. Se foi um ato de maravilhosa condescendência para Deus, que o Filho deixou a glória do Céu e assumiu para Si mesmo a natureza humana, igualmente foi para Deus, que o Espírito descesse a esta terra e fixasse morada em homens e mulheres caídos; e se Deus assinalou a maravilha e a importância de alguém por poderosos prodígios e sinais, assim o fez em relação a este último — a música do coro angelical (Lucas 2:13), com o seu homólogo no “som do céu” (Atos 2:2), a “glória” Shekinah (Lucas 2:9) nas “línguas como que de fogo”. Se nós admiramos as obras graciosas e poderosas de Cristo na purificação do leproso, fortalecendo o paralítico, dando visão aos cegos e dando vida aos mortos, não menos o Espírito deve ser adorado por Suas operações sobrenaturais na vivificação das almas mortas, na iluminação de suas mentes, libertando-os do domínio do pecado, removendo a sua inimizade contra Deus, unindo-os a Cristo, e criando neles o amor à santidade. De tudo o que esteve diante de nós, será visto quão completo e perfeito é o remédio que a graça e a sabedoria de Deus providenciaram para o Seu povo. Como eles estavam federalmente em Adão, e, portanto, tinham responsabilidade pelo que ele fez, eles estão federalmente em Cristo e, portanto, desfrutam de todos os benefícios de Sua obra meritória. Como eles estavam arruinados pela quebra de um pacto, assim, eles são restaurados pela guarda de outro. Como eles estavam eram culpados pela desobediência de Adão, sendo cobrada em sua conta, assim eles são justificados diante do trono de Deus, porque a justiça de seu Fiador é imputada a eles. Como eles caíram sob a maldição da Lei, estavam alienados de Deus e tornaram-se filhos da ira, por meio da redenção de Cristo, eles têm direito à recompensa da Lei, reconciliados com Deus e restaurados ao seu favor. Como eles herdam uma natureza corrupta de sua primeira cabeça, assim, eles recebem uma natureza santa de sua segunda Cabeça. Em todos os aspectos, o remédio corresponde à enfermidade.

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A Necessidade Da Morte De Cristo Por Stephen Charnock

[Extraído de Cristo, Nossa Páscoa • Editado]

“Porventura não convinha que o Cristo padecesse estas coisas e entrasse na sua glória?” (Lucas 24:26) Vejamos aqui o mal do pecado. Nada é mais adequado para mostrar a baixeza do pecado e a grandeza da miséria por causa dele, do que a satisfação devida por ele; como a grandeza de uma enfermidade é vista pela força do remédio, e o valor da mercadoria pela grandeza do preço que custou. Os sofrimentos de Cristo expressam o mal do pecado, muito acima dos julgamentos mais severos sobre qualquer criatura, tanto no que diz respeito à grandeza da Pessoa, e a amargura do sofrimento. Os gemidos moribundos de Cristo mostram a terrível natureza do pecado aos olhos de Deus; como Ele foi maior do que o mundo, por isso Seus sofrimentos declaram que o pecado é o maior mal do mundo. Quão maligno é que o pecado deva fazer Deus sangrar para curá-lo! Ver o Filho de Deus levado até a morte pelo pecado é a maior porção de justiça que jamais Deus executou. A terra tremeu sob o peso da ira de Deus, quando Ele puniu a Cristo, e os céus estavam escuros como se estivessem fechados para Ele, e Ele clama e geme, e nenhum alívio aparece; nada, senão o pecado é a causa da meritória aquisição disto. O Filho de Deus foi morto pelo pecado da errônea criatura; se houvesse alguma outra maneira de expiar um mal tão grande, havia permanecido com a honra de Deus, que está inclinado a perdoar, remeter o pecado sem uma compensação por morte, não podemos pensar que Ele teria consentido que Seu Filho se submeteria assim a tão grande sofrimento. Nem todos os poderes no céu e na terra poderiam nos conduzir ao favor novamente, sem a morte de algum grande sacrifício para preservar a honra da veracidade e da justiça de Deus; nem a interposição graciosa de Cristo, sem que Ele se tornasse mortal, e bebesse o cálice da ira, poderia aplacar a justiça Divina; nem as Suas intercessões, sem que sofresse os golpes devidos a nós, poderiam remover a miséria da criatura caída. Toda a santidade da vida de Cristo, a Sua inocência e boas obras, não nos redimiriam, sem a morte. Foi por meio disto que Ele fez expiação por nós, satisfazendo a justiça vindicatória do Pai, e restaurou-nos de uma morte espiritual e inevitável. Quão grandes eram os nossos crimes, que não poderiam ser lavados pelas obras de uma criatura pura ou a santidade da vida de Cristo, mas exigiram a efusão do sangue do Filho de Deus para a libertação deles! Cristo em Sua morte foi tratado por Deus como um pecador, como Alguém que permaneceu em nosso lugar, caso con-

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trário, Ele não poderia ter sido sujeito à morte. Pois Ele não tinha pecado de Sua autoria, e “a morte é o salário do pecado” (Romanos 6:23). Isto não é consistente com a bondade e a justiça de Deus como Criador, o afligir uma criatura sem causa, nem com o Seu infinito amor por Seu Filho O moer por nada. Algum mal moral deve, portanto, ser a causa; pois nenhum mal físico é infligido sem algum mal moral anterior. A morte, como uma punição, supõe uma falha. Cristo, não tendo nenhum crime Seu próprio, deve, então, ser um sofredor por nós. “Nossos pecados estavam sobre ele” (Isaías 53:6), ou transferidos sobre Ele. Vemos, assim, como o pecado é odioso a Deus, e, portanto, deve ser abominável para nós. Devemos ver o pecado nos sofrimentos do Redentor, e, em seguida, pensar amavelmente sobre eles, se conseguirmos. Vamos então, nutrir o pecado em nossos corações? Isto é acentuar mais pregos que perfuraram Suas mãos, e dos espi-nhos que feriram a Sua cabeça, e fazer dos gemidos de Sua morte o tema de nosso deleite. É expor a Cristo que sofreu, para que sofra novamente; um Cristo que é ressusrreto e ascendido, sentado à mão direita de Deus, novamente à terra; coloca-lO sobre uma outra cruz e restringi-lO a um segundo túmulo. Nossos corações deveriam ser quebrantados diante da consideração da necessidade de Sua morte. Nós devemos expurgar o nosso coração de nossos pecados por meio do arrependimento, como o coração de Cristo foi aberto pela lança. É isto que “não convinha que o Cristo padecesse?” nos ensina. Não estabeleçamos o nosso descanso em qualquer coisa em nós mesmos, não em qualquer coisa abaixo de um Cristo morrendo; nem no arrependimento ou reforma. O arrependimento é uma condição de perdão, não uma satisfação da justiça; isto às vezes move a bondade Divina para afastar o julgamento, mas não é nenhuma compensação à justiça Divina. Não há aquele bem no arrependimento quanto há o mal no pecado de que se arrepende, e a satisfação deve ter algo de equidade, tanto da injúria e da pessoa desonrada; a satisfação que é suficiente para uma pessoa particularmente errada não é suficiente para um príncipe justamente ofendido; pois a grandeza do mal remonta à dignidade da pessoa. Ninguém pode ser maior do que Deus, e, portanto, nenhuma ofensa pode ser tão maligna como as ofensas contra Deus; e poderiam algumas lágrimas ser suficentes aos pensamentos de alguém para lavá-los? O mal cometido contra Deus pelo pecado é de um nível mais elevado do que a ser compensado por meio de quaisquer boas obras da criatura; embora de mais grandiosa elevação. O arrependimento de qualquer alma é tão perfeito a ponto de ser capaz de responder à punição à justiça de Deus exigida na Lei? E se a graça de Deus nos ajudasse em nosso arrependimento? Não pode ser concluído a partir disso, que o nosso perdão é formalmente adquirido pelo arrependimento, mas que somos dispostos por ele a receber e valorizar um perdão. Não é congruente com a sabedoria e justiça de Deus a concessão de perdões a obstinados rebeldes. O arrependimento não é em nenhum lugar citado como expiatório do pecado; um coração quebrantado é chamado de um sacrifí-

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cio (Salmos 51:17), mas não é um propiciatório. O pecado de Davi foi expiado antes que ele escrevesse esse Salmo (2 Samuel 12:13). Embora um homem possa chorar muitas lágrimas como as gotas de água contidas no oceano, enviar o maior número de rajadas de orações como ser houvesse gemidos emitidos de cada criatura desde a funda-ção do mundo; embora ele fosse capaz de sangrar tantas gotas de seu coração como se tivessem sido derramadas de veias de sacrifícios de animais, tanto na Judéia e de todas as partes do mundo; embora ele fosse capaz, e verdadeiramente aplicasse à caridade todos os metais das minas do Peru; ainda assim isto não poderia absolvê-lo da menor culpa, nem limpa-lo da menor impureza, nem conceder o perdão do menor crime por meio de qualquer valor intrínseco nos atos em si mesmos; os próprios atos bem como as pessoas podem falhar sob a censura da justiça ardente. Somente a morte de Cristo nos concede a vida. Somente o sangue de Cristo sacia aquele justo fogo que o pecado acendeu no coração de Deus contra nós. Indicar qualquer outro meio de apaziguamento de Deus, além da morte de Cristo, é fazer com que a cruz de Cristo não tenha nenhum efeito. Nós devemos aprender isso a partir de “não convinha que o Cristo padecesse?” Portanto, sejamos sensíveis sobre a necessidade de um interesse na morte do Redentor. Não pensemos em beber das águas da salvação de nossas próprias cisternas, mas das feridas de Cristo. Não retirem vida de nossos próprios deveres mortos, mas dos gemidos de Cristo. Nós temos culpa. Nós mesmos podemos expiá-la? Nós estamos sob justiça; conseguiremos apaziguar isto por meio de qualquer coisa que possamos fazer? Há uma inimizade entre Deus e nós; podemos oferecer-Lhe qualquer coisa digna de ganhar a Sua amizade? Nossas naturezas estão corrompidas; podemos sará-las? Nossos serviços estão contaminados; podemos purificá-los? Há uma grande necessidade de que possamos aplicar a morte de Cristo a todos aqueles, como havia para Ele o submeter-se a ela. O leproso não foi limpo e curado pelo derramamento do sangue do sacrifício por ele, mas pela aspersão do sangue do sacrifício sobre ele (Levítico14:7). Como a morte de Cristo foi considerada uma causa meritória, assim a aspersão de Seu sangue foi predita como a causa formal de nossa felicidade (Isaías 52:15). Por meio de Seu próprio sangue, Ele entrou no Céu e glória, e por nada senão o Seu sangue nós podemos ter a ousadia de esperar por isto, ou a confiança de obter isto (Hebreus 10:19). Toda a doutrina do Evangelho é Cristo crucificado (1 Coríntios 1:23), e toda a confiança de um Cristão deveria ser Cristo crucificado. Deus não teria misericórdia exercida com uma negligência da justiça por meio do homem, embora a uma pessoa miserável: “Não respeitarás o pobre, nem honrarás o poderoso; com justiça julgarás o teu próximo” (Levítico 19:15). Será que Deus, que é infinitamente justo negligencia a Sua própria regra? Nenhum homem é um objeto de piedade, até que ele apresente uma satisfação à justiça. Como há uma perfeição em Deus que chamamos de misericórdia, o que exige fé e arrependimento da Sua criatura antes que Ele venha a conceder o perdão, assim há uma outra perfeição da justiça vingativa que exige uma satisfação. Se a criatura

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pensa que a sua própria miséria motiva a demonstração da perfeição da misericórdia, isto deve considerar que a honra de Deus requer também o contentamento de Sua justiça. Os anjos caídos, portanto não têm nenhuma misericórdia concedida a eles, porque ninguém jamais satisfez a justiça de Deus por eles. Não vamos, portanto, cunhar novas formas de buscar perdão, e falsos modos de apaziguar a justiça de Deus. O que podemos encontrar por detrás disso, capaz de contender contra as chamas eternas? Que refúgio pode haver por trás disso capaz de nos abrigar do ardor da ira Divina? Podem as nossas lágrimas e orações serem mais prevalentes do que os clamores e lágrimas de Cristo, que não pôde, por toda a força deles, desviar a morte de Si mesmo, sem a nossa perda eterna? Nenhum caminho senão a fé em Seu sangue. Deus, no Evan-gelho, nos envia Cristo, e Cristo pelo Evangelho nos traz a Deus. Valorizemos este Redentor e a redenção por meio de Sua morte. Desde que Deus resolveu ver Seu Filho mergulhado em um condição de esvaziamento desgraçado, vestido na forma de um servo e exposto a sofrimentos de uma dolorosa cruz, ao invés de deixar o pecado impune, nós nunca deveríamos pensar nisto sem gratos retornos, tanto para o Juiz quanto para o Sacrifício. Pelo que Ele foi afligido, senão para adquirir a nossa paz? Moído, senão para sarar nossas feridas? Levado perante um juiz terreno para ser condenado, senão para que pudéssemos ser trazidos diante de um Juiz celestial para sermos absolvidos? Caído sob as dores da morte, senão para derrubar para nós os grilhões do inferno? E tornou-Se amaldiçoado na morte, senão para que fôssemos abençoados com a vida eterna? Sem isto a nossa miséria teria sido irreparável, a nossa distância de Deus [seria] perpétua. Que relações poderíamos ter tido com Deus, enquanto nós estávamos separados dEle por crimes de nossa parte e por justiça da Sua? O muro deve ser derrubado, a morte deve ser sofrida, para que a justiça possa ser silenciada, e a bondade de Deus novamente comunicada a nós. Esta foi a maravilha do amor Divino, agradar-se com os sofrimentos do Unigênito, para que Ele pudesse se agradar de nós, em consideração àqueles sofrimentos. Nossa redenção em tal caminho, como por meio da morte e sangue de Cristo, não foi apenas por graça. Seria assim se fosse apenas redenção; mas sendo uma redenção por meio do sangue de Deus, isto merece do apóstolo não menos do que o título do que “riquezas da graça” (Efésios 1:7). E isto merece e espera não menos de nós do que tal elevado reconhecimento. Isto nós aprendemos a partir de “não convinha que o Cristo padecesse?”

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Inimigos Reconciliados Pela Morte Por Robert Murray M'Cheyne

“A vós também, que noutro tempo éreis estranhos, e inimigos no entendimento pelas vossas obras más, agora contudo vos reconciliou no corpo da sua carne, pela morte, para perante ele vos apresentar santos, e irrepreensíveis, e inculpáveis, se, na verdade, permanecerdes fundados e firmes na fé, e não vos moverdes da esperança do evangelho que tendes ouvido, o qual foi pregado a toda criatura que há debaixo do céu, e do qual eu, Paulo, estou feito ministro.” (Colossenses 1:21-23) I. A condição passada de todos os que agora são crentes: “A vós também, que noutro tempo éreis estranhos, e inimigos no entendimento pelas vossas obras más”. Quando duas famílias brigavam umas com as outras, tornam-se estranhas umas das outras: elas não se visitam mais; seus filhos não eram autorizados a conversarem entre si, como antigamente; se eles se encontrassem na rua, eles se olhariam de outra maneira. Assim é com os pecadores não-convertidos e Deus; eles são estranhos a Deus; eles não visitam a Deus; eles não procuram a Sua presença; eles não amam encontrar os Seus filhos; eles não gostam de Suas palavras, nem de Seus caminhos. Quando Deus lida com eles em um sermão severo ou providência, eles tentam olhar para outro caminho, de forma que eles não possam encontrar os olhos de Deus. 1. Separados. Esta palavra é usada três vezes: “Que naquele tempo estáveis sem Cristo, separados da comunidade de Israel” (Efésios 2:12), “separados da vida de Deus” [Efésios 4:18]. E mais uma vez aqui. Ao todo, isso retrata a vida e o verdadeiro caráter de cada homem não-convertido. É inútil esconder isso, queridos irmãos não-convertidos. Vocês podem fingir o maior amor pelos ministros, pelos sacramentos, pelas reuniões de Cristãos; ainda assim, o verdadeiro estado do vosso coração é a separação de Deus. Ah! Temo que muitos de vocês vêm para a igreja, e até mesmo para o sacramento, com o nome de Cristo em seus lábios, e um coração frio, distante em seu peito: “Todavia lisonjeavam-no com a boca, e com a língua lhe mentiam. Porque o seu coração não era reto para com ele” (Salmos 78:36-37) 2. Inimigos no entendimento. Isso é mais do que estranhamento. Vocês podem ser estranhos a um homem, e ainda assim, não odiá-lo; mas as almas não-convertidas odeiam a Deus. A Bíblia inteira é testemunha de que todos os homens não-convertidos odeiam a Deus. Em Romanos 1:28 diz: “eles não se importaram de ter conhecimento de Deus”, então, Deus os entregou a um sentimento perverso, para que eles se tornassem “inimigos de Deus”. Em Êxodo 20:5, Deus diz: “Não te encurvarás a elas nem as servirás; porque eu, o

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Senhor teu Deus, sou Deus zeloso, que visito a iniquidade dos pais nos filhos, até a terceira e quarta geração daqueles que me odeiam”. E ainda: “não sabeis vós que a amizade do mundo é inimizade contra Deus? Portanto, qualquer que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus” (Tiago 4:4). Será que Deus diria isso se este não fosse o caso? Deus sabe melhor o que realmente há no coração do homem. É verdade que vocês podem não mostrar esse ódio em suas palavras, ou em sua atitude; vocês podem não amaldiçoar a Deus, nem mesmo em um sussurro; mas Deus diz que isso está na sua mente. Isso está na parte inferior deste poço de lama. No inferno, onde todas as restrições são retiradas, vocês amaldiçoarão a Deus por toda a eternidade. O julgamento mais surpreendente que poderia haver disto foi quando Deus veio a este mundo. Deus foi manifestado em carne. NEle habitou toda a plenitude da Divindade. Todas as perfeições de Deus fluíam através de Seu seio. Não havia uma característica de Deus, senão a que estivesse brilhando através de Seu glorioso semblante, mas suavizado aos olhos humanos por todas as perfeições de sua Humanidade. Será que os homens O amaram quando O viram? Permitam que Isaías responda: “Era desprezado, e o mais rejeitado entre os homens”. Ou, ouçam suas próprias palavras: “O mundo não vos pode odiar, mas ele me odeia a mim” [João 7:7]. E, mais uma vez: “Aquele que me odeia, odeia também a meu Pai. Se eu entre eles não fizesse tais obras, quais nenhum outro tem feito, não teriam pecado; mas agora, viram-nas e me odiaram a mim e a meu Pai”. [João 15:23-24]. Como lidaram com Ele? Eles O mataram, e penduraram em um madeiro, eles bateram e cuspiram nEle, eles O açoitaram e O crucificaram, eles O pregaram e O traspassaram. Eles não eram piores do que os outros homens; homens de paixões semelhantes a nós, ainda assim, a oportunidade mostrou o que há no homem. É inútil que vocês escondam isso, queridos irmãos não-convertidos, que o vosso coração está cheio de inimizade contra Deus; que vocês são inimigos de Deus. Embora seja temeroso pensar, é verdade que todos os que são amigos do mundo são inimigos de Deus; e embora eu creio em meu coração que não há um dentre vocês aqui presentes que deliberadamente matem uma mosca ou um verme, ainda assim eu temo que há muitos que, se pudessem, matariam a Deus. Qual é a razão dessa inimizade? Resposta. “Por causa das más obras”. É o amor aos seus pecados que faz com que os homens odeiem a Deus. O próprio Jesus diz-lhes isto: “O mundo não vos pode odiar, mas ele me odeia a mim, porquanto dele testifico que as suas obras são más” [João 7:7]. Vocês mal podiam imaginar que fosse possível que qualquer pessoa pudesse odiar o Senhor Jesus. “Ele é totalmente desejável” [Cânticos 5:16]. Não há perfei-

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ção em Deus, senão a que habitasse nEle; não há beleza no homem, senão a que brilhasse nEle. E, nessa ocasião, a Sua missão foi uma de mais puro amor. Ele veio buscar e salvar o que estava perdido. Ele curou todos os que vieram a Ele; falou amavelmente a todos. Até mesmo Suas ameaças se misturavam com lágrimas de compaixão. Como eles poderiam odiá-lO? Ele falou-lhes de seus pecados; que esses pecados estavam afundando-os em direção ao inferno. Ele disse: “morrereis no vosso pecado. Para onde eu vou, não podeis vós vir” [João 8:21]. Ele Se ofereceu para salvá-los de seus pecados; para dar-lhes descanso; aliviá-los do cansativo fardo da culpa; aliviá-los da agitação de um coração ímpio. Foi isso que os enfureceu. Eles amavam as suas más obras; eles não queriam ser salvos delas; portanto, eles odiavam a Jesus. Ainda hoje é assim. Muitos de vocês, quando ouviram pela primeira vez o Evangelho, disseram: Isso é muito bom, “acerca disso te ouviremos outra vez” [Atos 17:32]. A oferta de perdão e do céu, uma coroa e uma harpa, e de ser liberto do inferno; tudo isso soa bem; mas quando vocês descobriram que é preciso por “fim aos teus pecados, praticando a justiça” [Daniel 4:27], que Cristo “salvará o seu povo dos seus pecados” [Mateus 1:21], então vocês começaram a protelar, a ponderar, hesitar, voltar atrás e odiar a Deus. Quando vocês viram que Cristo vos separaria de seu copo, de seus juramentos, de suas cartas e dados, de suas luxúrias, então vocês O odiaram. Ai, que escolha triste vocês fizeram! Amaram o seu pecado, e odiaram o Salvador! “Todos os que me odeiam amam a morte” [Provérbios 8:36]. Filhos de Deus, este era o vosso estado. Comam ervas amargas com a sua páscoa neste dia. Oh! não esqueçam o seu pecado. Vocês em algum momento estavam separados e inimigos de Deus pelas suas obras más. Vocês podem olhar para trás sem ficarem desconcertados?

II. A reconciliação: “agora contudo vos reconciliou no corpo da sua carne, pela morte”, versículo 21. Esta é a maravilhosa obra do Senhor Jesus Cristo, e este é o estado abençoado para o qual Ele traz todas as almas salvas. 1. Ele tomou sobre Si um corpo de carne. Retirado do amor puro pelos vermes merecedores do inferno, “sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus, mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens” [Filipenses 2:6-7]. Para ser o Salvador dos pecadores, Ele obedece a Lei, que nós nunca havíamos obedecido; Ele tem que viver uma vida de obediência sem pecado; mas como o grande Deus que fez a Lei fará isso? Ele foi nascido de uma mulher, nascido sob a Lei, para que pudesse resgatar os que estavam debaixo da Lei. Mais uma vez, se Ele salvará os peca-

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dores, Ele deve beber o cálice do seu sofrimento, Ele deve suportar os seus vergões e pecados em seu próprio corpo. Mas como o Deus infinitamente santo, feliz e imutável, sofre isso? Porque os filhos eram de carne, Ele mesmo também se tornou participante desta. Ele tornou-se unido a uma alma e corpo humanos fracos e frágeis, para que Ele pudesse sofrer, chorar, gemer, sangrar e morrer. “Grande é o mistério da piedade, Deus se manifestou em carne” [1 Timóteo 3:16]. Mais uma vez: se Ele será o Salvador e Irmão mais velho dos pecadores; se Ele conhecerá as suas tristezas, e será o Seu compassivo Pastor; Ele deve ter um coração humano [...]. Mas como pode ser isso, quando Ele é infinitamente santo, sábio, justo e verdadeiro? Ah! Ele se tornou osso de nosso osso e carne da nossa carne. “Então todas as tribos de Israel vieram a Davi, em Hebrom, e falaram, dizendo: Eis-nos aqui, somos teus ossos e tua carne” (2 Samuel 5:1), e assim podemos em ir a Cristo: “Ele pode compadecer-se de nossas fraquezas” (Hebreus 4:15). Ah! Por toda a eternidade a encarnação de Jesus será o tema da nossa admiração e louvor. Irmãos, todos vocês verão aquela face. Alguns de vocês chorarão quando a virem. Quando aquele amável rosto brilhar através das nuvens, vocês chamarão pelas rochas e montanhas para cobri-los. Ele é o Salvador a quem vocês têm rejeitado e desprezado. 2. Ele morreu: “Pela morte”. A morte de Cristo é o evento mais maravilhoso que já ocorreu no universo; e, portanto, a Ceia do Senhor é a mais maravilhosa de todas as ordenanças. Os anjos desejam contempla-lo. Eu não tenho dúvida de que os anjos circundam a mesa da comunhão, e cantam seus louvores mais doces ao Cordeiro, quando veem o pão partido e este vinho derramado. Se a encarnação de Jesus foi maravilhosa, muito mais maravilhosa foi a Sua morte. Este foi o ponto mais alto de Sua obediência: “obediente até à morte”. Esta foi a mais baixa profundidade de Sua humilhação. Ele ficou em silêncio sob nossas acusações; permaneceu sob a nossa maldição; Ele suportou o nosso inferno, e morreu a nossa morte. Ele era o grande Legislador, o Juiz de todos, diante do qual toda criatura deve permanecer e ser julgada; e ainda assim Ele concordou em vir e ficar no tribunal de Suas criaturas ímpias, e ser condenado por eles! Ele era adorado por toda criatura santa; seus louvores mais doces foram derramados aos Seus pés; e ainda assim Ele veio ser cuspido e insultado, ser escarnecido, cravado e crucificado pelos mais vis dos homens! “Nele estava a vida!” [João 1:4]. Ele era o Príncipe da vida, o autor de toda a vida natural e espiritual; Ele deu vida a todos, a respiração e todas as coisas; e ainda assim eles O mataram. Ele entregou o espírito, Ele esteve no túmulo frio. O Pai O amava infinitamente, eternamente, sem começo ou intervalo ou fim; e ainda assim Ele foi feito maldição por nós, suportou o mesmo furor que se derramou sobre espíritos malditos. Ah! Irmãos, aqui houve amor infinito. Infiéis zombam disso, os insensatos o desprezam; mas isso é a maravilha de todo o céu. O Cordeiro que foi morto será a maravilha da eternidade. Hoje Cristo é, evidentemente, estabelecido crucificado. Anjos, eu não tenho dúvidas,

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olharão para baixo, em surpreendente maravilha para aquela mesa. Vocês olharão com corações frios e impassíveis? Esta é uma visão do Cordeiro imolado que move as hostes do céu ao louvor. Apocalipse 5:8: “prostraram-se diante do Cordeiro, tendo todos eles harpas e salvas de ouro cheias de incenso”. Vocês não O louvarão? 3. Ele nos reconciliou: “Agora, contudo, vos reconciliou”. Pecadores, nós não somos reconciliados no dia de nossa eleição, nem na morte de Cristo, mas na hora da conversão. Oh! Isso é precioso agora: “Agora... vos reconciliou”. É um momento feliz, quando o Senhor Jesus se aproxima da alma pecadora, e a lava, purifica em Seu precioso sangue, e a veste em Suas vestes brancas, e assim a reconcilia com Deus. Há uma dupla reconciliação que acontece na hora de crer. (1) Deus torna-Se reconciliado com a alma. Quando a alma encontra-se em Cristo, o Pai diz: “Eu sararei a sua infidelidade, eu voluntariamente os amarei; porque a minha ira se apartou deles”. [Oséias 14:4]. A alma responde a Deus: “ainda que te iraste contra mim, a tua ira se retirou, e tu me consolas” [Isaías 12:1]. Deus não imputa àquela alma as suas ofensas; Ele imputa a ela a obediência do Senhor Jesus. Deus a justifica: “O Senhor teu Deus, o poderoso, está no meio de ti, ele salvará; ele se deleitará em ti com alegria; calar-se-á por seu amor, regozijar-se-á em ti com júbilo” (Sofonias 3:17). (2) A alma é reconciliada com Deus. O Espírito Santo, que inclina a alma a submeter-se a Jesus, muda o coração para amá-lO. Quando os animais entraram na arca, suas naturezas foram alteradas; eles não rasgaram uns aos outros em pedaços, mas em amor entraram de dois em dois na arca; o leão não devorou o manso cervo, nem a águia perseguiu a pomba. Assim, quando os pecadores vêm a Cristo, seu coração é alterado da inimizade para o amor. Queridos irmãos, Ele vos reconciliou com Deus? Vocês estavam, em algum momento longe; vocês foram trazidos para perto? Vocês estavam, alguma vez em trevas; vocês foram iluminados no Senhor? Vocês em algum momento estavam separados e inimigos em sua mente; Ele vos reconciliou? Ele vos trouxe para a luz do semblante reconciliado de Deus? A ira de Deus afastou-se de vocês? Vocês podem cantar; “Graças te dou, ó SENHOR, porque, ainda que te iraste contra mim, a tua ira se retirou, e tu me consolas” [Isaías 12:1], ou: “Bendize, ó minha alma, ao Senhor, e não te esqueças de nenhum de seus benefícios. Ele é o que perdoa todas as tuas iniquidades, que sara todas as tuas enfermidades, que redime a tua vida da perdição” (Salmos 103:2-3). Vocês já foram transformados para amar a Deus? Vocês amam a Sua Palavra, Seu povo, Sua forma de vos conduzir?

III. O objetivo futuro em vista: “para perante ele vos apresentar santos, e irrepreensíveis, e inculpáveis”. Dias sacramentais são dias solenes, mas não há um dia mais solene ao nosso alcance,

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mesmo à porta. Aqui nos reunimos para ensiná-los, alimentá-los e levá-los a encontrar-se com Cristo, e viver nEle; ali nos encontraremos para vos apresentar como uma virgem pura a Cristo. Naquele dia Cristo levará aqueles de vocês que Ele redimiu e reconciliou, e vos apresentará a Si mesmo igreja gloriosa. Ele confessará o vosso nome diante de Seu Pai, e vos apresentará irrepreensíveis diante da presença de Sua glória, com júbilo. Há uma dupla perfeição que os santos terão naquele dia. 1. Vocês serão perfeitamente justos. Vocês serão “irrepreensíveis”. Satanás vos acusará, e o mundo, e a consciência; mas Cristo dirá: “O castigo que lhes traz a paz estava sobre Mim”. Cristo mostrará as Suas cicatrizes, e dirá: “Eu morri por essa alma”. 2. Vocês serão perfeitamente santos: “Santos, e irrepreensíveis”. O corpo de pecado, vocês o deixarão para trás. O Espírito que habita em vocês agora completará a Sua obra. Vocês serão como Jesus; pois vocês O verão como Ele é. Vocês serão santos como Deus é santo, puro como Cristo é puro. Cada um que é reconciliado por Cristo, Ele o faz santo e o confessa diante de seu Pai: “aos que justificou a estes também glorificou” [Romanos 8:30]. Se Cristo verdadeiramente começou a boa obra em vocês, Ele a completará até o dia de Jesus Cristo. Cristo diz: “Eu sou o Alfa e o Ômega, o princípio e o fim, o primeiro e o derradeiro” [Apocalipse 22:13]. Sempre que Ele começa, Ele consumará. Sempre que Ele constrói uma pedra como fundamento, Ele a preservará inabalável até o fim. Apenas certifiquem-se de que vocês estão sobre o fundamento, que vocês estão reconciliados, que vocês têm a verdadeira paz com Deus, e então vocês podem olhar através das montanhas e rios que estão entre vocês e aquele dia, e dizer: “Ele é poderoso para guardar-me de tropeçar” [Judas 1:24]. Vocês têm apenas dois rasos riachos a atravessar, a saber, o da doença e o da morte; e Ele prometeu vos encontrar, para ir com vocês, a cada passo. Mais algumas lágrimas, mais algumas tentações, mais algumas orações agonizantes, mais alguns sacramentos e vocês estarão com o Cordeiro no Monte Sião!

IV. A perseverança é necessária para a salvação: “Se, na verdade, permanecerdes fundados e firmes na fé, e não vos moverdes da esperança do evangelho que tendes ouvido”, versículo 23. Todos a quem Cristo reconcilia serão salvos; mas apenas no caminho da perseverança na fé. Ele os fundamenta e estabelece na fenda da rocha, e os impede de serem movidos. Caros crentes, verifiquem se vocês permanecem na fé. Lembrem-se que vocês serão provados.

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1. Vocês podem ser provados por falsas doutrinas. Satanás pode transforma-se em anjo de luz, e tentar enganar vocês por meio de um outro Evangelho. “Conserva o modelo das sãs palavras” [2 Timóteo 1:13]. 2. Vocês serão provados pela perseguição. O mundo vos odiará por seu amor a Cristo. Eles falarão todo tipo de mal contra vocês. 3. Vocês serão provados pela lisonja. O mundo sorrirá para vocês. Satanás espalhará seus caminhos com flores; ele perfumará o seu leito com mirra, aloés e canela [Provérbios 7:17]. Vocês permanecerão na fé? Vocês não se afastarão? Vocês poderão suportar todos esses inimigos? Lembrem-se, a perseverança é necessária para a salvação; tão necessária quanto a fé ou quanto o novo nascimento. É verdade, todo aquele que crê em Cristo será salvo; mas eles serão salvos, por meio da perseverança: “Se alguém não estiver em mim, será lançado fora, como a vara, e secará; e os colhem e lançam no fogo, e ardem” [João 15:6]. Eis que em Jesus há um poder para a perseverança. Esse pão e vinho hoje são uma garantia disso. Busquem por graça perseverante hoje. Peçam isso quando vocês tomarem o pão e o vinho. Hipócritas! Um dia vocês serão conhecidos por isso. Muitos de vocês parecem estar unidos, os quais realmente não estão. Todos vocês tiveram convicções de pecado que já passaram, todos vocês têm a aparência de Cristãos, mas interiormente um coração não-convertido, todos os que participam das ordenanças, mas vivem em alguma forma de pecado, em breve serão descobertos. Vocês revestem-se de uma aparência, vocês fingem que se apegam a Cristo, e obtêm graça de Cristo, oh! Quão em breve vocês mostrarão as suas verdadeiras cores. Oh! Que a consideração possa perfurar seu coração, para que mesmo agora, embora vocês venham com uma profissão mentirosa em sua mão direita, sejam persuadidos a unirem-se a Jesus em verdade. Amém. São Pedro, 1 de agosto de 1841.

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A Gloriosa Bem-Aventurança Proposta No Evangelho Por Arthur Walkington Pink

[Capítulo 14 do livro The Total Depravity of Man • Editado]

A entrada do mal no domínio de Deus é, reconhecidamente, um profundo mistério, no entanto, o suficiente é revelado nas Escrituras para nos prevenir de formar pontos de vista errôneos em relação a isto. Por exemplo, é terminantemente contrário à Palavra da verdade apoiar a noção de que a Queda de Satanás e seus anjos ou dos nossos primeiros pais pegaram Deus de surpresa e arruinaram Seus planos. Desde toda a eternidade Deus projetou esta terra como devendo ser o palco sobre o qual ele mostraria as Suas perfeições: na criação, na providência e na redenção (1 Coríntios 4:9). Assim, Ele predestinou tudo o que viria a acontecer neste cenário (Atos 15:18; Romanos 11:36; Efésios 1:11). Deus não é um espectador ocioso, olhando à distância os acontecimentos deste mundo, mas é o próprio Ordenador e Modelador de tudo para a promoção final de Sua glória, não só, apesar da oposição dos homens e Satanás, mas por meio deles, tudo está sendo feito para servir ao Seu propósito. Nem a introdução do mal no universo ocorre simplesmente pela simples permissão do Altíssimo, pois nada pode acontecer em oposição à Sua vontade decretiva. Em vez disso, devemos acreditar que, por razões sábias e santas, Deus predestinou Suas criaturas mutáveis a cair, e, assim, gerar uma ocasião para Ele demonstrar mais e plenamente os Seus atributos. Partindo da perspectiva de Deus, o resultado da provação de Adão não deixa espaço para nenhuma incerteza. Antes de formá-lo do pó da terra e de haver soprado o fôlego da vida em suas narinas, Ele sabia exatamente como a referida provação sucederia. Sim, e ainda mais: Ele decretou que ele deveria comer do fruto proibido. Está claro em 1 Pedro 1:19-20 que nos diz que o derramamento do sangue de Cristo foi, na verdade, “conhecido ainda antes da fundação do mundo” (cf. Apocalipse 13:8). Como Witsius corretamente afirmou em relação ao pecado de Adão: “se ele foi conhecido foi também predestinado, assim Pedro une 'determinado conselho e presciência de Deus’ (Atos 2:23)”. Em plena harmonia com esta verdade, é preciso lembrar que foi o próprio Deus quem colocou no Éden a árvore do conhecimento do bem e do mal! Além disso, o célebre Moderador da Assembleia de Westminster perguntou: “O Diabo não incitou Adão e Eva contra Deus estando no Paraíso? Deus não poderia ter mantido o Diabo fora do Paraíso? Por que Ele não fez isso? Porventura não é manifestamente aparente que era a vontade de Deus que eles fossem tentados, e incitados ao pecado? E por que não?” (W. Twisse, 1653). Deus negou-lhes uma maior manifestação da Sua glória. Assim como se não houvesse noite não poderíamos admirar a beleza

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do dia, este fundo era necessário escuro no qual a graça e misericórdia Divina pudessem brilhar mais resplandecentes (Romanos 5:20). Tem-se afirmado, mais dogmaticamente, por papistas e Arminianos, que Deus não poderia ter impedido a Queda de nossos primeiros pais, sem reduzi-los a meras máquinas. Argumenta-se que uma vez que o Criador dotou o homem com uma vontade livre ele deve ser deixado inteiramente às suas próprias volições, que ele não pode ser coagido, muito menos compelido, sem destruir sua agência moral. Isso pode parecer um raciocínio sólido, no entanto, é refutado pelas Sagradas Escrituras! Quando Deus declarou a Abimeleque sobre a mulher de Abraão: “também eu te tenho impedido de pecar contra mim; por isso não te permiti tocá-la” (Gênesis 20:6). Assim fica muito claro que não é impossível para Deus exercer Seu poder sobre o homem, sem destruir a sua responsabilidade, pois aqui está um caso onde Ele restringiu a liberdade do homem para fazer o mal e o impediu de cometer pecado. Da mesma forma, Ele impediu Balaão de realizar os maus desejos do seu coração (Números 22:38; 23:2, 20); sim, Ele impediu reinos de fazerem guerra contra Josafá (2 Crônicas 17:10). Por que, então, Deus não exerceu Seu poder para impedir que Adão e Eva pecassem? Porque a Queda deles serviria melhor aos Seus próprios desígnios sábios e benditos. Mas isso faz de Deus o autor do pecado? O Autor culpado, não, pois, como Piscator há muito tempo apontou: “A culpabilidade é uma falha em fazer o que deve ser feito”. É evidente que era a vontade Divina que o pecado entrasse neste mundo, ou ele não teria entrado, pois Deus não somente tinha o poder de evitar isto, mas também nada disso aconteceria, exceto o que Ele decretou. “Ainda que o decreto de Deus fez a Queda de Adão infalivelmente necessária como um evento, contudo isso não se deu por meio de eficiência, ou pela força e coerção sobre a vontade” (John Gill). Nem o decreto de Deus de forma alguma desculpou a maldade dos nossos primeiros pais nem os isentou do castigo. Eles foram deixados inteiramente livres para o exercício da sua natureza, e, portanto, plenamente responsáveis e culpados por suas ações. Enquanto a árvore do conhecimento do bem e do mal e as tentações da serpente para que comessem do fruto foram as ocasiões de seu pecado, contudo eles não foram a causa do mesmo, que estava em seu abandono voluntário da sujeição à vontade de seu Criador e verdadeiro Senhor. Deus não é o autor eficiente dos pecados dos homens, assim como Ele o é naqueles que Ele opera a santidade. Que Deus decretou que o pecado deveria entrar neste mundo foi um segredo oculto em Si mesmo. A respeito disso, os nossos pais nada sabiam, e isso fez toda a diferença no que concerne à sua responsabilidade, pois tivessem sido informados sobre o propósito Divino e a certeza de seu cumprimento por suas ações, o caso havia sido radicalmente alterado. Eles estavam bastante familiarizados com os conselhos secretos do Criador. O que lhes dizia respeito era a vontade revelada de Deus, e esta era totalmente clara. Ele os havia proibido de comer de uma certa árvore, e isso era o suficiente. Porém Ele foi mais longe, o

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Senhor mesmo advertiu a Adão das consequências terríveis que sucederiam a sua desobediência, a morte seria a penalidade. Assim, a transgressão de sua parte era inteiramente indesculpável. Deus o criou moralmente “vertical”, sem qualquer inclinação para o mal. Ele também não injetou qualquer mau pensamento ou desejo em Eva. Não, “Deus não pode ser tentado pelo mal, e a ninguém tenta” (Tiago 1:13). Em vez disso, quando a serpente veio e tentou a Eva, Deus fez com que ela se lembrasse de Sua proibição! Admire, então, a maravilhosa sabedoria de Deus, pois tendo Ele predestinado a Queda de nossos primeiros pais, ainda assim, em nenhum sentido, era Ele o instigador ou aprovador de seus pecados e sua prestação de contas não sofreu nenhum dano. Nós devemos acreditar nestas duas coisas se não quisermos repudiar a verdade: que Deus predestinou tudo o que venha a acontecer e que de forma alguma Ele é responsável por qualquer maldade um homem, a criminalidade deste sendo de sua total responsabilidade. O decreto de Deus não infringe de modo algum a agência moral do homem, pois nem força nem impede a vontade do homem, embora as ordene e limite suas ações. Tanto a existência e as operações do pecado são subservientes aos conselhos da vontade de Deus, mas isso não diminui o mal da sua natureza ou a culpa do transgressor. “Ainda que Ele não estime o mal como bem, contudo Ele considera bom que o mal exista” (William Perkins, 1587); no entanto, o pecado é “essa coisa abominável” (Jeremias 44:4), que o Santo sempre odiou. Em relação à crucificação de Cristo houve a agência de Deus (João 19:11, Atos 4:27-28), a agência de Satanás (Gênesis 3:13; Lucas 22:53), e a agência dos homens; contudo, Deus não concordou nem cooperou com as ações internas de suas vontades, e Deus cobrou depois a maldade de seus atos (Atos 2:23). Deus governa mal o para o bem (Gênesis 44:8, Salmo 76:10), e, portanto, Ele é tão verdadeiramente soberano sobre o pecado e o Inferno como Ele é sobre a santidade e o Céu. Deus não deseja nada que seja errado: “Justo é o Senhor em todos os seus caminhos, e santo em todas as suas obras” (Salmo 145:17). Ele, desta forma, não permanece em qualquer necessidade de vindicação por nenhuma de Suas insignificantes criaturas. No entanto, mesmo a mente finita, quando iluminada pelo Espírito da verdade, pode-se perceber como essa admissão de Deus do mal neste mundo provoca ocasião, para Ele demonstrar Suas perfeições inefáveis de uma maneira e em um grau que de outra forma Ele não poderia magnificar a Si mesmo por trazer uma coisa pura de uma impura, e por assegurar a Si mesmo o louvor dos pecadores redimidos, como Ele não recebe dos anjos não caídos. Horrível e terrível além do que se pode descrever foi a revolta do homem contra o seu Criador, tão terrível e total foi a ruína que ele trouxe consigo toda a sua posteridade. No entanto, a sabedoria de Deus planejou uma maneira de salvar uma parte da raça humana, de tal maneira que Ele é mais glorificado neles do que por todas as suas obras da criação e da providência, e é assim que a miséria dos pecadores torna-se a ocasião à sua maior felicidade; tal é uma maravilha sem fim.

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Esse caminho de salvação foi determinado e definido nos termos do eterno Pacto da Graça. Era aquele pelo qual cada uma das pessoas Divinas é extremamente honrada. Como o famoso Jonathan Edwards há muito tempo apontou: “Aqui a obra da redenção se distingue de todas as outras obras de Deus. Os atributos de Deus são gloriosos em suas outras obras; mas as três Pessoas da Santíssima Trindade claramente não são glorificadas em nenhuma outra obra como nesta da redenção. Nesta obra cada Pessoa distinta tem Suas partes e ofícios distintos atribuídos a Si. Cada um tem sua importância especial nela agradávelmente às Suas próprias distinções pessoais, relações e organização. O redimido tem um igual interesse e dependência em relação a cada Pessoa nesta questão, e deve igual honra e louvor a cada um dEles. O Pai nomeia e provê o Redentor, e aceita o preço da redenção. O Filho é o Redentor e o preço, Ele redime, oferecendo-se a Si mesmo. O Espírito Santo nos comunica imediatamente ao que foi comprado; sim, e Ele é o bem adquirido. A suma do que Cristo comprou para nós é a santidade e a felicidade. ‘Cristo foi feito maldição por nós... Para que a bênção de Abraão chegasse aos gentios por Jesus Cristo, e para que pela fé nós recebamos a promessa do Espírito’ (Gálatas 3:13-14). A bem-aventurança dos redimidos consiste na participação da plenitude de Cristo, que consiste na participação naquele Espírito que não é dado por medida a Ele. Este é o óleo que foi derramado sobre a Cabeça da Igreja, que correu para os membros do seu corpo (Salmo 133:2)”. É um grave erro considerar o Senhor Jesus como nosso Salvador, excluindo as operações salvíficas do Pai e do Espírito. Se o Pai não houvesse eternamente proposto a salvação de Seu povo, escolhendo-os em Cristo dando lhes a Ele, se Ele não tivesse entrado em um Pacto eterno com Ele, encarregando-Lhe a encarnar-Se, e os redimir, Seu Amado nunca teria deixado o Céu a fim de poder morrer, o Justo pelos injustos. Assim, vemos que Ele amou o mundo de tal maneira que deu o Seu Filho unigênito e atribuiu a Ele a salvação da Igreja: “Que nos salvou... segundo as nossas obras, mas segundo o seu próprio propósito e graça que nos foi dada em Cristo Jesus antes dos tempos dos séculos” (2 Timóteo 1:9). Igualmente necessárias são as operações do Espírito Santo para realmente aplicar aos corações dos eleitos de Deus o bem que Cristo realizou por eles: Ele é quem convence do pecado e lhes concede a fé. Por isso, a sua salvação também é atribuída a Ele: “Mas devemos sempre dar graças a Deus por vós, irmãos amados do Senhor, por vos ter Deus elegido desde o princípio para a salvação, em santificação do Espírito, e fé da verdade” (2 Tessalonicenses 2:13). Uma leitura cuidadosa de Tito 3:4-6, mostra as três Pessoas agindo em conjunto, segundo este propósito: “Deus, nosso Salvador” no versículo 4 é claramente o Pai, e “nos salvou pela lavagem da regeneração e da renovação do Espírito Santo” (v.5), “Que abundantemente ele derramou sobre nós por Jesus Cristo nosso Salvador” (v. 6); compare a doxologia de 2 Coríntios 13:14! É muito abençoador refletir sobre as muitas promessas que o Pai fez a respeito de Cristo.

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Após a aceitação do Filho dos termos exatos do Pacto da Graça, o Pai concordou em investir Ele com um tríplice ofício, autenticando grandemente assim a Sua missão com o selo do Céu: o profético (Deuteronômio 18:15, 18. Veja também Atos 3:22), o sacerdócio (Hebreus 5:5; 6:20), e o reinado (Jeremias 22:5; Salmos 89:27). Assim, Cristo não veio sem ser enviado. Ele prometeu suprir e preparar o Mediador com o derramamento abundante das graças e dons do Espírito Santo (Isaías 42:1-2. Veja Atos 10:38; Mateus 12:27-28). Ele prometeu fortalecer a Cristo, apoiando-O e protegendo-O na realização da Sua grande obra da redenção (Isaías 42:1, 6; Salmo 89:21). Seu compromisso seria marcado com tais dificuldades que o poder da criatura, ainda que não prejudicado pelo pecado, teria sido inapropriado para Ele: por isso o Pai Lhe assegurou de tudo que lhe era necessário para ajuda e socorro, para conduzi-lO através da oposição e aflições que Ele encontraria. É muito precioso observar como o Filho encarnado repousou sobre essas promessas: Salmo 22:10; Isaías 69:4-7; Salmo 16:1; Isaías 1:6-9. O Pai prometeu levantar o Messias dos mortos (Salmo 21:8; 102:23, 24; Isaías 53:10), e mais abençoado é observar como Cristo lançou mão disto (Salmo 16:8-11). A promessa de Sua ascensão também lhe foi feita (Salmo 24:3, 7; 67:18; 89:27; Isaías 52:13.), da qual o Salvador também se apropriou enquanto ainda na terra (Lucas 24:26). Tendo cumprido fielmente os termos da Aliança, Cristo foi sumamente exaltado por Deus, e feito Senhor e Cristo (Atos 2:36), Deus O assentou à Sua mão direita. Essa é uma salvação por senhorio, uma dispensação comprometida com Ele como o Deus-homem. Aquele a quem os homens coroaram de espinhos, Deus tem coroado de glória e honra. O “governo” está sobre os Seus ombros. Cristo foi assegurado de uma “posteridade” (Isaías 53:10), Sua crucificação não deve ser considerada como uma infâmia a Ele, já que era o próprio meio ordenado por Deus, pela qual Ele deveria propagar uma numerosa descendência espiritual, a isto até Ele se referiu em João 12:24. A “posteridade”, prometida a Cristo ocupa um lugar de destaque no Salmo 89, veja os versos 3, 4, 31-36 e cf. 22:30. Assim, desde o início, Cristo foi assegurado do sucesso de seu empreendimento. Posto que havia duas partes no Pacto, então os eleitos foram dados a Cristo de uma forma dupla. Assim Ele estava a cumprir os seus termos, que foram confiados a Ele como uma carga; mas no cumprimento dos mesmos, o Pai prometeu conceder-lhes a Ele como uma recompensa. No primeiro sentido, eles são considerados como caídos, e Cristo foi responsável por sua salvação, eles estavam comprometidos com Ele, como ovelhas perdidas e desgarradas (Isaías 53:6), a quem Ele deveria buscar e trazer para o rebanho (João 10:16). Neste último sentido, eles são vistos como fruto de Sua agonia, os troféus de Sua vitória sobre o pecado, Satanás e a morte; como Sua coroa de regozijo no dia vindouro (quando Ele deverá ser “glorificado nos seus santos, e para se fazer admirável naquele dia em todos os que creem”, 2 Tessalonicenses 1:10); como a esposa amada do Cordeiro.

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Finalmente, Deus fez a promessa do Espírito Santo a Cristo. Ele repousou sobre Esse durante os dias da Sua carne, ungindo-O para pregar o Evangelho (Isaías 61:1) e operar milagres (Mateus 12:28). Ele, porém, recebeu o Espírito depois de outra forma (Salmo 45:7, Atos 2:33) e para uma finalidade diferente após Sua ascensão, ou seja, este o DeusHomem Mediador foi dado a administração das atividades e operações do Espírito em relação ao mundo na providência e em relação à Igreja na graça, João 16:7 deixa claro que o advento do Espírito era dependente da exaltação de Cristo. Cristo também se apropriou dessa garantia antes de partir deste mundo, em Sua partida, Ele disse aos seus discípulos: “E eis que sobre vós envio a promessa de meu Pai” (Lucas 24:49), o qual foi devidamente cumprida 10 dias mais tarde. Em pleno acordo com o que acaba de ser apontado, ouvimos o Salvador do Céu dizendo: “Isto diz o que tem os sete espíritos de Deus” (Apocalipse 3:1), “tem” para comunicar ao Seu resgatado individualmente, e às Suas igrejas coletivamente. O grande desígnio da descida do Espírito a esta terra é glorificar a Cristo (João 16:14). Ele está aqui para testemunhar-vos a exaltação do Salvador, sendo o Pentecostes o selo de Deus sobre a Messianidade de Jesus. O Espírito está aqui para substituir a Cristo. Isso é inferido de Suas próprias palavras aos Apóstolos: “E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, para que fique convosco para sempre” (João 14:16). Até então, o Senhor Jesus tinha sido o seu Consolador, mas Ele estava às vésperas de voltar ao Céu; no entanto, Ele graciosamente lhes assegurou: “Não vos deixarei órfãos; voltarei para vós” (João 14:18), isto foi cumprido plenamente no advento se Seu sucessor. O Espírito está aqui para promover a causa de Cristo. A palavra Paráclito (traduzida como “Consolador”, no Evangelho de João) é traduzida como “advogado”, no início do segundo capítulo de sua primeira Epístola, e um advogado é aquele que aparece como representante de outro. O Espírito está aqui para interpretar e reivindicar a Cristo, para administrar por Cristo o Seu Reino e a Sua Igreja. Ele está aqui para fazer bem sucedido o Seu propósito redentor, aplicando os benefícios de Seu sacrifício àqueles em nome dos quais foi oferecido. Ele está aqui para revestir os servos de Cristo (Lucas 24:49). É de primeira importância reconhecer e entender que o Senhor Jesus não só obteve para o povo de Deus a redenção das consequências penais do pecado, mas também garantiu a sua santificação pessoal. Ai! quão pouco isso é enfatizado hoje. Em muitos casos aqueles que pensam e falam da “salvação” que Cristo comprou não acrescentam mais nenhuma ideia à mesma do que a de libertação da condenação, omitindo a libertação do amor, domínio e poder do pecado. Porém este último não é menos essencial, e é uma bênção tão necessária quanto a primeira. É tão necessário para criaturas caídas serem libertas da poluição e impotência moral que elas contraíram, como é o ser liberto das penalidades que tenham incorrido; para que, quando forem reintegradas ao favor de Deus, elas possam ao mesmo tempo ser capacitadas para amar, servir e deleitar-se nEle para sempre. A este res-

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peito o remédio Divino também preenche todos os requisitos de nossa doença pecaminosa (veja 2 Coríntios 5:15; Efésios 5:25-27; Tito 2:14; Hebreus 9:14). Isto é obtido através das operações graciosas do Espírito de Cristo: iniciado na regeneração, continuado ao longo de suas vidas terrenas e consumado no Céu. Não somente o Deus triuno é mais honrado pela redenção que Ele foi desonrado pela deserção de Suas criaturas, como os do Seu povo também se tornam maiores ganhadores. Como isso também magnifica a Sabedoria Divina! Seria maravilhoso, de fato, se tivessem sido apenas restaurados ao seu estado original, mas é muito mais maravilhoso que eles sejam levados a um estado muito mais elevado de bem-aventurança, que a Queda seja a ocasião de sua exaltação! Seu pecado merecia desgraça, porém a eterna bem-aventurança tornou-se a sua porção. Eles agora são favorecidos com uma maior manifestação da glória de Deus e a um pleno conhecimento do Seu amor do que de outra forma teriam tido, e é nessas duas coisas a sua felicidade consiste principalmente. Eles são levados para uma relação muito mais próxima e afetuosa para com Deus. Eles são agora não apenas criaturas santas, mas herdeiros de Deus e coerdeiros com Cristo. O Filho tomou a sua natureza sobre Ele, e vocês tornaram-se seus “irmãos”, os membros do Seu corpo, sim, Sua esposa. Eles são, assim, providos dos mais poderosos motivos e incentivos para amá-lO e servi-lO do que tinham em sua condição não caída. Quanto mais apreendemos do amor de Deus, mais O amamos em retribuição, por toda a eternidade o conhecimento do amor de Deus em dar Seu Filho amado por nós, e de Cristo ao morrer em nosso lugar, fixará os nossos corações nEle de uma forma que os Seus favores a Adão nunca teriam feito. Agora é no Evangelho que o remédio maravilhoso para todos os nossos males é revelado. Este glorioso Evangelho proclama que Cristo é capaz de salvar perfeitamente aqueles que se achegam a Deus por meio dEle. Ele nos diz que o Filho do homem veio buscar e salvar o que estava perdido. Ele anuncia que os pecadores, até mesmo o maior dos pecadores, são os únicos que são livremente convidados a vir. Ele proclama a libertação aos cativos de Satanás e a abertura das portas para os prisioneiros do pecado. Ele revela que Deus escolheu os maiores pecadores para serem os monumentos eternos da Sua misericórdia. Ele declara que o sangue de Jesus Cristo, Filho de Deus, purifica os crentes de todo o pecado. Ele fornece esperança para os casos mais desesperados. Os prodígios que Cristo realizou sobre os corpos dos homens eram tipos de Seus milagres de graça sobre as almas dos pecadores. Nenhum caso estava além de poder para curar. Ele não somente deu a vista aos cegos e purificou o leproso, mas libertou o endemoninhado e deu vida aos mortos. Ele nunca recusou um único apelo feito à Sua compaixão. Qualquer que seja o passado do leitor, se ele confiar no sacrifício expiatório de Cristo, ele será salvo, agora e para sempre.

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PARTE II Deus, Sua Graça, Seu Amor, Seu Evangelho e Sua Eterna Salvação.

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Uma Breve Exortação Evangélica Por Paul David Washer

Você não é Cristão? A Bíblia diz que hoje é o dia da Salvação, hoje! Você não deve esperar, pois todos pecaram e estão destituídos da glória de Deus e vivemos em um mundo onde o pecado não é tão mal visto, mas diante de Deus é uma abominação e por causa de seu pecado você merece a ira de Deus, o juízo eterno de Deus, mas Deus por meio de Seu Filho abriu um caminho de Salvação. Há dois mil anos atrás, o Filho de Deus, na cruz do Calvário levou o pecado de Seu povo, e experimentou toda a irá de Deus que merecíamos e pagou a pena que estava contra nós, e podemos ser salvos pois Ele ressuscitou dentre os mortos e os que confiam nEle são salvos. Porém também tenho que fazer uma advertência por causa do evangelho superficial que é pregado pelos evangélicos do dia de hoje, há muitos que creem ser salvos, mas que não o são. Quando eu vim pela primeira vez ao Peru em 1988, com os taxistas, com as pessoas nas ruas, eu sempre começava uma conversa assim: “Se você morresse agora mesmo para onde iria?”; e a reposta quase sempre era: “Eu vou par ao Céu, porque sou uma boa pessoa, porque leio a bíblia ou porque vou à igreja”. Mas eram católicos falando assim. Agora eu retorno e falo com pessoas na rua: “Senhor, amigo, se você morrer agora para onde iria?”, eles respondem: “Para o Céu”; “Por que?”, Um homem uma vez me respondeu: “Porque sou evangélico”. “Porque você é evangélico?”, “Sim! Vou para a igreja evangélica, e de vez em quando leio a Bíblia”. Vejam o que aconteceu: ele está confiando em uma igreja, em uma religião, não está confiando em Cristo. Se eu morresse agora mesmo eu iria para o Céu, porque há dois mil anos Jesus morreu por este pecador e esta é minha única esperança. E muitos no dia de hoje que estão tão enganados, crendo que irão ao Céu, quando na verdade não vão. Há outros que conhecem a reposta correta, eles dizem: “Vou par ao céu”, “por que”, “porque estou confiando em Cristo”. Mas sua vida contradiz a sua confissão, por meio de sua vida você pode saber que eles não são crentes, não vivem como crentes, não possuem frutos de crentes. Talvez você tem estado na igreja evangélica por toda a tua vida, isso não é certeza de que você vai par ao céu. Talvez você tenha recebi a Cristo em seu coração por meio de uma oração, isso não significa que você vai para o céu ou que você é salvo. Talvez saiba tudo o que a vida diz sobre a doutrina correta, mas isso não significa que você vai para o Céu. A evidência de que você irá para o Céu é que você está confiando unicamente na Pessoa e na Obra de Jesus Cristo, e há evidências de que Ele está transformando sua vida, que

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Aquele que começou a boa obra em sua vida, é Aquele que até hoje está aperfeiçoando-a; a evidência que uma vez você se arrependeu para salvação, é que você continua se arrependendo; a evidência que você uma vez creu para salvação é que você continua crendo hoje, e crescendo na graça de Deus.

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Uma Palavra Sincera Aos Não-Convertidos Por Richard Baxter

[A presente tradução consiste somente no Prefácio do Livro A Call to the Unconverted, to Turn and Live, que é composto por este Prefácio e mais 4 Sermões baseados em Ezequiel 33:11 • Editado]

Para todas as pessoas não santificadas que lerão este livro; especialmente para os meus ouvintes em Borough e Paróquia de Kiderminster. Homens e irmãos, O Deus eterno, que fez vocês para a vida eterna, e os redimiu por meio de Seu único Filho, quando vocês perderam isto e a si mesmos, estando consciente de vocês em vosso pecado e miséria, tanto compôs o Evangelho, e o selou por Seu Espírito, e ordenou a seus ministros prega-lo ao mundo, para que o perdão seja livremente oferecido a vocês, e o Céu sendo posto diante de vocês, Ele pode chama-los para fora de seus prazeres carnais, e de seguir após o mundo enganador, e familiariza-los com a vida para a qual vocês foram criados e redimidos, antes que vocês estejam mortos e fora de remediação. Ele enviou a vocês não profetas ou apóstolos, que receberam a sua mensagem por imediata revelação; mas ainda assim Ele vos chamou por Seus ministros comuns, que são comissionados por Ele a pregar o mesmo Evangelho o qual Cristo e Seus apóstolos pregaram, primeiramente. O Senhor vê como vocês se esqueceram dEle e o vosso fim último, e quão leve vocês consideram as coisas eternas, como homens que não compreendem o que tem que fazer ou padecer. Ele vê quão vigorosos vocês são em pecar, e quão alarmantemente sem temor, e quão descuidados de suas almas, e como as obras de infidelidade estão em suas vidas, enquanto a crença dos Cristãos está em suas bocas. Ele vê o dia terrível à mão, quando seus sofrimentos começarão e vocês deverão lamentar tudo isso com clamores infrutíferos em tormento e desespero; e, então, a lembrança de sua insensatez rasgará seus corações, se a verdadeira conversão não impedir isto agora. Em compaixão de suas miseráveis almas pecaminosas, o Senhor, que melhor conhece o seu caso do que vocês possam conhecê-lo, tem feito disto o nosso dever, falar com vocês em Seu nome (2 Coríntios 5:19) e falar claramente do seu pecado e miséria, e qual será o seu fim, e como é triste a mudança que vocês verão em breve, se assim ainda continuarem um pouco mais [...].

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Ele vê e se compadece de vocês, enquanto vocês estão afogados em cuidados e prazeres mundanos, e ansiosamente seguindo brinquedos infantis, e desperdiçando esse curto e precioso tempo por uma coisa sem valor, no qual vocês deveriam preparar-se para uma vida eterna; e, portanto, ele altamente nos ordenou a chamá-los, e dizer-lhes como vocês perdem os seus labores, e estão quase a perder as suas almas, e falar-lhes que maiores e melhores coisas vocês podem seguramente ter, se ouvirem o Seu chamado (Isaías 55: 13). Nós cremos e obedecemos à voz de Deus; e viemos a vocês com a Sua mensagem, que nos responsabiliza a pregar, e ser urgentes com vocês em tempo e fora de tempo, e para que ergamos a nossa voz como uma trombeta, e mostremos a vocês as suas transgressões e seus pecados (Isaías 58:1-2; 2 Timóteo 4: 1-2). Mas, ai! Para a tristeza de nossas almas e sua própria ruína, vocês cerram os seus ouvidos, vocês endurecem as suas cervizes, vocês endurecem os seus corações, e nos enviam de volta a Deus com gemidos, para contar a Ele que nós entregamos a Sua mensagem, mas não conseguimos fazer nenhum bem a vocês, nem mal conseguimos uma audiência sóbria. Oh! Que nossos olhos fossem uma fonte de lágrimas, para que nós pudéssemos lamentar a nossa ignorância, pessoas descuidadas, que têm a Cristo diante deles, e perdão, e vida, e o Céu, e que, no entanto, não possuem corações para conhecer o Seu valor! Que podem ter a Cristo, e graça, e glória, bem como os outros, se não fosse por sua voluntariosa negligência e desprezo! Oh, que o Senhor enchesse os nossos corações com mais compaixão por estas almas miseráveis, para que pudéssemos nos lançar mesmo aos seus pés, e segui-los até as suas casas, e falar-lhes com as nossas lágrimas amargas: Pois, por muito tempo temos pregado a muitos deles em vão; nós estudamos com clareza para fazê-los entender, e muitos deles não nos entenderão; nós estudamos sério, esquadrinhando as palavras, para fazê-los sentir, mas eles não sentirão. Se os maiores assuntos funcionassem com eles, nós os despertaríamos; se as coisas mais doces funcionassem, nós os atrairíamos e ganharíamos os seus corações; se as coisas mais terríveis dessem certo, nós no mínimo os atemorizaríamos com a sua impiedade; se verdade e certeza aproveitassem para eles, nós os convenceriamos logo; se o Deus que os criou, e Cristo que os comprou, fossem ouvidos, o caso seria logo alterado com eles; se a Escritura fosse ouvida, nós em breve prevaleceríamos; se a razão, mesmo a melhor e mais forte razão, pudesse ser ouvida, nós, sem dúvida, rapidamente os convenceríamos; se a experiência pudesse ser ouvida, mesmo a sua própria experiência, e a experiência de todo o mundo, a questão poderia ser corrigida; sim, se a consciência dentro deles pudesse ser ouvida, o caso seria melhor com eles do que é. Mas, se nada pode ser ouvido, o que então faremos por eles? Se o terrível Deus do Céu é desprezado, quem, então, será considerado? Se o inestimável amor e sangue de um Redentor são considerados sem valor, o que então será valorizado? Se o Céu não tem nenhuma glória desejável para eles, e os júbilos eternos

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não têm nenhum valor, se eles podem zombar do Inferno, e dançar próximo ao abismo sem fundo, e brincar com o fogo consumidor, e isto quando Deus e o homem os alertam sobre isto, o que faremos por tais almas como essas? Mais uma vez, em nome do Deus do Céu, eu anunciarei a mensagem a vocês, a qual Ele tem ordenado a nós, e a deixarei nestas linhas permanentes para convertê-los ou para condená-los; para mudá-los, ou para erguerem-se em julgamento contra vocês, e para que sejam uma testemunha para as suas faces, que uma vez vocês tiveram um sério chamado a converterem-se. Ouçam, todos vocês que são escravos do mundo, e servos da carne e de Satanás! Que desperdiçam os seus dias em buscar prosperidade na terra, e mergulham as suas consciências em bebedices, e glutonaria, e preguiça, e esportes tolos, e conhecem o seu pecado, e ainda assim pecam, como se desafiassem a Deus, e O provocassem a fazer o Seu pior e não poupar! Ouçam, todos vocês que não se importam com Deus, e não têm o coração nas coisas santas, e não sentem nenhum prazer na Palavra ou no culto ao Senhor, ou em pensamentos ou menção da vida eterna, que são descuidados de suas almas imortais, e nunca despendem uma hora em investigar em que condição elas estão, se santificadas ou não santificadas, e se vocês estão preparados para se apresentarem diante do Senhor! Ouçam, todos vocês, que por pecarem à luz, têm banqueteado a vós mesmos em infidelidade, e não creem na Palavra de Deus. Aqueles que têm ouvidos para ouvir que ouçam, deixem-no ouvir o gracioso e, ainda assim, terrível chamado de Deus! Enquanto Seus olhos estão completamente sobre vocês. Seus pecados estão registrados, e vocês certamente os ouvirão novamente. Deus mantém o livro agora, e Ele escreverá tudo isto sobre as suas consciências com seus terrores, e então vocês também devem guarda-lo; ó pecadores, que vocês soubessem apenas o que estão fazendo! E a Quem vocês estão ofendendo todo este tempo! O sol em si mesmo é trevas diante daquela Majestade, a qual vocês diariamente abusam e provocam descuidadamente. Os anjos pecadores não foram capazes de permanecer diante dEle, mas foram lançados a baixo para serem atormentados com os demônios. E ousam estes vermes tolos como vocês a despreocupadamente ofender, e colocarem-se a si mesmos contra o seu Criador! Oh, que vocês apenas soubessem um pouco em que condição esta miserável alma está, que tem envolvido o Deus vivo contra ela! As palavras de Sua boca, que te fizeram, podem te desfazer; a carranca de Sua face cortará a ti e lançará a ti na completa escuridão. Quão ansiosos estão os demônios para estarem contigo, que têm tentado a ti, e apenas esperam pela palavra de Deus para tomar-te e usar-te como deles próprios! E então, em um momento, tu estarás no Inferno. Se Deus é contra ti, todas as coisas são contra ti: este mundo é apenas a tua prisão, para tudo o que tu tanto amas; tu estás apenas preso nele para o dia da ira [Jó 21:30]. O Juiz está vindo, tua alma mesmo está indo. Ainda em pouco tempo, e teus amigos dirão de ti: “Ele está morto”; e tu verás as coisas que tu agora desprezas, e sentirás aquilo em que agora tu não queres crer.

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A morte trará um tal argumento que tu não poderás responder, um argumento que deve refutar efetivamente teus sofismas contra as palavras e caminhos de Deus, e todos os teus autoconceitos caducos. E então, quão breve tua mente será mudada? Então, seja um incrédulo, se tu puderes; permaneça, assim, com todas as tuas palavras anteriores, as quais tu eras acostumado a proferir contra a vida santa e celestial. Torne boa esta causa diante de Deus, que tu estavas acostumado a alegar contra os teus mestres, e contra o povo que temia a Deus. Então, permaneça com tuas velhas opiniões e desdenhosos pensamentos sobre a diligência dos santos; prepare agora as tuas mais fortes razões, e fique de pé, então, diante do Juiz, e pleiteie como um homem por tua vida carnal, mundana e ímpia. Mas, saiba que terás Alguém com quem pleitear, que não estará inseguro por ti; nem é tão facilmente dissuadido como nós, teus companheiros, criaturas. Ó pobre alma! Não há nada além de um fino véu de carne entre ti e aquela terrível visão, que rapidamente te silenciará, e converterá o teu tom, e te fará de outro ânimo! Tão logo a morte retire esta cortina, verás primeiro, o que rapidamente te deixará sem palavras. E quão brevemente aquele dia e hora chegarão! Quando tu tiveres apenas mais algumas poucas horas alegres, e apenas mais um pouco mais dos agradáveis jogos e bocados, e um pouco mais das honras e riquezas do mundo, a tua porção será desperdiçada, e os teus prazeres findados, e tudo então se vai do que tu estabeleceste sobre teu coração; de tudo pelo que tu vendeste teu Salvador e salvação, não é deixado, senão o severo e pesado acerto de contas. Como um ladrão, que se assenta alegremente em uma cervejaria, gastando o dinheiro que ele havia roubado, enquanto os homens cavalgam apressados para prendê-lo, assim é com vocês. Enquanto vocês estão mergulhados em cuidados ou prazeres carnais, e alegrando-se em sua própria vergonha, a morte está chegando apressada para apoderarse de você, e levar as suas almas para um lugar e estado que agora vocês bem pouco conhecem ou cogitam. Suponham, quando vocês estão apegados e ocupados em seu pecado, que um mensageiro estivesse vindo de Londres para prendê-los e tirar-lhes a vida; embora vocês não o vissem, mas se soubessem que ele estava chegando, isso estragaria a sua alegria, e vocês estariam pensando na pressa dele, e obedecendo, atentando para quando ele batesse em sua porta. Oh, que vocês pudessem apenas ver com que pressa a morte vem, que, ainda assim, ela ainda não ultrapassou vocês! Ninguém nomeia tão rápido! Nenhum mensageiro é mais certo! Tão certo quanto o sol estará com vocês na parte da manhã, embora ele tenha muitos milhares e uma centena de milhares de milhas para percorrer à noite, desta forma, tão certamente, a morte estará rapidamente com vocês; e, então, onde está o seu esporte e lazer? Então, vocês brincarão e enfrentarão ela? Então, vocês zombarão daqueles que lhes avisarão? Assim, é melhor ser um santo crente ou um mundano sensual? “E o que tens preparado, para quem será” todas as coisas que tens ajuntado? (Lucas 12:19-21). Vocês não ob-

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servam que os dias e as semanas rapidamente se foram, e as noites e manhãs vêm em ritmo acelerado, e rapidamente sucedem um ao outro? Vocês dormem, mas “a sua perdição não dormita”, vocês tardam, mas “não será tardia a sentença” (2 Pedro 2:3-5); a qual está reservada para “os injustos para o dia do juízo” (2 Pedro 2:8-9). Oh, que vocês fossem sábios para entender isso, e que atentassem para o seu fim (Deuteronômio 32:29). “Aquele que tem ouvidos para ouvir, ouça o chamado de Deus neste dia de sua salvação”. Ó pecadores descuidados! Que vocês apenas conhecessem o amor que vocês negligenciam, e a preciosidade do sangue de Cristo que vocês desprezam! Oh, que vocês apenas conhecessem as riquezas do Evangelho! Oh, que vocês apenas conhecessem um pouco da segurança, glória e bem-aventurança daquela vida eterna, na qual vocês não querem agora colocar o vosso coração, nem são persuadidos, a primeiro e diligentemente buscarem (Hebreus 11: 6 e Mateus 6:12). Se vocês ao menos conhecessem a vida eterna com Deus, que vocês agora negligenciam, quão rapidamente vocês renunciariam a vosso pecado, quão brevemente vocês mudariam de mente e vida, curso e companhia; e converteriam os fluxos de suas afeições, e definiriam os seus cuidados de outra maneira! Quão resolutamente vocês desdenhariam entregar-se a tais tentações que agora vos enganam e vos carregam para longe! Quão zelosamente vocês apressariam a si mesmos para aquela vida mui bem-aventurada! Quão sinceramente vocês estariam com Deus em oração! Quão diligentes no ouvir, e aprender, e investigar! Quão sérios em meditar sobre as leis de Deus! (Salmos 1:2). Quão temerosos de pecar em pensamento, palavra ou ação; e quão cuidadosos para agradar a Deus e crescer em santidade! Oh, que pessoas transformadas vocês seriam! E por que a segura Palavra de Deus não seria crida e prevaleceria com vocês, a qual revela para vocês estas coisas gloriosas e eternas? Sim, permitam-me dizer-lhes que, mesmo aqui na terra, vocês pouco sabem a diferença entre a vida que vocês recusam, e a vida que vocês escolheriam. O santificado está conversando com Deus, quando vocês mal ousam pensar nEle, e enquanto vocês estão conversando apenas com terra e carne. A conversação deles está no Céu, enquanto vocês são completamente estranhos a isso, e o seu ventre é o seu deus, e vocês estão cuidando de coisas terrenas (Filipenses 3:18-20). Eles estão buscando a face de Deus, enquanto vocês não buscam por nada maior do que esse mundo. Eles estão ocupados em alcançar uma vida sem fim, onde eles serão iguais aos anjos (Lucas 20:36). Enquanto vocês estão ocupados com uma sombra e com uma coisa transitória de nada. Quão longa e vil é a sua vida terrenal, carnal, pecaminosa em comparação à vida nobre, espiritual dos verdadeiros crentes!? Muitas vezes eu tenho olhado para tais homens com dor e piedade, ao vê-los marchar sobre o mundo, e desperdiçar as suas vidas, cuidados e trabalho por nada, senão um pouco de alimento e vestuário, ou

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um pouco de riqueza murcha, ou prazeres carnais, ou honras vazias como se eles não tivessem nenhuma coisa mais elevada em mente. Qual é a diferença entre a vida desses homens e dos animais, que perecem, que gastam seu tempo em trabalhar, comer e viver apenas para que eles possam sobreviver? Eles não provam os prazeres celestiais interiores que os crentes provam e vivem. Eu prefiro ter um pouco de seu conforto, que as antecipações de sua herança celestial concedem a eles, embora eu tivesse, com isso, todos os seus desprezos e sofrimentos, do que ter todos os prazeres e tesouros da prosperidade. Eu não gostaria de ter uma de suas dores secretas e sofrimentos de consciência, e sombrios e terríveis pensamentos sobre a morte e vida vindoura, por tudo o que o mundo já fez por vocês, e por tudo o que vocês podem razoavelmente esperar que ele vos faça. Se eu estivesse em um estado carnal não convertido, e soubesse apenas o que eu sei agora, e acreditasse apenas no que eu creio agora, minha vida seria uma antecipação do Inferno. Quantas vezes eu estaria pensando nos terrores do Senhor daquele Dia sombrio que está se apressando! Certamente que a morte e o Inferno ainda estariam diante de mim. Eu pensaria neles de dia, e sonharia com eles à noite; eu me deitaria com temor, e levantaria com medo, e viveria com receio de que a morte viesse antes que eu fosse convertido. Eu teria pouca felicidade em qualquer coisa que eu possuísse, e pouco prazer em qualquer companhia, e pequena alegria em qualquer coisa no mundo, desde que eu soubesse que eu estava sob a maldição e ira de Deus. Eu ainda estaria com medo de ouvir aquela voz: “Louco! esta noite te pedirão a tua alma” (Lucas 12:20). E essa temerosa sentença estaria escrita sobre a minha consciência: “Não há paz para os ímpios, diz o meu Deus” (Isaías 48:22 e 57:21). Oh, miseráveis pecadores! Esta é uma vida mais jubilosa do que esta em que vocês podem viver, se vocês verdadeiramente apenas desejassem ouvir a Cristo, e voltar para casa, para Deus. Vocês se aproximariam de Deus com ousadia, e chamá-lO-iam de vosso Pai, e confortavelmente confiariam a Ele as suas almas e corpos. Se vocês olhassem para as promessas, diriam: elas são minhas; se olhassem para as maldições, diriam: destas eu estou livre! Quando vocês lessem a Lei, veriam que vocês estão salvos! Quando lessem o Evangelho, veriam Aquele que lhes redimiu, e veriam o curso de Seu amor, Sua vida santa, e sofrimentos, e O observariam em Suas tentações, lágrimas e sangue, na obra de vossa salvação. Vocês veriam a morte vencida, e o céu aberto, e vossa ressurreição e glorificação providenciadas na ressurreição e glorificação de seu Senhor. Se vocês olhassem para os santos, poderiam dizer: “Eles são meus irmãos e companheiros”. Se [olhassem] para os não santificados, vocês se regozijariam em pensar que foram salvos daquela condição. Se olhassem acima, para os céus, o sol, a lua e inumeráveis estrelas pensariam e diriam: “A face de meu Pai é mais gloriosa; é de substância mais elevada o que Ele tem preparado para os Seus

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santos; acolá é apenas a corte exterior do Céu; a bem-aventurança que Ele prometeu é tão mais elevada que carne e sangue não podem contempla-la”. Se vocês pensassem na sepultura, lembrariam do Espírito glorificado, da Cabeça viva e de um amorável Pai, todos em tão próxima relação com o vosso pó, que isso não pode ser esquecido ou negligenciado, porém, mais certamente ressuscitarão do que as plantas e flores na primavera, porque a alma, que permanece viva, é a raiz do corpo; e Cristo vive, que é a raiz de ambos. Mesmo a morte, que é o rei dos temores, poderia ser lembrada e entretida com júbilo, como sendo o dia de vossa libertação dos restos do pecado e tristeza, e o dia em que vocês creram, e esperaram e anelaram, quando verão as coisas benditas que ouvirão, e serão encontrados, por experiência de presente júbilo, o que fora escolhido como a melhor porção, e você seria um crente sincero e santo. O que vocês dizem, senhores? Esta não é uma vida mais deleitosa, estar seguro da salvação e pronto para morrer, em vez de viver como os ímpios, que têm os seus corações sobrecarregados com glutonaria, embriaguez e com as preocupações da vida, e assim, aquele dia venha sobre eles de surpresa? (Lucas 21: 34, 36). Vocês poderiam não viver uma vida confortável, se uma vez fossem feitos os herdeiros do Céu, e seguros de que eram salvos quando partissem do mundo? Oh, olhem para vocês, então, e pensem no que vocês fazem, e não lancem fora tais esperanças como essas pelo próprio nada. A carne e o mundo não podem vos dar tais esperanças e consolos. E, além de toda a miséria que vocês trazem sobre si mesmos, vocês são os perturbadores de outras pessoas, desde que vocês não são convertidos. Vocês atribulam os magistrados ao governar vocês por suas leis; vocês atribulam os ministros por resistirem à luz e orientação que eles vos oferecem. O vosso pecado e miséria são a maior dor e dificuldade para eles no mundo. Vocês atribulam a comunidade, e atraem os juízos de Deus sobre si. São vocês que mais perturbam a santa paz e a ordem das igrejas, e impedem nossa união e reforma, e são a vergonha e o transtorno das igrejas aonde se introduzem, e dos lugares onde vocês estão. Ah! Senhor, quão severo e triste caso é este, que até mesmo na Inglaterra, onde o Evangelho abunda acima de qualquer outra nação do mundo, onde o ensino é tão claro e comum, e toda a ajuda que podemos desejar está disponível; quando a espada tem nos traspassado, e o julgamento se alastrado como um fogo pela Terra; quando os livramentos nos têm aliviado, e tantas admiráveis misericórdias nos têm sido concedidas por Deus, pelo Evangelho e uma vida santa; que após tudo isso, nossas cidades, vilas e países se infestaram com multidões de homens não santificados e abundantes em tanta sensualidade por todos os lugares, para nossa tristeza, nós vemos! Alguém poderia pensar que, depois de toda essa luz, e toda essa experiência, e todos estes julgamentos e misericórdias de Deus, o povo desta nação seria reunido, como um só ho-

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mem, para voltar para o Senhor, e se achegariam ao seu piedoso mestre, e lamentariam por todos os seus pecados anteriores, e pediriam a ele que se unisse a eles em humilhação pública, para confessá-los abertamente e pedir perdão por eles ao Senhor, e anelariam por Sua instrução para o tempo vindouro, e estariam felizes por serem governados pelo espírito interior e pelos ministros de Cristo, de acordo com a Palavra de Deus. Alguém poderia pensar que após tal razão e evidência escriturística, e depois de todos esses meios e misericórdias, não restaria uma pessoa ímpia entre nós, nenhum mundano, nem bêbado, nem um inimigo da reforma, nem um inimigo da santidade a ser encontrado em todas as nossas cidades ou países. Se nem todos nós concordamos em relação a algumas cerimônias ou formas de governo, alguém poderia pensar que, antes disso, nós deveríamos todos concordar em viver uma vida santa e celestial, em obediência a Deus, e aos ministros, e em amor e paz uns com os outros. Mas, infelizmente! Quão longe o nosso povo está deste curso! A maioria deles, na maioria dos lugares, coloca os seus corações nas coisas terrenais, e não buscam “primeiro o reino de Deus e a sua justiça”, mas olham para a santidade como coisa desnecessária. Suas famílias estão sem oração, ou então, umas poucas palavras impiedosas, sem vida devem servir, em vez de orações diárias calorosas, ferventes [ou talvez, apenas no dia do Senhor, à noite]; os seus filhos não são ensinados no conhecimento de Cristo, e no Pacto da Graça, nem criados na doutrina do Senhor, embora eles firmemente prometem tudo isso no batismo deles. Eles não instruem seus servos nas questões da salvação, mas desde que o seu trabalho seja feito, eles não se importam. Há mais discursos injuriosos em suas famílias do que palavras graciosas que tendem à edificação. Quão poucas são as famílias que temem ao Senhor, e investigam em Sua palavra e ministros como eles deveriam viver, e o que eles deveriam fazer, que estão dispostas a serem ensinadas e governadas, e que sinceramente buscam pela vida eternal! E aqueles poucos que Deus fez tão feliz são comumente o provérbio de seus vizinhos; quando vemos que alguns vivem em bebedeiras, outros em orgulho e mundanismo e a maioria deles têm pouco cuidado com a sua salvação, embora a causa seja flagrante e supere toda a controvérsia, ainda assim, eles dificilmente são convencidos de sua miséria, e mui dificilmente recuperam-se e reformam-se, mas quando fizemos tudo o que fomos capazes para salvá-los de seus pecados, deixamos a maioria deles como os encontramos. E se, de acordo com a lei de Deus, nós os expulsamos da comunhão da igreja, quando eles obstinadamente rejeitaram todas as nossas advertências, eles se enfurecem contra nós, como se fôssemos seus inimigos, e seus corações são cheios de malícia contra nós, e eles mais cedo estabelecem-se contra o Senhor e contra Sua lei, igreja e ministros do que contra

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seus pecados mortais. Este é o triste caso da Inglaterra: Temos magistrados que apoiam os caminhos da piedade, e uma feliz oportunidade pela unidade e reforma está diante de nós, e ministros fiéis anelam por ver a correta ordem da igreja e das ordenanças de Deus; mas o poder do pecado de nosso povo frustra quase tudo. Em quase nenhum lugar um ministro fiel pode estabelecer a inquestionável disciplina de Cristo, ou retirar os pecadores impenitentes mais escandalosos da comunhão da igreja e da participação dos sacramentos, sem que a maioria do povo os xinguem e os injuriem; como se essas almas ignorantes e descuidadas fossem mais sábias do que seus mestres ou do que o próprio Deus. E assim, no dia da nossa visitação, quando Deus nos conclama a reformar a Sua igreja, embora os magistrados e os ministros fiéis pareçam dispostos, ainda há a multidão de pessoas indispostas, e tanto cegaram a si mesmos e endureceram o seu coração, que mesmo nestes dias de luz e graça eles são os inimigos obstinados da luz e da graça, e não querem ser levados pelos apelos de Deus a ver a sua loucura e conhecer o que é para seu bem. Oh, que o povo da Inglaterra “conhecesse também, ao menos neste teu dia, o que à tua paz pertence! Mas agora isto está encoberto aos teus olhos” (Lucas 19:42). Oh almas miseráveis e insensatas! (Gálatas 3:1). Quem vos fascinou a mente em tal insensatez, e seus corações para tal mortandade, para que vocês sejam tão inimigos mortais de si mesmos, e prossigam tão obstinadamente para a condenação, de forma que nem a Palavra de Deus, nem as convicções dos homens, podem mudar as suas mentes, ou deter as suas mãos, ou parar vocês, até que sejam remediados! Bem, pecadores! Esta vida não durará para sempre; nem esta paciência ainda esperará por vocês. Não pensem que vocês abusarão do vosso Criador e Redentor, servirão aos Seus inimigos, rebaixarão as suas almas, atribularão o mundo, errarão na igreja, reprovarão o piedoso, injuriarão os seus mestres, dificultarão a reforma e tudo isso sem custo. Vocês ainda não sabem o que isso deve custar-lhes, mas vocês logo saberão, quando o justo Deus os tomará pela mão, Quem lidará convosco de maneira diferente do que os magistrados mais severos ou os pastores mais diretos o fizeram, a menos que vocês impeçam os tormentos eternos por uma sonora conversão e uma rápida obediência ao chamado de Deus. “Aquele que tem ouvidos para ouvir, ouça”, enquanto a misericórdia tem uma voz para chamar. Uma objeção que eu encontro ser a mais comum na boca dos ímpios, especialmente nos últimos anos é esta: eles dizem, “Não podemos fazer nada sem Deus, não podemos ter graça se Deus não nos der, e, se Ele quiser, seremos rapidamente convertidos; se Ele não nos predestinou, e não quiser nos converter, como podemos converter a nós mesmos e ser salvos; não depende de quem quer ou de quem corre”. E assim eles pensam que estão desculpados. Eu respondi a isso anteriormente, e neste livro, mas permitam-me agora dizer isto: 1. Embora vocês não possam curar-se, vocês podem ferir e envenenar a si mesmos. É Deus que deve santificar os vossos corações; mas quem os corrompe? Vocês deliberada-

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mente tomarão veneno, porque você não podem curar a si mesmos? Parece-me que vocês deveriam desistir disso. Vocês tomariam mais cuidado de pecar, se vocês não pudessem emendar o que o pecado estraga. 2. Embora vocês não possam ser convertidos sem a graça especial de Deus, ainda assim vocês devem saber que Deus dá a Sua graça no uso dos Seus santos meios, que Ele determinou para esse fim; e a graça comum pode permitir-lhes abandonar o vosso pecado grosseiro (quanto ao ato externo) e utilizar esses meios. Vocês podem realmente dizer que vocês fazem o que são capazes de fazer? Vocês não são capazes de deixar de ir à porta da cervejaria, ou abandonar a companhia que lhes endurece em pecado? Vocês não são capazes de ouvir a Palavra, e pensar no que ouviram quando chegarem em casa, e considerarem consigo mesmos sobre a vossa própria condição e sobre as coisas eternas? Vocês não são capazes de ler bons livros no dia a dia, pelo menos no Dia do Senhor, e de conversar com aqueles que temem ao Senhor? Vocês não podem dizer que têm feito o que são capazes. 3. E, portanto, vocês devem saber que podem perder a graça e a ajuda de Deus pelo seu pecado intencional ou negligência, embora vocês não possam, sem a graça, converteremse a Deus. Se vocês não quiserem fazer o que podem, é justo que Deus negue a graça a vocês, pela qual vocês poderiam fazer mais. 4. E, por decretos de Deus, vocês devem saber que eles não separam os meios dos fins, mas os amarram unindo-os. Deus nunca decretou salvar alguém, senão o santificado, nem condenar ninguém, exceto o não santificado. Deus tão verdadeiramente decretou se a vossa terra, neste ano, será estéril ou frutífera, e exatamente por quanto tempo vocês viverão no mundo, como Ele decretou se vocês serão salvos ou não, e ainda assim, vocês poderiam pensar de um homem, senão que fosse tolo, se deixasse de arar e semear, e dissesse: “Se Deus decretou que a minha terra dará milho, ela dará, se eu arar e semear ou não. Se Deus já decretou que eu viverei, eu viverei, se eu comer ou não; mas se Ele não o fez, não é comer que me manterá vivo”. Vocês sabem como responder a tal homem, ou não? Se vocês souberem, então vocês sabem como responder a si mesmos; pois o caso é semelhante com respeito ao decretos de Deus, é tão decisivo sobre os vossos corpos quanto às vossas almas; se vocês souberem, façam conclusões sobre os seus corpos, antes que se aventurem a tenta-las sobre as vossas almas; vejam primeiramente se Deus manterá vocês vivos sem comida ou roupa, e se Ele vai conceder-lhes milho sem preparo e labor, e se Ele os levará ao final do vossa jornada sem esforço ou transporte; e, se vocês se saírem bem nisto, então experimentem

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se Ele vos levará para o Céu sem o vosso uso diligente dos meios, então sentem-se e digam: “nós não podemos santificar a nós mesmos”. Bem, senhores, eu farei apenas três solicitações a vocês, e concluo. Em primeiro lugar, que vocês lerão seriamente este pequeno tratado; (e, se vocês têm tal necessidade em suas famílias, que vocês o leiam uma e outra vez para eles; e se aqueles que temem ao Senhor puderem ir agora, e depois, ao seu vizinho ignorante, e ler este ou algum outro livro para eles sobre este assunto, eles podem ser meios de ganhar almas). Se não conseguimos estimular os homens a tão pequeno esforço, pela sua própria salvação, como ler tais pequenas instruções como estas, eles fazem pouco por si mesmos e querem, mui justamente, perecer. Em segundo lugar, quando vocês lerem este livro, eu vos suplico que estejam sozinhos, e reflitam um pouco sobre o que já leram; reflitam, como que diante de Deus, se este é ou não verdade, e se não toca intimamente as suas almas, e se não teve tempo de tocar vocês. E também, vos peço, que vocês estejam sobre os seus joelhos clamando ao Senhor que abra os seus olhos para que compreendam a verdade, e converta os seus corações ao amor de Deus, e implorem a Ele por toda aquela graça salvífica que vocês por tanto tempo negligenciaram, e sigam-no dia após dia até que os seus corações sejam transformados. E, além disso, que vocês possam ir até os seus pastores (que estão estabelecidos sobre vocês, para cuidar da saúde e segurança de suas almas, como o médico faz por seus corpos), e desejem deles um direcionamento para que curso devam se direcionar, e familiarizem-se com eles sobre a vossa condição espiritual, para que vocês obtenham benefícios de seus conselhos e auxílio ministerial. Ou, se vocês não tiverem um pastor fiel perto de casa, façam uso de algum outro, por tão grande necessidade. Em terceiro lugar, quando por meio da leitura, consideração, oração e conselho ministerial vocês estiverem uma vez familiarizados com seu pecado e miséria, com o seu dever e remédio, não adiem, mas imediatamente abandonem as vossas companhias e trajetórias pecaminosas, convertam-se a Deus e obedeçam ao Seu chamado. Como vocês amam as suas almas, cuidem para que não prossigam contra tão sonoro chamado de Deus, e contra o seu próprio conhecimento e consciências, para que não ocorra pior com vocês no Dia do Juízo do que com Sodoma e Gomorra. Investiguem sobre Deus, como um homem que está disposto a conhecer a verdade e não a seja um trapaceiro intencional de sua alma. Examinem a Santa Escritura diariamente, e vejam se estas coisas são assim ou não; julguem imparcialmente se é mais seguro confiar no Céu ou terra, e se é melhor seguir a Deus ou ao homem, o espírito ou a carne, se é melhor viver em santidade ou em pecado e se é seguro para vocês permanecerem mais um dia em um estado não santificado; e quando vocês encontrarem o que é melhor, resolvam consistentemente, e façam a sua escolha sem mais delongas.

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Se vocês serão fiéis às suas próprias almas, e não amam os tormentos eternos, peço-lhes, como da parte do Senhor, que vocês apenas tomem este aviso razoável. Oh, que felizes cidades e países, e que nação feliz nós teríamos, se pudéssemos apenas convencer os nossos vizinhos a concordarem com uma movimentação tão necessária! Que homens alegres todos os ministros seriam, se eles pudessem ver o seu povo verdadeiramente celestial e santo; isto seria a unidade, paz, segurança e a glória de as nossas igrejas; a felicidade de nossos vizinhos e o consolo de nossas almas. Assim, quão confortavelmente pregaríamos perdão e paz para vocês, e ministraríamos os sacramentos, que são os selos de paz para vocês! E com que amor e alegria viveríamos em vosso meio! No vosso leito de morte, quão corajosamente poderíamos consolar e encorajar as vossas almas que partem! E no vosso enterro, quão confortavelmente poderíamos deixá-los na sepultura, na expectativa de encontrar às vossas almas no Céu, e ver os seus corpos elevados àquela glória! Mas, se a maioria de vocês ainda continuar em uma vida descuidada, ignorante, carnal, mundana e impura, e todos os nossos desejos e labores não puderem, então, prevalecer de forma a guarda-vos da condenação intencional de vocês mesmos; nós devemos, assim, imitar o Senhor, que Se deleita naqueles poucos que são joias, e no pequeno rebanho que receberá o reino, enquanto a maioria colherá a miséria que semeou. Na natureza, as coisas excelentes são poucas. O mundo não tem muitos sóis ou luas; é apenas um pouco de terra que é ouro ou prata. Príncipes e nobres são apenas uma pequena parte dos filhos dos homens; e não há grande número de eruditos, judiciosos ou sábios aqui no mundo. E, portanto, se a porta é estreita e mui apertada são apenas poucos os que encontram a salvação, ainda assim, Deus terá a Sua glória e prazer nestes poucos. E quando Cristo vier com Seus poderosos anjos em labaredas de fogo, tomar vingança daqueles que não conhecem a Deus, e não obedecem ao Evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo, Sua vinda será glorificada em Seus santos e admirada por todos os verdadeiros crentes (2 Tessalonicenses 1:7-10) [...] Leitor, eu terminei contigo, (quando tiveres percorrido este livro), mas o pecado ainda não finalizou contigo, (mesmo aqueles que tu pensavas que haviam sido esquecidos há muito tempo), e Satanás ainda não finalizou contigo, (embora agora ele esteja fora de vista) e Deus ainda não concluiu contigo, porque tu não estás persuadido a ir até o fim com o pecado mortal reinado sobre você. Eu escrevi a ti estas persuasões como alguém que está entrando em outro mundo, onde as coisas são vistas como falei aqui, e como alguém que sabe que tu mesmo brevemente deves estar ali. Se alguma vez tu quiseres me encontrar com consolo diante do Senhor que nos fez; se alguma vez tu quiseres escapar das finais pragas eternas preparadas para os negligencia-

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dores da salvação, e para todos aqueles não são santificados pelo Espírito Santo, e se tu amarás a comunhão dos santos, como membros da santa Igreja católica; e se alguma vez tu esperas ver o rosto de Cristo, o Juiz, e da majestade do Pai, com paz e conforto, e ser recebido na glória, quando partires nu deste mundo; peço-te, eu te ordeno: ouça e obedeça o chamado de Deus, e resolutamente, converta-te para que possas viver. Mas, se tu não quiseres, mesmo quando tu não tenhas razão para isso, mas apenas porque tu não queres, eu te invoco a responder por isso diante do Senhor, e exijo de ti que carregues o meu testemunho que te dei aviso, e que não foste condenado por falta de um chamado para converter-se e viver, mas porque não acreditou nisso e nem o obedeceu; o que também deve ser o testemunho de

Teu sério admoestador, 11 de dezembro de 1657, Richard Baxter.

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Perdão Para Os Maiores Pecadores Por Jonathan Edwards

“Por amor do Teu nome, Senhor, perdoa minha iniquidade, pois é grande.” (Salmos 25:11) É evidente por algumas passagens deste Salmo, que quando foi escrito, era um momento de aflição e perigo para Davi. Isto transparece particularmente até o 15º e seguintes versos: “Meus olhos estão sempre voltados para o Senhor; pois ele tirará os meus pés da rede”, e etc. Seu sofrimento o faz pensar de seus pecados, e leva-o a confessá-los e clamar a Deus por perdão, como é apropriado em um momento de aflição. Veja o verso 7: “Não te lembres dos pecados da minha mocidade, nem das minhas transgressões”; e verso 18: “Olha para a minha aflição, e minha dor, e perdoa todos os meus pecados”. É observável no texto que argumentos o salmista usa ao implorar por perdão. 1. Ele implora perdão por causa do nome de Deus. Ele não tem nenhuma expectativa de perdão por causa de qualquer justiça ou merecimento dele por quaisquer boas ações que ele tenha feito, ou por qualquer compensação que havia feito por seus pecados; mesmo que se a justiça de um homem pudesse ser usada como argumento, Davi teria tido tantos argumentos quanto a maioria. Mas ele implora que Deus o perdoe por causa de Seu próprio nome, por Sua própria glória, pela glória da Sua própria livre graça, e pela honra da Sua própria fidelidade. 2. O salmista usa a grandeza de seus pecados como argumento para misericórdia. Ele não apenas não usa sua justiça própria como argumento, ou a insignificância de seu pecado; ele não apenas não diz: “Perdoa minha iniquidade, pois eu tenho feito tanto para compensálas”; ou “Perdoa minha iniquidade, pois é pequena, e Tu não tens tanta razão para estar zangado comigo; minha iniquidade não é tão grande que Tu tenhas qualquer justa causa para usá-la contra mim; minha ofensa não é tal que não possas negligenciá-la”, mas ao contrário, ele diz: “Perdoe minha iniquidade, pois ela e grande”; ele argumenta a grandeza de seu pecado, não a pequenez dele; ele reforça sua oração com essa consideração, que seus pecados são muito hediondos. Mas como ele podia fazer disso um pleito para perdão? Eu respondo: Porque quanto maior sua iniquidade, maior a necessidade tinha de perdão. É como se ele tivesse dito, “Perdoe minha iniquidade, pois ela é tão grande que eu não posso suportar a punição; meu caso será excessivamente miserável, a não ser que Te agrades em me perdoar”. Ele faz uso da

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grandeza do seu pecado, para reforçar seu apelo por perdão, como um homem usaria uma grande calamidade para implorar por alívio. Quando um mendigo implora por pão, ele argumentará sua grande pobreza e necessidade. Quando um homem em perigo implora por piedade, que argumento mais adequado pode ser usado além da extremidade do seu caso? E Deus permite tal argumento como este, pois ele não é movido à misericórdia para conosco por nada em nós, além da grande miséria do nosso caso. Ele não se apieda de pecadores porque são dignos, mas por eles precisam de Sua compaixão.

DOUTRINA: Se nós realmente formos a Deus por misericórdia, a grandeza do nosso pecado não será impedimento para perdão. Se fosse um impedimento, Davi jamais teria usado isso como argumento, como vemos que ele faz neste texto. As seguintes coisas são necessárias a fim de realmente irmos a Deus por misericórdia:

I. Devemos ver a nossa miséria, e nos sensibilizarmos da nossa necessidade de misericórdia. Os que não estão conscientes de sua miséria não podem realmente olhar a Deus por misericórdia; pois é a própria noção da misericórdia Divina, que é a bondade e a graça de Deus para com o miserável. Sem miséria no objeto, não pode haver exercício da misericórdia. Supor misericórdia sem supor miséria, ou compaixão sem calamidade é uma contradição. Portanto os homens não podem olhar para si mesmos como apropriados objetos de misericórdia, a menos que eles primeiro conheçam a si mesmos como miseráveis; e então, a não ser que este seja o caso, é impossível que eles vão a Deus por misericórdia. Eles devem perceber que são filhos da ira; que a lei está contra eles, e que estão expostos à maldição dela: que a ira de Deus permanece sobre eles; e que Ele está irado com eles todos os dias enquanto estão debaixo da culpa do pecado. Eles precisam sensibilizarem-se de que a culpa do pecado faz deles criaturas miseráveis, não importando qual alegria temporal eles tenham; que eles não podem ser nada além de miseráveis, criaturas desfeitas, enquanto Deus está zangado com eles; que eles estão sem força, e devem perecer, e isto eternamente, a não ser que Deus os ajude. Eles precisam ver que o caso deles é de completo desespero, por qualquer coisa ou qualquer um possa fazer por eles; que eles pairam sobre o abismo da miséria eterna; e que eles necessariamente devem cair nele, se Deus não tiver misericórdia deles.

II. Eles devem ser sensíveis que não são dignos da misericórdia de Deus. Aqueles que real-

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mente vêm a Deus por misericórdia, vêm como mendigos, e não como credores. Eles vêm por mera misericórdia. Por graça soberana, e não por qualquer coisa que lhes é devido. Portanto, eles devem ver que a miséria sob a qual estão é justamente trazida a eles, e que a ira na qual estão expostos é ameaçado contra eles justamente também; e que eles têm merecido que Deus seja seu inimigo. Eles devem ser sensíveis que seria justo da parte de Deus fazer como Ele ameaçou em sua santa Lei, isto é, fazer deles objetos da Sua ira e maldição no inferno por toda a eternidade. Aqueles que vêm a Deus por misericórdia de uma maneira correta não estão dispostos a achar falta em Sua severidade, mas eles vêm num senso de sua completa indignidade, como com cordas em seus pescoços, e deixados no pó aos pés da misericórdia.

III. Eles devem vir a Deus por misericórdia em e através de Jesus Cristo somente. Toda sua esperança de misericórdia deve vir da consideração de quem Ele é, do que Ele fez e do que Ele sofreu; e que não há outro nome dado debaixo do céu, entre os homens, pelo qual possamos ser salvos, além do nome de Cristo; que Ele é o Filho de Deus, e o Salvador do mundo; que o Seu sangue limpa todo pecado, e que Ele é tão digno, que todos os pecadores que estão nEle podem ser perdoados e aceitos. É impossível que qualquer um venha a Deus por misericórdia, e ao mesmo tempo não tenha nenhuma esperança de misericórdia. A vinda deles a Deus por misericórdia, implica que eles têm alguma esperança de obtêla, de outro modo eles não pensariam valer a pena o tempo de vir. Mas aqueles que vêm de maneira correta têm toda sua esperança através de Cristo, ou da consideração de sua redenção e suficiência dela. Se pessoas assim vêm a Deus por misericórdia, a grandeza de seus pecados não será impedimento de perdão. Deixe que seus sejam tantos, e grandes, e graves isso não fará Deus nem um grau menos disposto a perdoá-los. Isso pode ser evidenciado pelas seguintes considerações: 1. A misericórdia de Deus é tão suficiente para o perdão de grandes pecados quanto para os menores; e isso porque Sua misericórdia é infinita. O que é infinito está muito acima do que é grande, Ele está tão acima dos reis como ele está acima dos mendigos; Ele está tão acima do maior anjo, como está do pior verme. Uma medida finita não chega nem perto da extensão do que é infinito. Então a misericórdia de Deus sendo infinita, deve ser tão suficiente para o perdão de todo pecado quanto de um só. Se um dos menores pecados não está além da misericórdia de Deus, então também não está o maior, ou dez mil deles. No entanto, deve-se reconhecer que isso apenas não prova a doutrina. Pois apesar de que a misericórdia de Deus possa ser suficiente, e ainda sim os outros atributos podem se opor à dispensação de misericórdia em outros casos. Portanto eu observo, 2. A satisfação do sacrifício de Cristo é tão suficiente para a remoção da maior culpa quanto

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da menor, 1 João 1:7: “O sangue de Cristo purifica de todo pecado”. Atos 14:39: “Por ele todo aquele que crê é justificado de todas as coisas que não pudestes ser justificados pela lei de Moisés”. Todos os pecados daqueles que verdadeiramente vêm a Deus por misericórdia, sejam o que forem, são propiciados, se Deus é verdadeiramente o que nos diz ser; e se eles são satisfeitos, certamente não é incrível que Deus estaria pronto para perdoá-los. Sendo o sacrifício de Cristo completamente satisfeito por todo pecado, ou tendo operado a satisfação que é suficiente por todos, não é, agora, nem um pouco inconsistente com a glória do atributo Divino perdoar os maiores pecados daqueles que vêm de uma maneira correta até Ele por perdão. Deus pode agora perdoar os maiores pecadores sem nenhum prejuízo à honra de Sua santidade. A santidade de Deus não O deixa mostrar uma menor severidade ao pecado, mas O inclina a dar testemunhos apropriados ao Seu ódio ao pecado. Mas Cristo tendo satisfeito por todo pecado, Deus pode agora amar o pecador, e não mostrar nenhuma severidade ao pecado, por mais terrível que o pecador tenha sido. Foi um suficiente testemunho da aversão de Deus ao pecado, que Ele derramou Sua ira em Seu próprio Filho amado, quando Ele assumiu a culpa sobre si. Nada pode demostrar melhor o ódio de Deus ao pecado do que isso. Se toda a humanidade tivesse sido eternamente condenada não teria sido tão grande testemunho quanto este. Deus pode, através de Cristo, perdoar os grandes pecadores sem nenhum prejuízo à honra de Sua majestade. A honra da Divina majestade de fato requer satisfação; mas os sofrimentos de Cristo reparam completamente o dano. Que o desprezo seja sempre tão grande, ainda sim se tão honrável Pessoa como Cristo se compromete a ser um Mediador para o infrator, e sofre muito por ele, isso repara completamente o dano causado à Majestade do céu e da terra. Os sofrimentos de Cristo satisfazem completamente a justiça. A justiça de Deus, como supremo Governador e Juiz do mundo, requer punição para o pecado. O supremo Juiz deve julgar o mundo de acordo com uma regra de justiça. Deus não mostra misericórdia como um soberano, e Sua justiça como um Juiz deve ser feita de maneira consistente um com o outro; e isso é feito através dos sofrimentos de Cristo, no qual o pecado é completamente punido, e justiça é satisfeita. Romanos 3:25-26: “Ao qual Deus propôs para propiciação pela fé no seu sangue, para demonstrar a sua justiça pela remissão dos pecados dantes cometidos, sob a paciência de Deus; para demonstração da sua justiça neste tempo presente, para que ele seja justo e justificador daquele que tem fé em Jesus”. A Lei não é impedimento no caminho do perdão dos grandes pecados, se os homens vierem verdadeiramente a Deus por misericórdia, pois Cristo cumpriu a Lei, Ele suportou a maldição dela em Seus sofrimentos, Gálatas 3:13: “Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se maldição por nós; porque está escrito: Maldito todo aquele que for pendurado no madeiro”. 3. Cristo não se recusará a salvar grandes pecadores, que de maneira correta vierem a

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Deus por misericórdia; pois esta é Sua obra. É o Seu ofício ser um salvador de pecadores; é o trabalho para qual Ele veio ao mundo; e portanto, Ele não se negará a fazê-lo. Ele não veio para chamar os justos, mas pecadores ao arrependimento (Mateus 9:13). O pecado é o próprio mal que Ele veio ao mundo para remediar, portanto Ele não se oporá a nenhum homem por ele ser muito pecaminoso. Quanto mais pecaminoso ele for, mais há a necessidade de Cristo. A pecaminosidade do homem foi a razão da vinda de Cristo ao mundo; está é a mesma miséria da qual Ele veio libertar os homens. Quanto mais eles os têm, mais eles precisam ser libertos; “Os sãos não precisam de médico, apenas os que estão doentes” (Mateus 9:12). O médico não se oporá a curar o homem que o solicita, que está em grande necessidade de ajuda dele. Se um médico compassivo vai entre doentes e feridos, certamente ele não se recusará a curar aqueles que estão em maior necessidade de cura, se ele é capaz de curá-los. 4. Aqui a glória da graça pela redenção de Cristo deve consistir em Sua suficiência para o perdão dos maiores pecadores. A totalidade da ideia do caminho da salvação é para este fim, para glorificar a graça gratuita de Deus. Deus tinha em Seu coração por toda a eternidade, glorificar este atributo; e, portanto, o dispositivo de salvar pecadores por Cristo foi concebido. A grandeza da Divina graça muito aparece nisso que Deus por Cristo salva grandes infratores. Quanto maior culpa de qualquer pecador, mais gloriosa e maravilhosa é a graça manifestada em seu perdão, Romanos 5:20: “onde o pecado abundou, superabundou a graça”. O apóstolo, ao contar quão grande pecador ele tinha sido, observa a graça abundante em seu perdão, na qual sua grande culpa era a ocasião: 1 Timóteo 1:13: “A mim, que dantes fui blasfemo, e perseguidor, e injurioso; mas alcancei misericórdia, porque o fiz ignorantemente, na incredulidade”. O Redentor é glorificado, no que Ele prova ser suficiente para a redenção daqueles que são excessivamente pecadores, no que Seu sangue prova suficiência para lavar a maior culpa, no que Ele é capaz de salvar homens até o fim, e no que Ele redime mesmo da maior miséria. Esta é a honra de Cristo por salvar grandes pecadores: quando eles vêm até Ele, como é a honra de um médico que cura a mais desesperadora doença ou ferida. Portanto, sem dúvida, Cristo estará disposto a salvar grandes pecadores, se eles vierem a Ele; pois Ele não se negará a glorificar a Si mesmo, e para recomendar o valor e a virtude de Seu próprio sangue. Vendo que Ele se dispôs a redimir pecadores, Ele não estará indisposto a redimir os pecadores, Ele não vai estar indisposto a mostrar que Ele é capaz de redimir até ao fim. 5. Perdão é tão oferecido e prometido para os grandes pecadores como para qualquer outro, se eles vierem de maneira correta a Deus. Os convites do Evangelho estão sempre em termos universais: como, aquele que tem sede; venham a mim todos que estão cansados e oprimidos; e, quem quiser, venha. E a voz da Sabedoria é para os homens em geral: Provérbios. 8:4 “A vós, ó homens, clamo; e a minha voz se dirige aos filhos dos homens”.

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Não para homens moralistas, ou homens religiosos, mas para você, homem. Então Jesus promete em João 6:37: “O que vem a mim de maneira nenhuma o lançarei fora”. Está é a direção de Cristo para Seus apóstolos, depois de Sua ressurreição, Marcos 16:15,16: “Ide e pregai o evangelho a toda criatura: quem crer e for batizado, será salvo”. O que está de acordo com o que o apóstolo disse, que “o evangelho tem sido proclamado a toda criatura que está debaixo céu” (Colossenses 1:23).

APLICAÇÃO O uso apropriado desse assunto é encorajar pecadores cuja consciência está pesada com um senso de culpa, para imediatamente irem a Deus através de Cristo por misericórdia. Se vocês forem na maneira que descrevemos, os braços estão abertos para abraçá-los. Vocês não precisam de maneira alguma sentir mais medo de vir a Deus por causa de seus pecados, mesmo que sejam tão terríveis. Se vocês tivessem tanta culpa sobre cada uma de suas almas como todos os homens perversos do mundo e todas as almas condenadas no inferno; ainda sim se vocês vierem a Deus por misericórdia, sensíveis de sua própria vileza, e buscando perdão apenas pela misericórdia gratuita de Deus através de Cristo, vocês não precisariam ter medo; a grandeza dos seus pecados não seria impedimento para perdão. Portanto, se suas almas estão pesadas e vocês estão angustiados por medo do inferno, vocês não precisam mais suportar esse peso e angústia. Se vocês estão apenas dispostos, vocês poderão gratuitamente vir e aliviarem a si mesmos, e lançar todo o seu peso em Cristo, e descansar nEle. Mas aqui eu falarei sobre algumas OBJEÇÕES que alguns pecadores despertados podem estar prontos a fazer contra o que eu acabei de exortá-los.

I. Alguns podem estar prontos para objetar: “Eu gastei toda minha juventude e tudo de melhor da minha vida no pecado, e eu temo que Deus não me aceite quando eu ofertar a Ele apenas a minha velhice”, a isto eu respondo: 1. Deus disse em algum lugar que Ele não aceitará pecadores idosos que vêm a Ele? Deus fez com frequência ofertas e promessas em termos universais; e há alguma exceção colocada nelas? Por acaso Cristo disse: Todos que têm sede, venham a mim e beba, exceto os pecadores idosos? Venham a mim todos que estais cansados e sobrecarregados, exceto os pecadores velhos, e vos darei descanso? Aquele que vier a mim, eu de maneira alguma o lançarei fora, se ele não for um pecador velho? Vocês já leram alguma dessas exceções em algum lugar na Bíblia? E porque vocês devem ceder a exceções que vocês criam em

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suas próprias cabeças, ou melhor, que o Diabo põe nas suas cabeças, e que não têm fundamento na Palavra de Deus? De fato é mais raro que pecadores idosos estejam dispostos a vir do que outros; mas se eles vierem, serão tão prontamente aceitos como qualquer outro. 2. Quando Deus aceita pessoas jovens, não é por causa do serviço que eles farão para Ele depois, ou porque a juventude vale mais do que a idade avançada. Vocês parecem errar inteiramente na questão em pensar que Deus não aceitará vocês porque são idosos, que Ele aceita prontamente pessoas jovens, por que suas juventudes são mais dignas de aceitação; enquanto que é apenas por causa de Jesus Cristo que Deus está disposto a aceitar qualquer um. Vocês dizem que suas vidas estão quase gastas e que vocês têm medo que o melhor tempo de servir a Deus passou; e que portanto Deus não irá aceitá-los; como se fosse por causa do serviço que as pessoas fazem para Ele, depois de serem convertidos, que Ele os aceita; um espírito de justiça própria está no fundo de tal objeção. Homens não podem tirar a noção que é por alguma bondade ou serviço próprios, feitos ou esperados, que Deus aceita pessoas e os recebe em favor. De fato que aqueles que negaram a Deus em sua juventude, a melhor parte de suas vidas, e gastaram-na no serviço de Satanás, terrivelmente pecaram e provocaram a Deus; e Ele frequentemente os deixa na dureza de coração quando se tornam idosos, ainda assim se eles estão dispostos a vir a Cristo quando idosos, Ele está tão pronto a recebê-los quanto a qualquer outro, pois nessa questão Deus tem respeito apenas a Cristo e Seu mérito.

II. Mas, diz alguém, eu temo que eu tenha cometido pecados que são peculiares a réprobos. Eu tenho pecado contra luz e fortes convicções de consciência; eu tenho pecado presunçosamente e tenho resistido aos esforços do Espírito de Deus, que eu temo ter cometido tais pecados como nenhum dos eleitos de Deus jamais cometeu. Eu não posso pensar que Deus deixará quem Ele intenta salvar continuar e cometer pecados contra tanta luz e convicção, e com tão horrível presunção. Outros podem dizer: Eu tive exaltações de coração contra Deus; pensamentos blasfemos, um espírito rancoroso e mal-intencionado, tenho abusado da misericórdia e dos esforços do Espírito, pisado no Salvador e meus pecados são tão peculiares àqueles que são reprovados à condenação eterna. Para tudo isso eu respondo: 1. Não existem pecados peculiares a réprobos a não ser o pecado contra o Espírito de Deus. Você já leu sobre algum outro na Palavra de Deus? E se você não leu em nenhum lugar, que fundamento você tem para pensar tal coisa? Que outra regra nós temos para julgar tais questões a não ser a Palavra Divina? Se nos aventurarmos a ir além dela, nós

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estaremos miseravelmente no escuro. Quando nós pretendemos, em nossas determinações, ir além da Palavra de Deus, Satanás nos surpreende e nos arrebata. Parece que para você tais pecados são peculiares a réprobos, e tais Deus nunca perdoa, porém que razão você pode dar para eles se você não tem a Palavra de Deus para revelá-las? É por que você não pode ver que a misericórdia de Deus é suficiente para perdoar, ou que o sangue de Cristo pode limpar tais pecados presunçosos? Se é assim, você nunca verá a suficiência do sangue de Cristo, e você não sabe quão longe sua virtude se estende. Algumas pessoas eleitas sentiram culpa de todo tipo de pecado, exceto pecado contra o Espírito Santo, e a menos que você seja culpado disso, você não tem sido culpado de nada que é peculiar a réprobos. 2. Os homens podem ser menos propensos a acreditar, pelos pecados que cometeram, e não menos prontamente perdoado quando eles acreditam. Deve-se reconhecer que alguns pecadores estão em mais perigo do inferno do que outros. Embora todos estão em grande perigo, alguns são menos propensos a serem salvos. Alguns tem menos probabilidade de serem convertidos e virem a Cristo: Mas todos que vêm a Ele são igualmente aceitos; e há tanto encorajamento para um homem vir a Cristo como para qualquer outro. Tais pecados que vocês mencionam são de fato extremamente hediondos e provocativos contra Deus e de uma especial maneira trazem à alma o perigo da condenação e o perigo do endurecimento final do coração; e Deus mais comumente desiste de homens para o julgamento de dureza final por tais pecados. Mas ainda assim não são peculiares a réprobos; existe apenas um pecado que o é: aquele contra o Santo Espírito. E não obstante se vocês podem encontrar em seus corações a vontade de vir a Cristo, e submeterem a Ele, vocês não serão aceitos menos prontamente por terem cometido tais pecados. Embora Deus mais raramente faz com que tais tipos de pecadores venham a Cristo do que outros, não é por que Sua misericórdia ou a redenção de Cristo não seja suficiente para eles como para outros, mas porque em sabedoria Ele vê adequado assim dispensar Sua graça para um homem perverso; e porque está em Sua vontade dar a graça da conversão no uso de meios, entre os quais este é um, levar uma vida religiosa e moral e de acordo com nossa luz e as convicções de nossas consciências. Mas quando uma vez qualquer pecador está disposto a ir a Cristo, a misericórdia está tão pronta para ele quanto para qualquer outro. Não há nenhuma consideração dos pecados dele, mesmo que sejam tão pecaminosos, seus pecados não são lembrados; Deus não os censura.

III. “Mas é melhor eu ficar até que tenha me feito melhor antes de eu presumir ir a Cristo. Eu tenho sido, e vejo a mim mesmo, muito perverso agora; mas estou com esperança de concertar a mim mesmo, e tornando-me pelo menos não tão perverso, então eu terei mais coragem de vir a Deus por misericórdia”. Em resposta a isso,

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1. Considerem como vocês agem irracionalmente: Vocês estão lutando para se tornarem os seus próprios salvadores; vocês estão lutando para conseguir algo de si mesmos, por conta de que vocês possam ser mais prontamente aceitos. Então com isso vocês não buscam serem aceito apenas por causa de Cristo. E isso não é roubar a glória de Cristo de ser seu único salvador? Ainda sim este é o modo no qual vocês têm esperanças de fazer Cristo disposto a salvar vocês. 2. Vocês nunca poderão vir a Cristo a não ser que vocês vejam primeiro que Ele não os aceitará mais prontamente por nada que vocês possam fazer. Vocês devem primeiro ver que é totalmente em vão que vocês tentem fazer a si mesmos melhores por tal razão. Vocês devem perceber que nunca poderão fazer a si mesmos mais dignos, ou menos dignos, por qualquer coisa que possam fazer. 3. Se alguma vez vocês realmente vierem a Cristo, vocês devem ver que há o suficiente nEle para seu perdão, embora vocês não sejam melhores do que são. Se você não vê a suficiência de Cristo para o seu perdão, sem nenhuma justiça sua para o recomendar, você nunca virá de forma a ser aceito por Ele. A maneira de ser aceito é vir não com tal encorajamento, que agora você fez a si mesmo melhor e mais digno, ou não tão indigno, mas com o mero encorajamento do valor e mérito de Cristo e da misericórdia de Deus. 4. Se vocês alguma vez vierem a Cristo, vocês devem vir para que Ele faça com que vocês se tornem melhores. Vocês devem vir como um paciente vai ao seu médico, com suas doenças e feridas para serem curadas. Derrame toda sua perversidade diante dEle, e não argumente sua bondade; mas sua maldade e sua necessidade nesse aspecto: e diga, como o salmista no texto — não perdoe minha iniquidade, pois não é tão grande como era — mas: “Perdoe minha iniquidade, pois ela é grande”.

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JESUS! (Sermão Nº 1434) Pregado na manhã do Dia do Senhor, 15 de setembro de 1878. Por C. H. Spurgeon, no Tabernáculo Metropolitano, Newington.

“E dará à luz um filho e chamarás o seu nome JESUS; porque ele salvará o seu povo dos seus pecados.” (Mateus 1:21) Bernardo deliciosamente disse que o nome de Jesus é mel para a boca, melodia para o ouvido e alegria para o coração. Alegro-me com essa expressão no que me diz respeito, pois ela me dá o prazer que me cabe e me leva a esperar que, enquanto eu estou falando, a doçura do precioso nome de Jesus venha a encher minha própria boca. Aqui, também, há uma porção para vocês que estão ouvindo, é melodia para os ouvidos! Mesmo que minha voz venha a ser dura e as minhas palavras discordantes, vocês ainda podem ter música de ordem excelente, pois o nome em si é essencial melodia e todo o meu sermão vai badalar com sua nota de prata! Que ministro e ouvinte juntem-se à terceira palavra da frase de Bernardo e que possamos todos nós tê-lo como alegria em nossos corações, um jubileu dentro de nossas almas! Jesus é o caminho para Deus, por isso vamos pregá-lO! Ele é a verdade, por isso vamos ouvir dEle! Ele é a vida, portanto que nossos corações se alegrem nEle! Tão indescritivelmente perfumado é o nome de Jesus que dá um delicioso perfume a tudo o que está conectado com ele. Nossos pensamentos vão voltar-se, nesta manhã, ao primeiro uso do nome em conexão com o nosso Senhor, quando a criança que ainda estava para nascer foi chamada Jesus. Aqui encontramos tudo sugestivo a consolo. A pessoa a quem esse nome foi revelado pela primeira vez foi José, um carpinteiro, um homem humilde, um homem trabalhador, desconhecido e medíocre, exceto pela justiça de seu caráter. Para o artesão de Nazaré foi esse nome primeiramente comunicado! Não é, portanto, um título a ser monopolizado pelos ouvidos dos príncipes, sábios, sacerdotes, guerreiros ou homens de riqueza, é um nome a ser feito uma palavra familiar entre as pessoas comuns! Ele é o Cristo do povo, pois nos tempos antigos foi dito dEle: “Eu exaltei um escolhido dentre o povo”. Que cada carpinteiro e cada trabalhador de todo tipo se alegre com todos os outros tipos de homens no nome de Jesus! Há consolo no mensageiro que revelou esse nome a José, pois era o anjo do Senhor que, nas visões da noite, sussurrou esse nome encantador em seu ouvido e, a partir daí, os alegrou o anjo por vir com ele? Então há um laço de simpatia entre nós e os espíritos angelicais e viemos, no dia de hoje, não somente “à universal assembleia e igreja dos primogênitos”,

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[Hebreus 12:23], mas “a uma incontável companhia de anjos”, por quem esse nome é considerado com reverente amor! Também não é a condição de José, quando ouviu este nome, completamente sem instrução. O anjo falou com ele em um sonho, esse nome é tão suave e doce que ele não interrompe o descanso de ninguém, mas sim produz uma paz inigualável, a paz de Deus! Com tal sonho, o sono de José foi mais abençoado do que o seu despertar. O nome tem sempre esse poder, pois, para aqueles que o conhecem, Ele revela uma glória mais brilhante do que os sonhos jamais ilustraram! Sob Seu poder, jovens tem visões e os velhos sonham sonhos, e estes não zombam deles, mas são profecias fiéis e verdadeiras! O nome de Jesus traz à nossa mente uma visão de glória nos últimos dias, quando Jesus reinará de polo a polo, e ainda outra visão de glória indizível quando o Seu povo estará com Ele onde Ele está! O nome de Jesus foi doce a princípio por causa das palavras que o acompanharam, pois elas tinham como objetivo remover a perplexidade da mente de José e algumas delas foram ditas assim: “Não temas”. Em verdade, nenhum nome pode banir o medo como o nome de Jesus! Ele é o começo da esperança e o fim do desespero! Deixe só o pecador ouvir sobre “o Salvador”, e ele se esquece de morrer! Ele espera viver! Ele se levanta da apatia mortal de seu desespero e, olhando para cima, ele vê um Deus reconciliado e não teme mais. Especialmente, irmãos e irmãs, este nome está cheio de raras delícias, quando meditamos sobre a preciosidade infinita da pessoa a quem foi atribuído. Ah, aqui está a vara de Jônatas pingando mel de cada ramo e aquele que o prova terá os seus olhos iluminados [1 Samuel 14:27]! Nós não temos um Salvador comum, pois nem terra, nem Céu poderiam produzir Seu igual! No momento em que o nome foi dado, Sua pessoa completa não tinha sido vista por olhos mortais, pois Ele estava ainda escondido. Mas logo Ele saiu, tendo nascido de Maria por obra do Espírito Santo! Um homem incomparável, Ele tem a nossa natureza, mas não a nossa corrupção! Ele foi feito em semelhança da carne do pecado, mas ainda na Sua carne não há pecado! Esse santo é o Filho de Deus e, ainda assim Ele é o Filho do Homem! Esta extraordinária excelência da natureza faz o Seu nome mais precioso! Vou pedir o exercício de sua paciência enquanto eu considero sete coisas em referência a esse nome arrebatador. É como um bálsamo derramado e seu aroma é tão variado que contém a essência de todas as fragrâncias. Estes sete pontos vão ser vistos muito claramente por você, se você continuar a olhar para o texto e sua conexão.

I. Primeiro, iremos observar que O NOME DE JESUS É UM NOME DIVINAMENTE DETERMINADO E EXPOSTO.

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De acordo com o texto, o anjo trouxe uma mensagem do Senhor e disse: “E lhe porás o nome de Jesus”. É um nome que, como Ele que o leva, desceu do Céu. Nosso Senhor tem outros nomes de funções e relacionamentos, mas este é especialmente e peculiarmente Seu próprio nome pessoal e é o Pai que deu esse nome a Ele. Tenha certeza, portanto, que é o melhor nome que Ele podia receber! Deus não teria Lhe dado um nome de valor secundário, ou sobre o qual houvesse um traço de desonra. O nome é o maior, mais brilhante e mais nobre de todos os nomes: é a glória de nosso Senhor para ser um Salvador. Para o melhor que já foi nascido de mulher, Deus deu o melhor nome que qualquer filho do homem poderia receber. JESUS é o nome mais apropriado que o nosso Senhor poderia receber. Disso estamos muito certos, pois o Pai sabia tudo sobre Ele e poderia chamá-lO apropriadamente. Ele sabe muito mais sobre o Senhor Jesus Cristo do que todos os santos e anjos juntos, pois: “Ninguém conhece o Filho senão o Pai”. Deus O conhecia perfeitamente e Lhe deu o nome de Jesus. Podemos estar certos, então, de que nosso Senhor é, mais do que tudo, o Salvador e é melhor descrito por esse termo. Deus, o Pai, que melhor O conhece, vê essa como sua maior característica, que Ele é o Salvador e é melhor representado pelo nome “Jesus”. Já que a infinita sabedoria o escolheu, podemos ter certeza de que é um nome que deve ser verdadeiro e deve ser verificada por fatos de nenhuma ordem mediana. Deus, que não pode ser confundido, o chama de Jesus, o Salvador e, por isso, Jesus, o Salvador Ele deve ser grandemente — continuamente, abundantemente e de forma mais aparente! Nem irá Deus se recusar a aceitar a obra que Ele realizou, uma vez que pelo dom desse nome Ele O encarregou de salvar os pecadores. Quando suplicamos o nome de Jesus diante de Deus, nós trazemos-lhe sua própria Palavra e apelamos a Ele por seu próprio decreto e ação. Não é o nome de Jesus para ser visto com prazer reverencial por cada um de nós, quando nos lembramos de onde Ele veio? Ele não é um Salvador de nossa própria criação, mas Deus, o Pai eterno O designou como nosso Libertador e Salvador, dizendo: “E lhe porás o nome de JESUS”. É um nome que o Espírito Santo explica, pois Ele nos diz a razão para o nome de Jesus: “porque Ele salvará o seu povo dos seus pecados”. “Salvador” é o significado do nome, mas tem um sentido mais completo e profundo escondido, pois em sua forma hebraica significa, “a salvação do Senhor”, ou “o Senhor da salvação” ou “o Salvador”. O anjo interpreta, “Ele salvará “, e a palavra para “Ele”, é muito enfática. De acordo com muitos estudiosos, o nome Divino, o título incomunicável do Altíssimo está contido em “Yeshua”, a forma hebraica de Jesus, para que, plenamente, a palavra signifique “Jeová Salvador”, e resumidamente signifique “Salvador”. Ele é dado ao nosso Senhor, porque “Ele salva”, não de acordo com qualquer salvação temporária e comum, dos inimigos e problemas, mas ele salva de inimigos espirituais e especialmente dos pecados. Josué do

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passado foi um salvador, Gideão foi um salvador, Davi era um salvador, mas o título é dado ao nosso Senhor acima de todas as outras pessoas, porque Ele é o Salvador, em um sentido em que ninguém é ou pode ser — Ele salva o Seu povo dos seus pecados! Os judeus estavam à procura de um Salvador, eles esperavam por um que iria quebrar o jugo romano e salvá-los de serem sujeito à servidão a uma potência estrangeira! Mas nosso Senhor Divino não veio para tal finalidade. Ele veio para ser o Salvador de um tipo mais espiritual e para quebrar completamente outro jugo, salvando seu povo de seus pecados. A palavra “salvar”, é muito rica em significado, seu pleno e exato vigor dificilmente pode ser atribuído a palavras em português. Jesus é a salvação no sentido de libertação e também no de preservação. Ele dá saúde. Ele é tudo o que é salutar para o Seu povo. No sentido mais amplo e completo Ele salva o Seu povo. A palavra original significa preservar, manter, proteger do perigo e assegurar. Os significados grandiosos geralmente habitam nas palavras mais curtas e, neste caso, a palavra “salvar”, é um poço onde o prumo demora a encontrar um fundo! Jesus traz uma grande salvação, ou como diz Paulo: “tão grande salvação”, assim como ele sentiu que nunca poderia estimar sua grandeza (Hebreus 2:3). Ele também fala dela como “salvação eterna” (Hebreus 5:9), e mesmo como disse Isaías: “Israel será salvo no Senhor, com uma salvação eterna” (Isaías 45:17). Imensuravelmente glorioso é o nome “Jesus”, como é divinamente exposto para nós, pelo que a própria exposição do Deus eterno garante o sucesso do Salvador! Ele declara que Ele salvará Seu povo e salvar o Seu povo Ele irá. Deus O coloca diante de nós como: “Jesus, Salvador, Filho de Deus, Portador de carga do pecador.” Assim, temos um nome, queridos amigos, que não temos de explicar por nós mesmos. Como não o escolhemos, então não somos deixados para O expor, Deus foi quem deu o texto e quem pregou-nos o sermão! Aquele, que deu o nome foi quem nos deu a razão para isso, de modo que não somos deixados na ignorância ou incerteza. Poderíamos ter dito: “Sim, seu nome é Jesus, mas se refere a uma salvação que estava em rigor na antiguidade”. Mas não, a Palavra do Senhor nos diz: “E lhe porás o nome de JESUS, porque Ele salvará o seu povo dos seus pecados”, e isto é para todos os tempos, já que Ele sempre tem um povo e essas pessoas sempre precisam ser salvas dos seus pecados! Alegremo-nos por termos um tal Salvador e pelo nome de Jesus reter toda a doçura e poder que ele já teve e deve retê-los até que todas as pessoas escolhidas sejam salvas; e, então, para todo o sempre.

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Além disso, além de expor este nome, o Espírito Santo, pelo evangelista Mateus, se agradou de nos referir ao sinônimo dele e assim dar-nos o seu significado por comparação. Deixe-me ler os próximos versículos. “Tudo isto aconteceu para que se cumprisse o que foi dito da parte do Senhor, pelo profeta, que diz; eis que a virgem conceberá, e dará à luz um filho, e chamá-lo-ão pelo nome de EMANUEL, que traduzido é: Deus conosco” [Mateus 1:22-23]. Se, quando nosso Senhor nasceu e foi nomeado, “JESUS”, a antiga profecia que dizia que ele deveria ser chamado de Emanuel foi cumprida [veja Isaías 7:14], segue-se que o nome “JESUS”, tem um significado equivalente ao de “EMANUEL” e que seu significado potencial é “Deus conosco”. Na verdade, irmãos e irmãs, Ele é Jesus, o Salvador, porque Ele é o Emanuel, Deus conosco! E assim que Ele nasceu e assim se tornou o Emanuel, o Deus encarnado, Ele tornouse por isso mesmo, Jesus, o Salvador! Ao descer do Céu para esta terra e tomar sobre Si nossa natureza, Ele transpôs o abismo, de outra forma intransponível, entre Deus e o homem! Sofrendo nessa natureza humana e transmitindo, através de Sua natureza Divina, uma eficácia infinita a esses sofrimentos, Ele removeu o que teria nos destruído e nos trouxe vida e salvação eterna! Ó Jesus, o mais querido de todos os nomes na terra ou no Céu, eu amo Sua música mais do que tudo porque é de tal doce harmonia com outro que toca melodiosamente em meus ouvidos, o nome de Emanuel, Deus conosco! Nosso Salvador é Deus e, portanto, capaz! Ele é Deus conosco e, portanto, inspira piedade! Ele é Divino e, portanto, infinitamente sábio! Mas Ele é humano e, portanto, cheio de compaixão! Esta, então, o nosso primeiro ponto é: este encantador nome de Jesus é uma joia do cofre dos Céus. Ele vem a nós como uma maçã de ouro e é tratada por uma exposição que a coloca em uma salva de prata! O nome é precioso como o assento dourado de misericórdia 1 e sobre ele queima a luz da glória Divina, para que possamos não tropeçar nela, mas possamos nos alegrar com a grande luz! Ele nos permite conhecer o próprio coração de Deus, em referência ao seu Filho, porque Ele O enviou; o que Ele intentou que Ele fosse e fizesse — desta maneira Ele se glorificam. A salvação é o som festivo, que toca desde os sinos do vestuário de nosso Sumo Sacerdote à medida que Ele vem para nos abençoar! Deus, que falou aos nossos pais pelos Seus profetas, agora fala-nos por Seu Filho, cujo nome é a Salvação! Não há uma fonte de alegria nisto?

II. Em segundo lugar, embora este nome tenha sido assim escolhido por Deus, NOSSO SENHOR FOI NA VERDADE CHAMADO PELO NOME DE JESUS pelo homem. A isto eu _______ [1] Golden Mercy Seat: a expressão “Mercy Seat”, significa literalmente “assento de misericórdia”, é uma expressão, que em português, equivale a “propiciatório”.

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chamo sua atenção especial. “Ela (Maria) dará à luz um filho, e você (José) porás o nome de JESUS”. O Deus do Céu por seu anjo nomeia o nome da criança, mas Seu pai de renome deve anunciá-lo! Tanto José e Maria, de acordo com a ordem Divina, uniram-se em chamar a criança pelo nome designado. Veja, então, que o nome que é escolhido de Deus é totalmente aceito por homens instruídos. Aqueles que são ensinados por Deus com alegria reconhecem que Cristo é a salvação e sem uma pergunta dão-Lhe o nome bem amado de Jesus, o Salvador. Aqui, note que o nome de Jesus, Salvador, foi dado ao nosso Senhor por dois corações simples no momento em que Ele foi revelado a eles. Eles só precisavam saber quem Ele era e por que Ele veio, como Ele nasceu e qual a finalidade de Sua encarnação e eles imediatamente aceitaram a mensagem Divina e nomearam o bebê com o nome de Jesus. E, irmãos, todos nós a quem Cristo é revelado, O chamamos de Jesus, o Salvador! Existem muitos que pensam que conhecem nosso Senhor, mas como eles só falam dEle como um Profeta, um Mestre, ou um Líder e não O tratam como um Salvador, está claro que eles estão na ignorância quanto ao Seu caráter principal. Seu primeiro nome, Seu nome pessoal, eles não conhecem. O Espírito Santo não pode ter revelado a Cristo a todo o homem se aquele homem permanece ignorante do Seu poder salvador! Aquele que não O conhece como Jesus, o Salvador, não O conhece! Alguns cristãos anti-Cristãos estão astuciosamente exaltando Cristo para que possam ferir Jesus, quero dizer que eles exaltam a Jesus como o Messias, enviado de Deus, para exibir um grande exemplo e fornecer um código unicamente moral, mas eles não podem suportar Jesus como Salvador, redimindonos pelo Seu sangue e pela Sua morte libertando-nos do pecado! Não estou certo de que eles sigam o Seu exemplo de vida santa, mas eles ruidosamente o exaltam e todos com a finalidade de tirar os pensamentos dos homens do caráter e objetivo principais da permanência de nosso Senhor no meio de nós, ou seja, a libertação de Seu povo do pecado! Se os homens conhecessem ao nosso Senhor eles O chamariam de Jesus, o Salvador, e não O considerariam apenas como um bom Homem, um grande Mestre, um nobre Exemplo, mas como o Salvador dos pecadores! Agora, José e Maria não só acreditaram, de modo a dar ao menino o nome em suas próprias mentes, mas no devido tempo eles O levaram ao templo e O apresentaram de acordo com a Lei e ali publicamente Seu nome foi chamado Jesus. Todos os corações a quem Deus compromete Seu Cristo deveriam reconhecer publicamente a Ele, da maneira mais solene, segundo a Sua ordenança e deveriam desejar, em todos os lugares apropriados, confessálO como o Salvador. O menino Jesus foi comprometido ao cuidados e proteção de José e Maria. Maravilha das maravilhas, que Ele precisasse de um tutor, Ele que é o Preservador dos homens e o Pastor de Seus santos! Em Sua fraqueza como um bebê Ele precisava de cuidado parental e cuidando dEle, José e Maria não hesitaram em confessar sua fé, dando-

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Lhe um nome que indicou Seu destino! Nem se recusaram a declarar o Seu nome no Templo diante dos sacerdotes e da congregação. Agora, em certo sentido, Cristo está comprometido com a preservação de todo o Seu povo. Hoje temos uma tarefa a cumprir, devemos preservar o Seu Evangelho no mundo, manter a Sua verdade e publicar a Sua salvação e, portanto, somos compelidos a ostentar este testemunho, que Ele é Jesus, o Salvador dos pecadores! Devemos salientar isso muito bem. Outros dirão o que quiserem sobre Ele e se eles falarem bem de Seu caráter em qualquer aspecto nos alegraremos que eles o façam, não importa o quão pouco eles saibam. Mas este é o nosso testemunho especial, que o nosso Senhor salva do pecado! Nada é mais importante sobre um homem do que o seu nome — dificilmente podemos falar dele sem se pronunciar o seu nome —, e assim nós sentimos que não podemos mencionar o nosso Senhor, sem falar da salvação! Se Ele é tudo, Ele é Jesus, o Salvador! Nós O conhecemos melhor por esse nome! Nós pregamos aos homens Jesus! Insistimos sobre Ele primeira e principalmente que Ele é o Salvador do pecador! Ele é justo e ama a justiça, mas Ele é primeiramente conhecido pelos homens como o Amigo dos pecadores. Ele é a Testemunha fiel e verdadeira, o Príncipe dos reis da terra, mas Seu primeiro trabalho é salvar! Depois disso Ele ensina e governa os Seus salvos. Afundados em pecado, os homens precisam ser resgatados desse mal tremendo e a consequente ira, e essa terrível necessidade é satisfeita por Jesus, o Salvador! Assim, amados, vocês veem que o nome escolhido por Deus é dado a Ele por todos aqueles que O conhecem e a quem o Seu Evangelho é confiado. E ele é dado de coração, com zelo e coragem! Sim, todos nós O chamamos de Jesus, se nós O conhecemos e estamos decididos a publicar Seu nome amplamente, enquanto vivermos! Se Ele era Jesus no berço, que é Ele agora que está exaltado nos céus? Como Emanuel, Deus conosco, a Sua própria encarnação O fez Jesus, o Salvador dos homens! Mas o que eu direi dEle agora que, além de Sua encarnação, temos Sua expiação? E, acima de Sua expiação, Sua ressurreição? E, além disso, Sua ascensão e, para coroar tudo, Sua intercessão perpétua? Quão grandiosamente o título convém a Ele, agora que Ele é capaz de salvar perfeitamente os que vem a Deus por Ele, pois Ele vive sempre para interceder por eles! Se nos braços da virgem Ele é o Salvador, que é Ele no trono de Deus? Se envolto em faixas Ele é Jesus, o que Ele é agora que os Céus O receberam? Se na oficina de Nazaré e sentado no Templo entre os doutores, Ele era o menino Jesus, o Salvador, que é Ele, agora que Sua infância e adolescência acabaram e Ele é exaltado acima de todos os principados e potestades? Se Ele era Jesus quando estava na cruz, apresentando-se como uma oferta para o Seu povo, o que é Ele agora que Ele, por um sacrifício, aperfeiçoou para sempre os

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que são separados? O que Ele é agora que Ele está sentado à direita de Deus, esperando até que Seus inimigos sejam postos por escabelo de Seus pés? Vamos todos nos unir em chamar nosso Senhor por este afetuoso nome humano de Jesus! Não somos Sua mãe, irmã e irmão? Ele não se referiu a todos os crentes por esses títulos afetuosos? Então, nós, também, vamos chamá-lo de Jesus. “Jesus, nome acima de todos os nomes! Jesus, melhor e mais próximo! Jesus, fonte de amor perfeito, o mais santo, o mais terno, o mais querido! Jesus, fonte da Divina glória consumada! Jesus o mais santo, o mais doce! Jesus, Salvador Divino, Teu nome, e só Teu!”.

III. O NOME TINHA SIDO USADO POR OUTRO, MAS AGORA É RESERVADO SOMENTE A ELE. Houve um Jesus antes do nosso Jesus. Refiro-me a Josué e você sabe que em nossa versão o nome de Jesus é usado duas vezes onde o significado é, na verdade, Josué. A primeira é Atos 7:4-5, onde lemos dos pais que entraram com Jesus para a posse dos gentios, evidentemente significando Josué. E a segunda, em Hebreus 4:8: “Se Jesus lhes houvesse dado descanso”. Josué é a forma hebraica e Jesus a forma grega, mas Jesus e Josué são a mesma palavra. Havia alguém, então, antigamente, que levou este famoso nome de Jesus, ou Yeshua, e era parecido com nosso Jesus. O que Josué fez? Quando Moisés não podia levar o povo em Canaã, Josué o fez. E assim o nosso Jesus realiza o que a Lei nunca poderia ter feito! Josué derrotou os inimigos do povo de Deus. Embora eles fossem muito numerosos e muito fortes e tivessem cidades edificadas até o céu e carros de ferro, mas em nome do Senhor, como príncipe do exército do Senhor, Josué os derrotou! Assim também é que o nosso glorioso Yeshua derrota nossos pecados e todos os poderes das trevas! E Ele destrói completamente os nossos inimigos espirituais. Diante de Josué, Amaleque é derrotado, Jericó cai e os Cananeus são postos em debandada — enquanto Jesus nos dá triunfos em todo lugar! Além disso, Josué conquistou uma herança para Israel, levou-os através do Jordão, instalouos em uma terra que mana leite e mel e deu a cada tribo e cada homem a estar na sua porção, a qual Deus tinha ordenado para ele. Precisamente isso é o que o nosso Jesus faz, só que a nossa herança é mais Divina e para cada um de nós ela está certamente mais vinculada. Embora Josué não pudesse dar ao povo o Sabatismo celeste, ou o descanso da melhor espécie, ele ainda lhes deu um repouso mais agradável, e todo o homem sentouse debaixo da sua videira e figueira, sem ninguém a temer. Mas o nosso glorioso Josué nos deu infinito, eterno descanso, porque Ele é a nossa paz e os que O conhecem entraram em descanso! Josué, filho de Num, fez com que o povo servisse ao Senhor todos os seus dias, mas ele

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não poderia salvar a nação de seus pecados, pois depois de sua morte eles dolorosamente se extraviaram. Nosso Yeshua reserva para Si mesmo um povo zeloso de boas obras, pois Ele sempre vive e é capaz de preservá-los de cair. Josué não levanta mais espada ou lança em nome de Israel, mas Jesus ainda cavalga adiante, vencendo e para vencer, e todo o Seu povo tem a vitória, pelo Seu sangue! Bem é o Seu nome chamado Jesus! Lemos sobre um outro Jesus nos livros de Esdras e Zacarias. A forma que a palavra tem ali é Yeshua ou Yehoshua. Ele era o sumo sacerdote que veio à frente do povo em seu retorno da Babilônia. O profeta Zacarias fala dele em termos que o fazem um representante adequado de cada um de nós. Mas eis que Jesus de Nazaré é agora o único Sumo Sacerdote, e tendo apresentado Seu único sacrifício para sempre, Ele continua como um Sacerdote de acordo com o poder de uma vida sem fim! Ele lidera a marcha da Babilônia e Ele guia o Seu povo de volta a Jerusalém! O nome de Jesus não era de todo incomum entre os judeus. Josefo menciona nada menos que 12 pessoas com o nome de Jesus. A Salvação de algum tipo era tão almejada pelos judeus que sua ânsia era vista nos nomes de seus filhos. Seus pequeninos foram, por suas esperanças, nomeados como salvadores, mas salvadores eles não eram! Quão comuns são salvadores nominais! “Eis aqui”, eles dizem, “aqui está um salvador!”, “Ei-lo ali”, eles clamam, “outro salvador!” Estes têm o nome, mas não o poder e agora, de acordo com o texto, Jesus Cristo separou o título para Si mesmo! Seu nome será Jesus, pois Ele, somente, é um Príncipe e Salvador e realmente salva o Seu povo dos seus pecados! Outros salvadores nada fazem além de zombar das esperanças da humanidade, prometem bastante, mas enganam totalmente! esta santa criança, este abençoado e glorioso Deus Conosco, realmente nos trouxe a salvação e Ele diz: “Olhai para mim, e sereis salvos, vós, todos os termos da terra; porque eu sou Deus, e não há outro” [Isaías 45:22]. Este Jesus de Nazaré, o Rei dos reis, é o único e suficiente Salvador! Ele, e ninguém além dEle, salvará o Seu povo! Ele salvará por Seus próprios atos e obras — Ele e ninguém mais! Sozinho e individualmente Ele salvará o Seu povo! Pessoalmente, e não por outro! Em Seu nome e por Sua conta Ele deve, por Si mesmo, expiar o pecado! Ele fará todo o trabalho e não deixará nada por fazer — Ele o começará, o continuará e o concluirá — e, portanto, é o Seu nome chamado Jesus porque Ele salvará completamente e perfeitamente o Seu povo dos seus pecados! O nome tem sido, de uma forma inferior, aplicado a outros, mas agora ninguém mais pode usá-lo, pois não há outro Salvador e nenhum outro nome dado debaixo do Céu entre os homens pelo qual devamos ser salvos.

IV. O quarto ponto se desenvolve a partir da redação do texto. ESTE NOME DE JESUS IDENTIFICA NOSSO SENHOR COM SEU POVO. “E lhe porás o nome de JESUS”, pois

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esse nome declara Sua relação com o Seu povo. É para eles que Ele é o Salvador. Ele não seria Jesus se Ele não tivesse um povo! Ele não poderia ser, pois não poderia haver Salvador se não houvesse ninguém para salvar! E não poderia haver Salvador do pecado, se não houvesse pecadores. Observem, queridos amigos, a conexão importante aqui revelada entre nosso Senhor e Seu povo já que Seu próprio nome depende dela, Seu nome próprio, pessoal não tem nenhum significado sem Seu povo. “Ele salvará o Seu povo”. O texto não diz “o povo de Deus”, pois então teria sido entendido como significando apenas os judeus, ou teria sido suposto que se referia a algumas pessoas, boas e santas que pertenciam a Deus, separadas do Mediador. Não, mas, “Ele salvará o seu povo” — aqueles que são os Seus e que pessoalmente pertencem a Ele! Estes são, evidentemente, um povo muito peculiar, um povo separado como o próprio tesouro de Cristo. Eles são um povo que pertencem ao Deus Encarnado, o povo de Emanuel. A estes Ele salva. Quem são eles senão os seus eleitos, a quem Seu Pai Lhe deu antes da fundação do mundo? Quem são eles senão aqueles cujos nomes estão gravados nas palmas das Suas mãos e escritos em Seu coração? Quem são eles senão aqueles por quem Ele pagou o preço da redenção? Quem são eles senão aqueles por quem Ele tornou-se um Fiador, cuja estultícia Ele suportou? Quem são eles senão as ovelhas numeradas que serão requeridas de Suas mãos pelo grande Pai, as quais Ele deveria retornar pela contagem e número, dizendo: “Eu tenho guardado aqueles que tu me deste, porque são teus”? Sim, o Senhor conhece os que são Seus e Ele os preserva em Seu reino eterno e glória. “Ele salvará o seu povo”. Você não vê que este nome de Jesus é um nome de eleição, afinal de contas? É um grande e profundo nome querido pelos pecadores, dado aos pecadores, contudo, nas profundezas do seu significado tem uma influência especial sobre um povo escolhido, tem um timbre de soberania nele que é mais doce por causa disso para aqueles que veem em sua própria salvação uma exibição de distinta glória. Agora surge a pergunta, quem é o Seu povo? Estamos ansiosos para saber quem são e temos o prazer de descobrir que o Seu povo, sejam quem forem, precisam ser salvos e serão salvos, pois está escrito: “Ele salvará o seu povo”. Não é dito: “Ele recompensará Seu povo pela sua justiça”. Nem é prometido que Ele: “os salvará de se tornarem pecadores”, mas, “Ele salvará o seu povo dos seus pecados”. Vocês precisam de salvação, irmãos e irmãs? Será que o Espírito Santo lhes mostrou que vocês precisam de salvação? Deixe seu coração ser incentivado! Este é o caráter de todo o seu povo, Ele nunca teve um escolhido que servisse sem antes ter sido lavado no sangue do Salvador! Se você é justo em si mesmo, você não pertence ao Seu povo! Se você nunca esteve doente na alma, você não faz parte daqueles a quem o Grande Médico veio curar! Se você nunca foi culpado de pecado, você não é nenhum daqueles que Ele veio para

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libertar do pecado. Jesus não vem em uma missão desnecessária e não assume nenhum trabalho desnecessário, se vocês sentem necessidade de serem salvos, então lancem-se sobre Ele, pois, assim como você estão Ele veio para os salvar! Observe, mais uma vez, o gracioso, mas surpreendente fato de que a ligação de nosso Senhor com o Seu povo possui relação com seus pecados. Isto é uma condescendência incrível! Ele é chamado de Salvador, em conexão com o Seu povo, mas é em referência aos seus pecados, porque é dos seus pecados que eles precisam ser salvos! Se eles nunca tivessem pecado nunca teriam precisado de um Salvador e não teria havido nenhum nome de Jesus conhecido na terra! Esse é um texto maravilhoso — você já meditou sobre ele? — “Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras” [1 Coríntios 15:3]. Como Martinho Lutero diz, Ele nunca se deu por nossa justiça, mas Ele deu a Si mesmo por nossos pecados! O pecado é um mal horrível, um veneno mortal, mas é isto que dá a Jesus Seu título quando Ele o vence. Que maravilha pensar sobre isso! A primeira ligação entre a minha alma e Cristo não é a minha bondade, mas minha maldade! Não é o meu mérito, mas minha miséria! Não é a minha posição, mas minha queda! Não é minha riqueza, mas a minha necessidade. Ele vem visitar o Seu povo, mas não para admirar sua beleza, mas para remover sua deformidade! Ele não vem para recompensar as suas virtudes, mas para perdoar os seus pecados! Ó pecadores! Eu quero dizer pecadores de verdade, não vocês que chamam a si mesmos assim porque lhes foi dito que vocês o são, mas vocês que se sentem culpados diante de Deus, aqui está uma boa notícia para vocês! Vocês pecadores autocondenados que sentem que se vocês algum dia tiverem a salvação, Jesus deve trazê-la para vocês e ser o princípio e o fim de tudo, peço-vos que se alegrem neste querido, precioso e bendito nome, pois Jesus veio para salvá-los, até mesmo VOCÊ! Aproximem-se dEle como pecadores! O chamem, “Jesus”, e clamem: “Ó Senhor Jesus, seja Jesus para mim, pois eu preciso da Tua Salvação!”. Não duvidem que Ele cumprirá o Seu próprio nome e exibirá o Seu poder em vocês! Apenas confessem a Ele os seus pecados e Ele vai salvá-los deles! Somente creiam nEle e Ele será a sua salvação!

V. O quinto ponto é muito claro e bem digno de nota. O NOME DE “JESUS” INDICA SUA PRINCIPAL OBRA. “E lhe porás o nome de JESUS, porque Ele salvará”. Ele salvará do pecado. Por que os homens escrevem biografias de Cristo, que nada sabem sobre o Seu principal negócio e objetivo? Por que alguns pregam a respeito de Cristo embora não conheçam a essência e o coração dEle? Pense em conhecer Milton, mas não como um poeta, e Bacon, mas não como um filósofo! Não há conhecimento de nosso Senhor, se Ele não é conhecido como um Salvador, porque Ele é isso ou nada! Aqueles que ficam aquém da Sua salvação não conhecem nem Seu nome! Como, então, eles poderiam conhecê-lO? Seu nome não é chamado de Jesus porque Ele é nosso exemplo embora, na verdade, Ele

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seja a perfeição em si, e nós desejamos seguir Seus passos. Mas Seu nome é chamado Jesus, porque Ele veio para salvar o que está perdido! Ele é o Cristo, também, ou o Ungido, mas então Ele é Jesus Cristo, ou seja, é como um Salvador que Ele é ungido! Ele não é nada se Ele não é um Salvador! Ele é ungido para este fim. Seu próprio nome é uma farsa se Ele não salva Seu povo dos seus pecados! Agora, Jesus salva o Seu povo dos pecados, pois, em primeiro lugar, Ele o faz tomando todos os pecados de Seu povo sobre Si. Você acha que é uma expressão forte? Ela é justificada pelas Escrituras. “O Senhor fez cair sobre Ele a iniquidade de nós todos” [Isaías 53:6]. Os ombros de Cristo carregaram a culpa de Seu povo e porque Ele levou a sua carga, o Seu povo é livre e não tem, portanto, mais nenhum fardo de pecado para carregar. Ele salva o Seu povo através da Sua substituição pessoal, tomando sua posição e sofrendo em seu lugar. Não há outro caminho para a salvação além de Seus sofrimento e morte vicários! Então, Ele os salva suportando a pena devida ao seu pecado. Onde o pecado está, aí a pena cai. “O castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados”. “Ele foi feito maldição por nós”. “Cristo padeceu por nós” [Isaías 53:6; 2 Coríntios 5:21; 1 Pedro 4:1]. Ele morreu, “Cristo padeceu uma vez pelos pecados, o justo pelos injustos, para levar-nos a Deus” [1 Pedro 3:18]. Ele suportou a ira de Deus, que era devida a nós. Ele tomou o pecado e pagou a penalidade, e agora mentirosos entram e falsamente afirmam que nós ensinamos que o homem deve crer no dogma da expiação e, em seguida, ele é salvo e pode viver como ele desejar! Eles sabem melhor! Eles sabem que eles nos deturpam, pois nós sempre ensinamos que esta grande obra de substituição e sofrimento da pena por Cristo opera na pessoa que participa de seus benefícios, o amor a Deus, gratidão a Cristo e consequente ódio a todo pecado! E essa mudança de coração é o cerne e a essência da salvação! É assim que Cristo salva o Seu povo de seus pecados — resgatando-os, pela força do Seu amor — do poder, tirania e domínio do pecado que até então tinha o domínio sobre eles. Eu sabia o que era lutar contra o pecado como uma pessoa moral, buscando vencê-lo. Mas eu encontrei-me dominado pelo pecado, como Sansão, quando seu cabelo foi cortado, e os filisteus o amarraram. Mas desde que eu cri em Jesus, acho motivos para ser santo, que são mais influentes em relação a mim do que qualquer outro que eu conhecia anteriormente! Acho armas para lutar contra o meu pecado que eu nunca soube como manejar antes e uma nova força me foi dada pelo Espírito Santo. “Esta é a vitória que vence o mundo, a nossa fé” [1 João 5:4]. Este é o poder que expulsa as víboras do pecado da alma, o precioso sangue de Jesus! Aquele que crê em Jesus como sua expiação e reparação torna-se, assim, através do poder do Espírito Santo, renovado no coração! Ele tem novos objetivos postos diante dele; motivos frescos o convencem, e,

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assim, Jesus salva o Seu povo dos seus pecados! Amados, se tivéssemos espaço neste momento, eu gostaria de falar sobre como completamente Cristo salva Seu povo dos seus pecados, como quando Ele entra Ele expulsa poderosamente o valente armado! Embora aquele valente armado procure voltar novamente e consiga, tanto quanto possa, ganhar uma entrada parcial, contudo Jesus o lança fora de novo! Assim, todos os danos e sujeira que foram deixados dentro da casa pelo antigo inquilino são gradualmente removidos por Jesus, até que por fim o seu povo esteja totalmente santificado como templo do Deus vivo. Seus santos ficarão sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, e nenhum sinal de que o Diabo alguma vez habitou dentro deles permanecerá sobre eles! Visualizando cada um de seus corpos ressuscitados como um templo de Deus, você poderá explorar aqueles corpos completamente e não encontrará um traço de domínio do pecado! Você poderá olhar para o coração, para a mente, para o entendimento, mas quando Jesus houver feito a Sua obra de purificação não haverá cicatriz ou sinal que mostre que o pecado esteve alguma vez ali! Tão completamente Ele salvará o Seu povo dos seus pecados que eles serão aptos a morar com os anjos! Melhor, eles serão aptos a habitar com Deus! Posso dizer melhor do que isso? Eles serão um com Jesus, um com Ele por toda a eternidade! A plenitude dAquele que enche tudo em todos. Quão gloriosa, quão transcendente é a salvação que o Senhor Jesus nos trouxe!

VI. Este NOME DE JESUS É UM NOME COMPLETAMENTE JUSTIFICADO PELOS FATOS. Foi dado a Ele antes que Ele tivesse feito algo. Enquanto Ele ainda era um bebê, ou antes que Seus pés trêmulos tivessem aprendido a pisar o chão da casa em Nazaré, Ele era Jesus, o Salvador! Mas este nome é justamente merecido? Muitas crianças receberam um grande nome e sua vida o contradisse. Lembro-me de um túmulo em que há o nome de uma criança: “Consagrado à memória de Matusalém Coney, que morreu com idade de seis meses”. Seus pais estavam grandemente errados quando o chamaram Matusalém! Muitos outros nomes são igualmente inadequados e provam ser assim, no decorrer dos anos. Mas esse Jesus é um Salvador, um verdadeiro Jesus! Ele leva um nome que Ele bem merece. Venha para o Cristo e veja, lá, os muitos que uma vez se revolveram em pecado e rolaram na lama, eles estão lavados! Eles estão santificados e agora eles se regozijam na santidade! Quem os purificou? Quem, senão Jesus? Aquele que salva o Seu povo dos pecados deles os salvou! Vá para os leitos de morte e ouça os santos falando do Seu amor e falando do Céu, que já está amanhecendo em suas almas! Alguns deles podem ter uma vez sentado na roda dos escarnecedores, mas Jesus os limpou! Suba para o Céu e veja o exército branco como a neve, brilhando como o sol em pureza

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imaculada. Pergunto-lhes de onde eles vieram? A resposta é que eles lavaram as suas vestes e as branquearam no sangue do Cordeiro! É a mais pura verdade que Jesus salva o Seu povo de seus pecados, a terra sabe disso, o inferno uiva por isso e o Céu canta! O tempo tem visto isso e a eternidade o revelará! Não há ninguém como Jesus no poder salvador! Toda a glória seja a Ele! Ele virá do Céu com alarido e todos os Seus exércitos estarão com Ele. O dia da Ceia do Cordeiro virá e a Noiva já se aprontou. E ela, que é a rainha toda gloriosa, usando sua veste de ouro trabalhado deve sentar-se à mesa de Deus, com seu glorioso Marido, então se verá que Ele salvou a Sua Igreja, o Seu povo, de seus pecados!

VII. Em último lugar, ESSE NOME É O NOME PESSOAL DE CRISTO PARA SEMPRE. É um nome familiar. É o nome que Seu pai Lhe deu! É o nome que sua mãe lhe deu — Jesus, o Menino Jesus. Nós também pertencemos à Sua família, pois aquele que crê nEle tornase Seu pai, mãe, irmã e irmão — e esse nome mais querido e familiar pelo qual Ele era conhecido em casa está sempre em nossas bocas! Ele é o Senhor e nós O adoramos! Mas Ele é Jesus e nós O amamos! Jesus é também o nome do coração e está cheio da música de amor. Aqueles que mais O amaram lhe deram o nome, especialmente Sua mãe, que ponderou tudo sobre Ele em seu coração. É o nome que move nossos afetos e inflama nossas almas: “Jesus, só de pensar em Ti Com doçura se enche meu peito.” Deixem os seus corações irem em direção a Ele em carinhosa união. Jesus é o Seu nome de morte: “Jesus de Nazaré, Rei dos Judeus”, foi escrito na Sua cruz. Esse é o Seu nome de ressurreição. Esse é o nome de Seu Evangelho que pregamos. É o nome que Pedro pregou para os gentios, quando ele disse: “Este é Jesus de Nazaré, por quem é pregada a vocês a remissão dos pecados”. E este, amados, é o Seu nome Celestial! Eles cantam a Ele lá como Jesus! Veja como Ele conclui a Bíblia. Leia Apocalipse! Leia seus louvores e veja como eles adoram a Jesus, o Cordeiro de Deus! Vamos e contemos sobre esse nome! Meditemos continuamente sobre ele! Vamos amá-lo a partir de hoje e para sempre! Amém.

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Ele Me Amou, E Se Entregou Por Mim Por John Stephen Piper

Eu quero que os crentes em Cristo deleitem-se em serem amados por Deus ao maior grau possível. E eu quero que Deus seja magnificado ao maior grau possível por nos amar do jeito que Ele ama. É por isso que me importa o que Jesus realmente realizou por nós quando morreu. Há uma maneira comum de pensar sobre a morte de Cristo, que diminui a nossa experiência de Seu amor. Trata-se de pensar que a morte de Cristo não expressa mais amor por mim do que por qualquer outra pessoa da raça humana. Se essa é a maneira que você pensa sobre o amor de Deus por você na morte de Jesus, você não se regozijará em ser amado por Deus tão grandemente quanto você realmente é. Sentindo-Se Especialmente Amado Por Deus Eu me pergunto se você já se sentiu especialmente amado por Deus por causa de Efésios 2:4-5? “Mas Deus, que é riquíssimo em misericórdia, pelo seu muito amor com que nos amou, estando nós ainda mortos em nossas ofensas, nos vivificou juntamente com Cristo (pela graça sois salvos)”. Seis coisas se destacam aqui em Efésios 2:4-5. 1. O termo “muito amor”. “Pelo seu muito amor com que nos amou”. Essa frase é usada somente aqui, no Novo Testamento. Mergulhe nisso. Deus ama os Seus próprios com “muito amor”. Certamente Paulo escreve isto para que possamos desfrutar que somos muito amados. 2. A grandeza peculiar desse amor move Deus a nos “nos vivificar”. “Pelo seu muito amor com que nos amou [...] nos vivificou”. Seu grande amor é a causa de nossa vida. Nossa vida não causou a grandeza de Seu amor por nós. É o contrário: A grandeza de Seu amor nos deu vida. 3. Antes que Ele nos vivificasse, nós estávamos “mortos”. “Estando nós ainda mortos em nossas ofensas, nos vivificou”. Isto é, algo como vivendo

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mortos. Jesus disse: “Deixa os mortos enterrar os seus mortos” (Lucas 9:60). Antes que Deus nos vivificasse, éramos mortos-vivos. Nós podíamos respirar, pensar, sentir e desejar. Mas estávamos espiritualmente mortos. Estávamos cegos para a glória de Cristo (2 Coríntios 4:3-4); estávamos com o coração endurecido para a Sua Lei e não poderíamos nos submeter a Ele (Efésios 4:18, Romanos 8:78); e não éramos capazes de discernir as coisas espirituais (1 Coríntios 2:14). Somente Deus poderia superar este amortecimento para que pudéssemos ver a glória de Cristo e crer (2 Coríntios 4:6). Foi o que Ele fez quando Ele “nos vivificou” (Efésios 2:5). 4. Deus não vivifica a todos O que aconteceu com você, a sua condução à fé, não ocorreu a todos. E lembre-se, você não merece ser vivificado. Você estava morto. Você era “filho da ira, como os outros também” (Efésios 2:3). Você não fez nada para mover Deus a vivifica-lo. Isso é o que significa estar morto. 5. Portanto, o muito amor de Deus por você é realmente por você, particularmente por você. Este não é um amor geral por todos. Caso contrário, todos estariam espiritualmente vivos. Ele escolheu especificamente vivificar você. Você não merecia isso mais do que qualquer outro. Mas, por motivos insondáveis, Ele pôs o Seu amor particularmente sobre você. 6. Ele não prejudicou ninguém, pois ninguém merece ser salvo. Ninguém merece ser vivificado. Todos nós pecamos e merecemos a morte (Romanos 3:23, 6:23). Ele poderia ter deixado todos nós na condição de morte em nossa rebelião, e com isso não faria nada de errado. Mas se você já viu a sabedoria da Sua cruz, e confiou em Sua promessa, e entesourou a Sua glória, Ele vivificou você. Ao contrário de muitos outros, não mais mortos do que você, você foi muito amado. O Amor Especial Da Nova Aliança Agora, aqui há a conexão com a morte de Cristo. Quando Jesus morreu, Ele garantiu para nós a remoção da nossa condição de morte, e comprou para nós o dom da vida e da fé. Em outras palavras, “o muito amor” de Deus poderia nos vivificar, porque em Cristo este

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mesmo muito amor providenciou a punição por todos os nossos pecados e a provisão de toda a nossa justiça. Sabemos disso porque Jesus disse na última Ceia: “Este cálice é o novo testamento no meu sangue” (Lucas 22:20). O sangue de Jesus é o preço que Deus pagou para estabelecer a Nova Aliança. E o Novo Testamento, em sua essência, é a garantia de Deus, por meio do sangue de Jesus, vivificando os corações de pecadores mortos. “Farei uma aliança nova [...] lhes perdoarei a sua maldade, e nunca mais me lembrarei dos seus pecados” (Jeremias 31:31, 34). “Tirarei da sua carne o coração de pedra, e lhes darei um coração de carne”. “E porei dentro de vós o meu Espírito, e farei que andeis nos meus estatutos” (Ezequiel 36:27). Jesus Comprou A Ativação Isto é o que Jesus comprou para nós quando Ele morreu. E é isso que o muito amor de Deus fez por nós quando Ele nos deu vida em Cristo Jesus. Portanto, o propósito específico de Deus na morte de Jesus não foi o mesmo para todos. O muito amor de Deus, mostrado por você na morte de Jesus, foi a compra de sua fé quando você estava morto. Ele não comprou meramente a possibilidade de sua vida que você, em seguida, ativaria. Pessoas mortas não agem. O que Ele comprou foi a ativação. Cristo não comprou a possibilidade de você erguer-se dos mortos. Ele comprou a sua ressurreição. Por causa de um muito amor por você, em particular. Sinta A Grandeza De Seu Amor Por Você Assim, quando Efésios 2:4-5 diz: “Pelo seu muito amor com que nos amou [...] nos vivificou”, e Lucas 22:20 diz, que o sangue de Jesus estabelece um novo testamento, e Ezequiel 11:19 diz que na Nova Aliança Deus nos dá corações vivificados, compreendemos que o derramamento do sangue de Jesus foi uma expressão do muito amor que nos deu vida. Qualquer outra coisa que a morte de Cristo realiza ou é, não é menos do que isso. E é isso o que eu quero que cada crente desfrute. [...]. O amor que Deus tem por você O moveu a fazer com que você vivesse quando você não podia fazer nada para tornar-se vivo. E esse mesmo amor O levou a comprar a sua vida por meio da morte de Seu Filho. Portanto, quando você disser com o apóstolo Paulo: “O qual me amou, e Se entregou a Si mesmo por mim” (Gálatas 2:20), sinta a grandeza das palavras: “Ele me amou”. Ele me amou.

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Graça Para O Culpado (Sermão Nº 2563) Um sermão destinado para ser lido no Dia do Senhor, 27 de março de 1898. Pregado por C. H. Spurgeon, em New Park Street Chapel, Southwark, Na noite do Dia do Senhor, 25 de novembro de 1855.

“Apaguei as tuas transgressões como a névoa, e os teus pecados Como a nuvem; torna-te para mim, porque eu te remi.” (Isaías 44:22) Esta declaração não foi feita para um povo piedoso e de oração, que se manteve perto de seu Deus, mas foi falada ao idólatra Israel, que depois de ter bebido da fonte de águas vivas, se virou para beber as gotas que foram encontradas em cisternas rotas. Foi falado para um povo que, depois de ter provado as boas coisas de Deus e conhecido os altos privilégios da verdadeira religião, desviou-se com as nações do mundo, abandonou o Deus de Jacó, fez para si mesmo imagens esculpidas que não eram deuses, provocaram o Senhor ao zelo e O levou a irar-se contra eles por causa de seus pecados. Estas palavras de maravilhosa misericórdia não foram ditas à nação de Israel, enquanto viviam perto de Deus, que, não obstante, teria pecados a lamentar e a serem perdoados; mas foram dirigidas a uma nação brutal e insensata, a um povo prostituído que tinha cometido maldade com todos os ídolos das nações! Eles eram aqueles que haviam oferecido incenso em seus altos a falsos deuses, que tinham feito os seus filhos passarem pelo fogo de Tofete no vale dos filhos de Hinom, logo, homens que estavam cheios de pecados abomináveis e repugnantes, homens que cometeram os crimes de Sodoma e prostraram-se diante de Baal e Astarote! Esta promessa foi feita para aqueles que haviam se afastado de Deus, e não porque se arrependeram, ou porque criam, mas simples e inteiramente pela graça soberana de Deus, porque, depois de ter colocado a Sua afeição sobre eles, Ele não iria se afastar deles porque, depois de ter prestado juramento ao seu pai Abraão que Ele abençoaria a sua descendência para sempre, Ele ainda se lembrava deles. Ele não lhes esqueceu, apesar de que O tivessem esquecido dias sem número, ainda assim proveu-lhes um Salvador, e agora envia a eles, pela boca de Seu profeta, essa garantia confortável: “Apaguei as tuas transgressões como a névoa, e os teus pecados como a nuvem; torna-te para mim, porque eu te remi”. Vamos considerar este texto como ele deverá se abrir para nós de forma gradual e, por is-

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so, damos-lhes os pensamentos como eles vêm até nós. [Este sermão é o descrito na Autobiografia de C.H. Spurgeon, Volume I, capítulo 32, onde o amado pregador dá um relato gráfico de uma certa noite de Sabath, quando ele pregou um discurso de improviso sobre um texto que o Espírito Santo vivamente imprimiu em sua mente enquanto a congregação estava cantando o hino imediatamente antes do sermão. Os leitores da autobiografia também verão quão oportuna foi a extinção súbita e inesperada das luzes de gás mencionada no final do presente discurso].

I. A primeira é que OS PECADOS DOS HOMENS PODEM SER REALMENTE PERDOADOS MUITO ANTES QUE ELES SAIBAM DISSO, pois está escrito: “Apaguei as tuas transgressões como a névoa, e os teus pecados como a nuvem”. Se eles soubessem disto, não haveria necessidade de dizer isso a eles. Se eles entendessem em seus corações que suas transgressões foram apagadas, que necessidade eles teriam que um profeta viesse a dizer-lhes que isso era assim? Muito antes de um homem saber que as suas transgressões são perdoadas, Deus pode tê-las perdoado e apagado. Eu não digo que um homem recebe o perdão real em sua própria alma, ou um sentimento de justificação sem saber disso. Eu não posso acreditar, como alguns, que um homem pode nascer de novo, sem ter consciência disso. Eu sei que nunca houve um parto natural, sem contrações e dores, e estou igualmente certo de que nunca haverá um nascimento espiritual, sem algum sofrimento e algumas agonias. Um homem não é nascido de novo enquanto ele está dormindo, ele deve conhecê-lo e sabê-lo ele irá, em um momento ou outro em sua vida! Não constantemente, pode ser, mas mesmo assim ele saberá, mesmo que seja apenas por uma hora, que ele é um filho de Deus! Eu penso que aquele que nunca teve um minuto de segurança, nunca teve fé. Aquele que nunca conheceu a si mesmo como sendo um filho de Deus, nunca poderia dizer: “Eu creio em Jesus”, nunca poderia ver seus pecados apagados. Eu acho que tal pessoa não sabe o que é a fé. Isto pode durar até mesmo bem curto espaço de tempo, mas se ele é a garantia real, brota a verdadeira fé e o homem é salvo. Mas um homem pode ter seus pecados apagados antes que ele saiba disso. E eles podem ser apagados quando ele não acredita que eles o são, e apagados quando ele está cheio de dúvidas sobre a questão, sim, eles podem ser perdoados, mesmo quando ele não pode estar convencido de que eles realmente sejam. Posso dizer-vos de pessoas que, no fundo da minha alma, eu acredito serem os sujeitos da graça Divina. Eu posso ver neles as marcas do poder de Deus. Ele os tem convencido do pecado, eles são humildes, são penitentes, são pessoas de oração, eles sentem a sua

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culpa, eles a confessam, mas eles têm uma indefinição sobre os seus pontos de vista sobre a expiação e disso surge grande escuridão de espírito. Eles não podem ver o plano da salvação e porque eles não podem ver o plano, eles, portanto, não possuem uma noção feliz da coisa em si. No entanto, se essas pessoas estivessem prestes a morrer, eu estou bem certo de que antes que elas partissem desta vida, Deus lhes daria tal vislumbre de luz do sol que todas as nuvens seriam dissipadas e elas seriam capazes de entrar no Céu cantando, assim que eles entrassem através das correntes do Jordão, “Cristo está comigo! A morte não é nada. Cristo está comigo! Ele é o meu auxílio e meu Refúgio”. Muito antes de conhecer isto, os seus pecados estão perdoados. Além disso, esta é uma doutrina muito escandalizada por certos professores e rejeitada por muitas pessoas, mas uma na qual eu acredito firmemente. Refiro-me, à doutrina da justificação eterna e completa de todos os eleitos na Pessoa de Jesus Cristo. Eu vejo que quando o Fiador Divino pagou as nossas dívidas, nossas dívidas foram pagas. Que quando Ele tomou nossa culpa sobre a Sua cabeça e sofreu por nós no Calvário, os pecados foram, naquele momento, apagados. Alguns dirão: “Mas os pecados não existiam, então”. Não, eles não existiam, exceto na presciência de Deus, no pré-conhecimento de Deus haviam todos aqueles pecados sido escritos no livro da Sua presciência muito antes de serem cometidos. E pelo sangue de Cristo, “o Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo”, Ele decretou para sempre apagar os crimes e pecados de todo o povo de Seu Pacto, de modo que todos os que serão salvos afinal, foram justificados em Cristo quando Ele morreu. Os pecados de todos os que serão salvos foram expiados por Cristo, embora eles não saibam de nada sobre isto até que Deus o revele para eles, pelo Seu Espírito, no momento em que exercem fé no Senhor Jesus Cristo. Se a dívida foi paga, então certamente um recibo completo foi dado! Se o crime foi então colocado sobre a cabeça de Jesus e Ele então foi punido por isso, certamente o crime deixou de existir! Se você diz que o crime não existia porque não foi cometido, eu lhe direi que Cristo morreu por ele antes que ele fosse cometido. Portanto, nós estamos absolutamente certos em dizer que ele foi apagado antes que fosse cometido. Eu recebi o meu perdão quando eu cri, mas isso foi adquirido quando Cristo morreu. Na Pessoa de Cristo, eu estava tão completamente e tão verdadeiramente, aos olhos de Deus, justificado, então, como eu estou agora! Mas eu não sabia disto, não havia sido revelado a mim, eu não poderia me alegrar com isso, eu não poderia ser abençoado por isto. O perdão comprado pelo sangue não poderia me absolver até que eu tivesse o senso dele; o perdão de Cristo não poderia me resgatar da prisão do pecado até que eu tomasse conhecimento dele, embora virtualmente já havia sido dado a mim. Quando o preço do resgate foi pago, a liberdade foi realmente garantida, embora o escravo ainda estivesse cheio de cicatrizes,

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marcas e acorrentado a seu remo. Ele era um homem comprado e um dia receberia a sua liberdade. Oh, não estão os seus corações jubilosos e não brilham os seus olhos? Embora você não saiba que você está perdoado, pode ser verdade que os seus pecados são apagados! Embora você não saiba que você tem sido justificado, pode ser verdade que você está “aceito no Amado”. “Oh”, diz alguém, “se eu pensasse que havia uma esperança ou até mesmo a chance de tal coisa para mim, gostaria de ir a Jesus, embora os meus pecados fossem ‘elevados como uma montanha’”. Vá, então, pobre pecador, e se você não pode ler o seu perdão, ali, se você não pode ver o escrito de dívidas que era contra você pregado na Sua cruz, volte e diga que eu não falo a verdade de Deus! Houve muitos pecadores que foram a Cristo cheios de pecado, mas nunca houve alguém que veio de volta dEle como ele foi! Muitos culpados têm ido a Ele, mas nenhum foi e se afastou de Sua porta sem perdão! Ele apaga, como uma névoa, as suas transgressões, e como uma nuvem, os seus pecados. Um homem pode ter seus pecados perdoados, então, antes que ele saiba disso, e um verdadeiro Cristão que veio para o Senhor Jesus pode ter seus pecados apagados, mesmo quando ele não acredita que eles são. O Diabo pode fazer você acreditar em qualquer coisa. Nenhum advogado é igual a ele — embora alguns advogados têm, na maioria, sem dúvida, aprendido algumas lições em suas mãos — pois não somente ele pode fazer o que é meia verdade parecer toda a verdade, mas ele pode pegar uma mentira e revesti-la com o ouro da verdade. Quantas vezes ele convence um homem verdadeiramente justificado que ele não está justificado! Muitas vezes acontece que, quando Deus perdoou um pobre pecador, o Diabo virá para ele a dizer-lhe que ele não está perdoado, e muito lógico ele vai usar isto com ele, que ele vai fazê-lo acreditar que ele não é perdoado, embora ele realmente seja. Apesar de todos os crimes deste homem terem sido perdoados há muito tempo, apesar de todas as suas iniquidades terem sido lançadas nas profundezas do mar, Satanás agitará a sua consciência, despertará a sua alma, o amarrará com incredulidade, lançará cascalho na sua comida, para que ele coma absinto e beba água de fel, como Jeremias disse, até que ele não somente negue que ele já provou que o Senhor é bom, mas para que ele esteja em tal desespero que ele irá imaginar que não é possível que ele possa mesmo ser salvo. Satanás convencerá um homem justificado que ele ainda está “em fel de amargura, e em laço de iniquidade”. Não existem alguns de vocês que tiveram muitos dias agradáveis, muitas horas doces de comunhão com Cristo, mas em algum momento escuro o pensamento passou pela sua ca-

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beça que você pode ser um hipócrita, afinal de contas? Desde essa hora você não foi capaz de chegar perto dEle e embora você tenha confiado sob a sombra de Suas asas, você ainda não viu a luz do Seu rosto. Bem, mas deixe-me dizer-vos, irmãos e irmãs, o perdão não foi revogado porque está escondido da vista! O perdão é tão bom quando você não pode vêlo como quando você o vê. O perdão é um perdão e ainda que o criminoso condenado não veja o perdão, este não é revogado. Deus cuida de nosso perdão por nós! Ele não o coloca em nossas mãos, pois Satanás pode levá-lo para longe de nós, mas Ele nos permite ter uma cópia do mesmo para ler e, mesmo que Satanás roube a cópia, ele não pode ter o original, que está seguro nos arquivos do Céu! Lá em cima, na Arca de Deus, onde Ele mantém as obras do universo, ali Ele preserva os escritos do perdão de nossos pecados! Sim, embora eu possa duvidar de que eu estou perdoado, se eu realmente sou assim, eu sou assim! E eu não devia depender muito de minhas próprias circunstâncias e sentimentos em relação a isso. Deus me disse uma vez: “Eu apaguei os vossos pecados”. Ele disse-me isso duas vezes! Eu li isso em Sua Palavra e, apesar de Satanás dizer que eles não estão removidos, eu acredito que eles estão. E eu permanecerei firme nesta garantia, porque Deus disse: “Apaguei as tuas transgressões como a névoa, e os teus pecados como a nuvem”.

II. Outra observação sobre o nosso texto é que NADA PODE TÃO FORTEMENTE LEVAR UM HOMEM A VIR A DEUS COMO UM SENSO DE PERDÃO DOS SEUS PECADOS. “Apaguei as tuas transgressões como a névoa, e os teus pecados como a nuvem; torna-te para mim, porque eu te remi”. Teólogos entusiasmados têm pensado que os homens devem ser trazidos à virtude pelos sibilos do caldeirão fervente. Eles imaginavam que, batendo um tambor do Inferno nos ouvidos dos homens, eles poderiam fazê-los crer no Evangelho. Que pelas terríveis visões e sons do monte Sinai, poderiam conduzir os homens ao Calvário. Eles têm pregado perpetuamente: “Faça isso e você está condenado”. Em sua pregação prepondera uma voz horrível e assustadora. Se você os ouve, você pode pensar que você sentou-se perto da boca do Abismo e ouviu os “gemidos lúgubres e gemidos soturnos”, e todos os gritos dos torturados em perdição! Os homens pensam que por estes meios pecadores serão levados ao Salvador. Eles, no entanto, na minha opinião, pensam erroneamente! Os homens estão assustados no Inferno, mas não no Céu. Os homens às vezes são levados ao Sinai pela poderosa pregação. Longe de nós condenarmos o uso da Lei de Deus, pois, “a lei nos serviu de aio para nos conduzir a Cristo” [Gálatas 3:24], mas se você deseja ganhar um homem para Cristo, a melhor ma-

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neira é levar Cristo ao homem! Não é pela pregação da Lei e terrores que os homens são levados a amar a Deus: “Lei e terrores nada fazem, senão endurecer, Durante todo o tempo que eles trabalham sozinhos. Mas um senso de perdão comprado pelo sangue, Logo dissolve um coração de pedra.” Às vezes eu prego “o terror do Senhor”, como Paulo fez, quando disse: “Assim que, sabendo o temor que se deve ao Senhor, persuadimos os homens à fé” [2 Coríntios 5:11]. Mas eu faço isso como fez o apóstolo, para trazê-los a um senso de seus pecados. A maneira de levar os homens a Jesus, para dar-lhes a paz, para dar-lhes alegria, para dar-lhes a salvação através de Cristo, é pela assistência de Deus, o Espírito, pregar a Cristo, pregar um completo, gratuito, perdão perfeito. Oh, existem tão poucas pregações sobre Jesus Cristo! Não pregamos o suficiente sobre o Seu Nome glorioso. Alguns pregam doutrinas secas, mas não há a unção do Santo revelando a completude e preciosidade do Senhor Jesus. Há uma abundância de “faça isso e viva”, mas não o suficiente de “crê no Senhor Jesus Cristo e serás salvo”. Ó doce Jesus, não têm alguns de Seus discípulos esquecido de Ti? Não têm alguns de seus pregadores quase perdido o som de seu nome glorioso e mal sabem a sua bendita pronúncia? Envie-nos, mais uma vez, peço-vos, o espírito de amor e de uma mente sã, para que possamos pregar mais plenamente Jesus Cristo, nosso Senhor! Mas agora, meus amigos, deixe-me perguntar-lhes sinceramente: quando de vocês chegaram a sentir, sob o senso do pecado, a maior inclinação para vir ao Salvador? Eu acho que vocês responderão de uma vez, quando vocês sentiram que havia esperança para vocês e que Ele apagou os seus pecados! Nenhum homem virá a Jesus enquanto ele pensa duramente dEle. Mas quando ele tem pensamentos doces a Seu respeito, então, ele vem. Vocês, sem nenhuma dúvida, ouviram a velha figura, emprestada de John Bunyan, de um certo exército que estava dentro de uma cidade e que foi atacado por outro exército. O rei fora disse: “desistam da cidade, imediatamente, ou eu vou pendurar cada um de vocês”. “Não”, eles disseram, “vamos lutar até a morte e nunca vamos desistir!”. “Eu vou queimar sua cidade”, disse ele, “e destruí-la totalmente, arrastá-la para o chão e matar suas esposas e filhos. Eu irei acabar com sua raça e exterminá-los”. “Ah”, eles disseram, “então vamos lutar até a morte! Nós nunca abriremos as portas”. Vendo que as ameaças foram em vão, ele mandou outra mensagem: “Se você somente abrirem os portões e saírem a mim, eu vou deixar vocês irem embora, com armas e bagagens. Eu vou dar tudo a vocês, suas vidas e liberdade e, e mais, eu vou deixar vocês possuírem suas terras novamente, por um pequeno

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tributo, e sereis meus servos e amigos para sempre”. “Imediatamente”, diz a parábola, “eles destrancaram os portões e vieram curvando-se ao monarca”. Esse é o caminho, com a ajuda do Espírito, para levar um pecador a vir penitente a Jesus, dizer-lhe que o Senhor diz isso: “Apaguei as tuas transgressões como a névoa, e os teus pecados como a nuvem; torna-te para mim, porque eu te remi”. Venha, amado! Por que você está com medo de Jesus? Ele diz: “torna-te para mim, porque eu te remi”. Vamos, irmãos e irmãs, venham ao Senhor Jesus, se você é um pecador! Eu falo para aquele que se sente alguém perdido e culpado. Venha comigo para Jesus, pois Ele apagou as tuas transgressões como uma névoa e, como uma nuvem, os teus pecados. E Ele te redimiu. “Oh”, diz alguém, “eu não me atrevo a entrar! Ele irá desaprovar-me”. Venha experimente-O! Ele diz que perdoou você, entre na porta e você encontrará a verdade que Cristo tem lhe perdoado! Acho que vejo você em pé, olhando para si mesmo e dizendo: “Oh, eu não era pior do que dez mil tolos por ter medo de entrar, por ter medo de confiar nEle quando Ele tinha me perdoado de antemão? Eu não estava pior do que o ignorante por ficar para trás do meu melhor Amigo, como se Ele tivesse sido um leão, por ficar longe do querido Jesus, que tinha comprado o meu resgate, como se Ele fosse meu inimigo?”. Alguém poderia pensar, queridos amigos, quando vocês estão tão relutantes em ir a Cristo, que vocês estavam vindo para receber condenação em vez de vindo a serem salvos! Os homens vêm a contragosto à execução, mas eles devem vir como de má vontade a Cristo, como eles fazem para a execução? Você pensa dEle como algum Juiz irado. Você tem ideias ruins de meu doce Jesus, ou então você não iria se manter afastado quando Ele está continuamente clamando: “Torna-te para mim!” “Torna-te para mim!”, oh como você iria ama-lO e se regozijaria nEle, pois você sentiria o maior prazer do mundo em vir a Ele! [Algum alarme foi aqui ocasionado pelas luzes de gás que de repente apagaram. Após a confusão temporária ser acalmada, o Sr. Spurgeon começou a abordar o grande e animado auditório sobre um assunto diferente. Em sua autobiografia, ele menciona que os discursos entregues nestas circunstâncias incomuns foram abençoados com a conversão de alguns de seus ouvintes]. *** EXPOSIÇÃO DE C. H. SPURGEON — SALMO 125 Verso 1. Os que confiam no SENHOR serão como o monte de Sião, que não se abala, mas permanece para sempre: Vários conquistadores destruíram os edifícios sobre o Monte Sião, mas o monte em si, ainda está lá. Ninguém já o cavou o e lançou no mar Mediterrâneo. Ele permanece firme ali enquanto o mundo durar. E “os que confiam no Senhor se-

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rão como o monte Sião”, eles permanecerão tão firmemente como a montanha sagrada! Nada pode movê-los ou removê-los. Eles estão nas mãos de Cristo e ninguém pode arrebatá-los dali. “Meu Pai, que mas deu, é maior do que todos”, diz Cristo, “e ninguém pode arrebatá-las da mão de meu Pai”. Oh, que força a fé dá a um homem! 2. Assim como estão os montes à roda de Jerusalém, assim o Senhor está em volta do seu povo desde agora e para sempre: Esse versículo mostra a segurança do crente, como o anterior mostrou sua estabilidade. Como as montanhas se erguem para guardar a cidade santa, deste modo Deus cerca o Seu povo como uma parede de fogo. Antes que alguém venha a ferir o crente, ele devem primeiro romper as muralhas da Divindade! Não é apenas dito que os cavalos de fogo e carros de fogo estão em redor de Seu povo, apesar de que é verdade, mas que o Senhor, Ele próprio, rodeia, e isso não ocasionalmente, mas “desde agora e para sempre”. Eu acredito na segurança eterna dos santos e iria baseá-la sobre esses dois versículos se não houvesse outros nas Escrituras para o efeito! Se eles nunca devem ser abalados mais do que o Monte Sião e se Deus está ao redor deles para sempre, então eles devem viver e eles devem permanecer. Não há, “se” ou “mas”, colocados aqui, não há, “desde que eles se comportem”, e assim por diante. Não, mas, confiando em Deus, eles nunca serão movidos e Deus vai cercá-los como segura defesa! Imagino que ouço alguém dizer: “Se é assim, por que eu estou tentado e conturbado?”. Ah, meu irmão, nunca foi contemplado que você deve estar livre de problemas! Há uma vara no Pacto e se você nunca sentir isso, você pode suspeitar que você não está no Pacto! 3. Porque o cetro da impiedade não permanecerá sobre a sorte dos justos, para que o justo não estenda as suas mãos para a iniquidade: Você sentirá aquela vara, mas não repousará sobre você. Os dias de perseguição serão abreviados por causa dos escolhidos, e apesar de que, talvez, o Diabo possa estar mais furioso com você do que nunca, e tem grande ira, porque ele sabe que seu tempo é curto, ainda assim, Deus vai colocar um fim ao seu sofrimento, à sua perseguição, à sua opressão, porque Ele conhece a sua situação, Ele está ciente de que, talvez, se a tentação fosse longe demais, que você pode ceder. Portanto Ele faz um caminho de escape para você. Ele utiliza este meio para experimentar e testá-lo, mas não muito. Ele diminuirá o ardor da ira do homem e o libertará. 4. Faze bem, ó Senhor, aos bons e aos que são retos de coração: Verdadeiros crentes são bons, especialmente eles são bons de coração, pois a Graça Divina os fez assim e Deus, portanto, lhes fará bem. Ele vai abençoá-los mais e mais. Ele vai santificá-los e prepará-los para o bem inefável que está em Sua mão direita para todo o sempre. 5. Quanto àqueles que se desviam para os seus caminhos tortuosos, levá-los-á o SENHOR com os que praticam a maldade; paz haverá sobre Israel: Há — sempre houve

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— na Igreja de Deus alguns que foram a desonra da Igreja. Eles têm seus próprios caminhos tortuosos e, em devido tempo, sob estresse de perseguição, ou através da tentação, eles “se desviam para os seus caminhos tortuosos”. Eles deixam o caminho da confiabilidade e da santidade, como Judas fez, como Demas fez, como muitos têm feito. O que Deus fará com eles? Ele “levá-los-á”. Ele vai mostrar-lhes. Ele irá levá-los para a Sua luz. E em que companhia vai Ele levá-los? “Com os que praticam a maldade”, pois se não fossem tais em ação exterior, eles eram realmente assim em pensamento e coração! E onde Ele vai levá-los? Ele vai levá-los para a execução, devem ir entre os malfeitores, eles serão levados adiante para a morte. Mas será que isso fere o povo do Senhor? Não. Quando o joio é separado do trigo, o trigo deve ser por completo mais puro. “Paz haverá sobre Israel”. Todos os eleitos, suplicantes, povo principesco — Seu Israel — terão paz sobre eles! Que possamos ser encontrados entre eles, por amor de Cristo! Amém.

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Semper Idem ou

A Imutável Misericórdia de Jesus Cristo Por Thomas Adams

“Jesus Cristo, ontem e hoje, é o mesmo e o será para sempre.” (Hebreus 13:8) Pelo nome de Jeová, Deus era conhecido por Israel, desde o momento da primeira missão de Moisés junto a eles, e seu êxodo do Egito, e não antes. Pois, disse Deus a Moisés: “Apareci a Abraão, a Isaque e a Jacó como Deus Todo-Poderoso; mas pelo meu nome, O SENHOR, não lhes fui conhecido” (Êxodo 6:3). Este EU SOU é uma palavra eterna, compreendendo três tempos: “que era, que é, e que há de vir”. Agora, para testificar a igualdade do Filho com o Pai, a Escritura dá a Jesus a mesma eternidade que é dada a Jeová. Ele é chamado o Alfa e Omega, primus et novissimus, “o Primeiro e o Último: o que é, que era e que há de vir” (Apocalipse 1), e aqui, “o mesmo ontem, e hoje, e eternamente”. Desta forma, Ele era não apenas Christus Dei, o ungido de Deus, mas também Christus Deus, o próprio Deus ungido; tendo em vista esta eternidade, que não tem começo nem fim, que é exclusiva e apropriada apenas para Deus. As palavras podem ser distinguidas em um centro, uma circunferência, e uma linha intermediária, referindo uma à outra. O centro imutável é Jesus Cristo. A circunferência, que aqui o circunda, é a eternidade: “Ontem, hoje, e eternamente”. A linha intermediária relacionandoos émesmo: “Jesus Cristo, ontem e hoje, é o mesmo e o será para sempre”.

I. O centro é Jesus Cristo. Jesus foi o Seu Nome próprio, Cristo foi o Seu sobrenome. Jesus um Nome de Sua natureza, Cristo foi o Seu ofício e dignidade; como uma fala Divina. Jesus, um nome de toda a doçura, Mel in ore, melos in aure, jubilus in corde. (Bernardo: Mel na boca, música ao ouvido, júbilo no coração). Um reconciliador, um Redentor, um Salvador. Quando a consciência luta com a lei, pecado, morte, não há nada além de terror e desespero sem Jesus. Ele é “o caminho, a verdade, e a vida”, sem Ele, error, mendacium, mors (erro, decepção, morte). Si scribas, non placet, nisi legam ibi, Jesum, disse Bernardo: Se tu escreves a mim, tua carta não me agrada, sem que eu leia Jesus ali. Se tu conversas, teu discurso não é doce, sem o nome de Jesus. O bendito Restaurador de tudo, de mais do que tudo o que Adão perdeu; pois nós temos obtido mais por sua graça regeneradora do que perdemos pelo pecado corrompedor de Adão.

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Cristo é o Nome de Seu ofício; sendo designado e ungido por Deus um Rei, um sacerdote, um profeta. Este Jesus Cristo é nosso Salvador: cujo nome eu me abstenho de mais discurso, sendo incapaz, mesmo que eu falasse a língua dos anjos, de falar algo digno tanto nomine, tanto numine (do nome grandioso, da grandiosa majestade). Tudo o que possa ser dito é somente um pouco; mas, em suma, eu devo dizer apenas um pouco. Mas de todos os nomes dados ao nosso Redentor, Jesus ainda é o mais doce. Os demais, disse Bernardo, são nomes de majestade; Jesus é um Nome de misericórdia. A Palavra de Deus, o Filho de Deus, o Cristo de Deus, são títulos de glória; Jesus, o Salvador, é um título de graça, misericórdia, redenção. Este Jesus Cristo é o centro deste texto; e não apenas deste, mas de toda a Escritura, [...] a soma da Escritura é o Evangelho; a soma do Evangelho é Jesus Cristo; em uma palavra: nihil continet verbum Domini, nisi verbum Dominum. Não há nada incluído na Palavra de Deus; apenas, Deus, a Palavra. Ele não é o centro apenas desta Palavra, mas [o centro] de nosso descanso e paz. “Porque decidi nada saber entre vós, senão a Jesus Cristo e este crucificado” (1 Coríntios 2:2). Tu nos fizeste para Ti, ó Cristo; e nosso coração está inquieto enquanto não descansar em Ti. Isto é natural a tudo appetere centrum, desejar o centro. Mas “nossa vida está oculta juntamente com Cristo, em Deus” (Colossenses 3:3). Nós devemos necessitar amare (amar), onde nós devemos animare (viver). Nossa mente está onde está o nosso prazer, nosso coração está onde está o nosso tesouro, nosso amor está onde está a nossa vida; mas tudo isto, nosso prazer, tesouro, vida, estão depositados em Jesus Cristo. “Tu és a minha porção, ó Senhor”, disse Davi. Tome a palavra que deleita, deixe sua porção estar em Cristo. “Eis que nós tudo deixamos”, disse Pedro, “e te seguimos” (Mateus 19:27); vocês não têm perdido nada por isto, disse Cristo, pois vocês têm tido a Mim. Nimis avarus est, cui non sufficit Christus. Ele é tão cobiçoso, aquele a quem Cristo não pode satisfazer. Busquemos este centro, disse Agostinho: Quaeramus inveniendum, quaramus inventum. Ut inveniendus quaratur, paratus est: ut inventus quaeratur, immensus est: Busquemo-lO até que O encontremos; e ainda O busquemos quando O encontrarmos. Nesta busca, nós podemos encontrá-lO, Ele está pronto; neste encontro, nós podemos busca-lO, Ele é infinito. Vocês veem o centro.

II. A linha de referência, apropriada a este centro, é Semper idem, “Sempre o Mesmo”.

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Não há mutabilidade em Cristo; “sem mudança, ou sombra de variação” (Tiago 1:17). Todas as luzes inferiores têm sua inconstância; mas no “Pai das luzes” não há mutabilidade. O sol tem sua sombra; o “Sol da Justiça” é sem sombra, (Malaquias 4:2); o sol gira em torno do relógio de sol; mas Cristo não tem mudança. “Aqueles a quem amou, ele os amou até o fim” (João 13:1). Ele nos ama até o fim; em Seu amor não há fim. Tempus erit consummandi, nullum consumendi misericordiam (O tempo será levado a um término, mas a misericórdia nunca será finalizada). Sua misericórdia será aperfeiçoada em nós, nunca acabada. “Num ímpeto de indignação, escondi de ti a minha face por um momento; mas com misericórdia eterna me compadeço de ti, diz o SENHOR, o teu Redentor” (Isaías 54:8). Sua ira é breve, Sua benignidade é para sempre. “Porque os montes se retirarão, e os outeiros serão removidos; mas a minha misericórdia não se apartará de ti, e a aliança da minha paz não será removida, diz o SENHOR, que se compadece de ti” (versículo 10). As montanhas são coisas estáveis, os montes são firmes; ainda os montes, montanhas, sim, toda a terra, será abalada sobre suas fundações, sim, mesmo “céus passarão com estrepitoso estrondo, e os elementos se desfarão abrasados;” (2 Pedro 3:10); mas a Aliança de Deus não será quebrada. “Desposar-te-ei comigo para sempre” (Oséias 2:19). Este vínculo matrimonial nunca será cancelado; nem o pecado, nem a morte, nem o inferno serão capazes de nos divorciar. Por vinte e seis vezes em um salmo, aquele doce cantor entoa isto: “Sua misericórdia dura para sempre” (Salmo 136). “Jesus Cristo, ontem e hoje, é o mesmo e o será para sempre”. Enquanto esta meditação destila muito conforto em nossos corações crentes, então, deixemos que isto nos dê algumas instruções. Duas coisas são prontamente ensinadas a nós: um cuidado dissuasivo, e uma lição persuasiva. 1. Isto afasta a nossa confiança em coisas mundanas, por que elas são inconstantes. Por quão pouco espaço elas permanecem, “o mesmo’'. Para provar isto, você tem em Juízes 1:7, um júri de setenta reis para tomar seus juramentos. Cada um tinha seu trono, ainda ali eles lambem as migalhas sob a mesa de outro rei; e brevemente este mesmo rei, que os fez tão miseráveis, fez a si mesmo mais miserável. Salomão compara as riquezas a uma ave selvagem. “A riqueza fará para si asas, como a águia que voa pelos céus” (Provérbios 23:5). Nem algum manso pássaro doméstico, ou um falcão podem ser trazidos para baixo com uma isca, ou achados novamente através de seus sinos; [quanto] mais uma águia, que violentamente corta o ar, e se vai ao antigo chamado de volta. A riqueza é como um pássaro; que salta o dia todo de homem para homem, como um pás-

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saro o faz de árvore para árvore; e ninguém pode dizer aonde ele irá empoleirar-se ou descansar à noite. Ela é como um companheiro andarilho, que devido ele ter grandes ossos, e habilidade de trabalhar, um homem o acolhe, e o mantém aquecido; e talvez, por um tempo ele trabalha duro; mas quando ele percebe oportunidade, o servo fugitivo se vai, e faz mais distante com ele do que todo o seu serviço veio. O mundo pode parecer a ti permanecer em algum lugar, por um período, mas por fim, este irrevogavelmente foge, e leva consigo as tuas alegrias; teus bens, como Raquel roubou os ídolos de Labão; tua paz e contentamento de coração se vão com [o mundo], e tu és deixado desesperado. Você percebe quão rapidamente as riquezas deixam de ser “o mesmo”: e pode alguma outra coisa terrena ostentar mais estabilidade? A honra deve despir-se de suas vestes quando a cena é finalizada; nunca faz tão gloriosa uma apresentação neste estágio mundano, ela tem apenas um pequeno momento para atuar. Um grande nome de glória mundana é apenas como um estrondo ressoado em sinos, em que as pessoas comuns são os badalos; a corda que os move é a popularidade; se você por uma vez deixar ir o seu segurar e abandonar o badalar, o badalo fica imóvel a, e adeus à honra. A força, apesar de, como Jeroboão, estender o braço de opressão: este logo cairá seco (1 Reis 13:4). A beleza é como um almanaque: vai bem se dura um ano. O prazer é como raio: oritur, moritur (ouve-se e morre); doce, mas breve; um clarão e se vai. Todas as vaidades são apenas borboletas, as quais crianças irresponsáveis gananciosamente capturam (Anselmo): e algumas vezes elas voam ao lado delas, algumas vezes na frente delas, algumas vezes atrás delas, algumas vezes próximo a elas; sim, entre os seus dedos, e ainda elas sentem sua falta; e quando elas as têm, elas são apenas borboletas; elas têm asas coloridas, mas são lagartas toscas e esquálidas. Assim são as coisas deste mundo, vaidades, borboletas. Vel sequendo labimur, vel assequendo laedimur (com frequência aquilo pelo que nós nos esforçamos, depois nos ferirá quando nós o obtivermos). O mundo em si mesmo não é diferente de uma alcachofra; nove partes desta são folhas não proveitosas, a escassa décima parte é boa e sobre esta há um pouco de carne a colher, nada tão saudável quanto apetitosa: no meio desta há um caroço, que é o suficiente para asfixiar aqueles que o comem. Oh, então não coloquem os seus corações sobre estas coisas: calcanda sunt (elas existem para serem pisadas), como Jerônimo observa sobre Atos 4: “Aqueles que vendiam suas posses, traziam os valores, e os depositavam aos pés dos Apóstolos” (Atos 4:35). Aos seus pés, não aos seus corações; elas são mais apropriadas para serem pisadas sob os pés, do que para serem servidas com os corações. Eu concluo isto com Agostinho. Ecce turbat mundus, et amatur: quid si tranquillus esset?

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Formoso quomodo hareres qui sic amplecteris faedum? Flores ejus quam colligeres, qui sic a spinis non revocas manum? Quam confideres aterno, qui sic adhaeres caduco? Olhe, o mundo é turbulento e cheio de tormentos, ainda é amado; como seria abraçado se ele fosse calmo e tranquilo? Se ele fosse uma formosa donzela, como eles o admirariam, já que o beijam sendo uma deformada estigmatizada? Quão gananciosamente podem eles ajuntar as flores, aqueles que não se abstêm dos espinhos? Aqueles que o admiram tanto sendo transitório e temporal, como eles poderiam se encantar com aquilo que é eterno? Mas “o mundo passa” (1 João 2:17), e Deus permanece. “Eles perecerão; tu, porém, permaneces; sim, todos eles envelhecerão qual veste; também, qual manto, os enrolarás, e, como vestes, serão igualmente mudados; tu, porém, és o mesmo, e os teus anos jamais terão fim” (Hebreus 1:11-12). Deste modo, nem depositem a sua esperança na instabilidade da riqueza, mas no Deus vivo (1 Timóteo 6:17). E então, “os que confiam no SENHOR são como o monte Sião, que não se abala, firme para sempre” (Salmo 125:1). “Jesus Cristo, ontem e hoje, é o mesmo e o será para sempre”. 2. Isto nos persuade à imitação da constância de Cristo. Deixe a estabilidade de Sua misericórdia por nós operar uma estabilidade de nosso amor a Ele. E seja como for, tal quais os corpos celestes inferiores, nós temos uma inclinação natural de nós mesmos do bem para o mal, ainda assim, experimentemos o maior poder para nos mover sobrenaturalmente de mal para o bem. Existe em nós, de fato, uma carne relutante, “mas vejo, nos meus membros, outra lei que, guerreando contra a lei da minha mente” (Romanos 7:23). Assim, Agostinho confessa: Nec plane nolebam, nec plane volebam. And, Ego eram qui volebam, ego qua nolebam. (Confissões) Eu nem plenamente garantido, nem totalmente rejeitado; e fui eu mesmo que tanto desejava quanto não desejava. Mas a maturidade de nosso Cristianismo deve sobrepujar os vacilantes pensamentos. Irresolução e instabilidade são detestáveis, e contrários ao nosso Mestre, Cristo, que é sempre o mesmo. “Um homem de coração dobre é inconstante em todos os seus caminhos” (Tiago 1:8). O homem inconstante é um estranho em sua própria casa: todos os seus propósitos são apenas convidados, seu coração é a pousada. Se eles se hospedarem lá por uma noite, é tudo; eles se vão pela manhã. Muitos movimentos vêm se aglomerando em cima dele, e como um grande prensa em uma porta estreita, enquanto todos se esforçam, nenhum pode entrar. O epigramático diz, espirituosamente: Omnia cum facias, miraris act facias nil? Posthume, rem solam qui facit, ille facit. (Em tudo o que você faz, você quer saber por que você não conclui nada? Depois que você morrer, você fará uma coisa, nomeadamente isto).

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Aquele que terá um remo para o barco de cada homem, não deve deixar de remar o seu próprio. Eles, disse Melanchthon, que saberão aliquid in omnibus (alguma coisa sobre tudo), também saberão nihil in toto (absolutamente nada). Sua admiração ou caducidade de algo é extrema para a época, mas é um milagre se isto sobreviver à era de uma maravilha, a qual é calculada em apenas nove dias. Eles são irritados com o tempo, e dizem que os tempos estão findos, porque eles não mais produzem inovações. A sua investigação sobre todas as coisas não é quam bonus (o que é bom?), mas quam novum (o que é novidade?). Eles estão quase fatigados de sol que continuamente brilha. A continuidade é uma discussão suficiente contra as melhores coisas; e o maná do Céu é odiado, pois é comum. Isto não é para ser sempre o mesmo, mas nunca o mesmo; e enquanto eles querem ser tudo, eles não são nada: tal como o verme sobre a qual Plínio escreveu, multipoda, que tem muitos pés, ainda que esteja em ritmo lento. Por algum tempo, você o terá na Inglaterra, amando a simples verdade; em breve em Roma, cultuando diante de uma imagem. Em pouco tempo, depois ele ter saltado para Amsterdã; e ainda ele deve continuar sendo transformado, até que não haja nada, a não ser tonar-se Turco. Hibernar uma opinião é mui tedioso; ele tem sido muitas coisas. O que ele será, você bem pouco saberá até que ele não seja nada. Mas o Deus de constância deseja fazê-lo constante. Firme na sua fé nEle. “Permaneceis na fé, alicerçados e firmes, não vos deixando afastar da esperança do Evangelho” (Colossenses 1:23). Firme na sua fidelidade ao homem, prometendo e não desapontando (Salmo 15:4). Faça isto aliud stantes, aliud sedentes (esteja em pé ou sentado) para que a sua mudança com Deus O ensine a mudá-lo. Nemo potest tibi Christum auferre, nisi te illi auferas (Ambrose). Nenhum homem pode desviar a Cristo de ti, a menos que tu desvies a ti mesmo de Cristo, oh, “Jesus Cristo é o mesmo ontem, etc.”.

III. Agora, nós chegamos à circunferência, onde há uma distinção de três tempos; passado, presente e futuro. Tempora mutantur: os tempos mudam, os círculos da circunferência em volta, mas o centro é “o mesmo para sempre”. Devemos solucionar esta triplicidade em uma triplicidade. Cristo é o mesmo, de acordo com esses três termos distintos, de três formas diferentes: 1. Objetivo, na Palavra 2. Subjetivo, em Seu poder, 3. Eficaz, em sua operação graciosa. 1. Objetivamente, Jesus Cristo é o mesmo em Sua Palavra; e que (1) Ontem na préordenação; (2) Hoje na encarnação; (3) Para Sempre em aplicação. (1) Ontem na pré-ordenação. Assim, São Pedro, em seu sermão, diz aos judeus, que “ele

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foi entregue pelo determinado desígnio e presciência de Deus” (Atos 2:23). E em sua epístola, que “ele foi preordenado antes da fundação do mundo” (1 Pedro 1:20). Ele é chamado de “Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo” (Apocalipse 13:8). Prius profuit, quam fuit (Antes que alguma coisa possa funcionar, isto deve existir). Seus profetas Lhe anunciaram, os tipos que O prefiguraram, o próprio Deus O prometeu. Ratus ordo Dei: o decreto de Deus é constante. Muito consolo eu devo deixar aqui para a sua meditação. Se Deus preordenou um Salvador para o homem, antes mesmo que Ele tivesse criado o homem, o ou homem corrompido a si mesmo, como escreveu Paulo a Timóteo: “Ele nos salvou segundo o sua própria determinação e graça que nos foi dada em Cristo Jesus, antes dos tempos eternos” (2 Timóteo 1:9), então, certamente Ele afirma que nada pode nos separar do Seu Amor Eterno neste Salvador, (Romanos 8:39). Quos elegit increatos, redemit perditos, non deseret redemptos. Aquele que os escolheu antes que eles fossem criados, e quando eles estavam perdidos, os redimiu, não os abandonará enquanto estão sendo santificados. (2) Hoje na encarnação. “Vindo, porém, a plenitude do tempo, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher” (Gálatas 4:4). “O Verbo se fez carne” (João 1:14); o qual foi, disse Emisseno, Non deposita, sed seposita, majestate (Não repudiando, mas colocando de lado a majestade). Assim, ele tornou-se mais jovem do que sua mãe, aquele que era tão eterno quanto o Seu Pai. Ele era no passado Deus antes de todos os mundos, Ele agora foi feito homem no mundo. Sanguinem, quem pro matre obtulit, antea de sanguine matris accepit. (Eusébio) O sangue que Ele verteu de sua mãe, Ele o tinha de sua mãe. O mesmo Eusébio, sobre o capítulo nove de Isaías, perfeitamente, “Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu” (Isaías 9:6). Ele era Datus ex Divinitate, natus ex virgine. Datus est qui erat; natus est qui non erat. Ele foi dado da Deidade, nascido de virgem. Ele que foi dado, era antes; Ele, enquanto nascido, não era antes; Donum dedit Deus aequale sibi: Deus deu um presente igual a Si mesmo. Então, Ele é o mesmo ontem e hoje, objetivamente em Sua Palavra. Idem qui velatus in veteri, revelatus in novo. (O que foi ocultado no passado, é no presente revelado). In illo praedictus, in isto praedicatus. Ontem prefigurado na Lei, e hoje o mesmo manifestado no Evangelho. (3) Para sempre na aplicação. Ele, continuamente pelo seu Espírito, aplica às nossas consciências a virtude de Sua morte e Paixão “A todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, a saber, aos que creem no seu nome” (João 1:12). “Porque, com uma única oferta, aperfeiçoou para sempre quantos estão sendo santificados” (Hebreu 10:14). Isto é consolo seguro para nós; por mais que Ele tenha morrido há quase

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1629 anos atrás, Seu sangue não está seco. Seus ferimentos são tão frescos para nos fazerem bem, como estavam para aqueles santos que os contemplaram sangrantes na cruz. A virtude de Seus méritos não é diminuída, embora muitas mãos de fé já tenham tirado grandes porções de Seu tesouro, mesmo que infinitas almas tenham bebido amáveis goles, e tenham satisfeito sua sede. Apenas porque nós não conseguimos compreender isto de nós para nós mesmos, portanto, Ele tem prometido nos dar “O Espírito da Verdade, que habitará em nós” (João 14:17), e aplica isto a nós para sempre. Assim, você tem visto a primeira triplicidade, como Ele é o mesmo, objetivamente, na Sua palavra. Agora, Ele é 2. Subjetivamente, em Seu mesmo Poder; e isso (1) Ontem, pois Ele criou o mundo; (2) Hoje, pois Ele governa o mundo; (3) Para sempre, pois Ele julgará o mundo. (1) Ontem, na criação. “Todas as coisas foram feitas por intermédio dele, e, sem ele, nada do que foi feito se fez” (João 1:3). “Pois, nele, foram criadas todas as coisas, nos céus e sobre a terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos, sejam soberanias, quer principados, quer potestades. Tudo foi criado por meio dele e para ele” (Colossenses 1:16). Todas as coisas, mesmo o grandioso e claro livro do mundo, em três tão grandes medidas, coelum, solum, salum; céu, terra e mar. O profeta o chamou de “Pai da Eternidade” (Isaías 9:6); Daniel de “Ancião de Dias” (Daniel 7:9). Salomão disse, que “O SENHOR me possuía no início de sua obra, antes de suas obras mais antigas” (Provérbios 8:22). Então Ele mesmo disse aos judeus incrédulos: “Antes que Abraão existisse, EU SOU” (João 8:58). Nós devemos, então, nós mesmos a Cristo por nossa criação; mas quão mais por nossa redenção? Si totum me debeo pro me facto, quid addam jam pro me refecto? In primo opere me mihi dedit: in secundo se mihi dedit (Bernardo). Se eu devo a Ele tudo de mim por ter me criado, o que eu teria que dar a Ele em pagamento por me redimir? Na primeira obra, Ele deu a mim mesmo a mim; na segunda, Ele deu a Si mesmo a mim. Pelo duplo direito, nós devemos nós mesmos a Ele; nós somos dignos de uma dupla condenação, se não dermos a Ele o que Lhe é próprio. (2) Hoje, em Seu Governo. “Ele sustenta todas as coisas pela palavra do seu poder” (Hebreus 1:3), Ele é o pater familias (o pai de família), e ordenou todas as coisas no universo com o maior cuidado e providência do que qualquer chefe de casa possa gerenciar os negócios de sua família em particular. Ele não a deixa, como o carpinteiro que tendo construído a estrutura de uma casa, para que outros a aperfeiçoem, mas Ele mesmo a cuida. Sua criação e providência são como a mãe e a enfermeira, uma gera, e a outra preserva. Sua criação foi uma pequena providência; Sua providência, uma perpétua criação. Uma projeta a estrutura da casa, e a outra a mantém em reparação. Tampouco isso é um menosprezo à majestade de Deus, como os vãos Epicureus imagina-

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ram, curare minima, considerar as mínimas coisas, mas, sim, uma honra, curare infinita, considerar todas as coisas. Nem mesmo isto abrange apenas as coisas naturais, encadeadas juntamente por uma ordem regular de sucessão, mas mesmo as coisas casuais e contingentes. Frequentemente, cum aliud volumus, aliud agimus (embora pretendamos uma coisa, fazemos outra), o fato atravessa o nosso propósito; o que deve nos contentar, embora ocorra de forma contrária ao que imaginamos, porque Deus determinou como deveria acontecer. É o suficiente que algo alcance a sua própria finalidade, embora isto fruste as nossas; que a vontade de Deus será cumprida, embora a nossa seja crucificada. Mas deixe-me dizer: Tem Deus cuidado das aves e flores, e Ele não se importará com você, a Sua própria imagem? (Mateus 6:26-30). Sim, deixe-me ir mais longe, tem Deus cuidado dos ímpios? Porventura, tem despejado as felizes influências celestes sobre os “injustos homens na terra”? (Mateus 5:45). E a fidelidade irá sem a sua bênção? Porventura, Ele provindecia aos filhos de Belial, e deixará os Seus filhos perecerem? Ele dará carne e vestes aos restantes, mas a Sua bondade excederá a Benjamim. Se Moabe, sua bacia de lavar, provou os seus benefícios, então Judá, o sinete em Seu dedo, não pode ser esquecido. O rei governa todos os assuntos no seu domínio, mas os seus servos que esperam em sua corte participam de seus mais principescos favores. Deus cura as feridas do mais ímpio; mas se isto for dito a Ele: “Senhor, aquele a quem tu amas está enfermo” (João 11:3), é o suficiente, ele será sarado. O ímpio pode ter bênçãos exteriores sem as interiores, e isto é o guisado de Esaú sem [o direito de] sua primogenitura; mas o eleito tem as bênçãos interiores, embora sem as exteriores, e esta é a herança de Jacó, sem a sua sopa. (3) Para sempre: porque Ele julgará o mundo. “Deus estabeleceu um dia em que há de julgar o mundo com justiça, por meio de um varão que destinou” (Atos 17:31). “No dia em Deus julgará os segredos dos homens por meio de que Jesus Cristo” (Romanos 2:16). Deixe os ímpios lisonjearem a si mesmo que tudo é apenas conversação sobre algum juízo vindouro; todos são apenas terriculamenta nutricum, meros bebês assustados. Scribarum pennee mendaces; eles têm escrito mentiras, não importa tanto. Mas quando virem o Cordeiro “a quem traspassaram” e desprezaram (Apocalipse 1:7), “clamarão aos montes e aos rochedos: Caí sobre nós e escondei-nos” (Apocalipse 6:16). Agora eles bajulam a si mesmos com a Sua morte; Mortuus est, ele está morto e se foi; e Mortuum Caesarem quis metuit? Quem ferirá a César, quando ele está morto? Mas, “Ele que esteve morto, vive; mas eis que estou vivo pelos séculos dos séculos. Amém” (Apocalipse 1:18). Jesus Cristo, ontem, hoje e sempre. Quaesitor scelerum veniet, vindexque reorum. (O Juiz da iniquidade virá e a punição será cumprida). Aqui está questão de consolo infalível para nós: “Levantai as vossas cabeças, porque a

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vossa redenção está próxima” (Lucas 21:28). Aqui nós somos presos, martirizados, torturados; mas quando vierem este grandioso juízo e completa libertação de prisão, mors non erit ultra, “lhes enxugará dos olhos toda lágrima, e a morte já não existirá, já não haverá luto, nem pranto, nem dor” (Apocalipse 21:4). “Se, de fato, é justo para com Deus que ele dê em paga tribulação aos que vos atribulam e a vós outros, que sois atribulados, alívio juntamente conosco, quando do céu se manifestar o Senhor Jesus com os anjos do seu poder,” (2 Tessalonicenses 1:6-7). Então, nós O encontraremos o mesmo; o mesmo Cordeiro que nos comprou, nos dirá a Venite beati, “Vinde, vós benditos, receber o seu reino”. Certamente, venho sem demora. Amém! Vem, Senhor Jesus! (Apocalipse 22:20). 3. Efetivamente em Sua graça e misericórdia. Então, Ele é o mesmo, (1) Ontem, para os nossos pais; (2) Hoje, para nós mesmos; (3) Para Sempre, para nossos filhos. (1) Ontem, para nossos pais. Todos os nossos pais, cujas almas estão agora no Céu, aqueles “espíritos dos justos aperfeiçoados” (Hebreus 12:23), foram, como as próximas palavras indicam, salvos “por Jesus, o Mediador da nova aliança, e ao sangue da aspersão que fala coisas superiores ao que fala o próprio Abel”. Enquanto eles viveram sob a natureza, ou sob a lei, Cristo foi a sua expectação; e eles foram justificados credendo in venturum Christum, por crerem na vinda do Messias. Então em Lucas 2:25, Simeão afirma “esperar a consolação de Israel”. (2) Hoje, para nós mesmos. Sua misericórdia é eterna; Sua verdade dura de geração em geração. O mesmo gracioso Salvador que Ele foi ontem para nossos pais, Ele O é hoje para nós, se somos, hoje, fiéis a Ele. Tudo é alcançado neste consolo, mas em vão sem a mão da fé. Não há defeito nEle; mas não há algum em ti? Cristo é Tudo, e o que és tu? Ele perdoou Maria Madalena de muitos pecados graves, por isso, ele vai perdoar-te, se tu podes derramar as lágrimas de Maria Madalena. Ele levou o malfeitor da cruz para o Paraíso; ali Ele vai receber-te se tu tens a mesma fé. Ele foi misericordioso com um apóstolo que O negou; desafie a ti a mesma misericórdia, se tu tens o mesmo arrependimento. Se seremos como estes, Cristo, com certeza, será sempre como a Si mesmo. Quando qualquer homem confesse-se como um pecador, Ele não deixará de ser um tal Salvador. Hoje Ele é teu, se hoje tu fores dEle: teu amanhã, se ainda amanhã tu fores dEle. Mas, como se a sombria morte impede a luz do amanhã? Ele era ontem, então tu eras; Ele é hoje, então tu és; Ele é amanhã, então talvez tu podes não ser. O tempo pode mudar-te, entretanto, não pode muda-lO. Ele não é (mas tu és) sujeito a mudanças. Isto eu corajosamente ouso dizer: aquele que se arrepender apenas um dia antes de morrer, encontrará o mesmo Cristo em misericórdia e perdão. A iniquidade em si está contente em ouvir isto;

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mas deixe o pecador ser fiel em sua parte, como Deus é misericordioso em Sua parte: deixem-no ter certeza de que se se arrepende um dia antes que morra, do qual ele não pode ter certeza, exceto que se arrependa todos os dias; pois nenhum homem sabe qual o seu último dia. Latet ultimus dies, ut observetur omnis dies. Porquanto, disse Agostinho, nós não conhecemos nosso último dia, devemos vigiar todos os dias. “Hoje, se ouvirdes a sua voz” (Salmo 95:7). Tu desperdiçaste o passado negligentemente, tu perdeste o hoje obstinadamente; e talvez podes perder o amanhã inevitavelmente. É justo que Deus puna a negligência de dois dias com a perda do terceiro. A mão da fé pode ter murchado, a fonte do arrependimento, secado; o olho da esperança, cego, o pé da caridade, coxo. Hoje, então, ouça a Sua voz, e façaO teu. Ontem se perdeu, hoje pode ser obtido; mas este se vai, e tu com ele, quando tu és morto e julgado, e fará a ti um pequeno consolo, que “Jesus é o mesmo para sempre”. (3) Para sempre para nossos filhos. Ele que foi ontem o Deus de Abraão, é hoje o nosso [Deus], e o será para sempre para nossos filhos. Como bem hoje é “a luz dos gentios”, como antes “a glória de Israel” (Lucas 2:32). Eu serei o Deus de tua descendência, disse o SENHOR a Abraão. “A sua misericórdia vai de geração em geração sobre os que o temem” (Lucas 1:50). Muitas pessoas são solicitamente perplexas, [sobre] como seus filhos farão quando eles morrerem; ainda eles não consideraram como Deus providenciou a eles quando eram crianças. “Está a mão do SENHOR encolhida?”. Ele te tirou dos seios de tua mãe; e “quando os teus parentes te abandonarem” (como disse o Salmista), se tornará o teu Pai? E não pode esta misericórdia experimentada a ti persuadir de que Ele não te abandonará? Não é “Jesus Cristo o mesmo ontem, hoje e para sempre”? “Fui moço”, disse Davi, “e já, agora, sou velho, porém jamais vi o justo desamparado, nem a sua descendência a mendigar o pão” (Salmo 37:8). Muitos pais desconfiados são tão ansiosos em relação à sua posteridade, que, enquanto vivem eles matam de fome os seus corpos e arriscam as suas almas, para deixá-los ricos. Para um pai como este é dito, justamente: O problema de você ser rico, é que pobre e desamparado você é. Como uma espécie de galinha, ele alimenta seus pintinhos, e ele mesmo morre de fome. Se a usura, a evasão, a opressão, a extorsão, pode torná-los ricos, eles não deverão ser pobres. Sua loucura é ridícula, pois eles temem que seus filhos sejam miseráveis, ainda assim tomam o único caminho para tornar-los miseráveis; pois eles deixam não mais heranças de seus bens quanto de seus males. Eles certamente herdam os pecados de seus pais como suas terras: “Deus guarda sua iniquidade para os seus filhos, e a sua descendência se quer um bocado de pão” (Jó 21:19).

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Ao contrário, “o homem bom é misericordioso, e empresta, e a sua descendência é abençoada” (Salmo 37:26). Que as coisas mundanas façam a sua posteridade pobre, Deus diz que que fará o homem bom abençoado. O preceito dá uma promessa de misericórdia à obediência, não apenas limitada ao homem obediência em si mesmo, mas extendida à sua descendência, e mesmo até mil gerações (Êxodo 20:6). Confie, então, teus filhos a Cristo; quando os teus amigos falharão, a usura findar, a opressão for condenada ao inferno, tu mesmo apodrecer no pó, o próprio mundo revirar-se e queimar em cinzas, ainda “Jesus é o mesmo ontem, hoje e sempre”. Agora, então, como “graça e paz da parte daquele que é, e que era, e que há de vir”, a gló-

ria e honra são com Ele, que é, que era, e que há de vir; a “Cristo, o mesmo ontem, e hoje, e eternamente” (Apocalipse 1:4).

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A Livre Graça (Sermão Nº 233)

Pregado na manhã de Sabath, 9 de janeiro de 1859. Por C. H. Spurgeon, no Music Hall, Surey Gardens.

“Não é por amor de vós que eu faço isto, diz o Senhor DEUS notório vos seja; envergonhai-vos, e confundi-vos por causa dos vossos caminhos, ó casa de Israel.” (Ezequiel 36:32) Há dois pecados do homem que são formados nos ossos e que vêm continuamente à carne. Um deles é auto-dependência e o outro é a auto-exaltação. É muito difícil, mesmo para o melhor dos homens, conter-se desde o primeiro erro. O mais santo dos Cristãos e aqueles que entendem melhor o Evangelho de Cristo encontram em si uma inclinação constante de olhar para o poder da criatura, em vez de olhar para o poder de Deus e o poder de Deus, somente. Uma e outra vez a Sagrada Escritura tem nos lembrado do que nós nunca devemos esquecer, isto é, que a salvação é obra de Deus do começo ao fim, e não do homem, nem por homem algum. Mas assim é este erro antigo, a saber, que devemos salvar a nós mesmos, ou que estamos a fazer alguma coisa em matéria de salvação. Este erro sempre se levanta e nos encontramos continuamente tentados por ele a nos afastarmos da simplicidade de nossa fé no poder do Senhor, nosso Deus. Pois mesmo Abraão, não estava livre do grande erro de confiar em sua própria força! Deus havia prometido a ele que iria dar-lhe um filho — Isaque, o filho da promessa. Abraão creu, mas por fim, cansado de esperar, ele adotou a medida carnal de tomar para si mesmo Agar como esposa, e assim ele imaginava que Ismael iria certamente ser o cumprimento da promessa de Deus. Mas, em vez de Ismael ajudar a cumprir a promessa, ele trouxe tristeza ao coração de Abraão, porque Deus não queria que Ismael habitasse com Isaque. “Lançai fora”, diz a Escritura, “a escrava e seu filho, porque o filho da escrava não será herdeiro com o filho da mulher livre” [Gálatas 4:30]. Agora, na questão da salvação, estamos aptos a pensar que Deus se demora muito tempo no cumprimento de Sua promessa e nos propomos a nós mesmos trabalhar para fazer alguma coisa e o que fazemos? Afundamo-nos mais profundamente na lama e acumulamos para nós mesmos um depósito de problemas e dissabores futuros! Não lemos que pesou o coração de Abraão por enviar Ismael embora? Ah, e muitos Cristãos têm sido ofendidos por essas obras da natureza, que eles realizaram com o projeto de ajudar o Deus da graça! Ó Amados, nós com muita frequência nos encontramos tentados a executar a tola tarefa de auxiliar a Onipotência e ensinar o Onisciente! Em vez de olhar para graça

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para nos santificar, encontramo-nos a adotar regras e princípios filosóficos que achamos que efetuarão a obra Divina. Mas nós a estragamos! Nós trazemos dor aos nossos próprios espíritos. Mas se, em vez disto, nós em toda a obra olharmos para o Deus da nossa salvação por ajuda, força, graça e socorro, então o nosso trabalho irá proceder resultado em nossa própria alegria e consolo para a glória de Deus! Esse erro, então, eu digo, está em nossos ossos e sempre vai morar conosco e, portanto, é que as palavras do texto são colocadas como um antídoto contra esse erro. É claramente afirmado em nosso texto que a salvação é de Deus. “Não é por amor de vós que eu faço isto”; Ele não diz nada sobre o que temos feito ou podemos fazer. Todos os precedentes e todos os versículos seguintes falam do que Deus faz: “Vou levá-lo de entre as nações”; “Então aspergirei água pura sobre vós”; “Vou dar-lhe um novo coração”; “Porei meu Espírito dentro de vocês”; é tudo de Deus. Portanto, mais uma vez recordamos à nossa memória esta doutrina e desistamos de toda a dependência de nossa própria força e poder! O outro erro a que o homem está muito propenso é o de confiar em seu próprio mérito. Embora não haja justiça em qualquer homem, ainda assim em cada homem há uma tendência de confiar em algum mérito imaginário. Estranho que isto deva ser assim, mas os caráteres mais reprováveis ainda têm alguma virtude, segundo a imaginação deles, de que dependem! Você vai encontrar o bêbado mais desleixado orgulhando-se de que ele não é um blasfemador. Você vai encontrar o bêbado blasfemador orgulhando-se de que pelo menos ele é honesto. Você vai encontrar homens sem nenhuma outra virtude no mundo exaltando o que eles imaginam ser uma virtude, o fato de que eles professam não ter nenhuma! Eles pensam ser extremamente excelentes, porque eles têm a honestidade, ou antes impudência suficiente para confessar que eles são totalmente vis! De alguma forma a mente humana se apega ao mérito humano. Ela sempre o reterá e quando você tira tudo em que você acha que ela poderia confiar, em menos de um momento ela forma algum outro motivo para a confiança em si mesma! A natureza humana no que diz respeito ao seu próprio mérito é como a aranha, que leva o seu suporte em suas próprias entranhas e parece como se fosse mantê-lo girando por toda a eternidade. Você pode retirar uma teia, mas ela logo faz outra. Você pode pegar o fio de um lugar e você vai encontrá-lo agarrado ao seu dedo e quando você procurar retirá-lo com uma mão, você o encontrará agarrado à outra! É difícil se livrar dele. A natureza humana está sempre pronta para tecer sua teia e vincular-se a algum terreno de falsa confiança. É contra todo o mérito humano, que eu vou falar nesta manhã e eu sinto que vou ofender muita gente aqui. Estou prestes a pregar uma doutrina que é fel e vinagre para carne e sangue, que vai fazer moralistas rangerem seus dentes e fazer com que outros vão embora e declarem que sou um Antinomiano e talvez dificilmente apto para viver! No entanto, essa

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consequência é uma que eu não devo lamentar muito se ligado a ela houver em outros corações uma rendição a esta gloriosa verdade de Deus e rendendo-se ao poder e graça de Deus que nunca irá nos salvar, a não ser que estivermos preparados para deixá-lO ter toda a glória! Em primeiro lugar, me esforçarei para expor como um todo a doutrina contida neste texto. Em seguida eu devo me esforçar para mostrar a sua força e veracidade. Em seguida, em terceiro lugar, buscarei o Espírito Santo de Deus para aplicar as lições úteis e práticas que devem ser tiradas a partir dele.

I. Vou tentar expor este texto. “Não é por amor de vós que eu faço isto, diz o Senhor Deus”. O motivo para a salvação da raça humana se encontra no seio de Deus e não no caráter ou condição do homem. Duas raças se revoltaram contra Deus: uma angelical, a outra humana. Quando uma parte desta raça angelical se revoltou contra o Altíssimo, a justiça rapidamente os alcançou. Eles foram arrastados de suas cadeiras no céu estrelado e, doravante, eles estão reservados na escuridão até o grande dia da ira de Deus! Nenhuma misericórdia foi apresentada a eles, nenhum sacrifício jamais foi oferecido por eles. Eles estavam sem esperança e misericórdia, para sempre remetidos para o abismo de tormento eterno! A raça humana, muito inferior em ordem de inteligência, pecou tão atrozmente quanto, de qualquer forma, se os pecados da humanidade que temos ouvido fossem colocados juntos e corretamente pesados, mal posso entender como até mesmo os pecados dos demônios poderiam ser muito mais malignos do que os pecados da humanidade! No entanto, o Deus que em Sua infinita justiça passou sobre os anjos e permitiu-lhes eternamente expiar seus crimes no fogo do inferno, e teve o prazer de olhar para baixo para o homem. Ali estava a eleição em grande escala! A eleição da natureza humana e a reprovação da natureza angélica caída! Qual foi a razão para isso? A razão estava na mente de Deus, uma razão inescrutável que não sabemos e mesmo que se soubéssemos, provavelmente não conseguiríamos entender. Tivesse eu e você sido postos a determinar a escolha de qual teria sido poupado, eu acho que é provável que teríamos escolhido que anjos caídos deveriam ter sido salvos. Eles não são mais brilhantes? Será que eles não possuem a maior força mental? Se eles tivessem sido redimidos, será que não glorificariam a Deus mais, como nós julgamos, do que a salvação de vermes como nós? Esses seres brilhantes — Lúcifer, filho da alva e essas estrelas que andava em seu curso — se tivessem sido lavados em Seu sangue redentor; se tivessem sido salvos pela soberana misericórdia, que canção teriam eles levantado ao Altíssimo e eterno Deus! Mas Deus,

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que faz o que Ele quer com o que é Seu próprio e não dá conta dos Seus assuntos; Ele que lida com as Suas criaturas como o oleiro lida com seu barro, não tomou sobre Si a natureza dos anjos, mas tomou sobre Si a descendência de Abraão e escolheu homens para serem os vasos de Sua misericórdia! Este fato se sabe, mas qual é a sua razão? Certamente não está no homem! “Não é por amor de vós que eu faço isto, diz o Senhor DEUS; notório vos seja; envergonhai-vos, e confundi-vos por causa dos vossos caminhos, ó casa de Israel”. Aqui, pouquíssimos homens objetam. Observamos que se estamos falando sobre a eleição dos homens e da não eleição de anjos caídos, não há qualquer objeção nem por um momento! Todo homem aprova o Calvinismo até que sinta que ele é o perdedor por ele. Mas quando ele começa a tocar seus próprios ossos e sua carne, então tal homem chuta contra isto. Venha, então, temos de ir mais longe! A única razão pela qual um homem é salvo e não outro não reside, em qualquer sentido, no homem salvo, mas no peito de Deus! A razão pela qual neste dia o Evangelho é pregado a você e não às nações distantes não é, por que, como uma raça, nós sejamos superiores aos pagãos! Não é por que mereçamos mais das mãos de Deus! Sua escolha da Grã-Bretanha, na eleição de privilégio, não é causada pela excelência da nação britânica, mas inteiramente por causa de Sua própria misericórdia e Seu próprio amor! Não há razão em nós pela qual nós devemos ter o Evangelho pregado a nós mais do que qualquer outra nação. Hoje alguns de nós receberam o Evangelho e foram transformados por ele, e tornaram-se os herdeiros da luz e da imortalidade, enquanto outros ainda são deixados para ser os herdeiros da ira! Mas não há nenhuma razão em nós pela qual deveríamos ter sido tomados e outros deixados: “Não havia nada em nós para merecer estima Ou dar deleite ao Criador. Foi assim mesmo, Pai! Nós deveremos eternamente cantar, Porque pareceu bem aos Teus olhos.” E agora, vamos rever esta doutrina extensamente. Somos ensinados nas Escrituras Asgradas que muito antes deste mundo ter sido criado, que Deus de antemão conheceu e previu todas as criaturas que Ele intentou formar. E, em seguida, foi ali preordenado que a raça humana cairia em pecado e mereceriam Sua ira; foi determinado em Sua própria mente soberana que uma imensa parcela da raça humana deveria ser Seus filhos e deveria ser levada para o Céu. Quanto ao resto, deixou-os a seus próprios méritos, para semear vento e colher tempestade, para espalhar o crime e herdar a punição. Agora, no grande decreto da eleição, a única razão pela qual Deus escolheu os vasos de misericórdia deve ter sido porque Ele o fez. Não havia nada em qualquer um deles que levou Deus a escolhêlos! Nós todos éramos iguais, todos perdidos, todos arruinados pela Queda, todos sem a

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menor reivindicação de Sua misericórdia. Todos, de fato, merecendo Sua maior vingança! Sua escolha de qualquer um e Sua escolha de todo o Seu povo é sem causa, na medida em que nada neles foi sua causa. Foi o efeito de Sua soberana vontade e de nada do que fizeram, poderiam fazer ou até mesmo fariam! Porque assim diz o texto: “Não é por amor de vós que eu faço isto, ó casa de Israel!”. Quanto ao fruto da nossa eleição, em devido tempo, Cristo veio a este mundo e comprou com o Seu sangue todos aqueles a quem o Pai escolheu. Agora vamos para a cruz de Cristo! Traga esta doutrina com você e lembre-se que a única razão pela qual Cristo deu a Sua vida para ser um resgate por suas ovelhas foi porque Ele amava Seu povo, não havia absolutamente nada no Seu povo que O faria morrer por ele! Eu estava pensando quando eu vinha para cá nesta manhã, se alguém deve imaginar que o amor de Deus por nós foi causado por alguma coisa em nós, seria como se um homem olhasse para um poço para encontrar os mananciais do mar, ou cavasse um formigueiro para encontrar um Alpe! O amor de Deus é tão imenso, tão ilimitado e tão infinito que não se pode conceber por um momento que ele poderia ter sido causado por qualquer coisa em nós! O pouco de bem que há em nós, ou melhor, o nada de bom que há em nós, não poderia ter causado o amor ilimitado, sem fundo, sem margens, sem cume que Deus manifesta ao Seu povo! Fiquem ao pé da cruz, vocês sedendos-de-mérito, vocês que se deleitam em suas próprias obras, respondam a estas perguntas: Vocês pensam que o Senhor da vida e glória poderia ter sido trazido do Céu; ter sido feito como um homem e levado a morrer por qualquer mérito seu? Poderão estas veias sagradas serem aberta com qualquer faca, senão a aguda faca de Seu próprio amor infinito? Vocês concebem que seus pobres méritos, tal como eles são, podem ser tão eficazes a ponto de pregar o Redentor no madeiro e fazê-lO dobrar Seus ombros sob a enorme carga de culpa do mundo? Você não pode imaginar isto! A consequência é tão grande em comparação com o que você acha ser o caso, que a sua lógica falha de imediato. Você pode conceber que um inseto coral eleva uma rocha por sua multiplicidade e por seus muitos anos de trabalho, mas você não pode conceber que todos os méritos acumulados da humanidade, se tais coisas existissem, poderiam ter trazido o Eterno do trono de Sua majestade e incliná-lO à morte de cruz, isso é uma coisa tão claramente impossível a qualquer mente pensante como a impossibilidade pode ser! Não, da cruz vem o brado: “Não é por amor de vós que eu faço isto, ó casa de Israel”. Após a morte de Cristo vem, no lugar seguinte, a obra do Espírito Santo. Aqueles a quem o Pai escolheu e a quem o Filho redimiu, em devido tempo, o Espírito Santo chama “das trevas para a maravilhosa luz”. Agora, o chamado do Espírito Santo é, não está vinculado a algum mérito em nós. Se neste dia o Espírito Santo deve chamar desta congregação cem homens e levá-los para fora de seu estado de pecado para um estado de retidão, você pode

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trazer esses cem homens e deixá-los marchar em revista, e se você pudesse ler seus corações, você seria obrigado a dizer: “Eu não vejo nenhuma razão pela qual o Espírito de Deus deveria ter operado nestes! Não vejo nada de tudo o que poderia ter merecido tanta graça como esta, nada que pudesse ter causado as operações e moções do Espírito a trabalhar nestes homens”. Pois bem, olhe aqui, é dito que, por natureza, os homens estão mortos no pecado. Se o Espírito Santo vivifica, não pode ser por causa de qualquer poder nos homens mortos, ou qualquer mérito deles, pois eles estão mortos, corruptos e podres na sepultura de seu pecado! Se, então, o Espírito Santo diz: “Sai para fora e vive”, não é por causa de qualquer coisa nos ossos secos, deve ser por algum motivo, em Sua própria mente, mas não em nós. Portanto, saibam disso, irmãos e irmãs, para que todos estejamos em terreno nivelado! Nós não temos, nenhum de nós, qualquer coisa que pode nos recomendar a Deus. E se o Espírito escolhe operar em nossos corações para a salvação, Ele deve ser movido a fazê-lo por Seu próprio amor supremo, pois Ele não pode ser movido a fazê-lo por qualquer boa vontade, bom desejo ou boa ação que habita em nós por natureza! Para avançar um pouco mais, esta verdade de Deus, que é válida até o momento, será válida até o fim. O povo de Deus, depois haver sido chamado pela graça, é preservado em Cristo Jesus — eles são “guardados pelo poder de Deus mediante a fé para a salvação”. Eles não têm permissão para pecar afastando-se da sua herança eterna, mas à medida que surgem as tentações que têm certa força com que encontrá-los, e que à medida que que o pecado os escurece, eles são novamente lavados e purificados. Entretanto, observem, a razão pela qual Deus preserva Seu povo é a mesma que os fez o Seu povo: Sua própria livre graça soberana! Se, meus irmãos e irmãs, vocês forem livrados na hora da tentação, façam uma pausa e lembrem-se que não foram libertos pela sua própria benignidade, não havia nada em você que merecesse a libertação! Se você tem sido alimentado e suprido em sua hora de necessidade, não é porque você tem sido um fiel servo de Deus, nem porque você tem sido um Cristão fervoroso. É simples e somente por causa da misericórdia de Deus! Ele não é movido por qualquer coisa que Ele faz por você nem por qualquer coisa que você faz para Ele, Seu motivo para o abençoar encontra-se total e completamente nas profundezas do seu próprio peito! Bendito seja Deus, o Seu povo deve ser conservado: “Nem a morte, nem o inferno jamais removerão Seus favoritos de Seu peito! No querido seio do Seu amor Eles devem eternamente descansar.”

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Mas por que? Porque eles são santos? Porque eles são santificados? Porque eles servem a Deus com boas obras? Não, mas porque Ele, em Sua graça soberana, os amou, os ama e os amará até o fim! E para concluir minha exposição deste texto. Isto deve manter-se válido no próprio Céu! O dia está chegando quando cada, filho lavado pelo sangue, comprado pelo sangue de Deus deverá andar nas ruas de ouro vestidos de branco. Nossas mãos em breve terão palmas. Nossos ouvidos devem se deleitar com melodias celestes e os olhos cheios de visões arrebatadoras da glória de Deus. Mas note, a única razão pela qual Deus nos levará para o Céu será o Seu próprio amor e não porque merecemos isso, temos de combater o combate, mas não obtemos a vitória porque nós combatemos! Devemos trabalhar, mas o salário no fim dos dias deve ser um salário pela graça e não uma dívida! Devemos honrar a Deus aqui, esperando a recompensa do galardão, mas que nenhuma recompensa será dada em um terreno legal, porque merecemos, mas nos foi dada inteiramente porque Deus nos ama, e não por qualquer motivo que estava em nós! Quando você e eu e cada um de nós entrarmos no Céu, o nosso canto deve ser: “Não a nós, não a nós, mas ao teu nome seja toda a glória”. E isso deverá ser verdade! Isto não será um mero exagero de gratidão. Será verdade! Seremos obrigados a cantá-lo, porque não poderíamos cantar qualquer outra coisa. Sentiremos que não fizemos nada e que não éramos nada, mas que Deus fez tudo, que não tínhamos nada em nós para ser o motivo para levá-lO a fazer isto, mas que Seu motivo estava em Si próprio! Por isso a Ele será cada partícula de honra para todo o sempre. Agora, isso, presumo, é o significado do texto. Desagradável é para a grande maioria, mesmo dos Cristãos professos nesta era. Esta é uma doutrina que requer uma grande quantidade de sal, ou então poucas pessoas vão recebê-la. É muito desagradável para elas. No entanto, lá está: “Seja Deus verdadeiro e todo homem mentiroso”. Sua verdade nós temos que pregar e ela devemos proclamar. A salvação é “não de homens, nem por homem algum. Não da vontade da carne, nem do sangue”, nem de nascimento, mas da soberana vontade de Deus e de Deus somente!

II. E agora, em segundo lugar, eu irei ilustrar e reforçar este texto. Considere por um momento, o caráter do homem. Ela vai humilhar-nos e ele tenderá a confirmar esta verdade de Deus em nossas mentes. Deixe-me dar uma ilustração. Vou considerar o homem como um criminoso. Ele certamente é tal aos olhos de Deus e não vou difamá-lo. Suponha agora que algum grande criminoso

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é finalmente pego no seu pecado e preso em Newgate. Ele cometeu alta traição, assassinato, rebelião e cada maldade possível. Ele quebrou todas as leis do reino, cada uma delas! O clamor público está em toda parte: “Este homem deve morrer! As leis não podem ser mantidas a menos que ele seja feito um exemplo de seu rigor. Aquele que não tem a espada em vão desta vez deve deixar a espada provar o sangue. O homem deve morrer. Ele merece isso!”. Você olha para o seu caráter, você não pode ver um só traço que possa redimi-lo. Ele é um velho ofensor. Ele tem por muito tempo perseverado na sua iniquidade, a ponto de você ser obrigado a dizer: “O caso é sem esperança para este homem. Seus crimes são muitíssimo agravados, nós não podemos fazer um pedido de desculpas por ele, embora ainda devemos tentar! Nenhuma astúcia jesuítica, em si, poderia conceber qualquer pretensão de desculpa, ou qualquer esperança de um fundamento para este desgraçado abandonado. Deixe-o morrer!”. Agora, se sua majestade a rainha, tendo em suas mãos o poder Soberano de vida ou morte escolhe que este homem não irá morrer, mas que ele será poupado, você não vê tão claro como a luz do dia que a única razão que pode levá-la a poupar este homem deve ser o seu próprio amor, sua própria compaixão? Como eu já supunha que não há nada no caráter do homem que pode ser um pedido de misericórdia, mas que, pelo contrário, todo o seu caráter clama por vingança contra o seu pecado. Quer queiramos ou não, esta é apenas a verdade de Deus concernente a nós! Este é apenas o nosso caráter e posição diante de Deus! Ah, meu ouvinte, você pode girar sobre os calcanhares revoltado e ofendido! Mas há alguns aqui que acham que isto seja solenemente verdadeiro em suas próprias experiênciaas e, portanto, eles vão beber na doutrina, pois é a única maneira pela qual eles podem ser salvos. Meu ouvinte, talvez a sua consciência está lhe dizendo esta manhã que você pecou tão horrendamente que não há entrada para um raio solitário de esperança em sua pessoa. Você adicionou aos seus pecados este outro, você se rebelou contra o Altíssimo desenfreada e perversamente! Caso você não tenha cometido todos os pecados do calendário do crime, foi porque a providência Divina deteve sua mão, o seu coração tem sido sombrio o suficiente para tudo isto. Você sente que a vileza de sua imaginação e seus desejos têm alcançado a consumação da culpa humana e você não poderia ir mais longe. Seus pecados prevaleceram contra você e passaram sobre sua cabeça. Agora, homem, a única base sobre a qual Deus pode salvá-lo é o Seu amor! Ele não pode salvá-lo, porque você merece, pois você não merece, não há desculpa que possa ser dada para o seu pecado! Não, você é inescusável e você sente isso. Oh! bendiga o Seu querido nome, que Ele concebeu desta maneira pela qual Ele pode salvá-lo sobre a base de Seu próprio amor soberano e ilimitada graça sem nada em você!

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Eu quero que você volte novamente para Newgate e a este criminoso. Supomos agora que este criminoso é visitado por Sua majestade em pessoa. Ela vai até ele e diz-lhe: “Rebelde, traidor, assassino eu tenho compaixão por você em meu coração. Você não merece isso, mas eu vim hoje para lhe dizer que se você se arrepender você terá misericórdia pelas minhas mãos”. Suponha que esse homem, se levante, e a amaldiçoasse — Amaldiçoar este anjo de misericórdia em sua face; cuspir sobre ela e proferir blasfêmias, maldições, imprecações sobre sua cabeça? Ela se retira. Ela se vai. Mas tão grande é sua compaixão que no dia seguinte ela envia um mensageiro. E por dias, semanas e meses e anos ela envia continuamente mensageiros e estes vão para ele e dizem: “Se você se arrepender de suas transgressões, você terá misericórdia. Não é porque você merece, mas porque Sua majestade é compassiva e sua alma graciosa deseja a sua salvação. Você vai se arrepender?”. Suponha que este homem amaldiçoasse o mensageiro; tapasse os ouvidos contra a mensagem, cuspindo nele e dissesse que ele não se importa consigo mesmo. Ou suponha um caso melhor, suponha que ele sai de seu lugar e diz: “Eu não me importo se estou enforcado ou não. Vou levar a minha oportunidade, juntamente com outras pessoas. Eu não tomar conhecimento de vocês”. E suponha que mais do que isso, levantando de seu assento, ele se entrega de novo em todos os crimes pelos quais ele já foi condenado e mergulha de cabeça de novo nos mesmos pecados que trouxeram seu pescoço para a corda da forca. Agora, se Sua majestade poupasse um homem como esse, em que termos ela poderia fazê-lo? Você diz: “Pois ela não pode, a não ser que ela faça isso por amor! Ela não pode por causa de qualquer mérito nele! Tal como animal este deve morrer!” E agora o que você e eu somos por natureza, senão como este ladrão? E meu ouvinte nãoconvertido, o que é isso, senão um retrato seu? O próprio Deus já não visitou sua consciência? Será que Ele não disse a você: “Pecador! Venha agora, vamos raciocinar juntos. Ainda que os seus pecados sejam como a escarlata se tornarão como a neve”. E o que você fez? Tapou seu ouvido contra a voz da consciência, amaldiçoou e praguejou contra Deus, blasfemou contra o Seu santo nome, desprezou Sua Palavra e ralhou contra Seus ministros. E hoje, mais uma vez, com lágrimas nos olhos, um servo de Deus veio para você e sua mensagem é: “Crê no Senhor Jesus Cristo e serás salvo. Como eu vivo, diz o Senhor, não tenho prazer na morte do que morre, mas antes quero que ele se converta a mim e viva”. E o que você vai fazer? Se deixados a si mesmos, vocês vão rir da mensagem, e desprezá-la! E vocês vão desprezar a Deus, novamente, como haviam feito anteriormente! Você não vê, então, que, se Deus devesse salvá-lo, isto não pode ser por amor de vós? Deve ser de Seu próprio amor infinito. Não pode ser a partir de qualquer outro motivo, posto que você tem rejeitado a Cristo, desprezado o Seu Evangelho, pisado o sangue de Jesus e recusada ser salvos! Se Ele te salva, deve ser por livre graça e livre graça somente.

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Mas agora imagine um pouco mais sobre este criminoso em Newgate. Não contente com o haver adicionado pecado a pecado e tendo rejeitado a misericórdia para si, este desgraçado laboriosamente emprega-se em dar ir a todas as celas onde os outros estão confinados e endurecer seus corações também, contra a misericórdia da rainha! Ele mal pode ver uma pessoa, que começa a contaminá-la com a blasfêmia de seu próprio coração. Ele profere coisas prejudiciais contra a majestade que o poupa, e se esforça para fazer os outros tão vis como ele mesmo! Agora, o que diz a justiça? Se este homem não deve morrer por sua própria conta, então ele deve morrer para o bem dos outros! E se ele é poupado, não é tão simples, que sendo ele o cabeça do grupo ele não pode ser poupado por causa de qualquer motivo nele? Deve ser por causa da compaixão inconquistável da soberana! E agora olhe aqui, não é esse o caso de alguns aqui presentes? Vocês não somente pecam, vocês mesmos, mas vocês levam outros ao pecado! Eu sei que esta foi uma das minhas pragas e tormentos, quando Deus me trouxe para Si mesmo, que eu tinha levado outros à tentação. Não existem homens aqui que ensinaram outros a blasfemar? Não estão aqui pais que ajudaram a destruir as almas de seus próprios filhos? Não existem alguns de vocês que são como a mortal árvore Upas? Você estica seus ramos e de cada folha cai veneno sobre aqueles que vêm sob a sua gama mortal! Não existem alguns aqui que têm seduzido os virtuosos; que enganaram aqueles que eram aparentemente piedosos e que são, talvez, tão endurecidos que eles ainda gloriam-se nisto? Não contente com estar condenando a si mesmos, vocês estão buscando levar outros ao poço do inferno também! Achando que não vos é suficiente estar em inimizade com Deus, vocês querem imitar Satanás, arrastando os outros com vocês! Ó meu ouvinte, não é este o seu caso? Seu coração não o confessa? E as lágrimas não descem em suas bochechas? Lembre-se, então, isso deve ser verdade: se Deus lhe salvar, isto será porque Ele o fará! Eu só vou usar uma outra ilustração e então eu acho que o texto terá sido feito suficientemente claro. Não há tanta diferença entre o preto e um tom mais escuro de preto como há entre o branco puro e o preto. Todos podem ver isso. Assim, não há tanta diferença entre o homem e o Diabo como há entre Deus e o homem. Deus é a perfeição. Estamos pretos com o pecado. O Diabo é apenas um tom mais escuro de preto. E grande como pode ser a diferença entre o nosso pecado, e o pecado de Satanás, contudo não é tão grande como a diferença entre a perfeição de Deus e a imperfeição do homem. Agora, imagine por um minuto que em algum lugar na África deve haver uma tribo de demônios vivendo, e que você e eu tivéssemos em nosso poder salvar esses demônios de alguma ira ameaçadora que deve alcançá-los. Se você ou eu devêssemos ir lá e morrer para salvar aqueles demônios, o que poderia ser a nossa motivação? Pelo que sabemos do caráter de um demonio, o único motivo que poderia levar-nos fazer isso deve ser o amor. Não poderia ser qualquer outro. Deve ser simplesmente porque tivemos corações tão grandes que poderíamos

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até mesmo abraçar demônios dentro deles. Bem, agora, não há tanta diferença entre o homem e o Diabo como entre Deus e o homem. Se, então, o único motivo que poderia levar os homens a poupar um demônio, deve ser o amor do homem, não se segue com força irresistível que o único motivo que poderia levar Deus a salvar os homens deve ser o próprio amor de Deus. De qualquer forma, se isso não é convincente, o fato é indiscutível: “Não é por amor de vós que eu faço isto, ó casa de Israel”. Deus nos vê abandonados, maldosos, iníquos e merecendo a Sua ira. Se Ele nos salva, é por que Seu infinito, insondável amor que O leva a fazê-lo, pois absolutamente nada em nós o levaria a nos salvar!

III. E agora, tendo assim pregado esta doutrina e reforçando-a, eu venho a uma APLICAÇÃO PRÁTICA muito solene. E aqui que Deus, o Espírito Santo, me ajude a laborar com os seus corações! Em primeiro lugar, uma vez que esta doutrina é verdade, quão humilde Cristão deve ser! Se você é salvo, você não teve nada a ver com isso, foi Deus o fez. Se você é salvo, não foi porque você merecesse. Foi misericórdia imerecida que você recebeu! Tenho, por vezes, sido muito feliz quando eu vi a gratidão de pessoas abandonadas para qualquer um que os tenha ajudado. Lembro-me de visitar uma casa de refúgio. Havia uma menina pobre lá que tinha caído em pecado há muito tempo e quando ela se viu gentilmente tratada e reconhecida pela sociedade e viu um ministro Cristão desejoso de buscar o bem de sua alma, isso quebrou seu coração. Por que um homem de Deus se importa com ela? Ela era tão vil. Como pode ser que o Cristão falasse com ela? Ah, mas quanto mais deve esse sentimento elevar-se em nossos corações? “Meu Deus! Me rebelei contra Ti e ainda Tu me amaste, indigno-me! Como pode ser? Eu não posso levantar-me de orgulho, devo me curvar diante de ti em palavras de gratidão!”. Lembrem-se, meus queridos irmãos e irmãs, que a misericórdia que você e eu recebemos foi não somente imerecida, mas foi sem ser solicitada! É verdade que você orou, mas não até que a livre graça fizesse você orar. Você teria estado até hoje endurecido de coração, sem Deus e sem Cristo, se a livre graça não tivesse te salvado. Você pode se orgulhar? Orgulhoso da misericórdia que, se posso usar o termo, foi forçada sobre você? Orgulhoso da graça que foi dada contra a sua vontade, até que a sua vontade fosse mudada pela graça soberana? E pense novamente! Toda a misericórdia que você tem, foi uma vez recusada. Cristo ceou com você. Não seja orgulhoso de seu companheiro! Lembre-se, houve um dia em que Ele bateu na porta e você O recusou, quando Ele veio até a porta e disse: “Abre-me, amada minha, porque a minha cabeça está cheia de orvalho,

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os meus cabelos das gotas da noite” [Cânticos 5:2]. E você o barrou em Sua face e não O deixou entrar! Não seja orgulhoso, então, do que você tem, quando você lembrar que você uma vez O rejeitou! Será que Deus abraça você em Seus braços de amor? Lembre-se, uma vez que você levantou sua mão de rebelião contra Ele! Está o seu nome escrito no Seu livro? Ah, houve um tempo em que, se tivesse estado em seu poder, você teria apagado as linhas sagradas que continham a sua própria salvação! Podemos, ousadamente, levantar nossas cabeças perversas com orgulho quando todas estas coisas devem nos fazer baixar a cabeça na mais profunda humildade? Essa é uma lição, vamos aprender outra. Esta doutrina é verdadeira e, portanto, deve ser um assunto da maior gratidão. Ao meditar sobre este texto ontem, o efeito que teve em cima de mim foi o de gerar a alegria. Oh! eu pensei, sobre em qual outra condição eu poderia ter sido salvo? E eu olhei para trás, para meu estado passado. Vi-me piedosamente treinado e educado, mas me revoltei contra tudo isso. Vi lágrimas de uma mãe derramadas por mim em vão e a admoestação de um pai rejeitada por mim, e eu ainda encontrei-me salvo por graça e eu só podia dizer: “Senhor, Eu te bendigo que é pela graça, pois se tivesse sido por mérito eu nunca teria sido salvo! Se Tu tivesses esperado até que houvesse algo de bom em mim, Tu terias esperado até que eu afundasse na perdição sem esperança do inferno, pois nunca haveria algo de bom no homem, a menos que Tu tivesses primeiro o colocado lá”. E então eu pensei imediatamente: “Ah, como eu poderia ir e pregar para o pobre pecador!”. Ah, me deixe tentar, se eu não posso. Ó pecador, você diz que não se atreve a vir a Cristo, porque você não tem nada para lhe recomendar. Ele não precisa de nada para recomendar você! Ele não vai te salvar se você tem alguma coisa para lhe recomendar, pois Ele diz: “Não por sua causa que eu faço isto”. Vá para Cristo com brincos nas orelhas e joias em cima de você. Lave o rosto e exiba-se com ouro e prata e vá diante dEle e diga: “Senhor, salva-me! Lavei-me e vesti-me, salva-me!”, “Tire-o daqui! Não é por amor de vós que eu vou fazer isso”. Vá a Ele novamente e diga: “Senhor, eu coloquei uma corda em volta do pescoço e saco sobre os meus lombos, olha como eu estou arrependido! Olha como eu sinto a minha necessidade! Agora salve-me!”, “Não”, Ele diz, “eu não iria salvá-lo por causa das belas vestes que você exibiu e agora não vou lhe poupar por causa de seus trapos! Eu vou te salvar não por algo que haja em você. Se eu salvá-lo, isto vai ser por algo em meu coração, e não por qualquer coisa que você sente. Saia daqui!” Mas, se hoje você for a Cristo e disser: “Senhor Jesus, não há nenhuma razão no mundo pela qual eu deveria ser salvo, há uma no Céu. Senhor, eu não posso instigar a qualquer alegação; eu mereço ser perdido, eu não tenho nenhuma desculpa para dar por todos os

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meus pecados, nenhum pedido de desculpas a oferecer. Senhor, eu mereço o inferno e não há nada em mim pelo que eu deveria ser salvo, pois se Tu me salvares eu deveria ser feito um Cristão pobre, depois de tudo. Temo que minhas futuras obras não serão em homenagem a Ti, eu gostaria que elas pudessem ser, mas Tua graça deve fazê-las boas, ou então elas ainda serão ruins! Mas, Senhor, embora eu não tenha nada para trazer e nada a dizer por mim mesmo, eu digo isso: Ouvi dizer que Tu vieste ao mundo para salvar os pecadores, então, Ó Senhor, salva-me! ‘Eu sou o principal dos pecadores.’ Confesso que não sinto isso como eu deveria, eu não luto como devo. Eu não tenho nenhum arrependimento para me recomendar. Não, Senhor, eu não tenho fé para me recomendar também, pois eu não acredito na Tua promessa como devo. Mas, oh! eu me agarro a este texto. Senhor, Tu disseste que não vais fazer isso por minha causa. Eu Te agradeço por ter dito isso! Tu não poderias fazer isso por mim, pois não tenho nenhuma razão pela qual Tu devesses. Senhor, eu reivindico sua promessa graciosa! ‘Tem misericórdia de mim, pecador’”. Ah, vocês pessoas boas, esta doutrina não combina com alguns de vocês! É muito humilhante, não é? Vocês que têm frequentado suas igrejas regularmente e estiveram em reuniões tão piedosamente, vocês que nunca quebraram o Sabath, ou nunca fizeram um juramento, ou algo errado — isso não combina com vocês! Você diz que fará muito bem pregar a prostitutas, e bêbados, e praguejadores, mas não irá servir para pessoas tão boas como nós somos. Ah, bem, este é o vosso texto: “Eu não vim chamar os justos, mas os pecadores, ao arrependimento”. Vocês são “sãos”, vocês “não precisam de médico, mas os que estão doentes”. Sigam o seu caminho! Cristo não veio para salvar tais como vocês são! Vocês pensam que podem salvar a si mesmos. Façam isso e pereçam ao fazê-lo! Mas eu sinto que o mesmo Evangelho que atende uma prostituta me atende e a graça livre que salvou Saulo de Tarso deve me salvar, caso contrário eu nunca fui salvo”. Venham, vamos todos juntos! Todos nós somos culpados — alguns mais, outros menos — mas todos irremediavelmente culpados. Vamos juntos para o escabelo de Sua misericórdia e embora não ousamos olhar para cima, vamos ficar lá no pó e suspirar de novo: “Senhor tenha misericórdia de nós por quem Jesus morreu: “Assim como eu sou, sem um fundamento, Mas o Teu sangue foi derramado por mim! E que Tu me ordenas a vir a Ti, Ó Cordeiro de Deus, eu venho, eu venho!”

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Pecadores, venham agora! Vinde, pois, rogo-vos, venham agora! Ó Espírito do Deus vivo, atraía-os agora! Que estas débeis e fracas palavras sejam o meio de atrair almas para Cristo! Você vai rejeitar o meu Mestre de novo? Você vai sair dessa casa endurecido mais uma vez? Você pode nunca mais ter sentimentos como estes que estão despertados em sua alma. Venham, agora, receber a Sua misericórdia! Agora dobre seus pescoços dispostos ao seu jugo! E então eu sei que você irá longe para provar Seu amor fiel e, finalmente, cantar no céu a canção dos redimidos: “Àquele que nos amou, e em seu sangue nos lavou dos nossos pecados, a Ele seja a glória para sempre. Amém”: “Ó Grande Jesus eterno, Alto e poderoso Príncipe da Paz! Como as Tuas maravilhas brilham resplandecentes, Nas maravilhas de Tua graça Teu rico Evangelho despreza condições, Sopra salvação gratuita como o ar; Apenas sopra misericórdia triunfante, Na culpa desconcertante e todo o desespero! Oh! a grandeza do Evangelho, Como soa o sangue purificador; Mostra o coração de um Salvador, Mostra o terno coração de Deus! Trata apenas de amor eterno, Aumenta a graça toda-abundante, Nada sabe, senão vida e perdão, Redenção completa, paz sem fim!”

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O Som Alegre Do Evangelho Da Graça De Deus Por Augustus Montague Toplady

A essência de um discurso pregado na Lock Chapel, Nas proximidades de Hyde Park Corner, no Domingo, 19 de Junho de 1774.

“Quão preciosa é, ó Deus, a tua benignidade, pelo que os filhos dos homens se abrigam à sombra das tuas asas.” (Salmos 36:7) “Bem-aventurado o povo que conhece o som alegre; andará, ó Senhor, na luz da tua face. Em teu nome se alegrará todo o dia, e na tua justiça se exaltará.” (Salmos 89:15-16)

Muitas vezes maravilhei-me diante da dureza daqueles escritores que presumiram ao afirmar que o Evangelho, ou mensagem da livre e plena salvação, pelo sangue e justiça do Filho coeterno de Deus, era desconhecida daqueles que viviam sob a dispensação legal. Nada pode ser mais falso. Nós podemos tão razoavelmente afirmar que o sol não brilhou durante a dispensação legal. E, como era o mesmo sol que agora brilha, este que então iluminava o mundo, assim era o mesmo Sol da justiça, que agora resplandece sobre as almas de Seu povo trazendo cura em suas asas (Malaquias 4:2), que então brilhou sobre os eleitos de Deus, visitou-os com as irradiações de Seu amor, e os salvou pela fé em Sua própria futura justiça e expiação. Até nós, como diz o apóstolo, o Evangelho é pregado, assim como a eles (Hebreus 4:2). E, novamente, aqueles todos morreram na fé, tendo visto as promessas de longe; e creram nelas [πεισθεντες, foram assegurados do interesse por elas], e saudaram-nas (Hebreus 11:13). Então, isto podemos afirmar com confiança, no que diz respeito a todas as pessoas iluminadas por Deus que viveram antes da encarnação do Messias, que como Abraão (João 8:56), elas viram o dia de Cristo em perspectiva, e alegraram-se na crente antecipação daquela bendita visão. Como a depravação da natureza humana é intrinsecamente a mesma em todas as épocas e os homens em e de si mesmos não eram nem melhores nem piores, durante a economia Mosaica, assim eles têm sido desde então, e o são neste dia; isso segue que a desordem deve ser a mesma, o remédio também deve ser o mesmo; e, é evidente, que não há duas formas de salvação, uma para os judeus crentes, e outra para os gentios crentes; senão aquela declaração que nosso Senhor nosso já fez, e deve sempre permanecer boa: “Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim” (João 14:6). Su-

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ponha que nós carregamos o nosso apelo para este salmo, para a verdade da observação feita aqui. O que você acha que Davi canta neste texto? Certamente ele canta aqueles consolos sobrenaturais, transmitidos por meio do Espírito Santo, e os quais o salmista sabia que seriam adquiridos para todos os eleitos, pelo sangue de Cristo. Portanto, ele, de mesmo modo, celebra os louvores daquela justiça, em que, e em que somente, os remidos do Senhor são exaltados a um estado de comunhão com Deus, e à herança dos santos na luz. Não admire, portanto, que um salmo tão ricamente carregado de verdade evangélica deva abrir em um ímpeto de louvor e gratidão ao Deus de toda graça, cujo amor ao Seu povo os envolve, sem começo e os seguirá sem fim. “As benignidades do SENHOR cantarei perpetuamente; com a minha boca manifestarei a tua fidelidade de geração em geração” [Salmos 89:1]. Agora, você acha que Davi não apreciava o que já foi chamado da plena segurança de fé? Ou você pode imaginar que Davi não estava familiarizado com o que tem sido chamado de doutrina da perseverança final? Certamente ele foi conduzido à clara percepção de ambas destas verdades; ou ele não poderia ter dito: As benignidades do SENHOR cantarei perpetuamente; não apenas hoje e amanhã, se eu viver; não só este ano e no próximo, se eu viver; não somente na vida, mas quando eu vier a morrer; e não apenas quando eu passar pelas correntezas da morte, mas quando eu pousar em segurança do outro lado; os altos louvores de Sua misericórdia e fidelidade devem estar sempre na minha boca. Davi estava flagrantemente equivocado em suas opiniões, se o que alguns, de forma blasfema, afirmam for verdade, que “aquele que é um filho de Deus hoje, pode ser um filho do diabo amanhã”. Você deve ou negar que o salmista escreveu sob a orientação infalível do Espírito de Deus, ou deve admitir que a preservação final do regenerado povo de Deus é uma doutrina do Livro de Deus. Mas não é o suficiente para os verdadeiros crentes que estejam sensíveis à misericórdia do Senhor, e à perpetuidade da Sua graça; eles anelam difundir a fragrância do Seu nome por toda parte, e efetuar a resolução de Davi: “com a minha boca manifestarei a tua fidelidade de geração em geração”. Alguns que conhecem a verdade evitam declará-la, e têm medo de falar; eles escondem a marca de Cristo na palma de suas mãos, em vez de usála em suas testas; e embrulham o seu Cristianismo em um manto de sigilo; como se eles considerassem ser sua maior desonra o serem vistos com a farda de Cristo em suas costas. Ao contrário, tais crentes enquanto são fortes na fé, dando glória a Deus, (ao invés de ocultarem-se através de estradas e caminhos privados, escondidos numa liteira coberta com as cortinas fechadas sobre eles) preferem desejar ir para ali, sobre a via pública de uma profissão declarada, numa carruagem aberta, com para serem vistos e conhecidos de todos os homens. Mas os ministros do Evangelho, acima de toda a humanidade, ao lado, deveriam, com a boca, fazer a fidelidade de Deus conhecida; e, ao invés de desejar escapulir para o céu pela porta de trás (se houver qualquer porta ali), marchar publicamente, com cores

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ondulantes, e com som de trombeta para o grande portão da cidade celestial, e labutar para levarem para lá tantas almas com eles quanto seja possível. Por isso, eles devem ser urgentes e inoportunos, em tempo e fora de tempo; repreendendo, corrigindo, exortando, com toda a longanimidade e doutrina (2 Timóteo 4:2); o ministério da Palavra, sendo a principal foice que o Espírito de Deus faz uso para cortar as excrescências venenosas da autojustiça, para cortar as ervas daninhas perniciosas de licenciosidade prática, e para reunir os pecadores eleitos para a santificação e conhecimento salvífico de Si mesmo. Deixe, no entanto, ser observado que as chamadas ministeriais e exortações dos embaixadores de Deus, impelidas e dirigidas, para o despertado bem como para o não despertado de maneira nenhuma implicam que, na intenção Divina, a graça é universal, como os Arminianos falam; nem que o homem, pelo uso apropriado de suas faculdades razoáveis, vem a arquitetar a sua própria Salvação. Não. Muito pelo contrário. Um pescador que permanece sobre a costa, e lança a sua rede no mar em geral, não é tão desvairado a ponto de pensar que pescará todos os peixes do mar, embora ele lance a rede indefinidamente, e sem exceção. Assim, quando o ministro Cristão espalha a rede do Evangelho, ele prega para todos que adentram na esfera de sua intervenção; não com a expectativa de resgatar a todos, mas de pescar tantos quanto Deus se agradar, sabendo que é o Espírito Santo, somente, que pode conduzir as almas à rede, e efetivamente alcança-las para Jesus Cristo. O que foi aquilo que fez Davi tão desejoso de cantar as misericórdias do Senhor? O que foi aquilo que o aqueceu e o encorajou em todos os eventos para fazer conhecida a fidelidade de Jeová de uma geração para outra? Foi o Evangelho da glória do Deus bendito, visto à luz do Espírito Santo, e experimentado através da influência da graça. Aqui está a razão do zelo de Davi: “Pois disse eu: a tua benignidade será edificada para sempre; tu confirmarás a tua fidelidade até nos céus” [Salmos 89:2]. O que é essa misericórdia, que está edificada para sempre, senão o gracioso plano, a gloriosa e graciosa obra de nossa salvação, fundada no propósito eterno de Deus, levado à execução, pelo labor e morte de Jesus Cristo, e, então, aplicado e trazido para o interior do coração, pela iluminação e poder de conversão do Espírito Santo? Esta é aquela misericórdia que é edificada para sempre. Foi planejada desde a eternidade, e não conhecerá a ruína nem a decadência através da linha ilimitada da própria eternidade. Quem é o construtor desta obra? Não é o livre-arbítrio do homem. Não é a justiça própria, nem a sabedoria do homem. Não é o poder humano, nem a capacidade humana. Todo verdadeiro crente reunir-se-á com Davi: é Deus, e somente Deus, quem constrói o templo de Sua igreja; e quem, como o construtor da mesma, é sozinho intitulado de toda a glória. Os eleitos compõem e formam uma grande casa de misericórdia; uma casa, erguida para demonstrar e perpetuar as riquezas da livre graça do Pai, o mérito da expiação do Filho; e a eficácia da ação do Espírito Santo. Esta casa, ao contrário do destino de todos os edifícios

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terrestres, nunca cairá, nem alguma vez será lançada para baixo. Como nada pode ser acrescentado (Eclesiastes 3:14) a ela, assim, nada pode ser tirado dela. O fogo não pode prejudicá-la; as tempestades não podem desfazê-la; o tempo não pode danificá-la. Ela está sobre uma rocha (Mateus 7:25, 16:19), e é imóvel como a rocha em que se encontra; a tríplice rocha do decreto inviolável de Deus, da redenção consumada de Cristo e da fidelidade infalível do Espírito. Deus não é um arquiteto imprudente, nem fraco nem caprichoso. Ele não forma um sistema miserável, passível de ser frustrado, e que, na melhor das hipóteses, dificilmente permanecerá consistente; mas está tudo bem ordenado; tudo é eterno; tudo está seguro; nada expedido por pensamento posterior ou porventura. Deus, irreversívelmente, desenhou o Seu plano, e Cristo, tendo completamente cumprido a obra redentora, o assina-la; o Espírito sagrado tem apenas que soprar sobre os corações de Seu povo no chamado eficaz, dar-lhes a fé, imbuí-los com a santidade interior, preservar e aumentar a santidade que Ele comunica, faze-los prosseguir nos caminhos do dever e da obediência exterior, exercitá-los com deserções, visitá-los com Seus consolos; guardá-los de cair, ou restaurá-los quando caírem, selá-los para o dia de Cristo, e conduzi-los de forma segura através da morte para o céu. Assim, a benignidade será edificada para sempre. E tão certo como este livro é o Livro de Deus; tão certo como o Espírito de Deus o inspirou, e inclinou Davi a escrever estas palavras; assim, certamente, é uma verdade o que as próprias palavras transmitem. Nenhuma parte da salvação é deixada em seis ou sete; mas tudo é um plano que honra a sabedoria infinita; um plano, concebido e oculto (Efésios 3:9) na mente onisciente de Deus desde os tempos eternos, mas depois feito conhecido externamente na Palavra escrita, ou Evangelho da graça; e desdobrado salvificamente nas almas dos homens, quando o bendito Espírito começa a nos converter das trevas para a luz, e do poder de Satanás para Deus (Atos 26:18). Eu estava, ontem, há alguma pequena distância da cidade; e tive um entretenimento muito refinado, indo a uma soberbíssima e elegante mansão que, dentro e fora, exibia tal combinação de imponência, beleza e perfeição de gosto, que eu não podia deixar de sentir uma curiosidade de saber em quanto tempo aquele edifício magistral fora construído! E, ao ser informado de que ela foi tanto fundada quanto finalizada no período de apenas 10 meses; eu não pude deixar de observar, para alguns amigos que estavam comigo, que se a arte humana e mãos humanas poderiam realizar tão transcendente obra como aquela, em tão curto tempo, porque seria estranho pensar que Jesus Cristo foi capaz de finalizar, e Ele de fato consumou, a obra da salvação humana em um período de trinta e três anos? Bendito seja Deus, a nossa salvação é uma obra consumada. Ela não precisa, nem admitirá, suplemento. E aqui, lembremo-nos de que, quando falamos de uma salvação consuma-

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da, nós queremos dizer a completa e infalivelmente efetiva redenção realizada pelo mérito propiciatório da própria obediência pessoal de Cristo e dos próprios sofrimentos pessoais de Cristo; tanto um quanto o outro dos quais têm a perfeição infinita da expiação e eficácia da justificação, que está absolutamente fora do nosso poder o acrescentar algo ao mérito ou validade de qualquer uma. Cada indivíduo da humanidade, por quem Cristo obedeceu, e por quem Ele sangrou, certamente será salvo por Sua justiça e morte, e sem a exceção de nenhum dos redimidos; considerando que Cristo pagou, totalmente pagou, a dívida da perfeita obediência e o sofrimento penal; assim, aquela justiça Divina deve transformar-se em injusta, se fosse possível para uma única alma perecer por todas ou qualquer uma daquelas dívidas que Cristo tomou sobre Si mesmo para libertação, e que Ele absolutamente libertou conforme o acordo. O Arminianismo não consegue digerir esta grandiosa verdade Bíblica. Assim, aquela pobre, maçante, cega criatura, o Bispo Taylor, nos diz em algum lugar, se não estou enganado, que “devemos expiar os nossos grandes pecados pelo choro; e os nossos pequenos pecados por um suspiro”. Se nossos pecados não têm outra expiação além dessa, vamos continuar chorando, e lamentando, e rangendo os dentes, por toda a eternidade. Mas, graças à Divina graça, a obra da expiação não é feita agora. Cristo já lançou fora os nossos pecados pelo sacrifício de Si mesmo (Hebreus 9:26). Estamos absolvidos de culpa e reconciliados com Deus, não por nossas próprias lágrimas, mas pelo precioso sangue de Jesus Cristo, como de um Cordeiro sem mancha ou defeito (1 Pedro 1:19); não os nossos próprios suspiros, e lágrimas e tristezas; mas a humilhação, a agonia, o suor sangrento, e a morte amarga dAquele que não cometeu pecado, dAquele que foi feito na forma de homem, e tornou-Se obediente até à morte e morte de cruz; isto, e isto somente, é a propiciação pelos nossos pecados (1 João 2:2). E tão certo como Cristo obedeceu, tão certo como Cristo expirou, tão certo como Ele ressuscitou novamente, tão certo como Ele intercede por todo o povo de Seu amor; assim, certamente serão todos eles, o primeiro e o último, capacitados a cantar a Sua fidelidade por todas as gerações; e esta misericórdia, a qual será edificada para sempre em sua glorificação plena, livre e final. Isto é mais confirmado por estas palavras do salmista: “Tu confirmarás a tua fidelidade até nos céus” [Salmos 89:2]. Como para dizer: “Quando todo o Teu povo escolhido, redimido e convertido for reunido ao redor de trono; então Tu darás, nos céus, uma prova eterna da Tua fidelidade eterna”. Tão longe estará Deus de deixar o Seu povo perecer em sua passagem pelo deserto da vida, ou através do rio da morte, que Ele apresentará a todos eles, imaculados, diante da presença de Sua glória com exultante alegria (Judas 1:24). Deus ama mui bem as Suas joias, e Cristo as comprou com um mui querido preço, e o Espírito Santo as lustra com muita atenção, quer para jogá-las fora, quer para perdê-las finalmente. Não, eles serão poupados (Malaquias 3:17); o seu número será cumprido; e em sua glorificação toda a Trindade será glorificada.

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Agora, após levantamento de alguns dos ramos, olhemos para a grande raiz de onde eles brotam. Tendo tomado uma visão apressada desses ribeiros, pelos quais a Igreja de Deus é enriquecida para a salvação; esforcemo-nos para contemplá-los em sua grande Fonte e Cabeça. Isto você encontrará no terceiro versículo; onde Deus, o Pai diz: “Fiz uma aliança com o meu escolhido, e jurei ao meu servo Davi, dizendo: A tua semente estabelecerei para sempre, e edificarei o teu trono de geração em geração” [Salmos 89: 3-4]. Você acha que isto foi dito a Davi, apenas para sua própria pessoa? Não, em verdade, mas para Davi como o antitipo, figura e precursor de Jesus Cristo. Por isso, a versão Septuaginta o torna: Fiz aliança τοις εκλεκοις μω, com o meu povo eleito, ou com os meus escolhidos; ou seja, com eles em Cristo, e com Cristo em seu nome. “Jurei ao meu servo Davi”, ao Messias, que foi tipificado por Davi; ao meu Filho coeterno, que aceitou tomar sobre si a forma de servo; “a tua descendência”, ou seja, todos aqueles a quem eu tenho dado a Ti no decreto da eleição, todos aqueles por quem Tu vives e morres para redimir, “para sempre os estabelecerei”, de modo a tornar irreversível e irrevogável a sua salvação; “firmarei o teu trono”, o Teu trono de mediação, como Rei dos santos, e Cabeça da Aliança dos eleitos, “de geração em geração”, sempre haverá uma sucessão de pecadores favorecidos a serem chamados e santificados, em consequência da Tua obediência federal até a morte; e a cada período de tempo, recompensará os Teus sofrimentos da aliança com o aumento da renovação de almas convertidas, até que tantos quanto estejam ordenados para a vida eterna (Atos 13:48) sejam reunidos. Observe-se, aqui, que quando Cristo recebeu esta promessa do Pai, relativa ao estabelecimento do Seu trono [ou seja, de Cristo] por todas as gerações; o significado claro é, que Seu povo será assim estabelecido; pois considere Cristo em Sua capacidade como o Filho de Deus, e o Seu trono já foi estabelecido, e havia sido desde a eternidade; e continuaria a ser estabelecido sem fim, mesmo que Ele nunca tivesse encarnado em absoluto. Portanto, a promessa indica que Cristo reinará, e não simplesmente como uma pessoa da Divindade (o que Ele sempre fez, e deve sempre fazer); mas relativamente, mediatorialmente e em seu caráter de ofício, como o Libertador e Rei de Sião. Por isso, segue-se que o Seu povo não pode ser perdido, porque Ele seria um pobre tipo de rei miserável que não tinha, ou não poderia ter, súditos sobre quem reinar. Consequentemente, aquele trono de glória, em que Cristo está sentado, já está cercado, em parte e, finalmente será completamente cercado, e feito ainda mais glorioso, por inumeráveis companhias, desta assembleia geral, e igreja dos primogênitos, que estão arrolados no céu (Hebreus 12:23); para a remissão de cujos pecados o Seu sangue foi derramado; para a justificação de pessoas cuja a Sua justiça foi operada; para a preservação de quem, em estado de graça, a Sua intercessão é ainda exercida no céu; e para restaurar e resgatar aqueles da desonra pessoal de pecado, o Espírito Santo desce e faz morada em seus corações, e nunca deixará a Sua graciosa tutela até que Ele os santifique para o reino de Deus.

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Bem pode o salmista acrescentar: “E os céus louvarão as tuas maravilhas, ó Senhor, a tua fidelidade também na congregação dos santos” (Salmos 89:5). O que devemos entender aqui pelos céus? Devo supor que os habitantes primários do céu; a saber, os anjos de luz. Bondade eletiva, misericórdia redentora, graça santificadora, e poder preservador, tão beneficamente demonstrados na salvação do homem caído, são maravilhas, mesmo para os próprios anjos. Mas os anjos são os únicos seres que devem admirar-se com essa demonstração de amor? Não. “E na assembleia dos santos, a tua fidelidade”. Na congregação dos santos crentes abaixo, e dos santos glorificados acima. Para santos e anjos, no grandioso resultado das coisas, quando as transações da graça e providência forem reveladas e definidas, claramente desveladas para a vista deleitosa; em um augusto período, santos e anjos, os remidos e os espíritos não-redimidos (mas ambos eleitos, um bem como o outro), que foram sempre incorpóreos e os santos cujas almas foram por um tempo desalojadas do corpo em consequência do pecado original, mas que receberão seus corpos novamente na ressurreição dos justos; todos estes, quando eles se levantarem e brilharem acima, deverão reunirem-se com suas coroas de fundição, e tocarão as suas harpas douradas para louvar a Ele, que amou o Seu povo, e os redimiu para Deus, por meio de Seu sangue (Apocalipse 5:9). O tempo não me permite considerar, como eu projetei todos os versos preliminares que conduzem ao texto. Eu espero que tenha sido suficiente para justificar a declaração em que o texto começa: “Bem-aventurado o povo que conhece o som alegre”! É terrivelmente insinuando que há alguns que sentam-se na esfera do som jubiloso, mas que, não o conhecem, sentem e apreciam. É para eles uma vox, et præterea nihil: um som e nada mais que um som. Mas, a bem-aventurança resulta para aqueles que conhecem o som alegre e cujas almas crentes podem dizer: “As bênçãos gratuitas do Evangelho são toda a nossa salvação e todo o nosso desejo”. Isto é uma coisa muito comum, quando falamos do conhecimento das coisas que pertencem à nossa paz espiritual e eterna, que pessoas não-convertidas bradem: “Ó, como você é presunçoso!” Eu repudio totalmente a acusação. Não é presunçoso tomar Deus em Sua Palavra, e crer e ter certeza de que haverá um cumprimento das coisas que são ditas e prometidas pelo Senhor (Lucas 1:45). Assim, quando Deus assegura ao pecador penitente: “Eu, eu mesmo, sou o que apago as tuas transgressões por amor de mim, e dos teus pecados não me lembro” (Isaías 43:25); não é humildade, mas a própria presunção, e a própria quintessência da incredulidade, que nos ordena colocar um negativo na afirmação solene de Deus, e nos induzir a questionar se Ele bem cumprirá, de fato, a Sua promessa. Eu sou firmemente da opinião que o homem que lê e professa crer na Bíblia deve ter um grande estoque de segurança, no pior sentido da palavra (ou seja, de audácia e desfaçatez), se ele se atreve a negar esta garantia, no melhor sentido da palavra, ou uma clara percepção

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e convicção de interesse no amor perdoador de Deus, é o privilégio possível ao povo convertido de Cristo. Estes certamente concordarão com Davi, em defini-los como bem-aventurados em conhecer o som alegre: os que conhecem o som festivo, cujos corações têm sido lavrados pelo Espírito Santo, para receber a semente do Evangelho; e em quem esta brota para justiça e paz e alegria no Espírito Santo (Romanos 14:17). Disto, e disto somente, surge a plena concepção de conhecer o som alegre. Por isso, podemos aprender que pessoas têm este conhecimento de fato. Não a Igreja do Povo da Inglaterra, em detrimento de outras; Não os Romanistas; não os membros da Igreja da Escócia; nem, em suma, os partidários de qualquer denominação em particular. Mas os muitos indivíduos que, pela graça, são habilitadas a conhecer o som alegre, são aqueles que Deus toma daquelas e de outras denominações, para ser um povo para o Seu nome (Atos 15:14); a saber, os eleitos de cada época, local e parte. Todos os convertidos de Deus, todo o Seu povo penitente, crente, obediente, através de toda a extensão da terra, abaixo, de uma extremidade do céu a outra; todos cujos corações são todos tocados pelo poder atrativo de seu Divino Espírito são as pessoas que conhecem o som alegre. O som alegre de quê? Aquele da livre graça, que é o empreendimento dos ministros de Deus proclamar, dizendo: “Paz, paz para o que está longe, e para o que está perto” (Isaías 57:19). Esse som alegre que diz: “Ah, todos (sem exceção de tempo, ou lugar, ou pessoa), vós, os que tendes sede, vinde às águas” (Isaías 55:1) da vida, alegria e salvação. Mas, observe que mesmo isto não é uma chamada universal. Deus me livre de ser mal interpretado por alguém que me escuta hoje. Não pense que eu estou içando as cores Arminianas, e erguendo a falsa bandeira Arminiana. Não, de maneira nenhuma. Acho que não há praticamente uma chamada mais indefinida, em toda a Palavra de Deus, do que a que eu citei por último. Mas, em seguida, note, que se destina apenas para os que têm sede, ou seja, àqueles que tanto conhecem o som alegre quanto desejam uma participação experimental das bênçãos que ele proclama. Seria leviano chamar às águas os que não têm sede. Seria ridícula zombaria, se convidássemos os mortos para sentarem-se à mesa, e colocar um prato, uma faca e um garfo, diante deles, e perguntar-lhes porque eles não comem? O fato é: eles não podem comer nem beber. Eles devem, antes, serem feitos vivos para que possam ter algo como qualquer apetite. Há uma passagem mui frequentemente, porém muito ociosamente, insistida pelos Arminianos, como se fosse um martelo que poderia a um só golpe esmagar ao pó toda a obra da livre graça. A passagem é: “Por que morrereis, ó casa de Israel” (Ezequiel 18:31). Mas acontece que a morte aqui aludida não é nem a morte espiritual, nem morte eterna; como abundantemente aparece em todo o teor do capítulo. A morte intencionada pelo profeta é uma morte política; a morte de prosperidade, tranquilidade e segurança nacionais. E o sentido da pergunta é justa e precisamente este: O que é isto que faz você se apaixonar pelo

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cativeiro, banimento e ruína civil? A abstinência da adoração de imagens pode, como um povo, isentá-los daquelas calamidades, e mais uma vez fazer de vocês uma nação respeitável. São as misérias da devastação pública tão sedutoras como para atrair a vossa busca determinada? Por que morrereis? Morrer como a casa de Israel e considerada como um corpo político? Assim, razoavelmente, o profeta argumentou o caso. Adicionando, ao mesmo tempo, esta declaração não menos razoável: “Porque não tenho prazer na morte do que morre, diz o Senhor DEUS; convertei-vos, pois, e vivei” (Ezequiel 18:32). O que implica nestas duas coisas: 1. Que o cativeiro nacional dos judeus não acrescentou nada à felicidade de Deus. Isto não lhe trouxe qualquer adesão de lucro ou prazer. E eu me pergunto (filosoficamente falando) se seria possível adicionar o que quer que seja à felicidade Divina, já que é infinita; e, consequentemente, insuscetível de aumento. 2. Que, se os judeus se convertessem da idolatria, e lançassem fora as suas imagens, eles não morreriam em um país hostil estrangeiro, mas viveriam em paz em sua própria terra, e desfrutariam de suas liberdades como um povo independente. E agora, o que tem tudo isto tem a ver com as bênçãos da graça e glória? Não mais do que isto tem a ver com Gogue e Magogue. Não seria muito absurdo se eu permanecesse no jardim da igreja e dissesse para os corpos enterrados ali: “Por que morrereis?” Não, em meu pensamento, seria menos do que se eu dissesse a um pecador morto espiritualmente: “Por que morrereis?” Ai, ele já está morto; e colocar tal questionamento para alguém nesta condição, seria, na realidade, perguntar para um homem que já está caído em Adão (como todo homem está): “Por que tu caíste em Adão?” Deixe os Arminianos falarem desta maneira se o consideram adequado. Eles terão, para mim, todo o falatório, não invejado e não rivalizado, para eles mesmos. Eu acho que isto não suportará água. Uma coisa muito diferente é o som alegre do Evangelho da graça. Ele transmite a vida aos mortos, e saúde para os vivos. Ele vos deu vida, estando vós mortos em vossos delitos e pecados (Efésios 2:1). E, diz Deus a respeito da vivificação de sua Igreja: “Eis que lhe trarei [não a provocarei com uma oferta vazia; mas, verdadeiramente] saúde e cura” (Jeremias 33:6). A regeneração dá vida espiritual e a santificação dá saúde espiritual, para a alma. Como a saúde espiritual é evidenciada para nós mesmos e para outros? Não por pender no encosto da cadeira da preguiça; mas por abundar na obra do Senhor. Pois, embora algumas pessoas nos chamem Antinomianos (como o próprio Cristo e os apóstolos eram, então — Mateus 11:19 e Romanos 3:8 — chamados antes de nós, pelos desenvergonhados fariseus daquela época), e falsamente acusam nossa boa conversação (1 Pedro 3:6), como se fôssemos inimigos da lei moral; estamos tão longe disso, que (eu declaro isto ousadamente, e deixe que qualquer um o contradiga, se puder), nós que cremos que a salvação é o dom absoluto da graça absoluta somos as únicas pessoas que reafirmam as devidas honras da lei, e estabelecemos sua autoridade de forma inabalável.

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1. Afirmamos suas honras, por considerá-las como uma transcrição da própria santidade de Deus; como absolutamente perfeitas em todas as Suas requisições; como o padrão invariável de excelência moral; como a sublime regra pela qual o próprio Cristo ajustou Sua própria obediência incomparável; e como o instrutor que, em subserviência à influência do Espírito Santo, nós prepara (pela severidade da sua disciplina) para a recepção de Cristo, e para ouvirmos, para um bom propósito, aquele som da graça do Evangelho que é jubiloso apenas para aqueles a quem a lei, assim vista, tem instrumentalmente (Gálatas 3:24; Romanos 3:20) convencido do pecado. 2. Estabelecemos sua autoridade (Romanos 3:31), por enxertar a nossa obediência sobre o princípio perpétuo (1 Coríntios 13:8 e Mateus 27:40) do amor a Cristo; por objetivar a conformidade prática aos Seus preceitos, como o grande prova visível da nossa parte na eleição de Deus e na redenção do Messias (1 Pedro 1:2); acreditando e afirmando que ela ainda permanece em pleno vigor, e assim permanecerá enquanto o sol e a lua existirem, como a regra moral da nossa caminhada; e suplicando a Deus pelo Espírito Santo (Hebreus 8:10) para escrevê-la em nossos corações adequadamente. Pois, qualquer que seja a obrigação absolutamente moral, é e deve ser, em sua própria natureza, irrevogável. Assim, o som festivo proclama a majestade, e até mesmo acrescenta às sanções da lei moral. Para cumprir toda a justiça dessa lei, e suportar a sua terrível pena, como um pacto de obras, o Filho de Deus Altíssimo inclinou-se dos céus e desceu, para fazer o Seu povo resgatado amar essa lei como uma diretriz de conduta; e para torná-la realmente transcrita ao seu máximo em suas vidas, como um meio de sua conformidade a Deus; o Espírito incriado desce sobre suas almas como uma pomba, e opera neles tanto o querer quanto o efetuar. Mas ainda devemos considerar a lei como na mão de Cristo (1 Coríntios 9:21): E lembrese, que o amor de Deus, graciosamente derramado (Romanos 5:5) no coração é o único princípio pelo qual os crentes agem. Agora, aquele som alegre que as pessoas são ditas bem-aventuradas em conhecer, consiste grandemente, no que a Palavra de Deus traz à luz sobre (Efésios 3:11) aquele propósito eterno da eleição de graça que Ele estabeleceu em Cristo Jesus, nosso Senhor. Pois, não obstante os esforços profanos de alguns em deturpar essa grande e preciosa verdade como uma doutrina obscura, desconfortável, aqueles cujos olhos Deus iluminou, e aqueles cujos corações Deus tocou, sabem que este não é um som triste, mas jubiloso; e o desejo de todos os seus corações é: oh, que eu pudesse, com fé mais desanuviada, contemplar meu nome brilhando no Livro da vida do Cordeiro! O próprio Cristo, o grande pregador da predestinação, e que certamente foi um juiz competente desta questão, considerou a eleição uma doutrina reavivadora do coração; ou Ele nunca ordenaria aos Seus discípulos que se ale-

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grassem por terem Seus nomes escritos no céu (Lucas 10:20). Qualquer que prega o Evangelho sem considerar a eleição absoluta, este ministro dá as costas para a árvore da vida, apaga uma das principais luzes que ele deveria elevar no velador, e retém de Seu povo a própria raiz e essência do som alegre. O qual é a livre remissão do pecado, por meio do sangue precioso e expiação de Jesus Cristo; o qual é incondicional e irreversível justificação, através da imputada justiça de Cristo; o qual é aquela verdade que nos diz que o Espírito de Cristo é o regenerador, o habitante, o iluminador e o eterno consolador dos filhos de Deus; o qual é essa palavra que nos assegura que o Senhor não ficará longe das pessoas de Seu amor, nem Se compadece para finalmente afastar-Se deles, mas que Ele os selará como Seus para sempre, e os preservará durante a vida e a morte, para a glória, embora cada passo que deem sobre a terra esteja cheio de armadilhas, e, se deixados por si mesmos um momento, eles cairiam no inferno mais baixo; o qual é a contínua advocacia de Cristo, pelo qual Ele veste Seu sacerdócio em Seu trono, e intercede por Seu povo militante, de modo que, enquanto eles estão peregrinando, ou lutando, ou enfraquecendo, Ele está orando, com a apresentação perpétua de Si mesmo diante de Deus, como um Cordeiro recém-assassinado; o qual são as promessas que se relacionam com o socorro, apoio e libertação da alma, na morte; que garantem uma ressurreição corporal para a glória, honra e imortalidade; e que certifica-o em beatificação sem fim, da alma e corpo juntos, no reino de Deus; digo eu, o são todos esses, senão as muitas porções e ramos do som alegre? E um som alegre isto é. Que Deus o faça assim para nós! Fosse a questão deixada na mão da nossa livre-agência, o som alegre logo escureceria em um som funesto. Nunca entraríamos em um estado de graça em absoluto. E, se Deus nos colocasse nisto, e depois nos entregasse à nossa própria gestão, deveríamos rapidamente naufragar em absoluto. Adão, no estado de inocência, não permaneceu, provavelmente, por 24 horas. E como deve o crente, que está em um estado misto de pecado e graça, e em quem estão (Cantares 6:13) a fileira de dois exércitos, a carne e o espírito, em guerra perpétua entre si; como poderia uma pessoa possivelmente continuar, mesmo por vinte de quatro minutos, se o mesmo amor Todo-Poderoso, que o colocasse na Aliança, não o sustentasse na mesma? Um bom homem do século passado, diz, e com grande verdade “o crente mais forte dentre todos nós é como um copo sem uma base, que não pode permanecer um momento a mais do que ele seja mantido”. E nosso Senhor tinha uma visão semelhante sobre o assunto, quando Ele declarou, que Ele mantém todas as Suas ovelhas em Sua mão (João 10:28; Veja também Deuteronômio 33:8); se Eu te deixasse por um instante, tu cairias; portanto, Eu te seguro firme, e ninguém pode arrebatar-te da Minha mão.

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Oh, quão confortável é isso, quando o Senhor faz essas verdades conhecidas ao coração, pelo Seu Espírito! Quão bem-aventuradas são as pessoas que, assim, conhecem o som alegre! Quem podem ver que Deus as amou em Seu Filho; podem sentir que Cristo morreu por elas, para ser a sua paz eterna; que estão convencidas de que a paz não está por ser realizada agora, mas foi completamente cumprida e selada pelo precioso sangue da Sua cruz, eras e eras antes que eles puxassem a respiração; que estão docemente seguros de que o Espírito Santo, que já começou a mostrar-lhes as grandes coisas de Cristo, prosseguirá mais claramente a mostrar-lhes que Ele nunca os deixará, nem os abandonará, na vida, na morte, nem mesmo em sua jornada final! Este é aquele som alegre que Deus permite que Seu povo conheça. E qual é a consequência de conhecê-lo? Bem-aventurado é o povo que conhece o som alegre. Por que eles são bem-aventurados, ou felizes? E em que a sua bem-aventurança consiste? Eles andarão, ó Senhor, na luz da Tua face. Como para dizer, nós precisamos somente conhecer este som alegre para sermos felizes. Nós precisamos apenas saber o que é ser amado, escolhido, redimido e santificado dentre os homens; e então, este conhecimento nos fará (Habacuque 3:19) andar sobre as suas alturas, e triunfar em o nome de nosso Deus. Nós vamos experimentar o sorriso, nós fruiremos da luz do sol, da face de Deus sobre as nossas almas. Qual é o significado dessa frase: “andará, ó Senhor, na luz da tua face”? Suponha que qualquer grande personagem apadrinhou um homem sombrio, e o favoreceu com sua peculiar intimidade e amizade. Seria, nesse caso, natural que nós disséssemos: “tal pessoa é grandemente contemplada por este ou aquele nobre”. Assim aqui: Eles andarão na luz da Tua face, ou seja, estarão, sensivelmente, no favor de Deus. Eles fruirão de confortável comunhão e amizade com Deus. Eles terão uma persuasão satisfatória de que o Senhor está em paz com eles, através do sangue de Cristo; e que (Romanos 5:1), sendo justificados pela fé, estão também, por sua parte, em paz com o Senhor. Eles (Romanos 5:11) recebem a expiação (pois o verdadeiro assunto da fé é, não fazer a expiação, mas simplesmente receber e descansar sobre a expiação de Cristo, já feita, a qual a fé em si mesma não a torna mais eficaz do que intrinsecamente é). Às vezes, a maré da segurança rola tão ricamente sobre a alma, como a subir quase (se assim posso dizer) até a marca d’água, e não deixa tanto como a sombra de uma dúvida sobre a mente. Quando é assim com o crente, ele pode ser eminentemente dito que anda na luz da face de Deus. A fé olha (Hebreus 6:19) dentro do véu. A cena interposta se abre. Nós quase ouvimos os anjos cantarem. Nós quase vemos as almas dos glorificados prestando homenagens à graça, e lançando as suas coroas no escabelo Divino. Nós quase contemplamos o Rei dos santos (Isaías 33:17) em Sua beleza, brilhando como (Apocalipse 5:6) o Cordeiro no meio do trono. Estes são momentos preciosos! Mas, logo a cena se fecha. Nós descemos do topo da montanha, e encontramo-nos de novo no vale.

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Se Deus, no entanto, ainda não lhe deu qualquer garantia de Seu amor, não imagine que você é, portanto, um estrangeiro e um bastardo. Pois, eu imagino, que a face de Deus, ou favor, e a luz da Sua face, ou o conhecimento claro e confortável de Seu favor, são duas coisas distintas. Deus pode ter um favor para conosco, Ele pode nos amar, e estar resolvido a nos salvar; e ainda não nos saciar com a luz imediata de Sua face. Mas sobre uma coisa eu sou tão claramente positivo, quanto agora estou pregando na Capela Lock: a saber, que ninguém cujo coração, é em absoluto operado pelo do dedo do Espírito de Deus, pode sentar-se, muito fácil e contentemente, sem visitar a experiência do que a luz da face de Deus significa. Seu desejo é conhecê-la, andar nela, e andar digno dela. Você nunca observou, depois que o sol tem brilhado, talvez por horas a fio, uma névoa difusa surge da terra, ou uma nuvem flutuante interpõe-se no céu, e sombreia o grande luminar de seu ponto de vista? Ainda assim, é a realidade, o sol ainda brilhava como antes, embora a sensação de seu brilho fora suspensa. Assim, nas épocas mais obscuras de angústia espiritual, a face de Deus, ou favor, ainda está em sua direção para o bem; e brilha, não apenas com intensidade inextinguível, mas também não diminuível. Esta não é, no entanto, uma felicidade mais desejável; para ver e sentir a luz do Seu rosto, sorrindo plenamente sobre nós, como um sol quando se levanta na sua força (Juízes 4:31); isto é, o que quer indicar o apóstolo, onde diz: “Porque Deus, que disse que das trevas resplandecesse a luz, é quem resplandeceu em nossos corações, para iluminação do conhecimento da glória de Deus” [ou seja, para nos iluminar no conhecimento da gloriosa graça do Pai, como demonstrada] εν προσωπω, na Pessoa, [e conforme exibida na salvação final] de Jesus Cristo (2 Coríntios 4:6). E isto é, igualmente, o que o salmista indica no texto: Andarão, ó Senhor, na luz da Tua face. Você pergunta: “Como esta comunhão feliz com Deus deve ser alcançada?”. Eu respondo: isto não é de realização humana, mas da concessão do Espírito Santo. Donde Davi, em outro lugar, ora: “Senhor, exalta sobre nós a luz do teu rosto” (Salmos 4:6). Você pergunta mais: “Como esta doce iluminação e amizade devem ser buscadas, cultivadas e acalentadas?”. Eu respondo que a sabedoria e a vontade de Deus, neste ordenado encadeamento de uma bênção a outra, que Ele estabeleceu em Sua Aliança da graça, tudo concorre para nos assegurar de que, se quisermos desfrutar dos raios não interceptáveis dentro de Sua presença, devemos cultivar a santidade, abundar em boas obras, estar muito na companhia de Deus, através da oração e súplica com ações de graças, beber continuamente da fonte da Sua Palavra escrita e conversar com frequência, e comparar experiências, com os outros dos filhos de Deus, mais especialmente com aqueles ou eminentemente vivificados, ou notavelmente exercitados em deserções; tais conversações são sempre proveitosas, e frequentemente fazem (Lucas 24:32) nossos corações arderem interiormen-

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te, enquanto nós mutuamente abrimos as Escrituras, e (Malaquias 3:18) falamos uns com os outros, sobre (Atos 10:3) as coisas concernentes ao reino de Deus. Os doentes e os em leitos de morte do povo de Cristo são, em um grau muito eminente, as escolas de instrução e consolo. Muitas vezes fui para eles tão frio (espiritualmente falando), como uma pedra, e retornei deles tão aquecido quanto um anjo. Em uma palavra: a comunhão com Deus requer que nós sejamos encontrados em todos os meios de graça, e no caminho do dever universal; e nós evitarmos, como faríamos com veneno ou a peste, tudo o que tende a lançar um pano úmido sobre a nossa relação com o Espírito Santo, para manchar nossas graças, ou escurecer nossas evidências. Se você descobrisse que até mesmo a travessia de uma palha favorecesse a vinda de uma nuvem sobre sua alma e obstruiria a sua comunhão com Deus, seria o seu máximo dever o absterse de cruzar essa palha como se, “tu não atravessarás uma palha” fosse um dos dez mandamentos. Mas em todos estes aspectos cada homem deve julgar por si mesmo, em particular. Deus tem, em geral ligado bem com o bem e o mal com o mal. Se, portanto, você sofre por estar fora de Sua guarda, e fora de Sua vigilância, embora você não possa (se você é um verdadeiro crente) cair e quebrar seu pescoço, ainda assim você pode quebrar seus membros de forma a ir hesitante para o dia de sua morte. O Senhor graciosamente “fortalece (Litania), bem como suporta”, e efetivamente “levanta (Litania) até os que caem”; fazendo tanto estes quanto aqueles mais ardentes e mais cuidadosos praticamente do que nunca, para caminhar na luz de Sua face! Porque, certamente, próximo do amor do coração de Deus, os crentes valorizam os sorrisos de Sua face; a partir dos quais, como a partir da ação do sol, surgem as construções de alegria consciente; as folhas da profissão imáculada; a variada floração dos temperamentos santos; e os frutos benéficos da justiça moral. Estão totalmente enganados aqueles que supõem que a luz da face de Deus, e os privilégios do Evangelho, e os consolos do Espírito, nos conduzem à indolência e inatividade no caminho do dever. O texto corta esta suposição pelas raízes. Pois não diz que eles devem sentar-se à luz de Tua face; ou que eles se deitarão a luz de Tua face; mas que andarão na luz da Tua face. O que é andar? É um movimento progressivo de um ponto para outro do espaço. E o que é esta caminhada santa a qual o Espírito de Deus capacita a todo o Seu povo observar? É um movimento contínuo, progressivo, do pecado à santidade; de tudo o que é mau para toda a boa palavra e obra. E a mesma luz da face de Deus, na qual você, ó crente, é habilitado a andar, e que a princípio lhe deu pés espirituais com os quais andar, irá mantê-lo em um andar e em um estado de trabalho até o fim de sua guerra. Assim que o caminho deverá, sob as iluminações de seu Espírito (pois não podemos fazer nada, senão enquanto Ele nos concede a Sua graça a cada momento), brilhar mais e mais até ser dia perfeito (Provérbios 4:18). Os verdadeira-

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mente justos prosseguirão em seu curso, e aqueles que têm as mãos puras irão crescendo em força (Jó 17:9). Eles não somente andarão, ó Senhor, na luz da Tua face; eles deverão também, às vezes, até mesmo correr e não se cansarão (Isaías 39:31), ou seja, quando eles são eminentemente inclinados para Deus. Leva-nos; correremos após ti (Cânticos 1:4). Embora Deus encontre todos os Seus filhos natimortos ou mortos espiritualmente, antes que Ele os vivifique por Seu próprio poder eficaz e graça, ainda assim Ele os vivifica, a fim de que eles possam viver posteriormente para Sua honra e glória (1 Pedro 2:9). Ele levanta a luz de Sua face sobre a mente humana, com uma visão análoga ao que Ele faz com a luz do sol natural, que sobe sobre o mundo. Com que finalidade o sol brilha sobre nós em uma manhã? Não é para que possamos continuar a fechar os olhos e pálpebras, e pressionemos o dia todo a cama da indolência; mas para que levantemos e estejamos agindo. E por que a luz do Espírito de Deus brilha interiormente sobre o Seu povo? Para que eles possam levantar e caminhar na luz de Sua face e fazer as obras de Deus enquanto é dia (João 9:4), como Jesus Cristo deu-lhes o exemplo: ande de modo digno dAquele que lhes chamou para Sua glória e virtude. Pois não é santo falar, mas santo caminhar, o que prova que somos filhos de Deus. No entanto, depois que fizemos o máximo, e tenhamos andando tão longe, nos caminhos de Deus como sua graça nos permitiu, o que é o tema de nossa confiança e alegria? Não nós mesmos, nem os nossos próprios desempenhos, mas a livre misericórdia do Pai, e o todo-perfeito mérito dAquele que morreu e ressuscitou. Como o bom Sr. Hervey pergunta: “Podem os nossos atos de caridade expiar os nossos inúmeros crimes? Como uma gota de água fresca pode corrigir e adoçar a salmoura insondável do oceano. Podem nossas performances defeituosas satisfazer as exigências de uma lei perfeita, ou os nossos erros nos ocultar do desagrado de um Deus irado? Assim como a nossa mão erguida pode eclipsar o sol, ou interceptar o raio quando se arremessa através da nuvem prestes a romper. Nós podemos ser reconciliados com Deus apenas por Jesus Cristo (veja o sermão do Sr. Hervey, intitulado ‘O Ministério da Reconciliação’)”. É o doce emprego da fé que faz tantas boas obras quanto puder; e renuncia a elas tão rápido quanto ela possa lhes dizer: “Senhor, quando te vimos com fome, e te demos de comer…?” [Mateus 25:37]. Assim, aprendemos, a partir do texto, que as mesmas pessoas que andam na luz da face de Deus, e são ativas nas observações do dever moral, têm, quando elas têm feito de tudo, algo infinitamente melhor pelo que se alegrar e para depender do que a santidade da sua caminhada, e os vários deveres que efetuam. Em Seu nome, e não em sua própria retidão, se alegrará todo o dia, e na Sua justiça, e não em suas próprias obras, se exaltará. Durante o dia da vida terrestre, eles devem cantar, com o apóstolo: “Mas longe esteja de mim gloriarme, a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo” (Gálatas 6:14); e quando, tendo o seu

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último respirar na terra, eles voam para praia da imortalidade, são, então, incoativamente (o início de uma ação), e serão (após a auditoria final) completa e eternamente, elevados para o reino de Deus, na e através da justiça imputada, somente, de seu Salvador, o seu Fiador e a sua Cabeça. Pelo nome de Cristo, no qual os eleitos são aqui ditos alegrarem-se, eu entendo o próprio Cristo: a Pessoa bendita, representada por esse Nome. O qual é o brilho, o  a emanação, ou exterior feixe luz radiante, da glória do Pai (Hebreus 1:4), e é, pela virtude desta derivação eterna e incompreensível (ς  ). Deus de Deus; Luz da Luz; verdadeiro Deus de Deus verdadeiro, gerado, não criado; co-igual participante de uma substância [ou seja, da mesma natureza e essência numérica] com o Pai, e por quem todas as coisas foram feitas. Em Seu Nome, ou seja, na Divindade de Sua Pessoa, e em Seus ofícios como mediador; em Sua expiação consumada, na perfeita justiça de Sua obediência, e na Sua intercessão infalível por todos os eleitos; este é o privilégio do humilde, do contrito, do fraco, do tentado e do crente caído (se retornando), pelo que se alegrar; porque foi para tais homens, e para a sua salvação, que este Ser adorável desceu do Céu, e derramou a Sua alma na morte. Não imagine que Davi era um Antinomiano, porque ele não faz nenhuma menção de boas obras como objetos de alegria e de dependência. A verdade é que não se diz, “os santos se alegrarão em sua fidelidade, em suas mortificações emocionadas, ou mesmo naquelas obras que brotam da graça genuína”. Não; não nestes, mas em Seu nome, os gentios creem (Mateus 12:21), e apenas de Sua única justiça eles farão a Sua glória. Graças inerentes e deveres pessoais são os ornamentos, mas não a fundação, nem os pilares, do templo místico de Deus. Como a justiça de Cristo é o único mérito que pode nos exaltar à presença e ao reino de Deus; assim esta doutrina sozinha deve ser considerada tão evangélica, de forma que abate a justiça do homem, e exalte a justiça de Cristo; o que nos leva a confiar, não no que fazemos, mas individualmente sobre o que Ele fez e sofreu por nós. O trabalho da Lei é nos derrubar do pedestal da autoconfiança, e nos moer; como Moisés reduziu ao pó, e dispersou os materiais dos ídolos israelitas. A obra da graça é nos erguer do pó, e estabelecernos em Cristo, a Rocha Eterna, para colocar um cântico novo de salvação gratuita em nossas bocas, e ordenar os nossos passos no caminho dos mandamentos de Deus. Isto é (mesmo o poder do Espírito Santo, que pela primeira vez nos quebra em pedaços pelo martelo da Lei, e, em seguida, nos restaura pela graça do Evangelho) que nos permite nos gloriemos em nome de Cristo, todo o dia. Não que a alegria de um crente seja ininterrupta, a partir do momento de sua conversão até o momento de sua chegada ao céu; pois os

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eleitos têm o seu choro, bem como a sua temporada de triunfo, e sua peregrinação é sabiamente contrastada e diversificada, tanto com alegrias e tristezas que o mundo não conhece. O significado, portanto, do texto, é que um pecador não é mais cedo nascido de novo do que quando Cristo, e Cristo somente, torna-se o objeto da dependência deste pecador; que possa, a partir daí, dizer com o Dr. Watts: “Enquanto judeus de suas próprias obras dependem, “E os gregos da sabedoria se vangloriam; Eu amo Teu mistério encarnado, E ali eu fixo a minha confiança.” O pecador convertido tendo assim, por meio da boa mão de Deus sobre ele, fixado todas as suas esperanças em Jesus Cristo, o Justo, viaja o restante de seu caminho, encostado nos méritos (Cantares 8:5) do amado mediador; e é, enfim, exaltado à participação efetiva da herança celestial acima, em e pela virtude desta justiça Divina, a qual Deus Filho operou, que Deus o Pai imputa, que Deus o Espírito aplica, e sentindo-se esvaziar, recebe a fé. O erudito e evangélico Sr. Thomas Cole, um renomado e útil ministro de Cristo, no século passado, tinha uma observação ou duas, em sua última doença plena para o sentido da cláusula com a qual o texto conclui: Na tua justiça eles se exaltarão. “Seria uma infeliz morte, se não tivéssemos algo de cada forma adequado às exigências da lei, para fundamentar as nossas esperanças de vida eternal. Nós temos uma entrada abundante no Reino de Deus, pelo caminho da justiça de Cristo. O Diabo e a Lei podem nos encontrar; ainda assim não podem nos impedir de entrar no céu por aquela Justiça. Devemos estar certos de encontrar com o Diabo, com a consciência, com homens ímpios e com a Lei de Deus, em nosso caminho para o céu; e não podemos lidar com nenhum deles, senão através da Justiça que foi toda satisfeita. Vamos trazer isso junto conosco, e todos eles fugirão diante desta. Se um pecador vem em sua própria justiça, “expulse-o”, diz Deus; assim diz a consciência, assim diz a Lei. Mas, quando alguém vem vestido com a Justiça de Cristo, “deixo-o entrar”, diz Deus; assim diz a consciência; assim diz a Lei; e deixe que o Diabo e o mundo digam o contrário, se ousarem”. Eu não deveria me atrever a olhar a morte de frente, se não fosse a garantia confortável que a fé me dá sobre a vida eterna em Cristo Jesus, e pelas emanações confortáveis e abundantes desta vida. Isto não é o que eu trago para Cristo, mas, o que eu recebo dEle. Os primórdios do que eu vejo saltando para a vida eterna. Algumas pessoas pensam em triunfarem elas mesmas como um todo, por sua própria justiça moral, mas este é o caminho pronto para morrer no horror da consciência.

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“Se você quer a manifestação do perdão de todos os pecados, leva-os para a livre graça; que tendo-os apagado, sabe dar-lhe uma percepção disto. O Evangelho de nossa salvação é um Evangelho da livre graça, e aqueles que gostariam de outra forma podem reunir o que puderem, e vão ostentando para as portas do céu; mas eles voltarão novamente”. E como foi com este grande homem de Deus apoiado pela justiça de Cristo, quando na visão imediata da morte? Aprenda o que esta justiça pode fazer por nós, pelo seguinte discurso memorável, que ele dirigiu a um dos seus visitantes: “Você está vindo para ouvir os meus últimos gemidos agonizantes, mas saiba, quando você os ouvir, que eles são a respiração mais doce eu jamais aspirei desde que eu conheci Cristo Jesus”. Ó bendito Filho de Deus, exalta-nos em Tua justiça, e retira de nós a nossa própria! Vós, que hoje me ouvem, oh, o que vós estais procurando? Serem encontrados e exaltados na obediência de Cristo? Ou herdarem perdição e condenação em sua própria? Deus vos capacite e leve-os a escolher a boa parte! Corte fora, tanto quanto o homem pode fazê-lo, todos os fundamentos de orgulho, incredulidade hipócrita, deixe-me concluir com duas ou três observações pertinentes. 1. Porque a notícia do Evangelho da salvação é chamada de “o som alegre”? Não, por tempo indeterminado, uma alegria, mas peculiarmente, e exclusivamente de todos os outros regimes que sejam, o som alegre? Porque ele é o veículo de fazer conhecido a nós que Deus é amor, e que Ele (no sangue e justiça de Cristo) abriu um canal para o Seu amor exercitar-se na salvação do indigno. Os perdidos são encontrados; os cegos veem; os surdos ouvem; os coxos andam; os leprosos são limpos; os mortos são vivificados, e tudo isso sem dinheiro e sem preço (Isaías 4:1). 2. Você tem alguma parte ou porção nesta bem-aventurança de que o texto fala? Alguma visão confortável, ou esperança de proveito na eleição de Deus, e na propiciação de Cristo, e na graça regeneradora do Espírito? Pedi, e isto (não é vendido a você pelos seus trabalhos e pelo seu cumprimento imaginário das pretendidas condições, mas um sentimento de interesse) vos será dado; procurai, somente pelo Nome e somente pela justiça por amor de Cristo, e achareis as misericórdias que desejam; batei, mas deixe que isto seja com a mão vazia, na porta da clemência divina, e esta vos será aberta. “Pedi, e dar-se-vos-á; buscai, e encontrareis; batei, e abrir-se-vos-á. Porque, aquele que pede, recebe; e, o que busca, encontra; e, ao que bate, abrir-se-lhe-á” (Mateus 7:7-8). Tão certo como Deus inclina você para Cristo, tão certamente Cristo, ao Seu tempo determinado, fará de você um participante da bem-aventurança dos que conhece o som alegre.

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3. Você, que crê com o coração para justiça (Romanos 10:10) dê toda a glória; e ore para que você possa ter continuamente visões mais vivificantes desta justiça imputada, na qual Ele levou você a confiar. Como, por um lado, nada pode garantir e animar a sua alegria; tanto, por outro (para usar a expressão de um bom homem, agora com Deus), “Nada pode efetivamente matar o pecado, senão uma contemplação clara da justiça de Cristo”. Apeguese a essa âncora segura e firme, e você finalmente subirá mais elevado, tanto das ondas de aflição, e da lama de suas próprias concupiscências e corrupções. 4. Faça disto o seu objeto predominante de ambição, o caminhar na luz da face de Deus. Se você é bem-aventurado com o Seu sorriso, não importe-se mesmo que toda a criação possa franzir a testa. 5. Mas se você anda na luz ou escuridão, no conforto ou sofrimento, lembre-se que você não tem nada, senão o Nome, a Aliança, a Pessoa e a Obra de Cristo, em que alegrar-se e no que depender. Nós, diz o apóstolo, somos a circuncisão, nós que adoramos a Deus no Espírito, e nos gloriamos em Cristo Jesus, e não confiamos na carne. 6. Saiba de onde toda a sua salvação espiritual e eterna surge. Não vem de vocês mesmos, em nenhum aspecto, nem em qualquer grau. A livre-agência, até ser santificada pela regeneração, é um dente quebrado, e um pé fora da articulação. E obras “feitas antes da graça de Cristo e da inspiração de seu Espírito são”, como a nossa igreja justamente os pronuncia ser, “pecaminosas e desagradáveis a Deus”. Não, mesmo as melhores obras que podem ser executadas após a conversão caem imensamente aquém do que a Lei de Deus requer, no ponto, tanto de matéria e de forma, de quantidade e qualidade, de número, extensão, pureza e peso. O que, então, seria de nós, se não fosse a justiça de Cristo? O próprio São Paulo, com todo o seu séquito incomparável de obras santas e trabalhos úteis, teria afundado, do próprio andaime do martírio, no inferno mais baixo. Bendita, portanto, seja a livre graça de Deus, por esta preciosa palavra de promessa infalível: Na Tua justiça o Teu povo se exaltará! 7. O que é isto que fez, e para sempre continuará a fazer, a justiça de Cristo, tão infinitamente meritória e eficaz? A Divindade de Sua Pessoa. Todos os seres criados no universo, seja angélico ou humano, não caídos, caídos ou restaurados, nunca, por seus maiores esforços unidos, seriam capazes de fornecer e operar uma justiça de valor suficiente para reivindicar o favor de Deus sobre o fundamento da justiça e mérito, ou de apresentar qualquer uma das sementes escolhidas irrepreensível diante dos olhos flamejantes de infinita santidade. Tal poder pertence apenas à justiça do Deus-homem, Jeová encarnado. Nada além deste mérito todo-perfeito e eterno, o qual é o resultado complexo de Sua obediência e do Seu sacrifício, pode nos exaltar e resgatar para a dignidade e felicidade do Céu.

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A Divindade de Cristo dificilmente pode receber a prova mais forte da Escritura do que aquela que nosso texto fornece. Pois o conjunto de dois versículos, que têm sido objeto de nossa meditação, nesta manhã, é um endereço solene ao Messias; não como Homem e Messias, mas, em Sua mais elevada capacidade, como Deus com Deus, ou como o eterno e unigênito do Pai. Vamos dar ao texto uma breve revisão, e nós imediatamente percebemos que não é nem mais nem menos do que uma aplicação devocional, explicitamente direcionada para a segunda pessoa da Trindade: uma aplicação formada nos termos mais estritos de culto, até mesmo de adoração absoluta e devidamente Divina; e que não pode, sem a idolatria mais grosseira e condenável, ser oferecida a qualquer ser inferior ao próprio Deus. Bem-aventurado o povo que conhece o som alegre, por Ti; Eles andarão, ó Jeová, na luz da Tua face; em Teu nome se alegrarão todo o dia, e na Tua justiça se exaltarão. Agora, o que você pensaria do homem que ofereceria, tal discurso todo como este para o mais elevado arcanjo no céu? E o que foi Davi, se pudesse solene e deliberadamente escrever este discurso para uma inteligência criada; e fazer com que isto fosse cantado publicamente pelos levitas, e pelos principais cantores de Israel, e até mesmo deixá-lo no registro para a sedução da posteridade? E ao mesmo tempo, também, quando a nação judaica era particularmente cuidadosa para execrar e evitar tudo o que tinha a menor tendência à idolatria? Ou Cristo é verdadeiramente Deus, ou Davi foi o sacrílego adorador de alguém falso. Se, portanto, qualquer um de vocês for assediado pela astúcia dos homens que ficam à espreita para enganar; você deve encontrar com tais quem dizem que Cristo não é Jeová, ou verdadeiro e eterno Deus; lembre-se, se houvesse nenhuma outra passagem da Escritura, ainda assim estes dois versos, e seu contexto; irão, por si só, a qualquer momento, bastar para colocar em fuga o sofisma dos párias. Nós podemos nos exaltar na justiça de uma criatura? Será que Deus, o Pai aceitaria, e nos ordenaria confiar na expiação de um ser finito? Pela mesma regra, poderíamos (com os Papistas insolentes) confiar nos supostos méritos da Virgem Maria, ou de São alguém. E pela mesma regra, poderíamos descer um degrau mais baixo, e (com os ainda mais descarados Pelagianos) confiar em nossos supostos próprios méritos, e queimar incenso para o braço murcho do nosso próprio maldito livre-arbítrio. Em suma, não há fim para as impiedades horríveis, que fluem pelo atropelamento da Divindade e da justiça de Cristo sob os pés. Além disso, se Cristo não era Deus sobre todos, bendito para sempre, cada indivíduo da humanidade que confia no mérito do Messias entraria no circuito daquela tremenda maldição denunciada pelos lábios dAquele que é capaz de salvar e destruir. “Assim diz o Senhor:

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Maldito o homem que confia no homem, e faz da carne o seu braço, e aparta o seu coração do Senhor! Porque será como a tamargueira no deserto, e não verá quando vem o bem” (Jeremias 17:5, 6). A fé em Cristo seria o pecado mais condenável sob a cúpula do céu, e a Lei de Deus pronunciar-nos-ia amaldiçoados por confiar nEle, se Ele não fosse tão absolutamente Jeová como o Pai. E devo acrescentar que este impressionante texto conclui igualmente forte contra os Fariseus de todos os tipos e tamanhos que confiam tanto em anjos, ou em espíritos dos mortos, ou em seus próprios miseráveis “eus”, para qualquer parte da salvação, se pouco ou muito. Cristo somente deve ser crido para perdão, para a justificação, para a vida eterna e para toda a nossa segurança e felicidade, do começo ao fim. De onde isto é imediatamente adicionado, no capítulo acima de Jeremias: “Bendito o homem que confia no Senhor, e cuja confiança é o Senhor. Porque será [isto é, o homem que confia e espera em Jesus somente] como a árvore plantada junto às águas, que estende as suas raízes para o ribeiro, e não receia quando vem o calor, mas a sua folha fica verde; e no ano de sequidão não se afadiga, nem deixa de dar fruto” [Jeremias 17:7-8]. Percebo os elementos que estão sobre os sacramentos! Mesa. E eu não duvido que muitos de vocês pretendem apresentar-se naquele trono da graça, que Deus misericordiosamente ergueu na justiça e sofrimentos de Seu Filho co-igual. Oh, cuidem de não vir com um sentimento em seus lábios e outro em seus corações! Acautelai-vos de dizer, com a boca: “Nós não viemos à esta mesa, ó misericordioso Senhor, confiando em nossa justiça própria”; embora talvez vocês tenham, na realidade, algumas reservas secretas em favor daquela mesma justiça própria que vocês professam renunciar; e pensem que o mérito de Cristo por si só não irá salvá-los, a menos que vocês adicionem uma coisa ou outra para torná-lo eficaz. Não sejam tão enganados; porque Deus não será assim, ridicularizado, nem Cristo, será assim insultado com impunidade. Chamem os seus labores que quiserem, se os termos, causas, condições ou suplementos; o assunto vem para o mesmo ponto, e Cristo é igualmente lançado fora do Seu trono mediador, por estes ou quaisquer outros pontos de vista semelhantes de obediência humana. Se vocês não dependerem inteiramente de Jesus como o Senhor a sua justiça (Jeremias 23:6); se vocês misturarem a sua fé nEle com qualquer outra coisa; se a obra consumada do Deus crucificado não for sozinha a sua âncora reconhecida e fundamento de aceitação junto do Pai, tanto aqui como para sempre; cheguem à sua mesa e recebam os símbolos de Seu corpo e sangue para o seu perigo! Deixem a sua justiça própria para atrás de vocês, ou vocês não têm parte ali. Vocês estão sem a veste nupcial; e Deus dirá a vocês: amigo, quão sinceramente você está aqui? Se vocês vão mais adiante, vivem e morrem neste estado de incredulidade, vocês serão encontrados sem palavras e indesculpáveis no Dia do Juízo; quando o Salvador desprezado dirá aos Seus anjos a vosso respeito: Amarrai-o de pés e mãos, levai-o, e lançai-o nas trevas exteriores [ali haverá pranto e ranger de dentes]. Porque muitos são chamados, mas poucos escolhidos” (Mateus 22:12, 14).

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Pelo contrário, vocês que podem realmente dizer: “nós não viemos a Ti, confiando em nossa própria justiça”, mas sentem e confessam ser, vocês mesmos: “indignos mesmo de recolher as migalhas sob tua mesa”; em Ti somente procuramos ser justificados, e em Ti somente (Isaías 14:25) nos gloriamos; deixe os tais “aproximarem-se com fé, e tomar este santo sacramento para seu consolo”. O Senhor lhes permita trazer seus pecados e seus deveres, e vocês e seu tudo, à grande Propiciação! Que Ele nos lave em Seu próprio sangue, vistanos com a Sua própria justiça, e sele-nos um povo santo para Si mesmo, pelo Seu Espírito! Então seremos convidados aceitáveis em Sua mesa abaixo; e amadureceremos rapidamente para a casa da glória acima; enquanto tudo isso for o nosso apelo e toda a nossa canção: “Senhor, eu não sou digno que entrar debaixo de tua morada, em que tu possas entrar na minha; mas (Apocalipse 5:12) o Cordeiro que foi morto é digno; e cada partícula da minha esperança centra-se nEle, em Sua Aliança, em Sua obediência, cruz, humilhação e exaltação. Por causa de Suas agonias, retire as minhas iniquidades. Por causa de Sua justiça, receba-me graciosamente. E no manto de Seu mérito imputado, que eu possa (Filipenses 3:9) ser achado vivendo, estando antes morrendo, no tribunal do julgamento, e por toda a eternidade”.

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Graça Abundante (Sermão Nº 501) Pregado na manhã de sábado, 22 de março de 1863. Por C. H. Spurgeon, no Tabernáculo Metropolitano, Newington.

“Eu voluntariamente os amarei.” (Oséias 14:4) Esta frase é uma Teologia Sistemática em miniatura. Aquele que compreende o seu significado é um teólogo, e quem pode mergulhar em sua plenitude é um verdadeiro mestre em Divindade! “Eu os amarei”, é uma condensação da gloriosa mensagem de salvação que foi entregue a nós em Cristo Jesus, nosso Redentor. O sentido se desdobra em cima da palavra “voluntariamente”. “Eu os amarei”, aqui está o glorioso, o apropriado, o caminho Divino pelo qual flui o amor do Céu à terra! É, de fato, a única maneira em que Deus pode amarnos como somos. É possível que Ele possa amar anjos por causa de sua bondade, mas Ele não poderia amar-nos por esse motivo. A única maneira pela qual o amor pode vir de Deus para criaturas caídas é expressa na palavra “voluntariamente”. Aqui temos amor espontâneo fluindo para aqueles que não merecem, não o compraram, nem procuraram buscar por ele! Uma vez que a palavra “voluntariamente” é a própria tônica do texto, devemos observar seu significado comum entre os homens. Usamos a palavra “voluntariamente” para aquilo que é dado, sem dinheiro e sem preço. Ela se opõe a toda ideia de barganha, de toda a aceitação de um equivalente, ou o que pode ser interpretado em um equivalente. Um homem é dito dar livremente quando ele concede sua caridade simplesmente requerentes que jazem em sua pobreza, nada esperando ganhar. Um homem distribui voluntariamente, quando, sem pedir qualquer compensação, ele considera que é mais abençoado dar do que receber. Agora, o amor de Deus vem aos homens totalmente livre e sem preço, sem que tenhamos mérito para merecê-lo, ou dinheiro para consegui-lo. Eu sei que está escrito: “Vinde, comprai vinho e leite” [Isaías 55:1], mas não é acrescentado, “sem dinheiro e sem preço”? “Eu os amarei”, ou seja: “Eu não vou aceitar as suas obras em troca de Meu amor, Eu não vou receber o seu amor como uma recompensa para Mim, vou amá-los, todos indignos e pecadores como eles são”. Os homens dão “voluntariamente”, quando não há indução. Um grande número de presentes de atrasados tem sido dado à princesa de Gales, e isso é muito bom, mas a posição da princesa é tal que não vemos isto como qualquer grande liberalidade ao conceder um colar de diamantes, uma vez que aqueles que os dão são honrados por sua aceitação. Agora, a

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gratuidade do amor de Deus é mostrada nisto, a saber, que os objetos dele são totalmente indignos, pode conferir sem honra, e não tem condições de ser uma indução para abençoálos. O Senhor os ama livremente. Algumas pessoas são muito generosas em suas próprias relações, mas aqui, mais uma vez, eles dificilmente podem ser considerados livres, porque o laço de sangue os compele, os seus próprios filhos, o seu próprio irmão, a sua própria irmã, se os homens forem generosos aqui, eles devem dizer “por meio” e “através de”! Mas a generosidade do nosso Deus é recomendada a nós em que Ele amou os Seus inimigos, e sendo nós ainda pecadores, no devido tempo, Cristo morreu por nós! A palavra “voluntariamente” é “extremamente vasta”, quando usado em referência ao amor de Deus aos homens. Ele seleciona aqueles que não têm nem mesmo sombra de uma rei-vindicação sobre ele, e os coloca entre os filhos de Seu coração! Usamos a palavra “voluntariamente”, quando um favor é conferido sem ele está sendo procurado. Dificilmente pode-se dizer que o nosso rei nas antigas histórias perdoou os cidadãos de Calais livremente quando sua rainha teve primeiro de prostrar-se diante dele, e com muitas lágrimas para induzi-lo a ser misericordioso. Ele foi gentil, mas ele não era voluntário em sua graça! Quando uma pessoa tem sido perseguida por um mendigo nas ruas, embora ela possa virar e dar liberalmente para se livrar do pedinte clamoroso, ela não dá “voluntariamente”. Lembre-se, no que diz respeito a Deus, que a Sua graça ao homem foi totalmente espontânea. Ele dá a graça Divina para aqueles que a procuram, mas ninguém jamais iria procurar a menos que a graça não procurada primeiro lhe houvesse sido concedida. A graça soberana não espera pelo homem, nem se demora pelos filhos dos homens. O amor de Deus vai aos homens quando eles não têm nenhum pensamento de buscá-lO, quando eles estão buscando todo tipo de pecado e devassidão. Ele os ama livremente, e como o efeito deste amor, eles então começam a buscar a Sua face. Mas não é nossa busca, nossas orações, nossas lágrimas, que inclinam o Senhor a nos amar. No início, Deus nos ama voluntariamente, sem quaisquer solicitações ou súplicas, e então chegamos tanto a suplicar quanto a implorar Seu favor. Aquele que vem sem qualquer esforço de nossa parte chega até nós “voluntariamente”. Os governantes cavaram o poço, e como eles cavaram, eles cantaram: “Brota, ó poço!”. Em tal caso, onde um poço tem sido escavado com muito trabalho, a água dificilmente pode ser descrita como subindo espontaneamente. Mas ali, no vale do riso, a fonte jorra do lado da colina e derrama sua torrente cristalina entre os seixos brilhantes. O homem não cavou a fonte, ele não perfurou o canal, pois, muito antes de ele ter nascido, ou desde sempre o peregrino cansado inclinou-se para seu fluxo refrescante, ele havia saltado de alegria em seu caminho certo espontaneamente, e vai fazê-lo, enquanto a lua perdure, voluntariamente, voluntariamente, voluntariamente. Tal é a graça de Deus! Nenhum labor do homem a procura; nenhum empenho humano pode fazê-lo. Deus é bom a partir da simples necessi-

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dade de Sua natureza; Deus é amor simplesmente por que Sua essência é ser assim, e Ele derrama Seu amor em correntezas abundantes a objetos indignos, merecedores do mal e do inferno, simplesmente por que Ele “se compadecerá de quem Ele se compadecer, e terá misericórdia de quem Ele tiver misericórdia”. Isto não depende de quem quer, nem de quem corre, mas de Deus que se compadece! Se você pedir uma ilustração da palavra “voluntariamente”, eu aponto para o sol. Quão voluntariamente ele espalha os seus raios vivificantes! Preciosos como o ouro são os seus raios, mas ele os espalha como o pó, ele semeia a terra com as pérolas do oriente, e a pavimenta com esmeralda, rubi e safira, e tudo muito voluntariamente. Você e eu esquecemos de orar pela luz do sol, mas ela vem a seu tempo determinado, e sim, sobre o blasfemo que amaldiçoa Deus, o dia nasce e à luz do sol o aquece tanto quanto ao mais obediente filho do Pai celestial! Este raio de sol cai sobre a fazenda do avarento, e sobre o campo do tolo; o sol ordena o grão dos ímpios se expandir em seu calor cordial, e produz a sua colheita; o sol brilha na casa do adúltero, na face do assassino, e na cela do ladrão. Não importa o quão pecador o homem possa ser, ainda assim à luz do dia desce sobre ele sem ser convidada ou procurada! Tal é a graça de Deus, aonde ela vem, não vem, porque é pedida, ou merecida, mas simplesmente da bondade do coração de Deus, que, como o sol, abençoa como Ele quer! Note os ventos suaves do céu, o sopro de Deus para reviver o enfraquecido, as brisas suaves. Veja o doente à beira-mar bebendo na saúde das brisas do mar salgado; aqueles pulmões podem em suspiro proferir a canção lasciva, mas o vento de cura não é contido, se é o peito de um santo ou de um pecador, ainda assim aquele vento não cessa para ambos! Assim acontece com as visitações da graça, Deus não espera até que o homem seja bom, antes Ele envia o vento celeste, com a cura sob suas asas, mesmo como Lhe agrada, então Ele sopra, e os mais indignos vêm! Observe a chuva que cai do céu. Cai sobre o deserto, bem como sobre o campo fértil; cai sobre a rocha que recusará a sua umidade fertilizante, bem como sobre o solo que abre a sua boca para beber com gratidão! Veja, ele cai sobre as ruas duras da cidade populosa, onde não é requerida, e onde os homens até mesmo a amaldiçoam por ter vindo, e ela não cai mais livremente onde as flores doces estiveram suspirando por ele, e as folhas murchas estiveram farfalhando suas orações. Tal é a graça de Deus. Ela não nos visita, porque nós a buscamos, e muito menos porque merecemos, mas como Deus quer, e os frascos do Céu são destapados, assim como Deus quiser, e a graça Divina desce. Não importa o quão vis, sombrios, faltosos e sem Deus os homens possam ser, Ele terá misericórdia de quem Ele tiver misericórdia! Essa livre, rica, transbordante bondade dEle pode fazer dos piores e menos merecedores os melhores e mais excelentes objetos de Seu Amor! Você me entende. Deixe-me não sair deste ponto até que eu tenha definido bem o seu sig-

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nificado. Quero dizer isso, queridos amigos, quando Deus diz: “Eu voluntariamente os amarei”, Ele quer dizer que nenhuma oração, nem lágrimas, nenhumas boas obras, nenhuma esmola são indução para que Ele ame os homens, não, não apenas nada, em si, mas nada em qualquer outro lugar foi a causa de Seu amor por eles! Nem mesmo o sangue de Cristo, nem mesmo os gemidos e lágrimas de Seu Filho amado! Estes são os frutos do Seu amor, não a causa dele. Ele não ama porque Cristo morreu, Cristo morreu porque o Pai amou! Lembre-se que esta fonte de amor tem sua nascente em Si próprio, não em você, nem em mim, mas somente no próprio coração gracioso, infinito do Pai de bondade. “Eu voluntariamente os amarei”, espontaneamente sem qualquer motivo extra, mas inteiramente porque Eu escolhi fazê-lo. No texto, temos duas grandes doutrinas. Vou anunciar a primeira, e estabelecê-la, e então eu vou me esforçar para aplicá-la.

I. A primeira grande doutrina é essa, que NÃO HÁ NADA NO HOMEM PARA ATRAIR O AMOR DE DEUS A ELE. Temos que estabelecer esta doutrina, e nosso primeiro argumento é encontrado na origem deste amor. O amor de Deus para com o homem existiu antes que houvesse qualquer homem. Ele amava o Seu povo escolhido antes de qualquer um deles haver sido criado, não, antes que houvesse sido formado o mundo sobre o qual o homem habita, Ele havia posto o Seu coração sobre o Seus amados e lhes ordenado para a vida eterna! O amor de Deus, portanto, existia antes de haver qualquer coisa boa no homem, e se você me diz que Deus amou os homens por causa da previsão de alguma coisa boa neles, eu respondo a isso, que a mesma coisa não pode ser ao mesmo tempo causa e efeito! Agora, é absolutamente certo que qualquer virtude que pode haver em qualquer homem é o resultado da graça de Deus. Se ela é o resultado da graça Divina, não pode ser a causa da graça Divina! É absolutamente impossível que um efeito devesse ter existido antes de uma causa, mas o amor de Deus existia antes de bondade do homem, portanto, essa bondade não pode ser uma causa. Irmãos e Irmãs, a Doutrina da antiguidade do Amor Divino está gravada como com uma ponta de diamante sobre a própria fronte da Revelação! Quando os filhos ainda não haviam nascido, nem tendo feito bem nem o mal, o propósito da eleição ficou firme — quando ainda éramos como o barro na massa da criação, e Deus tinha poder para fazer da mesma massa um vaso para honra ou um vaso para desonra — Ele escolheu fazer Seu Povo vasos para honra. Isso não poderia ter sido por causa de alguma coisa boa neles, pois eles, eles próprios, não seriam, muito menos a sua bondade! As palavras do Salvador: “Sim, ó Pai, porque assim te aprouve” [Mateus 11:26], revelam não somente a soberania, mas a gratuidade do amor Divino.

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Vocês não sabem, queridos amigos, em segundo lugar, que todo o plano da bondade Divina é totalmente oposto ao antigo Pacto de Obras? Paulo é muito forte neste ponto, ele expressamente nos diz que, se é de graça, não pode ser pelas obras, e se é pelas obras, não pode ser pela Divina graça, não havendo possibilidade dos dois entrelaçarem-se (fundiremse)! Nosso Deus, falando pelo profeta, diz: “Não conforme a aliança que fiz com seus pais, no dia em que os tomei pela mão, para os tirar da terra do Egito; porque eles invalidaram a minha aliança apesar de eu os haver desposado, diz o Senhor” [Jeremias 31:32]. O Pacto da Graça está tão distante quanto os polos separaram-se do Pacto das Obras! Agora, o teor do Pacto de Obras é este: “Faze isto e viverás”, se, então, nós fazemos o que o Pacto de Obras exige de nós, nós vivemos, e vivemos como o resultado de nosso próprio fazer. Mas o oposto deve ser o caso do Pacto da Graça. Ele nunca pode ser o resultado de qualquer coisa que façamos para ser salvos sob essa Aliança, ou então os dois são o mesmo pacto, ou pelo menos semelhantes. Considerando que em toda a Bíblia, eles são definidos em oposição um contra o outro, como providenciados em princípios opostos, e atuando a partir de diferentes fontes. Ó vocês que pensam que qualquer coisa em você pode fazer com que Deus os ames, fique ao pé do Sinai e aprenda que a única coisa que pode levar Deus a aceitar o homem com base na Lei é a perfeita obediência! Leia os Dez Mandamentos, e veja se você pode manter um deles na plenitude do seu espírito, e eu tenho certeza que você vai ser obrigado a clamar: “Seu mandamento é extremamente amplo. Grande Deus, eu pequei”. E, no entanto, se você ficar na posição do que você é, você deve receber todos os dez, e você deve mantê-los ao longo de uma vida inteira, nunca falhar em um mínimo ponto, ou então você certamente deve ser abominado por Deus! O Pacto da Graça não fala daquele modo de maneira nenhuma. Ele vê o homem como culpado, e não tendo nenhum mérito, e ele diz: “Eu vou, eu vou, eu vou”. Ele não diz: “Se eles forem”, mas “eu quero, e eles deverão, vou borrifar água pura sobre eles, e eles serão limpos, e de todas as suas iniquidades os purificarei”. Esse Pacto não olha para o homem como inocente, mas como culpado! “E, passando eu junto de ti, vi-te a revolver-te no teu sangue, e disse-te: Ainda que estejas no teu sangue, vive” [Ezequiel 16:6]. O primeiro Pacto foi um contrato: “Faça isso, e eu vou fazer isto”. Mas o outro não tem a sombra alguma de barganha nele. Ele é: “Eu te abençoarei, e vou continuar a te abençoar. Embora vocês abundem em transgressões, vou continuar a abençoá-los até eu vos aperfeiçoar, e, finalmente, trá-los-ei para minha glória”. Não pode ser, então, que não haja qualquer coisa no homem que faça Deus amá-lo, porque todo o plano do Pacto da Graça é oposto ao Pacto de Obras! Em terceiro lugar, a substância do amor de Deus — a substância do Pacto, que brota do amor de Deus —, mostra claramente que não pode ser a bondade do homem que faz com que Deus o ame. Se você me dissesse que havia algo de tão bom no homem que, por isso,

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Deus deu-lhe pão para comer, e vestes para vestir, eu poderia acreditar em você. Se você me disser que a excelência do homem obrigou o Senhor colocar o fôlego em suas narinas, e dar-lhe o conforto da vida, eu poderia ceder a você. Mas vejo ali o próprio Deus feito homem, eu vejo que Deus, o Homem, finalmente cravado na cruz, eu O vejo no madeiro expirando em agonias desconhecidas; ouço Seu terrível grito: “Eloi, Eloi, lama sabactâni”. Vejo o sacrifício terrível de Filho unigênito de Deus, que não foi poupado, mas entregue livremente por todos nós, e estou certo de que seria nada menos do que blasfêmia se eu admitisse que o homem poderia merecer tal presente como a morte de Cristo! Os próprios anjos no Céu, com uma eternidade de obediência, nunca poderiam ter merecido tão grande dádiva, como Cristo na carne, morrer por eles! E oh, devemos nós, que estamos totalmente sujos e contaminados olhar para essa querida cruz e dizer: “Eu merecia este Salvador”? Irmãos e irmãs, isto seria o cúmulo da arrogância infernal, deixe estar longe de nós, deixe-nos, em vez disso, sentirmos que não poderíamos merecer tal amor como este, e que, se Deus nos ama a ponto de dar Seu Filho por nós, deve ser por algum motivo oculto em Sua própria vontade, não pode ser por causa de alguma coisa boa em nós! Além disso, se você recordar os objetos do amor de Deus, bem como a substância deles, em breve você vai ver que eles não poderiam ter qualquer coisa neles que compelisse Deus a amá-los. Quem são os objetos do amor de Deus? Eles são fariseus, os homens que jejuam duas vezes na semana, e que pagam o dízimo de tudo que eles possuem? Não, não, não! Eles são os moralistas que, no que diz respeito à Lei, são irrepreensíveis, e andam em todas as observâncias de sua religião, sem um deslize? Não, os publicanos e as meretrizes entrarão no reino dos Céus antes deles! Quem são os escolhidos de Deus? Deixe agora toda a tribo no Céu falar por si próprios, e eles vão dizer: “Temos lavado nossas vestes, (elas precisavam, elas eram manchadas), e as branqueamos no sangue do Cordeiro”. Apelo a qualquer dos santos na terra, e eles vão te dizer que eles nunca poderiam perceber alguma coisa boa em si mesmos. Eu tenho procurado em meu próprio coração — eu espero com certo grau de seriedade — e muito longe de encontrar qualquer razão em mim mesmo pela qual Deus deveria amarme, eu posso encontrar mil razões pelas quais Ele deveria me destruir, e lançar-me para sempre de Sua presença! Os melhores pensamentos que temos se contaminaram com o pecado, a nossa própria fé é misturada com incredulidade, a devoção mais nobre que nós já prestamos a Deus é muito inferior a Suas doçuras, e é marcado com enfermidade e culpa! Lembre-se que muitos daqueles que são os verdadeiros servos de Deus eram os piores servos de Satanás! Será que isso não os surpreende, que os homens que eram os companheiros da prostituta agora são santos do Altíssimo? O bêbado, o blasfemo, o homem que desafiou as leis humanas, bem como as de Deus, como foi o caso de alguns de nós, mas nós fomos lavados, fomos purificados, fomos santificados! Eu nunca conheci, e eu nunca

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esperaria encontrar-se com qualquer alma salva que jamais iria, por um momento, tolerar o pensamento de que haja bondade em si mesma a ponto de merecer a estima de Deus! Não, vil e cheio de pecado sou, e se Tu tens misericórdia de mim, ó Deus, é porque Tu Terás, pois eu não tenho nenhum mérito! Ademais disso, somos constantemente informados nas Escrituras que o amor de Deus e o fruto do amor de Deus são dons. “O salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna”. Agora, se o Senhor permanece barganhando com você e comigo, e diz: “Eu te darei isso se... se... se...”. Ele, então, não amaria voluntariamente. Mas se, por outro lado, é simples, pura e somente um dom oferecido como tal, não por qualquer recompensa a ser dada posteriormente, então o dom é um presente puro, um verdadeiro dom, e por isso o texto é confirmado dizendo: “Eu voluntariamente os amarei”. Agora, o dom de Deus é a vida eterna, e queridos amigos, se você e eu nunca entendermos isto, precisamos obtê-la como um dom gratuito de Deus, de modo algum como os salários que ganhamos, pois nossos pobres ganhos nos trarão a morte! Apenas o dom de Deus pode nos dar vida. Em todas as passagens da Palavra, o amor do Senhor é grande e maravilhosamente louvado. A Palavra nos diz que tão alto quanto o Céu está acima da terra, assim são os Seus caminhos acima de nossos caminhos. Se o Senhor amou os homens, por alguma amabilidade neles não haveria nada de maravilhoso nisto, você e eu podemos fazer o mesmo! Espero que eu possa amar um homem que possui excelência moral. Vocês sentem, cada um de vocês, que, se a conduta de um homem para com você é gratificante e boa, você não pode deixar de amá-lo, ou se você não fizer isso, torna-se uma falha de sua parte. Com reverência, deixe-me dizê-lo: se há algo de bom no homem, não é de admirar que Deus deveria amá-lo, seria injusto se Ele não fizesse isso! Se naturalmente no homem há alguma virtude, se há algum louvor, se houver algum arrependimento louvável, ou qualquer fé aceitável — o homem deve ser amado! Esta não é uma coisa para maravilhar as eras, nem para levar os anjos a cantar, nem para mover as montanhas e colinas em espanto, mas para Deus amar um homem que é totalmente mau, e o amasse quando há todos os motivos para odiálo, quando não há um traço de bondade nele, oh! isso é o suficiente para fazer as rochas quebrarem o silêncio, e as colinas irromperem em música! Esta é a primeira doutrina. Eu não posso pregar sobre ela como eu gostaria nesta manhã, pois a minha voz está muito fraca, e a dor de falar distrai minha mente. Mas não importa como eu pregue sobre ela, pois o assunto em si é tão extraordinariamente cheio de conforto a uma alma realmente despertada que não precisa de guarnição minha, manjares gostosos e excelentes não necessitam de habilidade do cozinheiro, sua própria delícia assegura-lhes boa aceitação! Mas qual é o uso prático disso? Para você que está procurando estabelecer a sua própria

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justiça, aqui está um golpe mortal para suas obras e confiança carnal! Deus não te amará meritoriamente, Deus somente te amará voluntariamente. Por que é que você vai, então, gastar o seu dinheiro naquilo que não é pão, e o seu trabalho naquilo que não satisfaz? Você pode se vangloriar como quiser, mas você terá que vir a Deus em pé de igualdade com o pior dos piores, e o quando você vem, você terá que ser aceito — você que é o melhor dos homens — nas mesmas condições, como se você tivesse sido o mais impuro dentre os impuros! Portanto, vão e não se aproximem ocupados vocês mesmos com toda essa justiça imaginária, mas cheguem-se a Jesus como vocês estão! Venham agora, sem quaisquer obras suas, pois vocês devem vir assim ou de nenhum outro modo! Deus disse: “Eu voluntariamente os amarei”, e dependendo dEle, Ele nunca te amará de qualquer outra forma! Você pode pensar que está labutando pelo Céu, quando você está apenas trilhando seu caminho através das montanhas da auto-justificação, para as profundezas do Inferno! Essa doutrina oferece conforto para aqueles que não se sentem aptos a vir a Cristo. Você não percebe que o texto é um golpe mortal para todos os tipos de aptidões? “Eu voluntariamente os amarei”. Agora, se houver qualquer aptidão necessária em você perante Deus para que Ele te ame, então Ele não te ama voluntariamente, pelo menos este seria um impedimento e uma desvantagem para a gratuidade do mesmo. Mas está escrito: “Eu te amarei voluntariamente”. Você diz: “Senhor, mas meu coração é tão duro”. “Eu te amarei voluntariamente”. “Mas eu não sinto a minha necessidade de Cristo como eu poderia desejo”. “Eu não te amarei porque você sente a sua necessidade, eu te amarei voluntariamente”. “Mas eu não sinto o quebrantamento de espírito que eu desejo”. Lembre-se, o quebrantamento de espírito não é uma condição, não há condições! O Pacto da Graça não tem condições sejam quais forem. Estas são as incondicionais, fiéis misericórdias de Davi, para que você, sem qualquer aptidão, possa vir e aventurar-se sobre a promessa de Deus, que foi feita para você em Cristo Jesus, quando Ele disse: “Quem crê nele não é condenado” [João 3:18]. Nenhuma aptidão é necessária: “Eu voluntariamente os amarei”. Varra tudo o que é de madeira e restolho para fora do caminho! Oh, que haja graça em seus coração para saber que a graça de Deus é livre, é livre para você, sem preparação, sem aptidão, sem dinheiro e sem preço! Tampouco o uso prático de nossa doutrina termina aqui. Há alguns de vocês que dizem: “Eu me sinto esta manhã que eu sou tão indigno, eu posso muito bem acreditar que Deus abençoará minha mãe, que Cristo se apiedará de minha irmã, eu posso entender como outras almas podem ser salvas, mas eu não posso entender como eu posso ser. Sou tão indigno”. “Eu voluntariamente os amarei”. Oh, não se cumprirá em seu caso? Se você fosse o mais indigno de todos os seres criados, se você tivesse agravado o seu pecado até que você houvesse se tornado o mais abominável e mais vil de todos os pecadores contudo, “Eu voluntariamente os amarei”, coloca o pior em igualdade de condições com o melhor!

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Ele define vocês, que são miseráveis do Diabo, em pé de igualdade com o mais esperançoso! Não há nenhuma razão para o amor de Deus em qualquer homem, então se não houver nenhuma em você, você não está pior do que o melhor dos homens, pois não há nenhuma neles! Outrossim, eu acho que esse assunto convida desviados para retornar. Na verdade, o texto foi escrito especialmente para tais: “Eu sararei a sua infidelidade, eu voluntariamente os amarei”. Aqui está um filho que fugiu de casa. Alistou-se como soldado. Ele se comportou tão mal em seu regimento que teve que ser expulso do mesmo. Ele foi viver em um país estrangeiro e tão cruel de forma que ele tem reduzido seu corpo pela doença, seus lombos são cobertos com trapos, suas características são as do vagabundo e criminoso. Quando ele foi embora, ele fez isso de propósito, para atormentar o coração de seu pai, e ele trouxe os cabelos brancos de sua mãe, com pesar, para a sepultura. Um dia, o rapaz recebe uma carta cheia de amor. Seu pai escreve: “Volte para mim, meu filho, eu vou te perdoar por tudo, eu te amarei voluntariamente”. Agora, se essa carta tivesse dito: “Se você se humilhar tanto, eu te amarei, se você voltar e me fizer tais e tais promessas, eu te amarei”. Eu posso supor a natureza orgulhosa do rapaz subindo, mas certamente aquela bondade vai derretêlo! Eu acho que a generosidade do convite irá de uma só vez quebrar o seu coração, e ele vai dizer: “Eu já não o ofenderei mais, eu retornarei imediatamente”. Desviado, sem qualquer condição você está convidado a voltar! “Eu sou casado com você”, diz o Senhor. Se Jesus já te amou, Ele nunca parou de te amar, você pode ter deixado de participar dos meios de graça Divina, você pode ter sido muito frouxo na oração particular, mas se você alguma vez já foi um filho de Deus, você é um filho de Deus ainda, e Ele clama: “Como posso desistir de você? Como colocá-lo como Admá? Como posso fazê-lo como Zeboim? As minhas compaixões à uma se acendem, eu sou Deus, e não homem, vou retornar a ele em misericórdia”. Retorne, desviado, e busque a face de seu Pai injuriado! Acho que ouvi um murmúrio em algum lugar: “Bem, esta é uma doutrina muito, muito, muito antinomiana”. Sim, Objetor, é de tal doutrina que você vai precisar um dia. É a única doutrina que pode atender o caso dos pecadores realmente despertos! “Mas Deus prova o seu amor para conosco, em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores” (Romanos 5:8).

II. Uma vez que está escrito. “Eu os amarei voluntariamente”, acreditamos que nada no homem pode ser um obstáculo eficaz para o AMOR DE DEUS. Esta é a mesma doutrina colocada em outro formato. Nada no homem pode ser a causa do amor de Deus, de modo que nada no homem pode ser um impedimento eficaz para o amor de Deus, eu quero dizer um obstáculo tão eficaz a ponto de impedir Deus de amar o homem.

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Como posso provar isso? Se houver qualquer coisa em qualquer homem que pode ser um impedimento à graça de Deus, então isso teria sido um obstáculo eficaz para a Sua vinda a qualquer um da raça humana. Todos os homens estavam nos lombos de Adão, e se houvesse um impedimento em você para o amor de Deus, que teria estado em Adão, consequentemente, estando em Adão, teria sido um impedimento ao amor de Deus à toda raça! Se houver algum pecado em você, eu digo, que pode eficazmente impedir Deus de mostrar graça para você, então, que estava em Adão, vendo que estava nos lombos de Adão, e que iria, portanto, ter sido um impedimento eficaz para graça de Deus para a raça em qualquer dos seus membros. Ao ver que a graça de Deus não encontrou barreiras sobre as quais não pôde saltar, nem comportas que não poderia estourar, nenhuma montanha que não pôde passar por cima, estou convencido de que não há nada em você pelo que Deus não deveria mostrar Sua graça para você! Além disso, alguém poderia pensar que, se há um obstáculo em qualquer um, ele teria impedido a salvação daqueles que estão indubitavelmente salvos. Mencione qualquer pecado que você gosta, e eu lhe garanto sobre a autoridade Divina que os homens cometeram tais pecados e ainda foram salvos. Falo um ato que manchou o caráter de um homem para sempre — aquele ato abominável de adultério e assassinato — ainda que não impediu o amor de Deus fluir para Davi! E mesmo que você tenha ido a esse ponto, e suponho que não há nenhuma pessoa aqui que tenha ido mais longe, ainda assim isso não pode impedir que o amor Divino brilhe sobre você! Assim como Deus não ama porque há excelência, assim também Ele não recusa amar porque há pecado! Deixe-me selecionar o caso de Manassés. Ele derramou muitíssimo sangue inocente, ele curvou-se diante de ídolos. O que foi pior, ele fez os seus filhos passarem pelo fogo para o filho de Hinom, matar seus próprios filhos em sacrifício ao deus falso, e ainda por tudo isso, o amor de Deus se apoderou dele, e Manassés tornou-se uma estrela brilhante no Céu, embora uma vez tenha sido tão vil como os perdidos no inferno! Se existe alguma coisa em você, então, que o faz pensar que Deus não pode te amar, eu respondo, IMPOSSÍVEL! Certamente seus pecados não excedam os do maior dos pecadores. Paulo diz ele que era o principal dos pecadores, e ele quis dizer isso, ele falou por Inspiração, e não há dúvida de que ele era. Agora, se o maior dos pecadores passou pela porta estreita, deve haver espaço para o segundo maior! Se o maior pecador do mundo foi salvo, então há uma possibilidade para você e para mim, por que não podemos ser tão grandes pecadores como o próprio principal dos pecadores. Mas vou ousar dizer que, mesmo que fosse, mesmo se pudéssemos ultrapassar Paulo, ainda assim não seria uma barreira! O pecado do homem, para dizer mais do mesmo, é apenas o ato de uma criatura finita, a graça de Deus é o ato de bondade infinita. Deus não permita que eu deva desvalorizar suas ofensas, pois elas são repugnantes, pois elas são infernais em si mesmas; contudo são apenas atos de uma cria-

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tura, as obras de um verme que hoje existe e amanhã é esmagado. Mas a graça Divina, o amor e a piedade de Deus, oh! estes são infinitos, eternos, perpétuos, infindáveis, incomparáveis, inextinguíveis e invencíveis, e, portanto, a graça de Deus pode superar e se mostrar mais forte do que a sua culpa e pecado! Não há obstáculo, portanto, ou então teria havido um obstáculo no caso dos outros. Será que não danificaria a soberania de Deus se caso houvesse um homem no qual existisse algo que pudesse eficazmente impedir que o amor de Deus flua para ele? Então não seria: “Terei misericórdia de quem eu tiver misericórdia”. Não, seria: “Eu terei misericórdia de quem eu poder ter misericórdia”, mas não existe um tal homem, “Eu não posso ter misericórdia dele, pois ele foi longe demais”. Não, glória seja dada a Deus por essa frase: “Terei misericórdia de quem eu tiver misericórdia”. O Diabo pode dizer: “O quê? Por que o homem, este homem? Ele foi longe demais!”, “Ah, mas”, diz Deus, “se Eu quero isso, embora ele tenha ido longe demais. Eu terei misericórdia dele”. Eu não sei se alguma vez já senti mais a ilimitada soberania da graça de Deus, do que quando eu olhei esse texto na face e vi, não, “Terei misericórdia daqueles que estão dispostos a tê-la”, nem, “Terei misericórdia de penitentes”. Não, está escrito: “Terei misericórdia de quem eu quiser ter misericórdia”. E assim, se Deus quer salvá-lo, não pode haver nenhum impedimento para isto, ou então isto seria uma deterioração e uma limitação da soberania de Deus! Isso não seria um grande insulto lançado sobre a graça de Deus? Suponhamos que eu pudesse encontrar um pecador tão vil que Jesus Cristo não pudesse alcançá-lo? Então os demônios do inferno iriam levá-lo através de suas ruas como um troféu! Eles diriam: “Este homem era mais do que páreo para Deus! Seu pecado era muito grande para a graça de Deus”. O que diz o Apóstolo? “Onde o pecado abundou”, este é você, pobre pecador! “Onde o pecado abundou”. Em quais pecados você mergulhou na noite passada, e em outras ocasiões sombrias! “Onde o pecado abundou” — o quê? Condenação? Desespero sem esperança? Não — “Onde o pecado abundou, superabundou a graça” [Romanos 5:20]. Acho que vejo o conflito na grande arena do universo. O homem acumula uma montanha de pecado, mas Deus vai igualá-lo, e Ele levanta uma montanha mais elevada da graça Divina! O homem amontoa uma colina ainda maior de pecado, mas o Senhor a supera com 10 vezes mais graça! E assim a disputa continua, até que finalmente o poderoso Deus arranca até as montanhas pela raiz e enterra o pecado do homem abaixo dela como uma mosca pode ser enterrada debaixo dos Alpes. O pecado abundante não é obstáculo para a superabundante graça de Deus! E então, queridos amigos, não iria isso diminuir a glória do Evangelho, se pudesse ser provado que houve algum homem em quem o Evangelho não pode operar desta maneira? Suponhamos que o Evangelho, que é “digno de toda aceitação”, não pudesse atender a certos

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casos. Suponha que eu escolhi 12 homens que estavam tão doentes que o remédio do Evangelho não poderia atender o seu caso? Oh, então eu acho que eu deveria calar minha boca totalmente a respeito da glória da cruz, eu não conseguiria mais dizer com o Apóstolo: “Mas longe esteja de mim gloriar-me, a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo” [Gálatas 6:14], posto, então, que o Evangelho não seria o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê. Não, ele seria o poder de Deus para todos, exceto destes doze! Mas, oh, tão frequentemente como eu venho a este púlpito, ele me dá alegria de saber que eu tenho um Evangelho para pregar que é apropriado a cada caso! Um amigo me disse outro dia que muitas notáveis personagens roubaram às vezes. Graças a Deus por isso! “Ah”, disse alguns, “mas eles vêm só para rir”. Não se preocupe! graças a Deus, se eles vêm. “Ah, mas eles vão fazer escárnio do Evangelho”. Não, o Senhor sabe como transformar zombadores em pranteadores; esperemos pelo pior, e trabalhemos pelo mais sem esperança. O amor de Deus providenciou meios para atender o caso mais extremo. Eles são dois. O poder de Cristo e o poder do Espírito Santo. Você me diz que o pecado é um obstáculo? Eu respondo: “Todo o pecado e blasfêmia se perdoará aos homens” [Mateus 12:31]. “O sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de todo o pecado” [1 João 1:7]. A expiação de Cristo é capaz de remover dos homens todos os tipos, tamanhos e tinturas de iniquidade. “Ainda que os vossos pecados sejam como a escarlata, eles se tornarão brancos como a neve; ainda que sejam vermelhos como o carmesim, se tornarão como a branca lã” [Isaías 1:18]. “Ah”, grita um, “a dureza de coração do homem está no caminho do amor de Deus”. Amados, o Espírito Santo está pronto para atender o caso do coração endurecido. “Limitaram o Santo de Israel” [Salmos 78:41]. Há alguma coisa difícil para o Senhor? Você me diz que a incredulidade é uma barreira. Eu respondo “Não”, por que não pode o Espírito Santo fazer o incrédulo acreditar? Sim, se o Espírito Santo uma vez entra em contato eficaz com o espírito mais descrente e obstinado, ele deve crer imediatamente! Olhe para o carcereiro, a poucos minutos atrás, ele foi colocar Paulo no tronco. O quê, o que é isso que vem sobre ele? “O que eu devo fazer para ser salvo?”, “Creia”, diz o Apóstolo, e ele crê, e torna-se tão dócil como uma criança! Fora com os homens que pensam que o homem é senhor sobre Deus! Se Ele quiser parar, neste momento, o perseguidor mais sangrento, o homem mais licencioso e imoral, se Ele quiser transformar o ateu mais perverso de coração em um dos mais bri-lhantes dentre santos, não há nenhuma maneira de detê-lO! Em um momento, o amor oni-potente pode fazê-lo. Os meios são fornecidos, tanto no sangue de Cristo para a limpeza, quanto no poder do Espírito para a renovação do homem interior! Portanto, eu digo que está estabelecido, além de qualquer dúvida, que não há nada no homem que pode vencer o amor Divino! “Qual é o uso prático desta”, diz alguém. O uso prático desta é a abertura do portão da misericórdia. Eu gosto de sempre pregar sermões que deixam a porta entreaberta da misericórdia para o pior dos pecadores, mas nesta

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manhã eu escancarei bem as portas! Um homem caído aqui dentro que tem pensado há anos: “Eu me entreguei ao pecado na minha juventude, e eu me extraviei desde então, não há nenhuma esperança para mim”. Eu digo a você, alma, tudo o que você já fez não é empecilho ao amor de Deus para você, pois Ele não te ama por causa de alguma coisa boa em você, e aquilo que é sombrio em você não pode impedi-lO de te amar, se Ele assim o quer. Digo-lhe o que gostaria que você fizesse. Eu vi aqueles que, como você, vieram para o pé da cruz e eles disseram: “Assim como eu sou, e não esperando Livrar a minha alma de uma mancha negra, A Ti cujo sangue pode limpar cada mancha, Ó Cordeiro de Deus, eu venho!” Se em sua alma agora pode confiar no amor de Deus em Cristo, você está salvo! Não importa quem você seja, você está salvo, nesta manhã, e você sairá desta casa uma alma regenerada — por você ter pela, graça de Deus, crido em Jesus —, e assim o amor de Deus chegou até você! Toda a sua vida passada é esquecida e perdoada; toda a sua ingratidão passada, e blasfêmia, e pecado, são lançados nas profundezas do mar, e, tão longe quanto o Ocidente está do Oriente, assim tem Ele afastado as suas transgressões de ti! Eu reconheço o momento em que, se eu tivesse ouvido o sermão desta manhã, fraco e débil que fosse, eu deveria ter dançado de alegria! Eu sinto uma intensa satisfação interior e alegria enquanto prego, pois eu acredito que é a abertura de prisão aos que estão presos! Cristo não morreu pelo justo, mas pelos pecadores! Ele deu a Si mesmo pelos nossos pecados, e não pela nossa justiça! Esta antiga doutrina luterana — a justificação pela fé em Cristo — esta grande doutrina que abalou a antiga Roma desde os seus alicerces, penso que deve conceder aos pobres pecadores conforto e paz! Eu sei que muitos não irão ver nada nela, é claro que ninguém senão o doente vê qualquer valor na medicina. Eu sei que há alguns aqui que vão pensar que o sermão não é para eles; oh, que o Espírito de Deus faça alguém aceitar este conforto. Mas eles não vão, a menos que o Espírito de Deus opere neles! Muitos de nós são como pacientes tolos que não vão tomar o remédio do médico, e ele precisa nos segurar, e enfiá-lo goela abaixo antes para que tomemos. Isto é como o Senhor lida com muitos, não contra a sua vontade, mas ainda contra a sua vontade como ela costumava ser! Ele lhes dá o remédio da Sua Divina graça e o faz por inteiro. Em suma. O que eu quero dizer é isto: tem sozinho aqui, nesta manhã, um pobre homem trabalhador, o esforçado mecânico, o jovem pedreiro, o homem que leva uma vida corrida, o miserável que leva uma vida grosseira, a mulher, talvez, que tenha ido longe no erro. Eu quero dizer aos tais, vocês estão perdidos, mas o Filho do Homem veio buscar e salvar vocês! Eu digo a vocês, filhos e filhas de pais morais, que não são convertidos, mas talvez sinta-

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se ainda pior do que o imoral. Eu digo a você que a esperança ainda não é passada! Deus vai te amar voluntariamente, e é assim que o Seu amor é pregado a vocês: “Aquele que crê no Senhor Jesus Cristo será salvo”. Venha como você está! Deus vai te aceitar como você é! Venha como você é, sem qualquer preparação ou habilidade! Venha como você está e onde a cruz é erguida com o Filho de Deus sangrando sobre ela, caia com o rosto no chão, aceitando o amor manifestado ali, disposto a receber neste dia a graça Divina, que Deus voluntaria e livremente dá! Como pecadores, sem qualquer qualificação, como pecadores, como pecadores indignos, meu Senhor os receberá graciosamente e voluntariamente os amará! Amém.

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A Plenitude Do Mediador Um sermão pregado em 15 de junho de 1736, à Sociedade que apoia a Tarde de Leitura do Dia do Senhor, próximo de Devonshire-Square.

“Porque foi do agrado do Pai que toda a plenitude nEle habitasse.” (Colossenses 1:19) O apóstolo, após sua habitual saudação à igreja de Colossos, com uma grande dose de deleite, toma conhecimento da fé deles em Cristo, e amor a todos os santos, eleva várias petições em sua consideração, para um crescimento do conhecimento espiritual, santidade, fecundidade, paciência e força; agradece por algumas bênçãos especiais da graça que Ele e eles foram participantes; tais como alcançar o Céu; a libertação do poder das trevas; a ida para o reino de Cristo; a redenção, pelo Seu sangue; e o perdão dos pecados, e em seguida, toma uma ocasião para expressar as glórias e grandezas da pessoa de Cristo; que, segundo ele (v. 15), é a imagem do Deus invisível, a original, essencial, eterna, nãocriada, perfeita e expressa imagem da Pessoa de Seu Pai, a quem nenhum dos homens viu, em qualquer momento. E o primogênito de toda criação, não que Ele foi a primeira criatura que Deus fez, o que não concordará com o raciocínio do apóstolo no versículo seguinte, pois nEle foram criadas todas as coisas; e será passível por essa contradição manifesta, que Ele foi o criador de Si mesmo; mas o significado é: que tanto Ele é o unigênito do Pai desde toda a eternidade, sendo o Filho natural e eterno de Deus, Quem, como tal, já existia antes de que qualquer criatura fosse trazida à existência; ou que Ele é o primeiro pai, ou gerador de cada criatura, como a palavra porta-se para ser compreendida, se ao invés de prwtótokoV, lemos prwtotokóV, que nada mais é do que mudar o lugar do acento, e pode ser mui facilmente se aventurado, vendo que os acentos foram todos adicionados desde os dias do apóstolo, e, especialmente, visto que isso faz que seu raciocínio nos seguintes versículos apareçam com muito mais beleza, resistência e força; Ele é o primeiro pai de toda criatura: “Porque nele foram criadas todas as coisas que há nos céus e na terra, visíveis e invisíveis, sejam tronos, sejam dominações, sejam principados, sejam potestades. Tudo foi criado por ele e para ele. E ele é antes de todas as coisas, e todas as coisas subsistem por ele” [Colossenses 1:16-17]. Em seguida o apóstolo prossegue a considerar Cristo em Sua relação de ofício, e capacidade de mediação, e Ele é a cabeça do corpo, da igreja; mesmo da assembleia geral e da Igreja, o primogênito, dos que estão inscritos no Céu, todos os eleitos de Deus, sobre os quais Ele é uma cabeça de domínio e poder, e para quem Ele é uma cabeça de influência e suporte; Ele acrescenta: é o princípio, tanto da velha quanto da nova criação, o primo-

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gênito dentre os mortos, aquele que primeiro ressuscitou dos mortos pelo Seu próprio poder para uma vida eterna, está sentado à direita de Deus, tem todo o julgamento entregue a Ele, para que em tudo tenha a preeminência; pelo que Ele é abundantemente qualificado, uma vez que aprouve a Deus que nEle habitasse toda a plenitude. O método que tomarei ao considerar esta passagem da Escritura será este: I. Examinar que plenitude de Cristo é aqui intencionada. II. Fazer algumas considerações sobre a natureza e as propriedades dela. III. Mostrar em que sentido pode-se dizer que ela habita em Cristo. IV. Fazer notório, que a sua habitação em Cristo é devido à boa vontade e agrado do Pai.

Examinarei em que sentido a plenitude de Cristo é aqui referida, uma vez que as Escrituras falam de mais de uma:

I. Em primeiro lugar, esta é a plenitude pessoal de Cristo, ou a plenitude da Divindade, a qual é dita pelo nosso apóstolo (Colossenses 2:9) nesta mesma epístola: “Porque nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade”. Não há perfeição essencial à Divindade, a não ser a que está nEle; nem há algo que o Pai tenha, senão o que Ele também tem. A eternidade é peculiar à Divindade: Cristo não foi apenas antes de Abraão, mas anterior à Adão, sim, antes de existir qualquer criatura; Ele é o alfa e o ômega, o primeiro e o derradeiro, o princípio e o fim, o que é, e que era, e que há de vir (Apocalipse 1:8); Ele é de eternidade a eternidade. A onipotência, ou um poder de fazer todas as coisas, só pode ser predicado de Deus. As obras da criação, providência, redenção e a ressurreição dos mortos, juntamente com outras coisas, nas quais Cristo foi envolvido, proclamam em voz alta que Ele é o todo-poderoso. Onisciência, outra perfeição da Divindade, o meu ser facilmente observou em Jesus Cristo: “E não necessitava de que alguém testificasse do homem, porque Ele bem sabia o que havia no homem” (João 2:25). Aquele que é a Palavra Viva de Deus, que é “apto para discernir os pensamentos e intenções do coração. E não há criatura alguma encoberta diante dele; antes todas as coisas estão nuas e patentes aos olhos daquele com quem temos de tratar” [Hebreus 4:12-13]; quem em um breve tempo fará todas as igrejas, sim, todo o mundo conhecer, que Ele é que esquadrinha rins e corações. Onipresença e imensidão são apropriadas a Deus, e encontrados em Jesus Cristo, que está no Céu, ao mesmo tempo em que Ele esteve aqui na terra; o que Ele não poderia es-

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tar, se Ele não fosse o Deus onipresente; mais do que Ele poderia realizar as promessas que Ele fez, que Ele estará com o Seu povo quando eles se encontram em Seu nome, e com Seus ministros até o fim do mundo, nem Ele poderia estar presente com as igrejas em todos os lugares, como Ele certamente está; nem preencher todas as coisas, como Ele certamente o faz. A imutabilidade pertence apenas a Deus: Cristo é o mesmo ontem, hoje e para sempre (Hebreus 13:8). Em suma, a existência independente e necessária, que são essenciais à Divindade, devem ser atribuídas a Ele, porque Ele é Deus de Si mesmo. Embora como homem e mediador, Ele teve uma vida que lhe foi comunicada pelo Pai; contudo como Deus, Ele não deve Sua existência a ninguém; esta não é derivada de outro, Ele é sobre todos, Deus bendito eternamente, e deve, portanto, ser o verdadeiro Deus e a vida eterna. Se alguma perfeição da Divindade estivesse ausente nEle, a plenitude, toda a plenitude dEle não poderia ser dita habitar nEle, nem ser dito dEle, como Ele é, ser igual a Deus. Agora, alguns pensam que esta é a plenitude projetada em nosso texto, e o leem, a plenitude da Divindade, o que parece ser transcrito de outra passagem nesta epístola já mencionada; e supõem que isto se adapte bem à intenção do apóstolo de provar a primazia e preeminência de Cristo sobre todas as coisas. Mas deve ser observado que a plenitude da Divindade possuída pelo Filho de Deus, não depende da vontade e agrado do Pai; não é o que, como tal, Ele natural e necessariamente goza por uma participação da mesma natureza indivisível e essência do Pai e do Espírito e, portanto, não pode ser a plenitude aqui intencionada. Em segundo lugar, há uma plenitude relativa, que pertence a Cristo, e não é diferente do Seu corpo, a Igreja, da qual Ele é o Cabeça, que é chamada a plenitude daquele que cumpre tudo em todos (Efésios 1:23) e por esta razão que ela está preenchida por Ele. Quando todos os eleitos são reunidos, a plenitude dos gentios trazidos, e todo o Israel salvo, quando estes são preenchidos com todos os dons e graça de Deus, designadas para eles, e são cultivados até sua justa proporção no corpo, e tenham atingido a medida da estatura da plenitude de Cristo; então, eles serão rigorosamente, e poderão ser verdadeiramente, denominados assim. Alguns intérpretes são de opinião, que esta é a plenitude aqui significada. Mas, embora a Igreja habite em Cristo, e Ele nela, e isto através da boa vontade e prazer do Pai; e embora ela seja completa em Cristo, e é dita ser a Sua plenitude; ainda assim, propriamente falando, ela não é assim ainda, pelo menos nesse sentido, como ela será; nem ela é alguma vez dita ser toda a plenitude, como no texto, e, portanto, não pode ser aqui pretendida. Em terceiro lugar, há uma plenitude de aptidão e habilidades em Cristo para cumprir a Sua obra e ofício como mediador, que grandiosamente repousa em Seu ser tanto Deus e Ho-

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mem, ou na união das duas naturezas, Divina e humana, em uma Pessoa. Nisto Ele se torna abundantemente qualificado para ser o árbitro entre nós, capaz de pôr a mão sobre nós ambos, ou em outras palavras, para ser o mediador entre Deus e o homem, para ser tanto um sumo sacerdote misericordioso e fiel, naquilo que é de Deus, e para fazer propiciação pelos pecados do povo (Jó 9:33; 1 Timóteo 2:5; Hebreus 2:17). Por ser homem, Ele tinha pouco a oferecer em sacrifício a Deus, e foi assim capaz de fazer satisfação naquela natureza a qual pecou, o que a Lei e a justiça de Deus pareciam ter exigido, e também de transmitir as bênçãos da graça adquiridas por Ele para eleger os homens; motivo pelo qual, Ele não tomou sobre si a natureza dos anjos, mas a descendência de Abraão. A santidade da natureza humana de Cristo grandemente O habilitou a ser um sumo sacerdote, advogado e intercessor, e muitas vezes a ênfase é colocada sobre isso nos escritos sagrados, como quando dEle é dito (João 3:5; Hebreus 9:14; 1 Pedro 1:10) tirar o pecado, e nEle não há pecado, para oferecer-se a si mesmo imaculado a Deus, e nós somos ditos ser redimidos pelo sangue de Cristo, como de um Cordeiro imaculado ou incontaminado. E, de fato, tal Redentor é adequado para nós, tal advogado nos convém, que é Jesus Cristo, o justo, tal sumo sacerdote tornou-se-nos, é de toda forma apropriado para nós, aquele que é santo, inocente, imaculado, e separado dos pecadores. Sendo Deus bem como homem, há uma virtude suficiente em todas as Suas ações e sofrimentos para atender ao que eles foram designados: em Seu sangue para limpar de todo o pecado, em Sua justiça para justificar deste, e em Seu sacrifício para expiar e redimir dEle. Sendo o poder de Deus, Ele poderia viajar na plenitude da Sua força, achegar-se a Deus por nós, oferecer-se a Deus, carregar os nossos pecados, e toda a punição devida a eles, sem falhar ou ser desencorajado; Seu próprio braço sozinho foi capaz de levar a Salvação para Si mesmo e para nós; não há nenhuma carência nEle, para torná-lO um salvador completo do corpo e cabeça da Igreja. Agora, isso pode ser tomado no sentido de nosso texto, mas não é todo ele; pois, Em quarto lugar, há plenitude dispensatória, comunicativa, a qual é da boa vontade e agrado do Pai, colocada nas mãos de Cristo, para ser distribuída aos outros: E isso é principalmente concebido aqui, e é, A plenitude da natureza. Cristo é o cabeça de todo homem, e o cabeça sobre todas as coisas para a igreja; Deus o constituiu herdeiro de todas as coisas, mesmo na natureza: A luz da natureza é nEle e dEle, e Ele é a verdadeira luz que ilumina todo o homem que vem ao mundo (João 1:9). As coisas da natureza estão todas nEle, e à Sua disposição, a terra

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é do Senhor, e a Sua plenitude (Salmos 24:1); e Ele a dá ao Seu povo escolhido e especial de uma forma peculiar. As bênçãos da natureza são bênçãos da mão esquerda da sabedoria, como as da graça são as suas prediletas da mão direita. O mundo e os que nEle habitam, são Seus, até mesmo os homens do mundo; a parte ímpia do mundo é, em algum sentido, dada a Ele para ser subserviente aos fins do Seu reino mediador e glória. Pede-me, diz o Pai, para Ele (Salmos 2:8-9), e eu te darei os gentios por herança, e os fins da terra por tua possessão. Tu os esmigalharás com uma vara de ferro; tu os despedaçarás como a um vaso de oleiro. A plenitude da graça. Cristo é dito ser cheio de graça e de verdade (João 1:14, 16) e é desta plenitude que o crente recebe, e graça sobre graça; uma espécie de plenitude a partir dessa, todo o tipo de graça, cada medida, e toda a provisão dela. (1) Há uma plenitude do Espírito da graça e dos dons do Espírito em Cristo; pois Ele é o Cordeiro no meio do trono, tendo sete pontas e sete olhos, que são os sete espíritos de Deus (Apocalipse 5:6) não sete distintas subsistências pessoais; mas a frase designa o bendito Espírito de Deus, e a perfeição de Seus dons e graça, representados pelo número sete, que, no sentido mais ampliado, habita em Cristo; o espírito de sabedoria e de entendimento, espírito de conselho e de fortaleza, o espírito de conhecimento e de temor do Senhor (Isaías 11:2) repousa sobre Ele. Ele é ungido com o óleo da alegria, do Espírito Santo, mais do que a seus companheiros, qualquer dos filhos dos homens, que são feitos participantes de sua graça e glória; porque não lhe dá Deus o Espírito por medida (Salmo 45:7). Todos esses dons extraordinários do Espírito Santo, com o qual os apóstolos foram cheios no dia de Pentecostes, foram dados a partir de Cristo, como a Cabeça da Igreja; que, quando Ele ascendeu ao Céu para preencher todas as coisas, recebeu dons para os homens, e deu-lhes a eles, para qualificá-los para trabalho e serviço extraordinário. E Ele tem, em todos os tempos, mais ou menos, concedido dons aos homens, para capacitá-los para a obra do ministério e para a edificação de Seu corpo, a Igreja, e lhe sobejava espírito. (2) Há uma plenitude das bênçãos da graça em Cristo. O Pacto da Graça é ordenado em todas as coisas, assim como é seguro, Ele é pleno de todas as bênçãos espirituais. Agora, esta Aliança é feita com Cristo, está em Suas mãos, sim, Ele é a própria Aliança; todas as bênçãos dEle estão sobre Sua cabeça, e nas mãos de nosso antitípico José, mesmo com a coroa sobre o alto da cabeça daquele que foi separado de seus irmãos; e, portanto, se alguém é abençoado com estas bênçãos, são abençoados com elas nos lugares celestiais em Cristo; e de fato, de uma forma muito peculiar e surpreendente elas vem dEle para nós, até mesmo através de Seu ser feito maldição por nós; pois Ele foi feito maldição por nós, para que a bênção de Abraão chegasse aos gentios por meio dEle. A particularidade: há em Cristo a plenitude da justificação, perdão, adoção e graça santificadora.

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Há uma plenitude de graça justificadora nEle. Uma parte de Sua obra e ofício, como Mediador, era trazer a justiça eterna; uma justiça que pode atender à todas as exigências da Lei e da justiça, a qual deve responder por Seu povo em um tempo futuro, e dura para sempre: tal justiça que Ele operou e trouxe, pela qual a justiça é satisfeita, a Lei é magnificada e feita honrosa, e com o qual Deus se agrada, pelo que Ele é verdadeiramente chamado, o Senhor nossa justiça e o Sol de justiça e força (Jeremias 23:6; Malaquias 4:2), somente de Quem obtemos a nossa justiça. Agora esta justiça operada pelo Filho de Deus, é nEle, e com Ele, como o autor e o sujeito da mesma; e para Ele as almas sensibilizadas são dirigidas, para Ele olham, e para Ele elas solicitam por isso; e cada uma delas mesmas diz enquanto sua fé cresce: certamente, no Senhor há justiça e força; dEle elas recebem este dom da justiça, e com ela uma abundância da graça, enquanto flui, um transbordar dela. Como foi operada livremente para eles, é livremente imputada a eles, e concedida a eles, sem qualquer consideração das suas obras; e é tão plena e ampla, que é suficiente para a justificação de todos os eleitos, e isto de todas as coisas, das quais não poderiam ser justificados de nenhuma outra maneira. Há também uma plenitude de graça perdoadora em Cristo. O Pacto da Graça tem ampla e plenamente provido o perdão dos pecados de todo o povo do Senhor. Um ramo considerável disto é (Hebreus 8:12), Porque serei misericordioso para com suas iniquidades, E de seus pecados e de suas prevaricações não me lembrarei mais. Em consequência dessa Aliança, e dos compromissos de Cristo nela, Seu sangue foi derramado por muitos, para a remissão dos pecados. A questão é que nEle temos a Redenção, pelo Seu sangue, a remissão dos pecados, segundo a riqueza da Sua graça (Mateus 24:28; Efésios 1:7), a qual, como é inteiramente livre, as riquezas, a glória da graça e misericórdia são eminentemente exibidas nEle, por isso é grande e abundante, plena e completa; pois Deus, de acordo com o Pacto da Sua graça, e olhando para o precioso sangue de Seu Filho, perdoa todas as transgressões de Seu povo, passadas, presentes e futuras. Há uma plenitude de toda a graça em Cristo, para suprir todas as nossas necessidades, apoiar as nossas pessoas, e para nos conduzir com segurança e conforto através deste deserto. Há uma plenitude de luz e vida, de sabedoria e conhecimento, força e habilidade, alegria, paz e consolo nEle; toda a luz espiritual está nEle, e dEle. Enquanto toda esta luz foi disseminada por toda a criação, foi no quarto dia reunida, e saiu para o grande luminar, o sol; de modo que toda a plenitude da luz espiritual habita em Cristo, o sol da justiça, de quem recebemos tudo o que temos; que aos poucos cresce, aumenta, e brilha mais e mais até ser dia perfeito. Toda a vida espiritual é nEle, com Ele está a fonte dela; dEle temos o princípio vivo da graça, e por Ele, ela é mantida em nós até a vida eterna. NEle estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento e, a partir dEle esses são comuni-

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cados para nós. Como nEle está a justiça para nos justificar, assim nEle está a força que nos permite opor cada corrupção, suportar todos os inimigos, exercitar toda a graça, e executar cada dever. Embora nós não possamos fazer qualquer coisa de nós mesmos, e sem Ele nada podemos fazer; ainda por meio dEle que nos fortalece, podemos fazer todas as coisas. Em uma palavra, há uma fonte completa, e um fundamento sólido de toda a paz espiritual, alegria e consolo em Cristo; se há algum consolo para ser tido em qualquer lugar, é em Cristo; isso surge a partir e é fundamentado sobre a Sua pessoa, sangue, justiça e sacrifício; em uma visão do qual um crente é, às vezes, preenchido com alegria indizível e cheia de glória. Porque, assim como as aflições de Cristo, aquelas que nós sofremos por Cristo, são abundantes em nós, assim também a nossa consolação abunda por meio de Cristo (2 Coríntios 1:5). Há uma graça suficiente em Cristo para nos carregar sob, e nos conduzir em meio a todas as tribulações, exercícios e aflições da vida; para nos fazer frutificar em toda a boa obra, e para nos fazer continuar e resistir até o fim. Há uma plenitude de graça de frutificação e preservação em Cristo. (3) Há uma plenitude da promessa da graça em Jesus. Há muitas diversas promessas mui grandes e preciosas, apropriadas aos diversos casos e circunstâncias dos filhos de Deus. Nunca houve um caso de um crente que tenha sido desde a criação do mundo, e eu arrisco a dizer, nunca haverá um até o fim de tudo, senão o que tenha uma promessa concedida apropriada a ele. A Aliança da Graça é plena dessas promessas; por isso, elas são transcritas para o Evangelho, e estão espalhadas por toda a Bíblia; e o que é o melhor de tudo: todas as promessas de Deus são em Cristo sim, e por Ele o amém, para glória de Deus por nós (2 Coríntios 1:20); todos elas são colocadas em Suas mãos para o nosso uso, e são todas seguras e protegidas por Ele, que velará por isso, para que elas sejam real e plenamente cumpridas, não somente a grande promessa de vida, mesmo da vida eterna, a qual Deus, que não pode mentir, prometeu antes da fundação do mundo, está em Cristo Jesus; mas todas as outras promessas estão nEle também. Assim, quaisquer que são participantes delas, são participantes delas nEle, por meio do Evangelho. Além da plenitude da natureza e da graça, que está em Cristo, há também a plenitude da glória e da vida eterna e felicidade. Deus não apenas possui a graça de Seu povo, mas também a Sua glória nas mãos de Cristo. Sua porção, a Sua herança, é reservada para eles com Ele; onde está são e salvo. Eles são herdeiros de Deus e coerdeiros com Cristo; de modo que sua herança é segura para eles. Como a sua vida de graça, assim a vida de glória deles, está escondida com Cristo em Deus; e quando Cristo, que é a sua vida se manifestar, então aparecerão com Ele em glória; o que grandemente consistirá em ser como Cristo, e vê-lO como Ele é. Os santos serão semelhantes a Cristo, tanto em corpo e

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alma. Seus corpos, que são redimidos pelo Seu sangue, e são membros dEle, serão transformados como o Seu corpo glorioso, na espiritualidade, imortalidade, incorruptibilidade, poder e glória; e brilharão como o sol, com esplendor e brilho, no reino de Seu Pai. Suas almas serão feitas como Cristo no conhecimento e santidade, tanto quanto as criaturas são capazes. Eles irão, então, vê-lO como Ele é; contemplar a Sua glória mediadora, vê-lo-ão por si mesmos, e não outro; será indescritível o deleite com as excelências dEle, e sempre continuam com Ele, e estarão na presença dAquele, em cuja presença há plenitude de alegria, e em cuja mão direita há delícias perpetuamente. Ora, tudo isso é garantido em Cristo para os santos; tudo do que eles podem esperar; nisto eles podem confiar; pois o testemunho é este: que Deus nos deu a vida eterna; e esta vida está em seu Filho (1 João 5:11). Assim, toda a plenitude da natureza, graça e glória, estão em Cristo Jesus nosso Senhor. Eu prossigo,

II. Para oferecer algum relato da natureza e das propriedades desta plenitude; particularmente a plenitude da graça: Esta é muito antiga. Não devemos supor que essa plenitude foi primeiro colocada nas mãos de Cristo sobre a Sua ascensão ao Céu, e o assentar-se à mão direita de Deus; por que Ele é, então, dito ter recebido dons para homens, e os dá a eles, porque havia, então, uma distribuição extraordinária dos dons e graça do Espírito para os apóstolos, ainda assim, Deus havia dado o Espírito a Cristo sem medida muito antes. Os discípulos, nos dias de Sua carne, em Seu estado de humilhação, quando o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade (João 1:14), e muito antes deles, Isaías viu este aspecto da Sua glória, Seu manto enchendo o templo. Todos os santos do Antigo Testamento olharam para Ele, creram nEle, e dependiam dEle, como seu Redentor vivo; todos e cada um disseram: Certamente no Senhor há justiça e força (Isaías 14:24). Eles foram supridos com ambas desta plenitude: eles tiraram água com alegria das fontes da salvação em Cristo; e foram salvos pela graça do Senhor Jesus, assim como nós fomos. Sim, esta questão deve ser levada ainda mais adiante, não apenas para os tempos do Antigo Testamento, ou para antes da fundação do mundo, porém mesmo dentro da eternidade em si. Pois tão cedo quanto os eleitos foram dados a Cristo, tão cedo foi a graça dada a eles nEle; que era antes do começo do mundo; tão cedo quanto a escolha deles nEle, o que foi antes da fundação do mundo, tão cedo eles foram abençoados com todas as bênçãos espirituais nEle; tão logo Cristo foi o mediador da Aliança, e isso foi tão cedo quanto o próprio Pacto, que foi desde a eternidade; tão logo essa plenitude da graça foi depositada

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com Ele. O Senhor me possuía, diz a sabedoria ou Cristo, isto é, com toda esta plenitude da graça, no início de seus caminhos de graça — Ele iniciou com isso, antes de suas obras mais antigas, da criação e da providência — “Desde a eternidade fui ungida, desde o princípio, antes do começo da terra” (Provérbios 8:22-23), como o mediador da Aliança, encarregado de todas as bênçãos e promessas da mesma. Agora isso serve grandemente para expor a eternidade da Pessoa de Cristo, a antiguidade de Seu ofício, e a remota estima que Jeová tinha pelo Seu povo escolhido; o que expressa fortemente o Seu amor maravilhoso, e graça distintiva por eles. Esta é uma plenitude mui rica, e enriquecedora. É uma plenitude da verdade, bem como da graça; pois Cristo é cheio de graça e de verdade, o que o Evangelho amplamente desvela para nós; toda a verdade deste é uma pérola de grande valor, e todos juntos compõem um tesouro inestimável, mais valioso do que todas as riquezas das Índias. Agora em Cristo estão depositados e escondidos todos os tesouros da sabedoria e da ciência (Colossenses 2:3) Que rico e enriquecedor depósito, fundamento e plenitude de verdade, há em Jesus Cristo! As promessas da graça são preciosas a todos aqueles que viram a graça que há nelas, a quem elas tenham sido desveladas pelo Espírito Santo da promessa, e tenham sido por Ele, adequada e sazonalmente aplicadas; para os tais, elas são muitíssimo preciosas de fato, elas são como maças de ouro em salvas de prata, alegram mais do que um grande despojo, e preferíveis são a todas as riquezas do mundo; e essas, como já foi observado, estão todas em Cristo. Não há somente riquezas da graça, mas riquezas da glória em Cristo, mesmo insondáveis riquezas, as quais nunca podem ser descritas ou contadas; as quais são sólidas e substanciais, satisfatórias, eternas e duráveis. Através da pobreza de Cristo nós somos enriquecidos com aquelas riquezas aqui e no futuro; e isso serve tanto para aumentar a glória, excelência, gratuidade e plenitude de Sua graça: “Porque já sabeis a graça de nosso Senhor Jesus Cristo que, sendo rico, por amor de vós se fez pobre; para que pela sua pobreza enriquecêsseis” (2 Coríntios 8:9). Esta plenitude é completamente livre, no que diz respeito à nascente e fonte dela, à distribuição da mesma, às pessoas envolvidas na mesma, e a maneira pela qual elas recebem dela. A fonte e origem dela é a soberana boa vontade e prazer, graça e amor de Deus. Aprouve ao Pai colocá-la em Cristo: Ele não foi induzido a isso por qualquer coisa em Seu povo, ou obras deles; pois isso foi colocado em Cristo antes de terem feito o bem ou o mal. Ele não poderia ser influenciado por Sua fé e santidade para fazê-lo; uma vez que estas são recebidas de fora: Pois da Sua plenitude todos nós recebemos, e graça sobre graça; (João 1:14), uma graça, assim como a outra, toda a espécie de graça, fé e santidade entre

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as demais; Ele não podia ser movido a eles por Suas boas obras; vendo que estes são frutos dessa graça que é derivada dEle. Isto é realmente dito para aqueles que O temem, e confiam nEle; mas estas frases são apenas descritivas das pessoas que receberam dEle, e são feitas assim por Ele; não que o temor e a fé foram as causas ou condições do mesmo: pois, então, a bondade de Deus não seria tão amplamente demonstrada nEle, como o salmista (Salmos 31:19) lembra; quando diz: Oh! quão grande é a Tua bondade, que guardaste para os que Te temem, a qual operaste para aqueles que em Ti confiam na presença dos filhos dos homens! E, como ela foi livremente depositada, é livremente distribuída. Nosso Senhor a dá liberalmente e não lança em rosto; Ele dá esta água viva a todos os que Lhe pedem, sim, para aqueles que não a pedem; Ele dá maior graça, grandes medidas, novos suprimentos dela, aos Seus santos humildes, pronta e alegremente, enquanto eles estão em necessidade dela; Ele não retém nenhuma coisa boa àqueles que andam em retidão. As pessoas a quem é dada são muito indignas, e ainda cordialmente bem-vindas. Quem tem sede, e tem vontade de vir, pode vir e tomar a água da vida, este convite também é válido para quem não tem dinheiro, nem nada que seja de uma retribuição, que não têm nem a pena, nem a dignidade própria, podem vir e comprar vinho e leite, sem dinheiro e sem preço. E esta plenitude de Cristo, este bem de graça é profundo, e não temos nada a tirar, a fé, o balde de fé é dado gratuitamente. A graça, pela qual recebemos dEle, não é de nós mesmos, é dom de Deus; e, com ela tiramos água com alegria das fontes da salvação completa, que estão em Cristo Jesus. Esta plenitude é inesgotável. Como toda a família no Céu e na terra toma o nome de Cristo, assim eles são sustentados por Ele. Se pela família no Céu entendemos os anjos, como era de costume dos judeus chamá-los de uma família, e a família acima; que grandes medidas de graça de confirmação os anjos eleitos têm recebido de Cristo! Pois Ele é a cabeça da graça para eles, assim como para nós: nós somos perfeitos nEle, que é a cabeça de todo principado e poder (Colossenses 2:10). Ou, se pela família no Céu, entende-se os santos que já se foram para a glória; que vasta medida de graça tem sido dispendida desta plenitude para leva-los para lá! A graça de nosso Senhor tem sido abundante, superabundante; ela flui e transborda; tem sido um pleonasmo, uma redundância dela no caso de um único crente. Oh, que abundância dela deve ter havido em todos os santos em todas as eras, tempos e lugares, desde a fundação do mundo! E ainda há o suficiente para a família na terra, ainda atrás. Cristo ainda é a fonte de todos os Seus jardins, as igrejas, um poço de água viva, que lhes fornece tudo; e as correntes do Líbano, que docemente os refrescam e deleitam. Sua graça ainda é o suficiente para eles; Ele é o mesmo hoje, ontem e para sempre. Eu prossigo,

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III. Para mostrar em que sentido essa plenitude pode ser dita habitar em Cristo, e o que esta frase implica, E Isso expressa o ser (a existência) dela nEle. Não é apenas em intenção, em desígnio e propósito, mas está realmente e de fato nEle; ela é concedida a Ele, colocada em Suas mãos, e repousa nEle. E, por isso, ela vem a ser comunicada aos santos; porque está nEle, eles recebem dela, e graça sobre graça. Ele é a cabeça em quem ela habita, estes são membros dEle, e assim ela deriva dEle. Ele é deles, e eles são Seus, e assim tudo o que Ele tem pertence a eles. Sua pessoa é deles, em quem eles são aceitos por Deus; o Seu sangue é deles, para purificá-los de todo pecado; a Sua justiça é deles, para justificá-los a partir dEle; Seu sacrifício é deles para expiálos; e Sua plenitude é deles, para suprir todas as suas necessidades; e por isso eles são tão cheios, como são ditos serem cheios do Espírito Santo, cheios de fé, de bondade (Atos 6:3, 8; Romanos 15:14), não que eles sejam assim de tal sentido como Cristo é; pois essa plenitude está nEle sem medida, neles em medida; está nEle como uma fonte transbordante, mas neles como correntes fluindo dEle. Esta plenitude encontra-se em Cristo, e não em outro. As fontes da salvação estão apenas nEle, não há salvação em nenhum outro; é em vão o esperar isso de qualquer outra parte; nenhum nível de luz e vida espiritual, graça e santidade, paz, alegria e consolo, deve ser obtido em outro lugar. Tais, portanto, que negligenciam, omitem ou abandonam esse manancial de águas vivas, cavam cisternas, cisternas rotas, que não retêm as águas (Jeremias 2:13). Portanto, convém a todos os que têm algum conhecimento de si mesmos, qualquer senso de seus desejos, e visões da plenitude de Cristo, o requererem dEle; pois, para aonde deve ir alguém, senão para Aquele que tem as palavras de vida eterna? Isto implica na continuidade dela com Ele. É uma plenitude permanente, e produz um suprimento diário, contínuo; os crentes podem ir todos os dias até Ele, e receber dela; a graça que há nEle sempre será suficiente para eles, até o fim de seus dias. E a esta natureza permanente dela, a morada eterna dela em Cristo é devida a perseverança final dos santos; pois, porque vive Aquele que é tão pleno de graça e de verdade, eles vivem e viverão também. Grande razão têm os crentes de se fortificarem na graça que há em Cristo Jesus (2 Timóteo 2:1). Esta plenitude irá permanecer em Cristo até o fim dos tempos, até que todos os eleitos estejam reunidos, e eles estejam cheios de graça, e levados à glória. Haverá tanta graça, e tão ampla suficiência dela para o último crente que for nascido no mundo, assim como para o primeiro. Além disso, há uma plenitude de glória em Cristo, que permanecerá nEle

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por toda a eternidade; a partir do qual os santos estarão continuamente recebendo glória sobre glória, bem como aqui, graça sobre graça; eles terão toda a Sua glória de e a partir de Cristo, então, como eles têm agora toda a sua graça dEle, e por meio dEle. Isso indica a certeza e segurança da mesma. Cada coisa que está em Cristo é certa e segura. As pessoas da eleição de Deus, sendo nEle, estão em máxima segurança, ninguém pode arrebatá-las das mãos dEle. A graça deles está ali, ela nunca pode ser perdida; a glória deles está ali, eles nunca podem ser privados deste direito. Sua vida, tanto de graça e glória, está escondida com Cristo em Deus, e por isso fora do alcance dos homens e demônios. Cristo é o depósito e armazém de toda a graça e glória, e um bem fortificado; Ele é uma rocha, uma torre forte, um lugar de defesa, tal como Alguém contra quem os portões do inferno não prevalecerão. Apresso-me,

IV. Para fazer notório que a existência e habitação desta plenitude em Cristo são devidas da boa vontade e prazer do Pai. A frase, “O Pai”, não está de fato no texto original, mas é justamente fornecida pelos nossos tradutores; desde que Ele é expressamente mencionado no contexto, e é falado como Aquele que faz com que os santos sejam participantes da glória celeste, que livra do poder e do domínio do pecado e de Satanás, e transporta para o reino do Seu Filho amado (vv. 12-13); e, como Aquele, que por Cristo, reconcilia todas as coisas conSigo mesmo, quer no Céu quer na Terra, mesmo tais que foram alienados e inimigos dEle em suas mentes (vv. 20-21). Ora, É devido à boa vontade do Pai ao Seu Filho, que esta plenitude habita nEle. Cristo sempre foi como mediador, como um que estava com Ele, e era Seu arquiteto; era cada dia as Suas delícias, alegrando-me perante Ele em todo o tempo (Provérbios 8:30) e assim Ele sempre continuou a ser; e como evidência e demonstração disso, Ele entesoura toda a plenitude nEle. Isto parece ser a indicação das palavras de nosso Senhor, quando Ele diz, o Pai ama o Filho, e todas as coisas entregou nas suas mãos (João 3:35), isto é, Ele demostrou Seu amor a Ele, e deu uma prova plena disso, ao entregar todas as coisas para Ele, para que estejam à Sua vontade e disposição. Este sentido das palavras bem concorda com o contexto, o que representa Cristo em Sua capacidade de mediação, como exaltado pelo Pai, com este ponto de vista, para que em todas as coisas tenham a preeminência. É devido à boa vontade do Pai aos eleitos, que essa plenitude habita em Cristo; pois é por causa deles, e sobre a sua consideração, que isto é colocado nas mãos de Cristo. Deus os amou com um amor eterno; e, portanto, cuida eternamente deles, e faz provisão eterna para eles. Eles eram os objetos de Seu amor e prazer desde a eternidade; e, portanto, Ele

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estabeleceu a Cristo como mediador desde a eternidade, e dotou-Lhe com essa plenitude para eles. Houve boa vontade no coração de Deus em relação a esses filhos dos homens; e, portanto, lhe agradava dar um passo como este, e estabelecer uma oferta suficiente por eles, tanto para o tempo quanto para a eternidade. Aprouve a Deus que essa plenitude habitasse em Cristo; por considerá-lO como a Pessoa mais adequada para confiar isso. É bom para nós, que não seja colocada em nossas mãos de uma só vez, mas aos poucos, enquanto estamos em necessidade; não teria sido seguro que esta plenitude estivesse sob nossa própria manutenção. É bom para nós, que não foi colocada nas mãos de Adão, nosso primeiro pai, a nossa cabeça natural e federal, onde ela poderia ter sido perdida. É bom para nós, que não foi colocada nas mãos dos anjos, pois, como eles são criaturas, e assim impróprios para tal confiança, eram também em sua criação, criaturas mutáveis, como a apostasia de muitos deles declara abundantemente. O Pai viu que ninguém estava apto para essa confiança, senão o Seu Filho, e, portanto, lhe aprouve entrega-la a Ele. É da vontade e agrado de Deus que toda a graça deva vir até nós por meio de Cristo. Se Deus vai comungar conosco, isto deve ser a partir do propiciatório: Cristo Jesus. Se tivermos alguma comunhão com o Pai, deve ser através do Mediador. Se tivermos alguma graça dEle, que é o Deus de toda a graça, isso deve vir até nós desta forma; pois somente Cristo é o caminho, e a verdade, e a vida (João 14:6), não apenas o caminho de acesso a Deus, e aceitação dEle, mas do envio de toda a graça, de todas as bênçãos da graça para nós. Agora, na medida em que é o prazer do Pai que toda a plenitude da natureza, graça e glória devam habitar em Cristo, o Mediador, isto estabelece a glória de Cristo. Um aspecto considerável da glória de Cristo, como Mediador, encontra-se no fato dEle ser cheio de graça e de verdade; o que as almas sensíveis de Seus próprios anelos, veem com prazer. É isso que faz dEle o mais formoso dos filhos dos homens, por que a graça, a plenitude dela, é derramada em seus lábios. É isso que faz com que Ele pareça ser branco e rosado, o primeiro entre dez mil; e seja tão adorável, mesmo totalmente desejável, na opinião de todos que O conhecem. É isso que o torna tão muitíssimo precioso, e tão valorizado e estimado por, todos os que creem. Isso nos instrui para onde buscar por uma fonte. Os egípcios, nos sete anos de fome, quando clamaram a Faraó por pão, este tendo estabelecido a José sobre seus depósitos, os ordena a irem ter com ele, dizendo: Ide a José; o que Ele vos disser, fazei (Gênesis 41:55). Cristo é por Seu Pai, constituído como o cabeça sobre todas as coisas da Igreja. Ele é o nosso antitípico José, que tem todo o nosso estoque de graça na mão. Todos os tesouros dela estão escondidos nEle; Ele tem toda a disposição da mesma, e, portanto, a Ele devemos ir para tudo o quanto estivermos necessidade. E disso nós podemos ter a certeza: de

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que não há nada que queremos, senão o que está nEle; e nada nEle é apropriado para nós, senão o que Ele pronta e livremente nos comunica. Isso nos direciona a dar toda a glória do que temos a Deus, por meio de Cristo, visto que Ele é a via de transmissão de toda a graça a nós, “portanto, ofereçamos sempre por Ele a Deus sacrifício de louvor, isto é, o fruto dos lábios que confessam o seu nome” (Hebreus 13:15). Isto é pela graça de Deus em Cristo; por meio dEle e para Ele, nós somos o que somos; isso é o que nos fez ser diferentes de outros. Não temos nada, senão o que nós temos de certa forma recebido, nada senão o que temos recebido a partir da plenitude de Cristo; e, portanto, não devemos nos gloriar, como se não tivéssemos recebido: Mas se qualquer um de nós se gloria, gloriemo-nos em Cristo “o qual para nós foi feito por Deus sabedoria, e justiça, e santificação, e redenção” (1 Coríntios 1:30).

ORE PARA QUE O ESPÍRITO SANTO use estes textos para trazer muitos Ao conhecimento salvador de JESUS CRISTO.

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Referências Dos Textos Deste Volume: Todas as seguintes obras foram traduzidas e publicadas em Português pelo website oEstandarteDeCristo.com, sob a licença Creative Commons Attribution-NonCommercialNoDerivatives 4.0 International Public License. Você está autorizado e incentivado a reproduzir e/ou distribuir este material em qualquer formato, desde que informe o autor, as fontes originais e o tradutor, e que também não altere o seu conteúdo nem o utilize para quaisquer fins comerciais.

Salvo indicação em contrário, as citações bíblicas usadas nesta tradução são da versão Almeida Corrigida Fiel | ACF • Copyright © 1994, 1995, 2007, 2011 Sociedade Bíblica Trinitariana do Brasil.

PARTE I — O Homem, Seu Pecado, Sua Queda, Sua Depravação e Sua Miséria. Introdução À Doutrina Da Depravação Humana – Arthur W. Pink Via: EternalLifeMinistries.org • Título em Inglês: The Total Depravity of Man – Chapter 1: Introduction Tradução por Camila Almeida • Revisão por William Teixeira. As Evidências Da Depravação Humana – Arthur W. Pink Via: EternalLifeMinistries.org • Título Original: The Total Depravity of Man – Chapter 11: Evidences • Tradução por William Teixeira • Revisão por Camila Almeida. Não É Razoável Que Pessoas Não-Convertidas Se Alegrem – Robert Murray M’Cheyne Via: Books.Google.com.br • Título original: It is Unreasonable in Unconverted Persons to Make Mirth • Tradução por William Teixeira • Revisão por Camila Almeida. Pecado Imensurável, Sermão Nº 299 – Charles H. Spurgeon Via: SpurgeonGems.org • Título Original: Sin Immeasurable • Tradução por William Teixeira • Revisão Camila Almeida. As Ramificações Da Depravação Humana – Arthur W. Pink Via: EternalLifeMinistries.org • Título Original: The Total Depravity of Man – Chapter 10: Ramifications • Tradução por William Teixeira • Revisão por Camila Almeida.

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A Terrível Condição Dos Homens Naturais – Robert Murray M´Cheyne Via: Books.Google.com.br • Título Original: The Fearful Condition of Natural Men • Tradução por William Teixeira • Revisão por Camila Almeida. A Pecaminosidade Do Homem Em Seu Estado Natural – Thomas Boston Via: Chapellibrary.org • Título Original: The Sinfulness of Man’s Natural State • Tradução por William Teixeira • Revisão por Camila Almeida. O Terrível Estado Dos Não-Convertidos – Jonathan Edwards Via: CCEL.org • Título Original: Natural Men in a Dreadful Condition • Tradução por Tiago Cunha • Revisão por William Teixeira. Um Verdadeiro Mapa Do Estado Miserável Do Homem Por Natureza – Christopher Love Via: PuritanSermons.com • Título Original: A True Map of Man's Miserable Estate by Nature • Tradução por Camila Almeida • Revisão por William Teixeira Homens Em Seu Estado Caído – John Newton Via: Pbministries.org • Título Original: Man in His Fallen Estate • Tradução por William Teixeira • Revisão por Camila Almeida. As Consequências Da Depravação Humana – Arthur Walkington Pink Via: EternalLifeMinistries.org • Título Original: The Total Depravity of Man – Chapter 4: Consequences • Tradução por Camila Almeida • Revisão por William Teixeira A Santidade De Deus E A Depravação Do Homem – Paul David Washer Transcrição da pregação proferida na 16ª Consciência Cristã – VINACC. Noite do dia 1º de março de 2014. Campina Grande–PB, Brasil • Assista ao vídeo desta pregação: Youtu.be/ymQwV5zkwrs • Transcrição por William Teixeira • Revisão por Ilanna Praseres. A Porção Dos Ímpios – Jonathan Edwards Via: CCEL.org • Título Original: The Portion Of The Wicked • Tradução por Tiago Cunha • Revisão por Camila Almeida. O Remédio De Deus Para A Depravação Humana – Arthur Walkington Pink Via: EternalLifeMinistries.org • Título Original: The Total Depravity of Man – Chapter 13: Remedy • Tradução por Camila Almeida • Revisão por William Teixeira. A Necessidade Da Morte De Cristo – Stephen Charnock Via: Chapellibrary.org • Extraído de “Cristo, nossa Páscoa” • Tradução por Camila Almeida • Revisão por William Teixeira. Inimigos Reconciliados Pela Morte – Robert Murray M'Cheyne

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Via: Books.Google.com.br • Título original: Enemies Reconciled Through Death • Tradução por Camila Almeida • Revisão por William Teixeira A Gloriosa Bem-Aventurança Proposta No Evangelho – Arthur Walkington Pink Via: EternalLifeMinistries.org • Título Original: The Total Depravity of Man – Chapter 14: Summary • Tradução por William Teixeira • Revisão por Camila Almeida.

PARTE II — Deus, Sua Graça, Seu Amor, Seu Evangelho e Sua Eterna Salvação. Uma Breve Exortação Evangélica – Paul David Washer Via: I´ll be Honest – Global (Youtube.com/user/ibhglobal) • Uma breve exortação por Paul Washer, após um estudo intitulado, “Como Ser Uma Mulher de Deus?” ministrado na Igreja do Salvador, Peru, em Junho de 2012 • Pregação Transcrita do original em espanhol por Camila Almeida • Revisado e editado por William Teixeira. Uma Palavra Sincera Aos Não-Convertidos – Richard Baxter Via: CCEL.org • Título Original: A Call to the Unconverted, to Turn and Live • Este texto é uma edição do Prefácio do clássico Um Chamado aos Não-Convertidos. Este pequeno tratado é composto por este Prefácio e mais 4 Sermões baseados em Ezequiel 33:11 • Tradução por Camila Almeida • Revisão por William Teixeira. Perdão Para Os Maiores Pecadores – Jonathan Edwards Via: The-HighWay.com • Título Original: Pardon for the Greatest Sinners • Tradução por Amanda Ramalho • Revisão por William Teixeira. Sermão Nº 1434, JESUS! – Charles H. Spurgeon

Via: SpurgeonGems.org • Título Original: Jesus! • Tradução por Camila Francine Ventura • Revisão por Camila Almeida. Ele Me Amou, E Se Entregou Por Mim – John Stephen Piper Via: DesiringGod.org • Título Original: He Loved Me and Gave Himself for Me • Tradução por Camila Almeida • Revisão por William Teixeira. Sermão Nº 2563, Graça Para O Culpado – Charles H. Spurgeon Via: SpurgeonGems.org • Título Original: Grace For The Guilty • Tradução por William Teixeira • Revisão por Camila Almeida. Semper Idem ou A Imutável Misericórdia De Jesus Cristo – Thomas Adams Via: PuritanSermons.com • Título Original: Semper Idem; or, the Immutable Mercy of Jesus Christ • Tradução por Camila Almeida • Revisão por William Teixeira.

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Sermão Nº 233, A Livre Graça – Charles H. Spurgeon

Via: SpurgeonGems.Org • Título Original: Free Grace • Tradução por William Teixeira • Revisão por Camila Almeida. O Som Alegre Do Evangelho Da Graça De Deus – Augustus Montague Toplady Via: PBMinistries.org • Título Original: Good News From Heaven or The Gospel A Joyful Sound • Tradução por Camila Almeida • Revisão por William Teixeira Sermão Nº 501, Graça Abundante – Charles H. Spurgeon Via: SpurgeonGems.org • Título Original: Grace Abounding • Tradução por William Teixeira • Revisão por Camila Almeida. A Plenitude Do Mediador – John Gill Via: PbMinistries.org • Título Original: The Fullness of the Mediator • Tradução por Camila Almeida • Revisão e William Teixeira.

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10 Sermões — R. M. M’Cheyne Adoração — A. W. Pink Agonia de Cristo — J. Edwards Batismo, O — John Gill Batismo de Crentes por Imersão, Um Distintivo Neotestamentário e Batista — William R. Downing Bênçãos do Pacto — C. H. Spurgeon Biografia de A. W. Pink, Uma — Erroll Hulse Carta de George Whitefield a John Wesley Sobre a Doutrina da Eleição Cessacionismo, Provando que os Dons Carismáticos Cessaram — Peter Masters Como Saber se Sou um Eleito? ou A Percepção da Eleição — A. W. Pink Como Ser uma Mulher de Deus? — Paul Washer Como Toda a Doutrina da Predestinação é corrompida pelos Arminianos — J. Owen Confissão de Fé Batista de 1689 Conversão — John Gill Cristo É Tudo Em Todos — Jeremiah Burroughs Cristo, Totalmente Desejável — John Flavel Defesa do Calvinismo, Uma — C. H. Spurgeon Deus Salva Quem Ele Quer! — J. Edwards Discipulado no T empo dos Puritanos, O — W. Bevins Doutrina da Eleição, A — A. W. Pink Eleição & Vocação — R. M. M’Cheyne Eleição Particular — C. H. Spurgeon Especial Origem da Instituição da Igreja Evangélica, A — J. Owen Evangelismo Moderno — A. W. Pink Excelência de Cristo, A — J. Edwards Gloriosa Predestinação, A — C. H. Spurgeon Guia Para a Oração Fervorosa, Um — A. W. Pink Igrejas do Novo Testamento — A. W. Pink In Memoriam, a Canção dos Suspiros — Susannah Spurgeon Incomparável Excelência e Santidade de Deus, A — Jeremiah Burroughs Infinita Sabedoria de Deus Demonstrada na Salvação dos Pecadores, A — A. W. Pink Jesus! – C. H. Spurgeon Justificação, Propiciação e Declaração — C. H. Spurgeon Livre Graça, A — C. H. Spurgeon Marcas de Uma Verdadeira Conversão — G. Whitefield Mito do Livre-Arbítrio, O — Walter J. Chantry Natureza da Igreja Evangélica, A — John Gill

 Natureza e a Necessidade da Nova Criatura, Sobre a — John Flavel  Necessário Vos é Nascer de Novo — Thomas Boston  Necessidade de Decidir-se Pela Verdade, A — C. H. Spurgeon  Objeções à Soberania de Deus Respondidas — A. W. Pink  Oração — Thomas Watson  Pacto da Graça, O — Mike Renihan  Paixão de Cristo, A — Thomas Adams  Pecadores nas Mãos de Um Deus Irado — J. Edwards  Pecaminosidade do Homem em Seu Estado Natural — Thomas Boston  Plenitude do Mediador, A — John Gill  Porção do Ímpios, A — J. Edwards  Pregação Chocante — Paul Washer  Prerrogativa Real, A — C. H. Spurgeon  Queda, a Depravação Total do Homem em seu Estado Natural..., A, Edição Comemorativa de Nº 200  Quem Deve Ser Batizado? — C. H. Spurgeon  Quem São Os Eleitos? — C. H. Spurgeon  Reformação Pessoal & na Oração Secreta — R. M. M'Cheyne  Regeneração ou Decisionismo? — Paul Washer  Salvação Pertence Ao Senhor, A — C. H. Spurgeon  Sangue, O — C. H. Spurgeon  Semper Idem — Thomas Adams  Sermões de Páscoa — Adams, Pink, Spurgeon, Gill, Owen e Charnock  Sermões Graciosos (15 Sermões sobre a Graça de Deus) — C. H. Spurgeon  Soberania da Deus na Salvação dos Homens, A — J. Edwards  Sobre a Nossa Conversão a Deus e Como Essa Doutrina é Totalmente Corrompida Pelos Arminianos — J. Owen  Somente as Igrejas Congregacionais se Adequam aos Propósitos de Cristo na Instituição de Sua Igreja — J. Owen  Supremacia e o Poder de Deus, A — A. W. Pink  Teologia Pactual e Dispensacionalismo — William R. Downing  Tratado Sobre a Oração, Um — John Bunyan  Tratado Sobre o Amor de Deus, Um — Bernardo de Claraval  Um Cordão de Pérolas Soltas, Uma Jornada Teológica no Batismo de Crentes — Fred Malone

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2 Coríntios 4 1

Por isso, tendo este ministério, segundo a misericórdia que nos foi feita, não desfalecemos;

2

Antes, rejeitamos as coisas que por vergonha se ocultam, não andando com astúcia nem falsificando a palavra de Deus; e assim nos recomendamos à consciência de todo o homem, 3 na presença de Deus, pela manifestação da verdade. Mas, se ainda o nosso evangelho está 4

encoberto, para os que se perdem está encoberto. Nos quais o deus deste século cegou os entendimentos dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória 5

de Cristo, que é a imagem de Deus. Porque não nos pregamos a nós mesmos, mas a Cristo 6

Jesus, o Senhor; e nós mesmos somos vossos servos por amor de Jesus. Porque Deus, que disse que das trevas resplandecesse a luz, é quem resplandeceu em nossos corações, 7 para iluminação do conhecimento da glória de Deus, na face de Jesus Cristo. Temos, porém, este tesouro em vasos de barro, para que a excelência do poder seja de Deus, e não de nós. 8

Em tudo somos atribulados, mas não angustiados; perplexos, mas não desanimados. 10 Perseguidos, mas não desamparados; abatidos, mas não destruídos; Trazendo sempre por toda a parte a mortificação do Senhor Jesus no nosso corpo, para que a vida de Jesus 11 se manifeste também nos nossos corpos; E assim nós, que vivemos, estamos sempre entregues à morte por amor de Jesus, para que a vida de Jesus se manifeste também na 12 13 nossa carne mortal. De maneira que em nós opera a morte, mas em vós a vida. E temos portanto o mesmo espírito de fé, como está escrito: Cri, por isso falei; nós cremos também, 14 por isso também falamos. Sabendo que o que ressuscitou o Senhor Jesus nos ressuscitará 15 também por Jesus, e nos apresentará convosco. Porque tudo isto é por amor de vós, para que a graça, multiplicada por meio de muitos, faça abundar a ação de graças para glória de 16 Deus. Por isso não desfalecemos; mas, ainda que o nosso homem exterior se corrompa, o 17 interior, contudo, se renova de dia em dia. Porque a nossa leve e momentânea tribulação 18 produz para nós um peso eterno de glória mui excelente; Não atentando nós nas coisas que se veem, mas nas que se não veem; porque as que se veem são temporais, e as que se não veem são eternas. Issuu.com/oEstandarteDeCristo 9