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CARTA PASTORAL --·-· ···--·--· PREVENINDO OS DIOCESANOS ... --·-·--·---·~-----"'"-·.........___....._ CONTRA OS ARDIS _.,.. ___ .,___,, _ ----•--•<--·•-·· ____ __ _ _ ___ .. -- ..... -··--"-_ DA SEITA CO~tUNISTA

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ANO X IX

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Alguns números espec,a ,s de "Catolicismo" publicados nestes vinte anos: n. 0 100 "Revolução e Contra-Revolução", do Prof. Plínio Corrêa de Oli0 veira: n. 127 "Carta Pastoral prevenindo os diocesanos contra os ardis da seita comunista", de o. Antonio de Castro Mayer; n. 0 142 por .__ _ ocasião da abertura do li Concílio do Vaticano; n. 0 161 "A liberdade da Igreja no Estado comunist a", do Prof. Plínio Corrêa de Oliveira: n .0 167 _ __. "Declaração do Morro Alto", de D . Geraldo de Proença Sigaud, o . Antonio de Castro Mayer, Prof. Plínio Corrêa de O liveira e Econ. Luiz M endonça de Freitas; n. 0 178- 179 "Baldeação ideológica inadvertida e diálogo", do Prof. P linio Corrêa de Oliveira, n. 0 196 "Carta Pastoral sôbre a pre0 servação da Fé e dos bons costumes", de D . Antonio de Castro Mayer: n. 208-209 comemoração do quinto centenário da transladação da imagem 0 de Nossa Senhora do Bom Conselho de Scutari, na Albânia, para Genazzano, n. 220-221 denunciando o 100-C e os "grupos proféticos". 2


VINTE ANOS DE FIDELIDADE INTE ANOS DE EXISTÊNCIA! Grnças" Deus! Se1npe1· et ubique. A nçiio de grnçC1s é de se,npre e de tô<Ú1 1x1rte, por<JUR e11i tôdas as vicissit.udes d<1 vida, o amor inefável de Deus nos persegue co1n sua 1nisericórdill, E,n 11u,itas ocasiões não nos é dado perceber o niistério do ,11nor cli·v ino; e,n outras, e,n nova manifest<tçã,o de s,u, 1nise ricórdia, Êle nos faz conio qtte <tpalp<tr sua graça. Então sent inios nossn p eqrtenez, e nos alegr,1111.os co,n snn libe rnlidade. "Catolicis,no" é u11i dêstes casos. Dur<tnte seus vinte anos de conibate pelei caus<1 de Deus, de esforços no sentido ,le dilat<tr o R eino ele Jesus Cristo nas al,nas, foi senipre vL~ível a ,naterna proteção da Virge11, Santíssi111a, Medi<111.ei1·a de tôdas as graças que desce1n cio Coração de Jesus ,, tonific<1r as cn1nbflleantes vontad~is hu11u1111.1s, Por isso, co11, hrtrnil<Ú1de, e co11i 11u1is fervor ainda que nos anos nntciriores, curvn1no-11os diante do trono do Altíssi,no, e nêle depo.~it,11nos, /JelC1s ,nãos i,naculadas de MC1ria, nossas c1ções de graÇ(IS, Vinte anos ele existênci<1, graças a Deus! 1Vo ano que findou , pôde "C<ttolici-Srno" ofe· recer aos seru leitores 1t1n" prOv(I palpável da especial protetfío que Deu-S Nosso Senhor Se t.e11i clignado reservar-lhe. U1rn1 das coisas ,nai-S difíceis cio ho,ne rn é conservar " serenidade para j11cigC1r os eventos hurnan.os, de r1ctirdo co,n <t Doiitrino Reveú1<Ú1. Porc11ut11.to, estão os honiens de tal 1uC1neira hobituados a con fiar na siu1 própria capacidade, que pe11s,1111. pode,. re(llizar o icle(ll da vi<ÚL por si sós, se,n anxíli.-0 ,lo Alto; Age111, pois, ignor(lndo os princípios revelados, que lhes indicoria,n, no entanto, o ca,nüiho certo d,t verda,leira prosperidade 1nes1no aqui 1ui terra. Jt êsse discerni1ne11to que compete o "C(ltolici-Snio" agrodecer ele ,nodo especi.al. Mostremo-lo através d.e urn foto.

Ern 1967, qu<tndo boa pClrte da opinião catÓ· lica considerava eufórica a evolução 'd ernocrátíca do Chile, co,n srut fa,nos<t "Revolução na lil,er<Út· de" a abrir novos e "encantc1dores" horizontes JXL· ra o país <lln~go, "C(ltolici-~1110" pelo seu. colabor(ldor, Sr. F(lbio Vidigal Xavier dCI Silveira, predizio o futuro tétrico, a qu.e lev<1ric1 aquêle pllís a política kerenskiarn1, úí implanta<Ú1 pela. De,nocracict.• -Cristã. A eleição e posse do marxistc1 Allende corno Pre11iclente do Chile confir11u1rarn a previsão do Sr. Fabio Xavier da Silveira. De onde, <t reimpressão no ,,no findo do nú,nero especi<1l de "Catolicismo" contendo o ens<1io "Frei, o Kerensky chileno", acompanhado agora do artigo-,nanifesto do Prof. Plínio Corrêa de Oliveira, ".4 posição d.<1 TFP ante lL vitórilL 11u1rxista no Chile". Tal rei,npressão não foi u,n grito de vitóric1, ,nos n111,i ló.gri,na <tnwrga co11, que "C(ltolicis,no" chorou, en,bora a tivesse previsto, a ;,,;.plantação tia tiranic1 111cirxist<i 1u1 1u1çfío andina. Co,n essa rei,nl)ressão, exeniplifica "Catolicis1no" os e feitos sini11tros da obra realiz(ld<t nos 1neios católicos pelos "grrtpos proféticos". Constitui, álé,n disso, uni 'ato de reconhecimento à graça da previsão que o A ltíssirno lhe co,icedeu. E é enfini rim.ato de apostou1do pelo alar,ne que renova, e1n te1npo ainda 1í.til, aos responsáveis pelll Coisa Pública, não ve1ilu11n a per,nitir sorte análoga (10 nosso PC1ís. Ternos, assi,n, re.,u,nido 11u1n episódio a vi~ <Ú1 de " Catolicis11,o" nestes vinte ,11ios de sua existê1icic1: uni esfôrço por esclarecer a opinião fJÚ· blica à luz <Úi Doutrina C(ltólica. Pela graça da fidelidctde ,i tão nobre ideal, ruimos gr«ÇCIS a Deus. E suplicamos a il'Iari.a Santíssirna queira co,itinu<tr a abençoar nosso ,nensário, seu Diretor, colaboradores e quC111tos 111,<1Ís realiZ(lm o C1postolado de "Catolicismo".

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Antonio, BISPO DE CAMPOS

3


"Catol icismo" reproduz hoje o artigo de apresentação de seu n.0 1, escrito pelo Prof. Plínio Corrêa de Oliveira. Passaram-se vint

comunismo tende para o auge. Uma bomba terrorista explodiu na sede da Presidência do Conselho Nacional da TFP, atingindo uma ir venerada em oratório que a entidade instalou no mesmo local da explosão -

nossa 1.0 pág.). Cruzados do século XX desfi·lam

América do Sul (foto ao lad·o). Tôda a vida de "Catolicismo", como a vida da TFP, const ituem uma vitoriosa transposição, para ó terr,

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CRUZADA

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A IDADE M8DIA, os cruzados derramaram seu sangue para libertar das mãos dos in fiéis o Sepulcro de Nosso Senhor Jesus Cristo, e insti~uir um reino cristão na Terra. Santa. Hoje, corre de nôvo o sangue dos fil hos da Igreja, na Hungria e na Polônia, como na Checoslováquia e na China. Para que? Para libertar a Cristandade do jugo do anticristo comunista, e resta urar no mundo o Reino de Cristo. Mas o q ue é o Reino de Cristo, ideal supremo dos católicos, e. pois. meia constante desta fôlha? 8 o que procuramos definir na enumeração de princípios que a seguir

apresentamos, como marco liminar de nossa atividade.

O Reino de Cristo •

A Igreja Católica foi fu ndapor Nosso Senho r Jesus Cristo para perpetuar entre os .homens os beneflcios da Redenção. Sua finalidade se identifica, pois, com a da própria Redenção: expiar os pecados dos homens pelos méritos infinitamente preciosos do Homom ..Dcus~ restituir assim a Dous a glória extrínseca que o pecado Lhe havia roubado; e abrir aos homens as porias do Céu. Esta finalidade se realiza tôd a no plano sobrenatural, e com o rdem à vid a eterna. ·Ela transcende absolulamenle 1,u do q uanto é meramente natural, terreno, perecível. Foi o que Nosso Senhor Jesu& Cristo afirmou, quando disse a Pôncio Pilatos: "meu Reino mio é tlêste m mr· do" (Jo. 18, 36 ). A vida terrena se d ife rencia, assim, e profundamente, da vida ciema. Mas estas . d uas vidas não constituem dois planos absolu1amen1e isolados um do outro. Há nos desígnios da Providência uma relação íntima entre a vida terrena e a vida eterna . A vida terrena é o cam inho, a vida eterna é o fim. O Reino de Cristo não é dêslc mundo. mas é neslc mundo que está o caminho pelo qual chegaremos até êle. •

Assim como a escola militar é o caminho para a carrci.r a das armas, o u o noviciado é o caminho para o definitivo ingresso n u· ma O rdem Religiosa, assim a terr a é o caminho para o Céu. Temos uma alma imortal, criada à imagem e semelhança de Deus. Esta alma é criada com um tesouro de aptidõe$ na1,irais para o bem, enriquecidas pelo llalismo com o dom inestimável da vida sobrenatural da graça. Cumpre-nos, durante a vida, desenvolver até a. sua plenitude estas aptidões para o bem. Com isto, nossa semelhança com Deus, que era em algum sentido ainda incompleta e ,meram ente potencial, torna-se plena e atual. A semelhança é a fon te do amor. Tornando-nos plenamente semelhantes a Deus, somos capazes de O amar plenamente, e de alrair sôbre nós a plenit ude de seu am or. Ficamos, assim , prepar ados para a contemplação de Dous face a face, e para aquêle eterno ato de amor, plenamente feliz, para o qual somos chamados no C6u. A vida terrena é. pois. um novi· ciado cm que preparamos nossa alma para seu verdadeiro destino, que é ver a Deus fac.e a face. e amá-lo por tô da a eternidade. •

Apresentando a mesma verdade em outros lêrmos, podemos dizer que Deus é infinitamente p.u ro, infinitamente justo, infinitamente forte, infinitamente bom. Para O amarmos. devemos amar a pureza, a justiça. a fortaleza. a bondade. Se não amamos a virtude. como podemos amar a Deus que é o Bem por excelência? De o utro lado, sendo Deus o Sumo Bem, como pode amar o mal? Sendo a semelhança a fonte do runor, como pode Btc amar. a quem é lotalmenle dissemelhante d~le, a qucin é eons.:ienlc e voluntàriamente injusto. covarde. impuro. mau? · 4

Deus d eve ser adorado e servido sobre.tudo em espírito e em verdade (Jo. 4, 25) . Assim. oumpre que sejamos puros, justos, fortes. bons, no mais íntimo de nossa alma. Mas se nos.~a alm;, é boa, tô· das as nossas ações o devem ser necessàriamentc. pois que a árvore boa não pode produiir senão bons fru tos ,( Mat. 7, 17-18) . Assim, é absolutamen te necessário, para q ue conquistemos o Céu, não só que cm nosso interior amemos o bem o de· testemos o n,al, mas que por nossas ações pratiquemos o bem e evitemos o mal. Mas a vida terrena é mais do que o caminho da eterna bem· -aventurança. O que faremos no Céu'/ Contemplaremos Deus face a face. à luz da glória, q ue é a perfeição da graça, e O amaremos inteiramente e sem fim. Orft, o homem já goz., da vida sobrenatural nesta terra, pelo Batismo. A fé é ,uma semente da visão beatífica. O amor de Deus, que êle pratica crescendo na virtude e evitando o mal. já é o próprio amor sobrenai•ural com que êle adorará a Deus no Céu. O Reino de Deus se realiza na sua plenitude no outro ,mundo. Mas para todos nós êle começa a se realizar cm estado germinativo já · nêslc mundo. Tal como om um noviciado já se pratica a vida relig1osa. embo· ra em estado preparatório; e em uma escola militar um jovem se prepara para o Exército . . . vivendo a própria vida m ilitar. E a Santa Igreja Católica já é nêste mundo uma imagem, e mais do q ue islo. ,uma verdadeira antecipação do Céu. Por isto. ~ud o q uanto os Santos Evan.g elhos nos di1..em do Reino dos Céus pode com 1ôda a propriedade e exatidão ser aplicado à Igreja Ca16lica, à Fé q ue Ela nos ensina, a cada uma das virtudes que Ela nos inculca. •

• B êslc o sentido da fesla de Cristo-Rei. Rei celeste antes d e t udo. Mas Rei oujo govêrno já se exerce nêslc mundo. B Rei quem possui de direito a aUloridade suprema e plena. O Rei legisla, d irige e julga. Sua realeza se torna efetiva quando os súditos re<::onhecem seus direitos, e obedecem a suas leis. O ra. Jesus Cristo possui sôbre nós todos os d ireitos. Ble promulgou leis, dirige o mundo e julgará os homens. Cabe-nos tornar efetivo o Reino de Cristo obedecendo a suas leis. Bsie reinado é um falo individual, enquanto considerado na obediência que cada alma fiel presta a Nosso Senhor Jesus Cristo. Com efeito, o Reinado de Cristo se exerce sôbre as almas; e. pois, a alma de cada ,um de nós é .uma parcela do campo de jurisdição d e Cristo· Rei. O Reinado de Cristo será um falo social se as sociedades humanas Lhe prestarem obediência. Pode-se di1.er, pois, que o Reino de Cristo se torna efetivo na terra, cm seu sentido ind ividual e social. q uando os homens no íntimo de sua alma como em suas açõe,s . e as soo iedades om suas instituições, leis. costun1es, manifestações cult urais e artíst icas, se conformam -com a Lei de Cristo. •

Por mais concreta, brilhante e tangível q ue seja a realida· de terrena do Reino de Cristo - no século X III , por exemplo - é pre,ciso não esquecer que êste Reino não é senão preparação e proêmio. Na sua plenitude, o Reino de Deus se realizará no Céu: "'O m eu Reino não é dêste mu11do .. . " (Jo. 18, 36) .

Ordem, harmonia, poz, pe rfei~ão • A ordem, a paz,, a harmonia, são características essenciais de lÕd a alma bem fo rmada, de lôda sociedade h umana bem constituída. Em certo sentido, são valores que se confundem com a própria noção de perfeição.

Todo ser lem ,um íim próprio, e uma nature-La adequada à obtenção dêste fim. Assim, .uma peça de relógio 1cm fim pró prio, e. por sua forma e composição. é adeq uada à rcaJiz.ação dêste fim. A ordem é a disposição das -eoisas segundo sua natureza. Assim. um relógio está em o rdem quando 1õdas as suas peças estão ordenadas segundo a natureza e o fim q ue lhes é próprio. D iz-se q ue há ordem no universo sideral porque lodos os corpos celestes estão o rdenados segundo sua natureza e fim . •

,E,xisle harunonia q uando as as relações entre dois sêres são conformes à natureza e o fim d e cada qual. A ha11Jnonia é o operar das coisas, ,umas cm relaç,ã o às outras, segundo a ordem . • A ordem engendra a tranqüilidade. A tranqüilidade da ordem é a paz. Não é q ualq uer tranqüilidade 4ue merece ser chamada paz. mas apenas a q ue resulta da ordem. A paz de consciência é a tranqüilidade d a consciência reta: não pode coníundir-se com o lcta rgo da consciên· eia embotada. O bem ..estar orgânico produz •uma sensação de paz que não pode ser confundida com ,t inércia do estado de coma. • Q uando um ser eslá inlciramenle disposto segundo sua natu reza, está em estado de per feição. Assim uma pessoa com g'r andc capacidade de estudo. grande desejo de e.~t udar, posta em ,uma uni ver· sidade em que haja to dos os meios par a fazer os estudos que deseja, está posla. do ponlo de vista dos est udos, cm condições perfeitas . •

Quando as atividades de um ser são in teiram ente confor· mes à sua naturcz.a, e tendem inteiram ente para seu fim, estas atividades são, de algum modo, perfeitas. Assim. a 1raje16ria dos astros é pcrícita, po rque co rresponde inteiramente à natureza e ao fim de cada qual. •

Quando as condições om q ue

-um ser se encontra são perfeitas. suas operações o são também, e êle tenderá necessàriamentc para o seu fim. com o máximo da cons· tância, do vigor e do acêrto. Assim, se um homem está em co ndições perfeitas para andar, isto é, sabe, quer e pode andar. andará de ,modo irrepreensível. •

O verdadeiro conhecimento do que seja a perfeição do homem e das sociedades depende de uma noção exata sôbre a natureza e fim do homem. •

O acêrto, a fec undidade, o esplendor das ações humanas. quer individ uais, q uer sociais, tam• bém está na dependência do conhecimento de nossa natureza e fim. •

Em outros têrmos, a posse da verdade religiosa é a condição essencial da ordem, da harmonia . da paz e da perfeição.

A pe rfeição cristã •

O Evangelho nos aponla wn ideal de ,perfeição: "sf dc perf eitos com<> vosso P"i celeste é perfeito" ( Mal. 5, 48) . Êste conselho q ue nos foi dado por Nosso Senhor Jesus C risto. Ele mesmo nó-lo ensina a realizar. Com efeito, Jesus Cristo é a semelhança absolura da perfeição do Pai ccleslc; o ,nodêlo ~upremo que todos deve.mos im itar. Nosso Senhor. suas virtudes, seus ensinamentos. suas ações. são o ideal definido da perfeição para o qual o homem deve tender. •

As regras desla perfeição se encontram na Lei de Deus, que Nosso Senhor Jesus Cristo "11ão veio abolir. m as completar'' (Mat. S. 17), nos preceitos e conselhos evan, gélicos. E para q ue o ho mem não

SÉC q@ísse cm ê rro no interpretar os mandamentos e os conselhos, Nosso Senhor Jesus Cristo instituiu uma Igre ja infalivcl. que 1cm o amparo d ivino para nunca errar em matéri :1 de Fé e moral. A fidelidade de pensamento e de ações cm relação ao magistério da Igreja é pois o modo pelo qual lodos os homens podem conhecer e praticar o ideal de perfeição que é Jesus Cristo. Foi o que íizcram os Santos, que, praticando de modo heróico as virt udes que a Igreja cnsi· na. rc.alizaran1 a inlitação perfeita de Nosso Senhor Jesus Cristo e do Pai celcsic. Ê tão verdadeiro que os Santos chegaram à mais alia perfeição moral, q ue os próprios inimigos da Igreja, quando não os cega o furor da impiedade, o proclamam. De São Lufs, Rei de França. por exe,nplo, escreveu Voltaire : "Niio é f'O:t .,i vel tlO homem levar mais longe <1 virtude''. O mesmo se poderia d izer de lodos os Santos. •

Deus é o Autor de nossa nalurei.a, e, pois, de tôdas as aptidões e excelências q ue nela se encontram. 6m nós, s6 o que não provóm de Deus são os defeitos, frutos do ,pecado o riginal o u dos pecados atuais. O Decálogo não poderia ser con, trário à natureza que Êle próprio criou cm nós: pois, sendo Deus perfei to. não pode haver <X>nrradição em suas obras. Por isto. o Decálogo nos impõe ações que a nossa própria razão nos mostra serem confom1es com a natureza. como honrar pai e .mãe. e nos proíbe ações que pela simples raz.ão vemos serem co ntrárias à o r• dom natural. como a ·menlira. •

• Nisto consiste, no plano natura.1, a perfeição intrínseca da Lei, e a perfeição pessoal que adquirimos praticando-a. Ê que lôdas as operações confom1cs à natureza do agente são boas. •

Em conseqüência do pecado o riginal, ficou o homem com pr opensão de praticar ações contrárias à sua naturet..'l retamente entcn· dida. Assim , ficou sujeito ao êrro no terreno da inteligência, e ao mal no campo da vontade. Tal propensão é cão acentuada, que. sem o au~ x.ílio da graça, não seria possível aos homens conhecer nem praticar, du· ràvclmente e om sua 101alidade. os preceitos da ordem natural. Revc.. landO·OS, no alto do Sinai. instituindo. na Nova Aliança, uma Igreja destinada a pro tegê-los contra os sofismas e as transgressões do homem. e os Sacramentos e o utros meios de piedade destinados a fortalecê-los com a graça, remediou Deus esta insuficiência do homom. A graça é um auxflio sobrenatural. destinado a robustecer a inteligência e a vontade do homem para lhe permitir a prática da perfeição. Deus não recusa a graça a ninguém. A perfeição é, pois, acessível a 10dos. •

Pode um infiel CC.!lhecer e praticar a Lei de Deus? Recebe êle a graça de Deus? Cumpre d istinguir. Em princípio. todos os homens que tôrn contacto com a Igreja Católica recebem graça sufi. ciente para conhecer que Ela é verdadeira, nela ingressar. e praticar os Mandamentos. Se. pois, alguém se mantém volunlàriamenle fora da Ig re ja, se é infiel porque recusa a graça da conversão. que é o ponlo de partida de tôdas as outras graç.as, fecha para si as portas da salvação. Mas se alguém não tem meios de conhecer a $!\nta Igreja - um pagão, por exemplo. cujo país não lenha recebido a visita de missionárjos - tem a graça suficiente para conhecer, pe~ lo menos os princípios mais essenciais da Lei de Deus, e os praticar , pois Deus a ninguém recusa a sal. vação. •

Cumpre cn1rc1an10 observar que. se a fidelidade à Lei cxi-

gc sacrifícios por vêzcs heróicos dos próprios católicos que vivem no seio da Igreja banhados pela superabundância da graça e de todos os meios de santificação, muito maior ainda é a dificuldade que têm cm praticála os que vivoo1 longe d a Igreja, e fora desta superabundância. B o que explica serem tão raros - verdadeiramente excecionais os gentios que praticam a ·Lei.

O ideol cristão da perfeição social •

Se admitimos que c,n determinada população a generalid ade dos indivíduos pratica a Lei de Deus, que efeito se pode' esperar dai para a sociedade? Jsto equivale a perguntar se. em uni relógio. cada peça trabalha segundo sua natureza e seu fim. que efeito se pode esperar daí para o relógio? Ou. se cada parle de ,um iodo é perfeita. o que se deve dizer do iodo?

Há sempre algum risco om cxcmp1iíicar com coisas ,me· cânicas. em assuntos humanos. A tênh:.uno~nos à irnagcm de uma sociedade cm que lodos os rnoo1bros fôssem bons católicos, traçada por San~ to Agostin ho; imaginemos "um exército consritufrlo de ~;otdado.r como o.r forma li tloutl'inll de Jesus Cri:uo. g o• w:rnadores, marlidos. esposos, pais, filhos, m es tres, servos, reis, juízes, , ·ontribuinte.f, cobradores de im(1os1os. c:omo OJ' quer ,, dowrina c·ri.tt,l! E ou:rem (os pagãos] aintla dizer que esu, tloutrina é oposta aos interêsses d<í f!j·flldo.' Pelo contrário, cumprelhes reçonhccrr .,·ttm hesitação que ela i umfJ grmule .mtvaguarda para o E..rtado, t/umulo fielmente obJ·ervad"" ( Episl. CXXX VI II , ai. 5. ad Mar.cellinwn, cap. Il, n. 15). E cm outra obra o Santo Doutor, apostrofando a Igreja Católica. ex;clama: ''ContluzcJ· e instruis as (;riançt1.s com lernura, os jovens com vigor, os an<:iãos com calma, com o comporw a idade não s6 do corpo mas da alma. Submetes as e.rpósas a seu.~ nwridO.\', ,,or uma casu1. e fiel obediêncill. ntio para saciar a paixão, m<1s parll prOpága,· a e.tpécie e con.ftituir a socie<latle <lom éstit:a. Con/c· res amoâdadc nos maritlos sôbre as cspôsas, não para que abusem da fragilit/ade tio seu sexo, mas para que sigam t1s leis <le u m sincero cu nor. Subordinas os /ilhoJ· tios pais por ,1111,, terna autoridade. Unes nã<> s6 em sociedade, ma1i· em wm, com o que fraternidade os ci<Jadão:r aos citlatlâos, as nações tis naçõ e.,·, e os homens cmre si, pela reco rdaç<ío de seus primeiros pais. Enslnas os reis a velarem pelos povos. e ,,rescreves aos povos <1ue obecleçmn os rci.t. é 11si1u1s com solicitrull' " quem se ,leve ,, honra, á quem o afeto. a quem o respeito, a quem (> temor. " quem o <.'Onsôlo, ti quem a advertência, ti quem o encor(ljamenro, a quem a corrcçtio , a quem a reprimenda. a quem o caJ·tigo: <' fllt <:s saber â e que modo, se nem tôd,,s os coisas <' todos se devem. a rodos se deve " t:ori<lt1dc I! t1 ninguém a. iniustiça·' ( De Moribus Eeclcsiac, cap. XXX. n. 63) . • Seria impossível descrever me• lhor o ideal de uma sociedade inteiramente cristã. Poderia cm uma socied~de a ordem. a paz. a harmonia. a pcríeição ser levada a li1·n ite mais aho? Uma rá1>ida observação 110s baste para comp1crnr o assunto. Se hoje em dia lodos os homens praticassem a Lei de Deus. não se r~ solveriam ràpidamente todos os problemas políticos, econômicos, sociais, q ue nos alormenram'! E q ue solução se poderá esperar para êlcs enquanto os homens viverem na inobservância habitual da Lei de Dous? •

A sociedade humana realizou alguma vez êsle ide a I de períeição? Som dúvida. Oi-lo o imortal Leão X 1l 1: operada a Redenção e fu ndada a Igreja, "como l/ 11<' des-


e anos ... A luta entre os cruzados do século XX e o

nagem de Nossa Senhora da Conceição (esta é agora pelas artérias centrais da maior cidade industrial da

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eno concreto, dos princípios enunciados neste artigo.

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perrarulo de antigll, longa e mortal letargia, o homem percebeu a luz tl<1

s6 a melhor dvilização, ,nas a única verdadeira. Oi-lo o Santo Pontífice

verdade. que tiniu, procurado e de· sejado em vão ,iurarue tantos séculos: reconheceu sobretudo que tinha

Pio X: "Não há vertiadcira civiliza· çllo sem civilizaçllo moral, e não há verdatieirt1 clvitit(tçiio >nora( seníio corn a Religião verdadeira" (Carta

,wscido para bens umito mais altos e muito mais magníficos tio que os bens frágeis e perecíveis que são tllingidos pelo.r sentldos, e cm tôrno dos quai.r tiniu, até entlio circunscrito seus pensmne,110.r e suas preocu• 1u1ções. Compreendeu êle que rôda " constiWiÇLio tfo vid,t J,runa,w, a lei .mprenw, o fim ti que tudo se tlcve sujeiltlr, é que, viru/os tie Deus, um dia devamos retornar a Bte. Desw fome, sôbre êstc fundamento, viu-.te re,wsccr a consciência da dignicltuic Jumra11a; o sentimento de que a fraternidade social é neces· sária fêz enllio pulsar os corttções,· em conseqiiência. os direitos e de· veres atingiranJ. sua perfeiçcio, ou se /ixllram integralmente; e, mesmo tempo, em <liversos pontos. se ex• pandiram virtudes tais. como a fil<J+ so/ill dos tmtigos sequer pôtle iamais imaginar. Por isto, os tlesígnios dos luJmens, ti condmt, tia vida, os costu· mes ronwrtm, ou,ro rutno. E. qu(m· ,lo o conhecime11to do Re,Je11ror se eJ·palhou ao Jo11ge, qua11do :ma virtude penetrou até os veios ínt imos tia societlatie, tlissiptmdo as trevas e os vícios da Antiguidade, enulo se operou aquela trans/ormaçclo qtw, na era tia Civilizaçlio Cristã, mudou fr11eirnmente ti face tie terra" (Leão XIII, Encíclica ··Tametsi Futura Pros-

zação senão

como

decorrência

determinada alma não se encontra

abandonada ao jôgo desordenado e espontâneo das .operações de suas potên(lias inteligência. vontade. sensibilidade - mas, pelo contoário, por um esfôrço ordenado e conforll1e à reta razão adquiriu nestas três polências algum enriquecimento: assim como o eampo cultivado não é aquêle que faz frutificar tôdas as sementes que o vento nêlc caõticamen-

te deposita. mas o que. por efei10 do trabalho reto do homem. produz algo de útil e bom. Nêstc sentido, a cultura e.a• 1ólica é o <>ullivo da inieligência, da vontade e d,l sensibilidade scg\lndo as nom1as da moral cosi• nada pela Igreja. Já vimos que ela •

se identifica com a própria perfei-

ção da alma. Se ela existir na generalidade dos mc.nbros de ~mia sociedade humana ( embora cm graus e modos acomodados à condição social e à idade de cada qual), ela será um fato social e coletivo. E constituirá um elemento - o n,ais importante - da própria perfeição social. •

Civilização é o csrado de uma sociedade humana que possui

uma cullura, e que criou, segundo os princípios básicos desta cultura.

todo .um conjunlo de coswmes. de le is, de instituições, de sistemas literários e artísticos próprios.

Uma civilização será católica. se fôr a resullanle fiel de uma cultura católica e se, pois, o espírito da Igreja fôr o próprio princípio normativo e vital de seus costumes, leis, instituições. sistemas 1literários e artísti•

cos. Se Je.~us Cris10 é o verdadeiro ideal de perfeição de rodos os homens. ,uma sociedade que apli· que tôdas as suas leis tem de ser

••

• Engana-se singularmente quem supuser que a ação da Igreja sôbre os homens é meramente individual, e que ·Ela forma pessoas, não povos, nem culturas, nem civilizações. •

Com efeito, Dous crio.u o homem naturalmente sociável, e

quis que os homens, om sociedade. trabalhassem uns pela santif,icação dos outros. Por isto, ta.mbém. criounos influenciáveis. Tomos todos. pela própria pressão do instinto de sociabilidade, a tendência a comunicar om certa medida nossas idéias aos outros. e, em certa medida, a rece-

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ber a influência dêles. Isto se pode afirmar nas relações de individuo a indivíduo, e do indivíduo com a so-

ciedade. Os ambientes, as leis. · as instituições em que vivemos exercem efeito sôbre nós, têm sôbre nós uma ação pedagógica. •

Assim, a ,eultura e a civilização são fortíssimos n1cios para agir sôbre as almas. Agir para a sua ruína, quando a cultura e a civilização são pagãs. Para a sua edificação e sua

salvação. quando são católicas. Como, pois, pode a Igreja desinteressar-se cm produzir tUma cultura e uma civilização, contentando-.sc cm

agir sôbrc cada alma a título ,meramente individual?

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Aliás, tõda alma sôbre a qual a Igreja age. e que corresponde generosamente a tal ação, é como que um foco ou uma semente desrn civilização, que ela expande ativa e energicamente cm torno de si. A virtude traosparece e contagia. Contagiando, propaga-se. Agindo e propagando-se, rende a transformarse cm cultura e civilização católica. •

• Como vemos. o próprio da Igreja é de produzir uma cultura e uma civilização cristã. ~ de

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produz.ir todos os seus frutos numa

atmosfera social plenamente católica. O católico deve 3Spirar a uma civili· zação católica como o homem cn· carccrado num subterrâneo deseja o

ar livre, e o pássaro aprisionado anseia por recuperar

os espaços infini-

tos do céu. • E ó esta a nos,;a finalidade, o nosso grande ideal. Caminhamos para a dvili7..ação católica que poderá nascer dos escombros do ntundo de hoje, corno dos escombros do mundo romano nasceu a CÍ· vilização medieval, Caminhamos pa· ra a conquista dêste ideal, com a coragem, !l perseveranç.a, a resoluç.ão de enfrentar e vencer todos os obstáculos, com que os cruzados marcha.ra.m para Jerusalém. Porque, se

nossos maiores souberam morrer pa· ra reconquistar o Sepulcro de Cristo, como não quereremos n6s -

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A Igreja e a civilização cristã

mo que pela pele. é obra de alta e ~árdua virtude. E. por isto os pnrn1tivos cristãos não foram mais ;ld· miráveis enfrentando as feras do Coliseu, do que ,man~ndo íntegro seu espírito católico embora vivessem no seio de ,uma sociedade pagã.

Por cultura do espírito podemos entender o fato de que

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fruto da vordadeira Religião.

A civilização cristã, o cultura cristã

e

Resistir inteiramente a êste ambiente, cuja ação ideológica nos penetra c,té por osmosc e co-

Foi esta luminosa realidade, feita de uma ordem e uma perfeição antes sobrenatural e celeste, do que natural e terrestre, que se chamou a <:ivilizaç,ão cristã, produto da cultura cristã, a qual por sua vez é filha da Igreja Católica.

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ao Episcopado Francês. de 28 de agôsto de 1910, sôbre ··Le Sillon'"). De onde decorre com evidência cristalina que não há verdadeira civili-

piscientibus". de 1.0 de novembro de 1900).

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lhos da Igreja como êles -

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lutar e

uma sociedade perfeita, a oultura e

morrer para restaurar algo que vale infinitamente muís do que o preciosíssimo Sepulcro do Salvador, isto é, seu reinado sôbrc as almas e. as so-

a civilização nascidas da Igreja de Cristo têm de ser forçosamente, não

ciedades, que tle criou e salvou para O amarem ctern.amenre?

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•• Cru~aJo~ Jo século XX ~tesiila,,i pelo centro Je S. Pa,,lo

Visão de conjunto do magnífico desfile com que a TFP inaugurou sua campanha p elo N a t al dos pobres (última pág.) . Avançando pelo Viaduto do Chá, no coração de São Paulo. vêem-se em primeiro lugar 16 tambores; logo depeis as farpas, como foram chamadas as formações em ·-v·· inauguradas neste desfile. Segue.se o Conselho Nacional. com o P rof. P línio Corrêa de Oliveira à testa, e um b loco de sócios e m ilitantes com seus estandartes; atrás, novas farpas e, encerrando o cortêjo, outro bloco de sócios e m ilitantes. De tempes em tempos e ram e rguidas grandes hastes de metal em forma de "V" e de cruz. que enquadravam as farpas, enquanto todos bradavam em côro, - "Violência não! Vence a Cruz e a caridade!"" Outros s logans eram alternados com o canto do hino " Queremos Deus", acompanhado de tambores. 5


RIO OE JANEIRO

BOLIVIA

Revmo. Pe. José Antonio Ciraudo Mariano. Corrias: .. Acuso recebimento do ar1igo do Prof. Plinio Corrêa de Oliveira: "Rumo firme, na nau da indecisão". Espero poder merecer todos os escritos semanais dêste no~o grande batalha· dor pela causa da Santa Igreja. [ . .. ]. . Tomo a liberdade de lhes enviar as promessas de Nossa Senhora do Rosário aos devotos do têrço. Procurei visitar a sede da TFP na Rua Martim Francisco, em São Paulo, onde jovens destemidos se revezam na recitação dC.Stà belíssima oração que tudo nos alcança da Virgem Mãe de Deus. mas infelizmente cheguei fora de hora, Então C\I levava esca.s animadoras promcs• sas a fim de estimular os bravos jovens a uma redobrada confiança na Senhora do Rosário. Quem sabe, no próximo mês de 0\1tubro Poderiam ser publicadas no CATOLICISMO?". • O TEXTO das- promessas é o seguinte: .. As quinze promCSSê1$ de Maria Santíssima aos devotos do rosário: l) Quem constantemente Me servir recitando o meu rosário receberá alguma graça particular. 2) Prometo gran .. des graças e meu especial auxílio aos que devotamente reciuu·cm o meu sallé· rio. 3) f! o rosário uma arma Poderosa contra o inferno_, êle e,uinguirá os vícios, dissipará o pecado e extirpará as heresias. 4) Fará reflorescer as virt\ldes e as boas obras, atrairá às almas pias copiosas bênçãos de Deus e substituirá nos corações dos homens, o amor de Deus e das coisas eternas ao amor vão do mundo. Oh! quantas almas não se hão de santificar por êsse meio! 5) A alma que, por meio do rosário, recorrer a Mim não perecerá. 6) Quem devotamente recitar o meu rosário, considerando os sagrados mistirios, não será acabrunhado pelas desgraças. não morrerá repentinamente, mas converter.se-á se pecador, e conservar•se-á em graça, se justo , e merecerá a vida eterna. 7) Os verdadeiros devotos do meu rosário não morrerão scn1 receber os santos Sacramentos. 8) Quero que os que recitam o meu rosário recebam, em vida e na morte, o lume e: a plenitude. das graças. e assim na vida como na morte participem dos méritos dos bem-aventurados. 9) Eu cada dia tiro do Purgatório as a lmas dos devotos de meu rosár-io. 10) Os verdadeiros filhos do meu rosário gOZMiio grande glória no Céu. 11) Tudo o que se pedir pelo meu rosário alcançar-se-á. 12) Socorrerei todos os que propagarem o meu rosário, em tôdas as suas necessidades. 13) Eu alcancei de meu Filho que todos os confrades do rosário tenham por irmãos tôda a Côrte celeste, tanto em vida como na morte. l4) Todos os que recitam o meu rosá'rio são filhos meus e irmãos de meu Unigenito Jesus Cristo. 1S) 1:. grande sinal de predestinação o ser devoto do meu rosário. (Com aprovação cclcsi:\stica)." Revmo. Pe . Bernardino Santa.n drcu, S, J., Uncía: hAI regresar de Es:·eaiin, en donde hc permanecido varios meses, veo dife rentes N,Os de su peri6di ..

co, que agradezco. De un modo especial el N.º 220-1. En este doble cstán el roo-e y el Profetismo. [ ... J. Esta corriente de desacralización Is hc notado hacc ticmpo. lo mismo que la igualdad en la vestimenta, la frecuentación de los cines y espetáculos PÚ· blicos. Es una lástima que los autoprofetas sean tan soberbios y atrevidos. tan ;lutosufic.ientcs que quieran los "carismas" de todo orden, que cntiendan tan a la pcrfección los "signos de los tiemp,os"'. Nunca quería yo admitir la rcalidad de lo que se atribuyc a Stalin: que hay que destruir a la lglcsia por mcdio de los jóvcnes introducidos en ella. Se me hacía dcficulfsimo la p0sibilidad de que entraran cn las Ordenes y Congregaeiones Religiosas individuos que pudicran estar tantos anos como supone la formac.ión de un sacerdot, disimulando n la hipoercsfo. Pero el cci\o de tstos progressistas. su audacia y constancia. su hipcrcrí1ica y sumisión a dircctivas extraiias parece confirmar lo que no pocos c reían. Lastima cl a lma observar c6mo se oponen a la obediencia que um día promctieron, ver la libcrtad cn cl abuso de la Liturgia, la ceguera cn la ignorancia que se hallan y se atrcvcn a dar normas nucvas. No se trat.1rá de un ..:astigo dei Sci\or? Gracias por haber publicado estos articulos valientcs que ayudan a orientar a los íeligrcscs" !carta de 2,9, 1969).

STA. CA'fARJNA

Revmo. Pe. One_rcs Marchlori, Coordenador da Pa~1oral, Lajes: ··confesso n;io ser leitor assíduo do CATOLICJSMO. Não concordo com a linha que segue. A verdade deve ser dita. Tam~m as verdades esquecidas. Todavia, o maior preceito do Senhor: a caridade, nem sempre 6 observado. E sabemos que Deus estfl presente onde há caridade e amor. Onde não há, .. [ .. •J na pág:io:t 4 do n.• 232, encontra-se uma resposta ao Snr. N ilo de Toledo. Campinas. O referido Sr. pede maiores explicações a respeito do "Bispo da orquestra de jazz•·. CATOLIC ISMO esclarece. E a resposta veio confirmar quanto foi facc ios:1 a norícin publicada anteriormente. Se os Srs. se e.mpcnharam tanto em saber, na Espanha, notícias sôbre o Mons. Aroc Moya, por que não publicaram tudo o que souberam: ser êlc um antigo BiSPo da igreja brasileira, ser chileno (não espanhol), fotografia tomada na Televisão e não e,n "boite''. Por que não publicaram na primeira vez, a história tôda? Lendo o esclarecimento que os Srs. deram agora. a coisa mudou muito de figura. - ~ te é um exemplo da facc iosidade que se nota no CATOLICISMO. Não apresentam tôda a verdade, cm busca de argumentos que s irvam para provar as próprias idéias. Criticam tudo e todos. Por que não criticam D. Antonio de Castro Mayer, Bispo de Campos, que não comparece às reuniões da CNBB? Conheço o jornal CATOLICISMO desde os tempos de Faculdade, quando estudei teologia. Sempre foi um s inal de desunião. Por que? - Não seria tempo de íazcr uma revisiio? CATOLICISMO é um jornal bem impresso. apresentável. Está, de fato, n serviço da Igreja, no Brasil? (Naturalmente, dirão logo que sim! Mas, não seria bom ouvir outros pareceres?)''.

• EM NOSSA resposta ao Sr. Nilo de Toledo dissemos que a notícia ilustrada com fotos - de que Mons. Arcc Moya, Bispo católico da Espanha. fazia parle de uma orquestra de jazz e tocava cm uma ' 1 boite''. fôra publicada cm três revistas de circulação internacional, entre as quais "lnformations Catholiqucs lntcrnationolcs", órgão que merece crédito de todos os progressislas. De uma dessas revistas é que reproduzimos a foto do Prelado tocando jazz, que estampamos em nosso n.º 220.221, de abril~maio de 1969. acompanhada de uma legenda explicativa. Tam~n\ deixamos dito, na mesma respos1a ao Sr. Nilo de Toledo, que os novos pormenores nesta última apresentados a respeito de Mons. Arce Moya, nós os obtivéramos na Espanha depois de têrmos pu• blicado s ua foto_. e os ob1ivérnmos exatamente para atender :10 pedido de e.sclarecimentos de um leitor. - Aliás, a publicação da foto do BispO tocando jaz:z, cm nossa referida edição de abril-maio de 1969. servia apenas para ilustrar o ideal sacerdotal que pretendem o IDOC e os "grupos proféticos", cuja atuação dentro da Igreja era denunciada naquele número de C ATOL ICISMO. Consignemos que, pela carta do Sr. Pe. Oneres Marchiori, o f3to de um Bispo católico que toca nuina o rquestra de jazz não tem grande importância, desde que anteriormente o Bispo tenha sido da igreja católica-brasileira, apareça tocando numa foto tirada não em · boite" mas na televisão, e não scj:1 csp3nhol mas chileno. Consignemos igualmente que para o Sr. Pe. Oneres Marcbiori não é fa lta de caridade (nem de justiça) apresentar CATOLICISMO como um jornal de maníacos que criticam tudo e todos. 0

~ AtoJLnCI§MO Campos. F.st. do Rio

6

Revmo. Pc. Geraldo Freire, Caculé: .. Venho parabenizá-los pelo gr:,nde e intrépido mensário".

BAHIA

Sr. Gabriel Lima Rds, pelo Prc~idente da Congregação Mariana Nossa Senhora da Glória Matriz de NoSSll Senhora da Glória (Largo do Machado), Rio de Janc.i.ro: 11Ôtimo jornal. muito apreciado por todos os Congregados".

GUANABARA

Sr. Felipe Ncri de Andrade1 N atal: "Nesse ensejo. envio cordiais saudações a todos os que fa.1.cm e trabalham pela difusão de tão notável veículo da pura doutrina católica, assegurando as m inhas orações e votos a Deus pela sua prosperidade''.

R. G. DO NORTE

Dr. João Gilbeno R. da Cunha, Uberabn: "Recebi hoje a visita do jovem que veio procurar-me para renovar a assinatura de CATOLICISMO. Em conversa, expus-lhe algumas crític3s ao estilo de combate do jornal, mais voltado ao desamor que à caridade. ~lc pediu-me uma explicação, e disse-lhe então do meu desgôsto de certas atitudes. e ntre as quais apOntei as de sua secção ("Escrevem os leitores"]. Solicitado a uma citação mais prática, lembrci•me de um comentário no número 233, de maio p.p. Ali eslava - e nós a relemos juntos - uma e.a rta do Sr. Antonio de Assis Nogueira, de Belo Horizonte, pedindo esclarecimentos sôbre o celibato sace.rdotal, cm s<:is itens. A sua resposta, ao invés de atacar o problema ou s implesmente indicar argumentos, preocupou-sé s implesmente com o espezinhar o Sr. Antonio - apresentando a sua "deficiência visual pós-operatória'' como causa de suas dúvidas, mas na realidade sugerindo que a s ua deficiência seria m:,is que visual. Não sei aonde se teria faltado mais à caridade: se cm relemt1r.1r-lhe o defeito íísico (de que não tem culp:\), se cn\ sugerir-lhe a curtêu.l de intcli1tência ou raciocínio. De qualquer forma, ficou bem e vidente que o senhor redator é pelo menos de péssimo g&to para fu.er espírito ou ironia - e que a c.aridade cristã não é certamente a su:, maior virtude. Aliás, c1,1 poderia mostrnrlhe mais algumàs resPostas de sua secção, «improvando isto. Não tenho tempo, felizmente, nem vocação para estas buscas, e creio que qualquer coisa que lhe diga janrni:i; conseguirá mudar a sua m:rneira de pc:ns,ir ou agir. Sô· mente os caridosos. os amantes do próximo. conseguem o coração de carne. Os inteligentes apenas - prefcn::m mostrar que o são, à cus ta dos que acham que são menos. Se tomei um certo tempo para lhe e.screve1', foi por pedido do jovem que gentilmente estêve aqui , e achou que isto Poderia ter ;•lgum valor. Queim Deus que ê le esteja mais certo que e1,1. Acredite-me quando lhe digo que aprecio o seu estilo: retire a agressividade, a ironi.t, o espírito superior, humanize-se - o u melhor, cristianize-se, que é como deve ser quem escreve Cato licismo. Rezarei para isto. Um abraço em Cristo".

MINAS GERAIS

• O AUTOR desta carta lament:, o usannos nas nossas respost:,s um:.\ linguagem que ê le reputa· descaridosa, mesmo dcsum:.,na. Como exemplo. cit:1 a ironia com que resp,ondemos a uma caria vinda de Belo Horizonte. com a qual, di1., humilhamos o m i.ssivist:t, servindo-nos de um dcfcilo físico par:, inculcar análoga carência moral. Como nosso leitor exemplifica apenas com a ironia, limitar•nos•cmos a considc.rar êste caso, não sem observM, de modo geral, que 1an10 uma linguagem forte. como as invectivas podem ter luga.- cm Polêmicas religiosas. Nosso Divino Modélo, Jesus C risto, deu disso vários exemplos, ao chamar íreqiientemente de ''hipócrirns" aos cscrib:,s e farizeus, e em outras circunstâncias. Assim. dizemos que, cm princípio, n~o se deve exc1uir o uso d~1 ironi;1, como fohos~l d~t caridade, quer cm escritos quem cm palestras. mesmo relitiosos. No limiaJ do mundo. e da Bíblia, encontramos nos lábios do próprio Dcu.s a ironia, que é assim que interpretam aquela frase do Senhor. após :t queda: " Eis que Adão se fêz um de Nós. conhecendo o bem e o mal!" (Gco. 3, 22). E tão longe estava o Senhor de manifestar nesta ironia qualquer folia de caridade., que ela aparece pr«isamcote no momento cm que etc cuid;, de enviar o Redentor e a nova Ev:1, que csm;\gará a cabeça da serpen1e. 1orn:indo-sc a nova Mãe de todos os viventes. Da ironia se aproximam várias maneiras de agir do próprio Jesus Cristo. Assim, quando E:le tomba da pouca inteli,gência dos hcrodianos que não percebiam que a efígie de César na moeda era sinal do domínio exercido sôbrc os judeus pelo Imperador romano (M;H. 22, 18). ou quando. eon1 o convite "vai buscar o teu marido", o Mcs1re humilh~, ~, S:un;)ritana desvendando-lhe a vida sum.:1mente irrcgulilr (Jo. 4, 16). Em nenhuma destas circunstâncias. como, ali:ís. na vida tôda do Mc.s trc. não fahoo nunca a caridade, até mesmo, quando irado expulsou com a7..orrague os vendilhões do Templo (Mrit. 21, 12). E cm todos êstcs casos. tCve sempre o Rcdcn1or cm vista o bem espiritual dos seus interlocutores. A humilhação ficou estéril junto aos hc,·odianos, n1as frut ificou na Samari1am1. Ttmto é verdade que castigar os que erram constitui uma. obra de misericórdi:). De maneira que no uso da fronia, depende da inlenção de quem é' emprega, ser ela boa ou má. caridosa ou não. Como depende das disposições dos ouvintes ou leitores ser ela eficaz ou n.i'io para o bem da alma. Nem sempre as circunstâncias objetivas marc.am de modo insofismável a bond;1dc ou malícia que há na utiliz..'lçúo dcst;, íigur1;1 literária. Descendo ao caso citado pelo nosso missivista. t certo que a resp<>sta J)Odcria ser dada sem o cmprêgo dn ironia. E confessa nosso corrc:;pondcntc que. da parte dêle, seu emprêgo, no caso. não iria sem fall:1 de caridade. Contcs1a mos, no e ntanto, que assim objetivnmcnte seja para qualquer um. Em ou1ras palavras., julgamos que. no c:1so, cabia a ironia. Tratava-se de repelir uma; impertinéncirt contra uma disciplina eclesiástica que rcmon1t1 ;1os Apóstolos. Ademais, semelhante objeç.ã o, pulvcri;,.ad:1 desde que apareceram os pro1estàntes no mundo, tinha acabado de ser novamente elucidada no mesmo CATOLICISMO, n.0 230. de fevereiro de 1970. Nosso modo de agir. neste caso, pode ser aproximado do que teve Elias, quando zombeteiramente ridicu• larirou as d iíiculdades em que se ;1thitv:tm os sacerdotes de Baal. a cl;1marem por que seu deus resolvesse incendi.tr miraculosamente o a lrnr do sacrifício. -- "GriH1i m::iis :.'llto, assim E lias_. talvc1. vosso deus estcj:1 cm passeio, ou cm alguma hospedaria. ou mesmo dormindo!'' (3 Reis: 18, 27). Não creio que nosso correspondente. !\ vista dns pal:wras de Efo1s, o julgue pc,r isso de co1·ação de pedra. Não vemos porque o exemplo do Proftta não po~a sei' imi1adt.l. Com cst.a resposta. csforç.~1mo-nos por mostrar como a ironia, longe de ser sempre uma falta de caridade, pode e muitas vézcs deve ser c,npregada, parn dar no interlocutor uma sacudidela mais enér-gica, que talvez o desperte para melhores senlimcntos. Embora~ ao escrever, tomemos o cuidado de nos ater às normas que devem seguir os jornalistas cat61icos, e que const.irn da 1radição da Tgreja. especialmente da m:meira como agiram os San1os Padres não pretendemos. contudo. a infalibilidade: por isso1 não rejeitamos liminar. mente as observações que nos fazem. como parece supor nosso missivista.

Mensário com aprovação eclesiástica. / Diretor: Mons. Antonio Ribeiro do Rosario. / Diretoria: Av. 7 de Setembro, 247, c;,ix.1 post;il 333. Campos, RJ. Admini$1ração: R. Dr. Martinico Prado, 2.71 (ZP 3) S. Paulo, / A&sina~ luras anuais: comum CrS IS,00; coopc.rador CrS 30,00; benfeitor Cr$ 60,00; grande benfeitor CrS 150,00~ seminaristas e estudantes CrS 12,00; América

do Sul e Central: via marítinw USS 3,SO; via aérea USS 4,SO; outros p~tiscs: via marítima USS 4,00: via aérea USS 6,SO. / Pagamen1os em nome de F.ditôra Padre Bekhíor de Pontes S/C. / Parn n"ludanç.a de endereço de assinantes, é necessário mencionar também o endcrêço antigo. / Composto e i_n,pre.sso na Cla. Uthograpbka Vpiran,::a, R. Cadete, 109, $. Paulo.


CÃllCe<.n S ACONTECR>fENTOS políUcos qut im~diram o pleno dcscnvolvlmt.nto das "Amicizic" na lt-'Uo nlo abateram o ânimo do Padre Dícssbach. Auxiliado pelo Barão Von Pcncklcr e por outros "Amigos'' au$macos, êlc continuou o seu bcnéíko apo~'tolado, evitando que o sodaHdo dcsu•

-1~ ·R~l-

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parcccSS4.'. Apesar das dificuldades que encontrava, a obra prosseguia .sem esmorecimento e o Padre Olcssbach desdobrava-se, atendendo n tudo em que e~tivesse lntcttssn.dn a maior g_lóría de Deus. Em Vlen.a, os Padr~ que o apoiavam prcgo.l'ant ml~cs e serviam na "Mínoritenklrchen~', igreja de propriedade do Barão Von Pcncklcr, onde era atcmdida a colonia ltnlinnn da cidade, sendo mes mo conbccidu entre os vic-ncn~s como a Capela dos italia.nos. Os membros leigos da "Amiclziu" ajudavam êsses Sa· ccrdotes a manter o funcionamento da socle· dade. nessa época tão conturbada, e a assegu· rnr o contado com os membros que se tfohi1m dispersado.

MORRE O INFATIGÁVEL ''EMBAIXADOR DE DEUS''

Um exemplo tipico dês.se nôvo gênero de utivldades é o cnso de São Clemente M2ria Hofbauer. Antigo membro da 11 Amkizia',1 com seu íntimo amigo Tbadeu Hübl, os dois a (i. nhnm deixado para entrar na Congregação dos Redentoristas e, depois de ordenados, foram en· viados à Polônia pelos Superiores. Fundnnam uma casa redentorista cm Varsóvhi, a qual, opc• sur da oposição que lhes moviam os revoluclonfirios, em pouco tempo tra o centro de uma intensa vida católica. Grande ami~o do Padre Oiessb11ch, a quem c:ons lderavn .stu me~1re, São Ch!mcntc Muria Hofbaucr fundou na Polônh, n~ociaçõcs semelhantes àquela rt que pertenccn\ cm Viena t n.a qual conhecer1.\ os métodot: novos de ap0s1olndo, empregados pelo Padre Oiessbach. De Val'$Óvia mantinha contacto com os dirigentes da º Amiclz.ia", dêlcs rcc:ebcn· do conselhos e animando-os n ~ co11servarcm fiéis 011 tormenta. O Plldtt Oiessbacb, no entanto, niío per· muncceu em Viena stnüo pouco temp-o em tô· da cssn úllimn • d<<'1lda do século XVIII. llle mesmo se chamava "o lnfalígável embaixador de Deus". Viajava continuamente, visitando as "Amicizic>' das várias cldndcs, procurando pessoas q_uc pudc.s..Stm fundnr novos sodalícios e,

A

TUDO O QUE FAVORECE A REVOLUÇÃO É MORAL

LEGIÃO

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AOEPTOS da eh•· mada terceira-fôrça e o não mt• nos significativo coollngente da.ç hostes progre.ssistas t.ê m uma enorme facilidade em esquecer aqullo que não convém a suas quime.rM de um futuro rós eo para a bumanidadt obtido arravés da fusão do cor:nunisn10 orit.nta l com o capitaJismo ocidental. Com o ma.r~ ltlar de seus slogans balofamente otimistas, acabam êlcs por exercer ptmidosos tfeltos SÔ· bre a hnem)) maioria que assiste distraída ao desenrolar dos fatos políticos e sociais, bem como aos avanços e recuos t4tkos da Revolução; por isso é oportuno relembrár aqui algu· mat verdades velhas. mas fàdlmente CSq'Uee:idas, as quais dizem respeito ao juíto que se deve fuzer dos reiterados propósitos de paz e concórdia manifestados pela ala " pombo" do CremUn. A me.nos que sejamos irresponsáveis partidá. rios do contubémio entre o slm e o não, ou queiramos regredir à confusão da Torre (\e Babel, havemos de convir tn\ que a honestidade de propósitos deve estar presente em qualque.r espécie de acôrdo ou de convenção entre os bo· meM. Seja a mesma a linguagem eotre as pal'tes ('Qnlratanlcs e inequívoco o sentido dado às palavras por elas emitidas. Os crl,çtios admieem a exb1êncía de princípios nt0ra.is imutávds e eternos. que derivam da própria nalureza das coisas. Assim, por exemplo, os Dez Mandamentos siio uma dara explicitação da lei nalural emnn11du de Deus~ Autor de tôda a nature:r,n crfod:,.

Ora, pergunlt'.lmos, em um paclo ou acôrdo com os comunistas, no qual por um imperativo de nossa COns('ifncla vamos sinceramente imbuídos dê.~e.s princípio.-;, do oufro lado encontraremos uma exata correspondência àquilo que estamos viSttndo? Rele,nbremos sum1\riamenle o que vem a ser a "mor.ti'' comunista. Di7. Mlchel Bakouninc (cm seu tristemente célebre "Catecismo do Revolucionário,,) que o rcvolu. cionárlo ude:spre:1...:, :1 opiniiio J>úblíca. Despreza e odeia a moml social acuai cm todos os seus instintos e cm lôdas as suas manifestações. Para êle, é moral tudo o que fnvorcce: o triunfo da revolução, é imoral e criminoso tudo o

onde nio ª'-' en(Ontrava, trabalhando pelo formarão de um am.bitntc que favorece~ mais t&tde o apartcimtnto de alguém capaz dt iniciar êsse apostolado.

Em 1797 foi a Friburgo, lá se ho~i>edando

na casa do Cônego Claude Gendre. A humU· elude do fundador da "Amlcizla" e a perseguição que lhe moveram os revolucion;lrios mesnto depoí.~ de morto, não ptrndtiram que che• gassem até nós muitos fatos importantes ela su11 existência. Felízmenle lemos um relato te.\"U• mido dn sun estad.ia cm Friburgo, escrito pelo Cônego Claude Gendre e publicado pelo Pe. Candido Hona cm seu livro sôbre a "Amicixia", já tantas vê1.cs cítado nestes artigos. f.s:se reluto nos permite dc~rvendar un, pouco da vida do impertérrito npó.!i1olo da Contra-Revolução. A visita a Friburgo deveria ser curta, nHts os acontecimentos se preclpitatnnt e o Padre Dic~'bnch passou um ano e meio na casa do Cónego Gcndrt. Oe fato, a 28 de mnrço de 1798 tropas francesas lnvadlram a Suíça e os cantões organizaram exérdtos para oporem re· slstência à ocupação. Ernm fôrça8 pequenas, que iant enfrentar valentemente os revolucionários franeeSts, mas ~riam lo&o derrotada$, Suíço de nascimento e antigo oficial, o Padre Oiessbnch incorporou-se como captliio às tro· pas de Friburxo. Quando estas foram obrigadas á retunr. êle ãcompanhou·as nn volta para Fri· burgo. Ali pns.wu a trabalhar no hospital de sangue, e não se afastava dos soldados feridos senão quaodo as fôrças lhe faltavam. Conta o Cônego Gendre que, certa vez, Stu hóspede passou dois dias e duns noites consecutiv:1s trnballntndo sem cessar. Ao voltar extemu:ldo para cusa, na te:rccim noite, queria ainda rezar o breviário, pois nifo se julgava legitimamente dÍ.ó}l)en$UdO.

Não era só aos militares que socorria. Não ràro, os soldados franceses pucorrhun os cam1,os pilhando as propriedades e cometendo tÔ· da sorte de tropelias. Com risco dn própria vidll, o Pudre Oiessbach procurava os c.·amponese,s , tcnlando remediar os prejuízos ciue linham sofrido e consolando-os na desgraça que sôbre êlcs ~ abatera. Se lembnlrmos que um:1 de s um; pernas apresentava uma chagn que o fazJo. sofrer muito, teremos uma noção mais pre·· ciso de como era hcróka sun a~istência nos

que a cntran1" (apud •'Le Coutrat Social'', revista histórica e cri1ka dos fatos e das idéias, Paris, maio de 1957, vol. 1, n." 2, p. 123). Dir...se·á que tal ''Catecbmo do Revolucioná· rio é de Bakounine e não de Marx (emborn ambos houvessem sido aliados), e pertence aos tempos violentos da Revolução que agora se acha em fase dialoiante. Mas não es1á ua m~Tila linha o amoial~mo de um Lenine, de uni Stalin ou de seus seguidores'? O marxismoltninlsmo nega tôdas as nossas con«pções re• ligio~-as e mornJ.s, bem conto a própria noção de lei natural e de dl.rci1o natural. Tudo isso nio pa.ua.ria, 1111 concepção comunb1a, de mer11 ~uperestrulura que muda de acôrdo com a.~ va• riaçôes da e5.1rulura econômica da sociedade humana. Lenine diz claramenlc: ' 4Ntgamos a mornl pregada pelos burgueses, e deduzida dos mandamentos de Deus. .E aqu i naturalmente dec.l aramos nossa descrença em Deus'' (ensaio 1 •• Sôbre a. Religião"). E concorda plcnamtnte com Bakounine ao acrescentar: "Afirmamos que nossa ética depende em tudo e por tudo dos interêssts da Juta de classes do proletari.a· doº (obra citada). vale di:r.;tr, do Partido. Mais claramente: "Moral é o que é útil e Strve ao Partido Comuoist,1. Para fornecer atividade comunirta de qu:,lquer form a, é prec.l$o estar pronto para qualquer sacrifício, e também para usar métodos ilegais e eswndtr a ver~a· de•1 (Lenine, "O Radicali&mo"). lslo pôsto, que ~nsar dos propósitos de libcrallz.aç.ão do comunismo soviético, de que tanto se tem falado Ultimamente? Um dos in. dícios dês:sc fenômeno seria a atitude "contestadora,. de determinados- intelcctuals ru$$0$. Como primeiro dado, notemos o segulotc: se a.~ notícias sôbre essas contestações ldcolC,. gicas ~'aem cm tão grande número para fora da cortina de ferro, quando é certo que o govêmo t oviético sujeita os mtios de comunicação a rigoroso censura, exercida através de uma oni1>re~c11Cc polícia política, não quer êstc simples fato dmr que o Cre.rolin tem lntcrêssc oa difu· são de tlll~ boatos no Ocidente'? Em segurado lugar, devemos friçar que as críticas rormulndas por êsscs intelectuais, se bem as examinam1os. S(? cingem a a~-pectos SU• J>erficiaís do regime comunista. Não lhe: tocam na é$ência, i~1o é. todos os "contestadores'' pcrmanccc.m fiéis no ideal revolucionário de uma sociedade sem classes e coletivlstà, Estamos, portanlo, diante. de .roais uma i.ro·

J)O(OJr,IJ 13JJ3eRUNT.

tãmpone~s. Não lhe fol poupada nem a brutalidade da soldadesca. O Cônego Ce1\dre relata o caso. '"Tendo sido s u11,rtendido pelos fnu,cesc:s foni da porta de Berna, diz o cronb1a, foi trn· h1do da m;meinl mais indigna. Oe.\l)Ojado de .seu dinheiro e de numerosos papéis muito im• portantes. voltou parn cas., sem chAptu, com a batina sujn e ras~ndo, a cu~1o se mantendo ern pé. Constern:tdo J>Or ,·ê-lo nesse e~1ado. perguntei o que lhe linh~\ acontecido. "Fui um pouco mnltrat~1do. re.spondeu, mas não (i nnda, nRo ralemos disso''. Eis a liníca respo.\1a que me deu". Quando seus servi('OS não foram mais ne• ('es-;ários: em _F ributjto, o Padre Oiessbach foi para Prng11 1 onde esteve dois meses. Vollou em pleno Inverno para Viena. e ali faleceu a 23 de de7.embro de 1798.

Ofkialnu:-nk ;1 t~msa de su" morte íoi unua febre pulmonar, que r-dpidnmentc progrediu por encontrá-lo eofraquccido pelo exfesso de l:rabalho e pela áspero vi:agem de Prag11 u Vltnu, feila duranle o rlgoroso haverno de 1798. No enhmlo, a ··Amiciúa" e os meios li,gados a São Clemente Murin Hofbauer .sempre afirmaram que inimi~os do fundador o haviam 1mdtralndo lnmbéru durante c$1 viagem e que t lc morrcrn m:írtir dessa feroz perseguição <1ue duram IÔ· da a suu vidn. Foi ~pultudo no cemitério de Mnria EoY.ersdorf, paróquia dependente do Castelo de Licehttnstein de propriedade do Barão Von Penckler. Ncs.~ mesmo cemitério mais tarde foram enterrados muitos dos .seus discípulos e v~ríos grandes nomes do pré-romanti.~mo c.·ntó• lico de · Viena. Ourunte muilo 1emf>O, ao lado do túmulo do Pndrc L>iessb:ach repausou o corpo de São Clemente Maria Hofbaucr. que, t,o morrer, pedirn para .ser inunrndo perto de seu antigo mc~1rc e in~1>i~1dor da grande obra que reali1.ara em Vieon depois de expulso dn Po• lônia (e que lhe v~leu ser dcdarado apóstolo dn<Juela cidade). Hoje, o corpo de São Clemente Maria Hofbauer e~1á na Is:rcja dos RedcnloristáS de Viena, 1nm, onde foi traslad;tdo.

Fernando Furquim de Almeida

postura da propaganda comunista, 4ue srrla fàdlmente redutível às suas verdadeiros proporções, não fôsse o apoio e a difusão que tuls oolkias recebem por 1>arte de cxttnsos setores dos que m3nipulnm a opinião públita no Oddentê, robrctudo aquêles que se acham a servi~ ço do progressi.•m10. H:\ pouco se noliclávâ que um organib1no ttri.a criado na Rússia comun.b1a para pugnar pel:i preservação da dignidade da pe.ssoa huma· na e de seus im9ostc.rg:h·ei.s direitos. Ora., que pensar disso se., cm matéria de libcnfadc rcH· gio.~a, por exemplo. ~e ors:_anismo ~e: límilar a exigir a tolerância para a pregação e o fullo, mas concordar cm ver pro.l bida :l essa mesma pregação qualquer alusão à Jiceidade teórica e .} imprescindível necessidade pcllkâ da proprie• dade privada e da liberdade econômica em ~'CU r cntido lato, i.çto é, no sentido que :1brange a liberdade de escolher e exercer profi.ssão e de dispor de seus bcnf e servh;os stm a totalitária intervenção do Estndo e de seus agentes? Tal organismo serfrt à!)e1lM mais um - meio para abrir ('aminho ao comunismo em ambienleS que lhe tfm CS111do fethados, e tal libtrdadc religiosa seria ~impll.'smente uma burla. Do tema se ocupou com riqueza de detalhes o Proí. Plinio Corrêa de Oliveira em seu nunca assaz eHado trabalho ''A liberdade da lgre~a no &1ado comunislaH. A Igreja fundada por nosso Divino Salvador t guardiã: não sc>menle da Rc:velação, mas também da lei natural t de seus r eílexos sôbre à família. sôbre a 1>ropriedade, sôbre a educação, sôbre a profiss.io.

8 ib poroué Lenine, t c:ou, êle todos os revo• lucion:i.rios que se mantém irredutíveis em sua adesão ao eemc e ni .o à mera casca do comunismo e do socialismo, são levados a neiar ' 1;1 moral pregada pelos burgucse~ e deduzida dos mandamentos de Deus''· Bem sabem êles que a Santa Igreja, por isso me~uo que protetora da legítima liberdade.• será sempre a adve~ria P!>r exc.~lência, dn Revolução igualitária e gnósfitst, em que pese o \'01..('rio com que tm scnfido conlrário os falsos profetas nrocuram ntur• dir e confundir o povo fiel. ~

J. de Azeredo Santos 7


.(,., :~}" Af01LIC]SMO- - - - -

A TFP DIRIGE-SE AO POVO DE 4 CAPITAIS: ''QUEM DÁ AOS POBRES EMPRESTA A DEUS'' A SOCIEDADE Brasileira de De-

fesa da Tradição. Família e Propriedade lançou cm São Pauto no dia S de dezembro uma grande campanha. de co-

lela de donativos em favor do Natal dos p-0brcs. A tarefa de distribuir diretan1ente aos necessitados os donativos arrecadados pela TFP ficou, meJiantc convênio celebrado entre ambas as entida-

des, a cargo da beneméri1a ASSOCIAÇÃO OAS DAMAS DE CARIDADE OH SÃO V 1CEl•lT6 DJ; PAULO DA CIDADE OE SÃO PAULO.

Fundada p,or São Vicente de P;mlo em 1617 na França. a Associação das Damas de Caridade foi introduzida no Brasil cm 1854, e desde então se: mu1tiplicou em centenas de sodalícios que vêm desenvolvendo em outras tantas cidades do País um inestimável trabalho de assistência a.os indigentes. A Associação da Capital paulista reúne 840 senhoras, sob a orientação do Exmo. Revmo. D. Ernesto de Paul.-, Bispo titular de Oerocesar~ia, e mantém numerosos estabelec imentos de amparo aos desvalidos, compreendendo asilos, am• bulatórios médicos., escolas, etc. Duremte o ano de 1969 as Damas de Caridade fizeram 24. l 24 visitas domicilia• rcs a famílias pobres de São Paulo, levando,.lhes substanciosa ajuda material, acompanhada de uma palavra de cOn· íôno e de tima prece rezada ent comum.

Desfile obre o componho A nova c~impanha da TFP íoi aberta p0r um magnifíco dcsíile de seus sócios e ntil itantes. que percorreu ar1érias das mais movimentadas da Capital paulista, desde o oratório da cn1idadc, instalado cm sua sede da Rua Martim Francisco 665-669. no bairro de Santa Cecília, até a Praça do Patriarca. no centro da cidade. Ao longo de sua caminhada de dois quilômetros, os participan1es do dcsfi .. lc c.aniav:)m o lradicional hino "Queremos Deus", atribuído a São Luís Maria Orignion de Mon1for1, acompanhados par 16 surdos. caixas e bumbos, e bradavam slogans alusivos à campanha, como "Vio/2ucia - mio! Ve11ce li Cru:. e a cari'Jadef' - "Quem dá aos pobre.r empresta tt Dt•usl" - "A TFP ,·ou viJ11 os plluHsta..f a ajudar os pobre.si'' ••A ,•io/ê11cia 111io resolve; a solução é ju,ttiça e carid11de!" Foram insistente* men1e aplaudidos pelo numeroso públi· co que se detinha nas calçadas ou saía à janela dos prédios e à poria das lojas pará ver o desíile. •-, -

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C hegados à Praça do Patriarca, (o. mm os sócios e militantes da TFP recebidos pelas Diretoras das Damas de Caridade; cm frente à Igreja de Santo Antônio rczMam t0<los pelo êxito da campanha. Oep0is do brado de ''P~lo Brasil; Tn1diçãol Famtlia! Propriedade! Br<Jsil! Brtrsil! Brasil!", que marca o início e o término de cada jornada de s uas campanhas públicas, dirigiram.se os jovens da TFP para as cabeceiras do Viaduto do C há e para a passarela inferior destinada a pedestres, locais por onde t ra n.s-itam diàriamente algumas centenas de milh:Hcs de paulistanos. e principiaram a coleta de donalivos. Junto aos quatro Postos de coleta e sôbrc ::i marquise da Galeria Prestes Maia. na. Praça do Pa1riarca, erguia ..sc um enor• me "V" de metal, de 12 melros de • •· mra, rcves1ido com as côres heráldicas da TFP - vermelho e ouro - e uma cruz azul, també.m de metal. símbolos da campanha, a evoc,arem a vii6ria da caridade cristã. No a lio de cada um dos quatro cnorme-s pilones do Viaduto, dois propngandistas da TFP. de capa rubro e empunhando o estandarte da Sociedade, proclamavan, com megafones as f j. nalidades da campanha. A população paulisiana acolheu com viva simpatia a benemérilà iniciativa da TFP e correspondeu com generosos dona1ivos:. Já no primeiro dia a colc1a a.tingiu a CrS 4.800,00, e ao término da càmpanha, no dia 21, haviam sido arre. c.adados CrS S1.841 146 cm dinheiro, a lém de Cr$ 6. 17 1,00 de donativos em espécie, como medicamentos, roupas, calçados, gêneros alimentícios. brinquedos. etc. Nos domingos 13 e 20 de dezembro foram feitas colc1as domiciliares cm diversos bairros da Capital paulista, com cxcelcnlc. rcs uhado. Foram nuntcrosos ainda os donativos encaminhados d ire. tame11te a sedes da TFP ou à Associação das Damas de Caridade. e de se registrar um fato que, aliás. já lcm ocorrido cm oulr.\S campanhas da TFP: o silêncio quase completo da imprensa. Com duà~ ou três exceções apenas, os diá rios paulistas pràticamcnlc ignoraram uma campanha que tôda a cidade via e comentava. Em compensação, quase 1ôdas as emissoras de 1clcvisào noticiaram com destaque o desfile inaugural e o descnvolvimenlo da c:,mpanh:'1.

Folheto expl icativo Para informar o público a respeito dos objetivos da nova iniciativa da TFP. os jovens cole1ores de.-sta distribuir·3 m

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DAMAS Dll CARlOAOE OI: SÃO VICENTE OE PAULO DA CIOAOE OE $Ão PAULO. Fu11-

d1tda,r m1 Fr1111çt1 por S&o Vicente ,Je Paulo., em 23 ,Jc 11g/}J·to de 1617, t;s Da.. mas dt: Caridade st têm ~spalhado 1>or u;dos IJS paíst's do mumlo. No Brasil, a euridml,· fo,· i,itrodu1.ida cm S,io Paulo 110 auo de 1887, e dessa époc<J pnra cá mio tem ,feix1Jd<> de dispensar ,mu, lYI• liosa os.ristc111citt ao,r pobre.r. A A ssociaç,io da.r Omna.r tle Carid11de de S,io Vice111c de Pt1ulo da Cidad<' de S,io Paulo 11111111/m os seguintes obras: C11su Pla Sâo Vict•nte ,1e Paulo. Asilo e Vilt1 dos Pobres São Vicente de Paulo, dois Ambul111órioJ', Es,·oltt Mi.,ta Primária Gr(lluita, Curso Noturnt, de AJ/11be1izaçiio de Adulto.r. Curso dt Da. 1ílcgrafil1, Â$SiSt<1ttciô Ho.spitolar e Den .. táritt, Clubes de Mães. Presc111emc11te, .sua Dire1oril1 é constituida pelo Bis1>0 f?. ErtrCJ'lo de Paula. Diretor. e pelas Sras. D. Marla Josê Rangel Salgado. Presilleme: D. Nelena Moura Fiori. Vice-l'rê.-.idente: D. Nârp<tlice Cala1.011s Ma,·lrmlo. I .ª Sec:retária,· D. /to/ia Palumbo Pigna,arl, 2.ª Secretária; D. Ju .. 1/it/1 Amálitt da Silva Klei11paul. J." 1'esoureirn: t D. Miri1m1 Rodrigu~s Ci11lr<1, 2." resourcim. 1'odo.t o.r. dias, 110 término da com. ponha. o:, Jo1101iw>.v .rerão entregues pe/11 Tf"P ,, essa l>enemhilll Associação paro serem por elt1 ,listribufdos 110s pobres.''

·r::unbém no Rio de Janeiro, em Belo Horizonre e cm Curiliba as Secções locais: da TFP, cm convênio com conceituadàS entidades assis1enciais daquelas ·c idades - CASA $Ão Luís PARA A VE-

u11ce. LAR DoM ÜRIONE l>AS DAMAS OE CARIOADI!

C

º"

ASSOCIAÇÃO Cn>AOI! OE

CuRrmu - arrecadaram donativo~ cm dinheiro e cm espécie pata o Na1al dns pobres. Tal como cm São Paulo, a po. pul3çiio das 1rês caJ>itais correspondeu com ;\ maior s impatia e generosidade a mais essa OJ)Orlun:_ , inicia1iva da TFP. Os donativos cm dinheiro alingirnm a CrS 20.467,35 no Rio ( 13 dias de campanha), CrS 9.744,97 cm Belo Horizonte (8 dias) e CrS 11.669.36 cm Curitiba ( J2 dias). N:,s diversas localid3dcs onte teve lu(tat a co1el:l. o resultado desta era entregue pela TFP às associações de carida<!c ao fim de cada dia de campa• nha,

tambores

Verdades esquecidas

volantes tendo numu face a figura de São Vicente de Paulo, desenhada a bico de pena, e na outra êste texto:

Também no Rio, Belo Hori:i:onte e Curitiba

Conclamando o povo do a lto do enorme pilone .do V iad. do Chá

Duas novidades neste desfile da TFP : boinas e

Den1111eiar o es~ândalo ,

e proe11rar afastá-lo e obra

de earidade De uma carta n tôdn a C,íria Romana contra a odiosa e s imo1tíaca intnisão do Arcebispo de York: A MÉVS R EVERENDOS PADRES, OS $1;NHORHS 8 1SPOS E CAROEAIS OA CÚRJA ROMANA, / O IRMÃO BERNARDO, ABADE OE CLARAVAL, / SAUOAÇÕF.S e ORAÇÕES,

T

ODOS '/"EMOS o 1/ireito de cscrel·~r .tiibre os ueg6cios que 11 1odos tlizem respeito,· ,/e mo,lo .que niiQ receio incorrer em c~11sur11 pQr pr~s,m~·cio ou cxce$Sivt1 ouJmlia ,,o /t1t.ê·lo 11gor11 como o faço: poi.t, embora seja, o mais miserál,tl de totloJ· m· fiéi.r, 11,io deix,, ele tu muito 110 coração ,i lio11t'a ela C 1íria Ro1)1tm11. De tal maneira m e co11• sumo de pem1 e me uflig~ a ui,tleta. que tt1f 11 ,·itltt me pes<1. E é porque \'i " 11bomi11açiio na C11sa de Deus. Como :rinto J'em poder b11slli1tte p11ra remedhir ,, tanto:.- e Umt<Js males, não me rtsW outro recurso se11i'ío apomó-lo.t t10S que t('m poder para tal, ,1 fim de que o.t em emlem . Se o /il.l!rdl:s, umt() m tlhtJr: J·e m'io. eu tt·r~i exon{'radn mi11Jw çQ11.-rcihu:iü. e l'Ó., miQ podereis U!r nenhuma escusa ju:m,. Ntio i,:norf1i,.,· <1ue o Papa l11och1cio HII, ,Jc.- x/oriu.w, e feliz memól'ia. /1m•it1 proferitlo se11te11ça, de comum ttctirdo convosco t com 1ôdt1 n Cúria Romana, diJ·pondo que se tivesse por írrita " eleiç<lo Jt Cuilherm<' (pr1ra Arcebispo de Yorkl. e que cstu fósse c:onsideruda como ,·erdadeira e .1acríltg11 iull'ut<io. 110 ctt.to de o outro GuUlierme, De,1o t/11 1/:rejo Ide York). mio dcclar111· sob juramemo que seu lrom ônimo t'rtl inocelllc de tudo quaulO lhe lmputavum. Também stibtis que t.\'l<t <li.\'/>O.tição tinha muito mm's ,Ir i11dulgt111cia que ,lt rigor. Guill,crmt mesmo. o ,,cusodo, lwvia rogmlo qut· lhe fôssc com;edhla CJ'SII graça. Prom·era " Deus que .,e tilfe.,:rc cumprido o que por m,ítuc, <1Cé}n/Q st lu111i11 dis11<utol Oxalá tudo quamo se fiz contra ú·to fti.f..)·e de<=l,1rm/q 11111".' Que aconteC('U? O Deiio 11iio jurou, dt modo 11lgum. e apf!sar ,Jislo o outro scntou;,rc na cátedra da pestilêncit1. Quem 110s ,foro ,•er te~•(lnfllr..se. um outro Finéia,r INtím, 25, 71. que im1~stisst de e.tpada ,w miítJ contra €,n·e for11ic1ulor! Quem nos concedel'a p<>tlu ver <> mesmo Siio Pedro, l'ivo tttr .wu, cátedra, paro extcrmi,wr o.r impios com ,mu, palm·ra de ~ua 1,6ca! Muito,r sllo o., que c/ammn " ,·6s do /um1') da olmo, e vós pedem ,te todo Q coroção o castigo exemplt1r de 1,mrn11Jro s11crilégio. Se 11ão ucudir<le~· de pro,uo, qua1110 mais tardar () remc1dio eu vos o.tseguro que há 1/t str mais gr11ve o escândalo 1/e rodos os fUiJ'. Receio que li mtJ'mo Sé A posrólicâ perca grande parte de seu prcstig;o e se tll!stmtol'iz.e, sr 11r'io /iz.t.•r prsar sua 1mio sôbre ê$,t e rebelde que calcou aos pés sc•us decretos, de modo wl que in/11111/a mêdo aos dt!mais e O.r aparte de .reguir tão nefando exemplo.

m,

••• A1as qu<' 1/irei ,ta.t cor1t1s secretos t.' ~,erdodeirnmtllt~ renebro,fll:r que Guillrnrmr se jacta dt haver recebido, mio do 1,rl11cipt das trtl•Os, oxalá ,,.r.,lm fôssc, m os dos Príncipe., me$mOs, Suces.wre.t 1/ó.r Ap6stoh>.,? Por isso, tâó logo esu, nova chegou ,,os 010,illos do..: fmp io.t, és1es se puseram n fazer chacota 1/1,.r dfaposiçõe., ,fo SJ Apos16/lca t: a rir 1/a Ctíria Romarra, ,, qual, depois dt.'. lww:r dado um11 sentença públic11, co11tradi1.iaÀ.tt.· ,, si mt.m w em·io11dQ à,.,. ocult11s unws cttrtOJ' que mandavam o co111rári<> . Que maiJ' acrescentarei? Se ,Jepois de nulo isso não vo.r per111rb11 a ,•isão tio escâ11dá)O gnn•fasimo que é dtulo tanto a forfe1 e pcrf~ito.r. como e, débei.t e simples: sr não ,1e111is compai:rão aiRuma pelos pobre.r A l1mlcJ que foram ,·!tomados II R o11u, tio., lugaru mais longínquos da terra: $f ntio w>s cômO\'e ,, rutllll ,/e t1111ws <."<lJ'as refigios<Js que incvitàvclmeme perecerão sob II judsdiç,io tlfSSI! opressor; fi11alme111e. e para terminar po,• a,,dc ,leverio ter começado. se não vos stntis animodos sequer pelo zê/o dtt #ó,;,, de Dcu:r. - sereis i11difere11tes à voss11 própria tlcsonra, ,Jcrh•ado 1/ireta. me11tc da vergo11lr11 que cair6 sóbrc tôda o Igreja? Poderá umto 11 11111/lcia 1/êste homem , que logre impor~·e o ,1ós? Dir•111t!·CiJ· wlwtz: que f,uemo:r, St! fie já recebeu " sagrt,çc"io. ai111la que de m odo J·acrfltgo? Re.Spônd() 11 isco que tenho po,· mais glorioso 1/errubnr Simiio Mago ,lo alto cio ct:p(I.Ço do que impedir-lhe o v6o. Por outro ltulo, em que situaçiio deix1,rei.1 todos os Religiosos que criem não del•tr teceber. em COtr.fciéucfo, 11e11f,um Sacramcm10 de ,mio.~· 1(10 11u111cl1tíd<1s de lt1>r<1? /ucli110-mt a crer que todos êles prefeririio o de,,·tirro. ,mtes que cntregar•.'ie à morte: 0111es e.icolh~nÍQ ,·ida c1•rtm1c for,; du pótri<i, que pcrm1t11et:C'r m•stu tendo que cólm!r os 11/i. mcntós oJtrecido.s <10.t ftlolos. Stndo assim, sr a Cúri(, Romana os /Orftll'St'! a ir contra <' co11sciê11ci11 e 11 1/obr11r o,t joelhos ,liame ,te Baal, qm• o Dcu.t ju.ttó ,,eça contos ,/is.t o; qutmto ,, mim, cito-vo.t vara seu juízo f'('r<mte ,,qucla outm Cúria Celeslial que mio .\'t! potfc corromver com mm/mm sub(írno. Pa,-a terminar, rstc ,•osso st•r,·o ,·o.r suplica. pelu,r etttrau/ws misericor1/insfssimos ,lo Senhor. <11111. S<> til!fum 1.ilt> da ft/6,.in divina Ofllt! t1inóa em w1J·,tas 11fmas, tomt!is em consideraç,io os mole.,· 11ue afligem II Soma Igreja, no menos w:$s qu~ sois seus amigos, e. ponlwiJ· w,ln o vo:r;to empl!11'1() tm impedir que se conjirme. uma coisa ti'io dcte.rtdvcl e digna Je ~:i:ecraçiio. (.. Obr;l~ Completas dei Ooctor Mcliíluo. San lh.:rn:,rdo, Abad de C laravat··, trad. do Pc. Jaime Pons, $. J. - Ed. Rafael Casullcras, Barcelona. 1929 - vol. V. " Epis1olario", pp. 4$$,490, carta 236].

SÃO

BERNARDO


1•

ll Oirc1or: Mons. Antonio Ribeiro do Ros~1rio

Largos círculos católicos do Exterior vêm levantando uma questão de consciência de inegável envergadura . O leitor brasileiro tem sido pouco informado a respeito, ficando dêsse modo ·impossibilitado de acompanhar os debates, de grande importência para o futuro da Igreja, que se desenvolvem em tôrno do assunto. Sendo um dever de ética jornalística manter o público ao corrente de tudo quanto na realidade contemporanea lhe possa legltimamente interessar, e parecendo-nos que nossos meios católicos não podem conti nuar à margem dessa questão, a ela " Catolicismo" dedica o presente número. Trata-se de dúvidas e perplexidades manifestadas à propósito da recente reforma da Missa. Não tem faltado, até entre clérigos e teólogos, quem veja no nôvo Ordo uma "abertura" em direção aos protestantes (na foto abaixo, uma Ceia luterana celebrada segundo a liturgia sueca). No cliché da direita, Paulo V I aparece ao lado dos seis pro testantes que participaram, a titulo de observadores, dos trabalhos da comissão pontifícia encarregada de elabo. rar o nôvo texto da Missa. A dõreita do Papa está o Sr. Max Thurian, luterl\no do mosteiro de Taizé.

SOBRE A NOVA MISSA: REPERCUSSOES ,,,. QUE o PUBLICO BRASILEIRO AINDA NAO CONHECE ,_

N.º

242

FEVEREIRO

DE

1971

ANO

X XI CrS 1.50


I

SÔBRE A NOVA MISSA: REP·E RCUSSOES

O PÚBLICO BRA SILEIRO AIN DA NÃO CONHECE •

A

NTES DA invenção do telégrafo. era normal e inevitável que o grande público só dificilmente e com muito arraso viesse a saber dos acontecimentos que se passavam em pontos distantes do globo. Mesmo em regiões não muito longínquas, po-

O Santo Sacrifício do altar constitui o centro ela vida católica. A Sagrada Liturgia é, para a Igreja , o que o pulsar do coração é para a vida de um homem. Como, pois, se há de impedir a opinião católica brasileira de

acompanhar os referidos d~batcs, que cnvol·

diam dar-se fatos de importância, que entre•

vem questões tão sagradas e centrais na vida

tanto não chegassem ao conhecimento do ho-

católica? Manter um povo profundamente religio-

mem comum.

Hoje, entretanto, com o telégrafo, o rá· dio, a televisão, os satélites de comunicação, não se concebe que acontecimentos de re1êvo

deixem de ser divulgados em tôdas as partes. Mais ainda: constitui verdadeiro direito. prin• cipalmentc do homem de cultura. ter a seu alcance um noticiário completo e veraz dos grandes acontecimentos cm tôrno dos quais se traçam os destinos do mundo contemporâneo. O desrespeito sistemático dêsse direito nos países comunistas representa mesmo um sinal dos mais característicos da escravidão

que nêles impera. O recente levante polonês. por exemplo. mal foi noticiado atrás da cortina de ferro, e, quando o foi. apresentaram-no cm têrmos falsos, segundo versões criadas pelos partidos comunistas.

• • • Ora, a Igreja vive hoje uma crise sumamente grave - um verdadeiro processo de "'autodemolição", segundo expressão de Paulo VI. Manter a opinião pública católica na ignorância sistcmitica de.~a crise. ou falsear os seus aspectos de relêvo, seria tão absurdo quanto tentar esconder ou niinimalizar o levante po-

lonês aos olhos dos povos da cortina de ferro. Dentro da crise religiosa contemporânea delioeou-se ultimamente uma terrlvel questão de consciência. que vem provocando vastíssi·

mas polêmicas em todo o orbe católico. e trazendo aflição de alma a inúmeros leigos e Sacerdotes. ~se problema de consciência teve como ponto de partida as amplas e profundas modificaçêes introduzidas na liturgia da Santa Missa. Entretanto, a imprensa brasileira ou não

tem tratado dêsse assunto. ou o tem noticiado insuficientemente, de modo a não haver proporção entre o que nela se lê e a realidade.

Nosso País adquire importância cada vez.. maior no concêrto das nações ocidentais e l~ristãs. Cargos da Cúria Romana são con·

fiados a conterrâneos nossos. Figuras do Clero e do laicato nacional - com freqüência cm ordem à promoção do .esquerdismo e do terrorismo -

adquirem nomeada mundial.

esses fatos. e tanto outros congêneres que poderhun ser aqui alegados. mostram à sacie· dade que leriam de responder ante o tribunal da História aquêles que procurassem manter o Brasil à margem dessa polêmica gravíssima que se desenvolve cm tôrno do nôvo "Ordo Mi.s..~ae''. 2

so na ignorância de tal crise seria mesmo uma

falta de conformidade com o que a Providência permite que aconteç,a. Tal inconformidade impede nosso povo fiel de se manter ao corrente de um diálogo fecundo, do qual a verdadeira Fé sairá certamente engrandecida, como se deu na luta da Igreja contra o arianismo, o protestantismo. o liberalismo, etc. Os

grandes problemas de consciência estão geralmente na raiz dos grandes lances históricos. Não se pode, pois, deixar de informar nossos meios católicos. de modo que lhes seja facultado conservar uma fé lúcida, corajosa e coe· rente cm face de um problema de transcendental importância para os filhos da Igreja.

• • •

possa também interessar a Sacerdotes e teólogos. As informações preliminares aqui oferecidas podem ser úteis para algum largo e cordial diálogo a que o importante assunto possa dar ensêjo.

sa vem encontrando. Por oulro lado. não nos cabe analisar e criticar tais textos, uma vez que nosso objetivo não é defender uma tese, mas apcn3s: informar. Aliás, estamos certos de que

não fal!ará aos leitores de ··catolicismo" o discernimento necessário para distinguir entre o zêlo ardente e a impaciência; entre :a argu·

mcntação sólida e aquela que não tem por base senão a impetuosidade n,al contida .

Por amor à brevidade, no documentário que publicamos a seguir não nos ocuparemos

• • •

dos que objetam Unicamente contra as tra·

duções do nôvo "Ordo"', acolhendo sem rcser~ vas o texto latino. Também não citaremos aquêles que manifestam dificuldades somente quanto a u1n ou outro ponto secundário do texto latino, acei1ando,o entretanto no seu conjunto.

Impõe-se desde já uma observação sôbrc certos tópicos pouco respeitosos para com as Autoridades Eclesiásticas, ou muito apaixonados, ou de fundamentação doutrinária patentemente duvidosa. que rcprodu~iremos adiante. Poderíamos tê-los omitido: não o fizemos, porém, porque dessa forma estaríamos dando a nossos leitores uma imagem deturpada ou pelo menos incompleta da oposição que a nova Mis-

Na apresentação da matéria. seguimos, na medida do possível, a ordem cronológica. Dêsse rnodo. poderemos acompanhar os aconte• cimentos em seu desenvolvimento histórico. A essa ordem, abriremos exceção apenas para certos casos em que se mostrou conveniente

citar lado a lado documentos de épocas diversas mas lõgicamcntc conexos entre si.

• • • As noras de pé de página conterão exclusivamente indicações bibliográficas - e portanto só interessarão ao leitor desejoso de reali1.ar novas pesquisas sôbrc a matéria.

"Catolicismo" está pois persuadido de que oferece um importante contributo para a for-

mação da consciência religiosa do Brasil, publicando um número especial em que se dá uma visão global da crise surgida com a aplicação das modificações introduzidas na Santa Missa. Com &se objetivo, um de seus redatores foi designado para fazer um levantamento geral e cuidadoso das dific uldades de caráter doutrinário e dos problemas de consciência que a nova Missa vem suscitando cm círculos cat61icos do Exterior. O panorama que assim

se desvendou surpreenderá por certo a muitos leitores, embora a imensa quantidade de do• cumcntos não tenha permitido a apresentação completa de tôdas as publicações que temos cm mãos, ou de tôdas as particularidades da posição de cada autor.

• • • São largamente conhecidas no Brasil as reações favoráveis ao .. Ordo" de 1969. A bem dizer, são mesmo as únicas que se conhecem. Seria supéríluo e fastidioso insistir nelas. Assim sendo, nosso levantamento restringiuse às reações contrárias à nova Missa. "Ca· tolicismo .. quer. aqui, apenas informar sôbrc uma grave questão que tem sido insuficientemente noticiada entre nós.

• • • Esta fôl ha oferece o presente artigo sobretudo aos leigos, de ambos os sexos, e de cultura religiosa desenvolvida, que já os há muito

1VO ··counnlE II D E ,B OME··. lJM PA N ORAMA GERA L DO Pll(JBLEMA A Constilllição Apostólica "Missale Ro-

Aos poucos, começaram então a aparecer

manum", que promulgou o nôvo "Ordo Mis-

análises mais amplas sôbrc os novos textos da liturgia da Missa.

sae", foi publicada pelo "Osscrvatore Romano" de 2-3 de maio de 1969, juntamente con,

Dentre êsses estudos, destacam-se os tra-

go e minucioso documento. de 341 artigos.

balhos vindos o lume. a partir de junho de 1969, 110 boletim parisiense ·'Courricr de Ro-

que contém indicações de ordem catequética,

me", o qual tem larga penetração cm meios ca·

pastoral e rubricai sôbre a nova Missa. No

tólicos da França e da Europa cm geral. Atual-

a "lnstitutio Gcneralis Missalis Romani", lon-

mesmo dia, a Poliglota Vatica1\a deu a lume

mcn1c, o responsável pela parte teológica dês-

o texto do nôvo "Ordo".

se periódico é o Pc. Raymond Oulac, cujos

Nos círculos antiprogrcssist.as~ as primeiras

reações- em face da nova Missa foram hesitantes e tímidas. Durante várias semanas. apa· reciam cá e lá manifestações de perplexidade,

-

' . mas em termos gcncncos e vagos. Como diversos observadores fi1,.cram notar, essa hesitáção inicial dos atuais opositores

1rabalhos, publicados cm revistas cspcciali1..a-

das. sobretudo por oca$iâo do Concílio, lhe grangearam reputação internacional. Analisando pormenorizadamente certos aspectos doutrinários da nova Missa, o ''Courricr de Rome" escreveu: 1

lei, por dúvidas de consciência. Perguntavamse sé ela não seria objetivamente inaceitável.

E11g01uu··.te-i<l uàgiC{mre,ue quem reduVs• se tt reforma litrírgica. que há t1uatro anos ex• perimentamos. ,, w,w simples manipulação a{lmini.ftralivâ {/e rubricas, cm 1íl1ima análise admissível. como dii,em alguns. - Sim. isso .t,·l'ia um êrro trágico: ê.t.fa r1t/orma é. quer se,· e se r..011/essâ uma

Numerosos Sacerdotes e leigos chegaram a de·

REVOLUÇÃO.. ( I ).

da nova Missa se explica sobretudo pelo fato de que êles não adotavam uma posição de con-

testação e rebeldia contra a Autoridade Eclesiástica , mas eram de1idos. cm face da nova

sejar sua ab-rogação, e nesse sentido exprimi• nun privadamente suas perplexidades às Au·

toridades competentes. Foi só a contragosto. e quando não viam mais meios de conciliar o

numerosos cm nosso País. e enlrc os quais se encontra a maior parte de seus leitores: mas

silêncio com a fidelidade à doutrina da Igreja, que êles se decidiram a manifestar de público

se alegra com a perspectiva de que o trabalho

suas dúvidas de consciência.

'

A seguir, a revista põe cm rclêvo a respon-

sabilidade que tem nessa Revolução o Rcvmo. Pe. Bugnini, àhmlmcnte Secretário da Sagradr,

Congregação para o Culto Divino. E observa que tal responsabilidade não é só dêle. Cita a título de exemplo a seguinte declaração. feita em 1967 por Mons. Dwycr. Arcebispo de


Birmingham, na qualidade de porta-voz do Sínodo Episcopal: "A lit11rgia forma o caráter, a mentalidatle dos homens q11f' se de/rolllam com os problemas tia pílula. da bomba e dos pobres. A reforma litúrgica é, num sentido muito profundo. a CI-IAVE do Aggionwmento. Não vos enganeis: é que começa a REVO· LUÇÃO" (2).

,,í

Sôbrc o objet ivo dessa rcforrna da Missa. o ··courricr de Romc" escreveu:

"Vmnos <leixar que um />rOtesuulfc 1Jec/arc• <111al é êsse OBJETI VO tia reform(l ,lo Mis~ml. Um p,·ote.tl<mte "moc1'.•rtulo": o Sr. Max 1'lwrim,. "irmtio de T<1izé''. Em <irtigo (ditêmo-lo bem: ARTIGO) e.ttmnpmlo em "Lu Crofa'' [periódico católico francês!, de 30 de maio de /969, intitultulo nôvo Ol'tUnál'io dt1 missa orieurn-se num sclllÍIIO pro/wulcm,ente ecumênfoo", chc•g<1 êle à ~·eguinrc conclus,io: "o 116vo ortlinário da mis.rn, qut1is1Juer que sejam suas imperfeições relt1t;vas. tlevitlas llQ pêso 1/11 colegialidade e da univel'.\'alitlat/1;•, é um exemplo tlêsse empenho /ccutulo de tmitltule tiberl<l e ,/e fidelidade dimímica, ,le vertltuleira catolic:idatle: um ele seus fr,uos será talvet que c01m111idades NÃO CATÓLICAS potll•riio celebrar " Sm11,1 Ceia com as MESMAS ORAÇÕES que " l greia ('(1/Ólicll. TEOLÔCICAMENTE, isso é ros-

··o

SÍVEL1'.

Ouçamos. agora. um dos motivos capitt1is d" adesão ,lê:;se prorc~'l(mte cl 110,·a Mi.tsa. Motivo que nos p,tre,·e o mais característico de todos: trata-se ,lo que se continuaria " chamar de Ofertório depois de o ter destr11ído: "&se ofertório simplificado - disse o Sr. 1'/mrian - niio se c,prcsenta mai.s como uma duplkaç,io tia prece ew.:arí.rtica (= C<1tton), nem co mó um ato s,,c.·dfic:al antecipado; atemu,m-se ossim 11s ,iijit.:uldtule.r t/tte o antigo ofel'tório cri'1va plll'<l a pesquisa ecumênica" ( 3). 4

Sôbrc as afinidade.~ que certos meios pro1cstanrcs afirmam sentir para com o nôvo O(cr. tório. o "Courricr de Rome" d iz.: "Sabe-se que, ,les,le o inído, os protestantes de tôdas t13• filiações lans,·aram-se furiosamente contra as ort1çõ,•s e as Cerimônit1s do Ofertório. Por que? - Porque elas exprimi'1m, sem 3·ombra de c/úvida, o sacrifício tia lgreia: inclicavmn um mo sacer<lotal pessoal, real. at1w/1 e não llf)tmas a comemonrção p,,r,m,ente NARRATIVA da Ceia da Quinta-feira Smttu. Orll. o 11ôvo Ordo oES'rRÓ1 o Ofert6rio, e o ftit exprcssamen1e: I .0 As novas rubricas qm• J"e referem a essa pas.mgem (11.t"1 49 a 53 da "lnstitutio") têm por título: "PREPARAÇÃO dos dons". Aí não J'I! ,fiz~ de maneira alguma, <111e ésses ··,/ons" süo OFEJU!CH)()S, oferecidos num ato tle ODLA· CÃO prQpritmwnu~ s<1cerdota/: êles são truzido.r ("af/eruntur"); apresentados ("praesentamur" - que latim.').· a ,·eguir .tão enfocados ("dcpommtur'') sôbrc <> 11lwr (qu er pelo Padre, que, por um Diáco110) [ ... ). Vem tlepois o lavabo,· o "Orate fratres''; a an tiga Secreta; o Prefácio e o que o segue, que já não se denomina Cânon, mas s;m " prece eucar'istictl'. - E, tle fato, poder-J·c-ill ainda dcnomi,wr ..Cânon", ,·omo o ,lcnominurum S111110 Ambrósio, S""'º Optato e São Gregório, aquilo que cessou de .s er mn<l "regra" imallível? 2.0 - As três oraçôeJ· que exprimiam a oblaçiio, feita pelo Padre, tio pão e do vi11ho ("Suscipe . . . hanc immaculatam hostiam . .. " "'0/Jerimus tibi calicem salutaris . .. " " Veni, sanctificmor ... '') foram supressas. Substituiu-as uma fórmu la ambígua, que pode igualmente exprimir uma oblação ou uma simp/e.r oferta: como a dos primeiros Jrwos da colheita, ou a de rmw vela. Exemplo, referente ao pão: "Bendito sois, Senhor, Deus do universo, pelo pfiO que recebemos de vossa bondade, frmo d" terra e do trabalho das mãos do homem, que agora Vos oferecemos e do qual far-se-á para 116s o pão da vida". O mesmo o vinho. Que devoto de Ceres e de Bt,co mio eswria pronto ti subscrever tais /6rmulas?- - Que digo.' Que adepto tio "Grmule Arquiteto do Uni• verso''! Onde ,,oi.r .te encontra expresso não sàmente o sacrifício "de ação de f:l'OÇas" . mas o sacl'ificio propiciatório pelos pecado,f, que re11ova, mística ma.f realmente, sôbre o aluir da / gre;a, o Sacrifício da Cruz?" (4).

""'ª

Para caucionar suas acusações, o "Cour.. rier de Rome" enumera oito teses doutrinárias dos pro1cstan1cs, em direção às quais leriam

l) Arligo ..-La messe polyv11Jcn1e de Paul vr·, publicndo no boletim "Courrier de Romc", P:1ris, n.0 S3, de '2S de setembro de 1969, p. 7. 2)

Considerando que a nova Missa é aceita por católicos e protestantes, o Pe. Dulac chegou mesmo ao ponto de referir-se a ela como ..um Or<lo Misstie POl~IVAt~BNTe: meio católico, meio protesllmte 6). Essa noção se explica melhor pelo texto seguinte, que lemos no ·"courricr de Romc" ele 25 de junho de 1969: 1

'

Idem, p. S.

S)

Aniso "L3 nouvclle mcSSt' de Ptlul VI". pu·

blicado no bolccim '•Courricr de Rome". Paris, n,.:. 51-52, de 25 d e julho de 1969. p . 8.

Pc. Rayinond Dulac, artigo "Témoignage", n.0

146,

(

"O nôvo "0,-,lo Missae·" introduz ou fuvo,.ece um com.:eito 116vo <le UNIDADE RELIGIOSA. êlc permite, com efeito, exprimir com PALAVRAS IDÊNTICAS, IDÉIAS OIPEReNTES. Evi1lt:tllt'nll'lllc•, se isso se tornou possível. ou foi porque ti.r pt,l""ras seio e<1uívoct1s. ou porque a.'í i<léills stio im{1rccisa.r. êm 111nbos o.r casos. t·omo se pode continuar a denominar a Missa <le •·o mistério da Fé"? - Onde está o mistério, e de que fé se truta? Além <!isso. como fica o artigo tio Símbolo, segundo o que,/ ti "UNIDADE" é o sinal (o "Nota") que per11!ite reconheçer a vertltuleirtt Igreja ,le JesuJ· Cri,\'tó. ,listinguintlo·A a.\·sim das falsas? Enfim, onde fi,·a a fórmula (atribuída <W Papa Celestino I) e transformada em "lugar comum teolâgko": ''Que a regra dt1 Oraçüo detrrmine a regra da Fé"? De w,1,1 "Missa" celebrada tranqiiilamente por um calvinista re· solvido t, permtmecer ct1lvinista, que dogma ,,ode tl<>rtzvame tfrlll' o fiel. ou que aprof1111tla1tw11to po,J<, tir<lf o rc6logo?

Assim - p~?rgwuamos - o ato mais ,mhlimc do homem religioso não .te apresenta, li vista tlessa iutlerermin,,çiío, rebtlixado ao nível de uma convens,·t1o diplomática, tor,,ad" basumte vaga para que as duas partes contratante.'í possam, a qualquer momenlo, dela abrir mão? Mas t•n1ão - e essa é <i <1uestão que resume ,.,. do,nina u)tl<,s as outras - a Miss<t é um tito tio Culto d;vino. ou um gesto de fraternida<le 1wmana?"' (7).

Chegando à conclusão de que não é possível acei1ar a nova Missa. o ··cou rrier de Romc" escreve : "Quando todos os ,·ec11rsos ti autorid<11le legitima se revelaram imiteis e wios, 11tio resta ao fiel seniio um meio de se manifestar, - um meio extremo, grave, deplorável: a RECUSA. Jtí qu,• ,, regrt1 do Pe. Aníbal 8ugnini e de ,\·eus c,,,.tagineses é li tle realiu,r ··experiên cias'·' , por que não lhes oferecer uma cxpt,riência que êlcs jamais fizertmi até (UJui: a da RES1s-rÊNCIA dos oócms? t..rse.\' .fenhores culdavam t/Uigefllemente de se cobrir ,,,,ena.\' em seu flanco e.stJuertlo, per· sruulidos tle que "(Js fléis da Tl'lulição'·' j(llnafa· ousariam resfa·tir <1 uma revoluç,i<>, de,Hle que legalltatla pda "Allloridade". A<lemais. (fuem <>u~·ari<, expor•se aos epíteto.-r de imegrisw. tle imobiiisw? - Quem, portanto, ou.w ria re1;:1., sar-se a va,-ecer "jovem"?" ( S) .

Embora manifestando-se favorável a uma "rt,sistém:ia rmlical" (9) à nova Missa. o "Courricr de Rome" faz entretanto questão de frisar que su.:1 atitude não 6 de contestação ou de rebeldia contra a legítima Autoridade Eclesiástica. Eis suas palavras: "A 11eçe,.,·sitfodc.~ (qual</uer que elt, J·eja), a obrigClçâo (se alguma ex;ste) <le celebrClr essa nova M;~·su ,levem ser revogtldas pela Autori· titule que us criou. Nós não pedimos a "liber· dade1' de t'elebrur nossa última Missa da mesma maneira como celebrmnos a primeira; afirma.. mo.r nosso OIREIT-0, tal como êle nos foi confe· rido em nome tia Igreja !'elo santo Bispo que nos clwmou els Ordens. e em confo,.mitlade com uma tradição de quinze .féculos. Conside ,-arí«mos como a maior graça de nos.ta vida .t<1certlotal o podermos, pl'ICl presente declaração, levar um Padre, ainda tJUC um só, a imluzr nossa recusCl. E submetl•mos esw declt1r1iÇ,itJ ,w Pontífice reimuue, em prese11ça de Cristo que julgará ,, êh• e a 116s mesmos. Pura n6.s, á aceiwç,io ou a recu.ra do "ONío" tle 1>aulo VI não é um ass,mtô de culentlário. mas uma t/ttest,io tle dogma. Cremos que nossa sa/vução <?tcr,,a está ulsso envofoitla'' ( 1O).

O lfTRAS REACÕES A O LtJNGO .> 110 SEGlfNDO SEMESTRE DE 1969

"No n6vo "Ortlo Missae' 1 ate111ll-se contru o JJl'Ó/Jrio dogma. ê um mo arbitrârio, rcaliltlllO niio .,·e .wbe bem por quem e porque. contra o pens11mento da própria Sagr11da Cc11· gregaç,io dos Ritos e <ltr maioria llbsoluta cios Bispos. Ato arbitrário, injustificado e injustificável" ( 14) .

• O boletim católico oortc-amcricano "Thc Reign of Mary", de ldaho. tem publicado numerosas críticas à nova Missa, cn1rc as quais se encontram c i tações do .. Courrier de Romc''. do Pc. de Nantes. de Mons. Celada, etc. Ê par1icvlarmcnte indicativa da posição da rcvisla a seguinte not:1: "Mu,1s. B,ymi HougJ11011. de Suffolk. /nglmerra , preferiu rcnwzcit,r 111lblica• mcme (10 seu c,,rgo [de Pál'ocol, ,, usar o ·'nova liturgid': e lame111ou o /<tto de <Jlte, se aceitasse as dlretrit,~s oficltlis clOl' Bispos e <le R oma, mio poderia 11wis tliter ,, Missa nn rlto para o qual foi ordenado. Co,.agem. Mo,1seuhor, pois NÃO estais isolado!" ( 15). • Palavras da Ora. Elisabeth Gerstncr, d iretora do Centro Europeu do Movimento Tradicionalista Católico. sediado na Alemanha Ocidental: católico fiel pode em consciência tomar ,,arte no estr,,go, na tunpmaçlio, na pervel'Sâo terríveis que ,levem começar a 30 de novembro [data em q ue entrou em vigor o "Ordo" de Paulo VI]. Sejtl como Jôr. neste caso nossa resistência será gra11í1ic:a.. (16). "( ••• ) 1101/,um

r...]

• A 29 de setembro de 1969, um grupo do canonistas assinou em Paris um documento. di· vulgado posteriormente, sôbrc a nova Missa. Dêle traduzimos as pa$.$agens que seguem: .. Desde que foi publicado, o Mi.,·sal de Paulo VI suscitou no mwulo católico. um pou· co por tôda pt,ne. r,•servas e mesmo objeções capitais. ( . . . J. Numerosos fiéis, Padres e Bispos en <.:on• tram-se h oje, como po<lemo.r aqui testemrmltar, di<mu• tle umt, perplexitlatle terrível: ou recusar o "Ortlo" <lc Paulo VI. corr,mdo ,,ssim o risco de pa,-ecer rl'sistir a um" lei µon1ijíciu; ou aceitá-lo, obrigmulo·se então a /et:Jwr os olhos dümte de obieç·iJes :mficientemcnte graves para que alguns tenham poditlo fa/t,r de um(I Missa "polivafenttl'. unw Miss" tJue, (JOr srw <lmbi· gliitlade e'l.·ide111e e co11/ess,ui<l. pode ser ceie· brad<1 por lwer<111os" ( 17).

• De 10 a 15 de o utubro de 1969. estiveram reunidos em Roma_ representantes de va11as associações católicas da Europ,1 e da América. com o objetivo de estudar o nôvo ··ordo Missae", As conclusões a que chegaram foram divulgadas. na íntegra ou parcialmente, c,n d iversos países. Encontra.mo-las, por exemplo na revista paris·icnse ;,La Pcnsée Catholiquc", e no periódico belga "Bullctin lndépen dant d'I , fOl'mation Catholique". Das rcíeridas conclusões destacamos os seguintes 1ópicos:

"I ... J as reformas litúl'gicas que se vêm Ao longo do segundo semestre de 1969, íoran,•sc multiplicando as manifestações de perplexidade cm face da nova Missa. • Em trabalho intitulado "O 11ôvo Ordo tia Santa Missa - A 1111idtule 1111 h eresia", o escritor francês Pierre Tilloy assim se pronunciou: "Em virtru/e do laço í,uimo e onto· l6gico que, de Jato e de tlireito, ligou sempre a TRADIÇÃO DEFIN l l>A e a TRADIÇÃO PAOFES· SAOA, ( .•• ) ditemós que a atual reforma litúrgica nos ensina um ewmgelho diferente daquele que . Pedro, sempre vivo nos seus Sucessores, havia profl!ssado até t1gorll; e nos 11111111cia outro evangelho, que já tuio é aquêle que até aqui havíamos recebido" ( 11 ) . No mesmo trabalho, escreve ainda o Sr. Pierre Tilloy: ''Será necessário re,ligir uma conclusão para esta segunda parte (do artigo], na qual querfoinos mostrar que o nôvo '"Ordo Missa~· e o nôvo 1'Caletult11·iwn Romanum" não são cat6Hcos!' Essa conclusão só poder« repetir <1ue a Mi.ssa recentemente promulgtu/a J'e aproxinw mais ,la Ceia t1'1rrmiva e comemorati va da Re· forma, do que do Somo Sacrifício da Igreja Católica; que " "Liwrgia do palavra" agora l11staurada immgro-a em nossos !iOnt uários cau). Jicos o culto protestante tia "Sol,, Scriplur<t''; que o "Calcn,larium Romcmum" 1,á /JOUCO ins· taurado e pr'omulg<ulo ahme n macluulo tt

7)

Artigo já ciwdo. ''La nouvellc ordonn:mce de la mes.sc", p. 4 . Idem, p, 2.

9) Ar1ig.o "La me~ polyv;-ilente de Pnul VI'". publicado no boletim ··Courricr de Rome... P::iri:-, n.0 S6, de 10 de novémbro de 1969. p. 4. 10)

4)

rcprodutido peln revis1t1 " J1inéraircs", Paris, de s.c1c.mbro,ou1ubro de 1970, p. 93.

O /1 (1(/re mio é sentiu o ri:tESIOEN'l'l! de uma assembléia. 2 - Ntio luí Mlssa sem ASSEMBLélA (COJ'I· de,u,çtió <los missas "priwulas''). J Prt:dóminti11cit1 da "PALAVRA" sôbfl' os "atos'' ri1twis: daí (/(?corre a nccessitlade do ,,e,·nâculo. 4 - Exclusão <Íe ltulo "quilo que pode significar ORLAÇÃO (no sl•ntitln próprio tia palovr11). 5 - NeRll(:tiO tfo .. PRESENÇA R'f!At." tle Cristo sob aJ· espéâe.t ,lo piio e~ do vinho. 6 - Em consec1iiê11cin, nüo hcí presençu '"JJ<'rm,mente'' ,lt~ Cristo fom t/{I Mis:m. Supl't:J·.tiio do "culto euc1.1rís1ico" (wbernlículos: (Jrocissõ<·s: exposições tio Santíssimo ... ). 7 - Como nulo se p,,ssa 110 tlomínio tios sinais e dos .,;entimnuos ;ndi,,iduais subietivos, ttiio há 1'RANSUEsSTANCIAÇÃO. 8 - N,io se concebe Missa µcios defuntos (abstr,,çtio feiu, tltt negação do Purgatório e meJ·mo de uma .,·obrevitla, profe:;sadas por muüos protestames). - Também não há Missa t>elos a11se111es" ( 5). .. l -

8)

tdcm, ibidem.

3) Artigo "La nouvellc ordonn:mce de la m.:sse". publicado no bolc1im ..Courtier de Romc.. , Paris n.0 49, de 25 de junho de 1969, p. 3.

6)

sido fei tas, pelo nôvo ·'Ordo", concessões inadmissíveis. Es.'ias o ito teses são enunciadas nos lêrmos seguintes:

Idem, p, 3.

J 1) Pierre Tilloy, nrtigo in1itulndo "L'Ordt> Mi:rSlle? L·unité dans l'hér~sic", publicado 118 tevisrn

..F-Orts d:.rn:; l:i Foi", de N:l.ntcs, França, n.os 10, de maio-junho de 1969, pp. 207-244: e 11 , de julho· -agôslo de 1969, pp, 29 1-317, - O 1cx10 transcri10 es1á no n.0 10, p. 229.

árvore mu/tls.recultir do Calenclário da Igreja Clltólica. 1u1ra .mbstiwí-lo pelo tronco morto. resset1uido pelo vento gl(lcinl tllJ racionalismo, tias re voluções litúrgicas empreendid,,s pelas heresit,s do passado. Por11 empregar uma expressão tle outrora: dizemos que ''esw nova mudança. mais tio <JUI!. imprudente. é temerária e cscandt,losa, e m1o · potle escapar à suspeita de fovore,.:er os here• ge.r'' (e/. D. Guérauger, '"lust, Liturg." I, J)p. 434, 440, e li, p. 542)" ( 12).

• No artigo "A mini-Mlssa contra o dogma", publicado em "Lo Specchio", de 29 de junho de 1969, o teólogo italiano Mons. Oomen ico Celada refere d iversas manifestações de Sacerdotes de seu país contra a nova Missa, e observa: '"A promulgação de um nôvo ..ordo" - isto é, o abmrdono do venerável ,\1 is.w,I Romano, agora substiwtdo por outro, s6bre cuia ortodoxia muitos teólogos ilustres têm Jeito amplas reservas - é um fato que provocou verdadeiro tlra11u, nas consclências .racer,lomis. O processa ,le <lestruiçiío da liturgia é agora tl'iSlcmente coulwc:it/o. Em menos de cinco anos foram desm,mteladas as es1rutura3 milenares ,lo ,·ulto dú•ino ( . . . 1 13). 11

(

• Pronunciamento do reputado teólogo romano Mons. Franceseo Spadafora, profc.ssor da Pontíficia Universidade Latcrancnse:

12) p , 113.

Piem: Tilloy. :1ni1;0 cil.1do, ibidcin. n.0 11,

13) Mons. Oorncnico Ccl.-ida. anigo "la mm1· Mcssc contre le dogmc" , que trnduzimos do bolc1im .. La Co,nre-Réíorme Catholiquc au XX~mc. Si~cle", Saint-Pnrrcs-J~o;-\'audes, Fr:rnc;,1, n.0 23, de agósto de 1969. p . 7. - O or1igo foi origin1'riomcn1e publicado pela revisrn i1aliana ·'Lo Spccchio", de 29 dt junho de 1969. 14) Citado por Moos. Oomcnico Ce1:"1d:1 no referido :1r1igo "La mini-Messe centre le doa.me". IS) Sccç5o de noticiário ''St. Miehacl's Trum, pct", do boletim "Thc Reign of Mary", Coeur d'Alcne, ldaho, Estados Unidos, n.0 B2·8·969, p. 3.

.·m cedendo desde o jlm <lo Concílio acabam de chegar a um nôvo Ortlinário da Misst, que, .tegwu/o em geral se admite, aprese111a..se como um amálgama da ceia luterana e da Missa C(lló/ica. [ ... J os golpt•s dados 1,1é aqu; contra grmule pt,,.te do te.ww·o litúrgico, e que eram propostos à Igreja como sac,.;Jfoios toleráveis. atJquirem ,Jorawmte, em vista d,} promulgação ,lo nôvo "Orclo Mis.wlt!", seu vertladeiro significado . tornmulo assim intolerá,,el tóda a rcfonnt, littlrgica 1•ÓS·CONCILIAR. ( ... ] tOTll(l·SC agora evidente que, mais do que a Liturgia, é 16,la ,, economia sacramental. ,, particu/(ll m ente o sacerdócio, que estão gra• veme11te compro,netidos. ( ••• J tôdas as inovações de or<lem disciplinar, resumitlas 110 que se tem chamado de transformação ,lo "esuuuto sacerdoll,f', cons1iluem o re.m ltadô tlireto do refer;da reforma. ( ... ) pt1sso a passo, é tôda a instltuiçâo da Igreja visível e hierárquica que está igualmcme com,,rometida. ( ••• J ao mesmo tempo. são também o dogma, a moral e a espiriwalitJadé cmólicos que esuio anUW(;lldos. t ... ) tódt1s as pre,1isôes 1/ue se l'Odcriam fazer sôbre 2sses perigos são quotidianameme conJirnuulllJ' por j(l!OS tle co11su,ração universal. E -111 conseqüência. as Associações adma

Gregorio Vivanco Lopes

Or.1. J!lis.1beth Gerstncr, tírlito "Non 11osDas AnMhcma der ko1holiS-(:ht11 TrndilÍO· nolis1en in aller Wcll gt3en dcn neuen Qf(/o Missat·· ("NQ,t P<>M1m1u, O anátema dos trndicion:.dis1as católicos de todo o mundo cônua o nôvo Ordo Milst,c.•"I. oublicado em "Oas Zeichcn Maricns", rtcussbuehl, Luccrna. Suíça. ano 3, n.0 4-S, d e ngôsto-sctc.m· bro de 1969, pp, 56S-570. 16)

J 1mm~· -

17)

Oocurnento i111i1ulodo ··Consuha1ion, tém.oi-

i nage cl vocu su r te nouvcl Ordo Mi.sslle", subscrito 1>0r um ~rupo de ca1,ooisrn.s, e: publicado na tcvis1.1

"La Pcnséc Catholique.., Paris, n.º 122, 4.0 trimestre de 1969, p9. 44-47. - ~se doc:umento foi pardalmente reprodu1...ido n:l. tcvi.s1a belg.a .. 8ullttin lndliptnda111 d'lníorm:uion Cotholi<rue", su1>lcmcnto ao n.0 S2~ e cm comun icado da Associação "Una Voct " da hifü1, datado de 2.4 de novembro de 1969.

3


' rc•jl'ritltM ,,etlem às A lllóridadeJ' éompt•te1Hes: / - Que, se o nôvo ··Ordo MisJ·cul' mio jôr ab-rog(U/o, como muitos iulgam necessário. seu 1ex10 sejt1 pelo meno.t radicalme11re re/Ormcul<>, de u,I modo que tlesapal'eçam 1ôdas wr ambigüid(l(/es de ordem tlogmática ( ... 1. 2 Que se.jt, ,,sJ·im vropo.#a sem equívocos, t• salvaguardtula tle modo e/icar.. ll dourrim1 que ôs jiéis jtu1wis deixaram de receber do Mt1gis1ério ortlintírio e wlivc,·J·al da Igreja S<>bre o Sacri/kio da Mis..m~ a Presença real e o Stu:erd6t:io. 3 - Q11t: os Sacer<lotes e fiéis t/Ul' usem o "Ortlo" de São Pio V não.sejam i11quieta1/os 1w posse secultlr dêsse costume" (18). • Em seu número de setembro-outubro de 1969.:, revista " Nunc cl Semper". ele Munique, Alemanha Ociclcnlal. publicou um artigo de seu diretor. Dr. Fri11,. von Hanicl.Niclhammcr. A li se lê que no nôvo .. Ordo" ''r evcla~.\·e 111,u1 conc:epfiio do A•fi.rsu 1e1uh:111c <1 igufllá-lt, ti ceri11i6nia pro1es10,,re ela Ceia do Senhor" (19).

• Antes da cnlrada cm vigor do •(Ordo" de 1969, os Cardeais Alfredo Otlaviani e Antonio !lacei escreveram (20) a Paulo VI un1a carta cm que faziam graves restrições ft nova Missa. O documento só ío i entregue à imprensa a 29 de outubro, quando - segundo tudo indica - se tornou patente que nenhuma medida seria tomada para atender às ponderações que SS. Emcias. haviam apresentado (21 ). Dessa caria. traduzimos alguns 16picos:

"Ap6s exc1111inar e /111.er examinar o "'Novus Ou/o Missae,., f)repartulo pelos peritos tlt1 ''Comisscio pura a Aplkaç,io tia Constituiç,io sôbrc: ti

Sagrada Liturgia", e ,1p6s longa re/Jex,io e

prece. sentimos o dew!r, dia111e de Deus e de Vossa Santi<lcule. ,lc exprimir as c:011.sitlerações seguintes: I - Embora breve, o referido e.reune cd· tico - obra ,ll, um grupo 3·eleto ,Ir: 1e6logos. liturgistas t• pastôre.\· d e 11/mas - demonstra .m/iâe111emente que o "No1,111s Or,lo Missae", consitler,ulo_s os elemento$ 1101,10.f, susce11tí veis embora tle avaliaçÕe$ diversas, que néle '1f)àrecem sube11te11didos ou implictulos. represenlll 1,11110 no .teu uulo como cm suas partes um a/asum,emo impressionanle em relaçtio ,) teologia auólica tio Santa Missa, tal como foi formulada ,w Sessão XXII do Concílio de 1're11t<>, o qual, Ji:u.uulo de modo definitivo 0$ ''c,111011es" <lo riro, ergueu uma barreira intran.rponívd c:ontr(l q«al<111er heresilt que ofen• <h~sse a intcgrid,ule do Mistério. 2 [ .. . ] Qmmto tle nôvo figura 110 "No• vus Ord<> M iss,u!\ I! , 11or outro lado, quanto de perene ali s6 se encontra num lugar se<.·1111• dário ou i,ulevido, se é que se encon1rc1, po,leria ,lar fôrça tle certeza tl tlúvida - (fite infelizmente já serpeia em ,wmerosos «mbie11tes de ,111c vertladcl· .rcmpre cri<Ílls pelo povo cri.sulo possam ser modi/ic{l{/as ou calados sem infidcli<i<uic (iO J·agr<,do dep6si10 ,loutrinário li (Jlle a Fé c,11ólict1 está vinculada parti sempre. As recenteJ· reformei.,\' demo11s1raram, à J'aCit!· ,Jade, que novas lransformações na liturgia não conduziriam senão à total tiesorfontaçâo dos fiéis, que já apresentam .rinai.r dt• impaciência e de uma ine{Juívoca dimlnuição da fé. Na parte melhor do Clero, i.rso resulu, num(1 torlllrtmte t·rise de consciência. de que tcmo.f testemunhos inumerávl!ls e quotidianos. 3 Estamos seguros de que estas co11siderações. inspiradas apent,s no que ouvimos pela voz ,,ibrante tios Pastôres e tio rebanho. não podem deixar de encontrar eco no coraç,ío paterno de Vossa Samidade. .rempre rão pro-fundam ente solídto tias n ecessidades espirituais dos /;//,os tia Igreja. Sempre se ndmitiu que os .rúdlto.r. cujo bem a lei "isa, caso esta se mostre pelo contrário nociva têm o tlireito, e mais ainda o tlever, de pedir ao legislador, com con· fiança filial, a ah-rogação do pr6pria lei. [ ... )" (22). Segundo informa o boletin, parisiense "Courrier de Rome" (23). depois dessa carta o Cardeal 011aviani dirigiu a Paulo VI uma oulra. cm que pedia que o nôvo "Ordo" fôssc submetido a unia comissão de teólogos que o Papa nomearia especialmente para êssc fim. Posteriormente, circulou na Europa uma carta atribuída ao Cardeal Ottaviani, cm que S. Emcia. leria abrandado subs1aneialmen1e sua oposição à nova Missa. 'bsc docurncnlo foi objeto de ampla polêmica , sem que seu valor e sua autenticidade tenham ficado intcíramcnle ao abrigo de interrogações. Acresce que, em face dessa polêmica, em que se envolveram algumas das principais p ublicações an1iprogrcssis1as européias, S. Emcia. permaneceu cm silêncio. Assim sendo. é difícil precisar no momento qual o verdadeiro pensamento do ilus1re Purpurado a respeito da nova M issa. A carta a Paulo VI parcialmente reproduzida aci1na con· serva entretanto grande intcrêssc documentário, quer pelos argumentos que apresenta, quer pela nssinalura que traz do Cardeal 8acci.

• Do "Breve Exame Cl'ítico do Novu.r Ortlo Mis.me", ao qual o s Cardeais Ollaviani e Bacci se re portam cm sua carta a Paulo VI, des1acarnos apenas algumas passagens q ue rc· velam o tom incisivo cm quo os referidos leó~ logos. li1urgis1as e pastôrcs de almas rir.eram reservas ao nôvo "Ordo" (24). 4

S()BRE A. N OVA. MISSA: REPERCUSSÕES Qtm O PÚBLICO "BRASILEIRO AINDA NÃO CONHECE

"N[u> subsistin<lo porumto - observa logo de início o ··srcvc Exame'' - motivos pcu·,, (l{'Oiar e.'tsa rc/ornw, ,, prlJprit, reforma se 0/JTC• S<'llla tleslituítl" ,te /wulcwu.mto rc,cio,wl que. j11sti/h:t.uulo•u, ,, torne t1ceitávr.l pelo povo •·111.Slico" ( p. S). Depois de minuciosa análise do nôvo '"Ordo", o docun\cnto observa : "E t:vitlente que o "Novus Ortlo·• n,to ,les,:ja nwl.\· representar a F é de r,·ento. A es.ft1 Fé, con1utlo, a consciência cató li<:a está vinculada para sem. pre. Porumto. o ve,.tladeiro cat6/ico está pôsto, c:om a promulgaçiio ,lo ' 1Novus Ordo". 11w1w trágfr:a 11cc:el·sithu/e de opç{lo.. (p. 25). E concl ui: "O 11bm11Jo110 de ,mu, tr"diçdo li11í,gica que durante quatro séculos foi o si11al e o penhor ,la unidade ,le culto (pcirc, substituí/a por um,, o,11ra tJue s6 poderá ,'iel' siJwl tle tlivis,ío, dados os inámeros abusos que impJí. â twnente autoriza, e que pulula ela 1>rt)1>ria d e i11si11u<1çõe.,· ou erros evidentes con1ra ,, purez" da Pé católica) llpresenta-se, se quisermos ele· fini-lo do modo mais brtmdo, c:om o um êrro im:<'>me1u·urtível" (pp. 28·29).

ção a essa m eUl. Se éle /ôr aplicado, a l gre;a Católica entrt,rá em eJ·wdo de d elírio'' (26). • A C.\'Critora francesa Edith Oelamarc, colaboradora do jornal parisiense .. Rivaror·. através de numerosos escritos vcm·sc opondo à nova Missa. Em artigo intitulado "Onde está o Pa1>c1 está ti IRreja?" íêz. ela â seguinte observação: "Qu e a <1ues1iio da vtilidade tia novo Missa possa ter sido posta., é coisil que indica " ,,erturb,;çiio dos e.rpíritos e a comoção <las alnw.r. Numerosos Padres contimwrtio t·erta· m ente ,, celebrur a tmtiga Missa, com ou sem permi.,·são de .,·eus 8,'.,;po.r, às esco,ulidt1s. "t1111to m elhor para êles" (27). • Em t1rtigo estampado cm novembro de 1969 no boletim informativo "C. 1. O.", de Madrid, 8. Monscgu escreveu:

"í ... J niiô S<' potle tlil.er nem ridículo, nem

• Do Pe. Louis Coachc, diretor do boletim francês "Le Combat de lo Foi": "Em breve clevcrá e111rar ,.,,, vigor o nôvo ''Ordo Missaé'; eminentc:r tc6logos acabam de prov<,r tJue ê/c tem sabor d e heresia. Nê/e e, Mil·st, perde J·eu <:aráter d e oblação sacrifical. Sflibam os Padres <Jtw, tlem,·o tia mais per/cittl obctliência, podem conservar o "Or<lo Mi~·sae" multissecular de São Pio V , em virtude doJ· <;Qswmes autori· ztulos pelos ,lireit<>s canônico e litúrgico; qu<mto aos fiéis, façam tudo para recusar es.ta 11ov11 Mü.m, 11 qual freqiíentemellle correrá o risco <le ser iuválitla. Também aí, é mdhor fazer o sacl'i/ício de mio assis1ir 1.1 Missa. tio que ser inroxictula ou tonu,r-se cúmplice" (25).

presunçoso. nem t1tre,1ldo. o fato tlt! se exporem 11s razões que /ui co111ra a lei, os e/anos que se seguiriwn de sua aplicação e ,i conveniéncia, ,/aí de,:orrente, de t1b-rogá-Ja ou tle modificá• la. Isso é concilfrível ,·om a submi.i.riío e com ,, obediência. Muito pertine,ues e pnulentes foram., a êsse propósito palavrt1s tio Arcebispo tle Matlri<I. Mo11J·. Morei/lo, ao corre.rpo11tle111e de " /11/ormadones" <111e aludiu " semellumtes dific-11/datl<•s do C<1r,lc•a/ Otta1,1ia11i. Não conheço - tlissc êle quase te:ctualmente - o 1/ocume11ro em 11uestão. Mtis tenho ,, tliz.er, primei· tamente, 11u<.• a Instrução J·ôbr;: 11 Mil·s,, não ha11iti sido apre.rentada às Con/crêtu,·ias Epis• copais; em segwulo lugar. que há n ela certas omi~·.fõe.t que clu1111"r"m a atenção ,Jes<le o pri• meiro momento. creio que em totlo o mundo. Por exemplo. o /mo de mio se falar, J'emío num artigo escorulido ..rôbre a Missn como sacrifício do Nôvo Testamento, enquanlo se diz e se repele muito 1/tte é comemoração da última Ceia. E. isto é perigoso, pou1ue " Missa é o verdadeiro .mcriffâo de Cristo que Se faz prese111e 110 · altar. Ditcr que é simplesmente rmw comemoração tia Cefo, P doutrina protesumte. Aí fica posta em .reus devidc>s têrmos pelo Sr. Arcebispo e Presidente da Conferência .E,,iscop,,i Espanhola. por conseguinte a voz mai.f <mtori<,atla, " principal <li/iculdade contra o 11ôvo Missal - que é também aquela que mo• ti vou a caru, de Ottaviani ao Papa" (28) .

• No mês de novembro de 1969. o Dr. Joachim May. de Schafllach, escreveu que mu itos católicos querem ..,malar o poder ele <lira• ç{lo dil lgre;a Romilna, <J ponto ,Je trtms/ormá• Lt1 num pic,uleiro comum a 10,los: desde os shintofst{ls, passcmdo pelos bu,Ji.tws, pelos maometanos, pelos mlepto.r tle uma religião ,uuu. ra/ e pelos tJue cultu,m, tlivintl<ltles míticas. m é os p,otes1,1111eJ' e franco-maçons l- .. J. O uôvo "ordo miss(le" já é o pt,.t.to deci,tivo em ,tire-

• Em folheio distribuído na Itália pela organização "Gaudium ct Spcs", de Roma, às vésperas da entrada cm vigor do nôvo "Ordo". lemos: "CA' rÓLICOS,. sabei manier íntegra vossa Fé e a Domriuo transmitida f)elos Padres gara,uia tínica na f<io im::ena. crepuscular e -equívoct1 hora presente - recorrendo apenas a Sacerdotes dClutrinàriamente .w:guros, e assis· lindo excluslvamente à Santa Missa celebrada tlc acórdo com o antigo Missal Romano de S,io Pio V" (29).

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EN'l'IIA EM VIGOR O NÔVO O.IIDINÁ.1110 DA MISSA • No dia 30 de novembro de 1969, em que entrou em vigor o nôvo "Ordo". um dos principais diários de Roma, " li Tempo". publicou um artigo sôbrc a matéria , intitulado "La nuovt1 A-:fesstl'. Nêlc, o jornalista Carlo Bem escreve que a inlrodução da nova Missa "significa que o mnntlo espiritual do homem Cl'iSttlo cm6/ico apostólico ,·onw110 foi pràtic,,mtmte ,tupresso. para ser substituído por um outro cristianismo, muito próximo ao da:r con· fissões protestante.t''. • Em dezembro de 1969 o Sacerdote mexicano Pc. Joaquin Sáenz y Arriaga deu a lume a obra "La 1meva Mlsa 110 es yc, una Misa ClllÓliNl' (30). em que, ao lado das primeiras críticas feitas nos mais diversos paí· ses contra o nôvo .. Ordo". apresenta alguns comentários pessoais seus. Dêsscs comentários, 1ran$çrevcmos aqui alguns tópicos: ''( ... ] ,mte nósstl consciência cillólica CO· loca•se um dilema tremendo: obedecemos ,, Deu.f ou obedecemos aos homens? A mudan ça d e MENTALIOADJ;t que de n6s exigem [com o nôvo "Ordo"l é uma m,ulcmça OE FÉ, e a ela nossa consciência resiste,. (p. 77). "AVTODEMO~IÇÃO ela lgreia é como o Papa reinante denominou esta incrível revolução religioso <1uc presenciamos. Creio que, neste processo tle dolorosa demolição, es1amos ava11ça11do a passos <le gigante, e que 1>ara isso as tÍllimt1s mud,mç.as liuírgicas e.ttão contribuindo poderosa e eficatmente" (p. 80). O autor pergunta: "Teremo.,· 1111 Igreja Ca• 16/ica uma Missa p,·ó:cim.(1 da h eresia? Obrigar•tto.\··âO a p,·o/tmar assim o cullo divino?" (p.

93). E mais adiante afinna, peremptório: ''Essâ Missa iá mio é uma Missa c1Jt6lica. A obetliêncio. 1ws1e caso. niio nos obriga'' (p. 102) . • Em artigo de dezembro de 1969, assinado por seu diretor, R. F. Bergin, a revista "Voice or Fatima Jntcrnational", de Brisbane 1 Aus1rália. publica artigo cm que critica o nôvo "Ordo" no que se refere à doutrina sôbre o

inferno, ao uso do vernáculo, à devoção a Nossa Senhora, à folia de profundidade espiri1ual, à imprecisão dou1rinária, etc. No que diz respeito à heresia que nega a virgindade de Nossa Senhora, o a rtigo afirma: "As barreiras littírgic,1s co111ra esrn heresia 1.·níramº (31). • O boletim írancê.~ "Lc Comba! de la Foi". dirigido pelo Pe. Louis Coache, publicou ,cm dezembro de 1969 um ar1igo sôbre a nova Missa. do qual extraímos alguns tópicos:

"Freqiie111em e111e. o oltor fonw-se uma mesa (a tal ponto, que a Pedra sagrada já núo é sempre necessária!), e a celebraçiio 1or11a-se uma refeição; o Padre não é mais do que um PRE.SJOl!NiE tôdas essas, noções 1loutrinárias e essenciais reprovadas por Pio XTI ("M<•dia1or Dei") e pelo Concilio de Trento. O relato da Cei<1 termina, logo aute.r da Co11~·,,cr11ç,ío, com dois pontos - o que tende a dtir às ptllavras consecratórlas UM GÊNERO NARRATIVO, e já mio impcrallvo. Muitos Pa,lres, mio mais cre,uio fiá Presença real, dirão portanto as palavras da consagraçiío com tJ um J'imples relato do que fêt Jesus. Dc,í, a INVAU~ OAOE. Ademais, 11 tlesenvollura co,n a qual é ago,a ,ratado o S<mtfssimo Sacramemo (ge111t~ flexões e purificações supressas, ritns da Conm11hão, etc. . .. ). não fazem senão ressalu,r o aspec10 de memorial, em detrimento do as• pecto tle Sacrificio , Presença. Numa pa/m,ra, 11C'sses textos está o TRI UNFO OAS TESES PRO'fru,"TAN 'rES. A Missa ll{IO é ma;s 11111 J·acrifício, mas uma comemoraçáo. Que dizia Lutero? - ''Tra11s/ormóu·se1 o missl, num J·llcrifício: ac1·e,rce111ara11r..\·e-lhe ofe1·16rios. A miJ'sa não é um sacrifício ou a ação ,le um sacri/icatlor. Encaremo•la como racrame1110 ou como 1eswme11to. Clumu:mo-la bênção, eucaristia, mesa do Senhor, Ceia do Senhor, ou memorial do Senhor. Dê-se· lhe qualquer outro título que se queira, desde que uão se venha a ,naculá-la com o título d e sacrifício ou de ação . .. " E Lutero acrescema: "Quando a missa /ôr tlestrufrla, creio que teremos des,ruído 10,Jo o

papado. Poi.r é sôbre a missa, como sôbre uma roe/ta , que se apóia i11teir11mcnt(' o papado com seus mosteiros, seus bispndos. seus colé· gios. seus altareJ', seus mini:uérios e ,loutri1111s... T,ulo iSJ'O desabará 11eces.ttJriame11te qua,ulo d esabar sua missa s,,,·r,legil e nbominável" (32). • A revista ca16lica de Washing1on, "Triumph", de dezembro de 1969. afirma: "O nôvo "Ord<>'' é manifesta e i11contes1àvelmente c1iticável porque cala, atenua, e m1o define, ou tle/int• i11complewme11te, cel'tas cloutrinc,.t cm6/icas essenciais relillivt,.r ii ,wtureu, ,la Missa e da Eucaristia. Pior ainda, muiws dessas ambigiiidades são po.ritivamentc Jcn1o re· lidas pelas "'/11,\'tru(:ões Gerais" <111e acompu11ha111 o "Onlo" (33). • A 4 de agõs10 de 1969. a Asociaci6n ,Je S11cer<lotes y R eligiosos tle San Antonio Ma1iil Claret, de Barcelona, que congrega seis mil Padres, escreveu uma cart~ a.o Exmo. Rcvmo. Mons. Casimiro Morcillo. Arcebispo de Madrid e Presidente da Comissão Episcopal Espanhola. pedindo que S. Excia. Revma. intercedesse jun10 a Paulo VI a fim ele que íôssc conservada o Missa d~ São Pio V ( 34).

• A l l de dezembro de 1969, a mesma associação dirigiu ao Revmo. Pc. A. Bugnini. Secretário da Sagrada Congregação para o Culto Divino, o documento que transcrevemos a seguir:

"Revmo. Padre, Escrevcmo~-..lhe em nome de seis mil SaM cerdotes. membros d e nos.~·a A.'tsociaçllo. 1'endo li<lo, com muirn ate11~·,to, seu comentário "A,I w, mese ,Jal/'introdu1.io11e tlcl Nuovo Ordo Missae" ("Osservtuore Romcmo", 31 ,Je outubro de 1969. p. 3), cremos que há .rôbre o asswuo um mal.entendido que importa esclarecer o qwmto tmtes. Precisamente porque somos Sacefllotes que o vide, tôtlt, obed ecemos caltUlos. cremo.r chegado o momento em que é n osso dever eslrilo erguer (l voz.. N<io somos "Sac:el'(/ótes idoso,i; preocuptulos pôr já não terem a fôrça e a possibilidade física de apren· der outras normas para celebrar o 11ôvo Ordo". Nó:,· tis temos perfeitamente; é a po.rsibifitlcule moral. intelectual e espiri11wl que não temos. Nós, Sacerdotes cat6/icos, não podemos ceie· brar uma Missa tia qual M. Thurian. de 7'aizé. tleclc,rou que potlia celebrá·la .tem deixc,r de .ter protestunte ( 35). A heresia ,uio pode janwis ser ma1éria de obetliêncfo. Pedimo.t, pois~ a Missa de Siio Pio V. par,.; cujli celebração recebemos as Ordens slicer<lotais. A maioria d(Jntri' nós J·omo.r Párocos. possuímos poi.r uma expe· riên cit, pa.rtoral direltl. Nosso.t ,;aroquitmo.r mmca 1erim11 1itlo a mais leve idéia tle pecli,· outra Missa. f.:su•s são fatos qu,, julgamos ,lc nosso dever levar seu conhedmento" (36).

• Na mesma ocasião, a A.rociad6n tlc Sacerdotes y Religiosos de San A monio Maria Claret escreveu a Paulo VI:

"Samíssimo Padre, 1:.: com profunda dor que L h e enviamos. em anexo. fotocópia tia ctu·ta que nossa Asso• ciaçtio ac,1ba 1Je tlirigir ao Secretário da Sa· 9rada Congregaçcio para o Culto Di"ino, e que nós m esmoJ· i/U<ffe1nós levar <ió conhecime1110 d,• Vossil S,mtitlt1tle. A questão tio nôvo '"Ordo'' começa " ser uma q ucl·t,to de consciêncla d e t•xtrema gravidtulc para milhões d e católicos, tanto Sacertlote.,· quanto leigos. Não /alaremos aqui das razões de doutrina t·at6Uca. pois mio pode· l'íamos expô -lllS m elhor do que o ,Jocwnento "Bre1,1e Esame critico d ei Novus Ordo Missae", que Vossa Samidude recentemente recebeu. acompan/uulo de ,·arta assinacla pelos· Cardeai.f 01tavia11i e Bacci. Será nt!Cés.sário refutar êsse ,Jocwuemo pomo por ponto, com base na doutrina do Concílio de Trento , se se quiser tle· m o nslf<IT ,1 onodox;a do "Novu,t Ordo". Não /<daremos tlisfo. mas sim das ,·azões rel<lcic,. natlas com os p1·otesra111es. A segufr, o documento cita o texto já ~onhecido cm que o pastor luterano Max Thurian diz que é 1eolõgicamen1e possivel a comunidades não católicas celebrar a nova Missa. E os Padres do Associação de Santo Antonio Maria C larel comentam: "Se, pois, é teolõgic-ame111tt possível a celebraçtio [da Missa] por um protestame, isto significa que o nôvo "Ordo" já uão expressa n enhum dogma com o qual os proteJ'tomes este;am em desacôrdo. Ora. o primeiro dentre êstes dogmas é o da P,·esença real, essência e centro da Missa de São Pio V. Poderia por ac,1so um pastor pro1es1011te celebrar o nôvo "Ortlo" se tivesse que consagrar com a mesm11 imenç,to com que o faz a lgre;a Cat6/ica? "lex ora11tli, /ex credendi": a Liturgia é a mais alta expressão ,le uossó /é. Aonde iremos parar se, 110 melhor das hip61eses, ,, Missa silencia tis verdades católicas? O bom povo que. sem o saber ou comra sua vontade, é assim impeUdo para a heresia, salvará sua alma caso conserve os cos-tumes cristcios (infelizmente mtn os co11.terva). Mas o m esmo não st: dará com aquêles que o tenham impeli1l0. Sa,uíssimo Padre, uós 11ão queremos assumir es.sll responsabWdade [ ... 1" (37). • Em dezembro de 1969 veio a lume nn Inglaterra o opúsculo de Hugh Ross William-


son. "Tlte Modern Mass - A Reversion ló the Reforms o/ Cramner'' ("A Miss<1 Moderna - Uuu, Volta às R efornw.-. ele Cruumer"l, q ue expunha as modificaçõc;~ introduzidas na Missa pelo arcebispo anglicano de Cantcrbury, T homas Cranmcr, no século XVI. e as comparavca com as recentes alterações do ···orclo" ca16lito. O folheio. de 32 páginas, que 1eve larga difusão nos países de língua inglêsa, termina com a seguinte frase: "A Missa Tri<leutina. com· ,,o.tltl para ser rmm c,ru,a perpétua contra a heresia. t! 11gor11 (lbtuulomu/11, tllm<lo lug,1r a ,mw forma que é sumamente com('mível com tu' heresias cle Crtmmer e de seus sc•qua· tes. A /gun.r de n6s pergunrwnos por que isso se /éz" (38).

"º""·

• Em fins de dezembro de 1969 foi amplamente distribuída na França. pelo boletim "Combat de la Foi", uma fôlhn mimeografada com uma relação incompleta das capelas e igrejas cin que se continuava a celebrar a Missa de São Pio V. Eram nada menos de dezenove igrcjàs e capelas c,n Paris e 102 cm 36 cidades de província. • A revista norte•antcrica1H1 ··Thc Rcrn· nant", de St. Paul, Minnesota, tem publicado numerosas críticas à nova Missa. Dentre elas} destacamos a seguinte: ''O f,llo é que l!xistem hoje muillM' pessoas - inc,:htl·ivc n6s me:mtóS - que /iter11lmente sofrem 110 mais íntimo dll alma. a propósito cio 116vo "Ortlo Miss11e", e <fite, simplesmente n ão ,·onsegucm e11te1ule1· a malor pllrte dos urgume11tos <1t1e têm sido aprcs,:ntados em sua clefesl1. As cllrllls que recebemos . .robrc1tulo de Sacerdotes. refletem <tb(llimento espirittutl ,. :;ofrimento. Um llmigo nosso. P,ulre e teólogo b,tm conheci<lo, refe,·e.. se à ''11ova Mis.s,," como ''algo tle sunwmc111e ll/litivo". ,,ue "me enche cle 11goni<1 11111e a simples itléia <le que a dev<> celebrar" (39). • A secção de correspondência da revista suíça "Das Zcichen Maricns" 1cm publicado muitos documentos reveladores da maneira pela qual o nôvo "Ordo" vem rcpcrcuiindo entre os povos de língua ,alemã. Damos 3 seguir alguns exemplos. Uma Irmã de caridade que trabalha cm hospital comunicou à revista que, cm carta a ela endereçada, uni· Vig,írio escrevera: "A nova Missa que está para entrar em vigor, e que se vem dwmt11ulo ·,le ·1mini ,Wissa ou Miss,, cle llugnini". justifica grllndes dúvitlt,.r em re/açiio ao seu caráter sacrificar' ( 40) . De uma leitora do Tirol do Sul: ·•Por tJue o Carcleal G,,u (! outró,f têm ce,Jiclo sem11re 110:r ino~1tulores~ e nos presente11ram por cxem.. pio com uma Nov(l Misst, </ue nem sequer 11prcse11ta ,, garantia de .rer válida?-" ( 41). 8

Passagem de carta de uma leitora de z u.. rich: ··rambém eu e.rtou co1111c11cida <lc? que li nova Missa representa ape,ws um primeiro passo 110 caminho que conduz. à C eia prote.~· 1a111c. tr que os inovadores aspiram'' (42). J>or sua vez., cm carta dirigida aos JeitoJl!S, o diretor da revista, Paul Schcnkcr, escreveu : "O Stmto Patlrt• nos atingiu ,Juramente com o uôvo ''Orclo Missae" e com a aprovafão da comuuluio na mão. s;,,10 ter de ditê·lo. mas crt!io qu,• aos pouco.f ,leve rornnr·se cloro, também aos indecisos e fracos, que o Santo Padtl' comct(m e ainda comete (~rros mrâto grnve.t [ ... J. Onde termitUll'tÍ i.vto? l, . , I A tlectulénci<1 te.rminarcí num terrível ca.t tigo de Deu.<' ( 43). • Trechos da declaração publicada pelo R~vmo. Pe. R.-Th . Calmei, O. P .. na revista parisiense "Itinéraircs": "Permllne('o fiel à Mi.tst, trt1dicional que fni c:ndificad,,, e mío inventa,la, por São Pio J/

18) Tcx10 1radu~ido de "La Pens~c C:uholique", P"ris, n.0 122. 4.c:, uimeiarc de 1969. pp, 4$-49. Documento public:1.do rnmbém pele> " 8ullctin lndé-pcndiuu c.l'lníormo1ion C,uholi<1m~". de 8ruxclas. :.uplc· mento ao n,0 52. 19) Dr. Fritz. von H:rnicl-Niethammcr - "Der neoc Ordo Mlssur - Stcllunç.n:,hme dC$ Hernusge• bc.-s" ("O nôvo Onlo Mis.m e - Tom:ula de posiç5o do dirc1or d;i revista"J, ;1r1igo 1mblicndo cm "Nunc CI Semf:)Cr", Munique. Alcmonho Ocidental, n,0 18, de sc1(mbro--0u1ubro de 1969, ,,. 13. • 20) A ca,1n foi 1,ubticada sem indicação da do1a cm que foi ttss.inado. Segundo informa o bolc1im (rnncê$ "Lumi~rc" (n.0 66, de P0\ <:mbro de 1969, p. 3). o Cardeal Oml\'iani fê1, lill:.t rcprescntaç5o a Paulo VJ no din 3 de setembro. (es1a de. São Pio X. 1

2 1) Ver " Informations Ca1holiquc:; lntemationa. les", de IS de novembro de 1969. pp. 9-10; " Lumi~rc", n.o 66, de no\·cmbro de 1969, p. 3: "La Con1rc·Ré· forme Catholique au XXêmc. SiCcle", n.0 26, de no· vcmbro de 1969, p. 1,

22) Traduzimos es.~as passagens do 1cx10 il:tliano distribu ído Por ··vigilio Roman:'I'' (Corso Viuorio Emanuclc li, 21., Roma). 23) "Courricr de Romc", n.0 vernbro de 1969, p, 3.

S6. de 10 de no·

no sh:ulo XVI, em conformidade com um costume plurissecu/ar. . Portmllo recuso o ''Or<lô Miss<1e" de Paulo VI. Por q11i!? Porqui! 11a reoli<lode ê.wc "Ordo Missac'' ,uio existe. Existe apenas uma Revoluç<io /itúrgit·t1 univer.wl e pcrm,mcnre~ assu· mida ou clesej(l(Ja pt:lo atual Papa e (/Ue, 11ó mom,•nto, ust1 ,, m{1SCC1rt1 cio ''Ortlo Missae" de 3 d e abril <le I 969. Todo Sacerdote tem o direito de n egar-se a usar a má:rct,rll tlessa Revoluçiio li1tírgica. Cnn.tidero ,i<• meu dever J't1cerclo10/ re"·usar.. m e ,, celebr11r a Missa num rito c,1i1ívoco. [ ... J o Sacerclote que se <lobr<1 110 nôvo rito, forjado em todos os seus elemcmos por Paulo VI. contribui de sua pttrle parti li progrc:;sivll inswuraç<io de uma Missa engmilldOrll, na <11wl tt pres(mç,, de Cristo não será mais veT<latleira. mas se tra11s/ornu1rtf num memorial vlltió

[ ... J.

Su:uento que o Papa Paulo VI comete um abuso cle muoridtule (•.-i:,·ecionalmente grc,v,, ao criar um nôvo dto da Missa. baseado 11w1w <le/iniç,io ele Missa que não é mais católica. [ ••• .1 Nll Missa católic,,, c> S(tcerclott: mio exerce uma pre.titlência quC1lc1ucr; m,1rcculo por um sinal divino <1uc o distingue por tôc/11 á eternitltu/e, é êle o ministro <le CrislO, Que por seu intermédio cclebrn " Missa; é llbsolutllm ente impossível equipar,,, o S,1certlote a um pllstor (Jtwlquer, dl'legatlo pelos fiéis para o bom llndamento <lc sua assembléia, Tudo is10 é evidente no rilo da Atfisst1 presc:rito por São Pio V, an passo c1ue é dissimulado Qu e,\'Cll· mote,,do no nôvo rito. A simpfos lto1u:s1itlmle, ,,ois, e. infinitamc,ue mais. ,, Jtonr11 sacertlotal, pedem-me que não 1c11/ta a imp1u/ê11cia de /ater compromissos a /ITOpÓ.rito da Missa católica. rccebicla no ,lia de minha Ortlen11çüo. Qmmtlo se trata tle ser leal, sobre11.ulo em maiérill tlc uma grllviclade clivim,, ,uio !tá autori<l1ulc no mwulo, ,linda l/lte pon1i/kic1, ,,ue m e poss11 reter. Por owro lado. a prindpal prowt de /ide~ li<lmle e tle 11mor que o Sacerdote deve dt1r " DeuJ· e aos homens, consiste em conservar inwcto o ,lcp6sito infinitamente precioso que lhe foi co11/itulo q1m11tlo o Bis(lo fite impôs as 11uios' · ( 44) .

• Depois de estabelecer diversos pontos de semelhança entre o nôvo ''Ordo.. e a missa anglicana de Cranmcr, o boletim "Saint Anthony's Hammcr" !"Martelo de Santo Antônio"], de Phoenix, Arizona, Estados Unidos, escreve: ·•o nôvo "Orclo Missae" é o culto o/icill/ cio Igreja V e RNÁCULA. Como vimos llté agora, a Nov11 "Misst1" será o que se q,âser, mas ncio é católica" (45). •

Em têrmos simples e incisivos, o Rcvmo.

Pc. M.-L. Guérard des Lauricrs, O. P.. disse: "<Ice/aro não poder wilitt,r o 11Ô\10 Ordo Mis· sae'' (46).

'2S)

Pe. Louis Coaehc-, "E\'êq~1es., , reste.,z catho-

• No mesmo estudo publicado por um grupo de teólogos na revista parisiense "La Penséc Calholique", lemos: "O "Ortlo Missae" 1e11deria a insumrar ,u, Igreja Ct116lica Romana um ofício 11,1 rcali<ltulc muito pm·cci<lo com a cei11 clas igrej{i.t ,,,o,es1a11tes" ( 48) . • No cilado número de janeiro de 1970 do boletim p:,risicnsc "C.l.C.B.S.". encontra· mos :1inda as seguintes notas: "Desta feita é o Sr. G. Siegiv<1lt, professor tle dogma ,w F11cultlmle prorestante 1le E.stras· burgo, quem escreve ao Bispo claque/a cidade para pe,Jir../he que ··cmtorite os cristtios cva11 .. gélicos que venlt«m " clesejá.Jo, " comungarem mww igteja c<J!Ólit:a rom,11w''. pois ''natla há, ,u1 misst1 agoru renowufo, que possa ,·ons1rcm· ger vercl<uleframcnte o cri.tuío evangélico'' (<·artu citadll por "lc Montle", d,r 22 de "º"' vembro tle /969)" ( 49). "/:: por fim o Sr. Je1111 Guit1011. da Ac,u/c. mia Francesa, que confia a ;,La Croix", de /O de dezembro. seu espanto 110 ler a.r /i11/w.t seguintes ''nunw das maiores révislllS fJrOtesw umrc.r tlc língua alemã": '"As novas preces euca-rí.t ticas c,ut,li,·as /ir.ermn desctpllrecer a falsa perspe,~,i"a cle um SllCrifício o/crccfrlo tt Deus" (50).

• Têm tido ampla divulgação nos Estados Unidos e cm outros países os boletins cm q ue Hugo Maria Kcllncr. de Caledônia, Nova York, há anos vem combatendo o progrcs· sismo. Sôbrc sua po:jição a respeito Jo nóvo "Ordo" , é signiíicativa a seguinte passagem: "O Nôvo Missal publictulo por Paulo VI ,le,,e tornar absolutameme claro para todos os Sa,·erdores que altuln têm dúvidas " rtt.tpcito, ,,ue o objetivo tle tôdas ,,s anteriores motlifi· cações /itlÍrgicas. agora coroadas pelo Nô\JO Misslll. é a t1ssimilt1(:áo da liturgia C(llÓlica ao culto prOll S1tmtc. como um ,ncio ,f<, alinhar o Cmoliâ:rmo segundo um protcstami.rmo após"'"' e centrado nó homem" (5 l).

Emcias. os Carth•ais Ouavicmi e Ba,·ci, e gm,r<lando -- a seu exemplo - nossa i111eir11 /ide· /idade ti Sé de Pedro, CONSIOSRAMO•N:)S OlS· PENSADOS OE TÔDA OBRICAÇÂO MORAI. OU OISC I· PLINAR OE ACEITAR O NÔVO "0R.OO MISSAE." e,

por outro lado. obrígados em consciência a realitllr uulo o que depender ,te n6s pt1ra pro• vocar sua retiratla ou pelo mcno.r w,w reestrww·llçiio t/tte o torne~ compatível - sem pOS· sibilidade tle equívoco - com a iutegri<kule da F'é awênlicamcnte Clltóliccl' (52).

• Em arcigo publicado no mesmo. número do '' Bullclin lndépcndant d'lnformation Catholique", o Pc. Henry Saey, de Québcc, Canadá, se refere a "nn.y.w, M<le. fl Santa Igreja, tmwda e defendida pt>t uns (os Jiéfa), odiada e abmulo,uult, pelos outros (os infiéis). . . e fa·,o [ , . J pri11cipalme111e. . . ne.ttes anos sombrios -- os mais tristes, os mais negros {/t, históritl ecle.ticístiC(I - neste último ano sobre· tudo. NO QUAL os HERESIARCAS MODERNISTAS ACABAM DF. FERIR NOVAMENTE, COM A LANÇA, PRÓJ'RIO CORAÇÃO OE CRUCIFICADO!

o

Jesus

1

'Qui po1est c11pere. . . ct1pitat!" Quem tem Có· tagcm e fé. bem sabe <1ue me refiro "º uôvo Ortlo Missae!" (53).

• Em fevereiro de 1970, o Prof. Dr. Manfrcd Erren, docente da Universidade de Friburgo, Alemanha Ocidental. publicou artigo intitulado "Trlldicionalismo e progre.ts<i', onde escreve: "( •• , .1 o nôvo ··Ortlo Missa,/\ ,,o contrário do cmtigp. é um11 forma vazia, pois nê/e se po,. de , com c, m esma /acili<latle. inserir umto um Jacri/íc:io da Missa inwíliclo, l/Ulmto um vcíli· do; 1m110 uma f11rsa carnavalesca ou anw missa 3·atcinicll, quanro ama (melancólica) f<'SU1 católica agrculcível a Deus. ( ••. 1 O ,u)vo ''Orclo Missa(!' é e, exma ex~ 1,ress,io litlÍrgic11 cla doutrina comunista dc, te• den,·ão; pó<le·se cliter 11ue representa a mais sigui/icmiva vit6rfo tio comuni.rmo i11ternacinu11J até 11gora ob1i</cl. li qual dá inído cl ,íltinu, barnllta da R evoluçlio ,mmdial" (S4). • A revista madrilena "Qué Pasa?" publicou em fevereiro de 1970 resumo de conferência pronunciada cm Nice pelo teólogo francês Fr. Nicolás-Louis Benoi1 sôbrc o nôvo "Ordo". Ali lemos: "A rc/orm11 tlll Mis.r,, não é apenas uma pe,111e1u1 mo1/ificllçâo de pormenores exterio· res, mt1s uma mudcmç,, na essência e 110 sen· tidn ,la Mis:w. Significa o princípio de uma nova "época na Hist6rill da fgrejt{' e repre· senw 1111u1 ruµturn t·om o Stmtó Sacrifício que Nosso SC'nhor instituiu e (/ue a Igreja conser· vou até ªRº"ª com alguma.r vari<rçOes de por• menores, mas idêntico no /mulo e no significado, llp(•sar da v<,r;cdatle de ritos. l ... J a Missa, que como todos os <1tos da Igreja deve 1<: 1· por finalidade princip,tl reafir· mor a Fé, tem com o 11ôvo "Ordt>'' EXATAMEN· TE A PUNÇÃO I NVERSA, Oll seja, tliminuí-lll e tliluí•ltl. Os que aceitam a reforma, cujo semido pro1e.r1anthcmtc a ninguém escapa. colaboram P'"" t1ma trllns/on,wção da Fé e muito provdvelmente para a constituição de uma nova / grej(1 cat6/ict1 reformada. Esta rnlvez tenha êxito. por se,· mais fácil e menos exigente, mas dlf,cilmcnte poderá ser seguida se se quiser g,wrda,· a fitfelidáde ,; Fé 1,regátla por Cl'isto e perpecua,la pela tradiç,io de modo illvariá· vel durame vinte século.t. Quem não /ôr indi· /l!re111e não poderá subtr,,ir.se ao seguinte di· lema: ou protestantizar·se com a nova Missa. ou pe,,,nuar a Fé co,n a <mtig,l' (55).

• Texto de trabalho divulgado em janeiro de 1970 pelo boletim parisiense do C.LC.E.S. ("C.l.C.E.S. - 8ullctin du Cercle d'lnforma1ion Civique ct Soeialc"): "( •• • ) f!III anigo public<ulo ('elt, re"isu, '' La . />n1sée C atholique'' (11.0 /22), um gn,po d<· emittt!ltlCS teólogos frlllll'l!St!S [ .. , ( mio hesitll cm afirmai' que o uôvo "Ortlo Mis.\'tle" "f)nss11 inteiramente sob silêncio a doutrina do Cm, .. cílio tle Trento relativa ti Missa". Secwula,ulo as críticas apresenllutas ,,o />opa pelos Carclt•ais Ouaviani e Bacci. êsscs tc6/ogos /rancese~t consiclcr11m que o uôvo Ordimírio da M iss11 não leva em conta nem o ,lcguw ,la Presença real, n em o da Missa corno Sacl'ifício. "Ele S(~ vincula_. de fato. não ci ,Joutrintt d() Concílio tle Trento. mll,r sim à que prevalc•c<.•u nas i,:rl'j(1s protestantes". A dowrina <le Tremo /oi posta <le lado mn,vés de di/(~tentes artifícios. dos

• Em princípios de 1970 a revista belga "llullciin lndépendant d'lnforma1ion Catholique" publicou o artigo do qual extraímos ês1c lópico: ''Fazendo nO.fsas (1s cledsões ado1a,las pelas ,Jiversas orgllnil.ações de católicos ttadi· âonalistas das quais ''Rénow1tion de /'Ortlfl• C hrétif!n'' se /êz poru, .. voz na Fl'á11ça; 01,ofo11. dO·nos sôbre as análises conve,.gentes publicad<1s pelos perió,licos "Forts dans la Fai", "Lc Cour· ri<•r de Romf'>. "La Contre•Réformc Catl,olique". ;, Nouvelle.r de Chrélie11té". ' 1 L,uniere". "Le Comb"' de lo Foi", "La Pc11sée Catholique", "'lfinérllires". e1c.; /atendo 110.ssos os argumento.r p,ib/icam,mte invoctulOl' por SS.

liqucs!". conícténci;1, pronunci!lda cin Paris, em 24 de outubro de 1969, e 1>ublic~d:'l cm opfü•culo; p. 28,

36) 'frn nscrito da reviAAa " Qué Pasa?'', de M3· drid, n .0 )IS, de 10 de janeiro de- l970.

Esrndos Unid0$. suplemento l •A, vol. 2, n.0 3, d~ dezembro de 1969, p. 40.

26} Dr. Jo:ichiin May, ar'ligo "Fci1;hci1 i,n Klcrus·· l"Covardin no Clcro"'f, public;ido cm " Das Zcichcn M:iriens", Rtussbuth1, Lucerna. Suíça, ano l. n.0 7, de novtmbro de 1969, p. 641.

37) Cnrto d irigida a P:tu1o VI pela A.t-oâac:i6u de S"urd'1tt!S , , Rtligioso.s tlt• Stm Anu:mic M(1ti<I Clar<-t; 1raduzid::a da revist-' "Ti1.0M", de Viifo, dtl Mar, Chile, n, 0 IO, de abril dé 1970, p. 2.

46) Pc. M.-L, Guérard dcs tnuriers. O. P .• " Dfcloration", 1n1b1icada n:i rcvisl3 "ltinéraircs". 'P:l· ris. n.0 146, de sc1cmbto-ou1ubro de 1970, p. 78.

27) Edith ~tom:ire. :'lrligo "Ol1 c.~t lc P:lpc, 1:\ est l'Eglise'?", publie:ido no jornnl "Riv;aro l", P,\ris. de 14 de novembro de 1969, p. 10.

38) Hugh Ross Williamson. "The Modero Mai:s - A R.t \·crsion tô th:.: Rdorms o( Crnnmcr" - Oti· 1ons-. Oc\'011. lngl:i.tcrra. 1969. p. 31.

'28)

8 . Mo,,sei;:.u. artigo " Puntu:ilii:icioncs :t..:trca

dei Nucvo Misal y su puesrn cn pr~c.tica", publicado

no bolelim "C. 1. O.'', M:idrid. n.<> 11, de 20 de novembro de 1969. p. 2. 29) Folheto distribuído pela organização "Gaudium et Spc$", Corso Vittorio Emanudc lJ , 21. Rom.-i. 30) Pt. Joaquín S~cn:r. y Arriago, "L.i. Nueva Mis:1 no \.~ y3 uno Miso Ca1ólic.1" , l!ditorio.l 0. 1. C.. Morcli:i, México, 1969. 128 pp. 31) R. F. Beriin, artiJto "The Ncw l.itur{:Y", n:, revisw "Voice or F:uima lntcrnational", Ofisb:\nc. Aus1r:Uia. de 9 de dezembro de 1%9. 32) Ani&o " L'Ordo Missne", public:1do no bole1im "l.c Combtu dt la Foi", Momja,·ouh, Fr:rnça, n .0 10, de I.º de d c-1.cmbro de 1969, pp. 10· 1 I. 33) Ar1igo " for the Moss: opcn scuson". publi e.ado pela rev.is1:1 "Triumph", Washingto n. dc1.embro de 1969, p, 42. 4

'24) Tr:iduzimos ê$SCS tópicos do 1cx10 irnlian(, distribuído pela "Vigilia. Romano··: o op1ísculo, impresso cm Roma, indica que os dirci1os üutorai~ íornm tt-Jtis1radO$ pelo Fundação "Lumc1l Gcntium''. de Vadui, Licchtcnstein. O "Orc\'C Ex:.une" vem d:uado ífa festa do Corpo de Deus de, 1969.

</uais os mais e/iCllteS são: o silêncio (supresscio tio Ofertório tão ,·ontestado pelo protestan .. tismo). a <1licnaÇ<íO (o Padre n<io ,•xerce mais uma função ins1rume11w/ em rela~·,io a Cristo, mas uma funç,ío 11residencilll em relação à Assembléia) e a subversão (a Prece eucarí.rtica rorna·se tinicmnente uma prece ,Je ação de graças, t1ue prevalec:e sôbre o Sacrifício). ''Fvr· çoso é pois concluir <1ue, de flllo e conc:rct<i· mente, o ''Ordo Missac" .tubsti1t1i a <loutriull tio Concílio ,le 'trento por OUTR.A clomrina. Sem tltívida, isso não se /êz ,lireu, e explicitll~ mente. mlls .rim pelo ,•mprêgo tle ,liversos arti• /ícios indiretos" f • . . J. la11wis alguém negou que " pn•ce de aÇ:iQ ,le graças /açll ,,arte do Santo Sllcri/ício ,la Misso, m<1s é clc temer CJW! , "sl'tulo li lei da oraçfio, li lei tia fé''. con/orrnc dit o conhecido oxioma, os Cllt6Jit~ôs venham pouco a pouco, e im:011.tcie11t1une1W!, " uegligeuci<lr o aspecto st1crlfic:t1l da Missa , em Jt,vor dcl refeiçiio CO· munitárill. Tal é, (U/emais, a definição cle M;ss,, 111,re.-:enuultt l'IIJ nosso nôvo C atecismo" (47).

34)

(fix:urn ento cirn<lo 1:,,clo Pe. Joaquín S~cnz y

Arriaga no livro "La Nueva Misa •• , ··, pp. 107-108.

35) Traia-se dns dedarnçQés de Max Thurian que reproduz.imos ncim3.

1

39) Artigo "Snvc the Triden1inc Mas.~!", publicado po,r "The Remnant", S1. Paul, Minnesot:,, ts:• l:ldos Unidcs. d e 31 de dezembro de 1969, p. 2 . 40) Can:1 publicado sob a epí~raíe "Bitter un<l 8~" f"Mui10 1.,rn)':ado"J em " Das Z.Cichen M:iricns··. Reu~ buehl, Lucc-m:t, Suíç:1. ano 3, n.0 8, de dezembro de 1969, p. 683. 41) Cnrrn de 8 de nbril de 1970. de Marga,x:1h Sothcrn, llérg:unô, ibidem. nno 4, o.O 2. de junho de 1970, p. 932.

42) C:ir1a de Zurich, 3 1 de inaio de 1970, de Elitabc1h H., ibidem. ano 4. n.0 3, de julho de 1910, p. 96S. 43) Cart3 do diretor, t>aul Schcnkcr, aos leitores de "Oas Zcichen M3rien.~... Reu$$buehl, Luoerna, Sui·

ça, pt1blicada no n .0 4·S, ano 3, de agôsto-~1cmbró de 1969. p. 602. 44) Pc. R.-Th. C:llmel, O. P.. "Oéclat:ition". publk:td3 na revista "ltinérnircs", Paris, n,0 146, de sc1e1'flbr()•OU1Ubro de 1~70, pp. 72-7$,

4S)

"Saint Antho ny's Hammcr", publicnç:1o do Our Latly oJ M I. C11Tmd Centu, Phoenix, Arizona,

• Ein sua conferência, Fr. Nicolás-Louis llenoi1 cita um estudo que o 1c6logo ·Pc. Mi-

47) Ar1igo "-Opinions c:nholiqucs e t protest31ucs sur la Nmn·c1k Messe". ' publicado no botc1im "C.I.C.E.S.''. Paris. n,o 98. de IS de janeiro de 1970.

,,. s.

48) Ar1igo " L'Ordo Missac". por um grupo de tc6 :ogos. publicado 113 ,e,•is1n ··1.n Pcnsée Catholique··. P:nis. n. 0 122, 4 .0 1rimcstre de 1969, p. 6.

49) 1),

Anigo j á cirndo, "Opinions catholiques ... " ,

5. 50)

Idem, ibide.m.

51) Hugo Maria Kc1lnc1', boletim n,<> 40, de 2S de ja.nc.iro de l970. p, 21. 52) "Bulle1in lndépcndont crlníormntion Ca1hO· liquc", 8111xclas, n.0 53-54, de ;anciro-fovcrciro de 1970, Jl, 8. SJ) Pc. Henry S:tey, attigo .. l..a priCre, la m esse ct le S(llu1 de:. ::unes", public:tdo n:t revista "Bullctin Jndlpendaot d'lnforma1ion Citholique", Bruxelas, n,<> 53-54, de janeiro.fevereiro de 1970, p. 1.

$4) Prof. Or. Manfred Em:n. :,riigo ··Trndi1ionalisinus und !=orts.chriu" r·Tnidicion:ilismo e progre!so"), publicado n:1 re\·is1a "Oas 7..cichcn M:,ricns". Rc-uss.buehl, Lucernn. Suíça , :1no 3. n.0 10. fc\·ertiro de 1970, p. 7S6. 55) Anis o '' F..$ lícito opio:1r $Obre la nuc\':& Misa'?". por Nicodcmo. 1>t1blicado n:,; revista "Qué rasa·?", Madrid, o .0 320, de 14 de Ccvcreir o de 1970.

5


RUCI de Santa

Maria enviou da Cidade do Vaticano, em 28 de agôsto de I 969, a numerosos correspondentes. Oêsse estudo reproduzimos alguns tópicos apresentados por "Quê Pas.,?" : "Tomllr po.ti<;iio pró ou ,·ontra o

11/h10

SôURE A NOVA MISSA: REPERCUSSOES QUE O PúBLlCC> BRASlLElRO AINDA NÃ.0 CON J,,IECE

"·Ordo Miss,u:'' 1ortuh'ie agor{l uma ne,:essida· ,Je di· primordial importância. Com efeito. t·.~· rn nova Missa, ao mesmo tempo sendo e não sendo lutermw, /t1t perilJ<lf certo mímero dt•

do1;m,1s /111tdmnt•nwi.,· e incit" 11 ,lm•frlar tlt• várias verd,ule.,· admitid11s pela lg,,,ja ,10 longo t/e tôda (l Slltl f/;st6ria f. , , ]. A prepoll(/erlim:ia do aspecto M i.tsa-ban· quetc sôbra " Missa-sacrifício dinu',mi no.ir fiéis ti idéia ''" impor1,i11(.:id l)A R EDENÇÃO

lo Sacrifício tio Filho ,te Deus e

,,e-

.,·m, r e110V'1•

râo inc rw.•111<1 110 alt<1r. Contluz ,i concepçcio ,te <JtU! o prindpllf é II t·ouu•marllf<io ou nu:.. morial [ .. . 1, l11s;s1lr sôbre a presença espfrilual ,/e Cris10 1w assembléia, pt•lo fCllo ,lc adw,..se esu, re1111frla, 1/imi1111i " imporu1ncia <lo pomo cc11trt,I d(l /vlissa, que é a Tr,msub.tumciaç,io. ou /111. esq1wcê ..fo. Com i.~·so. OlilC<MW insidiosa11u-111e " Eucaristia'' ( 56).

• Ao apresentar essa resenha da conferência do Pc. Nicolás-Louis Benoit, o ;irtigo da rcvisla "Qué Pasa?" faz o seguinte comentário : "N,, con/erém;:ia que noticiamos. niio s6 se tle/endeu a tese de tJUe é lícito <>pinar sÔ· bre a novu liturgia e mesmo criticá-la. mas a/in~,ou-sc que. d,u!t, a importância de~·sa,\· re/orm,,s. torna-se culp,ulo quem diante tleltu mtmtém-se i111/ifer('nte, e todos devemos cuidar de <:ompreendct seu sign;Jit.x,do e sua.f ,·o,1se• qiiêncie1s, pois não se /rata ele quc.ruJes <lc pormenor, nem de du,·ubrações de espectllli:#llS li!61ogos. ma~· ,ie princípios gerais ao 11/cance ,!e todos os fiéis e: 11uc" todos intcrl·s:mm'' (57). • O Padre W. W. E. O .. colaborador assíduo da revista "Das Zcichcn Mariens... tecendo várias críticas à nova Missa, escreve: " [ ... ) um tios sinais mt1i.v seguros do nt'11 que há no nôvo ·'Onlo" tst6 nil flllsidade e na má fé sorra,eirt,s com a.f (fulli.r êle é apresenwdo aos fiéis d esprevenidos" (58). • Em março de 1970, A, Roig escreveu de Toulouse um artigo para n citadà revista madrilena "Qué Pasa?", no qual lemos:

"A revoluçtio lilúrgica t/t<e csiamos so/ren· do s11sci1ou "" mente tle não poucos car6licos " recortlaçüo tle omra f'evolu,ç,io litúrgica, que se verificou em pleno .,·éculo de Volwire, o século XVIII [ ... ]. O Clero .recular ,Jt,quela época, especial· mente o das cidades. moslra-.te 10((1lme111e ·sawrado pelas modas e pelo espírito de sua época: ll!ses tia Enciclopédia, triunfo do racionalismó, admiraç,io pela religião naturalista de Rousseau., e também o g()sto da vidt, Jrívolil e superficial. Em1ua11to as clas,·es dirigentes daquela ''socledade de consumo" são prêsa da irreligitio, owros leigo.f ou seculares, unindose com outro.t SaceuJoteJ', implmlfaram na liturgia tradicional a nwis impor/ante revolução que até então conhcceril a França, dc.rde a.t origens da Igreja. Tor11a-.se evidente a partir de então. que 1"ÔOA REVOLUÇÃO t.ll'ÚROICA CONDUi AO DECI.ÍNIO DA FÉ RELIGIOSA. [, , , ].

Em tais circuusu1ucias, uma seita hábil in· tenta implantar uma nova ,·eligião. E " scit(I dos jansenistas. Em suas paróquias, i111roduzem éles as inowrçiies li1r'frgicas que estam os conhece,ulo ,Je. algum tempo para cá. Uma das l,u)vações espetaculares daquela época hoje repetida em não poucos lugares - consislc em que antes do canto ,la.r Vésperas uma mulher lia em "vernáculo" o Evangelho do dia. Cinqüenta anos depois, em Paâ.f, seus hobita11tes colocarão sôbre o allnr de Notre Dmne, em substituição ao Santíssimo Sac,·a .. memo; uma mulher que i111itularão de ''Deusa Razão". Em roulouse é o fmnoso L-0mé11ie de Brienne, célebre por :ma increduUdade, que impõe os novos mi.tsais em francês. Loménie de Brienne sel'á um dos quatro Bispos cJue volafllO a favor da Con.rtiluição Civil do Clero. Dos que traduziram para o francês isscs missafa·, um cronistil da época escreveu: ''Alguns eram jansenisrns declarados; orllros foram J·olenemente co,ulenados pela Stmt,, Sé; omros ,norreram sem Sacramemos". Entre êles encontramos "anima,Jorcs" dt4· assembléias revolucionárias e 1>romotores da Constituiç<lo Civil cio Clero, como os Padres Grégoire e

Sit·yt~s. . . E logo houve uma prolifentçilo de ri1os diferentes uns ,los ou1ros. Houve ,w f"f'tmça cêrcil tle vinte liturgias parlicult1res pt,ra 57 Dioceses; acresce111cm-se aindc, ,,s f<uuasim· ,1uc.., ermn critult,.r por ciU/a 1u1róq1ti,, <1uc ,uio querit, S<~r menos que <JS ()Utras em seu repú,lio do ptlSStl(/0, cm seu afii tle uwdar tudo. com traduções lmnemá"eis e lwl'éticas. Nem lmero nem Melanchum realit.lll'lWJ uma mudtmçil Ui<> profunda como a que levou a cabo 11arle tio Clero da Prmtça 110 século XVIII. Dois J·éculo~t ,Jcpoi:,•, ,Jurante " segwula mewtlc 110 J·éculo XX. ,1pós o Concílio Pilstora/is· w Vlllit:ano li. reproduz-.te a ''renovação Ji. 1tÍr1,tic:t,''. Também hoje domina, t?m boa par• 1e ,lo Clero, a acomodaçlio aos diwmes do ''mundo moderno". Mt1s 110 século XVIII, na f.f!reia tia Frtmça s urg<· uunbém mm, co11tr1,-re/orma. São Vicen1<• tle Pm,lo: o Bispo de M,trse/lur, Henri de Odstmc:e,· v ,/t: Lotleve, Félix Henri de r:u .. nel_: o Bispo de Sens, são seu.t primeiros paladi1103·, Bs.ra 1'eilÇ<lo IQrnou 11os3·ível que " maioria tios Bispos e muitos Sacerdotes se ne~ Jfll.rsem " ;urt1r ti Coustiwiçâo Civil tio Clero. Muitos subirtio à guilltotiua com seus trajes .\'llCefllowis. A fitlc/it/(,tle à Ronu, contra-re· volucionária - então o era - dará alento às Ct1rmdiw:,· P""' .rnbircm ,,o cadafalso, e nos campos tio Poitou, da 8re10nlw, <fo Vcndéia. os filhos dm1uela terra. CelltUllU/o o Crtt:< A vc", C! ostenwmlc,, sôbrc o 11cdto <> <·mblcmt1 do Sagr(l(/0 Corllção de h!.ms_. ,·011/irmar,lo com seu l,erOtsmo e seu silngue « filie/idade ''" F'rança c:ac6/ict1 (l srw Fé e às stuu· lradições. Tudo J'C passará ,lo mesmo modo como, mui-10 rempo depois, em 18 de julho de 1936, 11a l;spanha tias Cr(itatlas. Hoie, como naquela época_ . impõe-se 110vamentf! defentler a Fé ca,61icll com uma nova co111ra-reformtl' (59).

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• Em artigo dado a lume cm J"narço de 1970, o Prof. Dr. Franz Goelles, docente de Escola Superior cm Graz. na Áustria, c.scrcveu: "O nôi•o "OfliO" confere aos Jiéis ,mw posi,·,'io amônoma (''llbsolma'') e nisso esuf totalmente errt,tlo. como já se vê pela tle/iniçüo i1ttl'Odut6ria. [ ... ) O 11ôvo "Ordo Missae" co11sciememente atribui o último lugar ac, mistério dil Pl'esença real de Cristo e da Tran.rubstanciaçiío. D,,í, bem como do caráter narrativo e não imperarivo [das palavras da Consagração], resulw de filio uma liturgia que mesmo um pastor 11rotes1ante com sua comunidade podem celebrar. í .. . ] Assim sendo, o nôvo "Ordo Missnt" agra,Jará também " 1odos aquêles que se agiIam à beira da apostasia e da l,ere.tiil'' ( 60).

• Passagem de circular do Rcvmo. Pe. Louis Coache a seus amigos, datada de 5 de abril de 1970, anexa ao boletim "Combat de la Foi": "Mantende-vos firmes, caros Amigos. A Nova Mi.isa ''protestanlen causa-nos um gra1t· de sofrimento; recusai-a, pois ela tem sabor de heresia: em certos casos ela corre o risco de ser inválida ( ... ]. Se mio tendes nenlwnu, possibilidade ma1erial de assistir a uma Missil J·eguru, é mel/ror /aliar à Missa - que aliá.r mio é mais uma Missa cill6/ica - do que ser cúmplice da heresia e arriscar.se ,, par1icipar ,te um ''simulacro"; pois os Padres modernistas ou duvidosos poderlam excluir a Presença real, conformando sua imenção aos novos textos (que se aproximam de modo cspa1110,to tlus proposições /111era11as) [ .. , ]. C!tegarmn os mome,uo.t tlecisivos. Cabe ,,os c,atólicos fiéis, em mas.sa, forçar os hel'eges (insu,fados de/iberadamenle no interior d11 Igreja) e seus che/e.r a refleiircm sôbre seus mos! Dobrar-se é favorecer a l!Xtenslio do 111(1/'' (61).

• De artigo vi.ndo a lume na revista "Vigilia Romana•, cm abril de 1970: "[ .. . J o "Novus Ordo'', de preferéncill a reportar-se aos princípios doutrinários do Magistério, d,1

"Catolicismo" convida seus leitores e amigos p ara assistirem à Santa Missa que, por alma do

+ Dr. Geraldo de Barros Brotero

P ai de seu colaborado r Dr. Eduardo de Barros Br otero, será celebrada por S. Excia. Revm a. o Sr. Bispo Diocesano, no dia 25 de fevereiro , às 8 horas, na Capela do Palácio Epíscopal.

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Con.tlituiç,io li11írgic,, e ,Ja ''Mys1erium Fidei" ,Je Pm,lo V I , é um in~·trumemo para favorecer " uniilade na heresia 1/c to,Jos os cri.s1ãos pro1e.tuutteJ' com os ca16licos. e lembra li negação feita por Lutero do Sacrifício ,lll Missa , sôbre a qrwl Grisar escreve: "Quem entrava, op6s a vitória til' Lutero . . . na ig,.cja pilrOquia/ do lugar, abula encontfliVO no serviço divino llS antigas vestes eclcsiás1ic,,s e ouvia os anti. gos câmicos em latim. Durtmtc ,r Misst1, 11a clcvaç,io, erguill-se a lr6stia, que (IS.fim era mos• irada <ro povo. Ao.i· oi/tos dos Jléis o Missa era túrula .tcmpre a m esnw. só f/UC Lmero lw\1ia <1uerido que se omitissem tôdas as orações que apn:se11wvam aquêle ato littÍr#ico t.· omo um stu:ri/ído. A o povo. proposittulamenie nttda se tlizia . .. A forma da celebração ,la Mis.rn. explic«v,) Lutero, é algo de estri1mne111e ex1erfor; as p«luvros condenáveis, lllusivas ao sacri/ício, de pre/erê11cii1 seitm, .tttpresslls, quan· do isto se faça sem escândalo, e ,Jesdc que os cristiios com11n1.· também ,uio o percebam" ("Lutero, 1,, .~u" Vi,a e te .m e Opere" - rori110, SEI. 1956, ,,. 208)" (62).

• Em "rtigo publicado em abril de 1970 na revista chilena ·'Tizona''. o seu diretor, Sr. Juan Antonio Widow, assim justifica a tomada dê posição contrária à nova Missa por par· te daquele periódico: "( . .. J há um momelllo em que o silêncio não po,Jc per<lt1fl1r, :soh o rfa·co de que tu1uêle <1ue o mantém .te co11 veria, ditmte de Deus <? tlil própria consciência, cm clÍmplicc~ de uma siwação ,le <.·1,0.t que induz muitos ao desc,spêro" (63).

• Palavras do conhecido escritor católico Jean Madiran, diretor da revista "l tinérnircs": ''N,io teria sido difícil «os autores ,lo nôvo rito incluÍI' (ou deixllr) nos tt!XIOS da Missa as t,Jirmações ,·a16/icas. simples e nítidas, <:011cef'ne,111:s lt Presença e ao Sacrifício. Eles <lS A1' ENUARAM QU SUPJll MIRAM.

Somos assim lançados em ,1/go que constiwi, pelo menos, um enorme e formidável equívoco. contr,, <> q,wl formulamo.~- redomações que n<lo ce.f.rt1r,ío imnais" ( 64).

• As revistas argentinas ''Roma", de .Buenos Aires, e "La Tradición", de Salta, publicaram um" sóplica dirigida a Paulo VI pela AJ·ociaci611 A rgentirw "U1111 Vo cc"'. Oêssc docu1nento, destacamos os seguintes tópicos: ''Prostrado1,· aos pés de Vossa Santi<latle. atrevemo-nos a ele~1ar reverelllememe uma sflplic,1 para ''"" seia reslllbelecido como único rito dil celebração da Sanu, Missa, em tôda a /gre;a lati11t1. o Missal Romtmo decretado pe• lo Papa Pio V. A 111ecessor ,ie Vossa Santidade. As nuílliplas di/iculdtules e d1ívitlas que por 1ôda pllrtc se levantarilm desde o início da aplicação do ' 1Novus Ordo Missatt', talllO entre leigos como cmre Sacertiotes, e " ,lolorosíssima pervlexidade de muitos fiéis, especialmenle tios mais piedosos e tJfetos ao Primado ,lo Romano Pomí/ic'e, movcm.. nos a unir a modesta vot desta obra, fundada p<1ra servir à lgrcjll Cat6Uca e dcfcntlér a St1g'rada li1rtrgia, realizaçllo <los Sucessores tle Pe<lro, à voz de quiln10.f vedem a Vossa Sanll'dade a derrogação do "No,•us Ordo Missae" (65).

• Os "$laves of Jesus through Mary" ["Escravos de Jesus por Maria"], de Souih Bcnd, Indiana, Estados Unidos, publicaram em meados de 1970 um amplo estudo em que são acusados de cisma aquêles que rejeitam a nova Missa. O trabalho mostra com particular nitidez que a oposição ao "Ordo" de J969 temse fei to cm tôdas as gam.as: desde a rejeição absoluta, até uma aceitação com restrições. Assim é q ue os "Slaves of Jesus through Mary", ernbora combatam em têrmos enérgicos os q ue recusam de modo absoluto o nôvo •'Ordo", no entanto escrevem: "Há uma heresia explíciu, no nôvo "Ordo"? Não, não há. Há ,nuitos expressões ambíguas e equívocas, e isso é diabô/icamc111e hábil l- , . ). Deve-se rej'istir à linguagem tmtbígua t! equívoca. Podemos resi.t tir ,, êsse ''abandono" tia autê111ica linguagem ,~at6lica tradicional, usando nossos velhos missais ortodoxos. li nosso tle,1er ReSISTIR a qualt1uer a/ro10:ame1110 em matéria de 1ermi11ologia" (66). A seguir. a publicação indica vários meios de resistir no q ue qualifica de ambigüidade.s e equívocos do nôvo "Ordo" : continuar a ajoelhar-se nas partes da Missa ern que os fiéis Iradicionalmcnte se ajoelhavam; receber a cornunhão de joelhos; as mulheres conservarem a cabeça coberta, etc. (67).

"Catolicismo" convida seus leitores e a m igos para assi~tirem à Santa Mitsa q ue, por alma do

Sr. Carlos Corrêa de Souza Pai de seu colabo rador Dr. Carlos Alberlo Soares Corrêa, será celebrada por S. Exda. R evma. o Sr. Bispo Diocesan o, n o dia 26 de feve reiro, às 8 horas, na Cape.la do Palácio E piscopal.

• A promulgaç.'io do nôvo "Ordo" deu origem a vasta polêmica entre os católicos inglêscs. Basta folhear, por exemplo, a secção de correspondência da revista católica londrina "The Tablet", para dar-se conta da amplitude das dúvidas e da questão de consciência que veio afligir muitas almas. Além da renúncia de Mons. Bryan Houghton à sua paróquia - que já mencionamos, e que teve larga repercussão na imprensa - é patticularmente significa1iva a crise que se estabeleceu na lllli1' Mass Society [Sociedade para " Missa em La1iml, A promulgação do nôvo "Ordo" levou a quase totalidade dos membros da diretoria da entidade a orientar seus cs· forços no sentido da conservação da Missa tiidcntina, e não mais do simples cultivo do latim. Em vista disso, alguns diretores que aceitavam a nova Missa separaram-se da sociedade, fundando a Associllliou for La1in li• IUl'g)' IAssociação para a liwrgia Lt11im1I. Pos· teriormentc, o presidente da la1i11 Mass Sociery , .,ir Arnold Lunn, demitiu-se também de seu cargo, por não concordar com a orientação cad;.1 vez. mais combativa em favor do "Ordo" de São Pio V que vinha sendo imprimida à eniidade pelos demais diretores. Merece atenção o fato de que, ao explicar ao público as razões de sua demissão, sir Arnold Lunn sugeriu que ambas as sociedades unissem os seus esforços com vistas não só il preservação do latim, mas também à "ob1e11ç,io de modificações rais na novn Missa , que o tornem mais accltável por muitos que estão 1>erturb,ulos e angustiados pelo 11ôvo rito" ( 68). • i, digno de p:1rticular registro o autorizado pronunciamenlo, datado de Roma, S de junho de 1970, do ilustre Prelado francês Mons. Marcel Lefebvrc, Arcebispo titular de Synnada, quo já ocupou os cargos de Arcebispo de Oacar e de Superior Geral dos Padres do Espírito Sanio. Assim se exprimiu S. Excia. Revma.: "Após o magistério1 é o minis1ério sacerdotal que se alribui llgora a uu/o o />ovo tle Deu.,;. Ê em virwde dêsse ministério que o Povo de Deus consthui a Assembléia Euc,1rís1ic,i e reali1.t1 o cullo comuni1ário1 tio qual o Padre é o presideme e em breve será o tlelegado eleito. Seu cará1er sacer,lotill e .s·eu celibato não têm mais razão de ser. Não se pode negar que as f'e/ornws HtlÍrgicas prestam seu concurso a es1a oriemução. Todos os comentários a essas reformas J"e exprimem it maneira pr01esumte, minimalizando o papel do Sacertlote, " realidade do Sacrifício e " Pre~·ença real e permtmeme de Nos.s·o Senhor na

E11caris1ia. [, . , ], Esta a1itmle de vigilância 1or11ou~se necc.r-sárill ,ievido ,, totlos os escândalos ,le que somos testermmlurs ,!entro tia própria Igreja. Não podemos negar os fotos, os escrilos, os discur• sos que tendem à :wbjugaç,io tia Igreja tle Romt, e à sua destruição como .'vlãc e Mesh'll de tô,lils as Igrejas, e que além do mais tcn• dem ,, tornar-nos f>rOtestantes. Resi.ttir a êsses escândalos é viver a pr6pria fé, guardá-la pura de 10,lo contágio, conservar a graça nas nossas almas: uiío rcsis1ir é deixar-se intoxicar de modo lento mas ceno. e tornar-se inconscientemente protesiante" ( 69).

{9Af01LM CISMO MENSÁR IO çom APROVAÇÃO ECLF.SIASTICA

Cmupos -

e.~.

do Rio

Diretor Mons. Antonio Rib<:iro do Ro:sario Dirttorh,: Av. 7 de Scttmbro. 247. caixa postal 333, Campo:;., IU. Administração: R. Dr. Maninico Prndo, 27J (ZP 3), S. Paulo. Agc-nrc p:m1 o F....d~1do do Rio: Or. José de ()livtira Andrade, cnix:l post:11 333, Cnm1>os. RJ; Agc111c paru os F.slndos de Cotá$, Mt11o GroSSô e Mina:.; Cernb-: Dr. Mil1011 de Salles Mourão, R. Paraíba. J 423. telefone 26·4630. 8clo Horizonte: A.ge.n1c p:m.1 o Est:ado d11 Gunm1barn: Dr. Luís M. Duncan. R. Cosme Velho. 815, telefone 24S,8264. Rio de J:.lneiro; Ag4.'nfc p;;ira o Est:.)do do Ceará: Or. José Gcl':trdo Ribei· ro. R. St:nudor Pornpeu, 2120-A. Fot1.-slez:1; Agentes p:mt :1 Argen1ina: ··Tr:.ldición, Fa~ rnilia, Propiedad", Casill.-s de Corrco ,,.0 169, Capital Federal, Ara,eniin3; Agtnle par:. n E,vnnhu: José Matfo Rivoir Gómcz, aparlado 8182, Mndrid. EspanhB. Assln,-.iuras unuals: comum CrS IS,00; coop-:rador CrS 30,00; benfeitor CrS 60,00; irande benfeitor CrS 150,00; scminaris1as e es1udan1es CrS 12,00; América do Sul e Ccn1ral: via marítim:l US$ 3.50: via ~,~rca .USS 4,50; outl'OS países: via ma· rflima USS 4,00: via aérea USS 6,50. Vtnda avulso: CrS 1,50.

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Conwosco e iniprt~ m, Cin. Llthog,r ophJu Yplranga R. Càdt1t, 209, S. Puulo


• Em editorial assinado por seu diretor, Sr. Yves Oupont, a revista católica a ustraliana "World Trcnds", de junho de 1970, diz que o nôvo ri10 da Missa "tmulou muitos séculos de culto cat6/ico e flbriu Q .tina/ ,1er<le para um ritó revolucionário. chocantcme11te semelhante ao de CNmmer, Zwin1dio e Lutt•ro" (70). • Em junho de 1970 . cêrca de 1.500 católicos trndicionalistas de diversos países participaram de umn peregrinação a Roma, com o objetivo de pedir ao Sumo pontífice a manuterlção d::a Missa de São Pio V e de protestar contra os novos Catecismos. Ourante três dias os peregrinos cumpriram vasto programa de Missas segundo o "Ordo" tridcntino. orações, vigílio1s ~ cânt icos piedosos eir1 lugares tradidon~is de devoção. Junto ao túmulo de São Pio X, prestaram o juramento antimodernista. Realizaram uma marcha da B:isílicn de Santa Maria Maggiore à de São Pedro. ao longo da qual re1..aram o rosário e cntoram hinos cm lalim. Um cios principais atos da peregrinação íoi uma reunião no Coliseu. onde se celcbrar:tm várias Missas; I;\ estavam, entre outros Sacerdotes. o Pc. Louis Coachc, francês, que proferiu o sermão; o Pc. Stefano. Agostiniano de Munique: o Pe. Schmidt. da Alemanha: o Pc. Joaquín Sácnz y Arri.,ga. do México. Encrc os organi1..adorcs de, peregrinação, teve lugar de destaque ,1 Dr:.. Elisabeth GersL· ner - a quern já nos referimos - que se encarregou da promOÇão do movimento nos pai'scs de língua alemã. Na fcsra de São Pedro e São t>aulo. as organizações que se fizeram rcprc.scntar cm Roma dcnun a pl1blico uma mensagem, intitulada "Nem 1'<tbel<lcs. nem con testat(Írios'', dit qual reproduzimos êstcs tópicos:

"l ... J

tt tloutri11a ;11J,1livd e itn:Jormávd do Con cílio ,le Trento sôbre o Santo Sttcrifíâo da Missa foi traída pelos nov,,s ritos [ ... ]. Nesw ~·itu,,ç,io ""f!ustio.ta, já nl10 é ficilo calar: é tempo tle tlit.er OASTA!'-' (71 ) . A peregrinação íoi. na ocasião, noticiada cm todo o mundo, ao menos resumidamente, peln grande imprensa. Esta deu especial dcS· taque ao fato de o Sumo Pontífice Ler-se rec usr1do n receber os peregrinos. ao passo que logo após concedeu breve audiência a três líderes guerrilheiros da África portuguêsa. tidos como comunistas. Sempre corn o objetivo de informar nossos leitores. reproduzitn os a soguir dois comentá~ rios a e.ssa recusa. feitos por personalidades q ue. como figuras de destaque1 participa1·;un da marcha: o Pe. Louis Coaehe e o Príncipe Guglielmo Rospigliosi. " ll triste - disse o Sacerdote francês que o Santo Pa,Jre lenha julgado oporru110 mio 110.r receber. P,irece-uos que 1/e-vcriam ter sido concedidós t, 116s pelo meno.f os mesmo.r ,lireitos que vêm sendo amplamente reconhecido.t aos chefes comunistas. que Pfl., recebe em muliêncit,, ,~om os quais se entrc?tém, e o quem envia /t:Hcitações nataúcfrls'' (72).

O Príncipe Rospigliosi escreveu que os peregrinos não foram recebidos pelo Papa "por mio terem sitio julgados :mficiemcmentc pro· gressistas e de esquerda" (73). • Em fins do primeiro semestre de 1970. a dire1ori3 do conhecido movimento "Una Voce" <1,1 Itália publicou uma carta dirigida aos seus sócios. ela qu;JJ transcrevemos algumas J)<lssagcns: "Aiml11 uma \1et o ",tl•nsus fidelium" - o instilllo t•spirittwl ,lo povo crisuio - mostróu· sr Jââ,lo e precise. As cartas qm! "Una Vot·e'' n .•,·ebeu nestes 1íhimos cinco m eses, quer <los leigos mais cultos. quer dos nwis simples, têm tôdt1s um único m6wd ,: um ,t,,ico objetivo: ,, Missa romana. a Miss,, tle sempre, ,·ontr,,110.rtt1, com instinto ~·,•mlintico ,,rl!ci,ro. ti CHIA. - "O,ule ( n t·o111rar J\4i.\·sas e ,uio Cc1 ills c:omemortaivns?,. 1

S6)

57)

ld<"m.

Idem.

l•e. W. W. E. D., nrlii(o " Oic Augsburgcr Kirchcniti1unit t:teuscht die Gfaeubig,cn" 1"0 Jornal 58)

diocesano de Augsburg eng,ma os fiéi.s"I. J)\lblicado cm "0.i.s Z<:ichcn Marien~". Reus.çbuehl, L\lccrna. Suf~:~. :mo 3. n.0 10. de fe\·tm:iro de 1970, J>. 76J. A. Roitt:, anit.o "Hay que: repelir lo:. i1inc· r:Hioi. de la con1rarreíorma. incluso cl <1ue nos llcvc :,1 caldnlso", J>\1blicado cm "Qué P:ls:,'!''. :vr.,drid, n.0 324. de 14 de março de 1970.

S9)

60) Prof. Or. r-rnnz úoclles, :uligo "Neues aus der Stciermnrk" l"No ticin.s de Stcicrmrtrk"J. p~1bliC-a do na revisrn " Das 7.cichcn Mariens", RéuSsbuchl, l..u· ccrn1,. Suíça, :rno 3, n.0 11. de mnrço dç 1970, ,,. 197. 0

-

"ê aindt1 lícito c:debrar o S <~crificio incruen•

to ''" Cru1.. e mio llpen(IS o memotial tlll Últi1na Ceie,?'' - "Como conseguir ain,lt, que pa"' um 110.r.ro defunto seja o/erecitlo o Sacri· fíâo próf'itimó,.io e c.'tf'ÍlllÓrio po,· um tíniCô Stu:erdOlt!, em vez de se ttprescmar 11ão se sabe <1ue iuten('tio <mire umtas outrfls, ,wquela 11b.rurda Ceia co11celebrtula?" N(io nos ,h•te,.emos para /atet observllçócs sôbre <I uwior ou menor /egitimfrlad e clesso.r tliscriminuções. O ".rensus / itlelium", já o 1/isJ'emos. r11rm11<•1u,, se engana. é se reabrirmo.t o "Orc•,,e es,,me critic<> dei No,•us Ord<> Mi,tstie'' 11prcse11wtlo ,,elos Ctn·tle,,is Otu,vitmi e Btwci ,, Ptmlo VI, .nr relermos as singelas e i111répidt1s 1Jeclt,rt1ções public,ulas por grandes te6logos e c,monistt1s Lmulucd. Calmei. Cuérurtl tles lauriers, Dulac - ter<·mox" c:on/ irmação ,!isso" (74).

• O boletim "St. Michael's News" [''Noticias de São Miguel"], publicado em Ncw Jersey. Estados Unidos. sob a direção do Revmo. Pe. Marian Palandrano, O. S. J .. dedicou seu número de julho de 1970 a um longo artigo sôbre a nova Missa. A frase com que se .inicia o texto condensa todo o pensamento ali ex· pre$So: "A nova Misst1 s6 se tornou possível com a violarcio ,la profissão <!e fé 1ritle11tina e 1/0 jurmnento ,wtimo<lerni.tt,I' (75) . • No número de junho-julho de 1970 da rcvis"ta argentina "L;1 ~rradición", seu diretor. o Revmo. Pc. Hervé Lc Lay. escreve: "'Publicam-se cm todo o mmulo. menos a<Jui na A mérica tio Sul. livros e /olhc1os contra a nov,, Missa. ,lemmâtm,lo seu caráter sem1ó ,Je to· ,lo heréti<.:o, pl.'!o nwuox muito pr6ximo <Ili /,e. resi<l' (76). • No mc~mo número de "La Tradición' ", o Pe. Hcrvé Lé Lay publica a seguinte nota: "De Melbournc, ,w Austrália, chega-me uma ct1rlll ,le um fervoroso propagandista das tle• vorões ao Sagrado Coraç,ío de Jesus, ao Co-rtlção tle Mt1tia e " StmW 1'etesinlw. Comunica•me êle um artigo publictul<> 110 tliário irlmt• dês "Catholic Hera/d'' de 28 de novernbro de /969 , escrito 11or fiugh Ross Wil/iamson. a11• glicano ,:onvertido (! ordetllldo Sace.r<ÍO/e O lllllór diz que a nova Mi.rsa é fundtúneutalmentc aquela introduz.ida 110 lnglt,terra por Thomas Cra11mer para <lestruir 1ôdt1 idéit, <le Sacerdote sacrificador" (77).

r' .. ].

• Em artigo que escreveu sôbre o nôvo "'Ordo". o Prof. Dr. Rcinhard 1.auth, catedrático da U niversidade de Munique, obscr• vou: ''( . .. 1 a nova Missa cala deliberadtmrente verdades fu,ult,mentais tia F é. que normalmem<! dev<!rimn nelt1 Jigur<lr l . .. ]. Para permitir uma interpreta~Yio prottsllmte, suas paltivr,,s slio de uma dubiedtulc q1wse iusuporUÍ· ver' (78). • A revista "Christendom" , dos Padres Oratorianos de Lexington, Kentucky, E-~tados Unidos, tem publicado numerosos pronunciamentos contrários à 1tova Missa. Em seu número de julho de 1970, por exemplo. reproduz diversas cartas nesse sentido, recebidas dos Estados Unidos e de o utros países. Nelas, o nôvo ·'Ordo" é qualificndo como "a ceit, com emo· rativa ,Ir lt11ero e Paulo VI". e conto ·'stlcrífego''; e as recentes reformas litllrgicas são de.. signadas como "loucur" neo~t1rimul'. A dirc.. ç.ão da revista não contesta tais asserções (79). • De artigo C$tampado pcl:1 revista francesa "Forts dans la Foi", dirigida pelo Revmo. Pe. NOCI Barbara, em seu número de selem· bro-out ubro de 1970: "N" redaçlio do 116vo ..Or<lo" colaboraram, além do Sr. 811g11i11i, o ,7ue por si só já co11s1i1tli uma referência. cinco hereges: ,loiJ' anglicanos (um inglês e um 11ottl!·t1111cri,·tmo), ,.cm membro tltt Feder,1çâo Mundial Luterana, um do Conselho Mundial das Igrejas e um lutera· no ,le Taizé. N6s o ditemos com muita dor e para vergonha ,te nossos Bispos, que aceitaram tal situação: o nô,,o ··'Ordo'' foi fabricado com a parti<:ipt1ç,ío ,Je h ereges 1.. .]. D<ulo (Jue o nôvo ·'Onlo" ft1vorece a heresia, e tlatlo ,1ue 11e11/111m poder 110 11w11do, mesmo um Papa ou um Anjo, potle obrigar-nos li uma ,,çiio <1uc favoreça a h eresia, 116s Padres temos o grave dever, e a fortiori o têm um,bém os BisJ)OS. ,lc recust,r o nôvo ''Ordo". uma vet que. aceiuuulo-o, nos 1or11aríamos culpados dt1 heresia que êlc favorece. e esta uma <1ucsuio sôbre a qual clllla um tl,•ve de/iben1r em consciência. Quem quer que tenha tonuulo consciência dêsse dever pre.rtará conu,s " Deus tio modo pelo qual o venht1 a cumprir. Na Igreja pós-couci/iar. em que se pare• ce ,for ,anta importância ti cónsciência, s6 o ,·onsciêncfo ,los 1ratlicionalistas ,uio terá o 1lireito de ser respei1<11/a?" ( 80).

EXl•LICACOES E MOD.IFICACÕES NÃO . , 1'"'AZEM CESSAR OPOSICAO > Em vista do opos,çao com que foi recebido cm largos círculos cot61icos o nôvo "Ordo Missae" , a Santo Sé tomou várias medidas tcndcntc.s a explicar ou modificar os textos num sentido tradicional. Dentre elas de.stacam-se certas pass:agcns dos Discursos papais de 19 e 26 de novembro de 1969, bom como algumas das alterações introdu1Jdas na "lnstitutio" e no texto da Missa por ocasião da publicação do nôvo Missal. cm maio do :,no passado. A corrente favorável ao ''Ordo" de Paulo Vl tem apre-s entado êsses documentos como prova de que u doutrina tridcntina sôbre a Mis..~a não fôra contraditada pela reforma de 1969.

Os Discursos papais de 19 e 26 'de novembro de 1969 Na audiência gernl de 19 de novembro de 1969, Paulo VI declarou que a mudança introduzida na Missa "representa algo de surprcentlente e extraortlinário, uma vez que a Missa é co11sitlcr,ula <.' ómo expre.i,·,io 1rt1diciorwl e inumgí vel d<1 nosso culto religioso e tia muentid ,ltulc t/e 110.\Wtl /éu,

61) Juan A 1H01liO Widow, :irti&,o in1ituln<lo '·Ante Ja nueva Mi.sa: Por q ué la reserva'?". 1>ublic::ido n:t revis1a ...rizon:i"', Vii'ia dei M3r, Chile. n.~ 10. de abril de 1970, J>. 2.

Jean Madiran. ar1igo '''l'irer au clair la pO· sition de Taizé". ptiblic.ado na revista "hi,,éraires", Paris. n .0 143. de maio de 1970, p. 201. 64)

65)

"I~ As.ociación Argentina "Unn Vo«" su·

plica la (lerog.lción dei Novus Ord<> Mi$$ae" - doeu· mcnlo l)Ublicndo n:l$ rcvi::;,t:\$ .. Roma" , Buen os Aires, n.0 14 . de maio de 1970. p. SS. e " L:\ Ttadición", Sal1.1. ·Attt,en1ina, n.<• 100, de juoho.julho de 1970, 1>.

2. 66) Folheto ··Fomcntcrs of Schism", public;ido pelos ··s1aves of Jc-.sus 1hrough M3ry", South Dcnd, lndii11l3, J!s1ados Uoidos. 1). 8.

Depois de q ualificar como "novidade uio singn/,,,... a recente reforma da Missa. e de dizer que ela era ·'devida " uma ,Jecislío toma• tl(l pelo Concílio Ecumênico recl'nterne111e celebrado", Paulo VI prosseguiu : "Como se vê, " refornw. que está f)ara ser divulgtult1, é ti respostá á um m(llu/atlo t1utoriz.ado do Igreja. E um mo ,te obtuliência". Adiànte, disse o Santo Padre: 1'A Missa é e co111i1111á a ser a recórdação da última Ceia ,le Cristo. na <1ual o Senhor. mudando o ruio tt o ,,iuho cm seu Corpo e e1r1 seu Sangue. instiruiu o Sacrifício do Nôvo Testamento e </tlis que, pôr meio da virtu<le ,Je seu sacerd6cio, co11/eridC1 aos Apóstolos, êsse Sacrifício fôsse ren owulo em sua identidade e apenas o/er<•ci<lo ,le mp1Jo tliverso. isto é, de modo iut·ruento e sacram e1110/, para recordação percu e ,Jtle mé o ,lia de sua volta''. Paulo Vl afirmou ainda o caráter propiciatório do Sacrifício sacramental de Cristo: ''A.~ co11seqiiê11cit1s {da rcfonna] previstas, ou melhor, desejadas, são de uma participação mais inteligente, mais prática. mais t1proveitad,1, mtli.r .rantificadora dos fiéis 110 mistério litúrgico, ou, em 0t11ros têrmos, na tuulição da Palavrâ de Deus, que está ,,iva e ressoa na !,is~ tória de cada uma de nóssas ,,/ma~· e ua rea~ /idade mística do Sacrifício .racrômental e propicim6rio de Cristo" ( 81) .

li<1ue f:ludr:'li t·il dcvenir pto1c.s1ant?'', public::ido cm " La P-ensée Catholique", Paris, n.0 126-1'2·7, 3.'> 1rimcs1rt de 1970, pp. 17•19. Em írnliAnO, o documento foi d i\'ulg.ado em "Critica Cattolic:.l'', ltoin:1. n.0 6. de 1.0 de junho de 1970. pp. 14 e 16.

.

,,e.

6 1) C:artn do l..ouis Coachc nos 5çus amigos, d:11:-id:1 de S de :\btil de 1970, de Montj:woult, Frnnçn,

62) Artigo "Veí$0 Lutero'?", de. Caius. publicado na revi:a~, "Vigília Rom.lna". Roma. de JS de abril de t970, J>. 12.

Idem, ibidem.

70) Yvcs Oupont. editori::il d;1 re\'iSl a "\\101ld 1'rend:i'', Hnwchorn. Ausu-ália, de junho de 1970. 1>, 3.

69\ No1:1 complementar, J:lt:tda dé Rom:i, S dl" junho de 1970, ::.o :mito "Pour dcmc.:u r~:r bon cacho-•

Adiante. Paulo Vl se refere ao "sacertl6cio real" de todos os fiéis, que os autoriza ' 1a entrt.lt em col6q11io sobremuural com Deus, no rito ojicütl, 1,11110 do amí11cio da P,,fovra de Deus. como tlô Sacrifício Eucl1rísti<:o, /Mrtes esws de que se compúe " Missa" . Disse ainda o P;.1pa: ''Fi11alme11te, observtmdo bem, veremos 1111e a idéia fwulame11u1I ''" Missa sertí sem1n·e ,i tratlicional. não -1·6 em seu significttdo teológico, mas também em seu si~ni/icado <'Spiritual". Depois de afirmar que a nova Missa. mani fcs tará uma r iqucz.1 oinda maior do que à antiga. o Pontffice observou : "As relações da alma com Cri.t to e ,·om os irmãos tllingem assim um,, uovt, i11te11si<ltule viu,/. Cristo, Vi• tima e Sacerdóte, renova e oferece, metliantc o ministério tia Igreja, seu Sacrifício re1/entor 110 rito simb6/it:o de .ma Úlfi11w Cei'1 ,111e nos tleixt,, sob tis apari,,cià.t do pão e do vinl,o, .reu Corpo e seu Sllngue paru nosso aUm,•nto pessoal e espiritrwl e para 11ossa fusão /Ili uni,lacle tle seu amor ,·etle11tor e tle sua ,1itlll imor· u,I" (82). Na parte final de seu discurso, Paulo VI deu normas q ue vieram ampliar os casos cm que os Sacerdotes podem celebrar em latim.

Modificações nos textos do novo Misso E,n maio do ano findo, por ocasiao da edição do nôvo Missal, o público tomou conhecimento de uma nova redação da "l nstitutio" e do "Ordo" de 1969. A " Inslilutio" vinha agora precedida de um proêmio, no qual se introduziram noções que não constavam do documento: transubstancia· ção, pl'escnçá real, propiciação. Salientavamse também as idéias de sacerdócio ministerial do celebrante, de que a Missa constitui um sacrifício e uma renovação do Sacrifício da Cruz, etc. Citava-se numerosas vêzcs o Concílio de Trento. No texto da "lnstitutio" fora,n feitas algufl'ta~ modificaçõ2s. a mais importantes das c:uais diz respeito à aparente o u real definição de Missa apresentada no n.0 7. As mudanças feitas nas partes fixas da Missa são de alcance reduzido. Comentários aos Discursos pontifícios de novembro· de 1969 Um 1citor desejoso de informar·sc cuidado-

samente sôbre o assunto de que vimos tratando perguntará, sem dúvida, se os referidos Discursos de Paulo VI e as modificações introduzidas na nova Missa alcançaram seu obje.-cjvo presumível. de tornã~la aceita nos meios cm que causara tanta perplexidade e tantas objeções. Como veremos a seguir, nesses meios manteve-se intacta a persuasão de que o "Ordo" é passível de críticas. Mais ainda: nêles manifCl>tou-se de modo tão agudo a impressão da insuficiênci3 d3S aludidas intervenções da San· ta Sé, que parece ter surgido um sentimento de frustração. ou até de indignação. Tal sentido reflete-se, nos pronunciamcnios mais recentes dos opositores, com um vigor de repulsa que não encontramos nos textos até aqui citados. O leitor verá alguns exemplos disso nos ('Omentários q ue transcreveremos adiante. Devemos inicialmente observar que jã pe· las críticas à nova Missa por nós acima apresentadas, torna-se claro que os Discursos pon·

76) Pe. Hcrvé Le L:iy, :migo "l.a Nucva Misa", publicndo na re\ is1a " La Trndición", S;i11:-i, Argcntim1, n.0 100, de junho,julho de 1970, p . 16. 1

77)

"La nueva Misa", cm "La Tmdición", S-.-.ltri, 100, de junho-julho de 1970, J>. 17 •

7 1) Mensascm publicada pela revis.ta rom:.lnà "Adveni:u Reg_num· ·. :1no Ili, n. 0 1·2. J>P, 6 -7.

18) J>rof. l)r, Rcinh:1rt L.'luth. anigo "S1dh.1ng· nahmc zum ncuen órtlo missoc:" ["íomada de r>O• si5-âo em rclac:io ao ni>\'O Ordo M;úal".'"). publico.do em '"Das Zcichcn Maricns.., Rcussbuehl. lucern::i. Suíça. ano 4. n.<> 3. de julho d e 1970. p. 95'2.

72) Pc. Louis Co:ichc, declaração cm en1rcvis1a à irnprem;a, citada Por Gugliclmo Rospigliosi no :,riigo " Devo:r.ione- :,lia Chiesa".

79) Sccçlio de corrcsµondénci:'I, "From a11 quar tcn;··. da revi.Sta ··Christcndonf". Lexi1lg1on, Kcnrncky, Esrndos U1,idM, de julho de 1970, pp. 10· 14.

Cugliclmo Rospig.liosi, anigo citndo.

80) AHi80 '"l..e Nouvcl 0fllo Missac.• de Pal1I VI", publicado 11à r'Cvista "Fotts d:rns la Foi", Nan. les. Ft:inçu, n. 0 12, de stlcmbro,ournbro de 1969, PJ>, 349 • 351.,353.

73)

74) • C::irw endereçada pela Comissão Oiretoni <la Asso.;i,\cílo " Una Vocc" d:i. Wilia. ao~ sócios da cn1i d:idc: e· publicada em Ro ma, sob o 1ítulo "Salvarc l:i Messa Romana", no op,íscul o n.0 S dos "Docu mc:n1i di Um1 Vou". p. 6. 4

68) Cart:1 de .1ir Arnold Lunn. publicad:i na sccçfio "Leuers to the cdi1or" de ..The T:tblct", Londr'CS. de 6 de junho de 1970, 1>. S50.

"A novidll(/e em quesuío la n.:forma da Missa] não é pe<1uena. N,1o nos deixemos imprt!ssionar p,, fas aptlrências de suc1 form 11 extcrm, nem pelo l1borrecimento que, porve11tutt1, e/a IIOS venha li causar (, . , ), Trata•sc-• da v()11tadc de Cristo. Trata-se de ,mw inspiraçiio do Espírito Santo, que leva a Igreja a essa nwdança. Devemos reconhecer n ela ô momc,ilo profético p<Jr que pa.fsa o Corpo Místico ,le Cristo, que é o Igreja.

Argen1in11. n, 0

4

67)

Umo semana dcpoisJ na audiência geral de 26 ele novembro de 1969. Paulo VI voltou ao tema. dizendo:

'75) "The new MMs", artigo publicado pela revista "SI. Mich:'ICl's N'cws", 6t&,io da St, Micha~rs L"1;iou, Zarcph.-ith. New Jersey, Estados Unidos. vol. 4, n.0 l, julho de 1970, p. 1.

4

tH) P~wlo VI, Discurso 1Hl audiência gemi de 19 de novembr'O de 1969 - "SEOOC", Pe1rópolis. fe,·crciro de 1970, col. 929-931 .

82) Paulo VI, Discurso n:i audiência &c.:rnl de. 26 de novembro de 1969 - "SEOOC", Petrópolis, ÍC\'erci,o de 1970. cols. 932-9H.

7


AfOJLECESMO--- - - - - - * Razão dêste artigo: cumpre • que o Brasil católico nao se.Ja impedido de seguir o debate sôbre a no-va Missa cifícios de novembro de 1969 e as alterações incroduzidas em maio de 1970, não foram julgadas suficiences pelos oposicorcs do "Ordo" de Paulo V 1. Com efeico. aquelas críticas continuaram a fazcr..se 1 sempre com .idêntica argu-

mentação. mesmo após e~as datas. Feica essa observação de caráccr geral. passemos aos pronunciamentos que se referem di.. retamente aos aludidos Discursos do Papa . • Escrevendo na revista parisiense "ltinéraire.f', o Revmo. Pe. M.-L. Guérard des Lauriers, O. P., defende a tese de que o Discurso de 19 de novembro não corrigiu as ambigüidades dos textos da Missa, e de que êle mantém perigosos equívocos quanto à definição de Missa, às relações entre a Missa e a Sagrada Ceia da Quinta-Feira Sanca, etc. (83). Na conclusão de seu artigo. o reputado teólogo dominicano escreve: ··r .. .) qualquer que seja o significado cio Discurso. é im11os.rível levá-lo em consider<1ção enquanto a Constiwiç,1o "Missa/e Romanum" não houver sido ab-rogada por uma outra Constíwiçtio Apost6/ica, igual à Constituição i'Missale Romanum" no que concerrw e,o alca11ce. e ,>uri/icada de todo et1uívoco no que res· peita llO significado. O êrro em que a opirtiiio páblica foi indut ida consiste precisamente en! admitir que o Discurso torna aceitável a "ln.ftillltio''. e que a de/iniçt1o dada no Discurso substitui a tio parágrafo 7. l.fso ,u1o é a.r.rim de direito: isso não será assim tle fato: o Discurso passará, a "lnstitmio" ficará. O Discur.ro não é senão um lenitivo de ocasião, t/ue o bom !'OVO excessivamente crédulo - e não t,pe,ws êle confunde com uma correção verdadeira. Concluamos. O Discurso em ,wd<1 modi· fica as crítfoas expressas no "Breve exame" (84) . E, pelo contrário, vem c01,firmar que êste último tiniu, bom ftmdamcmto" (85). • Em outro artigo, o mesmo Pe. Guérard dcs I...auriers, O. P., escreveu: "Foi êsse PASSO l'AL.so [isto é, a modiíicação da Missa de São Pio V) retificado através ele certos "discursos'' ou comentários, por ,nais aruorizados que êsres tenlwm sitio? Absolutm11tmte mio. Os discursos .re sucedem ao longo dos dias, e pt1.rsam. A Constituição A1>ost6lica '"Missa/e Ro,nanum" re/ere-.rc à Constituiçlío Apo.rt6lica de Seio Pio V, "Quo Prim,un". Foi esta ah-rogada pôr a<Jttela?' Discutc•se. Eu não o creio. De qual<1uer forma, ao,f olhos do povo. com ou sem raz,ão, a Constiwição Apostólica "Missa/e Rommrum" reveste-se cio prestígio ela lei. A ê.ste título. na ordem dos Jatos e PARA A 0 1~1N1ÃO 1•uoucA. ela permanece" (86), • O conhecido escritor Paul Scortcsco, colaborador da revista francesa ºLumi~re", assim se pronunciou sôbrc o assunto: "No que diz respeito a essa Missa, começo por lembrar as palavras de Sua Santidade Paulo VI, de 19 de novembro de /969: "Essa modificação é surpree11de11te, extraordinária; a Missa era co11side1·atla como a expressão tradicional intocável de nosso culto religioso, da autenticiclode de nos.ra fé". - E lo o era: ela não o é mais. . . Então. por t/lUJ 1,romulgar a nova Missa? Não se compreende!" (87). • A revista ''Forts dans la Foi", dirigida pelo Pe. Noel Barbara, fêz a seguinte observação sôbrc os citados Discursos de Paulo VI : "f ... ) queremos salientar que ua ,·ealidade êsses Discul'SOS tle 19 e · 26 de novembro ,íltimo não foram inscri<loJ· no /(!XtQ oficial (da nova Missa), e que êste, não tentlo .tido corrigido num sentido católico, permanece ainda agora equívoco" (88). • Palavras do Pe. Georges de Nantes, di-

83) J>c. M.-L. Guémrd dC$ Lauric~. o. P•. artigo ··Note sur le S:1crific~... publicado cm "hinü:iircs", Paris, n.U 146, de .sc1cmbro-01Hubro de 1970, pp. 144- 148.

retor do bolecim francês "La Contre-Réforme Catholiq ue au XXeme. Siecle'": "Nesse meio tempo. o projeto de subverstlo do Missa é denunciado: ti Igreja Universal Se inquieta e freme. A luz. vai tlisJ·ipar as ti'e.. vas. . . O Papa lan~·a então ao mundo os dois Discttrsos das quartas-feiras /9 e 26 de 11(1• vembro, nos quais, deixando de fa1.,er o papel de Hamlet. êle se revela como aquêle de quem dizia sua Mãe: "u,1 uometto d; ferro'\ um homentinho de ferro. Ele impõe -SUA ,nissa, memorial tia Ceia, dissimulando•lhe o caráter "ecumênico" ou, como dit o "Courrier de Rome", ,.polivalente". Para e.,magar a oposição, êle não hesita em pronunciar contra esta as acuJ·ações mais infamantes§ e contra provas irrefutáveis, as afirmações mais falsas. ê um tecido de violê11cias i11audilas. re,1estidas de arrebatamentos lacrimejantes e sentimentais para uso <lo Pº"º· Paulo V l dec".rta 11esses Discursos. como .rendo inspirada pelo Espírito Santo. decididá pelo Corpo Episco11a/, obrigatório em consciência, a depredação de uma rradiçiio litúrgica e dogmática bimilenar. e um homem tornado Papa que se ergue contra a Igreja ele todos os tempos. Mas quem destrói a Santa Missa de Cristo, por Cristo será destruído"' (89). • Em seu número de janeiro-fevereiro de 1970, a revista belg;1 "Bullelin Indépendant d'Jnformation Catholique" publicou um editorial onde se lê: "( .. . ] o Papa - longe de levar cm conta as representações respeitosas e tlevidamente motivadas dos Cardeais Ouaviani e Bacci, bem como a indignação surgida. um pouco por tôda parte no mundo católico, em visu1 da iminêncit, da ;n,rodução obrigat6ria de uma Missa "pluraUsta" - reforçou, pelo contrário, os e'feilm: dt! sua Constituição "Miss(lle Roma11111n'" de J de abril, através de dois Discursos tão lcnitivos qcumto ti forma, quanto perturbadores quanto /ttndo, pro,, nunciados respectivamente no., dias 19 e 26 de novembro de 1969" (90).

Alterações que já eram aguardadas Ances de m·ostrar como íoram recebidas pelos opositores da nova Missa as modificações introduzidas no "Ordo" de 1969, não é indiferente saber que elas já eram esperadas. • Em dezembro de l 969, quando se começava a falar em mudanças no nôvo ''Ordo". o Pe. Georges de Nantes escreveu: ''l . .. ) 8ug11i11i confcSS(l o êrro t - éle! - promete cor· rigir o texto da lnstillliç,lo já promulgado! Por seu lado, o "Consilium" [órgão da Santa Sé então incumbido da aplicação da Constituição conciliar sôbre liturgia], reunido els pre.rsas. responde hipõcritamente a ''certas dificuldades": '"De qualquer modo, m, publicação definitl\,a tio Missal Roma"º será sempre possível retocar alguma expressáo da "lnstitutio" ,,ara tornar o texto mais claro e mais compreensível".' Isso é demais para wn A to pontifício que nos era apresentado ,.:orno perfeito,· ma.r é muito pouco para um texto profundamente corrom pido pela heresia" (91 ). 8

• Alguns meses depois, quando a promulgação das alterações do nôvo "Ordo" estava iminente, o mesmo Pe. Georges de Nantes obsc1·vava: "(O Papa) tem a impresstio angus. lio.ra de que continuo de pé contra élc, em tô· da a Igreja. a denúncia do.r intenções lterétlcas da Reforma da Missa. Por essa razão, está agora decidfrlo ll corrigir a Nova Missa para aproxlmá-la da Antiga. /sJ·o foi prometido ao Cardeal 011avitmi 1..• ). O Papa deu ordens a Bugnini (à son Bugnini]: voltar-.re•á a intrO· clttzir um pouco mais ele Ofert6rio, reincrustar-.fe-ão aqui e ali a.t palavras Sacri/foio. Cruz,

37) Opúsculo "Messe: Sacrificc ou Sactit~ge?'", cd . .. Lumiêre... Ooulogne-sur-Mer, França. SClctnbro de 1970. p. 14. 88} Forts dans la Foi··, 3r1igo j;i ci1::ido. •·1..e: Nouvtl Ordo Mi1,1ac de Paul VJ", p. 350. 00

Rcfcréncia :i\o ··arevc Exame Crí1ioo do No,,us O,do Missar" de que já tratamos a nteriormente. 84)

85)

Pc. M.-L. Guérard des L3uriers, O. P.. ar-

1igo ci1:ido. ··No1e sur le Sacrifioe", J'I. 148.

89) Pc. Gcorges de Nantes. ,·migo " Paul VI CJl rébcllion conlrt: l"Eglisc", publicado no bole1im "l3 Conirc-Ré(onnc C atholiquc au XXCmc. SiCc1c Sa,int-Parrcs-lCs•V.-iudcs, Franç.-i. n.0 27, de dc1.(robro de 1969, p. 1. 00

,

86) Pc. M.· L. Guéro.rd de~ LDuricrs, O. P .... [)é. clar:uion.. já e i1ada, p. 77.

"Missa da juventude" na região parisiense. Missa· em capela reservada para estudantes em Paris.

Vtlima Smuci e Hós1ia. Negar•.w:-á tôda nova supressão. t!m ,,articular a do IAvabo. que iá ltavia ~·itlo. . . sacrificado. Total: Paulo VI, ires ,neses depois 1Je sua enorme Reforma da Missa. re/otma sua reforma no sentido da contra.reformt1. A nova quilha deverá ser con· servat!a, com sua marca de fábrica e data,· mas é preciso procurar recolocar dcmro dela, e aí rett•r, o 1:.··.spírito :- êsse Espírito inapreensível, que irrigava e fecundava a Mi.fsa em sua forma multissecular reco11hecida e estabiliwda pa· ra sempre por São Pio V , sob ameaça de maldiçiio e vingança celeste para quem a falseasse'" (92).

Reações às modificações introduzida$ na novo Missa Passemos aos documentos que dizem rcs .. peito ao texto modificado do nôvo "Ordo". • Assim se manifestou o Sr. Paul Scorte.~co: ,-,1:: o célebre méto1lo de "um 1u1sso para triis e dois para ti frente'>, cujas aplicações mostrei no opúsculo "Lcs Masques Tombent". O "proêmio" é o passo para trás. tlado par" sa· tis/tlt.er a nós, relàrdatários; os dois passos parti a /re11te consistem na nova Missa, que, para <:1/egria cios progressistas, vai sempre evoluir no mesmo sentitlo. Talvez ainda haja, ao longo do caminho, um passo pt,ra trás; e assim por diante. . . ( ... ). O proêmio acôlhe a presença espiritual dos pro1esra11tes: !'011tle dois ou três estão reunitlos ein meu nome, aí estou Eu no meio dêles". A isso. ju,iu, em .reguida a verdadeira Euca· nsua, - única tligna de Deus, Sacrifício tle seu Pilho e seu, Presença real na Hóstia,· mas chega como.,,lgo de supérfluo: não se /1,r. dá a 1>reeminência. E mio há nisJ·o uma tle,;isiio tardia. t/Ue rcm o ar de 1111ur concessiio?" (93).

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• No "'Courrier de Rome" de 1O de setembro de 1970, o Revmo. rc. Raymond Oulac comentou as modificações introduzidas na nova Missa: "Ao publicar. h á algumas semanas, uma now, ediçeio "típica'' de ~eu ··ordo Missac", a Comissão 8ug11i11i julgou, ou quis julgar, ou procurou Jazer com que J·e julgasse que algumas correções verbais i11trodr1.zidas na ·<J11stitutio Generalis" bastariam, senão para afastar os enormes defeitos do RITO. pelo menos para serenar os protestos. Mas a Comisscio evitou cuidadosamente de tocar no RITO! ... Tão pouca gente .fabe ler. . . Tão pou. cos são capazes tle meditar! . .. T,lo numerosos são aquêles que ,u1o querem ser perturbados cm sua quietude! . . . Tão numerosos stío os

/axos que tlescarregom as responsabilidades de .reu Batismo e de .rua Confirmaç,ío sôbre OJ "te6logos" ou os Bispos. Apressemo-nos em dit.ê-lo: ,, edição ''típi· ca" do nôvo "'Ordo Missae". destinada ti adarar, cm 1970, " edição já "rípica·· de 1969, é um escárnio: com Deu.~- e par<1 com o ''povo de Deus". Os emendadores de [970 nado emendaram 110 Rl1'0 de .ma Missa polivalente. Use rito continua a co11ter um pecado origi11al <1ue circ,mcis,io alguma .rerá jamais capaz tle suprimif: o pecado de ter querido fabricar . uma 'ºmissa" passe-partout, apta a ser celebrada por um católico e por rm1 protestante. é11quanto a.r orações do OFERTÓRIO do Missal de São Pio V não houverem sido reiritroduz,idaJ-. em seus têrmos seculares. continuaremos, firmemente. a SUSPEITAR do n6vo "Ordo Missae" e a RECUSÁ·LO. - Recu~·amo-lo. ltoje como ontem" (94).

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• O Pe. Georgcs de Nantes, por sua vez, escreveu: "(O nôvo Missal), dando testemunho de que tinham fundame1110 as críticas que lhe /oram feiras, abre-s.e com um preâmbulo à Apre• semaçüo geral já conhecida e que havia su:rciftulo jusltls tempestades. ,li uma imrodução à introdução, uma justificação do injustificado e do inju.ftificávcl. Foi necessário acrescentar a êsse texto duvidoso uma série de afirmações preliminares para compensar prCviamcnte suas lacuna.r. l.r.,·o et;uivnlc a dizer que êsse preâmbulo. deve t1/irmar o que está negado ou omitido delibertltla,llente no texto primitivo que não se quer retratar ou corrigir. Com ês..re acréscimo, o Missal de Paulo VI está para sempre marcado por sua falta o,.iginal, como wna obra de reforma contestada desde o início. f ... J vemos bem que a única intenção do Re/ormlldor romano consiste em fa1.,cr calar a crítica. apresentando-lhe meditlas ilusórias de apaziguamento. f .. . J De minlw parte, julgo que a modifiCllÇ<io [do número 7 da "lnstitutio"] é mais hábil tio Que orto<loxa, e, em todo o caso, não é .,incera" (95) .

CONCLIJSÃO Uma vez ana.lisado o presente artigo. o leitor brasileiro - calvez desconcertado por se ver informado com canto atraso sôbre tôda essa rnassa de fatos - naturalmente perguntará: que se há de concluir diante dêsscs fatos? Como é óbvio, não compete, a um artigo de natureza meramente documentária. respon· der a essa pergunta. t ao leitor que caberá formar seu próprio juízo, com base nos dados que aqui apresentan-1os, bem como cm outros que possua. Coni efeito, não pretendemos que os elementos constantes dêste artigo sejam suficientes, só por si, para justificar uma conclusão. Mas cremos que, somados a outros, serão úteis para dar, como fundamento a uma eventual conclusão, a devida amplitude de horizontes, suprindo, assim, uma deficiência de informação que se vem verificando em nosso meio. Nem poderia ir além, aliás. a ambição de um artigo meramente documentário.

Talvez não seja de todo supérfluo relembrar o que dissemos de início: se. entre as declarações aqui transcritas algumas hã que são pouco respeitosas para com a Autoridade Eclesiástica, foi-nos imposto citá-las pela própria natureza do presente trabalho. Se êste não desse · acolhida · a tais pronuncia_mentos, deixaria de ser fiel à sua missão (undamental de informar o público sôbrc tôdas as reações que a nova Missa vem encontrando. Assumindo um cunho seletivo' que não lhe compete, prejudicaria sua nota documcntária. Esperamos, pois, que êste artigo de algum modo contribua para que nossos meios católicos, bem informados, possam daqui por diante acompanhar os importantes debates que se travam fora do País sôbre a questão da nova liturgia da Missa.

90) Artigo in1itulado .. A 1>ropos de J'ins1aura1io n du Nouvcl 0ftio Mlssaeº', de te._1;p0ns.,bili<l:idc da tcdaçâo do "Bu.llctin lndépendant d'Jníormtl.lion Cnlholiquc''. Bnixtl:is., n.0 SJ-S4, de janciro-fext:reiro de 1970, p. 2 .

91) Pnul Scot1csco. opúsculo j6. citado. ··Messe: SncTiíicc o u S.-ic,ilCgc?'", J)p. 14· 1S.

91) Pc. Gcorgcs de N.-in1c:s., 3tli&o já c it.ulo, ··Paul VI tn rél>cllion con1rc l'Eglisc"', p. 1.

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92) Pc. Georgcs de Nantc..,;, artigo problema crucial". public.ido cm ""L,3 Contrarrcíormà Católica cn cl Siglo xx··, Madrid, n.0 3. de m3io de 1970, p. li.

94) Pc. R3ymond Dulac, nrtigo '"La nouvclle 1>rf.scnta1ion du nou,·el Ordo MisSbtº', publicado cm ··courricr de Rome.., Paris, n.0 74, de 10 de setembro de 1970. p. 8. 95) Pc. Geor3cs de Nantes. artigo '"Lc riouvcau Missei romain conlesté jusli!ié"'. publicado no bolc1im ··La Conire-Réforme Calholique au XX~me. Si~clc", Saint•Parrcs•IC:s•Vaudes, França, n.0 34 1 de julho de 1970, pp. 13- 14.


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Neocomungante francês: o catecismo que o Episcopado de seu país lhe impõe é "cismático e herético, e lev a portanto à apostasia"?

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EPOIS DO escândalo dado ao n1ttndo pelo "Nôvo Catecismo" holandês, outra obra do gênero veio causar profunda comoção em largos c'irculos católicos da França. Trata-se do "Fonds obligatoire à )'usage des auteurs d'adaptations/ Catéchisme français du Cours Moyen", dado a lume em 1967 sob o no1ne da Assembléia Plenária do Episcopado Francês. Essa pu blicação, como está expresso em seu título, é de uso obrigatório em tôda a França para o ensino religioso do curso médio, ou seja, para crianças de 9 a II anos. Apesar de prestigiado por um tão alto organismo eclesiástico, o Nôvo Catecis1no francês - como se tornou ~ais conhecido - foi desde logo impugnado e provocou os mais vivos protestos. Uma conhecida revista cató' cismático porque rompe com o passado; é lica francesa afirmou dêle: "E herético por diferir do dogma e da moral tradicionais; e leva portanto à apostasia". Como seu s'imile h olandês, o "Fu.n do obrigatório" e.m prega, segu ndo expressão de outra revista, a "mesma técnica da "ambigüidade" que permite semear tranqüilamente o êrro nos espiritos".

" Ple urant " de Claus Sluter (século XVJ: que alma fiel não verterá lágrimas de dor e aflição quando Bispos mandam ensinar o êrro às crianças?

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A PBOPOSITO DO NOVO (}ATECISMO FBA.NCES

AS BASES

UERE DE AO COMPREENDERA e m tôda a sua profundidade o fenômeno do progressismo quem não se capacitar do aspecto · conspiratório e universal que faz dêle uma trama destinada a destruir, se pudesse, os próprios fundamentos da Santa Igreja, para em seu lugar erigir uma nova religião, desalienada, dessacralizada, igualitária e gnóstica, posta a serviço do oniarca totalitário com cujo advento sonham os mentores dessa conjuração. Os leitores dêsse jornal já tomaram conhecimento, em suas linhas principais, dos erros doutrioádos que essa corrente de falsos profetas está espalhando por tôda parte atráves do "Nôvo Catecismo" holândes, "a Fé para adultos". Ocupamos-nos do assunto nos números 224, 228 e 231 de "Catolicismo", respectivamente de agôsto e dezembro de 1969 e março de 1970 ( 1.) . Queremos hoje focalizar outro instrumento da campanha que visa inculcar noções heréticas e hcrctizantes ao povo fiel, seja por ação, seja por omissão. Desta vez também nos achamos cm face de um nôvo catecismo, destinado, porém, não mais a adultos, mas a crianças: trata-se do chamado Nôvo Catecismo fra11cês, ou seja, o "FONDS OBLIGATOtRE À L'USAGE DES AUTEURS D' ADAPTATIONS / CATtCHISME FRANÇAIS DU CouRs MOYEN", publicado sob a forma de um volume de 158 páginas, tendo no alto da primeira, à maneira de nome do autor, a indicação: Assembléia Plenária do Episcopado Fra11cês. Nas páginas 3 a 6 lê-se uma "Liminar" assinada por Mons. Louis Fcrrand Arcebispo de Tours e Presidente da Comissão Episcopal do Ensino Religioso. Na última capa está consignado que o volume constitui o suplemento n. 0 29, de outubro de 1967, de "Catechese", "revista trimestral de pastoral catequética", editada em Paris "sob o patrocínio da Comissão Nadonal do E11si110 R eligioso, com o co11c11rso do l11stituto Superior de Pastoral Catequética de Paris". - O curso médio a que êsse livro se destina corresponde a crianças de 9 a 11 anos de idade. Explicando o "Caráter particular" do texto, a ''LimÍlwr'' esclarece que unão se trata de um instrtunento des tinado direta111e111e às crianças e aos catequistas, ,nas de um F1111do obrigatório que os autores tle obras de e11l·i110 religioso para o curso médio deve111 fazer circular em suas produções" (p. 3 ).

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"Não é a mesma religião" Apesar de o livro vir aprovado e prestigiado por tão altas Autoridades Eclesiás-

J ) Após a publicação dessa série de três artigos, tomamos conhecimento de um opúsculo intitulado "A FÉ PARA ADULTOS Nôvo CATECISMO - SUPLEMENTO" (Editôra Herder, São Paulo, 1970) e destinado a corrigir "tôdas as portes controvertidas" do "Nôvo Catecismo" holandês, conforme consta de nota introdutória de Sua Eminência o Cardeal Agnelo Rossi, então Arcebispo de São Paulo. E ntretanto, neste cotêjo que agora fazemos do "Fundo obrigatório" francês com o Catecismo de Nimega, tomamos por base a versão original dêste e m poturguês, publicada no Brasil pela mesma Editôra Herder, pois nosso fito é demonstrar a identidade que há entre as d uas obras, conforme as imaginaram e escreveram seus respectivos autores. Quanto a êsse "Suplemento", oportunamente dêle nos ocuparemos, para mostrar que infelizmente não expurga o "Nôvo Catecismo" holandês de todos os seus graves erros.

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NOVA REI.IGIÃO? ticas, a revista º Documcnts-Paternité", após exaustiva análise do texto, classifica êsse Nôvo Catecismo do seguinte modo : "8 cis111ático porque rompe co111 o passado; é herético por diferir do dogma e da moral tradicio11ais; e leva porta11do à apostasia" ("Doc.-Pat." n.0 135, de outubro de 1968, 2. a parte, p. 34). Fazendo um paralelo entre os Novos Catecismos holandês e francês, diz a revista "Défense du Foyer": "Dos dois lados os erros são os 111esmos: os mesmos dogmas são atacados, do mesmo n,odo insidioso, por meio da ,nesma técnica da "a111bigüidade" que permite se111ear 1ra11qiiilame111e o êrro 110s espíritos, sem prejuízo de se protestar boa fé q11a11do se é acusado" ("Déf. du Foyer", n.0 101, de dezembro de 1968, p. 423. E o Sr. Jean Madiran estabelece outro confronto, não menos impressionante: "E11tre o Catecismo · Roma110 de São Pio X. de um /tufo, e o "F1111do obrigatório" do nacio11al-carecismo fra11cês, de 0111,0 lado, vemos be111 uma diferença de "ótica catequética". Esse11cialme111e e a11tes de tudo, essa difere11ça co11siste em que NÃO É A MESMA RELIGIÃO que é ensi11ada por 11111 e que é e11si11ada pelo 0111,0. Tal é o extraordi11ário caso de co11sciê11cia que hoje se põe a todos os católicos da Fra11ça" ("ltinéraircs", suplemento do n.0 121, de março de 1968, p. 22). Que não se trata da mesma religião, não falta entre os partidários do Nôvo Catecismo quem também o confesse. Assim, em entrevista publicada por "L'Echo", de Paris, em outubro de 1968, o Revmo. Pe. M. Saudreau, membro do Comité de Direção de "Catechese", a revista que editou essa obra, revela o seguinte: "Muitos pais já se acham fa,niliarizados com os métodos novos, pois algu111as paróquias os 11tiliza111 há vários anos. Dissera,n-nie até, muitas vêzes: "Não é a ,nesn,a religião que nos ensi11ara111 no catecismo. Mas aquela nos parece muito mais verdadeira e 11111ito mais próxima d" vida" (apud " Documents-Paternité", n.0 cit., I.ª parte, p. 8). O conhecido progressista Sr. Henri Fesquet deu seu testemunho no mesmo sentido quando da elaboração dessa obra deletéria, antes ainda de sua publicação oficial. Disse êle a respeito do "Fundo obrigatório", em "Le Monde" de 8 de dezembro de J 966 (apud "ltinéraircs", n. 0 cit. , pp. 1-2): " Desapareceu " 11oção de pecado ,nortal, uio traumatiza,ue para as cria11ças. ( ... ] Não mais se fa la de pecado venial, não há defi11ição do pecado original. [ ... ) A expressão ''/11,aculada Conceição", julgada muito difícil, não foi mantida" . Pelo visto, para o Sr. Fesquet o que traumatiza as crianças não é o pecado mortal, mas o fato de dêle terem noção. E que dizer da dificuldade q ue julga existir para as crianças modernas em compreender a expressão Imaculada Co11ceição, quando a Santíssima Virgem a empregou ao se dirigir à jovem analfabeta e inculta que e ntão era Bernadette Soubirous? Mais ainda, continua o Sr. Fesquet :"O próprio 11ome do diabo 011 do demônio 011 do espírito do mal não é 1ne11cio11ado. ( . . . ) O a111igo capítulo sôbre os Anjos e os demô11ios foi supresso. Só o Anjo Gabriel da Anunciação per11ianece mencionado. Os famosos "A njos da Guarda" que embalaram a infância das gerações anteriores não mais figuram nesse fundo obrigatório". Assinala também o colaborador de "Le Monde": "Tôda questão relativa ao inferno desa,,a,eceu, bem co,110 a defi11ição dêste co,110 lugar de 1orme11tos, de sofri,11e11to e de fogo. ( ... ) Não se aborda a questão da eternidade das pe11as do i11fer110".

Como se vê por essa apreciação de um progressista, o plano do Nôvo Catecismo francês para crianças é, em suas linhas gerais, o mesmo do seu similar holandês para adultos. Por outras palavras, não se trataria de ocultar às crianças conhecimentos para os quais os pedagogos progressistas possam sustentar que elas não se acham preparadas, rnas de permanentemente eliminar da doutrina católica certas verdades fundamentais, o que indica que tanto na Holanda como na França a preocupação é a mesma de lançar as bases de uma nova religião. Cingidos aos estreitos limites de um artigo de jornal, procuraremos apresentar aos nossos leitores alguns dêsses pontos· que mostram a afinidade do "Fundo obrigatório" francês com o "Nôvo Catecismo" neerlandês.

Queda dos homens em Adão O Nôvo Catecismo gaulês simplesmente elimina dos trechos do Velho Testamento a serem usados no ensino religioso tudo aquilo que não convém aos planos de fundar uma nova religião. Assim, do relato da criação que aparece no Livro do Gênesis, não reproduz êle nenhuma alusão à q ueda de Adão. De Gen. 1, 3-25 e 26-31 , que trata da criação do homem, salta-se para Gen. 12, 1-5, que se refere à vocação de Abraão (pp. 37-38 do "Fundo obrigatório"). Que essa omissão foi voluntária, vê-se bem mais adiante, no item sob o título de "Valo, 1111iversal da morte de Jesus e pecado originar•, como passaremos a mostrar. Está dito nesse tópico que "desde a orige111 tia h11ma11idade, desde o primeiro homen,, o pecado se achava prese111e 110 mw,do" (p. 123 ) . Mas como e quando nêle teve entrada? Houve um momento a partir do qual o homem começou a pecar, ou o pecado existiu desde o primeiro instante de sua vida, como o texto parece afirmar? Mais ainda. Segundo o ''Fundo obrigatório", dever-se-á evitar a apresentação do pecado origina) "silnples,nente co,no runa tara hereditária" (loc. cit.) . Tudo leva a crer, portanto, que o pecado é inerente à natureza humana, êrro próprio do gnosticismo. Reforçando essa noção herética do pecado original e para se esquivarem de declarar que a morte é conseqüência dêlc, truncam e deforma m os autores outros trechos da Sagrada Escritura. Com efeito, à página 66 é citado como "for11111lação obrigatória" do capítulo 5, versículo 12, da Epístola aos Romanos o seguinte: "Por w11 s6 homem., o pecado e a ,norte entrara,n no 1n1111do", quando o que afirma São Paulo é bem diferente: "Portanto•. assim como por 11111 s6 ho1nem entro u o pecado 11este mu11do., e ,,elo pecado a ,norte, assim passou a morte a todos os home11s [por aquêle homem] 110 qual todos pecaram" (Rom. 5, 12), por onde o Apóstolo claramente dá a morte como conseqüência do pecado o riginal. Dizer unicamente que "por um só homem o pecf1do e a n1orte entrara,n no 11111ndo 11 não mostra

essa relação de causa e efeito, mas apenas enuncia que desde o início o homem se acha sujeito a pecar e a morrer, com o que nada se dá a entender com relação ao estado de santidade e de justiça cm que Deus colocara Adão antes da queda. ÊSSe dogma fundamental do pecado original, sôbre o q ual o "Fundo obrigatório" francês lança tão espessa cortina de fumaça, é frontalmente negado pelo "Nôvo Catecismo" holandês. Rejeitam os falsos profetas de Nimega o estado primitivo de inocência do homem, antes do pecado, com as seguintes claras palavras: ·'Não devemos supor

que, 110 pri11cípio, te11ha havido para êle [o homem) 111n estado de i11tegridade paradislaca e de imortalidade" ( Ed. Herder, S. Paulo, 1969, p. 314).

A Redenção Ora, a se considerar a morte e o pecado como inerentes à natureza humana, que é o êrro próprio do maniqueísmo, a queda dos homens em Adão é negada, e a doutrina católica da Redenção se torna obscura e sem sentido. Esta conclusão a que chegamos com referência ao " Nôvo Catecismo" holandês, também se aplica, ponto por ponto, a êsse lamentável "Fundo obrigatório" destinado às crianças francesas. Por onde se vê a tendência gnóstico-maniquéia de ambas as obras. Há quem sustente que a doutrina sôbrc o pecado original contida na Epistola aos Romanos é proposta às crianças pelo "Fundo obrigatório", o que é falso, pois, corno acabamos de ver, a parte principal do texto de São Paulo se acha ausente da versão dada pelos autores, à página 66. E a falsificação se estende ao que diz o Apóstolo a respeito da Redenção que nos trouxe o Filho de Deus. Cita o "Fundo obrigatório" como se fôsse o versículo 15 do capitulo 5 da mesma Epístola aos Romanos o seguinte: "Mas, bem mais ainda, por 11m só home111, por Jes11s Cristo, Deus dá a vida a todos os hoJ1Íe11s" ( p. 66) . E is o que na realidade diz São Paulo : " Mas o dom não é como o pecado, porque, se pelo pecado de 11111 morreram 11111itos, 11111ito mais a graça de Deus e o don, são, pela graça de wn s6 ho111em, [que é] Jesus Cristo, ab11nda11te111e111e espa//iados sôbre muitos'' (Rom. 5, 15). Sem falar que o "Fundo obrigatório" omite completamente os versículos 18 e 19, que mais esclarecem essa mediação de Nosso Senhor Jesus Cristo: "Por i.sso, como pelo pecado de um s6 i11correraJ11 todos os ho,11ens co11denação, assim pela justiça de um s6 recebem todos os homens a justificação que dá a vida. Porque, assi111 como pela desobetliê11cia de 11111 só, muitos se 1or11aram pecadores, assim, pela obediência de 11111 só, 111ui1os virão a ser justos" (Rom. 5, 18-19). Como vemos, está sempre presente a preocupação dos autores do "Fundo obrigatório" de ocultar o verdadeiro sentido da Redenção através d a qual Nosso Senhor Jesus Cristo nos restituíu a graça perdida pelo pecado de Adão.

Deus e Homem verdadeiro Atentemos, também, para êste importantíssimo ponto: em nenhum lugar do "Fundo obrigatório" é dito que Nosso Senhor Jesus Cristo é Deus e Homem verdadeiro. A palavra Deus, ao longo de todo o livro somente se refere a Deus Padre, sendo completamente omitida a confissão do que está expresso no Símbolo de Nicéia-Constantinopla: "Creio 1... ] em um só Senhor Jesus Cristo, Filho Unigênito d e Deus, 11ascido do Pai, antes de rodos os séculos, Deus de Deus, Luz de Luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro1'. E is uma amostra do cuidado caviloso com que o Nôvo Ca1ecismo trata da Segunda Pessoa da Santíssima Trindade: "Cuidar-seá de utilizar sempre uma linguagem exata para falar do Pai e de Jesus seu Filho. Falar-se-á de Deus Pai, tio Pai de Jesus, de nosso Pai; falar-se-á de Jesus, do Filho do Pai 011 Filho de Deus, do Enviado do Pai; [ .. . ]. Expressões tais como: viver com Deus 11osso Pai, conhecê-lo e a111á-lo, ser da família de Deus, mostrarão qut so111os cha-


mados a ser filhos do Pai co111 Jesus. Essas expressões serão completadas pela palavra "irmãos", que precisa nossa situação de filhos de Deus. Cuidar-se-á entretanto de não 110s ide11tificar a n6s com o Filho: haveria então o risco de que as crianças illvertessern a identificação e não fizessem de Jesus senão o primeiro dos ho111ens" (p. 108). A menos que o desejo seja mesmo de não confessar a verdade, não seria mais simples repetir a doutrina católica e dizer claramente, sem subterfúgios, que o Filho também é Deus verdadeiro, consubstancial ao Pai? A Mãe de Deus O que reforça essa impressão de que os autores deliberaram deixar de confessar a divindade do Filho de Deus, é que em nenhum lugar do "Fundo obrigatório" se diz que a Virgem Maria é Mãe de Deus, como expressamente o declara o Dogma católico. Nossa Senhora aparece como "Maria, mãe de Jesus" (pp. 83 e 153), "a Virgem Maria ,i u111a ;ovem da Palesti11a, que Deus escolheu para ser a mãe de Jesus" (p. 90); "o filho de Deus veio ao mu11do, nasceu da Virge111 Maria (fêz-se home,11)" (p. 115); etc. Ora, se o Nôvo Catecismo não ensina aberta e claramente que Nosso Senhor Jesus Cristo, Segunda Pessoa da Santíssima Trindade, "é perfeita111e11te igual às duas outras Pessoas Divinas, [ ... J porque em tôdas Elas reconhecemos a existência de uma só natureza, de uma s6 vontade, de um s6 poder" (Catecismo Romano, 1-111-8-a), é coerente que negue à Santíssima Virgem seu maior atributo, que é o de ser a Mãe de Deus, negação essa que constitui também êrro próprio de tôdas as heresias gnósticas. O "Fundo obrigatório" tampouco se refere explicitamente a outro privilégio da Mãe de Deus, que é o de sua Imaculada Conceição. Não reconhece êle cm têrmos exatos, como vimos, o dogma do pecado original, mesmo porque não faz a menor referência ao estado de justiça e santidade cm que Deus havia constituído o homem e no qual fêz nascer Aquela que ia ser a Mãe de seu Filho Unigênito. Como se saem dessa dificuldade os autores do Nôvo Catecismo francês? Assim: "A prese11tar-se-á Maria 11a idéia de Deus. Ele quis fazer dela a mãe de Jesus e, para isso, preservou-a de todo pecado, fê-la "cheia de graça"; pelo Espírito Sa11to, fêz de Maria se111pre virgem a mãe de 11osso Salvador" ( p. 83). Como se vê, ainda aqui se procura escamotear o que claramente ensina o dogma da Imaculada Conceição de Maria, isto é, que Nossa Senhora foi concebida sem a mancha da culpa original. Deus não A preservou de "todo pecado" no sentido apenas de evitar que Ela pecasse, mas sobretudo no sentido de que Ela foi santificada no próprio seio materno e preservada do pecado original desde o primeiro instante de sua conceição. Argumentar-se-á que, dizendo o Nôvo Catecismo "todo pecado", estaria na intenção dos seus autores incluir o pecado original nesse "todo", - mas acontece que o pecado original se acha fora da cogitação do " Fundo obrigatório". Daí ficar sem sentido a Imaculada Conceição da Santíssima Virgem no texto dêsse estranho Catecismo francês, sendo muito coerente a omissão dessa expressão em suas páginas. Ora, quem não confessa clara e integralmente o dogma da Maternidade Divina, e nega o pecado original no sentido da queda e da culpa hereditária transmitida a todos os homens, é eviden1e que não pode ter um conceilo ortodoxo da Encarnação do Verbo ou do papel da Segunda Pessoa da Santíssima Trindade na Redenção. ~se o ponto fundamental em que o "Fundo obrigatório" desvia as almas das crianças da Verdade que nos ensina a Santa Igreja em seu magistério infalível.

Anjos e demônios Pouco fala o "Fundo obrigatório" a respeito dos Anjos. Há uma vaga referência à sua criação, nos seguintes têrmos: "Cremos que Deus criou o mu11do e111 e para Cristo; Jesus ressuscitado foi estabelecido Senhor de tôda a criação: dos A11;os, dos homens e das coisas" (p. 95). Nada porém sôbre a natureza e sôbre o ministério dos sêres angélicos, parte integrante da doutrina católica. O Anjo Gabriel é mencionado no texto evangélico (truncado) da Anunciação (p.

46) . Também são citados os Anjos que se manifestam aos pastores de Belém na narrativa do Evangelista São Lucas (p. 47). E é só. Igual tratamento é dado aos anjos maus, isto é, dêles não se cogita a não ser na transcrição do · texto evangélico da tentação no deserto, em que aparece Satanás, o tentador ( pp. 48-49), e em uma referência ao "reino de Sata11ás" (p. 123). De modo que o Sr. Fesquet tem tôcla a razão: "o antigo capitulo sôbre os An;os e os demônios foi supresso", do mesmo modo que no "Nôvo Catecismo" holandês seus autores declaram não saber se a existência dos espíritos angélicos não será mera hipótese pertencente à velha concepção do mundo que dominaria a Sagrada Escritura (pp. 553-554).

A alma sepa rada do carpo Os autores do "Fundo obrigatório", tais como seus comparsas do "Nôvo Catecismo" de Nimega, não gostam de falar na alma do homem. 8 palavra riscada do texto francês, a não ser para consignar a seguinte ressalva: "Por fim, não se fará dicotomia 11a apresentação da natureza humana. Se é normal que se precisem as categorias espírito e corpo, cuidar-se-á de fazer uma catequese unificada do home,11, mostrando a complernentaridade e a relação de suas atividades corporais e espirituais. Deus chama a si o homem total, "corpo e alma, mas verdadeiramente um" (Vaticano li, "Gaudium et Spes", 11. 0 14)" (p. 97). Onde o "Nôvo Catecismo" holandês é claro, negando frontalmente a existência da alma separada do corpo, entre a morte e a ressurreição da carne, o "Fundo obrigatório" emprega essa linguagem vaga, que parece proibir que se fale às crianças nessa separação.

O Purgatório e o inferno Enquanto o "Nôvo Catecismo" holandês nega escancaradamente a existência do Purgatório como "11ovissimo à parte" (p. 549), seu similar francês simplesmente a êle não faz a menor referência. O "Nôvo Catecismo" holandês nega a realidade das penas do inferno como manifestação da Justiça Divina. O inferno não seria um lugar de castigo e sofrimento, mas um "estado de endureci,uento eterno" para os que perseveram cm viver cm inimizade com Deus {p. 523 ). O "Fundo obrigatório" diz coisa parecida no único trecho em que fala do inferno: "[ ... J os que se recusam até o fim a conhecer a Deus, a amá.Lo e a amar os outros, êsses não podem viver co111 Deus, permanecerão longe de De11s; aq11ilo que se denomina o i11fer110" (p. 138). O inferno, portanto, não seria um lugar de castigos eternos, mas simplesmente a posição daqueles que permanecem longe de Deus. Logo após, ao apresentar a "formulação obrigat6ria" do texto de São Mateus que descreve o Juizo Final, o Catecismo cit:, (p. 140) o destino dos bem-aventurados que o Filho de Deus colocará à sua direita (Mat. 25, 31-40), mas completamente omite o trecho relativo nos precitos que serão colocados à sua esquerda, o qual reza : "Apartai-vos de Mim, ,na/ditos, para o fogo eterno, que foi preparado para o demônio e ,,ara os seus a11;os" (Mat. 25, 41 ). :rambém aqui tem razão o Sr. Fesquet: o inferno d_esapareceu dêsse Catecismo francês.

A ressurreição da ca rne Os autores do "Nôvo Catecismo" holandês incidem na heresia de Himeneu e Fileto, a que faz alusão o Apóstolo São Paulo (2 Tim. 2, 17-18), pois dizem: "A existência depois da 111orte iá é algo 110 sentido tia ressurreição do 11ôvo corpo. Esse corpo da ressurreição não é o das moléculas, dispersas na terra, co,no ainda veren,os ,nais 111i11uciosame11te. Os falecidos começam a acordar como homens novos" (pp. 544-545). E mais adiante : "Não se trata de reconstrução de nosso corpo terrestre. [ ... ) T rata-se da consumação de nosso corpo espiritual" (p. 550) . Em que consiste êste corpo espiritual ( ou pneumático), os teólogos de Nin1ega não o esclarecem. O que ficamos sabendo sem sombra de dúvida é que êles não admitem a alma separada do corpo,

mesmo provisoriamente, enquanto aguarda o Juízo Final, segundo a clara lição da Igreja. O "Fundo obrigatório" não fala em ressurceição da carne, mas simplesmente em ressurreição do corpo: "Por fim, nosso pr6prio corpo é obíeto de uma atenção nova: santificado pela água do Batis1110, pelos Sacramentos, expri111indo nossa oração e nossa caridade, é corpo de filho de Deus, chamado à g/6ria da Ress11rreição no mundo que há de vir (p. 125). Considerando que os autores não admitem a alma separada do corpo, não estaremos aqui diante' do "corpo espiritual" ou pneumático dos "homens novos"? Tudo leva a crer que o " Fundo obrigatório" também neste ponto segue a linha dos mestres neerlandeses. Mesmo porque fala num misterioso "Mundo nôvo", "senz lágri,nas, nem dôres, ne,n pecado", que "iá começou e se prepara at11al,ne11te'' (p. 125), e que muito se parece com as utopias milenadstas e com as elucubrações gn6sticas, evolucionistas e social.istas do Padre Teilhafd de Chardin.

O Sacrifício da Cruz Vejamos agora como ao "Fundo obrigatório" fepugna dar a verdadeira noção do Sacrifício do Calvário. Partindo do fato de que a Morte e a Ressurreição de Jesus Cristo são dois aspectos complementares de um mesmo mistério, saltam sofisticamcnte os autores para a seguinte conclusão: "Terse-á portanto o cuidado de iniciar as crianças 11esse senso do Mistério da Páscoa de Jes11s, ligando os dois aspectos sempre que se tratar da Paixão e da Resurreição 011 que 011vir111os Jesus dar o sentido de sua vida" (p. 121 ). E insistem em que as crianças "têm uma gra11dlssima tlific11ltlade em dar seu sentido exato à expressão evu11gélica "Jesus faz a vontade do Pai", aplicada à Paixão. Quando o Pai lhes é apresentado como aq11êle que dese;a a morte de seu Filho, a afirmação suscita nelas quase sempre a imagem do pai-carrasco" (loc. cit.). Mais ainda; pelo fato de Nosso Senhor Jesus Cristo haver dito: " [Minha vida] 11i11g11étn Ma tira de Mim, mas E11 por Mim mesmo a do11" (Jo. 10, 18), argumenta.m os autores do "Fundo obrigatório": "Esse po11to é do11tri11àriame11te importante, êle o é também pedagogicame11te: a cria11ça 11ão pode dar sua confiança a alguén1 que seria a seus olhos uma "vitima'\ 110 se11tido passivo da palavra" (p. 122). Estamos aqui diante de várias enormidades. Em primeiro lugar, essa de ocultar às crianças os sofrimentos de Nosso Senhor em si mesmos considerados, associando sempre a Paixão à Páscoa. Como bem acentua o Catecismo Romano, "quem q11iser saber por que ra'l.iio o Filho de Deus se suieitou ao mais cruel dos sofrimentos verá que, além da culpa hereditária de nossos primeiros pais, a causa principal são os vícios e pecados que os home11s cometeram, desde a origem do 1111111do até a presente data, e os que hão de cometer futuramente, até a consumação dos séculos" (I-V-11 ). Portanto, conforme a doutrina católica, não foi Deus Padre que desejou pregar seu Unigênito na Cruz, mas a êsse desígnio O levou nossa maldade, de modo que o ensino do Catecismo tradicional nunca suscitou nem suscitará nos espíritos infantis a monstruosa idéia de considerar Deus Padre como carrasco pelo fato de Deus Filho satisfazerLhe a santíssima vontade no Calvário. Quanto a ninguém poder tirar a vida do Filho de De us, porque Êle mesmo é que a deu por nós, é claro que isto não dependeu da vontade e da maldade dos homens, dêsses mesmos que O odiaram sem motivo (Jo. 15, 25) , e nem Lhe tira a passividade com que Ble, Vítima inocente, expiou todos os nossos crimes: "Foi oferecido [em sacrifício] porque Ele mesmo quis, e não abri11 a suá hôca; como uma ovelha q11e é levada ao matadouro, e como um cordeiro dia11te do q11e o tosquia, guardou si/ê11cio e 11ão abriu sequer a sua bôca. [ ... ) Porque Ele foi cortado da terra dos vive11tes; Eu O feri por causa da 111aldade do me11 povo" (Is. 53, 7-8). Por que oão oferecer às crianças essa verdadeira imagem do Filho de Deus, vítima dos pecadores? Serão elas imunes ao pecado, para que não as convidemos à compunção diante da Paixão de nosso Salvador?

O que fazem os autores tanto do "Nôvo Catecismo" holandês quanto do " Fundo obrigatório" francês é repet.ir a velha e desmoralizada visão gnóstica do "Cristo glorioso", em uma tentativa de apagaf da mente dos fiéis a figura ensanguentada de Cristo crucificado, como se houvesse contradição entre os tormentos da Paixão e o triunfo da Ressurreição. ~ repúdio do Sacrifício da Cruz, da imolação expiatória, da necessidade de sofrimentos e da Paixão e Morte de Jesus Cristo tira o vefdadeiro sentido da Redenção, o que é muito coerente por parte dêsses criadores de uma nova religião em que é negado o pecado original, e em que o futuro dos homens não é dado pelos Novíssimos, mas pela mágica da "Evo/11ção criadora". Para essas mentes doentias, o essencial da Páscoa, realizado na comunhão ou ágape, vem a ser a promessa da "verdadeira vida e felicidade" (p. 121 ), o "penhor da vida nova à qual sornos chamados" (p. 125), a certeza do sucesso ( p. 124), da instauração de um "M1111do nôvo" sôbre a terra, "seni lágrilnas, ne,n dôres, nen, peca· do" (p. 125), com eliminação de tudo que possa impedir a fraternidade universal prometida pela Revolução. Nada de vale de lágrimas ou de uma felicidade extraterrena. Levantemos por aqui mesmo as nossas tendas. . . ~, sem tirar nem pôr, o "paraíso" helderiano a ser conseguido pela desalienação da humanidade, libertando-a das malhas da Igreja constantiniana, posta ao serviço do capitalismo colonizador.

Diante de quadro tão desolador, é natural que indaguem nossos leitores: depois do escândalo dado ao mundo pelo famigerado "Nôvo Catecismo" holandês, como pode uma abominação de igual porte acontecer, com tôdas as evidências de impunidade, na terra de São Lu.ís, na nobre nação dos francos, Filha primogênita da Igreja? Reconfortam-nos as repercussões desfavoráveis que partiram de elementos representativos do Clero e do laicato francês. Não faltaram protestos, nem comovedores apelos à Hierarquia e à própria Santa Sé, entre os quais destacamos os seguintes: carta aberta do saudoso teólogo Pe. Berto, ao Emmo. Cardeal Lefebvre; carta do Sr. Pierre Lemaire, diretor de "Défense du Foycr", ao mesmo Cardeal, datada de 4 de dezembro de 1968; carta-aberta do secretário da associação "Autodefesa Familiar do Oeste", de 6 de novembro de l 968, ao Arcebispo de Rcnnes, Mons. Gouyon; carta aberta do Sr. P. Fautrad, datada de 23 do mesmo mês e ano, ao Presidente da Comissão Epis<;opal do Ensino Religioso, Mons. Gand, Bispo de Lille; comunicado de imprensa do Almirante de Penfentcnyo, presidente da Renovação da Ordem Cristã, de Versalhes ; apêlo p ublicado pcla ."Pensée Catholique" (n.0 115-116, de 1968) , dirigido por várias "al,11as fiéis" a Sua Eminência o Cardeal Cicognani, Secretário de Estado de Sua Santidade. Devemos também salientar o excelente esiudo sob o título de "Um Catecis1110 forçado que não obriga" ("ltinéraires", n.0 125, de julho-agôsto de 1968), de autoria do conhecido e reputado teólogo Pe. Raymond Dulac, o qual exuberantemente prova, à luz da legislação eclesiástica, que o "Fundo obrigatório" não pode ser imposto aos fiéis, cumprindo a êstes resistir legltirnamente à falsa obrigação dêsse Nôvo Catecismo. Nesta época de fclativismo, de falso ecumenismo e de córnea insensibilidade diante do êrro religioso, será oportuno que encerremos estas notas com as impressionantes palavras de alerta do grande batalhador em favor da ortodoxia que foi Louis Veuillot: "Seria preferível tolerar 110 seio de uma nação envenenadores e assassinos, seria preferive/ nela introduzir a guerra, aclimatar a peste, entreter a forne, do que nela deixar penetrar a heresia. A peste, 11 guerra, a fom e são reparáveis e de curta duração; mas a heresia arrasta consigo, durante séculos, coisa pior do que aquêles flagelos e, ademais, perde as almas e as perde para sempre ... " (apud " Déf. du Foyer", n.0 101, de dezembro de 1968).

Cunha Alvarenga 3


ÍNDICES DOS NÚMEROS 229 A240 • ANO XX • 1970 CDB -

OS ALGARISMOS INDICAM O NúMERO DO JORNAL. "CALICEM DOMINI BIBERUNT"; NV "NOVA ET VETERA" ; VE -

Í N DICE

DOS

VIDA DA IGREJA (Ver também: ERROS E DESVIOS NO MUNDO MODERNO)

O diccito de saber - Plinio Corrêa de Oliveira: 230 Em julho o 4.0 centenário dos 40 Mártires: 232 Cardeal chileno não nega declaração aterradora que lhe foi atribuída: 233 A perfeita alegria - P/inio Corrêa de Oliveira: 236 Missa em latim: 237 Entre lôbos e ovelhas: nôvo estilo de relações - P/inio Corrêa de Oliveira: 239 Centenário do Patrocínio de São José / Mandamento -

·+

pos: 240 O Cardeal festivo ra: 240

Anronio1 Dispo <le Cam-

A SS UN TOS Infiltrações inimigas na Igreja - D . A. C.: 236 A Igreja pós-cristã e seu contra-evangelho / Para onde vai o Instituto dos Irmãos Las~ sallistas? ( 1) - João Batista da Rocha: 237 Frei, o Kercnsky chileno - Ft1bio Vidigt1I Xavier ela Silveira: 238 Fidelidade ao Santo Fundador ou engajamento revolucionário? / Para onde vai o Instituto dos Irmãos Lassallistas? (2) - João Batista da Rocha: 240

O COMUNISMO NO BRASIL E NO MUNDO (Ver também : ERROS E DESVIOS NO MUNDO MODERNO)

Plinio Corrêa ele Olivei-

Luminosa Circular sôbrc a reverência aos Santos Sacramentos Antonio, Bispo de Campos: 240

+

TEMAS DE ESPIRITUALIDADE E DOUTRINA CATÓLICA (Ver também: SECÇÕES / VERDADES ESQUECI· DAS OU VIRTUOES ESQUECIDAS)

Por que pôde o Sr. Garaudy expor suas "he· rcsias" e.m pleno congresso do PCF? Alberto Lttit 011 Pies.ris: 232 A posição da TFP ante a vitória marxista no Chile - Plinio Corréa de Oliveira: 238 O Cardeal festivo - Plínio Corrêa de Oliveira: 240

A CONTRA-REVOLUÇÃO NO BRASIL E NO MUNDO

Via Sacra - Plínio Corrêa ele Oliveira: 231 Relendo textos esquecidos - Ata,wsio Auber· tin: 232 (Sem título] - Patlre A111onio Vieira: 233 Um só patrão e todos prolctádos: ideal socia-

Lembradas pela TFP as vítimas do comunismo no Brasil e no mundo / Missas em 23 cidades, com sufrágio especial pelos bra-

lista / Dirigismo estatal: favorável ou nocivo à livre iniciativa e à dignidade humana? / Diálogos sociais (4): 234

Entregues ao Papa os abaixo-assinados / 2 milhões de católicos contra a infiltração esquerdista: 229 SOS de milhões. i\ mala pequena. "Tudo normal", - Pli11io Corrêa de Oliveirll: 229 As TFPs da Argentina, Chile e Uruguai e os Jovens Cristãos Tradicionalistas Colombianos contra os profetas do ateísmo Gustavo Antonio Solimeo: 230 Aplausos ao Presidente Médici: 230 Interpelados na Colômbia, poc "Credo' '. os Padres de Golconda L11it Sérgio Solimeo: 231 E m Juiz de Fora. 200 contra 27: 233 Diretores de "Vers Dcmain" visitaram a TFP e "Catolicismo" : 234 Muito visitado o stand da TFP: 236 TFP argentina contra os progressistas e os falsos moderados: 237 O porquê dêslc número: 238 A posição da T FP ante a vitória marxista no Chile - Plinio Corrêa ele Oliveim: 238 Análise. defesa e pedido de diálogo / Carta aberta da TFP ao Cardeal D. Eugcnio Sales: 239 Dois documentos: 239 O Bispo Diocesano exprime sua admiração pela campanha nacional da TFP : 239 Eleições chilenas: TFP esclarece e alerta a opinião pública - Gustavo Antonio Solimeo: 240

Luminosa Circular sôbte a tevcrência aos Santos Sacramentos A nronio, Bispo de Ct1mpos: 240

+

ERROS E DESVIOS NO MUNDO MODERNO ( Ver também:

o COMUNISMO NO BRASIL

E NO

MUNOO e SECÇÕES / NOVA ET VETERA)

Dialogando francamente -

D. A. C.: 231 Uma apreciação infeliz ... - Pe. Frei l'et)(/0-

tloro de A . Chaves: 231 Pedras e serpentes para as almas que pedem pão / A propósito do "Nôvo Catecismo" holandês (3) - C11nha Alvarenga: 231 O Concílio-Pastoral holandês / Cardeal Alfrink: '"Tudo isso pode parecer uma aventura um

pouca arriscada . . . ,. - Gu.ftavo Antonio Solimeo: 232 Série de artifícios contra o "Vade-mécum do católico fiel'' - Pe. João Maria Bt1rcelonne: 232 F al,lciàs do Arcebispo de Olinda e Recife C1111ha A /varenga: 235 "O Episcopado holandês teve a coragem de assumir a rcsponsabiHdadc da (grcja-Novà" - Gusraw.> Antonio Solimeo: 236

DO S ALBERTO L U IZ DU PLESSIS Por que pôde o Sr. Garaudy expor suas " heresias" cm pleno congresso do PCF?: 232 Uma facção camalcônica: 234

De Hirnmlcr a McNamara, ou os que negam o princípio de subsidiariedade: 236

+ ANTON IO, BISPO DE CAMPOS

Mensagem do Bispo Diocesano: 229 Centenário do Patrocínio de São José / Mandamento: 240

sileiros mortos em atentados terroristas Gustavo Antonio Solimeo: 229

O P. Virginio funda a "Amicizia" cm Paris

JCOBJ: 232

Mensagem a um Imperador revolucionário ICDB] : 233 O jansenismo atacado de frcn re por Oiessbach [CDBJ: 234 O P. Dicssbach adverte com firmeza o Imperador [COBJ: 235 Não viu bem o papel das tendências na Revolução [CDBJ: 236 Acontecimentos entravam

o

progresso

da

"Amicizia" ICDBJ : 237

tos Sacr:imentos: 240

ATAN ASIO AUBERTIN Relendo textos esquecidos: 232 CUNHA ALVARENGA Pedras e serpentes para as almas que pedem pão / A propósito do ..-Nôvo Catecismo" holandês ( 3) : 231 Falácias do Arcebispo de Olinda e Reciíc : 235

D. A. C_ O celibato nos primeiros séculos da Sta. Igreja JNVJ: 230 Dialogando francamente: 231 Infiltrações inimigas na Igreja: 236 FABIO V IDIGAL XAVIER DA SILVEIRA F rei, o Kercnsky chileno: 238 FERNAN DO FURQUIM D E A LMEIOA Excelente aquisição para a obra no Piemonte JCD8): 230 4

PROBLEMAS POLITICOS, ECONôMICOS E SOCIAIS ( Ver também: 0 COM UNISMO NO BRASIL E NO MUNOO e Secções / NOVA ET VETBRA) A máquina ideológica que sabe disfarçar-se -

L11iz Sérgio Solimeo: 232 Um só patcão e todos proletários: ideal socialista / Dirigismo estatal: favorável ou nocivo à livre iniciativa e

à

dignidade hu•

mana?/ Diálogos sociais (4): 234 Uma facção camalcônica - Alberto L11iz D11 Pies.ris: 234 De Himmler a McNamara, ou 9S que negam o princípio de subsidiaricdadc - Alberto L11it D11 Plessis: 236

ESTUDOS HISTóRICOS . . ' (Ver também: SECÇÕES / CAUCEM DoMINI

81·

DERUNT)

Madona Bruna, Flor do Carmelo - Giov"'' 1'inel/i cli Oliva110: 233 São Luís Rei, glória da Cristandade / Rei, guerreiro e santo - Luiz Sérgio Solimeo: 236 0c todo o mundo êlcs acorreram para lutar pelo Papa - Guswvo A111011io Solimeo: 237 A guerra fêz de cada zuavo pontifício um herói / "Meu bom Anjo da Guarda dirigirá meus golpes e lhes dará fôrça" - Gustavo A111011io Solimeo: 239

"CATOLICISMO" ( Ver também: Secções / EscRllVEM

os

~El·

TORES)

Mensagem do Bispo Diocesano nio, Bispo ele Campos: 229 lndioos dos númetos 217 a 228 - 1969: 230 [Sem título]: 237 O porquê dês te número: 238

+

A nto-

Ano XIX

TFP leva rosários aos doentes do fogo-selvagem: 235 . Nossa Senhora sorria - IP/inio Corrêa ele Oliveira]: 235 Kcrensky: 238 D. Geraldo Sigaud e a TFP: 239 Atentado sacrílego provoca indignação: 240

SECÇÕES CALICEM OOMINI BIBERUNT por Ferntmdo f"urquim de A lmeida Excelente aquisição para a obra no Piemonte: 230 O P. Virginio funda a "Amicizia" cm Paris: 232 Mensagem a um Imperador revolucionário: 233 O jansenismo atacado de frente por Diessbach: 234 O P. Diessbach adverte com firmeza o Imperador: 235 Não viu bem o papel das tendências na Revolução: 236 Acontecimentos entravam o progresso da "Ami-

cizia

237

F.SCREVEM Escrevem os Escrevem os Escrevem os Escrevem os

OS LEITORF.S leitores: 231 leitores: 232 leitores: 233 leitores: 237

N OVA ET VETERA O celibato nos primeiros séculos da Sta. Igreja - D. A. C.: 230 Não se mata a serpente pisando-lhe a cauda - 1. ele A zeredo Santos: 232 Para o homem carnal não há paz - J. ele Azeredo Santos: 233 Laboratórios sombrios para produzir todo êrro - 1. de Azeretlo Sanros: 234 Psiquiatra de crianças opina sôbre crise - J. de A zercclo Santos: 235 Os jovens são punidos. E seus mentores não o são? - 1. de Ateredo Samos: 236 Desvirtuam com impunidade a mensagem do

Evangelho -

DIVERSOS Oratório no local da bomba terrorista: 229 TFP faz vigília diária de orações / Durante o mês de Maria, j\lnto pela bomba terrorista -

à

ima.gem atingida

Gustavo Antonio Solimeo: 234 Maio de i970: dois jovens rezam por Você - P/i11io Corrêa ele Oliveira: 234 U ma festa ao mesmo tempo nobre e popular

/ Prorrogadas até 7 de setembro as vigílias de orações da TFP - Gustavo A11to11io Solimco: 235

Da nova geração pode-se recear mas também esperar mais do que da anterior: 23-5 Consternação e protesto pelo atentado terrorista: 235

1. ele A zeretlo Sa111os: 237

VEROADF.S ESQUECIDAS ou VIRTUD ES ESQU ECIDAS A muita severidade pode coexistir com a misericórdia - Seio Bernarclo: 231 A desigualdade entre os homens é providencial - [Li.,ro cio Eclesiástico] : 232 ódio perfeito aos inimigos de Deus - [Sagrada Escritura]: 233 A desigualdade é base e vínculo da vida social - Seio João Crisósromo: 235 Abolir o direito de herança é empenho dos comunistas e socialistas Roger Garmuly - Lecio XIII: 236 A heresia anda sempre anexa à confusão e incoerência - Padre Manuel Bernardes: 240

AUT O B . ES

Luminosa. Circular sôbre a reverência :,os San-

ANTONIO VIEIRA, Padre IScm título] : 233

EXPLICAÇÃO DAS ABREVIATURAS: "VERDADES ESQUECIDAS" OU " VIRTUDES ESQUECIDAS".

GIOVAN TINELLl OI OLJVANO Madona Bruna, Flor do Carmelo: 233 GUSTA VO ANTONIO SOLIMEO l..cmbradas pela TFP as vítim,,s do comunismo no Brasil e no mundo / Missas em 23 cidades, com sufrágio especial pelos bra·

silciros mortos cm atentados terroristas: 229 As TFPs da Argen1ina, Chile e Uruguai e os Jovens Cristãos Tradicionalistas Colombianos conrra os profetas do ateísmo: 230 O Concílio-Pastoral holandês / Cardeal Alírink: ·'Tudo isso pode parecer uma aventura um pouco arriscad·a ... 1· : 232 TFP faz vigília diária de orações / Durante o mês de Maria . junto à imagem atingida pela bomba terroris,a: 234 Uma festa ao mesmo tempo nobre e popular / Prorrogadas até 7 de setembro as visítias de orações da TFP: 235 Episcopado holandês teve a coragem de assumir a responsabilidade da Igreja-Nova" : 236 De todo o inundo êlcs acorreram para lutar pelo Papa: 237

··o

A guerra íêz de c~da zuiwo pontiíício u1n hc-rói / "Meu bom Anjo da Guarda dirigirá

meus golpes e lhes dará fôrça": 239 E leições chilenas: TFP esclarece e aterra " opinião pública: 240 J. OE AZEREDO SANTOS

Não se mata a serpente pisando-lhe a cauda (NVJ: 232 Para o homem carnal não há paz [NVJ: 233 Laboratórios sombrios para produ>.ir todo êrro INVJ: 234 Psiquiatra

de

crianças

opina

sôbre

crise

INVJ: 235 Os j ovens são punidos. E seus mentores não o são? [NVJ: 236 ' Desvirtuam com impunidade a mensagem do Evangelho [NVJ: 237

,\ máquina ideológica que sabe disfarçar-se: 232 São Luís Rei, glória da Cristandade / Rei, guerreiro e santo: 236 MANUEL BE RNAROF.S, Padre A heresia anda sempre anexa à confusão e incoerência [VE) : 240 PLINIO COR!ltA OE OLIVEIRA SOS de milhões. A mala pequena. "Tudo normal''.: 229 O di,·eito de saber: 230 Via Sacra: 231 Maio de 1970: dois jovens re7.am por Você: 234 Nossa Senhora sorria : 235 A perfeita alegria: 236 A posição da TFP an,c ~ vitória marxista no

JOÃO BATISTA DA ROCH A A Igreja pós-cristã e seu contra-evangelho / Para onde vai o Instituto dos Irmãos Lassallistas? ( 1): 237 Fidelidade ao Santo Fundador ou engajamen-

Chile: 238 E ntre lôbos e ovelhas: nôvo estilo de relações: 239 O Cardeal fes1ivo: 240

to revolucionário? / Para onde vai o Jns-

ROGER GARAUDY Abolir o direito de herança 6 empenho dos comunistas e socialistas IVE): 236

tituto dos Irmãos Lassallistas? (2): 240 JOÃO MARIA BARCELONNE, Pe. Série de artifícios contra o "Vade-mécum do católico fiel": 232

SÃO BERNARDO A muita severidade pode coexistir com a mi-

sericórdia l VEJ: 231 LEÃO XIII, Papa Abolif o direito de herança é empenho dos comunistas e socialistas [VEJ : 236 LUIZ Sf:RGIO SOLIMEO Interpelados na Colômbia, por "Credo", os Padres da Golconda: 231

SÃO 'JOÃO CRISÓSTOMO A desigualdade é base e vínculo da vida social IVEJ: 235 TEOD ORO D E A. CH A VF.S, Pe. Frei Uma apreciação infeliz ... : 231


A descristianização gera a Bevolação ncgrir instituições civilizadoras e em contribuindo assim para a fonnação marista. sob o pseudônimo de "Irmão promover a raptura do vínculo religio- do contingente de intelectuais socialis- Fulano", d ifamou o sistema escolar so entre o homem ,e seu Criador. A tas que temos hoje. "Le Devoir", em de Q uebec, então confessional, cm descristianização, gradual mas rápida, sua nova linha, contava entre os seus artigos satíricos acolhidos c-01n entuda Província de Quebcc é que foi cau- principais redatores com Gérard F i- siasmo por "Lc Ocvoir". André Lausa de que se passassem nela cm 1970 lion, diretor; André Laurcndeau. que rcndcau encorajou-o a reunir cm lias desordens revoltantes e humilhan- morreu relativamente jovem; P ierre vro suas sátiras. O livro., publicado tam, e a nós também nos perguntam: tes para acs quais não teria havido cli- Laporte, que entrou mais tarde na por '"Les Editions de l'Homme", do como isto se tornou possível cm nossa ma cm 1950. politica e teve o fim trágico que se já citado Jacques Hébcrt, sob o título Província de Qucbcc? quem teria penA eliminação de Deus das lcgis.. sabe. O d iretor atual, Claude Ryan, de ;, As insolências do Irmão Fulano", sado nisso hâ mcno.~ de uma geração? lações, das relações en tre os Estados, segue igual o rientação. teve grande difusão, contribuindo pafi. que, de fato, o clima social e reli- da vida pública. das associações, dos Jacques Hébert fundou por essa ra criar um clima favorável para a gioso de hoje não é mais o mesmo de sind icatos, das escolas e universida- época o semanário "Vrai", soprado d issolução do Conselho de Instrução há -0-intc anos. Nestes vinte anos, nos des não pode ter senão efeitos pernipelos mesmos ventos. Pública e para a eliminação dos Bisdez últi mos sobretudo, nossa Provfo .. ciosos cm todos os setores da vida Um outro intclcclual de esquerda, pos da nova estrutura escolar da Pro• eia mudou de fisionomia. tlouve social. Léon Lortie, figura marcante da Uni- víncia. Bste Irmão marista é Jean-Paul progresso material, concordo, mas do versidade de Montreal, criou cm 1953 Desbien. atualmente redator-chefe de ponto de vista espiritual e moral, que Alguns nomes: o /11stitw Ccmculien de.r Afjaires Pu- ;'La Prcssc'\ o maior diário do Canadeclínio, que decadência! Trudeau e outras bliques, o nde se encontravam jorna- dá francês. E isso não foi espontâneo. Roelistas da mesma tendência : André dores talentosos empregaram sua ha}hí alguns nomes ligados a esta Laurcndcau, Gérard Filion, Pierrebilidade, sua influência e os poderosos A paganização das meios de que dispunham, para desa- obra de descristianização, chamada -Elliott Trudcau, Jacques Hébert, por êles de "emancipação". A ár- Louis Gagnon (o qual tinha já apoia- instituições creditar nossas 1.rndições cristãs, nossas instituições católicas, para ridicu- vore venenosa foi plantada, regada, do publicamente os dirigentes do ParEm 1960, os precursores que menlarizar nossas práticas religiosas e o cuidada, por homens que colocaram tido Comunista Canadense) , etc. zêlo -eom que se procurava salva .. a serviço desta obra íuncst? sua pena Em 1956, num congresso dêsse cionamos, e outros mais, já hf!viam e sua palavra em jornais, em revis- Instituto reunido cm ~ainte Adclc preparado o terreno para mudanças guardar a pureza dos costumes . profundas na Província de Qucbcc, a tas, no rádio e na televisão. Que não foram poupados ataques contra utilizaram para o mesmo fim suas as instiluiçõcs da Província de Que- começar pelo sistema escolar. A eleiDuas espécies de c;ulpados cátedras de ensino superior e seus bcc, sobretudo contra o sistema cs.. ção daquele ano serviu a êsscs objetivos, conduzindo o Partido Liberal cargos nas centrais sindica.is. Alguns Prenderam-se pessoas, especial- dêsses homens ocupam hoje postos colar confessional. Os Bispos da Pro- ao poder, pela primeira vez desde a víncia eram ex officio membros do mcnlc jovcns1 envolvidas nessa ex- de alta responsabilidade no govêrno, segunda Guerra Mundial. plosão de violência que chegou até e têm que enfrentar monstros que êlcs Comité católico do Departamento de Os membros mais influentes do o assassínio. Tais prisões eram ne- rejeitam, mas que êles mesmos con- Instrução Pública. Os congressistas nôvo govêrno foram , juntamente com de Sainte Adclc trataram-nos de inepcessárias, sem dl1vida. Tolerou-se mes- tribuíram para cngrcndrar. tos cm matéria de educação; os pais o "Prcmicr" Jean Lcsage, Paul Gérin· mo excessivamente a sul>v1..:rsào orgaOs primeiros golpes contra as ins- foram classificados como incapazes Lajoie, Rcné Lévesque e Pierre Lapornizada. Devia-se ter colocado a FLQ tituições cristãs e tradicionalistas da de escolher judiciosamente o gênero te. l?.lcs não perderam tempo. Come(Frente de Libertação de Quebcc) foProvíncia de Quebec foram dados por de escola mais conveniente para seus çaram logo a fazer propaganda cm ra da Jei desde as suas primeiras bom"Cité Libre", revisla fundada por vol- filhos. Quanto às autoridades públi- tôrno do projelo sôbre a educação bas. bem antes de que ela chegasse aos ta de 1950. Seus fundadores e direto- cas, foram julgadas inco1npetcn1es, apadrinhado por Gérin-Lajoic, e do scqi.ícstro~. res por muitos anos foram Pierre- inertes, corruptas. Mas não se limpa um terreno d e Elliott Trudcau e Gérard Pellcticr. Seguramente, êsses veredictos não suas árvores venenosas investindo Trudeau é hoje o Primeiro-Ministro eram de natureza a fortalecer o resapenas contra os frutos peçonhentos. do Canadá, conduzido a êsse pinácupeito à ordem, às leis, e à autoridade A onda de terrorismo - a qual sa- lo nas asas da grande imprensa, fôr. cm todos os seus escalões. cudiu certos elementos emburguesa- ça tornada tão poderosa, que poderia Para fornecer a êsscs roedores indos que davam de ombros quando os quase fazer canonizar um demônio. aler1iívamos contra a invasão do co- Gérard Pcllcticr, Ministro no Gabi- telectuais de nossa cristandade mais um local de encontro e mais um órmunismo, contra a subversão que se nete do mesmo Trudcau, é quem, gão de propaganda, Pierrre Dansercau infiltrava por tôda parte e conquista• como Secretário de Estado, faz a li- fundou em 1956 o " Rassemblcmcnt", va os espíritos - a chaga dos hippie$, gação entre a poderosa Rádio Canadá, que "Le Ocvoir'' anunciou como um a vulgaridade, o reinado do hediondo, que tanto favoreceu a ambos. e o "nóvo movimemo polítlco", e que a entronização do erolismo, o cres- Parlamento supostamente soberano "Vra.i" saudou como uma "bombo cente consumo de drogas, as contes- do Canadá. T EVE GRANDE repercussão em polític«'. todo o País a C1RCULAJ\ SÔORE A REtações e manifestações da juventude Um jornal de Montreal, de bom Os comunistas de Moscou e PeVERÊNCIA AOS SACRAMENTOS, que o contra a ordem estabelecida, são os nível literário, uLc Dcvoir''. fundado quim não demoraram a perceber a Exmo. Sr. D. Antonio de Castro Mafrutos venenosos de uma árvore péscm 19 10 por Henri Bourrassa, patriovantagem que poderiam tirar da ati- 'yer dirigiu recentemente ao Clero dessima. ta franco-canadense de renome e tude dêsses intelectuais. Pierrc-Elliott, ta Diocese (ver ''Catolicismo", n. 0 240, Sem negar a responsabilidade dos grande católico, tornou-se, a justo Trudcau, então um simples cidadão de dezembro de 1970). O egrégio jovens revolucionários que foram pre- título, o jornal preferido do Clero e sem nenhum cargo no govêrno, rece- Prelado recebeu numerosas manifessos, não hesitamos em afirmar que dos meios cultos cm geral. Mas, com tações de aplauso de Eclesiásticos e beu e aceitou um convite para ir a existem outros culpados, os quais não o segundo sucessor do fundador, êsse Moscou. Jacques Hébert foi convida- leigos católicos. Dentre elas queresão presos, porque não manipularam jornal foi tomando gradualmente uma do pelo govêrno comunista de Var- mos destacar algumas das mais exexplosivos nem fizeram violência fíorientação esquerdista, socializante, pressivas. sica a ninguém. contentando-se cm sem por isso perder sua clientela de sóvia a visitar a P~lônia. De Pequim também vieram conAssim se expnm1u o Ex.mo. proceder -a lavagens cerebrais, cm deprofissionais liberais e Eclesiásticos, vites para viagens à China Vermelha. Revmo. Sr. D. FREt C,\NDIDO MARIA por conta do govêrno chinês, para BAMr1, O. F. M. Cap., Bispo titular Trudcau, Pellelicr, Hébert, Filion. de T ios e Auxiliar de Caxias: Mao Tsé-tung julgava, com razão, "A cabo de receber 110 "'CatolicisS LEITORES de "Calolicismo'' já conhecem o pujante moque isso representava um valioso in- mo" ,, sua luminosa Circular sôbrc " vimc.n to dos P élcrins de Sa.i nt Michel, bem como seu combavestimento publicitário. E, com efei- revcrênci<t aos Santos Sacramentos. tivo joroal "Vers Demnin" (ver. "C1tolicisn10·•, n.º 234, de to, os relatos dos viajantes, se nâo Se todo o Episcopado assim pe11u,sjunho de J 970). Os Peregrinos vêm conduz.indo no Canadá, em defeforam uma aprovação lota! do regime se e agisse, como já se falia 110 Ponsa dos princípjos da civilização cristã, uma Juta meritória e t.-aTlto mais comunista chinês~ foram ao menos ti/icculo de f>io XI? Mas quantos "c<1árdua quanto a infillração comunista está em franco progresso nas descrições complacentes do que êles 11es muti" que não sabem ladrar! r')lais diversas esferas da vida caruideosc, inclusive certos setores da haviam visto e ouvido. Reportagens Igreja. [ . .. ] F<1lei de casos da maldita e c,o mo essas têm por efeito debilitar a nojenta moda feminina. Houve uma animador ver que na imensa nação do norte vão-se engrossanoposição ao comunismo, embotar a paróquia cm que o Sacertlotc negava d o também as fileiras daqueles que lutam pelas tradições cmólicas, combatividade dos que militam con· a santa Primeira Comunhão lls me· como bem o atc.1 a o congrcs.,o nacional dos Peregrinos de São Mitra êle, e entristecer profundamen te ninas que fôssem conumgar de vestiguel, reunido na cidade de Asbestos cm sclembro do aoo passado, con1 as almas que sofrem sob o jugo ver- do comprido, como sempre foi cosa partici1>ação de mais de 2.000 pessoas. A Sociedade Brasileira de Detume. . . E o escândalo para a melho. fesa da Tradição, Família e Propriedade fêz-se repre:.crttar nesse certame, onde, numo tocante cerimónia, foram t:roc-ados cstandar1cs de O mcsm" bando de intelectuais moci<ladc e também para adultos, proveniente tlt,s ,liras modas?! a mb:is :is entidades. A TFP ofertou 1ambóm u~• j(\'ia para adornar a de esquerda beneficiou-se largamente imagem peregrina de Nossa Senhora. de Fátima, venetada oa capela Excia. Revma., o Divino Espírito de convites para ocupar os microfones da sede central de "Vcrs Demain". , Santo o ilumine e forMlcça no S{lnto da Rádio Canadá. l?.lcs podiam procominho da vertladeº. ceder assim à lavagem cerebral de Transcrevemos 11cs1a página um importante arligo do diretor de milhões de canadenses cm seus pró•;vcr.s Ocmain'' , Sr. Louis Evco, no qual se ap0ntam d e forma clara, "Li com satisfação ime•isa esprios lares, e prepará-los para aceitar creveu o Rcvmo. F1tn1 CELt!STINO precisa e corajosa, as origens da grave crise revolucionári:"l que atravessa o Canadá. as futuras laicizações, a rejeição de BuGL<, do Convento da Piedade, valores tradicionais e cristãos que cm Salvador cr Circular de V. Fundador e lider incansável dos Peregrinos, Lo•1is ·Even é tamConstituíam a herança de três séculos Excicr. com ,/ater de 21-X / p.p. Se11~ém conhecido comentarista político (seus comentários semanais são de vida paroquial e de educação cati a necessidade de enl'iar meus irradiados por uma cadeia de emissôras de todo o país) e escritor con1ó1ica. na família e na escola. calorosos párl1bé11s. Tudo que V. Exsagrado. Seus l_ivros sôbre o· Crédito Social toram traduzidos para diEssa nova linha de pensamento cia. escre veu na mcncionatla Circular versas línguas e circulam por todo o mundo. fêz adeptos mesmo entre Eclesiásticos é J00% ortodoxo. a/i11ado com o melhor espírito católico que ,leveda e Religiosos. Assim é que um Irmão

D

IANTE DOS ATOS de violência, do seqüestro de µ-:rsonalidades sobretudo, que supreenderam, assombraram, horrorizaram a população canadense., dando a nosso país um renome mundial bem pouco lisongciro. muitos se pergun-

projeto de nacionalização das emprêsas de eletricidade. do socialista Lévesquc. As fôrças atéia.s e maçônicas viram nisto a sua oportunidade. O que elas não haviam podido obter cinqüenta anos antes, na época da loja maçônica "'Emancipação", deviam obtê-lo agora . Trataram de faze r as coi. sas andarem depressa. A 8 de abril de 1961 Marcel Rioux, Maurice Biaio e outros elementos do mesmo jae-< fundaram o Mouvement lai"que de Lanéue Française para apressar a laicização do sistema escolar de Quebec. Ao ato de fundação compareceram cêrca de q uinhentas pessoas. que se reuniram n um salão da U niversidade Católica de Montreal, - Universidade que osten-tava o título de pontificia e tinha como Chanceler o Arcebispo de Montreal, o qual era então um Cardeal, e corno Reitor um dignitário eclesiástico da Arquidiocese! Mas de que admirar-se hoje cm dia? O que significa ainda a palavra ..católico", mes mo para certos Padres e até para certos Bispos?

Um Cardeal que mudou muito Aliás, o Arcebispo de Montreal crn então o Cardeal Paul-Emile Légcr, versão 1961 , e não mais versão 1950. C ONCLU I NA ,Sl!XTA. PÁ(;INA.

Louis Even

APLAUSOS À CIRCULAR DO SR. BISPO DIOCESANO

O .e

sempre orientar Hierarquia e fiéis. Através do "Catolicismo" e de outros infor,nações conhecia a seriedade de ,1titucles de V. Excia. N" Circular em âprêço tenho uma evidentís.tima confirmação. Tenho a impressão de que a Diocese de Campos, cm boa hora co11/iadcr aos cuidados de V. Excia .. é o M l?LMOR REDUTO do Catolicismo ge1111í110, i111ecrcrl, do Bra.,il. Se fôsse mais perto. me candidatava a passar uns dias nesse rincão abençoado, certo ,Je que encontr(iria aju<lt, para reforçar a fé - supremo ideal da minha txistência. Peço tlescu/pas e uma grtmde bênção vara a minha vida religiosa e sacerclotal". De um leigo de Recife, o Sr. TeMÍS1"0CLES X AVIER OE MENEZES, são cslas considerações: º'Congratulo-me com V. Excia. Revnw., ao mesmo tempo em que lhe hiJ)oteco minha incondicional solidariedade, pela acertada proibição detcrmi,wda por V. Excia. Revma. ,la realização de um "cllsame11to" de "hippie.l'' (/ valdo e Heloísa), que se pretendia realizar em sua Diocese. Graças a Deus ainda existem Bis• pos como V. Excia. Revm(l. que não permitem sejam o ,teboche e a profanaç,1o levatlos para dentro da Casa tle Deus. Creio de.wwce.,sário dizer a V. E-x· eia. Revma. quanto é grande a amargura que toma conta do meu espírito, em face do que se passa at1ui e alhures 110 seio da Igreja. A minha de.rolaç,io é muito maior porque resitlo 110 territ6rio tia A rquidioce.re que rrw comu r>asror o irrequieto, itiuera1111:, tliscuti<lo e discutível D. Hélder Cámara. Peço 11 V. E.teia. Rcvma. que ore pelo futuro de minha Arqui<liocese". 5


CONCLUSÃO DA PÁG. 5

.li clescrislianização gera a Revolução Quer dizer que o Cardeal Léger de J 961 era diferente do Arcebispo Légcr de 1950? lníclizmcn1e, sim. Ele fôra conquistado pelas idéias dos ''emancipadores", voltando as costas para o passado, engaj:.\ndo'"'8C nas vias do progressismo e mergulhando num "i11con11u ,l découvrir", segundo a expressão de Gérard Pellc1icr. O trio Trudeau-Pcllclier-Hébcrl foi o primeiro a ficar surp(êso, ao mesmo tempo que foi o primeiro a saborear a mudança. e o que relata Gérard Pclletier num artigo cm "Le Dcvoir" de 24 de novembro de 1967, na ocasião cm que S11a Eminência se demitiu do Arcebispado de Montreal. Pelletier descreve o encontro do trio com o Cardeal Légcr cn, 1961, e compara-o com um outro encontro, nove anos antes. Em 1952 o Cardeal tinha mandado chamá-los para exprimir sua inquietação a respeito do que êles andava~ escrevendo cm "Cilê Libre". Sua Eminência não queria chegar até uma condenação precipitada e pública. mas colocou-os de sobreaviso. Essa entrevista tinha-lhes deixado uma desagradável recordação. e ies não mais tinham visto o Cardeal desde então. Assim, nossos três vaoguardciros da. "Revolução rr,mqiiifa" ficaram intrigados q uando. nove anos mais tarde, receberam um convite para jant;;u· c-o m o Purpurado em sua residência de Lachine. Seria para censurá-los novamente? Não. O próprio Cardeal veio abrir..Jhcs a porta e ê1c mesmo serviu os aperitivos. A respeito da conversa, escreve Gérard Pc11cticr:

"A verda,lcira supresa clêsre encontro veio <Jtt<mclo falamos sôbre os

r1os.ros problemas internos. Sem e/ávida, 116.t mesmos havfomos 1mwdul'e· â<lo no ,iecurso dêsses nove Imos. E rambém não 1,á dr'n1ida de <Jué é

mais Jcídl medir a evoluçiío dos outros tio que fl vr6pria. Mfls cvidcntemenre o Catdcol de 1961 não cn, o mesmo homem que o A rechispo ,te 1952. E o Concílio '1itula não hm1ia

va o maior número de católicos cm tôda a Commonwtalth britânica.

Diante dessa situação imensan1en-

ESçritos blasfematórios e lascivos Evidentemente, não seria o Cardeal Légcr quo,n ma opor-se à dissolução do Conselho confessional da Instrução Pública. lle,n ao contrário, êle aotcs neutralizaria a op0sição que outros Bispos haviam manifestado. A operação foi consumada pela adoção do famoso "Bill 60", e,n 1964. A despeito da preservação de coo1.ités que poderiam teõricamen!c salvar as aparências de confessionalidade, os Bispos ficaram pràticamcnle impedidos de dizer qualquer palavra a respeito dos programas, dos manuais e da orientação da educação pública. O Partido Liberal vangloriava-se da ''revolução tranqiiila'' posta cm marcha por êle na Província de Quebec. Por q ue parar? Sem dúvida êle não previa que outros a achariam de· mnsiado tranqiiila e que urn Ministro de então (Pierre Lapor1e} seria seis anos depois a vítima de revolucionários mais apressados. A paganização do nosso ensino es· tendetMi.C rllpidamcnte por todo o sis-

tema, desde o primário até o préuniversitário. A promiscuidade nas escolas e nos ônibus escolares, a indisciplina, a circulação de drogas e de literatura erótica. etc., produziram o que hoje todos vêen,: os ,costumes laxos,t a ignorância cm matéria religiosa. o dcsprêzo da autoridade paterna, tudo isso a agravar-se de ano para ano. A folia de pudor, as conversas lascivas, os jornais estud antis que rivalizam na publicação ele artigos voltairianos. blasfematórios e

impudicos. tornaram-se de tal modo comuns. que quase ninguém mais tenta deter esta vaga de podridão. Pode causar surprêsa, depois de

tudo isto, que de tais scme:iduras saiarn frutos que infeccionam e causam horror?

Sindicatos ontes rotulados de católicos

sitio intmgur<ldo . ..

À sobremesa Jfr.emos o inventá· rio, não uwis das distânc:ÍflJ' que nos

separavam, mas. pelo coutrário, das posições que agor11 nos eram comun:r. tle cOnCOl'dou em m,·rgullwr no desconhecitlo [ ... ) A vresc11ç,, da I greja ,Jevill mudar de formo, e 161/as os mmlanças ,ic <Jue êle devia ,\·er o promotor e o tmtor, todos l>s 110,•os horizontes <111c ~te devia abrir à lgrc· ;a ,lurante e ap6.~· o Condlio, o Ci1r~

,leal já os J,avit, cm,cebfr/() ou ao mellOJ' esboçtulo cm seu espírito, e f1,law1-11os " rc.rpciro sem rodt•i<>s. 1uu1ue/a noite n<•vo.m ti<: janeiro ,h· 1961 [ .. . ] Aquc/11 noite cm tachinc mar-

Demos apenas ;)lguns norncs e analisamos sômcntc ;,1lguns setores. Que dizer das uniões operárias? Sjn-

dicatos outrora rotulados de católicos afastaram -se dos obje1ivos proc1an,a-

dos quando de sua fundação, e des, fizeram-se da etiqueta confessional. 1ransformando-sc cada vez mais cm caldo de cultura de socialistas, de comunistas descobertos ou ocuJtos. Bsscs sindicatos não hesitam cm provocar greves que perturbam a vida social e servem corno treinamento para

Assim o Irio Trudeau-.Pelle1ierHéber1 já linha um alto Prelado :i

revoluções fut uras:. Tivemos até mesmo greves crimi· nosas, que não se importavam nem com os doentes dos hospitais, nem com as crkmças das escolas. Não fal tou sequer uma greve, graças a Deus curta, no serviço de bo mbeiros e na

seu gôsto, o Arcebispo que p:1storca-

polícia da m:iior cidade do Can:idá.

cou para nós uma ewpa·•.

Ajoelhemo-nos e rezemos 1e lamentável, os católicos deveriam pôr-se de joelhos e rezar. Pôr-se de joelhos e rezar diante do Santíssimo Sacramento e diante de Maria, a Mãe da Igreja. Deveriam retornar a práticas esquecidas e freqüenteme nte ri-

dicularizadas, como o rosário. Na presente crise que afeta o Canadá, e especialmente a Prov1ncia católica de Qucbec, gostaríamos de ouvir incitamentos para um retôrno a Deus. à sua Lei, aos seus Mandamcnlos. Esperávamos particularmente um apêlo dos Bispos de nossa Província à contrição pública e à oração.

ORIGEM E EVOLUCÃO

rir instrução superior e lhes assegurou

vemos conhecimento. Ah! mas tivemos dois convites episcopais para que

centes técnicas de revolução e terror ismo cm Cuba e até cm paí~ mais

se organizassem comi!és de ajuda aos suspeitos de atos terroristas que fornm

distantes.

presos e estão sem contacto com suas famílias. Caridade cristã, alegou-se.

Amém. Mas estava correto dizer com relação aos atos da FLQ, como se fêz num dêsses comunicados, que a violência foi gerada pela injustiça? Tal não parece ser, de modo algum, o caso em questão. Os líderes do banditismo da FLQ e seus principais seguidores são indivíduos cuja boa situação material lhes permitiu adqui-

º

diretor' t1:1 revista roru~,na .. Rclazioni'', acaba de publicar uma obra de interesse gcí.'tl, màS cspcci:1l01en1e par:, o mundo c;.Uólico: .. L'0SS~RVA1'0KE ROMANO: ()RI• OINI EO HVOLUZION6" ( Guid:t Edilori, 1..ibrctia Ron1~n~1. Via dei Prcfelti l6, Roma) . . O grande jornal do Vaticano nasceu cm 1861 e teve como idealizador um Príncipe P:1cclli, ~rnces1ral de Pio XII. Na mente de seu c riador. "L'Osscrvatore Romano''. bem que denlro da or.. todoxia papal, não seria um órgão 9fi. c ial. nem oficioso do Govêrno p0n1ifício. Tinham os Estados da Igreja seu jornal ofici:il. ''li Giornale di Roma''. Em 1870, c-o m a invasão de Roma pelas tropas garibaldinas. tanto "li O ior1,alc di Roma'', coino "L'Osserva1ore Romano" suspenderam suas edições. O

6

FkANCl!SC:O

1.1:0:0-:1

D. A. C.

as mais re-

Leitores destas páginas, não esperemos por vozes que se tornaram mudas. 1mploremos a misericórdia de Deus sôbre n6s e nosso país. Ofereçamos atos de reparação; mul!ipliquemos as visitas ao Santíssimo Sacra· mcoto; rezemos o rosário e peça,mos a Nossa Senhora que envie os Anjos do Céu para combatcrc1n e prccipi.. tarem no inferno os espíritos malignos que impedem o reinado de seu F ilho no mundo.

.;

S

08 O TITULO de

"SocrnOAO OE MASAS V D ERF..CHO'\ o conhecido

ensaísta espanhol Sr. 1úAN VALLET

vem de publicar um pl'Ofundo e doeumentadíssimo estudo sôbre o problem~t dn massificaç5.o do nnmdo contemp0râneo (Taurus Edicioncs, S. A., OI? GOYTISOLO

Madrid, 1969). Com 647 pâginas de texto, começa o livro por uma an:ílisc

da sociedade de lfJ'lassas. Entre várias dcíiniç6<;s citadas, detenhamo-nos na seguinU! : •·M,,ssa é o amorfo, o que mio 1em truma_, urditlura nem e:;trultir(l: é " mcr11 re1111iiio ou co11tigüitlade ,le partículas iguaiS' (pp. l 6-l 7). ·P or outras p.;lavra.'). n,ass:a é o conglomerado amorfo, a turb:1, que se contrapôe às comunidndes ou sociedndes orgãnicas~ ou simplesmente p0vo, p;_trn seguir a c lássica distinç.~o feita por Pio XII na Radiomensagem de Natal de 1944. Dcp0is de estudar ns cireuostâncias hist6ric.a s que imJ>ulsio,mram a destruição das velhas estruturas. o processo de massificaç5o no século X IX, a influência do capitalismo e do socialismo, de· 1endo-sc na análise da mass.1' como m:itéria prima da propagànda m3rxista e da luta de classes, dedic:t o Sr. Juan V:•llet de Goy1isolo especial atenção às técnicas de propaganda comercial e p0Hlica àplic;:ad:,s sôbre a opinião pública. Governos totalitários e dem<><:ráticos cortejam 3 opinião pública massificada, ao mesmo tempO que se servem dela para seus desígnios por vêzes tôrvos, Ci1~1n(lo Bernard f':,y cm seu livro "Naiss:mcc d'un monstrc; 1'opinion pu· bliquc·•. mostra o Autor como se forma assim "um mwulo eml,rutecido pelo rufdtJ de $ttll própria ,,,,init1o'' ( p. 72): o govêrno aprcscnw tendenciosamente um falo qualquer. e consegue que u {l vomad<' dos nw~·af' se desencadeie para que o 1>tóprio s.ovêrno "se;o Jorç,ulo a attwr"; exemplos agudos disso são às enormes manifestações de Pequim :i fa. vor da ajuda chinesa ao Victcong e as de Berlim que. "forç.'lr:un'' Hitler a invadir a Checoslováquia (p. 72). Entte os novos recursos postos ao serviço da massificação se acham :t modcma tecnologia audioviS\1{\I e a dos computndores da em eletr6 11ica. Todos &ses recun;os ac:-,bam por cair nas mãos do E.~tado, aumcntrmdo-lhe a eficiência como fôrça massificadora.

Igualitarismo e massificação

Jwmcm, enquamo ittw:ntor_. um poder ,le renovaçtío que ultrap,,sstr infirritumenlc :111,,s invc11fões 1 e ,,; csuí exarmnente " rair. do socialismo e do marxismo. que mio s,io siimcmlt' uma teoria comunitária tios bem·, mas uma Religião do progresso, do lwmem-,/eus~ um mcssitmismo que. J'Onha sup/tmtar ns ôlllrns religiões"

(pp. 9 1-92). · A intclig8ncia humana passou a exercer•se. não mais sôbre a realidade, que e la rejeitou como quem se livra de um p&o intolerável, mas sôbro o mundo de seus sonhos. Entre outras conseqiiências. mostra o Autor <:omo essa rebcl iiio contra a ordem natural conduz r,ara a crença. de o lhos fechados, no 'movimento da Hist6ria" (p. 164). Assim, afasta-se o homem de um bem inestimável para se en1rcgar, entre outras, a essa lamentável servidão.

A segundo etapo do massificação Arrnncadas do home.m as raízes religiosas que Ih~ dnv:1m fundame11to à estrutura orgânica e soci:\1, a segunda etapa vem a ser a masSificaç5o dês.se ser desenraizado: "A igm,ldode é um t11gôdo para o massi/icaç-tío, mos a massi/i~ C'1fiio. por ,m,1 ve.z;, igutdt1 com maior ou m enor intcnsfrltule, cxtcnsciQ e ,furação os que .i ão mas.sifkado:r. lguafor é. prcôsame11te, <1 11,re/<1 que .,·e ,.eaUw na .,·cgmula e.rapa Jo obm nwssificadoru de nosso tempo. í .. . J Tráuuufo-JJ·e de sodedtuhts lumwuas, "'"" vez ,lcstruid11 a es1rulttrt1 mel:'lfísica do homem, ao sc~r ,~s,c liherad<> de 16,1'1s ,,s suas crença.'f rcligios.as que ,uio scj,m, r11cio,wis isto é, dos elementos religiosos supm-racio11ai,t - de sm, .mbmi.,·s,io à ordem ,la 11murc1.,1. de seu conracro ,•irai com o r,•t1I nmural. e ,te seus stntimcutos e uJ·os tradiciouais, é entiio fácil submetê• .Jo ,, ,'fCJ;WUl(l fa.\'C tio /lfOCt'SSo ,lc 1110$· ,'fificaç,io. ou seja, ti um tratamento 1111iformiz.n111e, para rc(/u;}r li l11mw11frlacle ,, ituli\•ítlu<>s sc/Nlf/ldos t· ;1:u1,is, mn11;,,,,. hh•ei.r por 1mu, ,,,.g11,,i;.aç-,10 cc11trali,zm1• 1e"

( pp.

172-173). Essa massificação

implica "mio só no nil•elomento, ,,,, csumdardi1.aÇtio ;: na vulgaridmle da Jüio,wmia corpora/ e psíquict,, mt1S tmnbém e .fQbl'ctmlo ,w :mprc.•ss,io dtt libcrdmle e da i11depe11dê-11ch1 pe.fSOt1i.~' ( p. 189). Chegamos assim à meta fin:, I d:\ mnssificaç5o no mundo moderno, de que são paradigmas o tou,Uwrlsmo da t111.'ftcrhlt1dc de um Mao Tsé-tung. e o tou,liwrismo da civiUz.,1çii<> erdtica de um Marcuse. duas fomrns de inferno sôbrc a tcrr-a (p. 200).

O Direito em face do fenômeno da mosso

~

CONHECIDO escritor italiano

recursos para i.r aprender

A MASSIFICACÃO NO MUNDO CONTEMPORÂNEO

Passando a eslud~1 r as causas profundas dà massifieaç5:o, mostra o Autor, citando Brun11er, como a mais profm1d:i. del:1s é a extirpação das raízes religiosas do homem. M:1s :, c:1us.1 prin,ária in1ediata é o moderno dogma da igualdade, o qu:,I surte como efeito daquele desarraigamento espiritual Acontece que a perda das rníz.cs religiosas arranca o primeiro desap_1receu definitivamente; ao homem d:1 e.~trutura metafísica de su:t êlc deixa de estar enrJizado passo que o segundo, após alguns me- existência: a uma ordem cteriu,. O dogma da igualses. retomou sua missão. tornando-se o dade atranca-o de sua estrutura soci~I. órgão oficioso da Santa Sé. c:u-áter que destrói-lhe a estrutura org5nico.. S6 existe mais aindà se acentuou, quando, dep0is estrutura cm vinude da dcsisunldade, ''O de 1929. ou seja, após o, Acordos de f,omc~m -mass,, utío Sltrgiu .remio quando tal rão. êle nuldou suas o ficinas e es- o positivismo se combinou com aquêle cri16rios para den1ro dos muros: do Va~ imli,1idrwlis11w rac;onalisl(11 e qumulo :,e ticano. prodfltJu a total secularizoçtio do i,uliNinguém poderá ncg3r que a histó- 1·f,luo st,110 ou dtsli1:ado. Lr111tio as i,iéias ria do "Osscrvatore Romano'' auxiliará ,/e liberdade e igualt/ode ficaram rcdua comprccns.io de muitos fatos ocorri- zJ,lo.'f li uma casco 11aUa. e Q homtm dos nestes (iltimos cem o.nos. Espccial- ficou ,lese111:aja,lo umto ,lc · .ruo.r raíus me,ue quando baseada em farta docu- religio.uu como ,/e suas raízes sociais'º mentação e escrita ~om a. probidade de (pp. 87-88). Passando o homem a conum historiador competente. Un1a e ou- siderar-se rei onir><>tenle do mundo, veio tra coisa temos na história que Fron- como conSCqüê;nci:, o mito do progresso cesco Lconi nos dá do órgão oficioso indefinido. E :iccnlua o Sr. Juan Vallet de Goytisolo: "Um dos erros fundoda Sam~, Sé. mentais dos teQri~· sociais m oder,ws co11si.,1c preci:mmeulc em alribuir ao

''L'OSSERVATORE ROMANO'':

Mas se tais apelos e incitamentos chegaram a ser fei tos, dêlcs não ti-

Se não fôsse a c'3rência de espaço, muito teríamos que di;,.cr da segunda

pane do livro, que desenvolve o tema do Direito cm face do fenômeno das massas, Direito que pode ser entendido como instrumento p.1.rn ainda mais :is massificar (como correntemente acontece. nos Estados totalit:'irios). -m as também como algo destinado a tutelâ-las. perpetuando o suuu quo. ou. até 3 dcs· massificá-las. Destaquemos as partes qt1c tmtam da propriedade privada como garantia da libci:dadc, da redistribuição da rique1..a Por meio do impôsto e dos efeitos danosos da tributaç:to excessiva, que destrói essa mesma propriedade pri\':,da e também a liberdade e a justiça, Esmiuça o Au1or questões atualíssimas, como a da ch:;1m:lda dcmocr:'lcia industria.!, a da participação dos assalariados na gestão é nos lucro~ das emprêsas, a

•bsorção da direção da economia pelo poder político, o neodirigismo tccnocrá-

tico, a previdência social como proteção da massa e con,o meio de massificar. t também digno de 1101a o capítulo cm que a inflação é estudada como fenôtncno de mass.a "110 JJ't:ltlfr/o nwis /JTÚJ)rio e estrito da 11alavra" (p. 4$9). Em cS· tudo Ião exaustivo, não p()(.leria faltar uma a lusão às teorias do socialista fabiano que foi John Mnynard Keynes; tamp0ueo deixa o Autor de considerar o problema da aglomeração p<>puló\ciO· nal nas urbc.s m:1cro<::6smicas e tentacularcs, e aquêle que lhe é simétrico.

representado pelo êxodo dos camp<>s.

Do último capítulo, dedicado ao tema ''" cultura e: aJ· nws.ia.çJ•, <fc.stacamos M considerações sôbre o m'onop6lio estatal do ensino como n1eio hi$t0ricamente engendrado para implantar o igualitarismo massificador e para eliminar tô<la intervenção d:, tsrej"a na função docente. A propósito cita o Autor a atuaçáo do dócil instn1mento da Revolu~to. que foi Nap,ole:io Bon:'iJ)~tnc: "O próprio Jmpcrmlor ,leclarou "º Co11sc:Jl,o dt: Estadó, stm ârcwrl6q1Hos. q,u,. •·o objt'tfro priucip,,I do l'.\'tabelecimt•111Q de um corpt) de pro/cJ·sôres era o de dispor ,!c um meio P'"" dirigir '1J' opiniões política.t é! morai.)·" (p. 626) , o <1uc faz ver como êsse problema da massificação se acha ligado a <:ércbros peosantes que dirigem o espetáculo por detrás dos bastidores: a estrutura natural é substituída n:\ SO· ciedade de massas pôr uma mecani1.~,ção imp<>sta de c ima. Eis uma ligeira Slímula d::t inleress.1nte obr:i. fo11a e inteligcntemenlc do-

cumenlad~. do Sr. Juan Vallet de Goytisolo.

J. A. S.

MllNSÃtUO com Al'ttOV AÇÃO l(Cl.F.SIASTICA

C:1mJ)Os -

F..s1. do Rio

Dil'etor Mons. Antonio Ril>ciro do Rosario

Olrc10ri:t: Av. 7 de Setembro. 247, cnixo p~l::11 333, C.arnpos, RJ. Ad.mlnistr:1~:ío: R. Or. Martinico Pl'údo, 271 (ZP 3), S. P:tulo. Attcrlle p:.lm o F..)1.tdo do Rio: Dr. José de Oliveira A11drndc, caix:, posl::il 333,

Campos. RJ; A&entc J>~•r•• o.s ~iado.s cJc Colás, Mnlo Grosso e Mln:u Gerais: Dr. Milton de Sullcs Mourão. R. Pílrniba, 1423. telefone 26--4630. Belo Horizonte; Agente p11ra o f:stado dn Cu:mab:ir.a: Dr. Luí.s M.

D1111ct111, R. Cosme Velho, SI S, 1clcfonc 245-8264, Rio de J:mciro: A,:tcnlc p:ml o t~ 1,1do do ~+ar.'i: Dr, José úcrnrdo Ribeiro, R. Senador Pompeu. 2J20-A, Forrnlei:.1; Agtnles p:11::t a ArJ;:cn1h1:1: ..Trndici6n, Famifüt, Propicd:td'". Casilht de Corrco n.0 169, C:1,pi1nl Federal, Aricnlina: Agente para :1 fu1~2nh:\: José M:1rí:t Rivoir Gómez, ap:irrndo 8 182. M,,drid, Espanh:;1, A.,;sím1lur:1s: :mn:1is: eon\urn CrS 15,00: cooperador CrS 30.00: be:níeitor CrS 60.00: gr:indc bcnfeilOr Cr$ 150.00: scminndstas e estudante.~ CrS 12,00: A1nérica do Sul e Ccntr~I: \'ia m::1rhima USS 3.SO; via aérc:i USS 4,SO: ouuos países: vfa nm· rítima USS 4.00: via 3éren. üSS 6.SO. Vtnda avulsa: CrS 1,50.

Os 1>agn.mc1uos. sempre cm nome de Edl-

tôra Padre Bckhlor de 1•onrcs SIC, podct:io ser cnc:uninhados i\ Adminism,ç:io ou noi; :1,gcntes. A corrC$pondéncia relativa n C1$$in:1turas e \'t1,dn :wuls::1 deve ser enviada ?! Adminislrãç.lio. Para mudança de endcrêço de n.ssinan1cs. é nece.~'irio mencionar rninbém o cndcréço nn1igo. Composto e imptt.\.."W na Cha. U thographka Ypir.1nx2

R. C:tdcrc, 209, S. Pauto


CÃllce<n OM O DF.SAPARECIMENTO do Padre Diessbacb, as "Amicizi.e~' perdiam o Stu fund.ador antt-s de cer êle consegujdo pôr em execução todo o pta110 que coucebt-ra para combater a Revolução nas idéias. O que reallzara fôra pouco em comparação com o muito que projetara. As "Amí-

.....

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..\~~ -R· ...

PRECIOSA CONQUISTA DO APOSTOLADO DA ''AMICIZIA''•

citie" instaladas eram aptnas os alkertcs de um grandioso edifício, e mesmo o.lgumM dela.~ coiuo a de Turim, já tinban> a sua própria e:dstêncía a.m ençada pelas dificuldades cada vez maio.. rcs que enfrenL1vam com a inYasão do exército traocês e a conseqüente propagação dos CITOS revolucionários. No entaoto, onde ê.fles ainda não tinham conseguido penetrar, os sodalícios prospe.r avam, o que não deixava de ser um sinal promissor para a contlnuidade da obra que cust:an:l tantos sacrifícios ao Padre Diusbacb. Stu herdeiro e succs.,çor c-ra o Padre Luig.i Virginio, que, como vimos, desde 1785 estava em Paris, para onde fôra com o objetivo de fundar a ''Amlclzia" que deveria ser o modêlo de tôdas as outra.,. A Revoluç,ão Francc-sa dcs-truíra tudo o que êle chegara a realizar o esse sentido, e muitos dos seus dlscipulos com.batiam valentemente nas fllclras da contra-revolução, t<ndo alguns dêl•$ Já coibido a palma do martírio. O Padre Vlrglnlo não os abandonan. Permanecia na França, escondido, animando--os na resistência t auxiUando os Sacudotes fiéis que, vivendo na dande-stinldadt"t continuavam a cui• dar das nlmas e tentavam organizar movimenlos de reação conlra a barbárie que, pouco a pouco, ia dominando o território francês.

Alguns mcs•s dtpob da ,norte do Padr, DJes.,bach, o Padre Virginio chegou intSpeoadamcnte à Viena. e tomou as rédea, de tôda a organização. Foi providencial, pol$ o Padre S.lneo della Torre, que a dirigira nesse interim, entrara 1111 Sodedade do Coração de Jesus em agôsto de 1798 •, empenhado na re..Uunçiío da Companhia de Jesus, não tinha mais tempo para se dedk.a1 à "Amiclzla., como seria nectsStrlo. O Barão Von Penclder deu ao Padre Virgfnio o mesmo apolo e a mesma colaboração que pr<$1ara ao PadJ"e Dl.ssbath. Como ena o ad• mlalstndor da Mlnorlttaklrebtn, conetdtu-lb• a dlr<çiio dtsS& Igreja onde tinha $cde a capelania d.a numerosa colônJa Italiana de Viena. Como vA$1as regiões da Itália pertenciam ao Sacro Tm-

O

DE COMO O SR. FESQUET

CONHECIDO progressista Sr. Htnrl Fesquet andou rectntementc pelo Brasil como enl'iado esp«:lal de ''Le Monde," . Os resultados de suas observaçoe$ êlc os conden, sou em uma série de quatro artigos publicados naquele jornal parisiense, ediçõts de 8 a 11 d< setembro do ano pas,uido, sob o título ger::ltl de "A Igreja Calólka no Brnsil". Per«be---se que o Sr. Fesquet, dócil à.ç dirctrb:cs emanadas daqueles a quem serve, "viu" o BrasU de acôrdo com um esquema qut trouxe em sua bagagem e que i aquêle mts-mo que uLe Monde" e demais órgãos progressistas aplicam para espalhar pelos quatro pontos cardeais uma l'lsi<> defom1ada a respeJto dos problemas dos povas, ditos b'Ubdesenvolwldos.

PINTA O QUE VIU NO BRASIL

Oe um lado o jornalista francês enxergou va .. rões apostólicos, consumidos pe.lo m.ais ardente zêlo para livrar da miséria as vUi.ma.~ dês-;c moos• tro que é. o capitali$1)1.0 colonh:ador. Entre êstes se destaca em primeiro lugar o Arcebispo de Olinda e Recife, cuja b umjlde vida de asceta cor· re entre ter-tíveis ~rigos; r epresentados pelos mais sanhudos adverririos, sob os olhares fodi!ercntes de um Govémo ultncomprometido com os vora7.tS saogue..sugas das chamadas classes conscnadoras. Outro colosso é D . Fragoso, Bispo de Cratéus, que enl melo às mais insuportá· veis pressões ~ mostra lnfatigAvel na faina de livrar seus diocesanos dos flagelos endêmicos da fome, dn sêc.a e da miséria, usando como arma das mais eficazes a niágka das "comunidades de base''· A última figura-$imholo citada 1)4!l0 Sr. Fesquct é "D. Jorge Marcos, Bis po de ltabira no E,çtado de Minas GerJls". Aqui, de uma só c-ajadadn o c.nviado cspcci.a.l de uLe. Monde" mat.i dois coelhos, pois confunde D. Marcos Noronha com outro Prelado progressista, que é o Bíspo de Santo A11drc\ no &1ado de São Paulo. Do outro lado se acham os conservadores e em posição extremada os "integr1stas". Diz o Sr. Fesquct: ºJulgar o Episcopado do Brasil atrawés de l). Hélder Câmara, de O. Fragoso ou dt D. Marcos seria tiio errôneo quanto julgar o da Itália através do Carde.a i Lercaro ou o de Por• lugal pelo Bispo do Pôrlo, há lcmpos txil•do por $aluar. A verdade obriga a du.er que, ape..

J)ério, essa colônia não enl s6 collS'titu.ida ptlos que tinham emigrado para a Á~ria, mas tam• bém por funcionários italianos que e.ram obrigados a residir em Viena ou ir à capitaJ em wir• tude de seus cargos. Por outro lado, a nobreza austríaca tambfm freqüentava a igreju da capclania, pob estava na moda nssisti.r a pregações em italiano.

Muitos outros Sacerdotes da "Amldrla'' cxerclam o ministério na Minorilcnk.ircben · e es· colhiam entre seus freqüentadores os. rucuros membros da sociedade.• Uma das melhore.s con· quistas dêsse apostolado roí o Marquês Pio Filippo Gblslieri, n atural de Bolonb.a, que iniciava em Viena sua carreira dJplomátlc.a. Ainda mui.. to jovem, prestou logo relevantes serviços ii "An1icizla". Em 1800 morreu o Papa Pio VI e o Sacro Colégio reunido em Veneza elegeu para o s61io ponlificio o Carde.a i Ch.la.ramonti, qu.e tomou o nome de Pio VII, O Imperador nomeou o Mar· quês Gbl$1lerl Mlnlslro da Áusirla junto il Santa ~. apesar de sua pouca idade, e o enviou ime .. diatamente para Veneza a fim de regulari2.ar vai· ria$ qucstõcs desagradóvtis que a desordtm J)l'ovocada pela Revolução Fnncesa fizera surgir entre a Santa 8' e a Austrh. Embora não se tenha entendido bem com Gbisllerl nessa opommlda dt, o Cardeal Consalvl, Secr,tárlo dt Estado do nôvo Pontí.f lc~ não deixa de o elogiar em suas mem6rl.as, rendendo home.nagem à sua piedade e hon~tldade:. Em 1801, Já cm Roma, para onde aeomga• nhara Pio vn, o jovem Marquês prestou nials um assinalado se,rvlço à "Amkizia". O Santo Pa .. dre nomeara Núncio na Áustria Monsenhor An• tonio Gabriel ScveroU, um '"zelante". Nessa Nu.nclatu.r a iJe se distinguiria por sua tenaz resistência ao josefb,:no e, ma.Is tarde, por sua Op()$lçiio à pol[tlca do Cardeal Consalvl. Só tm 1816 Se.vtroll deixou a ÁU$1:rla, por ter recebido o chapéu cardinalício; no Conclave de 1823, reu.. nido para cl~tr o Sucessor de Pio v n , êle não rol eleito Papa senão Porque a Áustria vetou o seu nome. Quando teve conhecimento da designação do nõvo Núndo cm. Vlen.a , o Marquês Chis-Ueri pro.. cu:rou-o e lhe rtl'elou a existência da "Amki:da", indkou pessoas que a ela pertenciam e recomendou multo o ~Pa dre Virglnlo, chegando Até i:a

sar de seus Imensos méritos, da ertc4da de seu método t do temor que êles inspiram ao Go.. vêrno, ~es Bispos pesam med.i ocrcmcntc na balanta". Quais strlam os elementos rutmente llúluentes do E'piscopado Brasllclro, stgUodo o enviado de. "Le Monde"? Os d.uco CardeaJs, apre.«ntados como nitidamente co~n-adores:. "os Cardeais brasileiros constituem uma fôrÇa sólida, sempre cootemporb'.adora, que a proveita. ao Gowêmo. Em certas ocas-jões colocam a Conferência Episcopal diante do fato consumado". Ao lado de uma "imensa malorla de moderados", sempre secundo o Sr. H enri Fesquet, "uns trinta Prelados fora:m tocados pela graça do Vaticano n, e uma viutena de utcnconserva· dores travam um combate que nio é sõmentc de rtta20arda". D. Antonio de Castro Mayer é citado como figura representativa entre êstes úl· tlmos, acre.s«ntando o articulista que o Sr. Bispo de Campos •'não esconde suas simpatias pelo movimento Integrista hSociedade BrasiJeira d• Defrsa da Tradição, F amilia • Proprlcdadt" (FTP)" (como st l'ê., dtando embora con-etameu~ te o nome da sociedAde, o Sr. Fesquct não re.. s.istc ia: teotatão de adulterar•lhe a slgla).

Ao traçar o quadro geral da situatão reli· g:iosa no Brasil, não poderia o jornalista de ''Le Monden deixar de se referir à TFP. A primeira alusão vem no meio de uma entrevista com certo Cardeal, que o Sr. Fcsquet achou prudente conservar no anonimato. Sc-gundo o Sr. Fesquet, uo movimento Tradição, Família, Propriedade" inquieta o Purpurado anônimo "por su.as posições integristas, do mesmo modo que êlc conde· na as alív'idades do tbamado ~quadrão da morte (grupo dt- ativista,ç de extrema direita), mas toma nil.idamenlc suas db.'tâncias com relação à •'conrusão político-religiosa'' de que são culpados, a stus olhos, os Dominicanos de São Paulo". Note-se o modo ltndcncioso e brulal como o Sr. Frsqurl coloca n T FP no Indo do ugrupo de ativistas de extremo direil.a"' que, se· gundo êleJ constitui o "F,,s4uadriio da morteº! e mais ou menos essa g objetividade coo1 que o Sr. Hc.nri Fcsquet raia da TFP - e do Prcs"idente de seu Coo.ÇeJho Nacional, o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira, de quem obteve uma

J)O(OJt'll 13JBeJiUNT. propor a Monsenhor SevtroU que o cscolbcsse como confessor. Cbegáudo a Viena, St:veroli pr~urou o Pa. drc Virginio e, se não o tomou como conressor, é certo que f~ dêle um dos seus conselheiros mals ouvidos. O Pe. Ca.odido Bona, em seu Ji.. vro sõbre as '' Amlci:r..ien, reproduz alguns tre.. chos das memórias dêsse Núncio, pelos quais .se pode constatar a inOuênda que o suces.wr do Padre Dlessbach chegou a ter na Nuncintun. Conhecendo a nç.ã o dn maçonaria no processo revolucionário e tendo a nalisado detidamente os meios usados por ela para agitar a opinião pú .. blica na França. o Pad.re Virginio prestou muitos serviços a Monsenhor Seve.roU. prevenindo-o contra as manobra., da seita oa Ausl:ria. O seguintt tttcho das memórias do Núncio, d tado pelo Padre Bona, mostra a que pormenore.,- che• gavam as suas infonna('~s: "Conversei com o Padre Virglnlo sôbre as quest~ t<lt<iás1i<2S. tlc me advertiu de que hoje deve haver um.a reuni.ão dos iluministas. Essa suspeila pro,.ém do fato de ler observado nas praças e nas ruu sinais uniformes espalhados àQui e acolá. Eram pedras polidas. Em Paris êsscs sinais eram da· dos por bJJbetts tin branco atirados nas ruas, às vêus números brancos pintados c.m muros, etc."

A amizade tom Monsenhor Severoll aumtn· tou o ascendente do Padre. Virgin.lo sôbrc a colônla UaUAna e lhe franqueou as portas do pa· t,cio da Princesa Rospig,JJosl, freqüentado pela nobr•za emigrada da L.oml>Ardla e da T<>s<ana ocupadas por Bonaparte. Pade assim pcr«ber que novos campos de apostolado se- a briam, so.. bretudo na T oscana, tanto mais que, dePols da batalha de M.a rengo, Napoleão procurava captar as boas gnças dos cat6lkos, acenando com a pos.. sibilldadc do rcsiabeltdmtDlo do culto na França e nas ttgiõt.s UallAnas por e.la conquls1ada.s. Por outro lado, viu que as drcunstâncias poHUcas tomavam premente a necessidade de p ~ pa,. ra o Padre Laottrl a direção d a.1 u AmldzJe" llallanas, das quals a mais importante era a de MUão (pois o Piemonte, a Lombardia t a Tos. cana estavam sob o domínio francês). T ôd.as esAi raiõts o levanm a vollar a se:r um •'misslonlirlo" e a partir para a IU.Ua.

Fernando Furquim de Almeida

entrevista - ao longo de mal$ de um têrço de sua segunda reportagem, intitulada '-'Conse-.rvado.. res e lnlegristas'', A "objetividade"' do repórter se nu1nifesta através de lronlas, sarcasmos, insolên• das. Umas e outras niío merecem mais do que ~a mençiio. O artigo publkado tm ''Le Monde" de 10 de setembro ocupa-se da •'exploSi.o das seHa.~' que procuram conqul$tar o Brasil. Aplic-.a-se o Sr. Fesquet em pintar o quadro com côres mais ntg:ms do que as da reaUdadc, e sobretudo cala o falo de que os dislates do progros:sismo e o ecumenismo "à outrance" tim boa. parte de res• pon.<abllldadc nos perda$ que a Igreja lem lido entre nós.

A última das repor1agens e.ncomendadas por "Le Monde" b -:ata do tema ger.al dos "Cristãos 1><rsoguldoo~. ACO, JOC, JlJC, MEB, Ação Popular, "para os quais a eva.ngclização passa pela promoção humana'', seriam exemplos dt ''movimentos esma&ados''. Ma.ç o Sr. Fe.squct, como membro do IOOC e port•nlo adepto da Igreja profética, dt.$$Acttli:zada e desaJienada, parece vtr como sina.1 promissor o fato de que '•a cristandade sodológlca" no BrasiJ estaria ºmorta e lrrccupeclve:l''. E termlna por tndagar: ''Uma das tarefas mais urgentes não seria n de, elaborar uma ºteologia da revolução", que seja a um tempo realista e evangélica?" Depois acrescenta: "Aquêlc-.s qu e a Isso se aplicam acham que em nosso mundo cada vez ma.is csquizofrê· nico, no qual o abismo entre ricoS e pobres vai sempre se aprofundando, essa é para o Crislia· nismo a única opor1unidadc de reeoconh:nr sua fô rça oricinal''. Por essas palavras finais fica p!ltenlt haver o Sr. Fesquet tnuido cn1 sua ba• gagem não só o fio condutor de suas pesquisas, mas também um par de 6cu.1os progressistas, através dos quais enxergou às avessas a soluçiio para os nossos males, pareccud~lhc que ela não estaria cm co1nbatê-los, ma, em lançar mais lenha na rogocira da Revolução igunlitária e goóstic-.1, cujas labaredas ameaçam devorar o Bra.çil e tôda a América Latina.

J. de Azeredo Santos 7


*

1

MANOBRAS DE UM BISPO PARA FECHAR CARMELO ONDE SE REIA VA EM LATIM E

XEM.Pl.O ''éCLATANT"

que faz

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como a chamada 1/Rsmiti/ict,çiio

do ideal religioso niio vai sem verdadeiro genocÍ<Jio espiritual. .. Abom;,mble for/aif', acompanhado de delitos violentos. l! assim que o Rcvmo. Pe. Raymond Dulae qualifica os fatos um

que, sob o título de ..Doloros,, pt,ixiio ,lo Carmelo ele êle mesmo narra 0 no n, 76-77, de 26 de outubro do ano findo, do boletim ' 1Courrier de Rome''. de Paris. Parece-nos de grande utilidade dar divulgação ampla a êsse texto, resumindo seus tópicos principais.

z:·.

Te ntativa de impor uma Priora de fora O Carmelo de z., cidade do Sul da França, escreve o Pc. Dulac, tem pouco m{1is de um século de existência. Con1ava cm 1969 com de1.csscte Religiosas, de diversas idades, mas vivendo 1ôdas na h;:un\onia da caridade. A Priora em exercício chegara ao tS.rmo de seu triênio. Era necessário proceder à eleição de outra, Esta e leição :munciava-sc tão tranqüila como as anteriores. Acontece que o Mosteiro passavà pOt não ter ''o espírito do Vatican.o U ..... O que é o V,aticano Jl, e o que é seu "espírito"'? As respOstns variam. As do Cardeal Sucnens, por exemplo. vêm variàndo com o pnssar do tempQ. ~ o que se chama a '' dinâmic;\" do Vaticano li. Não se pode exigir que contempla· tivas sejam tão dinâmicas quanto um candidato à tiara. As de Z. continuavam a cantar a Missa e o Ofício cm latio,. Elas não recebiam a comunhão na mão. As Irmãs .. rodeiras" não aeolitavam a Missa no altar. A Priora não vivia cir· culando per congressos e encontros. O Mosteiro mantinha-se fiel à grade, etc •. • Segundo uma Le; dt Suspeitos mais feroz que a da Revolução Francc.s a, êsse Clrn,elo estava condenado à morte. Mas, como diz o Pe. Luchini, O. P., antes de chegar a 1al ex1remo convinha tentar um:, "tledscio meno.t dolorost1 t: uwis racional". Que dccis.ão? - A de impédir as e leições e .. . . impor1ar uma Priora estranha a êsse Carmelo. um:, Priora devidamente "rcciclad~1" que introduziria sem dor o desejado rejuvenescimento. O Mos teiro. quase unânimcmcntc, recusou. Foi sua sentença de morte, assinad:l pelo Provincial. pelo Bispo do lugar e.. _ pela Priot:l "federal'', porque o Carmelo de Z. tinha tido a simplicidade de aderir a essas "federações'' de C..'\$,1S religiosas. imprudentemente fundadas no ten1po de Pio XII. e que setor· naram um instrumento maravilhosamente eficaz par3 a obra de demolição das Comunidades, p6sto que a autoridade "federal" se supcrpóc à autoridade local, freqüentemente demasiado "patriarcal.., ··· autárquica'', cm uma palavra, autônolna e independente. conforme uma tradição milenar e benfazeja.

"Reagrupar" os Monjas para criar o fato consumada A partir da prim~vcra de 1969, o Provincial, o Bispo, a 'Federal fizeram saber às Religiosas de Z. que elas iam ser rh,t;rupadas: "Roma o havia deci• dido'', a fim de "socorrer'' ou,ros Car• meios. ·- Como não acreditar na palavra dessas três autoridades e não obe· dccer a ''Roma1 ';J Ja-me esquecendo de dizer que se linha feito também o "Espírito Santo" intervir nessa decisão: "cm s'étoit, t~n ~ff~r. assuré de sou coucours", ironiza o ·Pc. Dul;tc. Entretanto, o rumor do fechamento do Carmelo provocara enorme e.noção n:~ cid;,dc. Fêz.-se um,t petiçfto do '' Povo de Deus'• ao BispO, com milhares de assinaturas. Os "silenciosos" se n,anifestava.m, mas quem é que não sabe, a não ser os habitantes de Z., que os leigos admitidos a "participar" do govêrno das Dioceses não têm licença de falar senão aos acenos da batuta empunhada pôr certos e determinados Bisp0s?

Timidamente as Carmelirns pediram mais de uma vez. ao Bisp,o que, pelo menos. lhes mostrasse o documento de Roma que as condenava à ,mone. O Bispo contemporizava: "'Estou cspcra.ndo o Provincial. que est& no Canadá ... ·• E - isto é capital - ia-se habituan. do insensivelmente :,s infelizes à idéia de que a decisão ci-a irreversível. Pouco a pouco, uma, duas, tr~. .. iam-se rc• sigm\ndo e partindo para as várias residências que lhes eram designadas. O Mo.iteiro esvaziava-se progressivamente. Esta hemorragb "sem dor'• criava o fato consun,ado, e contribuía assim para tornar sem ra1...~o de ser um recurso a Roma; ê,S.Se rcctirso parecia, c-o m efeito, não poder justificar-se senão se o Carmelo conservasse um número sufic iente de Religiosas. Aplicou-se um zêlo particular cm fazer sair as Irmãs "rodeiras", aquelas que, como se sabe. vivem (ora da clau• sura, <iOmunicam-sc com o mundo exte· rior e são. assim. como que os pulmões do Mosteiro. O Provincial escrevia à Priora: .. A Irmã E. está muito ,,pegada li() seu Cc11melo, nws .é melhor que ela

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Desfile de Peregrinos sai da sede do movimento, em Rougemont. Junto à imagem, o estandarte da TFP, conduzido por um "béret blanc"; logo após, a bandeira dos Pélerins de Saint Michel, levada p elo representante da TFP.

sc,ill. O clinw ,fo Sul 11m1cll lhe ff.z

bem". Havia trinta e quatro anos que êsse clima não fazia bem à Irmã E . _. Quando, afinal. lhe pareceu que a trama estava inteiramente montada, o Bispo resolveu comunicar ao Carmelo o Rescrito da Congregação dos Religiosos que autorizava a supressão. Enviou às Monjas uma cópia no alto da qual escreveu, de próprio punho: uconfidcn• cial". Por que "confidencial"? Uma scn. tença de morce, decidida pelo Príncipe, pôde ser injusta. EJa nunca deve ser SC· creia. Não se faz scgrêdo senão dos asStlssinatos. Mas. ainda aqui, contidas pelo scgrêtio, as Religiosas ficavam impedi· da:t de solicitar o conselho que as podef.it orientar, cm temp0 hábil, no scntid<> <de um recurso a Romn. E li"iio é tudo. O Rescrito da Congregação dos Religiosç>s estava redigido cm latim. De mêdo de que as vítimas descobrisse[[\ no texto original alguma reserva salvadora, Mons. Y. enéarregou• -se de fazer ê1e mc>$.n\o a tradução destinada às Carmclilas. - Convém que a examinemos de perto_ ..

O desfile, ainda nos terrenos da "Maison Saint MicheJ··.

Um Bispo pós-conciliar traduz do latim Eis o texto latino do Rc,s crito romano:

~vigoré faculttw,m a S. Po111ifice trUmtárum, S. C. prQ R~lig. (. _. ], at· t<'nlis cxpôsitis. Exc. Ordiuario X, ue.. NICNE COMMITI1T Ili petitam s11ppressio11em pro ,tuo ARBITRJO et com;cientia ad ef/tC/Um

dtductu,

SERVATIS

oe

JURS:

prnesutim quod allinet cu/ obliga1;011es prove11ientibus [sic!J ex pUs legoli!t, si qua~ Sitll, (llqtU! atl JURA ALIIS QVAl:SITA quae, prout rts postulei, illlt• gra :re"·a,ula :m11t. SERVAN01.s ,

CON'N.ARIIS QVIOUSl, 18S1' TANTIUUS" ,

NON OBS·

Sublinhamos as palavras carnclcrís• ticas: as que a tradução de Mons. Y. vai. deformar como n5o o faria um aluno de ginásio, Mas antes de apresentar a versão episcopal, vamos dnr a tradução exata:

'"Em virtude dos podêre.s conferidos pelo Sumo Pomíficc, a Sc1grada Con• grccar,io dOJ' Relig;osos [ .. _]. consit/e. rodos tos fatos) expostos, COMETE os DOM GRADO fou : bt11ig11amt11te; ou C01tse.11tc em . • , ) ao E:xmo. Ordinár;o ele X. paro que éle efetue á suprcss,io pedida (3 suprc-~ io do Carmelo) segundo seu JUÍZO e Sttll consciêncill, SENDO OB· SERVAOO O QUE SEG UNDO O OIREITO 01.!.VE SER OBSERVA()(), principt1lme11te 110 que

toca th· obrigações proveui<-ntcs ,Je /e. godos pio.r, se os t,ouvt.r, e a< u onuu-

=

terceiros], os quais, tanto quanto A MAT~RIA o exijá, devem J·er i11tegrC1/me11tc solva• gut1rdados. I sto. NÃO OBSTANTE ludo O que l1011vcr cm contrária''.

i'OS AOQUIR.IOOS 1•0R. OUTROS [

E aqui está .'l 1r:1d~1ç~io do Sr. Bisp0: •·em ,,;,1ude dos padêres que 110s foram conferidos pelo S. Po111ff;ce, a

S. C. ,los Religiosos [ . . . ), após o exa-

me dos motivos. CONCEDE S EM RE'l'1Cí!NCIA$ a S. Excia. o Ordinário tle X., que efetue a supress,io implorada, segu11do seu LIVRE JUÍZO e sua COU$Ciência, PARA QUE s 1; JAM SAl,VAÇUAROADAS AS OISPOSI• ÇÕl:S DO OIREITO. em pllrtit;ular 110 que

co11ctr11c às obrig"ções provc11ie111es de lcpados pios, se os ho1n"l!r. e TOOOS os

cuja i,11cgr;datle ,ie,•e su :wlvaguardtulo NA ~-iEDIDA em que AS OUTROS DIREITOS

CIRCUNSTÂNCIAS o exiillm. SEM TOMAR EM CONSIDERAÇÃO tudo

o que se. poder;tl op()r".

Escrevemos cm versalete os erros grossos. .Slcs são enormes. São frutos Unicamente da ignorância? O fato é que vã o todos na mesma direção: a de estender ao máximo os podêres do Bispo e servir a seu ''parti pris". Conviria comentar um a um êsses erros. Ressalta.· remos apenas três dêles. - ''Be11ig11e commillil": ·•comm;11e. rc'', no estilo da Cúria. não significa ··conceder'' mas ''cometer". ·•atribuir um

encargo' 1; o têrmo designa. não um poder de decisão, mas de ex~cução. Esta "execução" e,s tá. de rc.sto. submetida a condições essenciais, resumidas já no simples inciso ·•suvatis de jure servo,rtlis". B:ste inciso. expresso pelo ablativo absoluto da gramática )atina, deve ser evidentemente trnduzido por uma frase de sentido rest ritivo: "contando que" ºsob a condição de", •·sob a reserva de", .. - O Bispo dá-lhe o sentido de uma prowsiç..i.o final! Como se a SU· pressão do Carmelo, como tal, fôsse o fim inscrito na comiss;1o da $anta Sé! - Deturpação que encorajou Mons. Y. a traduzir "bcnig11e" pelo extraordinário "sem rcticêucfos", completado, no fim, pelo ''sem 1c mar em consideração ... '", quando êsse advérbio, na realidade, quer simplesmente significar que a Santa Sé confere ao Bispo um poder que não pertence a êlc de direito e que ela pOderia recusar-lhe, m~smo sem motivo.

Procissão em Asbestos, durante o Congresso dos Peregrinos .

3 observações de ordem moral e jurídica A c-stas observações de gramática elementar, o Pc. Raymond Dulac acrcs~ centa outras três de ordem moral e jurídica. Primeira: que pensar da "bc11ignitfc,. eleº de um:"t Cúria que confere o enorme poder de a.rrasar um convento a um comissário o qual n5o é scq\lCt capaz. de ler corre1amen1e os têm1os de sua comissão? Segunda: a mesma Cúria confere êsse poder !i vista de uma ··exposiç,io" dos ''fotos" aprese.ntada apenas pelo 8isp0, sem ter verificado se ela corresponde à realidade, e. mais a inda, sem :- hovcr Stibmetido il contestação even• tua! das interessadas. que são assim condenadas, como fizeram os homens do Terror com Luís XVI. à "mort sans ,,lirose". Tcrccirt,: Que dizer do proeedimen· 10 do BisPo que; a) e.xccuta ,/e fato a supressão do Carmelo antes mesmo de haver recebido podêres para isso? b) recusa-se a comunicar às interes• sadas êsses p<>dêres, uma vez recebidos, e n::io os comunica senão com a ordem de man1ê-los cm segrêdo?

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O Carmelo de foi extinto. Orni1imos .v oluniàriamentc - obser. va ·o Pc. Raymond Dulac - nluitos ou\ro~ delitos violentos que acompanh:ir-.H:i \, êste crime abominável. E, antes de urdo, o dolo somado ao cons1rangimen· ·to. Um constrangimento que se exerceu qífer por meio da influ_ência insinuante, qu~r pela :1meaça. -- uma e outr.a singularmente eficaus sõbrc a alma de mu• lhcres enclausuradas e habituadas a tomar a voz dos Superiores pela voz de Deus,

Hora Santa em Quebec. No presbitério, os estandartes da TFP e dos Peregrinos. Rezou-se pelo Canadá e pelo Brasil.

NO CANADÁ' ESTAMOS P UBLICANDO na página S desta edição um impressionante depoimento do Sr. Louis Even sôbre as origens da crise revolucionária por que passa seu país. Como já noticiamos, o Sr. Even é o fundador e líder dos Pélerins de Saint Michel, importante movimento de leigos católicos que desenvolvem no Canadá uma luta desassombrada con lra tôdas as fom,as da Revolução. Acompanhado do Sr. e Sra. Gérard Mercier, também dirigentes dos Peregrinos, o Sr. Louis Even cstêve no Brasil em abril do ano passado, em visita à TFP e a "Catolicismo". Em setembro a TFP fêz-se representar no Congresso Nacional dos Pélerins, na cidade de Asbcstos pelo Sr. José Lúcio Araújo Corrêa, que participou ativamente do certame. As fotos que estampamos acima, tiradas por ocasião da visita do representante da TFP, dão idé.ia da pujança do movimento e do espírito de fé que o anima.


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AINDA A PROPÓSITO DO ""NÔVO CATECISMo•• HOLANDÊS

AGOBII CIBCU 111'11 DE 87 PÃGI e

UMPRINDO PROMESSA feita na parte final de nossos comentários ao Nôvo Catecismo fra ncês ("Catolicismo", n.0 'l43, de março p.p.), voltamos hoje a tratar do Nôvo Catecismo holandês. A edição brasileira dessa obra (" A Fé para Adultos / O Nôvo Catecismo", Editôra Herder, 1969) foi precedida de um comunicado dirigido aos fiéi_s por Sua Eminência o Cardeal Agnelo Ross1, então Arcebispo de São Paulo c Presidente da Comissão Central da CNBB. vazado nos seguintes têrmos: '"A declaraçüo oficial da Comissão Cardi11alícia (15-10-1968), à qual da,. mos integral apoio_. exige m0<U/icações no t exto original déste. CaJecismo. Apreciaríamos que os autores e respo,isáveis pelo Catecismo, dos t/ttais depende, por direito, a efetivação destas em endas, as introduzissem no próprio texto. Daríamos. então, de bom grado, o "imprima· tur''. cuja concessão somos obrigados a procra.rtinar. A preocupação pastoral nos levou a soliciUlr da Editôra Herder a inserção do parecer para o "nihil obstai''. Nilc, tôdas as modifica_çiics assinaladas pela Comissão Cardina~cia são breve mas fielmente expostas e explicadas pelo censor. Recomendamos aos fiéis a leitur<z <Uenta dêste parecer, 11ue os ajudará a dufaur cq11fv0<:os possíveis'" (pág. sem n.0 ) . De fato, a seguir é publicado um "Parecer para o ''nihil obstai" e "imprimatuf', de autoria de Mons. Dr. Roberto Mascarenhas Roxo. Infelizmente, como mostramos de modo exaustivo cm nossos comentários publicados nos n.•• 224, 228 e 231 de ·'Catolicismo", respectivamente de agôsto e dezembro de 1969 e março de 1970, tal "parecer" se mostra muito pouco fiel às observações que a Comissão Car dinalícia fêz sôbrc a obra; pelo contrário, constitui êlc uma clara tentativa de justificar csla última justamente nos pontos criticados pelos 13mmos. Cardeais. Por exemplo, quando a Comissão exige que o.~ Autores restabeleçam a verdade do dogma católico sôbre o pecado original, diz o parecer de Mons. Roxo: "O Catecismo não ignora estas verdades de fé, embora as ,t implifique demais sob uma denominaçüo ge11érica de ··pecado do mrmdo" (pág. sem n. 0 ). Ora, o "Nôvo Catecismo•· holandês não "simplifica':., ma.'i simplesmente nega pontos fundamentais do que a Igreja ensina sôbre o pecado original, pois entre outras coisas de· clara: "Também quanto «o pr6prio lromem, ,uio devemos supor que, no princípio, tenha luz"i<Jo para éle um estado de integridade part1disíllca e de imortalidade" (p. 3 14). Como não ignoram os leitores, êsse privilégio da inte· gridade e da imortalidade constitui ponto da doutrina católica de que não é lícito abrir mão.

1444 linhas a subsfituir Devemos esclarecer que a Declaração da Comissão Q\rdinalícia era apenas um resumo do que devia ser emendado no '"Nôvo Catecismo" e não encerrava tôdas as indicações já anteriormente feitas para uma revisão daquela obra. Ê . portanto, muito de se lamentar que a edição brasileira haja sido liberada sem sequer trazer, para orientação dos leitores. a íntegra da Declaração, publicando em seu lugar a glosa de Mons. Mascarenhas Roxo, que somente pode concorrer para aumentar a confu:-ão no espírito dos fiéis. No início do ano pa.s sado, sob o título de '"A Ftl PARA ADULTOS/ O Nõvo CATECISMO / SUPLEMENTO'", a Editôra Herder de São Paulo publicou um opúsculo de 87 páginas precedidas 1>cla ~cguinte nota de Sua Eminência o Cardeal Rossi: ·· rendo o.r responsáveis pelo "Nôvo Catecismo" ou "Catecismo holtzndêS' acatado a.r modificações do texto elaboradas sob responsabilidade da Comissão Cardinalícia, consi<Jera a Sama Sé encerrado o debate sôbre a referida obra. As novas edições do ciCatecismo deverão, portanto, incluir tai.r 111odificaçiie.r. A fim de resolver o problema das ediçiies já publicadas, foi aceita pela Santa Sé a .rugestão de um opúsculo separado, a modo de "corrigenda" e contendo cs tt.xtos modiji<:tlflôs. 11..rte opúsculo. de responsabilidade. da Santa Sé, tem Obviamente o "1MPRIMATUR"; ~ porque corrige t6das as partes controVertidas âo ''Nôvo Catecismo" êSle º1MPRIMATUR'' passa a e.rtender-se a tóda a obra desde que o opúsculo de "corrigenda" lhe feia anexado como parte de um todo".

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2

Que os pontos a serem corrigidos não eram poucos nem leves, é coisa de que os leitores poderão capacitar-se à vista da simples enumeração dos temas abordados pela Comissão Cardinalicia e que servem de epígrafe para as emendas do texto do "Nôvo Catecismo" aprc,sentadas pelo "Suplemento": "I. A criação; li. O pecado original; /li. O nascimento de Jesus da Virgem Maria; IV. A satisfação que Jesus fêz ao Pai; V. O Sacrifício da Cru z per· pe1uado no Sacrifício da Missa; VI. A presença Eucarística e a Transformação,· Vil. A in/alibil;dade da Igreja e o conhecime1110 do_. Mistérios; VIII. O Sacerdócio ministerial e a autoridade da Igreja; IX. Diversos pontos de Teologia Dogmática e, finalmente, X. Diversos ponto., de Teologia Moral". Ao todo são 51 os tópicos que o ·'Suplemento" manda substituir cm diferentes partes do "Nôvo Catecismo'', perfazendo 1444 linhas no texto primitivo que devem ser trocadas po r novos textos, ou simplesmente supressas, além da inclusão cm outros locais de trechos julgados necessários para o esclarecimento do assunto; os textos novos (substitutivos aditivos) somam 2204 linhas.- Compreende-se a perplexidade cm que se encontrarão as pessoas que hajam adq4irido um exemplar do Catecismo neerlandês, diante da necessidade de observar tôdas essas emendas para que êle escape às censuras da Comissão Card inalícia. Com efeito, ainda q ue, conforme a nota do Emmo. Cardeal Rossi, o "imprimatur" do "Suplemento" passe a estender-se a tôda a obra desde que o opúsculo de "corrigenda" seja anexado a esta como parte de um todo, é bem de ver que não será suficiente para tanto a mera contigüidade física dos dois vo1umcs. Os textos errados da', edição originária continuam errados e além da anexação do nôvo opúsculo ao volume do Catecismo, indispensável se toma fazer a consulta ao texto daquele para verificar se se pode confiar ou não no que se leu n~tc. Aconte<:c que as cmcn~

+

das não aparecem no ''Suplemento·· na ordem numérica das páginas ou na seqüência ·dos <:a· pítulos do "Nôvo Catecismo", mas de acôrdo com a ordem cm que foram abordados os assuntos pela Declaração da Comissão Cardinalícia. Assim, por exemplo, o primeiro texto que o "Suplemento" indica dever ser substituído se acha às páginas 553-554 do "Nôvo Catecismo", vale dizer, no seu penúltimo capítulo. O segundo texto se acha à página 283, isto é, bem no meio da obra. E assim por diante. Por onde se vê como se sentirá embaraçado diante dêsse sem · número de corrigendas, mesmo quem estiver bastante familiarizado com o fastidioso trabalho intelectual de cotêjo de textos. E terão conhecimento da pul!licação dêssc "Suplemento" todos aquêles que adquiriram a edição eivada de erros do "Nôvo Catecismo'"?

Hem todos as erros foram corrigidos

-

Embora se tenha afirmado que a Santa Sé considera encerrado o debate sôbre o Ca· tecismo dos teólogos de Nimega, vamos - não com o intuito aliás legítimo de polemizar, mas levados pelo desejo de bem informar os nossos leitores - vamos dar alguns exemplos para mostrar que nem tôdas as correções necessárias foram feitas. De resto, já pelas próprias palavras dos autores do "Suplemento" vemos que êste não esgota o assunto no que diz respeito aos erros que encerra . o "Nôvo Catecismo" holandês. Com efeito, nas "Observações preliminares" do citado opúsculo, lemos: 11Diverstzs correções de pormenores a serem inseritlas muna nova eclição da obra foram excluídas. porque são supérfluas muna publicação avulsa de uma série de modificações'' ("Suplemento", p. 1). Perguntamos: serão assim tão . supérfluas ou despiciendas as correções omitidas? Tomemos ao acaso alguns exemplos.

Entranhadamente evolucionista e modernista Entranhadamente evolucionista e modernista, repisa o "Nôvo Catecismo•· holandês, ao longo de suas páginas, a ",'mperfeição primitiva" (p. 73) vigente no Antigo Testamento. A Bíblia não seria um livro "de piedade e edificação, ou seja, u,n livro em que s6 sejam a-presen . . tadas coisas boas. Tal esperanç,, fica logo de· cepcionada. De i,údo, nas narra1ivas patriarcais contan1...re, com a maior franqueza e tranqüilidade, aios e fatos grosseiros, cruéis e. para o nosso sentimento, até imorais. Temos de le.mbrar~nos, então, de que a Bíblia mio (, livro de piedade e edificação, e, .,im, a expressão inequívoca da realidade nua e crua. Deus em caminho com a hu,nanidade primitiva-. ( ••• J às vê1.es, o próprio Deus parece estar atrás de certos casos. como, por ~xemplo. na fraude de Jacó. ou - pior ainda - na exterminação radica/ dos habitantes de Canaã: a4t1i se dh~. aJé que Javé o mandava. Como interpretar•.re isso? Tais casos devem também ser vi.rios como imperfeição primitivd' (pp. 72-73). Embora estejamos no Nôvo Testamento, período histórico de plenitud~ da graça, é incgàvelmcnte liberal a seguint afirmaç.ã o do .. Nôvo Catecismo", a qual dá a entender que contra os inimigos de Deus não é lícito lutar senão com annas espirituais: 1'Se, no Antigo [Testamento, alguém] lê sôbre combate co111ra o inimigo. já sabe que Cristo o transformou ~m combate espiritual contra o mal" (p. 76). O que sobretudo oos mostram os Livros Sagrados cm passagens como a da punição dos cananeus vem a ser a seguinte verdade: as bên. çãos de Deus para os que ouviam sua voz. e o

castigo para aquêlcs que d~le se afastavam . Não é o que também vemos na vigência do Nôvo Testamento, em épocas de apogeu da Cristandade, quando chovem do céu as bênçãos de Deus, e cm épocas de decadência e de volta ao vômito do paganismo, quando não faltam os castigos para os povos impenitentes? Ademais, a propósito dos justos da Antiga Lei não devemos esquecer o que cm belíssima linguagem nos diz São Paulo ao mostrar a fôrça da fé em Abel, em Hcnoc, em Noé, cm Abraão, cm Isaac, cm Jacó, em José, em Moisés. terminando por esta glorificação dos justos do Velho Tescamento: "E que mais direi ainda? Faliar-me-ia o tempo, se eu qulsesse falar de Gedeão, de Barac, de Sansão, de Jefté, de Davi, de Samuel. e dos Profetas. os quais peltr fé conquistaram reinos, exerceram a ju.stiça, alcançaram as promessas, fecharam a bôca tios leões, extinguiram ti violência dó fogo. evitaram o fio da espada, convalesceram de enfermidades, ,ornaram-se fortes na guerra, puseram e 111 fuga exércitos estrangeiros; mulheres houve que recobraram ressusciwdos os seus mortos. [ .. . ) é todos istes, louvados [por Deus] com o testemunho prestado tl sua fé, r,ão receberam [imediatamente] o objeto da promessa, tendo Deus dispO.fto alguma coisa 111elhor pam n6s, a fim de que êles, ~·em · 116j·. não obtivessem a perfeiçüo da felicidade" (Heb. 11, 32-40). Essas passagens do "Nôvo Catecismo" não foram corrigidas. Por outras palavras, não foi completa a ext irpação dos erros contidos no livro de Nimega .

Lutef'O, doutor e profeta da Igreja-Nava Todo católico de mediana formação intelectual sabe que espécie de calamidade desabou sôbrc o mundo cristão como resultado da Pseudo-Reforma. Vejamos como se refe re o Catecismo holandês ao heresiarca q\Je iniciou êssc terrível inc.êndio: "Um homem de eloqüência profética e de coração profundamente religioso, desencadeia~ em 1517, um movimento, que não consegue ficar dentro da Igreja univel'sal: Martinho Lutero" (pp. 261-262). Mais adiante afirmam os Autores que a comunidade católica, no século X.V J, 1 'não pcdia passar sem

Lutero. com tlouto,· e profeta seu. A falta é sentida ainda mais. porque a Igreja se mostrou muito hesitante em abraçar certos grandes valores, precisamente porque a R eforma os ressalta\10: determinada espiritualidade bíblica, determinada autonornia no culto (uso da l,11gua vernácula), determinada liberdade e responsabilidade pessoal na fé, e até determinada mtísica: o cântico e vangélico e comunitárfo'' (pp. 377-378). Em um Catecismo que pretende ensinar ··a fé para adultos'', fazem-se êsses inqualifi-

cávcis elogios ao protervo negador da autoridade da Igreja e ao pregador de erros como o do livre exame, que tantos estragos vêm causando às a1mas. o caso de se pecguntar: faltaria à Espôsa de Cristo alguma nota para torná-La capaz de sua divina missão de dispensadora dos frutos da Redenção? Vejamos o que dizem os autores do "Nôvo Catecismo": "Assim, de um lado, é doloroSb vermos como falta à R eforma 11 verdade da Igreja Cat6/ica. Mas, de 0,11;0 também, que faltam a esta certas verdades e outros valores da Reforma. "Por causa dis-so, torna-se para t ia mai.r difícil expressar, 11a realidade da vida, a plenitude da catolicidade, em todos os se11s aspectos'' (Concilio Vaticano li, Decreto sôbre o Ec11me11ismo, 4). E por que não dizê-lo claramente: por causa tlisso, a Igreja ntío apresenta ainda, no momento, fisionomia tal que seja capaz de arsumir cm si a R eforma. Tcdos juntos devemos crescer na tlireçâó de uma nova Igreja Cat6/ica, isto é, universal. Não uma Igreja, 1m qual se tenha miswra,lo água no vinho da verdade ,/e Cristo. Mas. sim, uma /greit1 em que sejam refundidas formas e concepções, que não são essenciais. Pós.ramos aprender, gr,uJualmente, a alegria de não sõmente comunicar a verdade uns aos outros, mas também de vê~la nos outros e de recebê-la dos outros" (p. 378). O mínimo que se pode dizer de tudo isso, é que é perigosamente vago e confuso. Ao mesmo tempo em que se afirma que a Igreja, em seu estado atual, não é capaz de "assumir'' a Pseudo-Reforma protestante, sendo necessário para isso uma nova Igreja universal, sustenta-se que não são essenciais as formas e concepções que devem ser refundidas para que isso se dê. E ficamos inteirados de que faltariam também algumas verdades na Igreja Católica, pois se diz que Ela deve recebê-las dos outros, isto é, dos reformados. Não pode· riam os Autores dizer que " verdades'' seriam essas que a Igreja deve receber, além dos .. valores" atrás enumerados? palavreado, que oão foi corrigido, SO· mado aos erros doutrinários gravíssimos que continha " O Nôvo Catecismo" holandês como o conceberam seus autores, nos faz pensar na Igreja-Nova, desmitificada, dessacralizada, desalienada, igualitária e gn6stica, com que sonham os novos "profetas" e os membros do IDOC.

e.

esse

Enormidactes e,m matéria moral No que diz respeito a .. Diversos po,11os da Teologia Moral", nenhuma referência ehcontramos no "'Suplemento'' quanto à justificação do homossexualismo esboçada pelo "Nô· vo Catecismo" (-pp. 444-445) , nem quanto à complacência mostrada por êle para com o vício solitário (pp. 471-472) . As enormidades que o livro diz sôbre êsses dois temas foram expostas nos comentários que publicamos à página 6 de· .. Catolicismo", n.0 231 , de março de 1970.

Guardemos o depósito de nossa Fé Pelas amostras q ue damos acima, vemos que continua " O Nôvo Catecismo'' holandês a ser uma obra deletéria, que não deveria ter curso enlre os fiéis, e muito menos entre a juventude de nossos dias, tão inexperiente e ávida de novidades. Diante de tamanha falsificação da doutrina católica cm livros, como êssc Catecismo holandês e seu epígono francês, destinados justamente ao c.<elarecimcnto dos espíritos, vêm-nos à mem6ria as palavras de São Paulo a Timóteo : "ó Tim6teo, guarda o dep6sito (da Fé), evitando as novidades profanas de palavras. e as contradições de uma ciência de falso nome, professa11do a qual alguns se desviaram da Fé" ( 1 Tim . 6, 20-21). Tomando para nós êsse conselho do Ap6stolo, de todo o coração dizemos: com tanto mau espírito está concebido o '"Nôvo Catecismo" de Nimega, que a m ais elementar prudência nos aconselha que dêle nos afastemos, se quisermos guardar intacto o depósito de nossa Fé .

Cunha Alvarenga


Oh

01a1s forte que todos os exércitos! Ft>rnio.<11• Cr••:::s. •••ai.<1 re.<1plantkcente e rica.. co,,. o Nangue , dêste di.,ino Cor,leiro. que for111oso.<J rr•bis. Tu fôste o cabo 1.le seus trabalhos. tu o co1nêço 1.le ."le•• repouso. tu a .,itória tk sua batal~ tu ler,antaniento ,le .fier• 1.legrê,lo. tu entrn1.la ,le Nt•a gl,iria e po,,se de Neu reinatlo. Tô1.l1• ficas n1anando e,n rio.t1. que por ti correra,n ,le Neu precioso Sangue. e tô1.l1.• banha,h• nêle. T~ é."I ,., ,,ainha herança, tu a ,,.inha rica partilht•. que dê.fite Senlaor n,e ficou. Pobre ,norreu e,n ti ,le tudo de.<1apega1.lo. ."IÓ contigo al,ra91.•1lo e ena ti cra.,,.,lo. Tôda te deixou a todo!ti tl!ti ."leus e tôda a cada u,,. ,los que O a,na,n. Adoro-te. abrfff!O•te. recebo-te por nae11, rico teNouro. Oh 1nais for,,.osa que tôdas

01J1

estrêlas. nanis

forte· qr•e todos os exércitos. triunfatlora tk todos os ininaigo11! Oh con,,o ficas no ca1npo po,lerosa. se,n potler ser derrilHula. IU}na ~nci,la! .lá te reconhecer• o Cé••• já tre,,.e de ti o inferno. já te há ,nêdo o ,,.undo, jt.'r. conhece o ini,,.igo qr•c O que eni ti ,norreu. é t,erdatleiro Filho de Deu.<1. Já honras os q••e até aqui abatias. poü, putlellte larzser do corsário ladrão, cidadão hoje jd o Paraú,o. Tu és minha coroa. ,ninha glória. ,ninh,a riquerzsa. e todos os bens por ti os tenho. A ti 1ne acollio. a ti nae abraço. e1n ti quero .,;-,er e ,norrer. Já perdeste tua dure:::sa. j,'r. lictu,; ,"luaí,e j11go. já penhor certo ,la glória.. já conaêf:o de re~nar. já 1.le."lca11."10 e ali.,io 1.los que a ti se acolhena. Adoro-te. á,-.,.re tle .,;,ta. a,loro•te. fonte ,ln ", labedoria. adoro-te. neuro forte contra

ini,nigós,

01.1

a,loro•te. forno q••e ficas ardendo e,n logo do di.,ino e anaoroso Cor,leiro. llecebc•n•e ena

te,._"

l,raços. nêle."I ,ne sUNtenta e santifica,

por ti 1nc receba O qrre e1n ti ,n.e rcdinii11,. e e,n ti por ,ni,n cheio ,le naeu ,

a,,,.o r 111.,,rre••- (I Ma1.lre ,le llc,._s .<1acratis11inia. Rainha dos Anjos, glo,•io."la e."ltrê/11 ,lo ,,,ar e g11i11, ,loN 11ecadore11; que ficaiN t:ôda cheia ,le ,l,,re."I. e ,"lt1,11,1l11,1le.t; tlê."lte Senh.o r. q••t! ger01JJtes. e cheia de fé. e esperança ,le O ver ,l11q11,i 11 trê.., 1.lia."I re."INU.tJcitado. Fa,:se~,ne co,n. Êl~ ,"ler crucilic11,1lo: la:::sei-,ne ,te Ntla.tJ 1niio.v ser recebido; farzsei-nie •

tkla.<1. e por Vó.., .<Jer ,"le111.pre an1p11,rado. p11,r11, que dEle. e para Ele

.

.

.

., -.,,..

,

e nEle 111.o rr,,. e c,,n, Ele reine. O (.,õrte cele11tial, que tendes lá êste 1.li.,ino (.,'or,leiro i111orú1,I. contente11 de O po-uir e seguros ,te O per,ler. 11j11,h1-i ,,, ê11te de.<1terrad,, filho ,le E-,a,. a .,iw,er por Êle se111pre crr,.cilica,lo. e ,le 111ereç11, ,,,,r Êle

c,,,,.,,,..,c,,

De ·~TR.AIIAl.llOS ou J F..sus". Ver not:t biográ fica na pág, S.

·"'º''· 11,n1,,r

...enrpre abrasado. para que

,"lf!r ,,,,r,,. ,"len111re c,,r,,a,lo

e

glorilica,lo. Anaé,n. Frei Tonté Je .IESlfS

3


O nacionalismo argentino, uma incógnita em constante evolução E

XJSTE NA Argentina uma fôr-

ça às vêzes impalpável, mas sempre a tuante e de grande influência no pnís: o ,wcio,wliuno. Lidcrndo por uma elite de inte lcctm1is e políticos conhecidos. e reunindo cm suas fileiras elementos de destaque da iniciativa privada e da administraç.1o públ ica, o nacionalismo produziu uma obra literária considedlvel e dc.~nvotvcu unm i ntensa inividade durante os últi·

mos cinqüenta ,,nos. Apesar di$sO. o grande público ar• gentino e o mesmo aco1\lecc com muitos nacionali:Has de base - não tem s.enão um~L idéia incomplcrn dêssc movimento. cujo nome êlc cs1á h11bituado :1 associar vagamente ao campo doutrinário católico. 1radicio1,alista e an1icocnunisrn. Isto decorre do foto de o nacionttfismo não haver 1nantido ao longo de sua existência unrn linha ideológica clnr;\ e dcfinid~. do mesmo modo que seus jornais e- revistas ( ;l maioria dos qoais de escassa tiragem e existência efêmera) têm IOnmdo atitudes por vêzcs con1r-Jdit6rias. e seus lideres Políticos t~m ocup:.1do c;,rgos cm quase todos os: governos, sem lcv:1r em cont;l a o rientaçiio dêstcs. Foi. pois., com gmndc interêssc que o públic("> esclarecido da Argcntin:1, e t<\mbém ou1ros círculo$ cuhos da An\érica L:uina. acolheram o livro recentcmcn1e lançado pela Sociedade Argenti· na de Deícsa da Tradição, Familia e Propriedade sob o sugestivo título de

linha criado ao longo dos :.\nos. Alguns de s eus redatores se deixaram seduzir por essas propostas e se incorporaram às :.tividades cxpltcilamente políticas do naciona lismo. A revista. contudo. con• 1inuou no seu programa de Juta pela verdade católica e pela.$ 1r:1diçõcs da cri.standade hispânica, sem enfileirar-se cm nenhuma facção política naciona· lista. A medida que "Cruzada'' se ia definindo por uma posição nltidamen1c católica. hispânica e trndiciona1is1a. iamse acentuando os Pontos de divergência com o nacionalismo, embora continuasse ela a ind;,, de a lgum modo, circunda· d:1 pelo ambiente nacionalista . Alguns fo1os foram to rn.,ndo mais patentes as d ife renças c até uma certa C.OnlrnpOsi• ção. percebidn naturalmente por ;-ambos os lados. Finalmente. cm 1967, resolveram os redatores;: e propàgandistas de ''Cruz:,. da" desvincular-se rormalmente do nacionalismo. funda ndo unm organiz:tÇiiO d::: inspiração francamen te con1rn-revoh1cionária. a So,:ic,ltul A rgc11ti11a clr D~:/eus,, ,Je lo Trculi<:ión. f(ll11i/ia y Pro, piecluc/, com a qual iri;m, explicitar no campo cívico os ideais <1ue os haviam animado de.'idc o início. A ruptura com o nacionalismo íoi para o grup0 <le "Cruzada" o resultado de um longo processo de maturaçílo

Do nacionalismo à TFP Os Autores tr:,çam na Introdução desta obra seu próprio itinerário ideológico. o qual. parlindo das fileiras do nacionalismo, co.nduziu-os a té a fundaçiio da Sociedade Argen1ina de Defesa da Tradição, Família e Propriedade. Pcrtencer:im todos êlc.~ ao corpo de red-'IOfC!> e propagandistas da rcvisla ''Cruu.HJa", eujo primeiro número apareceu em julho de 1956. "De.t de o prim elro mome11to - escrevem - "Cruzada'' es.. ih,,• em t 'Ollfll<:W com o 11acio11alismo. ,le111rn ,to qm1I exi.-uia. t· dó qual pro.. ,·in/t{lm <111<,s<! todo.\· o.t / uudádórcs <la re i·isw. Por t•Sj·a rt1úió. cm JtlâS pág;.. m1,\· fomm acolhidos muitos ortigo,t que de1101twum <1 i11/luf11cia ,Jo.t nociona· llsu,s courcmporlinco.t . Mll.t, tombém quase tlt::ule o primtiro mom,mro por m ziies qur ,tlrim tunenre che· 1:,11110.r a ver com tôda a darezo ,ftll'giu um maf..cswr indefinido cntrt " Cr11uultl1 e seus am igos 11acio,wli:w1s. mnl-est<1r t'ste :rituado excJu.. ~iw1mt11tc 110 campo d<u tendências e tias doutrino.)', já que, com os m embros do nocituwU:m,o, todos de trato pcs~tQa/ di,\'li11to e mnc,w. 1111111.:a tivemos 11c• 11/wm 1111'ito" (p, 9). Não era raro que chefes n:tcionalisrns procurassem dissuadir de ingressarem no movimento de ''C ruz:-1dn" jovens sõbrc os quais 1inham in íluência. Talvc·1. lhe~" parecesse que a revista estavn incorrendo em perigoso ;·,dc~vi;1cionismo'' que era preciso reab· sorver. e de fato foram sem conta as proPostas para que o grupo de ''Cruzada" se fu ndisse com alguma das nume~ rosas organizações que o nacionalismo 4

mui,'í. 110 </Ut' clu111u1rÍi1mQs us basts 11'1dm1ali.ttllS, ' 'Cruwda'' co111i1111011 tt:11· cio, titc: hoje, .rlmpMi<ts que nos con/ur-

tum e honram'' (p. 11) . Essa ai ilude das bas.es deve-se :,o foto de o nacionalismo. considerado cm seus líderes, ter lido sempre ,,ma doutrina aparente e outn.\ real. como veremos adiante. Orn, as bases - especialmente os jovens: foram sempre a1raídas pela doutrina aparenlc, representada pelo Catolicismo e pelo hispanismo. enquanlo as cúpulas seguiam uma orien1as-..to relativista e diàlé1ica. Os fu ndadores da TFP argcn-

tina roinperam com es1a orie1\tação, perm;rnccendo fié is aos princípios adotados- pelas bases nacion:.'llislas.

de Perón; a segunda corresponde à era pcronista : e a terceira estende-se da quedá do ditador dcscamisado até os nossos dias.

Divisõo do livro NASCF,U NA OÉCAOA OE

20

.. El nacionalismo, una incógnita en constante evoluci6n'' está d ividido e m três partes. a1ém de uma no1a introdutória e de um opulento apêndice biblio• gráfico. As partes, por sua vc·z,., subdividem-se em capítulos, cada qual precedido de um resumo subsiancioso, para facilitar a leitura de um texto necess:'1ria mcnle cheio de citações e referências. N;, primeira pa rte apresenta-se su· màrinmentc a história do nacionalismo. dc.sdc suas origens.: n:., segunda cx.pôe-sc a doutrina nacionalisla, omilindO•se po, rém ;\S cirnçõcs. p;,ra tornar mnis cô· moda :1 compreensão da lógica interna dessa doutrina: í inalmenlc, n;1 terceira parte. são analis:,dos textos de au1ores nacionalis1as das diversas épocas, dos quais se depreendem as várias teses apre:-entadas na segunda parte.

História do nac iona lismo Distinguem os Aulores três épocas na história do nacionalismo: a primeira vai desde as origcn~ até o advento

O movimento que dcp0is tomou o nome de nacionalismo nasceu ao calor das primeiras l;1b~redas do esquerdismo na Argentina, T rês acontecimentos da história platina servem de marco à nova época, dentro da qual surgiu o nacionalismo: a promulgaçfto da 1ei do sufrágio universal, que de\1 início à e ra dos movimentos <le massa ( 1916) ; a Reforma universitária, que deveria eontri· buir p~ra a formação de uma elite esquerdista ( 1918): e ~· "Sem:rnn T rág,ic:1". durante n qual agitadores proletá· rios provoc,ara.m uma expio.são anarquis· 1a, com inúmeros atent:,dos a pessoas e propriedades ( 1919). esses aconiccimencos provocaram nos setores mais 1radicion:ais da população argenlina uma vigorosa reação, marcada pela tcndêncio à reafi rmação . dos pri ncípios católi· co.s e da 1radição hispânica . Foi na década de 20 que se delineou com mais precisão o movimen10 filosó-CONCLut N'A UXTA PÁOIMA

Gustavo Antonio Solimeo

''BALDEAÇÃO IDEOLÓGICA INADVERTIDA E DIÁLOGO''

' 'EL NAClúNALISMO. UNA INCÓGNITA EN CONS1'A'N1't P,\'01..UCIÓN" ( Edicioncs Tra-

dici6n. Fnmiliz,. Propiedad, Buenos Aires, 1970. 263 páginas). O livro roi escri10 pc.l~ Comissão de Escudos dn Tf P ,11·1,emina. presidida pelo Sr. Cosme Rece ar Varela Hijo, e composta pelos Srs. Carlos F. lbargurcn Hijo. Jorge M. Storni, Miguel Bcccar Vt,rch\ e Ernesto P. Burini. Obra de rarn h1cidês e objetividade, man1cndo ao longo de suas páginas um ton\ls sempre digno e elevado. não hesita em apontar os nomes dos principais re.'iponsávcis pelos dC$vios do movimento nacionalista. entre os quais os S rs. Mario Amadco, ex-Embaixador da Argentina no Br:\sil, Marcelo Sánchcz Sorondo, César Pico - êstc recentemente fa lecido - o Pc. Júlio Meinviel• le. e nu1ncrosos outros. Não há como negar o alto valor intelectual dêss: livro. sua densidade doutrinária e a abundância d:, documentação que apresent;;i, extraída das próprias fontes nttcionalistas. "Catolicismo'' recomenda-o. pois. vi~ vamente. a seus leitores.

e reflexão sõbr.! o propno itinerário ideológico, be m como de um estudo sério e profundo d:l dou1rina nacionalistt, (tão multiforme cm seu$ nspcctos e Ião chei:, de cont radições internas) através da a nálise cuidadosa dos escritos dos elemenlos mais reprc.sentativos do movimenlo. Dê.~se estudo resultou igualmente o livro de que nos ocupamos:. C um pre esclarecer que a ruptura. não atingiu a5 relnçõcs dos jovens de "Cmzada'' com as bases nacionalistas ( nem implicou em hostilidade pessoal contra as c(1pulas): "[, .. ] os co11tactos rm plano ele soli,Jc,rietlatle ideolóKica ~ ,lt· colt,bc,r<1Ç<io e,,tre "Cruu,Ja" e n ge· 11tmlidotle dos chefes uaéiom,list<u ces,fl,rllm. ~mlu,ra tc11lrtm1 <:Q11ti11umlo 11atutl1/mc111e as rel<1ni es pt's.rtmif;; 11,Jc..

TAMBÉM REPERCUTE ALÉM DA CORTINA DE FERRO NOSSOS LEITORES

se

lembrarão,

par certo. da polêmica que se travou en,

tôrno do ensaio .. A LIOEI\OAOE. OA l GREJA NO EsTAl>O COMUNISTA'', entre seu Autor. Prof. PLINIO CORRÊA 1>1:. OLtvErR.A, e o Sr. Zo10N1~w CzAJKOWSK1. diretor do jornal ''Kierunki", de Varsóvia. Nela intervieram também. do , lado do Prcsidenle do Conselho Nacional da TFP o Sr. Henri Carton, de "L'Homme Nouveau", e do lado do jornalista 1>0lonês o Sr. A. V.. de "Témoignagc Chré1ien". ambos de Paris. Dessa polêm'ca demos amplo noticiário em vários núnieros des1a íôlha, cm 1964-1965 ( 1). Essa não foi. p-0rém, a lÍnica obra do Prof. Plinio Corrêa de Oliveira a repercutir atém da cortin:l de ferro e a provocar reação p0r parte do mesmo Sr. Czajkowski. Com os compreensíveis e inevitáveis :i1rasos. chegou-nos às mãos um cxem• piar do número de janeiro de 1968 de "LA Vae CATHOLIQUF. EN POLOCNE. / ReVUE DE LA PRE!SSE POl.ONAISE"' edil ada cm Varsóvia pela Associação " Pax'' a conhecida organizaç,ã o ºcat ólica" de fochada do regime comunis1a polonês (2). A revista parece deslinada a informar o público ocidental sôbrc a vida religiosa naquele país e, particular· mente, sôbre as atividndes do grupo ''Pux.", 8sse número de ''La Vie Catholiquc en Pologne" dedica sele páginas da secção "Resenha do mês" a noliciar os ataques fei tos cm duas edições sucessivas do semanário "Kicrunki'' (n.~ S l ·S2 e 53. de 1967) pelo Sr. 7..bignicw C1,,jko· w.ski. redator-chefe de "Zycic i Mysl" , ao ensaio "BAl.OEAçÃO IOEOLÓOICA f NAO· VERTIOA. ·~ DIÁLOGO", do Prof. Plínio Corrê:\ de Oliveira. Pela mesma rcvL'ita ficamos sabendo que ºZycie i Mysl" é um " m t ns,írio filo:ró/ico ~ .tocial11• en• qt1an10 "Kierunki" é um semanário "d,:,t 1i11ado <H.).f círculo.r J<1 i11ttllige11tsia-" polonesa (pp. 7-8) . sendo ;>mbos edilado.s igualmente pela Associação "Pax".

Polêmica ou monólogo? Da outra vez o Sr, Z. Czajkowski ~n .. viou ao P rof. PJinio Corrêa de Oliveira um exemplar do jornal no qual o ata• cava, acompanhado da respectiva tradução fra ncesa. Ademais, pl,rJ evil:tr CX· lravio, rcmclcu idên1ico material ao Exmo. Revmo. Sr. D. Anlonio de C3S· Iro M:1yer. pedindo-lhe que o encaminhasse ao escri1or bra$ileiro. Vê·sc bem que o colaborador de ··Kierunki" tinha

então empenho em que suas c ríticas chegassem ao conhecimenlo de quem elas visavam. Dcs1a feila, porém, nada recebeu o Pror. Plinio Corrêa de Oliveira da parte do Sr. Cz.ajkowski, Assim, é bem de ver que jamais poderia o Sr. Z. C. intitular êste seu nôvo anigo de ''No círculo ,/e uma misti/icaç,ío /Micolúgicà, ()ti :tt i <1, de uma polênlica com o Prof. P/i11io ,/e 0/iir~ita - contim1<1ção", \lnlà vez. que a outra parte na pretensa polêmic,, só por ac.aso e muito tardiamente viria a fic:\r sahendo dos ataques de que era objeto. Q'-'anto ~ palavra ·•mi.ttifica,·,1o", c:i• lha bem ao 1ex10 do próprio Sr. Czajkowski. Os leitores vcn1o como o co• laborador de "Zycie i Mysl" não se preocupa em refutar a argumentaÇ<'io do Prof. Plinio Corrê.a, de Oliveira, mas limi1a-se a 1rnnscrcver. de modo cscan· dalos.amente deturpado e truncado, tre.. cho.,; do trabalho dê.'ite e a dirigir-lhe insultos pessoais. - o que não é de se es1ranhar Por parte de um comunista, parn quem os rins justificam os meios. Daremos apenas a lgumas amosiras des.'ia ''técnica".

Deturpações escandalosas A página 4 d:1 4.ª ediÇão brasileira de "Baldeação Ideológica Inadvertida e Diá logo" (Edilôr:1 Vera Cruz. Siío Paulo, abril de 1966). escreve o iluslre pensador brasileiro: "A caus<1 da ;11.rn~ uóvel im·iabilitlmle ,la vltória comunista 111rm•f:t da,\· umas está também. em a/.. guma medi<la, 1u:, resistência que ao marxism o opiie ó fundo de bom senso 11t1tural que con.ttitui o páfr im(11úo m i1,mar t' comum dt, l1tmu111itlade. Este bom senso se choco com o caráter 1:s.1eucialme11te a11ti11otura/ que se mostra ,...m todos o:r asptclos cio comunismo" . Pois bem. Estas linhns tão claras e inequívocas. as.sim as "leu" - e apre. senta entre aspas, como t ranscrição literal o jornalisla do grup0 "Pax.": ..As ,•it6rit,s illca11ço.tlns 1u1.t unws pelo.\· conwni.ttas s,io parciâlme11re ,lc vid11s n rxigêntius nwl.rús c exageradas (,,.r dos capita/i.\·tos r ,la burgue.ria, Z. C.) e parci<1lme11tc <10 /oro de que o 1,u,r;dsmo .rc baseia 110 l,om .ft'IISO 11ue é uma co11<111istn secular comum a tôda ,, humanidade" ("L1 Vie Catholique . .. ··• p.

63). Não é escandaloso? Mas há mais ainda. Adiante escreve o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira: "Ga11lu:m êle [o CO· muni~mo], é ,·enfade, " eleição pelo-

ufsa ,Je 1957. mn.t r.tta eh:içüo, é e~·i· dente, c11receu de /ibeulade. O., ca,ólicos sabiam que se derrotas:r~m Gt111mlka, t!XpOrÍilm sua pátria a uma repre.r , .rãa ru:ua no estilo tio que sofrer<, a g~oriosa e infeliz H ungria. Por is10. em bora cons1ittd11do no Polô11la maioria Jtcisi11a, op111ram iles pelo que se Jltes afigurou Q uwl menor, clegnulo deputados "tomulkianos··. Não nos pronunciamos oqui sôbrc a licehfo<lc dfssa mn110l1ra, nem .túbre o seu acirto do pomo de vi.ti<, estritame111t• político. Sub/i11lu1mos. e111rc1a1110 1 que 1/c nenhum modo se 110,le afirmar ter sido eleito livrcmex1e pelo ;,,c1;10 povo polo11és um congusso nw;oritàrlmnellle com1m ;su1. A m aioria conumista ex;stente 110 parl/1m emo da Po1611ia mio constitui, pois. argum ento co111m o qur 11calu,mo.t tlt

t1/irmar'' ( ed. c il., p. 4) . Eis como o jornalista p0Jonês ' 1trans .. creve" - e sempre entre aspas - cs1a passagem: "Ê verdade que os comunisw.r p<>lónest.r ganharam as eleições dt 1957, as.sim com o é verdatlt q t1t. essas eleições tro11.scorrértim tm 111110 atmos/eta de libttdade ( . • . ). S ublinlwm os que o par/amemo comunl.rta polo11ês /ói deite em e/ciçõt.v /ivrt.r pela gr(mdt maioria dena mogní/,'ca naçâo. a por ino que <1 existt-ncia de ,mw graudt maioria comunisu, 110 pur/ame,110 polo• nês mto constitm' tampouco um ,,rgumen• to contra 11osse1 tcsê'' ("La Vie Catholi· que ... " , p. 63). Não é possível ser mais desleal ao ra,..cr citação de um Autor que se pre1endc refutar. Depois de passar por a lto sôbrc .i introdução e o primeiro capítulo d;,, obra. o reda1or-c hcfc de "Zycic i Mysl" salta 1o<lo o capÍlulo li . sõbre " A l,aldeaç<lo itleol6gic11 inmlvntilla". o 111, intitulado "A palavr a-tolism<'i~ c:ttrafl11Jt" ma dt1 •ba"1e.ai·iio itfeológi,·t1 i1uulvertida'', fala muito ligeiramente ~ rcspcilo dos sentidos 1alismânieos da palavra "diálogo". que são objc10 do capílulo 1V. o mais longo do livro - e o mais imPortan1e para se compreender o seu contexto - e passa logo à Conclus:1o. apresentando truncada uma pnssagem na qual o Prof. Plinio Corrê.a de Oliveir3 ap01Ha. apenas a título de exemplo. co· mo os do grupo " Pax'' e ncaram o diálogo de modo rclativisla e admilem uma evolução no pensamento social da lgreja, capaz de torná.to flexível a p0nto de aceitar o marxismo. A êsse respeilo afirma o Sr. Czaj. kowski: "N,io é "Pax·• qutm "insinua'',

Sr. Proft•.t.rór, que o pensamemo social e ~·olui e. conw o Sr . t.)·creie, dá mostra:r de /lt!xibilidáde tm reli:ç<lo 110 socialismo: está tendência i confir mada pelos tlt!creto.r ,lo V1,1ica110 !!, tàl como ptlas Encfr:licas sociais de João XXII/ e Paul<> V/" ("La Vie Calholique . . . ", p. 67 ). Depois de tudo isso, o jornalista de "Pax" atreve•se afo da a dizer que o livro do pensador brasileiro ignora "tQdas as leis do lógica" e tende "a /al.t e<,r e " co11/u11dir O.f fatos, OJ aconttcimtmo.r e as conclu.t(ies'', não passando de. um "amontoado dr verdntlt:r e cOllfrm•crda ,t<'.)·'1 ( revista c ilad3, p, 63). 0

O que mais importa O qu-e importa destas notas não é lanto ver como os comunistas .se ser.. vem dos mflodos mais dcslcais para combaterem os que se opõem aos seus desígnios s inistros. O imPortante é o fato de que um elemenlo qualificado dentro da Associação ;;Pax'\ a qual constitui dócil instrumento do govêrno comunista p0lonês, tenha julgado opor.. tuno a lertar os cfrc ulos inleJectuais de seu país contra mais êste traba.l ho do Prof. Plínio Corraa de Oliveira. Isso é sinal de que o comunismo receia que "Baldeação ldcológica Inadvertida e Diálogo'' lhe acarrete sério dano cm seus próprios domínios de além cortina de ferro. 1) Ver: " A1rás da corcina de Cerro•·, cm "Catolicismo". n. 0 161. de maio de 1964: "Carta aberl:t para além da cortin~\ de ferro", por Plinio Corrêa de Oliveir,,, n.0 162. de junho de 1964: "Jom:.I ealólieo francês rcspOnde à carta aberta publicada em Kieruuki", n.0 165. de sclembro de 1964; "Continua acesa a p0lêmica cm tôrno de A Uberdade tlo lgrej<1 110 Estudo Comtmisw", n.• 166, de oulubro de 1964; "ResposH\ à carta aberta do Prof. Plinio Corrêa de Oliveira / 2.• carta aberta do Sr. Zbigniew Ciajkowski, publicada nos peri6<Ji. cos Kier1111ki e Zycie i Mysl, de Varsóvi:.'l"; e "Diálogo, coexistência e heca· tombe 1crmonuclear / 2.ª carta aberta para a lém da cortina de ferro". pOr Plinio Corrén de Oliveira, n.0 170, de fe. vereiro de 1965. 2) Ver "O grupo Pm: e. Informa• 1io11s Catlwliques lnternationales". por Cunha Alvarenga - 11 Ca1olicismo", o.0 164, de agôslo de 1964.


DIZEI UMA SÓ PALAVRA... Plínio Corrêa de Oliveira

O

SR. NELSON Carneiro declarou à imprensa que ·o fato de haver sido eleito senador pela Guanabara constitui uma aprovação da opinião pública n'acio-

nal à sua atuação divorcista na Câmara dos Deputados. De onde concluiu q ue. na Câmara Alia, deve dedicar-se. mais do que .nunca. a derrubar a indissolubi1idade do vínculo conjugal. O raciocínio do agitado parlamentar é o seguinte: a) se êle. divorcista notório. foi eleito pela Guanabara, é porq ue seus eleitores desejavam o divórcio: b) ora. como a Guanabara "é fJ t•spêlho do puís", o Brasil inteiro quer o divórcio; e) logo, êlc, Nelson Carneiro. não faz senão obc· dcccr à opinião nacional. continuando cm sua luta pela causa divorcista. - Claro? Lógico? - Sim. . .. nas nuvens. Na reali-

dade concreta. as coisas são bem outras. Há longos anos, o Sr. Nelson Carneiro se vem faicndo notar como o Dom Quixote do divórcio. Brada, clama. agita-se, e o divórcio não é aprovado. Se não me engano.

o mais recente de seus feitos parlamentares -

cn, matéria

de divórcio, esclareço, pois S. F.xcia. também é autor de feitos cm outros assuntos - foi o esfôrço baldo que desenvolveu cm prol do projeto de Código Civil enviado ao Congresso pelo pranteado Presidente Castello Branco. Não sei quem, talvez o prqprio Sr. Nelson Carneiro. convenceu o valoroso cabo de guerra de que o divórcio seria bem aceito no Pais. Presumivclmen1c por isto, figurava êlc no projeto, sob a forma de uma ampliação dos casos de anulação de casamento. Todos se lembram ele que. a essa altura - corria o ano de 1966 - a TFP organizou um abaixo-assinado antidivorcista que, cm cinqiienta dias, obteve 1.042.359 assinatu ras. coletadas cm 142 cidades. Castcllc> Branco compreendeu a voz do povo. Antes de a campanha chegar a seu término. retirava êlc o projeto. E a investida divorci,ta. apesar de tão aplaudida pelo Sr. Nelson Carne.iro, ruiu por terra. Em conscqUência, formou.se no público a persuasão da inviabilidade do d ivórcio. e da inocuidade das invcs1idas quixo1cscas do Sr. Carneiro.

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O silêncio u nanrmc. ou 4uasc unânime. de tantos prcgt1dorcs ante a eleição parn o Senado de um candidato cs· treptosamente divorcista implicou raz.oávclmcntc. aos olhos do público. num verdadeiro "agrccmcnt" cm favor dêlc. Ou num certificado de inocuidade. Qual a ra1..ão dê.~sc ·•agrcemcnf'? - t:. para mim. um perfeito e insondável mistério. M:is o foto aí csHt Na im~ prensa não encontrei notícia de um só sermão contra a candidacura do Sr. Nelson Carneiro. Procurei informar-me com amigos cariocas bem a par do assunto: nada lhes conslava. Se algo houve. íoi como se não 1ivcsi:.c h.1vido.

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••• Da impopularidade do divórcio t..:m. aliás. inceira consciência o Sr. Nelson Carneiro. Tan10 é que. cm sua citada entrevista, afirma ser ··muito tli/ícil'" obter a introdução explícita do d ivórcio cm nossa legislação. por meio de uma emenda constitucional. Haveria muito risco de não se ai· canç.ar, para isto, a maioria ncccssári;1. "Mui10 diffci/" por que, pcrguntarnos. se todo o mundo quer o div6rcio? Então. o Congresso. que ··muito 1/i{,cilme111e" aprovaria o divórcio. não representa o País'? E se representa, como afirmar. então. que o País quer cerlà· mente o divórcio? que o Clero não quer o divórcio. d iria alguém, e tanto o Executivo q uanto o Legislativo não desejam con• trariar o Clero. Admitamo.~ ~l hipótese. para argumentar. . Se assim é, pergunto por que não desejam nossos homens públicos contrariar o Clero. Evidentemente. pela raiz que a Igreja tem cm nossa população católica. Mas. então. essa população quer romper com a Igreja e. eventualmente. com seus Pastôres, para seguir o Sr. Nelson Carneiro? Há mais. .O senador <lh·orcista apresenta, cm suas declarações. como o modo mais direto de implantar o div6rcio, fazer aprová.lo . .. às e$condidtts! Sim. Assevera êlc que. se o próximo projeto de Código Civil - sem pronunciar it palavra divórcio - ampliar consideri,vclmente os casos de anulação de casamen to. então sim. estará dcrruhada a indissolubilidade do vínculo. porque, acrescenta. ··as co11seqüê11C'it1.,· da ,mulaçào .,lo ca-

e

.ramento .,·ão prá1icame111c~ tlS m,•smas do divórcio".

Isto explica fücilmcn1c que. muitos eleitores antidivor· cistas da Guanabara tenham dado seus votos ao líder divorcista. Não os moveu, de modo algum, o desejo de ver aprovado o divórcio, mas a simpatia pelo MDB, e talvez pela pessoa do Sr. Nelson Carneiro. que dispõe incgàvelmcntc, cm vários órgãos da imprensa e.s crita e falada. de ó tima acolhida para sua propaganda pessoal. Eis - do ponto de vista da questão do divórcio - a verdadeira história da eleição do Sr. Nelson Carneiro.

••• Ao lado dêste fator houve outro. A opinião antidivorcista compareceu ao pleito intein1mcnte desorientada, de· scstimulada e desconexa. Nenhum moralista católico gcnuíno há, que não ensine ser grave obrigação de todo clci· tor católico recusar seu voto a um candidato divorcist:L Se de todos os púlpitos isto tivesse sido dito e proclamado. estou certo de que o eleitorado, que displiccntem~nte votou pelo Sr. Nelson Carneiro, lhe teria negado o voto. E estou certo de que. ncs.~e caso. êle não teria sido eleito.

Código Civil para fazer entrar o d ivórcio pela porta dos fundos de nossa legislação, não escolheria, como Ministro da Justiça. o Sr. Alfredo Buzaid. Pois, como professor de D ireito. por certo repugnará a êstc o truque recomendado pelo líder divorcista. E. dado que o titular da pasta da Jusciça se prcz:l de católico praticancc, cm sã lógica não é admissível que êle se solidarize com um projeto de Código Civil que, segundo o próprio Sr. Nelson Carneiro. implicaria na derrubada do princípio cristão da indissolubi li· da.de do matrimônio.

Veja o leitor a comicidade d3 tese do Sr. Carneiro. A opinião pública quer o cJ iv6rcio. o Executivo o quer, o Legislativo o quer. Mc1s o único jeito de êle ser aprovado é disfarçadamente!

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A meu ver. o divórcio. m.1scarado de anulação. só pas~ar ia: no Brasil, por um golpe de surprêsa. isto é. se fôsse impôsto pelo Executivo cm um projeto de lei que o Con· grcsso tives.~ de aprovar a toque de caixa. De tal m:10cira que se negasse à opinião públicil o tcn-tpô necessário pt1ra tomar conhecimento do perigo, e manifcstar•Sc contra êlc. Não me sinto. aliás. no direito de prognosticar como provável que as coisas se passem ~lssi1n. Pois há circuns· tãncias que p,uecem dil.l!r o contrário. Com efeito. há tempo q ue a reforma do Código Civil está cm pauta . O General Médici sabia que. cedo ou tarde. teria d.:: abordar a importan1c ,natérfo. E que seu braço direito, p.lr:i isto. teria de ser forçosamen1c o Ministro da Justiça. Se o Chefe do Estado quises.se - segundo aspir:1 o Sr. Nelson Carneiro - aproveitar a íeilura de um nôvo

De minha parte. e como Presidente do Conselho Nacional da TFP. tenho um conselho a dar. Ê dcsairoso p;,ra o divórcio entrar cm nossa lcgisl.1ção por um vulgar pass;..ano1eque. Se, pois. o Sr. Nelson Carneiro. ou oucro prócer divor• cista qualq uer. deseja o divórcio, proponha-o de público. com côda a clareza, e desencadeie uma consulta ao povo. Neste caso, tocará 1i CNBB publicar largamente um pronunciamento tanto quanto possível conciso e pcremptó· rio contra o divórcio (e a anulação paradivorcista) . Em seguida. dê ...se tempo pnra um largo debate sôbrc a mattria cm todo o País. E, por fim, proceda-se a um plebiscito. Se não se quiser o plebí$cito, os divorcistas recolham adcsõc.~ para suas listas de assinaturas. e a TFP paralela· mente promoverá outro abaixo assinado antidivorcista . Yer..se-á. então, quanto se enganam os que imaginam que o Brasil é divorcista.

• • • Isto d ito, volto-me para a CN 88. Sabem os Srs. Bispos que a indis.~olubidade do cas:imcnto foi instituída por Nosso Senhor Jesus Cristo. e que lei humana alguma tern o dircico de a abolir. Sabcnt tam· bérn que a élcs. mais. incomparàvelmcntc mais do que à TFP ou a quem quer que seja. cabe velar por que as leis civis não atentem contra o que Jc.ms Cristo instituiu . Para a defesa do vínêulo, caso venha ê.stc a ser ameaçado por algum truque do Sr. Nelson Carneiro, peço aos Srs . Bispos tão SOmcntc um documento revestido das carac· 1..:rísticas pouco acinrn enumeradas. E a êstc propósito lhes Jirijo, como católico, ligciramen1c adaptada, a súplica do Centurião: dizei uma só palavra, e noss;-t Pátria esrnrá salva. Pois aos Srs. Bispos não é necessário que se movam nem que se esforcem. 8astará, que falem. mas fale,n de· veras. para que os leigos façam o rc.,;to, e levem à derrota ns hostes divorcist:is. - Teremos ou não tcrcrnos o div6rcio? Esta pergunta redunda cm outra: falarão ou não falarão contra ê:c nossos Bi~pos, num pronunciamcn10 da CNBB. compacto e scn, discrepâncias? Se - como de direito - emitirem a palavra salvadora! o laica10 católico do Brasil sobressaltará. E qualquer iniciativa clara ou veladamente d ivorcista morrerá in ovo. Não quero crer que ess:'l palavra, êlcs a recusem. Se a recusassem. o desalento no laicato católico poderia ser hem grande. Pois cm tão surpreendente hipótese se lhes poderia aplicar a frase de Camões: ··um fraco Rei /111, 1

/ract1 ,; forte gemi!''.

Se. cm tal caso. o divórcio vencesse. o causador capi1 al tlcsta vitóri:t não seria o Sr. Nelson Carneiro .. .

...

Em Alcácer-Quibir exortava os soldados a luta R EI TOM{,; DE JESUS, o autor do texto que apresentamos na página 3. nasceu em lis/)Oa em 1529. Eremita de Santo A 11osti11ho. depois de ocupar vários cargos de sua Ordem e de proceder à reforma ,ta ,nesma em l'ortuga/, fundou uma Província à parte, para recolher os Religiosos que, co1>10 êle. deseja ..am viver segundo o antigo rigor da Regra. No si-

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lêncio do claustro cornpôs várias obras en, la1i1n e em vernáculo. Em 1578 EI-Rei Dom Sebastião, conhecedor de suas virtudes e zê/o das almas, fê-lo deixar o santo recolhimento, rogando-lhe que o acompanhasse 110 expedição à A {rica. Durante a batalha de A lcácer-Quibir - 1111 qual pereceria o Rei, e com êle a f/ôr da 11abreza lusa percorria Frn Tomé as linhas dos (·nml,atente.r cnm o

Crucifixo à mão, exortando-os II pelejarem co,11 denôdo pela glória de Cristo Jesus. Derrotados os portuguêses, Frei Tomé de Jesus, nwlferido de 11111 golpe til: lança, foi feiro prisioneiro e vendido ,nais tarde corno escravo a u111 11wrahuto. is10 é. a u111 dêsses erernitas muçul,nanos tidos t n1 conta de santos veios d,, sua seita. Não tinha outro intento o mouro q11< o d,, perverter Fr,:,i To111é e fazê-lo apostatar do Santo No,ne de Jesus que levava 110 coração e por apelido. A ssin,. tratou-o de início de ,nodo cordial e ameno, mas ao ver que o Religioso agoslinho não só não se deixm,a seduz.ir por suas falácias, senão que antes <> t>rocurava demover do êrro e111 que cego se aclwva, ,11ostrando-lhe as i1>1posturas da doutrina de Mafnrna, irou-se e, pouco se i111portantlo 1/e 1

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su<l própria condição de 111ar(lbuto, ou seja, de "santo" entre os seus, ,neteuwQ e111 duro cárcere onde, segundo 11111 biógrafo, davam/Ire mais açoites que alime1110. Na /ôhrega enxovia e111 que o havia pôs1<> o infiel - sem mais luz que a que lhe entrava f}eltll· gretas e l>uracos das paredes. C:0111() conta êie mesnw e,n sua famosa uc{lr~a à Naç,io Portuguêsa .. e sen1 outra fonte de inspir(lçiío que as 111ed1Ta~·i}es, e os 111ui1os padecilne11tos </W! experilnenlavu, cunwôs Frei ronu! a sua obra..prima. " Trabalhos de Jesus". liberto, aó cabo de alguns anos de cotiveiró, por mediaçiio do Emb(lix1ulor de l'ortug'11 junto ao potentado do Marrocos, 11iio quis Frei Tomé de Jesus regressar à pátria, ainda que doente e a/quebrado, preferindo ali p,•nnanecer na Berberia para pre..

gar aos cristãos cativos e aos ,ne.wnos inw fiéis, bem co,110 aos judeus, nwnerosos que/as partes. Vencido pelas muitas fadigas, morreu entre êles em 1582. Na literatura 111ís1ica portuguêsa ,lo século XVI não há autor que se lhe compare. sendo mesmo e/ramado 1/e "o Kemf}is lusitano". Clássico de grande autoridade, foi, ademais, o autor português mais traduzido a outros idiomas nos séculos XVI/ e XV·///. Os seus "Trabalhos de Jesus" (que êle escrevera se111 in1enção de os publicar. e que s6 foram impressos depois de sua morte, por iniciativa de 11111 confrade) percorreram a Europa e o 11u11ulo. vertidos para o lali,n, o francês, o italiano e, sobretudo, o esva11hol e o inglês, scnd<> que de cada uma destas duas línguas se c:v11hece111 vnze traduçõt's.

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CONCLUSÃO DA PÁG • .C

O naeionalismo argentino, uma ineógnila fico, econômico. soc:i:,I. Político e cuJ. tural. depois chi1mado nacionalismo. l)uas correntes convergentes vieram cn1fio dar corpo a todo um movimento de idéias e tendências: podiam ser con1pa-

r;)d,·1s às duas asas de um mesmo pássaro, muito ~dequadas a facilitar-lhe o vôo. Ernm o "nacionalismo p01ítico" e o •ónacionnlismo católico... Os "C ursos de Cultura Ciltólica", fundados em 1922 por Tomás Casares. Césilr Pico e A1ilio Oell'Oro Maini. rcpr~en1~,ram a aln católica do naciona• lismo, enquanto II revista "l:, Nueva República", lunçada cm 1927 pelos irmãos Júlio e: Rodolfo lrazust;1, o ffiC$mo Cés:,r Pico e outros. veio a constiluir a ala política do movimcnio. Entre os dois grupos não havia uniugonismo. m:1s, no contrário, uma colabontçfio in1::nsa. Os rcda1orc:s dà "Nuevà República·•. mais ou menos adeptos de M~urras e Mussolini. vinham dos m~i:s variados quadrantes ideológicos, inclusive o soc;ialismo. Nos "Cursos de C1.1ltur:\ Católica" César Pico desenvolvia uma série de palestras, que r..eccbcr~m o nome de ,;Convivio'', o·a s quais expunha uma síntese de aurore$ modernos - sobretudo Orteg:1 y Cassei - e Sfio Tomás de Aquino. No íinal da déeada de 30 o nacionalismo c<ttólico foi-se p0litizando paulu1inamentc e colnborou com ,1 ilia política e com grupo$ he1erogêneos n.1 preparnção do clima que propici:ui:, o :1dven10 da revolução de 1943. com a qual se abriria a em f1CrOnisH1, Iniciouse com C$ta uma nova época na hi:StÓ· ria do nacionalismo. NA F.RA PF.RONISl'A

Es1a segunda época foi marcada pe,la Polili'zação cada vez maior do nacionalismo católico, através do movimento "Resrnuraci6n", íu1tdado cm 1937, e do diário "Nueva Política", lançado cm 1940, a.mbos por inicia1iva de clcmen• t<>s dos " Cursos''. Enquanto no plano interno o movimento, em seu conjunto, colaborava ead:, vez. mais com o peronismo. no plano internacional ia-se iden1ificando com a causa do Eixo nazi-fascista. Logo que Perón ascendeu ao podu, vários lide· res do n:·, cionalismo receberam postos de :1lgu1na imJ)Ortânci~, na Magis1ra1Ura e nas Universidades. Quando o demagogo justicialista começou a atacar a Igreja. os nacionalistas foram-se disianciando dêle e até mesmo conspiraram para a sua derrubada.

efémero govCrno do Oeneral Lon;,1rdi, Nas eleições presidenciais de J958 i:1poia. ram Frondiz.i, ex-mili1an1e de organizações paralelas do comunisrno. nhando Frondizi, vários nacionalistas vieram a ocupar cargos importantes. dos quais foram apeados em 1962 com a deposição do Presidente. Nesse govêrno o movimento mostrou a inda mais seu oportunismo e seu caráter di:)lé1ieo, Par;, as elei~s prcsidenci:"tiS de 1963 foi intensa a atividade p01ítica do nacionalismo. Suas duas nlas dedicaramse à constituição de uma ·"Frente Na•

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cion,)I e Pop1.1lar··. d:.1 qu:il o peronismo seria ingrediente fundamemal. Com o advento do regime Oogania coincide o impulso internacional a fa. vor de um desenvolvimcntismo fundado cm pressup0stos relativistas e materialislas. que considerava ultrapass.ada a époc.a das disputas doutrinárias e conduíia a um sincretismo ideológico. O n;1cionalismo, longe de combater êssc sincretismo, enttegou-se a êle. Essa é a sua a1i1Ucle atual, que revela o fundo r~1.-,1ivista que sempre o animou.

Doutrina aparente esconde a doutrino rea l O nacionalismo sempre teve uma doutrina dupla. A causa dislo está. em que. desde suas origens. êle se nutriu da fôrça do Catolicismo {que renascera no principio do século. a partir do p0n1ificado de São Pio X e das aparições de Nos;" Senhor« de Fálima), o que o obrigou a falar de um modo q1.1c o 1or· nassc acei1ável para o povo fiel. M;1s s imullâncamente sofria a influência de· cisiva de autores e movimentos europeus que lhe serviam de inspiração. fs. to deu origem :-. uma tloutrim1 11p1u<-11te e uma doutrina re'11 na temática nacionalista. O u seja. uma doutrina que se utilizava para fins externos. e outra que na realidade se professava. Os nacionalistas lcv;rntnram-se de início <:Ontra as mentiras da "legenda Negra'', q,,c procurava denegrir a obra civili1.ador:1 da Espanha católic:. e 1radicional. Ao mesmo tempo. contra o ce• ticismo liberal, afirmavam 3 existência de uma Verdade absoluta; contra o relalivismo moral, professavam a sujeição 'do homem à lei de Deus, eterna, imut:ívcl. No camr,o social, opunham-se à maré- do igualitarismo e pregavam a necessidade de hierarquia, colocando-se assim intransigentemente contra o socialismo e o comunismo. No cantpo po~

rasiano. porque não reconhecem à lgre-ja sua superioridade sobrenatural. Em política internacional o n:icio, 1H1lismo apregoa uma conduta ''inde· pe11den1e.. , que nfio vincule a Argcntin:, a nenhum dos .,supcrgrandes". Ter rc· lações com todos os países do mundo. qualquer que seja seu regime p01ílico. comerei.ir com quem prm:cer convcnicn· 1e. e íornu1r um bloco :\nterieano de nnções',em vi;1 de desenvolvimento.

Uma ·incógnito em constante evolução A tert eit:,1 p(1rte do livro é dedicada u uma extensa de.scriç&o da "Evaluçifo do11tdmírit1 tlv ,uu:iom1lismo 11/mvés de suu:r rrfs épof<1s 1,;s1óricas". São nrnis de cem páginas (pp. 121-244) de sólida e abundante documentação, que demonslr., à saciedade as teses apresenta· das na segunda parte da obra. Os texlOS citados são mais de quinhentos, mmados de livros e de artigos de im· prensa. de autoria das mais conhecidas personalidades nacionalistas. Depois de analisada a doutrina do m1cionalismo chegam os Autores à conclusão de que. •·.rob â ,,parfll(;it1 ,le uuw p(Jsi,·,fo Qrtmloxu, c11télic11 e hispâ11ic,, 1

r<-foth•ismo ili11fiHcu. <m~·iusu dt• (lt' <JIII • pa11l1ar a mo,ld 1'11tefec1ual, políri,·a, social e ~con{u nicu dó mtmdo cm que vi-

'''-'"'ºs',.

Apontam. ~1 seguir, ··um" cõr1sumte 11a trajetória tão dialiticume11tc im•.·cns· llml~ do uacicn,,Usmoº, Consiste clu cm que êste, "desde .suas remota~ origens até n< >sso~· <Íi(1.)'. reivimliu, i11fatig1lvd~ mente uma ·'Arge11ti11u rtal" por oposi•

çcio ,, uma ''Argttntiná irreal". NQ conceito J~ "Argeuti,,o real'' a phltlvra "Argtntina" é àb,•i11111e111e dara. N,io o ; 11 pc1/(lvrt1 "real'' (p. 245). Mos1rnm. então os Autores o que os naciom,listas: entendem por "Argentinu real" : ''umu Argl!fllina em u m sllmte muta~·,fo evolutiva e dialéth:c,, qut rompe su11 identidade d~ alma ,·om a Arkhllilw ,lc outrora" ( p. 245). E não a Argcntinà tradicional, coerente hoje cm di.:1 com a person;1.lidade n;tcional que nela se modelou desde os tempos da colônin, como um homem que con• serva a mesma identidade tanto na infânci~l como na ida.de madura. O.ra. as bases nacionalistas entendem por "real" exa1amcntc:: êste último conceito, que se opõe ao conceito dia~tico profc$S(1do pelas cúpulas do movimento. E daí vem uma contradiç,ã o cnlre o significado ideológico do nacionalismo ao nível de dirigentes e as: convicções e

;1spir.1çõc~ doutrinárias e his1óricas de sut1 base. Fin:,lizando, os membros da Comissão de Estudos da Sociedade Argentina de Defesa da Tradição, Famílfa e ProPriedade põem algumas questõ:s d ianle dos jovens de boa formação cris~ tã e verdadeiramente patriotas que, cn· 1re.t:\n10. coníiam aind:1 no nacionalismo:

"1 -

Que posição culotarú o na. dom,lismo. C(IS<'> chegue à A rgc11ri11a a ,nula Je rc/orntt1s de base.· propiciadas pela esquerda em gemi, t• 1nesmo pelo., Estat/Q.,· U nitlo.,· atravé,t ,la Alia11ço pam o Progresso t outros programas dt ajuda ecom)micc,?"

lítico, cansados da demagogia partida· rist.1, prOCl:\mav:\m ::i. urgência da res· 1111t;/ibcm1I C! 1mticcm1111i.m1, oculta•st• um lauração da autoridnde. e, junto com e la. a dos corpos i11tcrme.di:irios. através do corporativismo. Con«udo. por falrn de originalidodc: pan:1 conlimmr a tradição hispânica nos temPos aluais e por falia de sólidos princípios católicos, deixaram-se levar sistemàtican,ente pela \lltima moda dos movimentos europeus. a começar pelo fascismo. Esta forma de snobismo levou-os a sustentar doutrinas OPOStas ao ide;1J que anunciavam inicia lmen1e. Adotaram o evolucio11is1no hegeliano, que lhes serviu para justificar seu próprio evolucionismo. o qual Pode enunciar-~ do seguinte modo: há unHt consiante OJ)Osição enlrc o país real e A Tl!RCl;IRA FASE o país legal~ dessa contradição resulta O:.:p0is da queda de Perón, os n::t· uma crise, da qual surgirá o Estado na• Dr. Aurclídfo R. de Souia, São Oom.ingos do P111ba cionalislas g3lgan,m :llHts p0siçõcs no c ionalista. qualitativ;.amente dis1into do (MC): "Estou remetendo um cheque para renovação da miEs1ado liberal, mas 1an1bém diference do nha assinacura de CATOLICISMO, jornal que lenho na regime hispânico da época colonial. Bs- mais alia estima, pois fo~ ver a todos como deve ser um vcrse evolucionismo dialético. adotâdo com dadeil'O católico. Concordo plenamente com todos os seus cino estratégico, serviu aos nacionalislas pon1os de vis1a. Que Nossa Scnhorn continue dando :1 sua proteção ~l tão nobre ideal"'. para seus fins políticos. Como resultado. tiveram o relativismo. que foi a cons· Sr. P11ulo da Costa Macbado, T atuí (SI'): HNão renovei iante que nunca abandonar,,m, e a pis- ~• minha .-ssin:Hurn, [., . 1 pelas seguinlcs: rnzões: 1.;1) não MENSÁRIO rn. por onde correram sempre, deslocan- concordo com o que o cilado jornal !CATOLICISMO) com do-se cada vc,: mais da direita para as escreve, digo em p:1r1c.s , porque há coisas que é aproveitável. 2."') ~ jornal muito caro a lém de vir só uma vez no mês APROVAÇÃO ECl.l,SIASTICA pósições esquerdistas. (CrS J0,00) quando temos semanários como Lar Católico, A mentalidade dialética do nacion.t• C:.mpos - &r. do Rio CrS IS.00 o San1u:\rio de Ap<1rccida, Cr$ 10,00. São Jorn<1is lismo apóia-se sôbre uni princípio im. Dirc1or muito mais instrutivos, explicam as missas de todos os doplicilo: a Verdade absolu1a é limi1ada mingos e o que êlcs escrevem estão dentro do Concílio Mons, Antonio Ribdro do Ros~,io e pouco vital; a$ realidades relativas, Vaticano li, o seu jornal só vive acusando os outros padres J.>ll'C'lorla: Av. 7 de Setembro, 247, caix.1 pelo contrário. são muito mais nume- coinci1ando os leigos à revolta. Eu peço aos senhores que pos1al 333, Campos. RJ. Actminist:ni.çio: rosas e têm muita influência nà vida. leiam os documentos do Concílio Vaticano li, e vejam que R. Dr. M:1rtinico Prado, '271 (ZP 3), S. Daí a grande importância que êle atri- a Igreja cs1á 1odinha dentro da Bíblia''. Paulo. Agente parn o E$1.ado do Rio: Or. bui ao "his16rico". A dialética dos na· José de Oliveira Andrade, caixa postal 333, Sr. (H$$inldura ilegí'1elJ, bibliotecário da Faculdade Dom Campos, RJ; Agtnlt pam os Eslados dt cionalistas distingue•se da dos comunis· Bosro de fo"ilosofiR, Ciên,d.as e Letnts, São João dei Rei Goiás, Maio Gl'O~ e Minas Gtr-.tls: Dr, tas porque. enquanto para êstes a natu· (MG): ..Sõbre o jornal CATOLIC ISMO quero manifesrnrMihon de Sallcs Mour:io, R. Par:iíba. 1413, reza física é a única realidade. os pri- mc como Bibliotecário. procurando colher as opiniões que 1clcfone '26-4630. Belo Hori1.on1c; Agente: meiros crêem no espírito;. par-a êles a ouço dos seus lei1ores . Pllr.l o F..slado dJI Guanabara: Or. l..uís M. Duncan, R. Cosme Velho, S IS, 1cleíonc evoluç~io da História é uma manifesta· Antes de tudo um" :1dmiração pela su•• impressão, 245-8264. Rio de faneiro: Aatnte pôlra o ção da Providência de Oeus. Sendo as- :,p1·c.sc,nrnção, pela s-ua constância> idealismo. etc. lf.:.stado do Cc-~d: Dr. Jo~ Gerardo Ribei- .s im, ,1eompanh3r e servir a evolução é (, •• J A s críticas mais comuns são: ro, R . Sc-nndor Pompeu, 2120-A. For1ale1..n; Jornal da direita, extremista, saudosis1a. 1radicionalista, realizar a vontade de Deus. etes dizem Agenlts pana n Ani:tnUna: "Tradición, Fa, incapaz de compreender a evolução. visão estreita da readeixar a salvo da evolução aquilo que milio. Propicdnd.., Casilln de Corteo n.0 lidade, pontos de vist::t muito limitados, incapaz de compre• J69, Capital Federal. Argcntin:i; Aa:cnlc chamam, de um modo vago e imprecicnder o adversário, de se col«ar no seu lugar. p:..m a Espanha: Josl Maria Rivoir Góme1,. so, o "fundamental", pelo que suas re• Sempre houve grupos ex1remista.s que [ ... J vivem sõapur111do 8 182, Madtid, Espanha, verências ao absoluto não lhes entra- bre o mêdo constante de que êstcs males (cuja vinda anunAssin.-aturas anuab:: comum Cr$ 1S,00; vam a marcha evolucioni.sta. ciam) acabariio con1 :i Igreja e sociedade. A Igreja Ca16cooperador c,s 30,00; bcníc:i1or Cr-S 60,00: A dou1rina so<::ial, polílica e econô· l ic.a es1ava também nesta linha: só condenava, só ela acert;r:rnde benfeitor CrS 1S0,00; scminnrisias mica do nacionalismo assemelha-se ao tava, só ela tinh:1 a verdade, tornou-se uma seita. O Concílio e e.swdun1cs CrS 1'2,00: América do Sul maurrasianismo e ao fasc is.mo. O homem abrill a Igreja e nós temos· uma série de atiludcs mais hu~ e Ccnlral: via mnrílim,, USS 3,SO; via :i6rc:1 USS 4,50: outros países: vi:, mr1- é um ser social; o individualismo é um m:mas e m.:iis ev:-.ngé1icas. N5o que tudo esteja certo, pelo ,ítima USS 4,00; via 3érca USS 6,50. Venda grave mal que destrói a nação: uma eli• contrário, [Ela] procura ter ~\ humildade de bater no peito. avuls:"i: CrS J ,SO. O CATOLIC ISMO não pê1rccc ler encon1rado o espírito h! vigorosa deve reagir contra is10 e Os pngamcnios, sempre cm nome de Edi- impor a ditadura. A economia deve ser m~1is profundo dcs1as 1ransform:tçõcs. ~te mêdo se alastra sõbre o nome Comunismo. Hoje tôrn Padre Belchior de Ponrcs S/C, poderi:g idamente controlada pelo Esiado; és· lêste) é diferçntc de anos atnls, está cm cons tnn1e evolução rão ser encaminhados à Adminis1rnção ou te impla ntará a reforma agrária. As como tôdas as cois3S humanas. Muilas vê:r.cs atribuímos os aos :igentcs.. A corrcsJ)Ondênci3. rcl:ltiva a os:sina1t1ra5, e venda avulsa deve ser envi:1da corp0raçócs de Eslado reunirão 1ôdas a.s erros dos avós aos ne1os t ••• ). à Adminis1ração. P::.rn mudança de cnde- c lasses produtoras, tornadas antagônicas réço de assinanles. é neeess!rio mencionar pelo capiH1lismo liberal. A Jgreja ~ uma tamMm o cndcrê~o antigo. parte da nação com 3 qtml $e deve cn, Composto e impresso n:t trar em uma relação de paridade. por Cia. Lltbogr.aphlca Yplranga meio de uma Concordata; deve-se dar R. Cadete, 209. S. Paulo à educaç-1.o um con1eúdo católico. Es1as posições são de fundo maur.

@JAfOlLICISMO

6

"l - Que ut;11,de tumurti u mu:ioualismo no caso de s e <lesalar a ofensiva de luta de classes que está em gestaçcio em 11mbientt's progressisia,t católicos, para a implanwção 1/e "'" regime SO· cia/isu, cristão, 110 rstilo dos Sactr<lotes do Terceiro-Mundo?" --3 - Que atirude tomará o naciO· nallsmo como corremt culwral, ,lia11te ,lo fatt1 do progressismo que vai inw1clindo temlvelmente certos m eios católicos, extravosan<lo daí para todo o am• bit11te do país?.. (pp. 246-247).

E os Autores antecipam a resposta q ue se depreende naturalmente do que íoi vtsto a respeito da doutrina e da história do movimento nacionalista: a atitude dêste será de aplauso. Põem. finalmente, un~a quarta pergunta - a qual deixam sem rt:SPo:Sta - esclarecendo que ela é apenas uma das que se poderiam formular com relação a hip6teses mals ou menos remotas mas que de um momento para outro são capazes de concretizar-se em perigos próximos:

..Que llfltude torrwrá o naciom,lismo 1.mt11 a política dt coexii·téncia com o

comunismo, d(ldO ""e as perspe,·livas parecem apresemar como possível ( e Roger Garoudy. o co11hecitlo "1éc11it:o" comunista da aprQ;ciuwção do conuml.\·~ mo cQm a lguja. e.trá~e ocupa11do disso 110 momento) uma distensão da

guerru /rla, SQb a condição de que o.t pufa·es ocidtntais se socializem e os CQm1111is1~· -

na aparincia -

admitam

c'.m algo o princípio tia livre iniciativa e da propritdade privada?'' (p. 247) .

O livro encerra-se com uma súplica a Nossa Senhora de Luján, ''Mãe de Deus e Rainha da Argentina", para que obtenha para ·os Autores e para todos os Que desejam o tri\lnfo do seu lma· culado· Coração. as graças necessárias path lutarem eficaz.mente na prepar.lção dêsse dia glorioso.

Muitas vézcs fazemos a caric11lura da re.ctlidade exagerando os erros ( . .• J A posição conservadora é muito váJida, ( .•. ) pois é· um fenômeno humano. 1. .. 1 Mas também os conservadores têm que evoluir [ . .. ). A pessoa está mais preocupada em defen~ der seus conteúdos dogmáticos do que analisar a realidade. ~ um médico que sabe muito sóbrc doença. e não conhece o doenlc 1. •• !. Agradeço esta oportunidade de manifes tar a nossa opinfto. e, umn abertura do jornal, muito válida que poderá ser ú1il a todos os leitores".

• CATOLICISMO scn1e-sc feliz em se saber cri1icado por pessoas que adotam posições evolucionistas, prc1endem que a Igreja Se transformou numa seita e julgam que o comunismo 1'hoje ~ diferente de anos atrás". Prof. Jo~ de Alencar Feijó B<ocvides, Macapá Cf•rrl· tório do Amapá): "! ... ] êssc exccleole jornal CATOLI· CISMO, inlrépido paladino da genuína fé católica".

Revmo. Pe. Fr<i Teodoro de A. Chaves, Criclúma (SC): " Rec.cbo com verdadeira alegria e.ada número do mensário, sempre. ao menos para mim, portador de uma mensagem dara e positiva sôbrc os problemas que agltam o mundo de hoje. Vejo com alegria que o jornal n5o se impressiona devido ;,t seus contestadores e adversãrios; publica-lhes aberiamcnte as cartas com reparos e acusações. Muito bem! Com isso a Redação faz um juJ:z.o p.ositivo dos seus leitores. que julga bastante inteligentes e insttufdos: para saberem dis1inguir e joeirar o trigo do jôio. O jornal apóia o Sociedade TFP, e vice-versa. Duas fôrças para a difusão da Verdade, recebida a apregoada sem meios-têrmos e sem respeitos hu.n1anos. O que acho admirável são ê.sses grupos de moços, que se consagram corpo e alma às uusas do bem familiar e social. civil e religioso do nosso p0vo: d!s-te povo mara~ vilboso. portador da Verdade católica e rico em tudo o que é humano. Mas, também, povo insidiado pOr falsos. profetas, no campo religioso, e p0r pregoeiros de ideologias perversas: e dissolventes. Consola saber que há Pastores vigilantes, como o de Campos, e um Exé.rcito consciente e decidido. para dcs· mascarar os falsos profetas e abrir os olhos dos que, em sua ingenuidade, seriam arrastados como récuas·•.


CÃllCe{n

))O(OJ,-IJ 13JJ3eJit1NT.

0

PESAR DE ~-obrcc;1rrtjtado d<' rrnb;1lhos. c.m 180? o Padre Vlrt,:inio j1il,:ou o momento oportuno p~r:t pôr cm pr,cku. os Sl!us novos pl:rnos sôbre n.,;: · "AmiC'bk-" du Itália, Decidiu ir a F1oren~a, o ndc a~ relações que tultivnna nos círculos Hali:i.nos- qut frcqücn• ta,·:im o suli'ío dJ1 Prince.~ Ro~-plJliosi em Vfcn;1, ' Jii rlnh.-i.m pttpanulo o umbitnlt pará :i f prm:1('âo de um.a ºAmici:'.tl;'1''. Como não podi:t dcmornr-sc, c-scttveu ;10 P;1dre Lunltri propondo-1hc um tn, conlro 11aqueln cid~tdt. lntelb.mcnlt,' o Servo de Otus não pôdt dclx.1r Turim e os dol~ amigos:, :10 qut partcc-, o ão Sot- vlrnm, depois de lantos :mos

....

..

PROGREDIU RÀPIDAMENTE A "AMICIZIA'' DE FLORENÇA

de stpanu;io. Em Flon-nç:a, o Padre Vi'linlo pre><urou u Prior d.:1 Ordem Mllil:1r dos C:av1llciros de •S;inlo t<:Sthiio, Leopoldo IUcasoU Z:mchini, que prov!lnlrntntt já conhtccr.1 "m Vlent,. EnllLd11S:mádo ptlo gênero de 11po~1ol:1do :1 que era convldndo e cali· vado ptlo Ulo t pclu ptrson:1lld:1de do P:1drc VirgJnlo. o Prior RkasoU lomou~o (OlllO dittlor espiritual e J>Ó$ o stu p::il:klo à disposição dêle. No Pai/ido Z:anc-hinl ruJOO)n,rn-st a._,; primeiras reuniões da ''An1ict'.t.ia" tm t-·1orcnç:1. N t fe $e instalaram dtpois a blbUolccn e as outrá!, nlividndcs II c1uc se dedicavam os AmlJ:os-Cristãos. Cidade célcbrt pelo seu J(Ôsto ar1ís1ko, onde :1.s div,•rS3.S rorm.u dt- btltz:, si'io cuUivndus· tru todos os meios sodnls, famosa pelos seus lllcrutos. e q1•e poucos anos anlt-s obrig;tru a cõrcc do Gr.io-Ouquc Leopoldo a se relirnr pnra Pis:1, tm vlrludt da opost('i'io do povo, nobreza e Clero à política rt\·o lucionirhi qut :tquêlt Príndpc tentãr.1 impor ?a ·ros, cun:t, Florença era um c:1mpo multo promlssor para o upo~lolado conl:ra-rtwolucionário. Com o 1:1cto t . o discernimento que possuía, o Padre Vi,ainlo. para Utar • o m'-xlmo proveito dw,is boas tendêndas. deixou tamMm íund.ad.a umn Academia litcd ri:1, a "~onvt.l"Sll:tJone CrL..-lan o Callollca'', que se r eu1lla periõdkamcntc pi:1r:1 Ou\'lr conferências de c:,tólicos espcdalmentt convidados para falnrem sôbrc os ruais variados te-nutS, considtmdos à tu-i da doutrina dn htrd:t, Niio pode-ndo dtntomr-sc muito, logo dtJlOls de instalada a •*AmlcbJ:1·, o Padre Vfrglnlo vollou p:.m t Vlt'n.;1. Niio ):C s:.ibc .se pn$Sôu por Turim, mas tnlre os pi,péis do Vcncrúnl L·mlcri se cn, ('Onfrarnm unotatõcs su .-1..~ s6brt o ('Sf;ldo dns- " Ami(i'.dc'' ltaUana.~ e as 'POSSlbilld:adcs de fund,,fá.s cm ou1·rM cldi,dts da penínsul~, be:m como a indic:1ç-rao de ptSSOâ.'1' que poderiam ser prO(ur.1d11s, com proveito parn ,o apo~1olado. t ccrlo também que o P.tdrt Virglnlo propôs :.10 Padre Lantcri que vi~lta~-..c lôdas tsSa.S dd~dcs paro conhC'ctr pcsso~al, mC'nfc o., novos mcml1ffl,"' dll~· "An1id:de" ~ no mt'.~•

I VRRAM larga rcpert· u~fio em lodo u ISrnsll as aflmrntões do Sr. Gt11en1I Humberto de Soo:r,a Mt'IIO, Comand11n1c do li F.xéreito, o qual, dl~un:undo na ln;1ugur.1ç;io do ;mo le-

T

SERÁ BOM O COMUNISMO QUE

- SEJA ATEU NAO E BRUTAL?

llvo do CPOR de São P:mlo, verberou a atu:u;ão do Clero e;Squtrdis:t:a e .iludiu :.1 dois Arcebispos que ''pn=coni.urnm p:,ra noss.-i p~rrfa a :1dotão do r e· glmc comunl.~'ia do lipo cxlslenlt: n:l lugosl:\vi:i e na Cht<:os•-ováquta... O Ctn1ro de Jnío nn:1ções F..cclt"s l;1 Cn-:C-SP, or~inbmo ofki:ll d::i Arquidioct.sc de S:io l'aulo, .:1prcssou-se :1 d:,r diJusio .i um:1 nora e-m que procura afano.somente rtfutàr as opór· 1una.s conside-r.lÇÕcs do Gtnt'ml. A ('onlro vér~fa cntr(': o Comanda nte do li l~xfrc:lto t' o Arcebispado p nulopolllano mcrtecu brilhan1cs comentários do Prol. Pllr1io Cõrrêa de QJi. vr-irn cm dol$ de stlb' ;1rtiJtO$ stmanal$. p::irn a ''F61ha de Sio P.-iulo... Ho)t qut'rtmos f04.·rdlzur :1pe~~1s ê.stt tópico d::i nota do C I EC: ··Pnl':l a Igreja, de ft'llo, o comunl~nio sovl~lico. thlnés, lugo~h1vo ou cl1eco. <!On1inm1 sendo filosõOc-am,ntt' nteu e mnu, poli1k.-irne,111~ dltatori:11 e ec:onúmic,unenlc dlsc-u1,. ,•ti. A~m «>mo o eaplfalismo. ou nwc:&pilali.srn o, também, é um si$ttnrn m:.1terit1lb1't11 gerndor de ir1ei;:ávd,s injusliç....s t diferenças entre. indivíduos e povos·1 ("O São P:rnlo'\ de 6 de março p.p.). 1-: ttamos cm prestn(':1 de ch11v::io 111'.i muilo 1,m1>0 cm VOJita nos ntt'IO.s d:,- t'SQUt'rd:1-c:11óllc:-a t qut, mil vêu.s refut:ido, volto sempre, rio proscênio, sus• fcnl:mdo a dis'linçrio c.!>l)ecios:1 ~xundo a qu:ii o çomunim10 t o socinlisrno cstarh,m conden;1dos en, qu;mfo filosoffa de , ·ld:1,, 011 cnqu:mto ditaloriais e inimigos da J~rcja, ~ndo pottm aec.11.ávcis cnqmmto mero sl.stcm:1 011 regime t'COnômko. F:1l:ki:1 Stmclhanlc 3quela c1uc afirm:1 que só J>:iO condt'Í1:h·ci,-. o comunisn10 c o soci:dism o quando imposlos pór m,ios violt'nfo:., .se-ndo p eríeil:un,nrc .tceH:heis ~u.tn, do hnpl:rnt:idos por " evolução''. b1o é, p or vfa clt'irornl ou lea;:.ts1,11iv;i, Aeobt.rta 3 doucrina soci:11 da IJ:,rt'j:1 scmt lha nle disllntrio? Vej:1mos. Diz lA'âo Xllf - e com êlc Pio XI - que " não pude t:rL~ir t:1J>il:1I scn, tr:1, b!llho ne m tr-.tb:1lbc> sem capital.. ('·Rcruin Novunim", 1.5). l'ôrl:mro, de :u.•ôrdo com a orgunlcl· d.'!dt d:1 vida SO<'i:al, ™e~ doii. eltmcntos se .issochun livrement, por r.lt.Õts de mÚl'uo inteffssc. 8 diz 1:11111>-é.m o Pontífice d~, Aç;it> Soti.ll: ''N;, "'crdade, como é fiicll de <'On:tpreender, a ra:,;io inlrínSC!C':J do l.rnb.:ilho e mprt"tndido por quem exerce um:t :,rfe lucr:11iva, o nn, in,t dl;\to vis."ldo ptlo lr.ib:ilhador, f conqub1ar um bem que Jht pcrttn<'cr,; ,·omo coiso própri;,. 1- • . 1 Porfanto, st.

m o tempo co m,h1h1r o estado em que esf:..,; ~ tncontr:o•,uu. Ots~ tntfio, o Pudn t..nntui plLSSOu a dirigir o mo'Ylmcnto na UáHa. A "Amiclzia·~ de Floren('u pr()-8redi11 n)pidamtnle. Foi nela que o Marquês Cc.-.:nre Tnpardll d 'Axc-glio de-u início ti sua purtklp;;içfio lnltnso n~ ubr-.ls do Pndre Olessb:tch, :1té se Ormur como um dos princlp;1l,; t.Slcios d:,s •'Amklzle" UaUa.nas. t.le j/i frnbalh nrn wm o P;1d:rc IAtnlcri C1Jl Turlm, mas o.s seu.s devtrts rulliH1.rt$ e potiUcos 1inh:tnM10 impedido dt se- c:nlrcaar rompleh,mtnte ao ,1poS1olado. Qu:indc, o Piemonte foi incorporndo à Repúblicn fnmccsa, n.ão qul,; conlinuar à vh·tr tm SU.l dd~tdc n~t:11 sob o domínio do conqul-.tndor da p:ilria t' rcti.rou-M' purn Florcnçu r-m uiHo \'Olun• f{trio. M~as::s:imo d'A:tca,ll01 tm seu livro " I miei ricordi .., dtscrcvt os arnbltntt.s ílortnlinos: freq·üenr11dos por suu familia, pondo cm rtlêvo a amizade do p,1i com VHforio Alfitri, o qm1I, jí nlho, 5e 11proxlmilva d.a lgttJ;:1 deP-Ols de ter ftvado uma vídu avenlurelrn e sem rclialão. Nos salões de AlfierJ reunlam-$e os lit,r.itos UoUano.s tlfr-,1ídos pe:la )Ua fomt1, t o Marquts ~ :,rt d'Azcglio rc.vc ncx,;e 1in1blcn1c a po~ibllldad, dc conhcctr bem 3S con• licqüénclas dt~astudonlS da dl.ssemln:tção do$ HTO~ rt'volucionários, e a necc~idude de um ,.,,~1011tdo c1uc- os combatt!-.'l'C com cfklênd:... O Prior RkasoU e o Mnrquês d'Azeglio loruarúm•se os líderes da "Amicb.la" ílor,nllna e puderam eonvcnccr os oulros membros des1n da con'Veniênda de lançar uma rcvlstn. Stndo pou~os os colabon1dores dt que- po<Uam dL~or, ttsolveram que o nôvo órg;io publlcnria lrnduções de bons :utigos tstm:np11dos n0$ periódicos c:1tólkos do F..xte· rlor e apcnns um ou outro nrllJitO originnl. A 30 dt' ;·~õsto de 1803 SIIÍU o primeiro número, com o rflufo de ·•L'Ape" t o sublÍ1ulo de ''Scclfa d'Opui(.Uli IHtcrari e mornli es traUi per lo plú da rogJI pe.rlodici oltrnmontani'', Desde issc primeiro número ••t:Apc'' apresentou rt:Jitularmente 11rtigO$ do M;1rqub d'A~cglio, com o pseudônimo de Ottavlo Pon~oni. Nwt mu-rno 11no o Padre l~unterl i,ildt fwxtr a ~i11gem que lhe fônt sugerida p<!IO Padre VJrRiuio, Visilou primeiro MIião, onde a ' 1Amki1.la" e-st:1\'a quase extlnh, (porque ~eu principal rc$pon.~nl, o Conde Ptrlur.UI, era muito fit-1 à Cnsa d'Áustriu, a persti;tuiç:io revolucionária de.stncadcàda conln êlt uting.irn lambém e prtjudicar., ba.~an1e o apostoha· do que d,stnvolvfa, até que ac:ibou sudo pfTso ~ dc porlüdo). O _ P adre l.,3n1erl r te-rttue-u a 01.SSOCla· ç,io a,;onl7.nnfe, com o t::icto e a habllld:i.de que ttmprc dcmom."ttava e tia \'oltou a s,r o que rõra 11111ts dns vklssl1udrs provoc11d11..1 pela Revolu-çiio FrimN·.S~I.

reduzindo a.5 ~uas dtspeii:i1s, chegou .i fazer 11l~u· ,nas tconomfas. e pnr:1 assegurar a rua con,;e rv:1tiio, :i.~ ,mprtga, por exemplo, num c.-.m.po, lorn:i•st tvidcntt que êssc campo n:io é outr,1 coisa ~n:io o sid:bio trnnsformado: o tctTeno aS$lm :u1quirldo sem proprlcdudc do arriíice com o mesmo lítulo que .- ttr:nuncraçiío do St'U tn-Lb:ilho. M::is, quem não vê que é prtchmmenlt nisso que consi'ite o dlrtlfo de propriednde mobili~ri::1 e imobHhirla?" ("Rcrum Novorum'', 4), So~1enla lrunbé.m a doutrina social d.a litrcJa como princípio bih'ico a dcsigunld3dt sOC'lal: uo primeiro princípio :1 J)-Or em evidência é que o homem dc'Vt aceitar tom paciência :t sua condição: é ímpo.~ h·eJ que na sOC'lcdade (ivlJ todos sejam clev·:ad<'S ao mesmo nível. ,~ $C!m dú"·ida, i.sto o que de~j11m os socl:lll.stos; mas contra a n:11urez:1 rodot os esfot(os s:io vãos·• ('·R,rum N ov-,1-

s,,

rum"', 14), Efcllv:imcnle, dlum os comunist~ todos os p11° trÕt!. e proprietários siio txplorndorcs, ladr~s da ·•m:1ls vall:t'', e.wrnvlz;,dorc.s dt' qucm tmb::dha~ O doama tt\·Olucionário da ljtuald:tde prcctlhm que ~ cxllngu:1 t'S.',-:1 classe. A c;íd~, um stg,11ndo SU.l cap:1C'idade-, eis o que quer o soclall~o. Não bas,. t:1, po~m, ln1plan1ar n sociedade lecnocnílica em que rtin.:mi :a com,pcténda profis.,ion::11 t .m \'CX dos privUé-g.los de s:mguc ou de fortuna: tS,<;a é uma fo se inlcl:ll. provb"drht, Vln\ o dia cm que se poderá eJ.1abclcttr: :1 cada um segundo sua heces.sldactc. Eis o comunismo plcn:1mcnle r,enli:r.ado. '!n1rc1.:m10, visto não se achar :i má.S$.11 cm e:ondifõcs de g,rir seus próprios lnterisses, :1ind.a cst6 longe é...,,·e rclno dn complela :amtrquhl, em qut C11da camamdtt St' lomacl seu próprio· rtl. Enquanto b1o niio r,contec:,, vor procur.1ção d:a colt'tivld:.:ide (que :1 nós m,.sinoS: nos oulorgamos) nós, os membros d o p:trtido c:om1111i.sl:1, consfltufmo-.nos no Estiado h.1f.lllh1rlo ~ ,)ttt.mos a~im os ünicos patrões e os únicos propritf:írios: somos :i dil::idur::1 do prolct;:erfadu, Ora_, fs..~-c :u;:1mbarumc.nto do poder eeonômlco n:1s miios d o Es-1.-ido comunist:1 E co~ •~di.sculivcl'' à lu:i da doutrina social da íKrcJ,1, eomo quer o CIEC~P, e com êlc fôd::a a ~squtrcfa-cac6Uca? Os Sobu:mos )>0111ífkts que se oeup:tr.1m do ·~~mnto 1ê1n inv:irl.h,ln:iente afinnado que se tra1a de um êrro mon.-1ruosc>, . o qm1I conduz ~ e-S.C·r:&vi1:1ção da humanld11dc 3travts da economl:;1, e db·.cm ~ não t"Xduslv:1mtnlt' ,m deícsa dos p:1lrÕC$ t proprlcl:\rios dt ten-as c de bens de produç-:lo, nrns sobtt'ludo cm defesa dos ctonômic:amenlt' m;;iis (nacos. Dedura Lcão XIII: "Assim, l4 (Onvcr-

O bilo du ··Arnkh.ia" cm Floreni;a dc01ons1n1va como c porlun.:1 .a cxlstincifl de ''L'Ape". O Padre Lanrcri, apro·veltando )ClJ:\ viagem por oulras eidr.dcs, prô("urou angariar àSSlntt1un\S e co.. lttboradore.s piara n ttvl~la. f.m Pnmu.1 rei.idla liio o Je-.suíla espanhol Juan Andrés, o qwd tinhia g,randc renome nos meios li1trá.rios. inclu.sive por ter escrito orna t.q:tê-cie de ,ncJclopfdla Uterá.rln tm sete 'Volumes " Ocll'or;xine e S1á10 :lt1u:1le d'ognl lettcrufur-.1•· cnlâo muilo oprtcla.da. O Padn Lanltri foi proe:ud,Jo, é lentou convencê-lo :1 ajudar " L'Ape". Não, foi bem .\Utedldo. O Padrt Andtts dee:harou que não via n~da de inten:s.:snntt nosdol" primt'iros nümtros da rcvlsfa, que ela não pa.1:S:.1vr.1 de um11 coletllnea de tmduçõc-s de artigos vl.ndoJ a lume cm oulros Jornais, e <1ue ê-s.~e lipo de publkaç:óes não encontrava leHorts . Recusou-se mcsmo .. asslnáA11. O Padre L:mtcri ni'io dcsanimou. l'ol à Casa do Conde Ces::irt Vcnlura1 que lllc fiz. as me-smas objeçÕe-$, ma~ se mo~rou mnls aberro do que o Padre Andl'ts, lamentnndo ler recebido aptml.~ o primclro número e rcvclnndo multa curi0,~idndt em sabt'r quem em Ouavlo Pon~nl, cujo artigo fe,ra e apredara mul1o, No fim da conversa cstav:a mudado e prometeu lt'nlor convenctr o Padrt' Audrés n auxiliar a revtsca. Foi, taba,. rc.f ul:..,do dêsst's conl,aclos do Padre r..anttri a mudança de orienlnção de ·'L'Apc-'', qut pouco a pouto foi substituindo :a~ lmdutõrs por artijto.s origlnai.t dt vfi.rios escritores d.u PeníRsufa, al,5tuns de nomeada (in<!lus:ive, mais tarde, o próprio P:tdre Juan Aodrés). A ..Amkiila"' de t-"lott'n(:t edllava também, anunlmenlc, um :1lman11que, o ..Buon Cnpo d'Anno''• que leve maior dlíusiio do que u revista, por ser dt conteúdo m,nos elevado, ntinglodo a.sslm um público mais nu.mtrooo. tnfe-lb:mentt, cm 1806 ás conllngênelas políticas obrigaram o Marquês d'Attgllo " voltnr par., 1\J:. rim, com o que "L'Ape" pcrdt'u o $('li prindpnl 11olm11dor. Tnlvez sej.a es.-.:n 11 rlll1ÜO do brusco dc-s:apa"cimenCo d11 revlstn, continuando a •'Amki~ xi.a."' dt f1orença, no entanto. n publk:tr o :1lomm,qut. O dtsapar«tmtnlo de "U Ape-" não prtjudkou o c"scimcnto do sodaUclo norentlno, O Prior Rte-llSOII, nmprc enlush1s1a, manteve~o tm asetnsão. apes-. u da adversidade dos tempos, preparando os stus membros pnrn Oi gloriosos epl~ódios tm que st veriam tn'Volvldos muls tnrdt, durante o cnlivtiro do Pnpa Pio VII c:m Sowonl:'.

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Fernando Furquim de Almeida

Mio da proprled11de p~rll~u,lw.r ,m proprledr.ide co.. lcliva, tão preconltad11 pelo soclallsmo, não 1eria outro efeito St'não tomar ia ~ituaç:io dos opcririos mais pttd.ria, tttlrando·lbcs a Hvrt disposição do se:u sar,no e roub:1nd0,-lhe-s, por l5so me~o, róda t.ipera.n(a e tõda possibllfdadc de: e-ngrandeccrtm O stu patrimônio c mtlhol'llttm a sua situação'' (j·Rc,,. rum Nov~rum", 4). Mai.s !linda: i•Por Cudo o que Nós ac.a bamos dt diur. compttcnde•st que :, teoria. ~inlis1a da propriedade eoltlh·a deve absolut.amt nle ttpudi:a:r-$e como prejudlcl!II àqu,lcs me$mos que se qu,r socorrer, contrártn oos direitos n.aturals dos indivíduos, como desnaturando as fun • çõcs do Eslado c perfurbnndo à tmnqüllidade pública. Fique, poi.~, bem asscntt que o primeiro fundamento a e~1;1bclettr pam lodos nquêles que que• rem si:nC't.rameutc o btm do po~o é a inviolablllda• dc da propri«tadt parfkular" ("Rcrum Nova. mm"• 12). Convém ~centunr q ue não St 1ra1a, uqul, da 11losofia atlla do comunl.mio e do soclnlb'lllO, quc CumW:m /: combntida pela Igreja, mas de ,;cu a,;,. preto puramente: econômico. Quanto a quercr separn.r do .soctol.lsmo e do comunbmo a nola dn vfoltncb1, estamos d.l:antc de um ln1enlo lmp-0.SS[vel, pois e:l.:1 é- fouente .-o slstem~. Els porque Fio XI d~ qut a sociedade como a vi o soclallsmo ''não pode ,xb1ir nem conccbcr•:ile St>:m vloltnd~ manifestas,.. (..Quadrng~mo Anno", 118). Com de:ito, não S(:d suma vlolênda despojar o hom,m de seus dSreltos natur.ds? 'fCumprc advc.rllr :ademais. d~ Pio Xt em outro Documento, que o comunismo reconhece ai coletlvldadc o dirello, ou mtJhor, um IUmitado poder arbitrário dt obri,tàr os lndlvíduos ao ímb::ilbo colcHvo, sem :itt'nde-r a seu bt:m~~1ur p~rtJcular, mu-mo contra .sua von.. tade e até- com violênclll" (..Oh'lnl :Rcdcmptori.f'• \ 12). Fimllme-nle, sifinnru- que o reglmt; tconôrnlco ca, piluli.sla E tJlnlbt.m •;mnlcrinlisla e gerador de lncgá,·els lnJusOçn.s" con.\'titul outro c.hav~o d o esquer• dismO,-('atólleo que não e ncontra amparo no c.n.sinamenlo social da ta.reja. O comuntsmo f lnfrinse· camute p"rvt~, di1. Pio XI. O slst,mn econômico c-apUalbta em si mesmo não '- cond,n:htl, sendo passível de ser ordt'nado segundo :1 n:Ca rouío, dtC'laram os Documcnlos pontifícios. Quem tem a lucrar com tão profundo fol.seumcnfo d.a doutrino. .social da Jgreja senão o próprio

comunbtno?

J. de Azeredo Santos 7


. AfOILIC!SMO----- *

-

LIBERDADE PARA TODOS, SALVO PARA OS

QUE OUSAREM DISCORDAR l..lBERALISMO hodierno é, cm , grande parte. fruto das idéias de Roussc,ua ç de seu "Contrato

O

Soci;,l''. segundo as quais .:, humanidade é né\turalmcnlc boa e. um:, vez libertada de constrangimentos ilegítimos, tenderá certamente parn o bem, pois pode.se enganar alguns homens duran.

te ,,lgum tcmpO. mas não todos os homens durante todo o tempo: ··A vouw,le ,:cr11f m1o t>Odt: errar. Elll I sempre rclll e tende sempre P""' 11 111ilidodt! príblicll" ( Controlo, 2, 3). S:tlicnt.:1r a oposição complela cnlre cst;,s c:oncepç(,c.s e .- doutrina católica é ~:dicntar o óbvio. Est:1mos todos enfer-

liberais estão scrilpre prontos :, cl.tmar pela liberdade de debate desde que as idéJas a serem discutidas sejam de seu agrado. Rousseau pregava: "Crc,· cm uma 1/Nirrdade bc:11/"zeja, previtleme. e provedora, na felicidade dos justo,· ~ 11Q castigo tfo.r Jll{UIS, 1111 Sluttld,ulc ''" COII• trtito J'Ocial e dus leis··~ a propósito con,enta um autor: "ê no fmulo todo o culto ela Razão e cio Ente Supremo que trtmSP<lfl!Ce aqui e que sert1 <:clebrttdo pt:/tJ rcvofuçãa mo11umlu:stJ, Pn:-

râttCill . ..

SALVO PARA COM AQullLES QUE

NÃO ACEITARE M A RF.Ll(llÃO CIVIL''

(Fran•

1

çois Drcyíus, ' Le Temp.s dcs Révofu .. tions"). Examin:tr a ílagrnnte contradição cn1rc o dizer e o fazer cios liberais. atrnvés dos tempos, :,longaria excessiva. mente êstc nrtigo, de maneira que nos limitaremos a citar dois exemplos atuais de retidcio libc.rol, tomados no seio da Santa Igreja Ca161ica; onde, infclizmenlc, apesar da lula citânica de um Pio IX e um São Pio X. tais erros

O intransigc:nte Episcopado da Holanda

mos do pecado de nossos primeiros

pais., nossas inclinações naturais siio para o mal. e o bem é para nós fruto de uma :1scensão penosa, possibilitada pela grnça divina, e não. como <liz Rousseau. um p0n10 cJc. c<1uilíbrio fà. c ilmcnlc at ingível. De Rousseau tiraram os libernis o princípio ( pelo ,menos parn uso cxter· ,,o) de que tôd,,s m• idéias. mesmo as m~-tis esdrúxulas~ 1êm o direito de se,. rcm exrostas livremente, por isso que o homem, armado de seu bom in.:i.'1.Ín· 10. incvitàvclmente escolherá. cm cur10 pn1io. as melhores. Porém, junto com o libernlismo, medrou sua irmã gême,1, a incocr8ncia. e na verdade os

Vejamos cm primeiro Iugat um caso oconido recentemente nn Holanda. Como se sabe, a pobre Holanda. de pacííi~, terra das tulipas e dos moinhos, viu-se transformada. de · repente. em país de loucuras. Ali, das redações de jornais católicos sai a exallação das doutrinas comunistas e socíalisl:1s, o amor livre e o homossexualismo recebem. a sua absolvição do púlpito (passe o anacronismo) das igrejas, e tô<fa e-spécic de "concelebrações cucarís licas'' ca1ó1ico-ptotest,1ntes põem em perigo os íundamcntO!i da Fé. A isto tudo a libcr;)I Hier,.rqoia assiste complr1ccn1c.

No meio de tantos desvarios, a Santa Sé nomeou Bispo de Rouerdtm um Sacerdote de nome Simonis, que passa por Menos progressista do que seus co• lcg.is. Isto foi o bastante para que o Episcopado Holandês. tão cioso. pelo menos em palavras. dos 11dircitos hu• manos". o intim;,ssc a sobrestar a to• mada de posse de sua Diocese e ;,\ abs. ter.se de qualquer pronunci11mento público. l:.ste gesto, cuja prepotência a1ingc. o rid ículo. pois Mons. Simonis não deve obediêncit1 a outros BispOs ma~ !iim ;.10 S.m10 Padre. mostra bem a verdadeira face d.a tolerliucin liberal.

Libertários esponhóis indiferentes à liberdade Um outro exemplo, êstc vindo da

Verdades esquecidas

HÁ PAIS QUE SE ALEGRAM CO~I A MORTE DOS FILHOS A propósito dos pais que fazen1 oposição egoística a que seus filhos se consagrem ao serviço de Deus, assim se exprin1e SÃO BERNARDO:

O

H PAI duro! Oh ,nãe bárbara! Pais cruéis e í,npios! Mas que digo, meus pais? Meus assassinos, que se doem da conservação d, seu sangue, e se consolam co,n a 1nor1e de seu filho; qu n,ais queren, ver-,ne pere· cer com êles, do que reinar Sé. 11 êles; que ainda 1ne que· re1n expor a u,n naufrágio, de que n1e livrei todo nu; a uni fogo, de que apenas n,e salvei ,neio quei,nado; aos ladrões, que 1ne deixara,n 1neio 1nor10: 111as graças ao socorro do Saniaritano, que es/011 uni pouco curado. ltles quereni arrancar da r>orla da glória 111n soldado de Jesus Crislo, que eslá a po~tto de triunfar, depois de ter arrebatado o Céu. (Eu não 1ne atribuo esia glória, ,nas ao Senhor, que venceu o inundo). Eles procuran1 arraslar111e ou/ra vez ao século, co,no um cão ao seu vô111i10, e u111 porco ao seu atoleiro. Abuso espanloso! A casa arde, a chan1a 1ne persegue, eu fujo, impedem-n1e que saia, aconselha1n-rne que vol1e, e os que me aconselha111. são os rnesn1os que se acham envolvidos neste incêndio, e que por uma Loucura se,n igual, por uma obslinação inco111preen· sível, não quere111 sair do perigo. - (apud "Sentenças Espirituaes dos Santos Padres, e Doutores da Igreja, tra· <luzidas da língua franceza" - Lisboa, 1800 - ton10 II, pp. 280-281 ].

Espanha. As atividadc.s polilic.as de muitos Sacerdotes espanhóis cst5o nas man. chetes de todos os jornais. Açulando greves, algumas evidentemente anarquistas, tomando parte cm tOOas as dcsor· dcns. mesmo as mais graves e atentatórias à integridade da naç;io, como no caso do separali:-mo basco, vêem-se sempre Padres esquerdistas. que fa1.cm :1la.rde de defender 1ôdas as liberdades. O Mosteiro de Monte Serrai, na Ca• talunha, palco de t:mtos incidentes, é foco de uma agitação libertári:\ cons· lante. Divergindo da assuada csctucrdista. um Capelão militar ousou. em recente cerimônia comemorativa da Guerra Ci. vil, lembrar cm têrmos clog,i osos a mem6ria dos que 1ombaram para pôr fim aos desmandos comuno-anarquistas. Is• to foi suficiente para que o Vig;lfio Castrense da Espanha baixasse uma de,temlinaç5o proibindo todos os Capeláe..; m ilitares de se referirem de público " êsse assunto. Se lembrarmos que. por ocasião da mesma Guerra Civil 1 foram m~1$.$acrndos pelo vermelhos. ao lado de dc1.cnas de milh:1rcs de fiéis. dezessei~ mil Padre.~ e 001.e Bispos. o ato <lo Bispo Castrense causn viva cstranhcz::t. Ora, nenhum Padre progressista espanhol saiu cm defesa da liberdade de palnvrn de seus coleg~,s Cape15c.~.

Não temos por que nos surpreender Não temos portanto que nos surpreendei' quando encontramos Vigários. ião libcràis com todos os erros. que. ao deparar com os propagandistas da TFP difundindo :, boa doutrin:t, tornam.se mais rubros que os nossos CS· tandartes e lascim:.,m não ter à mão uma GestaPO ou uma NKVO para pôr côbro a scmelhanlc ºabuso".

Alberto Luiz Ou Plessis

Junto ao estandarte da TFP, os S rs . Paulo Corrêa de Brito Filho Prof, Plínio _Corrêa de (?liveira , Aloysio Gomide e Caio Vidigai Xavier da Silveira. Em cima, outra foto da visita.

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r\'. O Conselheiro Gomide conversa com sócios e militantes da TFP.

Gomide visitfl ft novft sede "" TFP O SR. ALOYSIO GOMIDE. o Cbns11I brllsileiro seqlicstrado pt:lüs tupmnuro.~· 1111 Uruguai, 1:-stê've l!m visita à novo sede tio Co11selho Nacional d<, $(H;iedmlc Brtu;/dra de. De.lesa da Tradição. Família e Propticdade. O agora Consclheir11 Gomide foi recebido pelo Prof. Pfr'nio Corrêa 1/c Olivcim. Presidente do Conselho Nacio,wl da TFP. e pelos D iretores Srs. Eduardo de Barrõ.-r Broterl), Caio Vidi1:11I Xavier d11 Sih1tira e Prof. Paulo Ct:1rria de Brito Filho. A visita ttve lugc1r ,w diá 14 de março p.p. Gomide não conhecia ainda a bela mansão ,,a qual J'e ;,i.rtalou a 1'FP tl Run Maranhão, no tradicional bairro paulis1ano de Higitnópolis, poi,f e.,sa stde foi lt)Ontado precisamente d11rante seu longo cativeiro tm poder dus tupam11ros. M11ni/estou éle sua alegria ptlo progre.l·so qtJe uprese111a a now, sede em rt:laçiio d ,mttrior. da Rua Porá, n.0 50.


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lL OlRlffO R: MONS. AN'TONlO RIBl!:JRO 00 ROSA.RIO

Quem é devoto de Maria Santíssima colhe boa sómbra porque se chega à boa árvore; suas petições têm melhor despacho porque vão por mãos da Rainha Mãe, cujo interceder quase que é mandar; vive mais livre de tentações e baterias do inimigo porque habita dentro da Cidade de

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Deus e da Tôrre de Davi, donde pendem mil escudos; tem. o coração mais sofrido e compassivo com os próximos porque se cria debaixo das asas daquela Pomba que totalmente careceu do

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amargoso fel da ira; tem por si um grande sinal de predestinação. [Prática da Dominga in a/bis]. P A D RE M A NUEL BERNARDES

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Em edição especial que circulou em Buenos Aires nos últimos dias de março, "Fiducia", o órgão oficial da TFP chilerta, publicou êste enérgico e oportuno pronunciamento do Conselho Naciona l daquela entidade, agora no exílio. •

AS ELEI ES DE ABRIL, MAIS UMA ETAPA NO CREPÚSCULO ARTIFICIAL DO C E 1-

COMO SE FABRICOU A V ITóRIA ELEITORAL MARXISTA

O ANALISAR êstes últimos meses da vida política chilena fica-se com a impressão de que . uma quantidade enorme de fatôres excecionais entraram cm jôgo e produziram na opinião pública primeiro uma apatia imprevidente, e e:m seguida uma confusão cujo efeito próprio foi privá-la do juízo crítico sôbre a situação do país e, portanto, da influência que sôbre esta poderia ter. Concorreram para produzir tal situação a defecç.ão de numerosos dirigentes de tôda ordem, a par ·de circunstâncias imprevisíveis e incongruentes que se conjugaram à maneira de uma imensa e trágica peça teatral, para fazer surgir das urnas em 1970 um resultado que:, segundo tôda a evidência, não expressava a vontade da maioria dos chilenos: todos os elementos dessa comédia el\erceram uma influência na linha do que aconteceu, e nenhum em sentido contrário. Tanto maior é a responsabilidade: dos líderes e pseudolíderes da opinião pública, quanto tais circunstâncias dependiam principalmente dêles, e quanto, em geral, a defecção pró-socialista dos dirigentes ocorreu a despeito das reticências que a propósito manifestaram as bases.

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O froccionomento do mo iorio onticomunisto

A maioria esmagadoramente anticomunista foi, de um lado, dividida entre as can-

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O aglutinamento da minorio pr6-camunisto

Enquanto isso, a esquerda aprC'sentava um panorama bem diverso: os partidos marxistas haviam conseguido. uma aliança com outras coletividades minúsculas e com o Partido Radical, de modo a formar a Unidade Popular - um agrupamento pretensamente pluripartidarista. O apoio recebido de numerosos inocentes-úteis e de outros tantos ingênuos ou aventureiros, permitiu-lhes diluir o tom revolucionário-marxista de suas palavras de ordem em vagas promessas de fom1alismo democrático ou de um populismo puramente demagógico. Allende, que antes havia sido apoiado unicamente pelos marxistas, passava a ser para a opinião pública, um candidato esquerdista apoiado por diversas · fôrças, entre as quais os marxistas. Em outros têrmos, enquanto uma falsa direita insegura de suas idéias e complacente com seus adversários disputava com uma Democracia-Cristã pró-comunista, a esquerda disfarçava seu programa marxista e totalitário com proposições meio socialistas e meio inócuas. Isso tinha o efeito concreto de afastar da mente do povo a idéia exata da nocividade intrínseca do comunismo e fazer-lhe crer, pelas repetidas concessões, que era lícito, razoável e oportuno negociar com êle. Em tais condições, como não recear que os enganados fôssem desta vez mais numerosos?

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O dinamismo do minoria pró-comunista

Acontece que as falácias desta vez eram também mais numerosas. Tratava-se de uma falsa alternativa, impunha-se a escolha entre falsas posições: uma esquerda unida e dinâmica, que de um lado procurava ,fazer-se simpática e atrai.r com a aparente ino2

didaturas de Alessandri e Tomic. De outro lado, o conteúdo ideológico - se se pode qualificar assim - que cada u.m dêstes candidatos deu à própria campanha e:stêve em aberta contradição com o que as respectivas bases esperavam. Efetivamente, enquanto Alessanélri dava à sua campanha um tom personalista, a-político e a-ideológico - a não ser por suas concessões ao socialismo - Tomic imprimia a suas palavras e atitudes um tom acentuadamente esquerdista, o que teve como efeito comum a ambas as candidaturas que o melhor setor dos respectivos partidários ficava assim vacilante em seu apoio e sem entusiasmo em sua adesão. Os que esperavam de Alessandri anticomunismo, anti-socialismo, respeito à propriedade privada e estímulo à livre iniciativa, ouviam dêle expressões depreciativas ou até contrárias a semelhante posição; ou, se não, argumentos verdadeiros mas secundários, ou ainda a afirmação de meias-verdades. Os que queriam de Tomic uma posição ao menos moderadamente ant icomunista, observavam que êle era violentamente contrário. . . ao anticomunismo. Ademais, o aspecto de disputa pessoal apaixonada, pouco refletida, baseada não em diferenças doutrinilrias, mas apenas em ressentimentos recíprocos, impediu que os descontentes com Tomic apoiassem Alessandri. A campanha teve, assim, duas notas características: uma estridência temperamental de antipatias e ataques pessoa.is, e um tom esquerdista no qual não se destacavam as idéias políticas profundas mas apenas a repetição monótona de alguns slogans - cada qual cm seu estilo - de medíocre substância e dignos de frouxa adesão.

cuidade de seus propósitos se fôsse aceita fàcilmente, e que de outro lado prometia a violência, o caos e a revolução mais cruenta se fôsse repelida. Em face dela uma direil'a que se vinha caracterizando por propugnar o que na véspera havia rejeitado e o que na a.ntevéspera a esquerda havia propiciado; uma dire·ita que carregava em si tôda a insegurança, inibição e falta de vontade de resistir aos embates da esquerda. Entre uma e outra, a característica "terceira posição" democrata-cristã que persistia cm propor, como meio de evitar a vitória do comunismo, o entregar-se a êle, e como meio de impedir seus propósitos de Revolução, o realizá-los antes. 'Para avaliar a magnitude dessas falácias é necessário analisá-los ma.is detidame·nte, a (im de estabelecer as grandes responsabilidades com que, perante a História, ficaram onerados quantos intervieram ' neste processo. 4 -

Alessondri: sua independência, móscoro de indefinição

Alessandri caracterizou sua campanha por uma obsessão de independência. Independência com relação a partidos políticos, coisá que êle sempre confundiu com prescindir de ideologias as quais a opinião pública queria ver defendidas por algum candidato; que confundiu, ademais, com a ilusão de captar a adesão nacional não em tôrno de um princípio, de uma aspiração ou de um ideal, mas simplesmente em tôrno de: sua pessoa. O resultado foi - como é lógico que êle não conseguiu tal adesão. Entre os setores favoráveis à sua candidatura destacava-se especialmente o Par-

tido Nacional; não obstante, as doutrinas defendidas pelos mi.litantes dêste viram-se com muita freqüência abandonadas e amiúde atacadas pelo próprio candidato. Efetivamente, Alessandri não perdeu oportunidade de prometer - até nas zonas mais antiagro-reformistas - que levaria adiante a reforma agrária, e é de recear que, se lhe · houvesse sido possível, teria cumprido essa promessa! Sabendo que essa lei de Frei, e muitas outras, eram gravemente injustas, não prometeu, contudo, revogá-las ou modificá-las, como tampouco reparar as injustiças já cometidas. Pelo contrário, insinuou ainda outras reformas de conteúdo vagamente socialista, o que, com muita razão, fêz numerosos partidários seus pensarem que, se era para isso, seu triunfo não era tão desejável.

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A componho de Alesson dri: erros em codeio o fovor do odve rsório

Em diversos discursos públicos, na hora de referir-se ao comunismo Alessandri fazia questão de insistir em que, a respeito dêste, "não tinha preconceitos", deixando entrever que sua discrepância com o perverso sistema limitava-se a censurar sua ineficácia econômica e, quiçá, o totalitarismo em que sempre caiu. Tal idéia tinha como conseqüência faze'f pensar que, se fôsse concebível um comunismo sem tais defeitos, êste seria aceitável para Alessandri. Semelhante pressuposto teve da parte de Alessandri uma expressão extremamente infeliz, porque imprudentemente expHcita. Com efeito, disse êle que "o capitalismo é eficiente em produzir, enquanto que o socialismo é eficiente em distribuir", e que se tratava então de conceber um terceiro sistema, equidistante de ambos, que reunisse uma e outra vantagem. Tal idéia, que ademais de absurda pois se o socialismo é ineficiente em produzir, não se sabe o quê vai distribuir está tendo hoje em dia uma série de outros defensores, principalmente comunistas convictos da linha ideológica do prócer do PC francês, Roger Garaudy. Que assim se expressasse a posição de quem havia de ser o depositário da confiança dos anticomunistas, foi um dos maiores despropósitos da campanha presidencial e uma das causas de seu resultado, dando a impressão de constituírem êsses elementos uma concatenação de erros a favor do adversário. Nessa mesma linha, o restabelecimento de relações diplomáticas com Cuba, advogado por Alessandri e a idéia de que era a Hpoliticagem", e não o comunismo, o

maior perigo para o Chile, tiveram o mesmo efeito. Por outro lado, o apoio moral que, sob pretêxto de ter melhores instrumentos em seu hipotético govêrno, êle dispensou às reformas constitucionai~ C' legais que fortaleceram o Executivo em face do Legislativo e do Judiciário, teve como conseqüência outorgar ao marxismo, hoje no ápice do mando político, um poder esmagador. 6 -

O "kerenskismo"

como ideol e como sistema

' No campo democrata-cristão, a própria dissidência do MAPU e o seu apoio a Allende mostram qual é o dinamismo pró-esquerdista da terceira-posição, uma vez que aceita o pressupôsto de Frei de que "há algo pior que o comunismo: o anticomunismo". Mas a dissidência democrata-cristã não se circunscreveu a isso. Pode-se dizer que, direta ou indiretamente, por ação ou omissão, todos os militantes de destaque

no partido prestaram seu apoio a Allcnde; o que é possível avaliar melhor quando se consideram as atitudes que êles assumiram depois do triunfo dêste: procuraram infundir confiança, distender os ânimos, prestigiar os marxistas e desprestigiar os que quereriam resistir. O simples exame do que Frei realizou durante os seis anos de seu govêrno, o que isso significou de preparação da opinião pública para aceitar o comunismo, a utilidade que para êste tiveram diversas leis promulgadas pelo Presidente pedecista - entre as quais a reforma agrária socialista e confiscatória - bastariam para se concluir que a ajuda democrata-cristã a A llende foi de cisiva. Mas era previsível que a solidariedade chegasse mais longe, e o reconhecimento público, por parte da direção do PDC e do próprio Tomic, de que tinham assumido um compromisso com Allende para apoio recíproco no Congresso, mostra que, tratando-se de manobras discretas ou ocultas, a colaboração entre ambos os candidatos era muito maior do que o público pensava. O fato de destacados próceres democratas-cristãos haverem colaborado - ~ colaborarem ainda - em jornais allendistas, · e a declaração de Tomic de que seu programa e o da Unidade Popular eram cm essência muito semelhantes, são antecC'dentes que demonstram a absoluta identidade de uns e outros quanto ao modo de pensar, · os fins e os métodos de ação.

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O folseomento do opinião católico

Foi do campo eclesiástico, porém, que provieram em maior profusão as falácias. Já e m agôsto de 1969, quando a Universidade Católica de Santiago concedeu a Pablo Neruda o título de Doutor "scientiae et honoris causa" - o que se deu, "por acaso", pouco antes de ser êle escolhido como pré-candidato do Partido Comunista à Presidência - o Cardeal Silva Henriquez fêz declarações que seria difícil não interpretar como um claro apoio ao comunismo. O mC'smo Prelado explicitou meses depois sua posição, afirmando que era lícito aos católicos votar cm um marxista, e não houve voz alguma, episcopal ou vaticana, q ue o censurasse. Pouco antes das eleições ouviu-se nas Missas uma sugestiva oração pedindo a Deus que "afastasse das mentes o temor das reformas", o .que foi interpretado como o mais flagrante sacrilégio contra o Sacrifício Eucarístico, cuja augusta celebração era utilizada coroo oportunidade para persuadir de uma doutrina inequlvocamente socialista. Não obstante: o escândalo que tudo isto significou, Mons. Carlos Oviedo, Secretário do Episcopado Nacional, declarou que o comunismo estava condenado pela Igreja como doutrina abstrata . . . mas, já que se votava pelo comunismo em concreto, então era l.ícito fazê-lo! ~se conjunto de fatos deu à opinião pública a imprC'ssão de que, sendo as atitudes dos Prelados normalmente mais sóbrias e cautas que as dos simples Sacerdotes, era normal que êstes fôssem mais ellplícitos e veementes. Uma série de atitudes de Padres iria dar maior alcance ao que ficou exposto: a) as declarações do Revroo .. Pe. Juan Ochagavía, jesuíta, de franco elogio do regime comunista de: Cuba, que acabava de visitar; b) a homenagem a Lenine na Igreja de Santa Catarina, do subúrbio de Salvador Cruz Gana, homenagem da qual participou o próprio Pároco, e que foi anunciada dias antes pelo jornal "El Siglo"; e) a posição pró-marxista da revista "Mensaje", etc.


Isso tudo se deu sem qualquer censura por parte da Hierarquia Eclesiástica, e teve o efeito de, parecendo apenas uma formulação mais concreta do que esta pensava, fazer crer a uma multidão de católicos de pouca fonnação que estavam obrigados a pensar e atuar dessa mesma maneira. Em tais condições, como não recear que os numerosos Padres esquerdistas e progressistas, servindo-se também do ministério sacramental da Confissão, tenham pressionado por êsse meio o povo fiel a votar no marxista Allende? A vista dos numerosos antecedentes expostos e dos que ainda apontaremos, não há argumentos para afastar tal hipótc:se. Ademais, diversos organismos vinculados à Hierarquia Eclesiástica, como as Universidades Católicas de Santiago e Valparaíso, promoveram nos últimos tempos atos de difusão e propaganda de idéias socialistas e comunistas. O próprio Reitor da primeira dessas Universidades, Fernando Castillo, fêz, junto com outros esquerdistas, uma viagem a Cuba, formulando, ao regressar, tôda espécie de elogios ao marxismo que tiraniza aquêle desafortunado país. Tudo isto, com incontáveis fatôrcs que seria longo explicar, mas que têm idêntica incidência, não poderia deixar de ter, normalmente, o resultado que comentamos.

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Adormecimento das o rga nizações potronais

Ao analisar a atuação dos dirigentes dos organismos patronais nos 61timos tempos, já se é levado a perguntar se êles foram eleitos para defender suas bases ou para entregá-las indefesas ao confisco e à espoliação, facilitando a instauração marxista. A posição agro-reformista do Sr. Benjamín Malte durante o govêrno de Frei, sua campanha a favor das relações econômicas privadas com Cuba, sua viagem a êsse país e os risíveis elogios que fêz de Fidel Castro, sua iniciativa de incluir os "asentados" [camponeses instalados pelo Govêrno nas te·rras desapropriadas pela reforma agrária] como sócios da Sociedade Nacional de Agricultura, dão mostras da deterioração ideológica dos empresários que o toleram, deterioração que explica a queda do país no comunismo. O que oull·os dirigentes agrícolas e de diversos ramos da produção fizeram depois das eleições, assombrou o país e a opinião mundial, pois ainda não se vira nada q ue demonstrasse tamanho entreguismo; mas não quebrou a indolência dos agricultores que continuaram e continuam a tolêrá-los. Tal indolência não contribui para explicar o que aconteceu? 9 -

O otimismo geral

A isso tudo se conjugou um otimjsmo generalizado e pertinaz antes da eleição, que levava muitos a esperarem ilusoriamente um triunfo arrasador de Alessandri, e ,,m govêrno dêste que viesse restaurar os

direitos ultimamente calcados aos pés. Apesar de êle haver prometido n%ó o fazer, caso vencesse, e apesar de a Hierarquia Eclesiástica, a imprensa socialista e os movimentos terroristas parecerem dispostos a exercer tôda sorte de pressões para impe,dir um retrocesso no caminho do socialismo, apesar de tudo isso, muitos acreditavam que os problemas de tôda ordem, gerados durante anos e até séculos, se resolveriam em um só dia. O resultado dessa imprevidência e dêsse otimismo foi que a situação se agravou imensamente nesse dia.

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A distorção dos resultados eleitorais

O desconcêrto da opinião pública e, conseqüentemente, a perda de- sua capacidade de reagir de modo sadio e lógico, foram agravados por circunstâncias que se verificaram no processo de apuração e divulgação dos resultados eleitorais. De fato, diversos fatôres permitem pôr em dúvida a representatividade da eleição: a) durante várias horas da tarde é da noite de 4 de setembro foi suspensa a difusão da marcha das apurações, lapso ao cabo do qual o resultado se tinha invertido; b) nesse momento, o govêrno de Frei autorizou apenas uma concentração allendista, apesar de a situação continuar bastante incerta; e) os números de votos escrutinados só foram comunicados através do Ministério do fnterior e não, como era costume, diretamente pelas Intcrtdências [govêrnos provinciais];

d) cação, nários tavam

tinham sido substituídos sem expliantes da eleição, muitos dos funciodo Ministério do Interior que execuaté então as operações globais de

rccontagem; e) circularam insistentes rumores, pro-

venientes de diversos setores, no sentido de ter havido irregularidades na constituição das mesas reteptoras, elevadíssimo número de cancelamentos de inscrições eleitorais, e entrega irregular de atas das referidas mesas; f) foram difundidos primeiramente os resultados dos munjcípios esquerdistas, com o propósito de dar a impressão, quanto possível desde o início, de um triunfo de Allende; ao passo que os municípios de maior votação anticomunista foram deixados para o fim, o que coincide com o fato de que, nestes últimos, os números dão lugar a amplas suspeitas; g) o Comando Alessandrisla e o próprio candidato incorreram em notório abandono de seus deveres, tanto no dia da eleição, como depois, mostrando negligência na fiscalização e abstendo-se de protestar ante os fatos mencionados. Tais elementos determinaram cm amplos setores da opinião pública graves suspeitas, e estas criaram, por sua vez, a explicável sensação· de que o país estava sendo lançado cm um caos, situação na qual nada mais havia que fazer.

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APOIOS A A LLE N DE E PREPARAÇÃO DA RATIFICAÇÃO PELO CONGRESSO

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A consolidoçõo de Allende pelos seus "'adve rsários"

Tôda a série de facilidades que os pretensos adversários deram a Allende antes da eleição, foram um mero prelúdio cm comparação com o que fizeram depois. As dccl.1 rações de Alessandri pedindo aos parlamentares que o haviam apoiado que não votassem a seu favor no Congresso, a fim de "conlribuir para a tranqüilidade pública", sob a alegação de que Allcnde era uma "personalidade de ampla e comprovada trajetória democrática"; depois, a visita que Allende lhe fêz para agradecer tal atitude; o silêncio dos líderes do Partido Nacional depois das eleições - durante mais de três meses - o qual desconcertou profundamente as bases, e foi rompido apenas pelos

Deputados Evaldo Klein e Víctor Carmine. . . que apoiaram a eleição de Allende; as entrevistas que pouco depois de 4 de setembro os dirigentes da Sociedade de Fomento F abril e da Confederação da Produção e Comércio mantiveram com Allende, e as posteriores de-clarações favoráveis a êste; o apoio ostensivo do jornal "El Mercurio", que, entre outras coisas, opôs~se às investigações que a Associação lnteramericaoa de Imprensa queria fazer sôbre a liberdade de imprensa, - tudo isto caracteriza a certeza de que a vontade de entrega da falsa direita foi grande.

2 -

A História o con firma: Fre i é o Kerensky c hile no

Por outro lado, as facilidades que Frei e seu govêrno deram a Allende, as conccn-

trações da Unidade Popular autorizadas no dia da eleição e nos dias seguintes, a faculdade que se concedeu a Allcnde de dirigir-se ao país por uma cadeia nacional de rádio e televisão, as medidas para dificultar as viagens ao Exterior e a redução na venda de divisas - o que não constituiu problema para os especuladoreli, freqüentemente vinculados à esquerda - evidenciam uma profunda solidariedade de propósitos de Frei e seus colaboradores para entregar o país de mãos amarradas ao marxismo. A êsses fatos somam-se as sugestivas declarações de Tomic de que não havia "a mais remota possibilidade" de que o Partido Democrata-Cristão votasse em Alessandri no Congresso - êle sabia por quê - o que culminou no "bluff" das garantias que não garantem nada. E tudo isto mostra que perante a História e o mundo Frei ficou irremisslvelmente caracterizado como o "Kerensky chileno" e o PDC como o cavalo de Tróia do comunismo. 3 -

Mais uma ve z o Clero progressista, nôvo Judas, ve nde um país po r trinta dinhe iros

A iudo o que foi dito anteriormente é preciso acrescentar as atitudes eclesiásticas que se tornaram tristemente célebres: a Pastora.! do Bispo de Puerto Montt, Mons. Jorge Hourton, de claro apoio a Allende Pastoral de que nenhum Bispo discordou apesar de o Episcopado haver declarado anteriormente sua abstenção política e sua recusa de cumprimentar como Presidente qualquer dos candidatos até que se cumprissem todos os trâmites constitucionais; os manifestos, no mesmo sentido, da Paróquia Universitária, da "lg,eja jovem", do Movimento Operário dá Ação Católica, da Ação Católica Rural e de outros organismos de mínima importância mas que sempre contaram com o apoio da Hierarquia; as declarações socialistas de diversos grupos de Sacerdotes, alguns dos quais chegaram a visitar Allcndc para manifestar-lhe apoio; os inúmeros sermões do domingo 6 de sc1cmbro, nos quais muitos Padres falavam falsamente de "resignação'', de "confiança em Deus", com o propósito de, adulterando conceitos, enganar o povo fiel; a carta que o Provincial da Companhia de J esus, Revmo. Pe. Manuel Segu ra, dirigiu a todos os membros dessa Ordem, na qual qualifica os propósitos da Unidade Popular de "metas autênticamente cristãs"; a declaração do Presidente da Conferência Episcopal, Mons. J osé Manuel Santos, Bispo de Valdívia (7 de outubro), dizendo que, qualquer que fôsse o escolhido, a tarefa seria a mesma; a Declaração da própria Conferência E piscopal do Chile (24 de setembro), cm que esta manifestava seu desejo de "cooperar con1 as reformas", - tudo isso mostra que o propósito de uma parte impo(tante (e a mais iníluenre) do Clero era distender os ânimos, eliminar as apreensões, desalentar as reações, precipitar a entrega, e integrar-se no dispositivo de sedução ou persuasão do Estado socialista. Mais ainda, o escândalo não ficou circunscrito por nossas fronteiras: até o Presidente do Conselho Episcopal Latino-Americano (CELAM), D. Avelar Brandão Vilela, Arcebispo de Teresina, no Brasil, de'clarou que sua atitude era de expectativa ... "porque não sabia se Allende era marxista por convicção ou por método eleitoral" (!). 4 -

120 mil chilenos que apoiaram a TFP, para que êlc tomasse medidas contrn o Clero

pró-comunista, e nada havia feito. Até nos confins do mundo já se ouvira falar da atuação entreguista do PDC em face do marxismo, mas Paulo V( se calou, impertérrito. Como não esperar que o silêncio de outrora fôsse reparado pela voz salvadora no momento cm que um país católico se encontrava à beira do abismo? A TFP pediu essa in:ervenção, mas a resposta foi o silêncio, ficando para serem julgadas pelo tribunal da História e pelo Juiz Divino as ações e omissões que entregaram o Chile ao comunismo. 5 -

A intim idação: outra o rma para

conseguir o submissão

Enquanto os "adversários" desimpediam o caminho do marxismo, os adeptos dêste formulavam ao povo ameaças várias, caso o Chile não consentisse cm entregar-se a êle. Ora Allende prometia chamar as hordas populares para defender seu "triunfo", se êste fôsse aniquilado no Congresso; ora células terroristas do MIR ou de outros grupos prornct iam desencadear a guerra civil nessa eventualidade. Como se disse na ocasião, tais atitudes constituíram um "golpe de Estado branco" para impor o domínio da Unidade Popular ao país, sob a ameaça de um "golpe de Estado vermelho" e sangrento se isso não acontecesse. De outro lado, Allende e os partidos que o apoiaram difundiam esperanças de moderação e insistiam cm que sua intenção era manter a vigência das liberdades e di.reitos individuais, dizendo que seriam feitas apenas moderadas reformas pró-socialistas para conseguir um maior bem-estar popular. 6 -

A contribuiçã o de governos estrangeiros

Paralelamente a isto, os países comunistas de todo o mundo revelavam seu entusiasmo pelo possível advento de uri1 regime marxis:a no Chile. Dos países do mundo livre, dos quais caberia esperar, a contrario sensu, ao menos uma at ilude· de alerta e precaução, ouviram-se .também vozes tranqüilizadoras. As declarações procedentes dos Estados Unidos que exprimiam tranqüilidade porque o movimento marxista chileno "não tinha grande conteúdo antinorte-americano", augurando a normalidade de relações entre os dois países, e os elogios feitos por um ministro espanhol são notas caracterís:icas da indolente reação mundial; deve-se acrescentar que em todos os países do mundo os jornais comunistas manifestavam al\lorôço, enquanto os anticomunistas mostravam atonia. CONTI NUAÇÃO NA S~XTA l'ÁOINA

Diante do tragédia do Chile, silêncio de Paulo VI

Diante de tudo isso, considerando as dissidências eclesiásticas apontadas, observando os sintomas de angústia do povo chileno, notando que evidentemente a responsabilidade recaía sôbre os ombros da Hierarquia, e observando que da atitude dos parlamentares do PDC dependia o [uluro do país e da América, os católicos tinham o direito de esperar que a voz de Paulo VI desautorizasse o Clero pró-comunista e pedisse aos parlamentares católicos que não votassem em Allcnde. Paulo VI já havia recebido em 1968 o clamor veemente de

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Depois da posse. Salvador Allende recebe as felicitações do Cardeal-Arce. bispo de Santiago

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NO CHILE: EMPATE SOB PRESSAO Plin i o

UANDO DAS ELEIÇOES presidenciais no Chile, escrevi para a "Fôlha de São Paulo" um artigo em que examinava a votação obtida pelos três candidatos, o marxista, o demo-cristão e o nacionalista ( 1) . Mostrei, então, que a vitória de Allende de nenhum modo significava que a maioria dos chilenos optara pelo regi.me marxista. Pois os votos somados dos candidatos nacionalista e pedecista superavam sensivelmente a votação alcançada pelo marxista. No dia 4 passado, realizaram-se novas eleições no país irmão, desta vez para a escõlha dos membros das câmaras municipais. O pleito, como se sabe, atraiu a atenção do mundo inteiro. Nêle, com efeito, o povo chileno teria ocasião para se manifestar sôbre a política pró-comunista desenvolvida por Allende nestes cinco meses de govêrno. Feita a apuração, verificou-se que a coligação governista obtivera, abstraídos os votos nulos ou em branco, 50,86% dos votos, ao passo que os partidos de oposição soma- · ram 49,14%. Em conseqüência, muitos comentaristas concluíram que, desta vez, a vitória da coligação governamental encabeçada pelos mar1'istas era mais significativa. Pois o total obtido por ela superava todos os seus adversários somados. 1:: natural que me perguntem muitos leitores o que digo a isto.

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••• Começo por observar que a diferença pela qual a coligação governamental "venceu" foi de 1,68% , computados os votos nulos ou em branco. De fato, nesta base de cálculo, o govêrno teve 49,73% e a oposição 48,05% dos votos. O govêrno se enganou, pois, ou enganou o público, quando anunciou para si uma ma10r,a pouco superior a 50%, abstrai.n do jeitosamente os votos nulos ou em branco. Do ponto de vista estritamente legal, a diferença de 1,68% basta para caracterizar uma vitória. Aliás, uma pálida e magra vitória. Mas provará ela que a maioria dos chilenos prefere mesmo a política de Allende? - Afirmo que não. Considerada a eleição como um teste, a diferença de 1,68% é irrelevante. Pequenos fatôres ocasionais e sem expressão ideológica podem ter causado essa diferença. De sone que, à vista dela, qualquer crítico imparcial pode falar, no máximo, em empate. Digo "no máximo", porque várias circunstâncias levam à convicção de que mesmo a autenticidade dêsse empate é duvidosa: • 1 - Antes de tudo, é preciso considerar as abstenções. Chegaram elas a pouco mais de 25 % . Dada a disciplina de cabresto dos partidos marxistas, em geral as abstenções só ocorrem nos setores não comunistas. De cada quatro eleitores chilenos, desta vez um não votou. E êste um não é marxista. O que quer dizer que - se êle tivesse votado - o marxismo teria sido folgadamente derrotado. . • 2 - Qual a razão destas abstenções? Desinterêsse? Desalento? Protesto? - Freqüentemente, as abstenções são numerosas nas eleições chilenas. Correspondem a áreas não politizadas, e portanto não bolchevizadas, da opinião pública. Seja como fôr, o desinterêsse seria dirícil de se supor, mesmo cm tais áreas, à vista de eleições tão decisivas para o país e para a vida particular de cada qual. O desalento e o protesto, pelo contrário, são absolutamente explicáveis. Razão a mais para se considerar como antimarxista o significado das abstenções. • 3 - Vejo o muxôxo de alguns leitores diante da conclusão. Objetam, ao ler-me, que as abstenções são intrlnsccamente ambíguas, pelo que não podem

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ser levadas à conta .de um ou de ·outro lado. - Acho simplista a assertiva. Entretanto, só para argumentar, concedo que seja exata. Se 25% dos chilenos mantiveram uma atitude ambígua diante do teste eleitoral, como negar que\o resultado de tal teste tenha sido ambíguo? • 4 - Acresce outro dado. O único partido não marxista da coligação governamental, o Radical, obteve 8, 18 % dos votos. Ou seja, se êle tivesse formado ao lado dos demais partidos da oposição, a minúscula maioria pró-marxista teria sumido. Ora, tenho em mãos um cartaz de propaganda eleitoral dêsse partido. Segundo êsse cartaz, que faixa eleitoral se empenha o Partido Radical em atrair? A faixa marxista? - De nenhum modo. Os descontentes com o marxismo, aos quais procura convencer que colaborem com Allende, por lhes ser mais -útil ter no govêrno o freio de alguns não marxistas, do que votar na oposição e ter assim um govêrno constituído só de marxistas. r,; inadmissível que os eleitores at.raídos com êsse argumento sejam computados como adeptos do marxismo.

• 5 -

Ademais, qualquer eleição - como esta de que tratamos - cm que há, de um lado, um partido, ou conglomerado de partidos, apoiado às escâncaras e com tôda a energia pelo govêrno, e, de outro lado, partidos oposicionistas, só pode ser aceita como expressão autêntica das tendências ideológicas de um povo quando a vitória é da oposição. Ou, então, quando a maioria obtida pelo partido oficial é grande. Pois o govêrno tem sempre - e máxime em tal caso - um pêso eleitoral que arrasta numerpsos votos. Muito e muito mais numerosos do que os minguados 1,68% de vantagem obtidos pela coligação allendista. • 6 - lsto, que é certo para qualquer eleição, no caso concreto é de furar os olhos. Pois Allende, em seus cinco meses de govêrno, desenvolveu uma contínua série de intimidações violentas contra a imprensa de oposição. O mais importante diário não marxista do Chile, "El MerGurio", pertence à família Edwards. Alleode começou por desferir uma ofensiva co ntra o Banco Edwards, da mesma família. O motivo alegado foi a necessidade de apurar certas irregularidades cambiais. A nomeação de um interventor para gerir o banco foi a. primeira medida. Mas, logo depois, sob o pretêxto de que "El Mercurio" podia estar envolvido no caso, foram abertas duas investigações sucessivas no jornal, com grande orquestração difamatória na imprensa esquerdista. As investigações nada apuraram contra "El Mercurio". Em seguida, o govêrno apresentou queixas-crime contra duas em.issoras antigovernistas, a Radio Minería e a Radio Balmaceda. A Radio M.inería teve de se sujeitar à pena de suspensão por 24 horas. O processo contra a Radio Balmaceda ainda está em éurso. Ao mesmo tempo, . deputados comunistas visitaram várias rádios independentes, pressionando-as para que despedissem seus colaboradores antiesquerdistas, no que {oram obedecidos. A editôra Zig Zag, a maior do Chile, publicava grande número de revistas. Foi ela sujeita a uma greve de comunistas, que reivindicavam uma alta de salários exorbitante. À vista disto, a direção recusou o aumento. AJlende nomeou então um interventor comunista, que deu ganho de causa aos operários. Diante da conseqüente insolvência da emprêsa, o govêrno a comprou ... a vil preço. Esta é a liberdade no Chile de Allende. Assim, Allende mantém sob regime de terror as emprêsas de publicidade ainda livres. Por isso, inteiramente à vontade só atuaram, na última eleição, os órgãos de publicidade governamentais. - A isto, pode-se chamar de embate livre e sério? E se não o foi, como a tribuir significado ideológico sério ao resultado eleitoral daí oriundo?

Co rr É

• 7 - Aliás, está longe de ser só êste o tipo de pressão eleitora.! havido no Chile. Durante êstes cinco meses de govêrno, Allende fêz descer sôbrc seu país as primeiras sombras do terror policial. A partir do assassínio do General Schneider, quer o Presidente, quer seus sequazes, têm multiplicado as denúncias de reais ou supostas conspirações. E as correlatas ameaças. Isto incute, em muita gente, um verdadeiro pânico de ser enredado em um processo criminal calunioso e de desfecho im'!>revisível, se falar alto e forte contra o govêrno. • 8 - O elemento empresarial, cuja legítima influência poderia ter dado às eleições um sentido bem diverso, vive sob outra forma ainda de terror. O empresariado comercial e industrial 'depende do crédito. E êste, no Chile, está cada vez mais em mãos do Estado. Com efeito, o govêrno marxista moveu uma -campanha de imprensa para aterrorizar os acionistas de bancos particulares, ameaçando-os com o confisco bancário. Em conseqüência, muitos acionistas começaram a vender seus títulos. O govêrno comprou-os então. Em seguida, sempre por meio de ameaças fiscais ou outras, o govêrno adquiriu as restantes ações de que precisava para se tornar majoritário. E, por esta forma, passaram para o contrôle estatal oito bancos. Os que ainda sobrevivem cm mãos de particulares - são dezesseis - estão à mercê de uma legislação penal ambígua, que os expõe a tantas multas e sanções, que o Estado os pode, a qualquer momento, esmagar. Nestas condições, um empresário que tome atitude clara contra o govêrno nas eleições se expõe a ter cortado todo o seu crédito. O empresariado rural - na medida e m que ainda sobrevive às rajadas de confisco agrário vive no terror da CORA ou das "ocupações" feitas pelos pelegos do allcndismo. O melhor dos quadros dirigentes da op.inião antimarxista ficou, pois, paralisado. Parte até emigrou. Há quem fale em mais de cem mil refugiados chilenos residentes só em Buenos Aires. • 9 - Quanto ao setor eleitoral dos empregados conservadores, sensíveis à influência de seus patrões, desorientado, privado de seus chefes naturais, claro está que perdeu assim muito de sua iniciativa e coesão política. Isto sem falar da opressão exercida sôbre os trabalhadores rurais "beneficiados" pela reforma agrária, dependentes hoje do apoio do govêrno em tudo e para tudo a fim de fazer produzir "suas" glebas. - A que sanções se expõe o distrito rural cm que os candidatos governamentais não tenham obtido votação maciça! · Tudo isto somado, aceitar como concludente o resultado de ·uma vitória eleitoral como esta, é cômico: Ou trágico. Tanto mais quanto - como já dissemos - esta exígua "vitória" não passa de um autêntico empate. - Empate sob pressão o que exprime? Igual fôrça de ambos os lados? Ou maior fôrça do lado que, ainda sob pressão, se igualou ao senhor da polícia, da publicidade, do créd ito e dos favores?

• • * Pretendo retomar em outra oc~sião meu anterior artigo sôbre propriedade individual. Por ora, preciso ainda analisar o significado da queda dos votos radicais, pedecisrns e nacionais. O que espero fazer no próximo artigo. l) Re produzido em ''Catolicismo", n. 0 238, de outubro de 1970, sob o rítulo de " A posição da TFP ante a vitória marxista no Chile".

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NEM VITÓRIA AUTÊNTICA, NEM PLEITO LIVRE

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de Oliveira

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OMO JA VIMOS, o resultado obtido nas eleições chilenas pela coligação socialista-comunista não representou, para esta ' última, uma vitória autêntica. Os partidos que apoiam Allende alcançaram simplesmente um empate. E um empate sob forte e onímoda pressão, o que equivale, moralmente, a uma derrota. Foi o que - em essência - sustentei em meu último artigo. Ao que parece, o próprio govêrno chileno se deu conta da inutilidade de blasonar vitória a propósito de tão magro resultado. Pois, em seguida às fanfarronadas das primeiras 48 horas, o govêrno se calou sôbre seu "êxito" eleitoral. E nas notícias que nos chegam do país irmão, não figura mais uma só referência de Allende a seu teste de popularidade. O que é propriamente meter a viola no saco.

Um dado a mais, que não cheguei a comentar, ajuda a melhor entender o que há de frustro, para o govêrno marxista, no resultado das eleições. ê que o total de "regidores" - isto é, vereadores - eleitos sê compõe de 914 filiados a partidos de oposição 766 à coligação governamental. O que faz pensar que se o govêrno obteve melhor votação em algumas cidades mais povoadas, no Interior ela lhe foi desfavorâvel. Precisamente nesse Interior que o govêrno vem "beneficiando" pela reforma agrária, apregoada como profundamente popular pelos socialistas, pedecistas, progressistas e comunistas ...

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Isto pósto, continua de pé, sem embargo, um fato óbvio. f: que - de um ou outro modo - a votação governista cresceu da eleição presidencial de setembro do ano passado para a eleição municipal de princípios déste mês. E cresceu em proporções nada desprezíveis, ou seja, de 36,3% a 49,7 %. Olhemos de frente para êste fato. De onde proveio a diferença? - óbviamente, ela só pode ter vindo das correntes de oposição. Explico-me. O Partido Nacional, que é de certo modo a direita no panorama político-ideológico chileno, desenvolveu, durante a campanha eleitoral, uma propaganda mole, desanimada e inintcligente. Boa parte de seus eleitores, segundo tudo leva a crer, engrossou as fileiras dos abstencionistas. E outn, pane, vendo na DC maior dinamismo e melhores possibilidades de vencer o marxi~mo, terá votado a favor dela. Ou, então, do Partido Radical , corpúsculo inocuamente a-marxista incrustado na coligação governamental. Assim, embora a votação de Alessandri, candidato apoiado pelo Partido Nacional, tenha correspondido a 34,9% do eleitorado em setembro do ano passado, nas eleições do corrente mês o PN não obteve senão 18.1 '3'~ dos votos. Ora, a votação do PDC e a do PR não indicam a alteração correlata. O eleitorado do PDC passou de 27,8% em setembro para 26, 1% nas últimas eleições. Quanto ao Partido Radical, os dados são

um pouco mais complexos. Porém igualmente concludentes. O PR - cujos votos se situavam em tôrno de 13% nas eleições municipais e parlamentares de 1967 e 1969, respectivamente - cindiu-se em duas alas, por ocasião da eleição de Allende. A ala que conservou o nome de Partido Radical recebeu agora 8% dos votos, e a outra a la, a Democracia Radical, de tendência antes direitista, obteve 3,8% dos votos. O que perfaz o total de 11,8%. Como explicar tudo isto, já que a votação dos demo-cristãos e dos radicais deveria estar acrescida pelos' votos dos nacionais? De um lado, é absurdo supor que os direitistas descontentes tenham votado no marxismo. De outro lado, o coeficiente de aumento das abstenções ( 16,3% em setembro passado e 25,5% agora cm abril) não basta para explicar a evasão dos votos direitistas. Onde, então, a chave do mistério? T udo leva a crer que os marxistas se beneficiaram de votos de simpatizantes. Ora, em matéria de simpatizantes, os que o marxismo possui estão na DC e no PR. Logo, devem ter votado pró marxismo muitos membros destas duas correntes. E como estas provàvelmente se beneficiaram do apoio de eleitores alessandristas, a evasão dos votos das fileiras delas para a esquerda foi de algum modo compensada, e se nota pouco nos números. ó

Assim vistas as coisas, é-se propenso a afirmar que Allende teria sido derrotado nas eleições municipais, e as coisas estariam hoje bem diversas no Chile, se os simpatizantes não marxistas do marxismo não tivessem, mais de uma vez, dado a vitória a êste. Insistamos sõbre o rato. Agora, mais uma vez, foram eleitores que se prezam de não marxistas, os que deram a vitória ao marxismo. Tão fraco é êstc para conquistar o poder só por si. ••

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Foram, pois, os simpatizantes não marxistas do marxismo, os grandes responsáveis pela vitória dêste nas eleições municipais. P'ostos os olhos nos seus congêneres dos demais países sul-americanos, "sapos", demo-cristãos e progressistas, não é difícil perceber que êstes se aprestam a fazer o mesmo por tõda parte. Daí se tira uma conseqüência prática do maior alcance. E. que, no tocante ao perigo comunista, não basta alertar a opinião pública contra o -PC propriamente dito. Mas é absolutamente indispensável, é urgente, é capital alertar o público contra as correntes que, sem se dizerem comunistas, fazem um muxôxo ao anticomunismo e mostram para com o comunismo uma condescendência inspirada nas mais tolas e perigosas ilusões. Mas esta já é outra matéria. Fiquemos apenas na análise das eleições chilenas. Tal análise, com o presente artigo, chega ao fim.

Como ficou dito, ela prova que, se a coligação pró-marxista obteve agora certo aumento de votos em relação ao pleito anterior, deve.o a votos ... não marxistas! Tão ilusória é a posição "majoritária" de Allcndc cm seu país!

••• este fato tem muito alcance, por certo. Desde o manifesto de Marx, lançado em 1848, jamais um candidato, comunista obtivera a vitória cm eleições autênticas e livres. este crônico insucesso eleitoral produzia duas conseqüências importantes, uma no seio do próprio PC internacional, outra na opinião pública em geral. No seio do PC, fortalecia-se cada vez mais a corrente dos que achavam que sem violência não é possível ao marxismo chegar ao poder. A assim chamada - e tão apregoada - "vitória" do marxismo em dois pleitos sucessivos, no Chile, viria dar argumentos à corrente contrária à violência. Pelo menos uma vez, cm um país, os processos legais e pacíficos teriam levado o comunismo ao poder, A estas horas, entretanto, os especialistas do PC já terão concluído suas análises, e já terão chegado à mesma conclusão que nós: ambas as "vitórias" provam que a maioria, se se lhe der ocasião de votar em pleito livre se manifestará renitentemente anticomunista. E q~e, cm conseqüência, continua de pé o princípio de que, sem pressão nem ameaça de violência , o comunismo não, alcança o apoio da maioria autêntica dos eleitores. A outra conseqüência, extra n1uros do comunis. mo, salta aos olhos. Para seus partidários, para seus simpatizantes, para o imenso rebanho dos ingênuos, o comunismo se apresenta como o grande movimento reivindicatório de imensas massas oprimidas. Como as massas são a maioria, e, segundo as doutrinas democráticas à Rousseau, as maiorias são soberanas, resistir ao comunismo é resistir ao único poder legítimo, isto é, o das multidões. Daí a fundamental iliceidade de todos os movimentos anticomunistas. Suposta verdadeira a doutrina pagã de Rousseau, segundo a qual as massas podem tudo quanto pod_e um déspota oriental, inclusive suprimir todos os direitos assegurados pela Lei de Deus, - o raciocínio é impecável . . . enquanto mllro raciocínio (eito no ar. Entretanto, falta-lhe a báse. Pois uma de suas premissas é falsa. Não se pode pretender que o comunismo exprima anelos de imensas massas, se êle sempre e por tõda parte perde as eleições. E com isto rui por terra a construção armada pela propaganda vermelha. Pode-se imaginar quanto mal-estar isto causa à propaganda comunista. Ora, com o resultado das eleições chilenas tentou o comunismo reabilitar-se, aparecendo pela primeira vez como vencedor em um pleito eleitoral livre. Não houve vitória autêntica, nem pleito livre. E. o que quisemos provar nos sucessivos artigos que consagramos ao assunto.

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No dia 4 do mês passado realizaram-se no Chile eleifões para a renovação dos câmaras municipais de todo o país. O pleito foi acompanhado com expectativa no mundo inteiro, pois o povo chileno teria e ntão a oportunidade de manife star-se .a re speito da política pró-comunista desenvolvida por Allende nos cinco primeiros meses de seu mandato. Fe ita a apura,ão, verificou-se que a coligação gov ernista obtivera 50, 86% dos votos, contra 49, f4% da oposição. Muitos comentaristas quiseram vei nessas cifras a aprovação da maioria da população andina para o Pre sidente marx ista e seu programa de govê rno. Nos dois artigos que re produzimos nesta página, publicados na imprensa diária de Sõo Pau/o nos dias ff e f8 de abril, o Prof. Plínio Corrêa de Oliveira analisa os re sultados de ssa eleirão, deixando claro qual o se u verdadeiro alcance e significado.

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CONTINUAÇÃO OA PÁG. 3

AS ELEIÇÕES DE . .RIL, MAIS UMA ETAPA 11 1 -

A GRANDE FORÇA AMIGA DO CHILE OPRIMIDO

Diante das inumeráveis defecções daqueles que deveriam ter-se oposto a Allende, uma única fôrça desenvolveu uma resistência organizada e ampla, advertindo a América Latina do que estava acontecendo e convidando-a a reagir para evitar a tragédia iminente e outras que se lhe seguiriam: a corrente ideológica que luta em defesa da Tradição, da Família e da Propriedade, a qual demonstrou ser a grande fôrça verdadeiramente amiga do Chile.

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• No Brasil, a Sociedade Brasileira de Defesa da Tradição, Família e Propriedade levou a efeito uma grande campanha de esclarecimento da opinião pública daquele país, entre os dias 11 de setembro e 5 de outubro. Essa campanha teve início com a Santa Missa celebrada, a pedido da TFP, pelo Exmo. Revmo. Bispo de Campos, D. Antonio de Castro Mayer, para que o Chile não caísse sob o domínio comunista. Terminada a Missa, sócios e militantes da TFP desfilaram pelas ruas centrais daquela cidade brasileira, oferecendo, ao público o número de outubro do mensário "Catolicismo", no qual se dava a lume uma nova edição da prestigiosa obra "Frei, o Kerensky chileno", de Fabio Vidigal Xavier da Silveira, e o artigo "A posição da TFP ante a vitória marxista no Chile" (anteriormente publicado na imprensa diária de São Paulo sob o título de "Tôda a verdade sôbre as e leições no Chile"), de autoria do Prof. Plinio Corrêa de Oliveira, Presidente do Conselho Nacional da TFP brasileira. No referido artigo, o autor demonstrava, baseado na diminuição porcentual da votação de Allende em relação às eleições de 1964, que houvera um retrocesso do comunismo no Chile, apesar do apoio que êle tivera agora por parte de fôrças não marxistas. O pensador brasileiro demonstrava igualmente que o triunfo de Allende na eleição devera-se à ação pró-comunista do aero progressista, lamentava que tal fato não tivesse sido remediado por Paulo Vl de forma adequada, e pedia ao Pap-a que fi1.esse na hora trágica o que omitira no momento oportuno. O êxito dessa campanha foi de uma eloqüência contra a qual não há resposta: a eloqüência dos números. Em vinte dias (oram distribuídos ao público 550 mil exemplares do citado artigo-manifesto e vende-

8AfOlLBCJISMO MENSÁRIO

com APROVAÇÃO ECLF.SIASTICA

Campos -

Esf. do Rio

Diretor Mons. Antonio Ribeiro do Rosario

Olrtforln: Av. 1 de Setembro. 247, c.aiX:l posl:.I 333. Campos, RJ. Admlnl\"trntão: R. Dr. Mar1inico Prado. 271 (ZP 3), S. Paulo. Agcnte pana o E.~a.do do JUo: Dr. Jos6 de Oliveira Andrade, caiu pôSt:\I 333. C-.mpos., RJ; Agente para O$ E.«ndos dr Gol'5, Mato Gro.s:so e Mln.u.s Gcmls~ Dr. Milton de SalJes Mourão, R. ParaíbJ, 1423. telefone 26-4630, Belo Horizonte: A,;cntc

para o ~1ado da Guanabara: Dr. Luís M,

Dunenn, R. Cosme Velho, SIS, telefone

245,8264, Rio de Janeiro: Aacnte para o ,F..stado do Ceará: Dr. Josi Gerardo Ribci·, ro. R. Senador Pompeu, 2120-A, Forlalezo; Agentes pnro a Argr.nOna : ''Tr~dici6n, Familia, Propicdad''. Casilla de Corrco n.0 169, C{lpital Federal, Argentina; Aatn1c para a fu1>nnh:i: José Maria Ri-.·oir Gómcz. apar1:1do $182, Madrid, Es·panha. A.sslni•lurns anuais: comum CrS l S,00; coopcrndor Cr$ 30,00; bcníci1or Cr$ 60,00; grande benfeitor Cr$ JS0,00; !-Cntinaristas e estudantes C rS 1'2,00; América do Sul e Central: via m:1rítima USS 3,SO; vfa aérea USS 4,SO: outros países: via marítima 4,00; VÍl :.'16rca Vcnd:a Avul~: CrS l ,S0.

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Os pagamcnle>$, $cmprc em nome de Edltôr::i. Pad~ Btkhlor de Pontts SIC. poderão ser c.ncaminhados à Administração o u aos agentes. A correspondência relativa a assina1uras e venda avulsa deve ser enviada à Adminis1rnçiio. Para mudança de cnderêço de 3-f..~inantcs, é ncccss:\rio mcncion:.r Umbém o cnderêço :mtigo. Composto c Impresso n:a Cl!l. LUboanphlca Ypfranaa R. Cadete, 209, S. Paulo

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ram-sc 4.700 exemplares do livro "Frei, o Kerensky chileno", bem como 27 mil do número de "Catolicismo" que continha a reprodução do mesmo artigo e da obra do Sr. Fabio Vidigal Xavier da Silveira. Em cinqüenta cidades de catorze Estados do Brasil o público viu erguerem-se os estandartes rubros com o leão dourado e ouviu os slogans da campanha: "Leiam nosso manifesto: Pastôres entregaram o Chile ao lôbo vermelho!" - "Plínio Corrêa de Oliveira denuncia trama progressista no Chile!" - "Nosso manifesto demonstra: o comunismo não progrediu no Chile!" Em Belo Horizonte, a terceira cidade do Brasil, os sócios e militantes da TFP organizaram um desfile encabeçado por um estandarte enlutado, de doze metros de altura; uma grande faixa apresentava os seguintes dizeres: "Pelo Chile, país irmão, luto, luta e oração". Naquela cidade foi também celebrada uma Missa e rezado um rosário para que Nossa Senhora se apiedasse de nossa pátria. A TFP promoveu ainda a publicação na íntegra do citado artigo do Prof. Plínio Corrêa de Oliveira nos seguintes jornais: "A Cruz", do Rio de Janeiro; "Fôlha de São Paulo", da Capital paulista; "Correio do Povo", de Pôrto Alegre; "Diário dos Campos", de Ponta Grossa; "Diário da Noite", de Salvador; "Gazeta do Povo", de Curitiba; "Diário Catarinense", de Florianópolis; "Jornal Pequeno", de São Luís; "Cidade de Blumenau" , da cidade homônima; "A União", de João Pessoa. Foram publicados também amplos resumos no "Diário de Notícias", do Rio de Janeiro; "Diário da Noite", "Diário Com~rcio e Indústria" e "Diário de São Paulo", da Capital paulista; "Correio Braziliense", de Brasília; e "Diário da Tarde", de Belo Horizonte, bem como em treze outros periódicos . Concomitantemente, de s ua coluna semanal na "Fôlha de São Paulo" (o diário de maior tiragem no Brasil), o Prof. Plínio Corrêa de Oliveira vigorosamente denunciava o drama em que o Chile ia afundando e advertia do perigo que ameaçava tôda a América Latina. Assim, através daquele jornal, em onze ocasiões, desde então até esta data, não só grandes setores do público brasileiro, mas também de muitos países da América e da Europa, puderam receber esclarecida voz de alerta sôbre uma das principais manobras que o comunismo vai executando em nossa pátria. A TFP da Argentina realizou em seu país uma larga campanha no mesmo sentido, contando nela com a colaboração de numerosos universitários chilenos. Assim, no centro de algumas das principais cidades do país, como Buenos Aires, Mendoza e La Plata, êstes jovens, do alto de barris servindo de tribunas, expunham ao público argentino as causas da queda de nossa pátria sob o regime comunista. Em vinte dias de campanha, distribuíram-se 250 mil exemplares do citado artigo do Prof. Plínio Corrêa de Oliveira, agora sob o título de "Tôda a verdade sôbre as eleições no Chile", com grande repercussão na imprensa. Na Callc Florida - a mais movimentada artéria de Buenos Aires - foram lançados do alto de edifícios dezenas de milhares de cartões com a caricatura de Fidel Castro e a figura da Cordilheira dos And.:s, nos quais se fazia notar o perigo que significava para a Argentina a presença de um regime marxista ao longo de suas fronteiras. A TFP promoveu ainda a publicação do artigo-manifesto do Prof. Plínio Corrêa de Oliveira analisando a eleição chilena, nos diários "Los Andes" e " Mendoza", da cidade de Mendoza; "La Voz dei Interior", de Córdoba; "EI Litoral", de Corrientes; "El Diario" de Paraná· "El Litoral" e '' ' Fé, bem como "Nuevo Diario", de Santa um resumo do mesmo em "La Capital", de Rosário. Numeroso público participou do santo rosário que a TFP fêz rezar "para que Nossa Senhora do Carmo, Padroeira do Chile, Se apiede dêle, e abra os olhos dos argentinos para a tremenda nocividade das correntes que se proclamam não comunistas mas estendem a mão ao comunismo". Posteriormente·, uma caravana composta por jovens militantes da TFP percorreu cinqüenta cidades do interior da Argentina, difundindo o número de novembro-dc1.embro da revista "Tradiclón, Familia, Pro-

piedad", que reproduz três artigos do Prof. Plínio Corrêa de Oliveira sõbrc a situação chilena: o já citado "Tôda a verdade sôbre as eleições no Chile", "O Cardeal festivo", que critica o apoio do Cardeal Silva Henríquez ao marxista Allende, e "Entre lôbos e ovelhas, nôvo estilo de relações", no qual o autor se refere à trágica omissão de Paulo VI diante das urgentes medidas que lhe foram pedidas para salvar o Chile do comunismo. Foi também preparado um áudio-visual, c ujo texto é o próprio artigo-manifesto "Tôda a verdade sôbre as eleições no Chile"; êsse áudio-visual era projetado tôdas as noites nas praças públicas das cidades visitadas pela caravana. Esta última continua ainda percorrendo a maior parte das províncias argentinas. • A Sociedade Uru.guaia de Defesa da Tradição, Família e Propriedade, através de seu órgão oficial, a revista "Lepanto", e também de impressos especiais, divulgóu em seu país o artigo-manifesto "Tôda a verdade sôbre as eleições no Chile''; uma caravana de militantes percorreu igualmente onze das principais cidades uruguaias.

Na Venezuela, o Grupo Tradicionalista de Jovens Cristãos Venezuelanos fêz publicar integralmente o mencionado artigo no diário "La Verdad", de Caracas, promovendo ademais a distribuição de dez mil exemplares de uma separata do mesmo. • O Grupo Tradicionalista de Jovens Cristãos Colombianos, de Medellín, e a J uventude da Colômbia Pró-Civilização Cristã, de Bogotá, levaram a efeito a distribuição de dez mil exemplares do referido ar- • tigo, cm cidades do interior do país; outrossim, o seu texto foi publicado nos diários "El Siglo" e "La República", de Bogotá. • No Equador, o Comité de J ovéos Equatorianos Pró-Civilização Cristã fêz publicar o artigo-manifesto nos diários "El Tiempo" e "El Comercio", de Quito, e distribuiu cm campanhas públicas dez mil volantes com o texto do mesmo. Do me-smo modo, as TFPs difundiram entre entidades afins a referida análise das eleições, e promoveram sua publicação na íntegra nos seguintes países: Estados Unidos, no boletim da "Cardinal Mindszenty IV -

Foundation", além de resumos no "Diario de las Américas'' e "Thc Voice"; Itália, cm " fl Secolo d'ltalia", de Roma; Espanha, no conhecido semanário "Qué pasa?"; Portugal, nos periódicos . "Política" e "Resistência•·; Canadá, cm (tVers Demain"; Argentina, na revista ºLa Tradición", de Salta; México, no Boletim da Frente Popular Anticomunista do México. Por outro lado, ''Frei, o Kerensky chileno", ade-mais de 3 1.700 exemplares escoados durante os vinte dias de campanha no Brasil, foi editado cm El Salvador, sendo ainda vendidos exemplares dêle em numerosas cidades da Argentina, Uruguai, Colômbia e Venezuela. Entrevistas do autor foram publicadas na Argentina, Brasil, Colômbia e Espanha. Numerosos jornais fizeram menção do acêrto ideológico do "besl-seller" do escritor brasileiro, consagrando artigos ou largas referências ao livro. Entre êles se destacam "La Prensa'', de Lima~ ºLa Naci6n'\ de Buenos Aires; "El Sol", do México; "Diário Popular", "Jornal da Tarde" e "O Estado de São Paulo", da Capital paulista; "Jornal da Bahia" de Salvador· "O Globo" ' "O Estado' do Paraná"' do Rio de Janeiro; e o "Diário do Paraná", de Curitiba, e "O Debate", de Lisboa. Também "El Tiempo", de Bogotá, e "ABC", de Madrid, consagraram artigos ao tema, e a Associatcd Press difundiu por todo o mundo uma entrevista do Sr. Fabio Vidigal Xavier da Silveira.

Como beneficiam o Chile as campanhas no Exterior? No mundo de hoje, as fronteiras são porosas. Todos os governos consideram que uma boa publicidade feita no Exterior repercute dentro das fronteiras, contribuindo para os estabilizar e consolidar. Por essa razão, não há govêrno que, no interêsse de sua própria e.~tabilidade, não cultive sua propaganda externa. Assim, uma campanha que mostre ao mundo que o Chile é uma nação tiranizada por uma minoria enfeudada ao comunismo internacional, constitui uma ação valiosa para diminuir as possibilidades da inteira consolidação dessa minoria dentro do próprio Chile.

DEPOIS DA CONFIRMAÇÃO PELO CONGRESSO

Uma vez eleito Alle nde pelo Congresso ante a consternação dos chilenos e do mundo, continuaram a verificar-se os sintomas de misteriosas defecções por parte dos líderes já apontados. O Sr. Alessandri continuou guardando um sepulcral silêncio, durante meses, como se nada estivesse acontecendo, sendo nisso imitado pelo Partido Nacional; Benjamín Malte continuou declarando sua confiança em Salvador Allende, o que também fizeram outros dirigentes de organizações empresariais; ao escandaloso "Te Deurn'' promovido pelo Cardeal Silva Henríquez - do qual participaram ministros de várias seitas heréticas - assistiu o enviado pontifício à posse de Allendc, Mons. Dei Giudice, Núncio em São Domingos; concretizou-se um intercâmbio "cultural" entre a Universidade Católica de Santiago e uma universidade cubana, etc. O Cardeal Silva Hcnríquez visitou AItende (transmitindo-lhe uma saudação de Paulo VI!). Allende retribuiu-lhe a visita, fazendo-se fotografar ambos em atitude muito amistosa, para mostrar que a solidariedade não ficava só em palavras; "EI Mercurio" continuou manifestando seu apoio ao govêrno marxista. O nôvo Núncio no Chile, Mons. Sótero Sanz, ao apresentar suas credenciais, frisou, segundo "La Revista Catól ica", "sua complacência pelo programa de progresso social em que está empenhado o país, para o qual assegurou a ajuda da Igreja". Transmitiu ainda a Allende uma nova saudação de Paulo VI. O Cardeal Silva Henrfquez fêz as mais insólitas declarações, dizendo que a Igreja apoiava o programa da Unidade Popular, pouco importando as eventuais injustiças, porque . . . qualquer regime sempre cometeria alguma injustiça. Não é preciso dizer que diante de tudo isso não sct (êz ouvir a mínima censura do Vaticano; na procissão em honra da Vir-

gcm de "lo Vazquez" foram distribuídas foros de Allende coni um texto afirmando que Nossa Senhora o protegia, isto também sem censura ou protesto da Hierarquia; o Partido Democrata-Cristão continuou a firmando sua confiança em Allende e seus colaboradores. Por outro lado, vários países ocidentais continuaram manifestando seu apoio ao nôvo regime marxista; o govêmo alemão declarou que competiria com a Alemanha comunista na ajuda ao Chile; os Estados Unidos abstiveram-se de vetar um empréstimo do Banco ínteramericano de Desenvolvimento às Universidades chilenas - e que universidades! - apesar dos protestos de vários membros do Congresso norte-americano. O govêrno

MORTE E PECADO NA DOUTRINA MANJQUÉIA NO ARTIGO "Querem lançar as bases de uma nova religião? / A propósilo do Nôvo Ca1ecismo francês", que "Catolicismo" publicou em seu n.0 243, de março p.p., escrevemos a certa altura: ''Ora, a .re considerar a morte e o pecado como inerentes (I natureza humana, que é o êrro pr6prio do maniqueísmo. a queda do.r homen, em Adão é 1iegada, e a dou1,;na cat6/ica da Redenção se torna ob.~ cura e sem sentido".

Segundo a doutrina maniquéia, a morte e o pecado são inerentes à natureza huma-

na. Por um lapso na construção da frase aci·ma, ,podia-se entender que numa e noutra coisa erra o maniqueísmo. Na realidade. seu êrro consiste s6 na afirmação de que o pecado é inerente à natureza humana. Pois, quanto à morle, ela de fato é própria ao homem, como ensina a doutrina católica.

Cunha Alvarenga


CONCLUSÃO DA PÁG, 6

AS EI.EIÇÕES DE ABRIL, MAIS VMA ETAPA francês mostrou igual tranqüilidade pelo futuro do Chile e manifestou-se disposto a continuar colaborando com êle. Tudo isto apesar de um ministro cubano em visita ao nosso país haver declarado que Allende não devia perdoar seus adversários no "paredón", e de ser anunciada ao mesmo tempo a vinda de brigadas cubanas para colaborar com o regime allendista. V -

AS TÁTICAS DE ALLENDE

1 -

Como adquiriu estabilidade no poder

• Como explorou o caso Scbneider. Allende, entretanto, servia-se de diversas circunstâncias para adquirir estabilidade. Entre estas acha-se o processo Schneider. Com a colaboração da imprensa esquerdista e de funcionários do govêrno de Frei, deu-se às invest igações sôbre o atentado contra Schneidcr uma orientação que atemorizou os anticomunistas. Quando alguém se levantava, alarmado, e procurava suscitar a reação pública diante do fato gravíssimo de que o país imergia no comunismo, a imprensa esquerdista imediatamente lhe atribuía supostas vinculações com o assassínio, e não tardava a intimação para prestar declarações no processo. Então, constando que se aplicavam torturas aos detidos e ficando manifesto que a promotoria militar - de duvidosa objetividade - poderia declarar réu qualquer acusado, muitos preferiram um silêncio tímido, mas cômodo e seguro, aos riscos que uma oposição acarretaria. Tanto mais q ue, aos que estivessem na prisão quando Allende assumisse o govêrno, êle poderia (não se sentindo, cm dado momento, atado pelas normas jurídicas) condenar pelo menos a uma longa pena. O pedido de cassação do Senador Raul Mornles, com fundamentos tão vagos que a Côrte Suprema rejeitou a medida, mostra que o propósito era antes -intimidar que investigar e fazer justiça; tal idéia é reforçada ao se considerar a intensa e inj uriosa campanha que contra aquêle alto Tribunal desencadearam o govêrno e a esquerda pelo fato de não querer a Côrtc Suprema converter-se em instrumento de perseguição. 'B bem sugestiva a frase do Cardeal Silva Henríquez a Allende a respeito do alenta· do a Schncider: ".Ble morreu para que o Sr. pudesse chegar felizmente a ocupar o cargo". Isso torna supérfluo qualquer outro comentário.

• Como difundiu esperanças de brandura. - Enquanto isso, Allende fazia todo o possível para difundir esperanças de moderação em seu govêmo. Insistia cm que era muito limitado o número de pessoas que tinham algo a temer. Que ainda assim a liberdade de pensamento não seria violada, e que o respeito aos princípios jurídicos se manteria incólume. Para acreditar junto ao povo chileno êsse engano, concorreu o Partido Democrata-C ristão, que levantou o "bluff' das garantias constitucionais, com o propósito de justificar a entrega que havia realizado. Allende não teve dificuldade em prometer respeitá-las, uma vez . que no momento lhe · interessava tão somente assumir o poder e o eontrôle do país, e que, ademais, elas se referiam a pontos secundários. Algumas o utras pessoas colaboraram no mesmo sentido, atacando apenas o Partido Comunista e pondo suas esperanças em Allende, a quem atribuíam objetividade e retidão. A mesma tática havia sido usada já cm relação ao PDC e a Frei, como se não houvesse absoluta cumplicidade no que êles faziam. Agora eram o Partido Nacional , os democratas-cristãos, "El Mercurio", quem novamente executava a manobra (a qual vêm repetindo de tempos em tempos,

tão logo os excessos socialistas começam a desprestigiar Allende).

Medidas poro a instauração do reg ime marxista

2 -

a

O domínio dos órgãos de imprensa. Sendo ajudado desta forma, Allcnde não teve inconveniente em iniciar a cam· panha para dominar a imprensa, o rádio e a televisão. O govêrno propôs ações contra várias revistas, c·missoras de rádio e jornalistas; deputados comunistas exigiram que muitas emissoras substituíssem seus comentaristas por outros afeiçoados à Unidade Popular. "El Mercurio" - que até então fazia esforços contínuos para atenuar o desprestígio do govêrno - foi objeto de investigações que punham em causa a honestidade de suas operações financeiras. Teve início a "operação" Zig-Zag para obter o contrôle dessa importante editôra e convertê-la em emprêsa estatal. Várias rádios foram invadidas por marxistas e houve intervenção em alguns jornais. Não obstante, em face das justificadas apreensões da Associação I nteramericana de Imprensa, e sobretudo da opinião pública mundial, Allcnde e seus corifeus responderam com irritação, mas sem provas.

• O contrôle da economia, das emprêsas e dos bancos. - Tão logo as circuns· tâncias o permitiram, Allendc anunciou seu propósito de nacionalizar, isto é, de confiscar tôdas as jazidas e explorações minerais do país, contando para isso com o apoio democrata-cristão; de assumir o contrôle absoluto ela produção do aço, do petróleo e do gás liqüefeito; de estatizar os bancos e controlar o crédito. Ademais, interveio em vários bancos, expropriou emprês,1s têxteis, iniciou a compra ilegal das ações bancárias, sob a ameaça de confisco futuro, e anunciou o estabelecimento da participação obrigatória dos operários nos lucros e na ges1ão das emprêsas. Se a tanto se acrescentam as freqüentes greves, ocupações, e agitações de todo gênero, o aumento dos salários mas não dos preços, a redução do crédito, o perigo de confisco ao qual ficam expostas as emprêsas com a reforma constitucional que permite a nacionalização do cobre, tudo isso con(igura a imincnie extinção total da inic iativa privada, além da estatização das grandC's emprêsas, já comunicada ao país por Allende. A refom,a agrária. - A situação por que passa o país no setor agrário é uma imagem do que acontecerá dentro de pouco tempo em todos os outros campos da atividade nacional. Confisco maciço de bens móveis e imóveis, constituição de fazendas estatais, ocupações violentas, raptos, roubos, sabotagens, tribunais policiais marxis tas, guerrilhas generalizadas, intervenções estatais que arruinam o empresário, "expro· priações voluntárias" que o reduzem à indigência, próximo confisco dos minifúndios. Em todos êsscs atos, legais e ilegais, pacíficos e violentos, atuam do mesmo modo terroristas de extrema esquerda, funcionários do govêrno, índios drogados, agitadores e Padres progressistas, os quais, unidos cm intima colaboração, levam o país ao caos e à injustiça praticada como sistema. Além disso, o govêrno anuncia que fará a reforma agrária de uma maneira tão drástica como nunca se viu e, com o apoio dos d irigentes rurais, expropriará em breve todos os imóveis que ultrapassem oitenta hectares; ao mesmo tempo, promove ocupações ilegais em todo o país e submete os agricultores à tirania combinada de campone.ses e agitadores. •

• A tirania capilar. - Para perceber o quadro de conjunto do q ue será o C hile

0

Já se encontrava fechada a presente edição quando recebe-

mos a nova Pastoral do Exmo. Revmo. Sr. D. Antonio de Castro Mayer, Bispo Diocesano, intitulada "AGGIORNAMENTO" E TRADIÇÃO. Apresentaremos no próximo número o texto integral do lúcido e oportuno documento.

quando o que Allende quer impor estiver consumado, basta pensar na situação que resu lta dos seguintes elemen tos que, aqui ou acolá, já se observam: -

funcionamento de tribunais populares marxistas que julguem permanentemente todos os que se mostrarem refratários ou apáticos ante a revolução marxista; - agitação rural que dizime os restos de liberdade que fiquem no campo depois da reforma agrária, a qual terá confiscado tôdas as propriedades e instaurado a coletivização total; - ocupação de tôdas as casas vazias, e daquelas que o marxismo julgue demasiado amplas para seus donos, por moradores naturalmente esquerdistas; - fechamento de tôdas as fronteiras, inclusive da Cordilheira dos Andes, por meio dos guerrilheiros que já atuam ali; - asfixia de todo tipo de empresariado privado e sua redução à indigência; - f uncionamcnto de milícias populares e polícia política que substituirão o Exército e a Justiça comum, com elementos trazidos de Cuba ou de outro país comunista, para perseguir os s uspeitos de re· sistência; - confisco de tôdas as formas de capital privado. Em ta is condições, a vida quotidiana, em seus detalhes mais capilares, cm seus míni mos pormenores, será controlada e coarctada segundo as conveniências do regime. Ainda não se viu nos países até aqui dominados pelo comunismo um dinamismo e uma vontade que se exprel>sassem tão clara, minuciosa e concretamente, desde o início, com relação a seus propósitos e meios. Ora, o Partido Comunista declarou que, se alcançar uma maioria decisiva nas próximas eleições, espera não ter que sujeitar-se nem sequer a normas ou limitações jurídicas, de nenhuma espécie, para cumprir pura e simplesmente seus fins.

3 -

A sinistra comédia

Assim como houve um jôgo de circunstâncias que conduziu o Chile para onde ê le não que·ria, é de recear que as próximas eleições digam o que o · Chile não pensa: Frei, cabeça da oposição. Seria algo risível, que não pode ser tomado a sério. A TFP protesta contra essa deformação e, para mostrar à opinião pública a trama, denuncia desde já as eleições como uma comédia sinistra para falsear a realidade chilena. Pois é de recear que elas constitua.m uma nova etapa no crepúsculo artificial que se fêz descer sõbre o país. As eleições de abril estão sendo esperadas pelo mundo inteiro como um teste para saber se o govêrno de Allendc obteve, durante êstes meses de um caminhar ao mesmo tempo cauto e rápido para o comunismo, a aprovação do eleitorado. Na hipótese de obter essa aprovação, A.llende se sentirá autorizado, em nome do mito revolucionário da soberania popular absoluta, para acabar de impor o regime comunista ao Chile. Bem entendido, é .o q ue Al\ende e seus adeptos de dentro e fora do país procuram como a melhor das soluções. Allende bem sabe, no entanto, que há contra êle um descontentamento vivaz e que em conseqüência corre muitos riscos de não alcançar êsse resultado. Tem então que preparar, ao mesmo tempo, e desde já, uma solução para o caso de não o_bter a vitória. Essa solução deve ser naturalmente a quei mais o favoreça na hipóte-~e de não ser vencedor, e consistirá forçosamente em evitar que os louros da vitória fiquem em mãos dei anticomunistas sérios e resolutos. Em outros têrmos, Allendc deve desejar como mal menor que ocorra uma vitória democrata-cristã. Ou seja, a vitória de uma "oposição" cômoda e conformista, da própria equipe política à qual êle deve sua ascensão à Presidência da República. • Um embuste: Frei, campeão do anticomunismo. - Assim Allende poderá fazendo ou fingindo fazer à DemocraciaCristã "concessões" irrelevantel> - prosseguir, com uma eficácia real e uma aparência moderada, na bolchevização do Chile. O auge dessa manobra consistiria em fazer os

adversários do comunismo aceitarem o slogan absurdo: "Frei é o único que pode tirar-nos do abismo". T udo q uanto há de absurdo nisso, se põe cm evidência na seguinte pergunta: quererá tirar-nos do abismo o homem que nos quis levar a êle? Alguns d irão: quem sabe, - êlc agora pode medir o alcance de seu êrro e querer tirar o país do abismo. Essa objeção é inconsistente. Frei - perguntamos - não percebeu que preparava o advento do comunismo durante seu govêrno? Avisos não lhe faltaram nesse sentido. Foi-lhe provado que fazia o papel de Kerensky chileno, e êle, em lugar de dar ouvidos a essas vozes, silenciou. ..' . as t1ran1camcnte. Teria Frei imaginado que o comunismo nunca subiria, e, assustado ante a ascensão dêste, quererá voltar atrás? Neste caso não se compreende porque a Democracia-Cristã, para a qual teria sido sumamente fácil evitar a ratificação de Allende no Congresso, pelo contrário, colocou-o no poder. Frei não teria imaginado que Allende, uma vez no poder, aplicaria seu programa marxista? Neste caso, pensaria Frei que Allende e sua equipe eram crianças que brinc_a vam de marx ismo? Ou será o próprio Frei uma criança que brinca e pensa q ue os outros também brincam com idéias, interêsses e instituições? Esta hipótese de um Frei salvador daquilo que êle perdeu ·só merece desprêzo dos chilenos verdadeiramente perspicazes e patriotas. Aparecerão talvez outras formas de enganar o Exterior a respeito do Chile, no que se refere à verdadeira vontade do povo chileno, mas é preciso pelo menos que êste não se deixe enganar a respeito de si mesmo. l, preciso que êle se dê conta de que a voz das urnas, qualquer que seja ela, não reproduzirá com a devida fidelidade a voz do Chile a utêntico. E que no clímax da maior tormenta que se abateu sôbre o C hile até hoje - da maior tormenta que pode cair sôbre um povo cristão e civilizado, isto é, a ocupação comunista - pelo menos os bons ch ilenos saibam interpretar adequadamente os fatos, sem deixar-se iludir pelos sinistros manipuladores da opinião pública que transformaram a vida política do país em uma comédia representada tôda a favor de Moscou e Pequim.

VI -

TOMAR CONSCltNCIA t RESOLVER A SITUAÇÃO

A verdade sôbre o Chile é q ue êle é um país radicalmente anticomunista que deseja uma civilização autênticamente cristã e ao qual só por meio de um jôgo se pode ir arrastando para o polo comunista. Se todos os chilenos tomarem consciência de que isto é um jôgo, êsse jôgo por si mesmo se tornará impraticável e mil meios haverá ~'l.lra que a reação possa impor, pela persuasão e pela simples fôrça de seu querer, o retôrno do império do direito e dos princípios básicos da doutrina tradicional dos Papas. O Conselho Nacional da Sociedade Chilena de Defesa da Tradição, Família e Propriedade. / Patrício Larrain Bustamantc. / Patrício Amunátegui Monckcberg. Exílio, 20 de março de 197 t.

JORNAL TENTA EXPLICAR JA HAV(AMOS cnocnado esta t.dição quando, no dia 25. domingo. "0 Estado de S5o Paulo" publicou cm ~ua sccçãQ "Dos: Leitores." esta. notn a propósito da cana que está reproduzida e:n\ nos~ último págin3.: ''A PROPÓSITO 01! UMA CARTA. Tendo MJ vista PU• bllc,,ç,1o lltc,llton'al Jclt" domingo por um grupo du TFP em jo,,wis da Capital, cabe-110.1 esc/aruer o segui11te: S6b re o notiddrlô rela1ivo ao incidetite havido ,:a ,..acllltlode ele Direito, rro qual se envo/vl'ram d<mremos da TFP, n•ctbt:mos CQrt" dot dois grupo, Implicados, ,'(tifica11do o 1101iâódo - o que nos leva a COJtSitlerar que ;Je , ,·tr(IIOll, sem facciosismo, o /1110,· " c,,,,a do grupo da TFP tJtcbde<ia uma t.·0 11diçiio i,mceitd\•C'I para qualquer redação: ou a publicaçlio d,, integra ,Jo documc1110 ou nMhuma publicação. Ante a ati'tude pouco co11h dos, miJ.Sivistar, ,Jecidi• 11101 pelo nilo publicação, uma v<z. que o resumo da t:llfld crt1-1101 Jormolme11te vedado pelos sig11ardrlo$'',

Por falia de cspnço "Catolicismo" uprt:$cnlar comentário adequado.

;\.C

dis-pcn~ de

7


*

MINORIA TENTA AGITAR CONTRA A TFP A FACULDADE DE.DIREITO DA USP OS ESTUDANTES da Faeuldade de Dirci10 da Universidade: de S.'io P~ulo que militam no Setor Univcrsitdrio da Sociedade Brasileira de Defesa da Tradição, Família e Propriedade fi:zcrnm nM Arca, das, no dia 31 de março p, p., uma ampla distribuiç.i\o do folhcco "O que é a 'l'f'P", colocando cxcmplare.~ dêlc nas c,ar1eirl'l!t

de seus colegas. anles do início dns :\Ulas. Em scg:uid.t reuniram-se no pátio p3ra. dar o conhecido brado: "Pelo Bmsill - Trndiç:""10! Família! Propriedade! ~il! Bra~ill"

8rasill llru-

O fo lheto. que contém a c:<posiç,.io dos objc.1iv0$, do histórico e das atunis atividndcs da íFP, foi acolhido pela quase tOl:l· !idade dos alunos con\ intcrês....::c cordial ou clnra simpati.-i, Bem depois de COi\Cluída a d istribuição, 1.1 m gn.ipinho de fon&t icos, idcolõgic:i.mcnle infcnsos à TFP, desandou cm injúrias e :i.mcnças de ogrc~i.o, aca· bando por queimar umas poucai. dezenas de exemplares do íolheto. A maiorin do~ esrndontcs não deu accnç:'io a C$Sa& manifcscaçõc..-t de fanatismo; os colaboradores d:t TFP, por sua vez, não perdcr-a.m n calma, limitando-se a pedir diálogo aos agressores, os quais se (urtnrnm J)tudcn1cmenre a dar e ouvir argumentos. Afino! rndo cessou sem m3iores trans tornos.

A ve não do " Estado de São Po ulo" No <fü- seg.uin1e o jomal "0 Esu.1do de São Paulo'' p ublicava, sob o 1ítulo de "TfP a.g.itn Faé:uldndc de Direito", esta notícia "grcssiva: "(:U4'mt11tos qut perttttc~m iJ Socieda· de dt De/tsa da Tradlç,io, Fnm1Ua t' Pro· ptitdadc (TFP) e que tstudam na Faculdade de Dirdro ,lo l(ugo de S,ío Francisco, tt•11umm1 na manlu1 dt onttm Jazer uma ,Ir ,fl.rtll ma11if,staçõ~~ no recinto das Arca• das, O fato pro,·ocou a revolta dos outros .-st11da11tt'S, origl11011do-u um llttm,Jtt> 1111e 11110.sc tuminou tm briga. Os membros ,la n,ti<l<,de 'acabaram se retlrando ,la escola, sob os o,·o,1' t ,,tdaços de s;it. que os llC<t· ,/;micos começaram a a1irar-ll1es. À s IC horat, no ir1ur..alo das 1111/t,s, os ropo1..-s da "fFP. ~111 mímuo dc H, rt·,miram--st' 110 páti<> e começaram o mani/c'Sl(r· ç<Íó 1111e chamam "O Brado". Os maulf~sta11tes bradam o 11ome da tnlidtltle: "Trn· diçãol Fomt/inl Propritdadt!'', Ja:,c11do mo• ,,im.-,1101 rítmicos. A ,tguir possarm11 a lu 11m mtmifC'sto, lu:ruosam,111, im1,resso e ;,,. titulado: ·•o que I a TFP". O ma11i/~t lt> /lira prtvlamcutc coloca,lo 11as çorteira:i, 011tts ,lo início das nulas, com n m/w•rtêtt• ,ia ,le que suo ltitura stria impedida por 11111itos ,~ que poniv<"lmeme os im1,ressos Jôsscm ati quciuu,,los. Mal ir1iciada t1 leitura p,íblkn e[() manffrsto, os tleuu,is c•st11da11tts começarflm a ,·aior 0.1 propagandistas, ridiculariztmdo-os. Ac, mtsmo tcm110, ,:m outro ponto ,lo pá• tio, um gmpo dt alunos q11tima,·a os /O· /ltctos, ''poro /at.u a ,·011uu/e da TFP". 0 CO Nll LITO. Em 11/t'ÍO (10 tmmtlto, ()$ ras>ates ,la TPF,, que 1160 t!mpr~gam pt1/avrt"ies, chamavam sc11,1 ad\•ustlrios ,I(' ''comtm;stos*' e as 1,hmas que participa"·a m das ,·aias de.- ",lcpmw,d,,1··. Nesse momcmto, o prtsidenrn do C. A. XI de A,:6sto chegou ,1 s,gumr 11111 ,los ;m·cns pela grm•ata. Ame.os prolt'SfOI ,los n/111101, ittclusfrc t/o.f do 1.'1 ano ''"" 110 momt'11t() foi.iam pro,·n, <> dfrttor da Fnc11lclade, pro/. Pinto Anhmfl, tde/011011 1,ruidc11te 1/t1 TFP, Pli11io Corrt"i(, de 0/iw•ira, pedimlo-lJ1t' que nifo moi.s pum;tiss~ t11is mo11ifestaçóts. Fi,111lmt11te, quando cOmt!çoram a ser a,;rados ovos contra os r,1tmi/C$ta11tes. ilu r"rofre111111 retirar-se, o QUI! Ji:;,uam mar~ chamlo em Jorma~:,1o cerr"tla (li/ a poru, ,lo pr/dio. No pdtio contimtava a arder a fogueira dos Jo/1:~tos, 11os q11ois se podia lt'r q,,,. os propagnndlstos da TFP têm curso de de/C'sa pt'SSOál".

"S,10 Pm,to, 2 de abril de /91 J mente: - " Nii() q,u1i111çm arg1m1c-1t/Oj', resSr. Redator, pQ11dam!" - "Q11e111 q11tima ltm mê,lor Como alunos ,I" f:tzculcladc de Dird10 - "Quem queima rtconhect" qul! r1iio trm do largo dt SiJo Fr011ciJco. pt,llmos a V. re.sposu,!" - "Briga não, ,liscuss,10.' " Sa. ti publícação ,la prestlJte mlniw.r, "ª ''ô"o não é resposla" - "Ooz.ação i agresquol retl/lcámOs a 11otlcia i,isuta 110 "Es- sãq ,,or temor da discussi.io". Agora pugwtt(Jmos, sr. rrdator, qual: tado de S,io Pm,lo" de. ontem sob o titulo 0.1 agitadores! Nós, q11t n,1o /11.~·mw·. d« " TFP a.gila ,.-acultl<ulc: de Dirdu)'". St-g1mdo a ufuida 1101idt1, a atuaçiío . pri,:cíplr., a fim, nmio ,Ujwu/;r um Jollteu.1, dos estmhmtts da Fac11lclodt! qul! ao ,i,es- lançllr um brado .r prdir um dldlogo, 01.t mo ltmpo são mUitantts da TFP. se ri!du- OJ ll11toru tlt1s injúrias, dll pr~u,i.fJ mornl :.i11 áO S«-guime: I) dt'stribuíram um folhero e da agress,1o, que a ,roticio publicada po, ,·,,,,·wtado "O que i ,, Tl-~P''. coloca11do-o essa /611,o narra com tlt:líclas? A,ltmtds, tudo cessou sem m,1iQres trtUI.>'• uns cortt:Frns ,los colegas ,mtes ,to início tomos, I! s6 (I 1/0lfoia do '"Esu,doº' forra dai aula-1: 2) co11clultla " ,Hstribuição, teu• ., de, ,,presenta,u/o a ccorrR11cia, /Ut· li rta/tua 11iram-se ll() pátio par11 clar o seu camcte· 11t1I n« vida da Facuhh,dc, com ar,:s ,Ir rístico /Jl'ado. O foll1et<1 - llCrt·.oceutamos • tmgéclia. - nada tinha dt' agressfro. t uma simples Desapo111a.110.1 ,•er, sr. retlcaor, umw «xposlçüo dos ob/cti\!OS, ,to 11/stdrlco, ,la, / accio.t;smo na noticia publica,la em $CU prt.teut~s lltivüladet da a.fsocitlçiio. Sua disjo11wl. Quem ,1 redigiu paroct 11iío s<tbc.•, tribufç,lo se c/et11011 sem o mtnor i11citlt•11te que fiá "" Faculdade, já há 11lgtms ,mos. 11tm tropêçQ, O brado da TFP, tfi<la Slfo uma corrente cm c11jt, tradi!,·ão de ir,tolePa11/o o t:,mhtcc: consiste tm, reunidos os rli11cia está o 11(10 admitir tlivugi11cim· sem militantes, exclamor'1m comp11ssadame11lt' rc•agil' com tl,da sorte de pressões e iltjlíº'Tradft.,· ão. Família, Propriedmle - Brosil, rias. Na notfl1ç,io da notfci<, em apr2ço, Br,,sil. Brasil"'. A 1111111 .rimpks a/imraçtio ademai.s, m,da se e11co11tra quç 11iio umh<2 ,lt idealismo t' amor d Pdtria, stm uad" como fito di/amc,r os ac{l(/t"'micos milita11de bts11/ta11tt' " quem qu,•r que seja. E .tt•m te.t da TFP. T6,la elt1 /oi t':tcrita como tt os mo,•inu:,uos rítmicos a que aludfu a fan- 1i,•eSSt'm sido 011vidos exc/usfra.mc•11te os tasiosa 11otfcid disse jomal. opositoru 111t1ls fan61lcos d" TFP, e 11cm De ptr.ssagcm ,n•k1 cUro que, ,,o contrQ. um .s6 dos 11ossos. "Attdiatur et altera ,lo do 11/imuulo pt'lt1 11oticia ,lo "{!.$lado'º, par.t ", c-,uina•st•nos co1111ulo m,s Arcnmio ltom•r. /eitim, pltb/ica ,le manl/uto nc• 1los. . . SI! tfrb1tmos sido ouvitlO$. entre nlwm. A rt/rdda 11otícit1 con/wufr mar,i- outras coisas teríamos dts,mmtido ,to mo/t'sto com /01/reu.1. Nt1o distribuímos um u111- ,Jo 11u1is cattg6rico q11t! chamamos de "Je11I/C'.$U1, ma,>· $lm um /all1C'IO. E /::tlt' não se pravácl<,sº' a/gumlls colegas que se nos opu11resu, a .fer litlo '""' 1níbUco. Tat ltil11r«. 11/wm. ,,lió.s, ttm stitm'rit, 11111a tolicr. jti 1111e Q /<>· theto sr. achava tm meios de todos. Fotos como isrc, < atl muito e 11111ito mais ruidosos qu< ;sit. s,1o corre.i1tu 110 O piíb/fco. em nossos dit1s mais do que l1iMória antiga e rrtcnte dá Fac11ldad.-. Es- mmcn, o que nwls pede d impr<ttSll é ü l<l, com .-Jeito. ftlr1to cm #li cOr/JO Jou,lfe imparcialidade. O ''Estado'º rtiio rt1ra.1 vê· c:omo cm sr.u ,:orpo di'sct:ntc•, scmprt s-t ;.cs publica, t m sua ncçiío ,lc "CoruspÔ1t· prcwu dtt '"" aos srus ,,im,os i,,tefra Ji. di11cia'' , cortas cuit>s autores objetam C01t• l>tr,ta,le de mani/tstaçiit>. ~ o que. o Brasil tra o jomal. Espt:ramos que " presente i11tt"iro sabt'. Em nossa ,1111aç,í<>, 11ad,, ht>u- missfra .feja, pois, p11blicatla 110 re/t'rida 11< que perturl>asse e, boa ,:,rdt•uti dn Fa· St!CÇ<10, o que rtmt:diará a 11nrci(l/it/a,lc da cutd,,de, 011 " q11alquu outro título c:xpU• in/tli:, 11otfcin dt! orlft'm. casse 11ma di/ert11tt' comfot11 em relaç,io a Pedimos, c11trtl011to, a V. $a., Qtlt: só 11ós. Nosso~ MOJ .t6 110tlcriam str consitl('- publique esta carta 11a integra. Ou então ra,los como "agitação" ,lo ambiente se ti· que 11(10 a publique de todo. De oulfo ln· ,•,sscw, sido pr,,ticlldos cm alguma tratt• dq, rogamos-l/1t' o obsfquio d< (l publico, qliila .-sc<>lh1l1a s,•cwuláriá, e ainda assim nrstcs próximos dla.s, poi..t a ssim o uqu<, dt primtiro de/o. E poshiw1111c-11tc niio ; o conteúdo ,la noticia dessa f6lha. isto ,, Ftu:ul<ltule de- Dirtito do l.,,argo ,fcl..amt'11tmuos a cxtt!r,siío da missiva. Mt1s São Fumcisco. Q que /M.et, se 11a uotlcia do "Estado" 1011~ LQgo. os milittmtcs ela TFP ncio agi'ta- ra coist, Jravfo o rcti/lcar1 E - mt:11110 com mm coisfssimo 11enlwma. Pol' isto mrsmo, t',ffa exlt't1.1t1o - rrosso cortn omite, por /oram reuhitlos com i11tuêsse cordial 011 brcl1üladc, outros pontos qua mereceriam com e/ar,, simpatla pd<1 ln11ms,1 maioria ser clrsme11t1dos. tios colegas, qul! luam in neto o folllno, Agradt'cttr1do ,lesdc /6 a fi11t;,,1. s11bscrt·· 011 o g11ardt1rtm1 para ler cm caso. Ta11to vt'mo-110.s com cordial nprêço. / Pelo Scé, que <> mlUtuo de folhctos que os csqucr- 10, U11frersi1órlo ,lt1 TFP em São Pa11lo". clistlls cóuseguiram rtmiir p"ro c, queimo Scsucm-sc as as.sinaturas. foi m11ito re,ltt1.ült>, e t'/IUIII' tl/it) SI' t'IICOII• trm·t1111 /olltctos t'Spa/Jiado~· ,,elo ch,1o. A ,·rr,i<,dC' nos /orça a 1/iur, poi.r, sr. " O Est ado" recusa rt.:d111or, que /oi das m(Ji$ Jacciosas tt 11/ir· o retificação 11111ção da 1101ícla tio '"Estado" , de que o corpo ,lisc('t1le ,la Facultlodt' teria forma• " 0 Estado de S:io Pnulo" recusou-se !\ do 11111 só bloco para. i11dlg,wdame11te, C'X· publicar essa caria, sob a espcciosa altg:t· pulsar dtJ e,li/ício st'us colegos. militamts ç5o de que ela seria excmivamente l01,ga. tlá 1'FJ'. Ante C.SS3 recusa injuslifieáVc1, os es.tuO que houve- foi coisa bem d,'vcrSa, d:intcs da TFP Minsid0$ pcsso:i.lmcntc Uma prquc•11t1 mi,ioria Jt• /ándticú.1, ideolô- kt notícia te1, denciosa fü:.crnm esrnmpãr o gicam,•11tc in/eu:;.os ,; TFP. u·11101.1 criar um 1ex10 integ_rnl de sua c:irta. cm secç5o livre, clima de intfmidaçõ,1 cm tl,mo ,la noss<1 na edição do domingo. 18 de ~bril, da ,,r,1o. E isto - b.-m d,:pQfa' ,lo lm1do "Fôlhn de Sílo Paulo", precedendo-a :i. se• - irrompeu em ins11lto1 e amc"çns de guinte ,iota assinada por qua1ro dêles.: agress,io, q,u: c11/mim11am na ttttdmt, de 111··o fo ,m,I " O Estado ,Jc S/io P,111l0.. gumas ,lezt·11M de folhetos. M(Jt i.fto. cum1mhlico11, rro ,lia 1. 0 do correntl!, a uoticir, pre ,,alçar, /oi clt1ram«111e obra de 1u11n i11titulad11 "TFP agira Faculdade de Direi• minoria. A mw'oria 11õo deu Qttmçiio ,i (()'', na qual se fatiam dfr~rsas 11/irmaçi;es q11einw, alg,ms a / itm·am com displicênci,,. invi•rltlico.., rt'latiwm1'11tc à dillribi,içiío, ,m E 011tros t1té protestavam contra a ,,,;r,•s- Faculti<ltlc de.• Dlrt';lo da U11iv~r1idade de são que 1tOS era /tito. $6 o g111pi11ho de S,io Pm,lo, dé' um folheto rcfeut1tl! à So/011ótico:1 apfo11dia. ciedade 8rasilcim tlt Dt/c:u, da Tradição, 1;·,a o q11C' os milita11tes da T F P prr- Famtlia ~ r,o,,,ie,lnde (TFP). 1•1ramos. t car<1Ctcrís1ico dos Ja,uWcos /ti· Os mi/Utmtt·s tia TFP matriculmlos "ªº gir da ,,,.gumtmaçiio. E por isto usam, qucla tradicional casa de ensino e11viaram como 1í11icas ,ummr, n pressão moml 011 a t•ntão, ao re/trido mt1lttti,io, a caru, 11b,lixo. o.sress,io. Disto estm•am já a1 isados tqdos Tt!11do ,ido alegado JJtlo "/;.'.sradoº', C<>· os nossos colcglls por "m 11r.(111C"110 bilhl'tc mo ra:tiio da r<'cttsa da publicação, a exdistribuído co,i, o folheto. h!IIS<ÍO .m postamtnte c~ci•ssfra da cmto cm Fof f:stc lamc1111frt'I pli11ico ,lo didlogo ti/UiÇO. O,)' mili1m11,s da Trmliçlio, FamUia cortl?s e elevado, Qttf le,•011 os /am1ticos a e Propriedade. ,,o.fios em causa pt'la r,OtÍ• 1uusort•111 pará ,:i agrc-ss,io moral e um Fnícih da do "Esttulo", se· se11tcm 11<> dc,·cr dt ,le agr,·.uiío Jf.flca, com o i11t1Hto dr desa- dar ao p,íblico l'"''li.st'1 <> co11lu:dmt!nto da ,iimar-nos, atfrat1tlo contra n6s o,•os, e po, rc•t1lfrh1dc dos Jatos, 1mblictmdo aqui a carfim queimam/o /ollu:tos. "' quç t1q11fle matutino recusou. / RONAL• A tudo isto - c-mbora s"ibamos bem DO LUPINACCI, 4. 0 "''º· / VAL01R -r,uvELI.A• a,p/icar dt /ua pt>ssool - ,,,io redarguimos 1·0. 3.0 ano. - CBLSO turz LeA1. DA COSTA, êom um s6 ato de violf11cia. Limitamo•nOJ 2,0 0110. / 8YJION VALENCIO CUNHA AN• n pedir o didlogo, bradmulo compassada, YONIA.01S, J." 0110",

Diante dé.$se conjunto de afirmaçõe$ inverídiç'3s, ~ joV<::ns çolabomdorcs da TFP escreveram ao matulino paulista uma caria. de retific:tção. pcdindO que parn o devido esclarecimento de seus lci1orcs "O Eslado" lhe desse acolhida na secção de "Correspondência". t o sctuintc o teor dêsse documento:

eo~ -

õ ~

O Cardeal Silva Henriquez oferece-uma Bfblía ao marxis t a Allende e tran"ãmite-lhe uma saudação de Paulo VI (página 2 )

Verd a d es esquecidas

Por vêzes é bom ridienlarizar e infamar •• agente do êrro

•••

Pe-

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1

Rest abelece ndo a verdode dos fotos

.;: ;,

Do livro "EL u ú ERALJSMO Es PECADOº', do Padre Sard! y Salvani {obra da qual d isse a Sagra.da Congregação do fndic.e, cm carta de seu Secretário, datada de 10 de jnnciro de 1887: nela nada se "achou contra a sã dou1rina: antes, seu autor merece louvor. porque com a,rgumen1os sólidos ( ... J propõe e defende a sã doutrina n:,\ matéria de que tral3''):

D

IRÁ ALCUBM: ''Quanto tis ,loutrinos em llbstratô, isso Qimlt, 1ms.sa. M11s é com1e11ie11tc, ao combartr ·, , hro, por mais qut ,ttill Frro, t:evar-se e cnct,mis:ar,..re m1 personolidade de qutm o su11c111ll?"'.

Responderemos qut' muitfa·simos vius ;sso f ,·onwmiente, t não s6 ,·onvenicnte, semi() huUspen.wfoel e meritório ,Jiontc de Dem· ~ da .tocicdade. E. ai,!da que se 11111/t stc ftkilmentt: ·d~du1.ir esta afirmaç,io do que expusemos acuna, queremos c<>ntudo co11sitler11-la ex professo aqui, pois é dt ,:r111tdís3•i11w im11ortâ11da. E/etiv,1mc11te, mie", tf pouco frcqiicmr " llCusaç,io que .,·v fllZ ao OJJOlogista Cllt6lico dt levar s,1 111pre " debate para o ,·ampo '11t.tso,1I; e quando se /1111ça a algum dos n<>ssm· " i11cr'1.•1wçt10 de ter fcit<> um maquc f)cssoal, swrece ao:; li/n.•r11i.t, e dOS que tc1m re.t.,·aibt>s de /il,erali.,·m<>. que mio ~ 11ece.t1ádo dizer mais nada 1mm o <:01tdé''1lU. E conwdo mio tFm n,uio: mio. mio a têm. As ;déias más têm que ser ,·,nubatidas e <lcstmlod1.c1dm;, cumpre far.,~-las aborrech,eis e desprezíveis e detes1ávcis (t multidã,>. tt q1ml pro<.·ur,m, cmbair e scduúr. Mas acont<cc que as idéiaJ' mÍ<> s~ su.'it,·tttam por si mesmos 110 ar, nem por si mesmas se tlifuri· 11cm t prop1,gmn, nem p<>r si m esmas fazem to do dono cl socíedcule. São como as flechas e lll' l,a!Cls, que o uint:uém feririam se não houvesse quem as dispc,rasse com o tirco ou " fusil. Ao que empunha a <1rma se derem. pois, dirigir prim~iramenle os tiros 'de quem deseje desJruir-lhé' a mortal pontaria, e qualquer outro mod<J ,Jc /<l?.<'I' li guerrt, seró t,i.o liberal quanto se queira, mas não tnó sentitlo. Soltlados com a,·nws dt ·envenenados projétci.f são os ~uu>res e pr<>pagamlisu,s ele doutrhws herhl<:as; suas c,n,ws são o livro, o 101·1tal. a arét1g,1 pftblica, ,1 ;11Jluê11ci,1 ·pessoal. Nclo basta, pui.o:. esqui,·or--st para e,,itClr o tiro; a 11âmeir11 coisll a ft17..cr, e" mais eficaz, f tltlxt,r i11abili1odo o <1firador. Ass im, cm1v,~m dcsm,toritor e. ,Jt-sacrt:diwr seu livro, ;or11ol ou d,'scurso; e não s6 islo, se11iio Jesautoriwr e ,lesat:reditar em nltm,s cc,sus a suo 11essoa. Sim , sua pessoa. que istt' é o elemcmo prindpal tio comi>11I<'. t·omo o ·o,1ill,eiro ~ ó elemento pr,'ncipol tia artillwria, ~ mio II bomba, nem ,, pólvora, nem o canluio. Po,le-se cm ctrtos 'cas<>s tra1.cr 11 ptíblko sumi in/âmi(IS. ridiculariz<,r sem· t·o.vlumes, cobrir de ig11omíuio ·seu nome e sobrenome. Sim~ e p<>de-se ftJtê-lo em prosa, t!m ,,erso, em tom sbio ou de zomb,tria, por melo ,/e ilust"tÇôes ·e por tôdll$ llS artes e por todm· os pro, cessos que ,w futu ro se possam invcuu,r. Dc1·e-s,• ter ,lnicmnettte o cuidmlo de não pôr a sel'Vifo ,1,, ju:rtin, " mentira. Isso nli<>: ni$fQ tti,,guém S<! a/11s 1e um milímetro da ~it:rdode, mas ·Jenttü do~· limifCj' desta, reconlt-J·c c,qttlil,· dito de Cd1imum.Jo/y: "A verdade é a única- caridade pet1ni1ida à His16ria'': e podn·J·e·Ül t1crtsce11tor: ll defesa religio.fll t' J'OCial. Os mesmo,'i Santos, Ptulrc.s que ttmo.,· dtmlo prowuu esw lt·se. Até o:i' rítulos de J·1ws obras ditem c/ar1Jme111c que, ao combater <1s l1ertsfrts. pr()(;ura,•am <lirigir o pr,'meiro tirô heresinn·{IS. Quase todos os #wlos dos obraJ· de Sauw A1:os1;11J10 se dfrigem ao nome do autor ,1,, hercs íu: Contra Fortu•. natum manichocum: Adversus Adamanctum; Contra Feliccm: Contra Sccundinllm: Quis. íuerit Pctilianus: De s;cstis Pelagii; Quis íucrit Julianus. etc. De sorte que quase tôdti o vol{-mica do grande AJUJSlhdw foi pcssn<JI, agressiva. biogr<lfit:11, vor as.fim (fizer, tantQ qutmto doutrh,ária; corvo o cOTJJô com o huege, mio menos do que coutrll " heresia. E o mcJ·uw poder({lmos aflrmar ,Jc t(uh).f os Santos Padrt•s. •

ª"·'·

De onde tirmt, pois, <> liberalismo " ,wvidlldt de que no combater os erros se (/e,•e 11rtsdmlir das pessoas, e (l(é mimá-los e llC(11kiá-1"s? A ttn/,a-.se é/e ao que lhe ensina sôbre i$lô o trmliptio crist,1, e deixe os ullramonumos tlcftnderem " fé ,·omo scm1,rc foi elo defendhltt m, Igreja di! Deus. Que a cspadll do JJOlcmisw cat6lico flm. - fira e vú ,lirtW ao ,·oraçiío: que t'Sla (, " ;(,deu mt1m!int ,1111[,mic:a e t!./;'car.. ,Jc combtller! [Don Fclix Sardá y Salvany, Pbro.; "El Jibcralismo cs pecado'·, edição, Editorial Ramóm C:.:s;_,ls, Barcelona, 1960. pp. 60-62].

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ANO

X X 1 Cr$ 1.50


Zelosos c:úopcr:ult)1'c:- e ,1m;1dos filho:-..

de ser a fé indispcn~;ívcl para a s:.1lvaçfio. pois. se m e la é impossível agrad ai· a Deus ···.\·i1w Jid" i1111u,.,·.,·ihih, ,,.,·r p(accrc 0! 0·· ( Hch,

M 21 DE NOVF,Ml3R0 do ano passado. c m Circul.11· dirigida aos Nossos raríssimos Saccn..lolc..._, procuramos. 11111:t vc:,. mais. avivar 11êlcs e. nos fiéis :1 vigilf,rn::i:1 con1ra os perigos, ;1 que uni falso ";1gg.iotnamcnto" cxpôc :: intcgrid:.1dc da Fé e a purcz:t dos costu mes crisL;ios. J;í cm Oecu111cntos anteriores Nos ocupamos d:1:-: tcnt:H,;ôc~ a qu:; i::-st:í cx post:1 a vossa f~, :un:u.los íilhos. e vo:,: l:Xortamo:,: :'1 vigil:"111<.:ia e. ;, oraçiio. N:1 Circular c.lc 21 de novcmhro. rcícl'Íamo-No:-:, cspcci;1l111ca1c~ ;1 1·cvcri:11cia devid:1 aos Santos Sacramentos. com que <.larnos pllhliro tcstcmunho de nossa íé nos mish.: rios <1ue ador:1111os. Salie nt;ív:imos, cnL:"10. a importância da advcrtê:nci:t , à vista

E

1

11.(,). E m 8 c.k dezembro do mesmo : 1110 passado, n;1 ocorrênci:1 do 4ujnro anivers;,írio do e 11cerrmnc11to do 11 Concílio e.lo Va1ica110. o Sauto Padre. Paulo V 1. cm 111cmonívcl Exorl;1ç:io. cn,a1·cc.:ia :1os Bispos c ,1<·, li~os do mtmdo inh.:iro a ohrig,1<;fit..l de cu idai· da 01·todox i;1 1h, e nsino da doutrina c.:ahllica. 1:is, pois., :1111:idos íi!hos. <1uc não crn m v:ios os Nossos lemorcs. ()s males q ue rc...

ci.:amos cm Nossa Diocese, de íalo, amcaç:1111 os íiéis do inundo i odo. Ali:ís! não teria s.cnlith> :1 E.\;Orlac.;f10 pc.ml ííicia. dirigida a lodos os Ui:-:pos cat<)Jicos da ll'tra.

1 Deve r que incumbe ao Bispo: ve lar pelo ortodoxia Dada a importânci:: capital da nwtéri:t - a purcz:1 da F ô - e a obrig;1ção que Nos incum be <lc hem ap:is:ccntar as ovel ha!<- tlc Cristo que Nos. foram confiadas, julgamos de Nosso Ucvcr volt.Ir ao assunlo, co111uni-c~11ulo ao Nosso rch:i nho as aprccnsôcs e admtJCstaçôcs do l'apa. A tanto Nos convida e.) mesmo Ponlífkc. pois recorda que. :1 todos aquêJc.s qm: rccchcram "p('/a i111po-

siçào 1h1s uuios. a l'<',\'f""'·"'·,d,i/idadc dt' guardar puro " infa<'fo o ,1<,1,úriro da F,: ,, a 11,is.wio "" w1111wit1r o Evm,,.wtho .,·t'nl t/('sldxo" ( AAS, 63. p. 99 ). impÕC··SC da,· ICS· tcmunho de sua íidclidadc ao Senhor. na pregação, no e nsino. no teor de. vitl.l . De. outro lado, ao direito imprescritível que tem o fiel tlc rccch.::r o ensinamc,110 sagrado. corrcsponcJc nos Bispos "o dC'vn· >:ravc <! urg<•11f<' d(' m11111ciur i11/ati,1.uivdow11t(' 11

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p. 100). Profunáa c ris e do fé no seio do lgrejo Semelhante ofício do m únus. c r,iscopal é hoje~ mais im pcrit..,so. porque lavra no seio da Igreja u111.1 crise gcnel"aliz:id:1 e sem preccdcnlcs, como :ttcsta a presente Ex(,1 1:1ç:"u.> AJlO!\lÜlic:i, crise de autodcrnoliçâo como ~1 denomina o Pa pa. porq ue, conduzida por membros da Igreja, abab1 p1·o íurn.l amcntc :1 consd~ncia do:-: fiéis, poi:-: os coufunc.k· no q ue êlcs têm de mai~ essencial na Religião. !\firma. com efeito. Paulo V I. 1H) Do· cumcnro que cs! arnos a ;1prc.s cntar. que hoje ''muitos Jh:i.,· S<' ,\·,,111em J)<'rturluu/os ,w .\IW

fé JJOI' 11111 ocu11111/ar-.,·,, d<·

11111higiiitlod<',L d<· i11(·,•rtr::.u ,\ ' , , de d1Í\1Ülas, (JII<' ating<'m <',\·.,·a IIU'.\'IIUI f,; :w (fll(' "'" /('Ili " '' (',U'('Jl('ial. />;',,·((io 11<·.,·f<' <·aso o.,· ,log11w.r lriniuirio e crisFo/,j;.:i<'o. o 111is1,;no ,la J-:un11·1.".'f io <' ria l 'r <'.W'll('a !<('ai. u Igreja nn110 i11.wi111içtiu d,• .mlFaçáo. o 111i11is u=rio S(l<',•hiowl 110 S<'io do 1'01·0 de /) 1.•us. o ,·o/or ,Ja o r açáo ,~,las Sacraou.111tos. as ,•xi·

,!i111w1w11. !'OI' ('.\' ('111/1/o . 1/11 i11dis.w,/11hilidud,, ,lo 111utrinuj11io 011 rio ,.,,spcito J)da dda. Mais: ar,; a prúpria a111oritlat!,• divina da J-:scritura cltegu ti s,•,· J)O,\'lll "'" dúvida, eJJ1 11011w d,· 111110 "tf,,,v. mitiznrtm" r(l(/in1/" ( p. 99). Como- vêdcs. ;1m:..1dos. filhos, a crise 11.1 Igreja 11f10 poderia ser mais profu nda. Lendo :1s pal:1vr:is dó Papa . n<>s nos perg unta• mos: que ficou de intac to no Cristiani:-. mo? pois, se nfio há ccrtcz:1 sôhrc o Jogma tri11i1:'11'io. mistério funtlament:11 da Rcvclaçfto crislf1, se pair:im amhigii idadcs sôhrc a PCs· sr,a :1dor;'.ivel do Homcm. l)cus. Jc.sus Cristo, se tituhcia--se d iante da Sancíssima Euc.:aris· 1ia. se n:io se entende a Igreja como insti· t uk·fio de salvação. se não se :-.abc a que o S:u:crdotc entre os fiéis. nem h,í scgurn nç:1 d:1s ohrig:1ç<1cs morais. se a oraçfio não tem valor. nem a S:igr:ida Escritura, <..1uc h;í de ('ri:-:1 i:inismo, de Rcvcbç5o crisHW Compn:cndcmos <1ué o Papa se ~i nta impelido a cxcit:1r a zêlo dos Uispos, guard ifü!s da Fé. scgr:1dos p ~1r:1 serem autênt ic.:m; P:,stôrcs que :1p:1sccntcm com carinho. dcsvêlo e íirmc1.a. ,as ovelhas do Divino Paslor d;1s alim1s. ghlC'ÍU,\' J/ltll'UÍ.1i (flW

deir:i conspira<;fio par,1 demolir :1 lg1·cj:i. n o que se <.kdui'. do IJ'ed10 scgu i111e :io acim a ci tad\>, 110 qual o 1>0111íficc observa <1uc l1s dl1vid:is, :.1mbig_iiitl:.1úc:-: e inccnczas n:1 cxpo:-:içúo po!\itiva do dogm;1, som;1m~sc o si lêncio ··súbn• rerias 111is1<:,·io.v /1111dmm•11,aix do ( "ris1ia11i.w110·· i: a .. ,('11tfhwia /Jllra c,u1.,·lr11ir u111 m}Fo cristiani.-.·nu, " 1mrtir d<' dwlo,\' p.,·in,l<igic·o.,· :• .-.·o<·iol,ígicos" no qual "a l'i,Ju crisfri ,•.,·1t,ja ,l,•stiluítla de t•f<·111e11to,v rdigio-

-"'·' · ( p. ')9) . 1i:í. l)(lÍS. e ntre os íiéis. um 111ovimc1110 t k· açfit) dupla convc1·gentc p:1ra a fonnaçfio lfc u111:1 nova Igreja. <.1uc !-iÜ pode sei' u111;1 llOV;1 fals;1 1·digiâo: de Ulll lado. cri:imw~C inccrh,!.'/~ts :-:t,hrc os mistérios revelados: de uo1 ro, cstr ulura ..sc uma vid a cri:-:t:"t ao s;1hor cJo cspíriLo do século.

li Oco siã o e c ousas do otuo l c rise relig ioso Cu1110 foi possível ch~gar~sc a êssc 1.:s1:1do de cois:1s'! Paulo VI faz. a êstê prop<l$ito. titias con-

sidera~:ú'-,!S. A primeira. súhrc.

finalidade c.spc.::cial que o Papa Joiio XX 111 propôs ao li Co11d lio do Vaticano, como aparece claramente na A locuçfü, coin que éle abriu :1 primeira Scssfio do grande Sínodo: .. / 1111"'''-s" que. <.OJn'sp,nul<'Julo ao vivo a,1s1.•io daqueh•s que ·'" 11du1111 ,•111 oliflu/(' dt' ,\'Íllt'C'ra ad, .w/0 11 rut!o o que ,; ,·ri.,·tüo. ,·at,Ui,·o ,, 0110.sfrilico, <·.,·tu tlcmtrina Jcl'ist;tJ sC'ja nwis t1111p(a (' /ll'fl·· / 11111Jw1u·11/(' 1·011/wdd,1 ,. (JIH' as !d111us .,.,,.. :1

1

Empenho por const r uir uma novo rg , e jo psicofóg ico e 'soc iológ ico

j11111 uor

Tanlo m ais, qu:11110 a Exort :içfü> do Santo Padre dcix;1 entrever que h:'i uma vc1\l:i-

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in1prC'f(1uuJos ,.

tra11sf m ·11uu!t,s,

,;· 1u•c·,•s.wírio q1w e.,·to doutriua. c,•rtu e inw .. uh'd ,, que 1,-111 ti<' s('r r,;,,·p,•irada Jidnu•111r.


.1·,,;a aprv/1111t!ada t' apresenuu/a de nuuleirt, a satisfazer u.s exigências d<1 noss,, épQca". E explicitando melhor o seu pensamento, prossegue o Papa Ronc.illi: ''Uma coisa ,?, e/eliva,uente, o depVsito tia Fé e111 si nu•.1,·.. mo, qu,•r dizl'r. o c.:011ju11to das verdades co11tidas na nossa venercível doutrina , outra <·oisa é o ,nodo co1110 tais verdades seio enu11· ciatlas, t:011serva11du se,npre o 11,esmo sentido I' o mesmo alcance" ( p. 1O1). Deveria o Concilio, e, em conseqüência, o Magistério Eclesiástico, com o concurso dos teólogos, pro~urar aliar duas coisas: transmitir, sem engano ou diminuição, a doutrina revelada; e fazer um esfôrço por apresentá-la de modo a ser recebida, íntegra e pura pelos homens de nosso tempo. Entem.lc-se pelos homens de espírito reto, "aquéles que se acham e111 lltitude de si11 .. cera adeslio t1 tudo " l/W! i! crisflio. ca .. 16/ico e apost6/ico", como diz João XXII !. Portanto pelos homens realmente d<lSejosos de chegar à vc,·dadc; pois, aos que preferem as máximas dêstc mundo, e, por isso. rejeitam a cruz de Cristo, aplicam.se els palavras de São Paulo: é impossív~I uma união {:ntre a luz e as trevas, cotre ,1 justiça e a iniqüi. dade, emrc Cristo e Belial ( cf. 2 Cor. 6, 14 s.). Eis cm que consistia o .. aggiornamcnto" do Papa Roncalli, n.i su.i melhor interpretação: uma adaptação, na mancirn de c.~por a doutrinc1 c,1tólic;;1 , de sorte que possa atrair o homem moderno de espírito reto. Tal e mpenho, nota Paulo VI, c é a sua segunda observação, não é fácil. Diz êle: "O ,nagistério t:piscopal estav<l rt•lativa111e11·

te facilitado, 11111na época ,,,,, que a /gr,•ja dvia e111 estreita si111hiust: com ,, suc:.i,.,dadt! do seu te,111,0. inspirava a .\'llll nllll,r11 ,., adotc,v,1 os seus 111vdos dt' e.rp,:i111ir•s< hoje. ao invé.y, é·II0.1,' e.1:igido um <'S/úrs-o sériv /Hlfa que a dvu1ri11a tia Fé C<lllS(lfV<' a ,,tenit,u/e ,lo seu ~-,.,111itlo l! do seu alcance. ,w <'xpressar-:n• soh 11111a forma ct1paz de ,11i11~ir o espíri10 ,, o ('ortiçtio dos homens aos quais l!la St! (/;.. rigt'" (pp. 101-102). 1:

Característico do

novo Igreja: o religião do homem O u pela dificuldade do empreendimento, ou por unw concessão ao espírito do tempo, ,, f:t10 é <Juc, n:, execução do pla ,10 traçado pelo Concílio, cm l.irgos meios eclesiásticos, o csíõrço na adaptação íoi além da sim• pies expressão nwis ajustada à mentalidade con1cmporânc~1 . Atingiu a próprin substân· ci;i da Revclaç:io. Não se cuida de uma exposição da verdade revelada, cm térmos cm que os homens fàcilmente a en1cndam; procura.se, por meio de urnu linguagem ambígua e rcbusct1da. mais prôpriamentc. pro• por uma nova Igreja , ao sabor do homem íormado segundo 11s máximas do mundo de hoje. Com isso, difunde-se, mais ou menos por 1ôda pane, a idéia de que a lg,·ej;, deve passai' por uma muda nça radiCi1I, na sua Moral, na sua Liturgia, e mesmo na s u,1 Doutrina. Nos escritos, corno no procedimento, aparecidos em me ios católicos após o Concilio, inculca-se a 1cse de que a Igreja tradicional, como cxis1ira a1é o Va1icano li, já não está à allura dos tempos modernos. De maneira que Ela deve lransforrnar-Se 101almente. E uma observação rápida, sôbre o que se passa cm meios calólicos, leva à pers uasão de que, realmente, após o Concílio, existe uma nova Igreja , essencialmente dislinta dAqucla conhecida, antes do gra nde Sínodo, como única Igreja de Cris10. Com efeito, exalla-se, como princípio absoluto, intangível, a dignidade humana, a cujos direitos submetem-se a Ve rdade e o Bem. Semelhante concepção inaugura a religião do homem. Faz esq uecer a austeridade cristã e a bem-aventurança do Céu. Nos costumes, o mesmo princípio olvida a ascética cristã, e 1cm tôda a indulgência para o prazer mesmo sensual, uma vez que, na terra, é que o homem há de buscar a sua plcni1udc. Na vida conjugal e familiar, a religião do homem c nallcce o amor e sobrepõe o prazer ao dever, justificando, a êsse 1í1ulo, os métodos anliconccpcionais, diminuindo a oposição ao divóréio. e sendo íavorávcl à homossexualidade e à co-educação, sem temer a seqüeh, de desordens morais, a ela incre ntes, como conseqüência do pecado original. Na vida pública, li religião do homem não compreende a hierarqu ia, e propugna o igual itarismo próprio da ideologia nrnrxista e contrário ao cnsinamenlo naturnl e revelado, que a1cs1a a existência de uma ordem social ex igida pela própria na1ure1.;1.

Na vida religiosa, o mesmo princípio prcconh~;:l um ecumenismo que, cm benefício do homem, congrace tôdas as religiões, preconiza uma Igreja sociedade de assis1ência social e torna ininteligível o sagrado, só compreensível em uma sociedade hierárquica. Daí. a preocupação excessiva com a promo. ção social , como se a Igreja fôsse um mero e mais vasto organismo de assistência social. Daí, igualmen1e a secularização do C lero, cujo celibato se considera algo de absurdo, bem corno o teor de vida sacerdotal singular, inlimamc;)nte ligado ao seu caráter de pc.-,soci consagn1d~1, exclusivamente, ao serviço do aliar. Em liturgia, rebaixa-se o Sacerdote a simples representante do povo, e as mudanças são tantas e tais que e la deixa de representar adequadamente, aos olhos do fiel, a imagem da Espôsa do Cordeiro, una, santa, imaculada. 1: evidente que o relaxa· mcnto mora l e a dissolução litúrgica não podcri.1m coexistir com a imutabilidade do dognrn. A liás, aquelas 1ransformações j,1 indicavam mudanças nos conceitos das verdades reveladas. Uma lei1urn dos novos teólogos, tidos como porta-vozes do Concílio, evidencia como, de fato, cm certos meios ca1ólicos, <•S p;:ilavras, com que se enunciHm os mis1érios da Fé, envolvem conceitos 10iahncntc diversos dos que constam da teologia tradicional.

lmportâncío do f ilosofia escolástico A cxort.ição de Paulo VI fala na dificuld11de de ob1er a renovação da roupagem,

cm que se transmilisscm aos homens de hoje os mistél'ios de Deus. E reconhece que íorarn tis novas expressões para as verdades de Fé que trouxeram a angústia das incertezas. a mbigiiidades e dúvidas. Como íoram os novos têrmos que facultaram, aos fautores de uma nova Igreja, a difusão de uma concepção nova e es!rnnha da Religião cristã. Ê de São Pio X a afirmação de que o abandono da cscolás1ica, cspecialmenci:, do tomisrno, foi uma das causas da apostasia dos modernistas ( Encíclica "Pasccndi''). Após o Concílio Valicano 11, retorna a meios católicos o mes mo êrro, a mesnu, ojc. riza contra a filosofia que Leão XIII apelidou "singular vresítli<> <' ho11r" dél l greia" ( Encíclica "Ac1crni Pa1ris"). De fato, um dos sofismas dos teólogos do nõvo cris1ianismo é acusar de aristotelismo a formulação dogmática 1radicional, quando a Igreja não deve estar enfeudada a nenhum sistema filosófico. Acresccniam que semelhante formulação foi útil e válida ao seu tempo, ou seja, dentro do ambiente cullural da Idade Média. Hoje, porém, cm mcio cultural 101a lmcn1e ouiro, ela. já não tem valor. Ê antes nociva. Emperra o progresso dos fiéis, e é responsável pela dcscris1ianização do mundo atual. A Igreja, se quiser reviver, se quiser conservar s ua perenidade, deve abandona r as fórmulas a ntigas e adotar outras, de acôrdo com a filosofia de hoje, o pensamento e a memalidade contemporâneos. Só assim reali7..ará Ela o ideal proposto por João XXIII e o Concílio Vaticano 11. E, para não serem tidos como negligemes no seu papel de teólogos, passam à aplicação do princípio por êlcs mesmos estabelecido, e, às verdades reveladas vão dando novas formulações, dentro da concepção da filosofia contemporânea. A íalácia não é nova . Na antiguidade, outra coisa não fizeram os gnósticos que deturparam a Revelação, para enquadrá-la dentro da filosofia neoplatônica; no século passado, foi o hegelianismo que desvairou certos teólogos católicos. Os da nova Igreja desejam servir ao marxismo, existencialismo e às demais filosofias an1ropocên1ricas, que pululam na angús1ia intelec tual, caractcrís1ica de nossa época .

O vigor do tomismo O engano, amados filhos, dos mentores do nóvo cristianismo está no esquecimcn10, a que votam uma verdade de senso comum, sem a qual é inexplicável o conhecimento, impossível a ciência e a própria vida humana. Semelhante verdade de senso comum está na base de tôda filosofia, que não seja mera construção arbitrária do espírito. Consiste na pers uasão de que o conhccimen10 é determinado pelo objeto externo. Êlc é verdadeiro, quando apreende ;, coisa como da é; e é íalso, quando destoa da realidade. Podem variar os sis temas filosóficos. Êles serão mais ou menos verdadeiros, na medida em que s uas conclusões atendam ao princípio de senso comum acima enunciado.

No aca1amen10 a semelhante princípio, encontra o tomismo todo o seu vigor. Salienta-o Leão XIII , quando diz que o tom ismo é uma filosofia "soli<lamente firmada 110s princípios das coisas" (Encíclica "Aetcrni Pa1ris"). Ou seja, não é um sistema arbi1rário, fruto da imaginação ou criação s ubjetiva do filésofo. Muito ao contrário, a filosofia tomista curva-se sôbrc a realidade, para apreendê-la como ela é. Quando enuncia seus dogmas, servindo-se dos têrmos usuais na escolástica, a Igreja não o faz porque tais expressões sejam de um s istema filosófico particular, e sim, porque pertencem /1 filosofia de todos os tempos.

Relativismo religioso e modernismo nos

teólogos do novo Igreja Já não procedem do mesmo modo os 1cólogos da nova Igreja. Não estão êlcs atentos à realidade, cuja expressão pode variar desde que, porém, a apresente como ela é. O que êlcs desejam é satisfazer à mentalidade moderna. Para ê lcs, a atualização da Igreja está na adap1ação de sua doutrina a cssll mentalidade. E como o homem moderno formou seu pensamento num ambiente cultural todo voltado às aparências, aos fenômenos, e, além disso. avesso à metafísica, a Igreja para não soçobrar, dizem os novos 1c6logos, precisa <1comodar sua doutrina a semelhante maneira de pensar. Não se .percebe como cal alitude possa fugir ao êrro modernista, segundo o qual, o dogma evolui de um para outro sentido, de acôrdo com as necessidades culturais da época em que é enunciado.

lmutobilidode · e desenvolvimento do verdade revelado Lembremos que a verdade revelada se comunica ao mundo em linguagem humana. Tal linguagem, embora inadequada, não é mero simbolismo; ela deve dizer, objetivamente, o que é o mistério de Deus, ainda que o não manifeste na sua riqueza incsgo1ávcl. Eis a razão por que as fórmulas dogmáticas não podem e voluir muda11clo de significado. A fé, uma vez transmitida, diz São Judas Tadeu, o é "unia vez por tôdas" (vcrs. 3) . Ela é imutável e invariável. Não padece adições, subtrações, ou alleraçôes. Pode esclarecer-se, não pode transformar-se. Ê como um ser vivo que se desenvolve e aperfeiçoa, porém, na mesma natureza, que faz com que o indivíduo seja sempre o

mesmo. Importância dos fórmulas dogmáticos tradicionais Por isso, é de suma importância manter as fórmulas que, constituídas na Igreja, sob a assistência do Espírito Santo, a Tradição, e os Concílios fixaram, para exprimir com exatidão o conceito revelado. Semelhante linguagem dogmática pode sofrer alterações acidentais, não pode ser modificada de todo cm todo. Ora, o que, sob o signo do "aggiornamcnto'', assistimos após o Concílio, em vários meios católicos, é o menosprêzo tanto dos costumes como das fórmulas tradicionais. Demos unt ou outro exemplo. O Concílio de Nicéia, depois de anos de lu tas contra os arianos, fixou, na palavra <·,msubstancial, o conceito da unidade de essência das Três Pessoas Divinas. Hoje, cm certos meios calólicos, aquêle têrmo é conscien temente abandonado. Daí, a incertcu,, a dúvida que o Papa lamenta sôbre os dogmas da Santíssima Trindade e do Divino Salvador. O Concílio de Trento, contra o s imbolismo protestante, consagrou o vocábulo transubstanciação, para indicar a mudança 1otal da substância do pão e da subs1ância do vinho no Corpo e no Sangue de Jes us Cristo. Semelhante palavra nos dá a idéia do que ocorre, objetivamente, sôbre o aliar, no momento da consagração da San"' Missa, e nos assegura a presença real e subsiancial de Jesus Cristo no Santíssimo Sacrnrnento, m~smo depois de terminado o Santo Sacrifício. Como têrmo aristotélico, que não condiz com as correntes filosóficas mu,.,is, a palavra trans11bsta11ciação é rejeitada pelos teólogos da nova Igreja. Substituem-na por o utra - ''transignificação", " transfinali1.ação" - dando razão à afirmação do Papa de que se põe em dúvida o

"1nistério da Sa11tis~·i1Jm Eucaristia <' da Pn~sença Real" (p. 99). Na ordem pnílica, eliminam-se os sinais de adoração, de respeito ao Santíssimo Sacramento, como a comunhão de joelhos, com véu, a benção do Sancíssimo, a visita ao Sacrário, etc.

Subversão doutrinário Se a palavra muda, e não é sinônima, na1uralmen1e também o conceito se modifica. Estão no caso os novos 1êrmos dos teólogos "aggiornllli", cuja conseqüência é um abalo na própria Fé. Eis que a nova terminologia, de fato, introduz uma nova religião. Não estamos mais no Cristianismo autêntico. Aliás, as inovações não ficam apenas em troca de palavras. Vão mais longe. Na realidade, excitam uma subversão total na Igreja. Como a filosofia moderna sobrestima o 110mcm, a quem faz juiz de tôdas as coisas, a nova Igreja estabelece, como dissemos, a religião do homem. Elimina tudo quanto possa significar uma imposição à liberdade ou uma repn:ssão à espontaneidade humanas. Desconhece, assim, a queda original e extenua a noção do pecado. Não compreende "o sentido da renúncia eva11gé/ica" (p. 105), e propugna uma religião natural de base nas experiências "psicológicas e sociol6gicas" ( p. 99).

III Re médio poro o mol: fidelidade à Tradição a.

I NDICAÇÃO DE PAULO

VI

Como causa do aturdimento que sofrem os fiéis, angustiados porque j,í não têm mais certeza sôbrc o que devem crer e sôbre como hão de agir, Paulo VI aponta o abandono da Tradição. De onde, o antídoto a tão profunda crise de linguagem, pensamento, e ação, só encontramos na fidelidade à Tradição. O Documento de Paulo VI insiste sôbre êste ponto. As atuais circunstânci.os, assim o Papa, exigem de nós maior esfôrço, para que "a palavra de Deus chegue aos nossos co111emporá11eos1 na sua PLENITUDE, e para que as obras realizadas por Deus lhes se;am aprese11//.ulas SEM ADULTERAÇÃO, e co,n a i11te11sidade do amor à verdade que os salve" (p. 98 - grifos nossos). Tão nobre incumbência só é exequível mediante a fidelidade à "Tradição ini11terrupta que liga [nosso cristianismo] a Fé dos Apóstolos" (p. 99). Deve, pois, cada Bispo, na sua Diocese, csta.r atento por que os novos estudos "não venham a atraiçoar nunca a verdade e a CONTINUIDADE da doutrina da Fé" (p. 101 - grifo nosso) . Aliás, todo o trabalho dos teólogos deve ser no sentido da "fidelidade à gra11dc corre11te da Tradição cristà" (p. 102), porquanto "a ,•erdadeira Teologia se apóia sôbre a palavra de Deus i11separáve/ da Sagrada Tradição co1110 sôbre um f1111dam ento pere11e" ( p. 103 ). Em resumo, Paulo VI sintetiza (p. 18) a norma do Magistério Eclesiástico na palavra de São Pa ulo: "ainda que alguém 116s ou um An;o baixado do Céu - vos w11111ciasse 11111 eva11'gelho difere11tc do que temos a111111ciado, que ê/e seja anátema" (Gal. 1, 8) , e prossegue o Papa: "Não somos 11ós, com efeito, que j11lga111os a palavra de Deus: é ela que nos julga e que põe em evidência os nossos conformismos 1111111da11os. A fraqueza dos cristãos, mesmo a daqueles que têm a f1111çüo de pregar, não será jamais, 11a Igreja, motivo de edulcorar o caráter absoluto da palavra. Nunca será /iciro cegar o gu111e de sua espada (cf. Heb. 4 , 12; Apoc. / , 16: 2, 16) . .4 Igreja 111111ca será permitido falar de modo diverso do d e Cristo, da sa11tidade, da virgindade, da pobreza e da obediência'' (p. 101 ).

b. EXEMPLO HISTÓRICO : NESTÓRIO E A SANTA MÃE DE DEUS

As palavras do Papa não poderiam ser mais claras, oem mais incisivas, como taxativas são as palavras do Apóstolo por êle citadas. Al.iás, elas não passam de um eco da maneira de agir da Igreja, sob o impulso vivificante do Espírito Santo. J:, fato largamente comentado cm tôda formação religiosa, o ocorrido com Ncstório, P'atriarca de Constantinopla. Transcrevemo-lo, aqui, segundo o narra D. Prosper Guéranger, na s ua conhecida obra " L' Année Liturgique", ao comentar a festa de São Cirilo de Alcxand,·ia, em 9 de fevereiro: "No próprio a110

3


CONClUSÃO OA PÁG. J

CABTA PASTORAL da s ua eleiçtio "º tru,u, 11piscupal, ,w dia tf,, Natal de 428, aproveitando a grande multidão que se aglomerava "" Basifica Catedral, do lllto do púlpito, Nest6rio pro111111l'iou estll blllsfê111ill: Mllrill 11ão deu a luz a Deus; seu filho não era senão 11111 lto,nem, i11stru111e11t<> da Divi11dade. U,11 frê111ito de horror percorreu a multidão, e um leigo, Euzébio, leva111ou-se do meio do povo e protestou co11rra a impiedllde. Tôda li Hisróri<,, ,ué hoje, se regozija çon, essa atitude. E/li slllvou " fé ,/~ Bizâncio", l', NORMA GERAL

D. Guérangcr, dá, cncào, o principio geral: "Qua>ulo o Pm;ror 11111da-se e,n lóbo. per1e11ce, en, prilneiro lugar, <10 rebanho dttfendt·r-se. Nornwlme111e, se111 tltívitla, ,, tloutri1111 desce dos Bispos "" povo fiel , <' os súditos, nas coisas da Fl. ,uio deve,n }ulgt1r seus Chefes. Há. poré111. 110 tesouro da Revelação. pontos e~·se11ciais, cujo co11heciJ11e11-

necessário ,, guarda vigilante. todo ,.:ristão deve possuir, en, virtud(• de seu título de cristtio. O princípio não ,nuda. quer se trate <le crença 011 proc:edi111en10, de ,nora/ ou de dogma. Traições co,110 a de Nestório seio rare1s na /greje1: 1uio e1ssi,u o silêncio de c:ertos Pastôres que. por u1na ou outra causa, não ousam falar, quando a Religião estâ engajada. Os verdadeiros fiéis são os homens <1111! ex1rae111 de seu B,itis,110. ttm tais <:ir.. cunsr.áncias, a i11spire1ção de uma linha de co1u/11w; ,uio os pusillini,ues <111e, sob vretêxto especioso de sub111isscio aos podiires estabelel'idos, esperam, p11r11 afugenwr o ini111igv. 011 para ,se opor a suas e,nprêsas, um progran,a que não é necessário, que 1uio lhes deve ser t!ado". 10

//. IMPORTÂNCIA DA TRADIÇÃO

Quisemos iluscrar o critério lembrado por Paulo VI, devido à importância especial que êle assume nos dias que correm, como é notório a quem observa o que se passa em cercos meios cacólicos. Aliás, tal é o valor da Tradição, que mesmo as Encíclicas e. (!Utros Documentos do Magistério ordinário do Sumo Poncífice, só são infalíveis nos ensinamencos corroborados pela Tradição, ou seja, por uma doutrinação conlínua, alravés de vários Papas e por largo espaço de cempo. De maneira que, o alo do Magistério ordinário de um Papa que colida com o ensinamcnco caucionado pela Tradição magiscerial de vários Papas e por espaço notável de tempo, não deveria ser aceito. Entre exemplos que a Hiscória aponta de facos semelhantes, avuHa o de Honório 1. Viveu êsce Papa, ao tempo cm que a heresia monoteleta fazia estragos na Igreja do Oriente. Negando a existência de duas vontades em Jesus Crislo, renova'vam os monoceletas o absurdo que Eutiqucs incroduziu no dogma, quando pretendeu que em Jesus Crisco havia uma só natureza, composrn da nacureza divina e da natureza humana. Hàbilrncnte, o Patriarca Sérgio de Conscancinopla insinuou no cspírico de Honório I que a pregação das duas vontades no Salvador só causava divisões no povo fiel. Acedendo àos desejos do Patriarca, que eram também os do Imperador, o Papa Honório proibiu que se falasse nas duas vontades do Filho de Deus feico homem. Não adverciu o Pontífice que seu ato deixava o campo aberto à difusão da herésia . Por isso mesmo não se lhe devia dar atenção. Encre os que lamcncaram o ato de Honório I estão o VI Concílio Ecumênico, que foi o terceiro reunido em Conscantinopla, e São Leão li, Papa, ao confirmar aquêle Concílio. Enlre os que concinuaram a ensinar as duas vontades em Jesus Cristo, escá o grande São Máximo, chamado o Confessor porque selou com o martírio sua fidelidade à ·doutrina católica tradicional.

e.

NORMA OE JULGAMENTO AS NOVll)ADllS

PARA

Guardemos, pois, com o máximo respeito e atenção, o cricério de aferimento para as novidades que surgem na Igreja: - Ajustam-se elas à tradição? - São de boa lei. - Não se ajuscam, opõem-se à Tradição, ou a diluem? - Não devem ser aceicas. Tradição, é certo, não é imobilismo. E crescimento, porém, na mesma linha, na mesma direção, no mesmo sencido, crc-sci4

mcnto de seres vivos que se conservam sem· pre os mesmos. Por isso mesmo, não se podem considerar lradicionais, formas e coscumes que a Igreja não incorporou na exposição de sua doucrina, ou na sua disciplina. A tendência, nesse sentido, foi chamada por Pio XII "reprovável arqucologismo'' (Encíclica ''Mcdiator Dei''). Isto pos10, comemos como norma o seguince princípio: quando é visível que a novidade se afasta da doucrina tradicional , é certo que ela não deve ser admitida.

Vá rios modos de_ corromper o Tradição Pode-se concorrer para descruir a Tradição de vários modos. Há, mesmo, cncre ê les uma escala que vai da oposição abena ao desvio quase imperceptível. Exemplo de oposição clara, cemos nas várias atitudes tomadas por ceólogos, e acé Autoridades Eclesiásticas, rejeicando a decisão da Encíclica "Humanae Vitae•·. De fato, o ato de Paulo VI , declarando ilícico o uso dos anciconccpcionais, insere-se numa Tradição ininterrupta do Magiscério Eclesiáscico. Não aceitá-lo, ensinando o oposto do que ê le prescreve, ou aconselhando prácicas por ê le condenadas, cons1i1ui exemplo cípico de negação de um ensinamento tradicional. Mais sinuosa é a falácia, quando se fere a Tradição, acravés de elucidações dogmálicas que, sem negarem os têrmos tradicionais, de fato, são incompacíveis com os dados revelados ; por exemplo, conlinuar a fa. zer profissão de fé no mislério da Sancíssima Trindade, mas subslituir sisccmàticamenle o cêrmo co11s11bsta11cial por outro que não tem o mesmo significado, como a palavra natureza. Há igualmente descaminhos para a heresia. nas dedüções que ampliam o conteúdo das premissas. Assim, declarar que, em virtude da colegialidade, o Papa nada pode resolver sem ouvir o Colégio episcopal, é incidir no conciliarismo que subverte a Tgrcja de Cristo. Mais subcis são os novos usos, espccialmence cm liturgia, que sub-rogam aos antigos, e que não só não são dotados da mesma riqueza, senão que insinuam outros conceicos religiosos. Em Nossa Pascoral de 19 de março de 1966, sublinhamos ,1 imponância que cêm os usos e costumes, canto no afervoramenco da fé, como, em sencido contrário, no solapamenco desta mesma fé, sempre que o procedimenco pressupõe, e ponanco, difunde conceitos errôneos sôbre as verdades reveladas. Evidentemencc, não é a mesma a responsabilidade pessoal que há nessas várias maneiras de contestar a Tradição. Nas circunstâncias atuais, no entanto, tôdas elas oferecem perigo à fé, e talvez mais aqueh1s que menos aparecem como opostas à Igreja tradicional. Segue-se que de nós se pede cuidadosa vigilância, não venhamos a assimi.lar o veneno meio inconscientemente. Se há gente de boa fé que, por ignorância ou ingenuidade, nas novidades que vai aceilando, cenciona apenas obter uma nova expressão da verdadeira Igreja ; há cambém e sobrccudo, a astúcia do demônio que se serve dessas mesmas incenções para desgarrar os fiéis da ortodoxia católica.

Os falsos profetas e os novos Catecismos Na exortação Aposcóliea, que sugere escas considerações, insisce o Papa, sôbre a ação dos falsos doutôres, que, vivendo n9 meio do povo de Deus, corrompem a Fé e a ReHgião. Assim, diz que é "para 116s, Bispos", aquela advertência que se enconcra em São Paulo: "virá tempo em que os homens já não suportarão a sã doutrina da salvação. Levados pe/11s próprias paixões e pelo prurido de escutar novitlades, ajuntarào mestres para si. A partarcio os ouvidos da verdade e se atir11rão às fábulas" (2 Tim. 4, 3-4 ), e mais adiancc, corna Paulo VI ao mestno coque de a lerta, ainda com palavras do Apóstolo: "do meio de nós mesmos, como jtí sucedia nos tempos de São Paul(!, surgirão homens II ensinar coisas perversa,s para arreblltarem tliscípulos atrás de si (Atos 20, 30)" (p, 105). · Quando os inimi.g os estão dentro de casa, como denuncia aqui o Papa, é sumamente néscio quem não redobra a vigilância. Na acuai crise da Igreja, podemos dizer que nos-

sa salvação escá condicionada ao cmprêgo de lodos os meios que preservem a incegridade da nossa Fé. Portanto, é necessária, hoje. maior acenção para evitar as ciladas armadas concra a autencidadc de nosso Criscianismo. Em Nossa Instrução Pastoral sôbre a Igreja, de 2 de março de 1965, fundamentamos semelhante advertência, moslrando como o espírito modernista, infiHrado nos meios calólicos, incroduz, entre os fiéis, o relativismo e o nacural.ismo religiosos, subvertendo o dogma e a moral revelados. Da difusão de semelhance espírilo incumbem-se, acualmente, os novos Catecismos. Eis que nos

Eucaristia, reverência com que fazemos profissão de fé na presença real e subsrnncial do Deus humanado no Sacramento do Altar. De acôrdo com o coscume cradicional, .que. segundo a Sagrada Congregação do Cuho Divino, onde exisce, deve ser conservado, recebam os fiéis, a Sagrada Comunhão sempre de joelhos, e as senhoras e môças com a cabeça coberta, e jamais se aproximem dos Sancos Sacramencos cm vcsces que desdizem do respeico e reverência para com as i.:oisas ~mgrach1s.

toca o dever de chamar vossa atenção, ama-

Tenhamos sempre codo o respeilo pelo lugar sagrado. Uma das caracceríscicas da Igreja nova é a dessacralização. Condena ela os edifícios próprios para o culco, e deseja que a Religião se dissolva na vida comum do indivíduo. Sob a alegação de que ludo é sagrado, na realidade, tudo reduz ao profano. Jesus Cristo acendia muico à discinção entre o sagrado e o profano. Comencanclo o trecho de São João, em que o Divino Mestre expulsou os vendilhões do Templo, declara Santo Agostinho que o mal não consistia em que se vendiam animais, porqu(mlo licicamente se vende o que llcicamentc se oferece no Templo. O mal não escava em que a venda se fazia, por mero incerêsse, num lugar sagrado, de si descinado /1 oração e ao culto divino (cf. i11 /o. cr. X) .

dos filhos, sôbre essas novas obras de ensino e formação religiosa que, a cítulo de fé para aduHos ou para o homem moderno, descrocm a doutrina tradicional, ora pelo silêncio, ora por omissões, ora de maneira positiva, por concepções concrárias à verdade sempre ensinada pela Igreja. São os novos Catecismos o mc.io de inocular na mence dos fiéis a nova religião, cm consonânci,i com as correntes evolucionista e raciona-

lisca do pensamento moderno. Não levancamos nenhum julgamento sôbre as incenções dos autores dos novos Catecismos. Não nos esquecemos, no encanto, de que, o "ho111e111 ini,nigo", ou seja, o demônio, que cudo faz para perder as almas,

se aproveita das perturbações causadas na Igreja pelos pruridos de novidade, c nelas mesmas insinua os sofismas com que corrompe a Fé e pervene os coscumes. Sendo. como são, os Catecismos instrumentos para formar, na Religião, :,s novas gerações, seria ingênuo pensar que o anjo das trevas não procurasse servir-se dêles, para a reali:taÇão de sua obra siniscra . De fato, pois, objclivamence, os novos Catecismos devem ser colocados encre os fautores da autodemolição da Igreja, de que fala o Papa. Nunca é denuiis salientar a importância do Catecismo. E, cm conseqüência, nunca será excessivo alenar os fiéis conlra os 1ex1os de Cacccismo que subvertem a Religião de Nosso Senhor Jesus Crisco.

[V A profissão de fé nos práticos litúrgicos e religiosos Na sua Exortação Aposcólica, Paulo VI onera a consciência dos Bispos. cuidem que a doucrina seja transmitida pura não só no ensino, como no exemplo que há de vivificar as palavra's. Refere-se o Papa aos auxiliares dos Bispos na difusão da sã doucrina. Sua afirmação, no encanto, compona interprecação rnais ampla, uma vez que, nos aios piedosos, fazemos viva profissão de nossa fé. Em outras palavras: o que cremos com a inteligência, isso realizamos na nossa vida católica, especialmence nas práticas religiosas. Em sentido inverso, é pelos acos c-o lidianos que, ou alimencamos a nossa fé, ou a encibiamos, segundo nosso procedimento se conforme com o que cremos, ou dêle se afaste. E aí tendes, amados filhos, côda a importância das práticas piedosas cradicionais. Nutriu-se com elas a fé das gerações passadas, que, com seu exemplo, nos 1ransmi1iram o amor a Jesus Crisco, à s ua doucrina e aos seus preceitos. Elas fortificarão, hoje cambém, a nossa fé, e nos darão as energias de seguir o exemplo dos nossos irmãos, que nos precederam no sa,110 cemor de Deus. Nesca mesma ordem de idéias, devemos precaver Nossos amados filhos, concra as prácicas religiosas, nas quais ou se cncarn.1 o espírico da nova Igreja, ou excenua-sc a adesão aos miscérios revelados. Tratando-se de questão capilal, que inceressa à salvação c ccrna, recomendamos vivamence aos Nossos caríssimos filhos, que se mantenham fiéis ,,os exercícios ascécicos encarecidos pela Igreja: meditação, exame de consciência, aios de monificação, visitas ao Sanlissimo, confissão e comunh ão freqüence, oração contínua, e, de modo especial, a reza coti,. diana do cêrço de Nossa Senhora.

O culto à Santíssi mo Eucaristia De modo particular, novamencc lembramos aos Nossos amados filhos a reverência que, rradicionalmence, se deve à Sancíssima

Dessocrolixoção

Proteção e ·mediação de Ma ria Santíssimo Acenamos, amados filhos, a algumas prálicas, acravés das quais, procura-se inscaurar na Igreja um cristianismo nôvo, des1oan1e daquele que Jesus Crislo veio crazer à cerra. Em Nossa Pastoral de 19 de março de 1966, sôbre a aplieaçli.o dos Documencos conciliares, salientamos o grande perigo que de cais práticas se origina para a fé, incoxicadas, como estão, pela heresia difusa que encontra conivência na mencalidade relalivista do mundo moderno. A si cuação é tão grave, o mal cão profundo, que hoje, mais do que em cempos passados, é necessário o apêlo aos meios sobrenaturais da graça. Entregues a nós mesmos, somos incapazes de resiscir à onda devada pelos falsos profetas, e menos ainda de fazê-la amainar, de modo que possam as almas concinuar serenamente nas vias da imitação do Divino Salvador. Recorramos, pois, à oração, e ,;specialmente à devoção a Maria Santfssima, Senhora nossa. A Tradição é unânime em apresencá-La como Medianeira de tôdas as graças, como Mãe terníssima dos criscãos, empenhada na salvação de seus filhos, como inceressada na integridade da obra de seu Divino Filho. Nas situações difíceis, em que Se cem enconcrado, a Igreja habituou-nos a suplicar o valioso e e(icaz auxílio da Sanca Mãe de Deus, seja para profligar heresias, seja para impedir que o jugo dos infiéis pesasse sôbre os cristãos. Podemos dizer que a Igreja jamais Se achou em crise tão grave e cão radical, como a que hoje alui seus fundamentos desde os seus primeiros alicerces. É sinal de que a proteção de Maria Sancíssima se torna mais necessária. A nós compete fazê-la real, mediante nossas súplicas à Santa Mãe de Deus. Nesse sentido, renovamos a cxorcação que fizemos à reza cocidiana do têrço do santo Rosário, cuja valia aumentaremos com a imitação das· virtudes de que a Virgem Mãe nos dá panicular exemplo: a modéstia, o recaio, a pureza, a humildade, o espírito de monificação na renúncia de nós mesmos, e a caridade com que, pelo bom exemplo, como discípulos de Crisco "impregnamos de seu espírito a 1nenu,lid11de, os costumes, e a vida da cidade terre11a" ( p. 105). Confian1os que a preleção da Santa Mãe de Deus nos conservará a fidelidade à Tradição na nossa profissão de fé e nas nossas práticas religiosas, como nos hábilos de nossa vida católica. Certo de que tão excelsa proceção jamais nos faltará, enviamos aos Nossos zelosos Cooperadores e amados filhos Nossa cordial benção pascoral, em nome do Pa t dre, e do f'itlho, e do Espírico·tSanto. Amém. Dada e passada na Nossa Episcopal Ci<ladc de Campos, sob Nosso sinal e sêlo de Nossas armas, aos onze dias do mês de abril do ano de mil novecencos e seccnta e um, na Santa Páscoa do Senhor. L+S

t Antonio, BisPO DE CAMPOS


A VISÃO GN STICA DOS BENS TE E A LI ÃO DAS PARÁBOLAS P

OK TODO O Evangelho perpassa umt< triste rcaliôad~: o modo carnal como os

homens encaravam a divina mensagem trazida à terra por nosso Salvador. Aos incréus de todos os tempos se aplicam as palavras do Filho de Deus a Nicodcmos: "Se "ºs 1e11ho falado ,las coisa.,; terrenas. ,, niio M e llcredi~ wis, ,·omo Me acre,/itareis se vos falar tla.r ,·elesres?" (Jo. 3. 12). Em nossa época cons1itucm 1cgião aquêlcs que procuram dessacralizar e ..dcsmitizar" a )grcja. pondo entre parênteses a vida eterna, para se preocuparem preponderantemcn1e com

o desenvolvimento econômico. Assim se afas.. tam escandalosamente da lição dos Evangelhos quanto às coisas terrenas, ao mesmo tempo q ue se abre um enorme abismo entre êles e as coisas celestes que rcpr::sentam o nllcleo da mensagem trazida ao mundo por NoSso Senhor Jes us Cristo. O tema por cxcclênci., que preocupa os católicos progressistas são as chamndas reformas d ~ estrutura, através das quais desejam êlcs implantar o igualitarismo social e econômico. Não 1ra1am de difundir as v irtudes. rnas ocupam•sc das coisas deste mundo. vis:rndO a comunidade de bcn$ e de tarefas. Parn a implantação do Estado socialista. ou comunitário. uma das medidas mais urgentes. segundo os progrcssis1as. é a des1ruição do regime capitalista. baseado na desigualdade econômica t.:nlre os homens. na propriedade privada. na livre disposição dos bens econômicos e cm sua transmissão por herança. na diversidade de classes, no saJ.:,riado e no lucro. Queremos mostrar, nas linhas que se seguem, q ue o socialismo e o comunismo vão não sõmcntc contra os pressupostos do regime capitalista, mas contra tôda e qualquer _ordenação econômica e social baseada na lei natural. Por outras palavras, corno o amigo urso da conhecida fábula de La Fon1aine, a pretêxto de espanta r as môscas representadas peles abusos praticados na vida económica pelo regime capitalis1a. o progressismo quer usar ::1 enorme pcdrn socialista ou comunisrn, e acaba por arrebentar a cabeça de quem supos1amcn1c de.scj~ socorrer. isto é. do pobre povo de Deus.

O desopêgo dos bens terrenos Em primeiro lugar. assinàlemos como Nosso Senhor prega o desapêgo dos bens terrenos. "Nc1o quefrai.,· acumular paro v6..\· I<'· sourQs "" ter,·"" (Mat. 6, 19). 'ºNtio wuleis i11quie1os nem com o que vos é 1>r<•<:iso para alimen1ar li vossa vida. nem ,·om o que vos t! preciso para vestir o vosso corpo" (Mal. 6. 25). º'Bu~·cai. pois, em primeiro lugm·, o Reino de Deus e a sua jusllça, e 1ôdt1s esws coisas vos .'ieriiô ,Iodas por C1c.·ré.rcimo" (Mat. 6. 33). A excessiva preocupação com o que haveremos de comer ou de beber ou de vestir é. segundo a lição que nos deixou o Divino Salvador. coisa de pagãos e de pessoas do mundo (Luc. 12, 29-30). Àqueles que põem nos bens terrenos todo o seu aíeto e dêlc-s não fazern o uso q ue Deus quer. dirige Nosso S:nhor as maldições que se contrapõem às bemMavcnturanças: "Al de vós. ó ricos! porque tendes a vos.ra c:u11so"1r,io! Ai tle v6s os q ue esta;.f saciados.' porque viri!is a ter fome. Ai de v6s os que agora ride:;! po,··

que genwrei.t e chorareis.. (Luc. 5. 24·26). No episódio do jovem rico, que não O quis seguir porque tinha muitos bens. d isse o Senhor aos discípulos: "Filhinhos, quanto é difícil entrarem no Reino de Deus os que confiam nas riquet,(1S! Mais fácil é. pa.rst,r nm Cll· melo pelo fundo tle uma agulha do t1ue um rico entrar 110 Reino de Deus''. E êles se admirav;-,m, dizendo uns para os oucros: ··Quem potle logo salvar-se?" (Marc. 10, 24-26). C-0rn efeito. é tendência generalizada dos homens a de c,o nfiar nas riquezas; os que as

possuem, q\1crcm :iumcnrnr seu cabctJal. e os q ue as não possuem. prcocup;1m ..se cm obtêlas. A "confiança nas riquezas·· é o m,,I a que Nosso Senhor no Sermão da Montanha alude quando enaltece aquêlcs que se mosrram pO· brcs de espíri10. A avareza é filha dessa falta de confiança em Deus: ·'Gut1r1.lt,i.vos t: {ICtmtelai•vos dt: 1ô~ ,Ili a avarel.Cl, porqu(' a vil/a de cada um mio consiste ,w abundâm:ia ,los be1's qm• possui" (Luc. 12, 15); verdade que 1ransparece claramente na parábola do homem rico que au• mcntou seus celeiros: '"Néscio, esta noite te virão demandar a tua almC1; e as coisa..\· que j1111tas1e, par" qm•m sereia? Assim é o '''"' entesoura pura si, e niio é rico para Deus·· (Luc. 12, 16-21 ). Convém ac.;:n1uar que no Sermão da Montanha, ao citar as bcm-:wenturanças. Nosso Senhor não d iz simplesmente : bem-aventu rados os pobres, mas "'benH,vemurados os pobr(·s ,1,.. eJ·pírito, pon1ue dêles é o Reino dos Céu,'' (Mat. 5, _3) . Essa pobreza de espírito se refere sobretudo ao desapêgo e à indiferença com que devemos encarar e usar os bens da terra. T udo o que temos. bens do espírito e bens de ,fortuna. devemos referir a Deus e dêlcs us;,r como instrumento para o "1ínit:o n(·cessário". que é a salvação etctna.

Onde entro o gnose Em contraste com essa posição equilibrada cm face dos bens dêste mundo. desde os primei ro.s. tempos da Igreja se levanta uma tcrrÍ· vel heresia. a gnose. Em vez de condenar o uso de,5regrndo da riqueza, como sempre Céz 11 S11n1a Igreja. in1érprc1e infalível dos Santos Evangelhos, os gnósticos amaldiçoam a posse dos bens terrenos em si mesma considerada, apresentando ;1 pobrcz;:1 rc,-11 não como \J n l consel ho evangélico. m,,s como condição im· pcra1ivamente imposta c1 tóda ;:1 humanidade.

Conscqiiência inexorável .dessa posição. o gnosticismo cm todos os seus ramos, dos 1empos apostólicos aos nossos dias. foi sempre adepto do socialismo e do comunismo. cmbor;i .s.ob variadas formus. <:an-u1fladas o u abcr1as. que a H is1ória rcgis1ra . E assim, dos ebionitas aos socialistas-cristãos, vemo•lo per.. correr a1ráves dos séculos tôdas as gamas da perversão cole1ivis1a. A condenação que certos Bispos e Sacerdotes faiem do atual regime capitalista deve, por1anto. ser estudada no cont«.!Xto d:i história da gnose. du q ual a rase prcscn1e é um simples epis6dio, embora culmin;,n. 1c. E como essa luto é 1ravada pelos progressistas prc1cnsamente em nome dos Evangelhos. vejamos o que nos ensina o Nôvo Tesiamento :,;ôbre os <lados íundamentais comuns a tôdn vida econômica. Nosso Senhor diz claramente que n.ã o veio destruir a Lei ou os Proíetas; não veio para os <lcstruir. mas sim para os cumprir. não desaparecendo da Lei "wn s6 jota ou um .r6 ápice" ( Mat. 5, 17-1 8) . Ora. preliminarmente devemos observar qut os gnósticos não acei-tam a lei natural. de que os Dez Mandamentos são a expressão codificada. pois professam um declarado pessimismo a respcilo de tôda a criação material. atribuindo a esta todos os males do mundo. razão pela qual rcjci1am lôgici1mente a própria natureza humana d~ Nosso Senhor Jesus Cristo. isto é. recusam-se 11 adorar II Sagrada Humanidade do Verbc> de Deus encarnado. F,,zemos esta ressalva para orientaç,ã o das :almas retas que nos lêem. as quais tornarão nossas palavr"as no seu devido valor. e não como se estivessem carregadas de sentido má-gico e ocullis1a. qual geralmente acontece com as dos maniqueus de todos os tempos, inclusive aquêlcs que querem passar êssc velho contrabando doutrinário corno se fôsse fru10 ultramoderno do li Concflio Ecumênico Vaticano.

Verdades que ressoltam dos parábolas de Nosso Senhor Se de ínicio nos referimos ao papel ins-trumental dos bens dêstc mundo cm face de uma realidade mais alta. qué é ~1 vida eterna. fizemo-lo para deixar bem claro que Nosso Senhor Jesus Cris10 sempre desejou que O o uvíssemos como homens espirituais e não como homens carnais. Mas se l,lc próprio ressuscitou cm sua santíssima humanidade e nos prometeu a ressurreição da carne no ú ltimo dia, é óbvio que à luz de sua ctivinf't doutrirw não se pode sustentar a distinção dualista e maniq uéia q ue exalta o espírito e execra a matéria. Tudo o que vem das mãos de O'eus é bom. tanto na ordem espiritual quanto na _m aterial. E os males que afligem o homem não se acham apenas no corpo, como q uerem os gnóstico-maniqueus, mas sobretudo na alma, como fruto do pecado. ls10 pôs10, vejamos como Nosso Senhor Jesus Cris10 encara a vida dos homens sôbre a terra, em sua íaina diária de viajorcs que, dtmandando a vida eterna, têm necessidades materiais a satisíazer. As parábolas, ne$te scn1ido. nos dão um vivo flagrante dcss,i realidade que no fu ndo é de todo o sempre. Escolhe o Divino Salvador fatos comuns do conhecimento de todos, para tecer uma narrativa que se dcs.. tina a conduzir seus ouvintes a uma verdade de ordem moral ou espiritual. Com cíeito. as comparações que se,·vcm de · parábolas repre· S'.?nta.m geralmente realidades de orden\ natural; diferindo da fábula pela verossimilhança da própria históri.1, concorda a parábola com ela nos requisitos essenciais de simplicidade e brevidade. Utiliza um fa to subjaccn1c, retirado em geral da vida comum: um homem lavra um campo, o u1ro acha um tesouro escondido. alguém arrenda sua propri..::dade e faz uma viagem, etc. Há sempre nela um sentido literal que serve de ponlo de apoio ao sentido parabólico, moral ou cspiri1ual. As conclusões a serem retiradas dês.ses ía-

tos. Nosso Senhor as consideru de c:vidência imediara para o comum dos o uvintes, embora haja casos cm que a má vontade de alguns circunstantes leve o Divino Salvador a não revelar o scn1ido da parábola senão a alguns pouc,o s tscolhidos. Mas cm certas ocasiões a aplicação ressalta com tamanha evidência, que Nosso Senhor deixa aos ouvintes o encargo de dar a conclusã.o ao fato narrado, como na parábola dos vinhatciros homicidas (Mat. 2 1, 33-4 1). É claro que não é nossa intenção cmpres1ar um valor dogmático ao Séntido literal das parábolas. mas apenas nos valer dêsses exem• pios retirados da vida d iária para mostrar a perenidade das verdades que nelas se acham subjacen 1cs.

A desigualdade social Um dos falsos p rincípios da Revolução, tanio cm sua fase liberal quanto cm sua fase comunisla, é o da igualdade social. Nosso D ivino Salvador co nsiderava, pelo contrário, a desigualdade entre os homens como um fa to normal e corrente que não devia ser pôsto cm discussão. Na parábola dos dez marcos, diz Nosso Senhor: " Um hom em flObre [D. Duarte cm sua Concordância adota a expressão "homt'II, de gra,u/e nascimento"} foi para um país distante tomar po.,se de um reino" (Luc. 19. 12). E mais adian1e na mesma parábola: ··Mas os seus conciticulãos '1borrecium-110; e c,nvluram a1rás dê/e ,Jeputados encarregados de ,Jizer: Ncio queremos que êsre reine sôbre 116s" (Luc. 19. 14). frase profética q ue devia serrepetida pelos judeus na Paixão de Nosso Senhor. o que mos1ra a in1cnção do F ilho de Deus de Se comparar a êssc nobre. Que na vida social cxistcn, naturalmente aquêlcs que servem e aquêles que são servidos, é fato correlato. que se depreende do seguinte

exemplo dado por Nosso Sen hor aús seus 0 11 vintes: "Qual é de v6s o que. hmdo um St~rvo ,, law·t,r ou <, guarc/(lr gculo, lhe dig'1 , c/mmclo êfr Sl! n,colh<• cio cmnpo: Vem. pô1..··I<' ti me.m: (' nc1o lhe ,liga lllltes: Prepartl•mc a ceia~ e ci11ge-1e, e serve-,ne, e nquanto eu como (' l,ebo. t' ,Jepois comerás tu e beberás? Porventura, fica o senhor obrigatlo àquele yervo, porque Jêz w<lo o q u e• lht' Jinlu, mtuulatlo? Creio que ,uio. A.rsim também vós. depois de lerdes /t!ito flulo o que vos foi mandado, tlit.ei: Somos servos inúteis,· Jizemos o que devfomos /<11.el' (Luc. 17, 7-10). 00

Direito de 'propriedade e de herança Lig?do lambém a essa desigualdade está o fato de q ue os homens possuem bens como próprios. e uns possuem mais que os outros, o que é tomado com tôda a naiuralidade pelo Divino Mestre cm várias circunstâncias. O direi10 de propriedadt e a livre disposição dos bens pelos seus donos são dados indiscutíveis: Reino cios C'!us é semelhante " um tesouro esco11ditlo num c,unpo, o qual, quClndo um homem o acha. esconde-o. e. pelo g6sto cJue sentt' ,Je o achar_. vai, e ventle tudo o que tem, e• compra C1quêle campo. O Reino cios Céus é u,mbém semelhante a um homem uegociante, t1ue busca boas pé rolas. E. tendo e111.:0111racto tuna de grande prêço, vai, e ve,ule flulo o qu e 1e111. ,. " <'Ompra" ( Mat. 13. 44-46) . E a posse dêssts bens como coisa própria e não propriedade coletiva, tem como corolário o direito de herança ; por exemp lo: o filho pródigo pede ao pai a parte dos bens q ue lhe toca (Luc. 15, 12). Mas onde o d ireito de propriedade e o de herança ressaltam com mais vigor é na parábola dos vin hateiros homicidas: "Havfo um pai de /amí/ia, que plantou uma vinha, e a cercou com uma s~be, e cavou n ela um lagar, e edi/ic·ou uma 1ôrr1!. I! arrendou•o CI uns lavradores, e auscntOU·St! para longe. E, es1a11clo próxima a estação dos fru tos, enviou os seus servos aos lavratlores, para receberem os seus /rutos. MC1s os lavradores, agarrando os servos, feriram um, mararam outro, e a outro apedrejaram. Enviou novamente outros servos em maior número cio que os primeiros, e fiteram•lhes <> mesmo. Por último enviou•lhes seu /ilho, dizendo: Hiio de te,. reJ·peiro a meu )ilho. Porém os lavradores, vendo o filho. disseram entre .ri: Este é o he,·· cleiro; vinde, mmemo--lo, e teremos a lwrcmça. E, lançando-lhe as mãos, puse,-am-no fora da vinha, e mataram-no. Quando, pois, vier o Senhor da vinlw, que fará êlt àqueles /avrnclores:' Respo11dert11n-lhe: Matará sem pieda,le êssts malvados. e arrendará a sua vinha tl outros lavradores. que llre paguem o fruto a seu tempo" (Mat. 2 1, 33-41). Nessa belíssima parábola vemos não somente ressaltar o direito de p ropriedade e o de heranta, mas também o d ireito de livre d isposição ·· da terra mediante arrendamento. Os vinhateiros homicidas são a pré-figura daqueles q ue na Rússia, na C hina, em Cuba ou no Chile susteniam pertencer a terra aos que a trabalham e dela violentamente escorraçam seus lcgltimos proprietários.

··o

O regime de soloriodo Outra decorrência do d ireito de p ropriedade vem a ser a livre contratação do trabalho, vale diz.cr. a liceidade do regime do salarindo, quo, os esquerdistas-católicos, fazendo côro com os socialistas e comunistas, consideram radi· calmente injusto, devendo ser substituído pela par1ieipação nos lucros, a co-gestão ou a co·propricdadc. Dentro da sociedade católica foi desenvolvida a instituição do famula10, através da qual, por razões de mútuo interêssc, famílias m,1is abastadas contratam estàvelmente o serviço de famílias menos favorecidas por bens

Cunha Alvarenga 5


CONClUSÃO OA PÁG• .S

A VISÃO GNÓSTICA DOS BENS TERRENOS de forlUna. para juntas tirarem d a terra ou de outros meios de produção o que a uma::; e oulr:lS é necessário para a subsistência. 'E a participação nos bencrícios. quando livre e cs· pontânc:,, não é novidade de nossos di.:1s. mas no p:,ssado foi frcq\icntc onde o capital e o trabalho harmoniosamente se uni.1m para a realização da mesma t;ircfa. Nada de injusto. poré m. há na mera contratação de trabalhadores avulsos. mediante estipêndio prCviamc nlc combinado. 8 o que nos mostra a parábola dos operários da vinha : "O Reino tios Céus ,f semt:llumte a rtm P"i de /wnília que, ao romptr da 11umlul , s,;iu a contrat(lr op,•rário:; pura a J·ua vinha. E, tendo ajustatÍQ com os op,•róriOJ; um dinlu:iró por dia. 111,111,lou•os p11ra " suu vinha. E, l<·mlo J·a ído ,·i'ir,·t1 d,, l f!r<:c•fra huru. ";,, Ollfros, qm' ,,s,awun "" praça oclosos. 1:,.· ,liJ·se.. /hes: Ide vós wmbém pc,ru a mlnha vinha, e <l<1r-vos-ei o que /ôr jus10. E f!f:s /orwn 1, .. 1. No /lm <la ltlrde o senhor clct vinha dlSS(' uo seu mordomo: Clwma o~· opercíric>s t' paga-lh,•s o .w1Mri<,, com,•<·mulo 11e/os últimos cm? os vri-

nu,iros. Tem/o cht'gmlo. pois. OJ" <Jllt' rinlum, i<lo c:êr,·a ela hora wulh·ima, re,·ebeu ,·,ulã um J·e u dinheiro. E c:/wgmulo também os que tinlwm ülo pâmeiro. julgarum que l,avimn dt receber mai.r; porém. wm/Jém ,-;lt:J' rt:c1.•bt!rm11 um di11/u•iro cm/11 um, E. ac> re,:(•berem. murmurtf• wmr co11rra o pul de família. ,liz.enelo: llstes últimos trabt1llurra;11 uma hora. e os igualuste t·onosco, que .\·uportmnos o pêso do dia t' do ,·t1/or, Poré111 i?le. n•spo,u/('f,do a um tlê le.,·. tliJ'se: A migo. e u mio te faço inj11s1iç<1; ll(iô <1jm;.. wste tu comigo um tUnhelro? T omu o <1ue é re u. e vai·t(·; q11t• eu quero ,lar també m a Pstt' último umto como " ti. Ou ,uio me é líclto /<1t,t•r (dos meus bensJ <> que quero? Porwmturt1 o teu o lho é mau. vorqut• sou ben n ?"

("M at. 20. 1-15) . 1>rcssuposto o justo salá rio a que t'az me nção a pará bola. o resto. como por cxemplo a pi1r1icipação nos lucros. será produto <la mera liberalidade do conlratador do serviço. O que ressalta com tôda a clareza dessa~ pahtvras de Nosso Senhor é q u~ n.1da exis1e de injusto ou

TFP 1·eza pela ~onve.r s ão da Rí1ssia PARA OBTE R da SSma. Virgem o quanto antes o c umprimento das promessas feitas na Cova da Iria no ano de 19 17, especialmente a conversão da Rússia, hoje dominada pelo comunismo, a Sociedade Brasileira de Defesa da Tradição, Famíl ia e Propriedade promoveu em São Paulo, de 4 " 12 de maio p.p. , uma novena em louvor de Nossa Senhora de Fálima. Diante do oratório instalado mt sede da en1idade à Rua Martim Francisco, n."' 665669, onde se acha expos 1a a imagem da lmaculada Conceição atingida por uma bomba terrorista em junho de 1969, sócios e colaboradores da TFP e grande número de devotos rezaram diàriamenle um têrço e a ladainha lauretana, çntremeados de cânticos. O dia do início do novenário coincidiu com o primeiro aniversário da vigília de ora-

çà(:s que - como já nouc1amos cm oulrn oportunidade a TFP vem fazendo no mes mo local , das 18 horas de c;oda (lia às 6 da manhã seguinte. No e ncerra me nto da novena os sócios e militantes da entidade fizeram uma vigília extraordinária e solene, rezando todos juntos, com o Conselho Nacional it fre nte, desde as 2 2 horas d o d ia 12 às 6 horas do dill 13. No dia 13 de m:iio, no qual se comemorava o 54.0 anivcrs;:ário da primeira das apa.rições da Cova da Iria e o 25.<' da coroação pelo Legado pontifício da imagem de Nossa Senhora que se venera em Fátima. teve lugar diante i.lo oratório da TFP um a to fes tivo, com a recitação do têrço e d,i lada inha, com cânticos mariais pelo Côro São Pio X e com a leitura do relato da aparição.

TFP quer prazos amplos para os Códigos O PROF. PLINJO Corrêa de Oliveira, Pre• sidente do Conselho Nacional do TFP, enviou ao Sr. Pereira Lopes. Presidente da Câmara dos Deputados, 1elegrama referente à dilatação dos prazos para tramitação dos projetos de Códigos, solicitada pdo D.eputado Ulisses Guimarães. É êstc o texto do despacho: ''A Socletlade Brasileira de Defesa da TrCI• dição_, Família e Propriedade pede 110 ilustre Pre.ride11te da Cámara ,los DepuuuloJ' que em penhe seu prestígio (! in/luéncia u fim ele i111rodutir na tramiu,çcio dos projetoJ· ti(• Códi· gos prazos sufici e111enw111e Jolgatlos paro permitir o participação ele tóclas a.r fôrça,\· viw1s do País no momentoso assunto. A opinillo ,,,;. bUca, justan,ente desejosa de as.tociar·Se "º ,~stutlo da impor1ante matéria, se111ir-se-i<, profundamente d ecepcionada ,·om o a1,row1ção tle Códigol· que não refletissem aJ· ospiraçõe.,· das grandes ,·orre nteJ· ideológicas e das váricls dlls• ses profissionais ela Nação''.

Idêntico telegrama foi endereçado ao Sr. José Bonifácio, Presidente da Comissão de Jus1iça da Câmara.

Ta mbém a o Sr. Ulisses Guimarães Ao Deputado Ulisses Guimarães: autor da inicia tiva, o Presidente do Conselho Nacional da TFI' telegrafou neste$ têrmos: "M1111i/es10 llO ilustre ,·onrerrâneo o aplauso tlOJ· sócios. militantes e simpatiwntes c/esu, Socfo<lade por sua l,íc:i<la e valoroso inicimiva pedindo a ,Ji. lataçcio de uxlos os r>raZOJ· para a trmnitaçâó tios ()H>jetos til• Códigos ,w Cli11wro dos De· />utados. Só mravés ,le largo debau·. com a participação dt• r,)dos as /ôrçlls vivas da ,u,.

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donalhlmle. pod,•rúo o~· novo.,· Código.,· t!XJll'i· mir o <•spirito muc~llll('o ,lo IJrt1sil com,·mJ)O· rúm•o".

Postcriorrnentl! o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira enviou ao Deputado José Bonifácio Neto. da Guanabarn. o seguin te telegrama: "Fc-lid to colorostimtmt<· V. Exda. pela "J>rt.!· l·e111açào ,1': t111teproje10 pró1101u.lo J't:fa meses ' '" 1.lebllte na Cánwra 1>artJ cada Código. Purt•c.·e~me lm1>0:;·.,í vel tlt'libc•rt1r sôhn <> ;m,>Or· lllltl(' llS.\'WIIO e m p,•ríodt> mn,or''. 1

Aplauso ô direção da A RENA Aplaudindo ,1 atitude <la direção nacion:11 da ARENA, que considerou questão fechada a rcpuls-a :lo n,;1is recente projeto divorcis1;,1 do Senador Nelson Carnei.-o. o Pror. Plinio Corrêa de Oliveira e nviou telegrama ao Presidente da Comissão Execuliva daquela agremia· ção. Oepu1;1do Bat ista Ramos, bem como ;,1os lideres do mesmo pari ido no Senado e na Câ· mara Federal. respectivamente Senador Filinto Miiller e Deputado Geraldo Freire. Eis o texto da mensagem : "A Sociedade Brasileir(l c/,t De/esll da Tr<uliçôoJ F,,milia e Propl'iedtlde f1.1 lici1a V. Excia. pcl<, plllri6ti('(1 atltude llSSumfrl,1 em /<ice do projeto divorch,·ta Nelson Carn elro. Qumulo do 11u:monfo,,1 ahui• ro·assinculo em qut, a rFP c:óllu:u 1.042.359 as.sinawros <'m cinqiie,un dias, o povo brtl.\'Í· leiro jú e.tprimiu. inso/,'smtiw:lmelllc, :wa rt'· pulsa ao divorc:i~·mo. A atitu,/(, ,la ,Jire{'âo nad1J11(1/ ,la ARENA foi. asJ·im, recebida c·om, alívio t: fllegria pd<t maioria t111titlivorâs1" ,lo País".

de e rrado no regime do salariado. i: que êstc já e xistia naquele tempo, não sendo, pois, <:l:L· ractcrística exclusiva do rcgim·c capitalista (e assim se desmente a evolução apregoada p ela c:squcrda-c;,116licc1: servidão salariad o participação) .

A produtividade, da moeda O lucro é outro cavalo de batalha da csquerda-cat61ica, para quem o embolorado Marx é quem diz sempre a úhima palavra em matéria de cc,o nomia. Se é verdade, como ensina o Apóstolo, que "os <1m• querem enriquecer caem na tentação e no laço do demônio" Porque " a rcút, de todos os males é o amór ao dinheiro" ( 1 Tim. 6. 9 e 10). é claro que isto se aplica sobretudo a um rcgirn~. como o socialista ou o comunista. que põe a vida da a lm.1 cntl'c parênteses, quando a não proscreve às escâncaras. e vive exclusivan1ente para a conquista dos bens clêste mundo. para a aquisição dos quais o dinhtiro existe. Mas - pressuposta a moderação com q ue nos devemos valer dos bens terrenos. usando-os como se não usá..:;.semost se· gundo manda o Apóstolo ( 1 Cor. 7. 3 1) a moeda, ent re os povos civilizados de todos os tempos. 1em um valor de troca e um papel d: denominador comum da riqueza. que em !)i mesmo nada oferece de pernicioso. A rniz de todos os males não se ucha. no dinheiro, n·n1s no amor que lhe é de$ordenadamente dedicado. t bem verdade que há épocas e povos nos q uais a moeda tem um uso bem circ u nsc rito. sendo o benefício econômico caracterizado por outras modalidades de lucro. via de reg ra não provenientes diretamente da mo::.:da. como se dava na economia medieval, onde o lucro se at.·hava re presentado preponderantemente pela renda da terra. Tudo isto pôsto . levando em consideração o que Nosso Senhor ensinou sôbre a avareza e sôbrc o modo como devemos encarar as r i• q ucz.1s. o emprêgo do dinheiro como veículo dclS atividad-es econômicas é uma coisa perfci. t::1mcn1e licita. e disto nos dá exemplo a pará• bola do.s talentos; o Rcino dos Céus será "1,,·01u1J 11111 l,0111e 111 que. au~·e,umulo·S(• 1u11·11 /on8c, clwmou os st•us J·t•rvoJ·, t.> lhes emr,~gou os seus b<•11s. E dt•u " um ciucu ralentos, <' " outro dois. ,., tJ ó tllro um. e, cuclu um J·e1:wulu u sua cupadtlatie, e partiu imetlialam(.mte", N,1 volta. o qu:: havia recebido cinco talcn1os lhe áprcscn1ou ou1ros cinco qt1e havia lucrcJdO, e o que recebem dois icilcntos havia lucrado out ro~ dois. Ambos fo ram louvados e galardoados pçlo senhor. O re rcciro. que recebera um só t<lknto. devolveu-lhe ê.~sc mesmo rnle1110. sendo re1>re· cndido como mau e preguiçoso. ;1crcscentan<lo o senho r: ··,Jt,"i<J.'i. poú-. ,lar u meu ,liulwiru aos bcmqucâros ,,. ,i mln/u, volta. t•u terit, ,.,,cc· bitio <·erramc•nte c:óm juro o que cr<, m eu". ~ o servo inútil foi d u ramcnrc cast igado ( Mar.

25. 14-30) . O mesmo 1ema é abordado pcl.i parábola dos dez marcos (Luc. 19. 1 1-28). Destaquemos. nesias parábolas. dois ra10s que Nosso Senhor trata como nornlais: o luc ro que vem de negócios rcaliz.ados por meio de dinheiro ou do capi1,1I. e os juros que no~ podem advir dêsse mesmo dinheiro. Uma ter· ceira considcraç,ã o seria a de que é justo dar maior remuneração a quem se mostra mais diligente e industrioso ao manipular o dinhei• ro. e de que merece castigo quem permanece n,, ociosidade quando tem o brigação de fazer render o capirnl. O uso do dinheiro para rins produtivos tem sido um dos le mas mais visados pela demago· g.i;j dos c.116 licos-esquel'distas e dcmo·cris1ãos. Conde nam 1ôda e q ualquer atividade econô· mica deco rrente da livre iniciativa, aquilo a que dão a denominação pejorativa de inlerêsscs privaristas. como se o fazendeiro ou o industrial, po r exemplo, não concorressem para o bem comum com suas atividades lucra1ivas. Vemos, pelo contnírio. que Nosso Senhor cita como cois;, 1rivial o negociar com o dinheiro, dandolhe aplicação produtiva e. portanto, com êlc obtendo o lucro. o benefício que resulta das ativid ades econômicas. O dinheiro. em si mesmo considerado, não é fértil. Mas desde que empregado na aquisição de terras, d e implementos para a lavoura e pa ra a indústria . para o transporte d e mercado• rias. etc.. passa ~• ~er realmente produtivo. É o que os teólogos e moralistas medievais já proclama\1~un. numa época em que a moeda tinha um papel muito restrito na vida econô• mica. ao reconhecerem os c h amados títulos ex1rínsccos jusliíic,uivos do intcrêssc ou juro, os principais dos quais eram o dano emergente, o hu·ro n•.i·s11ntt• e o pel'igo ,la .rorte. Isto é. ··cada vez que no empréstimo ,·oncorresse oi-

gtona tft1.)' 1.:ircuns tci11ci<1.,· ;,rdü·uclm;. uu porqua lto,u•es!>'i! um risco ,w J'Otltt do ct1pit1.1I e mpr1.·.t· tado. ou pOJ'lJue o pre~·J(llnüw uo e mprestat o dinheiro tives.rt' um r>erigo eh! dano . ou ,Jeixm,·· se por isso dt• o bu•r um ganho Hcitô com S<'u ct1pital. podia. l'ln virtwle eless<,s ratcil!,\', ru•,lir um inu•risst! t•m s,·11 empréstimo" ( Pe. Joaquin Azpiazu, S. J., ··La Moral dei Hon,brc de Negocios", Ed. Razón y Fe Madrid, 1944, p. 109). É o que estatui o Código de Direito Canônico ao dispor sôbre os contrê1tos rela1ivos aos be ns te mporais d;, Igreja : "Se se t•ntrega a 11lguém u11w cois,, fungível. 1/t• tt1I sorte (llll.' passe a ser sua ,: que ,lepois sei,, 11et·essário de• volve r outro r,mto do 11wsmo gênero, não l"e pode (Jcrceber nenhum ganho por ruzcio ,lo mesmo contrato; mas ao e mpre,t l<lr uma ,·cisa fungível, mio é 1/e si ilíci10 esrivular o iuro le· gt1I. a m enos que c:011st1.' que é excessivo. e ,,,; um juro m11is 1.1/to, .re !tá 1ítulo justo e r>rovor• cionlldo que o cooneste" (cânon 1543).

• A verdadeira Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo , com suu doulrina de salvação, que não é de oqtem nem de hoje. mas de todos os wmpos a té a consumação dos séculos, qual nova Arca sobrcnada nas águas revóltas da apostasia d o mundo moderno. Bem rcíletindo, é coercnle que os pressupostos da vida económica baseados diri::ta ou indirctamenlc na lei na tural sejam combatidos por aquêles que se acham a serviço da RcvO• lução. tôda ela mergulhada no orgulho e na sensualidade. A harmonia social fundada nas lições hau· ridas 1anro no Velho quanto no Nôvo Testamento não pode ser acei1a por aquêles q ue partem de falsa doutrina de que a igualdade deve ser imposta aos homens. Depois de !)e o~up~1r dos diferen tes aíazerc.s dos que se de<lic:un sobretudo ao t rabalho manu:1I. .,ssim i.:on• clui o Eclcsiás1ico : "'/'<,)(/o~· ist,:s 1,"';111 C'Onfimt('ct na incltlstrla tlus stws meios. e nula 11111 t' .wíbiu na sua art,,. Sem Jódos <-:,we.\· ntiu :H' t·,li/kuria w1w <.·i lla,le: mio J'(' hubi1t1riu nda. n em st· 11m · J'c•11r;a; nwJ· êle.,· não <'11/raniu ,ws u.,·s<•n,bh;iil,,·, t les miu .w 11SJ'<•111<1râo na n ult.'irll do jui:_: e· mio e.1íl(~1u/eu io c,s leis d,, juJ·tira: miu t'll.\'Ít1m·tio c1.'i' r eg1'<í$ da mor<il. llt'm clu ,lin:i10, e' 11úa .\e ' admuio ocuputlos 1w in t<•ligênda ,lu.,· 1mrúh,,lmi: 1110!>' .,ó , esr,m ram tis c·uú·m · t/tlt' 11u.,·.,·cwt <·om o telHfJO . e' os J"<'t1J· ,•utu.,· .wio para / tr~c•ri•ut bem a obras ,Ju sua w·r,•: ; lt'S up/i('c,m ,,;sto " sut1 alma, t: prócurum vlv('I' Sc' J,ttoUI<> u lc·,· ,lo

Ecli. 38, 35. 39) . E.s1.:ndc.:ndo seu c1mor .1 todos o s honu:o:-. nosso Divino Salvi1Uor crn sutis p:u·álwlm~ m"u., 1lOS: c nsim1 o mcsrno ;1 rc:spcito da ,;ocicd"dc orgfmic:1? A llfasimo" (

@jAfOJLIC!§MO Mt:NSÁIUO çom APROVAÇÃO ECI.ESIÁSTtCA

c~m,pôS' -

E.'1-1.

do Rio

Diretor Mons. Antonio Ribeiro do Rosario

Oirctorfa: Av. 7 dç Setembro. 241, c:tixa pos1al 333. Campos, RJ, Adminisfr:içiío: R. Or. M3rtinic:o Pr-ado. 27J (ZP )), S. Paulo. Agente parn o F.!\1:ado do Rio: Dr, José de: Ofü·cirn Andrade, caixa postal 333. Cnmi>Os. RJ; Agtnte p:1ra os Estados de Goiás, Mato C ros.,;,o e MinllS Gtrais: Dr. Milton de Salte::;, Mourão, R. Par3íb:i, 1423, telefone 26,46'.\0, Odo Horizonte:; Agcntt para o &·rndo d:a Cu:m:ibar:"I: Dr. Luís M. Duncan. R . Cosme Velho. 8 15, 1clefonc 245-$264, Rio de J:1nciro: A5eenfc parn o Es1:ido do Ce:trá: Dr. Jost Gúardo Ribeiro, R. Senador Pompeu. 2120·A, Fom1lez:i: A~n:cs pam ll A.rgcnlina: ··Tradición, Famlli:i., Propiedad", Catill:i. de Corrco n.0 169, Capital Federal. Argc,u iil:'I; Agcnfc parn a Espanh a: José M3ría Rivoir Gómet, aparcado 8182, Madrid, Espanha. Assin:rfur:as :inu.:1i.s: comum CrS (5.00: cooperndor CrS )0,00: bcnfci1or C rS 60.00: grnndc benfeitor C r$ 150,00; scminnristás e cstudan,es CrS 12.00; América do Sul e Centrai: via marílim:i USS 3.50: \•ia airc:i USS 4_.50; outros paísts: via m:irilima USS 4,00: vin nirca USS 6,50. Vcnd:i avul.s,'l: CrS l ,SO.

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l OF. DEZEMBRO dt 1804, N•P<'· Ido toi saxrado lmpt:rador ptlo P apa Plo VII u~ Cattdt.;.1 de Nolrt•Datnt, cm Pa· rb. ~u podc-r panela c:on.-wlldado par"- ~mprc. Vcnct.-.. duns collgaçücs das (:randti.. Potênd:u curol)ti:tS e só 11 JnRbttrrn ous:n·11 aind• combnt~·IO nbcrli:uutott. O próprio govêrno lnilês, opeS1lr d<> poderio nav~t de que d.ispunfu:i, mosfruva.s,e menos agrtssivo do que 11ntts. porque a opinião ºpúbtlt.t de stu país

J' mio ~.coanpanhava com a me.sana

dcds:io o.s líderes polítlc:os que ~-ustcotava.ru u ne,. ccssidnde de ·continuar combattndo os crros rcvo.

ludonâriOs Que os exércitos de Nap0ldo semcuvrun por tôda onrtt.

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MORRE EM VIENA O PADRE LUIGI VIRGINIO

Aprovcitnndo-sc dessa~ condições ·r~vorávtb;. conctbcu o hnptràdor dos fronce-5CS o projtlo de lnv11dl.r as Ilhas Britânicas e deu logo l_níclo :1os prepán•Jivos para um dcscmbarquc. Sun marinha cm J11sufkkntc p11m a.sscgurnr o transporte dàS 1:ropas! m.us o 8ei da E.'ip3nha, Carlos IV, que St corn::u··.i seu allmto. consentiu tm ·ctdcr a frorr, espanhola parn o :iu;dllar n:a lnvasâo. O sonho de vt11cer :1 Jnghderra, stmpr~ ltt'àknlado por Napoleão. p:.lr\'· d.- ler ~Jtora p<>s.o;lbllldndes de êxito. Os dCsias(rts navals fronco-c.spimhóis de 1805 , ltum &1r nôvo :1ft1lto ;'aos pnist.s do continente. A Áustria, a Rú..-.sla, o Reino de Núpolcs e a Prú.-.$1:i tormàt'.1111 a terceira cOIIRnç:io eóntra a F rnnta. Mas cm IS de outubro de- 180S o exi-rdto :m,çfrfaco trn derrot:ido t-m Ulm, dcbrnndo abcrtns a., Porias dt \'km,. que fol fàdlmt1He conqui.)1adn )X'IO lnlmlt:o . Stls dia.~ depol'i, Napok:i.o sotria um arnvc revés. O Almlr:mlt Nelson dtsb:1r:d11va rompletAmente n e.squadra fr:incc.sa na bat:1lhn de Trnfolgar, tom~rl• do hnpossívtl, dtsdt- tnf;to. a çonquishl d:1 lnt:lá· <cm,"!. Aninll.ldà ptl.i>, vitória ln1dcsn. n Á u..«rll.l, au~I· liacla pelos rus.-ros. t'Ontlnuou r. rtsistlr, upesor do perda dt' Viena_, nms foi nov:tnltt1fe dorrot:1da ~• 2 dt dc-1.embro, em Aus1erlll:z. O lm~r.1dor ºFranclsc-o li. fortndo a ncs.todar :i pilt_, C:On.stj!;ulu recupernr Sú.a c:ipUal, nms tue que rtnunci:.ir a qualquer Jnnuência n:t Alrnianhã, bem c:omo c·C'<le-r Veneza ao Rdno da Itália.. Que tntiic. .s<' forrn:1r.1. t' toruentir ,m deP-OsJ(io dos Bo urlw1L, e.te Nápoles. substituídos no trono por José 'O-ou:·,. p:trlc. O Sacro Império Rc>uuano-Altm:'io. jíi cOIU· balido, perdi:, com tSSM otgod~tões 0.11 úllimo.s domínios Que r,lnd:1 consco ?..va ' for;, dos terri16rlus .:111sfrv,,húns:nros. No :.mo sel(ulute., Napóle:ío lmpch .:, s ua extinção e 1-' rand.i;to li p:L~Ou :a irllilul:1r..~t- :1pe-· n;.1.s lmpcr;1dor da Á~"'tri:1. A Revoh1ç--:lo c:01.1St~uir:1, assim, di:sfrulr t-m pouco tempo o Império qut" o,il :.nos nule-s n fgreJn 'l11.$l:mr.1m rom :, Côrô:u,·:io tk Carlos Ma.tno. 0

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A SAN'rA IGRF.JA ÇalÓli<> Apostólico RO• mana socicd~dc pc:rkita fondada por Nosso Senhor Jesus Crl.\10 p:1.r~1 dl$1ribuír aos ho· mc:ns os &utos d:a. Rtdençiio trnzld:1 ·ao mundo atrnvfs do Sac1'ifício do C:::.h'firio, LuzcJro d.1.s natões, nad:t Lhe, fall3 para cumprir t.ssa missão, <', mui. to embora stJam dis:ti.ntos os t"ampos tm qut o 1•oc1cr e.spiritual e o Podt:r ftmpor:il de~n\•Oh'ent sun açíio, têm os &°lados n;io sõmenlc o dever dr não Ct"t· cea.r a liberdade da E!,'J)Ô.\~ dt Crii."to, mos tarn~m de ra.vortcer por todos os meios o desempenho de ~u divino mandato. t mpbmt:ada no mundo erist~o :.t peste dó lalt"lsmo, não tnrdou A surgir a t~~(le, daqutlc:s que - nâo t"Onformndos com :l lll31'1:inalf'L.'lç5o da Jircj:1 e. por ºfalta de c.sp(rUo d e ré, não upac:itados de que Ela traz dentro de Si pr6pri:a a divina seiva de "·Ida :acham que ll soluçio para a Es-p-Osa 'dt C-ri.tCO f llJtllrrnr·St" aos regime.~ polítl«>s e Sociai.s vigtntt$, como um.a Crcp adeiru qut n;lo pode p :\SSIIY sem algum .\'l1Porte :a e la e,'1.r:rnbo, p-.tra txpandlr•St e vicejar. · Tivemos, asslni, no sfculo p:1S$1do o llbernlis:mo, que causou vtrdadelras dev:astatõts nas hOsfC'S do laic-ato e do Clero. Os católitO.\...llbt-rai.$ tudo fh:cn1m p;ir:1. quc. 11 lgrcJ~ Se ap,ol:1sst" às mu1cta.t tomeddas pelos princípios de 1789, niio J)Oupand() Insultos ... tóda. sot1c de iolpts p~1r.- rc<luz1r ao sllincfo aquêles qut, s<>b a b:mdeirn 'do uhramontanis:mo, lsto é, da f<'rvoros:l adesão ?li San1:a ~ e à doutrin11 católica. rejeitavam C$S$1 õ)>Úri:.1 alianta entrc. 3 Jgttja ·e a Revol ução. P::tladino dn cnus::1 da ortodoxia, eis como Louis Veulllot era tn1tado ptlo liberal Bispo de Orltans, Mom;rnhor Dup:an. loup: ;'Vós "ºs tonctdcLs. na l{trt"j.t, uni pap,cl que não m sb f tolc""vel. 1- .. ) Acuso voms U$UrpO· çôrs sôbrt o Episcopado e ,·oss.'IS p,erpétuas intrusões nos mais grav('S t: m.1ls delicados negócios. f ... J Acuso~vos de ae~ar. de ln~-ult:Lt e de tnluniar vossos lrm!i.oy 113 F,: :a palan;.'I dos Linos Santo$, 1 'atcusator fr::itrum". n1na11~m a mert"<"e mais ·do que vós"' (apud F.mm.noutl Beau Lomlfojt, "L:t Rdt:1ura~ Oon Manqufe'', Ed. dcs Portlqucs, P rzis. 1931. p. 42). E npc.sar do ..Syllabus" e da Enc:ídica "Qu:mc:1 Cura"' de Pio IX. da Endcllca ''Uberlas"' de l. c:,o Xltl. r de inúmc.-ros outros cn.sin:unentoi t (Onde· na('Õ<'S cman:1dos do Supremo Ma~t.,;tério d:t l 5:rej:1, a J)r~a do Ubtr3Usmo conllnuou a grassar tntre O$ t"atóllcos, co m lamt"nt,vt-ls rtpercussõts tm prl·

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UMA TENTAÇÃO QUE VEM DE MUITO LONGE

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tssc.s grnns .ic-ontcdmentos n:io p<>df:1m dtixar de repercutir nas ··Amkl~e·\ lôd.u lo<':ilrlnd11s nas rt-~iÕC$ cm que ilcs ~ p~-:1vam. Apc~r dt serem sttrecns, n nçio tontrn-revoluclomirl::a qut" de.senvbl· ,iam no h.•rttno d:is Idéias ·c1mm:avn sôbre tlM ~ ntcoção do invasor, o qu..- :t.S obrigava :1 ma.lo• rcs t?.ulefas em seu :tpoSIOl:tdo, AIC:m disso, queslÕC.~ das m=ils urgente.~ :ru.scUndns pelas d..-sordcn.ç qut o exército fr:incê.f dlsstmlnava Por côda p~Ttc, cxl· ghun dos Amlgos..crltl:ios um dtspcrdklo de t nt"rgias que os desviava do principal obj,clivo dis "AmkWe". Na lt~Ha. o P:tdre L3nlerl soubtrn con. tom:ar a situaçiio e os .sodalklos da Penín_,".tlla (ora111 menos prtjudlt:ados pelos :acon1tclmcnros políticos. F;m 'Vlen», p0rtmJ as coMeqüêndas for:.1m eati::i.)tr6íkt1.$ n&io só p~r.1 o apostolndo, como tant· bc:m p.in. ;t vidu lnttma da "Amldi.la''• cujas reu· n.iõcs não pudtr1".1n conllnuar t om o frtqüêncla. a rt'gul~Lrid;ulc e o Impulso com q11t atE \'nf;io t"ram rC;LUU1d11s. Todos t:5.st"S mtdcs c:ulmlnanun cOn\ :1 morte: 'do P:1drt Lulal Vlt1tlnio. A exemplo do que flur-..1 o Padre Oitssbnth tm Nlct-, logo qut se- lns1nlnnuu cm Vien~ hospitais destinados a 1rn1nr dos soldados fr:me e;çes (tridos cm comb,1te o -Pãdre Vlrglnio se apn-s cnt3rn para culd:ir do corpo e da nhu;a dês.ses loJelb:t"s. As pés• sl.tn:.i.s condiçõts de his.ttl'nt que rtin:,vum nesses tShl· bclecimcntos: de emergência favorcci;am :a. eelos~o de epideml:,s. O P,t<trc Vlrgl_n io foi ::.itinitido pelo tifo que Irromp<'u no hospil:11 tm que lrab:dh:1":.), vindo il fale-cu n 31 de dezembro de- 1805. O s Aml· gO.\'o<rLsHios stpult:m:uu-no no cemilfrio de M:1rl:l f>:n7,trsdorf, onde jíi rtpousnva seu mtsln, o P:.,dre Nh."Ol:1u de l>ie$sb:1ch, • Morrc-ndo :,,.os 49 :mo.s, o Padre l.uig,I 'Vlri:lnio dtix:1va :.1lndà incompleta a obr::. lnid:ld:t p-tlo P~dre Oics.~bach. ·;\ qu.d deditan1 tôdn su:-, vld:1. Sua tl'.· tele11lt rormtu;ão 1col6gica, stu "Lélo lnfoUs:6vel pcl:1 rs;reJ;) e suãS vlrludes eram porém conheddos 1>0r lodos, t' lodos rc-tonhc-ci:m1 ter sido êle um dos prindp;1b: propulsorts dà '' AmkbJ11•· e de todo ·o bem que cl:1 t"óus:c-guirn :uf cnt;ío rt:111-t :u. "Mlsslonário" dC$Cle os primórdio~ da socltdndt, 111~us rtl:,16rlos sôbrc- :as possibilidade,\' ºde fund?.ç:ío d(' núéleos nns cidades que visita":' crnm preciosos p.t.'l:.1 p.t.'rspieftci:1 d3S obstrv:1ÇÕ(!s, e crn exímio seu lrnb:alho dt prcp:1r:1ção do terreno p:arn o :.1postoh1do. Foi o fond:idor dns pr6spcr.1.1 11 A111icr/.ic"' de Milão t' f'lortnt.i, e o pr6prio "L' Apc'\ um do.s primeiros jorn;1ls càlólicos que :ip:uectr:'lm ·na Europ:,, muilo dtv't :l .l-eu t-stimulo e :io entusiasmo que conseguiu tr1tn~mifir :.ios ~us fu ndador<';<;. S,m modi$fi;i le"ou-o

mt"lro lug:..r na , ·Ida da.,; :limas r, t'nt segundo luxar, na vida poHtita, sotl111 e «onó1uk:1 dos t><'VOS, t fácil de dcmon~'1r.ir, e os IMOS: históricos o oorrol:H)r;un. que àlr:1vés do Hbtr.11l-imo ::a Joulr1n:i de 1789 lendla ao est:1ti.smo e ao próprio .sodaJi.s...no, i.sto é, ?, .sufocar a Je-gítimn liberdade dos Olhos dt Oeus. como :.IUís n:io st t":ms,rnm 'dt- 11d"trtir os Soberanos Po,itíA('CS que se ocupar:un dos erros liberais. Pois btm, n:io :apenas por "ia de oposlt.:ío :a ê,.,çfes erros no t:imp,o cconc)mico, nH,s sobre(udo como dctor't'êncl.a dêlcs no c~.mpo rcllttlo.so e- ruosófico, nosso século viu surgircm os horrores do tomunismo, que, á partir d:i ·Rús.si:1, ,·iri.a :1 :une•\Ç:)r lodo o orbt:. Corno stmprt a('Ontct"c nas f:u;cg violentos da Rrvolutüo, houve então s:r:rnde.s crlsi:lllzáS'ÕC!S n:1 opini~o p(lblicn m 1111di;1l1 scguid:r.s dt promissores frupctos de rc.i('iió contra·rt"olucionJi.rin. P!lr:l dt_ç. "lar cavorlcirurnente essn lcJtithn a rc:\('ÍÍO nnticsquer. diSl;1, surgt primeiro o f!I.S<'i.smo t tm st-~uld-'! o n:.11.b,no t'omo "'º"imtnlo,; que se diz iam 011taniz3dos p:11:1 opOrt"m um dique h exp~ns!io vtnntlha , Sutdo.s à ''º~ daqucle,s que :alcrh1v~n1 ;1 opinião púb11c-a qua nto ,·, o íundo .soci:11istà, C' potfanf o tOl:.'.lllt:irh), t?,.nto do f:L'itÍ.Smo qu:11110 do oa7,lsmo, os p:irtidi· rios das m.ulN::i.s ore:retid:is po r essa fnls:1 dirc.il:1 empttendcrnru :1 n1áiS vlo1,cnta e a nutis ,·entnos:1 of~nsiva pura í:n:tt e;il::c os que ~ tnOsfr~w:m1 fiéis à doutrina tátólicà, valt d lier, aos d::idos que nos s:io perentm<'ntc fomcéldos pcl11 Re"t"l:1ç:io e pela lei 11:1tur;1I. Quem, quiser conheter import:i:ntcs 11".Jl(t..'i' dessa rristc rase d.a hb16ria t.-onte-mp<,rJni::i d:1 1,:reja, PO· derfi compulSar une:. tolet3o do "t,cgion:irio'' du· r:mte o 1empo cm que o iom:11 d:i Arquldlotcs~ de São Pnulo e.i.ttve sob :, s.1bi:i e brHh3nre dlrcç;io do Pror. P llnlo Corri:• de Olh·tir:t. ou seja, no período qoe v:il de 1934 a 1947. t•:xt'mplllrcs do "1..c,:ion:írk)'" devolvidos à red:1('Úo ·acomp:i.ntrndos de ln0:1111:id:.i s e dcstortc,sc.s t"~1rc:as de c lériaos- foribun• dos. ('en3s ,,cx:uórl:t.s de S:,ccrdotc.s qúc m.sg1-."•un 011 pisolc:1v~1m o jo m:'11. cmnp:lnhr1s or., de silêncio, or:1 de 'diímm1çfio. tis o <·loqüc.nlt norllé5:lo de fotos que podemos ott-rtar ;aos nossos le itorc.~ romo cxcm. pio da :-ir11aç:io dos católicos p!lrtid~rios d~ íórmul~ "fl'tp;tdeir~,... nc.s.sc perfodo em que o mundo eorreu o pcríRO 'de ~ \'t"r domin:,do ptla fals:i direita pscudo~~1nticomunistn. 0

:1 r«liRlr multo slntCIIC'~1menf«' a relaç:io dt su:1 e5t:ldla tm Pári.s, onde dt.'S('n"olvcu um nof6vcl :1pOS· tolado. Além de fundar a li :a ''Amicb.l.â". depois dcstruídij ptla Rtvoluç;ío, (of tflcitnk eol~borudor do P:idrt de l.a Clorivlere, cujo nome f bC'm ("()nhe~ cldo n:, hlstórL"t do Cntollebll,o (ran(t,s do ~tulo XIX. Quando v. Revolução lm~lu·O dt contin11:1r o trn.b:::.lho pt"l:) " Amldtl.a''. Vlrglnlo uniu-se uos Sacerdotes qu«', vivendo m1 chmdestinldade, tnírtn• tn,·=im o 6dlo dos rcvoluelomídos pàra conthrnílt e xercendo o mlnlstérlo. N::1da melhor do qut o depoime-nlo dt Siio mente M:1ri:a Hol'b:mcr par.a mt"dlnuos ~m o v2Jor do Tadre l,uigi Vlrginio. A.-.Slm se rektiu ,1 êle o S.-nto rcdcntorL-.tn, cm e1ar1n :1os Superior ts: 0 0 S.t· ct"rdole de- Oeus, cuja curta en,·lo com cs t~,. f um digníssi1110 vllrüo de- OOSM>S 1empos. NQ vcnl:.de, n;'io o couhe<;o pcsso;1lmt1\fe, ml.l.S mnncenho com i lc unm :i.ssídu:t corrtsponclênela; no fr.Ho dos ln· tcre~s da ltnja. já há anos, existe entre nós uma uni.ão profunda. Crnncfe f seu zêlo, t1dmlrlivtl su:i prudência, n ot:í"el .Stm cihd:t. e su:1 humildade ,·irtuc:k que níio coS1m11a ser rr...q:i:itn1c em littr:1tos - é sum:untnCe di,i:na 'de lmlla~ão. t tfio proíundo cm f11osorl:1 e, espul:dmcnte, em teologia, qut hOJt" tm dia mal h :tvtcl na f:taropn quem o suptrc , •• t sinctríssimo 11m1go e bcnítltor de ·noSSl1 Congrc-. catão, e irnnde devoto dt nos.10 Ventr:lvel Pnl". O P.ulrt Virglnlo dt"ixou como suct.$SOr em Viena o P:ulre ·w ngncr. 'que quase n5o conhecemos. Pouto :mies de morrer, fôr:t lnform.-ido pe lo Prior Ric:.1soli de que :1 "Amklz.ia" de Floren(a t"St-.-va em sérias díficuld:1des fimm«lrns, o que o levou :i deixar cm ftsl:1111t"nto certa qu1111tla p:1ra $'1' dlvJ· dida entre tia e :)u;1 ro-lnnã dt: 'l\1rirn, O fü1r:io Von Pcncklcr escrt"veu :to Padre- Lanl<·· ri e<ununk:mdo Q falt" clmtnlo do Padre VJrg.inlo. €ntre :un bos $C c.st:1btlC1:eu tnhio uma corrc~pon· dincl.a que, por r:w:ôcs que d,sconhccen10S:, fol-n c-spn~·ando ~1tf c~:t.r por c-omplc:fo. Tah·tt mi dit1tnldJidi:s pOlil.icas cc-nh:im impc•dido uma r..ç-ão co• mmu entre os núc leos sediados c:m rcgiõc:~ dn Eu• rnp:1 di"id)dn:; pe-1:ls Jtutrras cc,n1h1uas que NaJ)Olt:io m:mlcvc :11é 1815. A ''Amlcl"th1·~ vkneust nt10 1:1rdou cru ·des;1parcttr. mias ~ st111en1e lun('v.d n pOr cl.:t n:·1 .\usrrfo írlltificou. "-'1::ils rnrde, norcs«rá em Vlen:1 o f1d1uir:hel :1pO$IOl:1do de S:'lo C lemente- M:.1rfa Hoíb:mt-r, f:unbé-111 distipulo do P:ldre OiC).~b:u:h e: m1tii:o Arni~O·t.·risl:io. que conHnu:1rá a obrn 'de ;)t'U ,nestrc t do dkienlc colnborndor- dt.\fC, Prtdre 1.ulgi Virl(lnio.

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Fernando Furquim de Almeida

Tcm1ln::ad.:1 11 stgundn gue,rra mundi:.ll, no número d o "l.C'j;ionário.. cm que r~umlmos 1ôda " ll1uat;'io d() jorn:11 dur:i_n le o conflito, protlarnaruos ,ue, um:1 ,·n csm:1gado.s os exércitos do Eixo e pass:.,da a ond::1 na7J. (:Lo;:cb1:1, es1:iv:1mos d~,çp0$10S a cnírtnlar o inimigo que cnt~o J,,-Urg,l:11 tom 2.spcc10 ('11da vez m:ils :mtt!1ç:1dor. no horizonte: o comunismo com tô<fa a seqüela d11s drias gam as dos movlmcnlOS csqucrdb1as. Citamos. a liás. ,.nids de um.a (tlf:.i., o dlscur.ro pronunt"iado por Gocbbcls poucos dias :mtts da qucdn de Be:rlim, no qu:il rlc dizl:a que o fll12.ismo, embora derrotado pehiS ann:1$, 2cab:1rla por dominar o mundo :dra,·f~ do sod:.Hsn10. Com deilo. só a m:-ils complela ceJCuelra ou m~ fé ~ ri:1 càpaz dt" i...,·nr um;1 pessoa a :,iccilar o cmbust.e gro.sstlro dt strcm o n:.1:zl.smo t- o íàseiSn10 armas adcqu11dns parn o comb;He :ao comunismo. ~--ramos aiora c:m p ltn::i (il.~ tm que os adtplOs d:1 fórmu la ·'trepadclrn" ludo faitm por "er ll h;re· jll arrlmnda ;to regime comuni$ta, ~ja flt" m.aois:ta, trots kist;1, títof.sta, íidelltta, 011 :dlMdlsl:i, t :a,pOl:ida ati- t"l11 mo"imtnlos ferrorb-1.aS. para ajudar a hn• planl:tr no mundo o que ·querem raztr crer se:j~ o ld('al d;, mal.$ pur~ justiç::i sodid propuRnada pd:1 doutrina c:1tóllc:.1. Tal como ao tt-nipo do ch:unado Catolidsn10 llbcr:1', os 110\'0S Mon.~enhOrC$ Oupanloup surs:trn de dedo ('n, riste para :ilertar os riéls tontra o Pror, Pli11l0 Corria de Olivtirn e a TF1\ ºque nfü> tf:m dt-ltga(:io p~r:, falar cm nome d:a Igreja e não podl'.m usurpnr íun,:ões qut, de direHo, c:ibt"m 1110 Eplo;cop:i-.do, Em vão explie:11110.o;, nós d:, TPP, que nu.ntl.l nos nrrog:imos o papel de nrnnd:Uárlos da S:agradà H.icr:i_rqui:.1, nu1.i; que a2lmos como 'slmplc.-i leigos, ·sem ocultnr. embora, o glorioso IÍlulo de católicos em noss.·1s "fivldadcs no seio d;~ convul.si<>· nada socit"d:tdt de nosso di:.lS. À hn dos prh1dplos que ~prend<'mos no amor<>· so regaço dt- nO..'!S:.J M:ie ;1 s~ulf:.1 lgrtj:.l, repudl.:1111os tôdas C'.)."ii:'.IS :1Hança.'i' C\l)úrias, tk:nunct.unos tôdns C8SUS te111.a1ivns "eladas ou :•hcrtas de :11:rel:\r :, f:Spôsa de Cristó uo C:'ir't'O d:t Rc:,·o lut:ío Igualitária e gn6stic;i, seja qual fõr f) dl-.!P.r<'t com que, i.sse monstro ~·urja pum tn~a1rnr as "lmas,

J. de Azeredo Santos 7

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AfOILICISMO

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JOVENS TOMAM ATITUDE ANTE DECLARAfÃO SURPREENDENTE DE BISPOS DA COLOMBIA A

C,\ USOU PENOSA impl'c:,.:-:'10 cm h1rgo sc1or d.-. opini:'lo l.':ttólicn tl:1 Colómbi:t ;1 public:,çáo. no di:1 7 de m;,r._:o p ,p .. de um pron\tod~mcnh> d:-, Coo,iss:·10 Pcrm~rncrHc do E1>ÍS1,'0J):u.lu Colombiano-. fa. vor;i\'C;I às. rdorm:·1s de c:-1,utura ('. (k m o(10 c:-1le',1,'ilko, à :u:<!'kraç;i.o d:1 rdornm mmíri:i. A 1uo1>&ito a Juvi:.s rum, li,\ CCJ· P1<ó-C1v11.1l.AÇÃ0 C 11:1sr,'. d<· 8<>· ~-01:,. e o GRUl-0 TkAOl('IONAl, l!,,'1'A Qli. JO· vei-..s Ck1STÂOS Co1..0Mi11ANO:-:, de Medellin

1.ÓMRI.\

v;1loros,vs movimentos de leigo:- c;11V, li,..-o:,. qui:. comv ~ s:1bc, pti"lpu~n ;un o:mc;Sm~ idc:,is que :,s TFPs br:1:,ikir:1, :-irg('ntin:,, l.'hilcn., e urugu:,ia ch:t:11n ;a lume um wmunit.::1tlv conjunto ;o.ob o li· tulo dl· ··f;. líci10 no:,. católko:. l liscol'd:u d:l lei dl· rdornm :11:,nírfa'!" Public11dl, no., prind1>~1i.:- jornai~ do p;1ít-. a :-.:1bêr, .. E.I ·riempo·· e "E.I l~pcd:ulot'". lk llol!,:il:í. c "EI Colombianl)", de Mcdcllin, o d o,;a.1, m.:nto Ú:vc ampl;1 ,cpctcu~'1<1 nós mci(I:,. -

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cntu~iá:-tic<>:. aplau...;os 5mt ,;:u nâ1' tt1 e de• ,;1s.., ombto. Aptescnt;·,mo:-. :1qui ~, tr.tduc:"10 de -.cu tc,cto: ..À

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A respeito de SANTA TERESINH A oo Mr,N1No Jusvs como Mestra de noviças, escreveu sua irmã Cclina - Sóror Genovcva da Sagrada Face - q ue foi também sua noviça:

EGUNDO o testemunho que ela deu de si 111es11w, quando se tratava de dizer a verdade a Irmã. Teresa do Menino Jesus 1uio recuava dia111e de nada e não tinha médo 11enltu111 d,1 guerra. Se <-wa necessário repreender-nos. ela ,uio pvupt1va suas f6rças. Vejo-a ai11da, tremendo de febre, a garga11w en1 fogo, nos 1ílti111os 111escs de vida. euconlrtu· de nâvo rodo o seu vigor pt1ra censurar e casligtu· w,w noviça. Nw na dessas ocasiões disse-n1e ela: f: preciso que eu morra co,n as an uas ,w mào, tend~ na bóca "o gládio do Espirito, que é a pt1lavra de Deus" (Ef. 6, /7. e Regra do Carmelo). - ["Conseils et Souvenirs", Carrnel de L.isieux, 3." edição, 1961, pp. 9-1OJ. .

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ORAT ÓRIO DA 'fFP CARIOCA. A cxcmplÔ Jo que rizcntm em Sãv Paulo e Belo Horizome o Conselho Nacional e a Secção mineira da TFP, a Secção da Gu:.111abara daquela entidade vem de instalar em sua sede d:l Run Cosme Velho, 8 15. no Rio, um or:\lório que dá diretamente para a via pública. Nêlt st veneta r,ma ima,gcm de Nossa Senhora Aparecida. Ra inha do Brasil (fotos). A inauguração deu-se pot oe,.;isifío da novena de orações promovida de 4 a 12 de maio peln TFP. no Rio como nas outr;\s cidades onde tem sedes. para pedir a Nossa Senhor:"l que aptesse o cumprimento das promessas de Fátima. O or::1tório permaneceu aber10 durante iodo o mês de maio e deverá rcabrit -se nas princip:,is fo1m1s mari:üs.


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São Tiogo o covolo e armado timp,ono rornônico do Catedral compostelana. Em cimo, morco

dos peregrinos de ComPostelo. no entrado do EsPonho por Ronces· volles,

Sonete Jocobe, Apostole Christi, oro pro nobis N EL NOMBRE dei Criador e l'apostol santi Yagüe,/ feridlos, cavalleros, d'amor e de voluntad - Em nome de Deus Criador e do Apóstolo São Tiago, golpeai e feri, ó cavaleiros, com gôsto e com vontade" ("Cantares de mio Cid"), bradavam os soldados da Cruz em terras de Espanha ao investirem contra os inimigos da civilização cristã, os sarracenos. E não raras vêzes, no ardor da pelêja, quando a batalha parecia perdida para os cruzados, eis que surgia, revestido de resplandecente armadura e cavalgando fogoso corcel, o Bem-aventurado Apóstolo São Tiago, o Filho do Trovão, Boanerges, como o apelidara o Divino Mestre, a pôr em fuga as aterrori7.adas hostes agarenas. Especial patrocínio dispensou sempre o glorioso P rimo do Salvador às terras hispânicas, as quais em vida evangelizara. Pouco tempo depois de sua morte, ocorrida em Jerusalém por mandado doíníquo Herodes Agripa {que fêz dêle o protomártir do Colégio Apostólico), piedosos discípulos transladaram-lhe o venerável corpo para a longínqua Hispania, onde desde logo passou a ser cultuado. Com as sucessivas invasões da Península, as santas reliquias foran1 escondidas para não serem profanadas, e delas se perdeu notícia durante séculos, até que, em 813, por intervenção do Céu, o tú,nulo do Apóstolo foi descoberto no lugar que, sob o nome de Santiago' de Compostela, se tornou sem demora um dos quatro grandes centros de peregrinação da Cristandade, ao lado de Roma, J erusalém e Loreto. O Papa Calisto II - que, sendo ainda Arcebispo de Vienne no Delfinado, visitar a o corpo do Santo Apóstolo - em 1119 outorgou a Compostela as graças do Jubileu, e isto dois séculos antes de sere1n estabelecidos os Jubileus romanos. Alexandre III, em 1179, confirmou e perpetuou êsse privilégio, em virtude do qual todos os anos em que a festa prillcipal do Apóstolo, fixada em 25 de julho, cai cn1 domingo são, em Compostela, Anos Santos, ou seja, anos de graças especialíssimas, de indulgência plenária, de remissão de pecados reservados, de comutação de votos, etc. É o que ocorre neste ano de 1971, razão pela qual "Catolicis1no" se associa às especiais celebrações que na suntuosa Catedral compostelana se desellvolvem em honra e louvor do Bem-aventurado Tiago a quem, com seu irmão João, o Evangelista, e Pedro, o Príncipe dos Apóstolos, quis o Salvador associar à sua Glória, no Tabor, e à sua Agonia, no Horto das Oliveiras. Nestes dias de tamanha e tão universal tribulação, em que inimigos internos e externos ameaçam a Santa Igreja de Deus, invoquemos com Dante "il barone per cui là giu si visit a Galizia" (Divina Comédia, Paraíso, XXV, 17) .

N.º

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JULHO

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OS CINCO GRANDES PECA.D OS NA HISTÓRIA

A -

LEI DO CRESClMENTO DA SANTIDADE E LEI DO CRESCIMENTO DA JNIQÜIDA· DE NO TllMPO. PECADOS DE INDIVÍ· DUOS, NAÇÕES E CIVILIZAÇÕES.

CRIATURA HUMANA, composta de um princípio substancial espiritual e de outro, material, é por êste sujeita à temporalidade: sua formação espiritual, sua aquisição de conhecimentos, sua possessão de bens

A

materiais e espirituais, enfim a constituiç,ão da

personalidade do homem se realiza ao longo do tempo, mais lentamente ou mais ràpidamentc conforme o indivíduo. Esta le i traz em si duas conseqüências: a) Se o homem é dócil à graça de Deus, ê1c cresce em virtude e em conhecimento e

entendimento da Fé. Deus o enriquece na graça. b) Se não é dócil à graça divina, êle decresce cm virtude, decresce nos dons do Espírito Santo e tende para a perda dos mesmos, e passa a crescer cm iniqüidade. Quer dizer: pela lei da temporalidade a que está sujei1a a natureza humana, o indivíduo não pode estacionar na virtude, ou estacionar

no pecado. Diz a Santa Bíblia: "Ma.ta vereda do jus10 é como a aurora, cujo brilho cresce até <> dia f1/e110" (Prov. 4, 18). E isso também se aplica a Nosso Senhor Jesus Cristo, que, sendo o Verbo de Deus humanado, é verdadeiramente homem, e portanto eslêve na terra sujeito à lei do tempo. Por isso diz o Evangelho: ''E Jesus crescia em sabedoria, em idade e graça. diante d, Deus• dos homens" (Luc. 2, 52}. Do que foi visto acima cabe concluir que a causalidade ·ao longo do tempo é cumulativa: atos bons são condições e causas para novos atos bons, fortalecendo assim o habitus da vida

viduos superiores, assim como das famílias superiores, induzem como causa formal, extrínse• ca, como exemplo, a virtude dos inferiores. Bispos e Príncipes santos são bênçãos de Deus para os povos e nações. Pelo contrário, a iniqüidade dos maiores é a maior desgraça de uma nação. O Espírito Santo, falando pelo Profeta E lias, assim amaldiçoa o Rei Acab de Israel: "Eis que faroi cair o mal sôbre ti e arrtmccirei o rua posrerldade, e matarei todos os indivíduos do sexo masculino ela casa de Acab [ ... J porque Me provocasfe ,l ira, e fizesfe pecar Israel" (3 Re. 21, 21-22). O pecado dos grandes é particularmente grave, pois além da culpa ser maior pelo simples fato da maior responsabilidade inerente a essas pessoas, é consideràvelmente agravada por se tornar ocasião e causa exemplar para povos e nações ioteiras caírem n11 iniqüidadc. Vejamos com que palavras o Papa São Leão II (século Vil). décimo Sucessor do Papa Honório !, invectiva êstc por ter prc.stigiado o Patriarca herege Sérgio e favorecido a heresia na Cristandade. D iz o santo Pontifico de gloriosa memória: "A11atematiu11nos também os inventores do nôvo êrro: Teodoro, Bispo de Phara11, [ ... J e 10111hém Honórfo, que não ilustrou esta Igreja Apostólica com a dou,ri11a da tradição apos1ólica. mas permitiu. por uma traição sacrílega, q11e fôsse maculada a fé imaculada" (Den1..-Sch. 563). Os pecados de povos e nações estão ligados a pecados de indivíduos e famílias colocados nos altos postos da hierarquia cspirilual e da hierarquia temporal. Pecados de Papas, de Reis, de Bispos e Príncipes, pecados de superiores, induzem muitas vêzcs processos de de.. cadência ao longo da H istória. Nunca o pecado de- uma nação, ou de uma cristandade na H is• tória, deixou de estar ligado a uma grave iniqüidade de pessoa ou família de alia categoria.

8 -

PECADO ORIGINAL: PECADO DA HUMA-

A

virtuosa.

NIDADE.

M uwtis muu11ulis, podemos dizer que para a iniqüidade também funciona essa lei da temporalidade: a causalidade no domínio do pecado também é cumulativa. Sôbre isso a Sagrada Escrítura tem outros trechos não menos eloqüentes. Diz São Paulo a respeito da iniqüidade no mundo pagão: "De modo que são inexcusáveis, porque depois_de terem conhecido a Deus, mio O glorificaram como D eus ou de-

COM O DILÚVIO, CASTIGO CONTI\A O

ram graças. A o contrário, desvaneceram-.fe nos

seus pensamentos e se /Ires obscureceu o ·coração insen.mto, porque atribuindo-se o nome de .râbios tornaram-se estultos e mudaram a glória do Deus incorruptível para a figura de um simulacro de homem corruptí. vel e de aves e de <1uadr,ípedes e ,ie serpentes. Pelo que os abandonou Deus aos desejos dos sêus corações, à immulícic; de modo que desonraram seus corpos em si me.finos" (Rom. 1, 21 -24). tstc trecho de São Paulo mostra uma seqüência cronológica na decadência dos povos pagãos: ingratidão para com Deus, pretensão, obscurecimento da inteligência. êrro religioso da idola· tria e vícios da carne. Assim exprime o Antigo Testamento êsse caráter cumulativo do pecado : "Quem concebe o mal, gera o mal e carrega um frmo de decepção" (Jó IS, 35).

Essa lei do crescimento da santidade e do crescimento da iniqüidade no tempo vale tam•

bém para as famílias como para as nações. Os homens se constituem hieràrquicamentc em sociedade, pois tudo que t1 se constitui em ordens de participação de ser, e ordem s6 é tal numa estrutura hierárquica. Em outros têrmos: a vi• da dos menores é uma participação da vida dos maiores. Conseqüência: as virtudes dos indi2

PRIMEIRA ERA TERMINA

SEGUNDO GRANDE PECADO NA H 1STÓ· RIA, TERMINA A PRIMEIRA ERA, ERA DA PESSOA DO PAI.

São Tomás de Aquino (S. Th. J, q. 39, a. 8) mostra cm que sentido se aplica a determinada Pe,ssoa divina um atributo que é da esrência de Deus. Assi_m, por exemplo: a cria· ção, a redenção e a sanlificação, que são obras da Santíssima Trindade, são atribuídas respectivamente às Pessoas do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Essa atribuição se faz por uma analogia entre as obras consideradas e as pro· priedades das Pessoas divinas. A criação é atribuída ao Pai por analogia com o fato de que dÉlc procedem o Filho e o Espírito Santo; a reparação do gênero humano é atribuída ao Verbo porque "í,le restaurou a ordem perturbada pelo pecado; a santificação é atribuída ao Espírito Paráclito porque Élc procede do Pai e do Filho como relação voliliva. Essa atribuição é dita "por apropriação", pois a criação, a redenção e a santificação são absolutamente, completamente, obra das três Pessoas. É só. pois, por apropriação que se atribui respectivamenle essas obras a cada Pessoa. Também nessa linha de apropriação se pode dizer que o pecado de fraqueza ofende a Pessoa do Pai, o pecado de ignorância ( ignorância culposa) ofende o Verbo e o pecado de malícia ofende o Espírito Sanlo. Com essa doutrina teológica se pode compreender porque São luís Ma ria Grignion de Montfort ("Oração abrasada") divide a his-

tória da humanidade em três idades, caracterizadas pelas três Pessoas da Santíssima Trindade. São as seguintes as idades: a) Era do Pai, que começa com a criação do homem e o pecado original e termina com o pecado da humanidade antediluviana e o dilúvio; b) Era do Filho, que começa con1 Noé e termina com o pecado do povo judeu; e) Era do Espfrito Santo, que começa com o pecado do povo judeu e o Pentecostes, e termina com um universal pecado contra o Espírito Santo e com a parusia. Não devemos pensar que a divisão da Hislória em três idades apresentada por São Luís Grignion de Montfort seja a única. O grande Santo utilizou um critério teológico e que por isso é dos mais elevados. Outros critérios de divisão da História são poss(vcis, como por exemplo os de natureza cultural e artística. Também outros crilérios teológicos podem ser invocados, como por exemplo o do crescimento dos dons do Espírito Santo ao longo do ten,po. Isso implica diferentes modos de se dividir e subdividir a história da humanidade. Sabemos que no domínio da arqueologia o critério para dividir e subdividir as épocas pré-históricas é dado cm função da cultura lítica encontrada nos estratos arqueológicos ( cf. nosso '' A Revolução, a filogêncsc humana e o Padre Teilhard de Chardin" - "Catolicismo", n.0 149, de maio de 1963), ou também segundo o critério das distintas fases climáticas da era glacial nas quais viveu a humanidade ·anledi luviana. Pode-se também, · em outro exemplo, subdividir a e.ra cristã segundo o critério da relação entre o Poder espiritual e o Poder político, e isso levaria a uma divisão diferente daquela en, sete épocas sugerida pela Glosa na interpretação das sete Igrejas do Apocalipse. Assim pois a divisão da História dada por São luís Grignion de Montfort. e que nos interessa presentemente, não é exclusiva. A primeira idade, ou era, da humanidade começa com Adão, obra-prima do poder criador de Deus, feito à sua ima_gem e semelhança.

Adão representa cm sua natureza composla de um princípio espiritual e um princípio material, tôda a criação: o universo material e as hierarquias angélicas. Apesar de ser inferior ao Anjo, o homem tem algo que falia a um puro espírito: o poder de representar a universalidade da criação. Aqui reside uma das razões para o Verbo de Deus Se ter unido hipostàticamente à natureza humana e não a alguma natureza angélica. Cristo é o sumário de tôdas as cria1uras, como disse São João Crisóstomo (apud São Luis Grignion de Montfort, "O Amor da Sabedoria Eterna"). Adão teslemunha o poder criador de Deus. Porlanto, por apropriação Adão é obra de Deus Padre, e a era da humanidade que se inicia é a era do Pai. Essa era se inaugura com uma aliança entre Deus e o homem, o que está contido nestas palavras do Gênesis: "E Ele /Ire ordenou dizendo: de tôda árvore do paraí.ro tu comerás. Mas da árvore da ciência do bem e tio mal não comerá.," (Gên. 2, 16-17). :8 a primeira aliança. Aliança que se pode atribuir por apropriação à Pessoa do Pai. O pecado original é violação da primeira aliança, pecado de desobediência, que, por ser do primeiro homem, é. como ensina a teologia, pecado da humanidade tôda . 'Éste pecado, em certo sentido. dirige-se conlra a Pessoa do Pai, pois contrariou a primeira aliança, que é atribuída à Primeira Pessoa da Santíssima Trindade. Nossos primeiros pais, seduzidos pelo de-

mônio cont as palavras ".rereis como deuses", caíram no pecado de pretensão e orgulho, fraqueza in icial na natureza humana que deu comêço àquele processo de decaimento do homem, apontado por São Paulo em Rom. J, 21-24.

Vemos em Gê11. 6, J-7 a humanidade atingir aquela degradação de vícios apontada cm Rom. /, 21 -24, como resultado do processo de causalidade cumulativa do mal desde a queda original. O pecado de Adão trouxera a ruína para IÕda a raça humana. Vemos cm Gê11. 6, 1-3 que o pecado coletivo nessa época é o pecado de luxúria. Sendo de modo geral, tal tipo de pecado, caracterizado mais pela fraqueza do que pelo orgulho - não significando, é claro, que êste não leve à luxúria - podemos dizer que o pecado coletivo dessa época era um pecado de fraqueza, e como tal ofendia em particular a Pessoa do Pai. 'Éstc é o segundo grande pecado coletivo da História, e com êle e o castigo do dilúvio é encerrada a era do Pai. Deus anuncia em Gên. 6. 7 a exterminação

da humanidade. S6 por causa de Noé é que não realiza tal casligo merecido. Assim como Adão trouxe a ruína e a morte pnra tôda a humanidade, Noé foi a salvação desta, libertando-a da morte total. Assim como o pecado de um leva muitos à ruína1 a virtude de um pode ser a salvação e santificação de muitos. Noé é uma das grandes pré-figuras de Nosso Senhor Jesus Cristo. Pois, tal como pelo Verbo Encarnado tôda a humanidade foi chamada para participar da vida divina, libertando-se assim da morte do pecado e do império de Belial, também pela virtude do Patriarca Noé a humanidade foi salva da morte. Noé representa, pois, a pré-figura de Cristo como Salvador dos homens. Ao longo dessa era pré•Crislã sé sucedem as pessoas que são suscitadas pela Providência como pré-figuras de Cristo. Dc.ssas pessoas, são ainda das mais significativas as seguintes: - Mclquisedcc, a pré-figura de Cristo como o Sacerdote ( Heb. 5, 1-10); - Abraão, Patriarca do povo eleito, pré.figura de Cristo como o Pai da nova humanidade redimida; - Moisés, legislador do povo eleito, pré. figura de Cristo como o Verbo de Deus; - Elias, como Profeta modêlo, pré-figura de Cristo como o Rei das Idades, como o Profeta, Aquêle que realiza os aconlecimentos da Históri a, pois 'l.le, pelo seu holocausto, recebeu do Pai o poder para abrir os selos das sete fases da era crislã, os sete selos do livro da História (Apoc. 5, 1-10); - Davi é a perfeita pré-figura de Crislo como Rei. Um dos títulos de Nosso Senhor é o de Filho de Davi. Davi encarna a realeza e simboliza a perfeita realeza da Pessoa sacratíssima e adorável de Nosso Senhor Jesus Cristo. Assim, pois, Noé, como figura antecipativa do Verbo feito homem, Salvador, inaugura a era do Filho. Essa era começa com uma aliança antccipativa da segunda aliança de Deus com os homens, a aliança com Abraão, a promessa do Redentor que deveria nascer do povo de Israel. Está escrito no Antigo Testamento: "Di,tse Deus a Noé e a seus /ílhos com êle: Els que fazer a minha aliança convosco e com a vossa posi,ridad," (Gên. 9, 8) .

"º"

Essa aliança, porém, não se concretizou

com tôda a humanidade descendente de Noé. Os homens, depravando-se novamente, trincaram êsse cristal da promessa recebida por Noé.


Atanasio Aubertin

Vemos em Babel (Oên. 11. 1-9 ) o pecado da pretensão do homem de querer com suas próprias fôrças atingir o céu. Ali, conforme aquelas palavras de São Paulo cm Rom. /, 21-24 (citadas atrás), os homens foram levados da precensão ao embotamento dn inteligência e à ignorância, tornando-se estultos. De onde a confusão das línguas de que fala Gên. li, J-9. Isso tem a característica de pecado contra a

verdade, e como tal é pecado contra a Pessoa do Filho, tendo-se em mente que essa atribuição é por apropriação, visto que o Filho de Deus é o Verbo de Deus. Babel é pré-figura do atual pecado contra a verdade. Como conseqüência disso, a segunda aliança, Deus a faz não com tôda a humanidade, mas com o povo descendente de Abraão através de Israel.

C -

Q PECADO DO POVO JUDEU, PECADO CONTRA A $,EGUNDA PESSOA OA SANTÍSSIMA TRtNOAOE. tsTE TERCEIRO GRANDE PECADO NA HtSTÓRtA ENCERRA A SEGUNDA ERA, A ERA DO FILHO. VIOLAÇÃO DA SEGUNDA ALIANÇA.

Devido ao privilégio da aliança de Deus com o povo judeu. as infidelidades dêste têm e1ma nota de pecado coletivo à semelhança do pecado de Adão. Por isso diz a Sagrada Eseri1u ra: ''Mas êJes como A,ltio violaram a alian-

ça" (Os. 6, 7). As iníidelidades e prevaricações dos descendentes de Israel fo ram crescendo ao longo da Histó ria. culminando com a espan-

tosa iniqüidadc da condenação e morte do Filho de Deus. Nosso Senhor nos mostra no Evangelho êssc crescimento de iniqüidade do povo judeu na parábola cios maus vinhateiros: êsscs homens receberam cm arrendamento uma

vinha; o· senhor da vinha enviou várias vêzes seus servos para receberem o fruto de sua pro·

priedadc. sem nenhum resultado; das primeiras

vêzes. os servos foram espancados: depois os

vinhatciros passaram a assassinar os servos; por último. o ~-cnhor envia seu próprio fi1ho,

que é também assassinado ( Marc. 12, 1-10). € • história do comportamento do povo judeu cm relação aos Profetas de Deus que eram perseguidos e assassinados, e que culmina no

:1ssassfnio do Filho de Deus. O pecado do deicídio é pecado contra a segunda aliança e Nosso Senhor nos diz isso neste trecho do Evangelho: "Porventura Moi· sés nlio vos <leu ti lei? Entretanto ninguém de vós cumpre " lei" (Jo. 7. 19) . 'ºNlio penseis

que Eu vos hei de acusar diame do Pai,· o mesmo Moi.rés, cm quem vós rendes esperança, é o que vos ,,cusa; porque se vós ac,·etlitásseis em Moisés, rnlvez. também acretlil<ísscis cm Mim, porque {:te escreveu a meu respeito" (Jo. 5, 45-46).

Ao não crer cm Jesus Cristo que é a Verdade de Deus, o povo judeu enquanto tal cometeu um pecado de ignorância e de embotamento do espírito, que se opõe a dois dons do Espíl'ito Santo, a saber: o dom de ciência e o dom de entendimento. Por isso Nosso Senhor cita o Profeta Isaías quando êste disse: "Cegou-lhe.t os olhos e cndur<'ceu-lhes o coração, para que ntio veimn com os olhos e mio compreendam com o coração, para que não se

convertam e Eu os sare.. (Jo. 12, 40). Então, o pecado do povo judeu, por isso, e porque êste povo matou Jesus Cristo, é um pecado contra a segunda Pessoa da Santíssima Trindade. O que não- quer dizer que não houvesse entre os judeus. entre os membros mais elevados da

hierarquia social, cultural e sacerdotal, o Sa1>hedrim, o pecado contra o Espírito Santo. Pois vemos no Evangelho N(ISSo Senhor acusar os judeus dêssc pecado (Mat. 12, 31-32). O pecado do povo eleito, pecado tremendo e espantoso, não é entretanto irremissível. Nos-

so Senhor nos disse que os pecados contra a Pcs.,oa do- Pai e a Pessoa do Filho podem ser perdoados, o que não acontece com a blasfêmia contra o Espírito Santo (Mat. 12. 3132). A Sagrada Escritura nos fala sôbre a fui ura conversão de Israel. O Profeta Zacarias descreve o profundo e completo arrependimento dos judeus quando reconhecerem ter matado o Messias. Citemos êste santo Profeta: "E .tusdtarei J ô bre a c asa de Davi e sôbre os ha0

birames de Jerusalém um espírito de graça e de prece, e éles voltarão os seus olhos para

Mim. Farão lamentações sôbrc Aquéle que transpassaram, como se /ôsse um /Uho único: choni·lO•<ÍO amargamente como se chora um

primogênito" (Zac. 12, 9-10). Pois Deus não

Se esquece dos filhos de Jacó, conforme diz o Profeta Isaías: "E ainda que e la esquecesse

[que a mãe esquecesse o filho), Eu não Me esquecerei de ti" (Is. 49, 15}.

D -

o

PECADO DE RevOLUÇÃO: PECADO

DA CRISTANDADE. ~ OFENSA A D .EUS F ILHO CONSUBSTANCIADA NA REVOLTA CONTRA O

C ORPO MiSTtCO.

~

UMA CERTA CONTINUAÇÃO DO PECADO DO POVO JUDEU E É VIOLAÇÃO DA TERCEIRA ALIANÇA. ENCERRA

UMA

FASE

A

REVOLUÇÃO DA

TERCEIRA

ERA, A FASE DA ERA CRISTÃ QUE VAI ATIÍ AO FIM DA IDADE M ÉDIA.

Seguindo São Luís Grignion ,de Montfort, podemos dizer que a terceira era da História é a era do Espírito Santo. Na segunda era, que foi desde Noé ao nascimento de Jesus Cristo, a santidade foi concedida aos homens em intensidade muito limitada, pôsto que o povo de Israel tinha o privilégio de ser detentor da verdade, enquanto que os outros povos eram dominados pelas religiões do demônio. Pois disse São João com respeito ao paganismo antigo: "o mundo todo está assentado na iniqiii· dade" ( 1 Jo. 5, 19}. Os santos dos tempos anti.gos, os Patriarcas, os Profetas e outros, constituíam uma exceção extremamente restri-

ta dentro do mundo de sonhos, fábulas e vícios das civilizações pagãs. Poder-se-ia dizer que Deus concedeu os dons do Espírito Santo para a humanidade pecadora em têrmos de extraordinária parcimônia. Nosso Senhor Jesus Cristo cm seu holocausto resgatou a humanidade do império do demônio e fêz chover superabundantemente sôbre as nações os dons do Espírito Santo que provêm de seu Sacratíssimo Coração. São Pedro, falando no dia de Pentecostes ao povo judeu e aos gentios, disse o seguinte sôbrc a vinda do Paráclito: "Mas isso é o que foi dito pelo Profeta Joel: E acontecerá nos úlrimos dias que Eu derramarei m eu Espírito sôbre tôda a carne" ( At. 2, 16-17) . Pentecostes inaugura a terceira e última era ("'últimos

116s vimos, a linha tle tlesce11dê11cia tio físico moderno deve ser vista, não a parrir tios Jtu. manistas da Renascença (o que se pcr1sa comumcntc]. mas a par1ir tios escolásricos tios si!.. <.'ulos XII e XIII, que traduziram em latim as · ·versões árabes das matemáticas e ciências gre-

tas, fato tristíssimo e não suficientemente la• montado. é simbolizado pelo Apocali pse no texto mencionado. como "um rêrço tio sol ob.\·· curecido". Os grandc,s: pecados: da. H istóriít estão de ordinário as..'iociados às quedtts n1ornis dos maiores.

gas" (E. Whittacker, "L'Espace et L' Esprit", Maison Marne, 1952. A filosofia escolástica

Essa ofensa à Pessoa de Cristo não parou

permitiu, pois, criando as condições da disci-

no humanismo e naquela arte naturalista tca· tral e sensual que se espraiou pelos templos

p;in, lógica e a preocupação com a indagação das causas, que o homem ao longo dos séculos pudesse conhecer os nexos causais que subjazem à ordem visível que nos cerca. e, as· sim, lograsse conhecer melhor as intenções da Sabedoria divina na ordem criada1 libcrtan·

do-se portanto dos mitos e fantasias néscias da cosmologia pagã. A Idade Média, o segundo esplendor da civilização cristã (o primeiro foi

Bizâncio}, compreendeu muito melhor a realidade de ser o homem imagem e semelhança de Deus. O esplendor medieval foi obscurecido pelo pecado que veio a ser o terceiro grande pecado da História: o pecado da cristandade, ou

pecado de Revolução. Houve um obscurecimento da verdade na cristandade, como diz a Sagrada Escritura: "foi ferida " têrça 1>ar1e do sol. a rêrça parte tlll lua e a lêrça parte das esrrêlas, de manelra que ,, rêrça parre dêles se obscureceu" (Apoc. 8, 12). Lembremo-nos

de que na exegese tradicional as estrêlas simbolizam a Hierarquia Eclesiástica, o sol o Pontificado Romano, e a lua o Poder temporal (cf. Padre Hcrmann Kramcr, "The Book of Destiny", Buchler Pub. Co., 1955}. Bsse obscurecimento da cristandade começou com a Renascença: retôrno ao vômito do paganis-

mo. E êsse pecado, que é o comêço da transícrência de uma civilização tcocêntrica para uma civilização antropocêntrica, a substitui•

ção da Cidade de Deus pela cidade do homem, é um pecado contra o Corpo Místico de Cristo. a Igreja Católica, portanto contra a Pessoa de Cristo. que é espelhada na Igreja. A História dá testemunho de que os maiores responsáveis pelo processo renascentista da dessacralização da Igreja foram - fato muito doloroso - Papas. cm especial Nicolau V. A grande falta de zêlo dêsses Papas rcnascentis-

católicos. Pois, conforme à lei do crescimento da iniqüidade. que se verifica quando os homens recusam os dons do Espírito Sanlo, a iniqüidadc foi·sc processando num crescendo até a cacofonia dos tempos atuais. Ssse processo apresenta três explosões nêsses últimos

cinco séculos, apontadas pelo Papa Leão XIII de ilustre memória, e que são us seguintes : revolução protestante, revolução francesa e re· volução comunista ( Encíclica "Parvenu", de

19 de março de 1902). A análise da conexão lógica entre essas três revoluções e sua marcha proccssiva é magistralmente nprcscntada

no ensaio "Revolução e Contra-Revolução.. do Prof. Plínio Corrêa de Oliveira (''Catolicismo". n.0 100. de abril de 1959). O egrégio pensador católico descreve a crise da civiliza.

ção ntoderna em fun9ão do processo revolucionário e explicita que ela é universal. una, lO· tal e dominante. Isto é importantíssimo, pois

significa que o caos moderno é algo de radi· calmente nôvo na H ist6ria.

Com respeito a êste caráter nôvo da crise

moderna podemos citar o Papa Leão XIII. quando êsse grande Pontífice aludia aos "princívios e fundamentos de um "<lireiro 116vo" até então desconhecidos" (Encíclica "lmmortale Dei", de 1.0 de novembro de 1885). O Papa referia-se ao liberalismo filosófico, base do Estado moderno proveniente da Ri,volução Francesa. €.ssc "direito nôvo até enuiu desconhecit/o·" é a antimetafísica do igualitarismo.

filha do panteísmo, a filosofia do orgulho. ~ algo de nôvc na História. não quanto à filosofia cin si, pois esta vicejava nas reJigiões

satânicas do paganismo antigo, mas quanto à sua aplicação na ordem político-social. O demônio não tinha conseguido rcali1..ar no paga ..

dias"), a história cristã, era do Espírito Santo. O Paráclito é quem "ensina 1ôda o verdade" (Jo. 16, 13). Jesus Cristo enviou a Terceira Pessoa. cuja missão de santificação tornou possível ao homem, não apenas o conhecimen..

to e o entendimento da ordem sobrenatural, como também o da ordem natural, que, pelo pccadÔ original1 era quase inatingível nas civi•

lizaçôes pagãs antigas. Não só os Mandamentos não eram perfeitamente conhecidos e muito menos praticados, como também era absurdo ou falho o conhecimento científico e filosófico da ordem visível que nos cerca . A cullura pagã antiga procurava explicar a ordem material nos têrmos ridículos da mitologia de deuses absurdos e depravados (cf. Henry Franckforr, "Myth and Rcality". no volume " Beforc Philosophy" - Pelican Book) . Por mais excelentes que tenham s ido as cogitações da filosofia grega - espantosa exceção no mundo de sonhos do paganismo antigo - ela foi uma realização enormemente incompleta. Assim, por exemplo, o conceito de ser enquanto ser não foi profundamente focalizado antes de São Tomás no século Xlll, e o conceito de mal como não-ser não o foi antes de Santo Hipólito no século Ili. Graças ao trabalho especulativo dos grandes Doutôres da Igreja que desenvolveram a filosofia grega e a teologia, graças ao ensinamento da Igreja, foi possível ao homem a posse de uma cosmovisão, a realização de sua natureza como imagem e semelhança de Deus. A Tradição da Igreja permitiu ao homem conhecer não só a ordem teo-

lógica e filosófica, mas também os nexos causais do mundo material , e ver nessas leis mais

gerais do mundo material o funcionamento dos princípios metafísicos que regem o universo (cf. Fernando M. Gomide, "Os princípios fundamentais da ontologia na física e astrofisica" - "Revista Brasileira de Filosofia", vol. 20, p. 28, 1970), bem como o rcncxo da divindade (Fernando M. Oomide, "O conceito de Deus à luz das leis básicas da ffsica e astrofísica" - " Revista Portuguesa de Filosofia", vol. 26, p. 121, 1970}. Pois foi a filosofia medieval que permiliu o desenvolvimento posterior do conhecimento científico da ordem material, como muito bem observa Sir Edmund Whittacker, célebre matemático e astrônomo britânico falecido há uns anos atrás. Eis suas palavras sôbre o tema em aprêço: "Há uma afinidade natural entre ciência e a filosofia ererna

[filosofia escolástica]: verdadeiramente, como

São Luís Maria Grignion de Montfort profetiza o Reino de Maria como sendo a era do supremo e s plendor da Igreja e a última época da H istória. Assim como p or Maria se iniciou nossa redenção, por Ela deverá completar-se a obra da glorificação de Deus no tempo. A decadência dessa era trará o quinto grande pecado e a intervençãoda J us tiça Divina, que encerrará a História com o J uízo Final. No cliché, Nossa Senhora com os atributo s de sua realeza, pelo Maitre de Moulins (século XV} - Catedral de Moulins, Fra nça 3


Nestes doÍs a•·iÍgos" pnblÍ~ados ii o Pres Ídente do Conselho Na~Íonal da TI •

Plinio

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UMPRO HOJE uma antiga promessa. Com efeito asseverei aos leitores que lhes daria oportunamente uma coleção de textos pontifícios referentes à propriedade privad·a. O torvelinho dos dias em que vivemos conduziu-me, logo em seguida, a outros temas. Mas hoje tenho a satisfação de fazer rebrilhar, expondo-os à luz da publicidade, êstes ensinamentos áureos. . . aliás tão omitidos em certas publicações católicas. A propriedade privada vai sendo apresentada, cada vez mais - nestes tempos de hipertrofia do social - como um privilégio antipático e anacrônico, ao qual só se aferram alguns egoístas, insensíveis à miséria que cm tôrno dêles existe. êste o pensamento da Igreja? - Pergunta de capital importância para nosso público, constituído de uma esmagadora maioria de católicos. para responder a tal pergunta pela própria voz dos Romanos Pontífices, que aqui dou a público algo do que êles ensinaram sôbre a matéria.

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Antes de tudo, uma questão que se relaciona de perto com o tema. Falei de hipertrofia do social. A expressão terá suscitado, sem dúvida, arrepios em alguns leitores. Se o social corresponde ao interêsse geral, poderá haver aí hipertrofia do social? Sim, respondo. E uma hipertrofia muito nociva ao próprio interêsse geral. Os Romanos Pontífices a chamaram socialismo. Assim, a Igreja assumiu "a proteção do indivíduo e da fwnília, frente à corrente q11e ameaça arrastar a 11ma socialização total, em cujo fim se tornaria pavorosa realidade a imagem terrificante do "Leviatã". A Igreja travará esta luta até o extremo, pois aqui se trata de valores supremos: a dignidade do honrem e a salvação da alma" (Pio XII, Radiomensagem ao "Katholikentag" de Viena, em 14 de setembro de 1952 - "Discorsi e Radiomessaggi", vol. XIV, p. 314). Mais ainda . Pio Xll vê na socialização total, não s6 uma catástrofe geral, mas uma manobra de alguns privilegiados, feita contra o bem comum: "Atribuindo a todo o povo a tarefa própria, se bem• que parcial, de ordenar a eco11011ria futura, estamos muito longe de admitir que êsse encargo deva ser confiado ao Estado como cal. Estreta,rto, ao observar o andamento de cercos congressos, mesmo católicos, em matérias eco11ómicas e sociais, pode-se 11otar uma te11déncia sempre cresce11te para invocar a i11tervenção do Estado, de modo q11e se tem por vézes como que a i,npressão de q11e êsse é o ú11ico expediente imagi11ável. Ora, sem drlvida alguma, segundo a doutrina social da Igreja, o Estado tem seu papel próprio 11a ordenação da vida social. Para desempenhar êsse papel, deve mesmo ser forte e ter autoridade. Mas os que o invoca,n co11t1m,a-

me11te e lançam sôbre êle tôda a respo11sabilidade o conduzem à ruína, e fa<e111 mesmo o jôgo de certos poderosos grupos interessados. A conclusão é que dessa for111a tôda responsabilidade pessoal 11as coisas públicas vem a cessar, e que se alguém fala dos deveres ou das negligências do Estado, refere-se ,aos deveres ou faltas de grupos anôni,nos, e11tre os quais, 11atura/me11te, 11ão cogita de contar-se a si próprio" (Pio XII, Discurso de 7 de março de 1957 ao VII Congresso da União Cristã dos Chefes de Emprêsas e Dirigentes da Itália - UCID - "Discorsi e Radiomessaggi", vol. XIX, p. 30). E, de seu lado, Leão XIII mostra que lutar cm defesa da propriedade particular é favorecer os interêsses mais fundamentais do povo: "[ .. . ] a teoria socialista da propriedade coletiva deve absol11ta11re11te re11udÍllr-se como prejudicial àqueles mesmos que se quer ~-ocorrer, contrária aos direitos naturais dos indivíduos, como desnatura11do as funções do Estado e perturbando a tra11qiiilidade plÍblica. Fique, pois, be,11 assente que o primeiro f1111damento a estabelecer para todos aquêles que querem si11cerame11te o be111 do povo é a i11vio/abilidade :la propriedade particular" (Leão XIII, Encíclica "Rerum Novarum", de 15 de maio de 1891 - Editôra Vozes Ltda., Petrópolis, p. 12). A igualdade socialista, na qual tantos vêem a libertação dos pobres, Leão XIII a denunciou como causa de miséria geral: "Assi11r, substituindo a providê11cia pater11a pela providê11cia do Estado, os socialistas vão contra a justiça 11atural e quebra,n os laços da fanrília. Mas, além da injustiça do seu sistema, vêem-se bem tôdas as suas funestas co11seqiiê11cias: a perturbação em tôdas as classes da sociedade, uma odiosa e i11suportável servidão para todos os cidadãos, porta aberta a tôdas as i11vejas, a todos os descontentame11tos, a tôdas as discórdias; o talento e a habilidade f)rivatlos dos seus estím11/os, e, co,no conseqiíência necessária, as riquezas esumcadas 11a sua fonte; enfim, enr lugar dessa ig11aldade tão sonhada, a ig11aldade 11a nudez, na i11digéncia e 11a miséria" (Leão XTJI, Encíclica "Rerum Novarum" - Editôra Vozes Ltda., pp. 11-12). Dir-se-ia que o celebrado Pontífice antevira com olhar inspirado os fracassos econômicos de Cuba e a miséria dos operários que se insurgiram recentemente em Gdansk e outras cidades da Polônia.

** * E vamos agora à propriedade privada. - Quais as origens desta? - Uma delas é o próprio salário do trabalhador. Negar a propriedade é negar o salário, e reduzir assim o trabalhador a escravo. Ouçamos a tal respeito Leão XIII : "[ .. . ) como é fácil compreender, a ra<.ãO i11trínseca do trabalho empreendido por quem exerce uma arte l11crativa, o fim imediato visado pelo trabalhador é conq11istar um bem

Corrêé

que lhe perte11cerá como coisa própria. Porq11e, se êle põe tl disposição de 011trem s11as fôrças e sua indústria, não é, evidente,nente, por outro ,notivo senão p(lra co11seg11ir com q11e possa prover à sua suste11tação e às 11ecessidades da vida; e espera do se11 trabalho, 11ão só direito ao salário, mas ai11da um direito estrito e rigoroso a usar déste co1110 ente11der. Porranto, se, reduzindo as suas despesas, chego11 a fazer algumas eco11omias, e se, para assegurar a sua ca11servação, as e111prega, por exe,11p/o, 11um campo, tor11a-se evide11te que ésse campo 11ão é 011tra coisa senão o sa/ârio tra11sfor11rado: o terreno assim adquirido será propriedade do artífice co111 o 11resmo título que a re11umeração do seu trabalho. Mas, quem não vê que é precisamente nisso que co11siste o direiro de vropriedade mobiliária e imobiliária?" (Leão XIII, Encíclica "Rcrum Novarum" - Editôra Vozes Ltda., pp. 5-6) . Outra forma por que se constitui lcgltimamente a propriedade é a ocupação das coisas sem dono. A tal respeito, leiamos Pio XI: "Títulos de aquisição do do111ínio são a oc11pação de coisas senr dono [ ... ]. De fato, não faz i11justiça, a 11i11g11é11r, par 11rais que alg11ns digam o contrário, q11em se apodera de 11ma coisa abandonada 011 sem dono" ( Pio XI, Encíclica "Quadragesimo Anno", de 15 de maio de 1931 - Editôra Vozes Ltda., Petrópolis, pp. 21-22). Em conseqüência, também da terra pode o homem tornar-se legitimamente dono. e o que nos ensina Leão XIII: "O homem abrange pela sua i11teligência uma infinidade de objeros, e às coisas prese11tes acrescenta e pre11de as coisas futuras; alénr disso, é senhor das suas ações; também, sob a direçiio tia lei eter11a e sob o govêr110 universal da Providência Divi11a, êle é, de algum 111odo, para si a s11a lei e sua providê11cia. B por isso que tem o direito de escolher as coisas que julgar maís aptas, 11ão só para prover ao prese11te, 111as ainda ao fut11ro. De onde se seg11e q11e deve ter sob o seu domí11io não só os produtos da terra, mas ainda a própria terra, q11e, pela· sua fec1111didade, êle vê estar destinada a ser a sua fornecedora 110 fut11ro. As 11ecessidatles do homem repetem-se perpetua11re11te: satisfeitas hoje, renascem amanhã com novas exigê11cias. Foi preciso, porta11to, para qut êle pudesse realizar o seu direito e111 todo o tempo, que a natureza pusesse à sua disposição um elemento estável e permanente, capaz de lhe fornecer perpetuamente os meios. Ora, êsse ete,nento só podia ser a terra, com os seus recursos sempre fl!c1111dos" (Leão XI ll, Encíclica "Rcrum Novarum" - Editôra Vozes Ltda., p. 7). Mas estas considerações já me levaram um tanto longe. E os textos citados oferecem matéria mais do que suficiente para reflexão. F ico, pois, hoje, por aqui. Em ocasião oportuna, talvez volte ao assunto.

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• 11-nprensa dÍárÍa de São Paulo" aborda D111 te1na de g r and~ atnalÍdade

de

Oliveira

ÊCEBI esta carta: "Não é o Sr. Jeroboão Candido Guerreiro, que agora lhe escreve. A quéle corresponde11te de nome estra11ho (ou de pseudôni1110 bem achado) lhe disse umas boas verdades, das quais o Sr. soube esquivar-se com as estocadas de seus silogismos e as piruetas de sua dialética. forçoso dizer que, e111 co11seqiiê11cia, o bom Sr. Jeroboão, ao fi11al da resposta do Sr., ficou em postura deveras desagradável. E isto apesar de êle estar com a razão, pelo me-

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nos a n,eu ver. IC"oro se, com a resposta que o Sr. 111e der, ficarei também eu e11redado nas fa111igeradas malhas de sua argume11tação. O fato, porém, é que também eu tenho reparos a lhe apresentar. E na /i11ha dos do Sr. Jeroboão. Não tenho o fogo nem a paixão dê/e. Te11ho, isto sin,, 11111 pouco de lógico. E baseado nela não receio de o e11fre11tar, Dr. Pli11io. Entro pois em liça. O objeto de minha carta é seu último artigo. Nê/e o Sr. pretendeu justificar a posição da TFP em matéria de propriedade privada. E para isto se baseou e11• citações de. alguns Papas. Estaria isto muito bem se fôssem Papas dos dias de hoje. Acontece, porém, que o mais recente dos Pontlfices citados pelo Sr. foi Pio XII, falecido em 1958. Nem 111110 mençãc faz o Sr. de documentos de João XX/li, nem de Paulo VI. ·o Concílio Ecu,nênico VaJicano li parece inteiramente ignorado pelo Sr. Ora, como o Sr. be,n sabe, " Igreja passou por m11t<1ções imensas sob os dois últimos Papas, tão evoluídos, tão arejados, tão hu11u111os. O Concílio acabou com a atmosfera co11fin<1da em que se ~stiolava a cultura católica, e abriu portas e janelas para as correntes de ar renQvQ(/Qras da cultura moderna. Tudo isto deu à igreja 11111 aspecto inteiramente diverso. Sei que êsse aspecto não é do agrado do Sr. Mas, e111 compensação - e que magnífica compensação - êle atraiu para a Religião sim patias vi11das até das mais remotas parage11s ideológicas. Assim, um ateu categórico, de espírito lúcido e coração bondoso, Salvador Allende (in1agino sua carranca, Dr. Plínio, ao ler êsre 11ome!) pôde escrever sôbre a Igreja nova estas palavras 111ag11íficas: "A Igreja Católica sofreu mudanças fu11dame111ais. Durante séculos, à Igreja Católica defendeu os interêsses dos poderosos. Hoje, depois de João XXII/, ela se orientou para transformar o Evangelho de Cristo em realidade, pelo menos em alguns lugares. _Tive ocasião de ler a Declaração dos Bispos em Medellin, e a linguagem que usam é <1 11,esma que usamos desde nossa iniciação 11a vida política, há trinta a11os. Naquela época, éramos condenados por tal linguagem que hoje é e1npregada pelos Bispos católicos. Acredito que a Igreja 11ão será fator de oposição ao govêrno da Unidade Popular. Ao contrario, será 11111 elemento a nosso favor, porque eslare111os 1e11ta11do converter em realidade o pensamento cristão. Além disso, haverá a mais total liberdade de crença religiosá'.

Como é natural [é o anônimo que retoma agora a palavra) êstes conceitos chegaram ao co11hecime11to de Paulo VI e do Cardeal chileno. O que fizerani êles? Discordaram? Arrepiaram-se? Recusaram a mão estendida pelo Presidente 111arxista? Pio XII e seus tmtecessores contlenaram a "politique de la main tendue". Bt:m diversa é a conduta de Paulo VI. Ele apertou resolurame11te a mão de Allende. E o mesmo fêz o Cardeal chi/e110. Ambos sorriram comprazidos. O Cardeal visitou o chefe n,arxista em -nome do Papa, deu-lhe uma Bíblia, abraçou-o, prometeu-lhe colaboração. Que,n cala consente, diz o provérbio. Muito ,nais conse11te quem sorri, visita, felicita e colabora. Repito, Pio X li e seus antecessores fariam exatamente o oposto do que fêz Paulo V/. Sabretudo 11ão agiria assim Pio X, pelo qual se vê que o Sr. tem u11t fraco. Mlls as coisas mudaram totalmente 11a /gre;a. E, ao contrário do que o Sr. pensa, podia,11 ter mudado. Com efeito, só 11ão é mutável a parte dos e11si11a111en1os da Igreja, contida e111 definições dogmáticas ex cathedra. Ora, os docwne1t1os sôbre propriedade privada citadas pelo Sr. não são definições dogmáticas. Logo, são mutáveis. E mudaram. Tanta é que mudaram, que o Sr. 11ada pôde citar de João XX/II, Paulo VI ou do Concílio, 110 sentido dos documentos pontiflcios anteriores. Saia-se agora desta, Dr. Pli11io. A conseqüência a que se chega é que o Sr. sabia do po1110 fraco de sua. argumentação (isto é, a posição esquerdista da Igreja 11ova), e pretendeu passá-lo sob silê11cia. Esperou, se,n dúvida, que ninguém metesse o dedo na chaga. Pois aqui está 111eu dedo 1netido por inteiro 11a ferida. Vamos ver com que estrebuchos o Sr. se sairá. Se é que conseguirá sair-se . .. "

);: * * Muita gente não responde cartas anônimas. Mas quando alguma delas exprime uma opinião que não é apenas do missivista medroso e agressivo, mas segundo se nota - é também a de tôda uma família de almas, em atenção a esta última eu respondo de bom grado. Máxime quando a carta - e é êste o caso - a par de impertinências e grosserias, contém lampejos de espírito e até de inteligência. Transcrita na íntegra a longa missiva para mostrar ao anônimo que não lhe temo as invectivas, não me resta espaço para responder a tudo quanto êle escreve. Mas escolho para minha réplica um ponto-chave que, derrubado, arrasta em sua queda tudo quanto o anônimo alega. Antes de o fazer, quero entretanto dizer uma palavra sôbre São Pio X. Não tenho por êle " 11111 fraco". Tenho-lhe verdadeira devoção, pois é um Santo canonizado pela Igreja. E um muito grande Santo. Peço aqui a São Pio X que do Céu abra os olhos de todos os que pensam como o missivista. Exporei minl1a argumentação com calma e ela-

reza. 0 iga meu anônimo, ou q uem como êle pensa, no que não tenho raz.~o: • 1 - Os ensinamentos dos Pontífices anterio. · res a João XXIII, citados em meu último artigo, são em sua essência iguais aos de todos os Papas anteriores que trataram da matéria;

• 2 -

Ora, quando uma longa s ucessão de Papas, em Documentos do magistério ordinário ( cada um dos quais não tem, portanto, o caráter de ensinamento in(alível), afirmam a mesma doutrina, esta sucessão confere caráter dogmático a tal doutrina; • 3 - Sendo êste o caso concreto quanto ao essencial dos textos sôbre propriedade privada que citei, tais textos contêm verdades dogmáticas; • 4 - E se algum Papa ensinasse o ·contrário em documento J1ão dogmático, não deveria ser seguido pelos fiéis. Pois um ensinamento não-infalível e ordinário não poderia prevalecer contra um ensinamento dogmático;

.

• 5 - Assim, estou inteiramente à vontade baseando-me nos textos em que me baseei. E em minha argumentação não existe o "po1110 fracd' que o anônimo imaginou ver. Abstenho-me de rc(utar muitas outras afirmações gravemente errôneas do anônimo, pois a isto me força o amor à brevidade.

De tôda esta argumentação, o ponto-chave é o de n.0 2. Êle de pé, o resto da argumentação é irrecusável. Êle derrubado, todo o resto também cai. A pergunta a que tenho de responder agora é, portanto, a seguinte: no que se funda a asserção contida no ponto 2? A êste respeito, um dos diretores da TFP, brilhante e vigoroso especialista em matérias como esta - o Sr. Arnaldo Vid igal Xavier da Silveira publicou estudo notável em "Catolicismo" (n.0 202, de outubro de 1967). Prova êle cabalmente que ensinamentos do Magistério ordinário da lgreja podem, cm casos como êste (e o Sr. Arnaldo V. Xavier da Silveira fala especlficamente de propriedade privada), assumir o caráter de infalibilidade. Pois a sucessão dos Papas que afirmaram a legitimidade da propriedade privada é antiga e contínua. Não sei se meu missivista anônimo lê "Catolicismo". E. uma excelente leitura, que instantemente lhe recomendo. Pois procure ali o artigo indicado, e depois me escreva de nôvo ... se quiser. Simplesmente previno-o de que, se desejar responder ao artigo do meu amigo, seja muito cauto. O estudo do Sr. Arnaldo Vidigal Xavier da Silveira correu o Brasil e o mundo sem levantar objeções ...

.

* * * E fica assim emudecido meu objetante anônimo, tão verboso. Com uma estocada só, sem truque nem pi(uetas.

5


CONClUSÃO DA PÁG. 3

os

CINCO GRANDES PECADOS

nismo anti,go uma sociedade estruturada segun~

do essa filosofia, não obstante a existência de uma escravização da classe sacerdotal e dos podêres temporais a essa filosofia do desespêro e do orgulho. E,~a como que imp0ssível ao demônio quebrar na naturez.a humana o senso da diferenciação e da hierarquia, que é conseqüência da vivência dos princípios supre-

herdeiros da aliança com Abraão - como nos moslra São Paulo (Rom. 11 , 11-21 ) ,ornaram-se uma semelhança do povo judeu. Por participar da vida de Jesus Cristo, o catóii..:::o é, num sentido espiritual, da mesma raça de Cristo, e portanto é herdeiro também da aliança de Deus com Abraão. Se o católico se volta contra o Corpo Místico e entrega-se à

mos do ser, da verdadeira metafísica. O que

apostasia, êle passa a participar da iniqüidade

o demônio não logrou realizar de modo eficiente no paganismo, êle o realizou cm grande parte com a apostasia do mundo moderno. A antimetafísica do igualitarismo, a velha gnose, o panteísmo das religiões antigas, passou a · operar na sociedade apóstata. O pecado contra Cristo iniciado com a Renascença está culminando num repúdio quase total , e total no comunismo, dos princípios da ordem do ser na sociedade. l:. o pecado contra a Verdade na

do povo de Israel, e portanto prolonga, de rerio modo, o crime do deicídio.

ordem natural, acrescido ao pecado contra a

Fé na ordem sobrenatural. O Papa João XXlll disse que hoje existe "uma conspiração diab6lica contr<1 ,, verdadll' e um ''antidecálogo atrevido e i11sole11re" (Alocução de Natal de 1960).

"Por fim meu Imaculado Coração triunfará". disse Nossa Senhora em Fátima . A filha de Sion interferir~ nos acontecimentos moder·

nos dando fim ao pecado de Revolução, trazendo todos os povos, judeus, gentios e hereges, para o grande triunfo do Reino de Maria, realizando assim as grandiosas profecias de Isaías e São João a respeito da Nova Jerusalém.

E -

A

TERCEIRA E ÚLTIMA IOAOll DA HtS•

caracterizando assim a in iqüidade no mundo

TÓRIA, ERA 00 EsPÍRtTO SANTO, OE•

moderno. E, Paulo VI descreve a situação hodierna da Igreja nêstes têrmos espantosos: "A

VERÁ ENC!lRRAR-SE APÓS UM PECADO UNIVERSAL CONTRA A TERCt,JRA PES-

Igreja está caminhando para sua aurodemolição. A Igreja chegou perro do pomo de 11a11/rágio" (discurso a mestres e alunos do Se-

SOA. 8sTE FIM seRÁ CONSEQÜÍiNCIA OA OECAOJlNCIA 00 GRANDE E MAIS

minário Lombardo de Milão, em 7 de dezembro de 1968) .

ALTO APOGEU OE SANTIOAOE DA lGRE•

A caracterização do pecado da cristandade nos mostra que êle é uma semelhança do pecado do deicídio, pois estão procurando matar o Corpo Místico de Cristo que é a Igreja. Nestes têrmos se pode dizer que o pecado de Revolução é de certo modo um complemento ao pecado do povo judeu, pois os gentios incorporados ao Corpo Místico, pelo fato de serem

TERCEIRA AUANÇA.

JA. SEGUNDA E ÚLTIM,A OFENSA À

Sabemos que São Luís Maria Grignion de Montfort profetiza o Reino de Maria como sendo o esplendor da Igreja. Diz êle que êsse reinado - o qual será a Nova Jerusalém anunciada pelos Profetas de Israel. cm especial rsaías, e por São João no Apocalipse - será

Verdades esquec idas

NADA AFOITA TANTO os MAUS, t;OMO A PUSILANIMfflADE DOS BONS

última época da História. em que deverão entrar na lgreja a totalidade dos genlios, os hereges e o povo judeu: haverá um só redil e um só Pastor ("Oração abrasada") . Essa ptofcci3 de São Luís Grignion de Montfort é p;cnamcntc conforme. à Sagrada Escritura, e vemos na Epístola de São Paulo aos Romanos tlaramente expresso que a plenitude dos gentios só entrará no Corpo Místico com a conversão do povo judeu. Citemos o Apóstolo: êl

"Digo pois agor(l: rejeitou Deus acaso seu pó·

vo? Não, 11or certo. [ ... ) Digo pois: acaso tropeçaram êles para que caíssem? Não, por certo. Mas pelo pecado dêles a salvaç,io veio aos gentios, para incitá~tos à imitação. Pois se o seu pecado são a.r riquezas do mundo, e o seu abatimento as riquezas dos gemios, quanto mais a sua plenillule.' [ . .. ) Pois se a perdição 1/êles é a reconciliação do ,mmdo, que não será o seu reswbelecimento, seniio ,une, ressurreição dentre os mortos? [ ... J Neio quero, irmãos, que ignoreis éste mistério: que a cegueira sobreveio em parte a Israel até que haja entrado a pie• nirude dos gemios e <Jue assim todo Israel se salve como está e;·crito [ .. . ]. E verdade que. <1ua1110 ao Evangelho, êles agora são inimigos por vossa causa. Mas quanto ,1 escôlha divina, êles selo muito queridos por causa de seus pais. Pois são imutáveis os dons e a vocação divina'" (Rom. 11, 1-29).

Muitos são os trechos dos Profetas que fa. Iam da restauração de Israel, e é tema central do livro de Isaías a Nova Jerusalém, esplendor dos judeus e de todos os povos da terra. O mistério do povo judeu na História e sua futura conversão é um dos temas mais grandiosos da Sagrada Escritura, cuja análise e exposição transbordam dos limites de um simples artigo. Apenas mencionaremos alguns outros trechos significativos dos Livros inspirados, que podem ser os seguintes: Ec/i. 48, 10, Mal. 3, 23-24, Apoc. 7, 3-8, Apoc. 15, 3-4. A humanidade ao longo dos tempos, segundo a lei do crescimento da santidade, recebe os dons do Espírito Paráclilo em intensidade crescente quando corresponde à graça, até alingir a plenitude nessa época futura de esplendor da caridade e, portanto, plenitude do dom de sabedoria. Como por Maria se iniciou nossa re• denção, por Maria deverá terminar a obra de glorificação de Deus no tempo, como considera São Luís Grignion de Monlíort no Tratado da Verdadeira Devoçtio. l:. pelo seu Coração

Co-rcdentor (cf. nosso "0 Imaculado Coração

Da Encíclica "Sapientiae Christianae", de 10 de janeiro de 1890: ESTE ENORME e geral delírio de opiniões que vai grassando, o cuidado de proteger a verdade e de extirpar o êrro dos entendimentos é a missão da I gr eja, e missão de rodo o 1e111po e de todo o en1pen/ro, pôsto que à sua tutela foram confiadas a /ro11ra de Deus e a salvação dos /ro111e11s. Mas qua11do a nece$sidade é 1a111a, já não são somente os Prelados que hão de velar pela integridade da Fé, se11ão "que cada um tem a obrigação de propalar a todos a sua Fé, já para instruir e a11i11iar os outros fiéis, já para r epri111ir a audácia dos que não o .r ão" (SÃO TOMÁS, S. Teol., 2-2, q. X a. 2, q. ad 2). Recuar diante do inimigo, ou calar-se quando de tôda parte se ergue 101110 alarido co11tra a verdade, é pr6prio de lrome,11 covarde 011 de que111 vacila 110 f1111da111en10 de sua crença. Qualquer destas coisas é vergo11/rosa e111 si; é injuriosa a Deus; é i11comflalível co111 a salvação 1a1110 dos indivíduos, como da sociedade, e s6 é va111ajosa aos i11i111igos da Fé, porque nada 101110 afoita a audácia dos maus, co1110 a pusilanimidade dos bo11s.

N

LEÃO

PP.

XIII

de Maria e sua imolaç,ã o co•redentora,. ··Catolicismo", n.0 205, de janeiro de 1968)

que virá a plenitude da Igreja com são dos judeus e todos os gentios.

:1

conver-

A decadência dessa época é que irá trazer a intervenção da Justiça Divina pata encerrar

a H.ist6ria e realizar o julgamento final da humanidade. Considerando-se que a última decadência do gênero humano verificar-se-á depois de Deus ter gratificado o homem con1 as excelências supremas dos dons do Espírito Sanlo, e que essa decadência será de ordem a exigir o castigo do fim da História, é razoável concluir que o último grande pecado da História, o quinto grande pecado, será uma ofensa contra a Terceira Pessoa da Santíssima Trindade. Deverá ser uma porfiada e universal oposição ao Espírito Santo. Qual será a natureza dêsse pecado coletivo'/ Até agora tratamos dos grandes pecados do passado e do presente. O quinto grande pecado, por estar no futuro, escapa a um conhe-

O túniulo do Apóstolo São Tiago e,n Co,npost·e la

T

ERA UM A visão deformada da História -

observa um historiador espanhol -

aquêle que não aceita senão os fatos

para os quais encontra fàcilmcnte uma explicação

lógica, e imagina que os ncontccimcntos se SU· cedem da maneira corrente e vulgar do nosso viver cotidi:rno. Não. P3ra chegar à verdade com· pleta devemos admitir o maravilhoso, que não consta da letra fria e morta dos documentos e inscrições. às vêzes tão enganadores. E um dêsses fatos <1t1c os espíritos hipercríticos, geométricos e cancsianos não chegam a compreender. é que os veneráveis despojos do Apóstolo São Tia.go, o Maior - martiriza.do em Jerusalém no ano 44 de nossa era. como nos relatam os Atos dos Apóstolos (1 2, 1-2) - vieram a repousar na longínqua l-lisptmia, o f'iuis Tcrrac do mundo antigo

(cf. Marqué.~ de Lozoya, "La Ca1edral compOS· 1clana", Barcelona, p. V). A certeza de tal fato, p0rém, repousa cm an-

tiquíssima e sólida tradição. não só no mundo hispânico, mas em todo o orbe católico, do que nos dá testemu nho já no século IV o grande São Je rônimo. Da pregação de São 1"iago na Espanha, remos o testemunho anterior do Padre da Igreja Dídimo, o Cego, de Alexandria. que escreveu cm me-ados do mesmo século. A êsses documentos da cradiç..1o vêm-se unir cSrca de trezentos pronun6

ciamentos de P3pas a partir de São Leão JTJ, no século IX. proclam:i.ndo a presença do sagrndo

eorPo do Apóstolo na Catedral de CompQstela. Em 18_79, o Cardeal Arcebispo de Compostela, Payá y Rico. querendo confirmar a nutenticidade dessas relíquias_, nomeou uma e-omissão de peritos altamente qualificados, que subme1eram o assunto a rigoroso processo, com a. intervenção de doÜ· tos e eminentes historiadores. arqueólogos, antro. pólogos, médicos e eanonistas. Recebido o parec-er da Comiss.1o, baixou o Arcebispo um solene decreto no qual declarou, canônicamente, pertencerem verdadeira e realmente aos corpos do Bem-aventurado Ap,óstolo Tiago e de seus sanlos discípulos Atanásio e Teodoro as s;sgradas relíquias veneradas cm sua Catedral. To• davia, pam mais inteira segurança, e para maior glória dos Santos e edificação do mundo católico, submeteu as atas do processo canônico à aprova .. ção do Pontífice e.ntão reinante, Leão XIII. Atendendo ao pedido do Arcebispo compostc• fano e do Rei Afonso XIT, constituiu o Papa uma Comissão de Cardeais e Prelados competentes, a qual, com todo o rigor, examinou o processo. ordenou novas inquisições e testemunhos. Por fim, Leão XIII, pela Bula ºDeus Omnip0tens", de 1.0 de novembro de 1884, ratificou e confirmou nos seguintes tSrmos a sentença do Cardeal Payá y

Rico: "Também Nós, acabadas t6,las as d1í11i(/a~· e contrôvhsias. ,te ciêncl" ccru, e motu proprio aprm•omos e confirmamos com autõri<lade apos~ tóHcti a sentença de Nosso Venerável Irmã<> o Cordeai Arcebispo ,/e CompoJ·te/cl, sôbre a idcnti,tade dos corpos sagreulos cio Ap6,ttolo S,ío Tiago. o Maio,·, e elos seus sa111os disdpulos A tânásio e Teodoro, e decreuunQ.\' ren!Ju cl" fúrçú e valot

pupAtuamemc.,. Ao mesmo tcmpO, mandou nos

Bispos de todo o mundo que comunicassem essa dceisão a seus fiéis {Côn. Emílio Silva, ''O Caminho de Santiago". 1966, pp. 13-14).

As escavações que desde 1946 vêm sendo foi. las no subsolo da Basílica compostelana vicr:;n, confinnar, mais uma ve-z, o fato da presença dos

santíssimos despQjos do Apóstolo T iago, proclamada já par documentos anligos e veneráveis tr:tdições, e crido piedosamente p0r aquêles milhões de peregrinos de tôda a Europa que, desde o Mar Negro :1té Portugal, e dos confins da Escandinávia até o Reino de Nápoles, passando por terras dt: França, se deslocaram através do ''caminho de Santiago.. - indicado no céu pela Via Láctea nos sóculos de esplendor da civilização cristã, chamados de '·doce primavera da fé", em demanda da cidade de Compostela.

C. A. S.

cimento mais específico. !,ssc úllimo pecado contra o Espírito Santo será um tédio siste· mático e universal das coisas espirituais, ou uma oposição sistemática contra a Fé? Uma resposta a esta pergunta. ainda cm 1êrmos de.

probabilidade, exii;iria uma investigação de exegese bíblica e teologia da História que foge ao escopo do presente trabalho. Sôbre êsse pecado há trechos da Sagrada Escritura. Vamos citar alguns entre os mais inreressantcs. Nosso Senhor diz o seguinte sôbre o estado de espírito dos homens no fim da História: "Como aconteceu no~· dias de Noé, assim será também a vinda do Filho 1/0 Homem. Porque assim como. nos dias que precederam ao dilúvio, estavam os homens comendo e be· bendo, casando-se e dane/o-se em caseunento, até o ilia em que Noé entrou na arca, e ,reio o entenderam enquanto ruio veio o dil,ívio e os levou a rodos, assim também ser<Í a vinde, do Filho ,lo Homem" (Mal. 24, 37-39). São Paulo diz isto: ''Porém, qumuo e,o rempo e momemo (do íim da História}, não haveis mister. irmãos, que vos escrevamos. Porque v6s .s-,,beis muito bem (Jue <1ssim como um ladrão costuma vir tle noite, assim será o dia do Senhor. Porque quando disserem "paz e segurança". enuio lhes sobrevird uma morre repentina, como a dor a uma mulher grâvid,1. e mio escaparão" (1 Tcss. 5, 1-3) .

São Pedro adverte o seguinte: "Em primeiro lugar sabei que 110s últimos tempos vireío irnposrores cheios ele ar1ificio, que viverão se• gundo suas pr6pri<1s conc111>iscênciaJ·, dize,ulo: "Onde es1á et promessa ou a vinda d'.ê k? Pois desde que morrert1m nossos pais tudo continua na mesma como clesde o princípio d,, criação". J Por l!S(llS coisas o mundo ,le então pereceu na água. Mas o.r céus e a terra que agOtll exis1em scnlo pela mesma palavra reservados cuic/adosame111e para o fogo 110 dia ·do jufgt1· mentô e <la ruína dos homrns ímpios" (2 Pcd. 3, 3-7).

r...

A célebre Glostl atribuída a São Jerônimo apresenta as sete Igrejas do Apocalipse como sete épocas da era cristã. Na sétima Igreja,

que seria a última época - conforme essa exegese. que é seguida também por Santo Albert.o Magno e o Bcm ..avcntu rado Holzhaus:t.!r (cf. "EI Apokalipsis", Leonardo Castellani. Edicíones Paulinas, B. Aires. 1963). temos as seguintes palavras de Nosso Senhor dirigidas aos que seriam os da última épOC3: "Conheço as tuas obras; sei que mio é.r frio mm, quente. Oxald /ôras frio 011 quente! Mas porq11e Is mor110 e nem /rio nem quente, começo,.ei por 1

vomitar-te ,1,, minha boca. Po,.que dites: "Rico sou, pois, e estou enriquecido e de 110,la tenho mister'', e ignora~· que és um infeliz, miserável, pobre. cego e nu. [ ... l Eis que estou Eu li porra e b1110" (Apoc. 3, 15-20).

tom APROVAÇÃO ECl,tlSIÃSTICA

Campos -

&r. do Rio

'Oirctor Mons. A1Honio Ribeiro do ROS31'io

Oirtlori:i: Av. 7 de Setçmbro, 247, caixa. post:tl 333. C:unpos. R.J. Administra('iío: R. Dr. Mnrtinico Prado, 27 1 (ZP 3). S. P:tulo. Agente p:ua o Estado do Rio: l)r. José de Oliveira Andrnde, c:i_ix:• J>O$l:tl 333. Ç3mpos. IU: Agente par:, os Est:,dos de Goiás, M:Ho Gro$$O e Minas C-tr:tis: Or. Milton de S:1llcs Mouriío, R. Paraíba. 1423. telefone 26--4630, 8clo Horizonte; A~ente

pará o &1:1do dà Gu:wabnr:t: Or. Luís M. J)uncan, R. Cosme Velho, SIS. telefone 245-8264, Rio de J:mciro; Agente. 1>nr~ ~ ~'1.ado do Ce:1rá: Or. Jos6 Gerardo R1be:1· ro, R. Senador Pompeu, 212ô·A, Forw.kza; Agenres p:m-1

ri

A11:entin:1: "Tradieión, Fa-

mili3, Propied:td", Qlsilla dç Correo n.0 J69, C,1,pil:.11 Fedcr:il, Argen1in:1; Agente p:lr".I :1 F...spanlm: José María Rivoir Gómcz. ::1par1:1do 8182, Madrid, Esp:mh::i.

Assln:ttur.LS trnval.s: comum CrS IS,00: cooperador CrS 30.00: bcníei1or Cr~ 6~.00:,

grande. bcnícih'.>1' CrS J50,00; scmm:mstas e estudantes Ct$ 12,00: América do Su1 e C<:ntral: vio IT'l:lrítim:.1 USS 3,50; vi:1 atre.i USS 4,SO: oulros países: via ma· rítima USS 4,00; vi:\ :1ére., USS 6,50. Venda :.vulsa: CrS l ,SO. Os pn.gttmcncos. sempre cm nome de J,:ditôra Padre Belchior de Pontes SIC, pode· r:io ser c,,eanlinhados à Admini:,:1r:.1ç5o ou

30s agcn1e.s. A correspondência relativ_n a assina1urns e vc11d.1 ovulsa deve ser env1nda i\ Adminis 1ração. Para mudanç-:i. de cnde· rêço de ass.imuHcs, 6 necessál'io mencionar também o ende,êço :i,nti_go. Composto t Impresso na Ci:i.

Lithographk~l Vpfrnng.a

R. Cadete, 209, S. P:iulo


ACRAVAMENTO da perscguitiio rc• llgi~, dtstnci.de:adia por Nnpok~o depois de um período de boas rtlnçõcs com a

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Sanla ~. levou a "Amidlla Crtsctana" a tomàr um p:aprl dr arnndt rclêvo na rcatfto c.at61ica que cntiio se orgnni:c.ou. Eha cnfrencou cornJos::imcnte n policia do lm~rlo para :u;$cgurnr ao Papa Pio VII um mí. nimo dt condiíÕCS pam coulinu.ar n dirlgi.r Q Igreja

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do rundo de sua prls:ío cm Savon.1, e, sobrthrdo, foi ela que pos.~lbilltou ao Sobtr:mo Pondflc~ fnzcr ouvir o seu protes10 n.u grandes qucstõts C"rindM pelo tmptrador ao 1cnta.r Impor ::i sua vontade à Igreja, infelizmente com a colabor.&~âo de vários c-cltSiás·

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PIO VII CEDE

PARA NAO PERDER: PERDE

tkos. ~a Jtna, a •·Amlclzla" a empreendeu ao lado de org:ml.xaçócs cnt6Ucas franCC$3S; :U.Slm sendo, p.ara melhor se compreender o dtsuvolvltntnlo dos fotos somos obrigados a suspender a nnrrnUva que. estávamos raxtndo, a fim dt recordar brevemente os aconlcdmcnlos políticos qut cuhuin:u1un com a prtsiio do Pap:,. e de dar um resumo d~ história de-$$:&S céltbre-s Congrcgatões Mnrlan:.1s fnt.ncesas que liC uotr,un i\ ''A1ttlcízlo•• pnrn imptdlr o com1>Jct'o domínío de Nupoltâo sôbrt a Igreja. A heróica fidelidade de muitos cn161Jcos durante ::a Rcvolutão Froncua lc,·ou m-lirlircs :10 cadafalso e - .lpcs:l.r d:»,.s numerosas dtftctõts do Episcopado e do Clero cm itr:il. que dcrnm no mundo o tspcláculo nrgonhoso da fommçiio da Igreja constilucion:1I e d:a alunç:io de ecleslástlcos apóst.tC!IS Cn:tns• fom1ndos cm corifcus da Revolução - prcsttvou a opinião pública do visgo dos erros revolucionários. Assim i q ue o próprio N:ipalc:io, na t90ca do 01rclório, ptrctbt:u que SU:lS ~-pcrncularcs vitórias mi. lifarcs não erom suficientes p~m·, consolidar os f rutos da ítt'volu('ão, pol.$ u ,trnnde nrnlori.a dos írnnc-e."ltS continur.v:1 fiel à l grcjn Católica e, «~do o ·rcrror, tinha esperanças de um pr6ximo des:rporc,.. cimtnlo dos princípio$ q ue já tlnlmn, c1111s:1do lanfos males à Franç11 e no mundo. 8on:1pnrtr n.iio chegara a essas: conch,1sõcs por ii1fuiç!io polílicã. f:mm c-l:1..-; o resultado de um::i pe.squis.1 de opinlão públka que ordcn:.ra e que demonstrava :l snciedudc a proíund:1 convic('áo e.-. rólica das populações: de rôdas as regiões d:i Frnnç:1. Por oulro lado, o conhecimento da sUu?.ç:io d:1 11:ília, que suas expedições militares lhe pro_porcio. n.m,m, :ainda mais o convenceu de q ue :, Revolução correri:.1 traves rL~cos se êlc não co1t.S(J;ulssc estabf:kc:t'r um :1côrdo ~orn a Sontsi:. SE. Em 1302, quando já estav:1m adl:mtadns :l.~ nc• ~oehlções eom Rom11, o então Primeiro Côns ul foi obrls;,.1do a revelar claramente o pl11..no que claborftr:1. Disse ele num discurso pronunciado parn corwcncer óS .seus oposUorts: •'Sem cru.são de ~mtuc. sem :1.Rl•

S

NOVIDADES QUE JÁ T:f:M

DUZENTOS ANOS

EGUNOO O PROGRESSISMO, ••o podt, d• l1trcju n ão vem do :1110, mns de baixo; não reside cm seu Chefe, mas cm seus mtmbros, e slio êstcs que o delcgP.IU aos superiores. A. IRrcj:i êon.serva sempre umo. parrc de seu pOdcr originá. do, porque sua constituição é es::stnci:,tnicnte rcpu· bllc:ma. Aquêlcs a. quem tl::i. o c-omunlc:1 não são cm .\'UnHr stnão m:md.at:írlos. O p róprio P~1p:1 não I: Stn.~o o mais elevado de b'tus scrvidotts; êlc U'.1-n• Wm E: um filho da lgTeja''. os progressis1as n:lo titut,thlm c,u liri1r :i.s con• clu.sõcs d€s:sts erros: onde $ scg:uc que a Igreja n ão cem poder lc,ti-,làüvo, cm pnrtitular cm qucsrõcs d e casamcn• co, a.1 qual$ S;to t6d?...~ de :il~nda cxc1u.$iva do Es,. fado. "De onde se seRu e rmnbl:m que :1 lgrcjn sai de sc-us limiles e se :arroga direitos que n ~o rem, quan· do .se pe.rmltc exerct'r um po<ftr admini.')1r.ltlvo c-m b'tu próprio grêmio. Mt~,ino .-i(, os :.'UCCSSOrtS do Bom Pa:.--Cor dcvcrl3m límH:1r« a pc-rsu t.d.lr, a aron. ~"tU1~r e :1 cxorlar, m:l.s nunc:, m:mdar, com au:d s forte r.17.iÍO nunc-a punir. "F.Lç porque n:io h~ m:1l,; lugar p~10-~ mêdo de excomunb:"io. Devem-se consklcr:1r :l.ç ameiças de ca..,1igo por p:1rte do P:tp:a como aqut.fas vlndtls dos muítls ou dos bonzoN. " AJnd:1 m:ds condenável é Y.. exttn.s5o que a Igreja !)retende dar :J stu pode,r n.:is c-ois:\S txtcrio• rés, c.m ourros têm10$, o catolicisrno ,-•político", o '"bclarminb,m o'', o ''hildcbr:mdismo''. ( • . , J. "Por ii;so nun~ ~r3 demais ln.Silt.ilr sôbre o principio de que o poder d:1 Igreja é puramtnCc tspirltual. t desejo dt todos os bons cristãos que ela scJi>, rc.eondu7jd:1 a e;',,.'-'1 c.ôr1ecpção, e dcvC•$e .-.audar com reconhcdmcnto Cudo o Que é de molde ::t rtintea.r,-:ta cm seus limites naturais, :iind:1 que seja uma revolução e<,mo a Revolução F~ncts."I", Investe o progressismo eonlra o do,::rn:11 conrra a moral, con(rn as devO(ÕCS: populares, confr.1 o Breviário, contra 1.1 dcvo(iio :10 Cor:1çio de Jesus, contr:., o cullo dos S:11110.s e C$JlC<'iahntnrc contra :1 devotão i\ S:1.ntíssinrn Vlrgcin, ;i Quem ousa retcrir-.5c como "ser intermediário corre Deu., e o., S:mtos, que sc.rvla de alimento :10 (lue monges vi.~ionários cham:.1v;Lm de culto de hiperdulln''. O tl.!,'S;'lltO dos

e

··oc

latões, só o Pa,pa pode reorgantZ.1r os católicos da Ft:ança sob n obediência republicana. Eu pedi isto a êle. Umu vcz submetido o calolidsmo pelo aícto, poderei suprimir o intcn11cdiário cstrongtlro, concllindor cnlre a Repúblk::a e os ecksi:islicos. A dircçüo dêstcs úhimos flcnr4 então in telrumentc nas mãos do go. vêrno. 'fals sfto niinbas intcnçôc$, Não podeis con• fi:.lr em mim?" - Pouro depois d:l batalha de M1irtngo, N:1p0Jtão deu In icio A cxccuçiio dffle p i.an o, pedindo no dt-at 8[.q)o de Verc-clll que sondasse a Santa S6 sôbre :1 90S$lbllldade de negociações. Com a sua costtunt:l. rn f:'IL'fldade, não declarou logo que queria que o Pnpa acdtusse os princípios rcvoluc.loruirios, e que seu ot,.. jctivo último era conqui.« ar p:i_ra a Rcvotu(5o o Que considcr:avn "a má.is prodigi0$3 alovnnca dn oplni:'ío do resto do mundo'', como confessou paslcriom,cntt, As condiç&s lmp<,stas, no entànlo, jli eram muito oncro:.1as para a Igreja: :1 aceit:u;ão da venda dos bens tclcsllbtic-os feita pelos sucessivos goven,os rt· volucion'-rios e o. complet~ remodclaç~o do Ep.Sco• p;tdo francês. A ocasi:io era a n1.1i.s oportuna parn essa proposta de negociações. Pouco unlts rara eleito cm Venc-ia o Cnrdtnl Chiaramonti pani suceder ao Pa_p a Pio Vl, que faleeer2 na Franç:a, prisiondro da Revolu• ç:io. O nôvo Pontífice escolhera o nome de Pio VJI, O Cardeal Chi.animonli pertcnd:l à nobreza it.'l.• Uann e {ôra Beneditino. Nomeado Bispo de Tívoll e nrnls tarclc de Imola,, quando ::as tropas rcvoludo. nári::as lnv:idirnm tst.a última Diocese procurou hnpedir q u:ilqucr rcsist~nda, sob o prctêxlo de evitar o clerr:unamtnto de sangue. Mnis tarde, num:1 Carla Pastoral, chegou ~1 on.nnar que n;io havia oposi(;io entre os prindpios revoludonir-ios e os cns-Jn:un cntos do Evangelho. Um dos primeiros aios do nôvo Ponltrke (oi nomear Mon.stnhor trcole Cons:ilvi p:ir:t Secretário de Estado. lnleligtnlc, hft.bil, muHo c:11paz, S3bcndo adaptar-se a qu:ilquc.r ambiente, bsc Prelado teve sôbre Pio VU, dur.mlc mullo tem,po, um nsce:ndentc qun.se: compltto. Elevndo no Cnrdin:11:110 pouco depois. o Prestígio que soubera conqui.st~r duranlc o Conchave de Ve:nt'ta, e as novas J,onras que re-ccbla, permilir:un-lhe d.-ir início a uma rtmodclotão dos Estndos Ponflrícios de :.côrdo com as novns Idéias, d3s qu:Jis cr:i, ptlo menos, um admlrfldor t.n1uslash1. 8r:1 m1tuml1 pol~, que cne.:m\S5e com satlsíação 11 po.sslbllld.-1cle de um diálogo c-om Bona1>nrtc. Bm rtsposfa à sondagem do Ptimtiro Cônsul, Pio VU t nvlou a Paris o Arcebispo de Corinto, Monsenhor S:pln:1, e o Padre Ca.,-elll. Essa mi$$:ÍO, que tni .seerer:a:, entabulou negoda('õcs que for.,m longas e dlfícei~ tnntn mal~ ouc- Nnpnleiln fa An.~ p,u1C'Os

e,..,..

ºgru~os profétkos:·~ vem sendo truubérn desferido conrra tudo o que a Jgrcj::1 e.stabeJC:Ccu para a sole-. nidade do culto dívlno no e-urso dos tempos. "Fiel a seu ~1>írito de ódio contr:-, a ld:\dc Médl.a e eon1ra :a: cSC"Olistlca - o qu:1lJ sob prctêxto d e não :1dmifir .senão o hlslórico, rcltjt;:1 :10 O!l1r.1clsmo mil :rnos de. História, e eonsidcn1 como doutrina da lg.nj:l'I Unicamente o que se acha mcnclonndo a ê$SC respeito nos es critos eoncemc.ntes a suas: mais remotas origens - o progr~smo não ..idmlte da vidn reli,:tiosa a niio ser o q ue: ê.le descobriu no ltmpo das: ent..1cuinb:.ls. U,n galpão de madclr:a, no qu:il há luga.r p:1rn uma dú7.ia de pc.'l.,çoaç. uma safo subtcrr!lnc:1 sem lu>'., sem orn~mtntos, coin ns paredes c:1lad:is, uma mesa que se rran~iorma cm nlfnr e sõbrc n qunl se cotoe1m1 dul)S veras fumacentas. ral é seu ide:il da Igreja e do cullo divino, idc:d pt.lo (Juol é!r .se entusi;"t.:,,Tn:1. M3.S' .-.s i,:rejas grnndcs e cl:ir:1s, os quadros, QS c:mdcl:1bros, as velas nu1uero.sns, o Incenso, o ca.nto, ludo isso lhe faz m:il à cabeça e :10 cor.1ç:io, tudo isso é uma pro'V'a ele que a IRrej;i se nmnd:inb.ou no tempo d:1 csco~ Jástlc:i, e :1f:1Stou-St' do ~-pfrifo da antiguidade, ~m como dia pur:1 rclfai~o. Um só aliar cm cnd~1 (grej:1, umn s6 Mi.s.'i'.1, ou melhor :1indá, n:td:l de Mis.~ durontc :1 semana, e els n rt:form:a d:1 Igreja pronta e acabad:1. Sobretudo, m1da de procissões, nnda de dc,·oçõcs extr11ordin:írfo,s, n:1d.a d e peregrin:ações, éSff.S prctcx10s piedosos para :tlCS{rc.,; piquenique$j n:ld:l de dfas s:1ntos, Que caus:.rn, trio grnndcs p rcjub.os à tndústrfo e à pkd.;1de". Igualmente d1ocunfc p ;1ra os progress:istas é õ c:clib;Uo celcsiá:,1ico. Um.1 multídi'io de escritos sai a lume contrn êle. ;1A inlrodu~ão do tas:untnto d os P;,dres é um:t n ecessidade premente de noss:& éJ)Oca, se não s~ q1,1lser pôr cm risco 11 mór:1I, :1 rcllgi.ão e o bem dos Estados. Ntm a r:w..:io, nc.rn :, Escrifurn , nem a antiguldnde crhi:l falam :, f:wor dessa iusCHuitfio. Foi sômenlc Gregório Vil quem a inlrodux.iu. Nossos tempos s:1o bem diferentes dos tempos anflgM, e nossos cc1tsl:\sticos atu:1i$ têm outra Instrução que t.Sscs monges pa.ra quem o ccllb:'lto pode ler sido satufar".

***

tornando claro seu desejo de ciue o Papa accif:LSSt a ReYolut-ã o e se submetem cm ludo à s:ua vontadt. Niio Vflmos neômp:a.nh:ir a ~qüfnc1;-. das iinpcr-tinên. das, mtnllras e nmeaças com que Nnp ole:to pro. curou forçar a sltuaç.:io, colocando a Sa.nt:1 Sé di:1ncc do '31so dilema de ceder ou perder. O falo é que. depois de vinte e seis p rojetos e de uma viagem nprcssadn do C1\rdc?A Conffllvl n Paris, afinal se chc. gou o acôrdo e foi possível n cclcbmç:io de uma Concordnt.a. No di;1 lS de agôsto de 1301, com a E:ncíclk1i "Ecdts-ia Christl'', Pio Vil onunci:,va CS$a Concordata ao mundo calólico, mas o govtrno fra ncês de-morou para r utiftdi-ln, só o faicndo depois de ln· corporar ao seu texro os chamados tir11go~ orgi.nicos1 que modJ!icav:un o que fôra comblnlldo e sujeitavam a 1.g ,nja ao poder coerCitivo do govêmo. De m1da v:alcrmn os p rotestos de Pio VII. O govi:rno francês rtíugiou-sc n:a dcsculp~ de que seria impo'ssível conseguir a aprov:tç:io lcgisl!ltiva da Concord~lh'l sem os artigos orgânicos, e com Isso se ctiou um;a situação :uubfgua. Umn das exigências de Napoleão foi a demtss.1o de todo o Episcopado rranc-ts. A :iceltaçiio dessa imposição, .sem prccedtntcs n.a R i.stórifl, e outrns e:ontt.s.Wcs ftlt:1.$ pela Santa Sé e:iusnrnm grande c.s· cllnd.alo. O povo ro1m\no exprimiu bem n impressiio gcr:ll c:ws~d:\ Dela Concotd:-.ta, cscrtvendo na ban de uma estátua mutilada de Roma, o seguinte verso: ''Pio [VI) ptr consnv.ar la {cde / PerdC ln Scdt. / Pio {VIII per conservar la Sede / Pcrd~ ta ftdt''. O P:1p:1 logo vcrificar!i que a polítk~1 de c-cdcr puni niio perder condux à perda completa. l neontcn. aávd, Napolc:io cxi1tl'2 cnd.a vez mais, até que, não podendo mals ceder, P io VU t:u:nbém strá aprisionndo e só niio perderá tudo p0rquc, dcrrotodo pelos cxér<:itos eolig:\dos, o Imperador n~o podcrli cxi,tir mnls.

O que sobretudo e.s:panlA eiu todo ês.çe tr1stc tpf. sódio E q ue Napoleão nunc:\ fêz seg.-rêdo de que não negociava com a Snnla Sé senão porque ?.. m:iiori:l dos franceses cm católica e~ porranlo, por precls:ir do apoio d11 lgrt:j::i. Na fpoca cm que nbrin á~ ncgodatõts com Romn, de-cl:.1rou fie: '•Minhi1 política é ROvtrn:.r os homens como :1 maiorl:, quer ser ROvcrnndu. t êsst, n n minh11 opinião, o modo de fccon1ceer a sobcranl:i. do povo. f'oi tornando,me ('3· róllc-o qut ac-nbtl corn a guerra d.11 Vc11déiJ1, torn~ndo,mc mu.ssulm:1no é que me instalei no Egito, f:l. ·ctndo-tut ultr.unonfànO ganhei os cspí.ritos na lttília. Se tu ,:overn:ISSC urn povo de judeus, rtconsCruiria o l'cmplo de S:1tomão".

Fernando Furquim de Almeida

Dirão nossos leitores: tudo ls.-M .'Clo coisa.~ infelizmente ullrn-s-.tbidas e que po dem :çcr encon• trndas nos inúmeros livros, revls:1:1s e jornais :i M-r· viço do progreSSismo~ do IOOC e dos "grupos profélico.1'. Responderemos: f. verdade, mas desta \ 'C7. noss:1 ronle de in{()nn:1çfto é vclh:t de cêrc.1 de duuntos :mos. Tudo o que tlcima se lê não p,r.s:, de resumo ou de tr.mscriçi'io lilernl de trechos do c-apftulo VI do 11\•ro ~~o Perigo Religio:.'01 ' do conhecido pe:nsador caróllco Padre A. M. Wels.,, O. P., venfrio íranCC$l-l do original :1ltmão (P. 1....c· thiellcux, LlbraJre-Editcur, P:1ri.\:1 1906, pp. 236-2S3). Trata o :tutor nesse capítulo do "ncoc:-atolict~uo1 • ou "c:11olleismo reformador'', mistura de g:illc:mi!.• mo, j:ulSCnismo-, ícbroni:mismo, joscfisn101 Uvrc-ptn~ s:m1tnro, que encontrou su::1 mais completa ~xpress;io no sí.nodo de Pistói:1 (1786), "mi$111r:1 que foi o úHl:mo lr:'lb:llho prtparnfório d:a dissoluti'io gcr;1I, no fim do .século XVIII, e à Qlr.d n!io podt'mos da.r outro nome senão o de segund:1 8cfornm" (p. 227). Além de resumir alguns trecho.o..:, limit:uno-nos ll m udar o~ verbos do p nssado p~_r:i o prc.s<:ntc, e 3 ~ubsti(utr os no mes de «cMolici.s rno rdonnador'' ou " neoc:,tolicismo'', por seus con-c.irpondcntcs hodiernos, que são '1 progrcssismo" e "grupos profétleo.s•'. 1'rrmln a o autor o referido c:apítulo com as &~uintes p:ihlvr:ts., q ue tumbfm se :1plic:1m, ponco por ponto. o.os nossos dJJ>..s: "Cc,mprc-cndcmos por• que, no fim do ~culo XVIII, a Igrcj:a desmoronou tão sitbif:1mentc na Fr:uu:a e na Alemanha. Seus inimigos cxttmos nunca teri:un podido derrubá•l..la, Oe f:tto, Ela resi~iiu :ao poder de Volt:dre, ?.O de Robespierre e :'IO de Napoldio. Mas, quando _., gucmi civil se implántou cm seu seio e os traidores d e dcnt:ro deram o. m:io nos inimigos de for:l, sun perda íol incvHávcl. J á os Padres da Igreja tinham Ob,trv:,do que :is 1,crsc-guições lêm por deito fortificar :i lgrcj:a, m:i.s q ue. uma e:ms:1 dt dcblllh1çâo p:.lra Ela é a dbulnulção da ff, do amor :'l Efa e da vid3 sobrtn~turnl e.m seus membros'" (pp. 261-262). A História se re!}ttt. e nôvo vag.ilhJo revoludon~.rio esrruge aJtora sôbrc a Ctlst?.ndade.

J. de Azeredo Santos 7


*

COORDENAR ESFORÇOS, FORMAR ELITES, TAREFA URGENTE NESTA CRISE DE CIVILIZA fÃO "Sr. Prttldt.nte, StnhOl'd,

D

mlftll.as

s~fthoras,

mtU$

.:seio

COMECAR minha exposltào pelo cumprlmf!nto de 11tn ara10 dut.r,

qut 4, o dt dar u boas,vlnd"-'J 110 5010 ~i,a 111 aumuosa, dt1ttac6es e.str-angcl.rlU,

procedtntu dt todos os quadrante,. A B-fUtln oraulha.u- da mlssiio que lhe- .:onfllllm a ·n1s.16rfa t a CcO-arafla; ela /: uma ttn-a de tn· eontro1 t lntttdmblos, oa cncrUllJhada da Europa, no cort1t!i'.o do O(idetttC'. t.4te doer de M,spl.talld.ade f,mt tanto mals a:ralo qu.anto •ós que JOls nossos h6$pc:dts hOJt, •ós i,tr-, lcnccb todo$ à trandc (Omunldade dO!J homtllJ Uvrts, • esta ramflla ~plrUual que sob a pr~o da ntC'tSSld.adt proeura refa:ur sua urtldadt'. a rim de salvq;uarda.r as Ubtrdadcs e • dl.gnldade tusmaníl$ onck t1a.f v'kcJam a inda, t • flr:u de luar uma mtnslt.ltm dt t'S.IMranç-a ls oaçõt.s oprtts&.'I .sob o piso do Co-

fallu1.rls:i:no man:I.Ua, r.t~

C'ln ffu.)

prlndplos,

odlo~ nos seus mftodos., Que noua ramUla e.Jplrirual tJtda à procura dt sua unJdadt, que tia desde c-oordtnar iuM lnldalh'as, noSS2S t'Onltrhdas, t.nlrt ou• dilo disso um ttSltmunho rttOnfortor:ice, fnu. contribuindo para romper o clima dt dtc:•• dênda moraJ e de lerror4uto lalel«rua.t no qual subme.-.:em as sotltdades ~ ldcnlab, Cu• muladlLS de lxndfelo.1 e dt riqueza., materiais, al"'vcuam ti.as uma crltt sem prttcdentes c diO-k o luxo mahão de se tnlrt1artm à ~ dufio do nllllsmo, A atratlo do n2d• .

Para t'Ompr«ndtr tsla crise de eMllb(-ào e.umptt txamJoar, dt um lado, u Unhas de fõrt•, o patrimônio, o potcnda.l lateltcluaJ de no$U dvlUurfo cm erlst e, dt outro lado-, a..s ldflu Que Jo1ra.ram QUtbntr • ~do e,.:pl111u.al de-ita ch'IUz.aç-lo. O ancuuto, que f. compluo, t:d1lrta um amplo deun,-0Mmcn10. Rt· sumJ.Jo f oeet'uàrlamenle tmpobrttê~IO, Que oi t~aUsill$ me pndotm por l.anonr aqu.l .u m61tJplu nuant"t".S que êlt rt-Qutr,

Rejeitando o princípio de não-controdição Htrdtlra da J1lb«lorl11 «rr-a• t da coc:rhcb romana dt"M:nvolvldas e subUmadas na ordem <rlsOi 1 a dvllluariio oddtnt.11I foi edl· rkada J.Õbrt o prlodplo artstotfllco de nSo·C'OnlradlfAo,, ic:i undo o qv:al uma t"Olsa não podl' ur t nio i1t:r ao ntl'SOIO tempo e do mt"smo ponto de vlsr.11. Ela foi fortt e ft• t'Wld• c:11quaolo wai eUtu rtC'Onhecenm à lnlcllgêncla bumaoa, nlo o dlrcllo de criar vetdadt$ tffmtMIJ ao sabor de lntulfêSts subJtllvas., mlU o poder de opor o nr ao nada. dt dck'Obrlr o ru.l l' d<' o uptlmlr *dequadamtnte dlillnaulndo nélt o conlhtat:nlt: do nttt$.$4rlo, o partku'l ar do unlvenat, e o acl~ dtnlal do «sC'ndal. "A primeira convicç!lio lundamcnta.l ( •• •1 de codo o pen$amento hu• m:rino a.nceriormtn1c á0$ doi.s ,íllimos s.(!culos, ucre,-eu Jean DauJa1> é qucc a afltnHi.çl'io tlu· mana 1em um s.cniido, , Ql1c ilm e nio . silo palA.vr1U que lém um sentido e nllo Podem sct pctm1,11adas umn pel:ri oulrn, 6 que sim é Jlm e que não é nlo, f que nfio ,e pode dlict num dia o contr.írio do que se, diut: ma vúpcr.l s em csrnr errado pelo menO$ uma das duas vé«s. ~. em uma p:rih1vra, qut Cxi$<te uma vcrdadt" l' um ê.ttO que nio st confundtm" (•'Connallrt IC' c-ommunbmt'\ F.d. Lll Cok>mbt. Pa ris, 1961), Pste mOdo de Pt''"•r. n111ural e tradklon.J, • fllo10na dila moduna rtMtou-o proa:ressl· l'amtntc. Para fft«tl o mu.ndo nlo nri m.lllll: qu~ o rcnuo do pt-ruamenlo, e nlo exl.sticl sen5o pdo movimento d(t$t pen$11Dltnto tnfrt uma fuc e uma antftese dots:tlnad&$ 11 k confundlttm em um• dnlut da qval na.t«ri nett$$lrl•mtnlr. uni• oov• evolu"5o c:onrradllóA~m Jt' sb1tm1th:.a no btitUanJsmo • t'Onlwl.o das ~6u de: vcrd1de t de érro, dt aflrmaçio e dt: ntit•tlo, de bem e dt 1nal, Ctde:bdo ao OrJtUlho e não mais obt:dttt.ndo 6-tnlo • suas próprias lels, a lnltU· afnda humAna fmo mais se rdtrt ao rtAI: ela rabrlt111 artltlelalmtnlt" •aJores atbllr4rlc» e momtnfbt-0s wJ• t"Onfradldo lhe allmcn1a o mo't'lmenlo frenfllco .

rf•.

O papel que Htttl •tribufa à.( ld,1a,, Marx n.io far4 malJ Que confl:5,lo às f61'\'U m• ter1•Js para ace.lcru a «ISt de d•llh.atiío t'm que t-~a:mos e da QHI o t<oõmtoo cootut.r,no c-oiutHuJ • mais rtc.t:ote JnJ,nlfula(~o, a v-cr'$lo mal$ Hflotada, Um.a vex que nada mab f verdadeiro, uma

n~ que n.ada mais f ralso. uma •n que para Mane s6 a conlradltito das fôr'("IU n1111Cerlal$ cria o homem t a H4"6rla, o unl•t:r"° não deve $tr c:ottheddo na su11 Yt:rd.adt: mas deve ser lnlllStornaado. Pa.n forjar o futuro, Isto f, o mo•lmtnto, para acelerar o "scn11do da História-''• a dla.ltlfc-a reYoludon4rla uaccrba t u .aspera tõd.as as f&rç-as H,Paxt$ dt as,e.a.urar pelo seu antaaonJsmo st.mprc: rcnasttQ· le a mul:a("':Í.O ln.ll'LIHTUPI• do ulllnrso. A.s:slm so dCStDYOh'O • "rc:volotÍiÍO pennaacatol'': da se- opõe: a lôda ordem, tla derrub11 os mal$ a llos valores e 2.., mah fecundas tradlçi5eii. Encontrando em $1 01t$m:l sua únlu f_lnaUdadc, tl:a tdeollnu o ser e o nad• numa suhYtr$ào perfeita cuJiu dt:va.sla(k1 $C ala.~ lrtam t que o.io Poupa nada, nem os. c-osh.1• me.s. Dt"rn 1S lnstllulf&e.s tl•ls, nem a uni• "tnldade, nem a l,cre}a. Ao pcnsamcnco ocidental , t'Omo A$ o.u1J1 allas msinlftslações do t"spl'rlto humano unlVt"nal que st fundam n.a. tXblênda de nr• dadts ob}elJvasJ dt ulorH perman~nlt~ de lels nnlural.s que a lottlJ•êncla f capa~ de p,crubt'r e que uUrapwam a.s •ontades Individuais arl)lfnirlas e hu14Ycls.t o manlsmo opõe a teoria t: a pnSllu da t'Yoluçáo h.1$. t6rlta, mulUformc: e. d1da de- eoo1radlfioj • 1unclo • qt12l1 como o dld por exemplo 'Fldtl Cas1ro, "a •trdndc: enqu:uuo emidadc ( ..• } t:nq1,1an10 c.llesorfa filosófica 1, . • J não uis1e" (F1del C1Utro, "A Rnol'U(iío Cubao.a•J, Maspc:ro, 196$). Scri portanto verdadeiro~ Knl moral kJt'UDdo o peo.sa.menlo marxbta, ludo o ciue contribuir para a dtffnllcio da soe:ltdadt"burauu.a'' t: para o adnoto da ditadura do "proltfarlado". Sd• qual fõr a. fa('(áo ma,-. xlsla que ' t con."'1dctt, • mdma h«aoc.a Q. roJ6flu àpa.r«t". l'thr.x e F.naels dirão qut: "nas ditttenlc$ l::t~<'$ d:a lul a t.,, J os comunina.s rep,cstntam por 16<1:. pnnc- e 5t'M~ pre OS inter~ do mo•imtnlo intcgrnl" (''ManlteSlo do Partido Comunbta"), ao pas. ,o que Mao Tsbtuog sustenC• ri que "~ lei da cont,adt('!o ( .. . J é :\ lei rundnmcnl:ll dn Cli:alétitA mAleriàlista" (Mao T$E-tvna., ' 'A pro. PN,ilo da cootndltlo", 1931), H4 pois vma unidade dlalftka rundamenfal c:ntff fodoJ os movlmt.nlo!i maJ'Xlstas, U:Jam fies 50vlfllcos, maofstas, tobaoos, trotskistas, a.ruuqahta1. 4tuaclonlstlLJ ou "crlS:fio~''• e qualsquer que: $1:Jam par outro lado ~ li.li.$ dlvc.rs:éndas, t m<smo St!US an1a,:oolltnos. Quando o movlme.nto lnte,aral toma-~ a lei $Uprtma, Quaodo o obJedvo d11 afio Polítlca ruldt t:tn actlt!rar a HW6rla colocando em opoiltâo dlalfd<a Jer'UPG.S. pt$SO~ Jdfla.s, quando a or6prb t:itUtênda das rt'Alldades oi),. J,cU'f'll$ k vf frrt"mt"dl.htlmtnle rtcu$11da, as palavras, a Uoaua,em - d.as quab os c-spf. ritos ocldtnlals se- nrnn1 pan exprlmlr c:. uas rtalldadt& ol)Jttlvu da ma.ot"lra maJs adt-Quada e prcdn - rtlo consfflutm mals do que outros fanfos Sk>,ians euJo conte6do Y:lJ'tani ~aundo a oportu.nJdadt do momento. i.eaundo as n«eMldadcs mutibels da •tão.

Exemplo concreto do ombigüidode marxista A~lm - e tu dts(o aaora • exemplo$ toDttttot • notio dt paz traduz no Pf'l\il· mcnlo lradldonal a. afflnda de •1olhclas ou dt const.ran,rlmcntos N.dc-os t" morais. No dia. lfllt.:. mandsta, fal M(âo Ji,rnUJca a suprt"5Miio_. mesmo Yl<>ltnla, de qualquer obiticulo que rdl'tlC' o movlmtnlo rnotudon,r10 t o ..,.t"nto da Hb16ri.a".

A aldlbt da "cotxl$1intl• pat,fflea" rt.nla melhor alDda • amblll(lldade t'und11mHfa1 da 11.nauq:C'm martbta. Enqu.anlo para os od, denlals fs:st: cont<lto exprime • txUthda de dois ou mais JbltmllS polUlt"o.s e- «onôml· t'OS que k dt.stMolvtm panl<l•mcotc: sc:m pn>l'urattm entnr cm t'Onfll(o, para o,- ma,.. xbtas o n1csmo cont"t:lto, 02.Stldo do Impasse atómico, não c:sprlmt u.nlio uma mud.anta de tlilka nll procura dt um objetivo lmuld.nl, no caso a extensão do comuAlsmo a.o mu11do loltlro. "A coexistência p:ic:Hic:a deve ur bem compreendida., dlrd Krucbev em discurso pro,. nundado em NoYot:lblr1S( em 10 dt outubro de. 1959, .8 o PtOssttuimetHO da luta entre dois s is tem:u. MX:iai1-, e para n6s umA 1u1a eron-õmic:.a, Políliea e ideo16a.ica", E diante: da Com.lsslo Central de $Cu P·artldo. suu ameatas ílUJ.ato•K mals daru, um.a vc:~ que ttt. o ardflct t o IC'Órlco da "eoulstênda pacf. fie•", prtt"bna nestes ctrmo", para wo do$ rttlmu comunb:tiu Instalados. os UmHC'.$ la-

transponfnb dela: •·con~cntir na eoexistê:n-cin pacifica cntrt u idco103ia.s oomuni.stu e bur• gueus. E ( , , ,J c<1n1ribuir para a dttl'rioraçio da consdênda popuhtr, Tcm0$ luudo atl o prtS(n1e nlo só contta a Ideologia burguesa mas eontrõi seus agentes entre n6s t . . .). Há p,c$$()l3 que s e ddxan, a.pn.nhar pelo n.nw 1 d-' propa,ganda burguesi, <1uc proçur:un dc.sprn.u a tcorin. e n pr·itka d:t tdUlcaç.lo do comu• ni$m0. N Ao podemos e nãO devC"mos :admitir 1~Ls fatos, Oevem.o-nos opor rcsolutamenle ¼qudts que tentam solap3r a confianÇa que. o POVO tem no Partido. IM<> E dito <omo advet1ênc:in. t melhor n3o es perar que a$ COÍ• sas se agr~vcm ;1 tal J)OtllO, que uma :idvt:r· cênci:t ji não $l'J:\ suficiente". Era lembrar ao.J pa{f.e$ oprimidos qut: os dilO$ dl$1t.o!ihos t os equhoco.s da cot::xlstên• da pacttka não t:ram i tMO am produto dt u :Portllltiio, uma prop;iaand.a du~u.rosa destl· nad.a a en.trtltr • euforia e a ldar,rta ocldenlstls. O povo <htt"o e:,iqueeeu t'St11 adnrtênda rreqUcotcmtnle re.pellda por Kruchn e seof s uet5sorts. 8.s1e foi uu trro. pa.to com t6.a:rl• mas e sanitul', anle O$ ol.hos tsiu1Mt11t"tos do mundo livre. O upanloso, contudo. nlo foi a lntervtctâo do Crtmlln, O upanloso E qoe o muod<> se tc:nba espantado tAo un!1t1lmc-n1enlt> um11 ve,; que tUSII lnltrYtD(fiO se ln,. serl.A com l6Xlt:à lml)lac1hel no proce:uo dl.a,. IHlto marxlna qut: analisamos acima, bt'm como no plano das ambl~5t$ imperlaJlstas d• União Sovlftka, Dt-tdt • "primavera de Pra,a''• as vou!C c-httas fvld.as de Ubtrdadt toram redu%1das ao Mlfndo uma ap6.s oucni. Na própria t.Jnlilo So.-Wlca. o F.stado 1otalllii.rlo rtSJ)Ondt às vcltldade.s dt lndtpt"ndincla da "lnlelU,rc:nl· ~a'' por um• reprt"S$iío trt$<:tnh:, ~la unJada das perugultõei t dH prls6es arbflnlria.f. P. a,peJar disso, aJ)C'Sar da pcnefra(lo M)• vltllC11 no M~lltnilneo e no Orience Mfdlo, apq:.r da prU$itO maobla $Õl)rt os povos u.. Y"rts da ..Ula, apesar da a.,iratio t da <'hanlllc t JQUtrd~t• na t -uropa e nos ts:Cados \JnJ. dos, apts.ar da aucrrllha lanada e da ~Ub\'t"raio mental qu.e reina cm nosus unhtrSldadc-s, os partldlirios ot"ldt.nlals dt um dltito10 de dmpl6rlos c.om Pequim t de ntit0claçõH 1tmtrirlas com Moscou, bJain nonmtnle aUo e torte.

Vfllmsu dt 5111115 qulmt'I'&.$, os mal$ lno«ntc-.,. ena.i.nAm•k a d mt$1UOS, Os mais con.st"lt!nlei. cnumm • oplnHío p61>1Lea Por <umplkldade, compladl'ltl• ou c-ov&rdla.

A CONFERENCIA que apresentamos nesta página foi pronunciada pelo Sr. PAUL VANKERKHOVEN na sessão inaugural conjunta dos Congressos promovidos em Bru.felas, em nove,nbro do ano ,,assado, pelo Europcan Freedom Council (Conselho Europeu para a Liberdade) e pelo Anti-Bolshevik Bloc of Nations. Com sede na capital da Bélgica, o EFC congrega as principais entidades anticomunistas da Europa, sendo presidido atualmente pelo Sr. O. B. Kraft, representa11te dos países 11órdicos. O Anti-Bolshevik Bloc of Nations - mais conhecido pela sigla ABN - foi fundado para representar 110 mundo livre os povos europeus subjugados pelo comu11is1110, e é dirigido pelo Sr. e a Sra. Y Stezko, os quais têrn recebido ataq11es diretos e nominais do Cremlim por s11as atit11des desassombradame11te antitnarxistas. ·O EFC reúne an11almente em uma das capitais do Velho Mttndo destacadas personalidades anticomunistas e11ropéias, para analisarem a situação política mundial e fixarem metas comuns de ação. A TFP foi uma das poucas entidades não européias convidadas para o certarne de 1970. O Sr. Paul Vankerkhoven representou nesse congresso a Ligue Internationale pour la Liberté, a qual realiza em n11merosos paises um i11te11so trabalho de formação ideológica da juve11tude, especialmente estudantil, e pro111ove a divulgação de obras de caráter antimarxista. S. Sa. é igua/,nente Presidente-Diretor do Cercle des Nations, prestigiosa entidade que tern à testa de seu Co,nité de Honra o Príncipe François de Mérode, e inclui entre seus objetivos principais "a promoção da vocação internadonal de Bruxelas pelo estabelecimento de contactos culturais, diplomáticos, políticos e econômicos internacionais", como se lê em seus estatutos. Consagrado escritor e confere11cista, dirige ainda o Sr. Vankerkhoven o jornal "Damocles". Traduzimos do francês o texto da conferência que êle pronunciou na sessão de abertura dos Congressos do EFC e da ABN (os subtítulos são desta redação).

Coordenar e.sforços, formar elites Sr. Prucldentc:, Senhoras, Stnhott.s,, AtE aquJ !i6 os promotoru da rnoturlo m•rXIS1a tiveram um• • tio vcrdadt"lramente roordenada t vttdadclntntnle perman.tnte, O lt"mpo urs:o. St qut"ttmos s.1llnr os •alores U· plrfllaals t morab da hu.manldade, se quercmo,llmpaz nouu dddc:1 dos flacdos que as mac;ulam. se r«usamos para n6.s mc:smos, para n<isw fa.míll•s, para Jl0$$l;S aat<kl, a dcmlssilio a humllbat-lo e • eapltul.açl o nna1, f uraen.1t <'OOrdena, todos os c.sfOrfO$ e formar, prindpatmcolt entre • Juvtolude, •s dlll'S hiltl«• tuab, moral$ e p,oUClcas que hão de r«Udr na tempe;:,ilade, Que domlundo as rlvallcladts pc:.s.soah t as dJnrsbdas k'<Undíirtas, essas emu 5e c:rom, QVt elas R apoiem mlHuamtnll' e;m •f6es concretas, que A f6rça de t'Orai:em moral e- de Ptl'ftYCta.nca tla.J quc,b~m • pala,-,.. de ordem do lilfodo a:raç-as la qua.t uma Informação ma. nlpulada ou alemorlud11 tOodklona a opinião, e cntiio a maioria atE qora ,Ucndosa da.s ptJ.. soas dt bem, • multld:!io Janor• da dlS Sntt:-lhtE-Dtlas daras e, das coC5t:lhdas tttas n.lo dclxari dt rtt0nhcccr c-omo nus t dt ,~ulr hsc:s novos canlt"lro~ de uma noya ttuzad.a. Sem no$$a unliio, !t"m a coesão lolernadon:a.l de t6da.J as fÔ~lllll sad.las, a s ubvers5o triun, fa oce pode des truir as nou:u mais taras llb«· d.adH, os oo.ssos ma.Is prcclo$0-1 tesouros tt-· plrltuals, Ma5:o na bdra do abismo em QUl' eit.amos, nono.s tdo.rtO$ conJu.rado11 podun •Jnda tudo satur, DtPt"ftdt de nós, dt noss.a vontade dt unidade, Que a ($C·urldiio k lorne m•Js l'$J>C'.Ua. ou, J)C'lo t'On.tnSrlo, Qut u:ma nou auron $t ltvanle no Oddc-ntc t 16brt os pa1't"s oprimidos. A ta refa f 4rdua, m.s t i.a aio No fim da nolfo •cremos • IIU.

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lnarata.

Paul Vankerkhoven

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Nos clichês, aspectos da sede do Cercle des Nations, de Bru• xelas, cujo Presidente é o Sr. Paul Vankerkhoven


l Duut, ·ott: MONS. ANTONIO R1at111u) 00 tto:;AltlO

UMA HERESIA que escandalizou os católicos fiéis cm fins do século passado, parece agora surpreendentemente atual. O americanismo, condenado por Leão XIII em 1899, não morreu, pois seus erros foram retomados pelo "Sillon", pelo modernismo, e hoj e vemo-los professados e propagados dentro da Igreja, impunemente, em sermões, conferências, livros, artigos de imprensa. Quem lê as obras dos autores americanistas, tem a impressão de que foram escritas por algum adepto da Igreja "pós-conciliar", da Igreja-Nova do IDOC e dos "grupos proféticos", do Pe. Co1nhlin e outros. No entanto vieram a lume há quase um século. Nas fotos desta página, o fundador do americanismo, Padre Isaac Thomas 1-Ietker, e um de seus principais seguidores, o Arcebispo de Saint Paul de Minnesota, Monsenhor John Ireland. Também um adversário enérgico dessa corrente: o Cardeal Francesco Satolli, que fôra Delegado Apostólico cm Washington. O brasão é do Papa Leão XIII.

P:1dn: l•lcd,cr. fund~,dor e ··profcrn" do an,etic:rniJ.mo

Cardc:,I S::tto11i, que

Monsenhor John lrcland,

comb:ucu a novo corrente

N.º

2 4 8

A G Ô STO

princip:d líder americnnista

DE

1 9 7 1

ANO

X X 1 CrS 1,50


U1na velha heresÍa perieÍta1nente atual

E

M FINS DO Sf:CULO passado,

uma nova doutrina escandalizava os católicos: era o llmericanismo. Ela foi condenada em 1899 por Leão XIII na Carta Apostólica "Testem Benevolentiae", dirigida ao Cardeal James Gibbons, Arcebispo de Baltimore e Primaz dos Estados Unidos. Apesar dessa condenação, os erros americanistas foram retomados e largamente dinfundidos por outros movimentos, como por exemplo o "Sillon" e o modernismo, ambos condenados por São Pio X. Ao serem lidos hoje, os escritos americanistas causam-nos uma impressão de surpreendente atualidade. São estas velhas doutrinas reprovadas que deparamos presentemente cm sermões, em conferências, cm discursos e documentos de eclesiásticos e leigos de prol. O que ontem foi condenado, hoje é ensinado. Teria a Igreja mudado? Sua verdade não é sempre a mesma? E as palavras de Jesus Cristo não permanecem eternamente? Teria razão o redator da nota de apresentação do Pe. Comblin na capa do seu livro sôbre a "teologia da Revolução", quando afirma: "Mas li heresill de ontem é muitas vêzes a verdade de amllnhã" (J. Comblin, "Théologie de la Révolution". Ed. Universitaires, 1970)? Certamente não. A Igreja tem uma doutrina imutável e se alguém muda de doutrina já não é mais c:atólico.

O Padre Hecker, suas variações e suas visões A história do americanismo está lntimamente ligada à do Padre Isaac Thomas Hecker, pôsto que êstc foi o fundador e modêlo vivo dessa corrente doutrinária. Nasceu êle em Nova York e m 1819. Sua mãe era metodista, e o mehidismo muito o influenciou durante tôda a vida. A família Hecker era pobre e desde os dez anos Isaac Thomas teve que trabalhar, primeiro numa tipografia, e depois numa padaria. Aos quatorze anos começou a preocupar-se com política e filosofia e trocou o metodismo pelo kantismo. Aos 24 a nos, entrou •para o falanstério de Brook Farm - comunidade constituída segundo as teorias do filósofo Fourier - onde embebeu-se ainda mais das doutrinas filosóficas de Kant e sociais de Saint-Simon, tendo passado antes por tôdas as seitas protestantes da América, e militado no Partido Trabalhista de seu Estado natal, de tendências comunistas.

BARBJER, Emman u(l - "lfis1oirc du C3Lholicismc libérnl cl du calholicismc social cn Frnncc / Ou Concilc du Va1ic3n à l'avênemc,n de S. S. Bcnoil XV (1870-1914)" lmprimcric Y. Cadorct, 8ordc3ux, 1924, tome troisi~mc.

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MAIGNEN, C.M ., Chnrle:s - ··t.c P~rc Hccker cst-il un Saint? / Elude$ s-ur l'Américanismc" - Descléc, Lcfebvrc ct Cie. - Libt:tiric de Victor Rtl3ux, Rome-Paris. 1899. PIO rx - Sí1:1bo de S de dc,.cmbro de 1864, con. lendo os principais crtos de nossa époc-:.-, not:idos nas AIQC:uçõcs Consistori:iis, Encíclicas e ou1ras Letras Apostólicas do Nosso Santíssimo Padre. o Papn Pio IX Editôra Vozes Ltd:i .. Petrópolis, 1964. 4.• edição. SÃO PIO X - Carttl Apostólic:i ··Notre Charge Apos101ique··. de 25 de agôsto de 1910, sóbre os erros do ''Sillon" Editõra V07.t.$. Ltda .• Petrópolis.. 19$2, '2.ª edição. SÃO PIO X - Carta Encíclica "Pascc,,di Dominici Gregis"', de 8 de setembro de 1907, ~ôbrc o modernismo Editôra Vo1.c..~ Ltd3., Petrópolis, 19.52, 2." edição. (SÃO PIO X) - Decreto "Lamentabili", de 4 de julho de 1907, da Snti,rado. Inquisição Rom:rna e Universal (Sílabo das proposições dos modcrnist:,,s conde· nad:1s pela lgrcja) - Edit6ru Vo,,c$ l..tda.. PctrQpoli:c-, l 9S2. 2.*' cdiç5o.

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Converteu-se depois ao Catolicismo e foi pedir o batismo ao Bispo de Nova York, o futuro Cardeal Mac Closkay. Recebido em audiência, Heckcr não saiu contente, porque, disse mais tarde, o Prelado procurou antes descobrir e refutar seus erros do que saber das verdades que o tinham aproximado da Igreja. Hecker afirma que recusou dar explicações ao Bispo (Barbicr, pp. 249-250). ( 0 Apesar disso, foi batizado em t. de agôsto de 1844. f;le mesmo dizia: "eu me esgueirei 11a Jgrejll" (Maignen, p. 89). Hecker julgava-se então guiado diretamente pelo Espírito Santo. Afirmava que há muito tempo tinha visões e inspirações sobrenaturais e que a voz de Deus lhe falava. Na ante-véspera de seu batismo, escreveu o seguinte: "30 de julho - A voz interior se faz ouvir cada vez mais. Ela diz: "Soii e1L, escutai.' Ao que é nôvo, são necessárias vestimentas novas. Que prova dá (llgué,n de sua existência se fllZ só o que iá foi feito? Será que pode haver gênio 110 repetir o passado?" E mais adiante a voz lhe teria dito: "Eu diriio vossa pe,w, vossa palllvra, vossos pensamentos. vossos ll/etos, se be111 que não de modo sensível. Conhecereis porém nu,is clarllme11te quem .rou e tudo o que 111e concerne, se seguirdes minhas inspirações. Não tenwis ,uula, não podeis errar se vos deixardes guiar por 111im." (Maignen, pp. 20 e 22). Antes de se fazer católico, quando ainda estava no falanstério de Brook Farrn, Hecker teve a visão de uma jovem "de beleza tmgélica", cuja lembrança depois o obsidiava contlnuamente. Era como que uma "noiva" espectral que aparecera junto a seu leito. "Quando eu a olhavll, escreve êle, não vi,, nenhu,na tinha precisa, ,nas alguma coisa de divino que não saberia descrever. Esta imagem deixou 111na i111pressão indelével e11r meu espírito. eu continuei a sofrer sull influência, e agora estll se exerce ião freqüentemente, que o real em tôr110 de 11rim não me toca nuiis'' (Maignen, p. 23 ). As "visões" continuaram a assediá-lo mesmo depois de seu batismo. Assim é que em fins de 1844, já católico, enamorou-se de uma coisa não menos -misteriosa. A essa altura escreveu em seu diário: "18 de dezembro de I 844 - Sonhos de futuro, visões es1áticas! Esperanças e deseiOl· i11exprimíveis que enchem a alma inteiramente! Co1110 um a,1;0 doce, harmonioso e puro, como a desposada da almll triunfante, adornada para as 111lpcias, eu ve;o o Futuro convidar-me a ir ao encontro dêle co,11 u1n claro e luminoso sorriso! Ah! dizi(I minha altna, eu ,ne reunirei a ti, porque estou ern tull presença e, com li lljttda de Deus, per11ra11ecerei fiel a ti. A beleza, li graça e o a,nor que ,ne atrae,n não perr11ite111 qualquer co,nparação! Futuro, eter11a e radiosa virgenr, chegarei jamais a estreitar-te sóbre ,neu coração? Se olho para ,ni,n, eu ,ne curvo sôbre (I dor, 111as se levanto os olhos para ti, perco-me em ti. Tua graça e tua beleza passam p<zra minha alma e eu adivinha o que és. S011 teu desposado, e quisera q11e esta fôsse uma união eterna. Mas, q11ando olho para mim, eu te perco de vista, e não ve;o mais que as maneiras e defeitos de mi11/ra lllma. Como me vades limar? Por amor de ri, f11ndo-me em ti" (Maignen, p. 24) . Metáforas? Visões? Se são apenas metáforas literárias é preciso convir em que Heckcr estava apaixonado pelo futuro e só queria a ê le. g frisante a semelhança dêste texto com os devaneios gnósticos de Teilhard de Chardin! Tôdas estas visões e vozes mostram bem o quanto permanecera viva em Hecker a influência do metodismo, que ensina exatamente isso: que o Espírito de Deus inspira o crente e fala pela sua bôca. Em 1845, Hecker entrou para a Congregação Redentorista. Levou semanas para aprender o "Patcr" em latim. Passou três anos sem conseguir ler ou estudar. f>le não tinha diretor espiritual, como nunca teria depois. porque dizia que o próprio E.5pírito

Santo o dirigia: ··A rllzào pe/(1 qual se111pre tive ta11to interêsse llll doutrina da ação direta do Espirita Sa11ro na almll, é 111110 razão de experiência pessoal; /Ili verdade, ja111ais tive 011tro diretor" (Maignen, p. 30). Hecker ficou na Congregação de Santo Afonso de Ligório até 1857, quando foi excluído por ter violado os votos de pobreza e de obediência , ao ir a Roma sem licença dos Superiores e às próprias expensas. Em 1858, fundou a Congregação dos Paulistas, uma comunidade livre e sem votos. O fundador, com efeito, era contrário aos votos religiosos e queria um nôvo tipo de Sacerdote, adaptado ao modo de ser de "homens cheios de uma ;usta confiança em si 111es111os", como via os norte-americanos ( Maignen, p. 66). O Padre Heckcr passou os seus últimos dezesseis anos de vida com muitas doenças. Depois de morto suas idéias tiveram grande influência nos Estados Unidos, e mais ainda na França. O liberalismo católico, com todos os movimentos que dêle nasceram, acolheu as chamadas teses americanistas do Padre Hecker e dos Padres Paulistas; o terreno estava bem preparado para os novos erros. A polê mico americanista

Em 1894, veio a lume nos Bstados Unidos a "Vida do Padre Hecker", de autoria do Padre Elliot, da Congregação dos Paulistas, e com uma introdução de Monsenhor Ireland, Arcebispo de Saint Paul de Minnesota. A obra teve pouca reperc:ussão nos Estados Unidos. Três anos depois foi publicada em Paris cm tradução dq Padre Klein , jovem professor do Instituto Católico, cujo prefácio resumia as idéias de Hecker. Essa tradução repercutiu enormemente na França e também no Vaticano. Os americanis1as, como eram chamados os seguidores do Padre Hecker, tinham provocado já grande celeuma ao participarem do Parlamento das Religiões que reuniu em Chicago, em 1893, católic.os, protestantes, judeus, budistas, muçulmanos, espíritas, etc. As principais figuras católicas dêsse encontro ecumênico foram Monsenhor lreland, Arcebispo de Saint Paul , Monsenhor Kcane, Reitor da Universidade de Washington (que discorreu sôbre o tema "A religião final"), Monsenhor Redwood, norte-americano de Maryland e Arcebispo da Nova Zelândia, e o Padre Elliot, discípulo e biógrafo do Padre Hecker. Eram as idéias dêste grupo ecumenista e ircnista que o Padre Klein defendia no prefácio da edição francesa da biografia de Hecker. Imediatamente dois Sacerdotes ilustres, o Padre Charles Maignen e Monsenhor Henri Delassus, sairam a c:ampo em defesa da ortodoxia, atacando as teses americanistas. O primeiro escreveu o livro "O Padre Hecker é um Santo? / Estudos sôbre o Americanismo". O Cardeal Richard , de Paris, não lhe quis dar o "imprimatur" por temer melindrar os Bispos dos Estados Unidos. A obra recebeu então uma aprovação mais alta: a do Mestre dos Sacros Palácios, Frei Alberto Lepidi. Vários Arcebispos e Bispos franceses enviaram felicitações a Maignen, e o Cardeal Satolli, antigo Delegado Apostólico em Washington, escreveu-lhe uma carta de apoio irrestrito, com censuras aos que se lhe opunham. Os esquerdistas do tempo chamaram a si a defesa de Hecker e do americanismo. Destacaram-se nessa empreitada os Padres Klein, Naudet ( condenado mais tarde por São Pio X), Lemire, Loisy, Quiévreux, Gondal, Dabry. O "Sillon", de Marc Sangnier movimento depois fulminado por São Pio X - também apoiou, em parte, a campanha americanista. O P'adre Dabry afirmava então: "Apesar das diferenças de /ttndo, o americanismo e a Democracia Cristã se reconheceram como irn1ãO.\' e se deran, redprocamente testemu,,. .

11/ws de afeiç,io e de estima" (Barbier, p. 263). Para o Padre Dabry, o que unia americanistas e democratas-cristãos era a idéia de progresso. Os primeiros buscavam-no através do desenvolvimento da personalidade individual, enquanto a Democracia-Cristã queria a lcançá-lo pelo a perfeiçoamento das leis sociais. O Padre Quiévreux, como costumam fazer os que dizem ter como lema a liberdade e a fraternidade, atacou a pessoa do Padre Maignen com têrmos grosseiros e insultuosos ( Barbier, p. 263). O Padre Naudet escrevia no seu jornal "Justice Sociale": "'Ai11dll que nos trate111 de hereges, cre,nos que essas virtudes [as virtudes "ativas", fortaleza, justiça, prudência, temperança] são superiores à humildade e ti obediência" ( Barbier, p. 264) . O Padre Loisy, condenado como modernista pelo Decreto "Lll111entabili" no pontificado de São Pio X, assacou contra o livro do Padre Maignen a pecha de "panfleto odioso e ridículo" (Barbier, p. 265). Também o jornal "L'Univers", outrora campeão do ultramontanismo, defendeu o americanismo e criticou Maignen. Em artigo do Padre Boeglin, publicado em novembro de 1898, chegou a afirmar que o próprio Leão XIII patrocinava o americanismo (id., p. 266). Em fins de 1898 correu a notícia. de que o Papa publicaria um documento a respeito do caso. Monsenhor lreland partiu parn Roma cm janeiro para, dizia-se, tentar impedir o pronunciamento papal. Entrevistou-se êle com Leão XIII, e declarou depois que o Papa lhe asseverara que o documento não sairia. Em fevereiro de 1899, porém, veio a lume a Carta Apostólica ao Cardeal James Gibbons, Arcebispo de Baltimore, datada de 22 de janeiro, a qual condenava o americanismo. Afirmava-se que os Cardeais Sattoli - o antigo Delegado Apostólico em Washington - e Mazzella teriam redigido o documento, e que Leão XIII e o Cardeal Rampolla favorável "in pctto" aos americanistas, segundo constava - o teriam revisto e modificado (Barbier, pp. 267-269). Vejamos os principais aspectos da doutrina condenada. A doutrina do acô rda na caridade Por ocasião do quano centenário da descoberta da América, o boletim do Instituto Católico de Paris publicou um artigo de Monsenhor Keane, Reitor da Universidade Católica de ·w ashington, antigo discípulo do Padre Hecker e um dos mais destacados líderes da corrente americanista. Nêssc artigo o autor perguntava: "Já que 11111 traço distintivo da 111issão dos Estados Unidos é, pela destruição das barreiras e das /rostilitllldes que separam as raças, o retôr110 à 1111idll<le dos filhos de Deus há muito tlivididos, por que não se poderia fazer qualquer coisa de a11álogo no que co11cer11e às divisões e hostilidades religiosas' Por que os congressos religiosos não cond11ziriam li 11111 congresso i11ternacio11al das religiões, onde todos virian, a se unir numa tolerância e 1w111a ,·a, idatle nuítuas, ondt: tódas as for,11as de religião se levllntarillln ju11ras contra tôdas as formas de irreligião?"" (Maignen, p. 212). O espírito americanista inspirava estas linhas repassadas de um ecumenismo irenista que salta por cima de qualquer diferença dogmática, contanto que se consiga a ºunião no amor". No Congresso Científico Internacional dos Católicos, reunido em Bruxelas em 1894, o mesmo Monsenhor Keanc d izia: "Q11ando est11damos o mapa da E11ropa, vê1110-lo marcado de pequenas divisões. As linhas atravessam êsse mapa em todos os sentidos. Elas não indicam só divisões territoriais, mas significam ainda: ciú,ne, ódio, hostilidade, divisão dos corações, que se trllduzem por sabe Deus quantos milhões


tle lto,n1.ms arnuulos para destruíre111 o numt/o", Notemos de passagem que Keane se revela hostil à idéia de pátria e adepto de um pacifismo extremado. O orador prosseguiu afirmando que os Estados Unidos tinham o dom de acabar com tôdas essas divisões, uma vez que a Providência permitira que para seu território emigrassem indivíduos de tôdas as nacionalidades, os quais, misturados uns aos outros, viviam fraternalmente na nova pátria, sem hostilidades, fundidos todos na unidade norte-americana. Monsenhor Keane propõe a aplicação da mesma fórmula às religiões: "Era preciso dar a mesma lição no campo religioso. Tôdas as vêzes que me sinto tentado pelo pessimis,110, tenho um remédio: olho ao redor de 111im e vejo que o gê11ero humano se põe cada vez mais " detestar o ódio e a hostilidade. Hâ um esfôrço i11co11tesrável da l111111anidllde em direção a costuntes ,nais suaves, a um maior floresci111e1110 da caridade. Mas o fim da religião niio é unir o ho,ne,u a Deus e ti seus irmãos? A religião é a caridade! Mesmo qua11do não nos pudéssemos entender quanto às crenças, não seria possível entrar em llcôrdo quanto à cari<lade?" ( Maignen, pp. 213 e 215). A tese exposta é a de que mais importante do que os dogmas é a caridade, como se fõsse possível a verdadeira caridade sem a fé. Vê-se bem que essa caridade, êsse amor de que (ala Monsen.h or Keane, capaz de realizar a união de tódas as religiões acima das diferen·ças doutrinárias, não é o amor ao homem por amor de Deus. f: o amor do homem pelo homem e não passa de filantropia maçônica. E continua o ecumênico Bispo americanista: ''/ á não seria pouca coisa dar ,nes,no aos crisuios esta lição: que, parll amar a Deus, 11ão é necessário odiar seu irnuio que 11ão O ama como 11ós; que, para ser fiel à 11ossa Fé, 11ão é preciso ma11termo-11os em guerra co111 os que compree11dem a Fé de moda diferente tle 11ós" (Maignen, p. 216). Igualitaris mo, " profetis mo", evolucionismo

Esta idéia de reunir tôdas as crenças "na caridade", um dos cavalos de batalha do americanismo, era fruto lógico de seu igualitarismo, de seu "profetismo" e de seu evolucionismo. IGUALITARISMO - o igualitarismo levava-o a nivelar tôdas as religiões. J:: o que confirmam as palavras de Monsenhor Redwood, Arcebispo da Nova Zelândia, no Parlamento das Religiões, reunido em Ch icago em 1893. Depois de afirmar que o dogma da Encarnação implica não só na paternidade de Deus, mas em sua fraternidade conosco e na fraternidade de . tôda a família humana, prosseguiu: "Tais são as grandes idéias f1111damentais do Cristianismo compreendido integralmente. Devemos, neste século XIX, derrubar as barreiras de ódio que impedem os homens de e11tenderem as verdades contidas en, tôdas as religiões. Em rôdlls as religiões há um a,nplo elen1e1110 de verdade, pôsro que de outro modo elas não teriam coesão. Penso que êste Parlamento tias Religiões promoverâ a grande fraternidade da humanidade e, para r>romover esta fraternidade, êle promoverá a expressão da verdade. Eu não pretendo, enquanto cat6lico, possuir rôda a verdade ou estar em condições de resolver todos os problemas que se põe11, ao esplriro humano. Sei apreciar, amar e estimar todo ele111e11ro de verdade existente fora déste grande corpo de verdades. A fim de destruir as barreiras de ódio que exisre111 110 mundo, deve,nos respeitar os elementos de verdade e os elementos de moralidade co11tidos em rôdlls as religiões" ( Barbier, p. 246). f: surpreendente como estas palavras se parecem com certos discursos atuais. Recentemente houve, aqui mesmo no Brasil, um eclesiástico que afirmou que a Igreja não era "dona da verdade". Os erros são monótonos em suas repetições . .. Monsenhor Keane, no discurso que fêz sôbre "A religião final", perante o mesmo "Parlamento", afirmou: "Ouvi11do declarações que não podemos deixar de aprovar e aplaudir, ainda que vindas de fontes tão diversas, tivemos uma evidência r>rática e experi111enral do velho ditado de que hií verdade em tôtlas as religiões" ( Maignen, p. 329). "PROFETISMO" - o " profetismo" americanista afirmava que o Espírito Santo fala

diretamente a cada a lma. Sendo assim, tanto pode talar a um budista como a um cató· Jico, e fala de modo diferente para cada um. Daí, embora haja entre os homens desigualdades de religião, tôdas seriam certas. Foi precisamente esta tese de que tôdas as religiões são inspiradas por Deus, que Monsenhor Keane defendeu no congresso científico de Bruxelas.em 1894: "Pretendeuse por vêzes que os fundadores das religiões pagãs erllm enviados do demônio, encarregados ,te fazer abandonar a verdade e fazer abraçar o êrro. Bsse é um ponto de vista históricamente falso. A rodos Deus deu a verdade e1n partilha. Quando a pobre família humana se dispersou, esq11eceu os pri11cípios religiosos e morais. Enrão Deus suscitou mes,no entre os pagãos, ho,nens para lembrar a verdade. Tais foram os sâbios tia antiguidade: Buda, Conftíncio, Zoroasrro, Sócrates não eram servidores do demônio; era111 i11l·trumentos da Providê11cia Divina, via,u a verdade, ,nas sà,nente em parte, misturada com erros; êles fheram o melhor que podiam. Par que não (>restar homenagem à sua boa vontade e ,, tudo o que é bo111 e belo em seu ensinamento?" ( Barbier, p. 246). EVOLUCIONISMO - o evolucionismo levava os americanistas a não aceitarem uma religião de dogmas estáticos. Tõda a concepção religiosa dêles era evolucionista. Em 1897 foi publicado em Londres, na "Contemporary Review", um artigo intitulado "O catolicismo liberal" e assinado por Roniam,s, o qual constituía um verdadeiro manifesto de partido e uma súmula do americanismo. Lia-se ali a certa altura : "A Igreja, durante Ol' dezenove séculos de sua existência, teve de sofrer a influência ,uio só das co11dições materiais muito diversas que a cercavam, como ra,i,bém dos n1eios intelectuais muito diferentes que a modificara111 prof1111da111ente. Seu êxito deve11-se muitas vêzes à sua capacidllde de aproprillr-se da objeção e de modificar-se ela mesma em presença ,te novas circunstâncias. passo que sua própria existência m11itas vêzes dependeu tia possibilidade de estabelecer relações favoráveis entre seu ensino e sua disciplina, de u,n fado, e, de outro, a corrente das crenças, se11ti11,e11tos e co11dições sociais das diferentes idades e das diferentes regiões. Mas sem a notável evolução social e religiosa que se r>roduziu 110 paganismo durante o primeiro e o segundo século de nossa era, jamais teria a Igreja podido converter o t,npério Romano; ao passo que, assim preparadas as vias, esta conversão se tornou inevitável" ( Maignen, pp. 302-303). Mais adiante Romanus observa: "Assim co,110 cada um de n6s deve ser, num sentitlo ,nais ou menos restrito, u,n honrem ,ie seu te111po, t/lmbém li lgrejll de cada período sucessivo foi a Igreja de sua é!'oca, refletindo os ,·011/recimenro.1· limitados do m1111do intelectual e moral então existente". Pergunta-se êle se os cristãos primitivos poderiam falar de transubstanciação ou mesmo ter idéia dela. E indaga: ,"E crível que a devoção a Nossa Senhora tivesse tido lugar 11a religião de São Paulo?" (Maignen, p. 305). Depois dessas abominações, só lhe resta concluir: "A doutrina moderna da evolução, considerada com espírito teísta, aplana e afasta tôdas as dificuldades, mostrando como erros parciais e inevitáveis serviram providencialmente ao avanço do bemestar espiritual da humanidade. Tôdas estas verdades novas r>ode111 achar seu lugllr na f greja Católica, que não deve ter receio de as aceirar e assimilar, tal como 110 passado aceitou gradualmente outras verdades novas e mesmo modificações vitais" (Maignen, pp. 309-310). O próprio Padre Hecker tinha uma concepção evolucionista da Igreja, que está bem expressa nestas palavras, escritas em 1843 ( antes, pois, de seu batismo) : "Li esta 111a11hã um trecho de Hei11e sôbre Schelling, que 111e e1nocio11ou ,nais que tudo o que r>ude ler nestes seis meses. A Igreja, diz Schelling e,11 substância, foi primeiro de Pedro, ,lepois de Paulo, e deve ser um dia tôda a11,or em São João: Pedro, o catolicismo; Paulo, o protestantismo; João, aquilo que será. A proposição impressionou-me tanto mais quanto correspondia às mi11h(ls vagas i11tuições. O carolicis1110 é a solidariedade; o protestantismo, a individua/idade. O que nos falta e o que desejamos é aquilo que unirá a a,nbos como o faz o espírito de João, e isto, operado e111 cada in-

Orlando Fedeli ('()NTJHVAÇÂO SA f'Â(l UU,

J\ COI\IDEI\IJ\ÇÃO Da Cartn Apos16licn "1"es1cm 8enevolcntfa:'·. de 22 de jnneiro de 1899, ao C:u'deal G ibbon$, Arcebispo de 8nltimore. ~õbre o amcric~nis,mo:

( ••. 1 As opiniões novos de que falamos b:a.sciam~

se ern $uma sôbrc ~ste princípio: a fim de reconduzir máit (àcltmcntc i\ doutrina cacóUu os que dela t$lÜo stpflrádos. :i tgrej1.1 deve ad~IJ)tar.S,e ,nals à civUiultão de um.o épocn ftdulln. e, ttlnxando seu antigo rigor, ía'«r ul;umns concc$SÕe.s às lcndfncias e aos prindpio.s rtccntcmcntc inltodu,:.idos entre as- nações. E lsto se deve .entender, segundo pensam mullos n;io s6 da regra de vldo1. mas também das: doutrina.~ cm que c.sllí contido o dc;pru,ito eh, lé.. o • •

Com dcilo, prt(cndcni iles que f oportuno, par.a (tanhflr os cora(ões dos cxtravlndos, pas.so.r .sob Si· lêncio certos ctemcnlos da doutrina como ~ndo de menor Importância, ou :1tcnutí~los de tal modo, que n:io conservem mi,t~ o sentido ;10 qu"I a IJtrtj:J sempre: Se :d cvt. Niio hú ntte.ssldade de: longos disc-un:os, dileto Pilho, pnrn mostrar o quunfo scmtlb;.1otc .slstemn

deve ser reprovado; b~sta lembrar n nalurtin e n origem da doulrinn c1ue a JwcJa cn.j lná. Els o que diz n ê:ssc rewelto o Concilio do Vnticnno: ·'A dourrinn d:a lé, qu e Deus revelou, n~o é como um .sis:lcm.u filosóíko s.usccplívcl de ser apufei(OfldO ptlo cspírilo hum:mo; ma-s como um depósllo divino confiado ~ F...spôsá de Cristo pnra que Ela o guarde fichntntc. e o intcrprelc inf'alh·tlmcnte ( .. . 1. O sen~ lido que nos.sa S:1111a M:tdrc Igreja um:i. n i declàrou srr o dos dog_nms sagrndos. deve s,cr pc,r~tuamcnte con.scrv:1do, e não cabe jamais af'u..sh1r-sc dêle sob o prdêxto ou :.1 ;\ptirindn de melhor pcnetrn.rlhe a profundidade'' (Cons:r. De Fide cath., eap. IV). Não se dcl-·t cur, t:,mpouco, q ue 11;io haja pcciado :llttum no fato disse sllinc-io pelo qual se omitem dellbcrndamente t se relomn 110 esquecimento certos princípios da doutrimi u1ó1iu ., Por• quc tôd:1s e:sl:,s verditdcs. qu.1ISQuer que scjam_, que fonnrun o conJunto d.1 doulrina cristã, n.lio têm senão um único t mesmo Autor e Doutor, o ''J\"ilho Uni1tênito que: csrá no selo do P:d" (Jo. 1, 18). Que cstáS sejam verdades adapfad.iu n tôd::ss ~s ~poeos e: a 1Õd3$ as naçÕtS, Isto se lnrere m:mlfestamcntt das p:davni.s pc1;lS quais o próprio Cri.~lo Se d iriJ:tiu a seus Apóstolos: ''Ide e cn..,-in.ai tôd~ as nações ( • .. J, e:minando-a.ç •• guardarem tudo o que Bu vos mandei; e els que esro u convo5e-o todos o.ç dl.as nlé a consumação dos s«ulos'' (Mal. 28, 19 ss.), 1.. . J. Que haja cuidado. pois, de nádü (Orlar di;a doulrim• que nos vtm de Otus, e de nada omlt1r dela, por qualquer n1olivo que sej:i; porque: uquêlc que ous:1ssc la-iê-lo lendcrin malt =- sepgrar óS católicos da Igreja do que: a «:conduzir à lgrejn os db:side:ntcs. Que. voltem, nada certamente Nos é mais grato, que voll.em lodos, todos nquêle.s que crmm fora do nprlsto de Crlsto, não porém por outnl \'Íà Que 11 mosfr,1d3 pelo pr6pri<> Crtc.to.

correspondessem melhor nos co.-;tumes e ?ls ncctSSldadcs de nosso tempo. e como .b'f: va~$SC mnis po~uí-13$ do q ue :1s outra.~ porque cl:Ls torn::ufam o home:m malt :;,pio à i1(iio e mais forre. t dlficU de se conc:ebtr, m1 verdnde, como homens: imbuídos da sabedoria cristii pos.-;::un preferir áS vir(udcs nalurols às vlrludcs sobrennturals t :1tribulr umn cflc-licia e uma le-cundldndt' m~tlo-

.~ rs,,;.<t.~ virtudes

res àquelns do que a c.st:is. Mas então n n:dur ua acrescida da graça seri11 mais rrnca do que se fôssc dth:adJ1 tis sua.-; próprias fôrç.-.s? Strá que os homens s11111íssimos que n lgrcj:a "encrn, c aos quals pres111 culto público-, mo.~trar.tm·sc f'nicos e inferiores nl\S col~as da ordem na• h1rul, porque forru.n cxcelcnks nas vlrtudC$ c-rls<iis? [ . .. ,.

••• A tslú oplnli'10 sôbre .lS virtudes natural~ J)O• de-se junl.:.'lr uma outra que lhe é conexa. e c1ue divide en, duns classes tôdJ1$ ns vll'tude:s eristii.s, ch:Hrrnndo mnos de pa~vas, e outras de utivli.s; n<'ttsccnlando que ns primeiras convlnhnm melhor i1os sku los pn.s.,ç11do$, enqumllo que us se-gunda.,ç se nd11ptam melhor rio 1cmpo presenrt. O que se: deve pensar dcs rn dlvisffo da$ "lrtudcs. E. coisa evi. dCJ?fC, porque não lu'i e n:io pode haver virtude verd:tdeir:1mcnrc passlv:1. ( • . . 1, Quanto :a pretender que haja virtudes crlst:is mais aproprfad1Lt que oulnu a certas épocas da Hist6rin, seria preciso, para su5tc.ntá-lo ler t'.$QU<'· cido as p:1lov·rtl$ do Apóstolo: ºAquêlcs que &le conhe:ct'u na sua pre-~~ciênch,, lnmWm os predes-tlnou para strem conf'ormts à imúJ:,otm de stu Fllho" (Rom. 8, 29). O mestre e o mod~lo de tôda Stmlld,1de é Crb'1o, a cuja rcgr.a devem conf'orm:ir·-~ necc.~àrlamente lodos os q ue :b-piram ~1 encontrllr lug.1r no oúmt.ro dos Be1»-avenlurados. Or:.1, Crlslo n:io muda se,:undo o pro,:re:S$0 dos skutos, mas Ele I: Ho mesmo ontem e hoje e por todos os séculos" (He:b. 13, 8). t p0i.-.: a.os homens de todos os lempos que se dlrJie csla p!1lavra: ºAprtndcl de MlmJ q ue sou m:1mi:o e hutnlldc- de contção" (Mat. 11 . 29): e nilo há é-pocu tm qut' Crisro nfio Se moslrt :1 nós. "íeito obe-dltnte aré n morte" (I'•"llip. 2, 8). Vale t:ambém pur a lodos os séculos n stntençn do Apóstolo: ''Os que ~o de Crl~to crucif'icar.im sua carne com ~us vklo.s e suas concupiscências'' (Cnl. S, 24). f~ prouvtsse- n Deus que essas vlrtu• des rôsscm praticadas em nossos dias por um maior número, como elas o fora.oi pelos Snntos dos tempos que nos pttccdcram. Aquiles pela hu• mlldade de seu cor.ição. sua oMdlêncla, su:a ab~ff. uSnda, foram poderosos cm obms t cm p:davras, e l$SO não $Ó parn o mnlor bem da :RellgHio mns alnd:. da P~tri:a e do F.srado.

[... J,

••• o o •

( • . . J t.le;s los arncric:anisl:,sJ dl7.cm ( ... J que

tle (Pio VI), com dtllo, ,1ponlou como Injurio~--:, à lgre:j;;a e :.lo Espírito de Deus que A rege:, .l proposltiio 73 do Sfoodo de Pistóla, "cnqua.nto $ubmtfe à discu$S::io a disdpU11:1 cslabclcdda e aprovad:l pela Jgrcj:i, tomo ~ t$1'.l pudesse cslabtltctr umà disclplin:1 inútil e por demais pesada p;1rn ú libcrdndc que con\'tm aos crktiios''. E tntrtlunto, no assunto de: que trnfamos:, dileto Pilho, o lnlento dos inovadore.s E ainda mnls perlg0$o e mais oposto à doutrlnn e à dls<-lpUna cnfólic:L~. f'Jcs: criem qut é preciso introdudr uma ctrla libenfodc n:\ lgrtj:t,, de fomm qut, pcadas de .1l,:um modo II atáo e a vii:tilfind:.1 d11 autoridade, cada fifi t'tnha a r:,culdadc de abando,,ar.sie. em 1mla medida mais larga, à sua próprl.1 lnsplm(âo e ao seu i.mpul..o pessoal. Afinn:un éles que csfa é uma tr:m$10:rmatão que se ln1põc, a exemplo da.;; liberdades modernas que. co~111utm comumcnle, na hol'll atua), o direito e o lundomenlo da sociedade civil [.•. J. Esr::i llctnç.:. que se toma e<>nentemenlc por 11· b,erdadeo est:1 mania de ludo dlur e de tu~lo cc,nfra.dlur; êstc poder, enfim, de SU-ll1cntar e de propa~tr pela impre11. sa tôdas as opiniões, me.rgulharam os c~1>Srltos e-m •nLli trevas, que o uso e a ne«~ldadc do mnglstério da J.gttJa s.'10 maloru hoje do qut out.rorn, pnra prc.munlr conlrn lodo dcsf'-:al«Jmcnto da con..-«:iénda e do dever. •

• o

( •• • J rejeita-se 1ôda d inção cxlcrior como supérflua, e até mesmo como incômoda para aquêlts que quere:m e:levàf« à perfeição c.rbtí; o Espfrl. to Santo., di.um, difunde hoje nas almàS nn~ dons mais amplos· e mais abundanle.s do que: nos tempos passados_. e M move e tsclarc«, ser.o in1enncdlál"lo1 por uma C$J)écie de fDStlnto s-cc-rtto. [ .. . J. Quem, na verdade, !iC reporta. :ti blst6rl:a dor Apch'1olos_. à fé da lgrtJa nascente, aos comb:ttts e às hcca~mbes dos mais heróicos mlirtlrts, à maior par le enfim dêsst:s velhos séculos rdo fecundos e:m homens da m~is alta somtldadc, como ousará p3r em paralelo os lempos ant.lgos com o prC$Cnle:, e af'lnnar que aquêles fornm favottddos «>m um,1 menor efusão do E.fPírito S:1nto. f . .. ).

••• [ •• • J êstcs :am:adorcs de novidades faum máh caso do que convim dM vlrludcs naturn.ls, como

L EÃO

êsrcs \'olos- fos votos rclig,iosos) s:lo totaJmcntc eonfrários ao c:mitcr de 110$$0 tempo, porque restrlnge:m os Umitcs d:, liberdade humann; que con~ vim mais às almas frnca.~ do que às i:iJmáS {orte.s-. e quc :1bsolul:àmcntt não sio favo r1h·cls à pc.rftiç:ío crh13 e ao btm du sociedade humana, mas antes constHucm um obst.áculo e um enlrá,·c a

uma e a outro. Por ém, :a práticu e a doutrina d:a lgrcj;.1 nos tornam fàcllmtnle cvidenle a laltjdadc de.-.10 Hn· gmlgcm, porque Ell'.l sempre teve em alta estima a vida rtliRSosa. E ccrlàmtnte: não sem ra:ciio; pois os que, chamados por Deus, :tbr:t(:un espontân eamente fstc gênero dc vida e, não se con1en1ando com os deveres comuns que os prtccitos lhes lm· põem, e.ntrcgont•SC à práUu dos con.'t-Clhos, êssts .se revelam os .soldados de elite do cxérdto de Crlsro. Devemos crer que isto é coisa de nlma.s pusUánimes! Ou atnd.111 numa pritlc:i Inútil 0-11 nodv-a à pcrfeltão? Aqu êle.$ que assim se obrlgan, pt:lo vfn. culo dos votos cst,ã'o bem longe dt perdcr sua Ubcrdade, mas, ao con1rário. s:ol.llm de uma u. herdade muito mnls complel.a e mato; 111ta.1 aquel~ mesma pela q ual "Crl~o nos tornou livres'' (Cid, 4, 31). Qu.tnto ao que êle.s ;1crc.sctnlmn 1 a saber, que a vida rcligl~ é pouco ou nnda útil à Jgrcja, :além de ser ~o ofe:n.-d"o às Ordens Rc-llglosas, nlnauém que tenha. Udó os :inals da Js:rcJa pode ser dêssc parecer. ( ••• 1.

••• f;m último lugar (para niio Nos estendermos dem:1is), pretende-se que E. prccl«J g_b;indon:,r u maneira e o método que os c,at61icos usaram ali a,:or11 para recondu2.l.r o.s dlssidentcs, :t fim de no fuluro substlt'uf-los por outros. Basta-Nos ob~'Cr· var .s-ôbre êslt :lSSUnto, dileto Filho, que não é prudente ncgllgtnciar o que f'ol .1prov::ado por um:a loni;ta upcrifnd::t e consagr~do, alE.m dl~o, pelos próprios ensinamentos apostóHcos-. f • •• f. O •O

,O

0c tudu o que dl-..-;c.m~ :UE. agora. rcsulla evidcn1e:. diltlo Filho, que nós- não podt!-mos nprovar estas oplnlOCs cujo conjunto t . designado por muitos pelo nome de amcrkanlsmo. 1. • . J.

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AMERICANISMO

divíduo. Não precisamos da autoridade ,ta História, nem da do indivíduo, nem da infalibilidade e da razão separadas, mas de ambas reunidas na vida. Nem tra,lição, nem opinião, n1as o SER; ,un Evangelho, nem escrito, nem pregado. mas vivo" (Maignen, pp. 166-167). 11

Um pacto de silêncio quanto às particu laridades dogmáticas"

A conseqüência do igualitarismo, do "profetismo·· e do evolucionismo era uma posição interconfessional e irênica. Os americanistas queriam a união de tôdas as religiões sem que nenhuma renunciasse a seu credo. Era por isso que o Padre Hecker dizia ser preciso abolir a "alfândega da Igreja" ( Maignen, p. 90). Sua nova apologética, êle a expôs na obra intitulada "Questions de l'ãme": "Eu desejaria abrir as portas da lgre;a aos racionalistas; essas portas me parecem fechadas para 2/es. Sinto que sou o pioneiro q11e abrirá o caminho. Eu ,ne esgueirei na Igreja como q11e de contrabando" (Maigncn, p. 89). E mais adiante: "Eu quisera aj11dar os católicos co,n a mão esq11erda e os protestantes com a mão direita" (p. 90). esse ecumenismo do Padre Hecker não se limitava aos protestantes, cismáticos e racionalistas. Sle se estendia também aos hindus, muçulmanos e pagãos. Não lhe faltava razão ao se dizer um pioneiro. Sabemos bem que outros o seguiram mais tarde. "O prof11ndo sentünento da imanência divina, que têm os hindus, o in1pressio11ava, e êle via na união tão íntima de Deus com o ho,nem pela E11caristia, 11111 dos principais meios pelos quais nossa fé poderia atingilos 110 f11111ro. Quanto ao~- muçu/111a11os, que havia estuda<io 110 Egito, êles o tinham impressionado pela intensidade de sua crença no Deus único", escreve dêle um admirador, o Padre Dufresne (Maignen, pp. 168169). Tôdas estas idéias faziam com que os americanistas detestassem o que separa as religiões e buscassem unicamente o que lhes parecia comum a tôdas elas, para uni-las. Daí o fato de Monsenhor Keane afirmar no já referido Congresso de Bruxelas, de 1894: "Não é pela po/ê111ica, mas pela irê11ica que chegaremos a nosso fim" (Delassus, p. 128). O Padre Victor Charbonnel - um dos corifeus do americanismo na França, que mais tarde apostataria da Igreja - planejou reunir em Paris, durante a Exposição universal de 1900, um congresso das religiões. Querendo resumir em algumas linhas o princípio fundamental do congresso (que não chegou a se realizar), escrevia na "Revue de Paris", em 1895: "As lacunas desta ou daquela co11fiss,ío não são absolutame111e negadas, como tampouco a superioridade de tal outra. Nada é e111111ciado, pela própria . natureza do congresso, sôbre o valor absoluto dos credos. Mas é menos para con,parar seu valor absoluto ou objetivo quanto à "letra", que 11111a tal aproximação das religiões deve servir, senão para reconhecer seu

valor relativo ou subjetivo pela apropriação que delas se fazem as almas, assim co1110 os direitos iguais de tôdas as consciências que as professa111 "em espírito e verdade". As religiões, dêsse modo, são olhadas 11,ais pelo lado do homem. Elas são co11sideradas 111e11os co,no doutrinas abstratas, mais co,110 um elemento da personalidade moral, e 11ão se trata tanto de credo e de verdade, quanto de almas cre11tes e de sinceridade" (Maignen, pp. 241-242). E, em outra ocasião, escreve o colaborador da "Revue de Paris": "Não se poderia tentar o que se chamaria a união moral das religiões? F ar-se-ia um pacto de silê11cio quanto a tôdas as particulari<lades dog1náticas <Jue dividen, os espÍl'itos, e 1111• pacto de ação conrum quanto ao que une os corações, pela virtude 11,ora/izadora e consoladora que Irá em tôda fé. Seria o abandono do velho fanatismo. Seria a ruptura desta longa tradição de chicanas que mantém os ho111e11s aferrados a s11btis dissenções ºde doutrina, e o amincio de tempo.t novos, onde os homens teria,11 ,nenos a preocupação de se separare111 em seitas e igrejas, de cavar fossos e leva11tar barreiras, do que a de espalhar por 111,w 11obre co11c6rdia o benefício social do se11ti111e11to religioso. Chegou a hora desta suprema união das Religiões" (Delassus, pp. 142-14-3). No fundo, os americanistas tinham um conceito herético de Igreja e de Religião. Para êles, acima de tôdas as religiões havia

a Religião, da qual tôdas decorriam, tendo cada qual uma densidade maior ou menor de verdade. A verdadeira Igreja Universal seria a reunião de tôdas as igrejas particulares . .É o que se depreende desta afirmação de Monsenhor Keane, no discurso que fêz no famoso Parlamento das Religiões, de Chicago: "OuvÍlnos, pois, a definição tio que é realmente a Religião; definição que saiu de bôcas diversas, mas concorda11tes. Encarando-a sob todo., os seus aspectos, vimos como é verdadeira a velha definição de que a Religião significa a união do ho1nen1 co,n Deus. &te, con10 vbnos, é o grande objetivo visado por todos, quer caminhem 11a plenitude da luz, quer tateiem na obscuridade ,ta aurora. E por isso ti que vimos o qua,uo é verdadeiro que a religião é 11111a realidade mais antiga q11e tôdas as religiões. As religiões são sistemas para chegar regular ou irregularmente a êste grande fim: a 1111ião do homem com Deus. Qualquer sistema que não tenha êsse objetivo pode ser uma filosofia, mas não uma religião" (Maignen, p. 330). A decorrência disto é que a Igreja Católica não é a única verdadeira. Apenas, Ela teria uma densidade maior de verdade e levaria de modo mais regular a Deus. Mas não se segue dai que quem está fora da Igreja se perca ou desagrade a Deus. Lembrando os condenações de Gregório XVI e Pio IX

As teses americanistas tendiam para o conceito maniqueu de Igreja pneumática, que já estava condenado por inúmeros Documentos pontifícios. Como êsses êr'ros estão muito difundidos também em nossos dias, convém lembrar o que enSil)aram os Papas. Escreve Gregório XVI na Encíclica "Mirari Vos", de 15 de agôsto de 1832: "Outra causa que tem acarretado 111uitos dos ntales que aflige111 a Igreja é o indiferentismo, 011 seja, aquela perversa teoria espalhada por tôda parte, graças aos enganos dos ímpios, e que ensina poder-se conseg11ir a vida eterna em qualquer religião, contanto que se a,110/de à nor,11a do reto e do lto11esto. Podeis, com facilidade, patentear à vossa grei êsse êrro tão exe,·rável, dizendo o Ap6stolo que "/tá 11111 só Deus, uma s6 fé e u,11 s6 batis1110" (Eles. 4, 5): e,ue11dam porta1110, os q11e pensam poder-se ir de tôdas as partes ao pôrto da salvação, q11e, segundo a sentença do Salvador, êles "estão conrra C,·isto, já que não estão com Cristo" ( Luc. 11, 23) e os que 11ão colhe111 com Cristo dispersam ,nlsera,nente. pelo que "perecerão inJan .. ve/,nente os que não tiverem a fé católica e não a guardare,n integra e se,n n,ancha"

(Sfrnbolo de Santo Atanásio)". O Syllabus de Pio IX condena como indiferentismo as seguintes proposições: "16.0 - No culto de qualquer religião podem os homens achar o cami11ho da salvação eterna e alcançar a mesma eter11a salvação. 17.a - Pelo 111enos deve-se esperar bem da salvação eterna daqueles todos que não vive111 na verdadeira Igreja de Cristo. I 8.a - O protes1a111ismo 11ão é se11ão outra. forma da verdadeira religião cristã, na qual se pode agradar a Deus, 110 mesmo 111odo que na Igreja Católica" ("Syllabus" de 8 de dezembro de 1864). O "concílio ecumênico" dos tempos novos

Era natural que os americanistas tivessem simpatia por todos os heresiarcas. Também êstes teriam sido inspirados por Deus. Seu êrro não teria sido o de professar novos dogmas, e sim apenas o de romper a unidade. Monsenhor Keane, em seu discurso de Chicago já várias vêzes citado, afirmou o seguinte com relação a êsse ponto: "Homens de boa fé e ardorosos e11carnaram boas e nobres idéias em organizaçõe~- separadas da Igreja e criadas por êles. Tinham razão e,11 suas idéias, estava,n errados enr sua separação" (Delassus, p. 138). Quanto aos protestantes de sua pátria, Keane, em artigo enviado de Roma em março de 1898 para o "Catholic World", revista da Congregação Paulista, asseverava que êles "são protestanies simplesmente pela fôrça da hereditariedade e q11ase rodos e111 perfeita boa fé. 0/ltamo-los, também a êles, como cristãos, mas como tendo perdido, por culpa de seus anrepassados, uma parte do ensinamento cristão" (Maignen, p. 229).

Nada de condenações. Nada de dogmatismo. Eis uma nova Igreja que se esboça. . . Quando protestantes, Sacerdotes católicos e outros planejaram realizar um congresso das religiões em Paris, um espírita que se intitu.lava "Synesius, bispo gnostico de .Bordeaux", escreveu as seguintes linhas ao Arcebispo de Paris: "O que nôs preparamos não é nem uma assembléia política, nem um conselho de heresiarcas: é o verdadeiro concílio ecumênico dos tempos novos. . . Dê/e não pode senão jorrar o bem e bênçãos sôbre a humanidade" (Delassus, p. 148). .Ê,stc "concílio ecurnénico dos tempos

novos" não poderia fulminar anátemas. Todos têm a verdade. Logo, ninguém pode ser condenado. Nêle também não haveria discussões e debates. A polêmica não poderia entrar. Quem polemiza admite uma verdade objetiva, e supõe estar com a verdade. Os americanistas eram subjetivistas e odiavam a polêmica com os inimigos da Igreja. "Chegou a hora desta união suprema das religiões, escrevia o Padre Charbonnel na " Revue de Paris". Entre os crentes de fé diversa, ou mesmo entre crentes e filósofos, está-se cansado de querelas odiosas, de polê,nicas - ltpolemosn. guerra.' - nas quais as ,nais nobres convicções perdem sempre o que f<tz sua gran,leza: a tolerância serena. Eis o projeto. e 11111 sinal dos tempos ter-se podido simplesmente expô-lo. Não se teria conseguido isso há dois anos atrás. Porque, enfim, o congresso universal das religiões será, e,n nossa velha Europa, o primeiro concílio em que não terá havido anátemas" (Maignen, p. 243). Defendendo o seu projeto do congresso das religiões, dizia o Padre Charbonnel, em carta que enviou ao Cardeal-Arcebi~po de Paris: "Pois bem, En,inência, é preciso en·

fini que um de 116s ouse dizê-lo; um daq11eles que 11ão se resignam a deixar prevalecer o m,toritarismo dogmático sem legitimidade filosófica e sem humanidade: não, as religiões não são tôdas boas, ,nas, sim, <1111 côdas /tá a religião que é boa, e, sim, tôdas as consciências sincera,nente religiosas, en1

que vive o espírito religioso, são boas pelo valor 111oral désse espírito religioso e desta sinceridade; niio, as religiões não se equi-

valem, tôdas; mas, sim, tôdas as consciências retas se equivalem e têm um igual direiro de exigir o respeito de suas livres convicções. [ ... ] Não cessaremos de dizei· e de repetir: é mais do lado do /tomem que as religiões deve,11 ser consideradas. Não se trata 101110 de religiões, quanto de homens religiosos, e não se trata ta1110 de credo e de verdade, quanto de almas crentes e de sinceridade. E assim, para alé111 das seitas e das igrejas, 11111110 comunhão superior de aspirações, de sentimentos e ,te orações, forma-se a nova elite das almas religilJsas, - a "Igreja", verdadeiramenre, de rantos e/eiros que, pela elevante paz das crenças, ou por nostalgias e desejos de fé, 011 pelos 1or111e111os de 11111 pensamento i11quie10, 011 por apelos de seu sofrimento, co,n o olhar dirigido para a luz. busca111 a Deus" (Maignen, pp. 249-250). O Padre Charbonnel não acreditava mais na Igreja Católica, pois já não tinha nada de comum com esta a sua pan-igreja. Pouco depois, decorrência natural de tantos erros, êle renegou oficialmente a fé de seu batismo e abandonou a comunhão católica. Quantos hoje não defendem as mesmas idéias! Quantos, hoje, levados por um falso ecumenismo, deixaram de ser católicos, para passarem a ser fiéis da "nova Igreja Universal", ao lado de cismát icos, hereges, judeus e pagãos! "Entre nós, católicos, o hierorqu io mota o indivíduo"

A teoria americanista de que basta o Espírito Santo para guiar as almas e não há necessidade de direção externa, originou tôda uma série de erros. O Padre Hecker e seus seguidores viam com maus olhos tudo o que significa desigualdade e sujeição de um homem a outro. Todos os homens, guiados diretamente por Deus, seria.m iguais. O Espírito falaria em cada homem. Conseqüentemente, a direção espiritual e a obediência religiosa seriam desnecessárias, e constituiriam mesmo um entrave à ação do Espírito. Mais ainda, a obediência seria contrária à dignidade humana. No deserto, quando os hebreus buscavam a Terra Prometida, guiados pela coluna de fogo e pela autoridade de Moisés, alguns

sacerdotes se rebelaram um dia conira aquêle varão santo, dizendo que no povo eleito todos eram santos, todos eram iguais. E Deus puniu severamente Coré, Datan e Abiron, engolindo-os a terra com todos os seus familiares e tudo o que tinham, e desceu um fogo do céu e exterminou os duzentos e cinqüenta homens que os haviam seguido em sua revolta igualitária (Núm. 16, 1-35). Os americanistas imitaram o igualitarismo de Coré e de seu êmulo menos "antiquado" , Robespierre. A desigualdade e a hierarqui,1 irritavam-nos. No Congresso Eclesiástico de Reims de 1896, tão simpático às teses do americanismo, houve quem exclamasse: "E11tre n6s li hierarq11ia mata o indivíduo" (Barbier, p. 316). A respeito dos votos religiosos dizia o Padre Hecker: "Em matéria de estabilidade, os hon,ens de caráter firme não precisam de ne11h11111 voto para garantir sua fidelidade a uma vocação divina. Quanto aos homens de caráter fraco, êles podem fazer voto de guardar wnll fidelidade exterior, nws, além do fato de que esta lhes tral pouco proveito para êles mesmos, torna-se muitas vêzes uma carga para seus superiores e para seus irmãos" ( Maignen, p. 66). Nem márti res, nem monges: cidadãos

Coerente com êste princípio era a famosa distinção que os americanistas faziam entre virtudes "ativas" e Hpassivas''. Para êles, as virtudes "passivas" (humildade, obediência, abnegação, etc.) eram inferiores às virtudes "ativas". As primeiras teriam sido características do tempo das monarquias e teriam servido para a defesa da autoridade exterior da Igreja. Com o advento da democracia de 1789, as virtudes própria, do católico moderno passaram a ser as "ativas'\

Na biografia do Padre Hecker escrita por seu discípulo, o Padre Elliot, lêem-se as seguintes considerações a êsse respeito: " As virtudes passivas, cultivadas sob a ação da Providê11ci<1 para a defesa da autoridade exterior da l gre;a, então a111eaçada, produziram efeitos atb11irúveis co,no uniformitlade, disciplina e obediênci<t. Elas tiveram sua razão de ser quando todos os govêr11os

eran, 111onárq11icos; agora êstes são ou rep11blica11os 011 constitucionais, e são considerados como exercidos pelos próprios cidadãos. Esta 11ova orde111 de coisas requer 11ecessiirian1e111e a iniciativa i11divid11al, o esfôrço ,,essoal. A sorte das nações depende da coragem e da vigilância de cada cidadão. e ,,or isso que, sem destruir a obediência, as virtudes ativas devem ser c11/rivadas de 1>referê11cia a tôdas as outras, tanto na ordem 11arural como 11a ordem sobre11at11ral. Na primeira é preciso fortalecer tudo o q11e possa desenvolver uma legítüna confiança em si; 110 segunda, deve-se dar 11111 grande lugar à direção interior tio Espírito Santo na alma individual" (Maignen, p. 102). Lê-se ainda no mesmo livro: "Nosso século não é um século de mártires, de eremitas, de monges. Se bem que êle tenha seus 11iártires, seus reclusos, suas co1111111idades ,nonásticas, não é aí que estão, e não é aí que provàve/111e111e estarão os tipos domi1u1111es da perfeição cristã. Nossos contempor/Jneos vive,n en1 seus mer<.:ados ruidosos, em suas lojas, suas oficinas, seus lares, em tôdas as situações variadas q11e formam a sociedade humana, e é aí que é preciso i11trod11zir a santidade. São José é o ,nodêlo 1,or excelência Msse ripo de perfeição. E: preciso que êstes deveres e estas circtmstânci<Lf se tornem ig11alme111e i11str11111e111os de santificação, porq11e as dificuldades e os obstác11/os de 11ossos tempos são o que for"'ª nosso caráter; runa vez vencidos, 'êsses obstáculos 1orna111-se meios de perfeição e títulos de glória. Véde isto claramenre, e tereis o tipo de santidade que será cada vez múiS a expressão viva da vida atual da Igreja. Ai está o ca111po de conquista para o heroísmo cristão de agora. Os cuidados, os trabalhos, os deveres, as afeições e as respo11sabilidades da vida cotidiana formarão os pilares da santidade dos estilitas dos nossos dias. E: sob esta forma que triunfará a virtude cristã doravante" (Maignen, p. 13 1) . Os americanistas diziam, pois, que uma nova espiritualidade, adaptada aos nossos tempos, devia surgir. O que tinha de original essa espiritualidade? Praticar a virtude no trabalho, na escola, no lar, não é novidade. A Igreja sempre ensinou que cada qual deve santificar-se na vida a que foi chaniado. t."OXCI.U$ÂO f'<'Ao PÁOINA

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UANDO O SAPO ABRE A JAULA PARA A HIENA... Plinio

VISITA DO chefe marxisia do Esiado chileno ao militar que encabeça, na Argentina, um regime oficialmente anticomun ista, me leva a abrir um parênteses no tema de que vinha !ratando. Com efeito, essa vtsita oferece aspectos muito interessantes para o leitor brasileiro. E isto me obriga a declarar. sem delongas o que acho a respeito.

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• • • Em poucas palavras, o encontro dos dois Presidentes, em Salta, deu tôda a medida do que é, do que pode e do que opera a conjunção da mentalidade comunista com a menta.tidade sapa. A partir daí se explica ft1cilmente a mal velada satisfação que o encontro Lanusse-Allende produziu, tanto nos meios sapos como nos meios comunistas de nosso País. Ao mesmo tempo, o ocorrido e m Salta bem mostra de que e norme vantagem para o comunismo é a saparia. E tudo isto oferece pelo menos a vantagem de abrir os olhos de numerosos brasileiros para os perigos a que a crescente influência da minoria sapa pode expor nosso País. Antes de entrar na maté ria, sinto a necessidade de esclarecer em que sentido qualifico de "sapo" o Tenente-General Lanusse. Tenho a êstc último tôda a consideração devida a qualquer Chefe de Estado. Entretanto, a palavra "sapo" é a única com que se designa, entre nós, certo tipo de burguês não comunista, mas entusiasta da "apertura a sinistran. S, pois, à míngua de outro têr.. mo, que chamo de "sapo" o ilustre militar argentino. Isto pôsto, vamos -diretamente aos fatos. Eu os colh i, todos, na imprensa portenha, naturalmente muito mais minuciosa do que a nossa a respeito do encontro da Salta.

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~ 17.

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Quem correr os olhos pela lista dos assuntos alegados como motivos do encomro Lanussc-Allende, não pode deixar de se sentir surprêso. Nenhu m dêles parece exigir tratativas diretas de ·Presidente a Presidente. Poderiam, todos, ser folgadamente negociados num contacto de Chanceler a Chaoceler. Ou até menos do que isto. Ora, em tôrno dest:, reunião tão pobre de contcúdo, a encenação das cerimônias oficiais e o estrépito publicitário foram paradoxalmente enormes. Durante a estadia de Allende em solo argentino, trocaram-se discursos numerosos e importantes, difundidos para a América e para o mundo por tôda a coorte de jornalistas argenti nos e chilenos presentes. Ê impossível evitar a sensação de que o principal objetivo da reunião de Salta não estava; portanto, nas negociações, mas nos discursos. Estes últimos, aliás, se mostraram tão bem concatenados de Presidente a Presidente, que criam a invencível impressão de haverem sido bem combinados antes. Em suma, Salta não foi senão uma tribuna da qual os Srs. Allende e Lanusse quiseram anunciar aos respectivos povos, e a tôda a Améric-a do Sul, uma mensagem nova. O elemento central dessa mensagem é a adoção de um nôvo estilo de relações entre os países co,nunistas e não comunistas. Ou seja, a queda das chamadas '"barreiras ideológicas" . A êste respeito, tanto Lanussc quanto Allende fizeram, em tom grandi loqiiente e profético, declarações reiteradas. E insofismáveis.

Cam1,os -

E.«. do Rio

de

Cor rêa

Oliveira

Eis, por exemplo, um tópico de Lanusse: "A República Argentina está disposu, a orienlllr suas relações exteriores de acôrdo com um ,1r1,plo critério de universalidade, que não ad11úte restrições impostas por preconceitos ou tabus ideológicos. E111 nosso te111po, eis filosofias políticas defendidas pelos diferentes países que i11tegram o sistema i11ter11acio11al clese111pe11ham um ,,apel secu11dário e111 face do i11terêsse supre1110 da paz e da seg11ra11ça i11ternacionais" ("La Nación", de 24-7-71 ). Logo em seguida, à maneira de ressalva, Laoussc acrescentou. aliás: /sto ,uio significa abdicar dos pri11cí1>ios constitutivo.,· do ser 11acio11al de cada país" ("La ·Nación, de 24-7-71). Como se vê, é a posição sapa característica: os sistemas doutrinários j,1 não têm importância em nossa época. Os grandes homens de outrora consideravam que as idéias valem mais do que a vida. Para o homem de hoje, a vida vale mais do que as idéias. - "8 111elhor para nós 111orrer na guerra, tio que ver os males de 11osso povo e ele nossos lugares santo.,'' - exclamou Judas Macabeu quando da gloriosa insurreição de sua família e seus sequazes, contra os pagãos, opressores do povo eleito ( 1 Mac. 3, 59) . A causa da paz é um bem, um altíssimo bem. Não, porém, um bem supremo. E se o preço dela é a inércia ante a investida comunista. mais vale a pena lutar. 11

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c:hilenos, querenws <:ontribuil' ,iecidfrfomente para projetar ,, A111éric<1 Llltina no nmndo~ co,n perso,w·

lidllde fJrÓprill, dig11idl1cle e i11depe11dêncill, o que requer profwulus transformações em. sua estrutura interna, social e política'' ("La Nación':, de 24-7-7 1). Assim, mal derrubadas as ".barreiras ideológicas", o que surgiu não foi a paz, nem a primeira coisa que entrou do Chile para a Argentina foi dinheiro ou mercadoria, mas ... propaganda social ista!

• • • A coerência estaria a pedir que o Tenente-General Lanusse, paladino da neutralidade ideológica nas relações internacionais, encontrasse a lgum modo diplomático para exprimir sua rejeição da manobra do marxista Allendc. Qual nada! Depois de, num tópico, lembrar q ue o regime argentino não é o chileno, ei-lo que nfirma o princípio das portas escancaradas para o Chile marxista: "Por esta rcnão. nüo há relação de estrangeirismo entre nossos povos. Os que compllrti//wram de um mesmo passado e estão dispostos <• cooperar redprocanrente na preptiração de um futuro de maior bern ..esu,r e desenvolvi111en10, não potle,n sentir-se estranhos entre si" ("La Nación", de 24-7-7 1) . 8rn síntese, realmente as barreiras ideológicas que separavam a Argentina do mundo marxista foram derrubadas. E, logo depois, a propaganda vermelha entrou. E natural. Quando o sapo abate as grades da jaula, a fera sai. E depois, ai! do sapo .. . ou dos que acreditaram nêlc.

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Unilateralidade, exagêro! exclamaria algum sapo. Pois relações internacionais nada têm que ver com ideologia. Para rebater esta objeção, basta considerar o proveito ideológico que, em Salta mesmo, Allendc soube tfrar da atitude de Lanusse. Ao mesmo tempo que o Chefe de Estado platino situava seu govêrno num plano estritamente técnico, deixando aberto um imenso vazio ideológico, êste vazio era desde logo preenchido pela propaganda marcadamente ideológica de Allende. Pois comunista não perde vaza. Assim é que Allende não deixou passar a ocasião de fazer propaganda ideológica de seu govêrno pró-marxista, afirmando cm discurso a Lanusse: "Através do govêr110 pop11lllr que presido, o Chile consrr6i urna econo,nia hunuuw e inde pendente, i11svirada 110s itleais socialistas. Q11ere111os reestruturllr a sociedade chilen/1 em têr,nos de justiça e liberdade, para alc,mçannos u111 desen volvime11to nacional autêntico, isto é, a serviço do povo tr/lbalhaclor" (discurso ao receber o Grão-Colar da Ordem do Libertador - a maior condecoração argentina - a êle conferida por Lanusse, cf. "La Nación" e "La Prensa". de 24-7-71). E, aproveitando uma deixa dada pouco antes por Lanusse, acrescentou: "Concordo plenamente, pois, com o Sr. Presidente: a ig1l/ll(i<1de jur1dic/l 111,a basta t>llra assegurar rel/lções estáveis e har,11011iosas. Acrescentamos: enquanto existir unw desigualdade de Jato e se 11u111ifesl(lre111 110 mundo pressões in1perialistas" (ºLa Nación e "La Prensa", de 24-7-71 ). Por fim, ambiciosamente - e não sem insolência para com o Brasil e os demais países da América do Sul - passou a traçar um programa socialista para todo o continente ibero-americano: "N6s,

Duas observações finais. Urna sôbrc a impopularidade do que se fêz em Salta. Allendc vinha desdourado por uma expressiva e rotunda derrota e leitoral cm Valparaíso. Lanusse temeu exibir sua política e seu hóspede aos o lhos dos portcnhos. E por isto, depois de hesita,· sôbre se o receberia em Buenos Aires, em Bariloche, ou em Mcndo1.a, acabou por o receber e m Salta. Por que fugir assim da Capital do País, senão por mêdo de uma acolhida má? Quanto a Bariloche, a coisa é o utra. Um jornal informou que a célebre cidade de esportes de inverno era pouco segura para Allende . . . por ser próxima da fronteira chilena: "Qum110 t1 São Carlos de /Jariloclte, outro dos lugares que se 111enci<.>11avt11u, ,e.. ria sido ,Jerc·artada devido a algumas in/ormaçi5es

que assinalavam a vrese11ça de guerrilheiros chilenos na zona fronteiriça, a curJt1 distância do limite inter11acio11al <:0111 a Argentitwº ("La Prensa", de

24-7-7 1). E quanto a Mcndoza, lá não podia ir AItende por ser também e-idade fronteiriça. rcplet:i de chilenos antimarxistas. Não podendo ser realizado em Buenos Aires, nem na fronteira, o festival - e u ia escrevendo <> ''show·• - da derrubada das ideologias teve que se fazer em Salta. Como se vê, Allcndc não foi à Argentina só para fa1..cr propaganda no Exterior. Pouco seguro cm seu país descontente e agitado, recentemente vencido numa eleição, quis êlc também - e principalmente desanimar seus opositores internos, que talvez esperassem apoio argentino. E também êste objetivo, Lanusse auxiliou Allendc a obtê-lo plenamente. Segunda observação: os jornais informaram que o Arcebispo de Salta , Mons. Carlos Mariano Pérez, participou dos atos oficiais da visita ( cf. "La Prensa", de 24-7-7 J ). ~ta não pod ia faltar. nos tristes dias em que vivemos!

Mcns:irio com aprovação eclesiásrica. / Diretor: Mons. An1onio Ribeiro do Rosario. / Diretoria: Av. 7 de Setembro 247, cai,a poslal 333, 28100

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do 27J , 01224 S. Paulo. / Assinaturas anu3.is: comum CrS 1S,00; cooperador CrS 30,00; benfeitor

*

ris1as e estudantes CrS 12,00; América d<.> Sul e

Cen1r:,I: vi:t m:lrítima USS 3,SO. via :1érca USS

Pontes S/C. / A corresJ)Ondênck, rcl:uiva :·, :1ssi· naturas e venda avulsa deve ser cnvi:lc.la :', Administr:,ç:ío. / Para mudança de cndcrêço de assinan. IC·S, é necessário mencionar rnn1bém o cndcrêço an. tigo. / Composto e impresso na Cia. Lithographic:, Ypirnnga. R. Cadete 209. S. Paulo.

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CONCLUSÃO DA PÁG. <

o

AMERICANISMO

A novidade americanista está na rejeição

da vida contemplativa. A novidade está no desprêzo dos conselhos evangélicos e no princípio de que os votos religiosos são inaceitáveis em nosso tempo. A novidade está em considerar que a ação é mais importante do que a ornção, quando a Igreja ensinou sempre o contrário. A novidade está cm preferir as virtudes naturais às sobrenaturais. Não é verdade que parecem de um Padre ou leigo "aggjornato" dêstes nossos tempos as palavras que Monsenhor lrcland escreve u no seu prefácio para a biografia do Padre Hecker? Ei-las: "E com virtudes turais, praticQí/as com tôda a retidão do coração e do espirito, que se fazem us virt11des sobre,wturais. Cada século tem se11 ideal de perfeição cristã. Ora é o martírio, ora a humildade do claustro. Hoje, é-nos necessário o homem de honra cristão e o cidadão cristão. Que os católicos dêem o exemplo de u,11 voto ho11es10 e de uma boa co11duta social, e assim farão mais para (z glória de Deus e a salvação das almas do que se se flagelassem à noite 011 fôssem em peregrinação a Santiago de Co111pos1ela" (Barbier, p. 255). O Padre Hccker atribuía todos os ma.les da Igreja de seu tempo à crise do século XVI. Mas não acusava os protestantes: a culpa, êle a lançava sôbre os que fizeram a Contra-Reforma. Segundo êle, a defesa da Igreja contra o protestantismo teria chegado a excessos, em detrimento das virtudes naturais, que os americanistas estimavam mais que as sobrenaturais. Escrevia Hecker: "A i11fluê11cia da Igreja, por causa das circ11nstd11cias, foi pois co11duzida a se exercer de algum 111odo e111 detrimento das virtudes naturais que, sàbiamente dirigidas, fazem a virilidade do cristão do mundo. O que se gp11ho11 foi a 11w11utenção e a vitória da verdade, assim como a salvaç,io das almas; a perda foi uma certa debilitação da energia, que trouxe COt1$igo um e11fraq11ecimen10 da atividade na orde111 natural" ( Maignen, p. 124). Não é de surpreender que os seguidores e defensores do americanismo, como por exemplo o Padre Naudet, declarassem a "Imitação de Cristo", assim como a espiritualidade de São Francisco de Assis ou de Santo Inácio de Loyola, superadas e anacrônicas ( Delassus, p. 156). O Padre Maignen notou que Hecker não apresentava nenhum sinal de verdadeira devoção a Nossa Senhora e ao Sagrado Coração de Jesus, e que, se êle falava constantemente no Espírito Santo, não era para despertar amor e devoção para com a Terceira Pessoa da Santíssima Trindade, mas unicamente para "elevar a personalidade humana a uma intensidade de fôrça e de grandeia, que marcará uma nova era na Igreja e na -sociedade" ( Maignen, pp. 142143).

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e repito, que a liberdade de direito co,num, islo é, a liberdade pública, é para a Igreja uma situação melhor que " da proteção e do privilégio" ( Maignen, p. 180) . Em suma, os americanistas eram natuMonsenhor O'Connell, que foi Reitor do ralistas. O importante para êles não era o Colégio Americano em Roma, exprimia-se Céu e a vida sobrenatural, e sim o mundo com mais cautela: "Por mais verdadeira e presente e o aperfeiçoamento natural do . bela que seja em teoria a doutrina da união homem. legal entre a Igreja e Estado, entretanto, na O Padre Naudet, por exemplo, dizia em prática, i,1felizmen1e, aco11teceu com JreAngers, em l 895: "Cidadãos e cidadãs, eu qiiê11cia que ela teve por resultado prejudisou da Igreja de hoje e de amanhã, 11ão da C<lf gn1ve11ie11te a Igreja, ditninuindo sua Igreja de há cem a11os . .. O paraiso, eu o liberdade e dando a leigos, muitas vêzes quero dar irnediatamente e11qua1110 espero desprovitlos de piedade, a ocasião de se i11o outro". O Padre Naudet enganou-se: êle tro,neterem indevidanreute na administra~ era da Igreja não "de amanhã", mas de ção dos negócios religiosos. 1• •• J Qualquer quase cem anos depois. e1e já era da Igreja que seja a teoria ou a tese, êste sistema lo "pós-concil iar", da Igreja-Nova do IDOC e dos Estados Unidos! parece ter tão bons dos "grupos proféticos", do Pe. Comblin e efeitos co,110 qualquer outro sistema atualde outros. Os quais, vê-se agora, são bem mente e111 vigor. 1. .. ] E, ainda q11e a Igreantiquados, pois repetem slogans de há quaja 11ão goze de nenhum privilégio legal, Ela se cem anos atrás. não deixa de encontrar um apoio de ilimiA propósito dêste discurso do Padre tada eficácia na calorosa simpatia. de um Naudet, Monsenhor Delassus cita o comenpovo cristão e na irresis1ivel influência de tário de um jornal socialista de Lille, o uma opinião pública favorável" (Maignen, "Réveil du Nord" : "As bem-ave11111ra11ç<1s pp. 180-182). celestes! O Sr. não fêz 11wi10 caso delas no do111i11go, Padre! O Céu está muito longe, Algumas medidos a cruz é muito pesada. Nós queremos a feconcretos propugnados licidade aqui em baixo. Foi esta (não é verpelo americanismo dade?) a linguagem quase fmpia para a qual o seu coração de de111ocrata-cristão enco11Quando os judeus, certa vez, estavam trou eloqüentes <lescupas. De qualquer 1110transportando a Arca da Aliança, num do, o Sr. preg<1 hoje as felicidades terrenas: carro, como a estrada fôssc má o veículo saír<1m de seus /tíbios, contra a riqueza ocioinclinou-se muito e a Arca ameaçou tomsa e contra a exploração do home,11, periobar. Um israelita procurou segurá-la, e foi dos inflamados que seus amigos que o fulminado por Deus porque não era do núaplaudiram 110 domingo qualificam i11variàmero dos levitas, os únicos que nela podiam ve/111e11te, quando ditos por 11111 dos nossos, tocar ( 2 Reis 6, 6-7). São Gregório Magde excitações ao ódio, à inveja e às piores no explica que êsse homem representa os hereges que, vendo a Igreja em perigo, se paixões lwmanas" (Delassus, pp. 160-161 ). arrogam o múnus de corrigir-Lhe a posição, Se o jornal socialista de Lille pudesse a pretêxto de ampará-La. prever como o Padre Naudet seria seguido, Costumam os hereges clamar que a e por quem . . . Naquele tempo, um jornal Igreja cometeu erros, e para corrigi-La socialista estranhava o fato de um Sacerdoapresentam uma longa lista de reformas, de te democrata-cristão e americanista difunfundo revolucionário. dir teses revolucionárias. Hoje, bom númeOs americanistas não fugiam à regra. ro de sermões têm êsse tom. Quem mudou? Vimos que seu programa reformista não Mudou a Igreja? Ou certos eclesiásticos poupava o que há de mais sagrado na dou"aggiornati" mudaram de Igreja? trina católica e na disciplina eclesiástica. Como nota Henri Bargy, a religião dos f,Jes consideravam que o I Concílio do americanistas era "uma religião da humaVaticano, proclamando a infalibilidade do nidade e11xertada 110 Cristianismo". Ela Papa, levara a Contra-Reforma a seu últi"não ,na;s ensina a rnorrer, mas a viver, ela mo extremo, e garantira plenamente a autoé wna escola de energia prática. 1••• J A reridade exterior da Igreja. Com isso tornaligião se preocupa cada vez mais e111 salvar ra-se possível renovar inteiramente esta úla sociedade e cada vez menos em salvar tima. O dogma da infalibilidade do Papa os indivfduos. Em lugar do Parafso, ela representaria uma tal garantia para Ela, oferece uma recompensa: o aperfeiçoa,11e11que não mais caberia a ·preocupação de to social. O cristianistno torna-se 111na ,nudefendê-La. O que seria preciso agora era tualidade, reduz-se a uma fra1er11idade" dar-Lhe uma nova feição, apta para atrair ("La religion dans la société aux Etatsos dissidentes e pagãos. Unis", 1902, apud Barbier, pp. 243-244) . Para levar a cabo êsse programa, proO americanismo foi muito bem definipugnavam os americanistas uma reformulado como sendo o culto da humanidade. ção dos Seminários a fim de formar o nôvo Salvar o sociedade mais do que sa lvar os olmos

tipo de Padre, de que o próprio Hecker fôra o precursor. Os futuros Sacerdote.~ deveriam receber uma formação "mais humana". O Padre Naudet afirmava que "a formação do Clero é por demais exclusiva,nente clerical e ins11ficie11te1ne11te humana. Habitua-se r1or demais o jove111 a não ver em seu futuro ministério senão o papel sobre11al11ral, 011 mais exatamente o lado purczmente religioso" ( Delassus, p. 174). No fundo, o que pedia o Padre Naudet é que nos Seminários se ensinasse menos Teologia e mais sociologia e economia. Hoje esta reforma está feita em numerosos lugares: nestes, os eclesiásticos deixaram de lado o sobrenatural e o cuidado das almas, e pretendem entender da produção de cebolas ... No Congresso Eclesiástico de Reims de 1896 defenderam-se as {eses americanistas e houve quem exclamasse: "Niío poderia haver a peregrinllção dos Plldres que se iria111 batizar lw,nens, que iria,n sacudir as ,·<ideias de um sistem(l odioso en, que o Coadjutor não pe11sa sertão co11forme o Pároco, êste co11forme o Bispo, e o Bispo co11forme o Govêr110? Enrre 11ós a hierarquia mtl/a o indivíduo" (Delassus, p. 180). Até a administração suprema da Igreja era visada pela fúria reformista do americanismo. O Padre Hecker permitiu-se dar êstcs conselhos ao Papa, sem que êstc os houvesse pedido: "I.º - Pôr tôda a Igreja 11a co11dição dos países de missão e fazer da [Congregação dei Propaganda [Fide) o braço direito da Igreja; 2.0 - Escolher os Carde<Jis de11tre tôdas as nações, a fim de fazer dêles 11111 Senado que represe111e a Cristartdade i11teirc1;

3.0

Adotar meios e 111étodos tnodernos 1111 tramittzção dos neg6cios da Santa Sé" (Ma ignen, pp. 34-35). -

• • • O americanismo foi condenado por Leão XIII, mas não morreu. Ble continuou vivo no ''Sillon", suas mesmas idéias, com outras afins, ressurgiram no modernismo. Morreu o modernismo? O que mais impressiona nos texto~ dos autores americanistas - insistimos - é a sua atualidade. Lendo-os tem-se a impressão de que foram escritos por adeptos da Igreja-Nova "pós-conciliar". Americanismo,, sillonismo, modernismo, progressismo, "profetismo", não passam de ramos de uma mesma árvore. São tentáculos do mesmo polvo que há séculos procura envolver a Igreja. Contra essa heresia, devemos invocar Aquela que é o Trono da Sabedoria e o Auxílio dos Cristãos, Aquela que esmagará afinal a cabeça da antiga serpente.

"A formo de govêrno dos EUA ajudo o Espírito Santo"

Outra nota do ameri.canismo era seu pacifismo extremado. Queria es\abelecer a paz entre a Religião e a ciência pretensiosa do século X IX, entre as várias religiões, entre a Religião e o ateísmo. Era coerente com isso o fato de Monsenhor Keane falar com desprêzo - como já vimos - das fronteiras nacionais e das lutas a que elas dão lugar. O naturalismo entretanto levava os americanistas a delírios patrióticos e a caírem assim em contradição. Um autor da época, Henri Bargy, que já citamos, observa que nos Estados Unidos "a Igreja quer fazer de cada católico 11111 11orte-a,11ericano, ,11es1110 co,n o risco de

fazer dê/e u111 protestanle", porque "a lealdade para com o ,,ais deve prevalecer até 111es1110 sôbre o devotamento à fé" ( Barbier, p. 257). Em matéria política, consideravam os americanistas que a fôrma de govêrno ya11kee era preferível a qualquer outra para a Jgreja. A êsse respeito escrevia o Padre Hecker: "A forma de govêrno dos Estados Unidos é preferível a qualquer outra para os católicos. Ela é, 111ais do que as outras, favorável à prática das virtudes que .rã.o as condições necessárias para o desenvolvimento da vida religiosa no homem. Ela lhe deixa uma maior liberdade de ação e, c:011seqüe11teme11te, torna-lhe mais fácil cooperar com a direção do Espírito Santo. Com estas i11stit11ições populares, os homens gozam de maior liberdade para o cumprilnento de seu desti110. A Igreja Católica será, pois, tanto mais floresce11te nesta nação rep11blica11a, 6

q11a11to mais os represe11ta11tes da Igreja seguirem, na vida civil, a doutrina republicana" (Maignen, p. 174). Anos depois, o movimento do "Sillon" repetiria êsses mesmos erros, que São Pio X condenou então nestes têrmos: "O "Sil/011" 1... J semeia portanto entre a vossa juventude católica noções erradas e funestas sôbre a autoridade, a liberdade e a obediência. Outra coisa 11ão aco11tece quanto à justiça e à igualdade. Trabalha, como afinna, para realiza, uma era de 111elh<1r justiça. Assim, para êle, tôda desigaaldade de condição é uma i11justiça ou, pelo mc11os, uma j11s1iç<1 menor. Princfpio sobera11amente contrário à natureza das coisas, gerador de inveja e de injustiça, s11bversivo de tôda a ordem social. Assim, só a democracia inaugurará o reino d<1 perfeita justiça! Não é isto uma inj,íria às outras formas de govêr110, que são rebaixadas, por êste modo, à categoria de governos impotentes, apenas toleráveis?" (Carta Apostólica "Notre Charge Apostolique", de 25 de agôsto de 1910). Contra o tese do união e ntre lgrejo e Estado

O indiferentismo religioso e o igualitarismo deviam levar os americanistas a dedefeoderem também a tese liberal da separàção entre a Igreja e o Estado. Para êles, tôda situação de privilégio para a Igreja era execrável. O Padre Maumus escrevia em "L'Univers" de 13 de março de 1898: "Eu disse,

JOVENS RECEBEM FORMAÇÃO ANTICOMUNISTA COM A PARTICIPAÇÃO de 180 jovens de 15 Estados do Brasil, e de 30 outros de diversos países latino-

sôbre os fundamentos da proprieda-

americanos, tiveram lugar em São

A V Semana foi promovida pela TFP brasileira em colaboração com

Paulo, de 3 a 6 e de 10 a 16 de julho p. p., a IV e V Semanas Espc· cializadas para a Formação Antico· munista, da TFP.

Nesses encontros foi desenvolvido um intenso programa de confcrên·

cias, debates, círcu.los de estudo, projeções de filmes e áudio-visuais, versando temas doutrinários e ,problemas da atualidade, e apresentando os princípios básicos para uma ação anticomunista autêntica em nossos dias.

As conferências e a direção dos debates estiveram a cargo de membros do Conselho Nacional, sócios e militantes da TFP. Da IV SEFAC participaram jo-

de privada, como decorrência da na· tureza livre e racional do homem. suas congêneres

argentina, chi lena

(no exílio), uruguaia e colombiana, e reuniu jovens daquelas nacionalida-

des, além de brasileiros. O encerramento dêste segundo certame deu-se no dia 16, também no auditório da Bôlsa de Mercadorias, ocasião em que o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira proferiu vibrante dis-

curso sôbre a defesa dos fundamentos morais e religiosos da civilização crislã.

vens procedentes do Pará, Maranhão, Ceará. Paraíba. Pernambuco, Alagoas, Bahia, Minas Gerais, Espírito

Por coincidir a data com a festa de Nossa Senhora do Carmo, Padroeira do Chile, foi prestada uma especial homenagem à infeliz nação andina, que vive dias de angús1ia sob o regime marxista de Allende.

Sanlo, Rio de Janeiro, Guanabara, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Goiás. Na sessão de encerramento, realizada no auditório da Bôlsa de Mercadorias de São Paulo, o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira discorreu

bas as Semanas falaram ainda representantes dos diversos Estados e dos países eslrangeiros, e o Côro São Pio X, da TFP, executou peças de canto polifônico.

Na sessão de encerramento de am.·


CÃllCe<.n s TUMULTUOSAS otaoc:iações d•

-1~

...

A CONGREGAÇÃO DE PARIS ATRAI A NOBREZA JOVEM

Concordala foram conduzidas por Nt•poleão com o uso sl.sttmállco do binômio mêdo e slmpntfa. Ora êlt. :agradl.ll'a a Santu Sé com uma conccs.são cm favor dn U.bcrdndc de cullo na Frnnça, ora (a;(fa ameaças e., no mumo tempo, apoiava ou SUS('ita,-a opo$l(&s dos rcvo-, ludonárlos, Que Intimidavam os reprcsenh:rntts do Snnta Sé e os católicos líbios, tcmero.sos de volt.ir às condições di!íetis: cm que rinham sido obrlg."\dos a viver 9:a.r:1 se n,anttrtm flfls à RelliJão dos seus :-.ntep~dos. No entanto, como vimos, Bonaparte era o principal inlerus.-ido n!'I ce:.lcbraç~o d!I Concordntn, pois cons.tata,rn que precisava do npoio du Igreja para se ruanttr no poder, por isso que o povo franeê5', npcs~r dos a.noJ de persc,tuição, conHnuáva profundamente cat6Uco. Assinado o (rutado, o Primeiro Cclt\5UJ - .sob o fútil prctêxto de. que só assim podtrJn obter a :,pro· •ação dos órgtíos compd<'ntt:s do g0vêmo, que tele doruina•à completamente - acrtMt11tou ao texto os chamndos artigos orgânicos, os quais anulavam tôcl:l.s :&S restrições à lngcrC'ncia estatal cm macé.ria ec:tc) ióstka, que a duras penns os negociadores ponliffdos tlnh1un conseguido incluir. E-m bora ~ - adendo não tenha sido reconhecido pelo Papa, Nnpotdo o manteve e criou uma $1tuaç:io de fato, Isto é, tudo se passava como se a Concordata tivesse sido aprovada com os nrH,;os orgânicos. AI.RUM anos depois Pio VU pôde verificar pts~oalmentc como n França continuava calólka. Indo .- Paris n fim de. sattr.ir N"pole:\o lmper:i.dor dos Jtrnnceses.. foi recebido cnlusià.sticamcnte pcl:ts populações de tôdai as cldade,s por onde passou. f;m Paris, a acolhkfa que recebeu foi triunfal e, tendo FouchE lhe l)C11tuntado como enconlrara a Fninç-a, o P.1pa rc.spondcu: ••~ndito seja o Céu? Nós a aCr:lvessamos por entre um povo dt joelho$! Estávamos lt'ng,e de im.attiná-111 nesse- e.findo!'' Com a dis-tcnsão prodlll:ldn p ela poHlicn edeslástk:, de N:ipolcflo, o movimento católico francês. que durante tantos nnox fôra obrigado a viver nt'I clnndtslinldadc, confinado ,m esconderijo~ t m1mtido cm cOn.\11lntc sobressalto pelas frtqüenles lnvtsUd.as da polícia~ vollou pouco n pouco J lu:t do sol, e wmeçou :t promover uma verdadclnt n:novnção rc.lig.iosa do país. As propulsoms dêsse rc."" surgimento rornm as CongttgaÇÕC$ Mnrl.ànas c,,uc se fund~rnm cm várla.t cfdades; a que mnls se db-.. tinguiu entre eh&S, :usmnindo a lldernnç:;a do movimento católico fmncês, íoi a Congrcgaç1io Mt1rlann "Snnctn Mnr-la Auxillum Chrisflánonsm''i fundada cm Paris ;t 1 de fcvcrci.ro de 1801 pelo Podre Jean 8::iplistc BourdM'r Dclpults. Delpults entrnrn na Comp;mhl11 de Jt$U$ aos de• 0

e

DO DEFENSOR DE

OM ATRASO de drca de qualro anos, ui-nos :i.lit,Or:t n:1s n,~os o livro do Sr. can. dido Anlõnio Mendc-s de Almeld.a~ "Memento dos Vivos / A Esquerda Católi<'(l no Br~il'' ('"l"cm.po 8rJsilcl.ro", Rio, 1966). 1-:m rtsumo, a On:.llídude da obra i a stJNinle: r,r1.c-r e, nosso pobre Brasil pass:i.r daquilo " que o ::iulor dá o nOmC' de cconomh, colonhd, para os ene:inlos slnárqutt:'os d:t economia socialista, segulndo o exemplo de Cuba c- do Chile (pois o dcsve.ntur~•do p11fs ;tndino, ao ,.;:i.lr o livro, J~ se achava em fase pré-soci:lll\'1a nas mãos do dc.mo-,cristio F..duardo Fttl Monl:1lv;1),

D. VITAL AO AMIGO DE D. HELDER

Cit.:t o Sr. Cândido /'\·1 1:,td~, cm rúpldo rdrospedo dos principais csl:i,t:,ios por quC' pa.w>u a csc,,uc-rda-c:1t61iu no Orusil, o movimento dt 60Economfa e Humanismo'\ a O,moer:1cla-Crislú com ••suns pompas e suos ambições-'' (p. 42), o solldad.smo, o que Hc da~ifi<:a como ''prlmcíra ruplura", representada pela "opçlio" da Ação Popular (p. SO), a cisão havld:1 no Ctlltro Dom Vital, Relacloni1 :1s "fontes para análise da coníronl.l.(':ÂO cn ltt 11 &fr:ltiO de "A Ordem.. t a fcmiitlca do descnvolvlmcnCo''. Embora dC'diquc :iJgumáS pliglna.s à dirtUa c:t• t(,lica, frisando "a lmportAnd::i do pensamento de João XXIU n.-i primeira denúncia frontal a u1n tn• ,·olvlmcnto pelo lnt<'grismo, possívC'lmc.nte o "peca· do original'' d11 inteUgênci:1 católka" (p, 165), o :tutor - que tm matlria de citações não e.squc.ce: nc.ru os ra.n çosos "r.bbés democratiquc..s'' da "BeUe Epoquc'' (p. 89) - :10 tratQr da hls1ória do movt-mento políUc-0-soclal c.a tólko no Brasil de nossos di.1s. oiio cnxer ~a. l:ll'vc.7. por fnlf'.J. de pcrs:pec:fíva (como acontcncla tom o rei de Lflliput di:i.nte de Culliver) êsst g:l~nfe que: f :t TFP, cuja ;1tuação rc. percute ;i.lém d:tS fron tcir:.'IS do Pa(s e mesmo dos limites c<mHnc-nla.í.s. O Sr. Cândido Mendes, por rõrça, haveria de se most.rar sirup4tko, C' !.$to alrnvés de \'!ÍirÍ!l$ pági,, ri:is, ao famigerado MEB, :1 SC'U ver um exccltntc mcif) de "con.sclcntt-,,u·• as mas.ta.~ (pp. 200-215). Como o princ(plo de .Nbsld laricda~ ~ uma pedra

~ tt :mos, cm 1753. Com a txpub;ío dos Jtsu1tns cm 1761, éomo ilc ainda não flicra os voros ,.;olenc.i pôde pcnmmecc.r na Fra.ntá e passar p:u-:i o Clero secular. Depois de tc.r exercido o ministério nQ. provfncln por algum tempo. foi pnr:t Paris. onde o Arcebispo Monsenhor Chrl.'ítophe de Beaumont nomeou-o Cônego dn Colegln(a do Snnto Sepulcro. 1·omou-sc multo conhecido como pngador de rttl· ros espirituais. Ourante- n Revolução não ru>aodo• nou :1 Franç-n. Foi um dos Sacerdotes heróicos que, desafiando os revoh.1cionários, levavam aos fi& o soco1To dos Sacmmcntos e, juntamente com valorosos lei.aos cutóllcos, lut.-iva.m pelu conscrvnç:io da vtrd:.1deir:1 Rell.21:io.

A ConsueRnt:io "Sanccn Mnrla Auxilium Chri.~ tl:: morum'' cometou modcstnmcntc na próprl" rcsldênda do Padre Ocl'puit$, com um núcleo inicial de scb jovens, es1ud11nte$ das F:.1culd:tdcs de Dlnllo e Mediclmt de Pari.$. Nenhum dêles. talvez nem o próprio P,,drc Oelpuits, podcrl11 prever o pn_p d que estava rC$Crvado a essa IL'SSOcinç,iio que ~ lns t..,lavü de íonn:t tão modesta. A Congregação s,e torn.arfa íamosa, influlrlra na politica francesa e seria uma. verdadeira sementclr:,, de a:rnndcs líderc~ c:dóUcos no século XIX. A Rcvolut5o dcdlcitra um e.spechll cuidado ao ensino ~-uper(or, par.a difundir OS stus erros na juvcn(udc. Jnecnlivou os estudos nas Faculdades já existentes e criou outr.Li; tôdns tivernm grnnde de.stm·olvimento e prt..f ligio no tempo de N,1p0Jci'io. Pode-se im:,Jtinar o :ambiente que nefo.s reinava. Fomrndos de acôrdo com as ldflns rnoludo1iárlas, profcssôrtS e alunos se c-sllmulav:im un.'f aos outros no comb!lte n tôd:a a ordem unlJJt;l, esrocrond~e nos ::,taques à Rtllghio. Faiendo numa scss.1o da Congrtgação o elogJo íúncbrc de Paul E·mlle TeysJeyrtt, :mtigo :1luno da Escola Politkoka, o Ouque de A:ohnn assim se c-,rprimla sôbrc o 1.1mbitntc dcs1;1 na lpoca 1l que nos referimos-! ••Nessa C'Scola, o C'lite da juventude frnnCt$!1, croergiodo d0$ horrorc.ç da unorqul:1 rcvotucion6rla, demor&.'l"frnvu tõd11 a energia que S.U$Cilam os wandCS" abalo): p01ítkos, mas tumbtm a lmoroUdade que acompnnhn, de ordinário, as ruolutócs. O dcs..-jo d:.1 g,lóri:1 ncl:t se lnmsfonnarn cm íttnesl; o amor díl pátria dcicocr::trn cm í:.mati.çrno, porquC' o :tmor de Deus, ún.ko motor dos stntlmtntos grandes e nobr~, enconlravu os cora('ÕCS fechados.; a Fnmça panda colocar a c.spc.ra.nç-a de sun fcllcld:.1dc nessa Juvcnt·ude borbulhante, C'nqunnto a Religião, chor.mdo s6brc- as lnfdi-

no caminho do socinlbmo, procura rcmovr-la com 1ôda a dc.scnvol(urn: "Ficando alnda na proposlç,iío tr11dlcion:d, do prlncfpio de subsldl:i.ricdadc, [a En· dclka "Pàccm in ·r<'rrls"J ollo obsl:mrc j' ,.;e ordcm.1 ao ~-eu dc.s:dobr.1mento enunciando-o com ;L profun. dldnde e a larguc-za .!l't.lflCIC'nlcs p;m1 a <'Ompre<'nsiio de. um eventual papel domlmantc do &r.-ido nas ero. nomias cm desenvolvimento. ou, mc.wo nelas, d;l aceltaç,iío de um socfolismo m:cc~Mio" (p. tll). H se foi, portanto. a fase cm que o falc-cido Albtrlo Pasqualini, ltórico do tnb:1lhlsmo no Brasil, dtclnrava que o sociallsmo não podia sc.r Introduz.Ido cm pa(se.s de lécnica :11:ms:tda, S('ndo próprio de povos wn,o 0$ e~andln:,vos, de org:inlz.ação ultra-adl:inlnd a. Vem agora. o Sr. C:indido AnlúnJo Mtndc-s de Almdda e diz ser indlspens:'ivtl 11 :ipllcação ao " Terttlro Mundo"' do "sochallsmo nt«s:s~rto'' (pp. 134,..135). Um t:r.t('O camum une, porfm, o antlgo Udc,r do PTB e o sccrt·hirio da Comissão JusUs-a e Paz: é o de qucrtr que o E.ttado a.~'t.lma desde logo paptl dominante na c.conoinbl ("estatismo nc-cc~ário'', p. 148), o que fo~osnmenrc redundará, mals cedo ou m::.l,; tarde. na: in,pl:intação do ~ocíalismo ln1ca:r.1t.

l:!$truuos no fflluJ:to do livro: ·'O centro da Jn. vestlgutão, pois, do prcsc.nte rrabnlho, $C dt~ioca. para o ex.ame da p,osslbilld:1dc de1 na pcrspccllva :llu:tl d:t doutrina social da l grcj:i. se ndolntt.m no\'OS modelos de sod:ll4'mo eomo t«niea de dCSit.nvolvimcnto, para a re!lllz:1~;i-0 do bc.m comum concreto nos palsu do TC'rceiro Mundo. Pode.remos fafar mesmo par:. tni..~ pài.~s, cm modelos de um ''soclalb'mo necesmrio", dt.sdc que a expressão n;io l:mpllquc os <:ontcúdos idtológicos e doutrinários que as próprias cncklkas proc::urnrnni afastar" (pp. 134135). I ncide aqui o autor na falácia própria dos esqucrdh1as católicos, com o Sr. Alc-c-u Amoroso Uma à fttnle, stgundo à qual o pernicioso do socialismo c.starla n!I Oloso!i:, de vida, ma,; nada teria ~lc dt contrário :li doutrlnr, d:1. Igreja cnquànto entr1rndo do ponto de vbta meramente cconõtnko, tirad.1 de corpo que $()mente é p-0$Sh'tl p:.m1 quC'm r~ lábut:i ra.s:i. do que st ach:i claramente c.serlto nas Encklle:is pap ais.

))O(OJJ'IJ 13JBef~UNJ. tidade~ pas:sad:.i.s, lrtmla dl:mte do~ trlunfOll que ~ 2.11unci:1vam11• O pequeno cn,po do Padre Octpuit.s enfrentou corQjo.s.'lmcntc lanlo ::a hostilidade dos cofegns quanto a má vonfítde dos profc.~6rcs, e desfraldou na.t e• colas supcrlous .- bandeira dll Congrcgutlio. A Jura dos .:;eis jovens Co1 árdua, mü.$ em pouco tempo vários de seus colcg:Lç vlcro.m Juntar-se à ilts, la• undo-se congrciados para =-jud4-los na p ropaga. ção d11.1 Idéias cont:r!l-rcvoluclon4.rfas e nns vltorloSll$ dlstuss~s que susfenta.\'am com os proíes.tôrts. Foi Jtraças a ê$.Ç(' a.pos1ol.11do perscvcr:1ntc que dob t.studanfes se inscreveram no nGvo sodalíclo e du.r.mfe tôda a vida perm:meccram flél$ aos Ideal~ du mocidade-, ~m cmb:t1go de $C' terem tornado deu· lb1as tmlntnlcs. For.usa o ~élebrc tn~dk-o Hyaclnlhe L:1tnnec C' o Barão Augusdn Loui.1 Ci;1ueh)', um dos maiores matcmííUcos dc todos os tempos. Mas não eram só os c-.studa.nte.1 que forma\la.m u elilc da juventude dess."l época. A nobreza, cruttmcnte dtc.tmudn pela 8cvoluçiío, dela ssíru (Ortuletid.-,, t prcslfgJad;1, Como cm sui:1 grande maioria o.,; m;1is velhos tinham perecido no cndafalso, eram ós ~us jov<'ns descendentes que ostenlanm os mialorC's lflulo, noblll{ltqulcos: da antiga monarqulu. Na• ,,oteão cortejava-os, sobrttudo dcpols de lns1aul'ilr o Império, e lôd.11 :t França voltava P:lrn êks os $Cus olhos. T:1mbfm fsscs Jovc.M ari.stocr.1tas o Padrt OelpuJts consc{tUlu alralr, t logo no primeiro noo de txb1hdtt dn Congrtg'1('5o nc-la C'ntra.mm o Duque M:1thitu de Montmorcncy.I,.aval e- o Marque$ fu ,t~ne de Montmorcncy. Oepols, um a um fornm-SC' inst"rcvendo nos Quadros do sod:11ício o Ouc,,ue de lltlhune Sully, o Ouque de- .~oh:in, o Príncipe Jule.s de Potlgn.-ic-, o Conde Alexls de NoaUlcs, o Marquês de Rlvlêre, Chnrles de l.cvis Mircpoix. 1.ouls de Ro· sambo, Charles dt Brtlt.uU, Emm11nuel de C~ 6rissac., e n umcr0$0S o urros porcadorts de gnmdes nomes que Hustr,un ;, hlsCórfa da crl$tandndc. O Ouqu(' Mathic.u de Montmorcncy tomou-se lotto a alma da Congregação. Foi o stu dJriK('nfc dur:mtc muitos anos e as principal~ lnidativ1,u cutólica~ durante o I mpério e a Rcslauração tiveram o seu •lJ>OIO decidido, quando niio foram por êlc mesmo p lanejada,,; c- executadas. T:lmbém a Cong,rtgu(rto "Sanclit Maria Auxlllum ChrlS'Unnorum'' constitui umn provn da pu• j'1nç:1 do Catollclsroo franC'ês ao te.mpo das n<'godi1ções dn Concordata. Fundadn anlu d.l rutlflca('lio dcsi".t pelo Papa Pio vn. com apenas sclt membros, ao completar um ano de cxlstência conta.va lá com sclenta congrtgado$ e um bom número de vitórias contm n Revoluçito.

Fernando Furquim de Almeida

:1

AS$im se c-xplicam as cnllUnárias do :autor cont:rn li\'rt- cmprésa e cm purtkular contra a SQciedadc

or~nktt e os grupos lntcrmedlArios, coisas lndcS:c.jávcls contra as quais ,cdeveríamos nos resguardar'' (p. 149). A ;;lu<J:i prr<gtina'' (J). 166) denrla dos• pojar-se de tudo o que possa parttcr um enlrave ao ndvtnto dês~ "sod11ll~n10 ntcc-ss,.rio".

O q ue d!% o :.1utor sôbre o eruprê-go dll polis.se-mi:. (fenômeno da cxistfncla $lmullâne.l de vArhls SIRniOcnçôcs pára. uma mesma palnvm), do cinema, da ttlevlsiio, do l~ar.ro, do fole:lott, pura a tr:insformatão revoluclonru"ia da soclcdade (pp. 117-243), f col~:t velha e: conhecida. B~1;;a que nos- lembre• mos dos trovndores proven('als e de sutt linguagem clJr.-ida, para os qu:l.is n "dnmn de seus amô~'' era :i Igreja dtnrn. etc. etc., e que tC'nhamos os olhos abulos p:1ra a propaganda $Ubvt.rslva :.icobcrtad.n por todo o (tê:ncro de cspeliiculos t de contestações que hoje sufllcm como coa:umelos por todos os lados. Para a e:squtrda-c:atóllea tudo são :.tm1as, Inclusive levar a sério um ~nsamcnfo dos ,ipat:rlaros~ e: "mclropolitas.. da lirejlt cb;mática mosco-vlt:1, meros títeres nas mãos dos .' itnhorcs do Crc:ntlln (p. 2SO). Não deixa de sc.r mehtncóUco que o dtsccndcnte de um dos mnls de~1uc:1dos dcfcnS4>rcs de Dom Vital se :dJnhe :.to~lado do nôvo e la.mcntlivcl ocupante da atorlos:1 Sé de Olinda e Rttlfe nessa deplor~vel aÍivldadc l.ão danosa à cau~'á da JgrcJ:1 e da Pátri11. •; que o SC"cretár-lo da Coml.ss:io 1usliça e Púz SC"ja p:1Nld,rio de um:1 "justiç,o'' caôlha, ccg,.1 aos horrores do socialismo :.1 ponto de querer o domínio dês.'iC Lc,·U)tan sôbrc o eham:1do Terceiro-Mundo, t pugne por orna "paz" que p rcpnrn n m;"il~ ~"P:tntosa d:Li hec:1tombcs, :aquela ~,nunclada nQ Covil d:a frlll e que ~'Ó tennlnará qu:rndo, condoíd:.1 dO!( povos oprimidos pelo oni.nrca tol:ilitário, um di:a .t Virgem Se tc\lanlia:r para Uberl:ar de seus :1lgozcs a pobre hum:midade p:tra cujo resgate o FIiho de Deus dcrr,unou lodo o stu preclosíssi.mo S:mgue no :i.lN do Calvário, lendo ao lado Aqueln que, t rcrrfvcl como um exército C'm fonn atiio dC' b:1l:llh:i c- que, S-C,z,l nha, c.man,tou lôdáS as heresias no m1,1ndo lntdro.

J. de Azeredo Santos 7

~


.AfOILICilSMO---- - *

A VISITA DE NIXON À CHINA E UM VELHO FATO ESQUECIDO: MUNIQUE Repleto o auditório na sessão de encerramento da IV SEFAC

DIPLOMACIA norte-americana tem revelado amiúde uma extraordinária capacidade de fazer coisas erradas nas ocasiões mais inoportunas. Esta capacidade foi amplamente demonstrada quando do início das negociações de paz no Vietnã, cm 1968. Após um período de calmaria bastante grande, quando a guerra parecia desenvolverse satisfatõriamente para os sut.. vietnamitas e seus aliados. os comunistas aproveitaram-se traiçoeirantente da trégua do Tet para lançarem uma grande ofensiva, conseguindo ocupar várias e importantes cidades, a ponto de o próprio embaixador dos EUA ver-se exposto a risco de vida. Em todo o mundo livre teve-se a impressão de que houvera uma grave derrota norte-americana, impressão largamente alimentada pelo singular masoquismo dos jornais yankees.

A

Hoje cm dia sabe-se que a ofensiva do Tet representou um malôgro para os comunistas. ~les não encontraram o apoio popular com que contavam (o que, por exemplo, os levou a, em Hué, durante a ocupação, assassinarem da maneira inais cruel milhares de habitantes), seus melhores soldados foram dizimados pelas tropas aliadas, a ocupação das cidades durou pouco, com exceção apenas da de Hué. Mas foi imediatamente após os combates do Te·t, quando os ecos do pretenso êxito comunista ainda ressoavam por tôda parte, que o Presidente Johnson deu ordem· para que cessassem os bombardeios contra o Vietnã do Norte e se iniciassem as tratativas de paz, confirmando com isso a impressão de que seu país estava derrotado.

Quando a hora exige atitudes enérgicas . . . Recentemente, a posição dos EUA

no Extremo-Oriente sofreu nôvo e grave abalo, não por derrotas militares, mas pelo evidente fortalecimento dos "pombos" norte-americanos e porque êstes exigem de modo sempre mais estridente a retirada no Vietnã. A lém disso o govêrno Nixon saiu diminuído e humilhado do incidente da publicação de documentos secretos sôbrc a guerra, publicação que a Côrte Suprema não pôde ou não quis impedir.

Para um govêrno decidido, estas circunstâncias impunham a tomada de medidas enérgicas, para restabe· lccer o prestígio abalado e impor-se ao inimigo. Fazendo e.xataincntc o contrário, êstc· é o momento escolhido pelo Presidente Nixon para anunciar a sua visita à China. que assume com isso o caráter de ren~ dição. Ademais, tudo leva ,1 crer que o s

aliados mais próxi,nos dos norte-americanos no Extremo-Oriente foram deixados inteiramente de lado na ela. boração dessa iniciativa. A consternação que isso provocou na Coréia do Sul, nas F ilipinas, na Tailândia, cm Formosa, no Vietnã do Sul, no Japão, é fàcilmente compreensível. O preço da aproximação sino-norteamericana terá de ser pago por alguém, e provàvelmente o será por aquêles que puseram a sua fé nas promc.ssas dos EUA. Estas considerações amargas podem causar estranheza, tendo-se cm vista que a iniciativa de Nixon foi recebida com aplausos quase universais. A explicação de nossa atitude não é difícil.

Não esque~amos Munique A natureza huma.n a aspira por tudo aquilo que lhe proporciona satis-

GENERAL ENVIA '

VOTOS A TFP REALIZOU-SE EM julho último, cm Manilha, a V Conferência da WACL. - Wortd Anticommurúst Leaguc (Liga Mundial Anticomunista), cm conexão com o congresso anual da Liga Anticomunista dos Povos Asiáticos. Paru o importante conc1:.we. que con· tou com a participação de 1.500 represcn1a1Hes das principais nações não comunistas, a Sociedade Brasileira de Defesa da Tradição~ Família e Pl'opricdade íoi convidada pc1a W ACL 3 enviar observadores espccia is. Nessa qualidade viajaram para a capi• tal das Filipinas os Srs. Marcos Ribeiro Dantas. do Diretório N:tcional daquela sociedade. e Miguel Bcccar Varela, dirigente da congênere argcnlim-. Cong.ratulando-se com ~, TFP e formulando votos pelo êxito da atuação de seus delegados. o Exmo. General Humberto de Souza Mello, Comandante do li Exércilo, enviou ao J>rof. Plinio Cor· rê;;i de Oliveira o seguinte ofício: '~Informado, pessoalmente, por V. Exchl., de que a ''Sociedade Urasilcira de Defesa da T radição, Família e Proprie:• dade:" havi:t sido convidada para partic:í· par da s.:1. Conícrêntia, da ''Liga Mundial Anticomunista", cm conexão com o "Con_gresso Anual da Liga dos Povos

Asiáticos Anticomunista.,, ,·cnl,o congratufa.r-mc com a Organização que V. Excia. preside, com a nítida comprecusiío do que representam a TFP e o congresso cm aprêço, visto tratar-se de uma verdadeira barreira contra a expansão do comunismo . ateu e impcriàl~1a. Na conjuntura atual que o mundo atravessa, pa.r tkulnnncntc os povos asiiticos, e por similitude os ~ui-americanos. sôbrc quero atualmente se voHam as atenções agressivas dos comunistas, é coníortador sabermos que há, fora das Fôrç.a s AnnadM, quem se coloca; cm plano mundial, na primeira linha de combate a ~ia ideologia, completamente contrária aos nossos intcrê~s, t:radjçóes e fom1ação crb'tã. Renovando meus cumprimentos pela pai:tidpação da TFP no condave mun· dial, apresento meus votos de pleno êxito aos J)rs. Marcos Rlbéjro Dantas e Miguel Bec<ar Vs.rela, seus representan· tes, certo de suas atuações <oro inte· ligência, pidriotisrno e vasto conhecimento da doutrin.a democrática, que, segurrunente, incidirão fortemente nas de· cisões de tão notável reunião. paro a contenção dn marcha do comun~mo oo mundo, cm particuh,r no Continente Sul-Americano··.

fações, e por isso mesmo lhe repugna a guerra, que certamente tem pouco de satisfatório. O desejo de paz. de si legítimo, pode porém toldar de tal maneira o raciocínio e causar tais desvarios, que os pacifistas ''enragés" terminam pot provocar a eclosão da terrível catástrofe que queriam evitar. Relembremos um episódio já antigo. Para .muitos jovens de hoje, a pa· lavra Munique talvez. não signifique mais que o nome de uma cidade ale· mã, mas os mais velhos ainda hão de se recordar de que foi em Munique que, em 1938, procurando a todo custo evitar a guerra que lhes parecia iminente, o Primeiro-Ministro in. glês, Chamberlain, e seu colega francês, Oaladicr, traíram compromissos dos mais solenes e entregaram a Checoslováquia a Hitler. Consciente do que tinha feito. Daladier, ao regressar a Paris e ver a multidão que o esperava, empalideceu, temendo manifestações de desagrado ·e de cólera, mas logo voltou à serenidade. pois os aplausos estrugiran\ de tôda parte. Yoltando·se para seu amigo Marc Rucart, o ''Premiefn disse cm voz baixa: "J,,Jeliz.es! Se soubessem o <1ue estão aplaudindo! . .. •· Ê notó rio que o pacto de Munique, em vez de aplacar o apetite nazista, muito pelo contrário o incentivou bastante. Mas não foi só desta maneira que as concessões de Chamberlain e Daladier concorrCram para a eclosão da segunda guerra mundial. Atualmente se sabe que naquela ocasião Hitler estava a ponto de ser deposto por uma conspiração de altos chefes militares alemães, chefiada pelos Generais Beck e Stulpnagel. pelo A!mirante Cana ris e pelo Comandante supremo do exército, Von Brauehitsch, com o apoio dos comandantes das guarnições de Berlim e de Potsdam.. que se incumbiriam de prender o Fuehrcr. A espantosa vitória que êstc obteve cm Munique e a imensa popularidade que a anexação da Checoslováquia lhe proporcionou na A lemanha, tornaram. in• viável o golpe militar, cujo êxito anteriormente era certo. Conta-se que. ao saber que Chamberlain iria a Munique, Schacht, Ministro alemão da Economia, que detestava Hitler, a ndava de um lado p ara outro em seu gabinete, êSmurrando a fro~te e ex· clamando: ..E Íflimagiflável! O Pri~ meiroªMinistro do Império britlinico vem e11contr<1r·se com ê..rte ga11gster!"

Discursa o representante dos jovens semanistas do Nordeste

Aplausos à con fe rê ncia do F>rof. F>linio Corrêa de O liveira

Aspecto da mesa que presidiu a sessão de encerramento

Perspe,ctivas sombrias lastimàvelmente certo que no V ietnã os EUA não puseram todo o empenho cm lutar pela defesa da c ivilização cristã - q ue deveria ser seu mais caro ideal - e que, para obter a paz, estão-se preparando para fazer concessões que os enfraquecerão enormemente. Como vjmos no caso de Munique, adversários totalitários não costumam ser comprados por n\eio de manifestações de debilidade, de maneira que, no próximo impasse internacional. o govêrno norte-americano ver-se-á diante do seguinte dilema: ou capitula em face do com\lnismo, c-om conseqüências . . , . 1mprev1s1ve1s para seu pais e para o mundo, ou então é obrigado a resistir ern posições que seus recuos anteriores terão enfraquecido, e com aliados inseguros, pois o que está acontecendo com os povos asiáticos que confiaram na aliança yankee con. tribui m uito pouco para animar de• dicaçõcs. Ê

~

Alberto Luiz Ou Plessis

Diante da sede do Conselho Nacional da TFF>. os participantes da V Semana E.s pecializada para a Formação Anticomunista

A TFP PROMOVEU ern São Paulo no ,nês de julho 1>.p. a IV e V Semanas Especializadas para a Formação Jlntico,nunista, da qual participaram 210 jovens de quinze Estados brasileiros e de quatro países da A,nérica espanhola (página 6).


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ll 01RETOR: MON-S, ANTONIO RIBEIRO 00 ROSARlO

ALFRED ROSENBERG, o famigerado t eórico do nazismo, que tanta Influência exercia sôbre Adolf Hltle r, mandou em 1931 e 1937 o alto Iniciado Otto Rahn fazer pesquisas nas ruínas do castelo de Montségur, cidadela e templo dos cótaro1, último refúgio dessa heresia manlquéla que assolou o Sul da Fransa nos séculos XI a XIII. Ao mesmo tempo, o todo poderoso chefe dos S. S., Helnrlch Hlmmler, fazia reconstruir o castelo de Wewelsburg, perto de Paderborn, na Westfólla, e preparava nêle uma c&mara subterr&nea de abóbada em ogiva, destinada a receber sôbre um altar de mórmore negro, marcado pelas letras "55" d e prata em alfabe to rúnlco, o que os che fes supremos do nazismo esperavam encontrar em M~ntségur: o misterioso Gral, pedra-livro que conteria a tradlsão gnóstlca. Nessa capela sinistra os S. S., tropa de e lite do naclonal-soclallsmo, deviam meditar tendo como "evangelho" o livro de Otto Rahn "A Côrte de Lúcifer na Europa". fsses fatos estranhos fazem entrever que, ao contrórlo do que s upõe o grande público, o hltlerlsmo não constituiu antes de tudo um movimento político. Na realidade, o estudo do nacional-socialismo li luz de antiga• doutrinas esot é ricas põe-nos diante de uma verdadeira seita religiosa de caróter gnóstico-maniqueu, cuias origens remontam aos cótaros medievais do Sul da Fransa. Hitler, Hess, Hlmmler, Rosenberg e outros altos dignatários do Partido Nazista aparecem nessa perspectiva como Iniciados de uma nova religião que tinha sua hierarquia, , seus templos, seus ritos, seus dogma,. PAGINA 2.

SEITA O Cll."-tclo de MQntstgur, 1e-mplo t rdúgiQ dos d1aros da Occitânfa

N.º

249

SETEMBRO

DE

1 9 7 1

ANO

X X 1 CrS 1,50


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ATOLICISMO por mais de uma vez já se ocupou com o estudo da gnose, fundamento panteísta de tôdas as grandes heresias que vêm flagelando a Cristandade desde os tempos apostólicos. A gnose se acha prêsa por assim dizer aos flancos da San· ta Igreja, terrível êrro religioso que, combatido pela verdade católica - e até mesmo a ferro e fogo - quando sua presença se torna insuportável, pode dar a ilusão de completo desaparecimento cm certa quadra histórica, passando, porém, como uma brasa acesa, a viver sob cinzas, para logo reaparecer e produzir novas· e indizíveis devastaçõc.s . A gnose, no correr dos tempos, tomou vá-

rios aspectos. Distinguimos, assim, o fundo gnóstico encontradiço em tôdas as heresias e os sistemas gnósticos propriamente ditos, nos quais aquêle fundo tomou corpo nos primeiros séculos do cristianismo. Falando de modo geral, podemos registrar uma gnose pagã e uma gnose dita cristã. A o rigem da gnose pagã se perde na noite dos tempos. Nela se achava mergulhado o mundo antigo. Entre os gnósticos-maniqueus há a tradição de haver ela existido antes do dilúvio na Atlântida, na Lemúria e na Hiperbórea, civilizações pagã.s que aquêle tremendo castigo teria destruído. Para nos reportarmos à fase propriamente histórica, .1ntes da era cristã vemos a gnose pagã na Pérsia, na (ndia, na Grécia e cnlrc outros povos. Após o advento do Redentor, fala-se da gnose cristã, d esignação imprópria, pois as várias heresias gnósticas não passaram de tenta·

tivas de acobertar o velho êrro pagão sob roupagem católica. No seio da Santa Igreja procurou a gnose esgueirar-se por detrás do dogma católico, assumindo para isso os mais variados disfarces. Nos primórdios do Cristianismo a gnose aparece nas heresias q ue lhe tomam o nome. Ao contrário do que nos ensina a Revelação. segundo a qual rôda a criação é boa, tanto a dos espíritos quanto a dos sêres materiais, o gnosticismo afirma a oposição entre o espírito (princípio do bem) e a matéria (princípio do mal), aquêlc prêso a esta cm conseqüência de um desastre cósmico. Evolucionista. suspira pelo advento de uma era em que, ao cabo de mutações sucessivas. de nôvo o espírito se Ji .. berte das cadeias físicas que o prendem. Panteísta. confunde o gnosticismo a Divindade com êsse mesmo espírito prêso à matéria. Vão os gnósticos contra o dogma da Criação, confundindo o Criador com a criatura. Repudiam o dogma da Santísima Trindade e o da Encarnação do Verbo, pois negam a união hipostãtica do Verbo Divino com a natureza humana cn1 uma mesma Pessoa. Dentro da lógica interna de seu êrro monstruoso, repudiam também a Santíssima Virgem cómo Mãe de Deus, verdade proclamada pelo Símbolo de Nicéia, que condenou os gnósticos da época e a tendência esotérica que com êles se ia infiltrando no Cristianismo. Com eíeito, outro aspecto fundamental e inseparável dessa heresia é seu caráter secreto, mágico e ocultista, assumindo ora a feição de magia negra, ora a de magia branca.

Os corol6rios sociois e políticos do doutrino gnóstico Desde os tempos apostólicos as conseqüências sociais e políticas dêssc conjunto de erros não se fizeram esperar. t bem expressivo, nesse sentido, que entre os primeiros hereges gnósticos surgidos nas fileiras da Santa Igreja, alguns, chefiados por Simão Mago e usando o nome de ebionitas, isto é, pobres, toma~am a pobreza não como um conselho evangéhco, mas como um preceito, c essa negação da propriedade privada levava-os ao igua!itari~mo e ao comunismo. E em seu horror as coisas materiais, justificavam os gnósticos o suicídio ritual e eram também contra o Sacral)lcnto do Matrimônio, que santifica a procriação dc .,novos sêres nos quais, segundo êles o espírito se acharia ignominiosamentc prêso à matéria.

Repetição monótono dos mesmos erros . O fundo panteísta carreado pela gnose surge na era cristã sob os mais variados disfarces. Nesse primeiro período, vemos as chamadas heresias indo-helênicas negarem o dogma da Encarnação do Verbo, rejeitando ora a divindade de Nosso Salvador, ora sua humanidade, o q ue acaba dando na mesma. O maniqueísmo foi então o principal grupo gnóstico: sus1cn· rnva um duplo panteísmo, o panteísmo do espírito, cujo princípio enrnnador era o bem, e o panteísmo da matéria, cujo princípio ema.. nador era o mal, ambos necessários e fazendo um jôgo de antítese. Professavam seus adeptos o repúdio das COisas materiais e afastavam-se do cas.,mento como propagador do mal, e da posse dos bens terrenos como forma de apêgo a um mau princípio. São também dêsse período, entre outros, os neoplatonislas da escola de Alexandria, os montanistacS, os docetistas, os antitrinitários, os sabeliaoos, os patripas· sionistas. Vieram depois o arianismo, o pelagianismo, o ncstorianismo, o eutiqueísmo, o monofisismo, o monotelismo. O nestorianismo veio explorar nôvo filão herético, aquêlc que não mais tocava na existência das duas natu· rezas cm Nosso Senhor Jesus Cristo, mas nas relações entre elas e cm suas operações re· cíprocas. A unidade da Pessoa começou a ser atacada, como o havia sido a dualidade de natureza. Na esteira do ncstorianismo veio o cutiqucísmo. que sustentava que a natureza humana fôra de tal modo absorvida pela Divindade, que o corpo do Nosso Senhor seria um corpo humano quanto à forma e quanto à aparência exterior, mas não quanto à subs· tância. O eutiqueísmo deu lugar ao monofisismo, que admitia apenas uma natureza em Nosso Senhor: a natureza divina, e ao monotelismo_, que admitia apenas uma vontade cm Jesus Crisco: a vontade divina.

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Essas fantasias, em seu aspecto teológico. foram fulminadas pelo seguinte decreto do )V Concílio de Calcedônia: "Conforme o ensina1nen10 dos San1os Padres, declaramos, com voz unânime. que se deve confessar ·um .r6 e mes· mo Jesus Crislo Nosso Senhor,· o mesmo, pe,.. fei10 na Divindade e perfeito 11a Jwmanidadc,· verdadeiro Deus e verdadeiro homem; sendo, como homem, composto de uma alma racional e de um corpo; consubstancial ao Pai segundo a Divindade, con.rubstancial a nós segundo a lwmanidade; em tutlo semelhante a n6s, m enos o pecado; engendrado do Pai antes dos séculos segundo a Divindade; o mesmo, na.reido nes• tes li/Jimos rempos segundo a humanidade; um só e mesmo Cristo, Filho unigêniro, Senhor em duas 11a1ure1.as, sem confusão, sem mudança, sem divlsão, sem separaç,ío,. sem que a tmliio suprima a diferença das duas naturezas. uma e outra conservando sua propriedade, e concorrendo em uma única Pessoa e :mbsistência,· de modo que não se a,·J,a partído ou divi• dido em duas pessoas. mas é um só e mesmo Filho ,miginito, Deus o Verbo, Nosso Se11/oor Jesus Cristo. como os Profeiar ~ e-·o P rópriÕ Nosso Senhor nos ensinaram, como o SímbÕlo (los Padres nos ,ransmltiu". Recordamos estas noções fundamentais e as características do êrro gnóstico para acen· tuar que ulterionnente, através da História, vemos simples e monotonamente ressurgir essa velha hidra revestida de novas roupagens. Sempre combatida, mas nunca completamente extinta, a -gnose caminha subterrâneamente através dos séculos, e em plena Idade Média se esgueira na Cristandade, surg,i ndo um de seus mais poderosos focos na França meridional, na região do Languedoc, sob a denominação de catarismo ou heresia albigense. O neomaniqueísmo c:ltaro foi exterminado no Sul da França por meio de uma verdadeira Cruzada, pregada pela Igreja à ·vista das devastações que o êrro ia causando entre os fiéis. ''E antes de tudo evidenre que o poder civil se inquietou com a exist,ncia e o desenvolvimento das heresias tanto quanto a autoridade religiosa, ou talvez mat's. As heresias que mais o preocupavam não eram aquelas que se manti• uham no puro campo teológico, pois não ve• mos que êle se haja comovido pela negação por Berenger de Tours do dogma da Trt1nsubs· tanciação, As que o inquietavam eram aquelas cujo êrro reol6gico se tzliava a doutrinas anarquistas e anti•socíais~· e eis Príncipes excomungados pela Igreja que as perseguiam pelo me.. nos tanlo quanlo os Papas, porque no triunfo evcnrual delas viam, segundo a própria txpressiío de Roberto, o Piedoso, ''a ruína m esma da pátria" ("L'Inquisition Médiévale", por Jean

Ouiraud, Ed. Bernard Orasset. Paris, 1928, p. 81 ) . No declínio da Idade Média vemos de nôvo pulular o êrro gnóstico por todos os lados, embora de forma encoberta, e não somente os precursores da heresia protestante, como Wi· clef e João Hus, mas o próprio Lutero se deixaram influenciar pela gnose. Onóstica também foi, por exemplo, a facção puritana de Cromwell na Inglaterra, e sobretudo • partir dos séculos XVIII e XIX vemos ressurgir por tôda parte um enorme movimento subterrâneo de tendência nitidamente gnóstico-maniquéia, m;lgica e ocultista.

Umo estronho missão nos ru ínos de Montségur O que até agora dissemos, à guisa de preâmbulo, é matéria pacífica para quem se disponha a acompanhar a história religiosa mundial cm rodos os seus refolhos. O que para muitos pode parecer surpreendente é que correntes modernas ncopagãs como o nazismo se mostrem completamente mergulhadas na gno!e e no ocultismo. Entre outros., no livro "Lc Matin des Magiciens", Louis Pauwels e Jacques Bergier procuram levantar a ponta do véu que encobre êsse mistério, embora de forma um tanto folhetinesca. Surge agora na coleção intitulada "Os enigmas do universo" a obra "H1TLER ET LA T'RA01T10N CATHARE" (Ed. Robert Laffont, Paris, 1971 ) , cujos aurores, J EAN e MtCH EL ANCERERT, apresentando-se cm pO· sição nitidamente anticatólica. oferecem impressionante documentação ~ôbrc as origens gnósticas e ocultistas do Terceiro Reich nacional•socialista. O capítulo preliminar dêssc livro tem por título 1-0110 RaJ,n e a crul.adá contra o Gral". Lê-se ali que no verão do ano de 1931 um jovem alemão, Otto Rahn, surgiu no Sul da França cm missão misteriosa. Nas proximida· dcs da cidade provinciana de Lavelanet visitou longamente as ruínas do C?Stclo de Montségur, o fabuloso Montsalvat dos trovadores proven-

çais e, blasfematõriamente dizem os autores, "Tabor dos çátaros tia Ocd1ânia e ,íltimo refúgio ,la heresia albigense, r,m dêsses altos tu~ garcs em que sopra o espíri10. Destlc tempos imemoriais, o Pog ou espigão rochoso .rôbre o <1110/ foi co1rstruítlo o castelo tem sido considerado como 11111 sítio sagrado" (p. 27). As características singulares dêssc edifício fazem crer que êlc foi construído não em função de imp2rativos militares, mas segundo um plano de arquitetura religiosa: ''é poi.r lícito pensar. e tôda a epopéía albigense o con/irmt1, que Montségur foi verdadeiramcnle um templo, vouulo a 11111 culto, lugar sagrado chamado a oferecer. em caso tle invascío. uma resistêncítl desassombrada" (p. 29). Aliás, também outros castelos occitanos apresentam características semelhantes, e de alguns dêles se sabe com certeza que foram ocupados por albigenses. Acresce considerar que oo Sudoeste da França pacientes pesquisadores descobriram cêrca de quarenta subterrâneos dos séculos XI e XIII e puderam verificar que todos êles contêm uma sala-capela provida de uma espécie de altar, e que, para uma mesma região, todos se acham orientados de tal sorte que convergem para o mesmo ponto. "Depois de um esru.. do aprof1mdado dessa,· construções, Henri Coitei se convenceu tle que eltts 1uio eram única nem essencitzlmente refrígios, mas sobretudo lugares de cu/10 nos quais os cátaros, já antes das pcrseguiçOes, celebravam cerimônias ini• ciáticas" (p. 29). Três meses passou Oito Rabn na região de Lavelanet e em 1937 voltou para uma estadia mais curta. Nesse meio tempo, em 1933. publicou o li vro "Kreuu.ug gcgen dcn Oral" ("A Cruzada contra o Oral"), que teve grande r c· percussão na Alemanha e no qual situava cm Montségur o misterioso Gral, apontando os cátaros como seus derradeiros deposit:lrios. O curioso é que o que levou Rahn a por duas vêzes se demorar pesquisando sigilosamente as ruínas de Montségur e seus arredores foi uma missão recebida de Al(red Rosenberg, o famigerado teórico do nazismo.

O Grol, c61ice sogrodo do último Ceio ou mito gnóstico? Segundo lenda medieval, o Oral ou SanOral seria um cálice sagrado feito de enorme esmeralda do d iadema de Lúcifer, gema que teria caldo na terra quando aquêlc arcanjo foi precipitado no inferno. O c:llice formado por essa esmerald_a, lapidada cm 144 faces, foi ainda conforme a lenda - usado por Nosso Senhor na Santa Ceia, e com êle José de Arimatéia recolheu o Preciosíssimo Sangue do Salvador proveniente da chaga aberta pela lança de Longino. l?.sse vaso sagrado, portador de virtudes extraordin:lrias, leria desaparecido misteriosamente a partir de certa época, depois de ter estado cm poder de um dos cavaleiros da Távola Redonda. Segundo os autores de "Hitler et la Tradition Cathare", "para os partidários da unidade da Grande Tradição , isto é, da unidade fwrdamental e transcendente de tôdas as religiões, lendas e mitologias diversas, é 6bvio que os cristãos se apropriaram do mito do Gral para dê/e fazer a taça de esincralda que co11tém o Sangue de Cristo, desviando dêssc modo o símbolo de seu sentido -primeiro''. Nesse ºsentido primeiroº. a perda do Gral ''pode ser assi.. milada à perda da Tradição, com tudo o que isso comporta de empobrecimento espiritunl". Assim, "o mito do Oral é o reflexo de um ensiname,110 perdido. Essa foi a interpretaç,io dos naciona/s..socialistas que desenvolveram seu pensamento vendo no Gral-pedra uma lei tle vida sõmente válida para cena.t raças" (pp. 32-33). A missão de Otto Rahn no Sul da França e sobretudo suas buscas nas ruínas do castelo de Montségur tinham pqr objetivo descobrir o O ral-pedra contendo o segrêdo da gênese do mundo: o Oral seria o livro sagrado dos arianos, perdido e reencontrado, e por fim escondido cm Montségur pelos cátaros. "E a êste título que 0110 Rah11, o grande especialista do catarismo, foi enviado pelos po,uffices do na.. . :ismo à região albigense a fim de ai; descobrir o famoso Gral..pedra evoct1do em suas poesias ,,or Wolfram d'Esc!,e11bac!, (ver "Parzival") , que fala de uma "pedra preciosa'', Ora, os maniqueus, originários da Pérsia (portanto a a ês.re titulo c,rianos). a.tsociava,n a palavra

ºGorr" (pedra preciosa) à palavra ''A I" (bri· /1,o) , o que daria o "Gral" por contração, 110 sentido de ''pedra preciosa gravada". e seria pois a noção histOricamente mais fundamentada, por sua própria origem etimológica. J.slo nos pcrmire corn.preender todo o lnterêsse que os dirigentes hitleristas, conr Rosenberg à /renre, tinham nessa pesquisa'' (p. 34). "Esse mesmo Rosenberg diz.ia enfàticamcntc cm seu famoso livro "O Mito do Século XX": ''Hoje desperuz uma nova fé, o mito do san• gue, a fé de defender Igualmente com o sa11gue a essência divina do honrem em geral" (apud "H itler et la Tradition ... ", p . 34). A apreciação entusiásti~a de Adolf H_itle_r. sôbre êsse livro assume assim todo o seu s1gni(1cado: "Quando lêrdes o nôvo livro de Rose11berg, compreendtre;s essas coisas, porque é a obra mais vigorosa no género, maior que a de H. S. Chamberlai11" (Otto Strasser, "Hitler et Moi", Paris, 1940, apud "Hitler ct la Tradition ... ", p. 35). H . S . Chamberlain e o Conde de Oobineau podem, do ponto de vista racista, ser considerados como precursores do naz.ismo. Outro destacado filósofo nazista, A. Bauniler, escrevia, pensando no mito do Oral: "O m;to do sangue não é uma mitologia ao lado de outras mitologias, não põe uma nova reUgiáo ao lado de antigas religlões. Tem por conteúdo o fundo misterioso da própria for· mação mitificante. E tle seu princípio es1rutu• rador que tôdas as milologias procedem; o conhecimento dêsse princípio estruturador não é, por seu 1urno, uma mitologia, mas 'É o PRÓPRIO MlTO, enquanto vida contemplada com veneração. O desenvolvimento de sua realidade oculta é o ponto de inflexão de nosso tempo" . Depois de transcreverem êsse texto, acrescentam Jean e Michel Aogebert: "Podemo.t, à luz de tais explicações, penetrar em profundidade o neognosticismo ou, se se preferir, o maniqueísmo dos dir;gentes e dos intelectuc,ís nazistas, apoiados sôbre uma gnose racista. A adaptação de todos tsses mitos ao pensamento do século X X dever1a ser a grande preocupaç,io dos nazistas" (p. 35).


Um movimento conduzido por bruxos e mágic:.os O gnóstico Otto Rahn gozava de grande pre$tígio entre os chefes hitlcristas e um segundo livro seu, "A Côrte de Lúcifer na Europa''. foi imposto por Himmler "aos principais dig. nitários do nazismo, con/eriudo-lhe assim valor ele ewmgelho" (p. 64). Bssc mesmo Reichsfuehrer S. S. Himmler, vivamente interessado nas pesquisas de Otto Rahn cm Montségur. fêz reconstruir o castelo de Wewclsburg, perto de Paderborn, na Westfália. Nêle, e situado sob uma sala de reuniões de tamanho impres-

sionante, achava-se o 'santo dos santos". câ.. 1

mara abobadada em ogivas que devia receber o prestigioso Gral sôbre um altar de mármore negro marcado pelas letras S . S. de prata em alfabeto rúnico. "A.r meditações dos h6spedes de Wewell·b urg diziam respeito lt mística bio/6gica, ii moral da honra, ai) mito espiritual do s<mgue e aos outros temas gnósticos e dualisttis caror às elites ele além-Reno. &ses retiros tinh(lm por cena uma .rala de quase quinhe111os metros quadrados, situada sôbre o local em que esl/lvll o altar da 11ow1 religião" (p. 65). Como vemos, o nazismo não se apresenta aqui como mero fenômeno político, mas como um movimento conduzido por bruxos e n1ágicos. e isto cm um país dos mais avançados no campo técnico e cientifico, confirmando a ver~ dade, já experimentada pelo Fausto de Goethe. segundo a qual o extremo racionalismo científico conduz à magia. E o propósito dos auto-

re.~ do livro que estamos comentando parece nesse sentido muito claro: "e portanto uma ,mtilise do pensa,nento 11act'o11al-socialisra através do dédalo elas tradições esotéricas que propomos ao leitor dêste Uvro: sendo o tema central a gnose com sua mais signt'ficativa projeção. representada pelo pro/era Manés, o desen· volvimelllo se ordena naturalmente em tôrno do catarismo. característica aparição neogn6:r• aca da Idade Média. e prossegue com o estudo dos iemplários. Em seguida a gnose se oculta. degenerando. com a Rosa-Cruz e os iluminados da Baviera, para dar, ap6s várias voltas, no misterioso grupo Thulc" (p. 72) . Ao contrário das explicações pseudo-históricas que vêem no Terceiro Reich o continua• dor do Reich de Bismarck e de Guilherme TI, a Alemanha de Adolf Hitler aparecia aos olhos de seus fundadores e de seus iniciados como a terceira época do gênero humano (p. 193). Segundo declaração do próprio Fuehrcr, "i,011ve os tempos <mligos. Há o nosso movt'menro. Entre os dois, a meia itlade da humanidade, a Idade Média. que durou até 116s e que vamos encerrar" (Hcrmann Rauschning, "Hitler m'a dit", Paris, 1939 - apud "Hitler et la Tradition ... ", p. 193) . Segundo certos autores, Hitler teria sido levado por Rudolf Hessc à prática de métodos ocultistas. Não pensam assim Jean e Michel Angebert. Para êles o chefe nazista já havia chegado a tais práticas por sua formação pseudomística anterior e sua filiação ao grupo T hule (p. 195).

.re reumr<1,o em uma gt'gantesca forma que :mbirá ao céu, ao mesmo tempo que <1 11wtéria formará uma enorme esfera (bolos) semelhante te ao cao.r original. ê assim que no fim ,los tempo<, como o fogo e o gêlo, os e/ois princí· pios antagônicos serão de nôvo separados um <lo outro, tal como se achavam na origem'' (p. 229) .

" Nossa única fé religioso é o nazismo" O nazjsmo era uma nova religião, simboli .. zada pelo Volk, fundo mítico da deíficação do sangue e da raça. Em conseqüência, não podia êle deixar de colidir com o Cristianismo. O chefe da "Frente do Trabalho" hitlerista. Dr. Lcy. foi muito claro e preciso quando declarou: "Nossa fé, que só ela nos pode J·alvar, é o nacional-socialismo. e essa fé rcligt'osa não tolera 11enl111ma outra fé ao seu lado" (p. 245). O antagonismo entre a Igreja e o~ nazistas não foi, como querem os observadores ingênuo., ou por demais sabidos, um conflito político, mas a lura de uma religião neopagã conlra a verdadeira Religião de Nosso Senhor Jesus Cristo. A Concordata negociada pelo Terceiro Rcich com a Santa Sé. por intermédio

de Von Papen , nada mais foi que o anestésico destinado a adormecer o adversário para mais fàcilmcnte se poder destroçá-lo. O chamado ''cristianismo positivo" nazista era, na realidade, a religião da raça e do sangue, isto é, a Weltanscluuumg nacional-socialista, um dos piores perigos que a Santa Igreja teve que enfrentar ao longo da História. ~sse "cristianismo positivo", nunca explicitado de modo claro, não passava de um pseudocristiaoismo nacionalista, socialista e gnóstico, que tomava do Catolicismo, como o fizera a heresia americanista do Padre Hecker, os elementos que reputava positivos, as virtudes ditas ativas etc., rejeitando as virtudes "passivas" e os elementos " negativos", em particular o Antigo Testamento e as Epístolas de São Paulo. Os chefes nazistas eram os únicos credenciados a definir o ·'cristianismo positivo", como bem acentuou a revista dos S.S . "Das Schwarie Korps" ("O Corpo Negro'') : "Sendo o Cristianismo p(}Sitt'vo um têrmo que o nacional-socialismo introdutt'u, s6 o nacional-soct'alismo está ,,ualificado para o i,uerpretar" (p. 247). CON CLUI NA í'ÁO. 4

Cunha Alvarenga

" Hitler dançará, mas eu é que escrevi o música" Entre os grupos gnósticos que deram nascimento ao nazismo, citam os autores a Soei e· dade do Vril e o grupo Thule ou Tlmlegese/1.rcl,aft , a primeira fundada na Alemanha no principio do século, e o último criado em 19 l 8 pelo Barão von Sebottendorf. Mas parece ter sido Dietrich Eckart, escritor e jornalista de renome e membro da T/11,!egese//s-cl,aft, quem lançou verdadeiramente Hitler, fornecendo-lhe os primeiros fundos necessários para sustentar sua campanha política inaugural. Rudolf Hess, Alfred Rosenberg, Dietrich Eckart, Karl Haus· hofer. Max Aman~. "tóda ess" ge11re, como pudemos verificar, pertencia á so-ciedade~ç se,·rcws. J·cjt, ao gru,po Tlwle, seja à Societlade ,lo Vril. N,10 espan w~ pois, que todos sejam encontrados, sempre, envolvidos na realiwçiio dos ritos da. nov(l religt'ão da crut gamada. Dispo,ulo desde então de uma base política, de apoios financeiro.r i1n.portantes e de um aparelho secrtto (que podia guiar Hitler), o partido nacional-sociaUsta ia 1rt1..nsformar-se na máquina de guerra dêsses novos gnósticos, tendo à testa 11111 formic/ável detonador. Ado// Hitler, o rínico homem que pOSSllía as qualidades suficientes para despertar a Alemanha de seu sono letárgiCo e ele/a /ater o instrumento dócil de seus desígnios mágicos. Em seu leito de morte, em 1923, Dietricl, Ecl.art co11/essava a seus íntimos: 1'Dcveis seguir Hitler. /1/e dançará. mas eu é que escrcv{ a música. Nós lhe demoJ· os meios ,Je se cornunicar com êles [quem seriam êsscs misteriosos "êlcs,.?). Não me lomentet's:· eu terei influencia,Jo a Hisrórt'a mais que qualquer outro alemão (p. 209).

Renan, o ex-seminarista precursor do nazismo A gnose hitlcrista pretendia agir sôbrc o homem para transfor.rnar o universo, do mesmo modo que, por processos místico-religiosos, ela prclcndia agir sôbrc o universo para cra_n sforrnar o homem: "Ncssá perspectt'va, a matért'a age sôbre o cspídto e o espírito sôbre ti matéria 1 de modo a provocar uma trammm1/lÇã<> de todos o.r valores que, s6 ela, é susceptível de impelt'r o super-homem para o ponto ómega, que é o da perfeiçiío. Tal é o significado da palavra (nessa interpretação): "Eu .,ou o alfa e o ómega" [em noto ao pé da página: "Reportar-se II êsse respeito à obra de Teilhard de Char<li11, êsse gnóslico t1ue não ousa dizer seu nome"] e do mito gnóstico da serpente que morde a própria cauda. Na base tle uma u,l doutrlna reservada a pequeno número de iniciados, manifesta-se o orgulho demente que deseja /a1.er do homem seu próprt'o ,Jeus, calcando aos pés OI moral tradicional e desprezando a quase 1otalt'datle da humani.. 1/ade, votada a regressar ( como no maniqueísmo e 110 catarirmo) ao caos (I,yle) das origens'' (p. 2 17) . Nessas clucubrações gnósticas sôbre o ra· ça, o nazismo encontrou um apoio inesperado cm Rcnan, o blasfematório autor da "Vida de Jesus'', o qual escrevia cm seus ''Dialogues Philosophiques" (Paris, 1876): "Uma larg" aplic<1çâo das descobertos da fisiologia e do princípio de selcçlio poderia levar à criação de uma raça superior, rendo seu <iireito de governar, 11ão sõmeltle m sua ciência, mas na próprt'a superioridade de seu sangue, 1/e seu cérebro e de seus nervos. Seriam espécies de deuses ou devas, sêres décuplos cm valor <lo que u6s somos, que poderiam ser viávet's cm am-

bientes artifict'ais. A naftrreza não fat nada que não seja viável nas co,ulições gerais; nw.r 11 c:iênct'a poderia estender os limites da viabilit/(lc/e". Renan conhecia o ciclo das lendas arianas de Asgaard, país mítico dos homens brancos superiores, os tiiperbóreos, ancestrais dos atua·is indo·europeus. Daí dizer cm continua· ção: "Um" fábricll de ases, 11m As(lllard poderia ser reconstituído 110 centro da A.rfo. [ . •. J Do mesmo modo que a luunani<la,le saiu ,ta animalidade, assim a divindade J·triri<, t!t1 humanidade. Na veria sêres que se serviriam do homem como o homem se serve dos ar1i· ,nai.r. . . Mas, tept'to, a superioridade t'ntelectual acarreta ti superioridade re.ligt'osa; ês.re.t fuwros senhores, nós os devemos sonhar como encanwçõcs do bem e da verdade; cum1>riria subordinar-se a êles". E prossegue: "Dêsse mo-do, concebe·se um ternpo em que tudo o que reinou outro,~ no esu1do de preconceito e de opinião vácu,, reinaria no estado de l'ealidadc e de verdade: deuses, paraíso, inferno, poder espiritual, monarquia, nobrez.a., legitimidade, superioridade de raça, podlres sobrenaturais podem renascer por obra do homem e da razão. Parece que, se uma tal solução se produtir em qualquer grau sôbre o planeta Terra, é pelt, Alem<111lta que e/" se produurá" (apud "Hitler et lo Tradition ... ", pp. 217-219). Eis, portanto, o racionalista Renan como profeta do nazismo ... A cosmogonia hitlerista recebeu larga contribuição das teorias do profeta do gêlo eterno, o cientista austríaco Hórbigcr. a cujas elucubrações gnósticas o Fuehrer dava pleno apoio. "HQrbt'ger, que se abebcrou nos mitos pro/wulos que se acham no inconsct'ente tia lmmani<lade, é partidário da teoria do.f ciclos adorada por Platão. A l'erra, a vida, a lrnma11ida,le não conheceram uma evolução contí11ua, mos uma ascensão em dentes de serra, entrecortada tle quedas que faz,em a criação ,.c,roceder a seu nível anterior. Depois das civilizações dos gt'ganrcs, a Terra teria assim co· 111,ecido catástrofes sem nome que tert'am tragado con1i11enres inret'ros (a Atlântida, a H;. perbórea), acarretando a degenerescência do homen-, superior. Para reencontrar o homem-deus, é necessário realiz,ar uma nova muu,ção que tornará tJ tlar vida a nosso rmlverso sob ô signo de um nôvo ciclo. Reencontramos aqui o fwulo de tôdas as e-,)"peculações hitlerfa.'las sõbre o home11i e s8bre o mu11do" (pp. 224225) . No início do século XX Be,gson profetizava: "O universo é uma máquina de faz,cr deuses". Teilhard de Chardin devia fazer-lhe eco admitindo a hipótese de uma "dérive" que dã origern a "alguma forma de ullfli-Jwnumo": a famosa teoria dos mutantes biológicos acabava de nascer ( p. 230). Os líderes nazistas viram nela um apoio para seu desejo de criar o supcr·homem ariano. "O lromem nôvo vive no meio ele 116s. Lá está êle, exclamava Hitler, cm tom triunfante. Isto vos bosta? You contar um segrêdo. Vi o homem nôvo. Ê i111ré,pt'do e cruel. Tive mêdo dia11te dê/e" (Hermano Rauschning, "Hitler m'a dit" - apud "Hitler et la Tradition . .. ", p. 230). Depois do milênio cm que imperaria o nazismo é que a evolução chegaria ao seu auge, quando os dois grandes princípios, o verdadeiro e o falso, o espírito e a matéria, se separariam e voltariam à sua raiz: a luz retornaria à grande luz e a obscuridade voltaria à obscuridade acumulada. ''As ríltimas parcelas de luz

1

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EXl>fJ!,"'ICÃO EM BABIIA BO PIBAÍ , A TFP EST~E presente no XXIV Exposição Agro-Pecuária e Industrial do Sul Fluminense, reo· lizada em Barra da Piraí nos dias 25 a 29 de julho p.p. No recinto da exposição ela montou um stand com fotos e gr6ficos de suas otividades e com exemplares dos obras divulgados pelos seus s6cios e militantes (foto).

('AMPANIIA l!-"M JIJBEIJIÃO PBÊ'.l'O UMA CARAVANA de sessenta jovens que haviam participado da IV Semana Especializado paro a Formação Anticomunista, pouco antes promovida pela TFP em São Paulo, estêve em Ribei• rôo Prêto no dia 23 de julho difundindo "Catolicismo" e os en,aios "A liberdade do Igreja no Estado comunista" e " Baldeação ideológica inadvertido e diálogo", do Prof. Plinio Corrêo de Oliveira. A iniciativa teve grande repercvuão junto à população local. - Na foto, os propogondis· tos do TFP com suas capas e estondar1es, no praça principal de Ribeirão Prêto. 3


CONCLUSÃO DA PÁG. 3

UM.li SEITA. GNÓSTICO-MIINIQVÉIA. Aliás não sõmente êssc "cristianismo" mas todo o fundo da doutrina nazista permanece um mistério, pois uma coisa é o pouco que se liberava para uso externo e outra muito diferente era a verdadeira doutrina professada pelos altos iniciados do nacional-socialismo. No hebdomadário francês "Carrcfour", de 6 de janeiro de 1960, a propósito da prisão do Pro(. Hcyde, acusado da eliminação sistemática dos doentes mentais ao tempo do Terceiro Reich, o jornalista e historiador Jacques Nobécourt declarava: ''A hip6tese tle unw comunidade iniciática. subjacente ao nacional•sociafismo, impôs..se pouco a pouco. Uma comunidade ver.. dadeirame,ue demoníac,t, regida IJ)Or dogmo.r ocultos, bem mais elaborados que as doutrina.r elementares do ''Mein Kampj'' ou do "Mito do Século X X", t/ servida por ritos cujos trllços isolados 11,io se notam, m4s ,·uja existênâa parece indubitável para os analistas'' ( apud "Hitler et la Tradition ... ", p. 258) . Comentam Jean e Michel Angcbert: "Em CQmp/eltt conso11ância. com ê,sse jut1.,o, podemos afir,nar que, apest1r tio desapClrecimento dos dóewnen-

toi concerneraes ao ensi110 iniciático dos qlU1dros superiores da S.S.. nos é dado fàcilmente

reco1u111111r, ,I luz ,/essas explicações, a pe'-tt. do puzzle mágico necessária à compreensão do fenômeno. Nossa explicação, com e/eito, tem o mérito de reunir, cm rôrno das pesquisas alemãs sôbre as origens da humanidade branca, até a ltlade Média em geral, e t m Mcntségur em particular, o feixe histórico, cultural e eso1érico da Weltanschauung na:cis,a" (p. 259). E acrescentam os dois autores: "Nenhwn eswdioso sério ;re pôs jamais " que,ftão, que 110 entanto é fun<lamenr,,I, de saber por que a lei· tura de "A Cruzada contra o Oral" e ''A Côrre de l1ícifer na EuropU', do autor alemão. coronel S.S. ademais, e membro da "Almcner• be" (organismo superior de pesquisa S.S.), 0110 Ra/111, foi 10r1111da obrigmória pelo Reichsíuehrcr S.S . (HimmlerJ aos o/leiais superiores ,Jessa nova 0fllem 'feutônica, conferindo assim àqueles livros valor de evan,gelho.r. . . As obras ,lls.se gênero não era,n to,iavla muito 1111merosas e o fato de se tornar sua leitura obrigat6-ria prova que elas continham a chave da cosmogonia hitlerista por pouco que alguém se :lesse ao trahalho de a procurar . .. " (p. 2~9) . E precisam mais adiante: "para nós, tudo se ordena em tôrno tio tema central do Graf" (p. 260).

O teósofo Alfred Rosenberg e "O Mito do Século XX" Rosenberg foi verdadeiramente a cabeça pensante da gnose oazista. Nascido na Estônia, de família germano-báltica, obteve cm Moscou, no início de 1918, diploma de arquiteto, de lá fugindo para a Alemanha quando da revolução comunista. Dado a estudos teosóficos, entrou na 1'hulegesellschafr, o grupo de caráter ocultista a que atrás fizemos menção, chamando ali a atenção de Dietrich Eckart por sua cultura, que se sobressaía da mediocridade ambiente. Eckart apresentou-o a Hitler, que começava sua carreira política. Ro::enberg foi um dos primeiros a se inscrever no parlido nazista e "súa influência foi decisiva na formação espirilua/ do futuro senhor da A lema11ha, 110 qual ê/e reforçou ainda mais o anti-semitismo e o gôsro pelo mis1lrio" (p. 262) .

Em sua obra-chave "O Mito do Século XX", Rosenberg rejeita o Antigo Testamento, e do Nôvo repudia principalmente as Epístolas i:le São Paulo. Para êssc téórico do nazismo, ''há um Cristianismo negativo e um Cristia11ismo positivo. O segundo se pre,ule à imagem de Jesus vivo, o primeiro à de Jesus crucificado'' (apud "Hitler ct la Ttadition . .. '', p. 264). Rosenberg não· considera o Cristianismo cm sua origem como um inimigo. pois queexalta a personalidade de Jesus Cristo vivo, mas a exemplo dqs gnósticos, aos quais adere por numerosas afinidades, rejeita o que qualif ica como uma mistificação oriental, a saber., a Crucifixão e • Ressurreição do Salvador. O ódio à Igreja como corpo social se afirma ao longo do livro. A idéia de uma Igreja uni-

Virtudes esquecidas

Ater-se ao que em tôda parte, sempre e por todos foi crido "Cânon da Tradição" (trecho do livro "Commonilorium adversos hacreticos'', compêndio de princípios dogmáticos contra os hereges, escrito cm 434) :

e

OM EFEITO, perg1m1a11do eu com 16da a atenção e diligência a muitíssimos varões, eminenies em ~·antidade e doutrina, que norma poderia achar, segura, tão ger(ll qu,mto possível, e ordinária, para disanguir da falsidade da malícia herética a verdade da Fé cat6/ica, eis a resposta constante de todos êles: que todo aquéle que queira descobrir as fraudes dos hereges mais recentes, evitar seus laços, e permatJecer desta. maneira são e íntegro em uma fé sã e incontaminada, há ,Je fortificar sull fé, com o auxilio divino, por esta dupla muralha: pri,neiro, com a autoridade da Lei divina, e em segundo lugar com a tradição da Igreja Ca16/ica. Ao chegar a êste ponto, talvez alguém pergunte: stndo perfeito, como é, o cânon das Es· crituráS, e por si só suficientíssimo pura todos os casos, que necessldade há de acrescentar a autoridade da interpretação ecleslástica? E a razão i que, devido à profundidade d<l Sagrada Escritura, nem todos a entendem em um mesmo sentldo, semío que t1s mesmas sensentenças cada qual as interpreta a seu modo, tle 11w11eira que quase se poderia dltcr que htí tantas opinlões quantos intérpretes. De um modo a expõe Novaciano, de outro Srbélio, de outro Donato, e à j·ua mm1eira A rio. Eunômio, Mace· dônio, como também. por sua conta.. F6cio, Apolinário, Pr,'sciUano,· de outra forma , Joviniano, Pelágio, Celéstio,· e a seu modo. final~ mente, Nes16rio. Pelo que. é necessário de 1ôda necessidade que, às voltas com tais encruzilhadas do êrro, seja o sentido ca16/ico e eclesiá1ico que indique a linha diretriz na interpretação da ,louttina proféiica e apostólica. Do mesmo ,nodo na Igreja Católica cumpre buscar a todo custo que todos nos atenlutmos ao que em tôda parte, sempre e por todo~· foi crido [ln ipsa item catholica Ecclcsia magnopere curandum est, ut id teneamus, quod ubique, quod semper, quod ab omnibus crcditum cst]; porque isto é que é pr6pria e verdadeiramente cat6lico, como o declara a f"rça e a índole mesma do vocábulo, que abarca em geral tôdas as coisas.

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SÃ O

V I C E NT E

E isto o alcançaremos se seguirmos a universtilidade. a antiguidade, o consenso. Isto pôsto, seguiremos a universalitlade se professarmos como rínica /é a que professa em tôda a redondêl.Jl da terra a Igreja inteira; a antiguidade, se não nos afastarmos um ápice do sentir maifesto de nossos s ..11tos Padres e 011tepassados_,· o consenso, enfim, J-"i! na mesma antiguidade nos acolhermos às sentenças e resoluções de todos ou q1wse todos os Sacerdotes [Bispos] , me.rrres.

O q11e fará, ,Je ac6fllO com isto, wn cris1ão cat6lico, se vir que uma pequena parcela da Igreja se desgarra da comunhã.o universal da fé? Que há de fazer se11ão preferir a saúde do corpo i111eiro i'i gangrent, de um m embro ,·orrompido? E que fará se o contágio da novidade se esforçar por devastar não já uma parcela, mas 16da a Igreja Unlversal? Neste caso, todo o seu empenho será o de apegar-se à antiguldade, a qual ntio pode já ser víti'ma de enganos de novidade alguma. E se na antiguldade mesma se descobrir o êrro de duas ou três pessoas, ou até de alguma cidade ou ia/vez proví11cia? E11tõo o católico se eJ-jorçará a todo custo para opor tl temeridade ou ignorância de uns poucos os decretos, se os houver. de t1lgum Concílio universal. celebrado por iodas 110 a111iguidade. E se, finalmente, surgisse uma questão, sem que o nosso crlstão católico tenha algum distes auxílios a seu alcance? Então procurará um modo de investigar e consultar, comparand<>-<1s entrt si. as .rentenças do.f ,naiores, daquele.r sõ,nente que, mesmo vivendo em lugares t tempos diversos, por haver perseverado na /é e comunhão de uma mesma l grej" Ct116lica foram tidos por m estres acreditados [magislri probabiles]; e o que êlts, não um ou dois somente, mas todos ii um,, em consenso unânlme, abertamente, rtpetidamentt, persistentemente, houvessem sustentado, escrito, enslnado. tenha êle entendido que isso é também o que Irá ,Je crer sem d1lvida alguma. [Sigfrido Huber, "Los Santos Padres / Sinopsis desde los tiempos apostólicos hasta el siglo sexto" - Ediciones Desclée, De Brouwer, Buenos Ai re.s, 1946, tomo li, pp. 335-338).

DE

LÉRINS

· versai, única, que deve determinar e coordenar tôda a vida do Estado, tôda a ciência, tôda a arte, tôda a moral , em virtude de dogmas, i,sto não é para êlc senão "um resíduo dessas idéias do caos dos g,ovos que envenenararn nosso ser". Contra essa concepção levantou-se Martinho Lutero, que "opôs ,1 montlftJufo política e universal do Papa li idéia tie uma política nacional" ( apud "Hitler et la Tradition ... ", p. 264) . Mais ainda: "Para o filósofo [Rosenberg) todos os act>ntecimemos são significativos e dão conta tia luta eterna que opõe neste mundo as fôrças da luz e as fôrças das trevas. Nes~·a perspectiva, todos os htregeJ-· e, por conseguinte, em pdmeiro lugar os ctítaros são considera,ios como os her6is de uma tragé,Hll de dimensões c6smict4·. Nessa luta dos elementos germa110-116rtlicos da Eurô.pa contra o universalismo ronumo, contra o cMolicismo dominador, "êsse foi um conrb<ae gigant~sco",- na J,is16ria cios albigense,·, dos valdenses, dos cátaros, dos lwguenotcs, dos reformados, dos luteranos, deve-se ver o quadro entusiasmante de uma luta épica" (pp. 264-265). Ainda segundo "O Mito do Século XX", a alma germânica e nórdica rejeita a concepção estática de um Deus único, soberano do universo, rompe com o Antigo Testamento, fiel nisso ao espírito de Lutero, que foi, bem tarde aliás, "libertado do.~· jutleus e de suas mentiras''. Prosseguindo nessa catadupa de blasfêmias, acrescenta o profe ta do na2.ismo que a morte não deveria ser considerada, co nforme o quer o Cristianismo, como o salário do pecado: ela é, pelo contrário, um simples fenômeno natural "o qual niio perturba nossa eternidade que era antes e conlinuará a ser depois" (apud "Hitler Cl la Tradition ... " p. 268). Não é tudo isso uma cópia fiel do gnosticismo da escola neoplatônica de Alexandria?

A estra nha personalidade de Hitler Sôbre a personalidade enigmática de Hitler, dizem os autores citados: "O que é cer10 é o aspecto profético, místico e visionário disse moderno feiticeiro, que po,le igualmente llpresentar ao mundo a fisionomia hedionda de um cínico, de um ser duro e insensível, capat de contlenar à morte. sem o menor escrúpulo, tôdas as pessoas que pudessem embaraçá-lo" ( p. 279). Revelando um grande poder hipnótico ao falar tanto a uma pessoa quanto a uma enom1e multidão, houve quem afirmasse que êle era manipulado por potências invisíveis. os "superiores desconhecidos" evocados por Hermano Rauschning, o qual descreve o Fuehrer como pôsto em contacto com sêres misteriosos que o aterrorizavam: "U1110 pess0<1 de sua intimidade disse-me que êle acordava ti noite dando gritos convulsivo.r. Clama por :;ocorro. Sentado à beira da coma, aclia·se como paralisado. f:: ,omado por um pânico que o faz tremer a ponto de sacudir o leito. Profere vO· ciferaçées confusas e incompreensíveis. Arque· ja co,no se estivesse a pique de sufocar. A mes,. ma pessoa rehlJou•me uma dessas crises com ,pormenores que eu me recusaria a crer, se a fonle não fôsst tão segura. Hiiler estava de pé, em seu quarto, cambaleando, olhando em 16rno de si com ar alucinado. "f:: êle! E ê/c! V cio aqui", rosnava êle. Seus lábios estavam azuis. O suor .escorria em grossas bagas. S1lbi1ame11te, pronunciou algarismos, sem nenhu,n sen1ido, depois palavras, pedaços de frases. Era horrível. Ele empregava têrmos bizarramente alinhavados, coniple1amente estranhos. Depois tornou-se de nôvo .rilencioso, continuando porém a mexer os lábios. Fizeram-lhe fricções, deram-lhe a ingerir uma bebida. Em seguidll, s tlbitamcntc êle rugiu: "Ali! Ali! no canto. Quem está lá?" Batia o pé no assoalho e 11rrava. Asseguraram-lhe que nada de extraordinário se pa.ssa·va ,e então 2lt st acalmou pouco a pouco" (Hermano Rauschning, "Hitler m'a

Medida atentatória da moral ~ristã

dit" - apud "Hitler ct la Tradition . . . ",' p. 282). "Os ditos ,Je Hitler: "Sigo o caminho que me indica a Provitlência. com a segurllnÇa tle um sonâmbulo" vão no sentido ,la hipótese dt podêres supra11ormais. Mas de onde terla êle recebido êsses podêres? Do grupo TJrnle que o lwvia inicia,Jo no esoterismo do Oriente? Do misterioso monge de luvas verdes e11vlado çulos J·ábios do Tibet? Ou de uma revelaçllo mais t111tiga?" (p. 283) . Hitler repudiava os caçadores, aos quais detestava. Acreditava na reincarnação das almas em corpos de animais, como os budistas e os cátaros, que aderiam à metcmpsicosc (p. 287). Declarou um dia : u M t:JWIO aquêle que se suiâda, volta fatalmente tl 11aturezt1 - corpo, alma e espírito" (Adolf Hitler, "Libres Propos", Flammarion. Paris, 1952 - apud "Hitler et la Tradition . . . ", p. 291, nota).

De tudo quanto se acha dito acima como resumo do livro de Jean e Michel Angebcrt. uma certeza nos vem: a do caráter gnóstico e ocultista do nacional-socialismo na ação e na intenção de seus principais chefes. E assim temos mais uma comprovação de que a gnose acarreta o socialismo como conseqüência natural. Em sua obra "Do Fundo da Noite", !ôbre a luta entre comunistas e nazistas depois da Grande Guerra, Jean Valtin, um marxista, mostrava a surprêsa e inconformidade das bases comunistas na Alemanha ao receberem das cúpulas instruções para não resistirem aos partidários de Hitler. E Gocbbels, pouco antes da queda de Berlim, dizia em proclamação radiofônica que o nacional-socialismo, embora der· rotado pelas armas, acabaria vitorioso com a implantação do socialismo no mundo. Ora, considerando-se as origens hegelianas do socialismo marxista, não poderão ser filiadas as correntes esquerdistas de hoje a uma das cabeças da hidra gnóstica e panteísta que vem espalhando sua gosma sôbre as elites intelectuais do mundo moderno? Eis uma pesquisa que poderá ser muito elucidativa para explicar os fenômenos político-sociais ... e religiosos de nossos dias. Sobretudo se êsse estude) abranger também as atividades do IDOC e dos chamados grupos "proféticos", partidários de um falso ecumenismo esqucrdizante. Muito teríamos também que dizer do aspecto escatológico da gnose em suas roupagens modernas. Símio de Deus, o demônio propõc·se influir nos terríveis acontecimentos que estão para desabar sôbre a humanidade como castigo por seus pecados e apostasia. Valha-nos a nós católicos fiéis à mensagem da Virgem de Fátima a certeza de que, após indizíveis sofrimentos e lutas dos bons, o Imaculado Coração de Maria tri.u nfará sôbre a serpente antiga, fomentadora da mentira da gnose e de tôdas as tramas de seus sectários.

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EST. l>O RIO

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MONS. ANTONIO RIDtilltO 00 ROS.UIO

Dlrtlorla: Av. 1 de Setembro 247, caixa pos<ot JH, 28100 ComPoS, RJ. ,;.c1m1ni.• tratá.o: R. M:utinico Prodo 271. 01224 S. Paulo. ARcntc par.l o Estado do Rio:

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José de Oliveira Andrade, caixa postal 333, 28100 C:'lmpos, RJ; Agtnte pan os F...stados d< Gol"', Moto Mlnu G<rals: Millon de Sallcs Mourão, :R. Puafba 1423 (telefone 26-4630), 30000 Belo Hori1.ontc; Agente para o Estado da Guanabara: Lu(s M. Dunc.ln, R. C.Osmc Velho 81S (telefone 245-8264), 20000 Ri<> de Janeiro; Agente para o &1.àdo do Cun1: José Gerardo Ribeiro, R. Senador Pompeu 2120-A, 60000 fortaleza; Agentes para a Argt:nllna: "Tradición, Familia, Propicdad'', C3.silla de Correo n.0 169, Capilal fe-OcraJ, Argentina: Agente para a Espanha: José Mada Rivoir Gómez. apartado 8182, Madrid. Esp.tnha.

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Ypiranga, Rua Cadete 209, S. Pauto.

A TFP ENVIOU o .seguinte telegrama ao Sr.

José Bonifácio, Presidente da Comissão de Conslituiç:ão e Justiça da Câmara dos Ocpu1ados, sôbre um projeto de lei instituindo o exame pré-nupcial obrigatório: "A Sociedade 8r(1sittiro dt Dtfesa da Tradição, Famflia e Propriedadt manifesta a V. Excia. sua profunda apreeus,1o pelo 1,,10 de ter .sido aprovado por essa DD. Comissão projeto de lei do Depurado AI/eu Çospuri11i (ARENA -SP). estabelecendo no Paf.s o exame prl•1mpcial obrigat6rio. Ta{ medida, aten1at6ria da moral cris(ii e d,, tradição braJUeira, acarretord grave prejutz.o para a instituição ,la /"1nília. fu11damcnro sacrossanto da nacfonatidade". Em resposta, o Deputado José Bonifácio informou que a Comissão se definita pela c:onstitucionnlidade do projeto, porém contra o m~rito do

mesmo. A TFP telegrafou cm seguida ao parlamentar mineiro. felicitando-o e à Comissão.

Asslnatura anual: comum CrS IS.00: C:O· operador Cr$ 30,00; benícitor CrS 60,00;

benfeitor CrS I S0,00~ .seminaristas es1udan1cs CrS 12,00: Améric:\ do Sul

grande ç

e Central: via. marítima USS 3,SO, via aérea USS 4-,50; outros países: via rnarhima USS 4,00, -via aérc3 USS 6,50. Venda avul,a: CrS l,SO.

Os pagamentos, stmprc em nome de Bdl-

t&ra Padtt ~khlor dt Ponlts SIC, poderão ser cnc.aminhados à Administração o u :.os o.gcntts. Para mudança de cnderêço de assinantes, i!: necessário mencionar tamblm o cndcrêço antigo. A correspondência relativa a assinaturas e ,.,cnda avulsa deve ser enviada à Admln1flração: R. Dr. Martlnlco Prado 271 01224 S. Pauto


'RUMO AO DESENVOLVIMENTO GLOBAL Plinio Corrêa

COM!TE DE JOVENS Equatorianos Pró-Civilização Cristã é constituído por um grupo recente - e já em vigorosa expansão - de estudantes da pátria de Garcia Moreno. Animados por ideais anti-socialistas e anticomunistas, que vão aglutinando movimentos de jovens em quase tôda a América do Sul, os participantes do Comitê dirigiram ao Presidente da República, Sr. José M.iria Velasco (barra, uma carta rogando-lhe não desse aplicação à lei de reforma agrária socialista e éonfiscatória cm vigor no país. O documento, respeitoso, solidamente argumentado, cristalino, foi publicado por iniciativa dos missivistas no jornal "El Comercio" de Quito, no dia 17 de- abril p.p. Sem dúvida alguma, é êle de porte a atestar o excelente nível cultural da mocidade equatoriana. Entretanto, mais notável ainda, nos dias de brutalidade e vulgaridade em que vivemos, foi a r~ação do Chefe de Estado. Enviou êle aos Jovens Equatorianos Pró-Civilização Cristã uma resposta que pod~ passar por um modêlo de cortesia, de atenção e de elevação de espírito. Na impossibilidade de a transcrever por inteiro, cito-lhe aqui a parte mais característica:

O

"Distintos Senhores. / Li co111 <1tenção e respeito sua exposição de /4 de abril relativa oos problemas da Familia e da Propriedade. Digo que li com respeito porque nestes tlias enr que todos; inclusive certos dignatários eclesiásticos, falam de 1nudança de estruturas, de liberaçtio, de revolução e de tantos e tantos outros problemas que excitam à sedição e à perturbação da ordem, não podem deixar de merecer respeito aquéles que, como os Srs., defende,n teses tradicionais, dignas de todo o respeito. Li com atenção a exposição que fizeram, porque, itulubitàvelme,11e, a argumentaçtio é firme e os pontos tle vista que apresentam té,11 gnmde transcendência. E11treta11to, devo co111eçar por declarar-lhes o segui1ue: respeito absolutamente a Família tal como está co11stitu1da. Creio que a Familia é o lugar onde a perso11a/idade se forja, se dese11volve, se asse111ll e vai, pouco a pouco, abrindo campo para maiores horizontes. Destruir a Fam!lia; destruir o respeito do filho ao pai e o amor do pai ao filho; introduzir na Familia elementos estranhos sob pretêxto de preparar a u11ião das nações, parece-me um verdadeiro atentado contra a 11erso11alidade do ho111em ou da mulher, que é o que s6 interessa". E, depois de argumentar cerradamente a favor da reforma agrária, o Chefe de Estado conclui: "Perdoem-me êstes co11ceitos, escritos, por assi111 dizer, ao correr da máquina, porque 11ão tenho tempo para outra coisa; mas estou pro11to a conversar amplamente co111 os Srs. sóbre tão inesgotáveis problemas. Dos Srs. , ate11to e seguro servidor, / J. M . VELASCO !BARRA, Presidente da República do Equador". O estilo é o homem. 1:ste estilo define o Presidente equatoriano, e, mais do que isto, seu modo de governar. Pois o estilo não é só o homem. Obviamente é também o Presidente.

Grato é poder registrar que os Jovens Equatorianos Pró-Civilização Cristã não ficaram atrás. Responderam êlcs ao Sr. Velasco lbarra nos seguintes têrmos:

"Excelent!ssimo Se11hor Presidente. / Querernos expressar-lhe, a11. tes de tudo, nossa agradável surprêsa dia11te da honra que represe11ta receber uma resposta pessoal de V. Excia. E não queremos tleixar de elogiar a ma11ifestação de ate11çtio que V. Excia. dá, dêste ,nodo, ao pe11sa,ne11to da ;11ve11t11de, tia qual o.i Comités de Jove11s Equatoria11os Pr6-Civilízação Cristã constituem uma parcela. Este gesto nobre da parte de V. Excia. a111ne11ta o desejo dos in1egra11tes de nossa entidade de colaborar com V. Excia. - 110 limite de nossas possibilidades - para a pros,,eridade e grandew de nosso País. Somos sensíveis ao fato de que um Chefe de Estado tão ocupado por inúmeros problemas de govêr110, te11ha aplicado uma parte de seu te111po para dirigir-se a 116s, em nível de diálogo, li fim de tratar da grande questão da reforma agrária. Esta be11évolt1 atitude de V . Excia. nos coloca, ,,ois, 11a condição de dizer a V. Excia. quais foram, em 116s, as repercussões do co11teúdo de sua atenciosa ct1rta". E, depois de reafirmarem, com respeito e firmeza, sua posição contrária à reforma agrária, concluem: "Para terminar, e já que V. Excia. teve a gentileza de falar de diálogo, depositarnos 11as 111ãos de V. E.reia. as convicções que formulamos, como expressão do zê/o que nos anima pelo bem do Equador. Fazemo-lo, assim, com a firr11e co11vicçcío de que, sendo 11ossa pro-

de

Oliveira

vaga11dt1 realizada m11n p/cuw exclusivamente ideológico e pt1cífico, e com escrupulosa obediê11ci<• às leis, JI. Excia. co11ti1111ará a tissegurar·nOs o livre tlesenvolvimento desta nossa campanha. . -Desde já grt1Ws pelo que V . Excia. faça ,,ara garantir ess<l liberdade de vozes patri6tict1s e cristãs que se ergue111 110 seio da iuventude equaloriana, aproveitamos o ensêjo para apresentar a V. Excia. respeitosas saudações e as ex[}ressões da 111ais alta consideração. / ANTONIO CHIRIBOGA TORRES, Diretor. / ICNACIO PÉREZ ARTETA, Diretor". O Chefe de Estado equatoriano garantiu ampla liberdade de ação ao Comité. E o autorizou amàvelmente a publicar na imprensa a troca de cartas. e do jornal "El Comercio'' de 21 de maio, que as transcrevo. Também "El Universo", de Guayaquil, as publicou. O episódio, ix:ta fidalguia de atitudes que revela de parte a parte, dignifica o país irmão. E não só êle. Nesta hora de crescente vinculação entre os povos da América Latina, honra-os a todos. e, pois, com alegria que o ofereço à consideração dos leitores.

Outro documento que atesta a elevação moral e cultural a que se vai alçando a vida ,pública cm nossa vasta família ibero-americana é a carta dirigida ao Tenente-General Lanusse, Chefe do Estado argentino, pelos membro,s do Conselho Nacional da TFP daquele país, a respeito da derrubada das barreiras ideológicas. Publico dêle a parte essencial:

"Em 11ossa condição de católicos e argentinos que niio queremos 11111 triunfo comw1ista em nossa pátria, de qualquer espécie que se;a, consideramos indi.tpe11s6vel dar a co11hecer a V. Excia. as considerações seg11i11tes: I - Ntio se pode ver 110 Sr. Allende 11111 Chefe de Esuul<> co1110 os de,nais. Nos países co,nunistas, o partido governante é 111uis do que o Estado, e 11a coerêncü, dos 11ri11cípios adotados pelo govêr110 c/ri/e110, Allende é mais o chefe de um partido marxista que um Chefe tle Estado. Assim. o entende a opinião pública, por mais que alguns setores da burguesia, do Clero e do ;orna/ismo queira111 apresentar, de A 1/ende, a imagem de um. Chefe de Es1ado 110 estilo ocidental. Porta11to, a recepção dê/e por V. Excia. será interpretada i11evitàvelme11te, pela massa da opirúão pública, co1110 uma recepção a 11111 /!der marxista. 2 - O govérno· tem uma i11fluê11cia pedagógica muito poderosa sóbre o povo. e por isso que receber com honras oficiais o marxista A 1/ende é 11111 modo de convidar o povo arge11tino a aplaudi-lo, ou se isso não fôr fisicamente possível, pelo fato da e11tre,•ista se realizar em algum lugar remoto, ao menos a olhar con, be11evolência ou com aceitação a quem está co11duzindo a nação irmã chilena para o comunismo. 3 --: Isto tem outra co11seqüê11cia interna de suma gravidade: ten-

de <1 derrubdr as barreiras psicológicas que separam. a maioria dos argentinos da minoria comunista ou marxista, que quer f<1zer, em nossa pátria, precisamente o que A/tende está faze11do 110 Chile". Como se vê, a argumentação é exímia pela clarividência, e a linguagem elevada. Os diários "La Nación" • "La Prensa" e "La Razón" publicaram • esta carta cm 30 de julho p.p. Fôra ela entregue anteriormente no Gabinete presidencial. Não t~nho em mãos a resposta do Tenente.General Lanusse. Divulgá-la-ei caso me seja comunicada pelos amigos argentinos. Espero que não fique aquém da bdlhante missiva do Presidente equatoriano.

Os três documentos que publico servem de indício a um fato auspicioso. É o desenvolvimento latino-americano. Desenvolvimento moral, cultural e político, a iluminar as vias para o esfôrço do desenvolvimento econômico, o qual as riquezas naturais do Continente tornam tão promissor. PS - Depois de escrito êste artigo tenho uma informação decepcionante para o leitor. A Argentina é uma terra de dooaire, cleg~ncia e belos gestos. Eu estava no direito de esperar também do Tenente-General Lanusse uma atitude digna de registro. Pelo contrário, da Casa Rosada veio, endereçada ao Sr. Cosme Beccar Varela Hijo, Presidente da TFP ,platina, apenas esta mensagem amável, banal, esquiva e vazia, assinada pelo Capitão de Navio Cristián R . Belaustcgu.i, Secretário Privado do Presidente da República:

"Tenho o prazer de n1e dirigir ao Sr., a fim de acusar recebimento da nota dirigida ao Exmo. Sr. Presidente da Nação. Sem outro particular, aproveito o e11sejo para lhe expressar a ga-· ra11tia de núnha maior tlistinção".

5


SÃO PAULO

Exmo. Rtnno. Sr. D. Fraad,co BorJa do Amaral, DD. Bispo Diocesano do Taubati: "Quero agradecer. de modo particular, o envio do jornal CATOLICISMO, que lenho recebido regularmen1e".

rrALIA

Rtvmo. Pt . Cuido Bama, S. D . B., Turim: "Acabo de ~ccber o apreciado mcns.á rio CATOLICISMO de janeiro 71 e agradeço cordialmente".

MUICO

Sr. Fraa<~ Santiago Cn,z, Mb ko: "Mis felicitacioncs por defender la Vcrdad y nucstra liturgia romana, tradicional y santa...

SÃO PAULO

Sr. Fnu><~ Wllzltt, Botucaál: ."Parabéns ao Dr. Plínio e seus colabo-

ra$1orcsº.

COSTA RICA

o .a Maria Elisa llarl>o<,a. São João da Boa Vista: "M ui10 boa a impressão. como a mat~ia".

SÃO PAULO

D. Mlrida Foacoun, Nova Yo itc [ . .. ] agradecer o envio dos jornais que tenho recebido sempre e aos quais aprecio e louvo ! 1!''

EE. UU.

Da. N icla de An6J<> Mafni, Carallngai "Confio e espero que. com a graça de Deus, CATOLICISMO possa conlinuar com sua missão de bem informar e sobretudo formar consciências verdadeiramente cristãs''.

MINAS GERAIS

Revmo. Pe. Aagelo do Ben>ard, São Mlpd do Guamá: "Ao chegar da revista passo duas horas agradáveis de boa lcilura e ~forço minha fé na indefcclibilidade da Igreja Ca1ólica".

esclarecedor. dcsle pugilo de homens valorosos. CATOLICISMO deve ser mandado às nossas casas- de ensino'".

ARGENTINA

Revmo. Pt. Nalallo D. Dias, P6roco de Acassuso: "CATOLICISMO es admirable y ulil por su valenlía y seguridad en la defensa de la fo calólica, su fidelidad a Jesucrislo y su lglcsia, ejcmplo de lo que dcbe ser la pren.s a calÓ· lica. Mi aplauso y Jl1i bendiciónº.

Sr. Elloa Carlos Flllmano, Nôvo Hamburgo: "Tenho em mãos um exemplar do mensário CATOLICISMO. adquirido aqui em minha cidade. Mesmo não sendo católico, p0sso assegurar que foi uma das publicações mais dignas e úteis que já tive oportunidade de lerº.

R. G. 00 SUL

PERNAMBUCO

Exmo. Moas. Urbano Canalbo, Serrinla: "Uma excelenle revisla combaten1e. Incompreendida pelo Clero e calólicos progrcssiSlas. Caluniada por êles, porque _não a. 1~m. Perseguida pelos comunistas que sabem que defender a

DL Mula Cecília Bispo Brvndl~ l tu: .. Ao renovar a assinalura de CATOLICISMO, dirijo uma prece à Virgem San1lssima. no scn1ido de abençoar o destemido mensário, dando a seus redatores fôrç..'\ e cora,gcm, para prosseguirem na defesa intransigente dos interêsse.s de Deus e da Santa Igreja·-.

SÃO PAULO

.

R••m?. Pe. F~I Celtsdno Crt,tofollnl, Cbanctle, do Bispado, Marilla; 'Tenho hdo os art,gos de CATOLICISMO. De acôrdo com muila coisa; mas também cm desacôrdo com umas tantas outras. Admiro a coragem e a persistênc ia de certas atitudes. embora nem sempre de acôrdo com as mesmas. A meu ver, um PoUCO de moderação s6 traria proveito às coisa., tratadas".

Revdo. Irmão Néstor, ID.<11tulo Pedagógko de Dlrlamba: "Muy agradecido por haberme enviado un número de CATOLICISMO conlcnicndo un hcrmoso arlículo sobre los Zuavos Pontificios. Desgraciadamentc no conozco la bella lengua portu.guesa, pero ayudándome con el fran<:és y el cspaiiOI cntiendo casi todo lo cscrilo cn português. Dios le dé éxilo en su obra de buena prensa".

NlCARAGUA

Profa. ADIUI Lulu. Prado Bastos, Campo Grande: "Há três anos sou assinanle de CATOLICISMO que leio com prazer e a1cnção, passando-o às mãos dos parentes e amigos nesta cidade. Na minha despretensiosa apreciação acho ser um excelente mensageiro de ff, e cultura, proporcionando aos leitores verdadeiro delcilc cspirilUal...

DL Altair AnluMS, Con,çio d< Jesus: ..CATOLICISMO. jornal que goslo de ler porque é portador da verd•de, da fé e da caridade. Em minhas bun,ildcs orações. peço sempre a Nossa Senhora Imaculada Conceição que continue dando fôrças e coragem a êsscs sruPos de moços que vivem trabalhando. sem parar, para o bem da família cristã ...

M INAS GERAIS

Sr. C.rard Wallll~ Cbarftrol: ..Elanl lc nouvcau rédacleur-cn-<:hcf du ''Bullctin ind~pendant d'information catholique'·', de Bruxc11cs. jc lis avec grand intérêl votrc re.vuc si courageuse et si bien faitc; j'ai notamment appr~cié Jc numéro si remarquablcment documentf. de févriet ("Sôbre a Nova Missa: repercussões que o público brasileiro ainda não conhece'') - lc dernicr que j'aie rcçu à cc jour''.

BaGICA

Sr. J. G. A., São Paulo: "Neste momento de Lrcvas, em que o po,der do demônio vai dominando IÕ<la a 1crra. os leitores de CATOLICISMO gosla• rão de conhecer a oração composta cm 1863 pelo Servo de Deus, Padre Louis Edouard de Ccstac, instruído pela própria Mãe de Deus. t ês'tc o seu texto, em tradução vernácula: º'Augusla Rainha dos Céus e soberana Senhora dos Anjos. V.ós que. desde o primeiro instante de vossa existência, recebeste de Deus o poder e a missão de esmagar a cabeça de Salanãs, humildemente Vo-lo pedimos, enviai as legiões celesles dos SanlOs Anjos. a perseguirem, por vosso poder e sob vossas ordens, os demônios, combatendo-os cm tôda parte. reprimindo-lhes a insolên• eia e lançando-os nas profundezas do abismo. ..Quem como Deus?" ô boa Mãe tão terna, sêdc sempre: o nosso amor e nossa esperança. ô Mãe Divina. mandai.nos os vossos Santos Anjos que nos defendam. e repilam, para bem longe de nós, o maldito demônio nosso cruel inimigo. Santos Anjos e Arcanjos, defcndei·nOS e guardai-nos. Amém".

SÃO PAULO

PARA

verdadeira Rch,guto e seus dogmas

t

combater os comunistas. Atrofiada na sua

expansão porque o & lado-Maior da Igreja não lhe dá apoio". . SÃO PAULO

MATO GROSSO

ALAGOAS

5!'· Slloé T avares,

Ma«'l6: .. No a lertamento, crítica ou observação. acho-o form,dável! No entanto, as n0$$as a.tivldadcs, "o nosso mundo de hoje", não co_m~rta n~o mod,? de ver} artis?5 longos cm jornais. Diversifique, di· mmuindo o quilômetro de ccrl0$ artigos. Precisamos de rapidez cm tudo; cert~? Estudem novas secções. Perdoe-me, pois falo p0rque me pediram. Sou polft1co, apenas e bem fraco cm tudo. De jornalismo só entendo mesmo, que ass,no ou compro-os avulso".

!~º

• ANOTAMOS as sugcsl<les.

FRANÇA

Revdo. Irmão Yvu-Ollvler, Lasisalllâ, VJcnnt:: "Votrc excellcntc revue m' bien parvcnue et j'ai trouv~ l'anicle sur la 1riste situation de notrc institut remarquablc ("Para onde vai o Instituto dos Irmãos Lassallistas?" por l_oão Balisra da Rocha). Lo Fr~rc Supéricur úénéral des Frires dcs Ecoles Chrét1cnnes d~vcloppc une doct~ine hlritiquc. Nous souffrons de cct aveuglcment dcs Su)Xncurs ct nous réag1ssons en publiant dcs contre·dOSSiers oU sont rcpris lcs thiscs calboliques aulhcn1iques. En retour jc puis vous assurer de rnes bien humblcs priêrcs p0ur te combat que . vous rnenez. Le Ciel ne pcut que bénir votre courage et votrc dévotion manalc".

r:5t

SÃO PAULO

. ~r. Antooio ~- Veiga, ~fflrio Frito: "Gostaria muito de exprimir minha op1mão como leigo, a respeito da publicação realizada no último número de CATOLICISMO (n.0 247, de julho de 1971) in1i1ulada "Os c inco grandes pecados na História.., de Atanásio Aubcrtin. Sem dúvida. uma belíssima mas !crri.vel mcnsag~m; própria para os nossos dias· J:. um trabalho de profunda inspiração e cuidadoso estudo teológico. Poderíamos dizer tam~m tratar-se de uma ºnovidade'' (não c3bc aqui nesta palavra nenhum sentido pejorativo} que r~almentc assusta e nos confere um scntimc.n to de grande perplexidade ocasionado pelo seu alcance. pela sua fôrça e pelo extraordinário c,o ntcódo de Verdade. Nada mais salutar ao csplrito cristão do que uma mensagem repleta. do pensamento dos grandes Santos da Igreja, como o foi o venerável São Luís Maria Grignion de Montfor1. 1, .. J Outro artigo de extenso intcrlsse para todos ~ o que coube na última página do excelente mensário e que prende a atenção do leitor à medida que se desenvolvo a leitura. Trata·se do texto da conferência pronunciada pelo Sr. Paul Vankcrkbovcn cm Bruxe las. A coluna que recebe o subtítulo "Rejeit.ando o princípio de não-contradição'' ~- um valioso pensamento do autor que, sem dúvida, pelo menos no meu cntende.r, desarma qualquer pretensioso argumento cm defesa da filosofia espalhada pelo mundo: a satânica filosofia marxista ou outras filosofias mundanas absolutamente incoerentes, eivadas de erros até nas conjunturas de suas palavras! Acredito, por~m, que infelizmente algumas pessoas devido a dificuldades pe$$03is e várias não passam ..saborear·· a autenticidade daquelas afirmações intpartantíssímas. Não se pode negar que o texto cont~m dificuldades naturais em sua interpretação devido à própria natureza do assunto. Contudo, isto é certo, muitos poderão compreender o alcance de palavras como ser e não ser. etc.. e todo o pcnsa.me.nto do autor. Com um pouco de insistê.ncin pergunto se não seria possível exprimir nque· las verdades cm linguagem mais simples? Há leitores, pOr exemplo, não habituados à leitura constante. que poderão pela fadiga natural abandonar ou postergar a leitura para em outra ocasião poder ler. As vêzes, esta ocasião demora chegar e fica asstm a pessoa privada de ponderar sôbre o que leu. Desejo esclarecer que quanto a êste fato não vai a mínima mácula de crítica aos redatores. Muito pelo contrário, tenho respeito e profunda admiração por lodos os irmãos ligados a CATOLICISMO dircla ou indire1amente. · Apenas com isto, desejo animar a todos dando aJ)Oio, embora ainda silecioso, às publicações realizadas. Realmente, alertar a todos os cristãos dos pcri· gos do comunismo pràticamcnte se to1na uma obrigação, ainda que seja a um reduzido número de pessoas como a próp.r ia família".

• CATO LICISMO propõe-se alendcr. de modo especial, as camadas cul1as do póblico católico. Sem embargo, o Sr. Anlonio P. Veiga tem razão cm achar conveniente que êle seja acessível lamW:m a leitores de nível cultura.l mais m<>desto. Nossos colaboradores colocam empenho nisso. mas nem sempre a na· tureza do tema permite ao autor pôr-se ao alcance de todos.

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Sr. Geraldo López Vartla, San José: "Ejcmplar publicación católica la dc$earia cn cspai\ol''. '

Prof. Paulo Barbosa Fallelroo, Franca: "Que Deus abençoe êste 1rabalbo

SÃO PAULO

• ESTA BELISSJMA prece, na versão original francesa, se encontra sob n. 0 345 no ''Enchiridion lndulgentiarum - Prc-ccs et Pia Opera", coletânea de or•çõcs e aios de piedade enriquecidos de indulgências, cdilada cm l9S2 pela Sagrada Penitenciaria Apostólica. Na antiga disciplina tinha quinhentos dias de indulgência, por decrelo da Sagrada Co"8'"egação das Indulgências de 8 de julho de 1908 e da Sagrada Penilcnciaria de 28 de março de 193S. Dr. J~ M. Ru~ Walltahorst: .. Para un csludio de sociología religiosa sobre la "Igreja no Brasil'' me sería de mucha ayuda rccibir su prestigioso Mensario CATOLIClSMO. Seria posiblc tambiin enviarme números atrasados de los anos 1965-70, si cs que le qucdan todavía?"

ALEMANHA

• REMETEMOS exemplar dos números disp0níveis no período indicado.

Sr. C..Ubenn< Putln Cavakante, Piracicaba: "Aprecio o jornal, embora nao concorde, integralmente, corh algl.lns p0ntos. Por exemplo: sou contra uma reforma agrária empreendida nos moldes marx.islas, porém, sou favorável a uma políiica 3grária, não esPoliadora, que venha aumentar, considcràvclmcnte. o número de proprietários rurais. Direito de propriedade para todos e não apenas para alguns··.

• O PREZADO missivista não pare« conhecer senão incompletamente a posição de CATOLICISMO cm maléria de polflica agr/iria. Basla folhear a coleção do jornal J)3ra constatar que nunca nos opusemos a "uma política agrária, não espoliadora. que venha aumentar. considcràvclmcnte, o número de proprietáxio'._ E cm mais de uma passagem ambos os 1rabalhos pleiteiam e.ante. Nossa posição a respeito da ma1éria está consubstanciada no livro ''Reforma Agrária - Queslão de Consciência.. e na Declaração do Morro Aho, csla última publicada cm nosso n.0 167, de novembro de 1964. Ao éompcndiar as ICSCS essenciais de RA·QC. a Declaração do Morro Aho apresenta no item 3 º váriaS" medidas capazes de promover a melhoria das cond ições de vida do trabalhador rural", a serem p0stas cm prática ''na medida cm que o comJ)Ortcm as condições que. bem aproveitadas, as propriedades rurais prop0rcionem''. Uma dessas medidas consisle justamente na "remuneração que tome possível o acesso do trabalhador diligente e parcimonioso à condição de proprietário", E e-m mais de uma passagem ambos os trabalhos pleittiam condições especiais de cr6dito e de assLlitência para os pequenos e m&lios ar· rcndatários e parceiros, assinalando com satisfação que êstes têm frcqüentemcn• te encontrado por tal forma o acesso à cl3.$$C dos proprietários. A verdade t que no Brasil a propriedade agrária não ~ .. apenas para ai· guns··. Ela já. se acha ponderàvelmcnte difundida, e tende a se difundir cada vez mais pelo natural fraccionamcnto das terras nas zonas de p0pulação densa.

SÃO PAU LO


CÃllCC<n J)O(Olf'IJ 13JBeRtlNT. S CATõLICOS FORAM mult:,s vê1.cs, ao longo da Hls:Córla, levados a c<ins liluircm sotlcdadts coja t;ds1(nda tra mantido tm segrêdo. porque os vlctssiludu dos temp,os os obriJtaYom :1 isso pan1 terem libtrdade dt arllo. Ehls tr.un sempre (onhccldas dBS a.utoridadts e,cl~iáttl-

us comptttnlts e, quando as clrcunst..lnclns o per· mitlam, :is :rnlorldadcs dvJs trunWm tinham conhtdmenlo dt suas atividades. No sécuJo X'Vlf, as au(orldadu reUglosa..i e rt:d.$ .sabiam, na 1-· ran_ço, que a Companhia do Santissimo S11cramtnto e a mlstc• rlosa Ao, á qual ali hoje rcs~ à inve-stigaç:io dos historiadores cm,pcnhados ero dtsvend:u os stus St'·

.....

grtdos, trnbalhavam pda propagaç.:io da Fé e $C cmpcnhav.un na luta conirn o Janstnlsmo e o protcstanti.smo, Ourante a Rcvolutão Francesa a neces• sidade do segrêdo em qualquer associação clltóUca se tornou premente. Os rtvoluclonlirlos tenta.mm, de Início, raur com que C lero e n,ls ::ipO$fntassc,m, Oad:i a rcsislêncla que encontraram, p11SS.'\tl.ltn n perseguir n Igreja, e os católicos se viram compelidos n se unirem cm soe:~dndes que evldcnlemcnte, n :io podhun su conhecidas dos ao? rnos Uegals que Hrnnlznvam a Fr:rns-a. Mtsmo,,<ltpols da Cone:ordaln com a Santa Sé, n má fé de Napoleiio cni tão evidente, Que várias sodedndt:s càrótlc.ias de caráter siailoso foram rundadas, e s6 neste skulo vê.m se.n-· do pouco a pouco dcscobntn.s pelos historiadores. Entre elas. a Conaregoçiio Marimm de Lyon fol nté h:\ bem pouco tempo um tnlgmn histórico. Sua cxlstê,u:la e~ conhc-cida, s."'lbla,sc que suas neivldodes tinham sido inúmeras e lmportnn1es, mas o sJlêncio Jm9enttrável dos dotumtntos lmpcdfa o tsclar«imtulo compldo de sua partlcipaç,ão na rtsl~ênci" concrn-revoluclonlirla. No entanto, cru pai• p:h·cl o apoio que eh, deu à Obrn da PropaJ(ução d:. Fé criada por PnuUot: 1arlcot, cu}o êxJto deve muito ;'1 Congrcga('iio de C,yon. Era tamb,m conhecido, cru su:is llnh~ gerais, ,;. impor:tantc papel destm· pcnhndo por dois de seus congnigados, Bcrtbaud du Coln e Franchel d 1Espcrr:y1 n1t luta dos catóUcos contrn a !>Odtrosissima 9olícla que Fouché organi• Z(lra pnra Na,-oleão. A!>t-Sar dt.ssas e muitas oulras: pi.slas, n:io se con.,;:egui:t descobrir nada q ue condu· zlsse ao conhcclmcnlo de sua hislória. Muitos pesquisadores ex_ptrimtn1ar::un 11 me.$111.a (ruslração sentidu pela polido de Fouché, lnc.1p11x: de encontrá•la embora encontrasse a todo momento os indícios dt que cio. conllnuava. trabalhando. Alguns hlstorlado· rc.s, vendo rôdns as SlJ:lS pt_squi,say malograrem, che((Man1 mesmo a chn.m,-la de 11a Secreta" de Lyon. Por volla de .1962 (oi dcse:oberta a hlst6ria dcfflt Congrea,nção escrita por Bc.nolt Costc, seu fundador e um dos seus principais animadores. BnstandO·SC nesse- manuscrito, o Pt. R. Rouquctlc publicou n:t revista "Eludes'', cm nbril daqutlt ano um artieo cm que da~a as linhas cera.Is dessa hlst6rta. Em 1967, n coleção ''ttin~ralrt.s'' das 'ºNouvtllt-s Edl-

·R·I-

A ATUACÂO J

DO P. LINSOLAS E A ''SECRETA'' DE LYON

tlons [.allnt..s1' l:intava o livro ;;Hlstolre Sccrlte de 1~ Congr,gatlon de: f,yon", qut o historlndor An• tolnc Lc.srra acabara de rcdi&:[r quando velo u ra. ltcer. Ustrn utllUou sobretudo o clttado m.ànuscrl· to de Bcnoit Cos1e, um outro do mesmo autor1 conservndo pelos seus dcsctndtnlc.s e lnUlulado ''Souvtnirs de solxanle 1.1.ns'' (o qu2l não fala. dn Congrtitaçüo, mas c-scl::artcc muitos fotos de que C'ln foi prota. gonlstn) e. M memória-. do Padre Jacques LlnsoJ.as, Vigário-Geral de Mon~nhor de M:arbotuf, ArcebLs· po Primai de l..yon uo tempo da Revolução. Tc.ndo ê$$t lh·ro como c:uin1 vnmos resumir a história da " Stcreta'' . A.nlc.sJ no entonto, exporemos r~pidamtnte a sltuaçiio da Arquidiocese Ptlmnchtl dur.1nte o período rtYOluclonlUlo. A Rcvoluçiio Francesa níio enconlrou a Árquldioe:csc de Lyon desprcve:nlda., O Padre Jacques Lfnsolns, Vla,árlo-Gcrnl, em um Sacerdote uloso e previra o 4 uc la ncon1ccer. Oesde 1782, cm seus scrmãos exortava os fiéis a se m11ntertm sempre rinnes ná Fé. e lhe,;;: recordava oportuna e inopor(unamtnte as verdndcs da doutrina católica, mostrando lodo o horTOr dns conscqüt.nclsas u qut le• varia 3 Frnnça a sun rtJdção ou o ~u e$qucdmenlo. Ao mesmo tempo or,llni:cava o movimento ca· t61ko d.a Arquldlocc.se de modo quc: 1 se. necessário, êlc pudesse passar rbcllmenre bs catacumbas, como os prime.iros crlstüos. A prudtncla do Vlghrlo--Gtral foi a S.'l1Vil('!io da Igreja ena Lyon. Qua.ndo o Arcc· bispo, Monsenhor de Mnrbocuf. foi obrigado " eml• grv, a Igreja wbtcrr,lnen do Padn IJll$olas jli cstnva cm runciom1menlo, a.'i,SC:gur.:tndo n continuidade dn vida religiosa cm tôda II Arquidioe:c-sc. Ela as,dstfa. o~ HHs, mantinha a dLstribulçiio dos Sacra· mento.~, conUnmwa a formllr novos SMcrdofes ('m stmln'-rlos clande.stln0:5' que se deslocavAm confina• mente, rdUgi:lndO·SC cm locals prtpnrado.s com an. tttedênc:l.a pelas a.sso(Jnçõcs que velavam ptla st· i;i.uraoçn da [grc.jn, e combutla u infiltração rcvolutionJirla por todos os meios de que dls!)unha. Hou• vt rouilas 9riWcs, muitos m,rt1rcs 1 a JgrcjB subtc.r• ri'inca teve que enífC!ntar ptrsegulções da 9olfein; da conseguiu deslruí-la e ne.m prtjud1d.-1a ~rl"· mcnlc, atl a brusca revlrnvolt:i dada por Napolciío il sua poHUca religiosa. As.,;inada a Concordata, e Cão loso foi ela posta em prlitica na França co01 os artigos oraânJcos (aptsar dos protc.slos do Sumo PonHfkc), como Mon· senhor de Marboe:u-r mornra, Napoleão nomeou o seu 9rúprlo Uo. Josr:9h Fcsth, para subsUtuf-lo, Fc.sch j4 cta Soctrdote quando tne início a Rcvoluç~io Francesa. e não hesitou cm Jurar a Constituição civil do C lero. Mais tarde pôs de Indo a balin.a t {lCOmponhou o sobrinho nas suas txptditõts millrareJ, atumulnndo urua gtande fortun11 na.1 e...11ccu• l:i:çõcs que fazia com a Tntendincia do tdrcUo. Es1ava cm Pnris, longe dt supor que retoma.ria o

m•·

40VA JIE11[1 \VJl~1fJB]RA

A

A GRANDE DEVOÇÃO DO BOM POVO PORTUGUÊSÀ VIRGEM

SAN1'A MÃE de Deus, c<>mo N:ulnha que E do Ciu e da tc.rrn, estende o seu cllri· nhoso domínio sôbrc todos os pOv0$. Por todo o mundo é vcntrnda e invocada sob os mnl~ Yarindos (Uulos. Mas Porlug,nl ocup:i lugar de dts· taque nwn cmuloçifo piedosa, nt.S$a amOr0$::l e. s:m• la compcllção a que se entregam os pafscs C:llt6Ucos. Chega-nos :.gora às mãos um precioso livro q ue é uma comprovação eloqüente dtSSà verdade: ''lnvocaçõts de No~a Senhora c.m Portugal d'Aquém e d'Al!m:'t.1ar e seu Padroado", de autoria do Rcvmo. Pc. Jacinto dos Reis, publlcndo cm 1967 por ocasião do clnqücntenllrio d.'l.S Apariçõc.s de F4tima. ''0 português de tudo se serve para ínvocnr Noii;.~ Senhora: um pA.$$0 alegre ou 1rlttt de .ruil vida, ou da vldn naclonol; um passo goroso, doloroso ou ,tlortoso d.a Virgem Maria; o nomt da s1.u1 :1ldtla, da sua vila ou da sua cidade; os monte$ e os vnlc.s, :l.'> serras lllidat e os camp0$ nrdcjantc.s, os êrmos onde n Senhora pessoalmente St manl· fc.stou, ou onde se t~m c.ncontrado Q-S sua.-. vtlhlnhas e J>Cquenln.1s imagt0$i- tSCOndidas no tempo da mou• rama, p.1ra não scr:cm profanad:1.5 e d~lruídas; as planhlS quer sejam aúnhtlms de copa :lffedondada, orvalhos robustos, cedros altivos, olivcir.is p11cfüc~. quer stJrun heras nmorosM; abraçando velhas pedras de cattclo.s, alecrim perfumado, ou a urtiga, " rústica, descortês'\ agrUSlva e plcànle; a.t fontes, os rios t ns ribeiras que movem uunhns; as Jagon.s, os lagos e os mares, ns ondas tormentosas e "' bomin• ta; ll lui e as tttvu; a amargnra, a aflição e o aHvlo; as dores e os ttméctio~; as ntcessid.ades, a pob~ta e a abundAncla; as vitórias, a pa~ a quic:laçâo e o ttpouso; 1lS 1,grimas e a con.~oh1('io, o nb:aodono, o destêrro e o rdú,glo; a s.-iúde e a agonia; a vida e a morte; o pc,cado e a virtude- ... O portuguh d~ t'udo lán('"à rnão para rcL"'lr, c.hornr e cantar aos !>és da sua "rica Nossa Senhora Santa Mnrla" (p. 6). Sem prtl~ndtr e.sgofnr o ~'Unto lnc.sgotbel, ('li.a o Autor ma.l$ de iclsc~nw invocações de Noss..'l Senhora em Portugal, nos .territórios ultramarino~. e cm rodos ês.'>t.s lugares por onde o bravo povo luslla,no pas.sou dlhtlando n Fé e o hupério.

Citemos, no ncasG) al~mas dessas invocaç-ões na.s quaJs a alma cnt6Uca ~ reflete como num e~ pelbo de rlWIUplas rnc:cs: Nossa Senhor.t das Alm:l5 Oesamparadus, das Ang6stlas, das Auroras, dos Au· sen(.t.s , da Batalh~ do Bom Caminho, da Claridade, da Ooufdna, da Ent~ga, dos Esquecidos, do Firmamento, Mãe dAS Alma.,:, Múe da lsreJa_, Raln'h:.

tstado ct'leslá.itlco, quando soubt que. Nupotcáo de• scjava nomcd~lo Ar«blspo Prim~ da Frnnça. Tratou logo de se rcc:onclllnr com a J~Jn, e abjurou os .seus erros. Rtccbcu sua abjurnção o '.Padre Jac,ques André Emcry, Superior Geral dos Sulpklanos e p:utfdário fogoso d::-a recone:lllo.tiio rtllltloSá, A IS de ogôsto de 1802 foi ffl(l>'Odo Bispo na CPtedrnl de Norte Dame ptlo Ca:rdcnl Caprnra, Leitado pontifício. Em 1803, Pio VII confcrlu·lhc o thopfu cardlnnHclo. A cullurn rellglom do nôvo Arctbl~1to era multo ddicicntc. O Padre Emcry encarregou-se, de. J_os.. rruf-lo ràpldamtntc e êle pa.ssou :alRUm tempo no StmJnirlo de Salnt-Sulpkt-. EnqunntO não tomi:ava posse da Arquldlocc.se, o Cardeal Caprorá nontcou para govcmá-111 Monsenhor dt- Mons11ers--Mlrlnvllle, primcl.ro Blspo concordatário de Gtnebra e Chnm· béry, que- lrunWm volto.rn à [gttJa. A re-$1.aurnç:'io da llberdadt dt culto provocou tnfusfasmo cm Lyon. Vamos rtprodu-ilr o trecho tm que Antoine Ltstra, «produzindo Btnolt Costc, e:onh, n reconcillação da JtttJn Prlma.clal de Sio João, que foi A prfmctrn a se.r devolvld11 ao culto: "Sendo a ltreJ:.t consldtmda AJnda como lua-ar profano, os numeroso, fiéis que aelo se tncontravam convcrs:a.vnm de chupfo na cabet.a, como se ~iivu.scm num lugar público. Um Padre se agroxlmA t com voz fone comanda: SIiêncio. Respeito. Atenção. Jmc-dlatamente- cessa tôdn conversa. Todos ,;e dt$-cobrcm. O estandarte da Crui. seguido por um Clero numeroso~ tomou posse- dn l,reja t.m nome de Jesus Cristo. O grande sino íiz..se ouvir. No mes• mo Jnsf-'lnte, como $t Deus qulst$.i~ ruo.nlftSÚ\f sua Intervenção dlnta na rcconclll11ção dt$$U Badllca tão cheia de rccordnsõcs, um ndo dt1T1UDOu umll lui brllha.ntc na proruodldadt das nbóbadll)'.. A tem, pc.rt::tdc ruge, a chuva. torrenchal purifica o exterior do tcm9lo, enquanto a águi bento na.,, pedras da Jgrcja purifica o Interior". Os católicos rcstaurava.m e adornavam as an• ligas Jgrejas ,ara que trndt:sscm su reconelJJad.as. À.< vbes, tto durante o noite, às escondidas, que fies fazJom o trabalho, para cole>car B$ autorldadt-~t 110 dla segulnte dlanlt do raro consumado. A po, pulaçiio aplaudia e O$ lcmplos que sie rtabrirnm Ylvlam rtple.to_s de povo. · tssc cnfuslMmo, no entanto, levou a lgrtJa sub· ltrrânco a dcsvtndar a $li.Ili organb:ação, Napoleão mandou prender o PAdre Lln.solu e o manteve na pri.sáo de Snnta Pelligia, em 'Parls, durante multo tempo. De n.i:1dn valetsun a.t intcrvtn~ÕtS do Cardeal Captara e muitos outros Bispos pedindo a .i1J.a U· bulaçáo, Mnls tarde, o Padre foi cxllado para Tu· rim e só voHou à Frnnça e.m 1814, dq>ols da que· da de N11poltão.

Fernando Furquim de Almeida

do Mund°' do 'Resaate, dàS ,T ribulações, da$ Verdades, diLS Virtudes.. dos Vitórias ... A rc~i>tUo da invoc~iío de Nossa Senhora dos MIHHres, Ugada aos primórdios da nacloru\lldadt, nama o Pe. Jacinlo dos Reis fato cheio de slpl• flcaç.ão. ..Eslava Lisboa cm poder dos mowos - tsere· vc êlc - pelo qut D. Afonso He:nrlquu pretendeu c.onqulstá•la. Tinha c:omeçndo o circo há poucos dias, quando os mouros prt:SStntindo o perigo rc,. cruraram uns cinto mU cavialelros para atacM os sitiantes. "D. Afonso, felizmente, Informado, Sl'Íu ao uu encontro, e junto de Saeavém travou« rt.nhldo tombatc, cm que, cmborn morrendo muitos dos nossos, o pequenino Portugal vcn«u. ''Em r«onhc.clmcnto da ln1t.rct$.Sâo dt Santa Maria "cl•rtl mandou logo faur hl um orntorio a No$$3 Senhora dos Martircs". Tomada Lisboa, n. Afonso íêz o voto de trlglr duas basflka.t: uma na parte oricnlal e outnt nà parte ocldental, sendo esm dcdkndn n Santa Mari.11 que se e:omeçou a chamar basílica de Nossa Senhora dos Mártires, porque foi crutnram uns dnco mU cuvlllc-lros para amear os do sepolf:idos .11.Runs dos cruzados que morre.mm na conqulstn de ''Us:sabona'-'. ( .. . J Era tnUío costume coosldcrnr mártires os gutrreirof qut morriam nas lutas con~a os infléls'1• Depois de Jtmbrar que nt..tia conqulsltl O. Afonso Htnrlqucs teve o auxilio de crur.ados que iam a cnmJnho da TcrTa Santa, e q ue a BasfUca de Nossa Stnho~ dos MIU'tlrts foi a prime.iria htrtJa Jutroqu.lnl de Usbo:i~ observa o Autor: ''No mesmo dia e à me.!>"nUl hora cm que se estava o. «ltbrar, solc.ntmtntc, a ft.sta litúraka de Noss:i Senhora dos M4rtJrts ná sua BasOka de I.ls-boà. a.parcela Nossa Sc.nhora1 pela primeira vti. n;i cova da lrl.-a, baldio da Freguesia dt Fátima, distrito de Sa:ntarém, :Pnl1'1AJ'(ndo de Lisboa. "Só No5Sá. Senhora sabe por que quis apattccr no território d:a printlpal Ol()(;tSt: de Portugal, 2;pt• nas oUo meSC$ antes da rc.s(auraç.ã o da Diocese dt Leiria, e por que est<>lheu aquHe dia e aquela. horn'' (pp. 348-349). R, um.a Invocação português2 d(,, Nossa Se· nhorít. partkulnrmtnte cara ao Pc.. Re:ls: l a de No.'i$11 Senhora do F~taJ, venerado. desde tempos ln1cmorla.ls cm Reguengo do FC.tal, Diocc.se dt Leiria. ..Andava uma pastorinhn a gu11.nbr ~do, nos outeiros, .sobrancelroi ili povoação. (. .. ] A p8$Corinha chorava. - Por que e.horas? - pcraunlOU•lht uma "'(crmosa" Stnhora. Tenho fome, minha 5<-nhora, A mlnhn mie não tem pão na an::11. A

arca esr, vazia .. . Condoída, a "fcrmosa" Scnboni rccomenda-1ht- que vdi • e-asa e peça à mãe que abra a arca, Confiante, 16 foi a pasl6rn pela enc-0sta a.baixo. A m.ii.e_, duvidosa, abre a arca. Admlração! A arca estava chtla de tão "txcele,:ite pão que loa:o pane.la não Str nmDSSAdo na tem·" . °Con, forfada e já contente'', diztm os cronistas, vai para o outeiro, para tomar conta do pequeno nbMho, que Unhu ficado sob a ruarda da Divina Pas16ra. A ·•1crmOSSt Senhor..•' dtthuou-Jhe, tntão, que é a Miie de Deus e que t stll desejo se.r ali venerada. De nôvo lhe ordena q~ volte: no povoado, e diga aos aldcõu lsto mt$.1DO" (p. 259), Quando ês1u escolhiam o mtlhor sftio para a Casa que • Virgem ptcUra Lhe tlu-s::scm, "acharom um.\ lmaaem sua, multo linda, e junto a ela uma tnHa,tr0sa fonllnha" (toe. clt.). O Autor narra como a partir de 194' '•coisas: Jttaves tf:m acontecido" no local cm que St- de.na.m ,,culo$ Atnú êsses fatos tttnordinArtos: uNa cabcta de algulm albcrgou-n persistente e teimosamente a lnítU:t ldlla (Que nc:ibou por se tornar um rato) dt anasar a parle superior do outeiro onde: a vcncniindn lmagtm rot cncontr0.da 1 na -txteruio de. cêru dt 80 mttros, entre n capei.a da Memória (n primlliva) t o atual santuirlo. 1. . , ) Entre o comlç:o e o fim do lomtn1,vtl .urasamento. mtdl;irlUII alruns anos. NU· ,~ C$l)a('O de ttmpo, . . coisa lncr(nl e de puma.r! A "milagrosa fonUnha", J.6 ttlerlda, mela embebida n.u pnttdc d.a velha ennlda da Memória, dtupan:. ccu! Ninguém a salvou! Nem as autoridades clYls, nem as autoridades cclcslástica.v, nem o povo! 2.tt:e llllllentou e ainda lamenta o fato, mas, n:ll'cothndo pelo cstupcíaclente de quem todolo innndu, não rcagt·u, niio soube: rcagir, nio pôde rtaeJ.r, nlio o dt-1· nram rtaRl.r. A$Slm se fo~ para stmprc., a mllaftl'OSI fon1lnh11"' (p. 261). Não é lstn a lmngem do Q.Uc estamos vtndo Por todo$ os lados? Mas apesar doy que se c.mpt.nham trn :unsar 1'11do o que lembra a Vlrae.m, t tm ulAncar a fonte d e ,gua viva que ~ a dcvO('ão .Ãqutlll q11c é nossa lntcrcessora onlp0te.nte Junto ao Trono do Altfstlmo, apt-sar de tudo Isto, a poucos quilômetros do Santuúio de N0$$8 Stnhora do Fltal a Santíssima Virarem apancc tm 1917 11 outros pe. qutnos put6rcs para dlrla:k à humanidade menu: gem de perdão e dt adYtrténcla, d e convite a ora· ç-~o e à pe:nltlncla. Bem haja o Rtvmo. Pt. 1aclnto dos Reis por úse prttlo.so Uvro, nrdadclro oásis cm meio ao dc,5fflo da tnertdulJdadc modtma.

1,

J. de Azeredo Santos 7


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O CASO DA ILHA DE MALTA E A EXPANSÃO RUSSA NO MAR MEDITERRÂNEO

E

M JUNHO (Jl.Ti-MO, s,.s m11nchctcs dos Jorrualt llnunclavam que o nôvo 2ov~mo dt Malba, pouco .anlcs cmpo$$ado, - txpul~ dt seu Quarlcl-Gcncr.al de La Vnlcua o Almirante Clno Blrindclll, CoU\an<fantc d.as :Fôr(':lS: N'1vnit

dtl NATO no Mediterrâneo Ccnlru.l. Ol comcnlarblM intcm.aclonals acenlunrnm a gawvldadc do incidente, prOl)Otcion;d à im• porlâncL-. que a p«autna ilha tem pura a defesa do n:rnco sul d~ A.linnça Atlânlk:.1 1

Jli

que Ot'up:.1 um:. posição R(Ogrií.fku de

uccdonal v~lor cstr:atfsdco. sltukda con,o eslá n meio camlnho entre ia F.uropn e ;1 Á(rka do Norte. dominando a pas.1.1,gei:o entre :1 91,ll'IC oddcntol e ~ oriental do Mc-

dUcrrlnco. Por t.~cassa malort.a (28 deputados contr:.1. 27) obtida mas c-ltlçõcs parlamcntarc.~ de junho, os tr:ab-.athltbl.$ vo1t;1ram ao poder cm M:1U:.i, depois de lrt:u anos, t seu lídtr, Domtn.lt Mlntotf, asumlu " c:hcna do ~ovirno. Cnbc :aqui também, e com tôda :i Propriedade, ::.. uprc:ssfü, c:om que o Prof. Pllnlo Corrê::l de OUvc:im qualificou o ''lriunfo" c:lc:itor:ll do m.ar,ci$1a Alltnde n.o Chile:-: vUórl:1 de 00trcl.a! E, como no pn(s andlno, t:,mbf'm nn ilha mcdUuriinc:a os sodaUstas conqulstnrnm o poder grn('M .ao .apoio, ou pe:lo menos a omb."'fflc>, de rcpu~ntantcs da Hltr-.arquia E':c:lt.~lfl.slka, como veremos.

Perfil de Mintoff, pelo Arcebispo de Molt o V:1lc n IX'"ª c:onhctcrmos o pc:rsonllgtm que oc:u!):l o c-argo de Prbnc:.lro-MlniSfro C'tn l,a Valc-ua. Siio lnltrtSS::lntcs os d2dos qut sôbrc êlc fomcc:cu o vcncrnndo Att:t• bisco de Mau.a, Mons. Mkbelc Gon:LI, cm tnfrtvb1.a que conc:cdc:u à t)1a fôlh:i cm Romo., por ocasião da primdr.1 sc~ão do Condllo (ºCntolici$mo", n.0 24S, dt !:anclr0 de 1963). Oom (abrtvlatão de Domeníc) Mlntoff J)C'rh:nce a uma famHi:a utólk::. da Jlha, folTDOu•sc em enacnh:tria em b"ª t ~. e obteve depois unta bôb:a de õ'1udos c:m OxfOl'd. Enqu1ui10 tStudiaote c:m Mu.ltu nunC'..t tomou parle cm allvldadcs rcUa:IQ$3S, e em :tJ>«!Udado dt ·'St:lllln.. pelos colqcas, por ca'us.a de SU:lS lt.ndêncl:is csque.rdlstas. Ounanfc: os an0$ dt Oxford es.~s lc:ndtn, c.las se uc-cntuaram. Dt- volla ~ p4lria lnRrtSSOU no IUISC'C:nte Purlido 'lnbalhlst:1 1 t con.<te,uiu fil1..cM•e c:ltger seu $C'Crchirio, Iniciou cnl;io -' propa~t.lo de idlW tSQutrd.lsfos no stlo da agrcml:as-ão, influenciando sobretudo os c:orrtllglonirlos mals jovcn.~ Por fln1, logrou dtmJb:u o lfdcr do p;artido c lomar·lbc o lugar à tt-sfu dos tnbalhlsta~ mal1-~m suas u.mvanhas clcitornls Mlntorr Kmpre se proclamou c::lfólko, :.pe.s ar de. :.'Ua avc~o pessoal a tudo quanco dh rc.."ilpelto i\ Igreja, !)Orquc subia que, $(' m2nlfc:&f~ st'US vcnbddros $enlh»tnlos, ptr• dtrJ:a gr:andc númc.ro dt adcpto:.:1 j:l que novenha t nove por «nfo da populà('iio maltesa l católica. Graças a seus dotes de orador e de ~n,agogo, e· à l11Justmc.1d~ confiança de muitos católicos, obteve a maioria no Pa rlamento n::a.s cleiçõts de 19S5 e tornou-se Primclro-Mlnl$1ro. No lnfolo ~ sicu eovtrno apoiou a p0,, Utka do -'Colonlal Offke" J.n&ltS. chc&IU1· do a propugnar a integração de Malba no Reino Unido. Rc:ccbtu Por Isso ajuda bri· tlnlc-a ttpttscnlada por tnllhões de Ubru, e com f.ssc dlnhdro rcalllou obras que lht a;mngcru-o.m o fama de grande admlnl-.trador. JndlspÕ$-.sc mais larde com Londres e p:ISSOu a Advogar a Jndtpcndt.nda de Mau.a fora da ''Commonwca.ltb''· DunlnlC os lrês anos que passou como Prcmier tomou umi:. sfrlc de medidas antic:atóUcas; mais de u01:1 ve:i, e às escâncaras, dtthll'OU que seu pnr· tido era .soclnllsm. Em 1958 dtmlllu-sc do

sovf.rno. Na mtsm.a entrevlsla a ,ccsuoUcbmo", Mons. GoruJ re.ssaltou que o objetivo dt Minto({ tt2i lm9lan tár o sodalismo na Ilha, razão pela qu.iaJ o Arceblspo e seu sufnaa,Anco, o Bispo de Coro, por oc.i:1.slúo das eltltõts de fcverdro de l 9'61 alertaram os fifls quanto às ftndêndas esqucrdlslat e antkatóUcas do Hdtr trabalhlsta, t- as as• .coclações reUafos:as fhcnm uma oposlçiio cc:.ff'2da à sua. candidatura. Posttriom1cntc:,

cm 1966, Mons. Michde Gonxl chtgou mesmo :1 $U.Spendtt clnco Snc,crdotcs que hQ.vlam manifestado simpàlla peloi trab:1lhlshu (d. ''0 & t:ado de Si:io Paulo'' , de Jl de julho de 1971). 0$ vtnlos •1pós-conclll:i.rcs" ainda n:io h;.-.vlnm soprado sõbrc ::a llb:a. .. • F..ss.'l oposição da Hlcra.rqul11 mantnc os lrab:dhll.1:ts no oscr~dsmo por tTc-.te anos, mas p'1rec:e que- QO c:hcg,11rcm o~ úlllmas cltl(Õts o c:Uma h avli.1 mudado, "'lllt F.,conomlst", de Lon.dre.s. :afírm:\ que :agom élcs voltaram :,o govêrno g.rnçn.s a um~ "dramá1ica reconciliação" havida cm 1969 enlrt Mlntoff c o velho Arc,cblspo, "o <1unl con1 a :i.juda do Papa e da organização McKinsey. deddiu modernizar-se" (d. ••o Estado de São P:1ulo". 18 de julho). Foi assim que os maUtSC'S pudtrnm tscolhtr um Pdmciro-Minlstro cujó adve.nlo o "Pravdll" saudou calorosomtnte.

Umo simples "barganho financeiro"? Jli llntu da,ç elti(ÕC:S Mlntoff havia manifestado .was ll\tcnçõts a rc:~'Ptllo d.a NATO, mas os observadores politkos nlio esperavam que ête lnnuaurn.\St o sc:u a:o.vtrno, anunciado como ''ntutralLsta'', com atHudcs de ião ostcn.Uva hoSlllldadt par.a com :i organiuç-;io oc:icltnlal de defcsg, como a cx,polsilo do Alntlrnntt Blrlndtlll t a prolbl('ão da visita d:a Vl F'rOL'l nor1e· .amc:riCllna ao pôrCo de l..a V.1lc11a, ao mesmo tempo que m:andll\'A lnfo·rmar ;:a JnglatcrrA d.e wa Jn1cnc5o dc renegociar os fmtll.dos vtacntes ãtE 1974, pelos quais Londres e ~u~ aliados ocidental,; têm a facutdude de U$1lr :as bâ.o;tS nnvnls t ;1é-rea~ cons1ruíd:a c.m fcrrilórlo m::tlr~s. ,: prtcl\'.O escl:-iu.'Ctr que M:iU.1:1 não E mcmbru dn Organb..1çii.o do Trnlado do Aclintlco Noree, t f o acôrdo de dtkl>3 cstitbtlcddo com a lnlt)"Ctrta que vlncul:t a llhn lndlrctnmenlt ià Alhmça AtlAntlc:a. Duri>.nte anos o Pr lmtlro-Mlnl$1ro tunst.r• vndor Bos,t OUvic:r. dtnol:ado nM últio'Ul.~

c-lth;ôt$, pleiteou li :ubnls.~i.o de seu p:at.., co·mo membro dt pleno direito da NAT(), mas II própria l ngJatura - duelo~ lõllH'l, de n:Hinl('r uma posl('iiO t.speclal no qutst rdc:rc à defesa de sua anllca colônfa e os países escandinavo$ a Isso st opu$~· r.tm. Mlnrorr aprovtll:,,sc agora dtss.l si· tu1:1çâo para anunclar umn políllca de "n:io 111inh!lmt11(0" tm rtlaç:,o, às grandts: pofin• cha.t pruc:ntcs no Mediterrâneo. Comcnta.rltlai houve Que pnxuranm r('• duzlr n :itiludc: assumida ptlo Primeiro, -Minl.slro tm fac-e: da NATO ll u.ma sim• pies bnr,canha n nanccirn. Oom Mlntoff lerln tomndo as mc:dldus drásckas a que :,ludlmo.c (ademalc d:1 insinua('ão de: que podcrin c-cdtr as b:lS<'S da Uha ::aos ru.<sos, :10 :.firmar que "pode nc:goci:u cm oult;l'I panes"}, apenas coni o intuito de obter mais dinheiro pnru seu país:. F.s-...-u \'Crs.'iO, QUt" à primd~ vist:::a partcc plau.sívcl 1 não lc:v:i. tm conslden1.çio O.li' anceccdrnces do person.attm, ntm os vi&orosos ~•oatos com qut os soviéticos sauda· rnm o desafio de Mlntoff ~ N A'l"0 1 c: nlnda mc.not ~ inkl11tivas do Crcmlln dc-.stlnadns a cscnbdtcer relnçõcs ruais cstrtit:.u com o minúsculo membro da "Commonwtallb". Adem.sús. o "Pn\vda" anunciou, n11 ocnsii'io, que. Moscou· dttldira apoiar La Valetta em seu intento de llfastu-sc: da Cr.'.i,.Brelanba e da AUanç:ll Atlântica. A mantinl como Mlriloff conduziu as ncgod:ações c-om A tngltafern e stus :allil• dos nio lndlcn o propósito de (hek::ar a um 11c:ôrdo. Com tfcHo, o Primc:fro-Mln.ls· tro malt~ exigiu a c:xorbltantc lmpor1âncla anu:il dc: 72 mllhões de dólaru pelo uso dás basaes - coostruída.s, 2114.s, ptlos lngltscs - em v~ dos 11 mUhõcs que seu pa{s atE en1io r cttbla. 0 $ brltânkos e outros membros da NATO ofcttccr:un 19 mUhõts. A contr.l•Propo~ albadl, não fol ::aceita e as nta:ocl11çõts íor:i.m suSJ)t~, t.m con.seqüé.ncl.- do quc: a NATO on.undou1 no m~ pa.s.sado, qnf' vai rellnir de Malta o QC dt Mn,s rôrc;::i$ n::i.v:1ls mcditc:rrÃntas.

A Rússio tomorá o lugor do NATO? F.m princ~plos de julho, no 11uge da co11crovén·ia provocada por DoDI Mintort sô-brc o uso das ln~1:alatõts mllltares britânicas de Malla, o Embahcador rus.so cm 1.-0n.. dres. Mikh:lH Smimovskl, vbJou pnrn La Valc:U:L. Embora cs1cja f::t.mbfm at-rtd1lado all, sun viagem naquele momento, suscllou sfrl.flS prc~up:a(ôts nos drcuto.s dlploroállcos e mllilar~ oddentn.w. A vls:Ua de: Smlrnovskl foi lnlc.rpl"thtd:a como vlsnndo ,on.. dar :as lntenções do Prtcmict trabalhista com relação a um dcslliamt'nlo efeelvo da NA'fO e ao tstabcleclmc:nto dt uma rcprcsc:n• 1ação dlplom4tka ru&Q ·pcrmane.nlc: cm MalUL, ~cu.sad::a pc:lo govêmo antcrk>r. A lm1" laç-ão da embalnda sovlfllca ttprt:Stnt11ri:». um Pa5.W eoru:ldtr,vcl n~ concrtlb.:a.ç-ão da !LSPiraç:'io de Moscou de: ocupar as b11S6 m.11llt$.AS. Uma Stgunda visita do dl· plumut;, rus,;o a La Valeu.a, <ks111 "C-1. em t.u'41tr ofkinl, menos de 48 boms depois de u NATO Cc:r anunciado sua ttlirada de Malln, c:m meados de af(Ô$tO, e a notkb de que Smlmovskl participaria de rtunlõcs co1n Mtnfof( e- funcionários do govêrno, "leram aumentar os tc:morc-s de: que a Rússia aanht um.:a b:a.st nnal na anUaa CO· 16nfa britânka. La VmJc:Ua J' anCes se vJnh:::i connrlCl'I· do c:m escala habitual de navios russos mc.rc:notes t de passageiros, e l. ftcqütntt 11 prcscnça de btlonans sovlétkas nu 4gua.s próxJm.as. A vi.sita qu~ ('m mudos de Junho o Marechal CrC<"hko, Mlnlstro da Odcsa da. URSS, tm companhia do principal comissário poHllco Junco às Farias Armadas, General YepLshev, e do Co· mandante da Marinha. Alminmlc Corshkov. dduou a uma frota de a:uc:ma de S('U país ancorada no Mc:dltc:rrânt0, "para discutir 1arcfas imprescindíveis". tndux a exl&ênc:Ja d.a R6ssia de ser considcr.ad.a uma potêndA D'ttdUerrânu. A p~oça soviétka no ' 4Mnre Nostr'um" nio é, all4s, falo nôvo, e no$ úllimos oito anos vem adquJrindo um can'iltr nlann.an· te.: Ntm curto lapso de tempo a pcqueôa trota cos-teln russa foi tr~nsfomu1da na RKunda Mrt.a nav-al do mundo, e hoje- m.a1s de .st$;Stnln dt Stus navios de: gucrrn n:l·

vepm naquela.o; •auas, contra apenas QUll· ren1::a belonaves nortc-11mcrica'nó'I$. A VI Frola dos E.5:Cad0$ Unidos vaJ aos poucos sendo supera.da pela csqundra russa do Mar Nee,o, que tcm1 1Uravú do Bó~ioro, livre acesso ao Mc:diCcrrfinto, A siCuaçíio criada em M:dla vem :iv.1• var ainda mals 2S condlçóti do sis-tc:ma dc:-· tensivo oc:ldcntal na úca1 Já tiio compro· metidas dcpols que o fechamento da ba~ afrea dc Whlclus, n::t cOS1:,1, Ubla1 por prtS· são do regime pró-soviético do Coront't CidhaO, privou o "Str2tca;le Alr Command" nortc:-amcricauo dt: .sua m:ilor ba,;e nc, Mcdilc:rrinco Central. Enquanto l$$O o Edtu e a Síria rontc:dbm :\ Rússia vant~cns C':$pc:dals de ancort~m e de m.anutenç,:io, de.. p6sllos logístlt-M cm v»rios ponto.s do litoral mediterrâneo e. o 11so de aeródromo~ milllart$ próximos lt cost:1.

Moita será o Cuba do Medite rrâneo? A polítlc:a de Dom Mlntorr de OO~ln· cu1ar-sc da Grã-Bretanha e d:.11 NAT O e de aproxlmar..s,c d:t Rú.w::a vem su.$C.itando ln• qulctaç;;o entre os Ob$trvadorts, que c:-heaam mc:~o a talar de pc:-rs-ptctlvas de um:a "Cuba meditc:ff'.lnu". E não h4 dúvida de que, se o Primc.Jro-Mlnlstro miaJlls - ~ ü.r de seus dcsmtnUdos de esello cnlrt:· pr as bases navais e 2freas dt: seu pafl> aos l'US.\10S, o antigo rtdufo dos Moagts-C::avaltlros dt Sio Joilo dt Jerusalém ::aca.barii por ter o mesmo destino qut: a Pê-rola d.as Anmhu. Domtnlc Mfotoff sorridenle, bWxotc, dt: ckulos, fumador de cachimbo, edu cado cm Oxford, casado e de: mcl.a--ldadc: (SS anos) - lalvcz não assustt tanto como o tirnnetc b:trbudo do Carlbc:. Mu ludo o Qut êstc ttm feito pela extensão do domínio comunista no mundo niio é n11da cm t0mparação com o que rtprescnt.11rla a cnln~aa 2 Mo5eou dc5$!1 Ilha que é chamada a JU)'fo título o fc,r. rolho do Mtdltcnineo.

Gustavo Antonio Solimeo

Vista do pôrto de La Valetta no século XVIII

ANTIGO FEUDO DE

MONGE'S.;(CA VALEIROS

e

seus 21. quilqi11e1ros ele co111prime1110 eor tre~e de lárgura,

0/vf e 1111111

éired de 2if6 kmZ, r, llh<1 de Malta é, /lsicm1w111e, um

pe11lta.f(:o de ,o,:ha coltãria, impr..õnt:io pura a ,1griculturt1, /ltt>tluzi11dQ apena,$ umas tantas variedades de frutas, wn pouc·o de trigo e legumes, e muita pi111e,,uy em \f,eu.t 1no11u:s as C'abr,as- e 'O.velht1s p1ocuram 01Jtr:e flS pcdr;as ,un alimento escllSJ'O, A super.fíti i,.- total do 'p,stodo {JJaltés, que çomuree11de as 1/lws de ,\ifo/l(J, 6020 e Cowi110, t de 3·/6 k,112. e ,ww populaç,io. w1i pouco a/é111 tlé JQQ mil ]u,IJ,iJ111He~ fstes /àlam umd língua stmr1-t iaa, l)cr.iPadâ talvez tio antigo /,imíaio, mm."' co1n fones <.u>nso,ná1u;ü1s ártlbes. 0.v 1.'naltéses importam dll Sicíli<l ttês, q,wr:tas f).ar:re:r <IO.t víveres que con.\'()Jném) e a gra,ule. tonte_da rend(l ,,a,:iom,I é re1>):c.semo,Ja p,e,o mp"im~ uo do pôNo tle La v;a/eua. im,portanre entre· pó.ttQ (:'l'JJfüJr:tial c11tre o Mcditerrlihco. 0r(entol t o muiido oaitlenràl, be..m uo1110 pdo truba/hQ nos ~t,:w" e es1<1b1il'(n b.riráí1ioo$. ,,A popula,.ção é pro/untlomtt(ife (,atólica e cttnser,vadora; as mul'Ji'eritJ' vlstém ainda hoje " rracliGimml faldetta. t:Nph:ie tle- capa eom granilc. capuz. Niio 'é, como se vê, s,w <wo.1.101)1ia nem sua extensão territorial - P.equen<>. pOJ)fO 110 r1u1pa que (lt>n/er:em im11.orllil1cü, a Multo. Esta lhe vem de sua fo .. ve.j,ível posição gaográ]ic;a> que lhe valeu Q nome de, "ferrolho do M e.· dlterr'ÚneQ.'1, poisd ht permite c01!trQJt1rr a pt1.-rst111e1n emre o leste e g_ oe~·tc ,lo antiC't> ''Mar~ No.rrrum" ,:0111000. Seu v1J/or, estrarégiao foi t:OJJ1preendido já p,clos fenícios-, c,,rrae.i.. neses, gntgoJ· iJ r-01na11os; mais tartle µelo,s áralh:s, norina,ulos e, espa· nh61s•.s11ces.,i~os se11hores dei i/1,(I. Em JS.30 (t(lr/os V deu-a como feudo Mo11ge.1•0 avaleiros, do "ifospilal de São lo.ão de J•r11salé111 (cqnlte<Jicl().s a par,lir de enrãq éo1110 Gavaleir.(t.$ ele Maltc,)~ os quâ'iSI Ôur,mtt ,/ois sé.cu/o~ ,. mei? ,111a111ivc,am seu domlniq ~'Obre a il/Ja ·e .dc•·e11vol~~-

ªº·"

r<1m u11i itUlpr:twitfvttl ,~obalho <le policiamento. d.o. Medife"r.â11eo, i11J,es--

tdd<>. por piraws bér.b.eres guq., atacavam as: embrircaçóes crisfâ.\·: mais áhuia. a prtt,$.(m ça da 0rcleln representou uU um pódero.ro ob.rtácrtlo ao flva,~{•O tio Cresae11r&-s66.re n E~IYOPll meridio11al. t ,fop()ltJiiO rambéin compreendeu o .valor, esrratigico .,Je Mt,lta e eap/1<ro11-a em 17,;J,8 - graças ti traição ou i11comp,~e11,rível debilidade do Grão-Mestre H'<J,nfl,e.ch - qll<11ulo se· ,Jirigit1 para o Egito 'co.m formfddvel c1rmtu)a. 0s. ing/êse.s, so6 o co)nando de /r,lclso,,, sitiaram a i/lra lli'SSê me,smo ano e a conq,u if rarm11 1l<t/.initiváme11te t!IJI 1800. >fo comtç'ar o Scg1111da 61,erra M,,mdial, o (lesenyo/vimento que a ae,o.ná1ttica atingíra levou HJtle, a jacta,-se do J;o~111idáve/ ppdet:io da Luftwaffe: "Não existe)11 mai,SJ ilhlls!" - pi;o,;_/amott o Fuehrer,. !ifalta provaria o ao>1trádo. As 'tsqttadâlhas da R,Ali e os, 11avios britâpi11os c,01n buse nq ilha infligiraá, um tão fll'OIJde ila110 dos comboj()s que tro11sportavam matt{rial de aprovbiio1,ramenlo e de guerra para tis /8Jgas d() Eixo 110 África. que o <i:ó.litÍe Cfüno, gettrO de M111Solini, chegou " t•screvar,:

··Dessa manejra, nosso·s pavios mercantes não dur.atio nem um

ano!'' :E o Almi,t1111e Doe11itz anunciava em seumliro de /9)11': .. Não poderemos sús1en1ar durante mais -um ano uma nova campanha de Rommel. i;; precjso destruir, Malta! .. A ilha foi, co,n efeito, sttlimetida i/u,ante qua.re dois anos a impiedo$o bQmbar.deio pelo, aviões alemães t! pelu Regia Aeronàul(ça italiana, ~ soJreu '"" terrive/ f.ilqq,re(o mariJimQ. 'é:op11td6, o antigo Jeudo dos, (Java/airos Hospitalários 11ão se rende11 .


DIRETOR: M ONS. A NTONIO Rl8t lRO 00 ROSMtlO

TRÊS HERÓIS DA BATALHA 1). João c.i' Ausrria

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r.{art,:o

Anronio Colnnna

Ê:nc quadro da baralha de Lcpanto iluscca bem o texto de Leão Xlll que public-.tmos abaixo: enquaoro os soldados da Cruz se defrontam com os do Crescente, São Pio V e o Rei da Espanha, .Filipe II, rezam de joelhos pela vitória da armada carólica; no Céu, o Menino Jesus e Nossa Senhora entregam bombardas a um A·njo, que as arremcsa sôbre os infiéis (afrêsco anônimo de 1603, na Igreja d~ Pregassona, Suíça).

5711. Sebastião Vcniero

A eficácia e o poder do Santo Rosário foram experimentados tam~m no século XVI, quando as imponentes fôrças dos turcos ameaçavam sujeitar quase tôda a Europa. Nessa circunstância, o Pontífice São Pio V, depois de estimular os Soberanos cristãos à defesa de uma causa que era a causa de todos, dirigiu todo o seu zêlo a obter que a poderos(ssima Mãe de Deus, invocada por meio do Santo Ros&rio, viesse em a~xílio do povo cristão. E a resposta foi o maravilhoso espetáculo então oferecido ao Céu e à terra. Com efeito, de um lado os fiéis prontos a dar a vida e a derramar o sangue pela incolumidade da Religião e d;. pátria, junto ao Golfo • 1 de Corinto esperavam impávidos o inimigo; e de outro lado, os que estavam sem armas, em piedosa e súplice falange, invocava.m Maria, e com a fórmula do Santo Ros&rio repetidamente A saudavam, a fim de que assistisse aos combatentes até a vitória. E Nossa Senhora, movida por a quelas preces, os assistiu: porquanto, havendo a frota dos cristãos travado batalha perto de Lepanto, sem graves perdas dos seus derrotou e aniquilou os inimigos, e alcançou uma esplêndida vitória. [Endclica "Suprem.i Apostolatus" ]. - LEÃO PP. XIU.

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N.º 250

OU TUBRO

DE 1971

ANO

XXI Cr$ 1,50


• Non virtus, non arnia, non duces, sed Maria Bosarii victores nos lecit •

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UANDO, NO ANO da Redenção de 1566, o Cardeal Ghislieri foi elevado ao trono pontifício com o nome de Pio V a situação da Cristandade era angustian1c. Com efeito, fazia aproximadamente um século que os turcos avançavam sôbre a Europa, por mar e através dos Balcãs, no intuito insolente de sujeitar à lei de Mafoma as nações católicas e, sobretudo, de chegar até Roma, onde um de seus Sultões queria entrar a cavalo na Bas!lica de São Pedro! Mas o pior dos males não vinha de fora. O flagelo do protestantismo fizera apostatar a Inglaterra (subjugando a Irlanda e ameaçando a Escócia), continuava a alastrar-se pela Alemanha e convulsionava a França. A êsse quadro de desgraças, somava-se a cobiça dos Reis e Príncipes católicos que já não eram movidos por aquêle zêlo da Fé e adesão à Igreja que levara seus antepassados a atender, aos brados de "Deus o quer!", à convocação da cruzada. Alguns não hesitavam ante vergonhosas e espúrias alianças com

os próprios turcos para investir contra outras nações católicas, visando conquistas territoriais, glória mundana e poder.

O poderio otomano otinge seu ápice Em J453 caíra Constantinopla. Transpos· to o Bósforo, os infiéis avançaram sôbre as regiões balcânicas, subjugando a Albânia, a Macedônfal a Bósnia; ao mesmo tempo, iam tomando uma a wna as ilhas do arquipélago grego. Nos primeiros anos do século XVI o Sultão Selim I aumentou seu poderio conquistando a Pérsia e o Egito. O ano de 1522 viu cair a fortaleza de Rodes, defendida herôicamente pelos Monges-cavaleiros da Ordem de São João de Jerusalém como um bastião avançado da Cristandade, para onde se haviam retirado após a perda de seu último reduto na Palestina, o forte de São João d'Acre. Em 1524 o nôvo Sultão, Solimão II, chamado o Magnífico, ocupava e tratava duramente Belgrado. Seis anos mais tarde trezentos mil otomanos chegavam ;)s portas de Viena e, não conseguindo tomar a cidade depois de quinze violentos assaltos, retiravam-se levando cativos três mil cristãos.

A crônica anônima publicada cm 1573 registra com espanto que em setembro de 1534 o senhor de Túnis, Barba-Ruiva, temível corsário do Sultão, "atacou uma cidade através de uma praia maritima romana", apanhando os habilanles tão de improviso, que êstes não puderam resistir. A cidade foi saqueada e queimada, e todos os seus moradores de dez a trinta anos foram levados como escravos. Pouco depois o mesmo pirata assaltava Fondi, senhorio dos Príncipes Colonoa, e ltri, desta vez sem grande êxito. Roma não estava longe . .. No litoral dalmático os turcos não cessavam de atacar, saquear e destruir as cidades que estavam debaixo da tutela da $erenlssima República de Veneza: Clissa, Prevesa, Castelnuovo, e as ilhas mais ao sul, próximas à Grécia. Enquanto a Espanha engajava-.sc individualmente numa guerra con1ra a Tuní-

sia e a Argélia, ern 1541 as hostes do Crescente investiam novamente contra Viena. Em

junho de 1552 tomavam elas parte da Transi lvânia, onde os cristãos perdiam em três batalhas 25 mil homens. No ano seguinte o Sultão alia-se ao Rei Cristianíssimo, Henrique III da França, para a conquista da Córsega, domínio do Rei da Espanha e Imperador, Carlos V. Neste ínterim os bravos cavaleiros da Ordem de São João de Jerusalém, que haviam perdido Rodes mas não queriam abandonar a luta contra a Meia-Lua, transferiam-se para a Ilha de Malta, ao sul de Sicília. De sua nova 2

fortaleza faziam incursões marítimas que representavam um grande entrave à expansão turca, pois êsses ºescorpiões do Mediterrâneoº

- como os chamavam com ódio os infiéis atacavam tôda e qualquer embarcação inimiga, incorporando à própria frota as naus que apresavam; as riquezas que estas estivessem transportando eram confiscadas para o Comum 1'esouro da Ordem, e os prisioneiros postos a remar como galés .. Em 1565 Solimão II enviou uma -poderosa armada contra a ilha, mas os Monges-<:a.valeiros resistiram com tal denôdo, que o Sultão teve que retirar-se, perdendo na emprêsa wn de seus melhores generais, Dragut Rais, e mais de trinta mil homens. Apesar desta derrota, o poderio turco atingia o seu auge. Dispondo de um exército numeroso e aguerrido - cuja senha anticatólica era liderada por um corpo de renegados, os janízaros - gozando de wna situação econômica florescenle. Solimão o Magnifico reinava sôbrc um império imenso, que se estendia de Belgrado a Aden, de Bagdad à Argélia. Ansiava conquistar a ltalia para aniquilar o Papado, fundamento da ~eligião inimiga - e o projeto já não parecia uma quimera. De resto, a atitude omissa do Imperador Maximiliano e as perpétuas querelas entre as nações católicas mais poderosas, a Espanha, a França e Veneza, só podiam augurar bom têrmo ao avassalador avanço turco . ..

São Pio V convida os Príncipes a unirem suas farças Pio V, o Dominicano que havia sido Grande Inquisidor, era como um raio de luz da Idade Média a fulgurar sôbre aquela Europa imersa nas sombras da heresia protestante e do neopaganismo humanista. "Desde que por ile, e consagrei-lhe todos os meus es-dode do Cardeal Alexandrino foram conhec,idas por mim - escrevia o grande São Carlos Borromeu ao Rei de Portugal, a respeito do resultado do recente Conclave - Julguti que a Cristandade não podia ser melhor governada nue por éle, e consagrei-llre todos os meus esforços". E o Rei da Espanha, Filipe II, expressa seus sentimentos cm carta ao Arcebispo de Sevilha: "Dou graças infinitas a Deus por esta eleição; Ele se dignou dar-nos um Pontífice de uma vida táb exemplar, que disso se pode esperar um grande bem para a conservação de nossa santa Fé". Devoto insigne da Virgem, penetrado de zêlo pela causa de Deus, ardia oa alma do novo Pontífice o desejo de soerguer a Cristandade para um duplo combate: contra o protestantismo e coo,tra o adversário otomano. No próprio ano de sua elevação ao pontificado comunicou êle ao Rei da Espanha e ao Imperador seu intento de promover wna aliança dos Príncipes contra o Sultão. Em março escreveu vigorosa carta ao Grão-Mestre da Ordem de São João de Jerusalém, Jean de La Valette, que tencionava abandonar a Ilha de Malta com seus cavaleiros por lhe parecer impossível continuar enfrentando a ameaça dos turcos que derrotara gloriosamente no ano anterior. Depois de enaltecer o heroísmo de que o Grão-Mestre dera mostras naquela ocasião, o Papa censura e repele o seu projeto de retirada, e o exorta paternalmente: "Ponde de lado a idéia de abandonar a Ilha: permanecei aí com vcxrsa Ordem. bem unida. Vossa simples presença em Malta inflamará a coragem dos cristâos e imporá respeito ao Otomano, pelo te"º' do nome que o fulminou no ano passado. Sabti que tle teme vossa pessoa mais que todos os vossos soldados reunidos". La Valctte' leu a Carta do Papa diante do Conselho da Ordem, beijou respeitosamen-

te o documento pontifício e depois o solo da ilha, e exclamou: "A voz de vosso Vigário, ó Jesus, indica o meu dever. Ficaremos aqui, e aqui tnorreremol'. No mês de maio dêsse ano cai mais uma ilha do arquipélago jônico, Quios, e em setembro a cidade de Szigethvar, na Hungria. De todos os lados afluem notícias da aproximação de fôrças turcas: de Tarento, de Corfu, de Veneza .. . Em Roma, São Pio V vigia e procura obter 1ôdas as informações possíveis sôbre a marcha dos acontecimentos. Chega-lhe então a boa nova de que Solimão li morrera enquanto era lravada a batalha de Szigethvar e que deix~ra o trono para seu filho Selim li, mole, sensual e sem a fibra do pai. Animado pelo desaparecimento de um inimigo tão temível como fôra Solimão, nem por isso São Pio V se deixa levar pela idéia de que todo risco era passado. Em março publicara uma Bula na qual descrevia com palavras cheias de dor o perigo turco e afirmava que sômente CO!l,l muita penitência poderia o povo fiel aplacar a ira de Deus e esperar seu poderoso auxilio. No mês seguinte, encarecia a necessidade de o Clero ter costumes puros, pois ao armar-se a Cristandade contra o Crescente só lhe podiam valer as preces dos ministros de Deus que levassem wna vida sem ·mácula. Em julho era publicado um Jubileu extraordinário pelo bom êxito da guerra contra os turcos, e pôde-se vér o próprio Sumo Pontífice participando de uma procissão rogatoria para afastar a ameaça que pesava sôbre a Europa. Em dezembro o Papa dirige às nações católicas nôvo brado de ai.arma e o convite a se unirem nwna liga em defesa da Cristandade. Mas ninguém quer. ouvi-lo. Veneza, por suas desconfianças para com os Habsburgos e por seus interêsses econômicos, preferia conservar-se numa perigosa e dispendiosa neu1ralidade armada, mantendo relações pacíficas com os turcos. Filipe II mostra-se também pouco inclinado a form·a r uma coligação, alegando que necessitava de tôdas as suas ·fôrças para enfrentar a revolta dos protes1antes nos Países-Baixos; o Imperador Maximiliano li pensava antes de mais nada em socorrer a Hungria; o Rei de Portugal igualmente se omitia. . . Na França estalavam as guerras de religião e pouco se podia esperar das intrigas da Rainha-Mãe. . . O projeto da liga ficou eslacionário pqr três anos, durante os quais o Papa procurà_va ajudar o Imperador coritra

ciso não alimentar mais ilusões e urgia buscar o auxílio das outras potências católicas. Não podia ela contar com a Alemanha nem com a França, empenhadas em aquietar graves turbulências internas. Restavam a Espanha e a Santa Sé .. Da parte do Papa, a acolhida foi benévola. Quan10 à Espanha, então a maior potência do continente - cujos Vice-Reis governavam Nápoles, a Sicília, a Sardenha e Milão, e de quem dependiam ainda Gênova, a Sabóia e -.. To~ana - não eram das melhores as suas relações com os venezianos. Para o Pontífice Romano, cujos olhos nunca se haviam desviado do plano de uma confederação antiotomana, as circunstâncias pareciam tornar-se favoráveis para wna aproximação entre as duas potências católicas. Os primeiros passos Uados nesse sentido pelo Núncio Apostólico em Veneza não encontraram, porém, ambiente receptivo. A Senhoria queria apenas a mediação do Papa junto aos demais Estados para obter dinheiro, mantimentos e tropas, e assim fortalecer-se a si mesma, mas não desejava uma aliança com sua rival, a Espanha, que lhe acarretasse muitos compromissos. Entretanto, poucas semanas mais tarde o Núncio Facchinetti informava o Papa de que Veneza, ante o inevitãval da guerra, estava propensa a aceitar a idéia de uma coalisão das potências católicas. Poucos dias depois, um emissário turco apresentava-se à entrada da cidade das lagunas para transmitir o uhimatum do Sultão. Conduzido por uma escolta, foi recebido em uma audi!neia de apenas um quarto de hora pelo Senado, que o despediu com "palavras frias e cheias de dignidade", contendo uma rotunda negativa: com esperança na justiça de Deus, a República defenderia pelas armas a Ilha de Chipre, da qual era legítima senhon.

Também a Espanha procuro seus próprios interêsses A reação da Espanha ante o apêlo de São Pio V para que entrasse na liga contra os turcos tr.aduziu-se na atitude de seus dois embaixadores em Roma, os Cardeais Zúõiga e Granvela. Para aumentar o mais posslvel o preço da adesão de seu govêrno, os dois diplomatas valiam-se de rodeios e subterfúgios, dando a entender que Filipe II não pensava em aderir à liga e sobretudo não aprovava uma aliança com Veneza. No Consistório reunido em feve-

os turcos na Hungria, buscava socorro para a

reiro d~ 1570, os Cardeais. em sua maioria,

Ordem da Malta, e erguia fortificações nas costas dos Estados Pontiflcios.

concordaram -com o Pontífice quanto à iminência da queda de Chipre se a Espanha não interviesse sem demora. O Cardeal Granvcla contestou, pedindo que não precipitassem sou Rei e a Igreja numa emprêsa incerta e perigosa. Acrescentou que a República de São Marcos não era digna de confiança, e não merecia apoio imediato; que melhor seria esperar para

Ameaçada pelo Sultão, Venei,:a acetto a idéia da ligo Um fato inesperado veio precipitar os acontecimentos e quebrar a atonia dos Prlncipes católicos em face dos apelos do Papa. Em fins da 1569 chegava a Constanlinopla a notícia de que o arsenal veneziano fôra destruído pelo fogo e, devido a uma má colheita, a Península tôda estava ameaçada pela fome. Essas informações vinham com côres exageradamente fortes, fazendo crer que Veneza estava reduzida à. impotência. Diante disso, Selim li decidiu romper a paz antes ajustada com a Sereníssima República e enviarlhe na primavera wn ultimatum: ou Veneza entregava uma de suas possessões preferidas, Chipre, ou era a guerra. A República de São Marcos, que ao longo dos últimos trinta anos mantivera relações amistosas com a Sublime Porta, compreendeu que, pelo menos a bem de seus interêsses, era pre-

ver se ela entrava mesmo em guerra com· os

1urcos, e que sempre seria tempo para uma ajuda da Espanha. Acreditava que Deus queria castigar Veneza e dar wna lição à sua soberba e egoísmo. A estas considerações opôs-se o Cardeal Commendone, o qual lembrou todos os serviços prestados por Veneza à Cristandade e à Santa Sé, e que, além do mais, não era sômente ela que estava em jôgo, mas a honra e o bem da Cristandade. Terminado o Consistório com a quase unanimidade de opinião dos Cardeais quanto a êste último ponto, São Pio V ofereceu ao Doge valioso auXt1io pecuniário (representado pelo dízimo do Clero veneziano) para a defesa de Chipre, e ao mesmo tempo deu um -passo de· cisivo para mover Filipe li a fazer wna aliança com Veneza.


Tendo-lhe a Senhoria confiado a direção das negociações com Madrid, o Papa escolheu para encaminhâ-las um de seus melhores diplomacas, de origem espanhola ademais, o Clérigo da Câmara Aposlólica Luis de Torres. O enviado do Papa devia realçar junco a Sua Majestade Católica que nenhum Monarca poderia enfrentar sozinho o Grão-Turco, e que se impunha a união de todos os Príncipes católicos para derrubar o inimigo comum. Filipe era conjurado pela misericórdia de Deus a enviar o quanto antes à Sicília uma esquadra poderosa, para proteger Malta e para garantir a rota que levaria socorros à Ilha de Chipre. A liga entre a Espanha e Veneza deveria ter caráter defensivo e ofensivo, e ajustar-se para sempre ou pelo menos por um prazo determinado. Em meados de maio, Filipe li acedeu em outorgar podêres a Granvela, Pacheco e Zúiiiga para as negociações desejadas por Pio V. O Papa chorou de alegria ao saber disso. Em junho nomeou Marco Antonio Colonna pessoa grata a Filipe II, a quem servira outrora, e a Veneza - como chefe da esquadra -auxiliar pontifícia. No dia 11 o Príncipe Cotonna dirigiu se solenemente. ao Vaticano. e depois de ouvir a Missa do Espidto Santo na capela pontirícia, ajoelhou-se aos pés do Papa para prescar-lbe juramento, e receber de suas mãos o bastão de comando e a .bandeira de seda vermelha, na qual se via Jesus Crucificado, os Príncipes dos Apóstolos, o brasão de Pio V e o lema: "lo hoc signo vioces". O Príncipe tomou a peito o chamado do Papa, e apesar de ter recebido o comando de apenas doze galeras ( o máximo que comporlavam os recursos do tesouro pontifício), entregou-se por inteiro à 4arefa de equipar a pequena esquadra . Colonna encontrou na nobreza romana as melhores di~posições para tomar parte cm tão gloriosa emprêsa. Dirigiu-se logo depois para Veneza, passando por Loreco, onde encomendou sua pessoa e sua esquadra à proteção de Maria Sanlíssima, pois sabia que teria diante de si não poucas dificuldades. 4

Seis mese-s perdidos em negociações No mês de junho chegava a Roma Miguel Soriano, representante da República de São Marcos, para entabular com a Espanha as negociações da liga, sob a igidc e mediação do Pontífice Romano. Começaram elas em julho com um inflamado discurso em que o Papa exortava todos para a nova cruzada. As difíceis tratativas prolongaram-se desmedidamente, trazendo à tona os jogos de in(crêsses -às vêzes mesquinhos de ambas as partes. Ora os espanhóis demonstravam desconfiança para com as intenções de Veneza, e

receavam uma ucombinazione" desta com a Sublime Porta : ora êles mesmos queriam dobrar e até triplicar o .preço dos cereais que iriam de Nápoles para Veneza; por seu lado, os venezianos diziam-se impossibilitados de contribuir com mais de uma quarta parte dos gastos da guerra, quando eram sobejamente conhecidas as possibilidades do tesouro da Senhoria .. . Apesa.r de seu temperamento fogoso, São Pio V intervinha com uma paciência e cordura heróicas. Aqui êle conciliava, ali aparava arestas, acolá estimulava. A discussão sôbre o número de embarcações a serem forneci~as pelas duas parles foi causa de novas discórdias. Chegou-se afinal à questão do comando supremo, que a Espanha chamava a si, mas Soriano - embaixador de Veneza interveio para lembrar que o pavilhão veneziano exerceria maior f6rça de atração nos imares orientais, especialmente para Jcvar a sublevarem-se os povos cristãos oprimidos pelo Crescente. . . Foi nessa ocasião que o Cardeal Morone sugeriu .para generalíssimo dos exércitos cristãos o nome do irmão bastardo de Filipe II, D. João d'Áustria, o qual se ohavia distinguido extraordinàriamente na guerra contra os mouros no Norté da África. Chegou-se enfim ao acôrdo de que o Papa tomaria a iniciativa de convocar outros Príncipes e especialmente o Imperador; que nenhum dos confederados poderia ajustar a paz ou fazer qualquer outro tratado sem a anuência dos demaisi e que o Pontfficc devia ser o supremo juiz nos litfgios da liga. Fêz-se então um esbôço dos itens do acôrdo; enquanto isso os espanhóis consuleavam seu Rei sôbre se as três esquadras - espanhola, pontiffcia e veneziana - deviam ser unifica.· das num s6 corpo. Em fins de julho Veneza aceitava D. João . como generalíssimo e dias depois era apresentado ao Pontífice o projeto da liga. A perda de 1empo com, as reinvidicações de vantagens e com as disputas sõbre pontos de vista divergentes já se fazia sentir. Enquanto a peste diz.imava a esquadra veneziana, em setembro os turcos atacavam a Ilha de Chipre e sitiavam Nicósia, a qual caia depois de 48 dias de resiscência heróica. O desânimo começava a espalhar-se pela Cristandade. Quando Granvela chegou a di~r ao Papa que os turcos eram excessivamente fortes e que talvez só .pudessem ser venc\dos se atacados em diversas frentes, in-

cluindo a África, a Albânia e a Hungria, São Pio V, tomado de forte emoção e com lágrimas nos olhos. relrucou-lhe que a culpa disso era dos Príncipes católicos, os quais deviam arrepender-se de sua atitude ances que fôsse 1arde demais e s6 expiariam sua falia se se resolvessem afinal a unir-se na defesa da causa da Cristandade. Falou ainda de São Ladislau e de Scanderbeg, na Polônia e na Albânia, como exemplos da fôrça dos que põem sua confiança na poderosa jusciça do Altíssimo. Que se armassem e se unissem pois! Deus os ajudaria: sua causa era a de Deus! No fim do ano o Papa resolveu escrever uma carta de próprio punho a Filipe li. Nela o Pontífice traduzia suas mais amargas queixas: dizia que depois que se tinha conseguido contornar as últimas dificuldades com os venezianos, eram os comissários espanhóis que procuravam entravar a conclusão da aliança. Qualificava esta -atitude de estranha e suspeita. Tendo inlimado o Núncio de Madrid, o qual devia entregar a missiva, a ·não aceitar evasivas do Rei, Pio V aguardou com sublime paciência a resposca. Enquanto isso che-

gavam as piores notícias: os turcos sitiavam Famagusta, ameaçavam Corfu e Ragusa; o Núncio cm Veneza, Facchinetti, anunciava já em fevereiro de l S7 l - que, se não se ultimasse imediatamente a liga, havia perigo de que a Senhoria ajustasse as pazes com a Sublimo Porta, ainda que à custa da perda de Chipre ...

"Qui seminant in lacri mis, in exsultatione mete-nt" ''Quem semeia nas lágrimas. colhe na alegria" diz o Salmo do real Profeta (SI. 125, S) . Os sofrimentos morais do Santo Padre iriam encontrar o coosôlo merecido. Em março chegaram com diferença de dias as respostas dp Rei da Espanha e do Doge de Veneza. Havia ainda algumas graves discordãncias, mas um último esfôrço dos au• xiliares do Papa superou-as e afinal, em meados de maio, do rigoroso segrêdo em que se desenvolviam as tratatlvas emergiu a boa nova: estava concluída a Santa Liga. A aliança ajustada entre o Papa, o Rei da Espanha e a República de Veneza devia ser estável, ter caráter ofensivo e defensivo. e dirigir-se não somente contra o Sultão, mas também contra seus Estados tributários, Argel, Túnis e Tripoli. A críplice aliança contaria com duzentas galeras, cem transportes, SO mil infantes espanhóis, italianos e alemães, 4.500 cavalos-ligeiros, e o número de canhões necessário. Em cada ou1ono so celebraria um convê.nio em Roma sôbre a campanha do ano seguinte. Espanha e Veneza deviam defender-se mucuamente em caso de ataque. O Papa arcaria com uma sexta parte dos gastos, a Espanha com três sextos e Veneza com o res1ante. O generalíssimo D. João d' Áustria aconselhar-se-ia cóm os· comandantes das tropas venezianas e pontifícias, e nas deliberações decidiria a maioria dos votos. O lugar-tenente de D. João seria o Príncipe Colonna. Era facultado ao Imperador e aos dema.is Príncipes católicos ingressar na Liga. O Sumo Pontífice transbordava de santa alegria. Publicou um Jubileu geral para atrair as bênçãos do Deus das batalhas sôbre o exército cristão. Tomou parte nas procissões rogatórias que se realizaram ainda no mês de maio em Roma, e -m andou cunhar uma medalha comemorativa.

Por tua mão será abatido o sobe, bo do inim igo'' 11

Tratava-se agora de acelerar os preparativos da críplice armada, acertar o ponlo de encontro e os planos da batalha. Ao mesmo tempo o incansável São Pio V enviou Legados ao Imperador e aos outros Príncipes a fim de instá-los a ingressarem na Liga. Além disso, nomeara êlc uma Congregação cardinalfcia especialmente incumbida das providências da guerra. Um documento da época nos relata que naqueles dias s6 se viam soldados nas ruas da Cidade Eterna. Em meados de junho a esquadra pontifícia fazia-se à vela para o sul, ancorando em Nápoles, onde devia encontrar-se com as naus espanholas. Já no mês anterior o Papa havia escrito uma carta a Filipe I! pedindo-lhe para apressar a partida de D. João a fim de não se perder a boa ocasião. Como os espanhóis tardassem, para adiantar a cmprêsa os navios do Papa zarparam novamente em julho, rumo a Messina, ponto convencionado para o enconcro das crês ar·madas. Poucos dias depoi.s chegavam os venezianos, comandados pelo valoroso veterano Sebastião Veniero. Enquanto isso, vinham notícias de que o inimigo acuava Creia, Citera, Zante e Cefalônia. Como entre a nobreza de Roma, também entre os fidalgos da Espanha reinava vivo entusiasmo pela Cruzada, lendo-se alistado numerosos dêles. Zarpando de Barcelona com

46 galeras, Dom João d' Áuscria chegou a Gênova cm meados de julho, e dali enviou um emissário a Veneza, a fim de comunicar que já estava a caminho de Messina, e outro ao Papa (o Rei Filipe li negara-lhe a permissão de passar por Roma) para agradecer a escôlha para o pôsto de generalíssimo, e escusarse do acraso. Quando o representante do Príncipe espanhol se despediu do Pontífice, êstc encarregou-o de dizer a D. João que se lembrasse sempre de que ia combater pela Fé católica e de que por isso Deus lhe daria a vicória. Ao mesmo cempo o Papa enviou ao generalíssimo o estandarte da Liga. O santo vexilo era de damasco de seda azul e ostentava a imagem do Crucificado. 1endo aos pés as armas do Papa, da Espanha, de Veneza e de D. João. O Príncipe recebeu-o solenemente em Nápoles das mãos do Vice-Rei, o Cardeal Granvcla, na Igreja de Santa Clara, com a presença de muitos nobres. cnlre os quais os Príncipes de Parma e de Urbino."Toma, ditoso Príncipe, disse-lhe o Cardeal, a i11Jfg11ia do verdadeiro Verbo H 11manatlo,· toma o sinal vivo dn santa Fé, da qual is o defensor nesta emprêsa.. lkle le dará uma vli6ria gloriosa sôbre o ínrpio inimigo, e por 1ua mão será abatt'da sua soberba. Amém."' Um forte clamor ecoou da multidão que enchia a nave: "Amém! Amént!" Vivamente angustiado ante as notícias do avanço turco, São Pio V mandou no dia 17 uma carta de .próprio punho ao generalíssimo. exorcando-o a sair sem demora ao encontro do inimigo. O. João zarpou então para Messina, onde foi recebido com júbilo indizível. De uma formosura varonil, louro e de olhos azuis, no esplendor da juventude - ti· nha 24 anos de idade - profundamente aristocrático, o filho do Imperadl>r causou enorme impressão nos sicilianos que o estavam recepcionando. O pôrto, juncado de naus cristãs, assemelhava-se a uma florc-s ta de mastros que balouçavam serenamente sôbre o mar, à espera do momento em· que deveriam sin,z:rar águas tintas de sangue. Era uma terrível ameaça ,para o inimigo, e um irresistível chamado para aquêlcs novos cruzados.

Os soldados prepara m-se por t rês dias de jejum Nos primeiros conselhos de guerra O . João empenhou-se em comunicar seu ardor aos setenta oficiais ali reunidos e em beneficiar• •se, em troca, de sua prudência e maturidade. Mesmo aí não deixou de haver alguns desentendimentos. que fizeram perder mais três semanas em deliberações. Alguns generais achavam que a campanha iria ser meramente defensiva, dado o poderio do inimigo; outros afirmavam que as naus turcas não eram muilo eficientes. O próprio D. João mostrou-se hesitante até que o Núncio Odescalchi, que viera dislribuir partículas do Santo Lenho .para que houvesse uma par1ícula em cada nau, comunicou ao Príncipe que o Pontífice lhe prometia em nome de Deus a vitór ia, por cima de todos os cálculos humanos, e mandava dizer que se a esquadra se deix.asse derrotar "iria êle mesmo à guer• ra com seus cabelos brancos par(l vergonha dos jovens indoltnle.s''. D. João !ornou uma série de medidas ,para preservar o caráter sacra! da expedição. Proibiu a presença de mulheres a bordo, e cominou pena de morte para as blasfêmias. Enquanlo se esperava o regresso de uma esquadrilha de reconhecimento, todos jejuaram lrês dias e nenhum dos 81 mil marinheiros e soldados deixou de confessar-se e comungar, o mesmo fazendo os condenados que remavam nas galeras. Jesuítas, Franciscanos. Capuchinhos, Dominicanos, iam e vinham no meio daquela gente rude pare. purificar os corações e preparar um exército verdadeiramcnle de cruzados. Nos dias 16 e 17 de se1embro, nos quais se deu a partida de Messina, o espetáculo foi deslumbrante. As naus começaram a mover-se duas a duas, encimadas por bandeiras cujas côres as distinguiam segundo a posição que assumiriam na batalha. À frente tremulavam as bandeiras verdes de Andrea Doria, o comandante dos espanhóis. Em seguida vinha a ba1alha, ou centro, com suas bandeiras azuis, e o gonfalão de Nossa. Senhora de Guadalupe sôbre a nau de D. João d'ÁUSlria. Os estandartes do Papa e da Liga ficaram guardados para o momento do embate. À direita da batallta vinha Marco Anconio Colonna na nau -capicânia do Papa; à esquerda, o veneziano Sebastião Venicro, grande . conhecedor das lides do mar, com seus setenta anos vigorosos, altivamente cm pé na pôpa de sua nau. A di· visão de Veneza, comandada pelo nobre Barbarigo, seguia atrás, com bandeiras amarelas; as bandeiras brancas de D. Álvaro de Bazán, Marquês de Santa Cru1., fechavam aquêle imponente cortêjo naval. Uma figura tôda vestida de púrpura destacava-se de ep1re a multidão reunida no pôrto; era o Núncio papal que dava a bênção a cada barco que passava com seus cruzados piedosamente ajoelhados na ponte - nobres ,reves1idos de armaduras

refulgen1cs, soldados de variegados uniformes • • marinheiros de roupas e gorros vermelhos. Os remos compassados e as velas que se iam enfunando levavam-nos cm demanda do inimigo da Fé. Na sua armadura dourada, terrível como um anjo vingador, avultava a fi. gura de D. João d'Áustria, a quem o próprio São Pio V aplicaria depois da vi1ória o que o Evangelho dii. de São João Batisia: .. Fuit homo missus li Deo, cui 11orne11 er,u lo<um<·s. - Houve um homem enviado por Deus, cu;o nome era João" (Jo. 1, 6).

O estandarte da Ligo é içado no na u-capitânia Deixando o estreito de Messina, as naus da Liga cos1earam o litoral da Calábria e da Apúlia, e do lá seguiram para a ilha de Corfu e depois para Gomenitsa. nas costas da Albânia, onde aportaram no último dia do mê.< de se1e,nbro. Ao longo dêssc percurso foram encontrando sinais da passagem dos turcos : restos carbonizad'os de igrejas e casas, objetos de cullo profanados, corpos· dilacerados de Sacerdotes, mulheres e crianças covardemente assassinadas. A inconformidade com o crime e o desejo de uma santa vingança faziam-se sen1ir coração d e todos os cruzados e revigoravam nêles a vontade de lutar. Nesse meio tompo os espias informaram que a esquadra inimi.g a estava ancorada cm Lepanto, um pôrto localizado pouco mais ao sul, no estreito de igual nome, o qual liga o Golfo de Palras ao de Corinto. Tratava-se agora de tomar a iniciativa da luta, indo ao encalço do inimigo. Feitos lodos os preparativos para a batalha, no dia 6 de outubro os navios da Liga deixaram a cosia da Albânia, cm direção a Cefalônia, ilha do Arquipélago Jônico siluada defron1e ao Golfo de Patras, ao fundo do qual se achavam os navios turcos. Foi aí que os católicos receberam a notícia de que Famagusta, capilal de Chipre, caira em poder do Crescente, e que o general Muslafá cometera as piores atrocidades com o comandante da praça, Marco Antonio Oragadino, a quem mandara esfolar vivo e cuja pele, cheia de palha, fizera conduzir por tôda a cidade. A narração dessas crueldades acendeu o 6dio da 1ropa cristã. que ansiava por dcfrontrar..st com os otomanos. O embate já então era iminente, dada a proximidade em que se encontravam os dois exércitos. O vento soprava do Levan1e. o céu estava encoberto, e o mar cinzento e cheio de névoa, naquele sexto dia do mês; os ca16licos não sabiam que o vento que os detinha era o mesmo que convidava o inimigo a, deixar seu refúgio em Lepanto, e assim tornava possível a batalha. Com efeito, se os turcos não se resolvessem a sair, seria muito difícil desalojá-los de seu reduto: o es1reito de Lepanto era protegido por duas for1alc2as. cujos canhões fariam grande estrago à armada da Liga. A noite caiu, envolta cm um silêncio misteriosamente cheio de prenúncios. Às duas •horas da madrugada do domingo, 7 de outubro. um vento fresco vindo do poente limpou completamente o céu, prome· tendo um d.i a ensolarado. Antes do amanhecer. O. João mandou levantar âncoras e sol1ar as velas. Quando as naus cristãs, tendo passado pelo canal que fica entre a ilha de Oxia e o cabo Scrofa, desembocavam no golfo de Patras, uma fragata ligeira mandada cm reconhccimcnro veio ao seu encontro com a informação de que a esquadra turca es1ava a poucas milhas de distância. A bandeira que devia sinalizar a presença do inimigo tremulou no mastro da capitânia vanguarda. Depois de uma rápida deliberação com Vcniero, o generalíssimo ordenou que todos se dispusessem em ordem de batalha. Fêz-sc ouvir o troar de um canhão enquanto era içado o estandarte da Sanla Liga no mastro mais alto da galera-capitânia. "Aqui venceremos ou morreremos", bradou D. João entusiasmado, ao acompanhar as evoluções da esquadra católica. Seis pesadas galeras venezianas, comandadas por Francisco Duodo, rumaram lentamente para seus postos, na vanguarda. Como que no desejo de esmagar os otomanos num terrível amplexo, a esquadra católica procurou estender-se o quanto pôde, desde o litoral ctólio até o alto mar. A esquerda o veneziano Barbarigo, com 64 galeras, alargou seu flanco en\ direção ao litoral para evitar um envolvimenco dos inimigos pelo norte. D. João comandava o cen1ro, ladeado por Colonna e Vcniero; o catalão Rcqueséns vinha um pouco mais a1rás. A esquadra espanhola de Andrea Doria, com 60 naus, formava a ala direita, cm direção ao mar alto. As 35 embarcações do Marquês de Santa Cruz aguardavam ordens à retaguarda, para uma eventual intervenção. Também o almirante otomano, KapudanPachá Muesinsade Ali - que passou à His-

Ciovan Tinelli di Olivano 3


CONCLUSÃO DA PÂG. 3

, HA QUATROCENTOS ANOS, EM LEPANTO

tória como Ali-Pachá - dispôs sua esquadra para o combate. A ala direita, que devia defrontar-se com Barbarigo, compunha-se de 55 galeras e era comandada por Maomé Shaulak (Siroco), governador de Alexandria; a ala esq uerda, à qual cabia opor-se a Andrea Doria era formada por 73 unidades às ordens do temível corsário Uluch Ali (Occhiali), um renegado calabrês, que segundo se dizia fôra frade; o centro, finalmente, com 96 galeras, estava sol? o mando direto do próprio Ali-Pachá, e constituía a elite da armada infiel. Uma divisão de reserva ficara à retaguarda. O generalíssimo turco parecia querer investir resolutamente pelo centro e ao mesmo tempo envolver os cristãos, aproveitando-se da sua superioridade numérica sôbrc êstes (286 naus contra 208) . O vento soprava de leste, favorável aos infiéis, enquanto os católicos tinham que se mover à fôrça de remos. Decorreram quatro horas até q ue as d uas armadas estivessem prontas para o confronto. O vento

amainara. A essa r1ltura, Doria chegava à nau de D. João d'Austria para propôr um conselho de guerra, no qual se discutisse se convinha ou não dar combate a um inimigo numericamente superior. O generalíssimo li m.ito u-se a rcspon· der-lhe: "Niío é 11wi,t ltor<1 de /alar, mas <le lutar!" Doria voltou a seu pôsto, tendo antes proposto a D. João que mandasse cortar o enorme esporão que pesava na prôa das ga• leras. A vantagem d esta medida indicada pelo astuto genovês revelou-se enorme: aliviou as naus, facilitando as manobras. e ademais per• ,mitiu que o canhão central, c1n vez. de atirar por cima, visasse diretamente o alvo, · com

maior impacto. D. João q uis passar uma última revista a suas tropas. Subiu a uma fraga ta e pcr<.!orrcu o corpo central e a ala direita da ,?squadra. D. Luis de Requcséns foi incumbido de visitar a outra ala. O comandante supremo apresentou-se aos nobres e à tripulação de ca-

da nau levando na mão um crucifixo, e cooclamando com ardor para o lance iminente : "Bsre é o diu cm tJW! a Crisumda,le. deve mo~ Irar l·eu poder, para aniquilar esta seita m a/. dita e obter unu, vltJria sem precedentes". E mais adiante: ".f: pela vontade de Deus que viestes todos até aqui, par,, castigf1r o furor e " mal<lade dêsre.t cães bârbaros. Todos cuidem de cumprir seu tlever. Ponde vossa espera,1ça Unicamente no Deus ,los E:rércitos, que rege e governa o mrmdo universo". A outros dizia: ''Lembrai-vos de que combateis pela Fé; ne. nhum poltrão ganhará o Céu". A resposta a essas palavras eram aclamações estrepitosas e não bavia quem não· se mostrasse ao jovem general em atitude ufana e combativa. Enquanto isso, êlc fazia d istribuir escapulários, medalhas e rosários. O entusiasmo levou a tropa a tomar-lhe o chapéu e as luvas; por fim D. João voltou à sua capitânia a fim de armar-se para o combate. Ouvia-se do lado do inimigo um som (a. nhoso de cornetas, um crescendo de vociferações, o estrépito de címbalos, e o sinistro percutir das cimatarras sôbre os escudos. Os infiéis estrctinham.se com danças, acompanhadas pelo crepitar de armas de fogo : Baal estaria ouvindo? Escachoam as gargalhadas e a soldadesca escarnece da presunção dos que ousavam enfrentar o poderio imenso do Sultão: êsses cristãos vieram como um rebanho para <1ue os degolemos!'' A ordem dada por Ali-Pachá era não fozcr prisioneiros. Reaparece D. João. Sua armadura e se,1 cl· mo brilham ao sol que agora está a pino, sem nenhuma nuvem a toldar o céu. O Prín· cipe ajoelha-se e reza. Todos os seus homens fazem o mesmo. No meio de um silêncio grandioso os Religiosos davam a última bênção e a absolvição geral aos que iam expor-se à morte pela Fé. Do lado inimigo também tudo se aquietar a. Anjos e demônios pareciam fazer sentir sua presença e a transcendência do fato que ia ocorrer.

A cabeço de Ali-Pochá no ponto de uma lon~a As esquadras se aproximam; no momento azado Ali-Pachá manda dar um tiro de canhão para chamar os cristãos à luta. D. João d'Austria aceita o desafio, respondendo com o utro tiro. O vento mudara inesperadamente. Os estandartes do Crucificado e da Virgem de G uadalupe investem contra as bandeiras ver• melhas de Maomé. ,marcadas com a mcin•lua, estrêlas e o no me de Alá bordado a o uro. Nesse momento o Céu já enviara um augúrio da vil6ria: o primeiro tiro que partira contra os infiéis lhos afundara uma galera. Aos gritos de "Vitória! Vitória! Viva Cristo!", os cruzados lançaram-se com tôda a energia na batalha. Os turcos procuram dar a maior ampli· tudc a seu deslocamento. para. envolver um dos flancos do adversário. Doria tenta impedir-lhes a manobra, mas afasta-se demais da zona que lhe havia sido designada. abrindo um perigoso vão entre a ala sob seu comando e o centro da esquadra cristã. Os 264 canhões de Duodo, abrindo fogo, conseguem romper a linha inimiga. Começam as abordagens. O apóstata italiano Uluch Ali entra pelo vazio deixado por Doria. Com suas melhore.~ naves lança-se no combate cm que o centro dos cristãos estava engajado, e com algumas galeras pesadas mantém Doria afastado. Nêsto lance iam sendo aniquiladas as tropas de Doria, e a reserva do Marquês de Santa Cruz não podia socorrê-las, pois estava empenhada cm auxiliar os venezianos da ala esouerda, junto ao litoral. Ali-Pachá, reconhecendo pelos santos estandartes a galera de O. João, abalroou-a com seu próprio navio, proa contra proa, e lançou sôbre ela tôda uma iropa de janízaros escolhidos. Neste momento o conselho de Doria pro vou sua eficácia: desem baraçada do esporão, a artilharia da nau católica pôs-se :, dizimar a tripulação da ºSultanaº. a nave de Ali-Pachá. Em socorro desta acorreram mais sete galeras turcas, que despejaram mais janízaror. sôbrc a ponte ensanguentada da capitânia de D. João. Duas vêzcs a horda turca penetrou nesta até o mastro principal, mas os bravos veteranos espanhóis obrig~1ram-na a recuar. D. João contava agora com apenas dois barcos de reserva, sua tropa tinha sofrido muitas baixas e êlc mesmo fôra ferido no pé. A situação ia-se tornando cada vez mais perigosa, q uando o Marquês de Santa Cruz, tendo liberado os venezianos. veio cm socorro do generalíssimo, e êste pôde repelir os janízaros. A batalha chegara ao seu paroxismo. As águas tingiam-se de sangue; ressoavam gritos e gemidos dos que lutavam, dos feridos, mutilados e agonizante~. O estrondo das armas de fogo entrecruzava-se com o tinir das Jâminas de aço . .num concêrto trágico e grand ioso. Sucediam-se umas às outras as proezas. O sangue nobre corria. U m a_pós outro, caíra,m Juan de Córdoba, Fabio Graziani, Juan Po ncc de León. O velho Vcnicro lutava de espada na mão, à frente de seus soldados. O general veneziano Barbarigo tombara ferido t)Or uma flecha no olho quando, para dar ordens a seus homens, afastara o escudo que o 4

protegia. "E um risco menor do que o de não conseguir fazcr ..me entender mmw hora e/estas!" - respondera a alguém que o advertia do perigo. O jovem Alexandre Farnése, Duque de Parma, entrou sozinho numa galera turca - e não morreu. De sua parte, o inimigo tentava tôda espécie de manobras e dava inegáveis provas de valor. O momento era crítico. e ainda deixava muitas dúvidas quanto ao desenlace da batalha, quando Ali-Pachá, defendendo a "Sultana" de mais uma investida c ristã, caíu morto por uma bala de arcabuz espanhol (ou suicidou-se segundo outra versão) . Eram 4 horas da tarde. O corpo do generalíssimo dos infiéis foi arrastado até os pés de D. João. Um soldado espanhol avançou sôbre êlc e cortou-lhe a cabeça . E.-.ta. por o rdem do Príncipe, foi então erguida na ponta de wna lança para que todos a vissem. Um clamor de alegria vitoriosa levantou-se da capitânia católica. Os t urcos estavam derrotados. e o pânico espalhou-se celeremente entre suas hostes a partir do momento cm que o estandarte de Cristo começou a drapejar sôbre a ''Suhana". Uluch Ali :,inda investiu sôbre a ala direita comandada por Andrca Doria. Mas, atacado pelo Marquês de Santa Cruz, tratou de (ugir. O vene-L.iano Girolamo Oicdo conla que ''unu, grmule párte dos e.sc,·avos crisuios que se encontrá nos navios inimigos [ ... ] com~ preentle que os turcos estão perditlos. A pesar dos guardas. ê.rtes in/eli1.,es L- •• ] multiplicam seus e.r/orços para buscar a ,\·Ol\lação n a fugll e favorecer <i vitória ,los 110SJ'OJ·. Em pouco tempo, ei-los combatendo cm rodos os setores onde há gucrnz, com uma coragem sem igual. Seu tlTtlór é decuplic,,do pelos gritos que ecoam de todos os lados: - A vitória é nossa!" Nos navios da Liga, os galés - que tinham sido armados de espada - abando navam os remos quando havia abordagem e lutavam valentemente contra os turcos.

Uma Senhora de aspecto majestoso e ameaçador . .. Os restos da esquadra an 1m1ga balem cm

retirada e se d ispersam, enquanto as trombetas católicas proclaman, a todos os ventos a vitória da Santa Liga na maior batalha na· vai que a História jamais registrara. A tarde começava a cair e prometia um mar agitado. No crepúsculo daquele santo dia; os navios da Liga se reagrupavam e mal podiam navegar através dos rostos da baJalha : cadáveres, remos e mast ros espalhados bizarra-mente pela água. As emba·rcaçõcs at)rosadas vinham -à retaguarda das galeras católicas, arrastadas humilhantemente pela pópa. As perdas dos infiéis tinham sido enormes: 30 a 40 mil mortos, 8 ou I O mi l prisioneiros (entre os quais dois filhos de Ali-Pachá e quarenta outros ·membros das famílias principais do império), 120 galeras apresadas e cinqüenta postas a pique ou incen-

diadas, numerosas bandeiras e grande parte da artilharia em' poder dos vencedores. Doze mil cristãos escravizados alcançaram a liberdade. A Liga perdeu doze galeras e teve menos de S mil mortos. Soube-se depois q ue, no maior fragor da batalha, os soldados de Mafoma tinham avistado acima dos mais altos mastros da esquadra católica, uma Senhora que os aterrava ~om seu aspe<:to majestoso e ameaçador . ..

"t hora de dar graças o Je_sus Cristo pela vitória" Bem longe dali, o Papa ag uardava ansioso notícias da esquad ra católica. Desde a chegada de D. João a Messina' redobrara de orações e jejuns pela vitória das armas cristãs, e instava para q ue Monges, Cardeais e fiéis rezassem e jejuassem na mesma intenção. Confiava sobretudo na eficácia do rosário para obter o socorro onipotente d a Virgem. No dia 7 de outubro êlc trabalhava com seu Tesoureiro, Donato Cesi, o qual lhe expunha problemas financeiros. De repente, separou-se de seu interlocutor. abriu uma janela e entrou em êxtase. Logo depois voltou-se para o Tesoureiro e disse-lhe: "Ide com D eu.r. A gor,, mio é hor<1 ,le negócios. mas sim de dar graças a JeJ·us Cristo, pois nosst, es<1uadrt1 acab,, tle vencer". E dirigiu·SC à sua capela. A$ notícias do dosfêcho da batalha chegaram a Roma por vias humanas duas sema. nas depois, por um correio que vinha de Veneza. Na noite de 21 para 22 de outubro o Cardeal Rusticucci acordou o Papa para confi rmar a visão que êlc tinha tido. No meio de um pranto varonil, São Pio V repetiu as palavras do velho Simeão : "Nunc dimilti.r servum tuum, Domine, in pace" (Luc. 2, 29) . No dia seguinte o indomável ancião proclamava a feliz notícia em São Pedro, após uma procissão e um solene "Te Dcum". A vitória foi por todos atribuída à intervenção da Virgem. O dia 7 de outubro ficava con_sagrado a Nossa Senhora da Vitória, e ma,s tarde ao Santo Rosário. Além disso o Santo Padre acrescentava à Ladainha Lauretana uma invocaç.ã o que nascera pela ''vox po. puli" no momento da grande proeza: ''Auxilium christianorum''. Na E.-.panha e na Itália começaram a surgir igrejas e capelas com a

invocação de Nossa Senhora da Vitória. O Senado veneziano pôs debaixo do quadro que representava a batalha a seguinte frase: º NON Yl~TUS,. NON ARMA, NON OUCES, SEO MÂRIÂ ROSARII VICTORES NOS fEC l'f'' "Nem as

tropas, nem <zs llrnws, nem os comandantes, mas a Virgem Moria do Rosário é que nos der, a vit6ria1 1. Gênova e outras cidades manp daram pintar em suas portas a efígie da Virgem do Rosário, e algumas puseram cm seu escudo a imagem de Maria Santíssima calcando aos pés o Crescente. Poetas e músicos procuraram enaltecer com seu gênio o g rande acontecimento. Também ao Papa se prestaram as maiores homenagens pela participação decisiva que tivera na luta e no seu desfêcho.

Logo depois das solene., celebrações da vitória o Pontífice recebeu os Bmbaixadores e os Cardeais para deliberar sôbre a con tinuação e ampliaç.ã o da Liga e o prosseguimento da guerra, de modo a se tirar todo o proveito da "mllior vitóri(J jamais obtida conll'a o., infiéis". O plano de São Pio V era promover uma confederação européia, e obter o concurso de certos régulos maometanos rivais do Sultão, para expulsar da Europa o Crescenle e a.final investir contra Constanlinopla e retomar o Santo Sepulcro, aniquilando definitivamente o perigo muçulmano. Mas, apesar de ingentes esforços, o Papa não conseguiu mover os Príncipes cató licos. A Liga se desfez. O Rei da França propôs ao S ultão uma aliança contra a Espanha. Chamando-o ao Céu em 1•0 de maio de 1572, a Providência poupou a São Pio V o desgôsto de ver que a vitória de Lepanto, depois de salvar a Cristandade, ficaria sem conseqüencias estratégicas e políticas imediatas. Tanto maiores foram certamente os efeitos mediatos. A História é testemunha de q ue a lenta decadência do poderio naval dos otomanos começou com a jornada de Lepanto (Pastor, "Historia de los Papasº, Barcelona., 1931, vol. XVIII, p. 376). O último ato de govêrno do Santo Ponlíficc consistiu cm entregar a seu Tesoureiro um pequeno cofre com 13 mil escudos, dos quais costumava fazer suas esmolas particulares, dizendo-lhe: "/no prestará bons serviços i'i guerr" ela Lig(1".

Verdades esquecidas

Santo Antônio foi notável pelo saber e pela combatividade Oa vida de Santo Antônio de Pádua ou de Lisboa:

S

ANTO ANTONIO falava com uma /iberda,Je admirável, ditc,ulo a verdade igut1/mc1t1e aos grandes e aos pequenos. E com o desde o início de sua conver.rão hal'ia ,h•sejado o nwrtírio, nenhum temor, nenhum respeito humano o detinlwm, e ê"Je se opunlw com coragem e intrepidez li tirania dos grandes. Os mais fmnosos pregtuiores /icavan1 pt,.f. mos ouvindo suas invec1ivaJ' e escondiam o rosto, temendo que :rc percebesse <1ue coravam de vergonha ame a própria fraqueza. Antônio ia as.rim pregando por cidades e al<ieins, acomodando seus sermões à capacldade tios ouvintes, entremeando a doçur,, com o severid,1</e. O 11róprio Papa Gregório IX, lendoo ouvido em J227, e c,dmiraudo a profundi<lade de .tua ciência na expUcaç,ío da Escritura, chamou-o de A_rca do 1'estm11e11to. Ele se aplicava tanto à Moral, como ,I controvérsit, contra os hereges: converteu a muitos dêstes em Rimini e con venceu 1u"'io menor mlmero em disputas públicas' em Milão e 1.''oulouse [ . . , 1,

O sanguinário Et..1.eli110 começava então a exercer sua atroz tirania em Verona. Havia êle feito degolar um grande número ,te homens ,wquela cidade. Antônio, sabendo dis.ro, /oi sem temor procurá-lo cm pessoa, increpaudo-o: "Inimigo de Deus, tirano cruel, c,io rt1i• ,,oso! A ré quando conti,marás " derrmnar o sangue inocente dos cristcíos? Eis que a sentença de Deus paira sôbre ti, se,uença duríssima e pavorosa!" Acrescentou ainda muitas outra.t coisas não menos dura:r. Os sequazes que rodeavam o tira110 aguardavani apenas o sinal do costume para fazer o Frade em pedaços. Por disposição divina, deu-se outra coisa: o ti· rano, tocado pela palavra do santo varão, depÓJ' tôda (l .rua ferocidade, /êz-se man.ro como wn cordeiro, atou o próprio cinto ao pescoço como uma corda, e prostrou.se diante ,lo ho-

mem tle Deus, confessando lwmildeme,He seus crimes e - para espanto de todo.r - prome.. 11.mdo emendar-se .fegundo os bons conselhos de Antônio. Mais tarde disse a .reus cúmplice,f estupef,1c1os: "Não vos espanteis, pois cm verdâde vos digo que vi sair do rosto daquele Ptzdre um como que esplen,lor divino, o qual de tal m odo me apavorou, que, diante de seu n:rpecro terrível, acretUtei que ia ser mergulh"tlo .r1lbitame,11e no mais fundo tios infernos". A partir dêsse momento El.l.elino te,,e pelo Santo tuna grande veneração e, enquanto êsrc viveu, absteve-se. <le muitos cl'imes que reria cometitio se não /ósst~ isso, ~regurulo êle mesmo o con/e.rso11. Como o santo varão pregava freqüentemente e com grontle <lcsassombro contra os crueld(J<les do tirano, êsre, querendo pôr•lhe ,i P"º"ª a virtude. enviou.Jlw um presente ,·alioso por mão de seus /âmulos, diz,endo·lhes: "O/erecei de minha parte ê.tte presente a Fre,· A nr()nio, com a moior humildade e respeito de que /ôr<ies capa,:.cs. Se êle o receber, mataf-o na hora; mas se o rejeitar com l,uJignação, suporu,i tudo com paciência. e voltai sem lhe Jazer mal c,lgum". B.rseJ· emissário.,· frmululenros apresc11f<lramse diallle tio Santo com todo o respeito e lhe disseram: "Vosso filho Ez.zelino da Romano rcp co,ncnda-se às vossas orações e vos .ruf)lko recebais êste pequeno presente que êle l'ó.t en,,ia ,,or devoí:ão, e que rogueis ao Senhor pelo salvação de sua alma". Mas Antônio, cheio de i11dig11ação. repreende.u-os e rejeitou tudo o que lhe ofereciam, tli1.,endo que nunca receberia nada daquilo que /ôra rouba,Jo aos homens, e que roclos os bens dêles eram ins tramenros de per,liçlio. Por fim bradou que .re retirassem i111ediatamente. para que a cast, n,io ficasse conspr,rcatla por sua presença. Confundidos. voltaram para o tirano e lhe relatartun tudo: "&se é verdadeiramente um homem tlc Dc11s, di.rse Eu,elino: ,leixai-lJ/ que. dora, cm ,Jiante diga Judo que julgar co11vc11ientc". - [Abbé Rohrbacher, "Vic des Saints pour tous lcs jours de l'année" - Gaumc Freres, Libraircs-Editeurs, Paris, 1853, tomo Ili, pp. 389-390).


TFP participa de congresso mundial anticomunista nas Filipinas REALIZOU-SE EM Manilha, nus Filipinas, de 21 >1 26 de julho úlrimo, o V Congresso Plenário da Liga Mundial Anricomunisra ( World Anli·Communist League - WACL). O ccrrame teve por objetivo debarer o avtrnço da ofensiva vermelha contra as nações livres e coordenar esforços e esrratégias das principais organiiações e líderes anticomunistas dos cinco contincn1es.

Simultânea.mente tiveram lugar o XVII Congresso da Liga Anricomunisra dos Povos Asiáticos ( Asi<m Peoples· Anfi•Commw,ist League APACL) e o Ili Congresso da Liga Mundial da Juventude Anticomunis.. ta (JVorld Youtlt Ana-.Commimist Le"gu, WYACL). Participaram dos três conclaves 350 delegados e observadores, representando organizações de 53 países: havia delegações das mais variadas larirudes e longitudes - do Nepal à Argenrina e da Noruega à Arábia Saudita e ao lcsoro. ÊSscs congressos são anuais e reunem-se de cada vez numa capital diícrcnte. geralmente asiática. pois é

na Ásia que os trabalhos e contactos das trê..~ Ligas: estão mais dcsenvol· vidos. Os ccr1amc.s de J 970 tiveram

lugar com invulgar brilho .:m .Kyoto,

cada inclusive por ..The Maniht Ti-

no J;lpão. no mês de setembro.

mes'', principal jornal diário do país. Eis a íntegra do documento:

No corrente ano. a cscôlha recaiu sôbre as Filipinus, pelo grande c rcscimenlo que as orgnnizaçõc.s anticomunistas 1êm experimentado ali, sob a liderança do Phi/ippi11es A111iCo,mmmis1 Movement, conhecido popularmcnre pela sigla PACOM. Numerosas personalidades da vida pública daquele país são filiadas ao PACOM., o qual se dedica principalmente a incentivar e a organizar movimenros cívicos e parriólicos de âmbiro local nas incontáveis ilhas do arquipélago filipino. Isso se deve ao ~,ccntuado regionalismo que caractcri2.a as Filipinas, e que é uma resultante de sua própria configuração geográfica. com um território formado por mais de 7 mil ilhas, das quais cêrca de 3 mil são habitadas. fácil imaginar as dificuldades de comunicação existentes. ainda agravadas pelo faro de ali se falarem crês línguas oficiais - o inglês, o espanhol e o tagalo e oi1enta dialetos. Não obsrantc. a nação goza de notável coesão. Herança de qu(ltro séculos de colonização espanhola, a unidade nacional encontra seu mais possante faror na Religião: dos 36 milhões de filipinos, 80% são católicos.

e

Enorme inti:rêsse pelo stand e os insígnias da TFP Especialmenrc convidados, a Sociedade Brasileira de Defesa da Tradição, Família e Propriedade e o Presidenre de seu Conselho Nacional, Pro(. Plínio Corrêa de Oliveira, en• viaram ao Congresso da W ACL dois represenranres: os Srs. Marcos Ribeiro Danras. membro do Diretório Nacional da enridade e Sccrerário de sua Secção da G uanabara, e Migu~I Beccar Varela, direror da TFP argenrina. Ambos levaram ao certame rambém a solidariedade das TFPs da Argentina, Chile (no exílio) , Uru• guai e Colômbia, do Núcleo Vene• zuclano de Defesa da Tradição, Fa· mília e Propriedade e do Comiré de Jovens Equatorianos Pró-Civilização Cristã. , Nas dependências do Auditório Magsaysay, no qual se desenvolveram os rrabalhos dos crês congressos, diversas das organizações parlicipantes montaram stands demonstrativos de suas atividades. Entre rodos sobressaía· o da TFP, adornado com os csrandartes da enridade e repleto de

Texto d~ José Lúcio Araújo Corrfo

enormes ampliações de flagrantes fotográficos de suas campanhas. No centro do stand, um artístico mapa da América Larina indicava a localização das Secções e Núcleos de Militanres da Sociedade Brasileira de Defesa da Tradição, Família e Propriedade e de suas congêneres hispanoAamcricanas; viam-se também exemplares dos livros e jornais divulgados pelas TFPs. inclusive ucatolicismo,.,

A exposição das atividades da TFP foi objeto de vivo inrerêsse por parle dos congressistas. Mas é preciso realçar que as insígnias da entidade - o estandarte com o áureo leão rompante, e as características capas rubras, estas envergadas pelos dois represcntanres da TFP cm todos os atos do Congresso - despertaram verdadeira admiração, sobretudo entre os delegados de países do Extremo-Oriente.

"A Sociedade 8rt1sileira de Defesa tia ·trudição, Família e Proprit!<lat/(# (1'FP) seuteAse honrntla em e.tu,r

representada no V Congres·so ,la Liga M muliat A nticomrmisu, ( W A CL}.

tsre certame é tle importâttda dccisivu, pois tis mais reprefenwtiva.r orga11iu1çõe.r ,m1ico1muiis1a.-. dn muntlo nê/e romam parte a fim de mellwr coordemuem seus es/ol'ÇOs c 0111ra o maior inimigo 1/t.1 d11iliu1ç,1o: o conwnfrmo. A TFP c:onsitlcra l/lW o mtítuo co11hecime11to e o estabclecime11to ,te

rclt,çi'Jes t~ntre os que esuio lutando co111r11 o tourlitarismo verme/Iro, é um im11erativo tia hora presente. A cooperação entre os ,.mth:omu11isrns ,te todo o mwulv torna-se m(Us e mai.r necessária ,; metlida <111e as <1grcssões. as in/Utrações e as COn· quistos comunistas vão-se 1nultiplica11. <lo e tornmulo mais .rubtis e enganadoras. Por c~J"J·a ratão, a TFP bT(1si/eira leva Co11gresso da W A CL a s<>/idariedtule da maior entidade antlcomruu·sra ,J,, maior nação da A mérica Latina. E ,:om alegria que poclcmos levar. igu