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LEIRIA., 18 de Outu.bro clc 1.0.22

Ano I

(COM

AP.I?.O''V AçÀO ECLESXASTICA) .A.dmlnl,s-trador: PAOOE M. PEf?F.IRA DA SILVA

Diroo-tor, 'Proprio-torlo o Editor

REDACçÀo E ADMtNISTRAçAo

DOUTOR MANUEL MARQUES D0S SANTOS Composto e impresso nu Imprensa Comercial,

a Sé -

RU.A D- NUNO Leiria

H que "imos

Beato Nuno de Santa Maria (D. Nuno Hlnares Perelra)

SoLLICITADo desde a primeira hora

a

a prestar Voz da Fatima, na mais larga medida possivel, o concurso da mlnha alias humilde e despretenciosa collabora.;ào, nào posso deixar de acceder a tào honroso convite, ji pela gentileza e captivante insistencia com que me é feito, ja porque assim m'o impòe a indole particular desta revista que sem duvida vem preencher uma verdadeira lacuna e quf.' tào querida deve ser de todos os pvrlugul:'zes que amam entranhadamt:nte a Egreja e a Patria. Ninguem ignora hoje no nosso paiz que, ha precisamente 5 annos, urna sèrie de acontecimentos de todo o ponto extraordinarios e por emquanfo inexplicaveis se desenrolou em piena serra d'Ayre, a pouco mais de dois kìlometros da aldeia da Fatima, num locai conhecido pela designacao popular de •Cova da lria• e situado beira da estrada, que liga Villa Nova d'Ourern historica villa da Batalha e it pittoresca e g1aciC1<1a cidade do Liz. Nn dia treze de Maio de 1917, tres creanças, Lucia de Jesus, Francisco Marto e Jacinta Marto, respectivamente de dez, nove e sete anos de edade, andavam apasc~ntando um rebanho de ovelhas, quando, bora do melo-db solar, depois de rezarem em commurn o terço <lo Rosario, corno costumavam fazer, lhes apareceu de repente sobre uma peyuena azinheira um vulto de donzella de celestial beleza. ,A Appariçào, diz o auctor deste arllgo no seu livro 0s

episodios maravi/hosos de Fdtima, parecia nào tér mais de dezoito an11os de edade. O vestido era de urna alvura purissima de neve, ass,m corno o manto, orlado de ouro, que lht: cobria a cabeça e a maior parte do corpo. O rosto, lle 11111a 1101),eza d~ linhas lrreprehcn!-1vr.l e qu~ ti11ha um :iao sei qué <.h ::,,o brtinatu,al e divino, aprese11tava-M· serc;w e ~rave e c·w10 que toldadu Je uma leve sombra de tristeza. Das maos, juntas a ~ltura do peito, penJia-lhe, rema-

ma hora, no dia treze dos meses seguintes, alé Outubro. Nesses seis méses a concorrencia de devotos e curiosos ao locai das apparic,:0es fol augmenfando consideravelmente de mes para mes. Segundo os calculos mais exactos, estiveram presentes trinta mii pessoas em treze de Setembro e cerca de setenta mii em treze de Outubro. Durante a~ appariç~es esfabelecia-se entre a Visào e a Lucia um dialogo, em que aquella fazia inocente pastorinha diversos pedidos e promessas. Disse entre outras cousas, que recomendasse a todos a recitaç~o do terço e o arrependimento dos pecados para applacar a justiça divina e suspender castigos imminentes, communlcou um -segrcdo e pediu que se erlgisse uma capella em sua honra. Signaes extraordinarios no ceu e phenomenos meteorologicos de origem desconhecida attrahiam as attençòes da multidao ernquanto durava o colloquio my.sterioso, merecendo especfal referencla urna densa e formosa nuvem branca que envolvia a azinheira e as creanças e que s6 a certa distancia se tornava visive!. Entre as promessas ou prophecias ha urna a que se nao pode negar um valor excepcional, porque da parte da Visào 1inha evidentemente por objeclivo demonstrar a realidade das apparlç0es e o seu caracter sobrenatural. • A VisAo, logo nas prìmeiras appariç0es, annunclou que no dia treze de Outubro havla de operar um mllagre para que toda a gente acredl· tasse que era realmente a Senhora do Rosario, corno ella se intitulou nesse mesmo dia, que se dignava apparecer mais urna vez em terras de Portugal afim de tyodigalisar graças e bençàos a todos os que a ella recorressem. E de facto nesse dia entre todos hora do meioassaz memoravel, dia astronomico, depois do colloquio habitual, em presença de urna multidòo i1111umeravel composta de pessoas de todas as classes e condiç0es sociaes e procedentes de todos <1s pontos do palz, cujns sentimentos ~ traduziam, constltuindo por issò mesmo a mais authentica e tégitima re-

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.A:.LV.ARES PERE:r.R:A

(BEATO NU~O DE SANTA J\I\RIA)

a

N.0 1

Enando o loc11l da Co~a da Ha no antiD. Nuno Alvares Pere1r<1, e preci.samente naquele logar onde elle, segun 1o a traJ1çiin, estcve n or~r nas vespe ras da bHdlh ~ d.: Aljubarrota, tl11nJose 01 p·incip1<es fenomeno, na occasi5o cm quc Roma trntava de.elevar o Santo Con<lest 1vt:I é, honras <los Rltares e sendo elle a figura mais grandiosa ùd nossa h1stor1a, julgamo-1 nosso dever pagar-lhe este pequoà!nino tributo, implorando b.:nçaos para a nossa Patria, que r tambcm é a su~, e para a go Condado de Ourem, de

nossa rev1sta ,

tado por uma cruz de ouro, um lindo rosario, cujas cor:tas, brancas de armloho, pareciam perolas. De lodo o seu vulro, circundado de um esplendor m 1is brilhante que o ùo sol, ir-radiavam feixes de IÙ1, especial111ente do rosto, de uma formosura "1mpossivel de descrever e supenor a qualquer beleza humana•. A Appariç!\o pediu creanças que voltasscm aquelle sitio, A mes- ·

as

..

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' · V oz· dn. Fé.tima presentaç!o nacional, um phenomeno estranho, um successo inaudito, um prodigio tao estupendo que jamals se apagara da memoria dos que a elle tiveram a dita de assistir, se realisou no logar onde, segundo tradiçOes respeitaveis, o Santo Condestavel, que a Egreja nesse anno elevava as honras dos altares, esteve orando na vespera da batalha de Aljubarrota. - cO sol, corno disse um grande diario, tremeu, o sol teve nunca vistos movimentos bruscos f6ra de todas as leis cosmicas•, o sol girou vertiginosamente sobre o seu eixo corno a mais bella roda de fogo de artificio que se possa lmaginar, revestindo successivamente todas as cOres do arco-iris e projectando em todos os sentidos feixes de lul de um effeito surprehendente. E este pheaomeno, astronomico ou meteorologico, que os apparelhos dos observatorios nilo registaram, repetiu-se por tres vezes distinctas, durando no seu conjuncto cerca de dez mlnutos. A nova de acontimentos tao maravilhosos foi logo transmitttlda pela imprensa de grande circulaçilo a todos os angulos do paiz e pelo telegrapho até aos confins do mundo. Desde entào a torrente caudalosa das multidoes fem se despenhado ininterruptamente sobre aquella estancia privilegiada. A fama de curas assombrosas de vlctlrnas de toda a sorte de enfermidades, de conversOes admiravels de impios e descrentes de todas as classes sociaes, da morte tragica de creaturas desvalradas pelo sectarlsmo anti-religioso que a pretexto das appariçoes ousaram blasphemar da Virgem bemdita, concorreu poderosamente para engrossar cada vez mais essa torrente, provocando manifestaçòes de fé e piedade em nada inferiores As dos mais celebres sanctuarios consagrados a augusta Màe de Deus e dos bomens. D'ora avante nada seni capaz de deter a marcha vlctoriosa da formidavel vaga humana que, num vae-vem continuo, se precipita em catadupas gigantescas sobre os cumes aridos e escalvados da serra d' Ayre. As potencias infernaes, utilisando corno instrumentos cegos e inconscientes alguns raros indivlduos de urna inferioridade menta! incompativel com o progresso e a civilisaçào moderna, teem envidado os malores esforços e lançado mao de todos os meios, ainda os mais ignobeis, para obstar A repetiçào dessas scenas subllmes e commoventes que atfestam krecusavelmente a pujante vitalidade religiosa de um povo inteiro. Em Fevereiro do corrente anno um grupo de .. • infelizes, que Nossa Senhora ainda ha de converter, destruiu com bombas de dinamite a capellinha erigida pela piedade popular em commemoraçllo das apariçOes. Por vezes a auctoridade civil, ludibriada por essas pessoas tcm prestado, embora sempre de mi vontade em vlrtude do ridiculo a que se expOe esgrlmlndo contra moinhos de vento, um concurso valioso mas

contraproducente a effectivaçilo dos seus planos machiavelicos, que pretendem em vào cohonestar com o pretexto de que as manifestaçOes da Fatima revelam ou peto menos significam o que quer que seja de hostil as institulçoes vigentes. Nada mais absurdo nem mais pueril do que tao ridiculo pretexto. Toda a gente sabe que essas manifestaçoes sao de indole puramente religiosa, nao tendo havido jamais a minima perturbaçao da ordem publica, a mais ligeira nota discordante, um acto menos correcto ou menos deferente, seja para quem fOr. A auctoridade ecclesiastica durante quatro annos manteve-se inquebrantavelmente numa attitude de benevola expectativa, resistindo a instantes sollìcitaçòes de toda a ordem que, aliAs com o maior respeito e na melhor das intençoes, lhe eram feitas pelo elemer,to popular e por entidades categorlsadas, das opinioes politicas mais divcrgentes, para intervir num pleito de tanta importancia, ja em si mesmo, ja pelas suas consequencias, e decìùi-lo com o dictame seguro e incontrastavel do seu sagrado e venerando maglsterio. Ha meses, porém, julgou chegado o momento opportuno de quebrar o seu silencio e fé -lo com urna prudencia e sabedoria admiravel de que s6 a E~teja conhece o segredo, auctorisando o culto publicu de Nossa Senhora na Cova da lrla, mas reservando-se o juizo definitivo sobre o caracter das appariçocs e a origem e natureza dos phenornenos astronomicos e meteorologicos alli succedidos desde treze de Maio até treze de Outubro de 1917, assirn corno das curas extraordinarias atribuidas a intercessfo de Nossa Senhora do Rosario da Fatima.· Ao rnesmo tempo nomeava urna commissao incumbida de proceder a um longo e rigoroso inquerito e de elaborar um relatorio fundamentado depois de ouvir o depoimento de testemunhas fidedignas e a opinlao de peritos idoneos e notaveis pelo seu criterio, intelligencia e saber.

• Tal é, em traços largos, a historia dos acontecirnentos maravilhooios da Fatima. Faz hoje precisamente cinco annos que se deu a sexta e ultima appariçao. Durante esse largo periodo de tempo verificaram-se factos, episodios e lncidentes dignos da attençao e do exame inteligente de todo o homem culto e estudioso. De v arios pontos do continente portugués e até do extrangeiro, da Hespanha, da França, da lnglaterra e do Brazil afluem centenas de cartas pedind~ informaçoes e esclarecimentos relafivos as appariçoes e as curas consideradas miraculosas. Nota-se urna anciedade geral em todo o paiz pelo conhecimento exacto e completo de tudo o que se passa na Lourdes portugu@sa e de tudo o que a ella diz respeito. Por outro lado falla-se vagamente de um sem numero de curas extraordinarias atribuidas ao pa- ,

trocinio de Nossa Senhora do Rosario da FAtima, mas ignoram-se circunstancias e pormenores que seria conveniente recolher e registar. D'aqui se deprehende qual seja a missao da presente revista. Ella esta natura1mente destinada a constituir um centro permanente de recepçào e transmissao de noticias e informaçoes, propondo-se inserir nas suas colunas tudo aquilio que se relaclonar com o caso da FAtima e fòr julgado <iigno de archivar-se. O unico desejo, o anhelo ardente, a suprema aspiraçiio de todos os redactores desta revista é descobrir a verdade, onde quer que se encontre e seja ella qual fOr. Esta publicaç~o é, pois, um campo aberto a todas as pessoas sinceras e bern intencionadas, quaesquer que sejam as suas crenças religiosas e as suas opinioes politicas, que queiram contrihuir com o seu esforço para o estudo do magno problema de Fatima e para o apuramento definitivo da verdade. Acceita por isso e agradece a sua collaboraçao, se com ella se dignarem honra-la. E creio interpretar cabalmente o sentir daquelles que, numa epocha eriçada de tantas e tao graves difficuldades para a imprensa periodica, se abalançaram a ernpreza arrojada e quasi herolca de lrazer a publico esta revista perfilhando, ao concluir o meu primeiro artigo, as palavras . que passo a transcrever, de um grande pensador francés da actualidade, Gaetan Bernoville. e Dirigimo-nos, escrcve o illustre director da magnifica revista litteraria catholica Les lettres, nao s6mente aos catholicos, mas a todos os espiritos reflectidos e a todos os coraçoes generosos, aos verdadeiros patrlotas, aos verdadeiros trabalhadores. que sabern com que duro labor é feita em todos os dominios a investigaçao da verdade, a todos os homens inlelligentes, a todos quantos ousam pensar. S6 recusamos collaborar com os imbecls, com os sectarios, com os arrivistas, com aquelles que prejudicam urna causa por estupidez ou fanatismo e com aquelles que della se servem em vez de a servirem. A vida é muito curta para que nos reslgnemos a perder tempo em conversaçnes inuteis ou em negociaçòes estereis, mas sempre que encontramos urna personalidade de valor, um pensamento forte e probo, urna vontade recta, urna alma que quer dar-se a alguma cousa de prestavel, detemo-nos para discutir. para aprender ou para amar.• DE MONTELLO -NO-f A, --VISCONOE Cumpre-me ndvertir os meus

benevolos e prundos leitores, e faço-o ho· je de urna vez por todas, de que submetto inteirameote ao juizo da Santa Egreja, corno é indeclmavel dever de um catholico, todos .~s artigos que publicar OP.sta revista, e de um modo especial tudo qu 11to se referir ds appariçoes e curas da Ft\tlma, cujo caracter sobrenatural, se por ventura e teem, s6 ao magisterio ecclesiastico assista auctoridade e competencia para apreciar e reconhecer. V.de M.


Voz dn. Fatima

PROVISAO JOSÉ ALVES CORREIA DA

SILVA,

POR GRAçA DE DEUs E DA SANTA St, BISPO DA DIOCESE DE LEIRIA:

Aos QUE ESTA JlllOSSA PnoVISAO VJREM: SAUD&, PAZ E BP.:NçA.o EM JESUS CHRIS• T0 1 Nosso SJ>:NHOR 11: SALVADOR:

ENTRE

todas as provas com que Nosso Senhor Jesus Christo demonstrou a divindade da sua missao sobre a _terra estao em primeiro legar os m1lagres. Imrierou aos ventos e as tempestades ( ); dominou as ondas do mar ('); resuscitou mortos (3); curou lepr6sos ('); deu vista a cegos (5); ouvido aos surdos (6); fala aos mudos (7); andar aos paraliticos (8); spelando frequentemente para esses prodigios, a fim de justificar a sua doutrina (9). A Santa lgreja tem sido tambem favorecida com milsgres. A sua rapida expansao apessr de tantos obstaculos, a sua estabilidade quando tudo muda no meio do mundo, a sua resistencia :is perseguiç6es ero que ha todo3 os requintcs da ferocidade, os eilcitos admiraveis produzidos pela sua acçao socia I, a constancia dos martyres através dos mais atrozes supplicios-a \ém dos milagre-, e appariçoes extraordinarias pelos seus apostolos e pelos seus sar.tos - sao outras tant~s ~r~vas da sua origem e assistenc1a divinas. O milagre, de si raro, é um signal sensivel excedendo, ab:.oluta e relativamente, as forças da natureza visive) ou invisivel - nao podendo, por consequencia, ser atribuido senao a

Deus.

.

Por 1:xemplo: a constancia dos martyres em todos os seculos e edadcs é superior as leis monies; a ressurreiçiio d'um morto deroga as leis da ordem phisica, assim como as prophecias sobre os futuros livres e contingentes nao se explicam pelas leis intelectuaes. Para que um facto da ordem phisica, moral ou intelectu~I seja miraculoso-nao basta ter a Deus por auctor. Nao sao milagres, no sentido rig.oroso da palavra, a creaçao dv mundo, a creaçiio das almas ou ainda os efeitos sobrenaturaes dos Sacramentos, porque todos estes factos-embora produzidos dircctamente por Deus -sao phenomenos naturaes, nao excedendo a ordem natural. N'uma palavra o mìlagre ha de distinguir-se de taf maneira das forças da natureza cre:.tda que ao presencialo, .possamos ~izer corno os t:i:gypcios a vista dos m1lagres de Moysés-estd

aqui o dedo de Deus I (10).

•••

E podera Deu, ir contra a!\ leis infinitament~ sabias que impoz aos sercs? Ha . le1s1 fundadas sobre u propria cssenc1a ctas cou~as - e, corno taes, imutaveis, absolutas, as quaes o proprio 0cus nao pode abrogar. Sa.o des(•l Mare. IV, 39.-(ll) Mat. VIII, i3-i7.(3) Mat. IX, 18-i6.-(4l Lue. XVII, 17-19.(5) Jodn. IX; Mare. VH, 3:i-47. - (6) Mat. XI, 5. - (7) Mar. VII, 3i-47. - 18) Mat. IX, 1-7.-:9) Joen, X, 37.-(10) Ex. VIIT, 19.

ta especie as leis mathematicas e geo-

metr1cas : repugna um circulo quadrado, corno repugna que a intelligencia fique i ndiferente perante a evidencia percebida. Mas ao lado d'essas leis necessarias e essenciaes ha a considerar as leis phisicas cujo caracter é contingente, tsto é, nao repugna supor a s_ua nao existencia, mudança ou mod1ficaçao por imposiçao d'ordem superior. Todas as maravilhas da industria humana consistem precisamente em modificar as leis da natureza, domina-hs ou dirigir o seu curso. Pode o homem desviar as aguas d'um rio, utilisa-las para a produçao d'energia electrica que nos da luz, calor, movimento .•• Sendo assim, porque niio admitir que a intervençao d'uma vontade infinitamente superior qual é a de Deus, possa tambem produzìr efeitos muito superiores? Por outro lado, o milagre, que é urna man1fcstaçao do poder de Deus, concorre para o esplendor.da sua gloria e bondu.de, vin:io te~temunhar algu ma vt:rdadc ou prece1to que o Senhor quer fazer acreditar ou praticar pela creatura E' certo que o Senhor desdobra continuamente diante de n6s as maravilhas da sua Omnipotencia e Sabedoria. - V cmos a Deus na luz dos astros que rohm sobre nossas cabeços, na terra quc se revolve debaixo dos nossos pé-,, nas ondas q ue se agitam no abysmo dos mares, no raio que fende os esrnços, no sol que :1os alumia, na arvorc ~igantesca da fioresta e na humildc fior dos valles ...

Os Ceus e a terra cantam a gloria de Deus, diz D,ivid (11). Mas cs&as maravilhas do mundo, por serem communs, nao nos comovem corno os factos extraordinarios chamados milagres. E niio ~e diga que o milagre transtorna a ordem da natureza e da sciencia - uma tal objt!cçao nao pode oppor-se.', porquanto d'um lado o milagre é muito raro, d'outro lado acresce que as mod1ficaçot!s, introduzidas no munda materiai, nao lhe alteraram a face nem impossibilitaram as investigaçocs scientificas - Nao s6 os homens mas tamb~m os elementos da naturezo, d'outro lado, t~m iotroduzido no mundo materiai muito mais mudanças do que todos os milajres do christianismo - e comtudo nao destruiram as leis naturaes.

••• Se é certo que o campo dos conhecimentos humanos é muito restricto, se é certo que estamos muito longe de conhecer todas as leis qoe a Sabedoria infinita impoz as crea.turas -tambem nao é menos verdade que conhecemos as forças geraes da natureza relativamente a certos efeitos mecanicos, chimicos, organicos, vitaes, sensitivos, intellectuaes . •• Se ha factos extraordinarios cujo caracter sobrcnatural pode ser de tàl maneira oh.scuro que é difìcil demonstra-lo ha outros cuja sobrenaturalidade é tao manifesta que rasoavelmente nao p6dem deixar de admittir-se corno (11) Ps. XVII, 2.

verdadeiros milagres taes corno: as curas rapidas de lesoes organicas, ou a resurreiçao de um morto, etc .••

•• • Igreja tem

A Santa sido sempre d'urna grande exigencia na verificaçao dos milagres.-O sabio Pontifice Bcnto XIV escreveu um livro cheio de regras admiraveis introduzidas no novo Direico Canonico-para guiar o theologo na discussao do caracter sobrenatural dos factos apontados corno miraculosos. E' conhecida a historia d'um senhor ingle5.t protcsta_nte, que, de pas~agem em ltoma, fo1 apresentado ao 1llustrè Cardeal Lambertini, mais tarde Papa. O protestante sp.resentava duvidas sobre os milagres. O Cardeal mostra-lhe um processo de ca,nonisaçao. O senhor ingles leu e estudou attentamente este processo, e volùndo a restituì-lo, declarou: - «se todos os milagres fossem verificados corno cstes, nada se poderia objectar.» «Pois be;n, respondcu o Cardcal, a S;rnta I3reja nao julga essas provas suffic1entes» .•• (Continua)

Em Lourdes Desde 1890 a 1914 estiveram em Lourdes no bureau das verificaçoes 6.983 medicos, tendo-se verificado nesse tempo 4.445 milagres. , A estes e aos realisados antes e depois daquelas datas temos a acres-' centar os deste anno, alguns dos quaes foram presenceados por peregl1nos portuguez~s. • Entre outras curas foram verlflcadas oficialmente a de Magdalena Rouxel, de vinte e sete annos, atacada de tuberculose pulmonar de que ficou completamente curada, a de Margarida Mortel, de Saint Raphael (Varo), que sofria de peritonite tuberculosa e que se sentiu curada durante a procissAo de 22 de agosto e depois de ter recebido os ultimos sacramentos em virfude da gravidade do seu estado. Registou se tambem a cura de Santina Oatl, de Bergamo (Italia) que ha dez annos sofria de peritonite tuberculosa. Ap6s o banho sentiu-sé subitamente curada. Fol muito comentada a abjuraçao e baptlsmo dum instruido judeu que foi a Lourdes procurar motlvos de zombarla contra a religiAo e acabou por se converter. E ••• assim vae Nossa Senhora continuando a espalhar as suas graças e misericordias I

Pedido O Zz. nio proprietario dos terreno: da ' Cova da lrìa, dssejando manaar tubo· rt.sar os mesmos terrenos , Julgando gae ,: arvor,s melhoru e mais ateli para ali serio as oliveira:, ac,ita r1co1hectdaz:rw1t, gualgo:er oferta d'agaelas 4rvo111 para plantafào.


Voz dt'l; Fat.ima.

frei Pio

O .Rosàrio O més d'outubro foi consagrado por S. S. Leào XIU a devoçào do Santo Rosario a cuja recitaç~o incitou o povo christao em c~rca de urna duzia de enciclicas. Elle mesmo, apesar da multiplicidade das suas occupaçòes, o recitava todos os dias. Hoje nao ha catollco algurn digno de tal nome que se julgue dispensado de trazer sempre comsigo e de recitar o seu terço. E para avaliarmos quanto esta devoçào agrada Santissima Virgern e é eficaz para obterrnos a sua proteçoo basta considerar que aparecendo ern Lourdes, escolheu, corno na Fatima, urna creança que trazia e rezava o terço. U, corno ca, Nossa Senhora trazia o Rosario pendente do braço, nao se retirando nas dezoito apariçòes de Lourdes, senào depois de Bernardete ter terminado a recitaçào do terço. Ca, ha ainda a particularidade de o ultimo dia dos factos extraordlnarios ser em outubro - mes do Rosario e numa freguezia e numa Oiocese, onde a maioria das familias reza o terçl'.l em commum. O Rosario é, na verdade, uma devoçao encantadora. Do primeiro ao ultimo misterio Jançamos urna vista d'olhos sobre toda a vida do Salvador e da Santissima Virgem de quem aprendemos a necessidade e valor da explaçào e 11ofrimento, da humildade, da castidade, e de todas as outras virtudes. Cada Avé Maria é um hynno, sempre repetido e sempre novo, de Saudaçào, Amor e Agradecimento aster~ nuras d'aquela MAe Santissima. Que o nilo esqueçamos n6s, que o nao esqueça este IJOSSO Portugal, a terra de Santa Maria, que Eia ha de mais urna vez salvar.

a

ATENçAO A comlsoAo canon~ca enoarregada de estudar oa acontecimentos da Fatima pede encareoidamente a todaa •• peaa6a• qua a lnformem de tudo quanto aouberem1 queP • favor.1 quer contra elle•, di• rigindo-ae em oa~rta ou pe-,;eoalmente, ao

Rev.m0

Promotor da Fé, Dr. Ma• nuel Marques doa Santo•, Seminario de Lelria.

11 ti mento reltgtoso da Cova da Irfa (Fttlma) No dia 13 do ultimo m@s reatlzou-

se, como de coi;tume, a peregrinaçào

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aquele locai havendo Missa c11mpal e sermào prégado pelo Rev. Cados

A. Pereira Gens, paroco de Our~m. Apesar da Missa i:.er bastante tarde, commungaram, ainda assim, cérca de trin ,~ pessoas.

Um homem a quem o amor de 0eus produz clcatrlzes, donde todos oa dlas brota sangue. Urna vlda que se conserva sem que os medlcos saibam explicar corno. Um organismo que resiste a 60 graus de temperatura. Prodiglos que admlram, e factos que despertam curlosidade e Interesse Multo interessante e edificafiva a biografia d'este frade capuchinho, que actualmente vive num convento da sua orJem, perto da aldeia de S. Jo!o, da cidade de Foggia, antigo reino de Napoles, na Italia. Copiamos do Correio de Coimbra, transcripto do Diario do Minho de 25 de julho ultimo:

«Frei Pio é né! vcrdade um homem cxtraordinario. B.1~ta dizer que tem as rnaos chagadas, corno as do pr6prio Jesus Cristo e q ue foi favorecido por Oeus com essas chagas miracu losas, corno o serafico fundador da ordcm a que pcrtence, o doce «poverello» dc Assis. Muito poucos tem sido ps favorccidos pela ventura rara de beijar essas maos de cbagas miraculosas. Eu tive essa ventura. Assbti a missa dc Frei Pio, contemplei-o durante bastante tempo, folei-lh~ •.. e a minha impressao é tamanha e a emoçao que senti foi tao violenta e tao agradavcl ao mesmo tempo que nao !jci como cxteriorizar o meu contentamento.

Quem é Frei Pio

Nao

ha naquele homcm nada que uao impressione. As fulas, as maneiras, o seu porte, a sua mi~sa ... ah ! sobretudo ve-lo no a ltar, oforecendo o Santo Sacrificio ... cnca nca, hipnotisa. l)a vontadc de ficar ali sempre. Uma tossczinha séca e aguda, que part;!Ce dcspedaçar-lhe o peito, acomcte-6 com frequ~nc1a. Ap1a1r disso qua~i codas a~ ma_nh1is vai ao confos~iomirio . D1z missa com o fervor dum sei-afim. Todo:s os assistentl!S cl1orarn, quando ele celebra. Quando distribue a Sagrada Comunhao procura cobrir as maos com a alva, para que oao vejam as chagas. Estas siio a teda a largura da mao pdo lado da palma e do tamanho dum t<duro espanhol» pelo lado contrario. Tem eguais chagas nos pés. As • piantasi) intdramcnt<: chagadas e por cima chagos em forma de moedas, que lembram duas rosas. Tcm tambem duas chagas no peico, sobrc o coraçao. Todos os dias mana san_gue de todas elus. Tet:m a cor rosa ml!ito viva e ex11lam um dc:licadis~imo aroma. S6 para dizcr missa é q ue as de~obre. F6ra dés&e acto oculta-as com umas luvas. Para vcr-lbas u~um muitos do C5tatanema dc ajudar lhe a misssa. E' pr0cc~o. posto cm pratica por m~t_OS e1,tr.10ge1ros, o q uc ren~c ~o sacnstao uma conta calada, pois disputa-se a custa de apreciuveis gorgetas a .h?nra de ajudar a missa ao santo rellgtoso. Muitos ha ainda que mais para

ver-lhe as maos do que por devoçiio e amor a Jesus Sacramentado se aproximam da Sagrada Mesa. A sua curiosidade oao tarda a converter-se em mistico fervor. Muit0s incrédulos, tocados da candura daquele homcm extraordinario tem pcdido a c0nfissao. Frei Pio nao consente q ue lhe tirem foto8rafias, posto que !ho tenham pe:i1do dc mii mandras, servindo-sc de mii estrarngemas. A sua exiatencia, a conservaçAo da sua vida parece-me ser um c:mtinuo milagre. Pois corno :::xplicar naturalmente quc um homcm continue vivendo com ((sessenta graus dc temperatura?,. Que horror! Os médicos nao sao capazes de explicar o facto, q ue se torna ai nda de mais dificil cxplicaçao, se considerarmos que, em virtude dessa alta temperatura, F'rei Pio esta sujeito a urna transpiraçao abundantissima que o debilita enormemente. Ha muitas curas extraordinarias, factos de bilocaçao, d escoberta dos segredos da alma. A 20 de Setcmbro de 19t8, ao sair do coro desaparcceu dc entre a comunidade. Surprccndidos os religiosos, seus compao hciros, procuraram-no porto· da a parte e dcpois de muito trabalho foram encontr~-lo desfalecido e com as chagas miraculosas impressas no corpo, a carne viva, o sangue fresco. Eram mais pequenas do que hojc e tinham um cheiro muito pronunciado a rosai, qui! ainda conscrvam. Sao muitos ùS prodigios que se contam de Frei Pio. Um dia foi a aldeia de S. Joao e curou um doente que os médicos tinhc1m d eclarado perdido. lsto sem sair do convento ou deixar de assistir com os religiosos seus companhl!iros aos actos da comunidade. Duas v1:zes passou da sacristia ao confessionario duma maneira invisivel. E' frequente descobrir as consciéncias dos que se: lhe confessam, antes de ouvi-los dc c.onfissao».

Voz da Fatima Esta revistasinha, cujo primeiro numero hoje aparece e que se destina a registar os acontecimentos da Fatima, sera publicada no dia treze de cada m~s e destrlbulda gratuitamen te aos peregrinos que ahi forem nesses dias, esperando-se que os que a receberem contribuirao com qualquer donativo para as despezas do papel e impressa.o. Para este fim se abre desde ja neste logar uma subscrlpç4o ficando com direito a receber a Voz da Fd· tima pelo correlo os que nos enviarem dez mii réis (dez escudos). um anonimo • . • • . . 500$000 réis Dr. M. Marques dos Santos . . .••.•.• 10$000 > p_e M. Pereira da Silva I0SOO0 » P.e Augusto Maia •.• I0SOOO • p_e Manuel do Carmo Ooes . .•• • ••• . . 101000 > p_e Joaquim José Car10$000 > valho ••••• • •• • •


LEIRIA, l.S de Novem.bro de 1.9~2

Ano I

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(OOM APROVAç.À.O EOLESIASTIOA) Director~ Proprietario e Edi-tor

Admlnilla'trador: PADRE M. PEREIRA DA SILVA

DOUTOR MANUEL MARQUES 00S SANTOS Composto e impresso na Imprensa Comercial, a Sé -

5 annos depois

Leiria

REDACçAO E ADIIHNISTRAçAO

'.RU.A D. NUNO .ALVA'.RES PEREIRA (Bl':ATO NUNO DE SANTA MARIA)

onze horas quando nos apeamos junto da egreja parochial. Em torno d'ella o espectaculo é imponente. LA dentro realiza-se a festa do Sagrado Coraçao de Jesus, festa sobremodo sympathica e commovente a que da um realce e encanto extrAordinario a solemnidade da prlmeira communhao das creanças. Urna multidao compacta enchia litteralmente o vasto e antiquissimo templo e apinhava-se na rua proximo das portas, irnpedindo o ace.esso. Mais de quarenta missas ~e tinhani celebrado alli naquela manha. A' missa solemne comungaram cerca de tres mii e duzentas pessoas lncluindo as creanças. No largo terreiro adjacente egreja veem-se dezenas e dezenas

Atvoreceu o dia 13 de Outubro de 1922, polvilhado da luz de ouro do sol e embalsamado com suaves fragrancias, corno um dia formoso entre os mais formosos do Outono, sem urna nuvem a empannar o brilho do ceu e sem urna brisa agreste a fustigar a terra. Os sinos da capital acabavam de tanger compassadamente as nove horas. Na estaçao do Rocio numerosos peregrinos sobem apressadamente para o comboio da lìnha 4, que esta prestes a partir. Entre elles destacam-se algumas das fi~uras mais distinctas do laicado catholico : professores, medicos, advogados e jornallstas. Ouve-se o sitvo estridente da locomotiva e o comboio poe-se em movimento. Nas estaçoes do percurso surgem de vez em quando grupos de peregrinos ou peregrinos isolados. Em Santarem a 1otaçao do nosso compartimento esta completa. Em Torres Novas apeiam-. se muitos peregrlnos que no dia seguinte de madrugada partirao em trens, camions e automoveis para a terra do mytterlo e do prodigio. Proseguimos a nossa vlagem. Oepois de longa demora no Entroncamento, o , combolo recomeça a sua marcha e · OS TRES VIDENTES DA FATIMA as duas horas e mela apeamo-nos em Chiio de Maçlls. Um carro, que FRANCISCO, LUCIA E JACINTA aguardava a nossa chegada, conduzde vehicutos. Cumprimentamos varlos nos rapidamente a Ourem. No dia amigos e conhecidos que vao appaimmediato, ap6s a missa e o petit recendo de todos os lados. A chuva dlieuner, seguimos para a Fatima, começa de novo a cahh, miudinha e atravez da serra. Durante a noite tiimpertinente! Querendo observar tunha cbovldo bastante. A'quela hora, do minuclosamente, dirigimo-nos a p~>rém, nem urna gotta d'agua cabla pé para a Cova da lria. Pela estrada, do ceu, onde corriam velozes algunum percurso de dois kilometros e mas nuvens que por vezes ensommelo, circularn milhares de pessoas brayam o _sol. Quando, ja proximo de num vaevem continuo. FAtima av1stamoa a estrada que liga Tres quartos d'hora depois avistaVjlla Nova d'Ourem aquella povoamos do meio da estrada o logar, que, çao, ficamos ijgradavelmente surpresegundo os pastorinhos da vislln, fni hendidos e sol)remanelra encantados consagrado pela presença da Virgem com o ~ imiravel acenario que se deSantissima. Urna enorme vaga hum asénrolava deante dos nossos qthos. na, de muitos milhares de pessoas, Sublam a estr~da, numa extensllo rodeia a capella commemorativa das de multos kilometros, inumeros vehiappartç0es, wnl-destrnlda pelo neculos de todas as especles e de todos fando attentado de Março. De toda os tamanbos replectos de gente. Eram

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a parte aflue gente a cada momento. De vez em quando urn, novo grupo de peregrlnos vem occupar o seu posto junto da capella. Todas as provinclas de Portugal, desde o Minho e Traz-os-Montes até ao Alemtejo e Algarve, se acham aqui representadas, nesta grandiosa e incomparavel homenagem nacional de amor e rnconhecimento ~ Virgem do Rosario. La veem os peregrinos do Porto e os de Lisboa, estes muito mais uumerosos do que aquelles. A chu-.a cahe agora com violencia, mas ninguem se retira. Pelo contrarlo, a immensa mote humana engrossava cada vez mais. Muitos peregrlnos rezam o terço em grupos, alternadamente e em voz alta. Urna nobre senhora de Faro volta-se para o irmao, conego da Sé daquella cldade, e com os olhos marejados de lagrimas diz-lhe: • Este espectaculo impressiona-me e commove-me profondamente.> Subito, -0uve-se o som argentino de urna campainha. E' o si .. gnal de que a missa campai vae co• meçar. Celebra-a o vigarìo da vara de Ourem. Um sacerdote de Lisboa sobe a um pulpito improvisado e com voz sonora e vibrante profere durante o Introito os artigos do Credo que o povo repete com calor e enthusiasmo, numa sentlda e tocante proflssAo de fé. Em seguida principia a recltaçAo do terço. J4 nAo sllo grupos isolados que rezam. E' a oraçAo unisona da multidllo, o rumor fremente de una verdadelro oceano d'almas. SAo dezenas de milhares de boccas que erguem as suas vozes para o Cau fundlndo-as numa prece collectiva a gloriosa Rainha do Rosario. Ouve-se d~ novo o som da campalnha. E' o toque de Sanctus. A oraç~o torna-se ainda mais intensa e fervorosa. E' que seapproxlma o momento angusto e soJemne da consagraçAo. Jesus, o rei do Ceu e da Terra, esta prestes at descef sobre o attar, a voz portentosa-do ungido do ~enhor. Logo que Il campainha annuncia a realisaçao do grande my·derio do amor de Oeus, • multi.làci, no .-,rdor da sua fé, curva-sé revi>r:: 111e , l.joelha e adora o Verbo humqnado, occulto aos olhos do corro i,.oh o Vl'u dGS especles eucharis-


Voz da Fathna ticas. Do alto do pulpito resoam as invocaçOes que o sacerdote profere, repetindo tres vezes cada urna d'ellas. Senhor, n6s Vos amamos. Senhor, n6s Vos pdoramos. Senhor, n6s esperamos em V6s. Senhor, curae os nossos enfermos. Sagrado Coraçao de Jesus, tende piedade de n6s. Hosanna, hosanna, hosanna ao filbo de David. O' Maria, saude dos enfermos, rogae por n6s. Nossa Senhora do Rosario, abençoae o nosso Portugal. Ap6s as invocaçòes canta-se o locante e Adoremus in aeternum Sanctissimum Sacramentum.> Resada a ladainha de Nossa Senhora, ministrase a Sagrada Communha6. Mais de duzentas pessoas, num fervor de extase, recebem em seus peitos a Jesus Hostia. O cantico popular e Bemdito e louvado seja o Santissimo Sacramento da Eucharistia,> é repetidas vezes cantado por um còro a que a multidào responde alternadamente. ,fructo do ventre sagrado da Virgem purissima Santa 1\i1aria. • Ha quem veja signaes extraordinarios no ceu. Terminada a Missa, sobe ao pulpito o rev. dr. Francisco Cruz, de Lisboa. Pronuncia algumas palavras, singelas e desataviadas, mas que penetram suavementt:, até ao fundo dos coraçòes. E' um santo que esta fallando. A sua figura emaciada e ascetica, o seu ar acolhedor e calmo, de uncçao e suavidade angelica, a fama das suas iocomparaveis e assombrosas virtudes s6 por si, valem bem um longo e substancioso sermào. Durante cerca de meia hora discorre com eloquencia apostolica sobre a devoçao Virgem do Rosario e encarece a necessidade da oraçao e da penitencia. Concluida a pratica, muitos peregrinos retiram. Mas a maior parte delles tem dif~culdade em arrancar-se daquelle cantinho do Ceu .que seduz e fascina as almas e prende e captiva os coraçòes. Sao talve;z quarenta mii pessoas. Distribuem-se gratuitamente milhares de estampas de Nossa Senhora do Rosario e de exemplares da e Voz da Fatima> que sao acolhidos com alvoroço e proourados anciosamente. 0s treos, camions e automoveis vao parlindo pouco a p<,uco. AB primeiras sombras da noite descem sobre a Serra. Somente alguns rarQs grupos dQ pessoas dos arredores ~e conservam ainda em oraçào IUJmilde e piedosa junto do padrao commemorativo dos sucessos maravilhosos. Entretanto ao longe, nas estr~das e pelo,' atalhos da montanha, Gs peregrinos que regressam aos seus lares, depois de urna viagem longinqua e incoramoda, vao murmurando as auas preces ou entoando os seus canticos reli,ziosos com a alma a trasbordar de urna alegria que nao é deste mundo e acariciando a fagueira eaperaoça de voltarem brevemente a.quelle centro incemparavel de dev.oçao e de amor a Virgem, onde flcaram presos para se111pre os seus coraçòes pledosoli e agradecidos •••

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VISOONDE O~ MONTELLO

· 0s tres videntes da F~tima Francisco, Lucia e Jaclnta Lucia de Jesus, a mais velha das tres creanças privilegiadas, tinha, na epocha das appariçoes, dez annos de edade, feitos em 22 de Março. Foram seus paes Antonio dos Santos, fallecido em 1918, e Maria Rosa dos Santos. Tem um irmao e quatro irmàs, todos mais velhos do que ella. Fez a su.a primeira communhào aos oito anos. Esta actualmente num collegio a educar, com acquiescencla e satisfacçao da familia e a expensas . de urna generosa senhora, que por eia se interessou. E' a verdadeira protagonista das appariçòes, pois s6 a ella se dignou fallar a Senhora mysteriosa. Francisco Marto e Jacinta de Jesus Marto eram primos da Lucia e tinham aquelle nove annos e esta sete annos de edade. 0s paes chamamse Francisco Marto e Jacinta de Jesus Marto e moram, assim corno a mae da Lucia, no logarejo de Aljustrel, que fica situado a ce~ca de um kilometro da egreja paroclual de Fatima, a esquerda da estrada que conduz a Cova da lria. A Jacinta via a Appariç§o e ouvia distinctamente as palavras que ella pronunciava dirigindo-se Lucia, mas nuoca lhe fallou nem tao pouco a Apt>ariçao lhe dirigiu a palavra. O Francisco s6 via a Appariçao, nao ouvindo nuoca o que ella dizia Lucia, apesar de se encontrar a mesma dlstancia e de gozar dum excellente ouvido. As duas innocentes creanças ja nao pertencem a este mundo .• Francisco Marto adoeceu no dia 23 de Oezembro de 1918 com um ataque de bronco-pneumonia e morreu no dia 5 de Abrll do anno seguiate, depois de se ter confessado e de ter recebido o Sagrado Viatico com os mais edificantes sentimentos de piedade. Os seus restos mortaes repousam em campa rasa no humilde cemiterio parochial de Fatima. Jacinta de Jesus Marto, caMu de cama a 23 de Dezembro de 1918, atacada egualmente pela morttfera pandemia que entao grassava por todo o mundo. Essa doença tao longa e tao cruel foi um verdadelro martyrio para a pobre creança, que expiava no seu · corpo innocente os peccados alheios. Morreu em LisbOa, no hospital de D. Estephania, no dia 2U de Ft:vereiro de 1920, tendo-se confessado e commungado varias vezes durante a doença. Affirmou que Nossa Senhora lhe tinha apparecido por duas vezes dias antes, fazendo-lhe varias revelaçoes, condemnando os exageros do luxo e as modas indecentes e declarando que o peccado que levava mais almas ao inferno era o peccado da carne. Os seus despojos mortaes foram encerrados em caixao de chumbo e transportados pelo caminho de ferro, para o cerniterio de Villa Neva d'Ourem.

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V. de M.

To<las as grandezas <la terra, todos os progressos mater1aes 1 toda·;i as pom1;>as do mundo s6 valem quando ser'fem de pedestal para d'elle se Yer melltor o Ceu.

Repetiçao do phenomeno solar de 1917? No dia 13 de Outubro ~ltimo, em Fatima, no logar das appariçoes, durante a ultima parte da missa campai, algµmas mulheres e raparigas do povo que estavam perto de n6s nao faziam senao olhar para o sol e proromper em exclamaçoes de su rpreza que traduziam a profunda commoçiio ~e . q~e se ac~a va/Il possuidas. A princ1p10, nada d1ssemos e ab<.tivemo-nos, propositadamente, de olhar para o sol. Trata-se, pcnsamos n6s de uma illusa.o de creaturas simple; e ingenuas ou de um pheoomeno vulgar de auto-suggestao. Desejam ver e por isso mesmo j u lgam ver o que quer que seja de extraordinario no firmamento. Ao começar a pratica, as exclamaçoes redobraram de intensidade a ponto de nao se podcr ouvir o que o orador dizia. Perdemos entiio um pouco a serenidade, voltamo-nos para as pessoas que em grande numero olhavam commovidas para o ceu e dissemos bruscamente: <eOlhem muito embora, mas façam favor de se c~lar e de!xar ouvir o prégador». V1mos entao urna 5enhora de Lisboa, nossa conhecida, que nao podendo conter por mais tempo a commo-çao deixou cahir as lagrimas copiosamente e volveu-nos um olhar que traduzia a pena que lhe causavam a nossa i ndifferença e rudeza. Apesar <lisso, fitamo-la com um ar severo, pretendendo significar-lhe dessa forma que tanto maior era a sua responsabilidade pelas affirm~oes que implicitamente fazia quanto a sua elevada cultura intellectual e educaçiio religio5a aprimorada excediam a da pobre gente do povo, que imaginava ver signais extraordinarios onde quando muito haveria meros e!leitos de luz, mais apparenres do que reaes. D'ahi a momentos, 04tra senhora, que estava ao nosso !ado e que até entao troçara de todos os que assegu• ravam esrar vendo signaes mysteriosos no ceu, olhou para o sol e, de. pois, voltando-ie para os circunstantes, disse num tom serio e grave: «Mas, realmente, ve-se agora o que querque seja de extraordinario.» Decidimo-nos en:ao a olhar de relance .para o ceu e, com grande surpreza e estupefacçao, vimos deante dos nossos olhos o phe,1omenode 13 de Outubrode 1917 embora com menor intcnsidade e durante menos tempo e sem as explosoes lurninosas desse dia. Arrependemo-nos de ter sido tao severo e tao rude para com o proximo. Concluidos os actos religiosos, traçamos discretamente impressoes s@bre os signaes do ceu . .::om amigos n~sos e outros peregrtnos conheci• dos, que nos pareciam pouco acessiveis as influ<;_ncias da suggestao e da auto-sugsestao. Muitos affirmavam ter visto os signaes, outros negavam, accrescentan~ dt> estes, quasi todos, que nao haviam olhado para o sol. No dia se~uime, na estaçao de Chiio de Maças, um dos espiritos mais cultos de Portugal, com (ar~a folha de serviços a causa da Egre1a e da Patrla1 affirmou-n01 tèr visto durante a m1ss11, um ph~ •I


nomeno inteiramente identico ao de 1917, conforme o descreveram os jornaes daquelle tempo. Dias depois leinos em A Epocha de 16 de Outubro, numa chronica do ·enviado especial daquelle diario a Fatima, umas allusé5es desprimorosas para os que <leclaravam ter visto coisas estranhas, phcnomenos indcscriptiveis. Suppunha o jornalista que esses phenomenos eram productos de suggestao ou de crcndice ignorante, affirmava que tinha olhado o sol e nao tinha visto nada e concluira, dizendo que <rnao acreditava nessas cousas estranhas nesses ~henomenos indescriptiveis qu~ alguns 1ngenuos de boa vontade julgavam ter visto». No dia seguinte recebemos do nosso illustre interlocutor da estaciio de Chao de Maças, escripta da ~ua casa do Alemtejo, urna carta vibrante de indignaçao em que lamentava as cxpressoes do reporter de A Epocha. Quando acabamos de ler esta carta, escrtpta por urna g_rande figura da nossa terra, nota ve! pelo seu caracter, pelo. seu saber e pelas suas virtudes, sent1mo~ sinceros e vivos remorsos do nesso procedimento para com os pobres filhos do povo, de cuja ~implicidade dcsdenhavamos, a semelhan.ça do phariseu do Evangelho, negando• corno o dito reporter, mas com maior respoosabilidade do que elle o quc os outros diziam ver, ma~ qu~ n6s ainda nao viamos... V. M.

Hs curas da \!atima Abrimos neste segundo numero da

Voz da Fdtima urna nova secçào su-

bordinada a epigraphe «As curas da Fatimac, em que todos os mezes iremos publicando, dentro dos limites compativeis com a estreiteza do jornal, a descripçao de curas interessantes de que temos conhecimento e de outras que os nossos presados leitores se dignarem communicar-nos, desejando que o façam sempre com a maior somma possivel de esclarecimentos, pormenores e indicaçoes uteis para o estudo consciencioso do facto respectivo. C~mo s6 a Santa Egreja tem auctoradade e competencia pa'ta reconhecer a sobrenaturalidade de qualquer cura extraordinaria, é claro que submettemos inteiramente ao seu juizo as afirmaçoes e apreciaçoes q~e neste logar se fizerem, estando d1spostos, corno· filhos submissos a repudia~ tudo o que ella por vent~ra achar d1gno de censura no qué aqui .se escrever. Toda a COFrespondencia relativa a .esta secçao deve ser enviada ~o di.rector o ex •m<> e re mo da Voz da Frt,·,,.,,. " ,,.,.,., v. sr. Dr. Manuel Marques dos Santos-Leiria. Do nosso volumoso dossier sObre as curas de Fatima, extrahimos hoje os documentos que em seguida transcrevemos e que os amigos do nosso jornal certamente hìio de Jer com muito agrado. cQuinta d'OttJ-Correio d'Orta ••• _Sr. Visconde de Montello-Junto env10 a V. a descripçao dum mila.ire de Nossa Senhora da Fatima, pe-

dindo a V. o favor de o publlcar quando lhe fòr possivel. Na ocaslllo em que o meu sobrinho esteve doente apparecia no semanario catholico A Ouarda urna série de artigos em que se narravam alguns milagres intercessao da mesma atribuidos Senhora da Fatima e cuja leitura me suggeriu a idéa de recorre_r a San~ssima Virgem sob essa invocaçao, promettendo enviar a V. a descripçao do facto, se Ella se t1ignasse ouvirme. Ja ha mais tempo devia .ter cumprido este meu dever, mas ignorava para onde havia de remetter a carta. Justamente agora tive conhecimen~o do livro publicado por V., com o t1tulo: Os episodios maravilhosos da Fdtima e nelle vejo a maneìra de me dirigir a V. - Pedindo mii desculpas da minha ousadia. subscrevo-me com toda a considt:raçào de V., etc.

PROVISAO JOSÉ ALVES CORREIA DA SILV A, POR GRAçA DE DEUS E DA SANTA B1sro DA n,ocEse

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D. Maria do Carmo da Camara ( Belmo,zte),. Segue o documento a que se refere

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carta que preced'e:

-.Oraça alcaflçada por intercessào de Nossa Senlzora do Rosario da Fatima. - Em prùzcipios de Maio de 1919 tinha um sobritzlto gravemellte cnfermo. Era de compleiçào bastante /roca e, tendo jd 13 mezes, aituia !lii.o tùzha dente nenltum. Ora!ldes eram as mùllzas apprelzensòes e o med;co 11ào ti!lha duvidas sobre a gravidade do seu estado. Qae jazer nesta a/Jliçào? Invocar Maria Santissùna do intimo d'alma para que ifltcrcedesse por mim junto de seu Divino Fillzo e dispensasse a sua matemat protecçfio ao itmocentinlio. Tinha collhecimento da protecç/J.o da Santissima Vireem sob a ùzvocaçào de Nossa Senhora da Fatima peto relato publicado no jornat e.A Ouarda>. Com este novo titulo çz invoquei e, tendo collocado sob o traves• seiro da creança uma porçào de terra do logar das appariçòes, constatei que, logo depois, sem iflcommodo, l/ze appareceu o primeiro deflte, e o segundo justamente no dia treze de Maio, allniversario da primeira appariçiio. O seu estado geral mellwrou e a de11tiçào continuou a fazer-se bem. Assitn fui /evada a reco!llzeccr que mais urna vez a gloriosa Mae de Deu.s por este facto, que considero miraculoso, manifestou a !Ua proteccào a quem assim a invoca, para que desappareçam as duvidas que se leva.ntam sobre a realtdade da sua appariçt!o em Fdtima. Fiz promessa de, sendo ouvtda a mirzha préce, tomar publica a narraçilo que acabo de fazer, · pois crelo, emqua,zto a Eereia 1lilo disse, o colltrario, que mais uma vez em Fdtima a Santissima Virgem veto a terra escolher sitio ond~ um novo sanctuario lhe seja dedicado, para que setts fithos saibam ser fervorosos no cumprimento dos seus deveres dt christàos e caminlzar pela estrada da virtude, que é a que conduz d possivel felicidade neste valle de lag-rimas e a verdadeira e eterna felicidade do Ceu. D. Maria do Carrflo da Camara (Belmonte)-Quirzt.1. a'Otta, 22-X/ -921.» V. de M.

DE LEIRIA:

Aos QUE ESTA NOSSA PROVIS~\O VIREM: SAUDE, rAZ E BENçAo EM Je:sus CttRIS· TO, Nosso SENHOR E SALVADOR:

I

( Contiuuaçiio)

T

ODAS

estas generalidades sobre o miln-

Etre vem o proposito do muito que se tem

dito e até escripto sobre certos factos passados na Cova da Iria, freguesia da Fatima, vi~airaria e concelho d'Ourem. Nao é nem pode ser indiforente a acçiio pastora! que fomos chamado~ a desempenhar nesta diocese de Leiria qualquer facto que se ligue com o culto da 'nossa Santa Religiiio. Mais ou menos todos os dia,, mas espe• cialmente no dia 13 de cada me~, ha na Fatima grande concorrencia de pe~soas vindas de toda a parte, pessoas de todns as cotegorias socii1is que vlio ahi orar e agra decer a Senhora do Rosario beneficios que, por seu intermedio, tèm recebido. Conta-se que no an'.' de 1917 houve alli uma serie de phenomenos presenciados por milhares de pessoas de todos a~ clas~es da sociedade e anunciados com bastante antecedencia por umas creancinhas rudes e simples a quem, diziam, a Senhora nparecera e fìzera certas recomendaço~s. DJhi em <lionte nao mais deixou de haver concorrendo. DJs tres creaoças que se diziam favorecida~ pela Apariçao, faleceram duas antes da nossa critrada nesta Diocese. Interrogamos varias vezes a unica sobrevivcnte. A sua narraçao e as suas resrostas suo simrles e sinceras-nt:las niio Ji:scobrimos nada contra a fé e moral. Poderia exercer 11quela creanç.i, hoje de 14 anos, urna 11~flucncia tal que explicasse a concorrenc1a do povo ? D1sporio ella de tal prestigio ressoal que alli arrestasse aquelas mn~sas humanns 'f l :nror-se-ia pi:las sua'S qualiJades rre.:oces a pomo de fazer com•ergir para junto d'eli1 tantos milhares de ressoaa? Niio é provnvel-tratando-se de urna crennça sem instruçao de especie alguma e d'urna rudimentarissima educaçao. Demais a mais a pequena saiu da terra, nuoca p,ais la &{)areceu - e nao ob,tante o rovo acorre ainJa em maior numero :i Cova J1:1 Iria. Explic1ra ror ventura este ~j11nt11mento o apr.rnvel e pitoresco do locai? Nao. E' um s1tio ermo, vuJgar, sem arhorisaçao, sem agua, longe do caminho de f.:rro, p1rd1.to nas dobras d'urna serra, desp1Jo Je todos os atractivos naturaes. Ira o povo por causa da Capela ? As pessoas devotas tinham editicado alh uma pequena ermida, tao pequenina que oem se podia celebrar a Santa Missa dentro d'ella. No mes de fevereiro d'e1te ano, un~ infelize5 cuja ma acçiio a Virgem Sanmsima perdoe, foram I:\ de noit e e com bombas dc dinamite destruiram-na, lançanJo.Jhe cm seguida o foso. Aconselhumos a 9ue nao se recdificas,e - niio so na previsao de novos a ten tados, mas tambem porque queriamos exr,t:rimentar os mo11vos que levam idi tanunho ajuntamcnto de povo . Poii bem. Lo11ge de diminuir, a multiJiio é de cad.i vei: rn .us nutn~roSJ,

••• A Allctor1d.ide eclesiastica tem-se mantiJo na cxpeccntiva. O Rev. Clero Jesdc • princi~io absteve-se de tomar parte em qualquer manifestaçao: ap:nas uluma'Tlent~ 1 permitlmos que houvesse la urna Missa resada e sermio nos dias de granJe concorrencia popular. A Aucroridede civil tem emprtgado todo~ os meios-inclusivé as penegu1çou, prisoes e nmeaça, da 1od11 11 ordem pua acabar com o movimento reh~ioso nequele logar. Todos esso~ esforços tém ~ido infrutife ros. E nini;nem podera 1dìrrunr q_uc a' Auctorid11dl' eccJeqi~scica imrulwine a fé OMI Ap~rl<;C>-s n:u1to pelo con trùri,, . E111 vista dc quanto acabamos dc ur,or, par~·

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Woz da Fé:thnn.

ce-nos ser nossa ohrigaçao estudar e man. dar estudar es te caso, e organisar o processo ~egunJo a1 leis canonicas. Para este efeico oomeamos a seguiate Comissao: Rev. Joao Quaresma, Vigario Gera! da Diocese. Rev. Faustino José Jacinto Ferreira, P.rior do Olivai e V1Etario da Vara de Ourem. Rev. Dr. Manuel Marques dos Santos, Professor do Seminario. Rev. Dr. Joaquim Coelho Pereira, Prior da Batalha. Rev. Dr. Manuel Nunes F'ormigao Junior, Professor do Seminario Patriarchal, com auctorisaçao de S. Em.cin. Rev. Joaquim Ferreira Gonçalves das Neves, Prior de Santa Catharina da Serra. Rev. Agostinho Marques Ferreira, Parocho da Fati11Ja. Esca Comm1ssiio agregar4 a si ou proporli a nomeaçfo de ptritos (c. 2088, § 3; 2113 § I e 2). Nomeamos o Rev. Dr. Manuel Marq,ues dos Santos promotor da Fé, o qual receber4, segundo as regras do Direito, o depoimento de tes temunhas quanto possivel ocuJares (c. 2040). Para euxilier o R. Promotor da Fé nomeamos corno notnrio, o R. Manuel Pereira da Silva, Professor do Sem1nArio. Ordenamos a toJos os fieis da nossa Diocese (c. 2023-2025) e pedimos aos de Dioceses extrenhas que deem conta de tudo quanto souberem quer a favor 9uer contra as apariçoes ou facto11 extraordmarios que lhes digam respeico, e testifiquem especlalmente se nellas houve ou ha qualquer exploraçao, supcrstiçiio, doutrinas ou cousas dcpr1mentes para a nossa Santa Religiiio. Qualquer dos membros da Comiss!io fica auctorisado a receber nomes dos 9ue dcvem ou querem depor, os quaes serao chamaJos na devida alturo.

••• lei d11 historia,

A primeira afirmava o grande Papa Lelio Xlll, é nunca dizer falsidades; a segunda é ounca recear dizer a nrdade. A lgreja tem sede de verdade, porque foi fundada por Aquelle que dis$e: 11Eu sou a verdade.... Por isso, se os factos, passados na Fatima, que se apontam corno sobrenaturaes, slio verdadeiros, agradeçamos a Nosso Senhor que se dignou mandar•nos viaitar por sua Santissima Mlie pare augmentar a nossa fé e corrigir os nossos costumes;-se siio falsos, conveniente é que se descubra a sua falsidade. Nos tempos de duvida e desorganisa5ao que atravessamos, é de tal importancia JUI• garmo-nos e estar de posse da verdede que esta conscienc1a basta para resistir a todas as cootraried&des e ,encer todos os obstaculos. A duTida enerva e mata; a verdade ale,nta e vivifica. A verdade é a grande força que a Igreja tem possuido tempre e ninguem lh'a tira. Podem armar contra ella perseguiç6es e fazer correr rios de sansue; podem arran• car lhe os bens materiaes e reduzi-Ja 4 mendicidadc;-escarnece-la e ludibri,-la. A lgreja, de posse da verdade, fica de pé no meio do tumulo dos seus perseguidores.

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Continuemos a invocar a Virgem Mae do Céo, sejamos exectos no cumpr1mento dos nossos Jeveres christiios, sejamoa catholico1 de palavras e de obras, eapalhemos a Oraçlio do S. Rosario e esperemos Pf.lo Juizo da Santa lgreja, certos de quc esto serà o echo do Juizo de Deus. Esta nossa Provisao sera lido em todu as ign:jas e capellas da Nossa Diocese para que d'ella todo1 tomem perfeito conhecimento. LeiriB, 3 de Maio, dia d.L Jnvençiio da Santa Cruz, de

,9,,.

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JOSE,

BJSPO DE lEIRIA

l'\EZ DAS AtJY\AS Judas Machabeu, ap6s um combnte em que pereceram os seus soldados, mandou fazer um peditorio e coviou para Jerusalem as esmola, colhidas, afim de se offerecer ~m sacrificio pelos soldados mortos cm

campanha- pois é um santo e salutar pensamento arar pelos mortos par4 qu.e sejam livres tle seu.s pecados. Tal era a crença na dlìcacia do sacrificio, da oraçiio e das obras boas para suffragar as almas dos mortos.

• Nosso Senhor Jesus Christo, longe de reprovar esta crença- confirmou-a e recomendou-a. Os A postolos prégaram zelosarnente e encareceram esta devoçao. Ajuntae-vos dizem as Constituiçoes l\.postoi'icas,

nos cemiterios, fazei a leitura dos livros sa[!rados, cantae Psalmos em honra dos martires e de todos os santos, e tambem por vossos irmtios qae morretam no Senhor - e ofjerecei depois a Eucaristia.

Esta devoçao atravessou todos os seculos e fixou-se em todos os paizes. O culto dos mortos mereceu a todos os povos o mais carinhoso acolhimento. Fundaram-se irmandades e contrarias de socorro as bemditas Almas do Purgatorio, instituirarn-se legados pios e anniversarios, multipli· caram-se as devoçoes, e os Surnmos Pontifices e Prelados da Santa Jgreja nao se cançaram de exhortar os fieis a applicaçao dos suffragios pelos mortos. E os fieis acudiram sollicitamente a voz dos seus Pastores. E' bem tocante o costume das ementas em que todos os domingos sao le~bradas a piedadé das familias as almas das suas obrigaçoes. Pelas ridentes aldeias do Minho é frequente encontrar, a borda dos caminhos, uns pequenos nichos de pedra, cobertos com a sombra d'um secular castanheiro nos quaes por baixo d'urna pintura representando o Purgatorio se le o comovido brado: «O' v6s que ides passando, lembrae-vos de n6s que estamos penandon. E o carninhante aproveitando a sombra benefica para repousar, ora pelos seus queridos defunto3• e deixa urna pequena esmola no nichosinho. Aqui na Extremadura é deveras impressionante ouvir o e/amor das Santas Almas, que os rapazes dos diffcrentes logares das paroquias vao entoando de porta em porta, n'uma romagern enternecedora, colhendo esmolas para mandarem rezar missas pela~ Almas.

. HOJC,

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Os cuidados absorventes do comercio e do industrialismo, a sede de enriquecer e a ancia de subir na escala socia!, iriio arrcfecer o culto dos mortos? lançar no esquecimento as Almas que soffrem no fògo do Purgatorio? Conservemos lntacto o thezouro dc devoçao que recebemos de nossos paes e leguemo-lo aos nossos vindouros. As Almas .do Purgatorio so(lrem la tormentos inauditos. O fògo que as abraza nao é menos intenso. no dizer de alguns theologos, que o do Inferno, com a diflerença s6 de ser tempor11rio e temperado pela esperança segurà da libertaçio d'aquele tenebroso carcere.

Socorrer as Almas do Purgatorior Assim o exige a gloria de Deus, que no Ceu ternamente aguarda os

seus_ :leitos; a~lm o exige a nossa grat1dao, que nao p6de ser indiferente aos queixumes d'aqueles que no munda sumamente se interessaram po_r ~6s; assi m o e~ige o nesso proprio 111tercsse que, JUnto de Deus, tera os methores defensores nas almas que libertarmos por nossos sufragios.

A. M.

Voz da Fatima DespeHa. Composiçao, impressao e papel de 6:000 exemplares do 1.0 numero..•.. Ctic/Jés e outras despeza~ Soma.• Subscripçao Transporte••..•••• Augusto Reis.•..•..•• Dr. Luiz d'Oliveira.••.. Anonimo.•...••••••• Dr. A. F. Carneiro Pacheco D. Emilia Neves•...... Padre Jacinto A. Lopes•• D. Filomena Miranda ••• Anonimo ••••....••• P.e M. Marques Ferreira D. Joaquina A. Pinto Baptista .......•..•• Um grupo de seminarlstas de Vìseu . . • • . . . . . • D. José Maria de Figueiredo da Camara (Belmonte) . • . • . . . . • . •

Oiberto F. dos Santos .• D. Maria da Conceiçllo Alves de Matos .•••. Manuel Antonio Lopes •• Anonimo ..••..••.•• D. Maria Eduarda Vasques da Cunha •.•... D. Laura de Avelar e Silva D. Leonor de Constancio Padre Joào F. Quaresma Padre J. F. Oonçalves das

Neves . .......... .

220:000 43:900 263:900 550:000 5:000 15:000 10:000 20:000 10:000 10:000 10:000

4:400 10:000

10:000 10:000 10:000 10:000 10:000 10:000 7:500 10:000 J0:000 12:000 10:000

10:000

D. Anna Corrente Soares l 0:000 Condessa de Mendia..• 10:000 Padre Augusto José da Trindade.....••..• 10:000 D. Maria d' Apresentaçào D. Oonçalves ..•..• 20:000 Padre Manuel Ant6nio da Concelçao •••••• 10:000 D. Magdatena R. Mendes 10.000 de Matos ••••••.•• D. Luiza Magdalena d' Al· buquerque.•••••••• J0:000 D. Maria Julla Marques Ferreira . ........•• 5:000 10:000 Manuel Ribeiro da Silva 10:000 D. Amelia L. Mendonça D. Aurora Barbara Charters d' A. Lopes Vieira 10:000 Padre Candido Mala •.• 10:000 D. Carolina Isaura Lopes Card oso•••••..••• 6:000 O. Albertina Cardoso ••• 2:000 D. Maria Joana Patricio • 10:000 15:000 José d'Oliveira Dias .••. Soma. • • • • 931:900 O nosso jornal é distrlbuldo gratuitamente nos dias 13 de cada mès na Fatima. Quem envlar a esta redacçao a quantla de dez mli réis tera diretto a ser-lhe enviad:1 A Voz da Fdtima:.

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pelo correlo durante um anno.


LEIRIA, 18 de Dezembro do 1.922

.Ano I

(COM

APROV Aç.A.O ECLESIASTICA)

Director, Proprietario e Editor

DOUTOR MANUEL MARQUES DOS SANTOS Composto

e

N.0 S

impresso na Im r rensa Comercial, é Sé -

13 de Novembro Na f6rma dos mcses anteriores, realizou -se tambem no passado dia treze de Novembro, na Cova da Iria, a costumada commemoraçào mensal religiosa dos acontecimentos maravilhosos da Fatima. O ceu conservouse sempre limpo de nuvens e o sol dardej ou sem cessar os seus raios vivissimos que distribuiam prodigamente por toda a\ natureza luz e calor. A,o meio dia e meia hora, pouco mais ou menos, principiou a missa que foi celebrada pelo rev. Joaquim Ferreira Gonçalves das Neves, Prior de Santa Catharina da Serra. Durante a missa rezou-se o terço, entoando-se alguns canticos piedosos por occasiào da cornmunhào. Receberam devotamente o Pao dos Anjos algum~s dezenas de pess0as. Depois da missa o Rev. Dr. Manoel Marques dos Santos, professor no Seminario de Leiria e director da «Voz da Fciti!f18>, a convite do rev. parocho subao ao pulpito e proferiu, de improv~so, urna locante allocuçao, em que d1scorreu sobre a necessidade da penitenc!a para obter a salvaçi'io eterna, fnsando que por penitencia se devia entender sobretudo o arrependimento dos peccados, a confissao sacramentai e a conformidade com a vontade de Oeus em todas as tribulac;òes da vida. Fòram distribuidos muitos exemplares do segundo numero da «Voz da FAtima>, que do mesmo modo que o primeiro numero, despertou, corno era natural, 0 érnalor interesse. Estavam presentes e rea ,te mii pessòas, vindas na sua gra nd e rnaioria, das povoaçòes visinhas. O concurso de fieis ao locai d~s appariçòes neste dia foi muito '1aminuto, se o compararmos com o do~ outro~ méses, por motivos bastan e Qbv,os : a commemoraçao do m~s precedente que attrahiu innumeras o~c:"0~s que nào poderiam voltar C?m fadhdade logo no mes immediato,. a ctrcunstancia de nào passar o anniversario de nenhuma appari~lio, "' g·a 1de intensidade ùos trabaJhos agricolas nesta epocha, etc.

Admlnistrador: PADRE M. PEl?EIRA DA SILVA REDACçAO E ADMl!'ltSTRAçAO

EU.AD- N"UN"O

ALVA:RES l?EREIR.A

(BEATO NUNO DE SANTA MARIA)

Leiria

se~re, e que no dia 13 de Outubro lhes dirla um segredo. Esta voz correu logo pelos logarrjos em redor mas ninguem podia acreditar, parecendo quasi impossivel que a Virgem baixasse dos céus a terra e viesse aparecer a tres rudes crianças nas chas asperas e aren6sas da Serra d' Aire. E' chegado o dia 13 de Junho e eu desejoso por saber o que se passa encaminho- me para o locai afim de me certificar do que ha de verdade. Eram 11 e a/ 4 quando chego t dita Cova e encontro ali na espectativa umas 12 pessòas. Dirijo-me a alguem e pergunto: Entao onde estao essas crianças que v~em aqui N. Sr. 8 ? e urna voz me responde: espére que ainda nao é tarde. Pasgados momentos eis, af veem elas, acompanhadas LUCIA Dè JESUS, PROTAGONISTA DAS APARiçOES dum pequeno grupo. Ajoelham-seI junto da celebre azinheirinha e4>rinDurante os actos religiosos a mulcipiam a rezar o terço. Conto as pestid au guardou o maior silencio e resòas e vejo que estào presentes umas colhimento, ouvindo-se apenas o 40. Terminada a Jadainha a Lucia murmurio cadenciado das oraçòes di2: «la vem Eia> e manda ajoelhar. recita,fas em comum. i\ntes e depois Principia interrogando e respondendo da 1111::ssa a multidào maravilhada roa algue.m que os meus olhos nào véem deou o poço, de muitos metros de nem os ouvidos ouvem. E' a segunprofundidade, ha pouco concluido, da apari<,,ào e mais urna vez ali aflrma que a agua limpida da nascente, reperante o reduzido numero de espebentando ultimamente com força, em ctadores-porque ainda se lhe nao seguida as primeiras chuvas do Oup6de chamar crentes que Eia lhe tono, encheu completamente, a ponesta dizendo que vem ali todos os to de tra~bnrdar. A's quatro horas da mezes e que a 13 de Outubro sera a tarde raros eram os devotos que ainultima vez e entào dira um segredo. da se encontravam junto da capéla A Lucia volve o olhar através do comemorativa das apariçoes, rezando espaço corno que a acompanhar com as suas ultirnas préces e fazendo as a vista alguem que se eleva e corno suas saudosas despedidas gloriosa estasiada vai indicando o rumo que Rainha Jo Santo Rosario. eia leva até se perder no Infinito. Eu como descrente quero negar mesmo VISCONDE DE MONTELLO até tudo que estou vendo mas contemplando a atmosféra vejo que tudo se encontra turvado. Parece que duas • « ••• correntes de ar opostas se veem encontrar ali levanta11do urna nuvem de Em maio de 1917 · correu um boapoeira. O tempo escurece e pareceto qui: H~s cli , . is - pastores de m~ estar ouvin 10 uin trovào sub-tergado r,t" lo r •c· t.rnd •l o terço em c0ro r,,1. itin da , ·01,a u:i lria, fregueranN). Sinto 4ue a temperatura é quazia d.: F,itinw , lh~!t 1in!J·a aparecido si sobren::itural e tenho medo de esuma senhora vesti la de branco ditar aJi. Regresso a casa pensando em tal k,10meno e cogitando urna mazendo lhes que nào tivessem medo nein <le u intr<:pretM. Minha mlle que erJ N. 5e11hora do Rosario; que perp•.nta-me o que vi, ao que responvies-~em ali tod!'S os me,zes no dia do que nao sei, mas ten!10 a certeza 13 rczm o terço que lhes apareceria

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-----------Sr. Promo tor da Fé

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' Voz da, Fé.t-,in:1n, ' ~---~---~------,-------~--------------------------t

que, embora haja misterio, nào vem a ser bom. Nao quero crer e condeno em toda a parte tal apariçào. No dia 13 de Junho ha muito mais concor-

rencia. Oao-se os mesmos fenomenos que no mez passado. A fama alastra e agora o locai é um dos grandes centros frequentados por pess0as de todas as classes. Em 1~ de Agosto aumenta o povo e quem contem;,la a Cova, que forma urna bacia, dos pequenos montes ou outeiros 'que a cercam vè um espetaculo tocante. Oe toda a parte chegam peregrinos entoando descantes sentindo nos viver umas horas felizes. Jà passa da hora e as crianças nào aparecem; o povo espera impaciente quando corre urna voz pnr cima daquela massa de povo que o sr. administrador de Ourem as tinha \evado. Ouvem-se protestos e quando vào começar a debandar ouve-se uma gritaria e4Jlma onda de cabeças voi ve se para o ceu afirmando cada um o que esta vendo. Eu entào olho para o ceu e vejo as nuvens m11dando de còres e correndo em diversos sentidos. O dia 13 de Setembro amanheceu scm uma nuvem no horizonte. Um sol abrazador nos faz procurar a sombra. A Lucia reza o terço hora lndicada. Segue-se a conversaçào com a dita Senhora e assim que dii: la vai eia, o sol escurece a pontos de se ver a lua e as estrelas que circundam o firmamento. O calòr dimlnue e urna aragem nos vem mimosear a fronte. Entào vet.m -se la muito em cima cortando os ares do Oriente para o Ocidente uns corpos muito pequeninos brancos corno a neve. Ha quem afirrne serem pombas mas ve-se perfeltamente que nào sào aves. Na encosta do lado do nascente estava o reven!hdo Padre sr. Joaquim Ferreira Gonçalves das Neves, paroco de Santa Catarina da Serra, e eu corno vejo que talvez esteja olhando sem ver nada, dirijo-me a ele e pergunto lhe o que ve, respondendo-me que nào ve nada. lndico-lhe urna 1irecçao e imediatamente disse que jà esta vendo. Passado o fenomeno. voJ encontrar o mesmo senhor de joelhos pedindo o terço. Parece-me ser este o primeiro ministro da Egreja que rezou em cornum naquele recinto bemdito. O dia 13 de Outubro acorda corno um dia de oesada invernia, embora a eh uva cala· com lentidào. Durante toda a manhll chove sem cessar. Os caminhos e estradas vào repletos de g~nte que vindas de longes terras nào faziam conta que chovesse ern virtu· de de haver muito;i mezes que nem urna plnga cail. Chegados ao locai 1am acendendo fogueiras até que se apruximasse a hora. Ao loi:ar da Ch·:1ioça, que dista urna legoa, fòram ficar rnuitas pess0as entre elas dois senhores, um sr. F·~rrelra, de Lelria e outro de ao pé das Caldas, que dizt!m . u o tdre e dr. No dia st!guinte, com ll ctwvesse muito e nào estando acostum ,dns ao n~or do tempo, nào podiam seguir viagem demais nào tendo com que se resguardar da agua. Niio havia quem emprestasse guar-

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das chuvas porque os que havia eram poucos para as precisòes. Eu entào peguei num inutilizado e dando-lhe um concerto servlu para um e ao outro emprestei o meu, indo sem ele, . chegando tambem todo a escorrer. Chega-se o momento da apari.;ao e passa-se o que todo o mundo sabe. O sol gira em torno de si mesmo e todos que se encontravam molhados aparecem enxutos corno fui eu um deles. Apareceu um sr. de Leiria a distribuir ilustraçòes com os retratos das tr~s crianças e de N. Senhora, encarregando-me dum maço apezar de me nào conhecer. Odi para o futuro encontra-se ali sempre um movimento de vai-vem de gente dominada pela fé: uns pedindo favores e oulros agradecendo graças concedidas. Vem a gripe pneumonica que assolou o paiz e ai acorrem os crentes formando procissòes nas suas terras, indo através das serras peJcegulhentas e das charnecas desertas, altas horas da nolte, debaixo dos mliores vendavais pedir a essa Virgem consoladora dos af11tos, proteçào e misericordia. A fé vai aumentando e de toda a parte se ouvem afamar os milagres. Eu, apesar de tudo continuava a descrer, seguindo a prudencia da Santa Egreja. Havia 12 anos que eu padecla do estòmago; vomitava tudo que comia. Consulto os melhores medicos com a esperança de me curar por meio da medicina, mas debalde o faço • Estou desenganado mas restam-me ainda os hospitais de Lisb0a corno unico recurso. Dirijo-mc ao hospital de S. José, sou observado pelo sr. dr. Damas Mora, director do Banco do mesmo hospital. Como o meu estado fòsse pouco satisfat6rio o mesmo sr. mandou -me baixar ao hospital do Destèrro onde me operou a 18 de Dezembro de 1917 tendo corno ajudantes (ainda que nào me recorde bem) os srs. drs. Hermano Medeiros e Bai~ bino do Règo. Oevldo ao muito frio constipei-n1e e, fòsse por isso ou por outra causa, no dia seguinte estava ardendo em febre e com urna pneumonia. E' chamado o médico de serviço e, depois de me observar bem, diz que estou irremediavelrnente perdido. Tenho os pulm0es ambos atacados; a febre esta sempre acima de 40 graus. Mandam me aplicar ventosas umas ap6s outras, mas era preciso tornar remédios que combacessem a febre e isso é impossivel porque no estomago nào p6de entrar nada. A operaçào era das mais melindrosas e por conseguinte s6 podia esperar a morte. Estava quasi sempre variado mas, nos pequenos intervalos que tinha lucidez, pensava na minha situaçao e via que era critica. Vejo que m0rro num hospital sem o conforto que os ministros durna religiAo levam as almas n;is negras e a:ribuladas horas; sem v~r cabeceira do meu leito urna màe, lrmàos, irmàs, pess0as de fami~ lia e amigos que me animem e fortaleçam. Antes que baixe ao covai dum cerniterio quero ainda escrever a minha màe dizendo-lhe que m0rro, que

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peça e mande pedir por mim, que ali nào tenho quem o faça. Esse pedido fol feito pelo reverendo paroco de Santa Catarina pareceme que em dia de Nata! A missa das Almas.'Do mundo n~o posso esperar nada e entao vem-me a imaginaçào tudo que se passou nessa Cova bendita, dessa Virgem que disse ser a Consoladora dos afl itos. Bem s~ que tenho de morrer mas é triste nào ter a consolaçao de ver nesse momento cruciante e transe doloroso, em volta de meu Ieito, quem ore e de conforto. Entào animado com urna grande fé peço a Nossa Senhora do Rosario da Fatima que, se possivel fòsse eu ainda poder um dia ir a minha terra ver minha familia, faria urna festa em sua h oora e mandaria prégar um sermlio, indo ao locai rezar um terço. No dia seguinte ja Mo tinha febre e passados dois dias estava completamente curado dos pulmòes. Aos medicos parecia um son ho, quando me julgavam morto aparecialhes curado. Poi a medicina? Nào porque n~o tomei remedios .. Entà~ urna pneumonia e febre a 40 grnus cura-se em trez dias, e por acaso? J escaparia alguem operado do estomago que fosse atacade por urna pneumonia? Que responda quem souber. Poderào dizer que melhorava da mesma forma, mas corno tenho a certeza que so escapei por melo dum grande milagre e da grande fé com que me apeguei com N. Senhora, heide dizer isto sempre e em toda a parte, custe o que c.ustar. Essa promessa mandei encarregar o sr. prior de Santa Catarina de a cumprir assim corno prégou o sermào em acçào de graças na dita festa na pequena ermida da Chainça em Setembro de 1919. A Cova da lria é para mim um cantinho do Céu a quem devo a vida .•• Desculpe V. o tempo que inutilmente lhe tomei. Sou um humilde cat61ico que vejo na religiao que professo o unico pedestal onde o mundo se firma. S. de V. m. 10 a.10 ven. 0 r e obg.0 .-lnacio Ant6nio Marques, de 26 anos de idade, natural da Chainça, freguesia de Santa Catarina, filho de José Antonio Nùvo (falecido) e de Josefa Marques, residente em Lisb0a, Rua dos Herois de Kionga, 43.

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Aos 23 de Novembro de 1922.

lnacio Antonio Marques empregado nos Correios»

lnformacoes uteis As pess0as que quizerem ir a Fatima utilisando a locomoçao ferroviaria, p6dem tornar bilhete para as estaç0es de Leiria, Torres Novas ou CMo de Maçàs, devendo partir na vespera do dia em que desejem fafazer a visita ao locai das appariçòes. Em todas as tr@s estaçòes de caminho de ferro ha carros de carreira, respectivamente para Leiria, Torrea Novas e Vila Nova d'Ourem, mas apenas na de Leiria se encontram sempre logares disponiveis em grande numero. Tambem s6 naquella cidade existem hoteis com todo o conforto moderno, corno o Hotel Llz, o Hotel Centrai e o Hotel Marques, havendo


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Voz da Fatima ainda muitas casas particulares que recebem hospedes. Uma comissao permanente presidida pelo ex.mo Comendador Joào Cortez da Silva Curado, encarrega-se obsequiosamente de ~o_rnecer esclarecimentos e prestar aux11to aos peregrinos afim de conseguirem alojamentos e transportes sem correrem o risco de ser victimas de odiosas especulaçoes. Os reverendos dr. Manuel Marques dos Santos, no Seminario, e dr. Sebastiao Brites, na Sé, darào aos peregrinos as indicaçoes que lhes sollicitarem. Em Torres Novas e em Vita Nova de Ourem tambem se p6dem obter, com relativa facilidade, meios de transporte para Fatima. Lembram nos, entre outras, as alquilarias de Espada e de Francisco Fernandes em Villa Nova d'Ourem e dos irmaos lzidros em Torres Novas. Em 13 de Maio e em 13 de Outubro costuma haver, todos os annos, carreiras de camions de Torres Novas e de Leirla. De Torres Novas o preço de cada Jugar tem sido, até hoje, de dez escudos o maximo, ida e volta, sendo necessario reservar logares com algumas semanas de antecedencia. 0s outros meios de transporte para esses dias teem igualmente ere ser alugados muito tempo antes. De Torres Novas para a f atima um trem para quatro ou cinco pessòas, ida e volta no mesmo dia, nào custa menos de sessenta escuùos. Em occasiòes de pouca concorrencia obteem-se alojamentos ero Torres Novas no Hotel Madeira e em Villa Nova d'Ourem no Hotel Espada e na Hospedaria Centrai de Maria Joanna e irmà. Alguns peregrinos do norte do paiz teem alugado carros em Thomar, onde as alquilarias sao numerosas e estao bem providos de materiai e de gado, para os irem esperar estaçao de Chao de Maçàs chegada do comboio da madrugada do dia 13 e <:Onduzirem-nos mesma estaçào a ftm de tomare111 o comboio da noite. Em Fatima com difflculdades e por favor se conseguir! hospedagem -em casas particulares, de bons camponezes, que nào p6dem proporcionar cornmodidades de especie alguma aos seus hospedes. A distancia da estaçào a villa de Torres Novas é de 7 kilometros, da vita a Fatima cinco leguas atravez da serra e oito leguas por Villa Nova d'Ourem, de Chao de Maças a Villa Nova d'Ourem doze kllometros, de Villa Nova d'Ourem A Fatima doze kllometros e finalmente de Leiria FatimJ quatro leguas.

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Para se 'Cnmprir Rev.m0 Sr. Cltt[!tJU. ao meu cotllzecimen.to que ,no dia 13 do corrente se l,znç,'lram foguetes na Cova d' /ria e até lzavia !;/nh.a para vender no mesm'.J taca/ I Se permiti o culto naquelte logar, f oi com o mani!estaçào d'amor e reparaçào a N iJssa Senhora, cujo auxilio precisamos de rogar, Jazendo penitencia pelas nossas proprias fai-

tas, pelas do nosso querido Portugal e de todo o mando. Aquele lol[ar é d' oraçiio e penitencia. Mais nada. Em vista do que, determino o se• guinte: 1. 0 Nào é permitido o uso de fo· guetes na Cova d'/ria. No caso de algum devoto ter I eito a promessa de os lançar, auctoriso V. Rev.C'4 ou outro sacerdote, no exercicio das suas ordens, a commuta-la, revertendo a esmola a favor do culto a Nossa Se· nhora. 2. 0 Niio é permitida a venda de vinho ou outras bebidas alcoolicas naquelle logar. O abuso do vin.ho é in/etizmente causa de mu.itas profanaçòes e muitas desordens. Nào posso permitir qae o culto a Nossa Senhora seja ocasiào de pecados. Elltarrego V. Rev. c,a , como Parocho d'essa freguezia, de zelar pelo cu.mprimmto exacto d' estas determinaçòes, e, no caso de niio ser obede· cido, o que nào espero, prohibo a celebraçiio da Santa Missa naqu.elle logar, sob pena de suspensào ao Presbytero que ousar faze-lo. V. Rev.c•a lerd este oficio na igreja parochial, de forma que d' elle o povo tome boa noticia para ser cumprlda. Deus Ouarde a V. Rev.c,a leiria, 18 de novembro de 1922.

Rev."' 0 Sr. Paroclzo da Fatima

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JOSÈ, Bispo de Leiria

A Eucaristia

e o Natal

Vae-se afinal comprehendendo que nao ha verdadeira vida christa sem a Eucaristia. lmpossivel a piedade sem a Comunhao frequente. Assim o viio entendendo as almas que por toda a parte desabrocham em ancias d'urna vida espiritual intensa. Urna grande seara loura, apta para a ce1fa, esperando apenas operarios se ostenta no grande campo da lgreja. Nesta tudo gira em volta da Santa Eucaristia, que é o eixo ou o centro deste radioso systemc1 solar das almas. Como Jesus mesmo diz no Santo Evangelho, nao nos deixou orflios subindo ao Céu no dia da Ascenç4o. Ficou realmente presente na Santa Eucaristia. Quando passa nas nossas procissòes é Elle o mesmo que passava pelas ruas das cidaqes.e pelos caminhos das aldeias da Palestina, nada tendo perdldo o seu coraçdo do Amor e compaixao por todos. Nos tronos das nossas lgrejas é Elle que da audiencla as suas creaturas. Nos nossos sacrarios é Elle que as e<ipera, desiluJidas e batidas das ventanias da vida e do pecado. No altar é Elle que se i111:nola medianeiro entre a justiça de Deus t as nossas iniquidades. Na Santa Comunhào é Elle que se déi a n6s para que vivamos a Sua Vi-

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da, ficando Elle a sentir, operar e viver por n6s. Até agora nada perdeu, pois, de Seu Amor. E' por n6s, que agora vivemos, que Elle esta ainda na Santa Eucaristia onde ja nao estaria se a tivesse lnstituido s6 para outros tempos ou outras pessOas. E' certo que todos n6s acreditamos na sua presença e no seu AmOr na Santa Eucaristia, mas o que é tambem verdade, é que procedemos, até os melhores, corno se Elle ali nao estivesse. Nào temos, ordinariamente, para com Elle nem mesmo as delicadesas que as pessòas bem educadas costu• mam ter para com todos. Um extranho e desconhecido para muitos, que somos capazes de passar junto d'urna igreja onde esta e nem sequer pensamos nelle. Quao longe estamos, pois, d'aquelle espirito de verdadeira fé e amor que nos devia animar. Santa Margarida Maria, por exemplo, dizla: «Tenho um desejo tao grande da Sagrada Comunbào que se fOsse necessario andar descalça por um caminho de brazas, parece-me que nada me custaria em comparaçao do que sofreria com a privaçao d'este bem. Nào ha coisa nenhJma que me possa dar alegria senslvel senao este pào de amor; e depois de o receber fico corno que anìquilada deante do meu Deus, mas com alegria tao grande que, algumas vezes, durante a acçào de graças, todo o meu interior esta num silencio e respeito profundo, para ouvlr a voz d'aquelle que é todo o contentamento da mlnha alma. Nas vesperas da Comunhlio sentiame abismada num tAo profundo silencio que nao podia fatar senao éi força, pela grandeza da acçao que ia fazer, e depols de a ter feito a minha vontade era nao beber, nem corner, nem ver, nem falar, tanta consolaç:Io e paz eu sentia. Escondia-me enUlo quanto podia, para aprender a amar o meu soberano bem, que tanto me apertava para que lhe tornasse amor por amor.• Para N. Senhor na Eucaristia devem convergir, portanto, todas as devoçOes. Na Fatima, corno em Lourdes, é Elle que deve ser o objecto principal das nossas atençoes e do nosso cul-

to! Oraças a Deus j~ ha na nossa Olocese de Leiria fregueslas onde as ComunhOes asceodem a c@rca de sessenta mii por anno, o que di urna média de mais de mii por semana. Ao R. Paroco de urna freguesia das mais pequenas da Diocese temos as vezes perguntado: Quantas ComunhOes teve hoje? Poucas, responde elle, s6 49 I Comecemos, pois neste més, urna vida m1is intensamente Eucaristica e assim festejariamos cond1gnadamente o Nata!. Na Santa Comunh:Io teremos a fellcldade de estreitar no nosso peito Jesus Menino realmente presente como outrora nos braços de sua Santissima Màe.


A presença real de Jesns na SS. Encharistia conflrmada pela Historia O menino Jesus na Hoatia Em 1903, os padres Redemptoristas d'Astorga foram dar urna missiio na parochia de S. Martinho de Monzanc:da, arcebispado de Trives. Hav ia poucas esp<:.ranças de resultado, e o desanimo chegou a apoderar-se dos Padres missionarios. Com o Jim de conseguir urna grande assistencia de fieis, annunciaram, para a tarde do dia 20 d'abril, uma illuminaçao extraordinaria, na ocasiao do exercicio chamado de reparaçao. Foi entao que N. Senhor se d1gnou mostrar um raio de sua infinita bondade. Durante a exposiçao solemne do SS. Sacramento, dez fieis que assistiam, d'entre elles o parocho, rapazes e raparigas, de 6 a 19 annos, viram que a Santa Hostia se converteu e transformou n'um formoso menino de um ou dois annos, vestido d'urna tunica. bran_ca. Um d'elles notou que o menrno tJnha as maos crguidas so· bre o pcito e o rosto respla ndecente de raios mais vivos do quc a luz de cem velas, gue compunham a illuminaçao; sete viram-no com physionomia sorridente, os braços estendidos, a face C 0$ maos tao brancas que O comparorom com a cor do papt[ que tÌI b .. m deantc de si para prestar declaraçoes no decurso da informaçao; um s6 viu o corpo do menino, vestido tambem de tunica branca, sem podtr chcgar a ver- os braços e a face, aresar da attençao com que olhava. O rarocho, que <:stava de capa, ajoelhado no degrau do altar, comtemplcu-o durante 20 minutos, vendo os rés e as maos do menino com buracos e seu coreçao descoberto a presentava urna abertura notavel, d'onde lhc parecia ver sa1r grossas gottas de sangue. Urna mulher de 43 annos 8 dias depois, assegurava ter visto 'na custodia, durante meia hora, quando os Pedres estavam a collocar a cruz que costumam deixar nas aldeias corno recordaçao da Missao, um menino muito formoso, vestido de tunica branca com grandes flores de cor encarnada; é a undecima pessoa que disse ter sido javortcida pela visao. Estas informaçoes encontram-se n'utna carta do dr. T. del Barrio, publicada na lolfzpora del Sanctuorlo d'agosto dc 1903 ' O auctor d'eHa carta foi o encarregado pt:lo arcebh,po da diocesse para colh<.r es declaraçocs sobre este facto dlbaix~ de j~ramtnto, e rode obser~ var a s1mpllc1dade e sincl rida de das pessoas fa vorecidas com a vista do prodiij i~. Du e.s ~e~ternunhas, sendo urna o JUIZ munic1pal, arnbas t!ìcolhidas pelo P?VO para attes_tar e assignar as sobr~d1tas dccla raçoes, assc:v<. raram ~ob iuremento que as condiçoc.;s morals dc todos _e de cada um d<•s que depc~crum, ass11n ccmo a c11 (;umstancia de ter<:m presencicdo ~imultaneamentc o prcdigio, retirando-se para suas casas por carninhos differentes e para aldeias difitrrntes; a alcgria e seaurar.ça cc m que elles declaravam o ciue rffirmaram ter visto, sem a me-

nor contradiçao, nao obstante as per~untas quc lhes eram feitas,-tudo Jsto prova d'um modo cluro e evidente a certeza do que declarnvam. Demais o fructo d'essa missao foi abundantissimo corno nuoca, o que esta a mostrar a realidade do facto narrado que alias era a crença immemoravel dos habitantes d'aquella parochia.

O sacerdote ..• Sublime, mas tcmivel situaçao a do sacerdote, vivendo no meio do mundo e nao sendo d'cste mundo ! • , . - Extranho aos negocios do seculo, ao qual com tudo mil la~os o ligam .. ... - Obrigado a ver em cada fam1ha a sua propria, sem pertencer a nenhuma ... Devendose a todos, sem direito de se recusar a ninguem ... - Chamado a curar nos outros as chagas que elle deve ignorar em si mesmo ... - Nao pedindo a seus semclhantes seniio que lhe façam conheccr oc; seus sotrimentos, para lhes deixar os seus prazeres ... - Sempre prom_pto a abrir M desgraçado um coraçao que elle tem de ter _fechado as paixoes ..• - PrC1mpto a 1r onde o seu rninisterio o chama, feliz da solidao que a sua vocaçao lhe creou ... - Indo dos homens a Deus para lhe oferecer as suas oraçoes e de Deus para o h~mem para lhe anunciar o perdao ... -· Conservando-se assim entre o tempo e a eternidadc, o pé sobre a terra onde cumpre a sua missao, a foce voltada para o ceu d'onde lhe veem a luz e a força ! ... Cùmo c;sta vocaç-iio do padre é sublime ! Como ella é temivel para a fraqueza hum&-11a e quanto é digno da nossa sympathia e dos nossos respeitos .iquele, que fiel a0 chamamento Otus a accc1ta com humildade ! O sact:rdote é o homem cujo coraçao comprehcndcu o Coraçi:io de Jesus e que. a seu excmplo, se sacrifica pela salvaçao dos homens' ..• E, em viiita d'isto quem lhe paga a divida de rcconhedmento a que tem tantos direitos ? Porque elle nada pcde, sera isso razao para esquecer esse servo de Deus que, tlle tambem, pode ter os seus sofri~entos, suas_ fraquezas, suas tentaçoes e suas msrezas ? •.• As cruzcs da sua vida sao o dobro das dos outros ! . . . Nao acurdemos a cokra divina esquecendo os seus Christos. - Tenhamos deante de Deus o merito é a gloria de ter ajudado esses paes da:. nossas almas nos seus tra~ttl~C>s e nas suas provas, de os ter ass1st1db nas suas necessidades, afim de que a nossa ingratidao e as nossas friezall os nao forcem a a ba ndonar a n0ssa porta, sa•

ae

cudindo o

po de

seus pés.

O nosso jornal é dic;frihui do gratuitamente nos dias 13 de cada m~s na Fatima. Quem envlar a esta red acç,n a quantia de de.l mii rei.:; tNa dueito a ser- lhe enviada A Vvz da ratima pelo correlo durante um ano.

Voz da Fatima Despez1& Transporte do n. 0 anterior 263:900 Composiçao, impressao e papel de 2:000 exemplares do n.0 2 . . . . . . • • • . • . . 100:000 Outras despezas . . . . . . . 69:970 Soma .. - 424:870 SubaoripçAo Trans porte • . . . . . . . 931 :900 D. Maria da Nazareth d' A Imelda e Silva ...... . 10:000 D. Maria da Conceiçao Ribeiro . . . . . . . . . . • . .. 10:000 D. Leonor Manuel (Atalaya) ....•...•••.• 10:000 Antonio I. Yicente ....• 2:500 José Bernardo .....•• , 10.000 Dr. J. Gago da Camarn .• 10:000 D. Maria José Tinoco Borges .............• 10:000 D. Maria Teresa Moura Pinheiro.......•••• 10:000 P.e A. Santos Alves .... 10:000 P.• Raphael Jacinto ....• lù:000 D. Carolina da Silva Correla de Lacerda Mendes Mimoso .•. , ...•. •. 10:000 D. Estephania Maria da Silva Correia de Lacerda Mendes . . . . • . . . . . . 10:000 Dr. fose Catarino da Si Iva Garcez .•. ........• 10:000 Conego Francisco Maria Felix ............• 10:(10() D. Matilde Guerra Sampaio ...•.•......• 10:000 D. Maria Julia Sampaio Caldas Frazao ..... . 10:000 Dr. José Alexandre Caldas Frazao •.....•... • 10:000 D. Maria da Piedade Paiva 10:ùOO D. Luiza Stadlin . . . . . . • 10:000 D. Maria Salomé Dias Ermida .•..•.••• . ..• 10:000 D. Maria do Ceu Jgnacio B. Morgado (mensa!) 5:000 Esmolas colhidas no dia 13 23:000 Conego F. A. Sequeira •. 12:000 Anonimo .....•..•.• 6:000 P,e Miguel Jorge .•.••• 10:000 P,e Francisco Pereira .•• 15:000 Joào dos Santos Pereira 20:000 Monsenhor A. M. dos Santos Portugal ... , ..• 10:000 Dr. Gonçalo d' A. Garreth 10:000 D. Maria das Dores Tavares de Souza •••.• 10:000 Julio de Moraes •.•.•.. 10:000 D. Elvira Pereira da Silva 2:500 lgnacio Antonio Marques 5:000 P.e Jo4o Lopes Oomes .. 10:000 Francisco Telles d' Andra10:000 de Ratto ..•.•.•• • • Leonardo Reis Baiao .•. 2:500 D. Maria Rosa Cunhal .• 10:000 Antonio Marques Oidio 10:000 A. Rodrigues Pintasilgo 10:000 Julio Gonçalves Ramos .. 10:000 Joaquim Dlas Aroso •... 10:000 Manuel T. de Carvalho.• 10:000 D. Clotilde Raposo de Sous1 d' Alte. . . . . . . . 10:000 D. Maria Yeiga d'l\raujo. 10:000 D. Maria do Carmo Raposo de Sousa d'Alte.. 10:000 D. Maria Carlota dc Mattos Mancellos d' Arai:tao. 10.000 P.e Augusto da Sllva ..• 10:000 D. Celeste Maria de :::,ouza 1O:OOQ Soma • • • l.4'05:400

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LEIRIA, 18 de Janeiro de 1.023

Ano I

(COl\'.I APROVAçÀ.O ECLESIASTICA) DJroc1:or, Proprie-tarlo e E(litor

A.dmlni•trnùor: PADRE M. PE!lEIRA DA SILVA

DOUTOR MANUEL MARQUES DOS SANTOS

REDACçAO E ADMINISTRAçAO

Compos to e impresso na Tmprensa Comercial, é Sé - Leiria

RU.A :O- NUNO ALV.ARES PEREIRA (BEATO NtJ,,o DE: SANTA MARIA)

automovel que nos esperava na estrada e que, atravez da serra, nos conduziu a Torres Novas, e dalli, depois de jantar, estaçao do Entroncamento, onde tontamos o rapido Porto· LisbOa das nove horas e trinta e clnco minutos da noite.

13 de Dezembro I

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Como nos m~ses precedentes, realisou se tambem no dia 13 de Dezembro, na Cova da !ria, a 'commemorac.;:Io religiosa dos acontecimentos dl· Fatima .. Celebrou o santo sacrificio da Missa o rev. Augusto de Suusa Maia, secretario de Sua Excellencia Reverendissima o Senhor Bispo dc Lciria, que subiu ao altar improvisado em frente da capéla das appcirìçoes uma hora da tarde (hora officiai). Pouia computar-se em cerca de mli pcssOas a assistencia que nc:'i.,e momento se comprimla em torno da ara do sacrificio. Pertenciam a todas as classes sociaes, mas eram na sua grande maioria humildes filhos do povo. Faz-se silencio profundo, qu.• se mantem durante toda a missa e _todus ,1j oelharn na terra fria e humI .la. ,\ 111ult1dào cheia de profundo !eSflCi!o pela sanlidade do logar e 1mmersa rm piedosissimo recolhirnento, eleva sem cessar as suas preces fervorosas para o Ceu. O rev. José do Espirilo Santo, parocho do Regucngo do Fétal, s6be ao pulpito e C\ .neç,1 a recitar o terço do rosario, i.1l 1ernadam~11te com o povo, que intem mpc cspun taneamente as suas devoçòl!s paniculares para orar em commum. Ao offt>rtorio a recitaçào do ter~o é suspensa por alguns momento:; a um signal do rev. parocho de Fatima qu e, junto do altar, convida es pessòt1s que desejam receber o Pào dos Anjos a levantar a mao ao alto, para se saber o numero de part:cuh1s que é preciso consagrar. A communhllo, emquanto o celebrante destribue a Sagraùa Eucharistla, o povo cntt>a em cOro o 13emdito esse cantico t~o christa.o tào portu~ &uès e tào popular que ~ossos paes nos legaram corno preciosa herança e que tào sentidàmente traduz a devoc;ào da alma nacional ao Augustissimo Sacramento dos nossos altares. Terminada a missa e resadas as ultimas oraç01:s 1 o rev. prior do Re~uengo do f eta! prégou um substanciu~o sermao, que durou quasi Jres quart"s a'hora, tornando para

VtSCONDE DE MONTELO

Tornae-vos e permanecei Anjos. Peregrinar corno Anjo nesta terra coberta de p6 e nào ser ·manchado de sua iòiundicie, passar por cima de carvòes cm brasa sem se queimar, atravessar por entre espadas sem se • vulnerar, quanto isto é magnifico quanto lsto é desejavel I '

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LUCIA DE JESUS E SUA FAMILIA

thema a invocaçào e Auxilio dos chrisH!os• da Ladainha Lauretana. Um dos pontos mais notaveis e mais intercssan tes do seu discurso foi sem duvida aquelle em que demonstrou que a ignorancIa da doutrina christ~. mesmo nas pessOas mais intelligentes e mais cultas, era a causa mais frequente ùo aIheismo pratico e da indifferença ern materia de religiao. Ap6s as cerimonias religiosas, urna grande parte da multidào dirigiu-se para junto do pOço recentemente aberto na rocha viva, cerca de quarenta metros em frente da fachada da capéla. immenso reservatorio estA cheio d agua, a trasbordar, exactamente corno no dia 13 do mes anterior. Muitas pessoas enchem com o liquido cristallino :iumerosos recipientes de varias f6rmas e tamanhos. Sào ja quatro horas da tarde. O povo começa a dispersar. Distribuemse pelos peregridos centenas de exemplares do terceiro numero da e VOZ DA FATl~IA• Alguns fieis narram commovldamente, num tom dc sinceridade irrecusavel e em termos de urna singelez.i encantadora, as graças espirituaes extraordinarias e as curas maravilhosas com que dizem ter sido favorecldos pela misericordiosa Raìnha do Rosario, sob a, invocaçao de Nsssa Senhora de Fatima. A's cinco horas &ubiamoa para o

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Caracter das peregrinacoes a Fatima A peregrinaçào a Fatima no dia 13 de cada mes reveste um caracter intelramente especial, nao se assemelhando de modo nenhum éis romarias e cirios que hoje se fazem em muitos santuarios do nosso paiz e que redundam por via de regra em desprestlgio da religiao e prejuizo das almas. • Os cirios pagaos do sul e as romarlas protanadas do norte nào téem nada 'de analogo nas outras naçoes, constituindo um triste e vergonhoso monopolio do nosso Portugal nos ultimos tempos. Essas manifestaçOes apparentemente rellgiosas sào muìtas vezes sirnples pretextos para divertimentos e folguedos improprios de christàos que o nao sejam àpenas de nome. Nào raro dao ensejo a scenas repugnantes de embrlaguez e devassidllo e originam inìmizades, desordens e alé assassinatos. Sao lnnegavelmente symptomas lamentaveis de accentuacia e profunda decadencia sob o ponto de vista religiose. que a feiçào piedosa e grave das peregrinaçOes de origem recente te•~ procurado deter na sua marcha graduul e progressiva. A E~H:ja tinha tudo 11 lucrar e nada a perder com o desaparecimento definitivo da maior parte dessas romagens assim òesna-


Voz da. Fé.timn.

turadas e desviadas do seu fim primitivo. Mas em Fatima, a terra cto mysterio e do prodigio, ja nào sucede a mesma cousa. A tembrança sempre viva das appariçOes e dos successos maravllhosos de que aquela terra é theatro, a atmospbera saturada de sobrenatural que alli se respira, o temor religioso que insensivelruente se apodera de todos os que se approximam do centro das maiores manifestaçOes periodlcas coltectivas de Indole religiosa que registam os annaes de Portugal lmpedem a explosAo das paixòes humanas e conservam a dlstancia aquelles que por ventura sejam tentados a visitar o locai das appariçoes sem sentimentos de piedade ou pelo menos de respelto. Por isso os peregrinos durante a viagem entregam-se 11 oraçào, entoam canticos em honra da Virgem ou guardam um silencio r<:lativo que nào exctue a vivacidade natural e innocente de gente moça e a alegria sa das conscienclas sem macula. A'-ai 10 horas da manha ha,na egreja parochial de Fatima missa, communhao geral e bençllo do Santissimo, a que os peregrinos devem diligenclar assistir. O sitio das appariçoes fica approximadamente a dois kilometros e meio da egreja parochial. Quando a concorrencia é mais mumerosa e a auctoridade civil nào se tembra de por embargos, organisa-se um:1 tocante e vistosa procis- sào que sahe do vasto e antiquissimo templo em direcçao Cova da lria. Alli, ao meio dia solar, hora sotemne do contacto mysterioso entre o Ceu e a terra durante as appariçOes, celebra-se, sempre que o tempo o perrnltte, uma missa resada, em que se ministra a Santissima Eucharistia, havendo em seguida sermao, que costuma ser prégado nos dias mais solemnes e de maior concurso de povo por um dos. mais dislinctos ornamentos do pulpito. Como a egreja da freguesia esta beira da estrada que conduz ao local das appariçòes, os peregrinos ainda que nlio se esteja realisando AenhtJm acto do culto oostumam louvavetmente suspender por instantes. naquela altura a sua marcha para fazerem urna breve vjsita a Jesus Sacramentado.

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V.

DE

M:

A pureza comunica ao espirito establlldade, A alma harmonia de afectos, é1 fronte serena alegria, aos othos suave e claro brllho.•.

Sllfel"sti~!'lo De vez em quando o correlo traz

a esta ou aquela pessOa, tida por

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piedosa, um postai ou carta em que se recnmenda, ou antes se m11nda resar uma certa oraçiio e espalha-la por um determinado numero de pessOas; e se assim nao fizer lhe ha de suceder alguma desgraça corno a um pai que peto niio fazer lhe morreu urna fllha unica. Como agora recrudesceu a propa-

ganda desta superstlçao avisamos as pessOas sinceramente relìgiosas que receberem a tal ora~o, a que lhe nào liguem a menor importancla, devendo rasga-la e nao a propagar, pois, com os efeitos superstlciosos de premio ou castigo que lhe atribuem, ou é fruto de pessOas ignorantes, que s6 mal fazem verdadeira piedade, ou, talvez até de perversas que queiram arnesquinhar a propria pledade. Toda a cautela, pois, é pouca.

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Nlio imaginamos nunca todo o bem que fazemos quando f azemos bem.

Hs curas da f utima Temos hoje o grande prazer espiritual de proporcionar aos numerosos amigos da Voz da Fatima a leitura de uma carta em que se narra com encantadora singeleza uma cura sobremodo interessante atribulda a poderosa intercessAo de Nossa Senhora do Rosario da Fatima. Tratase duma creança gravemente enferma, em perlgo de morte imminente e julgada por quatro médicos irremediavelm~nte perdida, que principiou a melhorar e se restabeleceu de todo depois de lhe terem sido ministradas algumas gotas d'agua da Fonte que rebentou no locai das appariçOes. Esta carta foi endereçada em Novembro passado ao ex.mo sr. dr. Eurico Lisbòa, dlstincto médico ophtalmologista da capitai, que se dignou permlttir a sua inserçào no presente numero da Voz da Fatima. Em nome da dlrecçfto deste jornal agradecemos t reconhecldamente ao ilustre e benemerito homem de sciencia tao penhorante gentileza, que constltue mais uma prova do seu grande interesse e da sua nuoca desmentida dedicaçao pela obra de Nossa Senhora do Rosario da Fatima. Publicamos a carta com a redaçao, orthographia e pontuaçao da sua piedosa auctora que, sendo de nacionalidade ingleza, se exprime nao obstante na lingua de Camoes com urna facilldade muito rara em subdltos de Sua Magestade Britannica. E' do teor segulnte:

•2 West Il()»Ah Stret New York Citv N. Y . U. S. America 5-11-1922 Ex. mn Senhor Doator Como flz uma promessa de pablicar uma cura se reallzasse, venho por este melo pedir a V. Ex.• a Jineza de o Jazer. Sou inglesa, tenho vivido em Lisboa 11 anos, mas como tenho Jamilia em Nova York, resolvi viver com e/es. Antes de sair de llsboa pedi a umll mulhersinha que I desse sitio de N. S. de Ftitima que me mandasse de Id uma pouca de aima, o que eta multo prontamente fez: e iuntamente um pouco da mesma terra. Ddxei Jisboa no dia 20 de /ulho passado. Cheguei a Nova Yo,k no dia 1 de Aeosto no vapor ,Canada... ffav/a a bordo ama pequenlta cu/os p11is s6o da Syria mas bons Catholicos. A pequenita adoeceu co,N- a febre typhold desde o dia 23 o• 24

de /ulho. Fez-se tudo quanto/o/ pos· sivel para a salvar. /invia 4 médicos a bordo, I fra11cés que é do proprio vapor e.Canada,• I Italiano que so era destinado para a colonia Italiana, e 2 médicos portu[lueses, 1 era empregado para a colo1zia portuguesa o outro viajava para a f'lrovidence para os seus interesses. Esta pobre criança piorava cgda vez mais,· até_que os 4 médicos fizeram juflta ma,s qae uma vez; e o rcsultado foi que nao podia viver. /da pobre criança nem /alava, nem conliecia 1zirtguem nem dava sinals de vida. Os pais estavam como doidos; e al! parecia-me que o poi clzeeou a querer atirar-se ao mar qua11do soube que a fllha ia morrer e ser deitada ao mar. 7iveram que o agarrar. Como tinha eu essa aeua pedi ao medico se dava licença que a menina bebesse um l!Olinho de cada vez. Ele respo11dea-me, pode taze-lo, mas pode crer que esta condenada. NIJ.o passa desta 11oite. A'manhil , nl!o verti. a luz do dia. E todos os 4 medicos dlsseram-me o mesmo. Jmagine, Senhor doutor, qu.1nto rezei que N. S. de Fatima desse vida a essa pobre inocente, cujos pais estavam com/J doldos, fora de si. Metta do vel-os que resolvi a rezar multo pela pobre criança I Com certeza eUs tambem rezavam. muito I So visto I Nào é possivel descrever a qae se passava a bordo com a anci"dade entre as Senlwras pela paure criancinha. E todos com midv qhe f icavamos de quarentena se a menlna morresse a bordo e fosse deitada ao mar. Para finalisar dieo-llle que na notte que a morte vin/la roabar os pals da sua fillza querida, delllze a agua, e eraças a Deu.s ntlo morrea mas começou a mostrar melhoras e Jelizmente desembarcou para continuar o seu tratame11to no hospital de Providmce. Como sempre tornei interesse neste caso, escrevi aos pais para dar alguma noticia a respetto dessa men.lna. Vinlta noticias satisjatorlas atl que ha uns 2 mezes que eta jd est4 boa de todo. Prometl de escrever a V. Ex. para a publicaçilo corno sei que o Senhor doutor é bom Catolico e tem grande devoçiio a N. S. de Fdtima. Nào mando publicar os nome& porque os pais nem sabem que escrevo ao sr. doutor. Peço que me desculpe se for incomodo. Sem mriis assunto de V. Ex.a M. 10 obg.da ( Miss) M. C. BARRES P. S. So depols de tomar a aeua de N. S. de Fatima que a menina começou d melhorar. Com toda a certeza f ol um ml/agre. Peço descutpa dos borròes e erros mas estou com pressa.-Barres.• ~I. J!! V. Nosso Seohor a Santa Catarina de Sena a proposito da Santa Con1Unhao: «se tu filha tlveres aces 1 urna candela e todo o mundo cIIegar a acender luz nela nao repartiri:ts a tuz e o fogo sem se diminuir? E nao te parece que levarla mais luz n que trouxesse urna vela e um clrlo mélior?•


-------------------'-..........;V:...!o~z~~d~n,~~F:_ . ~a~t~i~m~a~----------- - - ..

Como se regenera urna paroquia A

vos. o Sacerdotes (Moloch I,-6)

. O Santo Cura d' Ars pode ser con.s1derado coma modélo dos padres Apostolos da Eucharistia. Um dia urna pessoa extranha ~ Ars veio confessar-se ao Santo Este obteye d'ella, nao sem alguma ·resiste~cia, que commungaria todos os quinze d1as. Um pouco mais tarde decidiu-a a faz~l-o todos os oito dias e depois mu1tas vezes por semaaa. Como ella se queixasse de ser s6 .a Santa Mesa oa sua paroquia, Monsenhor Vianney diz-lhe: e Prometeime ganhar alguma de vossas amigas a vossa causa.• A coisa parecia difficil. Contudo a zeladora conseguiu e depois de ~lgumd tempo levava ao seu director ua s e suas amigas que tinha conqu 1Sfa~o. O Santo diz-lhes: « Douvos seas mezes. Voltareis depois mas cada urna ha-de trazer duas ou tres pessoas resolvidas a commungar ao rnenos em cada domingo.• Oeclara_ram a empresa impossivel mas ao hm de seis mezes voltaram doze: 8 paroquia estava transformada e O paroco veio pessoalmente a Ars para agradecer ao servo de Deus. _Qual é o paroco (e até muitos leigos) que nào possa imitar este ,e~emplo?

Certe lntereaaante Sr. Director da cVoz da Fatima> . Um devoto da Senhora do Rosa110 da Fatima, nao mandando o conçao por nào poder, envia todavia o pequ~no 6bulo de 20$00 (que vai J~nto) pedfndo a V. a flneza de env1ar um numero da e Voz da Fatima» durante um ano a A. H. R. _ Caixa postal 453-Rio de Janeiro. Como relato, tenho a satisfaçao de p~rticipar a Redacçào de que V. é d1gno director, que ja mares em f6ra em pieno Allantico,-llha da Madeira, Càmara de Lobos,-a intercessào • earinho~a da 5enhora da Fatima se fez sentir: Trata-se dum pobre pescador que, .andando havia um mes na pesca do .atum, nào tlnha ganho um ceitil. Esse pescador por signal era meu Pae.-A esposa em casa, chela de penuria, prometeu 10$00 a Senhora da f .itima se nesse dia o ma rido que est~va no mar, ganhasse 50$00. Nào sena milagre, mas a coincidéncia de nesse dia (era no més de Dezembro 1 ransacio) ter éle ganho nao 50$00 ma_s 7os_oo, s6 ao v61o se deve atribuir, pois o meu Pai contando ja os seus 50 ~nos nuoca ganhou tanto num s6 dia I Tenho presente a carta em que me relntaram o facto e, para mawr prova, terlam ja recebido nessa redaçAo (a nllo ser que fasse dirigida ao Rev. 010 Paroco da Fat,ma) a esmoJa em cumprimento da graça .()btida. ••• 6-1-~23 De V. etc. cUm devoto da Virgem Senhora da Fatima•.

TEB8EJIIOTOS EJD PDBTD&Hl ~iio hou ve s6 o. de 1755 corno mutta gente podera Julgar. Pela nota que a seguir publicamos se vera. que o nosso paiz tem sido por varins vezes provado por tremores de terra ns vezes bastante violentos. A 29 dc fevcreiro do anno 309 houve um espantoso terremoto em Por• tugal, cujos c0eitos destruidores se pro~unciaram em todo o paiz, sendo sentrdo em quasi toda a Europa. Em 382 houvc outro que se sentiu em quasi todo o mundo, principal· mente nos nossas possess6es ultramarinas; muitas ilh ls fòram submergidas, das quais ain:ia hoje se veem algumas emincncias em frente do Cabo de S. Viccnte. Em 1033 (z9 de junho) succedeu a um cclipse do sol um grande terremoto no nosso paiz, seguindo-selhe esterilidadc e fome. Em 1309 (22 de fevereiro) houvc um grande terromoto em Portu ooal ' quc se propagou a toda a Europa, s~ndo os cstragos causados proporc1onaes n extcnsao da propJgaçao. llouve outro c:m 21 de setembro de 1318. . Em g de dezembro de 1320 repetlram-sc trcs vezes os abalos no espaço de tres horas; o primeiro foi grande, o segundo maior, e o terceiro tao violento, que se estendeu a tod~ a Europ:1, causando enorme panico. . Em IJH houvc um terremoto em L1sbo11, ,1uc dcstruiu a capclla m6r da Sé, mnndada _levanrar por D. A~on_so IV; arru1naram-se muitos ed1~c10s e morreu muita gente, Em 13,5 houve dois, e qualquer dellcs importante: um em 11 de Junh0, outro cm 4 de agosto. Ambos foram prcceJidos de sécas enormcs. Em 24 ~e agosto de 1356 tremeu todo o 1:1110 durante um quarto de hora_, e tao f~rtemente, que os sinos tanij•am p~r s! mcs1'!1os; a capella-m6r da Sé de LbbòJ abriu-sc, c·1iram muitas casas, e as que resistiram de pé ficaram arruin11dissimas. Durante este anno repetiram-se os abalos varias vezes nao s6 cm Pormgal, mas em lkspunha e outros paizcs. Este terremoto foi muito semelhant(! ao que soff1cu o n~sso pJiz em 153 t e 1755 • Em 1356 houve um que durou 30 segundos, sem causar estragos. O mes• mo acontcceu em 1395. Em 1504 reinand_o em Portugal D. Manuel, houve vanos abalos violen~issi!]1o~, q~e subverteram povoaçoes mtcrras e l1Zeram andar toda a gente fugida pelos campos. Em 7 dc janc1ro de 1531 começa a sentir-se grandes tremorec, de terra em todo o reino, ~ne obrigara_m os moradorèS das vrlas e cidades a ~air p.:1rJ ~s campos. Em Lisbòa fo1 ma1or u rmpres.,io, e Jiz-5e que nos seus arredorl!s se subvcrteram m oJ lt:t'i P<> vottçoes. No di I in ,io mesmo mez foi tao viùlcnto o sbalo, que lançou a terra mu1to:!I palacios, 1grcjas e mai., de _1:?00 . cas~s, dt:ixanJo as restnntcs 1ohab1tave1s e matsndo grande numcr:> dc pe~.,a.1s. Este abalo propagou-se por mais

de 6o leguas. O Tejo saiu do seu leito, alagando os campos. No mar a agitaçao foi tal que muitos navios foram a pique. Tambem soffreram muito S11nta· rem, ~lmeirim, Azambuja e outras povoaçoes. . Em TSS r (28 de janeiro) parccia em Lrsboil que o ar estava em fogo. Chove? agun da cor de sangue e sobreve1~ um terremoto, em que cairam mais dc 200 casas e morreram mais de 2:000 pessoas. Em 7 de Junho de 1575 houve no• vo abalo. Em 22 de Julho dc 1597 caiu em Lisboa uma grande parte do Monte de Santa Cathilrina. Este monte era eminente ao Tcjo no mcsmo sitio cm quc existe hoje a igreja parochial do mcsmo nome. Naquelle locai havia r 10 moradas de casas, formando trcs grandes ruas e um caes de pcdra a borda do rio. A's 1 1 horas da noite daquele dra o monte oscillou e submergiu-sc arrnstando todas aquell:is ruas, que dcsaparcceram num momento. ~ao ha memorias que provcm ter hav1do tremar de terra nessa ocasiao. Siio muitas, porém, as opinio~s o fa. vor daquelle phenomeno. . E_m 7 de agosto do mcsmo ano, na. rr_be1ra de Alc,intara (em Lisboa) rcuniram-se com grande ruido dois mont_es quc estavam separados, subindo 60 palmos um v.ille que os dividia ficando C:ite dep'lis excedenJo em 3d y,almo» os reforidos montes que antes o dominavam. Em 15913 (8 de j ulho) tremeu a terra cm Lisbò~ com tanta violenci::1, quc ~ gente ca,a po~ terra, e as casas tremram, fazenda ca1r os moveis. Repctiu-sc mais vezes com curto intervallo de tempo e com igual energia. Neste anc, principiou em Lisbò \ n pc'ltc, quc durou 5 annos, matando 80:000 pesi;oas. Em 16:.,9 houve muitos fortes trcmoc:cs de terra, mas i;ern perigo; o pamco era .enorme e constant.:·, niio houve, porem, estragos. Em 1722 (27 de dezembro) houve no Algarvc um violento tremnr de terra, quc, apesar da sua pouca dura_çao, causou muit?s _estragos. Em Villa Nova de Port1mao fìcarnm nr• ruinadas a igrcja do Collegio da Companhin, a igreja e convento dos Capuchos. Em Tavira cairam 27 moradns de c11sas, ficd ndo as resta ntes arruinadas. Em Faro cairam muitas casas e o torre da C11theJral. Em Loulé fìcou destruido o convento dos Capuchos. O ca,;tello de CastromJrim soffreu mu1tos estragos. Este. tremor de terra plrece ter si• do dev1do a urna erupça.o submarina entre Faro e T3vira; attribue-se a cste logo subcerreneo ao facto de c;e verem em janeiro e Dczl!mbro as arvores cobertas de foth 1s e flòres, e pouc• depor<i colher11m--;~ frutos sazonados corno no mcz dc: junho. D1.:p1.. is ù'cste furiuidavel ab1lo cujos cll..:itns fmam mu1tissimo desa;trol>QS1 i;epuiu-5e um p::riodo de repouso paru 11ortugal. Ch~·~ou fi nall!lentc o anno dc 1755, quc tau f~tal fo, par., o O<J,;s, 1 p .lll I! p;iru m u1to:. oulros, exccdcnJ0 po-


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rém todos os limites os dcsastrcs que aqui succdcram. Desde cntao outros abalos de terra tecm sidos sentidos mas nenhurn de tanta intensidadc e serios dcsastres como o de z3 de·abril dc 1904.

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A verdiiclCira pureza é tambem a luz do teu corpo. Eia comunica-lhe um certo esplendor, reveste-a de dignidade e beleza e lmprime-lhe um caracler celestial indescriptivel, que se salienta admiravelmente sobretudo em oposiçlio ao vicio aviltante e aborninavel.

Voz da Fatima Deapezae

Transporte • . • . . . • . • . N. 0 3 (na tipografia). . • .

424:870 112:50ù

Outras despezas . • . . . . .

26:000 Soma •. 563:370

SubaoripçClo

Dr. J. Coelho Pereira ... O. Maria Carolina Mendonça . .. .. . .•• . ..• D. Luiza Vadre Santa Marta (Andaluz) . .. .. O. Maria José de Lemos

10:000

Queiroz. . . . .. . . . . .

10:000

D. Emilia Fernandes Martins d~ Carvatho •.... Dr. Emico Lisbòa . . .. . . D. Cawlina Pinto Mendonça .. ' • ...... . . . D. Atberllna Julia da Silveira Atbuquerque..•• O. Marin Antonia Caldas Fraz:io Plnto da Cruz •.• Joào Sabino Caldas ...• O. Maria da Graça Duarte

10:000 10:000

15:000 20:000

10:000 15:000 • 10:000

20:000

Santos....•.... .••

12:000 10:000

nandes . . .......•••

10.000 10:000 10:000

Dr. Weiss d'Oliveira ..• D. Maria Bagulho fer-

Franl'isco Lehcastre . ..• Alvaro Sergio Rosa Mela Esm olas colhid.ts no dia

47:350

rand:t...•.. . .• • •.•

10:000 10:000 . 10:000

de Coimbra .... . ..•

D. Macia de Jesus Oriol Pena . .....•.•.. . •

P.• Antonio dos

Santos

D. Octavia Marini Garcia Ig~acio Antonio Marques Jerunimo Sampalo ....• C< ,me Fcrreira de Castro

M.iria Ribau . ... . ••.•

Um devoto de N. A. ( A. H. R.) .•...... ... .•

D. Matilde Barreto...• . D. Margarlda Manoel Pin-

to Coelbo ... , . . . • •

Francisco de Paiva Boleo P. 0 M. J. Rosa Nascimento

10:000 10:000 10:000 10:000 10:000 10:000 2:500 10:000 10:000 10:000 20:000 10:000 10:000 5:000 10:000

O nouo jornal sora deatrlbuldo 1ratultamente na Fatima nos dlaa 13

fle cada més.

Ouem t.nvlar a e1ta redacçao a quantla de du mli réis tera diretto a atr-lt.o Uiviatia a VOZ DA FATIMA,

iuranto um anno.

Foi descobccto ha pouco pelo Padre Pedro Bergamaschi1 director espiritual no seminario ae Montefia:>cone (em Italia), num convento de benedictin11s da mesma cidade, um manuscripto da abadessa ~Iaria Cecilia Baii, que ali viveu a partir de 1731,onde se relata avida interna de Jesus Christo e de S. José, dirada por Elle mcsmo a referida serva de Deus. Estao publicados dois volumes (quc tcmos presente) em italiano rcfcrcntes ti vida interna de Je~us Christo tanto na. sua vida particular como publica, andando a tratar-:;c da publicaçfio do volume sobre a vida de S. Jo~é. Ao lèl-os corno quc vamos st!guindo o fio de todos os pensamcntos do Salvador e sentimos as pulsaçoes do seu Coraçao adora vcl. Parccendo-nos que poucos leitorcs do nosso jornalzinho terao conhecimento do assumpto e quc ncles haveni urna n.1tural e justific,\da curiosidude e interesse dc conhecer o contc.uJo das rcferiJas rcvelaçifos, comcçarcrnos hoje n traduzir para nqui alguns capitulos a principiar pdo que diz rc:1peito a convcn,iio Je Santa Maria Mngdalena para quem foi dita a prirncirn vez, ao quc parecc, a tocante e consolaJorn parabola do Filho Prodigo. c-Na Bethania- Gom lazaro e Marta (voi. 11. pag 332)-Tinha muito n peno a !\alvaçao daquelns almas quc cu jJ. via que tao bcm :;e aproveitariam du minh ;l preg3çfo e da · graça. Por i~so dirigi-me com O!\ meus apo~tolos para Bethania, para prégétr onde residla Marta, senllora multo prif1cipal e devota , com l azaro seu

irm(lo.

13 dc llezembro.. .. . p,e M•guel Ribeiro de Mi-

p,e \hel Alves de Pinho O. Alzjr a Vieira ...• . •• Jo::i., Severino Gago da c:unara...•.. . .. .. Ag11s1inho Marlinho Vieira D. iAntoui ,, Bispo Auxiliar

VIDH IHTJBMB BE JESOS GJIBISTO

Tinh;t tambcm muito a pcito a convcr~uo de Madalena, sua irrna, que era multo petadora e escandalosa. Ntio habitava por!m com elles mas residia num lugar que lite pertencia m'Jo multo lo11ge de Bethariia, para poJer, com mais hb.:rdaJ1;; viver a seu copricho e ia muitas vezes a /erusalem para fazer presa dalmas, de que o demorlio se servia para Jazer cair a ittcautajuventude nos seus laços. 0cscjava o meu Coraçao quc esta pccadora pubi ica vi esse depressa no arrt:pendimcnto e por isso andava, como um vea<lo sequioso, pela sua salvaç;io. Caminhei portanto p:tra Bethania onde i't tinha chegado a fama du minha prcgaçao e onde ;\1arta e Lazaro dcsejavam muito vcr-me e conneccrrne. Entrando, pois, naquela terra com os mcus apostolos onde cheg:.imoo; muito cançados e atlictos cm v1rtude da lon~a viagem, orci ao Pac e lhe pedi pela convcrsao daqucle povo e nlgum alimento para os mcus apostolos qui:! estavam muito ncccs,itudos porcontìnuos sofrimcntos e trnbalhos. Promcteu-me o Pac quc atcndcria as minhas ;;urlicas, corno fc2. Prcguci ali, onde dcpois da minha entrada ~e tinha juntu j.i muitu gente para ver-mc e ouvir-rnc e onde cstavu mmbem Lazaro. Ficaram todos admirndos da minlu divina subedoria e cclcsti11l doutrina e interiormen-

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te comovidos com as minhas palavras. -que eu lhes apreseotava com o cos• tumado zelo e fcrvor-louvavam o meu Pae por este me tcr mandado a elles. P<Xii muito por estcs ao meu Jivino Pae para que fossero iluminados e conhecessem a verdade que eu lhes pregava. E efectivam1::nte muitos ereram em mim. Terminada a predica, quando estava com os meus apostolos conhecidos de Lazaro, vendo este a nossa necessidade de alimento mc pediu que fos5e a sua casa com el !es. Reptl tnndo-se indigno de reccbcr-me cm sua casa, ganhou no entanto nnimo para convidar-me vendo a neccssidade que tinha. Aceitei o convite que com. tan· ta humildade me fez . Caminhei com os meus apostolos para casa de Lazaro, onde estava Marta sua i._::na a espernr-mc e fui por ela recebido cortezmente e co/Tl grande amor. Olhei para Marta com vulto sereno e olhos compa~ivos, a qual apenas me viu ficou ferida do mcu amor e com toda a cortezia mc lntroduziu em sua casa com os mcus apostolos. . Conhecendo a neces!">ida.Ue que cu tmha ~ os meus Apostolos prcparounos alimento com toda a solidtude. Antes de comermos fiz um breve discurso sobre a:. grand<:zas do meu divino Pae para infiamar 110 r;cu amor toda a gente quc ali cstava e para nugment,tr em ~lana a ùcvoçao e té para com a minha pessoa. Com este discurso ficnram todos in{hrn1dos em amor para com o meu divi.no Pae e para comigo e cu fiquci muno consolado pda boa vontade que eocontrava nos meus ouvintes, principalme:,te Marta e seu irmao Lnzaro, o qual foi depois meu querido e amado discipulo. P. (Conun(u)

Argumento deeisi'VO . Monsenhor Falliza, vig1rio apostolico da Noruega, conta esta interessantissima entrevista: No começo da nossa fu ndaçlio cm Tromsoé, veiu ter commigo um pro~cstan_te desta cidade e pergu ntou-me 11 que1ma roupa: -Padre, ainda ha papa? -Clara que ha, meu amigo, aioda ha um papa em Roma. A Igrcja Chatùlica nuoca esteve sem chcfe. -Pois, entao, inscreva-me jd no r6l dos catholicos. -Com muito gosto; mos, porque torna urna resoluçiio tao repentina? -Nada mais facil de entcnder. Luthero, fu ndador da no'isa religiuo, disse: e l~u serei a morte do p,1pa». Ora, se hoje, passados tn:s seculos e meio, ainda ha papa, Luthcro men. tiu, e Dcus niio csco_lheu para tun lar ou reformar a Igre1a «um mentiroso11 . Portanto, a obra de Luthtro n:io vale nada e nao serve p.1rn a salvuçao Je minha alma . Volto por isso a lgrcja que Luthcro nao devia tcr traido e abandonndo-a Egreju quc tem um papa. Era cl 1ro e logico. O born protc~tantc fez-se catholico. Com elle voi• tou a verdadeira fé t°'la a sua farnilia e forma hojc o esc6l da parochi~ dc Tromsoé.


LEIRIA, 13 de Fevereiro de 1.023

Ano I

(CO.l.\tJ:

N.0 5

-~Pfl0'1'" ., A()ÀO ECLESIASTICA)

Director, Proprietario e E<lit.o1.·

.A.dtnlulstrado~·: PADRE M. PEREIRA DA SILVA

DOUTOR .MANUEL MARQUES DOS SANTOS

REDACçAo E ADMrNtSTRAçAO

RUA D- NUNO ALVARES :PEREIRA

Composto e imprtsso na Tmprensa Comercial, li Sé_ Leiria

13 de Janeiro A chuva que cahiu abundante e benefica nos dias que precederam immc,.1iatamente o dia 13 de Janeiro fez desistir muitos fieis, sobretudo os que t>ram de terras distantes, de levar a tffdto a piedosa romagem que tinham projectado para esse dia. Tamb~m nos hesit.imos mais de urna vez perante o sacrificio que a peregrinaçao a Fatima debaixo de chuva representava e s6 na vespera, ao vermos o tempo melhorar e o sol brilhar num ceu sem nuvens, cortamos por todas as hesltaçOes e tomamos definitivamente a resoluçào de partir. E nào ficariamos bem com a nossa consciencia se nao fizessemos o que o nosso coraçào nos pedia. Quem ao menos uma vez foi a Fatima e se embebeu oa atmosphera que alli se respira, quer em dia de grandes manifestaçOes, corno em 13 de Maio e em 13 de Outubro, quer mesmo em dia de diminuta concorrencia, corno durante os meses frios e chuvosos do inverno, sente a necessidade irreprim1vel e quasi o dever de la voltar no dia 13 de cada m~s. por maiores que sejam os incommodos que tenha de soffrer, se obrigaçòes imperiosas nao obstam realisaçao de ta.o consoladora viagem. fol, pois, em face da dupla perspectiva de satisfazermos urna doce aspiraçAo da nossa alma e de empre• hendermos de novo a peregrlnaçao a f atima em condlçòes favoraveis de tempo que tomamoa o comboio da manM do dia 12 em direcçào a Torres f':'ovas, onde jantamos e donde segu1mos noite para o Pedrogam. Oalli partimos as dez horas da manha d~ dia seguinte, depois de auvirmos missa, para a Fatima, atravessando a serra <1' Ayre. O dia estava esplendido. Nào se divisava urna nuvem no firmamento, nlio soprava a • mals ligeira brisa, e o sol, diffundindo thesouros de luz acariciadora, aque• eia o ambiente communlcando-lhe urna temperatura s6 propria dos dias Jepidos da Primavera e do Outomno. De vez em quando encontramos aa aublda da serra pequenos rancllos

a

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F,tchad,t d,1 historica egreja da Graça de Sa11tarem onde repousam os dtspojos do i11sig11e descohridor Pedro Alvares Cabrai

de home11s e mulheres que se dirigem, a pé ou a cavallo, para a Fatima. A's onze horas e mela transpunhamos a orla do planalto de Boleiros. Dahi em diante a estrada ja nao é tao ingreme e tao accidentada. Um rapaz dos seus quinze annos, vestido decentemente, approxima-se do nosso carro, pedalando na sua bycicleta. Terminara como n6s a as• censao da serra e estava offegante e exhausto de cansaço. Discretamente iRterpellado acerca do objectivo da sua viagem feita em condiçOes Ulo incommodas, respondeu que tinha vlndo de Lisbòa na vespera e seguia em direcçào a Fatima a fim de lr buscar agua a fonte das appariçOes para seu pae que se achava gravemente enfermo. Eram iObremodo comrnovedoras a fé religiosa e a piedade filial que o levavam a emprehender uma vlagem tao longa e tao fatigante oa esperança de proporcionar remedio ou lenitivo aos males .dt estremeci<.lo auctor dos sews dias. En{retanto atravessimos o Balrro, a Amoreira, Bolelros e Montello e cheg~mos ao pé da egreja parochlal

(B&ATO Nl'NO DE SANTA MARIA)

de Fatima. E' quasi meio dia e mela hora. A partir daquelle ponto, nos tres kilometros de estrada que a inda nos resta percorrer, os peregrinos retardatarios sào mais numerosos. Passamos junto do pae do Francisco e da Jacinta, os dois videntes que morreram victimas da epidemia broncopneumonica de 1918. Da estrada avistamos o locai das appariçOes. Cerca de duas mii pessOas rodeiam a capella commemorativa das appariçoes que, bastante damnificada pelo attentado dynamitista de Março do anno passado, tinha sido restaurnda depois do dia 13 de Dezembro ultimo. A' J hora officiai principia a san- ~ ta missa, rezada pelo rev. parocho de Fatima. Ao mesmo tempo s6be ao pulpito o rev. parocho de Ourem, enicla logo a recitaçao do terço em commum. A multiùào, atenta e devota, ora co.-:1 fervor. A' elevaçào, interrompe-se a reza do terço, fazem-se as invocaçoes de Lourdes e em seguida canta-se o Salutaris. As préces sublimes do Psa/terio de Maria continuam a elevar-se para o Ceu. Entretanto de todos os pontos vem accorrendo novos peregrinos. Approxima-se o momento solemne da communhào. O respeito> o sllencio e o recolhimento toroamse ainda mais profundos. Dezenas de fieis de ambos os sexos preparam-se para alimentar as suas almas com o Pào dos Anjos. Começa a distribuirse a Sagrada Eucharistia. A multidao, em unisono, entòa o ' popular e commovente -.Bemdito e louvado seja•. E n'uma interrupçlio rapida, o ministro do Altissimo, com urna voz sentida e brilhante, reftete do alto do pulpito, as bellas e piedosas invocaçOes de Lourdes: ,Senhor, n6s vos amamosl Senhor, n6s Vos auoramosl V6s sois Jesus Cbristo, o Filho de Deus vivo! V6s sois a resurrelçlio e a vldol Senhor, se quizerdes, V6s podels curar-mt.:I Senhor, dizei uma s6 palavra e eu serel salvo! Jesus, filho de David, tende piedade de n6sf. Termlnada a missa, o rev. parocbo de Ourem principia o sermlio tornando para thtma as palavras Dominare

,


Voz dn. Fé."tiD'.ln.

nos tll et Fillns tuus do livro dos Juizes, c. vm, v. 22. Palla das virtudes da Santissima Virgem, do prestigio que Ella exerce sòbre as nossas almas, da necessidade que temos de a imitar. Conclue declarando ter pré- · gado o sermào em acçao de graças por um beneficio extraordinario que um fiel presente obteve da poderosa Rainha do Ceu. Depois do sermllo retira-se a maior parte dos peregrinos, ficando apenas alguns grupos de devotos a rezar junto da capella ou a encher reciplentes com agua da fonte maravilhosa alé que, proferlndo uma ultima préce e dizendo um adeus derradeiro formosa imagem da Virgem do Rosario, se pòem tambem a caminho das suas terras, cheios de saudade dos momentos ditosos passados naquele verdadeiro cantinho do Paraiso.

a

VtSCONDE DE MONTELLO

Oprojecto dos sanctuarios A piedade dos fieis deseja ardentemente levantar no locai das appariçòes um monumento grandioso em honra da Augusta Mae de Oeus. O projecto acolhido com mais enthusiasmo é o dà construcçilo de um templo no cimo do outeiro que domina a Cova da lria, no sltio onde os videntes dlzem ter-se dado a primelra appariçào, e de quatorze capellas ladeando urna avenida que conduza da estrada districtal até ao templomonumento. Este sera dedicado coroaçao de Nossa Senhora e as capellas aos outros mysterios do Rosario. Para cstas obras era absolutamente ìndlspensavel encontrar agua. Mas num raio de muitos kilometros nllo apparece agua na Fatima senllo em pequena quantidade e proveniente da chuva recolhida em charcos e ci~ternas. Por isso urna comissào de habitantes daquella povoaçao tomou a iniciafiva de mandar proceder a sondagens nos lerrenos adjacentes capella commemorativa das appariçoes. A prlmeira sondagem foi feita em 9 de Novembro de 1921, depois da prirnelra missa campai, a distancia de quarenta metros da capella. Tendo começado os trabalhos de manhA, ao meio dia ja todos os operarios saciavam a sède com a agua que forrou abundante da rocha viva. Nos ultimos méses de verlio a agua quasi desappareceu, depois que recomeçaram os trabalhos destinado~ a tornar maior a capacidade do poço, vendo se apenas lacrlmejar urna das paredes. Em princlpiod de Novembro de 1922, concluidas as obrns do poço, que tem agora muitos metros de profuod1 ia,de, a agua limpida da nascente, rebentando com força, em 8e~uida 4s 1rimelras chuvas do Outomno, encheu completamente o vasto resf rv atorio, corno tlveram occasi/io de vellflcar os nurnerosos fiels que em 13 desse m!s vlsitaram o togar das ap,ariç0es.

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V.

DE

M.

88 HPPBBIODES DE LOU~DES I

Bernadette Lourdes é urna pequena cidade dos Altos Pyreneus, graciosamente reclinada num oasis de verdura, em torno duma vetusta fortaleza que da encosta da montanha parece querer despenhar-se sobre ella e esmaga-la com o peso formidavel da sua mole gigantesca. Ao longe, na direcçao do Occidente, avista-se a flecha aeria da Basilica que semelha um dedo esguio apontando para o Ceu. A egreja, branca corno neve e assente no fianco de enormes rochedos, é ja por si uma appariçao que enche de alegria e esperança quem a contempla illuminado pela fé. Encanto e maravilha para os olhos, é-o ainda mais para a alma que se lembra de que dalli, daquelle logar bemdito, a Mie de Deus viu esta formosa paisagem, esta natureza deslumbrante, as ondas azuladas do Oave e todas estas alegres montanhas, polvilhadas de luz. As collinas que servem de moldura a pequena cidade e a tantas recordaçòes formam os ultimos contrafortes dos Pyrineus que veem expirar na planicie. tllas ja nao teem a rigidez nem a aspereza da cadeia de montanhas, descendo em suave declive e arredonclando os seus cabeços maravilhosamente entrelaçados. O Oave de Pau curva-se e f6rma quasi um semi-circulo para ir oscular a base do velho castello e receber a leste o ribeiro de Lapaca, depois corre em linha recta e passa rapidamente em frente da montanha das Espeluncas, assim chamadas por causa das numerosas cavernas abertas nos seus fl 1ncos. Outrora chegava até muito perto da gruta de Massabielle, que rtava sòbre a margem dì· reita no mesmo sitio em que o canal do Savy, misturado com o rib.eiro de Merlasse, que se despenha da collina, vinha perder-se nas suas aguas limpidas e transparentes. O Lapaca fazia trabalhar varios moinhos, entre os quaes o moinho de Bolv·, que estava sendo explorado havi.1 muito t mpo pela hmilia Castérot. Ern 1841 o chefe desta famllia, Justino Castérot, falleceu, deixando quatro filhas e um fil ho, Joao Maria. A mais velha, Bernarda, era casada com um honrado operario de Lourdes, a segunda, Luiza, que tinha dezaseis annos, resolveu mudar de estad1> para explorar o moinho. Escolheu para seu marido Francisco Soubirou'\, jovcm moleiro, que nao tinha outra tortuna senlio os seus braços. O casamento realizou-se na egreja parochlal dc Lourdes a 9 de Janeiro de 1843. Tendn-the a Providencia dado por esposa urna donzella que possuia alguns bens dc fortuna, Soubirous julgou-se rico e tornou-se desculdado no J?Overno da casa. Indolente por natureza, vigiando mal o fabrico, fornece11do quasi s6 farinhas defeituosas e, para mais, pouco aff.lvel e Insinuante, perdeu muito depressa a sua clientela.

Luiza parecla n~o dar por isso, nao tendo feito nada para suspender esta marcha vertiginosa para a ruima • .Por outro lado os filhos tinhamse tornado numerosos em poucos annos. O mais velho, uma menina, nasceu a 7 de Janeiro de 1844 e receb~u no di'a seguinte no baptismo o nome predestinado de Bernadette, ou filha de S. Bernardo. Fol madrinha sua tia Bernarda. Ella foi acolhida com alegria, porque a casa estava ainùa prospera, realisando-se urna grande festa no moinho por motivo de tào fausto acontecimento. Seis meses mais tarde Luiza conheceu que D~us a havia abençoado de novo e teve de deixar de amamentar a filha. Urna mulher de Bartrés-aldeia que ficava muito perto de Lourdes- Maria Aravant, que perdera pouco antes um filhinho de pou cas semanas, tomou conta da Bernadette e levou-a comsigo para a sua terra. Depoìs de a ter conservado em seu poder durante quinze méscs, a ama restituiu-a avida de familia, mas dedicou sempre grande affeiç"io a esta menina que ella alimentara com o seu leite. Bernardette era de compleiçào debil, de sau:ie enfermiça e estava ja atacada de asthma que bastante a opprimia. Crises de tosse frequentes sacudiam e devastavam o seu pequenino e delicado peito, e os paes, que começavam a sentir as angusHas da miseria, careciam dos melos necessarlos para lhe proporcionar urna alimentaçào substancial que era incompativel com os seus humildes recursos. A ruina da casa consumava-se pouco a pouco. Em 1855 Francisco Soubirous nao podendo pagar a renda do moinho do Boly teve de ceder o logar a outro mais diligente. Entao alugou no bairro de Lapaca um casebre, para onde foi morar com os seus seis filhos. Pessoalmente a sua situaçllo agravou-se tambem. Dahi em diante viu-se obrigado a trabalhar a dias, expiando assim duramente a sua lamentavel imprevidencia. Mas a pobreza tornou-se ainda maior e attingiu taes proporçoes que elle teve de se refugiar na antiga casa de detençao, chamada o carcere e situada na rua dos Pequenos Fossos. Esta casa deshabitada que ninguem querla por causa das tristes recordaç0es que evo~ cava, pertencìa a André Sajous, parente de Luiza. Esta circunstancia animou Francisco a pedi-la para habltar; foi-lhe cedlda gratuitamente e nella ìnstallou-se com sua infeliz familia. Era urna habitaçào escura e insalubre feita para os presos. Assim a pobre Bernadette conheceu ainda muito nova o que quer que seja das angustias e das privaç~es da gruta de Belem. Todavia os paes tinham continuado a ser pess0as honradas, christAos cumpridores dos seus deveres e conformavam-se nobremente com ;\ sua dolorosa situaçao, niio acusando 11inguem e atribuindo unlcame,,te 1 si proprios, a lnfollcìdade do SP.u viver. Franclsco entregava-se agorn com ardor ao f rnbalho e, vendn a filha mais velba doente, abatida e tiritando de frio, querla que ella vestisse


Voz da Fatini.a com mais agasalho do que as outras; em vez das papas de milho que constituiam a refeiçlio da familia, compra. va-lhe bom pao de trigo e até um pouco de vinho em que a mae tinha o cuidado de deitar umas colheres de assucar. Estas preferencias, por mais justificadas que fOssem, eram a causa de pequeninas invejas e despeitos que na ausencia dos paes se traduziam por verdadeiras perseguiçòes. A h umilde e encantadora crean· ça, dotada de urna doçura e mansidlio sem egual, deixava ordinariamente as irmas e ao irmaosinho o seu quinhao privilegiado e sobretudo nao se queixava nuoca ao pae. (Versiio do fr ançezl

A

QUAl~ESMA A Qaaresma, commemorando os quarenta ~ias e quarenta noites que Jesus Chnsto, em seguida ao seu baptlsmo no Jordlio, passara no deserto, abr~~nos um periodo de penitencia, punhcaçao e preparaçao para a festa da Paschoa. Segundo S. Jeronymo, o numero 40 anda associado a idea de pena e afflicçao. Durante quarenta dias e quarenta noites cairam as chuvas do diluvio, durante quarenta annos peregrinou o povo hebreu pelo deserto, em castigo de sua ingratid~o. Quarenta dias esteve o propheta Ezequiel, por ordem do Senhor, deitado sObre o seu lado direito, para figurar um cerco, que havia de ser seguido da ruina de Jerusalem. A Quaresma offerece-nos um meio ~fficaz para aplacarmos a colera de Deus e purificarmos as nossas almas. O principio da penitencia verdadeira esta no coraçao. Recordemos os exemplos do Fllho prodigo, da Peccadora, do publicano Zacheu e de S. Pedro. Partlndo porém do coraçao, sob o impulso da graça, a penitencla ha de traduzir-se em actos exteriores -0e abstlnencia e mortificaçao, a exemplo de Jesus Christo e conforme os preceitos da Egreja. Assim corno sob o nome de Jeju.m a E2reja comprehenJe todas as obras de mortificaçào chr1sta, tambem ~ob o nome de ora· çao abrange todos os piedosos exercicios com que o christilo se dirige a Deus. A frequencia mais assidua do templo, a assistencia ao santo Sacrificio, as leituras piedosas, a meditaçào das grandes verdades da salvaçào e dos soirlmentos do Redemptor, o exame de consciencia, assistencla as prégaçoes, a recepçilo dos sacrame11tos da Penitencia e da Eucharlstia,-els os principais meios de santificaçào compr<'ht'11didos na Of.u;Ao. N I tempo da Quaresma, n chtistao unir-se- ha, logo le~de que despertar, é1 s1ota Egreja, que começa os psalmos de Laudes pM estas palavras do Rei-Propheta: Tende compaix4o de

.plim, o Dtus, seeundo a vo~sa erande misericordia. - M/c;u, re mel, Deus, secundum maellam miserlcordiam 7uam. Atina! n6s s6 trau.~formamos o munda, na medid1 ecn que nos transformamos a n6, mesmos. Para que o fogo 1,e propaguc, é preciso que ele ~rda em n6s. Com um1 candeta apa· ,Bada nao se accnde outra.

AS GURAS DA fAIIMA Carta do Exmo Sr. D. José Maria de Ptguelredo Cabrai da Camara (Belmonte) « ••• Sr. Com os rneus respeitosos curnprimentos, vou apresentar a V. o relatorio, que talvez se nao possa chamar milagre, mas que foi um grande favor e uma grande graça que N. Senhora fez a urn men conterraneo que aqui habita em Otta, que tem ido muitas vezes a Cova da lria e propagado muito aqui a devoçao a N. Senhora do Rosario da Fatima. Se· gue o relatorio feito por elle e que • para aqui copio ipsis verbis: e Dia 12 de julho de 1922. Indo eu a Fatima torci um pé dando urna grande queda sobre uns pedregulhos no caminho para Vlla Nova d'Ourem onde cheguei em muletas para as quais apropriei uns paus que me emprestaram. No dia · seguinte, 13, dirigi-me para a Cova da lria onde apareceu N. Senhora do Rosario minha madrinha, e pedindo-lhe que me melhorasse, dei um banho ao pé na agua do poço, achando rapidas melhoras. Comecel logo a andar sem muletas. Poucos momentos depois chega a imagem de N. Scnhora do Rosario em procissào e nesta occasiào voltando a banhar o pé fìquei quasi bom. Oepois de agradecer a N. Senhora segui para Vila Nova d'Ourem onde entrei sem muletas, o que causou a admiraçao de muitas centenas de pessOas que me viram ... /osé Ramal/to.•

Outra carta (da Ex.ma Sr. Dona Laura de Avelar e Silva, da Quinta da Commenda-Alcanhoes): c21 d'Outubro. ... Sr. . . . Sornos umas crentes e apaixonadas da Fatima, pois tendo recorrido ja por duas vezes em grandes afliçoes a N. Senhora da Fatima, fo. mos de pronto socorridas. Urna vez quando de doença grave de urna sobrinhinha, que mal começou a tornar a agu I vinda <la Fatima começou sen. tintlo consideraveis melhoras e ja foi no dia 13 a Fatima a agradecer a Nossa !:>t:nhora o tel-a curado. De outra vez, fez precisamente no no dia 13 etneo annos, quando nos dirigiamos para Fatima estivemos prestes a ser victimas de um grave desastre de automovel, invocamos logo Nossa Senhora do Rosario da Fatima e Immediatamente ficamos sai· 8

vas.

Todos os que vi ram o que se passou e as pessOas que teem passado ao locai. e sabem o perigo imtn~nte em que estivemos, do unanimes em di· zer que s6 por milagre escapé\mos. Ja vé V •. • que nào podemos del" xar de ser devotos de Nossa Senhora da Fatima!• • ... Sr. Pedindo mii desculpas de me tornar tao maçadora vou pedlr a V .•• que publique Ra Voz dt1 Fdtlma mais

urna graça alcauçada pela agua que eu de la trouxe em maio. Um vizinho meu com urna pneumonia dupla desenganado pelo Sr. Dr. Leal, da Lourinha, estava na ultima, ja tinha afliçao na gart:?anta. A pobre mae ji lhe nào queria dar remedlo algum porque o seu filho estava prompto. Eu disse-lhe que era bom dar-lho porque emquanto havia vida havia esperança. Oepois vi tudo tào aflito por causa do fil ho que estava prestes a partir d'este vale de lagrimas e falei com a madrinha do doente e disse-lhe que se tivessem fé verdadeira lhe dava urna gotinha da agua de Nossa Senhora. Responderam-me logo que sim. Vim a minha casa e levei a agua a madrinha e tia d'elle que foi logo dar-lh'a. O doente bebeu e respondeu que aquela agua era beota, que antes queria da da fonte que a gente gasta. Naturalmente extranhou o gOsto. Disse eu A madrinha que logo que o doente bebesse agua, resasse tres Avé Marias a Nossa Senhora com multa devoçilo e eu vim para minha casa e comecel a fazer urna novena a Santa Rita de Cacla por intençao da Senhora do Rosario da Fatima e se o doente melhorasse mandar dizer urna Missa a Nossa Senhora. N~o sei se a mande dizer ou se mande o dinheiro para a Fatima .•• etc. Estrada (Athouguia da Baleia).

Celeste Maria de Souza•

SE JREDITBSSEJIIOS Dlii PDUGO ••• Que admiravel é o systema solar! O sol é o scu centro. Em voltJ delle gravitam oito grandc:s planetas e cm volta destes giram varios satl!lites. Atravessando os orbitas plan1:tarias, os cometas percorrem o espaço em di versas direcçoes . O sol tcm em volume 1.40+:82! vezcs maior que o da terra. A sua distancia desta é de 38 milhoes dc le• guas e a dos outros planetas que gi• ram em volta ddle, varia entrc 1; milhoes (Mercurio) e 1:147 mtlhoes de leguas (Neptumo). Este ph1neta gasta cerca de 164 annos e m ·1 > a dar urna volta a roda do sol Urirno, 84 annos; Saturno, 29 annos; Jupiter 1 1 an nos, etc. O espaço que o systema solar oc• cupa no ce':1 é de 7 milhoes de l,'.g-uas. E, todav1a, o nosso mundo é ape· nas um ponto no espaço, uma uniJa. de no complexo dos mundos. O telescopio revela-nos que cada estrela é o centro de outros sy.;temas; e existem milhoes de estrelas! A distancia e as dimeosO:!S destes milhoès de muodos espantam a nassa imaginaçao! A luz percorre 77:000 legua ... c.1da segu ndo e todnb o alpha 1-'. Centaur,;, qut é o mais proximo 110~, ga:.tou trez anno~ e oito mc1. ira fazer ,h~gar 11té n65 a sua lut ~ estrella pol.ir ~lstou 55 annos. 1\ .~,.m-1is remotas, vis1veb :i p ossos ol!w-., : mpr1:1r11ra1.1 .2:j1Jo or;rnos! if comtuJo, :it ., ~unJos in ,l ~ra· veis, I-rnçaJo:; 11 0 ,,;:;p.1ço com u n I ce-


Voz de. Fatima

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leriJade tao prodigiosa e com direcç,ocs tao diversas fo rmam um acordo e hnrmonia assombrosa ! Como n6s somos pequeninosl T odos que se dizem cristao~ sao sioceros com eles mesmos? E' cristao quc. m nao vive cristamentc? A l>Ua profìssao publica dc fé nao sera uma cspécie dc hipocrisia, pois dcsmentem com a vida o que professam com a

1toc.,? ...

Se o nosso catolicismo fosse desta ra~a, seria e;Léril,-como flores artific1ars que nao chegam a produzir sem ente. Traz,se as vezes o catolicismo nas atitud<:s, corno urna fior rara ao peito-porquc é elegante. Clama-se, e com razao, contra a falta de libcrdades rcligiosas, mas nao se usam as que se tém, indo por exemplo a Mis-

sa ...

Dcus é muito santo, pa ra ser um objccto de adorno. Quem ere n El e, rende-se, Lhe todo. Pela fé e rista da.se um passo fatai que nos lança na •.• Vida Extraordindria. Quem vive cm Deus, n5o mai,; vive cm si. A Vida divina e a vida banaL excluemse.

Fé em Deus Via-se, ha tempo, um rapasinho sentado a beira da estrada em frentc dum britador de pedra. -O' rapaz, grita o cantoneiro, ja t~ disse que niio te ponhas ~deante de mim que podes levar com algum estilhaço de pedra. -E' que eu, disse o rapaz, queria vér isso que vocemcce traz ao pesco-ço. Para quc traz esse dinheiro ao pcscoço, tio Joao? -!sto nao é dinheiro, homem. E' urna mcdalha que trago para que Dc,;us me ajude e me defenda, meu

rapaz. -Meu rae esta sempre a dizer que nao ha Deus e quc tudo isso é uma historia. -Sim? Elle diz isso? E apanhando um calhau da-o ao rapaz dizendo-lhe: torna, leva esta pe· dra a teu pae e diz-lhe que faça ou• · tra corno ella.

«Matosinhos, 4 de Fevereiro de 1923.

... Sr.

Nao seria comovente ouvi-lo cntoa do pclos peregrinos de F.itima? Nao traduz ele melhor quc tantos outros o pcdido de auxilio a :\Iac de Deus, auxilio de que hojc mais quc nunca nccessitamos? Qualgu er que scja o acolhim ento quc V. f1ça ao meu modcsto trabalho, terei sempre a consolaçfio de tcr querido contribuir para avivar a dcvoçao a N. S. de Fatima, a Qual crcio dever ja gro.ças preciosas. Com a maior consideraçao. De V. etc.

/. D. de Sousa Aroso

Avé, Estrela do mar, O' santa Mile de Deus, lmaculada Virgem, Feliz porta dos ceus. Do arclzanio Oabriel Tu ltas aceitado o Ave: 1rocalldo de Eva o nome Por outro mais suave, Aos reus desata os vinculos, Concede aos cegos luz, Dissipa os nossos males. Impetra bens a flux. Co1zfirma-1tos rza paz, O' Mae, mostra que és milel Se-llos refuf!io e amparo Na senda ardua do bem. Por tl as nossas preces Se digne de aceitar Teu Fillzo, que por ,ios Se quiz sacrificar. 0' Virgem Sillf!Ular, Da culpa nos isenta. O amor da castidade, Da paz ern nos aumenta . Que emfim junto de Ti Modelo de humildade, Alegres nos cantemos /esus na eternidade. Ao Padre stja gloria, Oloria a Cllristo tambem, O/orla ao 'Spirito Santo, I'or todo o sempre, Amen. J. D. de Sousa Aroso (Com a aprovnçio do Ex .mo Rev.•• Scnhor Bla-

po dc Leh la).

I

Se V. julgar que a traduçao que envio do belo cantico Ave, Maris Stella, é digno de figurar n!'.ls colunas da « Voz da Fatima», dar-me-ha nis10 muita honra. Ja tem sido cantado na egreja matriz da minha terra, e espero que, graças a boa Yontade de um eclesiastico meu amigo, se tornara breveniente popular nesta vila. E' entol)ndo cste cantico liturgico que os pescadorc1 brct6es que vao para a lslandia ou para a Terra NoYP levantam ferro : dcsfraldam as yelas, dcpois duma procissao e da bençio lançada pelo paroco, dc cima do cels. Nio seria belo ver o mesmo cost-um.e introduzido em Portugal, paiz de marinheir0& e terra de Santa Ma-

aia?

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ESPERANDO O CELI ... Urna s6 coisa me acalma, urna s6 mc sustem: é a Comunhao, 0eus faz. me sentir que é o soberano Consolador, o unico apoio duma alma doente. Ah! sem isto que i ria acontecer. Que fazcr dum coraçiio desolado e bastante fraco para se escJpar a todo o momento para ascrea tu ras? Se Deus o nao guarda esta perdido. Comprehcndo o desesl,c ro scm a Comrnunh:io: mas com e la, com esta divina assistcncia tudo muda em n6s. Ne.o soffremos menos mas liofircmos christamente; sofre-se em Deus e por Deus; sofre-1,e amando, o quc adoça tudo ••• esperando o Ceu. EUOENE 8E GueRIN

-V oz da ·Fatima Despezas Transporte . . . . .. o • Com o n. 0 4 (tipografia) Outrai; despezas (selos

563:370 · 130:000

etc.) . , • . . . . • • .•

21:000

Soma . ..

7 14:370

Subscripçao (Continuaçao) Weiss d'Oliveira (2. 8 vez) . . . . . . . . Colhidas no dia 13 de janeiro . . . . . • . . . D. Maria d'A__presentaçao David Gonçalves D. Carolina da Concciceiçao Silva . . •••• Manuel Lucio d' Andrade D. Laura Teixeira C or• reia Branco . . . . . • Manuel Joaquirn d'Oliveira . . . • . . . . . • D r . Francisco Falcao •• D. Ang.:lica Pereira .•. O. ~1ariimna Augusta Chaves . • . . . . . . . D. Maria da C onceiçao Norberto . . . . . . . . D. Maria do Gloria Magalhaes Freire Caeiro da Matta . . . . . • • P.• Francisco Maria da Silva . . . . . . . . • . . D. Maria Jose Caldeira Marques . . . . . . . . Joao Taveira Sarmento D. Balbina Alvarez Rub nos de Domin~uez .. D. Eliza Coelho l\larques D. Clementina Maria Reis e Silva . . . • . . P.e Antonio Carreira Bonifacio . . • . . . . • D. Maria do Carmo Pessoa . . . . . . . . • D. Casimira da Luz Fonseca . .. . . . . . . . . D. Agueda Rosa Gomes Antonio Antunes Mota P. e Antonio Carreira Poças . . . . . • ..••• D. Izabel Virginia Ribeiro da Costa . . . • . . • P. e Joaquim Duarte Alexandre . . . . . • . . . • D. Ignacia de Moura Coutlnho da Silveira Montenegro •. : ..• Firmiano José Alves .. , D. Rosa lsabel Vasconcclos Galvio Baptista .• Dr. Joiio Mendes de Vasconcelos . . . • • . . . . D. Celeste Maria de Souza Um anonimo •.•.••. Antonia da Conceiçao .• Dr.

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2:Soo

AVISO

So teem diretto a receber durante am ano pelo correlo a VOZ DA FATIMA aa peH6as que noa envlarem a. quantla de dez mli réla. Nào maoda-

fazer cobraRça pelo correlo. Alguna subscrlptorea H teem quelxado de nào receberem o jornal. Nio é nossa a culpa pola que temoa feito a expedlçào com todo o culdado. Voltaremos a envlar 01 numeros publlcadoa b pess6as que o deaejarem e noa avlaarem de que nilo reoeberarn, a prlmelra remeaaa. lAOI


Ano

N.0 6

LEIRIA, 1a d a M a rço de 102 3

I

(COM API?.OVAç.ÀO ECLES I ASTICA) I

Director, Proprie tario e E ditor

.A.dtninil!;'trndor: P \ DRE M. P Ef?EIRA DA S ILVA

DOUTOR MANUEL MARQUES DOS SANTOS

REDACçAO E A llMJXlST RAçAO

RU.A

,

Composto e impresso na' fmprensa Comercial, d Sd -

:o_

NUNO

A LV.ARES l?EREIR.A

(BEATO NUNO DE SANTA MARIA)

l

LEIRIA'.J .... Vista parcin l

.la de 'Fe'lereirò O dia 13 de Fevereiro amanheceu rlsonho e esplendldo, embora sensivelmente frio, porque durante a notte cahira urna forte camada de geada que ensopava ainda os campos e os caminhos. A's oito horas o sol brilhava com vivo fulgor no , horlsonte distante, tornando o ambiente tepido e agradavel como num dos dias mais amenos e formosos da primavera. No firmamento I nao se exergava urna unica nuvem e apenas uma leve aragem agitava brandamente e a espaçoa as folhas mais altas das arvores da montanha. Toda a manht'l numerosos ,eregri- . nos accorreram ao locai da$ appariç~es, retirando uns depols de satisfelta a sua devoçao, ficando outros,

a

a maior parte, para assistir missa campai. Um peregrino de Castello Branco chegado na vespera tarde, movido por espirito de penltencia, tlnba feito junto da capella uma desconfortavel cama de matto, onde passara a noite ao frio e ao relento. A missa que foi celebrada pelo rev. dr. Manuel Nunes Formigiio, profes• sor do Seminario de Santarem, co-, meçou ao melo dia e meia hora. Estavam presentes cerca de duas mii pessOas, numero igual ao do dia treze de Janeiro. A attençao, o recolhlmento e o fervor da asslstencia commovlam e edificavam profundamente. O rev. parocho da Fatima, logo que o celebrante proferiu as primeiras palavras do santo sacrifìcio, começou a recitar o terço alternada· mente com o povo. ., Essa recitaç~o foi interrompida por varlas vezes para se cantarem os can•

a

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ticos piedosos e emocionantes do costume. A' elevaçiio fizeram-se: as invocaçOes de Lourdes. A sagrada communhao fol distribult1a a m$is de cincoenta •pessOas. No fim 1da missa o rev. parocho da Fatima, annunciou que nào havia sermào, aproveitando o ensejo para fazer diversos avisos e recommendaçòes e pronunciar quasi sem , o pretender, . urna sentida e commovente allocuç!o , sobre a San· tissima Virgem, e a virtude 1da penitencia ~e mortlflcaçao chrlsta,11 Entre as admoestaçOes que fez, urna das mais importantes dizla respelto A venda de ,artigos de toda e qualquer n;ttureza dentro do recinto sagrado. E' absolutarn ente prohìblda toda a especie de commercio naquelle lo• cal, corno repelidas vezes tem sidonotificado aos fieis peh, auctorldade ecclesiastica, de vi va voz e por escrl-:pto. Oepois do sermao multos pere· grlnos vao prover-se de agua da fon-

,


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te maravilhosa, a cuja influencia salutar se atribuem curas extraordinarias. Outros procurarn lugares aproprlados, longe do recinto das appariçòes, para cornerem tranquillamente os seus farneis. Alguns, formando grupos, ouvem com attençào e interesse o relato de prodigios que se dizem devidos intercessao de Nossa Senhora do Rosario da Fatima. Mas urna grande multidllo estaciona alnda" por muito tempo em frente da capella commemorativa das appariçòes erguendo ao Ceu as suas suplicas ou offi:!recendo os seus ex-votos. Algumas pessòas, em cumprimento de promessas, dirigem-ee de joelhos para a capella ou andam em torno della urna ou mais vezes, tambem de joelhos. A e Voz da Fatima> que se distribue com profusao e gratuitame:1te, é procurada e lida com a avidez do costume. A's cinco horas da tarde raros sào os fieis que ainda se conservam na Cova da lria fazenda as ultimas despedidas a Virgem do Rosario e preparando-se para iniciar sem dernora a viagern de regresso, sempre cheia dc gratas recordaçòes e impregnada sempre da mais profunda saudade.

a

V!SCONDE DE MONTELLO

V oz da Fa:t.inia pletamente curada, nao me tendo reapparecido a dor e a mancha até hoje. Para rnaior gloria e louvores a Nossa Senhora de Fatima e regosijo dos seus fieis, peço a V. a fineza da publicaçào desta cura milagrosa. Apresentaodo os meus cumprimentos, subscrevo-me de V., etc.

Laura Proença Fortes Fernattdes de Barros Avenlda da Republica, 83 - LisbOa.

e... Sr.-Em outubro p. p., um jornaleiro tevc em um dos pés urna enfermidade. A necessidade de ganhar o pào para sua pobre familia o obrigou a trabalhar, mal podendo durante 9 semanas, ao firn das quaes foi forçado a ficar de cama. Aplicouse-lhe sòbre a ferida um pouco d'algoclào embebido na preciosa agua. No dia, seguinte, febre, inchaçào, ingua, tudo tinha desaparecido e da ferida ap~ua!I restava a cicatriz produzida pela lancerai Toda a povoaçao de Geraldes, concelho de Peniche, sao testemunhas da prodigiosa cura que tanto tem contribuido para aumentar a fé a este bom povo. Honra e Gloria a N. S. Virgem da Fatima. -X.>

e a mim vinham-me impulsos de me ajoelhar junto della. Quando ella voltava da egreja, onde cotnmungava, sentia em mim urna atmosphera mais suave, mais serena; nessc dia tornava-se mais risonha .•• Parecia um anjo. Quando me prodigalisava cuidados, quando me pensava as minhas feridas, era urna irmà de caridade. Estou certo de que mais de urna vez a fiz soffrer; ella, porém nuoca m'o deu a entender. E assim durante seis annos dessa préyaçào, que me compenetrava e, m2u grado meu, grandeme11te me foi transformando, senti-me emfim tornado de desejo de amar a Deus, aquelle Deus que minha mulher amava, que lhe inspirava a d~dicaçào que eu muito precisava e as virtudes que faziam o encanto da minha vida. Nào podia comprehender bem o que se passava em mim; mas um dia em que ella acabava de commun~ar, instantaneamente, scm previa reflexùo, abri para ella os braços e lhe di:;se: «Joanna, leva-me ao teu confessor>. Tranquilla e serena com os olhos rasos de lagrimas, abraçou- me dizendo: «Bem sabia que tu me havias de ùar um dia esta consolaçào. Tenilo pedido tanto por ti. Obrigada I (Das Palhetas de auro)

Hs cnras da Fatima , •• Sr. Vlsconde de Montello. Lisb0a, 9 de Fevereiro de 1923.

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Venho communicar a V. o que comigo se passou referente a cura, que considero milagrosa, duma complicaçllo de phlebite. Em Mato do anno passado, ao levantar-me do leito, convalescente dessa doença, cujo tratamento dernorou cerca de dois mezes, appareceu-me urna mancha dolorosa na coxa da perna doente, dizendo os medlcos ser motivada pela inflammaçao duma vela. Essa inflammaçao manteve-se apesar de um tratamento culdadoso e repouso absoluto. Tendo diminuido de coloraçao, tentei novamente levantar-me, mas, todas as vezes que andava, a d0r na veia reapparecla e a lnframmaçtlo augmentava. Cont1nuei1assim mais de utn mez, com alternalivas de movimento e repouso for<,;ado. Os médicos f0ratn de opinlao que este estado se manteria durante mezes, cllzendo urn delles, considerado' unanimemente ·urna sumldade médl· • ca, que a doença e o tratamento seriam t muito, prolongados e 4ue seria tatvei r necessaria mais tarde a extr~cçio d~ssa veia. Nào ven<lo mt!lhorar o meu estado, recorri che1a de fé a Nossa Senhora de F~tima e ao deitar-me banhel a m 1ncha c im agua do locai das appariç0es que me ti11h11 sido cedlda por pess0a das rt!laç0es du• ma amiga minha. Com grande alegrla no dia seguinte verifiquei que estava multo melhor e passados dois dlas com-

Mulher christa Encontraram-se um dia dois amigos, dois velhos amigos de regimento. Era dia de festa, e um delles vinha da egreja, onde tinlta commungado. - Como é, observou-lhe o camarada, que tendo sido, corno eu, educado em acampamento, vaes agora a commungar assim, muitas vezcs na se mana? -Como? E' muito simples e curioso. Converteu-me um prégador, que nuoca me disse urna palavra de rellgiàu - minha mulher. Ella era piedosa. E eu, que desde solteiro, desde o principio a amava. respei tava sua fé, ainda que nào pensasse corno ella. Quando moc;a fa zia parte de todas as congregaç6es da sua parochia e assignava-se cPilha de Maria.> Estas duas palavrinhas faziam-me sorrir1 mas, nào sel porque, mio lh'o levava a mal. Mais Iarde deu~se toda a mim, mas fic1ndo o que era: piedosa, reli• giosa, assidua egreja; e nuoca notei que a piedade a prejudicasse no menor dos seus deveres. , , h toe Raramente me falava de Deus, mas eu lia no rosto o pensamento: e, quando por habito inveterado, eu deixava escapar alguma blasphemia,t via-a empallidecer. Alguma$ vezes mesmo uma lagrima furtiva lhe corria, pela h1ct!, mas em breve retornava o sorris!j e se mostrava sempre dedicada , nl!i tS ainda talvez que antes. Nunc11 me dizia que eu tinha felto mal, mali eu lia-lh'o no rosto., , u Quando mlnha vista orava, pela manhii e noite, e nunca deixou de o fazer, suas feiçoes se illuminavam;

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BS HPPHQIOOES DE L008DES Il

Bernardetta O inverno de 1855 foi rigoroso em extremo. Logo no principio dessa quadra do anno a tia Bernarda, que era, corno dissemos, madrinha de baptis1no, levou-a para sua casa e ahi a teve durante sete ou oito méses, tratando-a com bondade e prodigalisando-lhe cuidados ihtelligentes e carinhosos corno se ella f0sse sua propria filha. Oepois a creança voltou para a miserrima habitaçào da rua dos Pequenos Fossos, onde recomeçou a sua vida de privaçè>es. Todavia encontrava alli a sua querida mlle que a educava no temor de Deus e o séu bom pae que trabalhava com a maior diligencia para sustentar os seus seis filhos. Alli respirava urna atmosphera de religlao, de coragem e de piedade I , tranquilla. Todas as noites depois de urna cela frugai, fazia-se a oraçào em comum e depois, segundo con tam os visinhosJ ouvia--se uma voz fresca e pura que recitava a Ave-Maria; era a de Ber.. nadette que tinha ja entoaçòes pene.. trantes e dir-se-hia a voz dum anjo.) que vinha amenisar as trietezas do ~arcere. Aos domingos o pae e a màe assistiam aos actos religiosos na egreja parochial, onde se dirlgiam conduzindo os filhos pela mao ou le• vando ao collo aquelles que ainda mal podiana andar por seu pé. NaP aschoa ajoelhavam-se a1Rbos 4 meza eucharistlca para receber o Deu5"; que santilica e consoli, que eQsina o valor e o objectivo da vida e que


Voz dAi Fé.th:na. 'fejuvenesce perpetuamente a fé, a coragem e as almas. Era pois urna familia christà que Deus abençoava porque era amado por ella, um santuario de piedade em que a Virgem sem macula escol~la de~de jA um coraçao innocentiss~mo, d1gno de se tornar um dia seu Vtdente e seu apostolo. Durante o verao de 1857 Maria Aravant, preci-sando duma pastorinha para apascen• tar o seu rebanho, pediu Bernardette que ella nunca tinha perdido de vista, e esta sentiu-se feliz em voltar a ~artrés para junto daquella que conSlderava corno sua segunda màe. 0s paes deixaram-na com tristeza p~rtir, mas era urna bòca de menos a a lamentar e . ~ miseria o briga os po- • bres aos mais duros sacrificios do coraçào. . Em Bartrés nao passou despercebid~. Todos estimavam essa pastorinha t~o m~iga, sempre sorridente, de r~ st0 alluminando por dois olhos cand1dos e puros. Esta creança t/Io modesta, que procurava esquivar-se as vistas do mundo, era singularmente attrahente e 11inguem a deixava passar sem lhe diriglr uma palavra de interesse affecluoso, a que ella correspondla com urna timida amabilidade que augmentava ainda mais o encanto da sua pess0a. Um dia em que conduzia o seu rebanho para os planaltos de chibata na mito, cncontrou o par~cho e ~~udou-o com urna graça, urna simpltcadad.e e um respeito que muito rn1press1011aram o venerando pastor d'almas. Elle voltou-se para traz afim de a observar com attençao emquanto se afastava e depois disse ao professor que o acompanhava, o senhor Barlbet: -Se o retrato que o meu espirito f6rma das creanças de La Salette é exacto, esta pastorinha deve parecer.se bastante com ellas. E comtudo a virtuosa menina nao possuia nenhum desses dons da intelligencia que deslumbram nas creanças cujo esplrlto acorda lançando claròes encantadores. Tlnha falta de memoria e comprehendia com difficuldade, pelo menos na apparencia, as licçòes de doulrina que Maria Aravant lhe dava todas ~s tardes. Ora esta boa mulher nao Jgnorava que a humilde pastorlnha tinha quatorze annos completos e que ~assara a edade em que devia trr feato a s11~ primeira communhao. Mas a creança parecia nào ter mais de , tez a11nos, e por isso é que sein duv1Ja se haviam preoccupado mui.to pouco com ella até na catechese onde era relegat1a· para os ultimos lo: gares. Maria. Aravant reparava, tanto quanto p<,ss,vet, este esquecimento e q_ue,xava-se de que os seus esforços fo ,~m coroados dc 'resultados tào po:,cos ·. nimadores. -Bero-t1lelte linha cabeç1 dura di · e ell mais tarde, alias sem n~: nh11111a H.:11r,f1ra. Por mais quc n petisse as minhas licçoes nada con seguia e era necessario recomeçar toctos os dias. A's vezes nào podia deixar. c!e i111pacienlar-me e, despei~ tada, atirava com o livro para um

canto e dizia-lhe: cVae-te embora, Ah nunca has-de ser senào urna to:1ta e uma ignorante!• Bernadette fi· cava cheia de confusào, mas nào se affligia nem amuava. As palavras de Maria Aravant penetravam talvez mais fundo do que ella suppunha: sem duvida o Espirito Santo realisava a sua obra neste espirito emminentemente recto em que se comprazia, a piedade para com a Virgem augmentava e avigorava-se cada vez mais nessa alma innocente e ella consolava-se da memoria ingrata que vinha desfiando com amor as contas do terçosinho que comprehendia tào bem no intimo do seu coraçfto. Todavia Maria Aravant, no intuito de tranquillisar a consciencia, foi tcr com o parocho de Bartrés para lhe fallar da creança e da sua primeira communMo. O virtuoso sacerdote acolheu com benevolencia as suas J>,ropostas e deu-lhe alguns conselhos, mas os seus dias rie serviço na freguczia estavam contados, porque tinha sollicitado e obtitlo a sua admissào entrc os Benedictinos. Disse, pois, a sua parochiana: -E' possivel que Bartrés fique durante algum tempo sem parocho, e por isso convido-a a mandar Bernadette para casa da f:irnilia. Recommende-a da minha parte ao clero de Lourdes que a preparara para a primcira communhào. Este alvitre foi posto em prAtica. E assim nos primeiros dias de Janeiro de 1858 a humildc creança deixnva Bartrés e entrava de novo na pobre casa da rua dos Peqaenos Fossos. Todos pensavam que ella era completamente ignorante das cousas dc Deus corno o era das cousas da vida; mas, aos olhos do Ceu, corno ern grande, bella e adeantada em graçal Comtudo ignorava na sua slmplicidade que Deus e a Santissima Virgem, a quem rogava com tanta devoçào, podiam ter designios particulares de misericordia e de gloria sobre ella, creatura tao pequena e tào desprovida de tudo. Deus preparava-se para exaltar esta humilde rilha do povo. (Versìio do francez)

estA fechada a chave, e além disto, dentro ha umas cortinas, e Jesus ainda fica por detraz dellas. -Papa, insisliu a pequena, eu queria v!r a Jesus. O ministro procurou entreter a pequena, mostrando-lhe outras cousas na igrej:i, até que por fim condu• zlo-a para f6ra da porta. Passeando pela cldade, a mcnina, de quando em quando, perguntava por Jesus. Oadas algumas voltas, o pae entrou com ella num templo protestante. Ahi a criança relanceou a vista por todos os lados e nào vendo lamJ)ada alguma perguntou: -Papi, porque é que nllo est.i aqui lampada? -Porque ... porque aqui nilo esfa Jesus, respondeu-lhe timidamente o ministro. Entào, nada mais houve. A menina sonhou muilas vezes, e alto, naquella noite, fallando de Jesus. Durante o dia seguinte, com frequencia, repetla que queria v~r a Jesus. !sto produziu tal abato no animo dos paes, que estes terminaram por abraçar a rellgiao catholica, e com ella a pobreza, porque, com a sua conversào, o ministro perdeu urna renda de mil libras anuaes.

A AlEGBIA •Se tiveres a alcgria no coraç:fo, o tcu cspirito sera mais lucido, o teu pens~mc1~to mai~ bc1:n definido, n tua 1mag111açuo mais viva, n tua nlmn mais serena, as tuas disposiçi5es morais mais elevadas, a tua communicaçao com os outros mais amavel, a tua saudc mais solida, a tua picdade mnis terna, :t tu,l virtudc mais pronta ao sacrificio. M. Carton de \Vi art afirma os direitos d aleKria-A' alegria e nao s6mente a «alegrias» passageirn'l e intermitcntes. Qucr para cada um de no:;uma alegria que se confonda com a nossa existencia, que seja para n6s uma boa companheira de todos os dias e dc todas as horas. Saber encontrar a vcrJ:ideira alegria 6 o que se ignora no nosso tempo. A vcrdudeira alegria nao se ven• de nas lojas èia moda, e a vida ainda se ·cscurece mais dcpois dos fogos de palhn do prnzer. No~ procuramos a nossa alegrfa muito longc ou muito cm\ bai:to, quando ela esta em n6s menos. Sejamos alegrcs. ~A' f8rça de dcsejar e querer a salegrta ac:.1ba-sc por conquis. ta-la.n Temos afliçoes? Mas se o bom humor dos outro~ dissipa muitas ve• zes as sombras do nosso coraçao, porquc niio ha·de o nosso proprio bom humor fazer. o mesmo efcito? N~ste cttmpo, corno em muitos outros, o poèlcr da nossa vontade é maior do · quc ncSs julgamos». «Quem nos impedc todas as manhis, de convidarmos a nossa alma para a aleRria, e de lhc fazer o di&-•. curso que forinmos aqueles que qui• ze~scmos animar e \ còn\Olaa? Bem deitada!l as c:;ontas, niio seni avida trio rica ern argumt:ncos p,1rn 11 nlcgria corno em motivos dc dor? .•• •


Voz da Fé.UDlR «Se procuramos a alegria muito )onge de n6s, tambem a procuramos mu1to baixo. A alegria quer o ar das alturas. A verdadeira alegria s6 fioiesce a uma certa altura. Nao se encontra nem na lama dos prazeres grossdros, nem sob o duro rochèdo cfo egois.mo.» M. Carton de "\Viart diz-nos onde eia desabrocha, onde se escondem «os ninhos dc alegres pensamentos», no cumprimento dos deveres humildes, na bencv9lcncia para com os sercs e as coisas, no desejo dc tornar os ou· tros felizes e na satisfaçao de o con!eguir, no sentimento da natureza, nas boas leituras e nas bòas cançoes, no amor do lar e nas tcrnuras da familia. Mais alto! A verdadeira alegria ainda esta mais alto, num cume onde as Hòrcs nunca murcham: est.i na felicidade da crença. E' quando cremos que timelhor gozamos as pequenas felicidode!l, e que suportamos mais facilmente as peiores tribulaçoes». Ila homens quc trabalham sempre de bom humor, e que e:-tiio constantemente iluminados dum sorriso interior: a sua alma sempre igual, sempre radiante, tcm a serenidadc dos grandcs lagos. Qual é pois o seu s~gredo? , Eles vivem > numa conversaçao muda mas permanente com o além. 0 seu coraçao esta cm r-az porque o seu cspirito estd em Dcus. (De A Ulliiio)

as maos ao pescoço e afuga-o para lhe tirar a moeda que lhe restava. E feito isto seguiu o seu caminho asso blando, corno se nada f òsse com elle •••

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Quem ha ahi que se nao horrorise com semelhan!e crime?I E.' assim que se pagam os beneficios daquelle homem generoso, que tendo sete moedas, s6 reserva urna para si e até essa l'ha tirami Pois beml Talvez tu que me !es, sejas bem mais criminoso do que esse homeml Eu?l Diras tu, horrorisadol Sim, tu, tu proprio! Todo aquelle que profana o domingo, o dia do descanso, é semelhante aquelle pobre avarento e assassino. Deus na sua infinita Bondade, deu-nos seis dlas, para n6s trabalharmos, para ganhar• mos a nassa vida honradamente - e reservou para si apenas um-o do· mingo-o dia do Senhor, para n6s o servlrmos. E que fazemos n6s? Até esse dia lhe roubamos, até esse queremos para n6sl Nunca tinhas.pensado nlsso? Pois bem: Pensa a sério nisso. Nfio queiras ser ladrlio de Deus, e assassino de tua alma; e faze o proposito firme de nuoca mais profanares o domingo, occupando-te ern trabalhos servis. E' o terceiro manda· mento de Deus: - Ouardar domirtgos e f estas de guardai • PAULINO DA"' CRUZ

. PIO PBBTIDO EJII PEQDENIHOS •

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O pobre avarento • Catrilnhava certa noite por uma esirada um viandante que parecia rico e abastado. Encontrou no caminho um mendigo anùrajoso, cheio de fome e de cançaço, que se lhe dirlgiu a pedir-lhe uma esmolinha pelo amor de Deus. Condoeu-se o passageiro, da penuria do mendigo e num rasgo de generosidade disse-lhe: -AmiEol 7 odo o meu dinluiro s4o sete moedas de oiro. E' quanto me resta para completar a vial{em. Mas usando de economia, talvez me chegae ama moeda para as despezas indispensaveis. Aqui tem as sels moedas restantes1 dou-lhasl Que Deus o faça felizl Oesfez-se o pobce em àgradecimentos, mas andados alguns passos, entrou com elle o demonio da avare• za a aegredar-lhe: Seis moedas/ E' bem iJoml Nanca tu imaginaste que podias vir a te.r tanto dinheiro/ E se o passageiro te tivesse dado a outra fica,ias com st· te/ Sttel Era a eonta certa/ E dt· mais para que a. precisa elle? Tu 11odias ir atraz delle, tirar-lita/ Se ~lJe resistisse matava-lo e era cousa aeabadal A estrada estti deserta/

Nin.[!uem vii Sete moedasl f;ra a conta urtai ARdt1/ Maos d obra antes

qut tompa o dia/ Meu dito meu feitol Vae-se o pe4iote atraz do passagelro, lança-lhe

Foi, ha pouco, editado pela Livraria Moderna do Porto, a traduçào do lìvro do benedictino Dom Gaspar Le· fevre que nao temos duviùa dc recomendar aos nossos leilores. A Ji.. turgia, corno todos sabem, é o culto oflcial da Santa lgreja. Nào é apenas um conjunto de cerimonias mais ou menos impressionantes. Cada urna das cerimonias a que assistimos nos nossos templos, tem urna slgnificaçao, urna historia e en• sino. Para tlrarmos das cerimonias que praticamos ou vamos praticar, o devido fruto é preciso entende-las. E' o fim a que visa o livro do auctor da Liturgia. Felizmente ha hoje em todos os palzes urna grande tendencia para estes estudos que para muitos chrls· taos eram completamente desconhedos e constituem, portanto, uma verdadeira descoberta. 1 A liturgia procura «restaurar em Christo> a sociedade, glorificando. a Deus pelo exercicio digno e consciente do culto oficial que Jhe é devido e sanctlflcando o chrlstao pela participaçao actlva e consclente nas ,santas cerlmonlas da lgreja, .. Por isso, di.ala Pio X, que a litur· gla é a origem primaria e indispensavel do verdadelro esplrito chrlstilo. Recommendamos, pois, esta obra esperando della optlmos beneficios, para os devotos de Maria Santisslma.

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Voz da Fatima ~

oe,pesaa Transporte ••.•.••••• 7 q:370Impressao do n. 0 5 ••••• 136:500Outras despezas •...•.• ,. 18:100 - - -Soma ••

SubsoripçAo (Coninuaçiio)

D. Berta Delgado .•..•. 10:000 Esmolas colhidas no dia 13 de fovereiro na Fatima • 18:800 P. Manuel Pereira d'Oli10:000 veira ...••.•.•..•• Joaquirn Augusto Lacerda 5:000 D. Maria da Gloria Pcreira . . . . . . . . . . . . . . . 10:000 D. Maria Olimpia de Borgia Saa ved ra ••••.•. 5:000 José da Fonseca Castel10:000 Branco .......•••• D. Maria Amalia Capclo 10:000 Franco Cunha Matos.• Dr. Rau\ de. Magnlhaes •• 10:ooe> D. Luiza Ribeiro da Cunhu 10:000 20:000 D. Henrique de .Mustera .• 10:000 D. Herminia V. da Costa. D. ~1.aria José d' Almeida IO:ooo Telles •....•....•• D. M. d' Assumpçao Lucas 10:000 Condcssa de Sabugosa ... 1 10:000 10:ù0O Condessa de S. Lourenço D. Izabel de Mello Almada ' 10:ooQ D. Maria Amelia Ortig:io 10:000 de Mello .•..•....• D.· Cordalia Duarte Gol0:ooo mcs da Silva ..•..•• D. Laura Fernundcs de Barro::;•.••.... , ..• 10:000 D. Teresa Ferrcira , Mar10:000 ques . . . . . . . . • • .. • P. Manuel Marques Com19:000 bina .........•... 10:000 P. José Alves Duarte .•• 10:000 Manuel F. de Mello .••• D. i\Iaria Cletnentina AlJo:ooo vcs Pcixoto ....••.• 10:000 D. Ignes Baptista Tavarcs 10:000 Antonio Fragoso .•.•.. D. Cat.1rina Reverenda .• , 2:000 Anonitnas •.....••.. · 10:000 D. Maria das Neves Va- I • 10:000 rela Teoto,iio .•.•.• 10:000 D. Irene Rosa . . . . . • . , 10:000 D. Amelia C. da Fonseca. 10:000 D. 1\1. C. da S. N..... 2:700 Esmolas avulsas . . . . . • l 0:000, D. Joana de Jesus Ricardo P. Francisco A. da Sil'Va ro:ooo Valente ..••.•...• 10:000 D. Maria Izabel Henriques 10:000D. Bela Azevedo Ferreira Francisco de Freitas Cor10:000 . reia . . : . . . . . . . . . . 10:000 P. Julio Antonio do Vale D. Maria Carolina I<~ontes 10:000 D. ì\Iarla das Dòres Pinto 10:000Montenegro •.•.••••

---- O nos3o jornal é dlstribuldo gratuitamente nos dias 13 de cada (Tlés na Fatima. Quem enviar a esta redacçllo a quantia de dez mlt réis ter4 diretto a ser-lhe enviada a Voz da Fatima pelo correio durante um anno.


Ano I

,

N.0 7

LEIRIA,. 18 de Abr.il de "1028

'I'

(COM .AP.ROV Aç.ÀO ECLESIASTICA) ~

Director, Proprie-tarlo e Edit.or

Admini•t.ro.dor: PADRE M. PEflElRA DA SILVA

DOUTOR MANUEL MARQUES DOS SANTOS Composto e impresso oa Jmpreosa Comercial,

a Sé -

Leiria

REDAcçfo E ADMINISTRAçfo

RU .A. D. NUNO ALV.A.BES J?EREI:R.A. ( BEATO NUNQ !)E SANTA MAR IA)

A N0SSA SENHORA DA (N.0 1)

(Letra e musica por um devoto do Santo Rosario) I:'\

PIANO E

CANTO


)

...

HYMNO

ANossa Seu~ora ~a fofima N.0 1

Por um devoto do Santo Rosario 1

Sobri os braços da azlnh1ira, tu vtast,, 6 Màs Cl1m1nta, visitar a lusa gente de guem ls a Padroelra, CORO Avi I Avi I Màt de Deus ! Avi! Cantam filhos teas f 2

Fol na Cova da !ria, quando o Terço Te rezavam, quando os sinos convidavam a orar - ira msio-dia. CORO 3

gus d1scsste la dos Cius /alar aos pastorinhos, tnnocentu, pobr,sinhos, Mà, de Fatima, Màe de D,us. CORO a

4

Penit,ncia e oraçào, s, nzssu lhes pediai, do Bozario gu, trazias mab pedi.sta a da1'çào. CORO

S,ja, pois, o Santo Terço, do Clu gu'rlda oraçào, luna e viva a devoçào ga, T, 0!1rte o luso berço, CORO

X

13 DE MARCO

6

E Tu Mde, 6 Mà, de Deas, ga, v1ncsst1 a Serpi, o Mal, salva, ampara Portagal, viDdo a t,rra, ou la dos c,us, CORO

7

JJo Bozdrio Virgem Pura, Md, de Fatima, Màe gu'rtda, Tu ur,is por toda a vida,

o

.nassa paz, no.ssa ventura. Outubro d1 1922, (Com aprov1çiio eclesiostica)

Nao é menos interessante a seguinte carta do autor do Hymno :

Sr.

Por duas vezes estive no ver:Io passado em Loudes, e, sempre que •>uvia cantar o Avé I ou orava, sentla-me transportado Falima, que tanto dest'jo ver elevada categoria da Lourdes Portugue.ia. Numa tarde, ouvindo os canticos e as preces dos percgrinos franceses, cu, que nem de pé quebrado sou poeta, e que muito pouca musica sei, puz-me a escrever as quadras e as notas simples que junto a esta, dedicadas e oferecidas a Nossa Se-

a

nhora do Rozario de Fatima, pensando que, se elas merecessem a aprovaçào de S. Ex.• Rev.m•, poderiam ser publicadas na e Voz da Fatima> e levadas pelas vozes dos nossos peregrinos até aos pés da Santissima Virgem do Rozario, que, la no ceu, vela por èste pobre Portugal. Nlio pretendo honras. O meu fim unico é contribuir, no que posso, que é bem pouco, para a honra e gl6ria d' Aquela que, esquecendo as nossas muitas ingratidOes, se dignou descer as terras de Fatima para nos dizer, a n6s, portugueses, pela boca dos tres inocentes pastorinhos, que fizessemos penltencia e oraçào. Desejo, pois, e peço-o, que V. oculte o meu nome e a minha morada. Desde 1895 que, por conselho duma santa religiosa de S. José de Cluny, tornei por minha devoçao especial, a Nossa Senhora, a devoçao do Santo Rozario. Por duas vezes, na minha vlda, chamei, em perìgo de morrer, pela Virgem do Rozarlo. A morte fugiu de mlm, espavorida. • Como nao hei de ser um dev°'o de Fatima? I Eu estou pronto a contribuir com o necessario para a publlcaçào do que mando, podendo tratar aqui, se preciso fOr, da impressao da musica, se S. Ex.• Rev.ma o Sr. Bispo a julgar merecedora da sua aprovacào. Com a mais subida consideraçào me subscrevo De V. etc.

22-2-923.

5

e •••

Voz da? ~"a-timR

a

Dia explendido de sol. O ceu terso e diaphano, de uo1 formoso azul claro, sem urna nuvem sequer a ofuscar-lhe o brilho suavissimo, confirmou urna vez mais as tradiçè)es seculares do ceu incoruparavel de Portugal. A viraçao fresca do norie, cicia brandamente nos vales e nas encostas da montanha, cingindo a espaços num amplexo ligeiro e quasi imperceptivel as copas verdejantes dos pinheiros esguios e das ramudas carvalhelras. As avesinhas, saltitando de arvore em arvore e de ramo em beira dos caminhos, ou cruramo zando os ares em ba:1dos rumorosos, chilreavam alegremente saudando o apparecimento do astro-rei e os maravllhosos esplendores da ma11ha. Dirse-ia que a primavera, a mais bella quadra do anno, saudosa deste formoso j ardim, afagado pelas brisas do mar, viera algumas sem:rnas mais cedo para dolrar a paysagem com as suas graças e com os seus encantos feericos e deslumbrantes. E na verdade a mole gigantesca da serra d' Ayre, que subimos vagarosamente nessa manhli polvilhada de luz, oferece aos olhos extasiados um espectaculo soberbo de magestade e de belleza indiscritiveis. Pela estrada, vindos dos pootos rn:iis distantes e dlvergentes, os peregrinos, chelos de um<t alegria sli e tranquilla, que se refl~cte nos seus rostos, dirigem-se l entamente em todas as espécies de

a

I vehiculos para a terra do mysterio e do prodigio, cujo nome milhòes de portugueses pronunclam hoje, exultando de jubilo, corno urna dulcissima esperança de perdlio e corno urna promessa fagueira de paz. Ao meio dia o sitio das appariçoes~ visto ao longe, do alto da estrada districtal, apresenta urna mancha negra de cabeças humanas em torno do singelo padrlio que a piedade dos fiels alli erigira em memoria dos episodios maravilhosos de I 917. Devem estar presentes cerca de mii e quinhentas pessoas. Meia hora depois principiou a missa campar, qu~ é cetebrada pelo rev. Manuel Marques Combina, parocho do Arrabai. Durante o santo sacrificio reza-se o terço, entoam-se canticos e fazemse as invocaçoes de Lourdes, corno nos meses anteriores. Nào ha sermào. Ap6s a missa, a assistencia começa a debandar. Mas muitos peregrinos ficam ainda por longo tempo, ou recitando as suas oraçOes em frcnte da linda estatua da Virgem do Ros~r1o, collocada numa extremidade do altar improvisado, ou rodeando a fonte da agua maravilhosa e recolhendo porçòes della em recipientes de todos os feilios e tamanhos. Alguns fieis oferecem os seus exvotos. O s~xto nwmero da e Voz da Fatima> é distribuido com profusllo. Ouvimos fallar vagamente de peregrinos vindos de terras distantes, entre elles urna senhora do Porto. Sem nos delermos por mais rempo, corno era nosso ardente desejo, tornamos a ocupar o nosso lugar no trem que nos tinha transportado ~ Fatima. Tr~s dias depois recebiamos de um amigo nosso do Porto um postai datado do dia 15, do qual tomamos a liberdade de transcrever o seguinte: cEscrevo- lhe sob a mais profunda impressllo causada pelo milagre antehontem realisad o na Fatima. Ja sabe? Assistiu? Foi urna verdadeira ressurreiçào. A miraculada é daqul; mora na Rua da Egreja de Cedofeìta, 1J. Uma maravilha I Os médicos tinham afflrmado que ella estava perdida, pois o cancro no colon tinha j-i ramificaçoes medonhas e nllo puderam sequer começar a operaç~o. Como descrever a impressao de tal prodigio? . • . •

Visconde de Montello

Commissao de inqnerito A comissao canonic'\ de inquerito aos acontecimentos de Fatima, nomcada por Sua Excelencia Reverendissima o Senh )r Bispo dc Lei ria, tem renlisado periodicamente as 1,uas sessocs, continuando com o maior zelo e sollicitude os trabalhos d.t import.tote e deLicada missao de que foi incum· bidn, no intuito supremo de apurar a verdade, qualquer que ella sej1t. J<:ntre outras deltberaçocs na ultima scssao, -realisaJu no dia ci neo do corrente niez, resolvcu convidar novamente e com o mais vivo empenho por intermedio da «Voz da tima. todas as pesso.1s que quc1rnm depor, a favor ou contra, ~obre tudo quanto se relacione com os aconteci-

Fa-


Voz da Fé.-tima. mentos de Fatima, a communica-lo com a possiyel brevidadc, de viva voz ou por esento, a qualquer dos membros da referida com issao. _Para utilidade dos interessados publicam-se a seguir os nomes e as residencias dos mesmos: Reverendissimos Padres Joao Quaresma, Dr. Manoel Marques dos Santos e Manoel Pereira da Silva, no Seminario de Leiria; Dr. Joaquim Coelho Pereira na Batalha e Manoel Nunes F~rmigao Junior em Santarem; Faustino José Jacinto Ferreira, no Oli_val (Vila_ Nova de Ourem), Joaqu1m Ferretra Gonçalves das Neves, e_m Santa Catharina da Serra; Agosltnho Marques Ferreira, na Fatima.

Apere~rit1o~òo

~e Moio

Como tem succedido nos annos anteriores, a peregrlnaçao do dia treze do pr6ximo m~s de Maio ha-de constituir um acto de fé ao mesmo te~po singelo e comovedor, em que mais urna vez se revelara o grande fundo de sa e solida religiosidade d3 bella alma portuguesa. Segundo a crença geral, baseada em factos que sào do dominio publico e que parecem ce~tos e incontestaveis, passa nesse dia o sexto anniversario da primeira appariçao da Santissima Virgem aos lnnocentes pastorinhos de Aljustrel, Lucia, Francisco e Jacinta. Oesde Maio de 1Q17 alé hoje que scenas indescritiveis da mais viva e profunda devoçao a augusta Padroelra de Portugal se teem desenrotado no cume da serra d' Ayre I Centenas de milhares de pessoas de todas as classes e condiçoes sociaes alli accorrem de todos os pontos do nosso paiz, fazendo de um planalto arido e escatvado da Extremadura o malor centro de devoçao do universo a gloriosa Màe de Deus, depois da estancia privllegiada de Lourdes. Quanto é grato e consolador constatar a orifém e o respeito admiraveis que reinarn nesses actos colectivos de piedade, espontaneos e desprete!'~iosos, em que jamais houve a minima nota discordante, em que nuoca se verificou o mais ligeiro incidente desagradavel I A Santa Egreja, sempre prudenie e reservada em assuntos de tamanha gravtdade, alnda nào se proounciou acerca da naturesa dos sucessos maravilhosos de Fatima. Entretanto ella nao prohibe .que naquelle lugar se tribute a Nossa Senhora do Rosario o culto que lhe é devido e que os seus filhos lhe prestam em tantos e tao celebres sanctuarlos da nossa querida Patria e do mundo inteiro que lhe sào especialmente dedicados. No corrente anno, corno em 1920 o dia treze de ~ aio occç~re num 'domingo. Esta cucunstanc1a fellz contribuir.i sem duvi<la em larga escala para tornar m~is numerosa e imponente a pere,truv\çao nactonal, que revestira um brUho e um encanto verdadeiramente excepcionaes. Conforme é costume, os peregrinos partirào de suas terras depois de se terem reconcil1ado com Deus pòr

meio do sacramento da penltencia. Em Fatima nAo lhes é possivel confessarem-se por fatta de sacerdotes disponiveis para os attender. Os das regioes mais pr6ximas ouvirao a santa missa nas suas freguesias antes de iniciare,u a vlagem. Os de longe poderào assistir a ella natguma das povoaçoes por onde passarem. Sabemos que para comodidade dos peregrinos haver4 missa e comunhao em Leiria, na Sé Catedral, as sete horas, em Torres Novas, na egreja de Sao Thiago, as seis horas, em Villa Nova de Ourem, na egreja parochial, as sete e as dez horas, em Fatima, na egreja parochlal, tambem as sete -e dez horas e na capella do lugar de Boleiros desta ultima freguesia, logo depois do nascer do sol. Na Cova da Iria a missa de communhao geral principiar! ao meio-dia e meia hora, sendo acompanhada a canticos popttlarcs e seguida de sermào pelo rev. dr. Santos Farinha, prior de Santa Izabel, de Lisboa.

Preces e canticos collectivos dos peregrinos durante a missa na Cova da lria Antes da missa o Credo de Lourdes. Emquanto o celebrante se paramenta o Satvt, tzobre Padroeira. Durante a missa o terço do rosario. Depois de cada mysterio a jaculatoria dos videntes, ji appn;ivada pela auctorldaùe eccleslAstica: Meu Jesus perdoai-nos, livrai-nos do /of!o d~ inferno e allivlai as atmas do Purgatorio, especiatmellte as mais abandonadas•. A' consagraçao da hostia : Eu vos adoro, Santissimo Corpo, Saneue, Alma e Divindade de Nosso Senhor fesus Christo, tào real e perfettamente como estaes no Céu.> Ao levantar da Hostia: <Meu Stllhor e meu Deus•. A' consagraçao do Calix: «Eu vos adoro, preciosissimoSangue, Corpo, Alma e Divilldade de Nosso Senhor /esus Christo, tào real e perteitamente como estaes no Ceu•. Ao levantar do Calix:. cMeu sen!lOr e meu Deus >. Logo em seguida as invocaçoes: -Senhor, nos Vos adoramos f -Senhor, nos temos conflança em V6sl -Senhor, n6& Voa amamos I • -Hoaanna, Hoaaanna ao Fllho de 0avld I 1 Bemdlto eeja O que vem em nome do Senhor I -Vos aols Je1us· Chrlsto, Fifho de Deus vivo I -Voa sola o meu Senhor o o meu Oeus t -Adoremus in aeternum SandiJsimum Sacramentum. (Canlado). -Senhor, cremos em Vos, m111 augmtintal :i nossa fé. -Vo snls 11 resurrelç!o e a vida ! -Salvai-noa, Jeaus, alias perecemas I · -Senhor, se o qulzerdes, podela curar· m0 I / -Senhor, dfnl so uma palavra e terel curado I - -Jeaus, f llho de Maria, , tende -pledade do mlru I ·, • .,

-Jesua, Fllho de Davld, tende pledade de nos I -Parce Domine, parce populo tuo, ne in aeternum lrascaris nobis (cantado). -Oh I 0eus vinde em noaso auxlllo, vlnde depressa socorrer-nos I -Senhor, aquele a quem amata eata doente I -Senhor, fazel que eu veja I -Senhor, fazel que eu ande I -Senhor, fazel que eu ouça l -Ma:e do Salvador, rogae por n6s I -Saude dos enfermos, rogae por misi A' comunhao: «Senhor, eu nào sou digno que vds entreis em minha morada, mas dizei uma so palavra e minlza atma sera salva.> (Tr~s vezes, rezado e cantado). O <Bemdlto e Jouvado seja o Santissimo Sacramento da Eucharistia, fructo do ventre saerado da Virgem Purissima, Santa Maria•. Depois da comunhllo as invocaç0es a Nossa Senhora: -Bemdlta seja a Santa e lmaculada Concelçào da Bemaventurada Vlrgem Maria, Mae de 0aus I -Nossa Senhora do Rosario, rogai por n6s I (3 vezes). -Mlnha Ma& Santissima, tsnde pledade de n6s I (3 vezes). -Nossa Senhora do Rosario, dal• nos saude por am'lr e para gl6rla da Santissima Trlndada I (3 vezes). -- Nossa Senhora do Rosario, convertei os pecadores I (3 vezes). -Saude dos enfermos, rogae por nòs. (3 vezes). ' -Socorro dos doentes, rogae por nòs I (3 vezes). -0' Maria. conceblda sem pacAdo, rogae por nh que recorremos a Vòs t (3 vezes). -Nosaa Senhora do Rosario, salvae-nos e salvae Portugal I

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Avé-Marias e oraçoes finaes. O Hymno de Fatima, n. 0 t. Sermao, Hymno n.0 3 e Qlleremos Deus. NOTA-As jaculat6rias acima mencionadas sllo as tlnicas que por ordem da autorldade ecleslastlca devem ser recitadas publicamente na Cova da lria e além das indulg~nclas que lhes estllo anexas pela autorldade apostolica, concede o sr. Blspo de Leiria 50 dlas a quem la as recitar.

Avisos aos peregrinos Recommenda-se com o mais vivo empenho aos peregrlnos de cada grupo que, sempre que seja posst• vel, entrem todos )untos na Cova da lria, conservando-se asslrn durante os actos do culto, e que para o regresso se reunam de novo proxlrno da capella comemoratlva das appa• rlç0es, sahindo formados do locai e entoando canticos ou rezando o terço. Para se manter a b0a ordem que é mister, todos os peregrino&, i,obretudo ducante a missa e o sermao, devem acatar promptamente as lnstrucç0es e avlsos que f0rern feitos pelo sacerJote que esliver no pulpito. Os meios de transporte, q1:alqucr que seja a sua natureza, fica rilo collocados a uma distancict conveniente

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No~ da Fathn.Jt. da capella para nao difficultarem o transito nem perturbarem de qual· quer f6rma os actos religiosos. Recorda-se mais urna vez a prghibiçao formai, feita pelo Senhor Bispo ~e Leiria e archivada pela e Voz da Fatima> num dos seus pri. meiros numeros, de se vender seja o que fOr, corno objectos de piedade, comestiveis e bebidas nas proximidades do locai das appariçoes. E' egualmente defeso corner ou beber no mesmo recinto, cumprindo aos peregrinos escolher os pontos mais afastados para esse fim. Sendo o locai em torno da capela destinado exclusivamente a oraçao, é para desejar que se guarde sempre alli, mesmo f6ra dos actos religiosos collectivos, a maior compostura, silencio e respeito, evitando-se a todo o custo conversas desnecessarias ou ruidosas e outros actos improprios da santidadc daquella estancia privileglada.

acquisiçao desta ou daquela virtude, a conversao de tal ou tal pessOa, etc., etc., lembrando-se de que a vinda a Fatima tem sido para muitos occasiao propicia para receberem assignalados favores e o principio de muitas conversoes. A Virgem Santissima apparecendo em Fatima, constitui ahi o seu throno de misericordias, e em Fatima corno ern menhuma outra parte, a nào ser em Lourdes, parece comprazer-se em receber as homenagens dos que vào sauda-la, recompensando-os sempre com generosidade. Todos os exercicios constantes do programa, devem pois, ser seguidos a risca e com a maxima pontualidade por todos os peregrinos, e nào bastara assistir a elles materialmente ou por mera curiosidade; é preciso que durante a peregrinaçao assista a todos os actos. As graças que vamos solicitar exigem dos peregrinos:

1. 0

Recomendaçoes geraes Flm daa peregrlnaçiJes - As peregrinaçoes f atima sao essencialmente actos de fé, e, corno tais, teem por fim alcançar de Deus, por intercessao de Nossa Senhora do Rosario a saude da alma e a do corpo. Sao, alem d'isso, outras tantas occasiOes favoraveis para exterlorisar os nossos sentimentos christaos, e tributar a Deus e a Sua Mae Santissima as homenagens que lhes silo devidas. E' portanto com espirito de fé que se deve emprehender urna peregrinaçao a tima. t.0 - Antes de tudo deve perdir-se a Deus a satide das almas. Foi essa a intençao da Santissima Virgem, quando apparecendo aos hurnìldes pastorinhos da serra d' Ayre, lhes recomendou que orassem pela convers~o dos peccadores e declarou que todos deviam fazer penitencia. 2.0 - A par da saude das almas, deve-se pedir tambem a cura, ou, pelo menos, as melhoras dos doentes que acompanham a peregrlnaçllo, e a de todos quantos, desejando acompanha-la, o nào puderem fazer por qualquer motivo. \ t Devem, portanto, todos os peregrinos alhear-se por completo de tudo quanto possa dlstrahi-los destes pledosos fins, procurando, pela piedade e pelos exercicios proprios da peregrinaçno, alcançar do Ceu, por lnterrnedio da Virgem do Rosario, o maior numero de graças e$pirituaes e te_mporaes. Além dos dois fins acima enumera{ado!I, nào devem esquecer-se outraa Jnteqçoe~ nào menos importantes, taes comò: o Sumo Pontìfice, o triun-pho e a liberdade da Egreja, Q augmento da fé sobretudo em Portugal, as difficuldades da hora presente, o desenvolvimento da boa imprensa e das ~obras soclais, ais vocaçòes eccleslastlcàs, etc. etc. , A todas -estas intençOes de intere!!; se geral podem e devem ainda 01 peregrlnos accrescentar outras de ordem particular ou pessoal, taes como: a de conhecer a propria vocaçào, ou

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,

Fa-

,

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devere$ do proprio estado, f

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Espirlto de oraçllo. - E' a

oraçao um dos meios mais efficazes ao nosso alcance para alcançar os favores do ceu; é o supplemento indispensavel da nossa fraqueza porque, se sem ella nada nos é possivel, com ella serernos poderosos.

2. 0 -Esplrlto ds peni •encia. Foi a penitencia bbjecto duma recommeodaçào especial de Nossa nhora, como foi dito acirna; é portanto com esse espirito que devem acceitar se as privaç5es, as fadigas, os incommodos da viagem, as deficiencias do alojamento, ou quaesquer outras contrariedades que possam sobrevir. 3.0 -Esplrito de carldade.-A caridade é a rainha das virludes; devera pois presidir a todos os actos praticados em Fatima pelos peregrinos. Deve o nosso procedimento ser motivo de edificaçào para todos, nacionaes e estrangeiros, porque, além de ser urna prégaçào viva, sera ao rnesmo tempo um meio excelente para favorecer a piedade e o recolhlmento, tào nccessarlos nestes dias da peregrinaçào, para attrahir as bençaos de Deus. , Façamos pois, a nossa peregrinaçào, com as melhores disposiçoes: ..... urna fe viva, que nos tornara propicia a misericordia divina, pureza de consciencia, procurando devéras a amizade de Deus, espirito de mortificaçào e de penitencia,como reparaçao das faltas commettidas e preservativo para as futuras, sempre possiveis, tudo acompanhado da crecepçao digna e frequente • do Augusto Sacramento da Eucharistia. Animados com este esplrito, podetemos apresentar-nos no locai das appariçOes a pedir confiadamente as graças oecessarias que de tao louge vimOi buscar, sem receio de vermos confundida a nossa esperança. Um sem numero de factos nos comprova a realidade e abundancia das graças obtidas petos peregrinos quti veem a Fatima, animados destes piedosos sentimentos. O fructo da nossa peregrinaçao dependera, sem duvida alguma, das disposlçoes de cada peregrino. Se todos, sem excepçAo fossero embebidos deste espirito, 4lém da edifi-

s~-

caç!o produzida naturalmente por tal manifestaçao de piedade, seriam incalculayeis as graças de toda a especie descidas do Ceu, sòbre cada urn de n6s e sObre a nossa querida Patria. Inutil sera recomendar a caridade para com os doentes. Estes, pela sua situaçào, devem ser objecto de todos os cuìdados e disvelos de todos os que os .acompanham. Além das oraçoes fervorosas que por elles devem fazer-se durante a viagem e no locai das appariçoes, cumpre aos peregrinos saos coadjuva-los em todas as circunstaocias, ja incutindo-lbes confiança e resignaçao, ja ajudando a transporta-los, ja preservaodo-os do sol ou da chuva. A caridade, quando é ve.rdadeira, é indus\riosa e nao deixara de suggerir a cada um, e em cada clrcunstancia, o modo mais efficaz de a pOr em pratica.

" 0s acontecimentos de Fatima 11 Com este titulo sahira brevemente

a luz da publicidade um novo opus-

culo devido a penna do nosso presado collaborador sr. Visconde de Montello. Em dlversos capitulos, todos de um interesse f6ra do vulgar, o seu autor refere epis6dios e notas inéditas, merecendo registo especial aquelle em que narra sucintamente vinte e cinco curas atribuidas intercessao de Nossa Senhora de Fatima. Sabemos que o sr. Visconde de Montello esta preparando a segunda ediçao, revista e consideravelment~ aumentada, do seu livro e Os epis6dios maravllhosos de Fatima •, cuja primeira ediçao, actualmente exgotada, bastante concorreu para levar ao longe, no paiz e no extrangelro, o conhecimento do mysterioso caso de Fatima. O folheto e 0s acontecimentos de Fatima > sera posto disposiçào do ptiblico no dia treze do pr6xlmo m~s de Maio, custando cada exemplar um escudo e sendo o produto liquido da venda destinado na sua totalidade para a obra de Nossa Senhora de FUlma.

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V.oz •da 'Fatima Oeapeza•

Transporte do n.0 anterior Jmpressao do n., 6. • • • . 20 resmas de papel • • • • Outras cJespezas • • • • • • Soma • •

868:970 86:000 907:200 35:200 1.897:370

Subscripçilo (Continua~lio)

O. Conceiçao Alcantara • • Manuel Lucio Andrade•. • D. Heloisa Moraes Neves O. Cecilia M. Ribeiro •. • D. Maria Olimpia de B. Saavedra (2.a vez) • •• • Antonio lgnacio Vicente (2 • vez) •••••• •• • • Manuel Gomes Gaspar • • Manuel Maria dos Santos. D . Francisca Santos •••• D. Maria José de Vascoocelos e S. d'Albergarla · de Napoles Rapozo • • ..

10:000 3:000 10:000 10:000

5:000 2:500 10:000 10:000 10:000

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LEIRIA, 13 d4' Maio de 1.023

Ano I

(OOM APROV AçÀO EOLESI.ASTIOA) .A.dmtn.lM-tro.dor: PADRE M. PEREIRA DA SILVA

Dlrec-to:1.·, Propriei.arlo e Ed.i-tor

DOUTOR MANUEL MARQUES DOS SANTOS Composto e impres~o na Jmpreosa Comercial, li

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Leiria

REDACç>.o E AD)flNlSTRAçAO

RUA D. J::.::J"UJ::.::J"O ALVARES l?ERE:IRA (BEATO NUNO DE SANTA MARIA)

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DE fflTil\lIA.

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(A

NOSSA

SENHOR.A DO ROSARIO)

Ilettt1&. do Viseoode de 1Y.[oote11o

e.Mb.~

1Y.[usiea do maesti:ro P.e Sabino Petreitra

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-.. Voz dÀ, Fé;thnn,

2 s .

Htmno de rutima (A Nossa Senhora do Rosario) Lettra do Vlsconde de Montello lnstca do maestro Padre Sabino Paullno Perelra

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Bm transpo1t1s de amor s ds gaso, das ctdadss, da serra e do val, todo am povo aqai v,m prsssuroso, vosso povo ltel -POR'IUGAL. CORO

Oh, qu, bellos os nossos d1sttnos : ver a Dsus, tace a /ace, s,m vea I N6s g1memos na terra p'regrlnos, zzossa patria qu1rida i o Ciu. 2

Aqui vimos, 6 doce Marta, temos preitos render-vos de amor, suspirando, de noit, e de dia, relrtgirto na magua e na dor. CORO

3

Agai vtmos, com alma contrita, .supplicar ao divino Jesas o p61dào para a culpa maldita, zntl thesouros de grafa e de luz. CORO 4

O romeiro debalde procura 1ntr1 os homens a paz descobrir, zzossas almas s6 acham ventura ness, vosso tào meigo sortir. CORO 5

Quando zugs a procella da vida , nas ondas nos busca tragar, .sois am ins, 6 V1rg1m gaerida, 1ols a m1stica estrella do mar. CORO

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Hoje , s1mpre rezando o rosa,io, 1ssas contas - esleras de luz, ,era doce 1st, nosso fadtirio, .r11ào l1ves 1spinhos s craz. CORO 7

Qrum nos dera, na e:.rtrsma agonia, 1aess1 patto, sacrario d1 amor, a pobr1 alma 1xhalar, 6 Maria, )unto a Cruz , na paz do Senhor l COROFINAL Oh, salva,-nos da ,terna dtsdita, para amar-vos faz,t-nos vtv,r; 116s qa,r,mos, Ratnha b1md1ta, 11r lt1ll a J,sas ou morr,rI J

"\T a~ da Fatima ,, (SubaorlQào) Por fatta de espaço niio ffirttm publicadas em abril toJas as quantìas até entiio recebidas, o que tambi:m niio podemos fazer ne~te numc:ro. Esperamos que em Junho sejam puh.hcaJos toJas as recebidas e as q1.1e se reccherem ,até entiio.

Aos Rev. os Sacerdotes ~extranhos a Diocese de Leiria Emquanto nilo determinar doutra f6rma, concedo aos Rev. Sacerdotes extranhos a esta Diocese, durante os dias da sua peregrinaçào Fatima, licença para celebrar e jurisdiçào para confessar conforme os poderes que tenham nas suas Oioceses. Oevem vlr munldos com os seus documentos que os Rev. Parochos teem o direito e dever de exigir e examinar• Quando algum Rev. Sacerdote d'esta ou d'outra Olocese, tiver devoçào de celebrar a S. Missa no dia 13 por ocasiao da peregrinaçào, avisara o Rev. Parocho da Fatima que o attendera, nao havendo 011ho compromisso ou inconveniente.

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Leiria, 1 de Maio de 1923.

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JOSÉ, 8ISPO DE LEIRIA

/\VISO S. Ex.eia Rev. 1110 o Senhor Bispo de f..seiria atendendo a grande quantidade de pessoas que desejam receber a S. Comunhao no dia 13 d'este m~s de Maio em N. Senhora da Fatima, sendo muito penoso ficarem até tarde em jejum depois de passarem a noite em viagem, concede que se celebre, as 9 horas da manhtl, a Santa Missa no mesmo locai e se distribua a qualquer hora a S. Communhao aos fieis que se apresentarem devidamente preparados. Antes do sermlio, sera o s. Sacramento exposto e no fim dada a bençlio aos doentes, que terao Ioga, reservado, e a todos os presentes. Todas as pessoas que nesse dia se dirigem aquele locai procurem ir com o maior recolhimento e espirito de penitencia. Que Nossa Senhora alivie os nossos queridos doentes e salve o nosso pobre Portugal I

Nas vesperas do Milagre (Il de Outubro de 1917) Convencido da sinceridade absoluta das tres creanças. que disseram ter visto cinco vezes Nossa Senhora no locai denomlnado Cova da [ria, da freguesia da Fatima, concelho de Vila Nova d'Ourem, e ter ella declarado que no dia 13 de Outubro havia de fazer que todo o povo acredltasse no seu appareclmento, voltamos pela terceira vez Aquela povoaçào. Embora receassem9s que as creanças fossem victlmas f de urna allucinaçllo, hypothese que alias tudo nos faz repudlar, ou que os acontecimentos extraordinarios que alti se realisavam fossem provocados pelo espirito das

trevas para fins desconhecidos, no nosso espirito ia-se radicando cada vez mais a convicçào de que a FAtima era o locai destinado pela Rainha do Ceu, Padroeira de Portugal, para theatro de novos prodigios, da sua bondade e misericordia. P~r esse motivo resolvemos partir com alguns dlas de antecedencia, tornando no dia 10 o comboio, que nos conduziu a Chào de Maçàs, estaçao do caminho de ferro mais proxima da que talvez venha a ser considerada, por mercé de Oeus, a Lourdes ou a La Salette portuguesa. Urna charrete transportou-nos a Vita Nova d'Ourem, donde, depois de havermos trocado impressòes com o Rev.0 Parocho daquela villa, sobre os acontecimentos que motivam a nossa viagem, seguimos para a Fatima onde nos apeamos as 11 horas da noite, dirigindo-nos Immediatamente para o logar de Montelo, a dois kilometros de distancia. No dia seguinte de manhà propuzemo-nos ir interrogar novamen te os videntes a Aljustrel, onde residem, a tres kilometros de Montello. Anteir disso, porém interrogamos Manuel Oonçalves Junior, de 30 annos de idade, casado, homem intelligente e dotado de muito bom senso e de faculdades invulgares de observaçao •

-=Depoimento de Manuel Gonqalves Junior Sào do teor seguinte as perguntas qùe lhe fizemos e as respectivas respostas: - Os paes das creanças de Aljustrel que se dizem favorecidas com appariçoes de Nossa Senhora teem b0a fama, sao gente honrada e de bons costumes ? - Os paes do Francisco e da Jacinta sào pess0as muito boas, profundamente religiosos e respeitados e estimados por todos. O pae tem fama de ser o homem mais serio do logar. E' incapaz de enganar alguem. O pae da Lucia frequenta pouco a egreja. Nào é, porém, de maus sentimentos. A mae é urna mulher honesta, religiosa e amante do trabalho. - O que pensam os habitantes da Fé\tima a respeito do que as creanças dizem? Nào as acreditam? Teemnas por mentirosas? Ou julgam·nas vlctimas de urna allucinaçao? - A principio o povo nào queria ir Cova da lria. Ninguem acreditava nas creanças. Em trezt! de Junho, dia da segunda appariçlio, havia festa na egreja da freguesia em honra de Santo Antonio. Na Cova da Irta estavam apenas, hora da appariçao, sessenta pess0as. Os pais de Francisco e de Jacinta tinham Ido de manhil cedo para Porto de Moz ! feira chamada dos treze, com o fim de comprar bois, e regressaram ja de nolte. Na sua ausencia a casa encheuse-lhes de gente que queria ver as creanças e fazer-thes perguntas. Presentemente urna grande parte do povo julga que as creanças fallam verdade. Pela minha parte estou convencido disso. -Nos dias das Appariçoes tem havido signaes extraordinarios ? Ha muitas pess0as que afirmem te-les visto?

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Voz da Fé.tbn.a -Os signaes fòram muitos. Em .Agosto quasi todos os que estavam presentes viram esses signaes. Urna carrasqueira. nuvem baixou até Em Julho notava-se o mesmo. Nào havia poeira no locai. A nuvem em-

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poou os ares que pareciam ennevoados. - Houve mais algum signal? -Viam-se no ceu, proximo do sol, umas nuvens brancas que se tornaram successivamente vermelhas vivas (c0r de sangue), c0r de rosa e amarellas. O povo tornava-se desta ultima c0r. A luz do sol deminuiu bastante de intensidade. Sentiu-se tambem um rumor de origem desconheclda em Julho e em Agosto. - Suspeita-se de alguem que tenha induzido as creanças a representar urna comedia? - Nào, nem isso é verosimil. -Tem vindo muita gente de f6ra vèr as creanças e fallar com ellas? - Tem vindo innumeras pessòas de toda a parte. - Ellas acceitam o dinheiro que lhes queìram dar? - Teem acceitado qualquef cou.sa, quando teimam muito com ellas, mas nào acceitam por sua vontade. - As familias sào pobres? Vivem do seu trabalho? Teem propriedades? - Nào sao pobres. Sao até abastadas. E se a familia da Lucia nào o é mais, isso é devido a circunstancia de o pae ser pouco activo, descurando assim o amanho das suas propriedades. - Ha na Fatima pess0as que tenham estado ao pé das creanças durante as apparlçoe~? - Em Julho estiveram ao pé dellas Jacinto d' Almeida Lopes, do logar da Amoreira e Manoel d'Oliveira, deste de Montello. - O que faz Lucia durante o tempo da appariçào? - Rt!sa o terço. Quando se dirige A ~enhora, falla alto. Eu proprio a ouv1 em junho, porque estava proximo. Algumas pess0as aHirmam que • ouvem o som das respostas. -O locai das appariçoes é muito frequentado tambem nos outros dias por pess0as piedosas ou por curio-

10s? - E' muito frequentado. sobretu-

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do aos l>omingos. A maior concorrencia é a noite. Vao alti muitas pessOas, de perto e de longe, e mais ainda de f6ra da freguesia. Rezam o terço e ent0am canticos em honra da Virgem. Terminado este interrogatorio, puzemo-nos a caminho de Aljusfel e, cbegado aquelle togar, dirigimo-nos imm~cliatamente a casa de Lucia. Estava junto da sua habitaçào dando aervenlia a um pedreiro que concertava ~ telhado. Logo que nos viu, cumpC1mentou- nos respeitosamente. A màe appareceu no mesmo instante e accedeu d<t melhor vontade ao i,edido de nos deixar interrogar novamente a rilha. Primeiro, porém, fizemos-lhe algumas perguntas.

--Oepoimentca da m:le da Lucia

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Sua filha é parente do Francis-

co e da Jacinta?

- E' prima, porque meu marido é irmào da mae delles. - Como soube que Nossa Senhora appareceu a sua filha da primeira vez? Foi ella que lh'o contou? - Tive conhecimento desse facto pela familia das outras creanças, porque a Lucia a principio guardou segredo e até cbegou a aconselhar os companheiros a nao dizerem nada com receio de que lhes ralhassem. S6 depois de ìnterrogada por mim é que disse o que tinha visto. - Nunca reprehendeu sua filha por ter Ido Cova da lria? Deu-lhe sempre inteira liberdade de ir no dia 13 de cada mes ? -Nuoca a prohibi de ir a esse sitio. Umas vezes perguntava-the se queria ir, eia respondia affirmativamente, outras vezes ella mesma dizia que ìria se eu lhe désse licença. - As tres crednças costumam ir sòsinhas · ao locai l1as appariçoes ou vao acompanhadas de outras creanças? Vào s6s. Quasi sempre vao tambem outras creanças, mas acompanhadas dos paes e ficam ao pé delles, nao se juntando com a Lucia e os primos della. As creanças guardavam gado, nao é verdade? A quem é que esse gado pertencia? - A Lucia guardava um pequeno rebanho de ovelhas e os primos outro. Pertenciam os rebanhos as respectivas familias. A's vezes juntavam o gado, mas unicamente porque queriam. As ovelhas que a Lucia guardava, ja as vendi. - Como é que as creanças teem ido vestidas ? - Da primelra vez 1am mal arranjadas, corno andam quasi sempre os pastores. Das outras vezes, no dia 13 de caqa m~s, vao vestidas de fa. to ctaro e levam um lenço branco na cabeça. - Consta-me que possue um livro intitulado Missa.o abreviada e que as vezes o I~ a seus filhos. E' verdade? - E' verdade; possuo esse livro e tenho-o lido a meus filhos. - Leu a historia da appariçao de La Salette deante da Lucia e de outras creanças ? - S6 deante da Lucia e dos outros meus filhos. - A Lucia fallava as vezes na historia de La Salette, mostrando de qualquer modo que essa historia tinha produzido grande impressAo no seu espirito? - Nunca lhe ouvi dizer nada a esse respeito, se bem me recordo. - Quando as creanças fòram presas pelo administrador de Vita Nova d'Ourem, foi alguem reclamar que as restituisse aos paes? - Um irmAo do Francisco e da Jacinta foi fallar com ellas a casa do administrador. A senhora do administrador perguntou se ia buscar as creanças, ao que elle respondeu negativamente. Foi o proprio administrndor que as veio trazer F attma. -Tem vindo muita gente v~r sua fllha? - Tem vindo muita gente quasi todos os dias.

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3 Concluido este Interrogatorio con• vid!mos quatro individos dignos de todo o crédito a assistir corno testemunhas ao interrogatorio da Lucia: Anastacio da Thereza, Gonçalves da Silva, Manoel Henriques, todos de Aljustrel, e Francisco Rodrigues, da Moita do Martinho. Immediatamente demos principio a inquiriçAo da videate.

Interrogatorio de Lucia Disseste-me ha dias que Nossa Senhora queria que o dinheiro offerecido pelo povo f0sse !evado para a egreja da freguesia em dois andores. Como é que se arranjam os andores e quando é que elles devem ser levados para a egreja? - Os andores compram-se com o dlnheiro oferecido e serào levados para a egreja nas festas da Senhora do Rosario. - Sabes com certeza em que sifio é que Nossa Senhora deseja que seja edificada urna capella em sua honra? -Nào sel ao certo, mas jutgo que quer a capela na Cova da lria. - O que é que Ella disse que havia de fazer para que todo o povo acreditasse que ella appareceu ? - Disse que havia de fazer um milagre. - Quando foi que ella diske isso? - Disse-o umas poucas de vezes, mas s6 urna vez, na occasiao da primeira appariçào, é que lhe fiz a pergunta. - Nao tens medo que o povo te faça mal se niio vir nada de extraordinario nesse dia? - Nao tenho medo menhum. - Sentes dentro de ti alguma coisa, alguma força que te areaste para a Cova da lria no dia 13 de cada mès? - Sinto vontade de la ir e ficava triste se nao f òsse. - Viste alguma vez a Senhora benzer-se, rezar, ou desfiar as contas do Rosario? -Nào vi • - Mandou-te rezar? - Mandou-me rezar umas poucas de vezes. -Disse-te que rezasses pela conversAo dos peccadores? - N§o disse; mandou-me s6 rezar a nossa Senhora do Ros!rio para que acabasse a guerra. - Viste os signaes que as outras pess0as dizem ter visto, corno urna estrella, rozas a despregarem do ves• tido da Senhora, etc. ? - Nilo vi a estrella nem outros signaes extraordinarios. - Ouviste algum rumor, trovao ott tremor de terra? - Nuoca ouvi. - Sabes tér. .- Nao sei." - Andas a aprender a lèr? < - Nào and(). - Como cumpres entao a ordem que a senhora te deu n'esse senti• , do.

- I ••••••••••• - Quando dizes ao povo que ajoelhe e rcze, é a Senhora que manda que o di gas? - Nao é a Senhora que manda, sou eu que quero.


4

Voz da Fé.tima

- Sempre que ella apparece, tu ajoelhas. - A's vezes fico de pé, outras vezes ajoelho-me. - Quando falla, a sua voz é doce e agradavel ?

-E'. -

Que edade parece ter a Senho-

ra? - Parece ter uns quinze annos. - De que cOr é o cadeado do Rosario? - E'branco. -E a do cruclfixo? - O crucifixo tambem é branco. - O veu cobre a testa da Senho-

ra? - Nao cobre, vc-se-lhe bem a testa. - O esplendor que a envolve ~ bonito? - E' mais bonito que a luz do sol e multo brllhante. - A Senhora nuoca te saudou oom a cabeça ou com as màos ? -Nuoca. - Nuoca se sorriu para ti? - Tambem nao. - Costuma olhar ~ara o povo? - Nuoca a vi olhar para elle. -Ouves as conversas, rumores e gritos do povo durante o tempo em que estas vendo a Senhora? - Nao ouço. - A Senhora ped'iu-te em Maio que volt~sses todos os mesès até Outubro a Cova da Iria? - Disse que voltassemos la de mes a mes, durante seis mezes, no dta 13. - Ouviste ler a tua mae o livro chamado Missiio abreviada, onde se conta a historia da appariçao de Nossa Senhora a urna menina ? - Ouvl. - Pensavas muitas vezes nessa historia e faltavas della a outras creanças? -Nao pensava nessa historia nem a contei a ninguem. Conclulda esta inquirlçlio, diri,:imo-l'les a casa das outras duas creanças, procedendo alli a sua inquiriçao, na presença do pae e de alguRtas das lm1as. Interrogamos primeiro a Jacinta.

---

Interrogatorio da Jaolnta

- A

Senhora recommendou que rezassem o terço ? - Recomendou. -Quando? - Quando appareceu pela prlmei-

ra-vez.

1

-

Oltviste tambem o segredo ou foi s6 a Lucia que o ouviu ? - Eu tambem ouvi. - Quando o ouviste? - Da segunda vez, no dia de Santo Antonio. - Esse segredo é para serem ri-

cos. -

Nao é.

- E' para serem bons e felizes ?

,

-E'. E' para bem de todos trcs. -E' para lrem para o Ceu?

-Nào é. - Nào podes rev&lar o segredo ? - Nào posso. - Porque? - Poque a Senhorn disse que n~o isses:cmos o segrede a 1i1guem.

- Se o povo soubesse o segredo, ficava triste ? - Ficava. - Como tlnha a Senhora as maos? - Tinha-as erguidas. -Sempre erguidas? -A's vezes voltava as palmas para o ceu. - A Senhora disse em Malo que querla que fOssem a Cova da lria maia vezes? - Disse que queria que fOssemos la durante seis méses, de mes a m~s, até que em Outubro dissesse o que querla. - Ella tem na cabeça algum resplendor?

- Te111. - Podes olhar bem para o rosto ? - Nao _posso, porque faz mal aos olhos. - Ouviste sempre bem o que a Senhora disse? -Da ultima vez nlio ouvi tudo por causa do barulho que o povo fazia. Segue-se a inquiriçào do Francisco.

-~--

Interrogatorio do Francisco - Que idade é que tens ? - Tenho nove annos feitoi. - S6 ves a senhora ou ouves tambem o que Ella diz. - S6 a vejo, olio ouço nada que Ella dlz. - Tem algum clarao em volta da cabeça? -Tem. -Podes olhar bem para a cara dela? -Posso olhar, mas pouco, por causa. da luz. - Tem alguns enfeites no vestido? - Tem uns cordOes de ouro. - De qu'! cOr é o crucifixo do Ro-

sario?

- Tambem é branco. -O povo flcava triste se soubease o segredo? Y. de M. - Ficava.

Cura de D. Thereza de Jesus Martins D. Thereza de Jesus Martina, de

19 annos de edade, casada com Antonio Coelho Lucas, empregado publico, moradora na Avenida das COrtes, 111, 4.0 , E., Ll!boa, começou a sentir-se muito fraca, trcs meses depois do seu casamento, cele~ brado a 3 de Dezembro de 1921 na fregucsia de A-dos-Cunhados, concelho de Torres Vedras, onde nasceu e vivla com sua familia e donde nesse rnesmo dia retirou para a capitai. Receando causar inquietaçao ao marido, nao lhe quiz a principio dizer nada acerca do seu estado de saude, mas, corno algum tempo depois deltasse sangue em abundancia pela boca, apressou-se a pO-lo ao corrente do que se passava. De accordo com elle fol consultar o sr. dr. Cassiano Neves, que reconhecendo a sua extrema fraqueza e verificando que o pulreào direito estava affectado, lhe recommendou urna alimentaçào subst-ancial e um rcpouso absoluto.

Algum tempo depois procurou o dr. Vicente Pedro Dias, que, tendo-a observado e constatado a existencia de hemoptises a aconselhou a mudar de ares, saindo de Lisboa. Por duas vezes passou urna temporada na terra da sua naturalidade, regressando um pouco melhor capitai, mas peorando algumas semanas mais tarde e da segunda vez çonsideravelrnente, tornando-se o seu estado mais grave do que nuoca. Na esperança de que mudando de médico e de tratamento obteria as melhoras que tanto desejava, procurou no seu consutt6rio da Rua do Alecrim o dr. Antonio Augusto Fernandes, o qual diligenciou interna-la no sanat6rio de Portalegre, o que nao conseguiu por nào haver vaga naquella occasiao, Indo por esse motivo a enferma provisoriamente para o pavilh5o de tuberculosos n.• 5 do hdspital do Rego, no Campo Grande. Nào podia, comtudo, reslgnar-se a ficar no hospital, isolada da familia, no meio de pcssoas desconhecidas. A cama que lhe dttslinaram tinha o numero 13. Esta circtrnstància afli~iu-a tanto que chegou a dizer enfermeira q,ue preferia morrer aos pés da cama a deilar-se nella·. A sua afliçao torrou-se ainda maior quando, por indiscriçao de uma empre~ada, soube que estav..i tuberculosa. I tsistiu por isso com o m·tis vivo empenho para qt:e, sem demMa, Il e fOsse dada alta, pois desejava ir morrer nos braços da m~,e. Ao mesmo tempo escreveu ao marido e a nrndrinha de casamento, O. Berta Ouimaraes de Carvalho (Chancellelros), moradora no mesmo prédio da Avenida das Còrtes, 2.0 andar, pedindo que a tirassem do hospital, porque. corno ella se expressava, ni'io podia la estar de maneira nenhuma. Antes da sua entrada no pavilhllo, a madrinha dera lhe um frasca com agua de Lourdes e outro, mais p&queno, com agua de FAtima. A doente ji tinha ouvido f 1llar de Nossa Scnhora de Fatima, mas nao sabla que a Virgem Santissim:i havia appa- • recido alll e que mu1tas curas extraordinarias eram atribuidas sua lntercessao. No pr6prio dia em que entrou no hospltal, logo que teve conhecimento de que estava tuberculosa e nao simplesmente fraca, corno até entào julgara, sentiu urna tao granlife conliança em Nossa Senhora de Fatima, que se poz a Invoca-la debulhada em lagrimas e prometteu que, se ella houvesse por bem cura- 11 la, faria urna peregrinaçao ao seu sanctuario, oferecendo nessa ocasiào duas velas de cera da sua altura e percorrendo de joelhos a dlstAncia que Jhe tosse posslvel até junto da sua veneranda Imagcm. Todos os dias renovava as suas supplicas cada vez com mais fervo!', recitando o terço do Rosario e tornando desde o prlineiro dia algumas gottoo de agua da fonte da Cova da lria. Entretanto o marldo e a madrlnha responderamlhe, procurando convencè-la de que para seu bem devia continuar no hospital. No quarto dia apoderou-se do seu esplrito uma trisleza tào profunda que, apesar da opiniao contraria do marido e da maddnha, pediu novamente alta ao médico, .que

a

a

a

.

\


5

Voz da Fé.tiJ:na se recusou a dar-lha, observando que ella nao se achava em estado de ir para casa. Chorou porém, e insistiu tanto ,ara que lhe fizessem a vontade que lhe permittiram sahir. Sem avisar a familla, encaminhouse logo em direcçao a um electrico, para o qual subiu com muita dificutdade. Se nao fora a caridade de aliUns passageiros, teria cahido deiamparada no chào, exhausta de forças. Tendo-se apeado ao pé da porta àa rua, subiu a muito custo e muito devagar as escadas. Em casa estava a sogra aue, vendo-a naquelle estado, extremamente magra, fraquissima e com urna pallldez cadaverica, desatou a chorar. A' noite chegou o marido que ficou consternado ao ve la tào mal e a quem disse que, sabendo que estava tube~culos~ e completamente perdida, dese1ava Ir morrer junto da mae. Quatro dias depois partiu para a terra da sua naturalidade. Alli conti-

fornecido. Ap6s dois meses e melo de permanencia na terra, regressou a Lisboa. Foi no dia 17 de Outubro. Nesse dia, antes de partir, tomou urna colher de ~gua de f Atima que lhe deram umas senhoras do seu conhecimento. Foi a ultima vez que bebeu dessa Agua. A 25 do mesmo mès voltou ao consult6rio do dr. Fernandes para que elle examinasse o seu estado. Ao vè-la na sua presença, tao differente do que era, forte, g6rda, c6rada e apparentando urna saude esplendida, o illustre clinico nlio poude reprirnir um movimento de surpreza. Observou-a com toda a attençlio e minuciosidade e por fim declarou que, tendo-a julgado perdida, a achava a~era completamente curada, o que reputava ine,:plicavel, quer se considerasse o estado desesperado da enferma, quer se considerasse a rapidez corno se tinha effectuado a cura.

vir, administrando-the o sacramento da Extrema-Uncçiio. O estado da en(erma era considerado quasi desesperado. Durante todo o dia esteve gemendo continuamente aem ver nem ouvir e sem responder 611 per~untas que lhe faziam. 0s olhos ti• depressa se lhe eovidraçavam, como recuperavam a sua limpidez habitual. O dr, Figueiredo Valente, que a veio ver pela prime1ra vez na quaru-feir'I no1te, julgan- • do rcconhecer alguns dos symptomas da meningite, ordenou quc sem demora fizesse uma punçao nR coluna vcrteltral constatando a analyse do liquido extraid; a existencia de umd infecçao nas m~ninges, proveniente do microbio do sarampo. A puncçiio realisou-se 1h cinco horas da tarda e foi foita pelo dr. Romao Fcrreirn Loff'. A noite immediata fo, horrivel, tendo • diagnoHice t!e meningite sido comrrovade pelos gemidos e Rritos carncteri~ticos desaa afec~ao que duraram toda a noite. No dia se~umte, primeira sexca feira de Marçe, dedicada ao Sagrado Coraçiio de Jesus, cuja imagem tinha sido enthronisade no lar desta familia cri~t5, foi chamaJo o co.1fessor de ca,;a para admini~trar o sacrnment• da Penitencia a enferma, o que nao lhe foi pos~ivel, porque elh n em sequt! r o reconheceu. A baronesa dc Alm eirim, tia pater-

a

s•

Attestado médlco

Antonio Augusto Fernandes, médico pela Faculdade de Medicina do Porto: Attesto que a sr.a D. 7hereza de /esus Martùzs, de 19 amzos de idade, natural de A-dos-lunhadoi, conul/zo de 1orres Vedras, foi por mim mtada em /unilo e Jallzo de 1922, de tuberclllose pulmo11ar, com hemoptlses, febre vesperal, emmagrecimento, suores nocturnos; hojt nilo Sllbsistem sitzais clinicos d(Jssa doe11ça. E por ser verdade passo o presente que assigllo e }uro por minha ho1tra. Lisboa, 15 de /a,ieiro de 1923. (a) Antonio Augusto Fernandes (Segue o reconhecimento)

V.de M.

/

D. Thereza de Jesus Martin~ I

nuou a rezar a Nossa Senhora de Fatima e a ingerir algumas gottas de agua da fonte do locai das appari-

çOes. Logo quc: bebia um golinho de

agua e fazia as suas oraçòes, as pontadas de que soffria desappareciam coma que nor e,canto e senlia-se alliviada, satisfelta e bem disposta. Nuoca deixou de rezar o terço, o q~e fazia duas e tr~s vczes em alguns d1as. U.n mès depois estava completamente cur::ulu. De dia para dia, desde que coml!çou a beber a agua • de Fatima, quando ainda estava no Pavilhào, o sangue que deitava pela bocco tra menos abundante. Oito dlas depr,is de ter chegado terra da sua naturalidade, o fluxo de sangue acabou e a febre passou -llie quasi de todo. Ao cabo i de trés sernanas, as pontali.iti t,nham desaparccldo. Prec:isament~ ncssa occasiào exgotara-t-,.! a p~q11~r.,1 prnvi~fio de a~ua de Fatima, que a 1119drinha lhe tinha

a

Cura da menina Maria Amalia Canavarro Maria Amalio do Amara) Je Pa~~o~ de Sous:: Canavarro, qut: completara 13 annos de ~dade no dia 13 do pr<h1mo mé:i de Julh o , fi •ha do dr. Joao de Pa.-0 soi: de Sousn Canav.rro e ùe IJ. Amalia do Amara) Ca brai d-, Sou5n CanJvarro, ja fallecida, na turai e morndora em Santareni, mas v1vcnJo accidentalmente elll l.isboa, na Traveha dc Santa Gertrud es, n.• 6, foi assistir na iiexta feira, :23 ùe F-!verr.iro, a solemne proc1ssfo do Senhor dos P,usos na egrcja da Graça, e pesar de ~en1ir <lesde pela m11nhii um le•e incumoùo de sa(1de de que n5o se queixou logo com receio de que a nlio deixas,em sair e a que de prin~ipio niio lii;:ou nenhuma irnportnneiu. No dia seKumte, porém, o thcrmometro acur:iva a cx1sten..;ia do alguma febre, tendo st,lo por e sse motivo prevc.niJo o médico da fJm11ia, dr. Antonio Pcr"ira Cabra1, que, acbnnJo-se um pouco adocntado e n.io podeoJo por is~o visH.ir a enftrm1 nesse ùta, rc:comcndou que lhe fìzessem o rne,mo trntamento que hav1a pre.scrirto p1ra os irmiis, as qu,11s toJas rec en tt:mentu tinham uJo sarampo. A doença lél seguindo com rt:gulariùaJe o seu cur~o, quando ci neo J1as depo1~. quarta fe1ra, \'Ìnte e oito, o e~ta Jp da enftr1 n11 se nmm1vou de rep ~nte, sobr~vindo-lhe li noite u,na espccie de Je~mato, de cara.:ter profundamente a--~u~wdor. Pa ssou todR a noitc muit<> mal. N 1 .:iuint&-feira de mnnh5 foi presa de um 8 taque violent1s~11nrr. A cara e as m:ios torn,1r1 m-«e roxu, os olhos tmb3ciHram-se, ti.:ando toùa~ as pes5oa~ que r ·)de11vem o lc1to da pobre mt:nìna p!,,na:neut~ convenciJns de que eram eh,•~ 1d,1s ,n ~"U~ ultim')• mom,mto". C:du•u va 1mmen , d<', \'è-111 ~' tfrer 11n10 . O coad1utor d..i frt:g ·1 ·zin i.le S,nt, Tiabel, que foi n1JuÙildo ch.i,n;.r com llrcen.:ia, apressou-se a

Me11ina Maria Amuha Canav11rro

I

na dil mcnina e senhor-1 de acri~ola<los sentimen1os rtd1~1osos, ped1u ao re,p1::1t.ivel sacerJutt.-, quJmlo eHc ~e Je~ped111 , que ohtiv, sso Je pesso11 conhccidu 111.cu.na porçao de agua Je LourJe~ r,ua a dar a hcber a sobrinha, poi~ cm cas:i f'ii nito ha via dessa algua, qu e ahé, costumavqm ter El le nssim o promeneu, d izen,lo que,. logo que a alcunça~~e, se ùnrìR rrl'ssa em vir trazE-la aquella fam1lta, que com tan1a. pena sua via 1rnmers11 na mator affi1çiio e angusti 1. Ali;unrn, hora~ mAi5 t arde apparcceu uma senhoro das relBçoc:s dn fJmiliir. quc1 informada pelo referiùo eccles1utico dc tudo quanto se t!Atavn pas,ando e do pediilo da baroner:a, Sll olf~reccrn P"ra\ir pesso:ilmente lew1r niio sò at\un de Lourdes, corno tamb~m terra do: Flittma e uma lasca do t ronco da n ~inheira t: m qu ,., se• gun,lo o dero1 nento doq v11l entes de Alj1.:s• trel, Nossa Sen h or11 Jo Rosario pou,av11 os ~ccs pé!I virginois dur,inte as Mppar1çoe1. Na occ,1siiio em que chegou e ~a senhora esuvnm fazenoo um,1 .:onfc:rencrn o méJico o:uiHente e os Jrs. FigueìreJo Volente er Sim6es Ferreira. A opiniio unanime do• trcs di~tinctos cltnico~ depo1s de eum1narem attentamente o estado d,, enferma foi quc el!11 se achav,1 pcrdiJa scm r"medio. Dehnldc se ttnha lançado mao do todos os recursos da ~.:iencia e nJdo maii e,a possivel e:tpcrimcn1ar rura salv~r a eoferma. A haroneso. r:o auge da a1fl cc.io, fu nm1 promes·,a A Nossa S,mhora ue Fatima p,1ra ohter Ja ~ .. a m1serìcordia um milagre em r.. vor J11 sobnnha querida. A, creddH choravam conv11•srn1ence. A~ irm5s d .1 en• tc:rm.1, ,\lar111 <111 Conceiçiio, Mario l. uiza, lz.ibt!I ~ Jria e Mari:i do Ca rmo, 10,la ~ mais nQv11-. d,, que e!lu, cx,,·p to II rr1 1 .. r , -tue vai fazer 1,1 JJtor;: nnnn•, niio f,1zi ,., ,utro1 co•Jsa sen:io 11e11-11 Har, 11110 ,1 .111 : iJde in.lu,cntivel, d~ pcsseas que se crur.a 1

,•.i•


Voz da Fatima

6 nos corredores, se a Amalinh11 j:i tinha morrnlo. Logo que os mé,licos, tcrminaJa a conferencia, :ie despeJiram e retiraram, as creadas foram aquecer agua para misturar com a terrd do locai dus arpariçoJs. A haroneza niio quiz 1ntenc1onalmento: urilisar-se da agua de Lourdes, para que n cura da sobrinh a, a verifìcar-,e, corno espereva, constitui ~sc urna rrova cvidenlo da origem sobrendtural Jos acontt.cimentos maravilhosos de Fa11ma. Eutreran 10 foi collocada n Jasc.. do tronco da azinhcira na mao da enferma, qu.: nao a senua n1:m unhJ fò rças para a sustentar. Uma d,1~ pe•soa5 que lhe a5sisuam na doe:iç,1 exrlicou o que era esse ohjecro e peJm lite que o acce1111~~c A menino ouviu a exrh.:açao e o pcd1do e tentou fechar a miio, o qm: con$eguiu, s,•JluranJo assim a reliquiu da az10he1ra. Momento~ dcpo1s a tia perguntou-lhe se qucrh tom,1r urna colhl·r dc llgun com terra de Fatima, r,isponJcndo lbe elio :,ffirmativomt:nle so com a cah~ça porque r.inda niio podio fallar. Fc>1 pre ... 1so intr0Juz1r-lhe a égun pelos canto s da bocca, porque lhe e ra impo ssivel abr1-la. Tendo lhe umo pessoa de lam11ia recom menJnrJo que dissess.: a jaculatoria aN"os,n Senhor:i dc Flltima, rogae por mim», proforiu-a com vivu piedaJe, mas fozendo um enorme esforço A pouco e pouco, porém, li mediJa que reJ)et1a a riedosa 1nvocaçiio, o c~forço que 1::mpre~avu para n pronunciar ia d1minuindo. l)epois diz1a es· ponraneamente e frequentes vezes com urna fé e um fervor tiio do intimo da alma que comoviam a, pessoas pr.:sentes a ponto de lhes arrancq r Jaµrimas. nNos~a Se nh ora de Faunu, soccorrei-me, socorre1me IQ Pnss111Jos pou..:os m111utos começou a fallar. Mudou o boccado do tronco da azioh e1ra de urna Jas miios J):tra a outra. A' tard, re,onhe.:.:u o confotso r qui: tinha vinJo suber do seu estoid o, fìcando mu1to cont en,e pc,r lhe ter ouvi lo &ffirmar que nao se es4ucceria dc rezar pela sua cura. Nessa mesma tar<le mteressava-se jli por tuJo quanto se d1z1n em torno della, e no dia St:!!Utnte, de manha, conversava sem cuato 01:m c1111saço e a luz d~ sol nao a incomod avo, ass1m corno, noite, n enhu ma impres ; ao d1::sngrad11ve l lhe causava a Juz das LimpoJ,1s d~crricns. A~ melhora, accentuav;im ~e cada vez mais de bora para bora. No. domingo, logo de manha ce.io, o méJko .1s,1,tente, que durnnte as tres ultimas noi tes unha dorm1do em casa da enft:rmo, exammou-a detiù11mcnte e ar,ressou-se a de !arar, com sUrJ)reza e alegria qut: mRI poJ1.i reJ)rtm1r, que ella estava complet • mt:nte l,vre dc perigo. Arczar Ju nRturun e trav1Jade da Joença, a menina n:.io sofre de amnesia nem ficou com qualquer outro dcfeao. Actualmcn te, onze de Abnl, apresenta um u~pecro excellcnte e esta bdstante outrn.l.i . D !\de n tarde ùe sexta feir1 1 dois <le Março, tcin m,mifi:stn<lo I tlr1r1s vezes o seu •ivo desl jo de ir d ra1im.i, dizendo que niio quer qut: ningul'm lht: pJgue o b1lhete do caminho dt: ferro, poi, o ha de pa~ar a sua çust~, com o producto do seu tr11balho .•• La ira df•ctiv.11ne111e n piedo~n menina, no d111 tr~ze Je l\ta10, a es~a terra privilegiatla do Ceu, niio no comboio, mas de automovt:I, juntamente com sua familia, afim ùe agraùeccr a augu~ta Virgem do Rosllr10 a cura euraordint\ria de que foi objecto.

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Atteetado médioo Antonio Parreira Cabrai, médico cirurgiiio pela Umversidade de Coimbra, dee/aro que trate, a menar ,\.Jar,a Amal,a Amaral Cabrai de S011sa Ca11avarro, de meningite, consec11t1va a sarampo, diagnostico et>njirmado pela a11alyse do liquido cephalo-racl11d1ano. Esteve a doente em euado de c:ama absoluto e chegou a ser o pro,:_110s1ico, o ma,s carrepado puss,vel. Apds 48 horas therapeuttca mtensrva, desapparueram •s symptomas mais alarma11tes e a conva/esceni;a decorreu sem complrcaçoes. A sua Fd v,va em que Nossa Senhora de Fatima a melhoraria depressa, por certo foi poderoso a11x1l1ar 11a raprde1 da convalescença. O gu~ por ser verd,1de attesto e assig110..Lishoa, 27 ae Abril de 1923. (a) Antonio Parreira Cahral

,e

Segue o reconliecimento.

V. de M,

A peregrinaçao nacional (\3 de \\laio de \9~~) Dia 13 de Maio de 1922 ! Que deliciosas re,ordaçoes nao suscita esta d ata memoravel nas almas crentes e piedosas de um paiz inteiro ! Cinco annos sao passados depois gue, segunùo o testemunho de tres inno_cen tts creanças, a augusta e gloriosa Rainha do Ceu se di~nou apparecer pela primeirn vez na cumeada da serra d'Ayre para derramar graças dc predilccçao sobre o povo que a havla cscolhido corno sua Padroeira. Fatima! E' para esta terra bemdita, para o seu imponente sanctuario, gue tcm por pavimento a mon.tanha, por parcdes o horisonte e por cupula a abobada celeste, para a sua singela capellinha, que maos sacrilegas ousaram tocar, para a sua fonte maravilhosa, manancial perenne de curas extraordinarias, é para e')te verdadeiro cantinho do Paraiso que no dia de hoje se volvem, de todos os pontos dc Portugal, os olhos e os coraçoes de centenas de milhares de fieis ! Nesta horo solemne entre as mais solemnes, nuo ha cidade por mais remota e csquecida, nao ha aldeia, ainda a mais hnmilde e ignorada, onde ao menos alguns labios nao suspirem, tremulos de commoçao, o nome dulcissimo dc Fatima, onde se• quer alguns coraçot!s nao palpitem de jubilo t! cnthusiasmo ao evocar o suave e mystico encanto que este nome encerra. Ainda ha bem pouco tempo Fatima era apenas urna insignifi..:ante e quasi desconhcci<la povoaçao, perdida na serra d'Ayre, occulta cntre rnassas gigante,;cas de montanhas cobertas de soutos de carvalheiras e pinheiraes. E comtudo hoje, de u m extremo ao outro de Portugal, milhocs devozes a proclamam a terra privilegiada entre as terras onde as almas atribuladus, os coraçoes doloridos e os corpos martyrisados vao buscar luz e conforto, alegria e paz, remedio ou lenitivo para as suas maguas. para as suas angustias, para os seus incom• portaveis so!lrimentos ph ysicos ou mora es. Effectivamente a outrora ignorada Fatima é hoje o mais bello centro de devoçao a Nossa Senhora no nosso paiz e um dos maiores do mundo. A' voz augusta da Ma.e de Deus, que se. dignou apparecer a trez humildes pastorinhos, centcnas de milhares de peregrinos e visitantes acorrem dc toda a parte em ondas impetuosas com um cnthusiasmo que recorda o dus Cruzadas e perante:: o santuario commemorativo das appariçoes deslilam cheios de respeito e veneraçao e com as almas a trasbordar da mais intima e nMis pura alegria. Como sao simulta neamente comovenuis e grandioc;os na o:ua incompa· rave! simplicidade cc;ses cortejos interminavt:is quc circulam naqutlla immensa esplanada, cntoando os louvores da Virgcm do H.o~ar io ! Que cspectaculo ~urprchendente no~ oferc:ce a multidijo immensa dos abandonaùos da scienci!l hu,nanu que alli va.o buscar remedio, lenitivo ou

conforto para as suas terriveis enfermidades ! Salvé, Fatima, formoso oasis do deserto da vida, jardim pcrfumado pelas . brisas do Ceu, terra sagrada e bemd1ta, onde cada rochedo assignala um prodigio e cada yedra é testemunha de urna bençao da augusta Virgem do Rosario! Salvé, _Fatima, mii vezes salvé I

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Ha pouco mais de um anno, em 6 de Março de 1922, as horas mortas da noite, a ordeira e pacifica populaçao de Fatima acordava sobresaltada com o echo formidavel da explosao de quatro bombas de dynamite, collocadas por maos criminosas de secta• rios facciosos e intolerantes no inte• rior da modesta ermida que a piedade P?Pular tinha erguido na <<Cova da lna» corno padrao commemorativo das appariçocs. A ooticia do hediondo e sacrilego attentarlo voou com a rapidcz do relampago de um extremo ao outro do paiz e provocou em todas as almas bem formadas um sentimento unanime di! indignaçao e de protesto, pondo mais urna vez em destague essa pittoresca aldeia graciosamente alcandorada num dos contrafortes da serra d'Ayre, onde ha cinco annos se deram acontccimentos maravilhosos gue jamais se apagarao da m~moria dos homens. Toda a imprensa se referiu com pa lavras de viva reprovaçiio a esse attentado cujo echo se repercutiu nas duas casas do parlamento, tendo o governo promettido pela voz do ministro das colonias castigar os seus· auctores com todo o rigor das leis e sem contemplaçoes de cspecie alguma. No dia 13 do mec;mo ml!s, por iniciativa do rev. Parocho, realisouse em Fatima urna solemne procissao de desaggravo. Quatro a cinco mii pessoas acompanharam o magestoso c"rtejo desde a e8reja parochial até ao logar das appanç6es num percurso de cerca de tres quilometros. Nesse locai deviam ja estar naquelle momento mais de seis mii pessoas. Num altar improvisado crn frcnte da capel la, celebrou-se urna missa campai, durante a qual a multidao ajoe• lhada rezou, com recolhimento e fervor, o terço do Rosario. Era sobremaneira tocante o cspcctaculo daquel• la immensa multidao, de maos pos• tas e orando, em que se viam pessoas de todas as classes e condiçoes sociaes. Foi urna grandiosa e sentida mirnifestaçiio de fé e piedade, que niio teria revestido tamanho brilho e imponencia, se nao fora o repugnante e execrando attentado. Mas a piedade dos catholicos, offendidos no mais intimo, mais delicado e mais respeitavel dos seus sentimentos, niio ficava pienamente satisfeita com cste acto solemnissimo de desaggravo. Expontaneamente, sem convites, sem pieparativos de especie alguma, um movimento nacional de fé e reparaçiio &omeça a esboçar-se, torna vulto e cresce desmesuradamente de dia para dia até se con verter em 1$ de Maio na mais extraordinaria e significativa manifestaçao religiosa dos ultim1...; tempos em Portugal.


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Voz iln Fatin,n, Desejando presenciar essa scena de focomparavel belleza esse espectaculo assomb_roso e emp~lgante que por t~do_s os trtulos devia revestir a grand10s1dade de uma authentica apotheose, t~mamos o comboio que parte da estaçao do Rocio as seis horas e cin<?enta aiinutos da tarde. Eram quasi onze horas da noi te quando chegamos_a Torres ~ ovas . No hotel daquella pittoresca villa extremcnha ja nao h~via entao um unico quarto dispo!)Ivel. yateu-nos _nessa contingencia 1mprev1sta a gent1leza captivante de um _médic'.> nosso amigo quc providenc1almente encontramos e quc com a fidalga hospitalidade tradicional em sua familia nos ollereceu em sua casa ppusada e gasalhado que acceitamos gostosamente. Durante toda a noite passaram sem cessar grupos de peregnnos que, pelos caminhos asperos e pedrcgosos da serra se dirigiam par: a r~atima. No dia 'seguinte de manha hav,a na historica villa um movimento desusado s6 comparavel com o dos dias mai~ fostivos do anno. Nas esquinas das ruas estao affix_ados cxcmplares de um pasquim int1tulado A Comedla de Fatima e de um m anifesto em rcsposta subordinado .8 epi~raphe Uma especutaçtio .reaccionaria. E' . m~is um episodio eloquentc:me:ne s1gn1ficativo da eterna lucta cntre o b\.!m e o mal. Ccnt~nas de peregrinos visitavam as cgreias, assistiam as missas, communga vam e, ap6s a acçao de oraças, encaminhavam-se pora a p~aça atulhadn . de camions , camionetes, automovt:1s, trcns e outros vehiculos, afim de occuparem os logares que lhes esta v.im reservados. Os trens partiram primeiro, tornando a direcçao òe Pedrogam e subindo lentamente a estra~a da serra, pittoresca em extrem?, mas bastante ingreme. Pouco depo1s das 01to horas poem-se em andamento os camions e automoveis fiUe, por nfio podercm atravessar a serra_, teem de fazer um percurso quasi tres vezes mais longo dando a volta por Villa Nova dìo'urem. O automovel q ue nos tra nsporta adianta-se a todos os outros. Duas horas mais tarde, depois dc contemplarmos por momentos o historico castello de Ourcm, de que foi titular o Santo Condestavel D. Nuno Alvares Pereira, subiamos com a velocidade de quarent~ kilometros a hora, a linda e magnifica estrada que conduz directamente a Fatima. Era constante o transito de vi.:h:culos de toda a espccie, dcsde os automoveis luxuosos até aos carros das fJinas agricolas e as carroças mais ordinarias. Ranchos de homens e mulhcres de todas as edade!. ~ conclic,:oes seguiam a pé pa· ra ~ Fatima, rezando o terço do H.osano ou entoando canticos sagrados. Na vespera c durante tod ,, a manha ch_ovcu _semp~c, cum pcq uenas interm1ucnc1as. l~st,J1no-; ja no alto da s~rra, donde se dcsfructa um linJiss1mo. panorai:na. Paramos junto da cgreia parochtal, guc anda em obras, as qur11:<; ~e vao realisandc, muito lentamente- p,)r folta dc recurios. EntnLno·,, ouvirnos missn e commungamos, T ornado al~um alirncn· to, encorponimn-nos na rwoci,-sao, ,que entrctanto se ti nha or1r,\i,;sado e o

se punha ja cm marcha para a «Cova da Iria,. E' uma visao de paraiso que encanta e commove até as fibras mais intimas da alma. O governador civil de Santarem tentara impedir a todo o custo o cortejo religioso quc classificava de «parada das forças reaccionarias dt: todo o paiz>. Felizmente o administrador do concclho nurna atitude digna e correcta e sobremodo prestigiosa para as Instituiçoi::s, houve por bt:m nao cumprir as ordens do governador civil, que por sectarismo éstreito e odiento nao hesitava em commetter um inqualificavel abuso de auctoridade. O presidente do ministerio, entrevistado por um jornalista catholico, affirmou dc um modo pcremptorio que o governo nao tinha prohrbido a peregrinaa Fatima. E t:ffoctivamente, cm que soffriam as Instituiçé5es ou cm que perigavc1 a Republica com aquella romagem piedosa? A procissao proseguia lenta· mente a sua marcha ovante cm demanda do sitio das appariçocs. De todas as estradas, caminhos e veredas contimh a chegnr gente, vinda de peno e de longc, quc avança sob a, chuva, de cabcça dcscobena. Ao mcio dia, a chcgada da procisslio, o espectacu lo tornou-sc soberbr), unico, i ndiscri pti vel. Segundo o calculo de officiais do estado-maior, pessoas compt:tentes e desapaixonadas, que estavam presentes e com quem fallamos, o tota! daquele oceano humano devia ser superior a sessenta mii pessoas Ccclesiasticos, titul11res, magistrados, parlamemares, officiacs, professores dos mais importantes estabelecimentos de ensino, medicos, ad vogados, jornalistas;, grandes proprietarios do Norte, da Extremodura, das duas Beiras e do Alemtejo, senhoras da primeira nobreza de Portugal, caminhavam numa promis.:mdade altamente commevedora, irmnna dos pela mesm:i Fé e pelos mesmos sentiroentos, la-:10 a lado de homens e mulheres da mais humdde condiçao sodai, de pobres e rudes mas dignos e honrados habitantes das aldeias e do" campos. Eram dois rios de gente que iam juntar as suas .:iguac; caudalosas e as suas vagas gig1ntcscas naquella vastissim1 bacia cingida de collinas e outeiros. Em torno da capella dezenas de milhares de pec;soos aguardavam anciosamente a chegada do colossal e imponentisc;imo cortejo Resplandecendo de uma formo-.ura soberanamente ideai, a veneranda imagem de N1)Sia Senhora de Fatima, precedida de irmandades, j6•1ens catholicos, anjos, virgen'i, cruzes, ci rios e bandt:1rac;, é levada num andor aos hombros dc aristocratas da mai, alta linhagem e de humildes fi . lhos do povo. Entre a ass1stencia vèern-~e duac; mulhcres vestidas de prcto que se t!)rnam alvo da attenç5o e curiosi tace sympathica dòs peregrinos: r-.ao Maria Rosa, miie da Lucia, a protagonista das appariçoes, que ec;ta <;endo educada 11um collegio d,> norte, e Olymp,a d Jesus, mae dus seus co-v1 lente-;, Francisco e J acimha, j:1 falkcidos. Entrctnnto

çao

a chuva cessara de cahir. Meia hora depois começa a mis"a campai cele· brada num altar improvisado junto das ruinas da ci1pella pelo rev. Agostinho Marques Ferreira, parocho de Fatima. O astro-rei brilhava em pieno zenith, cortejado de nuvens diaphana!t e de urna alvura purissima de neve. O silencio incomparavel doc; momen• tos solemnes, é profondo. Depois toda aquella mole immensa de povo ajoelha, reza e canta. A' elevaçao todos curvam a cabeça e ao Sanctus e ao Aetzus Deis todos ferem o pe1to testemunhando assim o ardor da sua crença, espontaneamente e sern respeitos humanos. Urn c~ro immenso entoa o «Bemdito~. Centos de fieis recebcm o Pao dos Anjn, de maos postas e orando com fervor. Veem-se muitos olhos marejados de lagrimas. Um effiuvio do nito, um sopro divino parece perpassar atravez das almas. Dir-se-ia que se respira alti a largos haustos urna atmosphera sarurada de sobrenatural. Julgamo-nos por momentO'ì em Lourdes, nas margens do Gave, jun• to da gruta de Massabielle a assrstir a missa, ou na esplanada do Ro,ario durante a procic;sao do Santissimo Sacramento. Tcrminada a missa o distinto orador sagrodo rev, dr. José Pedro Ferreira, sobe ao pulpito e disstrta sobre a F~ e a devoçao li Virgem, no m~io do mai._ re'-peitoso silencio. apesnr de, corno elle proprio disse no p rincipio do sermao, niio podl!r ,er ouvido sequer por urna decima parte da ac;sistencia. De novo se organi,a a procis'lao para o regresso. Nel!• se incorporaram pessoas de todas as cla'lc;es e condi ,oes socia es. Rez:i-se o terço e entoam-se canticos, corno no ida. Em torno da {onte que brotcu proximo da capella, em N ovembro, pouco dcpois da prirncira mi-;,a campai, vecm se r,umeroso,; peregrinos bchendo agua ou enchendo com ella rre1pientcs de todos os feitios e tamanhos que guardam relig1osamcnte e lcvam para suas ca'las . Junto da r"»,e lla derrocada pelas bombac; cxplo , ivas, ricos, rcm.:d11dos e pobres offerecern o~ seus donativo,; pira a conscrucçao do projl!ctJd0 sanctunrio em hon ra dc Nossa Senhora do Rosario grupos viio-se Jis .. olvendo pouco o pouco. Sa0 cinco horas da tarde. O nos'-O automovel conduznos a Torres Nova, e dilli, depois de · j:mtar, a estaçfo do Entroncamento, onde as nove horas e trinta e cinco minuto'I tomamo" o rapido Porto L1sb8a, levando comnosco a recorùacao imperecivel de tant:ic; scenas de uma belleza e m'lgestade suprcmas e a sau fade ineff 1vel daquelles logares bemditos, em que a alma se sente liberta dos llames do corpo, mais ICJnge da terra, mais perto de Oeus ... V. de M.

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rtMI\ é dlstribulda gratuitamente nos diaa 13 de cada mAI n1 Fà!lma . Ot1ern envlar r&di'cçào a quanti Il" 1t-:?2 111II I òi!l, tiara d1ri-lto a roct-iJo la 11elo corrolu du1 anM um ana ;. A VOZ O~

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13 de ilbril No dia 13 de Ahril ultimo no locai ora celebre a hist6rico a que o povo na sua Jinguagem singela chama pros11icamente tlesde tempos immemoria1s, Cova da lr1a, realisou-se, piec.Josa e sent1damente, a commemoraçao mensal Jas arrariçoes Je 1917. Celebrou a m,~sa campai, que princ1piou ao meio dia solar, o rcv. Manuel Vicenti; Caetano, rarocho da fregue, ia Jas Lapas, ~oncelho de Torres Novas, acolycaJo pelo rev, A~ostmho Marques Ferre1ra, parocho de Fa1ima. Dur.,nre toda a manha os peregrinos occorrcr,m em grane.le numero ao locai das appari~oe~, que estava rodeado de numerosos vchi..:ulos de varias especies. Quando principiou a missa, 11chavam-se preseotes 4:Erca de duas mii pessoas. Densas nuvens corriam oo firmamento, mas 96 depois da communhiio começou a cahir urna chuva muito miuùinhn que niio incommodava ninguem. Duranre a mi~sa, no forma Jo costume, rezou-se o terço, fìzeram-se as commoventes invoceçoe• Je Lourdes e ti communhao, q~e durou dez minutos, cantou-se o Bem4110.

O sermao, préRado pelo nv. dr. Manuel Marques dos Santos, professor no Seminério de Leiria, versou sohre a pnrébc,la evanF?éhca dri figue1ra esteri!. Depois dc expòr a paràbola, o orndor phsou a exphca-l11 numa hnguagem clara e acct1ssivel a_o audit6r10 composto ne sua grande ma1ono èe gente do povo. O mundo, di<1se elle, é o campo r nos somo5 as fi~ueirus. Muuas vezes produz1mo! maus fr~tos, o que é ainda peor do qt.e nao produz1r nenhun'l. O agricultor que m1erc~d~ por n?s no Céu junto de Deus é a §anttss1111a V1rgem. !>urphu-lhes que_ n_no nos a~raoque do mundo para nos prec1p11ar no inforno. Sendo Ma: Jc Dc:us humanaJo por nosso Jtmor, é tamhem nossa Miie desde a fncarnaçiio e ~ohretudo desJe o Calvério e, como Jeseja nrJentementc a nos ,11 feliciùade, pede a seu Divine, Filho que nos deixe esrar mais tempo s6bre a terra para nos arrependermos dos no~so~ peccRdos e assim podermos salvar Rs nossas alma,. Ao <.lescjo da nosba felicidadc em Nossa ::ienhorn corresponJe em 001 um desejo egual. Mas tis vezcs, ohcecaJo~ pela!'! pai,coe!>, julgamos ver e pret.:mfomos achar a felicidarlc onde ella olio cxistt:. N1fo a t:ncontrarc.mos nunca nos prazere~, nas honras e nas riquc:zas da terra, ncn, n,1 sausfeç;io das nossas inclinaço~s pervcrsas A nosM verdadeìra felicidade c<,nsiste cm sermos hons, e seremos bon, se cumprirmos fit:lmcnte os manJomentos J.t lei d~ Deus e da Egreja e os deve, es do pr6prio estado. Jamai~, porém, teremos ·urna feliciJade comrleu seniio no Céu. Por i•so muitilS vezes, quando pedimo~ li Sanu,sima V1r,.cern que nos conceda os ben~ da terra, como, por exemplo, a s:wde, ella nao RtlenJe es OOS~llll suppJicas. Qu~m sabe se, f,:O,ando sauJe, nao ahus1riamos 4iella par.i offc-nder .i l)cus, trnmgredindo a sua s1mt11 101? Mas, embora no-s niio dispenst: a g-, ça ,1u"' l'Tlplorarno~, Ji-no;1 oucra emd I m ... lhor. mcomparnvelmcnte mais util p.ira n6s, corno, por exemplo, aos doente~ a re,11,;naçao chr1sta e a piena conformid11de com o vol'ltade de Deus no meio dos seus s, ffnn1entos. Elh1 est:\ llt'mpre intercedendo por n6s J!&ra ~uspcnder o brc1ço da jusuça de seu Divino Filho. N5o r.iro, ,·.-nJo os abusos que 01 homens commettem e a re~istenc1a que fazem js sues inspiraçoes, c.Jigna-se Jescer a terra, para commun1car os seus segredo, a pobres, hurnih.le~ e innvcentes creaturinhas, conio em Lo Sulette, em Lourdes e talvu umbern em Fatima. Ello vem oté nos par.i nos intimar a deiurmos e sendd do mal e o pensarmos a sério no negoc10 mais importante da nossa vida,. que é a salvaçao eterna. Aqui, como em Lourde,, a todos recommeoda que fa. çam peniten~i.t e que rezem o terço pela coaver~iio .lo, reccadores. è.Ila quer, pois, .obretud~1 a no~s.i emenda, o nosso bem e1piri1ual, a oo!•s :,alvaçiio. E' esse o Sm 411ue tem em vin, <' é es~e tambem o fim que aqu1 nos traz. Devemos qnerer ser melhores do quc somos para agradarmos 4:1d1 vez mais li Augusta Rainb.a do Céu.

Voz da. Fa;tir:nR Se temos a nossa consciencia em p11z e estemos ja em ~raça de Deus, cumpre nos diligenciar ser melhores de dia para dia. Se temos a desgraça de estar em peccado mortai, devemos confessar-nos 'ICll) Jemorn, porque niio sobernos se Deus havera por hem conceder-nos mais um dia ou mais urna hore de vida. E' isio precisamt.lnte que Nossa Senhorn deseja. Muiu,s peregrinos veem aqui aJ«r11dccer beneficios rt:cet:.ido§. Mas niio basta. Devcmos quercr e procurar ser cada vez mais perfe11os. A paegrmnçao a Fatima ofio é urna viagem- de recn:io. O seu objecr1vo é a nossa conver~ao ou o nosso maior aperf<'tçoaroento mora!. Para isso é mister trìlhar o cammho recto traçado pelos dez preccitos do Decalogo que se cifram em dois : amar a Deus sobre todas as cou~.,s e amar o proximo corno a nòs me;imo~. E, se alguem tiver a infoltciJade de peccar gravemente, recorra a oraçao, arrependa-st: do .seu peccado e f. ça uma confìssao bem feita, propondo firmemente nunca mais peccar Peçamos a Nossa Senhora auxilio contra as tentaçoes, contra as nossas ma~ tenJenc1as, contra os ataques do demonio, <lo muodo e da carne e 11eremos venccdores. Digamos-lhe que queremos s11lvar a nossa alma, env1Jemos todos os esforços para o conseguir e ella nuo nos Ahendonarll. Deus creou-nos hvre~. podemos abusar da no~,a hberd11de1 e me~mo aquelles que obuverom 11raçns assinal,1ùa, podem perder se. A tura que temos de su~tent11r é por v 'ZCS bastante violenta. Para nos SJlvarmos, pois, é mister que o queiramos a valer, e s6 encao é que tt1rem'>s o direito de contar com a ~raço de Dtus e com a prorecçiio de Nossa Senhor~. Praza ao Céu que to<.los os que se cncootram al(Ora aqu1 presentes tenham a ventura Je se tornarem a encontrar um dia reunidos no Céu. O J1Hmto orador conclu1u o sermiio annun.:iando que o unha prégaùo em cumprimento de urna promcs$a fe1tu por urna pie,losa miie de fam11ia que alcança1·~ por mterceh iio ,le Nossa Senhor1 de Fétima uma ~raç, assignalada pora um filho muito queriJo. Lo~o depois do sermao começou a chover torrenc1almcnt<', o que foz debandar mai~ depres~a a enorir.e multidlio de peregrino~ qu.: c~cacioni.van, junco da .:apclla reundo as suo:; or.icoes ou roJeavem a fonte maravilhosa para fazert:m prov1slio da àgua salutar que rorrou com :1bunJ11ncia do chiio arido da serra depois da primeira missa campo!. V1sco11dc de Montello

Preces e canticos collectivos dos peregrinos durante a missa na Cova da tria Antes dn missa o Credo de Lourdes. Emquanto o celebrante se paramenta o Salvi, nobre Padroeira. Durante a missa o terço do rosario. Oepois de cada mysterio a jaculat6ria dos videntes, ja approvada pela

auctortdade ecclesiastica : Meu ]esus, perdoai-nos, tivrai-nos do jogo do inferno e attiviai as atmas do Purgatorio, especialmente as mais abando· nadas>, A' consagraçao da hostia: Eu vos adoro, Santissimo Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Nosso Senhor /esus C/zristo, tào real e perfettamente coma estaes no Céu.• Ao levantar da Hostia: cMeu Senhor e meu Deus•. >\' consagraçào do Calix: «Eu vos adoro, preciosissimo San[!ue, Corpo, Alma e Divindade de Nosso Sen/zor /esus Christo, tào real e perteitam.ente como estaes no Ceu•. Ao levantar do Calix: cMeu. senhor e meu Dezts •. Logo ern seguida as invucaçoes:

-Senhor, nos Vos adoramos I -Senhor, m'>s temoa conflanqa em

Vqa l

-Senhor, nòa Vos amamos I -Hosanna, Hossanna ao fllho de Davld I - Bemdlto seja O que vem emnome do Senhor I -Vos sois Jesus Christo, Fllho de Deus vivo I -Vòs sois o meu Senhor e o meu, Deus I -Adoremas in aeternum Sanctissimum Sacramentum. (Cantado). -Senhor, cra1t1os em Vòs, mas augmental a nossa fé. -Vòs soh, a resurreiçào e a vida ! -Salval-nos, Josus, alias perecemos I -Senhor, se o quizerdes, podels curar-me I -Senhor, dizel so urna palavra 1 aerei curado I -Jesus, Filho de Maria, tende piedade de mim I -Jesus, Filho do David, tendt pledada de nòs I -Parce Domine, parce popu.to tuo, ne in aetern.um irascaris nobls (cantado). -Oh I Deus vlnde em nosso auxl-

llo, vinde depressa socorrer-nos I -Senhor, aquele a quem amala esta doente I -Senhor, fazal que eu veja I -Senhor, f zei que eu ando I -Senhor, fazei que eu ouça I -Màe do Salvarlor, rogae por nos r -Saudo dos enfermos, rogae por n6s1

A' comunhào: cSenhor, eu nii.o s01t digno que vcfs entreis em minha mo• rada, ma,s dizei uma so palavra • minha alma sera salva.• (Tres vezes, rezado e c,antado). O cBemdito e touvado srja o Santissimo Sacr,zmento da Eucharistia, f ructo do ventre sagrado da Vireem. Purissima, Santa Maria>. Depols

da comunhào as invocaçues a Nossa Senhora:

-Bemdlta seja a Santa e lmaculada Concelçào da Bemaventurada Vlrgem Maria, Mae dé Deu;s I -Nossa Senhora do Rosario, rogai por nos I (3 vezes). I -Minha Màa Santissima, tonde pledade da nos I (3 vezes). -Nosu , tinhora do Rosario, dal· nos saude por amor e para gloria da Santissima Trindadfl I (3 vezes). -Nossa St nhora do Rosario, con-· vertei os pecartoros I (3 vezes). -Saude dos cnfHrmos, rogae por· nòa. (3 veze::.).

-Socorro dos doentes, rogae por vezes). -0' Marì:t, concebida sem pocado, rogae por nòs que rttcorrernu a Vòs t

nòa I (3

(3 vezes).

-Nossa Senhora do Rosario, sai•

vae-noa e salvae Portugal I -=Avé-MariJs e oraçoes finaes. Hymnos dc N. Senhora da Fatima. Sermao, Hy,nnos e Queremos Deu.5.

NOTA-As j 1culal6rias acima mencionadas sav s u.1icas que por ordem da autori•fadc eclesiastica devefll ser recitadas publicamente na Cova da lrla e além das indulgencias que lhes estlio anexas pela autoridacie apostolica, concede o sr. Bispo de

Leirii 50 dlaa a quem lt as reci.@1..-

I


.

Ano I

LEIRIA,

(COM

de Junho de 1.028

APROV A<;,À.O ECLESIASTICA)

Dlrec-tor, P:a.·oprie-tarlo e Editor

A.d1alu.i1il-t:a.•ndor: PADRE M. PEREIRA DA SILVA

DOITTOR MANUEL l\~ARQUI~S bOS SANTOS Compos to e impresso na fmpren,a Comerci~l. ~ Sé -

I e1r i11

REDACçAO E ADMINISTRA9AO

B U" A

:O. NUNO .ALV AB.ESC,.l?ERE:IB..A / BEATO NWN O DE $AN TA MA RIA)

Hymno a Nossa Senhora do Rosario de Fatima

..

ff Màe!

N.0 9

.,


Voz da Fé;thna

A' Virgem Nossa Senhora _da F~tima

Apere~rino~òo nocionol

HYMNO

(13 de Maio de 1Q23)

Selt, alegres, lindos cantos Nossa amor 4 Mie de Deus I

Para, ouvir qs no.rsos prantos Eia « n6s baizou do.r Ceru 'f CORO

Mie I 6 Mti, Cdeitial, Salva, lalra P«tagal l 2

JJea-t, ezn Fatima, Seah1r1, Meigo sol de l'ortugal Aureo trino, que apriznor, O tBK rosto virfinal !

CORO

3

E vieste pressurosa, Qriando as culp1s eram zn1is Ssavisar, Mie carinhos«, Nossas pentu, aejsos ai.r f CORO

4

E c,zn bals1.rno aeleste Brn tsus sons divinfl voz,

A's criang,u tu disieste Nos lalassem _logo a n6s. CORO

5

SÌ/a a Patria um santflflril ! Peniteacia j6. Iazei I Beze a'Virgem o BosliriD J?it a rii• 1 l11sa grei. CORO .

6

S6 assim a lusa t1rr1 Sair6. de tata mtl f E ha de emR.rn vencer Bos abismoi Portugal

I

g11rra

· CORO

7 .

Salvi, illvl, vlrgem 1Jel1 1 Nos11 lrme protec1ia I IJas t,us lusai meig1 Estrèla hdroeira da 111.rio I CORO Coimbra, uovembro de t ~22.

J. M. TEIXElRA NEVl!S

VOZ DA FATIMA Esta Peviata é distPlbulda gPat•itaMente nos llias 13 de oada m6s na Cova da l•i•, acei,anllo-se nò en- ._ tante qualq•eP donativo oom que cada 11m quei•• expontaneamente a u xi liaP-noa. Sé tePa diPeito a •ece-

be• a VOZ DA FATIMA pelo correio 1 durante I anno, quem se aubsc,reveP 00111 o minino de dez mii

Péia~ Nilo fazemea cobran• ••• pelo correlo.

Mais um dia admiravel de triumpho e de gloria ficara para sempre reghitado em lettras de ouro n0s fas· tos divinamente bellos e incomparaveis de Fatima I Outra pagina brilhanttssima se escreveu etil earacteres indeleveis no livro eacaMtador dos epìs6dios mar-avilhosos da Lourdes portuguesa I Neste dia asaigMlado faz precisamente seis annos que teve logar a primelra Appariçao. Ainda nlio se apagou nem jamais se apagara da mem6ria daqueles ~ue, n'esse anne, tiveram a dita de presenciar o signal de Deus, predito pel(i)S videntes, a furida impressao que elle produziu cm tao grande Rumcro de almas dtslumbradas por tamanha maravilha I Desde entao essa pequena nesga de terra, consagrada pela presença da Virgem Santissima, augusta Padroeira da nossa Patria, tornou-se um iman p6dernso, em torno do qual gravitam centenas de Dlilhares de coraç~es que elle attrahe num crescendo formidavel e com um impulso irresistlvel. Dia 13 do Malo de 1923 I Havia mèses que, na previslio de urna concorrencia superior a dos outros annos no mesmo dia, muitas pessoas tinham alugado meios de transporte para as conduzirem a Fatima. As garages e as alquilarias de Santarem, Thamar, Torres Novas, Leiria e outras povo_açoes lmportantes da Extremadura iam sendo tomadas de assalto, sobretudo ea pri· melra quinzena de J\\aio. Na vespera tudo fazia prever que o dia treze seria um dia cxplcndldo de Primavera. JA entao accorriam em grande numero rcpresentantes de todas as provincias de Portugal que ~e dirlgiam por todas as estradas camlnhos e atalhos para o cu111e da serra d' Ayrc. Duraate toda a notte passavam iacessantemente ranchos dc bomens e mulberea do povo, a pé ou a cavallo, rezando o terço cm voz alta ou entoando canticos em bonra da Virgem do Rosario. No meio do silencio e solidào da noite era consoladar em extremo assistir a esse cspcctaculo cmocio-nante dc fé e picdadc, que ac desènrolava atravcz dos caminbos aspcros e pedregosos da montaoba. No dia seguiate de manhA o moviD1e1to de camions, automoveis, trens e outros carros intensificava-se de urna f6rma verdadeiramente assombrosa. Ap6s urna longa vìa1cm felta com ·a veloeidade dc quarenta kilometros a bora, eis-nos chegados ao cume da serra, junto da egreja pargcbial de Fatima. E' inAumeravcl a multidAo que se agglomera cm torno della e no largo terreiro f1Ue lhe fica contiguo. Por . toda a parte se vèem os mais variados meios de transporte ouma profusao e promiscuidade lndescriptiveis. Pr<>palam-se boatos aa• 9As desagradaveis, que correm de bocca em bOcca. Diz-11c que e governader eivil de Santarcra prehiaia a

procissao da egreja parochial para a capellinha commemorativa da'S appariçoe11. lndecisos durante alguns minutos, porgue se affirmava com insis. tencia que a auctoridade civil nao permittia manifcataçoes religiosas de qualquer · natureza, os peregrinos avançam cheios de fé e de conftança para a C"wa da Iria. Percorridos quasi tres k ilé.metros, desfructa-se ii'a estrada um panorama sobremaneira grandioso e deslumbrante. Mais de cem mii pessOas estao reunidas em torno do padrao commemorativo dn appariçoes ou dispersas por todo o vasto amphitheatro circunjacente formado pela Cova da lria. Varios amigos nossos que assistiram as mais notaveis e irnponentes manifestaçoltS religiosas e civic~s do estrangeir-o nos ultimos tempos confessa-vam estupefactos que nuoca tinham vista urna multidào tao numerosà e um espectaculo tào magestoso e tao commovente. E' quasi meio-dia, bora officiai. Um s11cerdote esta distribuindo a Sagrada Communhao. A's nove horas tinha havido na capellinha urna missa rezada pelo rev. P.e Joao Nunes Fèneira, de Terres Novas, e a partir daquella hora ministrava-se ininterruptamente o Pile dos Anjos aos fieis previamente preparados pela confissao sacramel)tal. Qesde a madrugada que na egreja da freguezia, onde se celebravam numerosas missas, haviam commungado milhares de pessOas, que receavam olio podèr faze-lo no locai das appariçoes. p&r fatta de fòrças para se conservarem em jejum até tào tarde eu pela difficulàade do accesso ao altar ou por nao se celebrarem missas merce da prohibiçào possivel das auctoridade'J civis. Camions, automoveis, vehiculos de toda a especic despejam incessantemente milhares de fieis no vHto recinto que circunda a capella. E' melo-dia e mcia bora. Ouve-se e toque de urna sineta. Começa a missa campai, subindo ao altar o dr. Manuel Marques dos Santos, professor do Seminario de Leirla. O momeato é dos mais solemnes. Um frémlto sobrenatural percorre a. multidao immensa. Do alto do pul. pito Mons. Preitas de B!rros recita o Credo acompanhado pelo pov9. Sao mais de cem mii bOccas de por- · tugu@scs que proclamam sem respei- · to11 humanos, a face do paiz inteire e em nome delle, a sua fé em Oeus e nas verdades augustas da revelaçao christà. Prosegue a missa, ao mesmo tempo que se reza devotamente o terço do Rosario. A' elevaçao fazem- · se as lnvocaçoes de Lourdes. lmploram-se graças para todos, saud~. para os ènfermos presèntes, ..salvaçào para a Patria querida•. Pr6ximo do altar urna senhora - gravemente enferma1 que s6 a' muito custo poude ser conduzida até la atravez da,s ondas compactas de povo, deixa transpareccr no seu rosta, illuminado pela Fé, e transfigurado pela resignaçao crista, que lhe faz affiorar um sorrisoa0s labios, o longo cruciante ·mar· . tyrio dos seus horrorosos sofrimentos. Um cancro lhc .devora implacavelmente as entra~has e o seu corpo emaciaào por urna longa agonia jt

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11ao é mais que um esqueteto ambu1ante. Vemo-ta pallida, desfallecida, prestes a cahir por terra, exausta de forças. A mae, que esta ao tado della chorando em silencio corno a estatua muda do soffdmento e da esperança, ampara-a carinhosamente. Subito ouvimos a pobre mar,tyr exclamar num espasmo que corta o coraçao. «Meu E>eus, nao posso mais I> Entretanto a multidao continua a orar com fervor. Dir-se-ia (!fUe quer fazer violencia ao Céu, obrJgando a miseric6rdia de Deus a operar prQdigios. «Senher, se quizerdes, podeis curar-me I Seahor, aquelle a quem amais esta doente I Senhor, diz-ei mu s6 patavra e serei salvo I Saude dos enfcrmas, r0gai por n6s ! Nossa Senhora do. llesario, dae-nos sawde pti>r amor o para gl6ria da Santissima jrindade I> · E as quebratlas da montanha repercutem la ao longe o echo desti2ls préces ardentes, destas supplica& muitas vezes renovadas, destes gritos dilacerantes que partem dos mais profundes recessos da alma humana impulsionada pela crença e pela piedade eh rista .. E' agora o communio. Muitas pess~as recebem a Jesus Sacramentado, emquanto se canta o pathetico e Senhor nao sou digno > e o singelo mas commovente «Btmdito e louvado seja». Termi,nada a miasa s6be ao pulpito o rev. dr. Sant&s Farinha, que reconhecendo num retance de othos a impossibilidade de se fazer ouvir por tao numeroso audit6ri0, o maior talvez que jamais rodeou urna tribuna partuguésa, renuncia a prégar um sermao e, num rasgo de eloquencia sagrada, interpretando os votos da alma nacional alli tao bellamente representada, dirige urna série de invocaçOes sentidissimas a gloriosa Padroeira da Naçao. · O orador acabou de fallar. Vai-se dar a bençao com o San• tissimo Sacramento. A Hostia lmmaculada, exposta num artistico e formosissimo ostensorio, offerta de um piedoao joalbelro da capitai, faz cahir de joelbos a multidao immensa, que adora profundamente o seu Senbor e seu Deus. Canta-se o hymno litur&ico 7 flntum ergo. Recltada a oraçao final, o aace_rdote offkiante torna nas suas maos -sagradas a custodia reluzente e traça com ella urna cruz targa e demorada .sobre aquetle vasto mar de cabeças humanas. Depois recolhe-se ao iote·1,ioJ,: da capella afim de encerrar o Santissimo no Tabernacut0. -~ · SOa entao um grito de angustia. E' a enferma de que acima fallamos que quer receber a bençao espec_ial -de Jesus-Hostia e tenta romper por entre a multidao para ae dirigir ao -interi9r da capella. C0m grande diffi.culdade conseguimos novamenteafas- · tar os fieis e abrir passagem a pobre senhera que amparada por algumas amigas dedicadas entra no sanctuarlo. Nesse momento, corno ja estivesse encerrado o Santissimo e lhe na0 .pudesse ser dada a tllo desejada bençao particular, as dòres, corno ·ella tlepois contou, redctbraram de intensldade, uma angustia mortai descea

sobre a sua alma e jutgou que ia morrer. Mas de repe11te os soffrimentos desappareceraRt corno que por encanto e urna suavldade immensa, um bem estar nunca experimentado, um conforto indennivel se apoderou de todo o seY ser. Sahe da eapella exultando de alegria, radiante de felicidade. Caminha com firmeza e desemeuaço e. nao sente o mais ligeiro ine9mrnodo. Momentos depeis ajoelha no chao da esplanada, passando despercebida atravez da multidao qus ignora p@r completo o drama ad1Rirave1- que se esta desenrolando. O seu coraçAo trasberàa de gozo e ventura e nao sabe corno traduzir os sentimentils de gratitlao de que esta cheio para €om a Deus da Eucharistia e para com sua Ma.e Santissima. S6be de um salto para o automovet que a tinha transportado a Fatima e faz a viagem de re2resso sem experimentar a menor fadiga. E' extraordinario, quasi insaciavel, o seu appetite. Re!')elle com um sorriso de desdem o leite que lhe off1recem e come soffregamente e com abundancia do farne! dos seus companheiros lite viagem cuja surpreza excede toelos òs limites. Tendo chegado a easa deita-se bera disposta e ella . que, havia muitos meses, mal pod-ia passar alguns instantes pelo somno, dorme profundamente durante toda a noite. No dia seguinte principia a fazer a sua vida de todos os dias antes da terrivel enfermidade que a prostrara no leito. Passeia pelas ruas da sua cidade natal e é o assombro de quantos a veem. Oito dias depois vai a egreja assistir a urna missa em acçao de graças. Aquella bOa familia que vivia ha .tanto tempo immersa na maior consternaçàò, nao sabe corno manifestar o seu reconhecimento ao Deus de bondade que, por intercessào da Santissima Virgem, lhe restituiu urna pessOa muito amatla que se julgava irremediavetmente perdida. Apenas um vago reeeio, tatvez sem fundamento posslvel, conserva suspensos os animos menos entbusiastas obrigando-os a guardar a prudente reserva que a EgrejasabiameRte aconselha em casos desta natureza. Trata-se na reatidade de urna cura instaetanea, completa e definitiva? Terao desapparecido totalmente as causas do mal? E' um caso de cura . mllagrosa evidente e iucontestavel? Teem a palavra sOb11e tao momentoso problema a sciencia médica e o tempo, em face de cujos depoimentos a E~reja pronnunciar4 o seu veredittum seguro e inappetavel. Mas voltemos a Fatima. Muitos fieis todeiam a fonte maravilhosa, retirando dèlla milhares de litros .da agua._ Outros, em maior numero, conservam-se junt-0 da capetla, cumprindo promessas, rezando as suas oraçòes ou entoando canticos. Mas a maior parte dos peregrinos dispersam-se pelos arredores para tornar algum alimento ou assaltam os vehiculos de todas as especies que estacionam na estrada e nas immediaçòes afim de se prepararem para • regresso. Numerosas associaçòes

- Irmandades, Confrarias, Centros "" do Apostolado da Oraçào, Filhas de Maria, Juventudes Catholicas, grupos de peregrinos organlsados fazem as suas despedidas a Virgem do Rosa· rio, rezando e cantando oraçoes e canticos privatives, dando assim pie• HO desafogo a sua devoçao para conr a Augusta Rainha do Rosario. Sao scenas de urna belleza ineffavel e de um encanto supremo que eotevam e arroubam a alma de quem: as contempla, fazenda raiar a esperança fagueira de dias mais felizes e eloriesos para uma Patria onde assim se ere e ama a Deus, m1de se reza e canta corno se reza e canta em Fatima~ Vi:mmde de Mon(ello

A peregrinacao de Santarem Enke as numer•sas peregrinaçoes que . de diYersos pontos do paiz accorreram a Fatima no dia treze de Mai~ ultimo merece espe<::ial referen.. 1ia a peregrinaçao daquella impor• tante cidade extremenha. Composta de mais de duzentas pessòas de to. · das as classes e condiçoes sociais e organisada nos moldes das de Lo.ur- _ des, ella destacou-se entre as outras pela fidelidade com que executou o seu bem elaborado programma, pela compostura e gravidade do seu por• te, pelo aroma de piedade que res• cendia de todos os seus actos religiosos individuaes e collectivos e pela belleza incomparavel das suas préces e canticos privativos. O seu distinctivo, que consistia numa linda medatha estrellada que tinha no anverso a effigie do Sagrado Coraçao de Jesus e no reverso a de Mossa Senhora do Carmo e estava presa a um elegante taço de fitinhas de còres branca e vermelha - as cores do brazao dc, Santo Contestavel, que foi conde de Ourem - atrahia a attençiio .de todas as pessOas fazendo flxar nelle detidamente os seus olhares maravllhados.. Os peregrinos scalabitanos utilisaram-se de varios meios de transpor-te, seguindo uns, cerca de metade, directamente para Fatima na m1dru-gada do dia treze em camionettes e automoveis particulares e de aluguer da cidade, dos arredores e até da ca•, pital, e indo os outros peruoitar a Torres Novas, para onde partiram no comboio das nove e trinta e cinco mioutoa da noite. Os pereirinos que constituiam este 2rupo assistiram ,nc, dia 1eguinte a urna missa rezada na egreja parochial de S. Thiaio, a qual comnaungaram muitos, a maior parte delles; reservando-se os outros para o faier em Fatima durante a missa campai, tendo-se todos confessade pàra esse fim nos dias precedentes.. Meia bora depoi1 de terminada a missa, 4s sete e meia, occupavam 95 seus logares nos eam.ions e carro• · previamente contractados na villa para os conduzlr a FaUma e que eata• . cionavam na praça publica. A viagem de ida fez-se sem nenhum incideate desagradavel, seguindo os camioM pela estrada de Vìlla Nova d'Ourem e tornando os carros um caminho ingreme, inacts~ivel aos camionsr mas incomp;_; :: ,,imente mais curior atravez da se:,~. P.. viagem por Vilfa ·


Voz de. Fatillla. Nova d'Ourem fol verdadelramente deJiciosa e encantadora. A temperatura era bastante amena e o vento soprava muito brandamente. Urna bora ap6s a parfida os peregrinos fi. cam agradavelmente surpreheJJdidos ao verem, proximo do logar do Outeiro, numa peQuena emlnencia belra da estrada, em frente de urna pittoresca capelinha. a veneranda lmagem de Nossa Senhora de Lourdes, resplandecente de luz e de beleza aos raios vivissimos do sol num formoso ceu sem nuvens. Hora e meia mais tarde ja se enxcrgam os vetustos e famosos castalos de Ourem, alcandorados na crista l1e um monte altissimo, sobrnncelro a Villa Nova. Atravessada esta linda e hospitaleira povoaçào, entra-se logo na magnifica estrada districtal, recentemente construida, que liga Villa Nova d'Ourem a Fatima, Regue11go do Fétal e historica villa da Balalha. Sao ainda mais doze kilometros a ·percorrer, além dos dois e meio que medeiarn eotre Fatima e a Joeal das appari, òes. A estrada vae atulhada de lés a lés com geni~ a pé, a cavallo, em carroças, treos, automovels, eamions, ouma palavra, em vehiculos .de todes as especies. E' um espectaouJo inleressa11te e profundamente commovedor. A's onze horas e mela aviMa-se de bem perto a egreja parochial de Fatima. Junto della comprime- se uma multidào enorme. Dalli até ao locc1l das appariçòes avançase com toda a precauçao por entre ondas compactas de povo, que se encamioha lentamente para a Cova da Iria. La se divisa a pouco mais de cem passos o padrao commemorativo dos acontecimentos maravllho101, completamente restaurado e accrescido de um alpendre ampio e comodo, mas singelo, sob o qual se ergue o altar, em que mais urna vu seréi lmmolada a Hostia Sacrosanta. .Estào ch~gando numerosas peregrinac;Oes de varios pontos de Portugal, com os seus trttjos, dlsfinctivos e canticos caracteristicos. Talvez mais de cem mii pessòas se encontrem ja reunidas aquela bora no vastissimo recinto da Cova da lria. A peregrinacao de Santarem reorganisa aa suas fileiras, tornando logar frente as piedosas filhas de Maria, e pòese gravemente em marcha em direcçlo capella, rezando aa suas oraçOes e entoaodo os seus canticos privatlvos. Precisamente no momento em que chega aquelle locai produz-se um phenomeno atmospherlco, cuja causa é completa111ente deacoaheclda e que é constatado por mllhares de pesst">as de todas as cate1orias, muitas das quaes insuspeitas e absolutamente lnacesslvels suggestio : veem-se cahir do ceu s0bre o grupo das filhas de Maria I.numero• fl6cos, brancos como neve, de 4ilferentea tamanbos,. que exciram a admfraç:lo dos circunstantes,. e se deafazem corno que por encanto a ~quena altura por cima das suaa cabeças. Oa peregrklos • de Santarem to111am parte nas oraçGes e caatlcos colleclivos, associando-se de alma e coraçJo b lntencaes da graade peregrinaçfto nacionaf. Oram eapeclaleente pela con.venlo dH p«c&de-

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res e pela cura dos enfermos, supplicando com um empenho muito particular a misericordia de Jesus Sacramentado e a intercessào da Virgem Santissima para a grande enferma da sua peregrlnaçào, D. Maria de Jesus Figueiredo, do grupo das Filhas de Maria. Terminada a missa e o sermào, afastam-se para longe afim de restaurar as· forças com os seus farneis, voltam ao locai a despedir-se da Virgem cantando com tnlhusiasmo o hymno da Fatima e, retomando depois os seus logares nos vehiculos que os tinham trazido aquella estancla privilegiada, regressam uns a Sa11tarem e outros a Torres Novas, aonde chegam as oito horas da noite, partindo para Santarem no comboio da madrugada. Dòces e perduraveis sào as recordaçòes que trouxeram da sua piedosa romagem, abundante em fructos espirituaes. 1'odos deseiam ardentemente que se faça em breve urna nova peregrinaçào desta cidade a terra do mysterio e do prodigio e neste desejo sao acompanhados por innumeros scalabitaoos que, merce de varias circuostancias, nào tiveram a ventura de se incorporar na grande homenagem nacional de treze de Maio findo a Nossa Senhora da Fatima.

V. de M.

Voz da Fatima Deapezas Transporte do n,0 7 , •.. • lmpressao do n.• 7 • . . . . . . lmpresslio, etc , do n.• 8 . • . • 20 resmes de pspel. . . . • . Outras dupezu • . • • . . • .

1.897:370 95:ooo

Somma . • • . . . .

3 6o~:020

568:ooo 1.013:200

20·.so

Subscrlqfto (Cùnlinuaçiio do o.0 7) Padre Horacio Fernandes Biu . , D. Henriqueta do Rosario Coolho Pereira • . . . • • • • • . • Dr. Tomas Gabriel Ribeiro . • • D. VirgiRia d'Assumpçao Alachado • • , . · • • • • • • • • José Antonio Gonçalves d'Aze,. vedo •• • • • • • • • • ., • Um an6oimo, devoto de N. Sr.•. Esmc.las colhidas np dia 13 de Março . . . , . • . . . . • D. Maria do Carmo Bacellar. • • D. Maria Emilia de Aragao da Costa Lacerda . . • • • • • Padre Luiz Caetano Portella • . En~enheiro Antonio Torres . • D. Maria da Assumpçiio Ribeiro de Avelar • . . . • • • • • ~ilva Braaa . • · . . . • Jolio dos Sentos Pereira • D. Emilia Ribeiro da SilYil • • • Domingoa Oias . • . , . • , • Dr. Gualdino de Quelroz • • . • Padre Joiio da Cruz Prata . • • O. Maria José Ventura Lourenço Padre Rodrigo Luiz Tavares. . , Por intermédio de Franc:isca do

Jesu1. . . . . . . . . . . . .

Por interméJio de Domingas Loj-a • • • . • • • • . Varias eamolu • • • ,., • • •• D. Mary Carroll • • • , • • • D. Anna dc Souu L11r1 • • • • Manuel Teixcira Pinto . • • • D. <,uilhermiaa de Jeaus Alberto Gom•• • • . • . . • . • . • D. Clara Maria Ribeiro Telles • Esmolas do dia 13 de Abril, •• Leo11udo dos Reis Baiiio. • • • D. Maria Constaoça Albuquer-

~e • • • • . . ' .• ,. .• D. Carolina da C•DCeiçao Silva (2..• Yea).. • • • • • • • • • •

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Manuel Higino Vieira • • • • , Manllel Duarte Siln. . . . . . D. Maria dos Prueres Je Menezes e Castro de Gou,ed Osorio Pereira de Melo. • . . • • • Padre Marceliano Natlirio • . • Filipe Correia. • . • • • . • • D. Maria Joanna Correia • . • • Padre Manuel Jac:ob SarJinba. . D. Guithermina de Jesus Cabrita Conde,sa de Margaride • • . • Padre Francisco d~ Assis Ferreira • . . . . . . . . • • . . Antonio da Silva F nria . • . • Inacio Antonio Marques (3.• vez) Daniel d'Ohveir11 . . • . . . . D. Maria Paula Bentes • • . . . D. Maria Amalia de Azevedo Coutinho . . • . . . . . • D. Florencia dos Anjos Godinho D. Maria do Carmo Forjao de Gusmio. • • . . . . • . • • Antonio Luiz Fernandes . . . . Frandsco José Victorino Gomes D. Maria José Leite . , . . • . . Mortinho Pinto . . . . . . . . . Antonia Valente de AlmciJa . . D. Emilia Pizarro de Portocarrero. . . . . . .... Padre Antonio José Rodrigues . Dr. Antonio J. Victorino da Stiva Coelho . • . • . . . . . . • l\lanuel Antunes Mota . . • . . . D. Altee Barbosa . • . . . . . . Anthero Pacheco da Silva Moreira . . . • . . . . . . . • • • D. Deodata Am elia Malato ••. Antonio Prates Ribeiro Teles • Alfredo de Magalhiies Soares •. Faustino da Costa, . . . . . . . D. Gertrudes Pinto Serrano . .• D. Maria Albertin3 lima da Silva Francisco Sampaao Barbosa . . D. Maria Barbara Simoes . . . • Madame Miranda Vrana . • . . • lJ. Julia de Almeida . . . . . . • Pad. Joaquim Rodri~uos More,ra D. Corina Ferreira Fonte& . . . • D. Maria Luiza Vilhena Coutinho D. Carolina da P1edade Salva Villél11 . , . . • . . . , , . . . .• D. Amelia Martios . . . • . . • • D. Emilia Belo Brito Chaves . . Ric:aTdo Cardoso de Almeida •• D. Mdria Margarida de Campos Casais . . • . . • . . . . • • • Padre Augu~to Jo~é dà Trindade 12 . • vez) • . • . , . . . . . . • D. Maria Aurélia Perez Abranc:hes Esmolas varias . . . . • • • . • • D. Maria José Lopes . . . . •. D. Francisca Ferreira • . • • . • D. Rosa da Gloria Rebimbas • • • D@ Maria José Lei ras. • • . • . • De Piedade Pinheir6a • • • . • • O. Gloria de Jesus Rebimbas .• D. Rosa Errulfa da Costa •••• Antonio C•l'llilo Pinto • . . • . • Varias esmolaa (D. Celeste) . • . D. Jzabel d'Almeida Ja Costa Pc· ret.ra . . • • • . • . • • • • • • D, Cesaltina Rollo Saloma. • • • D. Maria Anna Velie& Rollo . . • Francisco Mendes . . . • . • . • Antonio d'Oliveira Cueiro . • . Jo~d Augusto de Mello Cabrai. • Padre Antonio Maria d05 Santos CamP,o• . • . . • . . • • • • . • D. Em1lta Guimariias • . . • • • D. Maria José Carvalho Pi,iheiro e Almeida ••. . . . . . . . . D. Maria Judico Bic:tor Bustortf Silva . . • • . • . • . , • ••• Baroneu de Samora Correia . • D. EvC'dia da Luz d'Almeida e N'apoles • • . . . . . . • • . • o~lubel do Mello Falcilo Tri~oso Siqueira •• . • • . • • • . • • D. Mariano• Pioto de Sonral .• D. Maria Jzabel Saldanha Oliveira e Souza . . • • • • . • • . • D. Afonso d'Albuquerquo •••• D. ~aria da Conceiçlo Pereira de ( .ima Caupers • • • • • • • • • D. Amelia das Dores • • • . • • • D. Luiza Cabrai • . • • • . • . • José Auguuo Falcio • • • • • • • Padre Manu1:I Lopes Correia • • Carlo• Alberto da Costa Rcis. . Dr. Henrlquo Queiro1 do Ataydo e Letnoa . . . . . . . • . •

Padre Joiio Chryao.stpcae 6oin49 d'Almeida • . . . • • . • • n. Maria Jos6 Costeira . •..••

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Ano I

N.• 18

(OOM A PR.OVAçAO ECLESIASTIOA) Dlreo"tor, Proprietario e Editor

AdU1lnillil-trado1~: PADRE M. PEREIRA DA SlLVA

DOUTOR MANUEL MARQUES DOS SANTOS Composto e imrresso na Imprensa Comercial, a Sé -

13 DE JUNHO Todos os annos neste dia se realisa na egreja parochial de Fatima 11rna festa solemne em honra do glorioso thaumaturgo Santo Antonio de LisbOa. Depois que a peregrinaçào mensal a Cova da lria começou a fazer-se com mais regularidade, rnuitas pessOas tiveram o receio de que ell_a empannasse de algum modo o bnlho dessa festividade, desviando grande numero de fieis da séde da parochia. A experiencia dos ullimos annos, e t!specialmente o que succedeu no dia 13 de Junho findo, pro'Vararn Sdciedade que semelhante 1eceio nao tinha fundamento plausiYel. Todavia, para nào se desdobrar e> concurso de fieis entre a festa da egreja e a commemoraçao da Cova da lria, no que havia vantagem para todos, era muito para desejar que a festa fOsse transferida para o Domingo seguiate, o que, em nada, segtindo parece, prejudicaria as solemniclades em honra do grande santo portuguez, honra da nossa Patria e gloria do Catholicismo. A circunstancia da coincidencia da festa de Santo Antonio com a commemoraçao das appariçòes e o assombroso concurso de peregrinos no dia treze de Maio j Cova da lria faziam suppOr a toda a ~ente que o numero de fiels que hav1am de visitar aquelle locai em 1reze de Junho seria bastante dimi11uto, nào excedendo o dos outros dia~ treze, com excepç!o de treze de .Ma10 e treze de Outubro. Mas, contra a expectativa geral, n!o aconteceu assim. Ja na vespera a tarde tlnham chegado innum~ros peregrinos que pas2iaram a no11e em oraçào junto da cap~lla commemorativa das appariç~es. No dia treze as dez horas o 1ev. dr. Marques dos Santos celebrou a primelra missa, dando a Sagrada Cornmunhao a multas centenas de P~sOas. Ao meio dia solar princip1ou a segunda missa, resada pelo rev. Manuel Marques Combina, prlor do Arrabal. · No pulpito o dr. Marques dos Santos faz as lnvocaçOes do costume, reJ)etidas em coro pela multidio. E&-

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Leiria

REDACçA6 E ADMINISTRAçAO BU.A D- N'UN'O ALVARES PEBE:IB.A. (BEATO NUNO DE SANTA MARIA)

recendo dominado por urna grande confiança na bondade <.le Maria Santissima e por uma resignaçào completa vontade divina. Do lado da epistola urna figura distlncta de fidalgo, rodeado de toda a sua familia, esta sentado numa cadeira, proximo do altar. Mudo e paralitico, por effeito de urna congestào cerebral, que o acommetteu em trinla e um de Janeiro ulllmo, esse ill ustre litular veio expressamente da provincia do Minho, de automovel, pedir A Santissima Vlrgem a sua cura ou a conformidade com a vontade de Oeus na grave tribulaç&o que o afflige. Junto delle est!o o seu confessor, um venerando sacerdote de mais de mela edade, e o seu dedicado médico assistente, tao notavel pelo seu saber corno pelo fervor da sua crença. A piedade e resignaçao do nobre Conde de M., inutilisado pela desgraça em piena força da vida, edifica e commove todos os presentes, que oram fervorosamente por elle e pelo enfermo seu vislnho do lado do Evangelho. Algumas senhoras, em contrario das recommendaçòes da Ap· pariçao aos vide:1tes que profligam o luxo exaggerado e as modas immoraes, ostentam lamentavelmente os braços nus e os vestidos decotados. Nào se com~&inha Santa lz&bel Uma das padroeiras da cidade dc Leiria e que foi prehende que pessòas que se prezam de chrlstas sejam escrnas de muito devota de Nossa Senhora da Conçeiçiio, cerca dc cinco seculo~ 11ntes da defìniçiio dogma- modas indecentes, ~scandaljsando os fiels, profanando o logar santo, destica deste mistcrio gostaodo a Santissima Virgem. Quem sabe se a presença de pessOas tào tao presentes c@rca de quarenta mii esquecidas dos deveres que a mopessòas. O silencio, a compostura e destia impOe a todos, impede a maior devoçao da assistencia commovem e effusào das graças do Senhor s6bre encantam. No recinto fechado em os enfermos presentes I torno do allar encontram-se os doenPraza a Deus que todas as seohotes. Dois delles chamam as attençOes ras que vao Fatima e a quem dedos circumstantes. Do lado do Evancerto s6 move a fé e o desejo de gelho, um homi?m com a apparencla agradar M!e de Deus se compenede muito novo, typo de antigo militrem das suas obrigaçOes sob o pontar, denunciado pelo seu largo capoto de vista do vestuarlo, nuoca trate azulado de botOes amarellos, esta jando, nem alll nem em qualquer ousentado num pequeno banco, ao latra parte, senao em harmonla com as do da irma que, carinhosamente, o regras mais severas da moral christll. ampara. No seu rosto pallido e des- · Entretanto continua a santa missa. figurado, descobrem-se vestiglos de Innumeras pessòas se approximam Jongos e profundos soffrlmentos. Reda mèsa da Eucharistia. O "Bemdlto• sava com recolhimento e fervor, pa-

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cantade peto povo durante a communhilo é de um effeito surprehendente. Ter111i111ada a missa, canta- se o «Tantum ergo> e da-se a bençào com o Santissimo Sacramento, primeiro a todos os fieis e depois a cada um dos doentes. Nesse momento repete-se o interessante phenomeno atmospherico do mes anterior no meio de exclamaçOes e gritos de' surpreza e commoçào de muitas das pessOas presentes que olham para o ceu e para o sol. No fim da Rlissa s6be ao pulnito o rev. Da~id das Neves, que failou sentidamente da devoçào da Virgem - e do odio cego e incansavel dos inimigos de Deus a todas as manìfestaçoes de caracter religioso. Ao concluir o sermào, annunciou que o tinha prég;ido em acçào de graças por urn a cura maravilhosa de que tinha sido objecto a pessòa que . 'Jh'o havia encomendado. Oepois do serma.o, os peregriuos cumprem as suas promessas, adquirem exemplares da VOZ DA FATIMA, retiram -se para longe afim de comerem os seus farneis, vao buscar agua a fonte maravilhosa ou conservam-se de j oelhos ao pé da capella rezando devotamente as suas oraçòes e fazendo as suas despedidas augusta Vlrgem do Rosario.

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VISCONDE DE. MONTELLO

Hs curas da

fa urna

Maria da Ascensao Franco, de 18 annos de edade, natural de Leiria, filha de Alfredo Ignacio Franco e de l>. Maria da Concdçno Franco, ja follccida, adoeceu gravemente com bexigas negras no dia zo de Dezembro de 1919. Grassava entao pela cidade a epidt!mia da variala. No anno anterior tinha estado ern perigo de vida com um ataque de bronco-pneumonia, chegando a correr o boato do seu fallecimento. Nesae dia, que era um sabb&do, sentindo-se mal disposta, nao sahiu de casa. A' noite, depois de tornar o cha com a familia, deitou-se tranquilla, suppondo tratar-se de um incomrnodo leve e pas• sageiro, embora o thermometro accusasse 39 graus de febre. No dia seguinte quiz ir a missa, mas nao poude. Resolveu-se mandar chamar o médico, dr. Antonio Julio Telles de Sampa10 Rio, que nao tardou a vir. A principio nio conheceu a natureza da doença. Voltou nos dois dias segui ntes de manhi e, neste ultimo dia, poude ja constatar com segurança que se tratava dc um caso de variola. No 111esmo dia a tarde a enferma reccbeu a visita do dr. José Coelho Pereira em vez da do dr. Sampaio Rio, qwe t:Ye tic retirar urgentemente pan Coimbra. ~ Durante os quatro dias immedia· tos o cstado da doente aggravou-se -considcravclmentc. Na noite de quin• ta para sexta-feira produziu-se a ob~ trucçi0 d• nariz c da garganta, o que lhc causava grande incommodo. Nao podia fechar a bocca e a garganta cstava extraordinariamente in· chada. Vendo·a tao affiicta, urna de suas

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oz de. Fatima

irmac;, Julia da Encarnaç5o Franco, que ficou durante urna noitc a acompanha-la, n:commcndou-lhe quc invocasse Nossa Senhor,1 de Fatima, tanto mais quc nao podh t-imar os rem<>dios, que lhc provocav:1m vomi tos. A doente promcttcu cnt:io ir cm · peregrinaçao a Fatima e dar 11ma esmola para as obr 8"- do ~nnctu,1rio se alcnF1çac;se a sua cun . Na m~nha stguìntc nm:i visinha e amiga, D. Marh Franci,;ci Fiup·il,ii, de nacionalidade ilalinna, quc tinlu cm 1917 obtido uma grundc grnç,1 por intermedio dc No~sà • cnlur:1 de Fatima, vendo as irm:i"> con~tern hias a chorar e n5o nconhcccnJo a <:n· ferma ~ue, complctamenk dc fì~urada, parcciu umn ch5ga d o~ ré- à c.1beça, dominadtt por urn.1 compdixfo profonda fa uma promèSsa tl N1 ,s1 Scnbora dc Fatima e prcguntou a docnte se 1150 qucria tom :tr rrgu,1 com terra on locai Jas ,1ppa1 iço~s, ''-'~ pnn· dcndo ella affirmativamc11tc, pcln quc foi logo u :.ua casa preparnr css:1 tni5tura . A enforma, que nao cm c;1paz de tornar os rcmcdi ,)s que lhe tinham sido rcceitaJo~, poudc bcber a agua e logo em segu ida adormc:ceu. E-,sc somno foi mais prolongado <J.ue os outros que costumava dormir. Quando acordou, horas depois, a garganta estava dcsinchada e limpa. Mesmo antes de tornar algum alimento, a doente teve a impn:ssao de que podia engulir, e rc:conhccc:ido isso, poz-se a chorar de o legna., disse que se scntia melhor eque Nossa Senhora a tinha curado. Por determinaçfio do medico, desdt: tcrça-fcira a noite, tornava banho duas vezes ·por dia. Nesse dia começaram a de1tar terra de Fatima na agua do banho. O medico tinha dito na quinta-fcira que ella oa sexta-ftira e sabbado havia de estar pc!or. Na sexta-fcira a noite a irma Hi!rminia da Conceiçao Franco preguntou ao medico, durante a vi!ita, se nao lhe parecia quc as bexigas ja estavam a seccar. O medico replicou: «Isso seria seccar depressa de mais; é impossiveln. Era precisamente nesse dia que ellas deviam principiar a sahir. Manifestou por isso o receio de que cstivessem a recolher. No sabbado de manhii ao exarninar a enferma ficou muito admirado, declarando que realmente as bexigas ja começavam a seccar. E contudo ella estava completamente preta, tendo o medico affirmado quc nuoca tinha visto urna camada corno aquella . Nesse mesmo sabbado jii poude ter-se de pé na banheira. Nos dias antecedentes chorava com dores nos pés, tendo as irmas gronde trabalho para lhc dar o banho. Urna visinha, vendo-a na con\'a· lcscença, disse as irmas que nao deviam d1zer que ella tinha tido bexigas negras, porque nao estava desfigurada,. corno o nao esta agora. Essa visinha nuoca a tinha visto durante a doença. Pcdiu-se muito a Nossa Senhora que nao permittisse o contagio e ningucm o teve. A enferma foi rnelhorando de dia para dia. Esteve de cama s6 quinze dias e nao se levantou mais cedo porque

nao quiz. Lcvantou-sc pela prìmeira vez no dia de Reis e nuncJ m,tis tornou a carna. As ci rcumsta ncias cm que a cura se realisou produ7.iram no cspirito das pesso 1s de fami li 1 e do$ a1nigos e conhec1d,Js a convicça > dc gue foi dl!vida a um verd 1foiro mii qr", robustccendo .'.\Ì~1d 1 111 llS CSS 1C()OvicçaO o facto di.! nrnhum I nt1tra p1.!sso1 da cas:1 ter ti lo v iriola. Quando cl la se lev.tntou, adotcu1 ,, p 1e, qt11.! nifo ti· nha qucdùo v ,c.:11111-s, O mdico, quc fo1 lng,) maml>1.l11 eh 1m,lr, disse qu", k 1do luv1 lo h.:Xll! 1s cm cHa ' . ,., com certcz:l cn,n b ·x1g·1s o CJlll! elle tinlu. ,\t,,._ dc Lcto nil} foi scn:in um ligciro incommodo ck s:iu le de que em brl.!vc se I csl , od .!.:c11 A c:nft:nn.1 tni a F,itim1 pel t primeira v~z depJis J,, docnç I no dia 13 d.: Agosto do mr.:smo annn, a fim dc agradecer a No-.;.,'.\ ~cnhora a sua cura. Antcs aa cioc nc.t tinh::i la iJo trcs vc7.cs: cm 13 dc ~etcmbro de 1917, ein 13 d~ dutubro do rnesmo anno e em 13 dc Sctcmbro dc H)r8. Rezou no di-t 13 de Ag11sto d~· iq20 juntn d I e pdl.1 comc111mor tiva ·Jas appai iço ·s, Ondt: Cntrou, tT) ,IS com difìculdaJi!, ni.io se podend l d morar muito Jcntro della por causà da grande concorrcncia de p•wo Desde eotao tcm sempre gosado d1: bò1 sau.de. Esta forte e nutri:ia e o seu as~ pecto é cxccllente. V. de M.

Em acçao de graças I

D. Therezo de Jesus ritnrtins e M.1e Maria Amalia do Amaral de Passos de Souza Canavar ro, dc cujas curas sobrcmaneira adrnir:1vt!is a. VOZ DA FATl.\1 \ ins1::riu no penultimo numero re!otos pormenori:-;:idos, for•in no dia treze de \laio a Fatima afìm de agradecer a Nossa Sen bora os favores extraordinJrios quc se tinha dignado dispensar-lhes quando, pc:r• didas humanamente tod 1s as esperanças, a Ella recorreram corno Mae de misericordia e Saude dos enfer• mos. As duos felizes privile~iadas da Santissima Virgem, encontraram-se por acaso na egreja parochial de Fatima,. pouco depois da sua chegada, e ahi,. reconhecendo-se urna a outra, por in· termedio de pessòe.s amigas, abraça• ram-se commovidamente e fizeram em commum a sua primeira acçiio de graças. O. Thereza, a antiga tuberculosa,. hoje comp,letamente cunida, quc niologramos descobrir entre a multidio immensa, teve a satisfaçao indizivel dc cumprir a promessa que fizera de ir de joclhos até junto da veneranda Imagem da augusta Virgem do Rosario. Com cxtrema dilfìculdade conscguiu romper atravez da massa com• pacta de fieis e ja dcbaixo do pavilhiio ao pé da espella, viu, com grande surpreza e alegria, aquellas senhorassuas conhecidas que lh~ tìnham fornecido a ultima porçao dc ogua de Fatima que bebera durante a sua doença. O marido, quc ficara retido no leito com um forte ataque de «grippe,,, nao conser.tiu que, para lhc a5s1:,tir-

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Votr. da Fé.-thna

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na . d?ença,, cor:no desejava, a esposa d~s1stuse da p1edosa rom agem, add1ando o cumprimento da sua promessa. _!)ep?is da missn campai e do scrmao uvcmos o prazer de follar dernorada~nte com a menina Maria Amalia Ca:1avarro, aquella ditosa crcança atacada dc meningite cerobro-espinhnl e dcsenganada dos medicos, que Nossa Senhora dc Fatima sa lvou, ~egund_o a cxpresslio do illustre medico assistente dr. Parreira Cabro!. 1~compa11 hwam-na seu pac, o dr. Joao dc P,1'-sos dc Souza Canavar:~, suas tlns, a b1roncza dc Almemm (D. Luizu) e D. Maria Xavier dc Passci> de ~ ouza Canavarro, e sua frma mais volha, Maria da Concciçao Cana varro. O a~p1.:cto da venturosa mcnina é o de uma pc;)5ÒJ s:1uJavel e robusta, respirando ,iJ.1 e akgria, cm piena iloresccncin da primavera da mocidad~. Ninguem c,usaria hojc dizcr, ao ve-la, q11c roucos mczcs antcs tivLra urna doença t:io grave ç de tao funcstas consequenci<ts corno a meningite, cuj1s victìmas por via dc rcgra rnorn:m ou ficam para sempre insanavelmente dcfdtuosas. Na ditosa filha da h1storica e gloriosa terra de Santa I~ia. n~o _subsistem vesti~ios, por m~1s 111s1g01fìcantes que se1am, d11 tcmvel enfermidade que a levou as portas da morte. Tendo,lhe n6s pergu n tado corno se achava de saude, respondeu-nos que se sentia perfeitamente bcm e rndiante d e contentam e nto e dc fdicidade. A sua alma cnternecida tra!>bordava dc g ratidao para com a augusta Virgem Mae de Deus, cujos olhares m a ternacs sem duvida se compraziam naquella innocencia virgina l, tao cheia de encanto no fervor do seu intenso e profondo recolhimento e da sua sincera e ardente piedade. • Cumprida religiosamente a pro• messa, feita no principio da convalescença, de ir a Fatima testemunhar o seu reconhecimento a Nossa Se-nhor:i do Rosario o seu coraçiio sente immensa pena de se apartar daquel• -le logar bcmdito, onde as almas pu• ras experimentam emoçoes divinas, .e s6 descança e soccga quando o pae extremoso lhe promette leva-la de novo a Fatima no dia treze de Julho <:orrente, em que passa o decimo tercei ro anniversario da virtuosa e ano!elica menina. V. de M.

\IOZ DA FATIMA Eato reviata é dl•tribul,da llPatuitamente noa dia• 13 de oada mOa na Cova da IPia, aceitando-se no en-tanto qualquer donativo oom que cada um quelr• expontaneamente a u xi ,-llar-no•. So teré diPeito • reoe•lter a VOZ DA FATIMA pe· lo oorreio, durante I anno, quem se aubacrever Dom o minino de dez mii -Péis. NAo fazemoa oobran·••• pelo corraio.

As appariçoes de Lourdes Ili

A Gruta - A primelra apparlçào: li de Fevereiro de 1858 Para comprehe nder melhor ac, apparid5es. convem formar primeiro uma ideia exacta dos sitios vizinhos eia G• uta, porque a topographia mudou posteriormente. Qu'.lndo se sahia de Lourdes na direcçao de oeste, atravessava se o Gave ror umn ponte estreira, a Ponte Vcl ha, . <l'onde, a direita, se desenrol va um par,ornrua grncio~o so• bre o prado do Savy, pertencente ao senhor de L'l Fitte. O G ave de Pau arqueava-sc como que para o abraçnr e banhavam-no varios canaes que se dest acavam do I io. O pri11ci• pal era o canal do S avy, engr..,sado pelo Merlasse, atravez do qual se elevava o mo inho do senhor de Lit F1tte. Ec;te ca nal é quasi parallelo ao cam111ho que se segue ao p:irtir da Ponte Vclh.-i e que se chama o cammho da Florc.,.ta de Subercarnére A estrada pcdregosa subia aqui e acola rasgada na encosta, por cima das rochas em que se erguc h,1je a basilica de L ourdes. e se se qu1zesse dcsccr a gruta de Massab1elle, muito perto do Gave, era p reciso contornar essas rochas e deslisar a dire1ta sobre o declive abru pto até a margem onde vinham mo rer ao; on das e,;quecidas pela corrente. Entao ficava-se em f f"llte auma gruta n'l· turai de onzc metros de largo por oìto metros de fundo, scmelhante a urna pequena egreja. Ella era imponente ~om as suas scmbras negras e myster1osas 1 os seus recortes de mar· more e, pendentes em volta, os seus amplos cortinados de pedra cm desordem. F:ste sitio selvatico era propicio a solidao e a prece. Contava mse lendas terriveis que recordavam a presença e as grandes façanhas do demonio no meio desta natureza convulsionada, nestes logarcs cheios de terror. Na abobada, uma abertura, semelhante a uma chaminé inclmada, atravessava o macisso de pedras e terminava numa especie de arco ogiva) por onde penetrava a h,1z. Em frente deste arco cstava um rocheào quadrangular enorme, d'onde pendiam divcrsas plantas, entre as q1:1aes Rumcrosas roseiras bravas. Apcs:tr da mole do rochcdo, o arco ficava em parte visiYel. Algumas destillaçoe!i, provenientes das chtJvas, coavam sob a abobada, mas nao havia nenhuma fonte conhccida, a nao ser uro crntrco de agua Iodosa, ao nivei do Gave, a que ningucm prestava attençao, porque parecia resultar das innundaçoes do rio. 0s rochcdos e::cteriores a oeste cstavam egualmente humidos na epocha das chuvas. Na quinta-feira gorda, 11 de fevereiro de 1858, pela uma hora da tarde, fa zia frio, o tempo estava triste, e ja niio bavia lenha na pobre habitaçao. Luiza S oubirous disse-o as suas duas filhas, BernarJete e l\laria. Ella parecia estar muito pes:irosa com isso. As duas crennças offorc·

ceram-se para ir apanh:ir ramos slcos nas margcns do G avc. -Nao, disse a mae, o tempo etta mau e poderiam cahir no Gave. J oana Abadie, visinha e amiga dcl:las, devia fazer parte do grupo; fol por em casa o irmao'.';inho que eMa guarda•a e pediu licença a mae para acompa~har as duas raparigui~has. Dcpois voltou. A senhora Soub1rous recusavn-se ainda a d ix1-las partir, mas, vendo que eram tres, acabou por dar o scu consentimento. Tomam pel11 rua que co nduz ao cemiterio, porque alh se procedia muitas vèzes a descarga de lenha e poJiam as'iirn re~pignr cav!h"os abandon:iJo,;. ~las. por infelidJade nao encontrara m nada di: '1provc1tar-se. Dirigem-se e ,tao para a Ponte Ve1ha e seguem o caminho da Floresta, deixan ~1o a direitn o p r:id o do ~e· nhor de La Fitte cingido pela faixa azul do Gavc. De repente d esviam-se para o ca• nal do Savy, que atrave-;sam passando pelo moinho e e ntram no prado. Acham se a,s1m numa tlha formada pelo Gav.:: a J 1re 1ta e pelo canal a esquerda. Seguem o canal. Algumas arvor es linham sido cortadas recentemente Procuram lenha, ao • longo da margem 11 té ao sit10 em que o canal dcsagua no Gave, quasi em frente da gruta de Ma--!.ab1elle. Pareceu-lhes avistar lenha sècca ao pé da gruta, mas para cheg- r até la era mister atrave~sar o canal do Savy. As aguas eram muito bnixas, porque o moinho niio t rabal'1ava,mas, corno • succedia no inverno, as aguas estavam muito fnas. Berna• dette, sabendo que era enfcrmiçJ e lembrando-se, sem duvida, das rccommendaçoes de sua mae, niio ou• sava entrar no canal As companhei rlis nifo tiveram os mesmos cscrupulos. «Joanna Abadie e minha irma. menos pregu1çosas do quc eu, conu'9ella, tiraram o" tamancos e pussaram o ribeiro. T odavia qua ndo -;e encontraram do outro Jado, puzeram-se 11 queixar se de frio e ba,xaram-se para aquecer os pés. Tudo isto fozia augmentar os meus rece1os, e eu reconhecia que, se entrasse na agua, a. minha asthma iria atacar-me de no· vo. Entiio pedi a Joanna Abn i1e, que era mais crescida e mais forte do que eu, que viesse passar-me as cos-

tas. -Oh ! Palavra d'honra que neo o farcii respende1,1 Joanna, tu és urna creatura enfadonha e cheia de mimo; se nao quizcres passar. fica onde estas. As duas rapariguinhas afastaram.-se pois, apanharam lenha debaixo da gruta e seguiram o Gave s em se preoccup,arem mais com Bernadette, que, certamente ao ver-sc s6sinha, teve medo, porque, accrescenta: Quarr... do e stive s6, deitei algumas pedras no leito do ribeiro para s8bre ellas par os pés, mas isso nao mc servitr de nada. Eu tive entao de me decidir a deixar oc, meus tamancos e a atravessar o canal, como haviam fei• to Joanna e minha irma T111ha com eçado a ti! ,1r ., pri111eira meia quandJ) de repente. ouv1 t1m gr1nde ruic!o semelhantc a um rumor de tern•

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Voz da R~:dma

pestade. Olhei li d:reita, li csqucrda,

D. Eugenia Braamcamp So-

para as arvores da marp:em, nada hulia ! Julguei ter-me enganado. Continuava a descalçar me, quando um novo ruido, semelhanre ao primeiro, se fez ainda ouvir. Oh ! entao tive medo e puz-me logo em pé, Nao podia articular polavra e nao sabia o que ha via de pc.osar, quando, ao voltar a cabeça para o lado da gruta, vi numa daq abe1 tures do rochedQ uma serça, uma s6, a 8J?lter-se corno ~e o vento soprasse com violencia. Quasi ao me~mo tempo sahiu do interior da g, uta urna nuvem cor de ouro, e pouco depois urna Scnhora, joven e bella, corno eu nuoca tinha visto outra egual, veio collocar-se li f!Dtrada da abt:rtura, por cima da sarça. Ao mesmo tempo olhou para mim, sorriu-me e fez-me signal para {1Uc me approximasse, corno se ella lasse minha mae. O medo tinha-se dissipado, mas parecia-me que ja nao sabiaonde estava. [sfregava os olhos, fechava-os e ahria-os, mas a Senhora estava sempre la, continuando a sorrir-se para m1m e fazendo-me comprehender que eu nifo me engai:iav~. Sem ter consciencìa do que faz1a, t1rci o terço do bolso e puz-me de joelbos. A Senhora fez um signal de approvaçao com a cabeça e tomou • nas maos um terço que trazìa no braço dircito. Quando quiz começar o terço e levar a mao a resta, o braço ticou-me corno que paralysado e nao foi senao depOl!-l que a Senhor-a fez o s1gnal da Cruz que cu pude fazer corno ella. A Seohora deixoume rezar s6sinha; fazia, é verdade, pass~r entre os dedos as co11tas do seu terço, mas nao era senao no fim dc cada dezena que ella dizia comigo: Gloria Patri et F11io et Spiritui Sancto,.

bral (Belmonte). : • • • D. Maria Helena Alves . • D. Cecilia Wanzeller de Castro Pereira. . . . • • , Dr. Manuel Cruz Junior •• Condessa de Tarouca • • • D. Maria das D. Freitas • • D. Maria José Brazao • • • D. Maria Rodrigues Maciei-

V. de M.

(Continua)

Voz da Fatima Despeza& Transporte • • • • Irnpressao do n.0 9 • Outras despczas • • Somma . •

3.604:Mo 120:000

38:8oo 3.757:820

Subscripçllo (Continuaçao)

Maria das Dores Fernandes Rendeiro . • • • . • • Domingos Valente de Almeida • • • • • • • • • • Gracinda de Jesus da Silva Luiza &tevt:s . • • • • • Esmolas colhidas na praça de Pardelhas. • . • • • D. Lcocadia Henriques. • • Josefa de Jesus • • • • • • D. Maria Pedroso. . • • • D. Maria Martiniano da Costa P.• Sabjno Paulino Pereira. P.• Francisco da Silva Geada P.• Manuel Duarte • • • • D. Julia Maria Galvio • • • D. Michaela Caroço • • • • D. Filomena do Espi rito Santo da Veiga Moniz • • • D. Berta de Carvalho: Guimaracs • • • • D. Marianna Vilar

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D. Joaquina Sancho Silva • Baroneza de Almeirim (D. Luiza) • . • . . . . . M. 1c Anna Maria da Costa Moraes • . . . • • • • D. Maria Barbara Clemente D. Ermelinda Simoes • • • Carlos Balthezar de Vi!hena Barboi;a • • . . • • . D. Candida Martins Pita. • D. Carmen Satrustegni de Padilla • • • • . • • D. Maria Luiza H. R. Freire de Almeida Rodrigues • • Joaquim Alves Martins • • P. 0 Augusto José Vieira . • D. Gertrude~ M. Fernandes. D. Marionna Baccllar . . . Viscondessa de Treixedo • Dona Marianna de Queiroz Athayde. . •.. D. Maria Leonor de Freitas Joao Braz Scrrador . • D. Maria Joanna Correia. Antonio Camilo Pinto (2.8 vez). . . . . . . p,e Eurico do Nascimento Lacerda Pires . . . . Manuel Rodrigues Valentim J. d'Oliveira Dias (de varias esmolas). D. Emilia de Mello Falcao Trigoso. . ..... P.e Virginio Lopes Tavares Anonima (l\1. do C.). . • • José Ferna ndes d' A Jmeida • l\lanuel Antunes Tcijal. . . Olimpio lJuarte Alves. . . P.' José Lourenço dos Santos Pa Irin has. . . • D. Bertha ~lachado • • Francisco d' Assis Paulo • • Condessa d' Azambuja • • . P.' Lino da Conceiçao Torres Madame Deligand. . • • • D. Lucrecia Duarte de Jesus D. Ermelinda Reis Faria. José Fernandes Potes • • • Condessa do Bom6m • • • D. Maria das D. Ferro Silva D. Maria Proença Fortts San• guinetti • . • • • • • • D. Jùstina Tcixcira • • • • D. Maria Emilia Macedo Rosa • • . • • • • • D. Bea:riz Buxo Pinheiro • Joao Maria do Vale oe Souza de Menezes Mexia. • . • D. Cecilia Correia da Costa. Joao Augusto dos Reis. • • Gregorio d:l Cruz Sardinha D. Maria do Ceu Pinto de A breu e Lima • • . • . D. Maria da Purificaçao da Silva Pinto Abreu. . . • D. Maria da Graça d'Abreu Fonseca. . • . • . . • D Maria da Natividade de Assis Teixeira • • . • • D. Maria da Gloria d'Abreu de Lima e Fonseca • • •

10:000 10:000 10:000 10:000 10:000 10:000 10:000 15:000 10 :000 10:000 10:000 10:000 10:000 10:000 10:000 10:000 5:000 10:000 10:000 10:000 10:000 10:000 10:000 10:000 5:000 3:000 2:000 l I :500 10:000 5:000 10:000 10:000 10:00~ 10:000 20:000

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D. Marcelina Cameira. • • Rosa de Jesus Cascaes. • • Maria Apolinaria Godinho . Maria Ismenia Ruela e Cyrne .Maria do Carmo Tavares de Souza Cyrnc. • . • • • Rosa Antonia Valente d'Almeida (2.• vez) • • . • . Francisco de Jesus Manço(2.• vez). • . . . • • . . • Maria José Leiras ('2 a vez) . Piedade Bunheiroa (2.• vez). Maria de Jesus Piroa. • • • Laura d'Oliveira • • • • • Esmolas de Pardelhas • • •

Agradecendo

10:000 10:000 10:000 10:000 ' 10:000 2:500 2:500 2:500 2:500 2 :500 2:500 24:000

urna graca

Encontrando-me em grande tribulaçào, recorri cheia de fé a Santissima Virgem da Fatima, que se dignou ouvir a minha humilde supplica. E'" pois com satisfaçào que cumpro a minha promessa, remettendo essa pequenina offerta para o seu culto e pedindo a publicaçao duma graça 'na VOZ DA FATIMA. Recolhimenlo de S. Christovam em 5 de Maio de 1923. '

Luiza Stadlin

"Os acontecimentos ùC Fatima,, Com este titulo es1a . ublicado um novo opusculo devido a penna do nosso presado collaborador sr. Vis• conde de Montello. Em diversos capitulos, todos de um i111cresse f6ra do vulgar, o seu auctor refere epis6dios e notas inéditas, me1ecendo registo especial aquelle em que narra , sucintamente vinte e cinco curas atribuidas a intercessàc, de Nossa Senhora de Fatima. Sabemos que o sr. Visconde de Montello esta preparando a 2.3 ediçào, revista e consadera_velmente aumentaJa, do !)eu livro «Os epis6dios maravilhosos de Fati• ma>, cuja 1.8 ediçào, actuulmente exgotada, bastante concorreu para l evar ao longe, no paaz e no extrangeiro, o acontecimento do my:sterio-so caso de Félima. O folheto «Os acontecimentos de Fatima« esta venda na redacçào da VOZ DA FATIMA, custan<lo cada exemplar dez tostòes, seodo o prod ucto da venda destinado na sua totaUdade para a obra de Nossa Senhora de f atima.

a

Casos ou acasos? O primeiro é a conversao de um pastor protestante que presenciando o esplendor do recente congresso eucbaristico no Rio de Janeiro, ex· clama o seguinte:

cNil.o I possivel que /sto se/a um' simp/.es symbolo: eu crelo na presen- . ça REAL I> O outro é o facto de um dos clu-·

/es da famosa AsssociaçAo Christan de Moços (Protestantes). Este infellz . tinha organisado entre os seus, uma contra-manlfestaçao para o dia da

planejada procissilo eucharlstica. Na 10:000 10:000

10:000

hora da sublime apotheose <le Jesus Hostia, o cadaver do tal che/e era levado para o cemiterio/... Tinha morrido na vespera da planeada prociss6o.


1.028

Ano I

N.0 11.

(OOM AP.ROVAçÀO ECLESCA.ST-ICA) Adnilnlstrndor: PADRE M. PE? EIRA DA SILVA

Dlreot:or, Prop1.·1e-tarlo e Editor.•

DOUTOll MANUEL MARQUES DOS SANTOS Composto e impres~o na lm r rcnsa Corr erciel, Il Si -

REDACçAo E ADMINtSTRAçfo

RU.A D- N'UN'O

Lciriu

ALV.ARES PEREIR.A

( BEA T O NUNO D E SANTA M~ RIAI

I

I

l';, .J

Mais urna vez e na forma do costume se reaUsou na Cova da tria, em 13 de Julho fine.lo, a comemoraçAo mensal dos acontecimentos m"! ravUhosos de F~fima. O concurso de fi~ls fol assas m~meroso, mas, corno!;, ah~s era de esperar, nao alfingiu as i proporç0es extraordinarlas dos grand~s dias. Segundo calculos appro.x,mados, deviam ter visitado naquel-

1e dia o tocai das appariçOes tr@s

mo de costume, se a ·isso nAo houvesse obstado motivo de força rnalor. Ao meio-dia solar, annunclada pelo toque repelldb de uma slneta, começa a stgunda missa, :que é celebrada pelo rev. Jo:;é do Espirito Santo, pa~ ti rocho do Reguengo do Fetal. Do ,,

allo do pulpito o f rev. Dr. Manuel

.>

Marques dos Sanws reza o terço at.. 1

ternad;mieo1e co,ù o povo. fazendo

depoìs da elevaçio e da communbA.o as invocnç0ts habiluais ,epelldas •em

còro pela assistencla. A•atençio e o recolhimento dos fiels sào profuodas.

...

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Termlnada a missa e rezadas as oraçòes finals, canta-se o Tantum ergo. O officiante, recltada a ultima oraçAo, dA a bençao geral com o S. Sacramento A multidlio ajoelhada. Em seguida dA a bençao particular a cada um dos enfermos presentes, que jazem dentro do recinto fechado em torno do altar. Emquanto se realisa este acto tao piedoso e commovente repetem-se as invocaçòes e implora-se com fervor a cura dos doentes. Pouco depois urna senhora de edade avançada, gravemente enfl.!rma, é transport.11la para o seu carro. Seis senhoras levam aos hombros a maca em que ella est.i estendida numa immobilidade absoluta. Stlcnl'iosa e comovida, a multidào, chcia de respelto e compai xao, abre alas sua passagem. Sòb • ~otàn no pulpito o rev. Antonio Rodri gue:; Conde, ahnde de Paramos, <lioccse do Porto. Durante mais de meia hora o dislinto orador prende constantem,•nt~ as atençoes do auditorio com a sua palavra fluente, de urna eloquencia sobria e m ascula. · Ne,sc momento ouve-se um li~eiro murmurio promptamente sufocado pelo respeito devido a santiJade do logar. Muitas pess0as, voltadas para o sol, asseguram que se renova deante dos seus olhos maravilhados o estranho fen6meno atmospherico dos dois m~ses anterlores. Ap6-, o sermào encontramos a menina Maria Amalia Canavarro, cuja cura admiravel foi pormenorisadamentc relatada no numero oito da «VOZ DA FATIMA•. Acompanhavam-na seus pais e irmas. Felicitamo-la pelo seu decimo terceiro anniversario natallcio, que ella quiz passar junto da virgem bemdita, a cuja inter.cessào materna! atribue a sua cura verdadeiramente assombrosa. Junto da fonte aglomera-se enorme mullidllo que estéi fazendo a sua provisAo de agua. O decimo numero da cVOZ D.\ FATI MA• é distribuido profusamente. Sllo quatro horas da tarde. Muitos peregrinos retiram-se e outros preparam-se para o regresso. O movimento de vehiculos na estrada -é Intenso. Urna hora mais tarde, no tocai das -apparlçGea, apenas se véem alguns pequenoJ grupos de devotos que rezam conf fervor no gozo de um s1lenclo e socego que difficilmente se encontram quando ae estj em contacto com as grandes multid0es, mesmo nos logares mais venerandos e mais favorecldos com as graças do

a

Ceu.

Pr~paraçao para as curas e Na presença deste brllhante conjunto de mllagrea, accumulados, por asslm dlzer, uns s()bre os outros, e cuja evldencla se lmp0e , b()a fé mais vulgar, alegremo,nos por sermos fllhos da Santa Egreja Cathollca, que Oeu1 nlo cessa de visitar, e qual continua a dar o testemunho divino por excelencìa, o testemunho

a

<fo milagre. Nos primetros tempos, o milagre

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Voz de. Fathna 1 J..aJ

era a grande prova da verdade da

fé e, posto que actualmente nao seja tao necessario, nao é menos util A nossa intelligencia; e a experiencia demonstra o poder com que elle reanima e consola a nossa fé. Observemos no emtanto que, por mais numerosos e incessantes que sejam os milagres de Lourdes, nao se deve esquecer que alli, como em todos os santuarlos de Nossa Senhora, o milagre nào é e nào p6de ser senào a excepçao. Quem diz mila~re, diz intervençao extraorJinana da omnipotencia divi· na nas cousas humanas. Seria, p ois, ridiculo imaginar que basta beber uns golos u'agua da gruta de Lourdes, ou fazer urna novenA ou mesmo ir em ro m·1ria a gruta milagrnsa pa· ra ser infallivelmentc livre duma en-:. fermitladt>. A confiança na lmm2_culada Conceiçilo nuoca poileri ser as~az grande, assaz completa; mas é preciso que essa confiança sej;i sempre dominada por um profundo .im6r da vontacte de Deus e pela submissào mais absoluta as vi,1s ocullas pelas quais nos dirige a Divina Providencia. Sempre, - ;itentae bem nisto I - semprl! a M ae de Misericordia ouve e deft:!re as nossas suplicas, mas ella, defere a seu moùo, n~o ao nosso; attende-as divinamente, concedendo- nos o que é melhnr, mais util nossa santificaçào. O sofrimento é muitas vezes a graça das graças e o mais real de todos os bens. Se a Virgem Santissima nem sempre julga conveniente curar os males do nosso corpo,-nào duvideis I-Ella nos alcança e nos concede as graças da resi ~nacào, da fé viva, mais uteis mii vezes do que todas as curas. Vamos, pois, A Virgem Immaculada de Lourdes com estes sentimentos elevados, unicos dignos de coraç0es christàos, e, porque nào fomos favorecidos, com,> outros. com a graça dum mllagre, nlio sejamos demasladamente simples supondo inutil essa novena, essa applicaçào da agua da gruta, essa confiança no poder da Vlrgem, essa longa e penosa roma· ria, que nào fol coroada duma cura ardentemente pedida e impaciente• men!e esperada. O que é f6ra de duvlda é que nunca se implora em vllo a Santissima MAe de Oeus e que jamais podederA haver excesso em recorrer ao seu coraçAo maternal.,. Até aqul mons. de Ségur. Como o mllagre é urna intervençio extraordlnarla da Providencia e Oeus, fazendo·o e abrindo a!!slm urna excepçao b lels da natureza, tem em vista um fim de ordem moral, convem que o enfermo, que o pretenda obter em seu favor, se prepare para elle, afim de ter matores probabilldades de ser atendido. Por Isso Importa recomendar que os doentes que v!o 4 Fétima ou que em suas casas imploram o auxilio de Nossa Senhora de Flitlma, além de receberem os santos sacramentos da conftssAo e da communhffo com as devldas dlsposiçòes e de orarem e fazerem orar pela sua lotençAo as pess()as piedosas das suas relaçòes, obtenham dos

a

o.a

medlcos que os tratam, attestados tào completos e t!lo minuciosos quanto possivel, datados, e reconhecidos por um notario, para os entregarem oportunamente A commissào de inquerito. Depois de curados deverao fazerse observar pelos mesmos medicbs e,por outros que testifiq uem a sua cura. Doutra f6rm a essas curas, por mais extraordinarias que pareçam nào p6 iem ser reronhecions oficialmente como miracuhsas, com prejuiw da gt()rl'l de Nossa Senhora e do bem das alm·Is. <Do opusculo nO, aconteciinentos Jle Faltm a11 ),

Julia Al}g11sto ria Barros, casado, comercianIe, tle 45'"tlnos de idade, n1tural e residente na vita do Porto, ò11 llha tle Santa Maria ( i\.çores), tendo clndo um:1 queda desastrosa de que resultou o completo deslocamento da articulaçào do cotovelo esquerdo, no di1 da r~sta do Sagrado Coraçao de Jesus, do corrente ano, e corn o ha mezes nào ha medico nesta ilha, recorreu a um homem perito destes tratamentos que lhe declarou ser a deslocaçAo de dificil e morosa cura. Aflito entao e movitlo de grande fé, suplicou, no dia seguinte ao do acontecìmento, a Nossa Senhora do Rosario de Fatima que o curasse, friccionando a parte doenft! com agua que lhe f0ra oferecida obsequiosamente pela ex.ma senhora D . Maria da Encarnaçào O1ma Reis Pereira, natural da cidade de Leiria e actual• mente residente nesta ilha, que cm Abrll ultimo a trouxera, quando da sua visita ao locai dos extraordinarlos acontecimentos. Neste mesmo dia começou a sentir alivios, ficando completamente curado 110 fim de olto dias - o que a todos causou grande admlraçào, pois acidentes semelhantes, em geral le-. vam quarenta e mais dias de tratamento alé completa curai Em virtude deste facto, que reputa miraculoso, fez v6to de o publicar na Voz da. Fdtinza, rendend~ graças Santissima Virgem de o ter esculado nas suas préces.

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-=Poi-me entregue esta exposlçlo, que é expresslo da verdade e por Isso a remeto. Vila do Porto, 10 de Julho de 1923

Elpidio Perelra Notario

D. Anna Nobre Coata da Sllva, (rua das Praças 60 t.0 O. - Llsb0a), por' occasUlo da sua peregrinaçao ai Pdti• ma em malo ultimo declarou que vlnha agradecer a N. Senhora a seguinte graça: Ha cerca de trez annos deu urna grande pancada em um peito, provlndo dahl dois caroços de tal sorte que o medico dr. Francisco d'Oli· ' veira Uuzes, temencfo um cancro, mandou ir a c!oente a ·urn especiallsta (Jr. Antonio Pereira Reis) que, a experimentar, aconselhou durante oi-

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Joaqulm dos Santos Camponès de

44 annos, dos Cardosos, fregu~zia

pecados. Tem-se notado que em certas fabrlcas e outros meios sem rellgiAo, as blasphemias, pragas e lmprecaçOes, diminuem desde o dia em que muitas pessOas resolveram compensar assim a injuria feita a Deus. E' que o demonio vè que perde quando uma blasphemla vae suscilar muitos actos de ttmor. Ora o demonio que é tendeiro, digo, bom negociante, nao esla para perder.

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da CaranRuejeira, declarou no dia

As appariçoes de Lourdes

.24 d'é.ibril ultimo, n t presença dos Rev. Priores da Barreira e das C6rtes, que sua mulher Rosaria de Jesus tivera durante trez semanas urn 1U• m6r em um pé e- temendo ter de recorrer inlervencao cirurgiça; lavou, a conselho dc urna yi~1l111a, a parte doente com agua da Patima e i.lentr~ de trez dias estava compietamente . curacla, de que todos fiéaram ad~iradas po,s esperaviin que padec1mento dur&sse dot ou trez mezes.

IV

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• ... Sr. Director da VOZ DA FATIMA. Reconhecidarnente :l{!radeço o favor de publicar na VOZ DA FATIMA o ·seguinte: ,"1aria do Carmo, de 30 mezes de edade, filha de Bernardino Correia e de Eugenia c1e Jezus - residentes em Carvalhal d' Aroeira, Concei ho de Torres Novas, adoeceu no dia 12 de Julho, com um tifo, peorando dia a dia, achando· se quasi moribunda no diii 18. Os Av6s, venJo sua netìnha a morrer, neste meEmo dia (18) recorreram à valiosa Proteçào de Nossa Senhora da Fatima a quem fizeram varias promessas, e eis que no dia 20 de manhà encontram a creança milagrosamente quasi boa, podendo ja tornar um caldo de farinha assentada na cama I Graças ao valioso auxilio de nossa Senhora da Fatima, a creança melhorou consideravelmente, encontrando-se no dia 22 ja completamente bOa embora um pouco fraquinha I De V. etc.

Domineos Fra11clsco Carvalbaf, 24 de Julho de 1923

Ouando se ouve blasphemar

ou praguejar Urna pratlca que' n!o é òòva mas que esh\ pouco espalhada, sendo contudo muito eficaz para reparar e fazer. cessar a blasphemla e pragaa, >Consiste em fazer um acto de amor de Deus quando ouvimos na rua ou .(}Ualquer outra parte o nome de Deus proferldo grosseiramente. Um grande numero de vezes 110 os trabalhadores, os humildès, os que sofrem, qù'e insullain aquele que é o ieu melhor amigo. Rezemos por estes pobres cegos: ofereçamos por,· elles um aclo de amòr. Obteremos assim dois resultados. O primeiro sera reparar imediatamente por urna homenagem contraria, o ultrage feito magestade infinita. O ~egundo é fazer cessar estes grandes

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to dias uns parches de agua quente pelo tempo de seis horas. A doente nada disto fez. Tendose confessado e comungado come.çou urna novena a N. Senhora do Rosario da Fatima e tomou meia colber . das de ché, d'agua da Fatima. Senttu nesta occasiào o corpo corno que dormente e d'ahi a dias estava curada.

A creança nòo ·sabia · quetn era. aquelii Senhora, 11Ias, se tivessc urna intelliE?encia mr1is viva e penetrante, te-16-,a <tdivìnhado.an ref\ectir nessa simples r,artfculartdade. Com <·ffeito Mana Santissima nào podia recitar ~nao i!S ultimas palavras de todas as ora(oes do t erço e por isso 111o univa com Bèrn adelle. O Padre Nosso é a oraçao dn terra ao Pae que esta no Ceu ; Maria Santissima nào devia, pois, reza -la, ella que ja nào é da terra e que ji nac, tem nada a pedir, porque possue a plenitude da felicidade. A A vi-Maria glorifica-a, nao convinha porlanto, que ella propria repelisse as palavras do Anjo e de Santa lzabel tào lisongeiras para si, nem tào pouco aquellas cm que a Egreja a proclama Mfie de Deus e d1~pensadora de tooas as graças cagora e na hora da morie.• Se conservava o terço • no seu braço direito,. era paro anirnJr a creança, torna- la feliz com o seu olhar que traduzia ineffavelmente urna approvaçào e nào para dizer, ella que esta no Ceu, as palavras da terra, nem para se engrandecer a si propria. Mas o seu rosto transfigurava-se no firn de cada dezena quando repetia com Bernadette o Olo,ia Patri, que é o cantico do reconhecimento e da adoraçào, o cantico da eternidade. Quando acabon a recitaçao do terço, a Senhora tornou a entrar no In• terior do rochedo e a nuvem de ouro desappareceu com eia. A creança trazia consigo o terço, sem o que nào terla sido objecto desse celeste favor. Deixou-se ficar por muito tempo no logar onde tinha gozado de uma vlsAo t4o delìciosa, ja nào via nada e comtudo olhava sempre, de joelhos com os olhos fixos na abertura escura que alnda havia pouco era tào branca, tao gloriosa.- Joanna Abbadie e Maria voltaram entào, depois de terem percorrldo as margens do , Oave em busca de lénha, e. quando

a viram de joelhos, troçaram della, d1riglndo· lhe palavras desagradaveis. Perguntaram lhe se queria acompanM-las ou se P.referia ientregar-se a pritìcas de beata falsa. Ella tomou imediatamente urna resoluçào: ir ao Beu encontro atravessando o ribeiro afim de nào parecer que se separava dellas, 1 embora dessa forma corresse o risco de ter frio, Era um pensamento de caridade que a guiava. Entrou, pois, nn agua e ~eotiu-a ,morna corno a agua de lavar a lou-

ça.11

.,

- Nào havia razao para gritardes

tanto, disse ella, diriglndo-se b suat duas companbeiras, emquanto enxu• gava os pés i - a agua do canal nlo esU tào fria corno a julgavels. - E's muito feliz, responderam ellas, se nllo a achas fria; em 061 essa agua produziu outro effeito. Atam em feixes os ramos seccos e cavacos que tinham juntado e s6bem a rampa de Massabielle para retoma• rem o caminho da floresta e voltarem ~ cidade. Bernadette esla toda dnmlnada pela appariçào, parece- lhe estar a -la de novo, nào pode desviar della o seu pensamento e comtudo preferia calac-se. Mas nàv rMe ileix r de fazer sta pergunta comp àti~ iras: - N§o notastes nada 11a Qrt!la? - 1 ào, '1izem eflas, 1n-is porque nos p~rgunlas is~o? ' - Por nada ! accrescenta ella, affectan llo in6iffcrença. Nào conseguiu, porém, c1ominar por muII0 tempo a comtt10(ào e guardar o seu doce sèprédo. t\ntes de ,, .che::I: gar a casa approxIma-se d e sua irmc:a. e confia-lho ao ou vido sob a prq_messa de nào dizer nada. Mas tooa a tarde pensri n:i f,Hmosa Senhora, na felicidade 1neffavel que experimentava em ve -In corno no Ceu os santos v~em a Dl'us. E oa verdade ella tinha sido fitvorecida com a graça de um extase. Depois da ceia frugai, recHou -se, como sucedia todos os dias, a oraçào Ila nol• te em familia. Falando tle Deus, re• zando A Santissima Virgem, a lt>m• brança da appariçiio voltou lhe mais viva, com aquella angustia que aperta o coraç.'io ao pensarmos numa pessOa que amamos ardentemente e que acaba de nos deixu. Ella perturbouse e poz-se a chorar. - Que é que tu tens? perguntou· lhe a mae. Maria responde11 t'm seu lugar e, como as explicaçòes que forneceu eram incompletas, ella propria as deu minuciosamente, descrevendo a sua felicidade, corno a appari· ' çAo lhe tinha sorrido e feito s11;!nal para que es1ivesse tranquilla e c,,n. tente e com que fervor havia recitado o seu terço, de joelhos, separada della pelo pequeno ribeiro. - Sao illusOes, disse-lhe a mlle. por sua vez tambern inquieta e perturbada. Afasta todas essas ideias da tua cabeça e sobretudo nào voltes a Massa bielle. • e N6s fomos deitar-nos, contog mais tarde a vidente, mas eu nào pu·de dormir. A figura tào bOa e uto gracloaa da Senbora voltava- me sem cessar 4 m'!moria e, por mais que me . lembrasse do que mtnha mile tinha' dito - que eram illusOes, nìo podfa • crer que me fivesse enganado.• Como podla ella illudir-se? _ N!o tlnha jt1lgado ver: , tinha visto. A Santissima Virgem fiavl~-~e BP.O-. derado completamente 1 da sua alm..!, can.dlda e recfa com othar para ella e fazendo um aceno de approva• çllo com a cabeça, quando puxo·~ pelo seu terço. _ A vtdente revla a lncomparavel Senh<m1, que a contempli:lva qu<in,1/, et1 la rt·zava, sem rezar com cl111, ex e-1 pto a,1 Ot ,ria. Patri. l~ecor ,rtv3 se I.la mnil,1 .:iuc ti11htt e~1u,111:cdJ s,,t, o pé uc vento, e nao pensavi.i 11èm

ve·

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-

11a sarça ardente, nem n& vento de Pentecoste8, estando U1i, pouco lns• truida nestes mysterios, mas a imagem e-splendida desta Senhora t~o 1'ela no meio da sua nuvem de ouro impunha-se sun alma que tinha ficado Immersa no deslumbramento do extase. Esta Senhòra, porém, olio lhe tinha dito nada. Quern era ella? Bernadette nem ~equer o perguntava a si propria, loda entregue como es~ava a sua felicidade e convencida de que sendo tào bella, tilo attraente, nao podia deixar de ser absolutamente bOa.

a

V. deM.

Dia 13 de Ontnbre de 1917 Depois da appariç/IfJ, ds 7 horas da noite, em casa da faml/ia do Francisco e da ]acinta interrogatorio da Lucia -Nossa Senhora tornou a apare-

cer hoje na Cova da Iria? -Tornou. -Estava vestida corno das outras

vezes? -Estava vestida do mesmo modo. -Apareceram tambem S. José e o Menino Jesus? -Apareceram. -Apareceu mais alguem? -Appareceu tambun Nosso Senhor abençoando o povo e a Senhora de dois t1aipes. -Que que,e~ dizer com isso - A Senhora de dois uaipes? -Apparereu a Senhorn vestlda corno a Senhora das OOres, mas sem e6pada no pelto, e a senhora vestida, nilo sti corno, mas parece me que era a Senhora do Carmo. -Vleram lodos ao mcsmo tempo, nilo é verdade l -Nào; p11111riro vi a Senhora do Rosari o, S. José e o .Menino, depoi~ a Senhora d ,1s Dòres e por fim a Senhora que mc pareceu ser a ::,enhora do Carmo. -O meniuo Jesus tstava em pé ao collo di! S. José? -Estava ao rollo de S. ) osé. -O Menino era crescido? -Era pequenino. - Que idade parecia ter?

ou

-Era para a/Ji de um ano. -Porque ùisseste que a Senhora, urna das vezes, te pareceu estar vestida como a Se:ihora do Carrno? -Porquu tinha umas cousas na mno. - Appareceram por cima da car-

rasqueira? - Nlo i appareceram ao pé do sol,

depola de ter desapareclde ra dc pt da carrasqueira.

a Senho-

-

Nossa Senhor estava em pé? S6 o vi da cintura para cima. Quanto tempo durou a apparlçlo na carrasquelr!l? O suflclente para rezar o terço!? r - Nilo chegava, parece-me. - E no sol as fiauras que viste de· moraram-se multo tempo? -Pouco tempo. -A Senhora disse-te quem era? - Disse que era a Senhora do Ro-

11do.

- Perguntaste-lhe o que querla? -Perguntel.

- E o que dlue Ella?

- Disse que se emenda~se a gente, que nao offendesse a Nosso Senhor, que estava muito offendidò, que rezasse o terço e pedisse a Nosso Senhor perdllo dos nossbs pecados, que a guerra ac3baria hoje e que esperassemos os nossos solda- • e! ::>s muito breve. - Disse mais alguma coisa? - Disse tambem que queria que lhc.dizeisem uma capella na Cova da Iria. - Com que dinheiro se ha-de edificar a capellu? - Julgo que com o que la se juntar. - Disse alguma coisa a respeito dos nossos solJados mertos na

guerra? - Nao fallou u'elles. - Disse- te que avisasses o povo para que olhasse para o sol? - Nào Glisse. - Disse que queria que o povo fizesse penitencla?

-Disse. - Empre~ou a patavra penitencia? -Nilo. Disse que resassemos o terço e nos emendassemos dos nossos pecados e pedissemos perdào a Nosso Senhor, mas nao falou em penitencia. -Quando foi que começou o signal no sol? Foi depo,s da Senhora desapparecer?

-Foi. -Viste vir a Senhora? -Vi. - D'onde vinha Ella? -Do nascente. -E das outras vezes? - Das mais vezes nào olhei. - Viste-la ir-se embora? -Vi. -Para onde? -Para o nascente. -Como dcsanareceu? - Pouco a pouco. -O quc dl!sopareceu primeiro? -Foi a cabci;u. Oepois o corpo. A ultima coui;ia que vi roram e•~ pés. -Quand,> se fai cmbora, ia recuando ou voltou as cost.is ao povo? - Ja com as costas voltadas para o povo. -Levou muito tempo a desapparecer? -Oostou pouco tempQ. -Estava envolvida it'algum clarào? -Veio no meio de um resplendor. O'esta vez lamb'èm ce ava. De quando em vet tinlla ile esfregar os olhos. -Nossa Sentiora tornara a appa-

a

- Dlase hoje que era Senltofa do Roaario. Disse que querla que fOsse I~ muita gente de toda a parte? - Nao mandou la ir ninguem. " - Viste os signaes no sol? - Vi. VI-o andar roda. • - Viste tambem signaes na carJ ral>queira? ,_ Nlio vi. - Quando era a Senhora mais bonita, u'esta ou das outras vezes ? -O mesmo. j - Até onde lhe descia o vestido? - Até mais baixo que o meio da perna. - De que cOr era o vestido de Nossa Senhora ao pé do sol? - O manto era azul e o vestido branco. - E o de nosso Senbor, de S. )osé e do Menino? - O de S. José era encarnado e o de Nosso Senhor e do Menino penso que tambem eram encamados. - Quando foi que perguntaste Senhora o que é que fazia para que o povo acreditasse que era Ella que te apparecla? - Perguntei- lhe umas poucas de vezes; a primeira vez que perguntei cuido que foi em Junho. - Quando te disse o segredo? - Parece-me que foi da eegunda

a

a

-------·-----

vez.

Voz da Fatima Oespezas Transporte ..•..•..•. 3:757:820 120:000 lm pressao do n.0 10 .. , . 36:000 Outras despezas..•••..

Subeorip9ilo (Continuaçiio)

O. Maria Amalia de Mendonça f atcào •••..••• P.' Antonio Correia ferreira da Motta .....•..• Justiniano da Luz Fuze!a .. O. Zulmira de Jesus Stiva • Or. Joao de Passos de Souza Canavarro .•••.•.• D. Maria Augusta Ribeiro • D. Anna Frazao Telhada .. D. Teresa Leal Barros frazao ••. .•• .• • .••.•• P.c Antonio Lulz Carneiro da Silva . .••••• , •••• D. Maria dos Anjos de Ma-.,

10:000 20:000 10:000 10:000 20:000 10:000 10:000

10:0IJO 10:000

tos •.....•. · • • · · .. • I0:000 10:000

Rosaria Saldida ...• , •.. O. Maria Ml rtlns Pr-oeoça

10:000

recer?

-NAo faço conta que torne a apparecer, nào me disse nada.

-Nao tens tençao de voltar a Cova da I ria no dia 13? -Nilo tenho. - A Senhora n4o farli mais milagres? NAo curar A enfermos? -Nào sei.

- NAo lhe fizeste nenhun, pedido ? - Eu dlsse·lbe hoje que tinha varlos pedidos a despachar e Ella disse que despachava uns. outros nao. - Nao dtsse quando os despa· chava? -NAo disse. - Sob que invocaçlio querla que ae liusse a capdla na Cova da lria 1

ra. • • • • • • . • • . • • · • •

O. Maria Paes Morelra •.• O. Maria Magdalena de LIma e Lemos ••••••••• O. Margarlda Sllva do Nas· clmeato • , ••••••••••

10:000 ,

10:009


AnoI

N.• 19'

de ioga

LEJRI.A•

-

J

(COM AJ>ROVAçAO ECLESIASTIOA) Dtrec'tor. Proprietario e Editor

DOUTOR MANUEL MAHQUES DOS ~ANTOS C.omposto e 1mrres~o na Jmrrensa Comerc111l, Il Sé -

Lr,na

Admlni111tradors PADRE M. PEREIRA DA SJLVA u:oAcçAo E ADMtNJSTllAçl.o RUA D. N'UNO ALVARES PERE:I:R.A.

lo

a

berculose.

Ml.DIO DI: SANTA MARIA)

tros medlcos e a confirmaçao do tempo para darmos oportunarnente aos nossos leitores um rel,:1to mais preciso e mais completo deste caso tào interessante. ]unto da fonte estào centeoas de pessOas bebeAdo agua e enchendo com ella varlos reciplentes. Oistribuem-se gratuitamente alguns milhsres de exemptares da e VOZ DA FATIMA•. Sao quatro horas da tarde. 0s peregrlnos vao retirando pouco a pouco para os seus lares distantes. Uma hora depols, no tocai das appariçOes apenas se v~<'m atguns raròs devotos rezando tranqulla e piedosamente deante da imagem da Virgem do Rosario VJSCONOE DE MONTELLO

13 DE AGOSTO Mais urna vez, na manha do dia 13 de Agosto nos puzemos a camlnbo de Fatima, arravez da serra d' i\yce. O dia era um alegre e formoso dta de verào, sem urna nuvem a embaciar o azul purissimo do ceu, mcts a atmosfera, aquecida a urna ali:, tt'lllJWratura por um sol &brasad'lr, a,tt l!uhava a respiraçào e fazia tra11'¼pi1ar copiosantenfe pes!>Oas-- e animni~. As c11pas das arvores da mon ta11ha estavam numa imobilidade abst,luta, nào se Hndo bulir sequer uma folha. Pela e1,frada, longa e ingrerne, encontravamos de vez em quandu grupm, de peregrinos a pé ou a cavalo. Ao meio dia e mela hora cheg&mos ao locai das appariçòes. ApE>. at do calor excesslvo que fazia, a mullidao que tte aglomerava em torno da capela era enorme. Excedia a do mez anterlor e podla ser avali~da sem exaggero em quatro mii almas. A missa das nove lloras tinha sido celebrada peto rev. Pereira Oens, parocho de Ourem. A missa do melo dia foi rezada pelo rev. Manoet Vicente Caetano, paroetio das Lapas. As lnvocaçOe& do costume f6ram feitas pelo rev. dr. Mano1.;I Marques dos Saotos, professor oo Seminario de Leiria. Foi distribuida a sagrada commuohao a grande numero de fieis. ., Dcpois da missa cantou-se o Tantµm ergo e deu-se a bençao com o S~nltssimo. Seguiu-se o sermllo que f(H prégado ptlo rev. dr. Antonio Valente dd Ponseca abl:5ade 1Ie Cedofeita, na cidade P.or o. Fattou mais ue nteia hora sobre as gtorias e prerògatavas da Santissima Vlrgem, encarecèndo as vantagens <ia" devoçllo para com Ella. Muitos òoentes assistiram missa e receoeram a bençào. No regresso slguns delles d_lzi:.im sentir alivios dos seus padec1mentos. Durante a missa, chamava a attençao dQs peregrìnos pelo ·seu extraordinario emmagreclmento e pela sua palldez cadaverica urna senhora ainda nova, cuja docnça os medlcos tinham diagnostlcado dt: tu-

(BIUTO

T,n~o comtçad > a puhhcar-~e JP,b os au,picios J'e11c eximio porlUfluci, mod~lo d~ patriota e de Santo, é ainù11, com os olhus n. ,ua l>an.Jeira, no stu exomplo, na devo~iio e No~'ia Senhora flUc? a Vo; da Fàtim11 linda o primt:iro anno, di ,posta a enlr11r antrcpiJaroente no aegundo.

Esta senbora depojs da beoçfto do Santissimo, jA nào parecfa a mesma pessOa, dando aos que a acompanhavam u impressao de ter passado subHameu1e por urna transformaçao fellz e maravllhosa. Encontr~mo, ta no i:louringo seguinte e nào puc).tmos conttr urna txclamaçào de surpreza ao vé-la tào d,h:rt!nte do gue era, cb1n m ttspech• excele,~te, r9t,lp nur,idorei luvement~ c6rado, em o ar dc can_aço e ,1bat1me11to gu~ antei1mmen1e manlfe!>lava. Se~u11do nos declamu, senria-se btm \1ispo~ta, dormi a nocmalmente toc1as &s noites e tornava as suas rt:feÌçOes coni bastante appetite, ao contrario do que 1tucedia antes da sua ida a Fatima. l'frata-se ape11as de alhvio!ll P.a~sageiro& ou de urna cura definitiva? Sabemos que um medico distincto, que c,bservou attentament~ a enrerma de• pois do seu regre:,so de f .i1ima, nào lhe encontrou simptomas da antiga doença. Aguardamos o parecer dou-

Sendo o dia 19 .:lo corrente dedicado pela 11:grl'ja Catoilca ao culto de S. Januario, 0<1turaJ dc Napolc:s, Bispo dc Benevcnte em Italia, nao vcm t6ra de proposito refcrir aqui, neste

m~, o milagre que todos os annos

em Napoles se repcte duas vezt:S em prei,ença de milhares de pe5soa~, e que todos podcm verifìcnr. S. Janu11rio dcpois Jo seu martirio foi se-

pultado em PozzuoH., Conser;vam,se

desJe entao duas retlomns com rf'liquias sua~. Urna grande, redonda, contenao cerca dc--;onça e mcia de urt111 su~tancia e:.cura e conglllada scmclhantc 10 &lingue scco, descolèldo 1 enchcndo dois terços do vaso. A outrJt mcoor, ovai, com dois pequenos • corro~ quc parecem pequenas pqrçoes dc terra u csponja eml>ebida no saogu~ do martyr. €om c&fa segunda rcdoma nuoca se deu o milagrc. Urna picdosa mulher ~ue conservava esse san~uc, recolhidò pelos scus parentcs no mcsmo dia Jo martyrio, aò passar diante da casa della a procis!>aO quc traosportav.1 o corpo de S. Januario de Pozzuoli a Napoles, pelo fim do quorto scculo, otli:nccu ao

B1spo D.,Sev~rn o singuè d6 mortyr. E, no npprox1m,1r-se i.io co ·po, o san-

.

aue liqucfez-se repentinamente.


·-

b

Foi a primeira 'fez que se realiz:ou o milagre. Em 1086 a fama do milagre da Ji. quefacçao do sangue ja andna espalhdda por toda a parte. I ntre muitos outros, Ea~as S1l'fio Picc"Jnmini, depois Pio II, em 1-4-50 Joao 8.tptista Fulgoaio, doge de Gen~ v.i, cm 1478, Roberto Gaguin, cm I 495, dao noucia do mli agre. r.m 1;08,

n• re1oado de Carlos I[

<le Anjou, u reJomas fonun herme• ticamt.nte fcchaJas, sdladaa e coll<,ea. das nu111a cup:-uli.l dc:: prata. Todos os anos, a 19 dc sctembro e na 1 • dominga de maio, di~s do martyno e da tni:1lad<1çao das reliquias, o sarrguc torn.1 a liqucfazer-sc, Yerii. canJo-se o milagrc cm todos os diu d~s 01ca,as. O sangue ora cresce, ora d1m1nue, ora fc:rvc, ora f6rma muita cspuma. l•.i5, corno conta o facto o insuspe1to A kx,rndrc Dumas nas suas . vas lmpressoes de Vi11gem.: « A p1 IUlt.11 u cousa q uc: fìzcmos foi irmo!S ajodhar, e foi-nos apresentada u_ma cedoma, quc bdjamos, e depois 4,

No-

v11110::i o sangue secco e pegado

redes

as pa-

Tinha-sc realizado o milagre. To<los st pr, ci pi tam para o altar, e ncSs -'=Om os outros De noyo nos foi apresentada a redoma para beijar, mas, de coalhado quc esta.a antes, o sangue ti nhJ•se derrt:tido completamente. Era a mesma redoma, o padre nio a ti1.11ha seijurado senio para dal-a a beij~r a oum~s, e ninguem a _!10ba perdtdo de YJsta. A IJquef.cçao realizara-se no momento em que a redoma estava sohrc o altar e emquanto o padre, a uns dez passos della, se oc• cupava cm acalmar o tumulto. Emqutrnto a duvida ergue a cabt!ça para negar, e a sciencia a voz para cootradizer, t:is o que ha, cis o que se fat, ~m r!)i!>terio, sem trocas, sem su~ t1tu1çoi:s, els o que se executa a Yista de toJos. A philosoia do secule

a chimica moderna perdcram alli seus argumtntos. St. se pretende

i:

-que isso seja um segredo dos conegos do thesouro, conserndo dwe o quarto scculo até no.~, respondefflOft que i~ nio é possi,cl: antes, tal tìdelidade em manter o tegredo seria IDclis pom:ntosa do que o mee-

mo militgru. No cotanto continuara a hner al• mai que fecham os olhos Il eviden• eia e continuem a nio crcr na di· 'Vindttde da religiio Catholica.

Que oao se posaa repetir emquanto ~ n<Ss o <\ue dii o Evange!ho na parabola do neo avarento q~ la do 1ofer~o, ee<fia !1m milagre para quc 9eUs 1rmao9 nao f&sem ter aquele logar de tormentos: U tcem os sa• cerdotes e os propbetas. Se oe nio cr@em tambem nio acreditarao num morto resuscttado. O Cardial Arceblepo de Boston

impoz a todos os sacerdotes q•e todas as famillas cathoUcas asaigaem um jornal catholico. Disse o Cardlal de Bc,stnn: é tao necessario como uma egrejlJ. A sua mais larga propagan-

da é tanto o dever de cada sacerdote corno o é de crear escolas e man· te-fas. Ambas as cousas sao para o

mesm,, fim: a ,propagaçao e defesa das maxunas e principio& cathellcoa.

Vos da F6tb11a

euras d8 f atima-- --

me sempre presentes na memorta. Pouco a pouco acHtumel-me a ouvi las no fundo do coraçao. Pareceram-me maia tarde d0c~s e leves de tal maneira que me puz .i re.zar o terco. Hoje creio, iou feliz na minha fé e pratico com prazer os d · vere, da ,, reli~IJo . E' a eata devoçao para com Maria que eu devo a mrnha conversào•.

Zepll1rlno Rodrigue,, do logar da Eatrada, freeuezia da Athouiuia da Balela, tinha urna peroa em e1tado deploravel. 01 dr1. Farla e Leal, da Lourinhà, cJae1ar1m a falar na nece11ldade de lh'a amputar. Oepola ·da applicaçao de um parche de •eua com terra de Palima, a perna appareceu curada dum dia para o outro. -Jn••lna d1 J11ua Patrlcla, de 70 anoa de edade, cuada com Joaqulm Francisco Barbtlro, do logar da Cbainça, freguezia de Santa Catarina da Serra, tioha deade creanca uma feriqa de cuacter herpefìco, que realatia a todoa os remedios. Conaul:ou debalde varioi mf>d1coi- e, por cooselho deares, tomou algumas veie1 os banhos da Azeuhit, perto da eataçiio da Amieira, aem experi atentar melhoras, antes sgravando se o mal cada vez mais. O marido <1 fh cto por ver a mulher em eatado rao lamentavel, lembrou-se de recorrer a No11a Senhora de Fatima, o que fez com a mais viva fé e profunda confiança, e, tendo ido ;io locai ctas apparlçOes, trouxe de la urna pouca de terra que misturnu com agua. .\ mulher poi a mistura urna vez so iobre a ferida e a perna ficou logo inatsntaneamente curada. lolé Francisco Barb,lro, filho de Joaquim Francisco Barbelro, do loear da Chainc;a, fregut-zia ne Sant1t Catharina da Serra, ~orna de ft'brt's e aoltura de ventre havia cinco me-

zea sem encontrar rernedio na medi clna a que por varias vezes recnrrt'u. Tendo perdldo toda él co11fia11ça nu~ recuraos humanos, vollou ~e p,1r.t

No11a Senhora de Faumd, pmmctendo, assim com o a l(U/l f ,oniha, que 1e ella tosse servida cura-lo, lriam todoe em procl111lo, reiando o rosario, de aua casa até i Cova da Irta, distante cinco quilometroa, e. logo

que principiaBSem os trabalhos para

a conatruçlo

do Sanctuarlo projecpae e seua quatro filhos preatariam a 1ua cooperaçio durante u111 dia nesaes trabalho1. Depois tado, o

deHa promeH1 começou a sentlr-1e meibor e hoje eata completamente curado.

Um rico rroprietarlo afaatado das pratica& crlstls, f6ra convldado para J•ntar em urna reunlao de edeliasU-

cos.

Durante a refelçlo velo a falar-te de reltglAo. Este homem aproveltou a oca1i10 para fazer aos coavivas esta franca mas lastimavel cooftsslo: -Eu quererla ter fé, dlase elle, mu

oem crele nem poaso crer. -Pois bem, reze o terço. Tres anoa mais tarde este sacerdo-

te recebeu

a 1egulnte carta: • Lembra-se que ha tres anos numa sociedade de eclesiastlcos de que fa. zleis parte, eu disse que nllo tlnba M e tlnba pena de a nào ter? v. rev ... deu-me esta resposta: cPols bem, reze o terço. Eatas palavras: reze o terço qtte eu entAo achei descabidas, estava111-

As app ,• iço ~s de Ltmrdes V

Se,-and11 appariçào: Domiflf!O 16 de Fevertlro - A auaa Bema •

f

cEu nào pude do, mir, dizia Bernadette. E no iHa .eguinte, sexta feira. 12 de feverriro, urna lristeza profunda ae apoue ruu eta sua alma. Tlnha comtemphdo o ceu e achava- se

a~ora sobre a terra. A mtk, que a vIu chela de rntlancholia, t'Xtremamente preocup,t1ta, numa atltude de 1,trande t110fr1m"nto intimo, chamou-a de parte e tenn,u ccrnvencè la de 411e tinha l'ido (ibjt>cto de u1n--t es• pecie de allul·in11çào 011, lmbora se tratasse de umd v1sào verdadeira havia toda a rasào para a conside: rar suspeita, porque Satanaz transfigura-se mul!as vezes em anjo de luz. Em confirmaçào desta doutrina contou muitas scenas de que as rochas de Massabielle haviam sidotheatro. Bernadt!tte nao respondla~

maa é cla,o que nao se dava por convencida. Nilo, aquela sarça agitada pelo vento, aquela ouvtm de ouro, aquela &enhnra nào eram illusoes_ Tinha visto brm. - Oiziana-lhe que era talvez uma victimo de urna illul>SO do demonio. Como seria possivel? I Essa l'ìenhora sorridente, tlo pledosa, tendo nas màos um terço de contas brancatJ, repetindo com os seus olhoa ctle11es dirlgidos para o alto o Olorl• Patri, nlo havia de ser senào Satanaz? I Na pobre menioa tudo repugnava a esta ldeia. Satanaz é o pae da mentira; ha aempre nelle o que quer que seja de antlpathlco, pois traz em si o sello da maldlçAo eterna. Sem duvida nAo era o demonio que ella tlnha vlatonaquella apparlçAo em que tudo era para a !nocente m~nlna belleza,. harmonia e bondade. Por isso o st>u d.-sejo era voltar l Oruta;

ella Insinuava-o, mas

nlo <>IP

Hva precisar a aua vontade. A mie fingla nlo compreender nada e11 mostrava-ee 1b1olutameotP. cootraria a e11e projecto. A 1cxta-fella

e o sabbado p11saram-se neatas aprehen~,

oestas perplexldadeL

No Domingo, 24 de Peverelr4iJ, uma voz lnterior, ao mesmo tempo sua~ e poderosa, dlzia-lhe:

-•Volta a Massabielle f• Nio ousando fallar oisso a aua mie, ella abrlu-se com sua lrmA Maria. Esta expoz o desejo de Bernadette A mie que respond~u com uma recusa formai e categorica. Joana Abadie velo em auxlllo daa duas lrmb e lnslstlu. A mae perseverou inabalavel na sua obstinaçAo. Estava arrependida de ter detxado sahlr a filha na quinta-

felra anterior, nao queria exp0-1~ a novas e perigosas commoç0es.


Entretanto a vlzAo cbamava sempre a creança. De repente a aeohota Soubirou se1tlu•se lmpellda para outra ordem de Jdelaa. Talvez f0111e melhor deixar ir Bernadette. Ella ~om oerteza nAo verta Qada mala e voltarla <Jesen:1nad1, ao p1110 que, se fiCtise, conseryarla a obaetllo do teu sonho. Continuando II raparlauinhas a lasistlr com ella, reapondeu- lhes com vi,acidade e num to111 de impilciencia afim de disfuçar o .seu proprio embaraço: -Poia bem I v!o-se t! e nlo me 41uebrem mais a c,beça. Eatejam de volta, o mais tardar, a bora daa vesperas; sooao, ja sabem o que aa espera. Se Bernadette tinha estado calada, sua irma Marìa havla fallado. Por isao no domin20 de manhll urna ,duzia de 111eoioas, cntre as quais Joana Abadie e Marta Hlllot, tlnhamJhe drto: ~e ror permitldo a Berna.dette voltar a Massabielle, acompallhA· 1:\- hemos I Concedida a desejada liceaça, Bernadette ve!te-se pressa, mas nào é de modo nenhum no seu vestuario que ella penaa. A .mìsterio~a aenhora da Oruta perpassa pela sua imaglnaçAo e a feliz menina antegoza a11 alegrias desta se1uoda e deliciosa entrevlata. Todavla ocorrem-lhe de novo as palavras de sua mlie: Se fOsse o demonio ? f "Ella comunicou as suas ancledades as suas j uvens companhelras que lhe respondem: - Pois bem I 1c fOr o demonio, deitar-lhe-i1 agua benta e elle fugira t Dirige-se, poia, ~ egr~j•, enche um frasquinho oa pia da 4eua benta ~ entrega- o a Maria Hclllot. Oepois, cheia de conflança, par.te com Maria ~ cinco ou seis menloa,, emquanto Joana Abadie espera para ,e pOr em marcha que as suas outras companbeiras tenham acabado dc fazer a

a

Joiktte. Com o primetro grupo retoma o camiobo de quinta-fetra, alcança a Porta Velha e segue pela estrada <la floresta. Descem depols até Mas~abiele. Bernadette cbega ao pé da gruta do lado diretto, em frente da sarça, olha para cima e multo commovida, sobretudo multo alegte, exdama com urna ,oz que e fellcldade dc que esh\ possulda faz estreme-

(:er: -U esté ella I ••• U est, ella I •••

Maria Helllot aproxlma-ae de Bernadette, entrega-lbe o ftasce que tlnha levado conslgo e dlz-lhe: Depressa, detta-lhe agua benta t A creaoça obedece, atlra com lor~ a agua beuta na dlrecçlo da sar4-a e radiante exclama! -Ella Dio se mostra descontente, pelo contra,lo aprova com a cabeça e, sorrl para n6s todas I Nestas palavraa de urna simpllcldade 11dmlravel e commovente vibra um accento de verdade tao augestivo que oem ama so das q11e se acham presentee duvlda de que ella -esteja vendo a Senhora. Muito im• pressionadas e satlafeltas de que a visao Jhes sorrla, pOem-se de joelhos em bemi-clrculo em volta da vidente. D'ahi a poucos momentos Berna.dette entra vislvelruente em extase. Os seus .olioa es1~0 ardenjemen-

te ftxos na ogiva negra por cima das ro1eiraa que o inverno despojou da sua verdura; ellet v~m o que quer que seja que 01 dcleita immenso, porque ella eatt immovcl corno se Ji oao pertencc11e a terra, e na sua testa, em todas u suas feiçOe1, dlsttncue-ae o reDexo vivo duma luz invlaivel que u ilumina. Ja nao ~ uma filha da terra, maa sim um anjo que estA resando. As donzellaa de joelhoa, nlo dlvlsando nada por cima da aarça onde a plcdosa vidente comtempla cousaa tlo bellas, volvem os aeus olhare1 para ella e, vendo-a tao calma, no seu tranqoillo esplendor, com o atu roato iosplrado, o 11eu olhar arrcbatado fixo num ponto radioso que a atrahe corno um imam com urna exprcsaao de felicidade ao2ellca, sao dominadas pelas cmoçOe1 mais dlversas. Umas estfio cheias de terror, as outras choram ou prorompem em soluços e urna delas pronuncia esestas palavras entre lagrimas: -Oh t se Bernadette f011e morrer f Era a palavra dos judeu11 ao pé do alnal pedlodo que Oeu1 oAo se lhea mostrasse, com receio dc que essa vista os fizesse morrer. Ne88e momento urna pedra arremessada ·do alto da collina bate na rocha d'onde salta para o Oave. A1 donzellas nssustadas fo2em chciaa de terror e tornam a subir a enc()jf• ta pedregoza, soltando gritos de angustia. Por cima ellas avlstam, na estrada da floresta. Joana A badie e as suas cootpanhelras qut- acabavam cte checar, bath1m as palmu e rlam a bandeira, det1pre,zadas dc, auato que tlnham pregac1o és SUH amigas do primeiro grupo. Bernadette continuava a sua contemplaçao; nAo tlnha perct>bìdo cousa alguma do que se p1111ava. (Continua)

V•

.ae

M.

O pecado «Ofende-se tanto a Deus. dizla o santo cura d'Ars, que 1eriamo1 tentados a pedlr o ftm do mundo. Se nio bouvesse por uma parte e por outra algumas almas bòas para repousar o coraçAo e consolar os olhos de tanto mal que se v~ e ouve, nAo podla a gente aturar-se nesta vlda.

................................

Mor.ro de nausea nesta pobre terra; mloba alma est4 em triateza mortai. Os meu1 ouvido1 86 011vem coisaa peoosas e que me amarguram

o coraçlo.

................................

Em que passa elle (o sacerdote) a ylda? Em vér a Deus ofendldo. Sempre o seu santo nome btaspheRJado t sempre os seus mandamentos vlolados t Sempre o seu amor ultrajado t O padre nao v~ senio isto ••• Est! sempre com S. Pedro no pretorio de Pl1atos, tem sempre deante dos seus olhos nosso Senhor insultado, desprezado, escarnecldo, coberto de oprobrios. U ns cospem-lhe oo rosto, outros dào-lhe bofetadas •••

Ila de lenge ... «Cathollc Ml11sion, Shiuhlng (West Rl,er), China, 29 de Ju11ho de H~23.

Ex.•• e Rev.•0 Sr. Blspo: A ovelhioha que hoje de longc, 111u1to looge, fata ao seu Pa/;for, é tambcm do redll de V. Ex.• Rev.•11• Pertence, com cldto, a restituida Dioceae de Leiria, o ob~curo m111sionarlo da China, que h1 ji>, cA dn extrtnao oriente, toma a liberdad~ de escrever a V. Ex• Rev ••. Quantaa saudades con-.ervo ainda de NoiSa Scnhora da Ajuda, VCRtrada na Pusa1em (Yieira), 11 sl,mbra de cujo Sanctuarlo eu passei os primeiros aonos da mlnha i11fancia I Quantas aaudades ainda da linda cidade de Leiria e irbretudo do devotiSBimo Sancruario de Nossa Senhora da Encarnaç!IQ, que eu tantas vezea viaitei, quando em Leiria preparando 01 meua primeiros exames para entrar no Seminario I E com quanta consola~ào viE:itaria hoje os beoedictos cerws de Patima, onde Noasa Senbora ~e dignou manlfHlar mais unaa vez a sua misericordlo1issima piedade para com o noaso bom povo portuguez que lhe fol sempre tlo querldo I Como teslemunho de amor e obulo de saudade, permitta me V. Ex.• enviar lncluao urna Letra de 14 Librae, offerecida a Nossa Senhora de f Atima, para ajudar a extens~o do seu bemdito culto cm P~tima, ou no logar das appariçOes, ou para ajodar H de11pezas da ·foiba e Voz da PAUma•, que sili ae dlstribue, ou parte a urna coisa parte a outra, corno V. Ex.• julgar mala opportuno. Peço a Noasa Senbora da PAttma se dlgne tomar debalxo da sua maternai protecçAo a este seu humilde eervo e a et1ta misailo de Shluhlng e apressar a conversAo da China e em especlal a dos cinco milhOes de geotloa, que esta ml11Ao alnda conta. Pedindo tambem a bençlJo e especlal protecçlo de V. Ex.• para mlm e para a mlnha ml111lo, e beijando com. summo respetto o sagrado aoel, humlldemente me 1ubscrevo, desterrada ovelbinba de V. Ex.1 Rcv.ma

P.• AntDDld Dlnu Htnrl(laes

o.

O sofrimeoto cristio

lolo Il, rei de P0ttugal, para encorajar a.m dos seua favorltos doente a tomar um remedlo que lhe repugoava, bebeu prlmelro eUe proprio uma parte e aproxlmando depols o resto da bt>ca do doeote dlz-lhe: Eu, vosso rei, aem eatar deente, por amor de v6s e para VOB dar o exemplo, suportel o amargor desta bebida e v6s, por amor de mlm, reeusarels tomar o resto? Aht Senhor, repllcou o doente, ~pois de um tal acto de condescendencia de Vossa Magestade eu be· berla tudo. Alnda (1ue {Ossc veneno. Ora, depois que Jesus bebeu prlmeiro por amor de n6s, o callx amargo das humilhaçO~s e ùo ,;ofrimento, quem de n6s se recusar,i :1 sofrer o ser desprezaJo por amòr d'elle?


D. Alttra Sata1V1 Dtnfs ·cft ~n~ Yòns~oa. . . . . . . . . . . . 10$00(),

ti,&s o·1110 eruufiu O no11So dl,lno Me,tre prea••ea ila Cruz: 1 • • p•d111ela, padecendo rtsieaado os malores tormentoa: 2.• a hamild11d1, consentlodo ca 1er tralado como o 111al1 vii • o peior do~ homen&: 1

,3.0 a doçura e a man,ld4o, orao4o pelos "t>us algozes: -4.0 a pobreza: est4 despojado de tudo, nao tem sequer com qne cebrir a nudez do seu corpo nem oude reclinar a cabcça: 5 ° a mortificaç4o: no seu corpo nllo ha fibra que nào sofra horrivelmentt; todos 011 1teus sentidos e potenclas sao atormentados. Estas liçoes dlvlnas devem aprcndé- las todos os que se honram com o nome de cristAos, lsto é, di'sclpulos do Cruxlficado. Quem nao a111a o sofrimento, a pc,breza e a bumildadc, nao é perfetto dlsclpulo de Christo. •Q•e,. fUJ..

zer ser mtu diJclpu/o ,ug'lle·Jt u si mesmo, tome a $Ua cruz e slga-m1•. Custa ouvlr tào duras p.tlavr.-11?

Maib custara ouvir aquell'outras: e/de maldiloJ, para o toeo etemo.

Em 1921 havia nos Estados Unldos da América do Norie 18.104 304 cat611cos e nas col6nias 10 043:344. ~6 nésse ano fundaram-se 204 novas pa164uias.

Sem iu,m oomtiat~r ninguem .sera coroado ' Santa Catharlna de Senna fol um dia persegu1da por pensamentos vergonhoso& cujo ataque importuno atormentava a sua alma tao pura. Nosso Senhor se lhe manifestou e com a aua presença dlssipou a teotacilo, 1:.tuao ella queixanlfo- se amorosamente diz : Senhor, onde estavels v6s quando a minha alma fol assaltada por tào horrendas hnaginaçOes? -Minha fllha, responcteu o Salvador, estava no vosso coraçl0Como podieis v6s, Jesus, replfcou a santa, habilar no 111eio de peosamentos tao horrlvels? Eu era testemunh9, ajuntou o divino Mestre, dos vossos combates e observava com complaceocla a generosldade das vossas luctas. E desde entao uma paz inefaveJ jnundou a alma de Catharina. Pac10 analogo se conta na vida de Santo Antl\o. A tentaçao, quando se Jhe resista, é ocasiao de merito.

D. Maria da Conceiç!o Ma-

Transporte .........• l .913:820 126:000 l•pressao do n.• 11. ••• 44:500 Outras de1pe211 .•..•. Somma •....•...•.• 4084:320

Sabscrlpqao (Contlnuaçilo)

Joaqulm Maria Quintao LaReS . . . . . . • . . . . . . . . JoAo da Silva Franco. • • . • Alexandre SimOes. . . . . • • D. Maria julia de Souza • • Jo!o Nunes de Mattos. . . . Dr. Jorge Oodinho • . • 20 Conego Manuel Fernandes Nogueira. . . . . • • • . . • • Dr. Antonio GcHcia Ribeiro de Vasconcelos. • . • • • • D. Julla Morelra Ouimaraes D. Prancisca Heoriqueta 6arrelros de Torres Cordovil ••.• •. ••• • ••• AntoRio Nogueira ••.••• D. Mana ua P1eùade Paiva D. Mana da Conceiç~o Tavares Lopes . , .•••••• D. Maria da Conceiçao Ponseca Monteiro ••• , ••• D. Maria · ·H1nrìqueta de Leal Sampa10 •••..•• Palmira dos Anjos Rebelo ~l·bOl?to •....••• D. L11do v111a do Cachopo • D. Ouilhcrmina Vaz da ~il-

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va . ..••...• . ••..• Ventura José de Campos •• Maria Augusta Rndrigues • Maria Augusta Rodrigues • Manuel Jusé Pereira ..•• Leonardo Ft'rnandes Sardo

Jo:ié Hl'.'rdeHO .•.......

10:000 10:000 10:000 10:000

10:000 francos

P.' Francisco Joaqulm da Rocha •••• • ••••.•.• Elpidio Pereira (1 semestrca). Antonio Jgnacio Vicente (3.1

5:QOO 10:09()

12S500 tOSOOO 5$000

10$000

10$000 10$000

lOSOOO 10$000

IOSOOO

l0SOOO tOSOOO

t0SOOO 2S500 5$000

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·s enedlcta d'Oliveira Lelras. Donativos varlos de Pardelhas ••.•.••.•••••• D. Teresa do Amaral .••.

32S500 JOSOOO

D. Celes.te da Silva Ribas•• )0$000 10$000

1g1000

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10$000

reoço . • . • . • • • . • . • • IOSOOO D. Maria Menùonça ••••• 10$000 Antonio José Valente •.•. lOSOOO Antonio Canas••.••.•.. lOS000 D. Margarida de Lemos · • Magalmit:s .•..•..•.• l0SOO0 - Josefa de jesus. . , ..... . 5$000 .. Miss Marte Harney.••• . • 10$000 Duarte Neves;: .••. , •••• 101000

maocbar. Suave e facll é o seu eOno: ao despertar, a sua oraçao é pura corno a gota de orvalho na rosa aberta, e essa reza é resignaçao de cada dia. Aceita a pobreza sem se lamentar ~ poe deper-si limites a seus inocentes desejos. E' simples nos seus g0stos, a modestia é o seu enfeite mais beJo, a humildade é toda a sua scicncia ..• Os seus suspiros chegam ao céu, porque sempre caminha na presença de Deus. - Ousta-

~o Drouineau.

te . • . . . • . • . . . . . . • • P.e Antonio Mendes Sai• gueiro. • • ••••.••.•

D. Maria HenriQueta lnfanCe da Ca111ara Taborda .•

J0S000

"ioiooo 10$000

D. Aurora Vaz Clemente .Marques da Cruz ••••• 10$000 Dr. Augusto Mendes ..... 10$000 D. Estamarinda Augusta Madeira. • • • • • . . . • • • • • t 0S000

P.' José de Ceiça. . . . . . . 10$000

D. Maria Candida Carnpos Camilo • . • • • • • • • • • • Engenheiro Miguel dos San-

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vez) . . • . . • • . . . . . . •

2$500

Ayres Oomes •••••••..• Maria de Jesus Leal Go-

10$000

mes•••••••••••••.•

3$000

JoAo Caetano •••••••••• b. Maria de Caatro Crespo

3$000

Frazao.•...•.••.... 10$000 velra Montelro do Ama-

ral . • • • • • . • • • • . • . • 1OSOOO D. Oervula de Andrade Costa • • • • • • • • • • • • • 10$000 P.• Manuel Mato1 Sllva. • • 10$000 Dr. Oomingues Mégrc. • • • D. Leopoldina Barata Feio

10$000

da f onseca Sarai va • • • • D. Laura da Conceiçào Marti ns. . • . • . . . . • . . . . • D. Maria Fraocisca de Bri· to Neto•••••••••••• P." Domingos Oonçalves••

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Antonio Marques da Costa • O. Maria S. da Sitva Lobo. D. Maria Helena Oarcez Pinto Basto ••.•.•..• 1~arla Angelica Correia .••

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tos e S11 va. . • . • • . • . • 10SOO0 D. Laura de Jesus Costa • • 10$000

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P.e Antonio Joaqulm da Mata ...•....•••..... lOSOOO

Feliciano Alves.. • • • • • • •

.P.1 Francisco Braz das Neves. . . . . . . . . . • • . . . D. Izab~l das Virtudes Martlns. • . . • . . . . • .

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10$000 10$000

P.' Antonio Diniz Henriques • • • • • . • • • • • • • 477$000

JI. B. - A oferta de J4 Libras do reverendo Henriques, S. J. missionario na China, que muito agradecemos, fol cambiada em òioheiro portuguès rendendo 1.477$000. S. ex.• rev.m• o sr. Blspo de Leiri~ destinou desta importancia 1 000$000 para o culto dé N. Senhora e 477S para ajuda das despezas da e VOZ DA PATIMA•. Pedimos aos nossos leitores e devotos de Nossa Senhora nào se esqueçam de re2ar pela conversao dos lnfleis e especialmente pelos da mlssao de Shiu-Hing, na China.

P.' Antonio Eernandes Duar• Bemdlta seja a dorizela que tem vivido longe do mundo : sem se

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D. Maria Celeate de 0II-

2$500 2$500

Barreto dc Oonçatves •••• Condessa Casal Ribeiro••• · D. Laura Cabrai...•.. ·•• D. Maria Adelaide Pessanha •••••••.••••••• Pedro M. da Silva Lou-

delra. • • • . . • . . . . . • • IOSOOO D. Ludovlna Neves. .... . lOSOOU D. Albertina Dias VH. .. . 10$000 D. Albertina de Azambuja ~errelra •••••••••••• 10$000

.

Eata rewiata é cUstr.lbul- · da gratuitamente no• dia• . 13 de oada mita1n• Cova da lri•, aoeitando-ae no entanto qualqueP- donativo oom que oada um queira expontaneamenta a u xi-· llar-noa. So tera dlpeito • reoe-ber a 1 VOZ DA FATIMA pelo correio, durante I anno, quem •• ' aubsorever com o minino de dez mli réis. NAo faze111os cobranpelo oorrelo.

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N.0 18

Ano II

-, ;

'

(COM APROVA(JÀ.O ECl.... 14"JSIASTICA) Director, Proprie-tarlo e Editor

Admlnl•-C:rndor: PAD~E M. PEREIRA DA SILVA

DOUTOR MANUEL MARQUES DOS SANTOS

REDACçAo E .AoM1N1sTuçlo :RU.A D. NUNO ALVA.BES PEBÈXBA.

Composto e impresso na Jmprensa Comercial, , Sii -

(BEATO

N~o t>S SANTA MAlltA)

.-....----,-----.---.~~ ,.

13 de Setembro

,

Leiria

No dia 13 do més proximn findo, no locai das appariçOes, realisou se, com a solemnidnd~ do costu,ue, a comemoraçào festiva dos acontecimentos maravilhosos da FAtima. O fii mamento apresentou-se logo de manhil tnste e nublado, ameaçando chuva. A's nove horas, pouco mais ou menos, o rev. Abel Ventura do Ceu Faria, ex-parocho de Celça, celebrou a primeira missa. A segunda missa começtiu ao meio-dia e mela hora sendo rezada pelo rev. Francisco Braz das Neves, actual parocho daquela freguezia. A concorrencia, quasi tao numerosa corno no més anterior era todavia mais selecta, vendo-se muitas pessOas de elevada condiçào soci al. Entre a asslstencia destacava-se um grupo de cérca de quarenta meninas, entre os ollo e os quinze anos de idade, alunas de um dos mais conceituados colegios de proviucia. Com os seus lindos e visto"ios uniformes e com o encanto da sua mociJade, cheia de pìedade ardente e comunicativa nota assaz . . ' caracterisflca na mancha negra daquella Immensa multidào, vinham prostrM se aos pés da Virgem Sautisslma e prestar lhe o tributo sentido da sua ftrna afeiçao e do seu vivo e profu11do reconhecimento. Todas recebera m o pào dos Anjos e com tal dt?vo,ao e recolhimento o fizeram que pareci;un ser, nào simples creatura:,, humanas, mas anjos abrazados de amor de Deus. . 9utr~ facto que causou agradabihs~ima 1n_1pressao em todos os peregnnos fo, a parte activa que tomou nas _sole~inidades religlosas urna peregnnaçao de Peniche, composta de c~rca de setenta pessòas e presidida pelo respectivo parocho. Admiravelmente bem organisada, salientando-se pela sua piedade fervorosa cantando os canficos da missa e o~ canticos privativos com entusiasmo e. urna perfeiçao inexcedivel, reumndo-se em torno do seu riquissimo estandarte em que se via um formoso quadro da lmmaculada Conceiçao, apresentando-se sempre com

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urna compostura modelar propria de christaos compenetrados do significado desta palavra, essa peregrinaçao, juntamente com o Colegio a que acima nos referirnos, imp,imiu solemnidade deste dia um cunho de extraordinaria e comevedora belleza espiritual. Praza a Deus que as peregrinaçòes

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a Fatima sejam sempre vazadas nos moldes desta peregrinaçào mod<J lar e auimadas do mesmo espirito, pois s6 assim p6dem dar gloria a Oeus, honrar a Santissima Virgem, promover a edificaçào dos fiels eu su fruir inapreciaveis beneficlos de ordem esplri tual. Durante as duas mlssas rezaram-se as oraçOes do costume, fizer a m • se as lnvocaçOes pelos enfermos e cantaram-se os cantlcos doprograma officiai. A Sagrada Communhao foi minlstrada a aliumas centenas de fieis. Depois da segunda missa cantou-se o Tanfllm treo e dtu-se a bençao com o Santissimo Sacramento. Em seguida subiu ao pulpito o rev.. doutor Manuel Marques dos Santos, que dissertou larga e proficientemente sObre a ora~4o, sua necessidade e ef,cacia e disposlçOes para a tornar fructuosa. Frisou de um modo partlcular que as pessOas que oram e nAo obteem despacho para as suas supplicas ou nào oram em estado de graça, ou pedem colsas prejudiciais ou lnuteis para a sua salvaçao Oll nào oram corno devem orar; isto é, com hum i Id a d e, confiança e

perscverança. No fim do sermao, innumeros fieis viram reprod uzlr-se os phenomenos atmosphericos dos mezes precedentes, o que os impressionou e commoveu sobremaneira, nomeadamente os peregrinos de Peniche, que pela primeira vez presenciavam acontecimentos Ulo extraordinarios. A' elevaçào da segunda missa, as nuvens rasgaram-se e o sol no ze-


e nlth appareceu em todo o seu esplendor, attrahlndo 01 olharea da asslstencla, que nao notou nessa ocasiAo nada de extraordinario na atmosphera ou no firmamento. Pouco depois das cinco horas j4 poucos fieis se enconfravam no locai das .appariçOes. Multos dos que partlam acalentavam, sem duvida, a suave e faguelra esperança de voltar Aqueles logares bemditos no proximo dia treze de · Outubro, setimo anniversario da ultima appariçao e dia de peregrinaçAo nacional.

V. de M.

Hs · peregrinacoes

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V oz da Fatima

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samente vestidas entre os outros fiels, mostrando despudoradamente aos olhos de todos essa carne por

çAo que a Santissima Vlrgem tinba ensinado aos tres vldentes, porque elle nunca se esquecla de a rezar. E

causa da qual /oi retalhado, cuspl· do, sujo e exposto a ml o Corpo San• tissimo de Nosso Senlzor I

quando a pobre mulher se lamentava de que nllo raro a omittia por lapso de memoria, ponderava-lhe que a podia rezar mesmo quando fOsse pelos caminhos. Uma vez por outra queixava-se sentidamente de que nào sabia offerecer o terço como multa gente tinha a felicidade de saber, o que lhe causava bastante penna. Apesar de nunca mais ter tido satlde, de quando em quando dava um pequeno passeio, chegando a ir alé Cova da lria. Quando alguem asseverava que havia de melhorar, a sua resposta era logo um nào ptoferido co m um ar misterioso e num tom que impressionava extraordinariamente. Como um dia sua madrinha, Theresa de Jesus, promettesse, em presença delle, pesa lo a trigo se Nossa Senhora o melhorasse, declarou de um modo peremptorio que era inutil fazer essa promessa, porque jamais alcançaria a graça da sua cura. Pot:tsuia urna consciencia bastante delicada, apesar da sua pouca ldade e de haver recebido urna for maçào religi osa multo deficiente e rudimentar. Urna vez que o aconselhavam a levar as ovelhas confiadas sua guarda pela orla das propriedades da madrinha que decerto o nào levarla a mal, nao quiz fazc -lo sem licença della, por julgar que isso seria um roubo. No dia 2 de Abril a famllia, achando- o peor de snuJe, mandou-o recolher cama e ch amou e, parocho para o confessar. N ào ti nha ainda feito a prirdQra communhao e receava por isso que nau lhe f6she permitido receber N osso ~enhor. Grande, extraordinaria alé, foi, pois, a sua alegria, quando o parocho lhe prometeu trazer no dia seguinte de manha o Sagrado Viatic0. Na véspt-ra pediu mae que o deixasse esta, em jejum at.é essa hora, pedido a que ella accedeu sem relucta11cia, assegurando que nào lhe daria nada a tomar depois da meia noite. Quando cheguu <1 parocho com o Santissimo Sacramento, quiz sentarse na cama para se con fessar e comrnungar, o que nao lhe fc,i consentido. Ficou ra diante de contentamento por ter recebido pela primeira vez no seu peito o pao dos Anjos e, quando o parocho se retirou, perguntou mae se nào t'o rnaria a commungar, ao que ella retorquiu que o nao sabia. Durante o resto do dia pedlu de tempos a tempos agua e lei te. A' noite pareceu aggravM-se aioda mais o seu estado rnas, perguntando- lhe a mae corno se sentia, disse que n~o estava peor e que nào lhe doia nada. No dia seguinte, sexta- feira, 5 de Abril, pelas dez horas da manhà, sem agonia, sem um gemido, sem um ai, e corH um ligeiro sorriso flOr dos labi~, a alma daquele anjo da terra desprendia-se suavemente dos frageis liames do corpo e voava para o seio de Oeus. Contava dez annos, nove mezes e vinte e quatro dias de edade, pois tinha nascido

Que ninguem se iluda a si mesmo nem pretenda iludir os outros com os aspectos externos de devoçAo, se I~ dentro e na parte exterior nao houver o proposito de vencer esta onda de corrupçao e l1e sensualidade que alaga o mun<to, pois é esta a nossa principal doenca individuai e da nossa querida Patria em geral. E' este fim e nào outro que visam as manifestaçOes sobrenaturaes.

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etVoz da Fatima»

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Chamamos a atençao dos l eitores Com este numero entra no 2.• anpara a sua im portancia quando f eitas no o nosso jornalzinho de que se fez com aquelle espirito de penileocia e no 1. 0 anno urna tira,zem total de expiaçào que as deve animar mais de 60:000 ~xemplares. O primeiro passo que o peregrino -Nao se faz cobrança pelo correio ~m a dar é saldar as suas co=itas nt>m ha obrig;içl!o de mandar o jorcom Oeus no trlbuoal da penìtencia n11I a Quem enviar quantia inferior a para que nào aconteça que a sua rJez mii réis. presenca na peregrina çiio, em vez No fintanto o jornal é distribuido de chamar as graças e mise ri cordia grntult11 mente na F4tima nos dias de ~e Oeus as afaste, prejudicando os peregrinaçào em 13 de cada mez. outros peregrinos e a si me:.mo, desperdiçando urna graça e ocasiao que talvez oào volte. • Removidos estes obstaculos a alma, ainda debilitada e apenas con-· Francisco Mario, primo de ~ucia de Jesus, a protagonista das apparlvalescente de doenca tao grave, sençOes adoeceu gravemente no dia 23 te naturalmente fome daqu ele Pao que alimenta e sustem as almas na de Dezembro de 1918, atacado da terrivel epidemia bronco- pneumonivlrtude. • Na Fatima, corno em Lourdes, a ca que entao passava em todo o mondo. Nessa data todas as r,essOas d evo c;ao a Nossa Seuhora é sobre1u- • do o ram,nho para chegarmos ao da sua familia estavam de cama ferldas pelo ftagE>llo, a t:· xcepçao do AmOr de Jesus na santa Eucaristia. pae. Este e algumas vizinhas caridoE' por ucasil\o das peregrinaçOes ~as, trata vam desvelnd amente dos e nas procis~OeM do Santissim o Saenft'rmos , ( nvidando todos os esforcramenlO que em Lourdes se tem reaços para que naJ a lhes falta:,se. OullzallO o maior numero de milagres, rnnre c~rca de quinu dias a inocenum dos quaes, os peregrinos po,rute creanca ficou retida no leito com gu~zes puderam presenciar no dia J6 .de setembro ultimo, esperando a força da doença, segundo a expressao Ja màe, levantando se nos prin n6s publicar no numero d e novemcipi os de J:meiro, num estado de bro a fotogravura da miraculada. grande fraqueza que, longe de dimiFoi a bençào do Santissimo que nuir, foi pelo con trMio augmentanno mez de maio na Fatima obteve a do de dia pera dia. Urna vez,. durar1cura instantAnea uma filha de Maria te as appari<;Oes. tendo a Lucia perda peregrinaçào de Santarem. jluntado a misteriosa Senhora que FGl chegada desta peregrinaçao • lhe fallava, se ella e a Jacinta iriam que se deram novamente signaes para o Ceu, e obtendo ,esposta af. maravilhosos, que dum modo especial firmativa, fez identica pergunla se repetiram principalmente em secérca do Francisco, respondendo a tembro, no regresso da pP.regrinaçào \'11!;ào que rnmbem lhe calwria tamade Peniche, quando os peregrinos j4 nha ventura, mas que primeiro haestavam nos camlons. via de rez11r muitas veze~ o terço. Os peregrlnos aproveitarao a viaDesde esse momento alé que adoegem para resarem o terco e entoaceu, o ditoso vidente nunca mais rem canticos a Nossa Mae Santissideixou passar um dia sem oferecer ma, procurando cada um comunicar essa singela homenagem a Rainha aos outros urna terna e maior devodo Ceu. Depois que se levantou da çao para com Ella e desejus ardente-a cama, nao sentindo as vezes forças de a imitar, principalmente . na mopara re zar o terço inteiro, dizi a trisdestia, guarda dos sentidos e, enfim, temente mAe que nào podta rezar na castidade e santidade da vlda. senao metade. A bOa mulher obserNao faz sentido que pessOa~ que se vava- lhe que, se lhe custasse pronundizem e querem ser christas procureru ci ar as palavras da Oraçao Oominlaliar a devocao a Nossa Senhora cal e da Saudacào Angelica, di~sescom urna vlda inteiramente sensual. ae essas orPçOes s6 com o pensaE' necessario nào ter senso, havcr mento, que Nossa Senhora lhe aceimesmo perdido o uso da raz~o para t;uia o seu obsequio co m o mesmo que algumas senhoras (é infelizmenarrado. te necessario repeti-lo) condescenRecomendava frequentemente dendo com a anlmalidade de certos mlie que nào se esquecesse da ora· costumes, se apresentem escandalo-

Morte de Francisco Marta

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no dia t 1 de Junho de 1908, és dez horas da noite. As suas ultimas palavras fOram para a madrinha, a quem pediu, alguns instantes antes de soltar o ultimo suspiro, quando a viu assomar porta, que o abençoasse e lhe perdoasse os desgOstos que por ventura Jhe tivesse dado. 0s seus despojos mortaes, fragil involucro ,te urna alma predestinada, repousam em campa rasa e ignorada no humilde cemiterio parochial de Fatima. de M.

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v. Processo eanonlco sobre os aconteclmentos da Fatima

Ja começaram as investigaçOes e interrogatorios sobre estes acontecimentos, esperando a comissào, num periodo guauto possivel curio, ter concluido o. processo, que tem, por sua naturLza, de ser mais lento do 9ue m_ultos fiE'is desejam, nada os nnped1ndo no entanto de tributarem .a Virgem ac; suas homenagens.

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Preces e canticos collectivos d11s pèregr1nos durante a missa na Cova da Irfa Antes da missa o Credo de Lour-des. Emqu11nto o celebrante se paramenta o Salvé, nobre Padroeira Duran·te a missa o terço do rosario: Depois de cada mysterio a jaculat6rla dos vi Jentes. ja apprnvada pela auctorillade eccl~siastica: Meu /esus,

perdoai-nos, livrai-nos do fogo do ifl/erno e aliivini as almas do Purgatori,>, especiatmente as mais abandonadlls•. A' Cliii~ ,gr u;ào da hostia: Eu vos adoro, ::,,a,itissimo Corpo, Sangue, Alma ,. Devifldude di Nossa Senhor /esus Utristo, ttio real e perfeitamente corno estaes no Clu •. Ao lcvant .. r da Hostia: e Meu SenllOr e meu Deus•. \' consagra~ào do Ca lix: «Eu vos 11doro preciosissimo Sanque, Corpo, Alma e Divindade de Nosso Sellhor /esu.s Christo, tiio real e perfettamente ,omo estaes no Céu•. Ao JeVdlll r do Calix: «Meu Senllor e meu Deu.s•. Logo em seguida as invoca1,òt!s: -se,.hor, nòs Vos adoramos 1 -Sn,hor, nos temos conftança em

V6a ! -Senho, , 110s Vos a1Ramos I -Hoiminna, Hoasanna ao fllho de David I - Bnmdito seJa O que vem em 11ome do Senbor I -Vo11 sola Jesus Cbristo, filho de Deua vivo I -Vòs aola o meu Senhor e o meu Deusl

-Adoremus in aeternum Sanctis.simum Sacranwztum. (Cantado). -Senhor, cremus em Vos, maa augmental a nosaa fé. sols a resurreiçào e a v;da I -Salvai- nos, Jesus, alias perecemos I -Senhor, se o qulzerdss, pi dela curar ma! -SanhQr, dlzel ums p:i lavra e · aerei r.urado I -Jesui1, Fllho do Mitria, tende pledade de mini I

-vo~

so

-Jeaua, fllho de Davld, te1d1 pledade de n61 I -Parce Domine, parce populo tuo, ne tn aetemum lrascaris nobls (cantado).

-Oh I Deua vlnde em nono auxlllo, vlnde depresea aocorrer-noa I

-Senhor, aque!e a quem amala eata doente I -Senhor, fazel que eu veja ! - Senhor, f azel que eu ande I -Senhor, fazel que eu ouça I -M4e do Salvador, rogae por n61 I -Saude doa enfermos, rogae por nosl A' comunhllo: •Senhor, eu ntlo sou

digno que vos entreis em mlnha morada, mas dizei uma so palavra e min/ia alma serd salva,. (Tr~s vezes, rezado e cantado).

O e Bemdito e louvado seja o Santissimo Sacranièttto da Eucharistla, J1ucto do ventre saerado da Vlrgem Purissima, Santa Maria». Depois da comunhao as invocaçòes a Nossa Senhora: - Bemdlta seja a Santa e lmaculada Concelçàn da Bemaventurada Virgr,m Mari&, Màe de Deus I -Nossa Senhora do Rosario, rogai por nos I (3 vezes). -Nossa St1nhora do Rosario dalnos 1aude por amor e para gloria da Santfa11lma Trlndade I (3 vezes). -Nossa Senhora do Rosario, convertei os pecadorea I (3 vezes). -Saut.le dos tinfermos, rogae por nos I (3 vezes). -Socorro doa doentes, rogae por nos I (3 vezes). -O' Maria, noncebìda sem pecado, rogae por nòs qua recorrem ,s a Vò, I (3 vezes). -Nm1sa Senhora do Rosario, salvae- nos e salvae Portugal I Tantum ereo e bençao do Santissimo. Sermào, Hymnos e Queremos Deus.

NOT A - As jaculat6rias acima mencionadas sao as unicas que por ordem da au1oridadt! eclesiastica devem ser recitadas publicamente na Cova da lria e, além das indulgèncias que lhes estao anexas pela autoridade apostolica, coucede o sr. Bispo de Leiria 50 dia~ a quem la as recitar.

-----------As obras da f at,ma

Estao quasi concluidas as obras do poço, tanque ou fonte de Nossa Senhora eque tem cèrca de quinhentas pipas de agua, podendo levar cérca de oovecentas. Em volta fez se um muro circular encimado por um tanque tambem circular d'onde sae a agua por quinze torneiras, tantas quantos os misterios do Rosario. O tanque, que corresponde ao sifio onde teve logar a primeira apariçào, colocado no centro da projectada avenlda, fica infeiramente vedado por uma abobada que servira de pedeslal a urna grande eslatua de NMsa Senhora. Uma bomba, escondida €01 um dos lados da pMede, elevar~ a agua para o lan4ue exterior. fl'>r >'m j .i d~dos de empreitada os mu,os d e vedaçao dos terrcnos e feito o p r< jccto de uma casa que tào nece:1~a1ia se torna.

Novamente lembramo• • prohibl9•0 de vendeP quaaaquer objeotoa, de aaraoter Peligioao ou nao, em volta do looal da• rl9Ge•• P•atioam uma mii ao980 •• peea6aa qua deaobe• deoem • eate intimaq:lo da autoridade Ecleaiaatl• aa que, logo que aeja'po•• elvel, sera conatrangld• • •epellr, meamo pela forqa, eatee abu•o•. -Seria conveniente· que o• peregrino• colooaesem longa, onda nao pe·rtur• Item o culto, oa animai• qua o• tPanaportam a Fa\tlma.

•P••

-

No mez do Rosario Promessas aos devotos do Rosario cA Rarnha do Ceu assegurou ao B~ato Alano da Rocha que o Rosario ... era uo1a fonte de salvaçlio para os povos . •.•

(B•eviarium Domi11 , VIII Sépt.) Passada a época esplendorosa de

S. Domingos, começou a resfriar pou• co a pouco a devota influencia do Rosario. Por isso, dois seculos depois, segundo reza a chronica dominicana, aprouve Santissima Virgem revelar-se novamente para fazer resurgir a devoçilo ao seu Rosario, ser• vindo se entào do santo domlnico Alano da Rocha. Le- se, pois, em va• rias tradiçOes que, em 1460, a Santissima Virgem appareceu a este santo dominicano, lançou- lhe ao pescoço um Rosario de perolas e disselhe o seguinte: e Meu fil ho, conheces perfeitamente a antiga devoçào do meu ifosarlo, prégacla e difundida pelo teu Patriarca e meu servo Domingus e pelos religiosos seus filhos espiiituais e teus irmàos. Pois este exerc1cio nos é extremamente agradavel, a meu filho e a Mim, e é santamente utilissimo aos fleis. Quando o meu servo Domlngos começou a pré~ar o meu Rosario em Italia, França, He11panha e noutras reglOes, fnl tal a rl'forma do mundo, que parecia haverem se transformado os homens terrenos em espiritos angelicos, ou que os Anjo!I teriam descido do Ceu a habilar na terra. Os herejes convertiam-se marnvilhosamente aos milhares e os cat61icos anciavam ardentissimamente o martirio em defeza da fé. Ora• / ças a esta insigne devoçào, renova• ram-se as esmolas, fundaram -se hospltai's e edificaram- se templos. A santidade dos fiels, o desprezo do rnundo, a autoridade do Pontlfice, a justiça dos Princlpes, a paz dos po· vos e a honestidade òas famihas, tu• do entào florescia prodigios;;mente. - Ninguem, pois, era considerado verdadeiro christào, se nl\o th esse

a

'•


Voz da F4time e recitasse o meu Rosario. Inclusiva-

...

mente os operarlos nunca lançavam mAo de suas ocupaçOes antes de offerecerem em minha honra este tributo e a Oeus este sacrificio. Tal er.a a grande reputaçào do santo Rourlo que para mim nilo havia nem ha culto mais agradavel, depois do grande sacrificio da missa. -Ora eu desejo imenso a salva~o e o bem de todos os fleis, e podem todos obter facilmente esta graça por mtio desta devoçfto tào agradavel, a mim e a meu divino filho. Eu quero, poit', que ella se restaure novamente na Egreja para consolaç!o dum grande numero d'almas. Ser4s tu quèm agora pr~garA o meu Rosario, exhortando todos os fieis a recita-lo ùevotamente. Afervora e anima -os religiosos da tua ordem a fazer o mesmo e eu autorisarei a vos~a doutrina e a vossa prégaçllo com numerosos prodlglos. -A todos aqueles que recitarem o meu Psalterio ou Rosario prometo a mlnha especialissima protecçAo. · -Sera o Rosario urna arma potentissima contra o inferno: extinguira as vlcios, destruira o peccatlo e venceri as heresias. -Todos aqueles que se me recomendarem por intermedio do meu Rosario jamais se condenarAo eternamente. - Quem recitar devotamente o ,neu Rosario, meditando os seus santos mlsterios, sera !sento de grandes perigos, nào morrera de morte repentina; mas converter-se.M, se fòr pecador, augmentara em graça, se fOr justo, e todos se tornarào dignos da gloria eterna. -Os verdadeiros devotos do meu Rosario nAo morrerào sem Sacramentos. -As almas devotas do meu Rosario serAo, depois da morte, livres do Purgatorio. -0s verdadeiros filhos do meu Rosario gozarào duma subida gloria 110 Ceu. -O que me pedirem por meio do meu Rosario eu de boamente obterel. -Os que propagarem o meu Roaario serào socorridos por mim em todas as suas necessldades. -A devoçao com o meu Rosario i URI poderoso signal de predestinaçao. (De extratos de P.e Antonio Vieira e outros). Dizem as chronicas que o bemaventurado Alano foi depois um flel instrumento das determinaçOes de Maria Santissima. Quinze annos consagrou a pOr em execuçào aquelas instruçOes divinas, sempre abrazado num santo fervor, agente de prodigios estupendos e com um exito maravllhoso. E o Ro, ,ario attingiu novamente o seu antigo esptendor. Confiados esperançosamente nas consoladoras promessas da Virgem do Rosario, acolheramo•nos, corno diz Ldo Xlii, debaixo da protecçào divina de Maria Santissima e procuremos amar cada vez mais a devoçào do seu Rosario, que os nossos antepassados seguiam, nllo s6 corno remedio sempre prompto para os seus mafes, mas corno ornamento da sua piedade christà•.

Voz da fatima De•p•z•• Transporte. • • • • • • • • • .( 084:3~0 Jmpressàc, do n.0 12••.• 126:000 Papel (20 resmas) ••••• 1.223:800 Outras despezas •••••• 49:500 Somma ••••••••

-

5.483:620

SubaoriqAo

D. Maria Hercutano Sales. P.e Agostìnho Gomes • • • • José d'Oliveira Dlas • • • • • D. Maria da ConceiçAo Rodrlgues Fialho • • • • • • • José Pereira Manso Junior. Luzia de Jesus Manso • • • • D. Magda ena da SUva Rego P.11 Candido Augusto Lopes D. Maria Eduarda Vasques C. Lencastre (2.0 anno) •

JOSOOO-

10$000 15$000

20$000 JOSOOO J0$000

1OSOOO 10$000

10$000

(Continuaçllo)

Dr. Joaqulm Tavares de Araujo e Castro • • • • • • t0SOOO Manuel José Conde. • • • • • 10$000 De jornais e percentagem na venda de estampas (O. Maria das DOrea) • ••• 223S0OO José Oomes. • • • • • • • • • • 20$000 Manuel Maria da Silva Por-

rio ........•.••... tOSOOO

D. Maria dos Anjos Tava-

res Portugal. ••••••••

10$000

O. Maria José Marques Vieira. . . • • . • • • . • • . • . • J0SQOO

José Capela ..•••••••• lOSOOO Pacifico Martins•.••••.. 10SOOO Antonio Rodrigues •••.•• 10$000 P.• Gonçalo Alves •..••• JOSOOO Commendador Joào Curado. 15$000 Manuel Paços ••••.•••• IOSOUO P.t Manuel Carreira Poças. 10$000 D. Angelica de Matos Fernandes Potes ••••.••. 10$0ù0 Commendador Antonio Coelho da Sii va Villas Boas. 10$000 P.• Joaquim Oonçalves Margalhau .•••••••••.•• t0SOOO D. Adt-lcdde Martins Bernard •...••••.••..• lOSOOO O. Anna de Portugal Lobo Trigueiros •.•••••••• 20$000 D. Maria Julia Marques Ferreira (2.a vez). • • • • • • • 10$000 D. Vivila Pinto de Souza e Castro. • • . • • • • • • • • • 1OSOOO Francisco Pinto. • • • • • • . 10$000 O. Maria Fernanda de Carvalho . . • • • • • • • • . • . toSOOO Monsenhor Carlog Costa, 15 francos Condessa da Arrochela • • • 15SOGO D. Amalia Nunes Ribeiro. • 15$000 D. Maria Rosa Soares . • • 30$000 O. Joaquina Quelroz Ribelro • • . . • • . • • • • • . .. 10$000 D. Maria das Dores Ferro da Silva (2.0 anno) •••• luSOOO D. ,\1argarida d'Almeida ••• JOSOOO Or. Eurico Lisbòa (2.0 anno). 20$000 p,e Joaquim da Rocha Rodrigues (2.0 anno) ••••• 10$000 D. Maria Henriqueta Leal Sampaio (2.0 anno) ••.• JOSOOO D. Emilia Leite Castro.••• 10$000 D. Maria da Nobrega Pimente}••••••••••..• 10$000 D. Carolina Carneiro· Per, y. 10$000 D. Maria Ribeiro da Silva . 10$000 Condessa de Margaride (2.0 anno) • • • • • • • • • • • .• 10$000 O. Maria de Jesus d'Orio! Pena (2.0 anno) •••• . •• 10$000 Jeronimo Sampaio (2. 0 an-

no) ••...••...•... Jullo Oonçalves Ramos (2. 0 anno) •••••••••• . •. D. Maria da Apresentaçao D. Gonçalves •.•••••• Antonio Martins Morgado • P.• Mauuel Fernandes•••• Donativo de Maria Pereira Soares ••••••••••••

lOSOOO lOSOOO

40$000

lOSOOO

10$000 25$000

Presenca de Deus Um dos meios mais seguros de augmentar a pledade é o exercicio da presença de Oeus. Quando diante de S. Francisco de Salles se fatava em grand~s edificios,em pintura, musica, caça, aves, plantas, em jardlns ou nores, de tudo isto elle tirava outros tantos motlvos de elevaçilo para o seu esplrito. Se lhe mostravam bellas plantas, dizia: cN6s somos um campo que Oeus cultiva>. Se se falava de ediflcios : cN6s somos um edificio feito por Deus>. Se via um templo magnifico e muito aceiado, exclamava : e N6s somos o templo de Deus vivo; que as nossas almas estejam tambem assim ornadas de virtudes I> A' vista de flOres perguntava : cQuando é que as nossas flOres dar:lo fructos ? • Em presenca de bellas pintu(as dizia: «Nao ha nada mais bello que urna alma feita A imagem de Deus>. Atravessando um jardim reflectia : «Oh 1 quando sert que o jardim da nossa alma estara semeado de fiOres e chelo de fructos ? quando estara limpo e podado ? quando estara elle fechado para tudo que desagrade ao jardi:1eiro celeste?• A' vista de urna fonte, observava: «Quando teremos nos nossos coraçOes fontes de aguas Yivas, correndo para a vida eterna ? Até quando deixaremos n6s a fonte da vida por fohtes do mal ? • A' vista dum bello vale, exclamava: e As aguas correm por ahi : é assim que as aguas da graça correm .as almas humildes, deixando sécos os clmos dos montes, isto é, as almas soberbas•. Vendo urna montanha :• Que todas as montanhas e collinas bemdigam o Senhor I> Se via arvores: e Toda a arvore que nao der bom fructo sera corta• da e lançada ao fògo•. A' vista de. um rio: <Quando caminharemos n6s para Oeus corno as aguas para o mar?• Comtemplando um lago: Oh I meu Deus, livrae-me do lago do abismo de miseria em que eu estou>. Assim via o santo bispo de Genova Oeus em todas as coisas e todas as coisas em Deus, ou melhor, nAo via senao urna coisa, que é Deus. nCre~ce pelo mundo a onda suja em que as almas se afogam. Na noite da agonia, Jesus viu tudo isso e sobretudo (eram as fézes do Calix) que a sua Paixao seria inutil para commover certas almas I Porque a maior parte dos christiios vive como se Nosso Senhor niio tivesse morrido por nos!•


Novetnbro de 1928

Ano I I

(OOM APROVAç.ÀO EOL~SIASTIOA) AdmlnlM"trndor; PADRE M. PEPEIRA DA SILVA

Director, Proprie-tarlo e Editor

DOUTOR MANUEL MARQUES DOS SANTOS Composto o impresso na Jmprensa Comercial, , S4 ,r,

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l.eiria

R.EDACçAO E ADMtNISTitAçAO

:R'U'.A D. N'UNO .A.LV.ARES PE:RE:t:R.A:. fBiUTO NlJNO DF. SANTA MA~A)

)

APere~riuo~ao Noèionol' I

lJ-·d'Ontubro de 1923 Mais urna vez, entre as fragas e alcantis da serra d' Ayre, na charneca Mida e monotona de Fatima ae reuniram, no dia 13 de Outubro fin. do, dezenas de mllhares de fiels, que das oito provinclas de Portugal, des• de o Minho ao Algarve, fOram depòr o tributo sentido do seu amor filial e do seu vivo reconheclmento aos pés da augusta e gloriosa Vir· gem do Rosario. Passava nesse dia o sexto anniversa rlo da sexta e ultima appariç!o da Rai nha do Ceu aos humildts e innocentes pa11torinhos de Aljustref, Lucia, Francisco e Jacinta. O tempo, . que havia cérca de trés semanas se conservava esplendido, verdadeiramente prlmaveril, mudou de subito. O di;1 amaF1heceu triste e tempéstuoso. Durante a noite chovera torrenclalmente. A partida estava mareada para as sels horas e mela. Tinhamos de oercorrer de automovel cèrca de 100 kilometros. Jnlcia-mos a nossa longa viagem no melo de um temporal desfelto. O estado das estradas do sul do palz, e sobretudo das estradas da Extremadura i o mais lasttmoso que se pode imagi.nar. Nestas condiç0es, sobremaneira aggrava_das pela chuva torrenclal, que converha as estradas em fameiros e a~ covas largas e profundas em charcC!s e IagOas, a viagem, posto que feata em _automovel, n~o podia dei:xar de constttuir um verdadeiro sacrificio. Ma_s era decerto lncomparavelmente m~sor a penitencla que faziam tantos malhares de pess0as, de todas as classes e condiç0es socials e de tocfos ~s edades, que, a pé, a cavano, de btcyclete, em ebarrttts carroças trens, camlons e camionettes pass~ Yfllm constaotemente ao nosso lado ~)mo numa fita clnematographica, ~ 1am fJcando para traz, fatigadas da lon~ viagem e molhadas, a maior iarte delas, ~té a medulla dos ossos. ouco depots das dei ilorff, de111i-

Sorqr B:nigzia, da Ccngraga;ào da Ntadef/mm ( Alsacia) da L~agras (Alto Mar• ·" • ns), .so6rcndo de ta!J~rcalose prilmonar ,zn 1&tado agado, •& I • foi c1ir4da 1.u1 Lourdes duranti a proctssdo do Santi$slmo Sacram4nta zao dia 16 de Setembro ds 1923, por ocasiào da p1ragrlna,da nacloztal portagu,z4 ~

Dado por uma e•oçAe suav1ssI111,

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csoi or> ' Voz d;., Fétlma :rrr r-.r

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que lnsensivelmeote se apoderou da nossa alma, pisavamos o solo sagrado da Fatima. A multldao que se comprimia em torno do padrao commemonitivo dos aucessos maravilho110s era ji enorme. Muitos peregrlnos, chega,1os de vesperi,, tinham passado a noite dentro da espella ou debalxa do alpendr.e que cobre o altar das missas campaes e o recinto fe' chado adjacente. De toda a parte e a cada momento amuem peregrinos que se despenham corno urna torrente humana na vasta bacia formada pelo loc11I das appariç0ea. Entretanto comt-ça a prime1ra missa campai, annunciada aos fieis pero toque de um;i slnt-ta. O silencin torna se profu ,, h1 ., , unrned1açèks da capella. lit:1::1 rezam ,devotamente se gurndu nm a 111aior attençao as cerimt,111'A s do Santo Sacrificio, cujo celt>brdnte a maior p:ute nlo logra ver mau grado seu. A' communhào, • cente11as de pessOas aproximam-se da Sagrada Meza. Quando acaba a missa, ~ multidao que inunda aquelJe vasto amphiteatro é mais numerosa t! mais compacta do que nunca. Ao meio dia officiai a Cova da lria assemelha se a um imenso lago humano, de f6rma clrcular, em que de· -saguasse, pelos ,Hversos pontos da sua cìrcunferencl~. urn sem numero de rius caudalosos. Hombro él hombro com a gente humilde do povo veem-se passar a cada instante muitas das fil(uraa de malor relevo do nosso palz. A11tigos mlnistros, senadores e deputados, illustre& represeotantes do clero, individualidades em destaque na politica, nas finanças, no commercio, na indu11trla e na agrlcultura, officlais superlores do exercito e da armac1a, lentes das Unlversidades, médicos, advogados·e jornallstas, coodecorados da grande guerra e numerosos elementos da mais antiga e mais alla nobreza de Portugal formavam, juntarnente com o elemento popular, urna amalgama admiravt!I e encantadora, que s6 o Christianismo

o..

é capaz de produzlr, urna comprehensao bem justa da legenda - liber-

I

dade, egualdade e fraternldade. Cumprlmentamoa um médlco, nosso amigo, que viera de Lisb0a com a famiha no seu automovel e cutos fllhos tlnham tido a ventura de fazer a sua prlmeira communhAo em Fatima . No melo da conversa chama a nossa atençio para urna nobre e virtuosa senhora da capitai que com o marido, engenhelro distintissimo, se ~ncontrava a uns trinta pasaos de

dlstancla.

- c.'

a miraculada da pblebite, dlz elle. , -Aquella senhora que nos dlrlglu a carta publlcada ntl numero sels da

VOZ IJA PATIMA? perguntamos

n6s. -Exacta111eftte, conclulu o nosso

interlocutor.

l

Pouco antes deste curto dialogo ilnhamos fallado com O. Marl11 Augusta Figuelredo, que no dia 13 de MAio do corrente anno fòra instantaneamente Cllrada de um cancro durante a bença.o com o Santissimo Sa-

cramento, dada pela prlmeira vez no tocai das apparlç0es depoia da se· gunda nùssa campai. Esta ditosa fl• lha de Maria da peregrloaçAo de Santarem ia agradecer A Santissima Vlrgem a graça da sua cura maravllhosa, que tamanha sensaçao produzlu em toda a zona ribatejana e que delxou assombradas todas as pess0as que conheclam de perto o estado da fellz privileglada da Virgem do Rc,. sarlo. Junto de n6s passam duas mulheres, tipo de camponezas, de aspecto humilde, trajando de tuto rigoroso, com as quaes tcocsmos algumas palavras. SAo as ma.es dos vldentes. A mae da Lucia diz-nos que , a filha, de quem pedimos notiçias, fhe escreve com regularidade, tentto ainda ultimamente recebido csrta della, e esta de perfeita saude. D'ahi a pouco vemos o dr. Pequito Rebello, a quem perguntamoa por UJD rapàzinho do OavUio, gravemente enfermo, que urna das manas daquele distincto escriptor ca(itativamente levara a Lourdes na ultima peregrinaç!o e agora levava a Fatima para 1ollcltar a sua cura d' Aquela que com rado é chamada a Saude dos enfermos. Momentos depois encontramos aquella benemerita senhora e a mae do doentinho que nos disseram que elle ja se encontrava na capella junto dos outros enfermos. Era meio-dia e mela hors quando começou a segunda missa campai celebrada pelo r~v. Braz das Neves, parocho de Ceiça, de cuja morte, na puj,rnça da vida, acabamos de ter noricia e que encomendamos As oraçoes dos leitores. Reza·se o terço e fazem -se as invocaç0es do costume. A communhao dura cèrca de mela hor1:1. Oepois da missa canta·se o tantum erEo e dAse a bençao com o Santissimo Sacramento aos enfermos e ao povo. Em 11~gulda s6be ao pulpito o rev. conego Francisco Sequeira, da Sé Calhedral de Portalegre, que falta s0bre a devoçilo a Nossa Senhora. Ap6s o sermào ouvimos grande numero de pessòas ~ffirmar que ti· nham visto os phenornenos extraordinanos do costume. Em volta do tanque da ~gua maravilho1a, que poucos dias depois da primelra ml•· sa campai brotou da rocha viva pre· clsamente no sitto onde se deu a primeira Appariçlio, estaciona urna multldao enorme, que recolhe em milhares de recipientes a limpha pura e dlaphana que sahe por qulo-

ze tornelras. Muitos peregrlnos curnprem promessas. Falla- se vaeamente de algumas curas, or,eradas durante a bençAo de Jesus-Hostia. 1 Silo mais de quatro horas. Oe peregrlnos vào retirando pouco a pou• co. Prepararno-nos tambem para o regresso. A chuva cessare de cahlr. Sublmos para o nosso automovel e partimos com o coraçAo· dominado pela magua dc termos de nos afastar tao depressa daquelles logares bemditos, cuja recordaçAo saudosa fica tndelevelmente impressa no mais Intimo da nossa alma.

V. de M.

-_.cura instantaneaauma:..::..-;...:,. { phtysica g&lopante (i . r No dia 16 do m~~ de Setembro \ ultimo, ~or occasUlo da estada em Lourdes da peregrlnaçlfo nacional

'l

portugueza, reali1mu-se urna cura as11ombrosa, que impressionou profundamente as dezenas de milhares de peregrinos presentes. Trata-se de Sornr Bentgn~, òe 28 ~ anos de. edade, da CongreP,açilo das lrm!s de Nlederbronn, (B11ixo -Rhe- ?.: no), oo seculo Odilla Dille11schneider, residente ~a casa que .aquelbs religìo•j;,. .. 11as possu,am em Langres ( ~lto M'6rne), no numero 15, da rua Bnuillére. O Or. Brocard, ciee, Lanjlres, seu médico assistente, cojn at~stado diagoosticava a do~nça ne tuber<:ulose pulmonar em f6rma ;iourh1, nppoz-se terminantemente ~ sua partìda para a cidade da Virgem, declarando que ella n~o voltaria com :vfda. Mas a sua confìança e a da Superiora, que a quiz acompanhar, no poder de Deus e na interct'ssao de Nossa Senhora poude mal~ que o criterìo humano da obediencla estrlcta 4~

I

prescrip,ofs \.l,1 l)ciem~·a mé1Hca. Em Marçv fo ànnn corrente appa.. • I.o •

receram 011 p11m~1rot: ,;ymP.romas d9 mal q11e a b, eve tr ..:ho !-l' havb de

desenvolver com un,a rapid• z fulmi- 1 nante, colocandQ a' à i por (as da mor_ ....,,...-=::::,,te. Entre ourrqs, fò ram a prirwipto fadiga prolongada, l\,sse e suores no-

cturnos. Consultadu pr:la epfrrm: , '/, dr. Brocard aconselhuu lhe \l • ri>eouso 110 campo. Tendo obtido al(!1Jmas melhoras voltou

para

él

comnnidaàe

em

Abrll. Entretanto a fraqt:l•i ·:t reappare- 1

ceu e Soror Benlll ·, aentiu ;\S forças diminurrem rapid, ,·•ntt! emquanto os symptom.ls pulm1 ares -.e a~gravavam ,le u·m modo <Xl é1 1r, fi11ario. Ern ~gostc, k:vt· df' re.:• ,q1t>r a cama. N o dia 1 de St-1emb .,, 1r.mnerarura e,Jevou se 1-t~1tor ) '""~ lll t• u1i:, nttinginJ11 C Uflrapttf I 11I 42 !,!f:tUS, tardt".

al

,

O Dr. Bwcàrd ,fag1n11>IH'ot• enfao a doeni_:a de ~1hty-:k,1 at1 u.fa ou galCil• pan re 1 Trnusportaram a enf~ rÌ11:1., 0Pste estado & Loun.l t<S e·m df\W rie um colchào, A viagetp J\ 1 rm t:xtremo dolo- ' roi,:1; a religioi:i41, rt·v~ durnnte ella syncopes qua&I ç 111U11 Uaij. Toroou:se i11d1spensavel, pare lhe c1111servar 8 vida, mulliplicar ai; i11jt'l'1·01:s de ether e de oleo campho1ad11 Sornr BentgnaJ estavc1 moribu11da. Em Bordeus este,~~ quasi m, r1gonia; o Conego Laure :1t, nrfipreste de Langres, que com alg1Jmas pesi-0aa piedosas a acompauhava, deu-lhe a santa absolviçao. ... A' sua chegada a Lourdes no dia 15 de Setembro, tinba a apparencla de urna moribunda. As suffocaçOea eraR1 cada' vez m tis numerosas e as sy,,copes ~rolonga<las fazi~m temer a ca<la iost~r11e um desenlace fatai. Apos uma fireve ·vii-ila Oruta a enferma conseivou -se rfeitada todo • dia. No domingo, 16, o seu estade era desesperado.t.foi-lhe admlnistrada a Extrema Uncçào. A's dez horas.. aproveitando um curto momento de

a


.

Voz da Eatime

panbelra•lnseparavel, que se c:x>nser-. lueidez, anmoribunda manlfestou ro vava cabec~lqt, murmura-lhe ao..! Oruta. <tesejo de ser transportada Flzeram-lhe a vontade e ella alll fiouvido algumas palavras que nAo consegulmos ouvlr. Ella volta-se logo cou, quasi completamente inerte, até para a Superiora e dli-lhe com sim~s quatro horas d.a tarde. Durante pllcidade: « Vous ètes exaucée !• En· "¼ esse tempo apenaa poude engullr com tào a Superiora abraça-a eff u1lva.. grande (llfficulcfide, algumn gottaab da agua mlraculoSLi 1, 1 mente, num transporte de jubllo e de la principiar a proclssllo eucaristireconhecimento. ca ; conduziram por Isso a religiosa 1 Um dos digoltarios eccleslastlcos que faziam parte do cortejo pergunta , para a praça do Rosario. Em torno della rezava-se com fervor. 1 Superiora se a enfermn esta curada. 4 obtendo corno respo,ta um slgnal Na esplaoada em frente da Egreja do Rosario os doentes, em numero affirmatlvo com a cabeça. superior a 60Q, sao collocados pelos Esta scena admiravel, de que a nossa penn~ n&o é cepaz de dar ae..i,rancandiers em duas filas intermina• quer urna palliqa ldeia, passou-se veis. Por traz dos doentes agglome• com urna rapldez assombrosQ, Mons. ra-se urna multidAo immensa de pe· . Boutry péra um tstante, preso de regrinos de differentes naciooalidades " commoçao, continuando loio e con~ de to<las as classes e condiç0es socluìndo a benç!o dos enfermos, ciae&. Estavam presente& na tn-'a quaCantado o tantum. erEo e dada a si totalidade os peregrlnos das perebenç.lio geral, a reli&iosa ~ rodeada grinaç5es naclonal portugueza, naciode innumeras pess0as..,~ue querem nal hollcindeza e diocesaoos de Metz e Puy. Sao cerca de 1 quarenta 1 mii o ve..Ja e fallar com ell11. nil r t ,pessòas. A procissao organisada juo-,1 Os brancardlers fazcm a hait com as bretel/es para a livrarem daa conto da Oruta approxima•se da espla~s sequencias do enthuslasmo da mulU.nada depoìs de ter percorrido as tondao e conduzem-na assim escoltada gas ave(lidas dos jardins do Sanctuario. Milhares de homens veem é fren- + para o Hospital de Nossa Senhora te, cada um com urna vela ac~aa na das OOres. Milhares de peregrino& de mao, e vAo postar-se em linha, una varias nacionalidades, que a seguem atraz. dos outros, no atrio do Rosario, num delirio de commoçao e regosljo, <. ·iel-.a o Sa,Hissimo Sacramento, caotam o Maenlflcat e acclamam a coi .n.:do debaixo do pallio numa a miraculada. eusroJia riquisslma por Mons. BouA agonisante de ha poucoa instan• t,y, Bispo de Puy. Sacerdotes de vates, diz agora que tem fome. Come rhts oacionèlidaoea fazem as commocom magnifico appetite ovos, sopas, ventes invocaç0es de Lourdes nas galinha e pao. Passou urna noite es· suas linguas respectivas, implorando plendida. Nao sente febre, a respiraa cura dos doentes. çao é normai, o rosta esta i' animaProcede-se a beoçao dos enfermos, do com as c0res da saude. No dia que con,eça pelo lado esquerdo. Atraz seguinte pela manh§ é conduzida ao da umbella, que durante a beoçao Bureau des Constatations Médicales. substitue o pallio, seguem varios diE'·lhe feito longo e mioucioso exame gnitarios eccles.iaatlcos, entre 9-s quais por um jury verdadeiramente interna -0s Senhores Arcebispos de Evora e clonai. composto dos drs. Smets, de Utrecht (Hollanda), Parreira Cabrai, de Villa Real e Bispo de Beja. Na de Lisb0a (Portugal), Stouffs, de nossa qualidade de brancardier auxl· liar dos enfermos portuguezes conseBruxellas (Belg\ca), Buchaoam, de guimos tornar logar, por especial deLondres, ( lnglaterra ), Meytr, de ferencia, atraz dos venerandos PrelaTroisfontaines. (f rança) e Bussi~res, .dos P1lrtuguezes, no pequenino corde Limoges, (França). O dr. Mar1ejo que acompanha Jesus Hos:ia. chand, presidente do Boureau, teleMal irn.iginavamos nesse momento grafou ao dr. Brocard, solllcitandoque iamos mais urna vez ser testemulhe informaç0es complementarea 10nba de um graode milagre eucharisbre o estado exacto do apparelho restico. O cortejo avançava lentamente piratorio na occasiAo da partida de no melo das suplìcas, das lagrimas Soror Benigna para Lourdes. Entretanto o presidente do Bureau -de c.otT_lmoçao e dos soluços a custo repnm1dos dos enfermos e daa lovoconvocou urna nova reunilio médlc1 caç0es feitas por um sacerdote e repara o dia seguiQte é1s trez horas da pettdas em coro pela multi<tfto. tarde. Nessa sessa9, em que se leu a Term1oada a benç§o da primeira respoi-ta do dr. Brocard, fol feito i fila de ,doentes, o cortejò atravessa a religiosa um novo exame por outro esplnuada e começa•se a beti~o da jury lnternaclonal de rnédicos com~ 'Segunda fila. Aben~oados alguos enposto doa drs. Buckem, de Maeatrlcht ferm11ti! a Sagrada Custodia encontra(Hollanda), Parreira Cabrai, de L11bOa se t:tll f, ~nte de Soror Beni~na que (Portucal), Mite Roasl, de Mllao (Itae st11 vn oe,tP1da na sua maca. • lia), Legrand, de Montréal, (Canada), Momt-n<o unico e lnolvldavel f Gourand, de Nantes (Praoça), e AuQu~111lo , foos. Boutry traç1 s0bre ella fraz, de Morlaix (França). o s1gnal l.ia c,uz com a Sa~rada CusImporta notar que a fellz religiosa fodia, ~vemos a eoferrqa soerJ?uer-se tinha subldo na vespera ao Calvario no seu grabato de d(')r adorar II Hos-de Lourdes e tioha Ido nesse dia de tia Sacrosante, sorrir ~e com um sormanhl\ ~s Grutas de Bétharram, 1e111 riso de ù1effavel alegrh,, o rosto illuexperimentar nen~um incommodo, minar- se-lhe de um fule6r que nAo quando, alnda no domingo tarde, parecia deste mundo e depols, domlagonisava na sua maca. nada por urna .commoçao enorme, Pelo exame médloo verlflcou-ae descahir liluavemente s0bre a maca e o desapareclmento completo dos symprorornper em lagrimas e soluços. A ptomas putmonares em menos de Superiora, $oror Ponci~na, sua comquarenta horas. Nlo se encoatrou

a

a

a

nenbu01 signat stethocoplco. A re~ piraçAo era absolutamente normai. Oepois deste segundo exame, • unanimidade dos médicos, com ex• cepçAo de um a6, adoptou, em ses• s1lo, as conclus0es segulntes; e 1.•- Soror Be:ilgna foi realmen• te atacada de tubercu.lose pulrnonar

em /6rma aEdt!a ; •2 ° - Foi completamente curada desta ctoença entre o dia 15 e o dla 17 de Setembro de 1923 ; cl.• - Em raz1lo da &ua rapidex, esta cura é contraria a todos os dadoa da sciencia e da medicina•. A miracutada assistiu a sessìl.o e o6s vimo-la sentada ao pé dos m~ dlcos com um aspecto de g11u11e t~o perfelta que nos lrnpressionou deveras. Momentos depots era ,11fix<1dn A porta do Bureau o respectivo br,letlm médico, em que se constatava a cura completa de Soror Benigna, que nao podia aer de modo nenhum atribuida , acçllo norrnal das forças niuuraea• .

V. deM.

Notas e impressoes - De uma carta dirl&ida ao adminlstrador da • V61. da Fatima, por um sacerdGte ilustrado e piedoso acerca da pcreerhrnçno de Coimbra no dia 13 de Outubro findo, transcrevernos oa st>guintts periodos: •Ainrt, se nao t1pagaram as lmpres!!0es agrndablll1simn da nossa pereg rin::1çao, spesar da contrarledade da chuva. Parece que até csta mesma contrariedade cotribulu para afervorar mais a devoçAo de todos, que viram nella um convlte de Nossa Senhora a re· nltencla. P.ara M.aio todos querem voltar e muitos mais mostram egual desejo. Vai mandar se fazer uma bandeira p~ra essa pereerlnaç~o. Hoje celebrou se na egreja do Salvador urna mtua em acçao de graçaa pelo Miz e-x1to <it!sta primt'irn peregrinnça... t,.,vencJo cauticos, pdtjca e communMc, geral. Algu1u1 doa oouos doentes r.xperimentaram 1,~n11lvels mellwrns e urna creadita de ir.rvir, que era dadit como tuberculosa, c,~"se curada. Se .se confirmar a cura, informare!., - A peree,lnaçao de Coitnbra es.. tava ltlOdelarmente orf:anisada r.raçaa ao criterio intelligente e aos t> , forço1 incansavels da benemerita commissae que a levou ..1 efelto. Compu nha-se de cérca de trezeotas pess0as ~ ecci~ siasticos, senhoraa, commerciantes,. industriais, estudantes, etc; que partiraro da·formou cidade do Mondege no dia 13 ,, duis boras dn mactruga• da, em liete e•mlons, no melo da mail edificante fratemtdade chrlstA. . No dia 17 a commtssao oraanlsa• ' dora mandou celebrar na egreja de Salvador umi missa em acçAo de gra• çu pelo fcliz ex:lto desta prlrnelra pe• rearlnaçAo, pelaa melhorss alcançadu por alguoa doa acus doentes e pel~ c:omo dlziam· os peregrlnos, de ninguem ter sentido o menor ID• commodo de sau(le, ·ao contrarlo do que c0Rt11m11 succeder a ouem se mo• lha até , meò11lla dos O}~qs. -Em L~ina, aJuventude ~~ tholica, a Associaclo do:s Calxeiro , n A-ifeJII•

,,,u«rre,

I


blefa Ueiriensè (elub) 'e o Oremlo n

Littefa,io~e Recrutfvò pu2eram gen-'Q tllmente as salas das suas sédé8 é dlsposl<. ao do:s peregrinos, que, sem es~ u se ( ffetecimenlo, tetlant de pernoitar, em granue numero, nos bancos das pra\as e do, jardins por nao haver quitrtos devolutos nos hotets· nem ou1ras casas que os pt.dessem alb'et• ~ gar · Ern Lelria e em Torres Novas famllias de todas as classes dispensaram aos peregrinos, que alll affluiram em numero de multos milhares na sua pai., agem para FMima, toda a sorte de a11ençòes e carlnhos, recolliendoos e fornecendo- lhes roupas e aquecfmentos. - A comissao organlsadora da peregtinaçao de Coimbra ènviou para Leiria o seguinte agradecimento para ser publicado nos jornaes daquela cidacie: e A commissgo organisadora da peregrlnaca:o de Coimbra i Fatima no dia 13 do corrente agradece penhoradamente as pess0as caridosas de Leiria o agasalho e conforto que t~o espontanea e desinteressadarneote prestaram aos nossos peregrinos oferecendo lhes tf as suas roupas, enxugando as que levavam e acudindo com aquecimentos e ourros generosos serviços aQs que se encontravam completamente enchatcados pela chuva que tiveram de suportar nos eamions durante seis horas consecutivas A todos protesta a sua profuoda gratid4o, nao fazenda agradecimen tos directos a cada familia, de per si, por Ignorar os nomes de muitas dessa! pessOas caritativas•. Na manhA do dia 13 o vasto templo da Sé, de Lelria achava•se repleto de fieis. A's missas allt cetebradas assistlram os peregrinos com a mais viva fé, aproximando se qu~si todos da Sagraòa Meza. Durante a missa de Sua Exceltencia Reverendissima o Senhor 8f3po de Lelria canfou a Juventude Cathollca de LlsbOa alguns canticos apropriados ao acto, commungando a e~sa missa os peregrinos de Coimbra. O numero de automnveis e camions que no dia 13 de Outubro e~tiveram em F~tima foi superior a trezentos. Houve quem tivesse a paclencia de os contar nm por um. " O numero dos outros vehiculos, de todas as especles, feitlos e tamanhos, era incalculavt!I, devendo orçar por multos milhares. Entre os automovels via-se um que tinha vindo dtrectamente de Hespanha com alguns peregrlnos daquelle paiz. - O tanque da agua ma'ravllhosa que brotou da rocha viva depois da J>rimelra missa campai no sitio da primeira appàriçAo esta quasi concJuido. Catcula·se seiscentas plpas a quantldade de agua que o tanque contém actualmente. O deposito supérlor, para onde a agua é levada por melo de urna bomba aspirante fem a capacldade de dezassels pf pas e est~ divldldo em qui nze compartianentos a que correspoudtm ou.trae tantas tornelras~ 1,; Tèndo corrido a nova da cura extraordinaria <le urna creeAça, neta de um médJco tao illustre pelo fervor da sua piedade corno pelo aaber, um dltUoctQ a'1-.:ogado,. nosso oomum

e,n

amlgo, escrevélJ'l U\e 'a preguntar sé o Q facto era verdadt!iro. obtendo a ae-gointe resposta que se dignou com:.i ".> munioar- nos e que ouitamos transèrever por co11st1tulr um alto e oobre exemplo de espitito de fé -e de ,eslgnaçilo chri1ta: •lnfelltmeote nao é

verdadelra a noticia que recebeu : nao foi miraculado o meu net<>. Oeu$ nao me fulgou dlgno de tao grande grai;a. Pois st:ria retumbaote o mlla~P gre, ~e ae tlvesse dado, e metter-se-iii I. pèlos olhos dentto ao mais incredulo. Por todas as ras0es tlve immensa pena de que se, nao désse. Curvo-me; bemdigo o Senhor : maa nao posso ser superior a um grande sentimento de trlsteza I Grande fraqueza mlnha, nllò ha duvida. Oeus, porém, m'a perdoara, vendo a minha resignaçllo.• :> Aquelle nosso amlgo fez preceder a sua commurrlcaç{lo do breve màs edificante commentario que segut: e A humildadè do signatàrlo destas linhas contunde-me alnda mais do que a sua fé. • -De um interessante e bem redigido artlgo publicado em editorial no numero de 19 de Outubro do JORNAL DA BElRA com o titulo de «Nossa Senhora de Féitima• e o sub- > titulo de clmpress0es dum peregrino• transcrevemos com a devida vénia os pt!riodos que seguem: e A certa altura, o dia até en tllo enublado, de ceu pardacento e escuro, começou de aclarar. Na esperança duma nova repetlçAo do phenono solar, ja por varias vezes alli constatado, a maior parte da gente olha• Ta o ceu, procurando ver o sol atravez das nuvens, agora mais diaphanas. Ouve-se um vago murmurio de admiracao. Olho o ceu no ponto em que o sol começava de surgir. As nuvens. ja tenues, transpareotes, corrlam pelo ceu vertiginosamente. E num dado momento o sol começava de apparecer corno urn globo alanrajado, euja citcumferencia, toda num circulo de luz, estranha, talvez azul electrlco, girava vertiginosamente sObre si mesma. O phenomeno dura apenas uns segundos. De novo o sol 6esapare• ce, t!spalhiindo se entao por todo o ceu pequenas ouvens còr de rosa que vao desaparecendo no borisonte. Este estranho phenomeno solar que j~ mais tlnha constatado, vi-o alli em piena posse do meu espirlto, livre de toda e qualquer impressao ner• vosa. Nao procuro explica.Jo de quatquer f6rma. Assevero apenas que elle se deu, com testemunho de outras pess0as conhecidas do nosso melo, a quem elle nilo pass,ou despercebldo. Seria um phenomeno visual causado pela lùz solar na nossa retina ? Seria o facto - porque o é - um phenomeno atmosphertco locai, tenfporarlo e ocasional ? Ser4 um slgnal de Deus? A todas estas preguntas que a mim mesmo ffi e com os meus companheiros discuti em troca de lmpreaa~es, eu flco sem responder. O que é absolutameote certo, porque foi um facto indubltavel, é que o phenomenO' se deu e eu e outros o veriflcllreos. Oepoia delle a massa doa creato-

conttnuou rezanda;t"a'sslstlndo recÒ'lltl lh.ida e piedosa ao Santo Sacrificio da~ Mfjsa. i 'l tr ci:>\f

.~.i"f/"'······~e • •• , ........ ~P-~,~ Este facto, , a affluencta espsntè:rsa?L

lncal4ulil vel, dè t peregrinos ao locai,.. da Patlma, é o que prhhelro nos' impressiorfa e nos ch6ca I Alguem dé> n0sro Jado que asslstiu concorrertela enorme de pessOas que a apotheòtie do sol dado desconhecido levou A Batalha, calcula em multo mals de qoatro vezes a que desta vez se deu a Fatima I E' urna ~ousa assombrosa f E nlio ha alti um divertimento uma cutiosJdade artistica, r1ada, ibsolulamente nada que nao seja aquella immensa mole ilo gente rezando em volta duma imagem humllde. Alem

a

disso é de notar o recolhlmento, o respelto, o sllenclo que reina por entre aquellè mar de gente, a ausenclade qualquer nota discordante de qualQuer conf!icto ou barulho,' oao, obstante alfi se nào ve; quatque, auctortdadt, nem um shnples soldado daguarda republicana I l Assim, pois. e para terminar esta~ slmples e desatavladas liohas escriptas ao correr da penna : a impres:ii\o que dalli trouxe - sparte o phenomeno extraordinorlo que alll vi e que por raz0és bem comprtheosiveis m\o, procuro discutir por emquanto-é de que Fatima constitui ja presentemente o primeiro logar de per~grin;.1,,aopiedosa de todo o nosso paiz. •<. Pot certo nao se encontra em parte alguma, i exc~pçao de Lourdes,. urna tilo enorme massa de fieis participando, no maior recolhimento e dtvoçao, das solemnidades religiosas celebradas em hor1ra da Ma~ de Deus t

Transpotte. • • . . • • • • • 5:48l:fi2l) lmpressllo do n.0 13 (15:000 exèmplares) • • • • • • • • • 230:000 Papel d'impressao • • • • • 2:260:()(X) Outras desr,ezas • • • • • • • 34·000

Soma. • • • • • • • • • • 8:0ù7:62Ò

Subao,-1980 (Contlnuaçao)

O. Mula da Apresenta~o da Costa Perelra ••••• toSOOO P,0 José Maria de Almeida. 10$000 Or. Joaqulm Coelho Perelra (2. 0 anno) ••••••••••• D. Margarida Ventura Ruivo Ferreira •••••••••• D. Julia Pinheiro da Costa • O. Antonio, Bispo Auxiliar Colmbra (2.0 anno)••• O. Anna da Silva Barreto • Dr. Leonardo de Mello Falcio Trigoso ••••••••• O. Maria da Cruz Narciso Porfirio ............ . O. Jgnes Baptista Tavarea • Manuel Mes411ita Ribeiro _ da Silva (2.• anno) •••• Antonio Carvalbo Xavler .• P.• Aueusto José da Trin-

ae

JOSOOO 10$000

1osooo· tOSCOO 10$000

25SOOO IOSOOd 10$000

-

IOSOOO lOSOOO

udo (2.• anno) •••• -- • 15$000 .

....


A.no

LEIRIA. 18 de Dezembro de 1.0.28

(COM APROVAçAO ECLESIASTIOA) Admlnl•t;radori PADRE M. PEPEJRA DA SILVA

Dlreot:or, Proprlet;arlo e EdJtor

DOUTOR MANUEL MARQUES DOS SANTOS

REDACçAo R ADlUNISTuçlo

RUA. D. N'UNO ALVA.BES PEBE:IBA.

Composto e im presso na Jmprensa Comercial, 4 Sii -

1.eiria

{BEATO NUNO DE SANTA MA1'-1A)

13 d8 Novembrci Na vespera chovera torrencialmen-

te, sobrctudo a noite. O dia 13 porém, amanheceu sem chuva, posto que o ceu, antes do nascer do sol, se conservasse completamente nublado. Atravessamos mais uma vez a serra d' Ayre, sob os raios acariciadores do astro-rei, que de vez em quando espreitava por entre as nuvens. Ja passava do meio

dia e meia hora quando chegamos a vista do locai dati appariçOes. Precisamente no momento em que des-, clamos da estrada para nos dirigirmos capella comemorativa dos sucess6s maravilhosos ouvia-se o toque da slneta que anunciava o iniclo da segunda missa campai. Celebrou-a o rev. Antonio dos Santos Alves, parocho das C6rtes. A multltidao que se acumula em torno da capella e se ester;de até proximo da fonte, é enorme. O numero de peregrinos que neste dia acorreram a PAtima excedt> alguns mllhares o do mesmo dia e mes do anno passado. A chuva torrencial da vespera, tornando lmpraticavels as estradas e

a

caminhos da serra, nao fizera desa• olmar os verdadeiros devotos da Vlr-

gem do Rosario, que a tantos aacrificlos se sujelfaram para lhe prestarem o testemunho do seu amor e do seu r('conheclmento no logar em que

se

dlguou apparecer para derrama, com profusào as suas graças i:iObre os tìlhos de Portug&I.

Durante as òuas mlssas, (a primel-

ra fòra celebruda ptlo rev. Augusto de Souza_ Mala, secretarlo do sr. Bispo de Leirla), o rev. Dr. Marques dos Santo!!, no melo de um silencio absoluto, reza o terço alternadamente com a asslstencht, cujo rervor Impressiona t. commove devera,. A' elevaçAo fazem-se as invocaçOes de Lourdes que s6bem até junto de Jesus--Hostl~ como ~ritos dilacerantea de almas que soffrem ou que lmploram lenitivo e conforto para o soffrlmcnk> dos outros. Emquanto se admlnlatrava a Saaiada Cot'llmunhao, canta-se o •Bem-

dft••· Recebe• uste I

ila • Pi• (ts

Esoadorio e Sentnar10 ds Nossa Senhora da Enoarnaoao em Letrta Neste Santuur10 houvo anLigamente milaf(res retumbantcs e aqui vinhem peregrinos de perto de Counbra, Mooti:mor-o-Velho e outros sit1os d1stantes e ainda hoje é de grande dcT01io

Anjos al~umas centenas de fiels que, préviamt nte con{essados nas suas terra~, de bOa vontade fizeram o sa-

crificio ,ie estar até tao tarde em jejum n~1ural para terem a consolaçao de l ,,mmun~ar naquella estancla prlvile~la , p1: lc1 Ralnha do Ceu. Ac.ib, 10 u Augusto Sacrificio dos nossn~ ,ihares, s6be ao pulpito o r"v. José do Espirito Santo, parocho do Regueng< òo Fétal, que du1ante très quartos de hora falla sòbre· as glorlas d1 ::,<1,utis:ilma Vlrgem. Quasi no ftm do i.,t-rmAo a multid~o, que aesde e •Sa, tlU"• <tebaide procurara desc,,brlr 11· ,, mamento qualquer sign&l exti 1, ,1 jinario, eotbuslasm&· se e prorc.,mpt' em exclat'llaçOes de admlrai_.Ao ao contemplar os phenomenos dos mczes precedentes que se repetem neq~e momento. Os olhos podiam fixctr St! no sol sem esforço e sem lncmnmodo. O disco solar pareceu girar :;Obre o seu eix,', :iemrlhante a urna roda d~ fOgo 1i1.• nruficio, mas sem projectar feixes di' luz e de chammas de cOrcs v 1uienadas como em 13 de Outubro de 1917. As nuvens tornaram-se successivamente azues, encarnadas, roxas, verdea e amarellas, retlectlndo-se esSH cOres nas nuvens que toldavam em varlos pootos o horisonte dlstan-

tt. A• lllffllle t~•P• s•tue o locai

das appariçOes parecia cahlr uma chuva copiosa de f16c0a brancos corno fl6ccu de neve, que se dleslpavam quasi por um cncanto a poucoa metros do s6Io. Um llfficlal auperlor do nos~o ext:rclto, que nos campos de batalha da Fiandre, hc,nrara aobremaneira o ro.. me portuguez, nAo p«'dia conter a sua admiraçào por tudo o que ae es-t,va passando na atmosphera e no firmamento, exclamando por flm: e Incooteatavetmente ha aqui o que quer que seja que excede as forças ds oatureza e nos deixJ entrever 4e um mocto bcm sensivel o poder lnAatto de Oeus I• Esta phrase era a syntbese do pl!nsar e du sentir dos milhares de pcs!Oas preaentu, entre as quaes se contavam multas pertenceotes ~s classe& mais cultas da sociedade. O pré~ador conclue o sermlo, la• terrompldo por mamentus, d«>vido 4 di~t. ~cçào do auctuorio prtv, ndo pt.'los phenomenos extraord111arios. Sao cerca de duas horas e mela. Alguns peregrinos, homens, mulheres e creanças, cumprem promessas, andando de joelhos repetldJs vezes em torno da ~r,.lla. A multid4o abrelhes passagem facilltaado o cumprlmeato dos seus piedosos encargos.

Jnte a

k>ate 11aravi~1a ce11ten9!


J

de pes.011 bebem agua ou fazem larga provisAo delta afim de a tevarem para suas casas. SAo quatro ho-

ras.

Oa peregrlnoa teem debandado pouco a pouco, Na estrada ja se v!em poucos trens e um ou outro automovel. Seguimos dlrectamente para Torres Novas e nessa mesma noite tomamos na estaçao do Entroncamento o rapido Porto- LlsbOa, regressando ao nosso lar distante com a alma impregnada do mystico e suave perfume que se evota incessantemente, mas sobretudo no dia 13 de cada més, da atmosphera sobrenatural e divina da encantadora e mysterlosa f atima.

V. de M.

PREVENCAO s esmolas para Nossa Senhora do Rosario da Fatima Somo•

lnformado•

de

I•• pess6se teem a i do III xplorad•• pedlndo•

que • • ..

a-!>• lh e• eamola• para o culto de No••• Senhora . d f'I Fàtlma e

e••••

eemo-

laa niio teem chegado ao •eu deatino. A deaf.a qatez dum laraplo fol • ponto de pedir uma eemola ao Santo P•• dre I ••• Como a arte de Poub"r esté muito apurada, fazemoa oa aoguintea awl&oll 1

1.0 • • e•mol•• •6 dewem • ~ • entreguee é• peaa6ae que • • Pec bem dentro do alpendl!e que e•t6 em volta da c11pella, ao Rew. P1·fo~ , da Fatima GU na o. dndnietrzq.lo da VOZ DA FATIMA em Lei ..ia.

DA

_4 . 0 A voz FATIMA é diatribuida gratuitamentP, e a& e,emolaa qua oa seufJ tomadorea qubierem dar, sao p111ra o cu1to de Noaaa Sanhora.

5. 0 E' prohibido vender Cf1A ei!iq'u~r nbjetos dentro fio t4!r,•onos deati ttted os ue SsntuQrio e, portanto, oo C:ieis devem repelir q11emqucr que so apre&9nte nesse logar a wen-

cle-loa.

Hs curas da l'atima

Peço que me desculpe eata tlo longa conversa e acceite os meu$ cumprlmen tos.

1

Sara Mudat•

Devldamente autorlsados publicamos a seguinte carta, que os leitores do nosso jornal decerto acharAo, corno n6s, Interessantissima:

eut... aura

D. Maria dos Anjos de Matosp Presidente da Associaçao das Filhas de Maria de Pard~lhas (Murtoza) veio no dia 13 de Julho a FAtima pedir a Nossa Senhora a cura de urna ferida em um pé, que multo a fazia soffer. Na Fatima lavou a ferida e quando no dia se2uinte cerca das oito 'i horas da ma11ha se descalçou a prlmeira vez na presença de Maria Jo- ~ sé Marques e Maria do Rosario Nu nes, da mesma terra, estava curadal A' volta da Fat,ma veio pela Batatha podendo ali e em Leiria subir e descer as escadas sem incomojo. D'urna carta enviada Voz da F.itlma• copiamos o seguinte: e Nao posso mandar attestado sObre a ferida da mloha perna porque dt'sta vez nllo cheiou a ser vista pelo médico. Se eu soubesse que o queriam publicar nada me custaria mostrai a antes de ir Fatima.

cLeça, 10-Xl-923.

a

Pela primeira vez fui Cova da lria em 13 de Setembro, mais em passeio e curiosldade de que por de,oçao - mas fiquei infinitamente impressionada pela fé simples e profunda dos mais humlldes aos mais poderosos e das cerimonias ao mesmo tempo humildes e grandiosas I Nao preciso de mais milagres do que esse que leva essa onda de povo a esse canto arido e quasi deserto de Portugal numa s6 ancia de orar, pedir ou louvar nossa Senhora, aonde elles julgam que Ella descesse à terra para melhor nos ouvlr e animar I E porque nlio teria Ella feito essa graça a Portugal tllo desgraçado se Ella o fez em Lourdes? Se nada houvesse em Fatima, aonde nada atrae, porque iriam esses peregrinos cada vez mais numerosos? E corno explicar aquella misteriosa e poetica religiosidade que nos envolve, inonda a nossa alma e nos faz cahir ali na terra barrenta e orar, horas e horas, humildea e cheios de fé ? E t!o chelos de fé que desejàmos voltar em Outubro por devoç:io no sacrificio da peregrinaçAo de Coimbra. lnfelizmente como nào iamos independentes tlvemos a magua de ficar em Leiria. Que oossa Senhora acelte esse sacrificio depois de urna noile de chuva torrenclt1l I No11sa Senhora ja 110s fez um grande milagre;. é esse o fim da minha carta e tambem a as· signatura da e Voz da Fatima, para a qual eovio junto 10:000 rél11. Oesejava que os jornai& vie!lsem desde Outubro passado. Alguem desejava muito po~suir os 12 primeirc,s (ainda • existem? ). De certo V. Reverencia quer saber o milagre. O meu irmAo mais novo Oscar esteve ha aonos 11 morte com urna infecçao e durante 10 mezes esteve r,u m martyno I Mas Oeus con·cedeu nos mais esse grande milagre Je n salvar. Em Sc·tPm-''j bro pasoado depois d~ grandes dores aguth1s na f;.1ce esquerda e dols tumores nos dentes e depois desles 1 tirados e as dbres passadas, manifestou-se um _principio de infecçào na narina e~quérda. Assustado foi a urn especialista 'que lhe receitou pul~ verisaçoes e recomendou que nada deitasse na narln.a esquerda, mas que lhe parecia ser j t um pouco tarde e ter de fater urna puncçao. Como nesse tempo costum11 caçar um mez na Serra portiu e 14 tomou as pulvèrisàçOes que 1111da fizeram. Ao escrever-me receoso do futuro, mandel- lhe agua de PAtima. A's noites, depols de urna p •qurna oraçào, dei-, tava urna cc,lher5 ntl', dagua nit narina e.squerda e terc.e,ra flcou curado I Louvado seja Deus e sua M!e Maria Santissima I Em Maio viemos todos a2radecer a Nossa Senhora da fétlma t

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' Passados os sete mezes de sofrt: mènto da perna e st>m que esta cicatrlzasse é que eu me rl'sol vi • ir ao Porto consultar um especiatista, .ma&' durante a vlagem Uve este presentimento: e se eu em vez do médico fOsse Fatima? Oi!lse-o Maria RQsa, que era quem me Rcompirnht!va. E!ta disse que seria mt>llior. Ei1, porque no dia 13 de Julho ali fornos a, esse lugar santo que tanta unçao interior da 4 nossa alma.

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lH,10!

Dcixa vjr ti minh'alma atribuladn

l

Um rai() deJsa ti/urea, nrdente la~;n àe 1i sem cessar tmana a flux, O' do'2e Coraçdo (Ja lmmaculada I Qltt

Meus passos firmà na som(Jria estrar,a

Por onde arrosto da amarRur,. a c,uz E, como ao nauta a bussola conduz, • Le-,a-me salvo d praia suspirtJda. l

.J1l

leva-me ao porto, d patria da ven-R tUTtl• JI

Do Amor, do Bem d fonte eterno~t pura·" \ Na rnals segura barra - o teu pcH..t, r. Escuta a prece, Coraçtlo bemdtfò,

a

Qae a ti elevo - doloroso erito Dum petto o/lieto e /arto de sofrer l •

2

J


....,. Voz do. F.étlma ha algum tivro com a notlcia das apparlçOes e acontecimentos de fii.· tima desde o principio, era favor envlar-mo.•

. Fé que cura De urna nobre senhora do Porto, tlio distinta pela sua cultura invulgar <omo pela sua viva fé religiosa e acrisoladas virtudes chrlst!s, recebe. mos urna carta de que extrahimos os seguintes f>eriodos: - «Peço sobretudo, as oraçOes a Nossa Senhora da Fafima, a quem prometti ir agradecer a mlnha cura se ella se dignar livrar- me da terri;el doença que ha dez annos me traz quasi de todo inutilisada. Os médicos da terra oAo me curam - consultei quinze, - e Lourdes, aonde fui ha uns annos J~ depois de muito doente, tambem nao me curou. Estou a ver que Nossa Sentiora quer curar-me em Portug.al. Deus permitn que slm l Se a medicina anti· cathollca disser que foi a fé que me curou, eu saberei g_ritar bem ~lto que, se a fé me curasse eu devia ter vindo curada de Lourdes, quanJo ha annos la fui. Os médicos incredulos acertam e nao acertam afirmando que a fé cura ; sim, a Fé dom de Oeus, tudo cons~gue do Coraç:' io de Deus, que esta prompto a .dar tudo aquelles que d'Elle receberam o dom de sabee confiar.•

O processo canonico

Urna ilustre e virtuosissima senhora de Vizeu escreve-nos o seguinte: <Seguimos com o maior interesse

e fervorosa expectativa os acontecimi-ntos de Fatima. Que a decisao UltJma olio se faça esperar para altivi,., Jas almas I . Tu io quanto se relaciona com tima é muito favor comunici-lo.•

Fa-

Notlclas de curas Cit11mos a seguir alguns periodos

<le_ um& carta de um excelente pecegrmo cte Alcanena, muito ,entusiasta ~eia causa de Nossa ~enhora de

Fa-

1,ma : - •Tive tambem o grande praZt'r de conheçer e fallar com a grand ... mir~culada de Maio passado, a q_ue rn f1 z no tar a ìm pprtancia que ten a urna entrevistd ('tn f6rma e com e)art!za que se publicéls5e 110 jornals111ho de fatim«J, aromp:inhado de Plt• 1togPavura . • A m1rn çulacta dif;sem~ que is:,o nao Jepe ndia d ella mas d I comi ssio ~11oni ci\. Tenho notado que o povo esta avid o de notlci as de,1a natur~za, procurando em c ada num ero e11c1)ntrar noticias q ue o ~ensibillsem, e.o mo o f~rcfm as publ1~adas no numero de Maio. Eu c r~ to piamen t~ q ue a. felii priveligia~Ja da P<'rl·_gri,~ç.io de Santarem escompletamen te cu ri da. pois o seu a~pecto, a _sua · cf,r, ~gilidacte e vida ey fim, d f't x a m t ss..t impressào a q ut'm tem O prozer de lh e fallar.. l

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O ph!!non1000 so!ar

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De um car tfio dc urn a sentio ra ilust~c e pirdo~a de C (111deix~ : - , Estivi! t·m PWma no dl:i treze. Fiquei ~ iH&vtl /iada coni o ·qu e vi. O sol .ipparect!r P,O~ aquell;i f6rma é um Vt!cùa.Jciro mll:igre l fat.e espectacu]~ causou me uma tao grande emoçao Quc aiuda n4o tstou em mìm I Se

Doze leguas a pé De urna carta de um peregrino de Thomar, nobre pelo sangue e peto talento, de urna cultura f6ra do vul· gar, christAo fervoroso e chefe de famllia modelo, transcrevemos o trecho seguinte: - ,Conto ir a pé no dia treze a Patima e, corno ja posso andar com certo desembaraço, se na ocasiAo nao estiver peior, quero ver st faço o trajecto a pé daqui para N4o fiz promessa ateuma, ir,as gostava de poder offerecer a Nossa Senhora, no dia treze, a meza da communMo, o incomodo que por certo causar~ tao grande cam,nhada, sobretudo a quem, corno eu, ji\ ha trez ou quatro ano, quaal nAo anda a pé.»

la.

AVISO So teem direito a receber a

que previamente tlverem mandado , redacçAo o minimo de dez mii rets. A expediçAo do jornal p6de derno• rar alguos dias, depois dos dias 13. Ultimamente tem-se distribuldo gratuitamente neste dia na Fatima rérca de 4:000 exemplares.

Voz da Fatima Deepezaa Transporte. • • • • . • • • • 8.007:620 lmpresslio do n.• 1-4.••• (10:000 exemplares) • • 180:000 Tran~porte de papel. • • • 1OI :000 Outras despesas . • . • • • . • 51 :00(! Somma • • • • • • • 8.339;620

SubeoriçAo (Continuaçào)

Saudades de Fatima De urna carta de urna filha de Maria de f>ardelhas (Murtosa), que em treze de Julho foi favorecida com urna cura extraordinaria de que noutro lugar fatemos o relato, transcrevemos os periodos que seguem jcerca da peregrinaçao loca! de treze de Novembro: - cChegaram todos com saudade immensa e anciosos por voltar brevemente a esse lo2ar bemdito para saborear de novo a commoçao que alli se experimenta e gosar uma vez mais a paz santa e suavlssima que i;e sente n'alma nos momentos d1tosos que alli se passam. Durante a vlagem rezamos o terço em coro no comboio e nlnguem ousou dizer nada. V~ se que o povo essequioso da plllavra de Oeu,. Praza ao Senhor que dentro em pouco Portugal se torne o Portugal doutr6ra n-a sua fé.»

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Maravllhas de Deua Transcrevemos os segulntes perloaos .te urna carta de um pit>doeo peregri no de ~ernarhe do Bomjardim, d a tada d e treze de N ovt-mbro : - e Em tre7.e de outubro fui com mlnha fam i lia fa!im;i agradecer a Nossa !,e,•hora do Rosario alg11ns grnrrdes hvores q11e se dignou fa-

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zer no~. Ffq ue, rr J f1111 da nit>11 !e e 1canta11,: com 1udn n qut> <,hst'.PJei • •• MaravilhéiS de Dt!t1s I Qutm me dera estar !ll pis prrn:;im , ctes::è 51tlo priveligiado e poder i r Il todoS os n1eìek I»

.

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Pensando em Fàtima , ) De unn carta de outra filha de Mari{!. de rardelhas (Mu, tosa) extractiimos as seguin1cs linhas : - «O que fo i a peregri,11,i:ao do d ta treze dc Novt-mbro? ()e via ter sido um l espectaorlo muito booi ré, I Que dòCl ' S lngrim as de commoi;:20 derramcl ao &n t'io dia lembcando· me do que .'.!Qu~lla hnrn !- e esta va p1-, ssando Pm Fatimr; I Nhu sei q u~ u,y ,teri o:-a influenc h , xe1ct F~tlma PfU m·r,hfl alma, qut 1:/io ha um ~6 <JJii -t !I) 4ue mio pL•n :;c, naqud!a ~~1i111c1: h t' tnciil,", e nrto ouço r\llll Ca prvr. urqu f•S• Sf!. nomi:' du!w, ..imo St'm q_u~ '> meu coraçào ~e e,nusiasme e oxult.! de

alegria. •

·

cV01,

da Pitlma • pelo correlo, as pessou

P.e Manuel

J. da Rosa do Nascime:ito (2.9 anno) . 10Soot P.t José Luiz da Rocha (dois annos). . . • . . . 2osooo Antonio Cardoso Leal (dols annos) . • . • • . . . 20$000 Donatlvos varios e jornaes. avulsos • . • . . . . . . . • 269SOOO D . Joaquina Almada d'Oliveira • . • . • . • • . • . • . 10$000 D. Maria Amelia Almadll Albuquerque. . . . . . . . • 10$000 D. Maria José Ouimaraes Pestana Leal (2.1 anno}. . toSOOO D Maria de S. José Pestana da Sllva • . • . . . . • 10lfl00 M.18e Maria Magdalena Oudlnot Larcher Marlins Nunes . . . • . • • . • . . . . tOSOOO José SimOes Pedro (2 anno) . . . • . . . 1?(500 O. Maulde Barreto (2. 0 an.,). I 0$100 Jo~o Carh.1s de L Mvath , Reis r Silva. . • • • • . . • • l0$1 1uo O. Te,esa da Co nt:e1çào Xavìt'r Ramr\s Netc1 . . • 10!000 D. Rosaliii da t ;;imara. . • • 10$0f' O D. Margarida Vic torino Costa • . • . . • • • • • • • . • • lOSfìOO Maria Eu gPnia Matos Madeira Co~t,1..•...•• 1osnoo tgnado Seguro Saraiva .•. 10~0• 0 O. Maria José dos Santos.. lOSQOO D. Anna Co rrela . • • . •• 10$000 D Maria O ertrud es• . • ... 10$000

°

o.

Fra1\lc Robersto'r1 .••••.•• 1osono O. (jrfglda' l1e Nazareth Da· milio . • . . • . . . . • . . • 10\000 D. Marianna de Jesus Bonifacio . . . . . . . • . . . . • l OSOOO O. Mari .. da t.::0nce1çào C'amarale . . • . . . . • . . . . .

l 0~()00

Erne~to Ferrel/11 d,~ C'o:-t::i. . 10$000 D. Maria da C 111çei<;ào Berqu6 d' A1iuiar T eves. . • • lOS(l()() D. f nma Còrdt!Ìro .\ fai;as. . 101000 Gullherrnin a de Jesus Alberto Onme's ... ..•• lOSOOO O. Aclel' il1& Bra·rn,ramp de M ellu B<ci hr r ( nhral) • • .Mgr. 4 !1hi1, tk.fl~ '~ San1 0;; J,)1:11g al {2.0 ..: •11 ) IO! ' 00 D r. W , i• '$ •'.l'Ol1ve1n1 (2." J l¼nno) . . . . . . • • • . . . : . :l1,i~1ilO P..c Jos& l f, nt1d n à' U livti rit. 10$000 D. Cor-:::, ntil~ .· ni;da ,lt! Carval!10 • . • . • • • . . • . 20$.000

ù.

,osobo

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Augusto ArauJo de Carvalho D. José M. F. da Camara (Belmonte) 2.0 ano ••.••• Maria Tavares .•..•••.• Franclsca de Jesus Mança (J.• vez) .• ••. . • • •... Maria das O0res Fernandes (2.a vez). ..•.....••• Mar Jo Ceu Cavadas ..• Manuel José Fernandes Rendeiro. . . . . . . . . . . . . . Maria José teiras •...... Piedade Bunheir0a (3.• vez) Rosa Antonia Valente d'Almeida ....••. . .•... Laura de Oliveira (2.• vez). Maria de Jesus Pir0a.••.• Oracinda da Silva Trinta (2.• vez)...•..•.•..• D. Maria josé Leite •.•..• D. Maria das O0res Tavares de Sousa (2.0 anno) • D. Maria Candido Teles •• Antonio Carvalho Xavier .. Antonio Marques da Costa. O. Josefa de Barros Catn0es Joao Manuel Gouvela Hortas ••....... , . . • • •

10$000

lOSOOO tOSOOO 5SOOO 2$500

5SOOO 5$000 5$000 5$000

5$000 2$500 2$500

5SOOO 5$000

10$000 20$000 10$000 lOSUOO 10$000

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Antonio Valerlo Tavares da

10$000 Joao Machaùo Callado ... 10$000 f>.e Joao Marques Carita .• 10$000 D. José Alexandre Carlos Trincao .........•.• 10$000 Maria dos Santos Bruno .. 5$000 Maria Oiniz Henriques e irmil Joaquina .....••.. 10$000 Antonio Henriques Parto .• 10$000 Jgnacio de Moura Coutinho da Silveira Montenegro {2.0 anno) •..•..•.•• 10$000 Manuel Lourenço dos Santos . ......•....... 10$000 D. Luiza Stadlim (2.0 anno) 10$000 O. Maria do Socorro Paiva. 10$000 D. Francisca Julia MerguSilva ...........•.•

lhào. .•..........•.

lOSOOO

D. Rita Trindade Santos •• 10$000 Oelfim Marques de Carva1110. • . . • • • • • . • • • • •

10$000

D. Filomena Augusta Pinto

Dias . ............ . 10$000

D. Maria Pereira de Lacer-

da de Penai va •••• • •• D . .\lbertina d'Artagett Matta e D. St ra Mudat •••• o. Maria j, !oé Manl11s Contreir a~ Bandeira .••••• D. Maria Joanna Patricio •• D. Amelia Lopes de Mendonça (2.0 anno) •• ·• •.• No,berto de Carvalho •••• O. Natlvidude do Castello Silva . . .. . . . . . • . . . .

10$000

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10$000 10$000 10$000

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D. Mati11 <lo Carmo Ment1,,1,ça N"1u1cs da Silva .. 10$000 )0101,in, Mn 1a Soelro de

Bdtn . . . • . • ••••• 10$000 O. B~na Mttitl(•s Bocellas • 10$000 D• .M,11 i;i J H;ona de Lemos

S"nt'J;_,go Pereira de La-

10$000 10$000 O. itaria Nobre Sim0es ••• D. Ma1ict Simplicio ..... .. 10$000 ce1rt.J a • • • • • • • • • • • • •

D. P.rmelluda da Costa Al· ltmao (2.0 anno).•.••• 20$000 D. France!ln,. Pereira ••.• 10$000 Condes~.. de Mendia (2.• anno) ............ . 10,000 Dr. Tcm~s Oabrlel Ribeiro (2.0 anno) •••••.••

10$000

D. Mari~ de Lourdes d'Oliveira Soares Van:z:eller •• 10$000

José de Palva Bobela Mata. Dr.Jaclnto Gago da Camara (2. 0 anno) .....•.•.• Francisco Teles d'Andrade Rato (2. 0 anno) .•••.. P.e Antonio Jacintho Valente ..•.•..••.••.. Anonimo (Tabua) ..•.•• Francisco de Paìva Boleo • Joao Luiz Andrade ..•.. , D. Gertrudes da Silva Nunes. •...... . •..•..

D. Maria Teresa Maura Pinheire (2.0 anno) ....• O. Joaquina da Conceiçllo Ribeiro .... , •.. · .•. Percentagem em venda de estampas (donativo duma pessoa de Coimbra).... D. Maria Amelia de Pina de Portugal•• , ..••...•• D. Carolina Augusta Moreira Range! ••..•.••. D. Rita do Sacramento Mousaco Alçada ...•••.•• Anonima do Porto .... D. Emilia Ncvcs d'Oliveira (2. 0 anno) ••.•......•• P.e ]ayme José Ferreira .. D. Saturnlna Meirelles Barriga . ••..• : .......•

12$500 10$000 10$000 10$000 10$000 10$000 10$000 I0S0OO

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D. Olinda Godìnho Reis .• Dr. Josè Peixoto Torres de Carvalho .......... . 10$000 Dr. Joaquim Torrelra de Sousa . . . . . . . . . . . . .

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D. Jovita Duque ....... . 5$000 Anonimo de Lisboa .•.•. 10$000 D. Basaliza dos Santos Valerio . •... . .. • .. . . . 10$000 D. Maria Anna Correia BranCO • , , , • , • • • , •• , , •

10$000

Joaquim Ribeiro Telles (2.0 anno) . . . . . . . . . . . . . 10$000 D. Marianna Grave Descalço. . . . . • . . . . . • . . . • 10$000 De Leonor d' Almeida Coutinho e Lemos (Seixo) • 10$000 P.e Francisco Quaresma (2. 0 anno) . . . . . . . . . . . . . 10$000 D. Candida Sanches • • • . • 10$000 Dr. Joaqulm Mendes. • • . . 10$000 D. Celeste Maria de Sousa (2.0 anno) . . • • . . . . . • 10$000 D. Joaquina Alves PIAto Baptlsta (2 ° anno) • • . . 10$i00 Manoel ]osé Fernandes Rendelro . • . . . . . . . . • 5$000 fnfrozlna Tavares da Silva. 5$000 Maria Luiza Esteves. . . . . 7S500 De jornaes etc. (Pardelhas). 13SS00O D. Laura Avelar e Silva (2.0 anno). . . . . . • . • . 20$000 o. Lec,nQl oe Avelar e Siiva (2 ° anno) . . • . . . . 20$000 D. MAria de Avelar e Silva (2 ° anno), • . . . • . . 2osooo Dr. Maooel José de Sousa. 10Sooo Marianna Saldida. . . . . . • 10$000 Anna da Assumpçao Vi dal. 10$000 José da Ponseca CaslclBranco. • . . . . . . . . . • 10$000 O. Maria da Natividade da C c. A. Sampaio e Mello l 0$0-00 Alberto Tarujo Nunes Correla. . . • • • . . . . . . . • 10$800 D. Maria Franclsca Rasquilho . . • . . . • • . . . . 1oseoo D. Maria lgn~s Ruqullho . 10$000 D. Ia.n~ Naacimcnto . . . . l0Sooo Maaact Oaspar Fernandes. 10$00~

~

D. Maria dos Prazeres de M. e Castro de o. Osorio Pereira de Mello . . . D. Maria Benedita de Menezes Leite de s. Correla d' Almada . . . . . . . . . . O. Carolina da SII va Correia de Lacerda M. Mimoso . D. Estefania Maria da Silva Correla de Lacerda Mendes . • . . • • . . . . . . . . p _e Antonio Rodrlg1o1es Pereira . . . . . . . • . . . . . Adolfo Ferreira . . • . . . . . Caetano Morelra . : . • • . • D. Cecilia Ribeiro . . . . . . D. Maria Magdalena Ama-

ra! . . • . • • • • • • • • • . D. Maria Magdalena Ama• ral • . . • . . . . . . . . • . D. Maria do Carmo Rocba. O. Elvira Serranho Lima Montelro . . . • . . . . . • Capit~o Antonio d' Aguiar Loureiro. . . . . . . . . • • p,e Alberto Pereira Cardoso J. D. de Sousa Azoso (2.0 anno). . . . . . • . • . . • • P .e Manuel Pereira . . . . . D. Maria das Neves Varela Teotonio. . • . . . . • . D. Leonor Manuel (Atalaya) (2. 0 anno) . . . . . . . . . D Teresa de Mello e Castro de Vilhena . . . . . . • D. Beatriz de Jesus Fernandes Vaz Conte! . . . . • • p ,e Francisco Pereira. . • . p,e Antonio Fernandes . . . Manuel Viegas Facada . . . Domingos Dias (2.0 anno). . p,e Eurico do Nascimento Lacerda Pires . . . . . . . Antonio lgnacio Perelra dos Santos • . . . . . . . . D. Sara Mudat • • • • • . . . De jornaes (Carrascos e Alcanena) . . • . . • . • • . • D. Deodata Amelia Malato. D. Anna Corrente Soares. . D. Maria do Nascimento Pelouro Coelho • • • . . . D. Maria Rosa Cunhal (2.• anno). . . • • • • . • • o. Alzlra da Gloria Calado. Jolo Severino Gago da Camara

• • • • • • • .

D. Rosa Vasconcellos Bap.. Usta. . , . . • . , . . . . Donatl voa vario&. • . • • • D. Clotilde Raposo de Sou:z:a d'Alle Ruy Vaz de Siquelra • , • • • • • • • D. Maria da Concelc;Ao Alcantara Matheus • • • . • D. Maria da Concelçfto do Carmo Perrelra. • • • • • Dr. Gonçalo d' AImelda Garrett (2. 0 anno) • • • • • • Luiz Maria Braz . • • • • • D. Afonso d:Albuquerque • D. Maria do Carmo Pessoa (2.0 armo) . • • • • • • . D. Pranclsca Torres Cardoso . • . • . . . . • • • D. Rita dc Jeaus Diaa Costa. • . . • . • • • • • . . ]osé de Matos Dias •••.. l:>. Maria fernandes de Car• valho Mala Leal ••••• P.• Jos~ Oomes da Costa. D. ~1aria Lufza d' Ahneida.

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Ano I I

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LEIRIA, 18 de Janeiro de 1.024 ,

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N.0 16

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(COM APROVAOAO ECLESIASTIOA) Dlreo-tor, Proprietario e Editor

AdJDlnia,;rtrndor: PADRE M. PEREIRA DA SILVA

DOUTOR MANUEL MARQUES. DOS SANTOS

REDAcçAo E ADMINISTuçAo · BU.A. D. N"UN"O .ALV.A.BES PEBEI:R.A

Composto e impresso na Imprensa Comercial,

a S4 -

Leiria

(BEATO NUNO DE SANTA MA~A) I

13 de Dezembro f

No locai das Appariçoes, reali!ouse no dia treze do mes de Dezembro findo, com a solemnidade do costume, a festiva commemoraç!o mensal dos aconteclmentos maravilhosos de , Fatima. O dia amanheceu eaplendldo. N§o se divisava urna unica nuvem no azul diaphano do firmamento. De madrugada a neve cahira com abundancia, cobrindo com o seu manto alviultente os valles e as encostas da serra. O frio era glaciaJ, apesar da hora adeantada a que partimos de trem por nao ter apparecido o automovel que nos devia transportar. Chegamos a Cova da Iria a urna bora e meia da tarde. Tinhamo-nos apeado ha poucos momentos, quando ouvimos o toque, tres vezes repetido, de urna campainha. Era o anuncio do Domine non sum dlgnus da segunda missa campai. Celebrava-a o rev. parocho de Santa Catharina da ·serra, havendo celebrado a pnmeira o rev. dr. Manoel Marques dos Santos, professor no Seminarlo de Leiria. Oirigimo-nos sem demora para o largo terreiro em frente da capellct, ja ocupado por urna grande multldao de fieis, que se conservavam em silencio e de cabeça descoberta. Assistiam ! missa c~rca de duai. mii pessOas. Aproximaram-se da Sa~rada Mesa alguma! dezenas de peregrtnos que préviamente se baviam confessac1o. Cantaram--se com fervoroso enthusiasmo, os canticos do costume. Depols da missa cantou se o 1 a,itum ergo e deu-se a bençao do Santissimo Sacramento. prlmeiro aos enfermos collocados dentro do recinto exterlor da capella e em seguida a todos os fiels. Por fim subiu ao pulpito o rev. dr. Marques dos Santos, que falou durante mela hora aObre a necessidade e excetlencias da virtude da castidade. Nao se observaram desta vez oa signais myaterlosos que nos m@ses anteriores tlnham apparecido na atmosphera e no firmamento, impres-

sionando e commovendo extraordl-

nariamente a multidllo assombrada. Em torno da fonte maravHhosa circulavam constantemente os peregrinos que bebiam e recolhiam em recipientes de todas as formas e tamanhos a éigua que corrla abundante e limpida de qulnze torneiras. A's cinco horas da tarde, hora a que inici.jmos a viagem de regresso atravez da serra. eram jj bastante raros os devotos que ainda se encontravam rezando as suas ultimas préces junto da branca estatua da Virgem do Rosario, em que o esculptor Fanzeres, de Braga, traduzindo em obra da arte humana a visao dos pastorinhos de Aljustrel, soube imprimir um reflexo visive! da magestade soberana, do encanto celestial e da beleza imcomparavel da augusta Mae de Deus.

V. de M.

"Hs Nouldades,, Ssndo a tmprensa catholica absolatament, necessaria noJ nossos tempos e te12do começado a pabltcar•se ,m Lisbòa am novo Jornal "As Novidad,s » gue se apresenta disposto a seguir 4 lisca 4.f instrucçòes da Santa SI , do Eptscopado portagals, recom,ndamos a saa lettura e auinatura , agradacamos todo o aazilio ga, lhe possam presta,. Letrta, Z da Janairo ds 1924 t Josl, Bisp, de Leiria

Notas e impressoes Devo1,1t11 do Rosario Transcrevemos os seguintes pertodos de uma interessante carta dirigida ao aùministrador da «Voz da Ftitlma• por um nosso amigo da capitai que a nobreza da sua llnhagem do mais puro sangue azul, Allla os dellcados sentlmentos de urna alma profundamente crente e pledosa : e Com a maior honra e com multo interesse acceito o offerecimento de alguns exemplares da e Voz da Féitima:t que deseja envlar com o

exemplar da minha assignatura, para propaganda. ' Bastava ser o jornal e Voz da Fitima> dedicado a Nossa Senhora do Rosario para eu (que nada valho) trabalhar um pouco em honra de Maria Santissima sob aquelle tltuto, de cujo Rosario sou devotissimo, pois ha muitos anos, desde Setembro de 1900 que rezo, diariamente, por v6to os quinze mysterios do Rosario, isto é, 1 os trés terços, que s6 um terço desoe creança o rezava junto com meus queridos Paes na capella da nossa casa. Assim, pois. fico inteiramente ao dispor de V. e, se bem que é certo que nada valho, no entanto com a melhor das vontades farei o que puder.•

A «Voz da Fatima• e o Santuario Do mesmo ilustre e piedoso signatarlo slio as palavras que seguem acerca do nosso modesto jornalsinho e do projectado santuario commemorativo das appariçòes. «A Voz da Fatima•, devido aos maravilhosos acontecimentos que se teem dado em Fatima com a appariç!o de Maria Santissima e de que é o portavoz, é um jornalsinho muito querido,. muito apreciado, muito lido e que se encontra em todas as casas de famillas ilustres, nAo s6 em LisbOa,. corno em multas terras da provincia, que eu conheço e sao das nossas relaçòes. Assim se V. concordar, darei um exemplar do mesmo a pessOas que nAo tenham melos para pa- . gar a assignatura e tambem a algumas pessòas que sejam descrentes,. para deste modo, suavemente, !endo o jornal e vendo o assombroso movimento de Fé que se presenceia no dia treze de cada mes, um dia alcançarem de Maria Santissima a graça de se converterem. Eu fiquel maravilhadù quando fui A Fatima em 1 treze de Maio ultimo na peregrina• • ~~

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Ent ontrava-me no extrangeiro ha- ' via oito annos e estava ancioso de regressar, s6 para lr a Fatima. Che- , guel a LisbOa a vinte e tres de Mar- • ço ultimo e em treze de Malo seguiate pude ir aquella estancla bendita, logo que os meus affazeres m'o permlttiram. Espero em Deus que multo brevemente se possa ver em

I


Voz da Fatima

> F~tima

um grandioso sanctuario corno em Lourdes, mas é certo que a autorldade eclesiastica em casos corno o das appariçoes de Lourdes, o de la Sallete e este de Fatima procede sempre com muita prudencla e morosamente e assim nao se p6de prever sequer quando principiar! a construçao dum saoctuario em Fatima em honra de Nossa Senhora do Santo Rosario».

Alnda a ,Voz da Fatima, De um nosso amlgo de LisbOa, alma chela de enthusiasmo pela causa de Oeus e da Egreja, recebemos urna bella carta de que transcrevemos algumas phrases: «Rogo a V. a fineza do me dizer quaes as condiçoes em que se p6de adquirir o optimo mensario e Voz da Fatima•. Li hoje o n.0 14 e ignorava a existencia de tAo bOa leitura. Deve ter um exito retumbante em todo o pais tao bella publicaç4o. Torno a liberdade de lembrar a V. a convenniencia de a enviar aos reverendos parochos de LisbOa. Vendida avulso seria um sucesso. Para Caldas era de toda a vantagem enviar alguns exemplares de diversos numerosa P.»

Mas n§o se trata agora de definir se ha milagre ou nao, deixemos isso a quem de diretto e slgam os crentes a voz da Egreja, aguardem os sabios as conclusoes da sciencia; entretanto a imprensa averigue do que se passa e Informe, dizendo s6 a verdade, sem mldo de desagradar a quemquer que seja. • Em seguida o nosso presado colléga, pondo as suas columnas é\ dls- , poslç!o de quem deseje contradi-, ta-lo, faz um breve relato das çircunstanclas da doença e da cura de D. Maria Augusta Figueiredo, de Santarem, 41ue sofria horrorosamente, havia trés an oos. de um tumor de caracter suspeifo, segundo a expressao do attestado do seu médico anistente, e que se, curou instantàneamente no dia 13 de Maio ultimo precisamente no momento da bençAo com o Santissimo Sacramento dada pela primeira vez no locai das appariçOes depois da missa campai. A «Voz da Fatima• ocupou-st no numero de Junho deste caso t xtraordlnario que tanta sensaçao fa. em todo o distrlto de Santarem, onde a feliz privilegiada da Santissima Vlrgem é multo conhecida.

V. de M.

El-rei Pap!o O numero 51 do semanario independente cZezere» de Ferreira do Zezere, publlca sob esta epigraphe a proposito dos acontecimentos de Fatima um judlcioso e bem elaborado artigo editoria! de que nao resistimos a tentaçllo de transladar com a devlda vénla para as calumnas do nosso mensario o segulnte trecho: « Oizia Aristoteles que ha poucos homens llvres; quasi todos sao escravos das palxOes - uns do orgu•ho, outros do prazer e a maior parte do mMo. O mais medroso de todos os animais é... o homem, - o homem tjotado de lnteligencla e vontade! •• Por mMo o homem diz o que nllo •ente; por mèdo o homem fdz o que fhe repugna; por mMo sujelfa-se o homeru a todos os preconceltos e avilta-se até ao embuste. A meotira é companheira insepatavel dessa doença da vontade - o m!~o. Oizla Clcero que a cliberdade tònslste em viver para a verdade.• p medroso, renunclanllo .t liberdade Il maia bella prerogativa do homem, torna-se escravo da mentlra. O medroao mente sempre - mente com •• palavras, mente com as obras e tr~ mente com o ailencio. • A mentlra do silenclo 6 mais comntum ~o qu~ os leitores Julgam. Quan6-s co,sas calam os ;ornaes com 111.ldo.~~ deaagradar aos seus leitoresf••• veiam, o que ae passa no oosso d strlto. Concorrem anualmente ao logar cfe fAti~a - uma charneca de diffclP accesso - ceatenaa de mllharea de pessOas que afirmam pasaare11-se ali colsas extraordinarias. •. lsta nAo é um facto banal, e oa 1oraaes que tantas columnas enchem cfe' banalldades, nao se lbe referem, 11ada averiguam, nada dizem. Porqué? N4o acredltam os nossos colégas nos mllagres da F~tima?

·r.atiffla-t

E' <lo numero 109. de N')vembro dc 1922, da excelcnte r, \'ista da capiul «Raia de Luz• o J rimOToso ortigo que a seguir tran,, vcmos com 8 devida véni.1 C cu, rublicaçao honra sobrem11ne1r.1 ., :o; co-

lumnas do nosso modest;> m~nsario. , Devido sem duvida li 1wnn,, bem aparada de urna 11lu~tr~ ~ p1edosa senhora e cscript<> co r, \IVO ,. profundo untimento, tao chr ,tao ~ tio portugue~, nlio p,mJeu o 1eu interesse e a sua opportunidade e

tcmos a ccneza Je qut' i com o maior prazer espintual que os nossoq lcitores fario a leiturs desse cnc.ntador mimo litcrarìo.

Primeiro que tudo declaro que em tudo o que vou escrever nAo quero de modo nenhum anticipar o julgamento da Santa Egreja sObre o que dlzem ter-se passado em Fatima. N'isto corno em tudo o mala, submetto-me completamente e com todo o coraçAo as decisoes da Santa Egreja, unica mestra das nossas lnteligenclas e das nossas atmas. N4o venho contar aqul o que jA é conhecido de todo Portugal, mas somente relatar as minhas humlldea impressOes sObre o que vi em Fatima no dia 13 de Outubro passado. Nuoca em Portugal se vira espectaculo de M e de piedade fio commovedor, nunca me sentira num ambiente Uio eobrenatural, corno o que vi e aenfl n'esse dia em Fatima. Como os noaaos coraçOes se vao affeiçoando a esse sltlo outr'ora completamente desconhecido e que hoje. I' no Intimo da nossa alma, chamamos baixlnho a Lourdes Portuguez. Portugal sempre tem sldo filho di· tecto de Nossa Senhora, e tem tlm· brado em Lhe dar as provas mala ternas do aeu amòr fUial. E Maria

.

Santl11im1 tem sempre prote2ido :,

com carlnho mafernal o povo que desde o seu berço a escothera por Padroeira e que primeiro que todos teve um culto enthusiasta pela Sua mais querida prf'rogativa, a Sua Im,maculada Conceiçao. A dòce Padroeira de Portu~al tem vindo sempre em nosso auxilio nos transes mais afflitivos da nossa historia, e a Sua poderosissima lntercessào tem desviado de n6s tantas e tantas vezes o braco da D!vina Justiça prompto a castigar- n11s. Portugal ultimamente tem acumulado crimes sobre crimes, esqueceu o Deus que o fizera ~rande, e baniu-0 das suas leis, das 1'Uas escolas e das suas familias. A ira do Senhor cahiu sObre n6s e o duro castigo nos tem mostrado que a Justiça de Deus nllo dorme. Mas no meio da nossa noite tenebrosa, urna Aurora suavissima raiou. Essa Aurora radiosa e bella raiou em terra sagrada entre todas, na terra sagrada da patria. Foi perto de Aljubarrota, de Alcobaça, da Batalha; foi no condarlo de Ourem, pertencente 4 mais bella e pura incarnaçào do heroe de Portugal, O. Nuno Alvares Perelra, aquelle que hoje a Sauta Egreja nos manda invocar corno o Beato Nuno de Santa Maria. Fol n'esse torra:o abençoado que tres humildes pasforinhos dizem que desceu a Virgem Santissima para mais urna vez nos mostrar o Seu AmOr Maternal. E Portugal acorreu pressuroso ao chamameoto da sua lmmaculada Padroelra, e no dia 13 de Outubro eu vi na Freguezia de Fatima a m~ltidao comprimir-se n'um recinto pequeno de mais para tanta gente accorrlda . de todo o paiz. Desde a vespera que trinta padres reconclliavam com Deus almas que lhes vinham pedir a santa absolvlçào, e essas almas, formando clrculo roda do sacerdote que le• vava o Santo Ciborio, ajoelhavana naquela manhff, para receberem a Jesus Sacramentado. E d'ali a pouco ja nem assim se conseguaa dar a Com• munhAo. O sacerdote ji atravessa-va . simplesmente pelo meio dos fiei!, que ntm ajoelhar podiam, e mesmo de pé recebiam a Jesus, que tantas deliclas encoofra nas nossas pobres e miseras almas. E na mi!lsa campai Ra Cova da lrià no logar mesmo onde dizem ter sldo a Appariçào, debalxo duma chuva continua, a Communhao durou meta hora, ao som do nosso tio catholleo e ta:o portugués Bemdito. E com que fé, com que respeito, com que fervor os flels, ricos e pobres, mulheres e homens, iam receber a Divina Eucharistla. Oh I Mae de Deus e Mae nossa, nAo fO<Jte V6s quem nos déste Jesus pela primeira vez, em Belern, a casa do Pio? oao eoJs V6s sempre quera nas noesas CommunhOes, nos dats a Jesus, o Pào da Vida? Nao' é esse o Vosso unico desejo, dar-t10s Jesus, p;ira sermo1 todos de Elle? Porfugal an,tsva ha multo longe da mésa encharlstica, e perecla de fome. V6s vieste e levaste-o A'que1è que é o alimento divino dos lndividuos e da sociedade. E v!de, M!e da Divina Mlsericor•

a


Voz da Fé.-tinia

..

<lia, com que fé e amOr Portugal respondeu ao Vosso convlfe I Véde corno se ora em Féitimat O Vosso Rosario era rezado por todos os grupos e que de ìnilhares de Ave-Marias ali se devem ter rezado n'aquele dia! Ellas sublam das nossas almas para o Coraçao lmmaculado de Maria ; todos Lhe confiavam as suas dOres e as suas esperanças, e, qual Mae carinhosa, a todos ouvia, a todos confortava, a todos abençoava. Todos queriam tocar e beijar a linda lmagem da Vlrgem, e vi 111 urna scena commovedora : urna creanclnha ao c6lo do pae, enchendo de beijos e de caricias a Nossa Senhora, dizendo-lhe o feliz pae: ,Tens razao, filha, foi Ella que te curou,> Santa inocencia, que tens todos os privilegios deante de Deus ! Resplandecias n'essa creancinha do povo, corno n'outra, filha de titulares, essa, ainda doentinha, nos braços da mae, que orava corno as mnes christAs sa• bem orar, abria a boquinha innocente e bebia agua da chuva. Tinham-lhe dito que a de Nossa Senhora a havla de curar, e ella naturalmente pensava que a que vinha do ceu era com certeza agua que Maria lhe envlaval Como esta simplicidade deve agradar a Nossa Senhora I Como Lhe devem ter agradado as ingenuas promessas, offertas de coraçOes gratos 4s suas gcaças I Eu bem sei que em Portugal se abusa um pouco das promessas e que alguns n'isso fazem conslstir a sua unica rellgiao. Mas estas eram as promessas sahidas do coraçno simples do povo. Davam a Virgem o que tinham: 14 estavam amontoadas deante da sua lmagem aquellas promessas tao portuguesas: o olro, que enfeita as nossas lindas mulheres, as arrecadas, os -cordoes, os annels I E ao lasio as offertM mais modestas, bOlos e até um prato d'uvas, as nossas ta:o bélas

uva~ I

Outras mulheres do povo quizeram unir a penitencia éis suas préces .e, paclentes na sua fé, percorriam de 1oelhos o caminho roda da ca.pella que mllos sacrilegas deatruiram, aem se ìmportare111 nem da chuva, nem das pedras, nem dos outros fiels que quasi as plsavam. Eram bem as descendentes dos antigos portuguèses, raça de crentes e de fortes, que oravam e sofrlam. E fol Nossa Senhora que noa veto -recommendar em Fatima a oraçlo e a penifencia. Ella aaslm o pedlu aoI pastorinhos da Cova da hia, e n6s queremos ser liels aQ Seu en1Jna-

a

atento. Sim, n61 Vo-lo prometemos, 6 Vlrgem do Santissimo Rosario, nOs vamoa rezar com fervor, com de,oçAo a oraçllo q\Je os vossos làbioa puri•· slmos nos pedlram: o Terço. Nos 01 Portuguéses que tanto gostamoa de renfeltar os Vossos altares com as roaas llndas dos nossos jardlns, quere,nos ainda coroar-vos com aa rosas e,ptrituals do Vosso Rosario. O RoHrio é a devoçao mais slmples e profunda que podemos utiar, unlndo n'ella a oraça:o vocal e a oraçAo mental; rttemo-lo pois com fervor.

Mas tambem Vos prometemos, 6 Refuglo dos peccadores, que nAo esqueceremos a penltencia. Todos peccamos, todos offendemos o Vosso Divino filho. Temos que expiar por n6s e pelos nossos irmAos. Em desaggravo de tantos peccados que se comettem contra o Coraçno Santissimo do Vosso Divino Filho, n6s offerecemos o sacrifidio e a mortificaçào. Queremos lèvar urna vlda christa a valer, urna vida casta, modesta e humllde, em opposiçffo ao paganismo que por ahi campela e tenta corromper a nossa raça. E entffo n6s seremos de novo o povo querido de Jesus e de Maria, a terra do Santissimo Sacramento, e terra de Santa Maria I

M.C. P.

A' Virgem de F~tima Senhora do Rosario, Que te dignaste vir Em coraçoes lnocentes Esp'ranças lnf1uir Do teu celeste manto, Teu manto alvinltente, A' sombra acolhe e ajunta A portuguésa gente; Para que um brado unisono De amòr e de carinho, De gratldffo rebOe Do Algarve até ao Minho, No dia em que o teu povo, Erguendo ovante a cruz, Retome ledo a senda Que lhe traçou Jesus. Juremos ante o altar Do humilde santuario De cada coraçào f azer um relicario De amor a nossa Mlle, Senhora do Rosario I Outubro 1923.

J. D. d1 Sousa Ar,so OLHAR PARf\ O ALTO Emquanto estudamos as sclencias ou tratamos dos negocios d'este mundo nào percamos a Deus de vista. Q celebre Ampére, que por sua grande sciencla, fol nomeado inspector da Unlversldade, escrevla no gula da sua vida: ,Meu Deus, o que sAo todas essas eclenclas, todos esses raciocinlos, todas essas deacobertas do genio, todaa essas concepçOes que o mundo admira e de que se alimenta tao Avidamente a curiosldade ? I Na verdade, nada, senllo puras valdades.•• Estuda as coisas d'este mundo maa nAo a1 olhes senffo com um olho e que o outro esteja sempre fixo na luz eterna. Escuta os sabiol', mas s6 com um ouvido e que o outro esteja sempre prompto a ouvlr as dOces melodlas do Amlgo Celeste. Escreve com urna mllo, mas que a outra esteja bem segura ao manto de Deus como urna creança se agarra ao vestido de aeu pae>,

Todes descem entao para a Gruta, coa tando umas o que viram e man1fe~tando o receio de que Bernardette succumba é sua piedosa emoçiio, ficanùo os outras por sua vez sérias e inquietas. Bernadette estava ùe joelhos, no mesmo logar, sem as ver nem ouv1r, com o~ !leus olhos expressivos fixos na direcçuo do pequena abertura ogiv11l negra, por cime da, rose1ras brava,. Ellas opproximam-se, cha• mam-na pelo seu nome, prodigc1lisam lhe p11lavras effectuosas, tocam-lhe, puum na pelos vestidos. A pequen a permanece in~•n· sivel, e o aeu rosto apresenta O!! vestiKios, o cunho de uma felicidadc ineffavel Se niio responùe é porque esta morta ou porque vae morrer I E poem-se a chorar, quando vEem vir ao seu encontro a miie e a 1rmii de Nicolou, o moleiro do moinho de Savy Es• tas acorreram aos seus gr1tos dt! aAicçao que tomaram por gritos de soccorro. A~ pe• quenas, silencio~as e sérias, mostram-lbes Bernaddette sempre em extase. Esta!I duas mulberes, cheias ùe respeito corno se es~vessem na presença de uma santa, approll:I• mam-se devagarinho, fa 1 m1-lhe, tentatn chamé la a ai ; mas ella ni'io ve senao o Senhora quo absorve toda a sua ettençiio, t~ dos os seus sentiùos. Como tradì la ao sen• timento das cousas exter1ore~, trré la desse extase, arranca-la a essa v1slio que a c11ptlv11 ? A miie Nic<>lau deixa entao o grupo du pequenas, e corre ao moinho, donde volta immediatamente com o filho de vinte e oito annos de edade. Este cheg•, com uma expresslio de troça nas feiço1:s, julgando en• contrar urna rapariguinha que quer tornar-se Interessante com os seus ataques de nervos ou com partidu engraçaùas. Mna quando se acha em frente da creança, recua com urna especie de veneraçiio, corno se ellr. proprio nves,e visto a appariç~o e, d• braços cruzados, contempla por muuo tem• po Bc:rnardette. • -Nunca, disse elle mais tarde, um espeetaculo tiio impressionante se tinha apresen• tado tl minha vista. Por mais que discorresse, parecìa-me qu• nifo era digno de tocar nessa creança. Era aquelle re$pe1to que se coniiagra invencivelmente a todu as pessoas e a tod11s as cousas de Deus. Instado, contudo, por sua miie, agarra·• com precauçlio e poe-na em pé, Jiligeociaa• do fazE la caminhar. Pega-lhe por um bra-ço, 11 mlie pelo outro, e ella cammha effei• tlvamente para o moinho do S11•y, mas 9'. seus olhos fixam um ente my~t,mo-10 qu~ S4I conserva em frente e um pouco por cuna della. Poem-lh-e a miio deante dos olho•, obrigam-na a baixar a cobeça, mas ella re• toma sempre II mesma autude, é ,;empro attrahida por e1sa vi,ao e,tranha que a fpa sorr1r e quo os outros niio veem. Quanl!o chega, porém, ao moinho, volta a SI e rell• dqulre a con~ciencia das cousas dt vid;t; entao a sua phys1onomia entristece-se; o que ella contemplava era tao bello, tiio c..,. lestial, e o quo a rodeia agora é tiio vulgati E' o lodo depois do ouro, a pobrezi depOis da riqueza e dos esplendores da storia I Jnterroganf'na ; c:la repete o que J& contou, por-1ue é a me,ma appariçao, a mesma Senhorl\: •Ella tem o nspecto de uma jovem de desaseis ou desasete annos. Enverga um y9stido branco, apertado a cintura por uma ftta azul, que deslisa Ao longo do vestido. Tem sobre a cabe~a um veu egualmente branco, que mal de1xa entre•er os cabelk>s e que de~cobre em aeguida para tru a\~ ebo1xo da cintura. Os pés estio mb, mllt cobertos pelas ultimas prégas do vestido;' excc?pto na n:tremiùade, onde brilha em cada 111'11 delles urna rosa amarella. Do braço direito pende-lhe um terço de contas braoc&s com uma cadeia tic ouro resplaa..dect>nte corno as duu rosa, dos pé ... Emquanto ella repc:te aa suas confMencias, com a aegurançJ tranquilla ,le ultla pessoa que viu, e que es1a vendo_ainda, 11~ companheires dispersam -se pela cìdad!~ contando as '11as emoç6es. Maria, 110 entrar eni casa, prorompe eia scluços, sem r,od~r fallir; as laKrt ,,as, a oprressii? Jo espi rito sulf.>.:am-oa. , A miie recéia que teuha ~ucceJido alau-


... Voz da Fatima .1 ma desgraça e dirige-so a toda a pressa para a Gruta. Pèlo caminho en.::ontra duas outru mu-

lhercs que a tranqu11isam : .. Nao acooteceu nada ,le Jesagradavel a. cr~nça, que esta

a descansa:.: no moioho do Savy, d1zem el-

Jas.

Estuga o pas~o e, a meJida que avança, augm enta a sua irritdçiio, o seu d_escootentomento por Bernardette haver te1mado em voltor ti grutu , apezar de se ter_ opos!o a isso durnnte muito tempo. Ella tlnha dtto : Se nli9 vultari.les li hora das vesperas, sabeis o q11e vos espcr.i I I) A colera ruge na aua alma e, corno é violenta, entretem-se na resoluçuo de applicar castigo severo. Ell,1 entra no moinho com uma vara na mao e vai direita a sua filh11 : - Entun, minh,, granJe marora, exclama ella, tu qucres que sejomos objecto de mofa ùe tollaS 11~ pess6as que nos conhecem ? Vem agora para ca com os teus ares seraphicos e com as tuas hi~torias da Senhora apparecida, que eu te en~inarei I • • Prcpara-.sc para lhe bater, mas a mole1ra segura-lhc o brnço: . _ - ~Quc fazei~? diz-lhe ella com v1vac1dade;. Que fez a vossa filh:i para que a trate1s a,s1m ? I!' um anjo e um anjo do Ceu que teoJes nell.1, ficoe-o sabendo I Niio esqueceret nunca o que ella era na Cru~I . A mie encontra-se entiio com Lu1za Sou•

birous, quc, profundamen_te emocionada, se deixa cahir numa cade1ra, reconhecenùo que a moleirn te"!, razao: Bernadette nao é çulpada por,1ue nao part1u para a Gruta senno depoiJ <le nlcançar licença e quem sabe se Deus niio tem a respeito daqu_ella creança d es:gnios que ella nao conhece? Atravez das lngnmas contempla a fllha e o pranto reJobra. Nao comprehen.ie o qua se passai .Mas, tendo-se desvanec~Jo por compl1;_to a sua coler11, coma Bcrnadett~ pela mao e juntu diri,;em se para o cammho que con· duzia ~ cidade, a mae enxugando os olhos e a filhu voltando-se dc vez em quando r.ara contemplar :unùa esses logares bemdìtos onde fo1 tao foliz. ,., Quem ern n Appariçao _? ~ernadett1 _nao o s,1bia melbor que da pnme1ra vez. Tin~a rezado tinha olhaJo sem interrogar, nao perten;en<lo j.i a si propria, ou antes nlio pensanJo em pedir nada. Era sempre a mesm;\ Senhora, tao bella, tao boa, que ~be aorria ~ a quem dava todo o s~u co~açao, sem p.:n1ar ,:m reservar para s1 a mais p~· quenJ parcella, corno nao pensava em d~vt· dar. Ape:nas Jesta vez st: tinha estabelec1do uma cena f, .n1haridade e a crc:anç_a torna· va-se mdr. ou~ada, porque se senua como que infinitamente arnada.

V. de M.

RS CU~AS Em Lcurdes e... em Fatima De um interesante livro aparecldo ha r,ouco do Dr. A. Marchand, vlcepresident~ da secretaria das verificaçOes médicas de Lourdes, vamos traduzir o que segue e que egualmente se i,plica aos acontecimentos da Fa-

tlma:

cNao é somente com o fim de conioJar os sofrimentos da sua creatura que Oeus permite a cura dos enfer-

mo~

.

Se asslm fòsse porque é que a V1rgem de Massabielle obteria a cura apenas de alguns raros privileglados? Por muito grande que seja este nu· mero o que é elle ~m comparaç:Io da ìmmensid~de de m,serias e de enfermidades do genero humano? NAo t Oeus tem outros fins mais altos I O seu fim fazendo os Milaeres de Lourdes é p0r o sobrenatural em evidencia, é afirmar o seu InUnito Poder. Maria quer que as multid0es vejam o milagre em Lourdes para quc se-

jam tocadas pela presença de um poder sobrenatural e creiam nelle. Em volta do santuario de Lourdes a cura dos enfermos do corpo nao' é tudo: Ao contacto desses afortunados logares faz-se uma real trai:isformaçao das almas. Que espectaculo o de todos esses enfermos estendidos em um leito ha mcses e annos I A arte impotente limita-se a condernna-tos, sem nenhu.ma esperança a urna mobllisaçao continua e completa. Reconheceu para sempre toda a irnpoteacia dos seus esforços. Quando os moribun• dos, cuja vida perdida est! pres_tes a extinguir-se, se pòem a caminho, quando os mUtilados nos seus cançados e de~organisados carros, tomam o carninho dos Pirineus, suportam com urna coragem herolca todas as fadigas, fodas as faltas de comodidade, todos os choques de urna longa viagem. Nem urna queixa se escapa de seus tabios, nem urna recrirninaçào se levanta de seu peito ofegante sustenta-os e transporta-os a Esperança. Que decepçao, que desespero se esses infortunados nao obteem a realisaçao de seu ardente desejo t Se o& seus membros nào conseguem recuperar o seu vigor e agilidade; se as dòres nao veem a cessar; se as suas •• chagas nao tapa~ I Pois bern 6 prod1g10 - nada d'isto acontece I Desde que tomaram contacto com a cidade da préce, desde que levantararn seus olhares para a estatua branca de Nossa Senhora, desde que tornararn o seu primeiro banho na piscina, estào transformados t Ja nao é o ternar de nao serem ouvldos, de vér suas suplicas lneficazes que é o princlpal objecto do seu pensamento, é a sua submissAo completa A vontade de Deus. Nem um, repito-o, volta desesperado t Mais ainda I Vivendo no meio dos sofnmentos dos outros, pensa-se quasi sempre, em Lourdes, que se é privilegiado ern comparaçAo da quintissencia de mlserias fisicas de que se esta rodeado. E' esse sentimento que provoca esse outro mi/agre permanentt da Resignaçào. Todos os doentes, que sem serem curados, retomam o caminho da volta, Jevam comsigo, pelo menos, o reconforto que consola e a esperança que os sustem. Ernfim, é frequente que de seus labios descorados saia a segulnte oraçl\o: •Senhor, nao me curels a mim t Offereço vos os meus sofrimentos e a minha vlda por aquelles que e~tao mais doentes que eu, pela cura daquelles que sofrem mais que eu.•

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Voz da ·patirna Deepeza

Subacri9ilo (Continuaçao)

'

Agosti:tho Tomaz Correla • Maria dos Santos Bruno (2.• vez)••••••.••••• p,e Manuel Marques Combina (2.0 anno) ••••••• De jornaes e percentagem de estampas (Pardelhas) • O. America Bebiana Correia. O. Auròra Barr~to Henriques ••••...•••••• Anonima (França) ••••.•• O. Maria Cariata de Mattos Mancellos d' Aragao ( 2. 0 anno) ••••••••••••• O. Maria Julia Caldas Frazlio (2.0 anno) ••••••• O. Maria do Carmo Landal. Baronesa d' Almeirim (D. Luiza) (2. 0 anno) •••••• O. Maria Luiza d'Azevedo Serra. . • • • . • . • • • • • • Joao Sabino Caldas (2.0 anno) ••••••••••.•• , D. Maria Antonio Caldas Frazlio Pinto da Cruz • • D. Maria Iria Veiga Monlz. O. Maria Carolina Mendonça (2. 0 anno) • • • • • • • • D. Teresa de Jesus ferreira Marques • • • • • • • . • . . D. Alda Rifa Rodrigues de Oliveira. • • • • • • • • . • • Oonativos varios • • . • • • • José Augusto Falcào (2.0 anno) • • . • • • • • . • • • • D. Maria ]osé de Vascon. cellos e Sousa Amado d'Alberga ria de Napoles Raposo (2. 0 anno) • • • • • Carlos Alberto da Costa Rels • • • • • • • • • • • • • • D. lsmenia Leite de S. Barbosa • • • • • • • • • . • • • • D. Amelia Maria Torres Santos Nunes da Silva. • P.e Manuel Antonio da Conceiç~o (2. 0 anno)..••.• D. Henriqueta do Rosario Coelho Perelra (2.0 anno) Dr. Welss d'OJlveira (3.0

10$000 5$000

tOSOOO 791000 10$000 10$000 15$000 10$000

l0S000 10$000

1osooo· 10$000 20$000 10$000 IOSOOO 10$000

1OSOOO JOSOOO 64$800

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10$000 12$500 1OSOOO

18$150

10$000 10$000

anno) ••••••••••• , • 20$000 Condessa de Tarouca •••• D. Alzlra Vieira (2.0 anno) • P.e Belarmi no d' Atmeid.a Perreira •••••••••••• O. Cecilia Correla Costa (2.0 anno) •••••••••• O. Jsaura Oonçalves Alves

10$000

1osooo 10$000

IOSOOO

Mathoso •..••••.••• 10$000 O. Saturnlna Meirelles•••• 20$000 p,e Jaclntho Antonio Lopes (2.0 anno) •.•••••••• 10$000

D.

Maria Luisa Paes Men-

des. . ••..• · · · · • · • ·

O. Ludovina Neves (2.0 anno) .••••••••••• Maria Emilia dos Santo$ Cardla Vieira ••••••••• O. Elvira Barbosa Vieira •• O. Joanna Lucas Trlncao•• D. Raia Ouarte Ribeiro••• D. Maria de Setpa Pimentel Abel Augusto Ribeiro •••• O. Palmira Serra Alves ••• O. Jzabel Virginia Ribeiro

Transporte • • • • • • • • 8.339:620 Im~ress~o do n.0 15 (10:000 exempJares} • • 180:000 Outras despezas•••••••_ _36:000

D. Maria ]osé Soares d' Al-

Somma •••••••••• 8.555:620

bergarla • ., ••••••••••

da Costa ••••••••• · •

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10sooo· tOSOOO JOSOOO 10$000

lOSOOO 20$000 21$000 10$000

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P.e Vlcente Martins Tornixa 10$000r

10$000


d.> ; ~ o~r I:.EIRI:A:, 1:9 de Feverciro de 1.024 -

A.no I I

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(COM APROVA.O.A.O ECLESIASTICA) Admlnls-t::nc.lor: PADRE M. PEREIRA DA SILVA

Direo1:or, Proprio-torlo e Editor

DOUTOR MANUEL MARQUES DOS SANTOS

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4

REO,\.CçA0 .E AOMlNISTRAçAO

:B.UA. :O- NUNO .ALVARES PEBE:ISA

Composto e impresso na Jmpren~a Comercial, d Sé -

13 de Janeiro .. A's dez e meia estavamos na

i

Fa-

as

Fé!al, estrad~ çiuasi intranzitavel. Depo1s, la no alto, um f rlo que enregelava. .e Em volta da capellnha apenas quatra ou cinco. pessOas. • 1 O vento e a chuva n§o permitiram que se celebrasse no altar exterior em frente da capelinha commemora1iva das Apa1içòe!. Penswa-se em ir celebrar a egreja parochlal, (lUando alguem tembrou que recentemente tinha sido construido um altar dentro da capéla. E~qu~nto t~do se preparava para a prrmerra .\trssa, que foi celebrada

pelo Rev. 1\lauuel Per'rlra da Silva ' administ,ador u~ e Yoz da Fatima•, i~ cbeganll? b«stant~ gente por quem se destritiuiram ainua ceréa de qutro mli ext!mplares ci'este jorQal. . e. A segunJa Missa foi celebrada p~ lo Rev. Dr Mapuel Nunes Formigao

' de Santarcm. 1 Houve algumas dezenas de comunhoes, impedindo u chuva que outras pes!'lOas chègassem a tempo espera~ùn fozel-o ainua na eg,eja pa- ·

roqu1a1. , \ 1 S\ • Vtmùs lc1g11rrrn3 Je 1 c 'mmoçAo em a_lguns. olhos. Fez as pledosas e senhdas uìvocaçOes dò costume o Rev. Dr. M'ttnuel Marques clos Santos, qu~ levt? de terminar mais cedo o sermào por ~au5a <la chuvn. Apartlimon.os oep,;~s, saudosos, d'aquela estancia bem .,!f;i mas nào sem, jé de cten-· tro do automovel' que nòs conduzla cantarmo~ comm,1vidamente as noS-: sas dt:spedief,,"'é nossa que:ida MAe do Ceu, dize,,Jo: ' ,

De iVO!ì me,aparto, 6 M1ie t

(&EATO NONO DE SANTA

MAna)

dosa, ao retirar o médico : e o caso é

tima espP.rando, dentro do automovel, que cessasse a chuva, que sobretudo de madrugada fOra torrencial. Como de costume tinhamos rezado em commum o Santo Rosario, parando um pouco no fim de cada terço para trocarmo~ impressòes. De Lei ria C6rtes e Reguengo do

Adeu~. adeutf, r:\faria, No ceu, no ce.u. no ceu,. .Eu Vos verei um dia J

Leiria

Foi-nos enviada a seguinfe carta, que pedlmos venia para publicar: « 13-1-924,

b 3 da tarde.

Venho sob a maior commoçlto darlhe parte duma grande graça concedida por Nossa Senhora da Fatima, ca Nossa Santissima Mlle do Rozario>, a esta humilde filha. Nao sei se lhe cheguei a mandar dizer que duas injecçOes que me deram, (urna em cada braço), se me in- • fectaram a ponto de me incharem os braços, ter dOres horrJveis, e depols de muitos dias de marlyrio e sem nada poder fazer, de cama, com febre e comptetamen1e inutilizada dos dols braços, declara o médtco que dois dias depols, voltaria para m'os lancetar r ••• Tendo eu verdadeiro horror lanceta, com tal fé me apeguei com Nossa Senhora da Fatima, que deitando sobre os braç_os urna pouca da sua agua e colocando ao mesmo tempo a sua medalha, rezando nes'sa occaslào trez Avé-Marias e urna Salvé-Rainha, fiquei completamente curada I Passados que fòram os dols dias marcados pelo médrco, volta etle, e depoi8 de tudo prepararlo para a operaçllo, qual é o seu espanto, ven- . do que nada tinha a fazer I Sorrindo diz: •mas, tnioha senhorait os seus braços estao curados, o pus · eliminou- se e a unica couàa que me resta a fazer é dar-lhe os meus parabens•. E attribulndò· fudo ao meu terrivel nervoso. voltando-se para minha filtia, sua sogra 'h uma senhora ingleza minha amlga, 1~ue esta'vam: diz: «os nervos desta senhora sito de tal ordem que s6 o susto, a curou>. Todas nos sorrimos, e se nada do 1 que sentimos dlssemos, fol porque, sendo ele muito~Oa pesOa, nao nos parere que creta muito nas graças que a Nossa Mae Santissima por veZl!S concede aos peccadores, mas pela m1nh~ parte n!lo perde pela espera, pois, e n occasl!o opportuna lhe alrei tudo que agora t!lo religiosamente guard~l no meu coraçao. · Pa.rece-lhe que fiz oem ou mal? Agora delxe que lhe diga urna frase cheia de graça da tal senhora ingle:ia, catbolica praticante e mul pie-

a

que Nossa Senhora da Fatima vai tirando a freguezia aos médlcos, e que elles niio podem gostar nada d'is~ so I ... , Calcule a graça que todas lhe encontramos, principalmente P.Of ella nao ser de muitas graças•••

E. M.• De outra carta que nos foi dirigida copiamos o seguiate: • Quando estava a escrever esta carta ful iòterromplda pela Francisca de Jesus Mança que me pedi& para -i

particlpar a V. Rev. a cura duma filha de Maria da Murtosa I Creio que é menina nova ••• Sofrla dum tumor no peito e consultando os médicos mandar'am- lhe fazer urna operaçao I Pedlu urna pouca de agua de FAtima e principfou l urna novena, feita do segulnte modo: tornava urna colhtrsinha a'agua e retirava-se ao seu quarto a rezar o terço, isto por espaço de 9 dlas. So.. frla muitas dOres e agora n~o as tem e pode trabalhar. A mae vendo isto levou·a ao médico e este verlficou que nada tinha, havendo desaparecido o tumor I ! I Tenclono procurar a menlna e fatar com a màe. Pedem' que stja publlcado na , Voz da Fatima•. Depois infortnarei do que souber•.

Tudo isto vae melhor expllcado noutra carta de 26 de Janeiro. Dii esta:

e Logo que receb1 1a sua carta fui a casa da pequena curada. J! a tlnha proèurado no dia 2. E'•urna s~nta menlna, ntha de Maria, tendo de idade 23 annos. E' muito simples, nào tem a minima maldaìle. Confessa-se, communga e costura, mas com urna shn• plicidade t'tlorme I Nào sab~ ùiz< r ha que tempoa ti· 1 nha o tumor no pe,10. S6 ilepoi~ que a m!le lhe percetieu o t5raço parallsado é que observou o· estado em que ella estava. . ., I l" , fol COfii\Olrnr o 1prlmelro médico e este aconsclhou- ltie urna op\~raçJo. 'Fol segnnào e mandou-a para banhos do mar. Fol ao terceiro que • lhe dcu um remedio para.ella tornar,

ao

.,


Voz da Fatima.

..... (e do unturas ao peito), isto por espaço de 15 dias. Sentia muitas dOres e muitas picadelas. Tornasse o remedio, parando 15 dias e depois, se nao obtivesse melhoras tinha de fazer a operaçào. Nest~ meio tempo tomou a agua nove d1as e rezava o terço, principiando o tumor a diminuir, a faltarem- lhe as dOres, e ja pode tra.. balhar. A familia esta convencida que foi N. Senhora que a curou. 0iz a màe que quando a encontrou nesae estado foi em Outubro passado, nos primeiros dias. Foi em Novembro que tomou a agua da Fatima. Hoje mesmo mandaram dizer urna missa a N. Senhora, e prometem ir A Fatima com a pequena. A màe dlz que foi N. Senhora quem a curou. M. D. T. S.• Obraa da Fétima

Devldo ao inverno nao se teem podldo continuar as obras, mas sabemos que vao recomeçar P.Or estes dias.

H cura das almas Em Lourdes, assim corno em Fatim a, as maravilhn!i palpaveis e visiveis, de ordem phisica, sao nada cm comparaçao dos efoitos de ordem mora I produzidos pelo benefico ambien• te de oraçoes e pelo excmplo contagioso da caridade sob todas as formas. Em Lourdes reina, sem restricçao, a verdadcira Fraternidade; em Lourdes tecm realisaçao as aspiraçoes mais cgualitarias. Os exemplos da solidariedade mais manifesta e maior sao dadas continuamente por todos, bran.cardiers enft:rmciros e enfermeiras, tanto da~ piscinas corno dos hospitais. Com una abnegaçlio digna dc todos os elo8Ìos 1..s~ueccm as suas proprias ncccssidadcs e o seu proprio. cançaço para se consagrarcm gratuitamcntte aos interesses e cuidados de seus irmlios docntt:li e desherdados. Em Lourdes é o pobre e o desgraçado quc siio senhores. 0esde a sua chcgada à cidadc de Maria encon• tram asilos comfortaveis onde se abriguem, cuidados afoctuosos para as suas cnfcrmidades, rcconforto e consolaçao para os seus sofrimentos. Os sacrificios oferecidos para consolaçiio de outros, a mutua aft:içao nivada pela mesma fé e pelc1s mes• mas aspiraçéi.!s, dao ao desherdado da vida a pac1encia e resignaçao per• feita,. Eis, pois, mais um milagrc:

em Lourdes n.lio hd dezesperados I Alt:tn disto, quem poderi contar as voltas para lJeus obudas por actos

inccssantes e atrahentcs de caridosa picdade e pda atmosphera cspec1al de fé e piedadc ? 1 Que diter das conYc:rsot:s de que rect:bcmos as vezts as confidcnc,as e daquelu ~ue se ignoram e por iss,;i t,c; ni• publicaram ? . QuantO'l h.~mem, lc:vJdo..; por cu• m,-;tdade as margcns do GaYe pelos acasos dc urna viagem pela t~rna e perseverante solicitude' de uma mae ou. de uma esposa, quantos homeni,, o menoa prcprrrad•s potii,el para

urna transformaçao da alma, sao repentinamente sacudidos pelo espec.. taculo de Fé ardente e sao subitamente arrastados por estc ambiente particular que tem principio em volta dos factos sobrcnaturais, na préce comum e nas imploraçoes da multidao? Quantos, subitamente, esquecem todo o seu possado e suas antigas convicçoes para se torm1rem bons christaos, fie1s depois as praticas religiosas? Urna tarde, cerca das nove horas, na ocasiiio dc urna importante pere• grinaçao, um sacerdote safa da Egreja do Rosario. A' entracla foi abordado por um homem ainda jovcm e disttncto, tornado por urna visivcl comoçao, quc lhe pediu o ouvisse de confissao. Os numerosos confossionarios estavam tomados; as confidencias deviam ser longas, afirmava o penitente, pois que ha via vinte annos, depois da sua primeira communhao, que se nao tinha aproximado do Tribunal da Penitencia, Logo q ue as palavras de pe::rdiio deram a paz a esta alma de boa vontade, o feliz perdoado, se laoçou debulhado em lagrimas, ao pescoço do sacerdote. <tComo eu sou feliz ! - exclamava elle - o desejo de receber o perdao das minhas faltas, sem que eu disso tivesse consciencia, se apoderou de mim repentinamente., «Meu Padre - acrescentava elle, - faça-me ainda outro favor: acompanhe-me até junto da minha boa mae qu:: nao acreditara se nao vier comigo testemunhar a graça que me acaba de ser concedida., Evidentemente que, se nos collo· camos no ponto de vista scientifico, é a curabilidade do incuravel, é o «milagre, que constitue a caracteristicu de Lourdes. Mas se nos colocamos no ponto de vista religioso e se observamos as multidòes em oraçau, a piedade edifficante que se manifesta em toda a parte, as curas sobrenaturais nao sao senao urna das partes de um coojuncto em que todu as manifestaçoes da vida espiritual e da fé christa simultaneamente se manifcstam.•• Boissarie cita o exemplo <laquelle jovem bospede de Villep1nce que recebcu um dia a visita dum médico da capitai que acompaohava seu irmao, um engenheiro de religiao protestante. Este dr. que tioha dado grandcs provas de car,doso interesse pela pobre tisica J ulieta Forét - era esse o nome da desgraçada crcança - tinha sido extremamcnte tocado por esta simpatia. Alguns dias depois c:lla escrevia a urna bemfeitora e exprimia-se assim: · e.Espcro que a Santissima Virgem me querer~ curar! Se eu cievcs-se continuar doente teria urna pena inconsola,·èl: tont•do Caria tfe b8a vontade o sacrificio da rainha aaude, de tudo, pela conYer5ao do ac:nhor X., o protestante de qne cu rceebi a yj. sita., Um tnl sacrificio Yoluntario recebcu a ~ua recompcnsa. Nossa Senhora de Lourdes attendeu os 4~•a 4'i piedosa rapariga.

Julieta For~t foi curada da sua tisica em ultimo grau; o médico pronuociou os seus votos religiosos nos Padres Redemptoristas, e o eogenheiro converteu-se ao catholicismo. No curso do verao de 1920, eu via entrar na secrctaria das verificaçoes o senhor X . . • membro distincto da sociedade de Paris. la acompaohado de sua mulher e de sua filh1. Esta ultima, encantadora creança dc doze anos, de f6rmas agradaveis e regulares, dotada de uma inteligeocia pouco comrnum, apresentando todas as apparencias duma boa saude, era afl1gida por um strabismo dos mais acentuados, que desfigurava completamente o seu belo roseo. De olhos lacrimosos, a senhora X ... expunha me a profund:i pena que lhe causava, 11ss1m corno a seu marido, a enfermtdade tao desgraciosa de sua filha. Um e outro, cheios de confiança e de fé vinham implorar de N. Senhora ~e Leurdes na sua augustia, nao duv1dando de que suas préces seriam atendidas. Tres dias depois reccbia eu novameote a visita da fam1lia X ..• •Doutor dizia-mc a mae consolada, fizemos todos tres o sacrificio da cura da m1nha fil ha : No fim de contas a sua enfermidade nao nos causa, tanto a ella corno a n6s que fomos acumulados de bens terrcstres, seniio urna simples beliscadura no nosso amor propno. E o que é isso ao pé de tantos hor- • riveis sofrimentos, de tao repelentes enfermidades, de quc, desde que chegamos, temos o espectaculo em volta de n6s? Que a Santissima V1rgem nGs conserve a nossa prova ; que ella venha em auxilio de nossos irmaos dcsht:rdados pelos qua1s unimos as nossas oraç6es I,

Hs contas de 5. Pedro Rev. 1110 Senhor Prlor: Conslnta V. Rev. que Jhe /aie com franqueza. ~abe quanto sou dedicada d nossa Jreguesla eque nao eosto de /al· tar d missa, 4 desobrlga, etc. Mas, sinceramente, parece-,n,e que os pe-, dltorlos vtlo sendo demais . • . E' para u.ma enfiada de Jrmandades, para o seminario, a pensllo do Pdroco, a quota do cape/do, é para os oltmlles /amintos, d/nheiro de S. Pedro, clero pobre, etc. Quasi ntlo nos deixam um dia tranqulles. E creta V. Rev. que nao sou s6 eu a pensar oisim. Ou.tras pessoas, e das mais amiEOS da nossa eenia, me teem dito que eostarlam, ao menos uma vez por outra, de resar em paz numa eg-rria sem receio de ser importa• nadas e distrahidas por ptditorlos importunos. Nilo nu levi Y, Rev. a mal este d1sabafo •

De V. Rev.

parochlana multo dedicada e respei• tosa

Alice Maria

Eram 8 11:>ras quando o sr. Prior


Voz dn. Fatim.a

.,,

recebeu das m!ios do sacristào o sobrescrito lilaz com sinete sobre laere prateado. Começava bem aquele dia corno alias quasi todos. Era, logo de ma11hà, a arreliasinha inevltavel. Leu, tornou a ler ••• e fez um exame de consciencia. Sim ••• de facto havia muitos pe<litorios. Mas que remedio? E' certo que todos vivem com diflculdades ••• A carestia da vida ••• Na verdade ••• Mas a Igreja tambem a sentia, a .carestia da victa. Eram cada vez mais os pobres. As despezas do culto aurnentavam sempre. Depois o apelo instante do Prelado que nao tem re~ursos para sustentar os seminaristas. E tudo, tudo ••• Enfim, far-se-li o que f0r possivel, monologava o sr. Prior, cauteloso. E' preciso contentar toda a gente. Ha ,de encontrar-se maneira de deixar que as boas parochianas rezem na igreja sem que se lhes espie o fervor <ia oraçào ••• e sem que lhes seja bolsa, forçoso alargar os cordòes -Ou aliviar a carteirinha gentil ••• Nào ha duvlda; isto de ser paroco é um descanço I ••• Ora sucedeu que oito dias depois ..a Sr.4 D. Alice Maria apanhou urna i;ripe das_ peiores e tao mli que a Sr.8 D. Alice Maria morreu. . Num abrir e fechar de olhos, prin<:1palmente num fechar de olhos, es1ava deante de S. Pedro. - Meu bom S. Pedro, sou eu a Alice Maria. - Ah 1 ••• Slm ••• - Ha dois dias ainda eu fui ! Jgreja .•. - Ah I Sim ••• slm ••• -O meu Prior conhece-me mui• io ?em. Mesmo é ele que hoje diz Ji missa de corpo presente ••• Vai multa gente ao meu enterro ••• S. Pedro, indiferente e frio, folhea,ya o seu grande Uvro de registo, aquele livro em que se escreve tudo .o que n6s por c4 fszemos e dliemos. E emquanto Ila deixou escapar, por entre dentes, certas palavras que davam calafrios. - Alice Maria, multo 'senlimental: .pledade exterior, superficial, s6 ao de cima ••• pouca vida interior. Em casa pouca vigllancia s0bre a educaçao dos filhos e vida dos creados. Um certo numero de colsas mal ieitas e nunca reparadas ••• V;ildade • • • nAo é ma pessOa • • • mas urna lingua um tanto comprlda. Em certa altura carregou as sobrancelhas. - Fortuna importante. ...1 E S. Pedro olhou filo a preten~ente ao Paralso. - E as Obras paroqulais? - Oh, meu bom senhor S. Pedro, eu dava para todas as Obras I ••• -Quanto? - O mais que eu podla I' .•. - Quanto? inslstlu o antlgo Pescador. - Nao sei ••• Nao me lembro••• Estou toda a tremer ••• Mas eu -dava sempre e para todas aa Obras ! ' Para todas. Na vespera de cahlr .doente paau~i sete recibos, nada

a

menos. Dava todos os mezes para o culto •• , para festas ••• - Dois mil e qulnhentos ••• - E tambem dava todos os anos para o Seminario ! ... - Dez tostoes. - Perdao, senhor S. Pedro, este anno quinze tost0es. - Tem razlio; mas cinco eram doutra pessòa. - E' verdade ••• - A qui é sempre verdade I - Mas eu dava a todos os peditorios. - Clnco tost0es. - E dava para o dinhelro de S. Pedro, para a Propagaçao da Fé, e para a Catequese ••• Dava sempre, sempre t ••• - S. Pedro olhava·a por cima dos oculos, emquanto eia falava ••• fatava. De subito. atalhou : - E sabe, quanto dava, ao todo, cada anno? -Nunca fiz a conta ••• -Fi-la eu. - Urna bruta qua11tia, niio é verdade, meu bom senhor S. Pedro? 1 1. Oito mii réls, moeda actual. -S6 isso 7 - Nem um centavo a mais. - Pois parecia- me que era maior quantia ..• - Parece sempre • - Mas nao haverA engano ? - Aqui ni\o ha enganos. Devias ter dado, pelo menos dez vezes mais. - Meu Deus, com a vida tlio cara I ••• -Nem sempre te lembraste da carestia da vlda. Recordas~te do que déste pelo teu ultimo vestldo ? E de quanto gastaste em praias, combolos automoveis e mil outras bugigangas inutels no ultimo anno? Tenho aqul a conta •.. - Meu bom Senhor S. Pedro I Faz· me tremer de medo .•• - E com raza.o I - Mas que quer dizer com isso? -Que tem um logar no Pureatorio. -Meu Deus I Senhor I Senhor I ... - N~o é aquele que implora Senbor I Senhor I que entrarA no Rei no dos Ceus, mas o que ouve a palavra de Oeus e a guarda. ,

za mundana quando devia fatar com energia apostolica e sobrenatural. ~ gente rlca, por exemplo, acreditou sempre, graças ao silencio de V. Rev.•, que podia gastar contos e con• tos de réls em superfluidades, ao rnesmo tempo que para as Obras da paroquia dava uma contribuicao de miseria. E quem sofre as consequenclas do silencio de V. Rev.•? Os seus paroquianos. E sai-lhes caro. Ainda ha poucos dias eu mandei para o Purgatorio urna paroqulana a quem V. Rev.• multas vezes fatava e a quem considerava urna paroquiana modelar. Modelar 7 Pois esta no Purgatorio• - A Senhora D. Alice Maria? -Essa mesma. E V. Rev.4 val fazer•lhe companhia, e, natunlntente com alguns anos a mais. Responsabilidades de pastor•••

Com efelto, o sr. Prlor la encontrou a sua paroquiana no Purgatorio. Contente é que eia nao estava, nao. - Sr. Prior, é por sua culpa. - Minha Senhora, tambem eu digo: é por sua culpa. - l\tas eu nao sabia. V. Rev.• ttnha obrigaçao de me dizer qual era o meu dever. - Nao me atrevia, minha Senhora. Lembra-se da sua ultima carta? - Ah I Se eu tlvesse s.. bido.•• - Se eu tlvesse mais coragem.

' E, emquanto tais sucessos se passavam Id em cima, ca em baixo, no quarto de cama da Senhora D. Alice.,

Maria os fellzes herdeiros de S. Excelencia esvasiavam o cofre forte, abarrotando de acçOes de Bancos, de obrigaçOes de Companhias, de papeis de todos os matizes representando valores de todas as especles; inventarlavam os massos de notas do B ·1co atados havia multos anos, par.i c1II arrumados inutels, estereis. - Meu caro, b0as massas, heln? Eu ben:i o dizla ••• - Eu tambem sabia que eia as tinba••• Mas tanto •.•

(/mitado de P11mRE L'ERMlTE)

.

Ora chegando o Sr. Prlor a sua casa, quasi sem folego para a confessar, contraiu por contagio a mesma doença e de tal forma que em poucos dlas passou d'esta para melhor. Coube-lbe a vez de comparecer deante de S. Pedro, que estava com cara de caso. O Porteiro olhava-o de sobrecenho franzido. -Ao que parece, as colsaa nDo iam mal la pela freauesla. Mas a'lul as aparenclas valem pouco. V. Reverencla é responsavel pelos seus paroquianos••• - Eu era muito culdadoso com a catequese e com a homilia. - E' l:erto; ca estA: «enslnava com zelo a doutrina. • • -Visitava, amparava, socorrla os pobres. • • • -Tambem é verdade. Mas V. Re•.• .1 era fraco com os pnroqulanoa: nAo se atre via R dizer•lhes com f ranqueza os sacrlflclos que tinham de impOr-ee. V. Rev. 1 falava Ct>tn delicade· ;

AVISO Sabemo• qua alguma• peaa6aa andam po.. v •· ria• parte• wendeado teflf• qo• e eutroa obJeotos re• · lfgioaoa diz~ndo 9ue os vendem por. oonta de No•• •• Senhor• de Fatima, quando aflnal é pa .. aont• p ..oprl•• . Eatamoe oflolalmente • auto•laadoa· • d e o I • r • P qua nenhum• P•••6• aats enoarl'!egada da tazer tal• wendo•• ~

Na poesia publlcada no penulthn• iqumero deste jornal onde se lé -ço,:_{lçòes inno&ente8 deve l~r-se &oraçtld

incertos•

,


Voz dn.;

Hos extraulados

Voz da fatima ,

Ahi petos meiados de a~sto ultimo noticiaram os jornaes em, laconicos telegramas o desastre sucedido a peregrinos, entre os quaes .vinte e quatro hol,rndezes, que em camion voltavam de Gavarnie a Lour- . des. t , Perto de Saint- Sauveur e nao longe da ponte de Napoleon, onde a estrada é estreita e o declive multo grande, um movimento rapido do volante, com que o chaufear quiz evitar o atropelamcnto de uma muJber, fnz l'ecuar com violencia o camion e este precipitou-se com todos os passageiros pur urna ribanceira de setcnta metros de alto, Os peregrinos holandezts marreram todos hcando horrivelmente desfigurndos. Alguns dos outros passageiros que escaparam ii morte, ficaram em estado gravissimo. Passados os primeiros momentos da triste impressào causada pelo desastre, ·começaram as averiguaçòes a respetto das vtctimas e o que se apurou foi que os taes peregrinos hola11dezes eram quasi todos protestanteJ e faziam parte de um grupo de excurslonistas organisado pela agencia Klerck, da cldade de Dordrecht na Holanda, crea·da para enviar de vez em quando passeantes a Lourdes, onde fariam o centro das suas alegres excurs0es petos Pyrineu$. O chefe deste grupo, que tambem motreu, era o mesmo Kte,k fundador da agencl~,~redactorchefe do jornal «O Protestante,. ~ora o objecto prlnci~>al ilas polemicas do jornalista Kle1k era o culto de N. Scnhora. No ut1imo numero do seu jòrnal fizera Inserir Ull) artigo perfido contra os factos sobrenaturaes de Lourdes termiriando por dlzer que «néles s6 poi':le ter confian- ' ça quem possua uma ' fé ingenua ou uma alma d~ cortlça., • .i lav ia uns mezes que o redactor em chefe, KletK, vinha ariunclan"<to no seu jornal que dentro em pouco ' apareç~rlam no jornal protestante de que etre era secretarfo, dlz o jornal holandez • De Ttjd,, artigos para combarer as cura, de Lourdes. Pelo que mc consta, d(z o citado jornal, f0ra elle para esse 'fim a Lourdes ondé pa,sou uns cinoo dfas da S'egunda semana de agosto, Nessa mesma semana fitera annunciar O"'seu proposito no aeu j()rnal, em arUgo feito antes da partida. b I • lmpediu-o a morte. A mao que devia retomar a pena contra o culto de N. Sentiora ficou hirta pela --morte. f oi chamaifo com c,s excursionistas que o acompanbavam, ao tribuna! de Deus.» j

O noJso Jorna~•inho é deatrib11lilo"gr'ilultamen• te n,_ Fétlma noe dlaa 13 de ooda mie. So team direito a re ebel-o aelo cor, Pelo, d11r111nte um ano, oa quo tivP.rem ~nandado dez 11111 réi • S•tif,faremos goatoaa111e nte quelqueP. Peclamaofto qua os leltorea enten-

dam neaeesario fazer-no•

"

Deepezas Transporte ..•••.• 1 • • • 8:555:620 Impressào do n.0 16. • • • 200:000 Outras despezas ••.••. • , 40:UOO Somma. • . . . .,... . 8:795 620 SubaoPìçilo t J (Contlnuaçào) Oonativos (Carrascos).... D. Maria Celeste de Seabra Fabiào....•...•..•. D. Maria José da Silva ... P. 0 Antonio Cesar de Gouveia I Valente••..••... D. Maria Teresa da Silva Passos...••.•.....• D. Maria Olivia de Santo Antonio Netto ....•.. D. Ophelia da Veiga Motta D. Anna de Campos Oodi-

15SOOO

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nho ••........•... 20$000

Narciso Marttns Ribeiro.•. D. Margarida L. d' Atmeida. D. Maria da Boa Hora Santos Bernardes : ..•.... D. Maria da Conceiçilo Al· cantara Matheus •...•. D. Marl!3 Aurora Vlegas.•• Joao Lourenço Oomes dos Santos.•..•.....••. D. Maria Clara Rodrlgues Monteiro , ..•..• , ... D. Berta Métyer Machado (2. 0 anno) . •.• ..•... D. Maria da Graça Ouarte Santos..•..•.•.. . .. D. Marlna Augusta Chaves D. Elisa Coetho Marques (2.0 anno) •••••....• O. Maria da Purificaç4o Godinho ...• •.•. ... Antonio da Costa Mèlicias (2.0 anno) .........• D. Livia d' Almeida Baltazar O. Virginia Mendes de Sou• sa e Sìlva ..•......• D. Manuela Sobral Alvares. D. Maria José d' AImelda Teles . . .......... . p_e Antonio Carreira Boni.: facio (2.0 anno)....•.. D. Luiza Barrei,os Salema. D. Flavia Rltbuça •.••••• D. Maria Adelatde de Re..

(2.8 vez) . . . . . . . . . . .

JOSOOO

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IOSOOO tOSOOO 10$000 10$000 10$000

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De jornaes (Alcanena).••• 29$500:, D. Carolina da Conceiçilo Silva • ....•.••.... 10$000 Manuel A'ntouio Lopes (2. 0 , anno) •• . I..• . ... . .• .10sooo D. Màrla ila Coucelç:io Al• ves de Mattos (2. 0 anno) JOSOOO

D. Maria das- Mercés Bianchi Coelho da Rocha •• • 10$000 Francisco de Lencastre (2.0 anno) ............. . 10$000

Manuel Duarte Silva (2. 0 anno) • . • • . • . . . • • • • JOS0OO Antonio Alberto (ignora•se a morada) • . . . . . • • . • 10$000 Cosme Ferreira de Castro (2. 0 anno) . . • . . . • • . • 10$000 Manuel Lucio de Andrade (2. 0 anno) . . • . . . • . . . 10$0'.)() P.e José, da Amoreira, Antonio Monteiro e outros. 15SOOO • Dr. Antonio Farla Carneiro Pacheco (2. 0 anno) . . . • 20$000 D. Amelia Augusta de Jesus e Sii va Oarcia..... ·. . • 10$000 D. Romana Caldas Pereira da Silva. . . . . • . . . . . • 10$000 D. Maria Amelia Capelo Franco Cunha Mattos . • 10$000 • Antonio B. Figueiredo Nunés de Carvalho . . • . . . 10$000; D. Maria do Rosario Marttns. • . • . . • • . . . . • . • 10$000 Antonio Antunes Mota . • • 10$000 D. Cesarina da Piedade. . • 10$000 Joaquim Alves Marllns . . • 10$000 D. Maria Primitiva Castro • 10S00O Marianno Lemos ... ...,. 10$000 D. Maria José Amaclo de Abreu Amorim Pessoa·. • 10$000 O. Maria Luiza Rodrigues • 15$000 P. 0 Antonio dos S11ntos Alves (2.0 anno) .....•. ! 10$000 Paiva, lrmao & C.• . • . . . . 20$000 Seraflm da Cruz Vieira • . • t 0$000 O. Maria Irene Themudo Figueira de Andrade Nogueira . . . . . • . . . . • . • 20$000 D. Oenerosa Fa!'lnha • . • . 12$000 D. Maximiana Vleira. . . • . 10$000 Joào Lopes Laranjeiro. . • • 10$000 D. Josefa Carolina de Mattos Chaves. . . . . . • . • . 10$000 D. Mafia òa Conceiçào V. Franco. . . . • . • • . . . . . 10$000 D. Maria do Carmo da Rocl'la . . . . . . • . . . . . • . • 15$000 D. Maria Miranda Fragoso. 10$00) D. Anna Fernandest Poi es Oiào . • . . • . . • . . . • . . 20$000 D. \I aria Christlna, Capello Franco ..... J . . . . . . 10$000 D. Margarida Manuel Plnto Coelho (2.0 anno) • • . • • toS00O A11tonio Coetl1o da Rocha • r 10$000 • D. Ermelinda Coelho da Rocha ........•.••• D. Btlgida de Sousa Sampaio ... , .•••..•..•

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O. Maria do Carmo Raposo de Sousa d' Alte •••••• E, B. O. A. C. 8. (Angra). Joaquim Augusto de Lacer• da .••. ·· r. , , • , · . · · D, Maria d' Ascençao Barros de Mello •.• 1. • .. • • • o. Amelia Perelra Coutinho. . . . • . . • . • . . . . o. Maria de Jesus Gorilo Henriques de Brlto Per• nandes .•...••. ..• O. Maria Adelia de Freitas Torres. . •••••... - • Manuel F, de l\tello (2. 0 anno) .......... - · • P.0 Joào Lopes Gomes (2. 0

b 5$000 20$000 ,

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anno) •• • · · . · • , · · · • 10$000 P.0 Antonio Carrelra Poças e D. Delfina de Jesus Venancio (2.0 anno) ••..• toSOOO D, Beatriz Rodrigues Vieira (2. 0 anno) • • · · • · · · ·. • 10$000 D. Maria da Conceiç~o :toscano Tinoco . • . • • • • · 10$000


N.0 18

LEIRIA, 18 de Março de 1.0.24

Ano II

-,Q

(OOM APROVAO.ÀO ECLESIASTIO:A) "Director, Proprle'éoi•lo e Editor

Adnalnlstrador: PADRE M. PEREJRA DA SILVA

DOUTOR MANUEL MARQUES D0S SANTOS Composto e impresso na Jmprensa Comercial,

13 de Fevereiro Como sucede quasi sempre na quadra invernosa que ora decorre e muitas vezes até na primavera e no estio, o dia da peregrlnaçao mensal a FAlima foi tambem neste m@s um dia de chuva abundante e continua e de furiosa ventania. Apezar dessa centrarledade a con• correncla ao locai das apparlçOes foi lncomparavelmente mais numerosa que em egual dia do m@s anterlor. E_m torno da .capelin_ha .eriglda pela p1edade dos fiels compnmia•se urna rnultldAo enorme, que se podia computar sem exaggero em duas mii pessOas. Celebrou a primelra missa onze horas, o rev. José do Espiri~ to Santo, Péiroco do Reguengo do F~tal, e a segunda missa, ao meio dia, o rev. Carlos Antunes Pereira Oens, Péroco de Ourem. , Depois da ultima missa, o rev. roco do Reguengo subiu ao pulpito e durante cerca de meia bora fallou • sObre os peccados capitaes. Durante as duas missas rezou-se o terço e cantaram-se os cantico• do costume. Por fim cantou-se o 7antam ,reo e deu se a bençlio com o Santissimo Sacramento.

as

Pa-

V. de M.

Hs curas da f aUma ~---(

I)ois

00.110s

• Pardélhas, 3.3.924, e • • • •• Aeora vamos ao assumpto que mais nos preocupa e mais alegra o coraçao dos que sao crentes e devotos da Santissima Virgem. Fui fallar com a mae da creança que Nossa Senhora curou e ella com toda a sua alegria pela graça obtida, contoume o segulnte: No mez de novembro passado, a creança aparece-lhe com um grande lnchaço debalxo do quei11;0, pergunta Acreança ae lhe doe, ao que eata respondeu negativamente. Vae com ella ao médJco e este diJJbe depols de verificar: I alla tam~,

.Jr/a. l?az.Ibe o curativo tancecando-lhe

a Sé -

Leiria

REDACçAO 2 'ADMlNISTRAçAO

B.U.A D. N'UNO ALV.ARES PEREJ::RA (BEATO NUNO DE SANT.l MAMA)

o tumOr, ficando a creança a ir todos os dias a casa do médico. Passados uns quinze dias, corno a mae da creança tlvesse acanhamento de daY tanto incomodo ao médico, pede-lhe licença para d'ahi em diante fazer o curativo em casa ao que elle annuiu. Isto' deu-se n'uma sexta-feira. No sabbado a seguir a m:Je da creança vae para lhe fazer o curativo e, quando tira a mexa, rebenta o sangue em abundancia. Como tivesse pouco animo para lato, chama a creada, mas esta negase a fazel-o pelo mesmo motivo. Foi n'esta occasillo que ella eat~o, cheia de fé e confian,a Invoca Nossa Senhora n'esfes termos: Oh I Vireem

do Ros4rio de F4tima, dae-me coragem para curar o meu filho ou entllo curae-o Vos. Poe o algodao na ferida

para vedar o sangue e a ligadura e, deixa ficar. No dia seguinte, que era domingo, diz ao marido: O' Francisco, se tu quizesses ias curar o menino. Este recusa- se pelo facto de nffo ter coragem. A mae enlao re9este- se de coragem e ttiz: Vem e! meu fil ho que ..,Nossa Senhora hacte dar-me a coragem precisa para te curar. Desata a llgadura e, qual nao é o seu es· panto quando v@ que a creança estava completamente curada e até do proprio algodao tlnha desapau.:cldo todo o sangue que bavla ensopado. A mae nao cessa de dizer isto a quem encontra. Agora vamos ao outro milagre operado ha dlas. Alzlra dos Anjos Sebolào deu é\ luz no dia dezolto do corrente urna creança encontrando-ee n"essa acca-'" sUlo bem. Passados, porém, tres dias aparece multo inchada em· todo o corpo e com especialldade no ventre. Chamam o médico e este diz que é4 urna lnfecçao no utero e declara a doente perdida, recomendando familla que a mandem prepar:ic r.:u!l a ultima vla2em. Chegou a ter ouarento graus de febre, a ser acommertida de ataques, ter muita affliçilo rio coraçilo e a' exhalar pela bOca um mau hallto. Emflm, toda ella deltava um chel10 lnsuportavel. O médico mancia retlrar-lhe a creança é dlz : aqÙl sd lhe pdd1 valtr alaum aantlnho. fol a'esta occaalllo que chamam o

a

Sacerdote para a preparar. Na terra

ja nAo tinham mais a quc:m recorrer.

Em virtude disto a irma da doente. chamada Palmira, vae ao quarto e dlz-lhe :,Alzira, vamos rezar a Nossa Senhora de Féitima e Ella te curara. Principiando a rezar, a tia da doente, Maria dos Anjos Tavares, dl:r a Palmira : estas a rezar mas ainda n!o lhe deste agua de Fitlma a bebcr. Esta levanta-se, vem a 'mlnha casa e pede-me urna pouca d'agua. Chegada a casa a familia opOe-se a que a doente beba a agua fria porque p6de fazer•lhe mal. Nisto a Palmira pousa a agua em cima duma meza, ajoelha e pede com muita fé e confiança a Nossa Setlho• ra a cura de sua irmil dlzendo : Oh/

Virgem, mostrae aqui o vosso poder

e da a agua a doente a btber, Oh t milaere I Mal bebe a agua a docnte volta-se para a tia e diz : O' madrl-

nha ntlo sei o que slnto dentro eni mim I

,

As affllçOes do coraç!o, o mau halito e a incbaçllo desapareceram !mediatamente. Passados uns motm!nto1 perauntalhe a irmll: ,entilo, Alzlra, a agua de Nossa Senhora fez-te bem ?• Ao que ella respondeu : cAi, Palmira, eatou curada, nada tenho f,. Els Rev.m0 Senhor o facto tal qual mo contou a propria Irma da mira• culada, Junto envio um atestado, que: assim 1e R6de chamar, do proprio Sacerdote que a fai preparar. Nao s6 élle, como, eu e mais pesaOas estamos confusas com ~ste prodigio, , da nossa t4o querida Mae do ceu. Para a oulra carta enviar-lhe•el urna outra cura; nao o faço hoje por• que nllo me é possivel fallar com a pessOa que obteve a graça.» Maria dos Anjos de Mattos.»

Rev.mo

Sr.

Numa grandE' afliçao, recorri a N~ Sei.h()ra do Rob. rio da fjtlma, e ful ouvida sem dem,Ha. ' Em agradeclmento, envlo 10:000 p~ra ajuda daa despezas do seu cui• to. AngE>llna t:.;ope1 Perelra De certo os nossos querldos lelto• res terao prazer em ler a segulnte

carta:

,


h

.>

e Graçaa e Louvores sejam sempre dadas a Deus e Santissima Virgem do Rosario, nossa ternlssima màe da

a

.,.

a

as

a

Coimbra 25 • 1 - 924

Emilia Oulmard.es

13

de Janeiro correios deixou de ser publicado em fevcreiro este

artigo de que nao queremos privar os nossos leitores.

O dia 12 de Janeiro, semelhante ~os outros dias dessa sernaoa, sem vento e sem fria, explendido de so1 e apenas com pequenos farrapos de nuvens a empanàr de longe em lon· ge o azul dfaphano do firmamento, parecia um formoso e tépido dia de Março precursor da primavera pcoxima. Nada fazia prever, a nao ser o ponteiro fiel de um velho barometro, o medonho vendaval que se havia de desencadeat sObre toda a terra extremenha desde as prlmeiras horasdo dia seguinte. Chegaramos na vespera tarde a Torre.s Novas, onde alugamos urn carro para 001 transportar a Fatima. Ficou assente q~e a partida se efectuasse b olto horas da manhà. A essa hora a chuva cahia torrencial e continua, inundando as ruas e as praças, em que se viam raros transeuntes apressados, e o ceu, de sobrecenho carregado, parecia ameaçar- nos com um dia lnteiro de rigoroso Inverno. A vla2em atravez da serra fòi sobremaneira t/iste e penosa, mas durotf pouco mais de tres horas~ graças boa raça dos cavallos escolhidos que puxavam o carro. Eram c~rca de onze horas e meia quando chegamos vista do locai das apparlçOes. O vento, n9 cume da serra, dir-sehla redobrar de lntensidade, sacudlndo com vlolencla as copas dos pinheiros altos e esgulos e a ramagem das azinheiras rachitlcas e eofezadas. A chuva, fustlgaodo sem pledade os rOstos, que os cbapeus impedidos de se abrlr devldo 4 vlolencla do vento nao podìam defen-

a

a

a

der, C-l!hia sem interrupçlo inundando a Cova da Irta, e cooverfendo-a num lamaçal immenso. A'quella bora, contra o costume de tantos annos, eram multo poucas, apeoas algumas

no l Tenho realmente erandé pesar que o nito conheça, nAo é por ser meu neto, mas é um ve-rdad,eiro amòr. De bora a bora, de momento a momento, n6s vlamo1 o pequenino melborar; chega o médico para o ver, e a unica coisa que p6de dizer é q•e ••• nada tinha a fazer, (poJs estava completamente curado t •••) A alegria Ila-se nos noasos rostos, e o médico rematou dlzendo: ,as creaoças sao assim, tao depre5ì~o est:lo • morrer, corno est!o cur11das.• Mas a6s as 3, que bem conheciam06 -0 milagre de Nossa Senbora, davamo& ,ln~imamente ~raça~ a virgem do ianhs11mo Rosario. E11 aqui, muito a correr e em duas palavraa mal dlt1s, a grande graça que noa concetleu o milagre d1 Vfrcem do S1nt1ssf mo Rosario da FAtima. ~

travam junto do padrfto commemorativo da& appulç6ea, abrreada.s sob o telhelro recentemente construido em frente delle. Soubemos depots que, metcè do mau tempo, muitoa pereartoos tioham de&lstido da vlagem e outros, que cbegaram a lnlcii1 la, tlnham renunclado a leva-la a c"bo, alojando-te durante o percurso em casa de faml11,as aml2as e conbecldas até que o tempo melboraue para rc&resHrera suas terras e aos seus lare6. Entretanto, pou~o a pouco, 'Ilo cbegando, de dlvern• partea, 1,ruposde pereerioos que, p,ocedentes de povoaçOes vlt1inhas ou mais anlsnosos do que os outros, ousarartt arrastar com as furlas do vendaval para irem prestar i augusta Virgem dG Rosario II homenagem plwosa do

dezenas, as pessOu que se encon-

as

seu culto fervoroso no sltio em que Ella se dìgnou apparecer, è.onf6rme as afflrmàçòes dos bumildes e inqcente~ pastorlnhos de Aljustrel. Ao melo ,dia oflcfal principia a primeira Missa o rev. Manuel Perelra da Sii- t va, secretario da Camara Eclesiastica de Leirla. E' celebrada dentro da capella por nllo consentir o mail tempo a sua celebraçao ao ar livre J na f6rma do costume. Durante a missa relna um silt!ncio absoluto entrecortado apenas pelo murmurio das préces rezadas por grande numero de assistentes em voz quasi imperceptivel. A certa altura, po rém, um homem do povo começa a recitar o terço do Rosario em vo-z alta, alternando com elle muitos dos circunstantes. O agudo sibilar do vento, o brando ciclar das pr~ces, 'o cavo rumorejar das arvores, o cahir incessante da cbuva, o fli lencio- impressionante èia multldfo, tudo convida a alma a recolher-se dentro de si mesma e a elevar os seus oensarnentos e os seus afectos para o Ceu. Parece sentir-se um sOpro sobreoatural e divino perpassar junto de 1'16S. Os anjos, invisivelmente prostrados deante da Hostia pura e sem mancha em que Oeus, voz do sacerdote, acaba de descer terra, jttn• tam as suas adoraçOes i1s daquellall almas humildes e sas do bom po110 das nossas aldeias que o simoult. devastador da lmpiedade e do vicio felizmente ainda nao logrou esterlllsar para a Pé e para as virtudes que flzeram grandes. os nossos antepassados. Dezenas de pessOas iecebem nos seus pertos a Jesus Sacramenta-do. Termina a missa. A multida,o. engrossa cada vez mais, comprimindo-se debalxo do tetheiro. Ao meio dia solar começa a segunda missa., tambem dentro da capella. Celebra-a o rev. dr. Manuel Ntrnes Formlgliq~ professor no Seminarlo Patrlarchal. EstAo presentes algumas centenas de peregrioos 1 a malor patte dos qua~ a&sistem missa sob u·m a chuva tor-renclal, mal abrigados pelos seus. enormes chapeus. O rev. dr. Marques dos Santos, ao princlpl-ar o santo sacrificio, inicia ._ recitaçao, alternadamente com o pov-0, do terço do Rosario. A' elevaçiio fazem-se as ternas e patheticas lnvocaçOes de Lou1de~. Algumas sennoras presente~ pouco habituadD&- a presenciar semelbantU espectacu1os de té e piedade, chorB}n de commoçao. Dletrlbue-se o P~o dos Ani os a mais algumas dezeoas de pessòas. O Btmdito é can(ado p(>r todos com enthusiasmo e uncça'p. · Termlnado o S~nto sacrificio canta-se G 7antam er{lo e da-se a bençAo . com o Santissimo. Ap6s a bença~. a rnultidao, chela de enthuslasmo, canta em c6ro o hlmoo Qaere,nos Dèus. cujas notàs vibrawtes e marciaes ~e repetcutem ao longe e ao largo com,o um protesto vehemente e sentldo dE) Pt>rtu_gal chrlsUlo contra a revivisce,f1-,. eia d0 fanatismo mussulmane nos tnfellzes sectarios dos nossos tempQ.S~ que repettm com um furor cego_·e. selv1:tge111 o ,cr! ou morres• dos d,e · f ensores do -cre1ce11te. _ S6b~ depols ae pulpite e rev • .~r......

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Por causa da gréve dos

calcular a alegria de n6a todas, reconheèendo a graça que I noasa mlle de misericordia, a Vireem Santissima da Fatima noa tlnha concedldo melborando o nosso 1m6r p-equenl·

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Lela tomo puder e perdOe ,tud9 -;. breve escreverei com mais vagar.

Fatjma I Mais urna graça coocedida por Nossa Senhora da Fatima a esta sua humilllssima filha e aos seus. Na segunda feira passada, appareceu quasi de repente, meu netinho Luiz Maria com urna febre terrivel e a pernita direita muitissimo incbada até ao joelhito : passou urna noite terri vel, em delirio e queixando-se de muitas dòres. Apesar de ter s6 14 meses é multo vivo, j~ diz algumas palavras, e muito bem chama pela mae, pae e ~v6. A' màe mrnca largava, e quando se via peor chamava pelo pae e por mim, Logo de manha chamou~se o médico, que declarou ser um Jleimi!o, que tinha para 3 ou 4 dias, e passados elles teria de ser aberto. OOres que eram horrivels, mas que nada lhe podla fazer, até que estivesse em condiçòes de ser Jancetado. Nessa noite o menino piorou e n6s, eu, a mae e a sua creada particùlar, recorremos Virgem Santissima, para o curar, livrando-o de tao horrivel mal. Ao deitar-lhe as papas, fOram ellas cobertas com a milagrosa agua da Fatima e coloquei-lhe eu urna medalha de Nossa Senhora ao peitinho, depois de lh'a ter dado a beijar, e rezamos juntos 3 Avé-Marias, urna salvé-rainha e clembrai-vos 6 purissima Vtrgem Maria ••• • flndas aa nossas oraç6es e suplicas deltamos o menino que mais tranqullo pasaou a noite. SObre a madrugada todas fomos descaoçar e qual foi o meu espanto quando 9 boras da manhff a creada entra no meu quarto trazendo o menino ao collo, que deitando os bracinhos para mim sorrlndo e beijando-me, me pedlu biachas (bolachas) cousa que elle do fazia ha dia& I Esteve perto de mela hora a brincar commigo e ouvindo no quarto os paes a fallar, deltou-ae ao cbffo, e agarrado mllo da creada e a um guarda aol, que encontrou no meu quarto, 14 foi a mancar, coitadlnho, até perta delle1. P6de bem

Voz da Fa-time,

a

a

a


• Voz da ~a-time. .Marque dos Santos que durante cér.ca de vinte minutos entretem a atten·d o do auditorio sObre a devoçfto Santissima Virgem e a communhao frequente corno melos efficacissimos de adquirir e conservar a angelica virtude da castidade. Por fim rezam-se algumas oraç~es em commum por diversas necessidades, especialmente pelos enfermos presentes e ausentes e pelos peccadores, e aquellas centenas de peregrinos dispersam-se e desapparecem ,corno por encauto para voltarem decerto mais vczes aquela estancia bem· dita impulsionadas pelo fluido misterioso e sobreoatural que attrahe irresistivelmente a Fatima as almas sedentas de verdade, de justiça e de

a

paz.

V. de M.

Jfotas· e impressoes O phenomeno solar de 1917 Recebemos a seguinte carta: Salvaterra de Magos, 3 de Janeiro

.de 1924.

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.

• • • Sr. Visconde de Montello. Por ter lido o livro escripto por V· a respeito dos eplsodios maravllho-sos de Fatima, cumpre-me partlciparlhe que tambem Uve a ventura de presenciar os acontecimentos assombrosos do dia 13 de Outubro de 1917. ~heguel na vespera aldeia de bm.\ onde pernoitel. No dia segulnte fui a casa das creanças com quem fa1ei, principalmente com a mais velha a Lucia, que me disse que Nossa Se~ nhora }be ~pparecia meia bora depois do_ me,o dia, bora solar. Dirigi-me de· .-poIs para a Cova da lria, mas, corno .chuvesse, m?lbei-me, voltando logo para a alde1a onde me enchuguei. Quando faltavam uns vinte e clnco minutos para a bora aonunclada, parti p_ara o locai das appariçOes. Na occas1ao em que cheguei, parou a chuva, mas o ceu conservava-se carregado .e escuro. A atmosphera tornou-se .amarella no locai em que estavam as .creariças e as cabeças dos milbares de pessOas presentes pareciam cobertas com lenços de c~res amarellas roxa e azut. Urna columna de fumo: qu~ se assemelbava a urna nuvem, pairava no referido locai, su biodo tres a quatro metros acima do s61o. Este phenomeno repetiu-se por mais de ;fres vezes, c~eio eu. Olhel depois para o ceu e v1 o sol, que parecia urna roda de fOgo, romper as nuvens e <:orrer em direcçAo {l terra. As nuvens tmham-~e rasgqdo de repente e vla·.Se perfettamente o sol que nllo feria a vista. ' Vi pelo meòos passar pela parte de ~ima. do sol duas nuvens que eram 11tumrnadas pelo sol, o qual correu ~egunda vez em dlrecçao terra. Fol ts~o que os meus olhos viram. Desta minha carta faça V. o uso que entender. De V. etc.

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fa.

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Manuel da Costa Ptrtlra

ifit1111a, obra aaclenal De

11aa illustre

e pledosa

scalloJa

da Regoa, alma enthuslasta e de rija tempera, sempre aberta a todos os sentimentos nobres e generosos e profundamente dedicada a todas as obras que visam gloria de Deus e ao bem da Patria, recebemos urna carta de que extractamos estes periodos :-«A freguezia de S. José de Oodim quer tambem contribuir para a obra de Fatima, obra que nao é locai mas nacional e de que todos os portuguezes se devem orgulhar. Deus haja por bem coroar de exito os esforços de todos os que tabalham para tao gloriosa empreza e Nossa Senhora de Fatima abençòe a nossa querida Patria.>

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Oa aconteclmentoa de Fatima De urna senhora de Vizeu, tao distincta pela sua linhagem corno pelas suas virtudes, que presenclou o phenomeno solar de 13 de Outubro de 1917 e que desde entao nao tem cessado de fazer v6tos ao Ceu para que a Santa Egreja se pronuncie favoravelmente acerca dos acontecimentos de Fatima, recebemos urna longa e interessante carta de que tomamos a Jiberdade de transcrever o trecho que segl)e: cN~o faz ideia de corno ficamos encantados com o pequeno opusculo referente a Fttima, de tao querida lembrança. Para prova fazla-nos multo fav.or enviar dez exemplares mais Rara dlslribuirmos por pessOas piedosas. Oxala Nossa Senhora faça milagres e converta esta terra de esplnbos e abrolhos em jardim viçoso e encantador. Por demai11 temos sofrldo as terriveis emanaçOes deste pantano ha annos a esta parte. Salve-nos Deus I Seja comnosco a Ssotlsslma Virgem 1 nossa Medianeira f •

A peregrlnaçào oaclonal Posto que seja bastante tarde para

o fazer, n~o reaistimos ao de11ejo de archivar nesta scccAo um formoslssimo trecho de urna carta que oos cscreveu urna Santa e veneranda senhora da Capitai, illustre e benemerita entre as mais lllustres e beoemerltas, écerca da erande pereerlnaçao naclonal de J3 de Malo 4e 1922. Traduzindo os mai, nobreli e elevaJos sentlmentos chrlstao11, coostltue na sua comrnovedore 1lmpllcldade um precioso mimo litterario, de que se evota o perfume ,uavissimo da mais terna e acrlsolada piedade, e que os nossos prcsados leitores saberao apreciar devidamente. E' do teor segulnte: -,Recebl em tempo competente o postai e a carta de V. que muitlsslmo apreciei e me peohoraram cm extremo. Espero que V. recebesse o.telegramma que lhe mandel, logo que recebi a carta de V. a tempo de dJspOr do automovel, que com tanta dlficuldade coos.eguiu arranjar para pOr é ml1Jba disp05lçAn cm favor de quem mais feliz do «.ue eu pudesse fa.zer parc.e d8 piedoaa e erandiosa perei?rinaçAo a FatlLM t ~lve lmmens.1 pena · de nAo pooer ossistir a P.$Sa filo to· cante e tnponente manlfe6ta.;lio ae

fè••• As notlcias que tenho recebido das pessòas que t1,eram a grande consolaçlio de ir no dla 13 f Atlma e as que leio 101 J•rt1aK mais augmenta-

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ram o meu pesar. Nosso Senhor mè accceite o sacrificio I Bem do coraca• felicito V. pela grande consolaçao qut decerto teve de ver reunidos na Fétima tantos milhares de crentes, profundamente commovidos, prestando a mais respeltosa homenagem de f6 e devoçao Santissima Virgem. Urna das minhas primas que vive em T. • me tinha convidado com muita insistencia para ir passar uns dias con, ella e acompanha la Fatima no dia 13 escreveu-me logo depois enthusiasmadisslma. Diz ter muita pena qut eu nffo pudesse lr, pois esta convencida de que em Portugal talvez nA• se fizesse até agora urna tào grandio· sa manlfestaçao de fé. Extraordinariamente grande, sobretudo por ser tfto simples e expontanea I Bemdlto seja Deus por tudo e a sua Santissima MAe continue a interceder pelo nosso pobre Portugal e por tantos infelizes que a nl\o conhe• cem e por isso a nao amam e offendem tanto a Deus I Estou convenclda de que entre n6s ha alncia multe mais ignorancia do que maldade.»

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__________ V. dt M .

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Deante do Santissimo Sacramento exposto Devemos honrar o Santissimo Sacramento exposto com o malor respeito. • Deus quer ser adorado tanto pete corpo corno pela alma ; tem direi• to homenagem do homem todo. E' por isso que ha um cullo exterlor, sensivel, animado pelo culte interior da caridade. Emquanto ao respetto exterior1 em parte alguma é mais necessario que no culto da Exposiçào, é a santa Iareja que o manda. Ella quer que Nosso Senbor esteja la, no seu throno, absorvende todos os ·nossos pensamento'ì. Ella quer que no altar nao haja estatuas. rellquias, para nao afastarem o adorador do pei,samento de Nosso Senhor e para que o culto esteja concentrado na sua PessOa odoravelJ>rescreve os ornamentos e as decoraçoes mais maEnificas. N!io bastai a simples gemeflexao, é necessarie, a prostraçAo com ambos os j<;>elhos para saudar o Rei divino no seu throno. Compenetremo-001, pois, da litur.-~ ala da Santa lireja e que o nosst> exterior em presença do Santissime Sacramento exposto exprlma a mais profunda reverencia. Anles de tudo iUardcmos uma gru• de restrva, urna eraode modestia noi olhos. NAo quero no entanto dlzér que estejamos conitantemente de olhos fechados; nao, e111 presença de Nos.so Senhor expo&to é melhl'>r olhar. rorque expOe a Egrej:i a N'os\O Senhor thruno? Po,que toma ~1la os i;tu$ mP.lhores ornamento.s? De que servirla Iu<lo bsu -.e ella nin quizcs.'ie que olli.ts$emos e que n~a se, visstmo~ delles p1ua nos elevarmo~ para Nosso Se.Pl1Cì1? De 41oe serviri~ cult,ca!· O toore • ~

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throno se n!io fòsse para melhor o podermos vlr? Porque revestlrla esse bom Salvador apparenclas exteriores, sensiveis, que se pudessem vér? Fol a fim que se possa dizer: eu vejo o meu Oeus atravez desta nuvem; sua face estéi desfigurado mas é Elle com certeza que est4.

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Mas-colsa admiravel 1- este culto exterior nfio distrae a alma adoradora. Por isso eu vos digo: olhai o Santissimo Sacramento, o altar, as velas, aa f!0res e tirae de tudo isto um bom pensamento, diz o P.• Eymard, apostolo da Santa Eucharistia. E' lsto tao natural que para o nao fazer seria necessario violencia. A aùordçao é um culto de expansao. Asslrn corno a chama, sae do f6co e nao permanece 14. Mas o qae distrairia e seria urna falta de respeito para com o Santissimo Sacramento era que em vez de olharmos o altar nos puzessemos a observar os fieis, a contar os que entram' e saem, a examinar as toilettee. Tudo isso seria absurdo e ridlculo, para nllo dizer coisa peor. Servl-vos, pois, dos olhos para ir a Nosso Senhor e nuoca contra Elle.

• Dlgo-vos tambem: Conservae sempre um porte grave e recolhido deante de Nosso Senhor exposto. Ficai de joelhos todo o tempo que puderdes e se vos sentardes nao tomeis uma atltude mole e negligente. Ha certos modos de estar que nao ficariam bem em um salao. Com ccrteza ninguem em urna sociedade distlnct;i se permitirla curvar as pernas, encostar-se na cadeira, sob pe· na <le passar por pess0a grosseira e m~I educada. Nilo faleis nuoca na egreja n'em vos importeis com nlnguem. l)eante do rei seria ma educac;lio inquietar- se a tratar com os cr~ados. Tal pessoa merecia que se Jhe perguntasse: para que veio ca?. Portanto, deante do Santissimo Sacramento. nem amigos, nem nego• clos, nem recados a receber, nada, por que estaes deante de Deus. To• da a vossa ocupaçlio deve ser adorar Nossa Senhor e escutar a sua di· vina P.alavra. Mas, dlrtis, se me perguntam atgurna coisa? NAo respondais quatro vezes por urna nem dlgaes mesmo: caqul t nilo se fata•; é muito comprldo; . se é necessario respondei por um simples sirn ou nao dito em voz balxa. I la u111a maneira de falar em voz batxa que ji por si é urna bOa · Jiçào Se se tratar de pessòa sObre quem tenhaes auctoridade é vosso dever impOr·lhe energicamente sllenclo.

Se tlvessemos mais respetto e compreendessemos melhor o que convém. nunca teriamos coragem de ti· rar alguem da sua comtemplaçao e farlamos todo o posslvel para a nao 1 dlstratr. O que se farla no mundo se urna pessOa f6sse admltlda em audlencla real e sObre tudo se se aoubesse que o reJ deseja conversar com elle?

· Ninguem irta perturbal•os, nem . mesmo um ministro. ' Ora a adoraçao, que é a audiencia de Nosso Senhor, a entrevista com as nossas almas tilo desejada pelo seu amor, mereceréi menos culdados que lls audiencias privadas dos Reis d'este mundo? Tudo isso diria que a nossa fé é bem fraca. Pratiquemos, pois, perfettamente o culto do respeito exterior nos olhos, no porte e no nosso silencio. Bem basta o que as nossas Adoraç0es teem de sofrer da nos!!a frieza è da inconstancia da nossa imaginaçllo. Se o nosso coraçilo é urna ruina, um deserto, honremos ao menos a Nosso Senhor pelo porte exterior afim de chegarmos ao conveniente porte interior.

Urna Carta ao Menino Jesus (CONTO)

Ivone tem sete annqs, esta no seu quar· tinho na vespera de Nata!, um verdudeiro ninho, a ultima obra da •pobre marna.,, Es1a para se deitar com a ajuda Je Miette, sua aia. -Di1.e-me Miete, o Menino Jesus sera ca• paz de lér a minha carta? -Com certeza, meu anjo. O Menino Jesus sabe muito. -Sabe mais que a irma Santa Comba? -Poi~ é claro, minha ruenina, mais sabio que a irma Santa Comba. O Menino Jesus sebe tu<lo. • • tudo. -Entiio elle sabe ciuco papé niio reza ... que nio vao A missa? -Ai s:ibe sim, mìnha queriJa e isto lhe causa muìta pena. -E parece-te que elle mc concederli o que lhe vou pedir? - E' claro que creio .•. Vamos, depress~ para a cama •.. que te arrefecem os pe· smhos. Ivone colloca pomposamente, bcm ao canto da ch~miné duas pequeninas botmhas brancas. Depois em urna dellas, pl5e ..• uro bilhete. Imagmae que ella o anno passado, em egual dia, ttr'lha resolvi6lo conservar-se acor<li.da até a meia notte p11ra ver o Me- . nino Je1u, e ped1r-lhe que convertesse o papi\~ Mas, apesar. de toùos estes e forços, ve1u o somno e o Menino Jesu• passou sem ella vcr, Est1.1 ano com medo de adormecc:r .. U· creveu ao Menino Ju,us. Ella sabe pouco escrevor e i~to lhe custou mu1to mas ao meno!! agora poc.ie dormir dei.cançada. Acola, do outro lado, no :ieu gc1bine1e1 o doutor asta disposto a trubnlhar, 1 A ve,pi:ra de Nata! é para elle um dia corno qualquer outro. Esta muito agarrado aos bens terrestres para pensar nas emoç5es desta maravilhosa 1101te. Por outro lodo a escola de medicina destruiu-lhe todo o sentimento religioso. O dr. X ... é abertamente descrente, Esra noite corno de conume, foi depor, aotes <le se Jeitar, um granJe beijo na fron te da sua filhmha ac.iormecida. Nao sei corno, ao passar pela chaminé, viu a• botinbas einJa vasias porque o Divino Menino teve tanto que tazer esta noite que olio poude contentar toda a gente ao mesmo tempo. Curioso por1 este costume que elle tinha, aproxima-se, tome at boti• nhas e por acaso deixa cair a carta do Me-, nino Jesus. Abre-a. Oh I corno ella é tocanto I Ouvia•a : •Quuido Menino Jesu!I, diai11 , Ivone, v6s sabeis que eu nio tenho ro.i~i porque 1J6s a levaste p1r~ o vosso par.1!10 ainùR qu,, eu tenhR mu1t~ pena dc: a nao tornar a ver; eu tenho ainJa um p::pa, mas parece que elle nao vos ama corno devia. Elle niio vae A mi,•11. t:11< ui'Io rezil. Coovertei-o, vos que so,s tlio bo,··, tio bom I Vo~sa amiguinha quo muito vos ama Jvone• • P. S.-Quitr11Jo vir<les a mioha marna cli· ••i-lhe que eu a abraço muito. ao• leYBntar-se

No dia 1eguinte Ivone acb.ou uma bella bone~ na ,hamin~.

• Como a creaila se aprestava a conduzi-Ja, a egreja, o pae se interpoz dizendo : - Serei eu quem daqui avaote te cooduzirei ti Missa porque o Menino Jesus recebeu II tua carta.

.V oz da f; ati~a~ Deapeza& I Transporte ••••• , • , • Jmpressao do n. 0 17 ..•

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80$00() Somma • • • • • • • 9:075$62(}

Varias.••.•••••••••

Subaorlç:lo (Continuaçao) D. Maria José Assis Oomes Coutlnho . • • . • • • • • • • D. Maria Eduarda Vasques da Cunha Lencasfre (3. 0 anno) ••••••••••••• De jornaes Oosefa de Jesus) D. Maria Ferro Lobo •••• D. Ouilhermìna de Jesus Alberto Oomes (2. 0 anno) D. Maria Martiniano da Costa (2.0 anno) . • • • • • • • D. Maria de Borgia Saavedra (2. 0 anno) .••••••• P.e Virginio Lopes Tavares Viscondessa de Sanches de

10$000

10$000

21$000

10$000

10$000 JOSOOO

10$000 10$000

Baena .........•.•• l0SOOO

Januario Miranda .•••••• O. Sebastiana Nogueira ••• D. Maria da Pledade Santos •.••.••.••...•• Julla da Encarnaçao Mar-

ques .••••••..•••••

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10$000 10$000

10$000

Domingas Fetnandes ••••• t0S00O Maria das Oores Fernandes (3.• • vez) ...•••••••• ssooo Domingas Valente de Almeida (2.8 vez) •• • •••• 5S00Q Benedicta d'Oliveira Horfa (3.• vez) •.•••••••.• 5S00O P.t Francisco Antonio da Silva Valente (2. 0 anno). t0SOOO Percentagem na venda de terços jornaes avulsos etc. (Pardélhc1i-)...••••••• 77S500 Percentagem em terços etc. (Mafra) ••.•.••••••• 52S500 D. Alzlra Costa •.•••••• IOSOOO Manuel Coelho de Sousa. . lOSOOO Antonio Machado Fagunde, 10$000 D. Oertrudes Maria Fernandes.• . •••••••••• JOS000D. Maria Rosa Atha'yde ••• 10$000 Condessa de Margaride (3. 0 anno) .•••••.•••••• 20$000 D. Maria dos Remedlos de Moura Abrànches da Sii va tOSOOO Madame Marguetlte Leguln 10$000 P.~ Antonio Maria dos Santos Campos (2.0 anno) •• t0SOOO p,e Manuel Perelra de Oliveira. • ••.••••••••• t0SOOO P.' José Maria d' Alrnelda Oeraldes ••••••••••• tOSOOO· Donativos varios (Athouguia) •••••••••••••• t tSOOO D. Maria José e D. Anna ?0$000 de Mencze!! Alarcao •• D. Crl!qéench Fernandes Dias ,fa Cruz •••••••• tOSOOO D. lgnl:!s Cabrai Nunes Ba

rata. • •·. '. . . . . . . • • . • 101000

José Vaz Barros ••••• , •• D. Jovlta Ferreira Rosario de Sousa Vtna2re •.••• D. Henrlqueta Ferrelra da

10$000

10sooo,

Sltva. . •• ., ••.••.•.• 10$000


Ano II V-

LEIRIA, 18 de Abril de 1.024

N.0 19

(OOM APROVAç.A.O ECLESIASTICA) Director~ Proprie-tarlo e Edl-tor

A.dnllnl•"trador: PADRE M. PEf?ElRA DA SILVA

DOUTOR MANUEL MARQUES DOS SANTOS Composto e imprt's~o na Jmpren~a Comercial, a S4 - Leiria

:RU.A D- NUNO ALV.ABES PEBEIRA

· 13 de Março Outro dia de verdadeiro e rigoroinverno, justamente corno nos dois primeiros mèses do corrente anno, ~oi o dia 13 de Março. A chuva c~hm abundante e por vezes torrenc1al desde pela manha até noite, inundando as estradas e tornando em. m.uitos p_omos assaz perigoso e quasi 11nposs1vel o transito de todo O genero de vehiculos. Apezar do mau tempo, porém foi bastante elevado o munero de p~regrinos que acorreram a Fatima no intuito de prestar os seus cultos fervoros?s a Augustissima Virgem do Rosari?. Quando princlpiou a segunda missa campai estavam presentes cèrca de duas mii e qui hentas pessOas. Alguns automo v1 I:\ e um grande nu111~ro d<! <'arrns estaçionavam na est raita e no8 teueoos adjacentes. Ci2uaodo cl~egamo~, ia principiar a segunda missa. A prnueira tinha sido celebrada as dt-z horns pelo rev. Antonio Correia ft:rrdra da Motta, coadjutor da freguezì:;i das Merc~s de Llsbòa. A senu,Hta missa fol ce-: lebrad.a pelo rev. Manuel Marques ~ombrna, parocho (~e Airabal (Leiria). Durante esta missa rezou-se o !trço em commum e fizeram-se as mvocaç0es do costume. A's duas missas commungaram ~lgumas centenas de pess0as sendo sobremaneira commovente a' piedade com que todas, de mAos postas e profondamente recolhidas, se aproxlmaram da Sagrada Mésa. No _firn da segunda missa fez-se a bòcca do Sacrario e exposu:ao caotado pela multidAo o Tantu,;,, ere~, deu·se a beoçao com o Santissimo Sacramento.

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Em ~eguida subiu ao pulpito o

rev. Ou1lherme da Silva Oliveira, parocho da Folgosa, concelbo da Maia Porto, . que durante cerca de mei~ hora iallou s0bre o culto de Nossa Senhora, explicando a significaçao s~mbolica das cinco lettras do noi.e ae Maria : ~màe, amor, rainha hn· maculada e avé•. ' Ap?s o sermao distribuiram-se gratuitamente milbares de exempla·

REDACçAO E ADMINlSTRAçAO (BEATO NUNO DE SANTA MAR-IA)

res da « Voz da Fatima•, que eram procurados com avldez. Junto da fonte que brotou precisamente no locai, onde, segundo a affirmaçao constante dos humildes e innocentes pastorinhos de Aljustrel, a Virgem Santissima se dignou apparecer-lhes pela primeira vez, encontram-se inumeros peregrinos que esperam pacientemente a sua vez de encherem os recipientes que trazem consigo. Alguns fieis cumprem edificantemente as promessas que fize· ram. A chuva que durante as mlssas cessara de cahir volta de novo a fustigar os rostos e a ensopar os fatos. Varìos peregrinos tinham vlndo de longe a pé, uns por esplrlto de penltencia, outros devido impossibi· lidade de arranjar ultima hora meios de transporte. Todos, porém, se mostravam ategres e satisfeitos e, momentos depois, quando, isolados ou em grupos, regressavam aos seus lares distantes, era sobremodo edificante a simplicidade com que multos dlziam que valia bem a pena andar leguas a pé e sofrer as lnclemencias do tempo para vir passar umas horas de paz suavisslma e de inolvidavel encanto no locai cinco vezes consa• gradu pela presença da gloriosa Raloha_.... dos Anjos. _;_

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_________ V. de M.

Hs curas'da f atima e

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Murtosa- Pard~lhas, 25/3, 924.

Rev.•0 Senhor Venho trazer a V. R.• urna noticia consoladora para ser publicada na "Voz da Fatima•. Trata-se de uma cura que obtive por intercessAo de Nossa Senhora, e quero leva-la ao conhecimento de todos os leitores da • Voz• e de todos os que amam a Nossa Mae do Ceu, a fim de que se reconheça mais urna ve2 que ounca por Ella é desamparado quem reclamar o seu socorro. Permita-me, pois, que eu faça a , aarraçao do facto. Em 16 de setembro de 1920 tive de sujeitar-me a ùma operaçào no estomago, porque vinha desde ha muito tempo sofrendo horrivelmente

e quasi se me tornava ja imposslvel • a alimentaçao. Passaram-se quasi quatro anos sem que eu experimentasse inc6modo de maior, mas agora, em principio~ de fevereiro, voltar:>mme novamente as d0res no estc mago e nas costaiil, no lado direito, com muito maior intensidade. A principio quiz ocultar a meus pais o meu sofrimento para a~sim evitar a vinda do médico e nfo me v~r forçada a tornar medicamentos. Como o sofrimento nao diminuisse, antes se f0sse agravando, e a alimentaçao e o movimento f òssem para mim motivo de novas d0res, bem depressa veiu a minha fdmilia no conhecimcnto do que se passava e tive de consultar o médico. fate prescreveu-me urna diéta rigorosa, mandou-me estar s6 a leite durante alguns dlas, receltou-me um medica- · mento e acabou por dizer- me que na-o obedecendo as dOres ;i esre tra: tamento, teria de recorrcr a um especialista. ~egui A risca as ordens do médico mas nilo co n· i ,ui melhorar. Desanimada com este lnsucesso 1 eu supunha-me ja no mesmo estado que em 1920 me forçou a ser operada. Aflrcta por m~ v~r sofrer tanto. mlnha ma.e ap~lava pira o Ceu e constante11tente me aconselhava a tornar a a2ua de Nossa ~enhora deFatima, pois tinha grande esperança de que eu f0:-se cur1da. ~em revclar a ninguem o que fazia, fui tomand(> por duas vezes a a1ua, mas nllo e..-. bem viva a minha fé porque, da pri• meira vez, tornei a agua quente, e, da segunda, nao a engoli sem prfmeiramente a aquecer um pouco na b0ca. Nao senti melhoras, pois era tao pouca a minha confianc;a em Noa• sa Senhora I Era )usto, pois, que a Santissima Virgem me provasse I Como a minha mae ignorava o . que eu j4 tinha feJk>, tostava cada vez mais e veiu contar- me a cura da Alzlra Sebolao, relatada no ul:irno numero da ,Voz•,quetemsido o assembro de toda a gente I Fiquei ent~o convencida de que a minha pouca fé era um obstaculo A minhn cura, e decidi -me a tornar a a~ua fria como fez aquela miraculada. Rez ' i a Avé Maria, bebi um pequeno c;dice da agua santa e pedi, bem do fundo d'alma, A minha MAe Celeste que •


Voz da Fatima me curasse se fOsse essa a sua vontade. Desde esse momento principiel a sentir alivios. Durante a noite, banhada em lagrimas eu pedia a Nossa Senhora que completasse a sua obrn, e fazia o v6to de ir ao logar onde Ella apareceu e ahi recitar de joelhos , o meu terço. Foi ouvida ~ rninha suplica que era feita ja entao com tanta fé I Nossa Senhora curoume I Bemdita seja Ella ! Tornei a agua no dia 29 de fevereiro; e, desde o dia 1 até ao dia 25 de março ern que escrevo, nilo tenho tido o mais leve sofrimento; sinto- me completamente bem; continuo com as minhas ocupaçoes habituais e tomo agora com apetite as refeiçoes que eram para mim motivos de tanto sofrirnento. Aqui tem, Rev. Sr., o que comigo se passou e que eu desejo tenha grande publicidade para honra de Nossa Senhora de Fatima. Tenho a honra de pcrtencer Pia Uniao das Fllhas de Maria, de que sou um dos m1!mbros mais novos e mais humildes, e para isso considero tambem corno mais urna graça especlal para a nossa Associaçao este favor que me conceùeu a nossa Mlie do Ceu.

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Com os meus respeitosos cumprirnentos, sou de V. R.• Mt.0 Att.

v.ra

Maria /ost lopes da Silva Costelra De urna nossa ex.in• assignante de Cabeçudos (Vila Nova de FamaliCfio) recebemos a seeuinte carta: cCumprimentando mui respeitosamente a V., peço llcença para narrar urna graça de N. Senhora de Fatima, que para sua honra e gloria nao deve ficar ignorada. Tenho µma sobrinhita pequena que tem sofrido multo de febres iotestinais por vezes multo graves, cbeeando a lnspirar~nos aerios culdados. Costumam ser bastante demoradas e a penultima, no ano passado, durou- lhe talvez mais de doJs mezes, delxando-a multo abatlda e enfraque<:lda. E' por Isso que, quando em Janeiro ultimo a peGfuenina Maria Thereza flcou de cama com mais urna infecçao Intestina!, todos nos alarrnamos e com ra?ao. Eatava a pequeoina doente, i~ ha 8 dias em rlgor060 tratamento Imposto pelò médico, muita febre e grande fastlo eja multo fraquinha. A's tardes quando a temperatura ae eleYava tinha m1tltas dOrea num ouvitio, de que tambem jé 1ofria, qae a nao deixavam dormir, nem t!o pouco aoceaar. Apllcaram-te vario, renaedioa 111as ne11hum conseguiu acal111al-a. Pei enUlo qua ateuem, que e1tava junto da dotntielta, chela de f~ em N. S. eas Oèr1ts de F!tima, dlNe: e tu vaea urar jt I • E 111ol11and0 11.ma boll1ha de alged~o aa agaa milaerosa de f jtJma, iutroduziu-a ne ouvido d• ooaso peq.ea.lno amor, que adormeceu imedlatara•11te, para s6 acordar no dia 1e,ui11te 1e11 dOres, se111 febr1, 1cm alrnptomaa da infecça.o e coa o apetite rccuperadot E' ia"etravtl ~ue foi No11a Senbora qucna cueu a Marta ThcreJlob. A peqoe1h11 lrer1 lta me1.&1, caa dola irmaozHIII04ì fambem pequeoo1, a sua t.• CN111kl• e, tenda •PIHI i

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anos a todos nos enéantou e impressionou o seu fervor e recolhimento I Nossa Senhora quiz conceder a sua protecçao a quem com tanto am6r recebera a Seu Filhinho Jesus no coraçaol Assim a nossa bOa Mtie do Céu lhe continue e aos irmlozitos, a sua protecç~o pela vida f e, r a e lhes conserve as alminhas brancas corno no dia da sua 1.• Comunhao. PerdOe-me V. Ex.• este incomodo, que por Nossa Senhora lhe dou, etc•••• • Obtiveram graças que veem agradecer a Nossa Senhora do Rosario: - D. Anna de Portugal L. de Vasconcelos Tri~oso, de Alcains (Beira Baixa), que estando muito doeate recorreu a N. S. da Fatima e envia 50:000 rs. para o seu culto. - Josefa de Jesus Marques, de Rio de Mel, que ha muitos annos padecia de hidropezia, tendo de passar a maior parte do anno na cama. Tendo recebido urna estarnpa de Nossa Senhora e um terço que um peregrino que em julho foi a t.• vez a f atima, lhe trouxe, pediu a sua cura com tanta instancia que agora ja faz quasi todos os serviços domesticos e espera ir agradecer a Nossa Senhora logo que tenha meios. - Maria Luiza, casada, do mesmo logar, tendo urna grande inflarnaçllo nos olhos, muitas névoas e dOres lembrou se de pedir a um peregrino umas 20 gOtas de agua da Fatima, que aplicou aos olhos, estando completamente curada. Se puder ira em Malo a Fatima entregando nessa occasUio cem escudos para as obras da futura egreja. - D. Dolorosa da Costa Andrade, da freguesia de Carnicaes (Trancoso), que no dia 22 de setembro ultimo teve um grande ataque que durou mais de quatro horas. O marido recorreu a Nossa Senbora e passada meia bora começou a doente a dar signaes de vida. Veio em 13 de outubro ultimo A Fatima agradecer a Nossa Senhora. - Amelia Duarte da fceeuesla daa Torres, que tendo um panaricio, em risco de ter de sofrer urna operaçao, Jnvocou Nossa Senhora da Fatima de que ja tinha urna fotografia. Tendo collocado terra e agua da Fatima na parte doente, acor(!ou com o dede rebentado, estendo COOJpletamente curado e sem defeito.

Visitas ao Santissimo Sacra-

mento Cada dia, tento quaato poHivel, farei unaa Ylalta ao 111eu amavel Salvador. Nunca passarei perto de u,na qreja aern entrar, a nlo ser qae II circuustuclas o oao permlt1111. Se 0 temp• urge, demora-111ebei apeoas um instante para atiorar aquefle que ali babita, diz-lhe-hel que o aao e lhe pedlrel e sua craça e a 11a beqllo. U111a creança ofio pauarkl deute da casa de 1eu pae tea U1e du· •m 1l1HI de ,ffeiçAo. Se do pH6~ entrar na egreja fa-

rli ••

•tu cerati• •• ade •• W •

de Amor a esse Deus acuito, que do fundo do seu tabernaculo me vé passar e me 11egue sempre com o seu olhar, amoroso. Se tenho de ir passear 1dirigir-mehei de preferencia a urna egreja. Tenho de escolber casa escolherei a que estlver mais perto ou mais a vista da casa de Deus. Tenho de emprehcnder urna viagem ou tornar 1:esoluçoes importantes, irei a egreja pedir a Jesus que me abençoe e, o que é muito importante, comungarei. Quando chegar a urna cidade ou aldeia trafarei primeiro de ir fazer urna vi&itinha a Jesus Christo no seu santuario. Ao partir i rei fazer-lhe as minhas despedldas, pedir a sua bençào e que me guarde. Nestas visitas quotidianas far e I principalmente os seguintes actos: Adoraçlio profunda, contrlçAo dos meus pecados, confiança no coraçào de meu Salvador e Amor, em nome de todas as creaturas, em uniào com Maria Imaculada, com os anjos e santos. Acçao de graças pela instituiçào d'este augusto sacramento e por todas as minh~s comunhoes passadas, reparaçao de todas as minhas infidelidades e ingratldoes dos homens, comunMo esplritual, ofereclmento de mlm rncsmo e das minhas acçoes, entretenimentos com Nosso Se oh or contando-lhe as minhas penas e dificwldades cm vez de ir queixar-me e desabafar junto das creaturas.

5antos Porque olio? Podemoa

e devemos

sei-o.

Podemos. Aflnal o que é um Santo? Ou melhor o que era elle quando vi via ne11te mundo? Os Santos eram umas pobres almas corno n6s. Por os vermos agora com urna corOa de gloria facilmente imagìo3mos que elica eram de natureza dlferente da nossa. Nada d'isso! Eram corno n6s filhos de AdAo; tlnham defeitos corno n6s e alguns até pecaram maia que n6s. Pedre, Paulo, Ma&dalena, Agostinho, • Margarida de Cortona cairam no pecado; Francisco d' Asais, Francisco Xavier, Francisco de Sales, Luiz de Oonzaga, tinham defeitos corno n6s. A unica dlferença, mas a grande difcrença que exlate entre um santo e u111 pecador ~ que 0 pecador perrnanece no seu pecado e o Santo &ae d'cUe; é que o pecador cede facilmente as auas mAs inelioaçoes e e Sao1o rul1tc-lhe. Ora ,e os Santo, do céu fOram o que eu sou, porque n!o "rei eu o que cllea &Ao?

Urna outra lllusfio ~ que oés pea&amos qu~ oa Santos aAo de.-ìam fQ. 2er o que 1161 1omo1 ebri&adas a fazer. A' força de H Yenao1 revesti4'>, d'ouro e purpura, j forr,a de verj]~ a corOa na 1ua fronte e QUVlrmos contaar os HU& 1nt1aire1, i11111iaHlH t1Ut o, "a'lt06 er«m creaturu apllte, de Uffla yida eo•pl1ta111entc extra.rtliurla.

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Voz dn. Fatima Assim, por exemplo, se tivesseis vivido na G'ilileia no tempo de Herodes terieis talvez encontrado alguma vez um pobre carpinteiro, que depois de ter trabalbado todo o dia, de ferramenta As costas, voltava para junto de sua esposa, que Ihe tinha jA preparada a ceia. Era S. José que voltava para junto da Santissima Virgem. Se tivesseis vivido no tempo da prégaçAo do Salvador e passeasseis ao longo do lago de Genesareth terieis visto dois homens que remendavam suas redes e falavam de pelxe e de pesca: eram S. Pedro e S. Joao. Se tivesseis vivido em Corintho no tempo cio proconsul Galliano, um pequeno fabricante de tapetes, judeu, que trabalhava com dois dos seus companbeiros: este fabricante de tapetes e de tendas era S. Paulo. Se tivesseis vivido em Espanha no tempo de F111ipe 2. 0 , terieis visto um estudantinho que resava com fervor na capela, que estudava a valer na sala de estudo, mas brincava com alma nos recreios: era S. Luiz Gonzaga. Depois mais tarde, aquelle pastorinho que terieis enconrrado debaixo de um carvalho, guardando as suas ovelhas ou !evando os sacos de 2rao para o mo10ho: era S. Vicente de Paulo. Outras pastorionas que terieis encontrado no campo: eram Santa Genoveva e Santa Germana. .Esta pequenina veodedeira e ceife1~a de Cuvilly, é a bemaventurada

\ JUh'a

O pae sorrlndo friamente diz: e E o premio em hi&toria, em arithmética, em gramatica? S!io estes, meu filho, os premios que te tornarlio feliz e util no futuro; o de cathecismo nlio te serve para os exames nem te abrirA oenbum futuro na vida .• ,> A creança, desgostol!a, calou-se por uns instante,. Depois, corno que iluminado por urna luz superior, respondeu:» Papa, o premio de cathecismo ha de servir-me para o exame final de Deus e me abrira as portas do Ceu>. Recordemos esta bella e sublime resposta e que os paes trabalhem para que seus filhos possam merecer o premio em cathecismo sem prejulzo d'outros que lhes p6dem aer uteis.

As apparicoes de Lourdes VII

Terceira appariçiio, em 18 de Fevereiro. -Promessa da AppariçiJo Na cidade, n classe popular ocupava-sc muito das appariçoes de Mass~bielle l\fas, corno eram contadas por rapar1gas e creanças, em geral ligava-s•? pouca 1m_portancia ao 9ue se oppellidava de 1maginaçoes de cabecmhas loucas. As raparigas, essas repetiam a toda a gente num_ tom de sincemlade que empolgava a conv1cçlio: - Ah! se vis~em Bernadette em extase! JA niio é ella, mas um anjo em adoraçlio. E' mais bella que os aoj->s que rezam nos no~sos altaresl H.ivia em Lourdes urna congregaçao dc Filhas de lhri11, cuja presidenta, Elisa Lata• pie, tinha morr1do 11lguns mescs antes, Senbora bntante notavel pela sua doçura, e•fa.bilida.de dc caracter, d1stincç!io e generosidade d'alma, conciliava a estima de todoa e a sua memoria tinba deiiado corno 4ue um sulco de luz e de bondade. Interessava-se por cada uma des rapariga1, amava-as, seguia. as na vide, e para todas era a melhor ami,:!a, - pode-se até dizer a melhor du miies, porque a sua ternura para com ellas era ao mesmo tempo muito viva e muito esclarecida Nu ruas da cidade nlio havie oin11uem que olio a saudAue com re,,eito e no dia do ,eu eoterro hoµve urna imponente manife;,taçiio de pesar e de sympath1a. Uma joven, Aotonieta ZcyJet, tinha sem duvida por csi;a aenhora urna affeiçllo mais pr.Q[um111 que aa outr;i,, porquc, mima cdade e!ll que tudo se uquecc depressa, ella chorava-a sempre. Quando u 1ues compeoheiras lhe coptarlllD que Bernadette via uma appariçiio cm ~-ssabielle, diri11iu-1e I\O eCucare• e pe• diu oumerou, o;plicaç6es a qe11nça. Esta era muito sobrio quanto acontecimentos que lhe diriam respeito peasoalmente, maa respondia de bom srado Ila preguntas que lhe erari dirigidu acerQa dia Appariçio. 04lacrneu a Senbora my,ter(o", as su111 ftiç6es, os 11cu1 01h01, o eeu ar de ltondade celeste, o scu trajc branco com um cinto azul. Antoaiet11 ,iu nesse traje pareoençu com o lubit~ daa F11bu de Maria. Ocarreu-lb,e ~ idela etc que era tal,et Eli11 La11ap1e que 1pp1recia a ftemadetta. per penai.ufo divina, para pedir oraç6e•. Dosde entao ea,e pen111meoto jiii;i~is a 11lte"donou e deu ae preua em communic;a-lo a uma du ,au amiµ•, a 1cnlaor1 Mrllct, de l.ourde_,, na SU10Mì de quana-feira 17 dc Fo,ere1ro, re,olvtnLlo ambas faur uma ,i1\Ìtt '- fall)llia St1,1biro41 1 na tarde doso

Billiart.

Esse mendige qu,e anda de porta em porta com seu bordiio e seu saco é S. Bento José Labre. Se alguem nos tivesse dito entao: a ttençao, repar,ae bem, sao Santos, 1evantae-lhes altaresl Responderieis talvt z admirado&: P6de lA ser I Santos I E ent!io um Santo é s6 isto? Nao, um Santo nao f s6 isto. Nlio se trata de fazer milaeres ou maravilhas, -trata-se de fuglr do pecado e de cumprir cada um, bem, os seus deveres. E nao poderiamos n6s fazel-o? Por tanto, podemos ser San-

t11s.

E devemos set-o. Ouçamos o que diz N. Seobor: cSide perjeltos cotn0 .-osso Pae celeste é perteito. Séde

Santos_porque eu SO-Il Sante.» Ouçamos agora S. Paulo: «A von.tade de Deus é esta : (fUt sejaes San-

a'"

tos » .

Lembremo-nos que olio ba meio termo : ou seremo~ Santo.s no Céu ou condemoados nu inferno. E' forçoao escother. Nno nos esqueçan,os que fomos creados P~ra s~rrnos "-antos e ir par~ 0 Céu. Como S. Joao Bercimans digamos: e Q1,1ero ser um Satdo um

~fande Santo e hade ser em pouco

lr:mpo.•

Oexame lllWI Urna creança

--~11D0 dfA,

Chegam ao callir da noitc • encoatnra a a,ae Soubiroua a rcprehender se,crameatc aua fil~•. B~roa<Wtta com elf<ito ,upplicna-llte q1111 a deiu'4e •ol '.ar p!el11 tercein "~ i Grau e ella rtcu~a·u -ftc com mj di,JtNiçio, •esmo cor-. u.-.a C!!rtt irritac;io. ili 11ti1fazer IKI~ ~up,,hca, m,ocenJ-0 ~o!>retwtlo ruoes de 1aùJ1. -Seria t:ill'lz mais 11eri,:ot-o ,-ara el111, re,peadcra111-llte as tluu visìias, ser rmn-

lt>vava urn dia p,ara

casa, cheia de '1leg· ia, e, liCU pri11teire Prtmie obtid0 110 cath,ciHle ~ ml~ deu-lhe um grude e be~o _e o acarkiou m1111ito pela ceaso,..çao que eJe lie alava.

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da desse g6so. Se lhe contraria esse deaejo, que afinal ùe conta~ é tlio razoavel, fificar4 muito triste e talvei adoeça. -Entao, exclamou a miie, descobrindo a verdadeira razao, as senhoras querem fazer de minhn filha um alvo de troçal -N6s? A seohora faz-nos uma injuria imaginando semelhante cousal Niio insistimos, mas deixe que sempre lhe digamos, ao deixtl -la, quc contrahe urna grave responsabilidade. Quanto a o6s, em verdade, olio ousar1amos ass1Jml-la. Quem sabe se a senhora nao est:1 contrariando os designios dc Deusl Luiza Soubirous era uma mulher de fé viva e por 1ss0 eetas palavras tornnram-na in9uieta e perturbaram na. Pegou-lht;:S nas maos que apertou com força e aff.:ctuosamente. -Ah I dis:.e ella, eu perco a cabeça ...• Mas quero crer que as ~tmhoras niio me enganam ... Con~o-lhes mmhafilha ... Vejam o meu soffnmento, as m1nhas angustias .•. Por caridade, olhem por ellal Assim no dia seguinte ante'! do romper da manhii. ellas veem buscar Bernadette a casa. Ao subir ouvem tocar o sino, que annuncia urna missa rezada. Dirigem•se li. egreja para assistir a ella e _rara_ ~ollocar a sua diligenci.1 soh a protecçao divina. E' natural a suposiçiio de que re:i:am cora o maior fervor; tantos e tao diversos slio os sentimento~ qui;: se agitam e atropellam nas suas nlmosl Em .seguida encaminham-se para Massabielle. A Ju:i: do dia mal dcsponta, as portas das casas niio estao deviJamentc abertas, por isso poucas pessòas re p_aram nella,. A ~enhora Millet leva na mao a vella benz1da na festa das Cnnde1as, que ella reserva pan a acender no seu quarto nos dies de festa da Santiasima Vir~em e nas occuiqes <\~ trovoada. Anton1eta LcyJet esta embrulhada num grande c11puz pr.:to dos l>yreneus, onde occulta urna foiba de papel, tinta e urna penne. Como S. Joiio correu e chegou prlmeiro que S. Pedro ao sepulchro de Jesus, Bernadetc, logo quc se ache no camioho de Massabielle, aJianta-se i• suas companheiras. Avança, corre, dir-se-ia que tem 11ias; va• ja subindo a encosta, depois desce rapidamente e penetra na gruta. As duas senhoras, nao conhecendo tao bem o camiaho pedreg so, s6 la che~am alguns minutos llapois. Bernadette esca di, joelbos e com os -0lhos fixos no ogiva negra por cima da .sarça, reza o terço. Ellas acendem a vcl11 benta, ajoelham-se tambem e, corno a creança, recitam o roser·o. Oram assiro por momentos, em silencio, deante do ro~hedo. De repente a pa~torinha solta utn ~rito de alesr1a: •Lii vem Ellal ... E1-laJ. E prostra-se até ao chiio com o rosto radiante de felicidade. A11 suu duos corupanheiras olbam na direcçiio da gruro, para a sarça de r9s,irA• brev.is, e niio vcem seniio os rochedos a$pcros e e~alv11dos. -Continuemos a rezar, diz I aenhora Millct; se a o.ima ÌIIVÌSÌYCI 6 aguellf' Sl~· julgamos, as nos~as oreçoes 1er-llìe· i'.o certamente egr11davei'I Bernadette tlnh11 os olhoa fixos oa Appa· riçao, falava, ,omn, era fehz, o acu coraçlo es1&\1'6 cm CQQ'l!T\UQic11çiio com o qa Da1Z1a, e elle gosava dessa d6ce fçlic1dade, cnaa mio entrou em extast. A o~ma queria f1tllar-lh• e, como nlio convinh11 qve ac pudesse fazer passar Bernodette por urna YesiQaarl•t eU~ conservava a plenituùe tranq1dla <ta4 s~tp. faculdade:1. V. i l N.1

...

Congresso Eucharistico Deve realizar-se em lraca ~s dias 2, 3, ... 5, e 6 de Jutho, o W1eiro Colil~rt·st.t. Eucharl1tico Natlenal. Tudo h1dica que t•ri Ulll brllie excepti()nal e que nca.fi aar~• época d<. ,~vlvl&cencla e 4e aio Or parn co111 Mot110 Se . J, .. Santa Eucharistla, de ll•rJII com as tradiç(1;;:s .. o noMO P•r

li.n-

uma tàf.>

reUI'

diVOIO

muto.

Jo Santietl•e

s. -


V oz da Fatima.

..,

.Saudemos a Virgem Saudemos a Virgem, Devotos romeiros, Saudemos a Vir2em Nos vales e oiteiros. Saudemos a Virgem Das pedras no meio, Saudemos a Vlrgem Cantando em chcio. Saudemos a Yirgem Dalma e coraçao, P'ra que dè a todos A graça e perdao. Saudemos a Virgem Na Cova da lria, Saudemo-la sempre, Que é nossa alegria. Saudemos a Yirgem Nas pedras da serra, Saudemos a Virgem Nas glebas da terra. No sol que nos enche A terra de luz

Saudemos a Virgem A l\Ue de Jesus. Saudemos a Virgem Nos astros luzentes, Saudemos a Virgem, Se 06s somos crentes. Saudemos a Virgem Na brlza que passa Ella é a Bemdita, A chela de graça. Saudemos a Yirgem, Que é nossa Màe; Chorando contritos, , Saudal-a tambem. Sauden10s a Vlrgem Com gozo profundo Saudemos, cantande-a Rainha do mundo. Saudemos a Vlrgem, T!o pura e sem par, E tudo a saude O ceu, terra e mar. Saudem0s a Vlrgeort SauiJemos cantando Quem cantar nao possa SauJe-a rezando. Saudemos a Virgem

Que quer penitencia E manda fazer A's paixOes violencia. Saudemos a Virgem, Que ella nos dara Emenda de vlda E oos salvar4.

O' ceus, vinde, vinde Puer companhia Aoa homens que cantam A' Virgem Maria. O bemdlto terço

Trazemos comnosco, Cantando ,o Senhor, Maria, é comvosco>,

Aqui todo um povo Te adora, 6 Maria, E te canta ufano Com viva alegria I

I .

P.e Carnia

VOZ ·04 FATIMA Eate jornalzlnh•, q u e vae aendo tno·~qaePid• e PPOCUPado, é destPibuido

gratuitamente

e111

Fatima

noa diea 13 de cada m6s. Ouera quizer ter o di-

reito de o receber directa mente pelo e or re i o, tera de envia•, adeantadamente, o m i n i m o de dez mii réis.

Voz da Fatima Deapezas

Transporte •........•. 9:075:620 Impressa:o do n.0 18 •••• 200:000 Outras despezas ...•.•• 36:000 Papel de lmpressao •... 4:256:900 ( Somma ...• 13:563:520 Subscriçilo (ContinuaçAo) D. Joanoa Ferreira da Fonseca .....•..•..•.• lOSOOO D. Maria José e D. Maria Julla Henriques Lino ••.

lOSOOO

Oonativos (Salvaterra) ..• 3$000 D. Eulalia Pereira Sa Couto 10$000 Donativos, jornaes, etc. Carrascos) ......•••..• 30$000 P.0 Augusto José Vieira (resto de umas contas) •..• 15$000 D. Angelina de Jesus e Sii-

va•••....•...•••••

10:000

D. ~~ria Perpetua Vidal Patr1ceo.•.•.••••••••• 10:000 D. Maria da Oraça de Carvalho....•..•.•...• 10:000 D. Ana da Concelçao Rosa. 10:000 Luiz de Souza Moreira ... 10:000 D. Amelia Val do Rio Henrlques••••••••••••••

10:000

Ambrozio da Sllva.•••••• 10:000 Joao R. Coelho dos Rels •. 20:000 D. Alice Rodrieues.••..• lU:000 Deolindo Loureoço.••••• 15:000 Um devoto de N. Senhora. 100:000 P.• Miguel }orge (2.0 ano) . 10:000 D. Monica d'Oliveira Correla•••.•..•••••••• 10:000 Rosa de jesus Cascaes (2.0 anno) ••••••••••••• 10:000 Rosa da Gloria Reblmbas (2.0 anno) •..••••••• 10:000 Olorla de Jesus Rebimbas (2.0 anno) •••••••••• )0:000 Maria Francisca Manso (2.0 anno) ..•.•••.••••• 10:000 Maria do Rosario Tavares Gravata (2.0 anno) •••.• 10:000 Maria ]osé Costeira (2.0 anno) ••••••••••••••• 10:000 Joanna Baeta••..•.•••• 10:000 Maria José Vieira •..•.•.. 10:000 Manuel José Pereira (2.• 5:000 wez) •••••••••••••••••• Martinho Afonso Lopes (2.• 5:000 vez) .•.••••...•••.•... Percentagem de terços e jornais avulsos (Pard~lbas) •••••••••••

53:000

De jornais (P.9 F. da Motta) . . . . • • • • • . . P.e Antonio Correia Ferreira da Motta . . . . . • D. Maria Macieira (2.0 ano) D. Maria das DOres de Preitas'. . . • • • . . . . . . D. Albertina d' Albuquerque (2.0 anno) . • . . • Dr. Raul de Magalhàes (2.0 anno). • . • . • • • . • P.• Lino da Concelçao Torres • • • • • • • .. • • •

D. Maria da Conceiçao Teixei ra . • . • . . . . . . D. Maria da Conceiç~o de Bettencourt Nogueira. . D. Maria de Souza . • • • Homero Oomes . . . . . • D. Anna de Albuquerque Bourbon de Souza Lara Augusto M. de Faria Silva Carvalho . • • . . • • • D. Maria Wadin2ton . . . • D. Magdalena da Silva • • Amadeu de Mesquitç1 . • • D. Piedade de Jesus Baux De joroals Qosefa de Jesus) D. Balbina Alvarez Rubiilos de Domioguez (2.0 anno). . . . . • . . • . D. Ludiera Empis . . . • D. Palmira dos Aojos Magalhaes . . . • . . . • • Manuel Ramos da Costa, • Eduardo da Costa Mendonça. . . . . . . . . • Bernardo Tavares Coelho • D. Capitolina d' Araujo Oui· mar~es Rino. . . • . . • D. Angelica Artayett Lemos J osé Antonio Oonçalves d' Azevedo (2. 0 anno) .. O. Maria Barbara Simoes • O. Maria Emilia Tinoco Lobo • . . . . . . . .• Donativos varios (Francis~ ca Fitipaldi) . • . • . José da Fon~eca Castel· Branco ... D. Maria Snphia de Senna Azevedo Martins . . . . D. Emilia Pacheco Azevedo D. Beatriz Artayett Motta Ouimaràes . • . . . . • D. Ma r I a da Conceiçao Santos . , . . . • . • • D. Augusta Carvalno . . . D. Maria Fernanda Santos. D. Maria da ConcelçAo Tos· cano Ttnoco (2.• vez) .. D. Maria de Lemos d'Oliveira .••.•••••.•..• Condessa de Azambuja (2.0 anno) •••.•••••.••• D. Maria Palmira dos Santos )orge •..••....•• D. Anna Sergio Faria Perelra ••••••••••••••

D. Virginia Augusta Lopes de Campos •••.••.•• P.• Luiz Caetano Portela (2.0 anno) •.••..•..• D. Maria de Santiago .••• Jesé Euzebio...••...•• D. Maria Oonça1ves Santos. Antonia da Conceiçao Evarista .....•.••.•..• D. Luiza Magdalena d' Albuquerque (2.• anno) .• , • Percentagem em estampaa etc.· (Estrada)..•.•.••

José Monteiro de Campos .

25:000 20:000 15:000 10:000 10:000 10:000

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10:000


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de Mo.io de 1.9,a4

Ano I I

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N.0 20

(OOM APROVAOÀ.O ECLESIASTIOA) .A.tbulnillil'ti-o.dor: PADRE M. PEPEIRA DA SILVA

Dlreo'tor, Proprie-tarlo e Edl"to1•

DOUTOR MANUEL MARQUES D0S SANTOS

REDAcçAO E ADMINISTRAçfo

:RU.A. D. NUNO ALVA:RES PERE:I:RA.

Composto e impresso

011

Jmprensa Comercial, é Sé -

Letrin

(BJi:ATO NUNO DE SANTA MARU)

13 DE ABRIL O dìa amanheceu esplendido. No firmamento nenhuma nuvem embaciava o azul diaphano. A estaçao invernosa parecia ter dado a natureza o adeus derradeiro e a formosa e gentil primavera fazi~ rnagestosamente a sua entrada triumphal. Passava ja das 11 horas, quando o nosso automovel, ao subir a estrada . da serra, teve uma panne que o o~ngou a parar subitamente. Vinte ktlometros nos separavam ainda do locai d~s appariçòes. . Prov1dencialmente, seguia atraz de n6s um carro vasio que se dirigia para Boleiros, pequeno Iogar situado a urna legua de Fatima. E' nelle que tomaf!los logar, n6s e os nossos co~panhe1ros de peregrlnaçao : um dlstincto advogado nosso amigo, trés senhoras do Porto das nossas relaçOes e_ urna creada que pela primelra vez 1am a Fatima A' medida que nds approxlmamos do locai das appartçOes, os grupos tornam-se mais fréquentes e mais compactos. Era pouco mais de melodia quando chegamos ao pé da egreja parochial de FAtima, alnda em obras maa ja quasi concluida. ' Como é Domingo e o dia esta lindo, a concorrencia, o que alias era de esperar, é multo superior 4 do costume, f6ra dos dias 13 de Maio e 13 de Outubro. Eis-nos agora na Cova da Jria. O recinto em torno da capella parece um vasto mar de cabeças humanas. Devem estar presentes cérca de quinze mil pessoaa. Dezenas de fiels, homens e mulheres, andam de joelhos, em cumprimento de promessas. Ja tinha sido ceJebrada a primeira missa as 11 boras -pelo rev. Manuel Pereira da S11va, da Camara Ecclesiastica de Lelria. Algumas centenas de pessOas co-, mungaram a esta missa. C(lmeça a segunda missa, annuodada pelo toque de urna sineta. E' celebrada pelo rev. dr. Manuel Nun1es Formig~o, professor no SeminaI o de Santarem. O rev. dr. Manuel Marques dos

Cecilia Aul(usta "Go11veia Prestes depois da sua cura

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Santos, inicia comparticipaç~o da!J asslstencia no santo sacrificio, recitando com ella o symbolo dos Apos-9 tolos. , Em seguida reza o terço, alternadamente com o povo. A sineta di o signal de Sanctus. O ~ilencio é agora mais ·profundo, o recolhimento mais intenso, a oraçAo mais fervorosa. O sacerdote Jevanta ao alto a Sagrada Hostia. O momento é solemne e commovente. Milhares de frontes se inclinam em adoraçAo e milhares de boccas soltam corno um grito de fé, e de amor a exclamaçào do Apostolo incredulo, tornado fiel : e Meu Senhor e meu Oeus I• Seguem~se as invocaçOes a Jesus Sacramentado. Chega o momento da Communhao. Durante a distribuiçao do Pào dos Anjos, o e Bemdito e louvado seja• prorompe de milhares de bOccas e repercute-se ao lonJ?e e ao largo, corno urna apotheose dos homens e da natureza ao Deus feito menino por nosso amòr. Veem-se lagrimas de jubilo e de

commoç!o em muitos olhos. Deze• nas de pessOas, preparadas pela confìssào sacramentai, recebem o ali• mento divino que da vida e força sobrenatural as almas. Acabou a missa. Canta se o 7an~ tum ergo e em seguida da se a bençao, primelro a todo o povo e depois a cada una dos doentes em particular. S6be entao ao pulpito o dr. Marques dos Santos. Falla sObre a penitencla tao instanternente ,fecommendada pela Egreja no santo tempo da Quaresma. E' necessario o arrependimento e a emenda dos peccados para obter a salvaçAo eterna. Junto da fonte agglomeram-se innumeros peregrinos, aguardando cada qual pal'ientemente a sua vez de encher o recipiente que trouxe conslgo com a agua maravilhosa, a cuja efficacia sao atribuidas curas extraordinarias. Approxima-se rapidamente a hota da debandada. Muitos romelros sào de terras dlstantes e por isso apressam a partida. Os menos apressados rezam dentro ou em torno da capelta ou afastam· se para sillos proxlmos affm de comerem os seus far-

neis. Jniclamos a viagem de regresso. Pelas estradas que percorremos, os peregrinos que encontramos rezam ou cantam. As suas almas pledosas conservam bem vivas as lmpressoes desse dia de graças e anhelam voltar mais vezes aos pés da augusta. Virgem do Rosario. no aeu santuario predllecto, em busca da paz e do encantc. sagrado que attrahem am tantos filhos de Porh:1gal e tornam aquella estancla bemdlta urna verdadeira antecamara do Ceu.

V. de M.

Eete jornalzinho, q u e vae ••endo tAo quer.ldo • procur.ado, é deet .. lbuldD gratuitamente em Fétlme noa di•• 13 de cada m6a. Quem quizep ter o di• reito de o ••oebe• diPe• ota111ente pelo o or re i a, teré da enwia•, adeant•• demente, o minimo de dez mli réla.


Yoz dn.

Relatorlo sObre o caso de eecllla Hngusta 6onveia Prestes, curada em fotima po dia 13 de Jullio de 1923, de tntiercnlose P.Dlmonar e perltoneal com ascite (Hydroplsla do ventre) A tamilia Cecilia Augusta Oouveia Prestes-; de 22 annos de edade, solteira, natural e moradora na villa de Torres Novas, dlstrlcto de Santarem, vive actualmente em companhla de sua irmà, Idalina Augusta Oouvela Prestes, de 42 annos de edade, tambem soltelra. Tem mais urna irmll, Carolina Oouveia Prestes, casada, e tres irrnllos, Manuel Ribeiro Oouveia Prestes, de 46 annos, solteiro, Alberto Augusto Oouveia Prestes, de 33 annos, alfaiate, viuvo, e José Nicolau Oouveia Prestes, de 28 annos, serralheiro, casado. . Moram todos em Torres Novas, excepto a irma e o irmao mais velho que, depois de ter prestado serviço em Lourenço Marques corno officiai miliclano por ocasiao da grande guerra, foi estabelecer a sua residencla em Quelimane, onde é empregado na Repartic;ao das Obras Publicas. O José viveu com a irma até ao seu casamento, que se realisou em 15 de Agosto de 1923. O pae, Carlos Au~usto Oouveia Prestes, falecido em 1915, muitos annos depois da morte da mae, foi secretarlo da Camara Municipat de Torrea Novas. As duas irmas, que se ocupam no servlço domestico, habltam, ha cerca de 10 annos, um modesto primeiro andar da rua de S. Pedro. Antes da doença de que vamos fallar, a mais nova trabalhava para f6ra em obras de costura. Era entào forte e gorda. Pesava 68 kilos. ,Ha tres annos, pelo Carnaval, dizia ella um dia na sua linguagem expresslva e pitoresca, eu era um bal· stiro, de nutrida que estava.• N,mca soffreu de nenbuma doenc;a a nàò ser de s~raiupo, quando contava apenas sete annos de edade, e dum principio de pleurisla, em Agosto de 1912. Todas as pessòas de familìa f0ram sempre sa11(1avei1.

O contag-lo E~feve \#arlas vezèl eom longa demota t'fti casa da sua màdrlnha dè ltapt~mo, Vlrgh,la da Concèlçfo Lintt, mtradora na rtta Olreita. Da ultima nz coasetvou-se 14 celta de qu~w 'anos. A taadrlnba era casad4 ceiit 'Per11ndo Joa~ de Lima, funlfefro, e, embera o marldoc posaulsse recurtos nfl1ientes para vlverem com da6fogo, etta trab'lithava quaet se .. detcanço, de dla e de nolte, come raedlsta, sustentando s,stoka a caa. 01 oémplelçlo debil e muito doHte, aef ria 1em ceasu deade. 1 iliade tle 12 uos e tlnba com fre~aencM beflle,uus. Oa m~dlcos diagai tiur1111 o mal de tuberculose ,•tlWloRar e reer.amendaram ! aftllaatla -u• tlvM1e o •alar caldado eAI ev.i.tar • eot1ta1t•, i,1rq111e, 11ov1 co•o era, ..rria imlaeate pulio d.e •ida, traNt:Hle àa 111a4ri11ba. TodH

abandonavam a doente, todos se recusavam a aproximar-se do seu leito de d0r. Vendo -a em estado tao Jastimoso, a afilhada, de quem era muito amiga e a quem considerava como filha, nilo teve a coragem de se separar della. No dia 11 de Novembro de 1920 a pobre senhora sucumbia aos eslragos da terrivel enfermidade, entregando a sua alma a Oeus. Pouco antes de morrer dispoz que se cumprissem imediatamente as suas promessas e fez di-

liquido; mas verificou-se por fim que isso nào era preciso. Achando-se ligeiramente melhor, continuou a trabalhar, até que em Marc;o de 1922 se sentiu fraca e se reconheceu mais magra do que nuoca, tratando-se entao com os drs. Ribeiro d' Almeida e Vlcente Vinagre, que lhe prescreveram diversos remedios, cuja efficacia pareceu inteiramente nula. Em 25 de Julho foi a Alcanena consultar o dr. José Ferreira Vlegas, por pào ter obtido resultados favoraveis com a assistencia dos médicos de Torres Novas. Aquelle facultativo, constatando que os pulmòes estavam afectadc,s, recettou-lhe varios medicamentos que produziram effeito, recuperando a enferma um pouco as forças.

A

tuberculose e n. a.s• cite

Depois de mais algumas visitas ao

dr. Viegas, Cecilia parliu para Lisb0a

Cecilia Au,rusta Gouveia Prestes antes da sua doença

versas recommend,u;oes. Cecilia foi depois para casa da irma Carolina que, tendo mais tarde casado, vive hoje em Lisb0a. Entretanto, corno se achasse bastante fraca, procurou oo seu consultorio o dr. Augu!tc d' Azevedo Mendes, que lhe receltou vario, tonicos, com que se deu bem. Paasados éinco mèses, retiroo-se para casa da irma Idalina, porque se seattu doente e lmpossibilitada de satisfazer com o producto do seu trabalho a pensAo que se compromettera a pagar 4 irm! Carolina para ajada do seu sustento. Allt o lrmlo Manuel custeava- the os reme• dlos e a assistencia midica, o que nuoca succedeu durante a sua estada em casa da outra lrml.

A plonrlwla Fel ne més de Junho, preeiaameDte na vespera de S. Je~o. que ella se mudou e no fim dMse mh adoeceu ~ravemente co,n uma Jl,leurlsia, vendo- H obrigada a reeelher j ca111a. l!steve tle cama 1uu m~~. to61o o més de Julho. excento Ros ultlmos •IH, tendo subido a febre 11 40 rraus. l't>I tratada p&lo flr. E11genlo Ribeiro cl' Almeida, n:aédico as,slsten.fe da fa! · mllla. €begeu a pen~ar em ir a Llsb6a para se f)rocMler i extraeçao de

no dia 2 de Janeiro, por indicaçào do dr. Almeida, que a tinha achado muito mal, com o ventre bastante elevado, devido a ascite, cujos sim• ptomas haviam entretanto aparecido. Entrou no dia 14 desse mes no Hospital de D. Estephania. Submettida a um regimen lacteo rigoroso durante dezoito dias, tornava quinino, tricalcina e lactose. Descobriuse nusa ocasiao que ella sofria tambem de albumina. O ventre baixoa de todo. Pediu alta em fins de Janeiro e regressou logo a Torres Novas. Foi, porém contra a vontade dos médico& e das enfermeiras que sahiu do hospital, porque, longe de estar curada, o mal continuava a mina-la sem piedade. Todos lfle predlziam que havia de recahir. Passou o més de Fevereiro regulartnente e o més d'e Màrço um poaco melhor, peorando em Abril. Andava de pé, mas com o ventre outra vt:z inchado e com febre alta. Esta elevou-se quasi sempre a l9 e 40 graus nèsse mes, em Maio e em Ju-nlto. Conse,vou-se de cama quasJ li,, todo o mfs de Junho.

" ap• Agua da t onte das pariçoes Quando a madrinha estava doente, Cecllla pe,na com multo fervor a sua cura ao Senhor Jesus dos- Lavradores, cuja sagrada imagem ee venera na egreja de S. 'fhiago, e, como. apuar disso, a sua dedlcada amiga e protectora morresse, cahiu em prof.tando desanimo e desde entao n~ò quiz pedir mais nenhuma graça. Agora, porém, animava-a urna grande tl"evoçllo para com a Santissima Virgem e urna confiança illimilada eina"3lavel no seu poderoso vallmcnto Junto de Oeus. Havia multo tempo que a irma 1héc ministrava em segredo agua de . tillKl, deitando colheres dena no eh!, ,

Fa-


Voz da Eéthn... no leite e nas gernadas. Um sobrinho de tres anos, a quem isso cauflva extranhesa, foi-lhe dlzer que a tia deitava agua na comida. Um dia a doente, anclosa por saber que especie de agua era aquella, queixou11e de que a gemada estava insipida e at;rn graça. Como a Irma se visse entao forçada a confessar que lhe deitava sempre na comida algumas gottas de agua de Nossa Senhora, observou que nao era preciso fazèlo a ocuttas, porque a beberia sempre de muito bom grado. A irmA procedia assim por julgar que ella nao acreditasse na efficacia sobrenaiural da agua de fAtima. Prognosticos 1:errivei~ Foi em Dezembro de 1922, quando aconselhou a doente a ir a Lisb6a, que o dr. Almeida disse a irmà que ella estava tuberculo$a da cabeça até aos pés. Chegou um dia a excJamar, significando tristemente que nào l)avia esperança de cura: «Que quer que eu lhe faça ?I• Nos principJos de Junho o dr. Viegas affirmou tambem que ella estava perdida, a desfazer-se. Quando ja nao podia ir a Alcanena, foi la o irmào José dar informaç0es aquelle clinico e pedirlhe que receitasse alguns remedios. O médico declarou que ella nao durava quinze dias e mandou-lhe apenas repetir um frasco que ja tinha tornado, de hydropenol, para os rins, que quasi nào funclonavam. O dr. Durao, o dr. Mira da Silva ~ outros médicos do Hospital de D. Estephania, consideravam do mesmo modo a enferma irremedlavelmente perdtda. Assim o dizlam ao lrmAo José. A ella, quando fazia preguntas sobte o seu estado, davam respostas ~oh10 est a : < Pode ser que melhorès, mas estas multo doente.»

P.eregrina çii.o doloro•a Este estado manteve-se estactdnarlo até ao dia 13 de Jutho segu1nte.. Nesse dia, b 6 horas da nu1111u1, chela de confiança na protecçao Maternai de Nossa Senbota, lnlcloll a sua tao desejada péregrlnaçAo 4 FAtlma. J>artlu de trem com a trmA Idalina Florinda Pereira, esposa do irma-o Alberto, Maria Leonor, futura esposa do Irma-o José, MarlaJosé Alves, sua madrlnha de chrlsma e mà• drinha de baplismo e chrlsma doì irmàos José, Alberto e Carolina, e Francisco Teixeira, ourives da capi· tal. Fol nos braços da irmà e da futu• ra cunhada da cama para o trem. Sofria imenso com os solavancos. As d0res eram horriveis. O vehlculo seguiu pela estrada que atravessa a serra d' Ayré. A doente ia entre Marìa Leonor e Florinda J>ereira, amparada por ambaS, ficando na frente a madrinha. De vez em quando, presa duma afliçao indizivel, exclamava: e Valha-me Nossa Senhora do Rosario t ou entào: cNòssa Senhora me acompanhe I• A sua fraqueza era extrema. Cahia frequentemente com syncopes para cima das suas companheiras de viagem. O ceu estava encoberto. Emquanto subiam a estrada da serra, choveu. mas pouco e durante pouco tempo. A atmosphera era pesada e quente. Num lanc;o mais ingreme dei estrada o cocheiro pediu a tOltos os passa- . geiros que se apeassem. A doenté accedeu tambem a esse pedldo, mas, corno nao podia andar, teve de voltar Immediatamente para o carro com a Maria Leonor. Esta dlzia para os outros companhelros de vlagem: e Vamos ter trabalhos pelo camlnho; ella morre-nos antes de chegarmos a casa>. Fol precisamente por esse mofivo que J~sé Prestes nAo quiz acompanhar a trmA, dlzendo que ella morrerla com certeza durante a viagem.

até prometldo Jr a F4tlma no dia de

Santo Antonio. O seu estado, porém, aggravou.. se a tal ponto que lhe fol absolutarnente lmpossivel cumprlr a promessa. Receando dum momento para o outro um desenlace fatai, a familla encomendou a urna no dia 11 a Manuel AlvorAo, morador na rua _das Tufeiras, tendo tambem flcado a1ustada a rnortalha no mesmo dia. O rev. Joao Nunes ferreira, parocho da freguezla de S. Pedro, urna das da villa depols de ter vtsltado a doente na' vespera, foi confe~sa_-la e administrar-lh,e o Sagrado Viatico e a Extrema unçAo no dia de Santo Antonio. Quando se despedlu, disse a lrmA que brevemente a iria de novo visitar, pot4ue sabia pelos m~dlcos que a doente estava perdida. Passada mela hora, preguntou a Thereza de Jesus Oliveira, pess0a que frequentava a casa da enferma

Os ulti.rnot!I Saoratrten1:os

. Era grande o desejo que Cecilia a Fatima no dia 13 de Jttl'lt\t,, dia de Santo Antonio, o gtoriosd thatrmaturgo portugués, aflm de pe-tfit a sua cura a Nossa Senhora do ~osario. A familia aprovettou o eméjo que se proporclonava para que ella recebessé os sacramentos, nAo se mostràtHfo disposta a consentir na sua Ida a Fatima, porque fodos asae}luravam que morrerra no- carnlnho, se emprehendesse tal ~lagem. O dr. Augusto Mendes, cbamado Pld tr1tar da doente- na ausencta dQ dr. Almelda e informsdo do nu ve,. hemt:nte desejo, declarott que te GJ>Pu.rtha corno médico a que tosse 4 r~~~ mas que, se ella lnSplrada pea ,d!YUçào quizeue ir hl, nAo podla obligt· la a flcar em casa e que por isso frLesse o que melhor lhe parecease. A sua opini1lo era que nllo reaJisasse essa viagem, mas que oo enatanto, se era religiosa, preparasse a sua alma para Deus. Ao ouvlr estas palavras, a doe1té CORvenceu-se de que a sua vida co,... ria. perigo e, pegando no ferço, rezo&r -a Nossa Senhora de Fatima. sup.,11cando-lhe que a salvasse. Havia fa ~ulfò fempo que toctos òs òlas reciav.a o hm;o e pedia a Vlrgem dQ R•~ano que se dlgnasse tura-la,

t1nfra de lr

te_.•

Cecilia Aut:usta Gouveia Pr,stes no principio da sua doença

Etn Fdtirna t A dQente) desceu do trem ao p~ da egreja parochlal de Fatima, assl•th1 , ultima parte d-e urna missa que se estava celebrando e, loi0 que aa:-., blu da egreja, poude urlnJlr, HavJa multo tempo que o nllo fazia,. s~nio rar.n veze, e com extrema difficul• dadt tendo tornado remedtos para pOr termo a essa tortura. maa debal•

e sua visinha, se ella ja tinha expirado. Na vespera, um ra'paz, fllho daquella mulher, pedlu lfcem:a ao patrao para lr Ver Cecllfa que julgava ntorta pot fhe terem dado èssa notlcla no estabeteclmento em que esfava' empregatlo e, ao vè-la a\nda viva, mas parecendo agonhtante, reth'0u- se a chorar.

d~

Seritiìllveiì* m.èlhora'4ì

Depots de se confessar e r~ceber o Sagrado Viatico, descansou e dor• mlu- um. somno regular, iurante tre, horu, • que ji nao aco11tecia havla multo, ntéses, perque lhe sallil contaotemeAte agua e111 abundaacia pe-

la b0ca. sttmando-n quando a fechava para dmmlr. A Jtartir d811Se dia dlminulu a quantidade de agua que dettava pela bha. 8aìxeu a fè· bre • abrand.uam aa dl>res. O ventre por6a,, nlQ tlecresceu de vQlusne. El~ la cont111u-0u a reur e terç•, implorando a cada atf;)mento a sua cura e t,ebeado k,dos os dlu :ig1:1a da fante ~ue brotolf ue loc·al da pr.meis.a a,-a~lçao.

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f ol no trern até ao toca:1 d11 •Pv•~t rlçOet. Cheeou la as 11 horaa. 5tava· a acabar a prlmeira missa campaf. Qs companhelros aproveitaram o lnte~vallo entre a primelra e segunda fllf!· sa 1)111'1 comerem o farnel que tln~•!!! levad<t. Ella nfto tomou quasl aUmt:"n-.,. to nenhum. Terminada a refeiç~~ f0ram todos ouvir a seg\lnda mrss~. A multidllo que aquella h~ta .!,., agglo01erava na Cova da lna er_!I enorme. Antes da missa a enferma tornou a urinar. O seu aspecto era o d'urna paralytica. Tinham· na de{tado oo ch~o em almofadaa. Chorava sllenciosamente vendo-se na• quelle Jogar em tao triste e.stado. A irmii chorava tambem. Mu1tas pessOas preguntavam se ella era alei1ada.


a

Pedia a sua cura com muito fervor.

a famllla Amado e vendo-a janela, disse--lhe que precisava de a observar, promettendo ella lr em breve ao seu consultorio. Olas depols, corno nAo lhe appareeesse, aquelle clinico procurou-a em casa, examioou-a attenta e mlnuclo1amente e, terminado o exame, disse-lhe que estava curada, deu- lhe os parabens, e assegu.. rou que nem elle nem os seus collegas a tinham curado, porque Isso era humanamente imposslvel. O pharmaceutlcò Antonio f ernandes Lima, ao vè-la em Janeiro seguinte na sua pharmacia, onde fOra pagar o resto duma conta que devia, flcou surpreendido em extremo e exclamou : e Est4 aqui um verdadeiro mllagrel> Ouvindo estas palavras, Cecilia preguntou, sorrindo: • Entao ainda acredita em milagres ?• Ao que retorquiu o pharmaceutico: •Entào porque nào hei-de acreditar, se estou deante dum verdadeiro milagre?t > Cecilia voltou a Fatima, em acçao de graças, em 13 de Setembro e em 13 de Outubro. N!o fol la em Agosto por ser nessa ocaslllo o casamento de seu trmào José. No mès de Setembro chegou ao logar das appariçOes, em jejum natural, assistiu primelra missa, commungou, tomou algum alimento e foi depois ouvir a segunda missa e o sermao. Em Outubro chegou a hora da segunda missa. Actualmente g6sa de perfeita saude, tome com excelente app~tite, dorme admlravelmente bem, sentlndo-se mais forte do que antes da terrivel enfermidade que a levou 4s portas da morte. Pesava outr'ora, corno dissemos, 68 kilos. Durante a doença chegou a ter apenas 34 kllos. Todos os méses tem aumentado 3 ' kllos aproxlmadamente. Em toda a parte por onde ella passa espalha a admiraçllo e o assombro pelo poder maravilhoso da auguata Vlrgem do Rosario, a cuja interce~sao atrlbue a sua cura verdad.eiramente extraordinaria e humanamente lnexplicavel.

Um Individuo de manelras distintas, que a viu da capellinha onde se encontrava, reconhecendo que era urna enferma, fol busca-la, e dominado pela commoçao ao contemplar de peno aquelle cadaver ambulante, nao poude su,;ter as IAgrimas, que lhe corrlam copiosamente pelo rOsto. Amparada pela Irma Cecilia entrou no· santuario e ajoelhou aos pés da estatua de Nossa Senhora. Nao asststlu bençao dos enfermos, porque teve urna syncope, que a forçoa a recolher logo ao carro. No regresso tomaram pela estrada de Villa Nova de Ourem. Ao pé da fonte, que esta situada a eotrada daquella villa, o vehiculo parou para os cavalos descansarem e beberem agua. EnUlo ella, sentlndo um appettJte extraordlnario, poz-se a corner do farne! das companheiras, a saber: bacalhau albardado, almondegas de bacalhau, cacapaus fritos, pao com queijo, urna tlgelinha de morangos e peras, nao comendo mais porque a Irma e as companheiras o nao consentlram com receio de que lhe fizesse mal. Queria provar de tudo. A digestao fez-se regularmente. Os balanços do carro desde a partida da Fatima nao lhe causaram nenhum incomodo. Numa excelente disposiçao physica e mora!, ja conversava animadamente, ja ria e cantava. Eram 11 horas da noite quando chegou a Torres Novas. As vlsinhas que estavam a janella, aguardando a sua chegada, julgavam que vinha morta. Até esse dia nao tinha posiçio para estar na cama. Dormiu a somno sotto toda a noite. No dia seguiate levantou-se muito bem disposta. As dOres e o mal estar tinham desapparecldo. O ventre baixara, readquirindo dentro de pouco tempo o seu volume normai. Continuava a sentir um appetite devorador. Podia alimentar-se de tudo. No mès de Agosto houve um dia em que lngerlu melo kilo de amendoim. Nunca mais tomou remedios, nem leite, nem

a

a

gemadas.

Conclusa.o

Voltou no dia 4 de Outubro ao Em resumo: consultorio do dr. Viegas que, depois Cecilia Augusta Gouveia Prestes, de a auscultar, traduzlu a sua visinatural e moradora em Torres Novas, vel surpreza, preguntando o que tiatacada de tuberculose pulmonar e nha felto para se curar. Cecilia nao perltoneal com ascite, completamente ousou dlzer-lhe nada Acerca da sua desenganada dos médicos, tendo reida Fatima, temendo que fizesse 1 cebido os ultlmos sacramentos e tentroça d•eua. Pediu apenas que dedo ja sldo encomendados para o seu clarasse o que pensava do seu estacadaver o caixllo e a mortalha, é condo, porque se sentla curada. O mé• conduzida a Fatima no meio de hor• dico exprlmiu-se nestes termos: cEsriveis sofrimentos, com syncopes tA completamente bOa, mas bastante 1 contfauas causadas pela extrema frafraca. Precisa de tornar lnjecçOes de queza e quasi morìbunda, na macocodylato de sodio>. E, tendo felto nha do dia 13 de Julho de 1923. Na a respectiva recelta, continuava a tarde desse mesmo dia regressa a manifestar a admlraç~o de que estaTorres Novas, apresentando todos os va possuido. A cliente perplexa e signaes duma cura, produzida em confusa, limltou-se a balbuciar que poucas horas, sem o at.txHio de nébavla tornado os remedlos que elle nhum melo therapeutico. Oecorreram receitara, o que nAo era a expressao méses sem que essa senbora muitos exacta da verdade, porque nAo tinha tenha experimentado o que quer que tornado mais nenhum remedlo nem seja que recorde a doença de que cbamado mala nenhum médico desoffreu mais de doìs anoos. Perante pois do regresso de f atima. estes factos, cumpre reconhecer que O dr. Almelda que a vira num esa rapldez das modificaç6es constata· tado verdadelramente lastimoso e a das nào pode expllcar-se de um mo<1Uem constara que ella se achava do natural e esta acima do poder da curada, passando perto da porta da sciencla e dos seus meios de acçao. •ua antlga cliente com sua esposa e

a

Attestados i:nédico• Domlngos Roque Laia, chele da Secçao do Registo dos doentes hospltalisados dos Hospitais Civis deLisbOa: Certifico que no numero novecentos e 6itenta e trés, do livro de registo cento e oitenta e nove, da entrada dos doentes, consta que: Cecilia Augusta Oouveia Prestes, filha . de Carlos Augusto de Oliveira Pres-. tes e de Maria da Piedade Oliveira, de vinte e um anos de idade, solteira, domestica, natural de Torres Novas, freguezia de S. Salvador, concelho de Torres Novas, dlstrito de Santarem, e residente na rua do Arco do limoeiro, séte, quarto andar freguezia de Sào Tiago, concelho ; dlstrlto de Lisbòa, esteve em tratamento na enfermaria do Carmo, do hospltal de Estefania, desde quatto de janeiro de mii novecentos e vinte e tres, até vinte e quatro de janei110 do mesmo ano : Doença de que setratou : ,Peritonite tuberoulo•• •• Esta certidlio é passada conforme autorisaçao da Direçào Oeral ~os Hospitals em requerimento eta propria. Para constar passei a presente certidllo que vai por ntim assinada e selada com o selo dos Hospitals Civis de LìsbOa. Secçào de Registo dos Ooentes Hospitalizados, Lisbòa, 6 de Malo de 1924. O Chefe - (a) Domingos Roqu~ La/a. (Segue-se o reconbecirnento).

Eugenio Ribeiro d' Almeida 1 subdelegado de saude de Torres Novas, etc. Atesto que Cecilia Augusta de Gouveia Prestes, solteira, de vinte e dois anos, residente na freguesia de S. Pedro, desta vita, se encontra em bOas condiçOes de saude e sem dar qualquer contagio, a despeito da enfermidade adiantada da bacilose de Kocb, que segundo observei e me fol confirmado, padeceu até ea quasi um apo e de que logo, prìnciplou a melhorar pouco tempo depois, confesso, contra a minha espectativa. E este facto certifico e juro por ser verdade e me ter sido pedido.

(a) Eugenio Ribeiro d' Almeida

(Segue-so o reconbecimento)

Aufusto d' Azevedo Mendes, Bachare em Medicioa pela Universl.dade de CoJmbra: Attesto sob minha honra, que Cecilia Augusta Oouveìa Prestes, de 22 annos de edade, residente na f~ guezla de S. Pedro, n'esta vila de Torres Novas, foi observada- por ml'ta na sua residencia, em Junbo de 1923~ tendo diagnoaticado uma peritonite tuberoulo•• com grande derrame da cavidade peritoneal, notando-se ainda lesOes pulmooares der. caracter bacilar, que davam doença um prognostico extremamente reservado. A doente apresenta hoje um as- -'} pecto saudavel e robusto, nllo dando 4 observaçao vestigios sensive.l& da sua anterlor doença. Torres Novas, 20 de Abril de 1924.

a

(a) Auzusto d'Azevedo Mendes (Seguo-so o roconbccimento)

V. d• M.


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Ano II

LEIRIA, 18 de Junho de 1024

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(OOM APROV AçÀO ECLESIAST.ICA) Dlreotor, Proprietario e Editor

Admlni•"trador: PADRE M. PEREIRA DA SILVA

DOUTOR MANUEL MARQUES DOS SANTOS Composto e impresso na Imprensa Comercial, d Scl -

Leiria

REDACçAO E AOMINlSTRAçAo

B.U.A D. NUNO .ALVAB.ES l?EBE:I.BA

Agrande peregrinaçao nacionar

pressamente para esta ocasiao, atrahe e prende irresistivelmente os olhos ,. de todos os circunstantes, pela sua beleza ideai. pintor transladou , amoravel e delicadamente para a te1 la a scena imcomparavel das appa-

r.

Ao lado direito do espectador, v~em-se os pastorjnhos extacticos deante da visao da Virgem, de celestial formosura, que lhea apparece de pé sobre urna azinheira. A' esquerda um pequeno rebanho de ovelhas pasta tranquilamente, ro• endo as hervas rachiticas e enfezadas que brotam de longe em longe

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entre as pedras da serra.

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riçòel

(18 do J.\tlaio de 1024) Urna vez mais sem urn reclamo sei:n urn convite, sern um simple~ av1s0, o coraçào de Portugal latejou fortemente sob o impulso dominador e irresistivel da Fé e da devoçào auiusta Màe de Oeus, e de todos os recantos do paiz urna multidao innumeravel de fieis, corno urn exercito que obedece a urna ordem de 0 mmando, precipita· se em torrene~ caudalosas sòbre os paramos nd os e escalvados da Serra d' Ayre no centro da Extremadura. Nunca, corno neste dia, foi tao gra!l._de a afluencia de peregrinos a reg,ao do mysterio e do prodigio ci Lourdes portuguésa. ' Cerca de cem mii pessOas seguramente, visitaram o locai da; appariçoes, rendendo o preito da sua veneraça~ e do seu amor gloriosa Padroeira da naçao alli invocada com O titulo de Nossa Senhora do Rosario. Torres Novas, onde passamos a notte de segunda para terça-felra, debalde tentamos conciliar o somno. tarde era inDesde a vespera cessante o movimento de peOes que se encaminhavam para a serra. ~urante toda a noite o transito de vehiculos de toda a especie consti:uia um espectaculo sobremanelra nteressante, que presenciamos commovtdamente da janella do nosso quarto. As mesmas senas encantadoras de ~ue fomos tcstemunha naq~ela. villa, de gforiosas tradiçOes hiSior!cas e sempre gentilmente hospitaleira, se desenrolaw,m em muitos outros pontos de concentraçao e de passag~m dos peregrinos, proxlmo de Fatima, corno Leiria Pombal i)homar, Abrantes, Villa' Nova d~ urem, Rio Maior, Porto de Moz Alcobaça e Batalha. ' Chegamos Cova da Iria as nove b oras em ponto. Sobre a estrada e nas irnmedlaçoes estacionavam milhares de vehi-

(B!:ATO NUNO DE SANTA MARiA)

A miraculada D. Emilia de Jesus Oliveira

culos de todos os feitlos e tamanhos, desde o confortavel automovel de luxo até humilde e Incomoda carroça. Em torno da capella commemorativa das apparlçoes agglomerava-se e comprlmia-se urna mole de povo, verdadelramente colossal. Oesde a madrugada que as missas se sucediam inlnterruptarnente, celebradas por sacetdotes prévlamente inscrlptos. A multldao, em grupos, reza o terço em voz alta. De vez em quanElo ergue-se um cantico em honra da Virgem. Em cada missa, ernquanto um sacerdote distribue a Sagrada Communhao, canta-se o cBemdilo>. Homens e mulheres de velas na mAo fazem de joelhos o giro da capella. Em frente desta, a urna dezena de metros de distancla, ergue se ao alto, sobrepujando todos os outros, o estandarte da peregrinaçào de Porto de Moz. Obra prima do grande artista Jorge Colaço, que o pintou ex-

a

E' meio dia officiai. Sufoca-se dentro do recinto do Santuario. Varios enfermos sao levados em braços para junto dò altar. Entre e(Jes vemos o conde de Margarlde, de Ouimaràes, paralylico e mude, e o capitao Sa Nogueira, de Santarem, tambem paralytico e quasi cego. Urna senhora bastante nova approxima-se a muito custo do recinto sagrado e manifesta o desejo de entrar. E' D. Cecilia Augusta de Oouvela Presles, de Torres Novas, curada em Fatima no dia 13 de Julho ultimo, de tuberculose pulmonar e peritoneal com ascite (hydropaia do ventre). Um sacerdote reconhece-a e facilita-lhe a entrada, assim corno a urna Irma e um sobrlnho que a acompanham. Proximo da espella assistem aos actos religiosos O. Maria Augusta Figueiredo e a menina Maria Amalia Canavarro, ambas de Santarem, curadas o anno passado, esta de urna meningite em I de Março e aquella de um tumor de caracter suspelto em 13 de Maio. Numerosos médicos, alguns de localidades distantes, conservam - se dentro do recinto da capella ou encontram-se confundldos com a multldao. Como em Lourdes, aonde acorrem todos os anos centenas de médlcos de diversas nacionalldades para estudarern a luz da sciençia os factos maravilhosos que se desenrolam deante dos seus olhos, veem-se alli , professores ilusfres das oo~sas faculdades e clinicos de grnnde no-


Voz da Fatima

;c'l--~-----·--------:--:-:,--::::--...:....-=-=-~:,..._--;r:~ -----".'"'-:';:-::--;:-----------::--:---::meada da capitai e de muitas cidades da provincia. Junto do altar, um especlalista distlnctissimo de LisbOa, que ainda ha poucos anos era atheu e livre pensador empregando todo o seu ardo< combativo na guerra contra a Egreja, segue attenta e piedosamente as cerimonias do augusto sacrificio da missa. E' urna hora e mela officiai, a bora das appariçOes. De repente a temperatura baixa extraordinariamente, a luz do dia diminue de intensidade e um circulo enorme e mysterioso circunda completamente o sol por todos os lados. S6be ao altar para dizer a ultima missa o rev. dr. Luiz de Andrade e Silva'; de Villa Nova de Ourem. Do pulpito Mons. Freitas de Bar• ros faz em voz alta as invocaçoes do costume, repetidas em còro pela multidilo. Reza-se o terço e canta-se o Parce

Domine, o Adoremos e o Bemdito. Depois da missa da-se a bençao com o Santissimo Sacramento, pri· meiro a tode o povo, e em seguida a cada um dos enfermos alinhados em torno do altar. Por flm s6be ao pulpito R rev. Luiz de Sousa, que falla sentida· mente da Vlrgem Santissima e do seu amor a Portugal, tendo palavras vtbrantes de justa lndignaçilo contra os excessos e exageros das modas, que com as suas immoralldades profanam indignamente os logares consagrados a Oeus. Algumas dezenas de mithares de exemplares da « Voz da Fat111a• sào distribuidos gra tuitamente pelos fieis. Oesperta immenso interesse a cura extraordinaria de O. Cecilia Prestes, de Torres Nevas, de que acima fali!mos, cujo relato desenvolvldo, acompanhado de atestados médicos, é lido com avidez e commoç~o. Em torno do poço circular que por qulnze torneiras fornece a agua da fonte das appariçOea, estaciona urna multidAo immensa, que se renova incessantemente, esperando cada •um a sua vez de beber e prover-se 1da agua, a cuja eflcacia sào atribuidas numerosas curas extraordinarias e huma1ta1nente inexplicaveis. \ , , Sio qub1 quatro horas. - A asslsteacla começa a debandar. As estra<ias pr@xi111as estao de novo litteralmt!nte atulhadas de peOes e de vehicuios de toda a especie. Oa peregriaos rrn seu regresso, reconhecldlfi e ediffcados, retam e 4làntam. ~ 11 Qu'ant0i n~O COHegulram entrar na c,pelb, ne111 lev.ir urna s6 got.ta da AiUl MaravilllQsa I todavia ft&O se ouve u1i1 r1ur1111i1ri<i, uma queixa, •Ma laA1eataçio. Sem tu11bar~o do ~aeu ptsar, tod«.>s dh por bem em• _ffOfatla a vi,cem, tio in~emmoda e tae dispentii.,sa, t mysteriosa e ee.antaiera Ptt•ma1 4ue é hoje em Portul{al, o 1uis ocllo centro de deveçao i Santis!lma Virgem e o mais .,iiorioso thr•Ae de aliR'Òr a Jesua ChriF-tl-l no Hgustlssimo Sacramento 4a Eucharistia.

e

V. de M.

Hs curas da

rattma

«Vilar, 20 de Março de 1924

.•. Sr. Venho pedir a V. para_ mandar pubiicar na «Voz da Fatima)) um milagre que Nossa Senhora do Rosa• rio de Fatima fez a Emilia de Jesus Oliveira, mulher de Filipe d'Oliveira e Silva, do logar de Vilar, concelho do Cadaval. Estando eia atacada de tuberculose pulmonar, desenganada pelo sr. dr. Alberto Martins, do Bombarral, que a tratava na sua doença, o mari• do, cheio de affliçao, vae com eia a Lisooa a Poiiclinica, consultar o sr. dr. Oliveira Soarcs. Este deP?is de a examinar, declarou ao mando e~tar com certc::sa tuberculosa. Continua· ram com todo o cuidado a ver se po· diam combater o mal, mas foi inuti~Cada vez peior. Em meados ~e- Abrd de 1922, veio-lhe urna rouqu1dao que lhe tomou a falla. Emfim, estnva as portas da morte. Maria Teodora da Siiva, irma do marido, que era a sua enfermeiru, vendo que na terra nada lhe podia valer, teve uma inspiraçao ! Disse:: para a enferma: fala•se que Nossa Senhora apareceu em Fatima (nao sobia que ja la ia muita gente, nem que ja la se tinham dado milagres). Se Eia la aparcceu, é para consolar os que a Eia recorrem com té e confiança. Vamos fazcr urna novena para ver se Nossa Senhora te da as mclhores. No fim da novena começa a cnferma a fallar e a recuperar a satide e quando chegou o dia 13 de Maio estava completamente cura~a. N~ m~s sc~uintc, 13 de Junho, fo1 a m1raculada, seu marido e mais pessoas de familia, a Fatima_ agrad~cer. a Nossa Senhora. Ja la vao quasi do1s anos e eia continuando sempre de saudc, . de sua casa e cria. um faz o scrv1ço filhinho de cinco mezes, muito forte com scu ldte, Com toda a consideraçiio, etc.

'

Maria Teodora d'Oliveira• (Tia da miraculada)

Ateatado médico

AlbBrto Martlns doa Santos, médlco pela Faculdade de Medicina de Llabl)a: Atteate e jurQ 11ela mlnha honra que a Sr.• Emllhl de Jesaa Oliveira taeada, de 33 anoa, natural e residente em Vilar, CQncelho de Cadaval, teve uma pleurlela aero fibrlnosa prl111elro do p1dmào dlrelto, depol1 do ,iquerdo e 111eze1 depola leslea lnflasutoriaa bacilarea no vertice ftta dola pulmòe1, cGm oemeço de fusio iatandÒ actualmeate curada, tendo ji felto aa ies11ez11 nrgultas òe ama oravidez !evada a 111111 teroi• e agura em eoinefo da entra, e 111 excellenta aspect1 i 1 11u Htado 11

ad.al. Bombarral, 2 de Malo de 1924

(a) Alberto Msrtilzs dos $anttJ$ (Seaue-se o reconhecimcmto)

Outra cura

JIIA

Rccebemos a carta e relato que a .. seguir pubUcamos:

•.. Sr. «Tendo-se dado um caso que repu• to de suma importancia na pess6a de urna IJ}inha prima, venho muito res• peitosamente pedir a V. o especial favor de o tornar conhecido no jornalsinho ,A Voz da Fatima.» Entendo que acontecimentos desta natureza sao dignos de serem publicados. Pedindo descuipa desta impertinencia, sou De V., etc.

Anna Alves• Maria do Rosario Cadete, solteira, de 22 annos, filha de Antonio Fran• cisco Cadete e de Maria do Carmo Cadete, naturaes· e moradores em Monsanto, concelho de Alcanena, é urna rapariga que p<:las rnas qualidades conquistou a estima de toda a povoaçao. No principio de Janeiro, devido a urna mordcdura ou a qualquer outra cousa (nao se conhecc a causa) {lpareceu-lhe urna pequena fcrida junto ao olho direito, que lhe produzia borri-. veis sofrimentos. O mal fazia progresso, pois a medida que o sofrimento aumentava, as feiçoes da pobrè rapariga deformav.im-se. Foi ja neste estado critico que eia cooseguiu transportar-se a Alcanena, onèle consultou dois distintos médicos - os srs. dr. Ferreira Viegas e Tenrciro, os quais constatara m a gravidade do estado da pobre doente, injectando·lhe reactivo~ apropriados. Apezar dos cuidados quasi pater• naes dos ilustres clinicos, principalmeJte do sr. dr. Tenreiro seu médioo assi~tente, o mal agravava-se de dia para dia, de hora para hora. Assim, a cara e a cabeça tomaram proporçoes quasi monstruosas, devido a grande inchaçao, que a privou por completo da vista. Os sofrimentos multiplicavam-se e desse torturante estado partilhavam nao !!6 os seus desvelados pais e a vi• sinhança mlls quasi toda a povoaçlo que nao abandona_va aque~la casa, onde a pobre rapariga ago01sava no seu leito de dor. Pensavam todos que, quando a inchaçao, que ja derivava para e peito, atingisse o coraçao, teria chegado o ultimo momento! Naquella casa s6 havia dòr e lagrimas I Urna piedosa senhora que muilto se interessa va pela pobré moribu nda, pedia incessantemente a Nossa S~ nhora de Fatima pela cura daquella sua devoti!,· e i enferrna, que mal balbuciava aiguma palavra, lembrava-lhe que invocasse o auxilio ct•Aquela que é a saude dos enfcrmo~. Estas palavrus despertaram a fé a enferma que, conhecendo a gravidadc do seu estado in,ocava com filial ternura, nao com palanas que mal podia articular mas por ~estos, e , tnentalmente, a protecçao da Santa Mie de 0eus, pedìndo quc lhe dcs~ sem uma cstampa de Nossa Senhora. dc Fatima, gue com fervor unia a. pcito. Urna outra piedosa e ilustre scnho:


Voz da Fé.tlme. ra, que em sua casa possuia alguma agua da fonte das apariçoes, apressouse .a manda.la enferma, a qual, depois de lhe dizerem o q ue era, bebeu uns gol~s, e sobre os olhos colocaramlhe uns pa nos molhados na milagrosa agua. Pela terceira vez que lhe 6zeram esta aplicaçao1 verificou-se com pasmo geral q ue a 1 nflamaçao lhe tinha dcsaparecido dos olhos e eia j4 podia ver as pessoas e cousas que a rodeavam. Dcsde entao as melhoras acentuaram-se de dia para dia com a mesma velocidade com que nela se via reacender a fé em Nossa Senhora de Fatima. Eu, que sou sua prima e lhe fui enfermeira, testemunho esta grande graça. Como é de calcular, a noticia desta graça celeste correu veloz por toda a freguezia acudindo inumeras pessoas para se certificarem da verdade e verificart!m com seus proprios olhos, sendo todos unanimes em reconhecer aqui o sobrenatuI'al. 0s pais da miraculada fizeram a promessa de ir em ocasiao oportuna com sua filha a Fatima agradecer tao grande graça, assim como muiras pessoas amigas fizeram outras promcssas, que ja teem cumprido,»

lmpressoes duma peregrina

a

Pediram e obtiveram graças que veem agrad ecer a Nossa Senhora do Rosario: -Maria Augusta Cravo Valente, da Murtoza que numa grande afliçtto recorreu a Nossa Senhora do Rosario da Fatima, sendo attendida sem dem·ora. Envia 10$ 000 para as despezas do culto. -Maria José Santos, tambem da Munoza (Ribeiro) que estando multo doente recorreu a Nossa Senhora e tendo melhuràdo envia 30$000. -:-Antonio de Sousa Soares que bav1a I dias se nao podia deitar . d o muita fatta de ar. Tendo' aeottn. r.ecomdo a N. S. da Fatima mclho-

s

rou.

'

-Ui:na anonima (M. H.) que tendo ped1do a N. Senhora da Fatima um~ graça tempoi:al que parecia irrea\1savel a vem agradecer agora, che1a de . reconheciment~. -Alia das Nevcs, de 25 anos àas CBYadas, freguezia de Almoster' (Al~aizarc), quesendo ameaçada de uma Qeen~a om. Maio cle 1923 e pouco •u Rada tendo obtido recorrcu novamente a N. Seohora da Fatima onde veio na peregrinàçao de maio promettendo publicar a graça e atteidida.

fbi

NaTodo~ pode_m e de-,cm interessar-se

·pe~ bnlh.inusmo do pdmt"iro Con: I . .

,res~o 1Juc 1 nti!'.t1co Naeional que vac )'Calizar-s.e em Braga de 2 a 6 de Jui..o. St: ncm tod.os po~icm assistir 19e~ ~ !mente, to~ios podçm no entante : ~zcr ne~cs dfas Comu11hoc1 fer.Yb· ro_sas com proposito dcs vida mais prc• ktta e de fé mais viva para c0m Nosa. Scnhor na Santa Eucharistica 1uc é a Yid..i da Ei:reja e das almas:

Pediram-me impress6es da minha primeira pcregrinaçiio a Fatima que, se Deus quizer, nao sera a ultima. Para ser franca, muito e pouco tcnho a dizer. Pouco ou nada direi lis pess6as que s6 desejam ouvir fallar cm milagres quc p6ssam ser tocados com o dedo, corno S. Thomé desejou tocar nas chagas de Jcsus Christo para n'Elle poder crér. A neurasthenìa, era a minha doença, e, corno affirmam todos os bons médicos, é uma doença terrivel l D'ella sofria ha mais de 10 annos, mas, que sofrer I ••• Durante estes longos annos, és vezes sentia pequeninas melhoras, mas sempre passa• geiras ou imaginarias. Entao que viste em Fatima? - me perguntarao. Rei;pondo: Fui a Farima nao para ver, mas sim para ser vista de Maria, a Mac de Jesus e tambem nassa Mae ! Fui a Fatima para saber pedir, nao s6 a saul#e do corpo para mim e para os meus (pois nio sabemos ao certo quanqo esta nos aproveita ou prejud1ca, s6 Deus o sabe), mas fui sobretudo para Lhe pedir para todo o mundo, principalmente para Portugal, para os nossos Ex.mo, Bispos e todo o Clero, d'uro m6do espec1al para os meus Superiores, para a minha querida familia e para mim, uma Fé mais viva, uma

Esperança mais firme e uma Caridade mais ardente. D1ra alguem: E foste ouvida? Nao podia deixar de o ser, porque estas sao sn1ças que Jcsus e Maria mais dese1am dar-nos. Em F,tima, N. Senhora fez-mc v!r com toda a clarcza que Deus é tudo e tudo o roais é nada. Que todas as creaturas, até as mais sabias e santas, nao passam de simples crradinhos de Dcus. Dira ainda alguern: e entao s6 em Fatima soubesre isso? ! Ja o sabia , ma, que diferença, que distaocia immensa v11e entre o saber e o ver ! Podcmos esquecer o que sabemos, mas nao podemos deix:ir de ver aquilo que vemos còm toda a evidencia. usta visao clara do nada de todas as creaturas e do nosso tudo que é Deus. f?i a maior graç~ q1,1e recebi cm Fauma. Sahi de cas'l no dia 7 d'Abril com dcstioe a Tocres Nova~, te!lcionando ir a l:<'atime no dia S' ou 9, dcscansan'10 no dia 1-,, casoN. Saqhora ,:De nao curasse -ias terntveis e permanS!Dtes dOres de cabeça e majs incommt)dos que tioha, ou entao, vindo curada, voltar n'es se mesm0 dia 10 para a minha caso, nf> Porto.,.,, 0 , ChegaJa a Torrcs Nons, todos , me dimuo -.ue parccia inapofsivcl fJUe, estando O .f1a 13 t port:J, 010 preferisse ir a Farima a'es~e .-lia, •nde a manifec;tai ç.ao 4e F.é '1e ,tt1dos os 'lue la -.io tQnto cd1ic!l I • o Um cenjnnJo d: circw11-.,;tancìa& mui- ' <to a~radavc:i~ .,sempre m e le~ou a Fatima no dia 13, o 'l~e de-.ér:111 c,timei, 110bretudo p<11r N. Se11hora mc nfazcr a graç1t de recebcr wma ~ençfit, espccial · do SS. Sacn,rncnto. que se " Costuma , ar aos. doer:ites. ,Quaato a Fé viva dc 1.c,dos o, que 1la foraai, n

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notei-a mas mal, e, tudo o que vi de materiai, vi sem v!r ! E' que Marta· cncheu.mc o coraçao tao cheio de Fé e amor sd n'Ella e cm Jesus Sacramentado, ·q ue os meus olhos s6 fìx~ram Jesus-Hostia, s6 fixaram Maria I E' a pura verdade, niio pude fixar mais nada, nem sequer o Sacrario, nem sequer a Estatua de Nossa Senhora I ••• A Missa campai estava marcada para o meio-dia, e, pouco mais tarde foi, spesar do dessistrc que no~ aconteceu na ida de Terres Novas para Fatima, em companhia do sacerdote que a celebrou. A meio do caminho parte o pinhiio do automovel que nos conduzia de Torres Novas a Fatima, mas, N. Scnhora l6go al\i nos deu uma carroça com um grande conforto d'alma que nos veio do Céu ! Tivemos pois que trocar o automovel pela carroca e portanto o corpo alguma penitencia fez, sobretudo por sermos doentes e nuoca terrnos andado de carroça ! Ai! como vale a pena alcançar o Céu dentro da carroça d'esta vida, por muitas e grandes que sejam as dOres moraes e phisicas que n'ella experimenternos I Sim, viver é passar da terra para o C é u ; o desalento, os grandes desanimos, as neurasthenins~ (que os médicos mal sabem curar) desapareceriam por completo do mundo se n6, bem fixassemos Maria, pondo o' Ella roda a nassa confianc;a. Vamos a Je<Jus, m as sempre por Maria I A minha cura começou no dia cm que resolvi ir a Fatima, confiar cm Maria. Qucm confia em Maria, teni tudo, porque Ella tudo lhe dara, dando Jesua ! Jesw Cristo é ca Resurreiçao e a V,da I• Teria ainda muito a dizer, mes, nao é preciso, os pobres cégos niio veriam mais. e, qnem tiver olhos dc ver, ja ve tudo ! Voltci pois de Fatima redicalmente curada dos mcus grande, sofrimentos moraes , e, quasi completamente curada dos meu, males phisicos, pois estes eram reflexos d'aquelcs, dòres refi •xas, ma'I muito rcaes, muito dolorosas, em fìcn ••• o meu intenso sofrer, s6 Deus a fundo o conheceu. Contudo, o, Sacerdotes, Médicos e pessOas de familia que me estudararn e aruraram de perto, tambem p6dem avaliar um poaco, a grandeza el'csta curs, que N. Senhora ~uiz fazer para honra e gloria dc Sua SS. Mae. Rt,aamin'1o dirci: quereis sd,r " q·ue é Fdtima ? /de la vir. Mas, pedi sobretudo a Maria quc de 111 Yos nao dcixc voltar sem voa fazer s-..1tir que Ella vos viu, cheia

dc nm6r. ! ..

O rnaior peccador p6de ver Maria apé~ar dc peccador, mas, a graça Glu graç:is é scr visto por Maria, pele SeU olhar todo t e fRUra, mÌscricoriJ1a • anaor! .. Nossa Scnhnra do Rosario de ira:. tirna, u lvac Port:.igal I Melhor ain ja, podemos dizer: N. Scnhora do Ro · a ria de Fatima Hlv#• r-,rnigal ! • Al leluia, .\ llc luia, Allelttia I Porro, 20 de" Abril de 1924. D01llÌn8'J de P:ischl)a. M. dJ. L. I-.


1

Dia 13"de Outubro de 1917 Depois da apparlçao, 4s 7 horas da notte, em casa do Francisco e da Jaclnta. (Continuaçiio no n.• r 1)

Interrogatorio da Jaclnta - Alem de Nossa Senho ra quem é que· viste hoje quando estavas na Cova da Iria? - V1 S. José e o menino Jesus, - Onde é que os vis te ? - Vi-Os ao pé do sol. - O que é que a Senhora disse ? - D1,~e que rezassem o terço a Nossa Senhora todos os dias e que a guerra acabava hoje. - A que m é que disse isso ? - Disse-o a Lucia e a mim. O Francisco niio OUVIU. - Ouviate-lhe dizer quando Yinham 01 nossos soldados ? - Nlio ouvi. - Que mais ùiiise Ella ? - Dis1>e que fizessem uma capella na Cova da Tria. (Doutra vez a Jacinta expressouae assiro : Disse que fosse a gente fazer lii uma capella). - Ouviste dizer isso a Ella ou Lucia? - A Ella. - Donde veio a Seohora? - Veio do nascente. - E para onde foì quando desapareceu? -Foi para o nasce,,te. - Foi-se a Senhora recuando voltada para o povo? - Niio; voltou as costas. - Niio disse que voltassem a Cova da Iris? -Tinba ùito ances que era e ultima vez quo vinha, e hoje disse tambero que era a ulttma vez. - A Senhora niio disse mais nada ? -Disse hoje que reza!lse a gente todos 01 dias o terço a No~sa Senhora do Rosario, - Onde é que b:Ila di~~e que a ~ente dovia rezar o terço 7 - Niio d11se onde. - Disse que o fossemos rezar a egreja 7 - Nunca dis~c: 1s~o. - Onde rezas o tc:rço com mais ~osto, aqui em tua casa ou na Con da Iria ? -Na Cova da !ria. -Porque gostas mai~ de o reur la? -Por nada. -Com que dinheiro dis,e a Senhora que se bavia de fazc:r a capeIla 7 - Disse que flzessem uma capelw, nao quiz la sa ber do dmheiro. - Olhaste pnra o sol? - Olhei. - Vi~te o!\ signnes 7 - Vi. - Fo1 a Senhora que mendou olhar para o sol ? - Niio mandou olhH para o sol. -~ Entlio coll'0 puùe~te ver os si~naes? -Voltei os olhos para o lado. - O Menino Je ~us estava ao ledo direito ou ao ledo esquerdo de S. José ? - Esrnva ao lado direito. -Estava em pé c.u ao collo ? -Estava em pé. - Vias o br11ço direito de S. José ? - Nao via. - Que altura tinha o menino ? Chegna com a cabeça ao _peno de S. José 7 - O menano nno chegava a cintura de S.José. ~· . , ~ - Quantos •nno, parecia ter o menino ? - Era como a Deolinda do José das Neves (creanço de um para dois annos.)

a

Interrogatorio do Franclacn D'esta vez tambem viste Nossa Senhora? -Vi. - Que Senhora era ? - Era a Senhora do Rosario. - Como estava vestida ? - Estava vestlda de branco e tinha o terço na mGo. - ViHe S. Jo!é e o Menmo 7 - Vi. - Onde os viste ? - Ao lado do sol. - O Menino t~tava ao collo de S José ou ao lado d'elle ? - Estava ao lac.lo d'el·

le.

-

O Menino era grande ou pequeno ,

- Era requenino. -

Era do tamanho da Deolinda do José II eia. - Como tinhe a S1.nliorn 11s mùos ? - T1nh1 as n ios po~tas. - V1ste-1 $O ne carrasqueira ou tambem ao pé do sol ? - Vi-A tamb<m ao ré do sol. - Qual era miu, clero e brilh11nte: o sol ou o 1osto da Su,hc.ra ? - O ro:-to ila Senhora era mais clero; a Senhora era branca, - Ouviste o que a Senhora disse ?

du l'ìevei-7 - Eru a~sim bcm como

Voz da Fatima - Niio ouvi nada do que a senhora disse - Quem te disse o segredo ? Foia Se• nbora 7 - Niio foi; foi a Lucia. - Podes dize-lo ? - Nlio o digo. . - Nii~ o dizes porque tens medo da Lu• eia; rece1as que ella te bata, niio é verdade 7 - Nlio. - Entiio porque o nao dizes ? Porque 6 peccado ? - Se calhar, é pecado dizer o segredo. -O segredo é para bem da tua alma, da alma da Lucia e da Jacinta ? - E'. -E' para bem da alma do Sr. Prior ? -Niio sei. -O povo fìcava triste se o soubesse ? -Fica va. -De que lado veiu a Senhora ? -Veiu da banda do nascente. -E quando desapareceu, foi para o mesmo lado ? - Foi tambem para o nascente. -la recuando? - la com as costas voltadas para n6s. - la devagar ou depressa ? - la devagar. - Ella camlnhava corno n6s ? - Niio caminhava; ia certinhn 1 neo mexia os pé1. - Que parte da Senhora desapareceu primeiro ? - Foi a cabeça. - Agora viste-la tiio bem como daa outras vezes 7 - Agora vi A melbor que o mes ruissado. - Quando era mais bonita, agora ou das outras vezes 7 - Tao bonita agora corno o mes passado.

V.deM,

Voz. da Fatiina Deapezas (abril e maio) Transporte • • • • • • 13.563:520 lmpressao (.pooo exemplares). • • , • • • • 805:000 Transporte de jornais, expediçao, etc. • • . • • 303:000 Somma

• • • • 14.671:520

Subscrip9ilo (Continuaçao) Antonio Ignacio Vicente •• 15Sooo Joao Pinto Caldeira ..••.• 10Sooo Marques de Rio Maior ••• 10Sooo D. Anna Nobre Costa da Sii va t 2, • vez) • • • • • 5$000 D. Maria Emilia Branco de Mello . • . • • • • • 10$ooo D. Guilhermina Amalia Alvarcs Fortuna • • • • • 10Sooo D. Maria Apolinaria Godinho (2. 0 anno) • • • • • 10$000 Antonio Fragoso (2.0 anno) 108000 Maria Augusta Fernandes (3 .• vez) • . • • • • • 7$500 De jornafs (D. Maria das Dores} • . • • • • • • 116$500 Donativos de duas pessoas curadas, de Pardl!lhas • • 21S500 Percentsgem em livros, es,tampas, terços (D. Maria das DOres) • • • • • 118$ooo D. Anna Aguas de Figueiredo Mascarenhas , • • 10$000 , Antonio Aguas Vaz de Mascarcnhas • • • • • • • 10$ooo D. Maria Rosa Magro (4 asignaturas) • • • • • • • D. Alexandrina Martins Aleixo . • . . . • • • • • 10Sooo D. Anna Gonçalves. . • • 10$000 De jornaes (Joséfa de Jesus) 28$500 D. Fernanda Adelaide de B, ito. • • • • • • • • 10$000 D. litichaela Caroço. • • • 10Sooo P.• Manuel Dias Mattos Lage . . • • • • . . • • roSooo D. Felismina Nogueira Freire . • . . • • . • • • 10Sooo Antonio Cunha Junior • • 10$000

D. Judith Gama • • • • • D. Eugenia Marques e outras ( Lisboa) • • • • • • D. Laura Pereira. • • • • Donativo5 varios (D. Maria dos Anjos Matos). • • • Adelaide de Jesus da Cunha Maria Lui3a do Cura . • • Alzira dos Anjos Rebello Sebolao (2, 0 anno) • • • D. Maria dos Anjos de Mattos (2.0 am10). • • • • • De jornaes (D. M. da C. Alcantara Matheus). • • • D. Eufemia de Sousa Soares D. Maria Isabel Henriques • D. Maria Julia de Sousa. • D. Marianna de Queiroz Athayde de Vasconcel• los (2. 0 anno) • • • • • D. Anna de Figueiredo e Sa D. Clara Maria Ribeiro Teles (2.0 anno) • • • • • D. Adelina Almeida. • • • O. Ignacia Soares Gome5 • D. Maria da Graça d'Abreu Fonseca • • • • • • • O. Ma ria Filomena Moraes de Miranda (3.0 anno). • D. Ermelinda da R. de Miranda • • • • • • • • P.e Miguel R. de Miranda • D. Emma Cordeiro Maças • Alfredo Vieira Guedes de Almeida • • • • • • • D. Alzira Ramos Simoes • <..:ondessa de Saphyra • • • D. Candida Amara! • • • De jornaes (Carrascos). • • D. Maria da Esperança Neves • • • • • • • • • D. Maria Ferreira Duarte • D. Emerenciana Gal vao • • Donativos de Lisboa (D. Maria M. Pedrosa) • • • • D. Herminia Vasco da Costa D. Anna Guedes • • • • • D. Maria Guilhermina San• guinetti. • • • , • • • D. Laura Forte Barros • • P.e Joao Nunes d'Oliveira e

15$000 32$500

10$000 100$000 10$000 10Sooo 10$000 10$000 1 7S35o

10Suoo 10Sooo

10Sooo 10Sooo JO$ooo

10Sooo 10Sooo 10Sooo 1 2$500

15Sooo 10$000

10$000 1:,Sooo

10Sooo 12Sooo

10$000 10$000 20$000 10$000

10Sooo 10$000

10$500 10$000

10$000 10$000 108000

Sousa. . . • • . . • • 10Sooo P.e Joaquim Duarte Alexandre • • . • • • • •

10$000

P.e Horacio Fernandes Biu (2.0 anno). • • • • • • 10Sooo Joao Maria do Vale e Sousa de Menezes Mexia • • • 10Sooo D. Emilia de Jesus Oliveira 10Sooo D. Amelia Fiuza • • • • • 10$000 Joao Rodrigucs Coelho dos Reis • • • • • • • • • 45Sooo , D. Albertioa Cunha. • • • 10$000 Joaquim Maria Soeiro de Brito. • • • • • . • • 10Sooo D. Olimpia Cunha Patricio e D. Maria Rosa Patricio 10$000 D. Estrela Vassalo de Mira 108000

VOZ

DA

FATIMA

Eate jornalzinho, q u e _vae aendo tao querido e procurado, é dìatribuido gratuitamente em'Fétima noa di•• 13 da oada m6a. Quam qulzer ter o di• reito de o reoebar dire• ctamanta pelo e or r a I o, tera da anvlar, adeant•damente, o minimo de dez mii réla.


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de JuJho de 1.0.Q4-

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(OOM APROVAç.A.O EOLESIASTICA)

Composto o Impresso na Imprensa Comerclal.

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REDACç.f o ! ADM1NlSTRAç19

BU'A. D. N-ONO .ALVABES PE::REXR.A (BEATO NUNO n• SAl'ITA JIL\MA)

Leiria

Ap6s a Santa Missa, celebrada na Copelinha pelo Sr. Dr. Form/g(Jo, no dia 14 de Junho, ultimo, o Sr. Bispo de Le/ria fundou a Associaç(Jo Serrvos de ~ossa Senhol'a do ~osai:rio da f=l!lti.. Jn&, dando-lhe as regras que os h(Jo dirigir e recebendo o juramen~o, que lhe prestaram s"bre os Santos Evangelhos, da sua obserr11ancta. Fai nomeado Cape/(Jo-director o Rev. Dr. Manoe/ Marques dos Santos.

'

Regr~ a seguir pelos «Servos de Nossa Senhora do Rosario da Fatima• CAPITULO I Fim. 0

ART. 1• - Os Servos de Nossa Senhora do Rosario da F~tima for• mam uma pledosa Assoclaçao de carldade, cujo fim prlncipal é auxiliar os doentes e peregrinos. ART. 2.0 - Prestarao a todos, mas especialmente aos pobres, os cuidades esplrituaes e materlaes que a sua prudencla lhes ditar, orando pela conversAo dos pecadores e alivio dos doentes e procurando, durante aspe. regrinaçOes e actos do culto se ob1erve a maxlma ordem e respeUo. 0 1 ART. 3. Trabalhando a favor do proxlmo, procurarao santificar-se a si mesmos e dar o bom exemplo de uma vlda Integralmente christa. § UNIC0-Os servos de Maria teem uma participaçao muito especlal nas oNra~Oea e sacrificios dos devotos de ossa Senhora do Rosario da F.itl-

ma.

ART. 4.o - Mulheres chrhdb, sob

0 tltulo de

Servaa da Nossa Senhora

do Rosario da Fatima, formarao uma Associaçao analoga. CAPITOLO Il

pelos s6cios activos, com aprovaçlo do Prelado. § UN1co-As reuniOes da Dlrecçlo slo menaaes e extraordlnariamente quando o Rev. CapeUlo-director houver por necessario convoca-las. CAPITOLO lii .

Doe sooios ART. 7. - Sao S6clos activos os 0

a

que fOrem nomeados data da fundaçlio e os que posteriormente fOrem admitldos pela Direcçlio, com aprovaçllo do Prelado. Sao S6clos auxiliares os que fazem tirocinio para s6clos activos. Slo S6clos honorarios os que por serviços P.restados ou doaçOes generosas fOrem julgados dignos de perteocer a esta classe.

CAP.ITULO IV Daa oorigaç,oes ART. 8.0 -Cada um dos Servos

~RT. 5.0 - Esta AssociaçDo é diri· glda na parte esplritual por um Sac1erdote expressamente nomeado peo Prelado diocesano. t Atn. 6.0 -A Direcçao temporal es4 a cargo de 3 membros-Presidente, Secretario e Tesoureiro, - eleitos

de

Nossa Senhora do Rosario da Fatima compromete-se : a) a observar os Regulamentos e fazer o serviço que lhes fOr marcado por ocaslao das peregrinaçOes; b) a recltar diariamente uma dezena do Rosario, pelo menos; e) a dedicar- se ao serviço dos doentes e peregrinos, procuranèlo imitar S. Jofto de Oeus e o Beato Nuno de Santa Maria, aquelle 1a caridade ardente, e&te na devoçiio a Nossa Senhora e amor Patria.

a

Da: 1'>irecç,iio 1

-

A.dm1nl•i:rador» PADRE M. PEREIRA DA SILVA

Dlrecréor. Proprietario e Editor

DOUTOR MANUEL MARQUES DOS SANTOS

Aprovamos estas Regras e rtcomendamos ds oraçoes dos devotos de Nossa Senhora do Rosario da Fatima esta obra e cada um dos seus membros. Leiria, 13 de /unilo de 1924.

t

jOSÉ, 8ISPO DE LEIRIA

~ECOffiEND/ìçF\O DO

Ex.mo e Reu.m Sr. B15PO DE IaEIRIR 0

f\05 PE~EGRINOS As peregrinaçOes a Nossa Senbora do Rosario da Fatima devem conservar o seu caracter primitivo de pledade, penitencia e caridade. Vae-se F4tima para orar, fazer mortificaçOes e pedir 4 Virgem Santissima a saude espiritual e fisica de doentes de alma e corpo que aH ac6dem i:fe cada vez em maior numero ·a Implorar Aquela que é a

a

- Salvaç6() dos e11/ermo$. Sempre, mas especlalmente pele camlnho e na Covafda lria, os peregrlnos devem ajudar-se mutuamente, orar uns pelos outros e conaervarem· se com o maxlmo reapeito e recolhlmento durante os actoa rellgiosos. Os doentes, sejam ricos ou pobres, teem sempre o prlmelro logar. Abrese alas 4 sua passagem e ajudam-ae sempre qae aeja preciso. Oa peregr1noa devem obedècer lnaicaçOea <Jos Servos <le Nossa Senhora do Rosario da FAU,ma - afim de tudo correr em ordem. J A desordem desagrada a Deus. , cPazei tudo com honestldade e com ordem, recomenda S. Paulo (1 Cor.

=

u

XIV, 40). Havendo ordem, . enibera sei'!m muitos, todos sao servldos: o pouco chega para todos. Nlio bavendo ordem, o multo nao chega a nada. VMe corno isto se verifica nas familias e na socledade. Por Isso, Nosso Senbor, quando no deserto deu de corner a ~Uhares de pessOas, multiplicand& os plles e os peixes, começou por marcar a cada um o seu logar. (Mare. VI, 40) E' esta ordem alia'1a -1 pledade, penltencla e carldade que desejo ver observada s.empre pelos peregrlnos. A's suas oraçOes e b~as obras recomendo as necessidades da Santa Igreja, do nosso Portugal, e dos Servos de Nossa Senhora do Rosario da Fatima, cujos trabalhos a prestar e de~licaçao, desde jéi agradeço.

t

Josi, Bispo d1 L1lria

N

\


Voz da Fé.tlma

13 de ~unho

de 1924

...

Para que no recinto da Cova da lria, onde se venéta Nossa Senhora

da Eattma, haja a maior ordem e respeito, o que nem sempre ae tem ot,;. servado por ocaslào dBS peregrina-

çoes passadas, resolveu a Associa• çao dos Senos clt 'Nossa Stnhora d1 Rosari(},da ffdtima, recentemente organisada, publicar as seguintes instruçOes provisorias que começam a vlgorar no Elia ~3 <Jo corrente:

ART. t.0 -Esta canonicamente lns1ituida a «A1sociaç4o dos Servo, de

Nnsa Stnhs[a do Rosario dts F4ti·

.. •


Voz da Fatima ma>, a quem cumpre manter dentro do locat pertencente ao Sanctuatlo a ordem e respelto devìdos. /\RT. 2.0 - Para o efeito do disposto no artigo ante.rior, os servos de Nossa Senhora do Rosario da Fa-

tt_ma adopfarao as medidas de polieia necessa:las, ~ fim de que o locai J)ertenèente ao Sanctuario seja exelusivamente destlnada aos peregrinos, sendo por isso expressamente

prohibida a entrada de vendedores,

quer fixos, quer ambulantes, bem corno a de anima-es, automoveis, car-

ros, etc. § UNJC0-Os servos de Nossa Senhora do Rosario, para o desempenho da sua missao, poderao agregar a si o numero de auxiliares que fo. rem necessarìos e usarào os seguintes distinctivos: os servos, umas correias; e os auxiH~res, urna braçadeira. 0 ART. 3. - : - Aos peregrlnos cumpre acatar rigorosamente as in'dicaçoes que lhes derem os servitas e seus auxiliates. A~T. 4.0 -As pessOas doentes qùe de'se1aten1 ter um Jogar especial junto do Sa'lltllarlo, devem declaral·o aos servitas ou seus auxiliare-s, que

estlio As etitradas do reclr1to a regu-

lar o serviço.

, Para a melhor utilisaagua da fonte, sera esta cec-

ART. 5.

çao da

0

-

cada por ~ordas com

urna

destinada

dUé.iS aberturas:

a entrada e putra a

saltida. Esras indicaçOes entrada e salitda . consiarào de taboletas colocadas 1unto iis aberturas feitas nas

cordas. O sen!iço junto da fonte sera regulado pelos servltas. ART. 6.0 - Oura·nte O& actos do CQlto e emq·uanto nao fOr cons.truldo ~~to altar, é expfessamente probi1 a a ~ntrada dentro da Capéla. !erminado o culto todòs os pere.:. trmos p6dem entrar na Capéla pela 0rd e.m que lhes fOc indicàda petos

servnas. 0 A~-r. 7- -Paraa entrada dos doenies e servifas, e para a administra-

~~ da Sagrada Comuntiao, oa pere• .grmos devem deixar um espaço livre em frehte da Capéla em f6rma de r1.1a. ' A~T. 8 °-As esmoJas s6 serao recebldas aos Jados e arectaguarda illa Capéla.

• ~ UNICO.- E'_~x.pressamente prolnb1do pedir estnolas e recébel-as f6ra do locai designa~p neste artigo -0eyençto 9s peregrinos ter todo ~ cu,dado COIJl os especul~dOrts que

aparecem nestas ocasioes. , ART. 9.0 - E' expressamente pro• ,tuo!d 0 aos mendigos pedlr esmola no iecinto da Cova da Iria.

..........---,----=--

Avtso importante relativo '

as

curas extraordinarias

Ped~-se as pessoas que tenhatn c~,nhec1~e~t$ de . curas extraordinanas, ~tnbu1das a ,ntercessao de Nossa Senhora de Fatima, 0 favor <Je envlarem os respectivos relatos ao administrador da e Voz da Fatima> revE. Man~el _PeJ1eira da Sii va, Camaira cctes,ast,ca, Leirìa. ,, I

A nturo de mera lnformaçffo e aem prejulzo do exame a que tenham de ser submetidas e da decisào da autoridade ecclesiastica, essas curas p6dem, com o consentimento das pessOas interessadas, ver a tuz , da publicidade na cVoz da Fatima• para a maior gloria de Deus e de sua

Mae, e para edificaçao das almas. As narrativas de curas devem dar a conhecer o me\hor p9ssivet: 1.0 - A pessi>a curada Dizer os seus nomes e sobrenomes, a sua edadet o logar dò seu nascimento, os seµs diversos domi- ' cilios e o seu domicilio actuat com

direcçao exacta e completa. ln<tlcar o seu caracfer, a sua condufa, a sua piedade, tudo o que nella p6de se-r motivo de edificaçao. Dar a conhecer a sua compleiçao a

e a $Ua saude no passado. ' 2. 0 - A doença Dizer o nome da doença, a sua natureza, as. suas caracteristicas; razer a historla succincta della. fornecer, se fOr possivel, os attes-

tados escriptos

dos médicos acerca

òa doença para a caractedsar bem 1 ou pelo menos refetir as 'suas -palavras, as suas opintoes sòbre a gravidade do mal, o& rernedios empregat.fos, a sua eficacia .ou a sua ineficacia. 3.0 - A cura I.. Descrever minuciosatnente as.-diversas circunstancj~s· da cura, Indicar os meios espìrituais empregados para a obter, 11raçOes, missas, novenas, agua da Fonte das Appariçoes; as disposiçoes da pessOa eoferma, a sua confiança ou os seus temores, o que sentlu no momentc, da cu'ra. Apresentar, se tOc possivel, os pareceres escriptos dos tnédicos sObre a cura, ou pelo menos as suas pala· vras, e, sen(lo tambem possjvet. o testemuaho do parocho, do confes .. sor ou de alguma outra pessOa séria e dlgna de crédito.

4.0 - As consequenciu Dlzer o estado actuat de saude qa pesiòa curada. Assignalar os efeitos que a graça obtida produziu na alma da pessOa previlegiada, na famiJia, na freguesi-a, no publico • •· B. - E' escusado dizer que, se nao houver possibiUdade de fornecer todas as informàçt}es acima pedidas, se devem ehviar aquellas q11e -se pt.tderem obter. · Pede·se egllàlmente o favor de communlcar ao referldo adminlsttador da .. Voz, da Fatima• as graças espirituais alcançadas, e em geral toàos os factos relatrvos a historia ou ao culto de Nossa Senhora de Flitinia.

Rev.1110 Sr. P.e Siiva J~ ha mais tempo devia ter escrlp· to a dar urna notlcia dever~s interessante. Um caso que se deu comigo e que

até chego a ter escrupulos de d~r

por nao me achar merecedora de tal. Tinba eu duas fertdas que n«• havla melo de cìcatrizarem com desinfectante nenhum, nem com aguas, nem com pos.

Um dia diz-me meu marido: porque nao poes agua de f'Atinta? Eu assim fiz, pondo um penso, pedfodo n6s ambos a Nossa Senhora a graça de. me melhorar, rnas quanto nà'.o foi o meu espanto no dia seguinte ao levantar o penso e ver que tln~a pel· le nova r Cùstava-me a crer, mas CO· 11!0 podia duvidar da realidade? Achava-me e acho-me tao \ndigna de tal gra~a t Emfim ja la v4o perto de 3 ' mezes e nunca mais abriu a ferida. Se (}Uizer publlcar na e Voz> para honra da SS. Virgem publique contanto que nào ponha ma1s que as injciais do meu nome, alias, viriam todos qu~ me ·conhecem perguntar pormenores e eu ficarla bastante afJicta. M. C.> ,Eu abaixo assinada, Agripina Moreira da Silva, residente na Estrada de Bemfica n.0 329, venho oem publicamente declarar que tenèlo ido a Fatima na peiegrinaçao de 13 de Outubro do mìdo ano de 1~23, para onde fui transporta<ia com o carido.so auxilio de pessOas da comitiva, fui ali milagrosamente cur;tdat dum tumOr que punha em risco ·à minba vida, tendo-me si.do aflrmada pelo u,mo Senhor Dr. Themudo, distinto médico-cirurgiào da localidade, que so sofrendo de ,pronto urna operaçao poderla talvez sobreviver. Assustadi,sima e cheia de fé na surprema bondade de Deus; apesar ' da fraqueza e ÀOS meus mioguado~ recursos resolvi logo ir a Fatima suplicar a Nossa SenhQra se compade· cesse de mim, e iuro pela salvaçilo da minha alma que, no locai durante o fervOr das òraçòes, comecei a sentir melhoras ao meu _solrimer1to, dandose o caso de rebentar esponta.neamente o perigos'issimo tumOr que tlnha no baixo ve1hre segulndo-se um grande alivio e cura corno que lnstantanea, oAo vòltando a ter mais padecimentos. . LisbGa, 13 de Malo de t 924 Aerlpina Moreira da Silva•

Pediram e ob1iveram gra-ças ~ue veem agradecer a Nos!a Senhora:

-D. Marta Magdalena da Luz c1~AR1orlnJ PessOa, de Pombal pela saude de u~ seu filhinbo e urna graça espiritual par'a um seu parente. -Maria Eugenia Romanà Baltazarf de 12 anos, da freguesia da Carvoeira (Torres Vedras) filha legitima de

Joaquim Maria Baltazar e Ouilher-

mina de Jesus Baftazar. Adoeceu etn dezembro de pn·eumonia tuberculosa (?) chegando o médlco Dr. Nuno, da ~ibalòeìra, a desenganar os paes. Ckegou a pesar 25 kllos e agora pesa 45. Fazendo uso da agua da F~tima re~uperou a sau:ie. - Maria i\ugusta LamarOa, da Murtosa (Rib~iro) que numa gran•e Nossa Senhora d•

adiçilo recurreu a

Rosario de .f;Hima, ·sendo attendlda

..


aem demora. Envla 10:000, para o atu culto. -Margarida Padeira, tambem da Murtoza (Ribeiro) recorreu a Nossa Senhora do Rosario de Fétima ohtendo a graça pedida. Envla 10:000 para as despezas do culto. . -Manoel Alberto da Silva Gravato, do Bunheiro, tendo um sofrlmento num pé, recorreu a Nossa Senhora do Rosario de Fétima, e logo sarou. Envia 5:000 para as despezas do culto. Maria Bispo, do Bunheiro, recorreu a Nossa Senhora do Rosario de f étlma e sendo ouvida envia 5:000 rels para despezas do culto.

Hnota de meio tostao Na verdade ja niio encontramoc; facilmente urna coisa que custe meio tostiio. Antigamente com um pataco tinha• se um pao e um pao que dan para uma familia intcira; agora com meio tostiio, por mais pequenino que seja nao se p6de comprar. Nem mesmo corno gorgeta, ninguem se atreve a dar meio tostao. O que seria a cara do chauffeur a quem metessem na mao meio tostiio ao apeiar-se do automovel? Mesmo um s1mples gar8to que nos tivesse feito o mais insignificante recado, sem repontar? A vida csta cara e o pobre meio tostao nao tem em que se empregue. Antigamente quando qualquer alma caridosa pensava em organisar um besar ou um recreatorio, por meio tostao, tres vintens, tinha trinta mil objectos escolha: brinquedos, lencinhos, l11pis, canetas, colheres ou gar• fos de estanho, tinteiros de vidro, etc. Hoje, vio la procura-los•••

a

Contudo, ainda ha um sitio onde a ~bre nota ·dc meio tostiio passa scm difficuldade e se offerece sem embaraço; sabem onde é? E' o saquinho da qu~te, o taboleiro ou caixa das almas. Sim, senhorcs, essa quantia, tao pequenina, que, &6 com eia, nao se compra coisa nenhumo, encontra nos peditorios o seu supremo refugio. Aquilo que nao ha coragem de dar a ninguem, offerece-se a Deus ! ... E Deus cala-se e aceita .•• O dispensador de todos os ben~, o Creador do Ceu e da terra, o artista que cinzelou as flores, Aquellc que, alem do unico leproso agradecido procurava os outro nove, Aquelle que contra J udas defcndeu a santa extravagancia do perfume precioso da Magdalena, Esse aceita aquila de que ninguem faz caso, acceita a nota de meio tostao amarfanhada e suja, que nao ba coragem de offerecer a • I nmguem .••. Nunca ttrao pensado n'isto aquellas pcss6as que, no saco elegante, / com os dcdo~ chc:ios de anneis, viio procurar a nota pequcnina que coitada - corno se tivesse comciencia da sua indignidadc, se esconde e se some dcbaixo de todas as ounas parecendo dizer: .r-;ao, nao sou digna dc ser (jflerecida a Deus ! ... .Mas, baldados esforços; os dedos te•

nazes acabam ~r descobri-la e li vae cahir no saquinho vermellio ••• E a pessoa fica contente: Para Deus? Ahi esta •.•

Ao aprbximar-se a Quaresma, erh que cada freguesia ter:1 a lutar com mii dificuldades, pensae um pouco no valor da nota di! meio tostao, na sua inefficacia e na sua impotencia. Pobre peditorio do domingo, braço estendido dc Christo para sustentar o decaro da Sua Egreja e todas as obras que d'ella depcndem, corno devias ser carinhosamentc attendido por todos os coraçocs christaosJ ••• Tu és a nossa primeira divida, a divida sagrada. Tu és o gesto em favor do altar ••• pro aris, que os nossos paes faziam passar antes do lar ••. pro aris et focls ••• Tu és o pao de cada dia e tambem o indicador da piedade d'urna parochla. Os enterros e os baptisados nlio dependem de ninguem; o peditorio depende de toda a gente! Tu és o esforço regular e constante qu.e indica numa parochia o am5r a v1da sobrenatural e o desejo que ella se expanda. Felizes as familias christas que comprehendem esta evidente verdade na qual localmente é melindroso talar. Felizes as familias -0nde o pae, a mae, os filhos sao, e dao com a cons• ciencia do va lor do seu gesto! Um grao d'areia ••• urna gotta d'agua nao sao nada, mas o conjunto de graos d'areia, o conjunto de gottas d'agua forma as duas maiores potencias do universo: o oceano e o deserto. Concluindo; A nota de meio tostlio nlio va le. • • dnco rc!is. Perante Deus, quando este melo tostao é o esforço do pobre ou o obu• lo da viuva, resplandecc como uma peça d'um valor inestimavel. Mas quando é a infinita migalha d'um lauto banquete, oh! entao, conslderae e nao o ponhaes isolado na mlio esten• dida do ministro de Deus. Aquele que creou todas as delicadezas do am&r, possue-as n'um grau infinito. ., Aqueles que tendes no Ceu, e a quem, talvez, deveis a vossa fortun•, veem o vosso gesto, que s6 lhes ~era agradat se for um gesto de ,usti. ça. E depois, elles que ja sabem o valor das verdades eternas, deccrto pensario na phrase divina: Eadtm men·

lllra. · . a mesma medida.

.

Trad, do M. B.

PlERRE L'fRMITE

VOZ DA FATIMA Eete Jo•n•lzlnho 1 q u e va• eendo tilo quePido· e PPOOUPado, é diatPibuldo gratuitamente em Fatima noa di•• 13 de oada m6a. Ouem quizeP teP o di• reito de o Peoeber dlreotamente pelo o o rPe I o 1 tera da enviar1 adeantade mente1 d ml.nlmo de dez mli réi11 •

Voz da Fatima Deape••• Trans~rte. . • Tipograha (17:000 plares) . • • • Despezas varias •

• . • 14:671$52• excm• • • 390Sooo 85$000 • . •

Somma. • • • . 15:146$520

SubacripqAo (Continuaçao) D. Emilia Gomcs de Almeida • • • . . . • • • • P.e Manuel Vieira dos San• tos. • • • • • • • • • D. Maria José Lei te (2.0 ano) Ventura José de Campos (2.0 anno). • . • . • • Leonardo Fernandes Sardo (2.0 ano) . . • • • . • D. Albertina Tota • • • • D. Beatriz Barros Dunrte Ferreira • . . • • • • D. Josefa de Sousa Serras Conceiçiio. • • • , • • Joaquim Maria Baltazar • • Antonio dos Reis Maia . . Donativos (M. Lucio d'Andrade) • • • • • • • • D. Taphnes Roxanes de Carvalho • • • • • • • D. Maria da Concciçiio Mendes Godinho • • • • • D. Maria Delfina Assalino Rica • • • • • • • . • D. Dionisia da Conceiçao Ramiro. • • • • . • • Antonio Proença Viegas. • D. Maria José Videira Godinho • • • • . • • • • José Francisco Teixeira • • De jornaes (Ericcira) , • • Joaquim Augusto de La•

10Sooo

cerda. • • • • • • • •

10Sooo

10$000 10Sooo 10Sooo

10Sooo 10$ooo

10Sooo 10Sooo 10$000 10Sooo

20$000

10$6100

IOSooo 10Sooo 10Sooo 10Sooo

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D. Rosa Olindà da Silveira. 10Sooo D. Maria José Ramos • • • 10Sooo D. Perpetua Pereira de Car-

valho • • • • • • • • D. Emilia Machado. • • • P.e Sabino Peulino Pereira O. Maria José da Silva • • D. Herminia Caiheiros Sii va Joa~uim A. Leite Ferreira P1nto Basto . . • • • • D. Ludovina Nevcs • • • • D. Maria Clemente Alvcs · Pinto • • • • • • • • ' D. Maria Eduarda de Lopes Praça Cunhal • • • • • P.• Candido de Sousa Maia ( 2.• anno). • • • • • • D. Adelaide de Sousa CHam·

10$000

rotooo 10Sooo 10Sooo 10Sooo 10$ood

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bers • • • • • • • • • 10Sooo D. Judith dos Anjos . • • 10Sooo D. Maria Paes Moreira (z.oanno) • • - • • • • •

toSooo

O. Maria Magdalena (ignoram-se apelidos e morada D. Leocadina Hcnriqucs (z,0

10Sooo

anno). • • • • • • • .~ 10Sooo Donativos varios (Francisca Fitipaldi) • • • • . • . Manuel Ribau Novo • • • . • José Ribau Novo. . Antonio Rodrigues Vieira . D. Celestina d'Almeitfa e Sii va • • • • • • • •

35Sooo 20$000

10Sooò 10$000 10Sooo

NOT A-Feltam aioda cerca de 160 sub, .. criptores cujos nomes irao apparecendo no, sea~intes mezes, conforme o espaço o permrtìr.

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Ano II

-.

--=-=:=.:=-=,__, ______ _ (COM

Composto e impresso na Jmprensa Comercial, 4

s, -

I.eiria

BUA. D.

13 de Julho O dia 13 de Julho · ocorreu este anno num Domingo. Esta circunstancla fazia justamente esperar que nesse dia a concorrencla de fieis ao locai das apparlçoes excedes~e imenso a do mesmo dia nos outros méses ordinarios. E, com effeito, desde a vespera que innumeros peregrinos atravessavam as povoac;oes circunvlzinhas em dlrecçao a Fatima. Chegjmos é lgreja parochial desta freguesla proximo das 9 horas. Vma lllullldao de deze,ias de milhares de pessOas, em que predominava o elemento popular, comprlmia - se em 1rente e dos tados da capéla comemoratlva das appariçoes, assistindo com recolhlmento e devoçAo as mlsaas que os sacerdotes, préviamente inscrlptos, lam celebrando uns ap6& outros. Um numeroso grupo de servos de Nossa ~enhora do Rosario, composto de elementos de Leiria e Torres Novas, exerce proficlentemente o serviço ~rdem, pela prlmeira vez depoia da fundaçAo da respectlva assoclaçao, lnaugurada por Sua Excelencia Reverendissima o Senhor Bispo de Leiria no dla 14 de Junho ultimo no proprio locai das appariç6es. A' semeJhança dos bra11.UJrditrs, que em Lourdes desempenham as mesmas funçOes, os servitas, corno vulgarmente s!o chamados oa lllembros daquela benemerita inatituiçAo, auxiliam caritativamente os doentes e peregrinos, prestando a todos, sobretudo aos pobres, os cutdados esplrituals e materials que a sua prudencia lhes ditar, orando pe1~ conversAo dos peccadores e alliv10 dos enfermos e procurando, durante as peregrinaçOes e actos do culto, se observe a maxima ordem e respeito. As missas sucedem, se interruptamente umas és outras no alter exterlor da capélla das appariçoes, e a Sagrada Commu11hao é distribuida em ~ada ruissa por um sacerdote revestido de sobrepeliz e estola. Ce11te11as e centenas de pessOas, de todas as idades e classes sociaes, approximam-se devotamente da me-

ma enlevando· a e enchendo· a de um~ paz e consolaçAo ineffaveis. Aquelles que i' gosaram a dita de visitar os sanctuarios de Lourdes, teem a lmpress11o de que te ac~am transportados por momentos c,dade privilegiada da Virgem lmmaculada, asslstlndo a urna missa na gruta de Massabielle ou presenceando o espectacul~ emocionant~ ~as grandiosas procissOes euchanshcas. Cantado o 1antum ergo e dada a bençao com o Santissimo Sacramento multldào e a cada um dos enfermos presentes, sobe ao pulpito o rev. Parocho do RegueAgo do Féta,lt que falla durante cérca de vlote nu• nutos sObre a devoçlio 4 Vlrgem Santissima. Oistribuiu-se gratuitamente pelos flels o numero 22 do mensarlo e Voz da Fatima,. Este numero, além da narraçlo de varlas curas extraordlnarlas e outras intercessAo de Nossa atribuidas Senhora de Fatima, e da publicaçAo das regras a seguir pelos •Servos de Nossa Senhara do Roaario», lnsere duas locaea que merecem a attençlo particular de todos oa peregrio08, urna contendo as iostrucç6es que devem ser observadaa ~r ocaalA_o das peregrinaçOes e a outra um av1so importante relativo curas extraordinarlas. ]unto da fonte, os fieia, em grande numero, fazem a sua provisao de agua, que corre limpida e aàundaate por qulnze tornelras. O servlço de abastecimento é regulado pelos stnitas e seus auxlliares, com urna paciencia e dedlcaçl\o superlores a todo o elogio. Eram quatro horas quando o grosso da multidào começou a debandaf, ficando por firu apenas alguns pequenos grupos de peregrinos resando as suas oraçOes junto da capélla commemorativa dos acontecimentos maravilhosos. Pess6as entendidas avallaval;.ll em ~0:000 0 numero de pereg!inos que neste dia acorrerarn Fatima, mas, corno qucr que seja, o certo è que esse numero uao era inferior ao dos percgrinos do dia 13 do mes precedeute, conuuem or.alivo do glorìoso thaumatur~o portuguès Santo Antonio àe LisbOa. • V. de M.

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1

A menioa Maria Terua Martlos d'Abrcu F"nseca, dc 5 annos dc e<lade. de Cabeçudos, (Vila Nova de Famaliclio), curada, alguns mèses de pois da sua 1,• Co~ munhlio, quasi repentinamente, por Nossa Senhora da F4tima, de <loença grave. (Vo; da Fatima de abril do corrente anno)

sa eucharistica, tendo-se preparado para receber o Pao dos Anjos oom uma conflssao fetta de vespera nas suas terras. Ao, meio dia solar principia a ultima missa. Ao mesmo tempo, d? alto do pulpito, o rev. capelao: director dos senltas recita em vnz alta o Credo em portugues, sendo acompanhado nessa recltaçao por todo o povo. Seguem-se o terço, as invocaçOes de Lourdes, o Bemdito e as t,raçOes finaes. . A ordem o respeito, o silencI0 e o recelhlm~nto sao admiraveis. Parece que se respira um ambiente impregnado de sobrenatural. Sentese o que quer que seja que n!io é deste mundo e qae nos invade a al-

as

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.

I:

Hs cnras da ~atlma Ex.1110

Senhor

a

devia fazer a operaç:Io, e 1 hora fudo estava termlnado, tendo a operaçAo corrido o melhor posslvel. A creancinha salvou-se, bem corno sua mA~ mostrando a Virgem ss.ma mais urna vez que nAo é em vao que as suas filhas recorrem a Ella no melo das suas affliçOes. A segunda graça ootitla por intermedio da Virgem do RosArio de Fatima foi logo ap6z a minha sahida do hospital. Tinha o rneu fllhinho 17 dias quando, um dia de rnanM, lhe appareceram os primelros symptOmas de urna lnterite. Fiquei afflictissima por no Porto o médlco, ao dar- me os seus con• selhos sObre a amamentaçao da creança, me ter prevenldo de que attendendo a que o pequenino era de 7 rnezes e fraguinho, requeria cui;jados muito especiais para• assiro se evitarem incommodos intesllvais, a ~u era impossivel resistir, devldo as condiçoes em que tinha nascido. Mandou· se immediatamente chamar u_m médico que veio ver a creancinha e , prescrever o tratamento <fue se devia seguir. lnfelizmente a interite nào cedia aos medicamentos, e o pequenino ìa perdendo as poucas forças que tinha. O seu soff rimento era horroroso, e muitas noutes passamos, minha irmil e eu, a passear o nosso anjinho, para assim lhe minorarmos urn pouco o seu tao grande soffrer t Um dia em q.ue todos os meus procuravam preparar-me para o desenlace que esperavam se ctésse a cada momento, fui com o meu filhinho nos braços lançar-me aos pés da Virgem, pedir- Lhe que tivesse d6 de urna mae afflicta e lhe salvasse o seu filho extremecldo. Princlpiei entào urna novena a Vlrgem de Fatima e prometti levar o meu pequenino C6va da Irla quando elle, jA andasse. No segundo dia da nossa novena a creança apparece multo mais socegada, estando quasi sempre a dormir. De tarde passando ao pé de nossa casa o médico que me tinha acompanhado ao Porto e assistido operaç!o (certamente levado alli por Deus), entrou no intuito de me dlzer que em querendo podla sem receio f azer a viagem para Villa Mendo. Ao vér porém o meu anjinho extremecido, ficou estupefacto vendo o seu estado melindrosissimo, dizendo que o. socego d'esse dia era devido creancinha nào ter ja forças para se queixar. N'esse mesmo dia se deu principio a novo tratameoto e eu redobrel de fervor pedindo Virgem ss.m• que do alto do Ceu lançasse os seus olhos miserlcordiosisslmos afflicta e concedesse para urna a saude ao seu filhlnbo I No ultimo dia da novena (satiado) a creança tem umas ligelras meJhoras, mas a Virgem do Rosario guardava para o seu dia a prova evidente de que n!o é em vao que os seus filbos recorrem a Ella no melo das suas 'affliçoes. No dia 15 de Agosto terminava a nossa novena. De manbà cMo foi rainha irma a Missa, a fim de ElevaçAo pedir so Nosso Bom Deus. por intermedio de sua MAe SS.111•, as melhoràs do nosso tao querido doentinho. Eu apenas a pude acompanhar em espirite, porque o meu 1wgar

a

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mae

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era junto do filhlnho extremecldo a prodl~allsar-lhe todos os cuidados e carinhos que requeria o seu estado tio melindroso ! No entanto as minha~ ,bem humildes préces a todo o Instante subiam até ao throno do Al• tissimo, nos nao abandonasse. N'esse dia aggravaram-se os padecimentos do nesso anjinho, tendo até as 2 horas da tarde urna soltura verde quasi constante, mas . a nossa confiança na Virgem nAo afrouxou, e Ella quiz recompensal-a concedendo-nos agraça que Lhe era pedida com tanta fét N'esse mesmo dia tarde a soltura parou repentinamente, commeçando entAo as melhoras do nosso pequenino. Passados 7 dias o médico, que com tanto interesse e dedicac;ào tinha tratado o meu filhinho, auclorisou a -a vìagem para Villa Mendo, para onde viemos todos, e onde o pequeni~ se via desenvotver de dia para dia, estando hoje urna creança forte e cheia de vi;ia. 0s seus paet inhos e tia, aguardam o final da crise da dentiçào do seu anjlnho para com elle irem Cova da lria cumprìr a prnmessa feita em rnomentos de tanta anf.?u~tia, e aeradecer Virgt-m do Rosé\rio de Fatima a sua protecçào, e pedirmos~ l.!:he nos conserve a vida do nossò querido pequenino e noi-o deixe crear para o ceu.

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Maria do P. de Oouvéa Osorio MlUo Villa Mendo 22/6 924 \

Ex.mo Rev.mo Sr. Venho agradecer a V. Rev.rna as lnformaçOes que na sua carta de no• ve do corrente me aa, em resposta ao meu pedldo. ; lnfelìzmente um contratempo que surgiu ultima hora impediu-o tte tom--ar p-arte na peregrlnaçao de hoje. Viu-se forçado (o meu filho) a deixar :ipara o proximo més ou o seguinte. Isso depende das férias que o patrio lhe dér (ele esta , empr~o numa caia ingleza), a tda Fàtima. E JA agora permita-me V. Rev.m• que lhe conte o que motiva esta romarla. ll Em 0utut>ro do ano passado meu filho Ju.Jio (tal é o seu nome) que ja andava doente ha muito, peorou consideraveJtt1ente , apresentou sintomas gr~vissimas : acresclmos febris 4 tarde, tosse, magr~sà excessiva, escarros sanguineos. Consultado o es- peclallsta Or. Nery d'Oliveira, diagnostlcou tuberculose pulmooar <ie progressao ,raplda e aconselhou a retlrada Ymtdiata para o sanatorio da 1 0uarda. Mas essa medida nAo era praticavel, nAo s6 pela relutancia do doente, corno pelo preço excessivo que nos pediam, s6 acessivel aos novos ric0s. . Passados dias, em seguida A nova consulta, o médico disse ao irmno 1 do doente: - O pulm~o entrou em fus~o. Deve ter logo urna grande hemoptise e • •• isto é quest3o de quinze dias. Se ele tiver a hemoptise, chamem~me. Quando o irmfio me transmitiu o prognostico do médiiO, vl que da

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a


~oz da Ra.timo aenhora e a aubscrlpçllo aberta ~ra o que eu fiz com muita devoçAo. A's sciencia huniana nada havia a espe~~fi~ h 9 horas voltou a pedir-me mais agua rar, tanto mais que Ja tintìa visto de Nossa Senhora e as duas horas ,morrer dois filhos da mesma doença. Anonima ••••.• , • • • • • • • • • 200SQI da tarde do mesmo dia encontrel o · Entlio recorrl a Nossa Senhora de Prior do Arrabal. • • • • • • • • 20$00 FAtima, prometendo, se me salvasse meu filho sentado na cama. JulganSoma ••.••• ~20SOO o meu fil ho: do-o varlado vi que nlio tinha felire 0 alguma e nio mais voltou a tè-la, 1. - Rezar todos os dtas durante restabelecendo-se em poucos dlas. o més d'Outubro desse ano, o Rosario; . Outra graça que obtive da SS. 2.0 - Mandar celebrar urna missa, Virgem, foi que uma filhinha de 30 sendo possivel na capellnha de Fatimezes, Maria Alice de Menezes, tenTudo est4 pcrdido? ! do garrotilho, e eu sem conhecer a ~a ou na egrcja da freguezla, se no Na alma de Antonio trava-se uma doença a deixei adiantar a ponto de fim do mes ele estivesse curado, ou Iuta atroz. Ql1eria Mber tudo, mas pelo menos livre de perigo e em via estar desenganada por um distinto ao mesmo tempo tinha mèJo de sa· de cura. médico de Leiria. ber a vcrdade toda . Receioso, fobril, 0 3. - Ir em peregrlnac;lio a Fatima, Com multa fé que tenho em Noscom o.s olhos molhados de urna comsa Senhora da FAtima, dei-lhe duas 10U na impossibilidade de lr eu prom~o profunda, atreveu-se a interprio, fazer com que algum membro ' colherzinhas da sua agua, e a minha rogar: - Enta9, Doutor? .•. de minha famllla la fOsse, agradecer filha começou a tornar meihor resHavia n'aqudla in"\:errogaçao urna a Nossa Senhora, logo que ele esti., piraçio. anciedadc: tao dorida, que o m~dico "Yesse definitivamente curado. E puDevo muitos favores a medicina, emmudcceu. mas tambem a Nossa Senhora porblicar os factos na Voz da Pàtlma. Dcpois fita ndo bem nos scus os que é a Ella que· devo a mlnha vida 1s o passwa-se no dia 3. No dia 5, olqos do nçbre pac, interro8ou: fazia eu outro voto: o da entronizae dos meus filhos. Sente-se com forç.1 para sabcr toda a ç:io do S. Coraçao de Jesus em nosReixida, 8 de Abril de 1924. verdade, com coragem para afrontar sa casa, logo que o mèdico que o a doloroSJl rcalidade? Antonio deu Maria do Carmo M. da Cruz tinha visto, o desse por cutaflo da um salto. tuberculose. Sentiu que o coraçao llie parava, Obtiveram graças que veem agradeAo mesmo témpo em nossa casa e e, com a v9z cmbargada lançou-se <:er a N. Senhora clo Rosario: na ae um dos meus filhQs fazla-se nos braços do médico clamando: D. Ermelinda do Carmo, da llha urna novena a Nossa Senhora de Ob, sian! dig, -me tudo, tudo ! ••• Terceira, qùe em doença grave, reE6urdes, impetrando a sua intercesE soluçava. . correu a N. Senhora da F4timii coslio. Pois bem, continuou o médico; meçando logo a melhorar, achando• E finalmente pess0as da famtlia coraaem, meu amigo. Ac:ibou-se .a se agora curada. duma tpinha nora pecliam e obtiam minha mis..,io. A sciencia nada mais Urna Filha de Maria que tendo as oraçòes duma creatura de Traz• tem que fazer .. prometido urna novena de Terços a os-Moutes privilegiada com graças • Oh, a minha filha, a mi olia Nossa Senhora de Fatima, em sufra~ eucaristicas, que julgo singulares na 61ha ! querida gio da alma do purgatorio, por urna hlsto~ia da. E~reja, e ja hoje do coEu, quc nao tinha outra, vou pc:rsua irmli que se achav em p rl o nhec1mento, d1zem-rne, do Sr. Bispo del•a ! Minha filha, minha filha ! N> de Bragança. de vida, esta começou a melhorar lagrimas Jn$>lhé!vam-lhe as faccs, os depois do primeiro Terço, achandoPois bem I A hemoptise nlio se deu aoluços cstrangulav11.m-lhe n voz .•• e o pulm~o descongestiònou-se por se agora quasi curada. O médico, ao sair, dis..-;e ainda tal f6rma que o médico, ao ve-lo na . uma vez. mais : coragem, meu amigo, semana seguinte, nlio pode ocultar o coragcm. seu espanto. As melhoras f0ram-se acentuando e dois mèses depois o Por ordem de S."Ex.• Rev.'" o Sr. meu filho p6de retomar o rabalho inBispo de leiria, tmquanto se nilo terrompido. No més passado o médl• determillar o co11trario, so é permitico disse- !be que o achav~ curado do celebrar a Santa Missa no local do pulmlio. das ApariçiJes desde as nove horas Mais: ele sofria muito do estomaaté ao melo dia solar para que antes go e, depois que bebeu a agua de e depois os fieis tenham tempo para F4tim:it, que por interm~dio de V. cumprir as suas promessas. "Rev.m• lhe obtive, tem passado multo Os Rev. 05 ~acerdotes que ali desernelhor, tendo desapare<.ido as d0res iem celebr,,r devem inscrever-se preque o torturavam. ~tamente air12lndo·se ao Rt,. CapeEis os factos. E' um mllagre? Dr. Ma,uut Marques llio-director, Nilo me compete a mim o decididos Santos, Seminario de leirià. lo. Mas a gratid!o lmpòe.:me uma .certeza nzorat e o conseguinte cumprimento das prome,sas featas ...

H' ltora da morte ...

A

AVISQ .

,

-~--,.....,..._

J. O. A.•

Ex.mo Senhor Director da «Voz da Fatima•: Pe~o a V. Ex.a o favor de publicar no, s~u jornalzinho duas graças que receb1 da Sanflssima Virgem Nossa Senhora ao Ronrio. ' Teo do eu em Novembro ultimo U!fl filhil!ho de 6 annos, Cesar Antonio de Menezes, gravemente doente com uma pneumonia, chegando a ter 4Q graus de febre um dia ia 4 lioras\ da mafihà vi o :neu filho multo aflito, e nào me lembrando de lhe dar a agua milugrosa de Nossa Senhora da Fatima, com grande surpreza e comoçào slnto o meu filbo ài~r: MinHa màe reze que eu morro 1 dé-me agua da Senhora da Fatima t·

'

Duma senhora de França recebemos a segulnte carta: e Leio sempre com granèie interesse tudo o que se passa na F'é\tima e corno deve ser muito incomodo para os pobres doentes nao terem onde descançar, quando ali chegam, lembrei-me que era de grande urgencia construlr uina bariaca para os abrigar, ao menos da eh uva. P.ara este fim envio 200 escudos, esperaodo que outras almas caridosas tambem deem esmolas e breve se possa levar a efoito este projecto. >

.

.....

.. . . . . . '

Ahi fica a ideia generosa desfa


Voz da Fatima der-me no p6 do sepulchro? Nao ba aatla para além da morte? .•• Nio serei nada, nada daqui a instantes? •• Oh papa, diga-me_ tudo, tudo o que •ente, a verdade, papa. A voz da donzela animava-se. Os olhos tomavam um brilho estranho. Na alma abrira-se-lhe um combate violento.

•••

,

Izabel, alma florida de virtudes naturaes, tivera urna santa mae. Levou-lh'a Dcus quando a sua pequenina alma começna a abrir-se para as verdades etecnas. Foi sobre os joelhos de sua saudosa mae que ~Ila ouvira, ·no alvo.recer dos 7 annos 1nnocentes, os ensmamentos da Fé. O pae procurou spagar as frouxas lu~c~ da Verdade cristi que a mae, sohc1ta., acendera na alma candida da filhinha querida. Fai para eia, o anjo do seu lar, o seu ultimo afecto, a sua ultima sau• dade. Na agonia, quiz ainda com os Jabios frf~s, beijar a. fil ha, cujo futuro lhe anuv1ava de trrstezas os dias da vida. 0s ensinamentos e a vida de Antonio 6zeram de Izabel urna in· cr-edula. A sua juventade desabro. chou e fioriu longe dc Deus. Nao conhecera nunca as doçuras da comunbao ..• Nos seus labios niio florira ha~nos, o sorriso da oraçao. A' missa fora um dia para assistir ao casamento de urna amìga. A Iuta, a convulsa.o que Antonio advinhava na alma da filha adorada, era obra sua. P~raote as perguntas da tìlha, teve nojo de si me-,mo. Viu-se um carras~o de quem tanto amava. E uma convulsa.o ingente e d~lorosa lhe-abaIou a alma. As t,gri~as escaldavamlhe as faces e o coraçao parecia estalar-lhe dentro do peito.

•Dilla-me a 'ltrdade .•• nluJ sel'ti nada. nada • • • A verdQIÙ pa•

terioso, profu ndo, voltou a encher o quarto de., doente •.•

•••

_N•aquela tarde, a bora bemdita das trlndades, o paroco entrava no redo• to que fora testemunha muda de tao dolorosas comoçoes. Na freguesia cor• reu breve um rumor de alegria e alvoroço. N~ manh~ seguinte os sinos da pa· rochta tang1am dolentemente a sua toada triste, chamando os fieis ao Se- · n~or fora ... ~a casa de Antonio, ha• via afguma co1sa nova. . Urna luz viva a inundava. Emquanto ca fora o povo de joelhos cantava comovido o Bemdlto, la dentro Jesus entrava na alma de Izabel e de seu pae, para as encher dos dons celestes _de suas graças ••• ·No dia seguinte a alma de Izabel, consolad~ da paz. de Deus, beijando nurn ultimo sorriso de gratidao a imagem de Jesus, voava para o Ceu, fazer companhia a alma querida da mae, que a nio abandonava nuoca. E, quando o parocho vieta confortar a alma dorida de Antonio este, tomando entre as suas as maos do sacerdote, poude clizer-lru:, soluçando: a descrença, meu padre, pode ser comoda para a vida, mas é a suprema desgraça para a hora da morte, Aju• de-me a sua oraçao para que eu possa morrer como lzabeL

Voz da Fatima Deapezae Transporte • • • • • 15:146$520 Im pressao do n.0 2-2 7500 exemplares) • • 350Sooo utras despezas (clichés, transporte, etc.). • • • • 650S200

8

Somma. • •

16:146$7~

pd .••• Estas palavr~ vibraram-lhe a1ora no coraçao como cWcotadas d aço. • • Era tJm espectro medonho,

Sab•a•lp9Ao

perséguidor ••• A sua obra d'impicdade recebia um castigo tremendo.

D. Floriana de Jesus Car-

•••

O silencio fizera-se eetre-os dois. habel, corno sacudida por urna visao estranha, fez um esforço supremo. Ergueu a cabeça que caiu subitamen• te sobre o travesseiro. Depois, com voz sumida, mal articulada, exclama novamente; - Diga, diga, papa, diga a sua ti-

lha se.,.

-Antonio oao deixou ncabar as palavras de Izabel. Verga,do ao peso de urna força misteriosa, o infeliz pae cahiu de joelhos1 e, apoiando a

fronte sobre o lcito cia doente e com as miios erguidas, endaviobadu, sa-cudidas por uma comoçao angus,rio-, sa, exclama: Oh, perdoa, minha filha, . perdoa ao teu pae que te enganou e te mentiu ! Ccgou-me o odio, mas vence agora o amor . . • Ah sim, creiobcreiot minha lzabel, <3ue ha um cus 1uato, que ':aes entrar na eternidade, que vaes 1untar-t<: a tua mae que vive no

Ceu .. .

Ah! fui um louco ... As falas estrangularam-se-lhe, e o silencio mjs-

(Conti nuaçao) valho • • • • . • • • D. Anna da Conceiçiio Almeida Santos . • • • • D. Anna de Jesus Carvalho D. Anna Clara Pereira Morao • • .. • • • • . • D. Maria da Luz Almeida Mattos • • • • • • . • D. Delfina Marìa de Almeida Capita.o José Augusto S. Esteves Lopo . . • . • D. Maria Paulo Bentes (2. 0 anno) • . • • • • • • D. Adelina de Jesus Caldas Fari.a . • • • • . • . D. Elvira Augusta Nogueira D. Maria da Conceiçao Ro-

-

sa • • • • • • •

I

P.e Jacinto Antonio Lopes (2.• anno) . . . • • . P.e Joao Soares • . • • . P.e Joao Jorge Bettencourt. P.e José Augusto Rosario

Dìas • . . . . .· -' . • D. Virginia Lopes . • • • Ma1rn el Vcnancio d'Oliveira D. Emilia Guimaraes ( 2.0 anno~ . . . • • . • • Perccntagem em estampas, etc. (D. E. Guimaraes). •

10$ooo 10Sooo 10Sooo 10Sooo 10Sooo

IO$ooo 10$ooo

15Sooo IOSlaOO

D. Ennelinda Costa Allemao Teixeira. • • . • • D. José Maria Figueiredo da Camara (Belmonte) 3. 0 anno • • • • • • • • •

Joaq.uin'i. Honorato. . • • • Antonio Alves Pequito • • José Claro. • • • • • • • D. Palmira Rosa Bello . . D. Marianna Henriqueta Rosa Palma Mata. • • • • Luiz Carreira de Vasconcel• los. • . • . . • . . • Joaquim da Silva Carvalho. D. Maria Anjos Santos •• D. Rita do Rosario Lopes • D. Herminia de Jesus. • • Luiz d' Almeida Pinto. • • D. Marianna Barbosa • • .• D. Rosalina Marques Pinto. D. Maria José d'Eça Curdoso P.e Silverio da Silva (de jornaes). • • • • • • • D. Maria Duarte Barreira Pratas • • . • • • • • Francisco Mendes • • • • José Augusto Pites dos SantOS •

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IO$ooo 10$000

10$000 10$000 10$000 10$000 10$000 10$000 10$000-

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10$000 toSooo 10$000 10$000 20$000

ro$ooo 12$500 IO$ooo I o$ooo-

D. Maria da Graça d'Abreu Fonseca (2.0 anno). • • • 208000 D. Maria Filomena Malheiro

Reymao No~ueira • • • 20$ooo D. Maria Florrnda Martins Fernandes. • • • • • • 15$ooo- . D. Emilia Martins Friaes • 15$ooo D. Laura Areias Ribeiro. • 12Sooo D. Olinda Serzedello. • • 15Sooo D. Maria José da Cunha Barbosa. • • • • • • • • toSooo D. Carolina Cardoso•• : • 10$000 Agostinbo Alves•••••• IOSooo De jornaes avulsos, percentagem em medalhas, es, tampas, etc. (D. Maria das Dòres) • • • • • • • I 2iSooo D. Maria de Jesus Fragoso. 10$ooo Manuel lgnacio de Sousa • ,o$ooo Joaquim Henrique Pereira. 10$ooo Salvador Nunes d'Oliveira. 10$ooo Antonio'Rodrigues (2. 0 anno 10$ooo P.e Raphael Jacinto (2.0 anno • • • • • ~ • • • • • 10Sooo D. A na Proença. • • • • ~ l0$ooo I Sebastiiio Nunes • . • • • • 108000 Felix dos Santos•••••• 10Sooo D. Maria Eugenia Rei•

a.

vas. • • • ·. . • • • • •

10Sooo

Duqueza de Palmela ••• 100Sooo D. lgn& d'Azevedo Coutinho (2.• anno) ••••• 10$ooo Antonio Dias Frade. • • • 10$ooo Torquato Maria de Freitas 20Sooo Ju.stino Marques Bastos •• 10$ooo Virgilio p. Lory. . • • • • 10$ooo José Antonio dos Reis. . • 10$ooo D. Maria da· Conceiçiio Pereira de Lima Caupers • 10$000 D. Amelia Cablai. • ~ • • IOb'IO

10$ooo

(Faltam para public:ar cerca de ~oo nomea)

10$ooo

VOZ DA FATIMA

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Este jornalzlnho, q u e

JO$ooo 10$ooo

vae &end~ tao querida e

20$000 10$000

toSooo 10$000 10$000

proaurado, · é distrlbulda

gratuitamente em Fatima nos di•• 13 de oada mè•. Quem qulzer ter o di•

relto de o r.eoeber directa mente pelo a or re i a, tera de envlar, adeantadamente, o minimo de dez mii réis.

\

I


LEIRIA. 18 de Setembro de 1024

Ano Il

(COM .A.PROVA..ç.A.O EOLESIASTXOA) Dtreo~or, Proprietario e EcU-tor

DOUTOR MANUEL MARQUES DOS SANTOS

,

A.dml:.iililn-a.dori, PADRE M. PEREIRA OA SJLV~ RJi:DAcç!O E A.DMlNISTRAç.AO

3-c/A X). N'UNO .ALV.:A.:e.ES :PEREJ:BA.

Compo~to e impressò na Jmprensa Comer,cial, 4 Sé -

(BEATO l'(tmO J>IC U NTA ~IIU)

• :)

13 de Ago_s~o

lerla, aberta pelos strvi.t(l,s na mo\e por onde, de quando tm quando, um ijacerdote. reves-

J

immensa de povo,

Udo de sobtepeliz e estol,t, admioistra a Sagrada Communhao, e da qual

se appro.ximam em ondeJ compactts e succeslvas e constantemeote ,enovadas, centenas e cinJenas dp fieis

povo portugues, em piedosa roma.. gem, commemorou so lenemente, na Cova da lria, entre os alcantis da serra d"Ayce, os successos maravilhosos de 1917. Oezenas de milhares de pessOas, procedentes de diversos pontos do paiz, sobretudo da Extre\l)adura, congregaram-se durante algumas boras na Cov4 da Irta para render o pn~lto do seu amor fllial a Rainba do ~eu e da térra, que, segundo a voz f1dedlgna de tres inocentès çre_anças, alll se dlinou appare~er para derramar il flux sobre nl$~ 'as suas graças e bençlos de magl}anima Pa-

prévlamente preparados nas suas terras pela confissao dos seuij peccados para essa unilo intima com o Deus

trez vezes santo, delicia das almas puras no

outras, ininterruptsmentet e a devoçao dos crentes, erQ vez ae afrouxar, redobra de intensldade, a medida que se approx1ma o mèio dia solar, a bora do contacto mystltQ entre a

terra e

nagens. Innumeras pessOas, de todas as

cJa~~~ sQclaes, davam tepetJdàs vezes a volta de joelhos 4 ca'pe cu.rnprindo promessas formuladas em tran-

a,

u; lnolvldaveis de soffrirnento e de 11'1 gua, em que, invocando o poderoso alJxilio da augusta Mae de Deus, fOram attendidos nas suas supplicas., estuantes de confiança e de fé.

Os servos de Nossa Senhora do Rosario e os seus auxlltares. obedien• tes as ordens de seus chefes numa disciplina tigorosamente militar. fa-zem admlravelmente o serviço de ordem regulando com methodo o acéao

capélla e da fonte das appariçòes. A sua accllo, que tornava indi!lpensavel num lào grande aggio•me1ado humano corno o que aJJi se encontra no aia 13 de cada m@s é alt~me11te benemerita, merecendo 'os iruus rasgados ericomios àe todas as

o

Ceu, a bora

solenrne daa

appariçOes e dos phenomenos mysterlosos. , Ooentes de toda a especie de doen-

A's nove horas j4 uma multid!o

enorme se apinhava em torno da capélla commemorativa das apparlçOes. Todos os peregrinos porftavam em se approx1mar <Ji branc~ estatua de Nossa Senbora do Rosario que, erguida SQbre um pedestaJ slngelo, .ao Tado esquerçto ~o altar, parecia envolver num c.arlnhoso olhar mater• no os lieis prostrados a seus pés e a<;Qlhe( benignamente os ~eqs votos ardentes e as suas fervorosas home-

sacramento do seu amor.

Succedem- se as ~issaa umas b

d1a~lta da naçao.

se

J I

fro, a todo o comprido, na diJecç~o da fonte maravilbosa, corre uma g&-

Uma vez mais., no enthusiasmo ~rdente da sua fé viva e no fervot intenso da sua devoçlio acrisolada, o

junto da

ças che~m a cida mQtnento junto da capélla. Os que se ençoJlJ ram etn estado mais grave sao Immediata-

mente introduzidos no recinto fechado que clrcunda o altar, ao abngodo sol e do contado inco~odo ~ multldio. Paces ~ emaci~das. r0sto8. contrahldos pela dòr1- uma longa th~orta de tysicos, paralytiços e caacerosos, corpos royrra4us, iiaçu~id.01 por convuls~es incessantea, esquelrtoa. quasi inertes e &era vida, eis o eep~

A.:lzlra doa Anjoa, éeboli'lo. de PardéJhas (Murtoza), que ostando A morte foi curada repentinamente por Nossa- Senhora da Fàtfma ( Vo; da Fatimt1 de Março ultimo)

pessOas que delta fOram testemunhas. Consola ver a correcçaa e còrdura admiraveis com que trata,m os pete-

ctaculo emocionante qµe Qaa UDff\e• diaç0es do altar ~ depara aos DQ$•

grinos, ~ caridade e càrJnho lhe~cedlvels cem que asslstem ·aos enfermos, a abnegaçao extrema com que, 4 semelbança do Apostolo S. Paulo, se fazem tudo pàra todos afim de valer à todos. Os j6vens senitas de Torres Novas chegaram a F~tima na vespera 4 tarde e passaram a nolte em adQraçao ao Santissimo Sacramento na egreja parocbjal. Terminada a sua vela d'armas, airigiram-se de manM cédo para o local das appariçOes, onde assistiram, ao nasct!r do sol, a urna missa resada em que receberam o Pao dos Anjos. Oepois das nove horas recomeça a celebraçao Clas mlssas dos sacerdotes

previamente lnscriptos. Em frente da porta da capélfa estende- se um vasto oceano de cabeças humanas. A0 cell-

sos olboa e Qlte confrange e eoç~e '1e profunda m4glla as ahnas eom-

passlvas. Os outròs en~rmos ocupam os logareCJ mais pr<nctmos da capélla dentro da galerla aberta e guardada pe-los servltas. De todos os pontos conttnuam afflulndo peregrioos, que nao puderam chegar mais c~do, merce '1a longa

'

distancla a que ficam as suas terras. A multidào é cada ve:i mais ~mpach1. 1 1 , ! L<1 S0a o meio~ ia solar:'Começa a ultima missa. O cape'llào-director dos servitas s6be ao p!!tl,pl1o e, depots de re~ar o Ctédo tm voz alta, j1mtameote com o puvo i i ,Jicta publicamente a t ecita çào alterr1ada do terço do

Rosario.


... I

.(

V oz da F._i;ttma

o

-

prodlglos operados pela Noua MAe do Ceu, na f 4tlma, que até 4 data me era desconheclda. Eu jA era devoto de Nosaa Senhora mas fol nessa bora que mlnbà alma se encheu de mais calOr, mais fé, e prlnclplel pot me dlrlgir a Nossa Senhora com mais confiança, por melo destas palavras: O' mlnha &·

11hora, d minha M6e do <:éo, ']4 qae Vos dil!nastes aparecer em Edttma, dltnai· Vo, tambem interceder por mlm nesta doença, t eu serti curado. S1 eu rece/Jer de Vds tlJo erande pr<r. diglo ire/ como peregrino a Fdtima, quando puder, !!,ara Vos prestar hamenagem e agradecer tl!d erande 'bent/icio de Vos rtcebJl/o e Vos darei uma esmola para enerandecimento do vosso culto, ao nztnos ae cem escudos ou conforme eu puder. Fui atendiao desde essa hora. Os sofrimentos fOram desaparecendo, e hoje encontro-me curado. Até essa data eu nao comia, tudo me fazia..JUal, até o proprio lelte e a agua de galinha. Hoje os meua sofrimentos eslAo completamente desaparecidos, spesar de dlzerem todos oa médicos que me tratavam, ter eu urna tisica lntestlnal. Estive em março de 1923 no Sanatorio em Vizeu, estive 14 em Agosto e em Setembro do mesmo anno fui para Caldelas tornar banhos e aguas de que pouco aproveitel. NAo tlnha recorrldo devéras ao verdadelro médlco que é Nossa Senhora. 56 por Eia obtive a minha cura. Em breve tenciono mandar toOSOO escudos para Nossa Senhora da FAtima e na primelra ocasilo que possa a( lrei como peregrino agradecer tilo grande graça. Fica eata mlnha carta ao dispor de e far4 della o uso que entenV. der.

s.•

t Quinta do Souto, Cavernles (~lzeu). Ex.•• e Rev.mo Sr.

Tendo-me e~vlado um amigo de Vizeu, u01 exemplar da uVoz da f.4tima,, n1111a altura em que eu me encontrava gruea1ente doente e confortad0 co1111 os ultimos Sacramentos, eom urna infacçlo nos lntestinos, esft>n1ag• e fitade, de que sofri desde 4 de Março de 1123 até fins d'abrll .,o preximo passa~o, li a , Voz da F.itima. e fi~uei 1eacantaao com tais


~arte doènte com gua e terra de F4tlma. O que é certo, é que no dia marcado para a operaçlo, estando promptos e preparados os instrumentos clrurglcos em sua propria casa, e tendo-se previamente disposto com a ConfissAo e ComunhAo, os médlcos declararam que nllo era precisa a operaçao. Esté completamente curada e cumpriu a sua promessa no dia 13 de Agosto, Indo n'uma, peregrlnaçao da Murtosa, (75 pessOas) a Nossa Senhora da Fétlma agradecer-lhe aquele beneficio que s6 a Eia atrlbue.

Mariana Saldlda, de 85 annos, da Murtoza "(Pardelhas), que' estando multo doente e tendo recebldo até os ultimos Sacramentos, oferecendo urna novena e· bebendo agua da FAtima, com aamlraç!o de todos, levantou-se nò ala seguinte. ~ Veio em Agosto Fatima, dando éem mii réls ·para o culto de Nossa

a

Senhora. . Antonio laiz da <!.oncelçi'lo, rua

.

do Loureìro, 50, .Colmbra, posto que continue doente, envia a.quantia de 10:000 réis por urna graça que Nos.. sa Senhora do Rosatio da Fétima lhe concedeu.

Arceolina de Louriles, de 7 annos de ·tdade, filha de 1osé Marta Neno e de Clarisse Emilia Carrada, da Murtoza, tinha duas pequenas ulceras nos olhos e nAo consentia que se lhe 11plicl!sse remedio algum, apesar de todos os esforços empregados. A mae afllctlsaima, temendo que a sua filhinha ficasae cega, recorreu a Nossa Senbora fjtima, e prome'1eu-lhe, se Eia lhe valesSé, de l! ir om sua - filha beija,-lhe as mllos e dar-lhe a es1nola de 10:000 réls. Còmeçou entao a lavar-I be os olhos com agu11 de Fatima, e passados 3 dlas estava completamente curada. Mae e filha incorporaram-se na pe· regrinaçao da Murtoza no <fia 13 de Agosto, indo pagar a Nossa Senhora da f'Atima'"B sua dtvida de grati•

aa

410.

.

Resa.lo o ,terço Antonieta Leyd,- appro~ima-se della e, Jominaùa pela 1deia de que era Elisa Làtapie que apr,arecia1 apresenta li creança o plipel e a penna que lcvou cons11:0, dizendo-lhe: • I - Prcgunta a Senbora se tem 1l~umà cousa a communicar nos e, no cuo affirm11tivo, pede-lhe o favor de o escrever. ~ Bernadette l~vonta-~e, dli alguns" passo~ em direcçiio ao rocheilo e;'"sentinUo -que as 1.luas senhoras o segueill, fu -lhe signtl, sera se voltar, para que 1e deixem ficar atru. P.roiimo iJa aarç11, ergue-ac nos b1cos dos ~s e apresento a Senhora o papel e a penna. Ella espèra, aa attituJo duma pessaa que escuta com atençao, dc olbos fitos na sarça e na abertura oglval e com os braçoa sempre elevado.s; de repente abaix.a-01, fu uma sauc.l11çlio profunda' e torna para o seu luf!ar, tendo na mlio o papel em que nada foa escripto. • Antonieta appreximo-ae rilgiùamcnte dolio e pregunta-lhe: . - Que foi que te respondeu a Scnhora ? - Quoodo lhc aprc~entei o papel e a tinta poz-se a sornr, dcJ)oi,, sem mostrar dcsa11rado, respondeu: •O quc tcnho • diier-lhe nao é preciso que eu o escreva .• Pareceu rdlectir 11m instante e occrescentou: «Quere tcr a bondode de vir aqui

durante quinze dies ?

- Que reAponJtstc tll ? · - Reapondi que s11n. - Mas porque ~ que a Senhora quer

tiUt

tu nnbas '?


10:000 . 10:000

10:0()0 10:oM 10:000

'

Abrigo. para os doentes . peregr.inos da Fatima

10:000

10:000 l0!000

T1ansporte. • • • • • 220:000 O~ Bernardina Amelia da Stiva ..........••• 20:000 D: Luiza de Jesus Costa •• 10:000 [òurenço da Cunha .•••• 10:000 A. S. • • , ••.••.• • • • • 20:000

10:000

15:00<? ~o:ooo 10:000 ·

10:000

5:000

10:000 10:000 10:000

37:45o

Soma . •••.•••• 280:000

28:000 2.8:000 10:000

tas .•••••• • • • • • • • . •

D. Candida Rocha Afonso. •

I 2:00Q 10:000

D. Teresa de Jesus Raposo 15:000 10:000 10:000 10:000 10:000 10:000 10:000 10:000 10:000

15:000 10:000

10:000 10:000

10:000 10:000 10:000 10:000

20:000 2.•anno • • . • • • • • • • •

D. Maria Pereira Dias Nunei

20:000 10:000

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Ano IJI

(COM APROVAçÀO ECLESIASTICA) Dlreo'tor, Proprle1:arlo e Edl-tor

AdmlnlJltrndor: PADRE M. PEREJRA DA SII.VA

DOUTOR MANUEL MARQUES DOS SANTOS Composto e impresso na lmprensa Comercial, 4 Sé -

REDACçAo E AI>MtNJSTRAç.fo

:RU'.A D. N'UNO .ALV.A:RES PE:RE:t::RA. (BEATO NUNO nii: UNTA MAR~A)

Leiria

rio, vulgarmente conhecidos pela slngela e laconica denominac;ào de •Senitas>, todos os membros desta benemerita associaçilo de caridade e Q o C> os seus auxillares se approximam deoucos minutos passavam votamente da m~sa eucharistlca. Ao meio-dia solar principia 3 ultidas cinco horas da ma.......,,.""::P~ nh3 quando occupéimos ma, a missa dos enferm<,ti. lmmediatamente antes e corno preparaçlo pao nosso logar no carro que nos conduziu a fa: ra ella, a assistencia canta em cOro tlma pela estrada lngreunisono o mageatoso Credo de Lburme e pedregosa da Serra des. d'Ayre. ConfortavelmenE' indescriptivel o tffeito desse te installados em casa de grlto de fé proferido por milhares de urna familia das nossas rebOccas repercutido de quebrada em la(Oes, que fidalgamenquebrada, proclamando ·aos quatro Ciintos de te nos acolhera no seu f' aeio desde a vespera Portugal a crença viva tarde, numa das aldelas e indomavel de um pomais formosas e pitoresvo de beroes, generoso e bom. Durante a mlssa cas da uberrima regrno banhada pelas aguas rerezou-se o terc;o do Rosario. No inte,valo das mansosas e limpidas do Almonda, alli aguardéirezas etn commum o slmos com a mais viva an- · lencio é apenas lnterciedade a hora marcada rompido pelo murmurio para a partida. cadenciado das nréces Quando nos ld\rantée pelos suspiros abàfamos e nos dirigimos pados das almas atdbulara a porta-do j ardim, é das e dos coraçòes comespera do carro, fazia um punRidos. luar esplendido. A noiNo fim da missa, exte, serena e tranquilla, pòe-se a Hostia Sacrownvldava a passeìar. santa numa rlquisslma Nào soprava a mais lecustodia, dand -se logo ve aragem. Ao longe deem segulda a bençào aenhavam-se nitida.menparticular a cada um te os perfis das arvores Capelinha e.la Covo e.la Iris, c6m seu alpendre em volt11, vista do lado sul dos enfermos presentes. na encosta da montanha Asslste-ae entAo a um clivo parocho e preèedidos dum rlco espectaculo sobremaneira emocioquasi talhada a pique. Nem urna s6 nuvem embaciava o azul diaphano e\ vistoso estandarte, dirlgem-se lennante, nao menos emoclonante que do firmamento. tamente para junto da capélla, eno da esplanaaa do Rosario, em LourA lua, triste e melancholica, desiitoando canticos em honra da Virdes, durante a procissAo da tarde. sava placidamente nas alturas, engem. Chegam depois as peregrinaNos rOstos de todos, peregrinos e volvendo no seu manto alvissimo o çòes de Oaviao e do Douro. Os grudoentes, transluz a fé ardentissima vulto gigantesco da serra e as aldelas pos coraes destas peregrlnaçOes reuna presença real de Jésus no Sacraalcandoradas nas suas faldas e mernem-se e cantam o «Bemdito• e oumento da Eucharisti'a. Os enfermos gulhadas num somno profundo e retros canlicos populares, emquanto se estendem as mAos supplicantes para parador. celebram aa mlssas e se distribue a a Hostia de Amor num appello mu~o mas altamente eloquente e signlficaQue momentos dellciosos, embora Sagrada Communh~o. Milhares de fugazes, se gosam nestas madrugafieis, · prévlamente confessados nas ·uvo que cc1mmove os cora<.Oes mais , suas terras, recebem em seus peitos duros. Nft.o ha olhos que nao esttJam aas tepidas do Outomno, em que tudo na Natureza estimula ao recolhio Pào dos Anjos que as vezes é mi~ marejad os de lagrimas. Ao ha tao os meditaçflo, elevando-nos nistrado simultaneamente por dois que nào pronunciem palavras de esme.nto e novamente até aos pés de Deus, seu . sacerdotes reveslidos de sobrepeliz perança t clamores de miseri cordia. Nào ha cmaçues QUe nào pulst m de Auctor. e est6la, graças é!Hluencia extraordlnaria de·commungsntes. am or e 11ao vi brem de contriçYi n. I oMas ja vamos a camlnho de F~ti' ma, a terra do mysterio e do prodi· A' primeira missa, a missa dos dos choram numa commoçao innn nglo, centro de attracçno de tantas alServos de Nossa Senhora do Rosasa, unica, verdadeiramente assom-

13 de Setembro

mas, crentes e enthusiastas, ponto de convergencla de tantos coraçOes estuantes de piedade. Eram dez horas quando chegAmos ao locai das apparic;Oes. Uma multidào de muitos mllhares de pessOas rodeia a capélla e esprala-se pelas proximidades. A cada instante affiuem novos peregrlrios, mas nunca o numero delles eguala o dos mezes de Junho e Julho anteriores. • Cerca das onze horas cbega em «camions> um numeroso grupo de peregrinos de Peniche. Organisados em cort~jo sob a direcçlio do respe-

·~-ffi~iiii~iij~ijjj~~~~n::;;:;~~~~-:-~-:~

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V oz de. Fii;tbne. brosa, confundindo as suas lagrimas no mesmo terreno sagrado dos e enfermos, homens e senhoras, arlstocratas da mais nobre estirpe e humildes fìlhos do povo. Abençoados os doentes, canta-se o Tantum ergo e dt-se a beoç!o geral a toda a multldào. Por fim s6be ao pulpito o Rev. Dr. Ferreira àa Silva, professor do Seminario do Porto, a quem a commoç!o embarga a vof, impedlndo-o quasi de fallar. As suas palavras regadas pelas la~rimas, entrecortadas pelos soluços, sao phrases soltas, mas vibrantes de fé e enthusiasmo, que vào direitas ao coraç!o dos ouvintes, communicandolhes a ,emoçào profunda que traduzem. Findo o sermào, a asslstencia começa a debandar. Duas horas depois, na Cova da lria, s6 se viam alguns raros devotos, rezandu piedosamente as suas oraçoes, na dOce paz tranquilla que se respira naquella mansfo bemdita que é a delicia das almas crentes e o conforto dos coraçOes contritos e atrlbulantes.

V. deM.

AVISO I

No Intuito de prevenir posslveis rei/aros de pessOas alias bem intencionadas, julgamos conveniente reproduzir a nota com que fechava o artigo de fundo do primeiro numero deste. jornal, deviùo a penna do nosso colaborador V. de M. E' do teOr seguinte:

cCumpre-me advertir os meus benévotos e presaaos ltitores, e Jaço-o ho/e de uma vez por todas, de que submeto inteiramente ab jaizo da Santa Eerf}a, como l indeclillavel dever de um catholico, todos os artigos que pubticar neste mensario, e de um modo especial tudo quaflto se re/trlr ds appariçots e curas de Fptima, cujo caracter sobrenatural, se por ventura o teem, so ao magis• tério eccleslasticr, assiste a11ctoridade e competencia para apreciar e reconl1ecer. • Escusado é dizer que todos os redactores e collaboradores deste jornal perfilham inteiramente a doutrina contlda nesta nota, protestan,do do mesmo modo o seu absoluto e incondlclonal acatamento a todas as lnstrucçOes e determinaçòes da autoridade eclesiastica.

A Direcçl!o

O mez do Santo Rosario Nao se esqueçam os leitores de que o mez de Oulubro é dedicado a Nossa Senhora do Rosario. Para vermos quanto esta devoçlio é agradavel a Nossa Senhora, basta lembrarmo- nos que apareceu em Lourdes trazendo um terço e a urna creança que o resava. O mesmo aconteceu em Fàtimal aparecendo no mez do Santo Rosfrio e dizeodo que era N. Senhora do Rosario. Tenhamos, pois, todos multo a pelto esta devoç:to e procuremos ser-lhe muito fleis, acomodando ao mesmo tempo o nosso proceder (ìsto é indispensavel) é Santa Lei de Deus.

Hs curas da f atlma Caldas da Rainha, 26/9/ 1924

Ex.mo e Rev.mo Senhor. N~o quero nem devo demorar- me mais em lhe escrever para lhe dar urna noticia com que vai ficar satisfeito, que eu por mim estou o mais reconheclda que possa ser para com Deus e a Virgem Nossa Senhora. Eu tinha urna doença no estomago desde o dia 14 de novembro de 1922, isto é, ha 22 meses. Mostrei-me a 4 médlcos, o que nao deu resultado nenhum. Tinha dias que passava melhor com certos remédios mas o estomago habituava- se e nào me fazlam nada. Tinha dias inteiros em que me niio parava nada no estomago, nem remédios nem os alimentos, o que dava orlgem a que a fraqueza fOsse dobrada. Se tinha melhoras um dia no outro punha-me logo peior. No dia 18 de janeiro puz-me p~ior e recolhi cama onde me demorei 12 dias. De entào para ca nunca mais se passou um s6 dia que eu nào vomitasse. Em dia de S. Jofé tornei a ir para a cama gravemente doente. A minha mana Mariana de Mira, vendo-me tào perlg'osa rogou a Nossa Senho· ra do Rosario da Fatima que se fòsse sentida de eu nào morrer nessa doença viria um dia é F.\tima. No dia seguinte puz me melhor e ao fim de 7 dias levantei -me, comecei a andar de pé mas vomitava mais do que nunca e até pào deixel de comer. Nem agua, nem comida, nem alimentos nenhuns podia tornar. Em 28 de julho vim para Caldas onde a minha mJe vinha a banhos. EtJ la tomal-os a S. Martinho do Porto com a esperança de que melhorasse com a mudança de ares. A senhora, dona da casa em que estou, de nome D. Engracia de Assunçao, comoveu-se de me ver sofrer tanto e disse-me urn dia que sabendo que eu era religiosa me dava de conselho que fosse a Nossa Senhora da Fatima, pois tinha esperança que, se la fosse, melhoraria. Entre a duvida e a esperança eu niio sabi11 o que devia escolher. Tlnha multa vontade de ir e ao mesmo tempo multo receio de me pOr a caminho de Caldas da Ralnha a Fatima, que ainda é longe. Depois velo urna senhora chamada D. Virginia de Nazaré Lopes e ofereceu, me Jns exemplares da e Voz da Fatima• para eu l@r e ver que nao era a primeira pessOa que I.i la doente e que nAo voltavam pelores. Comecel pois a lér com multo interesse e acabei por me convencer de todo a ir. Pedi ao meu tio e padrinho lgnaclo Luiz de Mira, com quem tenho sido criada, e a minha m~e (Maria José de Mira) que estavam aqul comigo, que me levassem a Fatima, fazendo-lhes compreender que de nos• 1a casa ainda nos ficava multo mais longe. O meu padrinho e a minha mae, com o desejo de me verem melhor, cederam logo ao meu pedido, e la , fornos no dia 13 de Setembro.

a

Ja depois de estar aqui em Caldas tive urna carta de um médico que me tratav4 la no Alemtejo, em que me dizia que ja nào tinha coragem de me receitar, pelo menos sem me tornar 'a ver, e nem mesmo se atrevia a dizer-me que repetisse a recelta e todos os outros médicos pensavam que eu nào melhoraria. Chegou emfim o dia 13 que por mim era tiio desejado. la confessada dt vespera e cheguei a FAtima mesmo na ocasiào em que estavam a dar a Sagrada Comunhào. Comunguei logo mas nAo quiz de ali sair. Ninguem me fez corner nada até as 2 horas da tarde. Estive quasi' desmaiada, creio que da fraqueza e do cal~r. A minha mae pediu urna pinga de agua para mim, e logo urna alma carldosa trouxe urna garrafa com agua da Fat:ma. Bebl e reanimel-me um pouco e ja tive força para la estar até as 3 horas. Assisti a bençao dos enfermos antes de abalac da Fatima, e estava tào satisfeita corno se tivesse cornido, Vim para o carro e no camlnho minha màe começou a dlzer- me que comesse. Levava bolacha de agua e sai, que era o que me servfa de pio, mas eu nesse dia nào tlve vontade de as corner e experlmentei corner · um bocadinho de pào. Nao ihlagina a minha alegria quando vi que o comia corno se nào fOsse nadp comigo e tive vontade de corner queijo, o que nunca tinha comido, e com grande admiraçilo de todas as pessOas que vinham comigo. Julguei que ia vomitar, mas nào fol assim. Com~cei depois a fazer da seguinte maneira: acabando de corner bebia um golo de agua da Fatima e ia para o quarto retar um terç<.l. Nessa altura prometi Virgem Nossa Senhora do Rosario da Fatima que, se deixasse de vomitar, tornaria a lr a Fatima agradecer- lhe •antes de ir para o Alemtejo. Contìnuei a rezar e a beber a agua 3 vezes ao dia, durante 9 dias. Desapareceu a impress~o que tinha no estomago desde o dia 13. Nuoca mais Uve um v6mito e até me desconheço a mim mesma. Eu que havla 22 mezes nuoca mais tinha tido apetite até agora, a Virgem Santissima ouviu os m~us r6gos e fez vec a todas as pessoas qué tinha poder para me pOr melhor do que eu era quando me julgava com sauje. · Pellzmente desde que fui nuoca mais tive sequer urna leve indisposiçAo de estomago. Nada me tem felto mal, graças a Deus e, se Elle quizer e a Vlrgem No~sa Senhora, no dia 13 de Outubro lé irei outra . vez visto que tenciono abalar para a mlnha terra no dia 15.

a

la

Leontina Maria /osi de Mira de

21

annos de idac.le, de Pavia do Alemtejo

Maria Pedrosa, de 57 annos, residente em Leiria na rua D. Nuno Alvares Pereira, sofrendo havia muitos annos dos intestinos que nAo lhe permitlam alimentar-se, num momento de maior aflicçAo, nos prlnclplos de Junho de 1923, na perspectiva de nào poder tratar da sua vida, tendo obtido umas gOtas de agua da Fatima fi-

I


-

cou repentinamente curada do s6 do estomago corno das pernas que tlnha excessivamente inchadas. Obtendo a agua ajoelhou deante dum quadro de N. Senhora de Lourde~ resando fervorosamente a oraçAo de S. Bernardo e tres A vé-Marlas, o que de resto ja fazia todos os dias.

Abrigo para os doentes ' peregrinos da Fatima

Francisco Esteves da Cruz, de

Transporte••• • • • 280:000 40:000 Jeronymo Sampaio • • ••• D. Josefa Carolina de Ma10:000 tos Chaves • ·•••• : • • •

17 annos, filho de Antonio Esteves

Soma••••••••• 330:000

e de Maria Casimira, de Antas, freguezia da Azueira, concelho de Mafra, adoeceu gravemente no dia 6 de Março de 1924 com um grande ataque de gripe, passando a urna pneumonia, tendo tido inumeras visitas do médico. . Nao obstante, ia peiorando tendo de sof rer urna punçao do la do esquerdo para lhe ser extraido liquido. A màe pediu a Nossa Senhora da Fatima a cura de seu filho, promettendo publicar a graça e ir a Fatima no mes de malo. No dia 11 de maio ultimo teve a 11ltlma vizita do médico, sofrendo nesse dia tres punçoes, nas costas e no peito, deitando multo pus. O médico mandou-o para o hospltal, mas elle estava tao mal que se encheu a casa de gente, e fodos urna diziam que morreria no caminho. Quando o médico saiu, chegou a primeira porçao de agua da Fatima, e a màe deixando sair primeiro o povo, veio para junto do doente, deu-lhe t!a agua, e que rezasse urna Avé Maria a Nossa Senhora, a quem pediu conf6rme sabia, que o melhorassse. Depois de beber a agua perguntou se a agua eri santa porque sentiu alguma coisa de novo. No fim de dois .dias ja nao havia signaes da doença e hoje encontra-se de perfeita saude e vem agradecer a' Nossa Senhora da Fatima.

a

Hgua da f atima As pessoas que desejarem obter agua da Fatima e mesmo outros objectos religiosos; podem dirigir-st a ]osé d' Almeida lopes, residente em Fatima (Vi/a Nova d'Ourem) eque é pess~a da con{iança do Rev. Paroco e da Comissllo.

· 0s Ceus contam a gloria de Deus O sol é bem 310:301 vezes maior que a terra. Anda por 200 milhòes o numero de estrelas que p6dem ser vistas quer a olho mi quer com o aux\lio de telesc6pio. Sabendo-se que a luz percorre 300:000 kilometros em um segundo, a estrela mais visinha chamada Si~io esta distante de n6s oito annos meio de luz !sto é, 542:803 vezes a dlstancia da terra ao sol. A estrela Rig-tl dista de n6s 320 annos de luz, e a medida que augmenta a força dos telescopios vAose descobrindo cada vez mais estre-

é

las.

Venda de objectos Mai• uma vez aviaamo• oa peregrino• que é rigoro•amente prohibido, eeja a quem f6r, vender quaosquer objectos dentro do• muro• da Co•• da lrla, eque o Santuario nada tem que ver com •• venda• de todo e qualquer objecto. Fazemoa este avi•o porque aabemoa que variaa peseoa• nao teem oumprido eeta ordem, e outras teem eido explor•dea na compra de objectoa, peneando errada~ mente que o exceaso do seu valor seja a favor daa obras.

Aos Rev. s Sacerdotes 0

Novamente avtsamos os lhv. 01 Sacerdotes que teem de se inscrev,r previamente, caso queiram celeb,ar a Santa Missa na Cova da Irta, dtrigindo-se ao .Rev. Dr. Manuel Marques dos Sa.ntos, Seminario de Leiria.

Notas e impressoes O ph~nomeno solar Duma carta dum amigo nosso, recentemente recebida, extractamos as seguintes linhas: . cEstes phenomenos solares que se renovam com tanta frequencia, devlam ser bem estudados (visto que Nossa Senhora misericordiosamente os repeté), por urna comissao de competentes. Sera talvez caso unico na vida da Egreja e parece nao terem expllcaçi1o natural.>

Calumnias e mentiraa De duas cartas endereçadas ao director da ,Voz da Fatima» por um portugues ilfustre que reslde actualmente na Belgica, trancrevemos as seguintes passagens: Da primeira carta : , Escrev-em-nos de Portugai s0bre os acontecimentos de Fatima e pedem-nos dados para rebater estas affirmaç0es: 1.0 - As creanças tinham sido lndustriadas antes. 2.0 - Com temor de que ellas viessem a descobrir tudo, fizeram-nas desapparecer do numero dos vivos dentro de seis mezes depois das apparlç0es. 3. 0 - A agua dizem que é da chuva, represada, malsa, e que se leva dinheiro pt>r ella e pelos banhos. Eu recebo a • Voz da Fatima,, mas s6 do numero onze para ca; e nelles nAo encontro elementos necessarlos para responder cabalmente. Recorro portanto é1 bondade de V., de quem fico aguardando dados positivos com que habilitar o meu consulente a urna resposta des:isiva.n Da segunda carta: «Multo obrigado .pela sua attenta e formosa carta de cinco do corrente. Acabo agora mesmo de responder as objecçòes apresentadas e espero que algum bem se fara. Se acaso apparecerem novas duvidas, recorrerei de novo sua carldosa illustraçffo. Por agora fico 4 espera do efeito que fazem as suas palavras, algumas das quaes transcrevi a lettra e que certamente Mo-de Impressionar os anlmos dos leitores.

a

Neste mez ha adoraçao nocturna do dia 12 pa'fa 13, na Igreja Parochlal da Fatima, terminando pela Missa cantada e bençilo ao nascer do sol.

Peregrinos de Lourdes Entraram em Lourdes, em 1923, 201 :820 peregrlnos em combolos de peregrinaç0es francezas e 46:020 em comboios de peregrinaç0Q estrangelras, nAo sendo compreendidos nesta cifra global os peregrlnos JsoJados, dos quals o numero foi porventura superior aquele. O numero de doentes, que passou de 9:000 em 1922, sublu em 1923 a 13:000. Para os receber foi necessario construlr-se mais urna galerla junto ao hospital do Asilo, s0bre a margem esquerda do Gave. Esta galerla compreende duas satas espaçosas e bem arejadas, contendo 100 leitos cada uma.

Reelgnaqfto ohriatA Urna senhora do Porto, tao notavet pela sua Jinhagem corno pelos seus acrisolados sentimentos de piedade, que se dignou honrar o numero de Junho da • Voz da Fatima, com um formosissimo artigo da sua auctorla subordlnado epigraphe e Impress0es duma peregrina» escreve o que se segue a respelto do seu estado de sa ude e das dlsposiç0es do seu espirito : e Nossa Senhora de Fatima curoume da neurasthenia, mas continuo sendo urna doeRte do corpo. Contudo a alma esta tAo chela de alegrla ceiestlal, que nao me entristeceria a ideia de me saber presa a cama por toda a vida.,

a

ReoordaçGea duma peregPina Duma carta que temos em nosso poder tomamos a liberdade de trans-

1

I


• crc;ver para aqul algumas passagens I

Jnteressantes. •E' com o coraçao inundado duma consolaçao intima até hoje desconhedda que me apresso a communicarJtie as mintias lmpressoes do dia 13 de Setembro ultimo. Fomos 'a Fatima et1, mlnha mae, urna tla minha e · mais cinco pessòas da nossa familia; .com os estranhos, eramos ao todo vfnte pessOas. Um «cami6n > que alugAmos levounos dlrectamente a FAtima ou, para melhor dizer, a Cova da lria. Nuoca imaginel poder presenciar na minha vida urna romaria tAo comovente. N!o sei des·crever a impressao que senti ao ver: tantas e tantas almas que de tao longe veem .para venerar a Santlssitl)a Vlrgem no sltio onde ella se dlgnou apparecer. J\podera· se de n6s o desejo de permanecer alli or multo tempo. Como se reza bem unto da capella ! Parece ' até que o ogar nao nos convida a outra cousa. Consegui obter um logar no recinto destlnado aos doentes, p.9is rillo po<lla delxar mlnha m!e s6sinha e tambem porque desejavamos •recèber a Sagrada Communhllo. Multos enfermos alll se encontravam, procedentes de toda a parte. Ao pé de n6s, deltados em macas, estavam dols doenJes dlgnos de toda a compaido. Permitta Oeus que elles se curem para gloria de sua Mae Santissima. No proximo més vae a f'jtlma urna peregrlnaçllo desta vllla. Prouvéra a Deus que n6s tambem IA puttessemos ir nessa occasi~o I Oeade que vlm · ~ao me tem sahido do pensamento aquella estancla abençoada. • .

f:

, V. de M.

-Oh I Deu,, vlnde e11 nono auxlllo, vlnde depressa aocorrer-noe ! -Senhor, aquele a quem amala eata doente I -Senhor, fazal que eu veja I -Senhor, fazel que eu ande I -Senhor, fazal que eu ouça I -Màe do Salvador, rogae por noa I -Seude dos enfermos, rogae por nos I -Bemdlta seja a Santtt e tmaculada Concelçào da Bemaventurada Vlrgem Marra, Màe de Daus I -Nosea Senhora do Rosario, rogai por n6s ! (3 vezes). · -Mlnha Mae Sant111lma, tende pledade da noa ! (3 vezes). · -NoHa Senhora do Rosaria, dal· noa aaude por amor e para glòrla da Santissima Trlndade t (3 vezes). .. Noaaa Senhora do Rosario, convertei oa pecadoraa I (3 vezes). -Saude doa enfermoa, rogae por nò1 I (3 vezes). . -Soc6rro doa doentea, rogae por

D. Maria de Jesus Silva • • O. Maria Magdalena de Carvalho. • . • • • • • • Policarpo Manuel dos Santos D. Maria Hclena dc Magalhacs Carneiro Zagallo llharco. • • • . • • • • D. Maria Paula Franco Cardoso . • • • • . • • • Julio Cortez Pinto . . • • D. Amèlia Fiuza.. . . • • Joaquim A. Lcite F~rreira Pinto Bastos. . . . • Manuel Passos (2. 0 anno) . Alvaro Correia. . • • • • Joao Ribc:iro. • • • . • • Raul Monteiro • • . • • • D. OHnda (Casal Velho)••• Manuel Libanio da Silva . : Augusto Garcia Patusco.•• D. Maria Assumpçao Duarte • • • • • • • • • • D. Idalina Rodriguts Pouza-

nòs I (3 veies).

D. Anna Rosa Pires Moreira • • • . • • • • • • p,e José Antonio de Campos (2.0 anno) • • • • • • • • D. Perpetua Cardoso Norberto (2.• anno. • • • • • D. Maria da Conceiçao Norberto (2.• anno) • • • • • Antonio Prates Ribeiro Te,

-0' Maria, conceblda aem pecado, rogae por n61 que recorremo, a Vòs I

(3 vezes).

-Senhor, noa Vos adoramos r -Senhor, noa temo, confiança em V6s I -Senhor, noa Vos amamos r -Hoasanna, Hossanna ao Fllho de David I -Bemdlto tPJa O que vem 'em nome do Senhor r -V61 eols Jeaua Chrtlato, Fllho cle

D101 Ylvo

r

L.!V61 aola o meu Senhor e o inau Déus I • I )J..;.Adoremus in atttr11um Sanctisslmo Sacramtntum. (Cantado). 0 -Senhor, cremo, em V61, mia augmerìtal ·a no11a fé. -Vo• 1011 a reaurrelçlo e a vlda I -Salvai· no,, Jeaue, allb parete· 'lilOI I -Senbor, H o qulzerdet, podele

· cun;.me r

-Senhor, dizel 16 uma palavra e

aerei cur.ado I

-Jeaua, Fllho de Maria, tende pledade de mlm I ... -Jeaus, Fllho de Davfd: tende piedada de nos I ,, -Parce Domine, parce popu/o tuo, ne in aeternum frascaris nobls (cantado).

.

(

Voz: da Fatima Deapezaa

t

Préces e canticos collectivos dos peregrinos durante a bencao do Santissimo na Cova da lria

.

-Nosaa Senhora do Roaarlo, aalvae-noa e aalvae P~rtugal I NOTA-As jacuJat6rias acima menclona~as sao as unlcas que por ordem da autoridade eclesiastlca devem ser recitadas publlcamente na Cova da Jrla e além das lndutgenclas que lhes estao anexas pela autorldade apostolica, concede o sr. Bispo de Leiria 50 dlas a quem 14 as recitar.

Transporte. • • • Impressi.io do numero 24 ( 18:000 exemplares}. • 2 fotogra vuras • • • • Outras dcspezas. • • •

16 591:720

Soma. • • •

17.091 :720

3qo:ooo 05:000 75:000

SubscripçAo

da • . • • • • • • • • D. Maria da Rocha Cabrera

les • • • • • • • . • • • Fortunato Marques dos Santos • • • • • • • • • • • José Christovao d'Ourem •. O. Natividade de Castclo e Sii va ( 2. • vez) • • . • • De jornaes (Coruche e Sal-va terra} . • • • • a .. Dr. Manuel da Cruz Jtrnior (2.0 anno) • • • • • • • Amilcar d'Almeida Marquesi D. Antonia Madureira Borges de Carvalho Bastos. • D. Guilher,nina da Cunha Barbosa • • • . • . •• D. Maria Beatriz da Fonse• ca Pinheiro • . • • • • D. Maria Albertina d' Azambuja Tcixeira • • . • • D. Anna Justina de Carvalho e Tcixeira. ·• • José Maria C:irneiro Leiio Anonimo (E. da P. M.) • • D. Maria l.:.uiza Ribeiro de • • • • • .Mello. •1 D. Margarida da Motta Mar•

·sa

(Continuoçiio)

P.e Edgard Bcnedicto Abreu Castello Branco. • • , •

10:000

D .. Moria do Ceu Pinto de Abreu e Lima (2. 0 anno).

10:000

Julio Gonçalves Ramos (2.0

anno} • • • • • • • • •

10:000

ques . • . . . • . . • •

dinho • • • • . . • • •

10:000

D. Maria Amelia ,RO!a de Souza ROxo • • • • • • D. Brnnca Rosa de Sousa

D. Maria da Purilicaçao Go-

Antonio da Costa Melicias (2. 0 anno} • • • • • • • D. Felicidade Rosa de Souza 'Antonio Dias Margarido. • José Rodrigucs Cardoso • • p,e Ab~ Alfes de Pinho •• P.' Sento da Silva Bravo•• D. Berta Osorio Amador •• D. Maria das Dores Fernan• des Rendeiro (2.0 anno) •• Manuel José Marqucs.••• , Joao Lourcnço Bandeira •• Antonio Gomes do Ceu • • Antonio Farinha Gomes. • D. Maria da Conceiçao. • • Miguel Pereira • . • • • • D. Joaquina de Jesus Martins P.' Mnnuel d'Oliveira Ven-

tura. • •

• • • . • •

Silvano d' Abreu Cardoso ••

10:000 10:000 • 10:000 10:000 10:000 10:000 , 10:000 \

ro:ooo 10:000 10:000 10:000 10:000 10:000 10:qoo 10:000 10:000 10:000

ROxo ••••••••••

10:000 10:000 10:000

10:000 10:000 10:000 10:000 10:000 10:000

ro:ooo 10:000 10:000 10:000 10:000 10:000 10:000

25:000· 10:000 10:000 10:000 10:000 · 10:000 10:000 12:500 10:000 5:000

10:000 · 10:000 10:000 10:000

ro:ooo 10:000 10:000 20:000 20:000 10:000 10:000 10:000 • 10:000

Esperom a sua vez 2-.5 ~ubscriptores

VOZ DA F:ATIMJ. Eate jornalzinho, q u e · vae •endo tao querldo e proourado, é dlatribuldo gratuitamente em Fati•• no• di•• 13 de cada Quem qulzer ter o di• reito de o .!"ecebar dire• eta mente pelo e or re i o; . tera de enviar, adeantadamente, o minimo ds dez mii réis.

m•••


..i 8 dNovembro de 1.094 I....EI-.:>IA le', , "'

A.no I I I '

' -

Composto e impresso na Imprensa Comorcial,

13 de Outuhro \

H grande peregrina-

çao nacional dia 13

de Outubro de

1924 é maìs um dia for-

rnosissimo de gloria e

':liii.'"-""""-· triumpbo a inscrever em

lettras de ouro nos fastos a(jmlraveis de Nossa Seohora do Rosario de Fatima. C~nlo e cincoen-

ta mii portugu@ses, tal-

vez cerca de duz.entos segundo calculos de pessOas compeJente~, accorreram nesse dia ao locai bemdìto, onde ha sete annos a augusta Màe de Dcus nào cessa de derramar profusamente sObre as, almas as suas graças mais esco-

mU,

lhtdas e mais preciosas. Na vespera, quando ja tantas familias de longe iam a camlnho de Fatima, a auctorldade crvll annuociou, pela impF.ensa e por melo de editaes, a prohibiçao da grandiosa romagem. Na f6rma do costu-"~, a probibiçào erh nada dimfnuiu o brilho da lncomparavel man\festaçio reli$_1osa, antes contilbuiu em larga medtda para reaJçar a sua importancia assembrosa e lmprlmir-lbe a nototiedade a que tloha jus, dentro- e fora do paiz. Muitos dos 4,ue nella tomaram p~.-1e consideravam-na justamente como ~ mator maoifestaçlo religiosa dos nossos tempos, a par do Congresso Eucharlstico Nacio1tal .te Braga, oom o qual rivalisou e.m magestade e esp_lendor sagrado, em ardor de ié e p1edade e em ooncorrencia de fieis. Jé no sabado precedente eram i11numeras as pessOas que de 1erras distantes se dirigiam para Fatima pelas dif.\erentes estragas que para convergem. A pé òu a cavali@, em vehiculos de toda a especie, os gru.pos de peregrloos succediarµ se NllS aos 0u-

am

tros, de noite e de dia, a camiuhi, da estancia mysteriosa que tem o

a S4 -

Leiria

condao inexpHcavel de prender no seu encanto seductor as almas mais puras e mais béllas da terra de Santa Maria. O concurso intensifica· se de um modo assombroso oa tarde de Do• mingo e na segunda- feira de man ha. As multidoes precipitam•se em ondas alterosas sObre a cumiada da serra d'Ayre, onde a celebre Cova da Lria - o loc~I das appariqOes e dos pbenomeno:htnaravilhosos-parece transforrna1fa oum lago immenso de cabeças humanas. Na noHe de Domingo pa.ra segunda-feira, corno estava anonciado; rea.. llsou-se na egreja paroçtiial de FAtima a commovente cerimonia da adoraçao do Santissimo Sacramento. O sumptuoso templo, recentemen-~ te reconstruido e ampliado, regorgi• tava de fieis,

A assistencia comprimia•se a ponto de nao haver um unico Joiar va• go em nenhuma das tres grandes naves. A missa solemne reves_ti1,1 i.,m esplend6r extra()rdlnario, singularmente realçado pela numerosa cç>mmunhao geral. em que tòmaram parte cerca de sete mil pessO~s previamèn,te confessadas Qas suas t~mas na vespera ou na aAte~vespera.

Por f(\lta de sa~erdotes q1,1e

O'l

attend~sem, muitos fieis nao ped~ram confessar.se, nem por lsso mesmo receber a Sagrada Communhao.

A's

nove ltoras. quando se~uia-

mos pela _estrada que copduz da egreja parochial ao logar d.as a"j.,parlç6e5.c, centenas, talvez até milbares de flels. regressavam jA aos seus l~res distantes, depois de terem ouvldo missa e cumprido as suas dev,oçOes e promessa.a junto da btanca estatua de ~ossa Senhora do Rosario. A mela encosta, entre a capella commemorativa dos acontecimentos ma.-avilhosos e o cume dò monte, ond~ brevemente prlncipìar~ a construir se o grandioso templo da Coroaçao de Nossa Senhora, ergue-se, elegante e imponente, o altar provisorh), onde se celebram as miss~s , da i>eregrinaçao. , ' Em frente do altar, num recinto expressamepte reservado, enconrram- ' se os doentes c;ue acorreram aos pés da Virgem a pedir por sua lnterces-: '

sao a Jesus Sacramen1ado a cura dos seus males, o allivio dos seus sofrimentos ou ao menos o conforto e a resignaçao christa para os supp"Ortar com merito para a eternidade. O seu numero é grande como nnnca o foi até hC1je naqotlle logar. Sao talvez maiS- de duzutos, dispostos em longas- e numerosas filas. Alguns, os pa~alyticos e squelles cujo estado se è011bldera mais grave, estao deitados em macas, con$htuindo a primeira fila. Os Servltas e os seus auxillares, serenamente e em sHèncio. prestam os seus serviços, com um zelo e urna dedicacào inexcediveis, sob as ordens dos respectivos chefes. llns transportam ou a e o m p a n ha m os doentes, ~testando-lhes os pequeoos obsequios que a caridade reclama, outros recebem os donativos dos fieis ou distribuem gratuitamente os trlnta mii exemplar«s do numero de Outubro da 1.Vo2 da Fatima•, outros estaclonam junto das tocpeiras da

agua maravilhosa... facilitando incansavelmente e CQm uR1a paclencla

inauditi" a sua acquisiçao aos romelros, outros finalmente policiam • re.cinto murado, impedlndo a enlrada de vendedores ambulantt?s, e regu- , 1am o servlço de ordem nos locaes de grande agglomeraçao de liels-a car,ella das aparlçòes, o altar pr.ovisorio e a fonte da agua maravllhosa. As communbé5es ~c,edern-se hùnterruptsmet1te, distrlbuin.ao-se hlais

de quatro mli vezes a Hoana Sactosanta. Ao melQ-dla officia} começa a u&-: Urna missa, a missa dos enfermo.s. E' o momet1to mais em()ciouao.w da grande peregrinaçio. Em keote do altar jaz~m os doentes. e aa tsplanada que os cìrcunda encoatra.. , se urna m_ultidao com~acta de cea mi\ pesst>as. O Credo de Oumoat é caF1tado em latlm, corno preparaçto para o Sànto Sacrifieto 110 Mìssa. Segue-se a recifaçao do terço do

Rosario. De vez em guando eutòa- · cantico sagrado. Pazem-se us lnvocaçoes de Lc,urdes. O silencio e o recolh1mcntc da se um

1 1 ltidao, o fervor da sud pietfade acrlsolada, cornmovem e

encauta'm.

Veem-se ragrimas borbulbar em


Voz da Fatima multos olhos. O espectaculo é sublime e profundamente commovedor. Vae dar-se a bençao com o San_. tissimo a cada um dos enfermos. Momento unico, scena empolgaote e indescriptivel, que ninguem é capaz de presenciar de olhos enxutos•. Aquelle que visivelmente na Palestina passou fazendo o bem e que escondldo na Hostia Santa derrama em Lourdes torren tes de graças e de bençaos, tambem alli, naquete cantinho arido e escalvado da terra do Santissimo Sacramento, espalha consolaç0es allivios e curas, graças de conversiio e de afervoramento pelas almas rendidas a seus pés, em d0ees e inefidveis traosportes de confiança e de amor. Concluem os actos religiosos com o Tantum ergo, a bençao geral e o sermào. S6be ao pulpito o rev. P.e AssumpçAo Rolim e ent0a um hymno entusiastico e sentidissimo, As glorias de Maria e 4 sua bondade e mi .. sericordia para comnosco. Entre a multldào corre veloz a noticia de varias curas extraordinarias. Falla-se tambem em phenomenos astronomicos, que numerosos peregrinos affirmam ter presenciado de manba. Coraeça a debandada, que se faz lenta e ordeiramente. Cada grupo segue o seu estandarte, rezando o terço ou entoando canticos em honra da Virgem. Momentos depois a Cova da lria estava quasi deserta. Duzentas mii almas, ali reternperadas nas suas crenças e na sua piedade, I! vao por mii estradas diversas, communicar, cheias do mais santo jubllo, Aquelles que tinham fi<:ado, as maravilhas assombrosas e emocionantes da Lourdes portugue-

za.

A m:te, curada, nao faz v6tos unprudentes; promete a Nossa Senhora de ir ali as vezes que puder, de ir em jejum e de ir ali receber a Sa• grada Eucharistia e de fazer mortificaç~es·. ' A filha faz v6to de ir ali muitas vezes e de nao fatar durante a jornada. Que bélas promessas, mormente a fllha que aeslm se mortifica a si e condena as demasias das conversas de muitos e muitas que v~o a Fati• mal / Terminadas as suas acçoes de graças, a rniie diz a filha: - vou corner. A filha opòe-se, mas a màe insiste e diz: - vou comer. Que ha-de a mae corner? diz a fil ha. Trago, sem tu saberes, uro pào e um qu-eìjn. Comeu tudo com o apetite de 3 mt!zes e nada lhe fez mal. \ Ao chegarem a casa, ero fatigaçAo algurna, pergunta ao marido o que havia para ella corner. - Para ti, nada, diz o marido, para a filha tenho batatas com feijào verde. - E' isso o que vou corner. Corneu e nada lhe fez mal. Tem comido e g6sa de b0a saude, continuando no cumprimento de seus v6tos. Conserva com satìsfaçào as duas radiografias com que mostra a enfermidade de que ia sendo victlrna, e de b0a vontade pòe disposiçào da auctoridade eclesiastica, muito desejando ver publicado o favor rece-bido. Um filho seu mandou jA prégar um sermào a Nossa Senhora em acçao de graças. E' uma familia humilde e honesta e todos bern com~ortados, e d'um modo especial a agraciada tem urna grande fé e confiança em Nossa Senhora, e por sacrificio, rnortifi~açao e carldade la anda tratando d urna enferma, tendo para isso de fazer bastante sacrificio.

se o estomago a tal ponto, que che· gou a nAo poder apertar o fato. Consultado o dr. Teles, de Leiria, declarou logo ~ste ilustre clinico que eia tinha urna ferida no estomago, receltou , lhe uns remedios mas 1em alivio algum para a doente. Recorreu e~o ao dr. Plinio, que Jhe declarou ter no estomago urna forte ferida ou nasclda ja muito adiantada; poi- a a regimen de leite e que se abstivesse por completo de qualquer outra comida ou bebida, e que devia ser operada. Oirigiu· se para Lisb0a a consultar urna especialidade médlca. Observada pelos drs. Ròla e Sabino, ambos constat~ram a existencia, no estomago, duma nascida e em estado muito adlantado, devendo por i1s0 ser operada sem perda de tempo. Radiografada, os ilustres clinicos mais se convenceram da urgencia "'da operaçao; era urna ulcera maligna. Por fatta de le2alidade nos documentos a apresentar, teve de voltar terra com a recomendaçao de se nào demorar alem de 3 dias, aliaz nào teria remedio. Trouxe as radiografias que ainda tem em seu poder. Chegada terra tioha fome e fo. me a valer, fome de 3 rnezes, mas a recommendaçiio de tornar s6 leite era expressa e rigorosa. Procurando mitigar a fome e iludindo a recomendaçao médica, poz ao lume o leite e misturou-lhe alguns bagos de arroz e comeu, senlindo em acto con{inuo taes ·d0res no estomago, e · tais afrontamentos no coraçao que julgou morrer ali. Aflita, · gritava que se havla matado por suas maos, toda a familia chorava e orava. Nesta hora de verdadeira atliçAo invocou Nossa Senhora do Rosario da Fatima e pediu a urna vlsinha que lhe désse urna pinga de Bi?Ua da Fitlma, bebeu e encontra ja muitos all-

a

a

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vios.

«•••

Sr.

No empenho

de ver divulgados os mlraculo$OS factos succedidos por intermedio de Nossa Senhora do Rosario da Fatima, venho pedlr a V. a ~aça de inserir na cVoz da Fatima• o segulnte facto, que julgo dever ser publicadc, para honra de Deua e de Sua Màe Immaculada. Maria de Jesus, casada, de 52 annos de edade, natural e moradora no logar de A-do-Barbas, fr~guezia de Macelra, onde nasceu e reside, teve sempre b0a saade até edade de 45 annos, nAo obstante ser duma construçcAo que indica pouca robus-

a

tez.

eeles 45 annos teve urna grande doeaça que a obrlgou a deitar sarrgue pela b0ca. Antes desta edade nunca preclsou de médico. Como esta doença n!o tìvesse, por ventura, o devido tratamento, e ror Isso mal curada, aos 46 anos, pouco mais ou menos, começou a sentir fortes ardores ao estomago e afrontamentos ne coraçllo. • Qualquer comlda ou beblda lhe agravava o mal. Assiro continuan sofrendo, nodo crescer e avolumar•

F6rma entào o proposito de ir no dia segulnte, 21 tte junho de 1923, i Fatima, sendo contrarlada pela famllla. A tudo resiste, e no dia seguiate parte acompanhada de sua filha Joaquina, convicta de que na Fatima estava a sua saude. E tAo coovlcta estava que partiu munida dum pao e um queijo para corner no regresso. Chegada a Fatima eocheu-se de tanta alegrla e confiança por se encontrar no sltio onde a Mlle de Deus velo visitar os pecadores e oferecer aos enfermos remédio a seus males. Dirige-se apressadamente para as aguas miraculosas, joelha e bebe em tanta quantldade qu disse eia, nAo sabla onde cabla tanta agua. Ao passo que la bebenclo ìa sentindo alivios. Ao levantar-se dlz par~ a filha: -estou curada, mas quero lavar-me tambem por f6ra. Ve ali urna pia, manda-a encher de agua, e torna um banho. E', talvez, o primeiro que ali se torna, e ao salr d'elle exclama chela de alegrla:- estou curada, estou melhor, estou b0a. Partlu com a filha para junto da capelinha paia agradecer a Nossa Senhora. Quem pòdera descrever o que se passou n'aquelles dois coraç0es, da

Outra& ouras ,Venho chela de recÒnhecimento, gratidAo e amor narrar a cura do rneu fllho José Joaquìm (que atribuo 4 lntervençao de Nossa Senhora da Fatima), para que o seu conhecimento contribua para aumentar a devoçAo a Nossa Senhora. Contava cinco m@ses de edade quando fol <\tacado corq toda a vlolèncla pela enterite e acornpanhada da terrlvel bronttuite que o delxava extenuado e sufocado depoili do acesso da tosse. Chamamos para o tratar o abalisado médico de P.enamar.0r, sr. Dr. Antonio de Almeida Barbas, que pressuroso correu ao nosso chamamento. f oi inexcedivel na sua dedlcaçao e a nada se poupou para salvar o rneu querldo doentinho. Baldados f0ram todos os seus esforços. A doença nAo cedia ao tratamento, o mal sgravava-se assustadoramente e a morte parecla ter tornado conta do inocente. Ao nono dia da doença, era um sabado, 13 de Junho de 1923, perdldas todas as esperanças, ao ver o meu filhlnho com slnaes da morte, arrependemo-nos de nào termos feito encomenda d'urna urna para guardar o corpinho mlrrado do noss• fi-

mie e da fllha I I


Voz dR Fé.'timn. lhlnho, no que ja tinbamos pensado noa dlas anteriores. Aproximaram-se as duas horas da manhll; a respiraçllo tornou-se mais diflcultosa o cor~ioho inteirlçado, tudo lndi~ava o fim. Senti neste momento, no melo da minha grande dt>r, brllhar a minha fé e raiar a esperança; levantei os olhos para o ceu; a minha alma voou para Fatima e ajoelhou suplicante aos pés da Virgem Màe ; o meu coraçào angustiado pediu-lhe saude para o meu filhinho. Tinha agua da Fatima, agarrei-me a eta corno o naufrago a taboa que lhe surge no meio das vagas entumecidas e na boquita resequlda do meu anjo tanço umas gOtas da agua milagrosa. O pequenito socega um pouco mas, algum tempo depois, torna a cor rOxa da morte; lanço-lhe novas gOtas da agua bendita, recito cheia de fé o « [embrai-vos> e anciosa espero o mii agre. O menino desperta, a doença ainda se prolongou mas, graças a Nossa Senhora da Fatima, curou-se e hoje esta urna cteança forte e robusta. Prometi publicar este facto e enviar um pequeoo obulo para a construcçào da egreja a construlr na Fatima. Oraças e louvores a Nossa Senhora, a quem consagro o meu filhinho. Aldeia de Joào Pires -PenamacOr 3 de Agosto de 1924.

Maria de Castro C. Franco Fraz6o P. S.-Devo notar que a agua da Fiitima que pesséìn ami(;a me Jeu, e~tava turva, com. mli aparenc1a e de~a~r~d11vcl li vi~1a, motivo porque o meu esposo ·e orunha a que a desse a beber wo no1~0 •filhinho o que s6 conseotiu quando nenhuma esperança lhe restava nos medicamento!, Hoje essa agua esta puro, sem cheiro e cristalinn.

Maria de Castro.• e •••

ma:

Sr. Director da Voz da Ftiti·

Peço a V. o favor de mandar publicar no seu jornalzinho a graça que um filho meu recebeu da Santissima Virgem Nossa Senhora do Rosario. Eu, Maria dos Santos d' Almelda e José Perelra do Reis, participam o prodigio que Nossa Senhora do Rosario da Fatima se dirnou fazer a um filho meu de nome Manuel Pereira d'Almeida Reis, de 36 anos, soltelro e morador 'no logar da Amoreira, ~oncelho de Vila Nova d'Ourem. Tendo andado numa obra sua, de tal maneira se forçou que começou, dai em dia11te, a deìtar sangue em grande quantidade a ponto de o médico lhe dizer que s6 se curaria passado muito tempo, e ao mesmo tempo receltou-lhe remedio que pouco efelto produziu. Tendo eu perdido as esperanças da sua saude f)edl· lhe que se voltas- C se para Nossa Senhora ào Rosario da r~tima e prometesse alguma cousa, o que logo fez, e tendo bebldo agua da fonte das apariçOes e rezado -uma Avé- Maria emquanto a bebi:i, logo, passados alguns dias, estava melhor e nunca mais tornou a dettar sangue. A promessa que tioha feito fol de guardar sempre o dia 13 de cada mez, confessar-se e comungar no rnesmo dia, o que sempre tem cumprido, e eu tambem fiz a seguinte

promessa, que graças _a Oeus, est4 j4 cumprida e é o segumte: Dar urna fita de séda do tamanho do meu fllbo mandar dlzer urna missa no tocai das aparlçOes, a qual foi celebrada pelo Sr. P.e Antonio Ferr~ira, de Santa Catarina da Serra, e ir de joelhos donde pudesse até ao tocai das apariçOes de Nossa Senhora. Amorelra, 17 de Agosto de 192-t.

Maria dos Santos d'Almi/da Ja ha mais tempo lhe devia ter comunicado aleumas curas de que tenho conhecimento, das quaes urna a tenho por verdadelro milagre. E' a cura durn irmào meu, chamado José da Silva Louro, filho de Antonio da Silva Lauro e de Ana de Jesus, naturais e moradores no lugar da pracana da Ribelra, freguezla de Cardigos, concelho de Maçao. Muito novo ainda, sentiu que Nos• so Senhor o chamava para a Companhia de Jesus. Partiu em Agosto de 1917 para a Escola Apostolica de S. Martin de Trevejo (Hespanha) onde esteve 5 anos, levando Seplpre a cabo e com bom exito os seus exames, com bom comportamento. Tendo concluido 011 5 anos de estudo na Escola Apostolica, parte para o noviciado (Oya-Hespanha) em Outu. bro de 1922. Ahi, tcve urna doença que o poz as portas da morte. Desde Janeiro até Abril de 1923 esteve sem se levantar e nem sequer jA se tinha de pé. Ja nào havia esperança nenhunaa. Oiziam os médicos que eatava tuberculoso e que nào escapava, quc se preparasse para a morte que em breve o viria buscar. Cheio de confiança o Rev. P.e Superior, A'quela que é chamada e com razlio Sa/.us inftr,;. morum promete fazer juntamente com a comunldade urna novena a Nossa Senhora de Fatima se se dlgnasse dar-lhe melhoras. Começada a novena começa tambem a sentir melboras. Terminada eia ja se levaotava. Depois velo ao Porto para se certificar da sua cura e todos os mé~lcos lhe disseram que estava restabelecido. PessOas que o conhecem, e que, és vezes vllo vé-lo, me teem dito que é um verdadeiro mllaitre. Hoje esta completamente bom. - ~ria de Nazaré, mlnba Irma, de 11 aoos de edade, tendo as pernas, do joelho para balxo, numa chaga, a notte as lavou con:1 agua mlraculosa de Fatima, e de manba, com grande espanto seu, vlu que as fogagens todas tlnham desaparecldo nao voltando a tel-as, - Margarlda Maria, de 7i anos, viuva, natural do Frelxoelro e moradora neste lugar da Pracana da Rlbeira (Cardigos-Maçao), tendo urna dOr num braço, de tal f6rma que o nllo podia levar a cabeça, e pon~o urna imagem de Nossa Senhora de FUima sòbre o braço, a dOr foi dlmlnulndo de modo que no outro dia ja estava sarada. - Joao Martlns Manso, soltelro, de 60 anos de edade, oaturàl e morador no lugar da Pracaoa da Ribeira o qual tendo um inchaço no joelb~ que o nao deixava ajoelbar, e

lavou com agua e terra de PAtltna O inchaço fol diminuindo e hoje oao lbe da incomodo algum. - Joaquina Nunes, de 53 anos de idade, moradora no lugar do Casalinho (Cardigos), estando um dia ae pé do lume e caindo-lhe para cima dum um grande madeiro de azinho que ardia, e nao podeodo eia tira-lo por ser de grande pèso, teve de esperar muito, até que lh'o vlessem tirar. Flcou o pé muito maguado, corno era de esperar, mas tendo-o esfre,ga• do com agua e terra de Fatima, logo no dia seguinte melhorou, e desde entào nuoca mais the tem dado lnc6modo. No dia 13 de Setembro eu vi o assombrpso fenomeno solar ao nascer ao rsol. Eu fiquei todo amarelo e Ca digos, que fica perto, tambem o vi amarelo. O sol espalha seus raios da cOr do arco iris e, desde que nasce até urna certa altura, v!· se perfeit11mente que o sol treme e tern ocasiOes em que se p6de fixar corno quem olba para a lua. Nào fere a vista, parece mesmo urna Hostia Consagrada. Mas em Maio e Outubro ~ que se observa bem o fen6meno ~olar e nos dias 13 é que isto se da, nos outros dias o sol ne subindo, subindo, mas nao se percebe nada de extraordinario. . O que é certo é que, segundo as coi6as que se dizem, fazem e observam, Nossa Senhora apareceu verd~delramente em Fatima, na Cova da Iris, para salvaçAo dos pecadores e deste seu tllo querldo Portugal. Pracana da Ribeira (Cardlgos), 14 de Setembro de 192-4.

pe

'so

Henrique da Silva louro Aluno do Seminario de Evora

Pediram e obtiveram gr.aque veem agradec&P

o••

a Mo••• Senhora do Roearlo da Fathn••

Em cumprlmento de promessa que fiz, venbo trazer ao conhecimento de

V. Ex.• algumas graças recebldas por intercessao de Nossa Senhora do Rosario da Fatima, pedindo para tlrer do que exponho o que julgar conveniente publicar, ocultando o meu nome sob as iniciaes L. A. L. pois corno V. comprehende, nào tendo atestados, ver-me-hia em embaraços pera responder numerosas perguntas que certamente me seriam feltas. No entanto, devo dlzer que sempre que ~ oferece ocasiAo relato o que se tem dado com!go p a assha prestar ~ Virgem Màe de Deus a Homenagem da minha gratidao e amèr. -= Recorrendo a Nossa Se11hora fitima para a soluçào d'um assunto que se julgsva justo, pendente havta jé1 muitos mezes, fui logo atendlda • pela Augusta Màe de Deus, pois dentro em breve tudo estava resolyldo satisfatoriamente, Indo eu com m,nba familia no mez seguinfe, Novembre do anno passado, a Fatima agradecer tao grande Mere~. Em fins de Abril d'c~le anno tive urna grande enfermidade. R~or-

as

·aa

=


rendo no dia 3 de Maio a Nossa Senhora do Rosario, prometendo que se melhorase até ao dia 8, me havta de incorporar na peregrinaçào d'esse mez a Fatima, tendo pedido a~ua de Nossa Senhora para beber, comecei imecUatamenfe a sentfr alivios, pr~ gredindo as melhoras de tal f6rma que no dia 9 estava cornplètarnente bOa. fui A FAtlma no dia 13 e apesar dos •trez àlas da viagem n~o senti fadiga alguma. = Algum tempo depois apareceùme em todo o corpo urna grartde erupçfio de pele, pondo-se,-me os membros inferiores verdadeiros cépos, e corno nff o melhorasse com remedio algum, comecei urna novena com agua de Nossa Senhora, constatando que ao 4.• dia estava multo melhor e no fim da novena completamente curada. =Urna filha minha esteve com principio d'urna congest~o. Invocando Nossa Senhora com grande afliçào, prontamente se sentiu melhoranclo. E1s muito resumidamente, as graças que a mim e aos meus a Virgem Nossa Senhora do Rosario da Fatima se tem dignado conceoer-"os. Tenho n'Ela grande con{iança porque mais e mais me convenço que nio é em vlo que a Eia recorremos. Oesculpe-me, etc. Aveiro, 8- 10 924. L. A. L.

Francisca Carola. casada, peixeira, de 29 anos de edade, moradora

,

no logar do Ribeiro da freguesia de Murtoza, sofrendo de um tumOr, e dçpois de ter consultado varios especiallstas que lhe aconselharam urna operaçao, prohibindo- a de todo e qua1quer trabalho, recorreu a Nossa Senhora de FAtima, bfbendo a agua co.m toda a devoçao. O tumOr desapareceu sem ter de recorrer a operaçlo. Maria dos Anjos Calçada, casada com Joao Maria da Silva, de 29 anas de edade, moradora no logar de Pardelhes da freguesia de Murtosa, tendo-lhe adoecido com febre repentinamente, um seu fllho de nome Joao Ma,la, de 8 anos de edade, e tendo eta ha tempo sofrido urna opetaçao e sentlndo se ultlmameute bastante mal, com recelo de se sugeitar a aova o~raçAo, recorreu a Ella pedindolbe a sua valiosa protecçlo o que conaegulu.

-----,---

P,J_edade Bunhtir8a, vluva, de 58

de eP,ade, negoclante, moradora oo

1otar de Pardefhas, fregueaia de Murtosa, sofrendp de urna e11torce nuna braço, consultou o médlco que nada lhe poude fazer e aconselhou-a a ir ao P.orto procurar um eeplciaUsta. Na noite da antevespera de ir a tima na peregrinaçAo de Agosto, e~ tando muito aflita, pediu encarecida111enle a Nossa Senhora que a alivlasee; porque desejava muito acompanbar a peregrinaçao. De manha apareceu completamente curada, o que ju1ga ser um verdadelro e grende milagi;e de Nossa Senhora.

P.,-

-~

D. Matia da Conceiçllo de Ca"stro e t.emos a'Alarctio, de Monternor-o-Velho, em doença bastante 1rave.

/060 luiz de Car'lalho, de Mjubarrota que tendo sua irmà Mar)a Gertrudes de Car.valho, gravemente enferma recorreu a Nossa Senhura do Rosirio promettendo mandt1r celebrar uma Missa, comungar na Fatima e publicar a cura.

Laurinda Marques, (Calçada Duque de [afOe!I, 41, LisbOa) salva do choque de comboios na Caruorosa. D. Maria luiza Dtl8ado, residente em LisbOa na Calçada do Moinho de Vento, n. 0 26 t. 0 cfferece 10$000 rels a Nossa Senhora do Rosario de f Atima, em acçao de graças pela cura de seu marldo que estando em perigo de vida, e jA desenganado dos rnédicos, com doença de coraçlio e paralìsac;ao dos rlns, bebeu com F.é agua dp Nossa Senhora da fAtima e ficou salvo. Maria Augusta Santos, Apoi onta Abuna, Rosa Marcellna, Joanna Al· meida, Alexandrina Bispa, Manuel Vareiro, Custodia Mattos, Maria da Annunclaçao Perelra, Maria José San• tos, Maria d'Oliveira, Maria francisca da Silva. Ascençllo Paaelra, Maria Jarina, Anna do Branco, Maria Rosaria de Pinho, o menino Natalino Lopes, todos da freguesia da Murtoza, em varias doenças e afliçoes.

-------.

Vlctor Fernandes, de Setubal, em uma doença de olhos e mais tarde em urna grande dOr de estomago, achando- se melhor depols de ter recorrJdo a Nossa Senbora da Fatima e feito uso da agu~ A famllia Harney, lnglha, resi· dente em LisbOa, multo reconheclda a Nossa Seohora vem do mesmo mo,; do agradecer graças recebidas.

No· mes das Hlmas O Veneravet Lulz de Blols conta o segulnte episodio: Um dia U!l} devoto servo cle Deus que elle conhelcla e de quem era muito aml,o fol visitado por urna alma do Purgatorio. Esta fez. lhe ver todos os tormentos que padecia. - ,Sou punlda, C!liz ella, por ter recebldo a divina, Euctiarls.rta com urna preparaçao lnsuflcienlo e multo tlbleza. Por isso a divina justlça mt; condemnou a este supllclo de fogo devorador que me coasome. • - ,Oh I eu vos conjuro, visto que sols meu amigo Intimo e fiel e 9uer.els continuar a sei-o, eu vos conjuro que comungueis 11ma 11ez em meu nome, mas com todo o fer.'lor de que fOrts c.apaz. Tenho confiaoça que esta fervorosa çomunhAo haslar~ para me livrar e que, por este meio, :ierao comP,ensadas as mlnhas culP,aveis frieras. » Este se aJ?ressou a ouvi( a Sfl,Jta Missa e a comunEar tao piedosamente quanto lhe foi possivel pelo re-

Abrigo para os doentes peregrinos da f.atima Transporte . • •.• 330:001 D. Maria da Conceiç~o Alcantara ...•...•...• 10:0ot D. Oertrudes Valente.•.• 20:00I 2 aoonirnos....•....•• 20:009 D. Leopoldina Lobato.... 1:000 D. Lucinda Soromenno••• 10:001 Soma ...•• • . . . 391 :OOt

\/oz da Fatirna Despezas Transporte. • • . 17:091:72.. Impressao do numero 25

exemplaret-). •

736:000

1 ltvro. . . . . . . . Expediçao e outras. . • 75 resmas dc papt:l. . •

t 1:ioo 8:,:aòo

(32:000

4.728:750

Soma • • .

22:G:, 2:970: Sulaacrip9Ao (Coc cinuaçao)

D. Maria Joanna d'Almeida Saldanha e Cruz . . • • 10:000 D. IIJa Branèiiio de Miranda 10:000 D. Maria Luiza Brandào Abccassis • • • • • . • 10:000 D. Maria Fausta d' Almeida Monteiro. • • • • • • • 10:ooe>· D. Ermelinda de Oliveira Braz • . • • • • • . • 10:000• D. Judith Braz Arsenio Nu• nes, . • • . • • • • . 1('\:009 · D. Maria da NatividAdc Mattos e Sil va • • • • • • • 10:000 D. Rosa Paes Vieira. • • • 10:0<>0 D. Sophia f)ias. • • . • . 1 5:000 ,

Manuel Maria da Silva. • • D. Maria do ~rmo da Rocha (2. 0 anQo), • • • • • D. Maria do Carino Armando D. Maria do Ceu Cardoso de Menezes Girao • . • • • Antonio Tavares Penacho •

José Jooquim aebelo • • • Manuel d' Aguiar • • . . •

10:000·

10:00<>

10:000· 10:000 10:000 ,

D. Maria de Louniles OUveira Souza. • • . • . • • 10:000 CarlO'!t de Sepulveda Veloso. 10:000~ D. Joaquina Antunes. . • • 10:ooe . D. Gertrude, Pinto Serrano 10:00• D. Maria Inada Serrana • • 10:~ Jose Henrique d'Oliveira. • 10:000 D. Maria Hrnriqucta da Camara .M;1galhats . . . • 10:000 • D. ~laria do Ceu Nunes. . • 10:00• D. Maria da Conceiç5.o Alcobia. . . . . . . . . . 10:000 D. Beatriz Nunes Mancira. . 10:000 D. trmelinda Braz d'Olivei-

ra • . . . . . . . . .

Fernando Dia'> Sardinheiro.

10:000 10:000

Centit:ria no proximo numero


Ano :IJI ~~

l

-

(COM APROVAç.ÀO ECLESXASTICA} AdualnJ•trador: PADRE M. PEPEIRA DA SILVA

Director, Proprie-torlo e Edt-tor

DOUTOR MANUEL MARQUES DOS SANTOS Compoeto e impresso oa Imprensa Comercial, 4

13 de Novembr.o 6

G 11

o dl: 1~3 de Novembro ultimo celebraram-se, em Flitima, na f6rma do costume, as solenldades re• ligiosas commemorativas das apariçòes e dos phenomenos maravilhosos de 1917. G O dia estava lindo, verdadeiramente primaveril, o ar tranquilo, a temperatura amena. Apenas de madrugada o frlo se fez sentir com urna certa inteosidade, impropria da epocha, anunciando estar proxima a estaçao in· vernosa. A concorrencia nllo se podla comparar de modo nenhum com a do més anterior, posto que ascendesse a al~uns milhares de pess0as. Havla mais paz e socego, a atençAo nao se dispersava por mii incidentes diversos que succedem com frequencia nas grandes agglomeraçOes de povo e a devoçllo penetrava mais fundo nas almas, fazendothes respirar um ambiente saturado de sobrenatural. Os doentes eram bastante numerosos, tendo alguns. vlndo de longe, em meios de conducçAo extraordlnarlamente incommodos. Entre elles atrahia dum modo especlal a attt:nçlo dos peregrinos urna senhora multo nova, de rosto emaclado duma pallldez cadaverica, cujas felç0es traduztam os mais cruciantes soffrimentos phlsicos e moraes. Edificava e co111movla prnfundamenre a sua fervorosa pledade, inspirada por urna fé viva e ardente e acompanhada de uma suave resignai;~o christa. A benç:io· dos enfermos foi, corno sempre, a cerimonia mais emocionanlt!. Era um espectaculo a que ninguem podia assistir sem que os olhos se lhe inundassem de lagrimas. 0s servitas e os ~eus auxìliares, sob a dirccc.;i\o dos re!pectivos chefes, prestaram tambem neste dia os seus vallosos serviços aos peregrinos e, especialme11te, aos enfermos. . Desde que essa benemerita assoc1açào de piedade e caridade se fun-

~

s, -

Leiria

uoAcçAo

E ADMJNJSTRAçlo

RU-(A D- NUNO ALVA.BES P:ER:Ell::RA. (111:.ATO NONO DE SANTA MANA)

dou e começou a exercer a sua acçao, para logo se reconheceu a sua benefica influencla no sentldo de estabelecer a ordem em todos os actos collectivos e de proporclonar aos peregrinos, e sobretudo aos enfermos que vAo a FAtlma, os mli pequenos serviços e obsequios que precisam. Prégou o sermao o rev. Perelra Oens, parocho de Ourem. A's cinco horas ja quasi todc,s os peregrinos se tinham retirado para as suas ltrras distantes, vendo-se na Cova da lrla s6mente um ou outro devoto dos logarejos mais proximos, rezando com fervor as suas ultimas oraç0es deante da branca e formosa estatua da augusta Virgem do Rosario.

V. de M.

Hs cnras da f étima Ent,e outras rectbemos as se~uin-

tts cartas:

ss.

111 dar Jouvores a Virgem • por tlo grande e miraculosa intercessao.

/. M. P. Maria da Piedade P.ercira. de Vlla Nova d'Ourem (Quinta da Caridade). Em junho de 1923 urna sua filhinha de 18 mezes esrava com a coqueluclie che~ando a estar desenganada do médlco. Tendo feito uso da agua e prometido qma Missa, que foi celebrada no altar de Nossa Senhora, em fevereiro, começou a melhorar. - M. B. P. C. B. L. vem agradecer a Nossa Senhora do f~osariò a cura de urna pess0a •que se entregou absolutanente nas maos d•ftta niio consentlndo intervençao alguma médica por querer que Nossa Seohora fizesse s6zinha o que qulzesae f A doença foi um grande caroço que durante mezea causou sofrimento e, aplicada a agua de Nossa Senhora dlariamente num penso, desapareceu por completo».

Maria Amelia dt /tsus

Santo Tirso 3/11/924.

Rev.1110

Sr.: Pedlndo para, por inter111édio da • Voz da Fatima• dar publicidade a esta carta, particlpa a V. o abaixo assinado, morador em Santo Tirso, de que sofrendo do coraçào e corno, na noite de 19 do mes flndo, me sentisse multo mal, julgando aproxlmarse a morte, no melo dos meus sofrimen tos atrozes, lembrel- me recorrer 4 protecçllo da Virgem Nossa Senhora do Rosario da fAtlma, de quem sou dev6fo, pedindo-lhe para me salvar e curar da minha doença, prometende eu. conf6rme as minhas p6sses. um 6bulo Virgem da FAtima, caso me salvasse. Cemo me tivesse senlldo melhor, depois da minha invocaçao Vi,gem, julgt,, com grande jubìlo da minha alma, que fui atendicto da ss.n11 Virgem, remetendo eu por essa razfio, a quaRtia que posso dispender, e caso Nassa Senhora me conceda o milagre completo da minha cura radical, eu tambem, n'essa feliz ocasiào, cumprirei outra promessa, igualmente corno puàer, e se me fOr possivel, irei 4 Fatlma peuoalmente agradecer e

a

a

Agradece a Nossa Senbora da P,tlma a graça da cura de uru irmlo que estava em perigo de vida com urna pneumonia dupla e uma pleure. zia, desenganado dos médicos. Oraças a Nossa Senhora de fAtlma hoje estA completamente restabelect-· do. Pede a pubtlcaçAo desta graça ~ra honra da Vtrgem Santissima. Porto 9/6/924

• E' com o malor prazer q•e tenho a dizer a V. Rv.111• qne uma pe1s0a da minha familia sabendo doa grandes milagres que succedem em Fatim~ e tcnlAo o marÀdo bastante doente, sem que os médicos conhccessc m a doenc;a, pois todos formavam dife rente opinilo uns dos QU• tros, !iem que nenhum lhe désse cura, ja de~ilu,lH:lo dèlxou de consultar qual\luèr médico e assim continut1va doeule, até que a esposa se lembrou de fllzer uma nov('na a NosSl !:>enhora do Rosario da Fatima, e 11inda n~o a tinha· terminado jA o m~rido se sentiu melhorar e boje esta completamente bom.


cwt; na Madelr.a, p.or multo

eu

Evangelho :

'Porventura vem a

lletrna para a meterem dehaixo do alqaelre ou debalxo do leito? Nilo,. I antes para se p~r sohre o candiei-

ro?

Mais uma vez agradeço os jornais, que vAo levar mais àlgumas pessOas

--ao conhecimento dos milagres que se vem dando, para maior gloria de Oeus e

da Santissima Virgem. Sou, etc.

Funchal, 35 l 1-924.

E/mina Corte• Marlaaa da Pu.rificaç/J.o Oonçalves Oeclara que estando gravemente enferrna, sendo preciso fazer wma operaç!o muito melindrosa, invocou com multa fé Nossa Senhora de FAtima e foi ouvida concedent1o-lhe N. Senhora a graça do bom exito da -0peraçlo. Pede pois para se publicar esta graça no jornal de Nossa Senhora de f atima, para honra e gloria da Mae -de Oeus.

Porto 9 16/924

tao inc6moda viagem: cair de joellws

pou-

cas pessOas eram conhecidos os milagrea alcançados pela valiosissima ntercessao da Nossa Senhor~ do cniario da Eitlma, mas urn~ amiga loha teve a ondade de enviar-me ~ jornal e asslm tive ocasiào de ~reciar a sua utilidade e quanto é necessaria a eua propaganda. Ji No!so Senhor Jesus Christo nos diz no

..

Pala Ivo I 8-10-924 .;renho urna noticla deveras agradavel a comunicar-lhe e é com a maior satisfaçAo que me apresso a isso ;>ois ~la é mais urna gloria para a nossa

M4e Santissima.

;T,endo jA Ido algumasvezes a que. senr:to a ultima vez no dia 13 do prezente mez, fOmQS algumas pessOas, entre elas duas doentes, aendo uma minha afilhada e urna IQifl.hl Intima amtga, que tinha um ' braço parallzado havia 6 mezes. !Mi• nha afilhada sofre de urna doença pulmonar de que nada ainda posso dizer; experlmentou algumas melhora , mas s6 ln<io ao médit:o podera ,aber as melhoras que tlm. ssa mtnha intima amiga, que, corno Il disse, tinha um braço paralizado havla 6 mezes, no dia seguinte da ili I f~tlma experlmentou bastantes rnelhoras, poaendo jéi lidar com o braço, graças a Nossa Senhora. essa menlna cujo nome é Maria da Piedade Sllva Rijo, mora no ùito lugar de Palalvo e desejaria ver esta

te santo lugar e

notlcia publicada, agradecendo desde ja a verdadeira ccente de Nossa Seotiora.

Marla da Soledade Nunes•

'Maria do Socorro Paiva, agradece a Nossa Senhora da Fatima um beneficio recebido. Pede para se publlcar esta graça no jornalzinho, pois assim prometeu a Nossa Senhora.

Hgua da f atima ~s pessOas que desej axem obt e r agua da Fatima e mesmo outros obj ectos ~eli~iosos, po-

a resa, sobre o po ou sohre a tama

As minhas impressoes Estive também em Fatima, corno é ja pt1blico, e pela vez primeira, no dia 13 de Outubro, 7.0 anivcrsario da ultima real ou suposta apariçaò. Fui la corno Mmples romeiro no cumprimento duma promessa que oa América do None, ha uns 3 anos, fizera. Falei oficialmente, melb0r, gritei umas quantas palavras à iocc1lèulavd multidiio que se apintiava diante do provis6rio altar. A isso me obrigaram, na ocasiao, os mcus amigos, aos quais é <lcver mcu agraaccer aqui a imcrecida honra .quc me conccderam. Vou dizcr cm duas palavras agrestcs, corno agreste é a Cova da Iris, as minhas pcssoais i_mpressocs, sem cuidar dc ser originai, nada se me dando de que sejom imprcssoes de mu1tos, imprcssot:s ae toda a gente. Ao ch l'gtr a Fatima pouco depois das 10 horas da manha, fiquei corno que csmagaao 500 O pC)O dum facto raras vczcs ob~crvado cm circun!>t.\n· cias favor.iveis e talvez nunca em circunslt\ncias corno aquclas: vi um ver· dai.iciro mar dc povo, de ambos os scxos, de tod~s as 1dades, àe todas as classes e posiçéh:s sociais; uns de joelhos, outros de pé; uns rezando, outros cantando; e·nes a confossar-sc, aquelcs a comuogar; uns a passear, outros sentados; quem a chegar, quem a partir;- e em tòdos uma indizivel sati~façao, um sur,crior contcntamcn· to, me$mo no rosto <ios que choravam, porque vi$ivdmente cboravam d.e akgria. Alguns artig)s 1cm anteriormente, cm t'ortug11I e Arnéric1 do None, rcfercntes a Fatima; confesso porém que cst:~-v.a b.em longe de supor o qùe prescnc1e1; Jt~lgava ex:,gcro o que agora se me 1mpunha corno esmagaJorn rea lidade. Comecci dc reflcctir •. [Prl'guntd a mim mesmo: quantns pcssoas cstarao agui? 100.000? 120.000 150 ooo? A rcsposta foi sempre esta: nao sei. • • ' E que logar é este? E' uma simplcs cova no planalto duma pequcna serra. Quc ha aqui que ver? l'edras, mato, arbustos, po; nenhu· ma bckza, nenhum tiumano atractivb. Que cominhos dao P(ra aqui? t.amìnhos dificeis. Que mèio'> de transporte tem esta gente? Porvcntura rapidos comboios, comojos elltricos ? Nao; éste povo incc1lculavel veio aqni .:le todas as pro'fincias do Pais scm adcquados meios de transparte, lutando com mii dificuldades, 1•clusiva a proibiçiio do Governo, e por isso mesmo na incerteza de realizar 11 s.aa aspiraçao, e objectivo uoic~ tle

da Cova da lria ••• Nao sera isto verùadeiramente fenomcnal, sobrenatural, divino? Que iman atrai ali C$te povo? Que iman o conserva ali, rezando e cantando tantas horas, e sem nen'huma visive! fadiga ? Eu pr6prio estive ali, junto do al• tar, dus' 10,30 da manba as 2,30 da tarde, qmhi sem dar por isso. Convém nao e$quecer que qual· quer Avè-Maria nos cansa .•• No dia 12 ja se calculavnm em 4?,ooo ~s pessoas que esperavam o dra segumte. Onde passariam a noite? Em confomiveis hotéis? ou, ao menos em barracas dc campanha? A's inclemèncias do te::mpo, quaisquer que fossero ..• Diglm o quc quic;ercm, menos que nao é éxtraordiniirio. . . Poder-se-ha explicor este facro pela s101.ples fé do povo portugués ? pela sèjc quc tcm de dias mais fclizes? pela sugestao ? Talvcz, mas nao me parccc: nao lhes faltam templos em mais fovornveis condiço::s e historicos oade desafogar a sua alma; e. por outro 1ado, seria urna sugcstiio' e inuto•sugcstao de 7 anos, em maravilhoso progresso, se!n propaganda proporcionada que a 1uc;t1tìquc. Entao aparcccriu, de facto cm Fa· tima, Santa Maria dc Pon ug I Santa Maria das nos~as batalhas? ' Talvt:z sim, e talvez nav..• . Nao o afirmemos categoricamente, que o sobrcnatural nao se supot!, prova-se; e falcccm-no., ainda p.rovas evidentes e autoridade para Jcllls julgar. Precisamos milagres scie11tificamente

auten.ticados.

Hogucmns i nsta nt~mente, fervorosnmente :i Senhora do Rosario de Fatima que no-los abtenha do Stnhor, cm beneficio dos nussos queridos doen• tcs.

Entrementes nao ousemqs também negE\r ~s apariçoes èie Fatima. Em que argumentos nos bascare• mos parn o fazer? Scjamos sinceros; na) os temos. Se o sobrcnatural se nao deve afir mor_sem provas, tambem 5cm rrovJS se nao deve :1cgJr. Enqua nto se vai es teda ndo · o problema - e bom é se s.:stuJc a va1crdeixemos o bom povo p1.>rtuguc,1 na sua piedosa crença, que tantas e tai, ' maravilhas vai produzindo . .• Acusar.-nos-hao dc fanatismo? 4

Quem? 0s famiticos de idiais, por vezes subvcrsivos, estércis de todo o bem e tecundo~ em muitos males. Coimbra, 17-X-92,+ P. Rolim. (Do Boletim l\tensal da Ordcm Terceira).

llm fim de anno Mais

um

anno que desaparece no

abtsmo do pa~sado I .. D'aqui a dias diz-5e-ha:

aqu.i laz

1124 . . , Olreis: «tenho mais um anno ....... Nàò, nao tendes; teades um anno

aI menos.

1


' ~OJit;

Este anno que desaparece olo é voaso. f oi-se, morreu; n:lo voltarA mais 1 No entanto é preciso distingulr: .este anno é ainda vosso, podeis contai-o no vosso actlvo se foi bem tm• _preeado. E' ainda vosso se esta lnscripto IA em cima no livro da vida. Nao é vosso, porém, se elle fol mal RDsto, se o perdestes, se estA inscri• pto lt em cima no livro da morte. E..• que vos parece? É, ou nAo é vosso este anno que estA a acabar? Lançai reso1utamente um olhar para traz e com a mào na consclencia respondel com franqueza. O .dia vae jA a declinar: corno tendes passado a tarde? Parece- me que vos ouço responder: < Nào tenho felto nada de vafor •. -Nào tendes feito nada. Portanto, urna tarde perdida. E a manha? - A manha••• meu Deus I fiz o mesmo. - Port,anto, urna ma11,'w perdida. Urna manha, pois, e urna tarde, isto é, um dia perdido. • E durante a ultima semalla que tendes felto? -Corri, brinquei, rl. A respelto de trabalho utJI, nada•. - Portanto, uma semana, isto é, .sete dias perdidos. E quantas semanas tendes passado assim? Talvez cincoenta e duas, ou seja um anno. E quantos annos? Trinta, quarenta? Tereis talvez trabalhado com o fim de ganhar dinheiro, fereis estudado, obtido urna situaçao de desfaque na sociedade••. Isso, porém, nao basta. Com que Jntençilo teodes feito tudo isto ? Para obter gloria no mundo, gloria que se esvae corno o fumo? NAo fol para isto que fostes creados e postos no munclo. E' necessario agir, operar com os

JJllios em Deus. Se nffo••• perdestes o anno.

Phot_og-ra1>hia, " O nosso cotaborador sr. V. de Montello encarrega- nos ile ·solicitarrnos por esle mefo dos nossos presados lettores que possuam photograpbias das cerimonias rellgio~as realisadas no locai das appariçOes, a subida fineza de lh'as emprestarem por atgum tempo, para a publicar num livro que traz em preparaçao, dlgnando-se envi!i~las com a possivel orevidade, para esse fim, ao rev. Manuel Pereira da Silva - Camara Eclesiastica - Leiria.

Um jovem de vinte annos, ferìdo mortalmente em umas rixas, vivera sempre no vicio. A sua pobre mlle, vendo-o prestes a morrer, quiz falar- lhe de Deus, o que o fez blasphemar horrivelmente a ponto de procurar atirar a cara da mae com os objectos que apanhasse mao. Esta calou-se, mas olhou para urna Jmagem do Sagrado Coraçao, que

a

da Rti.-tlma.

estava na parede e correa em dlrecçAo é egreja. ~

Ahi, por toda a oraçlo, pronunclou apenas, com fé, as segulntes palavras imitadas do Jadrao arrependido: ,Senhor, no vosso relno, tende piedade de meu filbo e nao o dei• xeis perder para sempre.• Voltando a casa, com sorpresa sua, o filho, em atitude pledosa, lhe

diz: -Minha mie, diz élle mostrando a lmagem do Sagrado CoraçAo, Elle disse-me: cHoje estan\s comigo no paraizo.• Era a resposta do Salvador ao bom ladrao, completando a oraçAo da m:le. Pedlu um Sacerdote, contando a seù pae, lrupio como elle, as palavras da visao. O filho morre com signaes de predestinado e o pae vive depols corno bom christao. Passou se isto em New York e vem cltado no Petit ·Apotre du Sacre Coeur de M. f ebvre.

Abrigo para os doentes peregrinos Ha Fatima Transporte • • • • • 391 :000 D. Maria Jos~ Martins Contreiras Bandeira. • • • • • 10:000 D. Elisa Caetano Martins Pereira • . • • • • . . • . • 100;000 D. Antonia de Figuelredo Nunes de Carvalho . . • . 5:000 Gilberto f ernandes dos San-

tos . . . . . . . . . . . . . . .

20:000

Soma • • • • • • • • •

526:000

- Sào da Beata Teresinha do Menino Jesus as seguintes palavas : , Nao é por ter sldo preservada de pecado mo, tal que eu me elevo a Deus com confianca e amor. 'Ahi ~into que ainéta que tivesse'a pesarem•me sObre a consclencla todos os pecados que se podem cometer eu nào perderla nada da minha confiança e iria, com o coraçllo partido de dOr, lançar-me nos braços èfo meu salvador. Eu sei que Elle acariciou o filno prodigo e tenbo nos ouvidos as suas palavras a Santa Magdalena, ~ mulher adultera, .i Samaritana. Nào, naéta me poderla desviar, porque eu sei avallar o seu amor e a sua misericordia. Sei que toda esta muhidio de ofensas se desvaneceria em um abrlr e fechar d'olhos corno urna gota d'agua em um brazeiro ardente. Conta-se na vlda dos Padres do deserto que uni d'eles converteu urna pecadora publica cujas desordens escaodalisavam uma regiào inteira . Esta pecadora, tocada da graça, segula o santo para o deserto para abl cum prir urna rigoroSA penltencia, quando na primeira noite de viagem, !lntes mesmo de ter chegado ao logar do seu retiro, os seus laços morlaes foram quebrados pela lmpetuosld.ade do aeu arrependlmento cheio de amor ; e o so~itario viu no mesmo instante

a sua alma ser levada pelos anjos ao selo de Deus. Eis ahi um exemplo bem frlsaafe do que eu quereria dlzer, mas eatas cotsas n!o se podem exprimir.•• Ab t se as almas fracas e lmperfeltas, corno a minha, sentissero o que eu sinto, nenhuma perderia a esperança de atingir o cimo da mootanha do Amor, pois que Jesus nio nos pede grandes acçOes mas someote o abandono e o recPnheclmento>,

Dois lares que nào se parecem Durante mais èfe trJnta annos o Rev. Paroco da freguesia de X • •• se tinha desempenhado com aquela dedicaçao, zelo e abnegaçAo que poucos coruprehendem e que, sendo o apanallio distlnctivo dos minlstros do Senhor, as vez~s Hio desconhecidos ou calumnlados, passa despercebH1o dos olhos do-mundo. Se alguns, As vezes, se riam da alegre simpllcldade do seu Paroco, olio havia ninguem que n!io Jhe tivesse urna grande veneraçao e profunda es• tima. Este respeilo e ~feiçAo manifestavam-se principalmente por occaslao das suas vlsltas pastorl\~S. Era um verdadeiro pae para as suas ovelhas e estas receblam-no com uma alegrla filial. Todos s~bèm que elle vìnha levantar, dar co{agem, abençoar. Todo o Ola p pastor tioha andado em visita ao seu rebanho. Urna a urna, as farnllias 1am ouvin• do conselhos paternaes, palavras de • salvaçao, que dOces como o mel, lam caindo dos seus lablos. Cançado, ofegante, parece que o ancllio tinha dlrelto a voltar a casa para descançar um pouco. Havla alnda porém, duas famillas que esperavam a sua visita. Nos dola lares elle gucr ir alnda espalhar consolaçlio, coragem e felicldade. Silo porém dols lares que nffo se p4reeem. O prlmeiro é o de um ho nesto trabalhador. Casa humifde, moveis modestos, vestidos acejpdos mas P,Obres. E' a casa d'um operario. • Quantas vezes o velho Paroco observani:!o· o ar de contentamento que ali tra_nsparecla na cara de todos tem dito, ao entrar paquela casà: «corno esta familia me faz lemocar a Santa familia de N azareth I> O senhor é fellz (pergunta elle ao dono da casa), nllo é? Tanto quanto se pode ser, responde este com promptidao e natura1ldade, E' verdade que trabalho toda a semana mas ~uahdo vem o dia do Senhor, digo ferramentas: descancem para ahi que é hoje o dia de Deus, e todos n6s, eu, mulher e filhos, vamos d Missa. Agradeceinos a Deul' a semana que passou e pedimos a bença.o para a semana que começa. e E devo dizer a V. Rev .• que, desde aquelle formoso sermao sObre a comunh4o frequente, depnis que nos, uns pobres rusticos, tem os cQmungalifo todas as Remanas, par~c.- que a nossa ca~a estA embabamad11 e rescende com a r,resençn ili• •t· us. A nos~a ~.legria é mais l nonlcatlva, ha mais facilmenh! t!11 tre 116s

as


:V-oz dn. Eti.tima troca de sorrisos amavels, ategria pu,a. »

O Velho Paroco nlio queria screditar nos seus ouvidos em face da grande fé dos seus humildes parocbianos e agradecia a Deus a fellcidade que concedeu ao seu coraçao colocando algumas flores nos sacrificios inevitaveis do seu apostolado. N!o se cansa de contemplar todo essa creançada que o rodeia. Em seus olhos llmpidos esta todo um ceu transparente e aquellas frontes j6vens resplandecem corno a aurora d'um bello dia. Este anno o mais velbo recebeu pela primeira vez em seu peito palpitante o Rei das almas, Jeaus Christo. E depois d'isso, cada do!Ulngo, o vé voltar ao divino banque-.

te.

Os sorrisos ~e amigos perverso,, as palavras zombeteiras, exemplos maus, tentam As vezes aba lai-o, mas elle vae- se conse1 van do firme com a ajuda do Pao dos fortes. E' o tipo do lar christl!o e a famiUa que ahi habita é o tipo da ramilia fell.i. - D'ahi P.assa o velho Parocho a outro far que 1/l!o se parece com o preceamte. Depois das s.audades retrlbuidas a medo ao venerando visitante, começa a seguiate conversa: e Porque é que nuoca os vejo a Missa aos domlngos 7• , e De pois de ter trabalhado toda a semana corno um escravo, respoode o pae, preciso de descançar e recuperar as mlnhas forças.• Queixae-vos do cançaço, meu ami• go, respondeu o velho Parocho, mas .nAo ignoraes de certo, que Nosso Senbor n!lo pensou no seu descanso quando sofreu por n6s: e n6s iriamos regatear-lhe urna meia bora cada dom1ngo para ir recolher o fruto do Santo Sacrificio da Missa 7 cE a sua mulher, ajuntou o P4· roco, porque n!o vae a Missa ?» - « Eu, tenho de fazer o almoço, 1 Missa demora muito e quando venho ja é tarde para pOr a panela ao IÙìne. · -•Mas a alma nAo deve estar prtmeiro que o corpo ao menos ao Domingo, dando-lhe a comlda espirltual que lhe é necessaria? Oevemos pensar no corpo, é verc!ade, mas a comtda podla Bear pre• parada de vespera ou levantar-se um pouco mais cMo•. A todos, finalmente, eaposos e filboe, que seguem, lnfelizruente, o exemplo dos paes, o zeloso pastor disse:• Se tivesseis um pouco mais de amor a Deus todas as dlflculdades se aplaoariam e nAo faltarlels 4 Missa. No dia em que Oeus se importar tanto de vos corno v6s vos lmportae& com Elle, que vos acontecera ?» No lar chrlstllo e praticante relnam a paz e a felicldade, no outro d:lo-se todos os dias scenas infernaes. Hoje é a m1le que se zanga porque o marldo lhe nào satisfaz os caprichos, amanha é o marido que, depols de ter afogado a raz!o em vinho, fara ouvlr expressoes de colera e horrivels blaspher11ias a perturbac o sllenclo da nolte.

Palavras do ìlustre Sacerdote • escriptor que foi Senna Freitas: «Jesua, o inefavel convin, é filho de qoa familla e de paes nobres pela ascenilenc1a .•• sej.imos polidos. Niio usemos para com El.le da grave tlescortuia de que niio usar1amos para c~m um titul11r ou cavalhdro 4ualquer da simples burgutzut, que nos vics!e vi:;itar a nosaa casa. Certe mente que -o receberiamo, com ~rbanidade, o mandariamos scntar e lhe fariamos sala com os molhorlls termos dt um carinhoso agasolho Façamos sala ao filho de Maria ao m~nos durante esse corto eip11ço cm que 11tra1do pelo amor e pela formula sacramtntnl és especies do piio e do vin ho, est~s permanecem incorruptas no nouo mtenor.•

Voz da fatitna Deepezas Transporte.. . . . Composiçao e imprcs• do 11. • 26 ( I 9500 cxemplarcs). • • • • 448:500 Expcdiçao e outras dcspezas. • • • • • • • _ __8o:ooo

sao

Soma • . ,

23:181:470

Subsc ..ipçao (Con tinuaçlio)

Madame Lindley Cintra••. Madame Cintra Btbiana .•. U. ~laria Emilia dc AlmtiJa

10:000 10:000

e Brito. • • . . • • . • •

10:000

D. Maria Eduardo Vasques dir Cunha (3.• anno) .•• Herculano Francisco Barbosa. . . • . . . . . . • . D. Maria Adelaide Abreu .• O. Berta da Silvlf Bruschy . D. Gervasia de Andrade Costa (2.0 anno) ••••••• Dr. Oomingos Mégre . . . . P.e Manuel Mattos Silva •• D. Maria de Castro Crespo Franco Frazao. • • • • • D. Maria do Carmo Barata. Virgilio da Silva Martins •• Manuel Rodrigues dc Sa Esteves. • • • • • • • • • •

Manuel Gonçalves ••••• Manuel d'Oliveira Borgcs . . O. Carolina Alves Nobrc •• D. Maria Beatriz da Fonseca Pinheiro Guimaries, • O. Guilhermina da Cunha Barbosa. • • • • • • •. • José Alves Lopes ••••••

10:000 20:000 10:000 10:000

I 2:000 I 2:000 12:000 12:000 10:000 10:000 10:000 10:000 10:000 10:000 10:000

ro:ooo IG:000

O. Maria Martin, Proença

Ferreira. • • • • • • • • Luiz Maria d'Oliveira • • • José Ferreira Mello . • • • • O. Stveriana d'Assumpçao Lino • • • • • • • • • • p,e José dos Santos Palri•

10:000 10:000

10:000

nhas • • • • • • • • , • ,

10:000 10:000 195:000

O. Carolina Rosa. • . . • . D. Maria Emilia da Cunha. Antonio José Valente (2.0 anno) • • . . • • • • • · Antonio Cannas (2 °anno). D. Deolinda da ?llaia Abrnntcs • . • • • • . • . · •

D. Rosa Marques Arada . •

_,... D. Belmira Pestana . • • . José Bazilio Pestana. . •• D. Amelia de Jesus Cordc:iro Sepulveda • • . . . • • José Jonquim de Mcndonça. José Antoni,s:, Carregue. O. l\laria do HQsario Romao O. Anna Patrocinio Ncvt.s • D. Maria Preciosa. . . • • Antonio Cesar d'Oliveira •• De jornats (:\lgr. Ponugal).

10:000 10:000

10:000 13:500 13:500

5:000 10:000 10:000

20:000. • 20:000 10:000 10:000

9:000

Dt: iornacs (Mari11 da Natividade) • • • . • • . . • Luiz Barnardo FernanJes • Condessa do Paço de Lumiar D. Maria Fiorentina dc Vila Lobos e Moscoso • . • • Marquez de Santa Iria. • • Manuel d'Oliveira Martyres Heorique A~aria dc Cisnei• ros Ferre1ra • • • • . • D. Mathilde Clara da Fonseca . • • • • . • • • • D. Julia Maria Galvlio. • •

D. Cecilia Castro Pereira. • P.e Francisco da Silva GeaJa Dr. Joaquim Tavarcs d'A· raujo e Castro • • . • • O. Maria do Carmo Tavares de Souza Cerne. • . • • D. Maria Ismenia Ruela . • O. Maria Candida Brandiio Abreu Freire. . . • . •

14:000 10:000

10:000 10.000 10:000 10:000

10:000

lO:ooo 10:000 10:000 10:000

10:ootl ro:ooo 10:000

10:000

D. Guilhermina Dias Vaz da • • · •

10:000

O. Rosa Antonia Valente de Almcida. . . . • . . • D. Gracinda da Silva Trints. José Manuel F e r n a n de s

Silva . • • •

10:000 10:000

Rendeiro. • . • • . • • •

10:000.

D. Maria dc Je us Pinho Cardoso (2 • vez) . • • . • Laura d'Oliveira (2.• vez} •• Maria de Jesus Pir6a (2.• vez). • • • . • · • • •

S!OOOl

5:000

5:000

Manuel José Pereira ••••

5:000-

Piedade Bunheiroa ••••• Manuel Antunes . • • • ,

10:000 10:000 15:000

Guilherme Henriques • • • Donativos (Joao ~aulo da Sil va • • • • • • • • • • O. Amelia Duarce Carval~10 O. Clementina Maria Re1s

21:000 10:000-

e Silva.•••• • • • • •

10:000

10:000 O. Maria Ribeiro Seixas • José Antunes Junior. , • • IO!OQO Alexandre Simoc:s . • • • • 10:00020:000 Leonardo des Reis Baiao. O. Irene Rosa • , • • • • • 10:000O. Maria Luiz.a Vilhcna Coutinho • • • • • • • • • • 10:000 O. Amelia Martins •• • • • 20:000•

10:000

José Manins . . . . . . . . O. Maria Fernando Santos. D. ~1argarida Ferro Guima· raes. • • . • • . . . · · José Fcrnandcs d'Almeiùa (2.0 anno) . • • . • • , · • .

Marcolino Gomcs • • • • • O. Rosa Amdia da Silva •• O. Maria das l>ores Sobrciro Jordilo • • • • • • • •

10:000 10:000 10 :000 I 2:::,00 I 5 :()00 I 2::,00

5:000 5:000

_ _ _,.....J._,

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Eate Jo .. nalzlnho, q u • vae aendo tao querldo e procurado, é diatribuldo

gratuitamente e111 Féti111a nos dias 13 de cada mAs. Quem quizer te~ o dlreito de O receber..., dlrectamente pelo e or re I Dr tera da euviar, adeant•damenta, 0 minimo de dez mli réla.


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LEIRIA, 18 de .Taneiro de 1.0.QlS

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(OOM AP.ROY.:A.ç.À:O EOLESIASTIOA) Adm1nlw'tradors PADRE M. PEFEIRA DA SILVA

Dlreo-tor, Proprie-tarlo e Editor

DOUfOR MANUEL MARQUES DOS SANTOS Composto e impreuo na Imprensa Comercial,

13 de Dezemoro

·0F

ORMOS:0 ;la de Inverno e um dos mais fprmosos do corrente mh de Dezem~ • bro fol sem duvida o dia 13, commemorativo das appariçòes e fenomenos maravilhosos de 1917. A noite anterior, illuminada por um luar sua• vlsslmo, sem urna nuvem no ceu, sem uma aragem na terra, tinha deliclado a ìmaginaçao e encantado a alma. A' noite magica de seductor encanto sucedeu o dia esplendido, banhado de luz, irisado de mii cOres, estuante de vida e movimento, a lembrar aos homens- a ressurreicao gloriosa ap6z a morte e a immobilidade do sepulehro. O tempo magnifico, quasi primaverll, parecia convidar os fieis, de longe e de perto, a ir visitar o humilde sanctuarlo d' Aquella que os pastorinhos de Aljustrel affirmaram ter aparecido em f atima para bem de Portugal. • Effectlvamente muitos grupos de peregrinos se dirigem para a terra bèm 1Hta, onde pousaram os pés sagrados eta Augusta Mlie de Deus. Em frente do altar recentemente construido estao dispostas muifas dezenas de doentes, formando numerosas filas. As missas succedem se umas 4s outras, celebradas pelos sacerdotes que previamen te se inscreveram para esse fim. Na sach ristia alguns' sacerd otes ouvem de cou fiss4'1 homens e rapazes que nao ti veram .occasilio de se confessar antes d e inicio r a sua via-

a Sé -

I .eiria

REDACçAO E ADMINJSTRAç.fo

:RUA D. N'UN'O ALV.A:.RES PE:REI:R.A. (BEATO NIJNO DE SANTA. IUIWA)

nadamente com o povo, intercalando-o. de jaculatorias e de supplicas pelos doentes. A comunhao é pouco numerosa, porque muitas centenas de pessOas

des e de Maria das DOres Fernandes Rendeiro, de Murtoza (Pardelhas), _ assignantes da Voz da 'Fdtima, que tendo adoecldo co m urna bronqulte, tosse e muita febre, a ponto de

:

- gem.

as

Os fieis qutr assi$lt!m mlssas rezam ferv otosamente as suas oraçOes e guardam o mais profo ndo silencio. Ao mei l dia e mela horv, depols d e se cantar o Gredo, rez;\-se a ultim a missa , a missa dos enfermos. E' ent!o quc a oraçào be torna m ais in tensa e fervorosa e se eleva mais irreprimivcl para o Ceu.

Recita· se o terço do Ro1tario alter-

-

CAPEL:INHA DA COVA DA IRIA, .:om seu alpenùre em volta, vista de frente

tinham jl comungado durante as outras missas. Terminada a missa, da- se inicio a bençilo dos enfermos, cerimonia comoventlssima que arranca sempre lagrimas dos olhos dos circunstante s. Depois da bençAo geral precedida do canto do 1antun trgo, s6be ao pulpito o rev. Dr. Manuel Marques dos Santos, que durante vinte minutos consegue prender a attençao do audi torio. A's cinco horas da tarde ja se via quasi deserto o locai das appariçoes, p_ont@ de conver g@ncia das multidoes sed entas de lu z e de paz q11e debalde procuram no meio do bulicio do mundo e que s6 cncontram aos pés de D eus junto da Virgem bcm-

dita. V. de M.

Hs curas da f étima O/Jtiveram eraças qae n conliecida-

mente veem agradecer a N ossa Se· nhora do Rosario da Fdtima: A menina VirEinia, de 3 annos de edado, filha de Joào Carlos Fernan-

olio poder tornar alimento, urna pessOa amiga da mAe da menina e mttito devo ta de Nossa Senhora da Fatim a, vendo a consrernaçao em que a mae se encontrava, pois que nao tem 0 1.Hra filha, dlrigiu-se a Nossa Senhora do Rosario da PAtima, eo tempo em que se estava a rezar o) terço, no dia 22 de Outubro, dizen:. do com muita (é: cO' Mlle do Ceu que vos dignastes apparecer na fAti~ma, d ignai- vos tambem curar a menina Virginia.• Prometeu, ao mesmo tempo , rezar o Rosario, com 15 meninas d a ca tequeze, rezando cada um a a sua dezena, e dar a menlna Virgin ia a cada menina uR1a estampa de Nossa Senhora da fatlma. Nossa Senhora dignou- se ouvir ai mlnbas humilues préces. A ntes do tem po marcado para a cura ja a menina estava• cu raùa e j a, fol ~aw,feita a promessa • no diu 30 de Novembro. E111 cump rimento da prom essa malìtln-sc uma e ffetLa , bem pequenina, pélrn o cu lto. • Nào calcu la (diz a 11o.ss& i oformador~) como foi lindo assillfir recitaçOcs do te rçu pelas 15 mcniAas I Dizia-lhes eu: • V6s soill as pasto-

a~


,

tinhas qae estlo a re:zar I• Ellas intusiasmaram·se tanto e rezavam tllo alto que se ouvla pela praça f6ra I

NAo fol o terço, foi o Rosario. Cada menlna nomeava um misterio. Que llndol•

Anna /oaquina Rodrieues,

viuva,

da Murtoza (Ribeiro), atualmente na America, que estando muito doente

e longe da sua terra, recorreu a Nos~

sa

Senhora do Rosario da F.atlma que se compadecesse d'ella pois estava tllo longe da sua màe e mais famllla l Nossa Senhora do Rosario di· gnou•se ouvlr a sua préce. • Multo reconhecida agradece a Nos· sa Senhora e manda urna oferta para_ o culto.

Maria de /esus Fral{oso, casada

Murtoza, assignante da Voz da Fatima, que estando proximo o seu parto, pediu com fé e devoçAo, a Nossa Senhora do Rosario de f atima, de guem é multo devota, que lhe conce.. dece a sua ~aliosa protecçao naquela hora. f 01 attendlda, pois nào podia ser mais feliz. Chela de fé e re.. conhecimento para a Santissima Virgem de P.itima que se dignou ouvir a sua supplica. E' pois com satisfaçao que cumpre a sua pcomessa, remettendo urna pequenlna off~rfa para o seu culto, pedindo a publlcaçào na Voz da Fdti-

D. Clciti/de Raposo de Souz,z d' Alte, de Alemquer ( Quinra da 80a Vista) em cuinprimento de uma pro· mesl:la peJe a publicaçao de uma graça quc., Nossa Senhora lhe concede111 rcst11ui11do a sau Je a seu marido.

R:Jsl Pirzlieiro, (,je Santo Tyr· so), que tendo um abcesso na gar· ganta quc ~reclsava ser <>perado, cstando !sso J\ combinado com os médicos, mvocou na noite antecedente com fervor Nossa Senhora Ja f all-

O. P. ( Praia de Ancora), reconheclda a N. Senhora do Rosario da Fatima por um favor recebido nu111 momento de afliçllo, desejo ver publlcada e~ta graça para honra e gloria de Deus e de sua Màe Santissima, enviando urna pequena quantla para auxiliar as despezas do culto.

D. Maria lzahtl de Saldanlia, da Louza, que tendo invocado e recorrido a Nossa Senhora da Fatima em urna grande afliccao, promettendo publlcar a graça, agora vem aeradecer esta e outras graças recebidas.

O. F. F. ( Praia de Ancora), agradecendo a N. Senhora do Rosario da Fatima a sua valiosa prolecçao, num momento em que a lnvocou, -envia urna pequena quantia para as despezas do culto.

D. Maria da Purificaçao Oodinlzo, de LisbOa (R. da Estrela, 17-

A. R. 'P . M. (Ancora). Em acçllo

-A mesma, havla 6 annos que sofcia de uma doença, estando desenganada dos médicos, chegando estes a dizer que ella nao voltarla a s11,· de casa, recorreu a N. Senhora da Htima prometendo publicar a graça da sua cura, achando,se agora de saiide. -A mesma pediu e obteve de N. Senhora a cura dc um Sacerdote doente que fazia muita falla. Além d'esta~, de muitas outras graças se reconhece devedora a N. Senhora enlre as quacs esta a cura de D. Maria Macleira, promettendo, se e,;ta melhorasse, vir de UsbOa a Fatima a pé. N~o lhe sendo isso permittido pelo seu director esplritual, ira a pé desde Leiria.

Maria do Cormo Tavares, casada,

am

Urna anontna de VIlar de Besteiros, qt1e tendo uma Irma que du· rante annos sofreu immenso dos lntestinos, segulndo-se anemia, neurasthenla e por fìm intercolite e ulcera no estomago, que a prlvou de se • alimentar normalmente durante sels mezes, agora se encontra bem.

5.0), que tendo-lhe o médico dito que devia ser operada em um joe• lho, prometteu duas velas de cèra a N. Senhora e urna novena de mortifica\òes e ComunhOes, lavando a parte doenfe com agua da Fatima e melt10rou antes de acabar a novena.

ma.

Maria ]vsl Pata, casarla com Sebastiao Rl>Urignes Praia, da Murtoz;i (P.Mdélhas), que tenda uma grande çAo ua iua vida que lhe caus1va mu1tos desgostos, recorreu a Nossa Senhora da Ratima com muita fé, e logo fol attfndida. Em cumprimento da sua promessa manda u1111 pe,1uenina offorta para o culto.

um filho, n1o podendo obter agua da-.. Patlma. se lembra de joelhar deante de urna estampa de N. Senhora da Fatima levando-a a heijar ao pae.

~~,...,.-~----=-~

com Manuel .Tavares Rebimbas, da

com Antonio Tavares de Souza, do Bunhelro, que estando multo doente, com uma dOr multo forte, pediu a Nossa Se11hora do Rosario da Fatima que lhe valesse em tào grande i ffli. çao. No mesmo dia se sentiu melhor desaparecendo a dOr, ainda que continue doente mas com algumas melhoras. Chela de fé e agradecimento, para corA Nossa Senhora do Rllsario da P~tima, renJendo, lhe grac;.as de a ter attendido nas suas préces e pe'.J indolhe de novo a cura da sua doe~ça, ae fòr da sua Santissima vontaJo. Em cumprimento da sua promessa, manda um:i pequenina ofelfa para o culto de Nossa Senhora.

ma e o abccsso re6enfou aem lntervençao médlca. Prometteu poblicar a graça recebida, manaando um pequeno donativo em acçllo de·graças.

de graças por um beneficio que se dignou conceder-lhe a Virgem da Fatima,. envia urna quanlìa para auxiliar as '1espezas do culto, desejando ver na u: Voz da Fatima• esta graça para honra e gloria de Deus e de sua Santissima Mlle.

Urna connersao « Cucujàes - Seminario das MissOes Ultramarinas, 5· l · 1925. Sr. Director:

« ... Apesar de a Voz da Fdtinza ser ainda pouco conhecida na Madeira, como V. Rcv.• sabe pelo relato da Senhora D. Elmina Corte, transcrito _ no ultimo numero, algumas pessOas teem ja ob lido graças por intermedio de N. S. do Ròsario. Entre estas, durante o ano frodo, sei que em Càmara de Lobo~, terra da minha naturalidade, ol>teve a grhça de perder o execravel vicio do alcoolismo um visinho dos meus pals. Era um alcoolico con~umado e arrulnado pela terrivcl aguarctente que o minou e, alnUrna anonima de Coimbra (Lada novo, o le~ou ao tumulo. deira do Seminario) t'lgradece agra-· • Ainda na ultima doença, n~o obsça qu~ N. Senhora fez a urna pessOa tante a prc ibiç:lo do médico, ingerla que a rnvocou em urna afliçào grande. o abomìn11vel liquido. Urna visintia sugeriu mulher desse infeliz que, Manuel Maria da Silva de Visem ele ~~ber, misturasse algumas la franca de Xira, que sofrendo gOtas de a~ua da F~tima a < poncha • sua esr.osa havia muito tempo dOres ( mlf>lela de aguardente, agua e asno est9mago que nao lhe permitiam sucar) gue ele costumava beber • • alimentar- se devidamente e· bastante Fez a m11lher corno a vislnha lhe inflamado, der,ois de ir a Fatima em tinha aconst'lhado. Da primeira vez Maio ultimo e ouvindo contar as torROJJ-a, mas di\ segunda, quanao a assom.brosas curas feitas por: interesposa a preparava, disse- lhe o doencessao de N. Senhora da Fatima a te que lhe tiras!)e aquela abomlnavel invocou com fervor no intimo 'cto bcbida para loage da vista e que seu _coraçao e bebeu da sua agua, nunca mais a queria tornar, pedindo sentmdo pouces dias depois desaque nunra mais lh'a apresentasse, parecer a inflamaçào, achaodo-sccumesmo que ele um dia a viesse a perada. dir. Dias depol-. o filho levou-lhe Manda celebrar um1 Missa na para casa urna garrafa com a terrinl tima em acçào de gr.iças. aguardente, que tem sido a desgraça e ruina de muita· gente ; logo que o Maria dos Santos AnnibaJ de doen~ viu sòbre a me , a, ordenou Athouguia da Balcia, em pefigo de que a deitassem pela janela f6ra. vid.1. com unrn pneumonia dupla, A intervençAo de N. Senhora foi sentiu melhoras logc, que tomou mais além : pois essa infeliz creatura agua da Fatima. nAo frequentava n Egrtja havia ao menos dez anos, parecenòo querer /osé Vicente Rodri(ltUs, da Sermorrer impenitente, porquonto resra d'_El·R~i, rambem com urna pneu- ·' pondla com evaslvas a quem lhe fimQnta, nao se lhe esperando melholava nos Sacramentos ; - contudo ras, scntiu-se melhorar apenas que

a

Pa-

J


· Vo~ da Fé.tl:me. sabta ser critico o estado da sua

doença. Porém. logo que bebeu a «poncha» com égua da Fatima, mandou cba· mar o Péroco. Confessou-se e comungou por vArlas vezes com santas disposiçl>es, at~ que morreu na paz do Senhor. Subscrevo-me, etc1

Agostin.ho Martinho Vieira»

(Hssistamos aSanta Missa A Santissima Trindade ahi nos es~ pera para receber as nossas ,home• ttagens e nos encher das suas bençAos. Asslstamos Missa porque Jesus Christo ahi nos espera para nos apllcar os merecimentos infinitos da sua Paixào e nos prodigalisar os thesouros do seu Amé>r. Asslstamos a Santa Missa porque a Santissima Virgern,- os anjos e os santos ahi nos esperam para nos auxlllar com as suas préces. Assistamos porque a,s almae do Purgatorio ahi nos charnam pela voz dos sinos para lhes obterrnos a sua libertaçào. Assistamos Missa para- consolar o Coraçao Santissimo de Jesus a quem nada ofende mais que o esquecimento e a indiferença pela Santa Missa. Assistamos a Missa para obtermos o perdao de nossos pecados, o· augmento da11 nossas vlrtudes, urna santa morte, a protecçào para as nossas familias e a prosperidade nos nossos trabalhos. Asslstamos A Santa Missa para a santlficaçao dn,:; sacerdotes e dos rellgiosos qt1e sào as colunas da Egreja, o sai da Terra, a luz do mundo. Assistamos a Santa Missa pelos oilenta mii mMibundos que cada dia entram ria elernidade. Vamos a Santa Missa pela conversAo dos infieis e dos pecadores, pela volta dos hereges e schismaticos, pelo triumpho tla Egreja. Vamos a Missa •.• por aquelles que lA na-0 vào. Assistamos a s~nta Missa tanto quanto p'udermo~. Urna s6 Missa em vtda vale maj.s do que cem depois da morte. Assista'mos todo<J os dias Missa; se nilo podemos, mandemos qualquer pessoa ' da nossa familia, e se· tsto mesmo fòr impossivel, enviemos o nosso Anjo da Oul!rda. Assistamos a $anta Missa em cada instante Jo dia oferecendo a Oeus todas as Missas que se celebram em cada ponto do munda. Unamos a no~:slJ intençlio a todos os actos qug,: Jesu;i Chriito ali faz pela gloria de Deu,; e sa\vaçào das almas. • Digamos-lhe: • O' Jesus, que vos iAlmolaes nest,,. momento pela salvaçao do tnuni1n inteiro, abrasae-o todo no fogo dn vosso Am0r•. Asslstamos Santa Missa com fé, com ardentP piedade, porque a particlpaçao nos meritos lnfinitos da Missa é essencialmente limitada pela

a

a

..

a

a

111edida da nossa lé e da nossa pledade. NAo façamos como tantas pessaas que pensam farer algum favor • Dtus Indo passar vinte escassos mlnutos A Egreja aos domlngos. Estllo all sem percebet bada do que se passa na sua presença nem saber o que é a Missa. . Veem por urna vi/ha rotln.a, corno lriam a feira ou a casa de urn estranho, Passam todo o tempo a pensar nos seus negoctos, a olbar e a conversar. Outros, conservando ainda urna vaga lembrança do catecis~o, teem o proposito de cumprir um acto reUgloso, mas que dekleixo e indiferença I Chega-se o mais tarde possivel. Nem livro. nero terço. Se joelham é por uns instantes, 4 elevaçào, as vezes um joelho no ar. Olha-se curiosamente para quem entra e sae, boceja-se, faz-se l;>arulho, diio, se signaes de aborrecimento e ainda o ultimo Evangelho nao esté\ acabado, jA estao na rua. ,Pobres christ!os I Que vator podem ter deante de Deus estas Miasas ouvidas assim? ~ao nos esqueçamos que o Sacrificio da Missa é o mesmo da Cruz. 1

:,Hmanha .. .> Era urna b0a, digna e santa mulher, corno alg1.1rnae parochias teem ainda a fellcldade de possuir. Tinha o seu logar e cadeira propria e tambem o seu coraç&9 na eS?reja. Cada rnanha, ahi petas 6 ou 7 hç>· ras, viam-na chegar, alta, dtlgada, um pouco inclinada, tao distinta, com os cabellos c0r de neve. Comungava, ia almoçar e voltava logo a occupar-se clas varias obras da parocbia, tilo numerosas e flor-escentes. Quando o sacristiio avisava o PAtoèo de que a Senhora X •.• o procurava, esta passava antes de todas .•• e mesmo antes de todas as outras. Ella, porém, portava-se sempre de tal mo<lo que nlnguem se ofendia, sabendo que era tudo para a gloria de Deus. Ha uns mezes o seu Paroco dizia-l. I be em torn al egre de ar,tauso: - S6 vos falta um cabeçao ao pescoço e urna cor0a na cabeça I •••

*

Nes~e tempo estava ella livre e A testa de urna grande fortuna. Seu marido tinha rnorrido, assim coino es1avam tambem mortos os seus qc,is f1lhos. S6sinha na vida, podia vortar- se para si mesma e fazer de si o peque• no centro das suas grandes preocupaçaes. Esl.!olheu, porém, o gesto contrario •. • «cJedicar-se aos outros;>. A SUii caridade extendia-se a fodos, a começar numa encantadora orph~lsinha de guerra de que ella quiz encarregar-se, até ~os pulmoes do joven paroco que, as vezes, ia encon• trar no confesslonacio caixas de rebuçados mlla~rosos ou um tapete que o prescrvç1sse do frio.

l

'J:!

Mas ella jA n!o era nova ••• ttriba mesmo muìto mais edade do que parecia. O Péroco sabla-o e, querendo o sèu bem como ella queria o do seu pastor, diz-lhe um dia: - Deve pensar em assegurar a conUouaçao das suas obras ••• Preocupa-me tambem o f1:1turo da vossa pequenina proteglda. JA fez o seu testamento ? ••• - Ainda nao ••• mas ando a pensar ntsso. • Ora tendo-se passado ja mujto tempo, voltava, de vez em quando, o roco A· carga : • - E esse testamento? ••• JA nao digo que o faça a favor da sua parochia, ou do seminario ; mas Insisto a favor da vossa filhinha adopUva. Que reviravolta se V. Ex.• lhe viesse a faltart Faça as coìsas de maneira que as suas intençoes sejam rigorosamente respeìtadas ••. E' necessario confiar a execuçà6 a urn homem experimentado e consclenclo$o.•• Farla de V. Ex.• um juizo pouco Hsongeiro se vos visse com vontade de me responden • quem vier atraz que feche a porta ••• > - Senhor Prlor, V. Rev.• tem raz~o, toda a razao, e eu sou exactamente do mesmo parecer. - E entào? - Ha de ser amanh3.

Pa-

Mas quem podera avaliar o perlgo ean que estào as colsas que se podem fazer ama11hà,- sobretudo nestés nossos tèmpos em que cada dia se tmp0e por um descoocertante 1m.. previsto? Aconteceu afinal o que poderia acontecer e que o Paroco tinha corno que presentido. U m certo dia a Senhora X ••• nllo apareceu Missa. Na vespera~ o sa·crlstiio tinha notado que ella estava engrlpada. Nao fez, porém, grande reparo porque, quem ha que n!o tenha. mais hoje, mais amaoha, a sua gripesinha? ; Em vista disto o Rev. Paroco man.. dou sabe~ , Voltam dizer- lbe que a cr~ada fOra) encontrar a Sr.• X • • • de manh! morta na carni\. De que morre·u ella? ••• Como ••. ? A que hora ••. ? Sofreu alguma coisa ••• ? Tud0 perguntas sem res.. posta. Mas, a partir d'esse momento a casa hontem tao sorridente e hospi· taleira, apai:eceu fechada. Ficou envolvida como que numa • especie de rMe de ferro. Os amlgos mais queridos tornaram -se corno estranhos, suspeftos sobretudo a rapariguinha, quasi tan! to corno o Paroco. No dia seguinte, avlsado nào se sabe por quem nem para què, apresentou-se, melo hesitante, um individuo para regular o enterro. Era, ao qu~ parece, um parente afastado que a Sr.8 X ••• nao conhecia e que a velha creada nunca se Iembra de ter vi"ìto. Ora esse senhor era o /urdeiro

a

leea/,

-


,

~oz da Fa-titna malores encontrar, mais augntenta, exactamenle corno acontece com o fogo, cujas chamas se ateiam tanto mais quanto maior a quantidade de combustivel a queimar. Se soubessem a injuri~ que fazelll a Deus duvidan~ do da sua infinita Bondade l

Hesitou em fazer ou nno o enterro

clvii. Afinal léi se resolveu por um enterro de setima classe a mistura com declaraçoes ofensivas para a memoria da defunta: • ••• Sua prima j~ tinha dado bastante dinheiro aos padres mas que a torneira 15e la fechar. A coisa agora vae d'outra maneira ••• • etc. Em vista d'isto o Pa'roco errtendeu por bem exigir os seus emolumentos. dispOz as -coisas para o oficlo de

Aos o.ssign.a:u:tes Algumas vezes acontece que a e~pediçao da Voz da Fatima n!o pode es-tar feita antes do dia 16 e poderli mesmo ir até ao dia 20 de cada mes. Disto prevenimos os assignantes para que tenham a bondade de esperar. Muito agradecemos que nos avisem de qualquer irregularidade, sempre involuntaria, neste servlço.

corpo presente, acompanhou o cadaver ao cemiterio e colocou sObre a sepultura o· bouquet de violetas que a orphbinha, cuja dOr e lagrimas fazla pena v~r, lhe mandou. Emquiu'itò se estava aos offtcios, • J>(imo e a outra pessOa que o . .-companhava, davam sigoaes de lmpaciencla, dlzendo : - Na.o acabar~o estas macaqui-:

ces?

Transporte. • • • • 23: 18r:470 A' ,Tipografia • • • • • 425:500 Expediçao e outras despezas • • • • • • • 80:000

"'

Soma • • • 23:686:970 Subacripçlio {Continuaçao)

las recocdaç~es a que andavam liga4as. Houve rlsos escarninhos, sobretudo a respelto do p~queno oratorio e

D. Amelia Barros Codho da ~,onseca • • • . • • . • • D. Emilia Ferrdra Martins de Carvalho . • . • . ••

4a secretaria.

D. Ermelinda Simoes ••• D. Izabel Arnoso . • • . • • D. Eduarda dos Prazeres Souza. " • • .,. . • • • • Joao Vice_nte Taveìra Sarmeato . • . . • • • • • • D. Maria dos R. Martins •• D. Maria Emma de Carra·

Repentinamente, por ciJcularem -oatos de outros pretendentes, fizeram- se lotes que se tiravam sorte. Este tevou uns bordados em que a ~enhora X ••• trabalhou tantos ann.os e que destinava a um frontal -to altar do Santissimo Sacramento. Outro levou um lote de brilhantes destinados a urna Custodia. Mas a orpb:tslnha, tllo querida, •ao teni com que pagar a sua ali111entaç~o no proximo m~s.

a

lho Figueiredo Calixto . .

.

D. Maria do Nascimento Loure1ro. . • • . • . • • • • D. Maria Amelia Nuncs da

...

Ponte . • • • .. • • • • Joao Meodes Abranches • • D. Mari.a José Tinoco Borges D. Maria Amu Velc::z Rolo. D. Cesaltina R6lo Salema •

Toda esta ruina de um bem immenso, porqué? Porque dizia a santa e dìgna Seahora X:. • • • hei de fazer o meu testamento amanh/J • quando afinal s6 o dia de hoje nos pertence.

E a quantos nlo apanha desprevenidos a mor"te, apesar dos rebates da consclencia e de tantas so11icltaçOes amorosas da Pr.ovH:lencra, para pOrem em regra as colsas da sua alma t f ..

Pah vras consoladoras (ije Je~ns aIrma Ben1gna Consolata) 4' Eu nao repilo uma alma quando nela encontro miserias se tàmbem eocontro boa vontade: quand& esta exis1e, ha materia p,ima para traba1har. O tneu Amor sustenla-se consumicido miserias : e a alma que se me ap1esenta mais carregada de mi-

serias, desdé que tenha um coraçao contrilo ·e humìlhado, é o que mais me atrae, por que ,11ais urna vez me p_ropotciona ocasifio de exerc~r a inlnha Mihsào de mh,ericordioso Sal-

vadòr. Assim e.omo o fogo se alimenta covst.mindo cc.mbu~tiveis, assira a mi.nha Mi11eric.01dia se alimenta coe-

sumindo miserias; e quanto mais e

CO. • • • • • • • • • • •

Monsenhor 4,ntonio Maria dos Santos Poi:tugal ••• ~e jornaes (9 mesino) ••. Baltazar dé Lima Fernaodes D. Maria da Piedade Adria!lO Antero, • . ••• D. Joaquina Maria Barbosa Falcao. • . . . • . • . • A. A. Falcao d'Oliveira •• Carlos Joao Viegas. • ••• D. Anna Santos Mauricio•• D. Rita do Sacramento Mou• saco Alçada • • • • • • • D. Francis,a de Sa Sottomayor Malheiro • • • • •

Pouco depo1s, gavetas, comodas, armarios, estava tudo remechido e os v4rios berdeiros que depois chegaram puzeram as m!os e nariz irreverentes nas coisa,s mais augustas pe-

D. Leopoldina Rosa Lopes • Monsenhor Ferreira Lima • O. .Mar:ia do Sacramento Pires Moreira • • . . • . • · Pedro Garda -Rodrigues •• • D. Maria do Patrocinio Bran-

1

Francisco Alves Tavares ••• b. ~argarida Ferro Gt:iima• raes • • . • • ••••• Mario Raul Soares . . • . • p_e Faustino Francisco Macieira • • • • • • • • • •

D, Ludovina d'Oliveira .•• D. Joaquina da Conceiçao • D. Maria Palmyra de M.oura V ciga • • . • • • . • • •

D. Maria Estela Cuni1a Silvei ra. • . . • • • • • • • D. l\'1,aria Eulalia Mendes Barata. . .. . • • • • • • D. Amelia Torres •••••

D. Maria da Luz <:ttAboim Veiga . • • • • • • D. Ani~u t.,harters Lopes Vieira . • ••• Antonio i\-1

•1

•a Dunrte •••

D. Luiza J lcsos Costa •• D. Ma ria , 1 g. lica Correia. Jacioto Cv -r ia . . . • • • Max. A. d• .; Remedros • • • José J. dos Retnedios •.••

D. .Maria l\h Jos Hemédios. D. Maria dn I :armo Picter • D. Delmira ,.\ lvares. • • • • D. Maria Pia da Luz. . • • Antonio Luiz da Concei~o. D. C<Hdalina Pires • • • • •.

... 10:0'00 20:000 10:000 10:000 10:000 10:000 10:000

10:000 10:000 I 5:000 10:000 10:000 10:000 10:000 10:000 10:000 30:000 10:000 10:000

15:500 5:000

D. Maria dos Anjos Ferreira José Coelho da Cruz Leal • D. Laura da Conceiçao Marti ns • • • • • • • • • • • A. A. • .. .. • • • • • • • • Joaquim Vieira • . • • • • D. Aurora Vaz Clemente M.arques eta Cruz. • • • D. Maria Coelho • • • • •

10:000 10:000 10:000 10:000

10:000 10:000 10:000 10:000

10:000 10;000 10:000 5:000

20:000 10:000

10:000 10:000

12:000 20:000 10:000 10!000 10:000

D. Marianna Teodora d'Oli-

veir-a . . . • • • • . • 10:000 Percentagens em terços, etc. (D. l\faria das Dort:s). • • • 224:500 De jornaes, donativos, etc (O. Maria das Dores) • • • • 276~5oq De jornaes (D. Maria dos Anjos). . • • • ~ . . . 45:500 De jornaes (anonima de Peniche). • . . . • • • . •

Madame Andrade • . • ~ • D. Albertina d'Artayett • • D. Sara Mudat. • • . • • D. Alice Martins Mudal • - • O. Sophia Pires Neves Teixeira • • . • • • • . • D. ~aria Julja Marques Ferre1ra. • • . • • • • • • D. Maria Augusta Gomes • D, Maria dos Anjos Tavarcs Portugal. • • •

. • • ~

70:000 10:000 10:000 10:000 10:000

10;000 20:000 20:000 10:000

Manuel Maria Porrao • • • 10~000 D. Maria Anna Barbosa • • 10:000 D. Rosalina Marques Pinto. 10:000 D. Carolina Pinho • • • • 10:000 D. Maria Augusta Barbosa • 10:000 D. Maria José Portai • • • 10:000 Adriano Jo1>é Faustino. • • 10:000 D. Albertina Gonçalves Bastos More! . • • • • . •

20:000

D. Aurora da Natividade Sii-

- va . • • • . •

• . .

5:000

Valentim Louzada • • • • D. Maria da Conceiçao Cos-

10:000

ta Coelho • • • . • • •

10:opo 10:000 10:000

10:000 10:000 10:000 10;000 10:000 10:000 10;000 . 13:500 13:500 13:500 13:500

13:9-00 13:500 10:000

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\lOZ DA FATIMA '

Eate jornalzinho, qua vae sendo tiio querido e procurado, é distribuido grotuitamllnte em Fath••noG diaa 13 de cada m61'. O.uem quizer ter o di•· retito do o receber dire-· ctamsnte pelo e or re il o, (era de enviar, adeant•• da.mente, o 111 in Imo de dez mii .-éis. JN


.... N.• ~O

Ano IJI

• (COM APROVAçÀ.O ECLESIASTJOA) Dtrec'tor, Proprietario e Edlt.or

DOUTOR MANUEL MARQUES DOS SANTOS Composto e impresso na Imprensa Comercial,

13 DE JANEIRO •

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ur_n :n°ncao, um longo anno de glorias e trlumphos, girou na roda do tempo sobre o poema divinamente bello e encantador de Fatima. De 1 de Janeiro a 31 de Dezembro de 1924, centenas de milhares de peregrinos acorreram de todos os pontos, ainda os mais remotos, de Portuial, a prestar a homenagem da sua veneraçao e do seu amor a augusta Senhora do Rosario, na terra que com seus pés virgìnaes ella se dlgnou pisar. Que espectaculos de fé e piedade colle..:tivas se desenrolaram alli deante dos olhos maravilhados de crentes e incredulos I Que confiança profunda e inabalavél a das multidOes ali re11oidas, no poder Infinito de Deus e n.1 valiosa intercessào matemal de Maria Santissima I Que scenas incomparaveis de cariadde para com o proximo em que se distlnguem corno protagonislas os admiraveis servos de Nossa Senhora do Rosario. Que paz d'alma, que fervor de devoçao, que resignaç~o assombrosa nos doentes de toda a especie que alli jazeni horas e h1,ras, aos pés d' Aquella que é chamada justamente a SauJe dos enfermos. As f ori.;as demolidoras do mal nllo teem ce:,sado de assestar as suas formida\lt'1:-. baterias e de fazer fò20 vi· vissrmn cunlra as muralhas d'aquella fortalt"za lnt-xpugnavel, que é o terror dos s~·u~ 11/imigos. E o :-ublJme poema de Fatima la continu~ a formar~11e, a crescer, a multiphCéH, l1e dia a dia, as suas estrophes, !-ctnpre bellas, ~.,.mpre puras, semprn harmuniosas, tlehdando e arrebat;111uo a todos com a delicada maviosidade e a ·doçura encantadora dos seus versos divinòs. Neste dia, corno succede ordinaria· mente nos mezes de inverno, o tempo estava bastante agreste; soprando da serra urn vento que nos enregelava até aos ossos. Todavia, de vez em quando, o aol AJS

a Sé -

Leiria

Admlnf•trador: PADRE M. PERElRA DA SlLVA RE.DAcçAo E ADMJNtSTRAç>.o • BUA. D- N'UN'O ALVA.BES PEBE1:RA (BBATO NUNO DE SANTA MAIWA)

espreltava por entre as nuvens, dar• dejando longamente sObre a terra os seus raios descolorldos e sem calor. Na f6rma dos mezes anteriores, as nove horas jA uma multidAo enorme se accumulava no locai das appariçOes, junto da capella, do altar campai e da fonte maravilhosa. As missas prlnciplam e a onda de povo vae engrossando cada vez mais. 0s Heis, previamente confessados, approximam se em grande numero da Sagrada Mésa. Ao meio '1ia e trinta e sete minutos começa a ultima missa. Do alto do pulpito, o rev. dr. Marques dos Santos, reza o terço, alternadamente com o povo, que assiste a missa com profundo recolhlmento e viva emo~ao. De tempos a tempos um cantico ac6rda os echos da montanha proxlma, repercutindo- se de quebrada em quebrada. Que quadro Impressionante de belleza e magestade augusta offorece aos nossos olhos maravllhados a mole immensa de povo ajoelhado em face do altar, naquelle templo sem limites que tem por pavimento a terra ntia e por cupula a abobada do firmamento I E' agora o momento solemne da comunh!o. Centenas de pessOas, de todas as condiçOes, recebem o Pao dos Anjos, que é mlnistrado pelo ce· lebrante. O e Bemdlto e louvado seja, é can• tado por milhares de bOccas, que as• ... sim protestam eloquentemente a sua fé viva no mysterid augusto da presença real de Jesus na Santissima Eucharistla. Termina a missa. Em segulda da-se a bençAo com o Santissimo Sacramento aos doentes. Est.es sAo em grande numero. Numa cama portati!, collocada em frente do altar, no re. cinto destinado aos doentes, jaz urna senhora nova gravemente t'nferma. Nas feiçOes reflecte se lhe vis,velmente a grandeza do 1ioffrimento que a tortura. O seu estado lamentavd rnsplra a tod,)S os que a veem a mais sentlda compaixao. Durante a bençAo muitos enfermos choram cop,osamen· te. Nao sao prantos de desespero, sao lagr1mas de commoçao, de esperança . e de amor, que lhes brotam dos olhos, confortando-os e consolando-os. Por fim é dada a benç!o geral a

todo o povo, que a pouco e pouco se vae retirando para os seus lares distantes, levando saudades indeleveis de momentos tao preclosos passados na terra bemdita e sagrada de Fatima. V. de M.

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Hs curas da f atima Temos em nosso poder o relatorio, longo atestado médlco, radiografia e fotografia, sòbre urna Importante cura (mal de Pott) cuja publlcaçào reservamoa para o mez de Malo. Sabemos de mala, algumaa Ja em noBSo poder, outraa que noa foram prometl das, devldamente autenticadas por atestado médlco.

Entre outras recebemos as StEUintes cartas:

«Sr. Director da VOZDA FATI~ MA. Peço a V. o favor de mandar pu-

blicar no scu jornalzinho a graça que minha esposa obtcve da Santissima Virgem do Rosario da Fatima. No dia t de Junho de 1923, Maximina da Piedadc, do legar do Casa} da Fontt, freguezia de Asscntiz, concelho de Tot res Novas, dcu a luz urna menina, tendo urna hora fdiz. No dia 7 do mesmo mez pelas 6 ho• ras da tarde, acometcu-a um acésso de delirio extraordinario, e comcçou a reslir a devoçao das cem Avé-1\larias. No dia 8 vendo-se ceda vez peior, o mariJo saiu eh amar o sr. Dr. Gonçalves, dos Soudos. Este deu poucas esperanças de melhoras. Por mai! esforços que se fizessem nao se conscguia obrigar a docnte a tornar alguma coisa . Desde que a de• mencia a acomttéra, nao dormia coisa algumo de nr,ite, t de dia era preciso estar sempre a scgura-la para ella se nao de!>pednçar Quando se sentia pre• za mordia no que encontrava se a dei· xava m. A' mcia noi te soctgou um pOUCO C cntao tlS ('CS!'-08S que C:.tavam cncostaram •!ic urn pouco na esrcrança de que a docntc iria dormir devi-

do a estar muito fatigado de tanto labutar. Na manha do dia g pelas 2 horas, o marido chcgou com muito


Voz da Fatima geito a porta do q'uarto pensando que ella dormia. Achou-a de o\har espavorido que metia horror, olhou muito P..ara elll'! mas nao lhe disse nada. fentaram novamente aplicar-lhe os medicamentos segurando-a o marido pclos pulsos, mas a desgraçada tanto barafustou que na0 poderam ser senhores della. Procurava até as ,., maos do infeliz marido para as morder. Todas as pe:sso,s que assistiam iaquella scena horrorosa i-ahiram para a sala com os olhos mnréj :1dos de lagrimas, emquanto o pJbre mnrido encostado a pona do quarto lamentava a triste situ;1ça,1 ern quc ia ficar. Entao a dc..-sventurada, no auge do maior acésso de dcli rio começou por rasgar as roupas. Até pux:1Ju pelo rodaP.é da cama e csmordJç0u o corno se fo'.)se um animal raivoso. A um tcrço, quc· a doentc tinhn pcnduradQ no li::1to e dc quc tanto gostava, lançou-lhe as maos e despcdaçou,o todo. O marido contemplando aquella scena dcsoladora ja pl!dia a Dcus q u~ a lev,1sse ou q uc tiws"e compaixao dum e doutro. U q ue nao podia era vél-a a penar tanto. Vollou 11ovamentc a eh tmar o méJico, nao lhe restando espcranç1 alguma de mclhoras, lamentando a ,;ua triste sorte e de quatro filhinhos que tao · novos fic.\vam sem o abrig,1 da pobre ma.e. No meio dcstes tristes pcnsameotos ocorreu-lhe um I iiieia. A de invocar Nossa Sen h 1ra ao Rosario da Fatima: «Stnhora I Vas sois a con· so/adora dos oflitos, COf!SOlat me tambem a mim, dde a s11lide a minha ~soosa e n/Io deixeis ficar meus pobres filhinltos tào peqaeninos seni o

abrieo da mtie I• Prometeo dar uma csmola conforme as suas forças se a Virgern lh : concedesse C!>ta gruça. ChegJndo a casa do médico e co.1tando o estado d.i docnte pediu-lhc pira elle la voltar. Este respondeu que nii. 1 ia la fazer nada, que levasse um reméJio mais forte, e se nio ohe• deces,e aquelle, cntao nao obcdec:eria a mais nenhum. Mas voltemos ao que se passou em casa da doente. Emquanto o marido da pobre demente chamava o Or., as pesso,s que tìcaram ao pé da doente, vendo os .gestos que ella fazia, uivando corno o., animais ferozcs, rasgando e mordendo tudo o que encontravs, que -cau'iava profondo horror, unidasnum cspirito dc fé viva, rnvocaram Nossa Senhora do Rosario da Fatima, com urna confiança inabalavel, que s6 ella é quc podcria p8r termo a tio horri• vel sofrimento, prometendo cada pesstia por si o quc: a sua fé perm1tiu. Graças a Nossa Senhorn da Fatima as suas préces fò:-am ouvida, ! Passados 20 minutos, ou o muito, meia hora, a doente scntou-se na cama, as pess&as que esti\vam foram pira a obrig1 r a ddtar-sc. Outra pcs. IIÒ.t, porcm, disse: csta socegàda, dei· xemo-la estar, e puzeram-lhe um chale pelas costa,. A doente, corno -qucm acorda d'um sono, perguntou: () que estd. csta gente: aqui a fazet? A seguir pcrguntou lhe a mie se queria tornar al~uma coisa. Disse-thc q_uc sim, e tomou urna chavena dc Jcitc com todo o apctitc. Todas as pessou que cstavam fic~ram c~D'?o pt;trilicados com o que v111m pois Jli

havia 36 horas que a docnte nao tornava coisa alguma. O marido 110 chegar a casa e sabendo o que se estava operando na esposa, nao poude contér as lagrimas de suprema alegria, pois pensava estar ja viuvo a~ucla hora. Entrou no quarto, sentou-se na borda do leito mas nao dizendo nada. Ella entao respondcu : ao mcnos diz adeus ! mie vendo a mudança quc se tinha opcrado em sua es-, posa, a companhcira de seus dias, a muico custo poude contcr as lagri· mas. Pt:rguntou -lhe ella porque estava tao triste. Niio é nnda, respondeu elle. A.e; pessoas que ·a tratavam andaVRm a passos lentos, receiando que a doente se tornasse a transturnar dcvido a grande fraqueza l'm quc cstava. E~ta ignorando o que se ti· nha passado, dl!cidiu se a dtzer: p6· dem andar e fallar a. vontade quc nao me doe a cabcça. Até aquella da· ·t~ n:io tinha alimento algum rara a reccm nascida scodo preciso chega• rem-na ao peito d'a_lgumas visinhas. E desde aqudle dta começou a tcr sustento com tanta abundancia que ainda criou alem desta, urna outra menina duma criatura quc foi ser Ama dum menino dum sr. capitao. Graças a Nossa Senhora da Fatima, pas,;ados poucos dias cstava completamente restabclccida scntindo a mais perfdta sau.Jc, da qual ainda hoje g6,;a e c;ua tìlhinha. Esta ~nhorn conta que, pouco mais ou meno:i quando i nvocaram ,a Scnhora da Fatima, no scu espirit9 , houvè corno quc o reflcxo d'um relampag,> na mais escura noitc dc inverno e corno quem csta morta e torna a vida. Foi P,Ois com muita satisfaçao que esta f.11nilia foi com a protegida de Nossa Senhora a Fa.rima no dia 13 d'Outubro de 1923 Agradecer a Virgcm do Rosario tao grande e impor• tante favor ! Peço a V. o favor de desculpar miphas dcsalinhavadas palavaras, tio singélas corno verdadeiras deste que se :.u bscrevc

M. F.> « ••• Vou agora contar o milagrc que a Virgem ~antissima quiz fazcr n'esta minh~ frcguezia dc Candelaria (llha de S. M1guel) em quc te· mos corno Padroeira Nossa Senhora das Candeias. Jm;é Jacintho de Araujo, de 17 anos de edade, filho de Manuel Jacintho de Araujo e Gertrudes do Carmo, tendo ndoecido cm maio de urn ata• C\Ue de reumatismo, ficando aleijado sem se poder mechcr na cama, tcn• do a perna dircita torcida, chcgando ultimamente a atacal-o no coraça'>. Mandou-se chamar o médico, mas nada lhe ft:z bem 7 até quc ultimamcn• te o m~dico acclarou (cu mcsmo sou testcmunha), que o meu cunhado nao cc;capava. Ne:1ta altura cu disse ao doente quc recorrcsse com muita fé a Nossa Scnhora do Rosario da Fatima, quc ia mandar buscar a 4gua santa e ella o curaria. Ficou o docn. te com muita fé li espcra da •sua. Fof cntao que eu cscrnl a V. Rcv.• pa• ra m'a mandar. Ella chcgou cll no dia 13 dc Outubro, nao poàcndo servir-se d'ella nessc dia, porqae cheL,

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gou tarde. Ficou para o dia 14. Lo-go de manha ceJo fomos tcr com o t{ev.•0 p,e José Machado Fcrreira para o ir confessar e dar-lhe a Sa• grada Cornunhao, o que tudo se fez. Uepois o Sr. P. 0 dcu-lhc :igua a beber e a mae pcgou na terra santa juntarnente com a agua, esfrcgou-lhc a perna dur1rntc 3 <lrns e bcbc::u agua nove dias.,. Nesse dia o docnte nao quiz fatar com a familia, mandou fcchar a porta do quarto e e!itcvc a rezar todo o dia o Ho~ario. Quando se chegou a noutc, estando a familia, uns por um lado outros por outro, o doente levantou-sc da cam:.1 e comcçou a andar pelos qnnrtos, milagrc da Virgcrn Santis~1mn e principio da sua cura. Dep Jis d'isto, porém, ao docnte apar1.:cer.am nas costas dois tu morcs como <lois ovo~. Ao cabo de seis dias chamoJ-se o médico que mandou por panos d~ . a~ua quente e os lancetou, e agora estar melhor, graças a Mac Santiisima. O doentc fez promc·,;so dc ir todos. os dias ti Mi sa durante um nnno». Obtiveram graças que re'conheci-

danumte. veem aeradecer a Nossa. Senhora da Fatima: «D. Mn;ia da Conceiçfio Bernar· d}rz<?, de Ilio ~\aior, cfuc t..:nd.:, 1do a

l'attma e descJando trazl!r agua miraculosa dc Nossa St:nhora, levando para isso um garrafao, que pbr acaso se quebrou na viag..:m cum uma fenda no fu.ndo. Aconteceu, porém, elle nao entornar scqucr urna g,">ta d'essa agua bemdita, ao passo que entorna bastante agua doutra qualquer proccdencia. L>escj tndo ver c<1ta graça, que N. Senbora lhe conccdeu, pl)blicada na «Voz da Fatima», desd~ ja agra• dece antecipadamcnte», «As Irmiis Terceiras Dominicanas Portuguésas, da Congregaçao de Santa Catharina de Sena, cstabelecidas em Limeira, Estado de S. f>aulo, Brazil, agrade::cem a Nossa Senhora do Rasano da Fatima a cura d'uma das suas Irrnas, ae nome Maria do Rosario Figueiredo, que estava ha mc• zes com lebre e, tendo-se feito urna novena a Nossa Senhora do Rosario da Fatima, a febre desapareceu Gra• ças sejam dadas a Virg~m Santissima!»

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A illustre familia ingleza Harney oferece a N. Senhora da Fatima uma quantia em prova de reconhecimento por graçaa recebidas.

D. Pkdade de Almdda (rua D. Estcphania, 113, Lisboa) egualmente manda urna quantia para N. Scnho.. ra em agradecimcnto de se ter cura• de dos c(eitos dc urna queda grnc. D. Maria de Lo11rdes de Barctllo~ Coelho Borg-es (Angra-llha Tercei-

ra) vem humildcmemc agradecer a N. Scnhora do Rosario da Fatima uma grande graça rccebida. 'b

D. Mllr/c Emll/11 P/gntlttl/l Qatl• roz, (Casado Cruzciro-V1zcu) agra• dccc a N. Scnhora do Rosario a gra• J

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ça da cura d'um seu 61hinho gravemente docntc. Tcodo fcito uma n~ •


H·pequenina .apostola

vena e dando a beber ao doentinho ~gua da fonte das Apariçoes, ao segundo dia da novena o doente come çou a melhorar sensivelmente e em breve se restabeleceu.

Um domingo, quasi ao fim da Missa, o zeloso p'1ròco achou~se subita e gravemente doente. Mal teve tempo de se desparamentar e, sem poder attender um nucleo de pessOas que em volta do confessionarlo o esperava e dar andamento a outros as-

U m devoto de Nossa Seohora da Fatima (Monç1fo) agradece a SS. Virgem da ~Fatima a cura que urna doente grave obteve por sua i ntercessao.

sumptos. teve de recolher a cama. Passados oito dias o povo voltava

para assistir ao enterro do seu muito querido e estimado director e pastor. Varias comissoes fOram pedir ao Prelado a nomeaçao de novo p~roco. Elle, de coraçfio angustlado e os olhos chelos de amarguradas Jagri' mas, via•se forçado a .responder que nao tin~a quem mandar pois que o Seminano nlio dava o clero suficiente nem elle poderia privar de paroco outras freguezias egualmente necessifadas. Urna ou outra vez la passava pela

D. Aurelia Val do Rio Henriqaes

(~. A!3g~a do Heroismo 2, a Estefama, L1sboa) achando-se doente e aflita por duas vezes no iotervalo de alguos mezes, prometeu a N. Senhora se a aliviasse, de enviar esta declara; çao para o querido jornalzinho <tVoz da Fatima» o que faz com o m aior prazer para honta da Santissima Virgem.

D. Maria d_a Conceiçào Pinto Rotlta, (Il. Candido do_:; Reis, 7?,-V1a-

n3: do Castelo), deseia que sejam pub!J~adas na «Voz da Fatima,> assegutotes graças :-A cura d'urna ferida quasi instan~anea com_ a aplicaçao da agua da Fauma dcpo1s de ter invocado N. Senhora com muita confiança. A cura de u~a creancinha que se enc.ontrava mutto mal e que ap6s me1a hora de ter tornado aro cha das flblbinhns das arvores daquelle logar santo e de ter invocado N . Senhor_a da Fatima com a promessa de 1 publtcar a graça obtida, foi repentina.mente curada a creança. Vem pubhcamente agradccer a N. Senhora todas estas graças e favores, corno tambem as melhoras de duas pess6as doeotes e d'urna a quem N. Senhora defendeu duma ma companhia, afas• tando-lha quando essa pessoa c6rria para um camiobo mau. Juntameote algumas pess6as lhe pedJm para serem publicadas as suas acçot:~ de graças por muitos favores receb1dos.

freguezia, vel6% corno urna setta, al• gurn sacerdote que mal podia demorar-se uns instantes. O bastante para morrer••• mas insuficl'ente para viver. ·

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fender-se..• Havia urna pessOa que mandava o seu carrinho para que um sacerdote viesse adrnl11istrar os ultìrnos Sacramentos, celebrasse aos domingos, fi. zesse um poueo de catequese, bapti-

zasse e assistisse a casarnenlos. Depois era o sacerdote que, de bi·

cycleta ou a pé, por la aparecla todos os oito ou qulnze dias. Todavia a vlda moral ia enfraquecendo .•• Ho uve prlmelro um enterro clvii••• d~pois rnuitos outros. Primeiro um casaménto civil••• depois outros se lhe seguiram. A descida acentuava-se. O povo acostumou-se a ficar em casa nos domingos em que chovla ••• depois mesmo quando o tempo e3tava bom. Urna velhlnha de oitenta annos, ·antfgamente de comunhAo diArla,

Maria Benta, da Mata dos Milagres (Leiria), que tendo um seu filhinho de dez mezes de edade doenti· nho .com enterite, tendo-lhe o médic.., dito que nada havia a esperar, recorreu com muita fé a N. Senhora da Fatima, dando-lhe a beber agua da Fatima, começando logo a creança a melhorar, cocontrando-se hoje rcstabelecida. ·

morreu sem Sacramentos. -Para que servem elle• t. • • dls· s~ram os visinhos. Sem caixio nem nada (aa tabuas

D. laurinda Marques, (R. da C. do Ouque de Laffies, ,p, Beatq-LisMa), que numa necessidade temporal .recorreu a N. Senhora da Fatima -scnJo attendida. Envia um donativo para N. Scohora.

Maria_ da Conctiçll.o da Sllva Mat- • los, covi-a u~a qu11ntia para N. Senh•>ra da Fauma em agradecimenio ·dc a ter curado duma grande queda que deu d'urna varanda abaixo para um lagedo, quando, crtada de servir, sacudia um upete. f

dia

,,

A Missa do melo dia é celebrada 'por lntençfto dos peregrino&, prhiclpalmeate dos doentes.

c.•

No principio o povo procurou de-

estao multo caras I) assim a levaram quatro vlsinho8 para o cemiterlo e li a meteram numa cova com menos respeito e sparato do que farlam a um animai qualquer. Acabado iato fOram A taberna beber uma pinga• Tudo lato sem odio nem mA luteo• çio, ,-em eacandallsar nlneuem. Era o habito que vlnha••• vlnha, • • . Comer, beber, dotmlr, trabalhar••• para nada d'isso, nem 01 bots nem os homens tinbarn necessldade de· pliroco. Dorme, pois, para ahi velho pres• byterlo, antlgamente tlo viva e acolhedora casa... fecba as tun Jaoelas. corno um morto fecba os olhos•• ,.

O tcu papel de •l1ll1nte amor

acabou. Agora prealdea a um cemiteflo de••• atmas.

No e-ntaato, tiavta

H

aldela nma

joven de qulnze anrtos, que guardava urna vaca e al2umas ovelhas dt sua mfie emquanto ia fazendo cro-

chet.

O seu nome de Cbrlstiana conver-

teu.se no de Crieri porque era conhecida. Um dia vendo passar, banalmente. de clgarro ao canto da bOca, os hornens que levavam para o cemiterio a velha Maria sua amlga, o sangue deu Jhe urna volta, Enlrou na egreja de paredes esverdinhadas, poz itgua benta num copo e espalhou a com trìsteza sObre a tumba. Os homens otharam para ella e sorriram-se com um sorriso que nao era de reprovac;ao. No outro dia a pequena Cricrl agarrou numa vassoura e numa pci e foi limpar a egreja. Abriu a sacristia, arejou os para-

mentos, limpou o p6.

Surpresa do Sacerdote quando cbegou I ••• Pela primeira vez aquella egrej, Jhe deu urna lmpressiio agradavel. -Foste tu que fizeste isto, Cricri? -Sim, fui eu ••• respondeu ella

c6rando. -Esté bem t Visto isso vou tocar y para a Missa. Ha de sec um toque de festa I ,, Apareceram cérca de urna duzia de creanças e trez pessOas maìores. O Sacerdote deu a cada urna um santinho encontrados pela pequena em urna gaveta. - Crlcri, queres ajudar-me assim , todos os olto dias••• ? -Quero sim, senhor Padre, da

melhor vontade.

-No proximo domingo, reunidas as creanças, virei f~zer Q catecismo e helde-lhes trazer premios••• A ti, nomelo· te minha ccoadjutora•.

-Oh I senhor Padre l , .• O Sacerdote, porem, oao vottou

mais.

Quando chegou a casa encontrou ordem do seu Prelado para lr para outra parte onde a falta er.a ainc;la

mafor.

Sem nada dlzer a ninguem, a pe.. quena sentiu intimamente a falta de coragem a lnvadll-a ; chorou .•• sen• tindo como q ue as azas q uebradas. • Depressa, porém, sacudlu tao trlstes lernbranças. Quasi todoa os dlas reunla creanças perto da sua vaca e expll· cava-lhea què n6s estamos no mun• do para conhecer a Deus para o amarmos e aervlrmos. .1 Lia· lhes Boletlns paroquiaes e ou~ t troa jornaes catholicos, quando consegula havef· oa. Apeur da sua tlmidez la ver (>S doentes, ajudava bell'! morrer os mo,tbundos, recitando·lhes as oraçOetr .ta agonia e rezava junto dos mor-

,s

to,.

Teimosa, fazlì patar os enterr.QI v deante da egreja, la accender as \v~ las e nao delxava que oa cadavere& , fOssem para a ttrra sem aa ben*&

de Oeus. · A pouco e pouco a sua lntervençao fol julgada indlspensavel e '·11. mesmo todos cootavam com ella. .1 A' tarde la 4 egreja recitar o .jeu.

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erço e quando havia muita gente, 1 recitava-o alto. " Dia a dia o apostolado la-se tornando urna necessldade para a sua alma. Como um passagelro sonhador debruçado nas grades do navio se pergunta a si mesmo em que ponto do oceano se encontrara, asslm Chrlstiana se demorava as vezes de notte A janella a contemplar o ceu, semeado de estrelas, no meio das quaes voga a terra... esta t4o pequenlna terra I ••• E, de maos levantadas pela emoçao, bradava alto no melo da noite:

Pae Nosso, que estaes no Ctu.

E o seu exemplo fazia que outros

levantassam tambem os olhos para o Ceu .••

E assim, ha .cinco annos, esta pequenina apostola, urna aldeà quaai desconhecida, conserva viva urna falsca que urn dia se converlera ern incendio. -As almas hllo de incendiar-se !... Christlana tem a certeza d'isso. Quando ? E' segredo de Deus. La além, em qualquer parte esta urn seminarista da sua edade.••, um joven generoso que offereceu os seus vinte annos ao Creadoi••• e que se piepara para vir, aqui, um dia, executar a obra divina. E se esse joven nao encontra a egreja a calr, a fé moria, as almaa fechadas para sempre a fé, sera por causa d'essa creança externamente semelhahte a todas as outras, de qU'èm as vezea ,algumas pessòas se riem, mas que os velhos, la da outra viaa, e os anjos contemplam com admiraçao, pois que ella guarda o ,f0goa ..• o f0go que é o Amor••• o f0go que é Deus I ,t

I

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O numero 13

ac afunda tanta gente, desviando-se do Yerdadeiro culto e amor a Peus? Quando Moysés, passaaos quarenta dias, desce do Monte Horeb encontra ca em baixo, na planicie, os israelitas extasiados em adoraç~o a um bezerro d'oiro. Ora quando os povos deixam as alturas serenas e limpidas da Egreja embrenham-se ca em baixo numa apertada rMe de supersti~~es e, se nao adoram o bezerro d'oiro, adoram o oiro do bezerro, dlvinisam as P.aix0es tornando-se similhantes aos animaes irracionaes, escravos dos aentidos. ·Todas as almas necessitam absolutamente de Deus. 01 mesmos que o negam ou o nào amam sào afinal os mais preocupados com esta idela que nào p6dem apagar da consciencia. Estes parecem-se um pouco com as creanças que, no melo duma floresta, tomam a resoluçào de cantar e fazer barulho para espalhar o médo. Nào àdoram a Oeus nem a Jesus Chrlsto mas tremem se, por exemplo, estiverem 13 a mesa ou virem uma borboléta préta. Nào acreditarào nos milagres, na Egreja, 110s Sacramentos, mas invocarào as almas dos mortos e crerào nas pancadas de urna- mésa. E quanta gente que se diz catholica, que fez profissào, no Baptismo, de renunciar ao demonio, vae pressurosa con:iullar feiticeiros e recorre a outros meios reprovados pela Egreja. loro que quatquer doença ou dificuldade a aflige ? Que o numero 13, pois, trazendo A lembrança o crime de Judas, nos conslitua na necessidade de evitarmos as traiç0es nllo menoa hediondas que fazemos a Oeus com os pecados mortaes. E' necessario viver a fé e que esta nao seja s6 de ~alavras.

Abrigo P,ara os doentes

. • peregrinos da Fatima Transporte do n.• 27 • 526:000 Jollo Severino Oago da Camara. . . • . . . . . 10:000 D. Ouilhermina Alvares Fortuna. • • • . • . . • 12:500 SubscrlpçAo aberta pela fx.111 Sr,• D. Camita Noguetra . . . Soma•••

Deapezaa Transporte • • • • Tipografiia (19:000 exem·

plares) . . • • . Soma ••••

Subscripoao (Continuaçiio)

P.• MartinhÒ Pinto àa Rodia D. Anna Correi a. • • • • • D. Maria Gertrudes . • . • D. Marianna Grave Descalço Paci6co Martins. • • . • •

10:000 10:000 10:000

D~ Maria da Luz Guimariies Pcstana • . • . .

D. Marianna Vilar. . • • .

D. Elvira Serranho Montciro p _e Joiio Augusto de Fari.:i.. D. Maria da Encarnaçao Mourao • • • • • . . • • Jeronymo Sampaio • . . • D. Ma ria Primitivo Ca~tro. José Caste1lo Branco e Castro

50:000 10:000 10:000 10:000 10:000 10:000 10:000 10:000 10:000

Manuel Araujo Pereira•••

JO:ooo

Manuel Pacheco • • • • • • D. Rosalia Maria de Pina.• Condessa de Nova G3a. • • D. Maria da Conceiçao Fcrnandes Cadeco. • . • • • D. Maria José da Sii va. • •

10:000 10.000 10:000 10:000 10:000

D. Guilhermina Fontes Perci ra de Mello. . • . • •

D. Emilia Augusta da Luz. D. Marcelina Carneira. • • D. Luiza de Jesus Manso •• P.e tuiz Caetano Portela . • D. Deolinda da Purificaçao Co~ta • • • • • . . • • • D. Maria Pereira dos Santos D. Maria de Jesus Lacerda.

D. Elmina da Cruz C6rte • Joaquim Pedro da Silva .• D. Maria da Piedade Fajardo Magalhaes Monteiro •.• D. Ludovina de Jesus Lopes D. Elvira Rosa da Cruz •• D. Maria das Mcrccs Bianchi Coelho Borges . • • • • • • De jornaes (P.e J. dos Rcis). Dc jornaes (Francisca Fitipa ldi). . • • • • • • • • • De jornaes (J. Oliveira Dias) D. Maria José Assis Gomes. Joaquim Domin~ues Urbano P.• Manuel de Souza . . • • D. Joscfa Carolina de Matos Chaves • • • . • • • • . P.• Francisco Joaquim da Rocha. • • • • • . • • • Ayres Gomes • . • • • . • D. Emilia Nunes da Rocha. D. Laurinda Marques ••• D. Maria do Patrocinio Chaves • • • • • • • • ••• D MMia Clara da Silva Lo-

bo. . • . . • . • . • D. Palmira Garda. • ••• D. Lcopoldina Pacheco •••

10:000 10:000 10:000 10:000 10:000 10:000 10:000 10:000 25:000 10:000 10.000

ro:ooo 10:000 10:000 10:000 117:000 36:000 10:000 10:000 10:000 10:000 10:000 10:000 10:000 10:000 10:000 10:000 1 5:75o

15:750

D. Carolina Cabrai .••• 4 1:35o p_e Joao Ramos Ferreira~ • 10:000 D. Maria da Apresentaçao David Gonçalves (5 assignaturas) . . . • • • • •

O. Maria Rodrigues Ferros. D. Anna da Silva Barreto • Dr. l'..uiz d'Oliveira. • • • • D Anna Charters • • • • • Comendador Joao Curado . P.• J osé de Ceiça . • • • • .

50:000 10:000 10:000 10:000 10:000 10:000 10:ooa

D. Conceiçao Mnrtins da Ro23:686:970

Outì"as dcspezas. • •

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D. Vi via Street d' A.rriag1 Braamcamp SobraL : , • D. Michacla Caroço • • • •

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10:000 10:000 l z:OQO 10:000 10:000•

Ignacio Antonio Marques, . D Virginia Vieira Dias••• Madame Leonor Vleira. . • Joaquim Oias Souza Aroso D. Maria da Conceiçao Tocha Figueiredo Lourenço.

40:000

D. Anna Aloertina Lourenço Ferreira d• Abreu • • • • Dr. Eurico Lisboa •.••• Joiio Ouarte Simoes Baiao • D. Ema Falcao de Mendonça

40:000 20:000 10:000 10:000


de

Ano IJI

N.• 80

de 10.25

(OOM APROVAç.A.O EOLESIASTICA) Dlreo'tor, Proprle'tarlo e EdJ-tor

Adm1u.ta trador1 PADRE M . PERElRA DA SILVA

OOUTOR MANUEL MARQUES DOS SANTOS Composto e impresso na Jmprensa Comercial, , Sé -

·13 de Fevereiro • ALVEZ nunca a estaçlo in-

vernosa no nosso pal:z se assemelhasse tanto esplendida quadra da primavera, corno este anno desde o seu inicio até ao meado da primeira quinzena de Fevereiro. Com rarissimas ex ce p ç Oes, dias e dias de um sol brllhante, um ceu diafano que nem se• quer urna nuvem ensombrava, uma viraçlio suave e urna temperatura Il· • geiramente tépida, noites lua1entas ou estrelladas, serenas e agasalhadoras, lembrando as mais bellas noltes de estio, tal foi o més de Janeiro ultimo tao differente dos Janeiros que o p.-ecederam até onde a memoria logra alcançar. Mas ja no principio ,, d ~i co rrente més o inverno se appro. x,mava em rapida carreira e aounciava a sua chegada com os primelro s ventos frios e as primeiras chuvas brandas e intermitentes proprias desta epocha. N o dia treze de madrugada fez elle a !;U a ent,ada solemne, com toda a • ~oropa e magestade. A viagem a Fa11ma nestas condlçOes de tempo, sin• gularmente desfavoréveis, torna-se uma verdadeira e forçada peregrina- çào de penltencla. O frlo, o vento e a chu va atormentam impledosamente os rnmeiros que fazem a pé tao longo p,acur&o ou que usam de vehlcul\1s pouco confortaveis, desde o claai.icn jumento até ao trem aberto e ao t1~tscon,munal ch11r-d-bancs. O nosao ca• ro, d epois de tee transposto a serra numa interminavel e pl!nosa travesi-ia felta em grande parte durante a noìte, chegou ao locai daa appari• çOrs pouco depois das nove horaa da mann~. A' penltencla que o Ceu nos impunha e que resignadamente tivern os de acceltar, juntamos, corno de costume, a recltaçlo meditada dos qulnze mysterios do Rosario. PrtaJ• diu a esse acto de devoç!o para cona a Santissima Vlrgem o rev. Jolo Nu• nes Ferrelra, parocho de S. Pedro, em Torres Novas, sacerdote tlo reapeltavel pelas auaa excelsas e acrlao'---::.o-=--'

a

REDAcçlo E ADMJNISTRAçi.o

R'O".A. D. N'O"NO A~VA.RES PElrtE:XB.A.

Leiria

(BEATO NUN8 Dlt SANTA WRU)

ladas virtudes corno pelo zelo, deslnteresse e abnegaç!o com que prodlgallsa vlda, saude e fortuna nos seus multlplos e varlados trabalhos apostollcos e de um modo partlcular na formaçllo chrlstA da mocidade confiada j sua solllcltude pastora!. Os aervos de Nossa Senhora do Rosario, vulgarmente conhecldos pela deslgnaçlo laconica mas expressiva de servitas, dao immediatamente inicio a essa hora, aos trabalhos da sua lnstituiçAo. Organizam o serviço de ordem junto da capella, do altar das miasas e da fonte do locai das apparlçOes e transportam os enfer• mos, alguna, cujo eatado é mais grave, em macas, para a esplanada, em frente do allar, medida que estes vao chegando junto dos muros do recinto do sanctuarlo. Semelhante trabalho é tanto mais difficil e penoso, e por isso tanto mais dfgno de apreço e Touvor quanto é certo que desta vez teve de ser realisado por um tempo desagradavel e sobre um terreno escorregadio e lamacento. • Entretanto as missas succedem-se , umas b outras ininterruptamente, celebradas por numerosos sacerdotes prévlamente lnscriptos, e, emquanto se celebram, reza-se o terço, entoamsee dlversos canticos religiosos de caracter popular e fazem •se lnvocaçOes em favor dos enfermos que, colocados em filas em numero de cem approximadamente, occupam urna grande parte da esplanada. Ao melo-dia e mela hora officiai começa a ultima missa, a chamada missa dos enfermos, que é sempre appllcada petos peregrlnos effectivos e de deaejo, e especialmente peloa enfermos presentes e ausentes que qulzeram mas nao puderam vir.'...,Esta missa, embora aimplesmente rffada • como todai as outraa que a precedem, é todavia rodeada de maior apparato externo, de mais pompa e 11 solemnidade. Antes de principiar é cantado o Credo de Oumont por um cOro unisono exclualvamente formado de sacerdote,. Durante a missa o terço é recltado do alto do pulpito alternadamente com o povo pelo rev. Dr. Manuel Marques do• Sant11, dlstlncto pro•

a

fesaor de 1clencl11 ec;:cle1iaatlci1 no Seminarto de Lelrla.

l

A actlvldade que este sablo e virtuoso ecclesiastico desenvt>lve no exerclcio das suas funcçOes de ca• petao-director dos suvitas é verdadelramente assombrosa, multlpllcando-se, por assim dizer, a sua pessoa para attender a tudo e a todos com urna paciencla lnexgotavet e urna carldade exttemamente dellcada, constante e quasi herelca. De vez em quando entoa-se um cantico e fazemse invocaç6es pelos enfermos. A,. medlda que se approxima momento solemnisaìmo da consagraçlo, o silencio, que desde o principio da missa é I profundo naqueta asslstencla de mais de duas mii almas, par ce tornar-se alnda mais profuntto, o recothlmento augmenta e a pledade é mais viva, mais sentida e mais communlcatlva. O Bemdito, cantado durante a CommunbAo, poe naquelle ambiente, saturado de niysterio e de sobrenatucal, urna nota encantadora de mystlca ìuavldade. Ap6s a missa realisa-ae urna das cerimonias mais commovente& a que é dado assisttr sobre a terra e que s6 em Lourdes e em F4tima tem logar : a cerimonia da bençlo do Santissimo Sacramento aos enfermos. As lagrimas assomavam espontaneamente aos olhos dos enfermos e de grande numero de aaslstentes • Jesus, o divino e mlserlcordloao rei de J\mor, occulto na Hostla Santa, derrama ln,ialvelmente copiosa& graças sobre todos, dispensando confortos espirituaes e al1lvlos corporaes aos membros padecentes da egreja militante que alll vlo Implorar, chelos da mais viva confiança, a caridade Infinita do coraçAo sacrosanto do celeste Samaritano. Por fim é dada a liençao geral a foda a assistencia. O rev. dr. Marques dos Santos, por ter faltado o orador que devia prégar o sermao,, faz, num feliz improviso, urna pn\tica substanciosa sobre o arrependilnento e emenda dos peccados, que calou profundamente nas almas dos ouvlo• tes. Estes, terrninada a pr,uca, pOem• se a caminho do1 seus lares dlstan• tes, levando nas auas almas crentese pledosas, uma nova reserva de energiaa sobrenaturaea para a lucta com as paixOes, cujaa deaordens tantaa almaa arraatam ao peccado e 6

o


~ -morte eterna, e uma recordaçlo sau• ~")

'..J,

dosissima dos momentos unicos e lneffnels que tlveram a ventura de

passar naquella estancla consagrada

pela presença e pelas bençllos da augusta e gloriosa Ralnha do Santissimo Rosario.

V. de M.

Hs curas da Fatima

dlzla que bom seria formar-se urna comissAo de competentes para melhor estudar estes fcnomenos maravilhosos que algumas pessOas afirmam ver e eu desejarla multo ser ouvido e mais algumas pessOas porque temos motlvos bem frizantes para Isso visto que a Virgem Santlssi• ma tantas vezes os repete e com tanta intensidade. Termino e para outra vez escreverel sObre a cura de um filho meu. Paça o uso que entender desta mlnha carta, que bem desejo seja publicada no nosso querido jornalzinho para honra e gloria da nossa tào terna e carlnhosa Mae. Desculpt:, etc. Fonte Fria, 6/21925. Anlbal Matta>

«Ex.m0 Sr .... P-eço a V. Ex.• para dar publicida- de no seu jornal seauinte carta: Soffrendo horrivelmeote do figado e do eslumago ha 3 annos, e nAo havendo j\ natia que me aliviasse as dOrès, e estando no ultimo estado de fraqueza, fui aconselhada pelo meu médico a cfa r entrnda no hospital pa· ra fazer operaçao, o que fiz, dando enfrada no aia 5 de Maio do anno passado, invocando com multa fé Nossa "Senhora de Fatima! para que a minha melir.drosa operaçao se fizesse no dia 13 de Maìo eque eu ficasse bem. ' Graças ;i Nossa Senhora de F~tima fui ouvlda e !10je estou completamente rcstabelec1da. Quando entrei no hospital fiz urna promessa o Nossa Senhora de ir la, o que esp!rò cumprir em 13 èle Maio d'este anno. Lisbr,a frua Luiz de CAmoes, 131, J. 0 ), 29 dc Jnneiro <.le 1925 - Rita

a

---------·

Jesus Ramos ».

"'·

e 111.mo e Rev. 810 Sr. Ifa um ano que ohtive uma l!raride 2raça, a tura de meu marldo, que estava enttl.v ![ta'tlemente doente; n/Io se poderd' tal~et classificar de mllal[re, mas eu tenho a ahsoluta etrteza,

Obtiveram graças que veem ag-radecu a N. Senltora do Rosario da

Fdtima: • - /osi Auèusto Pires dos Santos, de Man~ualdc que tendo um sobrinho

com ferim ento grave n'1.1m ollio, chegando tambem a ser atingido o outro, me)horou rapidamente ficanilo sem defeito algum, ~ncto esta a terceira graça (que Rrometeu n,ublicar} que obtem pela rntercessào de Nossa Senhora do Rosario da Fatima.

- D. Etelvina das Dores Wengrllun envia um donativo em cumprimento de urna promessa.

- D. Anna Maria Lurlile da Si/· va envia tarnbem um donativo em acçAo de graças pela cura de uma sua neta.

- D. Anna de /esus Lima, de Tendais, em acçào de gro1,a:s pl:!la cura de um panaricìo envia tambem um donativo.

cAn.a /osé. Oola11te, de 21 anos, olteira, natural de Murtosa e moradora no Ribeiro, actualmente em Setubai, filha de Manuel Joaqu,m Soares da Silva e de Maria d<> Ccu Galante, fez o v6to de il'. em peregrinacAo a N. Senhora da Fatima se eia . Jhe désse alivio .tos seus males. Estava declarada tubcrculosa pelos médicos e hoje esta completamente curada. JA foi F.atima em 13 de agosto de 1924 na grande peregrinaçao de Murtosa e la deixou a sua esmola que tinha promctido...

graça.

Padecia ha muitos aonos de violentas dOres de estomago. A medectna receltou· lhe varias drogas, mas as dOres eram quasi continuas. So sentia algum alivlo por intermedio dos panos quentes. Agua fria nAo podia beber. Um dia otwiu ler os acontecimentos Fatima. De alma e coraçao se voltou para Nosfìa Senhora. Prometè.u ir pessoalmente agradecer- lhe se livesse aigumas melhoras. Oesde essa hora, :nuoca mais teve Jores, anda de bòa sa1.Ut, bebe aeua fria, come de tudo. Crè no grande milagre de Noss!) Senhora. Rol no .dia 13 de Outubro passado agradecer a Nossa Senhora, e tem felto tal propaganda·, que para Malo muitas pessoas suas amlgos, a , va.o acompanhar, ao Céu da Fatima,

ìa

so

a

=

131, 1.• - Af/al!so de Albuqutrque.•

«A D . Florinda da Resstzrelçiio,

~ -~Sr.-P.;-Manuel

e3te 111ila&re de Noau Sea-era 4a

e Tendo suplicado a Nossa Senhora do Rosario de Fatima urna graça, que obtlve, prometi publicar na Voe da Fdtima o meu agradecimento e tambem enviar uma quantla para o culto de Nossa Senhora. Muito grato e reconhecldo a Maria SS.1111 pela graça obtida, cumpro 8 minha promessa. Rua Oomes Frelre, n.• LisbOa,

Ourondo, (CovilhA),- concedeu Nossa Senhora da Fatima urna grande

Omen

Ten·do tido um fllho com uma inlercolite e deseagirnado peloa prlmetros especiahstils de creanças, tendo o ulti1uo que o ul11 dito que ele J?Oderia viver dbis dias, _vendo a scièncla ab1ni.Jonar o meu querido doentinho, recorri ::i Nossa Senhora da Fatim:-1 1 Jan lio lhe no mesmo tempo a bdJt!r g6t.1s d 'AJlUa que urna mlnha amiga mc linha dado. Com espanto dos medicos que jt o tlnham abandonaJ,.>, a criinça começ0u a sentir alivios e hvje encontra-se de perfeita saude e o~ m~dicos dlzem que fol urn ca~o unico oa aua vlda. Caso V. Ex.8 queira, p6de fazer uso desta minha,carta cootando mais

/. de C. P.> ----,------,.,"-

a

que s6 devo a vida dele a Nossa Senhora ct ,, Flitimi1 a quem invoquel durante um::i noite inteira. Agora pe. ço-lhe fervoros amente que mcllore a vista de minha filha que a tem tao ma, que os médicos 1130 a deixam por emquanto aprender a ler, etc."

Maria M4ri{arlda Sarmento Pilzto.

FAtima no jornal de que é digno administrador. Envlo Incluso um donativo para auxilìo das obras da Jgreja e corno gratidao a Nossa Senhara.

J

ctmo eia diz.»

,

I


Uma ave ... que nao pode cantar Ahi est4 elta. • • E' ella mesma, a Quaresma. Um tormento que outra vez recomeça, o ahutre que, no silencio dos lablos lacrados, vae roendo a consciencia. E' o remorso, que tambem tem a sua primavera••• de inferno para rebentar de novo. A partir do primeiro de Janeiro, o homem de quem aqui queremos falar, começa a vel-a despontar no horlsonte. Este homem é corno o vlajante· que chegou ao cimo d'urna plaoicie, que tem de descer para atravessar urna terra onde credores implacaveis o espreltam. Se pudesse passar: por outro sitlo-1 • • Mas o caminho é mesmo pelo melo, em urna linha inexoravelmente recta. Se elle pudesse saltar a pés juntos para além da Pbcoa I ••• Iato, porém, nao é possivel, a ninguem. Este tempo da Quaresma e da Pascoa, t~o doce para tantos ou1ros é para elle urna bebida amargosa que ter.1 no entanto de ugotar até às fezes.

*

Queira ou nAo queirn, dia a dia, é forçoso atravessar essas, pouco mais de duas quinzenas, que elle finge desconhecer masque a cada momento lhe lembram as suas obrigaçOes t E'·lhe impossivel fechar os ouvidos pois que o chamamento, o unico, o grande, o augusto convite cbega-lhe de todos os lados ao mesmo tempo. E' a mulher que conta com interesse o horario das funcOes religlosas na egreja. • • Sl\o os filhos, rapazes e raparigas, que falam uns com os outros, sObre a exarnlna e respcctiYilS rapozas e discutem os prégadores••• E' o vislnho que elle v~ caminhar apressado para a via-sacra e outras func~oes da tarde••. E' o toque mais frequente dos sioos. E' o merceeiro que empilha fardos de bacalhau no estabelecimento recordando a época saota da abstinencia e do jejum. O convite, prlmeiro longinquo, vae-se tornando mais preciso Ae assediante. O homem sente-se atacado por todos os que o amam. , A's vezes faz se silencio em volta Et'elle, mas esse silencio •• · • . é povoado de olhos que se demoram a observal-o ••. Livros piedosos sObre as mesas.•• Sobretudo a sua coosclencia chama o, implora, grita- lhe: • .•• Se és chrlstào s~-o a valer 1 •.• E porque nao? Sabes que tens esse dever, esse grande dever 1 ••• Se eslivesses la, no teu leito de morte, de certo nào recusarias recetier o teu Deus. :.eorque é que o recusas lioje ? • J'ens a cerleza de que d'aqul a um anno seras alnda um hatiitante d'este mundo? N~o sabea tu que a ConftssAo e a Comunhào sao o llignal por onde se conbecem os Jieis ? cAqutlle qae

n4tJ eome " mlnba

&ITIJt ,

nlo bue

o mea san~ut n6o terd vida tnJ si. •• •

• Este nome de ftel nAo ttm atractivo para ti? >

Depols da qulnzena de convltes vem a qulnzena de censura,: -

e

Passou a Quaresma e tu flcas-

te para ahi corno um poltrAo I E's um homem que nao é homem. Um caniço a fin2ir ferro. Um pae a quem os fllhos nAo comprehendem. Um marido a quem tua mulher quereria estimar tanto I ••• Nào te serve de nada aturdires-te com as passagelras agitaçOes do mundo. -' Sabes muito bem que caminhas para alguma colsa, ••• que deves penaar nisso, ••• que te deves preparar ••• que nAo ha nenhum melo ou formula senao a formula christà, que é afinat a da tua familia, a da tua juvenrude ••• e que ha•de 11er a da, tua· morte. E essa morte p6de vir amanha •. .' hoje mesmo. Agora tira -a conclusAo e cumpre o que é o signal supremo do christianismo I , Ha dois, quatro, dez, talvez vinte anos que o homem resiste a este convite. . • • Ha vinte anos que elle se couraça contra estes remorsos. Far4 o mesmo este anno ••"-.? Tem a impressao de que tudo A roda lhe faz esta pergunta. Elle a faz a si mesmo nos raros dias em que ousa olhar- se de frente. Sente- se observado. E nAo p6de delxar d~ o ser visto que é amado. Sabe q4e se reza por elle. Para '11ém dos seres vigivelR, sente sObre si os olhares de seres que babitam o invislvel , •• dos seus mortos, que partiram na paz do Senhor. Sente-se observado pelo demonio. Observado por Deus,

I

O demonio ha vinte annos que é o vencedor .•• Ha vinte annos que elle o tem apertado pelas goetas e nao o deixa falar. Ha vinte annos que elle o parallzou deixaodo·o llvre s6 do lado do mundo. Ha vinte annos que elle se conserva arredado do confessionario ou de um bom sacerdote que o espera para o· lnundar com a absolvlçAo. Desde entao camadas de poefra se teem acumùlado, e, (quem sabe?) talvez até camadas sObre camadas de lama! Esse homem jA nAo é um homem. Quereria tér força de vontade nias vindo a occasiAo .•• fica-se. Como aranha apanha e P.U&lisa o lnsecto ·eòvotvendo· o na sua tela, assim o in.vi ivel Mau o envolveu em seus laço:. e corno q1:1e lbe tlrou a vontade. E quando se passaram vinte annos sem c1izer: e quero, parece que nunca mais se dir.i.

a

No entauto o demonio nao esté tranqullo. De repente vem um accidente. ~ • e h vezes os prlsionelros f6iem. O m!s ~a Quaresma é o mfs da resurreiçAo e,das re8urrelç0ea. Qaem sabe?

.

I

Se esse velho aintgo, - tu aff nal, ressusclstasses este anno ! ... Que alegrla cd em baixo entre 01 vlvos e que alegrla la em cima entre 01 mortos 1 ' T'!ns todas estas alegrlas fecbadas na tua m!o. Abre•a pois, abre essa mao e que se cante este anno o Alleluia ••• este Alleluìa que tu sof6cas corno se · apertasses, a um canario divino, o pescoço entre os teus dedos crlspa-

das.

As Appariçoes de Lourdes V II I Tendo rezado o terço, Antonieta Leydet approxima -se da creança e, Jominadn nela ideia fìxa de que era Ehsa Latapie quo apparecia, apresenta aquella . o papel e a caneta que t1nha !evado cons1go, diiendo• lhe: .. ~ , -Prcgunta li Senhora se tem alguma cousa a cqmunicar-nos e, se dincr quc sina, pcde-lhe que faça favor de o por por escripto, B11rnadette levanra-se, dé alguns passos para o rochedo 1:, percebendo que as suu duas comnanhe1ras a se~uem, faz-lhcs sip;nal, !rem ~e voltar, para que st1 deixcm fi. car atraz. Logo· que chega ,10 pé ùa roseira brava, poe-se 001 bicos do, pés e offereco a Senhora o pa~I e a cane ca. D:pois espora, na 11ttituJe duma pessoa que escuta co.. attençilo, de olhos fìtos n,1 roseira e na abertura ogiva) e com os braços sempre crguidos. De rerentc abaiu-o,, sauJa prolundamenre e ,·olt1 para o scu logar, tendo ne miio o papel sem um11 letra sequer, Antonieta corre [)ara ella e pregunta-lhe: -Que respondeu a Senhora ? 1 • -Quando lhe apre~entei o papel e a tinta sorrtu• e,1. deppis, sem se zangar, resyon• deu•me : •U que tenho a dizer-vos, nao i neccesorio que o r.onha por esc:ripto.• Pa· reccu em segu1Ja refiecur por momentos o accrescenrou: . •Quereis rer a l>onJade de vir aqui durante q11in%e dio ?a -Que responJeste? -Respondi que ~im, -Mos porquc quere a Senhora qua ta venha~? -Nao sei, ella nio m'o disse. -Mu, ohservou nor sua vez a senhora Milltt, porque no~ fìzeste signal para 9ue recuassemos quando ainda ha pouco aegulamos Q trat de ti r -Para obedeccr a Senhora, -Ah I acrescencou a ~enhora Millet Inquieta, faça o (,1vor de preguntar-lhe ,e a minha presençu aqui niio lhe é importuna. ll:1rnadette enciio volve 01 olhos para • alto ùa ro5eira, escuta um iostante, Jcpoiiri> voltando-se, dii; ' -A Senhora responde : «Nao, a sua presença aqui nlio me é desagradavcl.• A creança ajoelha novamente para orar; as duu senhoras rezam com ella sem todavia a perderem de vista i notam que dcr vez em ~quanJo Bernadette i~te:rompe a sua on,çao e parece con•erur inumament• com a V1siio. Mu nao perçebem nada, nii• ouvem nada. Decorre pouco mais ou menos uma hora e a viaao desapparece. Entii• Bernadette levanta-se, u duas senhona correm ~ara ella, como para uma sa,1ta que acaba dc ser favorec1da com uma grllça divina de predilecçao, e diiem the : -Tu conversaste <Jurante muito temp• com a Senhora ; por ventura nao recebeste d'~!l.i novas communicaçoes ? -S1m, resronde a humilde vidente, e a exprtss:io do seu ro,to tradui ao meame ' tempo a elegria e a anciedade. Ella disseme: •Nlio te prometto toroar,te felii oest• mundo, mu no outro • -Se a Seohora ,e digoa falar coatip• porque olio lhe ()reguntas qual é o seu nome? -J 4 preguntel. -E entiio quem é ? -Niio iei ! Ella baixou a éabeça aorrlll· d~, mks nao '!le re~pondcu. A senhora Mrllet e AntonretR LeyJ<lt recon<l11zir11111 BcrnaJecte a casa e disser11m corn urna VI• , va emo~iio a l.uiu Soubirou$1 como j4 diij sera II eeohora N1colao :


-Ah I como é fèli1 por ter uma tal filhal O escriptor Estrado pedia uma vu a Bernadette que lhe repetisse as p1lavras exactas desta terceira appariçao. A viJente exprimiu-so neste:s- termoll ~ •A Senhora disse me: •Quere ter a bondade ... ?• E parou de repeote a esta palavra para acérescentar, confusa e de cabeça baixa : •A V1rgem disse-me guer• I• Esta par• ticulariJade parace-nos altamente suggestiva do respetto da Santissima Virgem por • .uta creança, de~alma muito pura, muìto srande deante de Deus, que ella se recusa a tratar por tu. Ella é em verdade a m!ie, a rainha e a inspiradora da Egreja catholica que é uma grande escola de respeito. O nosso seculo que pode chamar se o seculo da falta de respeito, porque os homen, niio se estimam, des_prezam-iie, nao se saui.lam, teem até o hab1to, o culto das palavras groaseiru e vis, o nosso seculo, digo, deve recollier esta licçlio dada tio <lelicadamènte e que lbe fu entrever que uma epocba em que 01 bomens deixam do se tratar com respeito perde em breve até o fragll veroiz da civilisaçio e desco • pas•o• rapidos a ingreme ladeira da barbarie. Notou ,se sempre que quando a Santissima Virgem lho (allava, a creaoça ouvia distinctamente, ao passo que as suas companheiras nao ouviam, assiro como nlio viam nada. Ella explicava mais tarde este phcnomeno incomprchcnsivel dizendo dum modo gracioso e encantador, pondo a miio oa regilo do coraçao: •Quando" Santissima Virgem me confillVa segredos, ella fallava-me por agui e nio pelos ouv1dos.• Depois, vendo que nlio comprehendem : eEu olio sei faztr· me compreheQder, accrescentava ella com tristeza por nlio cncontrar lmagom exacta para exprimir a sua imprc,do. Imagmem, para todos aquelles que estavam cm volta de mim na Gruta, era como se urna pessoa se encontrasse a cem passos de n6s ; essa pessoa veria perfeita• m,ote que nos fallamo1, mas nio ouviria o que dizemos•. Niio seria pouinl descreYer mtlhor o que ella aentia, e sem quo o aus• poitaue, a humilde creança servia-se du propriH palnras da Santissima Virgem na Ma11nificat, ella escutava, ella ouvia com o e11mito uo seu coraçao, mente cordi1 111.i. Para ella ha um pouco mais de claridaJo no seu caminbo. Durante as duas primeiru appariç6ee, ella absorveu-se na contemplaçtio da Senhora que opyrova o que ella faz, lhe sorri e, por occas1ao da aspersiio da agua benta, sorri tambem para todas as pessoas qdo estiio presentes, almas simplcs e piedosas que a amam filialmente, porque, quanto a ellas, o aeu coraçiio suspcitou desde logo que era a Santissima Virgem. Agora ella encheu se do coragem, ella ousou fallar A Senhora e fll%er-lho urna pregunta infanti!, quo fu sorrir a Appariçao, depois preguntou lii~ formalmente quem era . •A Senho. ra abaixa a cabeça sorrindo»; e nao respondeu, ma.s é clero quc a pregunta nio lbe , desagrallou. Todav1a BernarJette nio insistiu : ella conservava no seu coraçao esua p111i1vras reveladoru : «Eu nao prometto {azer te feli.i: neste mundo, mas no outro.• Ella deve, pois, esperar contradicç6e,, sofTrimentos, U6res. Semolhantes pro-,aç6e1 ~orncçariio em breve e niio acabar(o senio con:, a sua vlda. D~rea iotimu aem duvlda o que o» homen, niio conbcceram na sua totaltdade, mas quc nem por Isso f6ram menos pungentes. Por isso quantas vez~s teve de truer 4 memoria aquella promes,a tuprema, para se consolar nu auas angustias. 1 (Tr. do fraaces.) Y. de M,

-Como se deve amar a Deus ,. .

«Na verdade vos dlgo que aquelle que nao receber o Relno de Oeus corno urna creança nao entrara nelle.• •Feliz o coraç.ao que sabe asslm receber e guardar este Reino, onde reina Deus que é o seu Amor l Comprehendia e praticava este 'amor perfetto aquella creança que disse ter um amor a sua mae •grande corno eatas casas• e ao pae. .grande corno estas mootanh11•, iato i, como 01 Alpea que eatavam aa

sua frente, e se elevou a si mesma a toda a altura do ·esplrito e do coraçlio com a resposta dada Anseguinte pergunta: --Visto isso corno queres tu amar a Deus? A creança ficou um instante confusa, pensatlva e muda mas depols levaotando a sua loura cabeça respondeu: • Meu Deus, diz ella num tom em que la toda a sua alma, Deus, eu o amo corno elle é•. cMeu Deus, eu vos amo corno o ceu e a terra I• dizla urna creança que depols foi o Padre Chevrler, de santa memoria.

29:800 10:000 110:000 10:000 20:ooa

10:000 10:000 10:000

Torres. • • • • • • . • • Dr. Brites Alves Andorinha M. da Costa Brites . • . • • D. .Maria Rita Percira da

Abrigo para os doentes P.eregrinos da· "Fatima

Cunha. • • • • • • • • •

Transporte do n.• 29. 819:500

Voz da Fatima

te Silva • • • . • • . • • Joao da Silva Moutela . • • Manuel Lourenço dos Santos D. Maria Benedicta de Menezes Leite. • • . . . • D. Leopoldina da Conceiçao Nunes Lobato . • • • . • Maria Casimira • • • • Daniel Antunes. • • • • , .Francisco Martins. • • • . D. Sebastiana Victor Nogueira • • • • • • • • • • Dr. Weiss d'Oliveira • • • D. Felismina Nogueira Frei-

46o:ooo 6o:ooo

Soma. • • • 24:6g8:970 Subacrlp9ao (Continuaçio)

o.

10:000 10:000 1:,:000 10:000

P.' José Machado Ferreira. D. Elmina da Cruz Corte · . O. Maria das Dores Tavares dc: Souza, • • • • • • • • 10:000 D, Julieta Zenha. • • • • • 10:000 Conde de Agrolongo. • • • 10:000 D. Amelia Mesquita de Castro Cabrita • • • • • • • 10:000 O. Maria Nobre Simoes • • 10:000 D. Maria da Conceiçao Alcantara Matheus. • • • • 10:000 D. Alcinda do Carmo Oeiras 10:000 D. Maria Joanna Bagulho Correia • • • • • • • • • 10:000 D. Adelaide Barroso Tierno 10:000 D. Catarina Bagulho Santanna Mar~ues. • • • • • • 15:000 D. Maria SeYerina da Costa ·

Faria • • • • • • • • • • D. Carolina Cardoso. • • • O. Maria Augusta Pereira

10:000 10:000

de Lemos e Mendonça. •

10:000 15:000 10:000

De jornaes (O. E. Guimaraes) José Mendes de Matos • • • D. Alda Pinto Rodriguea d'Oliveira . • • . • . • • , Candido da Siln Prior. • • Viscondessa dc Sanches dc Baena. • • • • • • • • • D. Maria Patrocinio de Matos Ràsquilho • • • • • • Miss Daly . • • • • • • • • Marqueza do Funchal • • • D. Maria da Conceiçao Pe• reira de Lima Caupers. • D. Amelia Augusta Roque. José dc Carvalho Antelo • • D. Adelaide das oares Canadas • • • • • • • • • • .. D. Maria de Jesus Durio. • Dr. Augusto Coimbra • • •

10:000 10:000 10:000 10:000 10:000 10:000 10:000 10:000

10:000 10:000 10:000 10:000

20:000

·o.

2+ 178:970

D. Mariana Moreira dos Santos • • • . • • • • • • • D. Maria Candida Teles • •

20:000 10:000 5:000

Tiago Abreu. • • • • • . • 20:000D. Maria da Conceiçao Maldonado Pereira . • • • • 10:000 O. Francisca de Vascoocelos 10:000 D. Leopoldina da Conceiçao Nunes Lobato • • • • • • 10:000· D. Engracia da Assumpçao Covas • • • • • , • • • • 10:000· Joiio Luiz Andrade. . . • . 10:000D. Gertrudes da Silva Nunes 10:000 Maria Adelina Ventura • 10:000 D. Maria da Conceiçao Duar•

Duas Filhas de Maria 20:000 Soma. • • • • . • • • • • • 839:500

Deapezaa Tra nsporte • . • • Impressao do n.0 29 (20:000 exemplares). • Outras despezas. • • • •

, 10:000

re • • • •

• • • • •

10:000 10:00010:000

10:000· 10:000 10:000 10:000 10:000 20:000

10:000·

Dc jornaes (D. Virginia Lo·

pes) • • • • • . • • • D. Maria da Conceiçao Rino Jordiio • • • • • • • •

10:000

D. Maria da E. Alves de Ma• tos da Costa e Silva. • •

P.• :Antonio Mendes Lages.

D. Maria Gonçalves . • • •

D. Gertrudes Pires Correia. D. Maria do Carmo Forjaz 1

de Gusmao . .

• ••

O. Luiza d'Oliveira Xavicr. D. Lucinda Soromenho •• D. Maria da Soledade Nunes D. Gertrudes Oliveira Santos Pinta • . . • • • P.• Luiz dos Santos. . . ·D. Anna Santos Mauric:io Alzira Vieira . . . .

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Dlreo1:or, Propr1e1:ar1o e Edtto..-

OOUTOR MANUEL .MARQUES DOS SANTOS

13 DE MARCO

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o dia 13 de Marto, reallsaram- se AB Cova da frla, corno nos mbes anterlores, es slngelas mas piedosas e emocionantes cerimoolas comm,morativas das apariçòes. Um vento norte frlgid lsslmo soprava com vlolen e I a , enregelando os corpos e tornando, mais uma vez, por motivo das condlç6es atmospherlcas, a peregrlnaçao mensa) a fatt~a urna verdadeira e forçada peregrina• çAo de penitencla. Apesar do frio intenso que fazla, a multld!o que accorreu a f4Uma tol multo superlor A do mès precedente. Talvez nao estlvessem presentes me.oos de quatro mii pessOas. Em frenle do altar das missas e do illtar da capella das appariçOes estadonavam mult~s centenas de fieia em oraçào. Os homens conservavam-se de cabeça descoberta. O respeito, o sHenclo e a devoçào de tantas almas, alli reunidas aos pés da Virgem do Rosario, edlficavam e encantavam a&bremaneira. Durante toda a manbA as mlssas succedem·se sem interrupçao. Os sacerdotes que as cele• bram e que pr~vlamente se inscreve-ram para esse fim, vAo chegando uns ap6s outros. Alguns d'elles, emquanto aguardam a sua vez, occupam o tempo em confessar grande numero de homens e rapazcs que nao tive,. f8l1l occasiao dc o fazer nas saas terras. Entretanto os enfermos, me,. dida que chegam, va:o sendo alinhados no recinto que lhes é destinado em frcnte do altar das mhsas, recentemente construido. O seu numero ascende a muitas dezeoas. Os servitas, sempre sollicitos e dedlcados, ajui1am as pessoas de faml• Ila a conduzl-los . da eslraòa para o foca! das apparlçOes. E' entAo que se intensifica a oraçao dos fiels que, .condof los da sorte de tantos lnfelizes, aJguns atacados de males lncudvels, inv6cam cheios de conflança a aaternal intercessao de Maria San-

a

tissima em beneficio delles rezando piedosamente o terço do rosario. De vez em quando um cantico rompe de mli bOccas, qu,braodo bruscamente o sllendo apenas interrompldo pelo brando e cadenciado ciclar das

préces.

-

Ao melo-dia solar começa a ultima missa, - ~ missa dos enfermos e peregrlnos. • E' este o momento mais solemne

e mais commovente das commemoracOes do dia treze de cada m~:z. O rev. dr. Marques dos Santos, · , capellAo·director dos servitas, laicla a recitaçlo do SymboJo dos Apostolos, qae é felta por todo o povo num traosporte de fé viva e de sentida rellglosldade. Segue-se a recltaçlo do terço do redrlo, que dura quasi toda a missa e é lntercalada de lnvocaçOes e cantlcos. Centenas de fiels, préviamente confessadoe, tinham recebido o PAo dGS Anjos nas mlssas que precederam a des enfermos. Por isso poucas deze. oas de communhOes se dfectuam na ultima missa. Ap6s a missa, o celebrante torna a capa de asperEtS e, cantado trez vezes o Adoremus in aeternum por tode o povo, procede, na f6rma do costume, li benç!o dos enfermoi, percorrendo, urna a urna, as differentes filas de bancadas. Como sempre, este acto liturgico seosibilisa profundamente todas as pessOas que a elle.,teem a ventura de asslstlr. Véem-se lagrlmas a borbulhar em muitos olhos. As suppllcas a Jesus-Hosfia slio feitas com um fervor e um enlhusiasmo que a penna nAo é capaz de aescrever. Terminada a bençao aos enfermos, o sacerdote s6t5e ao altar e, clepols de se ter cantado o. 7antum u110, da a tsençllo geral a todo o povo. Em seguida subiu ao pulpito ò rev. Luiz dé Souza, que dissertando durante vinte e cinco minutos sòbre a necessidade do arrependimento e emenda dos peccados, prendeu a attençA0 do auditorlo, que esteie sempre su~penso dos seu& labìos, num silencio ·e recothimento extraordinarlamente edificaotes. Oepois! da sermao os flets prlnélplam a dispersar, a caminho dos seus lares distantes. E, as primeiras som-

bras da noite, que lentamente vao descendo sObre a terra, sili, naquell& logar bemdlto, apenas, ae v@em alguns vultos descon~cldes que, de joelhos e màos postas, ergaem fervorosamente as suas préces para o Ceu, supllcando talvez a cura de al• gnma enfermida<Je physica ou o•oraJ. a conversao de urna alma queriaa ou o resurglmeAto religioso e a u!vaçio da nossa Pitrla.

I

b


't'of .·

Vo~ da FAtlma

..,

CJ ....

4i1. F4tlma para malor gloria de Deus

toda a nassa familla, mlnorar o sofri· mento dc tAo tnocentinba creançe. corre11 a pedlr am pouco da aaua e terra bemdlta. Ofereceram-ltie um torrlt,zlnbo da abençoada terra, e s4 terra, porque da agua ••• 14 nAo tlnhain, disseram. Qual olio fol o nosso jubilo, quando, no dia lmediato iquele em que

e de Nossa Senhora. _ Com a- malor conslderaç!o etc., ~oda de Cardlgos (Maçllo),2873/925.

Ma1tael da SiJ,a Valente. ,Mafra, 29 de Março de 1925. Sr. Padre Silva

=-

fricclonamos a parte infectada, e bena asslm o corpo da creança, com aquele torrAozlnho dissolvldo em agua comum, verlficamos que o mau chetro d~saparecera corno por encanlo, e que ao fim de poucos dias se encontrava completamente restabeleclda l I S1io ja passados dols mesea que esta cura miraculosa se evidenclo'u, continuando a creança a gozar urna explendida sau 1e, grac;as li Santi slrua Virgem Nossa Senhora. Candeltrla, S. Miguel, 25 de fevereiro de 1925.

/oào fùsé d' ArauiJ•>

tar-se, o que nllo fazla ha mez e rtfèlo _ que esteve retida na cama. D. Mula da ConceiçAo, com doelJ• - ça Intestina} e mais complica~.

--

com

checando a estar em Llsbòa gélo no ventre, evitando assim ,i ntellndrosa operaçllo a que estava sujeita, mas pauados dols mezes voltou ao mesmo estado, tendo de pensar novamente na operaçao, mas n'esta altura aproximou-se o t 3 de Outubro, 1> fellz dia para a doen.te. Poi 4 Fatima na minba companti1a, pediu A Virgem Santissima que tlvesse d6 dos seus sofrimentos, trouxemos um garrafào com a milagrosa igua, fez a novena a N. Senhora com outra sua amiga, com muita devoçào e respeito e pa.i.sados J 5 dias ji pesava mais 5 kilos e meìo, começou a çomer, c0m um apetite devorador, engordando de dia a dia, n1o P.arecendoahJ?fa a mesm1 pessòa f Todos os sofrimentos lhe desapareceram do ventre. .

D. Rosa Copes, gr.1ças recehidas tambem p a Virgem Santissima. Por todOs estas seohoras eu tenho sldo entermediarìa pedlndo a 111terveoçAo de Nossa ~~nhora, pois que sou intima amiga d'elas, assim <:omo sou amiga de todas as pessòas que neces~itam do meu limit~do....auxilio.

Eneracla d' Assumpç/Jo Covas .•

,

«Maria de lo11rdes, de sete a,~ses de ldadc, filha do sagnatario e. de Se!lh..P,rinha dos Anj~ Pereira, ao terr -eeiro di1:1, apos o seu nascimento. começou a sofrer , de urna doença

-cutAnea na reglllo do crA.,eo. Todos os nossos cuidados fOram para debelar tal enfermldade, pelo que imediatamente fol , 11ec~1sario recorrer sci~11cia médlca. ConsulJa,los tre3 dlstlntos facullativoa, 1 sucesalvamente, com ba8tante mtgoa nossa. viamoa dia a dia; serem lneOcazes os seus medicamento~. pois q~. a doença per,istla e com ella o rnau cheiro que desde o começo da d9ença aparecera na reglào infectada. Estavamos, porém, um tanto ou quanto desaolmados, vendo sofrer contlouameote a nossa extremeclda

i1l"Suficlente

• Jvanna Dias da Costa Freltos,

a

Ttrc~ira Dominicana sob o nome 'de Maria de S. Vicente, de edade avan-

çada, estava atacada de um11 pneumonia que o m!dlco deçlarou ser da

ptior espéck; a febre era ' altissima. Pceparou se para a morte recebendo

fllhtnba, quando nos chegou ao co-

11heclmento que urna fdmilla nossa vlsinha havla recebido aeua e terra

d~ F.4t1m11.

A mAe. to1a soliclta e enlevada fla sua fé crlstll, desejando veementemente, be.m cemo oa que compOem

- - - - - - 4 - - -.

D. Maria de Sousa, com htmorràgtas ha bastante tempo, com a lntervençao de N. Senhora, deools d'u.ma no9ena no dia segulnt~ j4 nlio sentta na<la., tendo podido ll'lgO J.evaa~

;

,

os ultimos Sacramentos. Suas amlgas juotam'=nte com e-la recorreram ~ Vlrgem do Rosario da PA1lf1'!a, rezan· do durante trez dias 3 A,e-Martà~ e bebendo a enferma a Agua mllagrosa da FAtima. Ao tercelro dia a febre desapareceu por completo, ncaodo a doente completamente curada. Mil, graças sejam dadas a Nossa Senbora do Rosario da F4tla,a J.


~m acçào de graças por um beaeficlo que se dignou conceder-lhe a Virgem d~ F4tlma, envla urna pequena quanti~ para auxillar as despczas. -Uma Senhora de PardeltiH, pelo~ bom exito do exame seu filh(J; manda para as despezas do culto de Nossa Senhora do Rosario di Fatima< urna pequena quantia. •

do

-Rosa Picada, de Pardelhas, pe:diu a N. Senhora do Rosario da f 4tima que lhe acudisse na sua doença. Tendo alcançado melhoras, vem pois reèontìecida, publicar a graça que recebeu e manda urna pequena quan-, tia para o culto. -Rosa Mala, da Murtosa, vem muito recl}nhecida, agradecer a N. Senhora do Rosarjo da Patlma, urna graça que lhe coocedeu e manda

tima pequena quantia para o culto. -Rosa do /osl Gaetano, de Pardèlhas, pèdiu a No:,sa Senhora do Rosario da Fatima a sua valiosa proten'urn momento c:te afliçiio e foi attendi da.

ccio

- cAlltonio Ferreira de Mello, de O Angra - 1'erceir, - Açotes, agrade-•

.cendo uma .Rraçl} recebidn de Nossa Se,nhora da Fi\tirnsi, cumpre o dever de a publiéat ~ lhe enviar uma esmola para o culto de Nossa Senhora da Fatima, conf6rrne prometeu. •

-,p_e /oaquim A. de Lacerda, de inco-

Castainço (Pt:ne(lono), em um modo de figado. • 1

Senhor, nés Nada é mals bello e tocante do que observar o fervor, o acento e convicç:lo com q_ue tantos peregrlnos acompanham na Flitima as invocaçOes a Jesus na Eucharlstia. Aqui, corno ·em Lourdes, comove a fé ardente de tantas almas, sObre tudo 'IU&ndo dlzem a 1esus: S1nllor, 1ztfs t10s amamos. No. vos amanUJs porque vos o -mere eis por tantos tituloJ. Sois a propria bondade e beleza I No ceu, os Anjos e os Santos encontram toda .a sua felicidade em vos contemplar sempre e em experimentar guanto

sois bom !

Sois o nosso Creador. Chamastenos do nada exlstencia ; deite-nos um corpo com os seus membros e Vossa imasentidcis, e urna alma

a

gem

a

e similhança.

Sois o nosso Salvador. De tal f6rma Oeus arnou o munao que lhe sacrlficou seu PUho. Poi ppr nossa causa que Elle velo habitat este logar de miserias, que tomou a f6rma de 5ervo, que se fez menino e vlveu na pobreza, 11as prlvaçOes e no trabalho. E' por nOftsa causa que Elle -ensine, que Elle lrabalha, que vlaja, flue espalha beQçAos. E' por o6s que Elle se immola, sofre e m-0rre. V6s sois o nosso alimento. O pào -dos Anjos tornado alimento dos pe11egrinos d'este miindo, é documen• tfo visive) de um amor S~Al limites.

. Virginia Bruni, escreve o padre 1 · Ventura, falava multas vezea a aeu11 · filbos das vantagens da pureza, van- B tageos de que cUa se forçava por lbes .(

fazer: seorJr o vaJor, tanto eoi paJa· vras como pelo exemplo. 1 Modesta em excesse, mesmo com eUes, n!io meuos em acçOes qoe em · palavras, nada desprezava para os acoatumar desde prlat.ipio a um severo pudor. _ Oeltav11- os quaàt sempre vesttdos e as m1los cruzadas sObre e pelto. Lembrava-U1es que o anjo da auar-

da estava na sua preseoça. desejoso de lbes ver conservar am porte '8cau-

telado. f azla-lhes ver que um s6 acto lmmoral, mesmo que nlo tosse muito

mau, desgostarla a Jeaus Cbrlsto e a ~ossa Senhora, a ~uecn a modestia,

• {


}(!

am.br aos aoberbos, asslm 001110 o _.òl oculta 01 seus ralos, quando uma eape~a nuvem se lhe pOe em fre~te; lll}s, as ~lmas humitdes sao corno esétho~ que reftectem a presença de

s.

.

eem um tal peder sobre o taeu Coraçao, que urna s6, verdadelramente humilde, 1em mais poder pa-

ra desarmar o braço da minha justiça Jlo que mli pecadores para armar o

,,aço da minha colera. cExamlnando urna gota de agua a olho nu, apenas se distingue a gota 41e agua ; mas com o mlcroscopiQ descobre-se u,ma multidAo de colsas 4ue se nAo vlam antes. Pois bem I A humildade é um microscopio espiritual : quanto mais a alma se hu111Uha, mais perfeltas silo as lente&,

permitlndo ver melhor.

E' c~rto que isto custa ; mas o Pa-

ratzo é Ulo belo I . • • E é

pr~ciso

ganhal-o.

«Se a semente pudesse fatar, pe-

tliria por favor que a enterrassem para germinar.» (P"lavras Consolador4s, pag. 139)

Numero• atrazadoa Tendo-se esgotado' os n." J, 4, 5, -6, 7, 9 e 10 da Voz da Fdtima e havendo pessOas que teem todo G

empenho em os possulr, compramolos 4a pess~as que os possam ou

41ueiram dispensar.

Mas, tenho eu, corno o meu Salva•

dor resis.ttdo até ao sangue? U lrefs alnda consolar-vos nas dlficuldades, penis, trabalhos1 nas humi16aç6es e nas dOres. Vereis no cruclfixo corno Noeso Senho rtot tratado e~ sab~ndo que o dlscipufo nào é mais que o mestre. vos sentir-eis decldldos, fortes e c:onaoladoa. A' sua vista em toda a parte dlrels: l'.( Me11 Oeus, faça-se a Vossa vootadel Finalmente quando a morte se vos apreseotar com os seus horro1es. nesse momento terrivel e.m que tudo nos abandonari, Jeeus ~ruclffcado seré o voeso ultimo amlgo sendo

mii vezes felli o que tiver sempre

venerado a sua lmagem na cruz.

Tende como uma honra. urna fellcidade, ama gloria trazer o vosso cruclfìxo. NIio lmltei& es1es. fra-cos que se envergonham d'elle, ou eeses lmplos que o olham com indiferença.

V.oz da. fétima Deapezaa Transportc . • , . . • 24=698:970 Impressa-O do n. 0 30 (zo:ooo cxemplarC1S). • 400:000 Outras despez~s . • • • 95:000

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A lmagem adoravel de Jesus f!IU· dfi~~d9 deve ser para n6s objecto -d'uma terna devoçAo. O pensamento no crucifixo é o

flàielo dos dem6nios, o remedio· coiitra as tentaçoes, a morte da natuteza e o canal da grac;;a. 'Vende um cruclfixo no vosso quar-

to~~Apertae~o algumas vezes contra o peito e beljae-o. Nlio olharel& vez nenhuma pera elle sera que Jesus la do ceu vos

-0lhe tambem com afectuosa compla-

ceJlcta e. vos nao faça algum favor. Que a tmagem de Jesus crucificado fate conUnuamente aos vossos olhos, ao vosso -esplrito e sobretuao ao vasso coraçao. A IembraAça dos vossos pecados

~ausa. vos

perturbaçao e temor? In• ter1ogae o vosso crucifixo e uma vozaecreta vos dlr4: ctem conflança, minba filha, lava os teus crimes no meu saogue e ficarao todos apagados.~ Estaes, pelo cotitrarlo, insensivel ~s vossas faltas? Olhae para o vosso ..cr~ciflxo e ouvireis no fondo da vos• I

.sa alma esta

censura q ue vos humi-

Ut~ri e toca,a; 110~ teus pecados

O. Filomena Augusta Pinto Dias • • . • • • • • • 10:-000 Evaristo de Freitas • • . • 10:000 O. Dulcc Soarcs Mattos • • 10:000 De jQrnaes (O. M.• Pedrosa Matbias). • • • • • •• 7:5oe D. Julia d'Almeida • • • • 10:000 Jacinto da Costa Mclkìas. • 10:000 Or. Lùiz An'1radc e Silva•• 10:000 OJ Francisca Rosa Santos. • 10:000 P. Frenc~o Pereira . , . 51:200 Alfredo Camilo Gomes. , • 10:000 Auçusto de Brito Selxas .• 10:000 Feliciano de Brito Correia • 10:000 José Jardim d'AzeYedo ••• 10:000 Dr. José Maria Màlbeiro •• 10:000 Manuel Gabriel d'Andrade. 10:000 Manuel Maria Ribeiro. , • ro:ooo Manuel Augusto Soares •• 10:000 P.e Lauri odo Lea I Pcstana. 10:000 p,e J.oao Vicente de Faria e Soriza. • . • • • • • • 10:000 Trista.o Bettencourt de Camara . . . • • • . . • • 10:000

Vasco Teixeira Doria •••• D. Maria Augusta de Ma-

10:000

chado Lemos • • • • • • . D. Maria de Jesus Ribeiro •

10:000 10:000

D. Anna qe Jesus Lima • • io:ooo D. Addajde Gromlfell Ca•

cuslaram· me a mim todo o meu sangue e nao te ammcam a ti um~ la-

mossa Vaz. , , •.••• Joaqt,Jim Alleu. ·•••••• D. Maria Ribeiro da Silva •

15:000

tas do \nlemo e nào abala o teu co,.

Conde~ dc- Mnrgaride •••

20!000

_gr\ma t O meu sangue estaJou as por•

,atlo ll)

Durante a tempestade da tentaç.lo

vosso cruciflxo vos dira : «Meu fiJho entra na chaga de meu lado 0

e esconde-iè no meu coraçao; ahi

est~s seguro,)> A vosfa cruz vos animarA tambem 11as fraquezas e tibieza, vendo-a ex.ctaJJ1arè1s: urna ligetta irife1mida,de ,. me ch,1cm , uins con11 aoiç {1t1 me aba-

10:000

10:000

Inacio d~ Maura Coutinho da Silvcira Montenegro • Ma1rnel &Ila S~lva Valente e

Oias Nunes • , •• • • • Dr. Eduarcdo Camara Car· valho é Si Iva. • • • • • •

D. Margarida Lo-pes •

. Ci .

Dr. Joaquim Alves Martins, D. Cecil 1a da Conc;eiçi(a l\iar• t\ns Zolo. de Mediou • • •

TT IJ 101,,t 'f

IX:

te, um pouco de aborrecJmento me acabrunba e me faz oJbar para traz.

10~000

( I

D. Maria Helcna G. Ferrei• ra Pinto Bastos • • • . • D. Maria S. da: Sif,a' Lobo. D, Leonor Ma nuel (Atalaya) D. Miria Batalha • . • • • P.e 1Manuel Jacob Sardinha. D. Eugenia Clara da No· bréga • • • • • • • • . •

D. Luiza Emilia Pimenta da Nobrega • . • • • .. D. Eliza dos Anjos Cruz. . D. Margarida dc Lemos Ma· (Jalhaes • • • . • • • • Ellas da Silva Machado•• ~ D. Maria Luiz Delgado. • • D. Izaura de Lacerda. • •. • O. Antonia Duarte. . • •. • D. Afonso d'Albuquerque • D. Maria da Piedade Laccrda Pizarro. • • • • • • D. Maria da Conec:içiio Vieira D. Ce!;iarina da Piedade ••• Alfredo Tavares . • • • • • D. Maria do &pirito Santo Curado • • • • • • • • • D. Adelina Queiroz Calcleira Barahona . • . • • • • • D. Anna C. Soares .•~ ••• D. Angelina Gordo Mimoso o. Rha da Penha Novo • .. José Sim5es Pedro. • • • •1 O. Georiina d'Almeida "ta·

vares . • . . • • • • . • D. Eduarda Albertina Tavares de Santia o • • . • O. Maria José d8Ascençao

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P ro!~ ' 10:00• 20:000,

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~o:qpo- .

Tavares d' Almeida. • • . D. Maria da Gloria Tavares Soveral Martins • • • • .! 10:000 D. Anna Augùsta Correia • ro:dòo D. Aurora Tavarcs Correia .. 10:000 Manuel Rodrigues de Souza 10:000 · D. Carolina Corrcia Ribeiro Vieira. • • . • • • • • • De jornacs (Na ca;.ela das Flamengas-AJcantara) • , 10:goo· p,e Antonio Rodrigues Pereira. • • • , __ . • • • • D. Carolina da Sil va Correia dè Lacerda Mendcs

Mlmoso • • . - •

~

• • •

D. Estephania .Maria da Silva Correia dc Lacerda Men~es 1 o:«>a ;Adolfo Ferreira . • • . • • 10:000 .., D. Maria da Glorià Albana Santos. . • • . • • • • • 10:000· Joao das Neves. • • • • . • 10:000:-• ·"· D. Maria Teresa Moura Pinhei ro. • . . . . • . • • Manuel Pedro Pires • • • . ro:çoo Manuel Sarabanda • • . I ,:900 D. Maria Constança d'Albuqt1cr(4Ue • •

• • •

10:000··

D. Aurora Amelia Simoes

da Si\n. • • . . . . • P.e José Albino Tavares de

Souza. •

. . • . . •

lO!ÒOO" r


N.• 82

Ano I I I \

(COM APBo,rAç.ÀO ECLESI~STIOA) Dtreo-tor, Propriet.arlo e EdJt.or

DOtITOR MANUEL MARQUES DOS SANTOS Con,posto e impresso na Imprensa ComerciaJ, li Sé -

13 DE ABRIL dia de vento frio e agreste, de sol quente ~.'-:...,.;..~-' e brilhante, · de formoso ceu azul, aalpicado aqui e acolé de farrapos de nuvens brancas, que corriam vertiginosamente no espaço, tal foi o dia treze de Abril ultimo. Oir-se-ia que a Virgem Santissima, querendo imprlmlr· 4 romagem men.:. sai ao seu sanctuario de F.itima um cunllo mais accentuado de peregrlnaçfto de penltencia, junta lnfallivelmente aspereza, sobremaneira lncommoda dos caminhos, a rude e implacavel inclemencia do tempo. A sublda da serra sobretudo, realisada em condlç0es atmosphericas desfavoravels, revesle quasi as proporçOes de um martyrlo tanto mais doloroso quanto é certo que a extensAo do percurso parfce torna-lo lnterminavel. Sao principalmente os peregrinos que fazem a viagem a cavallo aquelJes que stntem com mais intensldade as penas e agruras da piedosa roma- i

Leiria

mente em vista a sanctificaçlio e sai· vaçao dos filhos desta terra de que ella é a padroeira.

M

A's clnco horas da tarde a immensa multidAo começou a debandar, nào se vendo, momentos depois, se- P nlio alguns raros devotos naquele locai privilegiado com as apparlçijes e as graças da gloriosa padroeira de Portugal fidellssimo.

V. de M.

a

gem.

Por via de regra, s6 em Malo e Outubro, mèses das grandes peregrlnaçoes nacionaes, se véem, ao lado dos verdadelros peregrinos, chelos de fé e devoçao e animados de espirito de sacrificio, os curiosos e os touristes, cuja attitude e procedimento contrastam, de um modo sin· gular, com a attitude e procedimento dos peregrinos authenticos, pondo urna nota desagradavel em Ulo imponente manlfestaçao de fé e piectade. E' indispensavel que todos os crentes que vào a Félima se lembrem tie que Nossa Senhora recomentiou com empentio muito eapecial a toclos os portoguèze!, por intermedio dos fres videntes de Aljustrel, a pratica da oraç~o e da penitencia, isto é, do arrependimento e emenda eia vida para ctesarm11r a justiça divina offendida e irritada com os pecca(los dos homens. S6 assim se farA a vontade da Augusta Màe de Deus, que, dignando8 se apparecer em Fatima, teve ubica-

Na Cova da lria effectuaram·se as comemoraçOes religiosas do costume. Celebraram-se muitas missas, commungando tm cada urna dellas grande numero de fiets préviamenle confessados nas suas terras. A' ultima missa asslstiram cérca de etneo mli pess0as. O recolhimento e a devoçAo dos peregrinos commovlam e encantavam. As cffmmemoraç~es concluiram com a bençao do Santissimo, dada em primelto logar aos enferntos e em seguida a todos os peregrlnos. Depois desta ultima missa sub\u ao pulpito o rev. dr. Paulo Duriio Alves, que f4Jlou eloquentemente durante quinze minutos s0bre a necessntade da penìlencia para a salvaçao. Como de costume, dislribuiram•se gratuitamente muitos milhiues de exemplares da , Voz da Fétima•. junto da fonte das appariç~es eslaclonavam continuamente rnurtas pess0as que bebiam e faziam provisao da agua maravilhosa. Os ,servilas• flzeram, como sempre um admlravel servlco de ordem, sendo as suas lnslrucç0es religiosameDte acatadaS por todos os fiels • .

'


I

• -ao- doente os amludados curativos que seriam precisos quando o tumor .f~ase lancetado. lnstalados. pois. de novo na nc,ssa casa da rua do Rozarlo. 144, chamimos o sr. dr. Couto Soares, ~ue dep.ois de examioar o doente, que fol radiografado per v,ontade de sua ex.• para segurança do diagnostico, nlo ocultou a minha amllla a gravidacle do mal. Meu marido estava em perlgo de vlda, e o tumor <!evia ser lancetado dentro de b·reves dias. Poi entilo que ao ver a minha afllçlo, urna senhora minha vlslnha que ocupa metade do predio da rua do Rozarlo, 144, me lembrou Patima e os seus milagres, dando-me ..algìins numeros da • Voz da FAtìma> para eu ler, e entre elles. um. que se -referla A graça obtida por urna pess0a das suas relaç0es. Escrevl sem demora a v. ex.• rev.m• que com taota cartdade se dignou atender ao meu pedldo. mandando-me na volta do correlo Agua da Fonte das Aparlc;Oes e as medalhlnhas benzidas, que logo coloquei no pescoço de meu marldo e no meu. Chela de ar,dente Fé, elevei é Santissima Vlrgem -0 meu pensamento, rezei e chorei, pedlndo-lhe a cura de meu marldo, que chelo de Pé tambem pedia a Nossa Senhora da FAtima o milagre de sarar sem que o tumor precisasse de ser lancetado. E Nossa Senhora ouvlu-o I Eu tinha-lhe dado de maflhl, urna colher de sopa de Agua da Pitlma; o médlco chegou depois, dedarando que o tumor precisarla de aer lancetado no dia seRulnte. Mas -por mllagre de Nossa Senhora do Rozario da F!tima, o tumor rebentou nesse mesmo dia, ficando o doente 411ais alivlado, mas alagado no pus, que se espalhou pelas roupas, sendo. preciso enxug4-lo constantemente. • Antes d'lsto e por vontade do sr. dr. Couto Soarés, fol chamado tambem o ar. dr. Perreira Alves, director do • Sanatorio Marit\mo do Norte, que em conferencla declarou precisar o doente de se retlrar para urna ·praia, aflm de tomar banhos de sol A belra do Oceano. Outro médico eapecla~iita fol chamado tambem para examlnar o doente, mas s6 o ilustre clinico ar. dr. Couto Soares contlnuou a trat4-lo como aeu médico assistente. Como meu marido mostrasse relutancla em lr para longe do Porto, reaolvemos ir para Vllarinha, aldela entre o Porto e Matozlnhos, para casa de minha b0a mlle. A principio o doente pelorou multo. Tornava os banhos de sol, ma~ a febre augmentava, o apetue faltou de todo, estava tlo magro que so tinha a pele cobrlndo-lhe os ossos, e a fraqueza era extrema, parecendo moribundo. Eu chorava e rezava e na mlnha d0r ctieguet a contratar um automovel • que nos levasse A atima, para no J ,a-nto logar das Aparlç6es, Nossa Senhora o curar por um mllagre. Mas nlo fol preciso partir, porque a Virgem Santissima, que foi, é. e seri aemp,re a Consolacilo dos aHictos e a nude dos enfermos, nos ouviu emfim r De repente o doente comea melhorar a olhos vistos. e em 7 semanas, a cura mlraculosa efecti•vou-se. Os médlcos que prevlam no meltior dos caaos umi cura de dola

E

~ou

...

anos, afirmando qa.c meu marldo teria de usar um aparelho - cinto, etc., mostraram-se admiradissimos com aquela resurretçao. O doente regressou a casa trtgueiro, nutrido e c6rado, corno sempre f0ra antea de adoecer, e até hoje, tem con~ervado a sua antiga saude. E' pois com o coraçao a trasbor<iar da mais ardente gratidAo e Fé, que eu venho oferecer a Nossa Senhora do Rozario da F~tima esta humllde homenagem, que muilo desejarla ver publicada na • Voz da FAtima>. Com a mais alta conslderaçio, res• petto e gratid~o, se subscreve a de v. rev.ma muito dedicada. e para sempre agradecìda, Maria Alice Barr~tò d'Oliveira Carvalho -R. do Rozano, 144, Porto.>

fUESTB\DO ffiEDICO Atesto qtle tratti o Sr. ]osé Car· va/ho d' am volumoso abcesso tombar, que pela sua evoluçlio e locall.saç4o, me levou d suspeita da sua oriaem vertebral (o que a radloerafla con/irmou). As punçòes repetidas deste abeesso de ram um pus Ituldo, que nllo tevel,,u bacilos de Koch. ao exame microscopico, mas slm tsta/ilococo puro. Em /ace da analyse do pus, e contra os dados que nos fornecia o exame e ltistoria do doente, drendmos o abcesso. Ao contrarlo da nossa ex· pectativa as methoras ntlo se fizeram sentir. O doente continuava com febre, e /alta d'apetite, emagrecimento proe,essivo, impossibilidade de movimentos do mtmbro lnferlor diretto (lado doente), sempre em contractura. . Esta f alta de melhoras do doente, ou antes este agravamento proeressivo da doença, Jez de no.,o vlr ao meu espiri/o a minha primelra suspeita. (Mal de Pott lombar). Dois colegas mais, que vlsitaram o doente, conjlrmaram esta suspelta, e f oram u11anlmes em que seria ut/1 dar-lhe banhos de sol. Passa·se mais d'um mtz. sem que as melhoras se corneçassem a man.li estar. Nesta ocasillo um outro colega espuia/isadotm doenças osseas, visita o doente e dd d f amilia um prazo de otto d/as para um desenlace f atat. Poucos dias de pois o do ente experimenta melhoras extr11,0rdlnarlas, quasi subitamente. Desaparece a febre, a fistula delxa de supurar, o doente começa a alimentar-se optlmamente, a mobilidade da perna direita faz-se sem estorço, as dores lombares cessam, e o doente em poucos dlas pede para se ievantar, e em pouco mais de um mez tinha readqui· rido o seu bom aspecto primitivo, sem o mefll)r de/eito ou incomodo. Por ser verdade passo este atestado que assieno sob paiavra d' nonra. Porlo, 20 de fanelro tk 1925. (a) Antonio do Couto Soares /uniar (Segue o reconhecimento do ootario portuense Casimiro Carneiro Fontoura Curado).

Flòres a Ma ria Um religioso. prégando um retlro em Nancy, ponderou que nunca sedeve desesperar da salvaçAo de urna alma, e que As vezes os actos meitos importantes aos olhos dos homens, sao recompensados pelo Senhor na hora da 'morte. Ao sair da igreja: urna senhora de luto se aproxima e lhe dlz: •Meu Padre, vos recomendastes a confiança e a esperança ; o que me aconteceu justifica as vossas. palavras. Eu tinha um esposo hom, afectuoso, irrepreensivel na vida particular e pùblìca, mas descuidado e arredio da P.ratica da rellgiao. Meus P,edidos. e as poucas palavras que arriscava s0bre o assunto. nao tlnham adiantado nada. .. Durante o mès de maio que precedeu sua morte, eu armara; corno costumav~ fazer todo o- ano, um pequeno altar, em meu _ aposento, 4 Santissima Virgem e ornava-o de flòres. renovadas de vez em quando. Todos os domingos, meu marido ia passeaf f6fa da cidade ; e, cada vez ao voltar, me oferecia um ramathele que ele mesmo colhera, e eu, com essas fl0res ornava o meu oratorio. Nos primeiros dias do més seguinte. foi subitamente fulminado pela morte, sem ter tempo de receber os socorros da religiao. Eu flquei inconsollivel : mlnha saMe se alternou sériamente, e a familia obrlgou-me a partir para o sul. Passando em Lyao, quiz ver o Santo Cura de Ars, que ainda vlvla .. Escrevi-lhe para sollcitar urna audléncia e recomendar as suas oraç0es para meu marido, qu.e morrera de repente. Nao lhe del outros pormenores.. Apenas entrara na sala, o Santo Cura me disse : Senhora, estals consternada, mas nAo vos lembrais entao dos ramalhetes de cada domingo do mei de Maio? • Ser-me-la lmposslvel dlzer qual foi o meu pasmo, ouvlndo o Padre Vianney lembrar urna circunstAocia de que eu nao tinha falado a nlnguem. e que ele s6 podja conhecer por uma revelaçao. Acrescentou: e Oeus teve piedade daquele que honrou sua Santa Mle. No Instante da morte, vosso esposo poude arrepender- se ; sua alma estA no Purgat6rio ; nossas oraç0es e vossas b0as obras nAo o deixar!o ficar I~>.

A redao980 ,ou admlnl•tra9Ao da «Voz d• Fatima• nlo pode encarregaP·•• de forneoer agua da Fàtl• 111• 6• pess6aa que a de• aeJam. PPeata-ae a eate aePvl90 • .... José d'Almeida Lopea-Fatima (VIie Nova de OuPem), • quem devem

••• feltoa o• pedldoa. l J •

1


V°joz

ae.

EaUma sioho, a avminha e mais e mftmii, o pap, • todos os maninho1, e os Anjo1, o a Vlrgem Santissima e Nosso Seohor ... Depois contou Conceiçiiosi::iha ao avi que a Jrroli lhe tinha promettido um prernio se declam1tsse bem uma poesia em honra da Divina Pastora, na proxima distribuiçiio de premios ; e corno o doente lhe pediu que lb'a declamasse para eJJe ouvir, O a menina jft 8 sabia de cor, com muita graça lh'a declameu logo, dizendo : Divina Pastora, Que rico rebanho, Tao vario e tamanho Te deu o Senhor I E tu o· encaminhRs Com ternos cuid11dos Por fontcs e prados Ao divino Psi.tor.

. .Vaguciam . . .. .. . . tlio tristes

!

Estiio macilentas ; Fenda, crue:ntu Lhes tingem es las, E as tuns, r,alicenllo J<.:m Jirios e rosas, Retouçam man;iosas, Alvejam louças. Emquanto a pequena declamava, cotTiam u la~rimu a quatro e quatro pelas (aces do velho. O conceito dos versos e as 11al1vras que lhe dissera a netinha ,:;ravavam--so coma settas amorosas no seu coraçiio, e citava-se elle reconliecendo corno ovelha d,esgarrada, tri te e, inacilcnta, alimentada uté sili de hervas venenosas, e vagueaodo com urna vida tlio inutil e vii, como a mesma vaidade do mundo. Entendendo pois que Dcus o estan chamando com as palavras que puzara na bocca d'aquella cr~nç1 angelica, chamoua para si e disse lhe ao ouvado : -Filha, vai di1er tua mlimii que mo chame um Padre, quel o tcu av6sinho querse confe~sar. Correu il menina com o recado a marna, a quel exc)amou cheia do e~panto: ue me dizes, peq~ena ? 1 1 1 ., ue o avòsinho quer-se conressar. - as quern lhe falou a elle em Sacramearos? -Eu. --Tu? E que lbe fr•ste tu dizcr, tagarelle? -Que ia morrer dentro Je oito d ies, Co• mo disse o m6di:o. -Mcu Deu, ! Quc imprudencie ! Que G. atrevimento ù'esta tolinha I Mas para q\ia lhe l\nias de (alar J'estn .:obas? - Porque, corno sou amìga do avosinho. desejo que, qudndo morrtr, va para o c6u. -Al, pobre av6sinho, que susta tera ro• cebido I 1 -Nao sei nada, mami; mu olhe quo a Irma qisse-no, là no collc~io qut: era melbor ir com o susto pnra o céu do quo sem sutto para o inferno. Entrou a ,enhora no quarto do enfenno para se desLlz11r em Jcsculpd,, mas achouo tao soce~aJo, que, sem faier neohum uso das explicaç~e-s, peJiu lhe que chama,ise um Sacerdote para tratar dos oegocios da sua alma. N'aquejfe mesmo dia rect!bcu os santos Sacramentos e com elles tiio grande tranq11Ulid11de, re~•Rna'çuo e conlìanç11 ga infinita bondadet Je Oeui, que parecia outro homem, e ùe hom11m uo munùo parecia terse tornado n'um S11nto. Deplorava a va13al!e• e os extravios do sua viùa P..I\Sad.i, e bcijwa com amoroso atfecto um pcqueno crucifìxo e uma medalha de N >s(a Senhora,. quo Conceiçaosinha lhe trou~er.l, ~ Sl_!SJlarava caJa ve, ma·s por sa1r da~ m1serias da vida mortal e entrar na fl'liciJalle da vada eterna que Jesus Cbristo promeueu a todos os peccadores que se convertam. Cinco dias 1lepoi1 o dito10 avo estava em llgonia, e upertando ao coraçiio com amorosa confì~nça o crncifìxo da menina, eh.amava por ella com a voz desrruuac.fa dizenJo: -Conceiçao, Con-:ei.,rio~ioha, onde uUs?: -Estou aqui, responJeu ella cliegandose li coma o comqnJo e mao gelada qucr elle lhe e~1enJi11. Entao, com palavras e11tercorraJas, dissi, o avò~inho morihunJo: -Qcu:1 te 11bençoe, fìlhll minha, porqu• salvaste teu 'Ivo. E: momen.l~s ùe)'oi1 upiron na pai ao Senbor. . t

a

Radiografia da columnn vertebral ~e Joi;é d'Oliveira Carvalho antes da cura (A seta indica a parte afoctada) '

I

Coaceiç5osinha, chegava do Collegio, alegre CO!l!0 umu paschoas, e, ~altttanJo como borboleta d11 M11io entro as fiores, lançou-se ao1 br~ços da mamli, a tempo q11e o méJicq sah1a do quarto do avo, que estua gravemente enformo. _-Mau, mau esul aquillo, disse o doutor, nao temos homem para 01to Jia~. E, depois dc prevenir que podiam tratsr dos ultimos Sacramentos, Jesped1u-i:e. -Virgem do Rosario I exclamou a senhora, qu ,si chorando ; ao menos nao permittaes que o avosmho morra impenitente l .Niio ~ntendeu Conceìc5osinha o sentiJo d'~~JIIS pdlavras, e cobrimÌo sua mlic de be11os, perguntou : -Mamii porque chora? -Filhinha, porqu&o avòsinbo morre-nos por cste1 J1\I~, corno disse o méJico. -Re.iemos e Noss:1 ~enhora por elle, tomou a candida meninA, Olhe, m11ma, ensinou-oos hontem a Jrmii, que, quan~o tÌ· ve semos aJguem em perig,,, se reussemos a Nossa Senhora por elle, niio morreria sem Sacramcntos e Maria Santissima o levaria f)Ara o céu Ajoolhu:1m mae e filhJ e rezaram alguroas Avé-M .1ri111, e a mo::ninu, Jando com isto sx,r conclu1ùo o ne~ocio, riariiu !\ahnndo a communi::ar ao avo\inho t!io boa nolicta, corno se fò!sc a coi~d mais natural do mundo. -Bons diu, avòsinhn ! 01h11 que jà rezci com a mdmii o No,sa Senhora, rara que o le•e pera o c.!u. • -Que d1zes, t ol:nha ? Eniao, t:io depressa queres que eu morra'? -Eu e, nao 911eria; mos como o méùi~o Jiue a mama que o avo~i.,ho ic1 morrer, TCzdmos a Mar111 Santi!lsima pua que o nlio deixe morrer sem S,1cramen10:1 o o leve para o céu. -Como é i~so? di~qe o enfermo erguen'10-se na cama ; entao o méJico tliue que eu estou tao mal ? -Sim, !enhor. Olhe, av6•inho, ~té disse 4JUC nao ch.ega aos oito dias.

Deu o enfermo um profondo gemido ao ouvir ettu palavras (je sua innocente e amada neta ; mas dissimulando a d6r que lhe causàVam, para que ell>t continuasse a falu-lhe e a distrahil o, como coslllmava, perguntou lhe : -Como sabe~ tu que Nossa Senhora mo leva ri para o céu ? -Porque rezei pelo avo,inho, e 14 no collegio disseram 6s rneninas que, se a geo.• te pedisse à Vargem Santissima por algum doente de nossa casa, nao morreria em pecca~o mortai, maa receborla os santos Sact1mcn101 e :fe conreu.iria muito bem e receberia o Viatico,que diz que é a ugrada communhiio que se dli aos doerues ainda que nlio estcJam em jejum, e que Nosso Senhor lhe perdoana toJos c,i peccados e a Vfrgem Saoti1'ima o levaria para o ceu. -Mas, filba, quem te ensinou.todas estas coisas? -A Irma Rosa; olhe, e tambem nos disse quc, quando nor. estiveuemos doenrcs dé cuìdaùo, pedisseblos os santos Sacramentos, sern tsperar que nos avius~em, eque fizessemos entio a melhor confissao e communhlio do nos~a vida ; porquc com aquela b lél confis,ao flcaria a nossa alma tiio pura 9 tao pun, corno um Anjo, e com a communhio ti caria mai, formosa do que o sol j o com a Extrema Uncçiio, quc é o ultimo :sacrarnento, e com urna in Julgericia plenaria9 ~ voaria direitinha para o ceu. - Mas fil ha, como me falas hoje de ~isas tlio triste• ? -Triste~ ? Pois olhe, 1vòi;inho, eu tté cuidava que er,1m alcgres e muito b6as, e quando a lrmii noi u dizia, estava eu Com uma vontaJe de morrer rara ir para o céu, mas a goz9r com os Anji9ho~, que nlio fu idé11. O av6 nlio gosta de estar com os An~ jinhos? -Al ! tu és uma crerHurn innocente, murmurou o enfermo, enxuganJo os olhos arrasados de la~"ma~. -Mas o avosìnho é mais feliz ~o que eu, porque vai antes Je mim :,eu s6 mais tarde morrerei. e irci para o céu ~ mas li verei o av6s1nho e Jhc darei beijos coma lllO• ra. Muito bem c.litaromos nòs I~, o av(hi-

-3


• Y,;oz da

P.REVENCAO Houve pees6aa que em Malo e Outubro ultimo ven~eram, és vezea por alto preqo, exemplarea da .. Voz da Fatima• qua na Cova da lria sAo distribuidos gratuitamente. E' um abuao intoleravel. Quem o• nao poeaa aloanqar, queira dirigir-ae a p.e Sii• va - Leiria 1 que oa enviara gratuitamente. -Nlnguem ali deve comprar objeotoa religloaoa por mais do que o aeu ••lor aob pretexto de que o exoeaao è para . aa obraa da Fatima. Seria outra exploraoao ignobil. Mais uma vez declara• moa que ninguem eat4 autorisado a vender objeotoa por conta da Comia•Ao. Cautela, pois.

·os pobres Bem longe de afastar seus filhos <los espectaculos da miseria, da dOr e mesmo da agonia, Madame Chantal (S~nta Chantal) querla que elles a acompanhassem nas suas visitas aos pobres. Um levava o pilo, o outro os remedlos e aquele algum dinheiro. Era a recompensa que recebiam quando davam prova de obedlencia e de trabalho. Um dos maiores castigos para elles seria delxal-os em casa na bora em que a mAe fazia a sua visita diaria aos pobres. Poi asslm, por1 estes bellos habitos de lntimidade com os desgracados, adqulridos desde a infancla, que Santa Chantal desenvolvia na alma de seus filhos a unçAo do coraçAo e que lhes fazla saltar essas fontes profundas de senslbilidade, que parecem ter desaparecido em nossos dias'em que as creanças sllo educadas na vaidade que seca, em vez de aa engrandecer na caridade cheia de ternuras. Adoraçu.o noturna A adoraç!o noturna na egreja paroquial da Fatima come~a ao sol posto do dia 12 corno em Outubro.

Mais curas Nos mè1SeH segu.lntes continuaremot5 a pnblioar outraM c1.1.ra..t cujos relatoriol'!f He achnn>. ern

p ode.r. Pelo 1ne1tol!!I dez t!li.i.o de a-ran'do re levo, se n do

no!!tHO

dua~acornpanha4adde atteli-Cados médicos.

Fatima Albino Lameiro. • • • • • 20:000 l>. !saura d'Oliveira Fragoso 10:ooa O. Hilda Araujo Coclho. . • 10:000 Or. Pedro Mascarcnhas de Lcmos. . . . . • . • • 10:000 D. Maria Saturuina Meirdes Barriga. . . . • • • • 20:000 D. M. Amparo de Queiroz e Cunha. . . . . • • . 10:000 D. Annu Orumond Fialho • 10:000 Joaquim Augu~tode Laccrda 10:000 O. Hosa Olinda da Silvcira. 10.000 Ilildcbe, to Pere ira • • • • 10:000 l)uartc F'. Pacheco • . . • 10:000 D. Hcrmiuia Branco Tcixeira de LcncasO-c, . . • • 20:000 D. Regina de Frcitas Aguiar 10:000 D. Philomena Vieirn Nunes 10:000 Ildefonso Moniz Barreto Cor· te Real. • . . . . • • 30:000 p,e Manuel Joaquim Rosa do Nascimento. . . • • 10:000 P.e José Luiz da Rocha, • • 10:000 Antonio l\1achado FaAundes 10:000 Elia& da Cunha Mcndonça • 10:000 Antonio Cardoso Lcal, • • 10:000 Dr Luiz Cabrai Barata. • • 10:000 D. Emilia Pinheiro Fcrreira Pinta. . • . . . • . • 20:000 D. Natalia dos Samos. . • 10:000 p,e DomiugosGonçalvt:s 13orlido. , • • . , . . • • I 0:000 Joaquim Gonçalves • , • • 10:000 Manuel dc Passos Maninho 10~000 Feliciano Alvt:s. . • . . • · 40:000 1). Candida Rosa Martins • 10:000 D. Filipa Mexia Nunes lla-

Voz da fétima Deapezaa Transpone . • • • • • lmpressao do n.0 31 (21 :500 cxemplares). • Outras despezas • • • •

25:253:970

Soma. • • • •

25:848:47;

494:500 100:000

Sub'acrlpc,Ao (Continuaçfo)

D. Maria Hclcna Gupar Canastreiro. . • • • • • • 10:000 D. Maria Eugenia Matos Madeira. . • • • . • . • • 10:000 D. Margarida Victorino Costa 10:000 José d'Amotim • • • • . 10:000 D. Maria Emilia Gomcs de Miranda. • • • • • • • 10:000 D. Maria Hclcna Soarcs. • • 10:000 Baroneza d' Alvaiazcre. • • I 5:000 D. Leonor Marqucs. • • • 10:000 D. Rosaria Maria da Silva. 10:000 D. Guilhermina de Jesus Al10:000 berto Gomcs. • • . D. Emma Cordciro Maçis.• 10:000 Baroneza d' Almeirim ( I.>. Luiza ). • . • • • • • • 10:000 D. Carolina Miranda. • • • 10:000 Donativos ( D. Luiza ). • • 15:000 D. Maria da Gloria l'~rcira 10:000 D. Maria Anna Ferro Gamito 10:000 Luiz Gonzaga do Na!.cimcnto 10:000 D. Carolina Serranho dc Souza. . . . . . . . 10:000 D. Mary l<'erro Lobo de Mou• ra. • . . • . . 10:000 Carlos Batalhoz de Vilhena Barbosa. . . . • . • 10:000 De jornaes (M. J. Dias Cas• caes). . . . • • • • • • De jornaes (D. Maria das Do· res). ·• • • . • • • • 111:000 Percentagens e donativos (D. Maria das Oores). . • • 6o:ooo De jornaes (D. M. da C. A, Matheus). , • • • • • De jornaes (M. Borges). • • Dc lornacs (O. Laura Mar• ti ns). • • . . • • . • • 43:000 De jornacs (Domingos Oias). 6o:ooo De jornaes (Casa Ave-Maria - Lisboa). • . • . . • D. Maria da Piedade Rodri-

gues.. • • • • • ••• Donativos (D. Celeste). . • D. Maria Amelia d'Abreu • Francisco Ribeiro Baeth.ta Montes • , • • • • • , P.• Joao Moraes das Neves D. Maxiini,ena Vieira da Mo-

10:000 6:000 10:000

ta. • . • • • . • • • P.e Amadcu Pereira Cardoso

10:000 10:000 10:000 20:000 10:000 10:000

rata. • • . . • . • • p,e Alberto Pen·ira CarJoso D. Maria da Assumpçuo Silva. • . . • • . . • • D. Maria da Conceiçao Teles Varela. • . • . • • • • D. Ilda Magalhaes Varcla • D. Maria de Jesus Carlota . D. Maria da Concciçao Tavares Lopes . . . . . • D. Maria da Natividadc da Costa Cerveira. . . . • Joao dos Santos Gonçalves • p,e Ismacl Augusto Guedes D. Maria dos Prazcrcs Guedes A lmeida. • . . . • D. Julia da Conceiçao Baptista. . • • . .. • · • · D. Antonia de Figueiredo Nunes de Carvalho. • . • Firmino José Alves . . . • O. Sibila dt.' Jesus Pereira Feroandc:s. • • ' · • • •

10:000 10:000 10:000 10:000 10:000 20:000 10:000

10:000 5:000 10:000 20:000

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VOZ DA FATIMA Este jornalzinho1 q u e vae •endo tfto querldo e procurado, é diatribuido gratuitam@nte em Fatima no• dia& 13 de oada m6a. Quem quizer ter o di- • reito de o reoeber dire• cta,nente pelo correlo• tera de enviar, adeanta• demente, o •In I m o ìle •

10:000 10:000 10:000 10:000

dez · mii réi••

10;000

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para publlcar, iato é, tòdos os que envlaram qualquer quantla deede flnt de novembro ultimo.

D. Maria da Piedode Puiva . Dr. Jacinto Gago da Camurn D. Maria da Assumpçao l.>ias Antonio Joaquim Ferrciro • D. Adtlaide Braamcamp de Mello Breyncr . • • • • 10:000 Marque_za de Pombnl • • • 20:000 D. Mana do Carmo. • • • 10:000 P.e Joao dc Dcus Lacciras . 1c:ooo D. Maria da Purificaçao Cànto. • • . • • • • • •

10:000

NOTA: - Faltam 450 subscrlptoree

10:000 10:000

José Pedro• . • • . • . • P.e Jayme José Ferreira ••• D. Maria José Martlns Contreiras Bandeira. • • • • D. Claudina èe Souza Sampaio. • • . • • • • • •

10:000 10:000


de Jnnllo de 10.Qfi

Ano IJI

N.• 38

(COM APROVAOÀ.O EÒLESIASTJOA) Dtreot.or, Proprlet;erlo e Edl-tor

Admbllat;~ador: PADRE M. PEREJRA DAIS:LVA

DOUTOR MANUEL MARQUES DOS SANTOS

REDACç.AO

e:

ADJ.1lNJSTRAç.io

BU.A D. NUNO ALVA.BES l?EB:EIB.A.

Composto e Impresso ne Imprensa Comercial, li S4 -

B grande peregrinaçao nacional 13 de Maio de 19~5

Leiria

(111:ATO Nl.'NO Dli: SANTA MAMA)

I

limites da freguezia do Reguengo do fétal. Durante toda a noite, o Santissimo Sacramento esteve exposto adoraçào publica na egreia parochial, que, apesar de imensa, regorgitava de fieis. A guarda de honra era feita pelo grupo de Servitas de Torres

a

Novas.

Assou no dia treze de Malo ultimo o oitavo anniversario da primeira appariçào da Virgem Santissima aos inocentes pastorinhos de FAtima. No longo transcurso destes oito annos, aquelle togar privilegiado, onde se deram as appariçOes e que o povo designa com o nome de Cova da /ria vlu perpassar multidOes apòs multidOes que alli accorrlam a render augusta Paas suas homenagens droelra da Naçào. Mais urna vez, num impulso irresistivel de fé e piedade, a alma crente de Portugal se voltou para a serra d' Ayre e dezenas de milhares de pessOas de todas as classes sociaes e de todos os pontos do palz se puzeram a caminho em direcçào estancia do mysterio e do prodigio. Trez dias antes, jt se vlam numerosos pesegrinos aproximarem- se da serra. Era a guarda avançada do grande exercito que, numa mobilisaçao grandiosa e unica, como se obedecesse a urna voz de comando,~o dia treze realisaria a marchas fo~adas a sua concentraçao geral. Effectivamente uesse dia o espectkulo era soberbo e empolgante, apesar de se tornar impossivel observa-lo em conjuncto num s6 ponto e dum s6 lance de olhos. As estradas de Leiria, Torres Novas e Vita Nova d'Ourem durante toda a manh:i iam cheias, de lés a lés. Camions, camionettes, automoveis, side-cars, bicycletes, galeras, trens, charrettes, carroças, carros de bols, numa palavra, todos os meios de conducçao, eram utilizados para o transporte dòs peregrinos. No dia doze, 4 tarde, o planalto, onde se acha sitnada a Cova da Tria, estava transformada num verdadeiro acampamento, que se estendia desde a egreja parochlal de Fatima, até aos ~'--:--:::r=--'

a

a

O menino Joiio de Cntro Sanches da Co~ta Ferreira, de 4 aoos, curado milakrosamente de urna menini,:1te

No dia treze de madrugada, principiaram a celebrar-se as missas nos altares da capéla nova. VArios sacerdotes adminlstravam quasi inloterruptamente a Sagrada ComunhAo, aproximando-se da meza eucharistica mllhares de fieis devidamente preparados. Entretanto veem chegando numerosas peregrinaçOes organisadas, procedentes de viirios pontos do paiz. Merecem especial referencia, entre outras, a dos Filhos e filhas de Maria de Bemfica em LisbOa e a da freguezia da 8ened1c1a que se compunha de c~rca de mil pessOas e trazia um lindo e vistoso estandar1e com desenhos alusivos as scenas das appariçOes. . A' medida que se aproxlma a hora do meio-dia, a multidao torna- se mais numerosa e mais compacta. C~rca de cem mii peref?rinos estào concentrados no vasto amphitheatro da Cova da lria, elevando-se a Alui• tas dezenas de milbares o numero

d' aqueles que circulam contir1u3mente num assombroso movimento de vae- vem. Ao meio-dia solar cvmeça a ultima missa, a missa dos en(ermos. Estes, em numero de algumas centenas, enchem literalmente o recinto que lhes esta reservado debaixo de um vasto e elegante pavilhao, recentemente constr uido, sustentado por grossas e altas colunas de cimento armado. E' admiravel o espectAculo que se desenrola deante dos nossos olhos momentos antes da subida do celebrante ao altar. Um cortejo composto _.,de milhares de fiels acompanha a branca est4tua de Nossa Senhora do Ros~rio que é conduzida processio-. nalmtnte da c&péla das apparic;Oes até a capéla nova. Quando a lmagem da Virgem Santissima, transportada pelos Servitas e ladeada pelos escotelros de Lelria entra no pavilhAo dos doentes, estrugem no ar os vlvas e aclamac;Oes, milhares de lenços brancos agi tam- se numa saudaçAo fremente de entusiasmo e as palmas rebOam nutridas e prolongadas. A comoçllo em todos é extraordinaria e véem-se muitos olhos marejados de lagrlmas. Logo que a estatua da Vlrgem é c'olocada no seu pedestal junto do altar, a multidao canta o Credo de Dumont. Segue-se a missa acompanhada de canticos e invocaçOes. No fim da missa expOe se o San11ssimo, canta- se o 7antum-ereo, da-se a bençào aos enfermos, que foi devéras comovenle, corno sempre, terminando a comemoraçào fllstiva das appariçtles com um eloquente sermào prégado pelo rev. Campos Neves, C6nego da Sé de Coirnbra.

V. M.

Hs ·cnras òa

ratima

,Lisbòa, 12 de Abril de 1925. Sr. Director da «Voz 'da Fatima•

A impressào que sinto ne~te momento e a pouca cultura de que disponho, piivam~rne, bem 1, me11 pezar, de fazer a descripçào completa dum caso que V. me rermitirA que trnha a satisfaçào de vér publicado nesse jornal, esperando por isso a sua obse-

• \


Voz do. Fatima quiosa e penhorante hospltatldade, que, reconhecldamente agradeço. Em flns de Novembro de t 924 agravou-se a enfermldade do meu pobre filhi-nho. A ella se refere o seu médico assistente o Ex.mo Sr. Or. Si· mOes Alves no atestado que tomo a liberdade de enviar incluso para V. Ex.• se dtgnar tambem publicar. No principio da doença aquele ilustre clinico, cuja probidade morat e profissional sAo sobejamente conhecldas, notou-Jhe s6mente uma simples in0amaçao intestinal. Veio novamente e reconheceu-lhe urna meningite. O seu estado geral era desolador, a sua magreza e enfraqueclmento eram grandes. Sem energia alguma, melancolico e indiferente a tudo que o rodeava, os olhos sem brllho t> uma febre ardente. Oepois, durante 15 dias, cegou e emudeceN. Letargico e paralitico, era um pequenino cadaver que se eucontrava no leito da d0r. A mae, solicita e vigilante, dilacerada pelo sofrlmento que s6 as vardadeiras maes sabem sentir, preparava-se, resignada, para receber a punhalada pungente do desaparecimento do filho querido e idolatrado, quando recebemos a visita duma senhora das nossas relaç0es, a Ex.ma Sr.• D. Julia Marques Morgado que, abeirando-se do lelto ' do pequenino doente, lhe minlstrou uma pequena porçao de agua da Fatima, da qual a mesma aenhora se fazia acompanhar. Esta bondosa e dev6ta senhora jamais abandonou o pequenlno deente e chela de fé, dessa fé que nunca abandona as alm8'8 b0as e verdadelramente crentes, esforçouse para incutir em n6s a esperança que acalentamos nas suas melhoras. Oecorridas 24 horas o pequenlno manlfestou srnaes de vida. Chamado outra vez o médico que o julgava perdldo, ao vel-o nao oculta o seu espanto ante o resuscltado, dizendo com visivel convlcçllo, que estava salvo e sem lesao alguma I•.

OUTRA CURR Da mesma carta : e Urna nossa creada, Emilia da Conceiç:10 1 sofrla ha bastante tempo duma grave lnflamaçao numa perna, A qual os médlcos davam o nome de ulcera e sem esperanças de se curar. Depois de lnumeros tratamentos no hospltal e médicos, deixou por algum tempo de fazer tratamento. A mesma bondosa senhora apli. cou uns paches de !gua da F~tima e passados dias a perna estava completamente curada •. Eis os factos descritos, com rudeza embora, mas tambem com slnceridade. Releve-me o tempo e espaço que the tornei, acreditando na gratidào com que sou De V. etc.

Maximiano Correla Sdnches da Costa Ferreira Ateatado

follo Carlos Simbes Alves, Médico Cirurgillo pela Escola de Lisboa: Attesto que tratel a Sr.• Emilia da Conceiçllo, de 32 anos de edade, moradora na Rua de Pedrouços, 88 3 .0 , de uma ulcera da perna, de cicatrizaçllo demorada e di/ic/l. Attesto tambem que detxando de a ver durante bastante tempo, voltou um dia a mostrar-me a sua lesllo jd completamente cicatrlzada, dizerulome que tlnha feito a aplicaçào de ama determinada deua natural, not ando entao as melhoras sensiv,is atl d completa cura, o que poude verificar. - Por sir verdade e me ser pedido aqui o declaro sob pa/avra d'honra. lisMa, 7 de Abrit de 1925. (a) follo Carlos Simoes Alves (Segue o reconhecìmeeto).

OUTRO CASO

Ateatado /060 Carlos Simòes Atves, Midi·

eo Clrureil1o pela Escola de Lisboa: Attesto que tratei o menor de quatro anos, /060 de Castro Sanches da Costa Ferreira, morador 11a R. de Pedrouços, ,r..0 88, 3 •, filho de Maximiano Correia Sanches da Costa Fe"eira e de D. Be/mira Pereira Sall.ChtS Ferreira, de uma erave menin~ite, que se apresentou com slntomas de tal modo alarmp.ntes, que me chteou a fazer sttpor um desenlace proxlmo pela morte. Attesto tambem que em determinada pllilse da evoluçilo da doença, quando todos os sintomas me levaram a fazer o peior prognostico, dentro do periodo de vinte e quatro horas, tudo se modi/icou para melllor, começando entllo a acenlua,-.se a cura que hoie é definitiva. - Por ser verdade aqui o declaro sob palai,ra d'honra. Usbba, 10 de Março de 1925. (a) /oao Carlos Simòes Alves (Segue o reconhecimento).

José Rodrlgues Valla, morador em Ribelra de Balxo, do concelho de Porto de M6ll, freguesla de S. Joao Baptlsta, de 37 anos ~e edade, vem comunicar a V. Rev.m• o segulnte facto que tenho a certeza ser um verdadeiro milagre, operado pela lntercessao da Virgem Nossa Senhora do Rosario da Fatima. Partlndo de Portugal em 1910 com destino ao Brazll, e gosando de perfeita sa u Je até esta data, em t 912, tlve no Brazll urna pleurlsia de que estive gravemente doente 5 méses. Sofri trez operaç0es amputando-seme ali trez pedaços das costelas, de 7 centimetros cada um. Fui recuperando a sau Je achando algumas melhoras sem que tivesse naquele ferimento, sofrimento algum. Em 1915 vim para Portugal e a 20 de Outubro de 1922, cc,m o excesso do trabalho, abrlu- se novamente ferlda, fazendo-me tornar a um estado mais grave do que da prlmelra vez. Urna vez em Portugal, procure! um médlco, o Ex.mo Sr. Or. Adelino da Sllva, sub-delegado de sau .1e em Porto de M65. Este llustre clinico tratou de mlm alguns méses, chegando a de-

clarar que era lmposslvel melhorarà Fez- me a punçao mas chegando a dizer que eu teria de sujeitar•me a . se_r operado todos os méses. Eu, por minha vez, nlio tendo jé1 esperanças de melhorar, desisti dos médicos desde que fui a Leiria consultar o Ex.mo Sr. Or. Plinio, sendo por ele dito que esta pleurlsia estava cr6nica, sendo indlspensavel ter eu que sofrer urna nova operaçao, mas que nao era para melhorar, era apenas para tirar o pus que em ml m havia depositado, evitando que esse pus 1 apodrecesse a pleura e passasse para o pulmao. Oeclarou que todos os dia~ da minha vida deveria fazer cu- . rativo. lsto foi no llla 27 de Abnl de 1924. VI pois que nao tinha mais a quem recorrer senao a Virgem Nossa Senhora do Rosario da Fatima. Eu ti~ nha um derrame de pus extraordi narlo. Chegando-se o dia 13 de Maio de 1924, a multo custo, devido ao meu estado de fraqueza, me puz a caminho da Fatima, mas esperançado que estava a minha saude e que la obterla a graça de ser ouvido por Nossa Senhora. Como disse, o derrame era extraordinarlo e continuo. Ao romper da manha sahi para a Fatima, e todo aquele dia se passou sem sahir de mim a mais pequena humidade de pus. Vendo eu que o milagre foi t1io claro, fiz promessa de ir, emquanto puder, agradecer a Nossa Senhora o favor recebido. g6so de b0a De entao para

la

sau1e.

ca

faça V. Rev.m• o uso que entender desta minha carta que bem desejo seja publicada no nosso querido jornalzinho para honra e gloria da Nossa tao terna e b0a Mae. Desculpe, etc. '

/osé Rodrigues Valla Ribeira de Baixo, 12/4/925.

f\lNDA OUTRA CURf\ Rev.mo Sr.

e

e Abusando talvez da benevolencla de V. Ex.• Rev.ma ouso pedlr-lhe a publlcaçao de uma graça concedlda por Nossa Senhora do Rosario da Fatima é minha lavadeira. Maria de Souza, lavadelra, moradora em S. Mamede de Infesta, travessa Rodrigues de Freitae, sofrla havia mais de quatro anos de terrivel mal de pMe, durante todo o verao e tambem no inverno. Neste ultimo verao chegou mesmo a estar de cama alguns dias, tendo os bra• ços, as maos e o rosto em lamentavel estado e o olho esquerdo quasi tapado pela inchaçao e pustulas. Oizlam-lhe os médicos, qve s6 nas Caldas melhoraria, usando remedlos sem conta, sempre sem resultado, até que lhe aconselhei a milagrosa ~gua da Fatima que de bom grado lhe ofereci. Maria de Souza que tinha os bracos cheios de pustulas, _fez o segulnte: - deitou s6 num braço um remedio externo, novo, que um médlco lhe receltara, e todas as outras partes doentes lavava com agua da Fatima, tornando tambem todas as


ft

Voz da Fatima manhlls em jejum urna colherinba da mesma. Ao flm de sels 4ias, estava completamente curada de todo o corpo, e a cura nAo podia ser atribuida ao remedlo deitado apenas num braço I A Vlrgem Santissima mostrou mais urna vez que o seu Poder é maior do que o da sclencla da terra. Ha mais de quatro ,mezes que o milagre se deu, e Maria de Souza nao torllOU a sofrer do terrlvel mal da pele que tanto a afligia.•

Maria Alice Barreto d'Oliveira Carvalho. Rua do Rosario, 144 -

Porto.

Abrigo para os doentes •

peregrinos da Fatima Transporte. • •

D , Laura Teixeira Correia Branco. . • . • .

5:000

Uma Filha de Maria de Co-

rucbe .

.,

.

.

D. Guilhermina Rodrigues Mata. . . . . . . . José Viegas • • • . . • Dr. Jacinto Gago da Camara D. Zulmira Ramos . • • Conde dc Agrolongo. . . D. Elvira Augusta Nogueira

D. Rosa F. Mota Machado Soma. • • •

10:000 5:000 9:000 20:000 100:000 100:000 5:000 100:000

1.193:500

O que pode urna bençao do Santissimo Sacramento No principio de uma missao, quatro operarios descrentes abancados em urna taberna, juravam nao p0r pé na egrej~ durante as prédicas e além d'Isso, empregar todos os esforços para afastar de IA os outros. A mulher de um d'eles, christa e piedosa, suspeitou de alguma colsa e , noite, durante a ceia, simulando indiferença, falou do prégador e dos homens que assistiam ao sermllo. O marldo poz-se a rlr e disse: nada, elles nllo levam aquilo ao flm; e de palavra em palavra, acabou por contar a scena pauada na taberna. A mulher disfarçou a sua emoçao e no dia seguinte de manhA fol contar tudo ao prlgador. -Tem filhos (perguntou este)? - Tenho um menino ainda de 'berço. - O seu marido tem-lhe am6t? - Um amor corno nAo ha outro .no mundo. - Elle agarra-o algumas vezes? ;- Muitas vezes. - EstA bem. A.' tarde, depots do ·sermllo, quando i~ nlio bouver ntnguem na egreja, coloque o seu filho perto do altar deante do Sacrario e, ajoelhada, diga com todo o afecto da sua alma: Meu /esus, misericordia para meu marido, e A volta, I! em casa, coloque por alguns instantes nos braços de seu marido o seu fllho asslm abençoado por JesusHostla.

* ,. O pae estava s6, sentado ao canto ,da larelra.

Era j~ tarde. - O'onde vens? Em vez de responder a esta pergunta apresentou o pequeno ao marld~ ' - Torna IA o menino que eu vou p0r a mésa. E' questào de cinco mlnutos. E a cela, depols d'esta pequena scena domestica, correu mais calma que de costume. No dia seguinte, a mesma coisa e o pai, em, vez de se queixar, nAo se teve qùe' nllo dlssesse mae, entregando-lbe o filbo : - Nilo é lindo o noS110 menino? - Oh 1 E', é. E' um anjo. E' tào inocente I - Um anjo, um anjo t Que bom é ser anjo • •• deixa-m'o abraçar outra vez. E o pobre pal apertava o filho contra o seu coraçlio sem advertir na acçao interior que a graça operava nele. A' mesa falou-se do prégador. - Vao lA muitos homens, disse a mae. - Ah I respondeu apenas o operarlo. Ao quarto dia o pae recebeu alnda o seu filhlnho embalsamado mais urna vez pela bençffo de Jesus-Eucaristia e poz-se a chorar emquanto o abraçava. A màe, observando iato, cont~ntou se em levantar os olhos para o seu crucifixo e murmurou baixo as consoladoras palavras: Meu /esus, miseri.cordla para meu mar/do. Eis que no dia segulnte 4 Jarde, sem barulho, o operjrlo, seguindo sua mulher, asslstla ao sermào. O prégador falou s0Qre os ultimos fins do homem e.o seu discurso cl aro e persuasivo fez urna tal impressào no coraçào do pobre pae que, no fim da mis!llo, radiante de alegrla, se ajoelhava ao lado de sua muther Santa Mesa.

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Mès do Sagrado eoraçao de Jesus NAo vir! f6ra de proposito recordar aqul, neste mh dedicado ao Sagrado Coraçao de Jesus, as trez revelaç0es que deram incremento a esta devoçAo tao agradavel a N. Senhor e tAo querlda as almas sinceras e profundamente piedosas. Santa Marga rida Maria, conta asslm a primeira revelaçlio que teve logar em 27 de Dezembro de 1673, em dia de S. Joào Evangelista: cUma vez (dlz ella) que eu estava deante do Santissimo Sacramenio e Unha mais vagar, senti-me de repente tomada da divina presença e com vlolencia tal me esqueci de mim mesma e do logar onde e:itava, deixando o meu coraçào levar-se do divino AmOr. Entào Elle me fez reclinar no seu divino selo e aqul me descobrlu as maravllhas do seu Amòr e os arcanos lnefavels do seu Sagrado Coraçao, que até este dia me havla ocutta4o, aeendo esta a prlmelra vez que me os descobrlu, e de um modo tao

senslvel e ctaro que me nao ficou a menor duvida, apesar de eu recear muito enganar· me.• Emquanto a Santa contemplava, , tremula de comoçào um tal espectaculo, Nosso Senhor lhe disse: «E' t!o grande o Am0r aos homens, em que o meu divino coraçAo esta abrazado, que nio podendo por mais tempo conter as chamas da sua ardente carldade, necessita que tu as espalhes e lh'as reveles para que se enrlqueçam com seus preclosos thesouros, que encerram as graças que s6 os poderfo tirar do abismo da perdlçllo.• A Santa conta asslm a segunda revelaç!o que foi em 1674: e Urna vez que o Santissimo estava exposto, depois de sentir o rneu interior em um profundo recolhimento, Jesus Christo, meu d0ce Mestre, me apareceu todo radiante, com as suas etneo chagas tuminosas corno clnco s6es; d'esta sagrada humanidade saiam chamas por todos os lados e sobretudo de seu seio adoravel que parecia urna fornalha. E, abrindo· se este, me mostrou o seu Amante e Amavel coraçào, que era de onde vlnham aquelas chamas. • cElle (continua ella) me fez reclinar no seu divino selo e me descobriu as inefaveis maravilhas do seu puro Amor que o levava a amar tanto ao homem de que s6 recebia ingratid0es. cE' isto, diz N. Senhor, que me custa mais do que o que sofri em mlnha Paixilo. Se ao menos elles me pagassem com algum Am0r, terla por pouco o que fiz por e:les e de.. sejarla, se pudesse, fazer muito mais, masse me testemunham frieza e despreso pelos meus desvelos I Tu ao, menos, disse concluindo, dé-me a consolaçllo de suprires, quanto te f0r possivel, a sua ingratid1lo•. Como Santa Margarida Maria ategasse a sua incapacidade, N. Senhor lhe disse: e Ahi tens com que suprlre11 o que te falta e no mesmo instante, abrindo· se o seu divino Coraçlo, dele saiu urna ckama tào viva que la em um momento ser reduzlda a clnzas•. A terceira revelaçào teve logar de 13 a 20 de junho de 1675. Num dos dias da oitava do Corpo de Oeus estava a Santa em oraçào no coro com os olhos cravados no Sacrario, quando N. Senhor lhe aparece de repente s0bre o altar e mostrando-lhe o coraçao, assim fala :. • Els o CoraçAo que tanto ama os homens, que a nada se poupa para Jhes provar o seu Amor até esgotarse e consumlr-se, e em paga s6 recebo da maior parte deles, lngratld6es, lrreverencias, sacrilegios e indlferen cas, que teem para comi go no Sacramento do meu Amòr. E o que mais custa, acrescentou o Salvador com um triste acento, que cortou o coraçao da Santa, é sofrer isto de coraç0es que me sào consagrados. Pelo que te peço que a prlrneira sexfa· feira depois da oitava do Corpo de Deus seja dedicada a urna festa particular em honra de meu Coraçao, comungando nesse dia e fazendo- lhe reparaçao dos desacatos que tem so• frido. E eu te prometo que o meu


Voz de.Fédma Coraçlo se dilatar! para derramar com abundancia os iofiuxos de seu Amor s0-bre todos os que lhe derem esta honra ou procurarem que outros lha deem.• - Nenhum dos nossos leitores deve ficar indiferente ao insistente e terno convite de N. SeC1hor e cada um deve esforçar· se por n!o merecer tao amargas queixas.

domingo eat~ primeiro, é o terceiro. Ora se é licito desprezar o tercelro tambem ,é permitido nao cumprir o quarto•. O pae, confund1do por esta replica tao justa poz-se a pensar e vendo que a creança tinha razao, delxcrn-a lr a Missa e elle mesmo acabou por ahi o acompanhar, renunciando a profanaçao do domingo.

As rosas de Santa Theresinha

V-oz da

Urna noite eu tive um sonho, - um sonho extraordinario : via de Christo o Vigario imerso em ondas de luz, pousava urna linda pomba a0bre a thiara sagrada e na augusta fronte nevada lia-se um nome ; /esus.

Transporte do n.0 31 • • Impressao do n.0 32 (50:000 cxemplares). • Clichés. • Papel.

No ceu estrélas sem conto, terra paz infinita••• ( dir-se- ia a nolte bemdita -santa noite de Natal ), cantos das aves nos bosques, hynos de Anjos nas alturas, aromas entre verduras, · fl0res na serra e no val ?

na

Entlo um vulto sublime, - radiosa visao de encanto r se abeira do Padre Santo, envolto num branco veu : traz nas mAos um açafate com as fl0res mais mimosas, as mais varias, llndas rosas que dffo os jardins do Ceu. Tem no rosto a paz dos justos, tem dum Anjo a formosura, s6 respira amòr, candura, e brilha corno um pharol : nos olhos puros e bellos retrata· se o Paraiso, nos labios paira um sorriso - reflexo do Eterno Sol. Aqui trago - dlz o vulto na ma-ls graciosa attitude raras fl0res de virtude que nasceram junto a Cruz : pede-as Nuno para a terra da Divina Padroeira, onde armas da bandeira do as chagas de Jesus.

as

Sfto rosas da Thereslnha - linda offerta que seduz t

V. de M.

'

A liçao d'urna creança Um pae, que tlnha o habito de trabalhar ao domingo, quiz obrigar a isso um seu filbo que acabava de fazer a primeira Comunhao. A creança resistia dizendo que 1he tinham ensinado que havia obrigaçao de ir a Missa e elle queria Ui lr. «Nlnguem aqui manda mais que eu, respondeu o pae. Hoje nao ds A Missa e has-de ir trabalhar comigo. -Nao, respondeu o filho, ensinaram-me a obrigaçao de ir li Missa e eu quero cumprlr. - Tambem te enslnaram (replicou o pae) que deves obedecer a teus

paes. -

E' verdade, respondeu a crean•

ça, é o quarto mandamento da lei de Deus, mas o que manda santificar o

1:150.000 I i_o.050

3.9o3:goo 31.012:420

Subacripoao (Contìnuaçao)

Gilberto Fernandes dos Santos. • • • • • • • • Augusto da Costa Macedo • Augusto Rodrigues Coelho dos Réis. • • • • • • • D. Maria do Carmo. • • • D. Maria Palmira C. Baptista Antunes. • • • • • • • De jornaes (D. M. A. Mateus) P .e Antonio Pereira • • • Manuel Antonio do Vale Torres • • • • • • • D. Maria Luiza d' Almeida • José M.achado Barcelos. • • José Pereira Pinheiro. • • p_e Fernando Joaquim da Sii veira. • • • • • • P.e Manuel Cardoso da Rocha. • • . • • . • . José Ignacio de Souza. • • p,e Jacinto Soares de Medeiras. • . • • . . • . Joao Maria Berqu6 d'Aguiar Tiberio Fontes • • . • . P.e Joao Furtado Pacheco • p_e Joao Borgt:s de Medei• ros de Amori m . . • . D. Joana Corte Real Estrela Athayde • • • • • • Antonio Ferreira de Melo . p,e Manuel Medeiros Guer• rciro. • • • . • • . p. e Edgard Benedito d' Abreu Castelo Branco. • . . . D. Betta Oelgado. • • • • p ,e José Paradela • • • • o. Virginia Gonçalves San· · tOS

.

Fatima

D. Maria Henriqueta Guerreiro Azevcdo Ouarte • • p,e Manuel Vicira dos Santos Dr. José Luiz Mendes Pinheiro • • • . • • D. Maria Palmira de Souza Veiga . • . . • . • D. Odilia de Aguiar de Vasconcclos. • • . • • . D. Julia Pinto . • . . • D. Maria da Conceiçiio Fol'l• seca Ti noco • . . D. Guilhermina de Lacerda Senhor Machado • . • Miss Mary Kenrik. . • • D. Octavia Gutdes Cau da Costa • . . • . . Marqu~z de Santa lria • • José Henriques Ventura . • Abade Joao da Costa Campos • • • • . • • •

10:000 10:000 20:000 10:000 10:000 14:000 lt:OOQ 15:000 10:000 10:000 10:000 10:000 10:000 10:000 10:000 I 5:000 10:000 10:000 10:000 10:000 10:00020:000 20:000 20:000 10:000 10:000 10:000 10:000 20:000

D. Amelia do Ccu Pina r Amaral. • • • • • . 10:000 D. Maria Adriana Santiago Soveral Ribeiro. • • • 10:000 . Luiza Esteves • • • . • ' 5:00& D. Emilia Victoria dc Jesus 10:000 D. Dionizia da Concciçao·Pepe Pereira. • • • • . 10:000 D. Rosa F. Mota Machado 10:0~ D, Deodata Amelia Malato 10:000 D. Marga rida L. d' Ahneida 10:000 Antonio Barbosa . . . • 5:000 D. Maria da Graça Duarte d'Oliveira. . • • • • I 2:000D. Maria Angelica da Silva Fiadeiro. • • • • • • 10:000 10:000 D. Eliza Duarte. • • D. Emilia Romana Faria Bray. • • • • • • • 10:000 Augusto Elizeu Silva. • , 10:000 D. Firmina da Conceiçao Neves • • • • • • • 10:000 Antonio Pena . • • • • 10:000 Antonio Coelho da Rocha 10:000 O. Maria José de Napoles Raposo. • • • • • 10:000D. Maria Carlota Mattos d' Aragao • • • • • • 10:000 p,e Joaquim rAntonio do Carmo. • • . • . • 10:000, D. Adelaide M(lrtins Ber• nardo • • ~. . • · • 10:000D. Adelaide de Souza Chambers. . • . . • · • 20:000 10:000• D. Lucinda Pinto Dias . D. Tereza de Jesus Cerquei· ra Alves. • • . . • 10:000 o .. Maria do Rosario .Matos Dias. . . • • . . • 10:000 P.e Virginio Lopes T avares 10:000• p,e Manuel Joaquim Rosa do Nascimento • • • . 88:ooo , Joao Severino Gago da Camara. • • . . • 10:000 , D. Augusta das D0res . ·• 10:000 p,e José Vicente do Sacra· mento • • • . • • • 100:000 , D. Maria da Luz Pereira Rodrigues. • • • , • 10:000 D. Rita de Jesus Dias Costa 10:000 • D. Maria de Jesus Moraes 10:000 , D. lzabel Virginia Ribeiro 10:000 .. da Costa . . • p,e Augusto José Vieira. . 10:000 D. Rosalina da Gloria. . • 15:000 Dr. Roberto Luiz Monteiro 10:000 Alfredo Victorino Gome, 10:000 Manuel da Cal. • • . • 10:000 D. Izabel G6nçalves Caldeira 10:000 p,e St!bastiiio A. Goncalves 10:000 .. Virgilio de Freitas e Neves 10:000 D. Maria Amelia A, Cardo· so Rocha Homem . • • 10:000 D. Maria da Conceiçao Fer· reira Teixeira Rebelo. . 10:000 D. Maria do Carmo Pessoa 10:000 p,e Belarmino d'Almeida Ferreira. • • • • . 10: 000

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Este jor.Jalzi.;ho, q u e , 10:000 10:000 10:000 10:000 10:000 50:000 10:000 10:000

vae aendo tào querido e procurado, é distribuido

gratuitame.,te em Fatima

nos ,dia• 13 de cada m6~-

Quem quizer tel" o d,. ,. reito de o receber directamente pelo e or re i 00,... tera de enviar, adeanta .. damente, o m i " i m o ds-• dez mii réia.


N.• S

LEIRIA., J.:3 de Julho de "lD~lS

A.no IJI

(COM APBOVAQÀO EOLESIASTJOA) Dtreo'tor, Proprie-tarlo e Edl'tor

Ad.mlnl•trador: PADRE M. PEPEIRA DA Sll..VA

DOlITOR MANUEL MARQUES DOS SANTOS

R.EDAcçlo E ADMINISTRAçAo

:R'UA. D. N'UNO ALVA:RES l?E:REJ:R.A

Composto e impresso na Jmprensa Comerclal, li S4 -

13 DE JUNHO coo

dia treze de Junho, em que o _povo portugues ~._~,,..,,._, comemora a data da segunda appariçào da Santissima Virgem aos humildes pastorinhoa de Aljustrel, é tambem, por outro titulo, um dia de festa sotemne, de jubilo e alegria indizivel, para a populaçao dos quarenta logarejos de que se compoe a vasta e populosa freguezla de P~tima. E' que o glorioso thaumaturgo portugues, Santo Antonio de LisbOa, recebe nesse dia os cultos acendrados daquela bOa gente de aldela, cujos antepassados o quizeram escolher para padroeiro da sua freguezla. Oatr6ra o dia treze de Junho era dia de festa de guarda no Patriarcado de LlsbOa, mas, hoj~ que por benigna concessao da ~anta Sé, se acha • dispensado, nem por isso os ~edosos habitantes de Fatima delxam de festejar com o mesmo entusiasmo e a mesma devoçiio o nosso glorioso compatriota, seu celeste patrono. Assim é que, ao contrMio do que sucede no dia treze de cada um dos outros mezes do ano, uma grande multidao estaciona e se comprime junto da egreja parochial, as onze horas da manhll, aguardando a hora da missa solemne. A maior parte dos fiels que ali se encontram, ja fizeram de manhà cédo Cova Ja a sua costumada visita Jria ou &e-ncionam faze-la ap6s a festividade do Santo thaumaturgo. No lanço da estrada que estabelece a comunicaçao mais directa e mais r~pida entre a séde da freguezla e locai das appartç~es, num percurso de dols kil6metros e melo, observa- se aquela hora um extraordln:irio movlmedto de vae- vem. Sao habitantes da freguezla de Fatima que. termlnada a sua visita ~ Cova da lria. se encamlnham para a e~reja parochial, afim de assistirem a festa de Santo Antonio, e romeiros que, feitas as suas devoçOes e pagas

a

Leiria

as suas promessas, retiram para as suas terras distantes, ou pelo contrarlo sao pereerlnos que veem de longe, tendo talvez partido de madrugada ou mesmo na vespera, e4'e dao pressa em chegar ao locai privilegiado do Ceu, para ouvirem a missa dos enfermos e receberem a bençào com o Santissimo Sacramento. Vehiculos de loda a especie accumulam-se em numero de muitas centenas no lanço da estrada que limita a Cova da lria pelo lado sul. Em frente da capéla das appariçoes e da capéla das missas, veem· se muitos mllhares de fieis. A'quela hora jél se tinham celebrado varias mlssas. Proximo do melo dia officiai, urna numerosa e bem organisada peregrlnaçào do Sebal desce a encosta com a malor ordem e compostura, cantando canticos rellgiosos. Entretanto um sacerdote s6be ao altar para celebrar a santa missa. Um grupo de cantoras da peregrinaçao recemcbegada acom· panha a missa com canticos liturgicos apropriados. Todas as attençoe,s estiio presas da barmonia desses canticos executados com urna perfelçAo e urna piedade inexcediveis. A esta missa segue-se a missa dòs enfermos, que começa ao meio dia solar. No mo.mento em que o celebrante se dirige para o altar, a imensa multidiio que rodeia por todos os lados o pavllh§o dos doentes, asslstindo as missas, rompe subitamente, em ruidosas manifestaçòes de assombro e alegrla. Muìtas pessOas affirmavam convictamente ter visto nessa ocasiao os phenomenos solares do costume, que alguns peregrinos categorisados, absolutamente insuspeitos, diziam haver presenciado nesse mesmo dia ao nascer do sol. Por motivo das referidas manifestaçoes, cuja causa alguns peregrinos, colhidos de surpreza, iJ?noravam, chegou a haver um principio de terror panico, que foi logo prontamente sufocado. Os ultimos actos religiosos - a missa, a comunhao, a procissao, a bencao dos enfermos, e o sermao reallzaram-se como de costume, no meio de um sllencio, recolhimeoto e piedade da imensa muttidao, que edi· ficavam e comoviam profundamente.

(BSA.TO NUNO DK U NTA MAl\tA)

Em frente do altar, sObre as macas da associaçào dos Servos de Nossa Senhora do Rodrio, jazlam os paralyticos e os doentts cujo estado era mais grave. Aquela exposiçào das mais dlversas mlserias physicas que iffligem a huu1anidalte,. constitue u°' espectéculo que confrange fodas as almas bem formadas. Ao mesmo ttmpo, porém, consola e encanta sobremaneira a dOce resisignaçao dos pobrts m4rtyres de tanto sofrimento que cheios de esperança nasua cura, embora santamente co'nformados com a vontade de Oeus, cltegam a sorrlr se no meio das dOres maia atrozes e cruciantes. Junto da branca e formosa est~tua da Virgem do Ros~rlo, um homem. /- de mela edade chora copiosamente~ As suas légrimas, contudo, siio Jagrimas de comoçao e reconhecimento por urna graça que atilbue misericordiosa intercessào da augusta Mae de Oeus. Atacado, havia muitos anos, d' urna das mais horriveis doenças qne torturam o corpo humano, a lepra, fendo recorrido debalde malores sumldades médicas e gasto urna verdadeira fortuna com o seu, tratamento, vendo no melo da malor consternaçào agravar•se cada vez mais o seu lastlmoso estado, vai em treze de Maio ultimo, cheio de confiança, em peregrinaçiio a F4fima e desde esse dia a sua sauJe melhora consideravelmente e tudo faz supOr que a Santissa Virgem nAo deixart incompleta a sua obra. A impressao produzida por esta tocante narrativa em todos os circunstantes é profunda. vendo-se muitos olhos marejados de lagrimas. Em torno da fonte das appari.;oes, estaciona ininterruptamente urna 2rande multidào, que se renova sem cessar, a fazer a sua provisi:io de agua miraculosa. A pouco e pouco, as dnenas de milhares de crentes, que aquela estancia bemdita da F:itima tinham Ido• retemperar a sua fé e as suas energias moraes para a lucfa que é a vida do homem sObre a terra, vi'\9· se re· tirando para os ~eus lares dlstantes, saudosos das horas encantadorH santamente pa~sadas naquele centro de devoçao Virt,?em, o maior entre os malores que jémais existlram em Portugal. V. de M.

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LlsbOa .-

53, Rua Oarcia Horta. cEx.m•

e Rev.mo Sr.

P.ara Honra e 016ria de Nossa Serihora do Roséirio da f étim~, desejo tornar conhecidas duas grandes graças de Nossa Senhora do Rosério da Fatima, para o que peço a V. Rev.m• as publlque no nosso jornalzinho. Urna das curas, a 1.1 , foi a de urna grave doença antiga, de toda a vida I Doloroso, muito doloroso sofrimento e com ele muitas e dlversas cruzes. Orandes médicos do Palz e de f6ra, fOram consultados; se melhorava, jA animada mechia-me um pouco mais, logo peorava. Sofrla sempre, sempre e ja me horrorisava o sofrimento futuro t Acudiu-me Nossa Senhora do RosArio da Fétima na prlmeira Peregri~ naçlio, em Outubro de 1923. Mas s6 n'isso falei uns dias antes da segunda Peregrinaçào de Outubro de 1924. Certa, certissima de jA nAo sofrer daquela doença: Tlnha tambem feito tratamentos na Alemanha e na França, além dos de d. Melhorel, peorei e peorei multo. Um dos médico! fezme comprehender que a doença era incurhel. · Cansada, multo cansada, fraquissima sim, sofrendo mais ou menos (sou doente, tenho-o sido toda a vida-talvez urna ma doente), embora misture 08 sorrlsos com as IAgrlmas, sacudlrzdo-me a todo o tnomento, mas nada sentindo da dòença antiga. lsto note! antes da segunda Peregrlnaçao, aré hoje, Março de 1925. Oraças a Nossa Senhora do .Roi;Ar!o da Fatima. Tìlopouco da recente doença, talvez nào tào recente corno digo, mas s6mente por a comparar a de toda a vida. A ultima, a do coraçllo, jl\ a -nilo tinha a 14, ainda em Leiria - ou para ser mais verdadelra, s6 o notei no dia seguinte, tarde, quando me levante!, tendo- me deltado depois da meia- nolte do dia 13. Obrlgava-me a doença a alimenrar•me muito pouco e leve, passel fome quasi I Anciedade pela comida, receio de corner. Quando peor, nAo podla estar deitada, e tao fraca e com paragens, etc.I Enfraquecimento geral, sempre aumentando, cabeça peor. No coraçAo, dOres, ardOr, picadas e sempre ln-chada. Quasi nào podla andar, nào podendo por vezes pausar os pés -no chllo. No dia 12 ainda, tiveram, .antes de sahirmos de casa, de cos~r os botOes dos sapatos mais A b6rda. Depols de estar de pé da mela noite de l2 (sem contar o tempo desde a sahida de LlsbOa) A de 13 (ou mais) e de ter andado na Cova da lria (partimos em Camion pelas 4 e meia ou 5 da manhil) andel ain• da 4 noite 3 kil6metros, (segundo ouvl dizer) porque faltou o carro, avariado, e tivernos que ir a pé, com chuva e trovoada (I) até é prlmeira casa, a direita. Foi entllo que apareceu o carro. Eu tinha pensado em pedir licença é dona da casa para ficar I! o resto da notte. Jé nilo podi.t ruais comigo e afllgla-me lmpe-

dir os nossos améveis companheiros, tao chelos de caridade, de andarem mais depressa. Camlnhando eu disse : • Nossa Senhora tirou orgàos e pOz orgaos•. Quando nllo fOsse o coraçao era a fraqueza ( pensei ) extrema I Nao me enganei. Nossa Senhora curoume da doença de coraçao, embora esse orgao esteja corno os outros, fraco. A 14, em Leiria, ao levantarrne, olhel para os pés :· desincbados I Até hoje. Todo o sofrlmento d'essa doença desapareceu, corno da primeira. Tlnha tornado remédios para o coraçào, feito o que mandou o médlco, melhorei, mas a doença estava em mlm 1 sentla a bem I Voltei a poder almoçar bem, corno o pede tanta fraqueza e jéi por feliz me dou embora a familia desejasse què eu tO· masse de todos os alimentos. Mas eu ja sabia que Nossa Senhora olio me dava toda a saude. E' da alma e de todo o coraçào que agradeço a Nosso Senhor e A Nossa Mlle do Céq, sob o nome de Nossa Senhora do Rosario da Féitima, imagem lindissima, qu,desejo e espero tornar ainda a ver, as duas grandes graças recebidas na Cova da lria em 1924, e outras depois dessas, noutras pessOas. O médico tlnha- me dito: cse nao tonifica o coraçAo, suicida-se•. Nilo queria deixar de o dizer; e se mais digo desta doença é porque nllo me cu8ta falar dela, ao contrario do que se dA com a outra. Com respeito, etc.

Maria Fernanda Santos11 (Filha de Maria)

Ontro caso clnstltuto das MissOes-Cucujlles (Val do Vouga) Portugal, 1/5/ 1925. Sr. Padre Stiva HA tempos escrevl a V. Rev.8 participando que me constava ter· se dado na minha terra (Camara de Lobos - Madelra) urna cura extraordinaria por intervençao de N. Senhora do RosArio da Féitima. Esperel pela confirmaçAo do facto. Como a pr6pria-miraculada me mandou o relato clrcunstanciado da doença e cura, envio-o junto assim corno a atestaçAo da senhora que tlnha dado A doente o jornalzinho e Voz da F!tima•, Agua e terra do tocai. Essa mesma senhora que tinha presenciado o estado desesperado da doente, constatou, assim corno toda a freguesla, o facto retumbante do seu restabelecimento repentino. O pr6· prio médico que a visitou pela tarde do mesmo dia da cura (29 de Janeiro ultimo, dia de S. Francisco de Sales, numa quinta feita) ficou desorlentado vendo que a cliente nào precisava dos seus serviços, quando na véspera e dias antecedentes o havia mandado chamar com tanta insistencia. Nào quiz passar-lhe atestado dlzendo que, se eia curou, fol com a aplicaçao do ultimo remédio que lhe tinha receltado. O farmaceutico, por conlvencia com elle, recusou-se a devolver as receitas. A verdade porém, é que A1édico e far-

maceutlco atestam, ainda que lndirectamente, a autenticidade do facto : dlzem que se a doente ficou curada foi pela aplicaçào do ultimo remédio. foge-lhes a lingua para a verdadeporque a padecente, desanimando da efickia de todos os remédios humanos, se dlriglu confiadamente Màe das miserlcordias e obteve dela o remédio derradéiro e decisivo - a intervenç!ro poderosissima de cura radical. Para atestar o facto maravilhoso da poderosa intervençào de Nossa Senhora do Roséirio, esta a fé radicada em todos os coraçOes rectos e crentes da laboriosa freguezia de Cllmara de Lobos. Nao precisamos de mais provas t Resumi o relato que val junto, pedlndo a V. Rev.• a fineza da publicaçao na e Voz da FAtima.

a

Subscrevo-me, etc.

Agostinho M. Vleira• -=-

Referente a esta cura e devoçào a Nossa Senhora da Fatima, com data de 7.5./925, recebemos de Cli,mara de Lobos, uma carta donde recortamos o seguinte : · cNào calcula V. Rev.•, essa importancia, apesar de pequena, quanta fé e quantas graças recebidas por intermédio de Nossa Senhora da Fatima representa, pois é toda proveniente de promessas, sendo as de maior importancia urna de tOOSUO e outra de sosob. Nào s6 em casos de doença, mas tambem em afllçOes e necessldades de qu{llquer espécie e dum modo especial 08 pescadores para apanharem pelxe, recorrem Senfiora da Fatima e sao atendidos, pelo que o entusiasmo pelo culto de Nossa Senhora da Fatima vai aqul aumentando cada vez mais. Desde que em janeiro ultimo se deu aqul urna cura repentina, cuja narraçao um seminarista, que est! em Cucujàes, enviou, ou enviar4- a V. Rev.•, é que mais conhecida se tor• nou Nossa Senhora da f étima.

a

Com a maxima consideraçllo, etc.

Eu!!lnia de Ndbrega• e Augusta Filomena Oonçalves, solteira, de cerca de 30 anos, natural e residente em Rua do Melo, Vila de C~mara de Lobos - llha da Madelra, tendo sentido na véspera do dia do Nata! transacto algumas dOres nos musculos da perna dlreila, , nem por isso delxou de andar. Nos dias segulntes as dOres diminutram ; contudo andava a custo. Julgando ter sofrido urna entorce foi no dia 18 de Janeiro a casa duma endireita, que lhe aplicou urna cataplasma na barriga da perna doente. Começou a piorar do dia 20 em diante, ficando o pé manchado com plntas negras. Sentiu enfAo uns arreplos acompanhados de tremuras em todo o corpo, sendo fortes e intensas as dOres. Nesse mesmo dia man· dou consultar o médico, que no dia seguinte fol chamado e a visltou. Aa

,..


dOres fòram aumentando a tal ponto que a fizeram delirar. O médlco exami nou a perna j! coberta de man• chas negras lguals As do pé. f oi receitado novo medicamento interno e externo, mas sem efelto porque ai dOres se repetlam hora a hora acompanhadaJ de frenesls. A perna e o pé direitos incharam disformemente. No dia 23 ja vomitava tudo, excepto algumas colheres de cM de ervas, limonada ou caldo de ave que o médico receltara. Nesse dia tomou sucessivamente très qualldades de remédlo, mas sem resultado. Pela tarde do mesmo dia 23 o médico vlsìtou-a, levando-lhe um medicamento que lhe fez abrandar as dOres durante a noite. Por ocasìao dessa visita o médico declarou que a doente tinha urna c61ica no estOmago. No dia 24, num sabado, tomou por duas vezes doutro medicamento, mas cada vez se sentia pior. Durante a tarde fol novamente chamado o médico, que, corno se havia ausentado para outra freguesia do concelho Curral das Freiras - , nào a poude atender. A doente ficou entao num estado comatoso e com o lado esquerdo paralitico. No dia 25, Domingo, man- , dou consultar o médico por carta dita freguesia do Curral, de onde nào tinha ainda regressado. Como, com a aplicaçào do novo medicamento receitado, ainda se sentisse pior, sem mais esperanças nos remédios humanos, mandando chamar o Paroco-coadjutor, confessou-se, nllo podendo comungar por causa dos v6mitos continuos. No dia 27 o médico regressou mas nào a visitou por se dizer fatlgado. Por quatro vezes o fOram chamar nesse dia, mas s6 no dia 29 a visitou pela tarde para constatar a cura radical. Nào obstante, os dias 26, 27 e 28 fOram os de malor crise. Na terça-feira 27, sofreu tr~s f renesls, sendo preciso duma vez segurarem-na cinco pessOas. Nessa ocasiào as manchas da perni e pé dlreitos formaram-se em bo!has que rebentaram, vasando um liquido amarelado e viscoso. Flcou desde entào em delirio quasi continuo, sendo preciso ligarem-lhe a cabeça com faxas. Na quarta-feira 28, aumentaram-lhe os sofrimentos, e a garganta inchou a tal ponto que s6 com muita dificuldade lhe fazlam engulir qualquer liquido. Na manhll desse dia levaram-lhe um numero da • Voz da Fatima•. Ouvtndo-o ler nao o delxou mais, colocando-o debaixo da almofada que segurava a perna, ji com a gangrena declarada. No melo de horriveis sofrimentos pedia a Nossa Senhora, ao menos, paciencia. Es· perava anclosamente que se aproxima~e a nolte para receber urna es1ampa ou imagem de Nossa Senhora do Resario da Fatima, e terra do tocai. A' noitinha a doente recebeu efectlv.amente a visita anunciada. Pouco depois acompanhava em espirito a no~na que a familia fazla num quarto contiguo. Como as dez horas e meia da noite a doente tives$e um tremor e ficasse regada em su6res frios, as pessOas que lhe assistlam julgaram ter-se aproximado o desenlace final.

a

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A's 2 1/1 horas da madrugada do dia 29 teve dois ataques sucessivos. No fim do segundo, nào podendo falar nem voltar-se no leito, fez sinal para que a incllnassem um pouco sObre o lado dlrelto, onde con,ervava a e Voz da Fatima• debaixo da almofada que lhe segurava a perna gangrenada. Adormeceu nessa poslçlo das très horas até 5 da manha. Convem notar que desde o dbado precedente, 24, jamals tinha podido conciliar o sono, nem tornava outra coisa que nào fosse umas colheres de cha de foiba de laranjeira. Ao acordar sentiu urna sensaçao de leveza no corpo corno no esplrlto, tal corno de quem deixando um cArcere obscuro é restituido liberdade. Lembrou-se imedlatamente de apatpar com o braço dlrelto o lado esquerdo, constatando que podia mover tanto o briço corno a perna, o que nao fazla desde o dbado. Sentou-se no leito e, num movimento de surpreza, vestlu-se por suas pr6prias maos. Verificando entao que nào era vitima de ilusào começou a chamar pela Irma, gritando: mana, mana, veja o meu braço que ja mexe I Estou . bOa I Nossa Senhor a do Ros4rio da Fatima, curou me. Pediu logo que lhe déssem lette e pouco depols comeu um pao lnteiro. O boato de tao extraordinaria cura espalhou-se. por toda a vita e muitas pessOas fOram felicita· la nessa pr6pria manha. A's nove horas, a senhora que lhe tinha oferecido na véspera o joroal, estampa e terra da flltlma, tevou lhe agua do locai das Ap,rlçoes. A miraculada nao tinha ficado completamente curada pois que tinha a perna e o pé dlreitos gangrenados alnda no mesmo estado : inchados, com bolhas, movendo-os s6 a custo, com dOres intensas. Tomou entao urna colherinha da agua miraculosa e apticou algumas gOtas dela, nsim corno um pouco de terra do locai nas papas de linhaça que cobrlam a barriga da perna e o calcanhar do pé doentes. Passadas daas horas adormeceu. Quando acordou, c~rca duma bora, nao ttnha mais bòlhas nem inchaçlio, isto é, estava completamente curadd. Era numa quinta-fetra 29 de Janeiro, p. p. Tendo- se levantado chela de vlda e entusiasmo, contava a todas as pessOas que a iam visitar, o milagre que Nossa Senhora do Rosario da Fatima lhe acabava de fazer. O médico, passando na tarde do mesmo dia na vila, visltou-a, nao lhe encontrando queixa alguma, verificando que estava completamente curada. Hoje encontra-~e alnda de perfeita saude. Antes de adoecer com a

as

a

paralisia e gangrena, sofrla do coraçlio, mas depois de curada nunca mais sentlu os antlgos incomodos.

2/5/925.

Agostlnho M. Vitira

Processo caqlnico sobre os acontecimentos da Fatima Novamente rogamos a todas as pessOas que tenham qualquer coisa a depor a favor ou contra os acon-

tecimentos da Fatima, a bondade de nao demorarem os seus lnformes, dirlgindo-se ao Sr. Dr. Manuel Marques dos Santos - Leiria.

Tornar Jesus pelo

eoraçQo

Quando urna mAe quer obter de seu filho um sacrificio necesdrlo, de que arma se serve eia para alcançar victoria? Torna o fllho pelo coraçao e quan- . do o coraçao esta ganho, o resto nada custa. Para obter infallvelmente de Nosso Senhor urna graça ardentemente desejada é necessario tornai-o pelo coraçào. E' o melo conhecido dos Santos e que dé\ sempre resuttado. Mas e~te processo um pouco vago necessita de ser esclarecido. O filho entrega as armas e confessa-se vencido porque o malor argumento de amor materno é este : e Tenho- te eu recusado alguma coisa meu filho? V~ la se te lembras de algum sacrificio que eu nao tenha feito por ti I • • > Urna pessOa piedosa recebeu um dia esta confidencia duma mulher do mundo: e Faça favor de me expllcar porque é que as mlnhas oraçoes nao sao ouvidas. Passo semanas e mezes intei! ros a pedir esta ou aquela graça e Oeus fica surdo as minhas préces••• Ha-de haver aleuma razao que expllque isto e que era grande favor indicar-me•. Depois de alguns minutos de reflexilo, a santa respondeu : e Senhora, Deus recusa- vos o que lhe pedis porque v6s mesma olio estaes disposta a nenhum sacrificio por Seu Amor. Dae e dar- se-vos- ha ••• • Palavras luminosas I ••• Demos a Oeus o que elle nos pede, cumpramos generosamente esse sacrificio, renunciemos a algum prazer perigoso, quebremos essas relaçOes culp#.veis, e enUlo, embelezados por essas imolaçòes voluntarlas, batamos ousadamente porta do tabernaculo potque nesse caso, tehdo tornado Jesus pelo coraçao o seu radioso sorrlr nos fara entlio comprehender que os vossos desejos serAo cumprldos. cNunca, di.zia rima admiravel joven a seu director, nunca abro a bOca para rezar sem ter fechado primeiro o meu coraçilo aos prazeres, ainda os mais legltimos. O sacrificio é a chave do Coraçao de Jesus••• J!le nunca resiste a um pedido que vi a seguir a um holocausto.

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Abrigo para os doentes peregrinos da Fatima~ Transporte • • ••

J. e I . . . . . . . . . .

1.193:500 5:000

D. Maria Eduarda Mota da Costa Praça •• M. M. de C. e S••••• José Maria Palricas ••

5:000 10:000 5:000

Soma •.•

J.218.500


H minha segunda comunhao

que eles respondem com as suas vo· zitas desiguaes. Que Deus os abençOe a todos e a todas1 meu Padre, a esses meus queridos filhos que teem t:lo bom coraçAol Antigamente a sua melhor recoµipensa era dar. Entre as alegrias que o dinheiro p6de dar, é essa de que eles teem mais pena. · Magdalena, que tem sete anos, diz vezes: « Nosso Senbor devia conceder-nos, ao menos1 alguma coiaa para dar aos outros. Hontem encontrei-a toda radiante por urna descoberta que tinba feito. Sublu por mim acima para me dizer em ares de trlunfo: Nao sabe, pap~? Quando a gente tem s6 dez réis e os da, '{aie como se désse cem mii réi's.~

O escritor Paulo Feval conta asslm a sua conversAo: • De toda a parte instam para que conte a hlstoria da minha conversào. Devo, pois, fa~l-o. E se devo, fal-ohei, mas neste momento estou eu a escrever a historla de urna rainha que calcou aos pés a sua corOa. A minha historia intima irA mais tarde. ••• Tambem v6s, meu caro padre, mostraes desejo de saber como isso

as

Joi.

Coisa bem slmples pois, que nAo merecla um milagre. Eu tinha urna carreira multo brilhante e muitas pessòas me davam a honra de ser meus amigos. Um dia fui derrubado e calcado pelas rodas duma carroça do fisco que levava dlnhelro roubado. Nào cahi de multo alto, mas cahl. Urna vez em terra, achei-me s6 no meio de seres fracos e querldos que dependiam de mlm. E tive de.. concluir que nem sabia ser pobre pois que desejava a morte. ficava-me o meu taitnto. Oh I que fraca coisa I Um dia antes tlnha ele o seu valor. Um dia depols, quando eu quiz trocat- o por pA0 1 toda a gente me fechou a porta. Houve apenas uma pessOa que o nAo fez, e aqui lhe testemunho todo o meu reconhecimento. Eu continuava a trabalhar mas pouco e tao mal ! ... Um dia sObre urna miseravel p4gina começada a escrever senti aparecer o desespero. Tive médo e chamei Deus em meu auxllio. Deus nao veio porque jd 111 estava. Senti-o palpitar no intimo da mlnha consclencla e tive a minha primeira lagrlma 1 14grlma que foi para mlm dOce corno antigamente as caricias de mlnha màe. No dia segulnte fui ter com um homem excelente que multo sabe e multo me ama. Quanto A edade podia ser meu filho, mas eu chamo-lhe Pae. Ensinou-me colsas ao mesmo tempo arandea e simples. A' medida que etas passavam do seu coraçAo para o meu 1 iam-se dissipando nuvens, e de tal modo que eu acabei por lhe pOr a nu o fundo duma pobre alma e, pela sua bOca, Oeus me perdoou. O dia segulnte era dia de Nata!. Nesse dia minha mulher e mlnha fi. lha me conduzlram ao santuario que guarda os despojos mottaes dos ultimos marlyres. Tornei logar é Santa Mesa e fiz a mlnha segunda comunhao, quarenta e sete anos depols da primeira. Assiro se renovaram as duas extremldades da mlnha vida, por cima dum meio seculo perdido. A' volta, os sorrlsoa e alegrla das creanças nos esperavam em casa. Foi urna fes· ta, encheram-me de beijos. Voltou a nossa alegria. No tempo das férias, todos os dlas 4 noite, os olto filhos se joelham em volta da mae e eu, com o meu cru<:ifixo 4 frente, recito as oraçOes a

Voz da Fatima Deapezae Transporte do n. 0 33. • lmpressao do n.0 33 (27:000 exemplares). • Despezas varias. • • • •

31:012.420 621.000 I 50.000 31.783 420

(Continuaçiio)

Pedro Pinto Cardoso. • GRbriel Raimundo da

10.000

Silva . . . . . • . . Francisco F e r n a n de s

10.000

Pombo. • • • • • • D. Maria da Piedade Santos. • • • • José Maximiano. • • • p,e Augusto José da Trindade. • . . • Viscondessa de Freixedo D. Conceiçao Gouveia Agostinho Martin ho Vieira. • • • • . • De jornaes {A. M. Vieira) D. Maria de S. Antonio Neto• . . . . . . . D. Joana Lucas Trincao D. Maria dos Anjos Percira • • • • • Francisco de Lencastre D. Ermelinda Correia Cardoso Ribeiro Alves D. Silvcria da Conceiçao Neves . . • . . . . José d'Oliveira Dias . • O. Victoria Sirgado Mendes. . . . . . . De 1·ornaes (J. O. Dias) Car os Silveira Peixoto D. Adelaide Frandsca d'Almeida Lopes••• D. Antonia das Dores Almada • . • Manuel Antunes Valinho. . . . . . . . D, Etelvina Torres Costa D. Maria Fuertes Gomcz D. Palmira .Martins Faria. • • . . . . P.e Luiz Coetano Portela D. Hortul11oa Pioto . P.e José Ignacio d'Oliveira . . . , . Leonidio R. da Costa Santos. . . • . . Manuel Gomes Gonçal-

10.000

vcs • • •

• • .

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jinho . . . . . . . D. Generosa Farinha •• D. Mat'ia Rita de Faria Hintze Ribeiro , , • D. Maria Carolina Mendonça. . : . . . . D. Sebastiana Victor Nogueira. • • . . • • D. Ana d'Oliveira Matos Luiz Gonzaga do Nas• cimento • • • • • D. Josefa de Barros Ca-

mOes . . . . . . .

SubacripqAo

D. Maria Meadonça. • D. Mercedes Simoes. •

De jornaes (P.e J. Reis) José Antonio F i a l ho d' Almeida . • • . • Migud dos Santos e Si~ va . • . . . . • D. Gualdina de Q9eiroz D. Maria Eduarda Vasques da Cunha Lencastre. . . . . Jolio Ribeiro. • • . • D. Rosa d'Oliveira Miranda . • . • • • . De jornaes (freguesia de Acantara). • . . . p,e Antonio Pereira Quartilho. • . . •• D. Maria Rosa Teixeira D. Dionizia Ramos Quei-

10,000 10.000 10 000 10.000 10.000 10.000 12,000 10,000 10.000 10.000 10,000 10.000 10.000 10.000 10.000 30,000 10.000

10.000 10.000 10.000 10,000 10.000 10 .000 10.000 10.000 10,000 10,000 10,000 1,0.000 10.000

Joao Manuel Gouveia D. Natalia Seleiro. • • D. Estamarinda Augusta 1\tadeira • • • • • D. Maria da Conceiçao Madeira. . •• Manuel Joaquim Conde Francisco Teles d• An<lrade Rato. • • . O. Francisca Vaquinhas D. Custodia da Silvu. • D. Mariana Pereira da Co.sta • • . . . . . D. Amelia da Conceiçao p,e Joaquim Marqucs Raphat:l . • . • , • D. Emilia Caldeira de Bourbon •• , • • Vaz Pr~to Geraldcs • • Francisco 0ias de Matos José Paes Coutinho • • P.e José Dias de Matos Condessa de Saphyra .• D. Amelia Val do Rio Henriques • • . . • Joaquim Maria Soeiro de Brito. • • . • " D. Maria da Conceiçao Lopes Braz• • • • • D. lzabel Maria Leitl! Braga Vareto. • • • Dr. Antonio Augusto Leite Braga. • • • • D. Maria de Souza Pinto P.e Antonio Gomes S. Miguel. • . . • •. Manuel dos Santos (locha

5.000 10.000 10.000 20.000

10.000 10.000 10.000 20.000 10.000 10.000 10.000 10.000 10,00() 10.000 10.000 10.000 10,000 10.000 10.000 10 000 10,000 10,000 10.000

10.000 10.000 10.000 10.000 10,000 10,000 10,000' 10.000 10,000 10.000 10.000 10.000

t 5.ooe> 10.00010,000' 10.00010.00010.000 10.000 15.000·

-"----------------voz DA FATIMA Eate jo .. nalzinho, q u e vae •endo tao querido e procurado, · é diatrihuldo, g.-atuitamente em f'étìm• no• dlae 13 de calla m6s. Guam quizer ter o dlrelto ile o receber dlPe• ctamente pelQ e o• re I Oo, tera de enviar, adaant•damente, o 111- f.n I m -o if• dez mii réla.

\


LEIRIA, 18 de A go sto de 1025

A.no III

(COM .A:PROVAç.ÀO ECLESIASTICA) Dlrec1:,or, Proprie-tarlo e Editor

Adm.lni•"trndor: PADRE M. PEREffiA DA SJLVA REDACçAO E ADMINISTRAç,fo

DOUTOR MANUEL MARQUES DOS SANTOS Composto e impresso na Jmprensa Comercial, i Sé -

Leiria

RU'A D. NUNO ALVARES PERE:IR.A (BEATO NUNO DE SANTA MARIA)

dar-the Ingresso na ante- camara do

ra intensamente saturada de sobrenatural. E olio s6 os que teem fé, senao tambem aquelles que nao possuem este dom magnifico, que abre deante dos olhos do espirito bumano horisontes infinltos, dificilmente podem furtar-se éi influencia do ambiente que os rodeia. De manha cedo a esWua de Nossa Senhora do Rodrlo é conduzitta processionalmente, corno de costume, para a capella das ApparrçOes. Quasi ao mesmo tempo chega o grupo de Torres Novas dos «Servos de Nossa Senhora do Rosario•, que, antes de iniciarem os seus trabalhos, ouvem a Santa Milisa ~ recebem o Pao dos Anjos. Pouco depoi& surge do lado da estrada da Batalha a phalange dos sympathicos escoteiros catholicos de Leirla, que, logo que chegam, se apeiam dos camions que os transportou e se dirigem com garbo marciai para o pavilhllo dos doentes, aflm de assistirem tambem ao Santo Sacrificio e comungarem junto de um dos altares da capella noya. Entretanto um sem numero de t'vehiculos de todas as especles e tamanhos, medida que· vao chegando, despei am incessantemente na estrada, que cinge o locai das appariçOes, milhares !! mllhares de peregrlnos. Nos attares da capella nova ·as . missas succedem se lniaterruptamente perante urna asslstencia silenciosa e recolhida, de que desde as primtiras ho ras da manhtl f azem parte muitos enfermos. Pouco antes do meio-dla solar a hranca eslatua da Virgem do RosArio é conduzida processionalmente da capella das appariçoes para a capela nova. O enthu• siasmo é indiscrlptivel. Multos fieis acenam com os lenços, muitos outros dào palmas. Veem- se othos marejados de lagrimss provocadas pela commoçllo. Principia entao a ultima missa, a missa dos doentes. O silencto torna-se mais profundo, a orac;llo sae dos coraçOes e evola-se dos_lablos com mais fervor e a attençao de todos os circunstantes converge para o altar em que ae celebra e Santo Sacrificio. Todas aquellas almas, todos aquelles cora-

Céu, eovolvendo•o numa atmoaphe•

çOes amalgamados pela fé e pela

13 DE JULHO 1= o Q

o dia 13 de Julhd ultimo, a terra sagrada e ~!.~-="""'~· bemdita da FAHma, foi novamente theatro das mais ' bellas e commoventes manifestaçòes de fé e piedade. Alguns m i I ha re s de pessOas, converglndo de todos os pontos do paiz, lmpulsionadas pelos seus sentimentos christaos, reuniram-se junto dos santuarios da Lourdes portugueza para offertar o preito da sua veneraçlio e do seu amor augusta miie de Oeus que alli se dignou apparecer. O dia esteve esplendido, sem vento e sem calor corno um dos mais formosos dias de Primavera. A's dez horas da manha intensifica-se duma forma extraordinaria o movimento de vehiculos nas estradas mais proximas. E' o grosso dos peregrinos que começa a chegar. Aquelles que partlram mais cedo de suas terras a pé ou em meios de conduçlio pouco accelerados, jéi se encontram em F4tima na sua grande maioria. Multos delles passaram a noite no proprio locai das apparlçOes ou nas aldeias circumvisinhas. E' sobre• maneira interessante e consolador o espectaculo que na vespera A tarde e durante a noite offerecem a «Cova da lria" e as suas immediaçOes. Reza- se e canta-se por toda a parte. E essas préces pronunciadas em voz alta, que partem de individuos lsolados' ou de grupos. por vezes bastante numerosos, corno verdadeiros gritos d'alma que se evolam para as alturas, e esses canticos que traduzem na sua lettra, ora erudita, ora singela e popular, os mais ardentes sentimentos de fé, reconhecimento e amor para com a Virgem Santissima, produzem na alm~ do observador que tenha a felicldade de ser crente, urna emoçao vaga e lndefinlda, mas viva e profunda, que parece alhd-lo por .completo das cousas deste mundo e

a

a

piedade, vibrando em unisono, nAo constituem senào urna s6 alma e um s6 coraçào. Durante a missa um sacerdote reza do alto do pulpito, alternadamente co'l' o povo, o terço do rosario, cuja recitaçào é intercalada de cantìcos e invocaçOes nos momentos mais soIemnes. ' No fim da missa canta se o 1antum ergo e dA se a bençào com a Hostia Santa, primeiro a cada um dos enfermos, que em numero de muitas centenas occupam o recinto reservado do pavilhiio, e depois a immensa multidAo que se es praia ao longe e ao Jarj.?o pela vasta esplanada adjacente. Terminada esta cerimonia, a mais commovente de todas as que se realisam em Fcitima, s6be ao pulpito o rev. Francisco Carreira Poças, parocho de Porto de Moz, que falou durante cerca de mela hora sObre a devor,ao a Nossa Senhora. Oesvanecido o echo das pakwras finaes do orador sagrado, inicla se a debandada geral dos fieis qu~ se effectua, corno sempre, lentamente e na melhor ordem, depols de recUadas as ulllmas préces, feita a derradeira provisao da agua da Fonte maravilhosa e dirigido a Virgem do Rosario o mais sentido e saudoso adeus.

Y. de M.

Hs curas da Fatima e No dia w vin re e quatro de Juobo do ano pr6ximo passado lùi consultar o médico, que declarou que eu tinha ama ~ronquile e priAciplo duma pleurls1a. Poucos dias depois atacou- me a p~eumonia, de que fui curada entre qumze dias. Oepois desenvotveu- se-me a pleurlsia a ponto de me julgarem perdida. Nesta altura fiz um v6to a Nossa Senhora achando sensiveis alivios dentro quatro horas e achan<io- me melhor durante qulnze dias. Em segulda peorei, complicando-se- me o ma: com outros padeclmentos multo graves. Até aqui tlve onze vlsitas do médl:o, o sr. Or. Alves, que aconsel~ou recolher• me ao Hospital de Lelr,a, mas com a esperança perdida de melhorar•

c1:

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Voz do. Fé.tbno. Del entrada no Hospltal no dia vinte e cinco de agosto. Pul exami• nada pelo sr. Dr. Teles, que disse: «agora é que para aqul veeJll com esta mulher I lsto ji nAo tem remédlo •. No entanto, receitou-me pontas de fogo, que me aplicaram durante um més, delxando- me comer do que eu quizesse, mas qubi nada comia e isso mesmo nao se me conservava. Na ausencia do sr. dr. Teles, fui examinada pelo sr. Dr. Pereira, qcfe tambem me desanimou, mas resolveu-se a aplicar- me urna punçao na regiAo pulmonar. , Flquei entao completamente desanimada, e fiz nova promessa a N. Senhora, dlzendo ao mesmo tempo: e Minha Mae Santissima, acudl-me, dal-me saude para amparo de meus quatro filhinhos, ao menos até que meu querido marido regresse a Portugal •. Tlve um presentimento de que a Mae do Céu me tinha ouvldo e fiquel muito anlmada. Até mesmo a enfermeira e as outras pessòas se admiraram da minha atitude. Nuoca mais tive receio de quanto me quizessem fazer, nem mesmo da morte. Fui operada no dia vinte e sete de setembro, julgando todos que nao durarla com vida mais de trez dias, e eu sempre chela de esperança na Virgem Santissima, de que escapava. Poucos dias depois o médico disse que eu estava um pouco melhor da pleurisla, mas com enterite muito grave. Cheguei a ponto de nem a agua se me conservar no est0mago. Comecei a achar, me com melhoras, que a todos admiravam, vindo a restabelecer- me em mes e meio, sarando-se até mesmo a ferida da operaçiio, com muit.~iraç!o do sr. Dr. dito que eia poPereira, deria levar a curar um ano. Agora estou completamente b0a, corno se nunca tlvesse estado doente. Venho / pois, chela de reconhecimento, proclamar o poder e protecçao da Nossa Mae do Ceu, e convidar todas as pess0as dev6tas a louval· a comigo, s0bre tudo aquelas que me ajudaram em mlnha doença. Santa Catarina da Serra, 31 de Março de 1925.

qu~!.~!~-

Sdra Maria Domingos• ,---

e Antonia das Neves, casada com Francisco da Sllva, da freguesla de Almoster teve urna tosse durante vinte e quatro anos. Chegou a vomitar tudo quanto comia. Resolveu ir F4tlma. O marldo, porém, achou-a tllo fraca que disse: e S6 se tu me prometeres ficares b0a •. -Cala-te. Depols falaremos. No carnlnho, ja depois de ter passado Ourem, voltou a tossir mas sentiu que alguma coisa de novo havia. Nuoca mais vottou a tossir e j4 la vllo dols anos I -Urna filha da mesma tlnha espetado, havia cinéo anos um carrapltelro em um pé. Este iochava quan• do fazla alguma viagem e alguem lhe disse que havia perigo de colsa mais grave. Prometeu a Nossa Senhora publlcar esta graça se melhorasse e tendo

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j4 vlndo 4 F4tlma sem dificuldade alguma, mlle e fllha véern, chelas de reconheclmento, agradecer a Nossa Senhora, a quem m'llto amam.• e Sr. Director da Voz da Fdtima Peço a V. o favor de publicar, no seu jornalzlnho, urna graça que recebi da Santissima Virgem, e que considero milagre. Andando eu, ja ha multo tempo incomodado da minha saude, no dia 31 de Março achei me multo peior e fui consultar o médico. No dia 6 de Abril consulte! o Sr. Dr. Salviano Pereira da Cunha, d'aqul, que depois de me observar com cuidado, terminou por me declarar que tinha dentro em breve de fazer urna operaçao, pois que eu tinha um tum0r na gordura do Intestino delgado. Ao ouvir esta declaraçào fiquei muito triste mas resolvi nào vir para casa sem ir consultar o Sr. Dr. Joao BAiista Nunes da Silva, distinto clinico desta localidade, que, depois dum longo exarne, acabou por me declarar que era obrigado a fazer a dita operaçao, e mais ainda que, se eu a nao fizesse dentro em pouco tempo, depois seria obrlgado a multo mais sofrimento e a muito mais dificuldades em melhorar. Neste momento fiquei desanimado. O médico animou-me, dlzendo-me que nao estivesse triste, que o caso nao seria de morte. Oespedi· me del e e vim para casa dizer a minha familia o que se passava, ficando todos em pranto. No dia 8, eu e mais pessòas da minha familia e visinhos, resolvemos prometer cada umo que entendesse, para ver se pela protecçao divina, alcançava a graça desejada. Logo neste momento me lembrei dos miIagres que se tem operado em Fatima, e prometo a Santissima Vlrgem da F4tima, que, se no praso dum mez melhorasse da doença ja declarada, iria é FAtima1 agradecer a graça obtlda e la receoer a sagrada comunhào, dar urna esmola para o culto e mandar celebrar urna missa em acçao de graças a Nossa Senhora, pela graça obtida. No dia 13 comecei a achar melhoras. No dia 20 fui mostrar· me de novo ao médlco ( Sr. Dr. ~ilva ), que depois de me examinar bem, acabou por me dizer que i' nao era precisa operaçào alguma, porque eu estava slio. Ora a mio ha fé diz- me que isto fol um milagre, porque medicina nao devo senllo as atenç0es com que me trataram os srs. médicos. Poi a Santissima Virgem que quiz mostrar mais urna vez que nào é em vào que os seus filhos recorrem a Ella no meio' das afliç0es. Ovar, 6 d~ Malo de 1925.

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Antonio Vleira leite• « O. Maria José Cortez Pioto, casada com Julio Cortez Pinto, de Lefria, _vem agradecer .a Nossa Senhora a grande graça que lhe fez salvando o seu fillio Fernando, de 10 anos de ldade, dum grande desastre que lhe sucedeu em 7 de Outubro de 1924, pois que, tendo- lhe caldo em cima urna pedra de carrada e tendo sldo preciso 7 homens

, para o tirarem debaixo da mesma pedra, ficou sem nenhuma lesào interna e sem nenhum osso fracturado. Quando a m!e o viu naquele estado invocou Nossa Senhora do Ros4rlo da F!tima com multa fé, dlzendo o filho, apenas voltou a si, estas palavras: «Màeslnha, eu quero ir a Nossa Senhora da P!tima». Ao fim de trez semanas estava completamente restabelecldo, com grande admiraçào doi1 médicos que o trataram, dizendo um deles que tinha sido um verdadeiro milagre •.

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«Ex.mo e Rev.mo Sr,

Maria do Rosario Laranjeira, do lugar do Outeiro das Mattas, freguezia de Ourem, vem pedir a publicaç!o duma graça em que a Virgem Santissima, Senhora do Rosario, mais urna vez quiz mostrar a sua divina protecçao. Tem ella um filhinho de trez anos de edade, de nome Miguel. Tendo este no principio do mez de Abril corrente, urna grave enfermidade na garganta, chamada garroti· lho, recorreu sem demora medicina, mas a doença par~ia nao obedecer a medicamento atgum. A m~e. ;,flita, vendo prestes a sucumbir o seu extremoso filhìnho, rapidamente lhe vem a ldeia a agua milagrosa da Fama. Prostrou-se em acto continuo deante da imagem da Virgem Santissima, rogando pelas melhoras do filho e sem demora lhe deu a beber agua. Poucos mòmen tos depois viram- se rapidas melhoras, deixando de ter a afliç!o que antes tlnha, estando em poucos dias completamente restabelecido, gosando hoje de perfeita s~nide. Em face disto nao posso deixar·de manifestar mais esta graça que a Virgem Santissima quiz f azer. Outeiro das Matas, 4 de Abril de 1925.

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Maria do Rosario laranitira•

Uma peregrinaçao a Fatima Somente por devoçtio a Nos· sa Senlwra, 138 pessoas de ama freguesia pobre e pequena deslocam-se a 80 quilometros, gastando mais de 5 contos: e Em junho fui em peregrlnaçAo a Nossa Senhora da Fatima com 138 paroqulanos meus. Partimos daqui no dia 12; de manha, e j4 na véspera, haviam comungado quasi todos os peregrinos. Ao melo-dia houve na igrtja paroquial bençAo do Santissimo e pratica, assistindo todos os peregrinos e multa gente que deles vin ha despedir- se. Entretanto chegavam de Colrnbra os caminhoes que nos haviarn de transportar. Para eles nos diriglmos em procissao frente urna bandeira de Nossa Senhora, os homens envergando capas vermelhas e todos com o distintivo da peregrlnaçao flta c0r de rosa e urna medalha de Nossa Senhora da P4tlma. Poi tambem asslm que no dia 13 entrAmos

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.:Voz da Fé.tbn&

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e salmos do recinto das .aparlçOes. Tanto na ida corno na volta cantamos e resamos durante quasi todo o caminho. Comung4mos todos na Cova da lria e um grupo composto de creanças, rapazes e raparigas uma terça parte do nosso coro cantou a penultima missa ali celebrada. Os nossos homens tlveram a felicidade de serem escolhidos para acolltar na adminlstraçao da Sagrada Comunhao. Dos cinco doentes que levémos tres, sentiram-se melhor e voltaram curados dols - Maria de Freitas viuva, moradora no Avena!, e José 'Duarte Junior, casa do, morador em S. Fifo. Aquela sofria ataques violentisslmos de t~sse com. hemoptisis, um dos qua1s, o ultimo, na Fatima, aonde foi conduzida em maca pelos servitas; este paratisia e eczema no braço direito, diminuindo a inchaçao logo ao prlmeiro banho que deu na Fatima, d'onde voltou sem carecer dos serviços para que na ida precisava dos seus companheiros, - fazer cigarros, etc. Estas curas manteem- se e j4 estarnos a 4 de julho. Vou pedlr atestados médlcos. Calcularés o entusiasmo com que chegé\mos e fomos recebidos no SebaJ. Depois de urna prética e da bençao do Santissimo na igreja paroquial, todos se dirigiram a suas casas agradecendo a Deus e a Santissima Virgem a graça desta peregrJnaçao, prometendo ser mais fervorosos e dando por bem empregado o sacrificio feito:- alguns, mal /POdendo trabalhar, andaram a sachar milho duas semanas para arranjarem dinheiro para a viagem, e nao ,poucos pediram-no emprestado. Como Secret4rio de Nossa Senhora, pede-lhe por esta (reguesla e pelo teu velho amigo P.e Paulo Ma' chado. Sebal (Condeixa), 4/ 7/925.

P. e Paulo Machado>

•Abrigo para os doentes peregrinos da Fatima Transporte • • •• • A. Leite Braga•••••• O. Maria do Ceu Plnto d'Abreu Lima •••••

1.128:500

Soma •••

1.146:500

13:000

5:000 \

. Modo de rezar o terço Recebemos ha dias a seguinte carta :. clll,1110 e Rev.1110 Sr. Queira V. Rev.ma perdoar a minha ousadia de vir encomoda-lo. Como V. Rev.111 • provavelmente sabe, ha muitos cat61icos ignorantes dos seus deveres e eu, corno sendo _.un1a delas, rogo a V. Rev.111•, em nome deles e no meu, se no vosso precloso jornal nos llucidava da manelra corno se reza o terço. Tenho muita pena de .nao o saber reza,, visto Q~ Nossa Senhora do Ros4rio manda que o rezem, e corno

eu, ha muito mais pess6as leitoras da Yoz da Fatima que,. com pezar, o lgnoram. PerdOe V. Rev.m• mandar tilo pequena quantia para tao precloso jornal. Pedindo a V. Rev.m• mii desculpas, sou com o mblmo respeito

H.• -Nada mais fkil. O terço (terça parte do Rosbio), consta de 50 AvéMarias antecedldas do Padre Nosso e rematadas com o O/orla Patri. Por tanto depols de nos benzermos, a conta maior rezamos o Padre Nosso, e urna Avé-Maria a cada urna das dez contas mais pequenas. Depois de se dizer o Oloria Patri reza-se novamente o Padre Nosso e assim até ao fim do terço ou até ao fim do Rosario. O terço ou Rosario, nao é s6 orac;Ao mas tambem meditaçao, que abrange em resumo toda a vlda de Nosso Senhor Jesus Christo. Esta medltaçao é nece~saria para se ganharem as iodulgencias. Os misterios gozosos ( anunclaçao, visita a Santa lzabel, nascimento do Menino 'jesu-s, apresentaçao e encontro no templo) costumam ordinariamente meditar-se as 2.as e 5.8 • feiras. Os dolorosos (Agonia no Horto, nagelaçào, coroaçào de espin hos, cruz as costas e crucifido). as 3_as e 6.15• Os gloriosos (resurreiçllo, ascençao, descida do Espirito Santo, Assumpçào e coroaçAo de Nossa Senhora) nos outros dlas. I:.' costume rezar a seguir a Ladainha de Nossa Senhora, ficaudo esta e outras oraçOes ao arbitrio de cada um. No livrlnho os Acontecimentos da Fatima, e quatquer outro de devoçào, vem o modo de rezar e meditar o terço.

A.'s oraçòes t\os \eitoTes cUma paroquiana da freguesia de Alcantara pede as mais fervorosas oraçoes pela converslio do marido. Promete, se alcançar a graça pedida, ir com o maricfo a Fétlma e levar urna bòa esmola para as obras•.

lima conuersao Urna manha, um pouco antes da hora d'almoço, desembarcava eni Lourdes, com sua famllia, um cavalheiro bem posto. Esperava nllo se demorar mais que algumas horas, o tempo entre dois comboios. Fol tudo quanto puderam conseguir d'elle sua mulher e sua filha que o acompanhavam. " • Apenas chegadas, sem perda de tempo, as duas mulheres, fervorosas christas, a quem a irreligiào do chefe da familia tanto desolava, tanfo mais qu~ o amavam ternamente, partiram para Massabielle. Ele, nào tendo mais nada a fazer aqui, foi dispor as coisas para o almoço. Escolhendo um hotel que lhe parecia mais confortavel entrou, fez chamar a dirigente e diz- lhe : Emquanto espero minha mulher e mlnha filha vou dar uma volta pela

gruta, se na.o for multo 1onge, e d volta tenfia-me prompto um bom almoço para tres. -V. Ex.• decerto quer almoço de magro, nllo é verdade? -De magro, porquè? - Hoje é sexta-felra e quasi toda a gente aqul come de magro. -Eu quero la aaber d'isso (exctamou o livre pensador escandalisado)I Faça favor de fazer um almoço bom. Quero carne: percebe ? Combinaram pois: bifes, galinha, etc.

• ** Feltas estas combinaçoes, o nosso viajante accendeu com toda a pachorra um cigarro e encaminhou-se para a gruta emquan.to ia admirando a belleza do sitio•• Chegou primeiro que sua mulher e sua fitha, que se demoraram na cripta e na basilica em ferventes oraçOes peto descrente querido. Afinal, la chegaram a gruta. Mas, qu-al nào foi o pasmo da mae I Além deante d'ella, ao pé do rochedo, ~m homem de joelhos, orando com fervor e os olhos banbados de lagrimas e este homem. • • é elle é••• é s~u marido I Ella quasi teme interrompei-o e abordal-o. Mas elle, logo que a ve. exclama: -Sou eu, sou. Sou eu que rezo e ch6ro. Queres saber corno foi? Olha que, para te falar verdade, nem sei expllcar· te. Quando aqui cheguel, sem pe_nsar em nada, apenas me encontret em presença da gruta e olhei para esta lmagem, urna emoçào indescriptivel se . apoderou de mim. Nem ho uve tempo de pensar (isto é mais forte que eu) e••• cahi de joelhos. Estava ali um sacerdote e perguntel-lhe se me poderia ouvir de confissao. E' ja, respondeu elle. E agora ••• prompto. Confessei-me ali na Oruta, atraz d'aquelle attar. Ficaremos ca para amanha e de manhA aqui estarel para comungar. Esta decldldo. NAo imaginas quanto me sinto feliz t NAo foi s6 elle a derramar lagrlmas de alegria, de ternura e reconhecimento. Juntos louvaram a Deus, e todos tres, agradeceram com effosilo a Nossa Senhora.

•*

Partlram a seguir para o hotel. A sala de jantar estava cheia de gente. Ao entrar, o novo convertido interpelou as muitas pessOas que ali estavam a espera do almoço e, com o mesmo desambaraço com que tlnha repelido o almoço de magro, exclamou : Senhores, eu sou V ••• , grande caçador, corno talvez alguns de V. Ex.81 saibam; passo por ser o primelro atirador da capitai. Eu era abertamente implo. Eis agora o que me acaba de acontecer (e repetla o que jA tlnha contado a sua mulher e sua filha). Estaes em presença de um homem ! que acaba de se confessar e que amanhll vae comungar. Voltando-se depois para a dirigente do hotel: Eu tlnha-lhe pedido um almoço


Voz da Fa-time, que, decerto, est4 preparado. N6s cA nos entenderemos. f aça me outro de magro e se fòr necessario esperaremos. Imaginemos agora a surpresa e as impressOes dos ouvintes e sobretudo os senlimentos que agitavam a alma da mulher e da filha. A partir d'essa sexta- feira o Sr. V. . , continuou a ser um excellente christao, e com sua autorisaçao, mas sem dar o nome, um missionario bretao fez no pulpito da Basilica, a historia d'esta conversao (Le Petit Messager du Tres Saint Sacrementagosto de 1910).

Encontrado na lama I

I

Quem sera esta donzela que precipttadamente atrtvessa urna avenlda de Bruxelas ? Chove.' Ella é estrangeira e encaminha-se apressadamente para o hotel. Ao passar, porém, sente qualquer objecto debaixo do pé..• E' bOa I' f'erolas, urna cruz I. • • Com certesa é algum objecto de devoçAo dos catholicos, pensou ella apressando o passo. -Apanha-o, diz-lhe a consciencia. -Para que? De que me serve elle? -Sim, apanha-o. Se para ahi fica, essa cruz vae ser calcada por toda a gente-Sujaria os meus vestidos e inu ti lisa ria as minhas luvas novas. -Qué ? EntAo tu tens mais amor .is luvas que a cruz de Nosso Senhor Jesus Christo ? .. A menina Laura, ainda que protestante, nao pOde suportar um tal rebate da sua consciencia e recuando um pouco, fol apanhar o terço, que conservou na mao, dizendo : as tuvas ja eu perdi. Chegada ao hotel, o seu primelro culdado foi lavar e esfregar bem aquelle terço e,"'de tal modo e por tanto tempo, que as contas e respectiva cadeia brilhavam corno um colar de perolas. Levando-o depois a dona do hotel, disse : e aqul est4 urna coisa que eu achei ali f6ra ; veja se sabe de quem é ... NAo conheço o dono, minha aenhora, e estou bem convencida que nlo se vlr4 a saber quem é. -E agora? e Olhe, é melhor guardai-o no seu quarto e eu la o irei buscar se fOr necessario... Miss Laura suspende-o num prégo e nAo pensou mais no caso. Eis, porém, que ao serAo uma senhora do quarto vlslnho vem ter com ella e a convida a lrem aquecer-se ambas e a tomarem o chA. Entabolada a conversa, a vislnha yè logo o terço t -Quelra perdoar a minha indis• cripçAo, mas nlio é V. Ex.• protestante9.•• Sou- o E>ffectlvamente, mas os proteitantes tambem teèm rellgiAo. -NAo contesto, mas estou adml• rada de lhe vèr aqul um terço. -Oh t este terço (e contou a historia).•. e tirando-o do pr~go, dlz : -Minha senhora, aqui o tem, é

aeu. -Nlo o accelto. O melhor é guar•

dal-o porque eu tenho dois. -Sempre gostava de saber que é que os catholicos dizem em cada uma d'estas perolas. A A vi-Maria, pareceu- lhe encantadora... Visto que se encontra na minha Biblia tambem eu poderia dizer esta oraçao. Vou aprendel- a. E passou toda a tarde a repetir a AvéMaria, que em pouco tempo sabia de c6r. Separaram- se. Urna vez deltada, a ingleza poz o terço ao pescoço e poz-se a repetir ainda mais umas vinte vezes a saudaçao Angelica que nao se cançava de dizer. Urna dOce uncçao se derramava na sua alma e logo ao acordar no dia seguinte, esta oraçao lhe vinha a lembrança corno urna musica entadora que nào podia arredar do pensamento. Foi isto o que ella contou a sua amiga quando voltou a vel-a ao almoço. -Entao, gosta d'esta oraçao dos · cathollcos ? -Oosto muito. -E porque se nlio faz catholica? -Se fosse hontem era impossivel, tinha mtl prevençOes contra os catholicos. Jioje ja as nao sinto e gostava bastante de me instrulr na sua rellgiào. A visinha levou a joven a urna comunidade onde o catecismo lhe fol ensinado em ingtez e, dois mezes depois, ahi fez, em transportes de felicidade, a sua primeira comunhao. Ora um dia que ella se achou doente em Londres a familia envioulhe um ministro protestante para a abalar. Ella respondeu com energia: -Nào, nunca I Quero morrer na Religlllo Catholica que me torna fellz, mesmo no meio dos sofrimentos, e tenho conflança que este terço sera a cadela com que a Virgem Santissima me levantara ao

Ceu. I

Voz da Fatima Deapezaa Transporte do n.0 33. • lmpressao do n. 0 34 (26:000 exemplares}. • Outras despezas • • • •

598.000

123.000

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Subaorip9fto (Continuaçao)

D. Maria Amelia Capelo Frnnco da Cunha Motos.. D. Maria do Carmo da Cunha Lemos e Matos • • • D. A na Augusta de Freitas. D. Gertrudes Maria Fcrnan .. des • . . • • • • . • • D. Maria da Gloria. • • • D. Luiza Barreiros Salema Joaquim de Souza. • • • . Herculano Sales. . . . • • D. Clotilde de Jesus Barcelos D. Eugenia Margarida do Ros!rio. • . • • • D. Maria Re>sa Cunhal • • Manuel Alves Soares Teixeìra • . . • • • • • • • •

15.000

Antonio Ferreira Soeiro • • D. Maria José Caeiro Fialho. D. Carlota Fialho. • . • • • D. Mariana Baptista Limpo Brito • • • . • • • . • • D. Aurora Fialho • • . • • D. Maria José Rodrigues Acabo. . • • . . . . . • • • D. Laura Pires Antunes Carrcndo Ferreira . . • . • • p,e Manuel Antonio da Concciçao , • • . . . . • • . D. Margar ida Martins • . • D. Maria Natividade Alves Pereira de Assis. . • • • D. Maria d' Ascençao Barros de Melo. • • • • • • • • Donativo (D. M. de Lourdes de Barcelos) . . . • . • • Dr. Francisco Rodrigues da Cruz • • • • . . • . . • p_e Tomaz d'Aquino Silvares. • • • • • • . • • . D. Mo.ria Emilia Pignatelli Queiroz. • • . • • • . • D. Maria Bra ne a Pereira Martins • • • • • • • • • D. Cecilia A. Correia Costa D. Isaura Matoso • • • • • D. Elvira Cazales . • • • • José Antero Nunes Lea! Madureira • • • • • • • • • D. Lucrecia Pelcjao • • • • Felipe d'Oliveira Ramos. • Anonima (Paris). . . . . . D. Mario. José e D. Maria Ju. lia Henrique Lino. • . . D. Anna Sergio Faria Pcrei-

ra. . . . • • • . . • • . Antonio Dias Madeira ••• , D. Izabel dos Santos Gomes D. Maria do Rosario Ferreira D. Hedwigts do Vale Cam-

pos • • • • • • • • • • • D. Esther Le Retord Guimaraes . • • • . . • • . • • Acacia Vieira • . . • ••• D. Dulce Martins d'Aze"vedo D. Maria Tavarcs • • • • • Luiz Cipriano Esteves •• ·• Miguel Pinto • • • • • • • D. Maria Margarida Sarmento Omen Pinto • • • • • D. Albertina Vieira Simoes. J. Alves Lopes • • • • • • • Idalina da Costa Barros •• D. Maximiana Vieira da Mata Manuel d'Oliveira Rasoilo • Vietar Rui da Graça Qua·

resma. • • . • • • . • • D. Maria Euzebio Caleira • Vicente Ferreira de Souza • P.e Jacinto Antonio Lopes. Carmina Vieira • • • ••• Madame Lucia Soares • • • D, Maria Martins de Freitas Joaquim Rodrigues Moreira D. Maria Macieira. • •••

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VOZ DA FATIMA

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Eate jo..nalzinho 1 q u e wae •endo tao que•ido • p•oou .. ado, é diat•ibuldo gratuit•mente em Fatlm• no• èliaa 13 da oada m6a. 011em qulzar ter o '91-relto de o reoeber dir•• eta mente pelo e or re I te•a de enwiarl adeant•• damente 1 o III nlmo do ilez mli raia.

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N.• 86

LEIR,IA, 18 de Setembro de 1D.2lS

A.no IJI

(COM APROVAçÀ.O ECLESIASTICA) Dtreo"tor, Proprietario e Edt"tor

Admlnt•"tradori PADRE M. PEf?EIRA DA SJLVA

DOUTOR MANUEL MARQUES DOS SANTOS

R.EDACçAO R ADMINISTRAçAO

Composto e imJ')resso na Jmprensa Comercial,

13 DE AGOSTO

estiva. A concorrencia, posto que fOsse assaz numerosa, elevando- se segundo alguns calculos, a cérca de olto mii pessoas, fol lnferior dos mbes anteriores. Esse facto deve· se sem duvida em parte a lntensidade da faina agricola e em parte A circunstancia de e~tarem proxlmos o dia treze de Setembro, que incide num Domingo, e o dia treze de Outubro, dia de peregrlnaçao nacional. O certo, porém, é que o aspecto do locai das appariç0es, desde as onze horas da manhll em deante, era imponente e rnagestoso. Em frente das duas capélas, a das missas e a das apparlç0es, aelomeravam-se milhares de pessOas que rezavam e assistlam ~s mlssas ou cumprlam as suas promessas. O pavilhAo dos doentes estava completamente cheio. Alguns jazlam em macas deixando transparecer nos seus rostos emaciados a grandeza dos seus sofrimentos, mitigados pelo balsame da resignaçllo chrlsta. Os servitas e os escoteiros, lidando Ra sua benemérita faina, olio tlnham um momento de descanço. A sua dedicaçao parecia nao conhecer outras ballsas senao a das ordens e instruçOes dos seus respectlvos chefes. Ouve-se dizer que entre a multldAo se encontra rn homem que, estando tubercutoso e desenganado dos médicos, se havia curado mlraculosamente graças a Nossa Senhora da Fatima e que vinha chelo de alegria agradecer a sua cura. Ao mele dia e mela bora começa a missa dos enfermos. Fazem-se as lnvocaç0es do costume. Oepols da missa da-se a bençao com o Santis-

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a Sé -

Leìria

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:BUA D. N"UN"O ALVA.'.RES PE::REIRA (BEATO NUNO DE SANTA !11ARIA.)

Hs cnras da Fatima

simo Sacramento. A esta segue- se o sermao. Ap6s o sermào, organisa-se o cortejo que acompanha a branca estatua da Santissima Virgem na sua reconduçao a capéla das apariçòes. Os enfermos que se encontram em estado mais grave e os que sofrem de paralysia sao transportados em macas pelos servitas. Ol' outros enfermos seguem atraz destes numa longa e interminavel fila. Quando a estatua é colocada sobre o seu pedestal, um dos paralyUcos levanta-se instantaneamente curado. Havia urh ano que nao andava. NAo se p6de descrever a comoçao que de todos oa clrcunstantes se apoderou nesse momento unico e inolvidavel. O irmao, que o acompanhava, chora de alegria corno urna creança. A multidAo estupefacta e dominada por um entusiasmo delirante, brada : • Mllagre, milagre I • • Entretanto o novo privilegiado da Virgem, depols de agradectr a sua cura, dirige• se por seu pé para a estrada e val tornar um logar no carro que o conduzira 4 f étima, rodeado sempre de urna multldAo enorme chela de curlosldade e assombro. Logo que recebermos a confirmaçao desta cura, publlcaremos o seu relato na e Voz da FAtima •. Em torno da fonte das apariçòes estaciona continuamente urna mulli-'ào inumer4vel. Multos peregrlnos esperam a sua vez para beber da agua maravllhosa, multos outros para a recolherem em recipi~ntes de todos os tarpanhos e de todas as formas. A • Voz da Fatima• é distrlbulda gratuitamente em numero de muitos milhares de exemplares pelos peregrinos que anciosamente a procuram. • • A multldfto pouco a pouco vai recolhendo aos seus lares <listanres. E nfto hél nenhum peregrino que nao leve comsigo uma saudade infinda dos momentos dlfosos passados na. quele canto bemdito de Portugal, onde a Virgem Santissima se dignou aparecer a tre1lhumildes pastorlnhos.

• Ex.mo e Rev.mo Sr. Tendo ouvido dlzer de urna pobre mulher- Idalina Ribeiro - R. Oooçalves Crespo 56 Llsb0a, que nada lhe fazla parar urna forte hemorragia pelo nariz e gengivas, eslando assim ha mais de 8 dias, corri a casa d'eia, embo.ra a nao conhecesse, mas cheia de fé em alcançar mais uma graça de Nossa Senhora do Rosario da F4tlma. A pobre doente tinha regressado havla poucos dlas do ho~pltal, por eia haver pedldo para a defxarem morrer em sua casa, e os médicos consentiram Isso por a conslderarem completamente perdida. Outro médico que chamaram a casa, tambem declarou nada haver a fazer•lhe. Perguntel 4 familia se jt tinham pensado em eia se confessar. Como me disseram que nao, pedi para lhe ir fatar, pois eles )>em devlam saber que devemos prcfparar a nossa alma corno a joia mais preclosa que entre1,?amos a Deus. Quando cheguei junto da cama da doente, uve a impressao de que j~ nlio vivia, pois nem os olhos podla abrir. Perguntel-Jhe brandamente se gostaria de se confessar, e, corno fez urna pequena afirmaçao com a ~be~ ça, disse minha filha para dar doente um pouco de agua de Nossa. Senhora do Rodrlo da f4tima, t'mquanto corri igrej1 a chamar um sacerdcte. , Quando este chegou ainda ,la tinha uns lampejos de vlda, mas ele nao lhe quiz dar Jesus Sacramentado por a c<inslderac quasi inconsclente para um acto tao sublime. Tristissima por ver que a pobre alma partia deste mundo sem levar Jesus em seu pelto, rezei muito e mu:to, pedi a Nossa Senhora do Rosario da Fatima, para vlr em meu auxilio. A primelra vez que minha filha lhe deu a santa 14gua, a doente nao a poude engolir, i mas fol bebendo a pouco e pouco, e quando rhegou a ma11bli pedlu para lh.e darem Jesus Sacramentado. Corri logo a igreja, velo o sacerdote, eia recebeu o Nosso Amado Jesus em seu peito, deu-se-lhe tam-

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V. de M.

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Voz de. Fé.timn, ,, bem a Santa Unçilo, e, com a admiraçAo de todas as pessOas que a iam ver constantemente, as hemorragiaa oararam e era dJz que se sente mclhor. Como isto se passou nas vésperas d~13 de Maio, e eu nào queria deixar de ir agradecer a mlnha Màe Santissima, tantas graças e mostrarlhe todo o meu amor, fui, mas a mlnha doente ficou triste por ja nào . ter quem lhe désse o seu melhor remédlo. Vendo esta tristeza, prometilhe trazer um copo cheio da tào bela e t!o salutar agua. Pedi-lhe que, ao meio dia do dia 13, elevasse o seu pensamento e todo o seu coraçào a No'Ssa Senhora do Rosario da Fatima, pois a essa hora estaria eu nesse tào santo e encantador cantinho de P,ortugal, pedindo por eia. Quando vim e lhe del o copo cheio da agua prometida, eia bebeu~a com tanta sofregutdào e reco1himento que j! era de prever que tudo se devia a poderosissima intervençào de Nos· sa Senhora do Rosario da Fatima. Hoje diz eia sentir ainda no peito a frescura do bem que essa agua lhe causou. • Eia mesmo prometeu. ir a F.\tlma agradecer tao grande graça a Nossa Mie Santissima. Como esta mulher tem um log:H de hortaliça, vem da praça carregada para vend_er em sua casa e isto nada a fdtiga, pois esta 1 curada miraculosamente. Peço a todos os Portuguezes que orem muito a Nossa Senhora do l{os4rio da Fatima, mas com humildade, amòr e mul ta confiança, pois eia é a nossa MàP e Màe do nosso amado Jesus. Para Honra e Gloria de Nossa Senhora do Rosario da Fatimjl, peço a V. Rev.ma o favor de publicar esta tao grande graça no nosso jornalzlnho.

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Fiorentina Antunes Andrade• Llsbé)a -Rua da Rqsa, 188, 4.0 Esq. e

lii.mo e Rev.mo Sr.

Fui recebedor dos jornaizinhos a

Yoz da Fdtima e agrade