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5 global fusion TÃO RÁPIDO E TÃO CHATO a moda imaterial TALENTO E TRABALHO sublime esquecimento PODE TUDO left behind A CORAGEM DE SER SIMPLES i (L)eggings PUNK-POP-CIGANO-PERFORMÁTICO eu acredito num mundo melhor, pra mim e pra ti PRIORATO CATALUNHA esquecer a tecnologia RESGATANDO A HISTÓRIA?

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NANU!! Fotografia

Arte

Moda

Cultura

Vida Urbana

Editora Chefe

SUSANA PABST Editor de Arte

GUILHERME BAUER Editora de Fotografia

SUSANA PABST Editora Executiva

NILMA RAQUEL DRT/SP (23887)

Assistente de Arte

GABRIELA SCHMIDT Finalização

LOOSHstudio Fotografia e Design Comercial

PRISCILA FIGURSKI Projeto Editorial, Design e Tratamento de Imagens

LOOSHstudio Fotografia e Design Conselho Editorial SUSANA PABST, GUILHERME BAUER e NILMA RAQUEL Capa Eduardo Kottmann e Cristina Sabel Fotografia Susana Pabst

Agradecimentos Haco Etiquetas, Baumgarten, Dudalina, Restaurante Froshinn, Shopping Neumarkt, Alameda 40, Inox Puríssima do Brasil, Impressora Mayer, Maina Bis, Colcci, Amies, Kiki Hoffmann, 90 FM, Razzle Dazzle.

O propósito da NANU!! é trazer inovação, cultura e novas propostas visuais. Acesse também nossa versão digital (www.nanu.com.br), onde há conteúdos adicionais. No site você ainda pode entrar em contato conosco. Opine, critique e sugira matérias de seu interesse! Esta é uma publicação dirigida com tiragem de 5.000 exemplares impressos na Impressora Mayer.

LOOSHstudio Fotografia e Design S.S. Rua 2 de setembro, 1618 - sala 7 - Blumenau 55 47 3234 0772

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J A N E L A S

NANU!!



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Quero falar-lhes sobre a ameaça irracional da violência nos dias de hoje, que mancha a nossa terra e as nossas vidas, isso não diz respeito a nenhum grupo em particular. As vitimas da violência são negros e brancos, ricos e pobres, jovens e velhos, famosos e anônimos; são, acima de tudo, seres humanos, a quem outros seres humanos amaram e de quem precisaram. Ninguém, não importa aonde viva ou o que faça, pode saber quem será o próximo a sofrer com o derramamento de sangue sem sentido, que no entanto continua sem parar nesse nosso país. Por quê? O que se conseguiu com a violência até agora? O que ela gerou? Cada vez que uma vida humana é tirada sem necessidade por outro ser humano, seja em nome da lei ou desafiando a lei, por um homem ou por um grupo, a sangue frio ou por impulso, num ataque de violência, ou como resposta à violência, cada vez que rasgamos o tecido de nossas vidas, que outro homem com esforço e sofrimento teceu para si e para seus filhos, cada vez que fazemos isso, então toda a sociedade se degrada. Apesar de tudo isso, toleramos o crescente índice de violência que ignora tanto a humanidade que temos em comum, quanto o desejo de sermos civilizados. Muitas vezes defendemos a arrogância, a desordem e aqueles que exercem a força. Muitas vezes, justificamos as ações daqueles que estão dispostos a construir as próprias vidas às custas dos sonhos esmagados de outros seres humanos, mas já não há mais dúvida alguma de que a violência gera mais violência, a repressão gera represálias, e só a conscientização de toda a nossa sociedade pode remover essa diferença de nossas almas. Eu gostaria que vocês refletissem e me respondessem, o porquê de ensinarmos um homem a temer e odiar o próximo, por que ensinar que ele é um homem inferior por causa de sua cor ou suas crenças, ou pela sua condição social, por que ensinar que quem é diferente ameaça a sua liberdade, o seu trabalho, a sua casa ou a sua família? Ensinando isso, então ele estará aprendendo a tratar os demais, não como cidadãos, mas como inimigos, não a colaborar reciprocamente, mas sim a derrotar, a subjugar e dominar. Aprendemos, por último, a ver nossos irmãos como estranhos, estranhos com quem dividimos a cidade, mas não a comunidade, pessoas com quem dividimos o espaço, mas sem esforço em comum. Eu não consigo entender e acreditar nisso. Aprendemos a compartilhar apenas um medo em comum, apenas o desejo em comum de nos afastarmo-nos uns dos outros. O impulso em comum de reagir às diferenças com a força. Nossas vidas neste planeta são muito curtas. A missão a ser realizada é grandiosa demais para permitir que este espírito da violência e da intolerância siga prosperando neste nosso planeta. É claro que a solução não é um programa de governo, mas talvez possamos lembrar, nem que seja por um segundo, que os que vivem conosco são nossos irmãos que compartilham conosco a mesma vida passageira, e que eles procuram, como nós, nada mais do que a mesma oportunidade de viver suas vidas com propósito e felicidade, ganhando a satisfação e a realização que puderem. Sem dúvida, este vínculo de destino comum, com certeza este vínculo de metas em comum, pode começar a nos ensinar alguma coisa. Seguramente podemos aprender pelo menos a olhar à nossa volta e realmente ver o próximo. Aí podemos nos esforçar um pouco mais para curar as feridas entre nós, nos transformando de todo o coração em irmãos e irmãs outra vez. Robert Kennedy, 1968

Último discurso do senador americano antes de ser assassinado.

Gravura:

NANU!! #5 - fevereiro/março 2009 Rui Sousa - Rua Ramalho Ortigão bloco 4 ent.11 1º esquerdo 4440-369 Valongo / Portugal

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C OLA BORA

DORES Priscila Figurski Comportamento, comunicação e outras filigranas do comportamento humano são explorados por ela.

Juliana Gevaerd Estilista catarinense radicada em São Paulo, colabora com as marcas mais incríveis do mercado, e a NANU!! vai junto.

Joice Simon Alano A fugacidade das tendências é explorada pela expert em estilo.

Rui Sousa O artista plástico português descobriu a NANU!! pela internet e estampa nossas janelas com imagens incríveis.

Sávio Abi-Zaid O arquiteto fala sobre sua especialidade e também se dedica a outra paixão: o cinema.

Eduardo Kottmann Além de ser nosso cover boy, Duh idealizou e posou para a matéria I (L)eggings.

Jaqueline Nicolle O papel do imaterial na moda é o tema da coluna desta fashionista platinada.

Lucca Koch O produtor cultura do Rio de Janeiro estréia sua coluna sobre música eletrônica.

Guilherme Correa O melhor sommelier do Brasil propõe: esqueçamos a tecnologia e priorizemos os sentidos.

Soila Freese Escreve sobre as preferências e a perenidade da música no mundo de hoje.

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NANU!!

Diala Mortrix A artista multimídia mostra que o pouco pode ser muito.

Rodrigo Gonzaga Comer bem, quem não gosta? O chef de Curitiba explora as nuances dos sabores doces e salgados.

Ike Gevaerd O empresário dá o start em sua coluna sobre viagens nos contando os segredos do Priorato, na Espanha.

Jean R. Reinhold “Topo” entra em sintonia com a irreverência do grupo Gogol Bordello.


sumário Tempo de olvidar

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69

Eu acredito num mundo melhor

Global fusion

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Vamos brincar!

Tão rápido e tão chato

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Priorato, Catalunha

A Moda imaterial

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Resgatando a história

Talento, trabalho

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Tom Cruise

Sublime esquecimento

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Tristeza e alegria

SPFW

27

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Miscelânia

Nós, modelos

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NANU!! inVeste

Oblivion

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Festa NANU!! #4

Pode tudo

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People BC

Left behind

53

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People Floripa

A coragem de ser simples

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Esquecer a tecnologia

I (L)eggings

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Penso

Punk-pop-cigano-performático

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Salgado, doce NANU!!

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Guilherme Bauer Foto:

DE

DE

TEMPO

OLVIDAR

Oblivion, palavra inglesa, tem como significado esquecimento, em um sentido poético da palavra. Piazzola já se inspirou nela para criar uma de suas mais famosas composições. Olvidar, desaprender, deixar para trás. Talvez nosso futuro esteja ligado a essa condição, tendo em vista a atual tenacidade dos conceitos pré-estabelecidos. Vivemos em um processo irrefreável de homogeneização e não precisamos ser visionários para concluir que culturas, raças e sexos tendem a estar cada vez menos caracterizados. Não sentimos mais a chegada das quatro estações do ano. Dissiparam-se os regionalismos. Homens e mulheres dividem cada vez mais comportamentos, gostos e estilo. Temos que desaprender os limites do tempo para absorver infinitas informações e concluir, com nostalgia, que o dia de hoje já é passado.

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NANU!!


A proposta editorial da NANU!! #5 é inspirada na nova era. Eduardo e Cristiane, ele produtor de moda e non-dj, ela estudante de Farmácia, nos remetem a essa sensação de unidade ao posarem para o ensaio principal. Ambos belíssimos, confundem nosso olhar com singeleza e sensualidade. Os flashes, todos feitos na Lagoa da Conceição, Florianópolis, mostram a paisagem árida, limpa de quaisquer excessos que possam comprometer nossa concepção de um brave new world, no sentido exatamento contrário ao proposto no romance homônimo escrito por Aldous Huxley. Pegando o gancho da proposta editorial e focando na mixagem dos vestuários feminino e masculino, realizamos ainda o muito cool ensaio Las Leggings, onde Eduardo Kottmann nos mostra em primeira mão sua divertidíssima coleção pessoal. A queda das fronteiras fica ainda mais evidente com o ingresso de nossos novos colaboradores, vindos de São Paulo, Rio de Janeiro e até de Portugal. Este último, o desenhista Rui Sousa, tomou contato com a revista pela internet e demonstrou interesse em participar com suas (incríveis) ilustrações, que podem ser conferidas nas “janelas” colecionáveis que criamos para a NANU!!. Temos muito orgulho ainda de contar com a participação da ta-lentosa estilista catarinense Juliana Gevaerd, que reside em São Paulo e desenvolve peças exclusivas para marcas como Osklen, Animale, Daslu e André Lima. Lucca Koch, produtor cultural no Rio de Janeiro, blogueiro e simpatizante da NANU!!, assina sua página com dicas de electromusic e djs que mais agitam no momento. É dele também o texto com fotos exclusivas da en-trevista coletiva do supermega-astro Tom Cruise, que promoveu seu novo filme no Brasil. At last but not least, a blumenauense Jaqueline Nicolle incrementa nossa seção fashionista, Ike Gevaerd viaja entre oliveiras e vinhedos bucólicos e Rodrigo Gonzaga, ex chef do Senac Bistrô, dá o seu toque gastronômico para a edição. Lembro que, além dos recém-ingressados, contamos com muitas outras novidades e a sempre comovente dedicação dos demais colaboradores da NANU!!, que bombam essa edição com textos mega-antenados. Com tantas coisas boas acontecendo, posso afirmar que não serão as tempestades que sofremos que nos impedirão de seguir em frente com a mesma determinação em nosso projeto. Parodiando Obama: yes, we can!

NANU!!

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A todo instante ouvimos comentรกrios sobre a velocidade com que os dias passam. As semanas avanรงam rapidamente e quase nรฃo conseguimos perceber as mudanรงas diรกrias.


A

ssim como os softwares, vivemos em constante processo de atualização, somos invadidos por informações, notícias, inovações, fenômenos. Estamos na era do instantâneo, onde acontecimentos de uma hora atrás já fazem parte de nossa lixeira mental, precisamos de espaço para o novo, que chega a cada segundo. Este momento é efeito da famosa globalização mundial, a qual se fala há um bom tempo. Reflete em todas as áreas, derrubando barreiras tradicionais de costumes singulares. Nada mais é padrão. A miscigenação inter-racial nos proporciona uma riqueza de diversificação nos modos sociais. O homem dona-de-casa, a mulher executiva, a criança domina o adulto, a preferência sexual é uma opção. A moda - responsável por ditar tendências culturais e comportamentais – corre contra o tempo, deixando para trás valores que antes distinguiam raças e culturas. As peças misturam cores, formas, texturas, brilhos, influências, espiritualismo. O urbano é revitalizado, a ecologia ganha espaço em meio aos avanços tecnológicos. O indígena faz parte do cotidiano civil, o geométrico é explorado e garante diversão. Os preconceitos são esquecidos, irrelevantes e ser diferente é ser normal. Filmes e novelas trazem a fusão de mundos distintos, a moda é homogeneizada. A sobriedade se une ao colorido folk, com padronagens étnicas aliadas à mescla de estilos. As roupas são customizadas, o metal é inserido, o volume aparece com força, o exclusivo é comum a todos. Enfim, o que estamos vivendo atualmente - seja na moda ou em qualquer outra área - é fruto da capacidade humana de testar limites e desenvolver a criatividade, onde o futuro não é mais algo distante, mas faz parte do presente, do agora, do hoje, neste instante.v


F A S H I O N

Joice Simon Alano

T ÃO RÁPIDO E TÃO CHATO Não existem mais novos estilos adotados por multidões, existem sim modismos, muito irritantes por vezes, lançados normalmente por novelas e celebridades.

Só me pergunto como será a próxima Amy Winehouse.

T

rabalhando com moda é comum ouvir a temível pergunta: “Isso está na moda?”. É claro que está, tudo está na moda! Esta acaba sendo a resposta mais normal, o que reverte a uma cara de insatisfação para quem pergunta, já que trabalhamos com moda... Mas, dizer o quê? O branco estará super em alta neste verão. Ou então, o look cowgirl está voltando. Por favor!!! Há várias estações que não podemos mais dizer com exatidão quando determinada tendência estará efetivamente na moda. Para os fashionistas, especialistas ou não, a última informação apanhada nos desfiles em qualquer parte do mundo, estará disponível on line minutos depois de acontecerem. Sites, blogs e revistas antecipam tudo, sendo que o que estará na moda, já é moda para quem acompanha. Isso está ficando incrivelmente chato principalmente para os que pesquisam moda para então repassar a outras empresas, é quase impossível manter as informações no devido tempo a que são destina-

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NANU!!

das. Tendências para o inverno 2010 disponíveis antes de acontecer o inverno 2008; é possível manter a informação lá? Intacta? Lógico que não! Quanto mais antecipado, mais bem informado se parece e conseqüentemente mais valorizado. O problema é que essa fúria em buscar e repassar a informação acaba tornando tudo muito volúvel e incipiente. Não existem mais novos estilos adotados por multidões, existem sim modismos, muito irritantes por vezes, lançados normalmente por novelas e celebridades. Será que daqui a alguns anos conseguiremos enxergar importantes movimentos culturais como os que mudaram o mundo há gerações passadas? Será que faremos parte de algo como foi a Belle Époque, Hippies, Punks...? A moda jorra novas vertentes e possibilidades incessantemente, e lugares como a China fazem o favor de multiplicá-los e tornar tudo obsoleto em dias. Grandes redes como H&M e Zara recriam modelos high fashion e disponibilizam em suas lojas por algo que termine em $ 0,99 e esgote das prateleiras em horas. Aproveite: a última jaqueta


usada ontem por Agyness Deyn! Não perca e compre o mesmo modelo de sandália gladiadora que Kate Moss usará hoje para comprar pão! Ok, ok, exageros à parte devemos concordar que o básico tem sido cada vez mais a opção aceita para quem tem estilo; evidente já que para estar na moda é preciso ter todos os outros, logo, não se tem nenhum. Tá aí... O básico é o novo fashion. É claro que clássicos são clássicos e manter-seão sempre em seu devido lugar no disputado fashion statement. Mas quanto a todo o resto? Quanto ao masculino e feminino? Ao novo grito da moda? Ao novo corte de cabelo? Fazemos parte de uma geração que devido a sua ansiedade e ao excesso de informação tem tornado o glamour efêmero e o luxo cada vez acessível; não que isso seja ruim, absolutamente, com certeza faz parte da nossa “evolução”. Só me pergunto como será a próxima Amy Winehouse? Sim, porque só alguém como ela, tão cheia de estilo e excentricidades é capaz de chamar realmente a nossa atenção e então ser copiada por milhares e milhares de pessoas.v Fotos: Divulgação

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F A S H I O N

Jaqueline Nicolle

Lily BIRD fotógrafo: Greg Kadel

revista Numéro

Givenchy

coleção Haute Couture de Inverno 2009 Por Eugenio

Recuenco para: Custo

Fotógrafo: Gianluca

Fontana Revista

Campanha

Tush

Rödel La

fotógrafo: Solve Sundsbo 20

NANU!!

Revista

Numéro


Fotógrafo: Hasse Neilsen Revista

Cover

Campanha prim/verão

Osklen 2009

Styling

Veszéjes áron

Campanha Rödel

La

A ModaImaterial Q Styling:

Veszéjes áron

Campanha

ue a moda exerce função potencial de comunicação simultânea e efêmera, todos estamos exaustos de saber, mas é preciso dar um real valor à função de interação que ela exerce, uma troca de valores culturais que tem como consequência um elo de ligação social. Desta forma é preciso acreditar na profundidade das coisas, descaracterizar padrões e compreender os sonhos coletivos.

As buscas por tecnologias e matérias-primas têxteis inusitadas não se dão meramente ao acaso, tecidos com texturas, toques, aromas e cores diferentes são criados para envolver e instigar cada vez mais o ser humano. Assim o diferencial está em comunicar-se com o subconsciente do ser humano como um todo, através de uma linguagem simples, multíplice e racionalizada para ter função emotiva. O material está em função do imaterial, hoje quando você adquire uma nova peça de roupa, você não acabou de comprar uma peça de roupa, mas sim uma emoção.v

Gucci Fall

2008/Winter 2009

Campanha prim/verão

Osklen 2009

NANU!!

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P E R F I L

Nilma Raquel

Talento , e trabalho Amir Slama rompeu fronteiras, fazendo com que suas coleções dialogassem com outras artes, da mesma forma que no prêt-à-porter.

Foto: Gabriela

C

omo um professor de História, filho de comerciantes do Bom Retiro – tradicional bairro de São Paulo, bem longe das areias cariocas - ganha três máquinas de costura do pai para iniciar sua confecção de roupas de ginástica, e 20 anos depois está em Nova York participando de uma festa em sua homenagem onde estão Bono Vox, Naomi Campbell, além dos editores das principais revistas de moda do planeta? Com muito trabalho, isso é óbvio. “Como eu não sou de nenhuma família tradicional paulistana, tive que correr atrás”, diz Amir Slama, estilista da Rosa Chá - a marca de moda praia brasileira mais prestigiada no mundo - que passou por Blumenau para uma palestra promovida pelo projeto Santa Catarina Moda Contemporânea. Mas, mais do que trabalho e talento, Amir

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NANU!!

Slama mostrou em sua palestra que lida com a consciência e a coragem de que paradigmas precisam ser quebrados. Totalmente “oblivion”. Ele próprio personifica a derrubada de alguns mitos. Um deles, de que estilista tem que ser intragável. Em sua passagem por Blumenau o cara foi um doce e atendeu com muita paciência e atenção todos os jornalistas que o procuraram, a ponto de atrasar sua palestra. Sempre ao lado de sua mulher Riva – também uma graça – ele conversou com a imprensa no lobby do hotel e posou pra fotos. Tipo gente como a gente. Na palestra, em tom de conversa, Amir mostrou ainda como deslocou biquínis e maiôs de um nicho à parte no mundo da moda para disputar o centro das atenções nas fashion weeks. “Eu queria fazer uma moda que saísse da praia e fosse para a cidade”. De que forma? Rompendo mais uma fronteira e fazendo com que suas

Schmidt

coleções dialogassem com outras artes, da mesma forma que no prêt-à-porter. Os biquínis, maiôs, camisas, t-shirts e caftãs da Rosa Chá já se inspiraram em Romero Britto, depois trouxeram a profusão de cores da carnavalesca carioca Rosa Magalhães e em seguida a irreverência do rock de Rita Lee. A última coleção que traz o colorido e a geometria do pintor Gonçalo Ivo (www.goncaloivo.com.br) e mais uma vez brilhou e recebeu mil elogios da imprensa especializada na Semana de Moda de Nova York. Quer entender por que Amir Slama é mesmo um cara diferente de tudo? Dê uma olhadinha no catálogo da Rosa Chá em www.rosacha. com.br. E assista trechos do desfile em http:// br.youtube.com/watch?v=aNci6LLNelo. Acredite, só trabalho e talento não fazem tudo isso.v


J A N E L A S


Sonho o poema de arquitetura ideal Cuja própria nata de cimento Encaixa palavra por palavra, tornei-me perito em extrair Faíscas das britas e leite das pedras. Acordo; E o poema todo se esfarrapa, fiapo por fiapo. Acordo; O prédio, pedra e cal, esvoaça Como um leve papel solto à mercê do vento e evola-se, Cinza de um corpo esvaído de qualquer sentido Acordo, e o poema-miragem se desfaz Desconstruído como se nunca houvera sido. Acordo! os olhos chumbados pelo mingau das almas E os ouvidos moucos, Assim é que saio dos sucessivos sonos: Vão-se os anéis de fumo de ópio E ficam-me os dedos estarrecidos. Metonímias, aliterações, metáforas, oxímoros Sumidos no sorvedouro. Não deve adiantar grande coisa permanecer à espreita No topo fantasma da torre de vigia Nem a simulação de se afundar no sono. Nem dormir deveras. Pois a questão-chave é: Sob que máscara retornará o recalcado?

A fábrica do poema Composição: Adriana Calcanhoto / Waly Salomão

Gravura:

NANU!! #5 - fevereiro/março 2009 Rui Sousa - Rua Ramalho Ortigão bloco 4 ent.11 1º esquerdo 4440-369 Valongo / Portugal

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kiki hoffmann A Holiday Boutique Kiki Hoffmann trabalha com conforto e estilo, oferecendo marcas como Jo De Mer, Adriana Bittencourt, Fernanda Niemeyer, Dibikini, Sur e Sable. a loja trabalha ainda com a Magic Tan, empresa de Los Angeles que criou a Versa Spa, a cabine de bronzeamento mais moderna do mercado, considerada o primeiro spa eletrônico do mundo. além de bronzear, faz tratamentos de hidratação e rejuvenescimento do corpo, tudo em 30 segundos: bronzeamento, hidratação e antiaging. A secagem é instantânea e você vê o resultado 6 horas após a aplicação. Magic Tan não é um bronzeamento a jato e sim um autobronzeador, garantindo um bronze perfeito.

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F A S H I O N

Juliana Gevaerd

Sublime esquecimento... Quando vemos, já entrou a primeira modelo e então, aplausos, já começa outra estação.

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omeçamos a próxima coleção, e mal temos tempo de lembrar a última que ainda está sendo finalizada. INVERNO 2009. Ainda é verão e temos nosso preview de inverno, o pré-lançamento que acontece antes da nova coleção. O tema e a inspiração surgem do desejo imediato, crescem e mudam em momentos. Sem esta mudança, não poderíamos dar continuidade ao processo criativo. O design aflora entre as texturas que crescem como trepadeiras que cortamos para vestir o desejo. São muitos detalhes, melhor esquecer alguns deles, pelo tempo que nos resta. Afinal de contas, quem saberia, além de nós, que estes detalhes já existiram em nosso pensamento? Os dias voam e pensamos no burburinho do desfile, lembramos dos oito looks que faltam. Quando vemos, já entrou a primeira modelo e então, aplausos, já começa outra estação. Criadores, criaturas... O mundo da moda brasileira respira sem aparelhos, vemos um crescimento de identidade. Dizemos não aos pré-conceitos sem sermos rústicos, pois as texturas envolvem valores e respeitam nossos desejos. O material e a técnica são princípios básicos neste processo, mas sem o espírito criador do estilista seria impossível repensar nas formas deslocando a silhueta para a forma desejada. Nestes anos conheci pessoas arrojadas, visionárias e engajadas ao meio e à moda, todos particularmente especiais. Algumas delas terei o prazer em lhes apresentar.v

¨A estilista catarinense Juliana Gevaerd, sempre foi uma das mulheres mais talentosas e de bom gosto que eu já conheci. Caprichosa, elegante, perfeccionista e extremamente versátil, ela é o melhor cartão de visitas da marca que leva seu nome. Juliana é dona de uma fábrica que desenvolve peças - principalmente malhas - para inúmeras marcas de renome no mercado, como: Daslu, Osklen, André Lima, Animale, entre outras. Certamente, você já se deparou com uma peça desenvolvida por ela, sem ao menos ter se dado conta¨. Marina Francisco, São Paulo, SP, Brasil / http://girliebuzz.blogspot.com/ 26

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JULIANA GEVAERD para ANIMALE SPFW/2009

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Eduardo Kottmann Nós, por Nilma Raquel

MODELOS

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ristiane Sabel, 23 anos, tem um ar super tímido e desvia os enormes olhos claros quando conversa com você. “Foi difícil. Sou tímida, reservada, foi complicado”, afirma ela sobre a sessão de fotos feitas ao lado do amigo Eduardo Kottmann nas dunas da Lagoa da Conceição(Floripa). Com tanta timidez, que resultado esperar, então, de uma sessão de fotos, com Cris seminua em algumas delas? Bem, é o que você vê no editorial que recheia esta NANU!!. A menina que trabalha no laboratório do Hospital Santa Isabel cresceu nas imagens e virou uma modelo digna das páginas de uma revista estrangeira. Tudo bem que atrás do jaleco que usa no trabalho, a engenheira química Cris tem um estilo ímpar que não passa sem um segundo olhar. Apesar de não ter ligação profissional nenhuma com o mundo da moda ou das artes, ela está longe de ser uma pessoa desconectada desse universo. fotos: Guilherme

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Bauer


Cristiane Sabel Prova disso é a amizade de anos com Eduardo Kottmann, o Duh, publicitário, uma das pontas do triângulo da Fake It!, e colunista da NANU!!. Foi logo em Cris que Duh pensou quando ouviu de Susana Pabst a idéia de um editorial que expressasse o tema desta edição, Oblivion, a quebra de paradigmas, a dissolução de conceitos pré-estabelecidos, a homogeneidade nas representações de gênero. “O Duh veio me falando como ia ser, me contou sobre a proposta do editorial desta edição”, conta Cris. Apesar da timidez, ela topou. “Eu gostei, achei que ia ser uma brincadeira, uma experiência nova”. O fato de estar com Duh sem dúvida tornou a “brincadeira” mais fácil. Para Duh, a parceria com Cris também foi incrível. Porque mesmo trabalhando há um tempão com produção de moda e encarar com todo pique a tarefa de animar a badalada Fake It!, Duh chegou a tremer um pouco na base. “É que apesar de vestir uma legging e ir tocar na festa, eu sou bem tímido. Só que eu confio no trabalho da Susana porque nas fotos ela consegue colocar alguém comum de um jeito que ninguém consegue enxergar”. Foi justamente essa pessoa revelada pelas lentes de Susana Pabst que impressionou Cris em sua estreia como modelo. “Fiquei surpresa, não tinha noção de como ia ficar. Gostei muito”, responde Cris no estúdio, ainda sob o impacto de ver o resultado de suas fotos pela primeira vez. Susana pergunta: “Você se achou bonita?”. Reservada como ela só, a “modelo” que arrebenta na capa desta edição se limita a dizer: “Não gosto das minhas fotos. Dessas eu gostei”. Nós amamos.v

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OBLIVION FOTOGRAFIA

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SUSANA PABST


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Colete Les Fil贸s

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G L A M O U R

Nilma Raquel

PODE TUDO É melhor não se prender a nenhum padrão rígido e se sentir livre pra experimentar um pouco de tudo quando o assunto é beleza.

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elizmente quando se fala em beleza hoje, tudo pode. Óbvio que existem modismos. Um dia batom rubríssimo, no outro tudo no olhão preto e nada na boca. Chega o verão é hora de caprichar no pó bronzeant; no inverno, pele alva. Outro dia era o cabelão da Gisele, agora há pouco veio o chanel desfiado. Mas na real, pensemos, não existem mais regras rígidas como outrora. Se alguém quer desafiar a tenaz verdade que sai publicada nas revistas (e até as revistas tradicionais estão perdidas ao definir estilos para maquiagem e cabelo, dizendo uma coisa hoje e desdizendo depois), tá tudo bem. Se você tiver estilo suficiente, não há problema em passar um batom vermelho que tem cara de inverno pra sair numa noite de verão. Quer enlouquecer com a quantidade de opções ofertadas hoje em dia? É só dar uma passadinha pelo site www.sephora.com. Você vai

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ter a certeza de que é muito melhor não se prender a nenhum padrão e se sentir livre pra experimentar um pouco de tudo quando o assunto é o cuidado consigo. Vamos pensar agora em tratamentos de beleza. A cada semestre é anunciada uma novidade bombástica para combater as rugas, outra para a celulite. E a mulherada corre atrás ferozmente. No próximo ano o ativo rejuvenescedor já terá sido superado, um tipo inovador de massagem modeladora terá sido criado e uma nova ponteira laser promete acabar com suas gordurinhas. Tudo efêmero. Em termos de tratamentos, cremes e massagens, além da rapidez com que os conceitos vão sendo superados, a adesão do contingente masculino aos recursos estéticos também é outro sinal dos novos tempos em que tudo pode. Eles começam a lançar mão dos artifícios femininos para melhorar a aparência, movimentando uma indústria onde nós, mulheres, somos maioria,

mas em que a questão de gênero já deixou de ser fundamental. Mas se tivermos que pensar em alguém para personificar esta nova era em que padrões deixam de ser menos rígidos, essa capacidade camaleônica dos tempos modernos, este alguém é a modelo inglesa Agyness Deyn – nascida Laura Hollins há 25 anos - que passeou recentemente na nossa SPFW. Cabelo claríssimo uma hora, castanho logo depois, estilo bem moleque num shot, elegância superfeminina numa passarela. Agyness não é exatamente uma cara nova, mas não é à toa que se mantém firme entre as top five do site www.models.com, justamente pela versatilidade – apesar de seu ar “punkish”, como ela mesma se define - com que representa a beleza dos novos tempos. Quer ver mais de Agyness Deyn? Vá no www.style.com. v


Priscila Figurski

Agora é hora da faxina, aquele momento de seguir em frente de peito aberto sem hipocrisia, sem preconceito, sem padrões fixos de pensamento ou comportamento.

Foto: Arquivo

É

Para ler ouvindo: “Left Behind” - CSS super difícil a gente perceber todos os conceitos errôneos que carregamos conosco, muitos deles responsáveis pelas limitações que a gente acha que tem. Mais difícil ainda é se livrar de tais conceitos, uma vez que estamos engajados num processo de aprendizagem eterna, onde absorvemos inúmeros significados na família, na sociedade, no trabalho. Também é difícil seguir praticando o que acreditamos individualmente depois de largar uma pré-definição compartilhada por um grupo – esse processo inicialmente causa um sentimento de inadequação, ficamos procurando internamente qual é o problema conosco, mesmo que não haja nenhum. Eu admiro pessoas que têm coragem de ser honestas consigo mesmas, buscando se reinventar através de autoapreciação e uso de senso crítico. Antes de desfrutar da recompensa de viver num mundo mais livre, mais leve, paga-se um preço por acreditar em si mesmo. A gente tem liberdade de escolha e muito acesso à informação. Preconceitos e julgamentos eram até admissíveis em sociedades isoladas e primitivas, mas não cabem mais na velocidade dos anos 2000. Hoje, qualquer rótulo é um erro. A vida segue um ritmo muito rápido e está sempre se transformando, e esse processo nunca foi tão notório quanto agora. E mesmo tendo que aprender novas formas de executar tudo o que temos feito para aproveitar melhor o tempo, esse grande enigma que nunca espera por ninguém, ainda tem gente que o desperdiça categorizando e se privando de pessoas, coisas e experiências no mínimo incríveis. Penso que agora é hora da faxina, aquele momento de seguir em frente de peito aberto sem hipocrisia, sem preconceito, sem padrões fixos de pensamento ou comportamento. E isso não tem nada a ver com falta de personalidade, responsabilidade ou bom senso... Isso tem a ver com cada um ser do jeito ótimo que realmente é. Afinal, as coisas mais bacanas sempre acontecem onde e quando a gente menos espera.v

Behind

Left

N O N S E N S E

NANU!!

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A R Diala Mortrix T E

A CORAGEM DE SER

SIMPLES I

ria falar de um artista que tem uma orelha implantada no braço. Mas o assunto há tempo não evoluía e, conversando com amigos, cheguei à conclusão que não conseguia escrever simplesmente porque não gostava do cara. Teria que fazer um texto isento de julgamentos, o que me limitaria a contar uma história da qual o leitor poderia desfrutar pesquisando no Google.

Excessos de efeitos e pirotecnia me cansam. Tendem a parecer excessivamente pretensiosos quando penso em arte. Infelizmente, a produção de obras com tais qualidades não pára de crescer. Quando não é excessiva entenda-se como aquela obra em que o artista quer dizer muito e no final das contas não diz coisa alguma - é complexa. Tão complexa que o trabalho acompanha uma tese, espécie de bula para possibilitar algum tipo de interpretação por parte do expectador. Já me dediquei a obras conceituais, mas sempre procurei causar algum tipo de emoção mais primitiva, ainda que muitas vezes não tenha conseguido. Para esse tipo de emoção, não é necessária uma explosão de informações visuais ou teorias acadêmicas. Nada contra o estudo. Ao contrário, é preciso estudar muito para se chegar a esse tipo de singeleza - causar impacto sem se utilizar de subterfúgios óbvios. E também coragem. Digo isso porque grande parte das exposições e salões de arte não passam hoje de espetáculo. O grande público não se identifica com coisa alguma. Críticos e curadores, por sua vez, esperam vislumbrar algo de

novo em uma atmosfera já gasta de novidades. Mas aquilo que momentaneamente causa frescor é rapidamente esquecido diante do próximo hype, seja pela sua mediocridade, seja pelo tédio culturalmente estabelecido. Novos “artistas” surgem de todos os lugares e em admirável quantidade, procurando chocar e confundir o expectador com idéias supostamente originais - ou com aquelas “pegadinhas” que me cansam a beleza. Apesar da atual democracia na arte, me atrevo a dizer, eles estão perdidos no tempo. As últimas sacadas realmente inteligentes na arte foram feitas por Duchamp. Depois dele, que pôs em cheque o conceito de obra de arte, só é arte - ao menos pra mim - aquilo que me impele a refletir, a chorar ou apenas a observar. Ainda que eu não compreenda bem a razão disso. A subjetividade do bom artista conecta-se, de alguma forma, com a do expectador e o milagre acontece. Como esse texto é despudoradamente subjetivo, adiciono imagens que considero obras de dimensão profundamente bela e reflexiva, apesar da aparente simplicidade. Artistas como Diane Arbus, Francesca Woodman, Shirin Neshat e Nan Goldin são o melhor exemplo da arte que comove e é permanente porque revela, com soberba sensibilidade, nada mais do que fragmentos e impressões relativos ao ser humano e à cena cotidiana. Concluo minha modesta divagação afirmando que o artista precisa de referências para criar obras consistentes, mas essencialmente, deve delas extrair a sua própria. Quando, além de contextualizar a obra em seu período histórico-cultural, ele consegue ser minimamente verdadeiro consigo mesmo, há grandes chances dele fazer um bom trabalho. Simplesmente.v

Imagem que integra a instalação “Thanksgiving”, de Nan Goldin.

Two Girls, de Diane Arbus.


Obra de Shirin Neshat: C-Print de “Zarin Series”, que acompanha projeção de vídeo referente a prostíbulo no Irã.


I (L)egging!

FOTOGRAFIA 56

NANU!!

SUSANA PABST


Legging Fake It!

NANU!!

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A legging como peça democrática no guarda-roupa Para quem ainda não sabe, as leggings, que já foram um dia chamadas de calça fusô/fuseau (e em francês significa justo e afunilado), com um calça-pé embutido na peça, estão e já estiveram presentes também em guarda-roupas masculinos. É claro que as leggings citadas aqui são as de apelo fashionista e não as “running tights” utilizadas pela mulherada em academias e malhações cotidianas (mas se formos pensar também nessa questão, quem nunca viu algum ciclista, corredor ou até mesmo lutadores utilizando a peça na sua prática esportiva?). A palavra legging (do inglês legs, que significa pernas) veio inspirada nas roupas esportivas. O grande boom aconteceu na década de 80, quando a peça realmente fugiu da academia e veio parar no guarda-roupa urbano. As leggings hoje se tornaram peças tão versáteis que até alguns homens mais ousados arriscam no seu guarda-roupa (claro que lembrando sempre do visual 58

NANU!!


Legging Fake It!

rocker de artistas como Mick Jagger, David Bowie, New York Dolls, Freddie Mercury, Steve Tyler, Alice Cooper, Kiss, Lou Reed e claro, por que não lembrar do grande poeta brasileiro Cazuza). Existem até modelos desenhados especificamente para homens, como é o caso da grife italiana Marni assinada por Consuelo Castiglioni, em que a peça produzida possuía uma folga maior no gancho. Até a Calvin Klein já mostrou a sua versão para o guarda-roupa masculino no verão de 2007. Para esta edição da NANU!!, resolvemos fazer um editorial com minhas leggings prediletas, as que eu utilizo nas festas que o Klã Fake It! Discoteca. Enjoy! “Mikhail Barishnikov dançando O Lago dos Cisnes” Clipe Black Ghosts - http://www.imeem.com/iamsound/video/QHIh-AQs/the_black_ghosts_face_music_video/ Embed - <object width=”460” height=”390”><param name=”movie” value=”http://media.imeem.com/pl/jnS5-Z1PLs/aus=false/pv=2/”></ param><param name=”allowFullScreen” value=”true”></param><embed src=”http://media.imeem.com/pl/jnS5-Z1PLs/aus=false/pv=2/” type=”application/x-shockwave-flash” width=”460” height=”390” allowFullScreen=”true”></embed></object> NANU!!

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Legging Amonstro

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NANU!!


Legging I贸dice

NANU!!

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NANU!!


Legging Amonstro

NANU!!

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Legging Amies

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Legging Puc

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M Ú S I Jean R. Reinhold C A

Foto: Divulgação

GOGOL BORDELLO

p u n k - p o p - c i g a n o - p e r f o r m á t i c o

Num meio onde tudo já foi lido e relido, inventado e reinventado, ainda assim nascem bandas e artistas que apresentam um trabalho novo.

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mais importante na vida é viver o agora, fazer o que a gente gosta e buscar a felicidade e o novo. E o agora, a felicidade e o novo em termos de música é mistura de ritmos, estilos e conceitos. Na música e em tudo, cada vez mais as regras estão sendo quebradas, cada vez mais as pessoas estão ficando ecléticas e gostando de estilos musicais totalmente diversos. Para mim hoje em dia existem dois tipos de música: a boa e a ruim. Quero deixar claro que o conceito de bom e ruim varia de pessoa pra pessoa, temos o direto e a liberdade de gostarmos do que soar bem aos ouvidos. O novo, o que chama atenção, o que te faz bem, o que satisfaz . Música boa não é aquela virtuosa, chata, sem alma e sim aquela que você pensa “como não pensei nisso antes?” (para quem é músico, ou pelo menos pra mim) “que sonoridade ímpar!”. Num meio onde tudo já foi lido e relido, inventado e reinventado, ainda assim nascem bandas e artistas que apresentam um trabalho novo. O novo, não o velho reinventado. E uma das coisas que mais me chamaram a atenção foi o Gogol Bordello. É uma banda de Nova York, ao que parece a mais cosmopolita que eu já vi: com integrantes saídos de países como Ucrânia, Israel, Etiópia, Estados Unidos, Equador, Rússia, Escócia, Tailândia e China, o Gogol Bordello se encaixa como poucos dentro da categoria “world music”. Tirando que eles detestam esse termo.

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NANU!!

Mais apropriado é chamar a música do Gogol Bordello de punk-popcigano-performático. Ao vivo, isso é traduzido de forma festiva e louca por nove pessoas, incluindo dançarinas e músicos que tocam acordeão, violino e percussão... O primeiro disco da banda, “Voi-La Intruder”, saiu nos EUA em 2002. Pouco depois, veio “Multi Kontra Culti vs Irony”. “Super Taranta!” recebeu, no ano passado, ótimas críticas. Mas a energia do Gogol Bordello é mais bem desenhada nas apresentações. “Somos uma banda movida por paixão. Nossas músicas não são feitas para tocar em rádio, mas hoje elas tocam porque as rádios têm de tocálas, pois a banda se tornou popular”, diz o vocalista Eugene Hutz. O músico tem carreira paralela no cinema. Já estrelou, por exemplo, “Uma Vida Iluminada” (2005). Também esteve em “Filth & Wisdom”, estréia de Madonna na direção. Sobre a experiência, limita-se a dizer que Madonna “é uma garota engraçada”. Meu parceiro de banda Allan Rodrigo Lenzi foi a um show deles na Europa, trocou idéias e tirou fotos com o vocalista Eugene Hutz e o violinista Sergey Ryabtsev, essas que estão na matéria. Essa é a primeira edição da NANU!! deste ano. Desejo a todos muita paz, saúde, sucesso, sabedoria e muita música boa, e mais uma vez aproveite a vida ao máximo. Viva o agora ame tudo e a todos, esqueça as diferenças... Porque no fundo e por mais que a realidade imposta atual tente nos separar, não esqueçam que somos todos um. Namastê!!!v


J A N E L A S


Sinto muito, mas não pretendo ser um imperador. Não é esse o meu ofício. Não pretendo governar ou conquistar quem quer que seja. Gostaria de ajudar – se possível – judeus, o gentio... Negros... Brancos. Todos nós desejamos ajudar uns aos outros. Os seres humanos são assim. Desejamos viver para a felicidade do próximo – não para o seu infortúnio. Por que havemos de odiar e desprezar uns aos outros? Neste mundo há espaço para todos. A terra, que é boa e rica, pode prover a todas as nossas necessidades. O caminho da vida pode ser o da liberdade e da beleza, porém nos extraviamos. A cobiça envenenou a alma dos homens... Levantou no mundo as muralhas do ódio... E tem nos feito marchar a passo de ganso para a miséria e os morticínios. Criamos a época da velocidade, mas nos sentimos enclausurados dentro dela. A máquina, que produz abundância, tem nos deixado em penúria. Nossos conhecimentos fizeram-nos céticos; nossa inteligência, empedernidos e cruéis. Pensamos em demasia e sentimos bem pouco. Mais do que de máquinas, precisamos de humanidade. Mais do que de inteligência, precisamos de afeição e doçura. Sem essas virtudes, a vida será de violência e tudo será perdido. A aviação e o rádio aproximaram-nos muito mais. A própria natureza dessas coisas é um apelo eloqüente à bondade do homem... Um apelo à fraternidade universal, à união de todos nós. Neste mesmo instante a minha voz chega a milhares de pessoas pelo mundo afora... Milhões de desesperados, homens, mulheres, criancinhas... Vítimas de um sistema que tortura seres humanos e encarcera ino-centes. Aos que me podem ouvir eu digo: “Não desespereis! A desgraça que tem caído sobre nós não é mais do que o produto da cobiça em agonia... Da amargura de homens que temem o avanço do progresso humano. Os homens que odeiam desaparecerão, os ditadores sucumbem e o poder que do povo arrebataram há de retornar ao povo. E assim, enquanto morrem homens, a liberdade nunca perecerá. Soldados! Não vos entregueis a esses brutais que vos desprezam, que vos escravizam, que arregimentam as vossas vidas, que ditam os vossos atos, as vossas idéias e os vossos sentimentos! Que vos fazem marchar no mesmo passo, que vos submetem a uma alimentação regrada, que vos tratam como gado humano e que vos utilizam como bucha de canhão! Não sois máquina! Homens é que sois! E com o amor da humanidade em vossas almas! Não odieis! Só odeiam os que não se fazem amar... Os que não se fazem amar e os inumanos! Soldados! Não batalheis pela escravidão! Lutai pela liberdade! No décimo sétimo capítulo de São Lucas está escrito que o Reino de Deus está dentro do homem – não de um só homem ou grupo de homens, ms dos homens todos! Está em vós! Vós, o povo, tendes o poder – o poder de criar máquinas. O poder de criar felicidade! Vós, o povo, tendes o poder de tornar esta vida livre e bela... de faze-la uma aventura maravilhosa. Portanto – em nome da democracia – usemos desse poder, unamo-nos todos nós. Lutemos por um mundo novo... Um mundo bom que a todos assegure o ensejo de trabalho, que dê futuro à mocidade e segurança à velhice. É pela promessa de tais coisas que desalmados têm subido ao poder. Mas, só mistificam! Não cumprem o que prometem. Jamais o cumprirão! Os ditadores liberam-se, porém escravizam o povo. Lutemos agora para libertar o mundo, abater as fronteiras nacionais, dar fim à ganância, ao ódio e à prepotência. Lutemos por um mundo de razão, um mundo em que a ciência e o progresso conduzam à ventura de todos nós. Soldados, em nome da democracia, unamo-nos! Hannah, estás me ouvindo? Onde te encontrares, levanta os olhos! Vês, Hannah? O sol vai rompendo as nuvens que se dispersam! Estamos saindo da treva para a luz! Vamos entrando num mundo novo – um mundo melhor, em que os homens estarão acima da cobiça, do ódio e da brutalidade. Ergue os olhos, Hannah! A alma do homem ganhou asas e afinal começa a voar. Voa para o arco-íris, para a luz da esperança. Ergue os olhos, Hannah! Ergue os olhos!

Charles Chaplin O último discurso de “O Grande Ditador”

Gravura:

NANU!! #5 - fevereiro/março 2009 Rui Sousa - Rua Ramalho Ortigão bloco 4 ent.11 1º esquerdo 4440-369 Valongo / Portugal

ruisousaemail@gmail.com


Soila Freese

M Ú S I C A

O

grande sociólogo polonês, Zygmunt Bauman, descreve o mundo atual como “tempos líquidos”. E é exatamente neste cenário de emoções fluidas que a música se faz cada vez mais presente. É difícil, pelo menos pra mim, não materializar o assunto quando o tema é música. Quando penso nisto, lembro como a tecnologia criou artimanhas para cada vez mais nos aproximar da melodia que amamos. E no momento, seria este um contato próximo, mas superficial? Podemos ouvir nossas canções favoritas onde quisermos. No tempo de um único clique, conhecer novos artistas, novas melodias. Apesar disso tudo, me vem à cabeça outra questão. Os sucessos, os grandes nomes do agora não estariam passando por nós tão rápido, a ponto de nem sequer nos darmos conta disto? Fico pensando, quem será o grande nome da música a ser lembrando daqui a 40, 50 anos? Sinceramente, creio que essa coisa de “o grande nome da” não será algo em pauta. Se fizermos um resgate, podemos perceber que, ironicamente, quando mais próximo o dia de hoje, mais difícil de encontrar a grande referência. Se voltarmos no tempo, podemos perceber que cada década teve “o seu grande nome”. Existem aqueles que serão eternamente lembrados e que não foram apenas um produto da massa, mas também revolucionários. Usaram as melodias para expressarem uma opinião e anunciarem novos tempos. Os anos 60 são a grande prova de que a música não é apenas melodia. Através dela é possível distinguir as duas fases distintas da década. A banda “The Beatles” foi “o grande nome” musical daquela época. As canções acompanham claramente os ânimos do período. Para exemplificar isto, vou apenas fazer uma comparação das músicas “She loves you” e “ I wanna hold you hand”, do LP brasileiro “Beatlemania” de 1963 com as canções do álbum Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band de 1967. Eles passaram das doces melodias à excentricidade psicodélica. A compreensão do que Bauman quer dizer com “tempos líquidos” é muito mais complexo do que apenas defini-lo como “emoções fluidas”. Ele fala muito da insegurança do presente, a incerteza do futuro, o sentimento de impotência, a constante ansiedade que vivemos. É como que se, por medo, nossas relações não fossem mais íntimas, apenas superficiais e fugazes. Apesar de todas os meios existentes para conhecermos novos artistas, novas canções, talvez a nossa relação com ela tenha se tornado mais superficial. Não estou aqui dizendo que todos estes meios não foram bons. Muito pelo contrário, graças a eles, hoje podemos escolher o que ouvimos e temos a certeza que fazemos isso porque realmente gostamos. Estou apenas parando para pensar que talvez a gente não nutra mais o mesmo sentimento em relação à música da forma que acontecia na década de 60, por exemplo. Até hoje meu pai ouve com frequência o “grande rei Roberto Carlos”. Pergunto-me se eu, daqui a 40 anos, ouvirei Los Hermanos – minha banda favorita – com a mesma vontade com que meu pai escuta Roberto Carlos até hoje. v

Eu acredito num mundo

melhor pra mim e pra ti

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Fotos: Divulgação / FineArt:

Guilherme Bauer

NANU!!

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Freese e Arquivo pessoal H.H. fotos: Soila

!

Vamos brincar

Música eletrônica : até os que torciam o nariz estão se acostumando a ouvir esse gênero.

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evo me apresentar, ou ir diretamente ao ponto? Vou ser educado: aprendi que quando se entra na casa dos outros se deve cumprimentar a todos... Então, como mamãe ensinou – “Olá, leitor da revista NANU!!, sou Luiz Carlos, mais conhecido como Lucca. Fui criado em Blumenau, mas já há quatro anos moro no Rio de Janeiro. Sou o mais novo metido escrevendo para a revista”. Como um verdadeiro aficionado por música eletrônica, consigo passar tardes e mais tardes ouvindo as mais de 2.000 músicas que tenho, isso quando não estou pesquisando sobre o assunto em blogs, sites e revistas que possam me trazer novidades. Não sou nenhum “expert” no assunto, muito menos um nerd e estudioso, apenas GOSTO! Mas vocês já perceberam que atualmente a música eletrônica nos rodeia em todos os momentos? Até os que torciam o nariz estão se acostumando a frequentemente ouvir esse gênero, muitas vezes sem ter a mínima idéia. Um exemplo clichê é a música da abertura da novela “A Favorita”, da Rede Globo. O grupo “Bajofondo” produziu um tango eletrônico, utilizando a essência do tradicional tango e unindo as batidas eletrônicas. Duvido que sua tia, lá da cozinha, não vinha dançando a música, esperando aparecer a Flora com todo seu ar “Hitchcock”. Esse é apenas um grupo que utiliza a música eletrônica como elemento de base, posso dar diversos exemplos, mas não vem ao caso. Com essa forte experimentação mundo afora, não é difícil descobrir que aquele seu vizinho que não daria nada na vida, virou DJ. Em especial Santa Cataria e Rio Grande do Sul, que exportam grandes talentos para o Brasil e para o mundo - Life is a Loop, Ale Rauen, Fabrício Peçanha, entre tantos outros vieram do sul. Não por menos, Balneário Camboriú é apelidada de Ibiza brasileira, por reunir num único território as principais casas de house do Brasil. 70

NANU!!

Falando um pouco daqui do Rio de Janeiro, a cidade está também começando a respirar esses ares. Recentemente aconteceu o Rio Music Conference, fórum para discussão desse mercado que vem crescendo a passos largos. Da região sudeste, São Paulo ainda é a cidade que mais oferece opções de lazer para esse segmento. A cada esquina você tem uma casa tocando alguma vertente de música eletrônica – house – tecno – electro – electro house – progressive... Opções lá não faltam! Para você ter uma idéia de como essa indústria movimenta de tal maneira o mercado, a Skol vai promover em abril o Skol Sensation - evento indoor criado na Holanda e já visto por mais de 750 mil pessoas, todos unidos pela paixão pela música eletrônica. No Brasil, será realizado em São Paulo, no Anhembi, ocupando uma área de 60 mil m². Mais informações sobre a festa você encontra no site www.skolsensation.com.br. O line up está sendo guardado a sete chaves, mas nomes como Carl Cox, Tiësto, Sander Kleinenberg, Erik Morillo e David Guetta já estiveram envolvidos nas edições que rodam o mundo. É esperar para ver... Como essa é minha primeira colaboração, quis trazer o que vem acontecendo no Brasil referente a esse tema, e com toda certeza faz parte de alguma forma da sua vida. Aos poucos, vou trazendo mais informações de músicas, DJs, e festas. Porque assunto não falta! Para finalizar, vou deixar o set de um grande DJ carioca, o Robix – atualmente residente da The Week Rio, e figura certa nas maiores festas do Brasil: http://www.djrobix.blogspot.com. Carisma e técnica são elementos desse “pequeno rapaz”, que consegue fazer qualquer pista levantar. Esse set está divido em duas partes, “primeira com as novas apostas do DJ e o segundo com as musicas que fizeram a cabeça da galera nessa temporada. Uma festa completa”. A levada é o bom house com pitadas de progressive e tribal. Inté a próxima, com mais música! v


Sรกvio Abi-Zaid Lucca Koch

NANU!!

C E LI N E E T M R A ร” N I C A

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P O R A Í

Ike Gevaerd

PRIORATO CATALUNHA

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NANU!!


B

arcelona é o aeroporto de chegada. Depois de curtir a cidade por uns dias, siga para o sul da Catalunha em direção ao Priorato, comarca catalã distante 152 km em boas estradas de Barcelouca. O Priorato, uma novidade para nós, já era ocupado pelos sarracenos desde o século XII quando travaram batalhas históricas com os cristãos, e hoje, muitos vestígios desta época nos transportam

a região. Hospede-se no hotel Cal Llops, um hotel de charme que abriga na sua centenária construção, o conforto das novas tecnologias e a tradição do bem receber catalão. Prove os caracoles do familiar Restaurante Piró e deguste os vinhos e azeites na Agrobotiga da Cooperativa Agrícola do Priorato, uma maravilha. Caminhe pela vila e prove do seu mel, o mel de Gratallops. incríveis azeites produzidos na região. A Denominação de Origem Siurana, regulamentada em 1979, garante a qualidade dos 11% do óleo de oliva produzido na Catalunha, dos quais 60% são consumidos na Espanha e o restante vai para o mercado europeu. Raríssimos são os frascos que

EL CAMI DEL VI para o tempo dos romanos quando a região tinha mais habitantes que atualmente. Mesquitas, igrejas e monastérios seculares se confundem com as casas dos pequenos povoados que hoje estão sendo reformados e reabitados, principalmente, por espanhóis das grandes cidades, alemães e ingleses que fazem deles seu lugar preferido para férias e sossego. Fotos: Ike Gevaerd

GRATALLOPS - A BASE Localizada no centro do Priorato e incrustada no topo de um monte, Gratallops, com seus 272 habitantes é o local perfeito para dali se conhecer

I DEL ÒIL A redescoberta do Priorato como a região que produz atualmente um dos vinhos tintos mais apreciados e caros da Espanha despertou o interesse pelos terroirs esquecidos, que na idade média eram respeitados como importante zona de produção vinícola. Tratase de uma região rodeada por uma cadeia de montanhas que descem até o mar, formando uma paisagem fascinante onde a maioria dos seus vinhedos só podem ser cultivados manualmente, pois estão localizada em terrazas íngremes. Em 2000, a região com seus 1600 hectares produtivos e que crescem dia a dia, foi declarada a segunda DOC, Denominação de Origem Controlada da Espanha, produzindo 20.000 hectolitros anuais. Les Terrasses, o vinho produzido pelo viticultor mais criativo do Priorato, Álvaro Palácios, tem a produção mais significativa. Onix, a marca de vinho e azeite de oliva da Cooperativa Agrícola do Priorato, e os vinhos e vinhedos da Buil Giné merecem ser degustados e apreciados. Butifarras, caracoles, cabritos, ovelhas e alcachofras servem de base para a degustação dos

chegam por aqui, o que é uma pena. Escaladei, La Morera, Pobodela, Torroja Del Priorat, Porrera, Belmunt Del Priorat, El Molar, El Lloar, Gratallops, La Viella Baixa e La Villa Alta são os pueblos que formam a comarca de El Priorat, sendo todos interligados por trilhas para caminhadas e estradas cênicas destinadas a passeios e cicloturismo que completam o cenário exuberante de uma das regiões mais incríveis da Espanha.v NANU!!

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Reino “Odrissiano”, 320 a.C.

Em 2005, quase 60 anos após o seu “enterro”, um arquiteto, Zheko Tilev, criou uma incrível proposta de resgate que fará com que Seuthopolis ressurja, permitindo sua classificação como patrimônio cultural da humanidade pela UNESCO e a visitação por turistas.

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NANU!!


Sávio Abi-Zaid

A R Q U I T E T U R A

Resgatando a história? Será mais interessante deixar a cidade embaixo d’água do que achar uma forma de trazê-la de volta à vida e à civilização? Melhor enterrar a história de vez do que viabilizar nosso contato com ela?

B

ulgária, 1948. Proximidades da cidade de Kazanlak. Durante as obras de construção da represa Koprinka, um grupo de arqueólogos que catalogava os legados da civilização Trácia, que seriam alagados, localiza as ruínas de uma cidade, em excelente estado de conservação. Por seis anos equipes de arqueólogos escavaram e recuperaram completamente a cidade, e descobriram sua identidade. Era Seuthopolis, capital do Reino Odrissiano, fundada em 320 a.C., que servia tanto como sede da corte real do rei Seuthes III quanto como santuário dos Cabeiri, enigmáticas divindades Ctônicas. Em 1954, 20 metros de água cobrem as ruínas com a conclusão das obras da represa. Os achados e estudos são catalogados e arquivados, e Seuthopolis, a cidade trácia mais bem conservada da Bulgária, parecia fadada ao esquecimento. Mais uma perda na história da humanidade. Mas em 2005, quase 60 anos após o seu “enterro”, um arquiteto, Zheko Tilev, criou uma incrível proposta de resgate que fará com que Seuthopolis ressurja, permitindo sua classificação como patrimônio cultural da humanidade pela UNESCO e a visitação por turistas. 2008 marcou o início do levantamento de fundos para o projeto. Uma iniciativa internacional busca reunir os 50 milhões de euros necessários para a implementação do projeto, desenvolvido por Tilev Arquitetos e doado à Municipalidade de Kazanlak. O projeto tem uma abordagem única: a idéia é construir um dique circular de 420 metros de diâmetro e 20 metros de altura. Como o dique estará no centro do lago, os visitantes serão transportados de barco. O impacto visual será impressionante, uma vez que das margens mal é possível perceber o dique. Conforme as embarcações forem se aproximando, a vista será de tirar o fôlego. Do topo do dique, onde desembarcarão, os visitantes terão uma clara noção da escala do dique, e a possibilidade de ver a cidade do topo, 20 metros acima do solo, permitirá a compreensão da totalidade da cidade, de um ponto de vista único. É o equivalente a um sobrevôo sobre as ruínas, porém tendo os pés firmes no chão. “O anel criado pelo dique é uma fronteira entre o passado e o presente, história e contemporaneidade, terra e água, alto e baixo”, diz seu criador Zheko Tilev. Na estrutura do dique será construída uma série de pavilhões com restaurantes, cafés, escritórios, salas de conferência, museu e até um pequeno hotel, de forma a permitir uma exploração comercial que viabilize sua construção. Com um conceito de complexo turístico de características únicas, ainda contará com exibições ao ar livre, salas de concerto e festivais, e jardins suspensos. “Com nosso projeto criamos um buraco no lago. No primeiro testamento, Moisés abriu as águas, em 2008 nós temos a tecnologia pra fazermos o mesmo. É um milagre”. O paralelo mais próximo que se pode traçar em arquitetura é com as rampas do Museu Mercedes-Benz: das rampas somos capazes de ver os carros de ângulos diferentes dos quais estamos acostumados. No caso das ruínas isso é ainda mais relevante, uma vez que os prédios não estão em pé, a principal atração é a visualização dos layouts das paredes e das ruas, e obviamente, a visão “aérea” é privilegiada. As críticas negativas reclamam que a suposta recuperação de Seuthopolis não é pragmática, nem arqueológica, e que está focada sim na criação de uma imagem poderosa, com a finalidade de criar uma máquina turística. Pode até ser que essa visão esteja entremeada com o projeto como um todo, mas será mais interessante deixar a cidade embaixo d’água do que achar uma forma de trazê-la de volta à vida e à civilização? Melhor enterrar a história de vez do que viabilizar nosso contato com ela? P.S: Para mim, parece que em Blumenau a segunda vertente vigora. Apague-se a história. Escreva-se de novo. Copie-se o que já foi, com toques bizarros, e apresente à população como autêntico. Triste, mas verdadeiro. E o antigo, independente da idade, vai embora, só sobram as lembranças. RIP, Napolitana. v

NANU!!

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Lucca Koch

Tom Cruise

C O L E T I V A

e “Operação Valquíria”

Foto: Lucca Koch

Na tarde de 3 de fevereiro a Fox Filmes realizou uma coletiva de imprensa no Copacabana Palace, com Tom Cruise. A NANU!! estava lá.

O FILME

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epois da vinda do furacão Madonna pelo território tupiniquim, o alvo dos flashes em fevereiro foi o ator hollywoodiano Tom Cruise, de passagem pelo país com a mulher, a também atriz Katie Holmes, e a filha Suri. A entrevista coletiva de lançamento de seu novo filme “Operação Valquíria”, no Copacabana Palace, se iniciou pontualmente às 14 horas, quando Tom entrou na sala e foi logo aplaudido por todos os 70 jornalistas que ali estavam. Com um sorriso estampado e um “vermelhinho” no rosto, cor adquirida em nossas terras tropicais, o ator foi só elogios ao Brasil. “Belas praias e ótima comida, um povo alegre e receptivo. Muito obrigado pelo carinho, está sendo um momento muito especial”, disse. Falando sobre seu personagem em “Operação Valquíria” (confira ao lado), o coronel nazista Claus von Stauffenberg, que se tornou um herói apesar de seu plano não ser bem sucedido, Tom afirmou: “Quero que as pessoas possam ver o bem e o mal, mas principalmente o amor desse homem pelos seus filhos e esposa”. Durante o bate papo, perguntando se esse era o principal papel de sua carreira, o ator disse que “não é o mais importante, pois gosto de fazer filmes. Todos os trabalhos são importantes. Faço sempre o melhor possível para levar essas histórias além das salas de cinema. A possibilidade de interpretar um personagem assim é algo surpreendente”. A simpatia foi algo constante, mas o momento mais divertido foi quando um dos jornalistas perguntou ao ator se poderia tirar uma foto com ele, pois havia prometido ao sobrinho. Tom, rindo, respondeu que sim, e que o jornalista era “um bom tio”. Encerrando os 40 minutos que passamos na coletiva, um dos repórteres pergunta se o ator pretende voltar ao país e se pudesse produziria um filme no Brasil. Tom foi enfático e só sorrisos, respondendo com um expressivo “sim!”. v

“Operação Valquíria” é baseado numa história real, a do coronel Claus von Stauffenberg (Tom Cruise). Esgotado com a destruição da Alemanha e de toda a Europa, une-se numa conspiração para matar Adolf Hitler durante a Segunda Guerra Mundial. “Operação Valquíria” era um plano instituído por Hitler caso viesse a morrer para que as forças inimigas não pudessem assumir o poder. Munido desse plano, Stauffenberg convence um grupo de militantes do alto escalão a participar do atentando e assim desestruturar o poder e encerrar a guerra. “Operação Valquíria” sai totalmente do estereótipo blockbuster, no qual a maioria das produções do ator se encaixa. Trata-se de filme denso e ao mesmo tempo emocionante. Bryan Singer (“X-Man” e “Superman – O retorno”), produtor e diretor do filme, soube adaptar a história fortalecendo o personagem, tornando-o comum, ao mesmo tempo que se arrisca pelo amor ao seu país e dedicando-se incondicionalmente a sua família. “É um belo filme, quero que o mundo conheça essa história”, afirmou Tom Cruise na entrevista no Copacabana Palace.

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C I N E Sรกvio Abi-Zaid M A

Tristeza

e alegria

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O

riginário do teatro, o termo fade to black foi adotado pelo cinema para descrever uma transição, normalmente gradual, entre uma imagem ou cena e a escuridão total, um fundo negro. Enquanto no teatro era predominantemente um recurso técnico para as transições entre cenários e cenas, no cinema pode ser visto como forte metáfora visual, possivelmente a que melhor retrata o esquecimento, o ocaso, o fim. É daí que surge a proposição de que “O Curioso Caso de Benjamin Button” seja o mais longo registro de fade to black da história do cinema. Exatas duas horas e quarenta e cinco minutos de fade to black. Afinal, esta é a história de um velho bebê a um jovem idoso, da fraqueza ao vigor, da viagem do conhecimento ao esquecimento total e absoluto. É uma encantadora fábula sobre uma vida ao contrário, um homem não tão ordinário, as pessoas e os lugares que ele conhece durante a vida, a descoberta do amor, as alegrias da vida, a tristeza da morte e o que permanece, a despeito da passagem do tempo. F. Scott Fitzgerald, autor do conto que gerou o roteiro, criou seu personagem inspirado numa observação de Mark Twain. O escritor americano lamentou que as melhores coisas da vida viessem no início e as piores, no final. Na verdade, Fitzgerald sobrepujou Twain ao levar sua observação à sua inevitável conclusão: independente do modo como o ciclo de vida é disposto, não podemos ganhar – o tempo sempre tem a última palavra. Adaptado do conto escrito em 1922, “Benjamin Button” pode ser visto como uma imensa maratona de força de vontade e estoicismo. Do início, quando é abandonado pelo pai, horrorizado com o filho nascido com uma monstruosa deformidade (além de ter, pelos olhos do pai, matado a mãe no trabalho de parto), ao fim, quando abre mão de seu amor e de sua família para que possam levar uma vida normal, a resignação e o otimismo do personagem dão tom ao filme. Em uma carta a sua filha, Benjamin diz: “Nunca é tarde demais ou, no meu caso, cedo demais, para ser quem quer que você queira. Não há um limite de tempo, pare quando você quiser. Você pode mudar ou permanecer, não há regras para esta situação. Nós podemos fazer o melhor ou o pior. Eu espero que você aproveite o melhor. E eu espero que você veja coisas que a assombrem. Eu espero que você experimente sentimentos que nunca experimentou antes. Espero que você encontre pessoas com pontos de vista diferentes dos seus. Espero que você viva uma vida da qual se orgulhe. Se você perceber que não se orgulha dela, espero que você tenha a força para começá-la de novo”. A infância senil no asilo de idosos, o descobrimento dos fatos da vida em suas conversas com os outros hóspedes e a perda de alguns deles para morte, as viagens no barco onde resolve trabalhar na sua adolescência velha, período em que descobre o amor e outras delícias, tudo prepara Benjamin para o momento único e mágico onde ele reencontrará seu amor da infância, Daisy, em um único lugar no tempo onde suas vidas reversas estarão sincronizadas, ajustadas uma à outra. A beleza pungente do filme reside em suas impossibilidades. Daisy envelhece enquanto Benjamin rejuvenesce. Sua filha amadurece enquanto ele se encaminha à infância. A metáfora da vida ao contrário é estranhamente assombrosa. Qualquer pessoa que tenha contemplado sua própria mortalidade vai achar difícil não se sentir tocado pela evocação da inconstância do destino narrada de forma tão lírica, original e impecável. Devemos ao diretor David Fincher – que já nos deu “Seven” e “Clube da Luta”, para ficar somente em duas de suas obras-primas – a maestria de aplicar seu incrível conhecimento para transformar um conceito fabuloso em uma história de amor plausível. Tão plausível que, como em qualquer outro amor, este é por vezes obscurecido pelo desapontamento e fadado a terminar em algum ponto. Ele deve ser creditado também por acrescentar uma dimensão de delicadeza e graça à cinematografia digital. Críticos afirmaram que “Benjamin Button” é o mais impressionante híbrido até hoje justamente por esta sutileza. Aqui vale esclarecer que nos 52 minutos iniciais, a cabeça que vemos sobre o corpo jovem-idoso é digital, criada a partir da imagem de Brad Pitt. O mais incrível é a percepção, no final do filme, que a maquiagem que faz o ator mais jovem é bem menos convincente que a tecnologia digital, que nunca antes havia atingido tal refinamento. Benjamin diz em determinado momento do filme: “Durante seu caminho você cruza com pessoas que deixam marcas em sua vida. Algumas nascem para sentar à beira de um rio. Outras têm um ouvido para música. Algumas são artistas. Algumas atravessam o canal da mancha a nado. Algumas entendem de botões. Algumas conhecem Shakespeare. Algumas são mães. E algumas sabem dançar”. Cabe a nós agradecer que algumas sabem fazer cinema, como David Fincher. Finalmente, para “Benjamin Button”, o melhor elogio é que ele deixa o espectador triste por ter acabado, e feliz por tê-lo assistido. v NANU!!

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M NANU!! I S C E Gabriela Schmidt L Â N E A

GLAMOUR

por Nilma Raquel

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O site www.collthings.co.uk reuniu os 10 tipos de nuvens mais raras de serem vistas. A do tipo roll ( 1 ) indica tornados e trovões a caminho, já a mammatus ( 2 ) se forma depois de uma megatempestade ter passado. Tem outras com formas incríveis, vale a pena entrar!


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ALAMEDA 40


J A N E L A S


“BAHIA, OU SÃO SALVADOR, BRASIL. 29 de fevereiro O dia transcorreu deliciosamente. Delícia, no entanto, é termo insuficiente para dar conta das emoções sentidas por um naturalista que, pela primeira vez, se viu a sós com a natureza no seio de uma floresta brasileira. A elegância da relva, a novidade das plantas parasitas, a beleza das flores, o verde vivo das ramagens e, acima de tudo, a exuberância da vegetação em geral me encheram de admiração. A mais paradoxal das misturas entre som e silêncio reina à sombra das árvores. Tão intenso é o zumbido dos insetos que pode perfeitamente ser ouvido de um navio ancorado a centenas de metros da praia. Apesar disso, no recesso íntimo das matas parece reinar um silêncio universal. Para uma pessoa apaixonada pela história natural, um dia como este traz consigo uma sensação de prazer tão profunda que se tem a impressão de que jamais se poderá sentir algo assim outra vez”.

Charles Darwin (1809-1882)

200 anos do nascimento / 150 anos da sua obra maior

Trecho da passagem de Darwin pelo Brasil.

Gravura:

NANU!! #5 - fevereiro/março 2009 Douglas Souza - www.www.estudioff.com - http://www.flickr.com/photos/dou_glas - http://www.flickr.com/photos/flederweiss


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NANU!! #4

The Party Nilma Raquel e Susana Pabst

Miguel Estelrich

Joice Alano e Elisa Demarchi Zezzo Mais e Nayara, Valmir Beduschi

Marco Marquetti, DJ Castro, Vanessa

Joice, Camila Cordeiro e Lilian Rossi e Silva

Milene Scussel, Arlete Pabst Michelle Weise, Ellen Berezoschi, Gabriela Schmidt

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Helena Schürmann, Allison, Jordana Scussel e Daniel

Daniela Bauer, Joice, Flávia Rosa, Monica Schmitt e Éder Riffel


Sabrina Haenisch Paulo e Ana Odebrecht Roberto Holetz e Mirian Roza

Carlos Fantoni, Ana Paula Volpato, Bruna e Rafael Boskovic

Valmir, Susana, Duh

Monica, Karine Ruiz e Karin Leida Caroline Lu铆za Mafra e Mayara Santana

Lydia e Guilherme Bauer

Priscila Figurski, Cristiane Sabel e Jaqueline Nicolle.

S么nia e Guis

Pita Camargo

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O editor da revista House Mag Davi Paes e Lima DJ Oliver

Pedro Hering e Martina Hasse

Dj Conrado

Patrícia Philipps

Gabriel Rossato (Agência Play) e o DJ Oliver

DJ Gerardo Boscarino 42 88

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Antonielle Dalfovo


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Lagoinha

¨Um Lugar¨

Amir Slama Tina Bauer, Bruno Gagliasso

Mônica Maluf

Chef Claude Troisgros

Marcio e Raquel Sheaffer Ricardo Mansur

Roger Rodrigues

Jurerê Internacional

¨Cafe de la Music¨

Michael Schumacher

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Leo Ribeiro Fernanda Motta e Erika dos Mares Guia

Dycassia de Oliveira e Clarissa Ristow NANU!!

Marcelo Alcantara Neto

Felipe Yared Daniele Sobreira


Egidio e Liliane Martorano

Michel Saad, Edo Krause e Grant Nelson Erika dos Mares Guia

Henrique Pinto Pauline Veroner, Marcia Ronifeld, Daniela Cervi, Daniela Francieli

Soraya e Rodrigo Paciornik

Tarso Marques Oscar Rollemberg Syomara Besen,Karina Kareli, e Dani Sobreira

Livia Lemos

Karina Borba e Tati Rocha

Eric Lovey

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Sinta Blumenau no seu ponto mais alto

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B A C O

Guilherme Correa

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ESQUECER a tecnologia

F

alar de esquecimento no mundo do vinho, de deixar para trás os conceitos pré-estabelecidos, significa atualmente buscar um retorno a uma abordagem mais natural da agricultura e da enologia. Nos últimos 40 anos a elaboração do vinho e o seu comércio se desenvolveram de tal maneira que, muitas vezes, esquecemos que o vinho é o suco da uva fermentado. Quando vivi na Itália, estudando na escola de sommellerie, há pouco mais de 10 anos, conheci um grupo de produtores que lutavam briosamente como Davi contra Golias, no combate à modernização e consequente homogeneização do vinho. Participei de muitas degustações e visitas a vinícolas com este grupo que, na época, expandiu meus horizontes de uma formação cartesiana dentro do vinho lograda na “Associazione Italiana Sommeliers”. Lembro-me ainda do meu profundo espanto ao ver ninhos de pássaros, insetos e morcegos ao lado de um vinhedo de um famoso produtor “naturalista” de Brunello di Montalcino, para estabelecer o equilíbrio biológico do mesmo e dispensar o tratamento das pragas com pesticidas químicos. Traz-me ainda emoção quando me recordo da decisão radical de um produtor do Friuli consagrado que parou de fazer um dos vinhos brancos mais premiados da Itália porque não acreditava mais, a despeito da sua sala de troféus, nos vinhos elaborados pela tecnologia moderna, e por isso passou a fazer vinhos naturais em ânforas enterradas, conforme uma tradição que remonta há muitos séculos. Talvez precocemente, comecei a trabalhar com os vinhos elaborados através da biodinâmica no meu restaurante em Belo Horizonte no ano de 1996, quando poucas pessoas sabiam do que se tratava esta escola no Brasil. Hoje na crista da onda, as vitiviniculturas orgânicas e biodinâmicas estão suficientemente fortes para serem notadas, e se não ainda o bastante para desafiar o mundo moderno do vinho, pelo menos para balançar um pouco as estruturas tão sólidas que a ciência da enologia erigiu nas últimas décadas. Acabei de ler o livro “Vinho do Céu à Terra” de um dos papas do vinho biodinâmico, o francês Nicolas Joly. Embora em alguns momentos fique difícil acreditar em fadas, pois os seus ensinamentos aparecem normalmente desprovidos de qualquer fundamentação mais técnica ou científica, o livro mexe com um lado obscuro da gente, aquele que dia após dia enterramos para viver numa sociedade moderna, prática e governada pela convicção de que a ciência irá resolver tudo para o nosso bem.

A biodinâmica transcende a vitivinicultura orgânica no rigor filosófico da proteção do ecossistema do vinhedo. Tal como nos cultivos orgânicos que vetam o emprego de pesticidas sintéticos, herbicidas, fungicidas e fertilizantes artificiais, a biodinâmica ainda possui uma abordagem holística de todo o processo produtivo, do plantio, do manejo das videiras, da colheita até a vinificação. Tudo na Terra está inserido em um macrocosmo que deve ser entendido e respeitado para conceber um vinho biodinâmico. Nascida como um ramo da Antroposofia desenvolvida pelo esloveno Rudolf Steiner em 1920, a biodinâmica advoga que a posição dos astros e sobretudo da lua condicionam a interação entre os quatro estados da matéria (mineral, líquido, gasoso e calor) e consequentemente qualquer forma de vida em nosso planeta. Enquanto os enólogos da doutrina progressista carregam um arsenal de remédios para as videiras, catálogos de leveduras aromáticas e enzimas milagrosas, e trabalham com gases inertes, extratos solúveis de taninos e madeiras customizadas, em ambientes que mais se assemelham a uma plataforma de lançamento da NASA, uma turma iconoclasta que parece recém-chegada do festival de Woodstock briga por uma abordagem não-intervencionista na elaboração de vinhos naturais. Assim é o cenário do mundo do vinho neste momento de conturbada crise internacional. Já bebi grandes e maus vinhos das duas escolas, tenho que ser sincero. Cada vez mais, entretanto, caminho para gostar de vinhos típicos, nascidos no vinhedo e não na cantina, frutos do terroir e não do enólogo virtuoso e vaidoso demais. Normalmente esta tipicidade se exalta com a vitivinicultura seguindo os preceitos da luta sustentável ou lutte raisonnée, ou então da cultura orgânica ou biodinâmica, não restam dúvidas sobre isto, mas até que ponto as práticas esdrúxulas da biodinâmica garantem um vinho superior qualitativamente em relação às outras abordagens também naturalistas? Que a biodinâmica realmente melhora os vinhos antes tratados pelas práticas modernas abusivas, é indubitável, porém me pergunto até que ponto este crescimento não se deve mais à aproximação do homem ao solo, ao cuidado maior que passa a ter com os vinhedos, com o rendimento, com a vinificação também mais respeitosa, do que propriamente às intervenções míticas prescritas pela agricultura biodinâmica. O simples fato do esquecimento da tecnologia como placebo infalível para construir vinhos “bons” já me parece auspicioso o bastante. v

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L S e D

Penso, logo

Guilherme Bauer

não resisto... ALGUNS M DE A SEM B E MUITOS EM SER R S L F E E PERCE BE R U J A E M Z D N I UN ADO L M DAR O M S E R D E I ENAS S I A P C D N C N P T D E I T T A A O VA Z I O TR NSF RMADO B PROFUNDO E E R R N E E N E R I E T I C E N T E R R AS O N E V O T N E E M T H N INSUFICIE NTE I LENIENTE N P E TODO Ó E CONVINCENTE R I T A UNS P Ã A OUTROS E C E M

A fotografia foi tirada durante uma entrevista que Einstein dava à imprensa a fim de divulgar sua campanha contra o uso da energia nuclear para fins militares. Um dos repórteres terá perguntado: “O presidente dos Estados Unidos nos oferece a paz em troca do uso da bomba; o que tem o senhor a oferecer à população americana em troca da paz?”. Foi então que Einstein, mostrando a língua ao repórter e ao fotógrafo, respondeu:

“Ofereço-vos a língua, para que passem os selos!”. 96

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C

Rodrigo Gonzaga H E F

Para um sabor exótico, uma dica de um molho nada trivial que vai muitíssimo bem com um lombinho suíno ou um peito de pato assados. Molho de Frutas Vermelhas: • 1 colher de sopa de açúcar • 1 colher de sopa rasa de manteiga sem sal • 1/2 copo de vinho tinto seco • 1/2 colher de café de gengibre ralado • 1 colheres de sopa de licor de laranja • Suco de 5 laranjas • 300 g de frutas vermelhas frescas ou congeladas (amora, framboesa, groselha, etc) • Casca ralada de 1/2 limão Preparo: 1.

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Em uma frigideira, coloque o suco de laranja, o açúcar, o vinho branco, o gengibre e leve ao fogo a reduzir pela metade Junte o licor e a manteiga e deixe engrossar Junte as frutas e cozinhe em fogo baixo por 1 minuto Junte a casca de limão e reserve

Foto: Divulgação

Salgado Doce ou Doce Salgado?

H

oje comer é moda, atitude. Enxergar como pétreas as características da culinária de um momento é parar no tempo, é deixar de perceber que “o que” e o “como” comer evoluem em passos iguais a tudo o que acontece no mundo. Precursores do movimento gastronômico chamado Nouvelle Cuisine, iniciados em meados da década de 60, nos trouxeram entre outros preceitos a incrível oportunidade de estarmos degustando em uma mesma garfada sabores e aromas antes tidos como singulares. Até então estes de maneira alguma deveriam ser misturados com outros. Era a antiga cozinha exótica. Salgado doce? Nem pensar! Nas culinárias contemporânea e clássica encontramos vestígios de trocas culturais entre os povos, causando naturalmente a miscigenação de sensações gustativas presentes em nossa mesa.

É a cozinha da ousadia em que, a princípio, pode causar certo estranhamento, mas que muito rapidamente torna-se aceitável, quem sabe até surpreendente. O paladar se engana, as texturas se confundem. A geleia não é doce, o peixe é com banana, a espuma é salgada e picante. Quem busca o moderno no paladar é também quem usa como traje o alternativo, é quem vive onde não se sabe mais quando começa o verão ou termina o inverno, é às vezes quem faz questão de esquecer as regras. A questão é ousar e ver no que vai dar, e esta quebra de regras tem dado muito certo. Quem ousa degustar um belo filé mignon ao molho de framboesa ou um cremoso risoto de figos certamente não vive o trivial. E sim, se permite seduzir por novas sensações, e por que não, por incríveis experiências. Só quem tentar terá o prazer.v

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Revista Nanu  

Conceito e comportamento.