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UNIVERSIDADE R E P Ú B L I C A experimentações sobre o campus urbano na cidade de são paulo

murilo nunes zidan


Universidade Presbiteriana Mackenzie

Faculdade de Arquitetura e Urbanismo

Trabalho Final de Graduação

UNIVERSIDADE REPÚBLICA Experimentações sobre o campus urbano na cidade de São Paulo

Orientadores: Francisco Petracco Ricardo Ramos

junho/2017

Murilo Nunes Zidan


Agradecimentos

Agradeço aos meus pais pelas oportunidades que me foram dadas, e por muitas vezes deixarem de viver seus sonhos para viver os meus. Ao meu irmão pelo convívio e partilha, além de brigas e risadas. Aos amigos do fuscão pela caminhada lado a lado, mesmo que se fragmentando ao longo do tempo, especialmente por terem paciência comigo. Aos companheiros da a.a.a. arquitetura mackenzie, em especial ao AoM, por entender que nada é construído sozinho. Aos irmãos do handebol, em especial ao 7, 13, 14 e 20, por aprender que as conquistas vêm com muito suor. À Gabriela pela calma, companheirismo e altruísmo da parte dela. Ao Estúdio Gibraltar, pelo aprendizado e ideias trocadas.

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Aos valorosos pipoqueiros pela longa amizade.


Sumário

01 REPÚBLICA

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02 CASOS

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03 REFLEXÃO

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04 CAMPUS REPÚBLICA

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05 BIBLIOTECA CENTRAL

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PROCESSO

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BIBLIOGRAFIA

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Este trabalho tem como objetivo ensaiar uma possível compreensão de um campus universitário urbano na cidade de São Paulo. Baseando-se na história e condições do território escolhido, conceitos, casos existentes e reflexões são apresentados, e logo em seguida, como resultado dos anteriores, o projeto é colocado. Busca-se um questionamento sobre a condição atual das universidades não só na cidade que se desenvolve, como no país, com o objetivo de encontrar o que poderia ser o “ideal” para as condições brasileiras, unindo o plano pedagógico com a arquitetura da proposta. O projeto trabalha diferentes escalas, desde o desenho urbano até o de mobiliário, da escala da cidade à do pedestre.


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REPÚBLICA Um pouco da história do bairro em questão, juntamente com algumas leituras que chamaram atenção no momento de escolher o local onde o projeto é desenvolvido, será apresentada, dando base para o entendimento do raciocínio do trabalho.

histórico O Bairro Republica é um pequeno bairro, um dos menores distritos da cidade de são Paulo, da subprefeitura da Sé na região administrativa do Centro. A Praça da República representa a expansão e crescimento da cidade nos últimos séculos, passando por transformações e ampliações com o passar do tempo. Localizam-se no bairro alguns famosos pontos da cidade, como o Theatro Municipal (Ramos de Azevedo, Cláudio Rossi e Domiziano Rossi, 1911), o Palácio dos Correios (Ramos de Azevedo, 1922), Shopping Light – Prédio Alexandre Mackenzie (William Proctor Preston, 1929), a Biblioteca Mário de Andrade (Jacques Pilon, 1942), Galeria do Rock – Centro Comercial Grandes Galerias (Alfredo Mathias, 1963) e Câmara Municipal – Palácio Anchieta (Alfredo Mathias, 1969).

Imagem da tourada em São Paulo em 1902. Fonte: http://www. saopauloantiga.com.br/touradasem-sao-paulo/. Acessado em: 23/05/2017.

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De acordo com os primeiros registros datados do século XVIII, a área era propriedade do Tenente José Arouche de Toledo Rendon, e na época era palco de treinamentos militares, que acabou ficando conhecida pelos nomes de “praça das milícias” e “praça da legião”. A partir aproximadamente da metade do século XIX a praça ficou conhecida por “Largo dos Curros”, por ser um grande pasto para os animais e local onde os touros permanecem antes e depois das apresentações. A praça contava com um pequeno anfiteatro para a apreciação das touradas e cavalhadas. Com a queda da popularidade dessas apresentações, o local passou a ser palco de treinamento de cocheiros e cavalos, como se fosse uma “autoescola” da época, além disso, serviu como palco para uma grande feira de madeira da época.

relação rios e pç. da república

Com a Proclamação da República em 15 de novembro de 1889, a praça foi homenageada com esse feito, tornandose a Praça 15 de novembro, mas como já existia uma rua com esse nome nas proximidades, mudaram para Praça da República, o qual persiste até hoje. Com a construção do viaduto do chá em 1892, a região passou por uma modernização. O Vale do Anhangabaú, que por seu desnível de quase 20 metros e o pequeno córrego que existia, configurava uma barreira que impossibilitava a ocupação da outra margem do rio, limitando a ocupação do centro de São Paulo. Com a construção do Viaduto do Chá a expansão do centro foi viabilizada, agora definindo o chamado “Centro Velho” (triangulo histórico) e “Centro Novo” (região além do vale), marcando a praça como um ponto importante na geografia da cidade, possibilitando a ocupação de seus arredores.

relação triângulo histórico, vale do anhangabaú e pç. da república

relação viaduto do chá, theatro municipal, largo do arouche, pç. dom josé gaspar e pç. da república

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Recorte da notícia sobre a construção do Viaduto do Chá publicada pelo Estado em editorial de 21 de novembro de 1888. Segundo a notícia ao lado o principal objetivo da obra era “facilitar as comunicações entre o centro da cidade e os bairros do Chá, Consolação, Santa Cecília e parte de Santa Ephigenia”. Fonte: Acervo Estadão. Disponível em: <http://acer vo.estadao.com. br/noticias/acervo,como-erasao-paulo-sem-o-viaduto-docha,9238,0.htm>. Acessado em: 23/05/2017.

O edifício da Escola Normal Caetano de Campos veio a ocupar a praça em 1894, projetado por Antônio Francisco de Paula Souza e Ramos de Azevedo. O prédio se tornou referência para a praça e foi tombado em 1978 pelo Condephaat (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico), e atualmente abriga a Secretaria de Estadual de Educação do Estado de São Paulo.

Escola Caetano de Campos em 1894, localizada na Praça da República. Fonte: Acervo Estadão. Disponível em: <http:// acervo.estadao.com.br/noticias/ lugares,casa-caetano-decampos,11770,0.htm>. Acessado em: 23/05/2017.

Em 1905, com a intensificação das atividades comerciais envolvendo principalmente o café, a praça passou por uma reformulação de seu desenho, ganhando sua forma mais semelhante aos dias atuais. Com a inspiração em praças europeias, foram construídos os caminhos, lagos 10

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e pontes e áreas de descanso. Ao redor da praça foram construídos grandes edifícios, tornando a praça cada ver mais importante e marcante para a capital. Edifícios notáveis se encontram no redor da praça, como o Edifício Esther (1938), projeto do arquiteto Álvaro Vital Brazil - primeiro edifício modernista da cidade e de uso misto, o Edifício Eiffel (1953) e Copan (1966), do arquiteto Oscar Niemeyer, e o prédio da agencia do Banco Banespa (1992), do arquiteto Carlos Bratke. Em 1978 começaram as construções do metrô, com a estação republica inaugurada em 1982, abrigando a linha vermelha, chamada de Leste-Oeste na época. Atualmente abriga as linhas 3 – vermelha e 4 – amarela, sendo uma das estações mais movimentadas da cidade, com uma média de 148mil pessoas diariamente utilizando a estação, de acordo com os dados do metrô de são Paulo

Praça da República como palco da Revolução Constitucionalista. Fonte: http://www. jacareitempoememoria.com. br/2014/01/1932-revolucaoconstitucionalista.html. Acessado em: 23/05/2017.

A Praça foi palco de diversos protestos a atividades cívicas, inicialmente com os protestos da revolução constitucionalista de 1932, movimento contra o presidente Getúlio Vargas. Nos arredores da praça no dia 23 de maio daquele ano, os jovens Martins de Almeida, Euclides Miragaia, Dráuzio Marcondes de Sousa e Antônio Camargo de Andrade foram assassinados na frente da sede do Partido RE P ÚBLIC A

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Popular Paulista, na Rua Barão de Itapetininga. Com a morte dos quatro estudantes, surgiu o movimento MMDC (Martins, Miragaia, Dráuzio e Camargo) que foi um dos marcos da revolução. Também foi palco de manifestações pelo movimento das ‘Diretas Já’ em 1984 e ainda hoje é palco de diferentes manifestações políticas. A partir da década de 1940, a praça começa a ser ponto de encontro para artistas, colecionadores e cambistas, que buscavam se encontrar para trocar mercadorias e novidades. Em 1950 tornou-se uma referência “hippie” no Brasil, onde se encontravam artistas de vanguarda, expondo suas obras e ideias, que foi embrionária para a Feira de Artesanato da Praça da República, a qual foi oficializada pelas autoridades em 1960.

Feira de artes num domingo na Praça da República foto: Piero Artuzo

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leitura “Vestida de azul e branco Trazendo um sorriso franco No rostinho encantador Minha linda normalista Rapidamente conquista Meu coração sem amor”

Trecho música Normalista Linda Nelson Gonçalves

Inicialmente que chamou a atenção ao estudar os arredores da praça foi a existência de diversos estacionamentos na Rua Bento Freitas, começando na esquina com a Rua Major Sertório. Num primeiro momento a ideia era fazer uso desse eixo para colocar o programa, distribuí-lo nos lotes e pensar como articulá-los, a princípio não era o suficiente para colocar a universidade. Após essa primeira leitura, outros terrenos foram ‘encontrados’, novamente com estacionamentos sendo o foco, visto que são terrenos vazios sem nenhum uso social ou que contribua para a vivencia na cidade. Um estacionamento existente na Rua Aurora foi o ponto definidor para o crescimento das apropriações; é um terreno interessante, quase na esquina com a Rua do Arouche, ao lado da saída do metro e atravessa o quarteirão conectando a Praça da República com a Rua Aurora.

Perspectiva rua bento gonçalves em direção à rua aurora foto: Piero Artuzo

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Com a atenção voltada aos arredores da Praça como um todo, outros lotes em potencial começaram a ser considerados. As apropriações funcionariam de forma gradativa, indo de terrenos inteiramente vazios (estacionamentos) à terrenos ocupados, considerando a contribuição que cada edificação tem com o entorno, imediato e geral. A primeira apropriação seria de estacionamentos, pela facilidade de ocupação visto que não há muito construído, e quando há, é, na maioria das vezes, uma estrutura metálica que pode ser desmontada. Num segundo momento, terrenos com edifícios degradados de no máximo 2 pavimentos seriam apropriados, pelo potencial de contribuição para a formação da malha da universidade. No terceiro momento as garagens verticais (totalizando 2 na área inteira) seriam apropriadas, com a mesma justificativa dos estacionamentos, mas os prédios seriam requalificados para abrigar o uso institucional que é proposto, com a adequação de piso, forro, paredes e fachada. A quarta apropriação seriam os postos de gasolina, visto que a recuperação do solo é mais demorada, seriam os últimos edifícios a serem construídos no masterplan geral do conjunto. Na área há a quantidade desejável de terrenos apropriáveis para a elaboração do projeto, mas outro fator importante para a escolha do território foi a infraestrutura existente de transporte público. A região conta com uma grande estação de metrô – Estação República – onde passam as linhas 3-Vermelha e 4-Amarela, e diversos pontos de ônibus, o que facilita o acesso dos futuros usuários da universidade. É de interesse da universidade que o uso de transporte público seja incentivado, uma vez que a mesma se encontra na malha 14

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urbana, reduzindo o numero de transportes privados pelas ruas da cidade.

Alunos e Professores da Escola Caetano de Campos em 1958. Fonte: Acervo Estadão. Disponível em: <http://acervo.estadao.com. br/noticias/lugares,casa-caetanode-campos,11770,0.htm>. Acessado em: 23/05/2017.

Desde sua origem a área foi alvo de grande investimento em infraestruturas urbanas, justificado pelo seu importante caráter econômico que tinha para a cidade. As infraestruturas como a rede elétrica, água e esgoto, internet e dados, serviços de segurança (desde câmeras de segurança à própria polícia militar) e comunicações (agencias de correio e bancas de jornal) são ricas no território. A existência dessa infraestrutura resulta em uma diminuição no investimento por parte da universidade proposta, fazendo a região ser muito atrativa para ser escolhida.

E. Caetano de Campos, Praça e entorno foto: Piero Artuzo

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Ainda que hoje exista a Secretaria de Educação no prédio que se localiza na Praça, há uma vontade de retomar o antigo caráter da praça, quando a escola ainda o ocupava. Era local de encontros, de risadas, de ‘paquera’, onde os jovens rapazes iam para ver as jovens moças que estudavam na antiga escola normalista. Um resgate de um local que um dia era palco de romantismo e jovialidade, em que os estudantes caracterizavam o local, uma nova dinâmica que o público jovem pode proporcionar para a região. Exemplos que instituições de ensino podem transformar a situação de uma região são recorrentes, como por exemplo o que a Universidade Presbiteriana Mackenzie faz com a Rua Maria Antônia e com a Rua Doutor Cesário Mota Junior. A R. Maria Antônia fica do outro lado da rua da universidade, onde se distribuem bares, restaurantes, lojas e serviços, e por sua diversidade de uso e pelo grande número de alunos que frequentam a instituição, a rua fica movimentada praticamente 24hrs por dia. No começo dos semestres a rua literalmente fecha devido à proporção que as celebrações e recepção dos calouros tomou, é praticamente um carnaval de rua fora de época, e isso atrai estudantes de outras universidades, até mesmo do interior, para festejarem.

Reunião de estudantes na Rua Maria Antônia em 2012. Fonte: http://fotografia.folha.uol.com.br/ galerias/11720-estudantes-domackenzie-fazem-festa-na-rua. Acessado em: 23/05/2017.

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Av. ipiranga com edifício itália ao fundo foto: Piero Artuzo

A área se mostra interessante devido ao seu histórico, pontenciaidades, prédios icônicos no entorno, e pelo caráter jovem e estudantil que a Praça um dia teve. O projeto pretende se encaixar no território, mesclando-se com a volumetria geral e se destacando pela a materialidade. Busca-se acima de tudo respeitar a história e caráter do bairro, usando de suporte sua infraestrutura existente.

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A C I L B Ã&#x161; P E R


02 C

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S

O

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CASOS

As referências escolhidas têm como proposito justificar e apreender pontos interessantes que contribuam para o projeto do campus. Um pouco da história vai ser contada, assim como quais tipos de financiamento e relação com os órgãos públicos essas universidades têm e como que estão hoje em dia no panorama nacional e internacional entre outros institutos superiores. Além disso, o principal motivo da escolha dessas referencias, é o de como a implantação contribui para a integração social dos alunos e a contribuição para a sociedade que a universidade pretende. Os casos se relacionam de maneiras diferentes, tendo como características marcantes a maneira que a integração entre alunos e com o contexto urbano é proposta, de acordo com as características físicas das universidades. Temos como caso quatro universidades, duas nacionais e duas internacionais. As duas nacionais são a; A universidade de Brasília (UnB) que se destaca pelo eixo criado no Instituto de Ciências e a Universidade de Campinas (Unicamp) que é ressaltada pela maneia que a praça central foi implantada, com o caráter de centro da universidade. As duas internacionais são a University of Technology Sydney (UTS), na Austrália, que se destaca pela distribuição em eixo e implantada no centro da cidade, e a University of New York (NYU), nos Estados Unidos da América que tem como ponto principal a distribuição no entorno da praça Washington Square. Como pode se perceber as universidades se relacionam, tendo duas com o caráter linear, de eixo e outras duas com o caráter radial, de malha. As duas morfologias são interessantes para a universidade que está sendo

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proposta, e a semelhança tanto de proposta de ensino, das universidades brasileiras, como de implantação, das quatro, deve ser destacada. A característica de linha ou eixo é observada no Instituto de Ciências da UnB e na UTS, onde o percurso tem o papel de conectar os pontos, sejam eles salas de aula e auditórios, como na UnB, ou o prédio da biblioteca com o de ciências, como na UTS. O interessante de observar e apreender a implantação como eixo é que, no caso da universidade proposta, a rua passa a ser o principal elemento de conexão entre os prédios, e isso resulta em uma atenção especial aos elementos que compõe o passeio, resultando não somente em um projeto para os lotes dos prédios, mas para a região da República. Conseguindo assim dar uma nova “cara” a região, onde não necessariamente as placas indicam onde o pedestre se encontra na cidade, mas o desenho do passeio e mobiliário os orienta. A característica de malha ou rede também é observada, visto que os terrenos se distribuem não somente de forma linear, mas ocupam diversos quarteirões do entorno da praça, e assim como a Unicamp e a NYU a tem como elemento articulador do programa. A praça da república ganha o caráter de área de convívio da universidade, claro que a interação ocorrerá nos corredores dos prédios, nas ruas e nos encontros, mas a praça tem a intenção de condensar tudo isso, sendo palco de encontros, atividades acadêmicas e sociais, sendo assim a praça se torna o principal local público da região, não somente com os moradores e trabalhadores do bairro, mas agora com os estudantes e professores que lá se encontram. Promovendo a interação entre universidade e cidade.

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UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA Brasília, DF, Brasil 15° 45’ 47.36” S / 47° 52’ 14.27” O Autor: Lucio Costa, Oscar Niemeyer Ano de fundação: 1962 Primeiro Reitor: Darcy Ribeiro

imagem aérea fonte: Google Maps

800m

A Universidade de Brasília (UnB) está localizada na cidade de Brasília e foi implantada quando a cidade tinha apenas 2 anos de existência. Foi inaugurada com a promessa de reinventar a educação superior no brasil, integras as diferentes formas de saber e formar profissionais comprometidos com a transformação do país. É resultado da integração de diferentes pensadores; o antropólogo Darcy Ribeiro definiu as bases da instituição, o educador Anísio Teixeira planejou o modelo pedagógico e o arquiteto Oscar Niemeyer consolidou as ideias nos prédios da universidade. A intenção era criar uma experiencia de educação inovadora no pais, unindo o que havia de mais moderno em pesquisas tecnológicas com a produção acadêmica capaz de melhorar a realidade brasileira.

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“Só uma universidade nova, inteiramente planificada, estruturada em bases mais flexíveis, poderá abrir perspectivas de pronta renovação do nosso ensino superior”, diz o Plano Orientador, 1962. A partir de 2006 a Universidade de Brasília se abriu novos centros de ensino, tornando-se multi-campi, quando foi inaugurada a Faculdade UnB Planaltina (FUP), relacionada a ciências naturais e agrárias, a primeira que não estava no plano piloto. Depois de dois anos foram inauguradas mais duas faculdades, a de Ceilândia (FCE), especializado em cursos de saúde, e do Grama (FGA), especializado em engenharias, que passaram a receber estudantes professores e técnicos. Surgiram com o propósito de ampliar de descentralizar as atividades acadêmicas, e também para contribuir com o desenvolvimento regional, apoiadas pelo Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni) do Mistério da Educação do Governo Federal. A UnB Conta também com a Fazenda Água Limpa (FAL) que se encontra a 28km do campus principal, tendo mais de 4,3mil hectares de destinados a preservação ambiental e produção acadêmica. Conta com cerca de 40mil alunos distribuídos em todos os campi, a UnB tem os cursos de matemática e antropologia com reconhecimento a nível internacional. A universidade possui uma prefeitura própria, a qual auxilia a reitoria nos serviços de infraestrutura da UnB, coordena a manutenção predial, as instalações e equipamentos, transporte, segurança, obras de reforma, conservação e limpeza, comunicação visual e telecomunicações. A prefeitura oferece serviços de transporte entre campus de forma gratuita em horários prédefinidos, devido a distância entre eles na região da cidade

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de Brasília, saindo de 30 em 30 minutos, das 07:00 as 23:00. Possui três princípios fundamentais que baseiam a administração e regem o estatuto da universidade: gestão democrática, descentralização e racionalidade organizacional. A estrutura administrativa em grande parte funciona no prédio da reitoria, onde se encontram as unidades acadêmicas, centros, conselhos superiores e órgãos complementares. A implantação da UnB tinha como intenção o máximo de interlocuções entre os diversos atores acadêmicos, e assim possibilitando novas perspectivas para o conhecimento cientifico, desejo de Darcy Ribeiro. O plano piloto da UnB foi desenvolvido por Lucio Costa, respondendo as necessidades dos educadores, localizando institutos separados das faculdades, relacionando-se com base em sua afinidade programática. Entretanto foi Oscar Niemeyer que fez a leitura mais literal e radical das intenções de Darcy.

croqui conceitual ‘minhocão’ com equipamentos distribuídos croqui corte ‘minhocão’

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esquemático

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No início da estruturação do sistema universitário no Brasil (1930), acreditava-se que as instituições, caracterizadas como escolas, deveriam ser implantadas fora da malha urbana. Posteriormente define-se o conceito de cidade universitária como modelo desejado para os espaços universitários, unindo e concentrando as escolas em um único espaço. O projeto de Niemeyer altera a estrutura de concentração, e a substitui pela sobreposição de usos e funções, aproximando e conectando professores e alunos e usuários em um único edifício, para todas as atividades. O edifício do Instituto Central de Ciências tem o caráter de percurso, que aglomerava institutos, salas de aula, anfiteatros, departamentos e outros equipamentos em uma massa linear de 780m por 80m de largura, ficou popularmente conhecido como ‘minhocão’ pelos alunos e funcionários. A integração entre alunos dava-se nos corredores do prédio e em suas áreas de descanso. Tendo o programa distribuído de forma linear, o caminhar se torna o ponto de conexão para os usuários, onde indo de um instituto ao outro, ou da sala de aula para o anfiteatro, o edifício se comporta como ‘rua’ sendo o principal local de interação e troca de ideias, que era o objetivo inicial de Darcy em sua concepção.

circulação prédio do institudo de ciências foto: Ariela Giuli

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UNIVERSIDADE DE CAMPINAS Barão Geraldo - Campinas, SP, Brasil 22° 49’ 6.38” S / 47° 3’ 52.99” O Autores: Fausto Castilho Ano de fundação: 1966 Primeiro Reitor: Zeferino Vaz

imagem aérea fonte: Google Maps

1000m

A Universidade de Campinas (Unicamp) se encontra no distrito de Barão Geraldo, cerca de 12km da cidade de Campinas, no interior de São Paulo. A Universidade foi resultado de um projeto concebido pelo médico Zeferino Vaz, que desde seu primeiro momento se destacou pelo modelo inovador, com o foco na pesquisa como elemento de qualificação do ensino em todos os possíveis níveis, e tendo das relações com a sociedade como elemento intrínseco da atividade acadêmica. Responde por 8% das pesquisas acadêmicas do Brasil, sendo que 12% da pós-graduação nacional e é a líder em patetes e números de artigos per capita publicados anualmente em revistas indexadas na base de dados da ISI/ WoS. Lidera o ranking nacional em publicações científicas nas revistas internacionais catalogadas e tem a média anual 26

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de 2,1mil teses e dissertações defendidas (com 99% de aprovação). Possui três campi; em Campinas, Piracicaba e Limeira, compreendendo 24 unidades de ensino e pesquisa, possui um complexo de saúde também, com duas grandes unidades hospitalares em Campinas e 23 núcleos de centros interdisciplinares, dois colégios técnicos e uma série de unidades de apoio, compreendendo cerca de 50mil pessoas. A principal característica da Unicamp foi ter escapado da tradição brasileira de criação de universidades. Foi criada a partir da ideia que englobava e integrava todo seu conjunto, ao contrário das universidades típicas nas quais visavam uma simples acumulação de cursos e unidades. Ela é uma autarquia, autônoma em política educacional, porém subordinada ao Governo Estadual, no que se refere a verbas e subsídios para se funcionamento, os principais recursos vêm do Governo do Estado de São Paulo e de instituições nacionais e internacionais de fomento à pesquisa. Devido à maior parte da verba vir do governo, referente a impostos captados, com as crises e a diminuição da arrecadação a universidade sofre com a queda de financiamento, assim como a Universidade de São Paulo (USP) e a Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp), mesmo não estando em estado tão grave quando as duas.

prédios distribuidos no entorno da praça. Fonte: Unicamp. Disponível em: < http://www.ggte.unicamp. br/ocw/?q=node/7UTS 01> Acessado em: 23/05/2017.

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A implantação do campus principal em Barão Geraldo é o resultado da relação entre o projeto pedagógico, proposto por Zeferino, urbanístico, proposto por Fausto Castilho, traduzindo a intenção de integração proposta. A implantação se assemelha à um círculo, com uma praça central, que orienta e organiza o reto da universidade. A praça central, chamada de “Praça do ciclo básico”, define a implantação dos institutos, área 1 de faculdades, e área 2 para órgãos complementares.

croqui conceitual distribuição radial do programa no entorno da praça

O logotipo da universidade traduz a ideia de conhecimento numa forma amorfa e sem contorno – idealizado por Zeferino Vaz e criado pelo artista plástico Max Schiefer e pelo arquiteto João Carlos Bross, na década de 70. As treze listras representam a bandeira paulista, a bola branca é o símbolo de unidade, ponto de encontro de pessoas, e o conhecimento humano é simbolizado pelas três circunferências vermelhas: Ciências Exatas e Humanidades. 28

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A Praça do Ciclo Básico representa a maior área de vivência dos estudantes, onde eles compartilhariam do espaço para o convívio e integração. Palco de discussões, interações e compartilhamento de ideias, a praça representa o espaço público da universidade. A distribuição do resto da universidade no entorno dessa praça, como se fossem anéis em volta de um centro, reforçam a importância da praça, intensificando o uso e o reconhecimento delas pelos estudantes.

croqui conceitual adaptação do aspecto radial para o projeto

Em relação ao plano pedagógico, a proposta do “Ciclo Básico” de dois anos é um ponto chave para a integração “intelectual” dos alunos. Durante esse período as matérias que se relacionam são lecionadas no mesmo local, fazendo com que alunos de diferentes cursos interajam, intensificando a integração e o relacionamento entre eles. As faculdades e institutos de distribuem de forma radial no entorno da praça do ciclo básico, tendo como elemento de ordenação e orientação a partir desse elemento ordenador.

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UNIVERSITY OF TECHNOLOGY SYDNEY Sydney, NSW, Austrália 33° 52’ 59.65” S / 151° 12’ 1.79” E Autor: Ano de Fundação: 1988 Primeiro Reitor: -

imagem aérea fonte: Google Maps

200m

A University of Technology Sydney (UTS – Universidade de Tecnologia de Sydney) se considera uma universidade dinâmica e inovadora, no centro de Sydney. Se localiza próximo ao Sydney’s Central Business District (CBD) – Distrito Central de Negócios – e está no coração da cidade. É considerada a universidade número um entre as “jovens” universidades da Austrália, e atualmente é uma das líderes dentre as universidades tecnológicas do país. Em 26 de janeiro de 1988, através do “University of Technology, Sydney, Act”, antigo New South Wales Institute of Technology a universidade foi oficializada, aglomerando The School of Design, antigo Sydney College of the Arts.

A UTS é parte do Australian Technology Network (ATN - Rede de Tecnologia Australiana) sendo que somente 30

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5 universidades proeminentes que se comprometem com a indústria e governo participam. Atualmente mais de 40.000 alunos estão inscritos na universidade, fazendo da mesma uma das maiores do país. O campus se distribui ao longo do CBD de Sydney, que nos próximos 3 anos pretende completar o masterplan do campus completo. De acordo com o ranking QS World University Rankings ela se encontra na posição 193 no mundo e em 9º na Austrália e foi colocada 28 vezes entre as 100 universidades mais internacionais pelo Times Higher Education World University Rankings. O campus se distribui ao londo da Broadway Avenue, entre o Central Business District e o Victoria Park, onde a University of Sydney (UniSyd) se encontra, a primeira universidade fundada na Australia em 1850. Os edifícios principais se distribuem ao longo da avenida até a Mac Arthur Street, aproximadamente três quarteirões que adentram no bairro. As habitações estudantis se distribuem no entorno desse campus principal, todas tendo uma proximidade que permita o caminhar confortável.

croqui distribuição do programa ao longo do eixo

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A UTS oferece o transporte entre os edifícios das faculdades, as acomodações estudantis e o Moore Park, onde se encontra o centro esportivo da universidade. É possível se locomover entre esses pontos através das linhas de ônibus e o SLR (Sydney Light Railway, linhas de veículos leves sobre trilhos da cidade), que por meio de uma associação entre a universidade e a prefeitura os estudantes tem direito à um desconto usando a carteirinha oficial da faculdade.

estudantes na praça com prédio do Frank Gehry ao fundo. Fonte: UST. Disponível em: < https:// www.uts.edu.au/future-students/ international> Acessado em: 23/05/2017.

O desenvolvimento e crescimento do campus é um objetivo da universidade desde que a mesma se firmou em 1988, acreditando que investimentos em pesquisas e a internacionalização da universidade iam contribuir para a melhoria da mesma, fazendo uso de investimentos públicos e privados. A visão para o “campus finalizado” foi concebida em 2008 e o investimento veio por meio do apoio do governo, indústria e doadores privados, além de 50 milhões de dólares captados pelo Education Infrasctructure Fund (Fundo de Educação e Infraestrutura) do governo federal australiano e uma doação de 20 milhões de dólares pelo sinoaustraliano líder de negócios Dr. Chau Chak Wing – maior doação privada para uma universidade que já aconteceu no país – possibilitando a expansão e desenvolvimento da universidade. 32

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croqui implantação uts, central station, paddy’s market, broadway mall à esquerda, china town e powerhouse museum

O marsterplan tem uma característica axial, onde, em uma linha, os edifícios principais se distribuem ao longo da avenida. Por estar inserida no tecido urbano de Sydney, a vivência dos estudantes se dá diretamente nas ruas, áreas comerciais e parques da região. O interessante é a proximidade com pontos de grande concentração de pessoas; a Sydney Central Station, maior terminal de trens e ônibus da cidade, a proximidade com a UniSyd permite também a interação dos alunos, ocorrendo festas e encontros que as universidades organizam juntamente e a proximidade com o Paddy’s Market e China Town, local de comércio e alimentação baratos e que atraem muitas pessoas, não só turisticamente, mas no dia a dia também.

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NEW YORK UNIVERSITY Nova Iorque, NY, Estados Unidos 40° 43’ 46.24” N / 73° 59’ 47.25” O Autor: Ano de Fundação: 1831 Primeiro Reitor: Albert Gallantin

imagem aérea fonte: Google Maps

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A New York University (NYU - Universidade de Nova Iorque) se encontra na cidade de Nova Iorque, NY, Estados Unidos, e é uma das maiores universidades privadas de seu país. Fundada no ano de 1831, por Albert Gallatin, que foi Secretário do Tesouro para os presidentes Thomas Jefferson e James Madison. Apesar da realidade da época, onde somente a classe social mais alta tinha acesso à educação superior, sua intenção era “estabelecer um sistema de educação prático e racional que se adaptaria a todos e graciosamente” aberta a todos, em uma cidade que estava em intenso e rápido crescimento” de acordo com ele. Entre os 3000 institutos de educação superior nos Estados Unidos da América, a NYU é uma das únicas 60 que são membros do Association of American Universities (Associação de Universidades Americanas). Em seu 34

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primeiro semestre contava com apenas 158 estudantes, e hoje em dia mais de 50.000 frequentam os 3 campus de formação, localizados em Nova Iorque, Abu Dhabi e Shanghai e nos “campus satélites” na África, Ásia, Austrália, Europa e Américas do Norte e Sul. Contam com estudantes de 133 países estrangeiros. É uma das 30 universidades mais influentes no mundo de acordo com o site Best College Reviews (http://www.bestcollegereviews.org/) O campus principal, conta com mais de 40.000 estudantes, se espalha pela cidade, indo do centro de Manhattan até Greenwich Village, conta com prédios também no centro do Brooklyn. A cidade de Nova Iorque torna-se uma extensão do Campus, com institutos e centros educacionais em Upper East Side e edifícios acadêmicos no Financial District. O campus principal se distribui no entorno imediato da Washington Square, tendo como principal meio de locomoção o caminhar pela cidade. O uso de transporte público é encorajado pela universidade, para acessar os prédios mais distantes.

washington square com prédios nyu ao fundo foto: Julia Zarouk

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A NYU oferece serviços de transporte entre as residências estudantis e os prédios da universidade, e para os edifícios mais afastados a cidade conta com linhas de metrô e ônibus, facilitando o acesso dos alunos. Conta também com um aplicativo que informa as horas de parada e o roteiro de todos os ônibus e van, tendo a possibilidade de pedir um se o estudante estiver na madrugada ainda na faculdade.

croqui relação washington square e prédios da universidade

A implantação da universidade permite a vivência dos estudantes na cidade, sendo que a praça (Washington Square) é o principal local de convívio dos estudantes, dando suporte para atividades de lazer, encontro e eventos estudantis, sendo um local bastante ocupado na hora do almoço e refeições. A apropriação dos edifícios e terrenos foi se dando ao longo do tempo, durante a crise econômica da década de 1970 a universidade vendeu parte do campus à cidade de Nova Iorque. No início década de 1980, com o presidente John Brademas, , a popularidade da universidade aumenta e houve um investimento de um bilhão de dólares, que foi crucial para o desenvolvimento do campus, focado em investimento em novos terrenos e prédios, sendo o alvo antigos prédios de escritórios, hotéis e boates noturnas.

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A localização dos prédios no entorno da praça forma uma malha, sendo conectada através do caminhar, os estudantes, com suas atividades cotidianas, ativam a praça, deixando a viva e segura. A Washington Square é um ponto turístico o ano inteiro, e talvez a principal contribuição da universidade para a cidade seja mantê-la movimentada o ano inteiro, urbanisticamente falando. A união entre a iniciativa privada da universidade e a boa vontade da cidade de Nova Iorque deve ser um exemplo para o projeto, sendo que a contribuição da universidade para a cidade tornou-se inestimável hoje em dia.

croqui relação washington square com fluxos que a implantação permite - ativação da praça

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REFLEXÃO Nesse capítulo será discorrido um breve panorama sobre as universidades brasileiras e conceitos que embasam a proposta de implantação. De maneira sucinta compreender a realidade em que as universidades se encontram, e a partir disso um ensaiar uma possível proposta, contribuindo para a melhoria da situação existente. Os conceitos e referências são relacionados com a maneira que a universidade foi implantada, buscando argumentos que reforcem como a proposta foi entendida e projetada.

universidade conflitante “Os primeiros, representados pelo desafio de estudar melhor a própria universidade, a fim de conhecer, exatamente, as condicionantes a que está sujeita e os requisitos de sua transformação. Os últimos, por se dividirem em os próprios universitários, relativamente ao caráter e ao sentido destas transformações, pois elas podem contribuir tanto para a universidade constituir-se em motor de mudança da sociedade global, como para erigir-se em fortaleza defensiva do status quo” (RIBEIRO, 1969, p. 24).

RIBEIRO, Darcy, 1969. A universidade Necessária. São Paulo, Paz Terra, 5ª ed., 1991.

Publicada há mais de 40 anos, a obra “a universidade necessária” de Darcy Ribeiro (1969) introduziu questões sobre a renovação universitária, apontando questões que contribuem para a definição da estrutura universitária corrente, não somente no Brasil, mas também nos países da América Latina. Questões como as mudanças sociais, crescente urbanização, industrialização e movimentos políticos da década de 1960, que se mostram atuais ainda hoje. Darcy aponta que a causa da crise nas universidades é política, visto que estão inseridas em estruturas sociais

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conflitantes, onde há duas partes: uma mais conservadora e que quer a universidade disciplinada, e outra que deseja que a estrutura das universidades seja renovadora. Aponta também que a crise é estrutural, pois os problemas que as universidades apresentam não conseguem ser resolvidos no quadro institucional vigente, pedindo assim reformas profundas do modelo de universidade existente. Grosso modo, a solução para essa crise possui conteúdos intelectuais e ideológicos e se dá em dois momentos: o primeiro com a intenção de conhecer melhor a própria universidade existente, e o segundo por se dividir diretamente com os universitários. Segundo o autor, há duas maneiras apresentadas pelos universitários para a discussão de sua própria universidade e assim, propor caminhos para superar os problemas existentes. A primeira é através da “modernização reflexa” e a segunda o através do “desenvolvimento autônomo”. A modernização reflexa é segundo o autor: “alicerçada na suposição de que, acrescentando-lhes certos aperfeiçoamentos e inovações, veremos nossas universidades aproximarem-se mais e mais e suas congêneres adiantadas até tornarem-se tão eficazes quanto elas” (RIBEIRO, 1991, p.25). Basicamente é identificar os problemas existentes, e buscar as soluções em universidades que já os superaram que na maioria dos casos são universidades estrangeiras, ficando gradualmente similares a elas, buscando chegar ao patamar de igualdade. Esta primeira maneira é mais fácil de ser aplicada, já que não exige esforços para ser implantada. Trata-se da simples reprodução e apreensão de modelos existentes, que não compreendem a situação e realidade brasileira.

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Como resultado, possivelmente alguns setores crescerão, segundo Darcy, “graças à impetuosidade de seus dirigentes”, enquanto outros ficarão para trás, pelo motivo oposto. É provável que haja melhorias em serviços prestados, desde que aceitem se conformar com o que lhes foi indicado. Assim, a universidade torna-se resultado desse choque entre as duas posturas, e continuará exercendo seu papel, mas sem a reflexão de o porquê existe e qual sua função social, ou mesmo o questionamento de quais modelos devem ser apreendidos ou não, e se esses modelos são realmente o ideal para resolver a problemática local. Já o desenvolvimento autônomo exige o máximo de esclarecimento e intencionalidade, em relação à sociedade, realidade nacional e à universalidade. Podendo ser executado somente com uma análise e diagnóstico profundo sobre os problemas existentes e uma projeção rigorosa de seu crescimento com escolhas estratégicas dos objetivos, diretamente oposto à postura da modernização reflexa. Pretende não só transformar a universidade, mas também busca uma reflexão de como a sociedade como um todo poderia ser, exigindo que as decisões possam ser tomadas tanto por ambas as partes. A opção pela autonomia ainda afeta interesses maiores, visto que a situação existente já possui membros de diversas classes sociais favorecidos economicamente, e uma mudança nessa organização pode pôr em risco, mesmo que em parte, seus privilégios. As opções de renovação do ensino universitário também podem se enquadrar nas possibilidades que temos para a evolução da nossa sociedade: pode ser uma manutenção da estrutura vigente, buscando o

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aperfeiçoamento da mesma, saindo da condição de colônias e metrópoles, que atualmente ainda são áreas de exploração neocolonial das nações pioneiras da industrialização; ou uma mudança realmente estrutural, baseado em reflexões e questionamentos do modelo em que vivemos atualmente, e assim buscar o ideal como sociedade, através do desenvolvimento industrial como economias independentes e culturas próprias, tendo o Japão e os Estados Unidos como exemplo desse caso.

croqui conceitual de pontos a serem considerados na concepção da proposta

Partindo desses questionamentos universidade proposta propõe uma reflexão sobre sua contribuição para a sociedade, resultante da conceituação de seu plano pedagógico. Entende-se que uma problemática atual das universidades é o seu objetivo de, apenas, formar profissionais. Cada profissional isolado em seu campo do conhecimento, sem o cruzamento de informações entre campos, cada vez mais resolvendo problemas pontuais e não problemas complexos, sendo que a cidade e a sociedade são compostas em maior parte de problemas complexos. É apreendido das universidades estrangeiras questões como implantação, formas de administração,

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investimento em pesquisas e incentivo a diversidade cultural e intelectual. Das nacionais as questões que se adequam a realidade da sociedade brasileira, como as propostas da Unicamp e UnB. As opções que Darcy Ribeiro apresenta podem ser entendidas com o uso da conjunção ‘ou’, tendo que optar entre a modernização reflexa ou o desenvolvimento autônomo. No caso a intenção é trocar a conjunção ‘ou’ por ‘e’, uma mistura do que há de mais interessante a partir dos casos estudados, fazendo a proposta apreender pontos positivos em todos os aspectos. O plano pedagógico proposto pretende intensificar as atividades entre os estudantes, mesmo que não façam parte do mesmo curso, com a proposta de um ‘ciclobásico’, semelhante ao da Unicamp. Com isso pretendese formar alunos com pensamento crítico, que troquem ideias nos corredores, e ampliem seu campo de visão. Visa à multiplicidade de opções e a interação entre os alunos, assim permitindo sua participação mais ativa e esclarecida sobre qual universidade eles querem construir e estudar. A universidade tem a intenção de contribuir para a cidade, fazendo seu papel social com a renovação e qualificação de passeios, resgatando os espaços públicos existentes e aumentando a gama de atividades na região. Pretende-se que a universidade e os alunos se ‘abram’ para a cidade, assim como a cidade se abriu para eles. Uma postura diferente da atual, onde a maior parte das universidades se fecham em seus campus, pensando e resolvendo problemas que somente as interessam, fora do espectro público e da cidade. É possível que a principal contribuição da mesma seja essa possibilidade de novos contatos sociais e culturais, a partir do conjunto proposto.

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universidade rizomática Um rizoma não começa nem conclui, ele se encontra sempre no meio, entre as coisas, inter-ser, intermezzo. A árvore é filiação, mas o rizoma é aliança, unicamente aliança. A árvore impõe o verbo “ser”, mas o rizoma tem como tecido a conjunção “e... e... e...” (DELEUZE E GUATTARI, 1995, p. 36).

DELEUZE, Gilles, GUATTARI, Félix, 1995. Mil platôs - capitalismo e esquizofrenia v.1; Trad. de Aurélio Guerra Neto e Célia Pinto Costa. — Rio de Janeiro, 34ª ed., 1995.

O conceito de rizoma apresentado por Deleuze e Guattari no livro “Os Mil Platôs” tem forte relação na forma como o projeto proposto se apropria de diversos terrenos no entorno da Praça da República, ocupando-os de diferentes maneiras. Na obra os autores descrevem dois tipos de “livros”: o livro raiz - que é o clássico, que imita o mundo, com uma raiz central; e o livro ‘rizoma’ - discorrem sobre o conceito de sistemaradícula, ou raiz fasciculada, a qual enxerta uma multiplicidade imediata onde as raízes secundárias demonstram um grande desenvolvimento – este segundo se relacionando mais com o projeto. O primeiro apresenta uma ideia de ordenação, linearidade e certo “cartesianismo” das ideias, já o segundo segue uma ideia de liquidez, de organização circular e mista, onde as ideias acabam voltando-se para elas mesmas. O rizoma pode ser identificado na forma vegetal, como bulbos e tubérculos, mas também da forma animal, como ratos que deslizam sobre o outro ou como formigas, que mesmo quando a colônia sofre algum ataque reduzindo-se em números, ela se recupera e se adapta. Surgem de forma espontânea e ocupam os locais possíveis para o seu desenvolvimento, possuindo formas diversas desde sua extensão ramificada até os seu “final”, onde se encontram os tubérculos. Assim como a universidade, que se pretende criar diversas formas de conexões – raízes – como os passeios, movimentos de pessoas, sinalizações e trocas de dado tendo no fim delas os prédios – tubérculos – que concretizam a conexão e a tornam física.

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O primeiro e segundo princípio de um rizoma são os de conexão e heterogeneidade, respectivamente, onde qualquer ponto pode ser conectado a qualquer outro. Diferentemente de uma árvore ou eixo, que se fixa em um ponto e cria uma ordem, no rizoma não há necessariamente uma ligação clara e ordenada, pode se caracterizar por diversos tipos de conexões em diversas escalas e matrizes. Essas conexões podem ser identificadas na universidade de várias maneiras, desde a rede de wi-fi e dados que conecta todos os estudantes no mesmo plano de informações, até a troca de ideias e conversas nos corredores, ou a relação criada entre o entorno da cidade com os prédios da universidade. Assim, ocupa diversas matrizes, como o plano físico, o plano de ideias e o plano líquido de informações e dados, criando a malha que “amarra” a universidade. O terceiro princípio do rizoma é a multiplicidade, o abrir mão de sua unidade para tornar-se parte de um todo. As multiplicidades são rizomáticas e denunciam pseudomultiplicidades arborescentes, quando o sujeito abre mão de sua individualidade para participar do coletivo. A multiplicidade não tem sujeito nem objeto, mas determinações, grandezas, dimensões que crescem de acordo com ela. Sendo assim, os prédios, que mesmo separados fisicamente, respeitam a questão da multiplicidade, já que embora cada um tenha a sua individualidade, todos abrem mão disso para participar do coletivo maior, no caso de faculdades para universidade. Há também relação desse conceito de rizoma na questão da proposição do plano pedagógico, que visa à formação do estudante como um universitário de pensamento crítico, não como um indivíduo focado em sua área de trabalho da formação, mas com a interdisciplinaridade como elemento que dá base para a sua formação como cidadão. 46

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croqui representando um rizoma, suas entradas e áreas de influência

Uma das principais e mais importantes características de um rizoma é a de ter múltiplas entradas sempre. No sentido animal pode ser observado pela toca de uma lontra, que não necessariamente tem um local fixo para ser acessada, mas, ao longo do sistema de um rio, a lontra pode entrar por diversas portas e mesmo assim configurar o seu local de descanso. A partir do momento que o aluno ou usuário se encontra nos arredores do campus já pode acessar a rede da universidade, pelo seu celular, notebook ou tablet, entrando assim no campo das informações. Já ao entrar nos prédios, o aluno tem acesso aos serviços da universidade agora em um plano físico, conectando ele com as salas de aula e materiais de ensino. Esse espaço físico da universidade é suporte para as atividades e aulas, onde os alunos e professores podem interagir e contribuir para a formação dos mesmos. A universidade, assim como um rizoma, possui diferentes formas de entrada e acesso, possibilitando a conexão dos alunos em diversas matrizes, físicas e não físicas.

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A ideia de a universidade “brotar” como uma erva daninha nos terrenos que estão disponíveis se relaciona com esse conceito. A partir da implantação do primeiro edifício, as “raízes” e conexões começam a ser feitas, assim a universidade começa a se apropriar de outros terrenos, expandindo seu território e suas conexões. Os terrenos de cursos relacionáveis se encontram próximos, criando essa primeira interação. A segunda interação acontece entre os edifícios de uso geral dos alunos, a praça e essas primeiras interações, quando os universitários se deslocam para os edifícios. Por fim quando o masterplan do campus estiver completo e suas conexões e interações estiverem se renovando quase que diariamente, será possível compreender o complexo inteiro como um “organismo vivo”, que possui suporte no plano físico, com suas ruas, prédios e praça, e suporte no plano líquido, com informações e dados, com a interação dos usuários. A interação e conexão dos usuários pode começar simplesmente pela identificação das novas placas ou dos novos postes que serão instalados, que dão o novo caráter para a região.

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universidade como malha “Estas redes están vivas y son variables, no tienen forma; pueden aceptar la forma de su contenido, como um líquido adopta la forma del recipiente” (GAUSA, 2001, p.385).

GAUSA, Manuel, 2001. Diccionario Metapolis de Arquitectura Avanzada. ACTAR D, Espanha, 2001.

O conceito de malha, de acordo com o Diccionario Metápolis Arquitectura Avanzada, de Manuel Gausa, é um conjunto entrecruzado e sobreposto de redes ou malhas, que qualificam e trazem sentido aos espaços, os geram e criam artifícios, do mesmo modo que negam outro. Sob uma perspectiva analítica, o conceito se relaciona e reforça o caráter do projeto, uma vez que se trata de uma nova “malha” que se sobrepõem a um território onde já existem diversas outras, ou seja, mais um layer sobre a região da República. As malhas criam tensões e relações com os territórios em que atuam, podendo se vincular ou se desprender dos mesmos. As configurações da malha são variáveis e mutáveis, mas têm o sentido de desconfigurar (ou des-significar, em parte) a retícula urbana existente, onde os traçados e caminhos são definidos por uma malha linear completamente racionalizada. Às malhas mais interessa a capacidade de organização dela, com seu caráter elástico, completamente mutável e alterável de acordo com a situação ou preexistência. O território pode ser lido como a sobreposição das seguintes malhas: a do metrô – composta pelas linhas e estações; a das ruas – composta pelo leito carroçável e carros; a dos caminhos – composta por passeios de pedestres; a das áreas de permanência – composta pelos comércios e áreas públicas; e por fim a das dinâmicas urbanas – composta pelas conversas e vivências do cotidiano. As infraestruturas existes configuram uma realidade consolidada formada por diversos

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layers sobrepostos que, mesmo com certa fluidez, seguem um padrão cotidiano. Os terrenos propostos configuram os pontos de uma nova rede, que vem para diversificar e mudar a dinâmica corrente da região. Com o novo uso, novas pessoas com novos interesses passarão a conviver na região, e assim novas relações e novas dinâmicas serão criadas, quase que espontaneamente, proveniente da sobreposição dessa nova malha.

croqui conceitual sobreposição de malhas e infraestruturas

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Uma vez que a trama dos terrenos propostos está colocada no território, percebe-se que ela já entra em mutação. A partir do momento que essa pousa sobre as existentes, percebe-se a criação de uma malha ‘secundária’, resultante do choque entre elas. Ou seja, a partir do momento que o layer de prédios é sobreposto com o contexto existente, surgem as camadas das conexões; dos terrenos com eles próprios e com o terreno existente. As conexões configuram uma nova rede, composta pelos caminhos, conversas, passeios de todas as pessoas que vão frequentar esse novo espaço. O território se modifica, e todas suas malhas prévias sofrem um impacto que, devido à liquidez e à flexibilidade das mesmas, se modificam. Esse choque de malhas resulta em uma adaptabilidade da condição corrente, a qual abraça e articula essa nova camada que está sendo proposta. A partir do momento que se adaptam, configuram um território completamente “inédito”, que não seria possível sem esse “choque”. O conceito é utilizado para reforçar a ideia de que o projeto é funciona como elemento articulador de uma nova dinâmica para a região. Como também que sua implantação, programa e uso vem para resinificar o território do entorno da Praça da República, utilizando-se de sua infraestrutura existente, como suporte para novas interações, novos laços e novas dinâmicas.

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universidade de encontros “Caminhar é o início, ponto de partida. O humano foi criado para caminhar e todos os eventos da vida – grandes e pequenos – ocorrem quando caminhamos entre outras pessoas. A vida se desdobra sobre nós quando estamos a pé” (GEHL, 1996, p.19).

GEHL, Jan, 1996. Cidade para pessoas/ Jan Ghel; Tradução Anita Di Marco. São Paulo, Perspectiva, 2ª ed., 2013.

Entre essas conexões propostas pelo conceito de rizoma, o meio de conexão físico entre os prédios seria o caminhar. É durante o caminhar que o indivíduo se dá conta do seu entorno, onde percebe sua localização na cidade, onde a cidade dá a escala ao pedestre, onde as interações e eventos ocorrem. A proximidade dos prédios da universidade permite essa conexão pelo andar, dando assim suporte para essas atividades ocorrerem. Colocando em uma perspectiva histórica, a cidade sempre foi o ponto de encontro das pessoas, onde ocorriam os eventos públicos e religiosos, procissões e festas, até punições eram feitas em vista do público. A Praça da República, como explicitado anteriormente, foi palco de diversas manifestações importantes, além de ser local de encontros e atividades públicas. O que se propõe é a intensificação desse caráter de espaço público como local de acontecimentos sociais na região do projeto, resgatando um pouco da importância da praça não somente no contexto de bairro, mas da cidade como um todo. Sendo assim, a implantação visa a conexão por meio das vias existentes, para que o caminhar ocorra de maneira prazerosa e segura na região. A implantação de um mobiliário urbano que possa servir o cidadão de forma adequada e com qualidade é um dos objetivos do projeto. Adequação de bancos, lixeiras e bebedouros, para que o usuário possa transitar e aproveitar dos locais de descanso e apreciação da cidade, como também implantação de postes de luz para pedestres, balizadores, rampas de acesso para deficientes para garantir a 52

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segurança dos mesmo ao andar na cidade. Na Praça da República, como será local de grande fluxo de pedestres, por mais que não seja uma via, propõe-se uma adequação no sistema de iluminação, visando a segurança do usuário em todos os horários do dia. Além da troca de mobiliário, placas e implantação de mais banheiros públicos, a praça recebe um novo módulo de quiosque, capaz de fornecer infraestrutura para que diversas atividades ocorram, aumentando as opções para o público, já que hoje em dia não há muitas. Esses serviços podem ser de aluguel de livros e jogos, banca de jornal, alimentação e banheiros públicos, com o objetivo de ampliar as opções do pedestre, que fazem uso da praça como espaço público. Com a implantação da universidade e o aumento de usuários, a praça torna-se o “coração” do projeto, entendendo que nela ocorrerão diversas atividades acadêmicas, culturais e sociais, sendo o maior e mais importante espaço público para os estudantes. Pode ser palco de apresentações e debates dos estudantes, até mesmo protestos e reclamações, como a praça historicamente já é palco, e porque não também apenas um local onde os estudantes podem fazer um piquenique entre as aulas ou nos horários de almoço. Busca-se a versatilidade do espaço, possibilitando que ocorra a caminhada, a parada, o descanso, a permanência e a conversa onde os estudantes possam interagir e se apropriar entre as aulas e nos horários de almoço – praça como uma continuação das relações sociais feitas nas faculdades, mas agora com outra “perspectiva” / caráter da vida pública e urbana. De acordo com Jan Gehl a qualidade do espaço físico é uma variação entre as atividades necessárias, as atividades

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opcionais e as atividades sociais. Um ambiente físico de baixa qualidade possui uma opção normal de atividades necessárias, poucas atividades opcionais, logo poucas atividades sociais. Um ambiente físico de alta qualidade compreende o mesmo número de atividades necessárias de um de baixa qualidade, mas com um maior número de atividades opcionais para os usuários, assim intensificando as atividades sociais. A implantação desse novo mobiliário e dos suportes tem a intenção de aumentar as atividades opcionais para os usuários, tornando assim a Praça da República em um ambiente físico de alta qualidade.

croquis pensamentos para a praça da república

As atividades sociais necessitam da presença de outras pessoas, se o espaço da cidade for vazio, nada acontece. O espaço público é o palco dessas atividades sociais, podendo ser passivas como olhar e escutar, ou mesmo ativas onde as pessoas se cumprimentam e conversam. Encontros casuais podem ocorrer em bares, restaurantes, praças, ou mesmo em pontos de ônibus, onde as pessoas fazem perguntas simples sobre qual ônibus devem subir para ir para tal ponto da cidade. As pessoas são a maior forma de atração urbana, entre andar em uma rua vazia ou uma movimentada, todos escolhem a movimentada, não somente os pedestres, mas o comércio também escolhe o local de mais concentração de pessoas, onde em um café, por exemplo, a área mais importante e utilizada é a que dá vista para a rua. 54

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Num primeiro momento a crítica sobre as universidades é posta, e assim é pensada uma nova proposta para tal, além de uma nova postura social que podem assumir. Após a nova proposta colocada, é pensada na representação disso no desenho urbano da universidade, embasados por conceitos de rizoma e malha que se relacionam diretamente com a maneira que a mesma foi implantada. O conceito de caminhar como acontecimento é o que resulta dos conceitos prévios, reforçando as ideias de conceituação da universidade, implantação e distribuição do campus, além de explicitar a nova dinâmica que é resultante no território.

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UNIVERSIDADE REPÚBLICA A partir da apreensão do que foi apresentado sobre histórico, território, casos e conceitos, a proposta projetual é introduzida em duas partes, segundo a diferença de escalas, uma urbana e outra do objeto: o campos e a biblioteca central. O campus da universidade proposta desenvolve-se em 3 momentos, seguindo o raciocínio da concepção do mesmo. O primeiro momento, chamado de “inserção”, trata dos lotes mapeados que foram escolhidos para abrigar o projeto. O segundo, “ocupação”, é a distribuição do programa da universidade. O terceiro é a “conexão”, resultado dos dois anteriores, que foram pensados para gerar o maior número de conexões possíveis.

inserção A primeira leitura do território se dá a partir da inserção da universidade nos terrenos que foram apropriados para o projeto. Cada terreno possui suas características específicas, a partir disso foi estabelecida uma forma geral de apreensão e ocupação, para que, independente de suas individualidades, pertencessem ao mesmo grupo. Cada terreno varia primeiramente pela área, com diferentes medidas de profundidade e fachada para a rua. A ocupação não segue o padrão de zoneamento estabelecido pela prefeitura, no caso a região da universidade é uma Zona de Centralidade (ZC). De acordo com a prefeitura, uma ZC é uma região que se encontra fora do eixo de estruturação da 60

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transformação urbana, e é destinada à atividades típicas da região central, em que se pretende promover principalmente usos não residenciais, com densidades construtiva e demográfica médias e promover qualificação paisagística e dos espaços públicos. De acordo com o novo Plano Diretor Estratégico (PDE), o Coeficiente de Aproveitamento (CA) – relação de quanto é permitido construir de acordo com a área total do lote – é: CA mínimo 0,3, CA básico 1, CA máximo 2. Ou seja, se um lote tiver 100m², o mínimo de área construída que se pode ter é 30m², o básico é 100m² e o máximo 200m². A Taxa de Ocupação (TO) – relação de porcentagem de ocupação do lote a partir de sua área total – é de 0,85 para lotes de até 500m² e 0,70 para lotes com mais de 500m². Os recuos são definidos da seguinte forma: recuo frontal de 5m; recuo lateral e de fundo para edifícios de altura menor ou igual a 10m é 0 e para edifícios com mais de 10m é definido 3m. Como o Plano Diretor vigente é um plano geral, que não leva em conta as especificidades de cada região, mas sim a cidade de São Paulo como um todo,propõem-se algumas premissas que levem em conta as características apreendidas e analisadas sobre a região da República.

diagramas gabarito, insolação e ventilação

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PRIMEIRA APROPRIAÇÃO os primeiros terrenos a serem apropriados são os estacionamentos. primeiro pela facilidade de ocupar, pela ausência de objeto construído e, segundo por não contribuírem para a vivência do bairro.

SEGUNDA APROPRIAÇÃO a segunda apropriação são edifícios. as construções subutilizadas ou com seu potencial não atingido totalmente, com em média 2 pavimentos e degradados.

TERCEIRA APROPRIAÇÃO as garagens verticais são o foco da terceira apropriação. por ser uma área que dispõe de transporte público e serem subutilizadas.

QUARTA APROPRIAÇÃO as últimas apropriações são ão os postos de gasolina, por precisarem de um tempo de recuperação do solo contaminado. além disso, são monofuncionais e o terreno é subutilizado.

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O que define quantos pavimentos cada edifício proposto vai ter é o entorno. Para não descaracterizar, e principalmente respeitar a região, os objetos apresentados respeitam o gabarito dos arredores, a princípio podendo os superar em dois pavimentos a partir do edifício mais alto. Com esses dois pavimentos acima pretende-se captar luz natural e ventilação cruzada, além de referenciar o objeto na paisagem. Em relação ao recuo frontal, a distância também varia de acordo com o entorno, que na maioria das vezes é alinhado com o limite frontal do terreno. Os recuos laterais variam de acordo com as fachadas laterais dos prédios vizinhos, em caso de empenas é permitido ocupar e compor a fachada do quarteirão de forma contínua. A fachada é alinhada com as demais fachadas do entorno, mas se destaca pela materialidade proposta e pelo térreo que é diferenciado. O recuo de fundo é mantido em 3m, por questões de segurança em casos de incêndio, mas é incentivada que essa área seja tratada de maneira interessante por parte da arquitetura que será proposta.

diagrama prédios.

isométrico

proposta

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É proposto um conceito de edifício em linhas gerais, que pretende ser aplicado ao conjunto. A cobertura busca garantir a entrada de luz natural, com o uso de sheds por exemplo, o átrio central permite a entrada de luz e circulação de ar com o efeito chaminé. A fachada é dupla com uma pele externa, garantindo o conforto térmico. Como foi explicado previamente, os terrenos que são alvo da apropriação são principalmente estacionamentos, edifícios degradados, edifícios de até 2 pavimentos com uso apropriável, postos de gasolina e garagens verticais. A apropriação desses terrenos ocorreria por meio de negociações com os proprietários e com a prefeitura, explicitando o potencial de transformação e contribuição que a universidade tem para a região. No caso dos edifícios de uso apropriável temos como exemplo uma agência bancária de dois pavimentos (R. Pedro Américo, 63 esquina com Praça da República). Nessa situação, ocorreria uma negociação para que fosse desativada e demolida e, quando o prédio fosse construído, a agência voltaria a funcionar no prédio do campus. A quantidade de usuários que a universidade traz para a região teria a função de moeda de troca na negociação de lotes, exemplo: a agência tem “x” clientes atualmente, em um período de 1,5 anos (supostamente o tempo que demoraria para ser construído o prédio) o potencial de clientes dela se multiplicaria, e esse número “x” pode aumentar de forma significativa. Acaba sendo interessante para o banco e interessante para a universidade esse tipo de acordo. A garagem vertical possui um terreno adjacente que será apropriado, nesse caso ele se torna uma praça aberta, um espaço público, espaço de descanso e convívio para a cidade. 64

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diagrama apropriação da garagem vertical e lote anexo

A partir dos terrenos elencados foi criada uma lista com uma pequena ficha técnica dos mesmos, com uso atual, estado de conservação, área do lote e endereço. Como pode ser observado, a maior parte dos usos é o de estacionamentos, seguido de comércios, desconhecidos e postos de gasolina, em ordem decrescente.Totalizam 33 lotes apropriados, sendo 17 estacionamentos, 7 comércios e serviços, 3 agências bancárias, 1 posto de gasolina, 1 garagem vertical e 4 desconhecidos. Do total, 8 estão mal conservados e 25 bem conservados.

proposta praça adjacente à antigo prédio da garagem vertical.

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legenda lotes

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estacionamentos desapropriaçþes garagens verticais postos de gasolina


lista terrenos 01_R. Major Sertório, 175

Uso: Estacionamento Estado de conservação: Bem conservado Número de pavimentos: Térreo Área do lote: 1100 m²

02_R. Major Sertório, 123

Uso: Estacionamento Estado de conservação: Bem conservado Número de pavimentos: Térreo Área do lote: 1657 m²

03_R. Major Sertório, 228

Uso: Estacionamento Estado de conservação: Bem conservado Número de pavimentos: Térreo + 2 pavimentos Área do lote: 303 m²

04_R. Major Sertório, 182

Uso: Estacionamento + Cabelereiro Estado de conservação: Bem conservado Número de pavimentos: Térreo + 1 pavimento Área do lote: 318 m²

05_R. Bento Freitas, 353

Uso: Boate Estado de conservação: Mal conservado Número de pavimentos: Térreo + 1 pavimento Área do lote: 218 m²

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fonte: google maps


lista terrenos

fonte: google maps

06_R. General Jardim, 68

Uso: Estacionamento Estado de conservação: Mal conservado Número de pavimentos: Térreo Área do lote: 267 m²

07_Rua Araújo, 130

Uso: Estacionamento Estado de conservação: Bem conservado Número de pavimentos: Térreo Área do lote: 988 m²

08_R. General Jardim, 146

Uso: Estacionamento Estado de conservação: Bem conservado Número de pavimentos: Térreo + 2 pavimentos Área do lote: 320 m²

09_R. Bento Freitas, 266

Uso: Estacionamento térreo e hotel Estado de conservação: Bem conservado Número de pavimentos: Térreo + 1 pavimento Área do lote: 334 m²

10_R. Rego Freitas, 267

Uso: Estacionamento Estado de conservação: Bem conservado Número de pavimentos: Térreo Área do lote: 294 m²

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lista terrenos 11_R. Rego Freitas, 161

Uso: Estacionamento Estado de conservação: Bem conservado Número de pavimentos: Térreo + 3 pavimentos Área do lote: 548 m²

12_Largo do Arouche, 7550

Uso: Posto de gasolina Estado de conservação: Bem conservado Número de pavimentos: Térreo Área do lote: 854 m²

13_ R. Aurora, 1010 Uso: Estacionamento Estado de conservação: Mal conservado Número de pavimentos: Térreo Área do lote: 1119 m²

14_R. Aurora, 990

Uso: Garagem Vertical Estado de conservação: Mal conservado Número de pavimentos: Térreo + 23 pavimentos Área do lote: 584 m²

15_ R. Aurora, 978 Uso: Desconhecido Estado de conservação: Mal conservado Número de pavimentos: Térreo + 1 pavimento Área do lote: 295 m²

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fonte: google maps


lista terrenos

fonte: google maps

16_ R. Aurora, 970

Uso: Estacionamento Estado de conservação: Bem conservado Número de pavimentos: Térreo Área do lote: 629 m²

17_R. Aurora, 952

Uso: Comércio Estado de conservação: Bem conservado Número de pavimentos: Térreo + 1 pavimento Área do lote: 628 m²

18_ R. Aurora, 920

Uso: Comércio Estado de conservação: Bem conservado Número de pavimentos: Térreo Área do lote: 412 m²

19_ R. Aurora, 868

Uso: Comércio Estado de conservação: Bem conservado Número de pavimentos: Térreo Área do lote: 403 m²

20_ Largo do Arouche, 269

Uso: Desconhecido Estado de conservação: Bem conservado Número de pavimentos: Térreo Área do lote: 393 m²

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lista terrenos 21_Av. Vieira de Carvalho, 149

Uso: Desconhecido Estado de conservação: Bem conservado Número de pavimentos: Térreo Área do lote: 388 m²

22_ Praça da República, 241

Uso: Saída do metro, comércio e serviços Estado de conservação: Mal conservado Número de pavimentos: Térreo Área do lote: 870 m²

23_ Praça da República, 365

Uso: Estacionamento Estado de conservação: Mal conservado Número de pavimentos: Térreo Área do lote: 2147 m²

24_R. Aurora, 772

Uso: Desconhecido Estado de conservação: Bem conservado Número de pavimentos: Térreo + 1 pavimento Área do lote: 260 m²

25_ Praça da República, 481

Uso: Comércio Estado de conservação: Bem conservado Número de pavimentos: Térreo + 2 pavimento Área do lote: 374 m²

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fonte: google maps


lista terrenos

fonte: google maps

26_ Praça Júlio Mesquita, 55

Uso: Estacionamento Estado de conservação: Mal conservado Número de pavimentos: Térreo Área do lote: 1264 m²

27_ R. Joaquim Gustavo, 559

Uso: Estacionamento Estado de conservação: Bem conservado Número de pavimentos: Térreo + 1 pavimento Área do lote: 479 m²

28_ R. Pedro Américo, 63

Uso: Agencia Bancária Estado de conservação: Bem conservado Número de pavimentos: Térreo Área do lote: 505 m²

29_ R. Pedro Américo, 35

Uso: Estacionamento Estado de conservação: Bem conservado Número de pavimentos: Térreo Área do lote: 232 m²

30_ Praça da República, 423

Uso: Agencia Bancária Estado de conservação: Bem conservado Número de pavimentos: Térreo + 1 pavimento Área do lote: 536 m²

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lista terrenos 31_ Av. Ipiranga, 282

Uso: Agencia Bancária Estado de conservação: Bem conservado Número de pavimentos: Térreo + 1 pavimento Área do lote: 363 m²

32_ Av. Ipiranga, 140

Uso: Comércio Estado de conservação: Mal conservado Número de pavimentos: Térreo + 2 pavimento Área do lote: 149 m²

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fonte: google maps


33_R. Basílio da Gama, 77

Uso: Estacionamento Estado de conservação: Bem conservado Número de pavimentos: Térreo Área do lote: 1469 m²

maquete campus esc: 1:1000

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ocupação A segunda leitura vem a partir da ocupação dos edifícios propostos, ou seja, qual o uso que cada um vai ter a partir dos parâmetros de inserção que foram pré-estabelecidos. Para se propor os usos de cada edifício foi proposto um ensaio de plano pedagógico para a universidade. O plano pedagógico da universidade é a concepção de ensino e aprendizagem de um curso, sendo composto por: concepção do curso, estrutura (currículo, corpo docente, corpo técnico-administrativo e infraestrutura), procedimentos de avaliação e instrumentos normativos de apoio (colegiado, procedimentos de estágio, trabalhos de graduação) A concepção desta universidade veio a partir do debate sobre a cidade, assim, o plano pedagógico reflete essa questão. Os cursos são voltados para a zeladoria das cidades em geral, em especial para a cidade de São Paulo, buscando resolver problemas e pensar na “cidade do futuro”. Como todos os cursos partem da mesma concepção, tendo a mesma “raiz”, existem assuntos em comum que compõe os componentes curriculares: tornam-se parte do “Ciclo Básico” da universidade. O “Ciclo Básico” é constituído por matérias que os estudantes compartilhariam durante os três primeiros anos de curso, que são importantes para sua formação e para a ideia de integração que a universidade propõe. Cada curso teria sua matriz curricular específica juntamente com o “Ciclo Básico”, por exemplo: um estudante de engenharia civil estaria fazendo sua matéria de cálculo na primeira aula e na segunda aula compartilharia a sala com alunos de todos os cursos para aprender sobre urbanismo básico; ou um estudante de arquitetura sairia de teoria da arquitetura para estudar a formação da geografia de São Paulo com todos os outros 76

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estudantes. Além disso, essas aulas do “Ciclo Básico” poderiam ocorrer em qualquer prédio da universidade, o que reforça a integração entre os estudantes. As aulas que compõem o “Ciclo Básico” podem ser: urbanismo, análise histórica da formação da cidade, ética e cidadania, geografia da cidade, formações rochosas no brasil e em São Paulo, estudos socioeconômicos, gestão urbana, entre outras. Essas são sugestões de assuntos que os estudantes podem discutir e compartilhar interesses.

As faculdades propostas com seus cursos são:

-Faculdade de Arquitetura e Urbanismo: Arquitetura, Urbanismo e Paisagismo; -Faculdade de Artes e Design: Design Industrial, Design Gráfico, Design de Interiores; -Escola Politécnica: Engenharia Civil, Engenharia de Transportes, Engenharia Ambiental e Engenharia Sanitária; -Faculdade de Geologia: Geologia; -Faculdade de Geografia: Geografia; -Faculdade de Administração: Administração e Gestão Pública. A ideia de um “Ciclo Básico” com matérias que os diferentes cursos compartilham tem como objetivo resgatar ideias do debate que Darcy Ribeiro propõe no livro A universidade necessária, onde a interação e debate dos

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estudantes ocorreria de forma mais intensa, assim podendo contribuir para a construção da universidade, além de formar profissionais com uma cabeça aberta a diferentes questões que podem surgir, com a noção de seu papel social. A universidade é formada por edifícios das diferentes faculdades e por edifícios que abrigam a parte técnico administrativa. A distribuição desses edifícios é ordenada a partir da Praça da República, tendo a fachada frontal da Escola Normativa Caetano de Campos como referencial. À esquerda da Praça estão as faculdades e a Biblioteca Central; já à direita da praça estão os edifícios técnico administrativos, que são: -Biblioteca Central; -Secretaria e Reitoria; -Diretórios Acadêmicos; -Editora e Gráfica Universitária e Rádio Universitária. A organização da universidade, tanto pedagogicamente como fisicamente, tem como proposta a maior interação possível entre os alunos, formando diferentes profissionais, mas com bases intelectuais semelhantes.

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UNIVERSIDADE REPÚBLICA FACULDADE DE ARQUITETURA E URBANISMO 01. PRÉDIO 01 - R. Major Sertório, 176 02. PRÉDIO 02 - R. Major Sertório, 138 03. PRÉDIO 03 - R. Major Sertório, 182 04. PRÉDIO 04 - R. Major Sertório, 228

11

FACULDADE DE DESIGN 05. PRÉDIO 01 - R. Bentro Freitas, 353 06. PRÉDIO 02 - R. Bentro Freitas, 266 07. PRÉDIO 03 - R. General Jardim, 140

12 17

24 13

ESCOLA POLITÉCNICA 08. ENGENHARIA CIVIL - R. Aurora, 1010 09. ENGENHARIA SANITÁRIA - R. Aurora, 990 10. ENGENHARIA TRANSPORTES - R. Aurora, 952 + R. Aurora, 920 11. ENGENHARIA AMBIENTAL - Largo do Arouche, 269 12. LABORATÓRIOS ENGENHARIA - Av. Vieira de Carvalho, 149 FACULDADE DE GEOGRAFIA E GEOLOGIA 13. PRÉDIO 01 - R. Aurora 772 14. PRÉDIO 02 - R. Joaquim Gustavo, 559 15. PRÉDIO 03 - Praça da República, 513

14

FACULDADE DE ADMINISTRAÇÃO 16. PRÉDIO 01 - Praça da República, 423

15

BIBLIOTECA CENTRAL 17. Praça da República, 241 17. R. Aurora, 880 DIRETÓRIOS ACADÊMICOS 18. Av. Ipiranga, 282

16

EDITORA E GRÁFICA UNIVERSITÁRIA 19. Av. Ipiranga, 140 SECRETARIA E REITORIA 20. R. Basílio da Gama, 77

18

MORADIAS ESTUDANTIS 21. R. Rego Freitas, 267 22. R. Rego Freitas, 161 23. Largo do Arouche, 337 24. Praça Júlio Mesquita, 55 C AM P US RE P ÚBLIC A

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maquete campus esc: 1:1000

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conexão A terceira leitura é a “conexão”, resultado direto das duas primeiras leituras, “inserção” e “ocupação”. É consequência da ocupação dos lotes pelos edifícios e pela distribuição do plano pedagógico, tendo como preocupação a maior integração possível entre os estudantes, dos estudantes com a cidade, e da universidade com a população em geral. O foco são as conexões que esses indivíduos vão criar, sendo elas físicas ou intelectuais, materiais ou imateriais. A partir do momento que o plano pedagógico propõe que os alunos compartilhem a sala de aula para certos componentes curriculares, os mesmos têm que sair de seu respectivo prédio para ir a outro prédio de outra faculdade, incentivando os estudantes a caminharem pela cidade e vivenciarem o espaço público. A noção de pertencimento à cidade se dá durante o percurso entre prédios, já que no caminho os estudantes podem usufruir de serviços e espaços que são de uso de toda a população. Por exemplo, entre uma aula e outra os estudantes podem almoçar em qualquer boteco de esquina, dividindo o espaço com todos, ao invés de irem a uma praça de alimentação onde só encontram exclusivamente outros alunos. Assim, os universitários, em diversas situações cotidianas, acabam vivenciando a cidade de maneira intensa e proveitosa. Uma vez que alunos de diferentes cursos estão na mesma sala de aula, a conexão intelectual começa a ocorrer, mesmo que no início ela aconteça de forma tímida. Para isso, nas aulas que compõem o “Ciclo Básico” são propostos debates de diferentes ideias entre alunos, mostrando a complexidade dos temas que eles estudam juntos. Para os professores fica a responsabilidade de apresentar o conhecimento aos alunos seguido de discussões sobre o tema, criando assim a interação 84

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entre alunos e, consequentemente, resultando na ligação intelectual dos mesmos. Por exemplo, numa aula sobre ética e cidadania cada aluno poderia demonstrar o seu ponto de vista sobre determinado assunto, baseado nas especificidades que sua profissão enfrenta e, com essas diferentes posturas, começariam a perceber que não existe somente um “lado da moeda”. Dessa forma, se espera que as preocupações e conclusões passem a ser coletivas, já que no momento que a preocupação de um se torna também a do outro, a integração intelectual entre alunos acontece. A conexão com a cidade se dá a partir da maneira como os térreos e equipamentos dos edifícios é pensada. No térreo é proposto usos que sirvam às pessoas que frequentam a região. Como exemplo temos a Universidade Presbiteriana Mackenzie, que antes de suas portarias possuírem catracas, os bancos e

proposta térreo dos edifícios da universidade

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praças de alimentação eram de uso de todos os moradores e frequentadores do bairro, mesmo com a presença de seguranças e vigilantes. A universidade proposta tem esse caráter: de se abrir para a cidade. A maneira para expressar esse caráter é por meio do térreo com uso para todas as pessoas, não somente estudantes. A partir do momento que os frequentadores do bairro passam a fazer uso da universidade para atividades corriqueiras, essa universidade se conecta com a malha urbana e passa a ser cidade também. Dentre os usos propostos estão: pequenos comércios, agências bancárias, postos de correio, espaços de descanso e permanência sombreados, banheiros públicos e bicicletários. A distribuição dos prédios da faculdade é pensada para que a universidade se integre mais ainda com a cidade de São Paulo, tendo a Praça da República como elemento articulador. A universidade é composta por prédios das faculdades e por prédios técnico-administrativos de uso comum entre os estudantes. Se pegarmos a fachada frontal da Escola Normativa Caetano de Campos como referência, os prédios da universidade estão a esquerda, e os técnico-administrativos a direita. Essa distribuição incentiva o caminhar na Praça, sendo que os estudantes precisariam atravessá-la para fazer suas atividades cotidianas. A praça torna-se palco da maior parte da convivência dos alunos, como foi dito na parte Universidade de Encontros, do capítulo 4. Para que todas essas conexões ocorram, como foi explicitado anteriormente, a universidade propõe uma requalificação do espaço público e a implantação de um novo mobiliário para a região, dando suporte para um caminhar e descanso seguros e confortáveis. A troca de bancos e lixeiras, instalação de banheiros públicos, novas placas de sinalização, 86

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proposta calçadas, ciclovias e novos mobiliários urbanos

proposta quiosques, renovação dos passeios e jardins para praça da república

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novas luminárias, balizadores e reparo de calçadas e ciclofaixa fazem parte da proposta, fazendo do espaço público palco de interações e conexões. A conexão com o transporte público é importante também. A maioria dos estudantes podem fazer uso de metrô e ônibus para chegar ao campus, sendo que a relação com o metrô é repaginada pela universidade. Atualmente o metrô possui saídas na praça e em seus entornos, principalmente no lote que se encontra na Praça da República, 241 (lote 22). Nesse acesso à plataforma, associado com ao lote vizinho, Praça da República, 365 (lote 23), que atualmente é um estacionamento, se desenvolve a Biblioteca Central da universidade. Por ser o local agregador de todos os alunos, que se conecta diretamente com o transporte público de grande capacidade, este edifício representa a conceituação e concepção da ideia da universidade.

propostas novas saídas para a estação república do metrô

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croqui proposta para caminhos do parque

caminhos do parque foto: Piero Artuzo

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maquete terrenos e conexões esc: 1:2000

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diagrama conceito universidade

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Com a inserção, ocupação e conexão completas, surge a nova universidade: a Universidade República. O nome faz homenagem à Praça, que é o coração da universidade, e ao caráter igualitário entre todos os alunos, assim como a população em uma república. A mesma pretende condensar o que há de positivo nas universidades atuais, mas acima de tudo tem a intenção de trazer uma reflexão sobre o assunto do ensino superior. Uma universidade questionadora, que só poderia existir no lugar e período histórico que se encontra. A proposta teria a administração privada ou seria uma autarquia, como a Unicamp. A administração deve ser independente para que não haja conflito entre governo e trocas de mandatos políticos. Ela deve ser independente de variações nesse aspecto administrativo. O investimento poderia ser feito com parcerias público-privadas, com o auxílio do município em negociações e concessões, assim como a NYU conta com a boa vontade da prefeitura de Nova Iorque. O diálogo seria a palavra que conduziria essas negociações, buscando alcançar benefícios para ambos os lados, tanto dos estudantes quando da cidade. A Universidade República só é possível com a união e articulação entre o plano pedagógico, os edifícios propostos e a cidade, tendo os três aspectos pesos iguais, sem um se sobressair ao outro, da mesma forma que república, que em sua estrutura política, possui seus três poderes. Trata-se de uma universidade que preza a igualdade e a contribuição coletiva, pensando em formar cidadãos, além de profissionais.

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maquete campus e entorno esc: 1:1000

C AM P US RE P Ă&#x161;BLIC A

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40 S U P M A C A C I L B Ã&#x161; P E R


05 B I B L I O T E C A C E N T R A L


05

BIBLIOTECA CENTRAL A leitura do edifício da biblioteca central é dada de maneira que foi concebida, não necessariamente em ordem sistemática e cronológica, mas 4 pontos que foram importantes para chegar no resultado final. Os 4 pontos são organizados na seguinte maneira para melhor compreensão; terreno, volumes, estrutura e vazios, e foram colocados nessa ordem para uma melhor compreensão do objeto a ser apresentado, sendo o terreno o que acolhe o edifício, o volume o que o compõe, a estrutura o que o sustenta e os vazios o que é resultante de todo o anterior.

terreno Para escolher o foco de projeto, edifício a ser concebido, o terreno foi escolhido primeiro. Os lotes da Praça da República 241 e 365 foram considerados os mais interessantes por suas possibilidades de ocupação. Primeiramente o Praça da República, 365, que atualmente é um estacionamento grande, com área total de 2147 m². O que chama atenção nesse lote é a possibilidade de conexão entre Praça da República e Rua Aurora, visto que cruza o quarteirão e tem frente para as duas ruas. Por ser um terreno vazio, possui uma pequena cobertura e uma cabine de cobrança do estacionamento, sua apropriação torna-se fácil. Num segundo momento o lote Praça da República, 241 chama a atenção. Se encontra na esquina da Praça da República com a Rua do Arouche, com 870 m², e atualmente abriga uma 98

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planta de cobertura esc: sem escala

construção que tem função de acesso ao metrô, com alguns pequenos comércios e uma loja do serviço de ônibus para aeroportos. Chamativo é a possibilidade de conexão com a Estação República de metrô, que abriga a Linha 4-Amarela e a Linha 2-Vermelha. Assim, ocorreria a desapropriação desse edifício, sendo assim possível de ser ocupado. Com os dois terrenos desocupados torna-se possível uni-los, resultando em um novo lote em forma de “L”, com uma área total de 3017m², considerado grande para a região que se encontra. Esse novo formato é muito interessante por estar localizado numa esquina ligada diretamente com a Praça da República e fazer conexão entre duas ruas. Além disso, um pequeno terreno na Rua Aurora, 868, que está quase alinhado com o terreno, é acoplado ao programa. Esse terreno torna-se o mais chamativo, em termos de potencialidade de implantação e importância para o conjunto, assim o programa para o edifício que ele abrigará veio de forma quase que intuitiva. A Biblioteca Central da universidade é o local que agrega todos os estudantes e abriga o acervo mais completo e diversos, assim como áreas de estudos, descanso e atividades culturais. Assim, é colocada para que todos os estudantes possam compartilhar o espaço de igualmente.

BIBLIOT E C A C E NT RAL

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praça da república

r. aurora

av. vieira de carvalho

r. do arouche

planta térreo esc: sem escala

corte longitudinal esc: sem escala


av. ipiranga

r. barĂŁo de itapetininga

r. sete de abril

r. ba

sĂ­lio

da g

ama


102 UN IV E R S ID A D E R E P Ã&#x161; B L I C A


maquete em corte biblioteca, praça da república e metrô esc: 1:500

BIBLIOT E C A C E NT RAL 103


a

b

104 UN IV E R S ID A D E R E P Ã&#x161; B L I C A


c

d

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volumes Com o terreno e programa escolhido, o que falta é a volumetria que o edifício vai tomar. O primeiro volume a ser colocado é o que mimetiza a forma do terreno, acompanha o formato de “L” e é colocado a 5 m a partir do térreo, cota 0m, com 4m de altura. Pousa como se fosse uma grande cobertura, que protege e abriga a todos que querem atravessar e ocupar o térreo livre, mas com um átrio onde será a nova saída do metrô. Define o térreo, o primeiro corpo de acervo e a área de convivência dos estudantes, que se configura como um térreo elevado, na cota 9,0m.

O segundo volume, um paralelepípedo retangular, é colocado por cima, seguindo o eixo criado que conecta Rua Aurora com Praça da República. O paralelepípedo não toca o primeiro volume, fica destacado 3,15m, tornando a cobertura do corpo inferior uma grande praça elevada. Em um segundo momento o paralelepípedo retangular é dividido verticalmente criando dois outros volumes iguais: o volume A – fachada Praça da República, e o volume B – fachada Rua Aurora, com um grande átrio interno que os articula. Esse dois corpos separados, mais uma vez são fragmentados, agora divididos horizontalmente, criando um espaço de 4m de altura livre entre eles, resultando em dois outros volumes: o primeiro com 5m de altura, um vazio intermediário de 4m, e um segundo com 12m, lendo de baixo 106 UN IV E R S ID A D E R E P Ú B L I C A


B A

para cima. Divididos, as massas começam a se modificar: - No volume A, a parte de baixo sofre uma inflexão na face voltada para a praça: a aresta inferior, é colocada mais alta, formando um plano inclinado. Essa nova forma abriga um auditório voltado para palestras e aulas magnas. A cobertura dessa massa torna-se uma área comum dos universitários, com um mirante que se posiciona na cota mais alta que o edifício atinge, voltado para a Praça da República. - No volume B, são eliminados 4 metros de altura do corpo superior, passando a ser configurado por: o primeiro com 5m de altura, um vazio intermediário com 4m e o segundo com 8m. No corpo superior acontece uma área de estudos aberta, um espaço coletivo, sem divisórias, com mesas e estantes que permitem ser rearranjadas pelos estudantes da maneira que convir, uma espécie de ateliê aberto a todos, sendo um local de criação e movimento. Após essa diferenciação a circulação é posta, conectando os volumes A e B, pelo átrio central. O objetivo das passarelas serem abertas é para o átrio ser um local de sinergia e movimento, onde todos os estudantes vêem e são vistos, gerando as interações visuais e de movimento. Esse corpo central do edifício abriga áreas de estudo e convívio, mas principalmente áreas de acervo.

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Com o volume “positivo” composto, o volume “negativo” é concebido. Trata-se do espaço de subsolo que o edifício possui, sendo o primeiro nível na cota -4,5m, que nivela com a plataforma de saída do metrô. Nessa primeira cota inferior é distribuída uma área comercial, as circulações verticais que dão acesso ao térreo e o acesso direto à biblioteca, onde áreas de estudo e acervo acontecem. A partir dessa cota, uma inferior é acrescentada a -9,0m, e o auditório principal do edifício acontece. O volume do auditório é escavado no chão, com a área do palco na cota -11,8m. A escolha por enterrá-lo é para garantir uma melhor qualidade acústica, visto que fica distante do barulho dos automóveis e a terra em volta já atua como isolante. Na cota -9,0m uma área de estudo de pé direito duplo é colocada, com um jardim para controle do microclima. O fechamento de cobertura é composto por vidro translúcido para área de estudo (permitindo a entrada de luz natural no ambiente) e uma grelha metálica no jardim (permitindo a entrada de luz e ventilação, para que a vegetação “respire”). No terreno da Rua Aurora, 868 é colocado um prédio de apoio que se conecta por uma passarela, um volume “extrudado” do terreno, seguindo seus limites e colado nas empenas que o cercam. Tem o programa de suporte da biblioteca, com áreas administrativas, secretarias e pequenos departamentos. 108 UN IV E R S ID A D E R E P Ú B L I C A


L

+734,20

+738,00

planta 2o subsolo cota 738,00m (-9,0m) esc: 1:1000

T

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+742,50

T

planta 1o subsolo cota 742,50m (-4,5m) esc: 1:1000 BIBLIOT E C A C E NT RAL 109


L

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planta biblioteca cota 752,80m (+5,8m) esc: 1:1000

T

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planta convivĂŞncia cota 756,80m (+9,8m) esc: 1:1000 110 UN IV E R S ID A D E R E P Ă&#x161; B L I C A

T


+761,80

+761,80

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planta auditรณrio cota 761,80m (+14,8m) esc: 1:1000

T

L

+777,80

+777,80

T

planta รกrea de estudo cota 777,80m (+31,8m) esc: 1:1000 BIBLIOT E C A C E NT RAL 111


estrutura Com a massa definida, uma treliça metálica entra para estruturá-lo. No corpo central, linear, a treliça tem as dimensões do limite, nos eixos, de 4m x 65m, e é dividida (da direita para esquerda) em 4 módulos de 6,25m (totalizando 25m), 3 módulos de 5m (totalizando 15m) e 4 módulos de 6,25 (totalizando 25m). A estrutura do edifício é uma sobreposição de treliças, com 4 treliças empilhadas, estando presente nível sim, nível não, configurando 8 andares mais o térreo. O volume do embasamento é estruturado da mesma maneira, com treliças metálicas de mesma altura, nos eixos, de 4m, e com os módulos variando ora 6,25m, ora 5m. Para sustentar as treliças, são utilizados um pilar metálico treliçado e dois cores de circulação em concreto armado, dispostos em diagonal, em planta. Dessa maneira, cada núcleo de circulação fica em uma ponta, como um “x”, ajudando a travar a estrutura. No volume do embasamento ainda é usado mais 1 pilar treliçado e paredes estruturais (que se localizam no limite do terreno). As lajes são de concreto alveolar pré-moldado de altura 15cm, vencendo o menor vão (4m ou 5m). O acabamento de piso varia, sendo carpete nas áreas fechadas e placas cimentícias nas áreas externas. O fechamento é feito por portas de correr de alumínio e vidro duplo, com janelas basculantes na parte superior para possibilitar a ventilação natural. A fachada é composta por requadros metálicos com chapa perfurada de fechamento, que pivotam sobre suportes metálicos engastados na estrutura principal. Uma pequena passarela é colocada entre a porta pivotante e o fechamento, para que a manutenção possa ser feita.

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O guarda corpo é metálico composto por tubos de seção retangular verticais e três tubos de seção circular na horizontal, colocados, em eixo, a 20 cm, 45cm e 90cm a partir do piso acabado. Uma cobertura de shed industrial metálico é colocada por cima da área de estudo do Volume B e o átrio central, permitindo que a luz natural entre, e o efeito chaminé ocorra, contribuindo para o conforto ambiental da biblioteca. A estrutura tem o intuito de permitir que os balanços e vazios do edifício sejam possíveis, relacionando o mesmo com a Praça da República. A materialidade é resultado da composição estrutural do edifício, tendo seu raciocínio de peças e montagem a partir do esqueleto que foi constituído.

croqui conceito estrutura

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maquete biblioteca central e praça da república escala 1:500

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maquete biblioteca central e praça da república escala 1:500

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r. do arouche

corte transversal esc: sem escala

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linha vermelha


av. vieira de carvalho

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r. aurora

corte longitudinal esc: sem escala

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praça da república

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placa cimentícia textura n placa termoacústica lã mineral e= montante metálico tubular 10cm x placa termoacústica lã mineral e= placa com acabamento acú revestimento in

viga metálica "I" longitudinal h= viga metálica "I" transversal h=6

poste de iluminação carros e pedestres banco e lixeiras

corte ampliado transversal esc: sem escala


natural =10cm 20cm =10cm ústico nterno

forro chapa metálica microperfurada suporte para iluminação placa com acabamento acústico revestimento interno

holofote

palco h=60cm

=60cm 60cm

grelha metálica e=5cm estrutura metálica cobertura subsolo vidro translúcido temperado blindado e=3cm caixilho em alumínio com janelas basculantes para controle de microclima

N.R. +2,85

+742,50

iluminação LED embutida forro de gesso st instalações a/c retorno a/c piso elevado acabamento carpete escuro

N.R. +3,00

+738,00

iluminação pendente articulada


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15 16 17

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Detalhe Fachada , Laje e Piso - Escala 1:20 01. viga longitudinal metálica perfil “I” 60cmX 02. viga transversal metálica perfil “I” 60cmX40cm 03. perfil “T” metálico para suporte de fachada e passarela de manutenção 04. perfil “C” arremate externo 05. grelha metálica para manutenção h=3,5cm 06. suporte metálico pivotante para brise 07. requadro brise metálico 08. fechamento brise chapa metálica perfurada e=5mm 09. pingadeira metálica 10. laje aoveolar pré-moldade de concreto h=12cm 11. contra-piso 12. acabamento em piso de carpete 13. caixilho porta de correr em aluminio e vidro 14. janela basculante em aluminio e vidro 15. SoS hanger knauff com perfil tubular metálico para fixação de forro 16. forro em grelha metálica h=5cm 17. sistema de ar condicionado 18. placa termoacústica lã de vidro sob laje h=5cm

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isomĂŠtrica em corte esc: sem escala


vazios Após as paredes, piso e ‘teto’ serem colocadas, o espaço não construído que ganha notoriedade, espaço onde realmente acontecem as ações dos usuários, tendo o construído simplesmente como suporte. São analisados da cota mais baixa para a mais alta, mostrando as perspectivas que o projeto permite.

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Área de Estudos Um pé direito duplo conecta os dois níveis de subsolo, criando um grande e linear vazio, que é ocupado principalmente como área de estudos e descanso. A cobertura translúcida ao mesmo tempo que permite que a luz entre, também possibilita a percepção de pessoas andando em cima, como vulto apenas, fazendo os estudantes notarem a cidade, embora estejam isolados e protegidos. O piso de carpete escuro destaca as paredes, forro e lajes brancos, fazendo do ambiente o mais claro possível. A vegetação traz a tranquilidade e o controle ambiental, com a opção de se abrir as janelas basculantes e a umidade entrar, no frio deixa mais quente, e no calor permite o respiro. A intenção do espaço vazio e dos materiais é criar uma área tranquila e calma para estudar, como se fosse um oásis em meio a confusão da cidade. BIBLIOT E C A C E NT RAL 129


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Átrio Metrô O vazio do volume em “L” é reproduzido no terreno criando uma conexão entre o nível do metrô, térreo, biblioteca e térreo elevado. As circulações se desenvolvem nas bordas do vazio, abrindo a perspectiva para a Praça da República, fazendo os usuários percorrerem o edifício notando os diferentes pontos de vista. A escada sobe “de costas” para a Praça, fazendo o indivíduo, ao se virar, observá-la, e nesse ritmo de “sobe e vira” segue até o térreo elevado. A escada rolante conecta o subsolo ao térreo e sobe “de frente” para a Praça, sendo mais óbvia, porém faz o pedestre circular pelo espaço comercial no subsolo. Uma cobertura translúcida cobre esse vazio, permite entrada de luz e garante proteção aos pedestres. O átrio cria conexões visuais, sendo um local de movimento e sinergia, em que os quatro diferentes níveis se relacionam. BIBLIOT E C A C E NT RAL 131


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Térreo O volume em “L” pousa sobre o terreno, criando uma grande cobertura, abrigando os pedestres de chuva e sol excessivo. O vazio conecta as duas ruas, Praça da República e Rua Aurora, criando e reforçando o eixo, permitindo a perspectiva visual por não ter nenhum objeto que a obstrua. A área comercial é colocada no fundo do lote, combinando a necessidade de um uso para uma área vazia de fundo de lote com a quantidade de pessoas que circulam pela saída do metrô. Dessa maneira, o comércio proposto traz movimento para essa parcela do terreno, ao mesmo tempo que se mantém, já que surge como apoio ao grande fluxo de pedestres.

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Térreo Elevado eÁtro Central O térreo elevado é marcado pelo vazio do átrio central e pelo vazio de conexão do metrô. Oscila entre área coberta, semi coberta e área externa, sendo um espaço versátil para diversas atividades que os estudantes se propõem. O volume do auditório é marcado pela sua materialidade diferenciada, com placas cimentícias que diferem do metal e vidro utilizado no resto do edifício. A inflexão do auditório se abre para a Praça, criando uma franca relação com a mesma. O átrio central é o espaço de interação e movimento, onde um observa o outro, criando a vida no espaço.

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Térreo Central e Circulação A área de estudos é marcada pela relação de cheios e vazios que é proposta: de um lado uma área aberta de ateliê, onde os estudantes fazem seu espaço, e do outro uma área fechada e controlada, de acervo e estudos individuais. Entre eles se desenvolve o vazio central, coberto por um shed que permite a luz natural entrar e iluminar até o térreo elevado. A circulação permite que o entorno seja visto, ainda que os estudantes estejam protegidos, da mesma forma que as chapas perfuradas possibilitam a interação com o entorno, mesmo quando fechadas. A entrada de luz na lateral e na cobertura, juntamente com o movimento das passarelas, cria a ambiência do espaço.

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50 A C E T O I L I B L A R T N E C


O trabalho apresenta uma nova proposta de campus que pretende responder à realidade do contexto brasileiro, especificamente da cidade de São Paulo. Os casos apresentados mostram que soluções muito semelhantes já são aplicadas em diferentes países, e no Brasil, temos exemplos a seguir, Os conceitos reforçam a ideia da implantação urbana do campus proposto, fazendo paralelos que explicitam sua relação com o território e cidade. A proposta articula e condensa os conceitos e casos, com uma implantação que responde de maneira simples as questões e problemáticas que o território apresenta, fazendo uso de suas potencialidades e buscando resolver suas deficiências. A proposta não busca trazer uma verdade, ou uma opção única e definitiva sobre o tema, pelo contrário, é resposta de uma situação atual e específica, amarrada à realidade e lugar que se desenvolve, podendo se tornar obsoleta com a mudaça de sua realidade. Mesmo porque, se fosse uma solução universal, o trabalho iria contra o que ele mesmo conclui, o questionamento do que seria o ideal para cada caso, e não um simples “copia e cola” de soluções prévias. A Universidade República vem com a intenção de renovar as interpretações do que pode ser uma universidade brasileira, e como é possível contribuir para uma cidade melhor, através da arquitetura e urbanismo.


PROCESSO 140 UN IV E R S ID A D E R E P Ã&#x161; B L I C A


P ROC E S S O 141


PROCESSO 142 UN IV E R S ID A D E R E P Ã&#x161; B L I C A


P ROC E S S O 143


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P ROC E S S O 145


PROCESSO 146 UN IV E R S ID A D E R E P Ã&#x161; B L I C A


bibliografia 1. ALBERTO, Klaus Chaves. A noção de integração universitária nos campi das universidades de Brasília e de Campinas. Duas interpretações de um mesmo ideal. Disponível em: <http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/ arquitextos/16.184/5684>. Acesso em: 11 maio 2017. 2. BUCCI, Angelo. São Paulo, razões de arquitetura: Da dissolução dos edifícios e de como atravessar paredes. São Paulo: Romano Guerra, 2010. 3. DELEUZE, Gilles, GUATTARI, Félix, 1995. Mil platôs - capitalismo e esquizofrenia v.1; Tradução de Aurélio Guerra Neto e Célia Pinto Costa. —Rio de Janeiro, 34ª ed., 1995. 4. FIALHO, Robeto Novelli. Edifícios de Escritórios na Cidade de São Paulo. 2007. 385 f. Tese (Doutorado) Curso de Projeto de Arquitetura, FauUsp, São Paulo, 2007. 5. GEHL, Jan, 1996. Cidade para pessoas/ Jan Ghel; tradução Anita Di Marco. São Paulo, Perspectiva, 2ª ed., 2013. 6. RIBEIRO, Darcy, 1969. A universidade Necessária. São Paulo, Paz Terra, 5ª ed., 1991. 7. GAUSA, Manuel, 2001. DiccionarioMetapolis de ArquitecturaAvanzada.ACTAR D, Espanha, 2001. 8. PONCIANO, Levino. 450 Bairros São Paulo 450 Anos. São Paulo: Senac, 2004.

BIBLIOGRAFIA 147


comentários e considerações

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â&#x20AC;&#x153;Any work of architecture that has been designed, any work of architecture that exists or has the potential to exist, was discovered. It wasnâ&#x20AC;&#x2122;t created. The central design issues of architecture are: humans and their history and culture; space; light; how things are put together; and responsibility to the land. Good design involves an understanding of these issues and pursuing the questions they raise until you make appropriate discoveries. Architecture is a path of discoveryâ&#x20AC;? Glenn Murcutt 149


trabalho disponĂ­vel em: http://cargocollective.com/murilozidan


Trabalho final de graduação, Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, UPM. Uma universidade que se apropria de vazios do centro e se desenvolve em meio à cidade, relacionando os conceitos de Rizoma e Malha, fazendo conexões com os textos de Jan Gehl e os questionamentos sobre ensino superior de Darcy Ribeiro. Pretende apresentar uma nova compreensão sobre o campus universitário e quais suas possibilidades de união com a malha urbana, infraestruturas e transporte público, ensaiando uma proposta de plano pedagógico com o objetivo de criar a discussão e integração entre alunos. Pretende refletir sobre o que seria uma nova universidade na cidade de São Paulo. Orientadores: Francisco Petracco e Ricardo Ramos

murilo nunes zidan

http://cargocollective.com/ murilozidan

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Universidade República - TFG - Murilo Zidan  

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