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Papa Francisco: “Para fazer a paz é preciso coragem” pág. 7 JESUÍTAS BRASIL

Em

edição 5 | ANO 1 | junho 2014 | jesuitasbrasil.com

INFORMATIVO DOS JESUÍTAS DO BRASIL

Jesuítas, Esporte e Educação As práticas esportivas na busca da excelência humana Especial • 10

SIES Manaus inicia Ciclo de Formação Bíblica pág. 21

Sinergia entre obras é foco de encontro em SP pág. 24

Alunos do Catarinense conquistam bolsas na Alemanha pág. 27

Unicap faz parceria com Universidade Gregoriana de Roma pág. 31

40ª Consulta do Provincialado do Brasil reúne jesuítas no RS pág. 36


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editorial

Em busca da solidariedade universal

Pe. Adelson Araújo dos Santos, sj Superior da Região Brasil Amazônia

Pe. Carlos Palácio, sj Provincial do Brasil

Por uma bela coincidência de calendários, os cristãos do Brasil podemos experimentar, nestes dias, a convergência de dois movimentos bastante distintos: um, vivido pelos encontros litúrgicos de nossas comunidades de fé, e outro, pelo encontro de diversas comunidades nacionais. De um lado, em nossas celebrações eclesiais, aprofundamos a espiritualidade do mistério de comunhão que nos convida à unidade, seja por meio da tão bela e significativa solenidade de Pentecostes, seja por meio da profunda solenidade da Santíssima Trindade, celebrada há poucos dias. De outro lado, nas celebrações cotidianas de nossa vida, experimentamos o movimento

Pe. Mieczyslaw Smyda, sj Provincial do Brasil Centro-Leste

dos afetos por meio da grande festa da Copa do Mundo, desta vez, em nossas terras. Esses dois tipos de celebração, apesar de suas importantes diferenças, apontam para anseios comuns de nossa humanidade. Ambas, de caráter fortemente comunitário, colocam em rele-

Pe. Miguel de Oliveira Martins Filho, sj Provincial do Brasil Nordeste

Como acontece sempre que ousamos abraçar um grande Sonho, ambas as experiências nos revelam, também, nossa fragilidade. Traímos, com uma desconcertante frequência, nossos ideais de comunhão, devido a atitudes variadas, em níveis distintos: fechamento

celebremos a alegria que só nasce do verdadeiro encontro com o diferente. Nesta Copa, que a humanidade vença! vo tanto nossas singularidades quanto nossa vocação à universalidade e, assim, buscam caminhos para promover a comunhão do gênero humano. Essa comunhão é, em última instância, um dom que sempre nos surpreende e nos alegra, quando o experimentamos em nossa vida.

ao diferente, preconceito, amor próprio desordenado, desconfiança, violência, injustiça, corrupção... Como companheiros de Jesus, não queremos e não podemos fechar nossos olhos diante da incoerência entre o dom que nos é reservado e o modo como o acolhemos.

Pe. Vicente Palotti Zorzo, sj Provincial do Brasil Meridional

Continuaremos colaborando com outras pessoas para que a justiça do Reino prevaleça sempre. Mas também não queremos e não podemos nos fechar em um pessimismo que ignora a permanente ação salvífica de Deus no coração da humanidade frágil e pecadora. Relembrando a forte experiência de fé e de universalidade vivida no ano passado, por ocasião da JMJ, celebremos o anseio de comunhão que está no ar; celebremos a grande capacidade de acolhida demostrada por nosso povo; celebremos a alegria que só nasce do verdadeiro encontro com o diferente. Nesta Copa, que a humanidade vença! Boa leitura!


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CALENDÁRIO LITÚRGICO – JUNHO | JULHO Próprio da Companhia de Jesus 21 de junho São Luís Gonzaga 02 de julho São Bernardino Realino São João Francisco Régis São Francisco de Jerônimo Bem-aventurado Julião Maunoir

09 de julho São Leão Mangin, presbítero São Maria Zhu e companheiros mártires

O portal da Companhia de Jesus do Brasil

Expediente

São Luís Gonzaga, padroeiro das Juventudes

Pe. Francys Silvestrini Adão, SJ Diretor editorial Pe. Geraldo Lacerdine, SJ Diretor do NCI

EM COMPANHIA é uma publicação mensal dos Jesuítas do Brasil, produzida pelo Núcleo de Comunicação Integrada (NCI) Contato NCI noticias@jesuitasbrasil.com www.jesuitasbrasil.com

Silvia Lenzi (MTB: 16.021) Editora e jornalista responsável

Colaboradores da 5ª Edição Colaboradores: Pe. Bruno Schizzerotto (BAM), Pe. Carlos James dos Santos (BRC), Pe. Creômenes Tenório Maciel (BNE) e Pe. Matias Martinho Lenz (BRM). Pe. Antonio Baronio, Belisa Lemes da Veiga, Fabrício Fernando Bomfim, Francilma Grana, Pe. José Miguel Clemente, Pe. Pedro Vicente Ferreira e Ana Ziccardi (revisão).

Juliana Dias Redação

Fotos Banco de imagens / Divulgação

Victor Pisani Diagramação e edição de imagens

Tradução das notícias da Cúria Geral Pe. José Luis Fuentes Rodriguez

Pintura: Vocação de São Luís Gonzaga, Giovanni Francesco Barbieri (1650)

Bem-aventurado Antonio Baldinucci


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entrevista PEREGRINOS EM MISSÃO

A alegria de ser chamado por Deus nham escolhido para o sexto filho um nome da família e replicaram “João é o seu nome!”. Porém, aceitaram de bom grado o compromisso de batizar-me como João Augusto Anchieta. O senhor entrou na Companhia de Jesus em 1950, com 16 anos. Como aconteceu esse processo de discernimento para ingressar na Ordem religiosa?

PE. MAC DOWELL CELEBROU 80 ANOS EM 9 DE JUNHO, MESMO DIA DE SÃO JOSÉ DE ANCHIETA, SANTO QUE SE FAZ PRESENTE TAMBÉM EM SEU NOME

A presença de São José de Anchieta na vida do Pe. João Augusto Anchieta Amazonas Mac Dowell não se revela apenas em seu nome. O jesuíta nasceu em 9 de junho, mesmo dia em que a Igreja celebra o Apóstolo do Brasil, canonizado pelo papa Francisco, em abril último. Aos 80 anos, recém-completados, Pe. Mac Dowell fala dessas coincidências e, principalmente, do seu trabalho na Companhia de Jesus ao longo de 64 anos de dedicação à missão. O senhor nasceu em 9 de junho, dia de São José de Anchieta. Além disso, o senhor tem Anchieta no nome. Seus pais eram devotos do santo? A recente canonização do Padre Anchieta chama a atenção para o “Anchieta” de meu nome. De fato, nasci em 9 de junho de 1934, data da morte do Apóstolo do Brasil, que, naquele ano, quarto centenário do seu nascimento, tinha sido declarada feriado nacional. Fui batizado poucos dias depois na antiga Capela de Lourdes, da Residência da Companhia de Jesus, em Belém (PA), pelo jesuíta Pe. Foulquié. Ele propôs que eu me chamasse José de Anchieta. Mas meus pais já ti-

Cresci em uma família de viva tradição religiosa. Já em Recife, mamãe frequentava movimentos de Igreja daquele tempo, Mães Cristãs e Noelistas. Em diversas ocasiões, ia à Missa quase diariamente e, muitas vezes, me levava consigo. Fiz a primeira comunhão com seis anos. Por essa época, mamãe, adoentada, leu-me trechos de uma vida de São Francisco de Assis. Declarei, então, que queria ser frade franciscano. Daí por diante, sempre quis ser padre. Fiz o primário, o Admissão e os primeiros anos de Ginásio em colégios com excelente formação religiosa, baseada na “História Sagrada”. Aos doze anos, meus pais sentiram-se no dever de encaminhar-me para um Seminário. O contato com os padres do Colégio Nóbrega e a própria tradição da família levaram-me a preferir ser jesuíta. Por isso, fui para o Rio de Janeiro, ingressando no Aloisianum, uma instituição imaginada pelo Pe. Murilo Moutinho, para a formação de vocacionados à Companhia, que

estudavam no Colégio Santo Inácio. Os três anos que lá passei como adolescente, de 1947 a 1949, foram muito importantes para o amadurecimento de minha vocação. A confirmação da decisão de tornar-me padre e jesuíta não foi motivada propriamente pela reflexão sobre aspectos específicos desta forma de vida. Seguramente, essa reflexão ocorreu, porém o determinante foi a certeza de ser chamado por Deus, resultante da experiência espiritual proporcionada por aqueles anos de formação, que despertava o fervor juvenil de consagrar-me a Cristo, sob a proteção de Nossa Senhora, trilhando o caminho da santidade. Ao longo dos anos, até hoje, pela bondade de Deus, não obstante todas as minhas faltas de correspondência às suas graças, jamais duvidei desta vocação. O jesuíta passa por várias etapas de formação. Como foi esse processo para o senhor? O tempo de Noviciado, em Itaici (SP), foi iluminado pela figura bondosa e competente do Mestre, Pe. Armando Cardoso. No entanto, durante o período de formação na Companhia, apesar da boa vontade, nem sempre tive a lucidez espiritual para priorizar efetivamente o mais central no Evangelho e nos Exercícios de Santo Inácio, ou seja, o sair de si mesmo,


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entrevista PEREGRINOS EM MISSÃO

ve mais envolvido com a orientação dos estudantes e com tarefas organizativas. De fato, concebia, então, minha missão mais como formador do que como pesquisador no campo da Filosofia. O senhor está há 64 anos na Companhia de Jesus, tendo sido membro do Conselho Geral e assessor do Superior Geral. Como o senhor descreveria sua missão junto à Ordem religiosa e à Igreja? do próprio gosto e interesse, para crescer na comunhão com o Senhor Jesus, no amor e serviço dos irmãos. Assimilei, em primeiro lugar, uma atitude predominantemente ascética, concentrando-me na busca de meu aperfeiçoamento, sem tomar iniciativas para repartir os dons de Deus, inclusive no cultivo de amizades. É verdade que, pela graça de Deus, procuro ser respeitoso para com todos e disponível para ajudá-los sem exceção. Nos primeiros anos de sacerdócio, no Filosofado das Faculdades Anchieta, em São Paulo, a convivência com Pe. Mendes (Dom Luciano Mendes de Almeida) estimulou essa dedicação pastoral, sobretudo, aos mais pobres e necessitados, que me acompanhou nas fases ulteriores de minha vida sacerdotal, no Rio de Janeiro (favela de Acari), em Roma (mensa de Termini, enfermaria da Delegação), em Belo Horizonte (paróquia da periferia). Dom Luciano, aliás, foi a pessoa que mais influenciou, por seu exemplo, minha maneira de conceber o sentido da vida, não só nesse ponto, mas também entre outros, quanto ao primado da vida no Espírito, como fundamento de qualquer serviço fecundo do povo de Deus. Depois de completar o curso Clássico, iniciei os estudos de Filosofia na Escola Apostólica de Nova Friburgo (RJ). O ensino, vazado nos moldes escolásticos, fornecia, mesmo assim, alguns elementos básicos para a estruturação do pensamento. O Magistério, que se seguiu também na Escola Apostólica, como Prefeito dos alunos internos

do Clássico, candidatos à Companhia, foi uma experiência preciosa, como teste e como aprendizado de um viver exigente, voltado inteiramente para os outros, próprio da Companhia. Senti-me muito bem, como, aliás, basicamente, em todas as outras etapas da vida de jesuíta.

“O trabalho no campo educativo e filosófico, sempre acompanhado, aliás, de atividades pastorais diretas, sobretudo entre gente simples, ocupa a metade dos anos de minha vida apostólica” A Teologia, eu cursei em Sankt Georgen, Frankfurt (Alemanha), oportunidade dada pela Companhia de adquirir um fundamento teológico sólido e tomar um banho de cultura acadêmica europeia. Tendo mostrado interesse pelos estudos e capacidade de compreensão, depois da Terceira Provação, em Paray-le-Monial, fui destinado ao doutorado em Filosofia na Universidade Gregoriana, como preparação para o ensino e formação dos estudantes jesuítas. Pela graça de Deus, consegui levar a bom termo o trabalho nos quatro anos previstos (entre meados de 1964 e 1968). Voltando ao Brasil, iniciei imediatamente a colaboração nas Faculdades Anchieta, filosofado jesuíta para todo o Brasil, na periferia de São Paulo. Foram quase sete anos, 1968-1974, nos quais, além das aulas e de sua preparação, esti-

O trabalho no campo educativo e filosófico, sempre acompanhado, aliás, de atividades pastorais diretas, sobretudo entre gente simples, ocupa a metade dos anos de minha vida apostólica. Com efeito, a partir de 1975, recebi sucessivos encargos de governo no âmbito da Companhia. Ao enviar-me à PUC do Rio, o Provincial da época justificou a sua decisão com esta sábia observação: ‘Desde que entrou na Companhia, você viveu e trabalhou entre jesuítas; agora, já com 40 anos, é preciso fazer uma experiência de contato intenso com o mundo’. De fato, os anos na Universidade não só me ajudaram a combater a timidez diante de estranhos, como me introduziram em diferentes campos


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de atuação, desde as finanças à política universitária, ensinando-me a situar-me em ambientes exigentes e a enfrentar situações mais ou menos conflitivas. Fechado, porém, esse parênteses, voltei a prestar o meu serviço, desde 1982 a 1997, e, basicamente, até hoje, no âmbito interno da Companhia. Seja na Província, seja em Roma, o contato mais íntimo com os irmãos e a responsabilidade compartilhada em relação à sua vida e missão foram fonte de ricas experiências, de lições, cuja prática continua a desafiar-me. Compreendi que é preciso começar sempre mostrando interesse e elogiando pessoas e obras.

(...) ser jesuíta é saber que, embora pecador, se é chamado a ser companheiro de Jesus, como o foi Santo Inácio (CG 32 d.2. n.1), para manifestar a todos a grandeza do amor do Pai Aprendi a importância de ser compreensivo, delicado, e atento para não ferir, mesmo sem querer. Procurei tornar-me bem acessível, tanto pela disponibilidade, como pela simplicidade, despida de qualquer pretensão, e pela prontidão para escutar de bom grado críticas e sugestões. Os projetos e iniciativas foram, muitas vezes, gestados em reunião de Comissões. Sua execução não teria sido possível sem a contribuição imprescindível do Sócio, Pe. Klein, e de outros companheiros. Em Roma, a colaboração com o Superior Geral, Pe. Kolvenbach, bem como as visitas às Províncias da América Latina, durante sete a oito anos, ampliaram a minha visão da Companhia e do serviço que ela presta, de tantos modos, à Igreja e ao mundo. Para o senhor, o que é ser jesuíta? Ao completar 80 anos de idade, depois de 64 anos como jesuíta e 51 de sacerdócio, não posso senão agra-

Nascido em Belém, capital do Pará, Pe. Mac Dowell concluiu o ensino médio no Colégio Santo Inácio, na cidade do Rio de Janeiro. Cursou Filosofia no Colégio Anchieta de Nova Friburgo (RJ), mestrado em Teologia em Frankfurt (Alemanha) e doutorado em Filosofia na Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma (Itália). Ao voltar ao Brasil, trabalhou na Faculdade de Filosofia Nossa Senhora Medianeira, em São Paulo, e na PUC-Rio, onde tornou-se reitor aos 42 anos de idade, o mais jovem na história da universidade. Foi também reitor da Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia

decer a Deus pelo bem que, por meu intermédio, Ele distribuiu entre tantos irmãos e irmãs. Escolhido por sua bondade, não só para servidor da missão de seu Filho Jesus Cristo, mas também para seu amigo, sustentou sempre, apesar de minhas inúmeras resistências, meu compromisso de segui-lo no caminho da cruz, animado pela esperança da ressurreição. Por isso, estou con-

(FAJE), em Belo Horizonte (MG), onde, atualmente, é professor titular e diretor do Departamento de Filosofia. Atuou também como pesquisador do Centro João XXIII de Investigação e Ação Social, CIAS/IBRADES. Entre 1990 e 98, foi membro do Conselho Geral e assessor do Superior Geral para a América Latina da Cúria Geral da Companhia de Jesus no Vaticano. Foi ainda fundador da Academia Brasileira de Educação e da Sociedade Brasileira de Filósofos Católicos, além de presidente do Conselho Deliberativo do Instituto Cultural Brasil-Japão.

tente, muito contente, com a vida que Deus me deu e que coloco confiante em suas mãos. Os limites evidentes, de todo tipo, não são senão mais uma prova de sua misericórdia. Com efeito, ser jesuíta é saber que, embora pecador, se é chamado a ser companheiro de Jesus, como o foi Santo Inácio (CG 32 d.2. n.1), para manifestar a todos a grandeza do amor do Pai.


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o ministério de unidade na

IGREJA

SANTA SÉ

Papa Francisco: “Para fazer a paz é preciso coragem” esses hóspedes ilustres. “Este nosso encontro de imploração da paz para a Terra Santa, o Médio Oriente e o mundo inteiro é acompanhado pela oração de muitíssimas pessoas, pertencentes a diferentes culturas, pátrias, línguas e religiões: pessoas que rezaram por este encontro e agora estão unidas conosco na mesma invocação. É um encontro que responde ao ardente desejo de quantos anelam pela paz e sonham um mundo onde os homens e as mulheres possam viver como irmãos e não como adversários ou como inimigos”. “Para fazer a paz é preciso coragem, muito mais do que para fazer a guerra. É preciso coragem Na tarde de 8 de junho, os Jardins do Vaticano foram cenário de um momento histórico: o encontro de oração pela paz, que reuniu o papa Francisco e os presidentes de Israel, Shimon Peres, e da Palestina, Mahmoud Abbas. “Com grande alegria, vos saúdo e desejo oferecer, a vós e às ilustres Delegações que vos acompanham, a mesma recepção calorosa que me reservastes na minha peregrinação, há pouco concluída, à

Terra Santa”, disse o papa Francisco, em agradecimento aos presidentes israelense e palestino por terem aceitado o convite de rezar juntos, no Vaticano, para pedir a Deus o dom da paz. “Espero que este encontro seja o início de um caminho novo à procura do que une para superar aquilo que divide”, destacou o pontífice. O papa agradeceu ainda ao Patriarca Ecumênico de Constantinopla, Bartolomeu I, por acolher com ele

para dizer sim ao encontro e não à briga; sim ao diálogo e não à violência; sim às negociações e não às hostilidades; sim ao respeito dos pactos e não às provocações; sim à sinceridade e não à duplicidade. Para tudo isto, é preciso coragem, grande força de ânimo”, disse ainda o Santo Padre. Eis um trecho da oração pela paz feita pelo papa Francisco: “Senhor Deus de Paz, escutai a nossa súplica! Tentamos, tantas vezes e durante tantos anos, resolver os nossos conflitos com as nossas forças e também com as nossas armas; tantos momentos de hostilidade e escuridão; tanto sangue derramado; tantas vidas despedaça-

ENCONTRO DE ORAÇÃO PELA PAZ: PAPA E OS PRESIDENTES DE ISRAEL, SHIMON PERES, E DA PALESTINA, MAHMOUD ABBAS, NO VATICANO


8 o ministério de unidade na igreja SANTA SÉ

das; tantas esperanças s e p u l t a d a s . To r n a i - n o s disponíveis para ouvir o grito dos nossos cidadãos que nos pedem para transformar as nossas armas em instrumentos de paz, os nossos medos em confiança e as nossas tensões em perdão”. O presidente da Palestina, Mahmoud Abbas, proferiu as seguintes palavras: “Reconciliação e paz, Ó Senhor, são as nossas metas. Deus, em seu Livro Sagrado, disse aos fiéis: ‘Fazei a paz entre vós!’ Nós estamos aqui, Senhor, orientados em direção à paz. Tornai firmes os nossos passos e coroa com o sucesso os nossos esforços e nossas iniciativas. Vós sois o promotor da virtude e aquele que previne

o vício, o mal e a agressão”. O presidente de Israel, Shimon Peres, disse: “O nosso Livro dos Livros nos impõe o caminho da paz, nos pede que trabalhemos por sua realização. Diz o Livro dos Provérbios: Suas vias são vias de graça e todas as suas sendas são paz. Assim devem ser as nossas vias. Vias de graça e de paz. Nós todos somos iguais diante do Senhor. Nós todos fazemos parte da família humana. Por isso, sem paz, nós não somos completos e devemos ainda realizar a missão da humanidade. A paz não vem facilmente. Nós devemos trabalhar com todas as nossas forças para alcançá-la. Para alcançá-la rapidamente. Dois povos – os israelenses e os pa-

Da esquerda para a direita: Mahmoud Abbas, Papa francisco, shimon Peres e Bartolomeu I

lestinos – ainda desejam ardentemente a paz. As lágrimas das mães sobre seus filhos ainda estão marcadas em nossos corações. Nós devemos pôr fim aos gritos, à violência, ao

conflito. Nós todos necessitamos de paz. Paz entre iguais”. Fonte: site da Rádio Vaticano | Fotos: News.va e L’Osservatore Romano

Francisco na Terra Santa Entre os dias 24 e 26 de maio, o papa Francisco realizou sua primeira viagem como pontífice à Terra Santa. A visita teve como objetivo celebrar o 50º aniversário do aperto de mãos entre o papa Paulo VI e Atenágoras, patriarca de Constantinopla. Esse encontro histórico foi importante passo

para aproximar o Vaticano das igrejas ortodoxas.

O roteiro do papa Francisco à Terra Santa incluiu ainda visitas à região do Domo da Rocha e da mesquita de al-Aqsa, ao Muro das Lamentações, ao rio Jordão e ao local da Última Ceia de Jesus. Fonte: L’Osservatore Romano


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o ministério de unidade na igreja SANTA SÉ

Estátua de São José de Anchieta é inaugurada no Colégio Pio Brasileiro

No dia 9 de junho, dia de São José de Anchieta, o Colégio Pio Brasileiro, em Roma, inaugurou a estátua do Apóstolo do Brasil. Um marco importante para a instituição, que celebra 80 anos em 2014. O padre João Roque Rohr conta-nos como foi o processo de elaboração da escultura até o momento de sua apresentação: Logo que chegou a notícia de que o papa Francisco haveria de canonizar, pelo rito equipolente, o Beato José de Anchieta, no dia 3 de abril, justamente no dia da comemoração da inauguração do Pontifício Colégio Pio Brasileiro em Roma, dando início ao 80º aniversário da Casa de Formação seminarística e sacerdotal, dirigida pela Companhia de Jesus, ocorreu, à Equipe de Direção e à Comissão dos Festejos, a ideia de mandar esculpir uma estátua de madeira a ser inaugurada no Dia Nacional de Anchieta, em 9 de junho. A imagem escolhida deveria expressar a atividade missionária de An-

chieta no Brasil. A ideia era apresentar a fisionomia serena e juvenil de um jesuíta de 19 anos. Após essa decisão, saímos à procura de um escultor. Encontramos Carl Moroder, filho de uma tradicional família de artistas – escultores em madeira na Região de Bressanone (Brixen), no Tirol, ao norte da Itália. Feitos os primeiros contatos e transmitidas as sugestões de como queríamos a obra de arte, aguardamos pacientemente as provas que chegavam em miniatura, até aprovarmos a configuração final e o acabamento, previsto para o dia 25 de maio. A visita do papa Francisco estava prevista e agendada para o dia 9 de junho, mas, infelizmente, o pontífice foi acometido por uma indisposição e não conseguiu comparecer à inauguração. O papa telefonou ao reitor do Colégio Pio Brasileiro pedindo desculpas e explicando, penalizado, a sua situação. Ele pediu que dom Damasce-

no presidisse a Santa Missa e os demais eventos previstos para a ocasião. O reitor agradeceu a gentileza do telefonema e disse que informaria a comunidade reunida, solicitando-lhe preces pelo pronto restabelecimento da saúde de Sua Santidade. Futuramente, repetirá o convite para uma visita ao Colégio. A concelebração da Santa Missa em memória de São José de Anchieta transcorreu solene e devotamente, abrilhantada com belos cantos selecionados e ensaiados, sendo concelebrantes junto ao altar, ao lado de dom Raymundo Damasceno de Assis, o cardeal dom João Braz de Aviz, o arcebispo Dom Ilson de Jesus Montanari, o padre Marcos Recolóns – representante do Pe. Geral –, o padre Antonio Reges Brasil, o padre Leonisio Leal e o padre Ivan de Oliveira, cerimoniário . Os demais espaços da Capela foram ocupados pelos sacerdotes-estudantes do Pio e pelos funcionários e seus respectivos familiares.

Antes dos ritos conclusivos, os concelebrantes circundaram a estátua. Dom Damasceno a consagrou e benzeu com oração própria e água benta, enquanto todos cantavam a plenos pulmões o hino à Anchieta, composto pelo padre Eliomar Ribeiro de Souza. Por fim, dom Damasceno comunicou que a CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) proclamou São José de Anchieta co-patrono do colégio Pio Brasileiro, oficializando a decisão em Decreto assinado pela Presidência da entidade. A partir desta data, a estátua do novo santo da Companhia de Jesus e de toda Igreja Católica pode ser visitada e venerada por todos que vão ao Pontifício Colégio Pio Brasileiro.


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especial

Formação de alunos do Colégio São Luís, em 1897, tendo ao centro, sob os pés de um aluno, uma bola para jogar futebol

O Brasil é conhecido como o país do futebol. A identificação dos brasileiros com o esporte é genuíno e transcendem as quatro linhas do campo. Entre os meses de junho e julho, o país sedia um dos mais importantes eventos esportivos: a Copa do Mundo 2014. Os sentimentos com relação à competição são diversos, pois envolvem questões da administração pública. Mas, independentemente disso, um elemento se sobressai: o futebol é o esporte mais popular da nação e o que mais impulsiona a esperança de milhares de crianças e adolescentes. E por que o futebol desperta tanto a atenção dos jovens? Os motivos dessa grande paixão são vários, mas, certamente, os que mais se sobressaem são os valores que ele estimula, como companheirismo, solidariedade e perseverança. Para a Companhia de

Jesus, o esporte é mais do que uma atividade física, ele é uma força mobilizadora. O padre Adroaldo Palaoro, diretor do Centro de Espiritualidade Inaciana, destaca que “o futebol rompe as distâncias, supera os conflitos e alivia as tensões entre as pessoas, povos e nações. Ele é uma instância educativa, pois reforça os laços entre as pessoas, revigora comunidades e alarga os horizontes de quem dele participa”. Nos colégios da Companhia de Jesus, o esporte sempre foi trabalhado dentro do processo educativo. No livro Pontapé Inicial para o futebol no Brasil, lançado em maio, no Colégio São Luís, o autor Paulo Goulart conta que a modalidade esportiva foi trazida ao país por um padre jesuíta (veja boxe na página seguinte). “A atividade física está associada à formação de cidadãos completos, auxiliando os alunos a se

prepararem para os desafios pessoais, sociais, profissionais e espirituais da vida adulta”, diz Goulart, que também é arquiteto e Mestre em Ciências da Comunicação pela ECA-USP.

“A prática esportiva melhora o condicionamento físico, contribui com o raciocínio e a concentração. Isso impacta diretamente na qualidade de vida do aluno e no rendimento acadêmico. Além disso, o estudante que pratica esporte adquire, com o tempo, mais disciplina e respeito ao próximo.” Profª. Drª. Rivana Basso Fabbri Marino, vice-reitora de Extensão e Atividades Comunitárias da FEI

Foto: Acervo Colégio São Luís

Esporte e a busca da excelência humana


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Pontapé inicial dos jesuítas O padre José Maria Monteiro nasceu em 1839, na Itália, e, aos 16 anos, ingressou na Companhia de Jesus. O jesuíta foi um dos responsáveis por trazer os primeiros embriões das bolas de futebol ao Brasil. Tornou-se reitor do Colégio São Luís, em Itu (SP), no ano de 1877. Em sua gestão na instituição, promoveu importantes e significativas mudanças, com especial atenção à prática de atividades físicas. Empreendeu diversas viagens à Europa a fim de realizar uma atualização pedagógica, por meio da inserção de novas atividades, entre elas a prática de modalidades esportivas.

Para a Companhia de Jesus, a prática esportiva, não só do futebol, mas de qualquer modalidade, é parte integrante do ensino, pois trabalha com elementos que auxiliam no desenvolvimento intelectual. “A educação da pessoa como um todo implica o desenvolvimento físico em harmonia com outros aspectos do processo educativo. Por essa razão, a educação da Companhia inclui um programa bem desenvolvido de

esportes e educação física. Além de fortalecer o corpo, os programas de esportes ajudam os jovens, de ambos os sexos, a aceitarem graciosamente tanto o sucesso quanto o fracasso. Além disso, os faz conscientes da necessidade de cooperar com os demais, utilizando as melhores qualidades pessoais para contribuir para o bem maior de todo o grupo”, afirma padre Adroaldo. “O esporte como meio para a busca da excelência humana”, essa já era a crença dos jesuítas do século XIX. Esses homens tinham como intuito sempre aprimorar o trabalho da Companhia de Jesus com a educação. Por isso, viajavam para a Europa à procura de novos métodos que pudessem integrar o desenvolvimento educacional com o pessoal. “Os colégios jesuítas europeus já aplicavam, no que se refere às práticas esportivas, diversas soluções já consolidadas, estimuladas por educadores e com a orientação das modalidades descritas no livro Les jeux de Collége, que propunha uma uniformidade na prática de jogos e esportes”, explica Paulo Goulart. E foi na realização dessas viagens que o padre José Maria Mantero, reitor do Colégio São Luís, e seus companheiros jesuítas trouxeram na bagagem diversos objetos para as práticas esportivas, entre elas a

bola inglesa, que, depois, seria conhecida, simplesmente, como bola de futebol.

O esporte na Companhia de Jesus: passado e presente A versão mais conhecida do início do futebol no país é a de que o brasileiro, com ascendência inglesa, Charles Miller trouxe a modalidade esportiva para o Brasil. Em 1894, após desembarcar no porto de Santos, vindo de uma viagem de estudos à Inglaterra, o jovem apresenta o football aos paulistanos. Mas só em 1895 aconteceria a primeira partida de futebol. O jogo foi entre os funcionários da São Paulo Railway Company, time de Miller, e da Gas Company of São Paulo. Entretanto, uma história muito importante e não tão conhecida, é a de que os jesuítas, 15 anos antes de Charles Miller, já tinham desembarcado em terras brasileiras com bolas de futebol após algumas viagens pelo continente europeu. “Retornando da Europa, o padre José Mantero traz em sua bagagem algumas preciosidades: duas bolas de futebol e o livro Les Jeux de Collége. A partir daí, em 1880, as práticas esportivas, cujas modalidades ampliaram-se bastante, e com destaque para

Foto: Acervo Colégio São Luís

Foto: Acervo Colégio São Luís

especial


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conseguiu aliar a prática esportiva à educação dos alunos. O esporte foi trazido dentro de um contexto de desenvolvimento humano e espiritual. “Do que pude apreender durante o período de realização da pesquisa, a educação jesuíta incorpora as atividades físicas no ambiente escolar como elemento integrante do processo pedagógico. De modo mais específico, o futebol faz parte (assim como os outros esportes) da educação jesuíta”, ressalta o autor. Assim como no século XIX, a Companhia de Jesus continua a incentivar a prática de modalidades esportivas. O esporte pode transformar a vida das pessoas. Esse é um dos objetivos do Programa

Programa Esporte Integral já atendeu mais de 8 mil jovens em 26 anos de atuação

Foto: Unisinos

o futebol − inicialmente sob a forma de ‘bate-bolão’, em que os alunos se entretinham chutando a bola em direção à parede da escola, ganham novo impulso e adesão integral dos alunos”, detalha Paulo Goulart, autor do livro Pontapé Inicial para o futebol no Brasil. Com foco no início do futebol no país, a obra de Goulart faz um resgate histórico da inserção de modalidades esportivas por meio dos jesuítas no Colégio São Luís, localizado em Itu (SP). O livro apresenta registros que relatam o início do futebol antes da chegada de Charles Miller. “Quando chegaram aos colégios europeus, os jesuítas encontraram um ambiente bastante receptivo às práticas esportivas. Eles trouxeram novas e variadas modalidades de esporte e, em especial, bolas de futebol para o entretenimento dos alunos. A partir daí, houve uma contínua e ininterrupta utilização da bola de futebol no Colégio São Luís, com a evolução da prática desde as suas formas embrionárias, como o bate-bolão até o futebol praticado atualmente”, afirma Goulart. Charles Miller foi o responsável por agregar ao esporte regras mais específicas, além de contribuir significativamente com a divulgação do futebol. Já a Companhia de Jesus

Foto: Unisinos

especial


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especial

Os colégios da Rede Jesuíta de Educação têm por tradição incentivar os alunos na participação de atividades esportivas. Em 2013, o Colégio Diocesano realizou a Olimpíada Mirim, um dos eventos realizados nas comemorações da Semana da Criança, em outubro. Os alunos do 2º ao 5º ano do ensino fundamental participaram de diversas modalidades. Na ocasião, Rosemere Imperes, coordenadora de ensino da instituição, comemorou a realização do evento: “o que vimos nesses dias de Olimpíada foi o intercâmbio social e cultural da comunidade do Diocesano. Alunos, pais e professores estimulando a prática desportiva como instrumento indispensável à formação da personalidade dessas crianças”.

O trabalho em equipe é um dos benefícios que o professor José Carlos Araújo, do Colégio Antônio Vieira, ressaltou durante a participação dos alunos na 14ª edição do Festival Esportivo das Escolas Particulares de Salvador (FEEPS), que teve início no dia 26 de abril. “A iniciativa ajuda na Integração entre escolas e, com isso, proporciona uma ampla comunicação entre os participantes, o que ajuda no trabalho em equipe”, afirmou. O FEEPS será disputado em diferentes locais até o encerramento, no dia 9 de novembro. O Colégio Antônio Vieira compõe o circuito dos jogos e sediará algumas competições de modalidades coletivas. O maior objetivo do torneio é promover momentos de confraternização e lazer entre os participantes.

Foto: Colégio Diocesano

Esporte e lazer

Foto: Colégio Antônio Vieira

Esporte Integral, iniciativa do Centro de Cidadania e Ação Social da Unisinos, que conta com a parceria institucional do Banco do Brasil, da Associação Atlética do Banco do Brasil, através do Programa Integração AABB Comunidade. Em 26 anos de atuação, o programa já atendeu mais de 8 mil crianças e adolescentes do Vale dos Sinos, região metropolitana de Porto Alegre (RS). O intuito é estimular o desenvolvimento integral de jovens e a qualificação acadêmica de estudantes, por meio do esporte e da dança. Participam da iniciativa crianças e adolescentes, entre 7 e 18 anos, matriculados na rede pública de ensino. “A participação nas atividades garante aos educandos aprendizagens e vivências diferenciadas, buscando sempre utilizar todo o potencial do esporte”, afirma Augusto Dotto, coordenador executivo do Programa Esporte Integral e coordenador pedagógico do Programa Integração AABB Comunidade - São Leopoldo (RS). Os alunos da Unisinos também participam da ação. Desde 1988, ano da criação do programa, mais de 500 alunos já passaram pela experiência. “Os estudantes participam como estagiários, no formato de estágio remunerado, e, também, como espaço de estágio curricular obrigatório. Dentro da organização do Programa, os planejamentos e tomadas de decisões ocorrem com a participação de todos. Esse modelo favorece a formação de educadores comprometidos e vinculados ao desenvolvimento social. São muitos os casos de estagiários que, ao deixarem o Programa Esporte Integral, assumiram cargos de liderança e hoje fazem a diferença dentro do meio esportivo e educacional”, acrescenta Augusto. O esporte pode ser um importante aliado no incentivo à educação, mas, para isso, é necessário que ele seja trabalhado de acordo com os objetivos do espaço onde se desenvolve, respeitando os interesses do público envolvido. “É


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necessário fugir do discurso de que o esporte educa. Ele educa se bem realizado. Quem vai fazer dele uma ferramenta de educação, ou de exclusão, é o educador”, conclui.

Dimensão espiritual A prática de esportes exige de nós, seres humanos, um equilíbrio espiritual, uma paz interior. Algumas modalidades esportivas podem ser realizadas sozinhas, como o atletismo. Já outras, necessitam de uma integração entre as pessoas. São os esportes coletivos, como o futebol. Para a prática saudável desses exercícios, é necessário um equilíbrio entre corpo e mente. Segundo o padre Luís González-Quevedo, conhecido como Pe. Quevedinho, “a espiritualidade é uma dimensão que está presente em todas as áreas da vida humana. A prática esportiva faz parte da vida humana, logo tem uma dimensão espiritual.

É muito conhecida a máxima latina mens sana in corpore sano (mente sã em corpo são)”. O esporte nos transmite valores como persistência, trabalho em equipe e superação. Além disso, une as pessoas e proporciona momentos de felicidade. Para o padre Adroaldo Palaoro, “toda modalidade de esporte é um ‘sim’ à vida, porque possibilita mergulhar na profundidade da existência humana, assumindo o que há de prazeroso, de positivo e de belo, para expressá-lo com alegria”. A Companhia de Jesus incentiva a prática esportiva aliada à dimensão espiritual e ao desenvolvimento intelectual das pessoas. Nesse contexto de práticas esportivas, o cuidado com os valores humanos é essencial. Em 2013, casos de violência no futebol brasileiro apresentaram o lado negativo do esporte. O fanatismo cego e a intolerância esvaziam o sentido da prática esportiva. “Penso que a in-

fluência do esporte é positiva, quando o exercício físico é equilibrado e acompanhado de maneira adequada. Por outra parte, temos que lamentar a excessiva mercantilização do futebol profissional e o clima de paixão, que pode gerar atos de violência, manifestações de narcisismo, racismo e falta de respeito aos adversários”, ressalta padre Quevedinho. Mas, felizmente, o lado positivo do esporte se sobressai. Nas próximas semanas, o Brasil estará envolvido na realização da Copa do Mundo. Que a persistência, o companheirismo e o espírito de equipe façam parte de todo o evento. Para o padre Quevedinho, o esporte pode servir como alimento do espírito e o técnico da seleção brasileira sabe disso. “Felipão, que é um homem religioso, sabe que os craques brasileiros, além de uma ótima preparação física, precisam também de uma boa disposição psíquica e até da proteção de Deus”, finaliza.

“toda modalidade de esporte é um ‘sim’ à vida, porque possibilita mergulhar na profundidade da existência humana, assumindo o que há de prazeroso, de positivo e de belo, para expressá-lo com alegria.”

Foto: Unisinos

Padre Adroaldo Palaoro


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a companhia de jesus no

MUNDO

CÚRIA GERAL

Diretor do Serviço Jesuíta aos Refugiados no Afeganistão é sequestrado No dia 3 de maio, o Serviço Jesuíta aos Refugiados (JRS) confirmou o sequestro do padre Alexis Prem Kumar, 47 anos, diretor do JRS no Afeganistão. O jesuíta foi sequestrado no dia 2 de maio, por um grupo de pessoas não identificadas, no Oeste do país. “Estamos profundamente

consternados pelo sequestro do padre Alexis. Permanecemos em contato com todas as autoridades pertinentes para fazermos o possível para garantir o seu retorno seguro e rápido. Enquanto isso, nossas orações acompanham Alexis, sua família e amigos neste momento difícil”, disse o di-

retor internacional do JRS, padre Peter Balleis. O padre Alexis Prem Kumar é indiano e, no momento do sequestro, tinha ido acompanhar alguns professores de uma escola apoiada pelo JRS para refugiados vindos da aldeia Sohadat, a 25 km da cidade de Herat.

Visita do Superior Geral a Portugal O Superior Geral da Companhia de Jesus, padre Adolfo Nicolás, visitou a Província de Portugal entre os dias 1º e 4 de junho. O jesuíta participou das conferências Colaboração na Missão, na

capital Lisboa; Liderança, em Coimbra; e Educação, no Colégio das Caldinhas. Pe. Adolfo também participou de um encontro com os professores da Faculdade de Filosofia, em Braga, e da abertura

do simpósio A restauração da Companhia de Jesus em Portugal e no Oriente, organizado pela Fundação Oriente. Pe. Adolfo Nicolás presidiu eucaristias para grupos de universitários

e jovens que frequentam centros pastorais e para jesuítas da região. O Superior Geral participou, ainda, da Consulta da Província e encontrou-se com irmãos jesuítas e leigos colaboradores.

Jesuítas destinados ao apostolado intelectual No dia 24 de maio, o Superior Geral enviou uma carta circular a toda a Companhia de Jesus sobre os jesuítas destinados ao apostolado intelectual; em sua carta, ele diz: “a longa tradição de compromisso com o apostolado intelectual que tem a Companhia de Jesus forma parte da nossa identidade religiosa. Sabemos que os primeiros companheiros se

conheceram em Paris, quando estudavam para se graduarem Mestres de Artes (...). Esta carta quer se tornar um convite para renovar o apostolado intelectual, em particular quando se trata de fazer pesquisa”. O Pe. Adolfo concluiu a carta dizendo: “graças ao grande trabalho das gerações que nos precederam, dispomos agora de muitos instrumentos que

podem nos ajudar a entrar, de forma renovada, em um apostolado intelectual de verdadeiro serviço à missão da Igreja no mundo atual. No presente contexto, quando o número de jesuítas decresce em algumas partes do mundo e cresce em outras, é preciso prosseguir com a nossa dedicação a este campo, buscando adaptar nossos esforços às realidades do momento”.

Os temas tratados na carta são: 1) Um apostolado a serviço da missão da Igreja 2) Diversos modos de viver o apostolado intelectual 3) A necessária atitude espiritual do apostolado intelectual 4) Reforçar a “missão de investigar”


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Pe. Palácio comenta anúncio da 36ª CG

Em entrevista especial ao informativo Em Companhia, Pe. Carlos Palácio, provincial do Brasil, comentou o anúncio feito pelo Superior Geral, Pe. Adolfo Nicolás, em 20 de maio, sobre a decisão de convocar a 36ª Congregação Geral da Companhia de Jesus, que acontecerá nos últimos meses de 2016. Veja a seguir: Por que o Padre Geral convocou a 36ª Congregação Geral da Companhia de Jesus? Na referida carta de 20 de maio, o Pe. Adolfo Nicolás anunciou apenas a decisão de convocar, no fim deste ano, a 36ª Congregação Geral da Companhia de Jesus, que será realizada nos últimos meses de 2016. Essa notícia foi uma surpresa relativa. Os jesuítas que participaram da CG 35ª – e, por meio deles, os outros jesuítas – sabiam muito bem que, por ocasião de sua eleição, o Pe. Nicolás tinha manifestado a intenção de não prolongar seu governo além dos 80 anos, como foi o caso de seu antecessor, Pe. Peter-Hans Kolvenbach. As razões do Pe. Nicolás são compreensíveis. Com o passar dos anos (ele já cumpriu 78 anos; e terá 80, em 2016), ele sente que a vitalidade se reduz e as energias diminuem. Mes-

mo tendo plenas condições de continuar governando, o dinamismo não é o mesmo. E o Pe. Adolfo Nicolás é muito sensível – sempre foi – a esse aspecto: a Companhia de Jesus necessita de dinamismo. A convocação da CG 36ª está relacionada, portanto, com esse desejo de apresentar a renúncia ao cargo. Para isso, o Pe. Nicolás foi dando, com todo cuidado, os passos necessários: a aprovação dos Assistentes ad providentiam, uma conversa amigável com o papa Francisco, que lhe manifestou seu pleno acordo, a consulta a todos os Provinciais e o parecer do Conselho Geral. Se a renúncia for aceita, a Congregação procederá à eleição do sucessor do Padre Geral. Como funcionará a CG 36ª? Quais os objetivos e os jesuítas que participarão dela? A Congregação Geral é o órgão supremo de governo da Companhia de Jesus e não tem periodicidade estabelecida. Santo Inácio mesmo era reticente à multiplicação de tais reuniões. O seu maior desejo era que os jesuítas não fossem distraídos da missão. Por isso, a CG só é convocada por duas razões fundamentais: a)

quando é mister tratar de assuntos graves ou de muita importância; e/ ou b) quando se faz necessário escolher um novo Superior Geral. Esse será, provavelmente, o caso da CG 36ª, se for aceito o pedido de renúncia. E também o seu principal objetivo. Outros assuntos serão tratados em função das sugestões vindas das Províncias durante a preparação (as chamadas Congregações Provinciais) e das escolhas feitas pela CG, que é soberana. De qualquer maneira, a preparação da CG 36ª – como toda CG – tem seu funcionamento rigorosamente estabelecido, no que se chama, na nossa linguagem, a Formula Congregationis Generalis: a começar por quem a convoca, os jesuítas que dela irão participar (os ‘eleitores’), os assuntos a serem tratados, as comissões de trabalho etc. Os participantes são definidos igualmente com extremo cuidado e representam um número significativo de jesuítas do mundo inteiro: alguns participam por razão do cargo que ocupam (o governo geral; os provinciais etc.); outros são eleitos pelas respectivas Províncias; os Presidentes das Conferências de Provinciais; e aqueles que, por motivos diversos, podem ser convocados pelo Pe. Geral. Quais as diferenças entre as últimas CGs para a que acontecerá em 2016? Seria exercício de pura imaginação dissertar sobre a temática e as características que poderá ter a CG 36ª ou a sua especificidade em relação às CGs precedentes. Por enquanto, a única certeza, ao que tudo indica, é que haverá eleição de um novo Geral. Mas, nesse longo tempo de preparação (mais de um ano e meio), irão surgindo traços do que poderão ser as características dessa CG.


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A COMPANHIA DE JESUS NO MUNDO CÚRIA GERAL

De fato, cada CG tem a sua especificidade, que depende das circunstâncias da sua convocação e do contexto histórico-eclesial. Só a posteriori é possível estabelecer conexões e fazer comparações. Por exemplo, em relação às CGs precedentes, a CG 31ª foi um começo novo. O ingente esforço feito pela Companhia reunida em CG para adaptar seu estilo de vida e missão ao espírito do Concílio Vaticano II significou um antes e um depois na vida da Companhia. Já a CG 33ª, realizada no momento da doença que deixou prostrado o Pe. Pedro Arrupe, limitou-se, na prática, à eleição do Pe. Peter-Hans Kolvenbach. A CG 32ª e a CG 34ª – em momentos históricos e culturais diferentes – deixaram marcas profundas: a primeira, pela íntima vinculação que introduziu entre serviço da fé e promoção da justiça, sobretudo; e a segunda, por ter retomado essa questão no contexto do diálogo com as culturas e do diálogo inter-religioso. A CG 35ª reafirmou as opções das CGs anteriores, destacando-se, principalmente, pelo conhecido Decreto 2 (Um fogo que acende outros fogos), que é uma narrativa extremamente inspiradora e atual de nosso carisma e missão. Quais foram as principais características do governo do Pe. Adolfo Nicolás e as expectativas em relação ao novo Geral? É cedo ainda para avaliar o governo do Pe. Adolfo Nicolás. Ainda tem pela frente dois anos, nos quais muitas coisas podem acontecer. Por ter vivido grande parte da sua vida como jesuíta no Japão e conhecer muito de perto a realidade da Ásia em geral, o governo do Pe. Adolfo Nicolás teve um importante papel de transição, de ponte, entre uma Companhia de Jesus com forte predomínio do hemisfério norte ainda (Europa e Estados Unidos), para uma Companhia cujo peso demográfico repousa cada vez mais

na Ásia, na África e, em parte, na América Latina. Ter aberto os olhos e a atenção da Companhia para esses continentes é um dos grandes méritos deste governo. Isso, a meu ver, está relacionado com outras duas características da gestão do Pe. Nicolás: a insistência nas novas fronteiras da missão e o apelo insistente à renovação das estruturas de governo, sobretudo a histórica e tradicional divisão em Províncias, em função de novos enfoques da missão. É muito provável que o novo Geral tenha que dar continuidade a esse caminho recém-aberto. Ao pensar na surpresa que foi a eleição do papa Francisco, quem sabe poderá a Companhia ser surpreendida não com a eleição de um Geral latino-americano, mas asiático ou, talvez, africano. Quais repercussões no Brasil? Como disse antes, a surpresa entre os jesuítas do Brasil, não foi tanto o anúncio da renúncia, quanto a convocação imediata da CG 36ª. Passada a surpresa, cabe a nós, logo que for convocada a CG, começar a preparar a Congregação Provincial que tem pela frente duas grandes tarefas: eleger os que representarão a nova Província na CG e sugerir eventuais temas a serem tratados. De resto, o anúncio da futura CG não exigiu alterações no processo que vive a Companhia de Jesus no Brasil. Foi necessário apenas um pequeno ajuste de calendário. A data de criação oficial da nova Província foi antecipada em dois meses por questões jurídicas: a ereção canônica da BRA e a posse do novo Provincial têm que ser realizadas antes de ser convocada oficialmente a CG, porque, a partir desse momento, nenhum Provincial pode ser mudado. É uma forma de proteger o direito dos Provinciais em exercício, que, por força do cargo, são automaticamente membros de uma CG.


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a companhia de jesus na

AMÉRICA LATINA

CPAL

Mais em obras

Jorge Cela, SJ Presidente da CPAL

Lima, Peru. Santo Inácio dizia que o amor está mais nas obras do que nas palavras. Por isso, Jesus diz que aquele que o ama, faz sua vontade. Na segunda semana dos Exercícios Espirituais, pedimos para conhecer, para mais amar e seguir mais de perto, que é uma maneira de fazer. Fazer perto de, fazer com, fazer para. Jesus nos diz que não existe maior amor do que dar a vida pelo amigo. Fazer que implica entrega do que possuímos, até entregar o que somos: a vida. Na metodologia do PAC, da proximidade, conhecer de perto, com o entendimento e com o coração, passamos à profundidade, compreender e amar desde o mais profundo de nossa vida, e daí à ação. A ação que nasce do amor. Ação transformadora. Muitas vezes, temos comparado com a obra do artista, com ênfase na criatividade requerida, que supõe conhe-

cimento, imaginação e coração; ou com a do oleiro, com o peso colocado na utilidade e no serviço, a intencionalidade de nossa ação. Ambas as imagens complementam-se com uma terceira: a do semeador, cuja ação transformadora produz fruto, mas que não é o produto exclusivo de seu saber, nem de seu querer ou de sua vontade produtiva. Porque não é aquele que planta, nem o que rega, mas sim Deus é quem dá o crescimento. É a espiritualidade da ação que reconhece a ação do Espírito no movimento criador do sujeito. Reconhecem-nos como co-criadores, em uma ação que envolve toda a nossa pessoa, incluída na presença de Deus em nossa vida. Isso se torna mais evidente na ação educadora ou evangelizadora que se realiza em relação a uma pessoa, que convida a crescer em liberdade; que não trabalha sobre uma matéria-prima passiva, que se deixa modelar e transformar, mas que entra em diálogo ativo, mutuamente transformador, até, como insiste Paulo Freire, tornar o educador educando, que aprende e cresce em sua ação, e ao educando convertido em educador, que não apenas recebe, mas também aporta no mesmo ato de aprender. Por isso, falamos de ser contemplativos na ação. Porque, em nossa ação transformadora, contemplamos a esse Deus

presente como quem trabalha, do qual nos fala a contemplação para alcançar o amor. Nesse sentido, a Eucaristia é símbolo e sacramento de nossa atividade transformadora do mundo. O pão e o vinho que, em nossas mãos, por nossa palavra e nossa ação, tornam-se Deus presente e abrem-nos à ação transformadora de Deus. Por isso, toda nossa ação torna-se eucarística, enquanto faz Deus presente, que transforma e redime a realidade. Nossa vocação é missionária, é apostólica. Estamos chamados a colocar-nos sob a bandeira de Cristo, a envolvermo-nos em sua missão, que dá sentido à nossa vida toda. Vivemos orientados à ação, em serviço da fé e promoção da justiça em um mundo intercultural e inter-religioso. Nossa oração, nosso estudo, nossa vida comunitária devem ser missão. Não apenas orientados para a missão, senão missão em si mesmos, de alguma maneira sacramentais, que começam a realizar o que anunciam e buscam. Sendo assim, nossa ação tem de ser em colaboração. Porque nossa missão é construir comunidade, a comunidade do Reino. E a ação mesma tem que ser construtora de comunidade, em colaboração. Tem de criar relações de fraternidade, não de subordinação, na atividade da vida humana, que é partilhada e criativa. A colaboração não é

um anexo, mas sim constitutiva de nossa ação apostólica. A novidade que o Projeto Apostólico Comum – PAC – agrega é a incidência. É uma ação que não busca apenas a transformação direta, senão que pretende criar ondas, influenciar para que outros atuem. Em uma sociedade cada vez mais complexa e plural, mais institucionalizada e relacionada em redes múltiplas e globais, mais conflitiva e contraditória, não basta com a ação direta pessoal, que continua sendo o núcleo de nossa missão. É necessário incidir também nas redes e estruturas, pensar nossa ação para que provoque ondas, para que dispare movimentos que, desde as redes e estruturas, entrem em diálogo com a complexidade de nosso mundo plural, que teça consensos desde nossas disparidades. Já não se trata de impor critérios morais ou dogmáticos desde os centros de poder. É necessário entrar em diálogo com um mundo intercultural e inter-religioso para criar ondas de humanidade abertas à transcendência. Nossas prioridades nos falam dessa atitude: a inclusão, a abertura aos jovens, o diálogo entre fé e culturas, a solidariedade latino-americana. Por isso, em nosso Projeto Apostólico Comum, a ação estende-se até a incidência. Esta é a terceira nota da metodologia do PAC: sua orientação à ação transformadora e à incidência mais que nas palavras e declarações.


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a companhia de jesus no

BRASIL

AMAZÔNIA

Comunidade São Pedro participa de churrasco beneficente

No dia 25 de maio, o projeto Centro Cultural e Biblioteca Padre Gabriel Malagrida promoveu um churrasco beneficente, na comunidade São Pedro, no bairro da Liberdade, em Marabá (PA). O objetivo da ação era ajudar na viagem e estadia de três jovens atletas, que participaram do

campeonato sul-americano de Karatê, realizado em São Paulo, entre os dias 31 de maio e 1º de junho. Durante o evento, os jovens que participam do projeto realizaram apresentações de balé, karatê e violão. O Centro Cultural e Biblioteca Comunitária Padre Gabriel Ma-

lagrida, iniciativa da Companhia de Jesus com o apoio da Paróquia Sagrada Família, tem como objetivo incentivar o desenvolvimento esportivo, educacional e social dos alunos. O projeto atende mais 200 jovens das comunidades: Nossa Senhora Aparecida, São Pedro e Nossa Senhora da Paz.

Atletas se destacam em Campeonato O Campeonato sul-americano de Karatê reuniu atletas representantes de 18 estados brasileiros e de 5 países latino-americanos: Argentina, Peru, Uruguai, Chile e Venezuela. O Centro Cultural e Biblioteca Padre Gabriel Malagrida enviou três adolescentes, do município de Marabá (PA), para participarem da competição. Durante o campeonato, os atletas Wanderson Matos da Silva, 14 anos, e Wesley da Silva Costa, 15 anos, não ganharam medalhas, mas alcançaram uma boa classificação. O grande destaque foi a jovem Mansuelen Araújo Gomes, 17 anos. A atleta ganhou o 3° lugar em Kata (luta imaginária) e 2 ° Lugar em Kumite (luta

por pontos) e classificou-se para o Campeonato Mundial de Karatê, que acontecerá em outubro, na Polônia. O grupo foi recebido com muita festa pela comunidade da paróquia Sagrada Família. Esse foi o primeiro campeonato de grande porte de que o professor de Karatê, Marcos Felipe, participa. “Para nós, participar des-

se campeonato, foi uma grande conquista e um grande incentivo para que os atletas se dediquem mais às artes marciais”, afirmou Marcos. Ele atuou durante todo o evento como árbitro e, por sua boa atuação, recebeu medalhas e a possibilidade de fazer um curso de aperfeiçoamento para árbitros.


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Jovens participam da Trilha Inaciana da Juventude em Marabá

Entre os dias 24 e 25 de maio, a Paróquia Sagrada Família, em Marabá (PA), promoveu a Trilha Inaciana da Juventude, que reuniu cerca de 70 jovens. Os participantes percorreram cerca de 17km entre a Comunidade Nossa Senhora da Conceição, no Burguinho, até a Comunidade Nossa Senhora Aparecida, Km 16 da Transamazônica. O momento foi de encontro com o outro, conforme o relato do padre José Miguel Clemente: O primeiro dia da Trilha Inaciana consistiu em dar-se conta de refletir o caminho que é Jesus. Como são direcionados

os nossos sentidos, o ver, o escutar, o cheirar, o gostar e o tocar. O banho na fonte nos faz dizer: “oh! cristalina fonte, se em teus semblantes prateados fizeras de repente os olhos desejados, que eu tenho em minhas entranhas desenhados” (Cântico Espiritual S. João da Cruz), onde mergulhar e deixar as ameaças e medos, para surgir com uma humanidade nova, renovando o nosso batismo. Os sentidos são o meio para nos encontrar com a realidade hoje, da natureza da Amazônia e da nossa vida como jovens que queremos contemplar

a Jesus em nosso meio, “Depois da oração preparatória e dos três preâmbulos, é útil aplicar os cinco sentidos da imaginação” (EE 121). No segundo dia da Trilha Inaciana, refletimos sobre a vida de Jesus, quando nos lembramos de seu amor pelos ‘outros’, os pobres, os aleijados, os humildes, celebrando a VIDA. Os sinais da natureza em nós abrem ao assombro da evidência de sermos criaturas de Deus junto com a natureza. Passando aos poucos de um exercício corporal a um exercício espiritual: “assim como passear e caminhar são exercícios corporais, da mesma forma se dá o nome de Exercícios Espirituais a todo e qualquer modo de preparar e dispor a alma para tirar de si todas as afeições desordenadas e procurar a vontade de Deus“ (EE 1). Esse sinal natural nos leva a uma paz singular de ter feito as pazes com a natureza e seu criador, assim como com o universo. O convite a entrar na ‘trilha interior’ no seu espaço, no seu ‘colo’, respeitamos a interioridade da pessoa e assim da mesma natureza em nós, ficando de joelhos em sinal de reverenciar, louvar e servir a Deus: “o homem é criado para louvar, reverenciar e servir a Deus Nosso Senhor“ (EE 23). Esse ficar de joelhos é sinal da urgência de diminuir o desequilíbrio socioambiental, que revela que a vida no mundo está ameaçada.

Jornada de Espiritualidade Inaciana reúne jovens A Rede Inaciana de Juventude, do polo Luiz Gonzaga, da Região Brasil Amazônia, realizou a Jornada de Espiritualidade para Jovens, no dia 31 de Maio. A edição 2014 da experiência trouxe como tema O Sentir Magis e, como lema, “Não é o muito saber que satisfaz e sacia a alma, mas o sentir e saborear as coisas internamente” (EE 2). O evento reuniu, aproximadamente, 30 jovens de diversas partes

da cidade de Manaus (AM), no Centro Loyola de Pastoral. O objetivo da Jornada de Espiritualidade foi o de propor aos jovens uma contribuição em sua formação, através das artes visuais e da música, na vivência da espiritualidade segundo Santo Inácio de Loyola. A Jornada de Espiritualidade Inaciana é um momento do sentir o magis para e com as juventudes.

É um encontro de partilha, um espaço de reflexão e discussão de temas próprios para o ser humano, mas com um enfoque na juventude.


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A COMPANHIA DE JESUS NO BRASIL AMAZÔNIA

Rede Inaciana de Juventude e Pastoral Universitária realizam “Partilhar Magis” Aconteceu, em 3 de junho, o Primeiro Encontro Partilhar Magis, com o tema ‘Jovens Politikós: exigência para uma práxis cidadã’. O evento reuniu em torno de 10 estudantes universitários na Casa Magis, em Manaus (AM). O Projeto Partilhar Magis é uma parceria entre o Núcleo do Serviço de Pastoral Universitária da Universidade Federal do Amazonas (SPU-UFAM) e a Rede Inaciana de Juventude (RIJ), cujo objetivo é pensar e discutir a juventude em seus diversos modos de ser, anseios, questionamento e desafios, consciente de sua ação transformadora. A iniciativa conta com a coordenação do estudante de Filosofia da UFAM, Marcos Almeida. Realizado em forma de roda de conversa, o evento tratou sobre

como a política é inerente aos seres humanos e como a juventude deve assumi-la sendo parte construtiva de sua formação. Participaram como palestrantes o professor Deodato F. da Costa (UFAM) e o vereador da Câmara Municipal de Manaus, Waldemir José da Silva (PT).

SIES Manaus inicia Ciclo de Formação Bíblica O SIES de Manaus (Serviço Inaciano de Espiritualidade) iniciou o Ciclo de Formação Bíblica, no dia 8 de maio, no Centro Loyola de Pastoral. Em 2014, o estudo é orientado pelo padre Ronaldo Colavecchio e obedece ao ciclo litúrgico do ano A da Igreja. O tema desta edição é Evangelho Segundo Mateus: A Igreja misericordiosa volta às suas raízes. O curso acontece todas às quintas-feiras à noite e reúne, aproximadamente, 50 pessoas, entre ministros da palavra, lideranças leigas católicas, religiosos e religiosas, que têm o desejo de se aprofundar nas práticas e ensinamentos de Jesus. O momento é de estudo para conhecimento da Palavra de Deus e de aplicação no contexto da ‘liturgia cristã’. O padre Ronaldo Colavecchio explica os passos do curso: “nós vamos

prosseguir pelo Evangelho do ano, que é de São Mateus. Durante oito encontros, vamos analisar sua mensagem e estrutura. Queremos descobrir e contemplar a maneira que esse Evangelho é, um exemplo de uma igreja misericordiosa, voltada a suas raízes, que são a pessoa de Jesus e a sua atuação com os doze apóstolos”. Para Eisenhower Campos, colaborador do SIES, “o curso de Formação Bíblica oferecido pelo SIES parte da interpretação do livro A contemplação sobre o itinerário de Jesus Cristo, O Filho de Deus, no Evangelho de São Mateus, de autoria do padre Ronaldo Colavecchio. Para nós, participantes, o curso é uma possibilidade de verificar o grau de humanização – intimidade, humildade – e o amor de Deus para com seus filhos”.

O projeto, a partir dessa metodologia, pretende criar um diálogo entre a teoria e a prática, convidando sempre dois debatedores, um do meio acadêmico e outro conhecido pela sua atuação pública. E, dessa forma, proporcionar ao jovem uma reflexão sobre diversos temas que serão abordados a cada mês.

Calendário BAM Agenda do Superior Regional 18 a 21 de junho | Orientará, como assistente de formação, o Tríduo de preparação para a renovação de votos dos estudantes do Juniorado e Filosofado – Belo Horizonte (MG) 22 a 30 de junho | Trabalho na cúria regional – Manaus (AM) 3 a 7 de julho | Visita canônica a Marabá – Marabá (PA) 6 de julho | Posse do Pe. João Pedro Cornado como novo pároco em Marabá – Marabá (PA) 8 a 28 de julho | Trabalho na Cúria Regional – Manaus (AM)


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BRASIL

CENTRO-LESTE

Foto: Wagmar Alves

Museu da PUC-Goiás homenageia jesuítas

Benção do arcebispo de goiânia e grande chanceler da puc goiás, dom Washington cruz

Inaugurado em 14 de maio, o Museu PUC-Goiás, na Praça Universitária de Goiânia (GO), conta a história da instituição, fundada em 1959, que se tornou a primeira universidade do Brasil Central.

A inauguração da Universidade Católica de Goiás foi uma iniciativa corajosa do primeiro arcebispo de Goiânia, dom Fernando Gomes dos Santos, que, para realizá-la, chamou os jesuítas, considerados “es-

pecialistas na direção de universidades”. No Museu PUC-Goiás, aparecem com destaque os retratos dos quatro primeiros reitores da universidade: os jesuítas Paulo de Tarso Naca (1959-1962), Pe. Ormindo

Pe. Nilo Ribeiro defende tese de doutorado em Filosofia Em 7 de abril, o Pe. Nilo Ribeiro defendeu sua tese de doutorado em Filosofia, no auditório na Faculdade de Filosofia da Universidade Católica Portuguesa, campus Braga (Portugal), com o título ‘A Sabedoria da carne

no itinerário de Lévinas. Diálogo com Merleau-Ponty e Michel Henry’. Tratou-se de pensar uma filosofia do corpo a partir da obra do filósofo franco-lituano Emmanuel Lévinas, em diálogo com a ontologia do corpo de

Merleau-Ponty e com a ontologia da vida de Michel Henry. Pe. Nilo fez a defesa da tese diante de uma banca de nove examinadores, sendo aprovado com “Summa cum Laude” por unanimidade.

Viveiros de Castro (19631967), Pe. Cristóbal Alvarez Garcia (1968-1973) e Pe. José Carlos de Lima Vaz (1973-1979). Na solenidade de inauguração do Museu PUC-Goiás, o atual reitor, prof. Wolmir Therezio Amado, expressou a gratidão aos jesuítas, pioneiros da instituição. O projeto arquitetônico, de ambientação e de comunicação visual do local foi desenvolvido pelos arquitetos Daniela Hummel Mungai e Neto Farhat. O novo espaço contou com a benção do arcebispo de Goiânia e grande chanceler da PUC Goiás, dom Washington Cruz. Na solenidade, o superior da comunidade jesuíta de Goiânia, Pe. Nilson Marostica, foi representado pelo Pe. Luiz González-Quevedo.


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Maior sinergia entre obras é foco de encontro em SP

Durante os dias 3 e 4 de junho, Diretores Gerais e Administrativos das Obras da Província do Brasil Centro-Leste (BRC) estiveram reunidos no Centro Santa Fé, em São Paulo (SP). Com a temática Construindo Juntos a Governança que Fortaleça a Missão da Companhia de Jesus no Brasil, o encontro teve por objetivo criar sinergia entre jesuítas e leigos de obras e mantenedoras e, consequentemente, facilitar a realização da missão no contexto da criação de uma única Província Jesuíta no Brasil. “Este encontro, de forma germinal, antecipa uma realidade vindoura: a de sermos uma NOVA Província Jesuíta do Brasil. Tal realidade exige também a reorganização das estruturas institucionais da Companhia de Jesus”, afirmou o Pe. Carlos Fritzen, administrador da BRC. Ele acrescentou ainda que “o sentido destas mudanças da organização remete, ao mesmo tempo, ao desafio de trabalharmos juntos em

Rede para fortalecer-nos a serviço da Missão de Jesus Cristo”. Portanto, este encontro de diretores e administradores de Obras é parte de um processo gerador de uma nova cultura organizacional para respondermos juntos, com mais vigor apostólico, à Missão em novos contextos. Dessa forma, Pe. Carlos Fritzen e Pe. João Geraldo Kolling, administrador da BRM (Província Brasil Meridional), estiveram à frente da apresentação de quatro assuntos importantes: Processos de articulação em vista da nova Província; Panorama das mantenedoras ANEAS, AJEAS e Companhia de Jesus; Proposta de reorganização dos processos administrativos BRC em vista aos projetos; e Governança, Plataforma, Data Center e Sistemas Integralizados de Gestão. Foram abordados ainda os temas Sinergia Brasil e Patrimônio, que já estão em andamento, além do Mapeamento dos Processos, que antecede a implantação do e-Social.

“Esse encontro possibilitou aos participantes dialogar e expressar suas esperanças e ansiedades. O que, num contexto de reconfiguração de Províncias e Mantenedoras, é altamente desejado e necessário para uma serena transição e sólida construção do novo”, ressaltou Pe. João Geraldo Kolling. Além da troca de conhecimento e da sinergia promovidos durante o evento, foram criados ainda os comitês Diretivo (com lideranças jesuítas) e Exe-

cutivo (com lideranças administrativas das Obras). Posteriormente, haverá a organização também de um Comitê Técnico. São medidas que fazem parte de um amplo projeto para a melhor integração na gestão das Obras da Província BRC, sempre no horizonte da criação da única Província Jesuíta no Brasil, a partir do final de 2014. “Com o esforço de cada um(a), confiantes na graça de Deus, este encontro continuará produzindo muitos frutos”, finalizou Pe. Carlos Fritzen.

Da esQ. p/ dir.: Pe. Carlos Fritzen e Pe. João Geraldo Kolling


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A COMPANHIA DE JESUS NO BRASIL CENTRO-LESTE

Interatividade marca a sexta edição do FEI Portas Abertas Em 17 de maio, o Centro Universitário da FEI, campus de São Bernardo do Campo (SP), recebeu mais de 2,6 mil visitantes, entre estudantes e professores de escolas públicas e privadas do Grande ABC, região metropolitana e interior de São Paulo, para o FEI Portas Abertas. O evento tem como objetivo proporcionar a esse público a oportunidade de vivenciar um pouco de tudo que envolve o universo acadêmico da Instituição, como projetos, experiências científicas, pesquisas. Foram mais de 70 atividades interativas, envolvendo os cursos de Administração, Ciência da Computação e Engenharias. Muitas novidades foram apresentadas nessa sexta edição do evento. Destaque para

a Ciência da Computação que, entre as diversas atividades do curso, mostrou a funcionalidade de um hacking de rede sem fio e e-mail phishing, Internet das Coisas, movimentos corporais no Kinect, interação humano-robô e futebol de robôs. Na Administração, exposição de planos de negócios, palestras sobre coaching e planejamento de carreira contemplaram a grade de atividades, que ainda contou com plantões de dúvidas sobre a área. Na Engenharia, foram realizadas demonstrações de softwares, robôs industriais de produção, reconhecimento automático de fala e experimentos de controle automático. Foram mostrados ainda produção de peças, fundição, laminador de metais, micros-

copia óptica e eletrônica, comportamento de materiais, entre outras atividades que envolveram os visitantes e contribuíram para que muitos estudantes, principalmente os que estão em fase de escolha de carreira, esclarecessem as muitas dúvidas que ocorrem nessa época. “É um evento totalmente diferente

Portas Abertas em São Paulo

Este ano, o FEI Portas Abertas foi realizado também no campus da Instituição em São Paulo. No dia 24 de maio, mais de 340 visitantes tiveram a oportunidade de conhecer a infraestrutura do campus e participar de atividades relacionadas à área

de Administração, como um game interativo de gestão – o Desafio CEO –, atividades dinâmicas e plantões de dúvidas sobre a atuação de um administrador, entre outras. Simultaneamente ao evento, foi realizada a 15ª Feira de Empreendedorismo, que apresentou

oito projetos de negócios inovadores, desenvolvidos por alunos de Administração do campus São Paulo. O estudante do terceiro ano do Centro Educacional SOBEM, José Paulino Contrin Jr., ressalta que é muito importante a faculdade abrir o campus para que o estudante conheça os cursos e infraestrutura, além de esclarecer as dúvidas sobre a carreira em Administração. “Achei muito interessante o conteúdo das palestras, principalmente a que abordou a inserção do jovem no mercado de trabalho. Hoje, o que mais se vê são

de tudo que já vi, pois, aqui, você conhece a prática daquilo que nós estamos acostumados a ver somente em papel. É uma oportunidade excelente para quem deseja definir o que cursar como faculdade”, destacou o estudante do terceiro ano do ensino médio do colégio São Luis, Fernando Araújo Sanchetta.

jovens perdidos e sem saber o que cursar como faculdade. Evento como o FEI Portas Abertas contribui muito para sanar essa indecisão”. “No universo atual do ensino brasileiro, existe uma distância muito grande entre a escola e a universidade. Quando, na verdade, as duas instituições precisariam estar aliadas, pois os estudantes de ensino médio precisam conhecer mais como é a vida em um ambiente universitário para que eles cheguem preparados à graduação. Essa iniciativa da FEI é fantástica”, destacou o professor de História, Lorival Jean Jácomo, do Colégio Brida, em São Paulo (SP).


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Na Paz do Senhor Pe. Francisco R. Romanelli Pe. Carlos James

Nascido em Jaú (SP), em 16 de fevereiro de 1935, filho de Humberto Romanelli e Dizulina Morciani, Francisco R. Romanelli ingressou no Noviciado da Companhia de Jesus, em Itaici (SP), em 1955, e teve como Mestre de Noviços o Pe. Armando Cardoso. Depois dos primeiros votos, iniciou seu curso de Filosofia em Nova Friburgo (RJ) e o concluiu na Faculdade N. Senhora Medianeira, em São Paulo (SP). Dedicou três anos ao Magistério, no Colégio Anchieta de Nova Friburgo, e mais um período no Colégio S. Luís, na capital paulista. De 1965 a 1968, fez seus estudos de Teologia em Heverlee e Louvaina, na Bélgica. Foi ordenado presbítero em Heverlee, em 29 de julho de 1967. Fez especialização no Instituto Superior de Pastoral e Catequese, em Paris (França), durante dois anos. Após retornar ao Brasil, foi destinado para integrar a equipe da Casa de Retiros Vila Kostka, em Itaici (SP), junto com outros cinco jesuítas, para realizar sua missão na área da Espiritualidade Inaciana e dos Exercícios Espirituais. Ocupou o cargo de diretor da instituição por dois anos, permanecendo no local até 1979. Durante esse tempo, fez a Terceira Provação no Brasil (Rio de Janeiro e Baturité) em dois períodos, com Pe. Luciano Mendes de Almeida e Pe. Quirino Weber (1975-77). Sua profissão dos últimos votos foi feita no Rio de Janeiro, em 11 de agosto de 1977, diante do então Geral da Companhia, Pe. Pedro Arrupe. Por um tempo, esteve no Centro de Espiritualidade Inaciana, em Quebec (Ca-

nadá), para seguir o curso de preparação de orientadores de Exercícios Espirituais, e fazer estudos orientados pelo Pe. Gilles Cusson, grande especialista nessa área. Em 1980, assumiu como Reitor do Juniorado interprovincial Pe. G. Malagrida, em João Pessoa (PB). De volta à Província BRC, em 1986, foi nomeado Sócio do Provincial e, de 1988 a 1993, assumiu como Provincial. Durante seu governo, em julho de 1989, criou o Centro de Espiritualidade Inaciana – CEI, que passou a funcionar em Itaici, sob a coordenação do Pe. José A. Netto de Oliveira, e que inovou nas formas de orientar os Exercícios para religiosos, presbíteros e leigos, além de produzir importantes subsídios e artigos, em várias publicações, na área da espiritualidade. Da efervescência do CEI, criou-se a Revista Itaici de Espiritualidade Inaciana. Pe. Romanelli retornou à Vila Kostka em 1994, após o término de seu mandato de Provincial. Em 1996, assumiu a direção da Casa de Retiros e do CEI-Itaici e tornou-se também Assistente Nacional da CVX. Em 2007, viu-se obrigado a transferir-se para a Casa de Saúde Ir. Luciano Brandão, em Belo Horizonte (MG), para cuidar de sua saúde. Retornou de lá para a residência do Colégio São Luís, para dedicar-se à orientação espiritual dos jesuítas e orientar os Exercícios Espirituais. Em 2010, com o estado de saúde debilitado novamente, precisou voltar à Casa de Saúde, em Belo Horizonte, onde permaneceu até sua páscoa para a Casa do Pai, em 24 de maio de 2014. Que repouse na paz do Cristo Ressuscitado, por todo bem que fez, sobretudo na área dos Exercícios!

Calendário BRC 4 a 29 de julho | Viagem do provincial à Polônia


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BRASIL

MERIDIONAL

Alunos do Catarinense conquistam bolsa de estudos na Alemanha A aluna Letícia Schröter Brognoli, da 2ª série do Ensino Médio do Colégio Catarinense, foi selecionada pelo concurso Blickwechsel, promovido pela Youth for Understanding (YFU) e pelo Pasch/ Instituto Goethe, e conquistou uma bolsa de estudos integral na Alemanha. A entrega do prêmio reuniu diretores, coordenadores, familiares, funcionários e alunos do Colégio, no dia 17 de maio. Durante um ano, Letícia terá a oportunidade de aprofundar seus estudos no idioma alemão. O Colégio Catarinense é conveniado ao Instituto Goethe e oferece o curso de alemão aos alunos. Essa é a terceira vez que alunos da instituição são premiados. Para a diretora do Youth for Undertanding Brasil, Claudia Martins, é uma honra ter alunos do Colégio fazendo intercâmbio com o instituto. Letícia Brognoli falou das expectativas com relação à experiência de intercâmbio. “Tenho um pouco de receio em não falar a língua corretamente, mas espero adquirir maturidade e responsabilidade nessa experiência pessoal. Ter o conhecimento de uma segunda língua pode trazer várias oportunidades”, ressalta. A professora Lourdes Sufredini destaca a dedicação da aluna nos estudos. “É muito gratificante saber que temos uma aluna tão eficiente e dedicada à língua alemã. Normalmente, os alunos que chegam querendo estudar a língua a acham muito difícil, mas procuro passar-lhes que o alemão é uma língua diferente de fato, e toda língua, que não é a nossa, requer dedicação e estudo. E isso eles conseguem com o tempo, fazendo as atividades em sala e os deveres de casa”, explica a professora.

Os alunos, Letícia Schröter Brognoli e João Antônio Schimidt, da 2ª série do Ensino Médio, vão estudar na Alemanha

A premiação do segundo lugar também ficou com o Colégio Catarinense. O aluno João Antônio Schimidt, da 2ª série do Ensino Médio, conquistou uma bolsa de cinquenta por cento e também terá a oportunidade de ir à Alemanha estudar. “Para o Colégio Catarinense, é um orgulho ter esse resultado em uma premiação que teve vários candidatos, não só em nível de Brasil, mas internacionalmente também. É um orgulho conquistarmos, pela terceira vez, um lugar de destaque nessa seleção. Essa conquista vem ao encontro daquilo que o Colégio propõe: uma formação com excelência, com qualidade e, cada vez, com

O Goethe-Institut é o Instituto Cultural da Alemanha, que atua em diversos países. Uma de suas iniciativas é o projeto PASCH (Escolas: uma parceria para o futuro), que engloba cerca de 1.500 escolas nas quais a língua alemã tem grande relevância. O PASCH deseja despertar o entusiasmo dos alunos à cultura alemã, bem como para o estilo de vida do país.

o comprometimento e a inserção dos alunos e da família”, celebra o professor Afonso Luiz Silva, diretor-geral da instituição.


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Representantes da ONU e do Governo Federal visitam a ASAV Entre os dias 19 e 21 de maio, representantes do Acnur (Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados) e do Conare (Comitê Nacional de Refugiados) visitaram à ASAV (Associação Antônio Vieira), em Porto Alegre (RS), para uma missão político institucional e de monitoramento do programa de Reassentamento Solidário de Refugiados. A visita de Andréz Ramirez, representante do Acnur no Brasil, e de Virgínius Lianza, coordenador geral do Conare, teve como objetivo discutir a ampliação do programa e a consolidação da Companhia de Jesus, por meio da mantenedora ASAV, como a agência âncora do programa no Brasil.

Da esquerda para a direita: Rafael Rodovalho (ACNUR), Karin Wapechowski (ASAV), Andréz Ramirez (ACNUR), Pe. Geraldo Kolling, Pe. Vicente Palotti Zorzo, Pe. José Ivo Follmann, Virgínius Lianza (CONARE)

Durante a visita, os representantes puderam conhecer os refugiados do Afeganistão e do Sri Lanka que vivem na zona norte de Porto Alegre. Além disso, conhece-

ram o CRAS (Centro de Referência da Assistência Social) da região, e a T-Works, empresa de TI parceira do Programa de Reassentamento, onde trabalham, atualmen-

te, voluntárias que farão a tradução do Tamil – língua milenar clássica indiana –, o que facilitará a criação de postos de trabalho para outros refugiados.

Retorno da Espanha e missão em Manaus

Notícias do Instituto São José

Em maio, o padre Valério Sartor retornou de sua Terceira Provação, realizada em Salamanca, Espanha. Após visita aos fami-

Os jesuítas e colaboradores do Instituto São José – Casa de Saúde celebraram os aniversariantes dos meses de janeiro a abril com uma deliciosa confraternização, no dia 24 de abril. Entre as melhorias no atendimento aos idosos, a Casa de Saúde inaugurou uma nova sala equipada para um Consultório Interdisciplinar. Alguns jesuítas do Instituto São José recuperam-se de procedimentos cirúrgi-

liares, o jesuíta viajou para Manaus (AM) onde atuará no Projeto Pan-Amazônico da CPAL, ao lado do padre Alfredo Ferro.

cos, como o padre João Sebaldo Schuck, 81, que passou por cirurgia no dia 3 de junho. O padre Peter Von Werden, 85, recupera-se da cirurgia em razão de fratura do fêmur após uma queda . O padre Víctor Götz, 90, passou por uma delicada cirurgia de catarata. O padre Bernardo A. Schuster, 89, ficou internado por 3 dias para procedimento cirúrgico no Hospital Santa Rita, em Porto Alegre (RS).


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BRM realiza encontro de superiores

Entre os dias 20 e 21 de maio, a Província BRM realizou sua última Reunião dos Superiores no formato das atuais províncias. O encontro aconteceu no CECREI (Centro de Espiritualidade Cristo Rei), em São Leopoldo (RS), e reuniu diretores de obras e os ecônomos (administradores).

No primeiro dia, os participantes avaliaram os recentes encontros de Plataformas e debateram estratégias de articulação entre residências e obras apostólicas. Ainda nesta primeira etapa, foi projetado um plano de comunicação para a nova Província.

Padre Sérgio Eduardo Mariucci defende tese na PUC-RS O padre Sérgio Eduardo Mariucci, coordenador de pastoral do Colégio Anchieta (RS), defendeu sua tese de doutorado em Educação na PUC-RS, no dia 29 de maio. Com orientação da Dra. Marta Luz Sisson de Castro, o jesuíta apresentou seu trabalho sobre o tema A formação dos gestores e a qualidade da educação nas Escolas Católicas da Arquidiocese de Porto Alegre.

Participaram da banca os professores Marcos Vilela, Berenice Corsetti, padre Marcos Sandrini, sdb, e Ir. Afonso Murad, fms, que, após a argumentação, aprovaram a tese com louvor. Representantes da comunidade acadêmica da Unisinos, de São Leopoldo (RS), do corpo de professores do Colégio Anchieta e da Cúria Provincial BRM, estiveram presentes à defesa.

Na ocasião, iniciou-se o planejamento da celebração conclusiva da atual Província e a acolhida da Província do Brasil, que será realizada em 22 de novembro de 2014, durante missa de Ação de Graças, no Colégio Anchieta, em Porto Alegre (RS).

No segundo dia, o padre Geraldo Kolling, administrador da BRM e da BRA, informou aos participantes sobre a situação financeira, o andamento dos projetos da Província do Brasil Meridional e sobre os encaminhamentos da organização administrativa da nova Província do Brasil.

Calendário BRM 1º a 4 de julho | Instituto São José São Leopoldo (RS) 2 a 4 de julho | Residência São Francisco Xavier Porto Alegre (RS) 9 a 12 de julho | Residência Sagrada Família Porto Alegre (RS) 10 a 29 de julho | Retiro para jesuítas Moçambique 14 a 19 de julho | Residência Instituto São José São Leopoldo (RS)


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BRASIL

NORDESTE

Teologia da Unicap faz parceria com a Universidade Gregoriana de Roma O curso de Teologia da Unicap (Universidade Católica de Pernambuco) passa, oficialmente, a ter um reconhecimento canônico, graças à afiliação à Pontifícia Universidade Gregoriana (PUG), em Roma, segundo documento da Congregação para a Educação Católica (Vaticano), assinado no dia 15 de maio de 2014. A Gregoriana é a mais prestigiosa Universidade Católica do mundo. Essa afiliação, para além do efeito jurídico canônico, representa um importante reconhecimento do curso de Teologia da Unicap, o qual já tem título civil, com o conceito 4, em uma escala de 1 a 5, do Ministério da Educação. A postulação à afiliação do curso de Teologia da Unicap - Instituto Dom Luciano Mendes de Almeida - junto à Gregoriana de Roma foi feita há aproximadamente um ano, com o apoio dos bispos da região e com as visitas do reitor da Gregoriana ao Recife, Pe. François-Xavier Dumortier, jesuíta, e do Pe. Pedro Rubens, reitor da Unicap à PUG. O processo de afiliação implica o reconhecimento por três instâncias: pelo conselho da Universidade Gregoriana, pela Cúria Geral dos Jesuítas e pela Congregação para Educação Católica, órgão máximo da educação ca-

tólica na Igreja, no Vaticano. “Isso significa que o nosso curso de Teologia corresponde e atende plenamente a todas as exigências da Igreja Católica, ao mesmo tempo em que tem seu reconhecimento civil brasileiro”, disse padre Pedro Rubens. “No contexto de um mundo interconectado – ressalta o reitor da Unicap – a importância desse reconhecimento aumenta nossas possibilidades de parcerias e de intercâmbios, ampliando os horizontes de formação e do serviço à Igreja da região Nordeste. É uma relação de verdadeira afiliação, não somente uma questão jurídica, mas o exercício de relação intensa e afetiva com a Gregoriana de Roma, internacionalizando o nosso curso, encorajando os nossos esforços”. Desde 2010, por iniciativa dos bispos, a Unicap firmou uma parceria com as Dioceses do Regional Nordeste II, acolhendo, como estudantes de Filosofia e Teologia, os seminaristas de seis dioceses pernambucanas e de várias congregações religiosas, potenciando esses dois cursos e estreitando a relação da universidade com a Igreja local. A afiliação à Gregoriana, portanto, foi um passo muito significativo e estimulante para a comunidade acadêmica da Unicap.

Medicina na Católica No dia 7 de junho, os futuros profissionais da área da saúde prestaram vestibular para a 1ª turma dos cursos de Medicina e Enfermagem da Unicap. Um momento histórico e muito especial para a instituição, primeira universidade jesuíta do Brasil a oferecer o curso de Medicina no país. A Universidade firmou parcerias com hospitais de alta complexidade administrados pelo Governo do Estado de Pernambuco, além dos hospitais filantrópicos Maria Lucinda e Santa Casa de Misericórdia. Foram estabelecidos convênios com a Prefeitura de Olinda para atuar nas policlínicas e nas unidades de saúde da família da cidade. Há ainda uma parceria com a Prefeitura do Recife. No caso da capital pernambucana, o curso de Medicina da Unicap se utili-

zará de parte da estrutura da Maternidade Barros Lima. O curso de Medicina da Católica contará com o que há de mais moderno. Entre os laboratórios, destaca-se o Centro de Simulação com bonecos robotizados e softwares que simulam situações fisiológicas e patológicas do ser humano. “Além da tecnologia, ressalto que os alunos já irão colocar o aprendizado em prática desde o 1º período, atuando nos núcleos de atenção básica”, explicou a coordenadora do curso, Drª Erideise Gurgel. Erideise também destaca o caráter humanista dos futuros médicos formados pela Unicap. “Vamos ensinar o estudante a ver o paciente com respeito e não apenas como instrumento de aprendizado. A alta tecnologia será aliada aos exames físicos, ao toque. O aluno precisa valorizar a queixa do paciente”, ressaltou.


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Atendendo a um convite do padre Antonio Baronio, superior da Residência Padre Miguel Pró, o padre Florêncio Lecchi, 86, digitou no computador os documentos que contam a história da comunidade. As três primeiras páginas do documento, escritas em latim, relatam a história do Colégio, denominado Diocesano por ter pertencido à diocese de 1925 até a chegada dos jesuítas, em 1959. As 143 páginas seguintes, digitadas pelo padre Lecchi, relatam a história da comunidade até o ano de 2003, data até a qual foram encontrados documentos na casa. “Esse trabalhou exigiu muita paciência, pois alguns cadernos tinham sido redigidos

com uma caligrafia miúda e outros com letras que pareciam ter saído da caneta de médicos”, afirma padre Antonio Baronio. Atualmente, após esse trabalho cuidadoso, conhecer a história da comunidade e dos jesuítas, que atuam há mais de 50 anos na região de Teresina (PI), é muito mais prazeroso. A dedicação do padre Lecchi superou expectativas, além de digitar cada página, o jesuíta completou a obra com fotos do seu antigo arquivo pessoal. Esse trabalho é o reflexo do amor do padre Lecchi pela história da Companhia de Jesus na região. O sacerdote jesuíta, nascido em Bérgamo (Itália) e radicado no Brasil

PE. Pedro toma posse na Paróquia do Sagrado Coração de Jesus

O padre Pedro Evangelista de Morais tomou posse como novo administrador provincial da Paróquia Sagrado Coração de Jesus, em Olinda (PE), no dia 1º junho. O padre Erinaldo Pedro da Silva, que desempenhava o cargo, irá fazer a Terceira Provação, em Cuba, no segundo semestre. Criada em 2002, a paróquia nasceu do desmembra-

mento da Paróquia Nossa Senhora da Conceição de Beberibe, o objetivo era melhorar a assistência pastoral e espiritual dos fiéis, devido à extensão e ao aumento do número de comunidades. Implantada na periferia, entre Recife e Olinda, região com topografia de morros e córregos, a Paróquia do Sagrado Coração de Jesus é confiada à Companhia de Jesus. Antes de assumir a sua nova missão, padre Pedro Evangelista de Morais estava na Colômbia, onde trabalhou no Teologado Interprovincial.

Padre Florêncio Lecchi nas comemorações dos seus 50 anos de chegada a Teresina (PI)

desde os anos 50, foi professor de química do Colégio Diocesano e mentor espiritual de várias gerações de alunos. Sua influência na formação dos jo-

vens e seu incondicional amor à igreja o tornaram personagem mitológico e referência obrigatória na memória da comunidade do Diocesano.

Notícias da Residência São Luís Gonzaga O Ir. Antônio Ribeiro Martins esteve internado com problemas de saúde e agora se recupera. Já o padre Ademir Ferreira de Carvalho prepara-se para uma cirurgia a ser realizada em breve. O Pe. Manuel Eduardo Tomás Iglesias Rivas orientou os Exercícios Espirituais aos jesuítas da comunidade, em Baturité (CE). Segundo o padre Pe. Pedro Vicente Ferreira, superior da Residência São Luís Gonzaga, a comunida-

de “tem seguido e trabalhado comunitariamente as cartas e as orientações da BRA e do Pe. Geral. Todos os dias nós rezamos juntos os salmos da Oração Média”. Nos meses de abril e maio, dois jesuítas da Residência São Luís Gonzaga, em Fortaleza (CE), faleceram. O Ir. Amador Domingos de Souza, no dia 18 de abril, e o Ir. Martins Amazonas Lima, no dia 18 de maio. Que Deus os receba na Sua Paz.

Foto: Vicente Medeiros

História preservada: Pe. Lecchi e seu carinho pelo Diocesano


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A COMPANHIA DE JESUS NO BRASIL NORDESTE

Cij participa da celebração de Pentecostes A CIJ (Casa Inaciana da Juventude) participou de uma caminhada em celebração ao dia de Pentecostes, vinda do Espírito Santo, organizada pela Paróquia Cristo Rei, em Fortaleza (CE), no dia 7 de junho. A CIJ organizou o momento que refletiu sobre o dom da fortaleza, um dos sete dons do Espírito Santo. Os jovens apresentaram aos participantes o dom fortaleza, que nos permite ser forte diante de situações difíceis. “A fortaleza é dom imprescindível para a construção do Reino de Deus, a exemplo dos mártires, que doaram suas vidas nas lutas por justiça, liberdade e igualdade. O dom une ternura e resistência”, afirma Evenice Neta, assessora da CIJ. A caminhada também teve pontos de parada e reflexão, organizadas a partir dos sete dons do Espírito Santo. O momento encerrou-se com a vigília na Igreja Cristo Rei. No mesmo dia, a CIJ recebeu uma doação de alimentos perecíveis. Animados pela força do Espírito Santo, um grupo de jovens enfrentou a madrugada da cidade e distribuiu os alimentos doados, em um gesto autêntico de partilha e serviço. “Numa madrugada fria, inúmeros corações foram aquecidos pelo amor do Pai, pela companhia do Cristo amigo e pelo calor da ação transformadora do Espírito Santo”, concluiu Evenice.

Os sete dons do Espírito Santo Sabedoria – Selecionar o que é importante em nossa vida Inteligência – Para sentir a presença de Deus Conselho – Proximidade com Deus e com o próximo Fortaleza – Ser forte diante de situações difíceis Ciência – Conhecimento profundo de Deus Piedade – Misericórdia Temor de Deus – Valorização da presença do Senhor

Na Paz do Senhor Ir. Martins Amazonas Lima Pe. Pedro Vicente Ferreira

O Ir. Martins Amazonas Lima nasceu em Candéia do Meio, na cidade de Baturité (CE), no dia 20 de novembro de 1918. O pai era agricultor e a mãe, costureira. Estudou até o primário, atual Ensino Fundamental. Em 1939, Domício Lima, irmão de Martins, foi para a Escola Apostólica em Baturité, onde iniciou o postulantado – tempo de preparação para entrar no noviciado. Ao visitar o irmão, Martins encantou-se

com a vida dos Irmãos Coadjutores e, então, pediu permissão ao pai para também seguir a vida religiosa. Em 1941, foi admitido no noviciado da Companhia de Jesus e permaneceu em Baturité até 1946, quando foi transferido para Salvador (BA). No Colégio Antônio Vieira, ajudava na cozinha e era responsável pelo refeitório dos alunos internos. Tornou-se cozinheiro na Residência Cristo Rei, em Fortaleza (CE), e depois seguiu para Belém (PA), também como cozinheiro da residência. Em 1951, professou os últimos votos em Recife (PE). Ir. Martins cuidou do Sítio do Colégio Nóbrega, em Carpina (PE), até retornar a Baturité, onde ficou por mais de 25 anos na administração dos sítios. Depois, voltou a Fortaleza, trazido pelo Pe. Luciano Ciman, para ficar responsável pela casa de retiro e sítio Santo Afonso, em Eusébio (CE). Já debilitado, foi transferido para a casa dos idosos, a Residência São Luís Gonzaga, onde esteve até o seu falecimento no dia 18 de maio de 2014, aos 95 anos. Ir. Martins era muito devoto da reza do terço e seguia todos os programas das rádios religiosas.

Calendário BNE Compromissos do Provincial 1º a 4 de julho | Expediente na Cúria BNE – Salvador (BA) 5 a 14 de julho | Visita às comunidades e obras – Teresina (PI) 15 a 24 de julho | Expediente na Cúria BNE – Salvador (BA)


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BRASIL

PROVINCIALADO

Ex-aluno da FAJE é nomeado reitor do Colégio Pio Brasileiro Faje realiza colóquios e palestras

No dia 29 de maio, o padre Geraldo dos Reis Maia, pertencente ao clero da Arquidiocese de Uberaba (MG), foi nomeado reitor do Colégio Pio Brasileiro, em Roma. Em 2005, padre Geraldo concluiu o mestrado na FAJE, com a dissertação intitulada ‘A problemática da salvação na cultura moderna: sondagens para uma soteriologia à luz da obra

de Andrés Torres Queiruga’, orientado pelo Prof. Dr. Carlos Palácio, SJ. O padre Jaldemir Vitório, SJ, reitor da FAJE, em nome da comunidade acadêmica da FAJE, parabenizou padre Geraldo. “Desejo-lhe fecundo trabalho à frente do Colégio Pio Brasileiro que, desde a sua inauguração, em 3 de abril de 1934, foi confiado à Companhia de Jesus”, disse em nota.

A Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia (FAJE) mobilizou-se, entre os dias 19 e 21 de maio, para realizar o II Colóquio Interdisciplinar de Teologia e Pastoral, com o tema: Censo e Evangelização. O evento, aberto ao público, foi organizado juntamente com o Instituto Santo Inácio (ISTA) e com a Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas). Em cada dia do evento, foi apresentada uma palestra em uma das instituições participantes. Na primeira noite, no ISTA, a doutora Izabella Faria de Carvalho (CEGIPAR-PUC-Minas) apresentou o Mapa das religiões em Belo Horizonte. Na segunda noite, na PUC, Marcelo Camurça Lima (UFJF) proferiu palestra sobre as Mudanças no campo religioso brasileiro a partir do Censo 2010. E, na última noite, na FAJE, a professora Brenda Carranza (PUC-Campinas) versou sobre o tema Evangelizar na cidade de muitas crenças. Experiências e pistas pastorais.

Nos dias seguintes, 22 e 23 de maio, a FAJE realizou também o VII Colóquio Vaziano, com o tema: Um itinerário para o absoluto. A programação do evento contou com visita ao memorial Pe. Vaz, mantido pela biblioteca da FAJE, palestras, mesa-redonda e Celebração Eucarística. A universidade promoveu ainda os minicursos de extensão: Experiência lúdica na educação da fé, com a professora Carla Regina de Miranda, membro da equipe de catequese leste 2; e Uma história em dois períodos, com o prof. Pe. António Júlio Trigueiros, Doutor em História Moderna pela Universidade de Lisboa. Do projeto Sexta Filosófica: Entender a Fenomenologia, foram realizadas duas palestras: em 9 de maio, o tema foi A fenomenologia e a reabilitação da sensibilidade, ministrada pelo professor Dr. Nilo Ribeiro (FAJE); e, em 23 de maio, Heidegger e a fenomenologia: ruptura ou continuidade?, ministrada pelo prof. Pe. João Mac Dowell (FAJE).


36 A COMPANHIA DE JESUS NO BRASIL PROVINCIALADO

40ª Consulta do Provincialado do Brasil reúne jesuítas em Porto Alegre Entre os dias 28 e 30 de maio, o padre Carlos Palácio, provincial do Brasil, e o padre Francys Silvestrini Adão, sócio do Provincialado do Brasil, reuniram-se com os padres Miguel Martins Filho, provincial da BNE, Mieczyslaw Smyda, provincial da BRC, Adelson dos Santos, Superior Regional da BAM, e Vicente Zorzo, Provincial da BRM, na 40ª consulta da BRA, em Porto Alegre (RS). O Pe. Vicente destacou que “durante a consulta da Província do Brasil, procurou-se avaliar o processo de construção da nova Província e encaminhar alguns pontos concretos. Foi um momento consolador e animador, pois

vemos esperança no nosso futuro e precisamos, com atenção, balizar o percurso e marcar a trajetória”. No dia 27 de maio, o Conselho da Missão, formado pelos padres Geraldo de Mori, Guillermo Cardona,

João Renato Eidt, Pedro Gomes e Carlos James, reuniu-se para tratar de temas relativos ao planejamento da missão da Companhia na nova Província. Para o Pe. Carlos Palácio, “momentos como estes nos

permitem constatar os avanços realizados ao longo dos anos de trabalho e saborear os efeitos do novo espírito que reina nas províncias e dá ânimo às pessoas para enfrentarem com esperança um começo novo”.

Ordenações Diaconais em agosto É com alegria que a Companhia de Jesus do Brasil comunica que os jovens jesuítas ao lado foram admitidos às ordens: Eles serão ordenados diáconos no primeiro dia da Assembleia dos Jesuítas do Brasil, em 12 de agosto de 2014, às 18h, em Itaici, no município de Indaiatuba (São Paulo). Agradecemos ao Senhor pela vida e vocação desses nossos companheiros e rogamos para que eles sejam, cada vez mais, fiéis e felizes servidores da missão de Jesus Cristo.

Adriano Luís Hahn

José Cláudio da Silva Meireles

Cyril Suresh

Edilberto do Nascimento Brandão

Marcos Vinícius Sacramento de Souza

Gustavo Valentim Assis de Paula

Silas Moésio Maciel da Silva


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I n f o r m at i v o d o s j e s u í ta s d o b r a s i l

A COMPANHIA DE JESUS NO BRASIL PROVINCIALADO

Experiência de inserção Noviços do 2º ano Noviciado Nossa Senhora da Graça

Conforme o processo de formação do 2º ano do Noviciado da Companhia de Jesus, fizemos a experiência de inserção apostólica, entre os dias 17 de março e 22 de abril, e fomos enviados para: Marabá (PA); Bonfim (RR); Manaus e Tabatinga (AM); Salvador (BA). Na imensidão da Amazônia, ora verde, ora sazonada, cada um de nós se sentiu contente, consolado, agradecido pela recepção alegre e afetuosa das famílias, que vivem na comunidade indígena ou ribeirinha, na colônia de pescadores, ou às margens da rodovia Transamazônica. Essa experiência se deu, no dia a dia, nas partilhas das alegrias e das dificuldades, dos encantos de Deus e dos sentimentos. Sobreveio um “sentir com”, ou como Santo Inácio de Loyola nos orienta no método de contemplação dos Exercícios Espirituais: “Ver as pessoas, ouvir o que dizem, olhar o que fazem” [EE. EE. n.194]. Para nos inserirmos nessas realidades, antes de qualquer coisa, aos poucos, nos introduzimos na rotina, apenas acompanhando, sem fazer muito. Contemplando a vida que se desvelava para nós, sentimos que a vida religiosa se define, originalmente, pela resposta ao chamado de Deus, a partir da qual planejamos os “afazeres”. No processo de criação da única Província dos Jesuítas no Brasil, essa experiência contribuiu para o

entendimento de que o Brasil se faz um país belo pela diversidade de culturas, esperançoso pelo ardente desejo de justiça social, generoso pelas mãos calejadas das pessoas que partilharam conosco sua merenda, suas dores e seus sorrisos. Vivendo esta experiência, cada um de nós acolheu e testemunhou os sinais da presença atuante da misericórdia de Deus Pai, que nos cura e nos converte. Para alguns, a acolhida benevolente das famílias ou das comunidades indígenas. Para outros, a opção radical pela pobreza dos jesuítas a serviço da realidade fastidiosa que revela “o Senhor que nasceu na maior pobreza” [EE. 116]. No decurso da experiência, conhecemos outras cul-

turas, acolhemos as surpresas de Deus, aprendemos a pescar ou a dormir na rede! Visitamos os enfermos, fomos acolhidos pelos religiosos e religiosas, e pelas

famílias. Rezamos com as comunidades. Assim sendo, cada um de nós ainda apercebe os frutos dessa inserção para a vida como “servidores da missão de Cristo”.

Calendário BRA 28 de junho a 6 de julho | Exercícios Espirituais na BRC Indaiatuba (SP) 3 e 4 de julho | Visita do Pe. Palácio ao Fé e Alegria (Nacional) São Paulo (SP) 21 a 29 de julho | Exercícios Espirituais na BNE – Baturité (CE) 22 a 30 de julho | Exercícios Espirituais na BRM São Leopoldo (RS)


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ANIVERSÁRIOS Julho

19 |

01 |

Esc. Arthur Carvalho Moraes – BAM Esc. Jordano Wanderley Hernández – BRM

02 |

Esc. Homero Apodaca López – MEX Pe. Itamar Carlos Gremon – BRC Pe. Reginaldo Sarto – BRC

20 | Ir. Carlos Alberto Ribeiro Diniz – BRC Ir. Celso João Schneider – BRM Pe. Cícero Edvam Magalhães – BNE Esc. Gonzalo Benavides Mesones – PER

03 |

Pe. José Maria de Andrade Couto – BRC

04 |

Pe. Valdivino Teixeira de Carvalho – BRC

05 |

Pe. João Batista Storck – BRM

06 |

Pe. Carmo Henrique Mocellin – BNE

07 |

Pe. Ademir Ferreira Carvalho – BNE Pe. Cláudio Antônio Lorencini – BNE

08 |

Ir. Sidney Luís Mayer – BRM

09 |

Pe. Adelson Araújo dos Santos – BAM Ne. Alexandro Cardoso dos Santos – BRM Pe. Carlos James dos Santos – BRC Pe. José de Moura e Silva – BRC

10 |

Pe. Roberto Augusto dos S. Albuquerque BRC/MOZ

11 |

Pe. Aloísio José Weber – BRM Pe. Eloy Oswaldo Guella – BRM

12 |

Esc. Tiago Zeni – BRM

13 |

Pe. Agnaldo Pereira de Oliveira Jr. – BNE

14|

Pe. Bernardo A. Schuster – BRM Esc. Robert Yency Rodríguez Maneiro – VEN

15 |

Pe. Benno Leopoldo Petry – BRM

16 | Pe. Aloir Pacini – BRM Esc. Paulo Leandro N. dos Santos – BAM Ir. Raimundo Nonato Arcanjo – BNE 17 |

Pe. Expedito Miguel Nascimento Filho – BNE Pe. Miron Alexius Stoffels – BRM

18 |

Esc. Eddy Francisco Medrado Lacayo – CAM Pe. Francisco Ivern Simó – BRC Pe. Guido Edgar Wenzel – BRM

Ir. Luciano Simbal Kerpel – BRM

jubileu 23 de julho

Pe. Sebastião Francisco Pescatori – BRC 60 anos de Sacerdócio


Em Companhia - Informativo da Companhia de Jesus no Brasil  

5ª Edição | Junho 2014

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