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Abraão, Ilha Grande, Angra dos Reis - RJ - Março de 2012 - Ano XII - Nº 154 Fotos: Geraldo Falcão


GOVERNAR O BRASIL!!!

Editorial ....................................... 2 Questão ambiental .............. 6 a 15 Turismo .............................. 16 e 17 Coisas da Região .............. 18 a 22 Fala leitor .................................. 21 Textos e opiniões ...................... 21 Colunistas ......................... 23 e 24 Interessante ...................... 24 a 30 Coral Sol ................................... 31

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Sempre me pergunto: como seria governar o Brasil, um país onde todos querem “meter o bico” em proveito próprio ou dos comparsas? Este Brasil, um país com centenas de etnias, em sua maioria sob a ardência gostosa do sol tropical, oito mil quilômetros de costa atlântica para se refrescar, “que dá vontade de não fazer nada e tocar viola de papo pro ar o tempo todo”. Democracia plena; leis de proteção ao cidadão em tanta abundância que a polícia praticamente não tem poder para prender ninguém; drogado protegido tanto no lícito quanto no ilícito; traficantes com suposta parte do poder público comendo na mão deles, em nome de sustentar o consumo do drogado porque é dependente; partidos políticos ansiosos feito lobos famintos para abocanhar mais um ministério, pois é de onde se supõe que venha o grosso da “bufunfa”. Poderes independentes querendo ter aumentos astronômicos constantemente; um Congresso cujo calor tropical do planalto o torna enfermo para a produtividade e, por outro lado, nunca se sabe quem é o inimigo; um Judiciário onde o óbvio é tema bem discutível e será elucidado por 5 a 4, porque dois não estiveram presentes; uma Constituição que, apesar de ser a melhor do mundo, também é a maior e mais complicada que a Bíblia para determinar o que é constitucional e o que não é e as licitações maculadas mafiosamente. Por isso alguém pergunta: que país é este? Pois é o nosso Brasil. “É no ritmo deste samba que o Presidente da República tem que sambar”, digo governar! Acredito que o Brasil seja o segundo país mais complexo do mundo para ser governado. E além de tudo o que já escrevi, ainda tem cadeira, peso e obrigação para discutir o destino do planeta, que é um barril de pólvora cercado de irresponsáveis por todos os lados portando tochas de fogo em nome do “simbólico”. A Rússia acaba de investir bilhões e bilhões de Euros para garantir sua segurança, talvez em nome do retorno da “Guerra Fria” aquecida nuclearmente e economicamente! Em outra forma de guerra, a Grécia, que por má administração não soube se proteger em tempo hábil, está sendo comida em fatias pela ganância faminta do mundo econômico e... que se dane sua

soberania! Quem diria, berço da cultura e da democracia! “Dá até rima”! Os países que separam Israel e Irã não terão como dormir tranquilos pois, se um atacar, o outro contra-atacará e os destroços de “guerra nas estrelas” irão cair sobre os vizinhos – destroços esses que poderão ser nucleares. Que mundo é este? É o mundo louco que criamos! E... um pedaço especial dele (8.516,037Km2) a nossa Presidente tem que governar e bem, para tentar segurar o restante do mundo. É! Não é fácil! Além de todos os nossos problemas, ainda temos os dos outros em nossas mãos! Você já se perguntou como se sentiria governando nosso País? Eu já, e me apavorei! Contudo ainda ouso dizer: é o melhor país do mundo! E temos o privilégio de estarmos aqui! Eu, ainda mais que os outros, pois moro numa invejável ilha chamada Ilha Grande, que é a perfeita “Aquarela do Brasil... Brasil do meu amor, terra de nosso senhor, abre a cortina do passado, tira a mãe preta do serrado, bota o Rei Momo no congado... Este coqueiro que dá coco, onde amarro a minha rede... Com uma rede preguiçosa prá deitar, eu durmo! É um berço esplêndido não é?” Vejam se há mais alegria de povo que isso: fui no pagode, acabou a comida, acabou a bebida, acabou a canja, sobrou prá mim, o bagaço da laranja.... Todo isso com sorrisão e gerando qualidade de vida! É tudo diferente! Se não acabasse em samba, não teria falado de Brasil neste editorial. Por mais irônico que pareça, é esse espírito da canção, da viola, do gingado, da manha do “congado”, do irreverente, até do não fazer nada, que nos torna pacíficos, de espírito tranquilo e diferentes do resto do planeta. Isto mereceria um estudo mais profundo do nosso povo. Enquanto os outros se matam até pelo mesmo Deus, nós fazemos festivais, carnavais e, quando dá, a gente trabalha também. Grande parte da galera de Brasília só chegou no plenário depois do carnaval, e com a alma lavada pela missão cumprida! “Brasil, meu Brasil brasileiro...! E tem coqueiro que dá coco”...! Ironia não, é a nossa realidade!!! E VOCÊ QUE VIVE RECLAMANDO, É PORQUE NÃO CONHECE O RESTANTE DO MUNDO!

O Editor

Nota: este jornal é de uma comunidade. Nós optamos pelo nosso jeito de ser e nosso dia-a-dia portanto, algumas coisas poderão fazer sentido somente para quem vivencia nosso cotidiano. Esta é razão de nossas desculpas por não seguir certas formalidades acadêmicas de jornalismo. Sintetizando: “é de todos para todos e do jeito de cada um”!

Jornal da Ilha Grande - Março de 2012 - nº 154


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Questão Ambiental Informações, Notícias e Opiniões Informativo on-line do Parque Estadual da Ilha Grande No. 03 ano 02 - Março/2012

constituídos e legítimos para o exercício do controle social na gestão do patrimônio natural e cultural, e não apenas como instância de consulta da chefia da UC. O seu fortalecimento é um pressuposto para o cumprimento da função social de cada UC.” (LOUREIRO et al, 2007, p. 37). Neste mês de março o Parque Estadual da Ilha Grande (PEIG) recebeu um grande número de participantes, moradores da comunidade que estiveram presentes na primeira parte da reunião Ordinária do Conselho Consultivo do Parque, a segunda parte aconteceu com um numero reduzido de participantes, apenas membros do Conselho.

COMITÊ DA REGIÃO HIDROGRÁFICA DA BAÍA DA ILHA GRANDE O Parque Estadual da Ilha Grande integra comitê responsável por gestão integrada da bacia hidrográfica da Ilha Grande. O secretário estadual do Ambiente, Carlos Minc e a presidente do Instituto Estadual do Ambiente, Marilene Ramos, estiveram em Angra, dia 29, para o lançamento do projeto de Gestão Integrada do Ecossistema da Baía da Ilha Grande (Projeto BIG) e também para a posse do Comitê de Bacia Hidrográfica da Ilha Grande. O projeto é uma parceria entre o governo do estado e a organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO) e prevê o investimento de R$ 50 milhões na gestão ambiental da Baía da Ilha Grande ao longo de cinco anos. O comitê será responsável pelo planejamento e direcionamento desse investimento e é integrado por representantes do poder público e da sociedade civil. O objetivo do Projeto BIG é fomentar a gestão integrada do ecossistema da Baía da Ilha Grande e garantir o desenvolvimento sustentável da região. O projeto inclui ações em várias áreas, que vão desde o planejamento institucional até o monitoramento de ameaças ambientais, passando pelo fortalecimento das áreas protegidas da região. O projeto tem quatro áreas principais: planejamento, política e fortalecimento institucional; biodiversidade e áreas protegidas; monitoramento e mitigação das principais ameaças à qualidade ambiental da região; envolvimento público e participação social na gestão ambiental da baía. O Comitê de Bacia Hidrográfica da Ilha Grande tem 24 membros e é o nono e último que faltava para ser criado no estado do Rio de Janeiro, concretizando o compromisso do governo estadual com o adequado gerenciamento dos recursos hídricos. O PEIG está sendo representado por seu Chefe Sandro Muniz. Os membros do comitê têm mandato de dois anos.

Relembramos que o conselho consultivo do PEIG se reúne mensalmente e as reuniões são abertas a toda a sociedade, a próxima reunião ordinária está marcada para o dia 17 de abril, às 10h na sede do PEIG na Vila do Abraão (a confirmar).

CONCURSO PARA GUARDA PARQUE Inea já tem cronograma completo de guarda-parque, as inscrições estão abertas até 15 de abril pela internet no site da FEC. Ao todo são 220 vagas temporárias, com vencimentos de R$ 1.500 e carga de trabalho de 40 horas semanais. Para concorrer é preciso possuir ensino médio completo, ter no máximo, 45 anos e no mínimo, 1,60m. No ato da inscrição é preciso optar pela unidade de conservação (parque) para a qual deseja concorrer. Ao preencher a ficha o candidato deverá imprimir o boleto e pagar a taxa de R$ 50,00 em qualquer agência bancária. As provas objetivas serão aplicadas em 6 de maio, o teste de aptidão física (TAF) entre 4 e 22 de junho e a análise de títulos em 10 e 11 de julho. Depois de avaliados, os aprovados ainda passarão pelo curso de formação, um treinamento que terá duração de dois meses. Serão feitas duas turmas com 110 convocados. Os novos guardas serão alocados em 17 parques distribuídos pelo estado do Rio de Janeiro e terão contrato de três anos, podendo ser renovado por mais dois. A validade do concurso é de dois anos, podendo ser prorrogada por igual período. O diretor de áreas protegidas do Inea, André Ilha, garante que a seleção possui caráter de urgência, e espera que, até o final deste ano, os funcionários já estejam trabalhando. Maiores informações: www.fec.uff.br

TREINAMENTO DA EQUIPE PEIG CONSELHO CONSULTIVO PEIG O Conselho Consultivo do PEIG é um instrumento de gestão previsto pela Lei 9.985/2000, do Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC), Decreto 4.340/2002. Ressalte-se que o conselho é entendido “como espaço legalmente

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Visando aprimorar os conhecimentos e certificar os funcionários do PEIG, a HOPE, empresa de Recursos Humanos, organizou durante o mês de março, com apoio da preposta Marina Passaglia Rojas, treinamentos de capacitação com todos os funcionários HOPE/PEIG, foram três dias de treinamento:

Jornal da Ilha Grande - Março de 2012 - nº 154


Questão Ambiental Primeiro dia, 06 de março · 1° Socorros - Palestrante: Cristiane Cristina - Enfermeira do trabalho · Permissão de trabalho- Palestrante: Marcus Carvalho Medeiro – Téc. em segurança no trabalho · Taludes-Palestrante: Marcus Carvalho Medeiro – Téc. em segurança no trabalho Segundo dia, 07 de março · Trabalho em altura- Palestrante: Marcus Carvalho Medeiro – Téc. em segurança no trabalho · Proteção de máquinas- Palestrante: Marcus Carvalho Medeiro – Téc. em segurança no trabalho Terceiro dia, 08 de março · Produtos químicos- Palestrante: Marcus Carvalho Medeiro – Téc. em segurança no trabalho · Bloqueio e sinalização- Palestrante: Marcus Carvalho Medeiro – Téc. em segurança no trabalho

Fotos: Iracema Santos

Todos os cursos e palestras foram ministrados pela empresa SAMPLING.

FISCAIS DO INEA APREENDEM 35 PÁSSAROS SILVESTRES Fiscais do Parque Estadual da Serra da Tiririca apreenderam 35 pássaros silvestres que eram mantidos em cativeiro em Maricá, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro. De acordo com as informações do Instituto Estadual do Ambiente (Inea), as aves foram encontradas após os fiscais receberem uma denúncia anônima. Ainda segundo o Inea, o proprietário fugiu do local, mas deve ser multado em R$ 20 mil, além de ser processado por caça e maus-tratos a animais silvestres. Entre os pássaros apreendidos, havia coleiros, canários da terra, tizius, um curió e um sanhaço. Além disso, foram apreendidos materiais de caça, como redes e alçapões. Os animais recolhidos serão levados para o Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) do Ibama. O Inea informou ainda que a área no entorno do parque já vinha sendo monitorada, por suspeitas de caça clandestina em seu interior. (Foto: Divulgação/Peset)

CONHEÇA NOSSA FLORA Nome científico: Tibouchina granulosa Nomes populares: Q u a r e s m e i r a , Quaresmeira-roxa, flor-daquaresma Características morfológicas: Altura de 812 m, com tronco de 30-40 cm de diâmetro, revestido por casca com ritidoma pouco escamoso, ramos quadrangulares e alados nas arestas. Folhas opostas cruzadas, lanceoladas ou elípticas a oblongadas, rijas, pubescentes e com indumento escabo nas suas faces, mais visivelmente na face superior, de 15-20 cm de comprimento. Flores bissexuadas, actinomorfas, dialipétalas, vistosas, de carola roxa, dispostas em panículas terminais e axiliares. Fruto cápsula deiscente, com muitas e diminutas sementes. Existe uma variedade desta espécie que produz flores róseas. Ocorrência: Bahia, Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais, principalmente na floresta pluvial da encosta atlântica. Utilidade: A madeira pode ser empregada para uso interno, confecção de objetos leves, brinquedos, caixotes, etc. A árvore é muito ornamental principalmente quando em floração, pela beleza e pelo porte. Também indicada para a composição de reflorestamentos mistos destinados à áreas de preservação. Fenologia: Floresce geralmente duas vezes ao ano, em julho-agosto e dezembro-março, sendo, entretanto nesta última época mais abundante. Os frutos amadurecem de junho até agosto e abril-maio. Curiosidade: Os nativos da Ilha Grande chamam a árvore de jacatirão chorão, porque mesmo seca ao queimar sua madeira libera água. A quaresmeira também é conhecida por anunciar a páscoa, pois floresce no período da quaresma. Lydia Santos; Fonte: Árvores Brasileiras – Vol. 01. 5° edição. Fale com PEIG - Sugestões de pauta, curiosidades, eventos a divulgar, reclamações, críticas e sugestões: falecompeig@gmail.com

CASTRAÇÃO DE ANIMAIS Nos dias 10 e 11 de abril daremos continuação a castração de cães e gatos (machos e fêmeas). As fêmeas serão castradas pelo médico veterinário Dr. Milson Sousa Jr. e terão o custo como sempre foi feito. Os machos serão castrados por médico veterinário da Prefeitura, que deverá ser a Dra. Luciana Assunção Borges de Oliveira, com custo zero. Compareça e convença o vizinho da necessidade de esterilizar seu animal. Informe que os animais serão anestesiados, não sofrerão, e todos os procedimentos e cuidados necessários serão tomados.

Os pássaros estavam presos em 10 gaiolas e em dois armários improvisados com grades. Jornal da Ilha Grande - Março de 2012 - nº 154

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Questão Ambiental DIA MUNDIAL D DAA ÁGUA ÁGUA:: especialista faz alerta e dá dicas Site Portogente, publicado em 19/03/2012 No mês de março se comemora o Dia Mundial da Água. É um momento para lembrar que em diversos lugares do mundo, milhares de pessoas já sofrem com a falta desse bem essencial à vida. A água é primordial e insubstituível. É um recurso natural utilizado para fins importantes. Medidas e campanhas emergenciais são necessárias, para que este elemento da natureza não falte jamais. A escassez de água no planeta já não é novidade para ninguém. De toda a água de nosso planeta, cerca de 3% é doce, o que não se mostra suficiente para toda a população. Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), o Brasil tem 11,6% de toda a água doce do planeta. Em pesquisa feita pela Agência Nacional de Águas (ANA), mostra-se que a demanda de água nas regiões metropolitanas é maior que a produção atual dos recursos. Para impedir problemas com a falta de água nos próximos 15 anos, será necessário um investimento de R$ 27,7 bilhões em produção, tratamento, fornecimento de águas e tratamento de esgotos. Para evitarmos que o mundo chegue a essa situação, várias medidas podem ser tomadas, entre elas está o reuso da água, que já vem sendo utilizado por muitas empresas para diminuir seus gastos e também colaborar com o meio ambiente. No Brasil, 80% do esgoto coletado vai parar em cursos d’água sem receber nenhum tratamento. A população também pode contribuir evitando o desperdício de água com pequenas mudanças no cotidiano em suas casas, propriedades, estabelecimentos comerciais, etc. No Brasil gasta-se cerca de cinco vezes mais água do que o necessário. Nosso consumo é de cerca de 200 litros por dia por pessoa, sendo que a OMS recomenda gastos de 40 litros por dia por pessoa. Este desperdício todo preocupa - afinal, o ser humano é capaz de ficar 60 dias sem comer, mas só resiste cinco horas sem água. O problema da escassez de água é urgente. Para Sergio Belleza, gerente da Divisão Tratamento de Águas da Argal Química “programas de conscientização são necessários em curto prazo. O uso racional da água tem que ser visto como fator urgente e prioritário. Além disso, as empresas têm que estar atentas à implantação dos modernos sistemas de reuso de água”, finaliza o executivo.

frente da Ilha Grande está caótica (foto ao lado). É só chegar embarcado e ter que fundear para perceber que está faltando monitoramento e organização das poitas e que em feriados como este o número de embarcações paradas na frente da ilha é muito maior do que o razoável. Fatos como este somados a um grande número de banhistas e embarcações miúdas, deixa a situação toda potencialmente desastrosa. Seria pedir muito pela organização deste coreto? Uma área separada com poitas e bóias propícias ao fundeio (e não garrafas vazias de refrigerante e óleo diesel), juntamente com um serviço de transporte das tripulações e seus convidados? Não acho que é pedir muito não. É muito melhor do que ficar competindo com escunas e catamarãs por um pedacinho de espaço pra subir e descer do píer. Arquivo: Ditakotená 2012

Navegando pela Baía da Ilha Grande a gente encontra diversas regiões onde os moradores bloqueiam a passagem de embarcações com bóias (geralmente azuis ou amarelas) para não “poluir a vista” de suas casas. Num feriado como o de carnaval não seria interessante criar áreas reservadas aos banhistas da vila do Abraão e outras em situação semelhante? (ex: praia do pouso na enseada de Palmas). Arquivo: Ditakotená 2012

NA VEGAR É PRECISO ... NAVEGAR PRECISO... Pedro Paulo Vieira Diretor de Projetos & Pesquisas Instituto Dita‘kotená pedro.paulo@ditakotena.org.br Durante o Carnaval 2012 a Vila do Abraão estava fervilhando de gente. Os taxiboats indo e vindo de diversos recantos turísticos nos arredores eram indicativos de que o final de semana seria animado. A economia local da Ilha Grande em ebulição e agradecendo aos bares, restaurantes e pousadas sempre cheios. Tudo pronto pra folia! Eu também estava lá entre eles, mas não como turista e tão pouco “pé-sujo”. Num estado de espírito operacional, saí com uma equipe de campo da Ditakotená pra visitar o Abraão, Lopes Mendes e Dois Rios no sábado e domingo de Carnaval. Eu sei que moro no continente, mas como visitante tenho noção de meus direitos e deveres. Temos que convir que a situação de fundeio de embarcações de passeio na

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Na minha opinião o sistema se resume a uma melhor disposição (e registro!) de poitas e boias em áreas mais adequadas ao fundeio. Como visto na foto acima, “se não tem boia não tem barco”.

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Questão Ambiental QUESTÃO NUCLEAR

Pós -F ukushima: lições aprendidas Pós-F -Fukushima: geram Plano de RResposta esposta da Eletrobras Eletronuclear Gloria Alvarez (Coordenadora), Juliana Rezende, Fábio Aranha Logo após o terremoto e o tsunami que ocorreram no Japão, ano passado, ocasionando um acidente nuclear na Central de Fukushima Daiichi, a Eletrobras Eletronuclear criou um comitê gerencial a fim de elaborar um plano de ações para reavaliar a segurança das usinas da Central Nuclear Almirante Alvaro Alberto. O Plano de Resposta à Fukushima da Eletronuclear engloba 30 estudos e 28 projetos, a serem desenvolvidos no período de 2011 a 2015, com investimentos estimados em cerca de R$ 300 milhões. O documento foi produzido a partir de informações do relatório preliminar encaminhado, pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), à Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), com a avaliação do acidente e, ainda, de observações da indústria nuclear mundial. [...] Além da elaboração do Plano, atendendo à solicitação da CNEN, a Eletronuclear está estendendo seus estudos para a elaboração de um Relatório de Reavaliação de Segurança das Usinas Angra 1 e Angra 2, em conformidade com especificação da WENRA – associação de organismos reguladores nucleares da Europa para a realização dos relatórios de avaliação de resistência. Este relatório deverá estar concluído até o final deste mês (março) para envio à CNEN e será avaliado por especialistas do Foro Iberoamericano de Organismos Reguladores Nucleares[...]. Já a conclusão da reavaliação de segurança de Angra 3 está prevista para o mês de junho. O Plano de Resposta à Fukushima da Eletronuclear compreende três áreas de avaliação: A primeira referenciada como Proteção contra Eventos de Risco, trata da avaliação de cenários extremos de catástrofes naturais, verificando como as instalações, conforme projetadas e construídas, seriam impactadas no caso de ocorrência dessas catástrofes. Nesta área, destacam-se os estudos relativos a terremotos, efeitos de chuvas torrenciais, estabilidade das encostas e movimentos de mar. Os estudos contemplam a reavaliação das bases de projeto adotadas e a verificação das margens de segurança do projeto, em termos dos limites de severidade para os quais pode ser garantido o desligamento seguro das plantas. Estes estudos em sua quase totalidade já se encontram em curso, sendo desenvolvidos em conjunto com universidades e centros de pesquisa, com previsão de conclusão dos estudos principais ainda em 2012. Considerando as características do sítio da Central, a abrangência dos estudos feitos para a implantação do complexo nuclear e as margens de segurança adotadas no projeto, os estudos deverão confirmar a adequação das instalações e das medidas de proteção adotadas, limitando as implicações dos seus resultados a intervenções localizadas em determinadas estruturas a título de aprimoramento da segurança. Na segunda área, Capacidade de Resfriamento, são avaliadas as condições para garantir o resfriamento adequado do reator e das piscinas de combustível em condições extremas, que incluem a perda de suprimento de energia elétrica para os sistemas de segurança e a perda da fonte fria, pelo bloqueio das tomadas de água do mar. Este tipo de avaliação vem sendo desenvolvida sistematicamente para todas as usinas nucleares, notadamente na Europa, no âmbito das assim chamadas avaliações de resistência ou stress tests.

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Seguindo o conceito de defesa em profundidade, a ocorrência destas condições é assumida a despeito de todas as medidas de proteção das instalações contra os eventos de risco que possam causar a perda de suprimento de energia elétrica e a perda da fonte fria, e das margens de segurança consideradas na implantação destas medidas. Embora as duas unidades, Angra 1 e Angra 2, já disponham de recursos para resfriamento do reator e das piscinas em condições além das bases de projeto, os estudos e projetos a serem desenvolvidos visam dotar as plantas de novas alternativas para resfriamento do reator e das piscinas de combustível nessas condições, utilizando sistemas e equipamentos fixos, instalados nas plantas, e equipamentos móveis, como grupos diesel, moto bombas e unidades de refrigeração portáteis. Os estudos consideram diferentes níveis de falha dos sistemas de segurança até a condição extrema de indisponibilidade de todos os sistemas fixos da planta que dependam de suprimento de energia elétrica ou de água do mar para resfriamento. Os equipamentos móveis serão guardados em prédios de máxima segurança ou fora do local onde as usinas estão instaladas, devidamente protegidos, podendo, neste caso, serem transportados por via marítima até a Central em situações de emergência. Na utilização de equipamentos móveis são considerados tempos de movimentação e de conexão destes equipamentos às plantas compatíveis com a capacidade de mobilização e suficientes para garantir o resfriamento adequado do reator e das piscinas. São equipamentos industriais convencionais, sem requisitos nucleares, o que facilitará a sua aquisição e disponibilização. A especificação para compra estará pronta este mês. Paralelamente, estarão sendo preparadas nas plantas as modificações que permitirão a conexão rápida dos equipamentos móveis para atender às condições de emergência postuladas. A terceira área de avaliação, Limitação de Consequências Radiológicas, trata das medidas que visam impedir ou limitar liberações de materiais radioativos para o meio ambiente no caso de ocorrência de acidentes severos, que se caracterizam pela fusão parcial do núcleo do reator. O foco dos estudos e projetos nesta área de avaliação é a manutenção da integridade da contenção de aço que isola o reator e o circuito primário do meio ambiente. A implementação destas medidas já está sendo contratada às empresas responsáveis pelos projetos de Angra 1 e Angra 2, seguindo as mesmas soluções adotadas nas usinas similares nos Estados Unidos e Europa.

Angra dos RReis eis se une a protestos mundiais contra a energia nuclear no aniversário de FFukushima ukushima Em 11 de março, data que marcou um ano após o desastre de Fukushima, centenas de cidades em mais de 130 países realizaram manifestos em homenagem às vítimas e em protesto contra a energia nuclear. Em Angra dos Reis, a SAPE (Sociedade Angrense de Proteção Ecológica) coordenou os esforços locais desse movimento. Organizados no cais Santa Luzia, membros da organização e cidadãos interessados realizaram uma vigia durante toda a noite, informando aos transeuntes sobre a tragédia do Japão e informando sobre a situação atual de Fukushima. Os manifestantes cobraram ainda das autoridades brasileiras providências concretas de melhoria dos sistemas de segurança das Centrais Nucleares e a revisão completa do Plano de Emergência visando torná-lo efetivo no caso de acidentes que obriguem a atender a população

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Questão Ambiental da região. Ao amanhecer, lanternas com velas foram depositadas ao mar, em homenagem às vítimas do desastre nuclear. Ao fim do ato, Cida Remédios, da coordenação da SAPE, declarou que “a vigília em memória a tragédia japonesa foi marcada pela tristeza do ocorrido, mas também por energia positiva que nos colocam em permanente estado de atenção para buscarmos impedir que a energia nuclear provoque novas vítimas”. Ações similares foram realizadas no Brasil nas cidades de Belo Horizonte, Manaus, Rio de Janeiro, Salvador, São Paulo e Porto Alegre. O movimento foi coordenado internacionalmente para a realização de uma “corrente humana” anti-nuclear, alertando que a situação das plantas nucleares de Fukushima ainda permanecem longe de estarem sob controle, e lembrando ao mundo sobre as centenas de milhares de pessoas vítimas da radiação liberada pelo acidente. Na mídia internacional, o movimento recebeu destaque pela participação expressiva na Alemanha e França. Em Braunschweig, mais de 24 mil pessoas portando tochas de fogo formaram uma corrente de 80 kilômetros em torno das usinas locais, cujo desativamento está planejado para 2022. 230 kilometros de corrente humana foram formados conectando as cidades de Lyon e Avignon, compostos, de acordo com os organizadores, por mais de 60 mil pessoas no país onde 75% da energia provém de reatores nucleares. Kyoko Sugawasa, cidadã de Sendai que participou dos protestos na Califòrnia, declarou para o Jornal japonês The Mainichi Daily News que “nós, mães, receamos que nosso filhos estejam sendo tratados como ratos de laboratório”, ponderando que “o governo japonês não revelou todas as informações sobre o acidente”.

Entrevista com José Rafael Ribeiro, Conselheiro da SAPE 1. Como e por que a SAPE foi criada? A SAPE (Sociedade Angrense de Proteção Ecológica) nasceu em 1983, reunindo estudantes, grupos culturais e intelectuais - como Alípio Mendes - que reagiam às fortes transformações que a cidade vivia. Os principais vetores dessas transformações foram: a construção da Rio-Santos, ainda na década de 70, que expulsou lavradores e caiçaras de suas terras, a construção do TEBIG (Terminal de Petróleo da Baía da Ilha Grande) que promoveu uma grande dragagem, alterando profundamente o ambiente marinho, e o início da construção das Usinas Nucleares. Angra dos Reis foi palco das primeiras manifestações antinucleares no país; primeiro com uma bicicleata do Rio até Angra, em 1977, e depois com a realização dos “Hiroshimas Nunca Mais” a partir de 1981, envolvendo artistas, ativistas, ambientalistas, tudo isso associado ao movimento pela abertura democrática. Desse caldo de cultura nasceu a SAPE, estando essas diversas facetas do movimento presentes até hoje em seu DNA. 2. Nesses 30 anos de existência, quais foram os pontos altos do funcionamento da SAPE? A luta antinuclear sempre esteve associada a nossa trajetória. A realização dos “Hiroshimas” no início da década de 80, reunindo milhares de pessoas, artistas, intelectuais e políticos de projeção nacional foram importantes para paralisar temporariamente o programa nuclear brasileiro e repensá-lo em suas bases. Da mesma forma, a nossa luta pela abertura de praias e trilhas garantiram o acesso a diversas praias e caminhos no município. Nossa atuação em diversos conselhos de meio ambiente e de unidades de conservação contribuíram com a reflexão e aprimoramento dos instrumentos de gestão democrática da cidade. Mas sem dúvida nenhuma nossa maior contribuição está no exercício da reflexão crítica, no trabalho de educação continuada, que se expressou recentemente na realização de um curso de audiovisual que produziu três curta metragens abordando temas relevantes para toda a nossa sociedade.

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3. Por que a SAPE se opõe à construção de Angra III? Desde o surgimento da SAPE consideramos a energia nuclear uma energia suja, pois o lixo atômico demorará muito tempo para perder a radioatividade, e por seu caráter de associação à indústria bélica. Ainda temos no mundo diversos exemplos de usinas nucleares voltadas não só para a produção de energia mas também para a produção de combustível para a bomba. No caso da construção de Angra 3, consideramos um equívoco do governo brasileiro, pois seu custo é muito elevado (cerca de 2 bilhões de reais), a tecnologia é ultrapassada - os reatores foram adquiridos na década de 80, o complexo nuclear não oferece segurança à população da Baía da Ilha Grande (o plano de emergência é subdimensionado, as rotas de fuga são vulneráveis, a população desconhece os procedimentos e o sistema de saúde é precário) e finalmente - o acidente de Fukushima nos ensinou - há necessidade de rever todos os sistemas de segurança das instalações. 4. Qual a estratégia da organização para impedir a construção de Angra III e outras plantas nucleares no Brasil? Nossa principal estratégia é informar a população das reais condições do funcionamento das usinas nucleares e mobilizar o maior número de pessoas para forçar o governo a investir os recursos disponíveis em novas formas de produção de energia menos impactantes e em mecanismos de eficiência energética. 5. Como a população pode fazer a diferença nas políticas de energia nuclear brasileira, e onde podem encontrar maiores informações sobre como se envolverem com a SAPE? A participação da população é fundamental seja na discussão dos destinos das usinas nucleares quanto para pressionar as autoridades em relação à melhoria das condições de segurança da nossa região. Isso pode ser feito através de mobilizações online ou da ação direta. Por exemplo, no momento esta ocorrendo a coleta de assinaturas digitais em favor da realização de uma PEC (Proposta de Emenda à Constituição) para vedar a construção de usinas nucleares em qualquer ponto do território brasileiro, para a desativação de Angra I e Angra II em 20 anos e para a interrupção das obras de Angra III. Para colaborar com a SAPE, o interessado pode participar de nossos encontros às quintas, às 18 h em nossa sede (Rua Honório Lima, 48, Centro, 2º andar, Angra dos Reis), acompanhar nossas postagens no sapeangra.blogspot.com ou acompanhar o Sapeangra no Facebook. Somos um grupo de ativistas voluntários que atuamos em defesa de um mundo melhor, mais justo e equilibrado e toda a ajuda é bem-vinda.

OPINIÃO

O Negacionismo de FFukushima ukushima Enquanto o mundo se mobilizava em respeito às vítimas de Fukushima e em alerta sobre os pós-efeitos do desastre nuclear, um grupo pró-Angra III manifestava sua posição no Cais Santa Luzia, às margens do evento angrense consonante com a iniciativa mundial para a “corrente humana”. Distribuindo panfletos defendendo a energia nuclear, o movimento liderado por trabalhadores das usinas nucleares e organismos ligados à sua propagação defendiam que a tecnologia é limpa, expressando sua homenagem aos trabalhadores de Fukushima e afirmando que “não houve vítimas da radiação” no Japão. Por dias ponderei sobre a melhor forma de responder às alegações, em especial sobre a “ausência de vítimas” e o uso desse argumento para a promoção da energia nuclear. Relevado o meu asco pela própria perversidade da argumentação, pensei em explicitar todos os fatos sobre o acidente, e expor a situação real das áreas próximas a Fukushima Daiichi atualmente, um ano após a tragédia, onde milhares perderam seus lares que tiveram de abandonar, sem nada levar consigo. Pensei em relembrar as mães, em cujo leite materno foi encontrado radiação; ou as crianças nas quais detectaram contaminação nas urinas. Pensei em explorar o sentimento humano, na tentativa de traduzir em palavras o sofrimento das centenas de pessoas afetadas pelo descontrole das plantas nucleares, que sofrem com a falta de informações dos órgãos Jornal da Ilha Grande - Março de 2012 - nº 154


Questão Ambiental oficiais e permanecem na incerteza sobre o que a radiação poderá causar a eles próprios e às suas famílias no futuro, conscientes de que reações como câncer somente serão percebidas a longo prazo. Na busca sobre a melhor forma de expor aqui, para os leitores do jornal, deparei-me com um apelo de uma mãe de Fukushima, e ficou claro para mim que jamais poderia expressar em palavras o que eles sofreram. E concluí que, melhor do que ninguém, as próprias vítimas – essas, que o movimento nuclear brasileiro nega existir – são as que melhor podem responder aos argumentos da indústria pró-nuclear. Traduzo abaixo o apelo de Sachiko Sato, cidadã de Fukushima, e que bem poderia ser uma cidadã comum de Angra dos Reis.

“DE FUKUSHIMA NÓS MUDAMOS O MUNDO Sachiko Sato, Fukushima David M. Grossman

O acidente de Fukushima Daiichi afetou as vidas de dois milhões de pessoas no estado de Fukushima, incluindo a mim. Não foi nossa escolha. Mesmo após um ano, ainda estamos agonizando por não poder aceitar o que aconteceu conosco em 11 de março de 2011. O mesmo é válido para os meus filhos, que foram evacuados para o estado de Yamagata. Minha filha mais velha tinha acabado de celebrar seu primeiro aniversário de casamento quando o terremoto ocorreu. Quando seu marido se recusou a evacuar de Fukushima, ela disse que não teria filhos caso ficasse em Fukushima com ele. Seu marido acabou por aceitar esse ponto de vista, e ambos se mudaram para Yamagata. Mas sua mudança teve efeitos negativos no relacionamento com seus sogros, com quem tinham acabado de começar a viver juntos. Minha filha de 14 anos tem se recusado a ir à nova escola em Yamagata em protesto por ter sido separada de seus melhores amigos de Fukushima. […] Hoje, ela ainda permanece em casa. Meu terceiro filho, que atualmente tem 18 anos, auxiliava na fazenda da família e trabalhava no departamento de assistência social que liderava. Mas, como não temos mais a possibilidade de plantar vegetais no solo contaminado, e se tornou ilegal para mim empregar menores na “área de radiação controlada”, não tive escolhas a não ser demiti-lo quando tinha 17 anos de idade. Ele possui dificuldades de aprendizagem, o que complica sua situação. É difícil para ele conseguir empregos em outros lugares. Ainda hoje está desempregado. No meu trabalho, sugerimos que trabalhadores jovens e com crianças pequenas deveriam evacuar. Como resultado, três famílias partiram. Dos que permaneceram, ainda há aqueles que não conseguem aceitar a mudança, o que afeta nossas relações de trabalho. Aqueles que partiram e permaneceram não são apenas colegas, mas também amigos pessoais próximos. Tive que desistir da fazenda orgânica à qual dediquei 30 anos de minha vida. Comecei a construir essa agência de assistência social sozinha na expectativa de uma aposentadoria feliz, mas hoje é incerto o quanto poderei continuar. A maioria de nossos bons amigos, que costumavam trabalhar em nossa fazenda, se foram, dispersos pelo país. Nós ajudávamos uns aos outros, vivíamos modestamente e parcimoniosamente, Jornal da Ilha Grande - Março de 2012 - nº 154

mas essa vida feliz nos foi retirada pela energia nuclear, que meramente produzia energia. Nós perdemos tudo por causa da energia nuclear. Nosso governo e a TEPCO repetidamente mentiram para nós espalhando o “mito da segurança da energia nuclear” e hoje se recusam a admitir que falharam nesse sentido. Além disso, estão ainda tentando espalhar um novo mito, o “mito da segurança da radiação”, argumentando que a substância radioativa é segura atualmente, o que, antes de 3 de março, era considerado tão perigoso que era selado com paredes de 5 camadas para proteger o meio-ambiente de qualquer vazamento. Agora que abandonaram nossos filhos em Fukushima sem protegê-los da exposição radioativa, e ignoraram o imenso sofrimento das pessoas de Fukushima, o que nosso governo pretende proteger às custas das nossas vidas? Quando suas prioridades econômicas é tudo o que contam, é difícil de acreditar que terão qualquer consideração pelos seres humanos. Além disso, não satisfeitos com o programa nuclear doméstico, nosso governo planeja vender reatores nucleares para fora. Eles também sacrificarão as crianças do mundo? Isso me deixa mais e mais irritada. Os Estados Unidos introduziram a energia nuclear ao Japão sob o véu de ‘Átomos pela Paz”, enquanto acobertavam a tragédia das duas bombas nucleares. O Japão está fazendo exatamente o mesmo que os EUA fizeram a outras nações, anunciando que “o acidente nuclear de Fukushima Daiichi está finalizado, os danos da radiação foram pequenos e a descontaminação do solo fará com que tudo esteja bem”. Comunidades agrícolas pobres no Vietnam e na Jordânia não serão informadas sobre a energia nuclear, mas acreditarão que a energia nuclear criará mais empregos, e aceitarão por um punhado de pessoas que querem estabelecer negócios com a energia nuclear. E definitivamente seguirão os mesmos passos que seguimos no Japão, sem saber a verdade sobre a energia nuclear. Quem dirige nosso país ao estado de que essa loucura prevaleça? Para quem é esse país? São apenas seres humanos que vivem na Terra? Seres humanos não podem existir sem a natureza. Um por cento dos ricos estabelecem energia nuclear em todo o mundo e danificam a natureza nessa extensão. Os outros 99% da população e todas as criaturas da natureza têm que suportar os danos por 1%? Não, não é o caso. A natureza age por igual sobre todos. E, dessa forma, mesmo o 1% terá que lidar com os danos causados à natureza. Peço-lhes que reconheçam o mais rápido possível. Que o valor monetário não é o mais importante. Que há algo mais que eu e você precisamos apreciar no momento. Que a Terra não existe apenas para os seres humanos que estão vivendo aqui hoje. […] Mesmo após as experiências de Three Mile Island e Chernobyl, falhamos em deter a energia nuclear. Devemos enfrentar essa história com ressentimento. Todos os ativistas que estavam em movimentos anti-nucleares viram o acidente de Fukushima Daiichi com pesar: “por que não fomos capazes de deter a energia nuclear após Chernobyl?” Sobreviventes da bomba atômica de Hiroshima e Nagasaki se arrependeram de que seu desejo de serem “as últimas vítimas da radiação” não foi concluído. Por entenderem esse ressentimento, as pessoas de Fukushima se tornaram mensageiras para alcançar o mundo e dizerem que os imensos sofrimentos que Fukushima teve que vivenciar nunca mais devem ser vividos por ninguèm mais. Como diz a palavra Fukushima, costumávamos ter muito “Fuku” (felicidade em japonês) em Fukushima: água, ar, solo limpos, e comida semeada ali. Não podemos permitir que a energia nuclear continue operando após ter retirado toda essa felicidade de nós. Acredito que essa mensagem será retransmitida para o resto do mundo. E se, e apenas se, todas as plantas nucleares do mundo forem cessadas, então pela primeira vez Fukushima será capaz de resolver nossa angústia, luto, e raiva. Até que esse momento venha, estamos determinados a evitar que Fukushima seja esquecida. Nós manteremos Fukushima viva. Em 11 de março comemoraremos o primeiro aniversário do acidente de Fukushima Daiichi. Eu apelo ao mundo para que se lembrem de Fukushima e ponham um fim à energia nuclear.”

Cinthia Heanna é nova colaboradora do jornal. Mestra em assuntos nucleares pela Universidade de Hamburgo, na Alemanha, foi coautora do estudo internacional “Custos, Riscos e Mitos da Energia Nuclear”, submetido à ONU em 2011.

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Questão Ambiental Boto Cinza – PPassado, assado, PPresente resente e Futuro de um Símbolo Ameaçado! Pedro Paulo Vieira Diretor de Projetos & Pesquisas Instituto Dita‘kotená pedro.paulo@ditakotena.org.br O Brasão da cidade do Rio de Janeiro tem como características o escudo português, em campo azul, cor simbólica da lealdade, a esfera armilar manuelina combinada com as três setas que supliciaram São Sebastião, padroeiro da cidade, tudo em ouro, tendo ao centro o barrete frígio, símbolo do regime republicano. Como lembrança da mesma como capital, temos a coroa mural de cinco torres de ouro encimando o escudo. Como suportes, dois botos-cinza, um à direita e outro à esquerda, simbolizando cidade marítima. À direita, um ramo de louro e à esquerda, um ramo de carvalho, representando, respectivamente, a vitória e a força. Atualmente o Rio de Janeiro é exaltado por representar nosso país e de certa forma todo o continente sulamericano em dois eventos esportivos de repercussão planetária. Seu símbolo vai rodar o mundo. Mas onde estão agora e como vivem os animais cuja importância foi imortalizada no nosso brasão? Quem ajuda a responder esta pergunta é Leonardo Flach e Elaine Ferreira fundadores do Instituto Boto Cinza. O IBC - com sede na cidade de Itacuruçá - vem executando a missão de trabalhar em prol da preservação do botocinza e de outros cetáceos do litoral sul fluminense. Criado em 2009 para alavancar as ações do então Projeto Boto Cinza que, desde 1997, vinha desenvolvendo pesquisas sobre ecologia e biologia do boto-cinza ( Sotalia guianensis ) na Baía de Sepetiba, o IBC visa estabelecer as melhores estratégias de conservação para esta espécie.

Leonardo Flach e Elaine Ferreira (à sua direita) posam para foto juntamente com voluntárias e colaboradoras do Instituto Boto Cinza em sua sede na cidade de Itacuruçá – RJ.

Os botos-cinza foram imortalizados no brasão da bandeira do município fluminense por naquela época serem muito abundantes na Baía de Guanabara, mas infelizmente esta população hoje não chega a 40 animais, conta Leonardo. Estes pequenos cetáceos ocorrem de Honduras à Santa

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Catarina, no Rio de Janeiro podem ser avistados em toda a costa, mas as maiores agregações são encontradas nas baías de Sepetiba e Ilha Grande. Apesar de os botos ainda existirem em grande número no litoral da Costa Verde, os índices de mortalidade na baía de Sepetiba são alarmantes para a espécie, ultrapassando 2% ao ano da população hoje estimada em aproximadamente 1000 indivíduos, fato considerado insustentável pela IWC (Comissão Internacional Baleeira). Desde 2005 foram recolhidas 142 carcaças destes animais, com recorde de 36 no ano de 2011. Neste ano de 2012 já foram encontrados quatro animais mortos. As causas são creditadas ao resultado de várias atividades antrópicas que se agravaram nos últimos anos com o advento de diversos empreendimentos na região que impactam direta ou indiretamente o ecossistema marinho.

Pontos de avistamento de botos-cinza em Sepetiba.

Em setembro do ano passado a Secretaria de Estado do Ambiente – SEA – reconheceu a vulnerabilidade da espécie e incluiu o boto-cinza na campanha “Abrace essas Dez”, que é destinada à conservação de dez espécies da fauna apontadas como as mais ameaçadas de extinção no território fluminense devido às ações humanas. A inclusão deste pequeno mamífero aquático nesta lista, que contou com a colaboração de trabalhos realizados por instituições como o IBC e o Maqua-UERJ, ajudará não somente na conservação do boto-cinza mas também das demais espécies costeiras. A conclusão sobre o risco de extinção desta espécie surgiu a partir dos diversos estudos que vêm sendo desenvolvidos ao longo dos últimos 15 anos no litoral sul fluminense pelos pesquisadores do IBC, como fotoidentificação, genética, área de vida, interação com as artes de pesca e bioacústica. Uma das principais descobertas é sobre a diferenciação genética entre a população de botos-cinza da baía de Paraty e de Sepetiba, além das evidências de haver dois estoques diferentes nesta última, o que evidencia a fragilidade de cada uma delas e a importância de preservá-las. Outro importante estudo realizado com os botos das baías de Sepetiba e Ilha Grande indicam os diferentes índices de contaminação destas regiões. Além destas informações complexas sabemos também que os botos preferem as áreas mais profundas da baía tanto na entrada, quanto no interior e sabemos que se alimentam principalmente de peixes como a sardinha verdadeira, o goete e a castanha que não são espécies alvo dos pescadores comprovando que não há competição entre ambos. Muitos destes estudos são possíveis graças às carcaças de botos que são recolhidas pelo IBC e encaminhadas para Universidades parceiras como

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Questão Ambiental o Laboratório de Mamíferos Aquáticos da UERJ – Maqua. Por isto é tão importante não deixar que nenhuma carcaça se perca e despendemos tantos esforços em divulgar nosso trabalho, explica Leonardo. Caso encontre algum golfinho, boto ou baleia mortos ou debilitados a equipe pode ser acionada imediatamente. Outras importantes descobertas sobre os cetáceos também são realizadas durante o monitoramento na costa verde em parceria com a Estação Ecológica Tamoios. O IBC descobriu que duas espécies de cetáceos, muito pouco estudados no Brasil, o golfinhopintado-do-Atlântico (Stenella frontalis) e o golfinho-de-dentes-rugosos (Steno bredanensis) frequentam as águas interiores da baía da Ilha Grande nas proximidades da Usina Nuclear e do TEBIG. No caso destas espécies, muito ainda precisa ser feito para a compreensão de suas dinâmicas e movimentos populacionais para que possam ser devidamente monitoradas e protegidas .

LEONARDO FAZ FOTOIDENTIFICAÇÃO DE BOTOS-CINZA NA BAIA DE SEPETIBA. Para divulgar os resultados de tantas pesquisas e a importância do botocinza para a preservação do ecossistema marinho o IBC promove conscientização ambiental nas comunidades do entorno das baías da costa verde. Segundo Elaine Ferreira: É oferecida capacitação de professores, palestras gratuitas para comunidades escolares e pesqueiras, promoção de atividades lúdicas, exposições e eventos com o objetivo de sensibilizar a população sobre a importância da preservação do meio ambiente”. O IBC conta com apoio da iniciativa privada, para promoção destas ações em escolas, centro culturais, hotéis, praias continentais e insulares, praças públicas ou locais onde haja demanda. “ Até o final do primeiro semestre será inaugurada sua a sede em Itacuruçá, onde a população local, turistas, professores e estudantes poderão obter estas e muitas outras informações sobre estes simpáticos animais marinhos e sobre o meio ambiente”, comemora Elaine. Muitos são os desafios para a conservação do boto-cinza na região da costa verde e especialmente da Baia da Ilha Grande. É imprescindível que todas as instâncias de nossa sociedade participem e contribuam para que nosso brasão represente não apenas um passado glorioso mas um presente e um futuro grandioso e ecologicamente sustentável.

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Questão Ambiental

No dia 14 de março de 1991 a Organização Não Governamental Instituto de Ecodesenvolvimento da Baía da Ilha Grande, conhecida como IED – BIG, estava legalmente constituída. De caráter Ambiental, Científica, Cultural, Educacional e Social, almejava, dentre vários objetivos, proteger a Baía da Ilha Grande. Os sócios fundadores do IED – BIG sonham com a possibilidade de manter íntegra a Baía da Ilha Grande, contra a poluição de qualquer espécie. É questão de honra, para o IED – BIG, agir em prol das futuras gerações e o Instituto não mede esforços no sentido de manter preservado este “patrimônio da humanidade” que é a Baía da Ilha Grande. No dia 23.09.1994, sob a Coordenação do IED – BIG, nascia o Projeto de Repovoamento Marinho da Baía da Ilha Grande, conhecido como Projeto POMAR, com as parcerias da Eletrobras/Eletronuclear e a Petrobras. Este Projeto tem por objetivos a eliminação da ameaça de extinção do Coquille Saint – Jacques, da espécie Nodipecten nodosus, molusco nativo da costa brasileira de sabor inigualável, e a sua produção em escala industrial. Ao longo dos quase 18 anos, o IED – BIG percorreu 08 Estados do nosso Brasil, realizou 9.000 cursos técnicos de capacitação, recebeu em suas instalações 40.000 pessoas e produziu 50.000.000 de sementes (filhotes) de Coquille Saint – Jacques. Firmou dezenas de convênios com Instituições nacionais e internacionais. Divulgou no Brasil e Exterior o Projeto POMAR e sempre engrandeceu o nome de Angra dos Reis e do Estado do Rio de Janeiro. Devido ao seu persistente comprometimento pelo desenvolvimento da Maricultura, o IED – BIG é hoje referência nacional nesta atividade e atende a toda demanda nacional na produção de sementes de Coquille Saint – Jacques, também conhecido como Vieira. Como qualquer Instituição o IED – BIG passou por várias crises financeiras e

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esteve na iminência de encerrar suas atividades no período 2008 / 2009. Isso só não aconteceu porque a Eletronuclear socorreu o Instituto a tempo. Posteriormente, ações do Ministério da Pesca e Aquicultura, da Petrobras através do seu Centro de Pesquisas (CENPES), e da Transpetro, na área de educação ambiental, foram fatores que deram ao Instituto o equilíbrio financeiro necessário para continuar com as suas atividades de apoio à maricultura. Graças aos apoios acima mencionados, o Instituto aumentou o seu quadro de colaboradores e retomou em 2011 a produção de 3.000.000 milhões de sementes de Coquille. A previsão para este ano é uma colheita de 100.000 dúzias e isso representará um volume de recursos da ordem de R$3.000.000,00 para os Maricultores brasileiros. É importante mencionar que o Coquille demora, no mínimo, 12 meses para poder ser consumido (tempo de crescimento). O potencial da Maricultura na Baía da Ilha Grande é da ordem de 1.000.000 de dúzias de Coquille por ano, e milhares de empregos poderão ser gerados se houver recursos para viabilização desse negócio. É a Indústria Verde, compatível com a Baía da Ilha Grande. Esta meta está prevista para ser alcançada em 2016. Por meio de uma entrevista com o Engenheiro José Luiz Zaganelli, Presidente do IED – BIG, fui informado de que em abril deste ano o Laboratório de Larvicultura de Moluscos será transformado em CENTRO DE BIOTECNOLOGIA MARINHA. O carro chefe do Instituto, a partir deste ano, não é mais a maricultura, e sim projetos na área de biotecnologia marinha. Nove projetos já estão em andamento e, isso dando certo, garantirá a sustentabilidade financeira do Instituto. Para finalizar esta matéria é importante mencionar que o Engenheiro Zaganelli e sua Equipe de colaboradores merecem os nossos aplausos pelos 21 anos dedicados a uma causa das mais nobres, que é o desenvolvimento do nosso Brasil.

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Questão Ambiental ZONEAMENT OD AMOIOS ZONEAMENTO DAA AP APAA TTAMOIOS Dia 22 de março no auditório do Teatro Municipal, por razões divergentes entre o Conselho e o INEA, discutiu-se novamente o zoneamento da APA Tamoios. Embora cansativa e desgastante, a discussão foi proveitosa, face aos esclarecimentos que deram luz sobre a escuridão do impasse. Foi uma reunião de muitos desconfortos, começando pelo minúsculo auditório: muita gente em pé e sem nenhum apoio de som. O Sr. Ricardo Toledo, administrador da APA e dirigente desta reunião, com louvável esforço se saiu bem, mas teve dificuldades para equacionar a questão. Esse mal-estar causado pela deficiência estrutural/logística para reunião deveu-se à Prefeitura, anfitriã do fórum, que, por razões desconhecidas, não soube evitar tal desconforto. Iniciou-se pela leitura do já elaborado zoneamento, para dar conhecimento a todos e dirimir possíveis dúvidas. Entretanto, houve protesto, alegando não ser necessário por já ter sido acordado, bem como ter tido vistas do advogado do INEA. O Presidente da Câmara dos Vereadores Dr. José Antônio contestou, alegando que palavras dependem de interpretação e é nesta interpretação que tudo pode mudar. Sintetizando: uma palavra que dê margem à outra interpretação poderá ser o paraíso dos advogados. Portanto, procedeu-se à leitura ponto a ponto, sempre entre troca de farpas e contestações, nem sempre adequadas. Mas chegou-se ao fim da exaustiva leitura, de certa forma, mais harmônico do que o esperado. O grande nó da questão não era esse, mas sim na parte da modificação proposta pelo INEA de incluir várias ZITHs – Zonas de Interesse Turístico Hoteleiro, com o qual o Conselho não concorda por não ter entrado no acordo que aprovou anteriormente o zoneamento; por não se ter na Ilha um estudo de capacidade de suporte; pelos pontos comuns de lazer para turismo estarem saturados, já causando forte impacto ambiental; e, enfim, por muitas questões que o Conselho acredita serem de suma importância à proteção ambiental. O INEA, mantendose irredutível e até esclarecendo que o Conselho era consultivo e “a caneta cabe a ele”, gerou muitas farpas de ambas as partes. Neste calor dos contra pontos, a Dra. Sílvia Chada leu a posição do Conselho, justificada por várias páginas. O INEA, com outras tantas páginas, defendeu sua posição de que sustentabilidade era criar as ZITHs e ampliar o turismo. Obviamente isso gerou vários pronunciamentos recheados de farpas. Como os participantes do Conselho pertencentes ao Abraão foram taxados de “xiitas”, já na entrevista pela rádio do Secretário do Ambiente, nessa manhã, além de declarados defensores somente da Ilha Grande, os conselheiros, no contra gosto, colocaram a carapuça e se defenderam. Na abertura dos pronunciamentos, o Sr. Rafael da SAPE se contrapôs, dizendo que não fosse esse grupo, pouco se teria feito do Zoneamento, visto o desinteresse em participar especialmente do continente. Acrescentou ainda que o grande interesse do grupo é proteger a natureza, as pessoas que vivem aqui; e gerar sustentabilidade sem degradar. Disse que o INEA, como instituição de proteção da natureza, deveria se preocupar e defender essa proteção, e não ter em sua meta o crescimento turístico apoiando grupos potencialmente fortes e de linha excludente para investirem na Ilha Grande. A fala teve tom de mediação e pediu que todos se “desarmassem” para dar espaço ao entendimento. Alexandre, do CODIG, mostrou-se desapontado com a postura do Secretário Estadual do Ambiente, Sr. Carlos Minc, por ter afirmado que o zoneamento seria o aprovado pelo Conselho, e posteriormente colocar-se favorável a reabrir a discussão que, segundo o pensamento do Conselho, favorecerá sobremaneira a grupos excludentes – o que não é aceitável. Adriano, da Liga Cultural AfroBrasileira, mostrou-se indignado com as palavras de Júlio Avelar, Superintendente da Baía da Ilha Grande (INEA) referindo-se ao Conselho ser taxado de hipócrita, e foi extremamente duro em seu pronunciamento. Renato, da Associação Curupira (guias), mostrou que as propostas de criar as ZITHs decretarão o fim da associação por ocasionar o fim das trilhas por onde transitam os turistas, face aos percalços que estas ZITHs criarão, e considerou-se “palhaço”. Por fim, ofereceu ao Sr Firmino, Subsecretário Estadual do Ambiente e Sr. André Ilha, Diretor da Biodiversidade de áreas Protegidas, um “kit cara de pau” (óleo de peroba), em função dos rumos

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que tudo tomou com a participação deles. O Sr. Cássio, representando a Prefeitura, falou sobre o impasse causado pelos interesses de cada grupo, com semânticas de aspectos irredutíveis e concitava ao entendimento para a próxima reunião da APA. Obviamente, o INEA se defendeu dos diversos pronunciamentos, e o Sr. Júlio Avelar, do INEA Angra, se pronunciou magoado e não deixou “barato” as respostas. Ficou marcada para o dia 19 de abril, possivelmente no CEA, a próxima reunião onde será “batido o martelo” em definitivo. ANÁLISE DO JORNAL (Lembramos que o jornal é informativo da comunidade, tem muita credibilidade e é mambro dos Conselhos APA e Parque, não tendo como ser omisso). Na análise do jornal, a reunião transcorreu melhor que o esperado, mas longe do caminho para se resolver os problemas. Contudo, foi bom porque os desafetos foram expostos: todos os que tinham algo a dizer tiveram a oportunidade, mesmo que, em ambas as partes, a “ética já fora ética” – mas, na democracia, certas sacudidas são importantes para a elucidação dos fatos. Gostaríamos que a discussão não fosse neste tom, pois gera muitas mágoas e não traz futuro positivo. Foi colocado de forma dura a insatisfação por parte de conselheiros com o Sr. Firmino e André Ilha. Acreditamos, entretanto, que o Rafael, ao dizer que o INEA deveria ser mais para o ambiente do que para o crescimento imobiliário, traduziu perfeitamente o que deve, por natureza, ser o escopo do INEA. Nesta região, o Estado há muito tempo deixa fortes dúvidas sobre esse comportamento, a ponto de gerar ações judiciais contra o Estado. Nota-se também que o Sr. Ricardo Toledo tornou-se “bode expiatório, para-choque” do INEA, visto muitos participantes acreditarem que a presença de Firmino e André Ilha seria obrigatória, pois o descrédito da APA se deve a eles e ao próprio Secretário. Muitas decisões foram tomadas à revelia do povo e do Conselho. Por fim, acreditamos que a grande mágoa do Conselho se deva ao não aproveitamento de suas decisões, em prol de outros interesses que, em sua visão, se contrapõem à proteção da natureza e demonstram cunho excludente. Esperamos pelo “desarmamento das partes” para o dia 19 de abril e pela aprovação do menor impacto ambiental possível nesta APA. Gostaríamos de dizer ainda que nos surpreende tomarmos conhecimento de fatos onde a sociedade civil é mais restritiva que o órgão ambiental. Isto enseja ideias pelo menos equivocadas. Vamos acertar o conflito no dia 19, e seria o retorno total de harmonia do nosso povo e do Conselho se o INEA não “usasse a caneta”. Isso em democracia é muito feio! A ameaça “da caneta” foi típica de um general irado e inconsequente.

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PAUT ARA O XXXVII FÓRUM DE TURISMO AUTAA PPARA DAA ILHA GRANDE GRANDE.. DO TRADE TURÍSTICO D Na Casa de Cultura, dia 14, às 14;00h ABERTURA APRESENTAÇÕES E CONSIDERAÇÕES (10 minutos) PALESTRA “Decoração, Harmonização e Paisagismo em Pousadas e Restaurantes”, com a Arquiteta e Decoradora Beth Reis, da Espaço 2 Início às 14:00 h. INTERAÇÃO - PÚBLICO/PALESTRANTE (20 minutos) ESPAÇO PARA PRONUNCIAMENTO DOS CONVIDADOS SEBRAE - FALARÁ SOBRE PROJETO DE CAPACITAÇÃO PARA A COPA 2014 (20 minutos) Representante do SEBRAE RIO Sra. Maria Auxiliadora DETALHES E SUGESTÕES PARA O NATAL ECOLÓGICO 2012 (20 minutos). Professor Carlos Monteiro ENCERRAMENTO

XXXVI FORUM DE TURISMO

mais urgente de se adotar um estilo de vida mais simples e interiormente mais rico. A simplicidade é simples desde a sua origem. A palavra é formada por outras duas de origem latina: sin, que significa único, um só, e plex, que quer dizer dobra. Ser simples significa ter uma só dobra, ao contrário do complexo, que têm várias. É como se recebêssemos um folha dobrada uma única vez e num gesto único conseguimos abri-la e ler seu conteúdo. Simples! Já uma folha dobrada várias vezes denota a preocupação do autor em esconder o conteúdo da mensagem. É necessário desfazer as dobraduras, uma a uma, alisar a folha depois de aberta e só então ler o seu conteúdo. Pois assim é a vida em todas as suas dimensões. Pode ter uma dobra generosa ou ter várias dobras desconfiadas. Simplificar é exatamente isso, facilitar o acesso ao que interessa, ao conteúdo dos fatos da vida, das coisas que usamos e das mensagens que queremos passar. Isso explica tudo. Alíás, explicar significa exatamente “tirar as dobras”. Só explica quem quer simplificar. Duane Elgin em seu livro “Simplicidade Voluntária” nos diz que “Simplicidade significa eliminar distrações triviais, tanto materiais como imateriais e focar no essencial – o que quer que isso signifique para cada um”. E aí está o pulo do gato. Mas como decidir o que essencial? O pior é que não existe uma resposta padrão, universal, que valha para todos. Mas calma, existem alguns caminhos. Do que você precisa para viver com dignidade e certo conforto? Casa, roupa, comida, saúde, educação e acesso a cultura? Pelo menos alguns desses estarão na lista. Se estas necessidades estiverem supridas, do que mais você não abriria mão? Tomar um bom vinho pelo menos uma vez por mês? Viajar pelo menos uma vez por ano? São os pequenos luxos a que todos nós temos direito e que fazem a vida ficar muito melhor. Vicki Robin, em seu livro Dinheiro e Vida, apresenta um gráfico que relaciona satisfação e dinheiro despendido. O gráfico faz uma curva ascendente, passando pelas necessidades básicas, algum conforto e pequenos luxos (sem exageros), até chegar ao ponto de suficiência – quando os luxos passam dos limites, a curva começa a descer, pois a relação entre dinheiro e a satisfação já não vale a pena. O ponto de suficiência seria o ideal para quem quer ter uma vida simples, mas longe da privação ou do sofrimento – pois isso não tem nada a ver com simplicidade.

SIMPLES X SIMPLÓRIO

Na sexta feira, 13 de março, na Sede do INEA, foi realizado o XXXVI Fórum de Turismo do Trade Turístico da Ilha Grande. Às 13.50h foi aberto e mediado por Nelson Palma, Vice-presidente da OSIG, dando às boas vindas e agradecendo o empenho pela presença a todos. Falou da importância do Fórum para as realizações de caráter coletivo, bem como dos desafios que deveremos enfrentar em futuro próximo com relação ao turismo e seus possíveis contratempos o que poderá advir de positivo em relação à Copa e olimpíadas. O palestrante foi Sandro Brandino, que nos falou sobre o jeito simples de viver que se enquadra perfeitamente com o estilo Ilha Grande. Abordou o seguinte: O conceito de vida simples, ao contrário do que muitos pensam, não é algo novo. Os gregos já falavam sobre vida simples em uma época onde não existiam carros, internet e nem os males da vida moderna. Nova é a necessidade cada vez

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Há uma diferença fundamental entre ser simples e simplório. Os simples resolvem a complexidade, os simplórios a evitam. Existem pessoas intelectualizadas, que levam uma vida plena, realizam trabalhos difíceis, apreciam leituras profundas e têm hábitos peculiares. E continuam sendo pessoas descomplicadas. Há também pessoas simplórias, com pouca profundidade, realizam trabalhos repetitivos, têm poucas ambições, apreciam rotinas e evitam os sustos de uma vida aventurosa. E mesmo assim são pessoas complicadas, para elas tudo é muito difícil, em geral impossível. Ser simples não significa evitar o complexo, negar a profundidade, contentar-se com o trivial. Ser simples significa encarar a complexidade de frente e decifrá-la. Você pode estar pensando: “Não existe um paradoxo, uma contradição em construir uma vida simples em meio à vida moderna cada vez mais exigente? Eu respondo apresentando a vocês duas pessoas: Edson Hiroshi e Elkhonon Goldberg. O Hiroshi é engenheiro agrônomo e mora em Piracaia, no interior de SP, o Goldberg é neurocientista e mora em NYC. Ambos levam uma vida simples, mas de modos totalmente diferentes. Hiroshi criou a Ecovila Clareando, uma comunidade autossustentável no interior

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de SP que atrai gente comprometida com a natureza e com seus valores, como a sustentabilidade, sem a ingenuidade das “sociedades alternativas” de antigamente, mas tendo a simplicidade como filosofia. Ele planta e produz praticamente tudo o que precisa para se alimentar, domina as técnicas de construção ecológica e de produção de energia limpa. Mas não é um isolado, viaja, participa de congressos, dá palestras, toca violão, compõe. E é alegre em tempo integral. Goldberg é professor na Universidade de Nova York, onde faz pesquisas sobre o cérebro humano, e consegue falar sobre seu funcionamento de maneira compreensível. Escreveu alguns livros, entre eles O Paradoxo da Sabedoria, em que afirma que, apesar do envelhecimento do cérebro, a mente pode manter-se jovem. Seus textos são o melhor exemplo de como se pode simplificar o complexo, pois são sobre neurofisiologia, mas qualquer um entende. Mora a uma quadra do Central Park, e seu consultório é do outro lado da rua. Tem um Mastim Napolitano chamado Brit, que o acompanha para onde vai, e russo de nascimento, adora comer caviar, que ele consegue bem baratinho no importador, que é seu conterrâneo. O cientista é uma ilha de simplicidade em um mar de complexidade. Vejam que são vidas tão diferentes, e ao mesmo tempo tão parecidas. O diferente fica por conta do ambiente, o semelhante por conta da postura de vida. Ambos carregam uma leveza própria das pessoas que decidiram não complicar, sem abrir mão de seus projetos, objetos, pequenos luxos, enfim, da vida normal. Pessoas assim, que fazem a opção da simplicidade, têm alguns traços em comum: São desapegadas - não acumulam coisas, fazem o uso racional de suas posses, doam o que não vão usar mais. São Assertivas - vão direto ao ponto com naturalidade, mesmo que seja pra dizer não, sem medo de decepcionar, não “enrolam” nem sofisticam o vocabulário desnecessariamente. Enxergam a beleza em tudo - em uma flor no jardim e em um quadro de Renoir; em uma moda de viola e em uma sinfonia de Vivaldi; em um pastel de feira e na alta gastronomia. São bem humoradas - são capazes de rir de si mesmas e, mesmo diante das dificuldades, fazem comentários engraçados, reduzindo os problemas à dimensão do trivial. São honestas - consideram a verdade acima de tudo, pois ela é sempre simples e, ainda que possa ser dura, é a maneira mais segura de se relacionar com o mundo. Portanto, ser simples, definitivamente, não é abrir mão das coisas de forma arbitrária. É possível apreciar o intelecto, as artes, o prazer da culinária, a aventura das viagens e continuar sendo simples. Pois ser simples não é contentar-se apenas com o mínimo para manter-se fisicamente vivo, uma vez que não somos só corpo, também somos imaginação, intelecto, sensibilidade e alma. E esta última é, sim, simples, mas não é pequena, a não ser, é claro, que a gente queira. Por motivo de força maior o SEBRAE e TURISANGRA, não puderam comparecer e deu-se sequencia a dois importantes temas, para analise da comunidade que

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foram o zoneamento da APA, onde o INEA pretende no dia 22 de março modificar o zoneamento já aprovado, onde pretende incluir 9 ZITs na Ilha Grande, que em nosso entendimento além de criar um grande impacto ambiental será a destruição do turismo. A proposta contraria tudo o que se aprovou com a lei de Diretrizes de Base da prefeitura. A comunidade presente mostrou-se em alto grau de preocupação com relação ao destino Ilha Grande. As colocações do Palma, Cezar (Recreio), Luiz Fernando, Adriano e Luiz (Conselho) foram esclarecedoras e muito bem aceitas. Dando continuidade, o Professor Luiz Carlos Monteiro, falou sobre o Natal Ecológico de 2012, onde aprovou-se a ideia de dividir o espaço público em pequenas áreas em que cada estabelecimento, entidade ou instituição poderá decorar sob um tema pré estabelecido, mas com a criatividade de cada um. Ficou claro que tudo deverá ser feito com o reaproveitamento de materiais usados. Nos próximos fóruns discutiremos detalhes e ficou também o empenho de se buscar recursos através de projeto a fim de saímos do costumeiro “pires na mão”, por isso a presença de todos será fundamental. O fórum foi encerrado às 15.50h, pelo mediador.

MANIFESTAÇÕES DE ASSOCIADOS OU INTERESSADOS

CONVOCANDO MORADORES PARA NA NATTAL ECOLÓGICO 2012 Visando promover de uma forma concreta e objetiva uma maior participação e envolvimento da comunidade da Ilha Grande no Natal Ecológico 2012, convoco a todos os interessados em participar. Adultos, jovens, adolescentes e crianças são todos bem vindos! Essa convocação visa primeiramente apresentações na forma de músicas, corais, leituras, encenações, dança, artesanato, pintura, e qualquer outra forma de expressão artística que você desejar trazer para o nosso evento. Vale lembrar que o tema deverá estar de alguma forma ligado com o natal e/ou com a sustentabilidade e ecologia, além de abranger também representações da cultura local. Além da convocação para as apresentações, venho por meio desta também convidar a todos que queiram se envolver na organização do evento. Precisamos de voluntários para atuação em várias áreas. Os interessados devem procurar-me o mais rápido possível, Andrea (professora de inglês), nos telefones 3361-5209 e 9997-983, para que possamos desde cedo estar nos preparando, ensaiando e discutindo ideias. Sou membro da diretoria da OSIG e estarei coordenando os preparativos para as apresentações do evento deste ano. Precisamos de pessoas que possam estar no momento do evento tomando a frente das apresentações dos artistas diariamente, pois devido a compromissos já estabelecidos não poderei assumir esta responsabilidade. Conto com a presença e participação de todos! Andrea Sandalic

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Coisas da Região PREFEITURA NOTA DE ESCLARECIMENTO: Diante as denúncias, foi determinada a suspensão imediata dos pagamentos à empresa CONCOR Em virtude das denúncias feitas no Blog do excelentíssimo Deputado Federal Antonny Garotinho, acerca da CONCOR - Serviços de Remoções Médicas LTDA, cabe esclarecer que a FUSAR mantêm com a mencionada empresa, contrato de locação de dez ambulâncias simples e duas equipadas com CTI, oriundo de licitação por Pregão n° 036/ 2009. Diante do conteúdo das denúncias, foi determinada a suspensão imediata dos pagamentos à CONCOR, assim como a apuração de eventuais irregularidades.

NOTA DE ESCLARECIMENTO: Locanty – Prefeitura ressalta que município não tem nenhuma relação com as denúncias veiculadas A respeito da reportagem veiculada no dia 18 [de março de 2012], no programa Fantástico, da Rede Globo, denunciando que algumas empresas, dentre elas a Locanty, seriam participantes frequentes de fraudes em licitações, a Prefeitura de Angra dos Reis esclarece que os serviços de limpeza urbana do município de Angra são executados pela Locanty, devido a empresa ter sido vencedora da licitação por concorrência pública Nº 001/ 2008/SIG.GLC. A prefeitura ressalta ainda que a empresa presta serviços de maneira satisfatória e que o município não tem qualquer relação com a denúncia veiculada pela imprensa.

Comentário nosso: Ahááá!!!

A ECOLOGIA HUMANA É IMPORTANTE “Dizer bom dia é abrir a janela do bom humor. É começar o dia bem”!

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Coisas da Região De Brasília DISCURSO SOBRE SAÚDE DO DEPUTADO FERNANDO JORDÃO (PMDB/RJ), PROFERIDO NA PLENÁRIA DA CÂMARA DOS DEPUTADOS FEDERAIS, NO DIA 19/03/2012 Em meio a divulgação de dados sobre a situação da saúde em nosso país, temos consciência de que estamos longe de satisfazermos a demanda de nossa população que, quando busca atendimento médico, merece encontrar condições adequadas. Em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro, onde fui prefeito por duas vezes, há ainda um longo caminho a percorrer. Mas também existem conquistas que precisamos ressaltar. Uma delas é o Hospital da Japuíba. Erguido em minha segunda gestão como prefeito. A obra aumentou a esperança de se obter um atendimento de qualidade, principalmente na Grande Japuíba, onde fica localizado. Em sua elaboração, pensamos grande e fizemos um prédio que será uma das maiores unidades hospitalares do Sul Fluminense, com 250 leitos. Ao atual prefeito, Tuca Jordão, coube à incumbência de fazer o acabamento da construção. Garantir seu pleno funcionamento é nossa obrigação e maior desafio. Por isso, estamos unindo forças, firmando parcerias com os governos Federal, Estadual e Municipal, de forma que aquela unidade se torne uma referência em se tratando de um Hospital Regional. Pela parceria o Governo Estadual se responsabilizará por equipar toda a unidade, abastecendo-a com os insumos necessários e arcando com a contratação de pessoal. Todos os processos de licitação e contratação de pessoal ficarão a cargo do governo do Estado do Rio. É uma “estadualização” do funcionamento do hospital, que nós construímos e lutamos para garantir pleno êxito em suas atividades. Dessa forma, o hospital Regional da Japuíba terá serviços de alta complexidade em saúde, como, por exemplo, uma grande UTI. Essa não é uma vitória individual, mas de todos que acreditam que uma grande caminhada começa com pequenos passos, e que a união de forças sempre nos leva às maiores vitórias. Continuaremos trabalhando e lutando para que o atendimento à população seja cada vez melhor. Sempre tenho falado aqui no desenvolvimento sustentável: geração de mais emprego e renda com respeito ao meio ambiente e qualidade de vida da população. Sendo assim, gostaria de voltar a um assunto que está nos preocupando muito: a dificuldade em se aprovar a ampliação do Terminal Aquaviário da Baía da Ilha Grande, o Tebig, localizado em Angra dos Reis. Estamos falando de uma obra que vai gerar empregos diretos e indiretos. Isso tudo sem causar impactos ao meioambiente de nossa Angra. Isso porque todo o impacto ambiental já foi absorvido ao longo desses anos com a construção e funcionamento do Tebig. Com a ampliação, as operações tornar-se-ão ainda mais viáveis e, assim, aquela unidade poderia absorver a demanda oriunda das atividades do Pré-Sal, sem que fosse necessário construir outras unidades, em outros municípios, economizando recursos e reduzindo os riscos ambientais. A ampliação do Tebig pode ser feita respeitando o meio ambiente. Temos lá as condições ideais porque, de acordo com estudos da Transpetro, o Tebig está em águas abrigadas e com calado natural. Não serão necessárias dragagens adicionais. Isso sem falar que as obras serão

feitas em um espaço que já possui atividade de movimentação de petróleo. Portanto, qualquer autoridade que realmente se preocupe com a preservação do meio ambiente defenderá que a ampliação do Tebig em Angra aconteça realmente. Angra dos Reis convive há anos com o Tebig e não seria justo privá-la de receber os benefícios que a ampliação dessa unidade traria. Mas o Sr. Carlos Minc, Secretário Estadual de MeioAmbiente do Rio de Janeiro, não quer dar a licença para a ampliação do Tebig. Tenho certeza de que ele decidiu isso sozinho. Não acredito que isso seja uma decisão do Governo Sérgio Cabral. O Secretário Minc não ouviu ninguém para tomar essa decisão. Ele não fez uma audiência pública sequer. Nós queremos que ele faça audiência em Angra para ouvir os moradores, os metalúrgicos. A cidade está mobilizada e todos irão falar para ele o quanto positiva é a ampliação do Tebig para Angra. Agora se o Secretário Minc continuar decidindo sozinho as questões que envolvem Angra dos Reis, ele acabará se auto elegendo Prefeito de Angra. Outro tema que não poderia deixar de abordar nesta oportunidade, que ocupo a tribuna da Câmara dos Deputados, é com relação à implementação da APA Marinha, Querem criar mais umas APA na região da Costa Verde fluminense. Dessa vez englobaria todo o espelho d’água da Baía da Ilha Grande, em Angra dos Reis - RJ. Trata-se de mais um parque de papel, como vários que já estão implementados. Sou um dos maiores defensores da existência de áreas de preservação, mas elas têm de ser realmente áreas preservadas e não meras demarcações em mapas e demais documentos. O que temos visto no atual modelo são áreas de preservação no papel, e que de fato estão completamente abandonadas à sua própria sorte. Temos de sair do discurso para a ação. Para isso é urgente e imprescindível mudar o modelo de gestão das APAs. Lá mesmo, em Angra dos Reis, temos um exemplo de como a gestão das APA’s precisa ser adequada. É o caso da APA de Tamoios, criada em 1986 e que até hoje só existe no papel. Ali não há nenhuma infraestrutura para realmente preservar a área em questão, nem de pessoal e muito menos recursos. A APA de Tamoios passou nada menos do que 13 anos sem sequer um gestor. Hoje só existe um administrador para cuidar de uma área de 18 mil hectares. Não há equipe, fiscais e nenhum tostão em recursos. Devo ressaltar também que só temos esse administrador porque é a Prefeitura de Angra, que paga o salário dele. Então, para que criar mais uma APA nos mesmos moldes? Eu sou a favor da criação das APA’s. Nossa natureza tem de ser preservada, especialmente em cidades como a minha Angra dos Reis, com uma beleza natural incomparável e onde o turismo é uma atividade econômica tão importante. Mas precisamos redesenhar este modelo. Todos precisam ter responsabilidade. Das empresas que usam o local, aos navios que por lá passam. É urgentíssimo profissionalizar a gestão dessas APAs. Temos modelos internacionais muito bem sucedidos, reconhecidos e aprovados por órgãos especializados no tema. Temos que ser humildades e aproveitar as experiências bem sucedidas. Como não poderia deixar de ser, a pesca em Angra dos Reis é motivo de orgulho e também de preocupação. Meu pai, que viveu em nossa Angra por mais de 90 anos, sempre me alertava: “meu filho quando a pesca vai

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bem, Angra vai bem, quando a pesca vai mal, a economia de Angra sofre”. E esse é o retrato da realidade vivida em toda Costa Verde. Muitas reivindicações da classe pesqueira precisam receber uma atenção maior e serem de fato atendidas. Por isso, estou buscando unir forças com todos os segmentos para sanar as dificuldades e levar algum alento para essa classe tão esmagada pelas dificuldades. Nesta sexta-feira, dia 23, realizaremos uma reunião com os pescadores principalmente para ouvi-los e nos aliarmos na busca pela solução. Nesse momento, gostaria de agradecer antecipadamente ao deputado Cleber Verde, presidente da Frente Parlamentar da Pesca da Câmara dos deputados, que aceitou o nosso convite e estará em Angra dos Reis, nessa sexta-feira, junto com os pescadores locais. Ele, inclusive, me convidou, e eu já aceitei, fazer parte dessa frente parlamentar e me unirei a esse grupo para somar forças em, prol dessa categoria tão importante para a economia de várias regiões. Pouco antes de ocupar essa tribuna, estava sendo recebido pelo atual Ministro da Pesca e Aquicultura, Marcelo Crivella. Na ocasião, apresentei a ele as reivindicações que os pescadores haviam me encaminhado. O Ministro leu atentamente o documento e discorreu sobre cada tema, demonstrando um grande entrosamento com a questão. Um dos pontos que fez parte de nossa conversa foi a dificuldade de locomoção dos pescadores para irem aos postos do Ministério, em busca de informações e de legalização. O Ministro já havia percebido essa questão e nos informou que estará montando um “ministério itinerante”, que se fará presente nos municípios atendendo a demanda existente e facilitando a questão. Isso em nada nos surpreendeu, porque ele, mesmo antes de assumir o cargo, já havia demonstrado um enorme interesse em nos ajudar. Um exemplo disso, é o fato de que quando ocupava sua cadeira no senado ele percebeu a demanda existente na região e enviou recursos para a construção de um entreposto pesqueiro. Infelizmente, problemas técnicos não deixaram a obra se concretizar. Mas não desistimos e novamente estamos juntos por nessa luta. A construção de uma fábrica de gelo era outra reivindicação da classe pesqueira. O gelo é o principal insumo na atividade pesqueira e em Angra dos Reis o gelo é um dos mais caro do Brasil. A liberação das licenças para a pesca do Camarão Rosa é outro ponto crucial para a categoria, que pleiteia a transformação da licença da pesca do camarão sete barbas para o camarão rosa. Isso porque em Angra dos Reis não existe Camarão Sete Barbas. Ele só é encontrado nas baías de Paraty e Santos. Então, os donos das embarcações camaroeiras de Angra não podem pescar, porque suas licenças não lhes permitem trabalhar sem suas regiões. Dessa forma, eles acabam indo para a ilegalidade. São barcos pequenos que não têm condições de fazer viagens longas Inicio mais um ano de mandato com todas essas preocupações e sempre com a minha Angra dos Reis no coração. Em defesa da população do Estado do Rio de Janeiro. Vou à luta para buscar recursos e apoios onde quer que eles estejam: seja no governo estadual ou no federal, com a presidenta Dilma que tem no PMDB um parceiro fundamental na sua base aliada e no vice-presidente Michel Temer, um companheiro leal e para todas as horas.

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Coisas da Região EVENTOS

PALESTRAS

EVENTS

No dia dez de março foi realizada uma palestra na sede do jornal O Eco sobre o histórico cultural da Ilha Grande para a PACE UNIVERSITY – NY (EUA), ministrada pelo diretor do jornal, Nelson Palma, e coadjuvada por Karen Garcia e Luiz Schulze. A universidade administra um site sobre locais de turismo dedicados à proteção ambiental, bem à nossa característica. Um selo de qualidade é concedido aos estabelecimentos turísticos que melhor se destacam, e após um ano é realizada uma reavaliação. Esta já é a quinta vez que visitam a Ilha. O grupo é composto por Claudia Green, PHD responsável pela turma, professor Casey Frid, guia AMBRATUR Luiz Schulze, e 26 alunos de diversos cursos e nacionalidades. Os participantes ficaram muito satisfeitos com a palestra, que estimulou uma interação muito interessante e muita curiosidade. Amanhã irão à praia de Lopes Mendes e dia 12 visitarão a Lagoa Azul. No dia 13 continuarão sua etapa de viagem para Paraty e, posteriormente, voltarão ao Rio para reuniões. O jornal agradece a visita e manifesta satisfação em poder difundir a Ilha em sua proteção ambiental e seu histórico cultural a jovens que, por certo, em futuro próximo estarão envolvidos na responsabilidade ambiental do planeta, que tanto está em perigo. O grupo ficou hospedado na pousada Recreio da Praia e saboreou o delicioso salmão ao molho de maracujá e filé à poivre no restaurante Dom Mário. Enepê

On March 10th a lecture on the cultural history of Ilha Grande was organized for the PACE UNIVERSITY – NY (USA) at the office of the newspaper O Eco. It was presented by the director of the newspaper, Nelson Palma, and assisted by Karen Garcia and Luiz Schulze. The University maintains a website on touristic places dedicated to the environmental protection – much like in our Island. A quality seal is awarded to the best touristic establishments, and a re-evaluation is conducted after one year. This is already the 5th time that they come to visit the Island. The group is composed by PhD Claudia Green, responsible for the team, Prof. Casey Frid, AMBRATUR guide Luiz Schulze, and 26 students from various courses and nationalities. The participants were very satisfied with the lecture, which stimulated an interesting interaction and plenty of curiosity. Tomorrow they will be at the Lopes Mendes beach and on the 12th they will visit Lagoa Azul. On the 13th their journey continues to Paraty and, after that, they will return to Rio for other meetings. The newspaper would like to thank them for their visit and express satisfaction in being able to promote the Island in its environmental protection and cultural history to young people who will surely be involved in a near future with the planet´s environmental responsibility. The group was hosted by Pousada Recreio da Praia and enjoyed the wonderful salmon with passion fruit and steak au poivre at Dom Mario Restaurant.

SOCIAL CULTURAL

A ECOLOGIA HUMANA É IMPORTANTE

PRESIDENTE DA ELETROBRAS ELETRONUCLEAR RECEBE TÍTULO DA ACADEMIA BRASILEIRA DE FILOSOFIA A diretoria da Academia Brasileira de Filosofia decidiu outorgar o título de Acadêmico Honoris Causa ao presidente da Eletrobras Eletronuclear, Othon Luiz Pinheiro da Silva. O dirigente recebeu a homenagem na manhã desta quinta-feira (1º), no salão nobre da entidade, no Centro do Rio.

Gloria Alvarez (Coordenadora) Juliana Resende Fábio Aranha

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CUMPRIMENTE “Dizer bom dia é abrir a janela do bom humor. É começar o dia bem”!

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Coisas da Região AINDA CARNAVAL ILHA GRANDE, 01 DE MARÇO DE 2012 Venho através desta, a quem interessar possa, fazer a prestação de contas referente aos valores tanto recebidos quanto doados ao Bloco das Peruas para o carnaval deste ano. ENTRADA: - 23 Peruas pagaram R$50,00 cada: R$ 1.150,00 - 5 Peruas a pagar: (R$250,00 a receber) - 8 patrocinadores doaram R$50,00 cada: R$ 400,00 TOTAL DE ENTRADA: R$1.550,00 (até o momento) SAÍDA: - Bebida + Alimentação: R$ 500,00 - Bateria (Pessoal + Camisa + Bandeira): R$ 978,00 - Extras: R$ 180,00 TOTAL DE SAÍDA: R$1.658,00 Aproveito a oportunidade para pedir desculpas a todas as Peruas, principalmente à Ana, pela minha falha em relação à caixa de som. Perdão mesmo. Gostaria também de agradecer, e muito, a todos os patrocinadores que, com prazer e alegria em suas doações, nos mostraram o quanto se importam e nos dão valor. Foram eles: Mário (Dom Mário), César (Recreio da Praia), Jean (Armazém Beer), Maluco (minha Paixão), Leandro (Cevada), Fernando (Pé na Areia), Gerard (Tropicana) e Val (pedreiro da Janice). Valeu gente!!! TINA

PROMESSA No ano passado durante o desfile cívico, o Prefeito Tuca Jordão prometeu que os alunos da escola Brigadeiro Nóbrega, a partir do primeiro dia de aula, estariam recebendo uniformes pela prefeitura. Doados? Cedidos? Sei lá... Quem paga sou eu, é você, então não é doação; é devolução, porém quem é esse que tem compromisso de pagar em uma data e não paga, devemos chamar de quê? Caloteiro? Tratante? Aproveitador? Fala aí prefeito... O que você é, hem? Valmir Medeiros, Morador

PREZADOS SENHORES, tenho feito o trajeto de ida de Mangaratiba/Ilha Grande no sábado às 8h e retorno Ilha Grande/Mangaratiba domingo às 17h30min nos finais de semana de Janeiro e percebo que: - o preço da passagem diminui de 15,00 para 4,50 o que acredito tem contribuído para a barca sair sempre com passageiros sentados no chão. Dizem que a capacidade dela é de passageiros assentados e em pé. Conhecendo bem o mar da região e algumas vezes presenciei ondas lambendo o chão da barca e oscilações fortes na embarcação, entendo ser muito arriscado aquela quantidade de pessoas. Neste horário sempre tem muitas famílias, com crianças e adolescentes, assim como pessoas mais velhas. Se a barca pegar um mar ruim vai ser um Deus nos Acuda, um tumulto só. -A Barcas S.A. tem levado sexta-feira à noite a barca lotada para o Abraão, assim como no sábado e domingo. Estas pessoas vão passar o fim de semana e retornam no domingo às 17h30min o que está causando um enorme transtorno, pois a barca que chega para pegar todo este pessoal, é a com capacidade para

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500 pessoas. Ontem, ela ficou lotada e saiu antes do seu horário habitual, mesmo pessoas que tinham comprado a passagem e foram para casa buscar as bagagens não conseguiram embarcar. Estão vendendo passagens sem controle nenhum. Ficaram muitas pessoas no Cais (em torno de 300), perdidas, não existe um funcionário sequer para dar uma informação, simplesmente superlotou e saiu, deixando uma quantidade de gente enorme, e até com passagem na mão, com cara de que foi passada para trás. - Estas pessoas foram levadas para Mangaratiba por Saveiros particulares que cobraram R$25,00, por pessoa, aproveitando da situação de desemparado provocado pelo transporte que se diz público, os que não tinham como pagar a passagem ficaram ao léu. Havia apenas um policial no cais para conter esta situação desesperadora provocada pela irresponsabilidade desta empresa. Solicito providências urgentes e espero não ter quer presenciar problemas mais graves da próxima vez. Hilda Maria de Souza

TEXTOS, NOTÍCIAS E OPINIÕES ILHA GRANDE JÁ TEM TRÊS PRAIAS PRIVATIZADAS Por Túlio Brandão Publicado no Jornal O Globo em 12 de março de 2012 As faixas de areia mais preservadas e vazias são um tentador convite aos banhistas que freqüentam a Ilha Grande. Nem sempre, no entanto, o desembarque ou a chegada por trilha é uma tarefa fácil. Levantamento da Comissão de Meio Ambiente da Assembléia Legislativa do Rio (Alerj) sustenta que pelo menos três praias da região - Iguaçu, Aroeira e Ponta da Raposinha - estão privatizadas por proprietários de terrenos. O deputado estadual Carlos Minc (PT), presidente da comissão, promete acionar os órgãos públicos para exigir o livre acesso de visitantes: - O proprietário de um terreno costeiro não pode se apropriar da praia. Não há como vedar o acesso a banhistas, nem por terra nem por mar, segundo a Constituição Estadual. A comissão recebeu várias denúncias e comprovou pelo menos três casos. Vamos tomar medidas para garantir que a lei seja respeitada junto ao MP estadual e aos outros órgãos públicos. Seguranças e cães barram a passagem de visitantes Geralmente seguranças e cachorros ferozes são as principais barreiras aos banhistas, segundo as denúncias. Os donos de propriedades nas praias consideradas privatizadas, segundo a lista do Comissão de Meio Ambiente da Alerj, contestam a acusação. O empresário Haakon Lorentzen comprou a propriedade na Praia da Aroeira há cerca de 15 anos. Ele garante que não impede o acesso. - Não me surpreende que a Aroeira entre num rol de praias privatizadas. É uma praia pequena, de 80 metros, cercada pela minha propriedade por todos os lados. Isso pode dar a impressão de que a praia é privatizada. Mas existem mais de 50 praias na ilha, também pequenas, em situação semelhante. Conheço a legislação. Estou ciente de minha responsabilidade de dar livre acesso à praia e isso tem acontecido. As pessoas vêm de barco e ficam na praia. Para quem vem por terra, existe uma trilha que fica aberta. Há um portão, mas ele só é fechado à noite, por motivo de segurança. Eu sou um aliado na luta pela preservação da ilha - disse o empresário. Donos de propriedades contestam denúncias O empresário Marcelo Mattoso era dono da Praia do Iguaçu até novembro do ano passado, quando vendeu a propriedade para o também empresário Sérgio Vilhena. Atualmente dono de uma propriedade na Ilha da Gipóia, ele garante que jamais houve restrição de acesso enquanto a terra esteve em suas mãos: - Eu discordo que haja dificuldade de acesso. O veranista não é dono da praia, é dono do terreno atrás da praia. A presença da propriedade, no entanto,

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Coisas da Região inibe o serviço de vendedor ambulante. A Praia do Iguaçu estava lotada no carnaval. E, como todas com proprietários únicos de terrenos costeiros, está preservada. Os donos acabam fazendo o trabalho de recolhimento de lixo e a favelização não atinge essas praias. Repórteres do GLOBO desembarcaram como turistas na Praia do Iguaçu na quinta-feira anterior ao carnaval para conferir as denúncias. Na chegada, o barco foi impedido de aportar no cais. Um segurança informou que o desembarque deveria ser feito no canto da praia, longe da sede da propriedade. Depois de alcançar a areia e seguir para o meio da praia, os repórteres foram abordados por um segurança: - Olha, numa boa, vão para o canto da praia. O homem está aí, ele não gosta que as pessoas fiquem em frente da casa dele. Por favor, assim vocês vão me prejudicar. Procurado pelo jornal, o atual proprietário do terreno na Praia do Iguaçu, Sérgio Vilhena, não foi localizado. A Ponta da Raposinha pertence à família do bicheiro Castor de Andrade. Segundo o advogado do espólio de Castor, Cláudio Souza, banhistas sempre foram respeitados: - Não há restrição alguma ao acesso de banhistas. A propriedade é legalizada e os tributos são pagos regularmente. É claro que há vigilantes para a proteção dos imóveis, mas ficam distantes da areia. Numa outra praia, a de Freguesia de Santana, a equipe do jornal não constatou a privatização. O desembarque foi permitido sem qualquer problema. No entanto, o cais existente no local está parcialmente destruído e uma rede sustentada por bóias, instalada pela Prefeitura de Angra para proteger os banhistas, ocupa quase toda a extensão da areia, dificultando a entrada de embarcações. A Turisangra alega que a medida visa a proteção das pessoas dentro d’água, diante do tráfego intenso de barcos na região. Segundo o órgão, qualquer sinal de privatização de praias será coibido energicamente por fiscais do município. Por outro lado, Minc alerta que é preciso facilitar a entrada de pessoas sem degradar as praias, como ocorre em muitos locais de fácil acesso: - Para isso, vamos aprovar um projeto de lei que regulamentará o acesso e o uso das praias de ilhas oceânicas. É preciso combinar a preservação com o usufruto.

AMPLA e a OI, também. Sugerimos priorizar o enterramento nos corredores turísticos do Abraão, como a Rua da Praia e a Rua Getúlio Vargas e adjacências. Nas periferias a prioridade continuaria sendo a segurança, a saúde e o saneamento básico. Só para ficar no Brasil, citamos os centros históricos das capitais como São Paulo - é, São Paulo, sim! – Curitiba, Salvador, São Luiz, e bem aqui pertinho: Paraty. Impossível não é, sabemos disso! Nas cidades do dito “primeiro mundo” não se vê nenhum fio passando sobre nossas cabeças e em frente de nossas câmeras, mas isso é utopia. É delírio, talvez, de quem ama demais essa Ilha. Lá “fora”, nas áreas históricas, até lampiões são usados como luminárias para não descaracterizar a paisagem. Vamos continuar com esse horrendo emaranhado de fios sem dono que, bem agora se mostrou letal, mortífero, para os trabalhadores? Aqui na Estrada da Colônia há um poste – há séculos - com uma inclinação de 60 graus, pendendo para a estrada. Já advertimos uma dezena de vezes a AMPLA. O que foi feito até hoje? Nada, simplesmente, nada! Quando será que ele tomba? Na próxima chuva? No próximo vendaval? Se cair, muita tragédia anunciada ocorrerá, com certeza! Alba Maciel

DO JORNAL Concordamos com o exposto pela Alba, pois vivemos no cotidiano expostos a tudo isso. A distribuição de energia é precaríssima, com cortes constantes; por certo a voltagem é oscilante; o visual da rede aérea é muito feio. Mesmo que não seja a responsável pelo acidente, basta ver a foto que demonstra estar pelo menos longe do recomendável. Uma empresa que se apresenta neste visual e nesta descontinuidade na prestação do serviço de energia não pode ser digna da confiança, sobretudo quanto à segurança. Lamentamos o ocorrido, e também em termos a AMPLA como prestadora do serviço. O ECO

MORTE DE JOVEM NO ABRAÃO Algum turista desavisado se afogou em uma das praias? Não, este fato que, infelizmente ocorre de vez em quando aqui na Ilha, não foi a causa desta tragédia. O que aconteceu foi, provavelmente, uma grande falha da AMPLA. Falha em todos os sentidos, em especial, ausência de treinamento e fiscalização de pessoal, o que é estranho, tendo em vista a obrigatoriedade dessas atividades. Empresas vêm recebendo orientação nesse sentido, com certa regularidade, pelo menos é isso que se nota por parte dos Ministérios do Trabalho e da Saúde, enfatizando a segurança no trabalho. Será que a AMPLA tem seguido as recomendações com critério? Desconhecemos, e gostaríamos de ser informados sobre o fato. Morreu um jovem no Abraão em decorrência de violento choque, que o fez precipitar de uma altura de uns 5 metros. Isso é aceitável? Não poderia ter sido evitado? Quantos anos teria? Como estará sua família? Teria filhos? Tudo isso nos vem à cabeça quando nos lembramos de um artigo escrito para O ECO, há uns seis anos atrás quando abordamos a necessidade de enterramento da fiação aérea aqui no Abraão. ‘ À época, o nosso argumento era de caráter mais estético e também econômico: a fiação aérea, além de medonha, embaraça até a paisagem e propicia com a maior facilidade os tão citados e efetuados “gatos”. Estes “gatos” prejudicam os pagantes e facilitam acidentes. Também o desgaste da fiação, recorrente em áreas junto ao mar – a ferrugem -, seria evitado, bastante minimizado com o enterramento. Lembramos também os casos de jovens e crianças que sofrem acidentes com pipas e brinquedos que se enroscam na rede elétrica A solução é cara? Lógico que sim e ninguém quer pagar essa conta. Mas justifica-se naturalmente quando lembramos que estamos numa área de grande interesse turístico. E, enfatizamos, dinheiro a Prefeitura tem, quando quer, a

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Imagem comum no Abraão

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Colunistas Roberto JJ.. PPugliese ugliese ugliese**

Os pescadores e o eexxercício da cidadania Os pescadores artesanais no Brasil integram classe de profissionais que tradicionalmente sobrevivem desorganizados e atrelados ao controle estatal e jugo político dos interesses maiores do capital nacional e estrangeiro. As colônias de pescadores, órgão legitimo de representação, criadas há duzentos anos com a vinda do estafe real de D. João VI, nem sempre, ao longo da história, ultimaram os atos indispensáveis de representação da classe, por motivos dos mais variados. A história registra que os pescadores artesanais sempre se mantiveram sob o controle e dominação política submetidos a interesses distantes da classe. Trata-se de fato fácil de constatação, pela notoriedade e tradição histórica que é revelada com a submissão da classe a interesses espúrios que inibem a sua melhor organização e independência econômica e social. “ Pátria e Dever “ trata-se de lema inserido pelo Poder Público policialesco típico que se impôs ao país desde a

chegada das naves de Pedro Álvares Cabral e que por ordem governamental foi instituído e agrega ao emblema das Colônias de Pescadores, espalhadas pela costa e ao longo dos rios, que demonstra claramente a situação de submissão e conformismo desse incontável contingente de trabalhadores tipicamente extrativistas. O exercício de cidadania do pescador artesanal sempre foi castrado de forma direta ou não, ora pelos empresários nacionais ou estrangeiros da pesca que veem nessa concorrência um estorvo que atrapalha a industrialização da captura massificada de pescados, ora pelas próprias autoridades, que embaraçando o livre exercício da profissão, dificultam as condições para que possam trabalhar dentro dos costumes tradicionais em harmonia com a natureza. Com a promulgação da Constituição Cidadã, as Colônias de Pescadores foram equiparadas aos Sindicatos de Trabalhadores Rurais, recebendo na forma disposta pelo artigo 8º a

equiparação sindical e a autonomia indispensável para a defesa dos seus associados e da classe como um todo. Anote-se porém que, passados 20 anos, só recentemente, em 13 de junho de 2008, foi promulgada a legislação ordinária que regula a norma constitucional, de forma que os primeiros passos para o exercício da liberdade sindical organizada estão fluindo dentro da insegurança da nova situação, carregando o entulho tradicional e histórico de medo e desconhecimento dos modos de agir. Os pescadores artesanais ainda não se conscientizaram que o ordenamento jurídico e político brasileiro permitem que valham de instrumentos legais para exigir o cumprimento de direitos reconhecidos e também daqueles extraídos dos costumes e da ordem natural que os acompanha desde tempos remotos. Veem nas autoridades apenas o estereótipo da repressão histórica, executada por normas editadas por agentes administrativos ou através do poder de polícia que impede o exercício

da profissão, abrindo espaços para as frotas pesqueiras que não são incomodadas. Para que o exercício concreto da cidadania, condizente com o regime democrático e indispensável para o fortalecimento individual dos pescadores artesanais e seus familiares e assim também, da classe como um todo, indubitavelmente, caberá as Colônias de Pescadores, com apoio das Federações e da Confederação Nacional, promover ampla campanha de conscientização de forma que o pescador exercite seus direitos naturais e jurídicos, e voltem, como no passado, a ter orgulho da profissão que abraçaram e incentivem seus filhos os acompanharem e sucederem.

*Sócio de Pugliese e Gomes Advocacia. Visite o site www.pugliesegomes.com.br Especialista em direito ambiental, direito notarial e registros públicos

LIGIA FONSECA*

MOMENT OS MOMENTOS A vida é muito interessante e até mesmo empolgante, com seus altos e baixos: alguns momentos bons, outros mais ou menos e outros pesados, pesadíssimos, que julgamos não ser possível suportar toda aquela carga, tão difícil de carregar, e a sensação é de que os ombros irão se curvar. Quando jovens, normalmente não damos a mínima, julgamos o presente como eterno, porque importante é o que fazemos no momento; futuro, nem pensar nele. Quando envelhecemos ou até mesmo se envelheceremos é um questionamento que ainda não precisa ser feito, pois levará muito tempo, e os jovens, desprevenidos, até podem julgar que a terceira idade só acontecerá com os outros. Quem sabe, poderão permanecer jovens para sempre e, portanto, imunes às mudanças que o tempo traz. Como se enganam os que assim pensam. Um dia, lá no futuro,

poderão olhar suas mãos e não reconhecê-las, pois a diferença será grande, provocando espanto e pesar. Não adianta se rebelar contra a vida, contra ninguém, porque o que passou, passou. É claro que a tecnologia está pronta para ajudar no “não envelhecimento exterior”. Mas a verdade permanecerá anunciando que a terceira idade chegou. Em meio a esse torvelinho, muitas perguntas surgem, como “o que fiz na vida foi certo ou errado”, “como desperdicei meu tempo com questões tão pequenas e insignificantes”, etc. Mas o fato é: passado é passado. Adeusinho a ele. Restam as lembranças, boas ou ruins. Certamente também houve ganhos, pois, possivelmente, ninguém pode ter sido só erros e frustrações. Talvez um excesso de severidade no julgamento de fatos passados possa estar

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encobrindo momentos desfrutados com prazer, sem que fique assim registrado em nossas recordações. Corremos o risco, na atribulação do dia-a-dia, de nos acostumar a olhar automaticamente ao derredor, não nos apercebendo o quanto é importante a sutileza de cada minuto. Por isso, observar o próximo, assim como analisar e questionar o que nos rodeia é o que importa. Uma mão pode estar tão próxima que, se tocá-la, poderá se transformar em um aperto de duas mãos e dali em diante... cada um tem a chance de traçar seu futuro, poderá dar ou não nova forma a um inóspito existir, sem o que a vida simplesmente passa insossa, fica faltando aquele tempero essencial para fazer com que cada momento seja único e valioso. Assim, somente a incorporação deste binômio, feliz / infeliz tornará as pessoas mais sensíveis, receptivas e

conscientes de que cada momento é único, feito, exclusivamente, para temperar a nossa existência. Se feliz, a lembrança saudável nos fará mais fortes, ajudando a superar possíveis crises. Se infeliz, o aprendizado, também saudável, incorpora-se a outras lições de vida, tornando-nos mais sábios, já que somos eternos aprendizes. Mas quando o perdemos, as marcas ficam, a lembrança é doída e lamentada por não ter aquele momento sido vivido com a intensidade que merecia. Desse momento em diante, como permanecemos eternos aprendizes, vamos aguardar uma nova oportunidade para ter a chance de apertar aquela mão que esteja próxima, oferecendo-se para unir-se à nossa, com força, criando possivelmente algo belo e sincero. E daí... * È Jornalista

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Colunistas IORDAM OLIVEIRA DO ROSÁRIO*

Cadê você Minha voz não se ouve mais, nem minhas línguas enroladas são compreendidas. Pelas ruas só confusão, nesta Ilha toda imigrada. Caiçara não fala nada, há muito tempo meu vocabulário deixou de ser caiçarês para ser inglês. Deixaram de lado minhas vontades, priorizaram a do freguês. Encolhidinho no meu canto, vivo só a espiar; no cardápio do ilhéu, peixe com banana virou vatapá. Inverteram-se os valores, mataram minha cultura e a essência do lugar, visando só dinheiro ganhar. No salão não tem mais forró para dançar, só capoeira para gingar. Abro meus braços para receber as diversidades que há, mas minhas raízes têm que imperar. Lembrem o que já fui um dia, vejam de mim o que restou! De minhas origens, meu Deus, o que sobrou. Hoje me vejo como uma foto envelhecida em porta retrato para ser lembrado. Sou só saudades martelando a mente de quem um dia me conheceu. Sou terra desta terra, sou filho dessa Ilha, sou vila, sou coração, que venha a bombacha do gaúcho, línguas enroladas e “trem bão”, mas no cardápio do dia tem que ter pirão. Se não, não serei Vila do Abraão.

NOSSO SONHO Vivemos em um lugar maravilhoso e muito, propício para a prática de várias modalidades esportivas. Mas esbarramos na falta de investimentos e incentivos para que eventos esportivos aconteçam de fato na Vila do Abraão. A Prefeitura Municipal de Angra dos Reis, através da Secretaria de Esporte e Lazer, vem desenvolvendo a escolinha de futebol com a criançada da Vila. Isso é bom. Mas é pouco demais para uma comunidade que tem um número grande de crianças e adolescentes com muita energia para queimar, mas falta esporte e lazer para essa força jovem, que sonham e se dividem em diversificados gostos de praticar esportes. Como surf, futebol de campo, quadra, andar de bicicleta, caiaques... Mas uma boa parte desse grupo compartilha de um sinhô incomum: a implantação de uma pista de skate na comunidade. Taí um bom sonho para ser realizado para essa juventude. Esporte é cultura e lazer, esporte é vida saudável. Uma pista de skate, hmmm que maravilha!

SE O SEU CASO É BEBER, O PROBLEMA É SEU. SE O SEU CASO É PARAR DE BEBER, O PROBLEMA É NOSSO.

Alcoólicos Anônimos do Abraão Reuniões: Segundas 19:30hs sextas 20:00hs Sábados 21:30hs LOCAL: CASA THIAGO (PRÓXIMO AO DPO E CAIS DAS BARCAS)

INFORMAÇÕES TEL.: (24) 9926-3388 DAS 10:00 ÀS 22:00HS - 24 -

Interessante

O PPreço reço da Copa no Brasil por Reginaldo Gonçalves Publicado no site Portogente, atualizado em 20/03/2012 A Copa do Mundo de 2014 é um sonho dos brasileiros, mas os altos custos inerentes às obras de estádios e infraestrutura gerarão discussões até a sua conclusão. O planejamento apresenta vários vícios e fragilidades em tomadas de decisões, que já deveriam ser colocadas e votadas não somente quanto aos investimentos, mas também no tocante às solicitações feitas pela FIFA. Em virtude dessa situação, o secretário-geral da entidade maior do futebol, Jérôme Valcke, disse que o Brasil deveria levar um “chute no traseiro” para que as obras, assim como decisões sobre mudanças da legislação, fossem agilizadas e cumpridas de acordo com o cronograma. Infelizmente, no país que tem uma cultura de deixar tudo para a última hora, os dirigentes acham-se humilhados ou desrespeitados, como aconteceu com o ministro Aldo Rebelo, que, inclusive, solicitou o afastamento de Valcke das negociações, em carta À FIFA. Para ter o devido respeito, o Brasil, uma nação emergente, deverá aprender a cumprir cronogramas e efetuar orçamentos que sejam, no mínimo, sustentáveis e coerentes com as propostas possíveis. A cada novo cálculo, maiores são os custos apurados, ou seja, ou não sabem fazer contas ou tudo é provocado para gerar descontrole, favorecendo – direta ou indiretamente – empresas com preços majorados. Se houver uma análise pertinente à Copa de 2014, o gasto projetado inclui aeroportos, estádios, hotelaria, investimentos não vinculados às cidades-sede, mobilidade urbana, portos e segurança pública. Isso tudo soma um valor, até 6 de março de 2012, de R$ 26,5 bilhões. Somente com as arenas, os gastos projetados são de R$ 6,7 bilhões, dos quais já foi realizado R$ 1,5 bilhão, ou seja, cerca de 22,4%. Nas obras de mobilidade urbana, uma das principais, o aporte previsto é de R$ 12,4 bilhões, sendo que foi investido R$ 1,5 bilhão, representando 12,1%. Em São Paulo, os investimentos estão na seguinte situação: para a arena (do Corinthians...) foi projetado gasto de R$ 820 milhões, e não foi confirmada a liberação dos recursos, embora em plena obra; e a parte relacionada à mobilidade urbana prevê a implantação do monotrilho, orçado em R$ 1,9 bilhão. Ainda não há nada confirmado com relação a esta obra. A ABDIB (Associação Brasileira de Infraestrutura e Estrutura de Base) estimou gastos totais para a Copa de 2014: R$ 117,8 bilhões, valor esse superior ao projetado pelos representantes do governo, cujos valores giram em torno de R$ 26,5 bilhões. Agora vem o questionamento: quem está certo? Em um país que possui dirigentes que desconhecem contas e que não sabem ao menos quanto irá se gastar com as obras para a Copa, fica difícil analisar e controlar os recursos. As contas não fecham e o dinheiro, por falta de controle mais específico, pode descer por goela abaixo em investimentos desnecessários, que somente encarecem o processo e não levam benefícios à coletividade. A posição radical de dirigentes pode apontar indiretamente falhas no processo. Precisamos considerar o que é de útil na crítica e descartar palavras chamuscadas. A nada levarão os choques de interesses e caprichos. Está na hora dos governantes serem responsáveis e cumprirem contratos. A lição tem de sair de casa para que possamos nos impor e melhorar nossa imagem no exterior.

Generosidade crescente Por Kleber Galvêas Publicado em A VALE, A VACA E A PENA, 16ª edição – 2012 Quando a Vale comemorar 15 anos como empresa privada, em maio de 2012,

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Interessante o projeto “A VALE, A VACA E A PENA” chegará na 16ª edição. A primeira tela desenhada com a poluição atmosférica em 1997 (veja o processo do desenho em www.galveas.com ) mostra um labirinto e a inscrição “Encontramos a saída”? Julgava, que sendo a Vale uma empresa estatal, a fiscalização feita pelo Estado estava relaxada. Perguntava se, com a privatização, a poluição seria fiscalizada. Nesse ano seu lucro foi de U$ 270 milhões, e ela foi vendida em leilão por U$ 3,7 bilhões. A nossa instalação artística foi planejada como registro do último ano de poluição da estatal. Porém, ao perceber que o pó preto em nossa casa e no trabalho estava aumentando visivelmente, remontamos a instalação em 1998 nas mesmas condições do primeiro ano e desenhamos mais uma tela para a coleção da Casa da Memória do ES. Em seu primeiro ano como empresa privada, o lucro da Vale foi de U$ 756 milhões; e, no ano seguinte, de U$ 1,29 bilhões. Quinze anos depois, chega a quase U$ 30 bilhões. Enquanto o lucro da empresa alcança valores astronômicos pelo desempenho fantástico da sua área financeira, impressiona a decadência da qualidade de vida em seu entorno: aumento da poluição e dos problemas sociais e políticos. Quando as primeiras siderúrgicas foram instaladas na Ponta de Tubarão, a sota-vento da Grande Vitória, os cientistas Ruschi e Michel Bergman apontaram a impropriedade do local. Naquele tempo a consciência ecológica era restrita, e se fazia premente a geração de empregos devido a quebra do café, do cacau e da forte migração do campo para nossa capital. Entretanto, uma empresa considerada de alto risco já no inicio, quando suas dimensões eram relativamente modestas, vem se expandindo de forma exponencial ao longo dos últimos anos. Quanto maior o lucro, mais ativa foi a siderúrgica, o que gerou maior produção e mais poluição. O descaso do governo em identificar os responsáveis faz contraponto com a lista publicada na imprensa dos principais contribuintes às campanhas eleitorais do governo. No séc. XXI, como há expressiva consciência ecológica, e existe a proposta de transferir o parque siderúrgico de Tubarão (considerando que esse custo será absorvido pelo formidável lucro anual da Vale, quase dez vezes maior do que o preço pago por ela toda), a mudança se faz oportuna. Quando julgávamos que, no alvorecer deste século, a fase de expansão das siderúrgicas em Tubarão havia cessado, o governo passado autorizou a construção da Usina 8, gigante que faz as sete usinas pioneiras parecerem anãs. Com dimensões fabulosas, é coisa que ninguém no mundo quer ter como vizinho. Ressuscitaram as Wind fences, cercas para vento que haviam sido rejeitadas por eles mesmos nos anos 90, e mais uma vez convenceram a quem ansiava por ser convencido: o Governo Com uma escova ou pincel, lance sobre uma folha de papel um pouco do pó que chega pelo ar a sua casa todos os dias. Sob essa folha, movimente um ímã, desses que enfeitam a geladeira. Observe que parte da poeira sobre a folha acompanha a movimentação do ímã. Essa poeira que o segue é constituída de pequenas limalhas: fragmentos de ferro Fe2, a maioria com dimensões microscópicas. Ela é importante matéria prima que há 16 anos uso para desenhar as telas da nossa provocação artística, graças à “generosidade” sempre crescente das grandes empresas de Tubarão. Gostaria muito que ela me faltasse este ano.

Kléber Galvêas é pintor e possui o site www.galves.com Colaboração Ly Adorno de Carvalho.

PERSONALIDADES PREMIADAS PELO NOBEL APELAM PELO DESARMAMENTO PARA DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL No ano marcado pelas discussões sobre desenvolvimento sustentável, dezenas de ganhadores do prêmio Nobel se uniram internacionalmente para promover o desarmamento como condição para o desenvolvimento.

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Iniciado pelo Escritório Internacional da Paz (IPB, reconhecida com o Prêmio Nobel da Paz em 1910), Rede Internacional de Engenheiros e Cientistas para a Responsabilidade Global (INES), e Política Internacional em Foco (FPIF), o apelo será apresentado em junho na Conferência Rio+20, marcando duas décadas após a Eco 92. O desenvolvimento sustentável, ao contrário do que muitos acreditam, não é um conceito que preza apenas pelo meio-ambiente. A definição do termo, de acordo com um relatório da ONU de 1987, determina que “desenvolvimento sustentável é o desenvolvimento que atende às necessidades do presente sem comprometer a habilidade das gerações futuras de atenderes às suas necessidades”, com base em três pilares: ambiental, econômico e social. As discussões, dessa forma, englobam também os investimentos para satisfazer as necessidades básicas humanas, colocando em foco a utilização dos recursos mundiais. Dados do Banco Mundial estimam que seriam necessários de 35 a 76 bilhões de dólares por ano até 2015 para que os Objetivos do Milênio fossem alcançados. Em comparação, a soma alarmante de um trilhão de dólares está planejada apenas para uso em projetos de armas nucleares na próxima década. Leia a tradução do Apelo abaixo. A íntegra do documento e a lista completa dos atuais co-signatários pode ser conferida do blog do Jornal O Eco.

2012: RIO+20 DESARMAMENTO PARA DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL UM APELO INTERNACIONAL Em 1992 a Conferência das Nações Unidas para o Meio-Ambiente e Desenvolvimento […] ligou os desafios das ameaças ambientais e desenvolvimento ao redor do mundo, nomeando essa conexão […] como “desenvolvimento sustentável”, um termo aceito internacionalmente como “o desafio da década”. Contudo, os desafios correlatos da paz e desarmamento foram excluídos.

DESARMAMENTO PARA DESENVOLVIMENTO – O DESAFIO ATUAL Em 2010 os gastos militares mundiais somaram US$ 1630 bilhões – apesar do fato de 1 bilhão de pessoas sofrerem de fome, um número ainda maior sofrer de falta acesso à água segura ou cuidados médicos adequados e educação, e, mesmo no mundo desenvolvido, milhões estarem desempregados. Os Objetivos do Milênio não podem ser atingidos enquanto o mundo desperdiça suas riquezas no militarismo. As condições climáticas e ambientais atuais exacerbam esse desbalanço. Desastres ecológicos aumentam; a perda da biodiversidade e a destruição do ecossistema estão aumentando dramaticamente. Adicionalmente, a crise econômica presente levou os governos mundiais a reduzirem gastos com necessidades humanas críticas e, mais uma vez, está atingindo mais fortemente os mais fracos. Contudo, recursos financeiros aparentemente ilimitados parecen estar disponíveis para aviões militares, tanques, navios, bombas, mísseis, minas terrestres e armas nucleares. Os desenvolvimentos tecnológicos do campo armamentista estão se tornando mais e mais sofisticados e letais. Como reverter esse processo é o desafio de hoje. Os signatários desse Apelo demandam que os governos do mundo concordem seriamente em endereçar esse assunto negligenciado, e concordem com um plano global de desarmamento na Cúpula do Rio em Junho de 2012. Os fundos liberados devem ser usados para programas sociais, econômicos e ecológicos em todos os países. A começar em 2013, gastos militares devem ser cortados substancialmente, ou seja, por um mínimo de 10 por cento por ano. O objetivo é iniciar uma dinâmica para o desenvolvimento sustentável, que poderia começar pelo estabelecimento de um fundo internacionalmente gerenciado com um capital de mais de US$ 150 bilhões.[…] Sem desarmamento, não há desenvolvimento adequado; sem desenvolvimento, não há justiça, igualdade e paz. Precisamos dar uma chance à sustentabilidade.

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Interessante SURREAL - Pitosto Fighe

A SENSIBILID ADE FEMININA SENSIBILIDADE O dia em que o homem entender melhor a química da mulher, seu fim biológico, a força do instinto materno, o amor materno, seu grau de sensibilidade e a interdependência que gera mãe/filho/ marido ou similar, possivelmente a entenderá melhor. Vendo uma entrevista com Chico Buarque me fez pensar sobre esta viagem tão delicada, gostosa, incógnita e pela beira do abismo que é a sensibilidade feminina. Referindome ao abismo pela complexidade do assunto, onde muitas vezes no “subjetivo é a morada do objetivo”. O Chico demonstrou ser um homem que entendeu as mulheres, sua sensibilidade e consegue transmitir isso muito bem no seu poético e no musical, mas mesmo com seu vasto acadêmico “patinou” para explicar sob o interrogatório da repórter. Bem, eu pretendo expor sobre o tema desprovido do acadêmico, do científico, sem desprezar obviamente e posso até citá-lo. Vou ao cotidiano, ao jeito simples do malandro conquistar, ao boteco, onde se inspirava Tom e a “companheirada” que só pensavam “naquilo”. Na verdade, eles conseguiram encantar as mulheres e os homens com seu poético porque havia ali um ponto comum, mas nem sempre visto aos olhos de cada um com o mesmo ângulo. Em Garota de Ipanema, onde, com forma muito singela e até ingênua, conseguiram encantar todas as mulheres. Toda mulher gostaria de ser aquela garotinha espetacular de Ipanema, mas todos os homens gostariam é de possuí-la. Entre uma caipirinha e outro do Tom, entremeado com cerveja, duvido muito que ele visse a roupa da garota. Por certo o “laser” da visão a tornava nua, e ainda aparecendo um pedacinho da costela de Adão para provar que ali um pedacinho lhe pertence. É o bicho homem! É por onde peca e se descontrola para entender a sensibilidade da mulher. Aquela garota

exibia seu potencial atraente naquele momento, muito acima de sexo. Até poderia ser o caminho, mas o “orgasmal” naquele momento era outro. Entre os animais, quem se enfeita todo e faz uma série de malabarismos para conquistar é o macho. Já imaginaram a majestade de um pavão, que deve superar muito o sonho de um faraó: onde deve chegar sua imaginação, o desgaste de seu “galante” ego, para poder dar uma transinha? Com o ser humano é ao contrário, esta árdua mas por certo gostosa e sutil tarefa pertence à mulher e é por onde o homem pode começar a entender sua sensibilidade. Mas o malandro prefere não entender e jogar com sua capacidade de encantar pelo seu “jeito de ser desajeitado”. Vejam, uma mulher linda, com seu balançado, sob o sol do Abraão, vem pela praia tentando jogar charme, mas não consegue porque o grosso do marido pisou em sua “feridinha” depressiva e fez um grande estrago na sensibilidade do seu coraçãozinho. Joga a canga, olha para o mar, e começa se encantar viajando nas coisas boas do ontem e, em simbiose, ela e a saudade, contrariando a física – ocupam o mesmo espaço. Mas quem maliciosamente a analisa ao longe, observa seu conflito interior se degladiando entre a sensação gostosa da saudade e o ódio do marido. O malandro já captou e tenta a investida. Com seu andar gingado, bermudão caindo, cofrinho de fora, cabeça de camarão, mas dedilha um violão com certa habilidade. Senta por ali o mais perto possível e toca, e sussurra uma canção “cornífera”. Com todo o seu jeito tosco, já conseguiu mexer na sensibilidade da gatosa. No último acorde, ele diz: bom dia, dia lindo né? Começa a forçar dizendo que o mar lhe faz bem quando ele está mal! Hmmmm... Já ficou interessante! E ela, querendo ser caridosa, lhe pergunta: por que está assim rapaz? Ele diz: pois é, minha namorada, eu gosto muito dela, me abandonou e o pior é que o cara que tá com ela é poderoso! Já abriu

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a porta para a gatosa soltar tudo o que havia acumulado do marido. A partir daí foi-se! Usou a sensibilidade em proveito próprio, pois o malandro quer só o experimento. E assim foram as mulheres de Athena, as Genis, as Madalenas e tantas outras, vitimas do mau uso de sua sensibilidade pelo bicho homem! A sensibilidade da mulher vai muito além de sexo... É o tátil, e a admiração pelo que ela usa como encanto; é a sutileza; é a palavra certa que lhe faltava na frase (“ela tinha que ouvir isto!”); é gostar e enaltecer o que ela gosta; e por aí vai. Até chamaria de “a arte de viver com a sensibilidade”! Agora veja o que diz o cientista sobre diferenças homem/mulher e que por certo o homem não sabe: Pesquisadores de uma universidade dos Estados Unidos, ao analisarem o funcionamento do cérebro, concluíram o que a sabedoria popular já sabia há muito tempo: que homens e mulheres pensam e sentem diferente. O homem tem apenas o hemisfério esquerdo do cérebro – a parte analítica – ativado quando ouve algo. Já as mulheres reagem ativando ambas as partes do cérebro – analítica e emocional. E ela “sente o que ouve” e internaliza essa informação-sentimento, no contínuo processo de sentir sobre o sentimento gerado sobre o sentimento. As mulheres, assim sensíveis até pela própria natureza, internalizam as experiências numa eterna jornada interior, buscando aprender algo sobre si mesma com as sensações, que por si geram sentimentos. O homem, não. Ele busca a satisfação imediata, em geral àquela de suas necessidades básicas: fome e sede, reprodução e poder. Isto funciona! Tenho um amigo que tem um sultanato com um harém de amigas cuja sensibilidade administrativa vai sempre bem, porque a sensibilidade feminina é sempre aproveitada pelo píncaro do bem-estar, ao jeito, tom e cor de cada uma e pelos dois lados do cérebro. Vez em quando rola um ciuminho, mas sem estresse. Um amigo seu de NY se habilitou a

namorar uma delas, e durou uns três anos – aí já começou a era do “estado pastoso” (o pão nosso de cada dia nem sempre é mole; devido ao imediatismo do homem, tem até uma expressão popular que diz: afobado come cru). Até que ele chegou à conclusão e gritou, como bom afobado: tenho que viver!!!!! Comprou uma canoa e foi ser pé sujo no Abraão. Por enquanto está feliz; mas ela, acredito que não – tudo porque não soube transitar pelos labirintos da sensibilidade feminina. É uma estrada sinuosa e tortuosa, cheia de bifurcações, mas gostosa! Eu aprendi a viajar nela, fazendo as curvas, subindo as ladeiras e, na bifurcação, entrar pela correta. Caramba, é pior que discutir o óbvio! Escrever sobre isso é mais difícil que entender o sentimento dos outros!!! Mas tentei, e só alcança quem tenta!

Foto de Gigi Coureau

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Interessante

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Interessante Desembarque de Oficiais no Colégio Naval

Foto Ian Barros de Menezes

Em 2004, a Marinha formou a Primeira Turma de Militares Rm2 do Brasil. Eram 88 Primeiro Tenentes psicólogos, professores, pedagogos, fisioterapeutas e enfermeiros que ingressaram para servirem pelo período máximo de 8 anos. Desse grupo original, 11 professores foram embarcados no Colégio Naval. Alguns já exerciam o magistério como civis na instituição. O desembarque dos quatro Oficiais remanescentes dessa turma, todos ex professores civis e residentes em Angra, ocorreu no último dia 23, na Praça D‘Armas dessa renomada Instituição de Ensino. Uma cerimônia marcada pelos discursos elogiosos dos atuais Comandantes, o Capitão-de-Mar-e-Guerra XXXX, Comandante do Colégio Naval, seu Imediato, o Capitão-de-Fragata Estevão e o Chefe de Ensino, Capitão-deCorveta Souza de Aguiar. Na foto, a partir da esquerda, 1T Cláudia Barros (a mais antiga), disciplina Inglês; 1T Pedro Paulo, disciplina Inglês; o Imediato CF Estevão; 1T Eveline, disciplina Informática; 1T Rejane Henriete, disciplina Língua Portuguesa. A mensagem dos Comandantes emocionou os presentes: Parabéns pelos oito anos como militares, tendo exercido suas funções com profissionalismo e contínua dedicação! A partir dessa data exercerão suas funções como civis em outras instituições, sem a envergadura deste uniforme branco, mas terão sempre o mesmo apreço que deixaram aqui! E serão vencedores! Bravo Zulu. Bons Ventos e Mares nessa nova travessia das vossas vidas.

Jornal da Ilha Grande - Março de 2012 - nº 154

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Interessante Cantinho da Poesia PARCEIROS Eia mestre que o barco se sangra na espinha das ondas e a pesca se lança nas águas na boca do mar mar e água não são parceiros no jeito de ser que a gente toma com a linha na mão e as pedras no bolso eia mestre que a maré me amargou a vida e me molhou os olhos de loucura dando-me palavras em vez de peixes e eu amo o peixe bordado de espinha pescando as palavras que o mar me devolve eia mestre que o mar não tem rosto nem olhos para ver a morte sorrindo só indo de pro fundo. Emil de Castro é poeta, historiador e contista. Ex-Prefeito de Mangaratiba, cidade onde nasceu em 1941, teve sua obra literária aclamada por diversos

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Jornal da Ilha Grande - Março de 2012 - nº 154


Coral Sol Cursos gratuitos do PProjeto rojeto CoralSol Coral-Sol

Coletores de coral-sol

A Ilha Grande é conhecida mundialmente pela sua beleza natural. Esse patrimônio atrai milhares de pessoas em busca de praias, trilhas e águas claras para o mergulho, movimentando a economia e a vida cultural da ilha. Entretanto, o uso irracional do espaço e seus recursos pode causar graves danos a esses ecossistemas que tanto nos encantam e dos quais dependemos. A responsabilidade de cuidar do meio ambiente é de todos, incluindo governo, empresas e sociedade civil. O Projeto Coral-Sol tenta fazer a sua parte para a conservação ambiental da ilha, com especial atenção para a sua porção submersa. Entretanto, queremos atrair cada vez mais pessoas para essa causa e sabemos que para cuidar, é preciso primeiro conhecer. Por isso, o projeto oferece uma série de cursos (todos gratuitos graças ao patrocínio Petrobras através do Programa Petrobras Ambiental) dos quais todos podem participar. Veja abaixo qual se encaixa melhor no seu cotidiano e faça já a sua inscrição. Professores Público alvo: professores de qualquer disciplina do ensino fundamental e médio da rede pública ou privada. Carga horária: 6 horas (1 dia de curso) Objetivos: (1) atualizar o professor em importantes conceitos relacionados ao meio ambiente; (2) oferecer uma vivência prática no ambiente natural para ilustrar os pontos apresentados na teoria; (3) estimular o professor a inserir o conteúdo na sua disciplina promovendo a transversalidade da educação ambiental. Conteúdo: 1 palestra abordando conceitos como biodiversidade e bioinvasão; 1 trilha interpretativa com mergulho livre para observação dos ecossistemas, seus componentes e seu funcionamento; 1 dinâmica de grupo para elaboração de propostas didáticas. O curso é oferecido mensalmente de acordo com a disponibilidade dos participantes e o projeto ainda custeia o transporte entre o continente e a ilha e lanche.

Público alvo: moradores da Ilha Grande que saibam nadar, já tenham alguma experiência com mergulho livre e estejam em boas condições físicas e tenham mais de 18 anos. Carga horária: 2 horas teóricas + 6 horas práticas (2 dias de curso) Objetivo: capacitar os coletores que atuam na retirada do coral-sol na baía da Ilha Grande. Conteúdo: 1 palestra abordando temas como biodiversidade, bioinvasão, impactos do coral-sol nos costões rochosos brasileiros, técnica de remoção e eliminação de coral-sol, registro de dados; 1 treinamento embarcado para remoção de colônias de coral-sol do ambiente marinho. A previsão da próxima turma de capacitação é final de abril ou início de maio. Profissionais de turismo e Agentes ambientais Público alvo: Guias turísticos, barqueiros, agenciadores de passeios, guardiões, brigadistas e outros profissionais interessados em meio ambiente. Carga horária: 4 horas (1 dia de curso) Objetivos: (1) Fornecer informações sobre o meio ambiente da Ilha Grande e os impactos causados pelo turismo e outras atividades; (2) Sensibilizar potenciais replicadores para a necessidade de uma prática sustentável das suas atividades, principalmente em área de unidades de conservação e seu entorno; (3) Estimular tomadas de atitude para melhores práticas. Conteúdo: 1 palestra abordando conceitos como biodiversidade, meio ambiente e impacto ambiental; 1 palestra com 10 dicas de comportamento ambientalmente correto aplicáveis na ilha grande; 1 dinâmica de grupo para identificação dos principais aspectos ambientais da ilha e elaboração de propostas para melhorias. A primeira turma está prevista para o final de abril. Como fazer a sua inscrição? 1. No Centro de Visitantes do Projeto Coral-Sol que fica na Rua Amâncio Felício de Souza no. 53 (rua do Maneco) na vila do Abraão, Ilha Grande. 2. Pelos telefones (21) 2433-7311; (21) 2480-2158; (24) 3361-9152. 3. Por e-mail: camila@coralsol.org.br (professores), coralsol@biodiversidademarinha.org.br (outros).

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