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O CONFECCIONISTA - ANO IV Nº19 JULHO/AGOSTO 2012

ANO IV Nº19 JULHO/AGOSTO 2012

www.oconfeccionista.com.br

Inverno 2013 Cores, tecidos e inspirações

Denim

Os estilos da temporada

Gestão e reciclagem de retalhos e sobras

Produção

Saúde e conforto

Mercado Otimismo para as vendas do Verão

O Confeccionista JUL/AGO 2012

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carta ao leitor

O Confeccionista, Ano IV

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revista O Confeccionista completou três anos de existência. Nesse período, já enfrentamos duas crises, muitos problemas estruturais e de concorrência, mudanças profundas em nosso mercado, porém conseguimos o mais importante para nós, o respeito do mercado e de nossos leitores. Não é fácil para uma editora recém-chegada ao mercado conseguir mais de 80 anunciantes diferentes, ter a parceria de entidades importantes como Senai, Senac, Sebrae, ter as principais associações como a ABIT e Abravest como nossos apoiadores , além dos mais renomados consultores e personalidades do setor escrevendo para nossa revista. Foi uma luta para chegarmos até aqui, porém, acredito que agora o avião já decolou e logo entraremos em velocidade de cruzeiro. Temos muitos motivos para nos orgulhar, pois conseguimos, com muito esforço, levar informações importantes para as confecções de todo o Brasil, e esperamos que isso tenha contribuído para seu sucesso e, mais importante, das pessoas que fazem essas empresas. Preciso agradecer aos que acreditaram em nosso projeto e, principalmente, aos meus colaboradores que, sob quaisquer circunstâncias, estiveram comigo. Vamos para o quarto ano cheios de vontade, projetos e com a esperança de dias melhores, lançando um novo título (O Calçadista) que, esperamos, tenha o mesmo sucesso de O Confeccionista. Agradeço profundamente a você, leitor, que nos prestigia sempre com sua leitura, crítica ou elogio, e nos sentimos felizes por estarmos juntos nestes três anos. Saiba que estaremos sempre a seu lado, torcendo por você. Um grande abraço. Júlio César Mello Diretor-geral

juliocesar@oconfeccionista.com.br

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editorial

Lições de casa

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Linha Direta

redação O Confeccionista editora@oconfeccionista.com.br (11) 2769-0399 www.oconfeccionista.com.br

ixo, poluição ambiental, desperdícios de materiais. Tudo isso tem um custo enorme não só para o planeta como para as empresas que os produzem. Mas tudo isso está com os dias contados. Agosto de 2014 é o prazo final para a adaptação de todos os setores (indústria, comércio, importadores e consumidores) à lei federal de 2010, que estabelece a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS). A PNRS considera resíduo sólido o material, substância ou bem descartado que possa ser reutilizado e/ou reciclado, e tenha valor econômico. Antecipando-se a isso, entidades de classe como Sinditêxtil-SP e Abest dão início a programas que vão ao encontro desses objetivos, como mostrado na reportagem sobre Gestão de Resíduos. Outra lição de casa a fazer diz respeito à

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Diretor-Geral - Júlio César Mello juliocesar@oconfeccionista.com.br Diretora de Relações com o Mercado Bernadete Pelosini bernadete@oconfeccionista.com.br Editora - Vera Campos (MTb 12.003) editora@oconfeccionista.com.br Editor de Arte - Leandro Neves criacao@inovdesign.com.br Colaboraram nesta edição: Cinthia Albuquerque, Laura Navajas, Newton Lima, Samuel Marques, José Rodrigues

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Internet - Mulisha rafael@mulisha.com.br Financeiro - Mauro Gonçalves financeiro@oconfeccionista.com.br Publicidade comercial@oconfeccionista.com.br Executivos de Negócios Leandro Galhardi leandro@oconfeccionista.com.br Assinaturas assine@oconfeccionista.com.br Impressão - Gráfica Editora Parma Tiragem - 16.000 exemplares. Distribuição Nacional

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saúde dos funcionários e, por consequência, à produtividade. Muitas vezes afastamentos do trabalho e mau desempenho se devem ao desconforto físico ocasionado pelo mobiliário inadequado. Algumas soluções são apresentadas aqui, fruto de estudos da Fundacentro e da Conaccovest. A questão é tão importante, a ponto de o Sindicato das Costureiras de São Paulo e Osasco e o Sindivestuário-SP incluírem, na Convenção Coletiva assinada em julho, a obrigatoriedade da adoção, pelas confecções, do modelo da cadeira desenvolvida pela Fundacentro. Boa leitura! Vera Campos Editora editora@oconfeccionista.com.br

O Confeccionista é uma publicação bimestral da Impressão Editora e Publicidade Ltda., distribuída aos empresários da indústria de confecção. É vedada a reprodução total ou em parte das matérias desta revista sem a autorização prévia da editora. Todas opiniões e comentários dos articulistas e anunciantes são de responsabilidade dos mesmos.

Redação - Rua Teodureto Souto, 208, Cambuci – São Paulo – SP. CEP: 01539-000 - Fone: (11) 2769-0399

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sumÁrio

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FOTO CAPA: shutterstock

ANO IV • NÚMERO 19 • JUL/AGO • 2012

Artigos 70 Conjuntura 80 Marketing 82 Finanças

capa

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Inverno 2013

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Denim

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Produção – Conforto e Saúde no trabalho

40

Mercado – Otimismo para as vendas de Verão

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Gestão de Residuos – Reciclagem de retalhos

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EM DIA

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Inverno 2013 - Inspiramais

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Moda Íntima – Fevest/Nova Friburgo

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Capacitação - APL de Maringá e Cianorte

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Mundo Têxtil – Novidades em botões

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Fast- fashion – Vale a pena tentar?

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Plus Size – A nova aposta das redes de varejo

56

Case – Dudalina 55 anos

68

Equipamentos - Febratex/Lançamento Lectra

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Gestão - A empresa cresceu, e agora?

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RH – Segure os talentos de sua empresa

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FOTO: divulgação

em dia Convênio para financiamentos

Feimaco 2013

Sob o tema “Inovação, Tecnologia e Produtividade – Um Mundo de Inovações para o seu Negócio”, a 7ª. Feira Internacional de Máquinas e Componentes para a Indústria de Confecções Feimaco já tem data e local para acontecer. Será de 2 a 5 de abril de 2013 no Anhembi, em São Paulo. No mesmo pavilhão ocorrem simultaneamente as feiras ITMEX Américas (11ª Feira Internacional de Máquinas Têxteis) e NT&TT Show (5ª Feira Internacional de Não Tecidos e Tecidos Técnicos). Realizada a cada dois anos, a Feimaco reúne expositores de máquinas de costura, de bordado, de corte, enfesto e passadoria, entre outras, além de máquinas, equipamentos, produtos e serviços para lavanderias. A organização e promoção estão a cargo da Reed Exhibitions Alcântara Machado, apoiada pela Abramaco - Associação Brasileira da Indústria e Comércio de Máquinas para Costura Industrial, Componentes, Acessórios e Sistemas. A expectativa é que as três feiras reúnam mais de 300 marcas em 11 mil m² de área de exposição e atraiam ao menos 12 mil visitantes, entre empresários confeccionistas, faccionistas e representantes de todo o Brasil.“A Feimaco será a líder entre esses eventos e vamos nos esforçar para obter melhores resultados que em 2011”, afirmou José Danghesi, diretor de eventos da Reed Exhibitions Alcântara Machado. Confiante no reaquecimento do mercado, Mauro Andrada, presidente da Abramaco, ressaltou a importância da participação de todos no evento, que ocorrerá a pouco mais de um ano da Copa de 2014, que promete atrair muitos investimentos para o país. “Temos de mostrar a nossa cara, não podemos escondê-la, como fazem os avestruzes”, destacou, na reunião de lançamento do evento, no final de junho.

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A Abramaco - Associação Brasileira da Indústria e Comércio de Máquinas para Costura Industrial, Componentes, Acessórios e Sistemas, renovou acordo de cooperação entre a entidade e a Desenvolve SP – Agência de Desenvolvimento Paulista (ex-“Nossa Caixa Desenvolvimento”), instituição financeira do Governo do Estado de São Paulo que oferece linhas de crédito a pequenas e médias empresas. Suas taxas de juros estão bem abaixo das praticadas pelo mercado: a partir de 0,41% ao mês (mais correção monetária pelo índice IPC/ Fipe) - e prazos longos para pagamento que podem chegar a 10 anos, com dois anos de carência e financiamento de até 100% do projeto apresentado. Para empresários que encontram dificuldades de apresentar garantias para obter financiamento de longo prazo, a Desenvolve SP oferece os benefícios do FDA (Fundo de Aval) do Governo do Estado, que funciona como opção às garantias tradicionais exigidas na operação de crédito: imóveis, máquinas, recebíveis, etc. O fundo se aplica a todas as linhas da instituição (exceto para operações de capital de giro), desde que o faturamento do empresário seja inferior a R$ 3,6 milhões anuais. “O papel da associação é ser o catalizador de negócios para os clientes dos associados”, diz Mauro Andrada, presidente da entidade, acrescentando que qualquer empresa pode se beneficiar desse convênio. “Estamos confiantes de que poderemos alavancar vendas e negócios através do apoio da agência, até porque o mercado está carente de crédito. Numa estimativa otimista, esperamos gerar negócios entre R$ 2 milhões a R$ 5 milhões em três anos”.


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Inspiramais tem público recorde

Com centenas de lançamentos para o mercado de moda e calçados, palestras e seminário internacional de design, evento atrai 6 mil visitantes POR VERA CAMPOS

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irigido a fabricantes de calçados, bolsas, acessórios e vestuário, o 6º Inspiramais - Salão e Design e Inovação de Componentes Inverno 2013, realizado em São Paulo entre os dias 24 e 26 de julho, superou as expectativas dos organizadores. A estimativa é que os negócios tenham atingido a marca dos R$ 5,5 milhões – montante esse 28% superior ao da edição passada. Desse valor, US$ 1,5 milhão foram provenientes do Projeto Comprador e R$ 2,5 milhões das transações comerciais no merca-

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do doméstico. O público presente foi 30% maior, ao redor de 6 mil pessoas. O evento é realizado pela Assintecal (Associação Brasileira de Empresas de Componentes para Couro, Calçados e Artefatos) e Footwear Componentes by Brasil. Com diferenciais de tecnologia e design, os 100 expositores apresentaram mais de 500 componentes para o mercado de moda e calçados, entre couros, fivelas, laços, pedrarias, solados, cabedais, tecidos, produtos feito à mão, materiais sintéticos e outros, frutos da pesquisa do Forum de Inspirações, que se inicia dois anos antes de cada temporada. Durante esse período, o Núcleo de Design da Assintecal e Abicalçados, sob a coordenação do estilista Walter Rodrigues, apura e divulga para os fabricantes as principais inspirações e referências de moda, tendo como foco a identidade brasileira. O objetivo é o alinhamento de toda a cadeia produtiva calçadista em torno dos temas indicados.

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Foto: divulgação

Inverno 2013

Preview Verão 2014 Nessa linha, Walter Rodrigues e os consultores Vitor Fasolo e Marnei Carminatti fizeram um Preview do Couro para o Verão 2014, apresentando uma cartela com as doze cores da estação e os temas que devem nortear os fabricantes, apoiados em temas relacionados às influências indígena, africana e europeia na formação e cultura do povo brasileiro. Além da exposição, os visitantes puderam participar de Oficinas de Criação, Palestras de Inspirações e do IV Seminário Internacional de Design, que teve como tema central a Economia Criativa e palestrantes de peso como o inglês John Hownkins, autor do primeiro livro sobre o assunto, Lidia Goldenstein (analista, comentarista e pesquisadora) e da especialista no tema Lala Deheinzelin. Durante o evento, foi feito o pré-lançamento do Selo de Sustentabilidade para o setor calçadista, concebido para valorizar as marcas brasileiras no mercado internacional e para promover o engajamento das empresas com a sustentabilidade, um importante diferencial competitivo. O Selo foi criado pelo Laboratório de Sustentabilidade (LASSU) da Escola Politécnica (Poli) da USP, em parceria com a Assintecal, a Abicalçados e o Instituto By Brasil. (V.C.)#


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Nova Friburgo L

íder em produção de moda íntima no país - responsável por 25% do que vai para o mercado -, o pólo confeccionista de Nova Friburgo, no Rio de Janeiro, abriu as portas no início deste mês de agosto para mais uma edição da FEVEST – a Feira Brasileira de Moda Íntima, Praia, Fitness e Matéria Prima. Cerca de 6 mil visitantes, entre brasileiros e estrangeiros, foram conferir as novidades apresentadas pelos 120 expositores que participaram do evento, no Country Clube de Nova Friburgo. Além dos lançamentos no setor, a Fevest 2012 ainda trouxe ao público uma série de atividades para o incremento de negócios e a atualização de informações sobre tendências como

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desfiles, palestras e exposições. A região confeccionista de Nova Friburgo abrange uma média de 1,5 mil empresas, que empregam mais de 20 mil trabalhadores. São fornecedores de todos os setores que compõem o processo produtivo da moda íntima, como fabricantes de tecidos, rendas, aplicações e aviamentos. Além do expressivo volume produzido, as lingeries confeccionadas na região são reconhecidas pela qualidade dos artigos e, principalmente, em relação à modelagem, design e inovação - resultado do longo processo de qualificação pela qual as confecções locais foram submetidas. De acordo com Marcelo Porto, presidente do Sindvest - Sindicato

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Foto: divulgação

Moda Íntima

Capital brasileira da lingerie recupera-se dos estragos feitos pelas enchentes de 2010 e comemora sucesso da FEVEST das Indústrias do Vestuário de Nova Friburgo e Região -, “a realização do evento, que comemora nesta edição seus 20 anos, consolida a cidade como a verdadeira Capital Brasileira da Lingerie não só pelo volume produzido, mas também pelas características de qualidade e competitividade dos artigos. Mais do que ninguém, sabemos que um pólo não se posiciona da noite para o dia e Nova Friburgo colhe hoje os resultados de um longo processo de gerenciamento, consultoria e qualificação de suas confecções”. Marcelo Porto ainda comemora a fase otimista pela qual passa o polo de Nova Friburgo. Apesar de ter sido devastado pelas enchentes que castigaram a região serrana do Rio de Janeiro, em 2010, uma pesquisa inédita, realizada pelo SEBRAE em junho, mostra que grande parte dos empresários do setor tem investido em tecnologia e maquinários para incrementar os negócios. “São números que comprovam o potencial da nossa indústria confeccionista e também confirmam a total retomada de nossos níveis de produção”, acredita.#


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Empreendedorismo Criativo

B+APLs da Moda

Projeto da Abest e do Sebrae capacita Arranjos Produtivos Locais em processos criativos, design, desenvolvimento de produto e gestão mercadológica

Criatividade e gestão Para começar, uma palestra sobre "Empreendedorismo Criativo - Moda como Inspiração para a Economia Criativa no Brasil", ministrada pelo gestor de Estratégia e Inovação da ABEST, Mauricio Medeiros, deu início ao projeto, em julho, em Maringá. Na sequência, ocorreram capacitações especializadas (coletivas e individuais) nas áreas de gestão de produto, com ênfase em processo criativo e

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Foto: divulgação

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uma época em que Economia Criativa se tornou o assunto do momento, aumentar a competitividade e a sustentabilidade das micro e pequenas empresas ligadas à moda, por meio da geração de negócios e da capacitação do setor em conteúdo criativo inovador é um importante passo dado nesse sentido. E essa é a proposta do projeto B+ APLs da Moda – uma parceria entre Sebrae e a Associação Brasileira de Estilistas (Abest). O primeiro núcleo a ser contemplado é o Arranjo Produtivo Local (APL) do Vestuário de Cianorte e Maringá, no Paraná. Esse APL gera em torno de 100 mil empregos diretos e indiretos, produz 13 milhões de peças/mês e tem faturamento mensal de aproximadamente R$ 200 milhões.

Palestra de Maurício Medeiros

design, bem como de gestão mercadológica, com enfoque em processo comercial e marketing. De início, seis empresas foram selecionadas para integrar a iniciativa. Durante o projeto, as seis empresas participantes também recebem acompanhamento virtual. E ao final das atividades, terão de desenvolver dois produtos inovadores para serem expostos no Salão +B: Salão Brasileiro de Negócios de Moda e Conteúdo Criativo, organizado pela Abest. A coordenadora estadual do setor do Vestuário do Sebrae/PR, Carla Werkhauser, explica que o B+ APLs da Moda visa a orientar as empresas participantes para o desenvolvimento de design com foco na brasilidade. "O projeto vai dar um upgrade no desenvolvimento produtivo, primeiramente entre as empresas selecionadas e, depois, deve se estender para todo o arranjo produtivo", diz. Rosângela Correa, gerente executiva do Sindvest Maringá, reforça a ideia: "os empreendimentos confeccionistas precisam tirar proveito de

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toda a riqueza da cultura brasileira e aproveitar esse cenário para valorizar a produção. Propostas como essa podem, inclusive, servir para sensibilizar o consumidor brasileiro a optar pela aquisição da moda nacional". O consultor do Sebrae/PR em Maringá e gestor do APL de Vestuário de Cianorte e Maringá pela entidade, Élvio Saito, destaca que, com mais de 3,8 mil empresas voltadas para a área de confecção e também para atividades como estamparia, lavanderia, etiquetas, dentre outras, o APL é muito bem caracterizado por uma rede de apoio da qual fazem parte entidades de representação, instituições de ensino, fornecedores, além de uma governança bem estruturada. “O projeto B+ APLs da Moda é uma grande oportunidade para se elevar ainda mais a competitividade das empresas do vestuário da região", avalia. Até o fim do ano, outros cinco APLs serão beneficiados: Macapá (AP), Caxias do Sul (RS), Rio de Janeiro (RJ), Goiânia (GO) e Fortaleza (CE).#


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Inverno 2013

FOTO: Divulgação

MUNDO TÊXTIL

na Première Brasil O

Conheça as tendências em tecidos, fios, fibras, aviamentos e design têxtil para os dias frios apresentadas pela diretora de Moda do Première Vision, Pascaline Wilhelm POR Cinthia Albuquerque

pulência, sensualidade e consistência serão a base das inspirações. Os sentidos funcionam como fio condutor das temáticas nas passarelas. A proposta é refletir liberdade com a mistura de materiais, décors, cortes e estilos aliando nobreza e ausência de limite, esporte e elegância, raridade e cotidiano nas silhuetas. No enredo, histórias de tempos, de aventuras e de sensações – que transportam, desconcertam, prendem a atenção. Confira abaixo as cores, estruturas e os comportamentos da moda para o outono/inverno 2013, apresentados na Conferência de Moda do Première Brasil.

História dos Tempos A ideia é transpor o cotidiano, fazer uma ponte entre passado e futuro. Nesta concepção, peças superiores, que escondem mais, são

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confrontadas com as inferiores, que evidenciam mais. A silhueta é marcada por extremos, anacronismos assumidos, porém com harmonia e suavidade. A brincadeira recorta e cola épocas e estilos, associa materiais, muitos deles ornamentados. Um extremismo decorativo no cotidiano pode construir um look contemporâneo. Harmonias: destaque para as cores escuras coloridas, para as tonalidades que funcionam como ponto de luz e os bicolores heráldicos (estampados em brasões). Nos tecidos: veludos nobres e casuais desenham essa corrente que incorpora as grandes estruturas de pulls e lãs (que trazem a ideia de “feito a mão”), e acolchoados - como os matelassês. Estampas em 3D evidenciam o conceito de nobreza com detalhes milimetricamente trabalhados como nos jacquards, assim


como os bordados em relevo, as tramas vazadas, as pinturas de mestres e as influências históricas. Ainda dão suporte à História dos Tempos os brilhos extravagantes, o latão metálico ou as sombras douradas que facilmente remetem ao antigo. Os revestimentos de cera e as resinas oleosas lembram o couro ou apenas fazem as peças parecerem sedosas e elegantes. Efeitos molhados, imitações de couro, revestimento com stretch duplo para modelar e reduzir medidas, calças estruturais e malhas compactas também compõem o perfil dessa tendência.

identidade à peça e um aspecto de descontração. Quase tudo é válido: as composições mesclam linhas, lãs esportivas, algodões e denims sobrepeso, sedas compactas, brokentwills, aspectos trançados, cardados técni-

sem moldar o corpo. Os trajes protegem as curvas internas, conferindo certo peso. O volume do excesso de tecido também traz sensualidade ao cobrir formas ovais e arredondadas. Fala-se em flexibilidade espessa.

Neste campo, a cidade é o grande palco. Espaços e paisagens são explorados nas composições por meio da camuflagem - estampas de caminhões, ruas, extratos geológicos, flores, pedras preciosas, etc. Fotografias e colagens também retratam a interferência urbana. Para evidenciar maior qualidade de vida e o culto ao corpo, mescla-se moda e esportes ativos, outdoor e fantasia, elegância da cidade e workwear. A silhueta aparece em multicamadas, peças são sobrepostas. Harmonias: cores em frente e verso; tonalidades que remetem a um clima extrovertido e ao ar livre; tons naturalmente urbanos como a combinação de quentes e frios, escuros e luminosos. Em tecidos: a proposta é trabalhar com tramas híbridas, fazendo contrastes: naturais x sintéticos e sofisticação x simplicidade. Presença marcante dos chevrons chiques, da dupla face numa brincadeira com os forros, como as partes internas decoradas nos jeans. A fantasia fica na parte de dentro – o que confere

Evento recebeu cerca de 7 mil compradores qualificados

cos e de boa performance, malhas e lãs grossas sedosas, visuais aleatórios, chinês, moulinês legíveis, tweeds e misturas de lãs coloridas, micro precisão, tramas geométricas.

Histórias de Sensações Nesta temática, o centro das atenções é o ser sensível às tentações. A imaginação passeia pelas realidades nebulosas, joga com espelhos surreais, distorce de maneira psicodélica sem perder a doçura. Um convite ao toque gourmet dos cremes, mousses e dos caimentos viscosos. Harmonias: os looks aparecem em cores gourmet foscas e sombras suaves ou numa vivacidade picante para acordar tons mais apagados. Em tecidos: materiais sensuais, doces e deliciosos combinam, ora mascarando, ora desmascarando o corpo. As curvas são trabalhadas

Aparecem em cena os mantôs vestidos, os tecidos duplos, as criações sinuosas. As composições para o estilo levam feltros macios, moleskines e veludos cremosos, laminações que parecem roupas de mergulho, transparências multicamadas, acolchoados leves. Os caimentos são viscosos, casual ultra-flexível. Lã e fios vaporosos, rendas e malhas sedosas, toque de talco, pós de plumas e plásticos brilhantes também podem ser usados. Ajudam na brincadeira as sombras narrativas, silhuetas florais ou vegetais, desenhos diluídos em fundos, escovas turvas, ouro derretido, foscos, esfumados, mal tingidos. Outras opções são as misturas com seda, lyocel para dar suavidade, delavês sutis, xadrezes sombreados e lavagens sombreadas que não deem o aspecto de sujo, mas revelem luminosidade.#

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FOTO: Divulgação

Histórias de Aventuras


Mundo Têxtil/Denim

Pesquisa mundial de tendências da equipe da Tavex para o Inverno 2013 mostra que a noção de tempo e espaço se transforma e faz das referências passadas um horizonte de possibilidades criativas. A nostalgia se reafirma por meio da imaginação criativa e possibilita a apropriação do imaginário coletivo e de patrimônios culturais, mas também se torna uma base de segurança numa década caracterizada pela experimentação e valorização do conhecimento/expertise. Conheça as três direções de estilo identificadas:

• Campus: a inspiração vem dos campi universitários americanos, com clássicos do estilo college adaptados à geração geek/ nerd. Cartela com cores limpas, comerciais, confortáveis e aquecidas (destaque para os coloridos). Modelagem formal, lavagens sustentáveis e suaves, tons médios e claros, envelhecimento com enzimas e lixados, resinas para brilho e vincos, toques acamurçados, laser e ozônio. Detalhes: matelassê, vista e cós elaborados, detalhes em xadrez ou couro, debrum, ajuste nas barras.

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Foto: divulgação

Inverno jovem


• Retro Society: reedição de clássicos do estilo vintage, sobretudo o dos anos 1940 e 50. Tecidos versáteis, cores sólidas, tons empoeirados, alguns bem claros (em azul ou rosa), dupla face, muito stretch. Lavagens genuínas, gastas, desbotadas, fundos escuros e médios, sobretingimento, 3D suave, laser, ozônio. Detalhes: recortes encurvados, golas elaboradas, acabamentos com tachas e ponteiras, detalhes em couro e bandanas, mix de bolso faca e filigranas.

• Cutting Edge:

tema focado naquele que está “na ponta”, o consumidor não convencional, reflexivo, criativo, que olha para a frente e busca um estilo verdadeiro, utilitário, com valorização da matéria prima. Retoma valores como o feito à mão, o sob medida. Pouco trabalho de lavanderia, prevalecem a monocromia com toques sutis de cor, cal e cimento, preto, índigos fortes, marrom, petróleo. Formas: skinny, cropped flare, easy flare, ganchos alongados, oversized, influência de alfaiataria.

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Mundo Têxtil/Denim

Sustentáveis e Inovadores

Fabricantes primam por oferecer produtos diferenciados que satisfaçam em conforto e protejam o meio ambiente

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m denim com acabamento em prata pura, utilizada com a finalidade de inibir a proliferação de bactérias, evitar contaminações, eliminar o odor e de manter o frescor do jeans, possibilitando, com isso, menos lavagens. Esse é o Limit, a novidade da Tavex na linha Denim© Therapy, de tecidos que atuam sobre o organismo, produzindo efeitos benéficos. Microcristais de prata ligados às fibras garantem que o desempenho do tratamento antimicrobiano se mantenha eficaz por repetidas lavagens. A linha Acquasave, que se destaca

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pelo reaproveitamento e redução do consumo de água e de energia e por utiliza processos menos agressivos no beneficiamento de denim, ganha mais dois produtos: Acqualite, um denim 100% algodão puro índigo red cast, e Wrinkle - uma sarja resinada. Nem bem foi apresentada ao mercado na coleção Verão 2012, com os produtos Acquaflash e Acqua spirit, a linha Acquasave chegou a responder por 25% da demanda dos produtos da companhia lançados naquela temporada no Brasil, o que confirma que o caminho está correto. “Procuramos pensar a empresa de forma inovadora e sustentabilidade é uma decisão estratégica e ética”, afirmou Maria José Orione , gerente de Marketing da Tavex para a América Latina. Ela acrescenta que a implantação do projeto Acquasave exigiu uma quebra de paradigmas e a integração de todas as equipes da companhia. O projeto ganhou maior repercussão ao ser destacado como um dos cases de boas práticas socioambientais em moda apresentados durante a Rio +20, além de ter participado do Dia Mundial da Água promovido pela Unesco, em Barcelona, na Espanha.#

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Foto: divulgação

POR VERA CAMPOS

Etiqueta marca Lycra Clientes da coleção Tavex Free, constituída por artigos stretch com fio Lycra, não precisam mais se desdobrar para obter a etiqueta da marca, pois vão recebê-la agora diretamente da Tavex, graças à parceria da fabricante de denim com a Invista (detentora da marca Lycra). Na ocasião do pedido, basta fazer a solicitação ao representante. Antes, para utilizar a etiqueta, cada confecção precisava entrar com o pedido de homologação na Invista. A etiqueta atesta a qualidade e a tecnologia reconhecida mundialmente e agrega valor aos produtos.


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Sylvio Napoli, da ABIT: Custos de Energia chegam ao

Botões Frankenberg

De acessório funcional a item importante na composição de looks, os botões são cada vez mais trabalhados para atender um mercado exigente POR VERA CAMPOS

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oi-se o tempo em que os botões eram um simples aviamento, algo que serve apenas para fechar a vestimenta. Nas últimas décadas, eles deixaram de ser um item funcional para se tornar um acessório de moda, que desperta a atenção de consumidores cada vez mais exigentes, e são vistos por estilistas como uma forma de inovar os looks. “Ao se trabalhar bem o design e a funcionalidade, os botões podem ser itens complementares de looks e conferir identidade às peças em que são aplicados”, afirma Caroline Dalri, uma das designers da Metais Mondelli, fabricante de botões em zamac, uma liga de zinco, alumínio,

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cobre e magnésio. “Hoje o produto com design diferenciado tem o poder de fazer com que o consumidor sinta ‘desejo’ e, quando isso acontece, temos a certeza de que todo o trabalho valeu a pena. E é esse desejo que faz o mercado crescer e ficar cada dia mais exigente”, completa a designer. “Muitas vezes é o botão que confere o destaque necessário para transformar uma roupa simples em fashion”, reforça João Claudio von Frankenberg, engenheiro químico da Frankenberg, desde 1934 no mercado de botões. Nesse sentido, o design do botão é extremamente importante no mercado de hoje. “Com essa percepção, muitas confecções simplificam

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Sedutores e criativos

FOTO: UEHARA

Mundo Têxtil


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fundada em 1935. Na empresa, o segmento de botões diferenciados vem crescendo nos últimos anos, devido a investimentos em pesquisas, representantes bem treinados, profissionais do ramo e em tecnologia. “Esses botões já representam 50% da nossa produção”, explica a diretora comercial. Dona de uma ampla linha de produtos, a Corozita produz desde botões básicos, para camisaria e uniforme, até botões sofisticados, com gravação e corte a laser, mas nos últimos anos a alavanca do crescimento

mercado algo diferenciado”, avalia o diretor de Marketing Walter Perfeito Jr., destacando que hoje o foco de sua empresa é oferecer conceito e não produto. A Irmãos Perfeito produz botões para vários segmentos: camisaria, alfaiataria, personalizados, etc e atinge um público bastante variado, com diferentes necessidades, desde clientes que prezam por preço aos que buscam produtos diferenciados. Acompanhando as tendências mundiais, vem investindo também em botões feitos a partir de produtos naturais.

Botões Corozita Botões Guaíra

suas modelagens, agilizam a produção e mesmo assim apresentam produtos de destaque”, diz. “A moda está diretamente ligada ao design, mas o design não remete apenas às formas. Acabamentos, materiais, cores, inspirações, referencias, são elementos fundamentais para o desenvolvimento dos botões”, acrescenta Walter Perfeito Junior, diretor de Marketing da Irmãos Perfeito. “Não é à toa que as confecções estão cada vez mais preocupadas com a escolha dos botões”, completa Cezar Augusto, gerente comercial da IBG -Indústria de Botões Guaíra.

Mercado Os fabricantes também concordam que, para ter sucesso nesse mercado, é essencial fazer pesquisa de moda e investir em tecnologia. “Estamos sempre à procura do novo, do diferente, para, dessa forma, sempre surpreender nossos clientes”, diz Patricia Lanfranchi, diretora comercial da Fábrica de Botões Corozita,

tem sido o desenvolvimento exclusivo. “Os clientes nos passam um briefing, materializamos suas ideias em botões e acessórios de moda e produzimos o botão personalizado com a logomarca, cor e modelo do cliente”, explica Patrícia. A Corozita faz dois grandes lançamentos por ano, mas tem lançamentos pontuais todos os meses. São cerca de 30 modelos por catálogo, isso sem falar nas variantes de cores e materiais. “Estar por dentro do que acontece é fundamental para oferecer ao

Madeira, coco... “O mercado brasileiro começa agora a valorizar acessórios em madeira, coco, madrepérola, corozo, etc”, diz. Diante da demanda dos naturais, a Irmãos Perfeito desenvolveu uma coleção para denim com estes materiais, com bons resultados, e uma coleção de plaquinhas em madeira e coco. Alinhada ao mercado da moda, a empresa também trabalha com coleções e oferece, em média, 20 lançamentos por temporada, mas desenvolve mais de 30 produtos no-

Botões Irmãos Perfeito

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Mundo Têxtil Botões Guaíra

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a partir de um processo eco-friendly que não produz resíduos químicos como cromo, níquel e cobre.

Valor agregado As indústrias nacionais se esforçam também para atender o crescente interesse de estilistas e compradores por botões diferenciados, de valor agregado. “São botões com corte ou gravação a laser em desenhos, texturas, com aplicação de strass ou com o uso de metais”, exemplifica a diretora comercial da Corozita. Além de a gravação a laser resultar em um produto diferenciado, possibilita “a reafirmação da marca do cliente, o que é muito importante para os produtos Made in Brazil”, afirma João Claudio, da Frankenberg. Segundo ele, hoje a gravação a laser, tanto de ‘nome’ quanto de ‘logomarca’, se faz presente em muitos segmentos da confecção, desde camisarias até fabricantes de trajes sociais e casacos de inverno, com o objetivo de mostrar um produto diferenciado e de valor agregado. Essa demanda vem sendo percebida pela Guaíra que, nos últimos doze meses, registrou aumento da procura pelos botões personalizados. “O que

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antes era um investimento feito apenas pelas grandes grifes vem se tornando uma pratica adotada pela grande maioria das confecções. É uma forma que as empresas têm de valorizar a própria marca, criar uma peça mais exclusiva, agregar maior valor e fugir da briga desigual com as roupas importadas principalmente da Ásia”, diz Cezar Augusto. Na IBG, a personalização é feita por meio de raio laser na frente ou nas laterais do botão. “No momento, contamos com 15 máquinas de personalização a laser, o que nos garante uma produção diária de mais de um milhão de unidades”, revela. Mesmo diante de um mercado afetado pela concorrência asiática, a IBG vem crescendo Botões Frankenberg

em estrutura, maquinário, colaboradores (atualmente, conta com 240), produtividade e também no número de clientes. Em 2012, iniciou a fabricação de botões e demais acessórios no material zamac.

Metalizados Fabricante de argolas, engates, passadores, pingentes e ponteiras em zamac, a Metais Mondelli vem

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vos por mês, muitos deles com exclusividade para os clientes. “Um ponto superimportante em nossa empresa é proporcionar ao cliente ‘viajar’ em suas coleções e materializar suas criações”, afirma Perfeito. Outra que aposta em produtos naturais é a Indústria de Botões Guaíra, do interior de São Paulo. Mesmo tendo cerca de 90% do faturamento proveniente da produção e venda de botões de poliéster, produz também botões em madeira, coco, metal, zamac e injetados e faz combinações juntando dois materiais distintos no mesmo botão, como poliéster e madeira ou poliéster e coco. “No material poliéster nosso destaque de venda são botões em formato quadrado, principalmente para a linha de camisaria. Botões de coco também estão tendo uma procura maior, principalmente agora no inverno”, revela o gerente comercial Cezar Augusto. “É preciso estar preparado para atender todas as demandas”, opina João Frankenberg. “Muitas vezes o cliente aparece com uma ideia de formato ou aparência/cor de um tecido e criamos em cima de sua necessidade. Outras vezes, fazemos um lançamento de algumas peças e um atacadista se encanta e acabamos fazendo uma coleção inteira para ele”. A Frankenberg produz especificamente botões de poliéster e, a partir desse material, reproduz uma gama de produtos naturais tais como chifre, osso, madrepérola, pedras, madeira, coco, entre muitas outras, além de muitos efeitos em glitter, brilhos e mesclas exclusivas. Seus carros-chefes são botões direcionados à moda feminina de inverno, principalmente botões grandes e com mesclas exclusivas, e botões com logomarca gravados a laser. Oferece também uma linha de botões metalizados, confeccionados


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Mundo Têxtil

Bonor

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da estação. Após o estudo das megatêndencias e acompanhamento dos desfiles das principais marcas para a temporada, define-se um tema e uma cartela de cores específica, que servirão de base para o desenvolvimento da coleção. “Esse processo é longo, porém garante uma coleção com identidade, unidade e história”, assegura Caroline. Além desses, a empresa faz botões personalizados. Outra que tem a linha de Metal como carro-chefe é a Bonor. Há mais de

Inverno 2013 Para a Corozita, o inverno 2013 será glamoroso e sofisticado, com botões de “peso”, que serão notados no primeiro olhar. A coleção da marca destacará os botões e plaquetas com strass, colocados ou como ponto de luz ou com a corrente. Outra aposta são os botões personalizados com calota metalizada (em quatro banhos), além dos botões em corozo, bastão e madrepérola- com texturas obtidas no laser. A Botões Guaíra seguirá as tendências observadas nas principais feiras internacionais de moda e oferecerá botões de acabamento mesclado, ou seja, com parte brilhante e parte fosca, além de outros com vários tipos de mesclas. O design será o destaque da Irmãos Perfeito neste inverno, e as peças se apoiarão em três temas: tecnológico, romântico e ecológico, e trarão muitas novidades e cores.

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40 anos no mercado, produz também botões em poliéster, naturais, injetados e a laser. Seus maiores destaques são botões de massa, tubo, naturais e Metais, informa Renata Smelan, auxiliar administrativa e de marketing. A empresa oferece ainda todos os tipos de personalização, “de acordo com o desejo dos clientes”. Anualmente, a Bonor lança duas coleções. Não há quantidade exata de botões por coleção, mas elas seguem a cartela de cores e tamanhos da empresa.#

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aumentando, a cada coleção, a participação dos botões em seu mix de produtos, desde os mais básicos até os com relevos diferenciados, resinas e pedrarias. “Atendemos todo o segmento do vestuário produzindo desde botões de casear até os flexíveis para jeans. Exploramos texturas e a combinação de materiais como madeira, resinas e pedras, que fazem o diferencial dos nossos produtos”, coloca a designer. Caroline Dalri. Para o segmento de confecção, a Mondelli oferece uma linha voltada para a modinha e outra específica para o jeanswear. Na modinha, trabalha com um mix de coleção mais abrangente, onde, além de outras peças, fornece os botões, que vão desde tamanhos menores e design mais delicado para camisaria e malharia até botões maiores e mais robustos para a alfaiataria e outras peças mais encorpadas. Já para a linha jeanswear, desenvolve uma coleção mais específica que consiste em botões flexíveis e rebites. De acordo com a designer da Mondelli, os desenvolvimentos são feitos seguindo as tendências de ca-

Botões Mondelli


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Mundo Têxtil Novos diferenciais Outro produto que vem conquistando espaço no mercado são as plaquetas de metal ou poliéster com a marca do cliente. Colocadas na parte externa da roupa, conferem identidade às peças. “A personalização dos produtos é cada vez mais utilizada pelos clientes e buscada também pelos consumidores”, reforça Walter Perfeito Jr, diretor de Marketing da Irmãos Perfeito, que há pouco mais de um ano começou a produzir plaquinhas desse tipo, até mesmo em madeira e coco, além do poliéster. “Para produzi-las investimos em novas máquinas e estamos constantemente aprimorando nossas técnicas”, diz. “A demanda por plaquetas com materiais e cortes inusitados é crescente”, concorda Patricia Lanfranchi, diretora comercial da Corozita, que também fabrica produtos desse tipo. Na Frankenberg, as plaquetas personalizadas com diversos acabamentos e formatos fizeram um enorme sucesso na coleção do Inverno 2012. “Elas podem ser usadas em blusas e malhas (tricô ou malha plana), normalmente na barra da peça, e na confecção de jeans em várias aplicações”, explica o engenheiro químico João Claudio von Frankenberg, acrescentando que para isso a empresa investiu em equipamentos novos, capazes de realizar cortes e gravações profundas a laser sobre os materiais. Para o inverno 2013, a Frankenberg está preparando uma nova linha de produtos, baseada em ponteiras para cadarços e cordões, e que podem ser aplicadas desde em bermudas tipo cargo até em casacos de inverno, em capuzes e cintura de casacos, e na indústria de bolsas e calçados.

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Corozita Ponteiras Frankenberg

Placas Frankenberg

Corozita

Irmãos Perfeito


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Do jeito certo Cadeiras inadequadas, bancadas de trabalho sem regulagem de altura, pedais fixos e pequenos, máquinas de costura com polias e correias sem proteção, falta de sobretampos e iluminação inadequada contribuem para a queda na produtividade e afastamento dos trabalhadores POR VERA CAMPOS

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ores na coluna, nos braços, antebraços, pernas, ombros e pescoço. Queixas como essas, frequentemente apresentadas pelos empregados da indústria de vestuário, são as principais causas de afastamento do trabalho, o que causa grande transtorno ao empregador, seja pela falta do profissional, seja pelo atraso na produção. Mas boa parte desse problema seria minimizada com a introdução de algumas mudanças no mobiliário e nos equipamentos utilizados nas oficinas de costura. Foi a essa conclusão a que chegou um estudo da Fundacentro, órgão do Ministério do Trabalho que atua em pesquisa científica e tecnológica relacionada à segurança e saúde dos trabalhadores, realizado a pedido da Confederação Nacional

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Produção

dos Trabalhadores nas Indústrias do Setor Têxtil, Vestuário, Couro e Calçados (Conaccovest).

Comissão tripartite Para a realização do estudo, foi montada uma comissão que envolveu trabalhadores, governo e empresários. Foram feitas visitas técnicas a indústrias de polos produtivos de vários estados. Baseados nas observações feitas in loco nas fábricas e no relato de trabalhadores, médicos, engenheiros do trabalho e empresários, a Fundacentro e a equipe montada pela Conaccovest identificaram as condições de trabalho causadoras (ou agravadoras) dos desconfortos e afastamentos por distúrbios músculo-esqueléticos: cadeiras inadequadas, bancadas de trabalho (sem


regulagem de altura, pedais (fixos e muito pequenos, que só comportam um pé), polias e correias (sem proteção), falta de sobretampos e a iluminação inadequada, que não atinge o lux determinado na Norma das máquinas de costura comumente utilizadas. A partir dessa constatação, a Fundacentro começou a desenvolver protótipos de mobiliário de máquinas e bancadas adaptados ergonomicamente, visando adequá-los às funções e aos operadores. E instalou essas estações de trabalho em algumas empresas e nos SENAI do território nacional, para que os usuários pudessem testar e certificar as modificações. O resultado foi animador: nos testes, as mudanças introduzidas reduziram em até 70% o afastamento de trabalhadores por lesões causadas pelo oficio.

Normas Regulamentadoras Por enquanto, apenas as cadeiras para as costureiras e para os que exercem funções em bancadas altas ou baixas têm o laudo definitivo da Fundacentro. As determinações contidas nesse laudo já foram inseridas na Norma Regulamentadora 17 do Ministério do Trabalho, que regulamenta e fornece orientações sobre procedimentos obrigatórios relacionados è ergonomia no ambiente de trabalho e, recentemente, passaram a constar de cláusula na Convenção Coletiva de Trabalho assinada entre o Sindicato das Costureiras de São Paulo e Osasco e o SindivestuárioSP (veja matéria a seguir). As modificações nos demais itens

pesquisados – sobretampos de máquinas de costura, polias e correias, pedais e iluminação - estão em fase final de testes. “Quando estiverem OK, pediremos uma audiência com o Ministro do Trabalho para inserir as novas versões nas Normas Reguladoras 12 ou 17, que dispõem, respectivamente, sobre Segurança no Trabalho em Máquinas e Equipamentos e sobre Ergonomia. Uma vez inseridas nestas normas, as novas especificações deverão ser seguidas obrigatoriamente, em âmbito nacional, não só pelas indústrias de têxteis e de confecção, mas também pelas de couro e calçados”, esclarece José Antonio Simão Rodrigues, coordenador nacional da ConaccovestBrasil e diretor do Sindicato das Costureiras de São Paulo e Osasco.

dos setores de produção”, acrescenta Milene Rodrigues, coordenadora nacional do Departamento de Saúde, Segurança e Meio Ambiente da Conaccovest . Em São Paulo, os novos equipamentos ergonômicos podem ser conferidos na Escola Tititi, oficina de costura permanente recém-inaugurada pelo Sindicato das Costureiras de São Paulo e Osasco em sua sede no bairro paulistano do Bom Retiro. Ali começarão a ser ministradas aulas de costura utilizando-se o novo mobiliário.

Confira algumas das mudanças propostas no mobiliário: Cadeiras – as características devem seguir as descrições técnicas contidas no laudo da

Divulgação e prática Em setembro, os trabalhos desenvolvidos pela Fundacentro e Conaccovest serão apresentados durante o Seminário Saúde, Segurança e Meio Ambiente do Trabalho, a ser realizado na capital paulista. “Esse conhecimento adquirido com a Fundacentro e com a equipe montada pela Conaccovest está sendo repassado aos demais sindicatos dos empregados no Brasil, para que novos resultados sejam alcançados em favor da preservação da boa saúde dos trabalhadores e da prevenção de doenças relacionadas ao trabalho, em virtude da falta de aplicação da ergonomia nos postos de trabalho

Design e materiais para conforto do usuário

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Produção

Iluminação focada, com lâmpadas LED

Fundacentro. E é importante exigir dos fabricantes laudos técnicos em conformidade com as normas da ABNT. Entre as exigências estão: altura ajustável à estatura do trabalhador e à natureza da função exercida, regulagem a gás de altura do assento, estruturas do assento e do encosto em madeira compensada moldada anatomicamente, a fim de promoverem a boa circulação sanguínea e o apoio adequado à coluna lombar, assento de espuma injetada de poliuretano, para evitar desconforto e anestesia da pela das nádegas e das coxas, bordas frontais arredondadas; base fixa com cinco sapatas e ser giratória e não ter braços. Sobretampo das máquinas de costura reta, overloque, interloque e galoneiras – a superfície tem de ser fosca, a fim de evitar reflexos da iluminação nos olhos da operadora, o que provoca dores de cabeça no final do dia.

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Deve ser mais largo e arredondado do lado esquerdo, de modo a sustentar o braço da costureira e, assim, evitar dores e lesões.

Sobretampo para apoio do braço

Iluminação das máquinas de costura – em vez de uma lâmpada comum, que provoca aquecimento excessivo, um conjunto de mini lâmpadas led, mais econômicas, é colocado próximo à barra da agulha, de forma a iluminar apenas o que está sendo costurado sem riscos de aquecer as mãos da operadora e sem ofuscar sua visão. Pedal – deve ser móvel – e não estático – para melhor se adaptar ao comprimento das pernas da costureira, evitando, assim, o mal posicionamento dela na cadeira e consequentes problemas osteomusculares.

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Pedal movel, ajustado ao tamanho da operadora


CONSTRUÇÃO DE MARCAS

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Produção

Confecções de São Paulo e Osasco têm prazo de um ano, a partir de julho de 2012, para adotar cadeiras ergonômicas segundo modelo estabelecido pela Fundacentro/SP

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Sindicato das Costureiras de São Paulo e Osasco propôs e os três sindicatos patronais paulistas - Sindicato da Indústria do Vestuário Masculino no Estado de São Paulo, Sindicato da Indústria do Vestuário Feminino e Infanto-Juvenil de São Paulo e Região, e Sindicato da Indústria de Camisas para Homem e Roupas Brancas de São Paulo aceitaram: foi incluída na Convenção Coletiva de Trabalho assinada no início de julho de 2012 uma cláusula que torna obrigatória a substituição das cadeiras das costureiras e das profissionais que trabalham em bancadas altas e baixas de produção pelo modelo de cadeira ergonômica proposto pelo laudo da Fundacentro/ SP, apresentado pelo tecnologista Ricardo da Costa Serrano. O modelo

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Agora é prá valer é fruto de anos de pesquisas e desenvolvimento de Serrano e sua equipe junto a várias indústrias dos setores de confecção e de calçados de vários estados. A Fundacentro é o órgão do Ministério do Trabalho e Emprego que atua em pesquisa científica e tecnológica relacionada à segurança e saúde dos trabalhadores.

Obrigatoriedade Segundo termo de compromisso assinado pelo sindicato das costureiras e o Sindivestuario-SP (que congrega os três sindicatos patronais), as sete mil confecções de São Paulo e Osasco terão prazo de um ano para adotar as novas cadeiras, a contar da data da assinatura do acordo, o que beneficiará os 80 mil trabalhadores do setor representados pelo sindicato das costureiras. “Esperamos que, futuramente, sindicatos de outras regiões consigam inserir essa cláusula em suas conven-

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ções coletivas e pratiquem o disposto nas NR-17 e NR-12, para que o uso das cadeiras ergonômicas seja adotado, assim como implantem a ergonomia nos postos de trabalho”, afirma Elias Ferreira, presidente em exercício do Sindicato das Costureiras de São Paulo e Osasco. “As cadeiras ergonômicas visam à prevenção de doenças relacionadas ao trabalho e da boa saúde do trabalhador e, consequentemente, melhoram a saúde da empresa. E um trabalhador saudável faz uma empresa produzir mais”, afirma Maria Thereza Pugliesi, diretora jurídica do Sindivestuario-SP. A advogada ressalta que o projeto das novas cadeiras não foi aprovado do dia para a noite, mas foi, sim, bem fundamentado e acordado numa parceria tripartite entre indústria, trabalhadores e governo. “Essas especificações já constavam da NR-17, a norma regulamentadora


De acordo com a lei

Foto: divulgação

O diretor do Sindicato das Costureiras de São Paulo e Osasco, José Antônio Simão Rodrigues, explica que os esforços do sindicato para inserir a exigência da adoção das cadeiras ergonômicas num prazo de um ano a partir da data de assinatura da Convenção Coletiva se deve ao fato de que o estabelecido na NR-17 e NR-12 não está sendo seguido por muitas confecções, conforme apurado pela Fundacentro e pela entidade sindical. “Sentimos que precisávamos regulamentar de vez o uso dessas cadeiras ergonômicas e dar prazo para a adoção delas, pois se deixássemos por conta da fiscalização (que é defi-

José Antonio e Elias Ferreira

ciente), isso demoraria muito para ocorrer,” diz Rodrigues. O tecnologista da Fundacentro Ricardo Serrano, responsável pelo estudo e pelo desenvolvimento das cadeiras ergonômicas e de outros componentes do mobiliário de oficinas de costura, confirma que, nas confecções que visitou, encontrou ainda muitas costureiras usando cadeiras de madeira com quatro pés, com almofadas no assento e no encosto (muitas vezes confeccionadas pelas próprias costureiras e trabalhadoras), o que, por si, já infringe a NR-17 e NR-12 (aspectos ergonômicos) e o laudo ergonômico da Fundacentro, que cumpre o item 17.1.2.

Gato por lebre “Na hora de encomendar as novas cadeiras, cuidado para não comprar gato por lebre”, alerta Serrano. “A descrição técnica delas deve ser criteriosamente embasada no laudo

Foto: divulgação

relacionada à ergonomia no ambiente de trabalho, que deve ser cumprida por todos os empregadores”, diz. Segundo ela, o próximo passo do Sindivestuario-SP é sentar com os fabricantes das novas cadeiras para tentar obter vantagens para os associados na compra.

Design e materiais para conforto do usuário

da Fundacentro”. Há exigências relativas, por exemplo, à qualidade da matéria-prima empregada na confecção do produto. “A empresa deve exigir dos fabricantes laudos técnicos em conformidade com as normas da ABNT, como o de impacto e o de densidade de espuma, entre outros”, acrescenta o tecnologista. De acordo Serrano, três ou quatro empresas já estão aptas a fabricar as cadeiras ergonômicas. “A ideia é que várias fábricas as produzam, para evitar o monopólio”, esclarece. As confecções devem procurar seu sindicato para conhecer mais a fundo as especificações exigidas ou a Conaccovest - Confederação Nacional dos Trabalhadores dos setores Têxtil, Vestuário, Couro e Calçados, que financiou o estudo da Fundacentro em âmbito nacional. (V.C.)#

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MERCADO

Expectativas positivas Apesar do aumento das importações, a indústria de vestuário busca diferenciais e criatividade para competir com o produto nacional e deve ganhar fôlego neste segundo semestre POR LAURA NAVAJAS

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ue 2011 foi um ano difícil, todos os números comprovam. E início deste ano não foi diferente. Só nos primeiros cinco meses de 2012, a produção de vestuário caiu 12,82%, na comparação com o mesmo período do ano anterior, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE. No entanto, no que depender dos resultados de vendas obtidos pelos expositores da 5ª. Fenim Primavera-Verão 2013, realizada em junho, o mercado está em franco processo de reaquecimento. A marca Gangster é um bom exemplo. Dona de uma extensa linha de roupas esportivas e acessórios para o público masculino, já no primeiro dia de feira superou em vendas os quatro dias da edição anterior de Primavera/ Verão. Somando ainda o faturamento dos três dias restantes, o crescimento

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foi de 250%. “Nossa marca está começando a se consolidar nas feiras de verão, o que é muito bom”, comemora o gerente de produto e marketing, Paulo Jorge Oliveira. Surpreso também ficou Eduardo Simon, gerente de suprimentos e marketing da Pitt Jeans. A empresa gaúcha de Santa Cruz do Sul foi à Fenim com o intuito de fortalecer relacionamentos, mas “nos dois primeiros dias vendemos o que foi vendido durante todos os dias da mesma edição do ano passado”. “O mercado começou a bombar de novo”, afirma o diretor da Fenim Julio Viana. Ele avalia que a retração nas vendas do setor de vestuário não teve relação com a crise mundial e se caracteriza como um ciclo natural de mercado, já que o consumidor brasileiro viu boa parte da sua renda


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comprometida com o crediário e teve de comprar menos para pagar dívidas anteriores. Ademar Heiden, gerente comercial da Hering, um dos expositores da Fenim, concorda. “A situação atual está atrelada ao endividamento do consumidor. O brasileiro aproveitou o momento de estabilidade da economia para fazer investimentos de longo prazo e esgotou a capacidade de se endividar, o que se reflete no consumo”. Mas essa situação deve ser passageira. Segundo Heiden, o governo já está preocupado com a queda nas vendas e a nova taxa da poupança é uma medida que visa estimular o consumo. Durante a Fenim, 90% da meta de vendas proposta pela Hering foram atingidos. “Mesmo assim, esta edição ainda foi mais bem sucedida,

se comparada a de mesma edição do ano anterior”, assegura o gerente. Além da forte concorrência existente entre as empresas do setor, outra razão que vem contribuindo para a diminuição nas vendas das confecções brasileiras é a concorrência com os eletrônicos e outros produtos do gênero, como TVs digitais, celulares e computadores. “Há 15, 20 anos, o brasileiro consumia mais roupas e acessórios. Agora, vêm gastando em tecnologia o que era gasto no setor têxtil”, ressalta Rodolfo Park, da grife de jeans Pitchfork. Ele considera que a crise mundial também tem sua parcela de culpa no desempenho das vendas, mas salienta que a solução para esses problemas está no próprio produto. “Muitos consumidores continuam buscando só preço. Mas essa é uma briga em que todo mundo sai perdendo e, por esse motivo, optamos por não competir nesse nível e, sim, diferenciar nosso produto”, explica.

Importar é o que importa?

Viana: impostos elevados

O ditado “se não pode vencê-los, junte-se a eles” nunca foi tão válido para as confecções brasileiras. Se antes todas se empenhavam em concor-

Foto: EDSON PELENCE

Foto: EDSON PELENCE

Marca decolando nas feiras de verão

rer bravamente com os importados, muitas repensaram essa postura e passaram a comprar produtos fabricados em outros países, incluindo a temida China. Os motivos? Preço, sim, mas, principalmente, a falta de mão-de-obra para produção. Isto ficou muito claro durante a última Fenim: para compor seu mix de produtos acabados, as confecções brasileiras (ao menos as que têm lojas de varejo ou atacado) estão importando - e cada vez mais.“Não tem como fugir, a importação é um caminho sem volta, só depende de

Hering Verão 2013

escolher bem onde e como são feitas as peças. Mas o mercado deve se adaptar a essa realidade”, afirma o diretor da feira, Julio Viana, para quem a importação é um fenômeno mundial e “muita coisa que não é produzida aqui tem de ser importada”. Segundo ele, só não vale a pena trazer de fora determinados artigos, como jeans e malharia circular, pois “os nacionais são muito bons, os fabricantes nacionais concorrem bem.” O diretor da Fenim ressalta que é ponto pacífico que o governo precisa ajudar a indústria nacional, baixan-

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do os impostos. “Poderíamos ser a China da América Latina, mas com esses 41% de carga tributária é impossível”, conclui Viana.

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Riscos e acertos Mas, importar todas as peças a serem comercializadas é um risco. A Hering é um bom exemplo de quem importa com a devida cautela. “Nós temos em torno de 20 a 25% da coleção desenvolvida a partir da importação, índice esse que deve ser a média de participação na maioria das empresas hoje”, conta o gerente comercial Ademar Heiden. “Mas estamos sempre atentos para não criar uma dependência muito grande em relação a compras externas porque não se sabe se o mercado vai continuar dessa forma, como fica a questão cambial, se vão ocorrer mudanças políticas na China, etc”, pondera. Segundo ele, a Hering importa com vistas à competitividade, para acompanhar o mercado.

Paulo Jorge, da Gangster

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Heiden, da Hering

“A importação não ocorre apenas em função de preços”, destaca o gerente de Produto e Marketing Paulo Jorge, da grife Gangster. “O produto chinês é cheio de detalhes, de metais, materiais que custam muito caro por aqui”, coloca. A marca importa entre 40 a 45% de seu mix de produtos, trabalha com pronta entrega e mantém representantes na região Sudeste do país que fazem as vendas para lojas multimarcas. “Competir com o importado é o grande desafio, principalmente porque temos poucos recursos no Brasil. A tecnologia, o equipamento que encontramos fora são bem diferentes, o governo investe, os empresários também”, afirma Paulo Jorge. Para se manter competitiva, a Gangster também investe em uma equipe de criação boa, que “consegue se renovar e não deixar o produto nacional perder o brilho perto de um importado, mesmo fazendo peças mais simples, mas que chamem a atenção”. Para o gerente de Produto e Marketing, “os que se destacam e conseguem fazer isso viram referência no mercado”.

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MERCADO

Falta de mão-de-obra Outro motivo que está levando as confecções a importar é a falta de mão-de-obra. É o que alega Marcelo Meira, profissional de Marketing da Nicoboco, indústria 100% nacional que há mais de 20 anos produz roupas esportivas e acessórios para o público masculino e jovem. A empresa mantém uma rede de lojas próprias e franqueadas e também atua com representantes comerciais em vários estados brasileiros e na Europa. Meira conta das 500 mil peças que comercializadas pela marca, 30 a 40%, principalmente jaquetas, são trazidas da China. “O preço afeta a competitividade, mas no Brasil está difícil de conseguir mão-de-obra. A qualidade do produto importado também é melhor, já que o maquinário, a tecnologia encontrada lá fora não são facilmente superados”, justifica. No caso da Nicoboco, de surfwear, a concorrência maior se dá com as marcas estrangeiras e, para concorrer com elas, é preciso ter preços competitivos, argumenta Meira. “O cliente quer saber de preços bons, e não quanto custou produzir a peça”. Parte da produção da marca é feita no país, já que a empresa é forte em malharia e em peças de algodão. E também porque, afinal, importar tem


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MERCADO

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seus riscos. “A gente tem que pagar antecipadamente, esperar a mercadoria chegar e o resultado só vem lá na frente”, diz Meira.

Modelagem diferente

ou você tenta trabalhar em parceria com eles”, brinca Rodolfo. Para o gerente de marketing da gaúcha Pitt jeans, Eduardo Simon, essa ameaça não se concretizará no curto prazo. “Nosso carro chefe é o jeans. E, nessa área, o padrão de qualidade do importado ainda não se iguala ao que temos aqui. Além disso, o lojista, entre comprar de uma marca que está chegando e outra que tem 45 anos, opta pela segurança”, avalia. A Pitt importa poucas peças, como jaquetas, e salienta que é no segmento de camisaria que a concorrência dos imFoto: EDSON PELENCE

No caso das empresas de jeans, a concorrência dos importados ainda não é marcante, sobretudo para quem produz para o público feminino. “A China ainda não acertou a modelagem da mulher brasileira, pois está acostumada ao corpo da americana e da europeia. E não consegue entender o estilo de calça que a brasileira gosta, bem apertado”, justifica Rodolfo Park, da Pitchfork, que trabalha com jeans há mais de 25 anos, com uma produção mensal de 20 a 30 mil peças. O receio é de que a adaptação chinesa ao gosto das brasileiras seja uma questão de tempo. “Logo eles vão descobrir do que elas gostam e vão fazer igual. E aí, ou você passa a comer de palitinho como os chineses

Eduardo, da Pitt Jeans

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portados é mais forte. Por isso, investe em diferenciais como o fio Pima, proveniente do Peru. “É um produto até mais caro, mas como não é encontrado por aqui, agrega valor à marca”, completa Simon.

Infantis sem riscos As confecções infantis ainda podem respirar aliviadas. No segmento, a concorrência dos importados ainda está restrita a acessórios e objetos como carrinhos e brinquedos. “A dificuldade de encontrar matéria-prima de qualidade e os preços bons é que ditam a concorrência”, alerta Pâmela Baleki, diretora comercial da Azul e Rosa Baby e da Brotinhos. As grifes têm produção própria de 300 mil peças e empregam cerca de 100 colaboradores diretos. A empresa começou no fundo do quintal e hoje está crescendo, cobre todos os estados do país. Mas, como a maioria das confecções, teve dificuldades para vender em 2011. “Cheguei a queimar mercadoria para não ter de parar a empresa e poder começar este ano sem estoque”, diz. Ela aposta no reaquecimento, já que a melhor época para negócios no segmento começou em maio e vai até setembro. É ver para crer. #


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Mercado

Maurício Placeres da MPlaceres

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e o Rio Grande do Sul tem tradição na produção calçadista, o mesmo não se pode dizer da confecção de vestuário, salvo a região serrana, grande produtora de malhas de tricô. Mas essa realidade está prestes a mudar, principalmente no que depender do New Designers, projeto realizado em parceria com a Fenim, em que jovens talentos regionais ganham um espaço na Feira Nacional da Indústria da Moda, realizada em Gramado, para expor suas criações. “A ideia é compor, em todas as edições da feira, um mix diferente de talentos gaúchos”, afirma o curador do evento, Eduardo Santos. Afinal, segundo ele, a moda gaúcha é um bebe que está se formando, ainda. “O foco do estado sempre foi o calçado. Mas, de cinco anos para cá, com a popularização da informação de moda e a glamurização da profis-

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Projeto no RS abre espaço para os novos designers são de estilista, começaram a surgir mais faculdades de moda”, conta Santos. Desde então, jovens formandos vêm lançando marcas pequenas, ainda novas. Talvez daqui a dez, 16 anos, tenhamos alguém desfilando em SPFW”, sonha. Há grifes que começaram com o New Designers (esta foi a terceira edição) e hoje vendem para São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. É o caso de Mariana Martinez, proprietária de grife do mesmo nome, que produz uma moda com a cara de verão e trabalha com estamparias exclusivas. Com produção ainda modesta, cresceu com a recente abertura de um showroom em São Paulo. “A feira pode me abrir portas no Sul, que ainda é mais fechado”, avalia.

para os times, continua com o tema favorito dos brasileiros estampando suas coleções, seja em desenhos divertidos ou frases engraçadas. Outro jovem designer que chama a atenção é o estilista Maurício Placeres, dono da MPlaceres, criada em novembro de 2010. Uruguaio naturalizado brasileiro, Placeres trabalha com alfaiataria, mas confere às peças um toque moderno. A produção ainda é modesta, até mesmo para manter a exclusividade. Placeres cria algumas roupas para um site, possui alguns clientes para produzir sob medida e alimenta a loja própria, a Mplaceres Style House, criada há poucos meses, além de uma ou outra multimarca. “80% das peças são únicas”, garante. (L.P.N.)#

Foto: Divulgação/Edson Pelence

Foto: Divulgação/Edson Pelence

Oportunidade para todos

Para todos os gostos Entre os New Designers, encontra-se de tudo um pouco. Inclusive camisetas, a peça mais básica de vestuário. No entanto, com estampas divertidamente bem elaboradas, como é o caso da produção da Brasilis United, que nasceu como licenciada de times de futebol e hoje, apesar de não trabalhar mais

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Apostar em moda rápida vale a pena? Uma das tendências mundiais do mercado de moda, o fast-fashion precisa ser melhor compreendido e avaliado pelos confeccionistas POR VERA CAMPOS

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um momento em que o mercado da moda sofre grandes transformações e o próprio termo “coleções” vem sendo questionado, as confecções brasileiras, sobretudo as de menor porte, têm de procurar conhecer os vários modelos de negócio existentes e decidir qual deseja seguir para continuar sendo competitivas. Nesse cenário se enquadra o fast-fashion, ou moda rápida, praticado no mundo há pelo menos duas décadas - e que ganha força no Brasil pelas mãos de redes de varejo como Zara, C&A e de algumas multimarcas. “Embora o fast-fashion não seja uma coisa nova, as confecções – inclusive as micros e pequenas - precisam procurar conhecer esse fenômeno, para decidir se querem ou não segui-lo”, ressalta Ronaldo Alves, consultor do Sebrae-SP. Afinal, “entender os modelos e/ou ferramentas de negócios existentes no mercado e organizar a confecção para atuar de forma mais competitiva é essencial”, avalia.

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Mercado de risco O fast-fashion não é a única opção do mercado de moda e nem todas as empresas têm interesse de desenvolvê-la, “mas esse é um modelo de negócio que vem respondendo muito bem às mudanças do mercado”, assegura o pesquisador e consultor de moda italiano Enrico Cietta, autor do livro “A Revolução do Fast Fashion”, e sócio/ diretor da Diomedea, empresa de pesquisa e comunicação com sede em Milão. Ele afirma que, nos últimos vinte anos, trabalhar o mercado de moda tornou-se mais arriscado e, por isso, é preciso buscar opções de menor risco. “Hoje em dia tem de se pensar não só no produto e na produção, mas no desenvolvimento das marcas, das lojas, o que eleva custos”, diz. Além disso, o consumidor está mudando com rapidez e produzir coleções de ciclos longos (uma a cada estação) tornou-se mais arriscado e mais caro. “Coleções de ciclo curto são a resposta mais eficaz”, opina o con-


ANUNCIO IMENDONCA

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Mercado

Modelo de negócios Mais que a definir o termo, o importante é entender que o fast-fashion não se resume à troca rápida de coleções. “De nada adianta investir em muitas coleções e os produtos encalharem nas lojas”, afirma o consultor Cietta. Para ele, no fast-fashion, é preciso produzir o que se encaixa no perfil e desejo do consumidor, e não apenas variedade. Se isso não ocorrer, as peças podem não vender e acabar em saldos e liquidações. E isso não é bom para a marca ou produto, pois o cliente fica sem saber ao certo qual o real preço de venda da peça. Além disso, a velocidade da troca de coleções deve estar atrelada ao modelo de negócios adotado pela confecção. Explicando melhor: segundo Enrico Cietta, fast-fashion é um modelo de negócios, ou melhor, uma família de modelos de negócios, pois existem vários tipos de fast-fashion. E, qualquer que seja o modelo, a coleção é uma só por temporada, mas desenvolvida e lançada de forma contínua. E quem determina a rapidez dos lançamentos é a própria confecção (ou loja), baseada no

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comportamento de consumo de seu público-alvo e no posicionamento de preços da marca. “As que trabalham com maior preço podem lançar com menor rapidez e as de menor preço devem ser mais ágeis nos lançamentos”, coloca Cietta.

que estão sendo mais vendidos. “A coleção seguinte vai se basear nesses modelos, acrescidos de alguma inovação”, acrescenta. Ou seja, não é produzir a novidade pura e simples, mas sim criar com base na demanda.

Fast-fashion é uma forma das empresas se organizarem para atender melhor o consumidor

Em outras palavras, fast-fashion é uma forma das empresas se organizarem para responder ao consumidor. E essa organização se estende, segundo Cietta, às três funções-chaves do modelo de negócio de moda: produção, estilo e distribuição. “Esses três agentes devem estabelecer parcerias, pois fast-fashion não se faz sozinho.” Afinal, para desenvolver uma coleção rapidamente é preciso organizar a produção e ter fornecedores que respondam da mesma forma. Além disso, é necessário manter um canal de informações aberto com os lojistas. “Se o lojista não dispõe dessas informações, pode servir para fazer a venda, mas não para fazer fast-fashion”, diz Cietta.

Estilo próprio Produzir fast-fashion não significa copiar modelos e fazer um produto barato e sem marca. “Quando se fala em fast fashion, logo se pensa na Zara, que na Europa tem posicionamento de preço baixo e é uma empresa de grandes volumes, com muitas lojas. Mas há, na Itália, um modelo no qual pequenas confecções brasileiras podem se espelhar: é desenvolver uma marca própria, ter preços um pouco mais elevados e vender para lojas multimarcas”, explica Cietta. No fast-fashion, as fábricas mantém estilo próprio, não copiam modelos de sucesso, mas têm como fonte de inspiração o que vem sendo produzido no mundo. E, mais que o produto em si, o foco da atenção de quem produz é o mercado-alvo. “É preciso escutar o consumidor”, reforça o consultor. Isso implica fazer parcerias com os lojistas, que devem dar um feedback dos modelos da coleção

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Parceria é fundamental

Cietta: coleções de ciclo curto, uma boa opção

Foto: DIVULGAÇÃO

sultor, justificando que esse tipo de produção possibilita trabalhar com maior flexibilidade e com custos e riscos menores. Mas o que é fast-fashion, traduzido como moda rápida? É produzir num curto período de tempo? É pronta entrega? É a maneira de trabalhar das grandes redes de varejo? A forma de produzir no futuro? Que implicações isso traz para as confecções? Todas terão de seguir o fast-fashion se quiserem continuar no mercado? Como as empresas desse setor no mundo e no Brasil estão utilizando o conceito para aumentar vendas?


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“De nada adianta investir em muitas coleções e os produtos encalharem nas lojas” “A moda programada não consegue prever com seis meses ou mais de antecedência o quanto o público vai absorver sua proposta e, por isso, já não consegue atender bem o mercado. Já o fast-fashion trabalha sobre a moda confirmada”, diz a professora Ildeth Dias de Sousa Siqueira, consultora em processos produtivos de prêt-à-porter e coordenadora do curso de pós-graduação MBA Gestão em Processos Produtivos do Vestuário na Fatec Senai SENAI Ítalo Bologna, em Goiânia. Ildeth, que também é especialista em Fashion Design pelo Instituo Europeu de Design, ressalta que não faz apologia do fast-fashion, mas afirma que os empresários do setor devem se conscientizar de que essa é uma tendência de mercado mundial e é preciso entendê-la e se posicionar diante dessa realidade. Ela avalia, no entanto, que a maioria das confecções brasileiras ainda não está preparada para atuar dessa forma. “Além de envolver toda a cadeia (fornecedores, confeccionistas e lojistas), o fast-fashion demanda conhecer gestão de produto, gestão administrativa, estratégias de negócios e uso da tecnologia da informação – o que requer preparo”, finaliza.#

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Fast-fashion exige parceria com lojistas e entre toda a cadeia de produção

Conhecendo o modelo O Sebrae tem sido uma das fontes de informação sobre o fast-fashion. A unidade paulista já organizou dois fóruns de discussão sobre o tema. O primeiro, no final de 2011, no bairro do Bom Retiro, atraiu 380 pessoas, entre estudantes de moda, donos de pequenas confecções e varejistas. O segundo, realizado em abril deste ano, foi ampliado e estendido para empresários da região do Brás que, junto com o Bom Retiro, reúne cerca de 9 mil micro e pequenas empresas do setor de confecção. Na sequência, foram realizados fóruns similares nos polos de calçados de Jaú, Franca e Birigui e no polo de confecção infantil de Cerquilho e Tietê. Nesses encontros, o modelo fast-fashion foi apresentado pelo consultor de moda italiano Enrico Cietta, sócio/ diretor da Diomedea, empresa de pesquisa e comunicação com sede em Milão.

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Em maio, com suporte técnico da Diomedea, quinze empresários de confecções da cidade mineira de Divinópolis, com apoio do Sinvesd, o sindicato das indústrias de vestuário local, e do SebraeMG, foram à Itália para conhecer o funcionamento de pequenas empresas que aderiram ao fast-fashion. “Voltamos com água na boca”, disse o presidente do Sinvesd Antonio Rodrigues Pires. “Mas para conseguirmos lançar entre 80 a 120 modelos por semana temos de pedalar muito”, brinca. Ele diz que o que viu na Itália foi uma sistematização e uma integração de processos muito fortes em toda a cadeia têxtil, suportadas por muita tecnologia da informação. Com isso, acompanha-se todos os processos, sabe-se onde está o tecido, se já foi costurado, etc. “Esse é o modelo de negócios que se encaixa no perfil das confecções de nossa região, mas temos de nos preparar, fazer o dever de casa”.

Foto: SHUTTERSOTCK

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Plus size nas lojas Com looks modernos e atraentes, grande varejo investe no público de “tamanhos grandes” POR VERA CAMPOS

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um país em que a população de pessoas acima do peso é quase maioria, não oferecer roupas da moda a esse público significa perder uma grande oportunidade de mercado. Não à toa, grandes redes de varejo começam a investir nos tamanhos plus size. Desde julho, as consumidoras mais “volumosas” da C&A encontram à sua disposição, nas 60 lojas da rede, 35 modelos nos tamanhos 46 ao 56 entre vestidos, caftãs, tops com paetês, franjas e detalhes em renda, além dos jeans com modelagens que se adequam as formas do corpo. A campanha da nova coleção Special for you da C&A, traz a cantora, atriz e apresentadora Preta Gil como modelo e fonte de inspiração. Uma edição especial do jornal

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Foto: Bob Wolfenson

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Vista trará um editorial de moda e entrevista exclusiva com Preta, além do material de PDV nas 60 lojas da rede no Brasil e a mídia online nos canais C&A: site, blogs, Facebook, Twitter e Instagram. Antes disso, a empresa já havia feito uma investida no segmento com uma coleção especial para o Dia das Mães, composta por mais de 20 modelos: tops e capinhas de malha trazendo as maiores tendências da estação: animal print, brilho e renda; leggings, um set de calça, saia e blazer de alfaiataria, e camisas clássicas com detalhes modernos. O jeans acompanhou a coleção em modelagens skinny e reta, em lavagens escuras.

Para elas e para eles Outra rede que vai por esse caminho é o Carrefour. Depois de lançar, em julho, a coleção plus size de vestuário masculino e feminino, a partir de agosto os clientes das lojas do hipermercado terão a sua disposição a Coleção Moda Íntima Carrefour Plus Size. São calcinhas e sutiãs para dife-

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rentes momentos, que vão do básico ao estampado. Já para a linha masculina, estarão nas araras das lojas cuecas boxer básicas. As peças estarão disponíveis nos tamanhos 46, 48 e 50. Já a linha de roupas plus size tem numeração de 46 a 54. Mais do que uma modelagem maior, o Carrefour trabalha para tornar acessíveis ao consumidor peças inspiradas nas principais tendências de moda. São calça jeans, bermudas, blusas, pólos, camisetas, leggings e pantalonas, modelos elaborados com estampas, apliques, bordados e diferentes cortes.Além de encontrar uma ampla oferta de produtos, os clientes podem contar ainda com facilidade no pagamento. As compras podem ser parceladas em até 6 vezes, sem juros, no cartão Carrefour. Desde outubro de 2010, as 50 lojas da Renner oferecem um mix de peças exclusivas que vão do número 48 ao 54. Três das 19 marcas próprias da marca, Blue Steel, Cortelle e Marfinno, preparam a cada estação uma coleção.#


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Coragem e determinação

No ano em que completa 55 anos de atividades, a Dudalina alça voo e desembarca na Itália com showroom e lojas próprias POR Cinthia Albuquerque

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ão mais de quatro milhões de peças produzidas ao ano entre camisas, calças e malhas. Hoje, a Dudalina mantém cinco unidades fabris (em Luis Alves, Presidente Getúlio e duas em Blumenau, em Santa Catarina; e outra em Terra Boa, no Paraná), um showroom em São Paulo e mais de dois mil colaboradores diretos. Na América Latina, a exportação já é um fato consolidado. O passo mais largo foi dado em julho com a inauguração de um showroom em Milão, na Itália, berço de grandes marcas da moda. Em setembro, será a vez da capital italiana receber uma loja Dudalina. De acordo com diretor comercial Ilton Rogerio Tarnovski,

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Foto: divulgação

ESTRATÉGIA

o objetivo dessa estratégia é abrir caminhos para a exportação na Europa e Ásia. E como competir num segmento disputado por grifes locais de peso? “Nossa principal vantagem competitiva nesses mercados será a diferenciação do produto com tecidos de altíssima qualidade, exclusivos e com ampla variedade, modelagem perfeita e muitos detalhes de composês que tornam os produtos únicos”, conta o diretor comercial.

Oportunidade Essa postura mercadológica bem focada e ousada é hoje bem diferente da de 1957, ano de criação da empresa, mas ainda mantém o


Visão empreendedora Decidida a investir na oportunidade que surgira, dona Adelina procurou duas costureiras e começou a produzir mais camisas. Depois, colocava tudo dentro de um caminhão e saía acompanhada de um dos filhos e de um motorista para vendê-las. Com o sucesso das vendas, pôde alugar uma casa na mesma rua onde moravam e abriu uma fábrica. Com uma visão empreendedora, dona Adelina preferiu colocar a criançada em atividade – eram dezesseis filhos – durante as férias da família, no verão de 1964, em Balneário Camboriú, litoral catarinense e abriu duas lojas na praia. Enquanto cuidava de uma, com a ajuda de cinco filhas, o marido supervisionava a outra, com os meninos. Foram verões

inteiros de muito trabalho. Em 1969, a família se mudou para Blumenau e a fábrica foi transferida.

Sucessão familiar Cinco anos mais tarde, em 1974, depois de voltar de um treinamento na Espanha, a sexta dos dezesseis filhos, Sônia Hess de Souza, começou a reorganizar a produção da Dudalina. Afinal, a fábrica crescia. E nos primeiros anos da década de 80, foi dado início ao processo de sucessão – o comando da empresa era transferido aos filhos do casal Duda e Adelina. Em 1983, o mais velho, Anselmo, foi escolhido como novo presidente. Um ano depois, Sônia assumiu a direção comercial, desenvolvimento de produtos e marketing, período em que começou a negociar com as grandes redes de varejo, como C&A e Pernambucanas. Nesta fase também foi dada a largada a uma nova gestão, com o lançamento de importantes marcas como a Individual, de camisas mais casuais e sofisticadas, assinadas pelo estilista Fernando Barros, e a Base, de roupas casuais e esportivas. Seu Duda e Adelina foram cuidar de outros negócios da família, mas permaneceram no conselho de administração durante os anos seguintes. Os dois trabalharam até morrer — ele em 1996, e ela em 2008. Nos anos 90, quem as-

sumiu a presidência da empresa foi outro filho, Armando, que ficou no comando até o final de 2002. Com a saída dele, no ano seguinte, um Conselho de Administração - composto por alguns dos filhos e profissionais de fora da família – escolheu Sônia para assumir os negócios. Ao todo, sete irmãos já chegaram a trabalhar juntos na empresa mas, hoje, são apenas dois: Sônia, na presidência, e Rui Hess de Souza, na direção de varejo. Os demais continuam como acionistas.

Gestora de marcas Atualmente Sônia conduz uma nova fase de expansão na Dudalina. A empresa foi criada com o foco de

Sônia: herdeira da coragem da mãe

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Foto: divulgação

senso de oportunidade dos fundadores. Tudo começou por acaso, quando o casal Rodolfo de Souza Filho (o seu Duda) e Adelina tinha um armazém de secos e molhados em Luiz Alves, no interior de Santa Catarina. Para abastecer a loja, os dois viajavam constantemente a São Paulo e faziam as compras. Certa vez, há 55 anos, seu Duda foi sem a mulher, que estava grávida, e voltou sozinho com um enorme lote de um tecido. O material ficou encalhado nas prateleiras do armazém durante meses. Para não ficar no prejuízo dona Adelina tratou logo de dar numa finalidade a ele: decidiu confeccionar camisas. Todas foram vendidas rapidamente. O negócio pareceu promissor.

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ESTRATÉGIA ser a principal referência em camisa masculina do Brasil, mas, há dois anos, partiu rumo a um novo mercado. Para ampliar os negócios, era preciso lançar uma linha de camisas femininas e um modelo de loja para mulheres. “A gente aprendeu a trabalhar com o mercado feminino, que é muito diferente do masculino. Ele responde bem mais rápido”, explica Sônia. Não à toa, a Dudalina Feminina lança quatro coleções por ano. (veja box) Para deixar de ser uma fabricante de private label e se tornar uma gestora de marcas fortes, foi necessário a mudar a cultura empresarial. O diretor comercial Ilton Rogerio Tarnovski conta que era fundamental criar um relacionamento que os aproximassem do cliente consumidor. Por isso, os investimentos foram direcionados para marcas próprias. “Entendemos que uma empresa forte é uma empresa com marca de valor”, ressalta. Hoje, são quatro

as marcas da Dudalina, cada qual com um posicionamento distinto no mercado: Dudalina, Individual, Base e Dudalina Feminina.

Expansão assegurada Para os próximos anos, o projeto é dar a continuidade à expansão do varejo, iniciada em 2010, com a abertura da primeira loja conceito, a “DUDALINA595”, localizada no bairro do Paraíso, na capital paulista. Para estabelecer a entrada da Maison no varejo, foi feito um grande investimento em processos produtivos, treinamentos e publicidade. Até junho deste ano, já foram inauguradas 45 lojas, e a meta é encerrar 2012 com 75 pontos de venda, dos quais 30 franqueados. Com isso, a Dudalina se consolida no mercado como uma empresa gestora de marcas. No ano que vem, mais 30 lojas devem ser abertas. Segundo Tarnovski, a ideia é garantir um crescimento vigoroso nos próximos anos por meio do va-

rejo, com exceção das marcas Base e Individual, que devem se expandir pelo canal multimarcas. As iniciativas deram tão certo que a receita da empresa quase dobrou nos últimos dois anos. De R$ 174 milhões, em 2010, saltou para R$ 274 milhões no ano seguinte. E a previsão é a de encerrar 2012 com um faturamento de R$ 380 milhões. Apesar de a empresa estar em fase de colher os frutos da dedicação e investimentos aplicados, a presidente Sônia revela que já começou a se preparar para o dia em que deixará a Dudalina. “Acredito que, depois de mim, chegará o momento de entregar o comando a alguém de fora da família. Meu sucessor deverá ser um executivo da empresa. Tenho orgulho de tudo que fiz pelos negócios que meus pais fundaram. Sempre trabalhei muito, e não tive filhos. Acho que herdei o lado prático de minha mãe e espero sempre ser corajosa como ela”, diz.#

Foto: divulgação

As camisas Dudalina Feminina foram criadas para mulheres de negócios que procuram modelos com caimento perfeito, sofisticado e contemporâneo. As peças são feitas com matérias primas exclusivas, como o algodão egípcio Fio Compac Easy Iron em uma vasta cartela de listras, passando também pelos xadrezes e florais. As cores planas apresentam uma variedade de tons que vão dos clássicos aos mais arrojados. Os botões podem ser de madrepérola colhida em rios do Belém do Pará em um ambiente de água doce que garante melhor qualidade a madrepérola. A coleção se completa com botões de cristal Swarovski e uma gama de composes de colarinho e punhos contrastantes. Dudalina em números: Ano de fundação: 1957 Local: Luis Alves (SC) Marcas: Dudalina, Individual, Base e Dudalina Feminina Faturamento 2011: R$ 274 milhões Previsão 2012: R$ 380 milhões

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Produção: 4 milhões de peças/ano Portifolio: camisas, calças e malhas Unidades fabris: Blumenau (2), Luis Alves e Presidente Getúlio(SC) e Terra Boa (PR) Showroom: São Paulo e Milão Previsão lojas 2012: 75 Colaboradores: mais de dois mil (diretos)


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Gestão de Resíduos

Dá para acreditar? Brasil descarta ao ano 175 mil toneladas de restos de costura e importa 13,5 mil toneladas desse material, para ser utilizado por empresas recicladoras POR VERA CAMPOS

Cena 1 - Confecções brasileiras geram por ano 175 mil toneladas de resíduos têxteis/retalhos. 90% desse total são descartados junto ao lixo comum e acabam em aterros sanitários, quando não se esparramam pelas ruas e acabam entupindo bueiros ou causando outros transtornos. Estima-se que os tecidos de poliéster demorem 100 anos para se decompor e os de náilon/poliamida 30 anos. Os 10% dos resíduos reproveitados vão para a produção de barbantes, mantas, forração para colchões, assentos de automóveis, estopas ou mesmo para a produção de novos fios, tecidos e novas peças de roupas. Da produção anual de 1,1 milhão de toneladas de artigos de vestuário, os desperdícios chegam a 12%. Na linha lar, representam 5% das 370 mil toneladas produzidas ao ano, de acordo com a Associação Brasileira de Indústria Têxtil e de Confecções (Abit).

e reciclam esse material gastaram US$ 13,58 milhões na importação de quase 13,5 mil toneladas de trapos e refugos de seda, lã, algodão, fibras art. e sintéticas. No ano passado, até mesmo resto de lixo hospitalar (lençóis) dos Estados Unidos já foi encontrado à venda no comércio atacadista de Fortaleza (CE) e servindo como forro de bolsos de calças jeans fabricadas em Pernambuco. O Estado do Ceará é o campeão da importação, com 5, 46 mil toneladas em 2011. A seguir vêm Santa Catarina, Paraíba e São Paulo, com, respectivamente, 2,68 mil toneladas, 1,93 mil toneladas e 1, 77 mil toneladas, informa a Abit.

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Cena 2 - Em 2011, no Brasil, empresas que compram


Dias contados O Brasil produz 150 mil toneladas de lixo por dia e, desse total, 59% vão para “lixões” e apenas 13% têm destinação correta em aterros sanitários. Mas essa situação tem prazo para acabar. Depois de mais de 20 anos tramitando no Congresso, a Lei Federal nº 12305, de agosto de 2010, regulamentada pelo Decreto Federal de dezembro daquele ano, criou a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS). A PNRS estabelece que os resíduos apenas poderão ser descartados depois de esgotadas todas as possibilidades de recuperação. Além disso, a responsabilidade pelo descarte passa a ser compartilhada entre poder público, setor empresarial e sociedade, cabendo penalidades a todos. Todas as prefeituras deverão construir aterros

sanitários ambientalmente adequados, e lá só poderão ser depositados resíduos sem qualquer possibilidade de reaproveitamento e só receberão verbas do governo federal depois de aprovarem planos de gestão de resíduos sólidos. O cidadão comum terá de acondicionar de forma correta o lixo a ser recolhido, fazendo a separação onde houver coleta seletiva. A indústria de reciclagem e os catadores de material reciclável devem receber incentivos da União e dos governos estaduais. O prazo final para todos adotarem as boas práticas de geração e disposição do lixo é ² de agosto de 2014.

Projeto Retalho Fashion Em São Paulo, o Sinditêxtil tenta fazer sua parte e lançou, no final de junho, o Projeto Retalho Fashion, após quatro anos de gestação. De

início focado no bairro paulistano do Bom Retiro, que reúne 1.200 confecções e descarta, por dia, 12 toneladas de resíduo têxtil, o projeto tem cunho ambiental, social e econômico, e propõe um Plano de Gerenciamento de Resíduos no âmbito da Política Nacional dos Resíduos Sólidos, de modo a evitar que a indústria têxtil e de confecção seja onerada por regulamentos compulsórios. De acordo com a legislação municipal, os geradores de mais de 200 litros de lixo/dia têm de contratar uma empresa para recolhê-lo. “Os demais acabam descartando o que sobra na frente de seus estabelecimentos, o que é ruim para todos”, diz o presidente do Sinditêxtil-SP, Alfredo Emílio Bonduki. O Retalho Fashion tem como finalidade organizar a coleta de reta-

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lhos das confecções da região, por meio de cooperativas de catadores. Assim, o material será encaminhado às indústrias recicladoras, para serem reutilizados. Para isso, o Sinditêxtil -SP conta com a colaboração de parceiros como a Universidade Mackenzie, o SindivestSP, a Câmara dos Dirigentes Lojistas do Bom Retiro e o Senai, que deve capacitar os catadores. A iniciativa também tem o apoio da Abit e da e da Prefeitura de São Paulo. Para Bonduki, o projeto pode contribuir também para reverter o quadro de importação de trapos no País.

Etapas de implantação A implantação do projeto Retalho Fashion passará por três etapas: 1) diagnóstico da região, mobilização das empresas, planejamento de execução; 2) levantamento da infraestrutura necessária da demanda e 3) aplicação do programa. A expectativa é que as etapas estejam concluídas e o projeto esteja funcionando até julho de 2013. “Nossa iniciativa propõe muito mais do que apenas recolher o material descartado pelos comerciantes nas ruas; propõe a inclusão social e a preservação ambiental por meio da reciclagem de resíduos têxteis, mostrando que esse material que é jogado na rua pode ser aproveitado e gerar novos produtos”, completa o presidente do Sinditêxtil-SP.

Incentivo Fiscal Segundo Bonduki, o projeto deve seguir em frente mesmo se o governo do estado não alterar o atual modelo de tributação, que atualmente não dá crédito de ICMS às empresas que ad-

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quirem material proveniente de descarte. “O atual tratamento tributário favorece quem compra o tecido, mas não quem adquire o retalho”, explica Rubens Naman Rizek Júnior, secretário adjunto do Meio Ambiente do Estado de São Paulo. Mas novidades nesse sentido podem vir por aí, sob a forma de incentivos fiscais. “Não podemos favorecer quem compra determinadas matérias-primas em detrimento das empresas que adquirem produtos que são fruto de reciclagem. Existe a possibilidade de fornecer incentivo tributário para esse tipo de ação. Estamos trabalhando nesse sentido e em breve teremos uma resposta”, declarou.

Objetivos da PNRS Não gerar Reduzir Reutilizar Reciclar Tratar Dispor adequadamente Demanda garantida Se depender da demanda por retalhos e trapos no Brasil, os objetivos do projeto Retalho Fashion e da Política Nacional de Resíduos Sólidos serão atendidos. Um sem número de empresas atua e sobrevivem da compra e revenda desse material. Uma delas é a Rettec Comercial Têxtil, sediada no bairro paulistano do Brás – outro reduto de confecções. Há doze anos no mercado, a Rettec compra e vende saldos e sobras de tecidos e retalhos com, no mínimo, 80

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cm de comprimento. “Compramos do Brasil todo”, diz o proprietário Alberto Lima, reclamando da dificuldade de conseguir a matéria-prima, em função da grande concorrência. “Tem muitas empresas comprando”, ressalta. Segundo ele, a Rettec tem condições de comprar e vender de 5 a 7 toneladas/mês de retalhos e sobras de tecidos de todos os tipos. E 80% desse volume é absorvido por confecções do Nordeste, revela. Na opinião de Lima, essa demanda ocorre em vista de haver, naqueles estados – sobretudo nas pequenas cidades, muitas costureiras que ainda fazem o corte à mão e utilizam esse material. “As confecções de São Paulo não querem saber de retalhos”, constata. “Há falta de retalhos no mercado”, afirma Sandro Mozar, dono da MS Representação, de São Paulo, que produz estopas brancas e coloridas, pastelão colorido e branco de retalhos, retalhos inteiros para limpeza, entre outros produtos. Para ajudar a compor alguns desses itens, a MS adquire cerca de 15 toneladas/mês de retalhos de algodão, viscolycra, entre outros, e os beneficia. Seus fornecedores são as confecções e catadores que recolhem o que foi jogado nas ruas. Quanto a organizar o sistema de coleta nas ruas e remunerar os catadores, Sandro teme que isso eleve os custos da matéria-prima. “Isso agregaria valor ao resíduo e quem não tem custos baixos não sobrevive no Brasil”, adverte Mozar.#

Foto: SHUTTERSTOCK

Gestão de Resíduos


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Gestão de Resíduos

Práticas sustentáveis

Abest implanta serviço de consultoria para seus associados aprendam como gerenciar resíduos e transformá-los em bens de consumo

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mpenhada na redução do impacto socioambiental no desenvolvimento de produtos de moda, a Abest – Associação Brasileira de Estilistas anunciou o Programa de Incentivo e Gestão de Resíduos. O programa vai estimular os associados a adotarem práticas mais sustentáveis de produção e de gestão. Para isso, prestará serviço de consultoria sobre como gerir resíduos e transformá-los em bens de consumo. “Qual destino dar às sobras de tecidos e ao estoque de coleções passadas sempre foi um problema para as marcas”, destaca o presidente da entidade Valdemar Iódice. “Os estilistas terão a oportunidade de repensar os seus processos e melhor aproveitar esses produtos. A ideia é que isso

Valdemar Iódice, da Abest

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ocorra através da nossa rede de parceiros, como o Projeto CONTEM® e o Projeto Libélula, da estilista Cecilia Echenique”, diz Iódice. A Abest fará uma pesquisa junto aos associados para identificar as iniciativas que já existem e o grau de desenvolvimento em que eles se encontram. “A partir daí, promoveremos encontros para apresentar aos associados os parceiros que possam auxiliá-los no processo de tornar a marca mais sustentável no ponto de vista econômico, social, ambiental e cultural”, finaliza o presidente da entidade.

Visão de futuro Iódice acredita que esse é o caminho do futuro e as marcas já estão atentando para a necessidade de olhar para ele. “O segmento de moda já apresenta iniciativas interessantes de sustentabilidade nos aspectos cultural e social. O que queremos com este projeto é mostrar que os pilares econômico e ambiental podem e devem ser trabalhados. Sentimos que o nosso trabalho enquanto associação é apresentar caminhos e tentar viabilizar projetos que levem nossas empresas a novos patamares de inovação e de sustentabilidade”. A consultoria é uma das plataformas de negócios do Projeto CONTEM®, empresa privada que incentiva o consumo consciente e a divulgação de práticas sustentáveis.

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Gabriel Del Corso, do CONTEM

“O programa da Abest é uma tentativa de fazer com que os empresários das marcas olhem de maneira responsável os resíduos que produzem, não só pensando na redução deles, mas também na gestão adequada e no seu reaproveitamento. E uma das funções de nossa consultoria é fazê-los perceber que responsabilidade social e ambiental pode render dividendos”, afirma o diretor do CONTEM® Gabriel Del Corso. Segundo ele, isso pode ser obtido aproveitando-se materiais descartados na customização de peças ou com a transformação de peças já acabadas. E também mediante a revisão da produção e gestão de resíduos da empresa. Para realizar esse trabalho, o CONTEM® conta com a parceria das estilistas Ana Inés Piriz e de Agustina Comas, donas da marca IN.USE, e de uma professora universitária.# (V.C.)


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Sustentabilidade

Visão de futuro

EcoSimple luta pelo sustentável, mas “retributação” eleva – e quase inviabiliza - custo da reciclagem de sobras de tecidos no Brasil

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Foto: DIVULGAÇÃO

demanda por produtos eco-friendly no Brasil está apenas no começo e segue em escala ascendente. Que o diga a EcoSimple, cujo faturamento no primeiro semestre foi 35% superior ao do mesmo período de 2011. Desde 2004 produzindo tecidos reciclados num processo que começa com a coleta de sobras e aparas descartadas pelas indústrias têxteis de Blumenau (SC), a empresa os separa, desmancha, fia e tece (numa planta indus-

Herchcovitch: paletó em tweed

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trial em Americana-SP), agregando resíduos de pet também reciclados e promovendo ainda um trabalho social nos processos iniciais da reciclagem. “Cada metro de tecido produzido pela EcoSimple elimina 480 gramas de resíduo têxtil e oito garrafas pet do meio ambiente”, afirma o diretor Claudio Rocha. Os tecidos reciclados têm a mesma coloração das fibras dos descartes em suas diversas nuances e, por isso, dispensam o uso de corantes, produtos químicos e água no processo fabril. A equipe de desenvolvimento pesquisa junto a estilistas, estúdios de moda e birôs internacionais as principais tendências, para em seguida criar e desenvolver padrões, cores e misturas para atender os segmentos calçadista, de decoração e de moda. “Nossos clientes - muitos deles nomes consagrados na mídia, como Alexandre Herchcovitch, Lacoste, Coca-Cola Shoes, Sierra Móveis, Levi´s, Osklen e outros - aderiram à EcoSimple pelo fato da empresa produzir um tecido reciclado, renovável e de alta qualidade e design, e ter visão de futuro”, analisa Rocha, acrescentando que, desde o início da

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empresa, já foram investidos US$ 3 milhões no negócio.

Retributação Mas nem tudo são flores. “Quem se dispõe a reciclar e a comercializar reciclados no Brasil tem de recolher os mesmos impostos que já foram pagos pelo produto original. Ou seja, há uma retributação, o que eleva custos e praticamente inviabiliza o processo, fazendo o preço do tecido reciclado quase se equipare ao do não reciclado”, lamenta Claudio Rocha. Ele afirma que, em países mais desenvolvidos e esclarecidos que o Brasil, a política para o reciclado é muito mais clara e o consumidor consegue enxergar que a moda do futuro não visa a produção em massa às custas da destruição do meio ambiente. Ao contrário, procura minimizar os impactos ambientais, seja através da tecnologia, do reuso, de evitar o desperdício, da substituição de matérias-primas e também evitando o lucro às custas de mão-de-obra tratada de maneira indigna. “Compactuar, com o tratamento dado ao trabalhador chinês, por exemplo, para reduzir custos é a antítese do sustentável”, finaliza.# (V.C.)


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EQUIPAMENTOS

Os visitantes da 13ª edição da Febratex – Feira Brasileira para a Indústria Têxtil, que acontece de 14 a 17 de agosto no Parque Vila Germânica, em Blumenau/SC, terão à sua disposição 1,9 mil marcas expostas em 400 estandes, muitos deles com a presença de executivos estrangeiros. “Serão 57 países presentes”, informa o diretor-presidente do grupo FCEM, Hélvio Pompeo Madeira, organizador do evento. Para Pompeo, o número expressivo de expositores decorre da importância do segmento têxtil no País. “Se temos expositores é porque existem compradores”, explica, destacando que a maior parte das tecnologias para o setor ainda é produzida fora do Brasil. “Os países europeus e asiáticos são os que mais investem em pesquisas para o setor, pois contam com muito subsídio dos governos”.

Foto: divulgação

Tecnologia de ponta

Controle de desempenho

Alcançar metas, cumprir prazos cada vez mais curtos, entregar pedidos com qualidade e com controle otimizado de custos, desenvolver a fundo processos super flexíveis de produção. Esses são apenas alguns dos desafios diários dos industriais de empresas que utilizam materiais flexíveis – têxteis, couro, tecidos industriais e materiais compósitos – e buscam excelência no sistema de corte. Agora, esses segmentos de mercado têm à disposição uma nova geração de máquinas de corte Vector®, que associa aplicativos de alto valor agregado e máquinas de tecnologia pioneira com a expertise comercial de 40 anos adquirida pela Lectra. Segundo a empresa, a nova linha Vector® amplia os níveis de produtividade das salas de corte e proporciona economia de material. Uma das novidades é a série de dispositivos anti-falhas. A nova interface gráfica, ergonômica e intuitiva, permite monitorar e controlar continuamente cada etapa do processo de produção, alertando o operador sempre que houver qualquer risco. Um total de 120 sensores monitora o comportamento da cabeça de corte durante seu funcionamento, de forma a otimizar o tempo de corte e reduzir o consumo de material. O sistema de manutenção preditivo assegura a produção, prevenindo falhas potenciais. “O desenvolvimento da nova linha de máquinas de corte Vector deu origem a uma proposta completa, integrada e única, que permite com que nossos clientes se beneficiem com um controle melhor e otimizado de sua produção, o que, por sua vez, aumenta sua competitividade e rentabilidade", conta Daniel Harari, CEO da Lectra.

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dica do especialista

conjuntura

Newton Lima é Deputado federal (PT-SP), presidente da Frente Parlamentar em Defesa da Indústria Nacional, ex-prefeito de São Carlos e ex-reitor da UFSCar.

A indústria nacional e a crise Desde 2009, quando eclodiu a crise mundial, o governo Lula, e agora o governo Dilma, tomaram medidas acertadas de incentivo à atividade econômica e à proteção do emprego. Nesta conjuntura, a indústria tem sofrido maior impacto, sobretudo em função da baixa competitividade e da invasão de produtos asiáticos, principalmente chineses. Atenta, a presidenta Dilma deu início em 2011 a uma série de medidas para controlar a inflação, manter o câmbio em condições de garantir as exportações, ampliar o acesso ao crédito, reduzir juros, estimular o consumo, além de manter investimentos na rede de proteção social e na infraestrutura do País (PAC). Até 2016 estão previstos investimentos totais da ordem de R$ 1,5 trilhão. Porém, a indústria mereceu atenção especial do governo. Em agosto de 2011, Dilma anunciou o Plano Brasil Maior, o maior programa de

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incentivos à indústria nacional já realizado no Brasil. A prioridade foi desonerar os setores mais sensíveis, manter as exportações e elevar o nível de inovação tecnológica. Para ampliar os incentivos do Plano foi editada neste ano a Medida Provisória nº 563, chamada Plano Brasil Maior 2, cuja Comissão Especial Mista criada para analisá-la tive a honra de presidir. Aprovada no dia 17 de julho, a MP estende os benefícios da desoneração da folha de salários a 16 setores da economia, reduzindo as alíquotas incidentes sobre o faturamento com a transformação de 20% da contribuição patronal da previdência em uma nova alíquota de 1% a 2% sobre o faturamento bruto das empresas. A MP 563 também contempla a fabricação de equipamentos por meio da desoneração de IPI, PIS, COFINS; institui o Programa de Estímulo à Interação UniversidadeEmpresa para apoio à Inovação;

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aperfeiçoa o Programa de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico da Indústria de Semicondutores, além de incorporar a desoneração dos produtos da ces ta básica do PIS/Cofins e do IPI. A essas medidas que darão fôlego à competitividade de nossas empresas soma-se a decisão da presidenta Dilma – pelo chamado PAC dos Equipamentos – em garantir, nas compras governamentais, a aquisição de produtos da indústria nacional por um preço até 25% maior em relação ao similar estrangeiro. Evidentemente, esse pacote de ações não representa a solução definitiva para a indústria manufatureira. O investimento na qualificação do trabalho e na inovação das linhas de produção é fundamental para a concorrência no mercado interno e externo. O Plano Brasil Maior e a MP 563 são mecanismos para garantir mais competitividade tanto na conjuntura atual quanto na reestruturação da indústria nacional.


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Gestão

Crescer com segurança A

Administrar uma empresa não é tarefa fácil, ainda mais quando ela começa a crescer. Se o empresário não estiver preparado, com certeza os problemas vão crescer também

Foto: SHUTTERSTOCK

POR VERA CAMPOS

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confecção começou pequena como a maioria delas, as vendas estão indo bem e, ao que tudo indica, o negócio está crescendo. Muito bom, afinal esse é o objetivo da maioria das empresas. E agora, como lidar com essa nova realidade? Algo terá de ser mudado no modo de gerenciar o negócio? Como crescer sem perder o controle da administração e da produção e continuar atendendo bem os clientes? Questões como essas tiram o sono de muitos empresários, mas preparar-se antecipadamente para essa nova fase é essencial para não enfrentar problemas lá na frente. Em primeiro lugar, é preciso se certificar de que a empresa está mesmo crescendo ou apenas inchando. “É comum alguns empresários acharem que aumentar as vendas é crescer, quando o crescer está relacionado à geração de riquezas, ou seja, o que define que a empresa está crescendo

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é o aumento do lucro. Se as vendas aumentam, mas o lucro é o mesmo, a empresa não cresceu, está parada”, explica Carlos Alberto Pompeu de Toledo Soares, empresário e diretor da Gcapts Consultoria, especializada em reestruturação empresarial. Esse engano comum, segundo ele, gera uma série de dificuldades na condução dos negócios.

Planejamento é essencial Quando o empresário se certificar de que realmente vem crescendo, o ideal é planejar a expansão, se possível, com capital próprio, uma vez que os juros praticados hoje são muitas vezes superiores até mesmo ao lucro liquido final de sua atividade. “Crescer e arrumar um sócio chamado “Banco” não dá certo”, destaca o consultor. Se a situação de crescimento é real e o empresário percebe que pode investir ainda mais para melhorar seus


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Gestão

retornos, precisará deixar de ser um faz-tudo e transferir as tarefas menos importantes para novos colaboradores, e se preocupar em antever os caminhos por onde seguirá. “Isso se dá por meio do conhecido ‘planejamento’, que poucos praticam”, coloca Soares. Apesar de ser um tanto abstrato e ter em sua gênese a incerteza, o processo de planejamento é uma ferramenta administrativa que ajuda a perceber a realidade atual e a organizar ações que permitem antever resultados, tornando mais racional a ação de construir o futuro desejado. Além disso, o acompanhamento dos planos traz duas vantagens, na visão do diretor da Gcapts Consultoria: é um parâmetro de controle das ações e das ocorrências do negócio e, por meio dele, o empresário reconhece as lições a corrigir e pode se deparar com cenários até mais surpreendentes do que estimava no início. “Quando falamos em projeções de um planejamento, o importante é o foco ou a direção, e não a precisão. Não planejamos para acertar. Planejamos para nos preparar. E todo o plano de médio e longo prazo deve ser constantemente corrigido à medida que os parâmetros incertos se definem”, ensina Soares.

Delegar funções À medida que a empresa cresce, a dependência do empresário em relação ao negócio deve diminuir proporcionalmente. Isso não quer dizer que ele trabalhará menos, e sim que passará a dedicar parte de suas atividades ao acompanhamento das mudanças, a ensinar seus novos

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colaboradores e a se certificar de que todos colaboram para a continuidade sustentada do crescimento. “O sucesso no crescimento demanda agregar bons profissionais, que acrescentem ou mantenham a qualidade do trabalho”, reforça o diretor da Gcapts. Para não perder o controle da administração, é importante criar um manual de procedimentos da empresa, ou seja, sistematizar, por escrito, tudo o que se faz no negócio, para que, no caso de algumas atribuições serem repassadas a funcionários, estes possam desempenhá-las bem. ”Se isso não for feito, o dono continuará a centralizar o processo de funcionamento da empresa e toda a vez que aparecer um problema so-

É o aumento do lucro que indica se a empresa está crescendo mente ele terá condições de resolvê-lo”, ressalta José Luis Lópes Cortés, master franqueado para o Brasil da Action Coach, empresa presente em vários continentes, criada para ajudar os donos de negócios de pequenas e médias empresas a melhorar seus resultados, otimizar negócios e melhorar a qualidade de vida.

Controle apurado A descentralização de atividades, no entanto, é um processo delicado.

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Requer que o receptor da incumbência tenha capacidade e responsabilidade para executar as tarefas com a mesma dedicação de quando eram feitas pelo empresário. Por outro lado, o aumento de funcionários demandado pelo crescimento do negócio exige que o gestor passe a controlar mais variáveis do que antes, e as informações de desempenho e resultado do negócio devem ser bem acompanhadas, além de se continuar fazendo um rígido controle de custos. “Quando se fala em crescer, fala-se em agir não com mais esforço, mas de forma mais inteligente, pois quanto maior for a empresa maior deve ser seu nível de controle”, avisa Soares, da Gcapts. Nesse sentido, um dos aspectos fundamentais é o financeiro. O empresário tem de fazer uma previsão de caixa e encontrar um ponto de equilíbrio que sustente esse crescimento. “Isso é o básico da gestão”, diz Cortés, da Action Coach. “Pois quantos não acham que a empresa está passando por problemas financeiros, quando, na verdade, o problema se deve à má gestão do negócio?” E de nada adianta a empresa ter um produto de qualidade se não consegue, por exemplo, entregar no prazo, exemplifica. “Quem deseja ser um bom empresário tem de se preparar antecipadamente, fazer cursos e compreender os quatro pilares básicos da gestão: estratégias de Marketing, de Vendas, Administrativa e Financeira. Se não fizer isso, sentirá os problemas na pele quando a empresa começar a crescer. E é melhor prevenir que remediar”, finaliza.#


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RECURSOS HUMANOS

Segure os bons

Em época de falta de mão de obra qualificada, procurar identificar, conservar e estimular os talentos na empresa é fundamental POR VERA CAMPOS

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ncontrar profissionais que se adequem às necessidades de uma confecção ou indústria têxtil hoje em dia não é tarefa fácil. E, quando se pode contar com colaboradores talentosos, os esforços para não perdê-los devem ser redobrados. “Quando um profissional opta por buscar novas oportunidades é porque, provavelmente, a outra empresa está oferecendo algo que lhe falta”, justifica Gisele Silva,

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consultora de RH da Catho Online, um dos mais requisitados site de classificados de currículos e vagas de emprego da América Latina. Pesquisa realizada em 2011 pela Catho com profissionais empregados à procura de uma nova colocação revelou que, para a maioria, o bom relacionamento com as pessoas com quem trabalha e ser reconhecido como bom profissional pelo chefe e/ou subordinados são fatores que pesam mais na permanência na empresa que o desejo de enriquecer ou acumular dinheiro. “Para diminuir a rotatividade de funcionários – ou evitar perder os mais talentosos -, é fundamental aumentar a satisfação deles com a atividade que realizam e/ou com o ambiente de trabalho”, ressalta Gisele Silva. E tudo começa com um


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RECURSOS HUMANOS bom diálogo da chefia com os funcionários. Isso, segundo a gerente da Catho, é imprescindível, pois por meio das informações obtidas será

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Cintia Bortotto: talentos agregam valor ao negócio

possível identificar tanto as reais necessidades dos colaboradores e os pontos que precisam ser melhorados na empresa, como esclarecer as razões pelas quais a empresa impõe critérios não aceitos. Mas não é só. “O discurso e exemplo dos líderes, os sistemas de trabalho existentes, as oportunidades de treinamento e desenvolvimento e a qualidade de vida propiciada às pessoas são os principais pilares para a atração, o desenvolvimento e a retenção de talentos no ambiente de trabalho”, destaca Gisele. “Esses aspectos são fundamentais e devem ser considerados e praticados, ainda que por meio de pequenas ações que poderão fazer uma grande diferença”.

Alvos da cobiça “Talentos são desejáveis por todas as empresas, pois são profissionais que desempenham muito bem, agregam valor ao negócio e ainda podem crescer trazendo consigo a história e a cultura da organização. E são eles que ajudarão a desenvolver, motivar, engajar e reter todos os funcionários”, assegura a consultora em RH Cintia Bortotto . Entre as características das pessoas talentosas estão a liderança, a inteligência emocional , facilidade no aprendizado e vontade de ocupar posições acima da qual está, enumera Cintia. São indivíduos que investem em formação acadêmica e idiomas. “São os futuros líderes e, portanto, o mercado todo os deseja”, salienta.#

Como reter talentos A consultora em RH Cintia Bortotto aproveitou a oportunidade e deixou algumas dicas para facilitar a retenção de talentos na empresa. Confira e não perca tempo, já coloque em prática o que aprendeu! 1. A alta Gestão deve investir na comunicação e deixar muito clara a visão de para onde o negócio está indo e por que. Dividir a visão por área e departamentos ajuda fazer com que as pessoas saibam o impacto de seu trabalho para o negócio. 2. Outro ponto é oferecer boas condições de trabalho: ambiente limpo, organizado e cuidado para com o funcionário. 3. Fornecer feedback constante – trabalhar a prática de feedback na empresa como um todo, como ferramenta poderosa de desenvolvimento de relações humanas. 4. Promover um bom ambiente de trabalho (bom clima), estimulando a cooperação e as amizades no trabalho. 5. Estruturar e oferecer programas de desenvolvimento para os gestores e potenciais gestores, com encontros mensais ou bimestrais para elucidar os principais conteúdos de gestão. 6. Fazer com que a remuneração seja pelo menos compatível com o mercado, nunca abaixo. Políticas de remuneração variável mais fortes (que permitem alto ganho) tendem a fazer parte da estratégia de quem quer reter talentos. 7. Fomentar a possibilidade de flexibilidade de horário. Hoje ter horário flexível é um diferencial para muita gente, pois as pessoas podem se organizar para atender as expectativas da empresa e ainda assim dar conta de outros papéis e interesses que só podem ser tratados no horário comercial. 8. Estruturar políticas de RH e uma estrutura de cargos e salários que permita que o colaborador perceba a possibilidade de crescimento dentro da organização. 9. Trabalhar o ambiente organizacional e a figura do líder para que seja um Gestor de pessoas e consiga inspirar e tirar o que há de melhor de dentro de cada colaborador. 10. Promover a qualidade de vida. Este é um ponto reverenciado pelos jovens talentos, que querem ser bem sucedidos, mas não abrem mão de outros aspectos da vida, como família, amigos, lazer. 11. Mostrar que é uma empresa é uma empresa séria e estável. As pessoas, em geral, querem estar em um ambiente no qual se sintam minimamente seguras. Empresas com uma cultura “do medo” tendem a afugentar os talentos.

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dica do especialista

MARKETING

Crie, ouse! Criatividade é a palavra chave para chegar e se manter no topo

Em um mercado extremamente pulverizado, dinâmico e concorrido como o da moda e confecções, o Marketing pode ser o diferencial entre o sucesso e o fracasso. Ele nada mais é do que as formas que escolhemos para divulgar nosso produto ou empresa para o mercado. Hoje vivemos em um mercado globalizado, portanto concorremos não só com outros fabricantes, mas também com produtores de outros países, como os temidos chineses, que têm incentivos na produção, nas matérias-primas, na mão de obra e para exportar, coisas que nosso governo deveria aplicar também. Como isso não depende de nós e sim de políticas governamentais, devemos seguir em frente e usar nossa criatividade e vontade para vencer. Criatividade talvez seja a palavra

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chave para se manter no topo, ou para se chegar lá. O consumidor brasileiro é atento a preços, mas também à qualidade e criatividade. Uma das coisas importantes é trabalhar a marca, fazendo com que seu consumidor logo identifique seu produto, deseje sua marca. O cuidado que toda a empresa tem de ter com suas marcas é tão ou mais importante que o desenvolvimento de novas tecnologias e produtos, ela é o principal ativo de uma empresa, na maioria das vezes, intangível. A verdade: uma simples etiqueta de uma marca famosa aumenta o valor do produto no mínimo em 50%. A marca agrega valor, por isso o cuidado para preservá-la e torná-la conhecida é fundamental para qualquer empresa.

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Por José Rodrigues, consultor e palestrante em marketing, com 35 anos de experiência atuando em diversos segmentos.

Um produto com marca sólida agrega valor, e assim, a empresa tem mais recursos para investir. Usando a cultura, a história e as cores regionais, podem-se criar produtos diferenciados. E nisso somos imbatíveis, pois nossas culturas regionais são diversas e ricas. A forma de comercializar seus produtos também deve ser bem definida, se vai colocar em lojas multi marcas, ou vender em lojas próprias. Sem esquecer que o uso da tecnologia e dos meios modernos de comunicação, como redes sociais, Twiter, Facebook, podem fazer seu produto e sua marca famosa e desejada. O marketing viral, ou o famoso boca a boca, é a forma mais segura para promover e divulgar seu produto, por isso a importância no uso das ferramentas e tecnologia disponíveis. Portanto, crie, ouse, não faça apenas o que todos fazem. Defina seu mercado, fale com seu consumidor, valorize seu produto e sua empresa e, assim, fique mais próximo do sucesso. Então, mãos à obra! Vamos cuidar de nossas marcas com muito carinho, elas poderão valer muito no futuro. Até nosso próximo encontro.


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finanças

Controle Financeiro é Decisivo para o Sucesso De cada 100 micro e pequenas empresas que abrem as portas em São Paulo, 27 estarão fechadas antes do segundo ano de atividades, de acordo com o Sebrae. É assustador! Mas como controlar o dinheiro da empresa de maneira a ter recursos para pagar os compromissos em dia e ainda ter lucro? A resposta é: usando a ferramenta chamada fluxo de caixa. Para o registro de informações financeiras, precisamos unir dois elementos: os valores e o tempo. O dinheiro tem um valor no tempo e qualquer pessoa sabe que é melhor receber R$ 100 hoje que R$ 1 milhão daqui a cem anos. As quantias serão relevantes e úteis se estiverem disponíveis a tempo de permitir que a empresa honre seus compromissos financeiros. Isso é a função do fluxo de caixa. Para o fluxo de caixa, não interessa se a empresa está dando lucro, se teve giro de estoque ou se o tíquete médio é bom. Interessa se há ou não dinheiro para pagar as contas que estão vencendo. Por essa razão, o fluxo de caixa é elaborado usando o regime de caixa. Isso significa que, na data do lançamento, só entram

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O fluxo de caixa mostra se há ou não dinheiro para pagar as contas do mês e possibilita fazer o planejamento antecipado das contas a pagar. no controle a despesa efetivamente paga e a receita efetivamente recebida. Vejamos o exemplo do pagamento de uma conta de luz que vencia em março e foi paga em abril. No regime de competência: a conta seria lançada em março porque este valor terá um impacto sobre a apuração dos resultados do mês. No regime de caixa: a conta seria lançada em abril, porque foi em abril que ela gerou um desencaixe financeiro. O fluxo de caixa mostra se há ou não dinheiro para pagar a conta e se é possível ou não realizar o pagamento naquele mês. Permite

O Confeccionista JUL/AGO 2012

Prof. Samuel Marques é Graduado e pós-graduado em Direito e Teologia, desenvolve soluções de consultoria e treinamento na área de Finanças Pessoais para empresas e atua como Consultor Associado da CorpoRH e do Sebrae/SP.

fazer um planejamento antecipado das contas a pagar. Já os controles feitos no regime de competência precisam de interpretação. Recebo dezenas de questionamentos de empresários que simplesmente não conseguem compreender o porquê do balanço patrimonial indicar lucro no período, enquanto a conta bancária da empresa está no negativo. A explicação é que o dinheiro do lucro pode estar no estoque, nas contas a receber, no imobilizado ou em muitos outros lugares que somente uma análise técnica poderá indicar. Já com o fluxo de caixa não tem complicação. Feito dentro da técnica e usando o regime de caixa para as anotações, ele se transforma numa ferramenta prática e dinâmica para a tomada de decisões na empresa. Se o fluxo de caixa indicar que há dinheiro, haverá dinheiro na conta. Se o fluxo de caixa indicar que não há dinheiro, a conta no banco estará negativa. A ferramenta é simples e fantástica. (O vídeo “Fluxo de Caixa em 5 minutos”, do prof. Samuel Marques está disponível no youtube - www.youtube. com/profsamuelmarques).


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