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NEPP - NÚCLEO DE ESTUDOS E PESQUISAS EM PSICANÁLISE

Trajetória Analítica-Psicopatologias

e-mail: nepp@nepp.com.br Site: www.nepp.com.br

Prof Sergio Costa


PSICOPATOLOGIAS Prof. Sérgio Costa

CURSO: PSICOPATOLOGIAS ANALÍTICAS

Prof. Sérgio Costa

Revista de Psicanálise BH/MG-2013

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PSICOPATOLOGIAS

CURSO DE PSICOPATOLOGIAS ANALÍTICAS “ A psicopatologia preocupa-se com a doença da mente. O que é doença, porém? Trata-se de um tema vasto, que tem sido discutido por filósofos, teólogos, administradores e advogados, assim como por médicos. Os profissionais que passam a maior parte do tempo no seu trabalho em meio à saúde e à doença, raramente fazem esta pergunta, e com menos freqüência tentam respondê-la.” Período: 10 meses

Encontros quinzenais: 6º feira Horário: das 18hs e 30 min às 21hs Objetivos: - Reconhecer e analisar os quadros patológicos; - Estabelecer relações da semiologia psicanalítica e entre os sintomas e as causas patológicas; - Estabelecer e reconhecer as relações das toxinas psicológicas da mãe e a produção dos sintomas pelos filhos.

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PSICOPATOLOGIAS

GRADE DO CURSO DE PSICOPATOLOGIA ANALÍTICA 1. 2. 3. 4. 5. 6. 7. 8. 9.

Definição de Psicopatologia Abordagem das principais escolas de Psicopatologia Funções psíquicas elementares e suas alterações Acenso, percepção e suas alterações A afetividade e suas alterações O pensamento e suas alterações O juízo de realidade e suas alterações A linguagem e suas alterações Psicopatologia e psicodinâmica do: Obsessivo Histérico Fóbico Melancólico Psicótico Paranóico Pacientes psicossomáticos

10. Sintomas clínicos dos conflitos neuróticos

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PSICOPATOLOGIAS

Bibliografia usada no Curso de Psicopatologia Analítica: Obras Completas de Freud – Vol.II – Estudos sobre a Histeria - 1895 Vol.IV – A Interpretação dos Sonhos Vol.V - A Interpretação dos sonhos Vol.VI – Psicopatologia da Vida Cotidiana Vol.VII - Um caso de histeria Vol.X - O Pequeno Hans Vol.X - O Homem dos Ratos Vol.XII – O Caso Schreber Elementos para a Clínica Contemporânea - Luiz Cláudio Figueiredo. Edit. Escuta. Psiquiatria e Psicanálise - Darcy Mendonça Uchoa. Edit. Sarvier. Clínica Psicanalítica, A Arte da Interpretação Fábio Hermann. Edit. Casa do Psicólogo A Fabricação da Loucura - Thomas S. Szasz. Edit. Zahar Transtornos Graves de Personalidade - Otto F. Kenberg. Edit. Artes Médicas Infância Normal e Patológica - Anna Freud. Edit. Zahar O Inconsciente – Henry Ey. Vol.1 . Edit.Tempo Brasileiro Ltda Agressão nos Transtornos de Personalidade e nas Perversões – Otto F. Kernberg. Edit. Arte Médicas

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PSICOPATOLOGIAS

Teoria Psicanalítica das Neuroses – Otto Fenichel – Edit. Atheneu Hysteria – Christopher Bollas. Edit. Escuta A Psicanálise – Teoria, Clínica e Técnica – Angel Garma. Edit. Artes Médicas Freud e o Édipo – Peter L.Rudnytsky. Edit. Perspectiva As Estruturas Antropológicas do Imaginário – Gilberto Durand. Edit.Martins Fontes Teoria e Clínica da Psicose – Antônio Quinet. Edit.Forense Universitária Os Estados Psicóticos – Herbert A . Rosenfeld – Edit. Zahar

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CLASSIFICAÇÃO DA CLÍNICA PSICANALÍTICA

conversão Histeria Neuroses de transferência ou psicoses

fixação angústia

Neurose compulsiva

Neurose de angústia Neuroses atuais

Neurastenia Hipocondria

esquizofrenias Afecções Narcísicas

paranóia

parafrenias

melancolia

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PSICOPATOLOGIAS

ESQUEMA INTEGRADO DAS DIVERSAS FUNÇÕES PSÍQUICAS

SENSOPERCEPÇÃO Captação e apreensão de dados e informações tanto do mundo externo como do interno mediantes receptores especializados: os órgãos sensoriais.

TOMADA DE CONSCIÊNCIA Discriminação e integração do real. Permite a atenção e a orientação no mundo e a integração de diversas funções psíquicas. Podemos considerar o Eu como síntese dinâmica da totalidade psíquica.

AFETIVIDADE 1) Na sua integração com o mundo o sujeito é afetado, atingido em seu ser. 2) O homem avalia e valoriza os objetos e situações e os estímulos, colocando-os em termos positivos ou negativos (que é a forma mais geral da valorização).

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PSICOPATOLOGIAS

MEMÓRIA Armazenagem de informações, o que permite reconhecer, comparar, discriminar.

NECESSIDADES

CRENÇAS São os pressupostos existenciais que sustentam e orientam ao sujeito.

O homem é um ser de necessidades biológicas e psicológicas.

REPRESENTAÇÃO

INTELIGÊNCIA Descriminação, raciocínio e juízo do real. Permite a avaliação do real. Conceitos, juízos, raciocínios, pensamento.

Reprodução e criação mental do real. (O imaginário)

LINGUAGEM: Código de Comunicação e de Ação TOMADA DE DECISÃO

AÇÃO

TRANSFORMAÇÃO ATIVA DO REAL

Deliberação, Decisão

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PSICOPATOLOGIAS

Diferenças entre Neurose e Psicose Comportamento Geral

A Natureza dos Sintomas

Orientação

Auto Conhecimento

Neurose

Psicose

Leve grau de descompensação da personalidade, não sendo atingido o contato com a realidade e a situação social pode ser levemente afetada. Grande amplitude dos sintomas psicológicos e somáticos. Não há alucinação ou desvios extremos do pensamento, sentimento ou ação.

Elevado grau de descompensação , o contato com a realidade é muito atingido e impossibilidades na atuação social.

Raramente perde a orientação ambiental.

Grande amplitude dos sintomas psicológicos , presença de delírio e alucinações, embotamento emocional e comportamentos anormais. Os psicóticos geralmente perdem a orientação.

Geralmente tem certa Raramente tem compreensão compreensão da natureza do do seu estado. seu estado psíquico.

Raramente seu comportamento é prejudicial Aspectos Sociais ou perigoso para si e para a sociedade.

Freqüentemente seu comportamento é prejudicial ou perigoso para si e para a sociedade.

Raramente necessita Tratamento Médicointernação hospitalar.

Geralmente precisa de internação hospitalar.

Tratamento Jurídico

Geralmente inimputável penalmente e incapaz civilmente.

Normalmente imputável e capaz.

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ESTÁGIOS DA ORGANIZAÇAO LIBIDINAL

ESTÁGIOS DO DESENVOLVIMENTO DO AMOR OBJETAL

PONTO DOMINANTE EM

Estágio oral Inicial (sucção)

Auto-erotismo (anobjetal, préambivalente).

Certos tipos de esquizofrenia (estupor)

Narcisismo: Incorporação total do objeto

Transtorno maníacodepressivo (adição,impulsos mórbidos).

Amor parcial com incorporação

Paranóia, certas neuroses de conversão prégenitais

Estágio SádicoOral Ulterior (Canibalístico)

Estágio Sádico-Anal Inicial Estágio Sádico-Anal Ulterior

Estágio Genital Inicial (Fálico)

Estágio Genital Final

A M B I V A L E N T E S

Amor parcial

Amor objetal, limitado pelo complexo predominante de castração. Amor (pósambivalente)

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Neurose obsessiva, outras neuroses de conversão prégenitais. Histeria

Normalidade

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Estudos Sobre Afetividade nas Neuroses Pretendemos discutir possíveis bases neurobiológicas destes quadros, com ênfase especial em hipóteses que procuram integrar uma gama de conhecimentos oriundos de áreas como a psiquiatria, genética, psicologia experimental, farmacologia comportamental, neuroquímica, neurofisiologia e mais recentemente a biologia molecular. Todos os afetos são basais e constituem o teclado sensível da experiência, pois podemos dizer que cada momento ou modalidade dela tem uma tonalidade afetiva (tímica) mais ou menos viva, vivenciada sobre o registro do prazer ou da dor, da euforia ou da tristeza. São, pois, as perturbações desta camada afetiva “holotímica” da experiência vivenciada que formam os sintomas. Quanto mais de perto os estímulos e fatos ambientais afetam o indivíduo (até a intimidade do ser) mais aumenta nele a alteração e diminui a objetividade; Quanto mais diminuir a distância (real ou virtual) entre quem percebe e o que é percebido, mais o objeto da percepção se confunde com quem o percebe; Assim, vai desaparecendo a possibilidade de configurar ou formar imagens delimitadas e uma nova modalidade de experiência íntima surge, experiência essa que afeta a totalidade individual e que, por isso mesmo, recebe o qualificativo de afetiva.

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PSICOPATOLOGIAS

A fronteira entre a percepção e a afeição, entre a sensação e o sentimento, entre o saber e o sentir é a mesma fronteira entre o eu e o não-eu.

Distinguem-se cinco tipos básicos de vivências afetivas: 1. 2. 3. 4. 5.

Humor ou estado de ânimo Emoções Sentimentos Afetos Paixões

1. Humor ou estado de ânimo é definido como o tônus afetivo do indivíduo, o estado emocional basal e difuso no qual se encontra a pessoa em determinado momento. é a disposição afetiva de fundo que penetra toda a experiência psíquica, a lente afetiva que dá às vivências do sujeito, a cada momento,uma cor particular, ampliando ou reduzindo o impacto das experiências reais e, muitas vezes, chegando mesmo a modificar a natureza e o sentido das experiências vivenciadas. é um dos transfundes essenciais da vida psíquica.

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2. Emoções reações afetivas agudas, desencadeadas por estímulos significativos;

momentâneas,

é um estado afetivo intenso, de curta duração, originado, geralmente, como uma reação do indivíduo a certas excitações internas ou externas, conscientes ou inconscientes. são experiências psíquicas e somáticas ao mesmo tempo, revelam sempre a unidade psicossomática básica do ser humano.

3. Sentimentos são estados e configurações afetivas estáveis; em relação às emoções, são mais atenuados em sua intensidade e menos reativos a estímulos passageiros; estão geralmente associados a conteúdos intelectuais, valores, representações e, no mais das vezes, não implicam concomitantes somáticos; constituem fenômeno muito mais mental do que somático.

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4. Afetos define-se afeto como a qualidade e o tônus emocional que acompanham uma idéia ou representação mental; acoplam-se às idéias, anexando a elas um “colorido” afetivo; são o componente emocional de uma idéia.

5. Paixões é um estado afetivo extremamente intenso, que domina a atividade psíquica como um todo, captando e dirigindo a atenção e o interesse do indivíduo em uma só direção, inibindo os outros interesses; a paixão intensa impede o exercício de uma lógica imparcial.

ETAPAS DE DESENVOLVIMENTO

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PSICOPATOLOGIAS TIPOS DE MAUS TRATOS

INFÂNCIA

ETAPA DA

PSICOLÓGICOS

(BEBÊ)

CRIANÇA NA PRÉ-

ETAPA ESCOLAR

ADOLESCÊNCIA

ESCOLA

Rechaçar

Abandono

(Expulsar)

Exclusão das

Imagem Negativa Não permite

atividades

autonomia

familiares Intimidação Aterrorizar

Excitações

Física/verbal

Conflitos entre os

Humilhação

Extremas

Ameaças com

pais

Pública do

Fantasmas

Adolescente

Não falar Com os

Não Protegem

Filhos

Nem Procuram

Durante o Ignorar

seu

Pais frios

Saber Sobre o seu Privação

Não dão afeto aos Desenvolvimento

Desenvolvi-

filhos

Social

Escolar

mento

Indiferença

Negar

Contato com

Proibido Ficar

Outras crianças/

com os Outros

acesso as Não Recompensar Meninos/ Imitar pessoas os Filhos

Contato

Reforça a

Sexual Oral Agressão/ Roubar

Social

Outros Meninos Recompensa em

Corromper

Privação

Conduta

Roubar/ Sexual

Sexual

Agressão

Agressiva/

Outras Crianças

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Agressão

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1-SEMIOLOGIA DOS SINTOMAS PATOGÊNICOS

1.1- PACIENTE OBSESSIVO

- Está envolvido em conflito entre obediência e desafio: “Devo ser bom ou posso ser mau?”.O medo, originado do desafio, leva à obediência; enquanto a cólera, derivada da obediência, conduz de volta ao desafio. - Esse conflito origina-se da experiência infantil, manifestando-se portanto, em termos infantis. Obediência e desafio equiparam-se; a primeira - à subjugação humilhante; a segunda - ao assassinato. O obsessivo é o paciente mais fácil de reconhecer e o mais estereotipado das síndromes clínicas importantes. - Sua pontualidade, escrupulosidade, meticulosidade, ordem e confiabilidade derivam-se do temor à autoridade.

- A sujeira e a hora proporcionam os problemas mais comuns para a estrutura básica da luta mantida pela criança contra a autoridade paterna. - O horário é outra área importante na batalha da criança com seus pais. Relaciona-se também com as lutas comuns pelo poder, já que lidam de modo tão direto com o controle e o domínio.

- A tendência do obsessivo é utilizar o dinheiro e o status em lugar do amor, como base para a segurança emocional. O

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dinheiro vem representar sua fonte de auto-estima mais íntima e é tratado com o sigilo e o privilégio que outros reservam para os detalhes íntimos de relações amorosas. - Em sua preocupação com o tempo, dinheiro, status e lutas pelo poder, o obsessivo é indivíduo extremamente competitivo. - O paciente obsessivo deve manter suas emoções conflitantes, e, tão secretas quanto possível - ocultas não somente do analista como dele mesmo. Isto conduz a um dos mecanismos de defesa mais característicos; o isolamento emocional. Prefere agir como se a emoção não existisse e tenta "sentir com sua mente". - O obsessivo serve-se do intelecto para evitar suas emoções; pensa mais do que sente. - Ele utiliza as palavras e a linguagem de maneira a não comunicar. Produzirá um verdadeiro "dilúvio" de palavras, restando para o entrevistador, porém, um resíduo inútil. Os detalhes são empregados mais para confundir que para esclarecer, originando grande quantidade de dados, mas nenhuma informação real. - O obsessivo está mais ansioso para evitar a afeição, a cordialidade e o amor. Em seus primeiros anos de vida, as emoções que o acompanharam, normalmente, a intimidade, ocorreram no contexto de relações de dependência. Por essa razão, reage às emoções afetivas com sentimentos dependentes e impotentes que estimulam temores de possível ridículo e rejeição.

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- As experiências prazerosas são adiadas, pois o prazer também é perigoso. O obsessivo é muito eficiente ao planejar a felicidade futura, mas incapaz de relaxar o suficiente para gozá-la quando chega a ocasião. - Quando das entrevistas iniciais, o paciente obsessivo geralmente nega problemas nas relações sexuais. O obsessivo possui intensa vida interior secreta que teme partilhar com quem quer que seja. Todo obsessivo é, de certo modo, um paranóico. - Incapaz de sentir amor e afeição, o obsessivo os substitui por respeito e segurança o que lhe provoca desejo de ligar-se de maneira dependente aos demais. Essa dependência, no entanto, é experimentada como forma de inadequação e submissão. - O obsessivo reage, habitualmente, evitando a almejada gratificação da dependência; por essa razão, sente-se, com freqüência, deprimido. Semelhante inibição de afirmação e agressão é agravada pela diminuição que segue, de sua autoconfiança e amor-próprio. A depressão talvez não seja aparente para o obsessivo, já que este a maneja do mesmo modo que as outras emoções, pelo isolamento.

2.SEMIOLOGIA DOS SINTOMAS HISTÉRICOS

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2.1 - PSICOPATOLOGIA E PSICODINÂMICA

- Os traços de caráter histéricos e obsessivos situam-se em extremidades opostas do mesmo espectro. Os padrões psicodinâmicos que em uns estão mais próximos da consciência, nos outros estão profundamente reprimidos Alguns pacientes apresentam mescla de traços de caráter obsessivo e histérico. - Os obsessivos, muitas vezes, estão mais bem integrados e mais amadurecidos que aqueles que exibem mecanismos exclusivamente histéricos. Isto conduz a freqüentes desacordos a respeito do diagnostico; com os histéricos mais sadios sendo considerados como obsessivos mistos e os histéricos mais enfermos como borderline ou como esquizofrênicos.

2.2 -AUTODRAMATIZAÇÃO - A linguagem, a aparência física e o modo de ser do paciente histérico são um tanto dramáticos e exibicionistas. A comunicação é expressiva e as recordações do passado acentuam o sentimento e a experiência interna. Os padrões de linguagem refletem o uso de grande quantidade de superlativos; as frases empáticas são tão repetitivas que adquirem qualidade estereotipada. O ouvinte sente-se seduzido pelo modo como o paciente vê o mundo. Esses pacientes costumam ser atraentes e podem aparentar menos idade do que tem. Na mulher há uma superdramatização da feminilidade; no homem pode haver certa afetação de vaidade ou, em algumas classes sociais, de excessiva masculinidade.

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2.3- EMOTIVIDADE - Esse paciente é encantador e relaciona-se com os outros de modo aparentemente cordial. Enquanto o obsessivo tenta evitar contato emocional , o histérico busca constantemente a relação pessoal. Em qualquer relacionamento, se o histérico não percebe contato emocional, experimenta sentimentos de fracasso, culpando muitas vezes o outro indivíduo, tachando-o de aborrecido, frio e indiferente. Reage fortemente ao desapontamento, demonstrando pouca tolerância à frustração.

2.4- SEDUÇÃO - O histérico dá a impressão de usar seu corpo como instrumento para exprimir amor e ternura, mas a motivação provém mais de um desejo de obter aprovação, admiração e proteção do que de um sentimento de intimidade ou prazer sexual genital. O histérico reage às pessoas do mesmo sexo com antagonismo competitivo, especialmente se a outra é atraente e utiliza os mesmos expedientes para obter afeição e atenção.

2.5- DEPENDÊNCIA E IMPOTÊNCIA - O histérico do sexo masculino está mais apto a exibir conduta pseudo-independente, que pode ser reconhecida como

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defensiva porque se faz acompanhar de reações emocionais de temor ou cólera excessivos. - a mulher histérica é possessiva em sua relação com o analista e ressente-se de qualquer ameaça competitiva a tal relacionamento filha-pai. Espera do analista,como pai substituto, que tome conta dela, que arque com todas as preocupações e que assuma todas as responsabilidades, sendo obrigação da paciente, apenas, entreter e encantar tal pessoa. Ao buscar soluções para seus problemas, sente-se impotente como se seus próprios esforços não valessem de nada. Isto conduz o analista, que goza da oportunidade de entrar em aliança onipotente, a grandes problemas contratransferenciais. - Esses pacientes exigem dos outros grande quantidade de atenção e são incapazes de entreter-se consigo mesmos. O aborrecimento é, portanto, um problema constante para os pacientes histéricos, já que se consideram obtusos e carentes de estímulo. - O histérico nega responsabilidade pela situação em que se encontra, queixando-se: "Não sei porque as coisas sempre têm que acontecer a mim". Quando suas necessidades de dependência não são satisfeitas, tornam-se tipicamente zangados, exigentes e coercivos. Entretanto, assim se torne aparente que sua técnica para obter atenção da dependência não tem probabilidade de êxito, o paciente a abandonará voltando-se abruptamente para outra abordagem.

2.6- AUSÊNCIA DE CONFORMIDADE - Mostra desordem, falta de preocupação com a pontualidade e dificuldade no planejamento dos detalhes

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mecânicos da vida. Enquanto o paciente obsessivo sente-se ansioso sem seu relógio, o histérico prefere nem usá-lo. O manejo do tempo durante a sessão é delegado ao entrevistador. Esse problema é menos comum nos histéricos do sexo masculino, já que está tão intimamente relacionado com a dependência manifesta. - A conservação de notas e outras tarefas mundanas são vistas pelo histérico como pesadas e desnecessárias. O obsessivo precisa sempre guardar os canhotos de seus talões de cheque preenchidos enquanto o histérico não se dá a esse cuidado porque o banco mantém um registro do dinheiro e o notificará se dispuser dele em excesso. Para um obsessivo, tal ocorrência seria vergonhosa humilhação. - O pensamento histérico tem sido descrito como impulsivo. O paciente está tipicamente mal informado sobre política ou assuntos internacionais. Suas principais ocupações intelectuais estão nas áreas culturais e artísticas. Geralmente não persevera em trabalho de rotina , considerando-o maçante e sem importância. Quando confrontado com tarefa excitante e inspiradora, pela qual pode atrair atenção para si próprio com o resultado de seu empreendimento, revela capacidade para organização e perseverança. A tarefa pode ser particularmente bem feita se requerer imaginação, qualidade que raramente é encontrada no caráter obsessivo.

2.7- SUGESTIONABILIDADE - Ainda que se tenha dito tradicionalmente que os histéricos são exageradamente sugestionáveis, os autores concordam com Easser e Lesser, que o histérico só é

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sugestionável na medida em que o entrevistador proporciona as sugestões apropriadas, isto é aquelas que o paciente sutilmente indicou como desejadas.

2.8- AUTO-INDULGÊNCIA - A intensa necessidade de amor e admiração do paciente histérico cria uma aura de egocentrismo. Suas necessidades devem ser imediatamente satisfeitas, um traço que torna o histérico um mau organizador financeiro, já que compra compulsivamente . Enquanto o histérico é extravagante, o obsessivo é mesquinho. Observa-se freqüentemente que o histérico e o obsessivo casamse um com o outro ; cada um procurando em seu par o que falta em si próprio. o histérico proporciona expressividade emocional; o obsessivo oferece controle e regulamentação.

2.9- PROBLEMAS SEXUAIS E CONJUGAIS - O histérico tem, habitualmente, função sexual perturbada, embora haja consideráveis variações na forma com que se apresenta tal perturbação. Este temor está refletido em seu relacionamento hostil e competitivo com mulheres e em seu desejo de adquirir poder sobre os homens através da conquista sedutora. Ela experimenta grande conflito em relação a esses objetivos, daí resultando inibição sexual. Outras reagem sexualmente, mas sua conduta sexual é acompanhada de fantasias masoquistas. A promiscuidade não e rara , já que a paciente utiliza o sexo como meio de atrair e dominar os homens. - O homem a quem a mulher histérica ama é rapidamente dotado com traços de um pai ideal. Todo-Poderoso, que nada exigira dela. Entretanto, esta sempre teme perdê-lo, como perdeu seu pai; conseqüentemente, escolhe um homem a quem possa prender por suas necessidades de dependência. Poderá fazer casamento socialmente”inferior” ou casar com um homem cujos

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antecedentes culturais, raciais ou religiosos sejam diferentes dos seus, não só como manifestação de hostilidade contra seu pai, como por defesa contra seus desejos edípicos. Dessa forma substitui o tabu do incesto pelo tabu social. O grupo das que casam com homens mais velhos está também atuando com as fantasias edípicos. Mas tem maior necessidade de evitar o sexo. Outro mecanismo dinâmico que influencia, muitas vezes, na seleção do companheiro é a defesa contra o temor de castração , expresso pela escolha de um homem simbolicamente mais fraco que a paciente. - O histérico do sexo masculino também sofre de perturbações no funcionamento sexual . Estas compreendem impotência , donjuanismo e homossexualidade . Em todas essas condições , há fortes fantasias homossexual inconscientes ou intensa relação neurótica com a mãe. Do mesmo modo que os pacientes do sexo feminino, eles têm sido incapazes de resolver seus conflitos edípicos. - O paciente do sexo feminino conta habitualmente que sua vida sexual deteriorou-se após o casamento com perda do desejo pelo marido, frigidez ou casos extra-matrimoniais. A relação com o esposo causa-lhe desilusão ao descobrir que este não é o homem ideal com quem sonhava. Na sua frustração e depressão , retrai-se em fantasias românticas . Isto, seguidamente, conduz ao temor de infidelidade impulsiva a qual , se ocorre, traz mais complicações à sua vida com sentimentos adicionais de culpa e depressão. O flerte e o encanto sedutor são tentativas de reparação que não conseguem reforçar seu amorpróprio, trazendo-lhe mais desapontamento.

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DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL HISTERÓIDE

OBSESSÓIDE

1) Demonstração excessiva das emoções

- Repressão de qualquer demonstração emocional.

2) Fantasias diurnas intensas.

- Incapacidade para aceitar o jogo da fantasia.

3) Mudanças freqüentes de humor.

- Humor constante.

4) Descuido nas realizações.

- Hiper-responsabilidade no desempenho das tarefas.

5) Inclinado à ação precipitada.

- Lento, só pensando os prós e contras.

6) Hiperdependente.

- Obstinadamente independente.

7) Descuidado e impreciso.

- Exigente na precisão.

8) Emocionalmente superficial.

- Sente as coisas profundamente.

9) Gosta de chamar a atenção - Procura ficar em segundo e impressionar. plano.

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Classificação das Neuroses CRITÉRIOS DIFERENCIAIS

NEUROSE DE ANGÚSTIA

Ansiedade acompanhada de sinais somáticos Temática Central

Ansiedade persistente. Não corresponde à situação.

NEUROSE HISTÉRICA(HY) Tendência a somatizar conflitos psicológicos como um meio de obter ganho ou compensações secundárias ou simplesmente como um modo de colocar sua queixa num plano aceitável Necessidade de representar

Classificação das Neuroses

Tensão e inquietação motora Comportamento Dominante

Dificuldades de atenção e concentração.

Sintomas de conversão: .paralisias .anestesias .cegueiras HY, etc. Amnésia Comportamentos mostrativos (exibicionismo) Dramatismo expressivo Emotividade fácil

Inquietude difusa. Sentimento de ameaça iminente Vivências Dominantes

Medos

Propensão para representar motivado por uma necessidade de estimulação Propensão para enxergar-se como personagem

Sentimentos de vulnerabilidade e desamparo Emotividade Dificuldades respiratórias Características Fundamentais

Manifestações Secundárias (Nem sempre presentes)

Opressão peitoral

Ataques sincopais

Fadiga facial

Estados crepusculares (enfraquecimento da consciência vigil) etc.

Irritabilidade Alteração do sono

Estrutura Caracteriall

Deficiente desenvolvimento do vetor integrativo (pouca tolerância à frustração, insuficiente senso do real) Insegurança Emotividade e Vulnerabilidade

Tendências à representação (teatralidade) Necessidade de afetos Maior determinação do externo (presença do outro) Atitudes sedutoras Falsificação da existência

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Classificação das Neuroses CRITÉRIOS DIFERENCIAIS

NEUROSE OBSESSIVA - COMPULSIVA

Tendência ao autocontrole e a controlar os outros Temática Central Classificação das Neuroses

Necessidade de fechamento das configurações para assim diminuir a ansiedade .

Necessidade de realizar atos compulsivos Ritualismo ( de limpeza, ordem, etc.) Comportamento Dominante

Discrição e compostura Aparência cuidadosa

Idéias e sentimentos absorventes, e matriz negativa que o mesmo sujeito critica Vivências Dominantes

Posicionamento duvidante

Tendência à rigidez postural

Características Fundamentais

Manifestações Secundárias (Nem sempre presentes)

Tendência a tacanhice Rígidos hábitos de limpeza e ordem Obsessões e compulsões

Excessivo autocontrole, tendências a controlar os outros Superego geralmente rígido e severo Estrutura Caracteriall

Excessiva auto-programação Tendências perfeccionistas Freqüente dificuldade em receber e dar

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NÚCLEO DEESTUDOS EPESQUISAS EMPSICANÁLISE

Av Cristiano Machado nº 640 sala 1501 Belo Horizonte/MG CEP 31140-660 Tel: 31 3241-2042 E-mail: neppbh@yahoo.com.br - Site: www.nepp.com.br

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Mensagem do NEPP

http://www.youtube.com/watch?v=WHv5dA3uP-s

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