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Revista OCDS - Província São José

Nov/Dez de 2016 - N° 149

Monte Carmelo XVII ENCONTRO DE CONSELHOS E COMISSÕES DA OCDS

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Tema:

“Deus nos deu as potências para que com elas trabalhemos” (Santa Teresa de Jesus, M 4, 3, 6)

VOZ DA IGREJA O Amor de Deus a se expandir... Pag 08

FORMAÇÃO HUMANA Dimensão Humana: caminho... pag 12.

ESPIRITUALIDADE II O Nascimento de Jesus.... pag 17


EXPEDIENTE

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SUMÁRIO

Revista Virtual Monte Carmelo, nº 149 (Nov/Dez de 2016)

EDITORIAL Palavra do Coordenador

COORDENADOR: João Paulo Matias Paiva

EDIÇÃO: Comissão de Comunicação da OCDS Província São José

EQUIPE DE REDAÇÃO: João Paulo Matias Paiva Giovani Carvalho Mendes Andreia Silva Luciano Dídimo C. Vieira Rosemeire Lemos Piotto

SANTO(A) DO MÊS Beata Maria dos Anjos VOZ DA IGREJA O Amor de Deus a se expandir...

COLABORADORES: Gustavo Graciano de Sta Teresa de Jesus Maria Aparecida de Paula Ana Cláudia Meneguci Estela Márcia da Paz

TESTEMUNHO Maria Aparecida de Paula

REVISÃO EDITORIAL: Artur Viana do Nascimento Neto Paulo Gautiele Ribeiro

FORMAÇÃO HUMANA Dimensão Humana: caminho...

ARTE E DIAGRAMAÇÃO: Wilderlânia Lima do Vale

ESPIRITUALIDADE I Orientações e Conselhos... ESPIRITUALIDADE II O Nascimento de Jesus.... XVII ENCONTRO de Conselhos e Comissões OCDS

ASSOCIAÇÃO DAS COMUNIDADES DA ORDEM DOS CARMELITAS DESCALÇOS SECULARES NO BRASIL DA PROVÍNCIA SÃO JOSÉ CNPJ: 08.242.445/0001-90

NOTÍCIAS Casa Geral/Comunidades OCDS MARKETING Livros de Formação OCDS

Colabore com a edição da nossa Revista enviando suas sugestões, reclamações, notícias, testemunhos, artigos e poesias para: noticiasocds@gmail.com

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Editorial

João Paulo Ma as Paiva, OCDS Coordenador da Comissão de Comunicação OCDS

Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo! Caríssimos irmãos do Carmelo Descalço e demais leitores de nossa Revista do Monte Carmelo, é com muita alegria que trazemos a todos vocês a edição do úl mo bimestre do ano de 2016. Convidamos nossos leitores a apreciar as matérias que preparamos com muito carinho para este momento em que vivenciamos de modo especial dois tempos litúrgicos: o Advento e o Tempo do Natal. É neste espírito de espera e de agradecimento pela misericórdia de Deus que finalizamos este ano com a certeza de dever cumprido e também com a consciência de que devemos sempre começar de bem a melhor. Nesta edição, nossa irmã Estela Márcia (RJ) relata a realização do XVII Encontro de Conselhos e Comissões da OCDS, ocorrido em novembro, que culminou com a conclusão do processo eleitoral para a presidência provincial, bem como também a avaliação e planejamento das comissões de trabalho OCDS para o próximo triênio. O tema da formação humana ganha espaço também com uma matéria elaborada por nossa irmã Ana Cláudia Meneguci (RJ) que apresenta a dimensão humana como um caminho forma vo para a vida fraterna, processo que já é bem ressaltado por Santa Madre Teresa de Jesus. Na seção “A Voz da Igreja”, nosso irmão Gustavo Passos (PE) nos presenteia com uma breve introdução à Doutrina Social da Igreja, levando-nos a repensar nosso papel na construção de uma civilização do amor pautada pela concre zação dos valores do Reino de Deus. Adentrando no tempo natalino, Artur Viana (CE) apresenta-nos o mistério do Natal a par r da doutrina de São João da Cruz, festejado no dia 14 de dezembro, e que admiravelmente expressou os ín mos mistérios da vida espiritual e do projeto trinitário de Deus. Con nuando nesta temá ca, compar lhamos com todos vocês o poema “Onde nascerá o menino Jesus de Teresinha e o Jesus de Teresa?” de nossa irmã Marisa Ribeiro (MG). Ainda nesta edição, nosso irmão Giovani Carvalho Mendes (CE) nos apresenta a Beata Maria dos Anjos na seção “Santo do Mês”, fazendo-nos conhecer esta carmelita italiana de grande maturidade humana e espiritual. E o mesmo ainda compar lha conosco o texto “O Bom Terceiro” que traz orientações e conselhos para nossa vida espiritual. Acompanhemos também o testemunho de nossa irmã Maria Aparecida (SP), as no cias de nossas comunidades e grupos e a Agenda 2017 da OCDS. Desejamos uma excelente leitura a todos e que as temá cas apresentadas sejam materiais de formação e oração para todos nós! Sugestões podem ser compar lhadas pelo email (no ciasocds@gmail.com). Um fraterno abraço e até a próxima edição...

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Santo(a) do Mês

Beata Maria dos Anjos por Giovani Mendes, ocds Comunidade Flor do Carmelo de Sta Teresinha Fortaleza/Ce

A Beata Maria dos Anjos, no século Mariana Fontanella, foi a primeira carmelita italiana a subir à glória dos altares. Foi proclamada beata, pelo beato Papa Pio IX em 1865. Nascida em 07 de janeiro de 1661 em uma família nobre do Piemonte, superando a oposição dos pais, veio com pouco mais de 15 anos entrar no Carmelo de Santa Cris na, em Turim. Dis nguida por uma grande maturidade humana e espiritual, logo se tornou mestra das noviças. Na idade de 33 anos, foi eleita priora. Apoiava a quem precisava de ajuda no caminho espiritual. Sua fama de san dade atravessou os muros do convento chegando até à casa real. Muitas vezes vieram-lhe visitar as princesas. Desejava ardentemente a fundação de um novo Carmelo em Moncalieri, para acomodar as jovens vocacionadas que não podiam se acolhidas em Turim por falta de vaga. O local só pode ser inaugurado em 1703. Faleceu santamente em 16 de dezembro de 1717. “A bondade do Senhor – diz em um de seus escritos – é maior do que os muitos males e pecados que cometemos e antes nos cansamos de ofendê-lo do que Ele de nos perdoar”. Sua vida Em 1638, subiu ao trono de Turim Carlos Emanuel II, o que melhorou a administração na cidade. No entanto, o Piemonte ainda permanece sob tutela francesa, o que retarda qualquer inicia va polí ca. A cidade de Turim, por essa época, está cheia de muita fé, essa enraizada nas famílias, paróquias e mosteiros. Na verdade, é o momento em que nascem novas fundações de casas religiosas graças ao “es mulo espiritual” deixado pela vida e exemplo de são Luís de Gonzaga.

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Com notável firmeza, Mariana entrou neste mosteiro. Em 19 de novembro 1675, ela recebeu o hábito religioso e tornou-se irmã Maria dos Anjos. Durante o ano do noviciado, ficou animada em sua nova vida e se apaixona por Jesus. Durante a época do Natal, muito querida à tradição carmelita, emite a profissão. Chama a atenção o fato de ter apenas 15 anos de idade. Mas, por uma graça especial de Deus, dá “passos largos” no caminho da maturidade humana e espiritual, avançando rapidamente em direção ao cume da san dade. Neste clima, em 07 de janeiro de 1661, nasce o úl mo dos 11 filhos do conde João Fontanella Baldissero e de Maria Tana Santena, ba zada com o nome de Marianna. Pequena, vem a saber que sua mãe é da mesma família – oriunda de Chieri – na qual nascera, um século antes, Marta Tana, que foi mãe de são Luís de Gonzaga (1568 – 1591), o príncipe de Mântua, que abraçou a vocação religiosa e seguiu a Jesus virgem, obediente e pobre, entre os jesuítas. Havia renunciado à sua herança e tulos consideráveis. Luís, verdadeiro anjo de carne e osso, nha sacrificado a sua vida aos 23 anos, em Roma, servindo entre os infectados por uma grave epidemia de cólera, que também o vi mou. Quando Mariana nasceu, já havia sido proclamado santo.

Neste caminho, a irmã Maria logo se encontra com o sofrimento: ela aceita todas as provações e tribulações com confiança, serenidade e até com heroísmo, deixando aprimorar a alma e a vida, apontando para uma forte transfiguração mís ca em Jesus, através de sua vida de oração e de união com Ele. Essa união muitas vezes transborda para as irmãs e todos aqueles que muitas vezes buscam o mosteiro a procura de sua oração e de seu conselho.

Mariana cresce espiritualmente diante dos olhos de todos, levando a sério a Luís Gonzaga como modelo e intercessor. Imita-o na fé, caridade, na pureza ilibada e em sua devoção a Jesus. Sua educação, desde menina, é intensamente cristã, enriquecida por uma terna devoção a Nossa Senhora e São José. Ao mesmo tempo ela sabe o que viver e sofrer por causa de Turim e as relações entre sua amada cidade e os demais Estados da Europa, muitas vezes em guerra uns contra os outros por razões de supremacia dinás ca, militar e econômica. Ao longo de sua vida, seus olhos estarão constantemente voltados para Deus como o Único, Senhor da história de seu tempo. Ela sabe que pode, com o poder da oração, ser influente perante Deus, o que não é pouca coisa. Aos 14 anos, seu pai falece, mas o chamado de Deus está amadurecendo e planeja consagrar-se a Ele no Carmelo, fascinada pelo ideal de santa Teresa de Ávila e de são João da Cruz. Havia em Turim o mosteiro das Carmelitas Descalças (Mosteiro de Santa Cris na) fundado em 1639, que a inspira fortemente.

Irmã Maria está muito familiarizada com a realidade de Deus e da humanidade. Também conhece a história de seu tempo. Goza, ainda jovem, uma reputação de san dade. As irmãs que estão sob sua orientação acreditam que ela é um anjo enviado por Deus. É es mada por seus concidadãos da cidade de Turim. Em 1694 foi eleita priora. Ela MONTE CARMELO

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nha apenas 33 anos. Para ser eleita teve que pedir uma dispensa apostólica; mas, é confirmada neste cargo por três vezes seguidas: um sinal de sua autoridade. Não sendo mais possível ser reeleita, será a mestra de noviças. Para as noviças sob sua formação será realmente uma mãe e uma guia para a san dade. Na história polí ca do Piemonte, novos conflitos com a França recrudescem perigosamente. Enquanto isso, no Carmelo de Santa Cris na, a madre Maria dos Anjos ora fervorosamente e obtêm de Nossa Senhora o fim da guerra e a libertação de Turim. O rei da França libera o Piemonte. Maria atribui a vitória à intercessão de São José e proclama o esposo virginal de Maria San ssima o santo padroeiro da cidade. É crescente a admiração e a es ma pela freira santa, de forma especial, a casa real de Savóia. Seus membros tornam-se seus confidentes. No entanto, os seus favoritos sãos os pobres e os humildes. Ela é conhecida por todos por seu amor ao país, à Igreja e ao Papa. Exerce seu “sacerdócio comum” com seu amor vivido em oração con nua, na imolação e no silêncio, em união com o Crucificado. Mulher singular, rica em favores divinos, em 1702 torna-se fundadora, abrindo um Carmelo em Moncalieri, dedicado a São José. É uma verdadeira filha de santa Teresa de Jesus (de Ávila), zelosa na observância da Santa Regra e Cons tuições. Ofereceu sua vida para a Igreja e para a conversão do mundo a Jesus. Sedenta de oração e da solidão, no entanto, não se “isola” dos problemas do mundo. Interessa-se e reza por seu povo e por sua Pátria. Em 1706, Turim é novamente si ada pelos franceses por quatro vezes. Se Pedro Micca (comandante das forças piemontesas) se sacrifica para impedir a entrada francesa na cidade, Maria dos Anjos se dirige mais uma vez à Virgem Maria impetrando-A a proteção de Turim. Em 07 de setembro de 1706, as forças combinadas do príncipe Eugênio de Savóia conseguem uma vitória decisiva e a fuga dos franceses, vitória essa prevista por Maria dos Anjos. Cheia de júbilo e gra dão, Maria dos Anjos, vai agradecer a vitória sobre a colina de Superga, onde é levantado um santuário à Virgem Maria, à qual nha prome do na hora do perigo.

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Ela sempre teve uma terna devoção a Nossa Senhora, invocada sob os tulos mais bonitos em Turim, entre os quais, se destaca o de Nossa Senhora da Consolação. A honra com a oração do santo rosário. Procura imitar suas mais altas virtudes, especialmente a paixão apostólica pela salvação das almas. Por essa causa ela oferece a Deus o sofrimento que não lhe falta, um sinal, conforme a doutrina católica – caracterís ca essa vivida com especial entusiasmo por santa Teresa – de uma especial amizade com Deus, que costuma associar seus amigos a seu Filho Crucificado. Quando solicitada, Maria, enriquecida com dons singulares de Deus, ilumina aos irmãos com cartas de incen vo e conselhos, como uma verdadeira mestra: nesses escritos autobiográficos vislumbramos seu es lo resplandecente, sua vida angelical e sua doutrina. Durante este período, no auge de sua maturidade humana e espiritual, o Senhor a favorece de graças mís cas extraordinárias, às quais ela corresponde com uma generosidade sem reservas, tornando-se verdadeiramente “tudo em todos”, com humildade, dedicação, espírito de serviço, delicada atenção às necessidades das irmãs, solicitude amorosa para seu crescimento espiritual, plena fidelidade ao carisma da Ordem, com um carinho especial para a Santa Madre Teresa, para qual nutre uma devoção singular e que é retribuída com favores especiais.


Sua san dade brilhava em amor ardente especialmente pelas almas. Essa forte experiência foi produzida pela oração e penitência, apoiadas por sua caridade generosa e ardente. Seu zelo realizava-se nas “obras e obras” em favor de alguém que precisava de sua ajuda ou de sua oração. A fama de sua san dade logo cruzou o limiar da clausura, manifestada de forma especial pelas visitas frequentes ao mosteiro pelas princesas e sua corte. Pessoas de todas as classes e categorias recorreram a ela para aconselhar-se ou para suplicar a sua intercessão com o Senhor. Ansiosa por escapar dessa reputação e impulsionada pelo desejo de fundar um novo Carmelo para acomodar as jovens que não puderam ser recebidas em Santa Cris na por falta de espaço, iniciou negociações com os superiores diretos e com autoridades civis. Após superar muitas dificuldades, em 16 de setembro de 1703 teve a alegria de ver inaugurado o Carmelo de Moncalieri. Não conseguiu transferir-se para ele visto que a casa de Savóia exerceu forte pressão junto aos superiores para impedir que a madre se afastasse de Turim.

Assim, con nuou a fornecer às monjas de Moncalieri o necessário, cuidando de sua formação espiritual e supervisionando com coração de mãe o bom funcionamento da comunidade. Nossa beata foi também grande incen vadora da devoção ao Santo Sudário de Turim. Juntamente com o beato Sebas ão Valfré, recomendava aos fiéis que o vessem em grande conta e devoção, pois sabia, por revelação divina, que era o verdadeiro pano que cobrira o Corpo San ssimo do Salvador. Em 16 de dezembro de 1717, morre com apenas 56 anos de idade, par ndo para o encontro com Deus. Apenas cinco anos após sua morte começa a causa de sua bea ficação. Em 05 de maio de 1778, o Papa Pio VI proclama suas virtudes heroicas. Pio IX, em 25 de abril de 1865, a inscreve entre os bem-aventurados do Céu. São João Bosco, em 1866, escreveu uma biografia da beata que se espalhou entre seus leitores católicos, propondo-a como modelo de san dade e amor cristão pela terra natal. Sua memória litúrgica é celebrada em 16 de dezembro.

Beata Maria dos Anjos e Beato Sebas ão Valfré

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Voz da Igreja

O Amor de Deus a se expandir em tudo Uma breve introdução à Doutrina Social da Igreja por Gustavo Graciano de Sta Teresa de Jesus, ocds Comunidade Sta Teresinha do Menino Jesus e da Sta Face Camaragibe - PE

1 – Entendo que para introduzir nossos irmãos em tão importante assunto devemos nos reportar inicialmente ao desígnio do amor de Deus Criador. Tudo criou do nada por amor e para refle r o brilho do Seu amor pelas criaturas todas. Criou-nos assim à sua imagem e semelhança, nos formou um coração para o amor e para amar. Coração tensionado à felicidade e para gerar felicidade já a par r desta terra. Tudo isto como uma estrutura universal contribuindo solidariamente na construção de Seu plano de amor para a humanidade, construindo no mundo uma “Civilização do Amor” – onde se concre zam os valores do Reino de Deus. 2 – No centro da proposta do Reino de Deus está o mandamento do amor a Deus e aos irmãos - resumo de todos os Mandamentos (Lc 10,25-28). No An go Testamento está revelada já a 'regra de ouro' – “tudo aquilo, portanto, que quereis que os homens vos façam, fazei-o vós a eles, porque isto é a

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Lei e os Profetas” (Tb 4,15) – que é retomada por Jesus (Mt 7,12). Jesus Cristo, plenitude da Revelação – Caminho, Verdade e Vida (Jo 14,6) – ra fica a Lei mosaica, e a aperfeiçoa com o seu Mandamento, “como Eu vos amei” (Jo 13,34). Reúne sua comunidade, a Igreja, para expandir sua mensagem, para fecundar e fermentar as sociedades de todos os tempos com o Evangelho. 3 – O Papa Francisco na sua Exortação Apostólica “A Alegria do Evangelho” (“Evangelii Gaudium”, EG 179) vai nos introduzir na responsabilidade de, antes de tudo, considerar e meditar atentamente alguns textos da Escritura, como os citados, “para rar deles todas as consequências” sobre o laço indissolúvel entre a recepção do anúncio salvífico e um efe vo amor fraterno, e acentua que “o que fizermos aos outros, tem uma dimensão transcendente” (Mt 25,40).


4 – No centro da mensagem está Jesus Cristo, que centraliza sua pregação sobre o Reino de Deus, obediência ao Projeto de Deus para o mundo e a humanidade. Portanto, é uma mensagem que interpela a vida toda, “a vida concreta, pessoal e social dos homens” (Paulo VI, 1975: “Evangelização no Mundo Contemporâneo” / “Evangelii Nun andi”, EN 29), aliás, como já prefiguram as duas tábuas da Lei An ga. Mais adiante, no mesmo documento, o Pa p a Pa u l o V I e n f a z a n ã o s e r a l h e i o à Evangelização, a Igreja refle r e colaborar com toda sua energia no esforço de povos por superar tudo aquilo que os condena a ficarem à margem da vida: por exploração econômica, legislações injustas, p a u p e r i s m o, a n a l fa b e s m o, e n fe r m i d a d e s desassis das, outras diversas injus ças, situações de neocolonialismo aberto ou disfarçado, etc (cf. EN 30). E, finalmente, se chega aqui a considerar o fundamento da própria Doutrina Social da Igreja, sinte zada nas seguintes palavras do Beato Papa Paulo VI: “Entre evangelização e promoção humana – desenvolvimento e libertação – existem de fato laços profundos: laços de ordem antropológica, dado que o homem a ser evangelizado não é u m s e r a b s t r a t o, m a s é s i m u m s e r condicionado pelo conjunto de problemas sociais e econômicos; laços de ordem teológica, porque não se pode nunca dissociar o plano da Criação do plano da Redenção, um e outro a abrangerem as situações bem concretas da injus ça que há de ser comba da e da jus ça a ser restaurada; laços daquela ordem eminentemente evangélica, qual é a ordem da caridade: como se poderia, realmente, proclamar o mandamento novo sem promover na jus ça e na paz o verdadeiro e o autên co progresso do homem? Nós próprios vemos o cuidado de salientar isto mesmo, ao recordar que é impossível aceitar 'que a obra da evangelização possa ou deva negligenciar os problemas extremamente graves, agitados sobremaneira hoje em dia, pelo que se refere à jus ça, à libertação, ao desenvolvimento e à paz do mundo. Se isto porventura acontecesse, seria ignorar a doutrina do Evangelho sobre o amor para com o próximo que sofre ou se encontra em necessidade' (do discurso do Papa na abertura do Sínodo de 1974). (EN 31).”

5 – Sendo assim, a Igreja evangeliza não só quando apela à consciência pessoal com a apresentação de Jesus Cristo e a mensagem do Evangelho, mas também quando procura levar à conversão – ao mesmo tempo – “a consciência pessoal e cole va dos homens, a a vidade em que eles se aplicam e a vida e o meio concreto que lhes são próprios” (EN 18), em tudo aquilo “que se apresenta em contraste com a Palavra de Deus e o desígnio da salvação” (EN 19). O Papa Francisco trata exatamente disto também no 4º capítulo da sua citada exortação (EG, Cap. 4º: A dimensão social da evangelização); trata das repercussões comunitárias e sociais do anúncio do Evangelho, porque, diz: “se esta dimensão não for devidamente explícita – se se ficar meramente num in mismo inconsequente e estéril (EG 262, 180, 183) – corre-se o risco de desfigurar o sen do autên co e integral da missão evangelizadora” (EG 176-167). Escreve o Papa: “Ao lermos as Escrituras, fica bem claro que a proposta do Evangelho não consiste só numa relação pessoal com Deus. E a nossa resposta de amor também não deveria ser entendida como uma mera soma de pequenos gestos pessoais a favor de alguns indivíduos necessitados, o que poderia cons tuir uma “caridade por receita”, uma série de ações des nadas apenas a tranquilizar a própria consciência. A proposta é o Reino de Deus (cf. Lc 4,43); trata-se de amar Deus que reina no mundo. Na medida em que Ele conseguir reinar entre nós, a vida social será um espaço de fraternidade, de paz, de dignidade para todos. Por isso, tanto o anúncio como a experiência cristã tendem a provocar consequências sociais.” (EG 180)

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E ainda: “A conversão cristã exige 'rever especialmente tudo o que diz respeito à ordem social e consecução do bem comum' (João Paulo II: “A Igreja na América” / “Ecclesia in América”, 1999). “ ( cit. in. EG 182) 6 – O s e n s i n a m e n to s d a I g re j a s o b re a s questões sociais derivam, portanto, das a tudes de Jesus e de sua pregação sobre o Reino de Deus que deve expandir-se e a ngir todas as realidades com eficácia transformadora. Por isso, guardamos sermões da maior gravidade sobre esses assuntos proferidos ao longo dos primeiros séculos, de santos e doutores da Igreja oriental e ocidental, como, São Basílio Magno, Santo Ambrósio, São João Crisóstomo, São João Damasceno e tantos mais. Mais recentemente, os sermões de missionários a par r da questão indígena do período pós-descoberta do Novo Mundo. E de modo mais forte e solene após as gravíssimas consequências trabalhistas advindas da chamada Revolução Industrial. Depois da Carta Encíclica “Rerum Novarum” (“Sobre as coisas novas” e a questão operária agravada pela Revolução Industrial) do Papa Leão XIII, em 1891, seguiu-se uma série subsequente de papas e documentos que grada vamente analisaram situações e realidades recorrentes e outras diferenciadas, conforme os tempos. O fizeram para oferecer aos católicos e aos homens de boa vontade análises, juízos e orientações para conduzir comportamentos e modos

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de fazer, de desenvolver a vida pessoal e cole va, estruturas sócio-econômico-polí co-cultural conforme os critérios evangélicos. Em todas essas situações deseja-se que não contradigam os valores e va n gé l i co s q u e d e ve m n o r te a r a s a çõ e s principalmente dos que se dizem cristãos. Assim, pouco a pouco foi sendo concordada e construída a D o u t r i n a S o c i a l d a I g re j a n u m a l i n h a d e con nuidade. Esses documentos pon cios e outras declarações são encontrados em textos isolados ou em coleções nas livrarias católicas. Além disso, existe o texto de um “Compêndio da Doutrina Social da Igreja” de autoria do Pon cio Conselho “Jus ça e Paz” (Edições Paulinas, 2011), muito citado pelo Papa Francisco. Há uma con nuidade no crescimento da doutrina porque os posicionamentos baseiam-se em valores evangélicos donde são extraídos princípios, fundados sobre a via da caridade, da equidade e da jus ça, aplicáveis às diversas situações da realidade mutável conforme os tempos, tais como: a questão operária, a jus ça social, o bem comum, o trabalho humano, dignidade e direitos, vida econômica e desenvolvimento dos povos, inclusão social dos pobres, promoção da paz, meio ambiente e ecologia, etc. A Doutrina Social da Igreja quer, pois, estabelecer um processo de realização de um humanismo integral e solidário em vista da realização de uma “Civilização do Amor” conforme a vontade de Deus.


Testemunho

Testemunho de Maria Aparecida de Paula da Comunidade Sta Teresa e Sta Miryrim de Franca-SP

Penso que nasci carmelita, só que por algum tempo eu não sabia que era. Desde o meu nascimento fui educada na religião católica. Meus pais sempre me levaram à missa e mesmo não entendendo eu me sen a bem e gostava. Fiz minha primeira comunhão aos 8 anos; estudava em um colégio católico e todos os dias, na hora do recreio, eu e uma amiga íamos correndo à capela para rezar ou rir... Sim, chegávamos lá e dava uma vontade de rir. Ficávamos alguns minutos e depois íamos embora. Tenho certeza que esta oração de criança agradava muito a Deus: rir com Ele e para Ele! Fiquei adulta, casei-me, ve filhas e ia à Igreja quando dava, mas sempre rezava, não me esquecia de Deus. Fiz Encontro de casais com Cristo, par cipei da Renovação Carismá ca, Cursilho, Movimento Serra, mas sen a que faltava alguma coisa... Estava intranquila, queria algo que eu não sabia o que era! Um dia eu fui convidada para ir ao Carmelo. Nunca nha ido, ficava em um bairro até perto de minha casa. Era um “Carmelinho”, porque o atual estava ainda em construção. Nesse dia eram os votos de uma irmã, irmã Maria Stella que depois se tornaria uma grande amiga, confidente e minha diretora espiritual. Deus quis que eu es vesse presente nos votos dela. Achei tudo tão lindo! A celebração, a alegria das irmãs, tudo perfeito e não voltei mais... Passaram-se vários anos, o Carmelo ficou pronto e elas mudaram... Mas não fui conhecer o novo Carmelo.

A minha vida como cristã con nuava. Tinha reuniões de segunda à quinta, carregava minhas filhas para a Igreja e o meu marido ficava em casa ou com os amigos. E as dificuldades só aumentavam... A mesma amiga que me convidou pra ir ao Carmelo, sabendo dos meus problemas, me chamou para começarmos uma novena indo à missa todos os dias e suplicando a Deus pela conversão do meu marido. Começamos em uma Igreja perto da minha casa. A missa era bem cedinho, e eu gostava, mas ela achou muito cedo e me disse que no outro dia iríamos ao Carmelo. Ocorreu que ela não acordou e eu fui sozinha procurar o “bendito Carmelo”. Era a época do Advento, e a capela era minúscula, pois a outra ainda estava em construção. Eu amei, e naquele lugarzinho acolhedor, sen -me em casa, e estou até hoje! Já se passaram mais de 20 anos e toda vez que chego, sei que é ali o meu lugar, onde quero estar, onde quero morrer! No começo só par cipa das missas e então, um dia, uma irmã, Ir. Eliana me deu várias revis nhas do Mensageiro de Santa Teresinha e comecei a ler. Em uma reportagem falava de leigos que viviam a espiritualidade carmelitana e perguntei a mim mesma como que era isso. A madre me explicou que em nossa cidade nha uma fraternidade, este era o nome, e que quando houvesse reunião me convidaria. E assim foi, lendo os livros de nossos santos, fui descobrindo e encontrando tudo que eu queria para minha vida espiritual. O primeiro foi "História de uma alma", que me deixou emocionada, com a força e a garra daquela jovenzinha, mas quando comecei a ler Santa Teresa... ah! Aí não teve jeito, fui laçada para sempre. Encontrei tudo o que eu precisava. Os problemas con nuam, uns acabam, outros começam, a vida con nua, mas o meu amor pelo Carmelo muda também... vai aumentando! O silêncio, a vida de nossos santos, a vida de oração, me deixa cada vez mais e mais apaixonada por esse Deus de amor e misericórdia, desejando cada vez mais ser d'ELE. Que Ele possa ir me moldando, me aparando, me esculpindo no seu amor para que ao chegar no entardecer da vida eu possa contemplá-lo face a face. MONTE CARMELO

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Formação Humana

Dimensão Humana: caminho formativo para a vida fraterna por Ana Cláudia Meneguci, ocds Comunidade Santa Teresa de Jesus Rio de Janeiro - RJ

Quando se tem, dentro de uma associação como a nossa, a Ordem dos Carmelitas Descalços Seculares, a existência de um “Programa de Formação”, de imediato isso deve significar para cada membro que não estamos prontos, acabados, que somos um produto final e imutável (caso se perceba assim, alguma coisa importante ficou de fora). Mais ainda: que a formação não é um fenômeno espontâneo, onde todos se sentem atraídos pela totalidade dos conteúdos. Também não é algo linear, onde seguem-se passos e pronto! A formação é uma condição que precisa ser despertada em cada um. Ademais, alcançar a maturidade civil ou possuir fartos fios brancos na cabeça – ou nenhum - não significa ser maduro do ponto de vista humano, emocional. Na maioria das vezes, a maturidade não acompanha o ritmo do crescimento biológico, e por isso encontramos pessoas de 30 anos ou mais, tendo uma conduta que seria adequada para uma criança de 7 anos, por exemplo. Tampouco uma grande capacidade intelectual signifique uma maturidade afe va correspondente: talvez conheçamos pessoas que convivem muito bem com papéis, canetas e computadores, mas que ao lidar com pessoas de carne e osso, demonstrem uma inabilidade grosseira. É fato que estamos em processo, crescendo até a estatura de Cristo: “Até que todos alcancemos a unidade da fé e do conhecimento do Filho de Deus, e sejamos homens perfeitos, e alcancemos a idade de uma maturidade cristã.” (Ef 4, 13) Nossa Ra o Ins tu onis e o Programa Forma vo da Província OCDS – Província São José, contemplam quatro dimensões no caminho forma vo do carmelita secular (humana, doutrinal, espiritual e carmelitana). Vemos o mesmo nos livros de formação publicados até o momento, e na Escola de Formação Edith Stein,

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com seus quatro módulos. O recente documento da CNBB, “Cristãos Leigos e Leigas na Igreja e na Sociedade”, no número 233, coloca: “a formação é uma exigência de nossa condição humana. Todos convivemos com limitações” (lembremos que é essa limitação que nos impele a procurar o totalmente Outro e o outro). Nossas Cons tuições, nos números 24 e 34, respec vamente, destacam que “de natureza espiritual, a pessoa humana realiza-se e amadurece ao ser numa relação autên ca com Deus, mas também com outras pessoas”; “na formação humana desenvolvem a capacidade do diálogo interpessoal, o respeito mútuo, a tolerância, a possibilidade de serem corrigidos e de corrigirem com serenidade e a capacidade de perseverar nos compromissos assumidos.” Quero aqui, me deter em uma pequena reflexão sobre a importância da formação na dimensão humana, tantas vezes negligenciada ou da como menos importante que as outras, e como ela é fundamental para nos educar para a vida em comunidade. O princípio tomista (de Santo Tomás de Aquino) postula que “a Graça não destrói a natureza, mas a aperfeiçoa”, ou seja, é sobre a nossa natureza humana que Deus atua, e na medida em que eu – com a ajuda de Deus e dos meios que ele me proporciona – me proponho a buscar ser uma pessoa amadurecida, melhor, maior espaço concedo à Graça San ficante. Neste sen do, a Formação na Dimensão Humana é peça importante para o despertar e o cul vo de uma docilidade, de uma abertura às virtudes humanas. Mas, como “muitas vezes o Senhor prova para ver se as palavras se conformam com as obras” (Santa Teresa de Jesus, Carta 264, 3), é na vida fraterna que essa dimensão é exigida. Nossa Mãe Teresa de Jesus é incansável em dizer como são importantes para a vida em fraternidade as virtudes humanas:


a cultura, a suavidade, a empa a, a prudência, a discrição, a simplicidade, a alegria, a disponibilidade e o buscar andar na verdade, diante de Deus e das pessoas. Já no processo de amadurecimento da fundação do Carmelo São José, em Ávila, ela nha em seu coração que “Cristo andaria ao nosso lado” (V 32,11), mostrando que uma comunidade é onde Ele está presente. Essa consciência de Sua presença parte desde a certeza de que a inicia va vem dEle (C 1, 5), de nos chamar a viver em comunidade. De fato, Deus nos amou por primeiro: “Nós amamos porque Ele nos amou primeiro” (I Jo 4, 19). Para ela, uma comunidade não é um aglomerado de pessoas em busca de perfeição pessoal, mas antes de tudo onde as relações interpessoais, dom visível e percep vel da fraternidade, devem ser vividas em igualdade e no amor verdadeiro: “todas as irmãs devem se amar” (C 4, 7). Essa exigência é algo caro à Santa Madre, e o deve ser a nós, sobretudo nos momentos di ceis da convivência fraterna: “Quando qualquer coisa como essa perdurar, sejam grupinhos, desejos de ser mais do que as outras ou questões ligadas à honra (e parece que o sangue gela em minhas veias quando escrevo isto), quando isto acontecer, dai-vos por perdidas” (C 7, 10). Talvez consideremos que a fraternidade seja uma condição vivida de maneira espontânea, como que dado de antemão, tendo em vista que foi Deus quem nos chamou. Mas nossa Mãe Teresa nos esclarece: “Acreditai em mim, creiam pelo amor do Senhor nessa formiguinha que Ele quer que fale! Se não for rado, – os pontos de honra – esse defeito será como uma lagarta; talvez não estrague a árvore inteira, restando algumas virtudes, se bem que todas carcomidas.” (V 31, 21). A vida fraterna é fruto do esforço de todos os seus membros, pois é justamente quando a minha pele toca na pele do meu irmão de comunidade, que percebo como estou – ou não – responsável pelo seu crescimento, de como anda minha abertura e disponibilidade tanto para dar como para receber o dom do outro, ajudar e ser ajudado. Sem relacionamento interpessoal é impossível o amadurecimento humano. O amor sobrenatural não se limita aos bens espirituais, mas é o puro amor humano, e por isso não despreza os bens materiais. Deve nos fazer desejar o bem-estar do irmão, sua saúde, sua serenidade interior, sua sa sfação geral, seu sucesso no trabalho. Aqui podemos ser tentados a pensar que seja uma

negação da realidade ou mesmo uma men ra, uma vez que não existem comunidades perfeitas nesta vida, mas não se trata disso. É antes uma prudência e delicadeza que devemos ter para com nossos irmãos: “procurai ser afáveis e agir de tal maneira com as pessoas com que tratardes, que elas apreciem a vossa conversa, desejem o vosso modo de viver e tratar... quanto mais santas, tantos mais afáveis na conversa.” C 41, 7) Por fim, uma leitura de nós mesmos pode ser um caminho não só de autoconhecimento, mas também de conhecimento do outro. De fato, cada um de nós trouxe sua “bagagem” para a vida comunitária: sua história pessoal, com suas qualidades e limitações, possibilidades e frustrações, e tudo isso refle rá nossa capacidade de viver a fraternidade e de lidar com as tensões decorrentes dela. Tensões? Claro! Pois se a comunidade é um corpo vivo, tem tensões dentro de si, onde algumas são de crescimento e outras não, mas sempre situações de discernimento e decisão, onde será reflexo de maturidade o como lidar com elas.

Precisamos nos educar para a necessidade de formação, uma vez que os desafios são e tendem a ser cada vez maiores: a desintegração das famílias, a perda de valores – sobretudo os imateriais, o hedonismo, o materialismo, o próprio ritmo acelerado da vida como um todo, não são por si condições que proporcionem um amadurecimento humano. Cada vez mais as pessoas tenderão a alcançar mais tarde uma condição de maturidade mínima. E são pessoas assim – como nós – que Deus chama para formar comunidade conosco, para nos chamarmos mutuamente de irmãos. Neste horizonte, a dimensão da Formação Humana é fundamental para que não sejamos atrofiados no que tange à capacidade de formar fraternidade onde estejamos, uma vez que o sinal mais seguro para conhecermos se amamos a Deus é ver como amamos o próximo: “Não é possível saber se amamos a Deus; já o amor ao próximo pode ser comprovado” (5 M 3, 8). MONTE CARMELO

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Espiritualidade I

Orientações e Conselhos para os Terceiros Carmelitas (Beatos Dionísio da Na vidade e Redento da Cruz, ocd, protomár res de nossa Ordem) por Giovani Mendes, ocds Comunidade Flor do Carmelo de Sta Teresinha Fortaleza/Ce

Pode ser que algum ou outro irmão (ã) de nossa Ordem estranhe este texto que transcrevo abaixo trazendo conselhos e orientações que os beatos Dionísio da Na vidade e Redento da Cruz deram aos membros da an ga “Ordem Terceira do Carmo”. É um documento histórico. Sei que o modo de se expressar é an go, diferente do atualmente usado e que pode causar certa estranheza. Eles chamam o que seria agora o “bom secular” de o “bom terceiro”. Era a maneira como se expressavam na época... A intenção dos beatos Dionísio e Redento, protomár res da Ordem Carmelita Descalça, foi ofertar aos membros da então chamada “Ordem Terceira” um guia de san ficação pessoal, já que não dispunham naquela época das Cons tuições que nós dispomos hoje, igualmente san ficantes e san ficadoras se cumprida à risca. Achei o texto em um an go devocionário carmelitano e, apesar de an go, contém exortações muito úteis para nossos tempos também. Espero que gostem. Louvado seja nosso Senhor Jesus Cristo!

O bom Terceiro para consigo, a sua Ordem e a Sociedade. (Beatos Dionísio e Redento) 1. O bom Terceiro é o católico perfeito que, vivendo no mundo, procura um meio mais seguro de seguir as pegadas do Divino Mestre, recebendo uma inves dura que lhe dá o caráter de seu discípulo. 2. O bom Terceiro cumpre, escrupulosamente, os mandamentos da lei de Deus e, portanto, os seus deveres para com a sua Ordem e para com a sociedade, que ele procura edificar por meio de uma vida exemplarmente cristã. 3. O bom Terceiro é aquele que sabe que, neste mundo, nada há tão belo como a aliança da razão humana e da fé, da ciência terrestre e da ciência divina, da vida sobrenatural intensa e da mais a va vida exterior, inteiramente consagrada ao bem. Com essa integridade, o Terceiro torna-se um forte; toma, sobre os outros entes, uma força cujo alcance nós não podemos calcular; trabalha, unicamente, pelo seu exemplo, simplesmente sem premeditação alguma, talvez, no meio em que Deus o colocou, devido a circunstâncias determinadas pela Providência; é o apóstolo, em toda a sublimidade e beleza dessa palavra, em toda a sua força também.

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4. Diante da tentação, da dúvida, da fraqueza, o bom Terceiro não discute, não hesita, não dá forças ao inimigo, antes, a ra-se de olhos fechados no seio de Deus, implorando esse Espírito que é Amor e Vida, e que nunca recusa esclarecer aqueles que O invocam, por uma oração fervorosa. 5. O bom Terceiro sabe que a vida racional e a vida sobrenatural não se alimentam nas mesmas fontes, pois, a alma vive pela oração, assim como a inteligência pelos alimentos e o corpo pelas substâncias materiais. A alma definha quando lhe falta o calor divino, assim como o corpo morre por falta de alimento, e o espírito por falta de cultura. 6. A oração é a respiração da alma em Deus e o

bom Terceiro, que sabe isso, faz da oração a couraça com que reveste sua alma para os combates da vida. 7. O bom Terceiro sabe que o melhor meio de

fazer os seus semelhantes apreciarem e amarem o Catolicismo é mostrar-lhes simplesmente com seu exemplo o que é ser católico. 8. O bom Terceiro é aquele que sabe provar ao mundo que se pode ser um sábio, um homem (ou mulher) instruído (a), um homem (ou mulher) de posição eminente, na sociedade, e, ao mesmo tempo, um humilde e fervoroso cristão. Para uma pessoa de boa vontade, há sempre uma ou mais horas vagas para o serviço de Deus, que é o de sua própria salvação. 9. A divisa do bom Terceiro é: “orar e trabalhar” (aqui se faz referência à regra de são Bento, que, naquela época, era “modelo” para quase todas as regras monás cas e religiosas que havia).

10. O bom Terceiro é fiel à sua oração da manhã, da noite e ao leal exame de consciência. 11. O bom Terceiro procura levar uma vida

verdadeiramente cristã, organizando sua existência de modo a se ocupar, antes de tudo, com as coisas mais importantes. Ora, nada há de mais importante na vida de um verdadeiro Terceiro que ama e respeita o seu hábito (nota: naquele tempo se usava), do que o temo dado a Deus. Esse tempo está compreendido mesmo em suas ocupações, porque, trabalhando, o verdadeiro católico está sempre em colóquio com Deus. 12. Pela manhã, dando graças a Deus pelo repouso que lhe concedeu durante a noite, o bom Terceiro oferece os seus atos, os seus pensamentos, as suas palavras e todo o tesouro de sofrimentos, que são uma fonte de graças para a sua alma, a esse mesmo Deus de quem ele é o mais valoroso soldado. Um quarto de hora assim empregado, oferecendo o dom das indulgências do dia em intenção das almas do Purgatório, ei-lo preparado (a) para ir à Igreja, fazer a sua visita a seu bom Amigo, o seu Pai, ao Bom Jesus que tudo tem feito por ele, e a quem ele revela todas as suas alegrias, todas as suas tristezas, as tentações que o assaltam, as suas dúvidas, os seus projetos e as suas esperanças. 13. Na sua viagem para a igreja, o bom Terceiro vai lendo o seu O cio, até o instante em que possa receber a Santa Comunhão, que é o alimento que lhe reanima a alma, quase sempre aba da pelas lutas da vida. Mais do que outrem, o bom Terceiro compreende os efeitos profundos desse Sacramento do Amor e da vida que ele comunica à sua alma.

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14. Durante o dia, o bom Terceiro procura um quarto de hora (15 minutos) para fazer uma meditação, que é a base da vida cristã. O bom Terceiro o faz em voz alta, antes e depois de suas refeições, rodeado de sua família, todos de pé, a sua oração, pedindo benção e dando graças. Aliás, isto é um dever do bom cristão.

15. O bom Terceiro sabe que a penitência é obrigatória para todos, imposta por Nosso Senhor e pela Igreja: jejum, abs nência e sacri cio. A penitência é a base da vida espiritual, e a sua manifestação é a mor ficação. 16. O bom Terceiro mor fica a alma, em seu

orgulho e egoísmo, lutando contra o amor próprio e a irascibilidade de seu gênio; fazendo todo o esforço para cumprir os seus votos de humildade e obediência. Mor fica o corpo pelas privações de todos os prazeres mundanos que não lhe dão felicidade, sem um ressaibo amargo. 17. O bom Terceiro é amável, meigo, sossegado, caridoso, manso e humilde, modesto e alegre. A humildade é a fortaleza da alma verdadeiramente cristã, da alma do bom Terceiro, que Deus cumulou de graças. 18. O bom Terceiro só se dá ao mundo e às coisas

exteriores quando se trata de um dever de estado ou de caridade; no mais, ele (ela) se desprende de tudo que estorva a marcha de sua alma para o Céu. 19. O bom Terceiro põe o corpo na dependência da

alma e esta na dependência de Deus. 20. O bom Terceiro é obediente a seus superiores, não discute as suas ordens, em matéria religiosa, o que cons tui a obediência da alma unida à vontade divina. 21. O bom Terceiro ama a pobreza, não fazendo a vã ostentação de seus bens, pela vaidade das ricas indumentárias e joias, que, preciosas na terra, são um grande entrave para seguir a Jesus que amou a pobreza do Presépio ao Calvário. 22. O bom Terceiro não se cansa de orar: ora em

espírito de humildade, em espírito de caridade e em espírito de reparação. Em espírito de humildade, pelo seu orgulho e pela sua vaidade (para submetê-los). Em espírito de caridade, pelo próximo e pelas almas do Purgatório. Em espírito de reparação, por aqueles que abandonam a Jesus e à sua Igreja.

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23. Sendo assim, o bom Terceiro é digno de si próprio: vive em paz com a sua consciência. É um exemplo para a sociedade que vê nele um homem (ou mulher) de bem e de sã moral, em quem pode depositar inteira confiança.

24. É, finalmente, um exemplo para sua Ordem, que ele (ela) edifica pela fiel observância dos seus votos; pelo escrupuloso cumprimento do dever e, sobretudo, pelo amor a essa mesma Ordem, cuja história ele procura conhecer para melhor servi-la.


Espiritualidade II

O nascimento de Jesus, em São João da Cruz: uma necessidade do amor. por Artur Viana, ocds Comunidade Flor do Carmelo de Santa Teresinha, Fortaleza/CE

Sabemos muito bem que, na Ordem Carmelita, o tempo do Natal sempre foi uma celebração vivida de uma forma de todo especial, com muita devoção e piedade. Podemos perceber essa especial atenção pelo mistério do nascimento do nosso Salvador, na imensa e abundante produção literária dos nossos santos. Dentre os poemas de Santa Teresa de Jesus, encontramos, pelo menos, sete produções, que abordam a na vidade do Menino Deus, a sua circuncisão e a festa dos reis magos. Não podemos esquecer que Santa Teresinha, por sua vez, nha uma especial devoção à infância de Jesus, tanto é que, na sua profissão religiosa, ela assumiu como projeto de vida, o mistério da infância, tomando por onomás co “do Menino Jesus”. Para comprovar sua par cular devoção à infância de Jesus, a Santa nos deixou vários textos nos quais podemos contemplar seu amor ao Menino Jesus, como em alguns poemas e em seus recreios piedosos. Santa Teresa Benedita da Cruz, apesar de seus escritos tenderem mais para a abordagem filosófica, em seus textos sobre espiritualidade e mís ca, a Santa se dedica, em mais de uma ocasião, a falar do mistério do Natal, ou dos eventos a ele relacionados, como a festa da Epifania e sobre os Três Reis Magos.

Queremos, porém, tratar aqui do mistério do Natal, a par r dos escritos de são João da Cruz, grande santo e poeta que, com sua produção poé ca, pôde, de modo admirável, expressar os mistérios mais ín mos da vida espiritual e do projeto trinitário de Deus de criação e salvação do gênero humano. São João da Cruz, cuja solenidade, a família carmelitana, juntamente com toda Igreja, celebra no dia 14 de dezembro, nasceu em Fon veros, na Espanha, em 1542. De família simples, João de Yepes – como foi ba zado – provou desde a mais tenra idade os sofrimentos da vida. Já na adolescência, sempre se manteve sensível às obras de caridade e à piedade religiosa, ingressando, com idade de 21 anos, na vida religiosa, na Ordem dos Carmelitas, assumindo o nome de João de São Ma as. Desejoso por uma vida mais austera e radical (o que, no momento, faltava no Carmelo), frei João cogita a possibilidade de deixar o Carmelo e ingressar na Cartuxa, onde certamente sa sfaria seu desejo de solidão e vida religiosa mais austera. Porém, seu encontro com Santa Teresa de Jesus, a madre fundadora do novo movimento emergente de reforma da Ordem, fá-lo mudar de ideia, e MONTE CARMELO

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permanecer no Carmelo para colaborar com a reforma do ramo masculino. É então que, em 28 de novembro de 1568, em Duruelo, frei João de São Ma as, agora frei João da Cruz, juntamente com mais dois companheiros, inaugura a reforma teresiana entre os frades carmelitas. Fundação essa que não foi bem vista e tampouco aceita pacificamente pelos frades da Ordem, que perseguiram, repreenderam e até na prenderam frei João da Cruz, no cárcere do convento de Toledo, durante nove meses. Tempo esse em que o santo foi gestado nas entranhas do sofrimento para sua purificação e san ficação, tempo de grandes provações e de grandes consolações divinas, de tal forma que podemos comprovar isso nas suas produções poé cas desse período. Fugido do cárcere, volta às suas a vidades na Ordem, à qual se dedica ardentemente até o fim de sua vida, em 1591, quando morre, em Úbeda, em ar de san dade. João da Cruz foi bea ficado em 1675, canonizado, em 1726 e proclamado Doutor da Igreja, em 1926. São João da Cruz é considerado o padroeiro dos poetas espanhóis, dado o seu talento ar s co de tratar de assuntos tão altos, sobre os mistérios de Deus e da alma, através da poesia. Dentre seus vários poemas, ele compôs um, enquanto estava preso no cárcere de Toledo, in tulado Romance sobre o Evangelho “In principio erat Verbum” acerca da San ssima Trindade, no qual, de modo admirável, o santo poeta discorre sobre os temas capitais do mistério da salvação, desde a relação entre as Pessoas Divinas da Trindade, passando pela Criação, até chegar à Encarnação e ao Nascimento do Filho de Deus. O poema expressa esses mistérios divinos de uma maneira tão simples e acessível, ao mesmo tempo que profunda, que podemos considerar, realmente, o texto por meio do qual podemos conhecer melhor o pensamento espiritual de João da Cruz

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sobre a obra da redenção, e pode ser, inclusive, considerado, como o foi por Lucínio do San ssimo Sacramento, “o melhor tratado de teologia escrito pelo santo” 1. O poema todo é uma arquitetura singular que dialoga com muita proximidade com o mistério celebrado no Natal, a começar pela proposta do tulo: Romance sobre o Evangelho “In principio erat Verbum”, fazendo referência ao Prólogo do evangelho de são João, leitura proclamada na solenidade do Natal do Senhor. O poema, totalmente cristológico, nos apresenta, nas entrelinhas, o mo vo principal para o nascimento do Filho: o seu amor esponsal pela humanidade. Percebamos como é interessante e curiosa (ao mesmo tempo em que não revela nenhuma “novidade”) a abordagem são-juanista sobre a necessidade da encarnação e nascimento de Jesus. É comum vermos os seguintes discursos (não carentes de verdade, obviamente, apesar de restritos): “Jesus se encarnou e nasceu para salvar o homem de seus pecados”; “o pedado de Adão, do qual todos os homens par lham, mo vou o nascimento de Jesus, cuja morte nos trouxe a vida eterna” etc. Asser vas como essas, bem ou mal elaboradas, não faltam com a verdade, porém evidenciam mais o pecado do homem do que o amor incondicional de Deus. O pecado parece ser a única mo vação que “obrigou” o nascimento de Jesus. Par cularmente, tendo a pensar que Jesus nasceria na humanidade, mesmo se o homem nunca vesse pecado, esse pensamento eu o compar lho com São João da Cruz, quando diz: “Porque em tudo semelhante/ Ele a eles se faria/ E viria ter com eles/ E com eles moraria/ E que Deus seria homem/ E que o homem Deus seria.” 1. Lucinio del San simo. Sacramento, «La doctrina del Cuerpo Mís co en san Juan de la Cruz» Resvista de Espiritualidad, 3 (1944) 190.


Se é uma verdade incontestável que a morte de Jesus foi necessária para a salvação do gênero humano, também é um fato muito claro Jesus ter vindo ao mundo mo vado pelo amor, pelo desejo de estar com suas criaturas, mais ainda, diria, que pela “obrigação moral” (se é que podemos falar assim) de salvá-las

São João da Cruz deixa esse pensamento muito bem expresso no poema, evidenciando, em todas as nove cenas, o amor esponsal de Jesus pela humanidade. Em várias oportunidades, ele insiste em fazê-lo, como quando diz: “Muito te agradeço, Pai/ - o Filho lhe respondia - ;/ À esposa que me deres/ A minha luz Eu daria”; (...) “Que são o corpo da esposa/ A qual ele tomaria/ Em seus braços ternamente/ E seu amor lhe daria”. O amor é o tema maior desse poema, e, portanto, a mo vação que impulsionou a encarnação do Filho de Deus. Em somente duas vezes, São João da Cruz relaciona a necessidade da encanação ao resgate do homem: “Já que o tempo era chegado/ Em que fazer-se devia/ O resgate da esposa/ Quem em duro jugo servia/ Debaixo daquela lei/ Que Moisés dado lhe havia”; (...) “Irei buscar minha esposa/ E sobre mim tomaria/ Suas fadigas e dores/ Em que tanto padecia:/ E para ela ter vida/ Eu por ela morreria/ E, libertando-a do lago,/ A a devolveria.”. Apesar do doutor mís co, nesses versos, fazer alusão ao resgate da esposa, não o faz do ponto de vista “criminal”, como se fosse uma reparação, uma “quitação de dívida”, a ternura dos versos nos revela um amor incondicional e uma tenta va muito feliz de se manter a dignidade de esposa da alma humana, apesar de precisar libertá-la do lago.

Sobre a dignidade da alma, Santa Teresa de Jesus comenta insistentemente já no primeiro capítulo das Primeiras Moradas, do livro Castelo Interior, e o faz como pressuposto básico para poder discorrer sobre a vida de oração. Reconhecer que a alma humana é morada dos Três – numa linguagem elisabetana –, um castelo digno do Rei dos reis – a par r da perspec va teresiana – é o mesmo que considerar a alma como esposa de Cristo, aqui aos moldes de São João da Cruz. Jesus não se encarnou e nasceu, simplesmente, para salvar, da lama do pecado, a criatura humana. Apesar de ser uma verdade, a afirmação carece da delicadeza que é própria da grandiosidade do mistério. Jesus Cristo, o Filho eterno de Deus, se encarnou e nasceu porque ama incondicional e loucamente o gênero humano, criação amada do Pai que Lhe foi dada por esposa: “Já sendo chegado o tempo/ Em que de nascer havia,/ Assim como desposado/ Do seu tálamo saía,/ Abraçado à sua esposa,/ Que em seus braços a trazia”. Chegamos, portanto, ao ponto central, fundamental e mo vador do nascimento de Jesus. Todos os outros mo vos, razões e jus fica vas são secundários e menores que o mo vo do amor. O homem não pode ignorar sua natureza frágil e pecadora, porém, tampouco deve se esquecer da sua condição de esposa de Cristo

Ao contemplarmos o presépio, neste Natal, enxerguemos, no Menino Deus, esse amor esponsal que Ele tem por nós. Seu amor nos a ngiu, seu amor o conduziu à humilhação do seu nascimento, não foram os nossos pecados que o a ngiram ou o conduziram a nós. Deus nos amou por primeiro, seu amor nos alcançou. Com os olhos fitos na manjedoura, contemplamos a fortaleza e o poder ves dos de fragilidade e delicadeza. É esse Menino o Rei dos reis, é esse Infante o Esperado das nações, o Prome do, é esse Bebê divino, o nosso Esposo amado, que veio a nós, que vem a nós e que virá a nós, movido unicamente pelo amor. MONTE CARMELO

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Encontro de Conselho e Comissões 2016

XVII ENCONTRO DE CONSELHOS E COMISSÕES DA OCDS

12 a 15/11/2016 São Roque - SP

Tema:

“Deus nos deu as potências para que com elas trabalhemos” (Santa Teresa de Jesus, M 4, 3, 6) Lema:

“Favorecei as obras de nossas mãos” (Salmos 89, 17).

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por Estela Márcia da Paz, ocds Grupo São José, de Petrópolis Comissão de Memória

Aconteceu nos dias 12 a 15 de novembro de 2016, no Centro Teresiano de Espiritualidade, em São Roque/SP, o XVII ENCONTRO DE CONSELHOS E COMISSÕES da Associação das Comunidades da Ordem dos Carmelitas Descalços Seculares da Província São José, com o obje vo de concluir o processo eleitoral para a presidência provincial, contemplando assim os parágrafos 37 a 40 das Cons tuições OCDS. Vale lembrar que todas as a vidades foram norteadas pelas Cons tuições OCDS e veram a par cipação de membros-delegados das cinqüenta e cinco Comunidades e Grupos que compõem a associação.

Do processo eleitoral ocorrido no segundo dia do encontro, dia 13 de novembro de 2016, foram apurados os votos da eleição provincial, tendo como candidatos o atual presidente Luciano Dídimo e Márcia da comunidade de Itape ninga. Ao final da apuração, Luciano Dídimo foi reeleito para o próximo triênio. A saber: Total de comunidades que votaram: 41; Votos para Luciano: 35; Votos para Márcia: 4; Votos nulos: 2.

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Sendo assim, em torno do tema: “Deus nos deu as potências para que com elas trabalhemos” (Santa Teresa de Jesus, M4 3,6), e o lema: “Favorecei as obras de nossas mãos” (Salmo 89,17), decorreram-se no encontro momentos de oração e adoração, pessoal e comunitária, e celebração da Santa Missa todos os dias.

Metas se avaliaram, metas se planejaram, assim podemos dizer a respeito da dinâmica dos trabalhos ao longo dos dias de encontro, com a avaliação do triênio de 2013-2016 e o planejamento para o triênio de 2016-2019. As a vidades se deram em dois momentos. Previamente, com o envio do relatório específico às dez Comissões de trabalho existentes na Província – Casais, Comunicações, Conselho, Eventos e Tesouraria, Formação, Intercessão, Jovens, Memória, Música e Vocacional, com a finalidade de desenvolverem as devidas crí cas as realizações no triênio. O segundo momento se deu no próprio evento, com seminários de análises em equipes nas referidas comissões, a fim de traçarem novas metas para o próximo triênio. “A espiritualidade do Carmelo desperta no Secular o desejo de um compromisso apostólico maior, ao dar-se conta de tudo o que implica sua chamada à Ordem. Consciente da necessidade que tem o mundo do testemunho da presença de Deus (Cf. Apostolicam Actuositatem 4.10. Chris fidelis Laici 16.17.25.28.29), responde ao convite que a Igreja dirige a todas as associações de fiéis seguidores de Cristo, comprometendo-os com a sociedade humana por meio de uma par cipação a va nas metas apostólicas de sua missão no horizonte do próprio carisma. Como fruto desta par cipação na evangelização, o Secular compar lha um renovado gosto pela oração, contemplação, vida litúrgica e sacramental” (Estatuto OCDS nº 25).

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As demais a vidades foram se alternando e diversificando, pela manhã e à tarde, com oficinas de estudo e avaliação do triênio, e ao final do dia momentos de descontração e cria vidade, poesia e música. Na alegria dos recreios carmelitanos vemos dois momentos marcantes. O primeiro, no recreio de domingo à noite, entre declamações e músicas, a “Noite Cultural” contou com a par cipação de poetas, formadores e musicistas da província: Frei Pierino e Luciano Dídimo, Lourdinha Pimenta e Profº Ercílio Martelli, Elisa no violão e Carla no violino – mãe e filha. E na segunda-feira, a “Noite brega”, foi noite de surpresas e despedidas do triênio de nosso provincial, Frei Cleber da Trindade, OCD, mas também, da reeleição do Luciano.

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Conselho Provincial (2016-2019): Luciano Dídimo Presidente Provincial lucianodidimo@gmail.com Comunidade São José de Sta Teresa (Fortaleza-CE) Rosemeire Lemos Pio o Vice-presidente Provincial, Conselheira (Centro-oeste e Rio de Janeiro) roselpio o@gmail.com Comunidade Santa Teresinha (Passos-MG) Daniel Garcia Roza Conselheiro (São Paulo) daniel_assessoria_franca@hotmail.com Comunidade Sta Teresa e Santa Myriam (Franca-SP) Haidê Zakaib Mezzalira Conselheira (São Paulo) hzakaib@hotmail.com Com. N. S. do Carmo e Sta Teresa de Jesus Higieonópolis - (São Paulo-SP) Mari Elza Gomes Narciso Conselheira (São Paulo) marielzagn@gmail.com Com. Sta Teresinha do Menino Jesus (Campinas-SP) Elisa Maria Rodrigues de Moraes Almeida Conselheira (São Paulo) elisaocds@hotmail.com Com. Alegria da Sagrada Face (Itape ninga-SP) Ana Stela de Almeida Silva Conselheira (Norte-Nordeste) anaocds@terra.com.br Comunidade São José de Sta Teresa (Fortaleza-CE)

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Marisa Maria Ribeiro Conselheira (Minas Gerais) ribeiromarisamaria@gmail.com Comunidade Santa Edith Stein (Divinópolis-MG) Ruth Leite Vieira Conselheira (Minas Gerais) ruthleitevieira@gmail.com Comunidade São José de Sta Teresa (Fortaleza-CE) Carmelita Maria Sampaio da Silva Tesoureira carmelita_ocds@yahoo.com.br Comunidade São José (Aparecida-SP) Juliana Araújo Silva de Oliveira Secretária

Nomeações para as demais Comissões: Comissão de Formação: E-mal: comissaodeformacaoocds@gmail.com ROSE LEMOS PIOTTO roselpio o@gmail.com Secretaria: GERARDO FERNANDES COELHO FILHO gefercof@yahoo.com.br Cadastro: CARLOS ALBERTO DE ALMEIDA carlosocds@yahoo.com.br Comissão de Comunicação: E-mail: ocdscomunicacao@aitsystems.com.br no ciasocds@gmail.com JOÃO PAULO MATIAS PAIVA jpauloma as@hotmail.com

Gustavo do Passo Castro Conselheiro (Norte-Nordeste) gustavodopassocastro@gmail.com Comunidade Santa Teresinha (Camaragibe-PE)

Comissão de Música: ELISA MARIA RODRIGUES DE MORAES ALMEIDA elisaocds@hotmail.com

Mônica Maria Dodt Coelho Conselheira (Norte-Nordeste) monicadodt@hotmail.com Comunidade Rainha do Carmelo (Fortaleza-CE)

Comissão de Intercessão: E-mail: intercessaoocds@gmail.com LIZ LELIS ROCHA lizlelis@hotmail.com

Liz Lelis Rocha Conselheira (Minas Gerais) lizlelis@hotmail.com Comunidade São João da Cruz (Belo Horizonte-MG)

Comissão Vocacional: E-mail: vocacaoocds@gmail.com MARISA MARIA RIBEIRO ribeiromarisamaria@gmail.com

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Comissão de Memória: ESTELA MÁRCIA DA PAZ MOREIRA DE ARAÚJO esteladapaz@hotmail.com Escola de Formação Edith Stein: Blog: h p://escoladeformacaoocds.blogspot.com.br E-mail: escoladeformacaoocds@gmail.com MOISÉS ROCHA FARIAS moisesdacruz@hotmail.com Comissão Pedagógica: LOURDES DE SOUZA PIMENTA terepimenta@bol.com.br Comissão de Controladoria: DANIEL GARCIA ROZA daniel_assessoria_franca@hotmail.com Comissão de Jovens E-mail: carmelojovemprovinciasaojose@gmail.com Blog: h p://carmelitasjovens.blogspot.com WILDERLÂNIA LIMA DO VALE wilderlania.lima@gmail.com

“A presença de Maria, ao mesmo tempo em que vivifica a espiritualidade do Carmelo Teresiano, informa seu apostolado (...) anuncia a ruptura com um mundo velho e anuncia o começo de uma história nova, na qual Deus derruba do trono os poderosos e exalta os pobres. Maria se põe ao lado deles e proclama o modo de atuar de Deus na história” (Estatuto OCDS nº 31.29). Assim, certos da maternal proteção de Nossa Senhora do Carmo, subindo conosco o Monte que é Cristo, resta-nos agradecer por mais este Encontro Provincial, onde renovamos o nosso discipulado, confirmamos o nosso chamado, fortalecemos a nossa fé, firmamos a nossa esperança e nos lançamos confiantes, unidos como irmãos. Agradeçamos o novo de Deus que já se faz presente na vida de nossa Província, unidos a São José, Santa Madre Teresa, Santo Padre João da Cruz, Santa Teresinha do Menino Jesus e a “Todos os Santos do Carmelo”, celebrados nos dias de encontro, a fim de que intercedam por nós, diante do “Novo” que se anuncia.

Comissão de Casais: Blog: h p://casaiscarmelitas.blogspot.com.br/ FÁBIO BARBOZA SILVA DE OLIVEIRA JULIANA ARAÚJO SILVA DE OLIVEIRA familiasilvadeoliveira@gmail.com

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Notícias Notícias da Casa Geral Dois congressos sobre Elisabeth da Trindade O mês de novembro foi marcado por alguns acontecimentos inesquecíveis para o Carmelo teresiano. Se em 19 de novembro o Padre Maria-Eugênio era bea ficado em Avignon, em celebração mul tudinária – à qual compareceu o Padre Geral, acompanhado de um bom número de religiosos – o impacto da canonização de Santa Elisabeth da Trindade traduziu-se na celebração de dois importantes congressos no CITeS de Ávila e no TERESIANUM de Roma. De 10 a 13 de novembro, no CITeS – Universidad de la Mís ca, o pensamento e a doutrina de Santa Elisabeth da Trindade, assim como sua simplicidade, sensibilidade e profundidade, iluminaram mais de uma centena de par cipantes. A transmissão online permi u a oitenta carmelitas descalças de países como Espanha, Costa Rica, Panamá, Estados Unidos, Argen na, Bolívia, Brasil, Colômbia, Venezuela, Marrocos, Líbano, Portugal e República Checa, seguir o Congresso bem de perto a par r de seus conventos. Por sua parte, o Teresianum organizou um congresso nos dias 22 e 23 de novembro, com grande par cipação de público. Situada a nova santa em seu contexto histórico e depois de apresentar um perfil biográfico-espiritual, os palestrantes expuseram alguns dos elementos fundamentais de sua doutrina: relação com São Paulo, cristologia e espiritualidade trinitária. Uma Eucaris a celebrada na capela do Teresianum, presidida pelo Cardeal Angelo Amato, prefeito da Congregação para as Causas dos Santos, fechou o congresso com chave de ouro.

Reunião da Conferência Europeia de Provinciais Entre 7 e 11 de novembro reuniu-se em Linz (Àustria) a Conferência Europeia de Provinciais. Além dos Superiores Maiores das dis ntas circunscrições europeias, par ciparam da reunião o Vigário Geral, Agus Borrell, e o Padre Lukasz Kansy, segundo Definidor Geral. Durante o primeiro dia, os Superiores refle ram – sob a orientação do Padre Giovanni Cucci, sj – a respeito da dependência de internet, um assunto de enorme atualidade em nosso tempo e que toca não apenas os religiosos em formação, mas também os adultos. No dia 9 de novembro pela manhã, Padre Agus Borrell fez uma apresentação da situação do Carmelo teresiano na Europa, assim como da caminhada da releitura das Cons tuições, valiosa neste momento de crise para reforçar nossa própria iden dade de carmelitas. No mesmo dia, à tarde, Padre Lukasz Kansy apresentou à assembleia uma proposta do Padre Geral: programar um ano de aprofundamento sapiencial do patrimônio carismá co teresiano no convento de Salamanca (Espanha) para os estudantes europeus em formação, acompanhados de uma comunidade adequada, no qual possam assimilar os elementos fundamentais de nossa espiritualidade. A proposta será estudada nas sedes provinciais para con nuar o diálogo a respeito do assunto com o Governo Geral. No dia 10, os par cipantes puderam desfrutar de um dia de descanso e comunhão fraterna visitando a cidade de Viena. No dia 11 pela manhã regressaram a suas sedes.

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Homilia na festa de São João da Cruz Frei Saverio Cannistrà, ocd – Prepósito Geral Queridos, A Palavra de Deus que escutamos nesta celebração litúrgica nos ajuda a entrar no espírito do santo que hoje celebramos – nosso pai Frei João da Cruz – e, ao mesmo tempo, a compreender o dom da profissão solene dos votos religiosos que cinco de nossos irmãos estão por realizar. Trata-se, antes de tudo, de uma palavra que nos fala de nossa dignidade de homens: “porque és precioso a meus olhos, és valioso e eu te amo” – disse a cada um de nós o Senhor na primeira leitura, pela boca do profeta Isaías. E o apóstolo Paulo fez-lhe eco, afirmando que não somos escravos, mas filhos e herdeiros de Deus, chamados a par cipar de sua glória. A glória de Deus é uma meta misteriosa que só podemos adivinhar de longe e como em um espelho, porque ela se situa para além de nossa capacidade de compreensão e, inclusive, de nossos desejos. E, finalmente, Jesus no evangelho pede ao Pai para nós aquilo que é maior e mais inconcebível: que sejamos uma só coisa com Ele e com o Pai. Assim, Jesus nos revela claramente o que é a glória de Deus: é mistério de unidade, de comunhão, de superação defini va da solidão e da divisão. Como isso é belo e consolador! Temos que dirigir com frequência o olhar para esse horizonte; caso contrário, o caminho nos parecerá muito duro, demasiado largo e exigente. Creio que um dos segredos do caminho da san dade e, de modo par cular, do caminho percorrido por São João da Cruz, é alimentar essa chama no coração, ter um inflamado desejo de coisas grandes, sem limitar o coração ou a mente a pequenos projetos, a pequenas sa sfações terrenas. É isso que nossos irmãos estão agora a ponto de prometer solenemente diante da Igreja: comprometem-se a permanecer nessa tensão incessante, nesse desejo insa sfeito, nessa abertura e docilidade aos desígnios de Deus. Por isso fazem a Deus voto de cas dade, pobreza e obediência, porque querem ser homens de una medida cheia, alta, aquela que Deus pensou para seus filhos. Se, no entanto, escutamos com atenção a Palavra de Deus, esta nos falou também de outra dimensão da condição humana, mais obscura e incômoda: nossa fragilidade, nossa ignorância. “Nem mesmo sabemos o que devemos pedir” – escreve Paulo. Medos e desejos em luta entre si nos arrastam, nos confundem, nos fazem perder o caminho. Como diz Isaías com sua linguagem poé ca, temos que atravessar rios e passar no meio do fogo. Todavia, não há contradição entre a glória à qual somos des nados e o reconhecimento dessa fragilidade e pobreza. Ao contrário: só podemos chegar ao tudo assumindo em profundidade o nosso nada. Somente descendo às profundidades obscuras de nosso ser homem podemos encontrar o Deus que nos eleva a si com asas de águia. Assim, o sen do dos votos que nossos irmãos vão emi r agora é também este: estar preparados para experimentar a própria fraqueza, o ser miseráveis e pecadores, sem assustar-se, sem fugir, mas permanecendo humildemente no próprio nada, confiantes no amor misericordioso de Deus. Às vezes me encontro com religiosos orgulhosos, cuja única preocupação parece ser defender seus próprios direitos ou gloriar-se de seus próprios méritos. Isso me assusta, não porque seja um pecado, mas porque é uma contradição, uma total perda de sen do. Se não nos dispomos a percorrer um caminho de humildade e desnudez, é melhor buscar um caminho diferente daquele da vida religiosa. Há um terceiro tema do qual a Palavra de Deus nos fala esta tarde, que foi fundamental para João da Cruz tanto como para Teresa e os outros santos do Carmelo. Trata-se do tema da verdade: “Pai santo, consagra-os na verdade. Tua palavra é verdade”. Nós ainda cremos na verdade? Ainda é importante para nós aceitar a verdade dos fatos, a verdade do que efe vamente somos? Somos capazes de dizer a verdade para nós mesmos? Vivemos na época do post-truth, da pós-verdade: o que influencia as decisões das pessoas não são os fatos, mas as impressões, as sensações, o “gosto – não gosto” das redes sociais. Continuação... MONTE CARMELO

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Continuação... Assim, o círculo se fecha e também o verum é devorado pela cultura do pós (pós-moderno, pós-cristão, pós-humano etc.). Nós somos carmelitas descalços, filhos de Teresa e de João da Cruz. Parece que nossa especialidade é a espiritualidade. Segundo o meu critério, a vida espiritual, por sua radicalidade, pode e deve ser a úl ma linha defensiva da verdade. Muitas vezes, porém, também ela é atropelada pela névoa dos gostos e das emoções. Aconselho a todos, de modo par cular a nossos irmãos que estão a ponto de comprometer sua vida em um caminho de vida espiritual, a reler a carta que João da Cruz escreveu a um religioso carmelita no ano de 1589: é um texto profé co, que choca por sua atualidade e pelo rigor lógico com o qual dis ngue entre sen mentos e amor. A Deus se chega através do amor, que é Deus mesmo em seu ser e é o amor com que Deus nos ama. O que sen mos, as alegrias e as tristezas, os prazeres e os desgostos, não estão privados de valor: são “mo vos para amar”, mas não são o amor. Se são transformados em fins, a alma se inclina sobre si mesma e se fecha a Deus. Queridos irmãos, precisamos escutar novamente essas palavras, meditá-las com frequência; são palavras de uma pessoa que realizou em profundidade a experiência de nossa vocação e, por isso, é capaz de formar-nos. Se há algo que gostaria de desejar-lhes, no dia de sua profissão solene, é precisamente isto: que sua formação não se limite a esses primeiros anos de vida religiosa. Con nuem lendo os escritos de nossos santos, con nuem extraindo deles as palavras de amor e luz que dilatam os corações e os tornam capazes de Deus.

Encontró OCD – Ocarm no Monte Carmelo De 27 de novembro a 02 de dezembro de 2016 aconteceu em Stella Maris (Haifa – Israel) um encontro de convivência e de reflexão entre os superiores gerais dos Carmelitas – Padre Fernando Millán – e dos Carmelitas Descalços – Padre Saverio Cannistrà –, junto com os definidores ou conselheiros gerais de ambas as Ordens religiosas. A inicia va insere-se no contexto da práxis de diálogo e proximidade fraternidade que tem sido habitual nos úl mos tempos. O tema central do encontro foi o estudo das relações entre vida consagrada e Igreja par cular, a propósito da nova versão do documento Mutuae Rela ones, que está em fase avançada de elaboração nas Congregações va canas correspondentes. A reflexão foi dirigida pelo Padre Agos no Montan, da Congregação de São José (Josefinos de Murialdo), professor da Pon cia Universidade Lateranense e reconhecido especialista no tema. Com ele percorreram a história da questão, com uma atenção especial à perspec va adotada pelo Concílio Va cano II e sua evolução posterior, com a redescoberta da Igreja par cular e da eclesiologia de comunhão. Analisaram-se a situação atual e as perspec vas de futuro, valorizando, entre outros elementos, a ênfase do recente documento Iuvenescit Ecclesia na coessencialidade dos dons hierárquicos e dos dons carismá cos. O rico diálogo desses dias levou em conta especialmente a experiência de nossas famílias carmelitanas em dis ntas áreas (paróquias, missões, leigos...). Falou-se ainda da vida contempla va feminina e das novas orientações da Cons tuição Apostólica Vultum Dei Quarere e suas implicações nos dis ntos níveis (mosteiros, federações, frades e monjas, dioceses, Congregações va canas etc.). Por outro lado, durante os dias do encontro os par cipantes veram oportunidade de entrar em contato com o passado e o presente da presença carmelitana na terra de Israel. Uma das visitas emblemá cas foi ao Wadi-es-Siah, berço da vida carmelitana; ali puderam comprovar e comentar os passos que, pouco a pouco, estão sendo dados para conservar e dignificar os restos do mosteiro primi vo e para facilitar a peregrinação a esse lugar tão significa vo de nossa história. Também acercaram-se ao atual convento carmelitano do Muhraqa, vinculado à tradição do profeta Elias e lugar de des no de numerosos peregrinos e visitantes. A estadia na Terra Santa foi completada com um dia de peregrinação a lugares de forte sabor evangélico, como o monte Tabor, Nazaré, Cafarnaum e o lago da Galileia. Continuação...

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Continuação... A experiência vivida serviu para reforçar a relação cordial e fraterna entre os governos gerais de nossas famílias religiosas e para renovar o desejo de con nuar vivendo e transmi ndo o es lo de vida evangélica que nasceu na terra da Bíblia e agora se estende pelo mundo inteiro, sob múl plas formas e ma zes. Todos nos sen mos chamados, no espírito da Regra dada por Santo Alberto aos primeiros eremitas do Monte Carmelo, a “viver em obséquio de Jesus Cristo, servindo-o lealmente com coração puro e boa consciência”, “meditando dia e noite a lei do Senhor”.

Visita ao Carmelo Secular da Venezuela Entre os dias 2 e 20 de novembro de 2016, o Delegado Geral para o Carmelo Secular realizou uma visita fraterna às Comunidades dos Carmelitas Seculares da Venezuela e outros grupos de leigos de inspiração carmelitana, assim como às comunidades religiosas de frades e das monjas carmelitas descalças, em um momento par cularmente di cil para o país, com carências em setores essenciais, como a alimentação e a medicina. Em cada uma das Comunidades visitadas em companhia de Frei Daniel, Delegado Geral OCD da Venezuela, nas cidades de San Cristóbal, Mérida, Valera, Maracaibo, Barquisimeto, Valencia, San Joaquín e Caracas pôde-se perceber que há um crescimento no número de comunidades: as erigidas canonicamente são 5 e mais 8 estão em formação. Em todas elas, os membros têm a vidades pastorais ou outras afins ao carisma. Dentre os muitos grupos laicais de inspiração carmelitana, destacamos o Carmelo Teresiano Universitário de Barquisimeto, com sua presença na universidade de Medicina UCLA, os grupos de jovens (“Proyecto de Amor”) e de serviço às famílias (por exemplo, “Emaús” e “Sagrada Família”), assim como de música, que é o caso da “Vinha do Carmelo”. Em Barquisimeto há também uma Escola de Espiritualidade Cristã, que oferece aulas de teologia e espiritualidade e colabora muito na formação cristã dos fiéis em geral e dos próprios membros do Carmelo Secular. Podemos ver imagens de todo o percurso em um vídeo feito por Frei Daniel no link: h ps://youtu.be/nTwEdxGNczI

Notícias das Comunidades/Grupos OCDS COMUNIDADES COMPARTILHAM SUAS ATIVIDADES ATRAVÉS DOS GRUPOS DE WHATSAPP

Grupo Vinha do Senhor, de Ribeirão Preto comemora o aceite recebido da Província.

O Grupo São José é promovido a Comunidade pela Associação das Comunidades da OCDS

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COMUNIDADES COMPARTILHAM SUAS ATIVIDADES ATRAVÉS DOS GRUPOS DE WHATSAPP

Comunidade Rainha do Carmelo, de Fortaleza-Ce se reúne para eleições do triênio da Comunidade Novo Conselho: Efigênia (P), Regina (E.F), Mônica Dodt (C), Renato (C) e Flávio (C). Juliana (S) e Milena (T).

Comunidade Sta Edith Stein, de Divinópolis-MG se reúne para as eleições do triênio da Comunidade. Novo Conselho: Olaide (P), Francisca (E.F), Marisa (C), Marta (C), Sônia (C). Cássia (S) e Mislene (T)

Re ro Da Comunidade Nossa Senhora Do Carmo E Santa Teresa - Higienópolis/SP

Re ro da Comunidade Beata Elisabeth da Trindade (Montes Claros-MG)

Primeiras Promessas e Confraternização da OCDS em Cara nga-MG

Com. São José De Sta Teresa – Fortaleza/Ce realiza Re ro de Encerramento e Celebra 5 Anos

Grupos de WhatsApp da OCDS da Província São José: · OCDS PROVÍNCIA SÃO JOSÉ

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· PRESIDENTES OCDS

· CARMELO JOVEM

· CASAIS OCDS


COMUNIDADES COMPARTILHAM SUAS ATIVIDADES ATRAVÉS DOS GRUPOS DE WHATSAPP Os membros da OCDS que desejarem entrar nos grupos de WhatsApp, podem enviar suas solicitações para Luciano Dídimo: (85) 988955966. Grupos de WhatsApp da OCDS da Província São José: · OCDS PROVÍNCIA SÃO JOSÉ

· CARMELO JOVEM

· CASAIS OCDS

NOSSOS MEIOS DE COMUNICAÇÃO, confira... (h p://www.ocdsprovsaojose.com.br/) h p://ocdsprovinciasaojose.blogspot.com.br/

h ps://www.facebook.com/pages/Ordem-Dos-CarmelitasDescal%C3%A7os-Seculares/132884536754686?ref=hl

COMISSÃO DE INTERCESSÃO Dir-se-ia que na oração és como uma rainha que tem livre acesso ao Rei e que dele podes alcançar tudo o que pedires!" (Santa Teresinha) A Comissão tem a finalidade de interceder e promover a intercessão junto às Comunidades e Grupos por todos os nossos eventos, pelos nossos membros mais necessitados, pelas nossas autoridades, pela Ordem. O e-mail para o envio dos pedidos de oração é: intercessaoocds@gmail.com.

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AGENDA OCDS 2017 19 a 22/01/2017 - ESCOLA DE FORMAÇÃO EDITH STEIN = MODÚLO I – DIMENSÃO HUMANA Valor – R$ 450,00 (Incluído hospedagem, café da manhã, almoço, jantar, material didá co). Informações: escoladeformacaoocds@gmail.com Seminário São José - Av. Alberto Craveiro, 2300 - Castelão - Fortaleza-CE 26 a 29/01/2017 - ESCOLA DE FORMAÇÃO EDITH STEIN – MÓDULO II– DIMENSÃO DOUTRINAL Valor - 550,00 (Incluído hospedagem, café da manhã, almoço, jantar, material didá co). Informações: escoladeformacaoocds@gmail.com Centro Teresiano de Espiritualidade - São Roque-SP 20 a 23/04/2017 - SIMPÓSIO ELISABETE DA TRINDADE Valor - 450,00 (Incluído hospedagem, café da manhã, almoço, jantar, material didá co). Informações: escoladeformacaoocds@gmail.com Recanto São José - Belo Horizonte-MG 05 a 07/05/2017 - III RETIRO ESPIRITUAL CARMELITANO Re ro aberto ao público conduzido por Frei Wilson Gomes, ocd Tema: Oração Teresiana: A Bíblia como fonte de oração Informações: intercessaoocds@gmail.com Centro Teresiano de Espiritualidade - Rodovia Raposo Tavares 18131 - São Roque - SP 15 a 18/06/2017 - XIII CONGRESSO DA OCDS NORTE/NORDESTE Casa Cordimariana de Encontros e Re ros Ir. Ma. do Amparo - Fortaleza-CE Informações: h p://congressonortenord.wixsite.com/nortenordeste2017 E-mail: congressonortenordesteocds2017@gmail.com 27 a 30/07/17 - ESCOLA DE FORMAÇÃO EDITH STEIN – MÓDULO II – DIMENSÃO DOUTRINAL Incluído hospedagem, café da manhã, almoço, jantar, material didá co. Informações: escoladeformacaoocds@gmail.com Seminário São José - Av. Alberto Craveiro, 2300 - Castelão - Fortaleza-CE 20 a 23/07/17 - ESCOLA DE FORMAÇÃO EDITH STEIN – MÓDULO III – DIMENSÃO CARMELITANA Incluído hospedagem, café da manhã, almoço, jantar, material didá co. Informações: escoladeformacaoocds@gmail.com Centro Teresiano de Espiritualidade - Rodovia Raposo Tavares 18131 - São Roque - SP 20 a 23/07/17 - II CONGRESSO DE CASAIS DA OCDS Informações: comissaodecasaisocds@gmail.com Centro Teresiano de Espiritualidade - Rod. Raposo Tavares 18131 - São Roque - SP 27 a 30/07/17 - II CONGRESSO DA JUVENTUDE DO CARMELO DESCALÇO Informações: carmelojovemprovinciasaojose@gmail.com Centro Teresiano de Espiritualidade - Rod. Raposo Tavares 18131 - São Roque - SP 02 a 05/11/2017 - XXXIII CONGRESSO PROVINCIAL DA OCDS Informações: Carmelita - carmelita_ocds@yahoo.com.br Centro Teresiano de Espiritualidade - Rodovia Raposo Tavares 18131 - São Roque - SP

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Escola de Formação Edith Stein - OCDS, Apresenta:

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Santa Elisabete da Trindade

Em comemoração pela sua canonização

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Onde nascerá o menino Jesus de Teresinha e o Jesus de Teresa? Marisa M. Ribeiro Comunidade Santa Edith Stein - Divinópolis, MG Comissão Vocacional OCDS.

Em qual coração nascerá o menino Jesus de Teresinha? Em um coração que par lha flores por onde for. Em um coração que sabe que nada é pequeno onde o amor é grande. Em um coração que compreende que o amor é tudo. Em um coração que tem por vocação o amor. Em um coração que na igreja é amor. Em um coração consciente de sua pequenez. Em um coração confiante na bondade de Deus. Em um coração que se torna criança abandonada nas mãos de Deus. Em um coração capaz de amar até morrer de amor. Em qual coração nascerá o Jesus de Teresa? Em um coração que é desapegado. Em um coração que está cheio de amor fraterno. Em um coração que é pura humildade. Em um coração que anda na verdade. Em um coração que em nada se perturbe. Em um coração que é paciente. Em um coração que sabe que tudo passa. Em um coração em que só Deus basta. Em um coração que se consume no serviço da Igreja . Em um coração que tem ín ma amizade com aquele que sabemos que nos ama. Em um coração que quer ver a Deus para sempre. Em um coração que tem os olhos fitos em Jesus. De quem é este coração onde nasce e descansa o Jesus de Teresa e o menino Jesus de Teresinha? É no coração do Carmelita Teresiano que Jesus nasce e faz morada todo ano!

Revista Virtual do Monte Carmelo - OCDS - Nov/Dez - 2016  
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