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FORTALEZA-CEARÁ XXV SIMPÓSIO NACIONAL DE HISTÓRIA | 1


Homenagem a obra de William Morris (1834-1896) 2 | XXV SIMPÓSIO NACIONAL DE HISTÓRIA

XXV SIMPÓSIO NACIONAL DE HISTÓRIA | 3


XXV SIMPÓSIO NACIONAL DE HISTÓRIA HISTÓRIA E ÉTICA


ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE HISTÓRIA - ANPUH XXV SIMPÓSIO NACIONAL DE HISTÓRIA

HISTÓRIA E ÉTICA SIMPÓSIOS TEMÁTICOS RESUMOS

12 A 17 DE JULHO UFC - FORTALEZA - CEARÁ - BRASIL

FORTALEZA, 2009


Universidade Federal do Ceará - UFC Reitor Jesualdo Pereira Farias Vice-Reitor Henry de Holanda Campos Pró-Reitor de Administração Luís Carlos Uchôa Saunders Pró-Reitora de Assuntos Estudantis Maria Clarisse Ferreira Gomes Pró-Reitor de Extensão Antonio Salvador da Rocha Pró-Reitor de Graduação Custódio Luís Silva de Almeida Pró-Reitor de Pesquisa e Pós-Graduação Gil de Aquino Farias Pró-Reitor de Planejamento Ernesto da Silva Pitombeira Chefe de Gabinete Luiz Antônio Maciel de Paula Diretora do Centro de Humanidades Maria de Fátima Oliveira Costa ANPUH Diretoria nacional Presidente - Manoel Luiz Salgado Guimarães (UFRJ) Vice-Presidente - Adelaide Maria Gonçalves Pereira (UFC) Secretário-Geral - Tania Regina de Luca (UNESP) 1º. Secretário - Nelson Schapochnik (USP) 2º. Secretário - Ana Maria Monteiro (UFRJ) 1º. Tesoureiro - Eduardo Victorio Morettin (USP) 2º. Tesoureiro - Almir Bueno (UFRN) Editora RBH - Regina Horta Duarte (UFMG) Editora RHH - Cristina Meneguello (UNICAMP) ANPUH - Ceará Presidente - Altemar Muniz (UECE-FECLESC) Vice-Presidente - Reinaldo Forte Carvalho (UECE-URCA) Secretário Geral - Thiago Alves Nunes Rodrigues Tavares (INTA) 1º Secretário - Gerson Gallo (UFC) 2º Secretário - Manuelina Maria Duarte Cândido (INTA) 1º Tesoureiro - Ivaneide Barbosa Ulisses (UECE-FAFIDAM) 2º Tesoureiro - Chrislene Carvalho dos Santos (UVA) Universidade Federal do Ceará - UFC Av. da Universidade, 2853 Benfica 60020-181 Fortaleza/CE Fone/Fax: + 55 (85) 3366 7300 www.ufc.br/portal/ ANPUH - Associação Nacional de História Av. Prof. Lineu Prestes, 338 Térreo do prédio de História e Geografia Caixa Postal: 8105 05508-900 São Paulo/SP Fone/Fax: (11) 3091-3047 E-mail: anpuh@usp.br ANPUH - Associação Nacional de História Seção Ceará Rua Carlos Jereissati, 268 Alto São Francisco 63900-000 Quixadá/CE Fone: (85) 9624-3835 E-mail: anpuhceara@gmail.com Projeto gráfico e edição de arte: Norton Falcão Edição de arte baseada na obra de William Morris (1834-1896)

S612h

Simpósio Nacional de História (25: 2009: Fortaleza, CE) História e ética: Simpósios Temáticos e Resumos [do] XXV Simpósio Nacional de História, Fortaleza, CE, 12 a 17 de julho de 2009/ organizado por Afonsina Maria Augusto Moreira, Ana Sara Ribeiro Parente Cortez... [et al]. -- Fortaleza: Editora, 2009. 000p. ; 00cm ISBN 000000000000 1. Brasil - História. 2. História - Ética 3. Historiografia. 1. Associação Nacional de História. II. Título CDD 907.2


APRESENTAÇÃO POR UMA EST(ÉTICA) DA BELEZA NA HISTÓRIA Nos registros, ficará escrito: durante seis dias do ano de 2009, pesquisadores, professores, estudantes e interessados em História de todo o Brasil estiveram juntos na capital cearense, Fortaleza. Nesse período, de 12 a 17 de julho, acontecem apresentações de trabalhos em Simpósios Temáticos, pôsteres de Iniciação Científica, Míni-Cursos, Lançamentos de Livros , Conferências, Exposições, Cinema, Diálogos Contemporâneos, Reuniões Administrativas. Os números impressionam, mas o XXV Simpósio Nacional de História (SNH) está principalmente marcado pela mistura daquilo que o constrói para além dos muros institucionais. Diversidade desde o primeiro momento do encontro que tematizou a História e a Ética. O espaço tradicional de secretaria foi substituído por uma acolhedora casa que convidou os diferentes habitantes da cidade para visitá-la e ficar à vontade. Na Casa da Anpuh, criada em julhode 2008, a comunidade universitária esteve ao lado de militantes de Movimentos Sociais e de Sindicatos, funcionários da Universidade, entre outros trabalhadores presentes nos lançamentos de livros, cursos, debates e oficinas que realizou. Além de espaço de reuniões e atividades de organização do Simpósio, a Casa da Anpuh esteve aberta à exposições de fotografia, lançamentos de livros, cursos voltados para professores da rede pública de ensino e interessados, além de ações para promoção da leitura, como a campanha permanente de doação de livros científicos, vendidos a preços reduzidos. A Casa se tornou livraria, espaço de convivência, trabalho e encontro de todos aqueles que desejavam pensar a História entre pátios e quintais. Uma vez por mês, aos sábados, tintas, agulhas, tesouras e barbantes foram o instrumento de militantes, universitários e trabalhadores que ajudaram a tecer o XXV Simpósio Nacional da ANPUH. As peças produzidas eram colocadas na lojinha da Casa. Quem passou pelo sobrado instalado na área II do Centro de Humanidades da Universidade Federal do Ceará (UFC), pode apreciar as peças de artesanato, comprar ou ler os livros e as revistas expostos. Na construção desses seis dias de Simpósio, diferentes áreas do conhecimento estiveram presentes: estudantes de Arquitetura desenharam espaços, de Comunicação discutiram materiais, do PET/Historia, estudantes de História de Fortaleza e do interior do Ceará prepararamse para monitorias. Cerca de 180 estudantes de turismo, alimentação e hotelaria, que fazem parte do Programa Nacional de Inclusão de Jovens (Pró-Jovem) de Fortaleza, experimentaram o conhecimento na prática da composição e realização do evento. Também em 2009, as perspectivas de pesquisa foram ampliadas. Como proposta de iniciação científica, qualquer aluno com pesquisa e orientador pode se inscrever para apresentação de pôster. Toda essa diversidade pode ser materializada nos temas abordados durante o encontro. Neste livro, estão os resumos dos trabalhos apresentados em oitenta e quatro Simpósios Temáticos. Importantes questões do debate historiográfico atual estiveram presentes nas pesquisas que abordaram perspectivas e aspectos vários sobre: Poder Eclesiástico, Escravidão nas Américas, Família, Ciências e Saúde, Cultura Visual e Imagem, Império Português, Gênero, Ética, Educação Histórica, Estudos Africanos, Música Popular, Teatro, História Ambiental, Ensino de História, Ciência, Tecnologia e Sociedade, Escritas da História, Religião e Ética, Historiografia e Escrita, Migrações, Memória, Identidade, Cidadania, Práticas Religiosas, Imagens de Arte, Império e Colonização, Educação, Religião e Ética, Imprensa, História Social e Memória, Intelectuais, Biografias e Política, Ética e Linguagens Artísticas, Linguagens e Práticas da Cidadania, Mundos do Trabalho. Os Simpósios Temáticos também discutiram sobre História relacionando com: Mídias, Intelectuais e Participação Política, Tradições e Culturas do Trabalho, Esporte e Práticas Corporais, Normas e Práxis do Mundo Ibérico, Antiguidade, Índios, Instituições, Elites e Idéias na Latino-América, Quilombos, Quilombolas e Terras de Negros, Revoltas e Insurreições no Brasil, Ética Cristã, Africanos e Afro-descendentes no Brasil Colonial e Imperial, Cidades e Culturas, História Agrária, Cinema e Razão Poética, Estado e Políticas Públicas, Ética e Estética no Mundo Antigo, Fronteiras e Fronteiriços, Audiovisual, História da Saúde e das Doenças, Crime e Justiça Criminal, Patrimônio Cultural, Fontes Orais, Infância, Adolescência e Juventude no Brasil, Memórias, Identidades e Conflitos Sociais, Militares, Linguagem, Política

Externa, Desigualdades, Religião no Mundo Luso-Brasileiro, Marxismo, Cultura Moderna, Idéias, Intelectuais e Instituições, Povos Tradicionais, Mobilidades Urbanas, Gênero e Interculturalidade, Experiências Musicais, Instituições Políticas, Cultura Jurídica e Cultura Religiosa, Cultura da África e Afro-Brasileira, História do Cinema, Relações de Poder na Idade Média, Educação e Formação da Sociedade Brasileira, Biografias e Autobiografias, História Política, Relações Internacionais dos Estados Americanos, Religiões e Religiosidades, Natureza e Território, Literatura e Artes. Os que visitaram a Casa da Anpuh durante todos esses meses também foram recebidos por plantas e flores que, logo na entrada, indicavam que o mundo acadêmico bem poderia ser mais bonito, colorido, ético e estético. O jardim da casa foi de tal modo importante que nos momentos mais estressantes o bom mesmo era largar tudo e cuidar das plantinhas, como fizeram aqueles que optaram por deixar o mundo mais bonito. Assim, decidimos que não haveria modo mais terno de receber os participantes do XXV Simpósio da Anpuh do que no Jardim do Theatro José de Alencar, projetado por Burle Marx, que na sua delicadeza e sensibilidade soube deixar aquela, uma das casas de espetáculo mais bonitas do Brasil. Foi também uma homenagem ao centenário desse jardineiro fiel. Enfim, a difusão da produção acadêmica, promoção do debate, estímulo ao conhecimento interdisciplinar e aos intercâmbios foram dimensões buscadas durante o XXV Simpósio Nacional de História – História e Ética. Momento significativo, que antecede os cinquenta anos da Associação Nacional de História, comemorado em 2011. Todos os que fizeram esse Encontro, que é muito maior do que seis dias, lançam as expectativas para que o caminho do saber histórico seja fortalecido e atuante, hoje e sempre. É a esperança e o desejo da Universidade Federal do Ceará, da ANPUH Nacional e da ANPUH-Ceará, os realizadores do XXV Simpósio Nacional de História . Uma última palavra. De agradecimento comovido aos que doaram livros e revistas. Ao espírito de camaradagem na convivência de toda a Comissão Organizadora ao longo de um ano de muito trabalho. Ao convívio e apoio dos Cursos de História da URCA- Universidade Regional do Cariri, da UVA- Universidade Vale do Acaraú, da Universidade Estadual do Ceará-UECE, em Fortaleza, Quixadá e Limoeiro do Norte e da Universidade Federal do Ceará-UFC. Aos patrocínios institucionais do Governo do Estado do Ceará, da Prefeitura Municipal de Fortaleza, do Banco do Nordeste do Brasil. Ao patrocínio acadêmico da FUNCAP, FAPESP, CNPq e CAPES. Aos apoios de natureza vária: (copiar os apoios do site) Uma menção especial ao zelo e colaboração de toda a Administração Superior da UFC. Nossa gratidão aos Chefes de Departamento, Coordenadores de Curso, Diretores de Centro e Faculdades do Campus do Benfica, Imprensa Universitária, Edições UFC, Cetrede, FCPC, NPD, Rádio Universitária, Equipe de Comunicação da Reitoria, DCE, Casa Amarela Eusélio Oliveira, Restaurante Universitário, Museu da Universidade-MAUC. Nosso agradecimento muito sincero ao pessoal de limpeza, zeladoria, transportes e aos Prefeitos do Campus do Benfica. Parece que realizamos um pedaço de nosso sonho de uma Universidade de cultura e comunitária. Fortaleza, Ceará, 12 de julho de 2009


SIMPÓSIOS TEMÁTICOS E RESUMOS DAS COMUNICAÇÕES DE PESQUISA

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01. Conquista, Evangelização e Poder Eclesiástico no Contexto Ibero-Americano Coordenadores: Eliane Cristina Deckmann Fleck, Marília de Azambuja Ribeiro Resumo das comunicações: Ana Stela de Negreiros Oliveira Anderson Roberti dos Reis Andre Cabral Honor André Junqueira Prevatto Ane Luíse Silva Mecenas Beatriz Helena Domingues Blenda Cunha Moura Bruna Rafaela de Lima Cristina de Cássia Pereira de Moraes Eliane Cristina Deckmann Fleck Fabiana Pinto Pires Fernanda Sposito

25

Guilherme Queiroz de Souza Jean Tiago Baptista Josemary Omena Passos Ferrare Leandro Henrique Magalhães Leandro Karnal Luis Guilherme Assis Kalil Luisa Tombini Wittmann Luiz Fernando Medeiros Rodrigues Márcia Eliane Alves de Souza E Mello Marcia Sueli Amantino Maria Conceição da Glória Santos Maria Cristina Bohn Martins Maria Emília Monteiro Porto Marília de Azambuja Ribeiro

Meynardo Rocha de Carvalho Nívia Paula Dias de Assis Paulo Rogério Melo de Oliveira Raul Goiana Novaes Menezes Sezinando Luiz Menezes Suzana Maria de Sousa Santos Severs Victor Santos Vigneron de La Jousselandière Vinicius Maia Cardoso Viviane Machado Caminha Williams Bartolomeu Baracho de Lima

02. A Abolição da Escravidão e a Construção dos Conceitos de Liberdade, Raça e Tutela nas Américas Coordenadores: Enidelce Bertin, Maria Helena Pereira Toledo Machado Amanda Teles dos Santos Andressa Capucci Ferreira Camila Barreto Santos Avelino Camila Mendonça Pereira Cláudia Regina Andrade dos Santos Daniel Simões do Valle Daniela Daflon Yunes Enidelce Bertin Eric Brasil Nepomuceno Francisca Carla Santos Ferrer Gabriel Aladrén Hamilton Afonso de Oliveria Ione Celeste Jesus de Sousa Jaciana de Oliveira Xavier

30

Melquiades Janete Silveira Abrão José Maia Bezerra Neto Josenildo de Jesus Pereira Juliana Foguel Castelo Vranco Luiz Gustavo Santos Cota Luiza Helena de Carvalho Lusirene Celestino França Ferreira Maíra Chinelatto Alves Marcelo Souza Oliveira Marcus Dezemone Maria Angélica Zubaran Maria Clara Sales Carneiro Sampaio Maria Rosangela dos Santos

Murilo Borges Silva Patricia Garcia Ernando da Silva Paulo César Oliveira de Jesus Rafael da Cunha Scheffer Valéria Gomes Costa Vanessa Gomes Ramos Wlamyra Ribeiro de Albuquerque

03. As Teias que a Família Tece

Coordenadores: Ana Silvia Volpi Scott, Carlos de Almeida Prado Bacellar Alanna Souto Cardoso Alina Silva Sousa Ana Paula Carvalho Trabucolacerda Ana Sara Ribeiro Parente Cortez Ana Silvia Volpi Scott Antonio Otaviano Vieira Júnior Cacilda da Silva Machado Carlos de Almeida Prado Bacellar Cristina Donza Cancela Dario Scott Denize Terezinha Leal Freitas Eliane Cristina Lopes Soares Elisgardênia de Oliveira Chaves Ipojucan Dias Campos Ismael Antônio Vannini

Jair de Souza Ramos Jane de Jesus Soares Joel Nolasco Queiroz de Cerqueira E Silva Jorge Rodrigo da Cunha Jose Weyne de Freitas Sousa Leidejane Araújo Gomes Letícia B. Silveira Guterres Lívia Nascimento Monteiro Maria Aparecida de Menezes Borrego Maria da Glória Guimarães Correia Maria Luiza Andreazza Maria Silvia Casagrande Beozzo Bassanezi Mariana de Aguiar Ferreira Muaze

Milton Stanczyk Filho Muirakytan K de Macedo Oswaldo Mario Serra Truzzi Patrícia Abreu dos Santos Paula Chaves Teixeira Reinaldo Forte Carvalho Renato Pinto Venâncio Ricardo Schmachtenberg Rogério da Palma Sara Simas Sheyla Farias Silva Silmei de Sant’Ana Petiz Silvana Alves de Godoy


127

04. Ciências Biomédicas e Saúde em Perspectiva Histórica Coordenadores: Dominichi Miranda de Sá, Marta de Almeida Ana Luce Girão Soares de Lima André Vasques Vital Andrezza Christina Ferreira Rodrigues Antonia Valtéria Melo Alvarenga Arthur Torres Caser Carolina Arouca Gomes de Brito Christiane Maria Cruz de Souza Cidinalva Silva Câmara Cleide de Lima Chaves Dilma Cabral Eduardo Gomes de Oliveira Eliana Vieira Sales Érico Silva Muniz Fernanda Rebelo

133

238

Coordenadores: Roberto Guedes Ferreira, Maria de Fátima Silva Gouvea Joao Luís Ribeiro Fragoso Jonas Moreira Vargas José Eudes Arrais Barroso Gomes José Roberto Pinto de Góes Mafalda Soares da Cunha Marcello José Gomes Loureiro Marcio de Sousa Soares Marcos Aurélio de Paula Pereira Maria Aparecida Rezende Mota Maria das Graças Souza Aires de Araujo Maria do Socorro Ferraz Barbosa Maria Fernanda B. Bicalho Maria Fernanda Vieira Martins

Maria Lemke Marilia Nogueira dos Santos Mônica da Silva Ribeiro Nauk Maria de Jesus Nuno Gonçalo Pimenta de Freitas Monteiro Paulo Cavalcante Paulo César Possamai Rafael Ricarte da Silva Roberto Guedes Ferreira Rodrigo Ceballos Rodrigo de Aguiar Amaral Simone Cristina de Faria Virginia Maria Almoêdo de Assis

07. Discursos e Representações: Jogos de Gênero Coordenadores: Cristina Scheibe Wolff Alexandre Garrido da Silva Alomia Abrantes da Silva Ana Rita Fonteles Duarte Andréa da Rocha Rodrigues Breno Rodrigo de Oliveira Alencar Carolina dos Anjos Nunes Oliveira Claudia Regina Nichnig Cristina Scheibe Wolff Deivid Aparecido Costruba Elizabeth Sousa Abrantes Fabiana Francisca Macena Gabriel Felipe Jacomel Gabriela Miranda Marques Gilma Maria Rios Ilane Ferreira Cavalcante

Ivana Guilherme Simili Joana Maria Pedro Karina Klinke Leonardo Turchi Pacheco Lorena Zomer Luciana Andrade de Almeida Luciana de Lima Pereira Luciana Rosar Fornazari Klanovicz Mara Lígia Fernandes Costa Márcia Castelo Branco Santana Maria de Fátima Hanaque Campos Mariana Joffily Marinete do Santos Silva Mário Martins Viana Júnior Mirian Jaqueline Toledo Sena Severo

Paola Lili Lucena Paula Faustino Sampaio Pedro Vilarinho Castelo Branco Renato Riffel Rômulo José Francisco de Oliveira Júnior Sana Gimenes Alvarenga Domingues Stella Maris Scatena Franco Vilardaga Suzimar dos Santos Novais Vera Lúcia Puga Walter de Carvalho Braga Júnior

Coordenadores: Glaydson José da Silva, Luzia Margareth Rago Glaydson José da Silva Haroldo Gomes da Silva Helena Isabel Mueller Herasmo Braga de Oliveira Brito Icaro Ferraz Vidal Junior José Carlos Reis Júlia Glaciela da Silva Oliveira Luana Saturnino Tvardovskas Lucas Endrigo Brunozi Avelar Luzia Margareth Rago Marcelo Santana Ferreira Maria Celia Orlato Selem Maria Ignês Manici de Boni

Maria Rita de Assis César Marilda Ionta Nelson de Azevedo Paes Barreto Nildo Avelino Paula Souza da Cunha Priscila Piazentini Vieira Rachel Tegon de Pinho Rosamaria Carneiro Rosane Azevedo Neves da Silva Roselane Neckel Soraia Carolina de Mello Susel Oliveira da Rosa Vânia Nara Pereira Vasconcelos

09. Educação Histórica

Coordenadores: Marlene R. Cainelli, Maria Auxiliadora M. dos S. Schmidt Andre Chaves de Melo Silva André Luiz Batista da Silva Astrogildo Fernandes da Silva Júnior Benicia Couto de Oliveira Berenice Schelbauer do Prado Cristiani Bereta da Silva Daniele Gomes dos Santos Elenice Elias Francisco Alencar Mota Isaíde Bandeira Timbó Israel Soares de Sousa Jair Fernandes dos Santos Janaína Nunes Ferreira Jucimara Rojas Julio Ricardo Quevedo dos Santos Lilian Costa Castex

Marilda Lopes Pinheiro Queluz Patricia Camera Paula Martins de Barros Gioia Pedro Alexander Cubas Hernández Renato Cymbalista Rogério Pereira de Arruda Rogério Souza Silva Rosangela de Jesus Silva Sandra Sofia Machado Koutsoukos Sonia Maria de Almeida Ignatiuk Wanderley Thereza Baumann Valéria Alves Esteves Lima Wagner do Nascimento Rodrigues

06. Dinâmica Imperial no Antigo Regime Português: séculos XVI-XVIII Adriana Barreto de Souza Adriano Comissoli Anderson José Machado de Oliveira Anna Laura Teixeira de França Bartira Ferraz Barbosa Carmen Margarida Oliveira Alveal Clara Maria Farias de Araújo Claudia Cristina Azeredo Atallah Elmar Figueiredo Arruda Érika Simone de Almeida Carlos Dias Fábio Pesavento Helen Osório Isnara Pereira Ivo Jeannie da Silva Menezes

145

234

Coordenadores: Cristina Meneguello, Jens Michael Baumgarten Gilmário Moreira Brito Helouise Lima Costa Ivania Valim Susin Ivoneide de França Costa Jaime de Almeida Joana Carolina Schossler Juam Carlos Thimótheo Leticia Coelho Squeff Luana Carla Martins Campos Marcelo Robson Téo Marcos Felipe de Brum Lopes Maria Antonia Couto da Silva Maria Cristina Miranda da Silva Maria Teresa Ferreira Bastos

08. Dizer Sim à Existência: Ética e Subjetividade na História Adilton Luís Martins Aline da Silva Medeiros Ana Carolina Arruda de Toledo Murgel Andre Luiz Joanilho Anette Lobato Maia Clementino Nogueira de Sousa Daive Cristiano Lopes de Freitas Diego Souza de Paiva Dimas Brasileiro Veras Elisabeth Juliska Rago Everton de Oliveira Moraes Fabiana Luiza da Silva

Marcos Chor Maio Maria Martha de Luna Freire Maria Rachel de Gomensoro Fróes da Fonseca Mariana Santos Damasco Marlene Lopes Cidrack Monique de Siqueira Gonçalves Patricia Marinho Aranha Renato da Silva Silvia Helena Bastyos de Paula Tamara Rangel Vieira Thiago da Costa Lopes Tibério Campos Sales Verônica Pimenta Velloso

05. Cultura Visual, Imagem e História Ana Maria Mauad de Sousa Andrade Essus Ana Rita Uhle André Luiz Rosa Ribeiro Beatriz Rodrigues Ferreira Camila Dazzi Carolina Bortolotti de Oliveira Carolina Martins Etcheverry Charles Monteiro Consuelo Alcioni Borba Duarte Schlichta Érica Gomes Daniel Monteiro Francisco das Chagas F. S. Junior Francislei Lima da Silva

139

Gabriela Dias de Oliveira Gilberto Hochman Hideraldo Lima da Costa Ingrid Fonseca Casazza Jaime Larry Benchimol José Arimatea Barros Bezerra José Leandro Rocha Cardoso Julio Cesar Adiala Júlio Cesar Schweickardt Kelly Cristina Benjamim Viana Letícia Pumar Alves de Souza Lidiane Monteiro Ribeiro Lourence Cristine Alves Luis Antonio Coelho Ferla Luiz Antonio da Silva Teixeira

227

Lindamir Zeglin Fernandes Luciano de Azambuja Lucineia Cunha Steca Luis Mauro de Alvarenga Marnet Luzia Marcia Resende Silva Magda Madalena Tuma Marcelo Fronza Margarida Maria Dias de Oliveira Maria Auxiliadora Moreira dos Santos Schmidt Maria Catharina N. de Carvalho Maria do Carmo Barbosa de Melo Maria Inês Sucupira Stamatto Maria Neusa G.Gomes Souza Maria Sigmar Coutinho Passos Mariana Reis Feitosa

Marilú Favarin Marin Marlene Rosa Cainelli Milton Joeri Fernandes Duarte Nilcéia A. F. Gavronski Osvaldo Rodrigues Junior Raimunda Ivoney Rodrigues Oliveira Ricardo José Lima Bezerra Rogério Lustosa Victor Rosi Terezinha Ferrarini Gevaerd Sandra Regina Ferreira de Oliveira Severino Bezerra da Silva Tania Gayer Ehlke Zilfran Varela Fontenele

10. Estudos Africanos: Dimensões Históricas das Sociedades Africanas e dos Africanos na Diáspora Coordenadores: Alexsander L. de Almeida Gebara, Maria Cristina Cortez Wissenbach Adauto Neto Fonseca Duque Alexandre Almeida Marcussi Alexsander Lemos de Almeida Gebara Andrea Barbosa Marzano Angela de Araújo Porto Camilla Agostini Cândido Eugênio Domingues de Souza Carlos Francisco da Silva Júnior Cristiana Ferreira Lyrio Ximenes Cristiane Nascimento da Silva Diego Barbosa da Silva Elaine Ribeiro da Silva dos Santos

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Fábio Baqueiro Figueiredo Fernanda do Nascimento Thomaz Gabriela Aparecida dos Santos Gilson Brandão de Oliveira Junior Ingrid Silva de Oliveira Irineia Maria Franco dos Santos Ivana Pansera de Oliveira Muscalu Josane Rodrigues Boechat Juliana Barreto Farias Juliana de Paiva Magalhães Julio Moracen Naranjo Kaori Kodama Letícia Cristina Fonseca Destro Lucilene Reginaldo

Luiza Nascimento dos Reis Marcelo Bittencourt Marcos Vinicius Santos Dias Coelho Maria Cristina Cortez Wissenbach Maria Roseane Correa Pinto Lima Mônica Carolina Savieto Orlando Almeida dos Santos Patricia Santos Schermann Pedro Figueiredo Alves da Cunha Raquel Gryszczenko Alves Gomes Silvio de Almeida Carvalho Filho Sílvio Marcus de Souza Correa Víctor Baptista Varela de Barros Wolfgang Adolf Karl Döpcke

11. História e Música Popular

Coordenadores: Adalberto de Paula Paranhos, Tania da Costa Garcia Adalberto de Paula Paranhos Adriana Facina Alessander Mário Kerber Alexandre Felipe Fiuza Andrea Maria Vizzotto Alcântara Lopes Carlos Eduardo Calaça Costa Fonseca Carolina Mary Medeiros Claudete de Sousa Nogueira Cleodir da Conceição Moraes Daniela Ribas Ghezzi Dmitri Cerboncini-Fernandes Eleonora Zicari Costa de Brito Felipe da Costa Trotta Francisco de Assis Santana Mestrinel Gabriel Ferrão Moreira

Gabriel Sampaio Souza Lima Rezende José Roberto Zan Juliana de Oliveira Rocha Franco Luisa Quarti Lamarão Luiz Felipe Sousa Tavares Mara Rita Oriolo de Almeida Marcelo Crisafuli Nascimento Almeida Marcelo Nogueira Diana Marcia Ramos de Oliveira Maria Amélia Garcia de Alencar Mariana Oliveira Arantes Marlon de Souza Silva Mary Aparecida de Alencar Durães Nilton Silva dos Santos

Olga Rodrigues de Moraes Von Simson Priscila Gomes Correa Regina Helena Alves da Silva Rodrigo Oliveira dos Santos Silvia Maria Jardim Brügger Tania da Costa Garcia Theophilo Augusto Pinto Tony Leão da Costa Valeria Aparecida Alves Victor Hugo Veppo Burgardt Virginia de Almeida Bessa Vitor Hugo Abranche de Oliveira


313

12. História & Teatro

Coordenadores: Vera Regina Martins Collaço, Katia Rodrigues Paranhos Ana Paula Teixeira Andreia Aparecida Pantano Berenice Albuquerque Raulino de Oliveira Camila Imaculada Silveira Lima Carminda Mendes André Edelcio Mostaço Elderson Melo de Melo Elen de Medeiros Érica Rodrigues Fontes Evelyn Furquim Werneck Lima Fatima Costa de Lima Henrique Buarque de Gusmão Isabel Silveira dos Santos

219

Coordenadores: Paulo Henrique Martinez, José Augusto Pádua Eliane Kuvasney Eliane Oliveira de Lima Freire Ely Bergo de Carvalho Ermelinda Moutinho Pataca Fabíula Sevilha de Souza Ival de Assis Cripa Janaina da Silva Augusto Janaina Zito Losada Jó Klanovicz Joice Fernandes José Otávio Aguiar Leila Mourão Lorena de Pauli Cordeiro Lucas Antonio Franceschi Marcelo Lapuente Mahl

Maria de Fatima Oliveira Martin Stabel Garrote Maryanne Rizzo Correa da Costa Galvão Paulo Henrique Martinez Pedro Henrique Campello Torres Petra Sanchez Sanchez Regina Coelly Fernandes Saraiva Regina Horta Duarte Roberto Carlos Massei Rômulo de Paula Andrade Silvia Helena Zanirato Tatiana da Silva Bulhões Wesley Oliveira Kettle

14. História do Ensino de História

Coordenadores: Kazumi Munakata, Arlette Medeiros Gasparello Ana de Oliveira Ana Paula Squinelo André Luiz Bis Pirola Antonia Terra de Calazans Fernandes Arlette Medeiros Gasparello Aryana Lima Costa Carlos Eduardo dos Reis Danielle Cristine Camelo Farias Diogo Francisco Cruz Monteiro Eliane Mimesse Prado Eliezer Raimundo de Souza Costa Elza Alves Dantas Frank dos Santos Ramos Gabriela Gonçalves Rosa Hermeson Alves de Menezes

330

Orna Messer Levin Pâmela Peregrino da Cruz Paulo Merisio Rafael de Souza Villares Raquel Barroso Silva Roberta Paula Gomes Silva Rodrigo Seidl Rosa Ana Gubert Sérgio Onofre Seixas de Araújo Solange Pimentel Caldeira Stephan Arnulf Baumgartel Vera Regina Martins Collaço Victor Hugo Adler Pereira Vilma Campos dos Santos Leite

13. História Ambiental: Teorias, Fontes e Pesquisas Adalmir Leonidio Ana Lucia Nogueira de Paiva Britto Ana Paula dos Santos Lima André Luiz Onghero Beatriz Ramalho Ziober Carlos Alberto Menarin Carlos Eduardo Costa Barbosa Carlos Roberto Ballarotti Carolina Marotta Capanema Catarina de Oliveira Buriti Cláudia Beatriz Heynemann Cyro de Barros Rezende Filho Diogo de Carvalho Cabral Dora Shellard Correa Eduardo Giavara

325

João Costa Gouveia Neto Katia Rodrigues Paranhos Kyara Maria de Almeida Vieira Larissa de Oliveira Neves Magda Maria Jaolino Torres Maria Brigida de Miranda Maria de Lourdes Rabetti Maria do Perpétuo Socorro Calixto Marques Maria Lana Monteiro de Lacerda Mariana de Oliveira Amorim Múcio Medeiros Nara Waldemar Keiserman Nicolas Alexandria Pinheiro

Iduina Mont´Alverne Braun Chaves Jackeline Silva Lopes João Paulo Gama Oliveira Jorge Antonio da Silva Rangel Julio Henrique da Silva Pereira Kenia Hilda Moreira Kleber Luiz Gavião Machado de Souza Kléber Rodrigues Santos Laura Nogueira Oliveira Luciana Regina Pomari Marcia Guerra Pereira Maria Antonia Veiga Adrião Maria Aparecida da Silva Cabral Maria Aparecida Leopoldino Tursi Toledo Miriam Bianca Amaral Ribeiro

Moroni Tartalioni Barbosa Norma Lúcia Silva Palite Terezinha Buratto Remes Patrícia Cristina de Aragão Araújo Raquel da Silva Alves Regina Celia Goncalves Rodolfo Calil Bernardes Sonia Maria Leite Nikitiuk Suely Cristina Silva Souza Tatiana Leite da Silva Thiago Figueira Boim Ubiratan Rocha Vanderlei Machado Vera Lucia Cabana Andrade Vilma de Lurdes Barbosa Yara Cristina Alvim

15. Ciência-Tecnologia-Sociedade-História

Coordenadores: Ivan da Costa Marques, Maria Amélia Mascarenhas Dantes Alessandro Machado Franco Batista Alex Gonçalves Varela Alexandre de Paiva Rio Camargo Ana Claudia Ribeiro de Souza Ana Emilia da Luz Lobato Andre de Faria Pereira Neto André Luis Mattedi Dias André Luiz Correia Lourenço Anna Raquel de Matos Castro Arthur Arruda Leal Ferreira Camila Guimarães Dantas Carlos Antonio Giovinazzo Jr. Catarina Capella Silva Cesar Agenor Fernandes da Silva Claudia Panizzolo

Deise Simões Rodrigues Eduardo Moraes Warpechowski Eduardo Romero de Oliveira Fabio Luciano Iachtechen Flavio Diniz Ribeiro Francisco Assis de Queiroz Gilson Leandro Queluz Gisela Tolaine Massetto de Aquino Heloisa Meireles Gesteira Ivan da Costa Marques Jairo de Jesus Nascimento da Silva Jose Jeronimo de Alencar Alves Luiz Carlos Borges Luiz Carlos Soares Manuela Bretas de Medina

410

Marcia Regina Barros da Silva Marco Antonio Rodrigues Paulo Marcos Jungmann Bhering Maria Angélica Pedra Minhoto Mirian Jorge Warde Moema de Rezende Vergara Natalia Peixoto Bravo de Souza Nelson Rodrigues Sanjad Nilda Nazare Pereira Oliveira Nilton de Almeida Araújo Odair Sass Regina Maria Macedo Costa Dantas Ricardo Silva Kubrusly Rundsthen Vasques de Nader Sheila Cristina Alves de Lima Luppi

16. História Vivida, História Pensada, História Escrita

Coordenadores: Estevão Chaves de Rezende Martins, Raquel Glezer Adrianna Cristina Lopes Setemy Amanda Teixeira da Silva Ana Carolina Barbosa Pereira Ana Luiza Marques Bastos Antonio Paulo de M Resende Carlos Oiti Berbert Júnior Christiane Marques Szesz Cristiano Alencar Arrais Diva do Couto Contijo Muniz Edmar Luis da Silva Erivan Cassiano Karvat Fabio Franzini Fabio Sapragonas Andrioni Fernando Victor Aguiar Ribeiro Francine Iegelski

416

Pedro Spinola Pereira Caldas Renato Lopes Leite Sara Albieri Silene Ferreira Claro Simone Cristina Schmaltz de Rezende e Silva Thiago Lima Nicodemo Tiago Santos Almeida Vantuil Pereira Victor Wladimir Cerqueira Nascimento Vitor Henriques Zeloi Aparecida Martins dos Santos

17. História, Religiões e Ética

Coordenadores: Fernando Torres Londoño, Elton de Oliveira Nunes Adriano de Sousa Barros Arnaldo Érico Huff Júnior Belarmino de Jesus Souza Bruno Fonseca Ratton Bruno Rodrigo Dutra Camila Corrêa e Silva de Freitas Clarice Bianchezzi Clarissa Adjuto Ulhoa Cleoneide Moura do Nascimento Edgar da Silva Gomes Edison Minami Eduardo Seixas Migowski Elias Ferreira Veras

421

Giselda Brito Silva Helenice Rodrigues da Silva João Alfredo Costa de Campos Melo Júnior José Nicolao Julião Júlia Ribeiro Junqueira Luciana Pessanha Fagundes Luís Sergio Duarte da Silva Marçal de Menezes Paredes Marlon Jeison Salomon Naiara dos Santos Damas Ribeiro Oldimar Pontes Cardoso Pablo Spíndola Paula Virginia Pinheiro Batista Paulo Henrique de Magalhães Arruda

Elton de Oliveira Nunes Érika do Nascimento Pinheiro Mendes Giselle Marques Camara Igor Luis Andreo Jonas Araújo da Cunha Jorge Luiz Nery de Santana Luciane Silva de Almeida Lyndon de Araújo Santos Marcelo Timotheo da Costa Marcílio Lima Falcão Marcos Roberto Brito dos Santos Maria Cristina Pompa

Maria do Socorro de Lima Oliveira Maria Luísa de Castro Vasconcelos Gonçalves Jacquinet Maria Teresa Toribio Brittes Lemos Maxuel Batista de Araujo Ney de Souza Patrícia Ferreira dos Santos Rafael da Silva Virginio Raquel Miranda Barbosa Bueno Tatiana Machado Boulhosa Vanda Maria Quecini

18. Historiografia e Escrita da História: as Dimensões Éticas do Ofício do Historiador Coordenadores: Durval Muniz de Albuquerque Junior, Temístocles Americo Correa Cezar Alessandra Soares Santos Ana Paula Sampaio Caldeira Andre de Lemos Freixo Bernardo Medeiros Ferreira da Silva Bruno Diniz Silva Bruno Franco Medeiros Durval Muniz de Albuquerque Junior Eduardo Sinkevisque Emy Francielli Lunardi Erik Hörner Fernando Felizardo Nicolazzi Flávia Florentino Varella Francisco Firmino Sales Neto Giorgio de Lacerda Rosa

426

Helena Miranda Mollo Ivan Norberto dos Santos Janaína Oliveira Joedna Reis de Meneses Joel Carlos de Souza Andrade Julio Cesar Bentivoglio Leandro Augusto Martins Junior Leandro Calbente Camara Lilian Martins de Lima Mara Cristina de Matos Rodrigues Márcio Romão Brantuas Barcia Maria da Glória de Oliveira Mateus Henrique de Faria Pereira Monica Grin

Paulo Roberto de Jesus Menezes Rebeca Gontijo Renata Dal Sasso Freitas Renato Amado Peixoto Robert Wegner Sabrina Magalhães Rocha Sérgio da Mata Sonia Maria de Meneses Silva Suellen Mayara Péres de Oliveira Taise Tatiana Quadros da Silva Temístocles Americo Correa Cezar Valdei Lopes de Araujo

19. (I)Migrações, Memória, Identidade e Cidadania

Coordenadores: Frederico Alexandre de Moraes Hecker, Ismênia de Lima Martins Ana Maria Dietrich Ana Maria Rufino Gillies André Luis Ramos Soares André Souza Martinello Andréa Telo da Corte Angela Maria Roberti Martins Beatriz Rodrigues Kanaan Cacilda Maesima Celi Silva Gomes de Freitas Daniele Sandes da Silva Eloisa H. Capovilla da Luz Ramos Endrica Geraldo Érica Sarmiento da Silva Flavia Mengardo Gouvêa

Francielly Giachini Barbosa Frederico Alexandre de Moraes Hecker Giani Vendramel de Oliveira Henrique Manoel Silva Isabel Cristina Arendt Isabel Maria Freitas Valente Ismênia de Lima Martins Leandro Pereira Gonçalves Marcio Mendes da Luz Marcio Sergio Batista Silveira de Oliveira Marcos Antônio Witt Maria Aparecida Macedo Pascal Mariléia Franco Marinho Inoue Nara Maria Carlos de Santana

Núncia Santoro de Constantino Regina Weber Rosane Aparecida Bartholazzi de Carvalho Ruben Maciel Franklin Silvana Cristina Bandoli Vargas Sydenham Lourenço Neto Syrléa Marques Pereira Valeria Barbosa de Magalhaes Valmir Freitas de Araujo Vera Lucia Bogea Borges Vitor Manoel Marques da Fonseca Vittorio Maria Cappelli


410

20. Igreja – Práticas Religiosas e Culturais

Coordenadores: Francisco José Silva Gomes, Edilberto Cavalcante Reis Adriana Martins dos Santos Alcineia Rodrigues dos Santos Alexandre de Oliveira Karsburg Ana Cristina da Costa Lima Andrea Beatriz Wozniak Giménez Carlos André Silva de Moura Carolina Silveira Fróes Cleófas Lima Alves de Freitas Júnior Daniel Soares Simões Darlene Socorro da Silva Oliveira Edlene Oliveira Silva Eduardo Gusmão de Quadros Elizete da Silva Fernanda Pires Rubião Gilberto Geraldo Ferreira Giovane Jose da Silva Guilherme Ramalho Arduini

416

Emerson Dionisio Gomes de Oliveira Fabiana de Fátima Bruce da Silva Glauco Constantino Perez Gustavo Reinaldo Alves do Carmo Henrique Sergio de Araujo Batista Igor de Lima e Silva Isis Pimentel de Castro Jardel Sander da Silva Joana D’Arc de Sousa Lima José Augusto Alves Netto Luciene Lehmkuhl Marco Antonio Pasqualini de Andrade Maria Bernardete Ramos Flores

416 Maria de Fátima Morethy Couto Maria Elizabeth Ribeiro Carneiro Maria Helena da Fonseca Hermes Marize Malta Teixeira Nataraj Trinta Paulo Knauss Roberto Luís Torres Conduru Rogeria Moreira de Ipanema Rosana Horio Monteiro Sônia Maria Campelo Magalhães Stephanie Dahn Batista Thiago Rafael da Costa Santos

421

23. Educação, Religião e Ética: Perspectivas Históricas Coordenadores: Claricia Otto, Patricia Carla de Melo Martins Alceu Kaspary Cassia Maria Baptista de Oliveira Celso Joao Carminati Claricia Otto Cristina de Almeida Valença Cunha Barroso Debora Maria Marcondes Querido

Divino Flávio de Souza Nascimento Fabiana Nicolau Flávia Gomes da Silva Riger João Fernando Silva de Souza Juraci Santos Lígia de Souza Junqueira Maria Cecilia Barreto Amorim Pilla

Patricia Carla de Melo Martins Pricila Damazio de Jesus Tânia Mara Pereira Vasconcelos Tatiana da Silva Calsavara Tatiane da Silva Sales Thelma Jackeline de Lima Thomas Stark Spyer Dulci

426

Gilda Maria Whitaker Verri Glaucia Rodrigues Castellan Guilherme Mendes Tenório Heloisa de Faria Cruz Irene Nogueira de Rezende Jorge Luiz Ferreira Lima Katia Aily Franco de Camargo Laura Antunes Maciel Luciana Verônica da Silva Luciano da Silva Moreira Luiz Carlos Barreira Luiz D H Arnaut Maitê Peixoto Maria Daniele Alves

Maria do Rosario da Cunha Peixoto Maria Luiza Ugarte Pinheiro Maria Rita de Almeida Toledo Marta Emisia Jacinto Barbosa Marta Eymael Garcia Scherer Marta Maria Chagas de Carvalho Otavio José Klein Rejane Meireles Amaral Rodrigues Renata Garcia Campos Duarte Ricardo Antonio Souza Mendes Roberta Ferreira Gonçalves Samuel Luis Velazquez Castellanos Sílvia Asam da Fonseca Valdir Felix da Conceição Gonçalves

25. Intelectuais, Biografias e Política no Século XX

Coordenadores: Angela Maria de Castro Gomes, Francisco Carlos Palomanes Martinho Fabio Muruci dos Santos Fernando César Ferreira Gouvêa Francini Venâncio de Oliveira Francisco Carlos Palomanes Martinho Gisele Sanglard Giselle Laguardia Valente Giselle Martins Venancio Jailma Maria de Lima Jorge Ferreira José Antônio dos Santos Jose Luis Bendicho Beired Lidiane Soares Rodrigues Lucileide Costa Cardoso

Maria de Fatima Fontes Piazza Maria Teresa Santos Cunha Michelle Reis de Macedo Mônica Martins da Silva Noé Freire Sandes Pablo Francisco de Andrade Porfirio Paulo Santos Silva Regina Abreu Robson Mendonca Pereira Tatyana de Amaral Maia Tereza Maria Spyer Dulci

26. Interlocuções entre História, Ética e Linguagens Artísticas – Aspectos Estéticos e Políticos do Diálogo Arte e Sociedade Coordenadores: Rosangela Patriota Ramos Alcides Freire Ramos Alexandre Pacheco Amanda Maíra Steinbach Ana Amelia de Moura Cavalcante de Melo Ana Carolina Verani André Luis Bertelli Duarte Diogo Cesar Nunes da Silva Dolores Puga Alves de Sousa Eduardo José Reinato Edwar de Alencar Castelo Branco Eliane Alves Leal Emília Saraiva Nery Frederico Osanan Amorim Lima

Coordenadores: Vera Lucia Amaral Ferlini

Marcos Celeste Maximiliano Mac Menz Milena Fernandes Maranho Pablo Oller Mont Serrath Patricia Martins Castelo Branco Raphael Freitas Santos Renato de Mattos Renato Júnio Franco Renato Pereira Brandão Rodrigo Monte Ferrante Ricupero Rossana Gomes Britto Thiago Alves Dias Úrsula Andréa de Araújo Silva

Coordenadores: Heloisa de F. Cruz, Laura A. Maciel

Américo Oscar Guichard Freire Angela Maria de Castro Gomes Antonio Torres Montenegro Cecília da Silva Azevedo Christiane Jalles de Paula Cibele Barbosa da Silva Andrade Cicero Joao da Costa Filho Clara Isabel Calheiros da Silva de Melo Serrano Claudia Wasserman Denise Rollemberg Douglas Attila Marcelino Fábio Cardoso Keinert

22. Império e Colonização: Economia, Sociedade e Política na América Portuguesa Dayvison da Silva Freitas Débora Cazelato de Souza Denise Aparecida Soares de Moura Eloy Barbosa de Abreu Francisco Eduardo Pinto Gabriel Parente Nogueira George Félix Cabral de Souza Janaina Guimarães da Fonseca E Silva Joana Monteleone Karla Maria da Silva Leandro Braga de Andrade Lucas Jannoni Soares Luciene Maria Pires Pereira Marco Antônio Silveira

24. Imprensa, História Social e Memória Adriana Hassin Silva Alceste Pinheiro de Almeida Alexandra Lima da Silva Amanda Marques Rosa Andrey Lopes de Souza Carlos Gustavo Nobrega de Jesus César Augusto Castro Charleston José de Sousa Assis Cristina Aparecida Reis Figueira Daniel Revah Daniela Magalhaes da Silveira Débora Dias Macambira Elissandra Lopes Chaves Lima Enilce Lima Cavalcante de Souza

Coordenadores: Luciene Lehmkuh, Paulo Knauss

Alberon de Lemos Gomes Alvaro de Araujo Antunes Ana Paula Medicci Anderson Batista de Melo Angelo Emilio da Silva Pessoa Antonia da Silva Mota Artur Jose Renda Vitorino Bárbara Deslandes Primo Bruna Coutinho Gonçalves Belchior Cassiana Maria Mingotti Gabrielli Claudia Coimbra Espirito Santo Daniel Strum Daniele Ferreira da Silva David Salomão Silva Feio

426

Maria Lucelia de Andrade Maria Lúcia de Souza Rangel Ricci Mariana Ellen Santos Seixas Maurina Holanda Cavalcante Michelle Ferreira Maia Nadia Maria Guariza Quelce dos Santos Yamashita Romilda Alves da Silva Araújo Sandra Batista de Araujo Silva Sérgio Willian de Castro Oliveira Filho Solange Ramos de Andrade Tânia Rute Ossuna de Souza Tatiane Oliveira da Cunha Valmor da Silva Wheriston Silva Neris

21. Imagens de Arte e a Ética do Olhar Agenor Soares e Silva Júnior Aldrin Moura de Figueiredo Amanda Saba Ruggiero Ana Lucia Moraes de Oliveira Arthur Gomes Valle Artur Correia de Freitas Carla Mary da Silva Oliveira Caroline Fernandes Claudia Eliane Parreiras Marques Martinez Claudia Valladão de Mattos Delano Pessoa Carneiro Barbosa Elisabete da Costa Leal

421

Iraneidson Santos Costa Jadilson Pimentel dos Santos Janete Ruiz de Macedo Jean F. Figueiredo Sirino João Paulo Fernandes da Silva Jorge Luiz Dias Pinto Leandro de Aquino Mendes Leonardo Coutinho de Carvalho Rangel Lívia Gabriele de Oliveira Mara Regina do Nascimento Marco Antonio Neves Soares Maria Aparecida Borges de Barros Rocha Maria Augusta de Castilho Maria de Lourdes Porfírio Ramos Trindade dos Anjos

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Heloisa Selma Fernandes Capel Henrique José Vieira Neto Hudson de Oliveira E Silva Jailson Dias Carvalho João Pinto Furtado José Bezerra de Brito Neto Julierme Sebastião Morais Souza Katia Eliane Barbosa Luciano Carneiro Alves Luiz Eduardo Jorge Marcos Rogerio Cordeiro Maria Abadia Cardoso Maria Luiza Filippozzi Martini Nádia Cristina Ribeiro

Natália Conceição Silva Barros Paulo Henrique Castanheira Vasconcelos Paulo Roberto Monteiro de Araujo Reginaldo Cerqueira Sousa Renan Fernandes Robson Corrêa de Camargo Rodrigo de Freitas Costa Rosangela Patriota Ramos Talitta Tatiane Martins Freitas Thaís Gonçalves Rodrigues da Silva Thais Leão Vieira Tiago Gomes de Araújo Valter Guimarães Soares

27. Linguagens e Práticas da Cidadania

Coordenadores: Gladys Sabina Ribeiro, Tânia Maria Tavares Bessone da Cruz Ferreira Alcides Freire Ramos Alexandre Pacheco Amanda Maíra Steinbach Ana Amelia de Moura Cavalcante de Melo Ana Carolina Verani André Luis Bertelli Duarte Diogo Cesar Nunes da Silva Dolores Puga Alves de Sousa Eduardo José Reinato Edwar de Alencar Castelo Branco Eliane Alves Leal Emília Saraiva Nery Frederico Osanan Amorim Lima

Heloisa Selma Fernandes Capel Henrique José Vieira Neto Hudson de Oliveira E Silva Jailson Dias Carvalho João Pinto Furtado José Bezerra de Brito Neto Julierme Sebastião Morais Souza Katia Eliane Barbosa Luciano Carneiro Alves Luiz Eduardo Jorge Marcos Rogerio Cordeiro Maria Abadia Cardoso Maria Luiza Filippozzi Martini Nádia Cristina Ribeiro

Natália Conceição Silva Barros Paulo Henrique Castanheira Vasconcelos Paulo Roberto Monteiro de Araujo Reginaldo Cerqueira Sousa Renan Fernandes Robson Corrêa de Camargo Rodrigo de Freitas Costa Rosangela Patriota Ramos Talitta Tatiane Martins Freitas Thaís Gonçalves Rodrigues da Silva Thais Leão Vieira Tiago Gomes de Araújo Valter Guimarães Soares


410

28. Mundos do Trabalho: Entre a Escravidão e o Pós-Emancipação

Coordenadores: Henrique Espada Rodrigues Lima Filho, Aldrin Armstrong Silva Castellucci Alane Fraga do Carmo Aldrin Armstrong Silva Castellucci Aline Mendes Soares Ana Luiza Jesus da Costa Beatriz Ana Loner Carlos Augusto Pereira dos Santos Carlos Eduardo C. da Costa Christiano Eduardo Ferreira Daniel Precioso Daniela Fernanda Sbravati Daniele Santos de Souza Denilson de Cássio Silva Edinelia Maria Oliveira Souza Fernando Franco Netto

416

Coordenadores: Antonio Luigi Negro, Samuel Fernando de Souza

426

Eduardo Ângelo da Silva Erahsto Felício de Sousa Felipe Pereira Loureiro Juçara da Silva Barbosa de Mello Kleiton Nazareno Santiago Mota Lara Vanessa de Castro Ferreira Larissa Rosa Correa Leonardo Ângelo da Silva Luciana Rodrigues Ferreira Varejão Luís Eduardo de Oliveira Magda Barros Biavaschi Marcelo Antonio Chaves Marcelo Badaró Mattos Marcelo da Silva Lins

Márcia Janete Espig Maria do Socorro de Abreu E Lima Maria Sangela de Sousa Santos Silva Nágila Maia de Morais Norberto Osvaldo Ferreras Osvaldo Batista Acioly Maciel Paulo Cruz Terra Philipe Murillo Santana de Carvalho Rafaela Gonzaga Matos Ruth Needleman Valeria Marques Lobo Vinicius D. de Rezende Walter Luiz Carneiro de Mattos Pereira

416

Ana Paula Palamartchuk André Alexandre Valentini Angela Meirelles Oliveira Aureo Busetto Beatriz Kushnir Bibiana Soldera Dias Bruno Fernando Santos de Castro Carine Dalmas Cassiana Buso Ferreira Cátia Corrêa Guimarães César Henrique Porto Cláudia Schemes

Danyllo Di Giorgio Martins da Mota Eduardo Amando de Barros Filho Eduardo de Campos Lima Edvaldo Correa Sotana Elza Clementina Lopes Gomes Emanuelle Lins de Andrade Érito Vânio Bastos de Oliveira Flávio Henrique Calheiros Casimiro Geanne Paula de Oliveira Silva Ivan Lima Gomes João Ricardo Ferreira Pires Lerice de Castro Garzoni

Lívia dos Santos Chagas Luis Carlos dos Passos Martins Maria Antonia Dias Martins Maria Lindalva Silva Santos Maria Paula Nascimento Araujo Mônica Celestino Santos Osmani Ferreira da Costa Rafael de Almeida Serra Dias Ramiro Barboza de Oliveira Regma Maria dos Santos Silvia Tavares da Silva Sylvia Moretzsohn

421

Coordenadores: Dainis Karepovs, Murilo Leal Pereira Neto Glória de Melo Tonácio Ivone Cecilia D’avila Gallo Joana Medrado Nascimento José Felipe Rangel Gallindo José Newton Coelho Meneses Josiane Thethê Andrade Kelly Murat Duarte Leonardo Affonso de Miranda Pereira Lindercy Francisco Tomé de Souza Lins Lucas de Albuquerque Oliveira Luciana Pucu Wollmann do Amaral Luigi Biondi Manoel Dourado Bastos Marcia de Melo Martins Kuyumjiam

Marco Marques Pestana de Aguiar Guedes Maria Thereza Ferraz Negrão de Mello Mariana Mastrángelo Murilo Leal Pereira Neto Patricia Gomes Furlanetto Paulo Renato da Silva Paulo Roberto Ribeiro Fontes Rosana Costa Gomes Sibeli Cardoso Borba Machado Suzi Santos de Aguiar Valéria de Jesus Leite Vinicius Possebon Anaissi William Mello

426

Enny Vieira Moraes Euclides de Freitas Couto Felipe Eduardo Ferreira Marta Fernanda Célia Alcântara Silva Chaparim Hugo da Silva Moraes Joanna Lessa Fontes Silva José Carlos Mosko Laura Alice Rinaldi Camargo Luiz Carlos Ribeiro Luiz Carlos Ribeiro de Sant’Ana Marcel Diego Tonini Márcia Maria Fonseca Marinho Marcos Ruiz da Silva Maurício Barreto Alvarez Parada

Maurício Drumond Maurício Ghedin Corrêa Miguel Archanjo de Freitas Jr. Paula Andreatta Maduro Pedro Bevilaqua Pupo Ferreira Alves Priscila Gonçalves Soares Rafael Fortes Soares Renato Lanna Fernandez Ricardo Pinto dos Santos Sergio Ricardo Aboud Dutra Sérgio Teixeira Victor Andrade de Melo Vivian Luiz Fonseca

33. Ensino de História e Historiografia: Narrativas, Saberes e Práticas Coordenadores: Ana Maria Ferreira da Costa Monteiro, Helenice A. B. Rocha Flávia Eloisa Caimi Helena Maria Marques Araújo Helenice Aparecida Bastos Rocha Iandra Pavanati Janaina de Paula do Espírito Santo José Evangelista Fagundes José Ricardo Oriá Fernandes Lorene dos Santos Luís Reznik Luiz Alberto de Souza Marques Marcele Xavier Torres Marcello Paniz Giacomoni Marcelo de Souza Magalhães Márcia de Almeida Gonçalves

Maria Cristina Dantas Pina Maria do Socorro do Monte Silva Marieta de Moraes Ferreira Marta Margarida de Andrade Lima Mauro Cezar Coelho Nayara Galeno do Vale Patricia Bastos de Azevedo Raimundo Nonato A. da Rocha Regina Célia do Couto Sandra Alves Fiuza Silvana de Sousa Pinho Silvia Carolina Andrade Santos Warley da Costa

34. Norma e práxis no Mundo Ibérico. Séculos XV a XVIII Coordenadores: Bruno Feitler, Ronald José Raminelli Acacio Jose Lopes Catarino Alex Silva Monteiro Ana Carolina Teixeira Crispin Ana Paula Pereira Costa Ana Paula Torres Megiani André Figueiredo Rodrigues Andrea Simone Barreto Dias Bruno Feitler Camila Teixeira Amaral Carlos Alberto Ximendes Célia Cristina da Silva Tavares Daniela Buono Calainho Denise Maria Ribeiro Tedeschi Georgina Silva dos Santos

31. Mundos do Trabalho: Tradições e Culturas Adriana Rebouças Arapiraca Adriano Henriques Machado Antonio Luiz Miranda Beatriz de Miranda Brusantin Berenice Abreu Castro Neves Cristiane Siva Furtado Cristina Ferreira Denize Genuina da Silva Adrião Erick Reis Godliauskas Zen Evangelia Aravanis Everaldo de Oliveira Andrade Fabiane Popinigis Giane Maria de Souza Gissele Raline da Cunha Fernandes Moura

Coordenadores: Victor Andrade de Melo, Luiz Carlos Ribeiro

Aléxia Pádua Franco Amilcar Araujo Pereira Ana Amelia Rodrigues de Oliveira Ana Cristina Juvenal da Cruz Ana Lúzia Magalhães Carneiro Ana Maria Ferreira da Costa Monteiro Beatriz Boclin Marques dos Santos Carmen Teresa Gabriel Cinthia Monteiro de Araujo Cláudia Regina Amaral Affonso Eunícia Barros Barcelos Fernandes Fabrício Gomes Alves Fátima M. Leitão Araújo Fernando de Araújo Penna

30. História e Comunicação: Mídias, Intelectuais e Participação Política Coordenador: Beatriz Kushnir

32. História do Esporte e das Práticas Corporais Adilson Jose de Almeida Aline Amoêdo Corrêa Aline Lima Brandão Alvaro Vicente Graça Truppel Pereira do Cabo Ana Carrilho Romero Grunennvaldt André Maia Schetino André Mendes Capraro Antonio Jorge Gonçalves Soares Carlos Leonardo Bahiense da Silva Cláudia Maria de Farias Cleber Augusto Gonçalve Dias Cleber Cristiano Prodanov Coriolano Pereira da Rocha Junior Edson Segamarchi dos Santos

Maria Emília Vasconcelos dos Santos Martha Rebelatto Matheus Serva Pereira Melina Kleinert Perussatto Patricia Maria Melo Sampaio Rafael Maul de Carvalho Costa Regina Célia Lima Xavier Robson Pedrosa Costa Rodrigo de Azevedo Weimer Rodrigo Garcia Schwarz Sirlene de Andrade Rocha Tatiana Silva de Lima Zilda Alves de Moura

29. Mundos do Trabalho: Estado, Organizações e Lutas Alejandra Luisa Magalhães Estevez Alex de Souza Ivo Alexandre Assis Tomporoski Alexandre Fortes Alisson Droppa Ana Cristina Pereira Lima Andréa Santos Teixeira Silva Carlos Zacarias F. de Sena Júnior Claudia Amélia Mota Moreira Claudio Henrique de Moraes Batalha Cristiane Muniz Thiago Deivison Gonçalves Amaral Edilene Toledo Edinaldo Antônio Oliveira Souza

421

Flavia Fernandes de Souza Florisvaldo Paulo Ribeiro Junior Henrique Espada Rodrigues Lima Filho Itacir Marques da Luz Jackson André da Silva Ferreira Jacó dos Santos Souza Jônatas Marques Caratti Juliana Magalhães Linhares Karine Teixeira Damasceno Lucia Helena Oliveira Silva Lucimar Felisberto dos Santos Maciel Henrique Carneiro da Silva Mairton Celestino da Silva

410

Glaydson Gonçalves Matta Grayce Mayre Bonfim Souza Gustavo Kelly de Almeida Helidacy Maria Muniz Corrêa Iris Kantor Jorge Victor de Araújo Souza Jose Carlos Vilardaga Kalina Vanderlei Paiva da Silva Laura de Mello e Souza Letícia dos Santos Ferreira Lorelai Brilhante Kury Luciana Mendes Gandelman Luis Filipe Silverio Lima Maria Olindina Andrade de Oliveira

Mariana Gonçalves Guglielmo Michelle Trugilho Assumpção Neil Franklin Safier Pollyanna Gouveia Mendonça Roberta Giannubilo Stumpf Rodrigo Bentes Monteiro Rogério de Oliveira Ribas Ronald José Raminelli Ronaldo Vainfas Thiago Nascimento Krause Wolfgang Lenk Yllan de Mattos

35. Ordem Social e Fronteiras Identitárias na Antiguidade Coordenadores: Norberto Luiz Guarinello, Fábio Faversani Alexandre Galvão Carvalho Alfredo Julien Alice M. de Souza Ana Teresa Marques Goncalves Anderson Zalewski Vargas Andréa Lúcia Dorini de Oliveira Carvalho Rossi Bruna Campos Gonçalves Daniel de Figueiredo Débora Regina Vogt Edson Arantes Jr.

Erica Cristhyane Morais da Silva Fabio Duarte Joly Gilvan Ventura da Silva Giselle Moreira da Mata Ivan Vieira Neto Ivana Lopes Teixeira José Ernesto Moura Knust Juliana Bastos Marques Leandro Mendonça Barbosa Luana Neres de Sousa Luciane Munhoz de Omena

Margarida Maria de Carvalho Marinalva Vilar de Lima Rafael da Costa Campos Rafael Faraco Benthien Raul Vitor Rodrigues Peixoto Regina Maria da Cunha Bustamante Renata Cerqueira Barbosa Rosane Dias de Alencar Sarah Fernandes Lino de Azevedo Uiran Gebara da Silva


410

36. Os Índios na História: Organização, Mobilização e Atuação Política Coordenadores: Edson Hely Silva, John Manuel Monteiro Almir Diniz de Carvalho Junior Ana Paula da Silva Antonio Carlos Amador Gil Antônio Jacó Brand Barbara A. Sommer Claudio Costa Pinheiro Cleube Alves da Silva Edinaldo Bezerra de Freitas Elisa Frühauf Garcia Eva Maria Luiz Ferreira Fatima Martins Lopes Fernando Augusto Azambuja de Almeida Francisco Jorge dos Santos Giovani José da Silva Graziella Reis de Sant ‘Ana

416

Guilherme Saraiva Martins Heitor Velasco Fernandes Guimarães Helder Alexandre Medeiros de Macedo Iraci Aguiar Medeiros Isabelle Braz Peixoto da Silva João Pacheco de Oliveira Filho Jóina Freitas Borges Jorge Eremites de Oliveira José Ribamar Bessa Freire Juciene Ricarte Apolinário Luciano Pereira da Silva Lucybeth Camargo de Arruda Maico Oliveira Xavier Maria Aparecida de Araújo Barreto Ribas

Maria Cristina dos Santos Maria da Gloria Porto Kok Maria Elizabeth Brea Monteiro Maria Hilda Baqueiro Paraíso Maria Leonia Chaves de Resende Maria Regina Celestino de Almeida Mariana Albuquerque Dantas Mário Fernandes Correia Branco Neimar Machado de Sousa Priscila Enrique de Oliveira Rafael Ale Rocha Ricardo Pinto de Medeiros Solon Natalício Araújo dos Santos Teresinha Marcis Vania Maria Losada Moreira

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Coordenadores: Eurípedes Antonio Funes, Flavio dos Santos Gomes Janine Primo Carvalho de Meneses Joelma Tito da Silva José Luis Ruiz-Peinado Alonso Julia Bueno de Morais Silva Leila Maria Prates Teixeira Leila Martins Ramos Luana Teixeira Luciene Maria Alves Cordeiro da Silva Marcelo Moura Mello Maria Albenize Farias Malcher Maria Aparecida Barbosa Carneiro

Maria da Conceição Pinheiro de Almeida Maria Giseuda de Barros Machado Maria Lindaci Gomes de Souza Marinélia Sousa da Silva Nivaldo Osvaldo Dutra Rômulo Luiz Xavier do Nascimento Ronei Carlos Lima Rosa Elizabeth Acevedo Marin Rosalia de Jesus Castro da Silva Valdinéa de Jesus Sacramento Waldeci Ferreira Chagas

39. Ensino de História: Memórias, Histórias e Saberes

Coordenadores: Helenice Ciampi Ribeiro Fester, Maria Carolina Boverio Galzerani Adriana Carvalho Koyama Alexandre Pianelli Godoy Alice Mitika Koshiyama Ana Luiza Araújo Porto André Victor Cavalcanti Seal da Cunha Antonio Simplicio de Almeida Neto Arnaldo Pinto Junior Áurea da Paz Pinheiro Bruno Felippe Vieira Caroline Pacievitch Cássia Moura Celia Szniter Mentlik Cláudia Engler Cury Cláudia Laurido Figueira Elaine Lourenco

Elison Antonio Paim Emanuel Pereira Braz Francisca Simão de Souza (Simone de Souza) Ilcéia de Oliveira Pinheiro Isabella Oliveira de Andrade Virgínio Joao Batista Gonçalves Bueno Joaquim Justino Moura dos Santos Luis Fernando Cerri Manoel Pereira de Macedo Neto Maria Antônia Marçal Maria Aparecida Lima dos Santos Maria Silvia Duarte Hadler Marisa Noda Mauricio Nunes Lobo Neire Amaral de Lima

Pedrina Nunes Araújo Ramofly Bicalho dos Santos Renata Maria Tamaso Ricardo de Aguiar Pacheco Rosa Maria Godoy Silveira Sadraque Micael Alves de Carvalho Sheila Novais Rego Sheylla Barros Andrade Sousa Almeida Shirley Cardoso Gonçalves de Aguiar Stela Pojuci Ferreira de Morais Talita Veloso Cerveira Vânia Cristina da Silva Virgínia Albuquerque de Castro Buarque

426

Marcelo Rodrigues Dias Marcos José Diniz Silva Maria Clara Tomaz Machado Mauro Passos Onildo Reis David Paulo Augusto Tamanini Paulo Lima de Brito Rafaelle Setúbal Gomes de Abreu Raphael Alberto Ribeiro Rosângela Wosiack Zulian Victor Augustus Graciotto Silva

Coordenadores: Luciano Raposo de Almeida Figueiredo, Marco Antonio Villela Pamplona João Henrique Ferreira de Castro Joaquim Antonio de Novais Filho Keile Socorro Leite Felix Lea Maria Carrer Iamashita Luciano Raposo de Almeida Figueiredo Luis Balkar Sá Peixoto Pinheiro Marco Antonio Villela Pamplona Neusa Fernandes

Nivia Pombo Cirne dos Santos Patricia Valim Pedro Zanquetta Junior Renata Franco Saavedra Rodrigo Leonardo de Sousa Oliveira Sérgio Armando Diniz Guerra Filho Soraya Matos de Freitas Tarcísio de Souza Gaspar Tyrone Apollo Pontes Cândido

42. A Formação da Ética Cristã (Séculos IV-XV)

Coordenadores: José Rivair Macedo, Maria Eurydice de Barros Ribeiro Adriana Vidotte Armênia Maria de Souza Bruno Pimenta Starling Carmen Lícia Palazzo Catarina Stacciarini Seraphin Cintia Maria Falkenbach Rosa Bueno Cybele Crossetti de Almeida Fabiano Fernandes Fabio Fonseca Flávio Américo Dantas de Carvalho

38. Quilombos, Quilombolas e Terras de Negros Alan de Carvalho Souza Ana Elziabeth Costa Gomes Benedita Celeste de Moraes Pinto Carmélia Aparecida Silva Miranda Daniela Paiva Yabeta de Moraes Dilza Pôrto Gonçalves Eliane Cantarino O’dwyer Eurípedes Antonio Funes Eva Aparecida da Silva Igor Fonsêca de Oliveira Iohana Brito de Freitas

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Mauro Marcos Farias da Conceição Michelle Schreiner Lima Rafael Rosa Hagemeyer Renato Soares Bastos Roberta Barros Meira Sandra Fernandez Sílvia Noronha Sarmento Thamar Kalil de Campos Alves

Elder Monteiro de Araújo Fabiane da Silva Andrade Fernanda Santos Gerson Machado Gledson Ribeiro de Oliveira Igor José Trabuco da Silva Jaqueline Mota João Gabriel da Rocha Oliveira Karina Kosicki Bellotti Lindolfo Anderson Martelli Luciana Aparecida de Souza Mendes Lúcio Vânio Moraes Marcela Melo de Carvalho

41. Revoltas e Insurreições no Brasil - do Séc. XVII ao XIX Adriana Romeiro Alexandre Rodrigues de Souza Andréa Lisly Gonçalves Antonio Filipe Pereira Caetano Carolina Chaves Ferro Celio de Souza Mota Claudete Maria Miranda Dias Fabiano Vilaça dos Santos Flavio José Gomes Cabral

Coordenadores: Flávio Madureira Heinz, Hernán Ramiro Ramírez Fábio da Silva Sousa Fernando Luiz Vale Castro Flávio Madureira Heinz Hernán Ramiro Ramírez Laura de Leão Dornelles Maria Elisa Noronha de Sá Mader Maria Eloísa Cavalheiro Mario Angelo Brandão de Oliveira Miranda

Coordenadores: Artur César Isaia, Maria Clara Tomaz Machado Alaíze dos Santos Conceição Aldilene Marinho Cesar Ana Paula Rezende Macedo André Nogueira Annie Larissa Garcia Neves Pontes Artur Cesar Isaia Cairo Mohamad Ibrahim Katrib Caroline Luz e Silva Dias Cláudia Neves da Silva Danielle Rodrigues Amaro Eduardo Guilherme de Moura Paegle Eduardo Meinberg de Albuquerque Maranhão Filho

37. Por uma História Comparada Latino-Americana: Instituições, Elites e Idéias, Séc. XIX e XX Ana Carla Sabino Fernandes Ana Lucia do Amaral Villas Bôas Andrius Estevam Noronha Carina Martiny Cristiane de Assis Portela Diego Antonio Galeano Diego Nazareth Chaves São Bento Eduardo Scheidt Eugênio Rezende de Carvalho

40. Religiosidades: Temas e Paradigmas de Análise

Igor Salomão Teixeira Isabel Candolo Nogueira Ivan Antonio de Almeida Johnni Langer Karla Nobre de Souza Kátia Brasilino Michelan Katiuscia Quirino Barbosa Leandro Alves Teodoro Lisa Minari Hargreaves Luciana de Campos

Marinalva Silveira Lima Priscila Aquino Silva Rafael Afonso Gonçalves Renata Cristina de Sousa Nascimento Sílvia Correia de Codes Tatyana Murer Cavalcante Terezinha Oliveira Veronica Aparecida Silveira Aguiar

43. Africanos e Afro-descendentes Escravizados no Brasil Colonial e Imperial: Trabalho, Resistência, Representações, Cultura e Educação Coordenadores: Mário Maestri, Maria do Carmo Brazil Adriana Dantas Reis Alba Cleide Calado Wanderley Alessandro Moura de Amorim Amâncio Cardoso Ana Paula da Cruz Pereira de Moraes Bárbara da Fonseca Palha Bruno Pinheiro Rodriguês Christie Hellen Tôrres de Souza Cleidivaldo de Almeida Sacramento Cristiane Pinheiro Santos Jacinto Edlúcia da Silva Costa Eliana Djubatie Francisca Raquel da Costa Isabel Camilo de Camargo

Joana Santos de Carvalho Jofre Teófilo Vieira José Alexandre da Silva Juliano Tiago Viana de Paula Kátia Lorena Novais Almeida Luciano Mendonça de Lima Márcia Maria de Albuquerque Maria Antonieta Antonacci Maria das Graças de Loiola Madeira Maria do Carmo Brazil Mariana Almeida Assunção Marileide Lazara Cassoli Meyer Mário Maestri Miguel Pacífico Filho

Mirian Cristina de Moura Garrido Mônica Luise Santos Monique Cristina de Souza Lordelo Neide dos Santos Rodrigues Nelson Henrique Moreira de Oliveira Newman Di Carlo Caldeira Patricia Gressler Groenendal da Costa Paulo Henrique de Souza Martins Rogéria Cristina Alves Sayonara Oliveira Andrade Elias Solimar Oliveira Lima Thiago Campos Pessoa Lourenço


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44. Cidades e Culturas: Configurações dos Valores na Modernidade Coordenadores: Maria Inez Machado Borges Pinto, Fabiana Lopes da Cunha Adriana Gama de Araujo Dias Alenuska Kelly Guimaraes Andrade Amanda Danelli Costa Amara Silva de Souza Rocha Ana Lúcia Fiorot de Souza Arnaldo Ferreira Marques Junior Carla Miucci Ferraresi Carlos Alberto Machado Noronha Carlos Nássaro Araújo da Paixão Célio André Barbosa Cláudia Míriam Quelhas Paixão Clóvis Frederico Ramaiana Moraes Oliveira Eda Maria Goes Edilma Oliveira Souza Quadros

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Fania Fridman Fernando Gaudereto Lamas Fernando H. G. Barcellos Franciane Gama Lacerda Francisco Ruy Gondim Pereira Francivaldo Alves Nunes Isabel Teresa Creao Augusto Jose Evando Vieira de Melo Juliana Alves de Andrade Leonardo Soares dos Santos Liliane da Costa Freitag Liliane Maria Fernandes Cordeiro Gomes Márcia Maria Menendes Motta

Marco Antonio dos Santos Teixeira Maria Sarita Cristina Mota Maria Veronica Secreto Mariana Trotta Dallalana Quintans Marina Monteiro Machado Moisés Pereira da Silva Paulo Afonso Zarth Paulo Ignacio Corrêa Villaça Paulo Pinheiro Machado Pedro Parga Rodrigues Roselene de Cássia Coelho Martins Vanda da Silva Vitória Fernanda Schettini de Andrade

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47. Estado e Políticas Públicas – Séculos XIX e XX

Coordenadores: Théo Lobarinhas Piñeiro, Sonia Regina de Mendonça Airton Jose Cavenaghi Alexandre Coelho Pinheiro Alexandre Maccari Ferreira Andre Luiz Mesquita Antônio da Silva Câmara Antonio Fernando de Araujo Sa Beatriz da Costa Pan Chacon Bruno Evangelista da Silva Candida Carolina de Andrade E Silva Carlos Emanuel Florêncio de Melo Diogo Carvalho Eduardo Jose Afonso Felipe Santos Magalhães

Flávia de Sá Pedreira Gilberto Maringoni de Oliveira Hamilcar Silveira Dantas Junior Igor Carastan Noboa Irma Viana Jaison Castro Silva Jorge Luiz Bezerra Nóvoa José Costa D´Assunção Barros José Walter Nunes Leandro Santos Bulhões de Jesus Luiz Claudio Lourenço Marcílio Rocha Ramos Marcos Antonio da Silva

Meize Regina de Lucena Lucas Nancy Alessio Magalhães Nelson Tomelin Junior Neusah Maria Romanzini Pires Cerveira Pere Petit Peñarocha Rafael Bastos Alves Privatti Ricardo Sequeira Bechelli Rodrigo Oliveira Lessa Rosangela de Oliveira Dias Sandra Maret Scovenna Soleni Biscouto Fressato

Fábio de Souza Lessa Fabio Vergara Cerqueira Júlio Paulo Tavares Zabatiero Kátia Maria Paim Pozzer Marcia Severina Vasques Maria Angélica Rodrigues de Souza Maria Isabel Brito de Souza

Maria Regina Candido Miguel Pereira Neto Sandro Teixeira de Oliveira Talita Nunes Silva Tito Barros Leal de Pontes Medeiros Vanessa Vieira de Lima

49. Fronteiras e Fronteiriços: Espaços, Identidades e Comportamentos Coordenadores: Cesar Augusto Barcellos Guazzelli

Domingos Sávio da Cunha Dora Isabel Paiva da Costa Elio Dixon Escurra Guillen Gabriel Santos Berute Gabriela Carames Beskow Graciela Bonassa Garcia Graziano Uchôa Pinto da Silva Iasson Prestes Gelatti Irisnete Santos de Melo João Maurício Gomes Neto Jose Alves de Freitas Neto Leandro Macedo Janke

Leonam Lauro Nunes da Silva Liz Andrea Dalfre Luiz Alberto da Silva Lima Luiz Eduardo Catta Maria Aparecida Silva de Sousa Maria Medianeira Padoim Pio Penna Filho Priscila Pereira Roberta Teixeira Gonçalves Rodrigo Ferreira Maurer Valéria Nogueira Rodrigues

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50. Dimensões Históricas do Audiovisual: o Ethos e o Pathos da Imagem

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51. História da Saúde e das Doenças: Implicações Culturais e Sociais

Coordenadores: Jorge Luiz Bezerra Nóvoa, Marcos Antonio da Silva

Meize Regina de Lucena Lucas Nancy Alessio Magalhães Nelson Tomelin Junior Neusah Maria Romanzini Pires Cerveira Pere Petit Peñarocha Rafael Bastos Alves Privatti Ricardo Sequeira Bechelli Rodrigo Oliveira Lessa Rosangela de Oliveira Dias Sandra Maret Scovenna Soleni Biscouto Fressato

Coordenadores: Fabio Vergara Cerqueira, Maria Regina Cândido

Adilson Amorim de Sousa Alan Kardec Gomes P. Filho Almir Antonio de Souza Ana Lúcia Farah de Tófoli Andrea Cristiane Kahmann Benone da Silva Lopes Moraes Caio Figueiredo Fernandes Adan Carla Monteiro de Souza Carlo Maurizio Romani César Daniel de Assis Rolim Crhistophe Barros dos Santos Damázio

46. Cinema, História e Razão Poética: Problemas de Pesquisa e Ensino Flávia de Sá Pedreira Gilberto Maringoni de Oliveira Hamilcar Silveira Dantas Junior Igor Carastan Noboa Irma Viana Jaison Castro Silva Jorge Luiz Bezerra Nóvoa José Costa D´Assunção Barros José Walter Nunes Leandro Santos Bulhões de Jesus Luiz Claudio Lourenço Marcílio Rocha Ramos Marcos Antonio da Silva

48. Ética e Estética no Mundo Antigo: Cotidiano, Cultura e Sociabilidade Alexandre Carneiro Cerqueira Lima Aline Fernandes de Sousa Ana Alice Miranda Menescal Claudia Beltrão da Rosa Edson Moreira Guimarães Neto Fábio Afonso Frizzo de Moraes Lima Fabio Bianchini Rocha

Coordenadores: Márcia Maria Menendes Motta

Airton Jose Cavenaghi Alexandre Coelho Pinheiro Alexandre Maccari Ferreira Andre Luiz Mesquita Antônio da Silva Câmara Antonio Fernando de Araujo Sa Beatriz da Costa Pan Chacon Bruno Evangelista da Silva Candida Carolina de Andrade E Silva Carlos Emanuel Florêncio de Melo Diogo Carvalho Eduardo Jose Afonso Felipe Santos Magalhães

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Marcia Pereira da Silva Marcos Antonio de Menezes Marilécia Oliveira Santos Marise Magalhães Olímpio Patrícia Verônica Pereira dos Santos Regiane Cristina Custódio Renato da Gama-Rosa Costa Ricardo Jose Vilar da Costa Rita Lages Rodrigues Samara Mendes Araújo Silva Tania Maria Fernandes Veroni Friedrich Viviane da Silva Araújo Waldefrankly Rolim de Almeida Santos

45. Terra, Poder e Direitos: a História Agrária Revisitada (Séculos XVIII/XX) Aline Caldeira Lopes Ana Claudia Diogo Tavares Ana Renata do Rosário de Lima Angelo Aparecido Priori Betty Nogueira Rocha Carlos Leandro da Silva Esteves Cláudio Lopes Maia Cristiano Luís Christillino Daniel de Pinho Barreiros Eleide Abril Gordon Findlay Elione Silva Guimarães Ely Souza Estrela Emanuel Lopes de Souza Oliveira Emmanuel Oguri Freitas

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Elaine Cristina Caun Fabiana Lopes da Cunha Francisco Carlos Oliveira de Sousa Gabriela Pontin Novaes Helmara Giccelli Formiga Wanderley Jordania Maria Pessoa José Italo Bezerra Viana Keite Maria Santos do Nascimento Lima Luciana Paiva Coronel Luís Manuel Domingues do Nascimento Luiz Antonio Gloger Maroneze Maira Wanderley Neves Márcia Milena Galdez Ferreira

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Coordenadores: Marcos Francisco Napolitano de Eugenio, Mônica Almeida Kornis Adriana Gama de Araujo Dias Alenuska Kelly Guimaraes Andrade Amanda Danelli Costa Amara Silva de Souza Rocha Ana Lúcia Fiorot de Souza Arnaldo Ferreira Marques Junior Carla Miucci Ferraresi Carlos Alberto Machado Noronha Carlos Nássaro Araújo da Paixão Célio André Barbosa Cláudia Míriam Quelhas Paixão Clóvis Frederico Ramaiana Moraes Oliveira Eda Maria Goes Edilma Oliveira Souza Quadros Elaine Cristina Caun

Fabiana Lopes da Cunha Francisco Carlos Oliveira de Sousa Gabriela Pontin Novaes Helmara Giccelli Formiga Wanderley Jordania Maria Pessoa José Italo Bezerra Viana Keite Maria Santos do Nascimento Lima Luciana Paiva Coronel Luís Manuel Domingues do Nascimento Luiz Antonio Gloger Maroneze Maira Wanderley Neves Márcia Milena Galdez Ferreira Marcia Pereira da Silva

Marcos Antonio de Menezes Marilécia Oliveira Santos Marise Magalhães Olímpio Patrícia Verônica Pereira dos Santos Regiane Cristina Custódio Renato da Gama-Rosa Costa Ricardo Jose Vilar da Costa Rita Lages Rodrigues Samara Mendes Araújo Silva Tania Maria Fernandes Veroni Friedrich Viviane da Silva Araújo Waldefrankly Rolim de Almeida Santos

Coordenadores: Rita de Cássia Marques, Dilene Raimundo do Nascimento Ana Karicia Machado Dourado Ana Paula Spini Angela Aparecida Teles Barbara Marcela Reis Marques de Velasco Carolina Amaral de Aguiar Dennison de Oliveira Eduardo Victorio Morettin Fabio Raddi Uchoa Fernando Seliprandy Fernandes

Gabriela Kvacek Betella Licio Romero Costa Marcos Francisco Napolitano de Eugenio Margarida Maria Adamatti Maria Cecília de Miranda Nogueira Coelho Maria Leandra Bizello Mariana Martins Villaca Mauricio Cardoso

Mônica Almeida Kornis Monica Cristina Araujo Lima Priscila de Almeida Xavier Rafaela Lunardi Rosane Kaminski Valeria Lima Guimarães Vicente Saul Moreira dos Santos Wolney Vianna Malafaia


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52. História do Crime e da Justiça Criminal

Coordenadores: Marcos Luiz Bretas da Fonseca, José Ernesto Pimentel Filho Alcidesio de Oliveira Júnior. Ana Vasconcelos Ottoni Angela Teixeira Artur Augusto César Feitosa Pinto Ferreira Caiuá Cardoso Al-Alam Carlos Eduardo Martins Torcato Carlos Eduardo Moreira de Araújo Carlos Henrique Aguiar Serra Carlos Henrique Moura Barbosa Caroline Von Mühlen Cláudia Mauch Cláudia Moraes Trindade Clovis Mendes Gruner Deivy Ferreira Carneiro Edlene Maria Neri de Morais

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Coordenadores: Antonio Gilberto Ramos Nogueira, Márcia Regina Romeiro Chuva Francisco Régis Lopes Ramos Hilário Figueiredo Pereira Filho Isabel Cristina Martins Guillen Jacionira Coêlho Silva Jaelson Bitran Trindade Janice Goncalves João Ricardo Costa Silva Julia Wagner Pereira Juliana Ferreira Sorgine Kênia Sousa Rios Leandro Benedini Brusadin Leandro Surya Leila Beatriz Ribeiro Lúcia Maria Aquino de Queiroz

Luciano dos Santos Teixeira Manuelina Maria Duarte Cândido Marcia Conceição da Massena Arévalo Maria Telvira da Conceição Mércia Carréra de Medeiros Nelson Porto Ribeiro Paula Silveira de Paoli Pedro Paulo Palazzo de Almeida Raul Amaro de Oliveira Lanari Ricardo Neumann Roberta Nobre da Camara Telma Saraiva dos Santos Vera Chacham Walter Francisco Figueiredo Lowande

54. História, Historiografia e Fontes Orais: Temas, Abordagens e Perspectivas de Investigação José Daniel da Silva José Eudes Alves Belo José Vieira da Cruz Juliana Lemes Inácio Leandro Aparecido Lopes Lucília de Almeida Neves Delgado Luis Antonio Pasquetti Luis Fernando Beneduzi Luiz Henrique dos Santos Blume Maria Gisele Peres Mariangela de Vasconcelos Nunes Paulo Cesar Inácio Paulo Roberto de Almeida Regina Beatriz Guimaraes Neto

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Coordenadores: Silvia Maria Fávero Arend, Esmeralda Blanco Bolsonaro de Moura Ailton José Morelli Alcileide Cabral do Nascimento Antero Maximiliano Dias dos Reis Camila Holanda Marinho Carla Denari Giuliani Cynara Marques Hayeck Denise Ognibeni Esmeralda Blanco Bolsonaro de Moura Fabio Macedo Felipe da Cunha Lopes Flávia Cristina Silveira Lemos Giovanna Maria Poeta Grazziotin Glaucymara Dantas dos Santos do

Amaral Hugo Coelho Vieira Humberto da Silva Miranda Ilza de Carvalho Santos Ismael Gonçalves Alves José Carlos da Silva Cardozo Judite Barbosa Trindade Lídia Noemia Silvia dos Santos Lucas Coelho Siqueira Lucia Helena Reily Luiz Carlos Vieira Marcio Santos de Santana Maria Euchares de Senna Motta Marlene de Fáveri

Michele Rodrigues Tumelero Mônica Regina Ferreira Lins Olga Brites Raquel Carneiro Amin Raul Coelho Barreto Neto Silvia Maria Fávero Arend Sônia Camara Vanessa de Souza Ferreira Vania Morales Sierra Vera Lucia Braga de Moura

Coordenadores: Marco A. Santana, Icleia Thiesen

421

Mario Sergio Ignácio Brum Mozart Linhares da Silva Niedja Lima Torres Portugal Paulo Seabra Priscila Carlos Brandão Antunes Raimundo Nonato Lima dos Santos Ricardo Medeiros Pimenta Sara Oliveira Farias Silvana Grunewaldt Sônia Maria dos Santos Carvalho Suzana Arakaki Vera Lucia Cortes Abrantes

Coordenadores: Sidnei Munhoz, Francisco César Alves Ferraz Diogo Barreto Melo Edison Bisso Cruxen Edvanir Maia da Silveira Elton Licério Rodrigues Machado Erica da Silva Lins Francisco César Alves Ferraz Francisco Eduardo Alves de Almeida Gisele Terezinha Machado Grazielle Rodrigues do Nascimento Jonh Érick Augusto da Silva José Tarcísio Grunennvaldt Karla Leonora Dahse Nunes

Kleber da Silva Tavares Micael Alvino da Silva Ney Paes Loureiro Malvasio Paulo César Gomes Bezerra Roberto Loiola Machado Rodrigo Perez Oliveira Sandro Heleno Morais Zarpelão Sidnei José Munhoz Tania Regina Pires de Godoy Tiago João José Alves

58. Múltiplos Femininos: Gênero, Memória e Identidades Coordenadores: Temis Gomes Parente, Andrea Borelli Adriana Dias Gomide Araújo Ana Carolina Eiras Coelho Soares Ana Teresa Acatauassú Venancio Andrea Borelli Andrea Mazurok Schactae Caroline Cantanhede Lopes Celecina de Maria Veras Sales Claudio Travassos Delicato Cristiane Lima Santos Cristina Ennes da Silva Daniel Henrique Lopes Érika Cristina de Menezes Vieira Costa Fabricia Faleiros Pimenta

426

Giliard da Silva Prado Igor Alves Moreira Jayme Lúcio Fernandes Ribeiro João Batista Vale Júnior José Veridiano dos Santos Josemeire Alves Pereira Keides Batista Vicente Lucia Grinberg Luciana Leonardo da Silva Marcos Felipe Vicente Maria de Fátima Bento Ribeiro Maria Manuela Alves Maia Marilena Julimar Ap. Fernandes Mario Henrique

57. Militares, Política e Estratégia Adriana Iop Bellintani Aline Cordeiro Goldoni Arlan Eloi Leite da Silva Arthur Bernady Santana Barbara Nunes Alves Loureiro Braz Batista Vas Brenda Coelho Fonseca Bruno Pessoa Villela Carlos Alexandre Rezende de Sant´Anna Christiano Britto Monteiro dos Santos Claudinéa Justino Franchetti

Renata Carolina Resende Renato Jales Silva Junior Rinaldo Jose Varussa Rodrigo Barbosa Lopes Sérgio Paulo Morais Sheille Soares de Freitas Telma Bessa Sales Vagner José Moreira Vera Lúcia Maciel Barroso Viviane Prado Bezerra Wellington Sampaio da Silva Zuleika Stefânia Sabino Roque

55. Infância, Adolescência e Juventude no Brasil: História e Historiografia

56. Memórias, Identidades e Conflitos Sociais Alessandra Ciambarella Ana Maria da Costa Evangelista Antonio José Barbosa de Oliveira Carina Santos de Almeida Cláudia Pereira Vasconcelos Cleusa Maria Gomes Graebin Daniela dos Santos Souza Edemir Brasil Ferreira Edson Medeiros Branco Luiz Eladir Fátima Nascimento dos Santos Elisangela Martins Fabiana Martins Bandeira Flora Daemon Genilson Ferreira da Silva

Coordenadores: Heloisa Helena Pacheco Cardoso, Yara Aun Khoury Alcides Fernando Gussi Ana Isabel Ribeiro Parente Cortez Andrey Minin Martin Carlos Meneses de Sousa Santos Célia Rocha Calvo Cícero Joaquim dos Santos Éber Mariano Teixeira Eduardo Antonio Estevam Santos Eliene Dias de Oliveira Santana Francisco Gleison da Costa Monteiro Gisélia Maria Campos Gislene Edwiges de Lacerda Heloisa Helena Pacheco Cardoso Jiani Fernando Langaro

426

Maria Teresa Garritano Dourado Marilene Antunes Sant’Anna Mariseti Cristina Soares Lunckes Paulo Henrique Marques de Queiroz Guedes Raquel Caminha Rocha Regina Helena Martins de Faria Ricardo Henrique Arruda de Paula Richard Negreiros de Paula Wellington Barbosa da Silva Yomara Feitosa Caetano de Oliveira Zeneide Rios de Jesus

53. História e Ética na Preservação do Patrimônio Cultural no Brasil Afonsina Maria Augusto Moreira Alenio Carlos Noronha Alencar Almir Félix Batista de Oliveira Ana Lorym Soares Analucia Thompson Anna Cristina Andrade Ferreira Anna Maria de Lira Pontes Araci Gomes Lisboa Caion Meneguello Natal Claudia Feierabend Baeta Leal Cristina Helou Gomide Dayseane Ferraz da Costa Diva Maria Freire Figueiredo Elisabeth Monteiro da Silva

421

Elena Camargo Shizuno Eliane Lucia Colussi Flávia Maíra de Araújo Gonçalves Flávio de Sá Cavalcanti de Albuquerque Neto Francisco Linhares Fonteles Neto Guanambi Tavares de Luna Inocência da Silva Galvão Neta Janete Eloi Guimarães Lídia Rafaela Nascimento dos Santos Luiz Carlos Sereza Maíra Ines Vendrame Marcos Paulo Pedrosa Costa Maria Aparecida Prazeres Sanches Maria Lúcia Resende Chaves Teixeira

410

Gisele Thiel Della Cruz Grasiela Florêncio de Morais Janine Gomes da Silva Janis Alessandra Pereira Cassília Joseanne Zingleara Soares Marinho Julia Bianchi Reis Insuela Kety Carla de March Larissa Selhorst Seixas Lidia Maria Vianna Possas Lilian Maria Moser Lina Faria Marcelo Ribeiro de Castro Márcia Maria da Silva Barreiros Leite Mary Angélica Costa Tourinho

Nair Sutil Noélia Alves de Souza Olívia Candeia Lima Rocha Rachel Soihet Rafaella Sudário Ribeiro Rosana Falcão Lessa Rosana Llopis Alves Rosemere Olimpio de Santana Sidnara Anunciação Santana Souza Silmária Souza Brandão Suely Gomes Costa Temis Gomes Parente Zélia de Oliveira Gominho

59. Tramas da Linguagem – História, Política e Cidade

Coordenadores: Josianne Francia Cerasoli, Virginia Celia Camilotti Adriana Mara Vaz de Oliveira Carlos Eduardo França de Oliveira Celio Jose Losnak Cleverton Barros de Lima Daniel Barbosa Andrade de Faria Daniela Ortiz dos Santos Elane Ribeiro Peixoto Elisangela Sales Encarnação Elizabeth Cancelli Evelyn Dill Goyanne Orrico Fernanda Rodrigues Galve Gerlane Bezerra Rodrigues Morais Gilberto Cezar de Noronha Gilmar Alexandre da Silva Ivone Salgado

Izabel Andrade Marson Jacy Alves de Seixas Josianne Francia Cerasoli Ludmila de Souza Maia Marcia Regina Capelari Naxara Maria Elena Bernardes Maria Fabiola Arias Chavez Maria Helena de Macedo Versiani Maria Stella Martins Bresciani Mário Luis Carneiro Pinto de Magalhães Marisa Varanda Teixeira Carpintero Michelle dos Santos Milena da Silveira Pereira Paula Rodrigues Belem

Priscila Nucci Priscilla Alves Peixoto Radamés Vieira Nunes Romulo Costa Mattos Ruth Maria Chitto Gauer Sandra Mara Dantas Thaís Troncon Rosa Valdeci Rezende Borges Valter Martins Vera Lucia Doyle Louzada de Mattos Dodebei Virginia Celia Camilotti Viviane Gomes de Ceballos


410

60. Práticas Educativas e Novas Linguagens no Ensino de História

Coordenadores: Maria Thereza Didier de Moraes, Carlos Augusto Lima Ferreira Alexsandro Donato Carvalho Ana Flávia Ribeiro Santana Antonieta Miguel Carlos Augusto Lima Ferreira Cláudia dos Santos Evaristo Claudia Mendes de Abreu Furtado Claudia Sales de Alcantara Elimária Costa Marques Eric de Sales Francisco das Chagas Silva Souza Geraldo Magela Oliveira Silva

416

Coordenadores: Adriano de Freixo, Mônica Leite Lessa

Gilberto da Silva Guizelin Gustavo da Frota Simões Heitor Damasceno Duarte Teixeira Isabela Gláucia de Souza Costa Baptista Jose Francisco dos Santos Juliana de Oliveira Passos Julio Gomes da Silva Neto Kamilla Raquel Rizzi Leonardo Bruno da Silva Luciana Lilian de Miranda Monique Sochaczewski Goldfeld Patricia Braga Elek Paulo José Soares Filho

416

Raquel dos Santos Oliveira Renato Petrocchi Rodrigo G. Pinto Rodrigo Perla Martins Sâmia Chantre Dahás Sergio Henrique da Costa Rodrigues Sheila Conceição Silva Lima Suhayla Mohamed Khalil Viana Tais Ristoff Tânia Welter Thiago de Jesus Esteves Vinicius Ayres Costa

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426

Coordenadores: Silvio de A. Carvalho Filho, Carlos Engemann Ana Carolina Sade Pereira da Silva Ana Lúcia Vieira Ana Maria da Silva Moura Carlos Alberto Dias Ferreira Cassi Ladi Reis Coutinho Clébio Correia de Araújo Daniel Mandur Thomaz Débora M Mattos Edson Beú Luiz Fabiana Maria de Carvalho Izaias Francisco José Alves

Gabriel Passold Gustavo Pinto de Sousa Irani da Silva Neves Isabel Orestes Silveira Júlio César Medeiros da Silva Pereira Júlio Cláudio da Silva Jussara Galhardo Aguirres Guerra Kleiton de Sousa Moraes Leila Maria Passos de Souza Bezerra Luciléia Aparecida Colombo Marcelo Nascimento Mendes Maria do Carmo Gregório

Marilea de Almeida Marilene Rosa Nogueira da Silva Michelle Airam da Costa Chaves Monike Garcia Ribeiro Natália Ledur Alles Pablo de Souza Oliveira Pablo Jaime Edir Campos Rangel Cerceau Netto Rita de Cássia Santos Freitas Surama Conde Sá Pinto

Margareth de Almeida Gonçalves Mariana Nastari Siqueira Melina de Oliveira Bittencourt Moreno Laborda Pacheco Roberta Bacellar Orazem Rossana Agostinho Nunes Tania Maria Pinto de Santana Tatiane dos Santos Duarte Vanderlei Marinho Costa Wilma de Lara Bueno

Coordenadores: Renato Luís do Couto Neto e Lemos, Celso Castro Fernanda de Santos Nascimento João Ignácio de Medina João Júlio Gomes dos Santos Júnior Karla Guilherme Carloni Kátia Eliana Lodi Hartmann Kees Koonings Lauriani Porto Albertini Lina Maria Brandão de Aras Lorenna Burjack da Silveira Luiz Fernando Figueiredo Ramos Luiz Rogério Franco Goldoni Manuel Domingos Neto Maria da Conceição Fraga Maria Regina Santos de Souza

Nelson de Sena Filho Neuma Brilhante Rodrigues Paulo Giovani Antonino Nunes Piero de Camargo Leirner Rachel Motta Cardoso Rafael do Nascimento Souza Brasil Raimundo Hélio Lopes Renata Marques Cordeiro Renato Luís do Couto Neto e Lemos Rodrigo Patto Sá Motta Rogério Rosa Rodrigues Silvana Cassab Jeha Tiago Manasfi Figueiredo

66. Marxismo e Ética em Tempo de Crise: Contradições e Revoluções Coordenadores: Virginia Fontes, Gilberto Grassi Calil

Irene Spies Adamy Joana Darc Virgínia dos Santos Joana El-Jaick Andrade Joao Alberto da Costa Pinto Kenia Miranda Larissa Costard Laurindo Mekie Pereira Leandro de Oliveira Galastri Ludmila Gama Pereira Marly de Almeida Gomes Vianna Martina Spohr Mirza Maria Baffi Pellicciotta Muniz Gonçalves Ferreira Paloma Alves de Oliveira da Silva

Paulo Alves Junior Paulo Julião da Silva Pedro Henrique Pedreira Campos Ricardo Gaspar Muller Ricardo Gilberto Lyrio Teixeira Rodrigo Dias Teixeira Tânia Serra Azul Machado Bezerra Vanessa de Oliveira Brunow Vicente Neves da Silva Ribeiro Virginia Fontes Vívian Lara Cáceres Dan Zulene Muniz Barbosa

67. Ética, Arte, Política e Visões de Mundo na Cultura Moderna Coordenadores: João Masao Kamita, Antonio Edmilson Martins Rodrigues Adriana Barroso Botelho Alan Christian de Souza Santos André Nunes de Azevedo Antonio Edmilson Martins Rodrigues Breno Ferraz Leal Ferreira Carolina Ruoso Daniel Pinha Silva Fernando Vojniak Gerson Luís Trombetta

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Medeiros Gabriela dos Reis Sampaio Geraldo Magela Pieroni Israel Silva dos Santos João André de Araújo Faria José Pereira de Sousa Junior Larissa Almeida Freire Lígia Bellini Magno Francisco de Jesus Santos Marcos Silva

65. Militares, Política e Sociedade no Brasil

Adriano Carmelo Vitorinozão Aruã Silva de Lima Camila Oliveira do Valle Carla Luciana S da Silva Cristiane Soares de Santana Danilo Enrico Martuscelli Danúbia Mendes Abadia Eurelino Teixeira Coelho Neto Felipe Abranches Demier Fernando Silva dos Santos Gelsom Rozentino de Almeida Gilberto Grassi Calil Hugo Villaça Duarte Igor Gomes Santos

Maria Izilda Santos de Matos Mário Ribeiro dos Santos Palmira Petratti Teixeira Paulo Marreiro dos Santos Júnio Raimundo Nonato Gomes dos Santos Rosana Maria Pires Barbarto Schwartz Roseli T Boschilia Senia Regina Bastos Sidiana da Consolação Ferreira de Macêdo Sidinalva Maria dos Santos Wawzyniak

63. Diferenças e Desigualdades

Coordenadores: Margareth de Almeida Gonçalves, Evergton Sales Souza

Alexandre de Sá Avelar Amilton Justo de Souza Ana Paula Lima Tibola Andréa Bandeira Angela Moreira Domingues da Silva Celso Castro Clarice Helena Santiago Lira Cláudio Beserra de Vasconcelos Daniel Martins Gusmão David Antonio de Castro Netto Dayane Rúbila Lobo Hessmann Eduardo Lucas de Vasconcelos Cruz Everaldo Pereira Frade Fabiano Godinho Faria

Coordenadores: Antônio de Pádua Santiago de Freitas, Maria Izilda Santos de Matos Francisco Carlos Jacinto Barbosa Gabriela Melo Silva Idalina Maria Almeida de Freitas Ines Manuel Minardi Jonas Rodrigues de Moraes José do E. S. Dias Junior Juliana da Mata Cunha Jurema Mascarenhas Pae Karla Torquato dos Anjos Luciana Ximenes Barros Manuela Arruda dos Santos Maria de Nazaré Sarges

64. História e Religião no Mundo Luso-Brasileiro (Séculos XVI-XXI) Angelo Adriano Faria de Assis Beatriz Catão Cruz Santos Caetana Maria Damasceno Cesar Augusto Tovar Silva Cláudia Bomfim da Fonseca Ediana Ferreira Mendes Edianne dos Santos Nobre Evergton Sales Souza Fabricio Lyrio Santos Fernando Antonio Mesquita de

62. Cidade e Cultura: História e Ética Ana Flávia Goes Morais Ana Helena da Silva Delfino Duarte Ângela Tereza de Oliveira Corrêa Antônio de Pádua Santiago de Freitas Chyara Charlotte Bezerra Advíncula Dolores Martin Rodriguez Corner Eliana Ramos Ferreira Elis Regina Barbosa Angelo Erick Assis Araújo Esmeralda Rizzo Etelvina Maria de Castro Trindade Francisca Ilnar de Sousa

426

Marcos Ferreira Gonçalves Maria Aura Marques Aidar Martinho Guedes dos Santos Neto Mary Jones Ferreira de Moura Regina Maria Rodrigues Behar Ronaldo Cardoso Alves Rosangela Souza da Silva Soni Lemos Barreto Suelídia Maria Calaça Thelma Pontes Borges Washington Tourinho Júnior

61.Relações Internacionais e Política Externa: História e Historiografia Adriano de Freixo Américo Alves de Lyra Júnior Ana Luiza Bravo E Paiva Ana Regina Falkembach Simão Antonio Manoel Elibio Jr Aurora Alexandrina Vieira Almada E Santos Bernardo Kocher Camila Soares Lippi Cintiene Sandes Monfredo Claudinei Ivair de Arruda Eduardo Mei Esther Kuperman Fernanda Jasmin Guimarães

421

Geraldo Magella de Menezes Neto Ivaneide Almeida da Silva Janderson Bax Carneiro Janete Flor de Maio Fonseca João Carlos Ribeiro de Andrade João de Araújo Pereira Neto Jocyleia Santana dos Santos José Luciano de Queiroz Aires Keliene Christina da Silva Lázaro José de Medeiros Cunha Lucia Falcão Barbosa

410

Helena Vieira Leitão de Souza Isabel Cristina Fernandes Auler Isabela Maria Azevedo Gama Buarque João de Azevedo e Dias Duarte João Masao Kamita Lenin Campos Soares Manuela Aguiar Araujo de Medeiros Marcos Olender Michelly Pereira de Sousa Cordão

Patrícia Domingos Woolley Cardoso Patricia Souza de Faria Rachel Saint Williams Renata Soares da Costa Santos Rogério Luis Gabilan Sanches Victor Emmanuel Teixeira Mendes Abalada

68. Idéias, Intelectuais e Instituições: História e Ética Coordenadores: Fernando Antonio Faria Alexandra Padilha Bueno Alexandre Pinheiro Ramos Aline Marinho Lopes Ana Cristina Meneses de Sousa Brandim Ana Cristina Santos Matos Rocha Antônio de Almeida Antonio Maureni Vaz Verçosa de Melo Arissane Dâmaso Fernandes Dulce Portilho Maciel Elizabeth Santos de Carvalho Fabrício Augusto Souza Gomes

Fernando Antonio Faria Fernando Perlatto Gleudson Passos Cardoso Iara Conceição Guerra de Miranda Moura Joana de Lira Bezerra João Marcelo Ehlert Maia José Renato Lattanzi Leila Medeiros de Menezes Luiz Alberto Scotto de Almeida Maria Emilia Prado Mariana de Castro Schwab

Névio de Campos Paulo César dos Santos Renata Lima Barboza Ricardo Emmanuel Ismael de Carvalho Robson Norberto Dantas Rogério dos Santos França Sérgio Paulo Aurnheimer Filho Thiago Riccioppo Valter Fernandes da Cunha Filho Virgínia Rodrigues da Silva


410

69. Povos Tradicionais - História e Cultura Ancelmo Schorner Caroline Gonzalez Vivas Cleber Alves Pereira Júnior Eveline Almeida de Sousa Fernando Barros Jr. Gabriel Passetti Giovana Acacia Tempesta Helio Sochodolak Jaci Guilherme Vieira

416

Palloma Cavalcanti Rezende Braga Patrícia Raiol Castro de Melo Renata de Almeida Oliveira Sandra Nancy Ramos Freire Bezerra Simone Pereira da Silva Sonia da Silva Rodrigues Soraia Sales Dornelles Suzete Camurça Nobre Tereza Cristina Ribeiro

Jorge Henrique Maia Sampaio José Valdenir Rabelo Filho José Valmi Oliveira Torres Josefa Núbia de Jesus Passos Julia Santos Cossermelli de Andrade Leda Rodrigues Vieira Lenita Maria Rodrigues Luiz Felipe Falcão Marcia Cristina Pinto Bandeira de Mello Mariana Cicuto Barros Nilson Almino de Freitas Odair da Cruz Paiva Pedro Pio Fontineles Filho

Priscilla Régis Cunha de Queiroz Rafael Damaceno Dias Raimundo Alves de Araújo Regianny Lima Monte Reinaldo Lindolfo Lohn Rodrigo de Oliveira Soares Sara Krieger do Amaral Tatiane Rosa Sarat Thiago Leandro de Souza Túlio Augusto Pinho de Vasconcelos Chaves Vanessa Martins Dias Vanessa Moraes de Gouvêa Vânia Lucia da Silva Lopes

416

421

Marlécio Maknamara Marlucy Alves Paraíso Michel Platini Fernandes da Silva Nilsângela Cardoso Lima Pablo de Oliveira de Mattos Raphael Diego Neves Martins Ricely de Araujo Ramos Rinaldo Cesar Nascimento Leite Tamara Paola dos Santos Cruz Tatiana de Almeida Nunes da Costa

Coordenadores: Gizlene Neder

Gizlene Neder Henrique Cesar Monteiro Barahona Ramos Jefferson de Almeida Pinto Luiz Fábio Silva Paiva Marcia Barros Ferreira Rodrigues Marcos Guimaraes Sanches Mariana Emanuelle Barreto de Gois Maristela Toma

Nancy Rita Sento Sé de Assis Nivia Valença Barros Ozias Paese Neves Paulo Baía Rafael Pereira de Souza Ricardo G. Borrmann Thiago Quintella de Mattos Thiago Werneck Gonçalves Walter de Mattos Lopes

75. História e Cultura da África e Afro-Brasileira

Coordenadores: Paulino de Jesus F. Cardoso, Manuel Jauará Joanice de Souza Vigorito Joceneide Cunha dos Santos José Bento Rosa da Silva José Dércio Braúna Júlio César da Rosa Juvenal de Carvalho Conceição Laiana Lannes de Oliveira Leonam Maxney Carvalho Luiz Fernandes de Oliveira Luiz Gustavo Freitas Rossi Manuel Jauará Maria Caroline de Figueiredo Veloso Maria Luzinete Dantas Lima Marionilde Dias Brepohl de Magalhaes

Marluce de Lima Macedo Martha Rosa Figueira Queiroz Michelle Maria Stakonski Núbia Challine de O. Coelho Petronio Jose Domingues Raphael Rodrigues Vieira Filho Renata de Lima Silva Solange Pereira da Rocha Taiane Dantas Martins Tatiana Reis Viviane de Oliveira Barbosa Willian Robson Soares Lucindo

76. História no Cinema/ História do Cinema

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77. Igreja, Sociedade e Relações de Poder na Idade Média

Coordenadores: Francisco José Gomes Damasceno

Débora Dutra Fantini Edilson Mateus Costa da Silva Emy Falcão Maia Neto Fernanda Paiva Guimarães Francisco Gerardo Cavalcante do Nascimento Haroldo de Resende Joaquim Olegário Leite Júnior José Rada Neto Maria Renata Pires Estrela

Maria do Socorro de Sousa Araújo Ricardo Souza da Silva Rita de Cássia Mesquita de Almeida Sonia Regina Miranda Soraia Freitas Dutra Vera Lúcia Chacon Valença

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72. Olhares Musicais: Outras Leituras e Experiências Musicais Ada Dias Pinto Vitenti Adriana Evaristo Borges Adriana Mattos de Oliveira Aluísio Brandão Ana Barbara Aparecida Pederiva Ana Claudia de Assis Bianca Miucha Cruz Monteiro Charles D’Almeida Santana Cicero Francisco Barbosa Junior Ciro Augusto Pereira Canton

Dilton Candido Santos Maynard Elisangela Esteves Mendes Jessika Fernanda Souza dos Santos Jezulino Lúcio Mendes Braga Junia Sales Pereira Luana da Silva Oliveira Lydiane Batista de Vasconcelos

74. Instituições Políticas, Cultura Jurídica e Cultura Religiosa: História e Ética

Allysson Fernandes Garcia Antonio Vilamarque Carnaúba de Sousa Benjamin Xavier de Paula Breitner Luiz Tavares Carlos Rafael Vieira Caxile Caroline Moreira Vieira Cláudio Eduardo Rodrigues Elio Chaves Flores Fabrício dos Santos Mota Fátima Machado Chaves Francione Oliveira Carvalho Gizelda Costa da Silva Simonini Ivaldo Marciano de França Lima Jacqueline Wildi Lins

Coordenadores: Ana M. Colling, Losandro Tedeschi

Miguel Rodrigues de Sousa Neto Mônica Sepúlveda Fonseca Nalva Maria Rodrigues de Sousa Natália de Santanna Guerellus Sandra Regina Colucci Sandro José da Silva Silvana Rodrigues de Andrade Simone da Silva Costa Udineia Braga Braga Walquiria Farias de Albuquerque

Coordenadores: Junia Sales Pereira

Alexandre Miguel França Ana Paula Barcelos Ribeiro da Silva Anna Marina Madureira de Pinho Barbará Pinheiro Delton R. S. Meirelles Fabiana Cardoso Malha Rodrigues Fernanda Aparecida Domingos Pinheiro Gisálio Cerqueira Filho

71. Relações de Gênero e Interculturalidade Fabio Pessanha Bila Hugo Augusto Vasconcelos de Medeiros Luciana Martins Castro Marcia Veiga Marcos Profeta Ribeiro Margarete Nunes Santos Gomes Maria Dolores de Brito Mota Maria Emília Granduque Jose Maria Veronica Perez Fallabrino Mariana Selister Gomes

73. Práticas de Memória e aprendizagens da história Aline Antunes Zanatta Ana Maria do Nascimento Moura Andréa Borges de Medeiros Claudira do Socorro Cirino Cardoso Cleria Botelho da Costa Cristiane Tavares Fonseca de Moraes Nunes

Coordenadores: Francisco A. do Nascimento, Luiz Felipe Falcão

Adriano Cecatto Adriano Henrique Caetano Costa Alexandre Martins Joca Aline Martins dos Santos Ana Luiza Timm Soares Andréia da Silva Correia Andreza de Oliveira Andrade Carolina Barbosa Neder Debora Breder Dulcilei da Conceição Lima Edna Maria Nobrega Araujo

426

Jair Antunes Jose Josberto Montenegro Sousa Kalna Mareto Teao Karina Moreira Ribeiro da Silva E Melo Libertad Borges Bittencourt Marcos José Veroneze Soares Niminon Suzel Pinheiro Oséias de Oliveira

70. Mobilidades Urbanas em Tempos Modernos: Migrações, Sociabilidades e Modernização na Cidade Contemporânea Anael Pinheiro de Ulhôa Cintra Bruno Sanches Mariante da Silva Claudia Cristina da Silva Fontineles Cristiano de Jesus da Cruz Emerson César de Campos Fabiana de Santana Andrade Fabiana Machado da Silva Francisco Alcides do Nascimento Francisco Antonio Zorzo Francisco Canella Gláucia de Oliveira Assis Helder Remigio de Amorim Ivanilda Aparecida Andrade Junqueira Joao Paulo França Streapco

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410

Coordenadores: Jose M. A. Neto, José A.Campigoto

Coordenadores: Sheila Schvarzman, Rosana Catelli Alexandre Busko Valim Alexandre Sardá Vieira Aline Campos Paiva Moço Alna Luana Mendes Paranhos Alzilene Ferreira da Silva Carlos Adriano Ferreira de Lima Carolina Ruiz de Macêdo Caroline Lima Santos Daniela de Campos

José Luiz de Araujo Quental Juliane Lassarotte Eichler Leandro Maia Marques Luís Alberto Rocha Melo Luis Felipe Kojima Hirano Marco Alexandre de Aguiar Marine Souto Alves Moacir José dos Santos Moema de Bacelar Alves

Regina Ilka Vieira Vasconcelos Rodrigo Candido da Silva Rosana Elisa Catelli Rosane Meire Vieira de Jesus Sander Cruz Castelo Sheila Schvarzman Shirly Ferreira de Souza Thiago Barboza de Oliveira Coelho Wallace Andrioli Guedes

Coordenadores: Leila Rodrigues da Silva, Maria Filomena Pinto da Costa Coelho Adriana Maria de Souza Zierer Alécio Nunes Fernandes Aline Cristina de Freitas Vian Almir Marques de Souza Junior Amanda Pereira Dias Andréia Cristina Lopes Frazão da Silva Carlile Lanzieri Júnior Carolina Coelho Fortes Celso Silva Fonseca Claudia Costa Brochado Conceição Solange Bution Perin

Danielle Kaeser Merola Darlan Pinheiro de Lima Edmar Checon de Freitas Giovanna Aparecida Schittini dos Santos João Cerineu Leite de Carvalho Leila Rodrigues da Silva Leonardo Augusto Silva Fontes Luís Miguel Rêpas Marcelo Pereira Lima Marcelo Tadeu dos Santos

Marcus Silva da Cruz Maria Filomena Pinto da Costa Coelho Maria Rita Sefrian de Souza Peinado Mário Jorge da Motta Bastos Moisés Romanazzi Torres Rejane Barreto Jardim Rui Campos Dias Sandra Regina Franchi Rubim Sergio Alberto Feldman Thiago de Azevedo Porto


410

78. A Educação e a Formação da Sociedade Brasileira

Coordenadores: Wenceslau Gonçalves Neto, Carlos Henrique de Carvalho Alvaro de Oliveira Senra Antonietta de Aguiar Nunes Antonio Carlos Ferreira Pinheiro Armindo Quillici Neto Berenice Corsetti Betania de Oliveira Laterza Ribeiro Carlos Edinei de Oliveira Carlos Henrique de Carvalho Cecilia Hanna Mate Cintia Mara de Souza Palma Crislane Barbosa de Azevedo Diana Gonçalves Vidal Diomar das Graças Motta Dirce Djanira Pacheco E Zan Dorval do Nascimento Fábio Alves dos Santos

416

416

Coordenadores: Tiago Losso, Luciano A. Abreu

Fernanda dos Santos Bonet Javier Amadeo Jhonatas Lima Monteiro Jivago Correia Barbosa João Batista Bitencourt João Batista Carvalho da Cruz Karina Kuschnir Leonardo Dias Nunes Leonardo Martins Barbosa Luciano Aronne de Abreu Lupercio Antonio Pereira Marcelo Coelho Raupp Márcio José Pereira Marco Antônio Machado Lima Pereira

Marcos Alves Valente Martha Victor Vieira Murilo Eugenio Bonze Santos Nathália Henrich Nei Antonio Nunes Nora de Cássia Gomes de Oliveira Rafael Athaides Ricardo Virgilino da Silva Suzana Zanet Garcia Thalisson Luiz Valduga Picinatto Tiago Losso Vanessa Silva de Faria Wilma Peres Costa

81. Relações Internacionais dos Estados Americanos: História e Historiografia Contemporâneas Coordenadores: Albene Miriam Ferreira Menezes, Ana Luiza Setti Reckziegel Adelar Heinsfeld Albene Miriam Ferreira Menezes Ana Catarina Zema de Resende Ana Luiza Setti Reckziegel André Luiz Reis da Silva Andrea Helena Petry Rahmeier Andrea Marcia de Toledo Pennacchi Antonio Carlos Moraes Lessa Bruno de Oliveira Moreira Christiane Vieira Laidler Cleber Batalha Franklin

Daniel Santiago Chaves Eduardo Munhoz Svartman Elaine Gomes dos Santos Fernando da Silva Camargo Guilherme Barbosa Haroldo Loguercio Carvalho Helder Volmar Gordim da Silveira Helenize Soares Serres Henrique Alonso de Albuquerque Rodrigues Pereira Humberto de França e Silva Junior

Ione de Fátima Oliveira Iuri Cavlak Luís Henrique Silva Sant’Ana Marcelo Vieira Walsh Maria Monserrat Llairo Mercedes Gassen Kothe Paulo Raphael Pires Feldhues Ronaldo Bernardino Colvero Sabrina Steinke

Coordenadores: Juçara Luzia Leite, Iranilson Buriti de Oliveira

421

Flávia Pereira Machado Francisco Gouvea de Sousa Gilmara Ferreira de Oliveira Pinheiro Giovana de Aquino Fonseca Araújo Giulianne Chrishina Barros dos Anjos Iranilson Buriti de Oliveira Jane Bezerra de Sousa Jaquelini Scalzer José Henrique de Paula Borralho Josemir Camilo de Melo Juçara Luzia Leite Juciene Batista Félix Andrade Lincoln de Abreu Penna Marcelo de Sousa Neto Maria Bernadete Moreira Kroeff

Nileide Souza Dourado Olívia Morais de Medeiros Neta Paloma Porto Silva Patricia Pereira Xavier Paulo Miguel Moreira da Fonseca Paulo Roberto Staudt Moreira Pedro Felipe Marques Gomes Ferrari Raimundo Nonato Pereira Moreira Regina Coelli Gomes Nascimento Renata Waleska de Sousa Pimenta Rita Morais de Andrade Silêde Leila Oliveira Cavalcanti Silvera Vieira de Araújo Thiago Borges de Aguiar

84. História, Natureza e Território

Coordenadores: Haruf Salmen Espíndola Alda Heizer Alfredo Ricardo Silva Lopes Álvaro Mendes Ferreira Ana Elizabete Moreira de Farias Angélica Kohls Schwanz Anicleide Zequini Antônio Alexandre Isídio Cardoso Conceição Maria Rocha de Almeida Cristiana Guimarães Alves Cristiane Fortkamp Eder Jurandir Carneiro Edison Lucas Fabrício Edna Mara Ferreira da Silva Edson Holanda Lima Barboza Eunice Sueli Nodari

Renata Jesus da Costa Ricardo Henrique Borges Behrens Rosilene Dias Montenegro Sérgio Luiz de Souza de Costa Suzane de Alencar Vieira Telma Cristina Delgado Dias Fernandes

80. História Política: Idéias, Práticas e Instituições Adilson Junior I Brito Adriano Nervo Codato Affonso Celso Thomaz Pereira Ana Luiza Araújo Caribé de Araújo Pinho Bruno Cordeiro Nojosa de Freitas Carolina Paes Barreto da Silva Cássio Alan Abreu Albernaz Celia Costa Cardoso Douglas Guimarães Leite Elio Cantalicio Serpa Fabio Carminati Fabrícia Carla Viviani Fagner dos Santos

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Marcelo Hornos Steffens Marcia Pereira dos Santos Maria Angela de Faria Grillo Mariluci Cardoso de Vargas Marta Gouveia de Oliveira Rovai Mateus Gamba Torres Paulo Roberto Rodrigues Guadagnin

82. Biografias e Autobiografias: escritas, narrativas e invenções de si Ana Beatriz Silva Pessoa Ana Maria Ribas Cardoso Ana Paula Gomes de Moraes Antonio de Pádua Carvalho Lopes Bruno Rafael de Albuquerque Gaudêncio Carla Rodrigues Gastaud Carlos Roberto da Rosa Rangel Catarina Maria Costa dos Santos Cícera Patrícia Alcântara Bezerra Deise Cristina Schell Delmo de Oliveira Arguelhes Edeílson Matias de Azevedo Fabiana de Souza Fredrigo Filomena Maria de Arruda Monteiro

Mauro Castilho Gonçalves Miriam Waidenfeld Chaves Rafaela Paiva Costa Raquel Discini de Campos Rosana Areal Samuel Barros de Medeiros Albuquerque Sandra Cristina Fagundes de Lima Sauloeber Tarsio de Souza Sirlene Cristina de Souza Sonia Mª de Castro Nogueira Lopes Tereza Fachada Levy Cardoso Wenceslau Gonçalves Neto Wilma de Nazaré Baía Coelho

79. Memória, Narrativas (Auto)Biográficas e Literatura de Testemunho no Cone Sul da América Coordenadores: Carla Simone Rodeghero, Cláudio Pereira Elmir Antonio Maurício Freitas Brito Beatriz de Moraes Vieira Carla Simone Rodeghero Cláudio Pereira Elmir Fraya Bergamini Ianko Bett Jarbas Gomes Machado Avelino

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Felipe Tavares de Moraes Fernanda Lima Rabelo Flávio César Freitas Vieira Francisco Ari de Andrade Gabriela Pereira da Cunha Lima Iliada Pires da Silva Jacqueline da Silva Nunes Pereira Joao do Prado Ferraz de Carvalho José Carlos Souza Araujo José Damiro de Moraes Libania Nacif Xavier Marcos Paulo de Sousa Maria Angela Borges Salvadori Maria Helena Camara Bastos Mariza Silva de Araújo Marlos Bessa Mendes da Rocha

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Fabio Ricci Flávia Preto de Godoy Oliveira Gilmar Arruda Gilmar Machado de Almeida Haruf Salmen Espíndola Helaine Nolasco Queiroz Ilsyane do Rocio Kmitta Karuna Sindhu de Paula Luilton Sebastião Lebre Pouso da Silva Luis Fernando Tosta Barbato Luiz Eduardo Simoes de Souza Marcos Fábio Freire Montysuma Marcos Gerhardt Maria Isabel de Siqueira Marlon Brandt

Miguel Mundstock Xavier de Carvalho Priscilla Gomes da Silva Rafael de Almeida Daltro Bosisio Rafael Martins de Oliveira Laguardia Samira Peruchi Moretto Sandra Regina Mendes Sandro Vasconcelos da Silva Simone Fadel Tereza Almeida Cruz Thereza Martha Presotti Valéria Mara da Silva Valéria Maria Santana Oliveira Yuri Simonini Souza

85. Sensibilidade Moderna e Valores em Mutação na Literatura e nas Artes Coordenadores: Antonio Herculano Lopes, Claudia de Oliveira Aldair Smith Menezes Amina Maria Figueroa Vergara Andre Luiz de Araujo Andreza Santos Cruz Maynard Anita Prado Koneski Antonio Herculano Lopes Beatriz Polidori Zechlinski Claudia de Oliveira Eliezer Cardoso de Oliveira Elizabeth Ghedin Kammers Elson de Assis Rabelo Fernanda Lopes Torres Francisco Francijesi Firmino Gabriela Alexandra Mitidieri Malta Cals Theophilo

Gervácio Batista Aranha Getúlio Nascentes da Cunha Gladson de Oliveira Santos Gustavo Henrique Ramos de Vilhena Igor Antonio Marques de Paiva Joëlle Rachel Rouchou José de Arimatéa Vitoriano de Oliveira José Maria Vieira de Andrade José Martinho Rodrigues Remedi Leonardo Ayres Padilha Luciana Lamblet Pereira Luiza Larangeira da Silva Mello Máira de Souza Nunes Marcelo Neder Cerqueira Marcus Alexandre Motta

Maria do Carmo Couto da Silva Marina Haizenreder Ertzogue Marisa Schincariol de Mello Maurel Ferreira Barbosa Monica Pimenta Velloso Régia Agostinho da Silva Rosangela Miranda Cherem Sandra Makowiecky Silvia Cristina Martins de Souza e Silva Tatiana de Freitas Massuno Tatiana Oliveira Siciliano


SIMPÓSIOS TEMÁTICOS


01 01. CONQUISTA, EVANGELIZAÇÃO E PODER ECLESIÁSTICO NO CONTEXTO IBERO-AMERICANO Eliane Cristina Deckmann Fleck - PUC/RS (ecdfleck@terra.com.br), Marília de Azambuja Ribeiro – UFPE (ribeiromarilia@hotmail.com). Integrando-se ao esforço de revisão radical do paradigma da conquista, de reavaliação dos desdobramentos dos contatos inter-étnicos e interculturais e de uma ampla releitura do processo de evangelização, este Simpósio Temático se propõe a refletir sobre os múltiplos sentidos da conquista, da evangelização e da implantação de instituições eclesiásticas na América, durante o período que se estende do século XVI ao XIX.

Resumos das comunicações Nome: Ana Stela de Negreiros Oliveira E-mail: anastelanegreiros@hotmail.com Instituição: IPHAN - Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional Co-autoria: Nívia Paula Dias de Assis E-mail: np-assis@bol.com.br Instituição: UFRN Título: Padres e fazendeiros no Piauí Colonial - século XVII Apesar da atuação da Companhia de Jesus no Brasil ser um tema ainda pouco estudado, especialmente quando se trata das práticas econômicas, no Piauí é marcante a atuação dos jesuítas como fazendeiros. Durante mais de 40 anos os padres administraram fazendas de gado, sítios e utilizaram o trabalho de escravos negros e indígenas. Após a morte de Domingos Afonso Mafrense, um dos maiores sesmeiros do Piauí, em 1711, sem herdeiros, deu-se a conhecer que ele havia instituído em testamento todas as terras, cerca de 30 fazendas e gados que possuía, para serem administradas pelo reitor do Colégio da Bahia. Na Capitania do Piauí, os padres demonstraram habilidades para administrar o patrimônio herdado. Compraram outras fazendas e exerceram grande influência. Em 1759, o governo português decretou a expulsão da Companhia de Jesus de todo o Império português. Após a expulsão dos jesuítas, as fazendas passaram à Real administração, sendo denominadas Fazendas do Fisco e, após a proclamação da Independência, tornaram-se patrimônio do governo imperial. Múltiplas relações envolveram Companhia de Jesus, grupos indígenas, diferentes interesses latifundiários e autoridades coloniais. Portanto, os padres atuaram dentro do modelo econômico implantado no Brasil colonial. Nome: Anderson Roberti dos Reis E-mail: dosreiss@gmail.com Instituição: Universidade de São Paulo Título: A Companhia de Jesus chega ao México: os motivos e objetivos da viagem à Nova Espanha segundo os jesuítas do século XVII Quando a Companhia de Jesus chegou ao México, em setembro de 1572, outras ordens religiosas já trabalhavam naquela região havia quase meio século. Franciscanos, dominicanos e agostinianos tinham se dedicado à catequese dos indígenas, à construção de igrejas e destruição dos antigos templos e ídolos dos nativos. Alguns historiadores, como Robert Ricard e Georges Baudot, entendem que na década de 1570 se encerrou a primeira etapa da evangelização mexicana, marcada pela atuação das ordens religiosas mendicantes, pelas “conversões em massa” e pelo combate às idolatrias. Partindo dessa hipótese, os jesuítas teriam chegado ao México num momento de transição, em que os trabalhos missionários estavam sendo revistos, bem como a ordem político-religiosa da Nova Espanha. Sendo assim, cabem duas perguntas: por que e para que a Companhia de Jesus foi ao México? Quais eram os seus motivos e seus objetivos na capital do vice-reinado? Para responder a essas questões, nós recorreremos às crônicas inacianas do século XVII, as primeiras sobre a atuação da Companhia de Jesus no México. Com isso, pretendemos analisar como esses homens “apresentaram” e “explicaram” os motivos e objetivos dos jesuítas naquela região e num momento de transição. Nome: Andre Cabral Honor E-mail: cabral.historia@gmail.com Instituição: UFPB Título: Pós “Guerra dos Mascates”: o conflito entre os carmelitas da Reforma Turônica da Paraíba e os observantes de Olinda. Após as sublevações em Pernambuco, posteriormente intituladas “Guerra dos Mascates”, é possível perceber nos documentos avulsos manuscritos

existentes no Arquivo Histórico Ultramarino de Lisboa os ecos desse conflito na Capitania da Paraíba, que se apossa do discurso de fidelidade ao rei para tentar se sobressair a Pernambuco. Neste contexto, os carmelitas reformados da Paraíba, por meio do seu então Capitão-mor João da Maia da Gama, vituperam os carmelitas observantes de Olinda, pedindo a entrega do convento destes à Reforma Turônica, expressando uma faceta do conflito eclesiástico que se iniciou na segunda metade do século XVII com a vinda dos carmelitas reformados para as capitanias do norte. Por meio de uma análise documental é possível lançar novos olhares sobre esses conflitos eclesiásticos dentro do Brasil colônia e o contexto sócio-econômico que os rodeiam. A presente pesquisa faz parte da dissertação de mestrado “O verbo mais que perfeito: uma análise alegórica da cultura histórica carmelita na Paraíba colonial” vinculada a área de concentração Cultura Histórica do Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Federal da Paraíba. Nome: André Junqueira Prevatto E-mail: ajprev@gmail.com Instituição: FFLCH/USP Título: Conceito de universal nas cartas do Primeiro Missionário Jesuíta: São Francisco Xavier Em função dos debates promovidos pelo núcleo “Religião e Missionação” do projeto “Dimensões do Império Português”, acreditamos ser interessante debater mais a fundo sobre o conceito de universal presente no pensamento ibérico do século XVI. Enquanto França e Inglaterra formaram seus estados a partir de territórios relativamente reduzidos, os ibéricos projetaram suas aspirações políticas para todo mundo, formando o que Anthony Pagden chama de “monarquias universais”. Tentaremos apresentar as semelhanças e discrepâncias entre os conceitos de universal usado por Xavier (1506-1552) e o universalismo de conquista e expansão do cristianismo aplicados pela “monarquia universal” portuguesa. Nome: Ane Luíse Silva Mecenas E-mail:anemecenas@yahoo.com.br Instituição: UFPB Título: Registros da cristandade do Novo Mundo: a catequese jesuítica na antiga aldeia do Geru (1683-1759) No alvorecer do século XVII a ação jesuítica intensificou-se no litoral da colônia lusitana do Novo Mundo. As aldeias indígenas foram sendo transformadas em missões, nas quais a cultura e saberes locais foram sucumbindo diante da imposição da tradição cristã européia. A ação catequética jesuítica nas terras situadas ao norte da capitania da Bahia resultou na produção de textos a respeito da língua e dos costumes dos povos que viviam às margens norte do Rio Real. Com isso, foram produzidos o Catecismo, a Gramática da Língua Kiriri e foi construída a Igreja de Nossa Senhora do Socorro, sob a responsabilidade do inaciano Luiz Mamiani. Trata-se de escritos de fundamental importância para a compreensão da mentalidade dos jesuítas no período colonial e de suas ações na constituição de uma nova cristandade. Partindo da relevância de tais registros para a História no período colonial, este trabalho tem o propósito de apontar alguns sinais da catequese e do método utilizado. A mentalidade jesuítica emerge nas linhas da gramática e do catecismo, vislumbrando ao mesmo tempo a doutrina cristã e as normativas da língua kiriri. Além disso, tais documentos refletem a influência da retórica barroca, com imagens dissimuladas, cenários que mesclavam o vivido entre dois mundos distintos. Nome: Beatriz Helena Domingues E-mail: biahd@yahoo.com Instituição: Universidade Federal de Juiz de Fora Título: A colonização de Jamestown: entre o modelo puritano e o católico

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Esta comunicação compara a colonização de Jamestown, na Virginia, com aquela empreendida pelos puritanos na Nova Inglaterra, e ambas com a colonização do México e do Brasil. A idéia é enfatizar o contraste entre colonização com evangelização, como é o caso do mundo iberoamericano, com colonização sem evangelização, prática adotada no América protestante, destacando a singularidade do experimento da Virginia que tem pontos em comum tanto com os puritanos como com a colonização na Iberoamérica. Nome: Blenda Cunha Moura E-mail: moura.blenda@yahoo.com.br Instituição: Universidade Federal do Amazonas Título: Os limites da ação da igreja na Amazônia pombalina As políticas de povoamento direcionadas à Amazônia Portuguesa da metade do século XVIII sofreram uma sensível inflexão a partir da administração pombalina. A Igreja foi incisiva na sua tarefa de moralizar os costumes, mas esbarrava nos limites que o Estado Português e os próprios colonos impunham. A partir dos relatos de visitas pastorais do Fr. João de São José Queiroz (1711-1764), procuraremos entrever essa nova atribuição de papéis, que, segundo a historiografia recente, aproxima as visitas pastorais de visitações inquisitoriais, em certa medida. Nome: Bruna Rafaela de Lima E-mail: bruna_21_pa@yahoo.com.br Instituição: Unisinos Título: Pastores do progresso e dos homens sem fé: a ação jesuíta na Capitania do Rio Grande sob a ótica de Câmara Cascudo Considerando a proposta deste Simpósio Temático, nesta comunicação apresentamos uma análise da visão de Luís da Câmara Cascudo sobre a atuação dos jesuítas no processo da conquista e da evangelização da Capitania do Rio Grande, no século XVII, a partir da leitura crítica de alguns de seus artigos, que foram publicados em jornais, como A República, na década de 1940, e em revistas do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte, nas décadas de 1930 e 1940, bem como de capítulos que integram as suas duas principais obras históricas, História da Cidade do Natal (1947) e História do Rio Grande do Norte (1955). Nome: Cristina de Cássia Pereira de Moraes E-mail: cristinadecassiapmoraes@gmail.com Instituição: UFG Título: Instruções Secretíssimas à irmandade de Nossa Senhora da Boa Morte e São Gonçalo Garcia na capitania de Goiás no setecentos As irmandades de Nossa Senhora da Boa Morte foram criadas pela Companhia de Jesus e, através da Bula Redemptoris Nostri do papa Benedicto XIII, gozavam do direito perpétuo de atuar em todo o mundo como Arquiconfraria congregadas a Roma, onde todas as decisões no interior delas eram diretamente repassadas pelos padres da Companhia de Jesus diretamente aos seus superiores inacianos. Na Capitania de Goiás, no setecentos, houve uma capela dedicada a Nossa Senhora da Boa Morte pelos padres jesuítas. Em 1758, um recém empossado governador João Manoel de Melo recebe instruções secretíssimas de José Sebastião de Carvalho e Mello – Conde de Oeiras - para abortar um plano de subversão engendrado pelos inacianos em conluio com o governador anterior, D. Alvaro Xavier Botelho de Tavora. Com a expulsão dos mesmos do Brasil, a irmandade se associa aos pardos devotos de São Gonçalo Garcia que edificaram uma igreja nova para acobertarem os interesses da Arquiconfraria. Nosso objetivo nessa comunicação é analisar a trama engendrada pela jurisdição real para destruir a Arquiconfraria dos jesuítas e suas estratégias de resistências no sertão dos guayazes. Nome: Eliane Cristina Deckmann Fleck E-mail: ecdfleck@terra.com.br Instituição: Universidade do Vale do Rio dos Sinos - UNISINOS Título: “Haciendo memoria de las cosas”: a conversão que se fez com pegadas, promessas e curas Esta comunicação se deterá na análise das cartas dos padres Manuel da Nóbrega e José de Anchieta, contemplando o discurso jesuítico sobre a atuação missionária na América portuguesa no século XVI, na obra Conquista Espiritual e nas Ânuas redigidas pelo padre Antônio Ruiz de Montoya, que informam sobre o processo de conversão na América hispânica, no século XVII. A análise prevê a avaliação da importância dada, sobretudo, ao mito de São Tomé, tanto na definição das inclinações favoráveis e das inaptidões naturais dos indígenas, quanto na justificativa para o êxito do projeto de civilização e de evangelização. A ativação da memória e a valorização dos

ensinamentos da figura mitológica de São Tomé ou Pay Zumé, e, também, de outros missionários reforçaram - a um só tempo - a crença numa certa predestinação dos jesuítas e de uma predisposição dos indígenas ao Cristianismo. Nome: Fabiana Pinto Pires E-mail: piresfabiana@yahoo.com.br Instituição: UNISINOS Título: Penas como práticas de conversão nos registros das Reduções Jesuítico-Guarani da Província do Paraguai (Século XVII) Esta comunicação objetiva analisar a natureza e os possíveis efeitos das penas descritas nos registros jesuíticos das Reduções do Paraguai, no século XVII. O estudo realiza-se com análise de Conquista Espiritual de Antônio Ruiz de Montoya S. J. bem como de cartas ânuas que compõem os Documentos da História da Argentina e a Coleção De Angelis. Neste espaço de tradução, as penas são conceitos cristãos aplicados na contingência temporal, que condiciona a negociação. A pena aplicada nas Reduções tem por base as normas jesuíticas da época, cujos princípios estabelecem um ordenamento comum aos cristãos. O princípio da pena busca estabelecer as possibilidades de reconciliação do infrator, a partir do gesto caritativo da Companhia de Jesus, que consegue acolher o transgressor e levá-lo a situação de penitência. Situadas essas considerações, é possível estabelecer um rigor crítico sobre tais punições, na medida em que as variações de poder e a variabilidade do registro e da intensidade das punições corretivas provocam transformações nas categorias de pena, elencadas nas correspondências jesuíticas. Nome: Fernanda Sposito E-mail: fifaspo@yahoo.com.br Instituição: Universidade de São Paulo Título: Os Índios entre a cruz e as coroas. Reduções jesuíticas e projetos coloniais do Paraguai a São Paulo (século XVII) As invasões dos portugueses de São Paulo na região do Prata e Paraguai no século XVII foram explicadas, pela historiografia tradicional, dentro do tema das “bandeiras paulistas”. Superando este modelo esquemático inicial, ao se analisar a instalação, destruição e transferência das reduções jesuíticas no Paraguai, pode-se notar como as dinâmicas espaciais e culturais das etnias ameríndias pré-existentes foram determinantes à implementação do projeto colonial. Tendo o índio como motor dessa ocupação e destruição, propõe-se matizar as formas como se davam as relações entre as sociedades indígenas e os agentes coloniais de Espanha e Portugal, tanto laicos como religiosos. Nome: Guilherme Queiroz de Souza E-mail: guilhermehistoria@yahoo.com.br Instituição: Universidade Federal de São João Del-Rei Título: “Amigos, sigamos a cruz, porque se tivermos fé, com este sinal venceremos”: a simbologia cristã como expressão da mentalidade de cruzada na conquista de México-Tenochtitlán (1519-1521) Esta pesquisa analisa a importância do emprego dos símbolos cristãos durante as etapas da conquista de México-Tenochtitlán (1519-1521) pelos “espanhóis”. Neste sentido, apontaremos os principais símbolos religiosos que os conquistadores carregavam, particularmente o estandarte com a imagem da Virgem Maria representada e a bandeira de Cortés com a efígie da cruz, contendo a inscrição latina: “Amici, sequamur crucem, et si nos fidem habemus, vere in hoc signo vincesus”. Tais objetos faziam parte dos componentes que ajudavam aumentar o moral da tropa, necessários ao triunfo cristão. Para tanto, utilizaremos como fontes os relatos de alguns “soldados-cronistas”. Nome: Jean Tiago Baptista E-mail: jeantb@hotmail.com Instituição: ESPM Título: Oficinas e imagens sacras: a produção da imaginária como meio de defesa e difusão de códigos missionais (Missões Indígenasjesuíticas, século XVII, Paraguai) O presente estudo procura avaliar a produção das imagens sacras missionais, particularmente aquelas provindas das oficinas (importante setor da área jesuítica) onde atua um seleto grupo de indígenas congregantes. Longe de se restringirem às orientações jesuíticas, os artífices indígenas trataram de aprimorar uma série de técnicas inicialmente orientadas por padrões cristãos ocidentais, particularmente no que se refere às reformulações estéticas (cores e formas). Exemplos desse fenômeno podem ser identificados em pinturas e esculturas indígenas, mas os jesuítas também os registraram em

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01 seus catecismos e correspondências. Nesses casos, as santidades ocidentais passam a ser denominadas como marangatu, neologismo missional destinado a identificar um conjunto de seres criados naquele contexto para representar e defender a moral pregada pelos índios congregantes e os padres jesuítas. Tal fato aponta à possibilidade de entender essas produções não como potentados da religiosidade experimentada nos povoados, menos ainda como reproduções restritamente vinculadas à hagiografia ocidental, mas, sim, como um conjunto de expressões e representações oriundas de um dos tantos grupos nascidos no interior do complexo central de cada Missão, carregados de uma intenção social. Nome: Josemary Omena Passos Ferrare E-mail: jferrare@uol.com.br Instituição: UFAL Título: A sacralização imagética e espacial definida pela localização do edifício-igreja como recurso persuasivo aplicado na colonização do litoral sul da Capitania de Pernambuco: alguns casos em análise Da estruturação espacial dos Aldeamentos catequéticos marcada pela disposição ímpar do edifício-Igreja, equivalente a um ponto focal absorvente da atenção sensorial dos utilizadores daquele espaço, investiga-se sobre esta intenção, também percebida na configuração dos adros definidos na edificação de “Patrimônios Religiosos” e em padrão de santuários ocorrentes na metrópole lusitana, ancorados em regulamentações régio-litúrgicas que direcionavam a visada e o sentido a ser percorrido para o alcance do ícone que representava a essência da Cristandade. O edifício-igreja resulta analisado nos partidos de espacialização citados como eixo central de orientação geo-espacializada e sócio-ideológica, que sobrepunha como reforço imagético de sua sacralização, a cruz, sempre “plantada” à sua frente. Entendendo-se que o ideário colonizador exaltava sobremaneira a imagética do edifício-igreja, da localização ao uso de adornos para suscitar a emoção através do sentido da visão, considerado “o primeiro dos sentidos, aquele que não [errava]... [e] o ver [era considerado] um prazer.” (GAMBINI, 2000, p. 194), alguns exemplares de igrejas edificadas sob este “primado do visual”, ao longo do litoral da parte sul dos limites da antiga Capitania de Pernambuco, são focos de análises. Nome: Leandro Henrique Magalhães E-mail: leandro.magalhaes@unifil.br Instituição: Centro Universitário Filadélfia - UniFil Título: O Tomismo Tridentino como marca da ação evangelizadora jesuíta na América Portuguesa O não entendimento do outro marcou a ação jesuíta na América Portuguesa. Os inacianos, influenciados pelo ideal de homem referendado pelo Concílio de Trento e marcados pelo tomismo moderno daí decorrente, buscaram, a partir de sua ação evangelizadora, integrar o índio no corpo místico do Império Português, fazendo dele cristão e súdito do rei. Partiu-se da concepção de “Lei Natural da Graça”, princípio contrareformista de base tomista, que favoreceu o entendimento de que, no caso indígena, a graça estaria encoberta pelos maus costumes e pela língua. Seria necessária uma ação que possibilitasse ao índio despertar para a memória do bem, e assim, identificar em sua prática elementos do mal, arrependendo-se. Dentre as estratégias usadas esteve a educação, cujo elemento norteador fora o Ratio Studiorum, e a manipulação da língua que, ao ser sistematizada e transformada a partir da constituição de uma gramática nos moldes europeus, levaria o índio ao entendimento da palavra de Deus e à conversão. Estas estratégias, foco do presente estudo, levaram ao não entendimento do índio brasileiro pelos jesuítas, que denominaram sua prática como “dificultíssima”, alertaram para a “Inconstância da Alma Selvagem” e entenderam os costumes indígenas como demoníacos, ou marcados pela ausência do bem. Nome: Leandro Karnal E-mail: karnal@uol.com.br Instituição: UNICAMP Título: Crônica e memória: etnias e representação do passado na América Colonial As crônicas coloniais da América colonial foram sempre tratadas como uma evidência da divisão em fontes espanholas, criollas, indígenas e mestiças. Cada vez mais este universo de “castas” e seus limites bem definidos tem sido questionado. A análise incide sobre os problemas e limites da invenção do passado na América a partir das divisões étnicoculturais. Afinal, a crônica reforça ou dissolve as barreiras da representação étnica na América?

Nome: Luis Guilherme Assis Kalil E-mail: lgkalil@yahoo.com.br Instituição: Universidade Estadual de Campinas Título: O julgamento das crônicas: análise das diferentes interpretações sobre a conquista do Novo Mundo a partir dos relatos de Ulrico Schmidl e Hans Staden O presente trabalho visa analisar as diferentes leituras feitas dos primeiros relatos sobre as terras do Novo Mundo. Em especial, buscaremos analisar os “caminhos” percorridos pelas obras de Ulrico Schmidl, na Argentina, e Hans Staden, no Brasil, ao longo dos séculos XIX e início do XX. Período este, marcado por uma historiografia com forte teor positivista, que buscou realizar “julgamentos” das crônicas em busca do que consideravam serem informações confiáveis sobre o início da conquista das terras sul-americanas. Nome: Luisa Tombini Wittmann E-mail: luisaw@matrix.com.br Instituição: Universidade Estadual de Campinas Título: Léry e Nóbrega: experiências e narrativas musicais Esta comunicação discute os papéis da música em projetos missionários e coloniais na América Portuguesa, analisando principalmente as experiências e as narrativas do calvinista Jean de Léry e do jesuíta Manuel da Nóbrega na metade do século XVI. A música, parte importante do universo indígena, se mostrou eficiente na aproximação, comunicação e tradução entre índios e europeus, tendo sido por estes observada, descrita e utilizada na evangelização. Este trabalho pretende inserir a música enquanto parte importante do processo de mediação cultural, revelando que a arte sonora foi acionada de diversas formas – tanto na ação quanto na escrita – pelos sujeitos históricos envolvidos nos empreendimentos da França Antártica e da Companhia de Jesus. Nome: Luiz Fernando Medeiros Rodrigues E-mail: lmrodrigues@unisinos.br Instituição: Unisinos Título: A narrativa apologético-histórica de Lourenço Kaulen, paradigma de resistência jesuítica ao antijesuitismo pombalino O antijesuitismo constitui um fenômeno e um movimento religioso, cultural, sóciopolítico, em nível internacional. Sua origem pode ser encontrada na oposição e nas críticas à nova espiritualidade de Inácio de Loyola e propagada pelos seus companheiros fundadores da Companhia; através de censuras, desconfianças e de requisitórias inquisitoriais que suspeitavam da ortodoxia do modo de vida e da atuação pastoral do grupo fundador. Um dos mais inexoráveis perseguidores da Companhia foi Sebastião José de Carvalho e Melo, que desencadeou uma feroz campanha antijesuítica, com influências internacionais. Após a sua caída, os jesuítas sobreviventes, dispersos pelos vários reinos, ensaiaram um processo de resistência ao antijesuitismo europeu com escritos. O objetivo deste trabalho é examinar um destes escritos, a “Relação...” de Lourenço Kaulen, inserindo-o no processo de resistência ao antijesuitismo (e a sua expressão mais violenta, a jesuitofobia), como tentativa dos ex-jesuítas sobreviventes de contra-atacarem o imaginário mítico do “complot dos jesuítas” e do jesuitismo como sendo prejudicial à sociedade e fonte de toda sorte de malefícios. Kaulen inaugura um novo tipo de escrito, o “apologético-histórico”, modelo e paradigma para outros relatos e apologias filojesuíticas. Nome: Márcia Eliane Alves de Souza Mello E-mail: marciamello64@yahoo.com.br Instituição: Universidade Federal do Amazonas Título: As Visitas pastorais e ação inquisitorial na Amazônia colonial (1727-1760) Durante o processo de colonização da América observou-se a ocorrência de comportamentos que violavam as normas do sistema social, de relações censuráveis e comportamentos desviantes. Dentre as diversas instituições presentes no Novo Mundo, foi inegável a atuação da Igreja na política de ocupação, cuja ação evangelizadora imputou medidas coercitivas para inibir tais atitudes, contribuindo assim para a manutenção da ordem social. Este trabalho tem como objetivo compreender a ação conjunta de dois mecanismos de controle e vigilância social, presentes no Estado do Maranhão e Grão-Pará, na primeira metade do século XVIII: a ação inquisitorial e a visitação diocesana. Também compreendidos como mecanismos de vigilância da fé, pelos quais se deram a persuasão de normas e valores. Importam-nos observar as diversas formas utilizadas para disciplinar uma população de maioria indígena e mestiça. Para tanto, se fez uso do cruzamento de fontes inéditas de natureza eclesiástica, bem como de processos inquisitoriais que possibilitam compreender não somente o

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funcionamento das instituições eclesiásticas na Amazônia portuguesa, mas também registrar os modos de vida existentes na colônia através dos relatos das visitas pastorais. Nome: Márcia Sueli Amantino E-mail: marciaamantino@terra.com.br Instituição: Universidade Salgado de Oliveira Título: A Expulsão dos jesuítas da Capitania do Rio de Janeiro: aspectos econômicos A partir da década de 1730 percebe-se que cada vez mais aumentavam os questionamentos sobre o papel desempenhado pelos Jesuítas em todo o reino português. Se antes eram vistos como aliados dos interesses reais, passaram gradativamente a ser identificados como perigosos inimigos. O ponto crucial deste embate foi a ordem de expulsão deles de todo o Reino e áreas coloniais, efetivada por Pombal em 1759. Este momento é bastante complexo e envolve uma série de fatores, mas esta comunicação pretende analisar apenas seus aspectos econômicos. O objetivo é demonstrar como estava alicerçada a base material dos inacianos na Capitania do Rio de Janeiro através de sua movimentação financeira. Para tanto, serão utilizados diferentes documentos produzidos pelas autoridades coloniais no momento em que precisavam tomar posse dos bens, das fazendas, dos engenhos, do dinheiro e dos escravos que pertenciam aos inacianos. Nome: Maria Conceição da Glória Santos E-mail: mcgsgloria@gmail.com Instituição: Universidade Estadual de Maringá/UEM Título: As Relações entre a Igreja e o poder monárquico português: os sermões de Antonio Vieira como base ideológica para a manutenção da Restauração Em Portugal, no século XVII, é possível verificar ainda a permanência de uma estrutura ideológica baseada nos moldes do Antigo Regime, onde as relações entre a Igreja e o poder monárquico eram entrelaçadas, mesmo já tendo ocorrido as transformações sociais, políticas e econômicas do Renascimento. É nos momentos de instabilidade política que essas relações se evidenciam, como em 1640, quando Portugal se livra do domínio espanhol, dando início ao período da Restauração. O presente trabalho se propõe a compreender como se constituíam essas relações, tendo como objeto de estudo os sermões do Pe. Jesuita Antonio Vieira, proferidos no período, entendendo seu discurso e ação como instrumento através do qual as bases ideológicas foram postas para a manutenç��o da Restauração recém conquistada. Nome: Maria Cristina Bohn Martins E-mail: mcris@unisinos.br Instituição: UNISINOS Título: Uma viagem pelos “confins do mundo”. José Cardiel e a missão ao Rio Sauce (1748) Foi apenas nos inícios do século XVIII que os territórios ao sul de Buenos Aires passaram a despertar a efetiva atenção das autoridades espanholas, de acordo com a política de expansão das fronteiras desenvolvida pela monarquia bourbônica. Sabe-se que a partir de 1740 um número significativo de viagens percorreu o território da “pampa buenairense” (Barcelos, 2006; Aymara, 2008). Os missionários da Companhia de Jesus estiveram envolvidos em muitas destas empresas, numa ação que é, simultaneamente, missionária e de exploração “científica” dos territórios percorridos. O trabalho aqui proposto pretende analisar a intersecção destes interesses na missão que empreendeu, em 1748, Jose Cardiel S.J. “hacia la desembocadura del Rio de los Sauces al Mar”. Nome: Maria Emília Monteiro Porto E-mail: mariaporto2@yahoo.com.br Instituição: UFRN Título: Jesuítas e clérigos na Capitania do Rio Grande: proximidades e conflitos Tomamos nesse trabalho as missões jesuíticas organizadas na Capitania do Rio Grande entre 1597 e 1759 como parte de um processo amplo da Idade Moderna processado entre Europa e América. As habilidades manejadas pelos missionários os faziam cada vez mais autorizados por conta da eficiência e conveniência de sua atuação em importantes momentos da história da conquista e organização territorial. No entanto, uma série de conflitos com indivíduos e instituições integrados no processo de colonização, assim como o apoio tantas vezes irregular das forças monárquicas indicam o frágil equilíbrio em que se mantinha o problema da autoridade missionária. Apresentamos aqui alguns matizes das relações entre jesuítas

e setores clericais, procurando compreender na delicada trama em que se sustentava a autoridade missionária os processos recíprocos de afastamentos e proximidades que apontam para a dimensão política e cultural dessa relação. Nos aproximamos da compreensão desse processo através do exame da correspondência da Ordem e da correspondência do Conselho Ultramarino que nos remetem às formas como foram processados interna e externamente esses conflitos e ao potencial efeito de representação que comportam. Nome: Marília de Azambuja Ribeiro E-mail: ribeiromarilia@hotmail.com Instituição: Universidade Federal de Pernambuco Título: O Ensino de gramática e humanidades nas escolas jesuíticas luso-brasileiras Como atesta a famosa inscrição sobre as portas de entrada da primeira sede do Colégio Romano, “Schola di Grammatica, d´Humanità e Dottrina Christiana, gratis”, os jesuítas foram herdeiros diretos das reformulações propostas pelo humanismo renascentista para a organização das disciplinas que compunham os medievais trivium e quadrivium. No âmbito de uma pesquisa que se ocupa, mais amplamente, do estudo das humanidades no contexto da educação jesuítica íbero-americana, aqui propomos tratar das transformações que o ensino da gramática e das humanidades sofreu entre os séculos XVI e XVIII nas escolas jesuíticas do universo luso-brasileiro. Nome: Meynardo Rocha de Carvalho E-mail: meynardo@gmail.com Instituição: Fundação Educacional de Macaé Título: Jesuítas colonizadores: redes, terras e conflitos nos Campos dos Goytacazes – séculos XVII e XVIII Este trabalho objetiva discutir algumas possibilidades de resgate da história do Norte Fluminense a partir da ação colonizadora dos padres da Companhia de Jesus. A concessão de uma sesmaria a esses religiosos pelo ano de 1630 foi o marco regional de um processo de “desbravamento” que, ao derrubar fronteiras ao tempo que “costurava” a unidade, colocou-os como fundamentais numa primeira fase de extensão do Império Português a essa região da colônia. As ações para implantação e manutenção das propriedades fizeram com que os padres agissem com amplitude bem maior do que simplesmente fincar alicerces da Igreja e evangelizar os indígenas. Mas proporcionou também a atuação a partir do poder temporal, o que fomentou intrigas políticas e disputas de terras tanto com reinóis como com os beneditinos que também lá se instalaram. Jesuítas colonizadores é uma pesquisa ainda em fase inicial que, considerando a escassez de documentação direta sobre o assunto, busca se construir através dos “nós e fios” das redes históricas tecidas por aqueles atores sociais. E considera a sua expulsão em 1759, sobretudo, pelo estágio de autonomia adquirido por esse Império. Nome: Paulo Rogério Melo de Oliveira E-mail: paulo_rmo@hotmail.com Instituição: UNIVALI Título: A rebelião de Ñezú contra os missionários jesuítas no Ijuí: em defesa de su antiguo modo de vida (1628) Em 15 de novembro de 1628 o cacique e pajé Ñezú liderou uma rebelião contra as reduções jesuíticas estabelecidas na região conhecida na época como Uruguai (que hoje corresponde à região das Missões no Rio Grande do Sul), que resultou na morte dramática de três missionários da Companhia de Jesus e deflagrou uma guerra que envolveu índios cristãos, índios infiéis e espanhóis. A guerra durou quase dois meses, envolveu quase duas mil pessoas e terminou com o enforcamento de vários líderes indígenas envolvidos na conspiração. Na rebelião de Ñezú não existem apelos à terra sem mal nem promessas de salvação. Foi um movimento contra a influência crescente dos missionários nas suas terras e a ameaça de destruição do antigo modo de vida Guarani, advogado pelo cacique/pajé. Nome: Raul Goiana Novaes Menezes E-mail: raulgsp@hotmail.com Instituição: UFPE Título: Blasfêmia e sacrilégio na legislação civil e eclesiástica em Portugal do século XVI O avanço de movimentos e idéias contrárias aos dogmas durante a Idade Média obrigou a Igreja a pensar maneiras de vigiar a conduta de seus fiéis. O 3º Concílio de Latrão, no século XII, tratou da figura do herege, definindo-o. Também nesse século, a constituição promulgada pelo papa Lúcio III atribui aos bispos o papel da vigilância. A este cenário somam-se os poderes delegados pelo papa Honório III, no século XIII, a recém criada

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02 ordem dos “frades pregadores” (dominicanos) no trabalho de vigilância acerca das questões da fé. Já no pontificado de Inocêncio IV os esforços foram empregados na formulação e formalização do modo de proceder contra os hereges e apóstatas, sistematizados no concílio provincial de Béziers. Com o desenrolar dos anos, a Igreja preocupou-se cada vez mais em legislar a respeito do que vinha a ser matéria contra a fé, classificando os delitos em seus cânones. Provavelmente tão antigos quanto à própria religião católica, as blasfêmias e sacrilégios eram dois dos crimes previstos nos códigos civis e eclesiásticos. Percorrendo a documentação legislativa em vigor no Império Português do século XVI, bem como os códices de leis que os precederam, pretendemos apresentar sob que termos, palavras e atos poderiam ser considerados passíveis de enquadramento jurídico. Nome: Sezinando Luiz Menezes E-mail: sl.menezes@uol.com.br Instituição: Universidade Estadual de Maringá Título: A administração e posse de bens materiais por parte dos jesuítas no Brasil nas cartas de Manoel da Nóbrega A colonização do Brasil resultou de interesses e desejos diversos. Entre seus motivadores destacam-se a busca por ganhos materiais e a expansão da fé. A estreita relação entre a Coroa e a Igreja em Portugal, fez com que fé e proveito se constituíssem em dois aspectos distintos de um mesmo projeto colonizador. Contudo, enquanto donatários, sesmeiros e comerciantes eram motivados pelas possibilidades de ganhos materiais, a Igreja, principalmente por meio da ação da Companhia de Jesus, lutava para expandir o cristianismo combatendo o infiel e convertendo o gentio. A continuidade da obra missionária exigia cada vez mais recursos. A princípio tal necessidade era suprida por meio de esmolas, de doações e de mercês. No entanto, segundo o próprio Nóbrega “a esmola do Rei é incerta”. Sendo assim, para garantir a continuidade da obra catequética os jesuítas necessitavam de recursos materiais e coube ao Padre Manoel da Nóbrega “desenvolver uma política de posse de terras e de escravos”. Tendo como objetivo a expansão da fé, a Companhia de Jesus torna-se proprietária de fazendas, engenhos e escravos. Contudo, a participação dos jesuítas nos negócios foi obstaculizada pelas normas da Companhia de Jesus e enfrentou resistências, como pode ser observado nas cartas de Nóbrega. Nome: Suzana Maria de Sousa Santos Severs E-mail: suzanamar@terra.com.br Instituição: UNEB Título: “Sapatos ao mato”: o sentimento de “um triste homem que vem preso” pelo Santo Ofício João de Morais Montesinhos seria um anônimo na história se não fosse pela carta que escreveu aos inquisidores lisboetas denunciando os maustratos sofridos pelas mãos do familiar do Santo Ofício que, das Minas, o prendeu e o levou ao embarque, no Rio de Janeiro, para o Tribunal de Lisboa. Comerciante, seus negócios cumpriam a rota do abastecimento das Minas pela Bahia, onde nasceu e viveu. Em uma de suas viagens de negócios, em 1729, foi preso pelo Santo Ofício acusado de criptojudaismo. A carta que escreveu aos inquisidores é fonte raríssima e nos dá a dimensão do sentimento de um prisioneiro, incerto quanto ao seu fim, certo de seus sofrimentos. Nesta comunicação analisamos o conteúdo da missiva no que tange a subjetividade do réu ante seus carrascos, a violência que sofreu e como expressou sua dor. Um testemunho que não pode ser menosprezado posto que reflita a alma de qualquer indivíduo subjugado e as relações de poder emergidas das tensões interétnicas orquestradas por uma instituição eclesiástica racista. Nome: Victor Santos Vigneron de La Jousselandière E-mail: victor.jousselandiere@usp.br Instituição: USP Título: Dilemas sacramentais: José de Acosta e o III Concílio Provincial de Lima Este trabalho tem por objetivo analisar algumas diretivas adotadas no âmbito do III Concílio Provincial de Lima (1582-1583) com relação aos costumes das populações nativas. Nesse sentido, é importante destacar o contexto no qual se insere a realização dessa assembléia conciliar, marcado pela inflexão ortodoxa colocada pelo Concílio de Trento (1545-1563), mas ao mesmo tempo pelos desafios impostos à ação catequética pelas populações nativas. É entre a política de disciplina sacramental e suas soluções práticas híbridas que se destaca a figura de um dos artífices da realização do Concílio Limenho, o jesuíta castelhano José de Acosta. Concomitantemente, suas propostas homogeneizadoras no âmbito religioso, encontram (não sem tensões) um paralelo na política centralizadora levada a cabo

pelo Vice-Rei do Peru, Francisco de Toledo. Tendo em vista tal contexto, o tema sacramental mostra-se particularmente emblemático na medida em que aparece como instrumento privilegiado de disciplina por parte dos missionários. Nome: Vinicius Maia Cardoso E-mail: maia-vinicius@hotmail.com Instituição: Universidade Salgado de Oliveira Título: A Fazenda do Colégio em Macacu: possibilidades de uma comunidade escrava O trabalho discute o conceito de comunidade escrava e a possibilidade da sua existência como resultante da construção de sociabilidades entre famílias de cativos na Fazenda do Colégio, da Companhia de Jesus no vale do Rio Macacu, recôncavo da Guanabara, na capitania do Rio de Janeiro. Parte-se do pressuposto que, a prática da Companhia de Jesus de estabelecer uniões estáveis entre cativos em suas fazendas teria contribuído na constituição dessa comunidade – e outras por analogia de casos – o que já colabora para a configuração de um conceito. Essa comunidade escrava teria migrado para outros proprietários após seqüestro da propriedade pela Fazenda Real em 1759 e arrematação por terceiros. Assim, a comunidade escrava da Fazenda, dada a solidez de suas sociabilidades, construídas no tempo e em um espaço social ordenado, seria realidade no conjunto das resistências escravas no cotidiano do escravismo. Para a elaboração do trabalho foram utilizadas fontes primárias setecentistas (inventários de fazendas inacianas, lista nominativa da região do Macacu). Além destes, relatos coevos e registros de batismo de escravos em Macacu da primeira metade do século XIX. Buscou-se necessário aporte teórico de autores que abordaram o tema da comunidade de cativos. Nome: Viviane Machado Caminha E-mail: vivianecaminha@gmail.com Instituição: Universidade do Estado do Rio de Janeiro Título: Por uma análise das práticas rituais na América portuguesa Das relações tecidas por missionários e indígenas na América portuguesa nasceu uma religião caracterizada pelo hibridismo, nem essencialmente católica, tampouco tupinambá. Entender as relações de contato entre esses agentes unicamente pela lógica do conflito seria reduzi-la a uma interpretação simplista e equivocada, apesar de marcadas pela desproporção de forças e uso da violência. A estratégia missionária se baseou na utilização de elementos da cultura nativa como linguagem para veicular elementos cristãos. Entretanto, as populações indígenas não se mantiveram alheias a esse processo apropriando-se não apenas de signos exteriores do cristianismo como também da fala dos padres católicos, em uma demonstração clara de tolerância recíproca. Os religiosos de seu lado buscaram aos poucos ocupar o lugar dos pajés, percebendo a grande influência destes sobre essas populações, travaram uma disputa simbólica verificada em três frentes: a posse da palavra, o poder de cura e o domínio do sobrenatural. A partir disso, temos como proposta analisar as apropriações e re-significações das práticas rituais católicas e indígenas quando do momento de contato e relação entre seus respectivos agentes, partindo das inúmeras possibilidades de leituras sobre a noção de ritual. Nome: Williams Bartolomeu Baracho de Lima E-mail: williamslima@globo.com Instituição: Universidade Federal de Campina Grande Título: Discursos e representações na “Relacion de las Cosas de Yucatán”: a alteridade e a interpretação da cultura na obra do frei Diego de Landa (1549-1579) Para aqueles que buscam uma releitura do passado, no tocante à ação católica na América Hispânica (século XVI), as Crônicas das Índias tem se mostrado de grandioso valor discursivo e interpretativo, ainda que não tão visitado quanto se permita. Na fuga de uma historiografia apologética é possível enxergar novas possibilidades interpretativas dos discursos de época. Com esta perspectiva, buscamos neste trabalho revisitar a obra do frei franciscano Diego de Landa, “Relacion de las Cosas de Yucatán”, dialogando com suas representações, ações e o poder simbólico exercido sobre os Maias, pondo em relevo também o antagonismo da obra, ou seja, os discursos ambivalentes e o conjunto de interesses em torno desta.

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02. A abolição da escravidão e a construção dos conceitos de liberdade, raça e tutela nas Américas Enidelce Bertin – Unesp/ Franca (enidelce@terra.com.br) Maria Helena Pereira Toledo Machado - FFLCH/USP (hmachado@usp.br) Dos finais do século XVIII, passando pelas abolições do tráfico de escravos e processos de emancipação e pós-emancipação, as diferentes sociedades da América escravista produziram idéias, conceitos e projetos que refletiam a respeito da liberdade dos afro-descendentes. Senhores de escravos, seus ideólogos e os ascendentes estados nacionais, juntamente com os cientistas naturais, viajantes e pensadores sociais procuraram conceituar os lugares geográficos e sociais nos quais os afro-descendentes poderiam gozar de uma liberdade restrita e tutelada. Ao mesmo tempo, escravos, libertos e outros grupos sociais menos comprometidos com a escravidão buscaram requalificar o conceito de liberdade colocado em pauta pelas elites, preenchendo-o com significados políticos, sociais e culturais amplos e variados. O objetivo deste Simpósio Temático é refletir sobre o processo de emancipação dos escravos nas Américas, a partir do ponto de vista da história social e das idéias, com especial ênfase no Brasil, nos Estados Unidos e no Caribe. Para tal, o Simpósio Temático pretende colocar em discussão pesquisas recentes sobre os temas das abolições da escravidão e do tráfico de escravos, processos de emancipação dos escravos e africanos livres e conceitos de raça/clima e mestiçagem no período, tomados como indicadores das diferentes percepções sociais a respeito da inserção/exclusão dos libertos nas sociedades americanas pós-emancipação. A reflexão sobre os processos de emancipação e abolição da escravidão colocada em pauta por este Simpósio Temático espera, assim, ampliar a compreensão do significado histórico das abolições e da agência dos afro-descendentes na construção deste processo.

Resumos das comunicações Nome: Amanda Teles dos Santos E-mail: amandateles@bol.com.br Instituição: UNICAMP Título: Trajetórias de alforriados de pia: o caso de Dionísio e sua estratégia de conquista legal da liberdade. Rio de Janeiro, século XIX Esta apresentação se baseará em uma ação de liberdade que chegou ao Tribunal da Relação do Rio de Janeiro em 1868. Tal ação tem como protagonistas principais Dionísio, seu autor, pardo de 18 anos e suposto ex-escravo e, em lado oposto da trama, o Sr. Lacaille, proprietário de escravos e morador de importante freguesia urbana da Corte. Segundo Dionísio, o Sr. Lacaille - senhor transformado em réu - usurpara o seu direito a liberdade desde 1851, ano em que teria sido batizado e alforriado por seu ‘‘verdadeiro’’ senhor na pia batismal. Assim, a abordagem desta ação permite apontar reflexões preliminares de uma das etapas de meu projeto de mestrado em andamento, sobre as alforrias de pia e os significados da liberdade e as dimensões da cidadania para forros e filhos de libertos no Rio de Janeiro do século XIX. Dentre outros aspectos, este processo serve de alerta a futuras pesquisas sobre alforria quanto à necessidade de se investigar sobre o momento posterior a este ato, examinando até que ponto estas liberdades puderam ser de fato usufruídas, além das diversas trajetórias destes libertos e seus descendentes em uma sociedade escravista. Nome: Andressa Capucci Ferreira E-mail: andcapucci@yahoo.com.br Instituição: USP Título: O trem das 8 e ¼ já vai partir. Bota nele o Coronel, o promotor de insurreição, o italiano e suas idéias de liberdade. (Jacareí – 1883) Naquele dia, um grupo de homens tomou uma atitude, e resolveu um problema à sua maneira. Já tinham pedido ajuda ao Juiz de Direito da Comarca e este, considerando o assunto grave, encaminhou uma representação ao Governo Provincial. No entanto, nenhuma ação fora tomada por parte do poder público. O que eles fizeram? Conseguiram botar num trem o Coronel Rocha Martins, que abertamente fazia propaganda de alforria de escravos; Antonio Henrique da Fonseca, indivíduo de “proceder desregrado”, que incitava escravos à liberdade; e o italiano Nicoláo Chioffi, conhecido por auxiliar aqueles indivíduos. A ação, no entanto, fora negociada, pois além de pagarem as passagens, deram à Fonseca, a seu “pedido”, a quantia de quarenta mil réis. A situação acima narrada aconteceu na cidade de Jacareí, no dia 26 de Novembro de 1883. Depois disso, solicitaram ao Governo da Província, através de um abaixo-assinado, que se instaurasse um inquérito a fim de averiguar as ações daqueles indivíduos. Tal abaixoassinado reuniu a assinatura de 169 homens da cidade. Entre os nomes encontramos ‘contraditoriamente’, os daqueles que no ano de 1887 teriam

fundado o Clube Abolicionista de Jacareí. Pretendemos, desta forma, vislumbrar páginas e personagens do processo abolicionista nesta cidade. Nome: Camila Barreto Santos Avelino E-mail: camila-avelino@bol.com.br Instituição: UNEB Título: Ex-escravos: uma cidadania subalterna? Retóricas da igualdade no pós-emancipação em Sergipe (1888-1910) Este trabalho se propõe analisar as retóricas da igualdade em Sergipe na tentativa de elucidarmos os significados e as experiências da liberdade para os homens e mulheres “de cor” egressos da escravidão. Investigaremos o modo como os ex-escravos foram ingressos como cidadãos livres na nova estrutura social sergipana amalgamada entre brancos e negros a partir da Lei Áurea que os colocou em níveis de igualdade, objetivando avaliar as posições que os ex-escravos ocuparam nesta sociedade. Este estudo baseiase em fontes primárias, literaturas contemporâneas de diversos autores que dissertam sobre a historiografia da escravidão em Sergipe e no diálogo entre teóricos pós-colonialistas que discorrem sobre estudos subalternos a fim de traçarmos um panorama das relações e/ou conflitos sociais em Sergipe entre as classes hegemônicas e os grupos subalternos compostos por homens e mulheres “de cor”. Daremos ênfase aos discursos e silêncios existentes na historiografia da escravidão sergipana na busca de tecermos um quadro histórico e social desses “quase-cidadãos” pautado nas experiências sociais que permeiam o campo da liberdade e da igualdade que floresceram após a abolição da escravatura em Sergipe. Nome: Camila Mendonça Pereira E-mail: camilampereira@yahoo.com.br Instituição: Universidade Federal Fluminense Título: As comemorações pela abolição na Corte Imperial: Política e Cidadania O presente trabalho pretende investigar e problematizar, sob a ótica da Cultura Política, as primeiras ações dos negros após a Lei Áurea. Para isso escolhi o contexto das festas em comemoração a Abolição na cidade do Rio de Janeiro. Nesses festejos os negros atuam em busca de uma cidadania positiva através das suas ações culturais, ou seja, eles fazem política por meio da cultura. Nome: Cláudia Regina Andrade dos Santos E-mail: claregian@ig.com.br Instituição: UNIRIO Título: Abolicionismo e visões da liberdade Neste trabalho, o tema “Abolição e abolicionismo” será tratado a partir de dois aspectos principais: a visão de liberdade dos escravos e os projetos sociais de inclusão do liberto na sociedade pós-escravista. Em relação a

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02 este último aspecto, será abordada a relação entre a monarquia e o abolicionismo. A análise proposta se desenvolve em torno de dois eixos: o da discussão historiográfica e o do debate do século XIX. No que diz respeito a esse último campo, serão consideradas as seguintes fontes: documento produzido por fazendeiros de Vassouras em 1838; discurso de Luiz Peixoto de Lacerda Werneck em 1854; livro do francês Louis Couty, L’esclavage au Brésil; artigo de Elisée Reclus sobre o Brasil na Revue de Deux Mondes; panfleto de André Rebouças, Abolição imediata e sem indenização (1883); conferência de José do Patrocínio (17 de maio de 1885); artigos dos jornais Cidade do Rio e Jornal dos Economistas; discurso do geógrafo francês Emile Levasseur; fala do trono de maio de 1889. Nome: Daniel Simões do Valle E-mail: danielceev@ig.com.br Instituição: UFF Título: O Reformador: o discurso abolicionista na imprensa espírita no Rio de Janeiro, 1883-1888 Esse trabalho se propõe a analisar o discurso abolicionista construído pelos espíritas e veiculado através do periódico Reformador, criado em 1883 e publicado na Corte. Durante a década de 1880, os espíritas divulgaram através da imprensa suas concepções sobre a escravidão e a abolição, fundamentando seu discurso por meio do uso dos princípios doutrinários do espiritismo. Nas páginas do Reformador, a questão servil estava sempre associada à discussão de outras reformas que promovessem o progresso do país e a ampliação dos direitos do cidadão. Desse modo, o discurso abolicionista espírita vivia envolto com a garantia dos direitos à liberdade e com a defesa dos interesses nacionais. Através desse estudo, pretende-se compreender como o discurso espírita foi formulado em diálogo com os diferentes matizes do movimento abolicionista, em especial, com a imprensa republicana e a imprensa católica do Rio de Janeiro. Nome: Daniela Daflon Yunes E-mail: danieladaflon@yahoo.com.br Instituição: Pontifícia Universidade Católica - PUC-Rio Título:Os anúncios de jornais no cenário abolicionista: construindo redes de amparo ao universo quilombola No intuito de compreender de que maneira estavam sendo amparados os quilombos no Brasil em finais do séc. XIX, meu trabalho pretende compreender a construção de redes não aparentes que de certa forma sustentavam a ideologia quilombola. Os chamados quilombos-abolicionistas, como pude analisar, tiveram como principal suporte a colaboração de ativistas do movimento abolicionista. No entanto, minha pesquisa, teve a tarefa de buscar que outros setores da sociedade civil colaboravam, mesmo que de maneira discreta, para tal suporte. No momento da emancipação pude verificar isso na pesquisa realizada no jornal “Cidade do Rio” nos anos 1887 e 1888 em que analisei seus anúncios como forma de reflexo da compra e venda de um jornal de cunho claramente abolicionista. Construí uma ligação entre o significado desses anúncios - como documento histórico - e o resultado de minha pesquisa, com base em textos ímpares e ainda, empiricamente separei os anúncios de forma concreta para que pudesse identificar os principais leitores e seu principal foco de circulação, para então apresentar em gráficos percentuais que atestam o alcance de tal periódico, verificando no processo abolicionista uma ampla participação de pessoas de diversos setores da sociedade, das mais diferentes profissões e interesses.

festa foi um palco onde os conflitos de todo um ano se chocavam. Ali, nas ruas, a população escrava e liberta travava contato com projetos variados de nação, como o de intelectuais e abolicionistas que defendiam o carnaval como tempo de liberdade. Neste momento a luta pela liberdade (e sua vivência) se intensifica, impulsionando alianças e conflitos. Neste contexto, se forjava uma cultura política da liberdade, ao mesmo tempo em que essa população lidava com os novos limites criados para impedir o exercício da cidadania e da brincadeira. Estudar o carnaval é uma forma de analisar outras estratégias de um grupo social, formado por escravos, libertos e seus descendentes, que viveu o momento de crise de um modelo e que tentava pelos mais variados caminhos obter a liberdade e o reconhecimento de seus direitos. Nome: Francisca Carla Santos Ferrer E-mail: carla.ferrer77@hotmail.com Instituição: USP Título: Ser livre, até quando? Os escravos pós-guerra do Paraguai no Rio Grande do Sul Esta comunicação tem como objetivo analisar o retorno dos libertos à Província do Rio Grande do Sul, após a Guerra do Paraguai. Durante a guerra da tríplice aliança o governo brasileiro passou a incentivar o emprego dos escravos na guerra, concedendo doações de prêmios honoríficos aos senhores de escravos, em troca da liberdade desses cativos para o referido combate. Em 1870, ao término dessa belicosa contenda, muitos dos combatentes negros que retornaram ao Rio Grande do sul foram recebidos com algemas, castigos por seus antigos senhores, que os escravizaram novamente. Nome: Gabriel Aladrén E-mail: gabrielaladren@yahoo.com.br Instituição: UFF Título: Para evitar “uma confusão contínua e um precipício irreparável”: argumentos em defesa da escravidão na fronteira sul do Brasil (século XIX) No ano de 1824, os vereadores da Câmara da Vila de Cachoeira, município localizado na fronteira sul do Rio Grande de São Pedro, receberam um projeto enviado pelo Conselho da Província que tinha como fito estabelecer medidas para melhorar o tratamento dispensado aos escravos e promover meios para sua lenta emancipação. Prontamente, emitiram pareceres recusando as medidas propostas, utilizando argumentos tais como: a instabilidade política e o perigo de rebeliões que poderiam advir da libertação, ainda que gradual, dos escravos; a importância dos rendimentos fiscais que o tráfico negreiro proporcionava ao Império; e a impossibilidade de manter e expandir a produção agrícola do país em um regime de trabalho livre. Nesta comunicação pretende-se, com base no exame dos pareceres elaborados pelos vereadores da Câmara de Cachoeira, analisar os argumentos em defesa da escravidão e do princípio da inviolabilidade do poder senhorial, procurando relacionar estas posições ideológicas com a existência de uma formação social escravista na fronteira sul do Brasil nas primeiras décadas do século XIX.

Nome: Enidelce Bertin E-mail: enidelce@terra.com.br Instituição: Unesp-Franca Título: Africanos emancipados em perspectiva atlântica A partir dos africanos livres ou emancipados e tutelados no Brasil, no Caribe e em Serra Leoa, torna-se possível o delineamento da rede que conectava as políticas de emancipação no mundo atlântico. Assim, a proposta é apresentar uma investigação do trânsito de idéias e práticas relativas aos emancipados no contexto da diáspora.

Nome: Hamilton Afonso de Oliveira E-mail: hamiltonafonso@bol.com.br Instituição: Universidade Estadual de Goiás Título: Algumas considerações sobre as relações escravistas em Goiás, Minas Gerais, São Paulo e Rio De Janeiro - 1850-1888 A partir da aplicação de princípios metodológicos de cunho quantitativo e qualitativo, da história social, utilizando-se de fontes documentais como inventários post-mortem, registros de matrículas de escravos, relatórios de presidentes de Província e relatos de viajantes propôs-se a reconstituir os aspectos da vida cotidiana envolvendo escravos e senhores na região sul de Goiás entre os anos de 1850 a 1888, fazendo um estudo comparativo com as províncias de Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo, chegou-se a conclusão que – ao contrário da região sudeste - em Goiás a relação entre senhores e escravos não foram abaladas com o limiar dos acontecimentos que culminaram com o fim da escravidão em 13 de maio de 1888.

Nome: Eric Brasil Nepomuceno E-mail: ebnepomuceno@hotmail.com Instituição: UFF Título: Negros carnavais – A cultura política da liberdade na Corte Este trabalho pretende analisar a participação da população escrava, liberta e negra livre pobre no Carnaval carioca da década de 1880. Assim como, entender suas relações com o processo de Abolição da escravidão e sua influência nas formas de luta por cidadania na Primeira República. Essa

Nome: Ione Celeste Jesus de Sousa E-mail: ionecjs@gmail.com Instituição: PUC/SP Título: Para os educar e bem criar - tutelas, soldadas e trabalho compulsório de ingênuos na Bahia -1878-1897 Esta proposta de comunicação incide em algumas experiências das práticas de soldada e tutela de ingênuos na Bahia, entre 1878 e 1900. Os/as ingênuos/as eram os/as filhos livres da mulher escrava nascidos a partir da

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promulgação da Lei 2040, de 28/09/1871, “Lei do Ventre Livre”. Nosso interesse é discutir que para além da emancipação legal, estes ingênuos continuaram a vivenciar práticas de trabalho compulsório, apresentadas legalmente como benefícios de Educação - como Instrução ou como Educação Moral - enquanto estratégias na constituição de trabalhadores subalternos na derrocada da escravidão. As tutelas e soldadas eram mecanismos jurídicos de cuidado com a infância e no caso dos ingênuos foram táticas de controle da sua mão de obra, pós 1888, sob argumento de ser um acordo entre tutor/tutelado fora da lei da abolição. Fontes: processos de tutela e de soldada; anúncios de casas de mestres e aluguel de trabalhadores; assentamentos de batismos; Relatórios de Presidentes da Província da Bahia. Nome: Jaciana de Oliveira Xavier Melquiades E-mail: jaciana@gmail.com Instituição: UFF - Universidade Federal Fluminense Título: Laços e expectativas: nomes, padrinhos e devoções em um Rio de Janeiro urbano. Rio de Janeiro, 1860 - 1870 O caráter violento da escravidão pode ser visto como tentativa de ampliação de um espaço de manobra que, muitas vezes, fora reduzido quase à nulidade. As concessões e doações não poderiam ser dissociadas de conquistas, que na maioria das vezes têm esse caráter violento. Neste trabalho estas serão questões centrais, visando o cotidiano do escravizado. Admitir a agência de todos os grupos sociais permite uma leitura crítica das fontes, tornando as ações cotidianas cheias de significado e relevância política. Neste sentido, abordar as nomeações, os apadrinhamentos e as devoções de famílias escravizadas ou de seus descendentes, pode nos dar a ver a dinâmica social e explicitar símbolos presentes no cotidiano dos homens do século XIX. Rastrear laços, entender parentescos e investigar os objetos de fé, nos permite entender estas relações humanas forjadoras de tantas tradições e regras implícitas que regem a sociedade. Nome: Janete Silveira Abrão E-mail: janete.abrao@gmail.com Instituição: Universitat de Barcelona Título: Raça e projeto nacional no ideário de José Martí José Martí, além de sua significativa obra poética e crítica e de sua contribuição teórica no que se refere ao âmbito político, em seu inalterável compromisso com a independência de Cuba e a fundação de uma república e de uma identidade cubanas, há legado também considerações sobre a raça e críticas ao racismo em um contexto – o de fins do século XIX -, marcado pelo determinismo, pelo darwinismo social e por teorias que exaltavam a necessidade das nações evitarem a mestiçagem em prol de seu desenvolvimento. Neste sentido, este estudo pretende analisar, no ideário de José Martí, a questão racial e sua relação com o projeto nacional cubano. Nome: José Maia Bezerra Neto E-mail: josemaia@ufpa.br Instituição: UFPA Título: A segunda independência: Abolicionismos, história e memória da emancipação política brasileira, século XIX Ao longo principalmente da segunda metade do século XIX, as lutas contra a escravidão desenvolvidas por emancipadores e abolicionistas, ainda que pesem suas clivagens e diferenças, buscaram a identidade de sua causa em favor da liberdade dos escravos com o processo de constituição da nacionalidade e nação brasileira iniciado ainda nas primeiras décadas do século XIX. Definindo então o movimento emancipador e abolicionista, aqui tomados como abolicionismos, como movimento de aspiração nacional e patriótico, ainda que de apelo universal em seu discurso e argumento civilizador; assim sendo feito como prática política de legitimação desses movimentos face críticas dos escravagistas e opositores de que se tratava de movimento sem vínculo com os interesses nacionais e impatrióticos movidos pela influência estrangeira, afinal, os emancipadores e abolicionistas a partir da história e da memória principalmente em torno da independência brasileira postulavam a condição de herdeiros dos fundadores da pátria na consecução daquilo que chamavam de segunda independência, abolindo a herança da escravidão legada pela antiga metrópole, agindo dessa forma guiados por conceitos de nacionalidade, raça e liberdade, redesenhando uma nação brasileira, bem como o lugar que nela teria os ex-escravos. Nome: Josenildo de Jesus Pereira E-mail: p.jose@terra.com.br Instituição: Universidade Federal do Maranhão/UFMA Título: Imprensa, ética escravista e idéias abolicionista no Maranhão na década de 1880

Neste trabalho se explora o sentido de representações da escravidão, de liberdade e do racismo apresentadas na imprensa maranhense e, por conseguinte, a função desta, na década de 1880, tempo no qual se consolidou a decadência da agricultura mercantil escravista e de exportação. Nome: Juliana Foguel Castelo Branco E-mail: jufoguel@gmail.com Instituição: UNIRIO Título: Imigração norte americana no Brasil O presente trabalho pretende ser um estudo sobre os incentivos e desejos do governo brasileiro em estimular a imigração para o país, em especial a Norte Americana, no final do século XIX. Nome: Luiz Gustavo Santos Cota E-mail: lgscota@yahoo.com.br Instituição: Universidade Federal Fluminense Título: Por trás da legalidade também há luta: abolicionistas e escravos nas ações de liberdade em Mariana e Ouro Preto, Minas Gerais (1871-1888) O presente trabalho tem como objeto o estudo da ação de escravos e advogados identificados com a luta pela abolição nos meandros da Justiça. As chamadas ações de liberdade, processos judiciais movidos por escravos contra seus respectivos senhores objetivando a liberdade, representaram um importante campo de luta pela abolição. Através da leitura desses processos judiciais é possível observar as estratégias engendradas pelos escravos para alcançar sua liberdade, bem como suas impressões acerca do que seria um cativeiro justo, além da forma como os advogados envolvidos nestes processos se posicionaram em relação à escravidão, e suas relações com o movimento abolicionista. No caso aqui apresentado, foram analisados processos impetrados nas cidades mineiras de Ouro Preto e Mariana, respectivamente capital da província e centro de poder religioso das Minas, entre os anos de 1871 e 1888. Foi possível perceber as ligações entre os advogados que atuaram ao lado dos escravos nas ações de liberdade com o movimento abolicionista, sobretudo da capital, fato que parece estar diretamente ligado ao considerável aumento do número de processos na década de 1880, principalmente das contendas em que o escravo alegava ser um africano importado para o Brasil após a promulgação da lei de 1831. Nome: Luiza Helena de Carvalho E-mail: luiza_helcar@ig.com.br Instituição: Universidade do Estado do Rio de Janeiro Título: João de Mattos: O pão na luta pela liberdade e dignidade de sua classe (1876-1912) A pesquisa pretende lançar luz sobre um personagem enigmático chamado João de Mattos. Não se sabe quando nasceu, nem quando morreu, entretanto, ele deixou um testemunho importantíssimo de três momentos singulares da história brasileira: a luta pela abolição, a proclamação da República e as primeiras lutas do movimento operário no Rio de Janeiro. João de Mattos ao que parece foi membro de três associações criadas pela categoria dos padeiros: O Bloco de Combate dos Empregados de Padarias; a Sociedade Cooperativa dos Empregados de Padaria no Brasil; e a Sociedade Cosmopolita Protetora dos Empregados de Padaria. Supostamente, a história das lutas de João de Mattos se inicia em São Paulo e continua no Rio de Janeiro com a fundação do clube abolicionista Nesse sentido, o objetivo é identificar as propostas destas associações de padeiros para o fim da escravidão, questionar os motivos da adesão dos padeiros na causa abolicionista e republicana. Nome: Lusirene Celestino França Ferreira E-mail: lusireneufrj@gmail.com Instituição: Universidade Federal de São João Del Rei Título: O “povo” nas ruas e as festas abolicionistas: cultura política e a abolição do Ceará nas ruas da Corte Imperial (1884) Nesta comunicação apresentaremos um mapeamento inicial dos diversos grupos sociais que participaram da luta pela abolição na década de 1880. Através das notícias veiculadas na imprensa da Corte sobre a abolição no Ceará e o movimento abolicionista pretendemos apreender as apropriações culturais e as expectativas dos diversos grupos sociais que atuaram no cenário da abolição. Além disso, discutiremos a participação do “povo” nas comemorações abolicionistas nas ruas da Corte em homenagem ao “Ceará Livre”. Assim, destacaremos uma abordagem centrada na cultura política e nas tensões sociais vividas neste período de intenso debate sobre a “questão servil”.

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02 Nome: Maíra Chinelatto Alves E-mail: mairachinelatto@gmail.com Instituição: USP Título: Histórias de crimes de escravos contra seus senhores: Campinas, século XIX A sociedade brasileira do século XIX estava, em muitos aspectos, permeada pela violência. O relacionamento entre senhores e escravos representava um extremo desta característica, em que a brutalidade de gestos e palavras se fazia presente de maneira estrutural e irremediável. O presente trabalho aborda este tema, já bastante explorado pela historiografia, enfocando a inversão de papéis ocorrida quando escravos, contestando e se rebelando brutalmente contra os lugares sociais que lhes eram destinados, viravam o jogo e agrediam fisicamente seus senhores, feitores ou administradores, sendo, por isso, levados aos tribunais de justiça. As motivações, repercussões e justificativas de tais crimes são analisadas a partir da leitura dos processos criminais, enquanto os respectivos inventários post-mortem, iniciados quando da morte de um senhor de posses, versam sobre o ambiente em que eles ocorreram. Procuro entender, assim, como se dava e se subvertia o relacionamento entre senhores e escravos, numa época em que a escravidão perdia legitimidade frente à sociedade, obrigando os proprietários a recorrerem ao Estado, nos instantes em que a violência senhorial não era suficiente para disciplinar as senzalas, para mediar estas relações. Nome: Marcelo Souza Oliveira E-mail: historiadormarcelo@bol.com.br Instituição: Instituto Federal de Educação Ciências e Tecnologia Baiano Título: Traumas de uma elite em declínio: memórias de letrados sobre a abolição e os dias seguintes (Bahia, 1889-1930) Este texto analisa a produção literária e historiográfica baiana produzida entre 1889 e 1930 que trata das memórias acerca do 13 de maio e os dias subseqüentes. A escassez de informações e de referências sobre esse tema na Bahia coloca em evidência a construção de uma memória traumática sobre esse evento e a tentativa de atribuir a ele a “desgraça” ocorrida com os senhores do Recôncavo. Por outro lado, a produção literária e historiográfica dos ex-abolicionistas não reconhece a força do13 de maio como um marco da libertação dos cativos, preferindo tomar a abolição como um processo originado desde as primeiras leis abolicionistas. Tanto a Literatura quanto a História destacam a construção da memória dos atores que vivenciaram esse período e utilizaram-no como explicação para a situação decadente da Bahia nas primeiras décadas da República. Nome: Marcus Dezemone E-mail: dezemone@gmail.com Instituição: ISERJ/ Colégio Pedro II Título: Matrimônios coletivos e “filhos naturais”: família escrava, cativos e senhores na crise do escravismo – sudeste cafeeiro, século XIX O trabalho apresenta resultados de tese recentemente defendida pelo PPGH-UFF. Seu objetivo é explicar o espantoso aumento das cerimônias coletivas de matrimônio entre cativos e, depois do Treze de Maio, entre libertos, em freguesias do sudeste cafeeiro de 1887 a 1892. Tais uniões ganham relevo quando se constata que casamentos escravos celebrados pela Igreja declinaram sensivelmente entre 1871 e 1886, na comparação com a década de 1860. A reflexão diante da brusca variação nos matrimônios permitiu identificar estratégias de cativos e senhores num quadro de transformações que atingiam o escravismo. A freguesia fluminense de São Francisco de Paula, cujo ápice produtivo ocorreu entre 1880 e 1900, forneceu o material empírico analisado. Os assentamentos de casamentos escravos, ao lado dos registros batismais de ventre-livres, lançaram luz sobre os limites e as possibilidades de constituição de famílias escravas em face de ações senhoriais que restringiam matrimônios entre cativos e omitiam a paternidade nos batismos, devido aos efeitos legais que poderiam trazer, sobretudo, após a Lei do Ventre Livre. O reconhecimento legal e religioso de famílias revelaria não apenas o desejo de permanência na terra após a Abolição, mas significados assumidos pela liberdade no sudeste escravista. Nome: Maria Angélica Zubaran E-mail: angelicazubaran@yahoo.com.br Instituição: Universidade Luterana do Brasil Título: A invenção branca da liberdade negra: a narrativa dominante sobre a abolição em Porto Alegre/RS O objetivo deste trabalho é investigar como uma memória social da abolição foi construída pelas elites políticas regionais em Porto Alegre/RS, durante a “liberação dos escravos” em 7 de setembro de 1884, na mesma data da independência nacional e quase quatro anos antes da abolição na-

cional. Sugiro que o discurso regional abolicionista no Rio Grande do Sul apropriou-se da retórica de um passado glorioso de tradições libertárias, para legitimar a estratégia das elites políticas regionais de manumissão condicional e para inventar uma liberdade que era ao mesmo tempo presente e ausente, uma vez que não era imediata e completa, mas condicional à prestação de serviços dos ex-escravos aos seus ex-senhores, por um prazo máximo de sete anos, sob a nova condição social de contratados. Pretendo relativizar a narrativa oficial sobre a abolição em Porto Alegre e destacar o silêncio desse discurso regional abolicionista sobre a participação dos afrodescendentes na abolição, omitindo a participação de lideranças e sociedades negras abolicionistas. É neste sentido, que considero esta versão oficial da abolição em Porto Alegre, como uma “invenção branca da liberdade negra”, cujo impacto na memória histórica e na historiografia tradicional gaúcha parece ter sido relevante. Nome: Maria Clara Sales Carneiro Sampaio E-mail: mclarasampaio@usp.br Instituição: Universidade de São Paulo Título: Colonizados e recolonizados: as propostas dos Estados Unidos de colonizar a Amazônia brasileira e outras localidades no continente americano com afro-descendentes norte-americanos na década de 1860 A Guerra da Secessão (1861-64), que opôs as regiões Norte e Sul dos Estados Unidos, não só evidenciou as contradições da escravidão no país, contribuindo para a redefinição de relações sociais para inclusão de libertos, como colocou em perspectiva o papel da instituição em outras regiões do mundo atlântico. As influências da guerra sobre a América Central, do Sul e África se fizeram perceber em diversas esferas. O tema do presente trabalho são os projetos de remoção de libertos norte-americanos para fora das fronteiras nacionais. No início da presidência de Lincoln muitos projetos de remoção de afro-descendentes do país fizeram parte das discussões do governo. Muitas frentes de negociação diplomática foram abertas com o objetivo de conseguir que países como Brasil, México, Equador, Costa Rica, Honduras, Suriname, Haiti e Libéria, entre outros, recebessem contingentes de ex-escravos provenientes de diversas localidades dos Estados Unidos. Dentre os traços comuns dessas iniciativas três são as características que merecem maior atenção: a construção discursiva de impossibilidade de convivência inter-racial nos EUA; o caráter humanitário de proporcionar aos afro-descendentes novas possibilidades e o interesse imperialista norteamericano de expansão através desse tipo de iniciativa. Nome: Maria Rosangela dos Santos E-mail: maria.rosangela.s@gmail.com Instituição: Universidade Federal do Paraná Título: Marido livre, mulher escrava, filho ingênuo: famílias mistas no ocaso da escravidão – Curitiba - Paraná, segunda metade do século XIX Buscando entender o universo das relações entre livres e escravos no período final da escravidão, este artigo analisa as famílias mistas a partir da Lista de Classificação para Emancipação de Curitiba, Capital da Província do Paraná, de 1875, produzida por determinação da Lei de 2.040, de 28 de setembro de 1871, conhecida como a Lei do Ventre Livre. Os laços familiares se fazem presentes de forma privilegiada nesta documentação, uma vez que era um dos elementos que alçavam o escravo ao topo da lista. Consideramos como famílias mistas aquelas em que pelo menos um membro não era escravo, figurando na fonte como livre, liberto ou ingênuo. Pretendemos assim compreender suas especificidades e representatividade, levando em conta as escolhas, mesmo que restritas, dos escravos, e as singularidades de um momento marcado pela crise do cativeiro e pela intervenção do Estado no âmbito do poder senhorial, em uma região de pequenos plantéis, voltada para o abastecimento interno. Nome: Murilo Borges Silva E-mail: muriloborges.historia@gmail.com Instituição: Universidade Católica de Goiás Título: Marcas da escravidão: representação e identidade negra na pósabolição em Goiás (1888 – 1930) Esta comunicação é parte dos primeiros desdobramentos de uma pesquisa de mestrado que trabalha com as representações sobre os negros em documentos imagéticos, tais como, jornais e textos literários. O recorte escolhido para esta pesquisa foram as primeiras décadas da República em Goiás, pois entende-se que nesse período, logo após a abolição, há uma ausência dos negros na historiografia goiana. Somente mais tarde, especialmente na década de 1930, é que os negros e a sua situação social voltam a fazer parte das discussões intelectuais, que naquele momento, acabaram divulgando a idéia da democracia racial, o que se pode configurar como uma tentativa

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de anular a luta e a cultura dos ex-escravos. Nesse sentido, esta pesquisa intenta contemplar essa lacuna historiográfica, analisando como foram representados e, qual foi a identidade forjada para os negros logo após a abolição da escravidão em Goiás. Nome: Patricia Garcia Ernando da Silva E-mail: patriciagarcia@usp.br Instituição: USP Título: Os possíveis significados da liberdade em São Paulo no século XIX A comunicação tem como objetivo fazer uma reflexão sobre os possíveis significados da liberdade para escravos e libertos levando em conta diferentes situações vividas por eles e reunir elementos para pensar quais poderiam ter sido as motivações dos senhores para a concessão de alforrias. Utilizaremos em nossa análise inventários, testamentos e cartas de liberdade de proprietários de escravos, referentes ao período de 1850 a 1888. Nossa discussão leva em consideração que a escravidão, cessada pela liberdade jurídica, comprovada por documentos notariais, judiciais ou eclesiásticos, poderia não deixar de existir de fato, ou seja, determinadas condições a que os forros fossem submetidos poderiam tornar seu modo de vida semelhante ao de cativos. Imposições, por parte de ex-senhores a libertos, como acompanhar ou prestar serviços por longos períodos ou por tempo indeterminado e a submissão a novos ´senhores’, por exemplo, poderiam configurar a realidade de uma escravidão de fato. Já situações em que se era escravo legalmente, mas se conquistava um grau de autonomia e mobilidade espacial diferenciado poderia alçar a condição do cativo à similaridade da de trabalhadores informais livres. Nome: Paulo César Oliveira de Jesus E-mail: paulodejesus@atarde.com.br Instituição: Universidade Federal do Recôncavo da Bahia Título:Os homens bons e suas viagens ilícitas: negociantes de escravos da Praça da Bahia em tempos de ilegalidade (1839 – 1847) Os estudos sobre a escravidão nas últimas décadas têm respondido a muitas indagações acerca do fim do comércio de africanos para o Brasil. Tais avanços resultam entre outros fatores da utilização, com maior frequência, das informações contidas em relatos de viajantes, notícias de jornais, almanaques, relatórios de ministérios e de comissões mistas, processos de apreensão de embarcações, diários de viagens, registros alfandegários e tantas outras. Mesmo considerando a importância dos resultados obtidos até aqui, alguns aspectos deste empreendimento ainda carecem de investigações mais especificas, entre eles: a capacidade de articulação dos envolvidos em protelar ao máximo o fim de um dos mais lucrativos empreendimentos do século XIX. Experimentados nos negócios transatlânticos e hábeis articuladores comerciais os praticantes do “infame comércio” foram os principais responsáveis pela montagem e manutenção de um complexo sistema clandestino que prorrogou por mais de vinte anos a definitiva extinção do comércio de africanos para o Brasil. Neste sentido, esta comunicação apresenta resultados parciais das investigações sobre o perfil dos comerciantes responsáveis pela de sustentação do “infame comércio” entre os anos de 1839 e 1847 na terra de Todos os Santos. Nome: Rafael da Cunha Scheffer E-mail: rafaelscheffer@yahoo.com.br Instituição: Unicamp Título: A “falta de braços” e o trabalhador desejado: debates sobre o futuro da escravidão e o trabalho livre nos jornais de Campinas/SP (1875-1885) Nos anos finais da década de 1870 e início da seguinte, nos jornais de Campinas foram freqüentes as discussões a respeito do futuro da escravidão e das necessidades da lavoura. Temas como a falta de trabalhadores, a busca por imigrantes para suprir essa demanda, as próprias opções pela origem mais adequada desses trabalhadores e o futuro do trabalho escravo foram assuntos freqüentes nessas discussões. Nesse contexto, essa comunicação procura explorar as disputas em torno das expectativas sobre o trabalho servil e, principalmente, de sua comparação com um imaginado trabalhador livre. Além disso, analisamos o debate sobre o fim do comércio interprovincial de cativos e as questões levantadas pelo Club da Lavoura de Campinas frente às propostas discutidas na assembléia provincial. Buscamos entender os conflitos e articulações entre posições diversas quanto ao futuro da escravidão e quanto às próprias caracterizações dos trabalhadores cativos que eram construídas nestes jornais de Campinas. Para essa análise, exploramos os periódicos “Gazeta de Campinas” e “Diário de Campinas” entre os anos de 1875 e 1885, especialmente suas seções

de artigos e anúncios ou cartas de representantes do Club da Lavoura dessa cidade paulista. Nome: Valéria Gomes Costa E-mail: valeria_gcosta@yahoo.com.br Instituição: UFBA Título: Herdei e deixei de herança! Africanos e crioulos no Recife PósAbolição As trajetórias dos ex-cativos e seus descendentes foram consideradas empecilho no estabelecimento do entremeio escravidão-liberdade, visto que a República “quase apagou a cor” das pessoas libertas e livres, tornandose difícil rastreá-las depois do 13 de Maio de 1888. Nesta perspectiva, a cor da pele, enquanto mecanismo de diferenciação social foi nas últimas décadas da escravidão enfatizada e estendida às questões de racialização e cidadania. Por outro lado, a linearidade do vivido pelos libertos mostrou que as ações entre o cativeiro e a emancipação se constituíram muito mais complexas que a simplória idéia escravidão versus liberdade. As redes de solidariedade, parentesco, práticas religiosas estabelecidas pelos cativos estenderam-se para além da escravidão, fazendo-se presentes nas articulações de alforrias, de reconstrução de laços comunais e simbólicos, dos projetos de liberdade dos sujeitos pós-emancipação. A presente comunicação objetiva iniciar o debate sobre as experiências de africanos e crioulos no espaço urbano do Recife neste cenário, lançando mão das informações sobre heranças que receberam de seus ex-senhores e os bens que libertos deixaram para seus parentes como indícios dos mecanismos de constituição de sua autonomia. Nome: Vanessa Gomes Ramos E-mail: nessahistoria@yahoo.com.br Instituição: UFRJ Título: Notas de pesquisa sobre “liberdades” nas manumissões condicionadas - Rio de Janeiro, 1850-1888 Em um trabalho que por ora encontra-se em desenvolvimento, tecemos uma análise sobre a temática da liberdade e seus diferentes significados para senhores e escravos, verificando a aplicação deste conceito na vida dos libertos. Para tanto, as cartas de alforrias registradas entre os anos de 1840 a 1888, na cidade do Rio de Janeiro, formam o corpus documental da pesquisa. Trabalhamos, sobretudo, com as cartas condicionais, ou seja, as que exigiam do alforriando o cumprimento de certas atividades estabelecidas pelos senhores. Discutimos a “polêmica” questão deste tipo de alforria, procurando entender a representação desta para o escravo, que vivenciava a difícil condição de ser meio cativo e meio liberto ao mesmo tempo. De forma ainda incipiente, buscamos analisar se esta manumissão representava ou não uma simples continuidade do cativeiro. Nome: Wlamyra Ribeiro de Albuquerque E-mail: wlamyra@gmail.com Instituição: Universidade Federal da Bahia Título: Rui Barbosa e os debates sobre cidadania negra no pós-abolição O objeto de pesquisa a ser analisado é o processo de racialização das relações sociais no processo emancipacionista brasileiro e a cidadania negra no pós-abolição. Considerando que o processo emancipacionista configurou uma racialização das relações sociais no Brasil, proponho a análise das estratégias políticas que garantiram a preservação de hierarquias sociais, assim como a construção de identidades raciais nas duas últimas décadas do século XIX. A pesquisa resulta do interesse pelas concepções de cidadania negra que ganhavam visibilidade entre 1870 e 1910. Utilizo como fontes a correspondência policial da província da Bahia, discursos, fotografias, textos jornalísticos e, em especial, a correspondência particular de Rui Barbosa.

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03 03. As teias que a família tece Ana Silvia Volpi Scott - Unisinos (asilvia@unisinos.br) Carlos de Almeida Prado Bacellar - FFLCH/USP (cbacellar@usp.br) Nas últimas décadas, o estudo da família tem atraído a atenção de especialistas de diferentes áreas. No campo da História as análises sobre esta instituição têm crescido de maneira espetacular, tanto no Brasil como no exterior, e os inúmeros trabalhos que vêm a público têm contribuído de forma decisiva para o debate. Neste contexto de intensas discussões sobre a temática da família, o Simpósio Nacional da ANPUH tem sido um fórum privilegiado e, nos últimos eventos, já se tornou uma tradição um Simpósio Temático. Para a ANPUH de 2009, queremos manter o espaço que reúne muitos pesquisadores e, se possível, gostaríamos de repetir a experiência que tem sido sempre muito rica. O crescimento do estudo da família entre os historiadores veio, inicialmente, dos trabalhos produzidos no âmbito da Demografia Histórica, sobretudo a partir das décadas de 1980 e 1990. Contudo, os estudos sobre a família se alargaram de tal maneira, principalmente por conta do diálogo com as Ciências Sociais, que as recentes pesquisas não se limitam apenas ao estudo do aspecto demográfico, embora este continue a fornecer elementos importantes para a compreensão da organização e das dinâmicas familiares. Essa abertura a outras áreas se justifica pela complexidade do tema, pois a compreensão dos sistemas familiares do passado não pode restringir-se ao estudo das variáveis demográficas, até por conta das múltiplas situações de vida contempladas pela família, como instituição básica de praticamente todas as sociedades. A ampliação desse universo, para além do núcleo constituído por pais e filhos e/ou co-residentes, englobando a parentela, ganhou cada vez mais atenção dos estudiosos, a partir do diálogo interdisciplinar com a Antropologia e Sociologia. Fundamental ainda foi a contribuição teórico-metodológica advinda da micro-história e da proposta da redução da escala de abordagem, que procura sobressair o comportamento social dos atores históricos.

Resumos das comunicações Nome: Alanna Souto Cardoso E-mail: alannasouto@yahoo.com.br Instituição: Escola de Governo do Estado do Pará (EGPA) Título: Apontamentos para história da família e demografia histórica da capitania do Grão-Pará (1750-1790) Na História do Brasil Colônia, a família apresentou-se como uma instituição fundamental, tendo em vista a relevância de suas funções socioeconômicas e políticas, no decorrer desse período. Observa-se que os historiadores da família no Brasil estiveram voltados para a região sudeste, em especial a sociedade paulista, e poucos têm direcionado seus estudos para outras regiões, nitidamente aquelas onde se desenvolveram sociedades não diretamente vinculadas ao setor exportador da Colônia e as que não receberam grande contingente de migrantes estrangeiros. É sabido também que os estudos da família quando associados à demografia histórica na Capitania do Pará não conseguiram resultados mais detalhados do que a identificação de estatísticas aproximativas da distribuição de homens e mulheres de diferentes categorias étnico-sociais. É nesse sentido que esta comunicação, por meio do Recenseamento de 1778 da Capitania do Pará e da análise da trajetória da família de elite Morais Bittencourt (1750-1790), pretende delinear, ou melhor, revelar alguns indicadores das elites e hierarquias sociais da sociedade paraense dessa época. Nome: Alina Silva Sousa E-mail: alinaslz@usp.br Instituição: Universidade de São Paulo Título: O cotidiano familiar e a micro-história: reflexões para uma pesquisa Na medida em que a Micro-história se propõe a revelar casos particulares, situações-limite, trajetórias biográficas potencialmente esclarecedoras de aspectos rejeitados pelas análises macroscópicas e seriais, o estudo do cotidiano, e do cotidiano familiar, atrai a atenção desses historiadores posto que, lugar privilegiado do “vivido”, lugar onde se desdobram correlações e rompimentos com a ordem social vigente, lugar onde as personagens, na maior parte das vezes, protagonizam uma história não exemplar, mas anônima. Na tentativa de desvelar a experiência familiar das pessoas comuns, esta pesquisa faz ver que o protagonista anônimo trazido à tona é a própria teia familiar, cujo perfil individual de seus membros escapa, uma vez que ele só se revela imerso no movimento constante do dia-a-dia. Neste espaço micro, mas plural, não há casos particulares, mas uma rede de trajetórias entrecruzadas, uma teia de vozes entrecortadas que compõem um cotidiano dinâmico de sucessivas tramas. E assim, a vivência da “família” já não é mais algo da esfera do privado. As redes de sociabilidade e hostilidades que se fazem, refazem e desfazem,

no vai-e-vem desse movimento intenso é o que se pode chamar de família e onde se podem perceber seus vínculos e seus desdobramentos. Nome: Ana Paula Carvalho Trabuco Lacerda E-mail: ana_trabuco@yahoo.com.br Instituição: Universidade Federal da Bahia Título: Laços de amor e amizade: a família escrava em Serrinha-Bahia (1868-1888) O estudo da família escrava em Serrinha (1868-1888), atual cidade do interior do estado da Bahia, a 173 Km de Salvador, é parte de uma análise mais ampla acerca da escravidão nessa localidade. Através do cruzamento entre Registros de Batismo, Casamento e Óbito com Cartas de Alforria e Registros de Compra e Venda de escravos, todos correspondentes aos anos de 1868 a 1888, além do Censo de 1872, pode-se observar a existência, em números relevantes, de laços familiares de diversos tipos, inclusive os oficializados pela Igreja. De acordo com o Censo de 1872, dos 739 escravos registrados na localidade, 42,7% eram ou já foram casados. Conforme Registros de Casamentos foram realizados 64 uniões oficiais onde uma das partes é escrava, nas quais 36% correspondem a casamentos nos quais ambos os noivos eram cativos e nos demais casos, as condições jurídicas dos noivos eram diferentes. O objetivo deste trabalho é analisar esses e outros dados relativos à formação da família escrava em Serrinha, demonstrando que o contexto dessa localidade, na qual predominava a pequena propriedade de terra, não inviabilizou as diversas formas de uniões matrimoniais entre escravos, além de evidenciar a importância da formação de famílias para a tentativa de uma vida mais justa. Nome: Ana Sara Ribeiro Parente Cortez E-mail: anasaracortez@yahoo.com.br Instituição: Universidade Federal do Ceará Título: Cabras, caboclos, negros e mulatos - a família escrava no Cariri cearense (1850 - 1884) A família era uma das principais práticas de sociabilidade engendradas pelos escravos do Cariri. Através de sua experiência, os cativos formaram diversos arranjos familiares, que excediam a noção tradicionalmente ideal de matrimônio e núcleo familiar. Em meio a essa multiplicidade, constituiu-se uma família mista, na qual os laços de parentesco dos escravos ultrapassaram os limites de sua condição social e alcançaram os livres e libertos que trabalhavam e conviviam a seu lado. O processo de combinação entre condições sociais diferentes desencadeou a mistura de distintos tons percebidos nas peles da população livre e cativa, tanto que, ao chegar à segunda metade do século XIX, a família escrava era mestiça, caracterizada pela enorme quantidade de Cabras, Caboclos, Negros e Mulatos. Pesquisa desenvolvida na Dissertação de Mestrado na Universidade Federal do Ceará.

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Autora: Ana Silvia Volpi Scott E-mail: asilvia@unisinos.br Instituição: Universidade do Vale do Rio dos Sinos Co-autor: Dario Scott E-mail: dscott@unisinos.br Instituição: UNISINOS Título: Tecendo teias e desatando nós: uma opção informatizada para historiadores da família Nos últimos anos temos procurado, com o auxílio da informática, soluções que facilitem a integração e cruzamento dos dados nominativos, começando com os registros paroquiais. Recentemente, no âmbito do Grupo de Pesquisa Demografia & História (CNPq), procuramos desenvolver um software baseado em um programa já existente (Nacaob), agora atualizado para rodar em ambiente visual e multi-usuário, especificamente no Projeto “Além do Centro-Sul: por uma História a População Colonial nos Extremos dos Domínios Portugueses na América” (financiamento CNPq). Trata-se de projeto integrado, associando projetos individuais de professores de instituições diversas. Tem por objetivo central a identificação, levantamento e análises de registros paroquiais da população brasileira em regiões pouco estudadas, em especial do Norte, Nordeste e Sul. A partir dos dados coletados no subprojeto “População e Família no Brasil Meridional, meados do século XVIII às primeiras décadas do XIX” (financiamento CNPq), que se referem à Freguesia N.S. da Madre de Deus de Porto Alegre, a comunicação apresentará o estágio atual de desenvolvimento do programa, bem como os desafios, dificuldades e soluções propostas. Nome: Antonio Otaviano Vieira Júnior E-mail: otaviano@ufpa.br Instituição: UFPA Título: Uma família de Familiares: a história de Familiares da inquisição no Ceará (sec. XVIII) As estratégias de poder adotadas por quatro irmãos, todos nascidos em Portugal, será abordada nesta apresentação. Eles pertenciam à família Pinto Martins, e em ações orquestradas baseadas no apoio mútuo, conseguiram burlar a origem pobre no norte de Portugal e criar no Ceará, Pernambuco e Rio Grande do Sul uma família de comerciantes e produtores de charque. Conseguiram entrar para o rol de homens com influência nessas capitanias e também pertencerem ao quadro dos Familiares do Santo Ofício. Entre comércio, casamento, migração, imigração, inquisição essa família construiu sua base de poder na América portuguesa do século XVIII. Nome: Cacilda da Silva Machado E-mail: cucamachado@uol.com.br Instituição: Universidade Federal do Rio de Janeiro Título: Os “livres de cor” nos registros paroquiais de Curitiba no século XVIII A região do Planalto de Curitiba começou a ser explorada por mineradores no século XVII, que ali formaram alguns núcleos populacionais, dentre eles a povoação de Nossa Senhora da Luz dos Pinhais (Curitiba), elevada à vila em 1693. Na medida em que se exauria o ouro, os moradores intensificaram a produção de alimentos, a criação de gado, e envolveram-se mais no tropeirismo, atividades que se vincularam à economia do Centro-sul, em função da demanda por alimentos nas Minas Gerais. Nesse processo, utilizaram amplamente a mão-de-obra ameríndia e mais tarde também o trabalho de escravos africanos e crioulos. No século XIX os administrados já eram raros e também a mão-de-obra escrava era relativamente escassa (em Curitiba, os cativos representavam apenas 18% da população total em 1804). Todavia ao longo do XVIII houve significativo incremento da população “livre de cor”, sendo que em 1804 ela já representa 76% da população livre. A idéia desta comunicação é acompanhar a trajetória de alguns indivíduos e famílias dessa população, nos registros de batismo, casamento e óbito do século XVIII, de modo a obter dados que possam contribuir para um maior conhecimento acerca do processo de formação e consolidação desse grupo social na região. Nome: Carlos de Almeida Prado Bacellar E-mail: cbacellar@usp.br Instituição: FFLCH/USP Título: População nas periferias da América portuguesa: o batismo de livres e escravos na vila de Itu, capitania de São Paulo, primeira metade do século XVIII A intenção é efetuar análises preliminares sobre a população livre e escrava da paróquia de Nossa Senhora da Candelária, da vila de Itu, através dos registros paroquiais de batismo. Iniciados em 1698, os assentos de batismo permitem observar a população ituana em um momento onde esteve voltada

para a atividade de apresamento indígena, anteriormente à introdução da lavoura açucareira. Além de analisarmos o comportamento do contingente humano livre, administrado e cativo, traçando, tendências e sazonalidades, observaremos com maior atenção os batismos de indígenas cativos, existentes à profusão, buscando melhor caracterizar o seu perfil, ainda hoje muito pouco conhecido em termos demográficos. Autora: Cristina Donza Cancela E-mail: donza@ufpa.br Instituição: UFPA Co-autor: Daniel Souza Barroso E-mail: b2rroso@hotmail.com Instituição: UFPA Título: A presença portuguesa em Belém: um olhar a partir do casamento (1891-1920) O período que compreende as últimas décadas do século XIX e início do século XX, está marcado pela intensa migração nacional e estrangeira, impulsionada pela economia da borracha na Amazônia. Dentre os imigrantes, destaca-se a expressiva presença portuguesa. A proposta desta comunicação é discutir o perfil do casamento de homens e mulheres portugueses que viveram, em Belém, neste período, destacando o número de casamentos envolvendo esses imigrantes, a idade ao casar, as atividades de trabalho por eles (as) exercidos e o lugar de origem. A partir deste perfil procuro abordar questões referentes à possível tendência na variação da faixa etária de casamento de acordo com o gênero, bem como, a existência de relacionamentos homogâmicos (ou não) em relação ao local de origem dos noivos (as). Deste modo, trabalharei com a intersecção entre migração e os marcadores sociais de gênero, geração e status social. A análise será feita tomando por base os registros de casamento coletados no Cartório Civil de Casamentos de Belém do fundo do Arquivo de Memória da Amazônia. Nome: Denize Terezinha Leal Freitas E-mail: denizehistoria@gmail.com Instituição: Unisinos Título: O matrimônio na freguesia Madre de Deus de Porto Alegre (1772 e 1806): o perfil demográfico da população livre a partir dos registros paroquiais O presente trabalho procura investigar a formação social porto-alegrense a partir da análise dos registros paroquiais de casamento do Livro 1 - Paróquia Nossa Senhora Mãe de Deus – Porto Alegre - 1772 a 1806. Tem como objetivo principal destacar o papel das relações matrimoniais na constituição populacional porto-alegrense durante o final do período colonial. Através da análise demográfica pretende-se identificar o perfil dos indivíduos que viveram e se casaram na região a partir do último quartel do século XVIII. Os principais referenciais teóricos metodológicos são os da Demografia Histórica, História da População e da Família. Este estudo busca dados sobre os matrimônios celebrados no período, analisando sua sazonalidade e as informações sobre os indivíduos que se casaram, como por exemplo, a naturalidade dos noivos, a legitimidade. Nome: Eliane Cristina Lopes Soares E-mail: elianesoares4@ig.com.br Instituição: UNIFAP Título: Na trilha dos testamentos e inventários marajoaras: família e relações de poder na Ilha de Marajó. Pará. Séc. XIX O estudo ora apresentado constitui-se em um fragmento da tese de doutorado, em andamento, versando sobre o compadrio e as relações de poder na ilha do Marajó. O trabalho tem como ênfase a escolha dos padrinhos e compadres como mecanismo de inserção e busca de mobilidade social, situação em que membros da elite marajoara buscaram alianças rituais com pessoas de grande prestígio, como o próprio imperador e também com as elites locais. Compadres e comadres buscavam reforçar essa busca de alianças verticais, delineando um perfil do compadrio característico, na referida ilha. Identificamos os homens que mais apadrinharam, seu perfil sócio-econômico, sua importância militar e política, dentre outras características dos compadres. Os inventários e testamentos marajoaras, utilizados através do cruzamento com os assentos de batismo, herança e constituição de riquezas, possibilitam uma visualização dos inventariados e testadores e suas relações com seus compadres. Nome: Elisgardênia de Oliveira Chaves E-mail: elis_gardenia@yahoo.com.br Instituição: UFC Título: População e família na freguesia de Limoeiro, no período de

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03 1870 à 1880, segundo os registros de casamentos, batismos e óbitos Na década de 1870, a configuração sócio-familiar da freguesia de Limoeiro caracterizava-se por um índice muito superior de livres em relação aos escravos, de pardos sobre brancos e destes sobre negros. A divisão por sexo se fazia por uma pequena maioria para os homens. Essa pluralidade social se fez sentir também na organização familiar, cujas formas excederam a noção ideal de matrimônio e variaram entre famílias nuclear, matrifocal e extensas. Os preceitos de ordem religiosa e econômica influenciaram nas escolhas ou recusas por determinados meses para a realização das nupcialidades, concepções, natalidades e batismos. Diante disso e das múltiplas possibilidades de análise que os registros paroquiais de casamentos, batismos e óbitos oferecem, ancorados na abordagem historiográfica da História Demográfica, buscamos compreender como se compunha a sociedade de Limoeiro e, sobre a ótica da organização familiar, como se caracterizava sua lógica na constituição de famílias seja, através do sacramento do matrimônio ou outras formas de uniões. Nome: Ipojucan Dias Campos E-mail: ipojucancampos@gmail.com Instituição: Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC / SP) Título: Ritos matrimoniais e solteirismo em Belém no início do século XX (1916 / 1940) A presente comunicação pretende discutir na cidade de Belém do início do século XX (1916 / 1940) como a Igreja Católica e a República compreendiam a celebração dos seus ritos matrimoniais e também as estratégias que estas Instituições recorrentemente utilizavam para convencer os pretendentes a cônjuges a se matrimoniarem conforme o que Elas compreendiam ser higiênico, legal e moral. Mas, “as margens” das exigências da República e da Igreja havia os que preferiram retardar a celebração das núpcias e mesmo o não-casamento, sendo que estas opções ocorriam basicamente em virtude de ter que cuidar de algum membro da família (no caso das mulheres) e de complicações financeiras (no caso dos homens). Entretanto, esta “decisão” era sensivelmente difícil, pois tanto a Igreja quanto o Estado pressionavam os homens e as mulheres à celebração do ato solene, pois pensavam as Instituições que existia um tempo “natural” ao casamento que passava pela dimensão da idade, da Nação e do fortalecimento da família brasileira. Nome: Ismael Antônio Vannini E-mail: ismael@unipar.br Instituição: UNIPAR- Universidade Paranaense Título: Considerações a respeito da sexualidade e dos crimes de sedução e defloramento na Região Colonial Italiana do Rio Grande do Sul e suas implicações na ordem familiar – 1938- 1958 O fenômeno histórico da imigração italiana para o sul do Brasil, assinalado a partir de 1875 e que se estendeu até a eclosão da I Guerra Mundial, trasladou uma importante massa de camponeses que se instalaram nas terras devolutas da serra gaúcha. Trazendo consigo a tradição agrícola e familiar a comunidade imigrante promoveu um acelerado processo de ocupação. A família se constituiu na célula principal na organização socioeconômica dos ítalo-gaúchos. Seguindo os moldes do catolicismo, o comportamento sexual rígido sempre foi encarado como um valor essencial na formação e manutenção do casamento e da família. O comportamento sexual desviante, além de combatido de forma veemente, sempre causou profundas conseqüências sócio morais para a família ítalo-gaúcha. O defloramento e a sedução das jovens donzelas representaram um dos maiores índices nos registros das delegacias da região. Como forma de rever a honra, as famílias recorriam aos dispositivos da justiça, enquadravam os sedutores que pela blandícia desvirginaram suas filhas. Fazendo uso de farta quantidade de inquéritos policiais, que tratavam dos crimes de sedução e defloramento, analisamos as diferentes implicações que estes delitos provocavam na família e no contexto social da comunidade ítalo-descendente. Nome: Jair de Souza Ramos E-mail: jair-ramos@ig.com.br Instituição: Universidade Federal Fluminense Título: A família como objeto da política de povoamento do solo nacional (1907-1914) O caso analisado nesta comunicação revela um projeto de ação no qual poder estatal e poder doméstico parecem se reforçar mutuamente. Abordo aqui um dos aspectos da política de Povoamento do Solo Nacional implementada pelo Governo federal no início do século XX, que são as práticas dirigidas à constituição de cadeias de autoridade através da apropriação das estruturas de auto-organização dos imigrantes e colonos, isto é, suas estruturas familiares. Estas práticas punham as famílias de imigrantes e colonos no centro do

empreendimento de atração de imigrantes e montagem de colônias e construíam uma figura específica de autoridade masculina: o chefe de família. Nome: Jane de Jesus Soares E-mail: j_j_soares@hotmail.com Instituição: UEFS Título: Mulheres: chefia de família, maternidade e conflitos na Sé do século XIX Em meados do século XIX, a freguesia da Sé encontrava-se em desintegração social, de moradia de elite passou a ser habitada por uma população pobre e mestiça, constituída de funcionários públicos, pequenos comerciantes e negros (livres e libertos e escravos) ganhadores. As famílias eram em maioria chefiadas por mulheres, num total de 221 famílias, 111 eram encabeçadas por mulheres, sendo 48 dessas com filhos. Esta pesquisa estudou esse arranjo familiar constituído por mulheres de cor, dando especial atenção a relação dessas mulheres com filhos, vizinhos, compadres, assim como, os conflitos e a forma de prover a família. Nome: Joel Nolasco Queiroz de Cerqueira e Silva E-mail: jnqcs9@yahoo.com.br Instituição: UFBA - Universidade Federal da Bahia Título: A Questão Braga: família, virgindade, honra e interesses socioeconômicos e raciais na Bahia da segunda metade do século XIX No contexto de (re)elaboração das representações de casamento e da instituição de novas práticas sociais um critério parece ter ganho força como regra de conduta feminina, na Bahia, durante a segunda metade do XIX . A virgindade passou a ser defendida não só pela Igreja Católica, mas, também, pela medicina, como sinônimo de honra, honestidade e moralidade, além de saúde física e mental, servindo como parâmetro para a escolha da conjugue e para os arranjos familiares, sobretudo, entre a elite econômica, branca e intelectual. Por esse motivo a Questão Braga, caso de devolução pós-nupcial, que envolveu a filha de um rico comerciante da Bahia e o lente de partos da FMB merece destaque. A documentação levantada, composta por um longo processo de divórcio e muitos debates acadêmicos e jornalísticos, evidencia a importância da virgindade como regra de conduta social, como, também, traz à tona as representações construídas sobre a família e o casamento, bem como os códigos sociais que as compõem. Questões de gênero, estratificação social e raça, são trazidas à frente do palco da história, pelos discursos de médicos, juristas, clérigos e demais letrados. Assim, analisarei os códigos sociais que regiam a estrutura familiar e os sistemas de alianças matrimoniais da Bahia nesse período. Nome: Jorge Rodrigo da Cunha E-mail: jorgeufsj@yahoo.com.br Instituição: Universidade Federal de São João Del Rei - UFSJ Título: Mulheres chefes de domicílios na vila mineira de São José Del Rei no início do século XIX O trabalho trata de questões da família mineira do século XIX, especialmente, no que diz respeito às mulheres chefes de domicílios - fenômeno presente tanto nas áreas rurais como nas urbanas do Brasil escravista - na vila de São José Del Rei, atual Tiradentes, região do Rio das Mortes. Precisamente, partimos da análise das listas nominativas 1830/31, inventários e testamentos, a fim de perceber as estratégias específicas de sobrevivência dessas mulheres em relação ao grupo social e à composição geral dos arranjos domésticos. Entendemos que a família foi a instituição que configurou as relações sociais e definiu as normas de conduta da sociedade brasileira, entre os séculos XVI e XIX. Nesse sentido, a família independentemente do sexo do chefe e não necessariamente fundada no sacramento religioso se constituía, além da base do sistema econômico, numa rede de relações sociais que ultrapassavam os limites dos laços consangüíneos, por exemplo, os laços de parentela, de vizinhança e de solidariedade. Nome: Jose Weyne de Freitas Sousa E-mail: jweyne@usp.br Instituição: Universidade de São Paulo Título: Política e Seca no Ceará A Relação entre política e seca no Ceará no século XIX ocorreu por intermédio do que denominamos de projeto Pompeu Sinimbú. Esse projeto resultou do debate e das disputas políticas em torno da importante questão das disparidades regionais entre as províncias do Norte e as províncias do Sul do Brasil, que se acentuaram na segunda metade do século XIX. O que denominamos de projeto Pompeu Sinimbú foi, na verdade, a proposta feita pelo senador Pompeu em 1860 de se aproveitar os momentos de secas para a realização de obras públicas por meio da exploração da mão de obra dispo-

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nível. Nas secas anteriores a 1877 eram criadas comissões de socorros para atender aos desvalidos, mas isso ocorria sem a contrapartida do trabalho proposta pelo senador. A partir da seca de 1877-79 isso mudou, pois se passou a utilizar os trabalhadores desvalidos na realização de obras públicas como açudes e estradas de ferro, com o objetivo de promover o desenvolvimento material da província cearense. Como pudemos observar posteriormente essa proposta se ampliou para as demais províncias do Norte atingidas pelas secas. No entanto, a consecução desse projeto trouxe malefícios à região porque se baseou na migração e no abandono dos domicílios por parte das famílias, fazendo surgir a figura do retirante. Nome: Leidejane Araújo Gomes E-mail: janearaujo7@yahoo.com.br Instituição: UECE Título: Casamento em recesso? O Jornal Correio da Semana e a sua luta contra o divórcio Nosso trabalho insere-se no que se convencionou denominar de estudos de gênero, tendo por objetivo perceber como a instituição do casamento e os papéis sexuais foram pensados e articulados em Sobral, especialmente pela Igreja Católica. Assim, contextualizaremos o casamento, o desquite e a família e de que maneira esses conceitos foram entendidos no tempo e no espaço, especificamente em Sobral, entre os anos 1962-1977. O Jornal Correio da Semana será o documento básico da nossa análise. O referido periódico é de propriedade da Diocese e está em atividade até os dias atuais, constituindo-se em importante instrumento de divulgação dos valores católicos na cidade. Eram comuns matérias tratando sobre fatos ocorridos em outros lugares e de como aquele acontecimento era positivo ou prejudicial à sociedade, portanto, o entendimento da Igreja sobre um dado assunto era representado como o que seria melhor para os sobralenses, na tentativa de uma moralização dos costumes. Observou-se que com a proximidade das votações da Lei do Divórcio, essas discussões ganharam maior espaço nas páginas do Jornal, constituindo-se em uma intensa campanha de defesa da família conjugal e indissolúvel. Nome: Letícia B. Silveira Guterres E-mail: leguterres@yahoo.com.br Instituição: PUC-RS Título: Nos caminhos do compadrio: família escrava e livre na Depressão Central, século XIX Esta comunicação objetiva expor o projeto de pesquisa que vem sendo desenvolvida no Curso de Pós Graduação em História, da Universidade Federal do Rio de Janeiro. O estudo versa sobre os laços familiares, afetivos e políticos, que uniam, conformavam e significavam as famílias escravas e livres, em suas inter-relações, emergentes das redes de compadrio, no Rio Grande do Sul, na região da Depressão Central, em meados do século XIX. Tentar refletir em que medida o compadrio podia funcionar como fortalecedor dos laços que uniam as famílias de cativos às de seus senhores ou de como o apadrinhamento de escravos (suas escolhas) pode identificar a existência de uma teia de relações ligando escravos e homens livres na região são algumas das problemáticas que envolvem esta pesquisa e que busca, em última instância, contribuir com a historiografia atenta para o vislumbre de grupos familiares heterogêneos, irregulares e de universo desconhecido. Nome: Lívia Nascimento Monteiro E-mail: lnascimentomonteiro@gmail.com Instituição: Universidade Federal do Rio de Janeiro Título: O ‘bom governo’ na Câmara de São João del Rei: dinâmicas de poder, famílias e distinção social em Minas Colonial (1730-1760) O objetivo central dessa comunicação é apresentar as dinâmicas de poder ocorridas na Câmara de São João Del Rei entre os anos de 1730 a 1760. Para tanto, além de levantarmos a composição desse órgão tão fundamental para a monarquia portuguesa em todos seus domínios e no próprio reino, apresentaremos as principais famílias que dominaram essa instituição e que exerceram funções essenciais para a realização do ‘bom governo’ em Minas colonial. Com a leitura de todos os Acórdãos firmados pelos camaristas e suas parentelas no período recortado, conseguimos ‘reconstruir’ todos os assuntos discutidos por tais e assim percebemos os problemas e cotidiano administrativo da Vila. Desse modo, cuidar do abastecimento da região e da Justiça local legaram para essas famílias responsáveis por garantir o ‘bem comum dos povos’, muitos privilégios e distinções sociais, como o exercício do mando, características típicas de uma sociedade com valores do Antigo Regime português, nos trópicos. Nome: Maria Aparecida de Menezes Borrego

E-mail: maborrego@terra.com.br Instituição: Museu Paulista - USP Título: Laços familiares no universo mercantil da cidade de São Paulo (sec. XVIII-XIX) No alvorecer do século XVIII, vários agentes comerciais portugueses atuantes em solo piratininga contraíram núpcias com mulheres da elite paulistana, com vistas a maiores possibilidades de projeção social. Para as gerações seguintes, outras estratégias foram usadas. Em muitos casos, filhas e netas desposaram mercadores oriundos do reino, favorecendo a transmissão da atividade mercantil aos genros e não aos herdeiros varões, preferencialmente, encaminhados à vida sacerdotal, aos estudos em Coimbra ou às famílias naturais da terra. Com o passar dos anos, em função da nova realidade político-administrativa e econômica vivenciada pela capitania, em especial a partir de fins dos setecentos, ainda que condutas familiares e mercantis fossem modificadas, houve o aprofundamento dos vínculos parentais entre grupos que se entrelaçavam há várias décadas. O objetivo desta comunicação é acompanhar as trajetórias de membros de três destas famílias unidas por casamentos endogâmicos, que se constituíram e, em grande parte, permaneceram na cidade de São Paulo ao longo dos séculos XVIII e XIX, dentre os quais, alguns renomados personagens da história paulista em razão dos negócios praticados, das fortunas amealhadas, da participação na vida política da colônia e, posteriormente, do império. Nome: Maria da Glória Guimarães Correia E-mail: mariagcorreia@ig.com.br Instituição: Universidade Federal do Maranhão Título: Degredadas filhas de Eva: mulheres no Maranhão do século XVIII Desde os primeiros tempos de sua história, nas praias do Maranhão aportaram não poucas mulheres que os descaminhos da vida haviam feito enfrentar as ondas “inospitaleiras dos mareantes, madrastas dos navios” rumo a uma terra desconhecida, em situação de degredo. Pagando por erros que eram seus, mas também cumprindo pena por crimes que não haviam cometido, e tal como haviam nascido, algumas foram sós para o degredo, outras tantas levadas por seus pais, no mais das vezes, porém, acompanhando maridos condenados a pena de desterro. Terra da promissão, o Maranhão pode ter sido pelo menos para aquela donzela que, na companhia da mãe degredada, saltou para terra firme desgrenhada e maltrapilha, e foi metida no recolhimento para ter sua honra preservada, de acordo com o testemunho de uma autoridade elogiando a medida, mas como vale de lágrimas é provável que tenha se configurado para aquela mulher que, para escapar às sevícias que lhe infligia seu marido, teve que pedir divórcio em terra estranha e longe dos seus. Ou teria se dado o contrário? Esta comunicação pretende reconstituir e analisar experiências femininas, acompanhando os pedaços de história deixados por algumas mulheres que viveram no Maranhão em fins do século XVIII. Nome: Maria Luiza Andreazza E-mail: andreazza@gmail.com Instituição: Universidade Federal do Paraná Título: Alguns apontamentos a propósito das mulheres nas redes familiares das populações radicadas na porção Sul da Capitania de São Paulo nos tempos de Dom João V, Dom José e Dona Maria Em largos traços, sabe-se que nas famílias do Antigo Regime prevaleceu o paradigma patriarcal. Todavia, é importante considerar que o comportamento social, quando acompanhado de perto, caso a caso, mostra-se irregular e contraditório. Ele nem sempre se escora no modelo em que se presume inserida a ação social; ao contrário, mostra-se inesperado e inusitado. Com base nessas premissas, a comunicação de pesquisa que está sendo proposta, destina-se a apresentar o resultado de algumas reconstituições genealógicas e pequenas histórias de vida de mulheres setecentistas para verificar se e como elas negociaram suas posições no interior de suas famílias, num universo social que lhes era desfavorável. À medida que a diversidade do viver feminino impede qualquer abordagem que busque generalizações, a análise focaliza, no espaço/tempo em questão, apenas um segmento de mulheres setecentistas: aquelas a quem, por sua ascendência e condição, era atribuído o tratamento de ‘donas’. Nome: Maria Silvia Casagrande Beozzo Bassanezi E-mail: msilvia@nepo.unicamp.br Instituição: NEPO/UNICAMP Título: Pessoas em movimento: as relações sociais estabelecidas através do casamento e do compadrio entre imigrantes estrangeiros e seus descendentes

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03 Estudos têm mostrado que a migração é um processo criador de redes sociais, porque envolve uma grande teia de relacionamentos que são interconectados e que se apóiam, sobretudo, no parentesco, amizade e origem comum, que são reforçados pela interação regular em associações voluntárias. Partindo desta constatação, este trabalho focaliza o imigrante estrangeiro e seus descendentes na fazenda de café paulista no final do século XIX e primeiras décadas do século XX. De modo especial, procura mostrar como os imigrantes reforçavam suas relações sociais, na terra de adoção, através do casamento e do compadrio. Como se davam as escolhas matrimoniais e dos padrinhos no interior da fazenda cafeeira, onde também jogavam papel importante a organização do trabalho e do espaço e a intensa mobilidade espacial que caracterizou o período. Nome: Mariana de Aguiar Ferreira Muaze E-mail: mamuaze@click21.com.br Instituição: Fundação Getúlio Vargas Título: Construindo imagens da família O presente trabalho discute o tema da família no Império através do viés metodológico da microhistória e da análise da documentação íntima a qual pertenceu à família Ribeiro de Avellar, rica proprietária de terras, cafezais e escravos em Paty do Alferes, vale do Paraíba fluminense. Perseguindo as histórias individuais e coletivas ao longo de quase um século, foi possível refletir sobre o conceito de família, as estratégias individuais de manutenção do patrimônio, as relações intra e extrafamiliares de frações da classe senhorial e a formação de um habitus de grupo legitimado como mais um elemento de diferenciação social. Para tanto, foi utilizada uma metodologia de trabalho que privilegiou os álbuns de família, fotografias avulsas e outros documentos do arquivo privado do núcleo familiar em questão. Nome: Milton Stanczyk Filho E-mail: miltinhostan@onda.com.br Instituição: Universidade Estadual do Centro-Oeste - UNICENTRO Título: Os afortunados e seus mecanismos de acumulação de cabedal simbólico e material. Curitiba (1695-1805) Uma das principais metas que as famílias almejavam durante o Antigo Regime português era a distinção. Mesmo nas mais longínquas localidades da América lusa, não se pouparam esforços para alçar ou para manter posições dentro da sociedade a fim de gozar de prestígio e, desta forma, distinguir-se socialmente. A nobilitação era um ideal disseminado, e, no novo mundo, havia brechas para alçá-la. Neste intuito, muito dos homens que se radicaram nos sertões de Curitiba desenvolveram estratégias com vistas a conquistar sua própria distinção. Esta comunicação lança um olhar sobre os caminhos mais recorrentes utilizados para obter privilégios entre indivíduos, com enfoque naqueles que amealharam bens nos sertões curitibanos, atento que, muitas vezes, pobreza e prestígio caminhavam lado a lado. Dado o conjunto documental de testamentos, inventários e auto de contas, somado a um cruzamento nominativo de habitantes disponíveis, foram analisadas as atividades que alguns indivíduos tiveram durante a vida – tendo em vista seu patrimônio – e em quais garantias se apoiavam para adquirir um determinado cabedal, seja ele simbólico ou material. Nome: Muirakytan K. de Macedo E-mail: muirakytan@uol.com.br Instituição: Universidade Federal do Rio Grande do Norte Título: Áridos cabedais: família, patrimônio e cotidiano na ribeira do Seridó colonial Apresentamos uma história da família nos sertões da pecuária da ribeira do Seridó, região colonial entre as capitanias do Rio Grande do Norte e Paraíba. A problematização que escolhemos para enfocar o tema foi percebermos a constituição dos arranjos familiares através da relação entre o patrimônio (cabedal) e o cotidiano. Vasos comunicantes que possibilitam a compreensão de uma sociedade que se formulou nas franjas do Antigo Sistema Colonial, mas se articulando a ele. Sendo assim, estudamos como as famílias coloniais viveram e sobreviveram no semi-árido da América portuguesa do século XVIII. Estudar a família nestes espaços não hegemônicos do período colonial ainda é uma tarefa muito nova, posto que a ênfase historiográfica, comumente, era dada à zona açucareira próxima ao litoral pernambucano e baiano. Assim, desenvolvemos uma perspectiva que enfatiza os usos da cultura material na constituição das famílias que viviam do pastoreio nas caatingas seridoenses, através de cartas de sesmarias, inventários, testamentos, registros de nascimento, casamento e óbitos. Nome: Oswaldo Mario Serra Truzzi E-mail: truzzi@ufscar.br

Instituição: UFSCar Título: O tempo da política: estratégias familiares e conjunturas oportunas para a entrada de imigrantes e descendentes na política local no interior paulista, 1920-1950 Procuramos investigar estratégias familiares associadas a uma camada social específica- imigrantes e seus descendentes - em uma determinada estrutura social – o oeste paulista. Desde o final do século XIX, a região floresceu capitaneada pelas oligarquias agrárias cafeeiras que dominavam em cada município, a política local. A partir de 1930, ocorrem alterações significativas, decorrentes da ampla crise da agricultura, favorecendo a ascensão política de outros estratos não diretamente ligados ao latifúndio cafeeiro. Entre estes, ressalte-se o fortalecimento das Associações Comerciais e dos sindicatos locais, onde passam a militar indivíduos de origem imigrante, que haviam se fixado nas cidades, ora como industriais e comerciantes, ora como operários e empregados. A renovação política foi também favorecida por mudanças institucionais promovidas por Vargas, empenhado em ampliar e diversificar as lideranças locais. A nova ordem precisava de elementos titulados para atuar na administração pública que então se adensava. Nosso interesse é investigar as estratégias familiares que os imigrantes e seus descendentes teceram, no intuito de adentrar o campo da política local, entre os anos de 1920 e 1950, utilizando-se exemplos colhidos em municípios de porte médio do interior paulista. Nome: Patrícia Abreu dos Santos E-mail: patriciaabreuicm@hotmail.com Instituição: UNIT Título: Relações familiares entre escravos em Aracaju no século XIX (1855 – 1888) Através de pesquisas percebemos que a constituição da família era um objetivo a ser alcançado pelos escravos e escravas.Para conseguir tal intuito, em algumas situações vários métodos foram utilizados na conquista dessa família. Ainda há poucos estudos sobre a escravidão em Sergipe, sobretudo os que trabalham com a vida familiar escrava. O objetivo é analisar as relações familiares dos escravos em Aracaju, no período de 1855-1888. Queremos compreender quais eram as formas desenvolvidas por esses, para manter os laços familiares, quais as barreiras encontradas para a constituição e manutenção dessas famílias e como esses laços familiares contribuíram para a conquista da liberdade. Para isso, utilizaremos inventários, lista para o fundo de emancipação. A metodologia utilizada é o método de codificação. Entretanto, analisamos as relações familiares dos escravos na forma considerada legitima (sob a benção da Igreja Católica), as relações consensuais e/ou matrifocais e suas estruturas. Portanto, essa pesquisa pretende contribuir para a compreensão da escravidão urbana na Província sergipana, e das relações familiares entre escravos. Nome: Paula Chaves Teixeira E-mail: paulinhact@yahoo.com.br Instituição: Universidade Federal Fluminense Título: Articulações mercantis: o papel da família no comércio entre Minas Gerais e a Corte (c.1790-1880) No Brasil colonial e imperial, a família se apresentou como principal eixo organizador das relações sociais, econômicas e políticas. A família na base de sustentação e identificação dos sujeitos históricos foi, com sua capacidade de criar vínculos e redes de clientelas, elemento importante na construção e consolidação das redes de negócios. Essa comunicação ressalta o papel da família como meio de inserção de comerciantes nas redes de negócios e em praças mercantis distantes, pois foi a partir dos laços de parentesco e amizade que novos membros eram apresentados e creditados aos antigos e iniciados no comércio. A partir do caso de Gervásio Pereira Alvim, fazendeiro e comerciante mineiro, estudamos o processo de formação e dinâmica de uma rede mercantil entre a comarca do Rio das Mortes, província de Minas Gerais, e a Corte no século XIX. Neste comércio, sobretudo entre Gervásio e sua rede, pesou muito o contato freqüente e as relações pessoais cuidadosamente tecidas pelos familiares na comarca do Rio das Mortes nos anos finais do setecentos. Para tanto, recorremos à documentação particular de Gervásio Pereira Alvim que aliada a outras fontes nos possibilitou a reconstrução pontual da rede de comércio. Nome: Reinaldo Forte Carvalho E-mail: reinaldoforte@yahoo.com.br Instituição: Universidade Regional do Cariri-URCA Título: Elites, poder e fortuna: família e sociedade no Ceará no século XIX (1850-1890) A pesquisa intitulada “Elites, família e fortuna: poder e sociedade no Ceará

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no século XIX (1850-1890)”, pretende reconstruir a história das famílias aristocráticas dentro do contexto social na província do Ceará partindo da reconstituição das conjunturas locais e regionais nas décadas que antecederam a Abolição. Nossa intenção é compreender como as famílias aristocráticas foram se constituindo no “fazer-se” das elites dentro da organização da província do Ceará na segunda metade do século XIX. A análise de fontes da documentação governamental como os Relatórios dos Presidentes de Província, os Anais da Câmara dos Deputados e a legislação provincial são fundamentais na compreensão do panorama político e econômico como elemento de controle social nas relações das famílias aristocráticas na província do Ceará no século XIX. A documentação cartorial composta de inventários é importante na composição de dados sobre a composição social das famílias nobres no Ceará. Nome: Renato Pinto Venâncio E-mail: renvenancio@hotmail.com Instituição: Universidade Federal de Ouro Preto Título: Ditos do Reino: patriarcalismo e reciprocidade nos adágios portugueses dos séculos XVII e XVIII Ao longo dos séculos XVI e XVII, fazendas açucareiras se espalharam em faixas litorâneas entre Pernambuco e Rio de Janeiro. Nessas áreas, firma-se um modelo de família baseado no patriarcalismo, ou seja, na autoridade inquestionável do homem sobre a mulher, filhos, escravos e dependentes No litoral não ocupado pela cana-de-açúcar ou nas clareiras das matas, também se observam o surgimento de uma população que não era constituída nem por senhores nem por escravos; e que, dependendo da região, recebia denominações distintas, como roceiros, caipiras, caiçaras, farinheiros, mandioqueiros, etc. Um desafio à imaginação dos historiadores tem sido o de como caracterizar a vida familiar desses últimos segmentos. Seria ela patriarcal como ocorria nas casas-grandes das fazendas açucareiras? O homem dominaria implacavelmente sobre o restante da família ou haveria outras relações de maior proximidade social e reciprocidade? Em nossa pesquisa, utilizamos os adágios portugueses dos séculos XVII e XVIII para analisar essa questão. Nome: Ricardo Schmachtenberg E-mail: cado.rs@ibest.com.br Instituição: UNISINOS Título: Cultura política, câmara municipal e os juízes almotacés de Rio Pardo (1811-1830) Este trabalho tem por objetivo fazer uma análise do direito de almotaçaria na cidade de Rio Pardo – RS no período de 1811 – 1830, bem como analisar a formação de alianças ou redes – sejam elas matrimoniais, familiares ou outras – que se constituíram na Câmara Municipal para eleição dos juízes almotacés uma vez que os mesmos eram eleitos pela referida Câmara. Além disto, este trabalho também tem por objetivo analisar quem foram esses juízes, quais as alianças que se formaram em torno desses juízes, se faziam ou não parte da elite local e, se a eleição para o referido cargo não se transformou numa via de acesso aos cargos camarários. Nome: Rogério da Palma E-mail: rog.cs@hotmail.com Instituição: Universidade Federal de São Carlos Título: Família e mercado de trabalho: italianos e negros no contexto dos latifúndios cafeeiros de São Carlos (1907) O declínio da escravatura e a elaboração de uma política imigratória trouxeram grandes conseqüências para o perfil demográfico das lavouras cafeeiras paulistas em fins do século XIX. Dentro do debate historiográfico sobre a constituição do mercado de trabalho livre nesse contexto, muito se fala de uma segregação ocupacional entre, por um lado, trabalhadores estrangeiros e, por outro, negros libertos ou seus descendentes. Enquanto os primeiros eram encarregados da principal atividade, a ocupação de colono, os últimos estariam relegados às ocupações subsidiárias e sazonais. Devido ao colonato haver se processado como um regime calcado no trabalho familiar, alguns estudos apontam como umas das causas dessa segregação possíveis diferenças na constituição familiar entre esses grupos. A presente apresentação, por sua vez, pretende expor um levantamento comparativo sobre a configuração familiar de italianos, principal nacionalidade entre os imigrantes, e brasileiros negros que compunham a mão-de-obra das principais fazendas de São Carlos, um dos centros da economia cafeeira do Oeste paulista. Realizada mediante a consulta ao recenseamento municipal de 1907, tal pesquisa proporciona uma visualização do peso das configurações familiares na formatação do mercado de trabalho aqui tratado.

Nome: Sara Simas E-mail: sara.simas@hotmail.com Instituição: UDESC Título: Famílias com chefia feminina na contemporaneidade: fragmentos do cotidiano em Joinville/SC (1997-2009) Frente às discussões de várias áreas de conhecimento sobre a temática Família, sobretudo na contemporaneidade, esse trabalho visa focalizar as relações familiares no tempo presente sob o olhar da história. Trata-se de uma pesquisa de mestrado em desenvolvimento e que evidencia as famílias com chefia feminina, principalmente as relações dessas famílias com a assistência social na cidade de Joinville/SC, entre as décadas de 1990 e 2000. Além disso, esse trabalho visa discutir as relações de gênero e as experiências das mulheres chefes de família de grupos populares da cidade, bem como os diferentes arranjos familiares em que se encontram e suas relações de parentesco e redes de solidariedade com amigos e vizinhos. Nome: Sheyla Farias Silva E-mail: sheylafarias@yahoo.com.br Instituição: UFBA/UNIT Título: Casamento na norma: a busca por uniões sacramentadas em Sergipe Oitocentista Essa pesquisa tem por objetivo analisar, através dos filtros da documentação - pedidos de dispensa dos impedimentos matrimoniais e assentos de casamentos guardados no Arquivo da Cúria de Salvador e Arquivo da Diocese de Nossa Senhora da Guadalupe – as dificuldades enfrentadas pelos nubentes sergipanos para terem acesso ao casamento sacramentado. Desse modo, investigaremos quais as principais alegações utilizadas pela Igreja para a formulação de impedimentos matrimoniais, bem como quem eram os nubentes e quais as suas justificativas para solicitarem dispensas do impedimento junto ao Tribunal Eclesiástico da Bahia, a fim de terem suas uniões sacramentadas pela Igreja. Valendo-se de M. de Certeau, coligiremos a documentação pesquisada com a legislação eclesiástica da época, a fim de refletirmos sobre os hábitos cotidianos dessa população oitocentista, que mesmo frente à possibilidade do concubinato optaram por luta pelo direito ao sacramento. Atentaremos para os discursos concernentes a honra, casamento, concubinato e amor. Nome: Silmei de Sant’Ana Petiz E-mail: silmeipetiz@terra.com.br Instituição: UFRGS Título: Caminhos cruzados: senhores e escravos da Fronteira Oeste do Rio Grande, 1750-1835 Na presente comunicação pretendo apresentar uma parte da pesquisa que desenvolvo sobre as famílias escravas da capitania- depois província-, do Rio Grande de São Pedro, entre 1750 e 1835, período de pleno funcionamento do tráfico atlântico. Procuro demonstrar que diferentemente do que foi enfatizado pela historiografia tradicional, o escravo não apenas foi bastante representativo nesta região de economia interna, voltada para agropecuária, como também teve acesso a relações sociais estáveis. Para desenvolver essas idéias fundamento o presente trabalho numa associação entre análise estatística e estudos de caso que visam ampliar a capacidade de deduzir estabilidade nas relações entre cativos, ultrapassando a simples defesa da contínua presença dessas relações parentais, através da análise de gerações de cativeiro, ou seja, do estudo sobre como se comportavam determinadas famílias no interior de propriedades locais. Nome: Silvana Alves de Godoy E-mail: silgodoy@superig.com.br Instituição: UNICAMP Título: Uma trajetória: a família Fernandes e o povoamento do Planalto Paulista Este trabalho analisa a trajetória de membros da família Fernandes, habitantes da capitania paulista, entre os finais do século XVI e meados do século XVII. Descendentes dos primeiros colonos do planalto paulista, os Fernandes, além de dominarem os negócios de trigo na vila de Santana do Parnaíba, foram fundadores das vilas de Itu e Sorocaba. Assim, por meio de inventários, testamentos e contratos de dotes de membros desta família, é possível analisar aspectos mais gerais daquela sociedade: a ocupação do planalto, as estratégias de apresamento e a importância da mão de obra indígena para a economia paulista seiscentista, o relacionamento entre senhores e índios. Neste sentido, a trajetória da família Fernandes demonstra as estratégias de formação e consolidação de uma elite local.

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04 04. Ciências biomédicas e saúde em perspectiva histórica Dominichi Miranda de Sá - Casa de Oswaldo Cruz/Fiocruz (dominichi@coc.fiocruz.br) Marta de Almeida - MAST/MCT (marta@mast.br) O simpósio “Ciências Biomédicas e Saúde em Perspectiva Histórica” faz parte da programação geral do Grupo de Estudos de História da Ciência e da Tecnologia (GEHCT/ANPUH), e pretende estimular o debate entre os pesquisadores dedicados a temas vinculados às ciências biomédicas, à saúde e às doenças e à sua abordagem como objetos da história social, política, econômica, cultural e intelectual, com destaque para os seguintes eixos de reflexão: 1) A importância da ‘saúde’ e da ‘doença’ como recursos analíticos para a compreensão de temas como: a construção do Estado-Nação, ‘civilização’, modernização e desenvolvimento; relações internacionais, intercâmbios e circulação de idéias e trocas intelectuais por meio de congressos, sociedades, academias e periódicos; movimentos nacionalistas; processos de expansão da autoridade pública; respostas locais/nacionais a políticas internacionais; profissionalização de carreiras e institucionalização de disciplinas; debates éticos em pesquisas científicas; diferentes concepções de natureza, raça e integração de populações e grupos sociais; práticas, agentes, artes de curar e outras medicinas. 2) Os desafios colocados ao historiador diante da multiplicidade de agentes e instituições que interagem na rede de interesses, resistências, transformações, recepções e negociações que configuram a medicina e a saúde, havendo a necessidade de se ampliar a noção de fontes para este campo de pesquisa. 3) O diálogo transdisciplinar suscitado pelas novas abordagens em história das ciências na história da medicina, saúde, doenças e vice-versa; os impasses e convergências teórico-metodológicas desta proximidade e as novas perspectivas em andamento para a área.

Resumos das comunicações Nome: Ana Luce Girão Soares de Lima E-mail: analuce@coc.fiocruz.br Instituição: Fundação Oswaldo Cruz Título: Construindo tradições de pesquisa: Carlos Chagas Filho e o Instituto de Biofísica Criado por Carlos Chagas Filho em 1945, a partir do Laboratório de Física Biológica da Faculdade de Medicina da Universidade do Brasil, o Instituto de Biofísica teve um papel de destaque nas transformações do campo científico-acadêmico brasileiro, iniciadas após a década de 1930. O histórico de sua criação reflete crescente valorização da ciência, dos cientistas e das instituições científicas no Brasil em suas relações com o Estado e a Sociedade. A institucionalização da biofísica no Brasil foi uma novidade na qual a produção do conhecimento era tão valorizada quanto a reprodução deste campo científico. Dadas as suas características inovadoras, a manipulação das instâncias de legitimação científica por parte de Chagas Filho identifica-se com o processo de “automodelação” de sua trajetória científica, ou seja, a imposição de novos critérios de credibilidade e de validação da atividade científica baseados na singularidade, sua própria experiência e na sua capacidade de acionar recursos não apenas oriundos do campo científico, mas a partir de seu capital social. Esta pesquisa pretende articular a história do Instituto de Biofísica e a trajetória profissional de Carlos Chagas Filho para investigar a profissionalização da ciência no Brasil na segunda metade do séc. XX. Nome: André Vasques Vital E-mail: vasques_hist@yahoo.com.br Instituição: Casa de Oswaldo Cruz/ Fiocruz Título: Serviço sanitário e profilaxia contra a malária na Comissão Rondon: medicina tropical e militar na Era Tanajura Durante os anos de atuação da Comissão Construtora de Linhas Telegráficas de Mato Grosso ao Amazonas, mais conhecido como Comissão Rondon (19071915) a preocupação recorrente se concentrou no problema que as doenças representavam não só ao desenvolvimento do interior como também no andamento dos serviços executados. Notam-se nos relatórios produzidos pela mesma os prejuízos em especial causados pela malária, que em vários momentos foi responsável pela paralisação dos trabalhos e perda de vidas, antes mesmo da linha telegráfica adentrar a região amazônica em 1909. O presente estudo busca recuperar a atuação do oficial médico e higienista Joaquim Augusto Tanajura, chefe do serviço sanitário da Comissão entre os anos de 1909 e 1915, analisando através da mesma as relações entre medicina tropical e militar no contexto de início do século XX. A trajetória do Dr Tanajura foi marcada pelo grande surto

de malária de 1909-1910 e o trabalho de observação e interpretação do mal na região, sendo de sua autoria as instruções para o serviço sanitário e combate à malária, que foram seguidas pelos demais oficiais e médicos até o término das construções da linha telegráfica. Seu legado, porém, vai para além dos anos de Comissão já que continuará atuando nos povoados do Alto Madeira. Nome: Andrezza Christina Ferreira Rodrigues E-mail: andrezza_christi@hotmail.com Instituição: Pontifícia Universidade Católica de São Paulo Título: Objetos de cura, objetos de tortura: a medicina entre o compromisso de alívio e as fontes da dor O presente trabalho visa elucidar algumas das questões historicamente constituídas no campo dos saberes médicos no desenrolar do século XX. A preocupação com o combate à doença e seus males nos parece algo inerente à ética médica, no entanto, no que tange à dor do paciente durante o processo de cura é algo ainda polêmico. Se a dor, enquanto sintoma pode dizer muito a respeito do quadro patológico desenvolvido pelo doente, esta também pode abrir espaço para discutirmos os meios de curar; os objetos de cura médicos oscilam entre o alívio da dor e a instauração de outras dores típicas do processo curativo. O foco dessa discussão, portanto, situa-se no momento onde as ciências médicas evoluem de uma fase experimental do processo de alívio da dor a uma fase comprometida com a manutenção da vida humana. Nome: Antonia Valtéria Melo Alvarenga E-mail: valteria@bol.com.br Instituição: UESPI/UEMA Título: Elaborações de vidas: marcas identitárias dos moradores do leprosário Colônia do Carpina - PI O texto reflete sobre as memórias produzidas pelos moradores do leprosário Colônia do Carpina, localizada em Parnaíba (PI), a respeito de suas experiências naquela instituição. Vitimas da indiferença das elites e de políticas públicas que não tratavam a saúde como questão de Estado, os doentes do mal de hansen representaram no Piauí, e de forma geral no Brasil da primeira metade do século XX, uma expressão do descaso a que são submetidos aqueles que constituem a parte economicamente menos favorecida da população brasileira. Desse modo, a partir de depoimentos de moradores do antigo leprosário, procurou-se analisar como as lembranças da experiência trágica do asilamento atuam na construção de identidades que se manifestam como resistência às novas políticas de Estado e às decisões sociais que afetam a vida desse grupo.

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Nome: Arthur Torres Caser E-mail: arthurifcs@ig.com.br Instituição: COC - FIOCRUZ Título: O medo do sertão como problema médico: a criação do serviço sanitário da Comissão Rondon De 1907 a 1915 um grupo formado por engenheiros militares, médicos militares, cientistas, membros da Repartição Geral dos Telégrafos, praças e trabalhadores contratados percorreu grandes áreas do noroeste brasileiro, nos atuais estados de Mato Grosso, Rondônia e Amazonas. Estes homens formavam a Comissão Construtora de Linhas Telegráficas de Mato Grosso ao Amazonas (CLTEMA) que tinha como meta, além da construção de linhas e estações telegráficas, a integração daquela parcela do território pátrio ao restante da nação, um projeto no qual a agricultura e a tecnologia (representada pelo telégrafo) deveriam ser as protagonistas. Nesse trabalho, procurarei mostrar como as imagens de mistério e medo que acompanhavam os “sertões do noroeste” transformaram-se num problema médico no decorrer dos trabalhos da Comissão, tendo em vista o grande número de casos de adoecimento - causados especialmente pela malária - entre os expedicionários. Examinarei, nesse sentido, a criação do serviço sanitário da CLTEMA, que representou o reconhecimento das doenças como um grande obstáculo tanto à execução dos trabalhos da Comissão quanto à ocupação da região, procurando destacar as principais medidas postas em prática por este serviço com o fito de tornar viável a empreitada liderada por Cândido Rondon. Nome: Carolina Arouca Gomes de Brito E-mail: carolarouca@gmail.com Instituição: FIOCRUZ Título: A repercussão da Comissão Rondon nos estados do Mato Grosso e do Amazonas (1907-1915) A Comissão de Linhas Telegráficas Estratégicas do Mato Grosso ao Amazonas fora, de acordo com as pesquisas contemporâneas sobre o tema, a mais ambiciosa e complexa expedição patrocinada pelo governo da Primeira República Brasileira. Apesar de amplamente discutida e analisada pela historiografia, este tema ainda possui lacunas. Com o objetivo de preencher uma dessas lacunas, proponho este trabalho, uma análise sobre o impacto do ‘projeto modernizador’, encarnado pela Comissão Rondon, nas regiões do Mato Grosso e do Amazonas e a mobilização das elites locais para a participação na formulação de políticas de exploração e proteção dos recursos naturais. Faço essa análise por meio da pesquisa em periódicos do Mato Grosso e do Amazonas no período em que a Comissão percorreu tais estados (1907-1915). Pretende-se, a partir dessas fontes, acompanhar os debates intelectuais dos quais foram instrumentos. Nome: Christiane Maria Cruz de Souza E-mail: christianecruz@hotmail.com Instituição: COC/FIOCRUZ-RJ Título: A assistência à saúde na Bahia da Primeira República: limites entre o público e o privado Essa comunicação objetiva analisar o processo de formação de uma rede de assistência à saúde na Bahia da Primeira República. Interessa-nos discutir o projeto das elites baianas, a resposta do Estado ao que estava disposto na Constituição de 1891, assim como os espaços ocupados pela filantropia e pelas associações de assistência mútua, enfatizando o caráter permeável entre o público e do privado. Esse trabalho é fruto de reflexões iniciadas durante a elaboração da nossa tese de doutorado – A gripe espanhola na Bahia: saúde, política e medicina em tempos de epidemia –, defendida em 2007, na Casa de Oswaldo Cruz (FIOCRUZ-RJ). A análise inicial foi enriquecida pelas informações obtidas através do projeto de pesquisa – Patrimônio cultural da saúde na Bahia: 150 anos de história – realizado pela Casa de Oswaldo Cruz (FIOCRUZ-RJ), em parceria com o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Bahia (antigo CEFET-BA), cujo objetivo é estudar o acervo arquitetônico, histórico e iconográfico das instituições de saúde de Salvador, Bahia, fundadas entre 1808 e 1958. Nome: Cidinalva Silva Câmara E-mail: cidinalvasilva@yahoo.com.br Instituição: Universidade Federal do Maranhão Título: Medicina e poder: a trajetória de Aquilles Lisboa e a questão da lepra no Maranhão Estudos sobre a história da saúde e da doença no Brasil apontam as intervenções realizadas no âmbito da saúde pública como um fator de suma importância na extensão do controle do Estado brasileiro sobre o território nacional durante a primeira metade do século XX. A coletivização da saúde levou à nacionalização de políticas de controle sanitário e publicização dessas políticas; retirando as questões de saúde/doença da esfera individual e elevando-as à esfera coletiva. Nesse contexto a lepra fora identificada como um misterioso inimigo que avançava silenciosamente pelo país, corrompendo suas forças. A medicina apresentava, então, um arsenal de recursos normalizadores visíveis em discursos racionaliza-

dos, construindo um projeto de medicalização da sociedade brasileira em que o saber médico garantia a agentes e instituições o poder de nomear e classificar as doenças, suas formas de contágio e cura. Realizando uma variação do trabalho dissertativo, pretendo nesta comunicação discutir as intersecções desse processo através da trajetória de seu principal agente promotor no Maranhão: o leprólogo Achilles Lisboa. Nome: Cleide de Lima Chaves E-mail: keuchaves@hotmail.com Instituição: UFBA Título: As Conferências Sanitárias Internacionais do século XIX: o lugar da América do Sul O presente trabalho busca analisar a presença de países da América do Sul na discussão acerca dos problemas sanitários que atingiram os países durante o século XIX. O movimento de cooperação sanitária internacional surgiu da necessidade de controlar surtos epidêmicos que atingiam grandes extensões de terra e ultrapassavam as fronteiras legais constituídas entre os países. Todo o século XIX foi caracterizado pela presença de grandes epidemias, como as de cólera e febre amarela, que ocuparam um lugar de destaque entre as ações de interesse de saúde pública. Esse movimento iniciou-se na Europa e teve repercussões na América do Sul, como as Convenções Sanitárias de Montevidéu em 1873, do Rio de Janeiro em 1887 e de Lima em 1888. O objetivo é o de evidenciar esses eventos que, por muito tempo, a historiografia sobre a saúde pública (centrada nas análises produzidas por historiadores europeus e norte-americanos) desconheceu ou minimizou. No entanto, esses congressos foram fundamentais para o surgimento de instituições intergovernamentais ligadas à saúde pública, como a OPAS. Nome: Dilma Cabral E-mail: diacabral@predialnet.com.br Instituição: Arquivo Nacional Título: Uma profilaxia ímpar: o lugar da lepra entre as endemias nacionais Neste trabalho pretendemos analisar como se estruturou, a partir da construção do consenso médico da natureza bacilar da lepra e da substituição da complexa explicação multicausal da doença pela causa única, um discurso em que a disseminação da lepra no Brasil adquiriu conteúdos que a instituíram como um ‘flagelo nacional’. Essa estratégia procurava conferir à doença um lugar entre as endemias nacionais. Em consonância com a conjuntura em que a saúde pública seria tornada uma questão nacional pelo movimento sanitarista, os leprólogos mobilizaram elementos diversos e renovaram velhos argumentos que constituiriam a base de hipóteses originais sobre a transmissibilidade da lepra, anunciando em tom alarmista a disseminação da doença no país e a ausência de medidas eficazes para o seu controle. Nome: Eduardo Gomes de Oliveira E-mail: eduardo.oliveira85@hotmail.com Instituição: Fundação Oswaldo Cruz Título: Cidade e loucura: higienismo, sanitarismo e saúde mental em São Luís – MA (1890-1930) Em 1904 é assinada a Lei Estadual número 358 que tinha por preocupação a organização do Serviço Sanitário no Estado do Maranhão. Esta Lei propõe-se não apenas a organizar o serviço de saúde e higiene no Estado, mas também tenta orientar o crescimento da cidade sobre a perspectiva do pensamento sanitário e higienista. Neste movimento, pensa-se também o lugar da saúde mental que, com a predominância do discurso higienista no pensamento intelectual brasileiro no início do século XX, ganha um lugar de reflexão e articulação social, no qual a cidade teria que criar espaços para a loucura ou lugares de tratamento de doenças mentais, onde os sujeitos acometidos deveriam ser afastados dos outros enfermos para passar por tratamentos específicos. A loucura, desta maneira, entra no jogo de construção da cidade, mas não de inclusão, visto que a reserva de um espaço constitui-se também em uma maneira de excluir e não dialogar. Este trabalho propõe-se a pensar de que maneira a cidade de São Luís assume um projeto modernizador no início do século XX, consolidado a partir de referenciais sanitaristas e higienistas, criando lugares específicos para loucura. Nome: Eliana Vieira Sales E-mail: borbasales@hotmail.com Instituição: UFPE Título: Combatendo o alcoolismo: uma análise das campanhas antialcoólicas nos anos 1930 na cidade do Recife O consumo de bebidas alcoólicas tem sido um dos assuntos bastante discutidos em nossa sociedade, principalmente após a implementação da Lei 11.705/2008 que altera o Código de Trânsito Brasileiro, proibindo a ingestão de álcool por condutor de veículo automotor. Este momento atual da sociedade brasileira corresponde parcialmente aos anseios dos psiquiatras da Liga Brasileira de Hi-

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04 giene Mental de outrora, cujo grande objetivo não era apenas obter uma lei que restringisse o consumo do álcool, mas em um dado momento à adoção da “Lei Seca” - proibição terminante à comercialização e uso do álcool - aos moldes da aplicada nos Estados Unidos. Fundamento das preocupações médico-psiquiátricas, o alcoolismo era considerado, sobretudo, uma patologia social que precisava ser combatida. As campanhas antialcoólicas se transformaram na principal arma para incutir princípios abstêmios na população. Este trabalho, portanto, propõese analisar a problemática do alcoolismo nos anos 1930, enfatizando as estratégias de controle do discurso médico nas campanhas antialcoólicas promovidas pela Liga Brasileira de Higiene Mental através dos Boletins de Higiene Mental, periódico editado pela Diretoria de Higiene Mental da Assistência a Psicopatas do Recife. Nome: Érico Silva Muniz E-mail: falecomerico@yahoo.com.br Instituição: Casa de Oswaldo Cruz/FIOCRUZ Título: Para além de uma injeção: higiene e alimentação em um programa de erradicação de doença (A campanha da Bouba, 1956-1960) Título: Ser pobre não é ser sujo! Higiene e Alimentação em um programa de erradicação de doença (A campanha da Bouba, 1956-1960) Esta comunicação tem por objetivo apresentar como se estruturaram as medidas para controle e erradicação da bouba ocorridas no Brasil no período entre 1956 e 1960. O Programa de Erradicação da bouba - com seu método de injeções únicas de penicilina - percorreu em campanha itinerante os estados do nordeste e de Minas Gerais em seus primeiros cinco anos e, através da definição das principais áreas endêmicas e do trabalho do pessoal envolvido, observou também outras questões para a saúde pública de seu tempo. Desse modo, os relatórios e publicações do Programa apresentam as premissas de higiene e saúde que foram assumidas, e como uma campanha baseada na ação de uma “bala mágica” defrontou-se com outras questões encontradas pelos guardas sanitários como os quadros de fome e desnutrição no interior do país. Nome: Fernanda Rebelo E-mail: feferebelo@yahoo.com.br Instituição: Casa de Oswaldo Cruz / Fiocruz Título: Imigração, saúde e cooperação sanitária internacional (1889-1930) Ao entendermos a migração como uma relação entre estados, os que ‘expulsam’ e os que ‘recebem’, os conceitos de emigração e imigração passam a só fazer sentido em termos de ‘Estado Nacional’. Foram das limitações dos estados brasileiros, no final do século XIX e início do XX, em atraírem e localizarem imigrantes que surgiram demandas por algum tipo de intervenção, abrindo caminho para a expansão de uma autoridade federal sobre assuntos de imigração e colonização. A emigração para as Américas era estruturada sobre uma cadeia de relações montadas a partir do topo da estrutura estatal dos países de expulsão com os de recepção. Dentro desta cadeia, países latino-americanos não possuíam uma posição dominante frente aos países de emigração europeus. A partir daí, tanto os países de emigração quanto os de imigração começam a se organizar, criando mecanismos para regulamentar o problema. A grande movimentação de pessoas, principalmente nas Américas, gerou o começo de uma profilaxia internacional, com uma uniformização da legislação sanitária nos portos, uma normatização, através de acordos feitos em conferências e convenções, por agências de cooperação sanitária como a Oficina Sanitária Internacional (1902) e a Oficina Internacional de Higiene de Paris (1907). Nome: Gabriela Dias de Oliveira E-mail: gabriela.historia@uol.com.br Instituição: UFMG Título: Entre a ciência e a lei: médicos e saúde pública nos tribunais belohorizontinos Um dos grandes entraves para a difusão do conhecimento médico nos primeiros anos do século XX era a grande receptividade dos saberes não acadêmicos de cura entre todos os segmentos da sociedade. Naquele período, o médico não era profissional mais requisitado e tampouco o mais reconhecido como prestador de um serviço melhor ou mais eficiente do que os demais terapeutas sem habilitação. Dentro desse contexto, a socialização da medicina e a credibilidade profissional dos discípulos de Esculápio não se processaram de forma imediata, linear e sem questionamentos, mas precisaram ser construídas. Esse movimento pode ser delineado nos processos-crime contra a saúde pública, cuja finalidade era garantir aos médicos o monopólio do mercado da cura. A proposta da comunicação é apresentar um dos caminhos trilhados pelos médicos para alcançar a almejada autoridade profissional, estabelecer o seu conhecimento como verdadeiro e científico e desvencilhar-se das demais artes de curar. Pretende-se, do mesmo modo, contribuir para o debate sobre a ampliação das fontes para este campo de pesquisa, por meio de uma documenta-

ção quase inexplorada e com enorme potencial investigativo para a história da profissionalização médica. Nome: Gilberto Hochman E-mail: hochman@coc.fiocruz.br Instituição: Casa de Oswaldo Cruz Co-autoria:: Renato da Silva E-mail: redslv333@gmail.com Instituição: UNIGRANRIO Título: O sal de cozinha como terapia: malária, saúde e desenvolvimento no governo JK (1956-1961) Este trabalho analisa as ações contra a malária durante o governo de Juscelino Kubitschek (1956-1961) e as articula com o seu projeto de desenvolvimento. Enfoca a criação de um método de combate à malária, a mistura de sal de cozinha com cloroquina e a proposta de sua distribuição gratuita para a população de áreas endêmicas. Denominado de “Método Pinotti”, foi criado por Mário Pinotti, Ministro da Saúde entre 1958 e 1960 e outros malariologistas, e foi inspirada na mistura do iodo ao sal de cozinha para combater o bócio endêmico. Esse método foi desenvolvido como uma resposta às dificuldades do controle da malária na Amazônia onde a utilização de inseticidas de ação residual como o DDT era ineficaz. Aborda como o “Método Pinotti”, apresentado como uma “invenção brasileira” obteve significativa atenção no campo da saúde internacional, em particular a partir da decisão da OMS em empreender uma campanha global de erradicação da malária a partir de 1955. Ressalta que a trajetória do sal cloroquinado acompanhou a ascensão e o ocaso de seu criador na saúde e na política brasileira com o seu abandono a partir de 1961. Nome: Hideraldo Lima da Costa E-mail: hideraldocosta@uol.com.br Instituição: Universidade Federal do Amazonas Título: Migração e malária no estado do Amazonas (1889-1920) Na crise final do Império Brasileiro a região amazônica dava sinal claro de consolidação de uma atividade econômica centrada no extrativismo vegetal, a borracha, que se tornaria de grande importância na pauta das exportações nacional. Com a crescente demanda internacional a região tinha que resolver o problema do déficit da mão-de-obra. Políticas de povoamento foram discutidas pelos intelectuais da região, debatendo os tipos preferenciais de imigrantes, notadamente os de origem francesa. A região amazônica, então de maioria indígena, é invadida por imigrantes, milhares de estrangeiros e dezenas de milhares de nacionais, principalmente nordestinos. Não queremos vincular o incremento das epidemias, sobretudo da malária, aos imigrantes e sim analisar como esta se transformou no grande problema a ser enfrentado pelos gestores públicos interessados na crescente arrecadação estadual. Nossa preocupação é acompanhar os mapas populacionais e correlacioná-los com os relatórios médicos responsáveis pelo diagnóstico da saúde pública do Estado. É bom lembrar que a região recebeu as expedições de Oswaldo Cruz, Carlos Chagas e estes expoentes da ciência brasileira emitiram suas opiniões e registraram suas análises sobre como a malária tornara-se o grande problema da saúde pública na região. Nome: Ingrid Fonseca Casazza E-mail: ingrid.casazza@gmail.com Instituição: Casa de Oswaldo Cruz-Fiocruz Título: O Jardim Botânico do Rio de Janeiro: um lugar de ciência (19101930) A criação do Ministério da Agricultura, Indústria e Comércio (MAIC) em 1906 teria representado a retomada de um processo de institucionalização das relações entre ciência e agricultura, construída ao longo do século XIX. O MAIC centralizou sob sua autoridade diversos órgãos científicos já existentes ou recémcriados, tendo atuado como um espaço de concentração das atividades científicas durante a Primeira República. A partir da existência da relação entre ciência e agricultura no Brasil desde o século XIX, considero o Ministério da Agricultura como lugar de produção da ciência, bem como diversas instituições que ficaram sob sua jurisdição, inclusive o reformulado Jardim Botânico do Rio de Janeiro, objeto de estudo deste trabalho. O objetivo é analisar a produção científica da referida instituição entre os anos de 1910 e 1930 e compreender de que forma a adequação institucional ao projeto modernizador da república teria repercutido no perfil e nas atividades científicas da instituição. Sendo assim, este trabalho é motivado pela busca de respostas para as seguintes perguntas: Qual é o perfil do Jardim Botânico, tradicionalmente voltado à botânica, neste novo contexto republicano? Em que medida a reformulação da instituição a insere no novo projeto de Estado? Nome: Jaime Larry Benchimol E-mail: jbench@oi.com.br

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Instituição: Fundação Oswaldo Cruz Título: Ferrovias, doenças e medicina tropical no Brasil da Primeira República Minha comunicação aborda o impacto da malária nas obras de infra-estrutura no âmbito da modernização republicana, basicamente as ferrovias, que assumiram então o papel de integrar o território e operar a expansão simbólica e material da nação brasileira. Em muitos casos, tais empreendimentos eram comprometidos por doenças que grassaram entre operários e engenheiros, sobretudo a malária. Os cientistas destacados para debelar os surtos epidêmicos – Carlos Chagas, Arthur Neiva, Belisário Penna e outros – não se limitaram a realizar as campanhas. Fizeram minuciosas observações sobre aspectos da doença, inclusive suas relações com hospedeiros e ambientes, contribuindo com novos conhecimentos e com a institucionalização, no Brasil, de novo campo que então se estabelecia nas potências coloniais européias: a medicina tropical. A presente comunicação busca articular essas inovações — especialmente a teoria da infecção domiciliária — com as campanhas em prol de ferrovias e com estágio subseqüente no enfrentamento da malária no Brasil, nos anos 1920. Nome: José Arimatea Barros Bezerra E-mail: ja.bezerra@uol.com.br Instituição: Universidade Federal do Ceará Título: O processo de gênese do saber em alimentação e nutrição: emergência, divulgação e aplicação social Estudo sobre o processo de gênese do saber em alimentação e nutrição, em sua fase de emergência, divulgação e aplicação prática, enfocando ações voltadas para trabalhadores e escolares, desenvolvidas entre 1944 e 1967. Em termos metodológicos, utilizou-se a história oral, complementada com documentos (fotografias, cadernos de anotações, cartilhas, documentos oficiais) e informações de jornais. A análise abrange três práticas articuladas, políticas públicas implementadas pelo Estado brasileiro, voltadas para a busca de um estado de alimentação caracterizado pelos princípios de sobriedade, moderação e equilíbrio: o Serviço de Alimentação da Previdência Social (SAPS), a criação de cursos de formação de recursos humanos em nutrição e o programa de merenda escolar. Resultados indicam que, sob o respaldo do conhecimento científico sobre alimentação/nutrição e apoio do Estado intervencionista da época, essas práticas buscaram a assistência e a educação alimentar de trabalhadores e escolares (mundo do trabalho e mundo da escola), visando o propósito de superar a ignorância alimentar do povo brasileiro, em suas práticas equivocadas de alimentação, o que resultaria na conformação de homens fortes, robustos, saudáveis e produtivos, necessários ao desenvolvimento socioeconômico do país.

intervenção das autoridades responsáveis pela saúde pública e dos psiquiatras. No caso brasileiro, a mudança de perfil dos consumidores decorreu das mudanças nos canais de distribuição internacional das drogas entorpecentes, na medida em que estas foram substituídas por novos psicofármacos, e das mudanças nas políticas do Estado. Nome: Júlio Cesar Schweickardt E-mail: juliocesar@amazonia.fiocruz.br Instituição: FIOCRUZ Título: Extinção da febre amarela em Manaus (1913): um debate entre a região e a nação A febre amarela passou a ser combatida sistematicamente em Manaus somente no início do século XX. Foram criadas diferentes comissões para o combate dessa doença que atingia prioritariamente os estrangeiros, que chegavam à capital amazonense por conta da economia da borracha. Os médicos locais adotavam medidas conhecidas no cenário científico nacional e internacional, principalmente a partir da identificação do mosquito como o vetor da febre amarela, em fins do século XIX. A profilaxia adotada era, principalmente, o combate do mosquito que se reproduzia na região central da cidade. O combate sistemático dessa doença aconteceu entre 1907 a 1913, sendo mais intensificado a partir de 1910. Como a febre amarela continuava vitimando os estrangeiros, o governo pediu auxílio à União. A comissão federal foi chefiada pelo médico Theóphilo Torres, que chegou a Manaus no início de agosto de 1913. Em dezembro do mesmo ano a doença foi considerada extinta na cidade. Depois disso, estabeleceu-se um debate entre os médicos do Amazonas e os técnicos da comissão federal. O objetivo da nossa exposição é discutir a relação entre as campanhas locais e o trabalho da comissão federal, buscando entender o “fracasso” de uma e o “sucesso” de outra na extinção da febre amarela. Nome: Kelly Cristina Benjamim Viana E-mail: crysvianna@hotmail.com Instituição: UFC Título: Os práticos da arte de curar nas Minas Gerais setecentistas O objetivo desta pesquisa é analisar a arte de curar nas Minas Gerais setecentistas, expressa em tratados médicos, nas receitas médicas expedidas no período e nas Devassas Eclesiásticas. Este trabalho aborda o processo de cura no cotidiano da população das Minas, sobretudo o cotidiano dos cirurgiões, boticários e curandeiros. Procura também mostrar a fluidez de domínios entre o saber médico popular e o erudito, marcado por forte presença do “universo mágico” nas práticas médicas.

Nome: José Leandro Rocha Cardoso E-mail: jlrc@oi.com.br Instituição: Casa de Oswaldo Cruz Título: Saúde e desenvolvimento: saúde pública e educação sanitária no Brasil do otimismo (1950-1960) O presente trabalho aborda a educação sanitária durante os anos de 1950, buscando discutir a interface entre saúde e desenvolvimento, tendo como foco a atuação de cientistas sociais na elaboração de estudos que subsidiaram as atividades de saúde pública, no interior do Brasil. O SESP consolidou seu modelo de saúde pública, associando medidas de intervenção ambiental à organização comunitária. Na Seção de Pesquisas Sociais, cientistas sociais, influenciados pelos estudos de comunidade, promoveram estudos sobre as populações rurais e seus hábitos a fim de dar suporte teórico e metodológico às atividades de educação sanitária. Essas diretrizes foram transmitidas aos demais profissionais do SESP através de cursos de formação, folhetos, boletins de circulação interna e publicações como o livro A Educação dos Grupos, que constituem as fontes para esta análise.

Nome: Letícia Pumar Alves de Souza E-mail: leticiapumar@gmail.com Instituição: COC/FIOCRUZ Título: Doença tropical, solução nacional: debates médicos sobre o combate à lepra no Brasil Nesta pesquisa analiso a apropriação do óleo de chaulmoogra e o processo de nacionalização deste tratamento pelos médicos brasileiros na tentativa de controlar a lepra, uma “doença tropical” que estava sendo definida como um flagelo nacional. Em geral, os historiadores dão ênfase, principalmente, à análise da política isolacionista encaminhada por médicos e administradores para o combate à doença. No entanto, a ênfase neste outro aspecto da campanha abre espaço para a reflexão das controvérsias e disputas do período e para a percepção de que as medidas de controle da lepra realizadas aqui não foram escolhas naturais diante de certo conhecimento científico acumulado até aquele momento, mas foram resultado de escolhas de grupos, métodos, teorias, e formas de intervenção na realidade nacional.

Nome: Julio Cesar Adiala E-mail: adiala@predialnet.com.br Instituição: Casa de Oswaldo Cruz Título: Drogas entorpecentes e medicina na Primeira República Reconhecido como um instrumento terapêutico por todo o século XIX, o uso de drogas entorpecentes emerge como um problema de saúde na segunda década do século XX. O uso daquelas substâncias será um dos temas tratados pela elite médica do período, preocupada em discutir as conseqüências do consumo dos chamados “venenos sociais” sobre a saúde da população e sobre os destinos do país, que pretende integrar o rol das nações civilizadas. Os psiquiatras, em particular, estarão interessados nesse debate e identificarão no uso dos “venenos sociais” uma patologia mental, uma manifestação da degeneração, uma forma de loucura hereditariamente transmitida que ameaçava o indivíduo, sua prole e, de conseqüência, a inteira nação. A partir daí se iniciaria um movimento de mobilização e convencimento das autoridades sobre os riscos da propagação dos “vícios sociais” e da necessidade de medidas preventivas e saneadoras, que iriam exigir a

Nome: Lidiane Monteiro Ribeiro E-mail: lidiane_monteiro@yahoo.com.br Instituição: PPGHCS / COC / FIOCRUZ Título: A saúde na Bahia no governo de José Joaquim Seabra (1912 – 1916): da caridade à Assistência Pública O objetivo deste trabalho é analisar as ações estatais que contribuíram para a formação da rede de assistência pública à saúde na Bahia. Trabalhamos com a idéia de que as iniciativas do governo neste campo acabaram por promover uma mudança no paradigma de assistência em vigor desde tempos coloniais. Tal processo engloba toda a Primeira República, entretanto, nosso foco é o primeiro governo J.J.Seabra (1912-1916), ao longo do qual essas ações foram aceleradas. Neste período foi inaugurada a Assistência Pública do Estado da Bahia, batizada pela população de “Mãe Carinhosa”, demonstrando que no imaginário popular os cuidados à saúde estavam relacionados à dádiva e à generosidade, refletindo assim o padrão vigente até então, onde o socorro aos doentes estava entrelaçado às ações pias da Irmandade da Misericórdia. Contudo, a transferência deste ser-

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04 viço para o poder público significou a materialização da saúde enquanto um direito formal e objetivo a ser fornecido pelo estado. Para isso buscaremos entender quando e por qual motivo a saúde se transformou em interesse estatal, identificar as condições que criaram um ambiente favorável para que o estado promovesse ações neste âmbito e analisar o processo de transição da assistência pautada nas ações caritativas para ações estatais. Nome: Lourence Cristine Alves E-mail: loucarj@gmail.com Instituição: Casa de Oswaldo Cruz Título: O conceito de loucura e a legitimação da psiquiatria brasileira: breve ensaio sobre suas imbricações a partir da História dos conceitos de Reinhart Koselleck O presente trabalho procura, com base na metodologia proposta por Reinhart Koselleck, acerca da História dos conceitos, elaborar um breve estudo da legitimação da ciência psiquiátrica enquanto campo autônomo, a partir do estudo do conceito de loucura. Nosso trabalho gira em torno da gestão da loucura como um advento político possibilitado por dois fatores fundamentais: em primeiro lugar, a aceitação paradigmática do conceito de loucura como doença patológica, passível de tratamento específico a ser administrada por uma determinada especialidade, a psiquiatria; e em segundo lugar – e a partir disto –, a condensação da medicina psiquiátrica enquanto campo distinto dentro da medicina orgânica geral, possuidora de seu próprio objeto de estudo e atuação. Nome: Luis Antonio Coelho Ferla E-mail: lferla@ig.com.br Instituição: UNIFESP Título: O determinismo biológico no Brasil de entre-guerras Os determinismos biológicos exerceram grande influência no Brasil de entreguerras. A noção de predisposição ao ato antissocial ajudou a orientar o pensamento oficial e as políticas repressivas da época. Esta investigação trata da influência do biodeterminismo na medicina legal e na criminologia praticadas no Brasil, de 1920 a 1945. No interior dessas disciplinas, as teses científicas que relacionavam corpo e comportamento se expressavam por meio de um discurso médico que tornava patológico o ato antissocial. A pesquisa procurou conhecer não somente tal discurso, mas também as conseqüências concretas que dele se originaram. Nome: Luiz Antonio da Silva Teixeira E-mail: teixeira@fiocruz.br Instituição: Casa de Oswaldo Cruz - FIOCRUZ Título: O controle do câncer no Brasil: 1940-1960 Esta comunicação discute a trajetória do controle do câncer no Brasil, entre os anos 1940 e o início da década de 1960. Nossos principais objetos de análise são as políticas e instituições públicas relacionadas à doença, e a ações de educação em saúde por elas elaboradas. O marco inicial se relaciona ao início do processo de construção de uma política nacional de controle do câncer, com a criação do Serviço Nacional do Câncer (SNC), em 1942, e à elaboração das primeiras campanhas de prevenção. O marco final vincula-se às transformações das diretrizes de controle da doença, num contexto de ampliação das ações privatistas, colocadas em prática pelo regime militar, a partir de 1964. No que concerne às instituições e políticas de controle, nos centramos na avaliação do processo que possibilitou a transformação do Centro de Cancerologia do Rio de Janeiro, fundado por Mário Kroef, em 1937, no atual Instituto Nacional do Câncer, hoje responsável pela formulação de políticas, pesquisas e recursos humanos para o setor. Em relação às campanhas de prevenção, analisamos um período marcado pela transformação de um paradigma educativo pautado no medo, gerado pela apresentação dramática da doença, para uma nova concepção de educação em saúde, baseada na promoção de formas de vida saudáveis. Nome: Marcos Chor Maio E-mail: maio@coc.fiocruz.br Instituição: Casa de Oswaldo Cruz/FIOCRUZ Co-autoria: Thiago da Costa Lopes E-mail: lopes_47@hotmail.com Instituição: UFRJ Título: Saúde e Infância na Sociologia de Guerreiro Ramos (1943-1950) O presente trabalho visa reconstruir o diálogo entre o sociólogo Alberto Guerreiro Ramos (1915-1982) e os médicos pediatras em torno dos problemas sociais da infância entre as décadas de 1940 e 1950. Professor do curso de Puericultura e Administração, criado em 1943, nos Serviços de Amparo à Maternidade, à Infância e à Adolescência do Departamento Nacional da Criança (DNC), Guerreiro Ramos volta-se para os temas da mortalidade infantil e do “problema do menor”. Este órgão governamental, associado ao Instituto Nacional de Puericultura

e à Sociedade Brasileira de Pediatria, estava comprometido com a promoção de políticas sociais voltadas para a infância. Assim, em meio a um programa de assistência médico-educacional dirigido por agentes do Estado, Guerreiro Ramos, ao qualificar a ação estritamente médica e assistencialista como ineficaz, ensaia suas primeiras formulações de uma “sociologia aplicada” vinculada ao compasso da “realidade nacional” e defende a importância de uma compreensão sociológica dos termos em debate, interpelando o recorte clínico-biológico e eugênico. Nome: Maria Martha de Luna Freire E-mail: marthafreire@hotmail.com Instituição: Universidade Federal Fluminense Título: “Salvar a semente”: medicina, maternalismo e nacionalismo (Brasil, década de 1920) Este trabalho analisa a construção e difusão do discurso maternalista no Brasil que, embora tenha suas origens mais remotas, alcançou seu apogeu na década de 1920. A partir de reflexão crítica quanto ao envolvimento de múltiplos agentes e interesses na configuração do maternalismo, pretende-se evidenciar sua associação com o amplo projeto reformador republicano, o qual depositava na conservação das crianças, entre outros elementos, a esperança para a viabilidade da nação. Tal concepção, associada à valorização social da ciência, fundamentou uma convergência identitária entre saúde, educação e nação que justificou a proposta reformadora elaborada pela elite intelectual urbana, e que tinha na Higiene seu eixo central. Sob a égide da modernidade almejava-se a eliminação dos resquícios da cultura colonial, identificada com o atraso e a tradição, a incorporação de novos costumes e a configuração de novas relações sociais. Como membros da intelectualidade, o papel dos médicos higienistas nesse processo se deu, sobretudo, através da enunciação de um discurso que condenava o exercício tradicional de maternidade e visava substituí-lo pelos princípios da maternidade científica. Nome: Maria Rachel de Gomensoro Fróes da Fonseca E-mail: froes@coc.fiocruz.br Instituição: Casa de Oswaldo Cruz Título: A demografia-sanitária e a saúde pública no Brasil na transição do séc. XIX para o XX O papel da demografia-sanitária na reorganização do aparato institucional responsável pelas ações de saúde pública no Brasil, no final do séc. XIX evidenciouse na trajetória do médico José Luiz Sayão de Bulhões Carvalho (1866-1940). Bulhões Carvalho dedicou seus estudos, fundamentalmente, à área de demografia sanitária e foi Diretor Geral de Estatística. Seu interesse pela demografia sanitária evidenciou-se já no Boletim Demográfico publicado em 1893 no Brazil Médico, quando procurou apresentar os quadros estatísticos e sanitários e avaliar os fatores determinantes das condições sanitárias. Seus estudos inserem-se num contexto de reordenação política e de configuração de uma nova organização sanitária, entre o fim da Monarquia e o início da República. Presencia-se um quadro de crescimento populacional, de expansão do setor secundário da economia, de declínio da lavoura cafeeira, de libertação dos escravos e o agravamento das condições de vida e de salubridade nas cidades brasileiras. A sinalização de instrumentos, de subsídios e de metodologias que auxiliassem a análise das condições de salubridade, e a adoção de medidas preventivas e de combate às enfermidades, integraram os objetivos de reorganização do aparato institucional responsável pelas ações de saúde pública. Nome: Mariana Santos Damasco E-mail: marianadamasco@hotmail.com Instituição: FIOCRUZ Título: Mulheres negras na história: o ativismo das feministas negras e a questão da saúde reprodutiva no Brasil (1975-2001) Este trabalho aborda as interfaces entre gênero, raça/etnia e saúde no Brasil, entre os anos de 1975 e 2001, tendo como foco de estudo a importância da saúde reprodutiva ao movimento de mulheres negras no país. O marco inicial da pesquisa é 1975 – surgimento do movimento feminista organizado no Brasil – e se estende até o ano 2001, quando a mobilização das feministas negras adquire visibilidade na III Conferência Mundial contra o Racismo. Analiso a história do feminismo negro no país, a partir das relações entre as ativistas negras e os movimentos feminista e negro. Esta história em meados da década de 1980 muda, pois as militantes reivindicam a criação de uma identidade própria, o feminismo negro, já que não havia até então um debate amplo sobre as interfaces entre raça e gênero dentro do movimento feminista e negro respectivamente. A questão da saúde reprodutiva – que tomou por base denúncias de esterilizações cirúrgicas contra mulheres negras na década de 1980 – aparece como a mola propulsora do ativismo e da constituição de um feminismo negro no país, entre os anos de 1980 a 1990. Meu trabalho, por um lado, investiga o contexto em que emergem tais denúncias e, por outro, analisa os debates e políticas que embasaram a relação entre as ativistas negras e a saúde pública no país.

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Nome: Marlene Lopes Cidrack E-mail: bindja@terra.com.br Instituição: Universidade Federal do Ceará Título: Escola de Visitadoras de Alimentação Agnes June Leith – história e práticas curriculares (1944-1966) Estudo sobre a trajetória da Escola de Nutrição Agnes June Leith, com foco na sua proposta curricular de formação de Visitadoras de Alimentação e no seu papel no processo de constituição do saber em alimentação e nutrição no Ceará e Brasil. Objetivo ainda explicitar como se organizava seu currículo, considerando os conhecimentos veiculados em sala de aula e rotinas escolares, e identificar o papel das visitadoras de alimentação no âmbito das políticas públicas oficiais em vigor, que buscavam a mudança de práticas alimentares em trabalhadores e escolares. Utilizo a metodologia da história oral, complementada por informações jornalísticas e outros documentos (fotografias, cadernos de anotação, documentos oficiais). Foram entrevistadas vinte pessoas: alunas, diretoras, professoras, funcionários da referida Escola e funcionários do Serviço de Alimentação da Previdência Social, órgão ao qual a Escola se vinculava. Resultados preliminares indicam que o currículo dessa Escola pautou-se por conhecimentos e práticas direcionados à intervenção social, junto às famílias de trabalhadores e às escolas, na busca de uma prática de alimentação racional, bem como exerceu papel significativo no processo de difusão e aplicação do conhecimento em nutrição no Ceará e no Brasil. Nome: Monique de Siqueira Gonçalves E-mail: monique.eco@gmail.com Instituição: Casa de Oswaldo Cruz / FIOCRUZ Título: A alienação mental nas páginas dos periódicos médicos da Corte Imperial e da Bahia (1860-1880) Durante as décadas de 60 e 70 do século XIX, a questão da alienação mental levantou diversas discussões nos principais periódicos médicos da Corte e da Bahia. Questões referentes ao seu diagnóstico, classificação e terapêutica estiveram presentes nesses veículos de divulgação demonstrando o esforço da categoria médica em compreender as diferentes manifestações desta moléstia que, segundo os mesmos, afligia cada vez mais a sociedade. Por meio destes artigos faremos uma breve análise da construção do conhecimento médico sobre a alienação mental no Império do Brasil, atentando para os principais pontos por eles abordados, assim como para as principais referências utilizadas. Este trabalho faz parte de um projeto de pesquisa de doutoramento desenvolvido no Programa de Pós-Graduação em História das Ciências e da Saúde da Casa de Oswaldo Cruz/ Fiocruz, orientado pelo Prof. Dr. Flavio Coelho Edler. Nome: Patricia Marinho Aranha E-mail: aranha2909@hotmail.com Instituição: FIOCRUZ Título: Ciência, território e fronteira na Comissão Rondon (1907-1915) Este estudo tem como objeto os trabalhos de demarcação de fronteiras e inventário do território norte do país no período compreendido entre os anos de 1907 e 1915, ocasião em que as realizações da Comissão Construtora de Linhas Telegráficas Estratégicas de Mato Grosso ao Amazonas merecem destaque. Mais conhecida como Comissão Rondon, foi organizada pelos Ministérios da Guerra, Viação e Obras Públicas e Agricultura com vistas à incorporação e integração nacionais. A comunicação tem por objetivo principal apresentar as formas pelas quais se desenvolviam os trabalhos de levantamento topográfico e geográfico do território através da atuação dos engenheiros militares enviados pelo Ministério da Guerra. Para além interessa-nos compreender quais eram as demandas deste Ministério e como o atendimento a estas se dava no interior da Comissão. Nome: Silvia Helena Bastos de Paula E-mail: silviabastos@isaude.sp.gov.br Instituição: Instituto de Saúde Título: Memória da construção da Atenção Básica de Saúde em São Paulo O conceito de Atenção Primária em Saúde data do final dos anos 1970 e teve grande repercussão a partir da Conferência de Alma Ata (1978), inclusive no Brasil, inspirando mudanças nas políticas de Saúde, a reestruturação do setor e organização dos serviços de Saúde, medidas estas que tiveram impulso significativo com o Movimento de Reforma Sanitária. O objetivo da pesquisa foi reconstituir o trajeto de implantação de atenção básica no estado de São Paulo. Utilizou-se o método de história oral e foram realizadas vinte entrevistas, gravadas e transcritas. Os sujeitos da pesquisa foram informantes-chaves, atuantes na Reforma Sanitária e no processo de criação do SUS. Obteve-se um histórico da situação da saúde pública para a população de baixa renda, do surgimento do movimento da reforma sanitária e da postura do Sindicato dos Médicos frente à situação; a universalização do atendimento; relata a fundação da revista “Saúde em Debate”; diferencia a atenção primária, medicina simplificada e reforma

sanitária; discute o conceito ampliado de saúde e sua presença na constituinte; o nascimento do SUS, a proposta para a saúde da família, a integralidade do sistema, o inicio do projeto e sua ampliação no Estado de São Paulo. Nome: Tamara Rangel Vieira E-mail: tamararangel@yahoo.com.br Instituição: Fundação Oswaldo Cruz Título: Os médicos de Goiás em perspectiva: trajetória intelectual e (re) invenção do Brasil Central (1917-1960) Partindo das análises de cientistas sociais que entre 1940 e 1960 ocuparam-se dos temas da modernização e do que viam como resistências culturais à mudança, meu objetivo com este trabalho é tecer uma reflexão introdutória sobre a trajetória intelectual dos médicos goianos, atentando para aspectos como sua formação, atuação e organização. Demarcando como recorte temporal o período compreendido entre os anos de 1917 e 1960, época que abrange o momento em que muitos deles concluem seus estudos acadêmicos nas principais faculdades de medicina do país e regressam ao interior e a fundação da Faculdade de Medicina de Goiás, considero interessante refletir a respeito da maneira como estes profissionais conseguiram obter êxito na carreira pela qual optaram em uma região, segundo diziam, alheia ao “progresso”. Assim, busco compreender de que mecanismos e estratégias se valiam estes profissionais para superar as dificuldades impostas pelo meio e, assim, construir em bases sólidas uma carreira e um campo específico de atuação. Ao salientar sua mobilidade e atuação profissional numa das regiões, segundo eles, mais ‘isoladas’ do país, este trabalho traz à tona outra concepção de sertão, capaz de redefinir a idéia, tão propalada nos anos 1910 e 1920, do Brasil como ‘imenso hospital’. Nome: Tibério Campos Sales E-mail: lopes_47@hotmail.com Instituição: UFC Título: “A medicina não é sacerdócio, mas profissão”: Virgílio de Aguiar e os conflitos em defesa dos direitos profissionais dos médicos em Fortaleza na década de 1930 Este resumo de pesquisa tem como objetivo refletir sobre o papel do “Centro Médico Cearense” e da revista “Ceará Médico” enquanto estratégia de profissionalização médica em Fortaleza, tendo como principal referência a trajetória e os textos publicados pelo médico Virgílio José de Aguiar na revista citada. Nascido em Aracati em 1883 e formado na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro em 1906, Virgílio de Aguiar exerceu a profissão em algumas cidades do país se fixando em Fortaleza, somente em 1929. No mesmo ano volta a se integrar ao Centro Médico, instituição da qual foi membro fundador em 1913, e, em 1930, passa a ser o único integrante da agremiação a ter uma coluna própria na revista “Ceará Médico”, no caso a “Esculapeanas”, e permanece como um dos componentes da comissão redatorial do periódico até 1942. Em um período no qual o exercício da medicina em Fortaleza ainda era muito associado a uma ação caritativa para com os pobres, destacaremos os conflitos que Virgílio de Aguiar trava frente a outros médicos para assegurar a sua concepção sobre o exercício da profissão e sobre o papel do Centro Médico e do periódico como meio de fortalecimento da categoria. Nome: Verônica Pimenta Velloso E-mail: vervelloso@gmail.com Instituição: Casa de Oswaldo Cruz Título: O sentido comercial da prática farmacêutica em debate no oitocentos A possibilidade de transformação das farmácias de oficinas, onde se fabricavam os medicamentos, em simples revendedoras de medicamentos já prontos, não foi passiva de discussões no oitocentos. Os debates que se travaram sobre este tema exporiam algumas tensões entre o sentido comercial e o sentido científico de suas práticas. Isto ocorreu dos dois lados do Atlântico. Neste quadro, destacam-se as discussões travadas entre farmacêuticos pertencentes à Sociedade Farmacêutica Brasileira e médicos que presidiam a Junta Central de Higiene Pública a respeito da tabela de medicamentos, registradas no periódico daquela associação; e nos debates no seio da Sociedade Farmacêutica Lusitana a respeito do regimento de preços de medicamentos.

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05 05. Cultura visual, imagem e História Cristina Meneguello - UNICAMP (cmeneguello@gmail.com) Jens Michael Baumgarten - UNIFESP (jens-baumgarten@uol.com.br) Os agentes que produzem e veiculam a imagem, assim como os diferentes suportes desta, já há muito se tornaram, para o historiador, fonte de pesquisa e objeto de reflexão. Não obstante, o campo da cultura visual vem se estruturando de forma contínua e tem-se aberto em diversas análises que implicam estudo e tratamento de diferentes fontes, produção e entendimento de novas linguagens e diálogo com outras disciplinas, tais como a sociologia, a filosofia e a história da arte, a antropologia visual e a arquitetura, as novas mídias e tecnologias. O Simpósio Temático Cultura Visual, Imagem e História visa, assim, reunir trabalhos e investigações no campo da história, em busca da análise formal da imagem como linguagem e da problematização do estatuto da visualidade.

Resumos das comunicações Nome: Ana Maria Mauad de Sousa Andrade Essus E-mail: anammauad@uol.com.br Instituição: Universidade Federal Fluminense Título: Na mira do fotógrafo – prática e autoria na experiência fotográfica contemporânea O trabalho analisa a construção da autoria na experiência fotográfica contemporânea, associada às noções de trajetória, projeto e campo de possibilidades, na primeira fase do processo de internacionalização da cultura. Período, em linhas gerais definido entre as décadas de 1930-1970, no qual se delimitou o papel das mídias – imprensa, cinema, televisão, na elaboração do mundo capitalista, como comunidade imaginada. Os marcos temporais circunscrevem os processos propriamente fotográficos, tais como o predomínio da fotorreportagem na imprensa ilustrada, pelas mudanças estéticas no plano editorial das publicações ou ainda pela valorização da linguagem documental. Por outro lado, assiste-se, nesse momento, à ampliação das trocas capitalistas no mercado de indústria cultural, na produção de notícias como mercadoria, no engajamento da imagem fotográfica e o registro dos movimentos sociais, na participação da fotografia no campo da arte experimental e suas relações com a cultura pop. O foco recai sobre a problemática dos usos e apropriações da imagem fotográfica pela imprensa e os debates suscitados pela discussão do crédito fotográfico. Abordarei também a formação de agências de fotografia e o seu papel na conformação de um olhar comprometido e engajado politicamente. Nome: Ana Rita Uhle E-mail: anauhle@gmail.com Instituição: UNICAMP Título: Entre a imagem e a escrita. O índio nos monumentos públicos paulistas A diversidade das imagens que povoam as cidades através de monumentos celebrativos constitui-se, neste trabalho, em objeto de análise histórica. Ao seguir as aparições de um personagem bastante explorado nas narrativas oficiais dos monumentos, o índio paulista (uma invenção da historiografia local), pretende-se construir uma história social dessas imagens levando em conta seu contexto de produção, os debates públicos em torno do tema e o extenso material produzido por historiadores - textos que também embasaram a construção dessas narrativas via imagem. A partir das imagens produzidas sobre o índio, pretendo analisar uma memória sobre o personagem construída em ambiente urbano, suas especificidades e o embasamento teórico utilizado em sua produção. Nome: André Luiz Rosa Ribeiro E-mail: andre.5@bol.com.br Instituição: Universidade Estadual de Santa Cruz Título: Cultura, memória e arquitetura urbano-cemiterial no sul da Bahia O trabalho tem como objetivo principal estudar o papel do acervo patrimonial arquitetônico das principais cidades do sul da Bahia no processo de construção de memória regional ligada ao cultivo do cacau, cuja consolidação econômica nos mercados internacionais promoveu uma série de transformações culturais e sociais vinculadas à modernização das cidades e dos seus cemitérios e à adoção de padrões arquitetônicos de matriz européia. A nova estética urbana, que substituiu os traços coloniais das cidades

mais antigas como Ilhéus, aliou elementos neoclássicos com simbólicos e alegorias que referenciavam o poder econômico da lavoura cacaueira. A análise e interpretação do conjunto arquitetônico urbano e cemiterial do sul baiano privilegiou o estudo das cidades de Ilhéus e Itabuna na primeira metade do século XX, período em que ocorre a emergência dos projetos modernizantes no Brasil. Nome: Beatriz Rodrigues Ferreira E-mail: bigatrice@gmail.com Instituição: UNICAMP Título: Imagens múltiplas – As Ruínas e as diferentes possibilidades de apreensão da paisagem urbana Esta apresentação visa problematizar alguns pontos refletidos em uma pesquisa anterior sobre Ruínas. Nesta, buscou-se discutir a cidade como um campo para a experiência humana, tomando as diferentes narrativas que se faz da paisagem urbana como um modo de se agenciar a produção de discursos sobre a memória e o patrimônio. Para tal, a figura da Ruína é tomada como um interessante elemento de reflexão, por circunscrever o embate crucial entre memória e esquecimento. Fez-se necessário, então, pensar como os discursos sobre a cidade são produtos de concepções sócio-culturais, mas também experiências plurais que articulam percepções e afeições sobre a vivência urbana. Propõe-se, aqui, discutir a inserção da imagem fotográfica como um meio de captura de imagens urbanas em vias de desaparecimento – ruínas – e como um meio potencializador da produção de diferentes narrativas sobre a cidade. Deste modo, este trabalho será construído a partir de dois eixos temáticos, a saber: a experiência da e na paisagem urbana e suas relações com as ruínas; e a atribuição da fotografia como um modo de registro destas imagens urbanas. Busca-se, pois, propor o diálogo com os/as pesquisadores/as que pensam as intersecções entre produção imagética, narrativas, memórias e história urbana. Nome: Camila Dazzi E-mail: camiladazzi@yahoo.com.br Instituição: UFRJ Título: Dicteriade - “Profissional da luxuria, moça na idade, velha no vício...” Com essas palavras o pintor Rodolpho Amoedo comenta, em uma carta direcionada a Henrique Bernardelli, a exposição das obras desse último no Salon parisiense de 1886: “Vi os seus dois quadros no Salon [...] Muito me agrada sua Dikteriade a qual parece-me pintada com bastante largueza e descrição, e se o quadro é poderoso de luz, está harmonizado com doçura”. A obra reaparece na Exposição Geral de 1890, recebendo inúmeros elogios de diferentes jornais da época. Seria possível um quadro tão bem sucedido, exposto em Paris e elogiado pela crítica fluminense, ter o seu nome modificado oficialmente, sendo adquirido pela Academia e figurado na Exposição de Chicago de 1893 com um nome completamente diferente? Tal mudança foi indicada pela Professora Ana M. T. Cavalcanti, que, ao pesquisar o jornal Vida Fluminense, localizou uma imagem do famoso quadro de Bernardelli, intitulado Messalina, vinculado à um comentário sobre a Exposição de 1890, da qual, a obra, segundo documentação encontrada, não teria participado. A presente comunicação procura responder algumas questões específicas: Messalina é a Dicteriade? Que motivos existiriam para que o quadro tivesse seu famoso nome modificado? O significado da obra se modificaria conforme o nome a ela atribuído?

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Nome: Carolina Bortolotti de Oliveira E-mail: linabortolotti@yahoo.com.br Instituição: UNICAMP Título: A Estética da Máquina: padrões decorativos no desenho industrial e nos projetos de engenharia britânica, 1850-1880 O presente artigo procura mapear o debate acerca da estética na engenharia e as aplicações ornamentais na arquitetura do ferro, resultantes da vigorosa produção industrial que lançou uma infinidade de produtos, artefatos domésticos e todo o aparato necessário às melhorias na infra-estrutura urbana, sobretudo nas crescentes cidades inglesas do período vitoriano. A busca pela beleza da forma, aliada à sua utilidade e adequação estrutural, desde pequenos objetos às monumentais obras de engenharia, tornaramse o fio condutor das discussões acadêmicas entre críticos de arquitetura, artistas, engenheiros e paisagistas, a partir da segunda metade do século XIX. Exibições internacionais, catálogos comerciais e livros técnicos contribuíram para que o debate não ficasse restrito ao campo teórico mas principalmente, tomasse forma nos inúmeros projetos em estrutura metálica lançados em quase todos os continentes, definindo a linha tênue entre a praticidade da engenharia e a ornamentação arquitetônica através de uma estética do gosto - tão presente e difundido pela cultura das classes-médias vitorianas. Nome: Carolina Martins Etcheverry E-mail: etchev@gmail.com Instituição: PUC-RS Título: Geraldo de Barros e José Oiticica Filho e a produção de fotografias experimentais-abstratas no Brasil (1950-1964) Esta comunicação tem por objetivo contextualizar e problematizar a produção fotográfica de Geraldo de Barros e José Oiticica Filho, realizada entre as décadas de 1950 e 1960, a partir de dois eixos. O primeiro leva em conta que tais imagens de cunho experimental-abstrato dialogam com a própria história da fotografia (tanto no Brasil quanto em âmbito internacional), mas também com o momento político, econômico, social e cultural que vivia o Brasil então, trazendo à tona toda a complexidade artística e cultural desta época. O segundo eixo da apresentação aborda os diversos textos críticos existentes a respeito destes fotógrafos-artistas. Procuro trabalhar tanto com textos históricos, escritos na época em que as fotografias circularam no ambiente artístico, por críticos da época, quanto com textos contemporâneos, a fim de melhor apresentar Geraldo de Barros e José Oiticica Filho como importantes fotógrafos brasileiros que buscaram criar imagens experimentais-abstratas, fugindo da clássica idéia de fotografia como espelho do real. Assim, será possível perceber como tais fotógrafos contribuíram para a expansão do campo fotográfico brasileiro e para o alinhamento deste com as tendências que vigoravam internacionalmente. Nome: Charles Monteiro E-mail: monteiro@pucrs.br Instituição: PUC-SP Título: A construção de uma nova visualidade urbana moderna nas páginas da revista Madrugada, Porto Alegre (1926) A proposta do trabalho é problematizar o papel que a fotografia teve no processo de elaboração de novos códigos culturais modernos de sociabilidades urbanas na revista ilustrada Madrugada (1926), editada em Porto Alegre. Através da forma de edição de imagens fotográficas e textos nessa revista ilustrada estava em construção uma nova imagem de indivíduo no espaço público, de formas de sociabilidade e de consumo modernos na sociedade urbana brasileira. A interpretação das relações entre imagens e textos permite pensar a elaboração de uma pedagogia do olhar e a construção de novos códigos modernos de sociabilidades. Madrugada se apresentava como “Revista Semanal de Literatura, Arte e Mundanismo”, que pretendia misturar informação cosmopolita e cultura regional. A revista torna-se um veículo do modernismo no contexto local, mesclando temas regionalistas à poesia de influência simbolista e à divulgação de novos autores modernistas. As revistas ilustradas vêm a responder a demanda de informação e entretenimento das camadas sociais médias urbanas das grandes capitais brasileiras. Nelas a fotografia ganha um lugar de destaque ao lado da charge e da publicidade, fazendo parte de uma nova cultura visual em expansão e uma nova pedagogia do olhar. Nome: Consuelo Alcioni Borba Duarte Schlichta E-mail: consuelo@onda.com.br Instituição: Universidade Federal do Paraná Título: Independência ou morte (1888), de Pedro Américo: a pintura histórica e a elaboração de uma certidão visual para a nação

Este texto aborda as relações entre arte e história a partir da análise da iconografia pictórica do século XIX, que compõe o patrimônio “biográficovisual” da nação e retrata os grandes momentos históricos e seus heróis, com destaque para a tela Independência ou Morte, (1888), de Pedro Américo de Figueiredo e Melo (1843-1905). A pintura de gênero histórico é fonte de compreensão e de representação dos acontecimentos históricos e, embora não se configure em instrumento de mera legitimação simbólica do Império, encaixava-se perfeitamente na idéia de formação de um corpo coeso moldado em torno de objetivos comuns, contribuindo sobremaneira à construção de uma leitura gloriosa de nosso passado afinada com o discurso de duas instituições: a Academia Imperial de Belas Artes e o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. Independência ou Morte é uma obra nodal na construção da nacionalidade; conforme o discurso da época é um dos exemplos mais reveladores não só da articulação, mas também da tensão entre o pictórico e o histórico e seu autor chave para a compreensão da Pintura Histórica brasileira na época. Nome: Érica Gomes Daniel Monteiro E-mail: ericagdaniel@hotmail.com Instituição: Universidade Federal do Rio de Janeiro Título: Slogans da Guerra: A participação das empresas privadas norteamericanas e do OCIAA no “Advertising Project” durante a Segunda Guerra Mundial A comunicação visa analisar a formulação pelo Office of the Coordinator of Inter-American Affairs do projeto Cooperation with U.S. Advertisers in the other American Republic, a fim de perceber como este órgão incentivou exportadores, comerciantes e industriais privados norte-americanos, que anunciavam na América Latina, a continuarem a anunciar, apesar das dificuldades de se atender aos pedidos no período da Segunda Guerra Mundial, e que, em seus anúncios, publicassem mensagens que remetessem à política da boa vizinhança. O intuito será discutir a forma como a propaganda comercial de produtos norte-americanos, feita durante o período da Segunda Guerra Mundial, foi um veículo de divulgação da política de boa vizinhança, buscando perceber a aliança entre os interesses do setor privado e do governo norte-americano, que, respectivamente, buscavam novos mercados de consumo e construir uma posição hegemônica sobre a América Latina. Nome: Francisco das Chagas F. S. Júnior E-mail: santiago.jr@gmail.com Instituição: UFF Título: Sincretismo e etnicização: religiões “afro-brasileiras” no cinema de Nelson Pereira dos Santos nos 1970 Esta apresentação tem por interesse mostrar como o campo cinematográfico brasileiro, na tentativa de produzir filmes que partiam do ponto de vista dos “valores populares”, como dizia Nelson Pereira dos Santos, acabou produzindo um movimento de clivagem nas imagens do Brasil. Ao realizar O Amuleto de Ogum e Tenda dos Milagres, o diretor considerado “patrono” do cinema novo, queria promover o “popular” e deu emergência visual às perspectivas multiculturais numa etnicização nas imagens do Brasil. Em ambos os filmes, o cineasta optou por não diferenciar mito e realidade, produzindo um deslocamento sensível nas imagens sobre as religiões populares, que no contexto dos anos 1970, sofriam pressões para se tornarem religiões “afro-brasileiras”. O campo visual cinematográfico era, porém, um terreno de disputas, e nos filmes de Nelson Pereira dos Santos, na mesma medida em que emergiam imagens de etnicização, surgia uma nova imagem do sincretismo e da mestiçagem que perturbava a afirmação das relações étnicas. A clivagem das imagens do Brasil no cinema em “afrobrasileiras”, nos anos 1970, fez-se na disputa entre valorações étnicas e sincréticas das religiões populares. Nome: Francislei Lima da Silva E-mail: francislei_silva@yahoo.com.br Instituição: Universidade Federal de Juiz de Fora Título: Das águas jorram a juventude de Eson e a beleza de Narciso: a construção de mitos e de um imaginário das águas minerais nas estâncias balneárias de Águas Virtuosas do Lambary e Caxambú O período entre o final do século XIX e início do século XX marca o Brasil pela fase de melhoramentos urbanísticos. A partir da execução dos trabalhos de remodelação e embelezamento tinha-se o intuito de se alcançar, através do novo ordenamento do espaço citadino, a monumentalidade pretendida para as cidades. Partindo dos estudos dos projetos e planos de embelezamento propostos para as estâncias balneárias do Lambary e Caxambú, buscamos um estudo sobre o reconhecimento de imagens for-

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05 tes na composição de uma paisagem pitoresca e alegórica que alcançasse proporções de espetáculo. Cria-se em torno das fontes de águas minerais e de um imaginário das águas uma multiplicidade de interações sociais e um universo simbólico característico, ampliando-se os espaços de uma hidrópolis voltada a uma idéia de perspectiva histórica e para a provocação do efeito do Belo, inspirados na valorização da natureza abundante e pela fácil criação de espelhos d’água, evocados em fontes com temas oníricos relacionados às águas primaveris e de cura. Nome: Gilmário Moreira Brito E-mail: gilmariobrito@uol.com.br Instituição: DEDC/UNEB Título: A chegada da prostituta no céu, produção e leituras de xilogravuras das capas de folhetos de cordel: inter-relações entre linguagens escrita, oral e visual Nosso propósito nessa pesquisa é buscar compreender como a produção e as leituras da xilogravura da capa de folhetos de cordel e suas relações com as linguagens orais e escritas contribuíram para construção de culturas religiosas e profanas no interior do Nordeste do Brasil. Partimos de indagações para interpretarmos a xilogravura como composição visual de valores, interesses, campos de força que se apresentam nessa fonte histórica na qual se articulam as narrativas poéticas, literárias e visuais dos textos da literatura de folhetos religiosos. Os folhetos foram levantados no IEB/ USP; FCRB/RJ; FCE/BA e FJN/PE, problematizados como suportes de uma cultura material, cuja linguagem visual, produzida por sujeitos e grupos sociais, situados historicamente no tempo e no espaço, que, através de múltiplas linguagens, apresentam seus modos de ser. Assim, investigamos a xilogravura como síntese imagética de outras linguagens, cujas narrativas possibilitam uma leitura visual de grupos populares do Nordeste, distanciados de códigos escritos. Nome: Helouise Lima Costa E-mail: helouise@usp.br Instituição: MAC-USP Título: Fotografia de autor x fotografia experimental: a experiência do MAC-USP na década de 1970 Esta comunicação visa apresentar os primeiros resultados de uma pesquisa, ainda em curso, sobre o processo de legitimação da fotografia pelo sistema de arte no Brasil, cujo foco principal é o museu. Será analisada a formação do acervo fotográfico do Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo durante a década de 1970. Esse estudo permitirá observar que a atuação de Walter Zanini, primeiro diretor do Museu, e as particularidades da posição do MAC-USP no sistema de arte no Brasil naquele período, resultaram no entendimento da fotografia prioritariamente no âmbito da arte contemporânea de caráter experimental e não como obra de arte autônoma, segundo os princípios da chamada fotografia artística ou de autor. Nome: Ivania Valim Susin E-mail: iviss21@gmail.com Instituição: UNICAMP Título: Retratos de arquitetura moderna: Acervo Edmundo Gardolinski (1936-1952) A pesquisa tem como fonte o acervo fotográfico de Edmundo Gardolinski (1914-1974), descendente de poloneses, Engenheiro Civil e fotógrafo amador. Como recorte, selecionei a porção que se refere à Vila IAPI, principal projeto profissional da vida de Gardolinski. São 269 imagens que dão conta da construção dos edifícios, das inaugurações e outros eventos, a visita de políticos, engenheiros e personalidades polonesas. O objetivo principal da pesquisa é participar da atual discussão sobre o uso da fotografia em trabalhos históricos, ressaltando a necessidade de uma leitura visual crítica para este tipo de fonte. Ao mesmo tempo, a pesquisa propõe problematizar a política do Estado Novo no tocante à habitação popular, bem como as discussões que se faziam no âmbito do urbanismo a partir da perspectiva da fotografia, definindo assim, a especificidade do trabalho do historiador com as imagens. Para isso, todas as dimensões das fotografias devem ser consideradas: o aparelho, a produção, a recepção e a reprodução até a escolha pela guarda em um acervo particular, o gênero da imagem (escolhas profissionais e estéticas, como enquadramento ou temas privilegiados), o lugar do fotografado e do fotógrafo, o uso dessas fontes e a necessidade de relacioná-las com outras categorias de documentos. Nome: Ivoneide de França Costa E-mail: neidefc@terra.com.br

Instituição: UEFS Título: O desenho como fonte histórica para estudos em História das Ciências Alguns historiadores já desenvolvem pesquisas que apontam para os estudos das imagens como documentos históricos. A imagem está se tornando detentora de informações, ampliando os tipos de fontes empregadas para discutir questões relacionadas aos contextos sociais, econômicos e políticos. No campo da História das Ciências, especificamente falando sobre as expedições cientificas, o desenho serviu para registrar as observações feitas por viajantes traçando relações entre arte - nos seus elementos estéticos - e ciências, demonstrando a importância do desenho no campo das ciências como instrumento auxiliar na investigação científica. Tendo como esse enfoque, o presente texto apresenta a narrativa do baiano e engenheiro Theodoro Sampaio na viagem pelo rio São Francisco e a Chapada Diamantina, cuja natureza da linguagem demonstra descrição pormenorizada do trajeto e dos acontecimentos, conferindo completa integração entre as descrições e os desenhos. Para tal estudo dar-se-á especial atenção a representação de alguns dos habitantes encontrados ao longo do trajeto, que apresentam personagens característicos das regiões visitadas na visão de um cientista viajante aliando sua preocupação com as condições de vida daquela população. Nome: Jaime de Almeida E-mail: jaimeida@terra.com.br Instituição: Universidade de Brasília - UnB Título: A imagem de Santa Librada no Bicentenário da Independência da Colômbia O Bicentenário da Independência é um excelente momento para discutir o sentido da presença da imagem de Santa Librada nas comemorações da Independência, entre 1813 e 1958, bem como de seu quase desaparecimento quando do Sesquicentenário (1960). Nome: Joana Carolina Schossler E-mail: joana.schossler@gmail.com Instituição: Universidade de Santa Cruz do Sul Título: Do pitoresco ao atrativo nos cartões postais de um balneário marítimo no Rio Grande do Sul Há mais de meio século o balneário marítimo de Torres é considerado um dos principais pontos turísticos do litoral do Rio Grande do Sul (Brasil). Já no primeiro quartel do século XIX, a pena do naturalista francês Auguste de Saint-Hilaire e o pincel do seu conterrâneo Jean-Baptiste Debret já haviam registrado a beleza da “paisagem natural” daquela praia. Desde então, profusos foram os relatos de viajantes estrangeiros sobre a paisagem marítima e suas Torres. Pinturas em óleo e aquarela também foram abundantes. Mas foram, sem dúvida, os cartões postais de fotógrafos profissionais que mais contribuíram para a divulgação em termos visuais daquele balneário. Essa comunicação pretende mostrar como a lente do fotografo Idio Feltes traduziu certos elementos pitorescos da paisagem marítima em aspectos atrativos no sentido turístico do termo. Trata-se de uma apropriação do pitoresco enquanto convenção de uma tradição pictórica de paisagens, sobretudo de marinhas, e de uma nova construção imagética de panoramas. Com base numa série de cartões postais, produzida por Feltes na década de 1940 e que teve grande circulação, o presente trabalho propõe uma história cultural da paisagem a partir de fontes documentais (cartões- postais) pouco exploradas pelos historiadores brasileiros. Nome: Juam Carlos Thimótheo E-mail: juamct@yahoo.com.br Instituição: UNICAMP Título: A “Ceia” de Athayde: entre a metódica e a retórica Como pintor e encarnador de peças religiosas, Manuel da Costa Athayde foi reconhecido pela coroa portuguesa como “mestre das artes de pintura e arquitetura” no início do século XIX. Sua produção, que pode ser encontrada principalmente dentro da região aurífera de Minas Gerais, destaca-se não apenas por sua engenhosidade primorosa, que é capaz de impressionar até os dias atuais, mas por se encontrar em um momento de transição histórica. Neste contexto, meu objetivo é apontar alguns elementos na construção pictórica ataidiana que seriam indícios que sua arte foi construída entre o juicio retórico e alguns apontamentos de uma subjetividade artística. Em concomitância, entrecruzar esta peça com alguns manuscritos assinados pelo mestre. Foi escolhido, como objeto para este estudo, a “Ceia”, obra realizada no então Colégio do Caraça, concluída em 1828. Sua especificidade parece evidenciar nossa hipótese que em determinado momento histórico a obra sacra colonial produzida por Athayde foi elaborada entre os preceitos retóricos persuasivos e uma metódica subjetiva.

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Nome: Leticia Coelho Squeff E-mail: leticiasqueff@yahoo.com.br Instituição: Faculdade de Arquitetura e Urbanismo- FAU/USP Título: Ilustração brasileira, moderno francês: dois livros de Vicente do Rego Monteiro O pintor Vicente do Rego Monteiro (1899-1970) tem uma trajetória curiosa no modernismo brasileiro: fez a maior parte de sua formação na França, mas não deixou de estudar a cerâmica marajoara e as lendas indígenas brasileiras, incorporando-as em mais de uma criação sua. Transitando entre Paris, São Paulo e Recife, o artista deixou uma obra multifacetada, que vai da pintura à ilustração, da poesia à cenografia. Nesta oportunidade, pretendo comentar dois livros que o artista editou em Paris: Légendes, croyances et talismans des Indiens de l´Amazone (1923) e Quelques visages de Paris (1925). A intenção é discutir as ilustrações das obras tendo em vista dois aspectos, fundamentais para o modernismo brasileiro nos anos 1920: a adoção de novas linguagens, como a estampa japonesa e o art déco, entre outros; o engajamento do artista na realização de uma arte afirmativamente brasileira. Nome: Luana Carla Martins Campos E-mail: luanacmc1@hotmail.com Instituição: UFMG Título: A Cultura Fotográfica de Belo Horizonte (1897-1939) e a prática profissional híbrida Essa comunicação pretende expor alguns dos resultados e desdobramentos da dissertação de mestrado intitulada “’Instantes como esse serão seus para sempre’: práticas e representações fotográficas em Belo Horizonte (1894 – 1939)” defendida em 2008 no Departamento de História da UFMG. Buscar-se-á analisar um aspecto específico da Cultura Fotográfica da capital mineira que se relaciona ao hibridismo da prática dos profissionais que ali atuaram. Se, a princípio, os fotógrafos estabelecidos em Belo Horizonte eram profissionais híbridos, desempenhando uma atividade que necessitava de noções em diversas áreas, concomitante ao exercício de ofícios de diversas naturezas, com o passar dos anos, tenderam a se dedicar exclusivamente ao universo da fotografia. A exigência de um conhecimento amplo para a prática fotográfica se tornou menor para os fotógrafos na medida em que, por exemplo, a automatização do processo produtivo cresceu. Não deve se descartar ainda a maior estabilidade profissional que o mercado da fotografia na cidade proporcionou a seus praticantes nos fins da década de 1930. Nesta perspectiva, desejar-se-á desenvolver uma reflexão que contemple não somente a práxis dos fotógrafos, mas também as definições do termo hibridismo cultural a partir de teóricos como Néstor Canclini. Nome: Marcelo Robson Téo E-mail: marceloteo@hotmail.com Instituição: Universidade de São Paulo Título: Tendência imaterial: artes plásticas e música na constituição da modernidade artística brasileira A história da arte brasileira tem sido explicada, de forma geral, a partir de discussões cruzadas, sempre alternadas ou divididas entre sua relação com as tradições artísticas européias e a questão da identidade nacional. É possível verificar que, de ambos os lados, a referência à música é constante, seja na condição de referencial estético na busca de autonomia das artes plásticas – ut pictura música –, seja na condição de substrato identitário capaz de exprimir essências nacionais, vivas nos ritmos do cotidiano, nos gestos, na fala e na inteligência criativa popular. Esses dois pontos de contato com a música parecem ter deixado marcas profundas na constituição da modernidade pictórica brasileira. O intuito deste texto é discutir tais presenças a partir da crítica de arte de Mário de Andrade, para quem a pintura foi ponta de lança do modernismo, e a música, ponto de contato entre a atualidade de pensamento e a realidade do país. Nesse sentido, a discussão de alguns conceitos musicais presentes ao longo de sua obra crítica – tais como polifonismo, musicalidade, entre outros – apresenta-se como essencial na análise de sua compreensão das artes visuais, bem como de algumas obras importantes da pintura moderna brasileira. Nome: Marcos Felipe de Brum Lopes E-mail: marcosfblopes@yahoo.com.br Instituição: Universidade Federal Fluminense Título: “Afrontou o sertão bravio”: imaginação geográfica e fotografias de uma expedição aos índios Carajá (1938) No âmbito de uma pesquisa sobre o fotógrafo austríaco Mario Baldi (1896 – 1957), este trabalho almeja articular o conceito de “imaginação geográfica” com fotografias produzidas numa expedição de filmagem dos índios

Carajá, realizada em 1938, nas margens do Rio Araguaia. Aborda-se a prática fotográfica de Mario Baldi por meio do conceito de mediação cultural, através da qual o fotógrafo narra, constrói e imagina o interior do território brasileiro a partir das noções de “sertão” e “civilização”. A fotografia desempenhou um papel importante na construção de uma geografia imaginada do Brasil, por meio da veiculação de imagens de partes de seu território ainda não conquistadas. Tomando as fotografias como destinadas a tornar visualizável o “sertão”, trata-se de identificar em que medida e de que maneira funcionaram como meios de imaginar – construir por imagens – a geografia e as populações indígenas da região do Rio Araguaia. Nome: Maria Antonia Couto da Silva E-mail: mariancouto@gmail.com Instituição: IFCH - UNICAMP Título: “Um espírito imparcial e as mais belas paisagens – considerações acerca do projeto editorial do livro-álbum Brasil Pitoresco, de Victor Frond e Charles Ribeyrolles” Pretendo neste trabalho analisar o projeto do livro-álbum Brasil Pitoresco, publicado entre 1859 e 1861, de autoria dos franceses Victor Frond e Charles Ribeyrolles, e realizado com o apoio do imperador D. Pedro II. Concebido como uma obra na qual as imagens teriam grande importância, e que procurava “atualizar” publicações como as de Debret e Rugendas, o livro causou grande impacto em sua época, tanto pelo texto como pelas litografias que o ilustraram, obtidas a partir de fotografias de Frond. Entre as ilustrações do livro, produzidas na França, podemos destacar a série de vistas do Rio de Janeiro e a que registra o trabalho escravo nas fazendas fluminenses, a mais conhecida atualmente. O livro teve muita repercussão em sua época, pelos temas tratados e pela abordagem crítica em relação à sociedade brasileira. A imprensa enfatizou o passado político de seus autores e o caráter liberal e abolicionista da publicação. As críticas foram muito positivas também em relação à nitidez e qualidade técnica das imagens. As litografias do Brasil Pitoresco, amplamente divulgadas, ganharam autonomia em relação ao livro, e trouxeram inovações formais que se revelaram importantes para a produção de pintores e fotógrafos do período, como Agostinho da Motta, Almeida Júnior e Marc Ferrez. Nome: Maria Cristina Miranda da Silva E-mail: crismiranda@superig.com.br Instituição: Colégio de Aplicação da UFRJ Título: A presença dos aparelhos e dispositivos ópticos no Rio de Janeiro do século XIX O estudo investiga a presença dos aparelhos e dispositivos ópticos no Brasil do século XIX, em especial na cidade do Rio de Janeiro, objetivando examinar os seus usuários e difusores, bem como as formas de observação e os contextos sociais de utilização dos mesmos. A pesquisa é fundamentada nos estudos do primeiro cinema e na obra do historiador da arte Jonathan Crary, nos ajudando a analisar o processo de recontextualização do uso dos dispositivos ópticos e o redimensionamento do observador da modernidade. O trabalho empírico consiste na análise dos pedidos de licença à Câmara Municipal do Rio de Janeiro para a exibição dos dispositivos, no período de 1830 a 1890, e no estudo sistemático de anúncios publicados no Jornal do Commercio, entre as décadas de 1850 e 1870. A pesquisa comprova uma relativa popularização dos referidos dispositivos e aparelhos, sobretudo nas festas de rua. Especial ênfase foi conferida à chegada da fotografia no Brasil e a precocidade com que a estereoscopia foi aqui desenvolvida pelo fotógrafo Revert Henrique Klumb. A partir dos anúncios publicados no Almanak Laemmert, entre os anos de 1844 e 1889, realizamos um levantamento dos estabelecimentos que importavam e comercializavam os aparelhos e dispositivos no período referido. Nome: Maria Teresa Ferreira Bastos E-mail: bastos.te@gmail.com Instituição: Arquivo Público do Estado do Rio de Janeiro e ECO/ UFRJ Título: Fotografia e Comunismo: imagens da Polícia Política no Arquivo Público do Estado do Rio de Janeiro Esta comunicação objetiva desenvolver uma reflexão teórico-crítica tendo a fotografia como fonte primária e como corpus empírico os arquivos fotográficos da polícia política brasileira atuante de 1930 – 1983, sob custódia do Arquivo Público do Estado do Rio de Janeiro. Torna-se importante ressaltar a característica híbrida do acervo. São encontradas, lado a lado, imagens produzidas com o intuito de reconstituição policial ou espionagem e material apreendido em batidas policiais. No caso das apreensões, as muitas investidas na sede do Partido Comunista Brasileiro permitiram à Polícia constituir um acervo razoável da trajetória do PCB e, ironicamente,

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05 tornou-se sua maior guardiã. Mergulhar nesse acervo é extrair a visão da Polícia do que representava para ela seu maior fantasma: “o perigo vermelho”. Destaca-se no acervo, o trabalho do fotógrafo e cineasta Ruy Santos (1916-1989) que registrou em película muitas personalidades do PCB, entre elas, Jorge Amado, Luiz Carlos Prestes, Graciliano Ramos, além de momentos importantes da história do comunismo no Brasil. São imagens de manifestações públicas, bem como inúmeros portraits. Praticamente, as fotografias de sua autoria encontradas no APERJ são as únicas remanescentes de seu acervo, destruído em 1948, com sua prisão. Nome: Marilda Lopes Pinheiro Queluz E-mail: pqueluz@gmail.com Instituição: UTFPR Título: O olhar plural sobre o local: um estudo sobre os rótulos de cachaça das décadas de 1950 e 1960 O objetivo deste trabalho é investigar como as relações entre design, cultura e tecnologia estão presentes nos rótulos de Cachaça paranaenses das décadas de 1950 e 1960. O Brasil dos anos 1950 viveria um grande surto industrial, com fortes mudanças culturais e econômicas que se refletiram no design e nas artes gráficas. O design é uma parte integrante do processo de interação entre artefatos e pessoas, possuindo fortes implicações sociais. Alguns destes rótulos possibilitam um resgate não só do trabalho dos litógrafos, mas um olhar sobre as dimensões culturais e tecnológicas, como a convivência entre o moderno processo de offset e a litografia, um processo antigo, barato, simples, com caráter comercial e transitório, por exemplo. A tecnologia é um processo dinâmico, uma construção social, que envolve saberes e fazeres, a produção, os usos e a apropriação dos artefatos. Refletir sobre design e cultura nestas peças gráficas levou ao questionamento sobre a construção das identidades, e da própria idéia de nacionalidade. Os rótulos de cachaça, um produto considerado genuinamente brasileiro, dão visibilidade às tensões imbricadas nas representações de masculino e feminino, nos embates entre os estereótipos regionais e locais, urbanos e rurais, na diversidade cultural. Nome: Patrícia Câmera E-mail: patricia.camera@ufrgs.br Instituição: PUC-RS Título: O tempo como “categoria” analítica da memória: o caso da apresentação da identidade latino-americana na obra fotográfica do peruano Martin Chambi O objetivo do presente estudo é compreender parte do processo de construção da memória cultural do povo quéchua no contexto da IV Bienal de Artes Visuais do Mercosul (2003), considerando como objeto de estudo a obra “El Gigante de Paruro” (1925) do fotógrafo peruano Martin Chambi. Para desenvolver a análise leva-se em consideração a experiência da temporalidade na cultura humana, tendo como principais referenciais teóricos os estudos sobre tempo e memória realizados por Henri Bergson e Didi-Huberman. A visualidade do conjunto da obra de Martin Chambi é discutida no contexto histórico de produção comercial e de legitimação no circuito artístico contemporâneo. Também, algumas especificidades sobre o estatuto da fotografia são abordadas, passando por discussões pertencentes ao campo de execução (autor, referente, pose) e ao campo de difusão (comercial e artístico) deste meio. Levanta-se a problemática do sensível e da racionalidade humana referida à experiência do tempo na obra de Chambi, procurando apontar algumas contradições observadas na construção da memória visual do grupo indígena quéchua de Cuzco. Nome: Paula Martins de Barros Gioia E-mail: paulagioia@gmail.com Título: O Muro caiu e elas vieram: fotografias de brasileiras e turcas em Berlim Com o fim da Guerra Fria e a queda do muro de Berlim, a década de 1990 marcou o início de um intenso processo de “cosmopolitização” da capital da Alemanha reunificada. Imigrantes vindos de diversas partes do mundo encontram-se aí. Em minha recém-iniciada pesquisa, venho trabalhando com dois desses grupos de imigrantes: as mulheres brasileiras e as mulheres turcas vindas para Berlim entre 1989 e 2009. Entendendo e utilizando a fotografia como fonte e objeto da pesquisa histórica, investigo os álbuns fotográficos particulares dessas atrizes sociais, com o intuito de revelar por meio da imagem conflitos e jogos identitários existentes entre a experiência migratória e as idéias, expectativas e visões de mundo típicas de suas respectivas sociedades de origem. O regime visual é, portanto, o caminho escolhido para analisar as diferentes trajetórias e a comum escolha de Berlim como lugar de destino, assim como para desvendar as redes sociais por elas

aí tecidas. É também por meio da dimensão visual que busco comparar e analisar suas experiências vividas em Berlim com as imagens por cada uma delas autoconstruídas para enviar a sua respectiva terra natal. Ao Simpósio Temático proponho apresentar, portanto, conclusões parciais obtidas pela pesquisa até aqui. Nome: Pedro Alexander Cubas Hernández E-mail: pedritocubas@gmail.com Instituição: Centro de Estudos Afro-Orientais/UFBA Título: Brasil e Cuba (1920–1940): A representação da Miscigenação no vanguardismo pictórico Durante os anos vinte e trinta em Brasil quanto Cuba proliferou uma valoração positiva do discurso da miscigenação como eixo fundamental do processo de formação nacional. No Brasil, os Higienistas criticavam a miscigenação considerando-a uma doença que devia ser erradicada. Em Cuba quase ninguém mencionava a palavra miscigenação como um problema relevante para a Nação. As reflexões sobre o conceito contemporâneo da miscigenação superavam a questão da “raça” e cor da pele e começaram a se pensar como uma síntese cultural do processo histórico latino–americano. Na aquela época o escritor mexicano José Vasconcelos quase teorizava acerca duma Raça Cósmica (1925) e o poeta cubano Nicolás Guillén apresentava a metáfora da “cor cubana” (1931). Em tais contribuições é mais forte a perspectiva da cultura e suas relações com as identidades e o nacionalismo. Estas narrativas socioculturais, ideológicas e políticas se expressam nos aportes do vanguardismo pictórico latino-americano que funciona numa rede complexa e problemática de vínculos entre o artístico e o político onde os intelectuais pretendiam dignificar sua ruptura radical com as concepções elitistas e eruditas da “arte pela arte” para responder ao que seus antagonistas denominavam um simples delírio de originalidade. Nome: Renato Cymbalista E-mail: renato@polis.org.br Instituição: IFCH - UNICAMP Título: O martirológio de Benedito Calixto: identidade paulista e representações de mártires na Igreja de Santa Cecília em São Paulo Em 1907, Benedito Calixto recebe do arcebispo de São Paulo encomenda de decorar o interior da igreja de Santa Cecília. O conjunto realizado contém imagens do martírio de Santa Cecília, patrona da paróquia e morta no século III, cujo corpo foi encontrado incorrupto no século XVI na igreja que leva o seu nome em Roma. A igreja de São Paulo contém também pinturas que celebram a conversão e o martírio do jesuíta Pedro Correia, o primeiro mártir paulista, além de imagens dos doze primeiros papas romanos, sepultados na catacumba de São Calixto, assim como Santa Cecília. São também representados os doze primeiros bispos de São Paulo. Coroando o conjunto, a igreja de Santa Cecília recebe em 1909 as relíquias de S. Donata, mártir doada pelo vaticano para celebrar a promoção de S. Paulo à arquidiocese. Em um jogo visual que transcende tempo e espaço, Calixto insere São Paulo no corpo místico da Cristandade, e vai além: o pintor nasceu em 14 de outubro, dia do martírio de São Calixto, a quem deve seu próprio nome. Nasceu em Itanhaém, representada na imagem da conversão de Pedro Corrêa. Fundindo honras a São Calixto, São Paulo, Santa Cecília, os papas mártires e Pedro Correia, Benedito Calixto (que nunca havia ido a Roma) fez em Santa Cecília também um monumento pela salvação de sua própria alma. Nome: Rogério Pereira de Arruda E-mail: r.p.arruda@uol.com.br Instituição: UFMG Título: Belo Horizonte e La Plata em suas primeiras fotografias Esta comunicação apresenta duas experiências em torno do uso da fotografia. Uma em Belo Horizonte, capital do estado de Minas Gerais, a outra, em La Plata, sede da província de Buenos Aires. O estudo da atuação do Gabinete Fotográfico, da Comissão Construtora da Nova Capital (CCNC), em Belo Horizonte, entre 1894 e 1897, e, dos álbuns executados pelo fotógrafo Tomás Bradley, sobre a construção de La Plata, entre 1882 e 1884, nos oferece a oportunidade de aproximar duas experiências latino-americanas em torno da produção simbólica então levada a efeito no processo de construção e de fundação das duas cidades. Tal produção se, por um lado, se relaciona com a criação de uma memória das origens, por outro, também estabelece o nascimento de uma cultura visual nas duas cidades capitais. Nome: Rogério Souza Silva E-mail: rogerhist@uol.com.br

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Instituição: Universidade do Estado da Bahia - UNEB Título: A revista Careta e a Revolução de 1930: as representações caricaturais da política e as esperanças de mudanças na vida republicana Esta comunicação pretende fazer uma discussão sobre o conjunto de imagens caricaturais produzidas pelo desenhista Alfredo Storni no semanário ilustrado carioca Careta durante os processos da Revolução de 1930. Em suas edições dos meses finais daquele ano, nomes centrais da política brasileira da época, como: Washington Luís, Getúlio Vargas, Osvaldo Aranha, Júlio Prestes, Juarez Távora, entre outros, desfilaram nas páginas dessa revista representando diferentes papéis diante das agitações que o país vivia em tal contexto. As caricaturas criaram imagens negativas e positivas desses diferentes personagens, dando, como texto, possibilidades de leituras para entendermos outros ângulos de um dos episódios fundamentais do século XX no Brasil. Nome: Rosangela de Jesus Silva E-mail: rosangelad@gmail.com Instituição: UNICAMP Título: Imagens da construção de um ideal? A pintura de Angelo Agostini (1885 – 1909) Angelo Agostini(1842/3-1910), além de caricaturista, crítico de arte e jornalista, também foi pintor. Suas telas são pouco conhecidas, talvez pela quase ausência delas em coleções públicas, o que gera uma dificuldade principalmente para a realização de estudos sobre o artista. No entanto, quando se acompanha sua trajetória através da imprensa, são inúmeras as notas sobre sua atividade de pintor de retratos, assim como sua constante participação nas Exposições Gerais de Belas Artes entre 1890 e 1909. Entre as temáticas escolhidas pelo artista há paisagens, representação de gaúchos, índios e retratos. Enquanto figura atuante na sociedade carioca da segunda metade do século XIX teria o artista esboçado, através de sua pintura, seu ideal de nação? O objetivo dessa comunicação é apresentar algumas das telas do pintor e iniciar uma reflexão sobre suas escolhas pictóricas. Nome: Sandra Sofia Machado Koutsoukos E-mail: sandrakoutsoukos@hotmail.com Instituição: UNICAMP Título: Negros Dahomeyans em exibição. Espetáculo e ciência na Exposição Universal de Chicago (1893) A partir de meados do século XIX, incrementou-se a exposição de pessoas, ao vivo ou em fotografia, como forma de entretenimento, de “estudo científico”, de registro antropológico, ou como objeto a ser incluído nos gabinetes de curiosidades e coleções. Com a organização das grandes exposições universais, displays de pessoas eram montados e explorados por meses a fio naqueles enormes centros de exibição da modernidade e do progresso. A exposição e o registro do “outro” explorava o suposto “primitivismo” daquelas pessoas, em contraste com a enorme quantidade de avanços tecnológicos, industriais, científicos e artísticos apresentados. Colocados no início da escala evolutiva humana, os índios, os negros, os outros povos colonizados e os “bizarros” (freaks) talvez fossem as exibições que mais despertavam a curiosidade do grande público que freqüentava as feiras. Tais exibições, a princípio, vinham cumprir a função de informar e suscitar o respeito por aquele “outro”, mas terminavam por incutir mais sentimentos de superioridade no branco de ascendência européia, ajudando a reafirmar teorias racistas então em voga e, assim sendo, “justificando” e “desculpando” o crescente imperialismo. Apresento os negros Dahomeyans exibidos na Exposição Universal de Chicago de 1893. Nome: Sonia Maria de Almeida Ignatiuk Wanderley E-mail: soniamaiw@gmail.com Instituição: Universidade do Rio de Janeiro - UERJ Título: Estética e Corporação: A imagem na construção de identidades da TV brasileira As imagens que forjaram as identidades visuais das primeiras emissoras de televisão no Brasil refletem não apenas a procura pela fidelidade do telespectador em um momento de afirmação do novo veículo no país e no mundo, mas, principalmente, refletem a constituição de significados que, rapidamente, se afastaram daqueles da “época do rádio”. Partindo do estudo acerca da construção das identidades visuais para as primeiras emissoras de TV do país, este trabalho procura desvelar elementos constitutivos da relação entre os campos político e cultural brasileiros entre as décadas de 1950 e 1970.

Instituição: Museu Nacional / UFRJ Título: “Paraiba en Brasil: uma visita ao ‘Gabinete de Curiosidades’ de Jan Van Kessel” Durante o período nassoviano houve uma extraordinária produção de registros sobre as terras brasílicas. Muito mais do que os textuais foram os registros iconográficos os mais relevantes –– cartografia, pinturas e gravuras retrataram os costumes, os habitantes, flora, fauna e arquitetura. Esse testemunho não só difundiu o Brasil e, mais precisamente, o nordeste, mas imprimiu no imaginário europeu uma visão muito rica e particular, possibilitando a muitos que cá não estiveram a construção de uma imagem do novo mundo. Entre esses, Jan Van Kessel (1626-1679), um artista da Antuérpia, confeccionou quatro painéis representando uma síntese dos quatro continentes. O artista organizou a composição das pinturas à feição dos mapas holandeses: uma figura central cercada por dezesseis quadros menores. A Europa e a Ásia estão centralizadas nas “cidades-símbolo”, respectivamente, Roma e Jerusalém, a “Paraiba en Brasilæ” é o tema central do painel dedicado à América. A imagem apresentada aí é evocadora de um “Gabinete de Curiosidades”, uma câmara de arte ou de maravilhas. O objetivo do trabalho é o de proceder a análise iconográfica dessa imagem, refletindo, a partir de conceitos teóricos, acerca de sua importância documental e da sua articulação com a cultura visual do período. Nome: Valéria Alves Esteves Lima E-mail: valeria-esteves@uol.com.br Instituição: Universidade Metodista de Piracicaba Título: Notas sobre Arte e Política na América Oitocentista A história da arte na América Latina, bem como o estudo do estatuto da imagem nos países de colonização ibérica, é indissociável das análises em torno da circulação e difusão de teorias, modelos e pessoas no continente, desde o período colonial. No século XIX, esse movimento está vinculado às estreitas relações entre arte e política, no momento de consolidação dos processos de independência e de afirmação de projetos de nacionalidade nos novos Estados. O presente trabalho procura desenvolver as idéias acima, abordando a oficialização do ensino artístico e, ao mesmo tempo, de uma estrutura moderna das artes no novo continente, como desdobramento inquestionável de uma estreita relação entre arte e política. Busca-se repensar a associação que em geral se faz entre vínculo político e falta de qualidade estética, e mesmo histórica, desta produção artística, enfatizando os diálogos e as transferências entre os diferentes contextos (europeu e americano), bem como a natureza essencialmente política dos contatos artísticos então realizados. Para tanto, serão acompanhadas as trajetórias de dois artistas, estrangeiros cuja atuação foi de extrema significação para os contextos artísticos do Brasil e do Chile em meados do s. XIX: Alexandre Cicarelli e Raymond A. Quinsac de Monvoisin. Nome: Wagner do Nascimento Rodrigues E-mail: wnr80@hotmail.com Instituição: UNICAMP Título: Gatilhos da Memória: narrativas e representações fotográficas de velhos ferroviários Este trabalho trata da primeira fase de pesquisa da tese de doutorado “Território, Capitais e Trilhos”. Dois velhos ferroviários e uma filha de ferroviário – todos da antiga Estrada de Ferro Central do Rio Grande do Norte na década de 1950 – foram entrevistados, e uma das estratégias de abordagem foi o uso de fotografias acerca do seu universo de trabalho e das atividades de lazer decorrentes. Analisaremos nesse artigo as representações e simbologias contidas em um grupo de trinta e quatro fotografias, as narrativas derivadas, direta ou indiretamente, da relação da memória dos entrevistados com essas imagens e os mecanismos alternativos de leitura das fotografias, já que um dos entrevistados é semi-cego.

Nome: Thereza Baumann E-mail: tbbaumann@uol.com.br

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06 06. Dinâmica imperial no Antigo Regime português: séculos XVI-XVIII Roberto Guedes Ferreira - Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (robguedes@superig. com.br) Maria de Fátima Silva Gouvea – Universidade Federal Fluminense O Simpósio almeja entender a dinâmica política e econômica do império ultramarino luso e das instâncias que influíram em tal dinâmica. Priorizando os séculos XVI ao XVIII, parte-se do pressuposto de que a organização do império luso da época foi presidida por concepções de monarquia (universus) e de auto-governo das comunidades (república). Em outras palavras, se pretendem analisar a atuação das câmaras municipais (abastecimento, ordenanças, justiça ordinária, etc.) e das hierarquias sociais a elas subjacentes na dinâmica imperial lusa. Da mesma forma, o Simpósio discutirá a conexão de tais repúblicas com os poderes do centro (Coroa, Igreja, casas aristocráticas, etc.) e as redes comerciais na gestão da monarquia pluricontinental. Há menos de dez anos, provavelmente, isto causaria surpresa no meio acadêmico. Em finais do século XX, dificilmente alguém que tivesse a teoria da dependência como referência pensaria na possibilidade da periferia, e de suas respectivas elites locais, interferir nos rumos da economia do mundo européia. Porém, o surgimento da noção de autoridades negociadas (Greene, 1994. Cf. também Hespanha, 1994; Elliot, 1992), possibilitou entender a gestão dos impérios ultramarinos sob novas perspectivas. Isto é, ao lado do príncipe e dos conselhos palacianos do reino, os poderes locais também atuavam na gestão da dinâmica imperial. Hoje em dia é cada vez mais difundida a concepção de que Monarquia Corporativa prevalecia no Sul da Europa. Leia-se: o príncipe era a cabeça da sociedade, mas não se confundia com ela. As comunidades tinham a capacidade do autogoverno e de interpretarem o governo do príncipe (Le Roy Ladurie, 1989; Lempérière, 2004, Skinner, 2006). Isto valia não só para o Velho Mundo, mas também para as conquistas americanas e demais partes do império ultramarino. Por fim, o Simpósio integra pesquisadores do grupo Antigo Regime nos Trópicos: Centro de Estudos sobre a Dinâmica Imperial no Mundo Português, sécs. XVI-XIX.

Resumos das comunicações Nome: Adriana Barreto de Souza E-mail: adrianaabarreto@gmail.com Instituição: UFRRJ Título: Ordenanças, tropas de linha e auxiliares – mapeando os espaços militares do Antigo Regime luso-brasileiro O modelo de “ser militar” da atualidade em geral não é pensado como um produto historicamente datado, resultado de uma série de ações políticas implementadas ao longo do século XIX. Desse modo, idéias tradicionalmente associadas à carreira militar – como o domínio de conhecimentos técnicos específicos, a incorporação de valores e atitudes orientados por uma disciplina rigorosa e a forte unidade corporativa – são naturalizadas e automaticamente transferidas para a análise de forças militares das sociedades pré-industriais. A proposta desta comunicação é, através de uma análise da legislação referente ao tema, refletir sobre a cultura militar que teria estruturado as forças militares portuguesas entre os séculos XV e XVIII, uma cultura de Antigo Regime. Nome: Adriano Comissoli E-mail: adrianocomissoli@yahoo.com.br Instituição: UFRJ Título: Ensaio sobre a mediação: alianças entre famílias de elite e magistrados no extremo sul do Brasil entre 1808 e 1831 O fenômeno de brokerage implica a mediação entre um espaço social de alcance limitado e outro de maior amplitude. No estudo em curso estamos aplicando tal leitura à conexão proporcionada ao Rio Grande de São Pedro com a Corte do Rio de Janeiro. Demonstramos como a tessitura de laços familiares entre magistrados nomeados pelo poder central e famílias de elite localmente enraizadas cria uma ponte que integra ambos os espaços oferecendo-lhes um sentido de unidade. Da parte dos magistrados esta união com a elite local permitiu a ascensão aos primeiros cargos políticos de tipo representativo surgidos após a emancipação política do Brasil frente a Portugal. Da parte dos estancieiros-militares componentes da elite abriu-se uma possibilidade de expressão política de acordo com um novo linguajar que rapidamente se disseminava nos agitados anos de 1820 e 1830. Embora voltado ao Rio Grande de São Pedro o estudo demonstra a viabilidade da aplicação do fenômeno a outras províncias do

Império brasileiro. Nome: Anderson José Machado de Oliveira E-mail: anderclau@alternex.com.br Instituição: Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro - UNIRIO Título: Padre José Maurício: “limpeza de cor”, mobilidade social e recriação de hierarquias na América Portuguesa A comunicação proposta, através da trajetória do mulato José Maurício Nunes Garcia, pretende refletir sobre como o acesso às funções sacerdotais permitiu a segmentos da “população de cor” empreender processos de mobilidade social na América Portuguesa. Da mesma forma, refletirá sobre o processo de recriação de hierarquias numa sociedade com traços de Antigo Regime onde, como afirma Giovanni Levi, as estratégias dos grupos subalternos, embora não tenham subvertido o processo de dominação, impuseram condicionamentos e modificações às estruturas de poder. Nome: Anna Laura Teixeira de França E-mail: laureanna26@yahoo.com.br Instituição: Universidade Federal de Pernambuco Título: Redes familiares e enriquecimento na formação do grupo mercantil no Recife colonial O objetivo deste trabalho é analisar a formação e organização da sociedade recifense após a Restauração Pernambucana, existindo então a abertura, a partir da expulsão de holandeses e judeus, de “nichos” econômicos e sociais no meio urbano colonial. É nesse contexto que se pode perceber o conjunto de estratégias de acesso e defesa de posição, que culminará em Pernambuco, em princípios do século XVIII, na denominada Guerra dos Mascates. Para os comerciantes que residiam no Brasil, existia uma maior possibilidade de se estabelecerem como parte da elite dominante. Em vista dessa perspectiva, vários foram os que se tornaram membros de confrarias ou irmandades religiosas, nas quais conseguiam alcançar os cargos mais prestigiosos. Muitos também se tornaram membros de câmaras municipais e, ainda, conseguiram habilitações para as Ordens Militares de Portugal e Familiar do Santo Ofício. Podemos assim entender que, após a reconquista da capitania do poder dos holandeses, a povoação do Recife se tornará um “celeiro” para novas oportunidades de sucesso econômico e social para os colonos portugueses e que serão também alcançadas por alguns indivíduos naturais deste ambiente urbano colonial.

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Nome: Bartira Ferraz Barbosa E-mail: bartiraferraz@yahoo.com.br Instituição: UFPE Título: Missionação na capitania de Pernambuco – o Convento de São Francisco em Olinda No século XVI o projeto missionário para a Terra de Santa Cruz se inscreveu no coração da política do padroado que atendia aos objetivos de ampliação dos domínios da Igreja e o da monarquia portuguesa. A missão da Igreja, enquanto projeto missionário era, principalmente, a de conversão dos nativos. Para tanto, a coroa portuguesa os financiou no Brasil colônia, fazendo jus à bula Inter Coetera de 1493, no qual os soberanos de Portugal e Castela ficaram encarregados das ações de povoar e de evangelizar as terras ‘descobertas’ e as por ‘descobrir’. Esta bula, portanto, trata também do direito do padroado e da política de ampliação dos domínios da Igreja Católica Apostólica Romana, já definida para a África explorada pelos portugueses, onde também ocorriam ações missionárias. As missões religiosas foram sendo construídas na Capitania de Pernambuco ocupando terras no sentido do litoral ao sertão, nelas as artes podem refletir as relações entre a Igreja, o Estado e a Sociedade colonial. Nome: Carmen Margarida Oliveira Alveal E-mail: carmenalveal@cchla.ufrn.br Instituição: UFRN Título: O sistema de comunicações jurídicas e o instituto sesmarial no Império Atlântico português As comunicações jurídicas constituíam-se numa diversa gama de mecanismos de trocas de informações jurídicas, incluindo instruções reais aos governadores, ordens régias, decisões resultantes de casos de apelação e, sobretudo, petições, todos utilizados na construção do Império português, fortalecendo os laços administrativos com suas colônias. Tendo como tema as sesmarias, pretende-se analisar como as comunicações jurídicas funcionavam dentro do sistema de administração lusitana, mostrando as possibilidades e limitações oferecidas aos administradores régios coloniais e até mesmo aos súditos. Será analisada a atuação da principal agência metropolitana, o Conselho Ultramarino, responsável pela administração das colônias, a partir do século XVII. Criado em 1642, foi o principal canal de comunicação entre as regiões coloniais e a metrópole e, por meio de documentos produzidos por esta agência e recebidos por ela, procura-se analisar a consolidação do Império português e a forma como se dava a administração colonial por parte da metrópole. Ao mesmo tempo, a eficácia do controle português sobre as colônias requereu o desenvolvimento de um conjunto de técnicas de comunicações jurídicas no tocante ao sistema de distribuição de sesmarias. Nome: Clara Maria Farias de Araújo E-mail: clmfa@hotmail.com Instituição: UFRJ Título: Homens de negócio e hierarquias de cor em Pernambuco no século XVIII Consultando a Coleção Patentes Provinciais, encontramos uma representação dos homens de negócio da praça do Recife solicitando em 1777 ao então governador da capitania, José César de Menezes, a conservação do preto forro Domingos Ferreira Ribeiro no posto de governador dos ganhadores da mesma praça pela utilidade do bem público. O posto era reservado a homens de cor e a manutenção da disciplina e a organização dos grupos de trabalho sob seu governo compunham algumas de suas funções. O termo ganhadores incluía uma diversidade de ofícios que, no momento estudado, de reorganização do mundo do trabalho urbano em Pernambuco, eram responsáveis pela realização de serviços e venda de mercadorias indispensáveis à população e relacionados ao abastecimento interno. Braudel, ao analisar a ligação entre produtores e homens de negócio na Europa, o que permitia a estes, acesso direto ao produto acabado, demonstra como este circuito era integrado aos grandes circuitos comerciais. O que nos faz pensar sobre os vínculos entre abastecimento interno e comércio ultramarino e que a intervenção na nomeação do governador dos ganhadores se insere nesta dinâmica, em que os homens de negócio buscam através do governador controlar o comércio responsável pelo abastecimento da cidade. Nome: Claudia Cristina Azeredo Atallah E-mail: claudiaatallah@click21.com.br Instituição: UFF Título: Inconfidência em Sabará: uma Representação dos “humildes e fiéis vassalos de Vossa Majestade”

A presente comunicação pretende discutir uma Representação ao Rei, elaborada por alguns homens bons de Sabará, sede administrativa da Comarca do Rio das Velhas, na capitania de Minas Gerais. Sem data definida, mas provavelmente elaborada entre os anos de 1772 e 1775, o documento acusa severamente o ouvidor da Comarca, José de Góes Ribeiro Lara de Moraes e o vigário geral José Correia de Lima de cometerem uma série de crimes contra a coroa na comarca sob suas jurisdições e de blasfêmias contra o Ministro Sebastião José de Carvalho e Melo. Além dessas informações, a Representação nos revela a formação de redes clientelares e políticas que envolviam, de um lado, alguns homens representantes do poder local e, de outro, o ouvidor, o vigário e os membros da câmara. Conflitos de poder que demonstravam o quanto eram efêmeras as fronteiras entre as representações de poder nesse universo político de Antigo Regime, práticas que as reformas do Marquês de Pombal procuraram combater. As acusações feitas na Representação culminaram com a condenação pelo crime de Inconfidência dos dois oficiais régios em 1776, fruto desse mesmo contexto de reformas. Nome: Elmar Figueiredo Arruda E-mail: elmarfigueiredo@ig.com.br Instituição: Escola Estadual Jercy Jacob Título: O mundo do crédito: análise dos mecanismos financeiros na capitania de Mato Grosso Pense rápido: o que é melhor, vender a vista ou a prazo? E se lhe dissesse que estamos no século XVIII, o que seria melhor para o comerciante e para a população da época, a vista ou a prazo? Pois bem, provavelmente a resposta seria a mesma. Os mecanismos de lucros que conhecemos hoje, boa parte deles já se faziam prática na época. Juros, multa, penhora, compra parcelada, trocas enfim tudo isso e muito mais. A nossa pesquisa se resume à “praça” de Mato Grosso, onde os preços eram majorados por ser área de garimpo. O comerciante, o mascate, o tropeiro vendem fiado e querem vender fiado, pois a moeda de pagamento é o ouro. A coroa por diversas vezes tenta coibir, até tabelando as mercadorias vendidas na capitania. O livro borrador dos comerciantes, as listas de mercadorias retidas ou não para pagar imposto nos registros de entrada, a cobrança de dividas pela provedoria (inclusive o juizado dos órfãos e defuntos), os tipos de gêneros que se vendem nas lojas de secos e molhados, constituem nossas fontes documentais. Enfim esta comunicação tem como objetivo apresentar algumas análises acerca dos dados da pesquisa que vem sendo desenvolvidas sobre os mecanismos de lucros utilizados pelos comerciantes e as formas de créditos obtidos pela população. Nome: Érika Simone de Almeida Carlos Dias E-mail: erikasimonedias@gmail.com Instituição: Arquivo Histórico Ultramarino Título: A câmara do Recife e a coroa portuguesa: negociação e acomodação no reinado de D. Maria I Tentando compreender o governo das gentes no império português, este trabalho pretende analisar a negociação que a Câmara do Recife fez com a Coroa portuguesa no último quartel do século XVIII, principalmente após a extinção da Companhia pombalina, no que concerne a manutenção de seus privilégios e os deferimentos dos seus pedidos nos tribunais do Reino. Procuraremos analisar, através das cartas da câmara, as principais da capitania, dirigidas à rainha, e as respostas desta, através de seus tribunais (conselho Ultramarino) e Secretarias (da Marinha e Ultramar principalmente), quais as políticas para aquela periferia e como os moradores receberam e ajustaram, quando necessário, tais ordens vindas do centro do império. Para tal utilizaremos principalmente os códices do Arquivo Histórico Ultramarino, os livros de consultas, de cartas dos secretários da Marinha, responsáveis pela administração ultramarina e a correspondência do governador José César de Meneses, encarregado pela governação da capitania. Com o objetivo de apreender como a capitania de Pernambuco, que outrora tinha tido grande relevância econômica, procurava manter alguma desta importância a fim de ter seus pedidos atendidos pela Coroa. Nome: Fábio Pesavento E-mail: ffpesavento@yahoo.com.br Instituição: ESPM Título: Para além do Império Ultramarino Português: as redes trans e extra-imperiais no século XVIII O processo de crescente interação comercial entre as diferentes praças do império ultramarino português, ao longo do século XVIII, foi obtido, grosso modo, a partir das atividades dos vários agentes ligados através de redes de negócio. Essas redes poderiam cobrir grandes distâncias, em

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06 continentes diferentes, dentro e fora de um determinado império. Com base na amostra coletada, foram identificadas três dimensões básicas de interação de redes: transimperial, extra-imperial e intra-imperial. As redes trans-atlânticas de transporte imperial englobam agentes que estão localizados dentro e fora de um determinado império, mas estão conectados. É o caso de uma casa de negócios estrangeira situada em Lisboa, por exemplo. A rede trans pode ser “quebrada” em duas menores: redes extra-imperial e intra-imperial. Extra-imperial se refere à operação de aquisição de bens fora de um império, enquanto que por intra-imperial entende-se a operação de redistribuição desses bens para outras regiões, todas dentro do império. O objetivo do presente trabalho é apresentar o conceito de redes trans, extra e intra-imperial assim como mostrar alguns exemplos daquelas redes atuantes no império ultramarino português durante o século XVIII. Nome: Helen Osório E-mail: hosorio@via-rs.net Instituição: UFRGS Título: Guerra, mercês e negócios: a construção de uma elite econômica na fronteira meridional do império português Na conflituosa conformação da fronteira meridional do império português e estabelecimento da capitania do Rio Grande de São Pedro, a guerra e as mercês foram elementos importantes para a constituição da elite econômica. Fossem estancieiros, grandes detentores de rebanhos e terras, ou comerciantes, todos se envolveram na guerra e seus serviços, tentando obter graças variadas. Para compreender a formação da elite econômica e delinear seu perfil, analisar-se-á a naturalidade de seus membros, seu acesso a mercês, sesmarias, participação em tropas de auxiliares e cargos da governança local. Através de inventários post-mortem se podem traçar as características econômicas de sua atuação: montante do patrimônio, ramos de investimentos, alocação do patrimônio produtivo, número de escravos, entre outros aspectos. Nome: Isnara Pereira Ivo E-mail: narapivo@yahoo.com.br Instituição: Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia Título: O ouro de boa pinta e a abertura das minas baianas. Século XVIII A presente comunicação faz parte de um estudo mais amplo que analisa as conexões estabelecidas entre os sertões baianos e a região das minas do ouro. Os sertões em análise – Sertão de Minas Novas, Sertão da Ressaca e Alto Sertão da Bahia – foram territórios de conflito de interesses privados e palcos de uma ordem pública distante e pouco definida para estes lugares. Durante todo o século XVIII, as distantes comarcas do Serro do Frio e de Jacobina outorgavam para si a tutela administrativa dos sertões norte mineiro e baiano. O domínio político exercido pelos potentados locais escapava ao controle das iniciativas públicas dos governantes que pouco sabia acerca dos limites e fronteiras de suas atribuições. Indefinições que alimentaram os constantes debates acerca da jurisdição dos sertões e envolveram o governador de Minas Gerais e o vice-rei do Brasil e governador da Bahia, objeto de análise desta comunicação. Nome: Jeannie da Silva Menezes E-mail: jeanniemenezes@yahoo.com.br Instituição: UFRPE Título: As mulheres, as mentalidades ibéricas e a ‘boa ordem’ colonial – os usos do direito do reino na justiça local de Pernambuco no século XVIII Entre as possibilidades de abordagem das conexões imperiais e atlânticas no Antigo Regime, selecionamos neste trabalho as práticas e usos sociais que permearam o horizonte do Direito do Reino na justiça local das capitanias na América Portuguesa. Propomos uma abordagem que enredam os instrumentos normativos contidos nas Ordenações Filipinas elaboradas no Reino e as práticas da justiça empreendidas pelos súditos, especificamente as mulheres, da capitania de Pernambuco, sugeridas numa correspondência administrativa e judicial, produzida no século XVIII. O eixo de nossa discussão serão algumas experiências vividas na América Ibérica que nos remetem para os impasses entre as concepções da representação feminina nas mentalidades sócio-políticas ibéricas e as carências da situação colonial. Extrapolando os limites que a noção de Imbecillitas Sexi oferecia, a aparição de mulheres naquela correspondência requisitando propriedades, privilégios, direitos pode indiciar novos modos de ver as relações que os moradores das capitanias detinham com as instituições jurídicas manipulando as normas escritas, invocando o costume, interferindo nas decisões dos juízes, e até mesmo reelaborando a cultura jurídica européia para o contexto colonial.

Nome: João Luís Ribeiro Fragoso E-mail: jl.fragoso@uol.com.br Instituição: Universidade Federal do Rio de Janeiro Título: Nobreza Principal da terra e pretos: hierarquia social costumeira numa sociedade rural (Rio de Janeiro, século XVIII) Estudo da hierarquia social costumeira nas freguesias rurais do Rio de Janeiro considerando a ação dos escravos e das famílias de conquistadores da capitania. Para tanto é utilizada a noção de paternalismo de Eugene Genovese e de auto-governo da segunda escolástica Nome: Jonas Moreira Vargas E-mail: jonasmvargas@yahoo.com.br Instituição: UFRGS Título: “Entre pampas e sertões”: notas comparativas sobre as elites políticas do Rio Grande do Sul, da Bahia e do Ceará (1840-1889) A presente pesquisa apresenta uma comparação prosopográfica entre as elites políticas do Rio Grande do Sul, do Ceará e da Bahia durante o Segundo Reinado. Tal investigação possibilitou perceber que, apesar de algumas semelhanças, as mesmas também apresentavam traços peculiares de acordo com a sua formação histórica e social. A significativa presença de padres entre os cearenses, de magistrados entre os baianos e de militares entre os gaúchos revela que cada província apresentava agentes ligados a atividades profissionais que detinham um potencial eleitoral significativo em suas localidades. A existência de diferentes atributos carismáticos e de prestígio social nas províncias refletia-se no perfil sócio-político de suas elites. Portanto, enquanto na Bahia, os magistrados com vínculos nos engenhos de açúcar lideraram a política, no Sul os militares exerceram importante papel. O clero obteve destaque no Ceará, que décadas depois teria no padre Cícero uma figura política expressiva. Estas tendências muitas vezes podiam revelar características seculares das famílias da elite nos ajudando a perceber permanências de certos traços históricos que ligavam as ocupações profissionais ao prestígio político local e ao próprio status social. Nome: José Eudes Arrais Barroso Gomes E-mail: eudes.gomes@bol.com.br Instituição: Universidade Federal Fluminense Título: As armas e o governo da República: tropas locais e governação no Ceará setecentista Nas diferentes paragens do império ultramarino português na modernidade, as “armas”, isto é, as suas forças bélicas, cumpriram o papel de instrumento de dominação, hierarquização social e manutenção da soberania lusitana. Tomando como objeto específico de análise a capitania do Ceará setecentista, este trabalho procura discutir a participação das suas tropas locais (milícias e ordenanças) na prestação de uma grande variedade de serviços no governo da “República”, concebida como o “corpo” social formado pelas comunidades locais. Acionada a partir da noção de “bem comum”, a realização de tais serviços revela que a efetivação das ordens de capitães-mores e ouvidores junto às comunidades locais era flagrantemente dependente da autoridade dos potentados sertanejos investidos das patentes do oficialato das tropas formadas localmente. A consideração desse tipo de participação dos poderosos locais no governo das terras evidencia, assim, os jogos de negociação política envolvidos na viabilização das autoridades e na definição dos limites de governabilidade da capitania. Nome: José Roberto Pinto de Góes E-mail: joserobertogoes@gmail.com Instituição: UERJ Co-Autoria: Maria Fernanda Vieira Martins E-mail:fernandavmartins@uol.com.br Instituição: UERJ Título: Escravidão, cultura jurídica e relações sociais As atas das seções do Conselho de Estado do Império do Brasil são há muito conhecidas pelos historiadores e têm sido fonte importante de inúmeros estudos sobre o nosso passado. O Conselho de Estado chamava a si a responsabilidade pela consolidação do Estado Nacional, à luz dos princípios da civilização ocidental e do progresso. Não podia, pois, ignorar o problema da escravidão. As ambigüidades, as contradições e os impasses em que se viam metidos os conselheiros, registrados em ata, abrem uma larga janela à compreensão da sociedade brasileira que existiu durante a maior parte do século XIX. Foi isso que nos chamou a atenção, em primeiro lugar, e é do que trata o trabalho a ser apresentado. Nome: Mafalda Soares da Cunha E-mail: mafaldascunha@mail.telepac.pt

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Instituição: Universidade de Évora Título: Nobreza(s) e governo das conquistas da monarquia portuguesa, séculos XVI-XVII Esta comunicação tem por objetivo destacar a diversidade de estratégias políticas e sociais em jogo nos diferentes espaços extra-europeus da monarquia em diferentes conjunturas pela comparação dos perfis sociais e dos processos de recrutamento dos governantes das conquistas portuguesas em Marrocos, nos arquipélagos norte-atlânticos, Atlântico Sul e no Estado da Índia ao longo dos séculos XVI e XVII. Para tal analisar-se-ão os processos de candidatura e de tomada de decisão institucional, atendendo às imagens e representações sobre os distintos espaços veiculadas pelos sucessivos intervenientes nesse processo de comunicação política. Nome: Marcello José Gomes Loureiro E-mail: marcelloloureiro@yahoo.com.br Instituição: Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Título: A Segunda Escolástica, a Monarquia Barroca e a Idiografia do Prata no Século XVII Os trabalhos clássicos existentes sobre as conexões entre o Prata e a América portuguesa se concentram primordialmente em aspectos econômicos. Não questionamos o interesse econômico português no Prata, mas procuramos evidenciar três outros aspectos dessa problemática que precisam ser incorporados à historiografia atinente. Primeiro, que a gestão do problema platino pela Coroa portuguesa precisa ser analisada dentro da perspectiva de Império, portanto encadeada com a própria gestão do Atlântico. Depois, que o Prata pode ser visto como área de conquista, incorporando-se como região atrativa dentro de uma “cultura de serviços”, típica da monarquia portuguesa. Por fim, que a análise da construção da política portuguesa para o Prata a partir das informações que circulavam nos Conselhos constituintes do poder polissinodal pode permitir a visualização do lineamento e da dinâmica dessa mesma política no tempo, ou seja, de sua história. Nesse sentido, esta comunicação versa sobre a produção do saber nos órgãos consultivos da monarquia portuguesa que, dotados de auto-governo, gerenciaram a questão do Prata na pauta política da Coroa na segunda metade do século XVII. Nome: Marcio de Sousa Soares E-mail: soaresmsousa@gmail.com Instituição: UFT - Universidade Federal do Tocantins Título: O fantasma da reescravização: alforria e revogação da liberdade nos Campos dos Goitacases, 1750-1830 Os estudos clássicos sobre a alforria no Brasil consagraram a imagem de uma suposta facilidade com que os senhores praticavam a reescravização. Tal assertiva sempre foi feita com base no famoso título 63 do Livro IV das Ordenações Filipinas sem que fossem apresentadas quaisquer evidências empíricas para comprovar se era mesmo fato tão corriqueiro a revogação da alforria por ingratidão, como se supunha. O referido dispositivo das Ordenações bastava como prova da precariedade jurídica e social da condição de forro. A partir do exame da documentação cartorária, procuro demonstrar que a reescravização legal ou ilegal de libertos era algo dificílimo de ser feito. Em larga medida pela tenacidade dos libertos ameaçados na preservação da alforria, como também porque não era de interesse da maior parte dos senhores, salvo quando sua autoridade como patrono fosse abertamente desafiada por uma atitude considerada injuriosa. Argumento que, aos senhores de escravos, interessava muito mais a possibilidade da revogação da alforria do que a sua realização propriamente dita. Com efeito, embora legal ou dolosamente, a alforria pudesse ser revogada, os ganhos materiais e políticos auferidos pelos senhores seriam bastante limitados, se tais acordos não fossem freqüentemente respeitados. Nome: Marcos Aurélio de Paula Pereira E-mail: markynhos@bol.com.br Instituição: Universidade Federal Fluminense Título: Rede de intrigas: ethos nobiliárquico e intrigas na corte de D. João V sobre as mercês e cargos no Império Este trabalho aborda a política portuguesa na primeira metade do setecentos e as discussões acerca dos melhores postos, honras e mercês dos nobres a serviço do reino, fosse na Europa ou no ultramar. Através da biografia política do Conde de Assumar, D. Pedro Miguel de Almeida Portugal, adentramos no funcionamento da corte joanina e as intrigas, partidos e situação de pressão entre os nobres da época. Norbert Elias no seu o Processo Civilizador explica que a interdependência dos indivíduos da sociedade de corte fazia dela o local social onde teriam a oportunidade de satisfazer suas necessidades. A vontade de preservar seu prestígio e de se distinguirem

motivava os nobres mais do que os interesses econômicos. Nesse meio a competição pelo favorecimento do monarca levou a substituição do conflito direto pela artimanha das intrigas. O Conde de Assumar e muitos outros próximos a ele viveram tais situações. Ao longo de seu reinado D. João V se reunia com seus amigos e conselheiros para discutir quem achava que melhor o servia. Em sua correspondência particular com o amigo e secretário Cardeal da Mota notam-se os partidos, preferências e antipatias vividas entre o monarca e a nobreza. Tudo isso tem servido para entendermos os melindres da política no império português do Antigo Regime. Nome: Maria Aparecida Rezende Mota E-mail: cidamota@centroin.com.br Instituição: Universidade Federal do Rio de Janeiro Título: A historiografia portuguesa oitocentista, as “causas da decadência” do Império Atlântico e “o sentido da colonização” do Brasil: apontamentos para o debate historiográfico Até que ponto a historiografia portuguesa forneceu bases para modelos que até pouco tempo predominavam nos estudos sobre o Brasil colônia? Do século XIX, quando se fixaram aqui parâmetros para a escrita da “biografia da nação”, até pesquisas atuais, interessadas na problematização dessas narrativas fundadoras, seria possível observar um diálogo intermitente com a historiografia portuguesa do XIX? Se românticos e modernos inauguraram uma história empenhada em afirmar a singularidade do Brasil (raça, língua e paisagem) em relação a Portugal, esse confronto identitário cedeu lugar, a partir dos anos 30 do século XX, ao trinômio: economia mercantil-metrópole-colônia, fundamento da lógica de nossa formação e trajetória. O exame dessa tradição de interpretação do Brasil pode, entretanto, se beneficiar da análise de discursos elaborados sob o signo do “decadentismo” lusitano. Nossa investigação dirige-se, portanto, para temas presentes em Alexandre Herculano, Antero de Quental e Oliveira Martins – em especial, o papel dos poderes locais e as “conseqüências morais” da escravidão no Império Português –, com o objetivo de discutir possíveis conexões entre esses enunciados e a emergência de um determinado padrão explicativo da sociedade colonial na historiografia brasileira. Nome: Maria das Graças Souza Aires de Araújo E-mail: gracaaires@bol.com.br Instituição: UNIVERSO Título: Relações políticas e sociais estabelecidas entre o Estado Português e Ordem Carmelita em Pernambuco entre 1580-1727 A presente pesquisa tem por objetivo analisar a relação existente entre o Estado Português e a Igreja Católica no processo de fixação e expansão da Ordem Carmelita, em Pernambuco, entre os anos de 1580 e 1727. Ao longo do trabalho buscamos entender a dinâmica política e social empreendida pelos regulares na sociedade colonial pernambucana, com o objetivo de obter o apoio das hierarquias políticas e da população. A Ordem Carmelita, ao se fixar em Pernambuco em 1580, teve que buscar mecanismos econômicos, políticos e sociais para conseguir construir os seus templos religiosos e, ao mesmo tempo, sustentar os seus respectivos regulares. Concomitantemente, percebe-se que para conseguir se fixar em terras ultramarinas as Ordens Religiosas precisavam da autorização e do apoio do Estado Português, que nesse período estava vinculado a Igreja Católica mediante a instituição do Padroado Régio. Contudo, através da análise documental, verificamos que para conseguir espraiar a sua influência na sociedade pernambucana, os regulares precisavam do apoio da Câmara do Senado de Olinda, a qual, em determinados momentos, impôs restrições ao projeto expansionista dos carmelitas. Nome: Maria do Socorro Ferraz Barbosa E-mail: slinsferraz@uol.com.br Instituição: UFPE Título: A conquista do Sertão de Dentro a partir de Pernambuco Este trabalho trata da ocupação das terras do Sertão já prevista no Regimento dado a Tomé de Souza em 1548. Explicitamente indica que estes movimentos com tropas deveriam se adentrar até atingir o rio São Francisco. Várias entradas em Pernambuco alcançaram este Rio onde os conquistadores acreditavam haver minas de ouro. Os conquistadores encontraram uma vigorosa reação dos índios caetés. Nome: Maria Fernanda B. Bicalho E-mail: mfbicalho@uol.com.br Instituição: Universidade Federal Fluminense Título: Labirinto dos negócios: secretaria e secretários do Conselho Ultramarino As tramas jurisdicionais da política imperial portuguesa no Antigo Regime

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06 basearam-se em distintos modos de resolver e despachar os negócios. Nos séculos XVI e XVII prevaleceu o regime conciliar. Na primeira metade do século XVIII houve uma mudança nos centros de decisão política, apontando para um governo de caráter ministerial. A presente comunicação indaga-se sobre os canais de comunicação e de decisão da política ultramarina entre fins do século XVII e finais da centúria seguinte. Propõe-se a discutir os circuitos e trâmites burocráticos no interior do Conselho Ultramarino, e, sobretudo, a atuação de seus secretários. A família Lopes de Lavre deteve, por mais de um século, o ofício de Secretário do Conselho Ultramarino. André Lopes de Lavre exerceu o cargo por cerca de 53 anos. Seu filho, Manuel Caetano Lopes de Lavre, o herdou em 1730. Em 1736 foi aventado para ocupar a recém criada Secretaria de Estado da Marinha e dos Negócios Ultramarinos; e, em 1743, foi nomeado Conselheiro Ultramarino. Manuel Joaquim Lopes de Lavre, seu filho, foi secretário do Conselho até a sua morte, em 1796. O objetivo desta comunicação é relacionar os espaços e as redes de decisões políticas sobre o ultramar com a atuação destes homens na Secretaria do Conselho Ultramarino. Nome: Maria Fernanda Vieira Martins E-mail: fernandavmartins@uol.com.br Instituição: Faculdade de Formação de Professores da UERJ - FFP Título: Famílias, poderes locais e redes de poder: as bases sociais e políticas das elites no Rio de Janeiro (séc. XVIII) A historiografia contemporânea que se dedica aos estudos das últimas décadas da fase colonial brasileira vem apontando a descentralização dos poderes e a fragilidade da unidade político-territorial como aspectos fundamentais à compreensão do período, aspectos estes que começam a se reverter a partir da instalação da Corte portuguesa no Brasil. Partindo dessas premissas, o objetivo desse trabalho é investigar as bases da atuação política das elites coloniais no setecentos a partir da análise das trajetórias e redes de poder construídas por antigas famílias, identificando os fatores que permitiram sua sobrevivência e continuidade no poder superando os localismos e atravessando diferentes conjunturas ao longo de um período de intensas transformações. Assim, tomando-se por base famílias oriundas das províncias de Minas Gerais e Rio de Janeiro, buscar-se-á identificar as estratégias perseguidas por esses grupos para manterem-se próximos ao poder central, considerando sua progressiva inserção na estrutura governamental. Nome: Maria Lemke E-mail: marialemke@gmail.com Instituição: Universidade Federal de Goiás Título: O governador louco e os pardos de Goiás – subversão política em Goiás colonial No final do setecentos e início do oitocentos houve um aumento expressivo de pardos entre a população de Goiás. Nesse contexto, além de expressividade demográfica tiveram expressividade social. Atuaram em diferentes frentes, entre as quais o corpo de Infantaria Militar, trabalho que os inspirou solicitarem a Portugal maior participação em cargos públicos, como vereança. A petição ocorria em momento de extrema efervescência política, no qual o governador Dom João Manoel de Menezes seria acusado de louco e de estimular a pior casta de gente, crioulos e pardos, a desacatar autoridades. O desfecho sinaliza um efeito cascata pois além de cercear os pardos, atingiu outros atores sociais como os devotos de São Benedito, demonstrando como Portugal estava “antenada” com as subversões políticas no Sertão dos Guayazes. Deste modo, nesta comunicação, objetivo compreender como os usos das normas sociais foram empregados pelos pardos para se afirmarem na sociedade que distinguia e hierarquizava os indivíduos, entre outros elementos, a partir da cor. Nome: Marilia Nogueira dos Santos E-mail: marilia.niti@gmail.com Instituição: UFRJ Título: A Monarquia Pluricontinental portuguesa e o resgate de Mombaça, 1696-1698 Mombaça se tratava de uma fortaleza que servia, antes de tudo, para assegurar a defesa e presença comercial de Portugal na costa da ilha de Moçambique. Economicamente também era um ponto muito importante, pois servia como uma espécie de “placa giratória”, fazendo a integração do interior da África oriental com o litoral. Suas atividades giravam em torno, basicamente, do comércio de marfim, escravos e mantimentos, tudo isso trocado por panos vindo de Cambaia. Antônio Coelho Guerreiro, mercador que era, sabia muito bem da importância da praça. Por isso produziu um documento alertando ao rei D. Pedro II sobre a sua importância. No documento o que mais chama atenção é a importância dada por Guerreiro

à fé e à religião católica. O objetivo do então secretário de Estado é, a seu modo, persuadir o rei acerca da importância de lutar pela fortaleza. Segundo ele, uma empresa que teve todo o seu fundamento na religião, ou seja, na redenção de almas não poderia ser abandonada pelo rei sem ao menos lutar por ela. Afinal só de Deus é o império de Portugal. Nessa comunicação, portanto, pretendemos olhar mais de perto todo o esforço empreendido pela monarquia pluricontinental portuguesa, especialmente a mobilização ocorrida na América, para o resgate desta fortaleza. Nome: Mônica da Silva Ribeiro E-mail: monicaribeiro1981@hotmail.com Instituição: Universidade Federal Fluminense Título: Ampliação jurisdicional e ascensão social: a segunda fase do governo do Conde de Bobadela no centro-sul da América portuguesa (1748-1763) O reinado de D. José I e o advento do pombalismo trouxeram modificações na forma de se pensar e de se gerir o Império, com a preocupação com uma “razão de Estado” ainda mais presente do que na primeira metade dos Setecentos. Assim, o trabalho pretende tratar o governo de Gomes Freire no centro-sul da América portuguesa a partir desse ponto de vista, no qual podemos perceber a lógica imperial das mudanças ocorridas nas formas de governação lusitana no século XVIII. A segunda metade do governo de Gomes Freire de Andrada (1748-1763), que é o período que particularmente nos interessa aqui, foi marcada pelo seu intenso deslocamento entre as capitanias que estavam sob sua jurisdição. No ano de 1748, quando a administração de Gomes Freire na América portuguesa completava 15 anos, período já extremamente extenso para um governador colonial, seu poder foi vastamente ampliado por todo o centro-sul. Além dessa ampliação jurisdicional, podemos perceber o engrandecimento dos Freire de Andrada a partir da trajetória de sucesso de Gomes Freire na governação da América portuguesa, que tornou-se o primeiro Conde de Bobadela, além de ter conseguido, durante os anos que esteve à frente da administração do centro-sul do Estado do Brasil, acumular fortuna e bens, concedidos pela Coroa. Nome: Nauk Maria de Jesus E-mail: jnauk@hotmail.com Instituição: Universidade Federal da Grande Dourados Título: Regência, regentes e ouvidores: A câmara municipal de Vila Real do Senhor Bom Jesus do Cuiabá (primeira metade do século XVIII) O arraial do Senhor Bom Jesus do Cuiabá, localizado na fronteira oeste da América portuguesa, foi elevado à condição de vila e teve sua câmara criada em 1727 pelo governador e capitão-general da capitania de São Paulo, Rodrigo César de Menezes, quando esteve nas minas cuiabanas. Ao partir da vila, o governador deixou à sua câmara a regência do local, o que resultou no aparecimento da função de regente. Essa situação gerou desentendimentos entre os oficiais da câmara e regentes com os ouvidores régios que se dirigiram para a fronteira a partir de 1728, ano em que a ouvidoria foi criada oficialmente. Tínhamos, então, representantes do poder régio, na pessoa dos ouvidores, e do local, por meio da câmara. Neste sentido, a presente comunicação abordará os conflitos entre a câmara municipal e os ouvidores ocasionados, dentre outros motivos, pela função de regência e regente da câmara. Nome: Nuno Gonçalo Pimenta de Freitas Monteiro E-mail: nuno.monteiro@ics.ul.pt Instituição: Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa Título: Monarquia pluricontinental e circulação das elites (1640-1820) Retomando o diálogo intelectual iniciado recentemente com outros historiadores em torno do tema da monarquia pluricontinental, esta intervenção procura, em primeiro lugar, delimitar o conceito e discutir as suas virtualidades e eventuais limites, discutindo-o em paralelo com outras taxonomias e com as respectivas genealogias intelectuais. Em seguida, procura explorar as suas virtualidades articulando a arquitetura institucional da monarquia portuguesa (1640-1820) nas suas múltiplas dimensões espaciais com os processos de estruturação, reprodução e circulação das diversas elites que nela pontificavam. Nome: Paulo Cavalcante E-mail: timeus@globo.com Instituição: Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro Título: O ethos do descaminho: sociedade de Antigo Regime e colonização portuguesa na América Este trabalho relaciona os fundamentos da sociedade de Antigo Regime

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e o processo de colonização dado na América portuguesa para investigar o ethos do descaminho, isto é, do conjunto de relações lícitas e ilícitas encetadas para arrecadar e desviar tributos e direitos, no caso, o quinto. Era “normal” descaminhar ou era apenas aceitável? Aceitava-se por razões fundadas no costume e na jurisprudência ou, por outro lado, por razões pragmáticas, vinculadas à necessidade de colonizar com economia de meios e à incapacidade de controlar com rigor? Qual é a relação entre a venalidade dos ofícios e o que hoje chamamos de corrupção? Entre a sociedade de mercado atual, fundada em relações impessoais, e a sociedade escravista de Antigo Regime na América portuguesa, fundada em relações interpessoais, quais são os riscos concernentes à abordagem do descaminho enquanto objeto de investigação? Numa palavra: entre a condenação moral contemporânea e a compreensão historiográfica de uma prática social, qual é o ponto ótimo de objetivação do juízo historiográfico? Nome: Paulo César Possamai E-mail: paulocpossamai@hotmail.com Instituição: Universidade Federal de Pelotas Título: 1723: a malograda fundação portuguesa de Montevidéu Eram antigos os planos da coroa portuguesa no sentido de colonizar o Rio da Prata, porém eles só se concretizaram com a fundação da Colônia do Sacramento, em 1680. Depois do tratado de 1701 com a Espanha, Portugal pretendeu mais do que assegurar a posse de Sacramento, a fim de garantir seu domínio sobre a margem norte do Prata. Em 1723, uma expedição luso-brasileira ocupou o local onde hoje se encontra a cidade de Montevidéu. Porém, a reação espanhola não se fez esperar e a pequena expedição logo teve que abandonar a sua posição frente às tropas espanholas e indígenas arregimentadas pelo governador de Buenos Aires. Buscaremos avaliar em que medida a frustrada povoação de Montevidéu pelos portugueses contribuiu para aumentar o isolamento da Colônia do Sacramento do restante da América portuguesa, levando ao malogro do expansionismo na região platina. Nome: Rafael Ricarte da Silva E-mail: rafa-ricarte@hotmail.com Instituição: Universidade Federal do Ceará Título: A Formação da primeira elite colonial dos Sertões de Mombaça: terra, família e poder (1706-1782) Pautado na discussão das relações sociais, na formação das elites locais, nas estratégias usadas em suas atuações sociais, políticas e econômicas como forma de construção e movimentação nos espaços coloniais, este trabalho procura compreender a produção histórica dos Sertões de Mombaça - Ceará, entre os anos de 1706 e 1782, a partir das doações de sesmarias, da implementação das fazendas de criar e através das estratégias adotadas por estes sujeitos para manter suas possessões, por meio de relações familiares e/ou econômicas como forma de constituir uma elite baseada na propriedade da terra e nas relações de parentesco. O corpus documental é composto por fontes oficiais, cartoriais e eclesiásticas. O material empírico de caráter oficial é formado por consultas, cartas, requerimentos, ofícios e provisões contidas na coletânea de manuscritos avulsos do Conselho Ultramarino referentes às capitanias do Ceará, Pernambuco e Rio Grande do Norte. Os registros cartoriais são inventários e datas de sesmarias. Já os registros eclesiásticos são formados pelos assentamentos de batismos, casamentos e nascimentos. Nome: Roberto Guedes Ferreira E-mail: robguedes@superig.com.br Instituição: Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro Título: Hierarquias de cor em presídios africanos do Antigo Regime (século XVIII) O trabalho analisa hierarquias de cor em presídios portugueses da África Central Atlântica de finais do século XVIII. Parte integrante do Império Português no Atlântico Sul, estes presídios vivenciaram forte influência do tráfico atlântico de cativos e da escravidão. Tal como na América portuguesa marcada por múltiplas hierarquias, nos presídios a escravidão também se acoplou a molduras de Antigo Regime, remodelando-as no contexto local. Para abordar tais aspectos, o trabalho analisa, além das segmentações jurídicas entre livres, escravos e forros, classificações hierárquicas de cor. Conclui-se que o registro das cores ligava-se, também na África de léxico português, a aspectos de ordem social e política, ainda que não exclusivamente. Nesse sentido, expressava uma das hierarquias de Antigo Regime remodeladas pela escravidão.

Instituição: UFCG/CFP/UACS Título: Obedecer, pero no cumplir: a presença portuguesa na Buenos Aires seiscentista A dinâmica imperial espanhola no período da união das coroas ibéricas ampliou a rede de interesses luso-espanhóis no Rio da Prata. Na Buenos Aires seiscentista formaram-se bandos, com participação portuguesa, capazes de redimensionar as diretrizes administrativas. Alianças entre comerciantes lusitanos, governadores do Rio da Prata, seus oficiais régios e o Cabildo (Senado da Câmara) criaram uma densa teia envolvendo o próprio centro. Mesmo com o comércio portuário proibido, o direito jurídico do “obedecer, pero no cumplir” recatava as decisões reais mesmo que não fossem postas em prática. Dentro de uma complexa política de privilégios, as autoridades locais moldaram espaços originais respaldados no bem comum da republica. Fazer parte das disputas e benefícios adquiridos por uma economia de privilégios significava participar das redes de poder locais. Meu objetivo é apresentar esta dinâmica social e política no “periférico” porto de Buenos Aires e a participação lusitana construída ao longo do século XVII. Nome: Rodrigo de Aguiar Amaral E-mail: amaralrod@gmail.com Instituição: Universidade Federal do Rio de Janeiro Título: Santa Cruz dos Angolares: elites e subalternos no Antigo Regime em São Tomé e Príncipe (séculos XVI-XVIII) Início do século XVI, um navio negreiro saía de Angola em direção a Bahia. Parada estratégica faria em São Tomé para fazer aguada, abastecer-se de víveres e cuidar da estrutura do navio. Começaria aí a história dos angolares. Um grupo de recém-escravizados de Angola teria sobrevivido ao naufrágio do negreiro que os transportava e ganhado a parte sul da Ilha de São Tomé. Uma parte alta, cheia de aclives e de difícil penetração. Ali teriam erguido uma povoação e sobrevivido ao tempo, conservando-se lá até os dias atuais. Nos séculos XVII e XVIII os angolares foram citados por autoridades locais na comunicação oficial entre São Tomé e Príncipe e Lisboa, o que nos permite reconstituir sua trajetória. Entre guerras e acordos, mataram e negociaram, destruíram e construíram, conseguindo manterem-se vivos diante das diversas estratégias que optaram e/ou foram constrangidos a executar. Nessa comunicação apresentamos a trajetória deste grupo social que se apresenta como “vassalo de El Rei” no século XVIII, sob a noção de estratégia de Fredrick Barth, buscando compreender as estratégias de elite e subalternos agindo de forma eqüitativa numa sociedade de Antigo Regime. Nome: Simone Cristina de Faria E-mail: simonecfaria@bol.com.br Instituição: UFRJ Título: Antes do ouro cruzar o Atlântico: notas sobre o perfil de uma elite designada para a cobrança dos reais quintos nas Minas Essa apresentação consiste de notas sobre os resultados parciais de nossa investigação do perfil e atuação dos cobradores dos reais quintos em Mariana no período de 1718 a 1733. O objetivo, além de expor alguns indicadores da caracterização do grupo dos “homens do ouro”, como tomamos a liberdade de rotulá-los, é também conferir atenção à descoberta do significado social e político do cargo, do que efetivamente denotava “ser” cobrador do direito da Coroa portuguesa sobre o precioso metal amarelo retirado das Minas nesse período. Com isso acreditamos contribuir para o entendimento do funcionamento local da arrecadação do quinto real, bem como delimitar o ciclo de agentes envolvidos no circuito do ouro antes que ele cruzasse o oceano – temas esses até o momento totalmente negligenciado pelos estudos sobre o período colonial nas Minas. Nome: Virginia Maria Amoedo de Assis E-mail: virginiaalmoedo@gmail.com Instituição: UFPE Título: Ofícios do rei: a circulação de homens e idéias na capitania de Pernambuco O alvará régio de 1557 que restringiu a jurisdição dos capitães-donatários de Pernambuco, nas alçadas cíveis e crime, inclusive derrogando o privilégio de que nela “em tempo algum entrasse correição régia”, propiciou a entrada de novos oficiais, alguns com experiência em outras regiões do ultramar português. Estudar esse novo quadro da administração judicial da capitania, onde passaram a circular novos homens e novas idéias, se conformam um dos principais objetivos da pesquisa que ora empreendemos.

Nome: Rodrigo Ceballos E-mail: rcovruski@yahoo.com.br

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07 07. Discursos e representações: jogos de gênero Cristina Scheibe Wolff - UFSC (cristiwolff@gmail.com) A proposta deste Simpósio Temático é reunir pesquisadoras e pesquisadores que tem discutido as relações de gênero em geral e as masculinidades, em particular, no campo dos discursos, das políticas e das representações. Gênero é aqui problematizado como uma categoria de análise relacional e que atravessa comportamentos, imagens, discursos articulando-se a outras categorias na forma de jogos que envolvem identificações, estratégias e também práticas discursivas e corporais.

Resumos das comunicações Nome: Alexandre Garrido da Silva E-mail: garridosilva@ig.com.br Instituição: Universidade do Estado do Rio de Janeiro Título: Gênero, judiciário e discurso: construção e destruição na linguagem do Direito Atualmente, importantes vertentes do movimento feminista realizam uma contundente crítica ao Direito, salientando o seu caráter enviesado, produto de sociedades patriarcais. Construídas a partir de um ponto de vista masculino, refletindo e reproduzindo seus valores sociais, as instituições jurídicas mostrar-seiam incapazes de ultrapassar o discurso universalista e refletir acerca das formas reais de dominação. Neste sentido, o discurso jurídico ao consolidar certas interpretações sobre a questão de gênero desconsidera, deliberadamente ou não, outros padrões mais criativos e também mais críticos situados além dos seus limites. O presente trabalho pretende analisar o descompasso entre a prática e o discurso jurídicos no tocante às questões de gênero, considerando a atuação recente do Judiciário brasileiro, bem como examinar o alcance e pertinência de diferentes construções teóricas que buscam formular uma crítica “feminista” à Teoria do Direito ao destacar os limites históricos da linguagem jurídica e os efeitos negativos das decisões judiciais sobre a mobilização e a participação dos movimentos sociais. Nome: Alomia Abrantes da Silva E-mail: alomia@terra.com.br Instituição: UEPB Título: “Paraíba Masculina”: honra e virilidade na “revolução de 1930” Um dos eventos mais (re)visitados pela historiografia na Paraíba, a denominada revolução de 1930 foi projetada ao longo de décadas por uma larga produção de memórias, especialmente em torno dos seus maiores ícones: João Pessoa, José Pereira e João Dantas. Nomes e imagens contrapostos – o primeiro em oposição aos dois últimos –, na análise discursiva desta produção suas imagens emergem como signos de masculinidades, cujos conflitos sinalizam a (re)configuração de um modelo político, e vice-versa, disputando naquele contexto sua melhor representação. Percebe-se entre eles muito em comum, no sentido em que acionam valores semelhantes no fazer-se a si mesmos: a honra, a virilidade, a coragem — isso comumente apontado como legado das raízes sertanejas e atributos considerados naturais do “macho”. Porém, diferem em suas estratégias políticas, bem como em seus signos estéticos. Diferenças que também ressoam na construção das imagens do feminino ligadas a um ou outro modelo. Este trabalho procura, pois, confrontar tais signos, como parte de um exercício de discutir as narrativas sobre tal evento numa perspectiva da história cultural e de gênero. Nome: Ana Rita Fonteles Duarte E-mail: anaritafonteles@uol.com.br Instituição: Universidade Federal de Santa Catarina Título: Jogos de gênero em narrativas de mulheres: reconstruindo vivências no Movimento Feminino pela Anistia no Ceará O Movimento Feminino pela Anistia, criado no Brasil, em 1975, uniu-se a outros movimentos de resistência civil protagonizados por mulheres, em contraposição a ditaduras na América Latina, especialmente no Cone Sul. Centenas de militantes do MFPA se uniram na tentativa de libertar parentes presos, exigindo a volta de banidos e exilados, posicionando-se contra torturas e outras formas de desrespeito aos direitos humanos, reivindicando anistia. Na ação política, elas lançaram mão do gênero como formas de intervenção pública, como comprovam documentos variados. No Ceará, que possuiu dois núcleos, essa prática também pôde ser verificada. Nas memórias das militantes, o uso do que chamaremos de “jogos de gênero”, em sua atuação, é narrado de forma plural, revelando que a forma de utilizar esse instrumento foi e é alvo de

disputas, discordâncias, ressentimentos, que se relacionam diretamente com posições de sujeito ocupadas por essas mulheres, na década de 70, e, hoje, com as transformações subjetivas sofridas por elas e com as transformações das próprias relações de gênero no Brasil, nas últimas décadas. Interpretar o significado dessas narrativas, situando-as historicamente, é o objetivo dessa comunicação. Nome: Andréa da Rocha Rodrigues E-mail: andrear10@hotmail.com Instituição: UFBA Título: Honra e sexualidade infanto-juvenil na cidade de Salvador, 19401970 Este trabalho analisa prática e representações relativas à sexualidade infantojuvenil em Salvador, de 1940 a 1970. De acordo com a compreensão de que os conceitos de infância e adolescência, e sexualidade, são construídos a partir de variáveis sociais e históricas, procuro refletir sobre os elementos simbólicos que emergem no contexto estudado, para representar estas duas fases da vida e a sexualidade. Dessa forma, os discursos elaborados sobre a sexualidade infanto-juvenil são mais bem compreendidos tendo como referência as relações sociais e os diversos espaços que os agentes históricos ocupam em sociedade. Os significados de infância e adolescência, e as práticas a eles relacionadas, são diferentes nos diversos segmentos da sociedade soteropolitana, no período, e se transformam no decorrer deste. Busca-se investigar a violência sexual exercida sobre os corpos de crianças e adolescentes através do estudo de crimes contra os costumes e da legislação que regulava sua punição. Procura-se igualmente analisar os vínculos entre o conceito de honra e o controle da sexualidade feminina. Nome: Breno Rodrigo de Oliveira Alencar E-mail: brenoedai@yahoo.com.br Instituição: Universidade Federal do Pará Título: “Entre a regra e as estratégias”: a escolha do cônjuge na Amazônia A perspectiva desta proposta é avançar na exposição e diálogo de minha monografia de curso com vistas ao delineamento da pesquisa de mestrado “‘Entre as regras e as estratégias’: a escolha do cônjuge na Amazônia”, cujo objetivo principal é o estudo dos processos de formação de casais na Amazônia entre 1995 a 2006. Tendo como foco a escolha do cônjuge em camadas médias e populares de dois bairros de Belém esta passa a ser considerada enquanto fenômeno histórico-social, que reflete as representações “negociadas” associadas ao masculino e ao feminino na presença de diversos fatores, tais como as representações acerca do pertencimento étnico, grupo de classe, profissão, faixa etária, pertencimento religioso, local de residência e nível de instrução. Estes princípios classificatórios, contudo são interpretados à luz das principais teorias referentes à sociologia da escolha do cônjuge, desde a tradição americana e francesa até as orientadas pelos estudos de Pierre Bourdieu. A pesquisa conta com a metodologia de consulta a bibliografia especializada referente ao tema, banco de dados com 2.163 registros de casamentos entre 1995 a 2006 e entrevistas com nubentes das igrejas de São Pedro e São Paulo e Nossa Senhora de Nazaré, em Belém-Pa. Nome: Carolina dos Anjos Nunes Oliveira E-mail: carol_anjinha84@yahoo.com.br Instituição: UESC Título: Corpos de exceção: o lugar das prostitutas na urbanização de Itabuna-BA (1940-1960) Para realização de seus misteres as prostitutas negociam as suas sexualidades, mediadas por fatores econômicos, culturais e pessoais. À medida que desenvolvem suas subjetividades, constroem territorialidades. A proposta de modernização urbanística em Itabuna, no entanto, não abarcava formas de viver diferenciadas e procurou, sobretudo, padronizar os indivíduos que deveriam habitar essa nova urbs. Nesse sentido, esse trabalho problematiza o processo

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de urbanização de Itabuna a partir do conflito entre as práticas das prostitutas e o projeto de homogeneização da cultura urbana, onde estas foram tratadas como corpos de exceção. Nesse contexto de reformas urbanas, não seria necessária apenas a reordenação das ruas centrais, mas urgia o saneamento moral do centro urbano dessa cidade, ocupado pelas prostitutas. A proposta dessa municipalidade moderna, que gere a vida, indicava o reposicionamento das sexualidades não-oficiais, mantendo-as virtualmente escondidas. Para a análise proposta, recorre-se à leitura dos discursos sobre a prostituição encontrados nos jornais do período, processos-crime, documentos oficiais e obras literárias de ficção como as de Jorge Amado. Nome: Claudia Regina Nichnig E-mail: claudianichnig@hotmail.com Instituição: Universidade Federal de Santa Catarina - UFSC Título: A busca pelo reconhecimento de conjugalidades homoeróticas no judiciário brasileiro Irei tratar as reivindicações e as demandas dos sujeitos que buscam o reconhecimento das conjugalidades entre pessoas do mesmo sexo, através de decisões judiciais que postulam o reconhecimento destas uniões a partir dos requerimentos de benefícios de pensão por morte junto à Previdência Social e pensões devidas aos companheiros/companheiras de servidores públicos falecidos. Com enfoque nas temáticas relativas a conjugalidade homoerótica, analisaremos as decisões proferidas pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região, que compreende os estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, relativos aos processos que buscam os reconhecimentos destas relações e os direitos advindos das mesmas. Focalizando o período de 1988 até os dias atuais, que abarca a maioria das reivindicações dos sujeitos em prol de reconhecimento das relações homoeróticas na Justiça brasileira, analisarei através das decisões judiciais, com a utilização dos aportes teóricos da História, do Direito e da Antropologia, a busca do reconhecimento de direitos advindo das relações homoeróticas na esfera da Justiça Federal. Através de uma análise interdisciplinar, utilizando a categoria de análise gênero para observar os embates e os debates que permeiam os processos e as decisões proferidas pelo judiciário do Brasil. Nome: Cristina Scheibe Wolff E-mail: cristiwolff@gmail.com Instituição: Universidade Federal de Santa Catarina Título: Trajetórias militantes no Feminino - Cone Sul - 1960-1985 Através da análise de trajetórias de mulheres militantes dos movimentos de guerrilha de esquerda, pretendo apresentar uma perspectiva comparativa entre os países do Cone Sul – Argentina, Brasil, Bolívia, Chile, Paraguai e Uruguai. Estes países foram marcados nas décadas de 1960 a 1980 por ditaduras militares e por movimentos de guerrilha de esquerda. Nesta «nova esquerda» as mulheres tiveram um papel mais destacado do que na esquerda tradicional e a participação na guerrilha deu a muitas mulheres legitimidade política para ações posteriores na vida pública, mesmo que muitas vezes esta ação tenha se dado no exílio. Para isso utilizarei entrevistas realizadas no âmbito da pesquisa Gênero, Feminismos e Ditaduras no Cone Sul, do Laboratório de Estudos de Gênero e História da UFSC, em todos esses países. Dos depoimentos ressaltam certas regularidades e semelhanças que nos fazem pensar em um processo histórico que ultrapassava as fronteiras e que influenciou de maneira muito intensa a vida política dos países do Cone Sul, e que mesclava questões e propostas da esquerda armada ou não, e do feminismo. Nome: Deivid Aparecido Costruba E-mail: costrubahistunesp@hotmail.com Instituição: UNESP Título: “Conselho às minhas amigas”: Júlia Lopes de Almeida e o Livro das Noivas (1896) No final do século XIX, o Brasil passava por transformações muito rápidas em diversos campos: na política, na economia e na cultura. Depois da abolição da escravidão e posteriormente da proclamação da República, o país defrontou-se com uma profunda crise de valores, conseqüência do processo de urbanização, industrialização e instauração do recém adquirido sistema de trabalho livre e assalariado. As mulheres também merecem um destaque nesta conjuntura. Na luta pela emancipação e posteriormente ao direito de voto, buscaram igualarse aos homens com relação ao direito à instrução. Foi sob a égide da Belle Epoque que esses interesses se confrontaram e se intensificaram. Júlia Lopes de Almeida, aos seus trinta anos, vivendo as lutas e conquistas das mulheres no cenário nacional, escreveu o livro intitulado Livro das Noivas (1896), na qual aconselhava, recomendava, repudiava, execrava, divertia e orientava as atitudes das mulheres que nele tinham a ambição de instruir-se. O livro, não por acaso, teve grande vendagem a época, com diversas reedições pela Livraria Francisco Alves. A proposta da comunicação, assim, visa fazer uma leitura do Livro das

Noivas (1896), investigando qual era a imagem da mulher para a autora. Nome: Elizabeth Sousa Abrantes E-mail: bethabrantes@yahoo.com.br Instituição: Uiversidade Estadual do Maranhão Título: “De mãos abanando”: mudanças e declínio da prática do dote no Maranhão no início do século XX O presente estudo trata do declínio e das mudanças ocorridas na prática do dote no início do século XX, quando este costume deixou de ser considerado uma obrigação social das famílias proprietárias. Apresentamos os contratos antenupciais que compunham os novos arranjos matrimoniais, em que eram os noivos que dotavam suas futuras esposas, de acordo com o ideal burguês do homem como provedor do lar, em que o marido devia ser capaz de sustentar esposa e filhos sem precisar da ajuda de um dote. Apesar dos discursos condenando o uso do dote, esses casos de dotações feitas pelos futuros maridos podem ser vistos como uma resistência dos valores conservadores da sociedade para que as mulheres, especialmente das camadas médias e altas, continuassem sendo tuteladas pelos homens, na dependência econômica dos seus maridos, e não buscassem sua emancipação em uma profissão e no trabalho remunerado fora de casa. Era também uma prova do resquício da mentalidade patriarcal que considerava a mulher incapaz de sobreviver dignamente por si própria, restringindo seu espaço de atuação ao ambiente do lar. Nome: Fabiana Francisca Macena E-mail: fabianamacena@yahoo.com.br Instituição: Universidade de Brasília Título: Representações sobre o feminino e os movimentos transitórios da modernidade: o caso da revista Fon-Fon (1907-1914) A historiografia relativa às primeiras décadas do século XX evidencia o esforço das elites políticas em inserir o país em um padrão estrangeiro de civilização e progresso. Tal empreendimento destinou-se tanto a fisionomia das cidades, como observado nas reformas urbanas no Rio de Janeiro, quanto no que dizia respeito aos comportamentos, que deveriam ser condizentes com a nova realidade. Nesse sentido, os comportamentos ditos femininos receberam atenção privilegiada, sendo questionados e controlados pelos mais diversos setores da sociedade, inclusive pela imprensa, como meio de manter a ordem e as hierarquias. O trabalho que ora apresentamos tem como foco a revista Fon-Fon, publicada no Rio de Janeiro a partir de 1907 e uma das mais importantes publicações do período. Por meio de sua análise procuraremos evidenciar que, neste periódico, o entendimento do fenômeno da modernidade está intimamente articulado a reelaboração das representações sobre o feminino, por meio de “tecnologias de gênero” que procuraram expressar as possibilidades e perigos da vida moderna. Mais do que isso, indicam as tensões e ambigüidades entre o que era considerado moderno e tradicional nas atribuições ao feminino. Nome: Gabriel Felipe Jacomel E-mail: gabrieljacomel@yahoo.com.br Instituição: Universidade Federal de Santa Catarina Título: Diálogos entre feminismos na cena teatral brasileira e chilena (1975-1984) Esta comunicação objetiva tecer uma discussão acerca das diversificadas experiências feministas na produção teatral de Brasil e Chile – ambos os países situados no entremeio de uma densa realidade ditatorial que marcou imensamente o período aqui estudado. Para tanto, o recorte temporal escolhido neste trabalho compreende a chamada Década da Mulher, que se estende desde o Ano Internacional da Mulher (proposto pelas Nações Unidas em 1975) até a metade da década de 1980. Compartilhando não apenas as apropriações de teorias dos feminismos mundialmente em voga, tais países também perpassaram à época diferentes experiências referentes a ditaduras militares que transformaram radicalmente as sociabilidades de então. O teatro, enxergado como uma alternativa diferenciada de militância, pôs em questão a discussão em torno das liberdades individuais, também se apropriando de debates postulados no âmbito dos feminismos para questionar outras opressões. Nome: Gabriela Miranda Marques E-mail: gabriela_mmarques@yahoo.com.br Instituição: UFSC Título: Relações entre mulheres, feminismos e Igreja Católica no Cone Sul (1974-1988) Esta pesquisa busca focalizar a relação entre o movimento feminista e a Igreja católica durante os períodos de ditadura militar e abertura democrática no Brasil, Chile e Argentina. Realizar uma análise comparativa desta relação nos diversos países permitirá um novo olhar sobre esta conjuntura e uma nova perspectiva nesta relação. Possibilita ainda verificar similitudes e diferenças nes-

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07 se campo, em países que vivenciavam uma prática governamental e econômica similar no mesmo período. Ressalta-se que mesmo com uma aproximação grande de práticas sociais, estes países devem ser analisados individualmente para que a posteriori se possa realizar a comparação. A participação da Igreja nas ditaduras militares e a luta das diversas organizações feministas criaram tensões novas que podem ser analisadas através dos periódicos feministas, que serão fontes primordiais nesse estudo. A Igreja no mesmo período, em toda a América Latina, passa por uma renovação em sua prática e uma revisão de sua teologia encampada pelo que hoje conhecemos como Teologia da Libertação. Tendo-se como pressuposto que o movimento feminista é múltiplo, assim como são as ditaduras militares e a Igreja, o panorama desta relação tende a ser multifacetado, permitindo, todavia, uma análise comparativa. Nome: Gilma Maria Rios E-mail: riosmaria@ig.com.br Instituição: Universidade Presidente Antonio Carlos Título: Entre silêncios e triunfos: representações das feminilidades das mulheres araguarinas nas décadas de 1940 a 1950 Este trabalho é parte do estudo sobre as mulheres araguarinas desenvolvido pelo grupo de pesquisa “História, Gênero e Cotidiano” que conta com o apoio de diversos(as) alunos(as) da Universidade Presidente Antônio Carlos/Araguari – MG. O estudo sobre as mulheres araguarinas visa localizá-las no tempo e no espaço, com base na hipótese de que elas não aceitavam tranqüilamente os modelos e práticas sociais a elas estabelecidos. O objetivo dessa comunicação é reconstruir e entrever como as mulheres eram representadas nos artigos do jornal local, Gazeta do Triângulo, nas décadas de 1940 a 1950, em Araguari, cidade do Triângulo Mineiro. Para tanto, utiliza-se a reflexão que os redatores dos artigos faziam sobre as “questões femininas” que circularam ao longo das décadas mencionadas sobre as questões de gênero. Ao estudar o que escreviam sobre as mulheres, somos capazes de conhecer comportamentos, relações sociais e entender representações e jogos de gênero nos discursos apresentados no jornal local. Possibilitando troca de saberes e fazeres nas múltiplas dimensões históricas inovadoras para compreensão do social. É vislumbrar sujeitos plurais, capazes de pensar e refletir sobre o mundo e as relações a partir de uma história que se constrói cotidianamente. Nome: Ilane Ferreira Cavalcante E-mail: ilanec@yahoo.com Instituição: IFRN Título: Virgens de papel: representações de mulheres nas décadas de 1960 e 1970 Este trabalho é um recorte da tese de doutorado desenvolvida no Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), vinculada à base de pesquisa Gênero e práticas culturais: abordagens históricas, educativas e literárias e ao projeto integrado História dos Impressos e a formação das leitoras. Neste recorte, abordo as formas como a virgindade da mulher surge representada nas revistas Cláudia, Veja e Realidade entre as décadas de 1960 e 1970. Os conceitos de gênero e de representação são, portanto, eixos norteadores de toda a discussão empreendida aqui. Assim como o conceito de configuração, proposto por Elias (1970) que demonstra como se forma através das redes de inter-relações, das interdependências entre sujeitos ativos num determinado jogo social, uma determinada configuração de um período e de uma sociedade. A partir do uso e da aplicação desses conceitos à leitura dos periódicos citados, é possível traçar um retrato e analisar aspectos desse período histórico a partir da forma como a virgindade da mulher é retratada na imprensa feminina, aspectos que demonstram, até certa medida, as formas como a sociedade determina padrões de comportamento para ambos os gêneros que, por sua vez, criam táticas de desestabilização desses padrões. Nome: Ivana Guilherme Simili E-mail: 1158@associados.anpuh.org Instituição: Universidade Estadual de Maringá Título: Moda e performances de gênero: as aparências da primeira-dama Darcy Vargas Uma das possibilidades de estudar temas e questões de gênero é através da moda. Esta comunicação tem por objetivo examinar a indumentária da primeira-dama, Darcy Vargas, conforme retratadas nas imagens fotográficas dos eventos e solenidades do poder e da política (festas, recepções), com vistas a entender a contribuição da moda na construção de aparências e nas performances de gênero. As fotografias, objeto de análise referem-se aos anos 1930 e 1945 e são provenientes do acervo do CPDOC - Fundação Getúlio Vargas. O encaminhamento será o de mostrar que os artefatos indumentários ostentados pela personagem (roupas e acessórios), ao estarem afinados com os conceitos

de bem-vestir e apresentar-se preconizados pela moda do período às mulheres, permitem deslindar e conhecer os princípios de gênero que orientavam a produção do visual e as performances femininas nos espaços e ambiências do poder dos homens e das masculinidades. A hipótese é de que ao vestir-se, a primeira-dama levava para os palcos das encenações políticas uma moda de gênero, produzindo e veiculando noções sobre corpo, aparências e performances, articuladas com beleza e feminilidade. Nome: Joana Maria Pedro E-mail: joanamaria.pedro@gmail.com Instituição: Universidade Federal de Santa Catarina Título: Feminismo e cultura nos países do Cone Sul (1960-1995): apropriações e conflitos Os anos sessenta e setenta têm sido conhecidos no Ocidente como o período da “Segunda Onda do Feminismo”. Iniciada como feminismo radical nos Estados Unidos e na Europa, espalhou-se por diferentes países, adquirindo cores diferenciadas e adaptando-se aos contextos locais. No Cone Sul da América do Sul, países como Brasil, Argentina, Chile, Bolívia, Paraguai e Uruguai, viveram, neste mesmo período, sob governos de ditaduras militares, umas mais, outras menos cruéis. Estes regimes, além de serem anti-democratas, de definirem formas de apropriação de riquezas eminentemente hierarquizadas, foram anti-feministas. Desta forma, as movimentações que se puderam observar em países onde a democracia prevalecia, não existiram nestes países. Mesmo assim, principalmente a partir dos anos setenta, várias mulheres de tais países passaram a se identificar com o feminismo. Articular estas identificações com o contexto político e cultural, vivido em cada país, é o que pretendo nesta comunicação. Nome: Karina Klinke E-mail: klinke.k@gmail.com Instituição: Universidade Federal de Uberlandia Título: A feminização da cultura escrita em exercícios do cuidado de si: experiências de uma historiadora da educação O ensaio objetiva compreender o processo de escrita da historiadora da educação Eliane Marta Teixeira Lopes como exercício do cuidado de si e experiência de feminização da cultura escrita. Sua obra inova a produção na área ao inaugurar, no final dos anos oitenta, a temática da educação da mulher na perspectiva das mentalidades, faz aproximações com a psicanálise e incorpora novas fontes na pesquisa em história da educação brasileira, como a literatura, a música, os materiais didáticos e a arte sacra; desdobrando-se até os dias de hoje em livros e artigos científicos sobre o papel da mulher na educação. Fundamentado na História Cultural, o ensaio tem como fontes textos da autora de maior repercussão acadêmica e entrevistas, cotejados. Considera-se a sua escrita como exercícios do cuidado de si, pois, nessa prática, ela se reconhece como mulher, professora e autora, ao mesmo tempo em que constrói uma História da Educação escrita no feminino, como parte do processo de feminização da cultura (Georg Simmel). Com sua escrita ela rompe com uma tradição de pesquisas em educação que enfocava a escolarização somente do ponto de vista masculino, e que considerava como legítimo unicamente o professor, quando a maioria da categoria era formada por mulheres, ocultadas na História. Nome: Leonardo Turchi Pacheco E-mail: leonardoturchi@gmail.com Instituição: UFMG/UNIMONTES Título: Discursos e representações da mulher na imprensa (esportiva): o caso de Guiomar e sua relação com Didi entre 1954-1962 Esse trabalho tem como proposta analisar os discursos e representações de gênero na esfera esportiva. Utilizando como fontes documentais as reportagens e fotos veiculadas nos periódicos O Cruzeiro e Manchete Esportiva entre o período de 1954 a 1962, os relatos de Nelson Rodrigues, Mário Filho, João Saldanha, Oldemário Toguinhó, Eduardo Galeano e as biografias sobre Didi escritas por Roberto Porto e Peri Ribeiro, pretende-se compreender o enfoque da imprensa (esportiva) sobre a relação entre Didi – jogador negro da periferia – e Guiomar – sua amante branca, cantora de classe média. Aponta-se que os discursos e representações produzidos pela imprensa sobre Guiomar são construídos ora para justificar os fracassos de Didi, ora para apontar para o perigo, a ameaça e a contaminação de desestruturação da ordem moral e sociabilidade masculina, decorrentes da presença de uma mulher num espaço reservado para a produção, reprodução e afirmação da masculinidade com é o caso do “mundo” do futebol. Nome: Lorena Zomer E-mail: lorenaazomer@hotmail.com Instituição: Universidade Federal de Santa Catarina

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Título: Relações de poder e símbolos construídos no romance Marysa, de Leonor Castellano, em meados do século XX em Curitiba Essa comunicação analisa gênero sob um enfoque histórico cultural e ainda um movimento social no espaço curitibano do século XX. Leonor Castellano é uma escritora inserida nos meios intelectuais, fundadora do Centro de Letras e Centro Feminino Paranaense de Cultura. Começou a escrever a partir da década de 1920 em pequenos artigos na Gazeta do Povo, um tempo que presencia o Positivismo, a revolução urbana, a República Velha, um feminismo crescente. Por meio de ensaios, colunas e romances é possível encontrar personagens literários que representam discursos sobre esse tempo. Em especial nesse artigo, é analisado o romance “Marisa”, de 1937. Esse, bastante diferenciado quanto ao “papel” da mulher de vários outros escritos da mesma autora, trata-se sobre uma mulher romântica, mas influenciada por princípios feministas “rebeldes”. Para compreender o romance é preciso investigar e traduzir símbolos construídos, que geram personagens literários, porém demonstram uma multiplicidade de experiências que Leonor achava correta. Assim é possível analisar o jogo das relações de poder e gênero, numa busca pela representação das identidades femininas e masculinas, estabelecidas naquele tempo, oportunidade essa ainda de saber a relação entre a vida privada e pública da mulher. Nome: Luciana Andrade de Almeida E-mail: luciana.andrade@gmail.com Instituição: Universidade Federal do Ceará Título: Revista A Estrella (1906-1921): Meninas e mulheres contracenam em um álbum de virtudes e modelos A Estrella foi uma revista editada por mulheres e escrita por centenas de colaboradores de ambos os sexos, entre 1906 e 1921. Feito alcançado por mãe e filha, Francisca e Antonieta Clotilde, ambas professoras e escritoras residentes no interior do Ceará. O impresso - uma “leitura amena, variada e sã” - incorporou, a partir de 1910, fotografias de leitores/as, escritores/as e famílias vinculadas à publicação, acompanhadas de legendas e poemas. O material iconográfico analisado ilumina imagens de meninas e mulheres, revelando práticas sociais e laços afetivos, além de se associar a conceitos cultivados e propagados pelas editoras, como Religião e Civismo. A Estrella contribui, assim, para o entendimento em torno de possíveis identidades e papéis femininos, registrando a mulher como mãe e esposa – mas também como inteligente e colaboradora, valorizando aspectos intelectuais e artísticos. Seu projeto redatorial pavimentou, mesmo que de forma involuntária, um caminho de maior projeção feminina no espaço público e nas letras. O corpus documental que apresento neste trabalho pronuncia uma crônica da camada dominante da população feminina no período e sugere um universo instigante e heterogêneo de representações, enlaçando distintos lugares, vestimentas, costumes e gerações. Nome: Luciana de Lima Pereira E-mail: cianamhb@gmail.com Instituição: Universidade Estadual do Piauí Título: A construção do modelo de masculinidade pela igreja católica em Teresina em meados do século XX O início do século XX, em Teresina, é marcado por uma pequena participação masculina nos cultos católicos, em detrimento da freqüência deles nos espaços públicos, vistos como profanos. Apesar de todos os dizeres da instituição clerical sobre o comportamento masculino e feminino tido como “moderno” e acatólico, as mulheres teresinenses eram maioria nas audiências dominicais católicas e nos rituais promovidos pela Igreja Católica local. No período PósSegunda Guerra Mundial, a Diocese e, posteriormente, a Arquidiocese de Teresina, pretendendo aumentar nos jovens da capital um sentimento religioso e amalgamar os fiéis aos princípios cristãos e morais, criou em 1949 a União dos Moços Católicos (U.M.C.). A U.M.C. se constituía num grupo formado por “moços” católicos que tinha como objetivo recuperar os jovens seduzidos pelas opções de lazer e de prazer ligados ao mundo moderno e “profano”, e formadores da “juventude transviada”. Nesta perspectiva, este trabalho pretende analisar as prescrições do modelo de masculinidade construída pela Igreja Católica em meados do século XX, lançando mão do referencial teórico em torno da temática gênero e religiosidade. Nome: Luciana Rosar Fornazari Klanovicz E-mail: lumerosar@yahoo.com Instituição: Universidade Federal de Santa Catarina Título: Redemocratização com censura: erotismo, televisão e a revista “Veja” no Brasil dos anos 1980 Este trabalho discute a relação entre a censura e o erotismo no Brasil a partir de 1985, em meio às expectativas de mudança do movimento de redemocratização. Nesse processo houve um aumento de interesse discursivo que colocou o erotismo em evidência em propagandas, filmes e telenovelas. Percebe-se que

alguns setores buscaram estabelecer limites sobre produções culturais. A revista “Veja” foi uma das fontes de posições nem sempre liberais a esse respeito, promovendo uma “redemocratização cautelosa” onde discursos atualizavam a censura em determinadas relações. Uma censura que exaltava um erotismo bem demarcado pela heterossexualidade normativa e que suprimia outras formas. Tais vontades de censura mostraram-se eficientes. Mesmo com a supressão da censura por parte do governo federal, a prática de limitação e controle de produções culturais em revistas como a “Veja” forneceu argumentos capazes de suprimir personagens e situações, interferindo na produção artística de maneira incisiva, por meio de abaixo-assinados e telefonemas. Tal vontade de poder também contaminava algumas redes de televisão, que passaram a criar mecanismos de auto-censura, compartilhando e aderindo a uma vontade de censurar o que as pessoas poderiam ou não assistir, mesmo diante dos novos tempos democráticos. Nome: Mara Lígia Fernandes Costa E-mail: maraufpi@gmail.com Instituição: Universidade Federal do Piauí Título: Entre anjos e viragos: a produção discursiva acerca dos modelos femininos em Teresina no início do século XX Compreendendo a escrita como uma prática que exerce poder sobre os sujeitos sociais, acreditamos que a produção literária das primeiras décadas do século XX em Teresina pode apontar para uma escrita voltada para as representações dos modelos femininos vigentes naquele período. Nosso objetivo não se resume a apenas apresentar os perfis femininos, mas também problematizar como essa escrita sugere formas de ressentimentos e anseios masculinos quanto aos avanços do movimento feminista com relação à educação e ao trabalho no contexto não apenas local, mas também mundial. Nesse sentido, artigos de jornais e o conjunto literário de Clodoaldo Freitas emergem como possibilidades de análise dessa discussão em torno das imagens femininas, apresentando discursos que ora desenham mulheres como seres divinizados por exercerem o papel de “mulher-esposa-mãe”, ora apontam imagens femininas que fogem do modelo tradicional. Nome: Márcia Castelo Branco Santana E-mail: marcinhacbs51@hotmail.com Instituição: Universidade Estadual do Piauí Título: Discursos, desejos e tramas: as reinvenções amorosas e afetivas das mulheres de Teresina na década de 1970 A segunda metade do século XX no Brasil emerge como um período de intensas mudanças sociais e econômicas, principalmente nos centros urbanos. Nesse contexto, são impressos na sociedade uma gama de novos costumes que refletem na formulação de novos comportamentos para homens e mulheres, ora moldando suas experiências às delineações tradicionais, ora trilhando por caminhos mais ousados. A partir desse panorama, indaga-se como na cidade de Teresina essas questões tiveram seus reflexos. Assim, esse trabalho enfoca Teresina, na década de 1970, buscando analisar os discursos e tramas ligados às experiências afetivas e amorosas no mundo feminino. Para isso utilizam-se as notícias, crônicas e comentários de jornais locais para evidenciar que práticas discursivas foram veiculadas e ditas como definidoras dos comportamentos femininos naquele momento. Portanto, o trabalho procura compreender que discursos permearam as vivências das mulheres de Teresina nos anos de 1970, tendo como argumento central a questão de que as experiências afetivas femininas foram moldadas entre as projeções discursivas presentes na sociedade e nas práticas femininas. Nome: Maria de Fátima Hanaque Campos E-mail: fatimahanaque@hotmail.com Instituição: UP-Portugal e Faculdade de Letras Título: Visões do Brasil: representações femininas nos relatos de viajantes O trabalho visa analisar a representação da mulher brasileira, em particular as mulheres índias e negras, através dos relatos de viajantes da modernidade produzidas nos séculos XVIII e XIX. Parte-se da analise dos livros de viajantes e das representações através das ocorrências e das cenas do cotidiano nos locais visitados. Dessa forma, deixavam aflorar informações e representações sobre a mulher, suas atividades, sua participação em espaço público e privado. É possível relacionar essas representações, a partir de um projeto de dominação colonialista dos europeus na América. A eleição dos viajantes deve-se basicamente as suas viagens cobrirem diferentes partes do território brasileiro; eles produziram obras a partir do contato direto com o objeto investigado, de forma a dar um tratamento cientifico, a produzir um acervo de imagens e textos, e posterior publicação e circulação para leitores europeus. Através do relato desses e de sua produção iconográfica, pretende-se demarcar diferenças existentes, a partir da visão que tiveram da própria experiência de viagem, da identidade e estilo

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07 adotado de cada um. Também é possível demarcar recorrências no discurso, quer através da visão masculina, quer da alteridade enquanto europeu. Nome: Mariana Joffily E-mail: ianemari@terra.com.br Instituição: Universidade Federal de Santa Catarina Título: Repressão política e gênero nas ditaduras militares do Brasil (1964-1985) e da Argentina (1976-1983) As ditaduras militares instauradas o Brasil e na Argentina diferenciam-se em aspectos importantes. O Brasil foi um dos primeiros países do Cone Sul a sofrer o golpe militar, ao passo que a Argentina foi o último. O Brasil teve um número relativamente baixo de mortos e desaparecidos – a despeito da inserção institucional alcançada pelo governo militar –, enquanto a Argentina, num intervalo de tempo que corresponde a um terço do que durou o regime autoritário brasileiro, teve o maior número de vítimas do Cone Sul. Entretanto, há igualmente características em comum significativas: a rotatividade dos presidentes militares, a violência política, a oposição de grupos armados de esquerda. Em ambos os países foi significativa a participação das mulheres na resistência política, de maneira que elas também foram vítimas da repressão institucional. A proposta dessa comunicação consiste em investigar as estratégias repressivas nos dois países, dentro de uma abordagem comparativa, destacando as questões de gênero envolvidas na violência política. As fontes para esse estudo são os relatórios de justiça e verdade elaborados, seja por grupos ligados à defesa dos direitos humanos (o Brasil nunca mais), seja pelo governo civil que sucedeu os presidentes militares (o Nunca más argentino). Nome: Marinete do Santos Silva E-mail: mdss@uenf.br Instituição: Universidade Estadual do Norte Fluminense Título: O caso Eduardo Serrano: onde se cruzam política e homossexualidade O presente trabalho procura mostrar o processo de cassação do mandato do prefeito da cidade de Macaé (estado do Rio de Janeiro), Eduardo Serrano, em 1960, acusado de ser homossexual. Nossa pesquisa se valeu dos Anais da Câmara de Vereadores e de periódicos como os jornais O Rebate e O Fluminense. Nesse período a homossexualidade era vista como um desvio de caráter e uma anormalidade. O discurso dos jornais, assim como dos vereadores, são veementes ao apontar a impossibilidade da continuação do prefeito no cargo, face ao que eles chamavam de ‘anormalidade degradante’ de sua conduta. Mesmo que a luta político-partidária tenha sido importante para o desfecho do caso, a homofobia teve um papel preponderante para unir adversários contra a permanência no poder do prefeito ligado ao Partido Republicano. Nome: Mário Martins Viana Júnior E-mail: mario_ufc@hotmail.com Instituição: Universidade Federal de Santa Catarina Título: Gênero e urbanização: representações e práticas na Fortaleza do século XIX Nosso trabalho tem como principal intenção investigar as relações de gênero em Fortaleza, buscando articulá-las com o processo de urbanização dessa cidade, intensificado na segunda metade do século XIX. Tomaremos como parâmetro tanto os discursos e representações em torno dos papéis sociais e sexuais dos fortalezenses, construídos e expressos nos jornais e códigos legislativos do período, bem como as crônicas e memórias de importantes escritores(as) oriundos(as) dessa cidade. Nessa perspectiva buscaremos cotejar tais representações com as práticas sociais registradas em outras fontes e âmbitos que, muitas vezes, poderiam destoar das hierarquizações e balizamentos existentes, engendrando relações de gênero distintas daquelas idealizadas. São em documentos, tais como os registros policiais, censos, almanaques e, sobretudo, nas fontes de caráter cartorial que intentamos evidenciar as contradições e conflitos inerentes às relações de gênero fortalezenses que estavam intimamente relacionadas com a constituição material da cidade. Nome: Mirian Jaqueline Toledo Sena Severo E-mail: mirianjaqueline@yahoo.com.br Instituição: UFGD - Universidade Federal da Grande Dourados Título: Mulheres assentadas: suas múltiplas atuações A proposta deste trabalho é apresentar algumas discussões e resultados da pesquisa que vem sendo desenvolvida acerca dos múltiplos papéis desempenhados pelas mulheres em dois assentamentos rurais do estado de Mato Grosso do Sul. A partir das “vozes” femininas e masculinas busca-se conhecer os discursos e as representações atribuídos às mulheres. Ressalta-se a influência do sistema patriarcal, que no meio rural, permanece definidor das relações sociais entre mulheres e homens e dos espaços que estes ocupam na família. As mulheres, por sua vez, tecem novas relações tanto dentro da família quanto fora dela, por

meio das suas múltiplas atuações. Nesse sentido, enfatiza-se as ações das mulheres assentadas, suas formas de resistência como “estratégias” utilizadas para romper as barreiras, as fronteiras entre espaços público e privado. Espera-se que o presente trabalho juntamente com outras pesquisas que utilizam a categoria gênero possa vir a contribuir para trilhar novos caminhos na sociedade, desmistificando estereótipos que foram construídos em torno das mulheres e assim tentar construir uma sociedade mais igualitária. Nome: Paola Lili Lucena E-mail: paolall@ig.com.br Instituição: Universidade Federal de Juiz de Fora Título: Jornal Lar Católico: espaço de representações sobre a família e a sexualidade nos anos 1950 e 1960 O Lar Católico foi um dos periódicos de maior circulação do Estado de Minas Gerais, durante os anos 1960. Idealizado pelos padres verbitas, nasceu no início do século XX, na cidade de Juiz de Fora, onde perdurou por muitos anos, até ser transferido para Belo Horizonte. Interessado na preservação da moral cristã famíliar, nos anos 1950 o Lar Católico abre um espaço significativo para as mulheres. Ao articular representações a respeito do que seria um universo feminino desejável, tal jornal procurava legitimar a divisão sexual dos papéis vigente entre os anos 1950 e 1960, enfatizando a presença da mulher na família e fazendo frente aos avanços do movimento feminista. Assinada pela militante católica Maria Magdalena Ribeiro de Oliveira, a coluna Intercambio com as Leitoras se propunha a sanar as dúvidas e aconselhar as mulheres, no sentido de uma conduta cristã. No entanto, ao analisar as cartas enviadas para essa coluna, percebe-se em alguns casos que as leitoras, mesmo conhecendo o discurso sexual do jornal, possuíam práticas sexuais e comportamentais que destoavam daquilo que lhes era ensinado. Logo, o resgate do discurso do jornal e das experiências das mulheres ajuda a entender como esses grupos construíram suas representações sobre sexualidade e família, entre os anos 1950 e 1960. Nome: Paula Faustino Sampaio E-mail: paulafaustinosampaio@yahoo.com.br Instituição: UFPE Título: (Des)acertos conjugais: conflitos familiares e judiciais acerca das relações de gênero em Cabaceiras, PB, 1930 e 1940 Com ampliação teórica, metodológica, temática, tendo em vista as indagações motivadas pelas experiências no presente, a história das mulheres estuda sobre relações de gênero em tempos e espaços diversos. Neste sentido, tento compreender o(s) papel(is) e os lugar(es) social(is) atribuído(s) ao gênero feminino e ao masculino pela Igreja Católica e pela Justiça, na Vila de Cabaceiras, PB, entre 1930 e 1940. A partir dessa compreensão, a intenção é pensar os conflitos familiares e judiciais em torno das relações de gênero naquela vila do interior da Paraíba. Para tanto, estudei relatos orais de memórias de mulheres com mais de sessenta anos de idade, processos crimes de defloramento e lesão corporal da Comarca de Cabaceiras e hinos e catecismo da Igreja Católica. A esta documentação inédita, aliamos as leituras acerca da construção das representações, dos discursos, das práticas e das relações de gênero, que permitem refletir acerca das formas de relações de gênero predominantes, mas sem deixar de lado as experiências que foram de encontro com as normas impostas pela Igreja, pelo Estado e pela família. Deste modo, aqui a intenção é contar uma história acerca dos (des)acertos conjugais em meio a discussão sobre moral e imoral, naquela época na Vila de Cabaceiras, PB. Nome: Pedro Vilarinho Castelo Branco E-mail: pedrovilarinho@uol.com.br Instituição: UFPI Título: Práticas e representações masculinas no Piauí do final do século XIX A intenção com o presente trabalho é analisar as representações e as práticas que dão significado à masculinidade no Piauí na segunda metade do século XIX. Os relatos de literatos e historiadores nos informam que a sociedade piauiense foi montada sob o signo da guerra e da conquista de terras e de seus habitantes. A referida movimentação de conquista se deu particularmente com o esforço privado, o Estado pouco concorrendo para a efetivação do feito. Dessa forma as figuras masculinas e as famílias que eles representam aparecem como as conquistadoras do lugar. Os homens aparecem também como figuras imprescindíveis na montagem das atividades econômicas, pessoas que tornaram viável a exploração econômica e ocupação do sertão. O mundo tradicional no Piauí aparece na escrita dos literatos e dos historiadores como espaço marcadamente masculino: são desbravadores, fazendeiros, cangaceiros, vaqueiros as figuras mais prestigiadas e valorizadas. Entender as formas de construção discursiva e as implicações desse discurso para as relações entre os gêneros no Piauí do século XIX é a questão que buscamos responder com a presente investigação.

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Nome: Renato Riffel E-mail: theriffel@hotmail.com Instituição: FAED/UDESC Título: Relações em descompasso: lazer, gênero e violência no Vale do Itajaí-Mirim Partindo da análise de determinadas atividades de lazer existentes na do Vale do Itajaí-Mirim pretende-se tecer algumas considerações sobre as relações de gênero e a violência, procurando discutir como alguns comportamentos e atitudes de afirmação de masculinidades geram ações violentas. Ao analisar os bailes populares e as domingueiras que faziam parte da diversão da população rural na década de 1940, percebe-se que a afirmação dos valores viris se apresenta como uma forma de manutenção do status de dominação que deve ser demonstrado não somente perante as mulheres, mas também perante o grupo aos quais os homens pertencem. Ao avançarmos no tempo, verificamos que, apesar das mudanças de comportamentos que ocorrem a partir da década de 1970, principalmente entre os jovens, a imagem modelar de masculinidade divulgada e sustentada como um ideal a ser perseguido continua prevalecendo. No entanto, a contínua diversificação dos cenários sociais possibilita ao homem a oportunidade de se repensar a partir de novos códigos vigentes, promovendo a alteração da hierarquização social que representa as relações entre homens e mulheres, podendo contribuir dessa forma para a diminuição da violência. Nome: Rômulo José Francisco de Oliveira Júnior E-mail: romulojunior@oi.com.br Instituição: UFRPE Título: Representações de Antônio Silvino: reafirmando as relações de gênero na literatura de cordel Os estudos que versam sobre as relações de gênero ganharam proporções significativas na historiografia a partir da década de 70 do século XX, e deram a ver novas formas de dizer e fazer a História. No sertão nordestino o folheto de cordel era o instrumento de divulgação dos fatos cotidianos e dos comportamentos sociais, sendo bastante comercializado nas feiras e mercados. Tendo a literatura de cordel dos poetas Francisco das Chagas Batista, Leandro Gomes de Barros e José Costa Leite como fonte, pretendemos neste trabalho, analisar as representações de gênero em torno do cangaceiro Antonio Silvino, enfatizando os comportamentos que eram dispensados a homens e mulheres no sertão nordestino no período que compreende de 1900 a 1940. Nome: Sana Gimenes Alvarenga Domingues E-mail: sanagimenes@hotmail.com Instituição: Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro Título: Gênero e poder: um estudo da participação feminina no Partido dos Trabalhadores do Estado do Rio de Janeiro A emancipação feminina alcançou, no estágio atual, conquistas nunca antes vistas. Ocorre que, a despeito dos avanços realmente alcançados, as mulheres ainda são cidadãs de segunda categoria. Neste cenário, a esfera política, reduto historicamente masculino, tem sido um campo extremamente problemático para a atuação feminina. E tal realidade ainda é recorrente no Brasil mesmo mais de uma década após a entrada em vigor da Lei 9.504/97, que estabeleceu, em seu artigo 10, § 3º, que os partidos devem destinar uma percentagem mínima de trinta por cento e máxima de setenta por cento de suas candidaturas para cada sexo. Cabe então questionar de que maneira os partidos políticos brasileiros têm se adaptado a essa lei, sobretudo aqueles que se autodenominam de esquerda, já que, tradicionalmente, os partidos de esquerda sempre estiveram alinhados às demandas das minorias. Para tanto, a presente pesquisa lançará olhos sobre o maior partido supostamente de esquerda brasileiro, o Partido dos Trabalhadores (PT), e buscará averiguar se a inclusão feminina tem se efetivado de forma realmente plena ou, ao menos de acordo com os ditames legais, no PT do Estado do Rio de Janeiro. Nome: Stella Maris Scatena Franco Vilardaga E-mail: stellafv@gmail.com Instituição: Universidade Federal de São Paulo Título: Relatos de viagem de mulheres: entre práticas e representações O propósito desta comunicação é refletir sobre relatos de viagem escritos por mulheres. Texto híbrido, muitas vezes apresenta-se constituído por uma mescla de gêneros - como o diário, a biografia, a epístola, a memória e a narração da viagem propriamente dita. Carrega o traço de ser atravessado pela questão da subjetividade e da individualidade, ao mesmo tempo em que veicula fenômenos coletivos e sociais, sendo depositário de noções acerca dos padrões de conduta marcados pelas relações de gênero. Tomamos como fonte de pesquisa relatos de três escritoras latino-americanas do século XIX que viajaram à Europa e aos Estados Unidos. São elas: a brasileira Nísia Floresta, a cubana Gertrudis Gómez de Avellaneda e a argentina Eduarda Mansilla. Pretende-se compre-

ender o discurso construído por elas a respeito do lugar social da mulher, bem como abordar as possibilidades de contraposição a normas pré-estabelecidas de comportamento social feminino, sobretudo tendo-se em vista seus acessos a práticas naquele momento mais socialmente aceitas para os homens, tais como a viagem e a escrita. Por fim, pretende-se mostrar que seus relatos, para além de espaço de constituição de discurso, podem ser também concebidos como meios de registro de experiências concretamente vivenciadas por mulheres. Nome: Suzimar dos Santos Novais E-mail: suzinovais@yahoo.com.br Instituição: FACINTER Título: Mulheres sertanejas: política, sociedade e economia (1840-1920) A presente comunicação tem por objetivo analisar a atuação das mulheres sertanejas, especificamente no Sertão da Ressaca, identificando os espaços de efetiva participação das mulheres, destacando sua intervenção nos episódios políticos que marcaram os primeiros anos da imperial Vila da Vitória, atual município de Vitória da Conquista. Demonstraremos a participação feminina, partindo de uma análise documental, incluindo inventários e petições, em que mulheres impetravam ações de divórcio, petições de guardas de filhos e de herança e solicitações de emancipação. Discutiremos esse universo feminino que as possibilitou exercerem atividades econômicas e políticas, muitas com a incumbência de conselheiras políticas e apaziguadoras de conflitos armados entre grupos influentes e rivais da sociedade local. Nome: Vera Lúcia Puga E-mail: verapuga@prograd.ufu.br Instituição: Universidade Federal de Uberlândia Título: Especialidades médicas, escolhas de gênero: Residência médica na UFU Pesquisas recentes apontam o crescente acesso à educação pelas mulheres, assim como a feminização de algumas carreiras ou profissões, anteriormente consideradas especificamente masculinas. Mesmo assim é possível constatar que os espaços acadêmicos de decisões e tecnologias permanecem eminentemente masculinizados. Para Menezes e Heilborn, com a entrada de mulheres em espaços predominantemente masculinos acontece a perda de prestígio do ofício, marcada pela queda da remuneração e mesmo sendo constatadas a presença de mulheres no chamado mundo dos homens ainda persistem ofícios e especialidades que resistem e se mantém dicotômicos, ou seja, permanecem masculinos e femininos. Este fato pode ser constatado, inicialmente em nossa pesquisa quanto às especialidades médicas. Assim, percebe-se uma hegemonia de homens nas especialidades de Urologia, Ortopedia e Traumatologia e de mulheres nas especialidades de Ginecologia e Obstetrícia e Pediatria. Em que medida a escolha por especialidade médica se dá por influência interna, dos (as) professores (as) e preceptores e colegas do curso, ou por bagagem cultural advinda das famílias de origem dos (as) estudantes? Nome: Walter de Carvalho Braga Júnior E-mail: waltercbraga@yahoo.com.br Instituição: Universidade Federal do Ceará Título: Violência contra mulheres pobres no termo da vila da Fortaleza (1790-1820) O presente trabalho trata de uma pesquisa desenvolvida com a documentação do Arquivo Público do Estado do Ceará (APEC) sobre violência contra mulheres no termo da Vila da Fortaleza no início do século XIX. Esta pesquisa tem como um dos seus principais objetivos desconstruir a imagem que se criou no imaginário brasileiro de que a mulher não ocupava os espaços públicos e ainda teria se rendido à reclusão que lhe era imposta pelos homens. A intenção é mostrar como as mulheres teceram suas táticas e impuseram suas vontades de forma que confrontaram diretamente o imaginário que se construiu em torno delas. Para além do caráter denuncista dos crimes cometidos contra mulheres pobres no final do período colonial, procuro trazer à tona as estratégias a que estas mulheres recorriam para garantir seus direitos e sua segurança na misógina sociedade cearense. É importante que nós historiadores tenhamos sempre esta preocupação em perceber os “jogos de poder” e estratégias assumidas neste intenso fluxo que se estabelece entre homens e mulheres.

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08 08. Dizer sim à existência: ética e subjetividade na História Glaydson José da Silva - Universidade Estadual de Londrina (sglaydson@hotmail.com) Luzia Margareth Rago - UNICAMP (marga_rago@uol.com.br) Contra uma cultura que privilegia o negativo, que aposta na retórica em lugar da paresia (falar franco com risco); que conhece sobejamente a misoginia, mas não a filoginia (o amor pelas mulheres); que acredita na moral normatizadora, ao invés de investir nas práticas da liberdade constitutivas da tradição greco-romana; enfim, que valoriza o poder, a competição e a hierarquia, ao invés das relações de amizade e solidariedade, os pensamentos muito positivos de Foucault e Deleuze, inspirados em Nietzsche, assim como os feminismos e os anarquismos contemporâneos apontam para saídas interessantes. Para Nietzsche, dizer sim não significa uma aceitação passiva do instituído, não se trata do Sim do asno de Zaratustra, para quem afirmar é carregar o peso do mundo, é assumir a realidade tal qual ela é, já que ele é sensível apenas àquilo que tem sobre o lombo, àquilo a que chama de real. Como explica Deleuze: “o asno carrega inicialmente o peso dos valores cristãos; depois, quando Deus está morto, carrega o peso dos valores humanistas, humanos – demasiado humanos; finalmente, o peso do real, quando há não há valor algum.” (DELEUZE, 2006: 159) E adverte que, na verdade, o asno diz Não, pois “é a todos os produtos do nihilismo que ele diz sim”. O afirmar de que aqui falamos diz respeito à transformação, à criação, à dança, à profanação e à vida. Nessa direção, propomos, nesse Simpósio Temático, a apresentação e a discussão de pesquisas históricas que focalizem os saberes e as práticas que, em diferentes momentos históricos, e em seus exercícios críticos, afirmam a existência, apostam na liberdade e na construção de valores éticos praticados por novas subjetividades; enfim, que potencializam a vida em nossa atualidade.

Resumos das comunicações Nome: Adilton Luís Martins E-mail: adiltton@hotmail.com Instituição: Unicamp Título: O “decálogo” da estética da existência Trata-se de uma comparação entre os dez mandamentos da catequese católica e elementos da estética da existência. O intuito deste exercício consiste em salientar as diferenças entre a moral cristã e a estética da existência. Nome: Aline da Silva Medeiros E-mail: linemedeiros@gmail.com Instituição: PUC/SP Título: Parteiras curiosas e as economias do corpo feminino. Fortaleza, 1915-1935 Em 1915, por ocasião da fundação da Maternidade Dr. João Moreira, a cidade de Fortaleza foi palco de uma série de investimentos médicos que tornaram os corpos das mulheres grávidas objetos privilegiados da prática clínica. A irradiação dos preceitos médicos que deveriam informar a assistência ao parto estava, no entanto, condicionada à supressão das chamadas “parteiras curiosas” ou “aparadeiras”. O presente trabalho se compromete com a reflexão sobre as práticas destas mulheres. Residindo nas zonas periféricas de Fortaleza, as “parteiras curiosas” tinham suas atuações tributárias do mundo rural do sertão, utilizavam de forma improvisada os objetos do mobiliário doméstico para o termo do parto, se valiam de um repertório de rezas e de apelos sobrenaturais consentâneos com o problema que enfrentavam, promoviam aproximações entre os corpos e elementos orgânicos, inclusive excrementos, etc. Instauravam um regime corporal no qual o corpo da parturiente sofria múltiplas influências, se mostrando completamente permeável às forças cósmicas, humanas e materiais. A reflexão sobre alguns elementos que circundavam as práticas destas mulheres se faz essencial para compor a genealogia dos cuidados sobre o corpo feminino na cidade de Fortaleza. Nome: Ana Carolina Arruda de Toledo Murgel E-mail: acmurgel@gmail.com Instituição: Unicamp Título: “E agora, Maria?”: a escrita feminista de si

Heloísa Buarque de Hollanda afirmava, num artigo publicado em 1981, olhando a pilha de livros escritos por mulheres que se avolumava sobre sua mesa: “o discurso feminista supõe algumas simplificações e uma certa incapacidade, enquanto linguagem, para enfrentar seus fantasmas mais delicados” . Folheando os livros de algumas das poetas daquela geração, detectou em boa parte delas “sintomas de um discurso pós-feminista, um novo espaço para a reflexão sobre o poder da imaginação feminina. Uma revolta molecular quase imperceptível no comportamento, na sexualidade, na relação com o corpo e a palavra”. A idéia de um pós-feminismo é também defendida por Margareth Rago, para quem esse novo feminismo traz as ressonâncias do pensamento de filósofos do pós-modernismo. A proposta desta pesquisa é perceber como essa reinvenção de si se dá na poesia escrita por mulheres, focando as obras de Alice Ruiz, Ana Cristina Cesar e Ledusha. Para problematizar essa proposta, pretendo trabalhar com alguns dos conceitos oferecidos pela filosofia da diferença e pelo feminismo inspirado na pós-modernidade. Utilizo as referências teóricas e metodológicas das concepções de Michel Foucault e as discussões relativas às relações de gênero, nas perspectivas apontadas por Rosi Braidotti, Luce Irigaray e Margareth Rago. Nome: Andre Luiz Joanilho E-mail: alj@uel.br Instituição: UEL Título: Tempo em Foucault A temporalidade na obra de Foucault ainda é tema de discussão entre historiadores, porém há uma clara percepção temporal e ele não é apenas o descontínuo, há também uma temporalidade difusa nas práticas discursivas que se constitui ao longo dessas mesmas práticas. Não há uma linearidade para Foucault, mas um tempo multifacetado que se prolonga ou encurta conforme práticas e discursos entram em confluência ou em embates. Nome: Anette Lobato Maia E-mail: anettelmaia@globo.com Instituição: Universidade de Brasília Nome: Maria Celia Orlato Selem E-mail: orlatoselem@yahoo.com.br Instituição: UNICAMP Título: Corpos que importam: dobras e permanências nas materialidades trans

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Falamos do corpo significado em feminino no mundo das imagens desejantes e desejadas: formas, cores, cosmética, brilho. Imagem que não cessa, transmuta, transfigura e re-configura. A plasticidade do olhar do outro, sujeito inacabado e oblíquo, localiza as possibilidades da materialidade corporal e falha na totalidade da cooptação. É nessa perspectiva que estabelecemos conversas com transgêneros femininas, menos nos palcos e mais nas usinas (produção) dos desejos e subjetividades, possíveis em gestos carregados pelas marcas de gênero. Práticas cotidianas apontam para a historicidade e desestabilizações dos discursos sobre os sexos e corpos, numa denúncia de que somos sujeitos de identidades plurais e efêmeras com lugares provisórios. Alguns lugares estão renitentes e o feminino exige o suplício, a modelagem, o recorte. Ser feminina é ser em formas, contenções, práxis. É distanciar-se do abjeto amorfo, opaco, indecifrável - endividamento. Contestar as lentes binárias, que implodem o humano em masculino e feminino, implica em apontar que os corpos escapam ao peso das injunções heteronormativas – por isso as transgeneridades apresentam-se aqui como objeto - mas também pensar dobras e permanências na produção do corpo feminino incessantemente esquadrinhado e economicamente viável. Nome: Clementino Nogueira de Sousa E-mail: cnousa@uol.com.br Instituição: UNEMAT Título: Bar Lago das Rosas: gargalhadas, gritos, ruídos, passos, paixões e murmúrios dos amantes, compondo a trilha sonora de uma cartografia do desejo na cidade de Cuiabá A cidade de Cuiabá, na década de 1940, não era marcada somente pelos tempos “litúrgicos da Igreja Católica, pelos saraus e tertúlias”, pelas construções de novos prédios públicos, pelas construções de hotéis, pelas rodovias, pelas avenidas Getúlio Vergas e Treze de Junho, que representam a linha de segmentaridade, territorialidade e estratos de uma memória arborescente etc. Ela possuía outras linhas de conectar a subjetividade com o devir; ela possuía outros fluxos de desejos; outras formas de vida, outras heterotopias espaciais, outros verbos desejantes: pulsar, intensificar, desterritorializar, que fabricam corpos sem órgãos, compondo dessa forma, um quadro de multiplicidades, que modulam vidas infames que caminham entre os saberes e os poderes atiçando fogo nas essencialidades através de seu princípio de afirmação diferencial... Em suma, objetivo desta comunicação é seguir as pegadas desses sujeitos nômades, os rumores, as gargalhadas de bar em bar, os gritos de bordel em bordel, as lágrimas e alegria de garimpo em garimpo, as paixões e os sonhos dessas figuras femininas e masculinas que constituíram através das suas formas de subjetivações uma cartografia do desejo na cidade de Cuiabá. Nome: Daive Cristiano Lopes de Freitas E-mail: dcristianlopes@yahoo.com.br Instituição: UNESP Título: A estética do desamparo - Fragmentos de arte para uma narrativa a contrapelo da história Estudamos a produção de imagens do artista plástico Francano Salles Dounner (1949-1996) em seu livro “Art-Nula”, situando este num contexto que se caracteriza pela precarização da vida e pela exacerbação da dimensão mecânica da sociedade. Analisamos as marcas dos processos de subjetivação do artista em seu esforço com a lida da “escultura de si”, fazendo um recorte sobre o artista na condição de narrador de seu tempo, buscando estabelecer um diálogo entre sua obra e a obra de Walter Benjamim, sobretudo nos aspectos em que o filósofo indica uma articulação entre a modernidade e a tradição. Ampliamos nossa abordagem na interface com a obra de Mikhail Bakhtin “Cultura Popular na Idade Media e no Renascimento”, particularmente, no conceito de “realismo grotesco”. A partir deste enfoque teórico e do corpus da pesquisa analisamos os processos de subjetivação da e na sociedade contemporânea e suas possibilidades pedagógicas para uma análise crítica da educação. Nome: Diego Souza de Paiva E-mail: domdiegosouza@hotmail.com Instituição: Universidade Federal do Rio Grande do Norte Título: Por uma precariedade assumida: uma reflexão sobre o ofício do historiador Mostrando correspondência, de uma forma geral, para com a proposta do XXV simpósio nacional (cujo tema é história e ética) e, de uma forma específica, para com as diretrizes dos simpósios em questão, o presente trabalho vem no sentido de compartilhar uma reflexão sobre o caráter complexo da relação entre o historiador e seu ofício. Muito mais um ensaio que propriamente um artigo, este trabalho, voltando sua atenção para o

universo de redefinição pelo qual vem passando a história-ciência a partir da década de 1970, procura convidar à reflexão sobre algumas questões teórico-metodológicas fundamentais numa prática historiográfica dita reflexiva (o papel da imaginação, as relações entre objetividade e subjetividade, entre fato e ficção etc.). E nesse sentido defender uma proposta de história calcada numa postura menos pretensiosa, menos senhora de si e do tempo, e mais adequada à complexidade de uma realidade que deve ser sempre entendida em termos relativos. A intenção aqui não é a de defender o paradoxo semântico presente na idéia de um relativismo absoluto, mas simplesmente afirmar um dado relativismo, filho das limitações e complexidades que caracterizam o ofício do historiador. Defender essa realidade é, sem dúvida, uma questão de ética. Nome: Dimas Brasileiro Veras E-mail: dimasveras@hotmail.com Instituição: UFPE (PPGH) Co-autoria: Francisco Aristides de O. S. Filho Instituição: UFPI Título: A experiência da esperança: um “Golpe na Alma” da intelectualidade brasileira pós 1964 O trabalho tem como objetivo compreender a atuação do Serviço de Extensão Universitária da Universidade do Recife (SEC/UR) e de seu idealizador, o professor Paulo Freire, no campo intelectual e educacional da cidade do Recife na década de 1960. Nestes anos o SEC se destacou por uma multiplicidade de atividades: palestras, encontros estudantis, diálogo com outras Universidades, a criação da Rádio Universidade e da revista de cultura Estudos Universitários. No entanto, seu foco principal era o sistema de alfabetização de jovens e adultos e uma nova concepção de educação conhecida como “Sistema Paulo Freire de Educação”. São estas experiências que procuraremos analisar. Nossa preocupação neste sentido se bifurca numa história das sociabilidades e numa história cultural da educação: a experiência da esperança e o golpe na alma sofrido por esta geração de intelectuais. Este trabalho floresce da leitura do livro de memórias de Marcius Cortez “O Golpe na Alma”: narrativa que oferece ao leitor importantes reminiscências para entender atuação intelectual e educacional no Brasil e no Recife, as relações entre a cidade e a Universidade e a problemática da memória ao lidar com a dolorosa experiência da ditadura. Nome: Elisabeth Juliska Rago E-mail: bethrago@terra.com.br Instituição: Pontifícia Universidade Católica de São Paulo Título: Ética e subjetividade nas trajetórias de Francisca Praguer Fróes A proposta desta comunicação é discutir as trajetórias da médica Francisca Praguer Fróes, nascida na Bahia, em 1872, formada pela Faculdade de Medicina da Bahia, em 1893. Vinculou-se ao feminismo e à medicina, contra todas as objeções sociais e, depois de formada, utilizou o prestígio conferido pela profissão em favor da cidadania e da saúde da mulher. A releitura de seus escritos permite pluralizar a percepção das subjetividades femininas constituídas na experiência da vida cotidiana com relativas margens de autonomia, de acordo com as possibilidades dadas naquele complexo período histórico. Enfrentou tensões e negociações posicionando-se a favor das práticas de liberdade, forjando soluções no interior da organização de gênero, redefinindo suas próprias trajetórias e demonstrando, dessa maneira, que a dominação masculina não era total nem absoluta. São particularmente importantes, para a compreensão deste estudo, as concepções trazidas pelo feminismo contemporâneo, uma vez que podem ser elucidativas para analisar experiências femininas do passado. A médica pode ser analisada como uma pessoa atravessada por uma multiplicidade de subjetividades, que se reconstroem na prática do cotidiano, construindo novos valores éticos e reinventando-se ante as adversidades da vida. Nome: Everton de Oliveira Moraes E-mail: evermoraes@hotmail.com Instituição: Universidade Federal de Santa Catarina Título: Notas sobre a composição de um fanzine: ética e existência na escrita punk Compor um fanzine punk é recusar-se a assumir o papel de autor, tornando-se voluntariamente anônimo, para fazer dele o acontecimento que pretende, como diz Kafka, “comunicar algo incomunicável”, algo que só se pode sentir na imanência do próprio corpo. Trata-se de algumas folhas xerocadas, com textos e imagens sobrepostas, onde está em jogo denunciar e combater o fascismo do cotidiano, um exercício crítico de si mesmo, que procura problematizar as próprias condutas, pensamentos e os significados

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08 do punk. O fanzine é um exercício crítico da escrita que é menos a narração desse embate do que a própria arma com a qual se luta, um ato através do qual alguns homens infames se lançam em combate. Dele surgem uma infinidade de textos que escrevem a angústia e o ódio provocados por um poder que pretende tomar de assalto a própria vida. Nesse processo, inventam-se éticas e estéticas de existência. Nome: Fabiana Luiza da Silva E-mail: fabianaluiza1@yahoo.com.br Instituição: Universidade Severino Sombra Título: Das criaturas aos criadores: contribuições de Foucault para a análise de uma historiografia tripartida sobre a Guerra do Paraguai Este trabalho parte de algumas das muitas contribuições do filósofo francês Michel Foucault para o estudo da história. Priorizamos suas idéias que dizem respeito à relação saber/poder e à forma como esta pode ser considerada a criadora dos indivíduos. Acreditamos na utilidade de seus conceitos para a análise das formas através das quais Francisco Solano López e Duque de Caxias foram descritos na historiografia brasileira sobre a Guerra do Paraguai, a qual está dividida em tradicional, revisionista e contemporânea. Por essa razão, apontamos a possibilidade de se voltar maior atenção às condições de possibilidade para os indivíduos que caracterizaram os referidos personagens. Enfim, acreditamos que, mais do que repetir as descrições já feitas sobre estes dois protagonistas da guerra, é possível, ainda, identificar de que forma se deu a construção dos seus sujeitos idealizadores. Nome: Glaydson José da Silva E-mail: sglaydson@hotmail.com Instituição: Universidade Estadual de Londrina Título: Expressões contrastantes - representações femininas durante o fascismo francês (1940-1944) Tem-se por objetivo nessa comunicação analisar, dentre as diferentes representações femininas durante o período de dominação alemã na França (Regime de Vichy – 1940-1944), aquelas que se ligam às proposições oficiais do Estado (sobretudo por meio de sua expressão imagética), em contraposição àquelas vinculadas aos diferentes movimentos e organizações de mulheres ligados à Resistência (expressão imagética e textual). O confrontamento desses discursos contrastantes terá como cerne a análise das normatizações em face da sua incapacidade de render à práxis social. Nome: Haroldo Gomes da Silva E-mail: hgomesrn@yahoo.com.br Instituição: UFRN Título: O elogio do trabalho em Luzia-Homem O século XX marca definitivamente a entrada da mulher no mercado de trabalho, momento saudado pelo que representou no aumento da autonomia social das mulheres em relação aos homens e numa maior participação delas na esfera pública. Por outro lado, verifica-se o paradoxo de introdução das mulheres na constituição do que Foucault chamou de “pedagogia universal do trabalho”, que afirma a centralidade do trabalho na vida das pessoas e a submissão da sociedade à racionalidade econômica. Este artigo pretende discutir a relação entre condição de virilidade do sertanejo e elogio do trabalho a partir do romance “Luzia-Homem”, obra de Domingos Olimpio, publicada em 1903, no Brasil, pois o desenvolvimento desse vigoroso processo de valorização do trabalho passa pela fabricação do sertanejo, configurado como tradição no Norte onde, posteriormente, seria inventada o que se conhece hoje por Região Nordeste. O romance emerge na sociedade burguesa como novo modo de produção de sujeitos e de subjetividades e, em Luzia-Homem, uma mulher é esculpida para o trabalho pela condição de virilidade, força e valentia do predicado homem que carregava. A escrita da história vive o desafio de fazer a crítica de uma ética do trabalho que hipervaloriza o labor, a escravidão do humano pela necessidade. Nome: Helena Isabel Mueller E-mail: helena.isabel@terra.com.br Instituição: Faculdade Internacional de Curitiba Título: Vício de proibir: droga socialmente reforçada Nascemos essencialmente livres. Após o susto, e o medo em enfrentar o que se nos coloca, tornamo-nos curiosos do mundo que nos cerca. Descobrimos novas formas de comunicação para além dos ruídos que emitíamos. Aprendemos, aos poucos, impulsionados pela curiosidade que nos é inerente, uma linguagem mais complexa, verbalizada e na qual corpo não é mais essencial. Curiosos, perguntamos infinitamente o porquê das coisas, o que nos leva a descobrir caminhos, ganhar autonomia, ampliar os limites

de nossos horizontes. Rapidamente, no entanto, temos que nos defrontar com impedimentos, espaços delimitados, direcionamentos, proibições. A curiosidade, antes livre para se fortalecer, agora percorre corredores e labirintos, disciplinas e imposições. Já não podemos deixar que ela aponte nosso norte, pois há o constrangimento da proibição, a restrição da liberdade. O presente trabalho tem como proposta discutir as questões acima, como metáfora, em momentos históricos tais como a Grécia Antiga, quando a curiosidade era instigada, e o surgimento da sociedade moderna com a construção/imposição da disciplina educação. Para tal, estaremos nos referenciando em Bakunin, Foucault, Castoriadis, Rancière e Deleuze. Nome: Herasmo Braga de Oliveira Brito E-mail: herasmobraga@yahoo.com.br Instituição: Universidade Federal do Piauí Título: A pedagogia do olhar em Oceano mar e Ensaio sobre a cegueira: reflexões historiográficas sobre a égide da pós-modernidade Sérgio Buarque de Holanda em uma das suas reflexões presente no livro Para uma nova história trata sobre dois tipos de historiadores: um que se aprofunda na documentação, mas é perfeitamente nula a sua imaginação, enquanto o outro, a imaginação é devoradora e consome toda a documentação. Que imenso historiador, afirma Buarque, não teríamos se pudéssemos associar as duas figuras emblemáticas em uma só, i.e, um sujeito erudito e compreensivo, investigador e também pensador, cheio de humildade e de lúcido discernimento. No entanto, observa-se que a formação do historiador atualmente, encontra-se distante das assertivas formuladas por Buarque e isso ocorre, a nosso ver, devido à deseducação do olhar por parte dos investigadores históricos. Hoje, o historiador parece pautar-se mais sobre modismos e excessiva teorização com pouco trabalho documental de análise e reflexão. Assim, em meio a este oceano pós-moderno de indefinições e incertezas, o historiador parece imergir de uma cegueira e um isolamento limitador. Portanto, utilizaremos as obras Ensaio sobre cegueira de José Saramago e Oceano Mar de Alessandro Barrico, no intuito de nos orientar na reflexão sobre os desafios, dificuldades e perdas de referencialidade do historiador contemporâneo. Nome: Icaro Ferraz Vidal Junior E-mail: icaroferrazvidal@yahoo.com.br Instituição: Universidade Federal do Rio de Janeiro Título: Atenção e verdade em Bergson, Nietzsche e Lost Propomos uma genealogia da atenção envolvida nos regimes de produção de verdade, a partir das narrativas trans-midiáticas contemporâneas. Adotamos a hipótese de que a emergência de narrativas estruturadas tendo como pressuposto um espectador que trabalha, na busca por uma verdade, a partir de diferentes dispositivos tecno-midiáticos, implementa uma demanda atencional que, deslocada para certas práticas sociais, passa a ser enquadrada no expansivo diagnóstico de Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH). Como contraponto histórico-filosófico (na contramão de um pensamento que tende a reduzir o fenômeno da atenção a seus correlatos biológicos e retirá-lo, assim, da história) retomamos o conceito de atenção postulado por Henri Bergson, sobretudo em “Matéria e memória” (1896). Como adjacência da formação histórica contemporânea, privilegiaremos os fóruns virtuais que discutem o seriado televisivo Lost, de modo a verificar em que medidas o valor moral coletivamente atribuído a determinada leitura da série acopla-se, em um plano biopolítico, a certos regimes atencionais sócio-institucionalmente requeridos. Após o gesto genealógico, empreendemos uma valoração ética, também de inspiração nietzschiana, dos valores morais aí agenciados. Nome: José Carlos Reis E-mail: jkrs@uol.com.br Instituição: Universidade Federal de Minas Gerais Título: A filosofia da história pós-moderna: Elias, Foucault, Bourdieu, Thompson A partir de 1989, a historiografia “mudou de pele”. Não se fala mais de estruturas, de longa duração, de classes e luta de classes, de revolução social, de ideologias, de engajamento político, de alienação, de problemas econômico-sociais, não se usam mais “conceitos” e discute-se se a história pode atingir a “verdade”. Hoje, as palavras mais comuns da hegemônica história cultural são: “pós-modernidade”, “representações”, “micro-narrativas”, “imagem”, “estética”, “história e literatura”, “história e ficção”, “história e poética”, “virada linguística”, “texto”, “enredo”, “estilo”, “retórica”, “interpretação”, “relativismo”, “nominalismo”. Neste capítulo, a nossa questão é: por que houve esta mudança tão profunda, que deixou os próprios historiadores perplexos? E como compreender e avaliar esta mudança? Os

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debates sobre a crise vivida pela historiografia são intensos, envolvendo historiadores, filósofos, teóricos da literatura, sociólogos, antropólogos. Nome: Júlia Glaciela da Silva Oliveira E-mail: julia.gsoliveira@gmail.com Instituição: Universidade Estadual de Londrina Título: Problematizando a violência contra mulher: por uma cultura filógina Este trabalho visa problematizar como as questões de violência contra mulher vêm sendo tratadas no cenário político brasileiro a partir de projetos de leis debatidos e aprovados entre o período da redemocratização do país até a aprovação da Lei Maria da Penha em 2006. O recorte escolhido se justifica pela expectativa que o termo “redemocracia” trouxe, como também, pelos movimentos feministas que nas últimas décadas vêm propiciando mudanças significativas na luta pelos direitos das mulheres, trazendo um novo olhar sobre o feminino e suas relações, afirmador da vida, no sentindo de “um mundo mais filógino”, como propõe Margareth Rago. A Lei Maria da Penha trouxe à tona a violência doméstica contra a mulher como um problema cultural e social, procurando uma conscientização sobre a violência de gênero ao mesmo tempo em que deu continuidade à representação do papel feminino na sociedade, restringindo proteção às vítimas de violência dentro do âmbito doméstico ou gerado por um vínculo afetivo. Teríamos motivos cabais para comemorar a aprovação desta lei? Considerando as constantes denúncias de violências praticada contra mulheres cotidianamente, temos claro que as questões políticas relativas às relações gênero ainda trazem um constante desafio a fim de subverter esta ordem cultural. Nome: Luana Saturnino Tvardovskas E-mail: luanasaturnino@hotmail.com Instituição: Unicamp Título: Rosana Paulino: “É tão fácil ser feliz?” Focalizo a produção artística de mulheres, sobretudo da brasileira Rosana Paulino (1967), que trata em suas obras dos temas do gênero e da etnicidade. A artista trabalha com as imagens de mulheres negras e mestiças e discute a construção das subjetividades atravessada pelas condições de trabalho, pelas relações de poder e pelo preconceito racial. Aponto como há um posicionamento artístico feminista por parte de Rosana Paulino que se contrapõe a essas sujeições e empreende críticas ácidas ao machismo, racismo e universalismo. Nome: Lucas Endrigo Brunozi Avelar E-mail: lucasjabora@yahoo.com.br Instituição: USP Título: Uma história “arqueológica” contra o “sujeito” cachaça Partindo do estudo das práticas sociais em que a aguardente de cana estava presente na América Portuguesa durante o século XVIII, pretendemos problematizar as funções sociais que a bebida adquiria naquele contexto, mapeando os efeitos dos usos das bebidas européias, a saber, o vinho e a aguardente de uvas, na determinação dessas representações. Nesse sentido, reconhecendo-se a complexidade do tema, o primeiro objetivo é investigar as apropriações que alguns princípios da Antiguidade Clássica sofreram em confronto com as necessidades peculiares ao ambiente científico e moral português do Setecentos, século de desenvolvimento dos mecanismos de disciplinarização dos corpos. Num segundo momento, pretende-se mapear como essas representações são atualizadas a ponto de servir de base para a criação e produção de um discurso controlador de condutas por meio da “teoria humoral” e da noção de moderação, que por sua vez se estende para a América Portuguesa. Tendo em vista as práticas sociais em que se engendraram subjetivações às bebidas alcoólicas, o questionamento se encaminha em direção aos limites e possibilidades da implantação desse projeto de controle na Luso-América. Nome: Luzia Margareth Rago E-mail: marga_rago@uol.com.br Instituição: UNICAMP Título: Afirmar o próprio nome: Criméia Alice Schmidt de Almeida Militante política, Criméia filia-se ao PCdoB nos anos sessenta e participa ativamente da guerrilha do Araguaia, entre 1969 e 1972, quando, grávida, é encarcerada nos porões da ditadura. À longa experiência da clandestinidade, sucede-se o confinamento prisional, onde as estórias vividas devem ser silenciadas e ocultas. Nesse longo período de sua vida e mesmo em liberdade, a ativista enfrenta a solidão e a dor causadas pela impossibilidade de comunicar as experiências vividas, consideradas insuportáveis; defronta-se com a necessidade de superar os obstáculos que impedem

dotar-se de sua própria história e assumir o seu próprio nome diante do olhar do outro. Em defesa desse passado por uma inquestionável exigência do presente, integra a Comissão dos Mortos e Desaparecidos Políticos, em que luta para reencontrar sinais de vidas e histórias abafadas, recusando-se a compactuar com o acordo de silêncio estabelecido no final da ditadura. Compõe progressivamente uma teia densa de relações em que inscreve o seu próprio passado e confere sentido ao presente. Essa comunicação focaliza a dor e o sofrimento resultantes da luta incessante para a afirmação de si, a partir do trabalho da memória e da rearticulação dos vínculos sociais no presente. Nome: Marcelo Santana Ferreira E-mail: mars.ferreira@yahoo.com.br Instituição: Universidade Federal Fluminense Título: História e narração: sobre o estatuto do autor Michel Foucault problematizou a função do autor e incorporou em seus escritos a validade da experiência na elaboração do olhar a respeito do passado histórico. O autor não se posiciona supra-historicamente em relação à própria história e nem muito menos é o doador de sentido absoluto do que se escreve. Suas contribuições podem dialogar, de forma surpreendente e crítica, com as reflexões do pensador alemão Walter Benjamin, que propusera uma redefinição da biografia ao se dedicar a estudar o século XIX alemão, por intermédio de mosaicos de lembrança e esquecimento elaborados pela escrita teorética. Os dois autores citados contribuem, de forma contundente, a reflexões de natureza metodológica no instigante diálogo entre investigações sobre a subjetividade e a História. Apropriando-nos de parte do legado dos pensadores, propomos uma abordagem das vias “menores”, das memórias não ressentidas e coletivas que se produzem através de uma suspensão da necessidade do tempo histórico e do abrigo no “atual”. O propósito do trabalho é indicar as contribuições dos autores citados para a compreensão do estatuto político das narrações de si nas sociedades modernas e contemporâneas, especificamente aquelas inscritas na materialidade da cidade e nas problematizações éticas de modos de existência. Nome: Maria Ignês Manici de Boni E-mail: maria.boni@utp.br Instituição: Universidade Tuiuti do Paraná Título: “Gilda”: vivendo sob o preconceito numa cidade provinciana, um sim à vida O presente trabalho parte da biografia de Rubens Aparecido Rinque ou “Gilda”, um homossexual que viveu em Curitiba na segunda metade do século XX (1970-1983) e sempre foi visto pela população e principalmente pela imprensa como um ser excêntrico e folclórico e louco. Longe de vê-lo dessa forma, pensar a vida de “Gilda” acompanhada de Foucault permite um aprofundamento nas questões da sexualidade, em especial no cuidado de si, e superar as abordagens de gênero, vendo-as como estética da existência. Seu jeito de tratar as pessoas de forma direta e franca mesmo correndo riscos como o de ser maltratado não apenas verbalmente como também fisicamente em plena rua e à luz do dia (inclusive pela polícia) permite mostrar como esse personagem recriou sua trajetória que pode ser percebida como técnica de subjetivação, num processo de invenção de um novo modo de existir. Moldou sua vida a partir de critérios próprios que demonstravam seu compromisso ético com o presente que vivia. Suas atitudes em público no famoso espaço conhecido como “Boca Maldita” denunciavam suas críticas às imposições de valores e códigos morais de uma cidade que se diz civilizada, mas que nas palavras de Dalton Trevisan não passa de “província, cárcere, lar”. Nome: Maria Rita de Assis César E-mail: mritacesar@yahoo.com.br Instituição: Universidade Federal do Paraná Título: Orlando ou um outro aprendizado do corpo Este trabalho dialoga com a ‘biografia’ de Orlando, de Virginia Wolf, com o objetivo de explorar as possibilidades de um corpo que não está demarcado no interior das fronteiras do sistema sexo-gênero. Orlando é apresentado como um jovem fidalgo da corte isabelina que vive metade da sua vida como homem e a outra metade como mulher. Para este diálogo contemporâneo com a obra serão abordados conceitos oriundos das obras de Michel Foucault, especialmente sobre o dispositivo da sexualidade e as abordagens sobre a invenção da homossexualidade. Além das teorizações foucaultianas, também serão realizados diálogos com autores/as como Thomas Laqueur, sobre a criação histórica do dimorfismo sexual e especialmente com Judith Butler, a respeito da crítica ao sistema corpo-sexo-gênero. Butler inspirada por Foucault teoriza sobre os corpos que escapam aos sistemas sexuais nor-

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08 mativos, denominados pela autora de heteronormatividade. Desse modo, Orlando e os outros corpos que escapam, em especial transexuais e travestis, podem ser tomados como corpos que resistem aos sistemas normativos, corpos que produzem outras formas mais livres e libertárias e que nos trazem outras possibilidades de entendimento do corpo, sexo e gênero. Nome: Marilda Ionta E-mail: marilda@ufv.br Instituição: Universidade Federal de Viçosa Título: Mulheres em cena nos Weblogs: reconfigurações das (inter) subjetividades Esta comunicação busca problematizar as relações (inter) subjetivas construídas nos denominados weblogs escritos por mulheres. A escritura de blogs pode ser considerada um dos fenômenos mais recentes da escrita na cultura digital e tem provocado deslocamentos significativos na comunicação entre as pessoas, sobretudo, nos laços de amizade. A amizade nem sempre se constituiu numa relação privada e íntima sem ressonância política como a que conhecemos atualmente. Contemporaneamente, ela é concebida como um ornamento afetivo compensatório as promessas frustradas do amor romântico, a crise da instituição familiar e a solidão vivenciada na “modernidade líquida”. Nesse contexto, as relações amizade merecem ser questionadas, especialmente para repensarmos seu potencial político e transgressivo. Assim, pergunta-se nesta comunicação: o que temos a dizer hoje sobre amizade tecida no ciberespaço? Quais são as políticas de relação com o outro, empreendidas nas sociedades de informação, onde o blog, com sua especificidade, é apenas um entre outros dispositivos técnicos que possibilitam interatividade? Quais são as possibilidades e os limites das relações intersubjetivas criadas pelas mulheres no interior da cultura digital? Nome: Nelson de Azevedo Paes Barreto E-mail: napbarreto@hotmail.com Instituição: Universidade Católica de Goiás Título: Tortura e ética médica Este trabalho tem como tema principal a tortura e Ética médica. Busca contribuir para diminuir o fenômeno da violência, sua relação com o Estado, e alguns dispositivos que nos permitem enfrentar a crescente produção. Evoca o papel do médico no exercício de sua profissão e suas alternativas diante do golpe militar de 64. Será ele médico? Ou soldado? Ou médico-soldado? Deve obediência aos princípios da Ética Médica ou a rigidez da hierarquia militar? Há outros conflitos no campo de batalha a serem resolvidos. A Ética começa e termina na relação médico paciente. Violações dos Direitos Humanos nunca podem ser justificadas. Nome: Nildo Avelino E-mail: nildoavelino@gmail.com Instituição: Centro de Cultura Social de São Paulo Título: Errico Malatesta e o agonismo da política Michel Foucault afirmou que as relações de poder são constituídas por um agonismo cujo limiar de intensidade está na ordem do poder político. As relações de poder tornam-se politizáveis quando esse limiar é ultrapassado, fazendo os riscos da luta recaírem sobre matérias de vida e morte. Afirmou também como traço fundamental das nossas sociedades o fato das relações de poder, por muito tempo configuradas sob a forma da guerra, terem se investido na ordem do governo. Este artigo propõe explorar a formulação da anarquia de Errico Malatesta por meio da qual o governo foi percebido como agravamento das relações de força, como operador estratégico que aperfeiçoa, corrige e perpetua estados de dominação. Se a tarefa do governo é conjurar o limiar de intensidade agônica da política, para Malatesta o ethos anarquista consiste em ultrapassar esse limiar, dando à luta contra o governo um valor proeminente. Em que medida a luta anarquista poderia funcionar hoje para desbloquear devires revolucionários nas pessoas? Malatesta a descreve liberando uma ética da inquietação de si mesmo. Mas, seria suscetível de provocar individuações sem sujeito, hecceidades, como diriam Deleuze e Guattari, nas quais está em jogo o devir como abertura para o indeterminado? Nome: Paula Souza da Cunha E-mail: paula_piratinha1@hotmail.com Instituição: Universidade Federal de Mato Grosso Título: Jorge Cristiano: jogos das verdades na constituição do sujeito estuprador na cidade de Cuiabá (1940-2005) O presente resumo faz parte do trabalho de pesquisa que começou a ser desenvolvido ainda na graduação, tendo por objetivo no mestrado investigar a partir de um acontecimento - crime de estupro - os discursos médico/

legal, problematizando essas produções discursivas, partindo do presente. A proposta não é fazer defesas ou acusações, deixo claro que quero refletir acerca das construções discursivas que enredam os sujeitos em que discursos constituem o real. Evidentemente que trataremos como um acontecimento que nos permite pensar, questionar e problematizar os discursos que produzem sujeitos, por meio dos jogos de verdades que as noções médicas e jurídicas constroem. Além de pensar o corpo e as noções de gênero que estão embutidas. O que interessa, são exatamente as constituições discursivas e as construções da subjetividade dos discursos e não as explicações deles. O recorte temporal dado por mim nesse texto compreende a década de 90 do século XX, ora alongando-se a alguns acontecimentos recentes ora retrocedendo no tempo, sem qualquer linearidade, trabalhando numa perspectiva genealógica. Nome: Priscila Piazentini Vieira E-mail: priscilav@gmail.com Instituição: UNICAMP Título: A parrhesía e a problematização do papel do intelectual em Michel Foucault Este projeto parte do interesse de Michel Foucault pela questão da parrhesía na cultura antiga, para articulá-la com as suas reflexões sobre a construção ética do indivíduo. A técnica do “falar francamente” obedecia a princípios bem definidos, como a coragem, o risco e a liberdade de dizer ao discípulo, ao amigo, ao soberano, a verdade, sem quaisquer rodeios ou ornamentos discursivos. Essa problematização integra os últimos estudos do filósofo, entre os anos de 1982-1984, dedicados a trabalhar a ética, as estéticas da existência e o cuidado de si no mundo greco-romano. Ela também se insere nas suas reflexões sobre uma “ontologia histórica de nós mesmos”, a partir de uma crítica histórica que tem por objetivo libertar e ultrapassar as condições existentes da atualidade. Dentro dessa problemática, a volta à Antiguidade, pelo estudo da parrhesía, possibilita a Foucault questionar a figura do “intelectual universal” dominante nos séculos XIX e XX e propor, através da figura do “intelectual específico”, uma nova relação entre a verdade, a política e a produção do conhecimento. Nome: Rachel Tegon de Pinho E-mail: racheltegon@gmail.com Instituição: UNEMAT Título: Dispositivos biopolíticos e a construção da nação A identificação dos loucos da cidade de Cuiabá em 1890 foi o primeiro passo dado pelo Estado, para civilizar a cidade e inserir a capital matogrossense no projeto de construção da nação, em curso no País em fins do século XIX. Para empreender tal projeto, o Estado não se furtou em lançar mão de tecnologias de poder diversas. Passando pelo cuidado com o indivíduo, pela disciplinarização e normatização dos cidadãos, a cidade pouco a pouco vai revelando seus estriamentos e os perigos que a rondam. É nesse contexto que vemos o recolhimento dos alienados de Cuiabá pelas mãos da polícia, tanto à Cadeia Pública da capital como à Santa Casa de Misericórdia. Entretanto, será com a instituição de uma outra tecnologia de poder — o biopoder —, por meio de práticas de higienização e saneamento, que veremos a intensificação do projeto civilizatório. Nesse quadro, a loucura passará a ser considerada como perigo social iminente, e ao louco se atribuirá um novo status, o de doente mental, e um novo endereço, o do hospício. Nome: Rosamaria Carneiro E-mail: rosagiatti@yahoo.com.br Instituição: IFCH Unicamp Título: Parto domiciliar: ressignificação do doméstico e cronotopias da intimidade Partindo da idéia de cronotopias da intimidade de Arfuch (2005), pretendo discutir a ressignificação do doméstico e de intimidade percebida durante meu trabalho etnográfico com mulheres que se dispõem, influenciadas pelo ideário do parto humanizado, a parir em casa, ou seja, experimentar um parto domiciliar. Para isso, explorarei a relação espaço-tempo-afetos, própria da idéia de cronotopia, no doméstico por ela significado e valorado, explorando para isso a interconectividade entre privado e público e a uma noção de intimidade pública, pública porque no entre-tempo da casa e da rua, da autobiografia, da política e da ética. Ou seja, demonstrar esse outro doméstico, sua relação com a intimidade e com a política será aqui o meu propósito, para, a partir disso, aventar ser essa ressignificação um dizer sim a experiência, de acordo com Benjamin, Scott e Braidotti, e por consequência, um sim à existência, segundo Rago. Para, por fim, sinalizar a configuração também de novas subjetividades femininas a partir dessa

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outra domesticidade, bastante diferente da difundida na modernidade. Nome: Rosane Azevedo Neves da Silva E-mail: rosane.neves@ufrgs.br Instituição: Universidade Federal do Rio Grande do Sul Título: As patologias nos modos de ser criança e adolescente: análise das internações no Hospital Psiquiátrico São Pedro entre 1945 e 1965 Esta comunicação tem como objetivo traçar um panorama histórico das redes discursivas que caracterizam o que a sociedade considera como desviante em um determinado momento, assim como apresentar as mudanças paradigmáticas que ocorrem no próprio diagnóstico do que é patológico nos modos de ser criança e adolescente ao longo do tempo. O referencial teórico e metodológico fundamenta-se na perspectiva genealógica proposta por Michel Foucault, assim como em suas análises sobre os anormais e o poder psiquiátrico. No presente trabalho apresentaremos a análise dos motivos de internação de crianças e adolescentes no Hospital Psiquiátrico São Pedro no período de 1945 a 1965. Constata-se que as redes discursivas sobre as patologias nos territórios da infância e da adolescência permitem identificar algumas descontinuidades e continuidades: descontinuidade do ponto de vista dos diagnósticos encontrados, mas continuidade no que se refere às estratégias de exclusão social. Nome: Roselane Neckel E-mail: neckel@cfh.ufsc.br Instituição: UFSC Título: Subjetividade e sexualidade nas revistas femininas e masculinas na década de 1970 Os estudos sobre as formas de produção da subjetividade nas experiências vivenciadas na contemporaneidade têm suscitado questões importantes no debate sobre as identidades sociais, particularmente sobre as relações necessárias entre identidades hegemônicas e periféricas. A subjetividade está aqui sendo entendida dentro da perspectiva de Félix Guatarri: “a subjetividade está em circulação nos conjuntos sociais de diferentes tamanhos: ela é essencialmente social, e assumida e vivida por indivíduos em suas existências particulares” (GUATARRI & ROLNIK, 1996, p. 31). Propomos levantar algumas reflexões frente a divulgação de debates, em torno dos relacionamentos entre homens e mulheres e a sexualidade, através das revistas de comportamento nos anos de 1970. Observa-se um mundo cheio de “novos modelos”, para homens e mulheres, sobre como agir na esfera da sexualidade e dos relacionamentos. Neste contexto, antigos modelos e padrões estavam perdendo a força, e novos padrões estavam produzindo movimentos de desterritorialização. Nesse sentido, fomos pontuando os enunciados que definiram as sexualidades masculinas e femininas e outros que apresentavam mudanças mais “radicais”, contribuindo para a instauração da incerteza face à pretensa objetividade da ciência sexual.

conhecida como Danda Prado, que desde seu exílio na França, no final da década de sessenta, passou a fazer parte do movimento feminista, inventando possíveis éticos e tecendo para si “movimentos intensos de afirmação da vida”, ao problematizar constantemente a atualidade: além do auxílio aos perseguidos políticos da ditadura militar brasileira, Danda, durante os anos de exílio, fundou o “Grupo Latino-Americano de Mulheres em Paris”, responsável pela edição do periódico ‘Nosotras’. Ao retornar ao Brasil, envolveu-se na luta pela descriminalização do aborto. Nessa época narrou e publicou a história de “Cícera”, uma operária nordestina que morava no Rio de Janeiro e lutou pelo aborto de sua filha de 13 anos (estuprada e grávida do padrasto). Muitas outras reflexões seguiram-se a essa, entrelaçando discussões feministas e publicações como “Esposa, a mais antiga profissão”, “Nossas adoráveis famílias”, “O que é aborto”, “O que é família”, etc. Atualmente, temas como transexualidade e a luta das mulheres em vários países da América Latina têm inquietado Danda, mantendo-a em devir constante, devir feminista que propicia a invenção de novas possibilidades de vida. Nome: Vânia Nara Pereira Vasconcelos E-mail: vania_clio@yahoo.com.br Instituição: UNEB Título: “Mulher séria” e “cabra-macho”... por outras representações de gênero no sertão baiano Nessa comunicação pretendo refletir sobre as representações de masculinidades e feminilidades presentes no sertão baiano. Historicamente as representações de gênero ligadas ao sertão foram perpassadas por estereótipos que associam o masculino à virilidade, força e violência, representado na figura do “cabra macho” e o feminino à submissão e seriedade, embora também haja uma associação da sertaneja com a “mulher macho”, vista como forte. Considerando essas representações pretendo trazer à tona outras possibilidades de leitura sobre o sertão a partir de histórias de vida de personagens femininos e masculinos cujas práticas vão de encontro ao modelo estabelecido.

Nome: Soraia Carolina de Mello E-mail: soraiaa.mello@gmail.com Instituição: Universidade Federal de Santa Catarina Título: Feminismos de Segunda Onda e o emprego doméstico: Brasil e Argentina A relação entre mulheres e trabalho doméstico, ainda que afirmada pelos feminismos e pelos estudos de gênero como culturalmente construída, tem seu principal aporte na idéia da naturalização das funções domésticas. A família e em especial a maternidade se mostram como as principais legitimadoras de tal relação, que traz em si o peso de séculos de reafirmação de que “ser mulher” é ter cuidado, reclusão, dedicação, paciência; é se voltar para a esfera privada, é ser esposa e ser mãe. Muito antes das lutas mais amplas de feministas pela ocupação do espaço público e do mercado de trabalho, um grande número de mulheres já trabalhava. Mulheres de classes desfavorecidas sempre precisaram trabalhar. E qual tipo de emprego seria mais “feminino” que o emprego doméstico? Proponho-me aqui a escrever uma breve história da discussão em torno do emprego doméstico nos feminismos chamados de Segunda Onda do Brasil e da Argentina, utilizando como fonte quatro periódicos feministas: os argentinos Brujas e Persona, e os brasileiros Brasil Mulher e Nós Mulheres. Discutirei com bibliografia de referência, tanto atual quanto contemporânea aos periódicos, e meu recorte temporal é dado pelas fontes (1974-86). Nome: Susel Oliveira da Rosa E-mail: susel.oliveira@gmail.com Instituição: Unicamp Título: Danda Prado e o devir feminista Neste trabalho abordarei a trajetória de Yolanda Cerquinho Prado, mais

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09 09. Educação histórica Marlene Rosa Cainelli - Universidade Estadual de Londrina (marlenecainelli@ sercomtel.com.br) Maria Auxiliadora Moreira dos Santos Schmidt - UFPA (dolinha08@uol.com.br)

Este Simpósio se propõe a analisar e debater experiências e pesquisas em Educação Histórica. A concepção de Educação Histórica aqui entendida tem como foco central o tema da cognição histórica situada, a qual tem como objeto principal a aprendizagem histórica interpretada, essencialmente, a partir da ciência da história. Trata-se de uma linha de investigação que abriga pesquisadores que centram seu foco na necessidade de se conhecer e analisar as relações de alunos e professores com o conhecimento histórico e, portanto, nos conceitos e categorias históricas, nas idéias substantivas e idéias de segunda ordem da história, bem como na análise da forma pela qual a relação com fontes, estratégias de ensino, manuais didáticos, objetos históricos, entre outros, colaboram para a formação das idéias históricas e da consciência histórica de crianças, jovens, alunos e professores. Estas análises deverão ser ancoradas na epistemologia da História e em metodologias qualitativas de investigação educacional, baseadas em perspectivas sociológicas e antropológicas. É neste campo de investigação que se enquadram os trabalhos deste simpósio no qual serão bem vindos trabalhos cujos objetos específicos são os estudos sobre a consciência histórica; as questões da alfabetização histórica; as relações que alunos e professores estabelecem com as narrativas históricas veiculadas em manuais, por exemplo, e/ou outras narrativas historiográficas já produzidas, além da própria produção de narrativas históricas em alunos e professores em contextos de aprendizagem situada; as relações de alunos e professores com diferentes fontes históricas; as investigações dos conhecimentos prévios dos alunos sobre idéias substantivas (como cidadania, democracia, revolução industrial etc) e/ou sobre a natureza da História (como explicação, evidência, significância, temporalidade, consciência histórica).

Resumos das comunicações Nome: André Chaves de Melo Silva E-mail: andrecms@usp.br Instituição: Universidade de São Paulo Título: Produções midiáticas televisivas e ensino de história: representações sociais e conhecimento histórico Esta pesquisa tem como principal objetivo a compreensão das formas pelas quais o uso das imagens em movimento (fílmicas e televisivas) nas aulas de História pode interferir na construção do conhecimento histórico dos alunos do Ensino Médio por meio de possíveis alterações em seu conjunto de representações sociais. Para tanto foi utilizada uma metodologia que reúne métodos historiográficos, recursos etnográficos, pesquisa participante, conceitos de representações sociais e decupagem, usada para o cinema e para a televisão. Sendo assim, a iniciativa procura contribuir com respostas às dúvidas dos professores de História sobre a validade do uso de filmes, séries de televisão, entre outros produtos midiáticos constituídos de imagens em movimento. Para tanto, escolhemos os conceitos relacionados ao processo de colonização, com o foco sobre o bandeirismo, presente na série de televisão A Muralha (Rede Globo de Televisão, 1999), como instrumentos para investigarmos quais são as representações dos estudantes sobre o tema e de que forma as imagens, utilizadas nas aulas e previamente contextualizadas pelo professor, podem contribuir ou não para o desenvolvimento do conhecimento histórico dos alunos. Nome: André Luiz Batista da Silva E-mail: andrepropar@bol.com.br Instituição: PPGE/UFPR Título: O uso do filme na perspectiva da eduação histórica: empatia histórica e consciência histórica a partir da narrativa fílmica de “Lutero” O presente trabalho de pesquisa tem como foco a aprendizagem histórica a partir do uso da narrativa fílmica e, para tanto, utilizou-se da produção cinematográfica de Lutero (2003). Desse modo, buscou-se fundamentação teórica específica nas concepções de filme e cinema de Ferro (1992), Rosenstone (1997), nas categorias de empatia histórica (LEE, 2003) e consciência histórica (RÜSEN, 1992). A pesquisa foi realizada com 28 alunos da sétima série de uma escola da periferia do município de Araucária/PR (região metropolitana de Curitiba). O encaminhamento metodológico partiu de uma pesquisa exploratória sobre as idéias e experiências que os alunos tinham acerca do uso do filme histórico, seguido de investigação sobre os conhecimentos prévios dos alunos relativos à temática da Reforma Luterana e o seu cotidiano presente.

Assim, observamos que o filme se constitui como um material presente na vida dos alunos, porém reafirma a perspectiva dos alunos tomarem o filme como material ilustrativo das aulas, o qual contém a “verdade” dos fatos, não o concebendo como documento histórico passível de questionamento. Estes resultados parciais indicam a necessidade de aprofundamento das investigações sobre a relação entre o uso escolar do filme e a aprendizagem histórica dos alunos. Nome: Astrogildo Fernandes da Silva Júnior E-mail: silvajunior_af@yahoo.com.br Instituição: Universidade Federal de Uberlândia Título: Consciência histórica de jovens estudantes e de professores de História em escolas no meio rural brasileiro Este texto visa apresentar um projeto de pesquisa em desenvolvimento no Curso de Doutorado do Programa de Pós-Graduação em Educação da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Uberlândia, MG. O objetivo geral é compreender como os saberes históricos e as práticas escolares desenvolvidas no último ano do ensino fundamental das escolas, no meio rural, auxiliam na formação das identidades e da consciência histórica dos professores de História e dos jovens estudantes. A metodologia privilegiada será a história oral. Ouviremos os professores de História e jovens estudantes da última série do ensino fundamental em diferentes escolas do meio rural brasileiro. Pretendemos complementar as fontes orais com variadas fontes de pesquisa: legislação educacional, programas de ensino, diretrizes curriculares oficiais do ensino de História e da educação no campo, referenciais bibliográficos sobre o Ensino de História, Educação rural, Juventude brasileira, Consciência Histórica e Identidades, produção historiográficas, livros didáticos e materiais escritos e iconográficos produzidos nas escolas. Nome: Benincia Couto de Oliveira E-mail: beniciaco@gmail.com Instituição: UFGD Título: Para além do livro didático: dilema do professor Esta comunicação tem a finalidade de apresentar alguns resultados de pesquisas sobre o uso dos recursos didáticos pedagógicos em algumas escolas das redes públicas, na cidade de Dourados-MS, nas quais constatamos que o livro didático continua sendo a principal fonte de aprendizagem para o aluno, bem como material de apoio do professor. O ensino de História se pauta nas abordagens contidas no material didático e as atividades e avaliações se restringem às sugestões do texto e nem sempre o aluno consegue realizá-las conforme

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o que é exigido. Diante disso, o professor de História enfrenta o dilema de ir além do livro didático e introduzir outros recursos e metodologias. Essa constatação apontou para a necessidade de aproximar universidade e escola, no sentido de contribuir para a superação de certas práticas que impedem a produção do conhecimento no ensino básico. Nome: Berenice Schelbauer do Prado E-mail: beliz05@yahoo.com.br Instituição: Secretaria de Estado da Educação do Paraná Título: História na música - Elementos de uma metodologia para trabalhar com música na EJA na perspectiva da educação histórica Esta proposta de trabalho pretende desenvolver elementos de uma metodologia para a utilização da música na Educação de Jovens e Adultos-EJA, na perspectiva da Educação História, tendo como subsídio o trabalho dos teóricos: Isabel Barca (conhecimentos prévios, unidade temática investigativa); Peter Lee (conceitos substantivos e de segunda ordem); Jörn Rüsen (consciência histórica); Maria Auxiliadora Moreira dos Santos Schmidt (superação do seqüestro da cognição histórica) e dos autores Régis Lopes Ramos e Paulo Freire (objeto/tema gerador) e também as Diretrizes Curriculares para o Ensino de História e de Educação de Jovens e Adultos da Rede Pública Estadual de Ensino. O desenvolvimento metodológico dessa prática é subsidiado pelas unidades temáticas investigativas desenvolvido pela pesquisadora Isabel Barca, onde são considerados os conhecimentos prévios dos educandos e o papel do educador como um investigador social que busca compreender e transformar as idéias históricas de seus educandos. (SCHMIDT E GARCIA, 2006:22). Parte deste trabalho foi realizado por meio eletrônico no modelo de EAD com educadores cursistas do Grupo de Trabalho em Rede - GTR (professores de História da Rede Pública Estadual). Nome: Cristiani Bereta da Silva E-mail: cristianiluiz@hotmail.com Instituição: UDESC Título: Jogos, memória e conhecimento histórico no Ensino Fundamental No decorrer da pesquisa “Saber histórico escolar e jogos eletrônicos: Stronghold e Age of Empires II como possibilidades didático-metodológicas no ensino de História” - desenvolvida no Dep. de História/UDESC (Editais PIC/2007 e 2008) - sentimos a necessidade de deslocar nossas preocupações para além do âmbito puramente normativo do que se deve ensinar na escola sobre História ou como se deve ensinar História para o campo da formação histórica dos diferentes sujeitos, crianças, jovens e adultos/as. Situamos os jogos de fundo “histórico”, sobre os quais se desenvolvem as estratégias de jogabilidade, também como “veículos de memória”, pois como produtos culturais também marcam a memória e fixam sentidos sobre temas relacionados ao conhecimento histórico. Nesse sentido, apresentamos, aqui, uma parte da pesquisa que envolveu o uso do jogo Age of Empire II, realização de atividades e entrevistas orais com um grupo de 20 adolescentes, 10 meninas e 10 meninos entre 12 e 14 anos, alunos do Ensino Fundamental. A identificação das memórias e sentidos que estes adolescentes constroem e representam sobre elementos relativos à História Medieval, à própria História e ao vivido abrem possibilidades para que possamos interpretar e problematizar as relações destes alunos com a natureza da História. Nome: Daniele Gomes dos Santos E-mail: daniele_santos1@yahoo.com.br Instituição: Prefeitura Municipal de Araucaria Título: A construção de arquivos simulados e a educação histórica - os hebreus e a religião cristã Relata projeto de documentos em estado de arquivo familiar dos hebreus e da religião cristã, cujos objetivos foram compreender a escrita da Bíblia, segundo a concepção histórica, e relacionar os conhecimentos sobre o povo hebreu com os fundamentos da religião cristã.O trabalho de campo foi realizado na Região Metropolitana de Curitiba em Araucária numa escola municipal do ensino fundamental. Por meio de levantamento dos conhecimentos prévios dos educandos buscaram-se informações sobre os hebreus e a religião cristã e foi solicitado todo documento relacionado à religião como Bíblia, orações, jornais, terços e símbolos religiosos. O trabalho desenvolveu-se utilizando os documentos trazidos pelos alunos e o manual didático adotado pela escola. O projeto foi dividido em três etapas, sendo a primeira o levantamento dos conhecimentos prévios, a segunda a identificação, análise e interpretação dos documentos relacionando e comparando ao texto do manual didático adotado, e a terceira etapa foi a montagem do arquivo em ordem cronológica. O projeto aponta que o uso de objetos guardados em estado de arquivo familiar possibilita a articulação entre a história vivida e a história percebida. Nome: Elenice Elias

E-mail: elenice_elias@uol.com.br Instituição: Prefeitura do Município de Araucária Título: Documentos em estado de arquivo familiar: a construção de arquivos e a educação histórica A presente pesquisa situa-se na área de investigação histórica onde se organizou arquivo simulado com material escolar para compreender e relacionar a educação em vários tempos e espaços históricos, apreendendo suas várias finalidades. Buscou-se levantar informações acerca dos conhecimentos prévios dos alunos em relação à educação em outros tempos e espaços históricos. As narrativas produzidas pelos educandos revelaram-se, de um lado, uma apreensão do passado como algo sem dimensões, ou seja, planificado. De outro, uma percepção ambígua do par passado/presente. Cabe, portanto, ao docente da Educação Histórica promover uma intervenção pedagógica que resulte numa aquisição efetiva de consciência temporal. Dentre os vários instrumentos pedagógicos bem sucedidos, salienta-se a importância de se conhecer o que o educando previamente sabe sobre um determinado conteúdo e, sobretudo, a interferência adequada a favorecer a formação histórica. O arquivo simulado logrou tal êxito. Nome: Francisco Alencar Mota E-mail: alencarmota@uol.com.br Instituição: Universidade Estadual Vale do Acaraú Título: Práticas educacionais escolares em perspectiva histórica: uma compreensão da história da educação a partir de histórias de vida de educadores O presente trabalho tem como objetivo a compreensão das práticas educacionais escolares em perspectiva histórica enquanto práticas culturais, utilizandose como recurso metodológico depoimentos de educadores em torno de suas próprias biografias. Tais práticas se inserem dentro do universo cultural do próprio narrador que as revivem a partir das lembranças dos acontecimentos passados, consistindo-se em práticas culturais visto que se referem ao universo de valores, sentimentos, visões de mundo e representações inerentes à educação auferidos a partir dos próprios sujeitos num determinado contexto histórico, que na maioria das vezes não estão registrados em documentos materiais ou oficiais, existindo apenas enquanto lembrança desses atores. As noções de cultura escolar, memória, cotidiano, dentre outras, delimitam o arcabouço teórico que serve ao trabalho, alinhado ao objetivo principal estabelecido, situando a pesquisa em meio às novas formas de abordagem histórica dos processos sociais e simbólicos. A reconstrução dessas práticas se constitui numa rica oportunidade de compreendermos o momento presente vivido pela educação, traçarmos quadros comparativos, assim como definirmos elementos para uma melhor contribuição à educação no presente. Nome: Isaíde Bandeira Timbó E-mail: isaidebandeira@hotmail.com Instituição: FECLESC-UECE Título: Livro didático de história: cultura material escolar em destaque Na primeira década do século XXI é possível afirmar que o livro didático faz parte da cultura material da maioria das escolas públicas brasileiras. Sendo assim, um dos objetivos desta pesquisa é identificar os usos dos livros didáticos de História nas escolas públicas do Estado do Ceará. Estamos usando a metodologia de observação direta em sala de aula e a realização de entrevistas com as secretárias municipais de Educação de Fortaleza e Quixadá, diretores de escolas e professores de história. E ainda trabalhamos com os livros didáticos de História adotados (2008), o edital do Programa Nacional do Livro Didático (2008) e o Guia de Livro Didático 2008. Nome: Israel Soares de Sousa E-mail: israelhistoria@gmail.com Instituição: Professor da rede municipal Nome: Severino Bezerra da Silva E-mail: severinobsilva@uol.com.br Instituição: UFPB Título: História local e identidade social em assentamentos rurais do município de Conde: vozes das professoras do ensino fundamental O presente estudo é resultado da dissertação intitulada “O ensino de história e os movimentos sociais: práticas de história local nos assentamentos do Conde”. Ele busca perceber práticas de ensino de história nos assentamentos rurais deste município, localizado no Estado da Paraíba. Para atingir o objetivo da pesquisa realizamos um estudo de caso, utilizando entrevistas orientadas com professoras do terceiro ano do ensino fundamental de escolas localizadas em três assentamentos rurais do município proposto. As perguntas realizadas foram referentes às práticas pedagógicas do educador na disciplina de história. Partimos do pressuposto da não neutralidade do conhecimento histórico e da utilização dessa área de saber pelo Estado como meio de manobra, tanto da

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09 população urbana, quanto da rural, de acordo com suas necessidades. Contudo, na contramão dessa tentativa, a prática do professor pode ir de encontro a esse estado de dominação e contribuir na relação entre história local, memória e identidade social da comunidade em que ele atua. Pois, a partir da inclusão da história da sua comunidade nos conteúdos, o educando passa a se perceber agente histórico ativo. Nome: Jair Fernandes dos Santos E-mail: jair_edu@seed.pr.gov.br Instituição: Colégio Estadual Francisco A. Macedo (PR); Escola Estadual Título: Experiência de aprendizagem de jovens do Ensino Médio com o filme documentário O trabalho registra e sistematiza uma experiência educativa em contexto de sala de aula, fundamentada nos referenciais teóricos da Educação Histórica e na utilização do material didático intitulado “A revolta dos posseiros, através do filme documentário 1957 – A conquista do Sudoeste”, produzido no âmbito do Programa de Desenvolvimento Educacional (PDE) da Secretaria de Estado da Educação do Paraná, em convênio com as instituições públicas de ensino superior (IES) do Estado, sendo que o autor deste estudo foi orientado em todo o percurso pela professora doutora Maria Auxiliadora Schmidt, da UFPR. Experiência realizada em 2008, no Colégio Estadual Dr. Francisco A. Macedo (Curitiba-PR), onde o autor leciona. Iniciou com a tabulação dos conhecimentos prévios dos alunos, investigados na sala de aula, em relação à temática abordada; avaliou o processo de aprendizagem percorrido por eles ao confrontarem diferentes fontes históricas, o desenvolvimento de outros conceitos e categorias históricas envolvidas com a temática especificada no material didático, tais como a relação passado e presente na história dos conflitos agrários e possíveis mudanças das idéias prévias. Concluiu com a discussão da categorização das narrativas produzidas ao final da unidade temática. Nome: Janaína Nunes Ferreira E-mail: nainahistoria@yahoo.com.br Instituição: Universidade Estadual do Ceará Nome: Antonio Germano Magalhães Júnior E-mail: germanomjr@yahoo.com.br Instituição: UECE Título: Cartografia das relações de saber/poder no ensino de História nas universidades públicas em Fortaleza A formação docente e ensino de História suscitam reflexões sobre o processo de formação e atuação profissional do professor. As pesquisas sobre formação e profissão docentes apontam para uma revisão da compreensão da prática pedagógica do professor, que é tomado como mobilizador de saberes profissionais. O objeto de investigação deste trabalho são as práticas, saberes e formação dos professores que trabalham com o ensino de história nas universidades em Fortaleza. A temporalidade estabelecida para este estudo é o presente. O objetivo é fazer uma cartografia dos saberes, práticas e formação dos professores que ministram disciplinas voltadas ao ensino de história nas universidades de Fortaleza. As fontes utilizadas são as entrevistas realizadas com os referidos professores e documentos das instituições de ensino superior que possuem relação com os cursos de história. Para essa análise, o referencial teórico-metodológico se compõe dos estudos de Maurice Tardif sobre os saberes docentes e sua constituição nos espaços de formação e na prática docente e dos de Michel Foucault sobre o discurso e a instituição dos valores de verdade, constituindo os espaços de saber/poder. Os estudos de Boaventura Santos sobre a cartografia simbólica. Nome: Jucimara Rojas E-mail: jjrojas@hotmail.com Instituição: UFMS Nome: Maria Neusa G. Gomes Souza E-mail: mnggs@hotmail.com Instituição: UFMS Título: A transmissão da cultura regional Este trabalho resultou da pesquisa de doutorado em Educação na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, iniciada em 2008 e em andamento em 2009, intitulada: A cultura regional na metodologia do professor, a história, a música, os brinquedos e as brincadeiras - uma interdisciplinaridade? Duas análises nortearam os estudos, a primeira referente à reflexão sobre o que é cultura, alguns conceitos sobre cultura e a cultura regional na escola com uma perspectiva interdisciplinar. Nome: Julio Ricardo Quevedo dos Santos E-mail: j-quevedo@uol.com.br Instituição: USP

Título: A cultura afro-brasileira em sala de aula: experiências e desafios na educação histórica A discussão sobre a Educação Histórica e os seus vários desdobramentos, entre eles os desafios contemporâneos do ensino de história – desde a educação básica até o superior – a partir das discussões, análises e conclusões sobre as formas, as maneiras de conduzir a problemática concernente à cultura afrobrasileira em sala de aula, traz para o bojo da questão o tema da cognição histórica. Neste sentido, concordamos com Cainelli e Schimdt, que, tratar de tema tão delicado, meticuloso e de extrema relevância da Educação brasileira, ou seja, a contribuição dos africanos, afro-brasileiros e afro-descendentes nas culturas, identidades e história do nosso país, perpassa pela necessidade de se conhecer e analisar as relações de alunos e professores com o conhecimento histórico, a partir de conceitos e categorias históricas construídas ao longo dos processos históricos diferenciados. O tecido fornecido pela Educação Histórica permite recompor, compor, entrelaçar os possíveis diversos fios da herança cultural afro-brasileira em sala de aula, exigindo trabalho cuidadoso no resgate das idéias históricas e da consciência histórica dos alunos. Nome: Lilian Costa Castex E-mail: li.castex@ibest.com.br Instituição: Secretaria Municipal da Educação de Curitiba Título: A Ditadura Militar Brasileira (1964-1984): um conceito substantivo e as idéias históricas na educação escolar Este artigo insere-se na área de pesquisa em ensino de História, no campo de investigações da Educação Histórica. Apresenta a investigação de como os jovens alunos entendem os conceitos históricos, aqui denominados de conceitos substantivos (LEE, 2001). Destaca-se o conceito substantivo Ditadura Militar Brasileira (1964-1984). Constata-se a presença desse conceito substantivo na historiografia brasileira, com idéias de ação política e conjuntural e/ou a falta de compromisso com a democracia: na memória, com as idéias de vitimização, assim como, no caso em estudo, nas narrativas dos professores, dos jovens e dos manuais didáticos. A análise teórica, construída a partir das contribuições de Dubet e Martuccelli (1997), Lee (2001), Barca (2001), Schmidt e Garcia (2006) e Carretero et. al. (2007), fundamenta-se na categoria da experiência dos sujeitos – os jovens - com o conhecimento. Os resultados indicam a importância das diferentes interpretações historiográficas para a formação do professor de História, bem como a relevância de se tomar os conhecimentos prévios dos estudantes como referência para o ensino e a aprendizagem dos conteúdos históricos. Nome: Lindamir Zeglin Fernandes E-mail: lindazeglin@gmail.com Instituição: Secretaria Municipal de Educação Nome: Nilcéia A. F. Gavronski E-mail: zeglin@gmail.com Instituição: Secretaria Municipal de Educação Título: A Segunda Revolução Industrial e a construção de arquivo simulado com documentos em estado de arquivo familiar: uma experiência com a sétima série Relata estudo realizado com a temática da Segunda Revolução Industrial e a construção de Arquivo Simulado com Documentos em Estado de Arquivo Familiar. Está fundamentado nos estudos da Educação Histórica e em SCHMIDT (2000) e BRAGA (2007). MATOZZI (2004) contribui com o conceito de arquivo simulado como “material organizado segundo critérios de arquivologia, mas que não corresponde a um arquivo real”. O estudo de campo foi realizado em duas escolas públicas da Prefeitura Municipal de Araucária com turmas de sétimas séries do Ensino Fundamental, apoiando-se nos elementos da Unidade Temática Investigativa (FERNANDES, 2008). Os resultados apontaram que o trabalho diferenciado com os documentos em estado de arquivo familiar possibilitou uma mudança no ritmo das aulas e mobilizou o interesse da maioria dos alunos, em turmas consideradas indisciplinadas pelo Conselho de Classe. Além disso, os alunos também se sentiram partícipes da escrita da História, ao deixarem os registros de seus familiares para que outros alunos os utilizem. Nome: Luciano de Azambuja E-mail: luciano_azambuja@hotmail.com Instituição: Universidade Federal do Paraná Título: Leitura, canção popular brasileira e educação histórica A pesquisa realizada no Mestrado em Literatura da UFSC consistiu na proposição e aplicação de uma prática de leitura da canção, a partir de uma perspectiva multidisciplinar que procurou relacionar Literatura, Canção Popular Brasileira e História. O recorte foi delimitado na tarefa de operacionalizar uma leitura do conceito histórico “Imperialismo” em uma canção do Mun-

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do Livre s/a, situada na trajetória discográfica do grupo, em simultaneidade com os desdobramentos do movimento Mangue Beat, e ao contexto histórico em que a obra emergiu e foi recepcionada. Procuramos efetivar uma tripla abordagem histórica da canção: a historicidade das condições de produção, a representação da temática histórica e a contextualização na história do grupo e do movimento. Vislumbramos uma leitura atenta a multidimensionalidade do objeto, que privilegiou os aspectos históricos em suas relações com os indissociáveis parâmetros poéticos, musicais e técnicos que constituem a especificidade e complexidade da canção. Selecionado para o Doutorado em Educação da UFPR, o atual estágio da pesquisa consiste na estruturação e aplicação de uma proposta de pesquisa em ensino de História calcada nos usos e apropriações da canção popular brasileira, a partir dos fundamentos epistemológicos da Educação Histórica. Nome: Lucinéia Cunha Steca E-mail: lwsteca@gmail.com Instituição: UEL Título: O professor de história e o ensino de história do Paraná Este artigo procura refletir sobre o ensino de História do Paraná, ministrado por professores de escolas estaduais no Ensino Fundamental II e Médio, bem como sobre a ação dos professores, para tentar compreender como os mesmos pensam e ministram aulas sobre a História do Paraná, pois no nosso entender a questão envolve alguns problemas, uma vez que se trata de um conteúdo inserido no Currículo e determinado por lei. Desse modo, busca-se analisar algumas obras consideradas clássicas sobre história do Paraná que se encontram disponíveis como fontes de consulta para professores, apontando alguns problemas enfrentados pelo docente na elaboração de suas aulas sobre esse conteúdo e procura refletir em que medida a formação inicial do professor historiador tem-lhe dado uma visão que permita trabalhar com história do Paraná, possibilitando um ensino com maior criticidade, o que colabora para a construção de uma sociedade melhor. Nome: Luis Mauro de Alvarenga Marnet E-mail: lmarnet@ig.com.br Instituição: Universidade Gama Filho Título: A República ensinada: a prática e o ensino de história no Ensino Médio sobre a Primeira República brasileira O ensino de História nos últimos anos tem se mostrado um campo fértil de pesquisas sob sua prática, seu método e suas diretrizes didáticas, assim como a forma como se relaciona com o campo da educação. Porém parece ser incerto que aplicação de novas técnicas e métodos de ensino consigam romper com velhas práticas de ensino calcadas na tradição de uma certa forma de transmissão de saberes. Nesse sentido determinados temas ou conceitos do ensino de história tornam-se enclausurados sob uma forma de ensino que insiste no método de não mudar aquilo que já está conhecido, contrariando sob esta perspectiva qualquer forma de inovação teórica ou epistemológica, por uma prática que garanta uma reprodução de ensino sem questionar os alicerces que sustentam saberes e conhecimentos tradicionalmente ancorados no caso estudado aqui: a temática da Primeira República no Ensino Médio. Nome: Luzia Márcia Resende Silva E-mail: luzia.marcia@uol.com.br Instituição: Universidade Federal de Goiás, Campus de Catalão Título: O ensino de história no Sudeste Goiano: reflexões e práticas Esse projeto vem sendo desenvolvido desde 2005. Tem como objetivo mapear as práticas desenvolvidas por professores e alunos de História dos níveis fundamental e médio de ensino, nas escolas estaduais de Catalão e região. No contexto desse projeto, já foram desenvolvidos três planos de trabalho: no primeiro, “Concepções de História entre alunos e professores de escolas públicas no Sudeste Goiano”, procuramos, entre outras coisas, mapear as concepções de história ensinadas por professores e formuladas por alunos; no segundo, “A pesquisa em história em escolas públicas de Catalão -1996/2006”, buscamos compreender se a pesquisa histórica a partir de diferentes fontes e linguagens era praticada e como era praticada; no terceiro, “A prática do Ensino de história no ensino de jovens e adultos no colégio CEJA Profª. Alzira de Souza Campos em Catalão-GO”, procuramos conhecer o modelo de educação desenvolvido naquela instituição, a partir das práticas que são efetivadas no ensino de história. Consideramos esse caminho relevante porque o ensino de história por suas características e particularidades desempenha papel importante na perspectiva de construção da cidadania, sendo assim, interrogamos se as práticas de ensino de história desenvolvidas têm cumprido esse papel.

Nome: Magda Madalena Tuma E-mail: mtuma@sercomtel.com.br Instituição: Universidade Estadual de Londrina Nome: Marlene Rosa Cainelli E-mail: marlenecainelli@sercomtel.com.br Instituição: Universidade Estadual de Londrina Nome: Sandra Regina Ferreira de Oliveira E-mail: sandra.oliveira@sercomtel.com.br Instituição: UEL- Universidade Estadual de Londrina Título: “Se fosse para o futuro teria que ir e não voltar...” deslocamentos temporais e a aprendizagem de história nas séries iniciais Nesta comunicação apresentaremos resultados parciais da pesquisa “Educação Histórica: iniciando crianças na arte do conhecimento histórico”, em desenvolvimento na Universidade Estadual de Londrina, envolvendo os Departamentos de História e Educação. Esta pesquisa ancora-se nos suportes teóricos e metodológicos da Educação Histórica. O recorte aqui proposto está centrado em uma das atividades realizadas em sala de aula de quarta série de uma escola municipal de Londrina, Paraná, durante o ano de 2008. Temos por objetivo analisar a progressão do conhecimento no sentido da complexidade do pensamento histórico e nos deslocamentos temporais possíveis a partir de um elemento motivador: o filme “De volta para o futuro”. Neste sentido discutiremos os elementos expressados pelos alunos em relação aos deslocamentos temporais, à narrativa histórica, à causalidade, aos sujeitos históricos e fontes históricas. Nome: Marcelo Fronza E-mail: fronzam34@yahoo.com.br Instituição: UFPR Título: Possibilidades das histórias em quadrinhos na educação histórica: uma proposta de investigação sobre o conceito de evidência histórica e as narrativas históricas gráficas Nesse artigo desenvolverei as bases teóricas para a construção de um novo instrumento de investigação. Para isso, analisarei o conceito de evidência histórica (ASHBY, 2006) e proporei uma discussão entre a minha investigação referente à linguagem dos quadrinhos, que apresentam um caráter híbrido ao mesclar as estruturas das narrativas ficcionais com as das narrativas históricas (FRONZA, 2007; WERTSCH, 2004), e o uso de quadrinhos históricos já didatizados a partir de critérios próprios à epistemologia da História, tais como os utilizados por Peter Lee (2004). A minha hipótese é que a mobilização, pelos jovens, das idéias históricas em construtos da narrativa histórica pode ser realizada pela confrontação das histórias em quadrinhos com outras evidências históricas (no caso, os quadrinhos didatizados historicamente) que possam mitigar o seu poder ficcional e anacrônico. Buscarei compreender, com isso, se a natureza narrativa das histórias em quadrinhos modifica a natureza do pensamento histórico. Entendo que o uso de artefatos culturais próprios à cultura juvenil como as histórias em quadrinhos podem dinamizar as narrativas históricas ao permitir a construção de uma cognição histórica situada nos jovens das escolas de Ensino Médio. Nome: Margarida Maria Dias de Oliveira E-mail: margaridahistoria@yahoo.com.br Instituição: UFRN Título: História e historiografia do ensino de História: o que (não)diz a ANPUH O presente trabalho de pesquisa vem divulgar os primeiros resultados de uma pesquisa que tem como objetivo principal analisar os documentos exarados pela ANPUH ao longo da sua atuação de quase 60 anos sobre como os profissionais de História, formadores – por meio de suas obras e de suas atuações como formadores – de gerações de outros profissionais de História, compreendem o ensino de História, o que deve ser, o que deve norteá-lo, o que o fundamenta etc. Como afirmava em 1981 a Professora Alice Canabrava avaliando a atuação da entidade: “Sob alguns aspectos a entidade desempenha o papel de escola, no seu sentido legítimo, a congregar licenciados e graduandos para o convívio com os métodos, técnicas e interpretações que germinam nas fronteiras avançadas do conhecimento histórico”. E, sem dúvida, a ANPUH se tornou um marco para o ensino de História, seja pelo seu contundente posicionamento em relação “a questão de Estudos Sociais”, seja pelo seu papel na divulgação da pesquisa histórica no Brasil, daí entendermos que problematizar o que diz a ANPUH sobre o ensino é base para se entender, até, a historiografia sobre o ensino de História no Brasil. Nome: Maria Auxiliadora Moreira dos Santos Schmidt E-mail: dolinha08@uol.com.br Instituição: Universidade Federal do Paraná

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09 Título: Cognição histórica situada: que aprendizagem histórica é esta? Na esteira das investigações já desenvolvidas acerca da História como disciplina escolar, o escopo deste trabalho tem como objeto a análise das idéias sobre aprendizagem histórica contidas em propostas curriculares, manuais didáticos destinados a professores, bem como aqueles destinados aos alunos. A partir desta análise, a intenção é apontar alguns elementos constitutivos de concepções que fundamentam as finalidades e os processos de aprendizagens em História. O diálogo com essas concepções será feito a partir da referência e adesão à concepção da cognição histórica situada, cujos princípios e finalidades ancoram-se na própria ciência da História, bem como servem de embasamento à área de pesquisa da Educação Histórica. Conclui-se que as concepções de aprendizagem tomadas como referências nas propostas curriculares e manuais didáticos analisados, encontram guarida em teorias psicológicas representadas, atualmente, pela teoria construtivista. Esta adesão tem encaminhado os processos de cognição para fora da ciência da História, a qual tem seus próprios processos de elaboração de um aprender especificamente histórico. Nome: Maria Catharina N. de Carvalho E-mail: catharinanastaniec@yahoo.com.br Instituição: SEED e SMED Título: Projeto Shoah: holocausto e memória O Projeto Shoah foi desenvolvido com alunos dos 2º anos A e B do Curso de Formação de Docentes da Educação Infantil e dos Anos Iniciais, do Colégio Estadual Prof. Júlio Szymanski no ano letivo de 2008, em Araucária envolvendo as disciplinas de Língua Portuguesa, Arte, História e História da Educação. O presente trabalho é resultante de atividades desenvolvidas na disciplina de História utilizando os pressupostos da Educação Histórica, que tem indicado a importância em conhecer os processos e princípios da produção do conhecimento histórico, os quais sustentam o trabalho do historiador e, portanto, do professor de história. As atividades contemplam algumas etapas, a princípio o levantamento das protonarrativas dos alunos sobre o Holocausto. Após a categorização dos dados obtidos foi elaborada uma proposta de Intervenção Pedagógica em sala de aula, com utilização de textos, gravuras, imagens, documentário e materiais elaborados nas demais disciplinas envolvidas, expostos no mês de novembro de 2008, no Museu Tindiqüera. Também houve palestras sobre o tema Holocausto e o depoimento de um sobrevivente de um campo de concentração, assim como discussões buscando esclarecer equívocos conceituais sobre o tema. Nome: Maria do Carmo Barbosa de Melo E-mail: ledvan@terra.com.br Instituição: Universidade de Pernambuco Título: O lugar da Educação Histórica no diálogo da universidade com o Ensino Básico Neste trabalho busco conhecer a dimensão das relações estabelecidas entre a Formação de Professores de História e a Educação Histórica trabalhada na Escola Básica, considerando que a questão da qualidade dessa Educação pode está diretamente vinculada a formação do(a) professor(a). Nesta perspectiva, procuro identificar os saberes históricos e as práticas pedagógicas utilizados nesse ensino, a partir de pesquisa realizada em escolas públicas de Recife, que são campos de estágios dos licenciandos de História da Faculdade de Formação de Professores de Nazaré da Mata - Universidade de Pernambuco. Nome: Maria Inês Sucupira Stamatto E-mail: inescdd@digizap.com.br Instituição: UFRN - PPGED Título: Alfabetização histórica em materiais didáticos: significados e usos Apresenta resultados da primeira etapa de investigação sobre alfabetização histórica em materiais didáticos, priorizando-se livros didáticos. Partiu-se do pressuposto de que diferentes conceitos de alfabetização histórica – Historical Literacy – alteram teórica-metodologicamente o ensino de História. Têm-se como objetivos identificar significados para esta noção e distinguir seus diferentes usos associando-os ao quadro referencial empregado pelos autores. Em seguida, verificar em que medida estes conceitos embasam propostas de ensino-aprendizagem em História para os primeiros anos do Ensino Fundamental. Por fim, em uma segunda etapa da pesquisa, descobrir qual a repercussão para a aprendizagem de História da adoção e desenvolvimento de propostas que se fundamentam na alfabetização histórica. As conclusões, neste primeiro momento, decorrem da análise das coleções de História que serão adotadas nas escolas públicas no primeiro segmento do Ensino Fundamental, constantes no Guia de História – PNLD 2010. Observou-se um número reduzido de obras que consideram em sua proposta teórico-metodológica um conceito de alfabetização histórica.

Nome: Maria Sigmar Coutinho Passos E-mail: mariasigmar@gmail.com Instituição: Uneb Título: A formação do professor de História: reflexões sobre o estágio supervisionado O presente artigo busca discutir a formação do professor de História, problematizando as políticas públicas brasileiras e sua concretização no âmbito das instituições de Ensino Superior. Retoma discussões sobre a renovação do Ensino de História e sua interseção com contexto da Educação Básica, realidade acompanhada através da relação universidade-comunidade escolar estabelecida no Estágio supervisionado em História. Toma como objeto de análise a experiência desenvolvida através de práticas pedagógicas de Intervenção no alto Sertão da Bahia. Conclui apontando perspectivas e limites na formação docente do professor de História no contexto das reformas educacionais atuais. Nome: Mariana Reis Feitosa E-mail: mari_reis_16@hotmail.com Instituição: Universidade Estadual de Londrina Título: O lugar da prática de ensino e do estágio supervisionado na formação inicial do professor de História: alguns apontamentos Este trabalho é parte de uma pesquisa realizada junto ao programa de Mestrado em Educação da Universidade Estadual de Londrina. A partir do eixo temático Formação inicial do professor de História, especial interesse foi dado ao significado que a disciplina Metodologia de Prática de Ensino / Estágio representa na formação inicial do professor de História. Para tanto, discutimos o significado desta no curso de História da UNESP-Assis. Elegemos como público alvo 10 ex-alunos do referido curso. Apresentaremos o entendimento desses sobre sua formação inicial, enfatizando sua experiência no estágio supervisionado e os significados que atribuíram ao estágio em sua formação, ou seja, traremos a tona dados que obtivemos com a aplicação do questionário. Nome: Marilú Favarin Marin E-mail: marin.marilu@yahoo.com.br Instituição: UFSM Título: Laboratório de ensino de história de instituições de Ensino Superior públicas e sua influência no Nível Médio, em escolas públicas (1980 - 2010) Inicialmente, o trabalho, em curso de mestrado, recuperou a experiência de professores de História do Ensino Médio, entre 1989-1997, de revisão do ensino de História apoiado em concepção crítico-dialógica, orientado pelo Laboratório de Ensino de História do Curso de História/CCSH, da UFSM, através do Projeto “O Ensino da História - Uma proposta em construção I”. O balanço da experiência mostrou aspectos positivos no ensino da história, tais como: melhoria na qualidade, valorização da disciplina, qualificação dos sujeitos envolvidos e ativa participação. Na seqüência, investigou-se a caminhada do grupo após o encerramento do projeto, em 1993, detectando-se: indisposição política das instâncias de poder, autoritarismo, não reprodução da experiência, desagregação da equipe da IES - enquanto alguns fatores responsáveis pelo fim da experiência. Neste momento, como proposta de doutorado, pretende-se ampliar o período analisado (1980-2010) e ampliar a abordagem para estudo comparativo entre Laboratórios de Ensino de História de IES públicas, e suas relações/ações/influências no ensino de História no nível médio, em Escolas públicas da sua região de abrangência. Nome: Milton Joeri Fernandes Duarte E-mail: mjoeri@terra.com.br Instituição: Faculdade de Educação da USP - FEUSP Título:A música e a construção do conhecimento histórico em aula A elaboração desta pesquisa sobre “a música e a construção do conhecimento histórico em aula” tem como principal objetivo relacionar a prática do ensino de História em sala de aula com a utilização da música, procurando entender de que forma a linguagem musical contribui na construção do conhecimento histórico, pois as representações históricas construídas pelos alunos e incentivadas pela música podem ser compreendidas e trabalhadas de maneira diagnóstica pelo professor através da linguagem musical, transformando-se assim em uma ponte entre a consciência histórica dos alunos e o passado histórico. Nome: Osvaldo Rodrigues Júnior E-mail: osvaldo.rjunior@gmail.com Instituição: Universidade Federal do Paraná Título: As concepções de fonte histórica e as orientações para o seu uso em três manuais de Didática da História produzidos para os professores no Brasil (2003-2004) Este trabalho tem por finalidade apresentar os primeiros resultados da disser-

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tação de mestrado em desenvolvimento no Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal do Paraná. Os objetivos traçados para o presente trabalho foram: i) analisar as concepções de fontes históricas presentes em três manuais de Didática da História produzidos para os professores no Brasil; ii) analisar as orientações para o uso das fontes históricas em sala de aula nos mesmos manuais; iii) analisar se existe o diálogo entre as perspectivas teóricas de concepção de fontes históricas e as orientações para o uso das mesmas; e iiii) analisar as relações do trabalho com as fontes e a constituição de uma cognição histórica. Resultados parciais indicam que nos manuais analisados está presente a concepção de transposição didática (CHEVALLARD, 2005) e de que o trabalho com as fontes não tem como finalidade a constituição de um tipo de cognição histórica, cuja referência é a relação dos alunos com a evidência histórica (ASHBY, 2006). Desta forma, partindo de Rüsen (2007) entende-se a necessidade de uma Didática da História que supere a idéia de transposição didática, no sentido da transposição mecânica do saber sábio para o saber ensinado. Nome: Raimunda Ivoney Rodrigues Oliveira E-mail: ivoneyr@yahoo.com.br Instituição: Coordenação de patrimônio histórico e cultural - SECULTFOR Título: Ensino de história nas séries iniciais: cotidiano e representações de brasilidade na família e escola pública A História é uma disciplina essencialmente formativa e emancipadora, que tem como papel central a formação da consciência histórica do indivíduo, o que irá possibilitar a construção de possíveis identidades, a compreensão daquilo que foi vivido e a capacidade de intervenção social. No Brasil o projeto educacional implantado nas décadas de 60 a 70 na escola fundamental atingiu estrategicamente o ensino de História; por meio dos Estudos Sociais foi imposta uma diluição do objeto de estudo da História. A principal conseqüência desse ensino foi formar nas crianças brasileiras, já nas séries iniciais, uma concepção auto-excludente da História. A partir disso, como formar cidadãos capazes de lutar por seus direitos sociais e políticos se vivenciamos a exclusão no cotidiano da sala de aula? O ensino da disciplina foi considerado impossível para alunos de séries iniciais, porque, segundos alguns princípios epistemológicos, não haveria condições de uma abstração suficiente para o domínio de conceitos imprescindíveis à educação histórica. Admitida a possibilidade de aprendizagem da disciplina a partir dos primeiros anos da escolarização, surgem indagações que norteiam essa pesquisa: existem etapas de domínio conceitual? Como os conceitos são formados por crianças de diferentes idades? Nome: Ricardo José Lima Bezerra E-mail: ricbez@yahoo.com.br Instituição: Universidade de Pernambuco Título: Superando dificuldades e desafios no ensino da história: experiências pedagógicas no Agreste pernambucano Ao analisarmos o desempenho dos alunos do ensino médio das escolas públicas do agreste meridional de PE vimos detectando dificuldades no processo de aprendizagem da história a partir da própria complexidade específica do conhecimento histórico, mas também devido a inoperância das metodologias e práticas didáticas adotadas na construção de um contexto favorável a esta aprendizagem. Ao longo do tempo, o ensino de história esteve associado a uma narrativa de fatos. Muitas vezes desconexos da realidade escolar de cada aluno: um ensino voltado para memorização de datas e eventos históricos onde procurava-se construir um espírito de civismo e patriotismo identificado com a história das elites dominantes e dos vencedores de cada época. A prática do ensino de história consistia numa reprodutividade de saberes casuísticos e factuais acumulados, reproduzidos didaticamente através de massantes aulas expositivas e baseadas em exercícios que apenas fixavam o conteúdo ministrado. Não havia espaço para a criatividade e a participação do aluno. Ao realizarmos oficinas pedagógicas para rediscutir o ensino de História, propondo novas práticas e estratégicas didáticas-metodológicas, vivenciamos que existe uma enorme demanda por uma história contextualizada com a realidade social local e regional.

obra didática como memória-histórica, silenciando outras possibilidades que efetivamente estiveram presentes. No caso específico do passado brasileiro dos anos 1930, as narrativas predominantes contribuem na produção do esquecimento de um importante movimento da época: o integralismo. Nome: Rosi Terezinha Ferrarini Gevaerd E-mail: rosifgevaerd@yahoo.com.br Instituição: Universidade Federal do Paraná Título: A narrativa histórica como uma maneira de ensinar e aprender história: o caso da história do Paraná Partindo do pressuposto de que a História como ciência possui uma natureza narrativista, busquei verificar, em pesquisa desenvolvida no doutorado, os tipos de narrativas históricas da história do Paraná presentes no processo de escolarização, sejam aquelas difundidas pelo manual didático, pelas propostas curriculares ou pelas aulas da professora. Além disso, busquei analisar se ocorreu uma convergência dessas narrativas no sentido de dar origem a determinada aprendizagem histórica, evidenciada nas narrativas produzidas pelos alunos. A pesquisa foi pautada em investigações na área da Educação Histórica, mais especificamente, na linha da cognição histórica situada, a qual engloba estudos que têm como perspectiva a compreensão das idéias de professores e alunos em contexto de ensino – aulas de História – , tomando como referência o próprio conhecimento histórico. Algumas considerações foram apontadas, entre elas, a necessidade de um debate historiográfico que subsidie uma reconstrução curricular no que tange à história do Paraná, bem como a necessidade da incorporação, por parte dos professores, da idéia da narrativa histórica como uma maneira de ensinar e aprender história, mostrando-se fundamental e importante os debates em torno das narrativas históricas. Nome: Tânia Gayer Ehlke E-mail: taniagayer@hotmail.com Instituição: Secretaria de Estado da Educação do Paraná Título: Patrimônio imaterial e educação histórica Este trabalho analisa a importância do patrimônio imaterial como fonte de pesquisa nas idéias históricas dos alunos em duas turmas distintas: uma 6ª série e uma 7ª série do Ensino Fundamental de uma Escola da rede Pública Estadual do Paraná. A investigação, fundamentada em Isabel Barca, Maria Auxiliadora Schmidt, Tânia Braga Garcia, entre outros, propõe elementos para uma metodologia de trabalho em sala de aula com o patrimônio imaterial, na perspectiva da Educação Histórica. A intervenção utilizou material didático produzido pela autora, estruturado na forma de uma Unidade Temática Investigativa: investigação dos conhecimentos prévios; categorização; utilização de documentos/fontes - a pesquisa empírica dos saberes -; celebrações, forma de expressão; a comunicação - produção de narrativas e, finalmente, a metacognição. Os resultados indicam que o patrimônio imaterial é uma fonte importante a ser utilizada na Educação Histórica, particularmente devido ao seu potencial para estabelecimento de empatia e da multiperspectividade histórica. Nome: Zilfran Varela Fontenele E-mail: zilfran@hotmail.com Instituição: Universidade Estadual do Ceará Título: Os Parâmetros Curriculares Nacionais e o ensino de história no cotidiano: olhares de gestores, docentes e discentes O presente trabalho é decorrente de pesquisa realizada através de questionários aplicados a gestores, professores e alunos de escolas públicas estaduais de ensino médio de Fortaleza para elaboração de monografia apresentada à Universidade Estadual do Ceará, no curso de Licenciatura em História. Nele aprofundamos a temática do ensino de História e observamos o conhecimento dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) da disciplina, bem como se estão, ou não, sendo aplicados na rede pública estadual da capital cearense. Listando, a partir das respostas coletadas, as dificuldades enfrentadas, as críticas dos docentes, em especial à ausência de capacitação, além de divergências entre estes e gestores. Observamos também a visão dos alunos sobre a importância da disciplina, seu interesse, críticas e anseios dentro da escola.

Nome: Rogério Lustosa Victor E-mail: rogeriolustosa@yahoo.com.br Instituição: UFG Título: Narrar para esquecer: livro didático e integralismo O autor do livro didático, na feitura de seu texto, depara-se com uma série de fatos disponíveis e com os quais ele terá que construir uma narrativa lógica. Supomos que estes fatos já estão presentes a priori como elementos da memória-histórica. Diante dessas condições, a temporalidade dominante emerge na

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10 10. Estudos africanos: dimensões históricas das sociedades africanas e dos africanos na diáspora Alexsander L. de Almeida Gebara - Universidade Federal Fluminense (algebara@gmail.com) Maria Cristina Cortez Wissenbach - USP (criswis@usp.br) Este Simpósio tem por objetivo reunir pesquisadores do Brasil vinculados com a área geral de “Estudos Africanos”. Desta forma, as temáticas compreendidas são, propositalmente, bastante amplas, incluindo temas, regiões e períodos diversificados. Serão bem-vindas pesquisas em andamento e reflexões que tratem de questões tais como: as análises sobre a representação do continente africano, desde o período das primeiras viagens portuguesas no século XV; as relações euro-africanas nos diferentes contextos históricos na época moderna; sociedades e grupos hifenizados; as transformações nas estruturas sociais e sistemas políticos africanos no período do tráfico escravo; as relações comerciais internas e externas do continente africano nos períodos moderno e contemporâneo; a presença de africanos nos contextos americanos da escravidão e da diáspora. Formas de trabalho, africanos livres, revoltas e insurreições; as comunidades afro-americanas na África e os retornados; os impactos sociais, políticos, econômicos e culturais da invasão colonial no final do século XIX; as estratégias, ideologias e processos de descolonização do continente; a historiografia africanista: tendências, debates e contribuições teóricas; as questões relativas à constituição dos Estados africanos politicamente independentes a partir do começo da década de 1960.

Resumos das comunicações Nome: Adauto Neto Fonseca Duque E-mail: duqueadauto@yahoo.com.br Instituição: Faculdades INTA / Universidade Estadual Vale do Acaraú Título: Caminhos da memória e identidade coletiva em comunidades quilombolas A experiência de pesquisa em comunidades quilombolas no rio Trombetas, Estado do Pará, abriu a possibilidade de formatar uma discussão em torno da formação e ressignificação nos campos que formam a memória necessária a uma coletividade. A presença de sujeitos e mecanismos de cerceamento de espaços, em comunidades antes isoladas, generalizou a busca por uma identidade alicerçada em um passado negro escravo quilombola, justificando as lutas contemporâneas por terra, espaço de trabalho e cidadania. O passado é justificativa, mas também precisou ser reelaborado de forma positiva para que a coletividade tivesse orgulho e usasse como bandeira contra os invasores de seus espaços. Conquista de terra, mas principalmente despertar de uma consciência social baseada na luta dos antepassados escravos fugidos das fazendas escravistas e feitos livres nas margens dos rios da Amazônia. Comunidades de pessoas pouco letradas, mas que mantém a memória firme e prontas a utilizá-las quando se sentem ameaçadas ou precisam recorrer à história para justificar a permanência em seus espaços de vivência e práticas culturais. Individualmente, perdem a dimensão de força e ancestralidade, mas nas conversas e no sentido do coletivo se fazem ouvidos diante do poder público em sua três esferas. Nome: Alexandre Almeida Marcussi E-mail: alexandremarcussi@gmail.com Instituição: Universidade de São Paulo Título: Ambigüidades do conceito de crioulização entre a teoria e a empiria O conceito de crioulização, proposto pelos antropólogos Sidney Mintz e Richard Price, é uma das ferramentas teóricas que mais influenciou a historiografia a respeito das culturas afro-americanas, sobretudo nos Estados Unidos. Sua discussão ensejou uma acesa polêmica envolvendo diversos estudiosos que defenderam a prevalência da africanidade sobre a crioulização na constituição das culturas afro-americanas. Este trabalho é uma tentativa de reavaliação desse debate teórico a partir de uma leitura do ensaio seminal de Mintz e Price, procurando atentar para as ambigüidades que, já presentes nele, determinaram e marcaram os rumos posteriores da polêmica com a historiografia norte-americana. A análise das formas através das quais se constrói o conceito de crioulização tem por objetivo revelar um certo deslizamento teórico do conceito entre dois planos analíticos e heurísticos distintos: um empírico, relativo à história das comunidades afro-americanas, e outro teórico, relativo a uma concepção antropológica do contato cultural. Nome: Alexander Lemos de Almeida Gebara E-mail: algebara@gmail.com

Instituição: Universidade Federal Fluminense Título: Daomé e o final do tráfico escravo - o testemunho de Frederick Forbes, tenente do esquadrão inglês de combate ao tráfico O trabalho pretende abordar a região do Daomé no início da década de 1850, no contexto de grande pressão inglesa para por fim ao tráfico escravo, procurando compreender as respostas do Rei Gezo às propostas de tratado contra o tráfico apresentadas pelos representantes ingleses, que começaram a visitar oficialmente o reino a partir de 1850. A política inglesa para a costa ocidental africana encontrava-se em período de mudanças, com a ampliação das ações repressivas e anexacionistas. Um grande bloqueio naval criou condições diferentes para o comércio exterior africano no final da década de 1840. Lagos tornou-se protetorado em 1851 e colônia em 1861, e diversas cidades costeiras foram bombardeadas neste período. Desta forma, as reações de Gezo podem ser analisadas frente ao contexto mais amplo de reconfiguração das relações africanas com o Atlântico. Por outro lado, também é preciso refletir sobre o caráter dos testemunhos europeus sobre as regiões africanas. Forbes havia estado durante 5 anos na China, entre 1842-49, antes de ser deslocado para um dos navios do esquadrão inglês de combate ao tráfico. Escreveu dois relatos neste período, um sobre o bloqueio e outro sobre a missão ao Daomé, sendo que sua opinião a respeito da ação inglesa muda significativamente neste período. Nome: Andrea Barbosa Marzano E-mail: marzano.andrea@gmail.com Instituição: Interseção Africana / PUC-Rio e NUPEHC / UFF Título: Entre ruas e musseques: crioulidade, imprensa e colonialismo em Luanda (1870-1930) O objetivo da pesquisa é analisar, nos jornais publicados em Luanda entre 1870 e 1930, as formas de lazer, os espaços de sociabilidade e a auto-representação das elites africanas que dominavam códigos culturais europeus, denominadas crioulas por parte dos historiadores. O cotidiano e os traços culturais serão focalizados como expressões singulares dos conflitos entre os auto-designados filhos da terra, os colonos e os chamados indígenas. O comportamento social e a cultura serão considerados, assim, elementos cruciais da luta política e dos conflitos sociais que envolviam as diferentes parcelas da sociedade luandense, sobretudo porque o status de civilizado era a principal arma de defesa contra a escravização e, posteriormente, os detestáveis contratos. Paralelamente, pretende-se investigar, nos jornais, o olhar das elites crioulas e dos colonos sobre os que definiam como indígenas e sua cultura, buscando ainda revelar, a despeito de todos os filtros, elementos do cotidiano dessa população. Nome: Angela de Araújo Porto E-mail: aporto@fiocruz.br Instituição: Casa de Oswaldo Cruz – Fiocruz Co-autora: Kaori Kodama E-mail: kaori@coc.fiocruz.br Instituição: Casa de Oswaldo Cruz-Fiocruz T��tulo: Doença e raça nos periódicos e teses de medicina do século XIX no Brasil

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O trabalho expõe alguns aspectos do pensamento médico em torno da questão racial entre os anos 1830 e 1850. Procura-se investigar a relação entre a produção médica em periódicos e teses e as discussões em torno da relação raça e doença durante este período, marcado pelas tentativas de abolição da escravatura. Objetivamos situar o pensamento médico sobre o tema, no universo da ciência praticada no Brasil, confrontado à recepção de teorias raciais circulantes na Europa e EUA e à suposta rejeição aos determinismos físico-geográficos e raciais pelos médicos brasileiros. Buscamos assim verificar a hipótese da presença de uma tradição específica do pensamento médico brasileiro como expressão da experiência histórica de uma sociedade permeada pela escravidão. Nome: Camilla Agostini E-mail: camilla_agostini@yahoo.com.br Instituição: Universidade Federal Fluminense / CNPq Título: Identidades reconhecidas, identidades forjadas e a sua expressão material no circuito África-Brasil, século XIX Diversos autores que vêm trabalhando com fontes documentais e arqueológicas referentes à África pré-colonial não têm demonstrado muito entusiasmo ou otimismo na identificação étnica ou identitária dos grupos que aí viveram. O presente estudo tem como objetivo considerar as possibilidades etnográficas da leitura dos viajantes que visitaram a África no período do tráfico de escravos no século XIX, observando quais os critérios que os levavam a definir grupos particulares. Propõem-se reflexões sobre até que ponto as informações elaboradas por eles serviram para forjar as identidades atlânticas dos africanos no além-mar. Por fim, caberá observar possíveis caminhos na compreensão das formas pelas quais os escravos, no Brasil, criaram mecanismos de auto-expressão e identificação, e de como isso pode ter se expressado na cultura material por eles produzida e utilizada. Nome: Cândido Eugênio Domingues de Souza E-mail: candido_eugenio@yahoo.com.br Instituição: UFBA Título: Tráfico e traficantes na Salvador colonial (1700-1751) Preparar uma viagem da Bahia para a costa africana na primeira metade do século XVIII era um processo complexo: providenciar mercadorias de comercialização (tabaco, aguardente, entre outras), alimentação, tripulantes, vistoriar a embarcação, organizar os custos com credores ou sócios e preparar a documentação para a Alfândega, eram algumas das várias atividades prévias. Mas não terminavam ai as preocupações: a salvação da alma era sempre lembrada e assim eles, em geral, deixavam seu testamento para que em caso de morte no mar as cerimônias religiosas fossem feitas por sua alma e para que a família tivesse ciência de seus investimentos e bens. Assim aconteceu com José Pereira da Cruz. Nascido na cidade do Porto, este irmão da “Santa Casa de Jerusalém” capitaneava uma nau, cujo senhorio era Theodozio Rodrigues de Faria, grande traficante de escravos, financiador da decoração da Igreja do Bonfim, bem como introdutor deste culto na Bahia. Pretendo analisar a atuação de alguns desses homens de negócio que comercializavam almas nesta Salvador Colonial entendendo a sua importância na composição sócio-política. Nome: Carlos Francisco da Silva Júnior E-mail: carlos.ufba@gmail.com Instituição: Universidade Federal da Bahia - UFBA Título: Anagôs, ozos, chambás e codavis: identidades africanas na Bahia da primeira metade do século XVIII Na era da escravidão, a etnicidade desempenhou um papel crítico na construção de identidades. Pessoas de diferentes grupos étnicos foram reunidas sob a identidade de nações, categorias étnicas construídas, na maioria das vezes, pelo tráfico negreiro atlântico como forma de nomear e agrupar os indivíduos trazidos da África para o Brasil. Nesse sistema classificatório imposto pelos europeus, utilizaram-se nomes de portos, reinos e regiões, deixando de lado identidades africanas. Malgrado a nova condição, eles não esqueceram suas raízes. Em alguns momentos, a documentação oficial - inventários e testamentos, registros de batismos e óbitos - deixa transparecer certas especificidades identitárias que remetem a formas nativas de nomeação, e que podem ajudar a desvendar o “labirinto das nações” africanas em Salvador no século XVIIII. O propósito dessa comunicação é apresentar as principais nações presentes na Cidade da Bahia da primeira metade do século XVIII, bem como seus etnônimos africanos, em uma perspectiva que, aliando história dos povos africanos e do tráfico negreiro, ilumine aspectos relacionados às condições de escravização na África e a construção de identidades na Bahia setecentista.

Nome: Cristiana Ferreira Lyrio Ximenes E-mail: crislyrio@uol.com.br Instituição: UFF Título: Notícias preliminares das relações comerciais entre a Bahia e Angola: 1755-1830 O presente trabalho tem por objetivo apresentar a pesquisa que por ora desenvolvo que procura estudar o tráfico de escravos, ampliando o olhar para as relações econômicas, sociais e de poder estabelecidas entre Salvador, um dos principais portos da América portuguesa e a África Central atlântica (sobretudo Ambriz, Luanda e Benguela), a partir da metade do século XVIII até os anos trinta do século XIX. Pretende discutir a presença do contingente de africanos, originários da região central africana, na Bahia de meados do setecentos e as primeiras décadas do oitocentos, e analisar as relações estabelecidas entre os comerciantes da praça de Salvador com parte do Império português (Portugal, África Central e Índia). Tomar-se-á como perspectiva de observação e abordagem as conjunturas de mudanças significativas – notadamente as do governo de Pombal, da transferência da capital da colônia para o Rio de Janeiro, da formação e reconhecimento do Império brasileiro e da proibição do tráfico de escravos – que configuraram um quadro diferenciado, propício ao desenvolvimento de um comércio trilateral. Nome: Cristiane Nascimento da Silva E-mail: cristianenasc@yahoo.com.br Instituição: PUC-RIO Título: A nação portuguesa e os muçulmanos de Moçambique O trabalho apresenta as relações existentes entre as diversas comunidades muçulmanas em Moçambique e o Governo colonial português entre as décadas 30 e 70. Pretendemos discutir a mudança de um discurso e prática do Estado português que percebia no islamismo em Moçambique uma ameaça ao projeto de um Portugal ultramarino para uma atuação que defendia a integração e a aproximação dessas comunidades ao governo. Nome: Diego Barbosa da Silva E-mail: vsjd@uol.com.br Instituição: UERJ/Arquivo Nacional Título: Encontros e confrontos lingüísticos: o local e o global na África A língua desde o Renascimento e o surgimento dos Estados nacionais tem apresentado um importante papel na construção da nação. Como dizia Renan (1997), se não fosse o poder do Estado de segregar, selecionar e classificar, dificilmente existiria a comunidade nacional. Se o Estado era a concretização do futuro da nação, era também condição para a existência de uma nação. Assim, o Estado-nacional utilizará a língua como um instrumento para exercer o seu poder, inclusive simbólico, de muitos conflitos e negociações (BOURDIEU, 1996). Nosso objetivo é analisar a política lingüística dos países africanos após os processos de independências a partir da década de 1960 e discutir, sobretudo, a escolha de línguas européias como oficiais nessas novas nações. Contudo, não podemos nos esquecer nesta análise a vasta diversidade étnica e lingüística do continente africano, dentro de um mundo cada vez mais globalizado, onde o inglês, principalmente por seu viés econômico, exerce domínio e surge como uma língua global (CRYSTAL, 2003 e LACOSTE & RAJAGOPALAN, 2005). Nome: Elaine Ribeiro da Silva dos Santos E-mail: elaine.ribeiro.santos@usp.br Instituição: USP Título: Os trabalhadores centro-africanos da expedição de Henrique de Carvalho a Lunda (1884-1888) Inserida a problemática desta comunicação no contexto mais amplo de processos históricos relacionados ao advento da política imperialista na segunda metade do século XIX e, em especial, das novas articulações em torno da exploração do trabalho no pós-abolições do tráfico atlântico de escravizados e da própria escravidão nos espaços da África Centro-Ocidental, importa-nos, a partir da análise da obra do expedicionário Henrique de Carvalho, propor uma reflexão não só sobre a participação de canoeiros, carregadores, guias, intérpretes, entre outros, deste empreendimento português, como também verificar as respostas dadas por parte dos diferentes grupos africanos às formas de trabalho às quais se encontravam submetidos. Sob tal perspectiva, a investigação sobre a vivência destes trabalhadores é uma proposta de perscrutar resistências por meio do entendimento das suas noções de direitos e de deveres, formas de organização de tarefas, práticas cotidianas, estratégias no trato com as autoridades africanas e com o comando da expedição.

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10 Nome: Fábio Baqueiro Figueiredo E-mail: fabiobaq@ig.com.br Instituição: Universidade Federal da Bahia Título: Raça e diplomacia: relações raciais na correspondência diplomática estadunidense sobre Angola, 1960-1961 Os primeiros anos da década de 1960 corresponderam ao início da guerra anticolonial em Angola, ao endurecimento da segregação racial na África do Sul e a um momento-chave na luta pelos direitos civis nos EUA, onde parte do movimento anti-racista acabou por se interessar por Angola, em decorrência de seu envolvimento na luta contra o apartheid. Por outro lado, o governo português buscava disseminar novas justificativas para o domínio sobre as “províncias ultramarinas”, a partir da aproximação, ao longo da década anterior, entre a razão colonial portuguesa e o “lusotropicalismo” de Gilberto Freyre. Em 1961, com a posse de J. F. Kennedy como presidente dos EUA, as diplomacias lusa e estadunidense entraram em choque quanto ao futuro das colônias portuguesas – o que levou, por exemplo, a uma onda de anti-americanismo por parte dos colonos brancos em Angola. Em todos esses desdobramentos, as percepções dos diversos atores sobre raça e relações raciais ocupavam um lugar de destaque. Este trabalho pretende abordar as representações sobre relações raciais elaboradas por diplomatas estadunidenses, autoridades portuguesas, nacionalistas angolanos e militantes pelos direitos civis nos EUA, baseando-se principalmente na correspondência consular estadunidense sobre Angola entre 1960 e 1961. Nome: Fernanda do Nascimento Thomaz E-mail: fefathomaz@yahoo.com.br Instituição: UFF Título: Projetos em disputa num projeto de Estado: relações políticas no sul de Moçambique (1907-1922) Durante o processo de consolidação do Estado colonial português no sul de Moçambique – no final do século XIX e início do XX – havia diferentes interesses em disputa. Entre esses interesses, cabe realçar o proposto por um grupo de “africanos”. Descendentes de europeus e africanos ou somente de africanos (que se auto-identificavam como “filhos da terra”), esses indivíduos reagiam à crescente chegada de colonos vindos da metrópole e o empenho do Estado para estabelecê-los na região. Nesse contexto se constrói um campo de disputa por benefícios econômicos e políticos em Moçambique tanto dentro da própria estrutura do governo que ali estava se consolidando quanto entre os “filhos da terra” e a administração colonial. É sobre o estabelecimento dessa administração colonial que versa essa apresentação. Nome: Gabriela Aparecida dos Santos E-mail: gabriela_historia@yahoo.com.br Instituição: Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas - USP Título: Reino de Gaza: o desafio português na ocupação do sul de Moçambique (1821-1897) Após a Conferência de Berlim (1884-1885), acirraram-se as disputas pelos territórios africanos e a posse da província de Moçambique, em particular o sul, escoadouro natural de toda a produção da África do Sul. Nessa época uma colônia inglesa viu-se seriamente ameaçada pelo interesse britânico e por seu projeto expansionista de ligar o Cairo ao Cabo. O anseio resultou no envio de representantes ao poder que parecia desafiar e se sobrepor ao de Portugal na região – o do Reino de Gaza. Diante da ameaça crescente à posse da província, o governo português reuniu esforços concentrados, enviando tropas encarregadas de subjugar o Reino de Gaza e garantir a ocupação efetiva desse território. As expedições portuguesas encontraram, no entanto, forte resistência, centrada na figura do soberano nguni do Reino de Gaza, Gungunhana (1884-1895). Nesse sentido, o objetivo é analisar o desenvolvimento do colonialismo português, com seus avanços e retrocessos, e entender como a formação de uma ordem política africana, centralizada e autônoma, se contrapôs às iniciativas efetivas de colonização portuguesa no sul de Moçambique. Nome: Gilson Brandão de Oliveira Júnior E-mail: gilsonbass@yahoo.com.br Instituição: Universidade de São Paulo Título: Institucionalização e indefinição: os estudos africanos & afrobrasileiros nos primeiros anos do CEAO Procuraremos neste trabalho identificar como os estudos pré-existentes sobre o negro no Brasil serviram de base teórica para a formação do primeiro centro de estudos africanos no Brasil em 1959 (Centro de Estudos Afro-Orientais, na então Universidade da Bahia – atual CEAO-UFBA) e como sua produção impactou e fundamentou paradigmas que podem ser vistos nesta

vertente de estudos até o presente em nosso país. Como a teorização acerca do “problema” do negro no Brasil surge no contexto das discussões acerca da viabilidade da nação. É de suma importância revisitar algumas das principais idéias que nortearam a construção da nacionalidade brasileira em meados do século XIX, além dos primeiros estudos pioneiros sobre o negro africano no Brasil e suas conseqüências, iniciados no final deste mesmo século e início do próximo, que acabaram por gerar uma grave indefinição entre o que são os estudos africanos e o que são os estudos afro-brasileiros. Ao contextualizar essas produções, poderemos identificar algumas das ressonâncias que esta indefinição marcou no processo de institucionalização destes estudos no CEAO, pioneiro no país e influente sobre as produções subseqüentes, para posteriormente apontar algumas de suas reminiscências na atualidade. Nome: Ingrid Silva de Oliveira E-mail: ingrid_historia@yahoo.com.br Instituição: Universidade Federal Rural Título: O olhar de um capuchinho sobre a África do século XVII. Uma análise da construção do discurso de Giovanni Antonio Cavazzi Desde as primeiras conversões ao catolicismo registradas no reino do Congo, datadas de 1491, até a chegada do primeiro grupo de missionários capuchinhos, em 1645, várias foram as ordens católicas que deixaram registro sobre sua atuação, como os jesuítas e os carmelitas. Porém, parte da historiografia considera que a Ordem dos Capuchinhos foi, por mais de um século, a mais eficaz no trabalho de conversão dos povos localizados no interior do continente africano. Tratando da análise da missão católica dos capuchinhos na África ou da própria história do Reino do Congo durante o século XVII, alguns historiadores têm como referência a obra Descrição histórica dos três reinos do Congo, Matamba, do capuchinho italiano Giovanni Antonio Cavazzi (1621-1678). Buscando um diálogo com esses estudos e contribuir para o debate historiográfico acerca das práticas letradas européias sobre a África, o presente trabalho tem como fonte a mesma obra, porém busca a compreensão de Cavazzi como um sujeito inserido num contexto de embate entre os interesses do Padroado português e do Papado durante o século XVII. Nesse sentido, busca-se a compreensão dos elementos que motivaram esse capuchinho a escrever tão longamente sobre o Reino do Congo e a missão católica capuchinha na região. Nome: Irineia Maria Franco dos Santos E-mail: irineiafranco@hotmail.com Instituição: Universidade de São Paulo Título: Ancestralidade na dinâmica cultural africana Esse trabalho tem por objetivo apresentar parte da discussão acadêmica em torno da questão da ancestralidade nas religiões tradicionais em África. A partir do debate dos especialistas pretende-se aprofundar a compreensão sobre alguns elementos da dinâmica cultural africana. Quais sejam: (a) a veneração dos ancestrais como preservação da memória histórica e (b) a relação entre a dinâmica cultural e a utilização das “energias vitais” como forças de coesão social e experiência místico-espiritual. Tais elementos auxiliam na busca de um melhor entendimento sobre as práticas rituais das religiões afro-brasileiras ligadas à morte. Também se reflete a respeito da transmissão do conhecimento mágico-religioso no Candomblé no contexto das transformações desta religião nas últimas décadas em São Paulo. Nome: Ivana Pansera de Oliveira Muscalu E-mail: ivana.pansera.oliveira@usp.br Instituição: FFLCH/USP Título: Contatos e interpretações: os portugueses e o Império do Monomotapa Baseada na documentação portuguesa produzida ao longo do século XVI, a comunicação busca investigar a maneira como os portugueses descrevem e interpretam as estruturas políticas e sociais do reino do Monomotapa. Ao nos apresentar um império territorialmente vasto, organizado num sistema de senhorios e vassalagens e cuja unidade seria garantida pelo controle das rotas de comércio que ligavam o interior ao litoral, centralizado política e militarmente na corte do Monomotapa, as fontes portuguesas – produzidas no contexto da descoberta de vastos impérios centralizados nas Américas – realizam uma equivalência entre as estruturas políticas e sociais africanas e portuguesas. De outra parte, apoiando-se na idéia de império centralizado os portugueses buscaram, ao longo do XVI, equacionar a possibilidade de manter relações por meio da diplomacia, com o objetivo de acessar as minas de ouro e prata, assim como controlar as feiras e as rotas de comércio sob influência do Monomotapa. Compreender o contexto de produção dessas fontes pode elucidar questões relativas às alterações da política portuguesa de relações com o Monomotapa no século seguinte, bem como contribuir para o debate historiográfico sobre o tema.

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Nome: Josane Rodrigues Boechat E-mail: sofista@terra.com.br Instituição: Universidade Salgado de Oliveira – UNIVERSO Título: O lucrativo comércio de almas ilegal: pirataria, contrabando e tráfico de africanos no município de Macaé (1830 - 1860) A presente pesquisa propõe um estudo acerca do tráfico ilegal e suas implicações na primeira metade do século XIX, no município de Macaé. A abordagem dada por Jaime Rodrigues no livro “O Infame Comércio” trata o tema do tráfico ilegal como contrabando e pirataria no Brasil, mostrando de forma abrangente que esta prática perpassou por todo o litoral do território brasileiro. Nesse sentido, instiga e abre leques para novos aprofundamentos nos estudos sobre a temática. A abordagem de tráfico e contrabando de africanos negros, de suspeitas e apreensões de navios, pelas auditorias instaladas pela Marinha Imperial Brasileira, mostra a apreensão do navio Iate “Rolha” e da garoupeira Santo Antonio Brilhante no porto de Macaé, pelo navio vapor da marinha “Urânia” com abordagem e apreensão de africanos. Nome: Juliana Barreto Farias E-mail: julianafarias@predialnet.com.br Instituição: USP Título: Sentidos históricos e dimensões atlânticas dos pombeiros no Rio de Janeiro do século XIX Derivada do termo quimbundo mpumbu, a expressão pombeiro designava, no século XVI, negros e mestiços (escravos ou libertos) e também portugueses, emissários de comerciantes europeus, que se estabeleciam nos mercados litorâneos da costa centro-ocidental africana, trazendo cativos e mercadorias de áreas do interior de Angola, Benguela ou Congo. Mais tarde, indicaria ainda atravessadores e vendedores ambulantes que atuavam em diferentes pontos da região. Além de se generalizar pela África portuguesa, a expressão atravessou o Atlântico e aqui ganhou novos contornos. De “comerciantes do mato” do contexto angolano, os pombeiros transformar-se-iam, no Rio de Janeiro do século XIX, em “mercadores avulsos” – quase sempre escravos africanos das “nações” mina, cabinda e congo – que ofereciam principalmente peixe fresco pelas ruas e mercados da cidade e atuavam como intermediários entre pescadores, lavradores e consumidores. Meu objetivo nesta comunicação é justamente dimensionar a categoria dos pombeiros na Corte Imperial, avaliando sua composição étnica, suas formas de organização e identificação. Para tanto, partirei da análise de um amplo conjunto de licenças concedidas a esses vendedores, relatórios, abaixo-assinados e requerimentos enviados à Câmara Municipal do Rio de Janeiro. Nome: Juliana de Paiva Magalhães E-mail: jupaivamagalhaes@gmail.com Instituição: Universidade de São Paulo Título: Moçambique e Vale do Paraíba na dinâmica do comércio de escravos: diásporas e identidades étnicas, séc. XIX Minha pesquisa focaliza uma movimentação peculiar da diáspora africana: do Oceano Índico em direção ao Atlântico e, posteriormente, o estabelecimento de africanos centro-orientais como força de trabalho escrava na sociedade brasileira entre o fim do século XVIII e ao longo do XIX. O objetivo central é rastrear estes africanos em diferentes fontes do período, tais como: relatos de viajantes, inventários post-mortem de grandes proprietários escravistas e documentos eclesiásticos. A intensificação do tráfico de escravos constituiu-se no elemento de ligação entre ambos os territórios, considerando a correspondência entre a crescente demanda de escravos no Vale do Paraíba e a importância da Costa-Leste africana no suprimento dos mesmos. Nesta comunicação destaco o contexto em que as diversas populações do Leste africano se apropriaram do termo Moçambique como forma de auto-identificação na sociedade brasileira. A existência dos diferentes etnônimos da África Oriental nos permite inferir que muitas identidades étnicas foram preservadas, em algum grau, dentro do contexto escravista. Ao ser incorporada por grupos heterogêneos, a identidade diaspórica regional não substituía simplesmente as locais, ao contrário, constituía outra identidade a ser incorporada e somada às anteriores. Nome: Julio Moracen Naranjo E-mail: juliomoracen@yahoo.com Instituição: Universidade Federal de São Paulo Títulos: Reflexões sobre o teatro negro africano e como torná-lo parte integrante e importante do conteúdo do ensino de historia da Africa e da diáspora A importância do estudo das manifestações espetaculares dentro das Ciên-

cias Sociais e a Artes Cênicas aparece como questão central na perspectiva de estudar um teatro negro componente cultural da história da África e dos africanos na diáspora. Proponho então analisar a existência deste teatro negro trazendo a tona sua função social e estética e como o mesmo se apóia, em sua totalidade, em diretores, atores e dramaturgos entre os quais encontramos uma consciência étnica relacionada a cultura tanto africana como de herança africana real ou imaginária. Esta característica indica que a questão central colocada para a sobrevivência desse teatro também se relaciona com a gênese de nossos processos culturais crioulizados, propiciando novas leituras, pertenças grupais e memórias. Em função disso o mesmo deve ser estudado como um teatro de identidade com a sua própria linguagem. Nome: Letícia Cristina Fonseca Destro E-mail: leticiadestro@gmail.com Instituição: Universidade Federal de Viçosa Título: Entre o eu e o outro: a representação do africano em relatos de viagem A dinâmica imperial portuguesa integrou continentes, economias, povos e culturas, e através do atlântico vinculou o destino de regiões africanas à história das partes que compunham o império português. A história desse continente não tem como ser ignorada e os relatos de viagem nos permitem reconstituir aspectos dessas sociedades como modo de viver, religião e política. Dessa forma, os relatos de André Álvares de Almada (1594), André Donelha (1625) e Francisco de Lemos Coelho (1669 e 1684), que tratam da região conhecida como “Guiné” nos possibilitam a reconstrução de fragmentos que podem contribuir para estudos sobre as organizações africanas no período colonial. A acumulação de conhecimento relativo ao africano, viabilizado pela evolução dos contatos e maior convivência com esses, conduziu à superação de alguns estereótipos arraigados no legado cultural presente nos relatos dos primeiros encontros. Além disso, possibilitou uma nova consciência da heterogeneidade das sociedades africanas, embora se verifica ainda valores comuns ao Ocidente cristão. Essa comunicação é resultado de projeto de pesquisa desenvolvido com o apoio da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro. Nome: Lucilene Reginaldo E-mail: lureginaldo@gmail.com Instituição: UNICAMP Título: Outro circuito, outros africanos: o tráfico de escravos entre Bahia e Angola no século XVIII Os estudos sobre a escravidão africana na Bahia têm chamado atenção, há décadas, para o afluxo de africanos oriundos dos portos de Angola, com destino ao porto de Salvador, sobretudo no século XVII. No entanto, para os séculos subseqüentes, impera a constatação de uma hegemonia do tráfico com a Costa da Mina que acabou por menosprezar outras regiões fornecedoras de africanos escravizados. Não se trata de negar a existência de tal hegemonia, mas chamar a atenção para a permanência de um outro circuito do tráfico baiano, quiçá menos importante em termos numéricos, mas igualmente significativo no que toca a experiência das populações escravas e seus descendentes libertos e livres. Nesta comunicação, levo em conta o debate e as investigações mais atuais sobre os números do tráfico entre Bahia e Angola, para então analisar, de forma pormenorizada, uma série de relatórios, certidões e mapas elaborados para fins de cobrança de direitos alfandegários sobre escravos embarcados nos portos de Luanda e Benguela, com destino ao Brasil. Além do número de escravos destinados a cada porto brasileiro, esta documentação nomeia navios, seus respectivos mestres e outras informações relevantes para o estudo das relações entre Bahia e Angola no decorrer do século XVIII. Nome: Luiza Nascimento dos Reis E-mail: luizanr@hotmail.com Instituição: UESC Título: O que a Afro-Ásia tem? África na revista do Centro de Estudos Afro-Orientais (1965-1995) Este texto busca constituir um panorama da(s) abordagem(ns) sobre África(s) apresentada(s) nas publicações da Afro-Ásia, a revista do Centro de Estudos Afro-Orientais (CEAO) da Universidade Federal da Bahia (UFBA), durante seus primeiros anos de funcionamento, desde 1965 até 1995. Os artigos publicados foram marcados por conjunturas relacionadas à história e trajetória do Centro de Estudos, aos editores responsáveis pela revista, às relações com a política externa brasileira. A busca de raízes (culturais) africanas, da África que mantém relações com o Brasil e a África encontrada no Brasil (sobrevivências africanas) foram os estudos privilegiados neste periódico. Interessa construir um perfil da revista Afro-Ásia, ao

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10 longo desses trinta anos, no que tange à sua parte afro, ou seja, a sua secção mais expressiva e refletir sobre suas contribuições e silêncios. Nome: Marcelo Bittencourt E-mail: marcelo216@gmail.com Instituição: UFF Título: O MPLA e a Angola independente (1975-1979) A pesquisa pretende analisar a relação do Movimento Popular de Libertação de Angola com a sociedade angolana e os demais movimentos de libertação de 1975 a 1979. Serão destacadas as crises e transformações ocorridas no interior do MPLA do momento em que se consagra como o vencedor da luta pela independência, passando pela tentativa de golpe de Estado e sua transformação em partido político, em 1977, até a morte de seu presidente Agostinho Neto. Inevitavelmente, em tal percurso será abordada parte da longa e terrível guerra que opôs o governo do MPLA à guerrilha da Unita. A pesquisa constitui também, paralelamente, uma tentativa de estabelecer uma visão crítica em relação a alguns dos modelos explicativos da complexa história de Angola no período pós-independência. Nome: Marcos Vinicius Santos Dias Coelho E-mail: marvindico@hotmail.com Instituição: UFBA Título: O mundo natural dos tsongas nos discursos de Henri Junod A visão sobre o mundo natural dos povos africanos – que viveram ao sul em Moçambique no final do século XIX – é difícil de ser reconstituída. Apesar de tais povos não terem deixado vestígios sobre sua concepção de natureza, Henri Junod – um missionário suíço – coletou durante trinta anos informações sobre um grupo social que vivia nesta região. A esse grupo, o missionário denominou tsonga. Embora essas informações sejam o discurso da percepção de um europeu sobre esse grupo social, este trabalho arrisca – através das percepções de Junod – reconstruir um desenho verossímil (ainda que deformado) sobre como os tsonga entendiam suas relações com a natureza. Nome: Maria Cristina Cortez Wissenbach E-mail: criswis@usp.br Instituição: Departamento de História USP Título: De Benguela à Ambriz: noticias africanas do comércio atlântico na década de 1840 Em visita às possessões portuguesas na costa ocidental da África, o médico alemão Georg Tams narrou as viagens que realizou a África Central, assistindo uma grande expedição comercial vinda dos portos hanseáticos e articulada em torno dos planos de renovação do comércio africano. Viajando entre os anos de 1841 e 1842, descreveu pormenorizadamente a vida social e econômica das principais cidades de Angola, bem como a de sociedades africanas localizadas mais ao norte. O objetivo da presente comunicação é o de avaliar as múltiplas dimensões que confluem a este relato, sobretudo recuperar uma conjuntura tensa em que se opunham e se combinavam interesses de mercadores africanos, luso-africanos e atlânticos, de um lado e de outro, a política anti-tráfico britânica e a presença de uma relativa complacência das autoridades sediadas em Angola. Busca-se enfatizar a importância do relato de Tams que, uma vez contextualizado, se apresenta como fonte histórica para se entender as dinâmicas da África centro-ocidental, na primeira metade do século XIX. Nome: Maria Roseane Correa Pinto Lima E-mail: roseanepinto@yahoo.com.br Instituição: UFF Título: Negros, estrangeiros: os barbadianos na Amazônia - racismo e identidade Trabalhadores negros de diferentes áreas do Caribe migraram para a Amazônia no início do século XX. Tidos genericamente como “barbadianos”, embora de diversas origens, foram empregados por firmas inglesas e norteamericanas nos trabalhos de urbanização e infra-estrutura em cidades da região, como Belém. Discute-se a imigração e as vivências destes negros recém chegados na região, em contexto no qual cruzavam-se uma política de imigração com a perspectiva do “branqueamento” da população, razão pela qual estes foram vistos como migrantes “indesejáveis”. Traziam uma nacionalidade advinda do estatuto colonial: a inglesa, além de outros sinais diacríticos (língua e cultura/religião inglesas, afro-caribenhas) que se juntavam à cor negra e à condição estrangeira para conformar identificações por eles e seus descendentes, bem como pelos “outros”, ora como ingleses (“ingleses pretos”, “ingleses miúdos”) ora como barbadianos e/ou brasileiros; distanciamentos e aproximações operadas de forma a lidar com estigmas

em torno do ser negro e estrangeiro. Trabalho, racismo, identidade e memória são os eixos da discussão que repensa aspectos fulcrais das relações raciais no Brasil pós-abolição. Nome: Mônica Carolina Savieto E-mail: monica.savieto@ig.com.br Instituição: Fundação Santo André e Unicastelo Título: Cristianismos modificados: presença da cultura africana (bakongo) na estatuária católica O catolicismo, em seu processo de expansão, foi objeto de apreciação, leitura e tradução por parte dos povos conquistados. Os africanos ou afrodescendentes no Brasil (especificamente os da região do Vale do Paraíba - SP), submetidos às exigências econômicas e às práticas culturais metropolitanas, entraram em contato com o cristianismo, seus ritos, seus códigos e, inevitavelmente, os modificaram. A presente pesquisa se propõe a levantar as originalidades do catolicismo praticado no Vale do Paraíba, na segunda metade do século XIX e seus prolongamentos hoje, dando visibilidade à diversidade cultural. Para tal, o conceitual de Stuart Hall, entre eles os de “diáspora” e de “comunidade imaginada”, consistirá em uma grande referência. Modificado por negros que colocaram suas concepções de mundo e suas tradições em iconografias e objetos sacros (estátuas de santos católicos), o cristianismo, nessa região, passou por processos de desestabilização e de hibridismo, resultando em especificidades ricas e únicas, típicas do contexto escravista. Para resgatarmos esta originalidade e apropriação cultural serão estudadas estatuárias de santos, denominadas “nó de pinho”, elaboradas por negros ao longo do século XIX na região do Vale do Paraíba em seus elementos simbólicos e formais. Nome: Orlando Almeida dos Santos E-mail: orsan_633@hotmail.com Instituição: UFBA Título: Luanda: a cidade, o comércio e a história A presente comunicação lança um breve olhar sobre a história de Luanda, prestando particular atenção ao desenvolvimento e trajetória do comércio de rua na cidade. Para tal, elabora uma panorâmica das atividades informais de rua desenvolvidas pelas mulheres, captando a sua historicidade e, tendo em consideração o quadro geral de transformações sócio-históricas, econômicas e políticas verificadas a nível local, regional e global, nas quais deram-se as dinâmicas da economia informal urbana luandense. A comunicação procura refletir em torno das seguintes questões: como as tradições africanas ligadas ao comércio feminino têm sido mantidas e/ou adaptadas no contexto da sociedade angolana? De que modo no contexto pós-independência se desenvolveu a questão do trabalho feminino no sector informal? Nome: Patricia Santos Schermann E-mail: santosschermann@yahoo.com.br Instituição: Universidade Federal de São Paulo Título: Matrizes intelectuais e acadêmicas da construção do campo disciplina História da África A primeira orientação da Lei 10639/03 que se refere à inclusão dos conteúdos da História da África e da experiência social do negro brasileiro possui relações e interações com uma perspectiva mais antiga que remonta ao processo de construção das nações africanas de busca e escrita das histórias nacionais, que corresponde aos anos 50 do século XX. Por ocasião, já nos anos 70, da elaboração de uma História Geral da África, patrocinada pela UNESCO, o historiador Joseph Ki-Zerbo assinalou qual deveria ser o papel do uso da coleção e o sentido da história ensinada nas escolas. Assim, ensinar a História da África em todos os níveis de ensino das escolas brasileiras é, na perspectiva da lei 10639/03, e também da tradição de escrita de história oriunda dos nacionalismos africanos, reparar os crimes do racismo e propiciar a participação cidadã dos descendentes de africanos nos rumos políticos, econômicos e sociais do Brasil. O objetivo desta comunicação é perceber as interações e diálogos que existem entre essas duas matrizes no processo da criação do campo disciplinar no Brasil. Nome: Pedro Figueiredo Alves da Cunha E-mail: pedrocunha@usp.br Instituição: FFLCH/USP Título: Africanos escravizados nos jogos de valentia: uma nova abordagem sobre a capoeira Prática comum entre escravos e libertos no século XIX, a capoeira foi alvo de análises ainda no início dos oitocentos. Desde então, a discussão sobre sua gênese é uma constante. Um caminho para se preencher esta lacuna é resgatar a trajetória desta manifestação no Brasil. Trabalhos recentes, sobre

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a prática no Rio de Janeiro, no século XIX, reforçaram a possibilidade de a capoeira estar associada ao grupo cultural formado no Brasil e chamado por Slenes de “protonação Bantu” (SLENES, 1991/1992). Nesta exposição, propomos uma abordagem diferenciada do tema, fugindo do eixo Rio de Janeiro-Salvador para enfocar sua prática entre africanos escravizados em São Paulo, nos oitocentos. Avaliando documentos da época, verificamos a expansão da identidade escrava para além aspectos mais notórios como a distinção por grupo de procedência africano: a rivalidade entre capoeiras “paulistas” e “cariocas”. Para se impor no meio hostil participariam assim de “jogos de valentia”. Mais do que entender as origens da prática, propomos uma reflexão sobre as formas de sociabilidade desenvolvidas por africanos na condição escrava. Afinal, através de novas conexões, eles poderiam se tornar “visíveis uns aos outros em meio ao anonimato despedaçador da escravidão” (MILLER, 2004). Nome: Raquel Gryszczenko Alves Gomes E-mail: rgryszczenko@uol.com.br Instituição: Unicamp Título: O horror, o horror! – Olive Schreiner e as narrativas de um outro império No nascimento do século XX, o mundo via ganhar força nas palavras de E. D. Morel e Roger Casement a denúncia à ação imperialista no Congo Belga. Joseph Conrad trazia nas páginas de seu “O Coração das Trevas” o retrato de uma ação européia na África que estava longe de ser aquela pregada por missionários. Anos antes, porém, Olive Schreiner, sul africana de origem anglófona, publicava seu “Trooper Peter Halket of Mashonaland”, criticando veementemente a exploração da mão de obra africana em prol do imperialismo britânico, tornando-se inclusive a principal opositora de Cecil Rhodes. Sua obra política foi completamente eclipsada, tornando-se a autora lembrada unicamente por seu engajamento na causa feminista. Refletir acerca dos motivos que levaram a obra política de Schreiner ao esquecimento é um dos objetivos deste trabalho. Nome: Silvio de Almeida Carvalho Filho E-mail: silvioacf@terra.com.br Instituição: UERJ/UFRJ Título: Oh, pedaço arrancado de mim!: reflexões sobre os mutilados angolanos por minas militares Analisamos a realidade dos mutilados por minas terrestres em Angola a partir das reflexões teóricas realizadas nos campos de estudos sobre a história do corpo e sobre as relações entre história e literatura. A partir dessa abordagem, objetivamos investigar os motivos bélicos que levaram a opção por esse tipo de arma, as formas como esses artefatos atingem as suas vitimas, os efeitos da minagem sobre a vida dos sobreviventes e sobre a realidade sócio-econômica angolana, a participação do Brasil no fabrico e no comércio de minas para Angola, assim como a ação do Estado angolano e das organizações governamentais no amparo a esse tipo de mutilado de guerra.

Instituição: Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra/CEIS 20 Título: Sob o signo da celebração do Império: as influências do lusotropicalismo em Cabo Verde O lusotropicalismo emerge como paradigma de explicitação do modelo português de colonização. Assim como a interpretação da identidade caboverdiana é forjada, a partir deste mesmo mundo colonial, como uma versão do mundo luso e tropical, um mundo que se imaginava ser igual ao Brasil, mas de dimensão insular. Isto significa que, desde os inícios, a representação de Cabo Verde (arquipélago africano) ficou formatada internamente pela apropriação que se fez dos enunciados matriciais lançados por Gilberto Freyre e que mais tarde viriam a constituir o lusotropicalismo. Sendo assim, a defesa da caboverdianidade não surge como um discurso distanciado e contestatório das relações coloniais mas antes como uma sacrossanta fundamentação da especificidade sócio-cultural do arquipélago como parte integrante do mundo luso e tropical. Nome: Wolfgang Adolf Karl Döpcke E-mail: wolfgang@unb.br Instituição: Instituição: Universidade de Brasília - UnB Título: A Grande Depressão e o fim do liberalismo em Zimbábue Colonial (1927-1939) Propõe-se analisar um momento chave na formação da sociedade colonial na Rodésia do Sul (Zimbábue). Frente às “ameaças” difusas da crise mundial dos anos 1930, os colonos brancos abandonaram os últimos traços do ideário liberal a favor tanto de um capitalismo sob tutela do Estado, quanto de uma ordem neotradicional e “orgânica” entre a população africana subjugada. A colonização da Rodésia nunca tinha sido conceituada sob os moldes do liberalismo do século XIX. Porém, fragmentos do ideário liberal ainda chegaram a influenciar o pensamento oficial na colônia até os anos 1920. Nos anos 1930, estes fragmentos foram eliminados e deram lugar a um ideal de uma sociedade africana “tradicionalmente” hierarquizada, porém social e economicamente igualitária, e “harmônica” entre as gerações e os sexos. Firmemente fundamentado em noções de diferenças biológicas, entre brancos e africanos, o programa dos brancos radicalizados escolheu o “nativo avançado” como seu principal inimigo, denunciando aculturação como uma aberração da natureza. O trabalho vai examinar concretas manifestações destas idéias nas políticas de fortalecimento das “autoridades tradicionais” sobre as populações rurais, dos velhos sobre os jovens e dos homens sobre as mulheres, bem como na área de desenvolvimento rural.

Nome: Sílvio Marcus de Souza Correa E-mail: silviocorrea@cfh.ufsc.br Instituição: Institut national de la recherche scientifique Título: Representações da África pré-colonial em narrativas de negreiros e (ex)cativos Os relatos de viagem têm sido uma fonte importante para escrever a história da África pré-colonial. Porém, as informações dos viajantes devem passar pelo crivo de um estudo historiográfico para seu uso enquanto fonte à pesquisa. Os relatos de William Snelgrave e Theodore Canot são analisados nesta comunicação não apenas com base nas suas experiências enquanto comerciantes de escravos, mas também considerando suas experiências de cativeiro, pois eles foram prisioneiros de ingleses e franceses. A perda da liberdade, mesmo que episódica, influenciou as representações de ambos negreiros sobre a escravidão na África pré-colonial. Igualmente importantes para o estudo das representações da África pré-colonial são os testemunhos de africanos como os de Olaudah Equiano, ex-escravo cujas memórias foram publicadas em Londres (1789), fato que lhe atribui primazia entre os expoentes da literatura afro-inglesa, e dos irmãos Ephraim e Ancona, príncipes do Calabar, que foram negreiros, mas que conheceram também o cativeiro após serem capturados em 1767 e vendidos por comerciantes ingleses de escravos. Tem por objetivo apresentar certas questões metodológicas para validarem os testemunhos de negreiros e (ex)escravos na “operação historiográfica”. Nome: Víctor Baptista Varela de Barros E-mail: v-barros@hotmail.com

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11 11. História e música popular Adalberto de Paula Paranhos - Universidade Federal de Uberlândia (akparanhos@triang.com.br) Tania da Costa Garcia - UNESP/Franca (garcosta@uol.com.br) Esta proposta representa um desdobramento de outros três Simpósios Temáticos que se realizaram, inicialmente, no III Simpósio Nacional de História Cultural (2006) e, em seguida, no XXIV Simpósio Nacional de História (2007) bem como no XIX Encontro Regional de História da ANPUH-SP. Trata-se, portanto, de consolidar e ampliar as discussões que convergem para o exame das relações entre História & Música Popular, valendo-se, para tanto, o acúmulo de experiências adquiridas ao longo dos últimos anos. Já há algum tempo, como que tateando novos caminhos, os historiadores têm procurado incorporar ao arsenal de recursos de pesquisa outras linguagens, para além das habituais. Esse ato, próprio de quem se lança ao desafio de experimentar novos sabores dos saberes, resultou numa bibliografia, de produção mais ou menos recente, que valoriza objetos de estudo normalmente postos à margem pela academia. Nessas circunstâncias, a música industrializada vem assumindo crescente importância como fonte documental, respondendo por uma parcela dos esforços daqueles que se empenham em insuflar novos ares nas pesquisas históricas. Independentemente da tendência – bastante evidente no caso de historiadores, cientistas sociais e profissionais da área de literatura – de se concentrar o foco de análise quase exclusivamente, ou pelo menos de forma prioritária, nas letras das canções, a complexidade do trabalho com música conduziu muitos pesquisadores a trilhar caminhos paralelos. Sem que se colocasse no primeiro plano o estudo de natureza especificamente musicológica, passou-se, mais e mais, a atentar para as relações de complementaridade e/ou de oposição que as letras entretêm com outros elementos da obra musical na sua realização histórica ou no seu fazer-se.

Resumos das comunicações Nome: Adalberto de Paula Paranhos E-mail: akparanhos@triang.com.br Instituição: Universidade Federal de Uberlândia Título: Música, política e ideologia: migrações de sentido da canção popular Ao se tentar compreender os sentidos dos elos da cadeia que vincula a música popular à política e à ideologia, uma constatação se impõe logo de cara. Num certo aspecto, a canção popular, como artefato social e cultural, está indissoluvelmente ligada – ainda que, em determinados casos, por fios tênues – ao universo político-ideológico no qual se inscreve. Daí que toda música, em última análise, se insira num campo semântico, por mais polissêmico que seja, que faz dela uma obra dotada de carga política e ideológica, variável conforme os contextos histórico-musicais em que se mova. A partir de uma breve discussão teórica em torno dessa questão, pretendo evidenciar como as canções passam por processos de migração de sentidos, a ponto de poderem vir a significar o avesso daquilo que, deliberadamente, representavam para seus criadores/intérpretes. Para tanto, tomarei como principal exemplo os distintos usos políticos de “Pra não dizer que não falei de flores (Caminhando)”, de Geraldo Vandré. Nome: Adriana Facina E-mail: adriana.facina@terra.com.br Instituição: Universidade Federal Fluminense Título: “Eu só quero é ser feliz”: música e sociabilidade entre a classe trabalhadora no Rio de Janeiro A frase que dá o título a esta comunicação foi retirada da letra de um funk muito conhecido nos anos 1990, o Rap da Felicidade, que se popularizou nas vozes da dupla Cidinho e Doca, MCs da Cidade de Deus. Além da denúncia das condições econômicas e sociais da vida dos habitantes das favelas, uma coisa chama a atenção na letra: a reivindicação do direito à diversão, à alegria, à sociabilidade. Notadamente, a diversão ligada à fruição musical, os bailes, parte fundamental de um estilo de vida que, se por um lado tem na experiência da pobreza e da precariedade um elemento central, por outro é caracterizado pela recusa, mais ou menos consciente, à naturalização desse estado de coisas. Pensar a sociabilidade da classe trabalhadora no Rio de Janeiro, necessariamente implica refletir sobre o papel da música popular no que podemos chamar de uma cultura de classe. Os diversos estilos musicais populares demarcam algumas fronteiras relevantes, ainda que o trânsito entre elas seja significativo. Os espaços de fruição, os artistas, produtores e público se caracterizam por uma diversidade intraclasse, demonstrando uma multiplicidade de gostos populares, construídos a partir de referenciais geracionais, de origem familiar e mesmo de acordo com a geografia da cidade. Nome: Alessander Mário Kerber

E-mail: alekerber@yahoo.com.br Instituição: Universidade Federal do Rio Grande do Sul Título: História oral e lutas de representação entre o nacional e o regional na música popular do Brasil durante o primeiro governo Vargas No presente trabalho, proponho apresentar resultados parciais do projeto de pesquisa intitulado “Representações musicais e mídia sonora na construção de identidades ligadas ao espaço geográfico”, financiado pelo CNPq e em execução. Especificamente, abordo as possibilidades do uso da História Oral na perspectiva da análise da influência da música popular e da mídia sonora na construção e massificação de uma versão acerca da identidade nacional brasileira em uma região específica do país durante o decorrer do primeiro governo Vargas. Nome: Alexandre Felipe Fiuza E-mail: alefiuza@terra.com.br Instituição: Universidade Estadual do Oeste do Paraná Título: Escondiendo verdades entre juegos de palabras: a censura discográfica no Brasil e na Espanha na década de 1970 Este trabalho é resultado de uma investigação realizada junto aos arquivos das censuras do Brasil e da Espanha, em particular junto aos pareceres da censura discográfica de ambos os países. Além da análise desta documentação censória, tal investigação também se ocupou da discografia, da bibliografia e de entrevistas realizadas com músicos brasileiros e espanhóis que estavam em atividade ao longo da década de 1970. Apesar das particularidades destes regimes ditatoriais, a exemplo de sua própria configuração e periodização, eles empregaram uma legislação e um modus operandi muito similar. A relação de temas interditos e as estratégias utilizadas pelos músicos para burlar tais controles também apontam aproximações. Por outro lado, esta investigação também se ocupou de temas incomuns para o Brasil, como o caso da diversidade lingüística na Espanha, além de uma forte inserção da Igreja na Censura no mesmo país. Há que se enfatizar ainda que os arquivos da censura discográfica espanhola, até a realização desta pesquisa, eram praticamente inexplorados pelos investigadores. Por fim, este texto também aborda canções brasileiras censuradas na Espanha e, igualmente, as espanholas proibidas no Brasil. Nome: Andrea Maria Vizzotto Alcântara Lopes E-mail: aloandrea@hotmail.com Instituição: Universidade Federal do Paraná Título: Ivan Lins e as “patrulhas ideológicas” na década de 1970 Em 1978, em entrevista para o jornal O Estado de São Paulo, o cineasta Cacá Diegues criou a expressão “patrulhas ideológicas” para designar um cerceamento da liberdade de criação artística, referindo-se às cobranças que os artistas recebiam para que produzissem obras com conteúdo político. Embora a crítica aberta de Diegues tenha surgido no final da década, no contexto de

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“abertura política”, esse fenômeno do “patrulhamento” já era mais antigo e percebido por vários artistas desde, pelo menos, o início da década de 1970. Nessa comunicação, pretendemos discutir a trajetória musical de Ivan Lins, artista que teve a produção inicial de sua carreira questionada por alguns segmentos da crítica especializada e que produziu transformações em sua obra procurando estabelecer novas temáticas, que passaram de uma estética influenciada pela “soul music” para canções de crítica social e marcadas pela incorporação de gêneros mais identificados com a tradição da música popular brasileira. Nome: Carlos Eduardo Calaça Costa Fonseca E-mail: cecalaca@terra.com.br Instituição: Universidade Salgado de Oliveira Título: O “Clube da Esquina” na esquina da MPB: perspectivas sociais (1970-1978) A importância do “Clube da Esquina”, “movimento” que emergiu e se consolidou na “MPB” dos anos 70 do século XX, será o matiz da comunicação a ser apresentada neste Simpósio. Identificaremos um grupo de músicos que compunha os “representantes mineiros” da “MPB”. O seu processo de interação interna com outras “entidades” formais ou informais que cerceavam a sigla “MPB” será o principal escopo de observação. Esperamos contribuir com a história das resistências culturais ao golpe militar de 1964, investigando e esclarecendo as estratégias dos músicos e intermediários para se firmarem no solo movediço da “MPB”. Em suma, ao rastrear a formação, consolidação e institucionalização do “Clube da Esquina”, estaremos oferecendo uma contribuição para a História Recente da “MPB”, considerada como um dos principais pilares de resistência cultural ao golpe institucional de 1964. Nome: Carolina Mary Medeiros E-mail: carolambar@ig.com.br Instituição: Universidade Federal do Rio de Janeiro/Universidade Estadual do Rio de Janeiro Título: Cálice - as ações da censura à musica popular brasileira através da obra de Chico Buarque de Hollanda (1966-1981) A questão central é que o campo de análise histórica e sociológica sobre a Música Popular Brasileira - música urbana surgida sob influência da Bossa Nova de João Gilberto e consumida em sua maior parte por jovens universitários - é ainda muito pequeno. Analisando as relações entre a censura, produto do estado autoritário, e o compositor e suas canções dentro de uma metodologia que tem como base a sociologia e a história cultural, tenho como objetivo contribuir com esse campo de estudo. A problemática principal para esse trabalho é justamente compreender as ações da censura e suas conseqüências. Entendo o meu trabalho como um esforço de ampliação das análises sociológicas sobre as relações entre censura e música. Num resumo de minhas intenções: com esta apresentação, tenho a proposta de analisar a obra e a trajetória de Chico Buarque de Hollanda no campo musical brasileiro no período, assim como as relações de sua produção musical (apesar de Chico ter multiplicado seu talento também para o cinema, teatro e literatura) com a censura imposta pelo regime militar estabelecido em 1964. A intenção é analisar as ações da censura em relação às canções de Chico Buarque desde seu primeiro LP em 66 até o LP Almanaque de 1981, ou seja, a produção musical do compositor no período militar. Nome: Claudete de Sousa Nogueira E-mail: amauri.claudete@ig.com.br Instituição: Centro de Memória/Universidade Estadual de Campinas Título: Batuque de umbigada paulista: a (re) construção de uma tradição O objetivo do presente trabalho é analisar o processo de criação e desenvolvimento de uma manifestação cultural afro-brasileira mantida no interior paulista. O batuque de Umbigada, também conhecido como tambu e caiumba, é uma manifestação cultural trazida para o Brasil pelos escravos de origem bantu e faz-se presente atualmente em algumas cidades do interior paulista (Piracicaba, Capivari e Tietê). Como categoria de análise, elegemos alguns elementos como a memória familiar e a oralidade, fundamentais para a compreensão desse contexto que envolve a Cultura afro-brasileira. Nome: Cleodir da Conceição Moraes E-mail: cleodirmoraes@uol.com.br Instituição: Escola de Aplicação da Universidade Federal do Pará Título: A história em cantos: musica popular brasileira na pesquisa e no ensino da história Este artigo visa refletir sobre as possibilidades de utilização da música popular brasileira no campo da pesquisa e do ensino da História. A canção popu-

lar, vista aqui em sua dupla dimensão estrutural (letra e música), encerra em si aspectos estéticos, sócio-econômicos, políticos e culturais de seu tempo e espaço, constituindo-se, assim, em uma expressão da prática social de compositores, intérpretes e ouvintes que muito tem a informar a historiadores e professores de história na produção do conhecimento acadêmico e escolar. Nome: Daniela Ribas Ghezzi E-mail: daniribas77@yahoo.com.br Instituição: Universidade Estadual de Campinas Título: A MPB e a lógica do mudar-conservando: uma aproximação entre história e música popular Este trabalho surgiu a partir de um dos resultados preliminares da pesquisa de doutorado que venho desenvolvendo, intitulada “A Formação do Campo da MPB: a legitimidade da Bossa Nova, da Canção de Protesto, e do Tropicalismo (1958-1968)”. Um dos resultados preliminares diz respeito à forma peculiar pela qual o campo da MPB teria se realizado historicamente. Ao problematizar questões sócio-estéticas já suscitadas pelos modernistas (como a renovação da expressão musical e da identidade cultural em diálogo com a tradição popular), as transformações da MPB, inseridas num amplo processo de modernização da sociedade, teriam guardado semelhanças com o processo político da modernização conservadora brasileira. A principal semelhança seria a “forma” da transformação de ambas: molecular, em que haveria uma estratégia velada em que a inovação não exclui radicalmente a tradição. Essa “forma” seria uma das qualidades do tempo histórico captada e re-significada pela MPB. A interpretação de João Gilberto ao violão, ao transformar a música popular, teria reiterado a tradição, ainda que de forma inovadora e moderna. A MPB seria, dessa forma, mais um elemento com que poderíamos contar para a análise crítica da realidade histórica brasileira. Nome: Dmitri Cerboncini-Fernandes E-mail: dmitricf@usp.br Instituição: Universidade de São Paulo Título: Da reprodução do “bom gosto” - livros infantis e música brasileira A partir dos anos 2000 começa a ser especialmente publicada para o mundo infantil uma série de biografias de seletos personagens da cena musical brasileira. Desfilam em seu rol artistas como Noel Rosa, Pixinguinha, Adoniran Barbosa, Cartola, entre outros “maiorais”. De maneira geral, pode-se afirmar que são biografias interessadas em perenizar de forma didática os lugares comuns encontrados desde tempos remotos nos discursos de agentes engajados na sustentação do ideário nacional-popular. Nesta comunicação procuro, de um lado, sublinhar o modo pelo qual tais livros selecionam fontes específicas visando à construção de biografias heroicizantes; e, de outro, tento demonstrar como a visão de seus autores pode ser enquadrada como herdeira direta dos defensores de determinada tradição na música brasileira, como é o caso dos chamados “folcloristas urbanos” das décadas de 1950 e 1960. A recriação constante de uma aura sobre determinados artistas e formas musicais pode, dessa forma, ser considerada um dos processos mais bem acabados de seleção histórica tanto de personagens que se tornariam centrais na cena musical quanto de padrões gerais para o que ainda hoje é entendido por “bom gosto musical brasileiro”. Nome: Eleonora Zicari Costa de Brito E-mail: zicari@hotmail.com Instituição: Universidade de Brasília Título: A Jovem Guarda em revista A comunicação procura refletir sobre o alcance da mídia na produção de representações sobre a Jovem Guarda, grupo musical de enorme sucesso nos anos 60. Em que medida seus representantes, sobretudo os três principais (Roberto Carlos, Wanderléia e Erasmo Carlos), responsáveis pelo comando do programa líder de audiência à época, foram sendo moldados pela indústria das revistas de fofocas (neste caso a revista Intervalo) e mesmo por aquelas que propunham uma visão mais analítica e “séria” sobre os comportamentos juvenis (como dizia fazer a revista Realidade)? Nome: Felipe da Costa Trotta E-mail: trotta.felipe@gmail.com Instituição: Universidade Federal de Pernambuco Título: Repertório e gêneros musicais: memória e valor no imaginário sociomusical compartilhado O repertório musical pode ser definido como um conjunto de canções, símbolos e procedimentos (sociais, morais e musicais) que definem determinado gênero. Construindo continuamente uma memória e canonizando autores, obras e elementos que legitimam tal prática, os repertórios acionam imaginários e pensamentos que cercam um certo gênero musical, operando

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11 como elemento identificador não só do próprio gênero, mas também de competências auditivas de seus admiradores. Conhecer um gênero musical é conhecer seu repertório, seus elementos formais, sonoros, seus autores e obras consagradas. Assim, um gênero musical se constitui de uma memória musical compartilhada, que se materializa no repertório e através dele se amplifica e assume um sentido de historicidade e de permanência. Neste trabalho, serão analisados os casos do samba carioca e do forró nordestino, que em suas vertentes “raiz” e “pé de serra” – respectivamente – marcam uma determinada herança cultural legítima que se manifesta em sons, melodias, temáticas e modos de fazer música. Seus repertórios consagrados estabelecem maneiras de relacionar passado e presente que funcionam como eixos de consagração e aferição de qualidade, delimitando arenas e critérios de intensas disputas por legitimidade. Nome: Francisco de Assis Santana Mestrinel E-mail: santanachico@gmail.com Instituição: Universidade Estadual de Campinas Título: A Bateria da Nenê de Vila Matilde: criação, transformação e importância de uma bateria no âmbito de uma escola de samba paulistana Este trabalho pesquisa a criação e transformações ocorridas na bateria do Grêmio Recreativo Cultural Escola de Samba Nenê de Vila Matilde, buscando uma compreensão da evolução das baterias de escola de samba de São Paulo através do estudo dos padrões rítmicos, técnicas utilizadas, breques, chamadas e ritmos tocados pela bateria da Nenê, bem como de sua trajetória ao longo dos carnavais. O trabalho busca compreender a relação entre a música e os fatores sócio-culturais presentes nesse universo e realizar um estudo das influências passadas, heranças remanescentes e características específicas do samba tocado por uma das principais escolas de samba paulistana. O autor vem realizando pesquisa de campo através da observação participante, atuando como membro da bateria da Nenê de Vila Matilde há 4 anos, além de pesquisa em acervo bibliográfico e audiovisual. Nome: Gabriel Ferrão Moreira E-mail: bilico97@gmail.com Instituição: Universidade do Estado de Santa Catarina Título: A influência de Villa-Lobos na construção do nacionalismo no Estado Novo Nesse artigo pretendo trazer à tona a discussão do papel do compositor Heitor Villa-Lobos - como presidente e fundador da Superintendência de Educação Musical e Artística do governo getulista de 1930 - na construção de um nacionalismo conveniente às propostas populistas de Getúlio Vargas e estéticas de Mário de Andrade. Tal discussão será feita através de um olhar histórico-contextual e musicológico onde a inserção política de Villa-Lobos nesse governo e suas opções estéticas se somam na construção de uma ideologia que justifica a visão dele como o grande agregador das músicas regionais na construção de uma música genuinamente brasileira, e o valor dessa música na construção da nação brasileira proposta por Getúlio Vargas. Nome: Gabriel Sampaio Souza Lima Rezende E-mail: gabriel_baixo@yahoo.com.br Instituição: Universidade Estadual de Campinas/ Grupo de Estudos sobre Cultura Popular do CMU Título: O choro: caminhos e sentidos da tradição Propomos um estudo sobre a transcendência das ações de Pixinguinha e, em especial, de Jacob do Bandolim para o processo de definição da “tradição” musical do choro. Acompanharemos as profundas transformações pelas quais o choro, enquanto fruto de determinadas formas de sociabilidade, passou nos aproximados cem anos que separam o momento de popularização das danças de origem européia no Rio de Janeiro e a ascensão de um incipiente mercado musical, e a consolidação de um discurso que visa à construção de uma determinada tradição musical e que encontra em Jacob do Bandolim um de seus principais representantes. A almejada continuidade com o passado, artificial em muitos aspectos, é alcançada através de um processo de formalização e ritualização da experiência musical. Esse processo incide sobre uma situação musical pertencente a um passado idealizado que se busca recuperar e conservar. Entre o arcaico e o moderno, entre a boemia e a disciplina, o choro entra no rádio e encontra em músicos como Jacob do Bandolim uma nova forma de expressão. Define-se enquanto sonoridade, enquanto forma de sociabilidade e enquanto produto cultural: se transforma em tradição. Nome: José Roberto Zan E-mail: zan@iar.unicamp.br Instituição: Universidade Estadual de Campinas

Título: Dialogia e transgressão nas canções de Jards Macalé O objetivo deste trabalho é analisar a produção do compositor popular e intérprete Jards Macalé, no período compreendido entre 1969 e 1974. Reconhecido pela crítica por práticas criativas, ousadas e transgressoras, Macalé atuou junto aos tropicalistas e ganhou o rótulo de cancionista maldito, especialmente após sua participação, com a música “Gotham City”, no IV Festival Internacional da Canção realizado pela TV Globo, em 1969. A produção de Macalé, durante esses cinco anos, se deu num contexto marcado pelo enrijecimento do regime ditatorial militar no Brasil, culminando na forte repressão política; pela intensificação da censura sobre as produções artísticas e culturais; pelo rápido desenvolvimento e racionalização das indústrias culturais; e pelo esgotamento das vanguardas artísticas, que durante a década de 1960 fizeram incursões importantes especialmente nas áreas de teatro, cinema, artes plásticas e música. Através de uma abordagem multidisciplinar que permita a análise das canções nas suas dimensões poética, musical e performática, pretende-se verificar até que ponto a obra de Macalé, concebida nesses anos, foi capaz de tencionar e até mesmo transgredir determinados padrões estéticos que se institucionalizavam no âmbito da música popular brasileira. Nome: Luisa Quarti Lamarão E-mail: luisaql@hotmail.com Instituição: Universidade Federal Fluminense Título: MPB no mercado: mediadores culturais, música e indústria (1968-1982) A pesquisa visa a compreender a consolidação da “Música Popular Brasileira”, a MPB, a partir da atuação dos empresários e produtores culturais do eixo Rio de Janeiro-São Paulo. Pretendo recuperar as estratégias destes mediadores culturais na construção deste que não se configurou apenas como um estilo musical, mas também um porta-voz dos anseios de uma geração que vivenciou as transformações políticas e culturais no Brasil das décadas de 1960 e 1970. O projeto é delimitado temporalmente entre 1968 e 1982, acompanhando a periodização da “longa década de 1970 da MPB” proposta por Marcos Napolitano, que “começa sob o signo do Ato Institucional nº 5, um marco do ‘fim do sonho’ no Brasil, e termina com a consolidação do processo de abertura do regime militar, que, por coincidência ou não, marca o fim de um tipo de audiência musical e cultural e o começo de outra, mais jovem e ligada ao rock e ao pop brasileiros”. A relevância do projeto reside no fato de modificar o enfoque de estudo sobre a construção da MPB. Há muito a MPB é estudada a partir da trajetória dos movimentos musicais ou de seus principais artistas; porém, acredito que sua inserção no mercado deve-se também à ação dos empresários que proporcionaram o lançamento dos discos, as aparições na televisão, jornal e rádio. Nome: Luiz Felipe Sousa Tavares E-mail: lipesz@yahoo.com.br Instituição: Universidade Federal do Rio Grande do Norte Título: As orchestras invadem as salas de estar: difusão da fonografia e a redefinição dos espaços para a escuta musical no Rio de Janeiro (19271931) A inauguração do sistema elétrico de gravações nos Estados Unidos, em 1925, representou uma mudança significativa para a indústria fonográfica. Através desse processo, a qualidade da captação e registro de sons mudou consideravelmente, além de os custos de fabricação de discos terem sido reduzidos em grande escala, o que ocasionou um imediato aumento na produção desses discos e dos aparelhos destinados a sua execução. Com a chegada do novo sistema no Brasil, em 1926, pôde-se observar um crescimento vertiginoso do comércio relativo à fonografia, especialmente na cidade do Rio de Janeiro. Essa nova dinâmica comercial em torno do disco pode ser melhor constatada, se atentarmos para o surgimento, na cidade do Rio, de colunas de jornais e revistas de grande circulação, bem como de periódicos específicos, criados com o intuito de divulgar essa forma de entretenimento que ganhava cada vez mais adeptos. Uma análise dos textos desses periódicos e colunas, bem como dos anúncios publicitários neles contidos, revela o fato interessante de estar sendo criada uma determinada espacialização para a experiência da escuta musical, que privilegiava, em um primeiro momento, as residências – em especial as salas de estar – como espaços privilegiados para a apreciação de música através do disco. Nome: Mara Rita Oriolo de Almeida E-mail: mara.oriolo@gmail.com Instituição: Universidade Estadual de Campinas - Centro de Memória Título: A roda e as manifestações culturais populares: encontro na diferença e possibilidade de transformação

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Este trabalho discute o significado da roda nas manifestações culturais populares como samba de roda, jongo, capoeira, samba de umbigada, de batuque enquanto possibilidade de transmissão de saberes, encontro de gerações e culturas, rememoração da história de comunidades e grupos culturais. A roda é dialética, sua forma circular pressupõe celebração e ritualidade, proporcionando a idéia de igualdade na diferença. Não há ponta, primeiro e último lugar, o que permite que todos olhem para o centro e cruzem olhares, estabelecendo contatos de estranhamento, alteridade, equidade e sentimento de pertencimento. As manifestações culturais populares no Brasil sofreram processos de desmemorização e reificação, tornando-se mercadorias e, seus participantes, meros consumidores. Originadas predominantemente nas camadas populares que sofrem constantes processos de exclusão, vêm perdendo o sentido de coletividade. Neste sentido a experiência em roda contribui para o exercício do diálogo, da reflexão e da consciência coletiva, permitindo que os sujeitos retomem seu papel de protagonistas e busquem a transformação social. Roda é momento de reflexão e encontro na diferença; em que me reconheço no outro e na relação de convívio, transmissão da memória, oralidade, constrói-se a consciência histórica. Nome: Marcelo Crisafuli Nascimento Almeida E-mail: crisafuli@hotmail.com Instituição: Universidade Federal de São João del Rei Título: A música e suas manifestações populares em São João del Rei O presente trabalho pretende problematizar as disputas em torno da cultura em São João del Rei entre 1877 e 1930, período este de afirmação e gênese de certos gêneros da música popular brasileira. Desta forma, pretendemos demonstrar como o lundu e o maxixe, por exemplo, tidos como gêneros populares, grosseiros e marginalizados pela imprensa daquela sociedade em questão, passam a encontrar respaldo, no caso, nos palcos do teatro sanjoanense, frequentado então pela ‘boa e seleta sociedade’ daquela época. Almejamos também situar um pretenso processo de “circularidade” dos músicos e maestros sanjoanenses entre os mundos da música erudita e popular, onde estes iam adquirindo um papel de ‘intermediário cultural’ fundamental para o caráter de síntese que a música brasileira ia contraindo. Sendo assim, pretendemos discutir um termo de difícil problematização e conceitualização no meio historiográfico como a cultura e seus desdobramentos como a bipolaridade erudito/popular, principalmente no que tange a música na sociedade sanjoanense em fins do século XIX e início do século XX. Nome: Marcelo Nogueira Diana E-mail: mdiana@iuperj.br Instituição: Instituto Universitário de Pesquisa do Rio de Janeiro Título: Discotecas de Copacabana: modernização, disco dance e estilo de vida no Brasil pós-ditadura Apresentar as relações entre disco music e estilos de vida controversos que surgiram com a modernização conservadora que se deu no Brasil constitui o foco central desta comunicação. Parto primeiro do entendimento de que estilo de vida e estilo musical são conceitos importantes para a análise da história da música moderna. Deixando de lado a idéia de influência – palavra que por sua banalidade não faz páreo ao conceito de encontro cultural – sugiro com o estilo musical disco e os intérpretes e produtores de música de baile no Brasil a percepção de que a prática antropofágica do modernismo, atualizada pelos experimentos tropicalistas durante a ditadura militar, em fins dos anos 1970 terá também o seu lugar na temática musical da disco. Os importes culturais (gestuais, sonoros, visuais) estrangeiros presentes no Brasil e a indústria fonográfica das décadas de 1970 e 1980 são elementos que em alguma medida explicam a emergência da disco music. A despeito disso, as coletâneas disco produzidas neste período apresentam abundantes referências à Copacabana e ao universo carioca – um universo já anteriormente cantado pela Bossa Nova e pelos tropicalistas e recuperado, na era disco, de maneira a atrair o olhar estrangeiro, bem como a excitar a música e indústria de baile – dance – no Brasil. Nome: Márcia Ramos de Oliveira E-mail: marciaramos@cpovo.net Instituição: Universidade do Estado de Santa Catarina Título: O nacionalismo brasileiro como tema no repertório musical das primeiras décadas do século XX Tendo como ponto de partida o desenvolvimento do Projeto de Pesquisa “Impressões sobre os ‘nacionalismos’ no Brasil do Século XX: o repertório musical das emissoras de rádio nas décadas de 20 a 30”, propõe-se abordar nesta comunicação a questão do surgimento do nacionalismo no país, através da percepção sobre o tema nas manifestações musicais veiculadas pelo rádio nas primeiras décadas da República. O enfoque a ser desenvolvido

contempla o campo de aproximação entre a história e a música do século XX, enfatizado pelas discussões e formulações teóricas presentes na chamada “indústria cultural”, contraposta à crítica desenvolvida por Mário de Andrade, quanto a identificação dos elementos que dariam origem a uma “música brasileira”. Especialmente no que se refere a sua interpretação acerca das manifestações “popularescas”, atualmente identificadas por outras vias de abordagem como “música popular urbana”. Neste sentido, procura-se associar estas manifestações à história do fonograma e da radiodifusão no país, quando revela-se a importância deste veículo associado à história política e cultural do Brasil, redimensionando a formação da opinião pública a partir do universo da oralidade mediatizada e da performance. Nome: Maria Amélia Garcia de Alencar E-mail: ameliaalencar@cultura.com.br Instituição: Universidade Federal de Goiás Título: Bandas ou “furiosas”: tradição, memória e a formação do músico popular em Goiânia - GO A comunicação busca pensar a importância das bandas musicais no panorama musical de Goiânia, Goiás. À época da construção da cidade, na década de 1930, um coreto – espaço destinado à apresentação de bandas e de importância na sociabilidade das pequenas cidades do interior – foi construído em local de destaque na nova capital. No entanto, depoimentos registrados de pioneiros não mencionam o uso deste equipamento urbano. Hoje, em Goiânia, as bandas estão restritas às escolas e instituições militares, com apresentação pública em datas cívicas ou solenidades oficiais. Estas bandas participam de concursos em níveis local, regional e nacional. Pode-se pensar que sua importância na educação geral e seu caráter disciplinador tenham substituído a função de lazer que exerciam anteriormente. Por outro lado, constituem-se em importante instância de iniciação musical para parcela da juventude goianiense, desprovida de condições de acesso a outras formas de conhecimento musical. Nome: Mariana Oliveira Arantes E-mail: mel.unesp@gmail.com Instituição: Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” Título: O neofolclore chileno e sua relação com a cultura jovem Pretendemos analisar o fenômeno musical chileno do Neofolclore relacionando-o com as inovações estéticas e sociais dos anos de 1960, tendo em vista o posicionamento dos autores e consumidores deste repertório musical, que se constituía basicamente por grupos de jovens chilenos. Estamos nos referindo a uma parcela jovem da sociedade chilena que pretendia modificar o que se produzia no país em relação à canção baseada no folclore, renovando tal repertório, mas sem deixar que a referência à “tradição musical nacional”, representada pelo fenômeno da Música Típica, se perdesse. Tal referência à tradição situava os neofolclóricos em contraposição a outros grupos de jovens chilenos que se alinhavam a posturas contestadoras, combativas, irreverentes e transgressoras, como os representantes dos fenômenos musicais da Nova Canção ou da Nova Onda chilena. Entretanto, mesmo existindo grandes diferenças entre o Neofolclore e os demais fenômenos musicais da década de 60, analisaremos em que medida os aspectos “jovem” e “novo” podem ser um fator de interação entre tais fenômenos. Nome: Marlon de Souza Silva E-mail: marllonssilva@yahoo.com.br Instituição: Universidade Federal de São del-Rei Título: Saravá, Bethânia! – a valorização das religiões afro-brasileiras na obra da cantora Maria Bethânia (1965-1978) As décadas de 1960 e 1970 foram marcadas por uma busca de valorização do popular na cultura brasileira e por um processo de legitimação do candomblé. Algumas intérpretes procuraram orientar suas carreiras nesse sentido de valorização, na tentativa de consolidar um repertório popular. Tal repertório passava, também, pela religião. Podemos citar Nara Leão, Elis Regina e Elizeth Cardoso. Nos anos 1970 Maria Bethânia assume papel de destaque na valorização das religiões afro-brasileiras ao lado de Clara Nunes que, diferentemente das demais intérpretes, tiveram contato mais direto com tais religiões. Ambas foram iniciadas no candomblé e na umbanda, respectivamente. O repertório de Maria Bethânia, gravado no período de 1965-1978, está em “sintonia” com o discurso da época em torno do popular e contribui de forma significativa para a legitimação do candomblé e também, da umbanda. Nome: Mary Aparecida de Alencar Durães E-mail: mary.minas@yahoo.com.br Instituição: Universidade Estadual de Montes Claros Título: Representações do sertão norte mineiro nas canções regionais

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11 do Grupo Raízes O objetivo deste trabalho é analisar as representações do sertão norte-mineiro nas canções do Grupo Raízes em Montes Claros, Minas Gerais nos anos de 1970 a 1983. Este grupo fez “música regionalista” durante o período destacado em várias cidades do Brasil. Lançaram seu primeiro LP em São Paulo, a cidade onde o grupo nasceu. Seus participantes eram estudantes paulistas, nordestinos e norte-mineiros, que fizeram questão de destacar nas canções aspectos da cultura popular norte-mineira, sendo representadas rezas, assombrações, lendas, causos, banditismo social, folias de reis, maracatu e congadas dentre outras. O estudo endossa também um estudo aprofundado da categoria sertão historicamente e sociologicamente. Procuraremos entender melhor como foi o sertão pensado e vivido no norte de minas no período estudado. A canção traz em si um manancial a ser desvendado, uma fonte de representações a ser lida. Percebe-se uma riqueza na instrumentalização musical. Há, também, um compromisso em retratar as coisas do sertão através de instrumentos. Neste universo musical que é o sertão, o grupo se destaca por entrar no campo da música popular brasileira, unindo o rural ao urbano fazendo um diferencial marcante em um estilo bastante predominante na MPB nos dias atuais. Nome: Nilton Silva dos Santos E-mail: nsantos@bighost.com.br Instituição: Universidade Candido Mendes/ Núcleo de Estudos Musicais Título: Pernambuco falando para o mundo... Trajetórias da música contemporânea em Siba e Silvério Pessoa Nesta comunicação procuraremos pôr em relação perspectivas de trajetórias autorais a partir de dois casos pernambucanos representados por Sergio Veloso, o Siba e de Silvério Pessoa. Procuraremos compreender em que medida as opções estilísticas e musicais adotadas pelos compositores dialogam com informações regionais e, simultaneamente, com as configurações da música globalizada. Nome: Olga Rodrigues de Moraes Von Simson E-mail: simson@superig.com.br Instituição: Universidade Estadual de Campinas Título: O samba paulista e suas histórias Baseada em documentos textuais, depoimentos orais, registros visuais e músicas tradicionais a pesquisa reconstrói a trajetória de uma mani- festação da cultura popular paulista pouco conhecida: o samba rural que saindo dos terreiros de café se fixou nos redutos negros das cidades em processo de industrialização tomando novas características como samba de bumbo, samba de roda, samba lenço, samba de terreiro. Surgido a partir das danças dos escravos que em grande número vieram da região de Angola e que trabalharam na cultura cafeeira à qual se somou a influência do samba de roda do Nordeste trazido para as lavouras de café, no final do século dezenove, ele tinha na prática da umbigada uma de suas marcas. Passaram a incorporar outros praticantes como os descendentes dos imigrantes italianos, portugueses e espanhóis nos bairros populares das grandes cidades e vai se transformar e permanecer atuante com a ajuda dos cordões carnavalescos surgidos no início do século passado e hoje, através dos novos grupos de samba que surgiram englobando agora pessoas de classe média, estudantes universitários e amantes do samba. Esses grupos atuam como novos guardiões dessa tradição que sempre teve Pirapora e a Festa do S. Bom Jesus como ponto anual de encontro dos sambistas de todo o estado de São Paulo. Nome: Priscila Gomes Correa E-mail: priscilacorrea@usp.br Instituição: Universidade de São Paulo Título: Cantando a cultura brasileira: do cotidiano urbano à canção, os projetos artísticos de Caetano Veloso e de Chico Buarque Confrontando as trajetórias artísticas de Caetano Veloso e de Chico Buarque encontramos perspectivas paralelas e complementares sobre temáticas do cotidiano urbano e da cultura em geral. Um exercício concomitante com a canção, suas tradições e linguagens, delineando projetos artísticos mais amplos, embora já esboçados no limiar de suas carreiras. Neste trabalho identificamos estes projetos iniciais, suas permanências e desdobramentos em algumas canções e performances artísticas, e a similar preocupação em pensar cotidiano e cultura no Brasil, suas características e impasses. Não obstante a partir de suportes diferentes, analisamos trechos de dois importantes documentos de natureza equivalente e complementar, o livro Verdade Tropical de Caetano e a coleção de 12 DVDs: Chico a série, deparando-nos com textos e narrativas autobiográficas que expõem olhares retroativos sobre esses percursos, projetos e, sobretudo, memórias e reflexões sobre as possibilidades e limites da cultura e da arte no país.

Nome: Regina Helena Alves da Silva E-mail: regina.helena@gmail.com Instituição: Universidade Federal de Minas Gerais Co-autoria: Juliana de Oliveira Rocha Franco E-mail: judorf@gmail.com Instituição: Universidade Federal de Minas Gerais Título: Música e culturas urbanas em tempos de redemocratização: práticas sociais e representações do universo urbano nas cenas de São Paulo e Brasília Buscamos compreender como práticas musicais podem funcionar como condensadoras de sociabilidades urbanas e qual o papel das representações sobre o espaço urbano na constituição das especificidades dessas práticas musicais. Nosso recorte é a etapa de transição democrática brasileira (1970/1985), marcada pelo surgimento de inúmeras manifestações culturais urbanas. Selecionamos as cidades de São Paulo e Brasília a partir da chamada Vanguarda Paulista e do Rock de Brasília. A opção por estas cidades se deu pela peculiaridade de cada uma: Brasília se configurou como um espaço social pensado a priori a partir de concepções do modernismo. Tal característica a transforma em um campo fértil para investigar de que modo as formas de vivência, uso e apropriação do espaço urbano são promovidas ou desencorajadas em tal espaço. Se Brasília vai se tornar o lugar que “auscultaria” os anseios de modernidade do país, São Paulo, desde muito, passa a projetar a imagem de cidade-capital responsável pela construção da nação, grande metrópole brasileira. Dentro desse contexto, a música seria constituída por e constitutiva da cultura urbana que se configura na “cena musical”, na própria tessitura de relações e significados que remetem ao próprio espaço da cidade e às formas de sociabilidade nesse espaço. Nome: Rodrigo Oliveira dos Santos E-mail: trigaoo@hotmail.com Instituição: Universidade Federal de Goiás Título: As diferentes interpretações no interior do campo historiográfico acerca do nacionalismo musical no Brasil O nacionalismo musical no Brasil será analisado em sua historicidade que remonta a variedades e divergências de visões de mundo. Os compositores situados na primeira geração do movimento, Heitor Villa-Lobos, Francisco Mignone e Camargo Guarnieri vinham se consolidando entre as décadas de 1920 e 1930. Portanto, serão analisados a partir de suas relações com uma visão de mundo legitimadora do projeto de nação defendido pelo Estado Novo. Já aqueles situados na segunda geração, Guerra Peixe e Cláudio Santoro entram em luta por hegemonia no interior do campo do nacionalismo musical brasileiro entre as décadas de 1940 e 1950. Ambos desenvolveram atuações como militantes comunistas, interagindo, portanto, com o PCB. Na primeira etapa de desenvolvimento dessa pesquisa farei uma análise historiográfica sobre o nacionalismo musical no Brasil, com o intuito de perceber as diferentes interpretações desse processo seguindo as visões mais tradicionais, defendidas por Luiz Heitor Corrêa de Azevedo e Vasco Mariz, a partir de 1950. Assim como as obras de Arnaldo Contier, José Miguel Wisnik, e as dissertações de André Acastro Egg e de Analía Cherñavsky, que constroem uma visão mais crítica do movimento, escritos a partir da década de 1980. Nome: Silvia Maria Jardim Brügger E-mail: sbrugger@mgconecta.com.br Instituição: Universidade Federal de São João del Rei Título: Clara Nunes: uma cantora popular Nesta comunicação, analiso a carreira da cantora Clara Nunes (1942-1983) problematizando sua relação com a cultura popular brasileira. A mineira iniciou sua trajetória artística em Belo Horizonte, como cantora da noite, que se apresentava com destaque nas rádios e em TV locais. Mudou-se, em 1965, para o Rio de Janeiro, ao assinar contrato com a Gravadora Odeon. Seus primeiros discos apresentam uma tônica romântica, voltada, sobretudo para a gravação de boleros. Ainda na década de 60, flertou com o iê-iê-iê. Mas os resultados não foram animadores para a gravadora, nem para a cantora. O sucesso de fato começou, a partir dos anos 70, quando sua carreira direcionou-se para as tradições populares da cultura brasileira. Mostro como essa guinada se deveu ao encontro de um produtor de formação socialista, Adelzon Alves, com uma cantora que trazia em sua história familiar os elementos populares, entendidos como definidores da nacionalidade brasileira. Analiso ainda como essa carreira se relaciona com momentos da história da música popular brasileira. Nome: Tania da Costa Garcia E-mail: garcosta@uol.com.br

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Instituição: Universidade Estadual Paulista - Franca Título: A “música folclórica brasileira” na Revista da Música Popular e na Revista do Rádio A valorização do que é folclore no Brasil está relacionada à institucionalização do movimento folclorista, cuja criação da CNFL data da década de 50. Neste período, o destaque dado à cultura popular relacionada ao folclore torna-se recorrente não só no Brasil, mas também em outros países da América Latina, como o Chile, a Argentina e o Peru, para citar alguns. Tal simultaneidade se explica em função das transformações sociais, políticas, econômicas e culturais ocorridas na região a partir da Segunda Grande Guerra, acentuadas após o final do conflito e o estabelecimento definitivo da hegemonia norte-americana. A mundialização da cultura, via mercado, foi percebida pelos mais conservadores como uma ameaça às configurações da identidade nacional. No ambiente musical da época a imprensa especializada saio em defesa de um repertório “autenticamente” nacional, capaz de se contrapor às influências estrangeiras que descaracterizavam o nosso cancioneiro. A partir da Revista da Música Popular – periódico dedicado a monumentalização da “autêntica” música popular nacional – e da Revista do Rádio – revista de grande circulação, conectada ao mercado da música popular massiva – pretende-se mapear os distintos discursos em torno da defesa de uma “música folclórica brasileira”. Nome: Theophilo Augusto Pinto E-mail: theogp@gmail.com Instituição: Universidade Anhembi Morumbi Título: “As mais linda canções” - Exercícios da memória nas trilhas sonoras veiculadas pelo programa “A canção da lembrança”, da Rádio Nacional - 1953/54 O programa radiofônico “A canção da lembrança”, veiculado pela Rádio Nacional do Rio de Janeiro, tinha por intenção trazer “as mais lindas canções do cinema e as melodias internacionais que em 30 anos conquistaram o maior destaque na simpatia popular”, como dizia seu locutor. Para tanto, criavamse pequenos diálogos ficcionais onde os personagens falavam da beleza daquelas melodias numa era passada, embora próxima. O presente trabalho, tendo como referencial o registro de mais de trinta destes programas, pretende refletir sobre a escolha de canções e músicas utilizadas pelos programadores e verificar como sua memória de um tempo passado recente é operada em função delas, incorporando o programa radiofônico como documento para a historiografia de maneira distinta da gravação musical fonográfica. Nome: Tony Leão da Costa E-mail: leaodacosta@yahoo.com.br Instituição: Universidade Federal Fluminense Título: Música, literatura e identidade amazônica na primeira metade do século XX A Amazônia desde os tempos iniciais da colonização vem sendo espaço privilegiado para criação de imaginários sociais dos mais diversos. No século XX artistas, como músicos e poetas, vêm se destacando na construção de imaginários sociais sobre a região. Pretendemos nesta comunicação falar sobre esse olhar artístico e por vezes “etnográfico” que músicos e poetas fazem da região amazônica, a partir da produção artística em Belém do Pará no período entre as décadas de 1930 e 1960, fase de efervescência das idéias modernistas na região. Tentaremos mostrar como esses intelectuais ocupam papel central na construção de imaginários a partir das artes, e que, de certa forma contribuem para caracterizar o regional amazônico até os dias de hoje, assim como mostrar como músicos e literatos estão muito próximos nesses projetos de criação/reprodução de imaginários sobre essa região. Nome: Valeria Aparecida Alves E-mail: val72@terra.com.br Instituição: Pontifícia Universidade Católica - PUC / SP Título: As múltiplas faces da Tropicália: Torquato Neto - “o roteirista” Pretende-se discutir o movimento Tropicalista - suas características, contribuições para a Música Popular Brasileira, as reações despertadas a partir da apresentação do movimento, o debate no curso da década de 60 entre a proposta da arte denominada engajada, ou seja, politizada e a arte livre e, sobretudo, as diversas tendências existentes dentro do movimento Tropicalista. O grupo baiano identificado pelo Tropicalismo, tinha como representantes: Caetano Veloso, Gilberto Gil, Capinam, Gal Costa, Torquato Neto, Tom Zé e Os Mutantes. Apesar disto, quando a discussão é a Tropicália, o foco centraliza-se nas figuras de Caetano Veloso e Gilberto Gil, identificados como seus idealizadores. Porém, falta discutir mais profundamente a participação dos demais representantes deste movimento. Desta forma, a pesquisa ora apresentada tem por objetivo analisar o Tropicalismo, a partir de sua he-

terogeneidade. Focar a análise sobre os demais representantes da Tropicália, refletir sobre a contribuição destes para a eclosão do movimento que tanta polêmica suscitou na década de 60. Nome: Victor Hugo Veppo Burgardt E-mail: burgardt.vhv@gmail.com Instituição: Instituto de Ensino Superior Cenecista - Unaí Título: História e música: um diálogo artístico entre índios e não índios no extremo norte do Brasil Proponho uma reflexão sobre a história da região amazônica, procurando responder a certas inquietudes que me ocorreram ao longo de minha pesquisa de doutorado, o que me levou a retomar o assunto e dirigir um olhar mais atento às produções musicais emanadas do cotidiano da cidade de Boa Vista. Analisando ritmos e letras de algumas músicas regionais, chamo a atenção para os aspectos culturais que balançam os corpos e fazem bater mais forte os corações indígenas e não indígenas. Sugerem mudanças sociais ou sinalizam para retrocessos políticos, ao tempo que constroem e desconstroem identidades. No diálogo interétnico, construtivo ou destrutivo, mas sempre fecundo, percebo a abertura de um grande horizonte artístico a ser explorado pelos inquietos olhares dos historiadores. Nome: Virginia de Almeida Bessa E-mail: vbessa@uol.com.br Instituição: Universidade de São Paulo Título: O teatro musicado e a invenção do sertanejo: a canção caipira nos palcos brasileiros (1912-1934) A figura do caipira ou sertanejo sempre marcou presença no chamado teatro ligeiro brasileiro. Surgida no século XIX, em textos de Martins Pena, Artur de Azevedo e Joaquim Manuel de Macedo, ela ganhou força a partir da década de 1910, impulsionada, de um lado, pelo grande número de interioranos que se dirigiam aos centros urbanos e, de outro, pela moda regionalista que imperava nos meios letrados brasileiros. Embora tenha se originado na comédia, foi nos gêneros musicados, especialmente nas burletas, operetas e revistas, que o tipo caipira adquiriu sua forma moderna. Além de fixar os atributos físicos e morais do tipo interiorano brasileiro, essas peças também ajudaram a construir um imaginário sonoro sobre o homem do campo, por meio das modas de viola, toadas, cateretês e outros gêneros “sertanejos” que permeavam suas cenas. A presente comunicação procura mostrar como boa parte do que hoje se conhece como música caipira teve nos palcos um importante espaço de gestação, adquirindo ali parte de suas feições modernas, com as quais seria, futuramente, divulgada no disco e no rádio. Nome: Vitor Hugo Abranche de Oliveira E-mail: vitorabranche@hotmail.com Instituição: Universidade Federal de Goiás Título: Metamorfoses e manifestações da contracultura na obra musical de Torquato Neto O presente trabalho procura analisar as formas musicais de Torquato Neto entendendo-as como a manifestação de signos musicais. Compreendendo que a música é uma manifestação de sentidos e de valores, a pesquisa propõe através da obra de Torquato Neto entender como aspectos musicais da manifestação de contracultura do Movimento da Tropicália se manifestam. Vinculado a este movimento, Torquato nos deixa como herança o inconformismo político e um desejo quase patológico de um processo revolucionário através da arte. A obra de Torquato Neto, um artista que absorveu os traumas e as propostas de solução de sua geração e ainda, viveu (e morreu) na mesma intensidade de sua obra, parece-nos muito pertinente a esta forma de valorização dos significados da canção de sua época.

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12 12. História & teatro Vera Regina Martins Collaço - UESC (vera.collaco@terra.com.br) Katia Rodrigues Paranhos - Universidade Federal de Uberlândia (katia.paranhos@pq.cnpq.br) A iniciativa de propor um Simpósio que refletisse sobre História & Teatro começou em Florianópolis, em 2006, no III Simpósio Nacional de História Cultural, e se consolidou em São Leopoldo, em 2007, no XXIV Simpósio Nacional de História e em São Paulo, em 2008, no XIX Encontro Regional de História da ANPUH-SP. Ela é retomada agora visando reafirmar o sentido original da nossa proposta e incorporar um maior número de pessoas interessadas em se integrar a essas discussões. Entendemos o teatro como um discurso que, como um ato comunicativo, utiliza códigos – verbais, gestuais, visuais, auditivos, culturais, estéticos etc – que possibilitam a percepção visual do mundo e a construção de um imaginário social, pois comunicam uma mensagem a seus receptores. Assim, com os procedimentos metodológicos da história cultural, torna-se possível perceber o teatro como um espaço privilegiado para captar, em diferentes momentos históricos, as articulações e as negociações de idéias e imagens. O teatro, portanto, caracteriza-se como um espaço plural de signos, apontando para a multiplicidade das tramas e das narrativas sociais.

Resumos das comunicações Nome: Ana Paula Teixeira E-mail: ateixeira0@gmail.com Instituição: Universidade Federal de Uberlândia Título: Zabriskie: uma experiência no contexto da arte teatral em Goiânia - Goiás Este trabalho objetiva analisar o percurso das montagens e cursos de iniciação teatral realizados pelo Grupo Zabriskie, da cidade de Goiânia, para o público infantil. O Zabriskie é uma companhia de teatro profissional, fundada por Ana Cristina Evangelista no ano de 1993 e se destaca por uma contínua atividade dirigida ao público infanto-juvenil, com espetáculos e cursos. Nesta jornada, tem desenvolvido um processo de estudo e prática do teatro que proporcionou conhecer e se apropriar, de forma particular, das técnicas e proposituras de Augusto Boal, do Lume, da Commedia dell’Arte, do Eugênio Barba, do Ilo Krugly, de Viola Spolin, entre tantos que vieram a construir a atual formação e propositura estético-pedagógica, em leitura particular do teatro. Assim, essa pesquisa possibilitará conhecer como o estudo e o exercício do fazer teatral com/para crianças concretiza-se em uma singular estética de espetáculos e na metodologia de realização de cursos de teatro no Centro-Oeste brasileiro, ou seja, na periferia do teatro no Brasil. Nome: Andreia Aparecida Pantano E-mail: andreiapantano1@hotmail.com Instituição: Universidade Paulista Título: Um olhar sobre o corpo nas artes circenses e no teatro Este artigo pretende analisar como o corpo nas artes circenses e teatrais foi representado ao longo da história. No circo-teatro, a personagem palhaço expõe de forma lúdica e grotesca toda a miséria humana. Neste sentido, o palhaço utiliza-se do corpo para provocar o riso e satirizar as próprias emoções. Por outro lado, temos o corpo sublime dos artistas circenses, tais como: acrobatas e equilibristas que desafiam os próprios limites. No teatro, assim como nas artes circenses, o corpo é fundamental, pois o “corpo fala”, é o corpo nas palavras de Jean-Jacques Roubine, o “mediador da presença”, isto é, antes de qualquer encenação, a forma como o corpo do ator apresenta-se, denota sua particularidade, assim como a palavra, o corpo também fala. Nome: Berenice Albuquerque Raulino de Oliveira E-mail: bererrau@hotmail.com Instituição: Unesp Título: Do mito à personagem teatral: Gilgamesh O presente estudo analisa a transposição de Gilgamesh para o teatro. O mais antigo poema épico de que se tem notícia, registrado em escrita cuneiforme em pequenas tábuas de argila em aproximadamente 2700 a.C., é adaptado para o teatro pelo diretor Antunes Filho em 1995 e resulta em um dos mais importantes espetáculos realizados pelo CPT – Centro de Pesquisa Teatral do SESC São Paulo. A encenação integra a investigação cênica

empreendida pelo artista, que tem como eixo central a busca pelo autoconhecimento. Assim, partindo de mitos sumérios associados ao personagem histórico, Antunes Filho, em seu espetáculo promove a sua transposição simbólica para a cena, por meio de uma atuação não pautada por cânones tradicionais da interpretação teatral, retoma em espacialidade atemporal a relação entre mitos e homens, no caminho da individuação. Nome: Camila Imaculada Silveira Lima E-mail: camilasilveira60@yahoo.com.br Instituição: Universidade Estadual do Ceará Título: Entra em cena o Theatro José de Alencar: os discursos jornalísticos, os embates políticos e as relações sociais (1903 - 1912) No início do século XX a capital cearense ganha uma nova casa de espetáculo, o Theatro José de Alencar. A sua construção e funcionamento foram alvos de embates políticos entre os situacionistas e oposicionistas da oligarquia acciolina nos periódicos fortalezenses entre os anos de 1903 a 1912. Assim ressaltando outro enfoque das disputas políticas no governo de Nogueira Accioly, o das ditas atividades artísticas e culturais. A proposta do presente trabalho é analisar os discursos jornalísticos referentes à edificação e aos primeiros anos de funcionamento do Theatro José de Alencar, percebendo os embates políticos da oligarquia acciolina e as relações sociais ali estabelecidas. Accioly e seus correligionários tinham A Republica como periódico oficial do governo. E como principais jornais oposicionistas a capital do Ceará possuía O Unitário, pertencente a João Brígido, e Jornal do Ceará, de Waldemiro Cavalcanti. Nestes periódicos temos os conflitos políticos, como também um cenário das atividades teatrais e cinematográficas. Para esta análise, Raymond Williams expõe as especificidades da atividade teatral, sua forma e sua função social e Tiago de Melo Gomes propõe a discussão acerca da hierarquização das atividades culturais. Nome: Carminda Mendes André E-mail: carminda.stenio@uol.com.br Instituição: Intituto de Artes da UNESP Título: O teatro na sociedade disciplinar Nesse artigo analisamos e questionamos discursos e práticas que legitimam o teatro de encenadores que surge no final do século XIX na Europa ocidental. Com ferramentas retiradas da abordagem genealógica de Michel Foucault, problematizamos as funções do encenador aproximando-o ao cientista clássico. Dessa análise indicamos uma possível penetração de um saber-poder nos processos criativos, resultando em um teatro disciplinador. Nome: Edélcio Mostaço E-mail: c2emo@udesc.br Instituição: Universidade do Estado de Santa Catarina Título: Na selva (antropofágica) das cidades - versão Oficina A montagem do espetáculo Na Selva das Cidades, pelo grupo Oficina, em 1969, constituiu-se numa suma de todos os procedimentos antropofágicos desenvolvidos pelo grupo desde 1967, quando da montagem de O Rei da Vela. Tais procedimentos, aqui levados a um alto grau de síntese e

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potência, serão ainda mais desenvolvidos na trajetória posterior do grupo, tornando essa montagem uma referência indispensável para a caracterização dos marcos simbólicos observáveis na trajetória do conjunto artístico. Conhecer seus procedimentos, bem como seus vínculos com o contexto, é uma chave discursiva para o entendimento de boa parte da produção teatral no Brasil. Nome: Elderson Melo de Melo E-mail: elmelomelo@hotmail.com Instituição: UNICAMP Título: O teatro de grupo no Acre: uma história a se escrever Este trabalho discute a trajetória do teatro de grupo no Acre e sua relação com a narrativa regionalista, um tema relevante tendo em vista que, em 2009, comemoram-se trinta anos do Movimento Oficial de Teatro de Grupo, representado pela criação da Federação de Teatro Amador do Acre. Embora entendamos a data firmada apenas como um marco na construção e divulgação de uma narrativa legitimadora e homogeneizadora acerca do fazer teatral no Acre, utilizá-la-emos como uma metáfora para pensarmos a prática teatral acreana e o papel sócio-político da Federação de Teatro Amador do Acre. Por considerarmos possível analisar a construção e a legitimação de uma narrativa acerca de um ‘universo acreano’ e de uma ‘identidade acreana’, refletimos sobre as questões que tangem o fazer e o pensar a arte no Estado do Acre e as representações do imaginário social a ela inerente. Embora este trabalho contemple uma reflexão sobre os processos de pesquisa em arte, sua especificidade é traçar uma trajetória do teatro de grupo e procurar desmistificar a idéia de que a valorização do caráter regional deva estar atrelada aos estereótipos construídos por práticas discursivas acerca de identidades locais. Nome: Elen de Medeiros E-mail: elendemedeiros@hotmail.com Instituição: Universidade Estadual de Campinas Título: Nelson Rodrigues nos jornais: a recepção crítica contemporânea ao seu teatro Nelson Rodrigues é, hoje, o mais conhecido dentre os dramaturgos brasileiros. Também é ainda hoje um dramaturgo polêmico, seja pela receptividade de seus textos, seja pelos temas de sua obra. Em paralelo às estréias de suas peças no Rio de Janeiro, Nelson Rodrigues trabalhava como jornalista e cronista em vários periódicos cariocas, o que favoreceu ao autor divulgar e ampliar a polêmica em torno de seu teatro. Essa comunicação pretende, por meio de textos críticos publicados nos jornais das décadas de 40 a 70, apresentar e discutir alguns debates em relação às peças em cartaz no período mencionado, no sentido de mostrar como o dramaturgo lutou pela defesa de seus temas e como organizou verdadeiras querelas no tocante ao seu teatro, travando batalhas retóricas com seus principais críticos e adversários. Do mesmo modo, esses embates jornalísticos favoreceram a permanência de Nelson Rodrigues como figura pública e escritor controverso. Nome: Érica Rodrigues Fontes E-mail: ericarodriguesfontes@gmail.com Instituição: Universidade Federal do Piauí Título: “Os Federais”: a gênese de um grupo O trabalho pretende examinar a criação do grupo de performance de literatura “Os Federais” junto à Universidade Federal do Piauí e a sua importância acadêmica e comunitária como núcleo divulgador da literatura mundial, nacional e regional. Analisa também de que forma esse grupo enfatiza a adaptação de obras literárias do cânone e desenvolve seus próprios textos dramáticos em criação coletiva com o objetivo de defesa da cidadania. Nome: Evelyn Furquim Werneck Lima E-mail: evelynfwlima@yahoo.com.br Instituição: Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro Título: História de uma arquitetura ética: espaços teatrais de Lina Bo Bardi Esta comunicação objetiva discutir as relações entre a ética e a história da arquitetura teatral de Lina Bo Bardi. Compreendendo de forma audaciosa os conceitos teatrais brechtianos, criando espaços de ação e não mais de mera representação, contando com o usuário final para completar a obra, Lina idealizou uma arquitetura “aberta” e despojada que oferece ao espectador a possibilidade de “inventar” e “participar” do “ato existencial” de um espetáculo de teatro, refutando as formas tradicionais. A artista – cuja obra abrange também inúmeros cenários e figurinos para obras encenadas por José Celso e Martim Gonçalves - une sua experiência racionalista européia

à realidade crítica brasileira e sua força tropical, enfatizando a regeneração do conceito de “teatro pobre”, não no sentido meramente econômico, mas sim nos singelos meios de comunicação, trabalhando de forma artística com materiais locais, fazendo com que sua obra arquitetural unisse espaços e valorizasse as características naturais do país, favorecendo sua construção poético-espacial, numa liberdade coletiva. Os estudos de caso que problematizam a hipótese referem-se às adaptações de uso projetadas para os teatros Gregório de Mattos, Oficina e SESC da Pompéia. Nome: Fátima Costa de Lima E-mail: fatimaedinho@ig.com.br Instituição: UDESC/UNISUL/UFSC Título: Alegorias carnavalescas, os cenários da passarela do samba A alegoria carnavalesca corresponde à cenografia de uma montagem cênica. A cenografia teatral é uma das fontes históricas dos desfiles das escolas de samba. Para além da condição de referências de pesquisa, podemos detectar, nas montagens cujas linguagens são testadas em seus limites, tendências teatrais que privilegiam a experimentação dos cenários como suportes de relações entre atores e espectadores. Nos desfiles atuais das escolas de samba cariocas, as alegorias comportam-se como os elementos máximos da visualidade carnavalesca. O caráter de espetáculo, enfatizado ao máximo grau, conduz as outras possibilidades de sentido das alegorias. A ambas as modalidades cenográficas, carnavalescas e teatrais, percorrem em maior ou menor grau o pêndulo que oscila entre o espetáculo e a experimentação. Contudo, entre alegorias e cenografias, espetáculo e experimentação não precisam ser excludentes e opostos. Não necessariamente ensejam os pólos radicais das possibilidades expressivas de um cenógrafo ou de um carnavalesco, mas dobram e desdobram entre si os ambientes performáticos destas artes. Nome: Henrique Buarque de Gusmão E-mail: henrique_gusmao@yahoo.com.br Instituição: UFRJ Título: Como Nelson Rodrigues lê Casa-grande & senzala? Nelson Rodrigues, em suas peças teatrais, apropria-se de diversos elementos do livro Casa-grande & senzala. Busco entender a lógica desta apropriação de idéias da sociologia por um autor teatral. Para isso, a obra de Nelson é pensada a partir de suas condições de produção, das disputas e alianças que o dramaturgo realiza no campo cultural no qual atuava. Esta apropriação é pensada a partir de um projeto estético e teatral rodriguiano, no qual o autor busca - a partir de um ideal aristotélico - contribuir com o “nascimento da tragédia brasileira”. Ele tem a intenção de purificar o público de um processo de desumanização que estaria em marcha na sociedade através da criação do horror e a compaixão nos espectadores. Tal efeito pretendido com suas peças será buscado a partir da construção de personagens e de situações muito próximas àquelas realizadas por Freyre em Casa-grande & senzala (especialmente no que diz respeito à questão dos excessos, da explosiva sexualidade, do descontrole das paixões, da força dos indivíduos em detrimento do coletivo numa sociedade marcada pelo privatismo, etc.). Desta maneira, Nelson Rodrigues lê Gilberto Freyre a partir de suas perspectivas estéticas e teatrais, construindo diversas associações entre seu teatro e a sociologia freyreana. Nome: Isabel Silveira dos Santos E-mail: pmo.isabel@yahoo.com.br Instituição: Faculdade de Ciências e Letras de Osório-FACOS Título: Arthur Rocha: um dramaturgo negro no “mundo dos brancos” do final do século XIX no Rio Grande do Sul O presente trabalho analisará peças teatrais do jornalista, poeta e dramaturgo negro Arthur Rodrigues Rocha (1859-1888). Produzidas entre os anos de 1875 e 1884 e encenadas em várias cidades do Rio Grande do Sul, entre o final do século XIX e início do século XX. Arthur Rocha escreveu de 12 (doze) a 14 (quatorze) peças de teatro, sete delas publicadas em três volumes editados entre 1876 e 1884, com o título de O Teatro de Arthur Rocha. O objetivo deste trabalho é, de um lado, analisar as representações étnico-raciais construídas nas peças de Arthur Rocha e as possíveis articulações destas representações com a constituição das subjetividades e identidades negras no século XIX. De outro lado, trata-se de examinar o caráter pedagógico das narrativas teatrais de Arthur Rocha, como textos capazes de produzir e veicular ensinamentos sobre o ser negro(a). Meu propósito é através da análise das representações étnico-raciais mais recorrentes nas narrativas do dramaturgo Arthur Rocha melhor compreender as políticas de representação de negros(as) no Rio Grande do Sul do final dos oitocentos.

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12 Nome: João Costa Gouveia Neto E-mail: rairicneto@yahoo.com.br Instituição: Universidade Federal do Piauí Nome: Edwar de Alencar Castelo Branco E-mail: Edwar2005@uol.com.br Instituição: UFPI Título: A importância do Teatro São Luís na efetivação do movimento cultural na São Luís da segunda metade do século XIX O Teatro São Luís está entre os três teatros construídos ainda no período colonial, no início do século XIX, e que ainda existe. Desde a sua inauguração em 1817, esse teatro figurou como o mais importante espaço de entretenimento, de criação de novas sociabilidades e de distinção social para as elites de São Luís, capital da província do Maranhão. Durante todo o século XIX, os eventos culturais que aconteciam no São Luís eram constantemente relatados nos jornais, mas, para este estudo, deter-me-ei somente nos dois últimos quartéis do referido século. Assim, através das notícias relatadas nos jornais veiculados na São Luís do referido período, analisarei a importância que o teatro representou para a constituição de um gosto musical entre homens e mulheres que o freqüentavam, nas noites de récitas, naquele presente, tendo como suporte principal os jornais Semanário Maranhense e A Flecha. Nome: Kátia Rodrigues Paranhos E-mail: katia.paranhos@pq.cnpq.br Instituição: Universidade Federal de Uberlândia Título: Dramaturgos em cena: o(s) sentido(s) do engajamento no teatro Teatro social e teatro engajado são duas denominações, entre outras, que ganharam corpo em meio a um vivo debate que atravessou o final do século XIX e se consolidou no século XX. Seu ponto de convergência estava na tessitura das relações entre teatro e política ou mesmo entre teatro e propaganda. Para o crítico inglês Eric Bentley, o teatro político se refere tanto ao texto teatral como a quando, onde e como ele é representado. Esta comunicação aborda o tema do engajamento, de modo geral, e o perfil de alguns personagens que, como figuras políticas, intervêm criticamente na esfera pública, trazendo consigo não só a transgressão da ordem (como afirma Pierre Bourdieu) e a crítica do existente, mas também a crítica do modo de sua inserção no modo de produção capitalista e, portanto, a crítica da forma e do conteúdo de sua própria atividade. Nome: Kyara Maria de Almeida Vieira E-mail: kykalua@ig.com.br Instituição: UEPB Título: Por uma “produção histórica”: teatro e homossexualidade em Campina Grande/PB (1960-1980) Transfigurar-se! Transformar-se numa coisa que não seja a mesma! Montar um cenário, criar uma história, inventar personagens para que o espetáculo aconteça! Entrelaçando-se com os códigos culturais que apontam o dizívil e o visível, ou ir à contramão, espetando o público num convite a sair de seus lugares. Eis o teatro! Tema do texto aqui proposto, re-cortado entre os anos 1970 e 1980, espacialmente demarcado em Campina Grande/PB, inspirado no diálogo com parte do elenco pós-estruturalista. Nosso script ousa pensar sobre os regimes de narrativa, as relações de poder-saber, as tramas que possibilitaram a inscrição desta cidade, a partir da década de 1960, enquanto uma cidade que respira arte; pensar sobre uma cidade que tem na construção do Teatro Severino Cabral, não apenas um dos marcos de sua história, nem tampouco espaço onde simplesmente se travam disputas em nome da arte. Assim, pensar como o teatro campinense, em sua historicidade, foi/é apropriado pelos mais variados sujeitos e seus inúmeros interesses, aqui nos remetemos aos homossexuais; pensar como o teatro campinense foi ‘re-significado’ enquanto lugar da produção de si, da composição das identidades, tanto para a cidade quanto para alguns homossexuais que com esse espaço se envolveram. Nome: Larissa de Oliveira Neves E-mail: larissadeoneves@gmail.com Instituição: Unicamp Título: A história do teatro nos rodapés de A Noticia: crônicas de Artur Azevedo Esta comunicação tem como objetivo apresentar as crônicas teatrais de Artur Azevedo, publicadas semanalmente no jornal “A Notícia”, entre os anos de 1894 e 1908. Nas crônicas, o autor, além de criticar os espetáculos em cartaz, traçou um fiel panorama do dia-a-dia do meio teatral, com informações sobre os costumes da população e as dificuldades vivenciadas

pela gente de teatro. Os textos fornecem um rico panorama de quatorze anos da história de nosso teatro, com dados sobre artistas, companhias, peças encenadas, festivais, etc. Podemos, também, por meio da leitura desse rico material, determinar a postura teórico-crítica do comediógrafo acerca da literatura dramática e dos aspectos de cena. Por fim, as crônicas, a despeito de seguirem uma temática definida (o teatro), incluem, em diversos momentos, comentários sobre outros assuntos de relevo à época, como as reformas urbanas do Rio de Janeiro, os problemas com os meios de transporte, as novas formas de divertimento que surgiam, além de referências à vida pessoal do autor. A coleção completa dos artigos, que totaliza 680 textos, vem a público pela primeira vez no livro “O Theatro: crônicas de Arthur Azevedo”, uma edição comemorativa do centenário de falecimento de autor, patrocinada pela Petrobras, com o apoio do MinC. Nome: Magda Maria Jaolino Torres E-mail: mmjt@terra.com.br Instituição: Universidade Federal do Rio de Janeiro Título: Sob a danação do efêmero: teatros e história “A arte acontece, […] mas a consciência de que jamais acabaremos de decifrar o mistério estético não se opõe ao exame dos fatos que o tornaram possível.” Neste trabalho, aceito a provocação destas palavras de Jorge Luis Borges e convido por minha vez a que se pense os teatros e a história, entendendo a prática do historiador como um exercício de pensamento. A questão de saber se é possível pensar diferentemente do que se pensa – e perceber diferentemente do que se vê – é indispensável para continuar a olhar e refletir, alertava Foucault. Esse parece ser o desafio na construção de objetos de pesquisa histórica e, muito especialmente, quando se trata de objetivar teatros. A presente comunicação visa contribuir para esta empreitada. Nome: Maria Brigida de Miranda E-mail: brigidademiranda@gmail.com Instituição: UDESC Título: Das ‘aflições femininas’; ervas, poções e sangrias: a representação de curandeiras e médicos no espetáculo Vinegar Tom Escrita em 1976 pela dramaturga inglesa Caryl Churchill, em colaboração com o grupo Monstrous Regiment, Vinegar Tom é uma peça feministasocialista que explora a história da bruxaria. A elaboração do texto baseouse no estudo dos autos de julgamento do século XVII, da cidade de Essex na Inglaterra. Para Churchill, Vinegar Tom é um texto sobre bruxaria, mas onde não há bruxas. Neste artigo contextualizo e apresento aspectos gerais do texto dramatúrgico para situar a primeira montagem teatral brasileira de Vinegar Tom em 2007-2008. Proponho uma reflexão ética e estética sobre a representação da curandeira (personagem Ellen) e do médico (personagem Doutor) ao discutir as opções da direção e os artifícios da encenação para realçar o antagonismo entre o conhecimento pagão e o surgimento da medicina moderna. Nome: Maria de Lourdes Rabetti E-mail: mlrabetti@gmail.com Instituição: Unirio Título: Variações cênicas para representações do Brasil: dança dos libretos e flutuação autoral no século XIX Libretos como Joko, o macaquinho brasileiro (1826), Brezila ou A tribo das mulheres (1835), Os ingleses nas Índias ou A símia agradecida (1862), as várias estampas d’ O lago das fadas (iniciado como ópera em 1839, passando por melodrama e alcançando diferentes versões em balé, até tornarse “baile fantástico” dançado no Teatro São Pedro, corte do Rio de Janeiro em 1849, com protagonismo da “rainha das fadas” Maria Baderna) constituem suporte documental diferenciado para a investigação de possíveis indícios de encenações passadas, porque consistem fundamentalmente de indicações escritas para a cena, sintéticas, condensadoras de movimentos e ações: coreografia. Além de “curioso” repertório de imagens do Brasil da época, produzidas e observadas por meio da representação cênica, o rol de libretos em questão apresenta-se como espaço significativo para discutir problema central nos estudos histórico-artísticos ligado à noção (histórica) de autoria, intrincada entre originalidade, versões, apropriações e propriedade de obras. Nome: Maria do Perpétuo Socorro Calixto Marques E-mail: mcalixtomarques@uol.com.br Instituição: Universidade Federal de Uberlândia Título: A moral da história de um herói de seringal Prosseguindo com a pesquisa do Projeto História Social do Teatro na Ama-

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zônia: Discurso e Memória, apresentaremos a análise da peça O herói do Seringal, do paraense Nazareno Tourino. Texto que retoma o espaço amazônico como cenário e como elemento de intriga entre as personagens. A peça é mais uma que coloca a Amazônia como palco para narrar a história dos migrantes nordestinos vindos para o Acre para o corte da borracha. Portanto, integra o rol do arquivo que tematiza a velha, mas em processo constante de interpretação, história da região. Para análise, observaremos como esse conteúdo histórico é espraiado no gênero no qual a peça se apresenta, além disso, somaremos a essa ferramenta teórica as discussões que versam sobre as produções discursivas identitárias do homem amazônida e como o herói, anunciado no título da peça, constrói-se na perspectiva da moral e da ética nesse espaço verde escuro. Nome: Maria Lana Monteiro de Lacerda E-mail: malanasm@hotmail.com Instituição: FUNDARPE Título: História e imagem na experiência vivencial Nosso trabalho pretende introduzir algumas possibilidades de análise dos discursos imagéticos como objeto significante de estudo da História do Teatro Brasileiro. Utilizando alguns referenciais metodológicos da História Cultural observaremos, através da experiência pernambucana do “Vivencial Diversiones” (1974-1984), diferentes leituras da história sócio-cultural do País se articulando e negociando imagens na prática teatral. Responsável por afrontar o padrão estético Armorial vigente no Recife/Olinda tal trupe se notabilizou como novo referencial artístico, em plena ditadura militar, pela difusão antropofágica do tropicalismo e do transformismo nos palcos pernambucanos. Nome: Mariana de Oliveira Amorim E-mail: basica_vr@hotmail.com Instituição: UFRJ Título: O Théâtre Français na corte sob a ótica do Conservatório Dramático Brasileiro e dos Folhetins Teatrais (1843-1864) O presente trabalho propõe a análise do teatro francês na corte brasileira através dos pareceres censórios emitidos pelo Conservatório Dramático Brasileiro e pela crítica teatral contida nos folhetins teatrais de importantes periódicos a época. Criado em 1843, o Conservatório Dramático pode ser visto como a realização do desejo oficial de controle da cena teatral na capital imperial. Para garantir que o teatro cumprisse seu papel “moralizador” na sociedade, ao Conservatório Dramático foi atribuída a função de submeter à censura todas as peças teatrais a serem encenadas no Rio de Janeiro. Com olhares voltados para a Europa no tocante aos padrões de distinção e civilidade buscou-se forjar aqui um teatro baseado principalmente no modelo teatral francês – um teatro nacional e internacional ao mesmo tempo, ligado aos ideais de civilidade e modernidade européias, tendo sido visto por alguns literatos como uma verdadeira “escola de costumes”. Era comum serem apresentadas peças francesas às platéias da corte. Destarte, este trabalho busca examinar a recepção das peças francesas: qual a função atribuída a estas peças e o que era esperado delas na capital imperial brasileira, entre os anos 1863 e 1864. Nome: Múcio Medeiros E-mail: muciomedeiros@uol.com.br Instituição: UNIRIO Título: O Theatrum Sacrum e o controle do simbólico no período colonial: a formação de um corpus homini naturale a partir da alegoria do discurso essencial Esse trabalho é uma reflexão sobre a estética do discurso teatral jesuítico que, até meados do século XVIII do período colonial, representou o poder hegemônico. Nesse sentido, atuou na transformação alegórica da realidade colonial com o propósito de incorporar a massa daqueles homens, autóctones e aventureiros de além mar numa unidade corpórea. Esse processo que visava estabelecer a noção de pertencimento numa estrutura institucional tinha como prerrogativa didática a resignação diante do projeto de civilização que iniciava. Assim, ensinava, através do discurso essencial que, cada homem tinha o seu lugar no mundo colonial. Nome: Nara Waldemar Keiserman E-mail: narakeiserman@yahoo.com.br Instituição: UNIRIO Título: O corpo do ator – contribuição historiográfica Este trabalho tem como objetivo traçar um percurso reflexivo sobre o trabalho corporal do ator, a partir de pensadores cujas obras oferecem referenciais para o teatro ocidental, como Delsarte, Laban, Meierhold e Brecht.

Os dois primeiros estão vinculados primeiramente à dança e os dois últimos são encenadores que marcaram o teatro do século XX. Considerando ainda Grotowski e Barba, chega-se à contribuição de Hans-Thies Lehmann para o pensamento sobre a corporeidade do ator na cena contemporânea denominada de pós-dramática. A base conceitual que sustenta e dá unidade ao pensamento investigativo está fundada nas noções de gestualidade sensorial, de corpo inteligente e de pensar com o corpo, encontradas na Educação Somática e em José Gil. E sobre as quais se dá o pensamento/ prática da pedagogia para a formação/treinamento corporal do ator nas disciplinas que ministro, de Expressão Corporal, na Escola de Teatro da UNIRIO. Nome: Nicolas Alexandria Pinheiro E-mail: nicolas.alexandria@gmail.com Instituição: UFRJ Casa da Ciência Título: O Bilontra, uma revista-de-ano: reflexões sobre teatro, história e antropologia através da divulgação e popularização da produção historiográfica Pretendemos discutir nessa comunicação possíveis relações entre teatro, história e antropologia, tomando como referência a importância das revistas montadas no final do século XIX. Destaca-se nesse gênero a revistade-ano, espetáculo que através da ironia pretendia passar em revista os acontecimentos que marcaram o noticiário jornalístico durante o ano. Arthur Azevedo um dos principais dramaturgos dedicados a essas montagens vivenciou um estrondoso sucesso com “O Bilontra”, revista-de-ano, encenada em 1886, sobre acontecimentos de 1885. Uma recente montagem, em 2008, no Rio de Janeiro, atualizou o texto de Arthur Azevedo e uma pesquisa histórica – acadêmica – sobre “O Bilontra”, buscando colocar em relação tempos históricos distintos acionando na montagem questões sobre riso, escárnio e ética. Perseguindo uma análise que estabeleça um diálogo interdisciplinar entre teatro, história e antropologia - procuraremos no processo de pesquisa da montagem contemporânea promover uma discussão sobre questões teóricas e metodológicas entre divulgação e popularização científica da produção historiográfica e sua apropriação por outras áreas como o teatro numa perspectiva antropológica. Nome: Orna Messer Levin E-mail: orna.levin@gmail.com Instituição: UNICAMP Título: Formas breves e a cultura teatral no século XIX O programa teatral no século XIX era formado de um conjunto de apresentações que incluía uma peça principal seguida de cena em ato único e um número musical. As peças breves, em um ato, são parte essencial do espetáculo. Discute-se, neste trabalho, as características e gêneros a que pertencem, relacionando-os com a cultura teatral do período a partir de títulos representativos do repertório mais freqüente nos teatros. Nome: Pâmela Peregrino da Cruz E-mail: pampcruz@gmail.com Instituição: UFF Título: Desenvolvimento histórico da dimensão pedagógica do Teatro do Oprimido O Teatro do Oprimido (TO), método teatral sistematizado a partir da década de 1970 por Augusto Boal, assim como as demais perspectivas teatrais, possui uma dimensão pedagógica que necessita ser analisada para a compreensão profunda da relação entre o processo e produto artístico e os sujeitos nele envolvidos. Sua origem parte da insatisfação de Boal com o trabalho desenvolvido pelo Teatro de Arena, que ele dirigia, que pode ser entendido dentro da perspectiva tradicional de Educação. O desenvolvimento do TO baseou-se na busca pela dialogicidade e construção coletiva do conhecimento, tal qual Paulo Freire defende. Em 1976, Boal foi exilado na Europa e neste novo contexto mais uma mudança na perspectiva pedagógica: as opressões apresentadas eram, sobretudo, do campo individual. Sem a mesma conjuntura Boal desenvolveu uma vertente terapêutica do TO. Depois da volta de Boal ao Brasil (1989) mais transformações. A análise de um projeto recente, o “TO nas Escolas”, realizado no Programa Escola Aberta, revelou uma prática pedagógica basista que valoriza o conhecimento do ator-popular, do multiplicador, mas que não busca ir além das aparências, revelando o estrutural. Esse estudo apresenta uma análise que vincula o processo histórico ao desenvolvimento da perspectiva pedagógica do TO. Nome: Paulo Merisio E-mail: merisio1965@yahoo.com.br Instituição: Universidade Federal de Uberlândia - UFU

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12 Título: “Melodrama da meia-noite”: aspectos do Teatro de Boulevard (França, séc XIX) e do circo-teatro (Brasil, séc XX) que subsidiam o espetáculo “Melodrama da meia-noite” é um espetáculo de improvisação aberto ao público e está articulado ao Projeto de Pesquisa Docente “Sentidos do melodrama: poéticas, escritas e visualidades” (Curso de Teatro/ Mestrado em Artes / UFU / 2009 - 2011). Os alunos / atores executam jogos teatrais com regras de atuação e desenvolvimento da trama baseados no melodrama e construídos na disciplina Interpretação melodramática. Esta comunicação visa analisar aspectos do melodrama praticado no Boulevard du Crime (Paris/ França, século XIX) e nos circos-teatros brasileiros (séc XX) que subsidiam os atores na construção de um repertório que, acionado no momento mesmo da cena, gera a construção de uma dramaturgia inspirada nos códigos melodramáticos. Nome: Rafael de Souza Villares E-mail: rafavillares@hotmail.com Instituição: Universidade Estadual Paulista - Campus Assis Título: O golpe civil-militar de 1964: os Arezeredos mais os Benevides e o fim do CPC da UNE O início de 1964 foi marcado pelas manifestações da classe média, que saiu às ruas para protestar. O Brasil durante a década de 60 respirou ares politicamente conturbados. Após a renúncia de Jânio Quadros, o país se deparou decepcionado frente às impalpáveis explicações daquele que recebera a maior quantidade de votos até então. O governo de João Goulart, por sua vez, desde o início congregou agitações. Foi neste momento que uma polarização política e também ideológica entre direita e esquerda iria refletir ao longo da década de sessenta nas produções culturais e manifestações artísticas. O ano de 1964 começaria para Vianinha e para o Centro Popular de Cultura com a expectativa de profissionalizar o grupo, com a construção de um teatro e com a encenação de Os Azeredos mais os Benevides, que contava com um elenco de aproximadamente 35 pessoas, além da divulgação na imprensa e um possível cachê para os atores. No entanto, essa expectativa seria rompida bruscamente no dia 31 de março, quando o golpe militar põe fim à sede do Centro Popular de Cultura. Partindo deste contexto, pretende-se elaborar uma análise da referida obra, buscando uma discussão sobre seu conteúdo (lutas agrárias) e o momento em que foi elaborada (Golpe de 1964). Nome: Raquel Barroso Silva E-mail: raqbasilva@hotmail.com Instituição: Universidade Federal de Juiz de Fora Título: Uma mesa chamada orçamento onde cada um tem o seu talher: a satirização do clientelismo na obra de França Júnior Joaquim José da França Júnior (1862-1889) nasceu no Rio de Janeiro e lá desenvolveu seu trabalho em diversos campos da arte e da literatura. Colaborou para jornais como A Gazeta de Notícias e Correio Mercantil como folhetinista, foi aluno da AIBA, membro do Grupo Grimm e ainda participou da vida pública se tornando secretário do governo provincial da Bahia e Curador de Órfãos da Corte. Contudo, aquilo que o tornou mais conhecido foi sua dramaturgia. Entre suas comédias mais famosas estão Caiu o Ministério! e Como se fazia um deputado. Relatando o dia a dia da política em seus folhetins e peças teatrais, a obra de França Jr. constitui num rico objeto de análise para a compreensão de alguns dos meandros da política do século XIX, entre eles o clientelismo. Através de nosso estudo buscamos analisar as relações clientelares como prática constitutiva da cidadania na segunda metade do século XIX. Nosso problema constitui em compreender até que ponto essas relações eram realmente naturalizadas pela população ou até que ponto, mesmo sendo algo legitimado pelo Estado, tal prática era encarada como absurda e injusta pelos cidadãos. Acreditamos que satirizando o pedido de favores que os cidadãos comuns faziam aos homens públicos França Jr pretendia desnaturalizar esta ação. Nome: Roberta Paula Gomes Silva E-mail: betaufu@yahoo.com.br Instituição: Universidade Federal de Uberlândia Título: Da encenação à publicação: a materialidade da peça Bumba, meu queixada (1979) do grupo União e Olho Vivo Este trabalho tem por objetivo apresentar algumas reflexões sobre a peça teatral Bumba, meu queixada (1979), do grupo União e Olho Vivo, a partir de uma dupla abordagem. Destaco, num primeiro momento, as temáticas suscitadas no seu enredo, tais como: acidentes de trabalho, organização sindical, exploração patronal e movimento grevista. Num

segundo momento, atento para a materialidade da peça na sua versão publicada, com o intuito de identificar sua aproximação com a literatura de cordel. Nome: Rodrigo Seidl E-mail: rodseidl@gmail.com Instituição: PUC-SP Título: O negócio do ócio: teatro profissional elisabetano (1576-1603) Esta pesquisa investiga a formação do teatro profissional elisabetano em Londres no final do século XVI. Esta foi uma prática cultural nova que causou um impacto muito grande na capital inglesa. Parte da população se encantou com as novas companhias profissionais, mas outra parte sentiu-se ameaçada pelas transformações sociais associadas à nova prática. O teatro virou um ponto de conflito intenso entre vários setores da sociedade inglesa. Podemos perceber que há profundas preocupações políticas atreladas às discussões estéticas sobre o teatro. O surgimento do teatro profissional representa uma transformação cultural mais ampla do que uma simples mudança na forma artística. Segundo Raymond Williams, a referência teórica principal desta pesquisa, a cultura, é formada pelo jogo contínuo entre um ‘espírito’ recebido e a experiência prática no presente. Toda prática cultural recebe algo de um período anterior, mas há a experimentação dos valores recebidos no presente. Nesta pesquisa, buscamos perceber estes dois lados do teatro londrino: como ele absorve mudanças sociais gerais no contexto londrino e, ao mesmo tempo, como ele cria outras práticas e formas de vivência. Então, tentamos entender o teatro profissional londrino tanto como produto quanto transformador cultural. Nome: Rosa Ana Gubert E-mail: anagubert@gmail.com Instituição: Centro de Artes – UDESC/SC Título: Mulheres camponesas contam sua história através do teatro Este trabalho aborda os processos de criação e o resultado cênico da peça teatral “Na Luta se Faz História” encenada pelo Movimento de Mulheres Camponesas em Santa Catarina - MMC/ SC no ano de 2008. A peça é composta por narrativas das várias gerações de mulheres deste movimento. Através do teatro as mulheres representam e são representadas nos diversos momentos significativos durante 25 anos de luta e história. Nome: Sérgio Onofre Seixas de Araújo E-mail: sergio.onofre@yahoo.com.br Instituição: Universidade Federal de Alagoas Título: Nos caminhos do teatro alagoano A presente comunicação trata de uma pesquisa em andamento financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Alagoas - FAPEAL. A proposição inicial do trabalho nasceu da constatação da ausência completa de uma sistematização da história do teatro alagoano, sua importância e sua influência na formação daquela sociedade. E, mais, da necessidade de registrar o testemunho de diversos atores desse processo a partir de seus depoimentos, colhidos à luz dos procedimentos da História Oral. Confrontando-os com a diversidade de fontes disponíveis, nas diferentes instituições culturais e arquivísticas de Alagoas e Pernambuco. Trata-se, portanto, de proceder à escrita da trajetória histórica do fazer cênico em Alagoas entre os séculos XX e XXI, identificando as relações que perpassaram e perpassam o fazer artístico neste campo com a vida social e política daquele Estado. Assim como perceber a importância dos teatros Sete de Setembro (Penedo) e Deodoro (Maceió), como instrumentos e estímulo ao desenvolvimento e consolidação de grupos e movimentos culturais locais. Nome: Solange Pimentel Caldeira E-mail: calder@ufv.br Instituição: Universidade Federal de Viçosa Título: O contemporâneo na dança Após a Segunda Guerra Mundial, frente a um novo desmoronamento dos valores, surge um questionamento fundamental da dança que se radicaliza durante os anos 50 e 60. A dança atribuiu-se a tarefa de viver intensamente o que há de mais significativo nas angústias e nas promessas do mundo contemporâneo e de inventar os novos signos capazes de exprimi-lo. Após treinar formas e possibilidades corporais isentas de qualquer interpretação dramática, e negar a narratividade e o envolvimento emocional dos precursores da dança moderna, a dança caminha na direção da recuperação do pessoal e interno do homem e suas relações com o mundo. A emoção e as histórias passam a ser contadas pelos corpos individuais, uma dramaturgia escrita e inscrita nos movimentos dos atores-bailarinos, também co-autores, uma dramaturgia corporal que rompe os limites tradicionais entre o teatro e a dança.

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Nome: Stephan Arnuf Baumgartel E-mail: stephao08@yahoo.com.br Instituição: UDESC Título: Teatralidade textual e globalização: algumas reflexões e uma breve análise de 525 linhas de Marcelo Paiva O presente artigo apresenta algumas características da dramaturgia nãomais dramática no contexto da sociedade contemporânea. Ambas se mostram marcadas pela transformação midiática das relações econômicas, culturais e sociais que é discutida sob o conceito de globalização. A escrita teatral reage a esta transformação através da elaboração de formas pós-dramáticas cuja superação da fábula e da representação implica um reconhecimento do mundo enquanto estrutura opaca na qual o observador enquanto autor e diretor é inserido, de maneira que não pode mais representar o mundo atual como objeto transparente. O texto 525 linhas de Marcelo Paiva é discutido como um dos primeiros exemplos da dramaturgia brasileira a discutir este fenômeno.

que possuem um olhar próprio para o tempo vivido. A reflexão passa pela legitimação da especificidade do processo de construção do conhecimento nessa linguagem artística e pela discussão de memória, embora não se esgote nesta última. A narrativa sobre essa instituição vai contar posteriormente com outras fontes documentais como textos escritos, notícias de jornal, programas, entre outros registros que ajudarão a compor a trama histórica nessa pesquisa de doutoramento.

Nome: Vera Regina Martins Collaço E-mail: vera.collaco@terra.com.br Instituição: Universidade do Estado de Santa Catarina Título: Três projetos de modernização do teatro brasileiro e suas relações com as políticas culturais do Estado Novo Após a derrocada do projeto neo-liberal imposto pelas elites políticas, econômicas/sociais e culturais, questionamentos submersos emergem e desencadeiam uma nova proposição de relacionamento entre agentes culturais, para ficarmos no campo de novo foco de interesse, e o Estado. O que estamos assistindo neste início do século XXI, no Brasil, para ficarmos num foco de abrangência dominável, é uma retomada das políticas públicas de apoio as atividades culturais e artísticas que foram eliminadas com a implementação das políticas neo-liberais do governo Collor, e mantidas e exauridas nos governos brasileiros subseqüentes. Compreender e debater os projetos artístico-culturais que o Estado privilegia significa tentar evitar o descarte de projetos importantes para a sociedade em questão. Neste sentido, trago para o debate o período histórico de implantação do Estado Novo e de suas políticas culturais para o teatro quando se debatia, com o apoio do Ministério de Capanema, pelo menos três significativos projetos para a modernização do teatro brasileiro. Nesta comunicação desejo debater estes três projetos, um vinculado a um pensamento fascista, outro ao protótipo soviético e o projeto, que consegue o apoio do ministério, que se pensava neutro e voltado para a elite do país. Nome: Victor Hugo Adler Pereira E-mail: vhap@uol.com.br Instituição: UERJ - Universidade do Estado do Rio de Janeiro Título: Cantares e falas subalternas e o gosto da ópera O trabalho propõe o exame e a discussão da sobrevivência da ópera romântica como sintoma da manutenção de conflitos e figurações de relações de opressão, em meio aos processos de modernização da cultura nos grandes centros ocidentais, especialmente aquelas baseadas na diferença de gênero. Pretende, portanto, analisar questões relativas à recepção do teatro e da ópera em sua persistência no transcurso do século XIX até a atualidade. Transportando a questão ao espaço cultural brasileiro, será realizado um estudo comparativo de questões atinentes aos conflitos ocasionados pela encenação de As Asas de Um Anjo de José de Alencar e a suas relações com A Dama das Camélias de Alexandre Dumas, e com a ópera La Traviata de Giuseppe Verdi. Serão discutidos os enfoques de Cahterine Clément e Roland Barthes quanto à repercussão dessa ópera na atualidade. Nome: Vilma Campos dos Santos Leite E-mail: leitevilma2008@hotmail.com Instituição: Universidade Federal de Uberlândia Título: Memórias e narrativas da Escola Livre de Teatro (ELT) de Santo André (SP) [1990-1992] A Escola Livre de Teatro (ELT) de Santo André (SP) é decorrente de uma ação governamental do Partido dos Trabalhadores (PT) na gestão municipal de 1989-1992, fazendo parte de uma proposta cultural ampla que deu surgimento a vários equipamentos culturais como a Casa do Olhar, Casa da Palavra, o Museu da Cidade, Escola Municipal de Iniciação Artística, além de um incentivo à produção e circulação de bens artístico das mais variadas linguagens de maneira descentralizada. É possível perceber momentos bem distintos na trajetória de dezoito anos desde a institucionalização da ELT. Nesse trabalho, detenho-me no primeiro biênio de funcionamento, inserido-o em um contexto teatral, cultural, social e político, sem desconsiderar as impressões, o significado dos sujeitos que a vivenciaram que a fizeram e

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13 13. História ambiental: teorias, fontes e pesquisas Paulo Henrique Martinez - UESP (martinezph@uol.com.br) José Augusto Pádua - UFRJ (javpadua@yahoo.com.br) No Brasil, desde a década de 1990, vários estudos vêm procurando investigar e operar enfoques teóricos, metodologias, fontes, instrumentos de pesquisa e de análise que contemplem os elementos da natureza e da intervenção humana no ambiente como aspectos importantes da explicação histórica. Uma boa parte desses trabalhos, de fato, se beneficiou do diálogo com autores clássicos da historiografia brasileira que enfatizaram a relevância da interação entre sociedade e natureza, como foi o caso de Sérgio Buarque de Holanda, Gilberto Freyre e Caio Prado Júnior. Na Europa e nos Estados Unidos, sociedades onde a transformação industrial da paisagem continuou a crescer no século XX, uma “história ambiental” consciente de si mesma desenvolveu-se ainda na década de 1970. A difusão dessa abordagem para outras realidades sociais e temas de pesquisa (extrativismos, colonialismo, imaginário, políticas públicas), assim como sua expansão institucional em diferentes regiões (Índia, Japão, América Latina, Austrália etc.) foi contínua nas décadas seguintes. A realização deste Simpósio Temático pretende aprofundar o diálogo entre historiadores que estejam se dedicando ao desenvolvimento da história ambiental no Brasil, reunindo profissionais com diferentes trajetórias institucionais e variada experiência em docência, pesquisa e atividades de extensão (incluindo educação ambiental e projetos de desenvolvimento sustentável). Ao propor a discussão de trabalhos que enfoquem as múltiplas interações do ser humano com a natureza, mediada pelas relações sociais historicamente constituídas, este Simpósio Temático quer promover o avanço dessa prática historiográfica, ou seja, fomentar a qualidade teórica, o aprimoramento de técnicas e métodos de investigação, o tratamento crítico das fontes (acervos documentais ou de campo) e a capacidade de diálogo interdisciplinar. Quer também estimular uma melhor formação de historiadores ambientais em programas de graduação e pós-graduação.

Resumos das comunicações Nome: Adalmir Leonidio E-mail: leonidio@esalq.usp.br Instituição: Universidade de São Paulo Título: O conceito de paisagem em história O conceito de paisagem vem sendo trabalhado sistematicamente em algumas áreas do conhecimento, como a ecologia e a geografia. Contudo, em história, apesar de alguns trabalhos temáticos virem se utilizando do conceito, ele não tem recebido a mesma atenção. O objetivo principal aqui é fazer um balanço historiográfico do seu uso, particularmente entre aqueles que trabalham com a história ambiental, bem como suas conexões com outras áreas do saber acadêmico. Trata-se de resultados parciais de uma pesquisa mais ampla, intitulada “Ocupação, uso do solo e evolução da paisagem nas regiões de Rio Claro e Piracicaba/SP”, que por sua vez está inserida em projeto temático multidisciplinar, cujo tema central é “Mudanças socioambientais no Estado de São Paulo e perspectivas para a conservação”. O temático conta com 19 subprojetos e faz parte do projeto BIOTA, da FAPESP.

Instituição: Universidade Federal da Bahia / Universidade Estadual de Feira de Santana Título: Prática científica no Brasil colonial: ilustrado luso-brasileiro a serviço da natureza Este trabalho trata da prática científica de Baltasar da Silva Lisboa considerando sua formação ilustrada valorizando a perspectiva historiográfica das ciências naturais. Esse intelectual iluminista fez parte da geração de estudantes da Universidade de Coimbra que afincados na perspectiva naturalista ensinada por Domingos Vandelli elaboraram relatórios acerca da utilização dos recursos naturais no território brasileiro e desenvolveram estudos científicos ocupandose com os problemas referentes à realidade do Brasil. Para Baltasar Lisboa, o conhecimento das ciências naturais era uma perspectiva de explicação do mundo. Considerava a Mata Atlântica um sublime celeiro da natureza, a localização de Ilhéus como “uma alegre vargem, embelezada por coqueirais”, o Brasil “um novo império” que em detrimento das “violentas agitações da prostrada Europa” teria a exuberância natural, e ainda entendia que o corte indiscriminado de árvores era uma “ameaça aos dons da natureza”.

Nome: Ana Lucia Nogueira de Paiva Britto E-mail: anabritto@rionet.com.br Instituição: Universidade Federal do Rio de Janeiro - PROURB Título:Uso e apropriação das águas urbanas: discutindo a origem dos sistemas de abastecimento de água e saneamento no Rio de Janeiro O objetivo deste texto é analisar o processo de desenvolvimento dos sistemas de abastecimento de água e de saneamento na cidade do Rio de Janeiro, das origens até o final do século XIX. Abordaremos a lógica das intervenções, partindo da hipótese de que neste período existe um processo de internacionalização de um modelo técnico europeu de infra-estruturas, através da exportação de tecnologia e capital para a América Latina. Este modelo se estrutura para solucionar os graves problemas sanitários das cidades européias decorrentes do intenso crescimento urbano. Ele se caracteriza pela provisão de serviços de saneamento por empresas privadas e traz em si uma concepção específica do uso, apropriação e controle das águas urbanas. O Rio de Janeiro enfrenta a partir do início do século XIX uma grave crise sanitária; como em outras cidades latino-americanas suas infra-estruturas de saneamento serão implantadas a partir deste modelo importado da Europa, através da chegada de novas firmas, técnicas e materiais. Ao longo do século XIX, um saber nacional no campo da engenharia, influenciado pelos modelos importados, vai se consolidando e, junto com ele, uma forma característica de controle da natureza e de interação entre a cidade e suas águas que procuraremos examinar.

Nome: André Luiz Onghero E-mail: andreonghero@yahoo.com.br Instituição: Universidade Comunitária regional de Chapecó Nome: Lucas Antonio Franceschi E-mail: scientia.lucas@terra.com.br Instituição: Universidade Comunitária regional de Chapecó Título: Rio Uruguai, usos e recursos: memórias de moradores do Oeste de Santa Catarina e Noroeste do Rio Grande do Sul A comunicação trata das relações estabelecidas historicamente com o Rio Uruguai pelas populações do Oeste de Santa Catarina e Noroeste do Rio Grande do Sul. Com base em entrevistas, imagens e bibliografias procuraram-se abordar diversas formas de utilização do rio, pelos diferentes grupos que habitaram a região. Pode-se perceber que o Rio Uruguai é um patrimônio ambiental e cultural, na medida em que sua utilização foi fundamental para o desenvolvimento dos diferentes modos de vida estabelecidos em suas proximidades. Atualmente, o Rio Uruguai tem sido utilizado para a geração de energia através da construção de usinas hidrelétricas. Em relação a tal fato, diversas pesquisas têm sido realizadas na região e esta comunicação apresenta alguns resultados obtidos através de pesquisa de campo, com moradores das margens do Rio Uruguai que vem sendo desenvolvida pela Scientia Consultoria Científica, em parceria com o Centro de Memória do Oeste de Santa Catarina (CEOM) atendendo ao subprograma 21.2 “Preservação do patrimônio histórico, cultural e paisagístico” da UHE Foz do Chapecó.

Nome: Ana Paula dos Santos Lima E-mail: anaplyma@gmail.com

Nome: Beatriz Ramalho Ziober E-mail: bia_ziober@hotmail.com

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Instituição: Universidade Estadual de Maringá Título: As políticas de conservação do meio ambiente da usina hidrelétrica Itaipu Binacional no período de sua construção Este trabalho procura abordar o processo de construção da Usina Itaipu Binacional frente ao contexto das questões ambientais. Mais precisamente, os procedimentos adotados durante a construção da usina para a salvaguarda do patrimônio natural ali contido, expresso na biodiversidade da região. Para tanto, considero necessário situar o surgimento da questão ambiental e articular essa questão com a construção da hidrelétrica, num cenário marcado pelo governo militar. Desenvolvimento e impacto ambiental são as questões privilegiadas nessa discussão. É importante notar que os diretores da Itaipu Binacional, ao mesmo tempo em que estavam inseridos no âmbito de desenvolvimento econômico, defendendo a importância da construção de uma obra dessa proporção para o desenvolvimento da nação, já propunham e executavam, no ano de 1975, planos para amenizar os danos da formação do lago para a construção da hidrelétrica. Sabendo disso, é importante perceber quais foram as atitudes tomadas pela Itaipu, nesse início de sua construção, e verificar como essas atitudes correspondiam ao nascimento da questão ambiental no país. Nome: Carlos Alberto Menarin E-mail: menarin@bol.com.br Instituição: Universidade Estadual Paulista - Campus de Assis Título: Conflito e apropriação de recursos naturais: os documentos judiciais como fonte para a História ambiental Os documentos judiciais são velhos conhecidos dos historiadores, sobretudo, àqueles dedicados a investigações no campo da história social. Propomos nesta comunicação discutir a utilização deste tipo de documento como fonte para a investigação histórica sob a emergente perspectiva ambiental. Esse novo olhar do historiador sobre essa documentação deve proporcionar renovado entendimento sobre a dinâmica das relações entre sociedades e os recursos naturais numa escala local e regional, expondo as tensões e conflitos sobre a apropriação e utilização desses recursos. Da grande massa encontrada sob este fundo documental, nos deteremos sobre dois processos de caráter específicos: um processo falimentar de uma usina produtora de açúcar e álcool, localizada na região de Ribeirão Preto/SP, e um processo de desapropriação indireta decorrente da criação de um Parque Estadual sobre áreas naturais pertencentes à mesma usina. A presente comunicação é resultante da pesquisa em nível de mestrado intitulada “À Sombra dos Jequitibás: Patrimônio Ambiental e Políticas Públicas na criação e implantação do Parque Estadual de Vassununga - SP (1960-2000)” desenvolvida na UNESP/Assis sob a orientação do Dr. Paulo Henrique Martinez financiada pela FAPESP. Nome: Carlos Eduardo Costa Barbosa E-mail: dunkletag@hotmail.com Instituição: Universidade Federal do Pará Título: Navegando entre as Províncias do Pará e Goiás: Séculos XVIII e XIX Com o esgotamento da mineração, os núcleos de povoamento goianos entraram num processo de decadência e tornou-se imperativo encontrar uma saída viável de contato com o litoral, ou seja, ir sertão a fora. A partir do ultimo quartel do século XVIII e o início do século XIX, há uma inversão da situação anterior: o rio, que era utilizado como caminho para o interior, sertão adentro, passa a ser visto como solução aos problemas que entravavam o desenvolvimento da Província, como caminho e como meio de salvar os núcleos de ocupação do marasmo em que se encontravam. A exploração dos leitos do Araguaia e Tocantins foi a solução dada pelos administradores ao longo do século XIX. Mas se por um lado havia a necessidade de investimentos, principalmente no setor de comunicações, para povoar e desenvolver a região, por outro não havia a certeza de que essas medidas proporcionariam os resultados esperados. Tanto os administradores designados para trabalhar na região quanto os viajantes que por lá passavam, deixaram suas sugestões ao longo do século XIX e na primeira metade do século XX. Foram, portanto, constantes os discursos sobre a necessidade de alternativas que tornassem trafegável essa via de comunicação do interior, do planalto central com o litoral. Nome: Carlos Roberto Ballarotti E-mail: ballarotti@yahoo.com.br Instituição: Universidade Estadual de Londrina - UEL Título: A criação do Parque Arthur Thomas em Londrina-Pr: aspectos jurídicos e de educação ambiental Esta pesquisa está sendo efetuada no Programa de Mestrado em História Social da UEL, sob orientação do Professor Dr. Jozimar Paes de Almeida. O objeto de estudo deste trabalho é o Parque Arthur Thomas, localizado na região sul da cidade de Londrina no Paraná. Considerado pela legislação brasileira como uma unidade de conservação ambiental, o parque apresenta vários aspectos

que estão sendo pesquisados, tais como, a sua história, a legislação referente à sua criação e manutenção, que, expressam um conjunto de forças políticosociais em tensão que gesta este espaço. O parque também é apontado como um local ideal para a educação ambiental, ao qual, exporemos aqui algumas idéias da relação homem e natureza. Nome: Carolina Marotta Capanema E-mail: carolcapanema16@yahoo.com.br Instituição: Universidade Federal de Minas Gerais Título: Ambiente, conflitos, mineração do ouro e formação do espaço público urbano em Mariana, Minas Gerais, nas primeiras décadas do século XVIII O trabalho propõe uma análise das relações estabelecidas entre natureza e sociedade nas primeiras décadas de ocupação das Minas Gerais no período colonial, a partir do estudo dos embates assentados em torno das atividades de exploração do ouro no Ribeirão do Carmo, atual cidade de Mariana. Entre os vários conflitos que tiveram lugar naquele contexto, alguns se deram em conseqüência dos impactos gerados pela atividade mineradora no ambiente e são apreendidos como locus privilegiados para o estudo das negociações e imposições de determinados projetos políticos e da formação do espaço público. Este é o caso de uma querela estabelecida entre duas irmandades após uma inundação do Ribeirão do Carmo em 1743 atribuída à atividade minerária na região. E de outros conflitos que tiveram origem direta no processo mineratório, como as disputas por posse de água nas datas minerais. Mediante análise de fontes históricas diversas da administração colonial, bem como de origem cartorária, privilegia-se, portanto, um viés político-ambiental, em que se busca entender esses embates, que se deram em torno das relações entre homem e natureza, como espaços de ação política e de negociação na sociedade e entre esta e os poderes públicos instituídos na formação do espaço público urbano. Nome: Catarina de Oliveira Buriti E-mail: catyburiti@yahoo.com.br Instituição: Universidade Federal de Campina Grande Título: O tempo e a cultura da natureza: uma análise das sensibilidades dos escritores regionais em relação ao semi-árido do nordeste brasileiro A literatura se apresenta como uma expressiva fonte de investigação para os (as) historiadores (as) do ambiente quando o que se almeja é atingir o reduto das significações instituídas historicamente pelas sociedades em relação ao meio ambiente que as circunda. Objetiva-se neste trabalho analisar de que forma os referenciais natural-climáticos e social-históricos influenciaram as narrativas de Raquel de Queiroz em O quinze (1930) e de Graciliano Ramos em Vidas secas (1938), escritores ligados à literatura regional do Semi-árido. O enfoque será dado, particularmente, às sensibilidades desses literatos em relação aos fatores água/vida e seca/morte configurados esteticamente nas obras sob a forma de um tempo cíclico da natureza forçosamente vivenciado pelas populações da região. Observa-se que não obstante alguns trabalhos tenham situado essa literatura como uma das maquinarias imagético-discursivas que construíram a imagem de uma natureza homogênea, “hostil”, “adversa” e “inóspita”, constata-se que cada obra configurou o Semi-árido de forma especifica. Os diálogos encetados com especialistas da Botânica, da Climatologia histórica e da Antropogeografia permitem desvendar as múltiplas faces do ambiente semi-árido e questionar os estereótipos que legitimam a vitimização do Nordeste. Nome: Cláudia Beatriz Heynemann E-mail: heynemann@uol.com.br Instituição: Arquivo Nacional Título: Floresta da Tijuca: qual história? Entre as diversas leituras sobre a Floresta da Tijuca, a análise do processo de reflorestamento empreendido na segunda metade do século XIX figura entre os mais conhecidos. Promovido em um espaço situado na capital do Império, ao qual se emprestava uma série de características relacionadas à distinção social, à salubridade pública, à filiação científica equiparada às chamadas nações civilizadas, e também à desordem, à fuga de escravos, ao desmatamento, a Floresta foi cenário de romances de José de Alencar e de Machado de Assis, exemplo de atitude ecológica, tornando-se assim um lugar catalisador das mais diferentes perspectivas historiográficas, indissociável, entre outras vertentes, da história ambiental. A proposta dessa comunicação é re-visitar o processo da Tijuca para sugerir uma interpretação calcada na história da cultura ou na história das idéias – incorporando a tradição literária, a extensa produção de paisagens da região, as concepções científicas, a idéia mesma de História, e os ideais civilizatórios que movimentaram ainda os projetos políticos predominantes. Nome: Cyro de Barros Rezende Filho E-mail: profcyro@yahoo.com.br

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13 Instituição: Universidade de Taubaté Nome: Joice Fernandes E-mail: joiceubt@yahoo.com.br Instituição: Universidade de Taubaté Título: Caiçaras: ambientes vividos e ambientes descritos O presente trabalho é parte de uma dissertação de Mestrado que aborda a relação homem/meio ambiente, tendo como estudo de caso parte da população caiçara da cidade de Ubatuba, Litoral Norte do Estado de São Paulo; o ambiente em que essa população vivia na década de 1960; e o ambiente em que vivem atualmente. O recorte temporal se justifica pelas transformações ocorridas na cidade durante a gestão de Ciccillo Matarazzo como prefeito (19641969). O problema que se estabelece é que existem trabalhos que descrevem o cotidiano dessa população de forma superficial, sem valorizar suas práticas, e a forma como esses caiçaras perceberam e percebem seu próprio cotidiano e as transformações no mesmo. O presente trabalho pretende defender a Ecologia Cultural (DIEGUES, 1996) como ferramenta eficaz no estudo histórico de populações tradicionais, pois permite a análise sob o prisma da História das Mentalidades, da Revolução Documental e da História Oral. Tal análise é relevante por valorizar o conhecimento dessas populações, sob um procedimento ético metodologicamente, além de tornar essa análise aprofundada profícua para as práticas contemporâneas de sustentabilidade. Nome: Diogo de Carvalho Cabral E-mail: diogocabral@superig.com.br Instituição: Universidade Federal do Rio de Janeiro Título: Hinterlândia urbana de abastecimento madeireiro nos Trópicos pré-industriais: uma discussão a partir de von Thünen e Boserup Pode-se sustentar que, sob condições ideais de uma socioeconomia de mercado operante sobre um ambiente uniforme, as teorias de Johann Heinrich von Thünen e Ester Boserup convergem. Como as altas densidades urbanas representam grandes concentrações de demanda, podemos supor como hipótese teórica, que as cidades têm o efeito de estruturar a economia agrária que lhes adjaz segundo o continuum de intensidade de cultivo sugerido por Boserup. De fato, O efeito da proximidade em relação aos mercados urbanos postulado por Thünen corresponde, no plano geográfico, ao efeito que o crescimento demográfico exerce no esquema de Boserup. Em outras palavras, a gradação temporal pode ser esquematizada como uma gradação espacial na qual distância do mercado urbano e tempo de pousio estão positivamente correlacionados; Boserup encontra von Thünen, cuja teoria da intensidade incorpora, ainda que de forma implícita, a variação do tempo de pousio. Na medida em que a intensidade das práticas de exploração florestal está diretamente ligada aos regimes de pousio – e estes à distância em relação ao mercado – isto abre a possibilidade de se construir um modelo von Thünen-Boserup da estrutura espacial da hinterlândia madeireira de um centro urbano pré-industrial. Nome: Dora Shellard Correa E-mail: pdscor@uol.com.br Instituição: Centro Universitário UNIFIEO Título: A política de águas no Brasil e em Cabo Verde A água, ao lado do clima, é uma das grandes preocupações do novo século. Recursos financeiros e intelectuais têm sido mobilizados globalmente para buscar caminhos que assegurem a preservação desse bem natural. Nesta comunicação irei comparar a política de águas recente da República do Cabo Verde e do Brasil. Duas ex-colônias portuguesas que se aproximam quanto as políticas ambientais, porém não em razão de sua origem colonial e identidade cultural, mas pela ação de organismos multilaterais e das comunidades de técnico científicas regionais. Nesta comunicação defendo que os historiadores ambientais contribuem positivamente nesse tipo de debate quando teórica e metodologicamente buscam suas ferramentas nas ciências humanas. Nome: Eduardo Giavara E-mail: giavara@yahoo.com.br Instituição: Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras Título: A natureza como negócio: viajantes e cientistas pelo interior paulista (1886-1906) A presente proposta visa fazer uma breve análise das viagens empreendidas pela Comissão Geográfica e Geológica ao interior paulista, entre os anos de 1886 a 1906, e as práticas discursivas empregadas na elaboração de textos e mapas. O período foi marcado pelo crescimento do café como produto de exportação e, essa expansão esteve condicionada, em parte, pelo desenvolvimento de instituições científicas que pudessem certificar as fronteiras do Estado, as potencialidades para agricultura cafeeira, o desenvolvimento de novas técnicas agrícolas e a implantação de mão-de-obra imigrante para suprir a falta do escravo. Em 1886, a criação da Comissão Geográfica e Geológica (CGG), procurou aten-

der esses anseios através de viagens exploratórias pelo interior paulista, produzindo uma série de textos e mapas com a finalidade de quantificar e qualificar o território paulista. Partindo da perspectiva de desconstrução da prática discursiva é possível perceber que os textos produzidos pela CGG são permeados dos pressupostos teóricos do positivismo e do evolucionismo, os quais visualizam e enquadram a natureza como produto a ser apropriado pela economia cafeeira. Dentro desse jogo discursivo o que prevalece é a reelaboração do conceito de natureza e de apropriação desses recursos. Nome: Eliane Kuvasney E-mail: ekuvas@yahoo.com.br Instituição: Centro Universitário UNIFIEO Co-autoria: Dora Shellard Correa E-mail: pdscor@uol.com.br Instituição: Centro Universitário UNIFIEO Título: Paisagem e olhares: a paisagem nos discursos geográfico e histórico O trabalho visa observar como historiadores e geógrafos apresentam a configuração territorial no planalto paulistano entre os séculos XVI e XVII, lembrando que entendemos a configuração territorial como “o território mais o conjunto de objetos existentes sobre ele; objetos naturais ou objetos artificiais que a definem” (SANTOS, 1988). A partir do conceito de paisagem e sua evolução, buscamos compreender como o pesquisador constrói a paisagem colonial a partir de seus fragmentos (levantados na documentação) e se essa construção é fruto de avanços, retrações, incorporações ou mudanças de paradigma, no âmbito dessas ciências, quanto ao uso desse conceito. Nome: Eliane Oliveira de Lima Freire E-mail: eliane723@hotmail.com Instituição: Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia Título: Do sonho a realidade: a criação da Reserva Ducke A Reserva Florestal Ducke, base de pesquisa do INPA foi doada a este Instituto pelo Governo do Estado do Amazonas em 28 de novembro de 1962, pela Lei nº 41, publicada no Diário Oficial de 16 de fevereiro de 1963. Está situada no perímetro urbano da periferia de Manaus, com acesso pelo Km 26 da Estrada Manaus/Itacoatiara (AM 010), possui uma área de 100 Km2. A partir da análise crítica dos documentos este estudo traz à tona o processo de sua criação. Observa-se que o INPA se esforçou para criar a Reserva Ducke, isto é visível nos investimentos realizados no processo de doação e na construção das vias de acesso e instalações. Entretanto, o idealizador foi o naturalista Adolfo Ducke, que com base nas suas vivencias na floresta, teve a sensibilidade de escolher o local que melhor representava o bioma da Floresta Amazônica Central de terra firme. No processo de criação da Reserva Ducke os interesses econômicos já eram claros, valorizavam-se as espécies de maior valor econômico em detrimento das espécies de menor valor, isto explica o fato dos primeiros anos de sua criação os trabalhos terem se concentrados na área da silvicultura. Além disso, já era visado o uso da Reserva como investimento turístico, inclusive, já se cogitava a criação do jardim botânico de Manaus. Nome: Ely Bergo de Carvalho E-mail: carvalho2010@yahoo.com.br Instituição: Universidade Federal de Mato Grosso Título: Inspirar amor a terra ou de como desmontar os mecanismos de reprodução e auto-equilíbrio de lavradores na colonização dirigida de Campo Mourão - Paraná (1939-1964) Os conflitos sócio-ambientais pela apropriação de recursos naturais no processo de expansão da fronteira agrícola foram e são problemáticas sócio-ambientais centrais no Brasil. Muitos reclamam a falta da presença do Estado nesses processos, mas, talvez, mais importante que sua ausência seja entender o sentido da sua presença no(s) projeto(s) de modernização que, em geral, estão associados à expansão da fronteira agrícola. No caso abordado nesta pesquisa, da colonização dirigida da Microrregião de Campo Mourão, ocorrida entre 1939 e 1964, utilizando como fonte entrevistas, processos judiciais de disputa por terras e relatórios governamentais, procura-se demonstrar como os discursos propalados pelos agentes estatais colonizadores de “inspirar amor a terra” nos lavradores, significava na prática tornar inviável uma série de práticas de reprodução e auto-equilíbrio social e ecológico por parte destes lavradores. Nome: Ermelinda Moutinho Pataca E-mail: ermelinda.pataca@gmail.com Instituição: Universidade de São Paulo - Faculdade de Educação Título: Pelo Riacho do Ipiranga: uma experiência cultural e educacional O processo de urbanização em São Paulo ao longo do século XX alterou o espaço e os elementos naturais, inclusive os hidrográficos. Muitos dos rios fo-

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ram alterados pelas obras de canalização, retificação, cobertura e construção de grandes vias de transporte às suas margens. Um dos exemplos desta realidade é o Riacho do Ipiranga, símbolo da construção da nacionalidade brasileira, mas que enfrenta sérios problemas ambientais. Nesse trabalho, analisamos uma experiência cultural-educacional, a Expedição Paulista para o Riacho do Ipiranga realizada como estudo do meio no evento Este Mundo é Meu! E as sete sementes, realizado pelo Centro Cultural São Paulo em Outubro de 2008. Nosso objetivo foi de criar possibilidades para o tratamento da educação ambiental a partir de uma microbacia urbana. O roteiro, traçado da nascente no Parque do Estado, à foz do Riacho do Ipiranga, ressaltou duas instituições de extrema relevância no cenário científico, ambiental e patrimonial brasileiro: o Jardim Botânico e os jardins e o bosque do Museu Paulista. Nestes espaços ressaltamos a história institucional, seu papel como museus de história natural, como patrimônio histórico e ambiental da cidade, como unidades de conservação e as possibilidades de exploração de lazer e cultura que eles apresentam. Nome: Fabíula Sevilha de Souza E-mail: fsevilhas@yahoo.com.br Instituição: Universidade Estadual Paulista – Campus de Assis Título: Sob as Leis do Império: fontes e métodos para uma história ambiental de Goiás no Primeiro Reinado A presente comunicação tem como objetivo examinar as possibilidades de abordagens e problematizações das Leis e Decisões do Império do Brasil relativas a exploração da natureza para a construção de uma história ambiental de Goiás, de 1822 a 1831. No âmbito regional, o período caracteriza-se por uma transição entre o declínio da mineração e a consolidação da pecuária; no nacional, por ser um momento de definição das rupturas e continuidades com o passado colonial e de construção do Estado nacional brasileiro; e no mundial, por um movimento de expansão do capitalismo. Neste sentido, atentar para o domínio sócio-econômico e as relações de poder no processo de uso e apropriação do ambiente natural goiano, conforme proposto por Donald Worster no artigo Para Fazer História Ambiental, será o ponto de partida, por meio do que desdobraremos nosso exame sobre aspectos da interação entre sociedade e natureza. Constitui este um importante viés analítico das relações entre política, economia e sociedade no Brasil. Nome: Ival de Assis Cripa E-mail: ivaldeassis@yahoo.com.br Instituição: Universidade de São Paulo Título: Representações da literatura Cabo-Verdiana sobre o homem e o meio ambiente A exposição irá recuperar os escritos de autoria de Manuel Lopes, escritor cabo-verdiano e um dos responsáveis pela construção do mito da identidade cabo-verdiana fundada na noção de “lusotropicalidade.” Manuel Lopes, em “Os Flagelados do Vento Leste”, quando aborda a relação entre o homem e o meio ambiente, afirma que “A diversidade de aspectos na psicologia e, mesmo nos caracteres somáticos do homem cabo-verdiano não sofreu só com o fenômeno de adaptação ao meio ambiente, mas sofre ainda com as contingências pluviais, as estiagens periódicas...” Sua obra, como iremos demonstrar, foi influenciada por Gilberto Freyre e o mito da “mistura de raças”, pois para o escritor cabo-verdiano: “As dificuldades resultantes do insulamento e da escassez agrícola, a necessidade de entreajuda e, sobretudo, a maneira de ser do português tolerante e indiscriminativo favoreceram a convivência entre brancos e negros, donde surgiu, em resultado da intensa miscigenação, uma população diferenciada, lusotropicalizada, pluriracial, adaptada às duras experiências de uma agricultura precária e aleatória...” (LOPES, Manuel. Breve Introdução à Literatura Cabo-Verdiana). Nome: Janaina da Silva Augusto E-mail: janainaaugusto@ig.com.br Instituição: Universidade Presbiteriana Mackenzie Nome: Petra Sanchez Sanchez E-mail: petrasanchez@mackenzie.br Instituição: Universidade Presbiteriana Mackenzie Título: José Antônio Lutzenberger: um olhar histórico sobre o ambientalismo no Brasil O presente artigo pretende destacar a atuação do agrônomo José Antônio Lutzenberger na formação do movimento ambiental brasileiro e seu papel na contextualização do conceito de sustentabilidade planetária. Nesse sentido, será observada a mudança histórica da transição das práticas preservacionistas e radicais, para a postura engajada e crítica a partir da criação da Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural – AGAPAN. A análise da trajetória de vida e do trabalho de Lutzenberger traça um pa-

ralelo com o militarismo na década de 1970. Mesmo diante do quadro político repressivo da época, suas contribuições para o processo histórico do ambientalismo nacional foram fundamentais, pois ele corroborou uma nova ética e trouxe uma visão holística ambiental. Nome: Janaina Zito Losada E-mail: jjlosada@uol.com.br Instituição: Universidade Federal do Paraná Título: Discursos de natureza: a produção da história oitocentista no Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro A produção do discurso histórico brasileiro é atravessada durante todo o século XIX por diversas descrições do mundo natural. Na mais oficial revista de História desfilam jacarés, tartarugas, bromélias, aguapés, pântanos, pedras preciosas, metais, montanhas e campinas. Elementos da natureza ou paisagens que permitem ao Império brasileiro se dar a conhecer de forma romântica e majestosa, utilizando as idéias, os métodos e as metáforas das ciências modernas. A escrita da história, ancorada no culto à nação e no movimento contínuo de nomear, descrever, provar, deixa ver em seu desejo de recordação, a circulação das idéias de seu tempo. A publicação dos relatos de viagem, das atas das reuniões e das homenagens realizadas se constitui em importante veículo, no qual podemos ver animais, vegetais e minerais cuidadosamente descritos. Ancorados na leitura de Michel Foucault sobre os poderes do discurso analisaremos três documentos: o discurso de Joaquim Manoel de Macedo, orador, publicado na Revista da instituição em 1859, o discurso de 1856 do secretário José Ribeiro Fontes e o do fundador José Silvestre Rebello, de 1839. Neles são reveladas idéias de história e de natureza, comprometidas com um ideal civilizador científico que permitem historiar o distante século XIX brasileiro. Nome: Jó Klanovicz E-mail: klanov@gmail.com Instituição: Universidade Federal de Santa Catarina Título: Correção da natureza, toxicidade e perturbação da paisagem na produção de maçãs do Sul do Brasil Pretendo discutir a constituição da crença na “correção da natureza” por agentes envolvidos direta e indiretamente na produção moderna e comercial de maçãs em Fraiburgo/SC, São Joaquim/SC e Vacaria/RS entre as décadas de 1960 e 1990. Essa crença emergiu de práticas modernas de perturbação da paisagem, da alteração das relações humanos - não humanos advindas da racionalização da agricultura, e favoreceu a inscrição do discurso de “europeização” da paisagem tropical com vistas à produção de “frutas européias”. Os mais de 12 mil hectares de pomares de macieira plantados em 2000 nos três municípios-foco da comunicação revelam conseqüências ecológicas diversas, entre elas a contaminação ambiental. A publicidade nacional dada à descoberta de uma carga de maçãs contaminadas pelo agrotóxico dicofol em julho de 1989, produto banido do país desde 1985, favorece meu argumento de que a emergência desses conceitos seria mais bem compreendida por meio da leitura histórica das interações entre a biologia da macieira, a agroecologia da monocultura, e das estruturas, dos atores e dos discursos que envolvem o coletivo de humanos e não-humanos na região. Nome: José Otávio Aguiar E-mail: j.otavio.a@hotmail.com Instituição: Universidade Federal de Campina Grande Título: Imagens do Nordeste natural na transição Colônia-Império: olhares históricos de intelectuais itinerantes sobre os biomas do Nordeste brasileiro Este estudo propõe suscitar uma discussão em torno das imagens e visões dos viajantes naturalistas que estiveram no Nordeste do Brasil no fim do século XVIII e início do XIX. O objetivo consiste em investigar as inter-relações entre natureza e cultura na obra do naturalista viajante Manuel Arruda da Câmara, referentes aos sertões das Capitanias do Nordeste durante as últimas décadas do século XVIII e as primeiras do XIX. Nome: Leila Mourão E-mail: miranda.mourao@bol.com.br Instituição: Universidade Federal do Pará Título: Natureza e normatização: usos da terra no extremo Norte (16201800) No presente artigo se estabelece um diálogo com os autores que vem construindo as matrizes metodológicas que orientam as produções historiográficas que resultam na elaboração da história ambiental. O eixo condutor da discussão é analisar as possibilidades e perspectivas dessa abordagem na interpretação da história da Amazônia brasileira.

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13 Nome: Lorena de Pauli Cordeiro E-mail: lorenadepauli@hotmail.com Instituição: Universidade Federal de Santa Catarina Título: Os mananciais da Serra do Mar do Paraná: usos e desapropriações das terras para o primeiro sistema de abastecimento de água de Curitiba (1905 - 1929) A História Ambiental dos Mananciais da Serra inicia-se anteriormente à construção das represas do primeiro sistema de abastecimento de água de Curitiba, em 1905. Embora tenha sido sempre relacionado a um lugar inabitado, havia moradores e proprietários que venderam seus terrenos ou foram desapropriados pelo Estado do Paraná, quando o lugar - Mananciais da Serra - foi escolhido para ser o local de captação. Desta forma, essa História Ambiental começa em meados do século XIX, como apontaram os registros de terras e a documentação das desapropriações. Ela foi delineada através da identificação dos terrenos, dos proprietários ou moradores e de alguns usos e especificidades sociais e ecológicas da região, tendo em vista que o lugar foi escolhido para captação de água da capital do Estado do Paraná e sua natureza foi descrita como intocada, selvagem e edênica. Definiram-se também as atuais características ecológicas do local, através de breves comentários baseados, entre outras fontes, nos trabalhos acadêmicos produzidos sobre o local. Nome: Marcelo Lapuente Mahl E-mail: marcelolapuente@uol.com.br Instituição: Universidade Federal do Triângulo Mineiro Título: O Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo e suas representações sobre o mundo natural paulista (1894-1930) A longa história entre homem e natureza tomou novas proporções no Brasil, ao final do século XIX, quando ocorreu uma potencialização dos processos de expansão capitalista para as áreas ainda pouco exploradas do interior. O Estado de São Paulo, mais precisamente, que na época beneficiava-se com o desenvolvimento da cafeicultura, empreendeu a posse efetiva de seu território, não somente com o trabalho de migrantes e imigrantes que avançavam em busca de novas terras, mas também por meio da construção de conhecimentos técnicos e científicos sobre essas áreas que então se apresentavam em toda a sua complexidade e potencialidades econômicas. Esse processo de compreensão, expansão e domínio agrícola do interior paulista foi discutido nas páginas das revistas do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo, que no período se apresentavam como um valioso espaço de sociabilidade para as elites econômicas e intelectuais do Estado. Nestas publicações a natureza é retratada em sua relação com as forças que aos poucos transformavam o território, e o estudo da produção intelectual no Instituto permite uma compreensão das formas como parte significativa daqueles letrados entendia as relações entre o homem e a natureza na virada do século XIX. Nome: Maria de Fatima Oliveira E-mail: proffatima@hotmail.com Instituição: Universidade Estadual de Goiás Título: Rio Tocantins: eco de diferentes vozes Esta comunicação é parte de uma pesquisa maior, que buscou compreender o processo de construção/fragmentação/reconstrução da identidade ribeirinha tocantinense. São destaques: a significativa importância que o Rio Tocantins teve para a penetração e povoamento do interior do Brasil ao longo da colonização; as transformações ambientais ocorridas na região principalmente devido à construção de barragens; e as rupturas de aspectos culturais do cotidiano da população de suas margens em resposta a estas transformações. Nome: Martin Stabel Garrote E-mail: martin_stabelgarrote@yahoo.com.br Instituição: Universidade Regional de Blumenau Nome: Vanessa Dambrowski E-mail: vdambrowski@yahoo.com.br Instituição: Universidade Regional de Blumenau Título: Antropismo no processo histórico de ocupação da Floresta Atlântica na região e entorno do Parque das Nascentes em Blumenau-SC A Floresta Atlântica no sul de Blumenau - SC possui uma História marcada pela colonização de prussianos e alemães com a formação de uma comunidade chamada Nova Rússia, que se desenvolveu com a super-exploração da biodiversidade entre 1890 até 1998, ano que foi criado o Parque Natural Municipal Nascentes do Garcia – PNMNG. A pesquisa determinou as influências antrópicas ocorridas na Floresta Atlântica pela presença da comunidade da Nova Rússia antes da criação do PNMNG (1890-1998), e também as conseqüências à comunidade. Os dados foram obtidos com uso da História Oral, bibliografias, periódicos e trabalhos científicos. A comunidade em sua História de relação com a natureza modificou o ambiente com a exploração mineral, do

solo, da água, da fauna e flora. O antropismo foi responsável pela destruição e fragmentação da floresta, com conseqüente diminuição de habitat, água e alimento disponíveis promovendo a extinção de espécies que em conjunto sustentavam a ecologia da floresta. A comunidade também foi prejudicada pelas suas ações, sofrendo com a falta de água, alimento e outros recursos, além de problemas ambientais como enxurradas e deslizamentos, perdendo qualidade de vida. Com a criação do PNMNG a floresta recupera-se e a comunidade busca a sustentabilidade na região do entorno. Nome: Maryanne Rizzo Correa da Costa Galvão E-mail: marygalvao@hotmail.com Instituição: Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro - CPDA Título: Fronteira destruidora: reflexões sobre a crise do café no Vale do Paraíba no século XIX e a recente crise da agricultura no Mato Grosso Este trabalho pretende, num primeiro momento, lançar mão de algumas contribuições teóricas sobre o conceito de fronteira necessário para entender o processo histórico de avanço da fronteira agrícola brasileira. Posteriormente, utilizo alguns trabalhos de PÁDUA (1998, 2002), e de outros autores (DEAN, 1996; STEIN, 1990), que estudaram a crise do café no Vale do Paraíba no final do século XIX e notaram como os estudiosos e intelectuais da época - os pioneiros da crítica ambiental brasileira - avaliaram a crise do café como uma crise ambiental, ecológica, e não somente econômica; para tentar comparar a crise do Café no Vale do Paraíba do século XIX com uma crise de produção agrícola que eclodiu nos primeiros meses de 2006 no Estado de Mato Grosso, e que ganhou repercussão nacional com o bloqueio das estradas que ligam o Estado às demais regiões do país. Por fim, concluo o trabalho, observando que, assim como no vale do Paraíba no século XIX, a crise “agrícola” do Mato Grosso, é, na verdade, o indício de uma crise ecológica que põe em dúvida todo um sistema de produção. Nome: Paulo Henrique Martinez E-mail: martinezph@uol.com.br Instituição: Universidade Estadual Paulista Título: Mares e continentes: história dos grandes espaços e história ambiental mundial Exame de procedimentos historiográficos em análises sobre a participação e a articulação de amplos e diferentes espaços (regionais, coloniais, nacionais, continentais) no sistema internacional de trocas mercantis e, por decorrência, dos intercâmbios culturais, demográficos, técnicos e biológicos que assinalam as relações inter-espaciais no conjunto do globo. O objetivo é identificar e debater problemáticas comuns e de interesse para história ambiental e a história mundial em busca de caminhos de pesquisa para uma história ambiental mundial. Nome: Pedro Henrique Campello Torres E-mail: pedrohtorres@yahoo.com.br Instituição: Universidade Federal do Rio de Janeiro - IPPUR Título: Acidente de trem e impacto sócio-ambiental em Porto das Caixas: um estudo em história ambiental Em abril de 2005 um acidente de trem que levava 60 mil litros de óleo atingiu a Área de Proteção Ambiental de Guapimirim, afetando uma grande área de mangue e o Rio Caceribu que desemboca na Baía de Guanabara. O presente trabalho tem por objetivo identificar as recentes, porém profundas, transformações – sob a ótica da relação homem e natureza - a que tem passado o município de Itaboraí, no Rio de Janeiro, sobretudo o distrito de Porto das Caixas, porta de entrada do maior empreendimento da história da Petrobrás: o Comperj. O foco de meu estudo, que está sendo desenvolvido no curso de especialização em Planejamento e Política Urbana no IPPUR da UFRJ, sob orientação do professor Henri Acserald, busca verificar os impactos sócio-ambientais que já podem ser sentidos pelo início da construção do Complexo Petroquímico da Petrobrás, tendo como estudo de caso o desastre de 2005. Nesse sentido defino o recorte, de um lado teórico, em que a História Ambiental se faz presente como referência principal e a possibilidade de seu diálogo com uma História do Tempo Presente – ou Imediata – abrindo assim a possibilidade para que metodologias e fontes sejam exploradas: tais como a história oral, os relatórios de impactos ambientais, as portarias governamentais e os periódicos. Nome: Regina Coelly Fernandes Saraiva E-mail: rcoelly@hotmail.com Instituição: Centro Universitário de Brasília - UniCEUB Título: Devastação e preservação ambiental nos 50 anos de Brasília Os 50 anos de Brasília permitem que a cidade seja vista e revista sob muitos olhares. Um olhar sobre as modificações que sofreu o espaço ocupado pela cidade parte da perspectiva de que o ato inicial da sua construção foi marcado

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pela devastação da natureza para, ao longo de sua história, ir incorporando uma visão de preservação que permeia a concepção de “cidade-parque” preconizada por Lúcio Costa; perpassa a compreensão e necessidade de recuperação da natureza nativa do cerrado por meio da criação de parques ecológicos; até a concepção atual de “bairros sustentáveis”. Permeada por visões de natureza que foram sendo incorporadas à sua performance urbana, Brasília comemora seus 50 anos redimensionando seu projeto inicial e repensando o cerrado, sua natureza nativa, com um olhar focado na “Capital da Esperança” não apenas com 50, mas com, 100, 200, 500... anos. Nome: Regina Horta Duarte E-mail: reginahd@uai.com.br Instituição: Universidade Federal de Minas Gerais Título: “Em nome do verde”: expansão de condomínios, história, natureza e sociedade no Brasil Entre 1950 e 1980, a cidade de Belo Horizonte conheceu crescente industrialização, expansão demográfica, tráfego de veículos, desmatamento das áreas circunvizinhas, poluição do ar, dificuldades no abastecimento de água, favelização. Nesse contexto, surgem condomínios destinados às classes médias altas, distantes do centro urbano, em regiões de paisagismo privilegiado. Esses condomínios, por sua vez, tiveram (e têm) um impacto ambiental crescente na região do entorno onde foram construídos. Nosso objetivo é avaliar essas práticas realizadas “em nome do verde”. Nossas fontes são jornais, revistas, depoimentos e documentos dos condomínios privados. A abordagem metodológica situa-se na interface entre os temas da história ambiental urbana (privilegiando as relações entre sociedades urbanas e natureza), e o debate da história política (com o enfoque da cidade como espaço de convivência e confronto entre cidadãos). A discussão abrange a ocorrência simultânea desses eventos em outras cidades latino-americanas, de modo a abordar um contexto mais amplo, para além do estudo de um caso. Nossas conclusões iniciais apontam para a desarticulação do espaço público e para a representação do espaço urbano como lugar oposto ao meio natural. Nome: Roberto Carlos Massei E-mail: rmassei@uol.com.br Instituição: Universidade Estadual do Norte do Paraná - FAFIJA Título: História, cultura material e a relação homem-natureza. Uma análise comparativa das técnicas de exploração e transformação da argila na cerâmica vermelha: Centro-Sul de São Paulo e Norte do Paraná Esta comunicação propõe-se a apresentar uma pesquisa em andamento cujo objetivo é recuperar os processos técnicos de extração e transformação da argila em tijolos, telhas e blocos cerâmicos, e analisar preliminarmente conexões existentes nessa atividade – a cerâmica vermelha – em regiões próximas e cujas características parecem semelhantes: centro-sul do Estado de São Paulo (Barra Bonita e Ourinhos) e norte do Paraná (Siqueira Campos e Jataizinho). A mecanização da produção cerâmica possibilitou a coexistência de temporalidades diferentes. Técnicas, práticas e costumes, presentes nessa atividade, eram repassados de geração a geração. A investigação vai procurar entender como os trabalhadores extraem a argila e fazem uso do solo, quais são as técnicas empreendidas e qual o impacto que essa ação provocou/provoca aos ambientes e ecossistemas em que tais regiões estão localizadas, especialmente nos rios que as cortam. Há também um impacto nos modos de viver – na cultura, em suma – das populações a elas vinculadas que precisa ser dimensionado e analisado. A sustentabilidade e o uso responsável do patrimônio natural de um país passam obrigatoriamente pelo conhecimento da vontade da natureza e este pode advir, sem dúvida, dos saberes acumulados pelas populações locais. Nome: Rômulo de Paula Andrade E-mail: romulopa@hotmail.com Instituição: Casa de Oswaldo Cruz - FioCruz Título: Natureza, clima e civilização no pensamento social da Amazônia do Estado Novo O objetivo do trabalho é analisar os textos produzidos sobre a região amazônica no periódico Cultura Política, nos anos de 1941 e 1942. Autores de períodos anteriores, como Euclides da Cunha, Alberto Rangel e Alfredo Ladislau tiveram conceitos acerca do clima, raça e civilização apropriados para a produção destes artigos, com o objetivo de superar visões anteriores e de lançar um novo olhar sobre a Amazônia. Os escritos foram produzidos sob a égide do Estado Novo, e colaboraram com a construção de um novo ideário oficial acerca da região. Os artigos se inserem no contexto político e social da Amazônia dos anos 40, onde acontecimentos e projetos políticos, como a Marcha Para o Oeste e o Discurso do Rio Amazonas, representaram uma maior atenção governamental à localidade.

Nome: Silvia Helena Zanirato E-mail: shzanirato@hotmail.com Instituição: Universidade de São Paulo - EACH Título: A precaução como um princípio para a salvaguarda do patrimônio. Reflexões em torno de experiências para a proteção dos bens culturais e naturais diante das mudanças climáticas Catástrofes naturais como terremotos, erupções vulcânicas, inundações, deslizamentos de terra, furacões, tufões, etc., são ameaças que se apresentam à conservação dos bens naturais e culturais herdados do passado, que constituem nosso patrimônio comum. A esses problemas somam-se as guerras, a pressão urbana e os interesses econômicos. As ameaças são muitas e a elas somaram-se, nos últimos anos, os riscos advindo das mudanças climáticas, que tornam o patrimônio natural e construído, os sítios arqueológicos e as paisagens culturais, extremamente vulneráveis. O presente trabalho trata de experiências de pesquisas sobre as ameaças das mudanças climáticas em lugares patrimoniais. A primeira se refere a um programa experimental, proposto para os bens patrimoniais de Cuzco, com vistas a torná-lo menos vulnerável às catástrofes naturais (deslizamento de encostas e terremotos). A segunda, de estudos sobre o impacto das mudanças globais ao patrimônio europeu, que culminaram com a elaboração de um Atlas das vulnerabilidades do patrimônio daquele continente. Através de ambos os casos, procuro verificar como o princípio da precaução está sendo aplicado aos riscos que se apresentam aos bens patrimoniais da humanidade. Nome: Tatiana da Silva Bulhões E-mail: tatianasbulhoes@uol.com.br Instituição: Universidade Federal Fluminense Título: Discutindo a responsabilidade governamental sobre a Epidemia de dengue no município do Rio de Janeiro (1990-1991) Como afirma o historiador Diego Armus, em períodos de epidemia o estado da saúde coletiva e a infra-estrutura sanitária ficam completamente expostos. Este trabalho se debruça, exatamente, em um momento em que o estado de saúde do município do Rio ficou bastante exposto, a fim de compreender historicamente as ações das autoridades no combate à dengue e seu vetor e o porquê da ineficácia dessas ações, que desencadearam uma forte epidemia no município. As fontes utilizadas na investigação foram alguns veículos da imprensa carioca e documentos produzidos pelas autoridades envolvidas, como relatórios da Fundação Nacional de Saúde (Funasa). Este trabalho é produto do projeto “A história das epidemias de dengue no Rio de Janeiro (19862002)”, que trata dos eventos epidêmicos de dengue ocorridos no município do Rio de Janeiro, ocorridos entre 1984 e 2002, coordenado pela professora Dilene Raimundo Nascimento. Nome: Wesley Oliveira Kettle E-mail: wesleycx@yahoo.com.br Instituição: Universidade Federal do Pará Título: Iluminando a floresta: a Amazônia descrita por Antônio Landi e a ética diante da natureza O período pombalino foi marcado por um maior interesse da Coroa Portuguesa em relação ao norte do Brasil. O envio da comissão demarcadora de limites é um esforço para estabelecer fronteiras e conhecer a região. Componente dessa comissão, Antônio José Landi cumpria o dever de desenhador do grupo, responsável pela descrição da flora e fauna amazônica. Esse relato nos possibilita analisar a concepção de natureza resultante da interação homem - ambiente e a ética iluminista que influenciava os interesses econômicos e as relações sociais historicamente constituídas. Os vários temas tratados no relato são capazes de levar o historiador a experimentar o diálogo interdisciplinar.

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14 14. História do ensino de História Kazumi Munakata - PUC/SP (kazumi.munakata@gmail.com) Arlette Medeiros Gasparello - Universidade Federal Fluminense (arlettemg@urbi.com.br) O tema história do ensino de História constitui-se como linha de pesquisa integrante dos Grupos de Pesquisa cadastrados no CNPq e liderados pelos proponentes. O objetivo principal do Simpósio Temático História do ensino de História é o fortalecimento do espaço de discussão entre pesquisadores da área, que em diferentes abordagens, perspectivas de análise e fontes, procuram compreender a constituição da história como disciplina escolar. No intercambio dos conhecimentos referentes ao currículo escolar, à educação e à história, a história das disciplinas escolares procura responder aos desafios que o tempo presente coloca em relação aos saberes escolares, situando-os em relação aos diferentes contextos históricos e educacionais em que se constituíram.

Resumos das comunicações Nome: Ana de Oliveira E-mail: anarj49@hotmail.com Instituição: Universidade do Estado do Rio de Janeiro Título: A micropolítica da disciplina escolar História A temática do ensino da História tem, ao longo das últimas décadas, crescido em importância na interconexão entre campos diferentes de produção do conhecimento. Nesse sentido, situo a temática indicada para este trabalho no campo curricular, mas especificamente no que se refere à produção das políticas curriculares. Na compreensão das políticas curriculares considero, como Goodson, a disciplina escolar como parte de uma estrutura mais ampla que incorpora e define os objetivos e possibilidades sociais do ensino de tal forma que tal entendimento aponta a centralidade de uma micropolítica disciplinar. Nessa micropolítica as comunidades disciplinares desempenham um papel importante na definição das políticas e no estabelecimento do corpo de saberes das disciplinas, de tal forma que as escolhas de saberes e concepções são marcadas por intenções e interesses não se dando em virtude de critérios estritamente epistemológicos. Concluo, apontando que a atuação das comunidades disciplinares no estabelecimento de propostas curriculares coloca em tensão as tradições acadêmicas das disciplinas escolares e as prescrições contidas nos documentos oficiais curriculares, introduzindo usos diferenciados e ambíguos desses mesmos documentos. Nome: Ana Paula Squinelo E-mail: apsquinelo@yahoo.com.br Instituição: Universidade Federal de Mato Grosso do Sul Título: Reformas curriculares no ensino de História em Mato Grosso do Sul: avanços, recuos e contextos As Reformas Curriculares promovidas no ensino de História em Mato Grosso do Sul estão intimamente ligadas aos contextos históricos de cada gestão governamental; criado no ano de 1977, o Estado foi governado por partidos de direita até 1998, quando foi eleito o candidato do Partido dos Trabalhadores, José Orcírio Miranda, que se manteve no poder até 2006, quando foi eleito o candidato do PMDB, André Puccinelli. Estas mudanças no cenário político-partidário do Estado refletiram nas Reformas Curriculares propostas e, se materializaram em dois documentos, nos seus respectivos momentos históricos, a saber: 1) Diretrizes Curriculares. Uma proposta de Educação para Mato Grosso do Sul. Estudos Sociais e História: 1º e 2º Graus. Campo GrandeMS: Secretaria de Estado de Educação, 1992, e, 2) o Referencial Curricular para o Ensino Médio de Mato Grosso do Sul. Área de Ciências Humanas e suas Tecnologias. Campo Grande-MS: Secretaria de Estado de Educação de MS, 2004. Nesse sentido proponho nessa comunicação apresentar e analisar as Reformas Curriculares no ensino de História em Mato Grosso do Sul, procurando apontar os avanços, recuos e contextos, tendo como eixo analítico os documentos citados. Nome: André Luiz Bis Pirola E-mail: andrepirola@uol.com.br Instituição: PUC-SP - Pontifícia Universidade Católica de São Paulo Título: Livros e professores no Espírito Santo dos séculos XVIII e XIX: algumas contribuições em dados e fontes O presente estudo foi desenvolvido no âmbito do Projeto HADES (História e Acervo Didático no Espírito Santo), promovido pelo Laboratório de Ensino

de História da UFES. Seu objetivo, em uma primeira fase, foi identificar a circulação e usos de livros didáticos e impressos pedagógicos no Espírito Santo entre os séculos XVIII e XIX. Para tanto, foram analisados acervos documentais tanto no Estado quanto em Portugal, sobretudo, os Catálogos de Exame dos livros para saída do Reino (IAN - Torre do Tombo). Fundamentamo-nos em uma perspectiva Histórico-Cultural, nos conceitos propostos por CHARTIER (1990, 2000, 2007) e estudos de ABREU (2003). Pressupomos que a análise da circulação das obras é fundamental à compreensão de como se constituíram determinadas representações e comunidades de leitores neste Estado. Concluímos mapeando algumas personagens e instituições que acreditamos importantes à História do Ensino de História no Estado. À luz do processo desta circulação e usos, vislumbramos a natureza e intensidade dos câmbios realizados com diversas outras entidades nacionais e internacionais. Se temos tais indícios como válidos, pensamos contribuir à compreensão de determinadas comunidades que, ainda hoje, propõem representar o Espírito Santo segundo seus próprios interesses. Nome: Antonia Terra de Calazans Fernandes E-mail: galg@uol.com.br Instituição: Universidade de São Paulo Título: Livros didáticos e a integração da vida social e natural A pesquisa foca livros didáticos de Estudos Sociais das décadas de 1930 a 1950. Esse recorte insere-se em uma perspectiva de longa duração, envolvendo investigação também dos Estudos Sociais em outros contextos. Especificamente nessas décadas, o estudo aponta para diferenças entre esses materiais e aos manuais de História ou de Geografia, como comumente têm sido associados. São distintos, principalmente, por terem como referência inicial o Programa de Ciências Sociais, do Distrito Federal de 1934, e por conterem um empenho de integração de diferentes áreas de conhecimento, que, dependendo do contexto histórico, associavam História, Geografia, Língua Portuguesa, Programa de Saúde, Ciências e Educação Moral e Cívica. Muitas vezes, em um único texto, os autores apresentavam aos alunos diferentes temas integrando elementos da vida social e natural; ou defendiam hábitos e valores considerados essenciais para um modelo de vida projetado para a sociedade brasileira. É possível identificar nos livros, por exemplo, estudos de fenômenos da natureza, higiene, saúde e doenças, que ganhavam, no material, funções pedagógicas de integração dos aspectos variados que envolviam a vida da criança no mundo, incluindo sua integridade física e o ambiente natural que a cercava. Nome: Arlette Medeiros Gasparello E-mail: arlettemg@urbi.com.br Instituição: Universidade Federal Fluminense Título: O ensino de História no século XIX: a contribuição de historiadores/professores para uma pedagogia da história O estudo analisa as contribuições dos historiadores franceses Langlois e Seignobos na conformação da história como disciplina escolar. O corpus documental é formado pelo manual de metodologia da história de Introdução aos Estudos Históricos, publicado em 1898 e considerado um marco na consolidação dos princípios da história metódica, com especial atenção aos textos sobre o ensino de história no secundário e superior, em apêndice ao referido manual; livros da coleção didática Histoire de la Civilization, de Seignobos, publicados na década de 1886 e que foram referenciais para os autores didáticos de História do início do século XX no Brasil. Discute a inter-relação história acadêmica versus história escolar e a participação de intelectuais, historiadores e professores

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nesse processo, com apoio nas contribuições da nova história cultural da nova história intelectual. A análise permite novas interrogações sobre a constituição histórica de uma disciplina escolar e sua pedagogia. Nome: Aryana Lima Costa E-mail: aryanacosta@gmail.com Instituição: Universidade Federal da Paraíba - PPGH Título: As prescrições para a formação de historiadores no Brasil Este trabalho, parte inicial de uma pesquisa de dissertação, tem como objetivo somar às discussões da historiografia do ensino de história no que se refere ao nível superior, área que ainda não possui uma produção tão vasta quanto os outros níveis de ensino. Tomando por base a bibliografia já publicada, as prescrições para a formação dos historiadores (Currículo mínimo, DCN, Projetos de Lei para regulamentação da profissão) e documentos produzidos por instituições diretamente envolvidas na área, como a própria ANPUH. Nosso objetivo é aprofundar a discussão em torno do perfil do historiador formado nos cursos de graduação. Algumas das questões postas atualmente como a relação entre licenciaturas e bacharelados, entre história e educação, revelam uma discussão de forma alguma recente e que extrapola o âmbito administrativo dos cursos, adentrando a esfera da constituição da disciplina no país e da historiografia. Este estudo visa contribuir também para a compreensão dos nossos cursos de graduação como resultados de um processo histórico, frutos das ações de diversos sujeitos, possibilitando um agir consciente e orientado nas relações que estabelecemos com a formação do profissional de História no nosso presente.

Nome: Kleber Luiz Gavião Machado de Souza E-mail: kleberluiz.ufs@gmail.com Instituição: Universidade Federal de Sergipe Co-autoria: Diogo Francisco Cruz Monteiro E-mail: diogocruz_21@yahoo.com.br Instituição: Universidade Federal de Sergipe Co-autoria: Kléber Rodrigues Santos E-mail: kleberrsantos2004@ig.com.br Instituição: Universidade Federal de Sergipe Título: O Memorial do livro didático: uma iniciativa de resgate da memória da produção didática em Sergipe O objetivo desse trabalho é apresentar as intenções, os procedimentos metodológicos e a importância do Memorial do livro didático para a memória da produção didática em nosso Estado. O Memorial do livro didático é um site que tem como proposta recuperar e registrar as experiências de vida, itinerários profissionais e relatos de agentes envolvidos com a produção e uso dos livros didáticos em Sergipe. Além disso, ele também apresenta a iniciativa de catalogar os manuais didáticos de todas as épocas e disciplinas existentes nas bibliotecas e arquivos públicos e privados sergipanos. Não se pode deixar desaparecer a memória da feitura e dos usos dos livros didáticos, por isso a catalogação e o recolhimento de entrevistas com personagens envolvidos com esse tipo de escrito possuem tamanho valor para este site.

Nome: Carlos Eduardo dos Reis E-mail: havireis@hotmail.com Instituição: Universidade Federal de Santa Catarina Título: A História e seu ensino nas diretrizes do Conselho Federal de Educação - 1962: moralizar a nação e construir a nacionalidade Com a promulgação da primeira Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, o Estado brasileiro tinha pela primeira vez em sua história, um instrumento de intervenção no processo educacional, que lhe permitia organizar os serviços educacionais, consagrados pela nova Lei. De acordo com a nova Lei, era atributo do Conselho Federal de Educação, indicar aos sistemas de ensino médio, cinco disciplinas obrigatórias, destinadas à formação do adolescente. O Conselho Federal de Educação manifestar-se-ia através da Indicação s/n, em outubro de 1962, que tratava da “amplitude e desenvolvimento das matérias obrigatórias que deveriam compor o ensino médio”. Entre as matérias obrigatórias estava a História e seu ensino. O Conselho entendia que o ensino de Historia tinha como objetivo proporcionar ao educando, conhecimento da experiência brasileira, pois o que importava era o estudo das nossas origens, da nossa formação e desenvolvimento, no palco da Historia Universal. O objetivo desta comunicação é analisar de que forma a História e seu ensino estavam presente nestas diretrizes e como estas apontavam para um projeto moralizador da sociedade naquele momento de sua História, e indicava quais seriam os contornos da construção da nossa nacionalidade.

Nome: Iduina Mont´Alverne Braun Chaves E-mail: iduina@globo.com Instituição: Universidade Federal Fluminense Co-autoria: Tatiana Leite da Silva E-mail: tatyanaleyte@yahoo.com.br Instituição: Universidade Federal Fluminense Título: Narrativas de professores: a formação do professor de história da UFF - cultura e simbolismos No processo de reestruturação dos cursos de Licenciatura inscrevemos o projeto “Política de Formação de Professores na UFF: movimentos instituintes na cultura acadêmica” que busca compreender a história e os movimentos instituintes que se organizam nas Licenciaturas da UFF, que vem explorando a potencialidade do diálogo entre a Faculdade de Educação e as demais Licenciaturas com vistas a: (a) Identificar as tendências instituintes que se manifestaram na construção da proposta para Cursos de Licenciatura; (b) Estudar o processamento das políticas curriculares; (c) Fazer um mapeamento da realidade e da consciência dos professores e alunos das Licenciaturas; e, (d) Proporcionar a possibilidade de novas perspectivas de atuação das Licenciaturas. A perspectiva da epistemologia da complexidade de Edgar Morin é a opção teórico-metodológica adotada para o estudo. Apresentamos, para esta comunicação, as entrevistas realizadas com ex-alunos do curso e integrantes do corpo docente do Curso de História, nas décadas de 60 a 70 e usaremos os princípios da pesquisa narrativa para o relato e análise das histórias de dois professores e os simbolismos que se relacionam com a cultura da Formação do Professor, tecendo relações entre o currículo instituído e as ênfases do currículo instituinte.

Nome: Danielle Cristine Camelo Farias E-mail: daniellecamelo@yahoo.com.br Instituição: Universidade Federal de Pernambuco Título: A memória enquanto hipótese explicativa para as concepções de avaliação das aprendizagens construídas por professores de História de 5 a 8 séries do Sistema Estadual de Ensino de Pernambuco O objetivo deste artigo consiste em analisar as concepções sobre avaliação das aprendizagens construídas por professores de História de 5ª a 8ª séries do Sistema Estadual de Ensino de Pernambuco a partir de suas experiências enquanto alunos da Educação Básica. Tal discussão corresponde a uma das categorias tratadas em nossa dissertação de mestrado cujo objetivo geral consistiu em analisar as concepções sobre avaliação construídas por professores de História das séries finais do Ensino Fundamental do referido Sistema de Ensino, bem como a relação entre as concepções e sua prática avaliativa. Para a coleta das informações foram utilizados como instrumentos e procedimentos metodológicos o memorial, a entrevista e observação de situações de ensino. A categoria abordada nesse artigo foi construída a partir das informações oriundas do memorial construído por três docentes sujeitos participantes. O aporte teórico foi construído a partir das obras de Perrenoud (1999), Arroyo (2000), Tardif (2002), Catani (2003), Hoffmann (2005), Luckesi (2005). Considerando os sujeitos participantes da pesquisa, podemos afirmar que suas práticas avaliativas demonstraram aproximações com as práticas de seus professores da Educação Básica, embora, tenham sido objeto de críticas desses mesmos docentes.

Nome: Gabriela Gonçalves Rosa E-mail: gabi_gabia@ibest.com.br Instituição: Universidade Tuiuti do Paraná Co-autoria: Eliane Mimesse Prado E-mail: emimesse@bol.com.br Instituição: Universidade Tuiuti do Paraná Título: A alteridade nos livros didáticos de História para o ensino fundamental Esta pesquisa analisa como a alteridade surge nos livros didáticos da disciplina História. A justificativa para tanto decorre do aumento constante das diferenças na sociedade em contraponto ao discurso da igualdade e da inclusão. Os livros escolhidos para esta análise específica foram os correspondentes ao uso nas 6ª séries do ensino fundamental. Esta opção, por esta série de ensino, advém em função da mais aguçada argumentação dos estudantes desta faixa etária, que passam a questionar os modos de exposição dos conteúdos pelos livros didáticos. São pesquisadas todas as questões relativas ao “outro” no decorrer da História e como os professores da disciplina em sua prática pedagógica abordam essas diferenças. As fontes utilizadas para este estudo são todos os livros didáticos indicados para as 6ª séries no ano de 2008 pelo Programa Nacional do Livro Didático, e ainda as entrevistas realizadas com professores de escolas da rede estadual de ensino do Estado do Paraná que utilizam os livros relacionados em sua prática pedagógica. Concluiu-se que apesar de todos os esforços para uma melhoria nos conteúdos propostos pelos livros, esses ainda mantêm uma

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14 perspectiva etnocêntrica sobre os acontecimentos, fato que é em grande parte das vezes reiterado pelos professores em seu cotidiano.

aos usos desejados, à produção de sentido e ao que deve ou não ser assimilado, consumido e representado.

Nome: Eliezer Raimundo de Souza Costa E-mail: claudiaeliezer@uol.com.br Instituição: Universidade Federal de Minas Gerais /FAE Título: Grêmios estudantis: prática e ensino de nacionalismo na Escola Normal de Belo Horizonte durante a Era Vargas No período da Era Vargas, 1930-45, em Belo Horizonte, a Escola Normal Modelo de Belo Horizonte estimulou a formação de Grêmios estudantis de diferentes matizes: literários, culturais, musicais, ciências naturais. O objetivo era estimular as alunas, futuras professoras, a estudar, escrever e descobrir. Nos campos literário e cultural, as alunas produziam estudos a partir da literatura e da história, cujos resultados, demonstrados nos relatórios, exibiam a disciplina e estudo diligente das mesmas. Esse estudo faz uma abordagem dos grêmios como uma das práticas educativas que, durante a Era Vargas (1930-1945) em Belo Horizonte, foi um eficaz instrumento de estudos autônomos pelas alunas e de fortalecimento do nacionalismo brasileiro. A organização de grêmios era estimulada por importantes intelectuais vinculados ao movimento da Escola Nova, como Mário Casasanta em Belo Horizonte, Delgado de Carvalho em São Paulo e Jonathas Serrano no Rio de Janeiro. Os trabalhos apresentados pelos grêmios evidenciam a utilização de recursos de pesquisa que fortaleciam a construção de um passado memorável, cheio de ícones do sentimento de brasilidade. Assim, entendo que tais organizações têm forte contribuição na construção de lugares de memória e no fortalecimento de um imaginário nacionalista.

Nome: Jackeline Silva Lopes E-mail: jackelinelacerda@bol.com.br Instituição: Universidade Estadual de Feira de Santana Título: “Falem mal, mas falem de mim”: as representações sobre os professores de História (Feira de Santana, 1986-1991) Desde a década de 1980, têm crescido, no Brasil, os estudos sobre a História do Ensino de História e o papel dos professores nela, os quais ora colocam os professores na condição de vítimas do sistema capitalista - que limitaria suas possibilidades de atuação na transformação da sociedade através da educação -, ora listam competências, habilidades e conhecimentos necessários à formação de um bom professor de História. Enfim, giram em torno do que deveriam ser e do que não conseguiram ser, sendo poucos os que se preocupam em estudar o que eles são. A comunicação que ora vos apresento pretende ocupar parte desta lacuna, à medida que se propõe analisar como a sociedade feirense representava os professores, dentre eles os de História, entre os anos de 1986 e 1991 e os efeitos destas representações sobre tais professores. Para tanto, dialogo com o conceito de representação de Chartier e com fontes diversificadas: jornais Feira Hoje (1986-1991), depoimentos de professores de História, o Plano Estrutural (1990) e o Relatório de estágio (1993) do curso de Licenciatura em História da UEFS, buscando lê-las como representações. Assim, pretende-se demonstrar a rede de influências entre as representações socialmente construídas sobre os professores e sua postura profissional.

Nome: Elza Alves Dantas E-mail: elzinha_alves@yahoo.com.br Instituição: Universidade Federal do Ceará Título: Um estudo de caso: reflexões sobre a História e a Geografia a partir do processo da professora primária Anna Eponina Lima Sobreira Este trabalho é um estudo de caso a partir do processo de avaliação da professora pública primária Anna Eponina Lima Sobreira realizado pelos examinadores da Instrução Pública do Ceará. O processo é composto de três exames: História, Geografia e Pedagogia e metodologia teórica e prática. Tomando essas argüições como fontes basilares foram levantadas questões sobre a Historiografia e o ensino de História no século XIX. Nome: Frank dos Santos Ramos E-mail: francomazal@yahoo.com.br Instituição: SME-TANGUÁ Título: Histórias das vovós dos alunos da 5ª série do fundamental: uma coletânea de histórias do Município de Tanguá [RJ] Este trabalho foi resultado de uma experiência com os alunos de 5ª série do Ensino Fundamental da E.M. Profª. Dearina da Silva Machado cujo objetivo foi tentar recontar algumas histórias do Município de Tanguá [RJ] através da coleta de dados feita pelos alunos junto aos seus familiares mais velhos. O resultado foi bastante interessante, pois de um desinteresse inicial por parte dos alunos acabou por se transformar num exercício de reflexão pessoal sobre o próprio futuro dos alunos dentro de Tanguá. O exercício acabou por se transformar num livro doado a biblioteca da escola e uma lição sobre a capacidade de produção do conhecimento histórico em situação adversa, no caso, numa escola com alunos bastante humildes e, aparentemente, sem perspectivas. Nome: Hermeson Alves de Menezes E-mail: pidele@gmail.com Instituição: Universidade Federal de Sergipe Título: O livro didático de História de Sergipe: investigações preliminares sobre sua produção material O presente trabalho apresenta os resultados iniciais do projeto de pesquisa apresentado ao Mestrado em Educação do NPGED-UFS, o qual trata dos livros didáticos de História de Sergipe, produzidos entre os anos de 1897 e 2007. Nossas principais indagações giram em torno da produção destes manuais, dos diversos agentes envolvidos na produção e das relações entre os momentos de produção e os livros produzidos. O objetivo é historiar a produção material de livros didáticos de História de Sergipe, bem como conhecer as alterações e permanências nos materiais e processos de produção de edições sucessivas de um mesmo livro e/ou nos livros ao longo do período estudado, compreender as relações entre os momentos de produção e os livros produzidos e investigar as relações inerentes à produção dos livros didáticos de História de Sergipe, seus sujeitos, práticas e usos no processo de ensino e aprendizagem. A nossa análise se centrará nos protocolos de leitura do autor e do editor - o conjunto de recursos que utilizam para, de forma explícita ou não, dar orientações quanto

Nome: João Paulo Gama Oliveira E-mail: jpg_oliveira@yahoo.com.br Instituição: Universidade Federal de Sergipe Co-autoria: Suely Cristina Silva Souza E-mail: suelycristinas@yahoo.com.br Instituição: Universidade Federal de Sergipe Título: Os ensinamentos históricos na Faculdade Católica de Filosofia de Sergipe (1951-1954) O presente trabalho investiga a consolidação dos ensinamentos históricos na Faculdade Católica de Filosofia de Sergipe, primeira instituição sergipana de ensino superior voltada para a formação de docentes. Delimitamos como recorte temporal o momento da sua fundação no ano de 1951, até a formatura da primeira turma do curso de Geografia e História em 1954. Para adentramos nesse universo optou-se por lançar o olhar sobre a disciplina de História da Civilização, única disciplina presente nos três anos da formação do bacharelado nessa área, e ainda no curso de Didática, chamada de Didática Especial da História da Civilização. Dessa forma, essa era a disciplina central no ensino de História dentro de um curso que fornecia duas habilitações. Para análise, utilizamos como fontes prioritárias, as Atas e Regimentos da Faculdade, que quando questionadas revelam indícios dos conteúdos, métodos e provas realizadas no âmbito do primeiro curso sergipano de nível superior que formou professores de História. Nome: Jorge Antonio da Silva Rangel E-mail: fidelrangel@uol.com.br Instituição: Universidade do Estado do Rio de Janeiro Título: Dois museus e uma história: Afonso d’Escragnolle Taunay e Edgard Roquette-Pinto e o ensino da História nas primeiras décadas do Brasil republicano A proposta desta comunicação tem por intenção recuperar as investidas de Afonso Taunay no Museu Paulista e de Edgard Roquette-Pinto no Museu Nacional do Rio de Janeiro, procurando abordar as relações de sociabilidades instituídas e instituintes entre estes dois intelectuais no sentido de forjar, cada um ao seu modo e estilo, considerando as experiências comuns e diferenciadas, o que podemos chamar de “museu social” republicano. Este um lugar identificado com a idéia de observatório científico da nova sociedade anunciada pela Abolição e pela Proclamação da República. Um museu social enquanto razão estratégica do Estado, reformador, capaz de influenciar o debate político em torno da estadania e da democracia liberal, promovendo também os princípios de harmonia entre as classes e os deveres recíprocos acerca dos lugares dos indivíduos e o Estado. Afonso de Taunay (1917-1946) e de Edgard RoquettePinto (1926-1935) à frente, respectivamente, Museu Paulista e Museu Nacional do Rio de Janeiro, revelam uma interconexão entre os dois museus, a partir de suas coleções e de suas redes sociais construídas a favor da evocação e da celebração da construção de uma narrativa sobre a história do Brasil que devia ser ensinada através das exposições permanentes e pela criação de museus escolares.

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Nome: Julio Henrique da Silva Pereira E-mail: julio_ique@yahoo.com.br Instituição: Universidade Federal Fluminense Título: O Ensino de História na Baixada Fluminense: metodologias participativas e livros didáticos O trabalho que apresentamos é parte das pesquisas desenvolvidas no curso de mestrado em educação da Universidade Federal Fluminense ligadas aos estudos que temos realizado sobre livros didáticos, metodologias participativas e formação de professores do Ensino de História no município de Seropédica/ RJ. Segundo Allain Chopin, os livros didáticos vêm suscitando um vivo interesse entre os pesquisadores de uns trinta anos para cá, quando a história dos livros e das edições didáticas passou a constituir um domínio de pesquisa em pleno desenvolvimento. Com este trabalho, objetivamos analisar a experiência de uma metodologia alternativa de construção curricular e de ensino para escolas do ensino básico, possibilitando aos educadores do CIEP 155-Nelson Antelo Romar as atividades de docência, pesquisa e extensão interligadas na elaboração dos materiais didáticos de história. Utilizamos a História Oral e a pesquisa participante com o envolvimento do coletivo-escola na construção dos materiais didáticos. A partir disso, experimentamos uma metodologia alternativa de construção curricular e de ensino para escolas do ensino básico que possibilita aos educadores atividades de docência, pesquisa e extensão interligadas na elaboração de materiais didáticos para o ensino de história. Nome: Kenia Hilda Moreira E-mail: keniahildamoreira@yahoo.com.br Instituição: Universidade Estadual Paulista - Araraquara Título: Livros didáticos de História do Brasil utilizados entre 1889 a 1930: narrativas monárquicas e republicanas O trabalho em questão apresenta uma análise de livros didáticos de História do Brasil que circularam no contexto da primeira república (1889-1930). Partindo da constatação de que muitos dos manuais utilizados nesse período foram elaborados na fase da monarquia, enquanto outros foram feitos especialmente para servir a nova fase republicana, analisamos comparativamente o conteúdo histórico presente em 12 desses manuais, objetivando evidenciar divergências: nos conteúdos narrados por autores monárquicos e por autores republicanos; na justificativa utilizada para cada acontecimento histórico; e no realce de alguns fatos históricos em detrimento de outros. Compõem nossa análise as obras: Lições de História do Brasil de Macedo; Lições de História do Brasil de Mattoso Maia; Pequena História do Brasil por perguntas e respostas de Joaquim Maria de Lacerda; História do Brasil: resumo didático, de Raul Villa-Lobos; História do Brasil na versão curso superior e edição das escolas primárias, de João Ribeiro; Resumo de História do Brasil e Lições de História do Brasil, de Sá e Benevides; Breve História do Brasil e Lições de História do Brasil de Galanti Nossa Pátria e História do Brasil, de Rocha Pombo. Nome: Laura Nogueira Oliveira E-mail: lauranoliveira@yahoo.com.br Instituição: Centro Federal de Educação Tecnológica/ MG Título: Apontamentos sobre o compendio de história universal de Antonio Leite Ribeiro e o aprendizado escolar de Francisco Adolfo de Varnhagen da história como “mestra da vida” Neste trabalho analisa-se, primeiramente, a concepção de história e a importância atribuída a seu ensino por António Leite Ribeiro, professor de História do Real Colégio Militar, Lisboa, no início do XIX. Nos prefácios de seu Compêndio, Ribeiro apresentava a história como “mestra da vida” por ser ela fornecedora de bons exemplos de heroísmo e generosidade capazes de auxiliar na formação de homens virtuosos. Aponta-se, na seqüência, a proximidade desta concepção de história com aquela apresentada pelo historiador Francisco Adolfo de Varnhagen nos prefácios de suas obras. Varnhagen, ex-aluno do Real Colégio, estudou no livro de Ribeiro e, assim como o mestre, fazia o elogio da história por apresentar feitos gloriosos e por fomentar o desejo da imitação e da emulação. Do mesmo modo que Ribeiro, ele atualizava a clássica compreensão dos fins e da importância da escrita da história. Nome: Luciana Regina Pomari E-mail: lr.pomari@uol.com.br Instituição: Faculdade Estadual de Educação, Ciências e Letras de Paranavaí Título: Discutindo a Lei 10.639/03: continuidades e rupturas O objetivo deste trabalho visa analisar a Lei No. 10.639/2003, destacando como esta lei interferiu e sistematizou os conceitos de cidadania, inclusão e democracia que estruturam a LDB. Para isso, tomamos como referência as experiências de produção de material didático que estamos desenvolvendo em parceira com professores da rede pública do Estado do Paraná. Metodologica-

mente, o material produzido tem como base o debate da “pedagogia histórico crítica” e nele buscamos desconstruir visões folclorizantes da cultura afro-brasileira. Outrossim, defendemos que a Lei No. 10.639/2003 não atendeu somente aos anseios dos movimentos sociais negros, mas tem sido um caminho necessário para democratizar a sociedade brasileira para além das ideologias e “cordialidade multirracial”. Nome: Marcia Guerra Pereira E-mail: marciawar@msn.com Instituição: Pontifícia Universidade Católica/ SP Título: A Revista de História da Bilioteca Nacional e a história da África da perspectiva brasileira Neste trabalho analisamos o perfil dos estudos sobre África veiculados pela Revista de História da Biblioteca Nacional (incluindo a revista Nossa História que a antecedeu), entre 2003 e 2009. O periódico foi escolhido por ser, hoje, o principal veiculo a apresentar para não especialistas, professores de História e profissionais que atuam fora das universidades, pesquisas que nela estão sendo desenvolvidas e tendências da historiografia acadêmica no país. Nossa análise identificou temporalidades, recortes geográficos, objetos do estudo e perspectivas de análise presentes nas matérias, constatando um perfil comum quanto ao enfoque de História da África presente em suas páginas. Perfil que é um dos vetores a influenciar a escolha dos conteúdos e abordagens de História da África a integrarem a história ensinada na educação básica. Nossa premissa é de que a obrigatoriedade imposta pela Lei 10.639/03, e a vigilância sobre sua execução exercida pelos movimentos sociais, acelerou a conformação de um campo de estudos até então embrionário no país tornando-o suscetível à disputa por suas diretrizes hegemônicas. No mapeamento dos diferentes sujeitos e concepções a se confrontarem nesta “arena”, objeto de nossa pesquisa em curso, o periódico em foco desempenha papel relevante. Nome: Maria Antonia Veiga Adrião E-mail: mavaadri@hotmail.com Instituição: Universidade Estadual Vale do Acarau Título: Cultura escolar, política e o ensino de História Refere-se a pesquisas realizadas em escolas públicas de Ensino Médio em Sobral – Ceará e cidades circunvizinhas através de entrevistas tomados de coordenadores, diretores, professores e estudantes, de observação à prática docente/ discente, e de investigação em livros adotado, currículos, projetos, para conhecer mudanças no Ensino e na cultura escolar dessa região depois do Regime Militar, quando constatamos que a História continua vista como uma disciplina que qualquer professor pode ministrar independente se é graduado em Física, Química, Matemática ou Geografia; os alunos estudam sem livro didático sendo que só em 2007 chegou às escolas uma quantidade mínima de livros de História, em média para 10% dos alunos matriculados, sendo permitido consulta apenas no período de aula; os professores ensinam sem suportes como vídeos, pesquisas, aulas de campo; porque não podem “perder tempo”, a prioridade é o vestibular, isto diante de horários reduzidos (um ou dois tempos semanais - 90 horas para Historia e Geografia) em contraponto a disciplinas como Matemática, Português, Física e Química, sem contar que quaisquer atividades extracurriculares são realizadas nos horários dessas disciplinas permanecendo o conceito de História como disciplina “decoreba”, decorativa ou ilustrativa do currículo. Nome: Maria Aparecida da Silva Cabral E-mail: cidacabral123@gmail.com Instituição: Pontifícia Universidade Católica/ SP Título: Exercitando a memória: o papel desempenhado pelos exames finais na conformação do conhecimento histórico (1890-1920) Este texto trata da análise dos exercícios mais freqüentes solicitados aos alunos durante a realização de exames finais de História, na educação secundária, entre os anos de 1890 a 1925, a partir da investigação do currículo de estudos de uma escola de instrução pública bastante renomada do Estado de São Paulo. Com essa temática pretendo enfatizar as formas de transmissão do conteúdo escolar bem como a sua verificação por meio de tais exames, com o intuito de se compreender o decurso do ensino de História no interior da própria escola e seus processos educativos. Para essa discussão, utilizo as contribuições da história das disciplinas escolares (Chervel, 1990) e da história social do currículo (Goodson, 1997) e as fontes mobilizadas são os planos de ensino, exames finais, relatórios da Instrução Pública do Estado de São Paulo e, ainda, os registros produzidos pela própria escola tais como: atas das reuniões dos professores e boletins escolares. Nome: Maria Aparecida Leopoldino Tursi Toledo E-mail: maria.leopoldino@hotmail.com

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14 Instituição: Universidade Estadual de Maringá Título: História ensinada e cidadania no Paraná (1900-1905) A história do ensino de História no Brasil tem, na década de 1980, um marco significativo. Pós-ditadura militar, a história ensinada foi tomada como objeto de análise de uma boa parcela de pesquisadores que tinham interesse em melhor compreender os “caminhos da história ensinada”. Concentrados basicamente em estudos preocupados em denunciar o caráter ideológico e acrítico que envolve a disciplina e divulgar novas experiências didáticas, grande parte dos trabalhos procurou identificar no sujeito crítico a concepção de cidadania desejada, perspectiva compreensível dado o período de grande mobilidade nacional em torno da redemocratização do pais, que culminou na promulgação da Constituição Cidadã em 1988. Os estudos que vieram se fazendo desde então têm contribuído para a reavaliação daquela noção de cidadania, desvendando processos em que o tema se inscreve e lançando bases para o tratamento da questão sob uma perspectiva de sua própria historicidade. Este trabalho, relacionando ensino de História e cidadania, procura indícios dessa relação no Paraná. Por intermédio do estudo da história da disciplina, identificou nos compêndios didáticos uma importante fonte de análise para continuar a pensar os “caminhos da história ensinada” no Brasil em suas relações com a questão da cidadania. Nome: Miriam Bianca Amaral Ribeiro E-mail: mbiancaribeiro@yahoo.com.br Instituição: Universidade Federal de Goiás Título: A história ensinada em Goiás: alguns elementos Quais têm sido as memórias históricas construídas sobre Goiás e como isso tem repercutido nas salas de aula? Qual tem sido a história ensinada em Goiás? Existe uma história oficial de Goiás, contada nas escolas? São questões do trabalho de doutorado em andamento. O trabalho abrangerá a criação do Lyceu de Goiás, em 1846 e alcançando o período imediatamente posterior à transferência da Capital, em 1937. Esse texto traz um recorte deste período. Aqui tratamos da primeira obra didática de história de Goiás, escrita em 1920, por Americano do Brasil, no contexto da preparação das comemorações do centenário da Independência, promovidas pelo Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. Essa obra não chegou a ser publicada para esse fim, pois o Grande Dicionário Enciclopédico do Brasil, obra comemorativa dos cem anos da Independência para o qual o texto foi originalmente escrito, não chegou a ser editado. Discutimos esse trabalho, que pode ser considerado o primeiro livro didático de história regional, a partir dos seguintes elementos: o contexto da produção da obra, os cem anos da Independência e as relações nação/região; o contexto da publicação (1932), como livro didático sobre Goiás para a escola normal, idéia de história e de historiador, as referencias teórico/metodológicas, ensino. Nome: Moroni Tartalioni Barbosa E-mail: tartalion@hotmail.com Instituição: Pontifícia Universidade Católica/ SP Título: Novas ferramentas, novas perspectivas: a utilização da metodologia da educação patrimonial no ensino de História Neste artigo faremos um breve apontamento acerca dos caminhos propostos à educação patrimonial, bem como a sua utilização pelos profissionais de História no âmbito escolar. Temos como objetivo no artigo mensurar as finalidades e os objetivos atingidos pela experimentação da educação patrimonial em escolas públicas. Consideramos que a proposição do Estado de São Paulo enfatizase um novo referencial curricular: Cultura é Currículo, redimensionando os debates sobre cultura e educação. Analisaremos o tópico Lugares de Aprender: a escola sai da escola. Para tanto, consultaremos os materiais propostos como subsídio aos professores, em especial, os destinados às 7ª e 8ª séries do ensino fundamental. Temos interesse em destacar o conteúdo sugerido para abordagem em sala de aula, a metodologia proposta, e ainda, destacar o conhecimento escolar produzido e, além disso, traçar uma análise que leve em consideração as políticas públicas destinadas à cultura e à educação. Nome: Norma Lúcia Silva E-mail: norma@uft.edu.br Instituição: Universidade Federal do Tocantins Título: Os caminhos da institucionalização do ensino superior de História Este trabalho apresenta a trajetória da institucionalização dos cursos superiores de História destacando os obstáculos enfrentados pelos historiadores na tentativa do delineamento do campo, a disputa com as outras ciências humanas por espaço acadêmico e político e os desafios na promoção da ciência histórica. Na França, país que exerceu forte influência sobre os primeiros cursos brasileiros, a institucionalização da História como disciplina no ensino superior se deu a

partir do final do século XIX. No Brasil, a criação dos primeiros cursos data da década de 1930 com os cursos da USP e da UDF. Em algumas regiões do país a institucionalização dos cursos ocorreu bastante tardiamente, como é o caso da região norte de Goiás (hoje Estado do Tocantins) onde os primeiros cursos só foram criados em meados da década de 1980, o que acarretou uma série de implicações para o ensino de história na educação básica. Nome: Palite Terezinha Buratto Remes E-mail: etilap24@yahoo.com.br Instituição: Faculdade de Ciências Humanas e Sociais de Curitiba Título: A memória e o ensino de História Relata a experiência realizada sobre investigação acerca do uso da memória no ensino de história, tendo como referência os estudos realizados na área da educação histórica atendendo a necessidade de envolver o aluno no processo histórico como sujeito da História. Esse processo se fez em dois ambientes distintos de experiência com elementos que o aluno tinha guardado sob forma de memória sobre a História, sendo as atividades desenvolvidas com dois grupos de alunos de séries e idades diferenciadas. O primeiro grupo foi com alunos de uma 5ª série do Ensino Fundamental da Rede Municipal de Educação, faixa etária entre 10 e 13 anos, moradores de uma área periférica de Araucária. Já o segundo grupo foi de alunos do 1º ano do Ensino Médio da Rede Pública Estadual de Ensino também moradores de área periférica, só que do município de Curitiba cuja faixa etária varia entre 15 a 18 anos. Ambas as turmas não tinham nenhum conhecimento de trabalho na linha de pesquisa da Educação Histórica, desconheciam o trabalho com o levantamento dos conhecimentos prévios e o uso da metacognição para conclusão. Também o trabalho utilizando o livro didático de cada turma, os quais apresentaram formas e conteúdos diferenciados sobre a história para o desenvolvimento cognitivo do aluno. Nome: Patrícia Cristina de Aragão Araújo E-mail: patriciacaa@yahoo.com Instituição: Universidade Estadual Da Paraíba Título: A formação do/a professor/a - historiador/a: uma abordagem freireana Este trabalho tem por objetivo analisar a formação do professor de história, à luz de uma abordagem freireana, procurando compreender de que o modo o professor vai construindo, a partir de sua vivência no cotidiano de sala de aula, um ensino crítico, permitindo o desenvolvimento de uma prática educativa, cuja construção de saberes possibilitem a transformação do educando, propiciando o interesse dele pela história e seu ensino. Trata-se de um artigo de revisão em que utilizando leituras sobre o ensino de história e a prática do professor construímos os eixos norteadores deste estudo. Pensar a educação a partir de uma perspectiva crítica e empreender esta criticidade no meio educativo a partir do olhar voltado para o ensino de história constituem pontos chaves de nossa discussão. O pensamento freireano constitui a âncora para tecermos nossa abordagem acerca do papel do professor de história e as reflexões em torno de sua formação. Nome: Raquel da Silva Alves E-mail: raquelalves53@yahoo.com.br Instituição: Universidade Federal do Ceará Título: A História deve ser ensinada na escola primária? Instrução Pública no Ceará na década de 1920 O seguinte trabalho tem como objetivo analisar o programa da disciplina de História utilizado nas escolas primárias na década de 1920 no Ceará. Os conceitos apresentados para orientar esse estudo estavam relacionados à definição de tempo. A História, enquanto disciplina, estava inserida, juntamente com o ensino da língua nacional, a Geografia e, o Ensino Moral e Cívico no contexto de construção da nação. A História era conhecida como disciplina decorativa por excelência, e dividia espaço com a questão da sua adequação às séries iniciais. O estudo centrou-se na construção dos princípios norteadores do discurso de história de vida dos alunos como mecanismos de apropriação da história nacional. Nome: Regina Célia Gonçalves E-mail: reginacg@terra.com.br Instituição: Universidade Federal da Paraíba Nome: Vilma de Lurdes Barbosa E-mail: vilmaufpb@uol.com.br Instituição: Universidade Federal da Paraíba Título: Impressões de uma cidade: os bairros de João Pessoa na perspectiva do ensino de História local Este trabalho apresenta-se como uma extensão do Projeto Resgate do Processo Histórico e Cultural dos Municípios Paraibanos vinculado ao grupo de

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pesquisa Ensino de História e Saberes Históricos cadastrado no CNPq e desenvolvido na área de concentração História e Cultura Histórica e linha de pesquisa Ensino de História e Saberes Históricos do PPPGH da UFPB. Partiu da identificação da expressiva produção de trabalhos de conclusão de curso dos alunos graduandos sobre a história dos bairros de João Pessoa. Tem como objetivo a reflexão sobre a história local na perspectiva da história dos bairros e sua pertinência reside na pesquisa histórica, produção de materiais didáticos e formação continuada dos professores para a rede pública de ensino de João Pessoa/PB. Nome: Rodolfo Calil Bernardes E-mail: rodcalil@yahoo.com.br Instituição: Pontifícia Universidade Católica de São Paulo Título: O ensino de História nas escolas secundárias paulistas (19421961): legislação, livros didáticos e periódicos Este trabalho busca comunicar a fundamentação teórica, os procedimentos metodológicos e alguns caminhos percorridos na realização de uma pesquisa de mestrado que busca investigar os conteúdos disciplinares e pedagógicos da disciplina escolar História propostos nas escolas secundárias paulistas no período compreendido entre a reforma do ministro Gustavo Capanema (1942) e a LDB (1961). Para realizar a identificação e a análise do ensino de História sistematizado pelo Estado e os conteúdos explícitos e pedagógicos dos livros didáticos da disciplina, além de analisar debates referentes ao ensino de História, localizados em periódicos educacionais e de História do período, seguimos a linha de investigação de Chervel, crendo que a História constituiu-se e consolidou-se como disciplina escolar dentro da própria escola. Realizaremos as análises dos livros didáticos e dos periódicos baseados, principalmente, nos escritos de Choppin, Bittencourt e Munakata, considerando tais publicações para além do que está impresso em suas páginas. Esperamos, com este trabalho, contribuir para o entendimento da maneira pela qual o ensino escolar buscava constituir a formação intelectual e o papel social de seus alunos ao selecionar determinados conteúdos e adotar certos métodos para sua fixação. Nome: Sonia Maria Leite Nikitiuk E-mail: smniki@terra.com.br Instituição: Universidade Federal Fluminense Título: A pesquisa na formação do licenciando em História A pesquisa como um dos eixos fundamentais na formação do educador tem sido assumida pelas universidades, o que implica pensar o profissional do ensino como pesquisador reflexivo. Em sua formação inicial o aluno, do curso de História da UFF, recebe o título de bacharel e licenciado ao mesmo tempo. Ao final do curso deve apresentar uma monografia que está intimamente ligada a sua formação como bacharel. Pensar a pesquisa no ensino ainda não é uma realidade. Tentando criar, como diz Becker (2007), uma intersecção entre os papéis de professor e de pesquisador, venho desenvolvendo na prática de ensino o exercício de buscar na monografia do bacharelado um viés que a valide para o ensino básico. O aluno, a partir de estudos pedagógicos, utilizando o construtivismo, recorta em sua monografia possíveis conteúdos curriculares para o ensino básico, confrontando-os com os PCNs. Este exercício abre espaços para que o aluno assuma a dimensão investigativa no ensino, evitando o engessamento dos conteúdos curriculares. Nome: Thiago Figueira Boim E-mail: thiago.boim@gmail.com Instituição: Pontifícia Universidade Católica/SP Título: Currículo, disciplina escolar e proposta curricular em São Paulo O presente texto fará uma breve análise da proposta curricular paulista de 2007 e das principais referências bibliográficas de teóricos do currículo e da disciplina escolar. O objetivo é contextualizar e compreender a proposta curricular do Estado de São Paulo num conceito de currículo e disciplina escolar. Com base nos principais autores curriculistas será feita a leitura dos documentos oficiais da proposta curricular e dos materiais didáticos produzidos pelo projeto “São Paulo faz escola”, responsável pela implantação da proposta nas escolas da rede pública paulista. Nome: Ubiratan Rocha E-mail: birarocha@ig.com.br Instituição: Universidade Federal Fluminense Título: Os ociosos, ao fim da vida, sentirão remorso pelo tempo perdido O estudo chama a atenção para duas lógicas que marcam profundamente as organizações escolares e as suas práticas pedagógicas: o taylorismo e o behaviorismo. Embora apenas alguns de seus traços estejam presentes, combinados, eles são, no entanto, estratégicos para a ordenação econômica de pessoas no (e do) espaço-tempo escolar. A complementaridade entre o tipo de ensino ba-

seado no estímulo-resposta (o professor ensina, o aluno aprende) e as ações contra o desperdício do tempo demonstraram ser eficientes na escola excludente. No passado, o exame de admissão ao ginásio e a reprovação homogeneizava pela exclusão. Hoje a escolarização obrigatória trouxe a diversidade para a sala de aula. A escola barata baseada apenas na concentração de alunos numa sala, no rodízio dos professores e na exposição didática tornou-se insuficiente. As práticas de ensino e o estágio supervisionado têm mostrado aos estudantes de História a necessidade de compreender as lógicas que informam a instituição escolar e de desenvolvimento de pesquisas didáticas voltadas para o ensino de massa. Nome: Vanderlei Machado E-mail: vandermachado@hotmail.com Instituição: Universidade Federal do Rio Grande do Sul Título: Homens de papel: as representações do masculino nos livros didáticos de História Nos últimos anos, vários estudos têm buscado discorrer sobre a forma como as mulheres são representadas nos livros didáticos em geral. Porém, quase nenhuma atenção tem sido dispensada sobre as representações da masculinidade divulgadas nesses manuais. Buscando diminuir esta lacuna, propomos analisar as representações do masculino presentes nos livros didáticos de História, notadamente, nos conteúdos de História do Brasil. Neste estudo, pesquisaremos os livros de História do Ensino Médio, adotados nas escolas públicas brasileiras, através do PNLEM/2008. Esta pesquisa está inserida em projeto mais amplo, em andamento no Colégio de Aplicação da UFRGS, que visa desenvolver novas metodologias de ensino para serem aplicadas pelos diferentes componentes curriculares de Ciências Humanas no Ensino Médio. Nome: Vera Lucia Cabana Andrade E-mail: veracabana@yahoo.com.br Instituição: Universidade do Estado do Rio de Janeiro e Colégio Pedro II Título: Benjamin Constant e a reforma da instrução pública de 1890 Este artigo, inserido na temática de pesquisa sobre a dimensão cultural e educacional brasileira, tem por objetivo analisar a Reforma da Instrução Pública de 1890. No contexto histórico de crise das instituições imperiais e mudanças políticas da República da Espada, marcadas pelas tensões sociais em oposição à tradição clássica, abordaremos a proposta educacional de Benjamin Constant, titular da Secretaria da Instrução Pública, Correios e Telégrafos do primeiro Governo Provisório. Partindo da classificação das ciências de Augusto Comte, o positivista apresenta a tese da reinstitucionalização da ciência e do conhecimento como um bem comum e propõe um currículo taxionômico para o Ginásio Nacional, padrão de referência do ensino secundário. A análise das fontes documentais nos leva a concluir que a Reforma Benjamin Constant, proposta como solução para a instrução pública republicana, se constituiu como parte da crise conjuntural da educação brasileira. As inovações dos conhecimentos técnico-científicos, em relação aos saberes escolares, se apresentaram descontextualizadas no universo escolar, produzindo um currículo enciclopédico”científico humanístico”-considerado de conteúdo conceitual teórico e prático universalista, inviável em sua aplicação. Nome: Yara Cristina Alvim E-mail: yaralvim@yahoo.com.br Instituição: Universidade Federal de Juiz de Fora Título: A avaliação do livro didático de História: diálogos entre pareceristas e professores à luz dos Guias de Livros Didáticos do PNLD O presente trabalho busca investigar o processo de avaliação dos livros didáticos de História contemporâneos, executada pelo Programa Nacional de Livro Didático (PNLD), tendo como foco a análise do(s) olhar(es) dos pareceristas sobre as coleções didáticas a partir dos lugares sociais que estes ocupam no contexto de avaliação e do público a que se destina tal política. Neste sentido, procuramos compreender a avaliação dos pareceristas, tendo em vista seus lugares de historiadores e de porta-vozes de uma política pública de regulamentação da produção didática privada, que se destina à escolha do professor, compreendido como um dos principais destinatários desse processo. A partir dessas premissas, discutiremos sobre a relação dialógica que os avaliadores estabelecem com os professores, destinatários finais desse processo. Procuraremos compreender este diálogo a partir da análise comparativa entre os Guias de Livros Didáticos de História do PNLD de 2005 e do PNLD de 2008. Tendo em vista a singularidade de ambos os processos de avaliação e as diferenças entre os dois Guias, buscaremos analisar as diferentes estratégias dialógicas que os pareceristas de cada um dos programas de avaliação procuraram estabelecer com os professores, a fim de informá-los sobre suas possíveis escolhas.

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15 15. Ciência - Tecnologia - Sociedade - História Ivan da Costa Marques – UFRJ (imarques@ufrj.br) Maria Amélia Mascarenhas Dantes – USP (mamdantes@usp.br) O simpósio Ciência-Tecnologia-Sociedade-História faz parte da programação geral do Grupo de Estudos de História da Ciência e da Tecnologia (GEHCT/ANPUH). O simpósio Ciência-Tecnologia-SociedadeHistória pretende reunir no XXV Simpósio Nacional de História em Fortaleza um conjunto de trabalhos visando cruzar fronteiras disciplinares e pensar/ re-pensar a criação-invenção-descoberta-construçãodesenvolvimento-produção-adoção-difusão de fatos e artefatos científico-tecnológicos no Brasil. Na segunda metade do século XX, novas direções na história, na sociologia, na antropologia e na filosofia da ciência e da tecnologia, e particularmente os chamados estudos de laboratório na década de 1980, marcaram um deslocamento na apreciação de como acontece a feitura não só dos artefatos mas também dos fatos científico-tecnológicos. Este deslocamento problematizou a universalidade e a neutralidade, tanto dos fatos e artefatos científicos e tecnológicos como também das instituições e métodos envolvidos em sua produção, nos mesmos termos, todos eles entendidos a partir de então como entidades, elementos ou peças heterogêneas e provisionais, na construção das tecnociências modernas e contemporâneas. A universalidade e a neutralidade das ciências e das técnicas, e, principalmente, sua difusão, tornaram-se equivalentes à disseminação global de entidades (fatos, artefatos, instituições, métodos, classificações) resultantes de processos consolidados com maior densidade no primeiro mundo. Neste quadro, o deslocamento indicado acima evidencia a importância fazer / re-fazer as histórias das iniciativas de construção de conhecimento (científico) local, situado, no Brasil, carreguem elas o rótulo de “sucesso” ou de “fracasso”.

Resumos das comunicações Nome: Alessandro Machado Franco Batista E-mail: francobatista2002@yahoo.com.br Instituição: Universidade Federal Fluminense / Fundação Oswaldo Cruz Co-autoria: Marcela Maria Freire Sanches E-mail: sanchesmarcela@yahoo.com.br Instituição: Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro Título: A trajetória do movimento de alfabetização científica A proposta deste trabalho é analisar no movimento de alfabetização científica algumas questões relacionadas ao conceito que dá nome ao referido movimento. Alfabetização científica foi impulsionador da educação em ciências durante praticamente toda última metade do século XX, sendo ainda presente em nossos dias. Este movimento pretendeu alfabetizar cientificamente o maior número possível de pessoas, se não toda a sociedade sem lograr sucesso. Assim consumindo elevados recursos financeiros e mobilizando grandes esforços. Portanto, pretendemos com esta reflexão compreender o processo de elaboração e desenvolvimento da proposta de “alfabetização científica”, onde percebemos três momentos na trajetória desse movimento. O primeiro de gestação, construção das idéias que viriam a influenciar decisivamente a proposta, um segundo em que efetivamente tenta-se implantar uma universalização da educação em ciências. E por último, o que de fato hoje chamamos de “alfabetização científica”. Alfabetização científica e Educação em ciências. Nome: Alex Gonçalves Varela E-mail: alex@mast.br Instituição: Museu de Astronomia e Ciências Afins Título: A viagem filosófica de José Bonifácio e Manuel Ferreira da Câmara pelas regiões mineiras da Europa central e setentrional (17901800) José Bonifácio e Manuel Ferreira da Câmara foram arregimentados pelo governo português para realizar uma viagem filosófica pela Europa Setentrional e Central por um período de dez anos. Durante a viagem visitaram as principais escolas de minas e visitaram importantes regiões mineiras. Como fruto dessa viagem, eles produziram importantes reflexões sobre a administração das minas e diversos minerais até então desconhecidos. Muitos destes estudos permaneceram manuscritos e desconhecidos por parte do grande público, assim como a viagem é bastante citada, mas pouco estudada. Temos como objetivo recuperar a história desta viagem, destacando os objetivos, os locais percorridos, os textos produzidos, os desdobramentos do empreendimento para a trajetória dos estudiosos e a importância da mesma para o projeto reformista ilustrado político-científico do governo mariano que visava regenerar o Império português.

Nome: Alexandre de Paiva Rio Camargo E-mail: camargo_alexandre@terra.com.br Instituição: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística Título: As instituições estatísticas na história social da ciência: algumas perspectivas e especificidades Este trabalho pretende apresentar, em linhas gerais, como as instituições estatísticas podem configurar um fecundo campo de análise para a historiografia da ciência, em duas grandes direções. Em um primeiro plano, temos a inserção burocrático-pragmática das instituições estatísticas, cuja produção é demandada, financiada e legitimada pela presença do Estado. Revela-se aí a dimensão materializada das políticas públicas envolvidas na construção do Estado nacional na história do Brasil. Como tecnologia de distância, as estatísticas levam às mesas dos decisores a economia, a sociedade e o território, na forma de tabelas, gráficos e cartogramas. Neste aspecto, subsidiaram importantes políticas de controle e disciplina, especialmente na Primeira República e na Era Vargas, quando contribuíram para conformar pactos políticos entre o governo central e as oligarquias locais. No plano da tecno-ciência, por sua vez, as instituições estatísticas fundam as categorias de percepção social da realidade, pelas quais nos vemos (o um no outro), pelas quais são construídos os conceitos científicos. Instituem, assim, um campo singular para a investigação das traduções operadas entre a ciência e a política, como se verá a partir das práticas eugênicas formuladas na Primeira República e na Era Vargas. Nome: Ana Claudia Ribeiro de Souza E-mail: acadaf@uol.com.br Instituição: Centro Federal de Educação Tecnológica - AM Título: Estradas, tecnologia e Escola Politécnica Nesse artigo apresentamos a administração de João Theodoro Xavier de Mattos que em 1870 foi voltada para a urbanização de São Paulo, e esse élan de modernidade trazia em seu bojo o evento dos cafezais que através do Vale do Paraíba adentravam o território paulista. Esse contexto é apontado por diversos historiadores como um dos fatores indispensáveis para o desenvolvimento da ação tecnológica solicitada pelos comerciantes no intuito de concatenar esforços para a criação de uma rede de estradas de ferro no Estado cujo destino final seria o porto de Santos, daí se estabelecendo uma rede de conexão com o comércio Internacional. As estradas de ferro foram durante o século XIX um dos ícones das mudanças sociais dessa época, pois em si estavam presentes a transformação de um metal, o ferro, e o uso de uma energia, o vapor, que permitiam percorrer distâncias em um tempo menor do que até então era possível. Elas cortavam os caminhos antes percorridos no lombo de animais, expoênciando o transporte de passageiros e cargas. Com isso o percorrer dos seus trilhos alterou de maneira significativa as relações com o tempo e o espaço da vida citadina das urbes européias.

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Nome: Ana Emilia da Luz Lobato E-mail: anaemilialobato@hotmail.com Instituição: Universidade de São Paulo Título: Miséria e opulência da Amazônia colonial - um estudo sobre natureza e riqueza na obra do Pe. Jesuíta João Daniel O presente trabalho tem por objetivo discutir a relação homem-natureza no “Tesouro Descoberto no Máximo Rio Amazonas”, obra escrita pelo jesuíta João Daniel, em meados do século XVIII. Expulso pelo ministério pombalino em 1757, o jesuíta, nos catorze anos em que ficou preso em Portugal, escreveu uma extensa obra sobre a região amazônica, na qual traça um panorama de sua natureza, suas populações e sua cultura. Seus escritos, entretanto, têm por objetivo apresentar um programa de reformas nos métodos de aproveitamento das riquezas naturais da região no intuito de fomentar o aumento do Estado. Seu projeto conta com duplo alicerce: os tesouros descobertos na região e a experiência que serve de guia para o desenvolvimento dos métodos mais adequados de usufruto dos tesouros. Nome: André de Faria Pereira Neto E-mail: apereira@fiocruz.br Instituição: Fundação Oswaldo Cruz Título: Internet e história do tempo presente: uma agenda (possível) de pesquisa O mundo está passando, nos últimos 30 anos, por uma intensa e radical transformação tecnológica que tem permitido o acesso, cada vez maior e mais rápido e fácil a um incomensurável número de informações, sobretudo através da Internet. Esta transformação tem alterado profundamente as relações econômicas, sociais e culturais da sociedade contemporânea. Este fenômeno pode ser analisado historicamente de três formas, a saber: a ‘História da Internet’, quando o advento e expansão da Internet se tornam um objeto para a História; a ‘História na Internet’, quando os incontáveis sites e homepages sobre os mais variados temas históricos são analisados historiograficamente e a ‘Internet na História’, quando é investigado o impacto da Internet nas diferentes dimensões da História do Tempo Presente (econômica, social, cultural, política) e nos campos do conhecimento e atuação, como a saúde e a educação, especialmente o ensino de História. Estas dimensões de análise, apesar de distintas, encontram diferentes níveis e possibilidades de complementaridade. Esta comunicação apresenta algumas possibilidades de investigação sobre o tema e introduz algumas controvérsias epistemológicas e historiográficas próprias da História do Tempo Presente. Nome: André Luis Mattedi Dias E-mail: andre.luis.mattedi.dias@gmail.com Instituição: Universidade Estadual de Feira de Santana Título: Matemática moderna em instituições educacionais baianas (1946-1968): questionando delimitações entre o científico e o escolar A localização do tema “matemática moderna nas escolas” nas fronteiras entre a história da matemática, a história da educação e a história cultural suscita problemas sobre a matemática e o seu ensino como objetos da história. Examinarei autores que tratam esse assunto ou que podem contribuir para sua elucidação. André Chervel, no seu artigo seminal sobre a história das disciplinas escolares, defendia que os saberes escolares não são expressões das ciências de referência, mas que foram criados pelas escolas, nas escolas e para as escolas. Wagner Valente também se afasta da história das ciências e se aproxima da história da educação; Bruno Belhoste e Gert Schubring defendem uma aproximação da historia da matemática com o ensino da matemática; Roger Chartier, no seu livro clássico, afirmava que uma dos problemas centrais da história cultural era o questionamento de certas oposições como erudito-popular, criação-consumo, realidade-ficção. Em suma, argumentarei que a oposição matemática científica-matemática escolar não é própria para uma abordagem culturalista da matemática moderna nas escolas da Bahia nos anos 1940-1960. Nome: André Luiz Correia Lourenço E-mail: alcyel@yahoo.com.br Instituição: Universidade Federal do Rio de Janeiro Título: Seiscentos segundos: contribuições interdisciplinares para o ensino da história da ciência e da tecnologia O projeto Seiscentos Segundos, que tem sido desenvolvido no CEFET/ RJ, nesse último ano, tem como objetivo geral estimular a discussão sobre a presença da ciência e da tecnologia no processo histórico, incentivando o interesse no campo da história da ciência e da tecnologia. Visa-se desenvolver nos alunos a percepção do caráter integrado do ensino – relacionando ciência e a tecnologia com a vida social e o processo histórico –, eviden-

ciando a presença da tecnologia na vida social, bem como a importância dos conteúdos do ensino médio nas atividades ligadas ao mundo do trabalho. Através de entrevistas com biólogos, químicos, matemáticos, engenheiros, etc., e da produção de material em vídeo (DVDs para uso didático), tem se buscado evidenciar para os alunos que os diferentes conteúdos ministrados separadamente dentro da escola possuem elementos comuns e interdisciplinares. Esse trabalho tenta superar a visão compartimentalizada de ensino que divide as diversas áreas (linguagens, ciências sociais, exatas, etc.) mostrando que as mesmas podem contribuir para a atividade fim da instituição, o ensino tecnológico. Nome: Anna Raquel de Matos Castro E-mail: annaraquelcastro@yahoo.com.br Instituição: Museu Paraense Emílio Goeldi Título: Entre a decadência e a esperança: o botânico Jacques Huber, e seus estudos sobre a borracha na Amazônia (1907-1914) Jacques Huber, botânico suíço, chega ao Pará no ano de 1895, a convite do então diretor do Museu Paraense, Dr. Emílio Goeldi, para assumir a chefia da seção botânica daquela instituição e desenvolver pesquisas voltadas para a flora amazônica. Dentre as inúmeras produções científicas de Huber, destacam-se os extensos estudos relacionados às espécies de seringueiras encontradas naquela região. Em 1907, Huber assume a direção do Museu, e a partir de então, passa a elevar o nome da instituição e do Estado do Pará nos âmbitos nacional e internacional, devido aos seus consideráveis estudos a respeito da borracha amazônica, tornando-se referência no assunto e fazendo parte do grupo de melhores botânicos do mundo, por seus debates que abordavam desde a taxonomia até as potencialidades da exploração comercial e aplicação industrial do látex. Ressalta-se que, o período da gestão de Huber frente ao Museu (1907-1914) coincide com o momento de decadência da economia gomífera local. Desta forma, este trabalho visa abordar a importância dos estudos de Jacques Huber relativos à borracha amazônica, e seus reflexos no meio científico, político e econômico da Amazônia, em especial do Pará, durante o início do século XX, período em que a economia daquela região entrava em profunda decadência. Nome: Arthur Arruda Leal Ferreira E-mail: arleal@superig.com.br Instituição: Universidade Federal do Rio de Janeiro Título: Governamentalidade contemporânea práticas psicológicas: de Walden II a los Horcones A partir do trabalho genealógico de Michel Foucault, um dos campos possíveis para o estudo do surgimento dos saberes psicológicos é o das práticas de governo. Por práticas de governo entendem-se as formas como se estrutura a condução da conduta alheia, desde as formas pastorais do cristianismo primitivo até os modos atuais do Estado contemporâneo. O ponto chave dessa história encontra-se no século XVI, quando surgem os Manuais de Governo, fundamentados na “Razão de Estado”. Estes manuais estariam baseados na necessidade do disciplinamento e registro constante das ações dos governados, caracterizando o “Estado de polícia”. Contudo, no século XVIII surgem novas tecnologias de governo, patrocinadas pelos fisiocratas e liberais. A população é vista como um ente natural a ser governado não mais intervindo em todos os detalhes, mas acompanhando de modo científico todas as suas flutuações livres. Nestas novas formas de governo, a psicologia passa a ter especial importância. De modo mais específico, a pesquisa avaliará as técnicas de governo propostas a partir da utopia behaviorista de Skinner Walden II e encampada pela comunidade Los Horcones, existente no México. Mais do que uma técnica de governo psicológica, há aqui um governo psicológico à parte, o que a torna especial para exame. Nome: Camila Guimarães Dantas E-mail: camilagdantas@yahoo.com.br Instituição: Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro/PPGMS Título: Notas sobre a escrita da história em suporte digital A ubiqüidade das tecnologias da informação no cotidiano das sociedades contemporâneas é um fato inegável. A historiografia não é uma exceção. No entanto, se o computador já foi incorporado ao cotidiano dos historiadores, cabe perguntar de que modo esta máquina vem sendo utilizada. O computador é utilizado como mero instrumento capaz de organizar os bancos de dados da pesquisa ou ele cria possibilidades novas de pesquisa? Se é preciso investigar, de acordo com Roger Chartier, os novos modos de leitura na tela, pensamos ser necessário propor uma reflexão sobre as imbricações entre a escrita da história e as novas tecnologias da informação.

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15 Diante da amplitude do problema nos propomos neste trabalho a tratar de duas ordens de questões. A primeira delas diz respeito às especificidades das fontes históricas em suporte digital e das interfaces arquivísticas criadas para dar conta de acervos fluidos. A segunda ordem de questões a serem tratadas está relaciona ao fazer historiográfico. Certamente, pensar sobre as intersecções entre a tecnologia e o ofício do historiador é propor-se a uma tarefa que necessariamente ficará incompleta dada a velocidade das transformações em curso, porém consideramos possível delinear pólos desta problemática que envolve mudanças e continuidades. Nome: Carlos Antonio Giovinazzo Jr. E-mail: cgiovinazzo@pucsp.br Instituição: Pontifícia Universidade Católica – SP Co-autoria: Maria Angélica Pedra Minhoto E-mail: mminhoto@uol.com.br Instituição: Universidade Federal de São Paulo Título: A qualidade do ensino na era dos indicadores: crítica da racionalidade tecnológica Nos últimos anos assistiu-se a construção de um consenso em torno da necessidade de se conduzirem processos de avaliação institucional e dos sistemas de ensino. O exame detalhado do contexto em que se inserem tais avaliações revela a produção de mecanismos que incrementam o controle e o exercício do poder no âmbito da educação. Parte-se do entendimento de que as políticas educacionais assumem o caráter de “tecnologia”, pois estão em conexão com instrumentos, dispositivos e invenções e se utilizam deliberadamente de conhecimentos científicos para o ajustamento e adaptação dos indivíduos ao sistema social. Esse entendimento justifica o estudo de indicadores educacionais, tendo em vista os vários significados que a noção de qualidade assume na história da educação brasileira. A fim de explorar as contradições subjacentes a tal noção, este trabalho investiga: a) as alterações do conceito de qualidade no movimento histórico das políticas educacionais, a partir de meados do século XX; b) a recente produção de indicadores, concebendo-os como expressão da racionalidade tecnológica; c) a aplicação de tais indicadores objetivando a melhoria da qualidade do ensino. Nome: Catarina Capella Silva E-mail: katecapella@yahoo.com.br Instituição: Universidade Federal de Minas Gerais Título: Ciência, propaganda e imaginário científico na década de 1950: o caso da revista Ciência Popular A partir da análise de anúncios veiculados na revista Ciência Popular, publicada no período entre 1948 e 1960, propõe-se evidenciar os aspectos que envolvem a propaganda e a divulgação científica no período. Muitas propagandas apresentavam implicitamente imagens da ciência e demonstravam o contexto econômico-social em que se encontrava o país na década de 1950. Além disso, os anúncios veiculavam padrões culturais, valores de comportamento, estereótipos e informações técnicas e científicas. Optando por publicar propagandas cujos temas apenas fossem de cunho científico e tecnológico, a revista projetou uma proposta de divulgação científica pautada em determinada percepção de ciência. Neste trabalho buscamos apontar quais os elementos acerca da ciência estavam sendo veiculados nos anúncios à luz do contexto histórico-social, bem como compreender como se articulavam à linha editorial da revista. Nome: César Agenor Fernandes da Silva E-mail: cesaragenor@yahoo.com.br Instituição: Universidade Estadual Paulista Título: Luzes, letras e civilização: a divulgação da ciência e da técnica na imprensa periódica do Rio de Janeiro e o projeto de civilização para o Brasil (1808-1850) Em 1808, após séculos de cerceamento, foi revogada a proibição para a instalação e funcionamento de tipografias no Brasil. Desde então surgiu uma gama variada de publicações nacionais que tratavam de diversos temas. A maior parte dos jornais, em suas introduções, dizia que seu objetivo era o de levar e espalhar as luzes entre os homens livres do país. No meio dessas publicações destacaram-se os periódicos literários, que foram amplamente utilizados pelos homens de letras para veicular os seus projetos de civilização para o país. Nesse sentido, a divulgação ampla dos conhecimentos técnicos e científicos foi uma constante preocupação dos jornalistas cariocas do período. Técnicas de cultivo, novos inventos, teorias sociais e raciais são alguns exemplos dos conteúdos veiculados. O objetivo do presente trabalho é compreender e descrever as nuances e contornos do projeto civilizatório para o Brasil veiculado pela imprensa periódica do Rio de Janeiro na primeira metade do século XIX, bem

como destacar o papel que a ciência e a técnica, itens indispensáveis para a civilização, ocuparam nesse projeto. Nome: Deise Simões Rodrigues E-mail: deiseouropreto@yahoo.com.br Instituição: Universidade Federal de Ouro Preto Título: Ciência e história na administração Gorceix da Escola de Minas de Ouro Preto: versões historiográficas Esta apresentação discutirá, principalmente, como a historiografia da Escola de Minas de Ouro Preto concebeu a concepção de ciência que Claude-Henri Gorceix, fundador e diretor dessa instituição, pautava em sua administração no período entre os anos de 1876 e 1891. Para tanto, à crítica dirigida ao corpus de autores que estudou a Escola de Minas de Ouro Preto impõe duas questões: haveria uma concepção unívoca de ciência atribuída nesta historiografia? Qual a relação entre tal (tais) concepções com a cultura histórica da época? Tais questões subsidiarão a discussão do objetivo proposto no âmbito da história cultural versando as categorias de ciência e de história. Nome: Eduardo Moraes Warpechowski E-mail: edumw@bol.com.br Instituição: Universidade Federal Uberlândia Título: Biotecnologia no Brasil e controvérsia na mídia Neste trabalho pretendo apresentar o modo como a controvérsia dos transgênicos se desenrolou nos principais meios de comunicação do país entre as décadas de 1980 e 1990. Em meados dos anos 80, o enfoque principal das publicações foi de divulgar o pretenso potencial científico e comercial das novas biotecnologias, principalmente para o governo e o empresariado nacional. Já no início da década seguinte, o que se percebe é a reação de diversos grupos sociais, divulgada em diversos tipos de publicações, questionando à adoção das novas tecnologias. A partir daí, inúmeros cadernos especiais, boletins de divulgação, artigos de jornais e propagandas foram publicados envolvendo inúmeros agentes sociais interessados na controvérsia gerada pela produção dos transgênicos no Brasil. Procuramos, a partir da análise desses documentos, entender: como essa tecnologia gerou tal controvérsia; em que termos se deu esse debate; que argumentos foram mobilizados para que cada grupo conquistasse adesão do público leigo. Nome: Eduardo Romero de Oliveira E-mail: eduardo@rosana.unesp.br Instituição: Universidade Estadual Paulista Título: O conhecimento do território e as tecnologias de ocupação e controle A concepção clássica de território fundamentava-se numa distribuição de direitos sobre uma coisa (dominium), e pelos quais se exercia o governo. Em contraste, a condição moderna concebe o território em termos racionais, enquanto lugar de relações sociais, de produção de conhecimento e tecnologia e da governabilidade; delimitado pela representação cartográfica, técnicas de fortificação e prática urbanística. Contudo, novas situações apresentaram-se desde o século XIX, e em particular no Brasil: a concepção de técnicas e procedimentos em vista da utilidade humana; a expansão da produtividade agrícola e rentabilidade econômica das terras; o adensamento dos núcleos urbanos e sua regulamentação; a mobilização da mão-deobra e a migração humana. Em vista disso, parece pertinente a hipótese de que o território é o espaço no qual se articula a produção, a população e a cidade; enquanto que a tecnologia é um dos operadores da gestão contemporânea (privada e/ou pública) destes elementos. Esta comunicação visa discutir a relação contemporânea entre tecnologia e território, observando algumas situações do Vale do Paranapanema na passagem do século XIX para o XX referentes ao processo de mapeamento das terras, povoamento, exploração agrícola e implantação de sistemas de transporte. Nome: Fábio Luciano Iachtechen E-mail: fabio.luciano@gmail.com Instituição: Universidade Tecnológica Federal do Paraná Título: O belicismo e a ressignificação dos artefatos: a tecnologia aplicada em “A guerra dos mundos” de H. G. Wells Esta comunicação tem por objetivo propor uma análise sobre parte da obra ficcional do escritor inglês Herbert George Wells (1866-1946), em especial as aparições da ciência e da tecnologia presentes em “A guerra dos mundos” (1904). Esta proposição almeja identificar as aparições de distintos artefatos bélicos, principalmente os utilizados pelos marcianos em tentativa de invasão terrestre, procurando compreender a inserção deste discurso tecnológico não apenas como componente do enredo, com função pura-

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mente didática e instrumentalizadora do leitor, mas também ressaltando a estreita relação que este discurso guarda com a realidade tecno-científica do período de sua produção. Nome: Flavio Diniz Ribeiro E-mail: fdinizribeiro@uol.com.br Instituição: Universidade de São Paulo Título: As ciências sociais como tecnologia Na história das ciências sociais norte-americanas há um momento em que parte significativa da produção visa constituir tecnologia social enquanto política de Estado. Nas ciências sociais isso tem sido negligenciado, embora mereça atenção, reflexão e análise. Desde a 2ª guerra mundial a articulação ciência/Estado se institucionaliza. Cientistas participam diretamente na formulação, planejamento, acompanhamento e execução de políticas de Estado, seus desdobramentos e estratégias: desenvolvimento dependente das chamadas áreas subdesenvolvidas, propaganda ideológica e política para formação de opinião, mapeamento de conflitos e identificação de opositores para “neutralização”, e mesmo orientação e controle de práticas de tortura. Essas atividades passam a contar como novos campos para o exercício profissional de cientistas sociais e humanos, campos sempre vinculados ao poder de Estado, nas guerras admitidas como tal ou em tempos de “paz”. O Estado, principalmente por meio de suas agências de segurança e informação, está na própria origem da produção desse conhecimento elaborado por cientistas sociais, criando instituições de pesquisa destinadas especificamente para essa produção e alocando recursos vultosos em importantes centros universitários contratados para essas finalidades. Nome: Francisco Assis de Queiroz E-mail: frantota@uol.com.br Instituição: Universidade de São Paulo Título: As tecnologias de informação e comunicação e seus (des)usos na educação Alguns autores mostram como nos anos 1920 já se propunha explorar o potencial educacional do rádio, prevendo-se um impacto dramático da utilização desse novo artefato tecnológico, que já se fazia comercialmente viável. No início da década de 1950 a televisão foi vista com igual expectativa. O mesmo destino parece ter sido atribuído à instrução através das inovações mais recentes, como o computador e a Internet. Mas data, sobretudo do final dos anos 1940 e início dos anos 1950 o interesse pelo auxílio mais efetivo de meios tecnológicos na educação (particularmente a televisão) quando, seguindo a difusão de seu desenvolvimento comercial, a Fundação Ford, e depois o governo federal (EUA), criaram uma variedade de experimentos para estudar o possível impacto da televisão no processo educacional, incluindo da escola elementar à universidade. Pretende-se, assim, analisar em perspectiva histórica o desenvolvimento e o papel das novas tecnologias, no caso, das chamadas TICs (Tecnologias de Informação e Comunicação), na configuração da sociedade, sobretudo, a partir de meados do século XX, caracterizada por muitos como sociedade da informação ou do conhecimento, além de suas aplicações e implicações no campo do ensino em geral. Nome: Gilson Leandro Queluz E-mail: queluz@utfpr.edu.br Instituição: Universidade Tecnológica Federal do Paraná Título: Representações de tecnologia no pensamento autoritário conservador (1930-1935) Este trabalho pretende analisar as representações de tecnologia presentes nas utopias conservadoras do período entre 1930-1935. As obras escolhidas para análise são de modernistas autoritários de diferentes vertentes ideológicas: a “Quarta Humanidade” (1934), do integralista Plínio Salgado; “No Limiar da Idade Nova” (1935) do líder da “reação espiritualista” católica Alceu Amoroso Lima; e a utopia constitucionalista “Soluções Nacionais” (1935) de Menotti del Picchia. Estas obras concediam um papel destacado para a Tecnologia. Como no caso de Plínio Salgado, cuja crítica ao capitalismo igualava-se à crítica à civilização técnica. Exaltava em contraposição a chegada da “Quarta Humanidade”, de um Brasil Telúrico, onde o papel da agricultura seria fundamental. Alceu Amoroso Lima, por sua vez, considerava que a incorporação da máquina e sua hipertrofia na civilização industrial seriam as causadoras da crise moderna, sendo um dilema central para a constituição da Idade Nova. Já Menotti Del Picchia, anunciava a crise do regime democrático, apontando sua origem no processo de socialização da instrução combinado à revolução das máquinas. Em comum nas concepções, a presença de uma visão determinista da tecnologia e a crença utópica em um estado autoritário, tecnocrático e corporativo.

Nome: Gisela Tolaine Massetto de Aquino E-mail: gi.aquino@usp.br Instituição: Universidade de São Paulo Título: Contribuições da Faculdade de Engenharia Industrial no desenvolvimento do ABC paulista A região do ABC Paulista é formada por sete municípios autônomos. Compreende área de 840 km² contando com mais de 2,5 milhões de habitantes. Região muito urbanizada e com alto índice de indústrias. Detém um PIB de mais de 27,4 milhões de dólares (2,43% do PIB nacional). A participação na atividade industrial da região metropolitana de São Paulo é de 22,8% (no estado de São Paulo é de 13,8% e no Brasil é de 7%). Em 1860 a São Paulo Railway inicia a construção de uma ferrovia, ligando o porto de Santos a capital. As indústrias paulistas migram para o ABC, pois os terrenos eram planos, baratos e ficavam próximos da estrada de ferro. O desenvolvimento industrial é incrementado com a inauguração da via Anchieta, em 1947. Com o crescimento do pólo industrial, a demanda por pessoal especializado cresce muito. A solução seria capacitar o trabalhador do ABC. Desta forma, acabam se instalando na região, a partir da década de 1960, duas faculdades de Engenharia com este objetivo. Foram elas a FEI (Faculdade de Engenharia Industrial) e a Mauá (Instituto Mauá de Tecnologia). O presente trabalho pretende analisar, mais detalhadamente a implantação da FEI e sua contribuição na formação da mão-de-obra especializada na região do ABC. Nome: Heloisa Meireles Gesteira E-mail: heloisagesteira@mast.br Instituição: Museu de Astronomia e Ciências Afins Título: As comissões demarcadoras de limites e a conquista territorial da América portuguesa: ciência, política, arte e técnica no século XVIII O objetivo desta comunicação é refletir sobre as condições de produção de conhecimento no contexto das comissões demarcadoras de limites que tiveram lugar durante o século XVIII, valorizando em especial as práticas de determinação de posições geográficas. Nesta comunicação partiremos da missão dos matemáticos jesuítas Diogo Soares e Domingos Capassi enviados à América portuguesa durante o reinado de D. João V, e também das partidas demarcadoras ocorridas logo após a assinatura do Tratado de Madrid (1750), em particular a comissão chefiada por Gomes Freire de Andrade enviada a região do Prata. Destas experiências restam-nos mapas, cartas, observações astronômicas entre outros registros que nos parecem ainda carecer de um estudo que valorize, em particular, as condições de produção de conhecimento na fronteira, tendo como principal objeto para nossas reflexões a utilização dos instrumentos de precisão que eram levados a campo e garantiam o esquadrinhamento mais preciso das terras pertencentes a Portugal, além de livros e outros materiais que auxiliavam no uso correto dos instrumentos. Nome: Ivan da Costa Marques E-mail: imarques@ufrj.br Instituição: Universidade Federal do Rio de Janeiro Título: Multi-mistura: desnutrição infantil e limites do relativismo A partir da década de 1970, a multi-mistura foi adotada em pequena escala no combate à desnutrição no Brasil. Sua utilização cresceu e alcançou escala nacional. A expansão contou com o apoio da Fundação Banco do Brasil e a multi-mistura foi institucionalmente adotada pela Pastoral da Criança. No entanto, a partir da década de 1980 surgiram disputas e controvérsias a respeito das qualidades nutricionais da multi-mistura e dos alegados benefícios de sua adoção. Aponto historicamente limites do relativismo demarcados por linhas de fuga (Deleuze, Guattari) da multi-mistura que encenam “versões da realidade” diversas: 1) um corte epistemológico entre conhecimento científico e crença, corpo e mente, natureza e sociedade, outorga à ciência o direito exclusivo de ser assertiva quanto à realidade: o mundo de um aparato nutricional bioquímico nos limites do corpo; 2) um mundo da alimentação onde estão presentes entidades híbridas corpomente, natureza-sociedade, onde fatos científicos sobre alimentação são feitos e desfeitos em interações de coletivos heterogêneos (Law, Latour); e 3) um mundo da nutrição infantil habitado por corpo-mente-alma, encenado por uma metafísica empírica (Mol, Law, Latour) onde os elementos bioquímicos estão sujeitos a complexidade de um relativismo máximo. Nome: Jairo de Jesus Nascimento da Silva E-mail: jjnsilva@globo.com Instituição: Secretaria de Estado de Educação - PA Título: O combate a Mereba-ayba em Belém de 1884 a 1904: tiros

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15 de canhões, isolamento, vacina e a intolerância popular às profilaxias oficiais em tempos de epidemia Este trabalho procura desvendar como o crescimento da cidade de Belém, ao longo do século XIX, provocou ou ampliou problemas já existentes, entre os quais o da saúde pública, destacando-se o desencadeamento de freqüentes epidemias de varíola. Em termos de temporalidade o destaque foi dado à segunda metade do século XIX, quando foi intenso o debate acerca da necessidade de modernizar a cidade, sendo que o projeto modernizador em questão foi fortemente marcado pelos preceitos excludentes da Ciência da Higiene. Assim, o foco da pesquisa foi o período entre 1884 e 1904, marcado pela eclosão de três epidemias de varíola, em Belém. O objetivo principal do trabalho foi demonstrar as razões da intolerância popular às profilaxias e práticas terapêuticas encaminhadas pelo poder público, principalmente a política de isolamento baseada no discurso higienista e, também, a vacina. A experiência desenvolvida pela população de Belém com essas profilaxias oficias, ao longo do século XIX, foi bastante negativa, propiciando a conduta aversiva desta. Nome: José Jerônimo de Alencar Alves E-mail: jeronimoalves@hotmail.com Instituição: Universidade Federal do Pará Título: Bates entre a natureza e a cultura na Amazônia O objetivo desta exposição é refletir sobre as atividades cientificas do naturalista Henry Bates, entre 1848-1859, período em que ele permaneceu na Amazônia e, assim, contribuir para as pesquisas sobre as condições de emergência de um conhecimento científico em uma determinada cultura. Para isso, como mostram Bourdieur, Foucault, Latour entre outros é necessário ir além dos procedimentos lógicos e experimentais observando os aspectos culturais mais amplos que condicionam as práticas científicas. Neste sentido os relatos de Bates são interessantes, porque - como era de praxe entre os naturalistas - suas descrições sobre a natureza são acompanhadas de juízos sensíveis. Sua permanência na Amazônia modificou a imagem sobre a região aprendida nas leituras anteriores. A idealização de uma natureza como um denso viveiro de animais e com uma harmonia paradisíaca arrefeceu, dando lugar a uma natureza mais comedida que, embora aprazível e harmoniosa, tinha certa monotonia. Com relação à cultura, seus juízos tornaram-se mais positivos, pois embora continuasse a acreditar na preguiça e indolência de seus habitantes, afirmava, também, que eles viviam de modo pacífico e harmônico. Nome: Luiz Carlos Borges E-mail: lcborges@mast.br Instituição: Museu de Astronomia e Ciências Afins Co-autoria: Manuela Bretas de Medina E-mail: manubretas@gmail.com Instituição: Museu de Astronomia e Ciências Afins Título: Ciência, política e conversão: a cosmologia Guarani nas cartas do Padre Sepp A Companhia de Jesus desempenhou no período colonial um papel estratégico na condução da política de ocupação e dominação do Brasil, sendo responsável pela idealização e execução da política de conversão junto às populações indígenas, a qual se estendeu para além do ideal de cristianização, abrangendo a educação, a ciência e o controle de empreendimentos econômicos coloniais. Dois povos indígenas foram diretamente os mais afetados pela ação colonizadora no imaginário religioso, político e científico do Brasil colonial, os Tupinambá e os Guarani. Na História da Ciência, ambos vêm sendo objeto de estudos, no que tange aos saberes e práticas relativas à sua cosmologia. O exame dessa temática em fontes históricas relativamente aos Guarani é ainda recente. Esse povo distribuía-se por áreas sob administração espanhola, as Cartas do Padre Sepp (1655-1733) que, durante 42 anos, atuou como missionário nos aldeamentos guarani de Japeyú e São Miguel, mostram-se uma excelente fonte. Fazemos uma leitura histórica e discursiva dessas cartas, objetivando analisar de que modo os Guarani são aí representado, detectar referências ao conhecimento astronômico desse povo e verificar como o saber guarani era, ou não, apropriado pela missão jesuítica e incorporado à política e ao processo de conversão. Nome: Luiz Carlos Soares E-mail: luizcsoares@globo.com Instituição: Universidade Federal Fluminense Título: Benjamin Martin: professor itinerante e divulgador da ciência newtoniana na Inglaterra do século XVIII Benjamin Martin foi um dos grandes divulgadores da Filosofia Mecânica e Experimental Newtoniana, através dos inúmeros cursos que ministrou no

interior da Inglaterra, entre os anos 1730 e 1750. Ele procurou atrair uma diversificada clientela para seus cursos, com um esquema eficiente de propaganda que tinha suas publicações (manuais e libretos) como principais elementos de divulgação. Estas publicações eram vendidas por ele mesmo, em suas andanças por diversas cidades, ou por livreiros autorizados. Em meados dos anos 1750, Martin tornou-se fabricante de instrumentos científicos, estabelecendo-se numa loja e oficina na Fleet Street, Londres, onde ele produzia e comercializava os instrumentos que inventava ou aperfeiçoava, sobretudo, diversos tipos e tamanhos de microscópios cilíndricos e óculos para a correção da visão. Suas publicações se destinavam, principalmente, para aqueles que pretendiam iniciar na Filosofia Mecânica e Experimental e, nos anos 1760, seus livros já tinham grande reconhecimento do público leitor, contribuindo para criar, na Inglaterra, um clima de fascinação pelo Newtonianismo e pela nascente Ciência Aplicada. Nome: Márcia Regina Barros da Silva E-mail: mbarros.cehfi@epm.br Instituição: Universidade Federal de São Paulo Título: Na companhia da ciência: o cinema de Benedito Junqueira Duarte O objetivo desta apresentação é discutir parte da produção do documentarista Benedito Junqueira Duarte, realizada em São Paulo, a partir dos anos 1940. Em seus filmes é possível perceber a preocupação de fortalecimento das bases de uma civilização urbana, capaz de vencer o atraso nacional. A industrialização, a racionalização do trabalho, a educação formal e o entendimento higiênico da sociedade surgem em discussões de temática diversificada, mas que confluem para uma perspectiva comum, aquela em que a coordenação do Estado seria a garantiria para o bem geral e para o progresso do país. Tais disposições estão ancoradas em uma estética própria e na associação com instâncias oficiais de poder. Um filme em particular, como “Parques e Jardins”, de 1954, estabelece claramente o ensino escolar como motor de uma possível transformação moral da infância e da juventude, ancorado sobre noções de saúde e bem estar, em que o suporte do conhecimento de bases científicas esteve sempre presente. Este filme apresenta grande coincidência de tomadas com a memória imagética dos primeiros tempos da saúde pública paulista e pode ser considerado um modelo para a produção posterior, realizada a partir da década de 1960, na qual o diretor vai buscar desenvolver filmes de temática médico-científica. Nome: Marco Antonio Rodrigues Paulo E-mail: marodriguespaulo@uol.com.br Instituição: Universidade Federal da Grande Dourados Título: A estatística como tecnologia para o planejamento da instrução pública paulista (São Paulo, 1892-1920) Esse trabalho abrange as primeiras décadas posteriores à implantação do regime republicano e examina as estatísticas escolares como parte integrante do processo de burocratização e racionalização do Estado que tomou impulso com a implantação do novo regime. Concentra-se no período entre as primeiras reformas republicanas da instrução pública (1892) e a reforma Sampaio Dória (1920), período em que o Estado de São Paulo deu início à estruturação do seu sistema de ensino. Examinando-se a constituição desse instrumento, produzido e administrado pelo governo, pode-se compreender como o Estado, passou a organizar suas estatísticas ao propor políticas para aperfeiçoar e modernizar seu controle sobre o campo educacional. São fontes deste trabalho: a Coleção de Leis e Decretos do Estado de São Paulo, que apresenta o arcabouço legislativo produzido para regulamentar à organização das estatísticas escolares paulista entre 1892 e 1920; e os veículos utilizados para a divulgação dos números do ensino paulista - Relatórios/Anuários Estatísticos de São Paulo e os Anuários do Ensino do Estado de São Paulo, periódicos publicados pelo Estado de São Paulo e que tinham a função de divulgar as estatísticas escolares coligidas pelo poder público. Nome: Marcos Jungmann Bhering E-mail: marcosbhering@gmail.com Instituição: Fundação Oswaldo Cruz Título: Positivismo e agricutura na Primeira República: uma análise das políticas e dos Institutos científicos do Ministério da Agricultura, Indústria e Comércio (1909 - 1930) Esta comunicação busca demonstrar a importância do Ministério da Agricultura, Indústria e Comércio (MAIC) para a história das ciências no Brasil durante a primeira República. Sua relevância reside na convergência de diversos institutos de nível federal em torno deste organismo e por sua

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criação ter significado uma inflexão nos rumos da relação entre ciência e agricultura no país. A partir de 1906/9, período de criação do MAIC, as atividades científicas dos institutos que passaram para a sua tutela, como o Jardim Botânico e Museu Nacional, assim como os que foram criados, assumiram um caráter pragmático, ligando-se principalmente às demandas de modernização agrícola. Busca-se analisar as causas que promoveram esta inflexão, concluindo-se pela presença de valores difusamente positivistas na visão de mundo dos que lutaram por sua criação e estiveram à frente da pasta da Agricultura a partir de 1909. Será ressaltado, nesta apresentação, o projeto educacional do ministério, a partir do qual se evidencia a influência dos valores positivistas e o papel que a ciência desempenharia para o desenvolvimento do campo brasileiro. Nome: Mirian Jorge Warde E-mail: mjwarde@uol.com.br Instituição: Universidade Federal de Alfenas Co-autoria: Claudia Panizzolo E-mail: claudiapanizzolo@uol.com.br Instituição: Universidade Federal de Alfenas Título: A confluência psicologia-estatística no terreno da instrução pública paulista (São Paulo, anos de 1920 e 1930) Este trabalho examina as intervenções efetuadas por Noemy da Silveira Rudolfer e sua equipe no âmbito da escola pública paulista, entre os anos vinte e trinta do séc. XX, que consolidaram a Psicologia como ciência basilar da pedagogia prática, assim como empreenderam a convergência dos experimentos psicológicos e das explorações estatísticas. Os empreendimentos de Rudolfer, por um lado, representam a continuidade de iniciativas pioneiras que havia se dado há pelo menos uma década; por outro, rompem com os seus predecessores quer em relação às suas orientações científicas e filosóficas quer em relação a seus instrumentos e procedimentos experimentais. Se nos predecessores é possível verificar a então prevalecente filosofia social de Spencer e a psicologia do dualismo corpo-mente, nas novas iniciativas de Noemy Rudolfer são flagrantes as adesões às teorias que direta ou indiretamente nasceram no terreno do evolucionismo darwiniano. Assim, verificam-se as aproximações aos pragmatismos tanto de James quanto de Dewey, bem como à chamada Nova Psicologia norteamericana, com destaque à psicologia conexionista de E. Thorndike, um dos primeiros e maiores responsáveis pela modelação estatística de experimentos psicológicos. Nome: Moema de Rezende Vergara E-mail: moema@mast.br Instituição: Museu de Astronomia e Ciências Afins Título: Ciência e viagem: expedição ao rio Javary (1901) Em 1901, Luiz Cruls, então diretor do Observatório Nacional, foi comissionado pelo Governo Federal para realizar a demarcação da nascente do rio Javary, elemento fundamental para determinação do limite BrasilBolívia, que em 1904 subsidiará o tratado de Petrópolis que deu origem ao Estado do Acre. O objetivo da presente comunicação é analisar como esta expedição atualmente pouco conhecida foi noticiada na imprensa da época, bem como dar visilibidade a relação entre ciência e política e a formação do território nacional. Nome: Natalia Peixoto Bravo de Souza E-mail: natipeixoto@hotmail.com Instituição: Universidade de São Paulo Título: A criação do grêmio Euclides da Cunha: história, memória e projeto No presente trabalho, pretendo abordar a criação de um grêmio em homenagem ao escritor Euclides da Cunha, no início do século XX. Criado por ex-alunos de Euclides do colégio Pedro II poucos anos depois de sua morte, o grêmio euclidiano foi se transformando, ao longo dos anos, de instituição destinada a perpetuar a memória e a reivindicar punição ao assassino do escritor, em um lugar de construção de uma memória bastante definida: a que associa Euclides da Cunha ao positivismo. Nesse trabalho, portanto, pretendo discutir a influência de intelectuais positivistas de grande atuação, como Roquette-pinto, Venâncio Filho e Paulo Carneiro, na construção de uma memória que associa Euclides da Cunha ao positivismo. Essa construção se realizou, entre outros lugares, no Grêmio Euclidiano do Rio de Janeiro, por meio dos seus principais integrantes. Nome: Nelson Rodrigues Sanjad E-mail: nsanjad@museu-goeldi.br Instituição: Museu Paraense Emílio Goeldi Título: Ciência e política na fronteira amazônica: as expedições do

Museu Paraense ao Amapá (1895-1896) e ao Purus (1903-1905) Durante a Primeira República, o governo brasileiro estreitou relações diplomáticas com vários países vizinhos visando à demarcação dos limites nacionais. Também envolveu-se em conflitos e incidentes provocados pela tensão social em regiões de fronteira. Nesse processo de reconhecimento e apropriação do território nacional, o governo agenciou instituições, intelectuais e cientistas - envolvendo-os diretamente nas questões de Estado, como a negociação e demarcação dos limites internacionais, e na construção de infra-estrutura, como linhas de telégrafo e estradas de ferro. Essa pesquisa apresenta o caso do Museu Paraense, sediado em Belém (PA), ativa instituição científica no final do século XIX, que coadjuvou os esforços nacionais pela disputa de parte do território amazônico, no rio Purus (AM) e na antiga Guiana Brasileira (AP). Foram estudadas as expedições organizadas pelo museu a esses locais, a produção científica, os cientistas envolvidos e a forma pela qual estavam conectados à ação governamental nas fronteiras. Os resultados mostram que ciência e política, naquele contexto, eram parceiras, prevalecendo a colaboração entre governantes e cientistas, na medida em que se apoiavam mutuamente para atingir objetivos próprios. Nome: Nilda Nazare Pereira Oliveira E-mail: nilda@ita.br Instituição: Instituto Tecnológico de Aeronáutica Título: Ciência: uma fronteira mediada pela sociedade No final da Segunda Guerra Mundial foi publicado o relatório intitulado Science, the Endless Frontier, (Ciência, uma fronteira sem fim), escrito por Vannevar Bush, diretor do Office of Scientific Research and Development (OSRD). De acordo com o mesmo, as políticas governamentais para C&T deveriam financiar um modelo linear de desenvolvimento que começa com a pesquisa básica + pesquisa aplicada e o resultado seria o desenvolvimento de produtos e operações. O relatório estimulava uma visão essencialista e triunfalista da ciência, capaz de solucionar qualquer problema apresentado. Este relatório influenciou o mundo inteiro, criando um verdadeiro paradigma no que diz respeito aos conceitos e relacionamentos entre Ciência, Tecnologia, Governo e Sociedade, pretensamente responsável pelo Estado de Bem-estar Social. Entretanto, a partir dos anos 70, mesmo período em que o capitalismo entrou em crise novamente, as críticas a este modelo começaram a ganhar fôlego na Europa e nas Américas em programas de estudos de Ciência, Tecnologia e Sociedade. Hoje, embora ainda exista um forte domínio do modelo da ciência infinita, cada vez mais nos deparamos com a mediação das fronteiras da ciência pela sociedade, presente e defendida pelos Estudos CTS. Nome: Nilton de Almeida Araújo E-mail: ovelhanegr@hotmail.com Instituição: Universidade Federal Fluminense Título: Campo científico e campo político: coronelismo, ruralismo e agronomia na Bahia (1902-1930) Este texto propõe a necessidade de revisão de caracterizações convencionais na historiografia sobre “coronelismo” e “oligarquias” na política da Primeira República da Bahia, a partir de resultados sobre a história da institucionalização da agronomia como campo científico no período. Focando a Escola Agrícola da Bahia (EAB), o Boletim da Secretaria estadual de Agricultura e a revista Correio Agrícola (da Sociedade Baiana de Agricultura), e a atuação de naturalistas, engenheiros civis, cientistas e, em especial, de engenheiros agrônomos formados pela EAB nestes espaços, verifica-se a relação dialética entre campo científico e campo político, mediados por organizações da sociedade civil. Nome: Odair Sass E-mail: odairsass@yahoo.com.br Instituição: Pontifícia Universidade Católica - SP Título: O aluno sob medida: os testes psicológicos como tecnologia na educação brasileira A psicometria é discutida como conhecimento científico da psicologia deliberadamente aplicado para exercer o controle social do sujeito, ou seja, psicometria é aqui considerada como tecnologia. A exposição cinge-se a explorar: os testes de inteligência, considerados uma das mais importantes aplicações da psicometria no estudo do indivíduo, tomando como referência a apropriação das provas de nível mental, realizadas no Brasil, tal como as apreendeu Isaias Alves (1888 - 1968), com objetivo de se utilizar da ciência psicológica para reorganizar a escola básica brasileira, nos anos de 1930 (Alves, 1930); a variante elaborada por Lourenço Filho: os “testes ABC para a verificação da maturidade necessária à aprendizagem da leitura

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16 e da escrita”, na década de 1930, largamente aplicado às crianças ingressantes da escola primária brasileira e outros paises americanos e europeus (Lourenço Filho, 2008). Sustenta-se a hipótese de que as provas psicológicas aplicadas à educação estão relacionadas à racionalidade tecnológica predominante na sociedade industrial antes do que exclusivamente a uma suposta evolução epistemológica natural que as vinculam como decorrência inevitável da aproximação entre a Psicologia e as Ciências físico-matemáticas, por causa do sucesso dos métodos quantitativos. Nome: Regina Maria Macedo Costa Dantas E-mail: regina@pr2.ufrj.br Instituição: Universidade Federal do Rio de Janeiro Co-autoria: Ricardo Silva Kubrusly E-mail: regin@mn.ufrj.br Instituição: Universidade Federal do Rio de Janeiro Co-autoria: Rundsthen Vasques de Nader E-mail: rvnader@ov.ufrj.br Instituição: Universidade Federal do Rio de Janeiro Título: D. Pedro II e a Astronomia A comunicação pretende refletir sobre alguns dos estudos que vem sendo realizados no Programa de Pós-Graduação em História das Ciências e das Técnicas e Epistemologia/HCTE da UFRJ sobre D. Pedro II e sua relação com o desenvolvimento das ciências naturais durante a segunda metade do século XIX. Para isso, optou-se por unir as pesquisas de uma historiadora e de um astrônomo sob a orientação de um professor de História das Ciências para dar relevo ao perfil estudioso do monarca e relacioná-lo às pesquisas de uma das áreas do conhecimento - a astronomia. Visando apresentar o assunto, uma breve contextualização sobre duas instituições será necessária à construção do cenário científico e institucional do Brasil imperial: o Museu Nacional e o Observatório Nacional/RJ. A metodologia utilizada vai destacar diferentes materiais para apresentar o interesse do imperador por estudos de corpos celestes. Assim, cartas, documentos de estudos do próprio monarca, equipamentos e narrativas que, articulados, irão compor o conjunto de fontes que deverão proporcionar a elaboração do trabalho. Por fim, a reflexão pretende fortalecer o desenvolvimento metodológico utilizado entre distintas áreas do conhecimento: a História e a Astronomia, no viés multidisciplinar da História das Ciências/HCTE. Nome: Sheila Cristina Alves de Lima Luppi E-mail: sheilaluppi@gmail.com Instituição: Universidade de Brasília Título: Eugenia e o projeto de regeneração da população brasileira nos Anos 20 Proponho discutir o projeto de aperfeiçoamento físico e moral da população brasileira elaborado pelos eugenistas brasileiros, no período entre 1900 a 1930. A eugenia aqui será tratada como um componente da cultura política, o que oferece ao historiador possibilidade de melhor compreender a natureza, o alcance e a complexidade desse ideário. A palavra deriva do grego eu = boa, genus = geração. Francis Balcon (1822 - 1911) criador do termo definia esta como uma ciência que buscava compreender as leis da hereditariedade, com o objetivo de aprimorar o que as raças têm de melhor, sejam essas características físicas ou mentais, e garantir saúde às gerações futuras. Minha principal fonte é os Annaes de Eugenia, publicado em 1919, pela Sociedade Eugênica de São Paulo. O esforço em torno do projeto de aprimoramento e regeneração da população justifica-se pela preocupação das elites políticas, econômicas e intelectuais do país com as precárias condições sanitárias e o péssimo estado de saúde da população, mas, principalmente, com a composição racial do brasileiro. Assim, no Brasil a eugenia adquire uma feição peculiar, confundindo saneamento, sexologia, higiene e saúde pública.

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16. História vivida, história pensada, história escrita Estevão Chaves de Rezende Martins - UnB (ecrm@terra.com.br) Raquel Glezer - USP (raglezer@usp.br) No mundo multicultural contemporâneo e na convivência multidisciplinar das ciências sociais, a ciência histórica busca responder a duas questões. Uma, para “dentro”, trata de sua legitimidade epistemológica e a sua relevância teórica. Outra, para “fora”, objetiva elaborar e apresentar à sociedade uma sustentação explicativa, discursiva, do sentido de suas tradições e da sua circunstância presente. Se para a primeira questão a ciência histórica assume elementos normativos, de caráter metódico e convencional para a prática da disciplina, na segunda converge, concorre, diverge, convive, compete no espaço público com as demais ciências sociais. Assim a ciência histórica se constitui em um movimento constante de refundação, a partir de uma teoria da verdade possível, socialmente aceitável, culturalmente consistente (a historiografia é uma contribuição verossímil e plausível, a partir de dados controláveis). A constituição metódica de uma ciência histórica assim concebida avança enquanto baseada em uma teoria da pertinência empírica de seu discurso (narrativa) com relação à base empírica de sua pesquisa. Fundamentação teórica, práxis metódica e relevância social (e, por conseguinte, ética) da ciência histórica são questões interligadas. Do teor das respostas que se lhes der depende, em larga medida, a função da história como referência de constituição pessoal e social da identidade e da legitimidade ativa. Esse conjunto de questões pode ser tratado no simpósio sob diversos aspectos, dos quais se destaca três: (a) que fundamentos há, na era da relativização generalizada, para a confiabilidade do conhecimento histórico, para além da inércia das tradições; (b) que legitimidade possui o discurso narrativo da historiografia (ainda predominantemente nacional) para (cor)responder ao projeto de identidade cultural da sociedade a que se dirige e de que emerge; (c) que autonomia ou originalidade possui a ciência histórica com relação aos paradigmas de outras ciências sociais.

Resumos das comunicações Nome: Adrianna Cristina Lopes Setemy E-mail: deusa_clio@hotmail.com Instituição: UFRJ Título: Guerra impressa: Novas fontes para uma nova perspectiva historiográfica da participação brasileira na II Guerra Mundial Partindo da premissa de que cabe ao historiador a iniciativa de constituir como fontes históricas os diversos vestígios do passado, tem-se tarefa de superar as limitações teórico-metodológicas que por vezes dificultam a crítica documental e a elaboração de novas problemáticas de pesquisa. Portanto, nesta comunicação pretendemos discutir a relevância, para a produção historiográfica brasileira, do estudo do episódio da participação do Brasil na Segunda Guerra Mundial, a partir de uma perspectiva ampliada de fontes que considere periódicos impressos como documentos potenciais de uma época e lugar de memória que carrega em si uma determinada representação da realidade e que nos remete a questões e conflitos relativos às práticas sociais do período no qual foi produzido, a partir de questionamentos formulados no presente.

Título: Na transversal do tempo: Natureza e Cultura à prova da história É possível postular uma única matriz de interpretação da experiência humana do tempo? Dois parecem ser os caminhos para responder esta pergunta. Num primeiro, de acordo com o princípio do multiculturalismo, tenderíamos à relativização e negação de qualquer princípio universal, à exceção de um: a evidência de que todos nós, seres-humanos, pertencemos a uma mesma espécie e, portanto, partilhamos de uma natureza única. Neste caso, tenderíamos a reconhecer que a natureza humana é universal e que, ao contrário, a cultura é uma variável histórica. Poderíamos, ainda, extrair deste universalismo da espécie um destino comum à espécie, e postular um único processo de evolução histórica. Neste caso, tenderíamos a reconhecer que a sociedade humana é apenas um fenômeno natural como qualquer outro. Contudo, olhamos ambas as respostas com desconfiança. Por essa razão, em lugar de “uma única multiplicidade de histórias” (depreendida do princípio do multiculturalismo), propomos uma análise da viabilidade de sua substituição por “uma única multiplicidade de matrizes interpretativas”, fundada no princípio do reconhecimento mútuo não apenas das diferenças de perspectivas, como também das estruturas de prefiguração da realidade e dos códigos normativos dela decorrentes.

Nome: Amanda Teixeira da Silva E-mail: amandacrato@oi.com.br Instituição: UFPB Título: O medo de esquecer: cultura histórica e necessidade de memória nos contos de João Guimarães Rosa O objetivo deste artigo é pensar sobre a importância que a memória e o passado assumem nos contos de João Guimarães Rosa. São investigadas as diferenças e semelhanças entre a história construída pelos historiadores e aquela narrada pelos homens comuns, cujo saber muitas vezes se distancia do conhecimento propriamente historiográfico. Os contos de Rosa apresentam indícios de uma “necessidade de memória” comum tanto a historiadores quanto a leigos, por isso através deles são analisados elementos essenciais do trabalho do historiador, tais como as concepções de presente e passado, a narrativa, o testemunho e a memória, percebendo de que maneira estes elementos se configuram tanto em nosso ofício quanto no cotidiano dos não-historiadores. Para tanto, é utilizado o conceito de “Cultura Histórica” desenvolvido por Jacques Le Goff, que defende a existência da experiência histórica em contextos aparentemente distantes da historiografia. Assim, a reflexão aqui desenvolvida versa sobre a importância que a memória e o passado assumem não apenas no “métier” historiográfico, mas também na vida daqueles que não dominam as técnicas da História e que nem por isso deixam de narrar o passado.

Nome: Ana Luiza Marques Bastos E-mail: analuizamarques@yahoo.com.br Instituição: USP Título: Realismo e messianismo na escrita da história nacional O século XIX figura como o porto da história contada por Oliveira Martins. Pois o objeto por excelência de suas obras, desde as historiográficas e biográficas até os estudos sobre a economia e a política nacionais, é o estado em que se encontrava o espírito humano na atualidade dos oitocentos e na particularidade de Portugal. Auscultar o presente como uma realidade vivida em termos históricos, para intuir o caminho seguido e nele contribuir através de imagens projetadas no horizonte, ainda que de modo pessimista ou cético. A apresentação ou o programa realista foi o meio encontrado para fazer de um instrumento, a história nacional, um campo de projeções dos desejos vindos do passado da humanidade. Eis a hipótese preliminar ao artigo. Para desenvolvê-la, precisaremos discutir dois pontos: primeiro, a importância que os comentadores atribuíram desde o século XIX às obras historiográficas e biográficas, assim como, a variante dos comentadores o definiram por historiador artista; e segundo, a ciência que Oliveira Martins tinha da composição realista e messiânica da tradição decadentista na qual estava inserido, e de que modo isso vai determinar sua visão da história e sua prática historiográfica.

Nome: Ana Carolina Barbosa Pereira E-mail: ancaiana@yahoo.com.br Instituição: UnB

Nome: Antônio Paulo de M. Resende E-mail: cielo77@uol.com.br Instituição: UFPE

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16 Título: Narrativas e Contemporaneidade: histórias de dentro e de fora Contar/viver as histórias acompanha as travessias humanas, desde os mais primordiais tempos. As ações humanas precisam circular, trocar sentimentos, de espelhos. Daí a linguagem ser ponto de apoio que a cultura desenvolve na suas idas e vindas. Não há, portanto, um final que interrompa essas narrativas, como também com elas não definimos o sentido último da história, se é que ele existe. O que se multiplica são as formas de narrar, os alfabetos fabricados, as metodologias e os embates pela verdade. Quem não se recorda das aventuras de Heródoto e da suas ligações com as testemunhas, para fazer valer o que contava? E Tucídides já anunciando certos rigores que seu antecessor desprezava? Na contemporaneidade, a complexidade se amplia. A cultura ganha espaço como modo de construir significados e a memória aprofunda seu diálogo com o passado e as questões do esquecer e lembrar. O nosso objetivo é trazer alguns pontos desse debate para interpretação. Olhamos o mundo, mas somos observados. Os tempos se misturam, a subjetividade busca espaços. Entre a solidão e a solidariedade tecemos éticas, mergulhados nos desafios da tecnociência e numa cartografia onde os objetos tornam-se invenções inseparáveis. Nome: Carlos Oiti Berbert Júnior E-mail: oitijr@terra.com.br Instituição: UFG Título: Teoria da História e Filosofia da História: uma análise das relações entre a epistemologia, a metodologia e o pensamento especulativo Uma das características da chamada vertente pós-moderna da história é sua crítica às metanarrativas. O presente trabalho tem por objetivo destacar alguns elementos do debate entre a Teoria da História e a Filosofia da História, no século XX, a partir das reflexões da corrente estruturalista e da Filosofia Analítica. Parte-se da seguinte hipótese: o debate entre a Filosofia da História e a Teoria da História produziu reflexões fecundas, tanto para a epistemologia e a metodologia quanto para o pensamento especulativo. Além disso, a Filosofia da História comporta dimensões éticas na medida em que atua como orientadora das ações humanas com respeito ao “futuro”. Nesse sentido, muito mais do que simples rejeição da Filosofia da História, torna-se fundamental demarcar os impasses e encruzilhadas que situam os campos do saber na atualidade. Nome: Christiane Marques Szesz E-mail: cszesz@yahoo.com Instituição: Universidade Estadual de Ponta Grossa/PR Título: História e Sátira no romance “A Pedra do Reino” O romance da “Pedra do Reino e o príncipe do sangue do vai-e-volta” é considerado pelos estudiosos uma obra grandiosa, na qual Suassuna manipula diversos elementos da forma popular de cultura para compor a ambientação de seu romance. Além disso, o autor utiliza-se de um processo de miscelânea, no qual condensa na narrativa uma ampla gama de tradições intelectuais, entre eles os folhetos e a picaresca. A reflexão pretende abordar os aspectos satíricos do texto de Suassuna. Nome: Cristiano Alencar Arrais E-mail: alencar_arrais@yahoo.com.br Instituição: UFGO Título: Imaginação histórica e pensamento mediado na obra de R. G. Collingwood Este trabalho procura dimensionar a evolução da proposta collingwoodiana acerca da relação entre passado e presente, sintetizada nas noções de imaginação histórica - cuja tarefa é tornar o passado um objeto acessível ao pensamento através de um modelo construtivo de interpolação entre as afirmações feitas pelas fontes com outras, deduzidas das mesmas - e de pensamento mediado - sendo o pensamento mais do que uma mera sensação, ele pode existir em diferentes tempos sem perder sua identidade, na medida em que existe um contexto adequado para sua re-constituição. Tais noções remetem à evolução de suas reflexões acerca da natureza do conhecimento histórico, concretizadas em alguns de seus escritos, tais como suas lectures de 1928, An autobiography de 1939 e em The Idea of History de 1946. Nestes escritos, ao definir como o princípio histórico da compreensão, a idéia de que o fluxo da realidade é um produto inteligível e não redutível a entidades ou leis fixas, Collingwood dota aquela primeira noção de uma função estrutural, capaz de garantir autenticidade às pressuposições das evidências históricas e orientar a crítica histórica. Enquanto que a noção de pensamento mediado procura solucionar as armadilhas de sua idéia de que “toda a história é a história do pensamento”. Nome: Diva do Couto Contijo Muniz

E-mail: divamuniz@brturbo.com.br Instituição: UnB Título: História Plural: uma leitura Na comunicação proposta, uma reflexão sobre a escrita da história, considerando a pesquisa realizada sobre a produção acadêmica – teses e dissertações – do Programa de Pós-Graduação em História da Universidade de Brasília. Trata-se de leitura sob uma perspectiva plural, atenta às múltiplas possibilidades de se pensar e de se escrever a história. História pensada não como sinônimo do passado, mas como produção discursiva, como discurso produzido sobre o passado e situado na história. Como tal, elaborado à luz das relações de poder, das disputas, do lugar social do autor, dos modelos e regras definidos pelas instituições e comunidade dos historiadores. Sob tal ótica, a percepção de uma cultura histórica marcada pelo pluralismo e de um conhecimento histórico não relativista, mas relativo às suas regras de produção. Nome: Edmar Luis da Silva E-mail: edmarotiao@hotmail.com Instituição: Escola Americana de Belo Horizonte Título: Compreender a vida, fundamentar a história: por uma teoria da história diltheyana Graças ao esforço de vários historiadores, já faz algum tempo que o historiador Wilhelm Dilthey saiu do anonimato do circuito historiográfico brasileiro. Essa notável presença é resultado tanto do esforço de professores e pesquisadores, que sentem a necessidade de se entender a obra desse arguto pensador das ciências do espírito; quanto é também consequência da força de suas idéias. Apesar de ser Dilthey muito mais estudado na filosofia do que no campo historiográfico, o grande objeto de toda a sua vida intelectual foi, sem dúvida, a história. Desde os seus primeiros contatos com a Escola Histórica Alemã, Dilthey via a necessidade de se pensar e estabelecer em bases epistemológicas seguras um conhecimento que fosse capaz de compreender as vicissitudes da vida. Por conta dessa meta e da vontade de alcançá-la, Dilthey pode ser considerado um dos maiores e mais importantes teóricos da história do século XIX. Nesse sentido, o objetivo de nossa comunicação é discutir os pontos capitais de sua teoria ressaltando as novidades (ainda atuais) de sua proposta. Nome: Erivan Kassiano Karvat E-mail: ekarvat@yahoo.com.br Instituição: Universidade Tuiuti do Paraná Título: “Interpretação Philosophica dos Factos Históricos”: Ciência e Filosofia da História em Sílvio Romero Reflexões acerca da tese de admissão de Silvio Romero para a Cadeira de Filosofia do Imperial Colégio Pedro II, apresentada em 1880, “Da Interpretação Filosófica na Evolução dos Factos Históricos”, que buscava promover a partir, e principlamente, da leitura do autor de “História da Civilização na Inglaterra”, Henry Thomas Buckle, o “metodo histórico-naturalista”. Publicado em livro em 1885, pela Laemmert, em “Estudos da Litteratura Contemporanea: notas de critica”, com o título de Interpretação Philosophica dos Factos Historicos, as observações de Romero insistem naqueles fatores que se notabilizariam, alguns anos depois, na sua canônica “História da Literatura Brasileira” (1888): a influência do meio as aptidões hereditárias, da raça e da evolução histórica sobre as ações humanas. O interesse historiográfico de Interpretação reside num aspecto que parece comum ao período e à sua escrita da história, justamente por deixar entrever a tensão entre o recurso à uma leitura filosófica de história ao mesmo tempo que exige a cientificidade do método. Nome: Fábio Franzini E-mail: ffranzini@uol.com.br Instituição: UNIFESP Título: O lugar da teoria na historiografia brasileira: balanço, limites e possibilidades Nos últimos anos, a reflexão teórica acerca da História tem ganhado espaço cada vez maior entre os historiadores brasileiros. Concretizada sob diversas formas, tal reflexão, bem como os esforços a ela associados, podem ser vistos como um significativo indicador do amadurecimento de nossa historiografia, que já não mais se limita à habitual (e necessária) coleta e análise de dados. O propósito desta comunicação, assim, é discutir algumas questões gerais a respeito da teoria da História, a sua situação no Brasil hoje e, sobretudo, a sua importância como um dos elementos definidores da identidade do historiador. Nome: Fábio Sapragonas Andrioni E-mail: fsandrioni@yahoo.com.br Instituição: USP Título: Entre profecias e prognósticos: a trajetória histórica até a ciência do futuro em “O ano 2000”

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O livro “O ano 2000”, escrito, em 1967, por Herman Kahn e Anthony J. Wiener, apresenta, além de previsões sobre o ano do título, um método de planejamento para a realização de tais previsões. Todavia, esta preocupação com o planejamento do futuro não foi iniciada, nem exclusiva dos anos 60 do século XX. Desta forma, o artigo busca mostrar como se deu a trajetória da transformação da visão do futuro até culminar na proposta de Kahn e Wiener. Esta análise partiu de elementos do próprio livro. Assim, parte-se desde os rompimentos com formas antigas de visão do futuro, como a grega e a judaica, conforme são feitos na introdução do livro, escrita por Daniel Bell, até a defesa, dos autores, de que seu método é uma inovação. Porém, não há uma inovação, pois a proposta metodológica do livro aproxima-se daquelas que Koselleck identificou como prognósticos racionais, as quais se destacaram na modernidade. Assim, a partir da análise dos prognósticos racionais e das diversas formas de planejamento e de entendimento do futuro, desde a modernidade até a contemporaneidade, pode-se entender o método de prognóstico defendido por Kahn e Wiener. É essa análise que o artigo pretende. Nome: Fernando Victor Aguiar Ribeiro E-mail: fvribeiro@gmail.com Instituição: USP Título: O passado colonial visto pelo DASP: A História Administrativa do Brasil Em 1956 é iniciada a publicação da História Administrativa do Brasil pelo Departamento Administrativo do Serviço Público (DASP). Com o objetivo de refletir sobre o passado administrativo do Brasil, inicia com os 7 primeiros volumes, dedicados ao período colonial. O objetivo desse trabalho é a estabelecer uma relação entre a visão de passado construída pelo DASP com as reformas administrativas que o órgão estava implantando no serviço público federal. O período em que a coleção é iniciada, anos após o suicídio de Getúlio Vargas, foi marcado por um evidente enfraquecimento do DASP, que via no anterior presidente um defensor de seus ideais de eficiência e modernização do Estado. Período esse que marcaria profundamente a visão do passado diante dos desafios que o órgão passava no presente. Nome: Francine Iegelski E-mail: fransauro@usp.br Instituição: USP Título: O homem e a história. A noção de inconsciente no pensamento de Claude Lévi-Strauss Este trabalho deter-se-á na análise e explicação da noção de inconsciente no pensamento de Claude Lévi-Strauss, considerada fundamental para compreender os desdobramentos de suas proposições teóricas acerca da cultura e do homem, seja no campo dos estudos científicos, seja no das indagações filosóficas. O inconsciente permite a apreensão da significação do comportamento dos homens em culturas diferentes pelo pesquisador; e permite também a transposição desta apreensão para o plano científico. Estes dois últimos movimentos são possíveis porque o inconsciente assume, no pensamento de Lévi-Strauss, o princípio efetivo de organização da vida interior humana, ou seja, o princípio lógico de nossas operações mentais. Tendo o inconsciente o caráter delimitado, nossa tarefa é apontar o papel que Lévi-Strauss delega para a história na compreensão do homem e das culturas. Dessa maneira, pretendemos expor as contribuições do pensamento lévi-straussiano acerca da história, problematizando e retomando questões por ele levantadas, mas que foram até hoje desconsideradas, em geral, pelos historiadores. Nome: Giselda Brito Silva E-mail: gibrs@uol.com.br Instituição: UFRPE Título: História Política e Análise do Discurso: uma escrita da história em construção Nesta apresentação pretendemos nos inserir nos debates das atuais possibilidades de escrita da história tomando como ponto central as contribuições da “Análise do Discurso” (AD) para a História Política. Interessanos, particularmente, mostrar dois aspectos do encontro da História com a Lingüística pelo campo da AD: a) que o conhecimento das técnicas de análise da produção de sentidos dos discursos ajuda o historiador não apenas a analisar os discursos políticos contidos em seus documentos, mas a compreender e analisar a própria tessitura dos seus discursos na escrita da história; b) apresentar uma síntese de exemplo prático de estudo dos discursos de confronto entre integralistas e Getúlio Vargas na constituição do Estado Novo, tomando como espaço o estado de Pernambuco e como do-

cumentos as Partes, Informes e Relatórios da polícia política dos anos que vão de 1933 a 1938. Ao final, a intenção é oferecer uma discussão teóricometodológica, procurando delimitar o que entendemos como discurso e algumas estratégias para analisá-los sob uma dada ótica, bem como traçar algumas reflexões sobre a utilização da AD no campo da História Política, sugerindo um possível caminho para a ampliação da análise histórica. Nome: Helenice Rodrigues da Silva E-mail: helenrod@terra.com.br Instituição: UFPR Título: A “história global”: abordagens comparatistas e cruzadas A mundialização, apreendida como um fenômeno sócio-comunicacional, econômico e político impõe um outro olhar sobre o mundo. Praticada já há algum tempo nos países anglo-saxões, essa história global se introduz, lentamente, em diferentes partes do mundo. Sua ambição consiste em conectar as histórias nacionais, até então, fechadas entre si, através de estudos comparativos para fazer emergir interações, intercâmbios, transferências e circulações. Apropriadas à história política, à história econômica, à história intelectual, à história cultural, essa história global visa a esclarecer as semelhanças, as diferenças e as circulações materiais e humanas dentro de uma dimensão da macro e da micro-história. Dessa forma, entendem-se melhor os fenômenos históricos de migrações, de transplantações e de transposições. Nome: João Alfredo Costa de Campos Melo Júnior E-mail: joao.melo@ufv.br Instituição: Universidade Federal de Viçosa Título: Fronteiras de um mesmo dialogo: Edward Thompson e Charles Tilly Intencionando promover o dialogo entre as ciências históricas e as ciências sociais, este trabalho se apoiará no debate sobre as ações coletivas promovidas por um historiador e por um sociólogo: Edward Thompson e Charles Tilly.Tanto Thompson quanto Tilly conseguiram promover, e com sucesso, a comunicação entre as ciências históricas e as ciências sociais. O primeiro autor buscou em seus estudos sobre ações coletivas e culturas populares uma aproximação fecunda entre a história e a antropologia social, enquanto o segundo pensador promoveu (e ainda continua), a aproximação da sociologia com a história ao analisar as ações coletivas e mobilizações sociais contemporâneas. Nome: José Nicolao Julião E-mail: jnicolao@ufrrj.br Instituição: UFRRJ Título: A História Filosófica de Kant e suas Implicações Éticas O objetivo deste estudo é o de analisar alguns textos de Kant sobre a filosofia da história, enfatizando o seu caráter universal e a priori e as suas implicações com a sua filosofia prática, ressaltando se há compatibilidade ou não entre as duas reflexões. Nome: Júlia Ribeiro Junqueira E-mail: juliarj83@yahoo.com.br Instituição: UERJ Título: Os Grandes Anais da Nacionalidade: a história do Brasil na edição comemorativa do centenário da Independência do Jornal do Commercio Na edição comemorativa do primeiro centenário da Independência do Brasil, o prestigiado Jornal do Commercio declarava que suas coleções constituíam os grandes anais da nacionalidade. Na preparação do conteúdo, que representaria a síntese da história do Brasil, os redatores não apenas lançaram mão do material anteriormente publicado, como também de fontes secundárias e, até mesmo, de outras fontes da imprensa. Ao utilizar essa estratégia, o Jornal do Commercio, cuja fundação datava de 1827, buscava dar conta do período compreendido desde a Independência até o fim da Monarquia. Neste sentido, a comunicação pretende demonstrar como a disposição das notícias foi montada de forma a compor um enredo coerente, no qual o periódico assumia as funções de um cronista, testemunho irrefutável da institucionalização do Estado Imperial. Nome: Luciana Pessanha Fagundes E-mail: lpfagundes392@hotmail.com Instituição: Fundação Getúlio Vargas - CPDOC Título: Quem lembra, quando lembra e como lembra: o diálogo da Primeira República com o passado monárquico A presente comunicação tem como objetivo discutir a problemática da

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16 memória coletiva na chave dos “usos políticos do passado”, compreendido através dos projetos discutidos no Congresso Nacional em prol da revogação do banimento da família imperial e da trasladação dos restos mortais de D.Pedro II e Thereza Christina para o Brasil. Analisar tal dinâmica memorial implica perceber como determinando passado é utilizado nessas ocasiões, sendo esta apenas uma dentre uma série de questões que podemos dirigir à problemática apresentada, cuja formulação tem como base os debates entre história e memória, entre memória individual e coletiva, entre os usos do passado e suas várias apropriações. Assim, retomar tais debates auxilia na compreensão dos diversos olhares dirigidos ao passado em determinando presente histórico, que no caso desta comunicação, são as discussões sobre a revogação do banimento e a trasladação dos despojos dos ex-imperadores. Por fim, nosso intuito é justamente debater como a heterogeneidade dos tempos históricos, bem como, os ritmos e polifonias características de um passado em questão, constituem referenciais imprescindíveis para se estudar os “usos políticos do passado”, possibilitando a análise do caráter inventivo que cada grupo lhes fornece em um dado presente. Nome: Luís Sergio Duarte da Silva E-mail: duarte@fchf.ufg.br Instituição: UFGO Título: Filosofia da História e Teoria da Fronteira no Ensaio Americano: ética intercultural Há uma filosofia da história (especulativa e crítica) no ensaio latinoamericano. Aporte historiográfico significativo (produtor de orientação, identidade e inovação interpretativa), o “gênero misto” registra, também, uma teoria da fronteira: a perspectiva a partir da qual tal filosofia da história é produzida. Este é um debate historicista de relevante atualidade para interessados em relações interculturais e comparação de éticas do pensamento histórico. Nome: Marçal de Menezes Paredes E-mail: marcalparedes@hotmail.com Instituição: UFRS Título: O passado (ultra)passado: formas de gerenciamento estético da alteridade portuguesa na construção historiográfica da “nação” brasileira À construção da identidade nacional brasileira impôs-se um “balanço” histórico do lastro social e estético lusitano. Pode-se dizer que nossa “nacionalidade” nasceu deste ato de demarcação memorial que, erigido no decurso do século XIX até as primeiras décadas do século XX, operou um gradativo afastamento simbólico e intelectual de Portugal. Neste processo, o certo é que a História teve papel central. Sua narrativa, prenhe de opções teóricas geradoras de evidências factuais, busca consolidar determinado sentimento de pertencimento social, acabando também por fomentar um “horizonte de expectativa” onde o nosso passado colonial devia ser ultrapassado. Disto distingue-se o “brasileiro” do “português”. O presente trabalho estuda como foi gerenciado o relacionamento identitário luso-brasileiro centrando-se em dois contextos históricos específicos: i) o final do século XIX, nomeadamente o da Geração de 1870, e ii) o modernismo brasileiro, sobretudo no que tange ao seu impulso refundacional da nação. Em ambos os casos, prestamos atenção às formas de mobilização da história na construção do padrão de relacionamento estético e identitário luso-brasileiro. Nome: Marlon Jeison Salomon E-mail: marlonsalomon@gmail.com Instituição: UFGO Título: Alexandre Koyré e a escrita da história das ciências “Itinerarium mentis in veritatem”: eis como A. Koyré define a história das ciências e do pensamento científico. Seria preciso sublinhar o modo como duas palavras desta afirmação, itinerário e verdade, relacionam-se com sua concepção de história. A história das ciências é a história de um percurso, de um caminho, de uma linha que não é dada por antecipação, mas que é um fluxo no qual o pensamento se encontra engajado. As ciências têm uma história, mas não são uma história, quer dizer, um desenvolvimento. Elas são um devir. É a busca da verdade que abre esse percurso. Há uma clara inversão da concepção clássica de verdade em que se assentava a historiografia positivista e empirista, para a qual “veritas est adaequatio rei et intellectus”. Itinerário não é adequação. Assim, a escrita da história das ciências pode deixar de ser o recenseamento dos resultados da ciência, para se tornar uma descrição do pensamento no movimento de sua própria criação.

Nome: Naiara dos Santos Damas Ribeiro E-mail: na_damas@hotmail.com Instituição: UFRJ Título: O historiador, o cientista e o poeta. Johan Huizinga e a História da Cultura como Morfologia Histórica Em 1926, o historiador holandês Johan Huizinga (1872-1945) foi convidado pela Universidade de Zurique, Suíça, a apresentar uma conferência sobre seu trabalho no campo da História da Cultura. Naquela ocasião, Huizinga propôs aos seus ouvintes refletir sobre a tarefa desse campo historiográfico e, num escopo mais amplo, sobre as especificidades que marcam o ofício do historiador. À luz da crítica ao Realismo histórico e dos debates sobre o estatuto científico dessa disciplina do final do século XIX, Huizinga afirmou, então, que a História, e a História da Cultura em particular, deveriam ser compreendidas como Morfologia do passado. Pensar a História morfologicamente significava, segundo Huizinga, um novo olhar tanto sobre as etapas da pesquisa e da escrita da História – consideradas na sua relação fundamental com a Arte – quanto um entendimento diferenciado sobre a tarefa ética do historiador em relação ao presente. Nessa comunicação pretendemos refletir sobre o que significava, para Huizinga, pensar a História morfologicamente e quais são os corolários dessa orientação para o trabalho do historiador a partir dos três eixos em que esta idéia de Morfologia se desdobra: a linguagem (escrita), a experiência (contato com o passado) e a realidade (autenticidade). Nome: Oldimar Pontes Cardoso E-mail: oldimar@gmail.com Instituição: USP Título: A narrativa histórica em revistas de divulgação científica e em livros didáticos brasileiros, franceses e alemães: a utilização desses materiais na sala de aula e a função social da História Esta comunicação apresenta três pesquisas complementares de pós-doutorado realizadas atualmente: a pesquisa “Concepções sobre função social da História em revistas de divulgação científica”, realizada no Departamento de História da Universidade de São Paulo/FAPESP, a pesquisa „Populärwissenschaftliche Geschichtsmagazine in Brasilien und Deutschland: ein Vergleich der Konzeptionen und Studien zur Rezeption im Geschichtsunterricht“, realizada na Cátedra de Didática da História da Universidade de Augusburg/Fundação Alexander-von-Humboldt, e a pesquisa „Populärhistorische Themen in argentinischen, brasilianischen, deutschen und französischen Schulbüchern“, realizada no Georg-Eckert-Institut für internationale Schulbuchforschung. O objetivo destas pesquisas é analisar as diferentes concepções de função social da História nos livros didáticos e nas revistas de divulgação científica dessa área no Brasil, na França e na Alemanha e o uso desses materiais na sala de aula. Estas pesquisas analisam o acervo de livros didáticos do Georg-Eckert-Institut e as edições dos últimos cinco anos das revistas brasileiras RHBN-Revista de História da Biblioteca Nacional e Aventuras na História, das revistas francesas L’Histoire e Historia, e das revistas alemãs Damals e P.M. History. Nome: Pablo Spíndola E-mail: phst@usp.br Instituição: USP Título: Teorias em disputa: Jeremy Bentham e a filosofia mecânica versus contracultura medievalizante da Inglaterra na primeira metade do século XIX O historiador Carl Schorske, em um dos seus artigos, apresenta três intelectuais do início do século XIX, que segundo ele, seriam exemplos de uma “contracultura medievalizante da Inglaterra”. Esses pensadores são: o poeta Samuel Taylor Coleridge, o arquiteto Augustus Welby Pugin e o romancista e político Benjamin Disraeli. O intuito é, baseado no texto de Schorske, por um lado, fazer um breve panorama sobre as idéias produzidas por esses pensadores e por outro, baseado nos escritos do filósofo e jurista também anglo-saxão Jeremy Bentham, complementar o panorama. Este último, considerado um dos pais do utilitarismo, pode ser visto como um modernizador ao ser equiparado com seus contemporâneos aqui mencionados. O propósito dessa comunicação é um estudo que leva em conta a orientação da história intelectual, realizando uma investigação das idéias em disputa desses intelectuais da Inglaterra do final do século XVIII e primeira metade do século XIX. Com isso é possível vislumbrar o cenário intelectual, mas também o ético da formação, estabelecimento e historicidade de determinadas idéias. Nome: Paulo Henrique de Magalhães Arruda E-mail: ph.arruda@yahoo.com.br

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Instituição: UFPR Título: Uma Universidade a serviço do Estado: O projeto político por trás das reformas pombalinas de ensino conimbricense Mesmo uma breve leitura da Historiografia recente produzida em Portugal acerca das reformas promovidas pelo marquês de Pombal, em especial aquelas no ensino conimbricense, evidencia uma percepção geral de insuficiência, ou mesmo de fracasso. Uma das causas apontadas é a queda precoce de Pombal quando da morte de D. José I, e a subseqüente “viradeira”, dentre outras. Não pretendemos uma posição laudatória nem contestadora desse juízo; porém, tomando-o como problemática de pesquisa, cremos na necessidade de se retornar às fontes e de se rever os métodos que se permitem chegar a uma conclusão cabal quanto ao grau de sucesso das mudanças fomentadas por Pombal. As intervenções na Universidade devem ser vistas como instrumentos da ação política, ao mesmo tempo produtos e reprodutores de determinada visão de mundo. Outros autores já perceberam a renovação cultural e mental pretendida pelas medidas pedagógicas, mais o fortalecimento do Estado e o preenchimento de cargos da administração pública. Essas e outras intenções são vistas de forma concreta nos novos Estatutos de 1772 e é somente a partir de uma análise pormenorizada desse documento que temos como montar um modelo que sirva de contraste com o alcance de fato das reformas. Este artigo vem tratar justamente desses esforços. Nome: Paula Virgínia Pinheiro Batista E-mail: paulavir@ig.com.br Instituição: UFC Título: Bastidores da escrita da História: a amizade epistolar entre Capistrano de Abreu e João Lúcio de Azevedo O presente trabalho visa analisar as práticas de leitura e escrita da história expressos na correspondência trocada entre os historiadores Capistrano de Abreu e João Lúcio de Azevedo entre os anos de 1916 e 1927. Ambos participaram ativamente do campo intelectual, respectivamente, no Brasil e em Portugal, ocupando diversas alocações importantes nesses espaços como o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB), o Colégio Imperial Pedro II, a Academia de Ciências de Lisboa, dentre outros. A partir dos comentários que os missivistas faziam sobre suas leituras, buscamos apreender que tipo de apropriações eles faziam desses livros partilhados, e expor algumas das condições de produção e circulação das suas obras, bem como as estratégias de publicação e divulgação das mesmas. Nome: Pedro Spinola Pereira Caldas E-mail: pedro.caldas@gmail.com Instituição: Universidade Federal de Uberlândia Título: História e sabedoria: Um comentário sobre as reflexões teóricas de Jacob Burckhardt O objetivo desta comunicação consiste em tentar compreender, mesmo que de maneira introdutória, o aparente paradoxo que se encontra nas reflexões teóricas de Jacob Burckhardt e que diz respeito à dimensão formativa do conhecimento histórico. O paradoxo pode ser formulado a partir de duas perguntas: em primeiro lugar, como entender a especificidade da função coordenativa do saber histórico perante a tendência hierarquizadora e sistemática da filosofia, se o próprio Burckhardt entende que a história não reflete sobre os “mistérios profundos da vida”? Decorre desta a segunda pergunta: sendo, pois, a história um saber marcado a princípio pela resignação (dado que cabe à filosofia um saber mais radical na própria acepção da palavra), como entender a função da história como propiciadora de sabedoria? Nome: Renato Lopes Leite E-mail: renato.lopes.leite@gmail.com Instituição: Universidade de Coimbra/Portugal Título: Carlyle: o romance histórico e a experiência da “massa” Pretende-se uma reflexão em 4 níveis: a) A relação entre Carlyle e Scott: noções como massa popular, ou voz coletiva, no sentido de influência da Revolução Francesa sobre estes autores. b) Forte interfusão das fronteiras entre história/ficção. c) Carlyle como radical inovação na narrativa. d) Carlyle pretende integrar o indivíduo ao contexto histórico-social Nome: Sara Albieri E-mail: sara@usp.br Instituição: USP Co-autoria: Raquel Glezer E-mail: raquel.glezer@pq.cnpq.br Instituição: USP

Título: O tempo da história: narração e temporalidade nas fronteiras da historiografia Os escritos de ficção histórica constituem um desafio recorrente para o campo da historiografia. Eles põem em questão as fronteiras disciplinares, na medida em que incorporam vários dos elementos que marcam a confiabilidade da produção historiográfica acadêmica. Para restaurar a especificidade da pesquisa histórica, é preciso refletir sobre seus limites. Um importante traço distintivo é a forma como o tempo aparece nas narrativas. Historiadores acadêmicos que se colocam nas novas perspectivas historiográficas trabalham com as questões dos marcos temporais do estudo de duas formas, uma implícita, introjetando alguma das temporalidades braudelianas, ou de forma explícita, explorando o conceitual da história de tempo presente. As obras de “quase-história”, destinadas ao grande público, se desenrolam no tempo linear, direcionado pelas idéias de progresso e evolução, de cunho teleológico: os bons serão recompensados e os maus castigados, ainda que antes do Juízo Final. As discussões teóricas e as transformações metodológicas da história que ocorreram no século XX - da história da nação para a história dos grupos sociais; da história do herói para a história dos agentes sociais; da objetividade histórica para a subjetividade analítica, passam longe dos autores das obras de ficção. Nome: Silene Ferreira Claro E-mail: silene.claro@terra.com.br Instituição: USP Título: História em revista: análise da Revista do Arquivo Municipal de São Paulo e os modelos de produção historiográfica durante o processo de profissionalização do campo Análise da construção de estatuto da História e das tensões entre os vários campos do conhecimento durante o processo de profissionalização, por meio do periódico institucional Revista do Arquivo Municipal de São Paulo, entre 1934 e 1950. Nome: Simone Cristina Schmaltz de Rezende e Silva E-mail: simoneschmaltz@bol.com.br Instituição: Universidade Católica de Goiás Título: A escrita da história e a nova história política A escrita da história é fruto da constante reelaboração do pensamento histórico tendo em vista a busca de uma objetividade passível de controle, onde a pesquisa empírica e a fundamentação teórica transitam juntas e aliadas às demais ciências sociais. As reflexões realizadas pela historiografia contemporânea possibilitaram uma ampliação dos horizontes da história política, passando a considerar os espaços da política espaços de relações de poder, nem sempre explícitas e tomadas em uma perspectiva globalizante. A legitimidade dos estudos sobre a política na história é garantida na medida em que nos debruçamos sobre as fontes existentes com um novo olhar, novos questionamentos e novas perspectivas, objetivando a construção de uma nova história política. Nome: Thiago Lima Nicodemo E-mail: thiagonicodemo@uol.com.br Instituição: USP Título: Mentalidade, Forma Mentis e o aparecimento do Semeador e Ladrilhador na segunda edição da obra Raízes do Brasil de Sérgio Buarque de Holanda Este trabalho propõe uma análise comparativa das duas primeiras edições da obra Raízes do Brasil, de 1936 e 1948, levando em consideração especificamente as modificações do Capítulo 4. Com a revisão feita para a segunda edição da obra, este capítulo ganhou o celebre titulo Semeador e Ladrilhador, e marca um aprofundamento na caracterização do legado ibérico na colônia como um tipo de mentalidade ou forma mentis. Por meio dessa alteração, o autor atenua a preponderância na estruturação da obra de categorias de inspiração ideal-típicas, reforçando, assim, mecanismos de explicação histórico-processuais, que foram tomando papel cada vez mais central no desenvolvimento posterior de sua obra historiográfica. Nome: Tiago Santos Almeida E-mail: tiagoalmeida@usp.br Instituição: USP Título: A história como tribunal da razão Gaston Bachelard criticou os historiadores das ciências de sua época por não estabelecerem diferença entre fato e erro, isto é, por dedicarem-se à simples prova da existência de uma idéia, sem preocupar-se com o que ela apresentou de nocivo ou fecundo ao pensamento contemporâneo. Contra uma história das ciências “relativista”, que evitava estabelecer juízos

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17 de valor sobre as idéias do passado, satisfeita por justificá-las no limite das verdades de sua época, Bachelard propôs um modelo “perspectivista”, isto é, que localizava as idéias no seu tempo, mas sem esquecer-se de onde fala e, por isso, capaz de julgar tais idéias a partir dos critérios de racionalidade estabelecidos pela ciência atual. Ao mesmo tempo, Bachelard criticou a visão continuísta daqueles historiadores e afirmou que a ciência não progride pelo acúmulo de informações ao conjunto de conhecimentos estabelecidos, mas que a razão está sujeita a saltos e deve ser analisada nos seus períodos de oscilação, na superação de obstáculos, nos momentos de ruptura. Assim, impôs-se o problema da competência de julgamento sobre um passado que não se efetuou de forma linear, dilema que o próprio Bachelard pretendeu resolver a partir da inserção, entre o historiador e o cientista, do ponto de vista do epistemólogo. Nome: Vantuil Pereira E-mail: vantuilpereira@yahoo.com.br Instituição: UFRJ Título: Primeiro Reinado: o discurso político como chave de entendimento da escrita da historia A Independência do Brasil foi resultado de um processo político que propiciou o surgimento do Império do Brasil. Ao longo dos decênios de 1820 e 1840, foram criadas as condições para a construção do Estado nacional. Contudo, os primeiros anos deste Império foram marcados por uma série de conflitos políticos envolvendo setores sociais originários de Portugal e grupos nacionais. Até o presente, a historiografia sobre o Primeiro Reinado fixou-se quase que invariavelmente na visão de período como uma transição entre a Proclamação da Independência e a verdadeira libertação nacional, o 7 de abril de 1831, que também fora a época da consolidação da autonomia política do Brasil . Porém, acreditamos que o cerne do debate passa pelo que se pode chamar “escrita da história do Primeiro Reinado”, isto é, que sejam questionadas as leituras deterministas, as cronologias e as explicações únicas para os eventos presentes naquele período histórico. Assim, o artigo, fruto de uma discussão iniciada no processo de elaboração de nossa tese de doutorado, pretende mapear algumas problemáticas centrais do que entendemos ser uma leitura do primeiro decênio pós-Independência do Brasil. Nome: Victor Wladimir Cerqueira Nascimento E-mail: victorwladimir@hotmail.com Instituição: UNICAMP Título: Modernidade: uma ontologia do presente A historiografia contemporânea se encontra cindida entre a modernidade, um projeto inacabado que se caracterizaria pela relação entre consciência de tempo e racionalidade, e uma pós-modernidade, que se caracterizaria por uma crítica radical da razão e pela transformação da própria história numa mera ficção. Essa discussão torna-se pouco frutífera quando não se determina qual o conceito de modernidade que está em jogo e qual seu conteúdo normativo. Em “O discurso filosófico da modernidade”, Habermas desenvolve o conceito de modernidade a partir da noção weberiana de “desencantamento do mundo” enquanto um processo histórico de racionalização e autonomização das esferas da cultura. Esse conceito serve de base a uma crítica dos pós-modernos, entre os quais Habermas inclui Michel Foucault. O problema se estabelece porque o próprio Foucault, recorrendo também a noções weberianas, enquadra seu pensamento no seio da modernidade, fazendo uma crítica radical às ciências humanas enquanto

dispositivos de “dominação”. Esse trabalho pretende elucidar o problema a partir da leitura comparada entre Weber e Foucault, mostrando como a crítica da razão se encontra no seio do projeto moderno e como a história fornece os mecanismos para uma redefinição de modernidade enquanto uma ontologia do presente. Nome: Vitor Henriques E-mail: vitorhenriques@usp.br Instituição: USP Título: O lugar da razão e as possibilidades da história na filosofia de Nietzsche Ao se falar em pensamento pós-moderno, Nietzsche ganha o estatuto de filósofo inaugural, sendo sua filosofia irracionalista, segundo Habermas, um “ponto de inflexão” na Modernidade. A comunicação proposta faz parte da nossa pesquisa em torno de uma revisão do lugar epistêmico ocupado por Nietzsche, enquanto figura exponencial, no paradigma pós-moderno da história. Para tal, desenvolveremos dois tópicos em particular. O primeiro deles gira em torno do conceito de razão no filósofo alemão. Apresentaremos a especificidade da crítica nietzschiana em torno dele, a saber, sua crítica não se volta para a razão em si, mas para a razão socrática, que sobrepôs a razão diante das paixões. Nietzsche não falará em nome desta última, como veremos. Dentro da mesma lógica, demonstrar-se-á que a crítica de Nietzsche em relação à história se deve mais a um modo específico de operar o saber histórico do que à história propriamente. François Dosse tem razão ao dizer que “Nietzsche ataca a objetividade historiográfica que participa de um discurso teleológico”, no entanto, ao contrário de Dosse, não entendemos tal objeção como uma objeção à história. Assim apreendido e delimitado, Nietzsche pode ganhar um outro entendimento e ocupar um outro lugar na teoria contemporânea da história. Nome: Zeloi Aparecida Martins dos Santos E-mail: zeloim@terra.com.br Instituição: Faculdade de Artes do Paraná-FAP Título: A arte de escrever cartas: a experiência com as fontes O objetivo do artigo é de evidenciar questões relevantes a respeito do tratamento teórico-metodológico das fontes. Refletir sobre a metodologia do trabalho com fontes não é uma tarefa fácil em virtude das múltiplas possibilidades de enfoques. Partindo dessa constatação abordaremos alguns aspectos que envolvem o tema, a partir da experiência de trabalhar com cartas manuscritas. Revelar o que um homem guardou de significativo para sua comunidade, sua província e para o Brasil, a partir da opinião sobre si próprio, e sobre a sociedade em que viveu. Deixar o senhor Jesuíno Marcondes Oliveira de Sá revelar-se pelas cartas foi um dos objetivos da pesquisa.

17. História, religiões e ética Fernando Torres Londoño - PUC/SP (vanialan@bol.com.br) Elton de Oliveira Nunes - PUC/SP (eltonnunes@uol.com.br ) O objetivo desse Seminário é abrir um espaço para as pesquisas que, a partir de estudos históricos, antropológicos e sociológicos, correlacionam a História e a Ética como elementos que se integram articuladamente à vida social, política, econômica e religiosa das sociedades em seus diferentes balizamentos históricos e culturais.

Resumos das comunicações Nome: Adriano de Sousa Barros E-mail: adriano_sbarros@yahoo.com.br Instituição: UFCG Nome: Cleoneide Moura do Nascimento E-mail: cleopsyque@hotmail.com Instituição: UFPB Nome: Maria do Socorro de Lima Oliveira E-mail: socorrololiveira@oi.com.br Instituição: UFCG Título: As mudanças no campo religioso paraibano: e o embate entre a Renovação Carismática Católica e os Movimentos Sociais O presente trabalho pretende discutir os efeitos da ascensão da Renovação Carismática Católica (RCC) sobre as relações entre a Igreja Católica e os movimentos sociais na Diocese de Guarabira. A metodologia adotada foi a de estudo de caso, tendo sido selecionada a região de Guarabira, a qual se notabilizou pela ação das CEBs e pelo engajamento da Igreja Católica com as lutas sociais no campo. Dentre as principais conclusões da nossa pesquisa, destacamos as seguintes: (1) observou-se, com a ascensão da Renovação Carismática na diocese analisada, a perda de espaço das CEBs e das atividades a estas relacionadas; (2) no âmbito da Diocese de Guarabira replica-se o que acontece no campo católico nacional brasileiro: uma luta entre a orientação ligada ao sistema de valores inspirado na Teologia da Libertação e a orientação fundamentada nos valores da Renovação Carismática. Nome: Arnaldo Érico Huff Júnior E-mail: huffjr_@hotmail.com Instituição: Universidade Presbiteriana Mackenzie Título: Richard Shaull e a produção do projeto político-teológico do movimento ecumênico brasileiro As tradições religiosas sistematizadas teologicamente podem constituir um campo fértil para o estudo da produção de significados religiosos que tanto visam promover uma cosmovisão quanto propõem um projeto de transformação do mundo. As diversas teologias são, nesse sentido, também projetos ético-políticos. A história das religiões tem, por sua vez, na análise da produção e re-produção social de teologias políticas, bem como nos embates implicados na construção de conceitos religiosos, uma área fecunda de atuação. Nessa perspectiva, uma teologia política é principalmente uma política teológica. O foco de nosso estudo recairá sobre Richard Shaull, teólogo presbiteriano estadunidense que atuou por vários anos no Brasil e foi figura central na produção da agenda ético-política do movimento ecumênico brasileiro. Sua leitura de Marx em perspectiva cristã protestante e a construção de conceitos teológicos como o de revolução, a partir de meados dos anos 1950, constituem o objeto desta análise. Tratar-se-á de pensar, no contexto dos embates políticos e teológicos do período em nível nacional e internacional, o processo de produção da teologia da revolução de Shaull, aspirações primevas de um ideal de ação religiosa para transformação social em perspectiva ecumênica. Nome: Belarmino de Jesus Souza E-mail: bjsouzahist@yahoo.com.br Instituição: Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia Título: Igreja Católica, lutas sociais e democracia: estudo de caso - Vitória da Conquista, BA Vitória da Conquista, no Sudeoste baiano, foi uma das muitas cidades que sentiram de imediato o impacto do golpe civil-militar de 1964. Teve o seu prefeito José Pedral Sampaio preso e cassado, mas superado o trauma inicial se tornaria num dos baluartes da resistência democrática contra a ditadura. Elegeu em 1972 um prefeito oposicionista, se manteria como centro oposionista até o final do regime, e posteriormente sob hegemonia do “carlismo” na política estadual, remou contra a maré e elegeu e manteve administrações de esquerda sob a lide-

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rança do PT. Ao longo desse processo teve papel relevante clérigos e militantes leigos católicos, diferente de outras cidades baianas, lá não ocorreram “marchas da família...”. A ação de um clero mais progressista, por meio da CEBs, defesa de posseiros, luta de assalariados rurais, retomada de um movimento sindical classista, defesa dos direitos humanos e mesmo acolhimento de militantes de esquerdas perseguidos, muito contribuiu para a construção de espaço político mais democrático, ou mesmo para o desenvolvimento de uma Cultura Política democrática, um tanto fora do tom ao que existia naqueles tempos no sertão da Bahia. Nome: Bruno Fonseca Ratton E-mail: bfratton@ig.com.br Instituição: UFMG Título: Milenarismo e Republicanismo no discurso político de Savonarola O trabalho tem a pretensão de abordar o encontro entre o discurso profético e político de Savonarola, no final do século XV, a partir da análise das “ Prediche sopra Aggeo” e do “ Tratado sobre o regime o governo da cidade de Florença”. Serão objetos de nossa análise os usos do vocabulário político florentino do “quattrocento” em seu projeto de reforma moral da cristandade. Nome: Bruno Rodrigo Dutra E-mail: dutrab@hotmail.com Instituição: PUC/MG Título: A presença e situação da população afro-brasileira na sociedade brasileira: identidade e religião Atualmente, uma grande população afro-descendente se afirma cada vez mais na sociedade brasileira, expressando com maior visibilidade suas manifestações culturais e suas peculiaridades religiosas, o que pode contribuir para a formação e confirmação de suas múltiplas identidades. No entanto, considerando o movimento da história brasileira, nem sempre essas populações negras e afro-descendentes foram tratadas com a devida importância e respeito. Nesse trabalho, nos propomos verificar de que maneira os negros são tratados pela historiografia. Pontuamos diversas observações a esse respeito, intentando o conhecimento e a reflexão sobre o posicionamento de nossos historiadores clássicos. Além disso, esse estudo se propõe a questionar como as identidades afro-brasileiras, particularmente a identidade religiosa, se formam atualmente. Levamos em consideração que as culturas e suas diversas formas de manifestação tendem a um processo de fragmentação devido, entre outros motivos, ao próprio processo de globalização. Nome: Camila Corrêa e Silva de Freitas E-mail: camilacorrea_ufrj@yahoo.com.br Instituição: UFRJ Título: Os Santos Varões da Companhia de Jesus do Estado do Brasil: uma análise política das obras de Simão de Vasconcelos (1597-1671) Nesta apresentação, pretendemos problematizar os pedidos de canonização dos padres inacianos José de Anchieta (1534-1597) e João de Almeida (1572-1653), feitos pelo jesuíta Simão de Vasconcelos em duas obras impressas no século XVII, a saber, “Vida do venerável Padre José de Anchieta da Companhia de Jesus” (1672) e “Vida do Padre João de Almeida da Companhia de Jesus, na província do Brasil”. Para tanto, nossa discussão partirá da análise de duas questões conjunturais de grande importância: os possíveis significados políticos e culturais da “santidade” no Seiscentos, de acordo com a ética católica p