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[ FICHA TÉCNICA ]

TERRAS DE ANTUÃ REVISTA DE PUBLICAÇÃO ANUAL Nº8 | ANO 8 | NOVEMBRO DE 2014

DIRETORA Rosa Maria Rodrigues EDITOR Câmara Municipal de Estarreja IMPRESSÃO E ACABAMENTO Rebelo - Artes Gráficas Ldª | Estarreja TIRAGEM 500 Exemplares IMAGEM DE CAPA Casa de Francisco Maria Simões - Largo da Igreja em Salreu Arquiteto - Francisco Augusto da Silva Rocha PROJETO GRÁFICO Câmara Municipal de Estarreja | GCRPT ISBN 1646-8562 DEPÓSITO LEGAL 267394 / 07

Os artigos publicados neste número são da responsabilidade científica e ética dos seus autores bem com o respeito pelo acordo ortográfico em vigor.


[ SUMÁRIO ] VIAJE COMIGO POR ESTAS TERRAS DE ANTUÃ Diamantino Sabina

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EDITORIAL Rosa Maria Rodrigues

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AS DESCOBERTAS DE EGAS MONIZ E O SEU CONTEXTO HISTÓRICO Álvaro Macieira Coelho

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A CONSTRUÇÃO NAVAL LAGUNAR E A MUSEOLOGIA Mestre Esteves - Pardilhó Ana Maria Lopes

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OS 90 ANOS DOS BOMBEIROS VOLUNTÁRIOS DE ESTARREJA O Quartel dos Bombeiros Voluntários de Estarreja (1924 - 1968) Andreia Tavares

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PATRIMÓNIO MUSICAL DE ESTARREJA Um contributo António Augusto Silva

47

A FAMÍLIA BANDEIRA EM ESTARREJA E SALREU DESDE O SÉCULO XVIII Delfim Bismarck Ferreira

55

MEMÓRIAS DO QUOTIDIANO Os Painéis dos Barcos Moliceiros José Gurgo e Cirne

125

CRÓNICAS DE UM PASSADO PRESENTE Alguns apontamentos para o estudo geral deste Concelho de Estarreja José Teixeira Valente

139

OS ACTUAIS CONCELHOS DE ESTARREJA E MURTOSA NO SÉCULO XIII Marco Pereira

157

PINTURAS DEVOCIONAIS DOS ALTARES- MORES DO CONCELHO DE ESTARREJA Maria Clara Paiva Vide Marques e Sylvie Ferreira

195

FRANCISCO AUGUSTO DA SILVA ROCHA E A CASA DE FRANCISCO MARIA SIMÕES Um novo padrão de Beleza Maria João Fernandes

217

OS ELEITOS DA CÂMARA MUNICIPAL DE ESTARREJA REFERÊNCIAS NAS ATAS (CONT) 1910-2013 Norvinda Leite

241

DEAMBULANDO PELAS RUAS Sérgio Paulo Silva

272

O CONCELHO DE ESTARREJA E OS SEUS EMIGRANTES - ANO DE 1897 TRILHOS DOS AMAZONAS Teresa Cruz e Valter Santos

275

MERCADO MUNICIPAL DE ESTARREJA, 50 ANOS DE MEMÓRIAS João Alegria

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SAUDADES

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REVISTAS “ TERRAS DE ANTUÔ

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TERRAS DE ANTUÃ | HISTÓRIAS E MEMÓRIAS DO CONCELHO DE ESTARREJA

VIAJE COMIGO POR ESTAS TERRAS DE ANTUÃ

Diamantino Sabina*

Dos Soldados da Paz e Arte Nova, às emproadas embarcações, deambulando pela rua na companhia dos Bandeiras de Salreu e daqueles que outrora ousaram emigrar… embarquemos todos nesta oitava viagem por Terras de Antuã. Não se esgota a fonte literária e histórica que vai brotando da pena dos autores deste já riquíssimo compêndio. O impulso é nosso. Peço-vos o punho astuto e apaixonado, o risco sereno do lápis aguçado, no presente e passado, daquilo que nos é tão próprio. E tanto mais haverá que contar. Páginas e páginas da identidade deste povo que o tempo não se encarregará de apagar! É persistente a pena de quem teima não esquecer. Tal como em qualquer das sete anteriores, desta edição não peca o conteúdo. Mas também se quis dar cara à arquitetura. Escondeu-se da capa a face dos nossos antepassados mas não se lhes escondeu a alma. Continuam vivos e bem vivos nas páginas que compõem este livro do saber. Mereceu destaque a Arte Nova e todo o seu esplendor. Obra notável esta de Salreu. Exemplar admirável deste movimento arquitetónico. Também o vinco desses traços desenham as ruas desta nobre terra de marinhões. Não podia deixar de parte Egas Moniz e o relevo das suas descobertas. Foi em Avanca que nasceu, faz 140 anos, e é marca indelével de distinção deste nosso canto à beira Ria plantado. Muito nosso, este Nobel da Medicina, perdurará nos anais da história da ciência, da política, da literatura e do belo. Álvaro Macieira Coelho faz jus ao Aidi e ao seu postulado científico e humano. Contemplem comigo as coloridas proas do moliceiro, façam preces sob as pinturas dos altares--mores das Igrejas imponentes, percorram as ruas empedradas dos recantos e segredos do Século XIII, vinde ao chamamento da sirene que grita estridente o socorro dos que há 90 anos abnegadamente nos servem! Viaje comigo nas páginas do passado e do presente… viaje comigo por estas Terras de Antuã!

* Presidente da Câmara Municipal de Estarreja

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EDITORIAL

Rosa Maria Rodrigues Assinalando-se hoje os 495 anos da outorga do foral por D. Manuel I às Terras de Antuã, apresentamos a oitava edição da revista “Terras de Antuã – Histórias e Memórias do Concelho de Estarreja”. Os factos históricos coincidem, para que não se apague na memória coletiva um passado que entendemos ser nossa obrigação transmitir às gerações vindouras. Assumimos com este número a direção desta publicação e esperamos dar continuidade aos princípios preconizados aquando da primeira edição: (…) veículo de divulgação e de discussão da memória colectiva; local onde aqueles que se dedicam ao estudo da história possam editar os seus estudos; incentivo para que mais e melhores trabalhos de investigação possam surgir; meio de angariação de uma base iconográfica, impedindo assim o desaparecimento definitivo de um sem número de documentos gráficos e fotográficos (…). Os temas explanados nesta edição de Terras de Antuã refletem os estudos de uma plêiade de historiadores e investigadores que abordam temáticas díspares, que passam não só pelas efemérides, onde se deve justamente realçar os 140 anos de nascimento do insigne Nobel, pela pena de um dos seus sobrinhos netos, onde se percecionam as invenções de Egas Moniz no contexto histórico do século XX, bem como da evocação de 90 anos dos Bombeiros Voluntários de Estarreja onde a dedicação das diferentes corporações mostra a importância desta Instituição e a força indómita dos que dela fazem a história. Na sua globalidade permitem um maior conhecimento da historiografia local, suscitam a discussão, permitem a divulgação de estudos sobre realidades que passariam despercebidas, se não fossem compiladas numa publicação com estas características e que passam por estudos sobre a construção naval, emigração, genealogia, arte e iconografia, história autárquica e medieval e património imaterial. Este número de Terras de Antuã apresenta na capa a casa de Francisco Maria Simões em Salreu, verdadeiro ex-libris da arquitetura Arte Nova em Portugal, da autoria de Francisco Augusto da Silva Rocha e datada de 1914. É assumidamente uma das suas obras mais espetaculares e mais meticulosamente executadas, quer pela grandiosidade da construção, quer pela linguagem plástica e ornamental do seu belíssimo jardim. Esta escolha é uma chamada de atenção para a obra de Silva Rocha no contexto da arquitetura Arte Nova em Portugal, cujo artigo tem a particularidade de ser assinado pela bisneta e crítica de arte Maria João Fernandes, grande responsável pela valorização deste exemplar. A todos os que colaboraram nesta publicação e continuam a investigar e a trabalhar de forma abnegada, acreditando na veracidade de projetos desta natureza, o meu agradecimento.


TERRAS DE ANTUÃ | HISTÓRIAS E MEMÓRIAS DO CONCELHO DE ESTARREJA

AS DESCOBERTAS DE EGAS MONIZ E O SEU CONTEXTO HISTÓRICO

Álvaro Macieira Coelho*

Egas Moniz nasceu há 140 anos no dia 29 de Novembro do ano de 1874. A sua vida decorreu num passado já longínquo mas a sua Obra continua atual. Apesar da sua atualidade já se desvaneceram as circunstâncias nas quais se desenrolaram as suas enormes contribuições científicas. É por isso essencial relembrar que, dado o contexto, foi necessário um espírito titânico para levar a cabo os seus empreendimentos. Uma contribuição científica vale evidentemente pela sua função inovadora, mas o seu valor é reforçado quando tem que vencer a oposição dos conceitos da época. Isso foi patente com a primeira grande contribuição de Egas Moniz, a sua tese de doutoramento intitulada “A Vida Sexual”. Publicada no princípio do século XX quando era interdito socialmente falar de sexo, a tese sacudiu os meios intelectuais e em particular a corrente religiosa que condenou acerbamente a publicação do livro. Lembro-me de algumas décadas mais tarde ler o livro às escondidas. O livro foi condenado pela igreja católica e não sei se chegou a ser colocado no “Index”, mas pouco faltou. No entanto o trabalho de investigação descrevendo o comportamento sexual humano e as suas perversões coligido através de entrevistas, constituiu algumas décadas antes do famoso relatório de Kinsey nos EUA, a primeira descrição sobre o assunto. Atualmente é difícil imaginar como o autor foi criticado acerbamente e foi considerado escandaloso. Egas Moniz começou cedo a exprimir a sua personalidade inovadora e iconoclasta. A segunda grande contribuição científica, a angiografia, foi logo bem recebida pois havia a consciência da necessidade desse meio de diagnóstico. Já tinham havido tentativas de visualização do cérebro. Os neurologistas pouco podiam fazer para ajudar os doentes: os tumores cerebrais, mesmos os benignos, eram inoperáveis pela impossibilidade de os localizar, os aneurismas e outras lesões vasculares não eram susceptíveis de serem diagnosticados. O método constituiu um novo alento na especialidade e passou a ser no dizer de um autor inglês “uma das investigações neurológicas mais utilizadas e mais duradoiras”. A importância de uma descoberta científica é também avaliada em função da contribuição que faz para lá do campo para a qual foi determinada. A angiografia coloca-se sob esse ponto de vista como uma conquista fundamental. A técnica foi rapidamente utilizada em outras especialidades com vastas implicações em fisiologia, patologia e de uma maneira geral na rotina como meio essencial de diagnóstico. Reinaldo dos Santos por exemplo utilizou a técnica para visualizar o sistema vascular dos membros inferiores e Eduardo Coelho conseguiu visualizar pela primeira vez as artérias coronárias, um método que ainda hoje é utilizado no diagnóstico e para permitir o tratamento da insuficiência coronária. Segundo Egas Moniz, Eduardo Coelho estava presente quando foram reveladas as primeiras radiografias mostrando as artérias cerebrais e gritou: Eureka, Eureka. Pela primeira vez tornou-se possível seguir um evento dinâmico no vivo, só por si este facto constituiu uma revolução. Como Egas Moniz descreve no livro “Confidências de um investigador científico”, levou cinco anos entre as primeiras experiências em cães e cadáveres e a utilização da

* Diretor de Investigação aposentado do Instituto Nacional Francês da Saúde e Investigação Médica

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ÁLVARO MACIEIRA COELHO

técnica na rotina clinica. Egas Moniz recebeu por esta descoberta o prémio Oslo, o que foi em geral esquecido. Quando eu corrigi a Wikipedia mencionando este prémio, a frase foi sistematicamente eliminada, revelando como essa enciclopédia é feita. De resto outros erros acerca de Egas Moniz que eu tentei corrigir foram mantidos. Há várias fantasias que circulam no que diz respeito à carreira, personalidade e percurso científico de Egas Moniz. Um historiador americano diletante e irresponsável, Elliot Valenstein, num livro “Great and Desperate Cures”, afirma que “a principal motivação de Egas Moniz para realizar a leucotomia no final da vida, foi obter um prestígio que a sua carreira medíocre não tinha alcançado”! Como está patente no parágrafo anterior, o seu prestígio científico já tinha atingido o auge. Não se pode deixar de ficar abismado como com tanta incompetência e irresponsabilidade o livro de Valenstein tenha tido sucesso e tenha sido tão citado. São assim as sociedades humanas. Histórias fantasistas também foram criadas sobre a tentativa de assassinato atribuindo-a à vingança de um doente leucotomizado. Há outras afirmações incompreensíveis em relação à obra do Mestre, mesmo em Portugal. O semanário “ O Independente” nos anos 80, hoje felizmente desaparecido, chamou Egas Moniz de assassino, um homem que com a técnica da angiografia salvou muitos milhares de vidas. Quando há uma dezena de anos os jornais portugueses publicaram largamente notícias referindo um movimento aberrante nos EUA propondo retirar o Prémio Nobel a Egas Moniz, não houve qualquer objeção ao disparatado movimento. Tentei infrutuosamente publicar uma informação contrária sem sucesso. É típico da autoflagelação que caracteriza o povo português. Tenho visto mencionado que Egas Moniz foi desprezado pelo regime Salazarista o que não corresponde à verdade. À parte a atitude irresponsável de um dirigente da ex-Emissora Nacional, não me consta que tenha havido qualquer atitude antagonista de um regime que lhe conferiu todas as condecorações possíveis. Em 1950 foi criado o Centro de Estudos Egas Moniz no Hospital da Faculdade de Medicina de Lisboa tendo Egas Moniz sido o seu primeiro Presidente. O Presidente da Republica da época (Óscar Carmona) foi sempre muito cortês e respeitoso da figura do Mestre. O Presidente do Conselho de Ministros enviou-lhe um cartão de felicitações quando da atribuição do Prémio Nobel. Também quando da tentativa de assassinato, indagou regularmente sobre o restabelecimento de Egas Moniz. Este foi de facto muito criticado mas pelos colegas portugueses, a maior parte desses críticos eram medíocres que por nunca terem descoberto nada só lhes restava a maledicência. Foi necessária uma personalidade muito forte, consciente do seu potencial, para prosseguir o seu objetivo indiferente aos nulos e impotentes que o rodeavam na Faculdade de Medicina. Ele próprio lamentou o facto de os colegas psiquiatras lhe não enviarem doentes. A angiografia levou a outra contribuição importante que diz respeito ao estudo da oclusão da carótida interna. Em 2003 um artigo de George W. Lowis e Alireza Minagar no Journal of the History of Neurosciences: Basic and Clinical Perspectives, volume 12, n° 3, páginas 289-291, detalha a importância desta investigação: “Egas Moniz é em geral lembrado por ter descoberto a angiografia em 1927 e ter introduzido a leucotomia para o tratamento de doenças mentais em 1935. É menos conhecida a sua investigação pioneira na doença cerebrovascular oclusiva, isto é, a oclusão da carótida interna documentada pela angiografia cerebral. A comunidade médica ignorou até recentemente esta investigação fundamental.” A quarta grande contribuição de Egas Moniz, a leucotomia, desencadeou reacções violentas tanto no meio médico como nos meios sociais, tentar intervir cirurgicamente no cérebro para interferir na vida psíquica, era considerado pelo menos temerário e no máximo irresponsável. Vale apenas analisar o contexto histórico e os conceitos do ponto de vista médico e social em

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relação às doenças mentais, o que se chamava os loucos, na época em que se realizou a leucotomia. A situação era desesperada pois não havia qualquer hipótese de solução para os pacientes. Os tratamentos utilizados eram uma fonte de sofrimento horrível, mas eram as únicas tentativas existentes para evitar o internamento hospitalar. As convulsões induzidas, o coma insulínico, os electrochoques, eram brutais. Para dar uma ideia da gravidade da situação basta mencionar que entre 1940 e 1945, 40.000 pacientes morreram em França nos hospitais psiquiátricos, de fome, frio, tuberculose, abandono (“L’extermination douce” Max Lafon, Editions de l’Areppi, 1987). Os hospitais psiquiátricos continuaram miseráveis até 1955. Não foi só na Alemanha nazi que se preconizou a exterminação dos doentes mentais. O “grande humanista” Alexis Carrel no seu livro “L’Homme cet Inconnu” afirmava: “os que transportam um peso ancestral de loucura e fraqueza de espirito, não se devem casar... de facto o eugenismo pede o sacrifício de muitos indivíduos.... Será necessário estabelecer pelo eugenismo uma aristocracia biológica hereditária... Não está resolvido o problema da multidão imensa de deficientes... São um peso enorme para a população sã... O custo dos asilos de alienados, dos loucos, tornou-se gigantesco. Um estabelecimento eutanásico servido de um gaz apropriado poderia dispor de maneira económica e humana dos criminosos e também dos loucos que cometeram crimes”. Num passado não muito longínquo em Bron, uma pequena cidade francesa, os habitantes protestaram porque tinham enterrado os “loucos” no mesmo cemitério que os “normais”. Como observou Max Lafon, mesmo mortos os loucos são contagiosos. Como relatou Egas Moniz a intervenção cirúrgica nos lobos frontais não era inédita. Sabia-se que era possível remover um dos lobos frontais, esquerdo ou direito, sem comprometer gravemente a integridade psíquica. No máximo as perturbações eram transitórias, o lobo restante acabando por compensar a ausência do lobo removido. Penfield e Evans tinham realizado a excisão do lobo frontal esquerdo num homem de 22 anos com epilepsia. O paciente ficou mentalmente confuso e espacialmente e temporalmente desorientado durante a primeira semana depois da operação. Esses sintomas diminuíram progressivamente durante os seis meses seguintes finalmente regressando a um comportamento normal. Wilder Penfield também removeu os dois lobos frontais num doente com tumor cerebral. Richard Brickner tinha removido grandes porções dos dois lobos frontais para extirpar um meningioma. O cirurgião observou modificações pronunciadas da atividade cerebral, o paciente esqueceu experiências anteriores e tornou-se infantil, tendo que aprender de novo a comportar-se socialmente. Recuperou progressivamente as funções psíquicas retendo a sua personalidade embora sob alguns aspetos mais infantil. Um professor estoniano, Ludwig Puusepp, mencionou em 1937 ter realizado anos antes a secção das ligações neurais entre os lobos frontais e parietais em três pacientes com doença maniaco-depressiva sem qualquer melhoras. Mais tarde realizou uma operação semelhante à leucotomia em 14 doentes com bons resultados (Jack el-Hai, The Lobotomist, John Wiley & Sons, Inc. 2005). Jack el-Hai menciona outras tentativas de psicocirurgia que não tiveram seguimento. Menciono de passagem que este autor publicou talvez a melhor revisão histórica deste capítulo da neurocirurgia. Egas Moniz estava ao corrente destas tentativas, mas fantasiou-se muito sobre a trajectória intelectual e cientifica que levou à leucotomia. Ouvi algumas destas fantasias como por exemplo que Egas Moniz entrou numa sala onde um crânio estava pousado sobre uma mesa e afirmou apontando para um lado do crânio: é aqui que temos que perfurar. Estes e outros exemplos mencionados acima mostram como se faz Historia ou melhor se fazem histórias. Outra descrição diz que Egas Moniz se inspirou ao ouvir durante um congresso Fulton e Jacobson mencionarem

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experiências de remoção dos lobos frontais em macacos, que modificaram o comportamento dos animais tornando-os mais calmos. De resto o próprio Egas Moniz menciona estas experiências. A verdade é que o trajeto intelectual que levou à intervenção foi muito mais elaborado. Egas Moniz estudou minuciosamente os relatos das consequências sobre o comportamento após lesões cerebrais de soldados durante a guerra de 14-18. Em 1917 publicou um livro que está esquecido, “A Neurologia na Guerra”, descrevendo as suas interpretações sobre estes dados. Alem disso como ele próprio descreveu, baseando-se nas experiências de Cajal e de Pavlov, pensou que as psicoses obsessivas dominam todas as atividades psíquicas através de fluxos reiterados usando persistentemente as mesmas conexões. John Fulton anos depois das primeiras leucotomias também sugeriu que interrompendo circuitos persistentes que criam estados anormais, se poderia resolver doenças psiquiátricas. A escolha dos lobos frontais para a intervenção integrou-se com os conceitos da época. As primeiras observações de Paul Pierre Broca nos finais do século XIX localizando o centro da fala aos lobos frontais levaram a outras tentativas de localização das funções cerebrais. A primeira hipótese mais precisa de identificação das funções dos lobos frontais veio do acidente sofrido por um operário dos caminhos-de-ferro, Phineas Gage, em que um bocado de ferro cilíndrico atravessou a região frontal do seu cérebro. Sobreviveu miraculosamente ao acidente mas o seu médico, John Harlow, revelou que a personalidade do paciente se modificou significativamente. John Gage era um indivíduo racional, respeitado e admirado pelos seus patrões, mas a sua personalidade tornou-se infantil e impulsiva. As consequências da lesão sugeriam que os lobos frontais controlam o comportamento. A partir de aí acumularam-se as provas de que essa região do cérebro tem um papel na expressão das emoções e no poder de decisão. Investigações recentes confirmaram que de facto nas psicoses obsessivas há alterações no cortex pré-frontal. A equipe de Edwin Torrey em Washington observou que os esquizofrénicos não ativam uma região do lobo frontal chamada cortex pré-frontal dorso-lateral. Estes investigadores afirmaram que estas observações sugerem que na esquizofrenia desaparecem conexões entre certas áreas do cérebro mais provavelmente na região esquerda (citado por Tony Dajer em “Divided Selves”, Discover vol. 13, n° 9, pp. 38-44, 1992). Brian Kirkpatrick na Universidade de Maryland em Baltimore, sugeriu que na esquizofrenia existe um circuito errático e defeituoso nas áreas frontais e parietais. Também no Albert Einstein College of Medecine em Nova York um grupo de investigadores observou anomalias em crianças esquizofrénicas que sugerem uma desorganização da transmissão de sinais nos lobos frontais que controlam as emoções. Um grupo espanhol dirigido por Edith Pomarol-Clotet identificou alterações funcionais e estruturais no córtex frontal de 32 esquizofrénicos. Na realidade o cortex frontal é hoje tido como a sede das atividades mais complexas e exclusivamente humanas (G. Miller, Science volume 311, p. 1851, 2006). É evidente que toda esta problemática é demasiado complexa para poder ser compreendida e ainda menos interpretada por não especialistas. Mas como sempre muitos se lançaram na crítica por um lado e na exaltação por outro, do novo método. Os bons resultados das primeiras operações, a situação dramática com que se defrontavam os neurologistas, os problemas insuperáveis criados não só para as famílias mas também para a sociedade e a gravidade da doença que causa um enorme sofrimento aos doentes, explicam o entusiasmo exagerado que levou à utilização do método de maneira indiscriminada. Alguns sobretudo nos EUA se revoltaram com razão contra a metodologia demasiado invasiva de Freeman e Watts chamada lobotomia que se começou a utilizar e o uso indiscriminado em doentes com psicoses variadas. No entanto muitos dos doentes operados por Freeman, por vezes 80%, puderam sair dos hospitais e integrar-se na sociedade.

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Também se levantaram críticas contra as aplicações sugeridas por outros. Os neurocirurgiões Vernon Mark e William Sweet e o psiquiatra Frank Ervin escreveram uma carta ao Journal of the American Medical Association sugerindo que a psicocirurgia poderia ajudar a resolver os distúrbios que nesse tempo ocorriam nas populações urbanas americanas, causadas por problemas sociais não por problemas de saúde mental. Uma causa dos insucessos que se seguiram foi a escolha dos doentes. O método foi criado para tratamento da esquizofrenia, uma doença difícil de definir, muito mais na respetiva época. Atualmente pensa-se que o termo esquizofrenia cobre um conjunto de doenças de diferente etiologia. Ainda recentemente um doente classificado de esquizofrénico nos EUA era classificado como maníaco-depressivo no Reino Unido. Estes factos explicam a diminuição felizmente pronunciada na utilização da leucotomia. O aparecimento de drogas utilizáveis em psiquiatria constituiu outra razão; no entanto muitas destas drogas não são inofensivas, algumas causam efeitos secundários graves no limite do tolerável e até podem por em risco a vida dos doentes. A frequente ineficácia da quimioterapia, ajudou ao ressurgimento da leucotomia com técnicas aperfeiçoadas. Qual é a situação actual da leucotomia? O método evidentemente evoluiu e continua a ser utilizado com técnicas variadas. Entre 1948 e 1970 em 43 doentes operados em clinica privada, 35 encontravam-se sem sintomas, 6 apresentavam melhorias e 2 não apresentavam melhorias (I. C. Bernstein et al., Arch. Gener Psych. 1975). Os autores concluíram que uma classe social elevada assim como um ambiente social de apoio ao doente constituem um bom prognóstico. Este trabalho dá uma ideia de vários fatores que em geral não foram tomados em conta. Em 1973 foram publicados no Postgraduate Medical Journal os resultados favoráveis obtidos em 80% dos doentes com um método chamado leucotomia límbica estereostática. Num passado mais recente confirmou-se que a leucotomia reduz de maneira eficaz os sintomas de ansiedade e depressão (Tucker al., Social and emotional self-regulation, Ann. NY Acad. Sci. vol. 769, p. 213, 1995). A BBC entrevistou cirurgiões do Hospital de Cardiff da Universidade do Pais de Gales no Reino Unido, que fazem a operação introduzindo um eléctrodo através de um orifício na face anterior do crânio. Realizaram 56 operações na última década com bons resultados em doentes rigorosamente selecionados. Outros cirurgiões ingleses em Dundee no Hospital Ninewells operaram 34 doentes entre 1991 e 2001 com sucesso. Em Novembro de 2009 o New York Times anunciou que a Food and Drug Administration aprovou uma das técnicas de psicocirurgia para alguns casos de doença obsessiva-compulsiva. O Jornal revelou que na última década mais de 500 doentes foram operados ao cérebro para resolver depressões, fobias, ansiedade, síndroma de Tourette e obesidade e acrescenta: o cirurgião Benjamin Greenberg, coordenador do programa de psicocirurgia no Hospital Butler, considera que no futuro milhões de doentes com doenças psiquiátricas severas poderão beneficiar da cirurgia ao cérebro. Em 2011 apareceu um editorial no American Journal of Psychiatry mencionando os resultados favoráveis em 64% de pacientes operados com diferentes técnicas de psicocirurgia. Pelo contrário em Portugal em 1999 uma entrevistadora da televisão (Ana Sousa Dias) publicava um artigo intitulado “O prémio polémico. Há 50 anos, o Nobel da Medicina foi para um trabalho inovador que a ciência veio a abandonar.” Não creio que esta senhora tenha reputação científica no ramo da neurologia. Em 2009, por estranha coincidência no dia do aniversário natalício de Egas Moniz (29 de Novembro), o International Herald Tribune transcrevia na primeira página a conclusão do artigo do New York Times: “A grande promessa da neuro-ciência no fim do século passado era revolucionar o tratamento dos problemas psiquiátricos. Mas afinal a principal aplicação atual da ciência mais avançada do cérebro não é de todo moderna. Trata-se de uma versão precisa, sofisticada,

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de um método antigo e controverso: a psicocirurgia na qual os médicos operam diretamente o cérebro. Esta cirurgia oferece simultaneamente a esperança e o risco”. Quando Egas Moniz faleceu em 1955, o Professor Geoffrey Jefferson exprimiu no The Lancet a sua opinião sobre as contribuições do cientista português: “A sua vida foi excepcionalmente produtiva, o seu nome permanecerá vivo através das suas duas grandes contribuições para a medicina. Ninguém com o privilégio de ter seguido o desenvolver das descobertas de Egas Moniz pode ter uma atitude outra que a de admirar a maneira como elas avançaram. A humanidade tem todas as razões para testemunhar a sua admiração e exprimir a gratidão a outro dos grandes exploradores portugueses”. Cinquenta e nove anos depois este testemunho continua atual. Tive o privilégio de assistir à cerimónia de entrega dos Prémios Nobel quando da minha estada na Suécia como investigador no Departamento de Patologia da Faculdade de Medicina de Uppsala. Escrevi à minha tia avó, Elvira Egas Moniz, a descrever o que vi e senti. A carta foi encontrada pela Dra. Rosa Maria Rodrigues no espólio de minha tia-avó. Transcrevo a carta pois terá interesse no contexto desta publicação dar a conhece-la visto que poucos têm a noção de como decorre a cerimónia. Devo esclarecer que com meus irmãos e irmãs chamávamos a nossa tia-avó Mé e a nosso tio-avô Aidi. A nossa linguagem de crianças tinha fixado estes diminutivos que permaneceram para sempre nas nossas relações com os nossos tios avós.

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Uppsala 11 de Dezembro de 1964

Querida Mé, Vai-se passar mais um ano que o Aidi morreu. Ontem assistimos a uma cerimónia que fez avivar imenso a sua memória. É que fomos assistir à cerimónia da entrega dos prémios Nobel no Konserthuset de Estocolmo. É muito difícil arranjar convites como deves calcular mas nós tivemos sorte e assim fomos assistir a uma cerimónia que eu de há muito ambicionava ver. A Ana Maria arranjou um vestido emprestado que servia ao seu estado e eu fui com a casaca emprestada também. A sala é muito bonita com um ar medieval que lhe dá um ar sóbrio e solene. Estava o chique todo de Estocolmo e da corte sueca. O largo em frente do Konserthuset estava apinhado de curiosos mantidos à distância pelos polícias. Na plateia estavam os representantes das Universidades suecas. Nós estávamos no grupo da Faculdade de Medicina de Uppsala. À frente da plateia encontrava-se o rei e a família real em cadeiras de veludo azul e oiro, as cores da bandeira sueca. No palco encontravam-se os membros da Academia Real Sueca e do Karolinska Institutet. No centro estavam os Prémios Nobel e os membros daquelas instituições científicas que iam fazer os discursos da entrega dos prémios. No primeiro balcão estavam os membros do corpo diplomático e no segundo balcão outros convidados. Os prémios eram entregues pela mão do rei ao som de fanfarras e entre a distribuição dos diferentes prémios a orquestra filarmónica de Estocolmo tocava trechos de música clássica. O espectáculo está organizado com imenso bom gosto e com solenidade que não é exagerada. Durante todo o tempo me lembrei do Aidi que ali devia ter estado se a doença o tivesse permitido. O respeito por esses homens, a cujo grupo o Aidi pertencia, que tanto contribuem para o conhecimento do Universo, faz com que esta cerimónia fique para sempre gravada na minha memória. Mandam-te um grande beijo e toda a saudade os teus sobrinhos que te não esquecem. Ana Maria e Álvaro

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TERRAS DE ANTUÃ | HISTÓRIAS E MEMÓRIAS DO CONCELHO DE ESTARREJA

A CONSTRUÇÃO NAVAL LAGUNAR E A MUSEOLOGIA Mestre Esteves - Pardilhó Ana Maria Lopes* Não é por acaso que nos lembrou este título para o presente artigo. É, porque com muita razão, o Mestre António Esteves tem o seu nome inteiramente associado a grande parte das embarcações lagunares exibidas na Sala da Ria do Museu Marítimo de Ílhavo (MMI). Quando, pelos anos 80, fazíamos inquéritos e pesquisas na zona lagunar, tendo, sobretudo, como alvo, o barco moliceiro, o Mestre Esteves ainda não fazia parte dos construtores navais existentes em Pardilhó. Mal diríamos que seria com ele que tanto havíamos de lidar e conversar. Ao revermos o conjunto de construtores navais ainda existentes, em actividade ou já desactivados, eis que temos conhecimento que, em finais de 1992 regressara dos Estados Unidos da América, António da Silva Esteves (n. em 1942), morador no lugar das Bulhas. Tivemos todo o gosto em o conhecer para saber o seu passado, como construtor, e com que intenção havia regressado à terra que o vira nascer – Pardilhó. Em finais da instrução primária, começara a trabalhar no estaleiro de Mestre Henrique Lavoura, grande construtor, até emigrar, aos 30 anos, onde se dedicara à construção de modelos de iates em fibra de vidro. Após vinte anos de emigração, regressou, por gosto, a Pardilhó, para abraçar a arte que o apaixonava e apaixona – a construção naval em madeira. Logo começou a fazer diligências no sentido de construir um estaleiro próprio, perto da ribeira das Bulhas, projecto que teve vários entraves, que o levaram a utilizar o estaleiro do Mestre Lavoura, entretanto desactivado pelo proprietário. Aí construiu algumas embarcações, incluindo três barcos moliceiros, tendo sido o último para o António Garete das Quintas do Norte, por 1500 contos (7. 500€). A sua aprendizagem foi, como já referi, no Mestre Lavoura, a partir dos 10 anos, juntamente com outros rapazes do seu tempo, pelos anos 50. Apenas viu o primeiro dinheirinho em mãos, ao fim de quatro anos, sendo esse prazo dedicado a uma aprendizagem criteriosa. Tinha uma tendência especial para carpinteiro naval, que já manifestara ao apreciar a arte de um tio que tinha a mesma profissão. A aprendizagem consistia em ver o que o mestre e os mais velhos faziam, ouvindo as suas explicações. Por sua vez também era muito importante o conhecimento do machado, da enxó e de outra ferramenta, bem como o seu manuseio, com a qual tinham de se familiarizar. Pelos anos 50, havia uns oito ou nove estaleiros activos, em Pardilhó, mais uns tantos na Murtosa.

* Ana Maria Lopes, licenciada em Filologia Românica pela Universidade de Coimbra (1965). Diversos cursos e formações posteriores. Desde muito jovem, revelação de grande interesse pelos assuntos marítimos e lagunares. Na década de 90, Directora do Museu Marítimo e Regional de Ílhavo. Ex-membro da CTC do Museu de Marinha e Vice-presidente dos Amigos do MMI. Dentre os diversos livros publicados, destacam-se o Vocabulário Marítimo Português e o Problema dos Mediterraneísmos, edição do IER da UC, 1975, Faina Maior – A Pesca do Bacalhau nos Mares da Terra Nova, Quetzal, Lisboa, 1996, Moliceiros – A Memória da Ria, Quetzal, Lisboa, 1997 e 2ª edição revista e actualizada, Âncora Editora, Lisboa 2012 e Regresso ao Litoral – Embarcações Tradicionais Portuguesas, Edições Culturais da Marinha, 2008. Tem participado em diversos trabalhos de carácter marítimo, bem como escrito alguns artigos para revistas da área. Blogue – http://marintimidades.blogspot.com

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No Cais da Bestida, frente à Torreira, lá estava o do Mestre Joaquim Maria da Silva (o Rato), que foi quem passou o pau de pontos ao Mestre Lavoura, que, sua vez, o passou ao Mestre Esteves. E eis-nos chegados ao termo pau de pontos, instrumento mágico da construção naval lagunar. Consta de uma vara quadrangular de cerca de 1. 50m de comprimento que tem marcadas, por incisão, todas as medidas necessárias à construção das embarcações. Auxiliam-no umas tantas formas ou moldes de madeira e a grande mestria do construtor. Um dos saberes em que Henrique Lavoura era exímio era na escolha e corte da madeira destinada às embarcações (pinheiro bravo e manso e eucalipto para mastros e alguns tipos de remos), a sua espécie, qualidade e épocas de talhadia. Transmitiu-o ao seu discípulo. Como o Lavoura, A. Esteves também não é perito na decoração dos barcos. Alguns construtores tiveram modos muito «sui generis» e genuínos de decorar; estes e outros sempre recorreram a um «pintor de domingo», que lhes vinha ultimar a decoração da embarcação em causa, de acordo com as características próprias. Mas, deixando de lado o que fomos sabendo ao longo dos tempos, passemos a rememorar os primeiros serviços que o Mestre Esteves fez, para os Amigos do Museu de Ílhavo. Depois das festas setembrinas, pelos fins de Verão de 1994, lá fomos então a sua casa, com extenso pátio, para lhe encomendar uma parte de um barco moliceiro, nomeadamente, a zona de ré, com o grande leme negro. Porquê estranha encomenda? O Museu Marítimo e Regional de Ílhavo, à época, acolhia, já desde tempos anteriores à sua inauguração oficial (1937), uma proa da embarcação da autoria dos Garridos de Salreu (1934). Sendo um antigo sonho do fundador do museu ter uma Sala da Ria (1995), pusemos mãos à obra, com os meios possíveis1.

Foto 1 – Zona de ré (1994)

1 - À época era Directora do Museu de Ílhavo.

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Como não éramos senhores de área que albergasse um barco moliceiro, e muito menos de pé direito que suportasse a altura do mastro, resolvemos montar uma «instalação fatiada», que fizesse, de forma artística, entender ao visitante o que era um barco moliceiro, as suas dimensões e características. Era também fulcral a existência da zona central do barco, a do traste. Mais uma vez desafiámos o Mestre Esteves, que a «talhou» em casa e que no-la veio cá montar.2

Foto 2 – Zona do traste (1995)

E assim o Mestre Esteves se tornou debutante em trabalho museológico. E o que lhe estaria pela frente até à actualidade? Todo o conjunto era contextualizado pelo precioso óleo MOLICEIROS (1939) de grandes dimensões (2x3 m), da autoria de Sousa Lopes que retratava uma cena fabulosa de apanha de moliço.

Foto 3 – A instalação do moliceiro (1995)

Entretanto, o tempo foi passando, o edifício do museu foi remodelado, de modo a ter uma sala da ria que comportasse bastantes mais embarcações em tamanho real, com pé direito que albergasse os mastros na real dimensão. Foi inaugurado a 21 de Outubro de 2001.

2 - A sala, para dificuldades de montagem, situava-se no 1º andar.

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Disponibilizando a CMI3 verba para o «sonhado» moliceiro, e havendo um legado de José Francisco Corujo, os Amigos do Museu resolveram mandar fazer um barco moliceiro, um barco mercantel e uma bateira da chincha (chinchorra). Quem haveria de ser o construtor eleito? Entretanto, já o Mestre Esteves tinha o seu estaleiro, próximo da ribeira das Bulhas. Foi das épocas de vida em que estive mais afastada do museu, mas, pelo gosto que sempre tive pelas embarcações tradicionais e pela amizade pelo Director executivo de então, lá fomos justar a encomenda ao Sr. Esteves. Recebeu-a de braços abertos. E, lá íamos passando, algumas vezes, pelo estaleiro. O moliceiro e a chinchorra eram-nos bastante mais familiares, mas o barco mercantel, verdadeiramente tradicional, no seu estaleiro, foi o único que construiu. E, para nós, como tínhamos seguido várias construções de moliceiros4, no Mestre Agostinho Tavares e Mestre Lavoura, ambos também de Pardilhó, na década de 80, do século XX, não houve grande novidade. É sempre empolgante e atraente acompanhar a construção. E dava gosto ver a mestria, o saber e a agilidade com que o mestre manuseava algumas das ferramentas mais tradicionais no madeirame sabiamente seleccionado. Tivemos a oportunidade de rever o que já sabíamos, aperfeiçoando os conhecimentos e tirando dúvidas que sempre vão ficando. Constantemente a recomendação de serem adoptados os acabamentos de uma forma o mais tradicional possível (cavilhas, ferragens, xarolo, moitões, cabos), dado que seria para uma exibição museológica. Já se pressentia, com mágoa, que as embarcações tradicionais lagunares, começando pelas de maior porte, passariam a objectos de museu. A mesma advertência relativamente à decoração, levada a cabo pelo José Manuel Oliveira. O barco moliceiro, que se dedicava à actividade do moliço na zona lagunar, tem 15 metros de comprimento, 2.75 m de boca e 0.45 m de pontal, com um mastro de sensivelmente 8 metros. Estruturado em 21 cavernas, apresenta o registo, A-1937-M.

Foto 4 – Lançamento da proa, já com alguns foliamentos (2001) Foto 5 – Fundo, cavername, cavilhas, costado e borda (draga e cinta), em acabamentos (2001)

E o nome do Mestre Esteves e da localidade na proa da embarcação, além da sigla, no pujante leme negro, ficarão imortalizados ad aeternum, na Sala da Ria do MMI. 3 - Câmara Municipal de Ílhavo 4 - Lopes, Ana Maria, Moliceiros – Memórias da Ria, Lisboa, 1997 e Lisboa, 2012 (2ª edição).

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Foto 6 – A proa em exibição (2001)

Barco mercantel, esse é que ainda não tínhamos tido oportunidade de ver «na carreira». Foi o primeiro e o último. Nos seus 18 metros de tabuado, enchia por inteiro o estaleiro, de um portão ao outro. Para carreto em geral, para o sal em particular e para passagem de pessoas, bem merecia o nome por que era apelidado – «o senhor da ria». Era o mais possante barco da ria.Tem algumas semelhanças com o barco moliceiro, apresentando diferenças essenciais, que o Mestre Esteves sabiamente respeitou: – maior comprimento, boca, cerca de 3.25 m e pontal, 0.73 m. Portanto, costado muito mais alto com a tábua, a meio, a de antredois5, prolongado ainda pelo uso de falcas, duplo fundo6, sobriedade de pinturas, sendo o interior do castelo de proa mais decorado. Além de se deslocar à vela e à vara, também usava o tira-vira7, para orientar o leme do interior da embarcação. Com um mastro de sensivelmente 8 a 10 metros, é estruturado em 29 cavernas e apresenta o registo, A-2001-T. Por tudo isto, preço bastante mais elevado.

Foto 7 – A proa do mercantel à entrada do estaleiro (2001) 5 - Tábua de antredois é a tábua, a meio, no costado, entre a tábua de verdegar e a tábua de fechar. 6 - Fundo coberto por paneiros, de proa à ré. 7 - Cabo que sai das extremidades do xarolo, passa pela bica da proa e serve para governar o leme do interior da embarcação.

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Foto 8 – A proa do mercantel em exibição

A terceira embarcação encomendada, a bateira de bicas, da chincha ou a chinchorra era-nos mais familiar, pois ainda existia uma boa vintena pelo cais da Torreira. Embarcação inconfundível nas suas linhas dedica-se à arte da chincha ou do chinchorro. Com 8.00 metros de comprimento, 1.90 m de boca e 0.65 de pontal, é estruturada em 16 cavernas. Bateira de grande policromia e garridismo decorativos, apresenta o registo A-1995-L. O grande dia aproximava-se – 16 de Julho de 2001. Foi um dia festivo para os elementos do museu, que se encarregaram da feitura das embarcações lagunares e para o Mestre – triplo bota-abaixo, a partir da ribeira das Bulhas. As emoções, o nervosismo e os cuidados habituais… Por essa ria abaixo, navegaram todas, com o recurso aos meios de propulsão possíveis, sob o comando vigilante do Mestre Esteves, até ao Porto Comercial. E daí em diante, mais umas tantas preocupações com o transporte via terrestre até à Casa de Cultura do Mar ilhavense, que as aguardava. Não estava completamente pronta, mas já conseguia abrigar as embarcações, pois, o estaleiro do mestre estava atulhado. Grande dia para os intervenientes. E a ligação do mestre ao museu ia-se acentuando cada vez mais, talvez sem que ele desse tanto por isso.

Foto 9 – Sob o olhar atento do Mestre (16.7.2001) Foto 10 – O transporte, em ria aberta (16.7.2001)

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E mais uma embarcação, obra do Mestre, imortalizada na Sala da Ria, no MMI.

Foto 11 – A chinchorra em exibição

Ficaríamos por aqui, nós e o Mestre, em seu hábil trabalho de construção naval? Em inícios de 2003, a Direcção do Museu havia-nos solicitado que pensássemos numa reformulação da sala da ria, em aspectos que não estavam tão a gosto. E, mais uma vez, os Amigos do Museu se disponibilizaram através de um grupo de elementos de que fizemos parte. E para a recriação de um painel de construção naval lagunar, entendemos fazer-nos falta uma pequena caçadeira de pesca, em construção. E, dois anos depois, lá voltamos a Pardilhó, na companhia do amigo Francisco Marques, explicar ao «nosso» Mestre o que pretendíamos – uma pequena caçadeira de pesca, sobre o picadeiro8, em construção, semiacabada, para que se pudesse apreciar melhor o processo construtivo, que, no fundo, é transversal a todas as embarcações lagunares. De 4.50 de comprimento, 1.30 de boca e 0.47 de pontal, é estruturada em 9 cavernas, tendo, intencionalmente, por «fechar» o costado e algumas tábuas da coberta da proa.

Foto 12 – Francisco Marques e António Esteves no estaleiro (26.9.2003)

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Foto 13 – A pequena caçadeira em exibição (21.10.2003)

E o Mestre lá volta ao museu, auxiliar-nos na remontagem das embarcações, colocar-lhes por baixo alguns toros (rolos), que não só as elevavam do nível do solo, como dariam uma ideia evocadora de um varadouro na areia. Até retocou o breu de uma embarcação típica de Canelas, já com umas boas dezenas de anos, bem como lhe dispôs a casca de arroz, em círculos, sem qualquer ordem prévia. Considerávamos o Mestre a partir de então, o «nosso curador», em momentos necessários de intervenção. O grande momento ainda haveria de estar para chegar. Em meados de 2013, o Grupo dos Amigos do Museu, em concordância com a direcção, entendeu ter reunidas as condições que lhe permitiriam recriar uma bateira secular, com que há muito sonhava, carregada de identidade para a terra – a bateira ílhava9. De posse de alguns conhecimentos entretanto adquiridos e de um plano em 3 D (Auto Cad), DVD anexo do livro Embarcações que Tiveram Berço na Laguna10, passado para o formato 1/1, claro que o desafio da construção só poderia ser posto ao Mestre Esteves, considerando-o como o mais capacitado para a execução. Para tal acompanhamento foi nomeado um grupo de amigos do museu, sabedores, conhecedores, conscienciosos e disponíveis. O mestre aceitou o repto, encantado. A partir do plano do fundo, em tamanho natural, em papel, e de meia caverna mestra em contraplacado, logo se entregou sabiamente à selecção e compra das madeiras que entendeu adequadas. Porque o resto, a técnica de construção sabia-a ele. 8 - Conjunto de estacas que serve de base à construção. 9 - A bateira ílhava, embarcação polivalente, navegou, embora pouco, na ria, fez-se também à vaga, e dedicou-se à pesca pela zona de Belém, no Tejo, com a arte da tarrafa, pela mão de pescadores ílhavos. Tendo-se conhecimento da sua existência por volta do século XVII, deixou de existir a partir do primeiro quartel do século XX. Construída em estaleiros da nossa zona lagunar. 10 - Ver Senos da Fonseca. Papiro Editora, Porto, 2011.

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Prometemos-lhe um acompanhamento assíduo da obra. Não era uma caçadeirinha qualquer das que ainda abundam pelos esteiros, mas uma possante e elegante bateira de 13.75 de comprimento, de 2.50 de boca, 0.55 m de pontal fora a falca11 fixa, de 20 cm. Deslocou-se à vela, por vezes, com o auxílio de dois longos remos.

Foto 14 – ílhava à vela, na ria de Aveiro. Início do Séc. XX12

Para facilidade de trabalho, o mestre, a partir do plano que lhe foi entregue, construiu um pau de pontos com os elementos que achou essenciais e construiu alguns moldes elementares. Era notório que estava ufano com o trabalho que tinha em mãos e com a confiança que nele tínhamos depositado. De um modo célere, a embarcação foi nascendo como todas as outras lagunares, embora com algumas especificidades, para se aquietar nas «águas» calmas da Sala da Ria do MMI, para a posteridade, passados uns meses.

Foto 15 – Tábua da quilha, no sentido da proa Foto 16 – Algumas cavernas pousadas…

11 - Tábua fixa, que alteia o costado da embarcação. 12 - Imagem pertencente à Colecção Seixas, cedida gentilmente pelo Museu de Marinha.

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Depois de ensaiadas a roda de proa e de popa, sujeitas a pequenos ajustes, na semana seguinte, já estava assente a armadoura, ou seja, a tábua de proa à popa que ajusta as cavernas e ensaia a futura tábua de verdegar (tábua superior do costado).

Foto 17 – A armadoura, a BB e EB

A satisfação e o entusiasmo eram notórios no Mestre e, de semana em semana, o trabalhado ia progredindo. Orgulhoso por estar a construir uma bateira histórica, que ainda ninguém do seu tempo construíra e que seria uma réplica de um passado secular. Dava gosto lá ir semanalmente, conversar com o Mestre, tirar dúvidas, pôr hipóteses, tentar esclarecê-las. E a obra ia progredindo.

Foto 18 – Aplicada a tábua de verdegar Foto 19 – Aplicados os foliamentos de ré

Numa tarde de verão escaldante de fins de Julho, acompanhada de muitos clichés feitos pela Etelvina e por mim, apreciámos um trabalho rigoroso e pormenorizado – a aplicação da falca exterior, ao longo de toda a embarcação, a BB e a EB. Assenta daqui, prega de acolá, risca de dentro, retira a tábua, serra-a a jeito, afaga-a, volta a aplicá-la de vez – uma série de voltas e reviravoltas pela mão do Mestre, sabedor e sozinho.

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Foto 20 – Aplica a falca, exteriormente Foto 21 – Do interior, a falca, é bem visível

Foto 22 – Serra a falca pela marca Foto 23 – A agilidade de Mestre

Muitos pormenores vinham a lume e todos iam sendo resolvidos com correcção e boa vontade. Dava a sua opinião, mas, sobretudo, o Mestre sempre nos queria satisfazer. A coberta da proa ficara pronta e, entretanto, a nosso pedido fora coberta a breu e salpicada de serrim. De resto, mais requinta13, menos requinta, mais estribeira14, menos estribeira e a fixação do galindréu, ferragem que fixava o mastro ao traste. Ainda faltava construir os remos e o leme. Lá iríamos. Mas, numa fase final, era preciso carenar15 a embarcação, para lhe assentar as tábuas do fecho do costado.

13 - Requinta é a pequena banqueta que serve de apoio aos remadores, de pé. 14 - Estribeira é a vara redonda para os camboeiros (remadores) pousarem os pés. 15 - Voltar, assentar de lado, a embarcação.

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Foto 24 – A aplicar as tábuas do fecho… do costado

Depois de um ensaio de vela e de outros pormenores, a 15 de Novembro, em Pardilhó, chegou o grande dia de abalada, a 30 do mesmo mês, para o Museu de Ílhavo, sempre sob o olhar atento do Mestre.

Foto 25 – Acompanhada pelo Mestre

E, de abalada, lá segue em cortejo nupcial, para a casa de cultura dos ílhavos. Grande obra, ali aquietada para sempre. Grande Mestre.

Foto 26 – De abalada…

Depois de todos as inquietações e sobressaltos provocados pelo seu alojamento no local escolhido, o Mestre descansa finalmente. Mesmo assim, no dia seguinte, com todo o seu empenha-

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mento, voltou ao Museu, de manhã, para ultimar uns pormenores que ainda careciam das suas mãos, em ambiente mais sossegado – o retoque das altivas bicas da bateira, que tinham causado alguns problemas, na passagem da rampa à Sala da Ria. O Mestre Esteves continua a ter trabalho, embora já se sinta algo cansado, mas julgamos que a sua tarefa como construtor naval culminou com a construção da réplica da bateira secular, a ílhava.

Foto 27 – A ultimar a sua preciosidade…

No dia 11 de Janeiro de 2014, lá esteve presente no museu para partilhar da satisfação de todos os que gostavam, e eram muitos, de ter, naquele espaço, a embarcação lagunar com o nome identitário de ílhava. Com um elemento da comunicação social, A. Esteves conversava, fascinado, diante da Exposição de fotografia de Etelvina Almeida, que teve o trabalho, mas também o gosto de acompanhar a construção, partilhando muitos momentos de conversa e de afecto com o Mestre.

Foto 28 – O Mestre e Torrão Sacramento observam… e conversam

Sempre que tem oportunidade, o Mestre manifesta a sua pena de, na sua terra – Pardilhó – berço de centenas de construtores navais de machado e enxó, não haver, agora, quem lhe queira seguir a profissão. O trabalho é pouco e também bastante pesado, exigindo um saber que corre o risco de se perder. [ 31 ]


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Créditos Fotográficos: A. Bizarro: 9,10 Etelvina Almeida: 27,28 Museu de Marinha: 14 Autora: todas as restantes fotografias

GLOSSÁRIO SUCINTO

Antepara da proa – limite da parte coberta da proa Boca – largura máxima da embarcação Bordo – o mesmo que borda Bica – ponto mais alto e recurvado, na embarcação, situado à proa e à popa Caçadeira – a mais vulgar e abundante das bateiras lagunares, de duas bicas e fundo chato, que se dedica à pesca lagunar Castelo da proa – parte coberta da proa. O mesmo que coberta da proa Caverna – cada uma das peças curvas de madeira, em L deitado, que assenta sobre o fundo chato. Com o braço da caverna, forma-se o esqueleto da embarcação Cavilha – taco de madeira tronco-cónico, cavado pelo mestre. Serve para fixar o tabuado às cavernas. Chinchorra – embarcação que tomou o nome da arte utilizada, chinchorro ou chincha Cinta – viga de madeira fixada exteriormente, na parte superior do costado Coicia – madeiro reforçado, assente nas cavernas, com rebaixo (a pia), onde enfia o pé do mastro Draga - viga de madeira fixada interiormente, na parte superior do costado Falca – peça móvel ou fixa destinada a aumentar o pontal da embarcação Foliamentos – tábuas, à proa e à popa, acima da tábua de verdegar Golfião – cada um dos topos do forcado da proa, saliente, onde fixa a amarra Mercantel – a mais possante embarcação lagunar, também de fundo chato e diversos fins. Quando destinada à carga do sal, toma o nome de saleiro Moliceiro – embarcação lagunar, também de fundo chato, destinada à colheita e transporte de moliço Molde – cada uma das formas auxiliares que usa o construtor de embarcações, juntamente com o pau de pontos Paneiro – estrado amovível para cobrir o fundo Pontal – altura medida do fundo à borda da embarcação Roda de popa – peça curva, que, prolongando a tábua da quilha, forma a popa do barco Roda de proa – peça curva, que, prolongando a tábua da quilha, forma a proa do barco Saleiro – nome por que é designado o mercantel, quando transporta sal Sigla – marca que identifica o construtor, pintada na parte superior do leme Tábua de arestas – cada uma das tábuas que ladeiam, exteriormente, as tábuas de fechar do fundo Tábua de fechar o costado – tábua de fechar o costado, fora a fora.Também chamada tábua de encobedear Tábua da quilha – primeira tábua a assentar, no fundo Tábua de verdegar – tábua superior do costado, de fora a fora Traste – espécie de banco através do qual passa o mastro e que estrutura a embarcação Xarolo – vara que atravessa a parte superior da cabeça do leme, de cujas extremidades partem os cabos de comando da embarcação.

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OS 90 ANOS DOS BOMBEIROS VOLUNTÁRIOS DE ESTARREJA O Quartel dos Bombeiros Voluntários de Estarreja (1924 - 1968) Andreia Tavares* Os Bombeiros Voluntários de Estarreja completaram 90 anos de formação a 13 de Julho de 2014. A riqueza da sua história, a dedicação dos seus homens, a importância do seu trabalho para o concelho de Estarreja, e inicialmente também o da Murtosa, fazem desta instituição uma das mais respeitadas e acarinhadas pelas gentes do município. A história dos Bombeiros Voluntários de Estarreja, desde o longínquo ano de 1924 está a ser compilada e, brevemente, virá à estampa com a publicação de um livro. O quartel dos Bombeiros de Estarreja é apenas um dos tópicos em análise, que aqui se traz à publicação na Revista Terras do Antuã, de forma reduzida. A linha história aqui presente está delineada até 1968, data da inauguração do quartel-sede da Rua dos Bombeiros Voluntários de Estarreja. Por restrições de espaço a sede actual, sita na Teixugueira, não está contemplada no presente texto, mas estará desenvolvida no livro alusivo aos 90 anos da corporação.

AS PRIMEIRAS SEDES A primeira sede/quartel dos Bombeiros Voluntários de Estarreja foi um pequeno barracão/garagem, que se situava na Rua de Trás. De acordo com a informação do Sr. Alberto Vidal, antigo dirigente da associação, e corroborada pelo Chefe António Couto, era lá que a corporação guardava o primeiro material de combate a incêndio, bem como a bomba manual que havia à disposição. Em data que não conseguimos precisar, os Bombeiros de Estarreja mudaram de sede. A transferência deu-se para a Rua das Amoreiras, actual Rua Jornal de Estarreja, no local onde hoje se encontra o Centro Médico de Estarreja, ao lado do restaurante e “Pensão Estarrejense”.

O armazém na Rua de Trás foi o primeiro local a receber o quartel dos Bombeiros de Estarreja

* Licenciatura em Ciências da Comunicação pela Universidade da Beira Interior; e Licenciatura em Solicitadoria e Administração pelo Instituto Superior de Contabilidade e Administração de Coimbra

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O local onde hoje é o Centro Médico de Estarreja foi o segundo quartel dos Bombeiros Voluntários

A informação histórica para análise do tema é escassa, não existindo, quer nas actas da direcção da Associação Humanitária dos Bombeiros, quer na imprensa local e regional, alusão ao mesmo. Apenas se sabe que a terceira sede da corporação era arrendada, na Rua das Amoreiras, actual Rua Jornal de Estarreja, cujo rés-do-chão era utilizado para guardar viaturas, e que o primeiro andar estava destinado à formação e às reuniões dos órgãos sociais. Na acta da direcção de 30 de Novembro de 1943 pode ler-se que a direcção deu por findo o arrendamento do primeiro andar do prédio a 31 de Dezembro do mesmo ano, com o consentimento do “representante do senhorio, senhor José Marques D’Oliveira e Silva.” No ano seguinte o senhorio tenta aumentar o valor da renda para cento e oitenta escudos mensais, valor que não foi aceite pela direcção dos Bombeiros. Na acta de 17 de Setembro de 1944, a direcção toma a seguinte posição: “(…) tendo o senhorio deste edifício insistido pelo aumento da respectiva renda, que actualmente é de cento e vinte escudos mensais, a direcção, reconhecendo a conveniência de evitar conflitos judiciais, e, sobretudo, a circunstância, muito de ponderar, de não haver na vila, nesta conjuntura, um edifício com as condições necessárias à instalação da corporação e dos recursos a seu cargo, resolve por unanimidade elevar a mesma renda, a partir do próximo mês de Outubro, não para cento e oitenta escudos, como o senhorio pretende, mas para centro e cinquenta escudos por mês, como se lhe afigura justo”. Curiosamente em 1965, já com o primeiro andar do edifício arrendado ao Clube Desportivo de Estarreja, os bombeiros solicitaram à direcção do CDE a cedência de uma sala no primeiro andar para a realização das suas reuniões. Na acta de 6 de Março de 1965, a direcção liderada por Álvaro Castro agradece publicamente ao Desportivo de Estarreja a cedência do espaço.

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Os bombeiros estiveram na Rua Jornal de Estarreja até 1968

CADEIA QUE ESTEVE PARA SER QUARTEL A falta de sede própria dos Bombeiros Voluntários de Estarreja era um problema com que diariamente a corporação se tinha que debater. Em primeiro lugar, pelo custo mensal que a mesma acarretava, em segundo pelo espaço exíguo para o número de veículos e elementos que integravam os soldados da paz. Estes problemas potenciavam a necessidade de construção de uma sede adaptada às necessidades. Em 1946 a Cadeia Civil de Estarreja foi entregue à propriedade da Câmara Municipal de Estarreja. A cadeia da Vila situava-se junto ao actual bar Tomázia, na Rua Doutor Souto Alves, e tinha sido, originalmente, o local do Tribunal da Comarca. Com a transferência do estabelecimento prisional para o espaço onde agora se situa o posto da Guarda Nacional Republicana, o edifício foi entregue pelo Governo à autarquia estarrejense. É na sequência da transferência de propriedade que surge a ideia de se pedir à Câmara Municipal a cedência do edifício para instalar o quartel/sede dos Bombeiros Voluntários de Estarreja.

A Câmara Municipal de Estarreja cedeu a cadeia da Vila aos Bombeiros para que fosse convertida em quartel – foto de 1928, integrante do espólio da família de João Fortunato de Pinho

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A 16 de Junho de 1946 foi lançada a ideia, pelo então Comandante do Corpo Activo, Sr. António Máximo Rodrigues Andrade (Comandante Andrade): “(…) estando presente o Excelentíssimo Primeiro Comandante do Corpo Activo por ela foi dito que visto haver sido entregue nesta data à Câmara Municipal deste Concelho, o nosso edifício da Cadeia Civil desta comarca, lembrava a conveniência de pedir à mesma Câmara a cedência a esta Associação do edifício da antiga cadeia, a fim de ser convenientemente adaptado a quartel e sede desta mesma Associação. Que em seu parecer esse edifício poderá facilmente ser adaptado (…) com a vantagem de embelezar o local e alargar a rua que lhe passa em frente. Esta direcção tendo ponderado a exposição que acaba de ser feita resolveu solicitar à Câmara Municipal deste concelho a cedência gratuita, pura e simples do aludido edifício e terreno anexo, a fim de lhe dar a aplicação sugerida pelo Excelentíssimo Comandante, obrigando-se a proceder às necessárias obras, tanto interior como exteriormente, de forma a estarem concluídas no prazo de cinco anos a conta da cedência, as interiores e no de dois anos as exteriores mediante a necessária planta que esta Associação apresentará oportunamente para respectiva aprovação.” A Câmara Municipal de Estarreja anuiu ao pedido dos Bombeiros Voluntários e em 8 de Abril de 1946 remeteu os documentos necessários à adaptação da antiga cadeia.

Extracto da acta da Câmara Municipal de Estarreja que autoriza a cedência aos Bombeiros de Estarreja do edifício da antiga cadeia

Os Bombeiros Voluntários registaram o facto na sua acta de 19 de Fevereiro de 1947: “(…) Pelo Senhor Presidente foi dito que, recebeu da Excelentíssima Câmara Municipal deste Concelho os documentos respeitantes à cedência do edifício da Cadeia Velha, a esta Associação, apresentando esses documentos para fazerem parte do arquivo desta mesma Associação.” Mas a decisão de instalar a sede dos Bombeiros de Estarreja na antiga cadeia não era unânime. Em 1948, a então direcção liderada pelo Dr. Eduardo Costa decide adiar o início das obras “até melhor oportunidade”.

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A decisão foi tomada a 25 de Janeiro, menos de um mês após a tomada de posse dos órgãos sociais que substituíram a direcção de Manuel Rodrigues Gomes: (…) Considerando que, para a construção da nova sede e quartel, a actual direcção não concorda com a adaptação do edifício onde se encontrava situada a cadeia da comarca, (…) considerando ainda que, no ano presente, não é possível dispor de fundos para outro fim que não seja, além das despesas ordinárias, o carroçamento do pronto-socorro e ambulância (…) adiar até melhor oportunidade a solução do problema do novo quartel”. O problema não ficava, no entanto, solucionado e a importância da construção de um quartel de bombeiros, adaptado às necessidades da corporação, mantinha-se. Se inicialmente a direcção liderada pelo Dr. Eduardo Costa estava contra a realização de obras na antiga cadeia, os condicionalismos inerentes ao dia-a-dia dos bombeiros levaram-nos a tomar outra decisão. Assim em 1949, na acta de 25 de Março, a direcção decidiu realizar as obras de “adaptação daquele edifício limitadas ao máximo necessário para conveniente instalação dos serviços”, numa clara demonstração de que a solução não era a ideal, mas era a possível. O Sr. Alfredo da Costa Roque, de Estarreja, foi encarregue de executar o projecto para as obras e de elaborar o caderno de encargos. A 12 de Abril de 1949 o Sr. João Martinho da Silva, de Santo Amaro, foi incumbido de retirar todas as grades e portas em ferro da antiga cadeia, e promover a sua venda “pelo melhor preço”. Na acta de 10 de Maio, a direcção lança o concurso para as obras: “(…) abrir concurso para a execução das obras de adaptação do edifício cedido pela Câmara a sede e quartel por meio de propostas em carta fechada e lacrada a apresentar no dia vinte e sete do corrente, pelas vinte horas, entregando-se uma cópia do projecto e caderno de encargos a cada um dos concorrentes”. Abertas as propostas, a 27 de Maio do mesmo ano, na presença dos concorrentes António Gonçalves Galhardo & Francisco Carvalhais, e da empresa Manuel dos Reis Antunes Tomé & Irmão, constatou-se que ambos os orçamentos eram superiores a cem mil escudos. A verba era apenas referente à primeira fase das obras, que incluía arranjos exteriores, telhado e muro de vedação, abertura de portais, demolição de paredes interiores no rés-do-chão, carpintarias, pinturas e dispensário para a instalação de serviços. Dado o valor elevado dos trabalhos decidiu a direcção adiar, sine die, a realização das obras: “(…) foi deliberado, tendo em consideração a impossibilidade de realizar para já as obras a que se referem as actas anteriores, adiar novamente, sem dia marcado, a resposta a dar aos concorrentes, a fim de se esperar a concessão de um subsídio da Câmara Municipal deste Concelho, que se torna indispensável, atento o custo das citadas obras.” Em 1952 foi definitivamente abandonada a ideia de transformar a cadeia em quartel de bombeiros. Na acta n.º 16, de 5 de Julho, a direcção presidida pelo Dr. Eduardo Costa, fixa as condições da demolição e as obrigações do empreiteiro vencedor: “Primeiro – mandar afixar as condições a seguir indicadas, nos lugares habituais, para a adjudicação da empreitada de demolição do edifício da cadeia velha – a) o arrematante obriga-se à demolição do prédio em referência ficando na pertença de todos os materiais constantes do mesmo, à excepção da sirene e uma armação de ferro, bem como da cantaria da porta principal e das pedras do relógio, devendo tudo ser desmontado com os cuidados necessários para serem novamente utilizados, sendo as peças devidamente enumeradas para aquele fim, e ainda de quaisquer valores nominativos que estejam ocultos nas partes demolidas. b) O arrematante obriga-se a efectuar a terraplanagem que ficará nivelada com a Praça do Peixe, bem como a retirar no prazo de quinze

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dias, após a demolição do prédio, todos os materiais que forem de sua pertença e o entulho. c) O arrematante tem a construir um suporte em madeira, para a colocação da sirene, bem como uma vedação, também em madeira, com as dimensões e alinhamento constantes dos desenhos juntos ao caderno de encargos. d) é da responsabilidade do arrematante todas as licenças, seguro de pessoal trabalhador, bem como quaisquer prejuízos contra terceiros.” O vencedor do concurso foi Joaquim Fernandes Alves, de Salreu, pela importância de cinco mil escudos. É definitivamente abandonada a ideia de conversão da antiga cadeia em quartel, partindo a direcção para a negociação com a Câmara Municipal de Estarreja para a cedência de um novo espaço.

A CONSTRUÇÃO DE RAIZ DO QUARTEL/SEDE Embora a necessidade de um novo quartel para os Bombeiros Voluntários de Estarreja fosse uma realidade, só mais de uma década depois é que surgem avanços reais para a construção do um novo edifício. Inicialmente a autarquia estarrejense pretendia ceder um terreno na Avenida 25 de Abril, mas, de acordo com o Sr. Alberto Vidal, a proposta foi rejeitada pela direcção, “por o valor comercial dos terrenos ser inferior aos terrenos da Rua Bombeiros Voluntários de Estarreja”. E assim foi. Em 1965 a ideia de construção de um novo quartel começa a ganhar forma e toma-se a decisão de avançar com a ideia. Na acta de 30 de Março pode ler-se o seguinte: “Em seguida iniciou-se uma troca de impressões acerca da construção do novo quartel para o que tinha sido convidado e estava presente o Sr. Arquitecto António Linhares de Oliveira. O Sr. Arquitecto apresentou um projecto já concluído e que não chegou a ser utilizado por motivo da mudança de local para a construção do quartel e lastimou tanto trabalho que tivera em vão, visto que o referido projecto é incompatível com o terreno agora indicado pela Exma. Câmara Municipal de Estarreja. Debatido este assunto, e pelo interesse que temos de iniciar a campanha de construção da nova sede com a maior urgência, assentou-se começar já um peditório para esse fim, e entretanto, o Sr. Arquitecto fará o possível para apresentar um anteprojecto no prazo de trinta dias”. O Diário de Lisboa dá eco da cedência do terreno aos Bombeiros de Estarreja, a 14 de Julho de 1966: “A Câmara Municipal de Estarreja foi autorizada a ceder gratuitamente à Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários daquela Vila, com destino à construção do respectivo quartel-sede uma parcela de terreno municipal com a área de 755 metros quadrados”. Também em 1966, numa circular datada de 8 de Abril, o Dr. Oliveira Pinto fazia saber aos sócios a decisão da Câmara Municipal de Estarreja de ceder gratuitamente um terreno para a construção do quartel-sede da instituição. “A Direcção da Nossa Associação tem a honra de poder participar aV. Ex.ª que em sessão de 31 de Março de 1966, foi aprovada, por unanimidade, a cedência gratuita à Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Estarreja do terreno camarário situado na Vila de Estarreja, no gaveto das ruas Dr. Manuel Andrade e Rua Bombeiros Voluntários de Estarreja, com destino à construção da Sede Própria e Quartel da Associação H.V. B. Estarreja. A acta daquela Sessão foi aprovada em Sessão de Câmara de hoje”.

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De notar, que embora a cedência só venha a acontecer oficialmente em 1966, já em 1965 decorriam os trabalhos prévios, nomeadamente a elaboração do projecto de arquitectura e especialidades, bem como a realização de actividades de angariação de fundos.

OBRA NO VALOR GLOBAL DE 1950 CONTOS A construção do quartel-sede dos Bombeiros Voluntários de Estarreja estava orçamentada em 1 800 contos (9 mil euros), a empreitada foi entregue a Mário Ferreira Couto, de Fermelã. O custo do projecto de arquitectura e especialidades foi de oito mil, seiscentos e noventa e quatro escudos, pagos ao Eng. Victor de Almeida (especialidades); setenta e cinco mil e seiscentos escudos, pagos ao Arq. António Linhares de Oliveira (Arquitectura); a instalação eléctrica do quartel ficou pelos cinquenta e três mil e quinhentos escudos, ao Senhor Manuel da Silva Ferreira. No total a construção do quartel de bombeiros rondou os 1 950 contos (9 750 euros).

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A adjudicação foi feita a 21 de Outubro de 1966, conforme consta da acta da direcção, presidida pelo Dr. Francisco de Oliveira Pinto: “(…) procedeu-se à abertura de propostas para a execução da empreitada para a construção do Quartel, segundo os termos do respectivo concurso. Foram presentes três propostas; uma pela quantia de dois milhões cento e trinta e seis mil escudos (2.136.000$00) apresentada pelo Senhor Joaquim TavaresValente Couras; outra pela quantia de dois milhões quatrocentos e cinquenta e quatro mil quinhentos e trinta escudos (2.454.530$00) apresentada pelo Senhor Francisco Martins Moreira; e outra de um milhão oitocentos mil escudos (1.800.000$00) apresentada pelo Senhor Mário Ferreira Couto. Sendo a última proposta mais vantajosa para a Associação, foi deliberado aceitá-la, para a adjudicação, convidando-se o empreiteiro a comprometer-se a iniciar a obra logo que lhe seja participada a autorização e cumpridas que sejam, da sua parte, as formalidades do respectivo compromisso”. A notícia do início das obras fez eco um pouco por toda a imprensa nacional. O Jornal “Comércio do Porto”, de 25 de Outubro de 1966, fala de um ambiente de “grande expectativa”, o Jornal “O Século” de 26 de Outubro relata da seguinte forma o acontecimento: “Na presença dos corpos gerentes e de numeroso público foram abertas as propostas de concorrentes à empreitada de construção do novo quartel-sede dos bombeiros voluntários desta vila. Postas à consideração dos presentes as três propostas, foi aceite a de 1800 contos. (…) vão em breve começar as obras, esperando-se comparticipação por parte do Estado, como foi solicitado pela direcção ao Sr. Ministro das Obras Públicas”. Curiosamente, e apesar da abertura das propostas ter decorrido em Outubro, o lançamento da primeira pedra foi feito em Julho do mesmo ano, aproveitando a festa dos 42 anos da instituição. Centenas de pessoas marcaram presença no lançamento da primeira pedra

Corporação desfila em direcção ao local da nova sede

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Os jornais da época deram nota da iniciativa. O Jornal “O Século” de 17 de Julho anuncia o programa do lançamento da primeira pedra. “Os BombeirosVoluntários de Estarreja comemoram hoje o seu 42.º aniversário, com a presença dos Srs. Governador Civil e Bispo de Aveiro. Às 11h00 celebrar-se-á missa campal, no local onde será, em seguida, lançada a primeira pedra para a construção do quartel da corporação. Às 13 horas haverá almoço de confraternização de bombeiros e amigos e às 16 horas exercício da corporação na Praça Francisco Barbosa, com simulacro de incêndio nos edifícios dos Paços do Concelho e no Cineteatro de Estarreja, seguindo-se o desfile pelas ruas da vila”.

Construção do quartel dos Bombeiros de Estarreja

OS CORTEJOS DE OFERENDAS A FAVOR DA CONSTRUÇÃO DO QUARTEL1 O apoio popular à construção do quarte-sede dos Bombeiros Voluntários de Estarreja foi uma constante. Na memória das gentes de Estarreja e Murtosa ficaram os cortejos de oferendas realizados entre 1965 e 1968, cuja receita superou os 700 contos (3 500 euros). A 19 de Junho de 1965, o jornal “Concelho de Estarreja” anunciava o cortejo e apelava à participação popular:

1 - Por evidente falta de espaço não nos é possível aqui explanar todas as grandes iniciativas de angariação de fundos para a construção do quartel dos Bombeiros Voluntários de Estarreja. Os Cortejos de Oferendas, pela sua imponência, valor angariado e participação popular, são um exemplo do envolvimento cívico de apoio aos soldados da paz estarrejenses. No livro dos 90 anos dos Bombeiros Voluntários de Estarreja será dado destaque a outras iniciativas, tais como: a “Campanha do Mealheiro”, os “Auto-stop”, o “Festival das Póvoas”, os “Sorteios de automóveis”, só para referir alguns exemplos.

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“Tendo em vista a construção do quartel tão necessário e importante empreendimento por que todo o concelho deve tomar interesse – promovem os nossos Bombeiros, no próximo dia 20, um cortejo em seu benefício. Chamamos a atenção de toda a população para este acontecimento, de modo a que os mesmos seja por todos bem aceite e secundado como merece. Cedido o terreno pela Câmara Municipal importa agora não deixar que a oportunidade de dar aos Bombeiros de Estarreja o quartel que carecem para melhor servir, venha a ser desaproveitado. E não o será se o concelho assim o quiser.Todos podem precisar dos Bombeiros. São agora eles que precisam de todos. Eles respondem sempre. É esse o nosso dever – afirmar a nossa presença participando activamente no cortejo e dando o nosso auxílio. É isso que esperam justificadamente”. O resultado do primeiro cortejo ultrapassou os 200 contos (mil euros), em apenas uma tarde. Do dia memorável fizeram eco os jornais da região. O “Concelho de Estarreja” ressalta a beleza dos carros alegóricos, os grupos de música, a participação da juventude: “Mais de duzentos contos, entregou o Concelho aos BombeirosVoluntários em memorável cortejo de Bairrismo.(…) Carros e mais carros, alegóricos ou ao natural. Grupos de música e de danças, uma juventude aproveitando o dom da sua própria juventude, que realiza, distraindo-se. Em tribuna especial, frente ao Município, autoridades e convidados, com os Exmos Presidente das Câmaras da Murtosa e Estarreja e um júri para apreciação e classificação dos carros. (…) Mãos à obra que se justifica por si mesma e que se erguerá ali à entrada de Estarreja e da Avenida Dr. Jaime Ferreira da Silva, pela vontade de todos e na união dos corações estarrejenses, sem desfalecimentos”.

Grupos de jovens animaram o primeiro cortejo de oferendas a favor dos Bombeiros de Estarreja

Em 1966, mais propriamente a 27 de Novembro, novo cortejo de oferendas a favor dos Bombeiros de Estarreja. O mesmo entusiasmo e a mesma dedicação por parte dos milhares de participantes: o resultado foram 300 contos (1500 euros) angariados numa única tarde. O “Jornal de Estarreja”, de 10 de Dezembro de 1966, faz eco detalhado da iniciativa, publicando, inclusive, as verbas obtidas por freguesia. No concelho de Estarreja a freguesia de Beduído ultrapassou os 128 contos de oferendas, enquanto na Murtosa foi a freguesia do Monte, com mais de 9 contos angariados. “Com um magnifico dia de sol, desde o princípio da tarde a Vila começou a animar-se com o movimento dos ranchos e carros destinados ao grande Cortejo, que ia desfilando em direcção à Praça Francisco Barbosa, desde o

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cruzamento das ruas do Jornal de Estarreja e Agostinho Leite com a Avenida Dr. Jaime Ferreira da Silva, indo circular pela Rua dos BombeirosVoluntários para entrar naquela Praça, onde, em frente ao Paços do Concelho, estava a tribuna de honra em que se achavam, com a Direcção dos Bombeiros, o Sr. Presidente da Câmara e outras entidades. (…)Grande multidão assistiu ao desfile e aplaudiu os carros e ranchos que mais despertavam a atenção. Entre as ofertas mais valiosas, destacaram-se uma camioneta de sacos de sulfato de amónio oferecida pelo Amoníaco Português, outra de sacos de cimento, das firmas Ezequiel da Silva Pinho & Filhos, Lda., e Viúva de Alberto Augusto de FigueiredoVidal, outra de A Mercantil de Estarreja, Lda., com 12 ton. de cimento”.

Todas as freguesias dos concelhos de Estarreja e Murtosa marcaram presença nos cortejos de oferendas

Centenas de participantes integraram os cortejos

INAUGURAÇÃO A 17 DE NOVEMBRO DE 1968 Dois anos volvidos, e após décadas de trabalho, avanços e recuos, foi inaugurado o quartel-sede dos Bombeiros Voluntários de Estarreja. O dia, há muito desejado, foi o mote para uma grande festa, e contou com a presença de autoridades civis e religiosas de todo o distrito, bem como de representantes de corporações de vários pontos do país. Centenas de populares, de Estarreja e Murtosa, marcaram presença, naquele que era a concretização de um grande sonho.

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O jornal “O Concelho de Estarreja”, de 23 de Novembro, noticiava assim o grande dia: “O Senhor Governador Civil de Aveiro inaugurou o Novo Quartel dos BombeirosVoluntários. Constitui extraordinária manifestação, dificilmente ultrapassada no passado ou no futuro, a solene e festiva inauguração do quartel-sede da Associação Humanitária dos BombeirosVoluntários, acto a que presidiu Sua Excelência o Governador Civil do Distrito. Toda a comarca tomou parte nas diferentes cerimónias que preencheram o belo dia de Domingo pretérito,como sempre, do calor e da amizade de que são credores.(…)Quando, no velho quartel, foi, pela última vez, hasteado o glorioso pavilhão dos Bombeiros, era o dobrar duma página e duma época e o abrir, de novos caminhos para o futuro, também árduo e glorioso, sob o lema de sempre – vida por vida, como justamente disse o Comandante honorário da Corporação, o Sr.António Andrade, falando, no momento, ao corpo activo, após ter ele próprio procedido àquele acto.(…) As cerimónias da tarde Do histórico – sem duvida ficará ligado à história dos bombeiros e de Estarreja – pois, daquele desconfortável e impróprio edifício que diante anos albergou os nosso soldados da paz, foi a bandeira da Associação levada para a nova sede, com toda a corporação em formatura, saindo da velha Rua das Amoreiras pela moderna Av. Dr. Jaime Ferreira da Silva até ao local da Av. BombeirosVoluntários em que se ergueu, em união de esforços e de generosidade o belo imóvel de que Estarreja se pode legitimamente orgulhar. À chegada do alegre Cortejo a multidão adensava-se constantemente, confluindo de todo o lado, para assistir à inauguração a que procederia o Sr. Governador Civil do nosso distrito. Entretanto, as Bandas de música do concelho, também se associando ao regozijo geral enchiam a vila de festivas marchas e os foguetes estoiravam anunciando ao longe o solene acontecimento. Valor da Obra – Nomes e Números Dois mil e quinhentos contos, ainda não totalmente pagos, nem totalmente realizados.Além de 160 000$00 a receber do subsídio do Estado faltam mais 200.000$00. A Câmara contribuiu com o terreno e subsídios de que restam ainda receber 50.000$00. A primeira pedra foi colocada em 17-7-1966 e as obras iniciaram-se em Janeiro seguinte. O anúncio de concurso fora feito em 4-10-1966 e a empreitada adjudicada em 25-10-1966 ao construtor Mário Ferreira Couto. Projectou o edifício o arquitecto António Linhares de Oliveira e procedeu aos cálculos o Eng.Vítor

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Almeida. Da parte eléctrica encarregaram-se, respectivamente, de estudos e instalação, Rui Guilherme de Oliveira e Manuel Ferreira.Tudo pessoas de Estarreja, ou à terra ligadas por laços de família ou de adopção, o que faz sentir a obra mais de todos e de cada um dos que contribuíram para que fosse possível realizá-la. Compõem-na de diversos pisos e secções, desde a torre à garagem, sendo funcional o seu aproveitamento, desde os dormitórios, ao equipamento. Começando com 10 voluntários a corporação escala hoje cerca de setenta. E a velha bomba braçal e a primeira motobomba, anteriores a 1930, mantendo hoje o seu lugar museológico substituídas sete adequadas viaturas para os diferentes Serviços, esperando-se, como disse, um carro de nevoeiro”. No discurso de inauguração o Dr. Oliveira Pinto, presidente da direcção, enalteceu o papel de toda a comunidade, mas especialmente dos jovens apoiantes da corporação: “À juventude de Estarreja nós devemos também uma palavra. Esta obra está recheada de muito do seu trabalho, dela sendo preponderante obreira; e tão grande que podemos afirmar que foi devido a muito do seu esforço e entusiasmo que pudemos dispor de muitas verbas para a construção deste edifício. Foi ainda com resultado da sua dedicação que nasceu e se corporizou o Corpo Auxiliar Feminino e Masculino, cuja existência e operância será, como até aqui e d’ora-avante o nosso orgulho”.

Centenas de pessoas marcaram presença na cerimónia de inauguração

O novo quartel foi inaugurado pelo Governador Civil de Aveiro

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Francisco Garrido, emigrante na Venezuela, ofereceu uma Ambulância.

“Para rematar em beleza termino as minhas palavras com as mesmas referências que iniciei: esta é uma hora alta para a Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Estarreja. Uma hora alta para os Soldados da Paz da nossa Comarca, para os povos deste concelho e da Murtosa e para todos os que aspirando a que esta obra se realizasse a vêem, finalmente, realizada. Esta é, sobretudo, uma hora alta para os membros da direcção a quem a massa associativa confiou, em hora feliz, o mandato de dirigirem o seu destino e a levarem a cabo esta obra. O que fizeram e como cumpriram está aqui bem patente aos olhos de todos, bem os honrando e dignificando. Todos nós lh’o agradecemos enternecidamente e confundidos, com a alma e o coração. E por justo, aqui cito e proclamo os seus nomes, que de maneira imperecível ficam vinculados à história gloriosa desta sede-quartel. São eles: Dr. Francisco José Marques de Oliveira Pinto, Alberto Augusto Linhares Vidal, Carlos Ferreira da Rocha, Armando Gomes de Lemos e Fernando Paulo Ferreira da Silva”.

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PATRIMÓNIO MUSICAL DE ESTARREJA Um contributo

António Augusto Silva *

O artigo que transcrevemos nas páginas seguintes foi publicado no jornal O Concelho de Estarreja de 9, 16 e 23 de Julho de 1955, escrito por Viriato Luso1, frequente colaborador do Jornal e, pelo que se vai ler, um bom conhecedor da música popular e clássica que era incluída nos repertórios das Bandas de Música de então. Serve ainda para homenagear os milhares de conterrâneos que serviram as nossas Bandas desde o século XIX, e que hoje podemos ver e ouvir ao mais alto nível nas 3 que ainda subsistem – Banda Bingre Canelense (fundada em 1866), Banda Clube Pardilhoense (fundada em 1874) e a Banda Visconde de Salreu (fundadada em 1925)2 dignos e admiráveis exemplos do Património Musical Concelhio. O concerto que Viriato Luso nos apresenta e comenta teve lugar no dia 29 de Junho de 1955, integrado nas festas em honra de S. Pedro, em Pardilhó, entre a Banda Visconde de Salreu e a Banda da Associação Musical Pardilhoense Saavedra Guedes, vulgarmente conhecida por Banda Nova de Pardilhó. Para além de ficarmos a conhecer o que se tocava na altura- o que nem sempre é fácil encontrar - são uma delícia os seus comentários às Bandas, aos maestros, aos executantes, às peças escolhidas e à forma como cada Filarmónica respondia ao número executado pela Banda adversária, sendo que o repertório não era previamente escolhido ou combinado, o que dava maior interesse ao despique tão ao gosto popular, e tudo isto sem deixar de realçar as deficitárias condições que os músicos enfrentavam para conhecer, ensaiar e executar peças de dificuldade elevada, sabendo-se que uma Banda de Música da altura teria no máximo 30 elementos e que estes eram recrutados entre agricultores, almocreves, pescadores, moliceiros, sapateiros, ferreiros, serradores, alfaiates, carpinteiros, pedreiros, funileiros e alguns – poucos – empregados do Estado, entre outras profissões das respectivas Freguesias. Ao texto do cronista acrescentarei algumas notas sobre as Bandas, os maestros, as peças executadas nesse dia, os seus autores e fotos da época das duas Filarmónicas.

* Investigador sobre a História do Concelho de Estarreja 1- Pseudónimo de Horácio Augusto Gonçalves, natural da zona da Serra da Estrela, residente em Lisboa, onde era membro do Sindicato Nacional dos Tripulantes de Navegação Fluvial do Rio Tejo no Distrito de Lisboa; a sua Ligação a Pardilhó faz-se através da relação sindical com trabalhadores pardilhoenses filiados no referido Sindicato, na Capital Cronista do Concelho de Estarreja a partir de 1954. 2 - Nesse ano de 1955, existia ainda no Concelho a Banda Municipal de Estarreja, pouco depois extinta e a Banda Nova de Pardilhó, como se verá mais adiante.

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ARTÍSTICO, BRIOSO E IMPRESSIONANTE DUELO ENTRE DUAS BANDAS DE MÚSICA QUE HONRAM O CONCELHO DE ESTARREJA Agora, 4 horas da tarde, o calor é intenso e se não fosse uma leve aragem do nordeste, que nos traz a frescura da ria, tudo seria insuportável, sufocante, entre a poeira do arraial que decorre no largo mal pavimentado, pedregoso e cheio de areia. A Banda Nova de Pardilhó, subiu a um dos dois coretos, de emergência, erguidos em frente da face lateral da igreja; ao outro tablado, subiu a afamada e muito acreditada Banda Visconde de Salreu, que nunca tinhamos ouvido; percebe-se que cada banda tem o seu público e que entre esse público há muito bons apreciadores. Nós, estamos ansiosos e curiosos e relembramos mental e emotivamente, o duelo do ano passado com a Banda da Polícia do Porto em rounds clássicos em que se executou, Wagner, Verdi, Weber, Tchaikovsky, etc, contra toda a nossa expectativa, pois julgávamos que estes programas se limitavam a música folclórica regional, expressa em rapsódias Portuguesas. Que sairá daqui? Quais os programas? Tudo para nós era mistério... mistério e interesse. Eis que chega o grande momento, a batuta do regente de Pardilhó bateu na estante e ergue-se no espaço, inicia agora a condução, fazendo ouvir o início de uma marcha, uma das marciais e clássicas marchas, com que rompem os primeiros assaltos destes torneios de Arte; trata-se dum sonoro e colorido pasodoble Paisaje Asturiano, de S. Folguera3. A execução é suave, maviosa, sentida, porque a regência4 é serena, modesta, mas firme, imperativa e enérgica, sem desperdícios de gestos, sem movimentos supérfluos, sem espalhafato, sem a mínima parcela de vaidade, sem partícula de exibicionismo. É um gosto ver reger assim; mas é raríssimo ver-se reger assim. A Banda executa o ordinário num ritmo impressionante, perante a marcação no espaço dos compassos, por uma batuta que é um autêntico pêndulo regulamentador da linda interpretação, desta vibrante partitura, integralmente respeitada no mais ínfimo pormenor, e, quando a execução termina, o público de Pardilhó, principalmente os velhos apreciadores e a mocidade cheia de sangue... sorri, entreolhando-se com orgulho. Mas já o regente da Visconde de Salreu5 se ergue para a resposta a este primeiro ataque. É mais magro e mais nervoso, mais agitado, parecendo que traz fogo na Alma; às vezes, estes regentes, estes maestros, estes directores, fazem milagres, conseguem galvanizar os executantes e o auditório. A um sinal enérgico da sua batuta, a banda rompe, respondendo com outro pasodoble, daqueles que o público dos arraiais gosta, e que fazem aquecer os bailaricos e ferver as raparigas, vibração, entusiasmo, olé!!! olé!!! Logo nos primeiros compassos percebemos estar a ouvir uma banda experimentada, colectivamente consciente, bem ensaiada e possuidora de óptimos e muito treinados elementos, capazes até de executarem a partitura sem regência.

3 - Manuel Serrano Folguera, maestro e compositor espanhol. Nasceu em 1896 e faleceu em 1991. 4 - Regente Álvaro Ventura, maestro da Banda Nova de Pardilhó desde Novembro de 1953. 5 - Regente Sargento Artur Pinheiro, maestro da Banda Visconde de Salreu desde Abril de 1955; manteve-se, com breve interrupção, durante os 20 anos seguintes.

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Mas a regência, vistosa, para não dizer teatral, chama a atenção do povo, que gosta de gestos enérgicos, de sinais que se percebam, de esgares tradutores de insatisfação. Observando atentamente esta regência, chegámos à conclusão que ela traduzia, apenas, ânsia de perfeição, ânsia mesmo, de criar tendência para interpretação de ordem pessoal, individual. Até certo ponto isto é uma virtude. E quando o maestro é um Génio e atinge as culminâncias interpretativas da arte dos sons, este género é sublime, espectaculoso teatral... Mas quando assim não é, pode transformar-se em fiasco, porque a batuta, longe de reger, fustiga os regidos, provocando solavancos na execução em prejuízo da harmonia, do ritmo e da sequência o que, em abono da verdade, se não verificou na Banda Visconde de Salreu, porque se trata, repetimos, duma Banda muito boa, muito consciente, dotada de personalidade colectiva e imunizada contra entusiasmos supérfluos. Por isso, com toda a sinceridade, gostámos da execução sem deixar de admirar o fogo, o entusiasmo e a nobre intensão do digno e competentíssimo regente. O round inicial dos ordinários, que abriram o duelo, havia terminado. Estamos, novamente, de olhos fitos no coreto da Banda Nova de Pardilhó; o maestro, calmamente, serenamente, ergue-se.

Banda Nova de Pardilhó6 Fotografia de 1954 (O Concelho de Estarreja, 26/6/1954)

6 - Desta forma designada, vulgarmente, para se diferenciar de outra existente na freguesia e muito mais antiga – Banda do Clube Pardilhoense. A Banda Nova de Pardilhó, aquando da sua fundação em 1928 chamava-se Grupo União Pardilhoense em Capricho, tendo passado a denominar-se Associação Musical Pardilhoense Saavedra Guedes, desde 1930; foi extinta em meados dos anos 70 do século XX, depois de vários anos de dificuldades. Subsiste até aos nossos dias enquanto Associação, sendo uma das colectividades mais importantes na Cultura e no Desporto do Concelho.).

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Empunha a batuta e quando vê tudo a postos, ergue-a no espaço, arrancando do seio da sua harmoniosa banda as primeiras notas da célebre abertura da ópera o Barbeiro de Sevilha. Sentimos um «frisson» a percorrer-nos os nervos, galvanizando-os. Temos ouvido a abertura desta ópera muitas dezenas de vezes; ouvimo-la à Orquestra Sinfónica Nacional, à Orquestra Sinfónica de Lisboa, à Orquestra Filarmónica de Lisboa, à Banda da Guarda Nacional Republicana e até a grandes orquestras estrangeiras ao pé das quais as nossas são absolutamente incompletas e inferiores, como a Filarmónica de Berlim, que nos visitou durante a Guerra, a de Viena de Austria e a de Filafelfia, que nos deslumbraram e esmagaram, ultimamente, na sua passagem por Lisboa, fazendo-nos crer que, afinal, nunca tinhamos na nossa vida, ouvido boa música; mas a impressão que sentimos, pelo facto de, numa aldeia, num arraial poeirento, com recursos modestíssimos, com executores cuja maioria são quasi crianças, num coreto de madeira à sombra de simples toldos, termos o ensejo de ouvir a execução da magistralíssima e incomparável página de Rossini7, que é a abertura duma imortal ópera, como é o « Barbeiro de Sevilha...» é difícil de traduzir. Com falta de ensaios, com falta de elementos, possivelmente lutando com a indiferença e a incompreensão daqueles que tinham por obrigação colaborar, prestigiar, acarinhar, instigar, impulsionar a sua esperançosa Banda de Música e a organização que procura mantê-la... não se pode fazer mais e admira mesmo como se pode fazer tanto, com tão pouco e com tanto obstáculo. Continuámos, na execução desta partitura, a admirar a maviosidade, a harmonia, o ritmo, a impecável cadência desta banda, cujo segredo deste incontestável está na batuta invariavelmente calma e serena do seu impertubável regente. Todos os pianíssimos, como todos os inumeráveis e arrebatadores magestosos da partitura e todos os ritmos, infinitamente variados, em que esta foi concebida e composta, se evidenciaram, se desenvolveram, sem que o regente, para isso, se servisse dum gesto que aguilhoasse, que forçasse qualquer naipe da banda; antes pelo contrário, os naipes entravam na sua altura, a um simples e suave gesto da sua mão esquerda ou a um simples sinal de cabeça, que só os entendidos seriam capazes de descobrir e anotar, se estivessem muito atentos ao desenvolver da execução; tudo nos dando assim, a ideia de que ouvíamos uma autêntica e automática caixa de música. O número foi felicíssimo e ao pé de nós houve quem quisesse arrancar com uma salva de palmas, filha exclusiva do agrado popular, quando terminou; foram aplausos justíssimos a que nos associámos de bom grado e que só não redundaram em grande ovação, dada a falta de hábito, aliada à natural incultura artística do meio. Mas já a Banda Visconde de Salreu está toda no seu lugar e, ultrapassando a nossa expectativa ataca sob a fogosidade admirável do seu simpático e dinâmico regente, nada menos que a arrebatadora sinfonia Alda, de Neto8. Começámos, então, a compreender, que o duelo estava seriamente travado e que nele ganharia, seguramente, a banda mais treinada, mais ensaiada, mais preparada; isto, para nós, estava a valer mais do que um concerto à porta fechada, na execução de um programa estudado, premeditado, preparado, conhecido com antecedência a golpes de reclame. Esta caixa de surpresas num Arraial de Adro, em luta aberta, mas leal, honesta e limpa, tem um sabor bem lusitano, bem português, bem popular.

7 - Gioachino Rossini, compositor italiano; nasceu em 1792 e faleceu em 1868. É muito célebre pelas inúmeras óperas compostas; o Barbeiro de Sevilha foi estreado em Roma a 20/02/1816 e ainda hoje é peça obrigatória nos Concertos das Bandas Filarmónicas. 8 - Francisco Marques Neto; a Sinfonia Alda ainda faz parte dos Concertos de Bandas.

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Estamos em plano de verdadeiros jogos florais a que não falta lirismo, poesia e romance, tudo descrito na sublime arquitectura dos sons. Durante a execução desta Sinfonia, a nossa impressão radicou-se acerca da Banda executante, a Visconde de Salreu: é uma boa, excelente e grande banda de música, com bom e bem ensaiado reportório e com regência fogosa, nervosa, insatisfeita, ansiosa de corrigir, de melhorar, de contínuo e persistente aperfeiçoamento. Este segundo assalto foi espectaculoso, vibrante e tão equilibrado como o primeiro. Nele ambas as bandas se conservaram ao mesmo nível. Inicia-se agora o terceiro assalto, com uma demonstração de lirismo, de comoventíssima harmonia e maviosidade instrumental por parte da Banda Nova de Pardilhó, na admirável execução de uma selecção do Werther, a impressionante, comovente e sentida ópera de Massenet9, aquele grande compositor francês, que compôs a Manon e nela a imortal página do admirável Sonho, aquele sonho, que era a Coroa de Glória do formidável tenor Tito Schipa, que tantas vezes se fez ouvir em noites de indiscutível magia artistíca, nos melhores e maiores palcos do mundo. A banda estava, assim, no seu ambiente, agarrada ao seu forte, à sua encantadora especialidade: dulcificação de sons, romantismo, lirismo, suavidade; trata-se em realidade de uma banda que não arranha o ouvido, mas que, pelo contrário, inebria e encanta nas suas execuções, orientadas por uma batuta que sabe ser suave, meiga e doce, e simultaneamente rígida, austera, inflexível. A execução da selecção de Werther elevou-nos e embalou-nos docemente o espírito a ponto de, ao terminar, nos parecer ter acordado para a realidade presos à saudade de um grande e deslumbrante encantamento.

Banda Visconde de Salreu10 Fotografia de Setembro de 1954 (Arquivo de António Augusto Silva) 9 - Jules Massenet, compositor francês; nasceu a 12/05/1842 e morreu a 13/08/1912. A ópera Werther foi estreada em 1892 e ainda hoje é representada. 10 - Fundada em 1925 por iniciativa de destacadas figuras salreenses, foi desde o primeiro dia organizada e dirigida pelo Maestro Manuel Pedro Calado, importante figura musical da região; teve como patrono Joaquim Domingos da Silva, Visconde de Salreu. A primeira actuação aconteceu em 1927, em Salreu. Desfrutava de enorme prestígio no Centro Norte de Portugal. Continua em actividade com grande destaque.

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Mas a Banda de Salreu tinha lá a resposta; nós tínhamos a antecipada certeza de que responderia à altura das circunstâncias, porque o arquivo das suas músicas é volumoso e já a havíamos reconhecido ensaiada, preparada, cheia de prática e de treino adequado. Ao voltarmo-nos para o seu coreto, diziamos baixinho para o nosso Zé de Pardilhó, que permanecia deslumbrado a nosso lado: - Como resposta a isto só a Cavalaria Rusticana. Isso seria maravilhoso, mas não temos essa sorte, respondeu ele. Como por milagre, as primeiras notas da imortal e gloriosa ópera de Mascagni11, soaram suaves, cristalinas, puras, no coreto da Banda de Salreu e nós que temos uma predilecção especial por esta comoventíssima partitura, sentimos uma alegria imensa, a invadir-nos a Alma e uma comoção espiritual irreprimível; tratava-se, de facto, da execução impecável de uma selecção da Cavalaria Rusticana; em realidade, isto, de ouvir a incomparável e sublime versão musical deste intenso drama rústico, no adro de uma aldeia, que poderia ter servido de cenário real e autêntico à acção do argumento da ópera... é de um inebriamento intraduzível; ouvir o hino da Páscoa, nesta partitura, por exemplo, e olhar para a grande igreja de Pardilhó a servir de fundo ao coreto... ouvir certas passagens ultra-bucólicas da ópera e fitar os vultos rústicos de ambos sexos a passear no largo, no adro, exibindo fisionomias adequadíssimas aos imortais personagens do imortal drama que argumenta a música, constituiu, para nós, um encanto extraordinário, uma sensação especial e desconhecida, qualquer coisa vivida ao natural, cheia de ambiente próprio, plena de realidade. E o Intermezzo?!!! Esse mimo, essa obra prima, recheio suculento desta imortal Cavalaria Rusticana conhecida de todo o mundo culto!!! Executado, ali, num coreto improvisado, de madeira, por uma Banda de Música de Aldeia, que um largo toldo oculta do lado do sol e descobre do lado da sombra, sob a poeira levantada por milhares de passos, dados na sua frente, por gentilíssimas aldeâs, no arraial, todas altas, formosas, esculturais, bonitas, na exibição rica e estonteante dos seus esculturais e atraentes bustos e dos seus formosíssimos rostos, todos de fino recorte médio-oriental e de perfil grego, a lembrar modelos de obras primas da escultura clássica!!! Foi este, sem dúvida, o ponto culminante do duelo, entre as duas bandas, porque o seu quarto round foi iniciado pela Banda de Pardilhó, descendo a plano de opereta, com um lindo trecho de The Geisha, de S. Jones12, executado com a costumada maviosidade e doçura, numa execução movimentada, plena de vida, tal como a opereta requere; deu-lhe a Banda Visconde de Salreu digna resposta, com a execução deslumbrante duma fantasia de R. Dantas13 que nos pareceu ser a «Amazonas», belíssimo e multi-colorido trecho, interpretativo de ambientes folclóricos brasileiros. Depois, R. Silva14, o popularíssimo compositor português, que é um dos mais queridos ases dos arraiais populares e rústicos de Portugal, foi executado por ambas as bandas em duas feéricas rapsódias do folclore português, que fizeram a delícia da assistência em virtude da assimibilidade popular das lindas partituras.

11 - Pietro Mascagni, compositor italiano, nasceu a 07/12/1863, faleceu a 02/08/1945. Das inúmeras óperas que compôs a primeira e a mais famosa de todas foi a Cavalaria Rusticana estreada em Maio de 1890. Ainda hoje faz dos reportórios clássicos das Bandas Filarmónicas 12 - Sidney Jones, maestro e compositor inglês; nasceu em 1861 e faleceu em 1946. Famoso pelos musicais, sendo The Geisha o mais conhecido e tendo sido estreado em 1896. 13 - Capitão Artur Ribeiro Dantas, músico e compositor de renome, natural do Distrito de Viana do Castelo, com vasta obra musical. 14 - Manuel Ribeiro da Silva, músico, maestro e compositor, nasceu em 1913, em Felgueiras.

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A Banda de Pardilhó manteve neste quinto assalto a sua superior maviosidade através de sons dulcificados, executando Desfolhando Cantigas; a Banda Visconde de Salreu, manteve o entusiasmo de quem se entrega à auto-confiança da sua experimentada e indiscutível técnica, executando Cantigas do Povo, duas maravilhosas rapsódias de R. Silva, como já dissemos. A Banda de Pardilhó, inicia agora o sexto assalto, insistindo na música folclórica, seu forte e predilecção do auditório, com a 5ª Fantasia Música Popular de outro popularíssimo compositor português F. Rodrigues15, executada com sentimento, com brio e com dignidade inexcedíveis, sob o alto interesse e inebriamento colectivo dos seus ouvintes, ávidos, insaciáveis de música portuguesa; é, realmente, uma Banda rica de sensibilidade artística, toda integralmente devida, repetimos, à batuta conscientíssima, calma, serena do seu regente. Quanto mais se escuta, mais se confirma a nossa opinião. Mas o Sol já se avermelhava no Ocidente, ameaçando Pardilhó com as trevas e, por isso, impunha-se pôr termo ao duelo, como é da praxe; e, só por isso, certamente, a Visconde de Salreu, responde com um magestoso e vibrante ordinário, composto por Brito16, sob o título de Joli, num ritmo de quem se julga vencedora, do impresionante e inesquecível torneio. Execução vibrantíssima, empolgante, que fez acelerar o passo das donzelas no arraial e retezar os músculos dos rapazes que as seguiram numa mobilização de energias másculas, moças e sentimentais.

Vista parcial do arraial de S. Pedro e coreto onde tocou a Banda Nova de Pardilhó O Concelho de Estarreja 23/7/1955

Com o fim deste 6º round, parecia terminado, naturalmente, o concerto, quando o regente de Pardilhó, calmamente, placidamente, friamente, se ergue, empunha a batuta, e faz executar o vibrantíssimo pasodoble-marcha, de Eclebrian17, intitulado Evocación, que já lhe tinhamos ouvido o ano passado, quando do seu impressionante duelo com a Banda da Polícia do Porto. 15 - Flaviano L. Rodrigues, músico, professor, compositor e maestro. Nasceu em 1891 e faleceu em 1970. Esteve ligado ao Conservatório Nacional e à Emissora Nacional. Das suas obras destacam-se o Hino do Sporting Clube de Portugal, composta em 1956. 16 - António João de Brito, compositor de marchas, rapsódias, operetas e ainda música de baile. 17 - Emílio Cebrian Ruiz, maestro e compositor famoso pelas marchas e pasodobles. Nasceu emToledo em 1900 e faleceu em 1943.

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ANTÓNIO AUGUSTO SILVA

Que ritmo, que cadência, que vibração, que entusiasmo, que beleza e sobretudo que cristalinidade metálica a impôr a pureza dos sons!!! Tudo isto era mais um milagre duma regência segura e séria que se impóe, que admirámos e de que gostámos francamente, totalmente. Parabéns. Era o fim. Por muito tempo, nos nossos ouvidos, ressoavam dilúvios de sons, que, em seu interior, se repercutia indefinidamente. Povo de Pardilhó!!! Ajuda o regente da tua Banda Nova, alimentando-lhe a boa vontade, a dedicação, o esforço e a grande competência. Essa ajuda pode consubstanciar-se na oferta dos teus filhos à sua escola de educação musical, fornecendo-lhes, assim, os elementos, a matéria-prima indispensável, para que se mantenha um organismo, um agrupamento que te honre e sirva pelo espiríto e pela Arte. Só assim conseguirás continuar a manter a Banda Nova de Pardilhó ao nível da Banda Visconde de Salreu, defendendo nisso o prestígio, a dignidade e a gloriosa tradição musical da tua freguesia. E se conseguires fornecer as possibilidades de manter esse nível, isso é uma grande honra e um motivo de orgulho, porque a Banda Visconde de Salreu está em forma; é uma excelente banda, uma banda perante a qual nos curvamos reconhecidos pelos momentos de alta espiritualidade que nos fez viver, sem que conseguisse bater a sua rival, que se defendeu com brio e contra-atacou bravamente. Valeu a pena ir a Pardilhó e gostaríamos de lá voltar para o ano, só para verificar se estes conselhos foram seguidos e se o futuro duelo se poderá travar nas culminâncias das execuções de Wagner, de Beethoven, de Tchaikovsky e de Weber, tais como o ano passado nos ofereceu a Banda Nova de Pardilhó em luta gloriosa com a Banda da Polícia do Porto. O duelo deste ano não nos fez esquecer, de forma alguma, o seu Lohengrin, o seu 1812 e o seu Egmont, tão superiormente executados o ano passado, como resposta ao Tannhauser, à Gioconda e à Cavalaria Rusticana, com que a desafiou a Banda da Polícia do Porto; pelo contrário, este novo desafio mais avivou, no nosso espírito, a saudade do outro, embora confessemos que regressámos a Lisboa com a Fé e com a Esperança de voltarmos a Pardilhó para assistirmos a um duelo futuro, que tudo suplante. Para deante!!! Para a frente!!! Pela arte e por Pardilhó , terra hospitaleira, que nos oferece o divino e casto sorriso das suas incomparáveis e puras raparigas.

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A FAMÍLIA BANDEIRA EM ESTARREJA E SALREU DESDE O SÉCULO XVIII Delfim Bismarck Ferreira * Os territórios que compõem o concelho de Estarreja foram, desde há vários séculos, berço de numerosas famílias que tiveram um importante papel em diversas áreas de actuação. Uma delas, a família Bandeira, apesar de não ter origem em Estarreja, teve um ramo que aqui se fixou, multiplicou e chegou até aos nossos dias, tendo hoje um elevado número de descendentes espalhados pela região, pelo país e pelo mundo, muitos dos quais ainda mantêm este apelido. Naturalmente incompleto, quer por não termos encontrado mais elementos desta família, quer pela multiplicidade de homónimos contemporâneos com que nos deparámos, quer pela falta de tempo para apurar este estudo e aqui apresentar algumas das gerações mais recentes, julgamos, no entanto, que esta será uma boa base de trabalho para quem posteriormente se quiser debruçar sobre o estudo desta família. Assim, pretendemos com o presente artigo dar uma breve síntese de como se multiplicou este ramo da família Bandeira no concelho de Estarreja, tendo por base os registos paroquiais e alguma bibliografia complementar. Oriunda de Besteiros, na região de Viseu, a família Bandeira descende de Gonçalo Pires Bandeira, natural de São Martinho de Mouros, casado com Violante Nunes Cardoso. Gonçalo foi escudeiro de D. João II e, na Batalha de Toro, em 1476, contra D. Fernando de Castela, recuperou a bandeira do Rei de Portugal, tomada por um cavaleiro inimigo. Este acto heroico e outros serviços que prestou à Coroa portuguesa, levaram a que o Rei D. João II o nobilitasse e lhe desse Carta de Brasão de Armas a 4 de Agosto de 1483, e conjuntamente o apelido Bandeira. Faleceu em 11.10.1527, sendo Juiz dos Órfãos de Besteiros1.

Gonçalo Pires Bandeira2 e brasão de armas da família Bandeira3

* Historiador 1 - GAYO, F., 1989, vol. II, p. 381 e vol. VI, p. 135. 2 - www.geneall.pt 3 - GODINHO, A., 1987.

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DELFIM BISMARCK FERREIRA

Deixou, pelo menos, seis filhos, uma das quais: Isabel Bandeira, natural de Besteiros e casada com António Luís, que por sua vez tiveram dois filhos: Roque e António4. Este Roque Bandeira teve pelo menos um filho, de nome Bartolomeu Bandeira, que casou com Bartoleza de Almeida Gouveia, natural de Vila de Rei, onde viveram e tiveram quatro filhos: Tomé, Roque, Maria e António. O último, António Bandeira, natural de Vila de Rei, casou com Brites Aranha, dali natural, residiram em Farminhão, Viseu, e tiveram três filhos: António, Ana e Leonor. Esta Leonor Aranha, casou com Manuel Francisco, que faleceu em 17.05.1648 nas campanhas da Guerra da Restauração, no Algarve, enquanto Leonor faleceu 01.03.1693 em Farminhão, Viseu, onde residiram e tiveram um filho: Manuel. Este Manuel, de seu nome Manuel Bandeira, “o Velho”, baptizado a 08.05.1643 em Farminhão, Viseu, casou a 05.10.1659 em Cambra, com Maria de Gouveia, nascida aproximadamente em 1643 em Cambra, Vouzela, moradora nas Casas da Ponte, onde nasceu, em Cambra, filha de Miguel de Gouveia e de sua mulher Maria Rodrigues. Manuel faleceu em 04.01.1701 em Farminhão, Viseu, onde viveram e tiveram, pelo menos, oito filhos: Maria, Manuel, Miguel, António, Francisco, Joana, Sebastiana e Ana. Maria de Gouveia, a mais velha, foi baptizada a 11.02.1662 em Farminhão, Viseu, e aí casou com Teodósio Rebelo, nascido aproximadamente em 1660 em Farminhão, Viseu, onde tiveram, pelo menos, um filho, de nome Carlos Bandeira de Gouveia. O primeiro membro desta família a fixar-se em Estarreja foi Carlos Bandeira de Gouveia que, vindo de Farinhão, Viseu, aqui se fixou no início do século XVIII, como adiante veremos: I - CARLOS BANDEIRA DE GOUVEIA, baptizado a 14.11.1686 em farminhão, viseu, veio casar por volta de 1710 na terra da feira, com MARIA TAVARES, natural de Cambra, Macieira de Cambra. Residiram inicialmente em Estarreja, e depois em Campinos, Salreu, e tiveram, pelo menos, oito filhos: Josefa, Brízida, Isabel, Caetano, Carlos, Narcisa, Ricardo e Teresa. Carlos teve ainda, de JOANA, solteira, natural e moradora em Salreu, pelo menos, uma filha: Mariana Teresa. 1(II) - JOSEFA TAVARES DE GOUVEIA, nasceu aproximadamente em 1712 em Salreu, que segue no § 1.º (Leite de Azevedo). 2(II) - BRÍZIDA, nasceu a 24.08.1715 em Estarreja5. 3(II) - ISABEL, nasceu a 31.01.1718 em Estarreja6. 4(II) - CAETANO BANDEIRA DE GOUVEIA, nasceu aproximadamente em 1720 em Salreu, que segue no § 2.º (Bandeira de Gouveia). 5(II) - CARLOS, nasceu a 07.03.1721 em Estarreja7.

4 - GAYO, F., 1989, vol. II, p. 381. 5 - ADA, Livro Paroquial de Beduído, n.º 4, fl. 285v. 6 - ADA, Livro Paroquial de Beduído, n.º 4, fl. 316v. 7 - ADA, Livro Paroquial de Beduído, n.º 4, fl. 354.

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6(II) - NARCISA TERESA DE JESUS BANDEIRA DE GOUVEIA, nasceu em 1724 em Salreu, que segue no § 3.º (Bandeira Valente de Figueirôa). 7(II) - Frei RICARDO DA ANUNCIAÇÃO, nasceu aproximadamente em 1725 em Salreu8, foi religioso da Ordem de São Francisco, tendo apadrinhado em 1784. 8(II) - MARIANA TERESA DE GOUVEIA, nasceu aproximadamente em 1727 em Salreu, onde casou com FRANCISCO JOSÉ DE QUEIRÓS, natural de Ansiães, Santa Maria da Várzea,Viseu, filho de Domingos de Almeida e de sua mulher Maria de Figueiredo, naturais de Ansiães,Várzea. Residiram em Salreu, onde tiveram, pelo menos, dois filhos: José e Maria Teresa. 1(III) - JOSÉ, nasceu a 25.01.1757 em Salreu9. 2(III) - MARIA TERESA DE GOUVEIA, natural de Salreu, onde casou antes de 177310 com MANUEL DE OLIVEIRA, residiram em Campinos, Salreu, onde tiveram, pelo menos, uma filha: Joana Maria. 1(IV) - JOANA MARIA DE OLIVEIRA, nasceu em Salreu, onde casou a 15.06.180011 com ANTÓNIO JOAQUIM, filho de pais incógnitos. Residiram primeiro em Adou de Cima e depois em Campinos, Salreu, onde tiveram, pelo menos, duas filhas: Joana Maria e Maria. 1(V) - JOANA MARIA, nasceu a 19.12.1800 em Adou de Cima, Salreu. 2(V) - MARIA, nasceu a 20.12.1810 em Campinos, Salreu. § 1.º LEITE DE AZEVEDO 4(II) - JOSEFA TAVARES DE GOUVEIA, nasceu aproximadamente em 1712 em Salreu12, onde casou13, com MANUEL ANDRÉ DOS ANJOS, natural de Salreu14, filho de Matias João e de sua mulher Maria André, de Salreu. Residiram em Salreu, onde tiveram, pelo menos, um filho: João Pedro. 1(III) - JOÃO PEDRO DE GOUVEIA, nasceu aproximadamente em 1732 em Salreu15, e casou a 06.02.1758 em Beduído, Estarreja16, com MICHAELA MARIA DA SILVA, natural 8 - Os registos de baptismos da freguesia de Salreu existentes no ADA, começam apenas em 1755. 9 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 1, Baptismos, fls. 27-27v. 10 - Os registos de casamento da freguesia de Salreu existentes no ADA, começam apenas em 1773. 11 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 6, Casamentos, fl. 80. 12 - Os registos de baptismos da freguesia de Salreu existentes no ADA, começam apenas em 1755. 13 - Os registos de casamentos da freguesia de Salreu existentes no ADA, começam apenas em 1773. 14 - Os registos de baptismos da freguesia de Salreu existentes no ADA, começam apenas em 1755. 15 - Os registos de baptismos da freguesia de Salreu existentes no ADA, começam apenas em 1755. 16 - ADA, Livro Paroquial de Beduído, n.º 7, Misto, pp. 195-195v.

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DELFIM BISMARCK FERREIRA

de Beduído, Estarreja, filha de Manuel da Fonseca de Oliveira e de sua mulher Maria da Silva Rocha, de Estarreja. João Pedro enviuvou e voltou a casar, com MARIA PEREIRA DE AZEVEDO. João Pedro faleceu a 25.11.1794 na Praça, em Beduído, deixando por disposição testamentária que seu corpo fosse sepultado envolto hum hábito de Santo António e acompanhado à sepultura com dez padres17. Residiram na Praça, em Beduído, onde tiveram, pelo menos, uma filha: Bernarda. 1(IV) - BERNARDA JOSEFA DE GOUVEIA, nasceu a 23.12.1758 em Beduído, Estarreja18, onde casou a 24.06.177919, com RODRIGO LEITE DE AZEVEDO, natural de Beduído, Estarreja, filho de Manuel Francisco e de sua mulher Maria Leite de Azevedo, da Espinheira, Beduído. Residiram no Paço, depois na Praça e depois no Agro, Beduído, onde tiveram, pelo menos, seis filhos: João, Inocência, Filipe, Rodrigo, António e José. 1(V) - JOÃO, nasceu a 23.02.1781 no Paço, Beduído, Estarreja20. 2(V) - INOCÊNCIA, nasceu a 28.03.1783 em Beduído, Estrreja21. 3(V) - FILIPE, nasceu a 26.12.1784 em Beduído, Estarreja22. 4(V) - RODRIGO, nasceu a 15.09.1788 no Paço, Beduído, Estarreja23. 5(V) - ANTÓNIO LEITE DE AZEVEDO, carpinteiro, nasceu aproximadamente em 1791 em Beduído, Estarreja, onde casou a 13.11.1817, com ISABEL MARQUES COUTO, natural de Beduído, Estarreja, filha de Francisco José de Almeida e de sua mulher Antónia Marques Couto, do Outeiro da Marinha, Beduído. António enviuvou e voltou a casar, a 23.07.1821, em Beduído, Estarreja, com ANTÓNIA ROSA DE JESUS, filha de Manuel Ferreira Pinto e de sua mulher Bernarda Maria da Cruz, de Beduído. Residiram no Outeiro do Coval, em Beduído, onde tiveram, pelo menos, três filhos: Manuel, António e Joana. 1(VI) - MANUEL LEITE, carpinteiro, nasceu em 1837 em Beduído, Estarreja, onde casou a 28.04.1861 com MARIA MARQUES DO COUTO, nascida em 1838 em Beduído, filha de António Marques do Couto, lavrador, e de sua mulher Joana Maria de Jesus, do Agro, Beduído. 2(VI) - ANTÓNIO LEITE DE AZEVEDO, nasceu em 1843 em Beduído, Estarreja, onde casou a 18.05.1865 com MARIA VICTÓRIA DA CRUZ, logista, natural da Murtosa, filha de Manuel José da Cunha e de sua mulher Maria Luísa da Cruz.

17 - ADA, Livro Paroquial de Beduído, n.º 11, Misto, fl. 197. 18 - ADA, Livro Paroquial de Beduído, n.º 7, Misto, pp. 130v.131. 19 - ADA, Livro Paroquial de Beduído, n.º 9, Misto, pp. 454-454v. 20 - ADA, Livro Paroquial de Beduído, n.º 10, Misto, p. 533. 21 - ADA, Livro Paroquial de Beduído, n.º 10, Misto, p. 560v. 22 - ADA, Livro Paroquial de Beduído, n.º 10, Misto, pp. 584v.-585. 23 - ADA, Livro Paroquial de Beduído, n.º 10, Misto, p. 644.

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TERRAS DE ANTUÃ | HISTÓRIAS E MEMÓRIAS DO CONCELHO DE ESTARREJA

3(VI) - JOANA ROSA DE JESUS, jornaleira, nasceu em Beduído, Estarreja, onde casou MANUEL MARQUES CORREIA, jornaleiro, natural de Beduído, filho de Francisco Marques Correia e de sua mulher Maria Marques. Residiram no Outeiro do Coval, Beduído, Estarreja, onde tiveram, pelo menos, um filho: Francisco. 1(VII) - FRANCISCO, nasceu a 13.12.1869 no Outeiro do Coval, Beduído, Estarreja, onde faleceu criança a 23.03.1879. 6(V) - JOSÉ LEITE DE AZEVEDO, que se assinava também José Leite de Gouveia, nasceu a 31.05.1793 na Praça, em Beduído, Estarreja24, onde casou a 18.01.181625 com MARIA DA SILVA, natural de Beduído, Estarreja, filha de Bernardo de Oliveira e de sua mulher Joana da Silva, do Agro, Beduído. Residiram no Agro, em Beduído, Estarreja, onde tiveram, pelo menos, dois filhos: António e Manuel. 1(VI) - ANTÓNIO LEITE DE AZEVEDO, nasceu em Beduído, Estarreja, onde casou a 28.09.1840 com ANA MARIA DA SILVA, filha de António Dias da Silva e de sua mulher Maria Marques, do Esteiro, Estarreja, de quem teve, pelo menos, dois filhos: Manuel e Ana. 1(VII) - MANUEL LEITE DE AZEVEDO, carpinteiro, nasceu em Beduído, Estarreja, onde casou com ANA MARQUES, jornaleira, natural de Maceda, Feira, filha de António Alves e de sua mulher Ana Marques. Residiram no Outeiro da Marinha, Beduído, Estarreja, onde tiveram, pelo menos, um filho: António. 1(VIII) - ANTÓNIO, nasceu a 30.04.1880 no Outeiro da Marinha, Beduído, Estarreja, onde faleceu a 09.10.1880. 2(VII) - ANA LEITE DE AZEVEDO, jornaleira, nasceu em 1852 em Beduído, Estarreja, viúva de MANUEL RODRIGUES, falecido em São Sebastião da Pedreira, Lisboa, casou a 21.10.1880 em Beduído, com FRANCISCO DA SILVA SARAMAGO, jornaleiro, nascido em 1845 em Beduído, Estarreja, filho natural de Maria da Silva Saramago, solteira, de Beduído, onde residiram e tiveram, pelo menos, um filho: Manuel. 1(VIII) - MANUEL DA SILVA SARAMAGO, jornaleiro, nasceu em 1881 em Beduído, Estarreja, onde casou a 06.09.1900 com MARIA ROSA DE JESUS, jornaleira, natural de Salreu, filha de José Gomes da Luz e de sua mulher Rosalina de Jesus, de quem

24 - ADA, Livro Paroquial de Beduído, n.º 11, Misto, pp. 69-69v. 25 - ADA, Livro Paroquial de Beduído, n.º 13, Misto, p. 201.

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DELFIM BISMARCK FERREIRA

teve, pelo menos, três filhos: Maria do Carmo, José e António Augusto. Maria Rosa faleceu a 18.05.1952 em Salreu. 1(IX) - MARIA DO CARMO DE JESUS SARAMAGO, nasceu a 12.07.1901 na Cavada, Salreu, onde casou a 19.02.1922 com JOÃO MARQUES ALEGRIA, nascido em 1893 e falecido a 18.05.1964. Maria do Carmo faleceu a 16.01.1975 em Salreu. 2(IX) - JOSÉ DA SILVA SARAMAGO, nasceu a 14.03.1907 no Feiro, Salreu, onde casou a 26.01.1932 com RAQUEL MARQUES DA SILVA, natural de Salreu, e faleceu a 11.01.1993 em Salreu. 3(IX) - ANTÓNIO AUGUSTO SARAMAGO, nasceu a 23.07.1909 na Cavada, Salreu26, onde casou a 22.08.1936 com MARIA RODRIGUES, natural de Canelas, Estarreja, falecida a 11.12.1996. António Augusto faleceu a 19.04.2000 em Canelas, Estarreja. 2(VI) - MANUEL LEITE DE AZEVEDO, carpinteiro, nasceu em Beduído, Estarreja, onde casou a 27.02.185127, com BERNARDA NUNES DIAS, doméstica, natural de Beduído, Estarreja, filha natural de José Dias Brejo e de Maria Dias Nunes, solteira, de Beduído. Residiram na Praça, em Beduído, Estarreja, onde tiveram, pelo menos, quatro filhos: Francisco, António Maria, Joaquim e Fernando. 1(VII) - FRANCISCO LEITE DE AZEVEDO, carpinteiro, nasceu em 1852 em Beduído, Estarreja, onde casou a 22.06.1876 com ERMELINDA DE JESUS, jornaleira e depois costureira, nascida em 1852 em Beduído, Estarreja, exposta na roda da cidade do Porto, filha de pais incógnitos. Residiram no Paço, Beduído, Estarreja, onde tiveram, pelo menos, um filho: Arnaldo. 1(VIII) - ARNALDO LEITE DE AZEVEDO, carpintei-ro, nasceu a 09.06.1880 no Paço, Beduído, Estarreja, onde casou a 11.02.1904 com JUSTINA AMÉLIA DE ALMEIDA, doméstica, nascida em 1872 em Beduído, filha de Albino de Almeida, natural de Vilarinho do Bairro, Anadia, e de sua mulher Joana Rosa de Jesus, natural da Vila da Feira, moradores no Outeiro da Marinha. Arnaldo faleceu a 14.11.1963 em Albergaria-a-Velha.

26 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 38, Baptismos, fls. 27v.-28, reg. n.º 77. 27 - ADA, Livro Paroquial de Beduído, n.º 34, Casamentos, p. 27.

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2(VII) - ANTÓNIO MARIA LEITE DE AZEVEDO, carpinteiro, nasceu em 1854 em Beduído, Estarreja, onde casou a 03.02.1881 com MARIA LUÍSA DA SILVA, nascida em 1859 em Beduído, Estarreja, filha de António Dias e de sua mulher Teresa da Silva, de Beduído. 3(VII) - JOAQUIM LEITE DE AZEVEDO, alfaiate, nasceu aproximadamente em 1858 em Beduído, Estarreja, onde casou a 21.01.1877 com JOANA MARIA DA SILVA, jornaleira, natural de Beduído, Estarreja, filha de José Marques Malícia, natural de Salreu, e de sua mulher Maria da Silva, natural de Beduído, Estarreja, onde foram moradores no Outeiro do Coval. 4(VII) - FERNANDO LEITE NUNES DE AZEVEDO, carpinteiro e artista, nasceu a 29.06.1868 em Beduído, Estarreja28, e casou a 10.06.1894 em Angeja29, com FELICIDADE NUNES FERREIRA ABREU, costureira e artista, nascida a 09.09.1865 na Rua Direita, Angeja30, filha de Manuel Nunes Ferreira Abreu, fundador da Associação Instrução e Recreio Angejense (1867) e regedor da freguesia de Angeja (1879-1886), e de Maria Angélica Moraes, solteira, jornaleira, moradora na Rua Direita, Angeja. Felicidade faleceu a 18.02.1950 em Angeja. Residiram primeiro na Rua Direita e depois na Rua do Coval, Angeja, onde tiveram três filhos: Orminda, Maria Henriqueta e Eduardo. 1(VIII) - ORMINDA DE ABREU LEITE, nasceu a 17.12.1894 na Rua Direita, Angeja31, e casou a 27.04.1914 em Lisboa, com PEDRO RIBEIRO DE ALMEIDA, natural de Arroios, Lisboa, filho de Manuel Alves Ribeiro e de sua mulher Maria Nunes de Almeida. Pedro faleceu a 12.05.1969 e Orminda faleceu a 16.01.1976 em Paranhos, Porto. 2(VIII) - MARIA HENRIQUETA DE ABREU LEITE DE AZEVEDO, nasceu em 1897 na Rua Direita em Angeja, e casou com ANTÓNIO RODRIGUES DE ALMEIDA. Faleceu no Porto em 1978, deixando sete filhos. Fernando, Orminda, Maria Fernanda, Maria Eugénia, António, Ana Luísa e Mariana Henriqueta. 3(VIII) - EDUARDO LEITE NUNES DE AZEVEDO, comerciante e proprietário, nasceu a 25.04.1899 na Rua do Coval, Angeja32, onde casou a 21.04.1926 com ANA ROSA NOGUEIRA DA SILVA, nascida a 07.02.1903 na Rua dos Pinheiros, Angeja33, filha de

28 - ADA, Livro Paroquial de Beduído, n.º 25, Baptismos, pp. 202v.-203v., reg. n.º 53. 29 - ADA, Livro Paroquial de Angeja, n.º 73, Casamentos, fls. 8-8v., reg. n.º 7. 30 - ADA, Livro Paroquial de Angeja, n.º 21, Baptismos, pp. 87v.-88, reg. n.º 37. 31 - ADA, Livro Paroquial de Angeja, n.º 44, Baptismos, fl. 22v., reg. n.º 44. 32 - ADA, Livro Paroquial de Angeja, n.º 106, Baptismos, pp. 18-18v., reg. n.º 43. 33 - ADA, Livro Paroquial de Angeja, n.º 110, Baptismos, p. 6v., reg. n.º 12.

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João Nunes da Silva, lavrador e proprietário e de sua mulher Maria Nogueira Souto, lavradora, moradores na Rua da Agra, Angeja. Eduardo faleceu a 18.07.1965 nas Quintãs, Oliveirinha, Aveiro, onde Ana Rosa faleceu também a 11.07.1975, deixando três filhos: Fernando, António e João. 1(IX) - Eng.º FERNANDO NOGUEIRA LEITE, licenciado em engenharia civil, empresário e fundador e director do Instituto Industrial e Comercial da Beira (Moçambique). Presidente do Conselho de Administração da Companhia de Fomento Algodoeiro Colonial e Comendador da Ordem da Instrução Pública. Nasceu a 23.03.1927 em Oliveirinha, Aveiro, e casou em 1954 com MARIA FERNANDA RIBEIRO PEREIRA, doméstica, nascida em Moçambique. Faleceu 02.09.1982 em Lisboa, deixando seis filhos: Ana Maria, Maria Isabel, Maria João, João Fernando, Ana Cristina e Catarina Isabel. 1(X) - Dr.ª ANA MARIA PEREIRA NOGUEIRA LEITE, nasceu a 11.05.1955 na Beira, Moçambique, licenciada em medicina, casada com o Arqt.º FILIPE GROMICHO BILA E NASI PEREIRA, arquitecto, nascido em Lourenço Marques, Moçambique e residentes em Lisboa. 2(X) - Dr.ª MARIA ISABEL PEREIRA NOGUEIRA LEITE, nasceu a 10 de Dezembro de 1955 na Beira, Moçambique, licenciada em medicina veterinária, casada com o Dr. MANUEL BARRETO, médico veterinário, nascido em Mira, onde são residentes. 3(X) - Dr.ª MARIA JOÃO PEREIRA NOGUEIRA LEITE, nasceu a 04.05.1958 na Beira, Moçambique, licenciada em educação, casou com RAUL VÍSTULO DE ABREU, nascido em Lisboa, onde são residentes. 4(X) - JOÃO FERNANDO PEREIRA NOGUEIRA LEITE, comerciante, nasceu a 01.10.1965 na Beira, Moçambique, e reside em Lisboa. 5(X) - Dr.ª ANA CRISTINA PEREIRA NOGUEIRA LEITE, nasceu a 28.12.1968 na Beira, Moçambique, licenciada em Sociologia, residente na Ericeira. 6(X) - Dr.ª D. CATARINA ISABEL PEREIRA NOGUEIRA LEITE, nasceu a 07.01.1975 em Lisboa, licenciada em Ciências da Educação.

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2(IX) - ANTÓNIO NOGUEIRA LEITE, quadro da indústria petrolífera e proprietário, nasceu a 31.01.1929 em Oliveirinha, Aveiro, e casou com RITA DO PRANTO LISBOA, filha de Adelino Nunes do Pranto, proprietário, e de sua mulher D. Hermínia de Jesus Lisboa, doméstica, de quem tem dois filhos: António e Rita Maria. 1(X) - Prof. Doutor ANTÓNIO DO PRANTO NOGUEIRA LEITE, conceituado economista, nasceu a 03.03.1962 na Lapa, Lisboa. Licenciado, Mestre e Doutor em Economia, é Professor Catedrático da Faculdade de Economia da Universidade Nova de Lisboa, gestor de empresas e investidor. Foi Secretário de Estado do Tesouro e Finanças do XIV Governo Constitucional, Presidente da Bolsa de Valores de Lisboa, Administrador do Grupo José de Mello e Vice-Presidente Executivo da Caixa Geral de Depósitos. Grande Oficial da Ordem do Infante Dom Henrique. Casou em 2000 com a Dr.ª MARIA MANUELA CABRITA DIAS, licenciada em Relações Internacionais, de quem tem uma filha: Maria Ana (n. 13.11.2000 em Aveiro).

Prof. Doutor António Nogueira Leite

2(X) - Prof. Doutora RITA MARIA DO PRANTO NOGUEIRA LEITE, nasceu a 19.06.1963 na Lapa, Lisboa. Licenciada, Mestre, Doutor e Agregada em Engenharia Civil é Professora Associada do Instituto Superior Técnico da Universidade Técnica de Lisboa. Casada com o Prof. JOÃO AFONSO RAMALHO SOPAS PEREIRA

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BENTO, Professor Catedrático do Instituto Superior Técnico e Presidente da Efacec, de quem tem dois filhos: Dr. Miguel (n. 23.03.1987 em Londres, licenciado em Economia) e Eng.ª Marta (n. em 1990 em Lisboa, Mestre em Engenharia Civil). 3(IX) - JOÃO NOGUEIRA LEITE, empresário, nasceu a 27.08.1930 em Oliveirinha,Aveiro, onde faleceu a 16.01.2009. Casou em 1956 com DULCE DIAS NEVES, professora, nascida em Fermentelos, Águeda, de quem teve quatro filhos: Fernando Eduardo, João Paulo, Maria João e Paula Cristina. 1(X) - Eng.º FERNANDO EDUARDO NEVES NOGUEIRA LEITE, nasceu a 26.06.1962 em Aveiro. Licenciado em Engenharia Mecânica, gestor, casado com MARIA DO ROSÁRIO LOPES CARVALHO, doméstica, e residentes em Aveiro. 2(X) - Eng.º JOÃO PAULO NEVES NOGUEIRA LEITE, engenheiro cerâmico, nasceu em Aveiro e casado com NOÉLIA JUARÉZ SILVESTRE, professora, e residentes em Aveiro. 3(X) - Dr.ª MARIA JOÃO NEVES NOGUEIRA LEITE, nasceu a 02.08.1967 em Aveiro, licenciada em gestão, casada com JOÃO LAURENTINO COSTA PINHO NEVES e residentes em Aveiro; 4(X) - Dr.ª PAULA CRISTINA NEVES NOGUEIRA LEITE, irmã gémea da anterior, mestre em Geografia, casou primeiro com CASIMIRO HENRIQUES FERRAZ SACCHETTI, e depois com FRANCISCO SALCEDO, residente na Cidade do México.

§ 2.º BANDEIRA DE GOUVEIA 2(II) - CAETANO BANDEIRA DE GOUVEIA, nasceu aproximadamente em 1720 em Salreu34, e casou no Porto, com D. ANA MARIA DO ESPÍRITO SANTO. Residiram em Salreu, onde tiveram, pelo menos, uma filha Violante.

34 - Os registos de baptismos da freguesia de Salreu existentes no ADA, começam apenas em 1755.

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1(III) - VIOLANTE TAVARES DE GOUVEIA, nasceu em Salreu, onde casou35 com ANTÓNIO MARQUES “Ginete”. Residiram no Santo, em Salreu, onde tiveram, pelo menos, quatro filhos: João, Manuel Joaquim, António e Maria. 1(IV) - JOÃO MARQUES BANDEIRA DE GOUVEIA, nasceu em Salreu, onde casou com MARIA JOSEFA TEIXEIRA. Residiram no Couto, Salreu, e tiveram, pelo menos, duas filhas: Josefa e Ana Joaquina. 1(V) - JOSEFA BANDEIRA, nasceu em Salreu, onde faleceu solteira a 15.04.1830 no Couto, com 56 anos36. 2(V) - ANA JOAQUINA BANDEIRA, faleceu solteira a 24.08.1837 no Couto, Salreu37. 2(IV) - MANUEL JOAQUIM BANDEIRA, nasceu em Salreu e casou com ROSA TERESA. Teve carta de boticário para exercer em qualquer ponto do Reino, excepto em Lisboa, a 08.02.176038, e depois carta de cirurgia, a 09.04.176639. Emigrou depois para o Rio de Janeiro, Brasil, onde foi fundador da Academia Médica, Cirúrgica, Botânica e Farmacêutica do Rio de Janeiro, denominada “Academia Fluviense”, como académico de Farmácia40. Enviuvou e voltou a casar a 27.02.1781, em Salreu41, com FRANCISCA CLARA JOAQUINA PIMENTEL, natural de Salreu, que havia residido no Rio de Janeiro, filha de Bento António e de sua mulher Teodora Narcisa da Conceição, naturais e moradores em Salreu. Manuel Joaquim e seu irmão António foram constituídos réus num processo da Inquisição, tendo sido acusados de promover reuniões maçónicas no Rio de Janeiro42.Talvez por esse motivo, regressaram a Salreu, onde residiram em Adou de Cima, e tiveram, pelo menos, um filho: Joaquim António. Manuel Joaquim faleceu a 08.05.1819 no Couto, Salreu, com 87 anos43. 1(V) - Cap. JOAQUIM ANTÓNIO BANDEIRA, Capitão da 1.ª Companhia de Ordenanças de Estarreja (1824)44, nasceu em 1785 em Salreu, onde casou a 19.05.181445 com sua prima D. MIQUELINA ROSA BANDEIRA PINTO DE CARVALHO, nascida a 13.04.1799 em Campinos, Salreu, filha de Alexandre Pinto de Carvalho e de sua mulher Maria Rosa Bandeira de Figueirôa e Silva, de

35 - Os registos de casamentos da freguesia de Salreu existentes no ADA, começam apenas em 1773. 36 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 8, Óbitos, fl. 325v. 37 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 20, Óbitos, fl. 56. 38 - IAN/TT, Chancelaria de D. José I, Livro 69, fls. 24; AAVV, Tomo II, 1939, pp. 349 e sgs com o título “As Academias Científicas do Brasil no século XVIII – cota da Biblioteca da Academia das Ciências: 12-82-2. 39 - IAN/TT, Chancelaria de D. José I, Livro 29, fls. 386v., idem. 40 - Idem e Brotéria, Vol. 79, Outubro de 1964, pp. 293 e seguintes. 41 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 7, Casamentos, fl. 28v. 42 - IAN/TT, Tribunal do Santo Ofício, Inquisição de Lisboa, proc. 411. 43 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 8, Óbitos, fl. 213. 44 - BORRÊGO, N. G. P., 2006, p. 263. 45 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 7, Casamentos, fl. 141v.

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DELFIM BISMARCK FERREIRA

Campinos, Salreu (Ver: § 3.º - Bandeira Valente de Figueirôa). O Cap. Joaquim faleceu viúvo a 27.07.1852 no Couto, Salreu46. Residiram em Campinos e tiveram, pelo menos, sete filhos: Ana, Joaquim Maria, António, José Maria, João, Alexandre e Francisco. 1(VI) - ANA, nasceu em 1817 em Campinos, Salreu, onde faleceu solteira e sem geração a 16.07.183547. 2(VI) - Dr. JOAQUIM MARIA BANDEIRA, também identificado como Joaquim António, nasceu a 21.10.1818 em Campinos, Salreu48, onde casou a 07.01.1846 com sua prima49 D. ANA DELFINA DAS NEVES BANDEIRA, ou Ana Joaquina, como surge noutros registos, natural de Salreu, filha de Ricardo José Bandeira e de sua mulher D. Ana Joaquina Bandeira, naturais e moradores em Campinos, Salreu (Ver: § 3.º - Bandeira Valente de Figueirôa). O Dr. Joaquim foi bacharel em Direito pela Universidade de Coimbra (1844), onde se formou (1845)50. Faleceu a 04.04.1851 em Campinos, Salreu51, onde residiram e tiveram, pelo menos, três filhos: Maria Generosa, Miquelina e António. 1(VII) - MARIA GENEROSA BANDEIRA52, costureira e proprietária, nasceu a 02.01.1847 em Campinos, Salreu53, onde casou a 22.07.187854 com ANTÓNIO LUÍS DA FONSECA, proprietário, natural Salreu, que emigrou para o Brasil, filho de Luís António da Fonseca e de sua mulher Ana da Silva, de Salreu. Residiram em Campinos, Salreu, onde tiveram, pelo menos, dois filhos: Abel e Amélia. Maria Generosa teve ainda, pelo menos, um filho natural: Emídio. 1(VIII) - ABEL ANTÓNIO DA FONSECA, inicialmente caixeiro e depois proprietário, nasceu a 19.10.1880 em Campinos, Salreu55. Emigrou em 1901 para Moçambique56. Regressou e casou a 27.10.1904 em Salreu, com ELISA FERREIRA VIDAL, proprietária, nascida em 1880 em Salreu, filha natural de Maria de Jesus Oliveira, solteira, de Salreu. Abel faleceu a 12.06.1943 em Campinos, Salreu, deixando, pelo menos, um filho: Adriano Dinis.

46 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 20, Óbitos, fl. 165. 47 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 20, Óbitos, fl. 35v. 48 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 5, Baptismos, fl. 135v. 49 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 15, Casamentos, fl. 51. 50 - AUC, Matriculas de Alunos. 51 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 20, Óbitos, fl. 149. 52 - O baptismo de seu filho Emídio, diz ser filha de José Rodrigues de Oliveira e de Maria Valente dos Anjos, de Salreu, o que parece ser erro. 53 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 9, Baptismos, fl. 203v. 54 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 19, Casamentos, fls. 8v.-9., reg. n.º 16. 55 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 14, Baptismos, fl. 22, reg. n.º 77. 56 - SANTOS, V., 2008, p. 246.

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1(IX) - ADRIANO DINIS DA FONSECA, nasceu a 03.12.1906 em Campinos, Salreu, e casou a 17.12.1935 em Alquerubim, Albergaria-a-Velha, com ERMELINDA DE FIGUEIREDO LOPES, natural de Alquerubim. 2(VIII) - AMÉLIA GENEROSA BANDEIRA, proprietária, nasceu em 1883 em Campinos, Salreu, onde casou a 05.05.191057 com JOSÉ DA SILVA, proprietário, nascido em 1881 em Salreu, filho de João José da Silva, natural de Avanca, e de sua mulher Maria Rosa de Almeida, natural de Salreu, onde residiram em Campinos. 3(VIII) - EMÍDIO BANDEIRA, nasceu a 10.04.1897 em Salreu58, casou a 20.10.1938 em Lisboa com MARIA ROSA DA SILVA, natural de Salreu, e faleceu a 04.01.1984 no Lumiar, Lisboa. 2(VII) - MIQUELINA ROSA, nasceu em Campinos, Salreu, onde foi baptizada a 20.06.184959. 3(VII) - ANTÓNIO, nasceu a 07.04.1851 em Campinos, Salreu60. 3(VI) - ANTÓNIO MARIA BANDEIRA, nasceu a 24.07.1820 em Campinos, Salreu. Seria o Padre António Maria Bandeira que apadrinhou o sobrinho António em 1851. 4(VI) - Dr. JOSÉ MARIA BANDEIRA, nasceu em Campinos, Salreu, onde casou a 03.10.1845 com sua prima61 D. MARIA ROSA BANDEIRA, natural de Salreu, filha de Ricardo José Bandeira e de sua mulher D. Ana Joaquina Bandeira, de Campinos, Salreu (Ver: § 3.º - Bandeira Valente de Figueiroa). O Dr. José Maria frequentou a Universidade de Coimbra, matemática e filosofia (1835) e depois direito em que se tornou bacharel (1843) e se formou (1844)62. Foi também tabelião da comarca de Estarreja por carta de 13.12.186563. Residiram primeiro no Couto, depois nas Laceiras e mais tarde no Cadaval, Salreu, onde tiveram, pelo menos, sete filhos: Rosalina Augusta, Virgínia Augusta, Alfredo Maria, Henrique Maria, João Carlos, Clementina Rosa e Maria José.

57 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 45, Casamentos, fls. 6-6v., reg. n.º 11. 58 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 28, Baptismos, fl. 44v., reg. n.º 43. 59 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 9, Baptismos, fl. 254. 60 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 9, Baptismos, fl. 313. 61 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 15, Casamentos, fl. 49v. 62 - AUC, Matrículas de Alunos. 63 - IAN/TT, Registo Geral de Mercês de D. Luís I, liv. 14, fl. 3v.

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DELFIM BISMARCK FERREIRA

1(VII) - ROSALINA AUGUSTA, nasceu em 1844 em Adou de Cima, Salreu, onde faleceu criança a 11.01.184864. 2(VII) - VIRGÍNIA AUGUSTA BANDEIRA, costureira e doméstica, nasceu em Adou de Cima, Salreu. Emigrou para o Brasil e regressou a Salreu, onde casou a 14.10.1876 na Capela de Santo António65, com JOÃO DE OLIVEIRA “Grulha”, nascido em 1845 em Salreu, filho de Manuel de Oliveira e de sua mulher Maria Rosa, de Adou de Cima, Salreu. Residiram em Salreu, onde tiveram, pelo menos, uma filha: Maria dos Prazeres. 1(VIII) - D. MARIA DOS PRAZERES OLIVEIRA, nasceu a 21.02.1880 em Salreu66, e casou com JOÃO CARLOS DA SILVEIRA PINTO CAMELO (Ver: § 6.º - Camelo) 3(VII) - ALFREDO MARIA BANDEIRA, tabelião ajudante (18711876), nasceu a 12.11.1847 em Adou de Cima, Salreu67, onde casou a 26.08.187168 com D. RITA NORBERTA FERREIRA VIDAL, costureira e doméstica, nascida em Salreu, filha de José Luís Ferreira Vidal e de sua mulher D. Josefa Rodrigues de Almeida, de Salreu, onde residiram e tiveram, pelo menos, uma filha: Maria Efigénia. 1(VIII) - MARIA EFIGÉNIA, nasceu em 1873 em Salreu, onde faleceu solteira a 08.08.1891. 4(VII) - HENRIQUE MARIA BANDEIRA, escriturário de fazenda, nasceu a 15.06.1850 nas Laceiras de Cima, Salreu, onde casou a 22.06.187869 com MARIA VICTÓRIA DE CARVALHO MAGALHÃES, costureira, natural em Pindelo, Oliveira de Azeméis, filha natural de Luísa de Oliveira, solteira, natural de Pindelo. Residiram na Rua de São Martinho, em Salreu, onde tiveram, pelo menos, seis filhos: Carlos (n. 05.07.1872), Henrique (n. 26.02.1874), Maria (n. 31.10.1875), António (n. 19.09.1877), Arminda (n. 03.01.187970) e Amabília (casou em Lisboa com Joaquim António Pinho, jornaleiro, natural da Murtosa, de quem teve, pelo menos, uma filha: Iracema Augusta n. 26.05.1902).

64 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 20, Óbitos, fl. 125v. 65 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 19, Casamentos, fls. 3-3v., reg. n.º 6. 66 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 25, Baptismos, fls. 4-4v. 67 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 9, Baptismos, fl. 221v. 68 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 17, Casamentos, fls. 167-168, reg. n.º 14. 69 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 19, Casamentos, fls. 7-7v., reg. n.º 13. 70 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 14, Baptismos, fl. 2, reg. n.º 3.

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TERRAS DE ANTUÃ | HISTÓRIAS E MEMÓRIAS DO CONCELHO DE ESTARREJA

5(VII) - JOÃO CARLOS MARIA BANDEIRA, alfaiate, nasceu a 01.04.1852 nas Laceiras, Salreu71, onde casou com JOANA CAROLINA AUGUSTA, costureira e doméstica, nascida em 1852 na Glória,Aveiro, filha de Francisco António Crisóstomo e de sua mulher Micaela Rosa de Jesus, moradores em Salreu. Joana Carolina emigrou casada, em 1884 para o Rio de Janeiro72. Residiram nas Minas do Braçal, Sever doVouga e depois em Salreu. João teve pelo menos, três filhos naturais: João Augusto, Raquel e Gilberto. 1(VIII) - JOÃO AUGUSTO BANDEIRA, nasceu em 1873 em Salreu, e emigrou solteiro em 1884 para o Rio de Janeiro, Brasil73. 2(VIII) - RAQUEL AUGUSTA BANDEIRA, nasceu em 1875 em Salreu, e emigrou em 1884 para o Rio de Janeiro, Brasil, com sua mãe e irmãos74. 3(VIII) - GILBERTO BANDEIRA, nasceu a 04.02.1876 na Rua de São Martinho, em Salreu75, e emigrou em 1884 para o Rio de Janeiro, Brasil, com sua mãe e irmãos76. 6(VII) - D. CLEMENTINA ROSA DA PIEDADE BANDEIRA, proprietária, nasceu a 03.01.1855 em Salreu77 e casou com PATRÍCIO INÁCIO FERREIRA, que segue no § 4.º (Inácio Ferreira) 7(VII) - MARIA JOSÉ BANDEIRA, proprietária, nasceu em 1857 em Salreu, onde casou a 16.05.188578 com ANTÓNIO REBELO DA SILVA, carpinteiro, nascido em 1858 em Salreu, filho de Joaquim da Silva Rebelo e de sua mulher Maria da Silva, de Adou de Cima, Salreu. 5(VI) - JOÃO, nasceu em 04.10.1824 em Campinos, Salreu79. 6(VI) - ALEXANDRE, nasceu em 1827 em Campinos, Salreu, onde faleceu criança a 05.12.182980. 7(VI) - Padre FRANCISCO MARIA BANDEIRA, sacerdote que apadrinhou o sobrinho Alfredo em 1847.

71 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 9, Baptismos, fl. 331v. 72 - SANTOS, V., 2009, p. 239. 73 - SANTOS, V., 2009, p. 239. 74 - SANTOS, V., 2009, p. 239. 75 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 14, Baptismos, fl. 6, reg. n.º 16. 76 - SANTOS, V., 2009, p. 239. 77 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 9, Baptismos, fl. 394. 78 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 29, Casamentos, fls. 5v.-6, reg. n.º 10. 79 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 6, Baptismos, fls. 9-9v. 80 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 8, Óbitos, fl. 320v.

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DELFIM BISMARCK FERREIRA

3(IV) - ANTÓNIO BANDEIRA DE GOUVEIA, nasceu em Salreu.Teve carta de boticário para exercer em qualquer ponto do Reino, excepto em Lisboa, a 08.06.178481. Também foi fundador da “Academia Fluviense”, tendo sido, tal como seu irmão, académico de Farmácia82. António e seu irmão Manuel Joaquim foram constituídos réus num processo da Inquisição, tendo sido acusados de promover reuniões maçónicas no Rio de Janeiro83. 4(IV) - MARIA RITA DE GOUVEIA, nasceu aproximadamente em 1745 em Salreu, onde faleceu solteira a 01.10.1820, no Santo84, deixando, pelo menos, uma filha: Maria. 1(V) - MARIA, nasceu no Santo, em Salreu, onde faleceu solteira, com 74 anos de idade, a 24.09.184885.

§ 3.º BANDEIRA VALENTE DE FIGUEIRÔA 3(II) - NARCISA TERESA DE JESUS BANDEIRA DE GOUVEIA, também conhecida por Narcisa Tavares, nasceu a 11.03.1724 em Estarreja86 e casou em Salreu com o Alf. BARTOLOMEU VALENTE DE FIGUEIRÔA, alferes de ordenanças, nascido a 20.08.1722 em Guilhovai, Ovar, filho de Caetano de Magalhães da Silva e de sua mulher Maria Rodrigues, moradores em Guilhovai. O Alf. Bartolomeu faleceu a 03.06.179687 e Narcisa faleceu a 20.08.1798, em Campinos, Salreu88, deixando, pelo menos, dez filhos: Ana Maria, José, Ricardo, Francisco José, Joaquim, Maria Rosa, Dionísio, Rafael José, Manuel e António. 1(III) - ANA MARIA JOAQUINA FELIZARDA DE FIGUEIRÔA, também identificada como Bandeira, nasceu a 28.03.1757 em Campinos, Salreu89, e casou com MANUEL NOGUEIRA DA SILVA, natural de Salreu, filho do Alf. Lourenço Nogueira e de sua mulher Joana Figueira de Almeida, de Salreu. Faleceu viúva a 01.06.1837 nas Laceiras, em Salreu90, onde residiram e tiveram, pelo menos, uma filha: Maria Rosa. 1(IV) - MARIA ROSA, nasceu a 19.10.1799 nas Laceiras, Salreu. 2(III) - Dr. JOSÉ VALENTE DE FIGUEIRÔA E SILVA, nasceu em Salreu, onde casou a 18.05.1780 com sua prima em 2.º grau91 D. ANA BENEDITA DE GOUVEIA, natural de 81 - IAN/TT, Chancelaria de D. Maria I, liv. 23, fls. 1784, AAVV, Tomo II, 1939, pp. 349 e sgs. 82 - Idem e Brotéria, vol. 79, Outubro de 1964, pp. 293 e sgs. 83 - IAN/TT, Tribunal do Santo Ofício, Inquisição de Lisboa, proc. 411. 84 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 8, Óbitos, fl. 223v. 85 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 20, Óbitos, fl. 128v. 86 - ADA, Livro Paroquial de Beduído, n.º 4, Baptismos, fl. 385. 87 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 8, Óbitos, fl. 37. 88 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 8, Óbitos, fl. 46. 89 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 1, Baptismos, fl. 32. 90 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 20, Óbitos, fl. 54. 91 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 7, Casamentos, fl. 25.

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TERRAS DE ANTUÃ | HISTÓRIAS E MEMÓRIAS DO CONCELHO DE ESTARREJA

Salreu, filha de Diogo António Pinheiro e de sua mulher Isabel Teresa de Gouveia, naturais e moradores em Salreu, que faleceu a 23.06.1800 em Salreu92 e deixou, pelo menos, oito filhos: Joaquim José, Ricardo José, José, Maria Rosa, Ana Delfina, António, João e Francisco. Após enviuvar, casou segunda vez, a 22.05.1822, em Salreu93, com JOSEFA LUÍSA DE ALMEIDA, natural de Salreu, filha de Manuel Fernandes Nora e de sua mulher Cristina de Almeida, da Cavada, Salreu. O Dr. José faleceu a 07.01.1825 em Salreu94. 1(IV) - Cap. Dr. JOAQUIM JOSÉ BANDEIRA, nasceu a 10.10.1781 em Salreu95, foi bacharel em leis pela Universidade de Coimbra (1800), onde se formou (1801)96. Faleceu em 18.05.1817 em Salreu97. 2(IV) - Cap. RICARDO JOSÉ BANDEIRA, capitão de ordenanças, nasceu a 06.08.1784 em Salreu98, onde casou a 09.09.181199 com sua prima em 2.º e 3.º grau, D. ANA JOAQUINA BANDEIRA, nascida em 14.12.1783 em Adou de Cima, Salreu, filha do Cap. Francisco José Bandeira e de sua mulher D. Maria Rosa de Figueiredo, de Adou de Cima, Salreu (Ver: § 5.º - Bandeira da Silva). O Cap. Ricardo faleceu a 11.03.1866 em Campinos, Salreu100, onde residiram e tiveram, pelo menos, dez filhos: Joaquim José, Ana Delfina, Francisco José, António Joaquim, José Joaquim, Ludovina, Maria Rosa, Margarida Rosa, Raquel Maria e Miquelina Rosa. 1(V) - JOAQUIM JOSÉ VALENTE BANDEIRA, proprietário, foi regedor da freguesia de Salreu (1883-1884), (1885) e substituto (1885-1886)101, nasceu em Salreu, onde casou a 15.01.1838102 com D. MARIA GERTRUDES TERESA ROSA CORDEIRA MASCARENHAS, nascida a 13.06.1808 no Espírito Santo, Aveiro, filha de Manuel Ferreira, natural do Espírito Santo, Aveiro, e de sua mulher Gertrudes Teresa Rosa da Cunha Cordeira Mascarenhas, natural de Santa Isabel, Lisboa. Residiram em Salreu, onde tiveram cinco filhos: Ana Delfina, Maria Carolina, Maria Generosa, Ricardo e Maria Emília. 1(VI) - ANA DELFINA CÂNDIDA BANDEIRA, costureira, nasceu a 22.09.1838 no Couto, Salreu103, e casou a 16.07.1878 em Beduído, Estarreja, com MANUEL RODRIGUES CASTELHA-NO, lavrador, nascido em 1822 em Beduído, viúvo de MARIA DA SILVA LEITE, filho de Joaquim Rodrigues e de sua mulher Caetana Correia dos Santos, de Beduído. 92 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 8, Óbitos, fl. 54v. 93 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 7, Casamentos, fl. 188. 94 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 8, Óbitos, fl. 270-270v. 95 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 3, Baptismos, fl. 93v. 96 - AUC, Matrículas de alunos. 97 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 8, Óbitos, fl. 192. 98 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 3, Baptismos, fl. 144v. 99 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 7, Casamentos, fls. 123v.-124. 100 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 21, Óbitos, fl. 153, reg. n.º 10. 101 - FERREIRA, D. B., 2007, pp. 136-137. 102 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 15, Casamentos, fl. 17v. 103 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 9, Baptismos, fl. 55.

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DELFIM BISMARCK FERREIRA

2(VI) - D. MARIA CAROLINA BANDEIRA nascida a 28.01.1840 em Salreu104, casou com TOMÁS ANTÓNIO XAVIER SOARES DE ALBERGARIA, nascido a 13.03.1830. Residiram em Beduído, Estarreja, onde tiveram, pelo menos, um filho: António Augusto. 1(VII) - ANTÓNIO AUGUSTO SOARES DE ALBERGARIA, nasceu a 01.03.1865 em Beduído, Estarreja, onde casou a 04.09.1887 com D. MARIA DA CONCEIÇÃO MARQUES DE AZEVEDO, nascida a 18.11.1865 em Beduído, Estarreja, filha de António Marques de Azevedo e de sua mulher Maria José Marques de Oliveira, de Beduído, Estarreja. Residiram em Beduído, Estarreja, onde tiveram, pelo menos, dois filhos: Filipe e Tomás António. António Augusto casou segunda vez a 24.10.1896 na Glória, Aveiro, com D. CAROLINA PEREIRA, nascida a 26.04.1871 na Glória, Aveiro. António Augusto faleceu a 12.11.1917 em Santo Ildefonso, Porto e D. Carolina faleceu a 09.12.1952 em Cedofeita, Porto, deixando três filhos: Conceição, António Júlio e Libânia. 1(VIII) - FILIPE SOARES DE ALBERGARIA, nasceu a 28.06.1888 em Beduído, Estarreja, e casou com CELESTE MARINHO. Filipe faleceu a 05.05.1935 em São Paulo, Brasil 2(VIII) - TOMÁS ANTÓNIO SOARES DE ALBERGARIA, nasceu a 07.08.1889 em Beduído, Estarreja, e casou com ALBINA DE CASTRO, nascida a 15.04.1883 em Leça do Balio, Matosinhos, filha de José de Castro e de sua mulher Maria Rosa. Albina faleceu a 21.09.1955 em Leça do Balio, Matosinhos. Residiram no Porto, onde tiveram quatro filhos: José Tomás, Maria da Conceição, Maria das Dores e Hernâni Hermano Soares de Albergaria, os quais deixaram larga descendência. 3(VIII) - D. CONCEIÇÃO PEREIRA SOARES DE ALBERGARIA, nasceu a 06.10.1897 na Glória, Aveiro, e casou com JORGE GOMES DE RESENDE, nascido a 23.04.1897 em São Nicolau, Santa Maria da Feira, que faleceu a 05.06.1944 em Cedofeita, Porto. D. Conceição faleceu a 24.11.1970 em Cedofeita, Porto, deixando dois filhos: António Augusto e Miguel Jorge. 1(IX) - ANTÓNIO AUGUSTO ALBERGARIA GOMES DE RESENDE, nasceu a 16.09.1929 em Cedofeita, Porto, e casou a 23.04.1957 com D. MARIA MANUELA NERY DE OLIVEIRA E SOUSA, nascida a 12.02.1933 em Santa Maria da Feira, de quem teve quatro filhos: Maria Teresa (n. 16.11.1958), Pedro Manuel (n. 11.01.1960), Maria Clara (n. 04.06.1961) e João Manuel (n. 21.09.1969). 104 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 9, Baptismos, fl. 80v.

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TERRAS DE ANTUÃ | HISTÓRIAS E MEMÓRIAS DO CONCELHO DE ESTARREJA

2(IX) - MIGUEL JORGE ALBERGARIA GOMES DE RESENDE, nasceu a 26.12.1930 em Cedofeita, Porto, e casou com D. MARIA LUÍSA DA SILVA PENAFORT CAMPOS, nascida a 02.03.1932 em Silvares, Guimarães. Miguel faleceu a 05.04.2006 na Foz do Douro, Porto. 4(VIII) - ANTÓNIO JÚLIO PEREIRA SOARES DE ALBERGARIA, nasceu a 20.12.1908 na Glória, Aveiro, e casou com D. JULIETA ALICE FERNANDES, nascida a 01.02.1912 em Paranhos, Porto. António Júlio faleceu a 27.09.1983 e D. Julieta faleceu a 17.07.1988, ambos em Paranhos, Porto, onde residiram e tiveram, pelo menos, uma filha: Julieta Maria. 1(IX) - D. JULIETA MARIA FERNANDES SOARES DE ALBERGARIA, nasceu a 22.01.1935 em Paranhos, Porto, onde casou com o Eng.º ROLANDO FARIA DE CARIA105, nascido a 24.06.1930 em S. Miguel da Carreira, Barcelos, filho do Cap. Raul de Castro Caria, Capitão do Exército, natural das Mercês, Lisboa, e de sua mulher D. Maria Anatilde de Faria Lapa, natural da Póvoa de Varzim. O Eng.º Rolando é engenheiro civil e foi assistente na Faculdade de Ciências (UP). É administrador de uma empresa de obras públicas. D. Julieta faleceu em 22.10.2006 em Cedofeita, Porto. Tiveram duas filhas: Maria João e Maria Paula. 1(X) - D. MARIA JOÃO SOARES DE ALBERGARIA FARIA DE CARIA106, professora de música, nasceu a 11.04.1962 no Porto, e casou a 07.04.1984 com o Arqt.º PEDRO MARIA TÁVORA MAGALHÃES BASTO, arquitecto, nascido a 22.01.1958 na Sé, Porto, filho de Pedro Mendes Correia de Magalhães Basto e de sua mulher D. Maria Teresa Cardoso de Meneses Tavares e Távora. Residem no Porto e têm duas filhas: Maria de Fátima e Maria Teresa. 2(X) - D. MARIA PAULA SOARES DE ALBERGARIA FARIA DE CARIA107, empresária, nasceu a 06.08.1970 no Porto, e casou a 18.07.1992 em Fonte Coberta, com CARLOS EDUARDO AZEVEDO FERREIRA, delegado de informação médica, nascido a 29.07.1964 no Porto. Residem no Porto e têm três filhos: Maria João, Carolina e Pedro.

105 - Sobre a sua genealogia ver: LAPA, C., 2011, p. 87. 106 - Idem, p. 87. 107 - Idem, p. 88.

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DELFIM BISMARCK FERREIRA

5 (VIII) D. LIBÂNIA PEREIRA SOARES DE ALBERGARIA, nasceu a 05.09.1909 em Ílhavo, e casou com TOMÁS LÚCIO DA FONSECA PINHEIRO. D. Libânia faleceu a 15.09.2003 na Maia. 3(VI) - MARIA GENEROSA DE ASSUNÇÃO BANDEIRA, proprietária, nasceu a 28.01.1842 no Couto, Salreu, e morou solteira no Outeiro da Marinha, em Estarreja, tendo pelo menos, um filho: Jaime Augusto. 1(VII) - JAIME AUGUSTO, que foi criado por Fernando Tudela e Nápoles, Presidente da Câmara de Estarreja108. 4(VI) - RICARDO, nasceu a 03.10.1846 em Salreu. 5(VI) - MARIA EMÍLIA BANDEIRA, costureira, nasceu a 29.07.1848 nas Laceiras, Salreu109 e residiu solteira no Agro, Beduído, Estarreja, onde teve, pelo menos uma filha: 1(VI) - UTELINDA, nasceu a 23.05.1878 no Agro, Beduído, Estarreja, tendo por padrinho Caetano Augusto Bandeira, solteiro, alfaiate, morador no Agro. Faleceu criança a 18.11.1881. 2(V) - D. ANA DELFINA BANDEIRA DAS NEVES, nasceu em Salreu, onde foi madrinha de uma sobrinha a 03.01.1855. 3(V) - FRANCISCO JOSÉ BANDEIRA, nasceu em 1818 em Campinos, Salreu, onde faleceu solteiro a 18.10.1849110. 4(V) - ANTÓNIO JOAQUIM, nasceu a 16.03.1820 em Campinos, Salreu111. 5(V) - JOSÉ JOAQUIM BANDEIRA, fazendeiro, nasceu em Salreu, onde casou a 29.08.1847112 com ROSA MARIA DA SILVA BAPTISTA, fazendeira, natural de Beduído, Estarreja, filha de Custódio da Silva Pinho e de sua mulher Maria Caetana da Silva, de Beduído, Estarreja. Residiram em Campinos, Salreu, onde tiveram, pelo menos, uma filha: Rosalina Augusta. 1(VI) - ROSALINA AUGUSTA BANDEIRA, costureira e doméstica, nasceu a 20.11.1848 em Campinos, Salreu113, onde casou a 11.08.1873114 com ANTÓNIO MARTINS DA FONSECA FERRAZ, carpinteiro, nascido em 1839 108 - CUNHA, J. T. A., vol. III, 1984, pp. 276-277. 109 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 9, Baptismos, fl. 237. 110 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 20, Óbitos, fl. 136v. 111 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 5, Baptismos, fl. 165v. 112 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 15, Casamentos, fls. 57v.58. 113 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 9, Baptismos, fl. 243. 114 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 18, Casamentos, fls. 10v.-11, reg. n.º 18.

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TERRAS DE ANTUÃ | HISTÓRIAS E MEMÓRIAS DO CONCELHO DE ESTARREJA

em Salreu, filho de Manuel Martins da Fonseca Ferraz, carpinteiro e fazendeiro, e de sua mulher Angélica de Jesus, fazendeira, naturais e moradores em Adou de Cima, Salreu. António faleceu a 12.05.1909 em Campinos, Salreu115. Residiram primeiro no Corgo e depois em Campinos, Salreu, onde tiveram, pelo menos, quatro filhos: José Maria, Rosa Maria, João e mais um. 1(VII) - JOSÉ MARIA BANDEIRA FERRAZ, carpinteiro, nasceu em 1874 no Corgo, em Salreu, onde casou a 28.07.1898116 com MARGARIDA FERREIRA MARTINS, doméstica, nascida em 1833 em São João da Serra, Oliveira de Frades, moradora em Beduído, Estarreja, filha de João Ferreira Martins e de sua mulher Maria Joaquina de Jesus Ferreira, moradores em São João da Serra. 2(VII) - ROSA MARIA, nasceu em 1800 no Corgo, em Salreu, onde faleceu criança em 07.12.1805117. 3(VII) - JOÃO, nasceu em 1801 no Corgo, em Salreu, onde faleceu criança em 26.03.1806118. 6(V) - LUDOVINA, nasceu a 01.01.1822 em Salreu. 7(V) - D. MARIA ROSA BANDEIRA, nasceu em Salreu, onde casou em 1845 com seu primo Dr. JOSÉ MARIA BANDEIRA, filho do Cap. Joaquim António Bandeira e de sua mulher D. Miquelina Rosa Bandeira, de Campinos, Salreu. (Ver: § 2.º - Bandeira de Gouveia) 8(V) - D. MARGARIDA ROSA BANDEIRA, nasceu a 18.05.1823 em Campinos, Salreu119, onde casou a 20.01.1845120 com SEVERINO JOSÉ PEREIRA VALENTE, farmacêutico, nascido a 15.04.1818 em Pardilhó, Estarreja, filho de Manuel Joaquim Pereira Valente e de sua mulher Maria Josefa dos Santos, de Pardilhó. Residiram na Rua Direita, em Sarrazola, Cacia, Aveiro, onde tiveram, pelo menos, cinco filhos: Joaquim (n. 18.12.1847121), Raquel Maria (n. 20.04.1850122), Manuel (n. 01.09.1855123), Guilherme Elias (n. 24.02.1858124) e Manuel Maria (n. 05.02.1864125 e f. 24.10.1864).

115 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 42, Óbitos, fl. 7v., reg. n.º 29. 116 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 29, Casamentos, fls. 5v.-6, reg. n.º 12. 117 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 8, Óbitos, fl. 83v. 118 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 8, Óbitos, fl. 85. 119 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 5, Baptismos, fl. 261v. 120 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 15, Casamentos, fl. 45v. 121 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 9, Baptismos, fl. 223v. 122 - ADA, Livro Paroquial de Cacia, n.º 7, Baptismos, fl. 667v. 123 - ADA, Livro Paroquial de Cacia, n.º 7, Baptismos, fl. 730v. 124 - ADA, Livro Paroquial de Cacia, n.º 7, Baptismos, fls. 754-754v. 125 - ADA, Livro Paroquial de Cacia, n.º 23, Baptismos, fl. 6, reg. n.º 11.

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DELFIM BISMARCK FERREIRA

9(V) - D. RAQUEL MARIA BANDEIRA, nasceu a 16.10.1830 em Campinos, Salreu126, onde casou a 10.10.1853127 com o Dr. AGOSTINHO LUÍS PEREIRA VALENTE, médico, natural de Pardilhó, Estarreja, filho de Manuel Joaquim Pereira Valente e de sua mulher Maria Josefa dos Santos, do Curval, Pardilhó. Residiram primeiro no Curval e depois no Canedo, Pardilhó, onde tiveram, pelo menos, duas filhas: Hermínia e Leopoldina. 1(VI) - HERMÍNIA, nasceu a 14.09.1855 no Curval, Pardilhó128. Era viva em 1924. 2(VI) - LEOPOLDINA, nasceu a 04.01.1858 no Canedo, Pardilhó129. 10(V) - MIQUELINA ROSA BANDEIRA, era solteira quando amadrinhou o sobrinho Alfredo em 1847. 3(IV) - Cap. JOSÉ VALENTE BANDEIRA, capitão da 5.ª Companhia de Ordenanças de Aveiro (1809)130, nasceu a 08.03.1789 em Salreu131, onde casou a 02.01.1813132 com D. MARIA GENEROSA BANDEIRA, proprietária, nascida nas Laceiras, em Salreu, filha de Manuel Nogueira da Silva Brandão e de sua mulher Ana Joaquina Felizarda de Figueiredo e Silva, proprietários, das Laceiras, Salreu. O Cap. José faleceu a 29.11.1865 nas Laceiras, Salreu, sem filhos133. Após enviuvar, D. Maria Generosa voltou a casar a 12.07.1866, em Salreu134, com ELISIÁRIO ANTÓNIO DE SOUSA, natural da Glória, Aveiro, filho de António José de Sousa e de sua mulher D. Mariana Joaquina de Sousa, da Glória, Aveiro. 4(IV) - MARIA ROSA, nasceu a 04.05.1791 em Salreu135, onde faleceu solteira e sem geração a 21.06.1818136. 5(IV) - ANA DELFINA, nasceu a 15.09.1793 em Salreu137, onde faleceu solteira e sem geração a 28.06.1821138. 6(IV) - Alf. ANTÓNIO JOSÉ BANDEIRA, alferes de ordenanças e proprietário, nasceu

126 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 6, Baptismos, fls. 176-176v. 127 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 15, Casamentos, fl. 92. 128 -ADA, Livro Paroquial de Pardilhó, n.º 16, Misto, fl. 15. 129 - ADA, Livro Paroquial de Pardilhó, n.º 16, Misto, fl. 70v. 130 - BORRÊGO, N. G. P., 2006, p. 708. 131 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 3, Baptismos, fl. 219. 132 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 7, Casamentos, fl. 131. 133 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 21, Óbitos, fls. 149-149v., reg. n.~86. 134 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 17, Casamentos, fls. 62-62v., reg. n.º 15. 135 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 3, Baptismos, fl. 241v. 136 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 8, Óbitos, fls. 213v.-214. 137 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 3, Baptismos, fl. 259. 138 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 8, Óbitos, fl. 229v.

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TERRAS DE ANTUÃ | HISTÓRIAS E MEMÓRIAS DO CONCELHO DE ESTARREJA

a 03.03.1796 em Salreu139, onde casou a 01.10.1819140 com MARIA JOSEFA, natural de Salreu, filha de João de Oliveira Figueiredo e de sua mulher Joana de Oliveira Figueira, das Pedreiras do Picoto, Salreu. Teve pelo menos uma filha natural, de nome Raquel, de TERESA MARQUES MACIDA, solteira, da Cavada, Salreu. 1(V) - RAQUEL MARIA BANDEIRA, inicialmente lavradora e depois proprietária, nasceu em 1831 em Salreu, onde casou a 08.11.1855141 com ANTÓNIO JOAQUIM MARQUES DE RESENDE, proprietário e lavrador, natural de Salreu, filho de João José Marques da Costa e de sua mulher Maria de Jesus de Resende, do Couto, Salreu. Raquel faleceu a 28.08.1901 no Couto, Salreu142, onde residiram e tiveram, pelo menos, sete filhos: João, Margarida, António Joaquim, José Joaquim, Joaquim António, Francisco e Maria de Jesus. 1(VI) - JOÃO CARLOS MARQUES DE RESENDE, lavrador, nasceu em 1858 no Couto, Salreu, emigrou em 1904 para o Rio de Janeiro, Brasil143, regressou e casou a 08.11.1906 em Salreu com HELENA DE JESUS DE OLIVEIRA, lavradora e doméstica, nascida em 1886 em Salreu, filha de Caetano Rodrigues Escudeiro e de sua mulher Margarida de Jesus, do Mato, Salreu. Residiram no Mato, Salreu, onde tiveram, pelo menos, um filho: Manuel. 1(VII) - MANUEL MARQUES DE RESENDE, nasceu a 03.11.1907 no Mato, Salreu, onde casou a 30.12.1958 com LAURENTINA DE SOUSA OLIVEIRA, nascida em 1911 em Valongo, filha de António Joaquim de Oliveira e de sua mulher Victorina Moreira de Sousa, e veio a falecer a 04.05.1966 em Salreu. 2(VI) - MARGARIDA DE JESUS BANDEIRA, lavradora, nasceu em 22.08.1860 no Couto, Salreu144, onde casou a 20.09.1894145 com DOMINGOS VALENTE DE OLIVEIRA, jornaleiro e lavrador, nascido a 11.12.1872 em Salreu, filho de Manuel Valente de Oliveira, natural de Salreu, e de sua mulher Margarida da Silva de Oliveira, natural de Beduído, Estarreja. Residiram na Ladeira, Salreu, onde tiveram, pelo menos, um filho: Armindo. 1(VII) - ARMINDO, nasceu a 02.04.1898 na Ladeira, Salreu. 3(VI) - ANTÓNIO JOAQUIM MARQUES DE RESENDE, jornaleiro, lavrador e proprietário, nasceu em 04.04.1865 no Couto, Salreu146, onde 139 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 3, Baptismos, fl. 280. 140 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 7, Casamentos, fl. 170v. 141 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 15, Casamentos, fl. 98. 142 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 41, Óbitos, fls. 10-10v., reg. n.º 40. 143 - SANTOS, V., 2008, p. 249. 144 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 10, Baptismos, fls. 126v.-127, reg. n.º 49. 145- ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 29, Casamentos, fls. 9-9v., reg. n.º17. 146- ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 11, Baptismos, fls. 45v.-46, reg. n.º 38.

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DELFIM BISMARCK FERREIRA

casou com TERESA DE JESUS CORREIA, jornaleira, lavradora e proprietária, natural de Salreu, filha de Manuel Maria Macida e de sua mulher Ana Corrêa, de Salreu. Residiram no Outeiro, Salreu, onde tiveram, pelo menos, três filhos: Ana, Violante e Carlos. 1(VII) - ANA CORREIA DE RESENDE, nasceu a 21.04.1897 no Outeiro, Salreu147, casou a 18.05.1939 na Caparica, Almada, com JOÃO DO PRADO GONÇALVES, natural da Caparica, e faleceu a 04.01.1943 em Lisboa. 2(VII) - VIOLANTE, nasceu a 07.01.1899 no Outeiro, Salreu, onde faleceu criança a 21.10.1899. 3(VII) - CARLOS CORREIA DE RESENDE, nasceu a 20.06.1901 no Outeiro, Salreu, e casou em 1923 em Fermelã com MARIA …, daí natural, e faleceu a 08.02.1987. 4(VI) - JOSÉ JOAQUIM MARQUES DE RESENDE, lavrador, nasceu em 02.11.1867 no Couto, Salreu148, onde casou com MARIA DO ROSÁRIO RODRIGUES, lavradora, natural de Salreu, filha de Joaquim da Silva Valério e de sua mulher Maria do Rosário Rodrigues, de Salreu, onde residiram no Mato e tiveram, pelo menos, uma filha: Margarida. 1(VII) - MARGARIDA, nasceu a 08.10.1900 no Mato, Salreu, onde faleceu criança a 03.10.1901. 5(VI) - JOAQUIM ANTÓNIO MARQUES DE RESENDE, trabalhador e lavrador, nasceu em 01.11.1869 no Couto, Salreu149, onde casou com MARIA DO ROSÁRIO RODRIGUES, trabalhadora e lavradora, natural de Salreu, filha de Joaquim da Silva e de sua mulher Maria do Rosário Rodrigues, de Salreu. Residiram no Mato, Salreu, onde tiveram, pelo menos, dois filhos: José e José Maria. 1(VII) - JOSÉ, nasceu a 04.02.1897 no Mato, Salreu150, onde faleceu a 18.10.1898. 2(VII) - JOSÉ MARIA MARQUES DE RESENDE, nasceu a 29.10.1898 no Mato, Salreu, onde casou a 07.02.1925 com CARMINDA MARQUES ALEIXO, natural de Salreu, e faleceu a 25.10.1951 em Salreu.

147 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 28, Baptismos, fls. 16-16v., reg. n.º 45. 148 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 11, Baptismos, fls. 141-141v., reg. n.º 104. 149 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 12, Baptismos, fls. 24-24v., reg. n.º 88. 150 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 28, Baptismos, fl. 6v., reg. n.º 17.

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TERRAS DE ANTUÃ | HISTÓRIAS E MEMÓRIAS DO CONCELHO DE ESTARREJA

6(VI) - FRANCISCO MARQUES DE RESENDE, jornaleiro e lavrador, nasceu em 1877 em Salreu, onde casou a 11.07.1899 com MARIA RODRIGUES NUNES, jornaleira e lavradora, natural de Salreu, filha de Manuel Nunes, ferreiro, e de sua mulher Teresa Rodrigues, doméstica, do Feiro, Salreu. Residiram em Salreu, onde tiveram, pelo menos, três filhos: Manuel Maria, Maria da Glória e João Maria. 1(VII) - MANUEL MARIA, nasceu a 10.01.1900 no Feiro, Salreu, onde faleceu criança a 22.01.1900. 2(VII) - MARIA DA GLÓRIA, nasceu a 12.12.1902 no Oiteiro, Salreu. 3(VII) - JOÃO MARIA DE RESENDE, nasceu a 09.07.1907 no Outeiro, Salreu, e casou a 28.02.1932 em Lisboa com ROSA MARQUES, nascida em 1904 em São Lourenço, Oliveira de Azeméis, filha de Francisco Marques e de sua mulher Margarida Rosa Pereira. João Maria faleceu a 15.03.1947 na Penha de França, Lisboa. 7(VI) - MARIA DE JESUS BANDEIRA, ou Resende, como também é citada, jornaleira e lavradora, nasceu em Salreu, onde casou a 04.08.1906 com JOAQUIM DA SILVA VALÉRIO, jornaleiro, nascido em 1879 em Salreu, filho de Joaquim da Silva Valério e de sua mulher Maria do Rosário Garrido, de Salreu, falecido a 30.04.1952 em Angeja. Residiram no Couto, Salreu, onde tiveram, pelo menos, três filhos: Manuel Maria, Maria José e Armindo. 1(VII) - MANUEL MARIA, nasceu a 28.10.1907 no Couto, Salreu, onde faleceu criança a 26.11.1907. 2(VII) - MARIA JOSÉ RESENDE, nasceu a 17.11.1908 no Couto, Salreu151, que faleceu solteira a 06.06.1997 na Rua da Pereira, em Angeja, Albergaria-a-Velha. 3(VII) - ARMINDO, nasceu a 17.10.1910 no Couto, Salreu, onde faleceu criança a 22.09.1912152. 7(IV) - JOÃO, nasceu a 03.01.1799 em Salreu. 8(IV) - FRANCISCO JOSÉ BANDEIRA DA SILVA, nasceu em Salreu, onde faleceu clérigo “in minoribus” a 15.04.1806, sendo sepultado na Capela de Santa Cristina153.

151 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 37, Baptismos, fls. 42-42v., reg. n.º 117. 152 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 43, Baptismos, fls. 45-45v., reg. n.º 123. 153 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 8, Óbitos, fl. 85v.

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DELFIM BISMARCK FERREIRA

3(III) - Cap. RICARDO JOSÉ BANDEIRA, capitão de ordenanças, nasceu a 28.05.1759 em Campinos, Salreu154. Testemunhou um acto em 01.1813 em Salreu. 4(III) - Cap. FRANCISCO JOSÉ BANDEIRA DA SILVA, que segue § 6.º (Bandeira da Silva) 5(III) - Cap. JOAQUIM JOSÉ BANDEIRA, capitão de ordenanças, nasceu a 13.12.1767 em Campinos, Salreu155, onde faleceu a 18.05.1817. 6(III) - DIONÍSIO VALENTE DE FIGUEIROA E SILVA, nasceu a 24.09.1761 em Campinos, Salreu156, onde faleceu solteiro e sem geração a 28.11.1826157. 7(III) - MARIA ROSA BANDEIRA DE FIGUEIROA E SILVA, nasceu a 11.02.1772 em Campinos, Salreu158, onde casou a 08.02.1798159 com ALEXANDRE PINTO DE CARVALHO, natural de Pardilhó, Estarreja, filho do Dr. Joaquim José Pinto de Carvalho e de sua mulher Ana Rosa Peregrina da Assunção Pereira, do Curval, Pardilhó, Estarreja. Alexandre faleceu a 27.11.1799 em Campinos, Salreu160, deixando, pelo menos, uma filha Miquelina Rosa. 1(IV) - D. MIQUELINA ROSA BANDEIRA PINTO DE CARVALHO, casou com seu primo Cap. JOAQUIM ANTÓNIO BANDEIRA, (Ver: § 2.º Bandeira de Gouveia) 8(III) - RAFAEL JOSÉ VALENTE DE FIGUEIROA E SILVA, nasceu em Salreu, onde casou com JOSEFA MARIA RODRIGUES DE ALMEIDA, que depois de viúva veio a casar a 29.06.1833 em Salreu, com JOSÉ LUÍS FERREIRA VIDAL, de quem teve geração. 9(III) - MANUEL VALENTE BANDEIRA, nasceu a 04.02.1764 em Campinos, Salreu161, onde casou com BRÍZIDA VALENTE. Manuel faleceu a 16.01.1805 nas Laceiras, viúvo162. 10(III) - Padre JOÃO VALENTE BANDEIRA, sacerdote, nasceu em Salreu, onde faleceu a 03.06.1791 nas Laceiras de Baixo163. 11(III) - ANTÓNIO, nasceu a 15.11.1770 em Campinos, Salreu164.

154 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 1, Baptismos, fls. 75-75v. 155 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 2, Baptismos, fls. 45v.-46. 156 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 1, Baptismos, fls. 128-128v. 157 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 8, Óbitos, fl. 294. 158 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 2, Baptismos, fls. 165v.-166. 159 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 7, Casamentos, fls. 75-75v. 160 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 8, Óbitos, fl. 51v. 161 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 1, Baptismos, fls. 186v.-187. 162 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 8, Óbitoos, fl. 78v. 163 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 8, Óbitos, fl. 17. 164 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 2, Baptismos, fls. 131v.-132.

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§ 4.º INÁCIO FERREIRA, de Albergaria-a-Velha 1(VI) - D. CLEMENTINA ROSA DA PIEDADE BANDEIRA, proprietária, nasceu a 03.01.1855 em Salreu165, onde casou a 24.02.1881166 com PATRÍCIO INÁCIO FERREIRA167, proprietário, nascido a 15.08.1835 em Albergaria-a-Nova, Branca168, filho do Alf. João Ferreira Inácio, proprietário, natural de Albergaria-a-Velha, e de sua mulher D. Josefa Maria de Jesus da Páscoa, natural de Albergaria-a-Nova, Branca. Patrício emigrou para o Brasil na década de 50, regressando na década de 70 a Portugal, indo residir para Albergaria-a-Nova. Mais tarde transferiram residência para Albergaria-a-Velha, onde faleceram, D. Clementina a 01.11.1926 e Patrício a 20.06.1928. Tiveram, cinco filhos: Beatriz Augusta, Gaspar, Jaime, Laura e Mário. 1(VII) - D. BEATRIZ AUGUSTA DA PIEDADE FERREIRA, ou Beatriz Arlete, como também se assinava, nasceu a 20.12.1881, em Albergaria-a-Nova, Branca169, onde casou a 12.09.1901 com seu primo em 3.º grau170 JERÓNIMO GONÇALVES DA COSTA, proprietário, nascido a 10.01.1874 em Albergaria-a-Velha, filho de Patrício Gonçalves, lavrador, e de sua mulher D. Matilde Ferreira, de Albergaria-a-Velha171. Após o casamento emigraram para o Brasil, onde adquiriram fortuna, regressando mais tarde a Albergaria-a-Velha, onde Jerónimo foi presidente da Câmara Municipal de Albergaria-a-Velha em (1926-1927) e (1930-1931), altura em que faleceu, em Paderne, nas Termas de Melgaço. D. Beatriz Augusta faleceu a 13.10.1985, em Albergaria-a-Velha, aos 103 anos de idade, deixando duas filhas: Matilde e Arlete. 1(VIII) - D. MATILDE FERREIRA GONÇALVES, natural da cidade de Manaus, Brasil., casou a 25.04.1935 em Albergaria-a-Velha, com DELFIM OLIVEIRA, proprietário, nascido a 22.11.1902 em Assilhó, Albergaria-a-Velha, filho de João de Oliveira e de sua mulher Maria Rosa Ferreira, taberneiros172. Delfim estivera emigrado no Brasil, onde adquirira fortuna, regressando depois a Albergaria-a-Velha. D. Matilde faleceu a 20.03.1963 em Assilhó, Albergaria-a-Velha, onde residiam, onde Delfim veio a falecer a 29.10.1964, sem geração. 2(VIII) - D. ARLETE FERREIRA GONÇALVES, natural de Albergaria-a-Velha, casou com LUCIANO DA SILVEIRA, natural de Ovar. Residiram no Brasil, onde tiveram uma filha: Luciana Isabel. 1(IX) - D. LUCIANA ISABEL GONÇALVES DA SILVEIRA, nasceu no Brasil, onde casou com ROGÉRIO DANTAS FREIRE, de quem teve três filhos: Rogério, Ronaldo e Rodrigo Silveira Freire. Residiram no Rio de Janeiro, Brasil. 165 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 9, Baptismos, fl. 394. 166 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 19, Casamentos, fls. 2v.-3. 167 - Sobre a sua ascendência ver: FERREIRA, D. B., 1999, pp. 323-325. 168 - ADA, Livro Paroquial da Branca, n.º 7, Baptismos, fl. 87. 169 - ADA, Livro Paroquial da Branca, n.º 18, Baptismos, fls. 23-23v., reg. n.º 62. 170 - ADA, Livro Paroquial da Branca, Casamentos de 1901, fls. 4v.-5, reg. n.º 7. 171 - ADA, Livro Paroquial de Albergaria-a-Velha, n.º 24, Baptismos, fls. 2-2v., reg. n.º 2. 172 - ADA, Livro Paroquial de Albergaria-a-Velha, Baptismos de 1902, fls. 34 v. e 35, reg. n.º 86.

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DELFIM BISMARCK FERREIRA

2(VII) - Comend. Cor. GASPAR INÁCIO FERREIRA173, militar, nasceu a 06.01.1885 em Albergaria-a-Nova, Branca174, e casou a 02.09.1909 em Aveiro175, com D. VIRGÍNIA DA QUINA DOMINGUES, doméstica, nascida em 1891 em Belém, Lisboa, filha do oficial do exército, José António Domingues, natural de Beja, e de sua mulher D. Maria Augusta de Lima e Quina, natural do Sacramento, Lisboa. Seguiu a carreira militar, participando na I Grande Guerra, em Moçambique (1918-1919). Foi presidente da Junta Militar de Aveiro; Chefe de Gabinete do Ministro do Interior (1932); governador civil do distrito de Aveiro (1932-1936); comandante do Regimento de Infantaria n.º 10, em Aveiro; presidente da Junta Autónoma do Porto de Aveiro, desde o início da década de 30 até 1966; deputado à Assembleia Nacional nas IV, V e VI legislaturas, pelo círculo de Aveiro; presidente da Câmara Municipal de Albergaria-a-Velha (1957-1963). Teve Medalhas de Ouro e de Prata de comportamento exemplar e medalhas da Vitória, para além das Comendas das Ordens Militares de Cristo (15.12.1932), Avis (20.01.1934) e do Infante D. Henrique (07.12.1965)176. Faleceu em 28 de Dezembro de 1966 em Albergaria-a-Velha, deixando três filhos: José Arnaldo, Maria Clementina e Artur Manuel.

Comend. Cor. Gaspar Inácio Ferreira

1(VIII) - Dr. JOSÉ ARNALDO DE QUINA DOMINGUES FERREIRA177, médico, nasceu a 20.06.1910 na Glória, Aveiro, e casou a 07.01.1966 na “Quinta dos Morgados de Nossa Senhora do Amparo”, no Sobreiro, Albergaria-a-Velha, com D. MARIA EUTÁLIA DE LIMA FREIRE MOURISCA, Senhora da “Quinta e Capela dos Mor-

173 - Sobre a sua biografia ver: PINHO, A. H. A., 1994, p. 28., FERREIRA, D. B., 1999, p. 328-329 e FERREIRA, D. B.; VIGÁRIO, R. M., 2010, pp. 395-396. 174 - ADA, Livro Paroquial da Branca, n.º 22, Baptismos, fls. 2v.-3, reg. n.º 3. 175 - ADA, Livro Paroquial da Glória, Casamentos de 1909, fls. 12v.-13v., reg. n.º 24. 176 - PINHO, A. H. A., 1994, p. 28. 177 - Sobre a sua biografia, ver: FERREIRA, D. B., 1999, pp. 328-329.

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gados de Nossa Senhora do Amparo”, no Sobreiro, Albergaria-a-Velha, onde nasceu a 01.12.1916, filha dos Senhores da mesma quinta, Carlos Pinheiro Mourisca, escrivão-notário, e sua mulher D. Regina do Amparo de Lima Freire. O Dr. José Arnaldo licenciou-se em Medicina pela Universidade do Porto (1937), foi sub-delegado e delegado de Saúde do concelho de Albergaria-a-Velha por largos anos, presidente do Conselho Fiscal do Sport Clube Beira-Mar (1935), e presidente da Assembleia Geral da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Albergaria-a-Velha (19611965). Faleceu a 17.12.1991 em Albergaria-a-Velha, sem geração. Recebeu a título póstumo a Medalha de Mérito do Concelho de Albergaria-a-Velha, grau Ouro, em Junho de 1995. 2(VIII) - D. MARIA CLEMENTINA DE QUINA DOMINGUES FERREIRA, nasceu a 29.04.1912 em Aveiro e casou com o Arqt.º ROGÉRIO EMÍLIO LOPES RODRIGUES, nascido a 26.10.1901, licenciado em Arquitectura pela Escola Superior de Belas Artes do Porto (ESBAP), Professor na Escola Comercial de Viseu, que viria a falecer em 24.12.1972 no Porto. D. Maria Clementina faleceu a 23.02.1996 no Porto, deixando dois filhos: Rogério Manuel e Maria de Lurdes. 1(IX) - ROGÉRIO MANUEL DOMINGUES FERREIRA RODRIGUES, programador de Informática, nasceu a 21.08.1937, em Aveiro, e casou com D. MARIA JOAQUINA MARTINS RODRIGUES, nascida em 1935. Residem na Reboleira, Amadora, e têm dois filhos: Helena Maria e José Manuel. 1(X) - Eng.ª HELENA MARIA MARTINS RODRIGUES, nasceu a 19.11.1967 em Lisboa. Licenciada em Engenharia Informática. 2(X) - Arqt.º JOSÉ MANUEL MARTINS RODRIGUES, nasceu a 02.04.1970 em Lisboa. Licenciado em Arquitectura por uma universidade holandesa. 2(IX) - Dr.ª MARIA DE LURDES DOMINGUES FERREIRA RODRIGUES, escultora, nasceu a 21.11.1939, em Oliveira de Azeméis. É licenciada em Escultura pela Escola Superior de Belas Artes do Porto (E.S.B.A.P.). Casou a 26.08.1967, no Porto, com o Dr. JOAQUIM MANUEL LIMA CARVALHO, nascido em 1940, pintor, licenciado em Pintura pela Escola Superior de Belas Artes do Porto (ESBAP), professor na Escola Superior de Belas Artes de Lisboa (ESBAL). Residem no Porto e têm dois filhos: João e Joana. 1(X) - Eng.º JOÃO RODRIGUES LIMA CARVALHO, nasceu a 21.02.1968, no Porto, licenciado em Engenharia Metalúrgica pela Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, onde reside. 2(X) - Dr.ª JOANA RODRIGUES LIMA CARVALHO, escultora, nasceu a 04.04.1969 no Porto. Licenciada em Escultura pela Escola Superior de Belas Artes do Porto (ESBAP), em 1994, onde reside.

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DELFIM BISMARCK FERREIRA

3(VIII) - Eng.º ARTUR MANUEL DE QUINA DOMINGUES FERREIRA, nasceu a 09.05.1920 em Aveiro e casou a 26.04.1959 em Pombal, com D. MARIA HELENA PAIVA PARADA, natural de Pombal, filha de Aníbal Blanc Paiva e de sua mulher D. Maria do Carmo Parada Font, de quem não teve geração. O Eng.º Artur Manuel formou-se em Engenharia, residiu em Moçambique e mais tarde em Lisboa, onde faleceu a 10.10.1982, em São João de Deus, enquanto D. Maria Helena faleceu em 1983. S.m.n. 3(VII) - Dr. JAIME INÁCIO FERREIRA178, advogado, magistrado e proprietário, nasceu em 02.05.1887, em Albergaria-a-Nova, Branca179, e casou a 09.06.1921 em Albergaria-aVelha, com D. MARIANA CORRÊA TELLES DE ARAÚJO E ALBUQUERQUE, proprietária e doméstica, Senhora da “Casa dos Sequeiros” em Silva Escura, nascida em 27.04.1893 em Albergaria-a-Velha, filha de Bernardino Máximo Álvares de Araújo Tavares e Silva de Albuquerque, proprietário e presidente da Câmara Municipal de Albergaria-a-Velha, Senhor da “Casa do Outeiro ou da Rua de Cima” em Albergaria-a-Velha, da “Casa dos Sequeiros” e da “Casa e Capela dos Morgados de Santo Antão das Presas”, natural de Silva Escura, e de sua mulher D. Luísa Delfina Corrêa Telles, proprietária e doméstica, natural de Angeja, Albergaria-a-Velha, moradores na “Casa do Outeiro ou da Rua de Cima”180. O Dr. Jaime foi presidente da Câmara Municipal de Albergaria-a-Velha (1911-1917); co-fundador da Misericórdia de Albergaria-a-Velha (1923); profissionalmente, foi delegado do Procurador da República em Fornos de Algodres, Niza (1917) e Vila Nova de Ourém (1921); sub-director da Polícia de Investigação Criminal do Porto (1935-1940); juiz auditor da Secção do Supremo Tribunal Militar Especial (1940-1947); desembargador da Relação; chefe de Gabinete do Ministro do Interior, Dr. Albino dos Reis; sub-director da Polícia de Investigação Criminal do Porto, etc. D. Mariana faleceu em 17.01.1959 e o Dr. Jaime faleceu a 01.09.1966, ambos em Albergaria-a-Velha, onde tiveram três filhos: Manuel Homem, Jaime Patrício e José Homem. 1(VIII) - Dr. MANUEL HOMEM ALBUQUERQUE FERREIRA, 2.º advogado e Senhor da “Quinta de Santa Cruz”, em Albergaria-a-Velha, onde nasceu a 08.08.1922. Casou a 06.08.1955, em Oliveira de Azeméis, com D. MARIA AMÉLIA MARTINS DO AMARAL OSÓRIO, nascida a 11.11.1932, em Oliveira de Azeméis, filha de Carlos Luís do Amaral Osório e de sua mulher D. Ermelinda Nunes Martins, de Oliveira de Azeméis. O Dr. Manuel Homem foi director a revista Brisa (1946), director do Beira Vouga, até 1969. Licenciado em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra (1948). Deputado à Assembleia Nacional nas VII, VIII, X e XI legislaturas (1957-1961), (1961-1965), (1969-1973) e (1973-1974), pelo círculo de Aveiro, e provedor da Misericórdia de Albergaria-a-Velha (1961-1964). Faleceu a 07.08.2000 em Albergaria-a-Velha, deixando quatro filhos: Mariana, Carlos Patrício, Maria Teresa e Maria Helena.

178 - Sobre a sua biografia ver: FERREIRA, D. B., 1999, pp. 333-334 e FERREIRA, D. B.;VIGÁRIO, R. M., 2010, pp. 405-406. 179 - ADA, Livro Paroquial da Branca, n.º 24, Baptismos, fl. 14v., reg. n.º 40. 180 - ADA, Livro Paroquial de Albergaria-a-Velha, n.º 44, Baptismos, fls. 16v.-17.

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TERRAS DE ANTUÃ | HISTÓRIAS E MEMÓRIAS DO CONCELHO DE ESTARREJA

1(IX) - Dr.ª MARIANA OSÓRIO ALBUQUERQUE FERREIRA, nasceu a 10.04.1957, em Albergaria-a-Velha e licenciou-se em História pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. Casou a 11.07.1987, com HÉLDER FERNANDO DIAS FERREIRA, de quem está divorciada e tem um filho de nome Fernando Manuel. 2(IX) - CARLOS PATRÍCIO OSÓRIO ALBUQUERQUE FERREIRA, nasceu a 02.09.1959 em Albergaria-a-Velha onde casou a 16.05.1987 com D. ZÉLIA GUILHERMINA NOGUEIRA VIDAL, natural de Albergaria-a-Velha, filha de Sebastião da Silva Vidal e de sua mulher Nazaré Vidal, de Albergaria-a-Velha. Foi funcionário da Companhia de Celulose do Caima, da Rosas Construtores e actualmente na Durit, S.A. Residem em Albergaria-a-Velha e têm um filho: Patrício Miguel. 3(IX) - D. MARIA TERESA OSÓRIO ALBUQUERQUE FERREIRA, educadora de infância, nasceu a 06.02.1960 em Albergaria-a-Velha. Casou com o Eng.º LUÍS MIGUEL CÔRTE-REAL FARIA DE MAGALHÃES, natural de Oliveira de Azeméis, onde residem e têm duas filhas: Leonor e Carolina. 4(IX) - D. MARIA HELENA OSÓRIO ALBUQUERQUE FERREIRA, funcionária bancária, nasceu a 17.08.1967 em Albergaria-a-Velha, onde casou em 1995 com PAULO JORGE CARVALHO SEQUEIRA, natural de Amarante. Residem no Porto, com geração. 2(VIII) - Cor. Eng.º JAIME PATRÍCIO ALBUQUERQUE FERREIRA, Senhor da “Casa dos Sequeiros” em Silva Escura, que vendeu, nasceu a 29.11.1926 em Albergaria-a-Velha. Coronel, formou-se em Engenharia Militar (1953), tendo estado na guerra colonial em Angola, Moçambique e Índia, onde foi prisioneiro com as tropas de Vassalo e Silva. Casou a 23.10.1954 com D. BEATRIZ MARIA TRINDADE DA CRUZ, professora do ensino básico, nascida a 16.07.1930 em Santa Susana, Alcácer do Sal. O Eng.º Jaime Patrício faleceu a 10.09.1983, deixando quatro filhos: Beatriz Mariana, Patrícia Manuela, Jaime José e Maria Margarida. 1(IX) - Dr.ª BEATRIZ MARIANA TRINDADE DA CRUZ E ALBUQUERQUE FERREIRA, nasceu a 20.07.1955 em Lourenço Marques, Moçambique. Licenciada em Medicina pela Faculdade de Ciências Médicas de Lisboa (1978), exerce como Jornalista. Casou a 19.03.1982 em Paris, França, com o Dr. JEAN-FRANÇOIS LOUIS FRÉDÉRIC LUCIEN LOISEAU, nascido a 05.05.1954 em Paris, França, licenciado em Direito pela Universidade de Paris (1977), e pelo Centro de Formação de Jornalistas, em 1979. É Jornalista e redactor-chefe da Radio France Internationale. Residem em Charenton, França, e têm duas filhas: Beatriz Gabrielle e Charlote Emmanuelle. 2(IX) - Dr.ª PATRÍCIA MANUELA TRINDADE DA CRUZ E ALBUQUERQUE FERREIRA, nasceu a 26.09.1957 em Nampula, Moçambique. Licenciada em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa (1982), exerce no Gabinete de Assuntos Legislativos de Macau, onde reside. S.m.n.

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DELFIM BISMARCK FERREIRA

3(IX) - Dr. JAIME JOSÉ TRINDADE DA CRUZ E ALBUQUERQUE FERREIRA, nasceu a 17.12.1959 em Nampula, Moçambique. Concluiu o Curso de Gestão e Técnica Hoteleira e pós-graduou-se em Gestão e Direcção de Hotel, exercendo como director hoteleiro desde 1990. Casou a 29.11.1985 com D. MARIA MADALENA BELARD SILVANO MENDES FRAZÃO, nascida a 28.05.1960. Residem na Parede e têm três filhas: Maria Madalena, Joana Beatriz e Inês Mariana. 4(IX) - Dr.ª MARIA MARGARIDA TRINDADE DA CRUZ E ALBUQUERQUE FERREIRA, nasceu a 27.11.1961 em Coimbra, licenciada em Filosofia pela Universidade Católica Portuguesa de Lisboa (1984), casou a 22.09.1995 com o Dr. ROMÁN FRANCISCO VALENZUELA MENDEZ, médico, nascido a 07.11.1961 em Valência, Espanha, onde residem. 3(VIII) - Dr. JOSÉ HOMEM ALBUQUERQUE FERREIRA, médico-cirurgião, 7.º Senhor da “Casa do Outeiro ou da Rua de Cima” em Albergaria-a-Velha, nasceu ea 16.01.1931 em Albergaria-a-Velha. Casou a 25.10.1958 em Rio Tinto, com D. MARIA BEATRIZ PERDIGÃO DE CAMPOS GODINHO, nascida em 21.01.1934, na Póvoa da Lousã, que leccionou alguns anos na Escola Preparatória Conde D. Henrique, em Albergaria-a-Velha, filha de Cândido Eugénio de Campos Godinho e de sua mulher D. Ana Luísa Figueiredo Perdigão. Foi Médico Municipal em Albergaria-aVelha (1965-1990), Director-Clínico do Hospital da Misericórdia de Albergaria-aVelha, no Hospital da Misericórdia de Águeda e no Hospital Distrital de Águeda (1971-1998). Mesário da Misericórdia de Albergaria-a-Velha (1959-1961) e (19641965); Vice-Presidente da Câmara Municipal de Albergaria-a-Velha (1961-1962) e Presidente fundador do Lions Clube de Albergaria-a-Velha (Lions Internacional) (1981). Residem na sua “Casa do Outeiro ou da Rua de Cima”, em Albergaria-aVelha e têm duas filhas: Ana Luísa e Mariana Maria. 1(IX) - Dr.ª ANA LUÍSA PERDIGÃO GODINHO DE ALBUQUERQUE FERREIRA, professora de filosofia, nasceu a 30.07.1959 em Albergaria-a-Velha, onde casou a 30.07.1983 com o Dr. HAMILTON NEVES BAPTISTA, médico, nascido a 05.09.1953 em São Martinho, Aguada de Baixo, Águeda, filho do industrial Hamilton Tomás Baptista e de sua mulher D. Isaurinda da Conceição Neves, de São Martinho, Aguada de Baixo, Águeda. Residem em Coimbra e têm três filhas: Ana Luísa, Mariana e Maria. 2(IX) - Dr.ª MARIANA MARIA PERDIGÃO GODINHO DE ALBUQUERQUE FERREIRA, magistrada, nasceu a 17.06.1970 em Albergaria-a-Velha, onde casou a 26.07.1996 com o Dr. CARLOS FERNANDO DE MEDEIROS ARRENEGADO VALVERDE, advogado, nascido a 19.02.1969 em Coimbra, filho do Dr. Carlos Valverde e de sua mulher D. Maria do Rosário Medeiros Arrenegado. Residem no Porto, com dois filhos: Carlos e José.

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TERRAS DE ANTUÃ | HISTÓRIAS E MEMÓRIAS DO CONCELHO DE ESTARREJA

4(VII) - D. LAURA INÁCIO FERREIRA, nasceu a 24.05.1889 em Albergaria-a-Nova Branca181, e casou com ARTUR PEREIRA DE CARVALHO, abastado negociante e proprietário em Coimbra, de onde era natural, filho de Francisco Vieira de Carvalho e de sua mulher. Faleceram ambos poucos anos após o casamento não deixando geração. D. Laura faleceu a 15.10.1919. 5(VII) - MÁRIO INÁCIO FERREIRA, nasceu a 11.11.1890 em Albergaria-a-Nova, Branca182, foi secretário do Jornal de Albergaria, quando faleceu solteiro e sem geração, a 29.09.1914 em Albergaria-a-Velha.

§ 5.º BANDEIRA DA SILVA, de Adou de Cima 2(III) - Cap. FRANCISCO JOSÉ BANDEIRA DA SILVA, capitão de ordenanças de São Martinho de Salreu (1794-1797)183, nasceu aproximadamente em 1750 em Salreu184, onde casou a 29.08.1780 com D. MARIA ROSA DE FIGUEIREDO, nascida em 1762 em Adou de Cima, Salreu, irmã de Frei José de Figueiredo, filhos de Francisco Rodrigues da Silva e de sua mulher Margarida Rosa Luísa de Figueiredo, moradores em Adou de Cima, Salreu185. O Cap. Francisco matriculou-se em Cânones na Universidade de Coimbra (1767), aí se mantendo, pelo menos, até 1768, mas não terá concluído qualquer grau académico186. Faleceu a 02.10.1796 em Adou de Cima, Salreu187. D. Maria Rosa faleceu a 05.09.1848 em Adou de Cima, Salreu188, onde residiram e tiveram, pelo menos, nove filhos: Mariana, Ana Joaquina, Maria, António Alexandre, Francisco José, Maria, Joaquim José, José Joaquim e Margarida Rosa. 1(IV) - MARIANA ROSA DE FIGUEIREDO, também identificada como Mariana de Jesus Bandeira, nasceu a 23.12.1781 em Adou de Cima, Salreu189, casou com FRANCISCO JOSÉ VALENTE, natural de Salreu, filho de Mateus Valente Ferreira e sua mulher Maria Pires, da Boa Vista, Salreu, de quem teve, pelo menos, dois filhos: Maria Rosa e Francisco. 1(V) - MARIA ROSA BANDEIRA, natural da Aldeia, Salreu, foi madrinha do sobrinho Joaquim em 1841.

181 - ADA, Livro Paroquial da Branca, n.º 26, Baptismos, fl. 15v., reg. n.º 40. 182 - ADA, Livro Paroquial da Branca, n.º 28, Baptismos, fl. 3, reg. n.º 4. 183 - BORRÊGO, N. G. P., 2006, p. 264. 184 - Os registos de baptismo da freguesia de Salreu existentes no ADA, começam apenas em 1755. 185 - Os registos de baptismo da freguesia de Salreu existentes no ADA, começam apenas em 1755. 186 - AUC, Matrículas de Alunos. 187 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 8, Óbitos, fl. 38. 188 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 20, Óbitos, fl. 128. 189 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 3, Baptismos, fl. 97v.

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DELFIM BISMARCK FERREIRA

2(V) - FRANCISCO JOAQUIM VALENTE, também identificada como Francisco José, nasceu a 28.07.1806 na Aldeia, Salreu190, onde casou com MARGARIDA ROSA VALENTE, natural do Outeiro, Salreu, filha de Manuel Valente e de sua mulher Mariana Valente. Residiram no Outeiro, Salreu, onde tiveram, pelo menos, um filho: Joaquim. 1(VI) - JOAQUIM, nasceu a 31.10.1841 no Outeiro, Salreu. 2(IV) - D. ANA JOAQUINA BANDEIRA, c.c. seu primo Cap. RICARDO JOSÉ BANDEIRA (Ver: § 3.º - Bandeira Valente de Figueirôa) 3(IV) - MARIA, nasceu a 30.05.1785 em Adou de Cima, Salreu191, e terá falecido ainda criança. 4(IV) - Alf. ANTÓNIO ALEXANDRE BANDEIRA, também identificado como António Maria, alferes da 5.ª Companhia de Ordenanças de Aveiro (1810)192, nasceu a 15.08.1787 em Adou de Cima, Salreu193, onde casou a 22.12.1813194 com ANA TAVARES DE FIGUEIREDO DA SILVA, natural de Salreu, filha do Cap. Miguel Afonso da Silva e de sua mulher Luísa Tavares de Figueiredo, do Couto, Salreu. Residiram em Adou de Cima e depois no Couto, em Salreu, onde tiveram, pelo menos, treze filhos: Ricardo José, Ana, Margarida, Maria Joaquina, Raquel, Francisco António, Maria, Joaquim António, José Afonso, Maria José, Manuel Joaquim, Ana Maria e Maria. 1(V) - RICARDO JOSÉ BANDEIRA, também indicado como Ricardo Maria Bandeira, inicialmente trabalhador, depois cantoneiro, jornaleiro e fazendeiro, nasceu em 1815 em Salreu, onde casou a 07.06.1862195 com JOANA RODRIGUES SIMÕES DE MOURA, inicialmente jornaleira e depois doméstica e fazendeira, nascida em 1835 em Salreu, filha de José Rodrigues Couras e de sua mulher Maria do Rosário Simões de Moura, do Vale da Rama, Salreu. Joana faleceu a 22.03.1898 no Couto, Salreu196, onde Ricardo faleceu a 26.11.1900197. Residiram no Couto, Salreu, onde tiveram pelo menos, oito filhos: Maria Generosa, Joaquim Maria, Maria do Rosário, Manuel,Victória, Caetano, José Maria e Francisco Manuel. 1(VI) - MARIA GENEROSA, nasceu a 15.02.1863 no Couto, Salreu. 2(VI) - JOAQUIM MARIA BANDEIRA, carpinteiro e depois proprietário, nasceu a 17.06.1864 no Couto, Salreu198, emigrou em 1900199 e de novo em 1905200

190 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 5, Baptismos, fl. 22. 191 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 3, Baptismos, fl. 157v. 192 - BORRÊGO, N. G. P., 2006, p. 710. 193 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 3, Baptismos, fls. 195v.-196. 194 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 7, Casamentos, fls. 138v.-139. 195 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 17, Casamentos, fls. 15v.-16, reg. n.º 16. 196 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 41, Óbitos, fls. 4v.-5, reg. n.º 20. 197 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 41, Óbitos, fl. 10v., reg. n.º 43. 198 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 11, Baptismos, fls. 12v.-13, reg. n.º 51. 199 - SANTOS, V., 2008, p. 245. 200 - SANTOS, V., 2008, p. 250.

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TERRAS DE ANTUÃ | HISTÓRIAS E MEMÓRIAS DO CONCELHO DE ESTARREJA

para o Pará, Brasil, regressou e foi regedor da freguesia de Salreu (1919-1921) e (1922-1923)201. Casou com MARIA DO CARMO VALENTE DE ALMEIDA, proprietária e doméstica, nascida em Salreu, filha de António Rodrigues Varum e de sua mulher Teresa de Jesus Valente de Almeida, de Salreu. Joaquim faleceu a 09.07.1944 no Couto, em Salreu, onde residiram e tiveram, pelo menos, quatro filhas: Elisa, Cezaltina, Esmeralda e Teresa. 1(VII) - ELISA VALENTE BANDEIRA, nasceu a 26.06.1906 no Couto, Salreu202, onde casou com JOSÉ MARIA DE ALMEIDA, nascido em 1885 em Salreu, filho de Manuel da Silva Almeida e de sua mulher Joana Tavares, de Salreu, de quem se divorciou. Elisa faleceu a 11.02.1987 em Salreu. 2(VII) - CEZALTINA DE ALMEIDA BANDEIRA, nasceu a 21.05.1909 no Couto, Salreu203, casou a 26.11.1944 em Lisboa com ANTÓNIO MARTINS, natural de Travanca, Oliveira do Hospital. 3(VII) - ESMERALDA VALENTE BANDEIRA, nasceu a 26.06.1919 no Couto, em Salreu, onde casou a 06.01.1944 com ANTÓNIO FERREIRA, natural de Beduído, Estarreja, falecido a 22.10.1962 em Beduído, Estarreja. Esmeralda faleceu a 27.08.2001 em Salreu. Residiram em Beduído, Estarreja, onde tiveram filhos: Maria Teresa e José António. 1(VIII) - MARIA TERESA VALENTE FERREIRA, escriturária da função pública reformada, nasceu a 21.02.1958 em Beduído, Estarreja. Casou com GERALDO MACEDO, de quem tem uma filha: Niara. 2(VIII) - Comd.te JOSÉ ANTÓNIO VALENTE FERREIRA, funcionário da Renault CACIA SA desde 1982, actualmente como técnico produto/processo, e bombeiro voluntário de carreira em Albergaria-a-Velha desde 1988, é desde Maio de 2012 Comandante dos Bombeiros Voluntários de Albergaria-a-Velha, nasceu a 09.07.1959 em Beduído, Estarreja. Casou com ELVIRA MARINA VAZ PEDROSA DE FIGUEIREDO, administrativa, de quem tem um filho: Mauro Heber. 4(VII) - TERESA DE JESUS BANDEIRA, nasceu a 28.04.1901 em Antuã, Salreu, onde casou. 3(VI) - MARIA DO ROSÁRIO BANDEIRA, nasceu a 17.04.1866 no Couto, Salreu204, onde faleceu criança a 28.07.1868.

201 - FERREIRA, D. B., 2007, p. 137. 202 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 37, Baptismos, fl. 27v., reg. n.º 78. 203 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 38, Baptismos, fls. 25v.-26, reg. n.º 71. 204 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 11, Baptismos, fls. 77v.-78, reg. n.º 33.

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DELFIM BISMARCK FERREIRA

4(VI) - MANUEL MARIA BANDEIRA, alfaiate, nasceu a 15.11.1867 no Couto, Salreu205, onde casou a 21.11.1894206 com EMÍLIA AUGUSTA, costureira, nascida em 1873 em Salreu, filha de Agostinho Marques Casalinho, natural de Beduído, Estarreja, e de sua mulher Maria da Conceição, natural da Ribeira de Fráguas, Albergaria-a-Velha. Manuel Maria faleceu no Pará Brasil, para onde havia emigrado. Residiram no Outeiro, em Salreu, onde tiveram, pelo menos, três filhos: Maria do Carmo, Albertina e António. Emília Augusta enviuvou e voltou a casar, em 1904, com ALFREDO RAÚL, operário, natural do Socorro, Lisboa, viúvo de MARIA EMÍLIA. 1(VII) - MARIA DO CARMO, nasceu a 08.03.1894 no Corgo, Salreu. 2(VII) - ALBERTINA, nasceu em 1895 em Salreu, onde faleceu criança a 27.04.1896207. 3(VII) - ANTÓNIO BANDEIRA, nasceu a 01.02.1897 no Outeiro, Salreu208, e casou 03.10.1970 em Lisboa a com PATRONILA ROSA SECRETÁRIO, falecida a 27.11.1970. António faleceu a 30.01.1981 na Graça, Lisboa. 5(VI) - VICTÓRIA RODRIGUES SIMÕES DE MOURA, jornaleira, nasceu a 22.08.1869 no Couto, Salreu209, onde casou a 25.09.1899210 com MANUEL MARIA RODRIGUES MIRCO, de 26 anos, jornaleiro, natural de Salreu, filho de Francisco Rodrigues Mirco e de sua mulher Ana da Fonseca, lavradores, de Salreu. Victória faleceu a 29.08.1953 em Salreu. 6(VI) - CAETANO, nasceu a 07.08.1871 no Couto, Salreu, onde faleceu criança a 07.09.1872. 7(VI) - JOSÉ MARIA BANDEIRA, sapateiro e artista, nasceu em 1875 em Salreu, onde casou a 13.02.1896211 com MARIA JOSÉ DE OLIVEIRA “Grulha”, jornaleira e artista, nascida em 1870 em Salreu, filha de José de Oliveira Grulha e de sua mulher Maria Valente, de Cadaval, Salreu. Residiram no Cadaval, Salreu, onde tiveram, pelo menos, quatro filhos: Gracinda Augusta, Manuel Maria, João e Hermosa. 1(VII) - GRACINDA AUGUSTA BANDEIRA, nasceu a 16.05.1898 no Cadaval, Salreu, e casou a 26.08.1923 em Lisboa com ARMINDO MARQUES, natural de Salreu, e faleceu a 11.07.1969 em Lisboa. 205 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 11, Baptismos, fls. 142-142v., reg. n.º 107. 206 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 29, Casamentos, fls. 11v.-12, reg. n.º 22. 207 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 41, Óbitos, fl. 7, reg. n.º 29. 208 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 28, Baptismos, fl. 4v., reg. n.º 11. 209 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 12, Baptismos, fls. 14v.-15v., reg. n.º 74. 210 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 29, Casamentos, fls. 8v.-9, reg. n.º 17. 211 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 29, Casamentos, fls. 3v.-4, reg. n.º 6.

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TERRAS DE ANTUÃ | HISTÓRIAS E MEMÓRIAS DO CONCELHO DE ESTARREJA

2(VII) - MANUEL MARIA BANDEIRA, nasceu a 19.09.1899 no cadaval, Salreu, e casou a 31.10.1921 em Lisboa com AMÉLIA NUNES RIBEIRO, nascida em 1900 em Angeja, e faleceu a 06.02.1955 em Lisboa. 3(VII) - JOÃO, nasceu a 23.12.1901 no Cadaval, Salreu. 4(VII) - HERMOSA, nasceu a 23.05.1904 no Cadaval, Salreu212. 8(VI) - FRANCISCO MANUEL BANDEIRA, carpinteiro, nasceu a 05.01.1879 no Couto, em Salreu213, e emigrou solteiro em 1901 para o Pará, Brasil214. 2(V) - ANA, nasceu a 06.10.1817 em Adou de Cima, Salreu, e faleceu solteira e sem geração no Couto a 08.04.1834215. 3(V) - MARGARIDA, nasceu a 17.10.1819 em Adou de Cima, Salreu216, onde faleceu criança a 30.01.1827217. 4(V) - MARIA JOAQUINA, nasceu a 05.09.1821 em Adou de Cima, Salreu218, onde faleceu criança a 30.01.1827219. 5(V) - RAQUEL MARIA BANDEIRA, nasceu a 30.01.1824 em Salreu220 e casou com seu primo JOAQUIM JOSÉ VALENTE BANDEIRA, (Ver: § 5.º - Bandeira da Silva) 6(V) - FRANCISCO ANTÓNIO, nasceu a 26.05.1826 no Couto, em Salreu221, onde faleceu criança a 18.12.1829222. 7(V) - MARIA, nasceu a 26.06.1830 no Couto, em Salreu223, onde faleceu criança a 30.11.1832224. 8(V) - JOAQUIM ANTÓNIO BANDEIRA, carpinteiro, nasceu em 1831 no Couto, em Salreu, onde casou a 29.11.1855225, com sua prima direita RAQUEL MARIA

212 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 37, Baptismos, fls. 32v.-33, reg. n.º 95. 213 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 14, Baptismos, fls. 1v.-2, reg. n.º 2. 214 - SANTOS, V., 2008, p. 247. 215 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 20, Óbitos, fl. 29. 216 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 5, Baptismos, fls. 154v.-155. 217 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 8, Óbitos, fl. 295-295v. 218 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 5, Baptismos, fl. 204v. 219 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 8, Óbitos, fl. 295v. 220 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 5, Baptismos, fls. 281-281v. 221 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 6, Baptismos, fl. 60v. 222 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 8, Óbitos, fl. 321v. 223 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 6, Baptismos, fl. 169. 224 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 20, Óbitos, fl. 11. 225 -ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 15, Casamentos, fl. 99.

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DELFIM BISMARCK FERREIRA

BANDEIRA, costureira, nascida a 17.12.1834 em Adou de Cima, Salreu226, filha de Francisco Tavares Valente “Couras” e de sua mulher Margarida Rosa de Figueiredo Bandeira (Ver: § 5.º - Bandeira da Silva), de Adou de Cima, Salreu. Residiram em Adou de Cima, Salreu, onde tiveram, pelo menos, três filhos: Raquel, Caetano e Manuel Maria. Depois de viúvo, voltou a casar a 27.05.1893 em Salreu227, com JOANA ROSA DE JESUS, costureira, nascida em 1833 em Travassô, Águeda, viúva de Manuel Maria Freire, filha de Francisco Gomes Martins e de sua mulher Joana Maria da Maia, de Travassô. Joaquim faleceu a 15.04.1899 em Adou de Cima, Salreu228. 1(VI) - RAQUEL MARIA BANDEIRA, nasceu a 02.09.1863 em Adou de Cima, Salreu, onde residiu solteira e teve, pelo menos, um filho natural:Virgílio Augusto. 1(VII) - VIRGÍLIO AUGUSTO BANDEIRA, nasceu a 07.06.1901 em Adou de Cima, Salreu, onde casou a 11.09.1925 com ROSA TAVARES, natural de Salreu, filha de Manuel da Silva Almeida e de sua mulher Joana Tavares. Faleceu a 09.1.1976 em Salreu. 2(VI) - CAETANO BANDEIRA, nasceu a 14.08.1866 em Adou de Cima, Salreu229, onde casou com JOANA DIAS, jornaleira, nascida em 1869 em Salreu, filha de Manuel Rodrigues Mirco e de sua mulher Maria Dias, jornaleiros, de Salreu. Joana faleceu a 02.12.1897 na Cavada, em Salreu, com geração230. 3(VI) - MANUEL MARIA BANDEIRA, jornaleiro, nasceu a 02.01.1871 em Adou de Cima, Salreu231, onde casou a 04.06.1894232 com MARIA ROSA BANDEIRA, costureira, nascida em 1875 em Pindelo, Oliveira de Azeméis, filha natural de Maria Victória de Carvalho Magalhães. 9(V) - JOSÉ AFONSO BANDEIRA, nasceu no Couto, Salreu, onde casou a 04.11.1854233 com MARGARIDA DE JESUS “Borralha”, filha de Joaquim Simões “Borralha” e de sua mulher Venância Ferreira, de Albergaria-a-Velha. Residiram no Couto, Salreu, onde tiveram, pelo menos, cinco filhos: Raquel, José Maria, Luísa, Ana e Maria de Jesus. 1(VI) - RAQUEL, nasceu em 1855 no Couto, Salreu, onde faleceu a 04.03.1860234.

226 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 6, Baptismos,fl. 275. 227 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 29, Casamentos, fls. 8-8v., reg. n.º 15. 228 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 41, Óbitos, fl. 7, reg. n.º 29. 229 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 11, Baptismos, fls. 85v.-86, reg. n.º 56. 230 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 31, Óbitos, fl. 16, reg. n.º 69. 231 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 12, Baptismos, fls. 88v.-89, reg. n.º 2. 232 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 29, Casamentos, fls. 5-5v., reg. n.º 9. 233 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 15, Baptismos, fl. 95v. 234 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 21, Óbitos, fl. 38.

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TERRAS DE ANTUÃ | HISTÓRIAS E MEMÓRIAS DO CONCELHO DE ESTARREJA

2(VI) - JOSÉ MARIA BANDEIRA, jornaleiro, nasceu em Salreu, onde casou a 02.09.1879235 com MARIA RODRIGUES DA SILVA, nascida em Salreu, filha de José Dias Cravo e de sua mulher Maria da Silva, do lugar do Feiro, Salreu. 3(VI) - LUÍSA BANDEIRA, costureira, nasceu no Couto, Salreu, onde casou a 10.06.1879236 com ALBINO DOS ANJOS, alfaiate, natural de Salreu, filho de João Pedro dos Anjos e de sua mulher Ana Maria da Luz, naturais e moradores em Salreu. Residiram em Salreu, onde tiveram, pelo menos, um filho Aniceto. 1(VII) - ANICETO, nasceu a 12.04.1889 em Salreu237. 4(VI) - ANA, nasceu a 07.11.1863 no Couto, Salreu. 5(VI) - MARIA DE JESUS BANDEIRA, artista e doméstica, nasceu em 1864 no Couto, em Salreu, onde casou a 09.02.1882238 com JOÃO MARIA GOMES DA COSTA, carpinteiro e artista, nascido em 1862 em Salreu, filho de Caetano Gomes da Costa e de sua mulher Ana Margarida, do Mato, Salreu. Residiram no Couto, Salreu, onde tiveram, pelo menos, oito filhos: Manuel António, José Maria, Elisa, Maria Efigénia, Daniel, Justino, Augusto e Berta. 1(VII) - MANUEL ANTÓNIO MARIA GOMES DA COSTA, artista, nasceu em Salreu, onde casou a 08.04.1907 com MARIA DO ROSÁRIO DE ALMEIDA, artista jornaleira, nascida em 1880 em Salreu, filha de José de Almeida e de sua mulher Ana de Jesus de Oliveira, de Salreu, que faleceu a 02.05.1952 em Salreu. Residiram na Breja, Salreu, onde tiveram, pelo menos, um filho António. 1(VIII) - ANTÓNIO GOMES DA COSTA, nasceu a 11.10.1909 na Breja, Salreu239, onde casou a 06.05.1933 com MARIA LEOPOLDINA DIAS DA SILVA, natural de Beduído, Estarreja, que faleceu a 02.10.1992. António faleceu a 03.11.1997 em Salreu. 2(VII) - JOSÉ MARIA GOMES DA COSTA, artista, nasceu em 1882 em Salreu, onde casou a 24.10.1907 com ANA VALENTE DOS ANJOS, artista e doméstica, nascida em 1886 em Salreu, filha de Ana Valente dos Anjos, solteira, de Salreu. José Maria faleceu a 22.02.1957 em Salreu. Residiram em Campinos, Salreu, onde tiveram, pelo menos, dois filhos: Maria e João Maria.

235 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 19, Casamentos, fls. 9v.-10, reg. n.º 20. 236 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 19, Casamentos, fls. 6v.-7, reg. n.º 13. 237 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 25, Baptismos, fl. 17v. reg. n.º 50. 238 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 19, Casamentos, fls. 11v.-12, reg. n.º 2. 239 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 38, Baptismos, fl. 37, reg. n.º 102.

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DELFIM BISMARCK FERREIRA

1(VIII) - MARIA VALENTE DOS ANJOS, nasceu a 13.08.1908 em Campinos, Salreu240, onde casou a 24.06.1940 com FRANCISCO DA SILVA CHANFRANTE, natural de Salreu, falecido a 20.02.1993. Maria faleceu a 26.12.2002 em Salreu. 2(VIII) - JOÃO MARIA GOMES DA COSTA, nasceu a 12.08.1910 em Campinos, Salreu241, onde casou a 29.11.1939 com MARIA EMÍLIA RODRIGUES TEIXEIRA, natural de Salreu, que faleceu a 27.06.1996 em Salreu. João Maria faleceu a 23.11.1997 em Alcântara, Lisboa. 3(VII) - ELISA, nasceu a 30.12.1897 no Couto, Salreu242, onde faleceu criança a 20.09.1900. 4(VII) - MARIA EFIGÉNIA, nasceu a 12.12.1899 no Couto, Salreu. 5(VII) - DANIEL GOMES DA COSTA, nasceu a 14.09.1902 no Couto, Salreu, e casou em 1926 em Pinheiro da Bemposta com MARIA RODRIGUES DA CONCEIÇÃO, dali natural. 6(VII) - JUSTINO GOMES DA COSTA, jornaleiro, nasceu a 27.04.1904 no Couto, Salreu243, casou primeiro com ROSA PIRES DA CONCEIÇÃO, doméstica, natural de Salreu, falecida a 17.05.1949 na Branca, Albergaria-a-Velha. Enviuvou e voltou a casar a 02.03.1950 na Branca, Albergaria-a-Velha, com GRACINDA DE JESUS, doméstica, natural de Travanca, Oliveira de Azeméis, viúva de Ernesto Dias da Silva, filha de Manuel de Oliveira Luzes, natural de Travanca, e de sua mulher Maria de Jesus, natural de Pinheiro da Bemposta. Residiram em Casaldima, Branca, onde Justino faleceu a 08.01.1970. 7(VII) - AUGUSTO GOMES DA COSTA, nasceu a 17.08.1905 no Couto, Salreu244, e casou a 28.01.1929 em Lisboa com ROSA DE JESUS SOARES, natural de Cacia, Aveiro, que faleceu a 13.10.1971. Augusto faleceu a 26.11.1975 em Santo Condestável, em Lisboa. 8(VII) - BERTA DA CONCEIÇÃO, nasceu a 09.11.1907 no Couto, Salreu, onde faleceu criança a 16.09.1908245.

240 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 37, Baptismos, fls. 32v.-33, reg. n.º 92. 241 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 43, Baptismos, fls. 36-36v., reg. n.º 98. 242 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 28, Baptismos, fls. 1-1v., reg. n.º 1. 243 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 37, Baptismos, fl. 19v., reg. n.º 56. 244 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 37, Baptismos, fls. 29-29v., reg. n.º 83. 245 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 41, Óbitos, fl. 12v., reg. n.º 48.

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TERRAS DE ANTUÃ | HISTÓRIAS E MEMÓRIAS DO CONCELHO DE ESTARREJA

10(V) - MARIA JOSÉ DA SILVA BANDEIRA, nasceu a 03.06.1833 no Couto, Salreu246, e casou em Veiros com JOÃO MARIA HENRIQUES PEREIRA, filho de João Damasceno Pereira e de sua mulher Ana Teresa Henriques247. 11(V) - MANUEL JOAQUIM BANDEIRA, carpinteiro e fazendeiro, nasceu em Salreu, onde casou com sua prima RAQUEL MARIA BANDEIRA, fazendeira, nascida a 17.12.1834 em Adou de Cima, Salreu248, filha de Francisco Tavares Valente “Couras” de sua mulher Margarida Rosa de Figueiredo Bandeira (Ver: § 5.º - Bandeira da Silva), de Salreu, onde residiram em Adou de Cima e tiveram, pelo menos, um filho Manuel. 1(VI) - MANUEL, nasceu a 22.04.1869 em Adou de Cima, Salreu249, onde faleceu criança a 25.10.1869. 12(V) - ANA MARIA, nasceu a 26.09.1836 no Couto, Salreu250, onde faleceu solteira a 24.07.1856251. 13(V) - MARIA BANDEIRA, costureira, nasceu no Couto, Salreu, e casou em Aveiro com ANTÓNIO DOS SANTOS CARVALHO, trabalhador, jornaleiro e empregado da via-férrea, natural da Glória, Aveiro, filho de Francisco dos Santos Carvalho e de sua mulher Josefa Rita, de Aveiro. Residiram no Couto, onde tiveram, pelo menos, quatro filhos: Maria, Maria José, Raquel e Francisco. 1(VI) - MARIA, terá falecido criança. 2(VI) - MARIA JOSÉ BANDEIRA, nasceu a 29.04.1860 no Couto, Salreu252, onde casou a 29.01.1880253 com JOAQUIM MARIA DA COSTA, ferrador, nascido na Murtosa, filho de António da Costa e de sua mulher Ana Valente, naturais e moradores na Murtosa. 3(VI) - RAQUEL, nasceu em 1866 no Couto, Salreu, onde faleceu criança a 20.05.1868. 4(VI) - FRANCISCO, nasceu a 10.07.1868 no Couto, Salreu254.

246 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 6, Baptismos, fl. 241v. 247 - CUNHA, J. T. A., vol III, 1984, p. 112-113. 248 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 6, Baptismos,fl. 275. 249 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 11, Baptismos, fls. 233v.-234, reg. n.º 37. 250 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 9, Baptismos, fls. 16v.-17. 251 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 21, Óbitos, fl. 1v. 252 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 10, Baptismos, fls. 117v.-118, reg. n.º 27. 253 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 19, Casamentos, fls. 1v.-2, reg. n.º 2. 254 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 11, Baptismos, fls. 177-177v., reg. n.º 53.

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DELFIM BISMARCK FERREIRA

5(IV) - FRANCISCO JOSÉ BANDEIRA JÚNIOR, proprietário, nasceu a 15.08.1789 em Adou de Cima, Salreu255, onde casou a 02.09.1812256 com MARIA MONTEIRO DE VASCONCELOS, proprietária, nascida a 12.02.1790 em Valongo do Vouga, irmã do Pe. Manuel Monteiro de Vasconcelos, filhos de António Francisco Rodrigues, natural de Eixo, Aveiro, e de sua mulher Maria Marques Monteiro de Vasconcelos, natural de Valongo do Vouga, Águeda. Maria faleceu a 20.04.1856 no Couto, Salreu257. Residiram inicialmente em Adou de Cima e depois no Couto, em Salreu, onde tiveram, pelo menos, doze filhos: José Joaquim, Ricardo, António, Joaquim José, António, Francisco Maria, António Joaquim, Filipe, Francisco José, Alexandre José, João Maria e Caetano. 1(V) - JOSÉ JOAQUIM BANDEIRA DA SILVA, proprietário, nasceu em 1812 em Salreu, onde faleceu solteiro a 08.04.1861 no Couto, deixando por herdeira sua filha natural Maria José258. 1(VI) - D. MARIA JOSÉ BANDEIRA, natural de Salreu. 2(V) - RICARDO, nasceu em 1814 em Salreu, onde faleceu criança a 31.07.1818 no Couto259. 3(V) - ANTÓNIO, nasceu em 1815 em Salreu, onde faleceu criança a 21.06.1817 no Couto260. 4(V) - JOAQUIM JOSÉ VALENTE BANDEIRA, proprietário, nasceu a 07.06.1817 no Couto, em Salreu, onde casou a 20.04.1875 com sua prima em 2.º grau261 RAQUEL MARIA BANDEIRA, proprietária e doméstica, nascida a 30.01.1824 em Salreu262, filha de António Alexandre Bandeira e sua mulher Ana Tavares de Figueiredo da Silva, naturais e moradores no Couto, Salreu (Ver: § 5.º - Bandeira da Silva). Raquel faleceu sem geração a 14.04.1900 no Couto, Salreu263, onde Joaquim também faleceu a 11.01.1902, sem filhos264. 5(V) - ANTÓNIO, nasceu a 30.10.1818 no Couto, Salreu265, onde faleceu criança a 01.09.1822266.

255 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 3, Baptismos, fl. 226. 256 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 7, Casamentos, fl. 73. 257 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 20, Óbitos, fl. 204. 258 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 21, Óbitos, fl. 58v., reg. n.º 27. 259 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 8, Óbitos, fl. 215. 260 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 8, Óbitos, fl. 193. 261 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 18, Casamentos, fls. 4v.-5, reg. n.º 9. 262 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 5, Baptismos, fls. 281-281v. 263 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 41, Óbitos, fls. 3-3v., reg. n.º 11. 264 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 41, Óbitos, fl. 1v., reg. n.º 3. 265 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 5, Baptismos, fl. 134v. 266 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 8, Óbitos, fls. 242-242v.

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TERRAS DE ANTUÃ | HISTÓRIAS E MEMÓRIAS DO CONCELHO DE ESTARREJA

6(V) - FRANCISCO MARIA BANDEIRA, lavrador, regedor da freguesia de Salreu (1884-1885) e regedor substituto (1862-1869), (1870) e (1871-1872)267, nasceu a 25.05.1824 no Couto, Salreu, onde casou a 10.02.1850268 com CUSTÓDIA MARIA DE JESUS DA SILVA, lavradora, nascida em Salreu269, filha de Manuel da Silva Rebelo e de sua mulher Ana de Jesus Marques, de Adou de Cima, Salreu. Residiram em Adou de Cima, Salreu, onde tiveram, pelo menos, seis filhos: Severiano, Francisco Maria, Joaquim, Raquel Maria, Caetano José e Margarida. 1(VI) - SEVERIANO JOSÉ BANDEIRA, lavrador, nasceu em 1850 em Adou de Cima, Salreu, onde casou a 29.05.1880270 com ANA ROSA VALENTE, natural de Salreu, filha de Francisco de Almeida e de sua mulher Maria Valente de Oliveira, naturais e moradores em Campinos, Salreu. 2(VI) - FRANCISCO MARIA BANDEIRA, lavrador, nasceu a 09.03.1851 em Adou de Cima, Salreu271, onde casou a 26.08.1889272 com MARGARIDA MARQUES, lavradora, nascida em 1863 em Salreu, filha de José da Silva Rebelo e de sua mulher Maria Marques, lavradores, de Adou de Cima, Salreu. Margarida faleceu a 23.01.1897 na Rua de Adou de Cima, Salreu, deixando filhos menores273, um dos quais Joaquim. 1(VII) - JOAQUIM, nasceu a 19.09.1897 em Adou de Cima, Salreu274. 3(VI) - JOAQUIM, nasceu a 14.11.1852 em Adou de Cima, Salreu275, e faleceu a 24.03.1944 em Beduído. 4(VI) - RAQUEL MARIA DE JESUS BANDEIRA, lavradora, nasceu em 1853 em Adou de Cima, Salreu, onde faleceu solteira e sem filhos a 15.04.1908276. 5(VI) - CAETANO JOSÉ BANDEIRA, lavrador e taberneiro, nasceu em 04.03.1859 em Adou de Cima, Salreu277, onde casou com ANA ROSA DE ALMEIDA, lavradora, taberneira e doméstica, nascida a 29.10.1860 na Cavada, em Salreu, filha de Domingos Afonso da Silva, lavrador, e de sua mulher Ana de Almeida, de Salreu. Caetano faleceu a 25.01.1945 na Cavada, em Salreu, deixando oito filhos: Adelaide, Maria, Rosa, Josefina, Clarinda, Raquel, Eliseu e Caetano.

267 - FERREIRA, D. B., 2007, pp. 136-137. 268 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 15, Casamentos, fl. 73. 269 - Não foi encontrado o seu registo de baptismo, mas pelas datas dos de seus irmãos apontamos para cerca de 1828. 270 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 19, Casamentos, fls. 8v.-9, reg. n.º 18. 271 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 9, Baptismos, fl. 312. 272 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 29, Casamentos, fls. 6-6v., reg. n.º 11. 273 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 41, Óbitos, fl. 1v., reg. n.º 4. 274 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 28, Baptismos, fls. 32v.-33, reg. n.º 96. 275 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 9, Baptismos, fl. 344v. 276 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 41, Óbitos, fls. 4v.-5, reg. n.º 17. 277 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 10, Baptismos, fl. 85v., reg. n.º 12.

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DELFIM BISMARCK FERREIRA

1(VII) - ADELAIDE DE ALMEIDA BANDEIRA, costureira e doméstica, nasceu a 19.10.1885 na Cavada, em Salreu, onde casou a 02.05.1908278 com JOAQUIM VALENTE COURAS, padeiro, nascido em 1886 em Salreu, filho de José Tavares Valente Couras e de sua mulher Maria Rosa de Oliveira, de Cruz do Picoto, Salreu. Residiram na Cavada, Salreu, onde tiveram uma filha: Maria. Após enviuvar, casou segunda vez, em Salreu, com SEVERIANO MARQUES DE ALMEIDA, nascido a 10.04.1892 em Salreu, filho de José Maria Marques de Almeida, lavrador, natural de Salreu, e de sua mulher Paula Rodrigues de Jesus, doméstica, natural de Santa Engrácia, Lisboa, moradores em Salreu. Severiano foi comerciante e emigrou durante alguns anos para o Pará, Brasil, regressando depois a Salreu, onde faleceu a 26.10.1950 em Salreu. Adelaide faleceu a 31.03.1951 na Rua da Cavada, em Salreu, deixando quatro filhos: Severiano, Celeste, Josefina e Américo. 1(VIII) - MARIA TAVARES BANDEIRA, lavradora e doméstica, nasceu a 08.08.1909 na Cavada, Salreu279, onde casou a 18.05.1927 com ANTÓNIO AUGUSTO DE MATOS, lavrador, nascido a 22.09.1903 em Salreu, filho de Adriano Augusto de Matos e de sua mulher Generosa Rodrigues da Silva, de Salreu, lavradores, que faleceu a 25.02.1966 em Salreu. Maria faleceu a 20.04.1998 em Salreu. Residiram em Salreu, onde tiveram seis filhos: António Augusto (n. 18.04.1923, feirante, f. 23.07.1993); Maria Adélia (n. 29.03.1934, casou com Luís Torres, talhante, tiveram dois filhos: Maria do Carmo e Luís); José Luciano (n. 30.07.1935, emigrou para o Brasil e depois para a Venezuela, regressando depois a Portugal. Casado com Adélia, não teve filhos. f. 29.06.2002); Fernando (n. 22.09.1936, casou com sua prima Maria Odette Pinto Bandeira (Ver); Clarinda (n. 25.11.1939, comerciante e solteira, f. 19.10.2003) e Raquel (n. 17.10.1944, emigrou para a Venezuela onde tem uma agência de viagem e vive solteira). 2(VIII) - SEVERIANO MARQUES DE ALMEIDA, nasceu a 05.08.1917 na Rua da Cavada, em Salreu, e casou a 30.04.1940 em Lisboa com LUDOVINA FERNANDES, natural de Grândola, de quem se divorciou em 1944. Casou segunda vez a 27.03.1945 em Estarreja, com CARMINDA MARQUES DA SILVA, natural de Salreu, e voltou a casar a 01.08.1977 em Estarreja, com MARIA IDALINA RODRIGUES REBELO DE ALMEIDA. Severiano emigrou para Caracas,Venezuela, onde faleceu em 27.04.1978. 3(VIII) - CELESTE MARQUES BANDEIRA, comerciante, nasceu a 19.11.1915 em Salreu, onde casou com MANUEL DE OLIVEIRA, nascido a 15.09.1917 em Salreu, filho natural de Inocência de Jesus de Oliveira, solteira, natural e moradora em Salreu. Residiram em Salreu, onde tiveram, pelo menos, uma filha: Maria das Dores.

278 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 39, Casamentos, fls. 6v.-7, reg. n.º 13. 279 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 38, Baptismos, fl. 30, reg. n.º 83.

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TERRAS DE ANTUÃ | HISTÓRIAS E MEMÓRIAS DO CONCELHO DE ESTARREJA

1(IX) - MARIA DAS DORES MARQUES BANDEIRA, nasceu a 21.09.1947 em Salreu, onde casou com MANUEL RIBEIRO ALVES, nascido a 01.05.1949 em Vilar da Veiga, Gerês, filho de Francisco da Costa Alves e de sua mulher Balbina Rosa Ribeiro, moradores em Vilar da Veiga. Manuel faleceu a 04.03.2009 em Salreu, onde residiram e tiveram dois filhos: Manuel António e Paula. 1(X) - MANUEL ANTÓNIO BANDEIRA ALVES, industrial de hotelaria, nasceu a 11.04.1967 em Salreu, onde casou com GUARETE MARIA MARQUES ALMEIDA, industrial de hotelaria, nascida a 21.06.1974 em Caracas, Venezuela, filha de Manuel de Almeida e Matos e de sua mulher Felícia Marques do Anjos, comerciantes, naturais de Salreu. Residem em Salreu e têm dois filhos: Ana Alexandra (n. 12.11.1994) e Bruno Manuel (n. 22.09.1996). 2(X) - PAULA ALEXANDRA BANDEIRA ALVES, administrativa, nasceu a 20.05.1969 em Salreu. 2(VII) - MARIA BANDEIRA, doméstica, nasceu em 1887 em Salreu, onde residiu solteira e faleceu a 16.07.1977, deixando pelo menos um filho: José. 1(VIII) - JOSÉ BANDEIRA, comerciante, nasceu a 17.02.11917 em Salreu, e casou com OLINDA PEREIRA PINTO, doméstica, nascida a 08.01.1921. José faleceu a 11.09.1974, deixando dois filhos: Maria Odette e Sérgio José. 1(IX) - MARIA ODETTE PINTO BANDEIRA, n. 07.09.1943 em Ul, Oliveira de Azeméis, casou a 03.11.1963 com FERNANDO BANDEIRA DE MATOS, industrial de panificação, n. 22.09.1936, residente na Venezuela, de quem teve três filhas: Dr.ª Nancy (advogada, n. 16.07.1965 e f. 10.02.2000), Magally (administrativa, n. 30.10.1972) e Arqt.ª Mónica Maria (arquitecta, n. 28.02.1974, casada e com geração) 2(IX) - SÉRGIO JOSÉ PINTO BANDEIRA, industrial, fundador do arroz Saludães, nasceu a 03.12.1951, casou com MARIA MANUELA DA SILVA CARVALHO, natural de Salreu, de quem se divorciou e teve dois filhos: Sérgio Manuel (comerciante, n. 11.04.1981) e Daniel (comerciante, n. 19.04.1986). 3(VII) - ROSA BANDEIRA, nasceu a 08.08.1889 na Cavada, em Salreu280, onde casou a 27.11.1917 com BENJAMIM DOS ANJOS. Rosa faleceu a 13.07.1969 em Salreu.

280- ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 25, Baptismos, fl. 27v., reg. n.º 81.

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DELFIM BISMARCK FERREIRA

4(VII) - CLARINDA BANDEIRA, nasceu a 28.08.1897 na Cavada, Salreu281, onde faleceu solteira a 16.11.1968. 5(VII) - RAQUEL BANDEIRA, nasceu a 27.07.1900 na Cavada, Salreu, onde casou a 07.11.1948 com BENJAMIM MARQUES DA SILVA, natural de Salreu, onde faleceu a 20.08.1955. Raquel faleceu a 24.11.1979 em Salreu. 6(VII) - CAETANO, nasceu a 10.07.1905 na Cavada, Salreu282. 6(VI) - MARGARIDA DE JESUS BANDEIRA, lavradora e proprietária, nasceu em 1862 em Adou de Cima, Salreu, onde casou a 09.08.1888283 com JOSÉ TAVARES BRANDÃO, carpinteiro e depois proprietário, foi regedor substituto da freguesia de Salreu (1907-1910)284, nascido em 1862 na Cavada, Salreu, filho de Gregório Tavares Brandão, natural de Fermelã, e de sua mulher Josefa de Almeida, natural de Salreu. Residiram no lugar da Cavada, em Salreu, onde tiveram, pelo menos, três filhos: Celestino, Benilde e Maria. 1(VII) - CELESTINO TAVARES BRANDÃO, inicialmente caixeiro e depois jornaleiro, nasceu em 1889 em Salreu, emigrou em 1904 para o Pará, Brasil285, regressou e casou a 22.12.1908286 em Salreu com MARIA VALENTE DOS ANJOS, jornaleira e doméstica, nascida em 1890 em Salreu, filha de Joaquim Rebelo dos Anjos e de sua mulher Maria do Rosário Valente, do Vale da Rama. Residiram no Vale da Rama, Salreu, onde tiveram, pelo menos, um filho: José Maria. 1(VIII) - JOSÉ MARIA DOS ANJOS BRANDÃO, nasceu a 17.11.1909 no Vale da Rama, Salreu287, onde faleceu solteiro a 23.04.1985 na Rua da Agra. 2(VII) - BENILDE TAVARES BANDEIRA, doméstica, nascida em 1891 na Cavada, Salreu, onde casou a 21.02.1911288 com ANTÓNIO JOSÉ DOMINGUES, artista, nascido em 1887 em Salreu, filho de Domingos Domingues, natural de Salreu, e de sua mulher Maria Rodrigues de Azevedo, natural de Beduído, moradores no Outeiro, Salreu. 3(VII) - MARIA TAVARES BANDEIRA, nasceu a 15.07.1901 na Cavada, Salreu, e faleceu a 24.05.1947 em Albergaria-a-Velha

281 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 28, Baptismos, fl. 30, reg. n.º 88. 282 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 37, Baptismos, fl. 24, reg. n.º 69. 283 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 29, Casamentos, fls. 9v.-10, reg. n.º 18. 284 - FERREIRA, D. B., 2007, p. 138. 285 - SANTOS, V., 2008, p. 248. 286 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 39, Casamentos, fls. 14v.-15, reg. n.º 28. 287 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 38, Baptismos, fls. 40v.-41, reg. n.º 113. 288 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 46, Casamentos, fls. 3-3v., reg. n.º 4.

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TERRAS DE ANTUÃ | HISTÓRIAS E MEMÓRIAS DO CONCELHO DE ESTARREJA

7(V) - ANTÓNIO JOAQUIM BANDEIRA, proprietário, nasceu em 1826 no Couto, em Salreu, onde foi regedor da freguesia (1859-1869), (1870), (1871-1872) e (18791881)289. Faleceu solteiro a 18.04.1900, em Salreu290. 8(V) - FILIPE, nasceu em 1827 em Salreu, onde faleceu criança a 02.07.1837 no Couto291. 9(V) - FRANCISCO JOSÉ BANDEIRA, nasceu a 25.05.1824 no Couto, Salreu292, onde casou em 1856, com MARIA EMÍLIA DA CONCEIÇÃO. 10(V) - ALEXANDRE JOSÉ BANDEIRA, lavrador, nasceu em 1831 em Salreu, onde casou a 01.02.1858 com sua prima em 4.º grau293, MARGARIDAVALENTE DA SILVA, lavradora, nascida no Couto, em Salreu, filha de Cap. Domingos Afonso da Silva e de sua mulher Maria Valente, da Ladeira, Salreu. Residiram no Couto, onde tiveram, pelo menos, sete filhos: Filipe, António Joaquim, Ana, Maria, Manuel, Maria e Rosa Maria. 1(VI) - FILIPE JOSÉ BANDEIRA, jornaleiro, operário, empregado no caminho-de-ferro e depois lavrador, nasceu a 13.08.1859 no Couto, Salreu294, onde casou a 04.02.1886295 com ROSA AUGUSTAVALENTE DOS ANJOS, operária, jornaleira, lavradora e depois doméstica, nascida em 1867 na Boa Vista, Salreu, filha de João Francisco de Figueiredo e de sua mulher Feliciana Valente dos Anjos, de Salreu. Residiram no Couto, Salreu, onde tiveram, pelo menos, oito filhos:Amélia Augusta,António, Joaquim,Alexandrino,Alberto, Manuel, Arnaldo e Maria do Rosário. 1(VII) - AMÉLIA AUGUSTA BANDEIRA, doméstica, nascida em 1887 no Couto, Salreu, onde casou a 12.01.1911296 com ANTÓNIO MARQUES, almocreve, nascido em 1892 em Salreu, filho de Manuel Marques, natural de Beduído, e de sua mulher Francisca Rosa de Jesus, natural de Pessegueiro do Vouga, moradores nas Pedreiras, Salreu. 2(VII) - ANTÓNIO RODRIGUES BANDEIRA, nascido a 14.11.1888 no Couto, Salreu297. Emigrou para o Pará, Brasil, em 1900298. Casou com BELMIRA DA SILVA MELO, doméstica, natural de Alquerubim, filha do Prof. Melo. Regressou mais tarde a Portugal, onde faleceu a 19.04.1957 em Alquerubim, Albergaria-a-Velha, deixando três filhos: Maria Alice, Maria Julieta e António.

289 - FERREIRA, D. B., 2007, p. 136. 290 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 41, Óbitos, fls. 3v.-4, reg. n.º 13. 291 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 20, Óbitos, fl. 54v. 292 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 5, Baptismos, fls. 290v.-291. 293 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 15, Casamentos, fl. 116. 294 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 10, Baptismos, fl. 95v., reg. n.º 31. 295 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 29, Casamentos, fls. 2-2v., reg. n.º 3. 296 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 46, Casamentos, fls. 1-1v., reg. n.º 1. 297 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 25, Baptismos, fl. 39v., reg. n.º 114. 298 - SANTOS, V., 2008, p. 244.

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DELFIM BISMARCK FERREIRA

1(VIII) - MARIA ALICE DE MELO BANDEIRA, nasceu em Alquerubim, onde casou com AMÂNDIO PEREIRA TAVARES, natural de Alquerubim, filho do Ten. Victorino Pereira Tavares e de sua mulher Margarida Martins de Melo, de Alquerubim, de quem teve filhos: Luís, Maria Teresa e Pedro. 2(VIII) - MARIA JULIETA DE MELO BANDEIRA, nasceu em Alquerubim, solteira. 3(VIII) -ANTÓNIO DA SILVA BANDEIRA, nasceu a 17.03.1931 em Alquerubim, casou 14.04.1957 em Lisboa, com MARIA DA ENCARNAÇÃO NEVES DUARTE, natural de Olhão, de quem tem dois filhos: António Luís e Ana Maria. 3(VII) - JOAQUIM BANDEIRA, nasceu em 1891 no Couto, Salreu, onde faleceu a 01.01.1910299. 4(VII) - ALEXANDRINO BANDEIRA, jornaleiro, nasceu em 1894 no Couto, Salreu, onde faleceu a 25.07.1905300. 5(VII) - ALBERTO, nasceu a 20.06.1897 no Couto, Salreu301. 6(VII) - MANUEL, nasceu a 21.06.1901 no Couto, Salreu, onde faleceu criança a 30.12.1902302. 7(VII) - ARNALDO, nasceu a 20.10.1906 no Couto, Salreu303. 8(VII) - MARIA DO ROSÁRIO BANDEIRA, nasceu a 27.12.1910 no Couto, Salreu304 e casou a 08.11.1929 em Alquerubim, Albergaria-a-Velha com DAVID SIMÕES DE MELO, que faleceu a 18.07.1982. Maria do Rosário faleceu a 30.01.1990 em Alquerubim, tiveram um filho: David. 2(VI) - ANTÓNIO JOAQUIM BANDEIRA JÚNIOR, jornaleiro e lavrador, nasceu em 1862 no Couto, Salreu, onde casou a 08.07.1886305 com ANA ROSA TAVARES DE OLIVEIRA, jornaleira, lavradora, proprietária e doméstica, nascida em 1864 na Ladeira, Salreu, filha de António Marques Valente Figueira e de sua mulher Ana Tavares de Oliveira, de Salreu. Residiram no Santo e depois no Couto, Salreu, onde tiveram, pelo menos, três filhos: Flávia, Severiano e Rosa. 299 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 47, Óbitos, fls. 1, reg. n.º 1. 300 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 41, Óbitos, fl. 9, reg. n.º 36. 301 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 28, Baptismos, fls. 24-24v., reg. n.º 71. 302 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 41, Óbitos, fl. 14, reg. n.º 52. 303 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 37, Baptismos, fls. 43-43v., reg. n.º 123. 304 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 43, Baptismos, fl. 2, reg. n.º 4. 305 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 29, Casamentos, fls. 5v.-6, reg. n.º 10.

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TERRAS DE ANTUÃ | HISTÓRIAS E MEMÓRIAS DO CONCELHO DE ESTARREJA

1(VII) - FLÁVIA TAVARES BANDEIRA, nasceu a 01.02.1889 no Santo, em Salreu306, onde casou a 24.08.1923 com ALÍPIO MARQUES NOGUEIRA, natural de Salreu, filho de Abílio Marques Nogueira e de sua mulher Maria da Costa. Flávia faleceu a 15.12.1966 em Salreu. 2(VII) - SEVERIANO TAVARES BANDEIRA, nasceu a 09.02.1901 no Couto, Salreu, onde casou a 26.08.1925 com MARIA AUGUSTA DE ALMEIDA, e faleceu a 24.10.1984. 3(VII) - ROSA TAVARES BANDEIRA, doméstica, nasceu a 19.03.1904 no Couto, Salreu307, onde casou a 22.01.1931 com JOSÉ MARIA GARRIDO, lavrador e proprietário, nascido em 1898 em Salreu, que emigrou para a América do Norte, filho de Joaquim Rodrigues Garrido e de sua mulher Júlia Rodrigues. Residiram no Couto, Salreu, onde tiveram, pelo menos, uma filha: Rosa Augusta. 1(VIII) - ROSA AUGUSTA TAVARES GARRIDO, comerciante, nasceu a 16.11.1931 no Couto, Salreu, onde casou a 26.04.1953 com CARLOS TAVARES DA SILVA, comerciante, nascido a 16.07.1922 em Requeixo, Aveiro, de quem teve, pelo menos, um filho: Carlos Manuel. 1(IX) - Dr. CARLOS MANUEL TAVARES DA SILVA, nasceu a 04.04.1953, em Salreu, licenciado em Economia pela Faculdade de Economia do Porto, de entre os diversos cargos públicos que ocupou, destacam-se os de: Ministro da Economia no XV Governo Constitucional, secretário de Estado do Tesouro (19891991), administrador da CGD, BNU, Banco CISF, BTA e BPA, e actualmente o de presidente da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários. Detém diversas condecorações.

Dr. Carlos Manuel Tavares da Silva

306 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 25, Baptismos, fls. 6-6v., reg. n.º 16. 307 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 37, Baptismos, fls. 14-14v., reg. n.º 41.

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DELFIM BISMARCK FERREIRA

3(VI) - ANA VALENTE BANDEIRA, inicialmente costureira, depois lavradora e mais tarde proprietária, nasceu a 14.10.1864 no Couto, Salreu308, onde casou a 17.01.1893309 com FRANCISCO MARQUES NOGUEIRA, inicialmente criado de servir, depois lavrador e mais tarde proprietário, foi regedor substituto da freguesia de Salreu (1910-1915)310, nascido em 1868 em Salreu, filho natural de Raquel Marques Nogueira, solteira. Residiram no Couto, em Salreu, onde tiveram oito filhos: Maria Cândida, Alfredo, Margarida, Rosa Augusta, Carminda, António, Belarmino e Joaquim. 1(VII) - MARIA CÂNDIDA MARQUES NOGUEIRA, nasceu a 30.01.1897 no Couto, Salreu311, e casou a 02.04.1924 em Angeja com PEDRO GOMES LEITE, e faleceu a 01.07.1979 em Mosteirô, Feira. 2(VII) - ALFREDO, nasceu a 21.04.1900 no Couto, em Salreu, onde faleceu criança a 09.09.1902312. 3(VII) - MARGARIDA MARQUES NOGUEIRA, doméstica, nasceu a 22.12.1901 no Couto, Salreu, e casou em 1924 com o Arqt.º ISAÍAS MARQUES FERREIRA, arquitecto, nascido a 13.04.1888 em Couto de Cucujães, de quem teve duas filhas Maria Margarida e Natércia do Rosário. Mais tarde divorciaram-se tendo Margarida tido outro filho: Bruno. Faleceu a 02.03.1941. 1(VIII) - MARIA MARGARIDA NOGUEIRA MARQUES FERREIRA, doméstica, nasceu a 04.06.1925 em Salreu, casou a 21.05.1946 com JÚLIO PINHEIRO DOS SANTOS, responsável técnico eletricista da Fábrica Têxtil do Mindelo,Vila do Conde, nascido a 14.06.1920, em Estarreja, filho de Júlio Santos e de sua mulher Virgínia Pinheiro. Tiveram cinco filhos: Júlio, Maria Margarida, Branca Maria, Alexandre e Ana Maria. 1(IX) - Eng.º JÚLIO NOGUEIRA DOS SANTOS, engenheiro, nasceu a 24.02.1947 em Salreu, integrou o Batalhão de Caçadores 2910 na Guerra Colonial em Angola (1970-1972), casou a 17.09.1977 na Namíbia com a Prof.ª GISELA TIETZ, nascida a 28.02.1948, de ascendência Inglesa e Alemã. Têm duas filhas: Nádia e Manuela. 2(IX) - Eng.ª MARIA MARGARIDA NOGUEIRA DOS SANTOS, engenheira metalúrgica, nascida a 09.10.1948 em Salreu, casou a 308 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 11, Baptismos, fls. 25v.-26, reg. n.º 87. 309 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 29, Casamentos, fls. 3v.-4, reg. n.º 6. 310 - FERREIRA, D. B., 2007, p. 138. 311 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 28, Baptismos, fls. 4-4v., reg. n.º 10. 312 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 41, Óbitos, fl. 9v., reg. n.º 35.

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TERRAS DE ANTUÃ | HISTÓRIAS E MEMÓRIAS DO CONCELHO DE ESTARREJA

25.01.1975 com o Prof. JORGE MANUEL RIBEIRO RESENDE, professor catedrático na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa. 3(IX) - BRANCA MARIA NOGUEIRA DOS SANTOS, secretária intérprete no Parlamento Europeu, nasceu a 14.07.1950 em Salreu, e casou com CARLOS FERREIRA MARTEL de quem teve duas filhas: Patrícia e Filipa. 4(IX) - ALEXANDRE NOGUEIRA DOS SANTOS, solicitador, nasceu em Azurara, Vila do Conde a 26.08.1951, esteve na Guerra Colonial em Moçambique, casou a 13.10.1978 com MARIA MANUELA DA SILVA SÁ, nascida a 18.07.1958 e têm uma filha: Irina (licenciada em Biotecnologia). 5(IX) - ANA MARIA NOGUEIRA DOS SANTOS, engenheira eletrotécnica no Aeroporto de Santa Maria, Açores, nasceu a em 13.12.1952 em Azurara, Vila do Conde, e casou com HUMBERTO LOURA, de quem teve três filhos: Ana, Ângela e Pedro. 2(VIII) - NATÉRCIA DO ROSÁRIO NOGUEIRA MARQUES FERREIRA, doméstica, nasceu a 10.10.1926 em Salreu, casou a 04.07.1946 com JOSÉ PEREIRA DA SILVA, natural de Argoncilhe, Vila da Feira, onde nasceu a 14.09.1921, filho de Alcindo Pereira da Silva e de sua mulher Margarida Simões de Oliveira, que foi presidente e secretário da Junta de Freguesia de Salreu e Presidente da Assembleia da mesma freguesia. Tiveram dois filhos: Carolina Augusta e José Urbano. 1(IX) - Prof.ª CAROLINA AUGUSTA NOGUEIRA PEREIRA DA SILVA, professora, bolseira no curso de educação da sexualidade e planeamento familiar, fez parte da comissão instaladora da comissão de proteção de crianças e jovens de Estarreja em representação do Ministério da Educação, deputada na Assembleia Municipal de Estarreja (1993-2013), nasceu a 01.05.1947 em Salreu, e casou a 17.11.1973 com JOSÉ MARQUES DE PINHO, gerente bancário, nascido a 20.02.1948 em Estarreja, integrou, como oficial miliciano, a Companhia de Cavalaria 2649, do Batalhão de Cavalaria 2902 (1970-1972) na Guerra Colonial, em Angola. Têm uma filha: Ana Cláudia. 1(X) - Eng.ª ANA CLÁUDIA NOGUEIRA DA SILVA MARQUES DE PINHO, nasceu a 14.07.1976 em Salreu, é Quality Assurance Specialist da BIAL, licenciada em engenharia química pela Faculdade de Ciências e Tecnologia (U. C.) e pós-graduada em Higiene e Segurança do Trabalho pela Fa-

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DELFIM BISMARCK FERREIRA

culdade de Engenharia (U. P.); pós-graduada em Eficiência Energética e Energias Renováveis (U. A.), e pós-graduada em Corporate Manegement pela EGP - University of Porto Business School. 2(IX) - JOSÉ URBANO NOGUEIRA PEREIRA DA SILVA, técnico de desenho industrial, nasceu a 10.10.1948 em Salreu, integrou, como oficial miliciano, a Companhia de Cavalaria 2649, do Batalhão de Cavalaria 2902 (1970-1972) na Guerra Colonial, em Angola. Casou com MARIA DA GLÓRIA MARQUES DE PINHO, nascida a 28.07.1957 em Estarreja, de quem tem duas filhas: Elsa Marta, nascida a 06.07.1976 e Sónia Natércia nascida a 02.07.1977. 3(VIII) - BRUNO ROCHA MARQUES NOGUEIRA, bancário, nasceu a 17.01.1931 em Salreu, e casou a 08.09.1963 com a Prof.ª MARIA DOS ANJOS MARQUES DA SILVA, professora, nascida a 09.09.1940 em Salreu, de quem tem três filhas: Isabel Margarida, Helena Guilhermina e Maria João. 1(IX) - Prof.ª ISABEL MARGARIDA DA SILVA NOGUEIRA, professora, nasceu a 10.06.1964 em Luanda, Angola. Tem um filho: Paulo Bruno Mano Nogueira, nascido a 22.05.2009. 2(IX) - Prof.ª HELENA GUILHERMINA DA SILVA NOGUEIRA, professora na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, nasceu a 12.12.1966 em Angola, e casou com o Dr. JOÃO PAULO PEREIRA, médico dentista, natural de Estarreja, de quem tem dois filhos: João Bruno (n. 28.09.1977) e Maria Teresa (n. 09.03.2003). 3(IX) - MARIA JOÃO DA SILVA NOGUEIRA, bancária, nasceu a 01.08.1973 em Salreu. 4(VII) - ROSA AUGUSTA MARQUES NOGUEIRA, doméstica., nasceu a 01.02.1904 no Couto, Salreu313, onde casou a 13.11.1934 com MANUEL MARIA NUNES, comerciante, natural de Salreu, de quem teve cinco filhos: Aurélio, Manuel, Maria Cândida, Ofélia e Rosa. 5(VII) - CARMINDA MARQUES NOGUEIRA, nasceu a 18.10.1906 no Couto, Salreu314, onde casou a 29.08.1924 com FRANCISCO RODRIGUES SOUTO, nascido em 1885 em Angeja, Albergaria-a-Velha, filho de Manuel

313 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 37, Baptismos, fl. 16, reg. n.º 46. 314 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 37, Baptismos, fl. 45, reg. n.º 127.

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TERRAS DE ANTUÃ | HISTÓRIAS E MEMÓRIAS DO CONCELHO DE ESTARREJA

Rodrigues Alves de Almeida e de sua mulher Ermelinda Augusta Nogueira Souto, lavradores, de Angeja, que faleceu a 20.10.1983. Carminda faleceu a 08.03.1987 em Angeja, deixando, pelo menos, três filhos: Rosinda Francisca, Maria Alice e Maria Eugénia. 1(VIII) - ROSINDA FRANCISCA NOGUEIRA SOUTO, doméstica, nasceu a 21.01.1926 em Angeja, e que casou com GIL TAVARES MARQUES, operário fabril, nascido a 16.06.1922, filho de Custódio José Tavares Marques e de sua mulher Deolinda Maria, de quem teve dois filhos: Francisco José e António José. 1(IX) - Dr. FRANCISCO JOSÉ SOUTO MARQUES, jurista, licenciado em direito, nasceu a 16.12.1958, e casou com ARACELI VÁSQUEZ VÁZQUEZ, nascida a 27.03.1974, filha de José Jorge Luís Vázquez Vázquez e de sua mulher María Teresa Vázquez Martinez, de quem tem dois filhos: Emma Francisca Souto Vázquez, nascida a 13.01.2008, e Francisco Jorge Souto Vázquez, nascido a 10.02.2009. 2(IX) - Dr. ANTÓNIO JOSÉ SOUTO MARQUES, professor, nasceu em 1961 em Angeja, Albergaria-a-Velha, licenciado em Línguas e Literaturas Modernas (Universidade de Lisboa) e pós-graduado em Teoria e Criação Literária (Universidade Autónoma de Lisboa). Lecionou durante oito anos na Universidade de Ciências Humanas de Estrasburgo (França), foi assessor e chefe de gabinete no Ministério do Trabalho e da Solidariedade no XIV Governo Constitucional, cronista e autor de vários livros de poesia. Reside em Lisboa, divorciado, com duas filhas: Mariana Francisca, de 16 anos, e Margarida Francisca, de 10 anos. 2(VIII) - MARIA ALICE NOGUEIRA SOUTO, comerciante, nascida a 04.06.1929, casou com ANTÓNIO NOGUEIRA PINHO, comerciante, nascido a 03.11.1927. 3(VIII) - MARIA EUGÉNIA NOGUEIRA SOUTO, doméstica, nascida a 04.08.1931, casou com AMÉRICO RODRIGUES ESTEVES, industrial, nascido a 08.12.1924, de quem teve quatro filhos: Américo, Francisco, Ana e Carminda. 6(VII) - Pe. ANTÓNIO MARQUES NOGUEIRA, sacerdote, nasceu em Salreu, foi pároco de Mosteirô (Vila da Feira), Angeja e Ul, onde faleceu. Foi redactor do semanário “Ecos do Antuã”, fundado em 1 de Setembro de 1917. 7(VII) - BELARMINO MARQUES NOGUEIRA, nasceu a 10.12.1898 em Salreu, e casou com LAURINDA FERREIRA, natural de Couto de Cucujães. Emigraram para os Estados Unidos, onde faleceram deixando duas filhas: Beatriz e Orgina.

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DELFIM BISMARCK FERREIRA

1(VIII) - BEATRIZ NOGUEIRA, nasceu nos EUA e casou com OSWALDO SIGNORI, natural de Itália, que integrou a marinha de guerra italiana durante a Segunda Guerra Mundial tendo desertado aquando da passagem pelos Estados Unidos da América, onde fixou residência como exilado de guerra. de quem tem três filhos: Richard, Steven e Lawrence. 2(VIII) - ORGINA NOGUEIRA, nasceu nos EUA, casada. 8(VII) - JOAQUIM MARQUES NOGUEIRA, agricultor, nasceu em Salreu, casou com N. TRINDADE JERÓNIMO, sem geração. 4(VI) - MARIA VALENTE BANDEIRA, lavradora, nasceu a 03.09.1866 no Couto, Salreu315, onde casou a 26.06.1892 com JOAQUIM DE ALMEIDA, lavrador, nascido em 1865 em Salreu, filho de António de Almeida e de sua mulher Brízida Joaquina, do Couto, Salreu. Residiram no Couto, Salreu, onde tiveram, pelo menos, seis filhos: Deolinda, Alexandre, Ana, Maria da Conceição, Firmino e Almerinda. 1(VII) - DEOLINDA DE ALMEIDA BANDEIRA, nasceu a 17.11.1897 no Couto, Salreu316, onde casou a 16.04.1920 com AMÉRICO DE ALMEIDA, natural de Beduído, Estarreja, filho de José Manuel de Almeida e de sua mulher Joaquina Marques Martins, de Beduído, e faleceu a 16.02.1967 em Beduído. 2(VII) - ALEXANDRE BANDEIRA DE ALMEIDA, nasceu a 10.02.1900 no Couto, Salreu, onde casou a 29.10.1924 com MARIA DA GLÓRIA MARQUES DE QUADROS, natural de Salreu, e faleceu a 06.06.1981 em Salreu. 3(VII) - ANA DE ALMEIDA BANDEIRA, nasceu a 13.02.1902 no Couto, Salreu, onde casou em 1931 e faleceu a 04.10.1982. 4(VII) - MARIA DA CONCEIÇÃO DE ALMEIDA BANDEIRA, doméstica, nasceu a 15.11.1904 no Couto, Salreu317, onde casou a 29.11.1926 com JOAQUIM HENRIQUES, lavrador, nascido em 1899 em Salreu, filho de Jose Maria Henriques e de sua mulher Maria Tavares da Fonseca, lavradores, que faleceu a 19.03.1984. Maria da Conceição faleceu a 03.10.1986 em Salreu. 5(VII) - FIRMINO, nasceu a 05.03.1907 no Couto, Salreu, onde faleceu criança a 01.02.1909. 6(VII) - ALMERINDA DE ALMEIDA BANDEIRA, nasceu a 09.06.1910 no Couto, Salreu318, onde faleceu solteira a 16.11.1973. 315 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 11, Baptismos, fl. 89, reg. n.º 65. 316 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 28, Baptismos, fl. 41, reg. n.º 120. 317 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 37, Baptismos, fls. 35v.-36, reg. n.º 103. 318 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 43, Baptismos, fl. 28, reg. n.º 77.

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TERRAS DE ANTUÃ | HISTÓRIAS E MEMÓRIAS DO CONCELHO DE ESTARREJA

5(VI) - MANUEL BANDEIRA, lavrador, nasceu a 08.11.1868 no Couto, Salreu319, onde casou a 20.07.1896320 com ANA RODRIGUES DA FONSECA, lavradora, nascida em 1869 em Salreu, filha de Severiano Rodrigues Escudeiro e de sua mulher Mariana da Fonseca, de Adou de Cima, Salreu. Residiram em Adou de Cima, onde tiveram, pelo menos, três filhos: José, Maria e Maria. 1(VII) - JOSÉ DA FONSECA BANDEIRA, nasceu a 19.06.1897 em Adou de Cima, Salreu321, onde casou a 21.11.1929 com MARIA DO ROSÁRIO MARQUES TAVARES, natural de Salreu. 2(VII) - MARIA, nasceu em 1899 em Adou de Cima, Salreu, onde faleceu criança a 04.11.1899322. 3(VII) - MARIA, nasceu a 14.09.1900 em Adou de Cima, Salreu. 6(VI) - JOSÉ MARIA BANDEIRA, lavrador e proprietário, nasceu a 18.11.1870 no Couto, Salreu323, onde casou a 25.01.1909324 com ANA MA RIA RODRIGUES, lavradora, nascida em 1878 em Salreu, filha de Manuel Joaquim da Fonseca e de sua mulher Maria Rodrigues, de Salreu. José faleceu a 27.09.1914 em Salreu. Residiram no Couto, Salreu, onde tiveram, pelo menos, um filho: Alfredo. 1(VII) - ALFREDO RODRIGUES BANDEIRA, nasceu a 02.01.1910 no Couto, Salreu325, onde casou a 03.09.1934 com MARIA DA GLÓRIA AMORIM, natural de Salreu, e onde veio a falecer a 05.02.1989. 7(VI) - ROSA MARIA DA ANUNCIAÇÃO BANDEIRA, proprietária, nasceu 1873 em Salreu, onde casou a 24.04.1895326 com JOÃO MARQUES AFONSO, proprietário, nascido em 1863 em Salreu, filho de José Marques Afonso e de sua mulher Joana Rodrigues de Andrade, de Campinos, Salreu. Residiram no Couto, Salreu, onde tiveram, pelo menos, cinco filhos: Clarinda, Adília, Aristides, Adília e Flora. 1(VII) - CLARINDA DA ANUNCIAÇÃO AFONSO BANDEIRA, nasceu em Salreu, onde foi madrinha da irmã Adília em 1907. 2(VII) - ADÍLIA, nasceu a 09.07.1903 no Couto, Salreu, onde faleceu criança a 07.11.1904327. 319 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 11, Baptismos, fls. 135-135v., reg. n.º 82. 320 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 29, Casamentos, fl. 9v., reg. n.º 16. 321 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 28, Baptismos, fl. 23, reg. n.º 67. 322 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 41, Óbitos, fls. 14-14v., reg. n.º 67. 323 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 12, Baptismos, fls. 83v.-84, reg. n.º 89. 324 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 40, Casamentos, fls. 1v.-2, reg. n.º 2. 325 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 43, Baptismos, fl. 3v., reg. n.º 8. 326 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 29, Casamentos, fls. 6-6v., reg. n.º 10. 327 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 37, Baptismos, fl. 27, reg. n.º 79.

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DELFIM BISMARCK FERREIRA

3(VII) - ARISTIDES MARQUES AFONSO, nasceu a 15.07.1905 no Couto, Salreu328, onde casou a 25.10.1928 com ROSA TAVARES DA FONSECA, natural de Salreu, e faleceu a 25.11.1992 em Salreu. 4(VII) - ADÍLIA, nasceu a 29.04.1907 no Couto, Salreu, onde faleceu criança a 26.08.1908329. 5(VII) - FLORA AFONSO BANDEIRA, nasceu a 14.03.1909 no Couto, Salreu330, onde casou a 05.07.1928 com JOSÉ MARIA RODRIGUES LOUREIRO, nascido em 1904 em Beduído, Estarreja, filho de Agostinho Rodrigues Loureiro e de sua mulher Ana Rosa Valente, de Beduído. Flora faleceu a 16.01.1978 em Salreu. 11(V) - JOÃO MARIA BANDEIRA, lavrador e logista, nasceu em Salreu, onde casou a 23.10.1856331 com MARIA EMÍLIA DA CONCEIÇÃO CÂNDIDA DA SILVA, logista, natural de Salreu, filha de Manuel Adelino Ferreira e de sua mulher Mariana Joaquina Cândida e Silva, moradores na Rua de São Martinho, em Salreu. Residiram no Couto, em Salreu, onde tiveram, pelo menos, dois filhos: Manuel Maria e Francisco. João Maria teve ainda, pelo menos uma filha natural de MARIA DO ROSÁRIO VALENTE, solteira, natural de Salreu, de nome: Maria da Conceição. 1(VI) - MANUEL MARIA BANDEIRA, jornaleiro e lavrador, nasceu a 11.04.1866 no Couto, em Salreu332, e emigrou solteiro para o Pará, Brasil, em 1889. Regressou e casou a 05.09.1893333 em Salreu, com MARIA JOSÉ VALENTE, lavradora, nascida em 1872 em Salreu, filha natural de Maria do Rosário Valente, do Cadaval, Salreu. 2(VI) - FRANCISCO, nasceu a 10.06.1869 no Couto, Salreu334. 3(VI) - MARIA DA CONCEIÇÃO BANDEIRA, operária, costureira e doméstica, nasceu 1876 em Salreu, onde casou a 26.09.1896335 com JOAQUIM REBELO DA SILVA, carpinteiro e operário, nascido em 1875 em Salreu, filho de Joaquim da Silva Rebelo e de sua mulher Maria do Rosário, de Adou de Cima. Residiram no Cadaval, Salreu, onde tiveram, pelo menos, dois filhos: Leonel e Maria José. 1(VII) - LEONEL, 27.07.1899 no Cadaval, Salreu. 2(VII) - MARIA JOSÉ BANDEIRA, nasceu a 11.07.1901 no Cadaval, Salreu, onde casou a 14.08.1924 com MANUEL MARQUES BANDEIRA, natural de Salreu, falecido a 07.02.1975. Maria José faleceu a 12.12.1983 em Salreu. 328 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 37, Baptismos, fls. 25v.-26, reg. n.º 73. 329 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 41, Óbitos, fl. 11v., reg. n.º 43. 330 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 38, Baptismos, fls. 14v.-15, reg. n.º 41. 331 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 15, Casamentos, fls. 104-104v. 332 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 11, Baptismos, fl. 77, reg. n.º 31. 333 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 29, Casamentos, fls. 12-12v., reg. n.º 23. 334 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 11, Baptismos, fls. 242-242v., reg. n.º 48. 335 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 29, Casamentos, fls. 12-12v., reg. n.º 21.

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TERRAS DE ANTUÃ | HISTÓRIAS E MEMÓRIAS DO CONCELHO DE ESTARREJA

12(V) - CAETANO, nasceu a 25.11.1832 no Couto, em Salreu336, onde faleceu criança a 31.01.1833337. 6(IV) - MARIA ROSA BANDEIRA, nasceu a 19.05.1791 em Adou de Cima, Salreu338, onde foi madrinha da sobrinha Raquel em 1834, sendo solteira. 7(IV) - JOAQUIM JOSÉ BANDEIRA, nasceu a 21.09.1792 em Adou de Cima, Salreu339, onde casou a 17.11.1824340 com TERESA RODRIGUES, lavradora, natural de Salreu, filha de João Rodrigues e de sua mulher Margarida Rodrigues, do Couto, Salreu. Joaquim faleceu viúvo a 21.02.1859 no Couto, Salreu341, onde residiram e tiveram, pelo menos, seis filhos: Francisco Maria, Ana Margarida, Margarida, Margarida Rosa, Maria Rosa e Joaquim. 1(V) - FRANCISCO MARIA, nasceu em 1825 no Couto, em Salreu, onde faleceu solteiro a 14.01.1856342. 2(V) - ANA MARGARIDA BANDEIRA, lavradora, nasceu a 25.10.1829 em Salreu, onde casou a 07.02.1861 com JOSÉ RODRIGUES MIRCO, lavrador, nascido a 29.05.1832 em Salreu, filho de José Rodrigues Mirco e de sua mulher Josefa Marques Figueira, lavradores, de Adou de Cima. Residiram no Couto, em Salreu, onde tiveram, pelo menos, três filhos: José, António e Manuel Maria. 1(VI) - JOSÉ, nasceu a 27.06.1864 no Couto, Salreu343, onde faleceu criança a 07.06.1869. 2(VI) - ANTÓNIO RODRIGUES MIRCO, lavrador, nasceu em Salreu, onde casou com ANA MARQUIES FIGUEIRA, lavradora, natural de Salreu, filha de José da Silva Rebelo e de sua mulher Maria Marques Figueira, de Salreu, onde residiram no Couto e tiveram, pelo menos, uma filha: Margarida. 1(VII) - MARGARIDA, nasceu a 08.02.1901 no Couto, Salreu. 3(VI) - MANUEL MARIA RODRIGUES MIRCO, lavrador, nasceu em Salreu, onde casou com ANA DA FONSECA, lavradora, natural de Salreu, filha de Joaquim Dias de Figueiredo e de sua mulher Maria da Fonseca, de Salreu. Residiram nas Laceiras, Salreu, onde tiveram, pelo menos, quatro filhos: José Maria, António, Maximino e Manuel Maria.

336 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 6, Baptismos, fls. 250v.-251. 337 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 20, Óbitos, fl. 13v. 338 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 3, Baptismos, fl. 242. 339 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 3, Baptismos, fl. 250v. 340 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 7, Casamentos, fls. 205v.-206. 341 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 21, Óbitos, fl. 29. 342 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 20, Óbitos, fl. 201. 343 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 11, Baptismos, fls. 14-14v., reg. n.º 56.

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DELFIM BISMARCK FERREIRA

1(VII) - JOSÉ MARIA MIRCO, nasceu a 21.12.1897 nas Laceiras, Salreu344, onde casou a 27.09.1922 em Albergaria-a-Velha com ISALINDA RODRIGUES PEREIRA, natural da Branca, Albergaria-a-Velha, filha de Manuel Antão de Aguiar e de sua mulher Maria Rodrigues Pereira, da Branca, e faleceu a 08.03.1960 na Branca. 2(VII) - ANTÓNIO, nasceu a 05.03.1903 nas Laceiras, Salreu345. 3(VII) - MAXIMINO MIRCO, nasceu a 15.02.1906 nas Laceiras, Salreu346, e casou a 23.01.1937 no Rio de Janeiro, Brasil, com LUÍSA DE LEMOS RODRIGUES, falecida a 23.10.1937. 4(VII) - MANUEL MARIA MIRCO, nasceu a 12.01.1909 nas Laceiras, Salreu347, onde casou a 18.01.1937 com MARIA DO ROSÁRIO DA SILVA, natural de Salreu, e faleceu a 21.01.1974 em Salreu. 3(V) - MARGARIDA, nasceu a 04.01.1831 no Couto, Salreu348, onde faleceu criança a 25.12.1831349. 4(V) - MARGARIDA ROSA, nasceu no Couto, em Salreu, onde casou a 16.08.1859350 com JOSÉ VALENTE PIRES, lavrador e proprietário, nascido em 1833 em Salreu, filho de Dionísio Valente Pires e de sua mulher Brízida Valente Bandeira, proprietários, da Boavista, Salreu. (Ver: § 8.º - Desentroncados). Após enviuvar, José voltou a casar, em Salreu, com ANA RODRIGUES NORA, lavradora, natural de Salreu, filha de José Rodrigues Nora e de sua mulher Maria do Rosário Silva, de Campinos. José faleceu a 01.05.1901 em Campinos, Salreu351. 5(V) - MARIA ROSA BANDEIRA, também identificada como Rodrigues, nasceu em Salreu, onde casou com ANTÓNIO VALENTE PIRES, lavrador, filho de António Valente Pires e de sua mulher Margarida Pires. Residiram na Cavada, em Salreu, onde tiveram, pelo menos, um filho: José. 1(VI) - JOSÉ VALENTE PIRES, lavrador e proprietário, nasceu a 15.03.1863 na Cavada, Salreu, onde casou com MARIA VALENTE TAVARES, lavradora e proprietária, natural de Salreu, filha de João Tavares de Carvalho e de sua mulher Maria Rosa Valente Jorge, de Salreu. Residiram na Cavada, Salreu, onde tiveram, pelo menos, dois filhos: Virgínia e João Maria. 344 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 28, Baptismos, fls. 43v.-44, reg. n.º 129. 345 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 37, Baptismos, fl. 11v. 346 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 37, Baptismos, fls. 10-10v., reg. n.º 28. 347 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 38, Baptismos, fls. 4v.-5, reg. n.º 12. 348 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 6, Baptismos, fl. 205v. 349 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 8, Óbitos, fls. 342-342v. 350 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 19, Casamentos, fls. 128v.-129. 351 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 41, Óbitos, fl. 5v., reg. n.º 20.

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1(VII) - VIRGÍNIA VALENTE PIRES, nasceu a 26.03.1898 na Cavada, Salreu352, onde casou a 05.10.1928 com LUCIANO RODRIGUES GARRIDO, natural de Salreu, filho de António Rodrigues Garrido e de sua mulher Maria Máxima, de Salreu, e faleceu a 27.11.1958. 2(VII) - JOÃO MARIA, nasceu a 14.04.1901 na Cavada, Salreu. 6(V) - JOAQUIM, faleceu a 14.07.1836 no Couto, Salreu, com dois meses353. 8(IV) - JOSÉ JOAQUIM BANDEIRA, lavrador, nasceu a 07.12.1794 em Adou de Cima, Salreu354, e casou em Veiros com MARIA LUÍSA DA SILVA, natural de Veiros, filha de Alexandre Fernandes Esteves e de sua mulher Maria da Silva, de Telhões. Residiram em Telhões, Veiros, onde tiveram, pelo menos, duas filhas: Margarida e Joaquina. 1(V) - MARGARIDA DA SILVA BANDEIRA, lavradora, nasceu a 01.12.1829 em Veiros355, onde casou a 10.09.1864 com MANUEL CAETANO DE OLIVEIRA, de 32 anos, lavrador, natural de Veiros, filho de Gonçalo Rodrigues de Oliveira e de sua mulher Maria Josefa Antão Marques, das Olas. Residiram em Cabeças, Veiros, onde tiveram, pelo menos, dois filhos: Maria João e José Agostinho. 1(VI) - MARIA JOÃO DA SILVA BANDEIRA, lavradora, nasceu a 10.11.1865 em Cabeças, Veiros, faleceu cedo, mas casou 05.02.1889 em Veiros com JOÃO MARIA ANTÃO DA SILVA, de 24 anos, lavrador, natural de Veiros, filho de José Maria Antão da Silva e de sua mulher Maria Rosália Antão, da Areia, onde residiram e tiveram uma filha: Maria José. João Maria voltou a casar com MARIA MARQUES COUTO. 1(VII) - MARIA JOSÉ DA SILVA BANDEIRA, nasceu a 16.11.1889 na Areia, Veiros, onde casou a 08.01.1915 com JOÃO JOSÉ DA SILVA, de 31 anos, natural de Veiros, filho de Manuel José da Silva e de sua mulher Maria José da Silva, de Veiros. Maria José faleceu a 02.02.1961 em Veiros, deixando, pelo menos, seis filhos: Anunciação, Manuel Augusto, José Maria, Rosalina, Amorosa e Joaquim. 1(VIII) - ANUNCIAÇÃO, nasceu a 04.11.1917 em Veiros, onde faleceu criança a 19.09.1918. 2(VIII) - MANUEL AUGUSTO DA SILVA BANDEIRA, lavrador, nasceu a 22.01.1921 em Veiros, e casou a 10.11.1945 com ANA MARIA TAVARES SOUSA, de quem teve sete filhos: João Carlos, José Bernardino, Manuel Augusto, Luzia, Alberto, Ilda e António Fernando. 352 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 28, Baptismos, fls. 15-15v., reg. n.º 45. 353 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 20, Óbitos, fl. 46v. 354 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 3, Baptismos, fls. 270v.-271. 355 - ADA, Livro Paroquial de Veiros, n.º 18, Baptismos, fls. 95v.-96.

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DELFIM BISMARCK FERREIRA

3(VIII) - JOSÉ MARIA DA SILVA BANDEIRA, natural de Veiros que faleceu solteiro. 4(VIII) - ROSALINA DOS ANJOS DA SILVA BANDEIRA, natural de Veiros, casou com JOÃO JOSÉ AFONSO MARQUES, de quem teve um filho: António Cândido. 5(VIII) - AMOROSA, nasceu em Veiros, onde faleceu a 26.02.1920, com oito meses. 6(VIII) - JOAQUIM, nasceu em Veiros, onde faleceu a 27.02.1930 com vinte e um meses. 2(VI) - JOSÉ AGOSTINHO DA SILVA BANDEIRA, lavrador, nasceu em Veiros, onde casou com MARIA JOAQUINA DA SILVA, natural de Veiros, filha de José Maria Antão da Silva e de sua mulher Maria Rosália Antão, de quem teve, pelo menos, uma filha: Maria Emília. 1(VII) - MARIA EMÍLIA BANDEIRA, nasceu em Veiros, onde casou com ANTÓNIO MARIA DA SILVA. Maria Emília faleceu a 31.07.1932 na Mâmoa, Veiros, onde residiu. 2(V) - JOAQUINA DA SILVA BANDEIRA, nasceu a 05.03.1832 em Veiros356, onde casou com JOÃO ALBERTO ANTÃO DA SILVA, ou Antão Marques, como também é identificado, lavrador, natural de Veiros, filho de António Antão e de sua mulher Mariana Marques, de Veiros, onde residiram e tiveram, pelo menos, dois filhos: Manuel Joaquim e Margarida. 1(VI) - MANUEL JOAQUIM nasceu a 12.09.1866 no Outeiro, Veiros. 2(VI) - MARGARIDA DA SILVA BANDEIRA, nasceu em Veiros, onde faleceu solteira a 29.10.1928 no Outeiro, Veiros, com 70 anos. 9(IV) - MARGARIDA ROSA DE FIGUEIREDO BANDEIRA, nasceu a 04.12.1796 em Adou de Cima, Salreu357, onde casou a 20.12.1831358 com FRANCISCO TAVARES VALENTE “Couras”, natural de Salreu, filho de João Tavares Valente e de sua mulher Luísa Rodrigues, do Cabeço do Picoto, Salreu. Margarida Rosa faleceu a 22.01.1872 em Adou de Cima, Salreu, onde residiram deixando quatro filhos: Francisco, Ana e Raquel Maria.

356 - ADA, Livro Paroquial de Veiros, n.º 18, Baptismos, fl. 96. 357 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 3, Baptismos, fl. 289. 358 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 7, Casamentos, fls. 243-243v.

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TERRAS DE ANTUÃ | HISTÓRIAS E MEMÓRIAS DO CONCELHO DE ESTARREJA

1(V) - FRANCISCO, nasceu a 28.06.1837 em Adou de Cima, Salreu359. 2(V) - ANA ROSA BANDEIRA, jornaleira, nasceu a 19.02.1840 em Adou de Cima, Salreu360, onde casou a 08.06.1869361 com FLORINDO MARQUES DA SILVA, jornaleiro, natural de Salreu, morador nas Laceiras, filho natural de Jacinta Venância da Silva, solteira, natural de Albergaria-a-Velha. Residiram em Adou de Cima, Salreu, onde tiveram, pelo menos, duas filhas: Margarida e Maria do Carmo. 1(VI) - MARGARIDA, nasceu a 07.10.1870 em Adou de Cima, Salreu362. 2(VI) - MARIA DO CARMO BANDEIRA, costureira, jornaleira e depois proprietária, nasceu em 1872 em Adou de Cima, Salreu, onde casou a 12.05.1894363 com JOAQUIM PELÁGIO GOMES DA SILVA, primeiro sacristão e jornaleiro, mais tarde proprietário, nascido em 1871 em Salreu, filho de Tomé Joaquim Pelágio, natural de Canelas, e de sua mulher Margarida da Natividade, natural de Salreu. Residiram em Adou de Cima, Salreu, onde tiveram, pelo menos, quatro filhos: Maria Eduarda, António, João e Maria do Regina. 1(VII) - MARIA EDUARDA, nasceu a 02.01.1899 na Rua de São Martinho, Salreu. 2(VII) - ANTÓNIO, nasceu a 09.05.1901 na Rua de São Martinho, Salreu. 3(VII) - JOÃO GOMES DA SILVA, carpinteiro, nasceu a 02.12.1906 na Rua de São Martinho, Salreu364, onde casou a 09.11.1930 com ADOZINDA MARQUES GARGANTA, doméstica, nascida em 1910 em Salreu, filha de João de Oliveira Marques, natural de Salreu, e de sua mulher Maria da Silva Garganta, lavradores, natural de Veiros, moradores em Salreu. 4(VII) - MARIA REGINA, nasceu a 20.02.1911 na Rua de São Martinho, em Salreu365, onde casou a 01.11.1938 com JOÃO MARQUES GOMES DA SILVA, natural de Salreu. Maria Regina faleceu em 02.09.1956 em Salreu. 3(V) - RAQUEL MARIA BANDEIRA, nasceu a 17.12.1834 em Adou de Cima, Salreu366, onde casou com seu primo direito JOAQUIM ANTÓNIO BANDEIRA, (Ver: § 5.º - Bandeira da Silva).

359 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 9, Baptismos, fl. 32. 360 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 9, Baptismos, fl. 81v. 361 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 17, Casamentos, fls. 110v.-111, reg. n.º 9. 362 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 12, Baptismos, fl. 77, reg. n.º 76. 363 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 29, Casamentos, fls. 4-4v., reg. n.º 7. 364 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 37, Baptismos, fls. 47-47v., reg. n.º 134. 365 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 44, Baptismos, fls. 10-10v., reg. n.º 28. 366 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 6, Baptismos,fl. 275.

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DELFIM BISMARCK FERREIRA

§ 6.º CAMELO 1(VIII) - D. MARIA DOS PRAZERES OLIVEIRA, doméstica, nasceu a 21.02.1880 em Salreu367, e casou a 01.07.1904 em Válega, Ovar, com JOÃO CARLOS DA SILVEIRA PINTO CAMELO, nascido a 23.12.1879 em Ovar368, filho de Luís José Pinto Camelo Coelho, escrivão de direito, natural de São Tiago, Vagos, e de sua mulher D. Maria Mafalda Fonseca da Silveira, natural de Ovar. João Carlos foi bacharel em farmácia, foi proprietário de uma farmácia em Válega e de outra em Cacia. Após a construção da Farmácia Camelo, em Avanca, aqui fixou residência. Foi o primeiro Presidente da Junta de Freguesia de Avanca no período da República, desde Novembro de 1910. Faleceu em 1964369. Tiveram seis filhos: Aldina da Soledade, António, João Luís, Luciana Idília, Maria Eugénia e Palmira Eduarda. 1(IX) - D. ALDINA DA SOLEDADE SILVEIRA PINTO CAMELO, nasceu a 16.01.1906 em Válega, e faleceu a 02.03.1994, na mesma localidade. Bacharel em farmácia, residiu na Guarda e após a morte de seu marido, regressou a Avanca, onde foi directora do laboratório da Nestlé. Casou a 03.10.1929, com o Cap. RAUL FIGUEIREDO RODRIGUES DE ALMEIDA, nascido a 19.02.1892 na Guarda e faleceu a 29.08.1941. Como oficial, esteve na 1.ª Grande Guerra em França e teve as seguintes condecorações e louvores: medalha comemorativa da campanha do exército português com a legenda “França 1917-1918”, medalha militar de prata da classe de comportamento exemplar, cruz de guerra de 4.ª classe com direito ao uso do distintivo especial da cruz de guerra de 1.ª classe, grau de cavaleiro da Ordem de Aviz. Licenciou-se em farmácia e ciências fisico-químicas. Tiveram três filhos: Mário, Maria de Lurdes e Raul Fernando. 1(X) - Comend.or Cor. MÁRIO PINTO RODRIGUES DE ALMEIDA, coronel do exército, nasceu a 20.02.1930 na Guarda. Frequentou o Colégio Militar e a Escola do Exército.Teve diversas condecorações, para além de comendador da Ordem Militar de Avis. Casou a 08.12.1956 com D. MARIA ISABEL ESTEVES MIRA, natural de Évora, professora, não tendo descendência. 2(X) - Dr.ª. MARIA DE LURDES DA SOLEDADE RODRIGUES DE ALMEIDA, professora, licenciada em Contabilidade e Gestão, nasceu a 13.05.1932 na Guarda. Casou com o Engº. ANTÓNIO AUGUSTO VALENTE DE MATOS, natural de Avanca, que foi director dos Serviços Municipalizados de Santarém e posteriormente director da E.D.P., na mesma localidade. Tiveram os seguintes filhos: Eng.º António Pedro Rodrigues de Almeida Valente de Matos, casado com D. Maria Cecília Jacques Calderon, natural da Costa Rica, e António Bruno Rodrigues de Almeida Valente Matos, bancário, casado com a Dr.ª D. Ana Cristina do Carmo Jorge, socióloga.

367 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 25, Baptismos, fls. 4-4v. 368 - ADA, Livro Paroquial de São Cristóvão - Ovar, n.º 140, Baptismos, fl. 169v., reg. n.º 341. 369 - FERREIRA, D. B., CORREIA, T., 2010, pp. 11, 20-21.

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TERRAS DE ANTUÃ | HISTÓRIAS E MEMÓRIAS DO CONCELHO DE ESTARREJA

3(X) - RAUL FERNANDO CAMELO ALMEIDA, nasceu a 10.07.1940 em Vilar Formoso. Foi vendedor do ramo automóvel e sócio-gerente de uma empresa de comércio de automóveis, em Ovar. Casou a 22.01.1967 em Ovar, com D. MARIA MANUELA DOS SANTOS CARVALHO, escriturária e mais tarde técnica de farmácia, nascida a 05.03.1945 em Ovar, de quem teve dois filhos: Raul Mário e Fernando Manuel. 1(XI) - Dr. RAUL MÁRIO CARVALHO CAMELO ALMEIDA, deputado na Assembleia da República, licenciado em ciência política, nasceu a 08.05.1968 em Ovar. Casou a 10.02.1990 na Foz do Douro, Porto, com a Dr.ª PAULA ALEXANDRE DE PINHO FERREIRA PINTO, nascida a 21.01.1969, licenciada em direito e pós-graduada em ciências religiosas e ensino especial, foi advogada e é actualmente professora do ensino secundário e administradora não executiva de diversas sociedades, de quem tem uma filha: Ana Francisca. 2(XI) - FERNANDO MANUEL CARVALHO CAMELO ALMEIDA, nasceu a 30.10.1974 em Ovar, vendedor de automóveis e posteriormente sócio-gerente de empresas de comércio de automóveis, sendo actualmente director da Mercedes, da região de Aveiro. Casou em 09.04.1993 com a Dr.ª MARIA HELENA DE AMORIM FERREIRA, nascida a 20.11.1967, professora de português/francês, de quem tem um filho: João Luís. Casou, em segundas núpcias, a 19.07.2003 com D. MARIA GABRIELA GOMES MACHADO, técnica de farmácia, nascida a 01.03.1971, de quem tem um filho: Fernando Manuel. 2(IX) - ANTÓNIO PINTO CAMELO, nasceu a 13.03.1911 em Avanca, e faleceu solteiro e sem geração por volta dos 28 anos de idade. 3(IX) - JOÃO LUÍS PINTO CAMELO, nasceu a 14.09.1920 em Avanca, onde faleceu solteiro e sem geração a 11.08.1941. 4(IX) - D. LUCIANA IDÍLIA PINTO CAMELO, nasceu a 13.12.1906 em Válega, e faleceu a 26.10.1998, em Esmoriz. Casou com MANUEL JOAQUIM SÁ FERREIRA, industrial, natural de Esmoriz, industrial, com descendência. 5(IX) - D. MARIA EUGÉNIA PINTO CAMELO, nasceu a 09.05.1918 em Avanca, e casou com FERNANDO BEIRÃO SOARES, contabilista da Nestlé, em Lisboa, com descendência. 6(IX) - D. PALMIRA EDUARDA PINTO CAMELO, nasceu a 23.02.1915 em Avanca, e casou com MAURÍCIO ANTÓNIO AZEVEDO MACHADO DOS SANTOS, funcionário da Nestlé, em Lisboa, com descendência.

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DELFIM BISMARCK FERREIRA

§ 7.º DESENTRONCADOS de Beduído (I) - MANUEL JOSÉ BANDEIRA, comerciante, filho e neto de incógnitos, nasceu aproximadamente em 1815 em Beduído, Estarreja, onde casou a 25.07.1842370 com MARIA MONTEIRO, natural de São Salvador do Mundo, filha de Francisco Moreira e de sua mulher Joaquina Monteiro, natural de Canhões, São Salvador, bispado do Porto. Residiram na Praça, em Beduído, Estarreja, onde tiveram, pelo menos, um filho: Filipe José. 1(II) - FILIPE JOSÉ BANDEIRA, comerciante, barbeiro e escrivão do juízo ordinário da Comarca de Estarreja, nasceu a 25.07.1843 em Beduído, Estarreja371, onde casou a 15.06.1860 com MARIA DE JESUS, vendeira e logista, filha de Bartolomeu Fernandes da Curta, negociante, natural da Murtosa, e de sua mulher Maria Joaquina da Silva Mortágua, natural de Beduído. Residiram primeiro na Praça, depois no Outeiro do Coval e por fim no Paço, em Beduído, Estarreja, onde tiveram nove filhos: Manuel Maria, Maria, Ana, Maria Emília, Carolina, António José, António Augusto, Francisca e Pedro. 1(III) - MANUEL MARIA BANDEIRA, nasceu a 21.04.1861 na Praça, Beduído, Estarreja. 2(III) - MARIA, nasceu a 22.01.1863 na Praça, Beduído, Estarreja. 3(III) - ANA, nasceu a 31.12.1864 no Outeiro do Coval, Beduído, Estarreja. 4(III) - MARIA EMÍLIA, nasceu a 26.06.1866 no Outeiro do Coval, Beduído, Estarreja. 5(III) - CAROLINA, nasceu a 07.10.1868 no Paço, Beduído, Estarreja, onde faleceu criança a 27.10.1868. 6(III) - ANTÓNIO JOSÉ BANDEIRA, nasceu a 09.11.1869 em Beduído, Estarreja, e casou a 25.04.1894 em Esposende, com MARIA JÚLIA DA CONCEIÇÃO BAPTISTA, nascida a 16.11.1870 em Espariz,Tábua, filha de Joaquim da Silva Guimarães e de sua mulher Maria do Rosário Silva. Residiram no Porto, onde tiveram pelo menos um filho: Filipe José. 1(IV) - Comend.or FILPE JOSÉ BANDEIRA nasceu a 13.04.1895 no Bonfim, Porto, e casou com CORINA CÂNDIDA DE OLIVEIRA, nascida a 01.05.1895 em Massarelos, Porto. Filipe foi um conceituado ourives, e foi agraciado com o grau de Comendador da Ordem do Mérito Industrial e Agrícola a 29.12.1930. Faleceu a 28.07.1970 em Mafamude, Vila Nova de Gaia, deixando, pelo menos, uma filha Maria Lucília.

370 - ADA, Livro Paroquial de Beduído, n.º 16, Misto, fls. 184v.-185. 371 - ADA, Livro Paroquial de Beduído, n.º 17, Baptismos, fl.93v.

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TERRAS DE ANTUÃ | HISTÓRIAS E MEMÓRIAS DO CONCELHO DE ESTARREJA

1(V) - Dr.ª MARIA LUCÍLIA BANDEIRA, farmacêutica, nasceu a 01.05.1917 no Bonfim, Porto, onde casou a 19.08.1950 com ANTÓNIO DO ROSÁRIO PINTO, nascido a 16.01.1921 em Vila Nova de Gaia, filho de Cláudio Pinto e de sua mulher Joaquina Rosária, naturais e moradores em Vila Nova de Gaia. Maria Lucília licenciou-se em Farmácia pela Universidade do Porto e faleceu a 17.12.1998 e António faleceu a 06.08.2006, ambos em Vila Nova de Gaia, deixando duas filhas: Maria de São José e Maria da Graça. 1(VI) - Dr.ª MARIA DE SÃO JOSÉ BANDEIRA DO ROSÁRIO PINTO, licenciada em Letras pela Universidade do Porto, nasceu a 15.10.1954 e casou em 2004 com JOSÉ ANTÓNIO GOMES LEITE, empresário, nascido em 1956. Têm dois filhos: Luís Filipe e Mariana. 2(VI) - Dr.ª MARIA DA GRAÇA BANDEIRA PINTO, farmacêutica, licenciada em Farmácia pela Universidade do Porto, nasceu a 15.12.1956 em Santa Marinha, Vila Nova de Gaia, onde casou a 10.03.1979 em Mafamude,Vila Nova de Gaia, com JOSÉ MANUEL VALGA CAMARINHA, comerciante e empresário, nascido a 15.10.1956 em Arcozelo, filho de Américo Ferreira Camarinha, comerciante e empresário, e de sua mulher Margarida Loureiro Valga. Têm dois filhos: Ricardo Manuel e João Miguel. 1 (VII) RICARDO MANUEL PINTO CAMARINHA, nasceu a 18.01.1981 em Espinho, e casou a 15.09.2007 em Recardães, Águeda, com D. LEONOR FERRÃO SANTIAGO SOTTO-MAYOR, nascida a 13.02.1981 no Porto, filha de D. Dinis Carlos de Azevedo Santiago Sotto-mayor e de sua mulher D. Maria José Ferrão Antunes Moreira372. 2 (VII) JOÃO MIGUEL PINTO CAMARINHA, nasceu em 17.05.1985 no Porto. 7(III) - ANTÓNIO AUGUSTO, nasceu em 1873 em Beduído, Estarreja. 8(III) - FRANCISCA, nasceu a 16.03.1878 no Paço, Beduído, Estarreja, onde faleceu criança a 16.04.1880. 9(III) - PEDRO, nasceu a 25.04.1880 em Beduído, Estarreja.

372 - Sobre esta família ver: MELO, J. L. T. C., MELO, M. A. P. T., 2005.

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DELFIM BISMARCK FERREIRA

§ 8.º DESENTRONCADOS Valentes Bandeiras, da Salreu 1(I) - MANUEL VALENTE BANDEIRA, filho de Manuel Valente e de Catarina João, do Feiro, casou com373 JOANA VALENTE, filha de Manuel Valente e de sua mulher Brízida Valente, de Antuã, residiram em Antuã, onde tiveram, pelo menos, seis filhos: José, Brízida, Maria, João, Manuel e Rosa. 1(II) - JOSÉ, nasceu a 31.07.1757 em Antuã, Salreu374. 2(II) - BRÍZIDA, nasceu a 12.01.1760 em Antuã, Salreu375. 3(II) - MARIA VALENTE BANDEIRA, nasceu aproximadamente em 1761 em Salreu, onde faleceu solteira a 28.11.1831376. 4(II) - JOÃO, nasceu a 11.04.1762 em Antuã, Salreu. 5(II) - MANUEL VALENTE BANDEIRA, faleceu solteiro e sem geração a 03.06.1834 nas Laceiras, Salreu, com mais de 70 anos377. 6(II) - ROSA VALENTE BANDEIRA, nascida em Antuã, Salreu, onde casou a 13.02.1790 com ANTÓNIO AFONSO FIGUEIRA, também identificado como António Miguel Figueira, nasceu em Salreu, filho de José Afonso e de sua mulher Maria Figueira, do Vale da Lama, Salreu. Residiram no Feiro e depois nas Laceiras, Salreu, onde residiram e tiveram, pelo menos, três filhos: Maria, José e Brízida. 1(III) - MARIA, nasceu em Salreu, onde faleceu solteira e sem geração a 18.01.1844 na Boa Vista, com cinquenta e tal anos378. 2(III) - JOSÉ AFONSO VALENTE BANDEIRA, lavrador, nasceu a 08.04.1793379 no Feiro, Salreu, onde casou a 04.06.1857380 com BRÍZIDAVALENTE DA SILVA, lavradora, filha de João da Silva e de sua mulher Joana Valente, da Boa Vista, Salreu. José faleceu a 29.10.1868 nas Laceiras, Salreu, deixando um filho e duas filhas: Maria Generosa e Maria Generosa. 1(IV) - MARIA GENEROSA, faleceu a 16.01.1861 nas Laceiras, Salreu381, de um ano de idade. 373 - Não existem registos de casamento de Salreu anteriores a 1773. 374 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 1, Baptismos, fl. 39v. 375 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 1, Baptismos, fl. 85v. 376 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 8, Óbitos, fl. 340v. 377 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 20, Óbitos, fl. 29v. 378 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 20, Obitos, fl. 102v. 379 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 3, Baptismos, fl. 256. 380 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 15, Casamentos, fls. 112-112v. 381 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 21, Óbitos, fls. 52-52v., reg. n.º 8.

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TERRAS DE ANTUÃ | HISTÓRIAS E MEMÓRIAS DO CONCELHO DE ESTARREJA

2(IV) - MARIA GENEROSA, faleceu a 29.04.1863 nas Laceiras. Salreu, de dez meses de idade382. 3(III) - BRÍZIDA VALENTE BANDEIRA, proprietária e doméstica, nasceu a 02.04.1796383 no Feiro, Salreu onde casou a 13.08.1823384 com DIONÍSIO VALENTE PIRES, proprietário, natural de Salreu, filho de Mateus Valente Ferreira e de sua mulher Maria Pires, da Boa Vista, Salreu. Residiram na Boa Vista, Salreu, onde tiveram, pelo menos, três filhos: Joaquim, José e Ana. E talvez ainda outra de nome Maria. 1(IV) - JOAQUIM, nasceu a 01.12.1830 na Boavista, Salreu385. 2(IV) - JOSÉ VALENTE PIRES, lavrador e proprietário, nasceu a 31.07.1834386 na Boa Vista, Salreu, onde casou a 16.08.1859387 com MARGARIDA ROSA, nascida no Couto, em Salreu, filha de Joaquim José Bandeira e de sua mulher Teresa Rodrigues, de Salreu (Ver: § 5.º - Bandeira da Silva). José voltou a casar, em Salreu, com ANA RODRIGUES NORA, lavradora, natural de Salreu, filha de José Rodrigues Nora e de sua mulher Maria do Rosário Silva, de Campinos. José faleceu a 01.05.1901 em Campinos, Salreu388, deixando, pelo menos, dois filhos: Maria do Rosário e Joaquim. 1(V) - MARIA DO ROSÁRIO, nasceu a 16.08.1866 no Couto, Salreu389. 2(V) - JOAQUIM VALENTE PIRES, nasceu a 07.03.1870 em Campinos, Salreu390. 3(IV) - ANA, nasceu a 22.09.1837 na Boa Vista, Salreu391. 4(IV)? - MARIA VALENTE BANDEIRA, lavradora, natural de Salreu, casou com JOÃO RODRIGUES DE OLIVEIRA, lavrador, de quem teve, pelo menos, um filho: José. 1(V) - JOSÉ, nasceu em 1859 em Salreu, onde faleceu a 18.07.1872 em Adou de Cima, com 13 anos de idade.

382 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 21, Óbitos, fl. 102v., reg. n.º 31. 383 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 3, Baptismos, fl. 281. 384 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 7, Casamentos, fl. 195. 385 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 6, Baptismos, fls. 179v.-180. 386 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 6, Baptismos, fl. 264. 387 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 19, Casamentos, fls. 128v.-129. 388 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 41, Óbitos, fl. 5v., reg. n.º 20. 389 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 11, Baptismos, fls. 88-88v., reg. n.º 63. 390 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 12, Baptismos, fls. 49-49v., reg. n.º 23. 391 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 9, Baptismos, fl. 35v.

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DELFIM BISMARCK FERREIRA

§ 9.º DESENTRONCADOS Bandeiras “Petiscos”, de Salreu (I) - MARIA JOAQUINA ROSÁRIO “Petisca”, filha de José Marques Petisco e de sua mulher Maria Joaquina, de Adou de Cima, Salreu, onde viveu e teve de pai incógnito pelo menos quatro filhas: Maria Rosa, Maria, Maria Joaquina e Maria. 1(II) - MARIA ROSA BANDEIRA, proprietária, nasceu em 1817 em Salreu, onde faleceu solteira a 13.07.1903392. 2(II) - MARIA, nasceu a 22.10.1822 em Adou de Cima, Salreu393. 3(II) - MARIA JOAQUINA BANDEIRA, jornaleira, nasceu a 14.05.1825 em Adou de Cima, Salreu394, onde casou a 11.04.1866395 com JOSÉ ANTÓNIO DAS NEVES, nascido em 1842 em Salreu, filho de José António das Neves e de sua mulher Ana Joaquina de Figueiredo, de Adou de Baixo. Maria Joaquina faleceu a 22.06.1901 em Adou de Cima, Salreu396, deixando, pelo menos, uma filha: Rita. 1(III) - RITA DA SILVA, doméstica, natural de Salreu, onde casou com APARÍCIO BARBOSA DA SILVA, carpinteiro, natural de Salreu, filho natural de Margarida Marques Nogueira, solteira, de Salreu. Residiram em Adou de Cima, Salreu, onde tiveram, pelo menos, um filho: José Maria. 1(IV) - JOSÉ MARIA BARBOSA DA SILVA, empregado comercial, nasceu a 20.01.1898 em Adou de Cima, Salreu397, onde casou a 09.08.1938 com MARIA HENRIQUETA LOPES DA SILVA, doméstica, nascida em 1915 em Beduído, Estarreja, filha de José Maria Lopes, distribuidor do correio, e de sua mulher Albina Rosa da Silva, de Beduído. 4(II) - MARIA, nasceu a 10.03.1835 em Adou de Cima, Salreu398.

392 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 41, Óbitos, fl. 8v., reg. n.º 33. 393 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 5, Baptismos, fl. 180v. 394 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 6, Baptismos, fls. 33-33v. 395 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 17, Casamentos, fls. 37-37v., reg. n.º 5. 396 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 41, Óbitos, fls. 7v.-8, reg. n.º 30. 397 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 28, Baptismos, fls. 3v.-4, reg. n.º 9. 398 - ADA, Livro Paroquial de Salreu, n.º 6, Baptismos, fl. 279v.

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TERRAS DE ANTUÃ | HISTÓRIAS E MEMÓRIAS DO CONCELHO DE ESTARREJA

AGRADECIMENTOS Ao longo da elaboração deste estudo, foram várias as pessoas que colaboraram através de informações diversas que forneceram. No entanto, gostaria de salientar, aqui: o Dr. Miguel Esperança Pina pelas informações da família Bandeira relativas ao período anterior à sua fixação no concelho de Estarreja; o amigo António Augusto Silva, pelas informações dispersas e pistas que me forneceu; e a Prof.ª Carolina Augusta Nogueira Pereira da Silva pelas informações específicas sobre alguns ramos da família aqui apresentadas.

BIBLIOGRAFIA Manuscrita ADA – Arquivo Distrital de Aveiro Livros Paroquiais de Albergaria-a-Velha, Angeja, Cacia, Beduído, Branca, Glória - Aveiro, Pardilhó, Salreu, São Cristóvão – Ovar e Veiros AUC – Arquivo da Universidade de Coimbra Matrículas de Alunos IAN/TT – Instituto de Arquivos Nacionais / Torre do Tombo Chancelaria de D. José I, Liv. 29 e 69 Chancelaria de D. Maria I, Liv. 23 Registo Geral de Mercês de D. Luís I, Liv. 14 Tribunal do Santo Ofício, Inquisição de Lisboa, proc.º 411 Impressa AAVV, Brotéria, vol. 79, Outubro de 1964. AAVV, Memórias da Academia das Ciências de Lisboa, Classe de Ciências, Tomo II, 1939. ANTÃO, António Valente Nunes, Memória dos Antões de Salreu, Estarreja, Ed. Autor, 2007. BORRÊGO, Nuno Gonçalo Pereira, As Ordenanças e as Milícias em Portugal, Lisboa, Guarda-Mor, Vol. I, 2006. CUNHA, José Tavares Afonso e, Notas Marinhoas, Estarreja, Ed. Autor, vol. III, 1984.

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MEMÓRIAS DO QUOTIDIANO1 Os Painéis dos Barcos Moliceiros José Gurgo e Cirne *

RESUMO Se para alguns os painéis dos barcos moliceiros são o reflexo da paisagem natural, para outros devem ser entendidos ao nível da ordem cultural. Há quem, a propósito, lembre os emblemas das bateiras, que seriam anteriores à decoração dos moliceiros, nos quais teriam ficado submergidos na profusão de cores e formas, adquirindo uma função estética. Mas há também quem procure semelhanças entre os elementos decorativos dos moliceiros e os doutros artefactos da região, encontrando-as nas cangas vareiras, concluindo assim que os painéis daqueles seriam um modo de ostentação e de exibicionismo. E há ainda quem note uma dicotomia entre os ornamentos das casas, lugares de protecção, domínio das mulheres, que recorrem a temas religiosos, e os motivos decorativos dos moliceiros, sítios de perigo, propriedade dos homens, onde impera a imagística profana. Outros, por fim, concedem-lhe o estatuto de micronarrativas visuais da cultura local, atribuindo-lhes uma função de resistência simbólica. Mas isso não obsta a que, segundo os mesmos, sirvam também para fins turísticos, numa encenação do passado, fazendo do barco moliceiro o representante da identidade cultural de toda uma região.

* Licenciado em Antropologia e Serviço Social, pós-graduado em Família e Sistemas Sociais, mestre em Antropologia Social e Cultural, doutorando em Antropologia. 1 - O presente trabalho corresponde à transcrição, com ligeiras alterações, do Resumo, da Introdução e do capítulo dedicado ao Estado da Arte, extraídos da dissertação de mestrado em Antropologia Social e Cultural, concluído no Departamento de Ciências da Vida da FCT da Universidade de Coimbra em 2012.

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INTRODUÇÃO O presente trabalho de investigação teve por objecto de estudo os painéis dos barcos moliceiros, embarcações características da ria de Aveiro.2 Outrora numerosos, eram predominantemente utilizados, como o seu próprio nome indica, na apanha do moliço (designação indiferenciada do conjunto das plantas subaquáticas da ria). Actualmente existirá uma escassa dezena em mãos de particulares, embora nenhum seja utilizado na apanha do moliço – até porque este, devido a factores vários, já praticamente não existe. Tais embarcações são agora utilizadas esporadicamente em regatas e concursos de painéis, integrando festejos tradicionais, como por exemplo aquando da romaria do S. Paio, realizada na freguesia da Torreira, concelho da Murtosa. As restantes embarcações do mesmo tipo, ainda existentes, são propriedade de instituições ou de empresas de turismo e destinam-se a passeios por alguns dos canais da ria. O nosso estudo centrou-se porém naquelas que permanecem em mãos de particulares e não nas que, por força do seu crescente aproveitamento para fins turísticos, estão em vias de adquirir um novo estatuto: o de simples barcos de recreio. Com efeito, em A cultura do moliceiro no presente: encenação e tradição, Clara Sarmento (2009), para além da representação simbólica de valores e práticas locais que atribui aos painéis, coloca a tónica na encenação que, através deles e para tais fins, se tenta fazer do passado. Uma das originalidades destes barcos, para além da sua forma específica, é o conjunto de quatro painéis que ostentam à proa e à ré, dois de cada lado.3 Estes, que desde há muito têm despertado a curiosidade e captado a atenção de estudiosos, apresentam vários motivos: a) Satíricos, românticos, profissionais e religiosos (Castro, 1943); b)De evocação amorosa, religiosa, familiar, profissional, episódica, de costumes, política (Chaves, 1958); c)Satíricos, amorosos, profissionais, religiosos, patrióticos (Dias, 1971); d)Religiosos, históricos (e de “significado patriótico”), relativos ao trabalho, ao quotidiano, eróticos e outros sem enquadramento em qualquer destas designações (Pacheco, 1980); e)Abstractos, concretos (fitomórficos, zoomórficos ou antropomórficos) e de expressão de formas sociais (simbólicas, religiosas, heráldicas) (Guimarães, 1983); f) Satíricos, humorísticos, eróticos, religiosos, românticos, brejeiros, pícaros, profissionais, morais e históricos (Vilar, 1983); g) Religiosos, amorosos, eróticos (maliciosos), patrióticos, históricos, profissionais, folclóricos, desportivos, relativos ao respeito, relativos ao quotidiano (Lopes, 1997); h) Jocosos, religiosos, sobre a vida quotidiana, sobre a História e personalidades (Sarmento, 2000 [1999]; Sarmento, 2001); i) Jocosos, religiosos, sociais, históricos e lúdicos (Sarmento, 2008); j) De exaltação (motivação política, fé, cariz histórico ou patriótico) e de acinte local (jocosos, irónicos, satíricos ou brejeiros) (Fonseca, 2011). 2 - Cf. Nobre et al. (1915: 54): “Os barcos são de tipo especial – roda de proa muito recurvada, cadaste caindo para vante, costados baixos e abertos, a caverna maior bastante chegada para a proa; medem 6 m a 7,50 m de comprimento entre as cavernas de água – quer dizer na sua maior posse – e 12 m a 14,5 m de bica a bica, regulando a boca por 1,5 m a 1,85 m, e por 3,5 a 5 toneladas a carga que comportam.” 3 - Esta disposição dos painéis é também comum aos varinos e fragatas do Tejo (cf. Chaves, 1958: 54).

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Tais painéis são constituídos por um desenho e por um dito (ou figura e legenda), indissociáveis um do outro, porque nenhum faz sentido por si só. No entanto, raros são os trabalhos académicos que se lhes referem (e, quando o fazem, os painéis acabam por ser sempre secundarizados em relação à própria embarcação) e apenas dois ou três, que saibamos, lhes foram dedicados em exclusivo, mas nenhum de forma exaustiva. Em termos bibliográficos, não descurando porém contributos anteriores, o trabalho académico de referência está contido nos Estudos etnográficos (Castro, 1943). Durante as décadas posteriores à sua publicação, a maior parte do que se escreveu sobre os moliceiros e os seus painéis foi beber a esta fonte, pelo que não andaremos muito longe da verdade se dissermos que constitui simples variação do mesmo tema: por vezes diminuída, porque fora do contexto original; por vezes também desvirtuada, porque acrescida de uma ou outra nota pessoal, que apenas tem o mérito duvidoso de acrescentar algum amadorismo à questão. Não obstante esse tempo decorrido, em A decoração do moliceiro (Guimarães, 1983), logo na nota introdutória, o autor, além de esclarecer que o seu trabalho era o culminar de investigações anteriores sobre aspectos da construção naval na ria de Aveiro, e, como tal, consequência destas, considerava-o por isso apenas como um ponto de partida para novos estudos. Mas advertia para o seguinte: “A bibliografia que existe sobre o assunto é reduzida e, na generalidade, estranha a uma investigação antropológica” (idem: 25). Também em Sinais flutuantes: um estudo de etnologia naval na Ria de Aveiro (Guimarães, 1986), o mesmo autor coloca a tónica na imagística dos barcos em geral, incluindo os moliceiros, aos quais dá especial relevo. Realça a condição efémera das suas imagens, estabelecendo um paralelo com a recente idade geológica da laguna,4 e acrescenta que elas (signos, legendas, painéis), por tal razão, se tornam documentos dessa mesma brevidade: “Sinais dos tempos, por isso mutáveis, dinâmicos, em transformação, porventura em risco” (idem: 9). Idêntica preocupação, face ao reduzido número de embarcações em actividade (ainda assim, o dobro das de agora), surge em Peintures des moliceiros d’Aveiro (Portugal): culture e arts populaires (Rivals, 1988). Segundo o autor, trata-se apenas dum esboço feito a partir de cerca de quarenta pinturas observadas no terreno ou no Museu Marítimo de Ílhavo, pelo que, apelando ao seu estudo, antes que desapareçam, reclama: “Ethnologie d’urgence!”5 (idem: 249).

O ESTADO DA ARTE Nos seus Estudos etnográficos, trabalho anteriormente referido, D. José de Castro (1943), apesar de minucioso, limita-se a uma análise meramente descritiva das decorações do moliceiro e, quando muito, ensaia apenas uma explicação naturalista das mesmas: “No que propriamente respeita a decoração, trabalho de embelezamento que o caracteriza entre todas as embarcações do País, a parte monumental do barco é, evidentemente, a proa. Ali se reúnem as principais figuras que são o símbolo dos elementos mais em contacto com a 4 - Cf. Rocha in Oliveira (1988: 19-20): “Nesta chanfradura existe hoje a laguna de Aveiro; a formação do cordão litoral que a separa do mar, começou no século XI ou XII, e esta fase da sua evolução terminou no meado do século XVIII, época em que o canal de acesso ficou localizado no sítio ainda hoje denominado Barra, um pouco ao norte dos Palheiros de Mira.” 5 - Conforme o original em francês.

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ocupação profissional, decompostos em curiosas expressões geométricas. (…) Do lado oposto, os frisos que limitam este mesmo painel no seu prolongamento pelo costado, cedem lugar aos elementos campestres, as flores, especialmente as de maior predilecção popular. Ao centro do painel – lugar de honra – aparece quase sempre um monarca ou uma figura equestre; em volta desta algumas plantas a preencher os espaços disponíveis. Esta parte central do painel é sempre sublinhada por uma legenda, ou dístico, relacionada ou não com o motivo desenhado, e noutras vezes a indicar apenas o nome do construtor do barco, local e data da sua construção. De uma maneira geral, pode mesmo dizer-se sem excepção, nenhum desenho se repete quer por bombordo quer por estibordo; são sempre quatro iluminuras, diferentes entre si no desenho, no colorido e na própria legenda que as sublinha (…). As cores habitualmente empregadas na composição destes painéis são as que mais impressionam a retina: o azul, amarelo, verde, vermelho, preto e branco; as gamas intermédias só num ou noutro pormenor aparecem. (…) A variedade nos painéis, que é infinita – e bem valeria a publicação de um volume pelo que revela de simbólico, de espirituoso, de popular – constitui uma preocupação do decorador que os realiza espontaneamente sem qualquer interferência dos proprietários das embarcações. A diferença de construção em relação à proa limita, na ré, o espaço para as decorações6 que por esse motivo não se prolongam da mesma maneira, apesar de tratadas com igual cuidado. É precisamente nestes painéis da ré que se revelam os mais sugestivos desenhos e as legendas mais espirituosas, o que parece querer compensar em expressão o que reduz em espaço (…) ” (idem: 15). O autor cita, de seguida, alguns exemplos dessas legendas e conclui, referindo-se ao decorador, a quem atribui uma “caprichosa imaginação”, dizendo que, na maioria dos casos, ele é o próprio mestre barqueiro (idem: 16). Embora nos tenhamos alongado em transcrições a propósito do autor precedente, fizemo-lo, por um lado, a título de inventário dos usos, técnicas, estilos e gostos que as mesmas documentam; e também, por outro, tendo em conta que tal registo serviu não só de fonte de informação (quase exclusiva) para os autores que posteriormente se interessaram pelo tema, mas que foi usado como norma pelos próprios artistas mais letrados que continuaram a dedicar-se à pintura dos painéis. Aliás, essa tendência normativa não deixa de ser extensiva aos mencionados autores, que passaram a tentar sistematizar o modo de pintar os painéis por referência aos cânones estabelecidos nessa obra (cf. Lopes, 1997: 89), contribuindo assim para a sua eventual fixação e divulgação, não só junto do público em geral como, já se disse, até dos próprios artistas. Este é um tema que convém não descurar, ademais quando a prática dos concursos de painéis,7 se, por um lado, procura promover a continuação duma arte ancestral, por outro não deixa de a condicionar pela imposição de regras que nunca terão estado sequer na mente dos seus genuínos criadores. 6 - Cf. Sarmento (2008: 228): “Na verdade, e ao contrário do habitual neste autor, a observação não está correcta, mesmo para a realidade da década de quarenta, pois os painéis da ré possuem uma área ainda maior do que a dos painéis de proa.” 7 - Cf. Lopes in Sarmento (2003: 76): “A renovação das Festas da Ria e do seu concurso de painéis de barcos moliceiros teve como base a decisão original da Comissão Municipal de Turismo do Concelho de Aveiro, presidida por Arnaldo Estrela Santos, de 9 de Novembro de 1953”. Cf. Sarmento (2009: 62): “A partir da década de 1940, emergiram em força as regatas de moliceiros e os concursos de painéis, uma tradição inventada (…) e explorada até hoje pelos poderes políticos, económicos e comerciais, que multiplicam artificialmente os pretextos e as ocasiões para tão lucrativas celebrações orientadas para o turismo.” (Registese a discrepância de datas.)

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Não obstante, num trecho menos citado da referida obra, no capítulo dedicado precisamente aos Barqueiros, o mesmo autor diz, a dado passo, o seguinte: “Para estas decorações não existem moldes; a ocasião é que as inspira e determina, a prática faz o resto. Traço aqui ou ali, mais flor menos flor, sem rigor na distribuição do colorido mas apenas com inteira obediência aos contrastes, que não se dispensam, por que constituem uma exigência da sensibilidade visual do artífice, pode dizer-se que não há desenhos iguais no pormenor, mas semelhantes no seu conjunto, facto este que individualiza o efeito decorativo de cada peça realizada. A combinação das cercaduras com o resto do painel, os motivos evocados num ou noutro friso da decoração, os cambiantes dispersos para realce do que se pretende atingir, são meros efeitos de uma espontânea inspiração do momento. (…) Daqui resultam alguns erros frequentes na reprodução de tais decorações quando, quem as interpreta, pretende demonstrá-las à margem do ambiente em que se manifestam ou acima dos conhecimentos rudimentares dos próprios artífices que as criaram” (Castro, 1943: 244-245). Note-se a tónica colocada na espontaneidade das decorações, a sua inscrição no ambiente cultural em que foram produzidas e a rudeza atribuída aos artistas. Se a espontaneidade referida contradiz a imposição de regras técnicas e artísticas que, como atrás dissemos, posteriormente outros tentaram codificar (cf. Lopes, 1997: 89), já a sua característica de produto cultural específico tem vindo a ser corroborada (cf. Sarmento, 1999; Sarmento, 2008). Mas quanto à suposta ignorância ou ingenuidade dos artistas, epítetos em que continuam a ser pródigos os autores que se têm dedicado ao tema (cf. Sarmento, 1999; Sarmento, 2008), muito parece, quanto a nós, haver ainda por desvendar. Mas quase quatro décadas depois, também Hélder Pacheco (1980) não se afasta dessa tendência. Diz que um dos motivos que caracteriza o barco moliceiro e o torna importante até para o estudo da pintura popular em Portugal é precisamente a sua riqueza pictórica. Remete contudo a diversidade de significados dos motivos dos painéis para “a personalidade, os conhecimentos, o talento e os interesses do pintor” (idem: 12). E considera que os estudos existentes pouco revelam sobre os artistas, embora dê por adquirido que as pinturas são obra dos construtores. Só quando os barcos, com o passar do tempo, as vão perdendo é que os seus donos “ou «habilidosos» que se dedicam nas horas vagas ao conserto das embarcações” as avivariam por cima do traço original (idem: 12). Refutando a influência da pintura erudita em tal processo, não descura porém nele “uma criação ingénua cheia de simplicidade, por vezes extremamente poética, onde a ausência de conhecimentos formais é amplamente suplantada pela força emocional”, que a sinceridade do artista transforma em “instantâneos apaixonados de um quotidiano sensível” (idem: 17). Houve, no entanto, autores que ousaram ir mais além desta tendência meramente descritiva, procurando uma justificação para a existência dos painéis e tentando uma explicação dos mesmos. Daniel Guimarães (1983), culminando investigações sobre aspectos da construção naval na zona da ria de Aveiro, parece ter sido o primeiro a fazê-lo quando, criticando tal tipo de argumentos, designadamente os do autor precedente, explica que não é a ordem natural mas sim a ordem cultural que pode esclarecer o assunto, já que a relação do homem com a natureza é medida (sic) pela cultura. E é com base nestes pressupostos que o autor afirma que o esclarecimento destas questões parece importante para uma análise eficaz e profícua da decoração do moliceiro. Desenvolvendo o tema, afirma que uma primeira questão que se pode colocar a este respeito tem a ver com a proveniência das decorações, acrescentando que nesse âmbito se pode talvez perguntar se as que hoje encontramos no moliceiro sempre o acompanharam ao longo do tempo ou constituem apenas registos que lhe eram exteriores. De qualquer modo, o autor só admite como

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certo que a actividade de recolha de moliço por barcos especializados existe desde os princípios do século XIX.8 Por outro lado, considera que a profissão de moliceiro, enquanto actividade especializada, é relativamente recente e resulta da expansão agrícola. Antes disso, a recolha do moliço seria assegurada directamente pelo camponês que com ele adubava os seus campos. Entretanto, para dar corpo a um argumento que usará mais à frente, esclarece que o barco moliceiro é normalmente tripulado por dois homens – patrão (ou arrais) e moço9 – que se tratam por camaradas e cujas funções constituem duas actividades realizadas em simultâneo: manobrar o barco e recolher o moliço. Já quanto às decorações, diz que não têm rigorosamente nada a ver com a vontade de qualquer dos seus tripulantes. Concordando com Castro (1943) e Pacheco (1980), afirma que são da autoria exclusiva do mestre barqueiro, que as realiza a seu gosto. Duvidamos que tal se passe de facto assim, com base no trabalho de campo realizado, mas entendemos a posição do autor como base do seu argumento seguinte: “O facto da decoração provir do génio criador do mestre, fazendo parte e finalizando a construção do barco, é sem dúvida um dado importante que não se deve perder de vista. Há como que um processo alquímico pelo qual o artefacto é trazido à luz do dia – processo pelo qual o barqueiro investe o seu esforço e a sua sabedoria na criação de um ente animado” (idem: 27). Neste ponto, o autor remete para um artigo de Octávio Lixa Filgueiras,10 no qual é feita uma breve resenha histórica sobre o modo como têm sido concebidas as embarcações ao logo dos tempos, desde o barco enquanto veículo sagrado até à sua concepção como ente animado:11 “Inicialmente através de sacrifícios de sangue – imolações de pessoas ou de animais – era procurada a transferência dos poderes físicos ou espirituais das vítimas oblatas, incorporando-as intimamente nas madeiras dos cascos recém-construídos”12 (Filgueiras in Guimarães, 1983: 27). Aqui encontra o autor, como afirma, o primeiro dado para a explicação da decoração dos moliceiros. Ressalva porém o facto de a observação de Lixa Filgueiras se referir aos barcos poveiros, esclarecendo que, quanto aos moliceiros, os motivos da sua decoração são bastante mais variados. Pelo que conclui: 8 - Cf. Oliveira (1988): Em 1757, a barra, situada então nos areais de Mira, fechou completamente. Nesse mesmo ano, foi aberto um canal na Vagueira, que voltou a fechar em 1765. Após quase meio século de estagnação, a actual barra foi definitivamente aberta em 3 de Abril de 1808, o que contribuiu para o relançamento da actividade económica na região. 9 - Não necessariamente. Cf. Nobre et al. (1915: 54): “O pessoal de cada barco moliceiro consta de um homem e um rapaz, ou dois homens, e raras vezes três pessoas.” Por outro lado, a designação de “moço” também se aplicava aos “moços de lavoura”. Em alguns casos, havia lavradores que, tendo-os como criados ao seu serviço, estabeleciam um acordo com o moliceiro pelo qual os cediam como sua parte no empreendimento. Além da mão-de-obra, entravam nesse acordo com os aprestos do barco (que tinham o nome genérico de “arreios”), nos quais estavam incluídos normalmente a vela, o cordame, os ancinhos, etc. Como contrapartida, certo número de marés (conforme o investimento de cada parte) pertencia ao moliceiro e outro ao lavrador. (N.P.) 10 - “A propósito da protecção mágica dos barcos do Douro”, in In memoriam António Jorge Dias, IAC, Lisboa, 1974. (N.A.) 11 - Cf. Homero (2006: 143): “É que os Feaces não têm timoneiros, nem têm lemes / como é hábito entre as naus dos outros; mas as próprias naus / compreendem os pensamentos e os espíritos dos homens / e conhecem as cidades e férteis campos de todos”. 12 - Cf. Petrónio (2006: 171): “Ora tragam à minha presença já os culpados, para eu saber com que cabeças devo purificar o meu navio”.

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“Perante tal profusão de elementos decorativos, a hipótese de barco-ente-animado parece submergir na rede inextricável de formas, cores e palavras. À primeira vista, parece que o mestre barqueiro apenas se preocupou em encher algumas áreas com elementos variados, ao sabor da inspiração de momento, combinando ou recombinando «casualmente» as formas, as cores e as legendas de que dispõe” (idem: 27). Mas logo se interroga se será mesmo isso que acontece, razão pela qual se deveria verificar: primeiro, se as relações entre os elementos decorativos são aleatórias ou se, pelo contrário, se regem por qualquer espécie de lei; segundo, se existe regularidade ou não nas áreas pintadas e na sua relação com os nomes das mesmas; e, finalmente, se se verificam similitudes entre os motivos decorativos do moliceiro e as decorações doutros artefactos (idem: 27). Começando pela última questão, diz o autor que existem fortes semelhanças entre os elementos decorativos do moliceiro e os que se encontram nos jugos e cangas vareiras.13 Quanto à segunda, diz que foi uma afirmação de Luís Chaves14 que lhe permitiu levantar a ponta do véu: “Os barcos vestem-se como se vestiram os corpos, e se enfeitaram, guarneceram, defenderam com o que vestiram e como o vestiram. (…) O homem coloriu-se, desde a pele ao traje, das coisas que usa às que o abrigam e protegem” (Chaves in Guimarães, 1986: 28). Passa então a esclarecer que, tal como o corpo, o barco também se veste e se enfeita; e que, tal como o corpo pode ser tatuado por intermédio de pequenas incisões e da aplicação de pigmentos coloridos, também os costados e a madeira se impregnam de tinta. E respondendo à terceira questão, conclui: “O barco torna-se assim (...), por adição das suas tatuagens, um ente-vivo, o terceiro «camarada»15. O seu corpo – a sua pele – é então iluminada, não em pontos ao acaso, mas em áreas específicas, importantes quer pela exibição que proporcionam vistas do exterior, quer pela protecção que garantem no interior” (idem: 28). Num segundo artigo publicado posteriormente sobre o tema, o mesmo autor confessa que, face ao fascínio dos painéis dos moliceiros, por vezes se perdem de vista os emblemas das bateiras. Ora, nestas, os sinais pictóricos despem-se das cercaduras, das legendas, dos arabescos e apresentam-se na sua expressão mais simples. Aquele que seria primitivamente um sinal de propriedade ou de protecção mágica é, hoje, sempre substituído pelo emblema do clube, pela bandeira ou pela flor estilizada. E confidencia que, a dada altura, lhe ocorreu a hipótese de que esses sinais seriam anteriores à exuberância decorativa do moliceiro, que neste passaram a ficar submersos em cores e formas (Guimarães, 1986). A este propósito, considera como emblema todo e qualquer sinal pictórico simples, seja ele figurativo ou abstracto, sem legenda ou com uma frase que em nada altere o significado da imagem. E confessa que, ao fazê-lo, partiu da hipótese de que qualquer deles cumpre simultaneamente uma

13 - A nós, parece-nos porém que se trata de coisas distintas: os painéis dos moliceiros são pinturas, enquanto os jugos e as cangas são baixos-relevos coloridos, exibindo apenas meia dúzia – se tanto – de motivos principais que se repetem (cf. Branco, 1975: 51; Oliveira, 1985: 8). 14 - “A decoração dos nossos barcos”, in Brotéria, XLI. (N.A.) 15 - Atente-se na analogia com O burro de ouro (Apuleio, 2007: 30): “E enquanto o cavalo ia procurando refeição, à medida que cruzava os prados, com a cabeça virada para os lados e a boca rebaixada para a frente, juntei-me, como terceiro camarada, a outros dois companheiros de viagem que por acaso seguiam um pouco à minha frente”. Tenha-se ainda presente a viagem do jovem Lúcio a caminho da Tessália, a metamorfose que sofreu e toda a aventura subsequente…

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função de marca de propriedade e de protecção, colocando-o sob tutela de uma entidade mítica.16 Acontece porém que essa dupla função mágica e estética não está cindida, isto é, os sinais pictóricos são simultaneamente signos propiciatórios e formas de embelezamento. Em alguns casos, no entanto, uma das funções assume maior importância, fazendo passar a outra para segundo plano. Por outro lado, segundo o autor, a proa e a ré constituem os dois polos de organização interior do barco. Assim, na proa concentrar-se-iam os objectos ou substâncias que se deveriam manter longe da água e da humidade; na ré, aqueles que, mesmo molhados, não se deterioram. A proa seria então considerada uma zona seca, onde se cumpririam funções também “secas”: descansar, dormir, foguear; pelo contrário, a ré seria uma zona húmida, onde se realizariam funções igualmente “húmidas”: manobrar o barco, defecar.17 Seguindo este raciocínio, o autor acaba por atribuir uma distribuição das decorações, entre a proa e a ré, de acordo com o carácter das funções praticadas nessas zonas: mais tradicionais na proa e mais espontâneas na ré (ênfases nossos). Conclui assim que, por tais razões, a decoração (nos barcos em geral e no moliceiro em particular) não é aleatória, pois “integra-se nas estruturas morfológicas e funcionais da embarcação” (idem: 20). E encarando ainda o barco como um todo, o autor nota lógicas diferentes quanto à imagística do seu interior e do seu exterior: no interior, teria uma função organizadora do próprio espaço; no exterior, assumiria “uma organização cénica dos sinais, uma afirmação exibicionista, se quisermos uma lógica do espectáculo” (idem: 20). Adverte contudo que essas relações estruturais não excluem a proliferação de sinais gráficos, pois os arabescos e as flores espalham-se pelo “corpo” do moliceiro. Não obstante, uma vez perdida a sua intenção propiciatória, para que servem tais sinais? Responde o autor: “Basicamente, eles mantêm e alimentam uma intenção estética” (idem: 23). Voltando então ao seu anterior artigo, às semelhanças que reconhece entre os motivos decorativos do moliceiro e os que animam a canga vareira, o autor afirma o seguinte: “Há finalmente um facto que irmana em definitivo o moliceiro com o carro de bois e, por extensão, os painéis pintados com a decoração da canga: ambos cumprem funções agrícolas, ambos são originalmente alfaias dos lavradores locais. (…) De um ponto de vista de funcionalidade imediata, esta riqueza icónica que um e outro sustentam é nula, isto é, as pinturas em nada favorecem a apanha do moliço ou o trabalho dos bois. Ao nível da crença indígena elas poderão propiciar alguma protecção… Mas não será também esta crença um registo de uma outra intenção que é a de ostentar o próprio poder? Não será a proliferação de sinais um modo inocente de exibicionismo?” (idem: 24). Para sustentar esta tese, o autor socorre-se de Ernesto Veiga de Oliveira e colaboradores,18 que situam o exemplar mais antigo de jugos decorados na segunda metade do século XIX.Tal facto incluir-se-ia num conjunto de modificações verificadas ao nível do quotidiano dos lavradores a 16 - Cf. Horácio (2008: 76): “Embora feito de pinheiro do Ponto, / filho de nobre floresta, // te vanglories de tua origem e inútil nome, / não confia o medroso nauta nas pinturas de tua popa.” 17 - De notar, a propósito, o mito recorrente, talvez devido a homofonia, de que o cagarete (assento à ré) seria destinado às funções fisiológicas dos tripulantes, quando na verdade as águas abertas da ria constituíam o vazadouro natural de tais necessidades. Norma era porém que se efectuassem na metade posterior da embarcação, obviamente por razões higiénicas e de natural decoro, segundo a máxima dos moliceiros: comer é à proa e «cagar» é a ré. E registe-se que a proa, apesar de zona “seca”, servia (e provavelmente ainda servirá) para funções menos nobres… 18 - Oliveira et al. 1973. Sistemas de atrelagem dos bois em Portugal, Lisboa, IAC. (N.A.)

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norte da ria19 em meados dessa centúria: enriquecimento das construções e dos traçados das casas de lavoura, ostentação e enriquecimento de objectos de uso comum, melhoria geral das condições de vida (idem: 24): “Os grandes jugos lavrados – e as demais alfaias e objectos que mencionamos – terão portanto surgido apenas por volta dos meados do século XIX, como mais um aspecto e manifestação desse renovo, prosperidade e euforia decorrentes das reformas liberais no plano da vida rural, naquela época e naquelas regiões. Eles representarão seja uma criação original, seja, mais provavelmente, o enriquecimento e desenvolvimento de uma dessas anteriores cangas de tábua, modestas e sem qualquer valor” (Oliveira et al in Guimarães, 1986: 24). Assim sendo, segundo o autor, aquilo que se passou com a canga vareira – provavelmente a descendente “endinheirada” de uma tosca canga de tábuas – ter-se-ia passado finalmente com o moliceiro – o descendente enobrecido de uma embarcação local indiferenciada. Mas há quem, como Claude Rivals (1988), coloque a questão ao nível do próprio património etnológico da Europa. Manifestando-se maravilhado com os barcos moliceiros, por os considerar funcionais e belos, perfeitamente adaptados aos seus fins e estimados por quem os utiliza a ponto de não hesitar em decorá-los, apela ao seu estudo como testemunhas dos séculos passados, antes que desapareçam. O autor considera que as pinturas mais bonitas estão na popa, dum e doutro lado, opinião concordante com a de Castro (1943) e, em certa medida, também com a de Guimarães (1986). E acrescenta que cada barco comporta quatro temas, que um estudo sistemático deveria levar em conta. Também Claude Rivals inclui os moliceiros (no duplo sentido da palavra, barcos e homens) num sistema agro-marinho que, no seu dizer, a geografia continua a estabilizar e a história a construir. Quanto aos barcos em si, considera-os veículos (chega mesmo a compará-los a carroças de feno) que, para lá da sua função primeira de meio de transporte, estão porém mais profundamente investidos. E, a este propósito, interroga-se: porquê essa barreira de pinturas? Que objectivo têm essas decorações? Responde que são a expressão duma arte popular, que se encontra ainda viva, tal como quando afirma: “Une population qui peint ses bateaux et les lance à la mer ou sur l’eau d’une lagune constitue un album d’images au travers duquel elle s’exprime. Ces images – como toute image – sont faites pour être vues et commentées, lues selon des codes de la collectivité. Peut-on, après infortmation, tenter de lire cet álbum? Nous essayons ici de le faire”20 (idem: 254). Claude Rivals nota por fim que os painéis de azulejos que decoram as casas, tanto burguesas como populares, se baseiam no Santoral cristão e nos episódios bíblicos do Antigo e do Novo Testamento. Conclui assim que entre os motivos que decoram as casas e os que embelezam os

19 - Na edição por nós consultada, esse desenvolvimento é atribuído ao Noroeste português e nela se afirma o seguinte: “Pode-se supor que esta feição se relaciona com o advento e a ascensão de um estrato social rural que ganhou grande vulto, importância e riqueza, depois das reformas liberais de Mouzinho da Silveira, aparecendo mormente em terras maiatas e minhotas, grandes e fortes casas de lavoura, de que o gado bovino era o elemento primordial, que por isso merecia a glorificação simbólica de um jugo sumptuoso” (Oliveira, 1985: 9). 20 - Esta mesma citação, em francês, serve de nota de abertura a Cultura popular: práticas, discursos e representações (Sarmento, 2008: 7).

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moliceiros se estabeleceu uma espécie de separação: a casa, lugar da família e principalmente domínio da mulher, recorre quase sistematicamente à protecção religiosa; já a sociedade dos moliceiros, mundo do trabalho ao ar livre, dos perigos e mais especificamente do domínio masculino, procurou uma imagística deliberadamente profana.21 Mas naquele que pode ser considerado um dos trabalhos mais abrangentes (embora de carácter generalista) sobre os barcos moliceiros – desde a sua construção, decoração e legendagem dos painéis, até ao seu uso nas festividades locais –, Ana Maria Lopes (1997), antiga directora do Museu Marítimo de Ílhavo, usando o mesmo argumento de Guimarães (1983), procede a uma comparação entre o barco e o homem, considerando-o também um ente anímico. Quanto aos painéis, procede à sua descrição, na esteira do que já fizera Castro (1943), e conclui, indo ao encontro do que já atrás dissemos: “Com maior ou menor grau de flexibilidade, mais ou menos de acordo com a «escola» do pintor e o seu grau de sensibilidade, todos os painéis apresentados estão dentro dos cânones da pintura de moliceiros: motivo central, sublinhado por uma legenda e emoldurado por frisos geométricos, constituídos por combinações de círculos ou por elementos vegetalistas” (Lopes, 1997: 89). No que respeita às cores, também lembra que elas são igualmente usadas noutros artefactos locais: as cangas vareiras (idem: 90). Confessa porém que não existem testemunhos de que os barcos moliceiros sempre foram decorados com a exuberância que ostentam, uma vez que não há documentos escritos que o comprovem. Não obstante, recorrendo ao testemunho da geração mais idosa, diz que todos os recordam como hoje se apresentam. Conclui assim que os painéis dos moliceiros tiveram a sua origem na arte popular (idem: 97). E, por isso, remata dizendo que constituem exemplos de pintura naïf (idem: 98). Pouco depois, Clara Sarmento (1999) deu à estampa uma colectânea de painéis de moliceiros, logo reeditada (2000), cujo valor residirá no inventário fotográfico dos mesmos. De facto, o texto que lhes serve de introdução pouco acrescenta em termos explicativos, para além de referir que os painéis ilustram histórias alusivas ao quotidiano da ria, devendo-se o seu efeito a uma “certa infantilidade subversiva” e a uma “bem-aventurada ignorância técnica” (idem: 25). Perfilha também a opinião de Lopes (1997) de que os painéis provêm da arte popular e que são pinturas naïf, ao que acrescenta serem sempre rematados por uma legenda de ortografia nem sempre perfeita, mas formando com eles uma mensagem indivisível (Sarmento, 2009: 20). Quanto aos decoradores, diz que podem ser os construtores ou apenas um “entendido” na arte chamado para o efeito, que realiza as pinturas “espontaneamente ou por sugestão dos proprietários das embarcações”. Nesse caso, alvitra-se um tema ou um mote que o decorador ilustra “consoante a sua imaginação e talento (…), do traço mais tosco e grosseiro até imagens de cuidada elaboração”, sem que se repitam (idem: 21). Considera, no entanto, que os artistas são “amadores, aparentemente dedicados a ilustrar o seu mundo de rústicos prazeres e deveres”, que se evadem para paisagens imaginárias e os quais chega a comparar a iluministas dos tempos modernos. A eles competirá, segundo a autora, a tarefa de redenção purificadora de uma época que ela considera “manchada pela poluição mecânica e pela

21 - Note-se a semelhança de argumentos com A casa ou o mundo às avessas (Bourdieu, 2002). A mesma semelhança também é notória, como vimos – talvez até de modo mais pormenorizado – em Guimarães (1986).

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sede do lucro”. E atribui a originalidade de tais artistas, não à reprodução cuidada do mundo, mas a uma “forma pessoal, ingénua, inventiva e por vezes insólita” de o visualizar, “equivalente e paralela à realidade, sem complicações intelectuais” (idem: 24). Aquando do IV Congresso Internacional da Associação Portuguesa de Literatura Comparada, realizado na Universidade de Évora, Clara Sarmento (2001) apresentou uma comunicação intitulada O barco moliceiro: texto icónico e inscrição popular, na qual, sem nada acrescentar de novo, usa largamente o seu trabalho anterior, mais tarde incorporado na sua tese de doutoramento. Dois anos depois, num artigo intitulado Os moliceiros e a ria de Aveiro: património e turismo, Clara Sarmento (2003) admite que a função do barco moliceiro se tem alterado durante as últimas décadas, pelo que, “de instrumento indispensável para a economia de toda uma região (…), passou a simples atracção turística”. Mas admitindo que não se trata de um desaparecimento, apenas de uma adaptação a uma nova realidade socioeconómica, considera que isso constitui precisamente a condição indispensável à sua preservação e eventual proliferação. Na sua tese de doutoramento, Clara Sarmento (2008) dedica parte da sua atenção aos moliceiros e, como não poderia deixar de ser, também aos seus painéis. No entanto, mais uma vez, estes só marginalmente são referidos, embora a autora não se limite a considerá-los como meros elementos decorativos das embarcações. Optando por inseri-los no espaço mais vasto dos valores culturais partilhados por uma mesma comunidade, concede-lhes o estatuto de “micro-narrativas visuais” indispensáveis à compreensão da cultura local (idem: 8). Para a autora, mesmo quando as culturas populares tendem a ser definidas como culturas de grupos sociais subalternos, constroem-se num esforço de resistência por parte das classes populares face a uma situação de dominação. Porém, tais culturas não estão em permanente mobilização, funcionando também em repouso. Assim, ao contrário, mais do que resistência sistemática a essa dominação, seriam um modo de conviver com ela. E essa seria, para a autora, parece-nos lógico concluir, a função dos painéis dos moliceiros. Clara Sarmento (2008) volta ainda ao mesmo tema, desta vez com um artigo sobre a retórica da representação etnográfica da cultura popular portuguesa ao longo do século XX, mormente durante o Estado Novo. O moliceiro e os seus painéis servem aqui apenas de exemplo no âmbito da “cultura das monografias”, que gerou uma série de discursos organizados em torno da dimensão simbólica e comunicacional do poder instituído. Referindo-se às práticas culturais populares em torno do moliceiro, diz que, embora tivessem sido objecto de estudo etnográfico, a maior parte careceu de contextualização socioeconómica e baseou-se em escassa pesquisa documental e deficiente conhecimento do terreno. Resultado, segundo a autora, da citação mútua e da reverência pelos autores precedentes, de retórica saudosista e moralizante, mais poética do que científica, não apresentaram porém qualquer evolução ao longo de todo o século XX, pois são da autoria de “amadores, cuja única habilitação é o conhecimento empírico da região ou o prestígio local” (idem: 264). Ainda no mesmo ano, durante o Colóquio Internacional subordinado ao tema “Octávio Lixa Filgueiras: Arquitecto de Culturas Marítimas”, realizado no Museu Marítimo de Ílhavo, Clara Sarmento apresentou uma comunicação intitulada A cultura do moliceiro no presente: encenando a tradição, posteriormente publicada (2009), em conjunto com as restantes produzidas nesse evento. Para além da representação simbólica de valores e práticas locais que atribui aos painéis, a autora coloca a tónica na encenação que, através deles e com vista a fins turísticos, se tenta fazer do passado. Quanto aos painéis, diz que, em tal contexto, os pintores modernos tendem a imitar ou até a reproduzir de forma exagerada as imagens tradicionais, numa tentativa de encenação do pas-

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sado (ênfases nossos). Chega a colocar, por isso, em questão a sua independência ideológica, já que tentam, através das pinturas, fazer reviver o que consideram típico, genuíno e tradicional, simplesmente em função do lucro. E assim conclui que, mais do que testemunho de “resignação versus resistência” ou de “tradição versus modernidade”, o que ocorre com o barco moliceiro actualmente é a sua consagração como representante da identidade e do património cultural da região. No ano seguinte, Clara Sarmento (2009) publicou ainda um trabalho intitulado Navegando a cultura portuguesa: propostas teóricas para uma prática popular, que mais não será, em nosso modesto entender e à semelhança de todos os que publicou posteriormente à sua tese de doutoramento, do que uma simples variação sobre o mesmo tema.

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CRÓNICAS DE UM PASSADO, PRESENTE! Alguns apontamentos para o estudo geral deste concelho de Estarreja. José TeixeiraValente* Preâmbulo: Estas crónicas foram em 2003 publicadas no Ex - Jornal da Ria e por considerar que mereciam ficar registadas, como testemunho histórico do nosso concelho, nada melhor do que a revista “Terras do Antuã” para perpetuar esta memória. Os meus agradecimentos à coordenadora das “Terras do Antuã” Drª. Rosa Maria Rodrigues e a todos os que possibilitaram e permitiram que este trabalho tenha sido possível e que fique para a história deste concelho de Estarreja e das terras marinhoas. Um agradecimento especial ao meu amigo José Manuel Pinho pela colaboração prestada e também ao António Augusto Silva, pela cedência das maravilhosas fotografias e ainda à Susana Silva pelo trabalho de execução de datilografia e de execução informática. Agosto de 2014

* Estarrejense, 74 anos, reformado ativo e atual Presidente da SEMA – Associação Empresarial dos concelhos de Sever do Vouga, Estarreja, Murtosa e Albergaria-a-Velha.

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CRÓNICA I – O PRINCÍPIO E OS OBJETIVOS Numa noite destas, em conversa de café com o meu amigo José Manuel Pinho, desfiamos algumas recordações sobre tempos idos e vividos nesta nossa vila de Estarreja, agora cidade, relembrando episódios, factos, acontecimentos e sobretudo pessoas que, de algum modo marcaram a vida desta terra. Uns com a sua experiência, outros sabedoria e outros ainda pela sua inutilidade, mas mesmo estes, e não foram poucos, tiveram a sua importância, até pela valorização que conferiram aos restantes. E nestas recordações que, por passadas, não deixaram de influenciar o presente, repassavam nomes como os do Tomás de Figueiredo, José de Oliveira e Silva, António Tavares Afonso e Cunha, Alexandre Miranda, Tomás de Oliveira e Silva, Manuel Figueiredo e tantos outros. Só os nomes e suas obras dariam temas para várias crónicas, a que naturalmente poderei voltar e, de certo, voltarei. Mas o Zé Manel Pinho falou-me duma “entrevista” ou melhor “conversa de café”, que o Dr. António Tavares Afonso Cunha (Presidente da Câmara Municipal de Estarreja de 1908-1912) deu ao jornalista João Paulo Freire (Mário), o qual teria publicado um “caderno” aí em meados dos anos 40, sob o título “Alguns apontamentos para o estudo geral deste concelho de Estarreja”. E foi com muito agrado que uns dias depois, recebi uma fotocópia da dita “entrevista” datada em 1946, escrito que li de um fôlego (embora não fosse curta), dado o interesse que me despertou, pela exuberância da descrição, pela atualidade da informação e pela importância da reflexão que, sobre as sete freguesias do concelho de Estarreja ali se fazia e que, ainda hoje, salvo alguns ajustamentos, é tão atual como outrora. Por entender que o que então foi dito merece ser conhecido dos Estarrejenses e não só, atrevome a citar algumas passagens, tecendo sobre elas os comentários que as enquadram no tempo atual. “Não obstante as influências políticas da jornada nacional de 1926 terem desagregado, deste mais de quatro vezes secular concelho, duas as mais importantes, das mais populosas, prósperas, e maiores freguesias, Estarreja ainda ficou e continua a ser abastada circunscrição administrativa, constituída pelas paróquias civis de – Avanca, Beduido, Canelas, Fermelã, Pardilhó, Salreu eVeiros, aglomerados populacionais respetivamente de 4.416, 4.801, 1.603, 1.331, 3970, 4.898, 2.690 habitantes, ligados entre si e com a sede da vila por bóias e óptimas estradas, cujos povoados assentam à volta da mesma em contornos de seis quilómetros, distância por demais apreciável nos serviços de fiscalização, ou judiciais da comarca, e todos iluminados a luz elétrica, com 28 professores primários para a infância escolar. Durante a década, entre os censos da população, referentes a 1930-1940, o aumento de esta foi de 312 habitantes que não influiu nem agravou o desemprego, por este excesso se ter vazado em maior emigração para as Américas, e também o começar de derivar para as nossas possessões ultramarinas. O aumento de população foi sempre corolário do bem-estar, quanto a subsistências públicas. Atravessado pela linha-férrea da Companhia Portuguesa, é servido pela estação propriamente de Estarreja, de 2ª classe, e por mais duas, de Avanca e Canelas, de 3ª classe, além do apeadeiro de Salreu, para passageiros. E todas as sete freguesias comunicam pelas vias fluviais características dos esteiros com o hinterland da ria de Aveiro, que banha por oeste quase todo o Distrito, podendo também comunicar, ainda que indiretamente, umas com outras, por este primitivo sistema de viação, até hoje a modalidade mais barata de transportes. De solo ubérrimo, com área de 125 quilómetros quadrados, ocupando o 12º lugar da superfície, e o 7º em população de todos os dezanove concelhos do Distrito, povoado de 23.709 almas, separa-se em duas zonas distintas: uma de areias negras humosas, outra de areias brancas, magras, de subsolo saibroso.

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Naquelas cultiva-se, intensamente associados, o milho e feijão, gramínea e leguminosa de tão copiosa produção em quantidade e qualidade que, nas esferas oficiais da economia nacional, elevaram o concelho à honrosa categoria de região produtora de origem. O engenheiro agrónomo José Maria Grande, precursor da aplicação de adubos sintéticos em Portugal, na primeira metade do século passado e no seu livro de elementos de agricultura e química agrícola, entre as especialidades de fruta nacional, citou as melancias de Estarreja. Isto devido à natureza destes terrenos. E, nas marinhas apauladas do baixo Antuã, também se intensifica, melhora, e aperfeiçoa a cultura orizícola, a qual já atinge anualmente a produção de 33 vagons de cereal, manifestados oficialmente, correspondentes a 210.000 quilos de arroz limpo, posto no mercado para consumo público. Ex. Oficio, afirma-se ser mais de dupla esta produção.” Comentário Não nos podemos esquecer que estamos em 1946, um ano após o fim da II Grande Guerra. Este pequeno trecho revela-nos toda a pujança destas terras do Antuã e da Marinha que já então detinham potencialidades capazes de ombrear com as mais desenvolvidas do distrito, e que posteriormente vieram a perder influências, porque nós delas não soubemos cuidar com devíamos e elas mereciam. E mesmo agora, que a agricultura esta no ordem do dia, saibam, quem nos governa, das potencialidades deste nosso território a que agora chamamos de Baixo Vouga Lagunar, e sejamos capazes de encontrar as melhores soluções para que possa voltar a desempenhar o importante papel que merece na economia regional e nacional. Esta será a primeira de algumas crónicas sobre estas terras que publicaremos neste nosso órgão de comunicação social destas terras da Ria, a quem desejamos isenção, transparência, objetividade, pluralismo e sobretudo verdade.

CRÓNICA II – A AGRICULTURA Na sequência da primeira crónica apresentada na última edição do “Jornal de Estarreja” e compulsando de novo os “Apontamentos para o Estudo Geral do Concelho de Estarreja”, resultado da entrevista do Dr. António Tavares Afonso Cunha dada em 1946, vamos hoje abordar o tema da agricultura, tão solenemente explanado e tão poeticamente alinhado na beleza da prosa e na sensibilidade da narrativa. E citamos: “O aproveitamento da terra faz-se com todo o carinho, sem por assim dizer notar-se palmo dela desperdiçado. E assim se explica a pulverização de todo o território por 601.911 pequenos prédios do domínio particular, inscritos na matriz predial, ou sejam 494 courelas por quilómetro quadrado, a que corresponde a capitação de 5.275 metros quadrados de terra de cultura por cada habitante. A população é laboriosa, e como na sua maioria vive exclusivamente da terra e para a terra, de ano para ano se tomam iniciativas e se exploram novas pequenas fontes de receita. Ainda não decorridos muitos anos a esta parte, despontou o gosto pela jardinagem. E, nos mercados dominicais do princípio de semana, já se encontra agradável surpresa de um negócio considerável de flor cortada, e de plantas ornamentais envasadas.

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JOSÉ TEIXEIRA VALENTE

As mulheres desta região são camaradas dos homens em todos os serviços rurais da lavoura, ainda os mais pesados, a que se devotam e dedicam voluntária e espontaneamente. E assim se justifica que graciosas linhas femininas se deformem, antes da maturação de uma mocidade acabada. Sacrificam à cultura da terra, ao bem estar do casal, toda a formosura do sexo. Não vem fora de propósito, neste simples cavaco de café, a evocação deste pequeno episódio! Num casal de lavoura, o chefe foi à feira comprar duas enxadas novas em substituição de outras já gastas no trabalho. Regressando a casa, apresentou as alfaias à mulher, porque esta controla tudo quanto respeita aos arranjos caseiros. Levantou-se discrepância irredutível da parte dela, por as duas enxadas não serem do mesmo tamanho e de igual peso. O que o marido considerou gentileza, a esposa julgou vexame trabalhar no campo ao lado dele à vista de Deus e toda a gente com enxada mais pequena e leve. E obrigou-o a voltar à feira por alfaia igual. Não se quer com isto dizer que as mulheres de outros setores profissionais não sejam também de ânimo varonil ativo, empreendedoras e capazes de tomar iniciativas. Outrora floresceu no concelho a indústria caseira do pão de trigo. As padas, bolos na forma de oito, muito polvilhados de farinha, continuam a ter apreciadores. O forno, a peneira, a masseira, a pá e tendal eram o dote de muitas noivas de Pardilhó. As padeiras chegaram a contar-se às dezenas. O pão era de farinha integral de trigo da terra, e vendia-se também pelos concelhos circunvizinhos. Todas as madrugadas dois barcos de dez toneladas de arqueação cada, largavam para Ovar carregados de pão e padeiras. Eram as próprias a apregoá-lo e a vendê-lo. Infelizmente esta atividade doméstica com foros profissionais encontra-se decadente; mas apesar das leis sociais do horário de trabalho, de proteção à mulher operária e das tendências absorventes de Portugal e Colónias, Pardilhó ainda é uma terra em que toda ela cheira a pão quente. Inegavelmente as mulheres da região são também fator importantíssimo e decisivo na economia comunitária do seu município.” Comentário: Como é bela esta narrativa, muito em especial nas referências, alusões, abordagens no que se refere às mulheres: delas se exalta o gosto, a natureza, a dignidade, a fortuna, o sacrifício e a formosura. Já nesta altura a mulher do campo se sentia e queria assumir a sua igualdade perante o homem, até na sua capacidade de trabalho e de sofrimento. E também se falava da cultura do linho e dos tecidos e utilidades, daqui resultantes: o vestuário, a tecelagem, fazendo-se sentir a falta de uma escola deste ofício no concelho. No próximo número prometemos falar na atividade agro-pecuária. Até lá, continuemos a refletir. CRÓNICAS III – A INDÚSTRIA E AGROPECUÁRIA Como prometi na última crónica, vamos hoje abordar o tema da agricultura, ou melhor, agro-pecuária, e o modo como nos “Apontamentos para o Estado geral do Concelho de Estarreja” elaborados em 1946, o Dr. António Tavares Afonso Cunha descrevia de forma notável este setor de atividade económica de importância fundamental então para a vida dos estarrejenses e a sua influência na estrutura social desta região. E, por isso, transcrevemos um trecho desse testemunho.

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“À fertilidade dos campos, abundância de pastagens verdes, forragens secas, legumes de horta e de cereais, impõe-se como é racional crer, uma fauna correspondente, e esta encontra-se largamente representada pela criação e recriação de todos os animais domésticos, entre os quais tem lugar de destaque e domina o gado bovino. Do gado explorado para trabalho e carne obteve-se pelo cruzamento das raças arouquesa e mirandesa um sub ramo que se fixou nesta região, e se tornou conhecido pela designação de marinhão. Corrigidos alguns pequenos defeitos como o cambado dos membros traseiros e as cores reduzidas à uniformidade castanho dourado, o seu apuramento e conservação tornam-se dignos da perseverança zootécnica de reprodutores selecionados, mantendo-se assim a valorização desta inigualável fonte de riqueza local. Há lindos exemplares desta sub-raça, verdadeiras montanhas de carne movediças que fornecem o chamado – gordo de luxo, de que se abastecem os talhos de Lisboa nas quadras festivas da Páscoa. A variedade turina alimenta um movimentado comércio e uma próspera indústria de produtos lácteos no concelho. Anteriormente à superintendência da Junta Nacional de Produtos Pecuários nestes serviços, a exportação diária de leite pasteurizado, despachado pela estação de Avanca, atingiu 8.000 litros. Atualmente as fábricas locais industrializam-no em farinhas – Nèstle – Néstogenio – Eledou – Nocao, leite condensado Moça, manteigas de esmerada qualidade, e em queijos tipo flamengo. Destes não podemos deixar sem referência as marcas – Pensal – Salreu – Hoornh, que bem a merecem. Este último cuja, distribuição se encontra à cargo da nova firma comercial – Sorebel, na sua feliz apresentação, encapado de bexiga e talco, polpa bem equilibrada com 40% de gordura, e de igual paladar suave, conseguiu tomar a posição do estrangeiro Croa, delicada e decentemente destronado de todas as mesas do País. Estamos convencidos tratar-se de um produto alimentar que dignifica a indústria nacional, e exalta o bom-nome do concelho onde se fabrica! Quanto a queijo pode, pois, dar-se desde já por resolvido o “post-belum” no território português da península ibérica. Só resta fazer o reajustamento de preços da matéria-prima dos leites, e da melhor justiça ou equidade no seu rateio ou distribuição pelas fábricas transformadoras. Espalhados por toda a superfície concelhia, testeficados pela matriz industrial, acham-se abertos ao público 33 celeiros de compra e venda de cereais, e fazem profissão 57 negociantes de gado bovino vivo. Quem pretender pôr a vida em ordem ou em dia abre celeiro ao público.Todos os negociantes de este ramo vivem vida desafogada, e, não admira, graças a costumes patriarcais ainda conservados por tradição de todos os tempos. A unidade de medida é o alqueire de 20 litros, e daqui para baixo o meio alqueire, a quarta, e salamim. O produtor, como as colheitas remuneram o trabalho, e quando Deus dá, dá para todos, faz as medidas de venda com graças, isto é, depois de cheias atesta-as com mais um ou dois punhados de milho ou feijão. Desta forma o negociante compra sempre pela medida grande, e só revende pela pequena, rasoirada pau contra pau, e daí um negócio seguro. O mercado de Estarreja goza de tão geral estima, que a Praça dos domingos marca o preço regulador dos géneros para centros importantes de consumo de outros concelhos durante a respetiva semana.” Comentário: Para além da beleza e pormenor da descrição, não podemos deixar de nos deleitarmos com o detalhe e valorização atribuída aos produtos pecuários, onde o gado bovino e o queijo assumem um papel preponderante e para muitos uma saudade imensa, por não restar quase nada desses tempos dourados do nosso concelho. Não posso deixar de sublinhar e voltar a citar esta frase: “O mercado de Estarreja goza de tão geral estima, que a Praça dos domingos marca o preço regulador dos géneros para centros importantes de consumo de outros concelhos durante a respetiva semana.” Como seria bom, hoje, Estarreja poder marcar a sua posição como líder de qualquer coisa, mas pela positiva.

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CRÓNICA IV – AS ATIVIDADES COMERCIAL E INDUSTRIAL Cá estamos de novo, e com redobrado entusiasmo, a falarmos de factos, memórias e acontecimentos tão bem abordados em “Alguns apontamentos para o estudo geral do Concelho de Estarreja”, caderno de um jornalista (o Mário) que entrevistou em 1946 o Dr. António Tavares Afonso e Cunha. Na crónica de hoje vamos abordar as atividades comercial e industrial e citamos: “As atividades comercial e industrial são intensíssimas dentro do concelho, além de todas quantas se acham relacionadas com a cultura da terra. Há uma fábrica de móveis de ferro cromado que são maravilhas de arte, especializada em mobiliário de hospitais, casas de saúde, maternidades, asilos e salas de operações cirúrgicas, com toda a maquinaria moderna de vergar tubo de ferro, e de fazer os modernos colchões de talagarças de arame; oficinas de mobiliário de madeira várias e de carpintaria vulgar; garagens de reparação de veículos e construção de seges; fábrica de descasque de arroz acionada por turbina hidráulica; serralharia de cofres de ferro à prova de fogo e de alfaias e instrumentos de lavoura dos mais aperfeiçoados modelos; duas fábricas de pirolitos que estimulam e animam os pequenos meios industriais, e tanto, que uma destas fábricas acaba de alargar a capacidade produtora à confeção de refrescos da marca – Vidoranja – bem sucedida no mercado. Representa a valorização do perfumado suco das laranjas regionais, dosado com as afamadas águas que brotam ao cimo da encosta de ligação entre a Ponte e o Crasto romanos da freguesia de Salreu. E já se encontra em experiências uma outra iniciativa da mencionada firma Sorebel, concessionária do fabrico de conservas de peixe, a qual muito pode concorrer para a valorização da fauna das águas interiores. A expansão de conserva das apetitosas enguias de esta firma é a prova de um género alimentício que caiu bem no mercado, Outra fábrica de peles de agasalho torna-se interessante e curiosa pelo género de indústria que explora. Este concelho parece ser um dos poucos onde se faz esteirados para a embalagem. Indústria caseira e precária por escassez de matéria-prima, limita-se ao aproveitamento do bunho e tábua, plantas espontâneas dos terrenos encharcados, em que afloram veias de água. Representa verdadeiro auxílio de inverno para algumas famílias pobres da freguesia deVeiros. Por ser quando falta trabalho, que as mulheres e crianças se ocupam de este fabrico. Apesar dos entraves de toda a ordem contra o progresso concelhio, Estarreja ressurge presentemente com decisão para futuro de prosperidade e de aleluias industriais. A sociedade comercial Sapec adquiriu 61 hectares de terrenos juntos ao caminho-de-ferro, registados oficialmente sob a designação – A Quinta da Indústria, para os transformar em centros industriais de primeira grandeza. Servido por desvio privativo da linha-férrea da C. P. para transportes de matérias-primas e produtos manufaturados. Já iniciou o respetivo bairro operário com o levantamento de belas moradias em alvenaria destinadas a funcionalismo dirigente. Está em marcha o acabamento de formidáveis hangares para instalação do fabrico de soda cáustica. E já começou a terraplanagem do pavimento para levantamento da fábrica de adubos amoniacais, autorizado por decreto do Estado Novo com a dotação de 135 mil contos, dos quais a Federação Nacional dos Trigos subscreve com 15 mil contos. De todas as vilas do Distrito, Estarreja passa por ser a mais comercial. Se esta fama corresponde à realidade, essa importância de destaque deve-a à sua privilegiada situação geográfica. O cais fluvial a confinar com a estação ferroviária, é de todos da ria, o de maior tráfego de mercadorias. A vila foi términos da carreira de diligências da tradicional e já extinta Mala Posta deViseu, indicação de posição central, relativamente às relações comerciais com toda a Beira Alta hoje Beira Litoral. Muitas mercadorias passam por cima da linhaférrea doVale doVouga, e vêm ser despachadas nas estações do concelho de Estarreja. Com esta deixa de vantagens da sua situação geográfica, movimentam-se cinco amplos armazéns da sede da vila, sempre abarrotados de mercearias, os quais fazem distribuição dos artigos do seu variado comércio a muitas léguas de distancia, e de torna viagem aqui concentram produtos doutras regiões percorridas, encontrando-se prósperos e ricos os seus proprietários, dando trabalho a bastantes operários.”

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Comentário: Como é curiosa a abordagem feita a atividades tão peculiares e que são hoje uma boa recordação em especial para aqueles cuja idade permitiu que tenham vivido e sentido estas realidades que não são mais que saudades. Que bom seria podermos agora dizer e escrever com a mesma convicção: “Estarreja ressurge presentemente com decisão para futuro de prosperidade e de aleluias industriais.” Que da leitura e reflexão sobre estes bons exemplos de 70 anos de idade, saibamos todos encontrar “engenho e arte” para que daqui a outros 70 anos, outros leiam que a ressurreição industrial e comercial do nosso concelho aconteceu também agora.

CRÓNICA V – AS VIRTUALIDADES DO CONCELHO

A crónica de hoje insere-se ainda no conjunto de análises sobre as virtualidades do concelho de Estarreja e aborda também a posição geográfica privilegiada como motor deste desenvolvimento à época, tão promissor. E António Tavares Afonso e Cunha diz: “A Sapec preferiu Estarreja para desenvolver as suas atividades exatamente pela sua situação central na linha Norte – Sul dentro do País, pela mais curta distância em linha reta das turbinas hidráulicas do Palhal geradoras da força motriz, pela cómoda acessibilidade de todos os transportes. O acaso desta posição geográfica permitiu à União Elétrica Portuguesa do Lindoso a construção de uma das suas maiores cabinas transformadoras em Avanca, obras admiráveis de engenharia eletricista, donde partem cabos condutores de alta tensão para diferentes concelhos de Coimbra. Desperta justificadas invejas dos vizinhos, é certo, mas que culpa tem o povo de Estarreja da sua terra ser tão galardoada e privilegiada de dons naturais!

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Fazem-se quatro feiras mensais, qual delas a mais concorrida. No dia 9 e 23 em Pardilhó, e a 15 e 30 em Santo Amaro de Beduido. A mais antiga e importante é a do dia 15 em Santo Amaro, criada por provisão do Senhor Rei D. Afonso VI com Despacho da Mesa do Desembargo do Paço de 23 de Dezembro de 1662. Urge renovar e atualizar as suas instalações, as quais, pelo desmantelamento injurioso do tempo, já não estão à altura do nível da urbanização do País, nem tão pouco da situação financeira do município, que acusa nos orçamento e contas de fim de ano e montante de receitas brutas na importância de 716.000$00. Estes mercados mensais, e o semanal dos domingos, na sede da vila, onde nada falta para governo de uma casa, exteriorizam bem o expoente máximo da fartura, as paradas completas das forças vivas e criadoras da abastança de toda a região. E como às atividades agrícolas, comercial e industrial de um concelho anda ligado o movimento de fundos monetários selecionados com a sua riqueza, julgamos oportuno consignar nesta conversa a média das operações, em cada um dos últimos cinco anos, na Agência da Filiar da Caixa Geral dos Depósitos, Crédito e Previdência, a qual foi de 8.711.960$00 em depósito à ordem, e de 8.184.531$66 em levantamentos, efetuados em 1.763 operações e 143 depósitos novos. E o ano de 1942 fechou com os saldos de 9.218.438$07 à vista, e de 2.932.700$ a prazo. E nos correspondentes de casas bancárias, no mesmo período de tempo, a média dos descontos de letras passa de 2 mil contos. De maneira que aquele saldo à ordem foi já uma reserva de recursos para enfrentar todas as necessidades dos negócios a realizar nesse ano; e este saldo a praz é desdobramento do pé de maia do concelho, cuja outra metade ficou no fundo das arcas, debaixo das teias de linho e das meadas por dobrar. E todos os povos com pé-de-meia são povos remediados, e com ensanchas de vida desafogada. Em conclusão: Estarreja entre as aldeias do seu país considera-se burgo, que, adentro dos próprios muros e forçado pelas circunstâncias, pode viver com relativa independência económica e administrativa!” Comentário: De assinalar a descrição das feiras mensais no concelho e a sua importância para a economia da região. O relevo e significado para as referências feitas aos movimentos bancários e a importância dada à poupança que já há cinquenta anos era considerada como uma característica das gentes desta região. Não posso deixar de realçar as conclusões que o Dr. Afonso e Cunha nos transmite: “Estarreja considera-se burgo que, adentro dos próprios muros e forçados pelas circunstâncias, pode viver com relativa independência económica e administrativa.” Na próxima crónica iremos abordar “Estarreja sob o ponto de vista turístico”. Aguarde, caro leitor, a visão que em 1946 era perspetivada para o nosso concelho e para esta região ribeirinha.

CRÓNICA VI – O TURISMO Conforme prometido na última crónica, vamos hoje abordar, como á cerca de 60 anos, se observava Estarreja sob o ponto de vista turístico. Não sendo o nosso concelho considerado como uma referência neste domínio, o certo é que não deixa de ser curioso o modo com o Dr. António Tavares Afonso e Cunha fazia a leitura das potencialidades turísticas de Estarreja e desta zona. Por isso, citamos: “Estarreja ainda não terá onde assentasse esta industria da moda para novos ricos, nem como tal conside-

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rada com chancela oficial. Contudo tem ensanchas para ser transfigurada em bela estância de prazer, quando a indústria coordenadora do turismo nacional também volver para este recanto do País o olho vigilante e generosos da Prodigalidade, capaz de levantar as pequenas terras do pó humilde da modéstia ao fasto de soberbas grandezas. Como as gemas brutas, que só depois de lapidadas mostram a plenitude da beleza própria e de valor real, assim toda esta região se morde de anseios por espírito renovador do hodierno progresso, criador de beleza eterna sobre a face do globo terrestre. A ria oferece trechos de beleza natural tão sedutores, que notabilizados artistas o copiam para fazer as melhores pinturas dos seus quadros, como Eduardo Lapa, ou os tomam para modelo de aguarelas e desenhos de frisos murais, como Joaquim Lopes. É uma região toda ela fragmentária de possibilidades turísticas. Só falta reatar-lhe a unidade geográfica, desde a base das primeiras estruturas alpestres até à costa atlântica, por uma federação administrativa, restritiva de objetivos industriosos de turismo. Há, porém, povos de sensibilidade ultra comunitária, e de sentimentos tão egocêntricos que repelem inadvertidamente toda a ideia de esta mútua felicidade a servirlhes a causa comum. Mas Estarreja, já de si e por si, é um ponto de referência de turismo nacional ou internacional, forçado pelas circunstâncias, que ninguém lhe pode contestar. Atravessada pela estrada nacional Figueira da Foz – Porto ladrilhada a paralelos de granito, e à mesma sobranceira, não é tão pretensiosa que se considere digna de luxuoso tratamento de terra de turistas em trânsito por esta via ordinária, ou pela viação acelerada da C. P. Apresentar este concelho como zona de turismo seria fazer snobismo ou demagogia turísticos, sem aquela deferência, probidade, estima, sinceridade de espírito e elegância de verdade devidas aos forasteiros que o honrassem em suas visitas. Não há Palace-Hotel para o mundanismo elegante. Porém, os vagabundos turistas de um, ou dois dias de passeio, encontrarão modestas pensões, mesa com toalha de linho da terra irrepreensivelmente levada, provida de acepipes regionais, ao centro com sua jarra de flores, e pessoas com as quais de pode falar e trocar impressões. E também um leito perfumado de lavado, para pernoitar sem repugnância. -Há porém, turismo: turistas de rambóia no sentido ortodoxo deste restritivo, e turistas investigadores com interesse de conhecer, até ao âmago, todas as terras portuguesas, em cujo desejo também se caldeia uma afervorada e alta expressão de patriotismo. Para estes, Estarreja pode deter-lhes as preocupações.” Comentário: Não posso deixar de destacar esta passagem da entrevista “como as gemas brutas, que só depois de lapidadas mostram a plenitude da beleza própria e do valor real…” Já passaram mais de 60 anos e ainda não conseguimos lapidar a gema bruta; só uns pequenos arremedos fugazes de consistência duvidosa. Neste ultimo meio século, estragamos a gema e oxalá não seja já tarde para a começarmos a lapidar. Que todos saibamos e queiramos cuidar desta potencialidade adormecida que importa acordar, acarinhar, proteger e usufruir. As próximas crónicas irão tratar de cada uma das sete freguesias do concelho, começando de Sul para Norte.

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CRÓNICA VII – A FREGUESIA DE FERMELÃ Na sequência das crónicas anteriores, nas quais demos destaque a aspetos importantes do concelho de Estarreja, e cumprindo o prometido, vamos hoje abordar o modo e a forma como a freguesia de Fermelã, a mais a Sul do nosso concelho, era vista e relatada na entrevista do Dr. António Tavares Afonso e Cunha, no longínquo ano de 1946. Citamos: “Seguindo a orientação Lisboa – Figueira – Aveiro – Porto, entra-se no concelho pela mais pequena das suas freguesias – Fermelã, terra natal do desembargador Francisco Lourenço de Almeida, figura da história das lutas liberais, a cujo zelo, perícia e atividade, a causa liberal deve em grande parte, sobretudo no Norte do País, a salvação, triunfo e consolidação. E todo o concelho lhe tem honrado as cinzas, mantendo a pureza do culto da Liberdade. E este pormenor de mais pequena das freguesias e por ela a entrada no concelho, não parece indiferente numa digressão turística. Conforme a doutrina bíblica é também pela porta estreita, e só por ela, que se entra no reino de Deus, arco do triunfo da felicidade celestial. Abre-se aqui o raio de luz projetado pelos reconstrutores da nova Europa, os quais pré-anunciam o axioma da nossa vida futura só se reedificar em bases cristãs. E isto, que para muitos povos representa uma esperança, para Estarreja já é uma realidade. Não temam os turistas, as excursões. Há igrejas nas sete paróquias do concelho, não se sabe porque coincidências voltadas ao poente, exceto Avanca ao sol nascente, e todas com protetores de sua invocação própria: Santa marinha, S.Tiago, S.Tomé, S. Miguel, S. Pedro, S. Martinho e S. Bartolomeu. Ainda é pelas portas estreitas que melhor se espreita a pureza da alma nacional. Aconchegadinha, azadinha casa de campo, muito airosa e toda ridente como aerossol de gotas de orvalho em manhã de dia cheio de luz sem sombras – Fermelã patenteia-se em espaçosa varanda de onde se goza o deslumbrante panorama dos variadíssimos aspetos e perspetivas dos verdejantes campos do Baixo Vouga, listrados de valas de águas paradas, onde vegetam e sobrenadam os nenúfares a espreguiças, ao sabor das brisas marinhas, os caules de folhas verde-metálico, com flores em concha de tulipas brancas de neve. A vista retouça de miragens fantásticas sobre a vastidão da ria, revoada de gaivotas, cruzada de barcos e barquinhos à vela, e pousadas nas eiras das marinhas as pirâmides de sal, umas noivas de branco como que no momento erguidas do leito em camisa de dormir, outras velhas acachapadas com agasalhos ou palhoças de junça, para resistir aos frios, às chuvas e a todos os temporais. E esta varanda, na vertigem da viagem, dá a ilusão de poltrona móvel, na qual o observador comodamente se instalou para, na melhor das boas disposições, se lhe reduzir a momentos a longanimidade do percurso. Esta planície da campina e vergéis de Estarreja têm características diferentes das outras planícies em geral. Incide sobre ela uma luz maravilhosa de cambiantes que parece espargida de um outro sol de mistério, invisível na abóbada celeste. Contam-lhe o silêncio os silvos das locomotivas, que se cruzam em sequência quase ininterrupta a meio da várzea. E a passagem do comboio é sempre um desenrolar de uma fita; ainda que repetida, vezes infindas desperta curiosidade e nunca aborrece. A inteligência do ser humano sente-se lisonjeada ao despertar-se-lhe, por esta forma, a evocação da descoberta da mais poderosa alavanca do progresso mundial. A estrada de rodagem, por ondem avançam os turistas, pode bem acompanhar-se à lombada de livro de antigos copistas com iluminuras nas páginas, e admiráveis miniaturas a pôr em destaque as letras iniciais dos capítulos e dos parágrafos. Não são únicos os horizontes ribeirinhos, já mencionados, de praias recortadas de canais, a meio a ria de águas estanhas de branco, nos confins separada do Atlântico pela duna de areias fulvas. Também orlam a mesma estrada sebes vivas e combros floridos, entrelaçados de verdes, salientando-se a es-

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paços, árvores solitárias que resignadamente oferecem flanco ao Boreas – o vento norte dominante na região. As páginas deste livro são fundo de alcatifas até onde a vista alcança xadrezas de courelas de diversos tamanhos e feitios, recortadas pelo arado ou enxada do cavador, de cor terrosa prontas a receber a semente, ou já com o verde luxuriante das sementeiras, ou com aspeto das searas sazonadas e onduladas pelas ventanias.” Comentário: Considero esta página como uma das mais belas sobre esta pequena freguesia. O finíssimo recorte literário, a doçura da descrição e a beleza intrínseca das palavras, onde o campo e a paisagem nos lembram as éclogas de Bernardim Ribeiro, são um hino a silêncio e reflexão. A narrativa é de um bucolismo repousante e de uma tranquilidade edílica. Como é bela Fermelã vista na imensidão da Marinha – Apetece-me repetir: “É também pela porta estreita, e só por ela, que se entra no reino de Deus… e melhor se espreita a pureza da alma nacional.” É, pois, por aqui, por Fermelã, que se entra suavemente no concelho de Estarreja.

CRÓNICA VIII – A FREGUESIA DE CANELAS

Continuando a nossa caminhada de Sul para Norte, a crónica de hoje fala-nos da freguesia de Canelas, descrita em 1946 pela nossa referência histórica que nos vai acompanhar até ao fim desta viagem pelo concelho de Estarreja a entrevista do Dr. António Tavares Afonso e Cunha. Vamos pois transcrever o que então foi escrito: “A Fermelã continua-se Canelas. Ambas freguesias quase da mesma superfície e população irmanaram-se inteiramente no mesmo destino – a pastorícia livre. Os próprios nomes indicam ter sido terras de carreiros por onde se levavam ou recolhiam os gados das pastagens, diferenciando-se apenas em que numa os seguidouros eram mais profundos que noutras relativamente aos terrenos confinantes, o que tudo se reduzia, como ainda hoje, a simples recorte de relevos coreográficos.

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Ambas são creche de vitelos a desquitar das mães até chegar à adolescência, altura em que são recrutados para o formoso armentio de gado marinhão, variedade racial de que o concelho é solar. Igualam estas duas populações idêntica atividade. Uma boa parte dos maridos deixam a vida de lavoura entregue à esposas, e procuram nos centros urbanos aumentar os réditos do casal, separados em duas colonias profissionais: leiteiros e padeiros. o trigo e leite são o seu maná do deserto, e desta maneira dão provas evidentes de lindamente instalados na vida. Canelas tem a mais um riacho que na época das chuvas é, qual muro de lamentações e rosário de lagrimas dos canelenses a desfiar saudades à memoria do conterrâneo Francisco Joaquim Bingre – O Cisne do Vouga, da Nova Arcádia, onde pontificou com Elmano sadino, qual deles o mais pobre, mais desventurado e infeliz. Felizes os poetas que têm quem os chore e não esqueça. A saudade fá-los imortais. As terras pequenas são como a prata ou ouro das joias. Sobem de importância com as pedrarias de que se incrustam; e Canelas embalou a meninice do ilustre operador cirúrgico Dr. Amândio Pinto, e é berço do distinto Professor da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra D. Manuel de Andrade.” Comentário: As referências a Canelas não são tão exuberantes como as que teceu em relação a Fermelã. No entanto, ambas as freguesias tem similitudes que as identificam e as suas características rurais são bem patentes na abordagem que é feita pelo Dr. Afonso e Cunha. Há que destacar algumas personagens que marcavam e ainda hoje marcam a importância de Canelas com o seu berço e regaço, e delas os Canelenses, os Estarrejenses e os Portugueses não podem esquecer a importância, o exemplo, a obra e, como o autor, terei que sublinhar: “As terras pequenas são como a prata ou ouro das joias: Sobem de importância com as predarias de que se incrustam.” Que belas e valiosas pedras preciosas incrustavam a grinalda de Canelas. A próxima crónica vai direitinha a Salreu.

CRÓNICA IX – A FREGUESIA DE SALREU E AS CEGONHAS

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O prometido é devido. E cá estamos hoje a falar e a lembrar o modo e a forma como a freguesia de Salreu se deparava aos olhos e sensibilidade do nosso “Guia Turístico” Dr. António Tavares Afonso e Cunha que em 1946 descrevia esta terra como “As mesmas belezas silenciosas, puras, sóbrias de simplicidade…” “Na mesma rota, depara-se Salreu. As mesmas belezas silenciosas, puras, sóbrias de simplicidade sem desarmonia na paisagem natural. O aglomerado urbano mais denso e de maiores efeitos feéricos, lançado em anfiteatro de branda inclinação, sem claustros nem templos ou catedrais de conventos, nem castelos de defesa com torres de menagem, varandins de ameias, e pontes levadiças, ou outras obras de arte que, pela sua antiguidade, tornam respeitáveis e respeitadas as terras que gozam mercê de tão venerandos e históricos monumentos. E agora faça alto o viajante. Por momentos demore-se debruçado sobre a cortina da ponte do Antuã, e admire como outrora adorou Jacob encostado á ponta do cajado. Lá em baixo o Antuã desdobra incessantemente o novelo das suas águas aliciantes. Não há aldeia como a ria de águas mansas e claras que não seja linda, e por isso Estarreja também se orgulha de ser linda e formosa; linda nas galas com que a veste a natureza, e formosa nas virtudes da que se exorna o solo criador e o clima saudável. Os antigos Egípcios divinizaram o Nilo, e o Antuã glorifica Estarreja. Nas suas margens vegetam salgueiros, crescem choupos, freixos e amieiros onde cantam ao desafio rouxinóis e toutinegras; as águas tangem azenhas; e as terras marginais são a providência do celeiro do concelho. Por todo o vale, trazidas pelas brisas fagueiras do rio, ressoam as badaladas dolentes e os repiques alegres das trindades e avé-marias dos campanários de S.Tiago e S. Martinho, e através das neblinas da noite vê-se o flamejar das lentes e ouve-se buzinar da sereia do farol de Aveiro. Estarreja também tem, à moda antiga, a sua ribeira das naus, que é o cais fluvial coalhado de barcos prontos para a largada. Mais ao fundo finca-se, como mastro de grande navio, esguio e piramidal choupo, no qual as cegonhas emigradas das montanhas alentejanas, há dez anos construíram no cesto da gávea o seu ninho, leito nupcial que nunca mais abandonaram. Gostaram do clima, e por cá se quedaram e vivem, a reproduzir-se em descendência nativa por gratidão à abundancia de cibo em toda esta região ribeirinha. Merece a consagração de árvore municipal, por ser nela que se fixou o primeiro casal de bandeirantes de limpeza dos campos, aportado a estas paragens. Ao município impõe-se culto de admiração, respeito e ternura por este exemplar do reino vegetal, por ser a maternidade da benemérita colonia alada que anima os ares desta região com os seus voos de esquadrilha, e imitam castanholas a sacudir as mandíbulas. Ao levante ergue-se a colina de encosta suave, ponteada de casas rústicas, umas ásperas outras macias e caiadas, em cujas vidraças dos postigos e janelas resplandece de dia a luz deslumbrante do sol, e refulge de noite o meigo luar da lua cheia, todas alcatifas de tapetes matizados de quintais com hortas e vinhedos.Temse a ilusão de enfrentar a galeria de museu de arte, que afaga os sentimentos e emociona tão profundamente as almas que nunca mais esquece e alteia-se plena de graça, toda pulcra de campanário cruzeiro e retábulos de azulejos, a fachada da ermida da Senhora do Monte a dominar o vale. NoViso, plantado de adensado pinhal, abre à direita a clareira da vertente do Casal, ao cimo da que fica a fonte doVidoeiro, muito querida da vila pela boa água e idílio de árvores. As moradias descem até à base da encosta, onde a ria junta as águas e a taça espumosa de açude cantante, e parece tornarem a trepar de novo pelo outeiro acima mais donairosa e de mais vivas cores. No flanco esquerdo, a coroa de cabeço do outro resiliente pinhal do Rato abre-se agora em rasgos de beneficência, como se pairasse sob a sua memória um anjo de asas brancas muito abertas a proteger o solo da Misericórdia concelhia, pequena aprazível cidadela de construção dadas por piedade de um benemérito. Nesta cidadelazinha se hospitalizam indigentes, se asilam inválidos, se aninham os pequeninos desamparados do braço protetor dos pais e do seio carinhoso das mães. Não deixe o viajante de visitar esta instituição

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de caridade local, senhorialmente recostada em vistoso parque de alamedas, jardins, hortas e pomar, com terraço de meia laranja sobre horizontes intérminos. E se alargar a sua visita ao edifício escolar das Laceiras e à casa de escola do Picoto, legadas à instrução popular de Salreu, pelo mesmo patrício amigo, dificilmente encontrará em terras de província melhores estabelecimentos congéneres.” Comentário: A beleza do texto, o detalhe do apontamento apropriado ao tempo e à circunstância, o recanto aprazível e o espaço predestinado à meditação e recolhimento, sem esquecer a utilização das estruturas já então existentes e que ainda hoje subsistem, tudo isto enquadrado numa moldura edílica e aprazível. Por isso, em Salreu “tem-se a ilusão de enfrentar uma galeria de museu de arte, que apaga os sentimentos e emociona tão profundamente as almas que nunca mais esquece.” A próxima cronica vai levar-nos à sede do Concelho de Estarreja – Freguesia de Beduido.

CRÓNICA X – A ETIMOLOGIA DE ESTARREJA E O CENTRO DA VILA

Esta é a décima crónica sobre o concelho de Estarreja. Tendo como suporte histórico os “Apontamentos par o estudo geral do concelho de Estarreja” resultado da entrevista/conversa Dr. António Tavares Afonso e Cunha, dada em 1946. As crónicas próximas, provavelmente duas, irão debruçar-se sobre a sede do concelho e esta começará exatamente sobre a etimologia de Estarreja. Citando: “Anda a origem do nome envolvida na lenda. As lendas fundam-se na tradição oral ou escrita. Destas duas tradições, a oral muitas vezes reproduz o improviso de imaginativas inverosímeis. E a tradição escrita é uma espécie de tourada à corda, em que, na lide da discussão, a charada se pode matar com mais fineza de

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ânimo e sangue frio. Na falta de documentos antigos ou modernos ou doutros, entre os quais o regionalista Sr. Lopes Pereira, quem primeiro levantou o véu do mistério, opinam que os motivos da origem das terras se devem buscar à volta do étimo do próprio termo, para se lhe descobrir a semântica. Em verdade, se procurarmos a evolução jurídica da propriedade, entrámos que as terras da margem direita, após a fundação da nacionalidade, eram foreiras ao convento de Arouca, para onde a princesa D. Mafalda, filha D. Sancho I deve ter levado o domínio ou senhorio das mesmas terras por doação do Senhor seu pai. Ainda existe em campo murado com vestígios de hospedeira, celeiro, capela, conhecido por quinta das Freiras, onde pairavam os procuradores do convento quando vinham recolher os foros pagos em géneros, ou administrar as justiças que era de alçada e jurisdição daquela casa religiosa. Na margem esquerda, primitiva sede do concelho designado Antuã, possuíram casa e propriedades algumas famílias de alta nobreza, possivelmente descendência legítima de antigos chefes militares em que a Coroa cumulava a segurança da ordem e administração pública das terras do Estado ou da Fazenda Pública. Sendo a margem direita do Rei e a esquerda do Estado, nos remotos tempos em que aos povos se facultava fruir baldios e se compeliam a respeitar o direito de propriedade particular como era o do Rei, para diferenciar a natureza jurídica dos terrenos nos pleitos das coimas ou transgressões, era muito presumível que se usasse das expressões: - Esta é a terra Régia, e aquela terra da Coroa. E o vulgo na tendência natural de simplificar a pronuncia e musicar as palavras com o andar dos tempos – Estarreja, quando se fazia referência às terras da margem direita, onde se levantou a atual vila. Parece ser esta a toponímia mais acertada. Seja ou não seja, eis-nos na praça sede do concelho e coração da vila, junto ao Padrão com lâmpada votiva, sobre plinto de placa ajardinada e vitalizada de arvoredo, a evocar a memória dos 58 munícipes, por honra e glória da nossa Pátria de 1914-1918, dadores do seu sangue generoso em resgate dos direitos e da civilização de uma Europa livre. Acolá o palacete da direção dos serviços da Sociedade do Amoníaco Português. Aqui o Colégio D. Egas Moniz onde de professam instrução primária, secundaria e comercial. Alguns bons ofícios têm já prestado à região sem os quais teriam ficado na sombra valores que se têm evidenciado nas ciências, nas letras e no comércio. Mais além a Domus Municipalis, edifício de linhas sóbrias e arquitetura modesta no conjunto da sua grandeza de portais e umbreiras de granito cinzelado, concentra salões da Câmara e do Tribunal Judicial da comarca, bem como todas as Repartições Públicas do concelho, instalados sem luxo mas com decência e asseio que não envergonham nem ridicularizam. Ao lado o edifício dos C.T.T. em instalação de casa própria, modelarmente mobilada. Em frente uma casa de estilo antigo que foi pertença doViscondado deValdemouro e na qual funciona o Clube Recreativo daVila. Lá mais adiante, no cruzamento das estradas Veiros – Pardilhó, pode relancear-se a morada do jurisconsulto José Homem Corrêa Telles, formado em cânones por Coimbra em 1800, e falecido em 1849. Casa de quatro paredes, empenas altas, sacada com varanda de ferro forjado, de portais envidraçados, janelas de guilhotina através das quais se coava parcimoniosamente a luz solar para o interior do espaço gabinete de trabalho a que, chagada a noite, se coadunava outra luz de azeite clássico do candeeiro de latão de três bicos, ainda em vigor iluminante naquela época. Foi dentro deste casarão de linhas retilíneas e frias, e de aspeto grave e sisudo como estilo de literatura jurídica, que o velho praxista elaborou o Digesto Português. A Enfiteuse, contribuindo assim e despretenciosamente por fortalecer a pedra da esquina, sobre a qual havia de assentar todo o corpo de doutrina legislativa do período constitucional. A via dupla com passeio central de tílias, aberta à nossa frente, mais longa que rua vulgar e mais estreita que avenida moderna, foi o rasgão a céu aberto da trincheira de altos terrenos que barravam a estrada e saída livres da estação do caminho-de-ferro, a franquear a mais curta e mais direta comunicação entre ela e a Praça, para a vila respirar também mais à vontade. Já não se perde o comboio com a frequência que acontecia antes desta artéria transformadora da fisionomia pergaminhada e rugosa do velho burgo.”

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Comentário: Pouco há a comentar sobre estas tão expressivas descrições do nosso “guia” que sempre aborda os temas e os explana de modo sereno e belo como quem nos fala de um quadro de pintor célebre, sem nunca esquecer o aveludado da paisagem e a justa proporção das palavras. Não posso deixar de realçar a descrição da atual Avenida de Salreu (da Estação à Praça) … “mais longa que rua vulgar e mais estreita que avenida moderna…” uma beleza.

CRÓNICA XI – O MERCADO DOMINICAL E A FEIRA DE SANTO AMARO – MONUMENTOS ECONÓMICOS Vamos hoje falar, nesta segunda crónica sobre a vila de Estarreja, de modo peculiar com o nosso “cicerone” nos descreve os grandes monumentos económicos do concelho: o Mercado Dominical e a Feira de Santo Amaro, considerando-os as obras dignas de menção. Assim citamos: “Ao declarar-se que no concelho não existiam obras dignas de menção, cometeu-se grave inexatidão a retificar. Há, sim, dois preciosos monumentos históricos de valor económico – Praça de Estarreja, e a mensal de 15 de cada mês – Feira de Santo Amaro. O primeiro abriu com a tentativa de venda de cereais pela lavoura local, no limitado recinto a que ainda hoje se reduz o tabuleiro norte destinado à venda dos mesmos ao público. A iniciativa tomou incremento e extensão que o Município se viu na necessidade de o alargar, tal qual se encontra, sobre terrenos das freiras de Arouca, sem que os bárbaros desse tempo poupassem à destruição fatal das picaretas municipais, o histórico pelourinho da comarca, levantado cerca do local onde atualmente poisa a bomba de gasolina daVaccum Oil Company. Desenvolveu-se tão vasta e variada profusão de artigos de uso diário na vida doméstica, que este mercado se converteu em mostruário de exposição encantadora de folclore e cor, num à vontade de costumes locais de exibição velada da anatomia socada de raça, sem preocupações artificiais de ranchos arranjados ad hoc. Não se restringe a campo só de compras e vendas; também arma em bolsa e banca de pagamento de salários a operários rurais; em sede de agência de contratos de pessoal assalariado de lavoura; de pagamento e encomenda de barcadas de adubos de consumo na lavoura regional; de entrega de obra feita e encomenda de obra nova; inclusive oportunidade inestimável das entrevistas da mocidade casadoira, em que se decide com vulgar frequência os contratos matrimoniais e em que se passam horas desocupadas das luas-de-mel. Estes mercados são distração que redime os hipocondríacos de todas as tristezas! O recinto já mal comporta a concorrência. Impõe-se novo alargamento sem de forma nenhuma se lhe apagar as características de mercado aberto e de ar livre, de onde lhe vem toda a graça e beleza. Do planalto de Santo Amaro de podem presenciar e fruir os grandiosos espetáculos do levantar e cair do sol, sempre precedidos de auroras prateadas ou de poentes doirados. As tardes e madrugadas das feiras também sugestionam inspirações poéticas e gozo espiritual. Pode encarar-se o prolongamento do semanal, ampliado de centenares de cabeças de gado de género e espécies diferentes, barracas de ourivesaria, lanifícios e fazendas brancas, chapelarias para varões e fêmeas, calçado, correaria, tendas de quinquilharias várias, locandas de carne assada com arroz rajado da região, leitão de espeto no forno, peixe frito de sertã à vista do cliente, pão e tremoços às canastradas, e tudo mais impossível de se reter de memória. Os feirantes mostram feitio alegre, loquaz, cheio de verve, e regateiam sempre de gesticulação adequada às expressões do seu dinamismo.

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Dias de mercado são dias de festa. Muda-se de roupas brancas e veste-se andaina domingueira. Os próprios bois tomam parte no arraial com jugos ou cangas novas de prancha corrida ou em forma de pente, rematadas com fieira de penachos de crinas, pintadas de variadas cores e buriladas em talha de altos e baixos-relevos, tudo em conjunto de arte bizantina para dar nas vistas. As ricas exageram no luxo de se apresentar com o emblema religioso – hóstia, cálice e cruz. Os abarracamentos a cair dos velhos, de aparência leprosa, e desmantelados pelos ciclones de 280 anos, são as únicas ruinas de mérito no concelho. Uma casa de mobiliário antigo, no tempo do escudo dinheiro, deu-lhes a estimativa de 400 contos. Só nas arquitraves de madeiras das barracas, contava fazer o custo da compra, e ganhar dinheiro no arranjo de móveis de patine – vieux chéne. O turista que visitar Santo Amaro, por mais umas voltas ao volante, não perca ensejo de, pela estrada do Caima, descer ao fundo da Minhoteira. Experimenta-se a sensação de entrada em barraca de cosmorama de vistas, em que por vigia de cristal de lente de aumento se espreita a maquete do panorama nada trivial por outras regiões de fama turística.” Comentário: A riqueza das expressões e a observação atenta dos pormenores e das pessoas, compradores e feirantes, dão a este relato uma vivacidade e um colorido digno de quadro de pintor naif. Também se aflora alguma degradação urbana, nada significativa; hoje não podemos dizer o mesmo. Mas voltando aos mercados e feiras, terei que repetir e realçar estas frases: “Estes mercados são distração que redime os hipocondríacos de todas as tristezas” ou “As tardes e madrugadas das feiras também sugestionam inspirações poéticas e gozo espiritual.” Por isso, não deixemos acabar estas tradições e façamos delas, não uma saudade, mas sim uma aposta em novos desafios com inteligência e vontade. Se quisermos, conseguimos…

CRÓNICA XII – VEIROS, PARDILHÓ E AVANCA Vamos hoje dar concluída estas cronicas, nas quais se procurou reviver o passado do nosso concelho, através das descrições sempre pertinentes e atentas do nosso cicerone Dr. António Tavares Afonso e Cunha, que em 1946 relatou de modo tão agradável como realista a sua visão sobre esta terra que habitamos. E, por isso, para terminar, citamos: “Para além dos horizontes deste ventilador, ficam as freguesias de Veiros e Pardilhó. Povoações agrícolas, e de juncais sem fojo nem covis de leões ou doutras feras da selva, são campos privilegiados para excursões cinegéticas. Os devotos de Santo Umberto, todos os anos, nas épocas próprias, não faltam de presença a enfeitar-se com os trofeus de trelas carregadas de codornizes ou narcejas, o mais distinto e elegante dos desportos venatórios. E o piso de planície arenosa é suave e macio, sem precipícios, asperezas e dificuldades das montanhas hirsutas. Regressando-se à vila para retomar a linha direta ao Porto, quebrada com este desvio à feira de Santo Amaro, a breve trecho nos encontrámos em plena floresta a respirar os eflúvios resinosos dos pinheirais. Se o pinheiro isolado é arvore triste e guardião de roupeta à porta de convento, juntos em maciço de floresta são comunidade de frades de vida austera a resmungar orações no típico ciciar dos ventos nas ramarias, e folgando vida pobre mas alegre no palrar das pegas, no crocitar dos corvos, no assobio dos gaios, no guincho

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dos patos-reais, no pio dos mochos, no apupo dos cucos, na risada das corujas, e em tudo mais quanto sejam sons orquestrados da fauna alada das matas nacionais. A meio desta floresta, no ponto consagrado mata de Samouqueiro, começou de abrir-se espaçoso aceiro das visões industriais da Sapec.Vai nela erguer-se a majestosa Basílica que, antes de nascida, já foi ungida por simpatia popular, Catedral do Amónio Português. A fachada principal da nova Catedral do Amoníaco Português vai ser qualquer coisa de grande, a despertar atenção de nacionais e estrangeiros de passagem por Estarreja. Chegamos a Avanca, a mais relevante das freguesias do concelho até agora já vistas. A luz do sol parece de reflexos roxos durante a manhã, de tonalidades mais claras e brilhantes ao meio-dia, e de oiro e púrpura os resplendores dos poentes frequentes das tardes. De todas as freguesias do concelho é a mais nobre e fidalga nas suas linhagem de antanho e no trato social. Os moradores saúdam-se uns aos outros, e também se descobrem reverentes na presença de estranhos, sempre desejados e obsequiados como hospedes da maior estima. Um povo como poucos, solidário na vida e na morte. Bairristas em extremo, despovoam-se as casas para dar assistência aos funerais dos seus mortos, realizados com inigualável cerimonial na mais orgulhosa igreja matriz do distrito. Como a melhor iluminação pública do município, confundida com a profusão de focos luminosos, da grande cabina da União Elétrica do Lindoso, dá sugestão de uma página de “As mil e uma noites”. Na aproximação da igreja escuta-se uma música misteriosa como o bater nervoso de aceleras matracas em coro de hino no trabalho. É o taramelar diligente das quelhas de moega das azenhas do açude do rio Gonde, que à direita, junto à berma do caminho, gotejam grão a grão de trigo e milho da terra a ralar-se na farinha do pão para abastecimento do povoado. Admirável riacho, cujas águas para mais parte nenhuma desvia, só para mimo e riqueza da freguesia, em que serpeja por chãs paradisíacas. Aos turistas, aos forasteiros nacionais e estrangeiros de relance por este rincão de Portugal das caravelas e das descobertas, podemos finalizar com adeus espiritual e muito afetuoso: - Avanca é a terra natal do eminente cientista Professor Dr. António de Breu Freire Egas Moniz, glória nacional, de retumbância mundial, para quem a humanidade sofredora nunca deixará de ter em aberto, por toda a eternidade dos tempos, uma impagável por incontável divida de gratidão!!! Aqui tem as minhas informações cicerónicas de possibilidades turísticas do concelho, através do meu critério individual, e algo realista.” Comentário: Esta última crónica leva-nos às freguesias de Veiros e Pardilhó, embora aqui de modo fugaz, é no entanto, curiosa a descrição sobre as capacidades venatórias, desta região, hoje tão desprovida de caça. Para despedida nada melhor que por Avanca seguindo o trajeto de Sul para Norte: e como é interessante a visão que é dada sobre esta vila, então freguesia “De todos é a mais nobre e fidalga nas suas linhagens de antanho e trato social.” Ainda hoje esta característica se mantém: “um povo como poucos, solidários na vida e na morte – Bairristas em extremo”. Espero que estas crónicas e o seu alinhamento tenham contribuído para conhecermos melhor esta nossa terra que habitamos e também as gentes que aqui vivem.

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OS ACTUAIS CONCELHOS DE ESTARREJA E MURTOSA NO SÉCULO XIII

Marco Pereira*

INTRODUÇÃO A falta de interesse dos investigadores portugueses pelo mundo rural medieval foi lamentada em 1982 por Robert Durand1, que trabalhou uma série de aspectos relacionados com esta temática em parte da Região Centro de Portugal, deste modo apontando caminhos para aqueles que pretendessem estudar outras regiões. Poucos anos antes (1978) Iria Gonçalves fez uma síntese sobre o mundo rural do Alto Minho2, através das Inquirições de D. Afonso III (1258). Essa rica documentação permitiu a análise do regime senhorial e sua expansão abusivos, que teve como consequência que o poder central tentasse conhecer e pôr cobro a esses abusos. Finda a reconquista cristã, o século XIII constitui-se como uma época de transição, com a autoridade régia a afirmar-se e consolidar-se, face a nobres e outros senhores, que tiravam partido da sua posição de privilegiados para usurpar poderes que não lhes pertenciam. Foi neste contexto que surgiram as confirmações e, principalmente, as inquirições, instrumentos de centralização do poder a que deitaram mão os Reis D. Afonso II, D. Afonso III e principalmente D. Dinis. Das inquirições se pode extrair uma imagem do quão diversa era a estrutura da propriedade. Regra geral encontram-se os reguengos, que eram as terras do Rei, e a par deles as terras foreiras, das quais o Rei só cobrava determinados direitos. Depois existiam as terras imunes, que podiam ser honras (associadas à condição de nobre) ou coutos (pertencentes a pessoas colectivas, em regra religiosas). As terras imunes primavam pelo seu carácter de privilégio, com autonomia jurisdicional, isenção de encargos para com o fisco real e interdição de entrada dos oficiais régios. Também existiam alódios pertencentes a herdadores, terras de plena posse vilã, isenta de encargos e deveres senhoriais. Paralelamente havia o direito de padroado sobre as igrejas. Para estudar a realidade dos actuais concelhos de Estarreja e Murtosa no século XIII valemo-nos essencialmente de fontes, isto é, dos mais de trinta documentos oriundos desse século que respeitam ao território estudado. Uns documentos mais e outros menos ricos, e diferentes parcelas territoriais mais ou menos conhecidas, é o que existe para se trabalhar. Grande parte destes documentos está já publicada, e a maioria é oriunda do Arquivo Nacional da Torre do Tombo, do Arquivo da Universidade de Coimbra, e do Arquivo Distrital do Porto. Além de colhermos e analisarmos a informação que consta nas fontes, fazemos ocasionais referências a estudos, que listamos comedidamente na bibliografia final. Com este estudo pretendemos conhecer e compreender melhor os actuais concelhos de Estarreja e Murtosa no século XIII, quando se configurou uma realidade que atravessou os séculos seguintes com poucas alterações. Realidade que passa pelos poderes então instituídos, pela posse e exploração da terra e a presença da Igreja, entre outros aspectos.

* Advogado, com escritório em Estarreja. 1 - DURAND, Robert – Les campagnes portugaises entre Douro et Tage aux XIIe et XIIIe siecles, Paris, Fundação Calouste Gulbenkian / Centro Cultural Português, 1982, p. IX. 2 - GONÇALVES, IRIA – “O Entre Cávado e Minho , cenário da expansão senhorial no século XIII”, Revista da Faculdade de Letras, Lisboa, 4ª série, n.º 2, 1978, pp. 399-440.

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MARCO PEREIRA

1. PAISAGEM E PRIMEIRA OCUPAÇÃO HUMANA Primeiras referências escritas. – Os mais antigos vestígios da ocupação humana nos actuais concelhos de Estarreja e Murtosa incluem dois castros, várias mamoas (gravadas apenas na toponímia), e toponímia pré-romana, latina, germânica e árabe3. Por seu turno a mais antiga referência escrita respeitante ao meio é do século VI, particularmente honrosa pela sua antiguidade e pelo estatuto atribuído a Antuã. Concretamente, em 569 Antunane figura como uma das 7 paróquias da diocese de Coimbra, que constam das actas do Concílio de Lugo4. O nome de Antuã referido ao espaço habitado só volta a ler-se em 959 (In uilla de antoana quarta portione de uilla tuazollo5) e em 1088 (discurrentem rribulo antuana in uilla que uocitant antuana6). Várias freguesias e outras localidades de Estarreja têm as suas primeiras referências escritas nos séculos X-XII, sendo nesta fase comuns os contratos particulares de alienação de terras, mas pouco informativos sobre a realidade local. Estávamos então perante a fronteira entre cristãos e muçulmanos, e chega a encontrar-se um ou outro nome de sabor muçulmano, o que aliás sucede com o pároco de Beduído nas Inquirições de 1220, Pelágio Viegas (Ibn Egas). Só a partir do século XIII a documentação se torna mais densa, na quantidade e qualidade, começando a tornar-se possível esboçar os primeiros traços do que era o território aqui estudado. Transporte no rio Vouga. – É fora de dúvida que no século XIII a costa portuguesa era mais recortada do que é hoje, e os rios mais profundos. Como se sabe, o rio Vouga tinha a sua foz junto à Murtosa, sendo este lugar por isso estratégico, como nó intermodal que ligava a navegação litoral à que penetrava para o interior pelo rio. Entre 1142 e 1147 esteve na Península ibérica o geógrafo muçulmano Edrici, que servindo-se de fontes clássicas terminou de redigir a sua Geografia em 1154, na corte do Rei Rogério da Sicília7. De acordo com Edrici, «o Vouga é um rio grande, no qual entram embarcações de commercio e galés, porque a maré sobe muitas milhas por elle acima»8. Estado da formação da Ria de Aveiro. – Abstraindo do quadro geral da formação da laguna9, importa saber em que fase estava esta no século XIII. Por um lado a existência de salinas em Cabedelo (f. Válega), no ano de 92910, indicia a proximidade do mar. Outro tanto parece decorrer da letra de vários documentos posteriores, de 1090 (uilla quas uocitant Alquoruuim […] inter Paus et Marnelle, discurrente ribulo Vauga, prope litore maris11), 1097 (in uilla tanuz […] inter uilla laurario et abanca […] discurrente riuulo auanca prope litore maris12), e 1102 (hereditate in villa que diccent Villar circa villa Dagaredi et discurrente rivulo Vallega et subtus castro Rekaredi et prope litore

3 - Veja-se a este respeito o mapa inserido em Marco Pereira – A Terra Marinhoa na Idade Média, Junta de Freguesia de Veiros,

2010, pp. 10-11.

4 - Pierre David – Etudes historiques sur la Galice et le Portugal duVIe au XIIe siecle, Lisboa/Paris, Portugalia: Les Belles Lettres, 1947, pp. 36-37, com suas variantes. 5 - António López Ferreiro – Historia de la Santa A. M. Iglesia de Santiago de Compostela, Tomo II, 1899, Apêndices, pp. 169-172. 6 - Portvgaliae Monvmenta Histórica – Diplomara et Chartae, doc. DCCVIII, ano 1088, pp. 423-424. 7 - LOPES, David – “Os árabes nas obras de Alexandre Herculano”, Boletim da Segunda Classe da Academia de Sciências de Lisboa, vol. 3, 1909/1910 (ed. 1910), p. 214. 8 - LOPES, David – “Os árabes…”, cit., p. 244. 9 - Para tanto, leia-se Marco Pereira – A Terra Marinhoa…, cit., pp. 15-17. 10 - ANTT, Mosteiro de S. Salvador de Moreira, maço 1, doc. 4; Portvgaliae Monvmenta Histórica – Diplomara et Chartae, doc. XXXV, p. 22. 11 - Portvgaliae Monvmenta Histórica – Diplomara et Chartae, doc. DCCXLV, ano 1090, p. 444. 12 - Portvgaliae Monvmenta Histórica – Diplomara et Chartae, doc. DCCCXLV, ano 1097, p. 502.

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maris13), para não falar de outros documentos referindo o mar no século XII14. Por outro lado, a documentação do século XIII oferece um quadro diferente, que nos leva a ler restritivamente o que se escreveu nos séculos imediatamente anteriores, e entender a laguna como formada, pelo menos nos seus traços gerais. Assim, na doação do couto de Antuã ao Mosteiro de Arouca (1257) começa a demarcação deste nos juncais entre S. Martinho (f. Salreu) e Antuã (só existiam juncais por haver águas paradas), e vai terminar perto de Fontela (f. Avanca) à veia de Ovar (venam que vocatur Ovar), sinal que o cordão litoral estaria pelo menos em parte formado. Por sua vez, o Campo de Salreu e Fermelã (terras baixas) não só existia mas também era cultivado, segundo informam as Inquirições de 1284. Aí se mencionam os juncais de S. Martinho de Salreu, pagando-se oitavo do que neles fosse lavrado, a Póvoa do Ameal e os juncais “desse serelhos”. Onde o rio Vouga se separava em dois, ficando no meio Cebolelas, era herdade de Afonso Nunes, figura grada de Canelas, registando-se que «no termho de Fermelaa e de Canelas lavra Affonso Nuniz herdamentos per si e per outros homees que cobre o esteyro do mar». Enquanto isso, um homem do Roxico, no lugar do Lodeiro, «aronpeu polo juncal hu cobre a auga salgada ora de novo». E de Fermelã «dam das marinhas dos juncaes do que y lavram dam ende quinta». Por seu turno, em Angeja «ha juncaes que lavram pera millo e andam a maao d’el Rey e quem quer que os lavre da ende a sesta parte a el Rey». Entre as propriedades do Rei na Terra de Figueiredo constavam a Lezíria do Tojo e a do canal de Angeja, e faz-se referência a juncais em Angeja e na foz (do Vouga). Os juncais no Tojo e no canal de Angeja só eram acessíveis por barca e pagavam oitavo. As referências à proximidade do mar, que duraram quase até aos nossos dias, devem portanto ler-se com cautela, pois abundam provas de estar a região marinhoa completamente formada no século XIII (quer a terra firme, quer as terras alagadiças dos juncais) e do próprio cordão litoral estar parcialmente formado, até porque se documenta a existência da veia de Ovar e da Gelfa. Habitação. - Uma Inquirição datada de 1251, que alude a direitos cobrados em Cabanões do sal e do peixe (e pesca com caravela) informa que «os homens de Ovar darão a urze e o junco para o cobrir [o sal]»15. As sentenças das inquirições de 1288, no julgado da Feira, dão conta de existir «huma alagoa que he comtra o mar he freguesia desmoriz e de cortegaça. he prouado que he deuassa e que os homeens delrrey e os outros da terra vinham hy colher a carrega e o junco e a madeira pera cobrir as casas […] ffezerom ende honrra e leuam quatro dinheiros de cada feixe de carrega e do junco e do corozil»16. Escreveu-se numa variante da mesma Inquirição que «en huum loguar que he dele da freegesia de Esmoriz e dele da freegesia de Corteguaça, contra o mar, a huma laguoa que era deuasso e a que ujam os homens del Rey e os outros da terra colher o coreçil e a carregua pera cobrir as casas e o junco e a madeyra»17. Um dos lugares existentes na Gelfa em 1354, portanto dentro ou próximo da actual freguesia da Torreira, chamava-se Estromeira18. Por estrume entendia-se uma erva que nascia na costa do mar, e servia para cobrir as casas. Era o mesmo que estorno (Ammophila arenaria) e usava-se para o mesmo efeito o corocil, o junco e a cárrega, que cresciam na barrinha de Esmoriz19, como se disse acima. Teve origem na cárrega o topónimo Carregal, em Ovar e Salreu.

13 - Livro Preto da Sé de Coimbra, 1977, doc. 435, ano 1102, pp. 54-57. 14 - OLIVEIRA, Miguel – Ovar na Idade Média, cit., p. 60. 15 - OLIVEIRA, Miguel de – “Inquirições de D. Afonso III na Terra de Santa Maria”, Lusitânia Sacra, tomo VII, 1964/66, p. 124. 16 - SARAIVA, José da Cunha – “Inquirições de D. Dinis”, Arquivo Histórico de Portugal, vol. II, p. 122. 17 - OLIVEIRA, Miguel de – Ovar na Idade Média, cit, pp. 103-104. 18 - PEREIRA, Marco – A Terra Marinhoa…, cit., p. 51. 19 - OLIVEIRA, Miguel de – Ovar na Idade Média, cit., p. 114.

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MARCO PEREIRA

Os moradores da Terra de Santa Maria e outros queixaram-se ao Rei D. Manuel, em 1501, de certos abusos do Conde da Feira, incluindo que este «levava de cada huua pessoa, que apanhava o estrume pera cobrir suas casas, o qual estrume era hua erva, que nacia na Cósta do Maar, huu alqueire de trigo»20. Possivelmente teria em conta essa informação um autor local, quando escreveu que as habitações dos primeiros murtoseiros seriam «todas colmadas pelo estrume apanhado nos ervaçais das areias»21. Algumas décadas mais tarde, em 1594, menciona-se o Casal do Telhado (f. Avanca, c. Estarreja), onde existia «hum assento de casas de morada terreiras, telhadas, e colmadas…»22. Mais desenvolve, dando a noção do que seria a estrutura de uma propriedade rural naquele tempo: «Hum assento de casas de morada terreiras, telhadas, e colmadas, s. cozinha, celleiro, adega com seu lagar, palheiro, currais de gado com suas esterqueiras, està este casal todo juto sem se meter entre elle terras alheas». População. – Pouco se pode dizer acerca dos quantitativos populacionais do século XIII. No termo de Antuã estavam os aforamentos colectivos a dinamizar o povoamento, e existe para o século XIV uma lista de casais e herdades (das terras de Antuã e Avanca), pertencente ao Mosteiro de Arouca e inédita na sua maior parte23. No julgado de Figueiredo podemos comparar parcialmente os resultados das Inquirições de 1220 e 1284. Comparativamente ao Numeramento de 1527-1532 Canelas e Fermelã aparentam possuir 1/3 da população no século XIII, e Santiais mais de metade. Os 18 povoadores do aforamento colectivo de Salreu (1298) têm que somar-se aos demais habitantes já existentes na freguesia. Da pequena parcela de Avanca pertencente ao julgado da Feira pouco podemos adiantar, na Gelfa de Cabanões apenas um ou outro pastor se encontraria, e sobre Pardelhas sabemos da existência de 9 casais em 1220. Deste modo a população, entre a que vivia fora de Antuã, imperfeitamente conhecida, e a que vivia em Antuã, desconhecida, calculando uma média de 3 a 4 pessoas por casal, totalizaria poucas centenas de pessoas. Os números da população estavam sujeitos a grandes oscilações, particularmente em momentos de epidemias e de más colheitas, que também ocasionaram a fuga dos campos. Foi muito significativo o decrescimento populacional no século XIV devido à Peste Negra (1348), a que se juntaram outras pestes. Em qualquer caso o salto populacional só ocorreu depois do Numeramento de 1527-1532, quando estava apenas a iniciar-se a grande transformação da economia local: a introdução do milho grosso na agricultura. O Vale do Vouga teria uma baixa densidade populacional, ao contrário da generalidade dos vales dos rios e planícies férteis, beneficiários das melhores comunicações do tempo, que eram as fluviais e marítimas. Nos actuais concelhos de Estarreja e Murtosa esta população encontravase dispersa por casais que pertenciam a diferentes senhores, mas aparentando existir maior densidade no Sul da região Marinhoa (Veiros e Murtosa, junto à Ria de Aveiro) e no Oeste de Salreu. Zonas aliás onde se fizeram aforamentos colectivos. Terá contribuído para essa maior densidade a riqueza das terras baixas e a proximidade da foz do Vouga, nó intermodal importante para os transportes e comunicações da época.

20 - OLIVEIRA, Miguel de – Ovar na Idade Média, cit., p. 154; LOPES PEREIRA, Murtosa Gente Nossa, 3.ª ed., Câmara Municipal da Murtosa, 1995, p. 70. 21 - LOPES PEREIRA, Murtosa Terra Nossa, 2.ª ed., Câmara Municipal da Murtosa, 1995, p. 41. 22 - ADP, Tombo da Mesa Abacial, Convento de Paço de Sousa (Penafiel), vol. 4, fl. 599. 23 - PEREIRA, Marco – A Terra Marinhoa…, cit., p. 60.

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TERRAS DE ANTUÃ | HISTÓRIAS E MEMÓRIAS DO CONCELHO DE ESTARREJA

População (Freguesias actuais)

Século XIII (casais)

Numeramento 1527-1532 (vizinhos)

Avanca

4+

50

Beduído

4+ > 13+

50 (Estarreja + Beduído) + 22 (Santiais) = 72

Bunheiro

?

19 (Sèdouros)

Canelas/Fermelã

18 > 26+

84

Murtosa/Monte

9+

22 (Murtosa) + 47 (Pardelhas) = 69

Pardilhó

?

20

Salreu

15 > 17+

58 (Vila de Antuã) + 37 (Cc. Figueiredo/Bemposta) = 95

Torreira

?

-

Veiros

?

34

Total

?

443

Proprietários/Inquirições (n.º de casais e localidades onde se situam)

1220 Inquirição a Sul do Antuã

1220 Inquirição a Norte do Antuã (apenas de Mosteiros e Ordens)

1284 Inquirição

1284 Sentença da Inquirição

Rei

2 Soutelo

-

10 Santiais

-

Igreja / Mosteiros

5 Salreu Jusã

5 Salreu

1 Fermelã

7 Fermelã

9 Salreu 1 Salreu (Grijó) 2 Roxico (Santa Cruz) 6 Roxico (Grijó) 2 Fermelã (Santa Cruz)

4 Beduído (Pedroso) 4 Avanca (Paço de Sousa) 9 Vila Marinha e Salgueiro (Pardelhas? – Vila Cova)

9+2 Salreu (Cedofeita) 1 Salreu (Grijó) ? Honra velha do Roxico (Santa Cruz e Grijó)

5 Roxico (Grijó) 2 Roxico (Santa Cruz) 1 Fermelã (Grijó)

2 Fermelã (Santa Cruz)

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MARCO PEREIRA

Nobreza / Herdadores / Alódios

7 Fermela (Gonçalo Gomes)

-

?, Santiais (Herdadores) 1 Mosteiró (Antuã, Santo Amaro? – do antigo juiz de Figueiredo)

11 Canelas (Afonso Nunes Doutiz)

?, Póvoa do Ameal (Salreu – de Estêvão Peres, almoxarife) ?, Honra de Canelas (Afonso Nunes, cavaleiro) ?, Fermelã (Herdadores) Partilhados / Desconhecidos / Outros

-

-

2, Póvoa do Carvalhal (Santiais, 1 dos quais ermo)

-

Total de casais

35

17

39+

19

2. PODERES Pouco se sabe da divisão político-administrativa da região em que se inserem os actuais concelhos de Estarreja e Murtosa, no período imediatamente anterior ao século XIII. Sobressaem apenas algumas alusões genéricas na diplomática, avultando as vagas referências ao Território Portucalense e à Terra de Santa Maria. Ao longo do século XIII começaram a individualizar-se unidades mais pequenas, constituindo-se diversos concelhos rurais. O mapa político-administrativo local que lentamente se formou era muito diferente do que hoje conhecemos, vindo a exercer jurisdição sobre diversas parcelas dos actuais concelhos de Estarreja e Murtosa cinco diferentes julgados: Feira, Figueiredo, Pardelhas, Antuã e Cabanões. Sucessivas demarcações ao longo dos séculos muito pouco terão alterado o mapa que se constituiu no século XIII, a não ser um ou outro eventual ajuste de poucos metros e a mudança de nome dos mesmos julgados. Foi enfim esta a ordem que se manteve, até às tremendas reformas liberais do século XIX. 2.1. JULGADO DA FEIRA Do julgado da Feira (do Rei) se terão desmembrado todas as terras situadas a Norte do rio Antuã. Dá disso claro testemunho uma notícia de 1287, respeitante a Pardelhas (c. Murtosa), que então se emancipava da autoridade do juiz da Feira. Dentro do espaço que nos ocupamos, permaneceu nos limites da Feira sensivelmente uma terça parte da actual freguesia de Avanca (Norte). Conhece-se apenas um documento do século XIII, respeitante a terras de Avanca situadas nos limites do julgado da Feira. Com data de 14 de Abril de 1288, é um aforamento de D. Dinis, a [ 162 ]


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dois casais e seus sucessores, de um reguengo sito em Água Levada (f. Avanca), então na freguesia de S. Martinho da Gândara e julgado da Feira. Uma carreira e uma estrada fazem parte dos limites então definidos do espaço aforado. 2.2. JULGADO DE FIGUEIREDO Ao julgado de Figueiredo (do Rei), mais tarde designado de Bemposta, ficaram pertencendo diferentes retalhos territoriais: dois pequenos lugares de Avanca; Santiais (f. Beduído); sensivelmente duas terças partes de Salreu; Canelas; Fermelã; e no século XIV Pardelhas (f. Murtosa). Nos diversos documentos que referem o topónimo Salreu, até ao século XIII, o nome da freguesia escreve-se Sarleu (passais em 1076/1106, rol de igrejas em 1220-1238, doação do couto de Antuã em 1257, aforamento e Inquirições em 1284, referência à paróquia em 1279), constituindo excepção as Inquirições de 1220. No Norte da freguesia ficava situada a cabeça do julgado de Antuã, que tinha o seu juiz nas Inquirições de 1220, e transitou das mãos do Rei para as do Mosteiro de Arouca em 1257. Sobre a parte restante da freguesia (Sul) temos notícia de incluir-se no julgado de Figueiredo nas Inquirições de 1284 (que distinguem Salreu de S. Martinho), não sendo certo se antes disso os juízes de Antuã ou Fermelã aí chegaram a exercer alguma autoridade24. Por seu turno Fermelã, que abrangia os lugares do Roxico (f. Fermelã), Canelas, e Angeja, constava possuir também o seu próprio juiz nas Inquirições de 1220, que era então o mesmo Pelágio Gonçalves que servia de juiz em Antuã. Uma certa dependência se configurava já quanto a Figueiredo, onde prestavam serviço os homens da igreja de Fermelã. Santiais (f. Beduído), Salreu (Sul), Canelas e Fermelã figuram como pertencentes a Figueiredo, nas Inquirições de 1284. Pode por isso supor-se que tenham sido integrados neste julgado, Santiais antes de 1284, e os restantes lugares entre 1220 e 1284. Acresceu-lhes Pardelhas (f. Murtosa) no século XIV. Entre a vasta informação que nos é dada pelas Inquirições de 1284 há também direitos jurisdicionais devidos no julgado de Figueiredo, designadamente a fossadeira e a portagem. Apenas os herdadores existentes em Santiais e Fermelã deviam uma determinada quantia em dinheiro a título de fossadeira (isenção militar), correspondente a uma soma de soldos e dinheiros (para os de Santiais) ou uma libra de cera e cinco soldos (para os de Fermelã). No respeitante a direitos de portagem devidos ao Rei, cobravam-nos em Salreu os dois casais de Cedofeita, o casal de Grijó e os nove casais de Cedofeita em S. Martinho, assim como todos os de Fermelã, Canelas e Roxico. 2.3. JULGADO DE PARDELHAS Por carta datada de 7 de Março de 1287 D. Dinis ordenou que o juiz da Feira não mandasse na terra de Pardelhas (f. Murtosa)25. Possivelmente não seriam alheios a esta iniciativa autonómica os interesses do Mosteiro de Vila Cova, a quem pertenciam as terras de Pardelhas.

24 - Parece que dependia do juiz de Antuã, pois nas Inquirições de 1220 este tinha jurisdição em Salreu jusante. 25 - ANTT, Mosteiro de S. Bento da Ave-Maria (Porto), Lv. 3, fl. 79v.

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Quando em 1334 se realizou uma Inquirição nas terras de Antuã26, registaram-se os nomes de Masdorna e Pardelhas, este então designado julgado27 e confrontando com o couto de Antuã. Em 13 de Maio de 1358 determinou o Rei D. Pedro, em recurso, o fim da autonomia de Pardelhas28, passando a localidade a estar integrada na jurisdição do julgado de Figueiredo, depois chamado de Bemposta. No ano de 1358 Portugal atravessava uma fase de decréscimo populacional, particularmente sentido no mundo rural, na sequência da Peste Negra que abalara o país dez anos antes. A Peste Negra terá possivelmente contribuído para o despovoamento do já de si pequeno concelho de Pardelhas. Não tinha o Mosteiro de Arouca, donatário do couto de Antuã (dentro do qual Pardelhas se constituía como enclave), credenciais para poder ocupar Pardelhas, que até então teve juiz (do cível e do crime) e procurador próprios, talvez respondendo perante o Mosteiro de Vila Cova. Embora em descontinuidade geográfica, foi o juiz de Figueiredo (do Rei) que resolveu impor a sua soberania na pequena parcela. Contudo os moradores de Pardelhas ainda insistiram por algum tempo em eleger de entre si juiz, procurador e vereadores, e conhecer da jurisdição que antes tinham. 2.4. JULGADO DE ANTUÃ Nas Inquirições de 1220 Antuã consta como julgado, onde era juiz Pelágio Gonçalves, que exercia as mesmas funções em Fermelã. Essa autonomia talvez tenha durado por pouco mais tempo, a fazer fé nas 20.ª, 21.ª e 27.ª testemunhas da Inquirição feita em Antuã em 1334, que afirmaram que o couto de Antuã andava junto com Figueiredo antes da doação feita pelo monarca ao Mosteiro de Arouca (1257). Porque ambas as terras eram do Rei, possivelmente um mesmo juiz poderia exercer jurisdição sobre as duas, sendo contudo Figueiredo o núcleo principal. O testamento da Rainha D. Mafalda (1256), sobejamente conhecido, inclui éguas possuídas pela Rainha em Antuã (et mando eidem loco de Avis omnes equas quas habeo in Antoana), que eventualmente contribuiriam para o equipar da máquina de guerra do reino. O falecimento da Rainha, pouco depois, suscitou uma negociação entre o seu sobrinho, o Rei D. Afonso III, e o Mosteiro de Arouca, que resultou na transferência de todos os direitos régios possuídos em Antuã para este Mosteiro. Com efeito, ocorreriam no final de 1257 uma série de acontecimentos encadeados, com profundas implicações na história local durante os séculos seguintes, até ao final do Antigo Regime. Em 1 de Setembro D. Afonso III doou ao Mosteiro de Arouca as dívidas de que a Rainha D. Mafalda era credora em Bouças, Cabanões e Antuã. No dia 7 de Outubro o mesmo Rei encarregou várias autoridades, incluindo os juízes da Feira, Cabanões e Figueiredo (confinantes) de colocarem marcos e padrões nas vilas de Antuã e Avanca, que pretendia doar ao Mosteiro de Arouca. A 25 de Outubro D. Afonso III doou formalmente o couto de Antuã e Avanca ao

26 - ANTT, Mosteiro de Arouca, vol. 106; esta inquirição foi parcialmente publicada por Gonçalo António Tavares de Sousa. 27 - Como nota Miguel de Oliveira – Ovar na Idade Média, cit., pp. 13, 183-184, 193. Também ali notou a menção de Julgado de Pardelhas Lopes Pereira, em Murtosa Terra Nossa, cit., p. 49. 28 - ANTT, Chancelaria de D. Pedro I, Lv. I, fls. 22-22v. Publicado por: Miguel de Oliveira – “Nótula histórica da Murtosa” (publicado em 1936 na imprensa local, e transcrito por Marco Pereira – A Terra Marinhoa na Idade Média, cit., pp. 58-60); Regina A. C. Moreirinhas – Documentos da Chancelaria de D. Pedro I, 1357-1359, pp. 110-112; e A. H. de Oliveira Marques – Chancelarias Portuguesas – D. Pedro I, 1984, pp. 95-97. Citado por Miguel de Oliveira – Ovar na Idade Média, cit., pp. 71 e 186; e Lopes Pereira – Murtosa Gente Nossa, cit., p. 15; e Murtosa Terra Nossa, cit., p. 43.

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TERRAS DE ANTUÃ | HISTÓRIAS E MEMÓRIAS DO CONCELHO DE ESTARREJA

Mosteiro de Arouca e sua abadessa, D. Mor Martins, incluindo todos os seus bens económicos e jurisdição que aí havia. Finalmente, em 1 de Novembro, o Mosteiro de Arouca doou por sua vez ao Rei os seus direitos sobre o mosteiro de S. Salvador de Bouças, e os herdamentos de Bouças e Vilar de Sande, tudo em troca dos herdamentos de Antuã, Avanca e Arouca, e do padroado da igreja de Santa Eulália de Arouca. Contudo, e apesar do rigor formal, o escambo (troca) não ficou em definitivo isento de problemas para o Mosteiro de Arouca. Com efeito, em 1266 a respectiva abadessa, D. Mor Martins, queixou-se ao Papa Clemente IV das dificuldades tidas com o Rei, a propósito da posse das terras de Antuã, Avanca e Arouca, que o monarca pretendia reaver. Mais lamentava a abadessa que sem esses bens não podiam sustentar-se as 110 monjas existentes no Mosteiro. Enfim por não conseguir em Portugal juízes para dirimir a contenda com o Rei, pede-os em Cidade Rodrigo. Clemente IV nomearia efectivamente juízes para o efeito em 9 de Março desse ano. Os anos passaram, e só em 18 de Fevereiro de 1274 o Rei reconheceu razão ao Mosteiro de Arouca, ordenando no dia 20 do mesmo mês e ano a entrega a este dos bens de Antuã, Avanca e Arouca. Regista-se enfim uma bula tardia do Papa Gregório IX, datada de 28 de Abril de 1274 e dirigida ao Deão de Salamanca, ainda a propósito do diferendo, afinal sanado dois meses antes. Desde então, o couto de Antuã e Avanca ficaria em definitivo na posse do Mosteiro de Arouca. Nas Inquirições realizadas em 1334 no couto de Antuã consta que este é fronteiro aos julgados de Figueiredo, Feira, Cabanões e Pardelhas. Possuía um juiz, eleito entre os homens bons de Antuã e confirmado pela Abadessa de Arouca, com autoridade para julgar civil e criminalmente, assim como para aplicar a pena capital. Admitia-se recurso cível para a Abadessa de Arouca, e dela para o Rei. O recurso crime era directo para o Rei. Além disso a Abadessa nomeava ainda um meirinho, oficial executivo às ordens do juiz local29. Por mudança posterior das casas da justiça e celeiros centrais de Antuã para o lugar de Estarreja, este nome acabaria por vir a substituir lentamente o de Antuã como sede do concelho. Importa fazer um parênteses, referente a Veiros. Esta localidade possuía juiz próprio em 1250, indiciando a existência de um pequeno concelho rural, e em 1274 já a abadessa de Arouca aí promovia um aforamento colectivo. Neste intervalo de tempo Veiros deve ter sido agregado às terras de Antuã, mas não se conhece por que título. 2.5. JULGADO DE CABANÕES A vasta língua de areias onde a actual freguesia da Torreira se insere, na Idade Média em formação e crescimento para Sul, era então conhecida pela designação vaga de Gelfa. Pertencia ao termo de Cabanões, que mais tarde tomaria o nome de Ovar. O mais antigo documento escrito onde figuram aquelas areias do litoral é de 4 de Fevereiro de 1283. Nessa data D. Dinis aforou a Pedro Vermudes a Gelfa, onde havia montado de coelhos e pastagem para gados. E especificava que as terras aforadas consistiam num monte que jaz no termo de Cabanões, o qual chamam de Gelfa.

29 - Esta organização, da qual nos informam as Inquirições de 1334, foi já notada por Manuel Rodrigues Simões Júnior – “Mosteiro de Arouca. Couto de Antuã e Avanca. Subsídios para a sua história”, Arquivo do Distrito de Aveiro, XX, 1954, pp. 102-103.

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MARCO PEREIRA

2.6. MAPA ADMINISTRATIVO Acabamos de ver que na Idade Média eram completamente distintas as fronteiras administrativas, nas terras que hoje correspondem aos concelhos de Estarreja e Murtosa. Fronteiras aliás que permaneceram praticamente inalteradas desde o século XIII até ao século XIX, momento das grandes reformas administrativas do liberalismo. Foi no intuito de facilitar a compreensão das diferenças entre o ontem e o hoje que procurámos realizar um mapa, através do qual visualmente se estabelecem as correspondências com facilidade. Para tanto recorremos às duas folhas da Carta Militar de Portugal que abrangem os dois concelhos actuais de Estarreja e Murtosa30. Digitalizadas ambas as folhas utilizámos software de edição de imagem (Adobe Photoshop), para criar uma camada transparente sobre a imagem de fundo, sobre a qual transpusemos as principais linhas definidoras da topografia e os limites actuais dos dois concelhos. Foi sobre esta camada transparente que trabalhámos, tendo em atenção a topografia, as linhas de água e principalmente os topónimos registados na imagem de fundo, apagando-a depois de estar desenhada a totalidade da linha de fronteira medieval, assim originando o mapa ora anexo (fig. 01). Depois de prontos os recursos cartográficos e informáticos, conforme o acima descrito, desenhou-se a linha de fronteira antiga recorrendo a fontes de várias épocas, tendo em conta que a fronteira se manteve praticamente inalterada até ao século XIX. Num primeiro momento recorreu-se às Memórias Paroquiais de 1758 e ao Prontuário das Terras de Portugal (1689), que arrolam lugares e indicam a que concelhos pertencem. Por esta via se podem identificar no mapa os lugares que pertenciam a cada concelho e desenhar uma primeira linha de fronteira. Segue-se o trabalho de pormenor, tentando apurar com uma menor margem de erro por onde passava a linha de fronteira. Isso faz-se utilizando indicações mais precisas mas também de mais difícil identificação (como a topografia e linhas de água), que se podem consultar na doação do couto de Antuã (1257) e em diversas demarcações posteriores. A Memória Paroquial de 1758 mais completa, dentro do espaço estudado, é a de Avanca, que atribui a três concelhos o território da freguesia. Em concreto, 1/3 pertencia ao concelho da Feira31, 2/3 ao concelho de Estarreja32, e uma pequena parcela ao concelho de Bemposta33. A Memória Paroquial de 1758 de Beduído nomeia os lugares da freguesia, mas não especifica o concelho a que cada um pertence. De Beduído temos também a Memória Paroquial de 173234, que identifica vários lugares mas sem rigor suficiente para ajudar no traçado da linha de fronteira concelhia. Por seu turno a Memória Paroquial de 1758 da Murtosa apenas distingue quatro grandes lugares, pouco ajudando para o que pretendemos. As restantes Memórias Paroquias não possuem qualquer informação útil, sendo pois a mais útil a de Avanca.

30 - Carta Militar de Portugal, 1/25.000, Instituto Geográfico do Exército, folhas 163 – Estarreja (1998) e 174 – Murtosa (2002). 31 - Total de 14 lugares: Monte, Macieira do Sobral, Água Levada, Curro, Lagoa, Seixo, Arada, Rego de Arada, Estrada, Ermida, Rua Nova, Gonde, Lombão, e Areia do Gonde. 32 - Total de 26 lugares: Igreja, Trás do Rio, Carvalhos, Santo André, Porto de Tonce, Valada, Paredes, Outeiro de Paredes, Meições, Mato, Telhado, Pinheiro, Sobreiro, Cangosta, Areia, Portobreja, Arcã, Sardinha, Bandeira, Outeiro da Bandeira, Submoinhos, São Sebastião, Reçomil, Zangarinheira, Fojo, e Beduído (este último meeiro com a freguesia de Beduído). 33 - Total de 2 lugares: Aguieiros e Tonce (este segundo meeiro com Loureiro). 34 - CARDOSO, Luís – Diccionario geografico, ou notícia historica de todas as cidades… de Portugal, e Algarve…, vol. II, Lisboa, Officina Sylviana, 1751, p. 122.

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Uma segunda fonte – Promptuário das Terras de Portugal (1689)35 – arrola lugares da região que estamos a estudar, identificando o concelho a que cada um pertence. Pouco informa sobre Avanca, a não ser o pertencerem ao concelho de Estarreja os lugares de Avanca e Fojo. A respeito de Salreu distingue os lugares pertencentes ao concelho de Estarreja (apenas refere Picoto e Adou, que estão na fronteira) dos pertencentes ao concelho da Bemposta (Salreu, Santa Cristina, Corgo, Seyxal, Feyro, Soutelo, Cadaval, S. Mateus, S. Martinho, Mato, Laceiras, Barroca, Vales, Campinos, Boa Vista, Ladeira, Vale da Rama e Valdujo). A respeito da freguesia da Murtosa, separam-se os lugares do concelho de Bemposta (Ribeiro, Rua do Ribeiro, Pardelhas, Outeiro, Agra, Caneira, e Povoa da Saldida.) dos do concelho de Estarreja (Murtosa e Monte). O Promptuário de 1689 interessa assim principalmente à freguesia de Salreu. Analisando agora a doação do couto de Antuã de 1257, verificamos que a demarcação então feita começava na freguesia de Salreu, entre S. Martinho e os juncais de Antuã (Ladeira). Passava por Vales, “Mormoyrales”, Laceiras e por duas mamoas hoje desconhecidas (Coutadoyram e Fontano de Lobos). Descendo pelo ribeiro que vem de Cristelo da Branca entrava no rio Antuã, que descia, subindo depois um ribeiro de Santiais, e indo ter à encruzilhada de “Moesteyroo”36. A demarcação continuava, indo às mamoas entre Antuã, Santiais, e Beduído (o lugar da primitiva igreja de Santiago), que hoje se desconhecem mas deviam situar-se pouco a Nor-Noroeste de Santo Amaro. Passava depois pelo Outeiro da “Fravega”37 e pelo marco da Silveira, até chegar ao cimo do Vale do Cão38, e daí à estrada entre Avanca e Dagarei (Sul de Válega). Seguia pelo Vale do Cão ao porto de “Moesteyroo”39, atravessando um rio40 e dirigindo-se ao Outeiro de Fontela, descendo pelo Porto de Fontela, e seguindo pela linha de água, até entrar na “veia a que é chamada de Ovar”41. Curiosamente a doação de 1257 não fixou os limites a poente, com as terras de Pardelhas e eventualmente com as de Veiros. Não é pois de admirar que não tivessem tardado os litígios fronteiriços entre Antuã e Pardelhas, opondo os mosteiros de Arouca e Vila Cova, que disputaram o “Outeyro de Gozerem” (actual Bezarém, f. Murtosa). É o que consta num documento com data de 25 de Março de 1291, que informa de ter o Mosteiro de Vila Cova recorrido da sentença do juiz da Feira para o Rei D. Dinis, que decidiu a final. Nesse documento refere-se a mamoa de Aruffo como fronteira, e atribui-se a Pardelhas o título de “aldeya”. Encontram-se entre outros documentos, num volume manuscrito pertencente ao Mosteiro de Arouca e hoje à guarda do Arquivo da Universidade de Coimbra, as demarcações feitas em 1695 entre o concelho de Estarreja e os de Bemposta e Feira42. Alguns dos topónimos aí referidos caíram entretanto em desuso, os caminhos deixaram de ser trilhados, e os proprietários

35 - COSTA, Mário Alberto Nunes da – “A Provedoria de Esgueira”, Arquivo do Distrito de Aveiro, vol. XXIV, 1958, pp. 72-73. 36 - Deve ser algum templo antecessor da actual capela de Santo Amaro. Na demarcação realizada em 1695 a linha de fronteira passa pelo Rocio da capela de Santo Amaro, que fica do lado de Estarreja. 37 - Nas Inquirições de 1284 há Fonte da Fravega em Tonce, talvez a nascente do rio de Fontela. 38 - Próximo de Porto de Tonce? 39 - Talvez se trate de um templo antecessor da capela de S. Salvador de Arada, que é das mais antigas de Avanca.; Miguel de Oliveira refere “porta de monasterio”, por alturas de Poças do Gonde, e a fixação das primitivas paróquias junto dos rios (OLIVEIRA, Miguel de – Válega – Memória Histórica e Descritiva, Câmara Municipal de Ovar, 1981, p. 27). 40 - Regato do Bandalho? 41 - A existência “da veia de Ovar” implica a existência de parte do cordão arenoso litoral. 42 - AUC, III-1.ºD-13-5-21, fls. 30v-41 (freguesias de Avanca/Beduído/Salreu com Bemposta), 41v-47 (freguesia de Murtosa com Bemposta), 68v-74 (freguesia de Avanca com a Feira).

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MARCO PEREIRA

confinantes há muito foram esquecidos. Por isso só em parte as informações fornecidas nos são úteis. Começa a demarcação entre Avanca e o concelho de Bemposta, num marco situado em Porto de Tonce. Descendo para Beduído o 9.º marco está no “recio” da capela de Santo Amaro. Vai pelo ribeiro de Santiais abaixo, sobe o rio Antuã e o ribeiro que vem de Cristelo da Branca, continuando por Salreu. Dentro da Murtosa a demarcação é relativamente fácil de confrontar com os sítios actuais, e separa os grandes lugares da Murtosa e Monte (pertencentes a Estarreja) dos de Pardelhas e Ribeiro (pertencentes a Bemposta). Inicia-se a demarcação com a Feira na Ria de Aveiro, seguindo por Avanca adentro. Ficaram então assentes 61 marcos a balizar os limites de Estarreja, 46 com Bemposta e 15 com a Feira.

Fig. 01 – Mapa administrativo da região onde se inserem os actuais concelhos de Estarreja e Murtosa, do século XIII ao século XIX.

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Ficou por identificar um ilhote que consta da demarcação de 169543, próximo da Murtosa e pertencente ao Mosteiro de Arouca (concelho de Estarreja). Deve ser a antiga ilha do Corvo, disputada eclesiasticamente por Beduído e Cabanões (Ovar) no século XVI44, quando pela primeira vez teria tido aproveitamento agrícola. Num e noutro caso a localização não é certa, mas talvez se tratasse da actual ilha da Gaga, a Sul do esteiro de Pardelhas e próxima da ilha Testada. É hoje de terras baixas alagadiças, mas atendendo a que no século XVI estava no seu início a Pequena Idade do Gelo, é possível que o nível das águas do mar fosse ligeiramente mais baixo e estivesse a ilha mais emersa. 2.7. NOÇÃO DE CONCELHO MEDIEVAL Sucessivos documentos do século XIII apontam a existência de juízes locais, em Antuã (1220), Fermelã (1220), Veiros (1250) e Pardelhas (1287). O facto do couto doado em 1257 aparecer por vezes designado como couto de Antuã e de Avanca, e constituir-se das vilas de Antuã e Avanca, coloca também a dúvida sobre o estatuto de Avanca imediatamente antes de 1257. É fundamentalmente da existência de um juiz local45 que presumimos serem estes lugares cabeças de pequenos concelhos rurais no século XIII, parte deles sendo em breve agregados a outros. A este propósito cabe aqui referir a diferença entre aforamento colectivo e foral, por vezes confundidos46. O aforamento colectivo surge da necessidade de repartir um prédio vasto por um número plural de colonos, sujeitos aos mesmos encargos, constituindo como que um contrato de adesão, para fins de exploração agrícola. Diferentemente, os forais são documentos que fundam ou restauram concelhos47. Por si só um aforamento colectivo não significa a criação de um concelho, mas tão só um consórcio rural. Contudo estão por vezes no aforamento colectivo as condições que vão determinar a constituição do concelho, em concreto a existência de magistrados locais48. É a existência de um juiz que vai significar a existência de um concelho49, não dependendo este da outorga de uma carta de foral50. Por outro lado a designação de villa indicia nalguns casos uma organização municipal51, o que sempre deve ser avaliado com prudência. Talvez seja o que se passava no século XIII com as alusões à villa de Avanca, ou a referência “per ad villam de Veeyros” de 1274, respeitando a um estatuto que as duas localidades teriam possuído num passado recente e cujo título só o tempo faria cair em desuso.

43 - AUC, III-1.ºD-13-5-21, fl. 45v. 44 - AMORIM, Aires de – “Para a história de Ovar. O Cabido da Sé do Porto defende os limites territoriais de Cabanões contra Válega, Beduído, Arada, Maceda, Cortegaça e Mira”, Aveiro e o Seu Distrito, n.º 6, 1968, pp. 22-23. 45 - Sendo que em alguns destes casos os documentos revelam uma existência mais perfeita de instituições, caso de Pardelhas que elegia um juiz, vereadores e procurador. 46 - LEITE VASCONCELOS – “Excerto da Etnografia Portuguesa, Livro I, Parte II, Secção B, a publicar”, Biblos, vol. VII, 1931, p. 100. 47 - SILVA, L. A., Rebello da – Memória sobre a população e a agricultura em Portugal, 1868, p. 80. 48 - SOARES,Torquato Sousa – “Notas para o estudo das instituições municipais da Reconquista”, Revista Portuguesa de História, II, 1943, pp. 267-268; Cf. GAMA BARROS, Henrique da – História da Administração Pública em Portugal, 2.º ed., vol. I, 1956, p. 384. 49 - GAMA BARROS, Henrique da – História da Administração Pública em Portugal, 2.º ed., vol IV, 1956, pp. 201-202. 50 - GAMA BARROS, Henrique da – História da Administração Pública em Portugal, 1.ª ed., vol. II, p. 110. 51 - AZEVEDO, Pedro de – “Cartas de Vila, de mudança de nome e do título de notável das povoações da Estremadura”, Boletim da Segunda Classe da Academia de Sciências de Lisboa, vol. XIII, 1918/1919 (ed. 1921), citando Gama Barros.

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3. POSSE E EXPLORAÇÃO DA TERRA Ao longo do século XIII terá aumentado o solo cultivado no território que hoje corresponde aos concelhos de Estarreja e Murtosa, onde cresceu o número de trabalhadores rurais que foram arroteando novas terras de cultivo. Os próprios senhores das terras incentivaram a fixação de colonos, através de aforamentos colectivos e de rendas menos pesadas sobre os incultos que fossem arroteados. Reis, mosteiros, uma ou outra honra, simples herdadores e outros detentores de alódios tiraram proveitos dos frutos das terras. Aqui e ali casais ermos estavam prontos a acolher quem quisesse de imediato explorar a terra. Proprietários. – As diversas parcelas do território estudado, qual manta de retalhos, revelam heterogeneidade quer na maior ou menor riqueza de informação existente quer nos senhores que possuem as terras. No centro do mapa, por assim dizer, figura o couto de Antuã, assentando nas villas de Antuã e Avanca e constituído em 1257 por D. Afonso III, para entregar ao Mosteiro de Arouca. Antes dessa data sabemos por um sucedâneo das Inquirições de 1220 que teve propriedades em Avanca o Mosteiro de Paço de Sousa e em Beduído o Mosteiro de Pedroso, possivelmente mantendo estes os seus bens depois de 1257. É que o Rei só podia coutar o que lhe pertencesse, que era a maior parte das terras, ficando de fora as pequenas parcelas que tinham outro dono, do que veio depois a ser exemplo um antigo juiz de Figueiredo, proprietário por alturas de Santo Amaro. Ao receber o couto de Antuã o Mosteiro de Arouca agregou as terras régias das duas villas mencionadas, incluindo o espaço onde em 1256 a Rainha D. Mafalda possuía éguas e possivelmente Veiros. Tratou a instituição monástica de valorizar as propriedades recebidas, principalmente promovendo nas décadas seguintes três aforamentos colectivos, no Sul da região marinhoa. Diferentemente, dentro do julgado de Figueiredo do Rei a propriedade agrária estava fragmentada por uma multiplicidade de proprietários. Vamos encontrar em Santiais casais pertencentes ao Rei, herdadores e a Póvoa do Carvalhal. Em Salreu eram proprietários o Rei, o Mosteiro de Grijó, Cedofeita, e existia a Póvoa do Ameal, no final do século XIII pertencendo ao almoxarife Estêvão Peres. Por sua vez em Fermelã (abrangendo o Roxico e Canelas) possuíam terras o Rei, o Mosteiro de Santa Cruz, o Mosteiro de Grijó, herdadores, e existiam duas honras. Restam as franjas do território: extrema Norte de Avanca, no julgado da Feira, onde o Rei era proprietário; Pardelhas que pertencia ao Mosteiro de Vila Cova; e a Gelfa, no termo de Cabanões, que era do Rei. Toda esta fragmentação de propriedade é mais fácil de compreender, e figura de forma mais completa, na tabela que atrás se apresenta a propósito dos quantitativos populacionais. Contratos. – São oito os contratos conhecidos no século XIII para exploração da terra. Quatro correspondem a aforamentos colectivos, perpétuos. Um quinto também perpétuo (Água Levada), que é formalmente colectivo, mas respeita apenas a dois casais. Dos singulares, o da Póvoa do Ameal (f. Salreu) é por uma vida e o da Murtosa aparenta ser perpétuo. O caso da Gelfa é singular, por se tratar de um emprazamento numa única vida, o pagamento ser feito em dinheiro, e ser destinado à exploração pecuária e não agrícola. Assim, temos cronologicamente os seguintes contratos: 1) Veiros, 1210/1250 – aforamento colectivo perpétuo; 2) Veiros, 1274 – aforamento colectivo perpétuo; 3) Gelfa (f. Torreira), 1283 – prazo de uma vida;

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4) Ameal (f. Salreu), 1284 – foreiro e todos os seus sucessores; 5) Murtosa, 1286 – aforamento colectivo perpétuo; 6) Água Levada (f. Avanca), 1288 – foreiros e todos os seus sucessores; 7) Refelia (f. Murtosa), 1294 – casal, filhos, terceiros a quem estes derem ou vendam; 8) Seserelho (f. Salreu), 1298 – aforamento colectivo perpétuo. Rendas. – As rendas devidas pelos trabalhadores rurais pela exploração da terra podem ser múltiplas em cada contrato. Ordinariamente paga-se uma renda principal, que corresponde a uma quota-parte da produção de cada ano (em regra do cereal, do vinho e do linho), no caso em estudo a quarta, a quinta, a sexta ou a oitava parte. A esta prestação variável soma-se geralmente uma quantia certa e tendencialmente pequena de bens pré-determinados, aqui designada por renda acessória. Estas pequenas prestações certas, que na diplomática costumam designar-se de direituras, são pequenos mimos devidos ao Rei ou mesmo ao mordomo (maior e menor) e ao prestameiro, que têm o ónus das cobranças, para o que são compensados por este meio várias vezes no ano. Parece-nos ser de mais fácil leitura apresentar sob a forma de tabelas as prestações parciária e certa, que se conhecem do século XIII no território analisado. RENDA PRINCIPAL (renda parciária)

Localidade, ano, bens cuja produção está sujeita a renda parciária

Quarto

Veiros, 1210 – de tudo o que produzirem. Antuã, 1220 – pão, linho. Salreu Jusã, 1220 – pão, vinho, linho. Fermelã, 1220 – pão, linho. Canelas, 1220 – pão. Santiais, 1284 – pão, vinho, linho, e arroteamentos. Fermelã (monte), 1284 – pão, vinho, linho.

Quinto

Antuã, 1220 – vinho. Veiros, 1274 – vinha, árvores, e demais frutos da terra. Murtosa, 1286 – frutos da terra. Murtosa, 1294 – das terras cultas. Salreu Jusã, 1284 – vinho e arroteamentos. Fermelã, 1284 – pão, vinho, e das marinhas dos juncais que se lavram.

Sexto

Salreu (Póvoa do Ameal), 1284 – pão, vinho, linho.

Oitavo

Água Levada (f. Avanca), 1288 – pão, vinho, linho, legumes. Salreu (casais de Cedofeita), 1284 – dos juncais que lavrarem, que pertencem ao Rei. Murtosa, 1294 – dos arroteamentos.

RENDA ACESSÓRIA (renda certa)

Foros ou Direituras, Ração, Miúnças (mimos) – devidos ao rei, mordomo ou prestameiro

Quantias certas em dinheiro

Gelfa, 1283 – 5 libras (exclusivamente). Murtosa, 1286 – 1/3 moravidy (maravidil?). Murtosa, 1294 - 6 soldos e 8 dinheiros.

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Entrudo

Santiais, 1284 – 1 cordeiro se tiverem 3 ovelhas, ou 1 cabrito como é costume. Salreu (5 casais do rei), 1284 – três alqueires de trigo em vez do cordeiro. Fermelã/Canelas/Roxico, 1284 – 1 cordeiro se houver 3 ovelhas, ou então 1 cabrito.

Páscoa

Santiais, 1284 – 1 queijo, manteiga, 5 ovos. Salreu (5 casais do rei), 1284 – 1 soldo em vez dos queijos e da manteiga. Fermelã/Canelas/Roxico, 1284 – 1 queijo, 1 fazedura de manteiga e 5 ovos.

S. João (dado ao prestameiro)

Salreu (5 casais do rei), 1284 – meio alqueire de pão, um alqueire de cevada, metade do vinho, 1 frango. Salreu (herdamento de Cedofeita), 1284 – quando Antuã pertencia ao Rei eram devidos 2 frangos de censória. Fermelã/Canelas/Roxico, 1284 – meio alqueire de pão, meio alqueire de vinho, 1 galinha.

S. Miguel

Santiais, 1284 – 1 almude de trigo, ¼ do linho e estiva, 2 capões para o mordomo da eira, 1 galinha por cada pessoa. Salreu (5 casais do rei), 1284 – 1 almude de trigo, 2 capões, 1 galinha. Salreu (herdamento de Cedofeita), 1284 – quando Antuã pertencia ao Rei eram devidos 8 alqueires de cevada. Fermelã/Canelas/Roxico, 1284 – 2 capões. Água Levada, 1288 – 1 almude de trigo, 2 capões, um soldo.

Natal

Antuã, 1220 – 1 cordeiro. Santiais, 1284 – 1 teiga de trigo em vez da espádua. Salreu (5 casais do rei), 1284 – 1 teiga de trigo em vez da espádua. Fermelã/Canelas/Roxico, 1284 – 1 taleiga de trigo em vez da espádua.

Eirádiga

Veiros (replicado nos aforamentos marinhões de 1274, 1286 e 1294), 1210/1250 – 1 sexteiro e 1 almude de trigo, 1 capão, 1 cabrito médio, 1/3 MBRO. Antuã, 1220 – 6 teigas de pão, 1 puçal e vinho, 1 almude de espigas, 1 estiva de linho, 2 frangos. Salreu Jusã, 1220 – 6 teigas (de pão?) e 1 almude de espigas.

Fogaça

Antuã, 1220 – pela fogaça e espádua, 1 teiga de trigo pelo Natal.

Lutuosa

Antuã, 1220 – o melhor dom que houver. Veiros, 1274 – pagam lutuosa. Santiais (10 casais do Rei), 1284 – pagam lutuosa. Fermelã/Canelas/Roxico, 1284 – herdadores e os demais pagam lutuosa. Murtosa, 1286 e 1294 – pagam lutuosa. Água Levada, 1288 – 20 soldos de Portugal.

Colecta

Antuã, 1220 – 1 galinha. Salreu Jusã, 1220 – 1 galinha.

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Outros

Antuã, 1220 – 1 cordeiro, 1 leitão de cada ninhada que tiver a porca, 1 queijo, manteiga e 5 ovos. Salreu Jusã, 1220 – em vez de cordeiro e espádua dão 7 alqueires de trigo; e cada um 2 frangos, 1 queijo, 1 caona de manteiga e 5 ovos. Salreu, 1257 – 9 alqueires de trigo, 9 sesteiros de cevada e 9 frangos. Canelas, 1257 – 1 teiga de trigo. Veiros, 1274 – 1 cambo de peixe, de cada barca. Santiais (10 casais do Rei), 1284 – 6 teigas de trigo do monte ou um quarteiro de trigo do monte, consoante tenham ou não 10 quarteiros de trigo, ou em alternativa um sesteiro de milho; 1 puçal de vinho, ½ alqueire de pão, ½ alqueire de vinho, 1 leitão de cada ninhada que tiver a porca. Santiais (Póvoa do Carvalhal), 1284 – 1 almude de trigo, 1 galinha, 8 soldos de renda ao mordomo da terra quando povoados os casais. Salreu (5 casais do Rei), 1284 – 6 teigas de trigo, ou 1 quarteiro de trigo do monte e 1 sesteiro de milho, consoante tenham ou não 10 quarteiros de trigo; 1 puçal de vinho, com excepção das vinhas de Ousenda Soares (só paga metade do vinho) e do casal de Mem Soares (da vinha que fez no Mato paga um sesteiro), até à morte destes. Salreu (1 casal de Grijó), 1284 - Paga ao mordomo maior como os homens do reguengo, e ao Rei 10 soldos de renda. Salreu (Póvoa do Ameal), 1284 – Direitura completa, mas não paga ao mordomo. Salreu (9 casais de Cedofeita), 1284 - 2 maravedis e 3 soldos de censória, e 1 galinha. Fermelã/Canelas/Roxico, 1284 – 1 quarteiro de trigo do monte, 1 sesteiro de milho, se houver trigo 1 almude de trigo de espigas, se houver “chus” 6 taleigas de trigo de espigas, por cada pessoa 1 almude de trigo e 1 almude de milho e 1 frango, um leitão de cada ninhada que tiver a porca. Murtosa, 1286 – 1 almude de trigo, 1 sesteiro de pão segundo, ½ cabrito, ½ capão. Murtosa, 1294 – 1 almude de trigo (de espadoa), 1 sesteiro de pão segundo, ½ cabrito, 1 capão.

3.1. JULGADO DA FEIRA Dentro dos limites do julgado da Feira, que o mesmo é dizer na terça parte Norte da actual freguesia de Avanca, conhece-se apenas um contrato do século XIII. Um aforamento feito pelo Rei D. Dinis em Água Levada, em 14 de Abril de 1288, destinado a dois casais e perpétuo. Distingue-se pela baixa renda principal (oitava parte da produção), a qual possui a particularidade de incluir os legumes. Igualmente singular por especificar uma quantia em dinheiro devida a título de lutuosa, 20 soldos de Portugal. 3.2. JULGADO DE FIGUEIREDO Em data incerta do século XIII, mas anterior às Inquirições de 1284, o julgado de Figueiredo integrou na sua jurisdição territorial, do actual concelho de Estarreja, o lugar de Santiais (f. Beduído), a maior parte de Salreu (Sul), Canelas e Fermelã. D. Afonso II fez em Junho de 1217 doação perpétua a Gonçalo Gomes (homem do Rei) e seus descendentes de 5 casais em Fermelã, em recompensa de serviços prestados. Constam nas Inquirições de 1220 as propriedades deste Gonçalo Gomes em Fermelã, contudo 7 casais doados

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pelo Rei e não 5, ou porque já ali possuísse 2 antes de 1217 ou porque os viesse a possuir pouco depois dessa data, por título que se desconhece. Poucas propriedades sobravam ao Rei, de acordo com as Inquirições de 1220, em Fermelã, onde possuía apenas um casal pagando a quarta parte do pão e do linho, e em Canelas, onde tinha uma leira da qual recebia a quarta parte do pão produzido. Estas Inquirições não mencionam Santiais52, nem Pardelhas53, mas tratam de Antuã54 e do Sul de Salreu, ali designado Salreu Jusã. Entre os demais casais de Salreu, os 5 que pertenciam ao Rei pagavam a quarta parte do pão, do vinho e do linho, acrescidas de algumas prestações acessórias. Aquando da doação do couto de Antuã ao Mosteiro de Arouca, em 1257, apesar de fora dos limites coutados, ficaram os homens de Salreu onerados com o pagamento anual ao Mosteiro de 9 alqueires de trigo, 9 sesteiros de cevada e 9 frangos. Os de Canelas tinham que contribuir com uma teiga de trigo. Sobre estes tributos levantar-se-iam dúvidas nas Inquirições de 1284 quando, a propósito dos casais de Cedofeita em S. Martinho de Salreu, todas as testemunhas concordaram que só o Rei e não o Mosteiro de Arouca possuía direitos em Salreu e concretamente num campo das Laceiras. Em Salreu55 existiam em 1284, fora do couto de Antuã, 5 casais do Rei (andavam com o préstamo de Casal Dias), 1 casal do Mosteiro de Grijó, 9 casais de Cedofeita, e constava que o almoxarife Estevão Pires fizera a Póvoa do Ameal. Refira-se que o casal do Ameal (Salreu) foi aforado pelo Rei a Domingos Pedro no mesmo ano de 1284. Por outro lado as Inquirições de 1284 informam-nos sobre Santiais, onde 3 dos 10 casais do Rei estavam ermos, devendo pagar apenas meio foro um dos ermos e dois dos ocupados. Sinal de as unidades agrícolas individuais serem de sobra para o número de braços existentes, que se dispersavam por localidades vizinhas. Com efeito, já na doação do couto de Antuã de 1257 se informa que havia homens de Antuã a trabalhar em terras do Rei em Santiais, e homens de Santiais a trabalhar em terras do couto de Antuã. Em 1284 acrescentam as Inquirições que muitas herdades de Santiais foram pelos herdadores doadas às igrejas de Beduído e Salreu, com prejuízo para o Rei, e praticavam-se habilidades para fugir ao fisco. Um aspecto relevante é o de tirarem-se proveitos agrícolas, no recuado século XIII, das terras baixas de Salreu e Fermelã, onde hoje se desenvolve o projecto Bioria. Distinguem-se as terras do monte dos juncais, onde a renda principal é menos onerosa, ou devido à menor rentabilidade dos solos ou por pretender incentivar-se os arroteamentos. As Inquirições de 1284 dão testemunho de os casais de Cedofeita em Salreu pagarem oitavo dos juncais que lavrarem, que pertencem ao Rei. Por sua vez em Fermelã faz-se a distinção entre as terras do monte, das quais se pagava a quarta e direitura, das marinhas dos juncais que se lavravam, onde apenas era devida a quinta parte da produção. Outra nota da crescente importância destas terras baixas é dada por um aforamento colectivo, com data de 22 de Junho de 1298. Através dele D. Dinis entregou a 18 povoadores a Insoa de Seserelho, que pela demarcação então feita se mostra corresponder a parte do campo de Salreu (Norte), no termo do concelho de Figueiredo.

52 - Santiais pode ter integrado o julgado de Figueiredo já depois de 1284, pois não consta das Inquirições deste ano. 53 - Que só mais tarde se integrou no julgado de Figueiredo. 54 - Que analisamos à parte, no capítulo respeitante ao julgado de Antuã. 55 - Aparece novamente a designação de Salreu Jusã.

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Resta referir duas honras, bem identificadas nas Inquirições de 1284 (sentença). Num caso a Quintã de Canelas, de Afonso Nunes Doutiz, que trazia-la por honra com toda a aldeia de Canelas e Fermelã (11 casais seus mais 1 do Mosteiro de Grijó). Noutro caso Fernão Gonçalves e João de Tooz traziam por honra a aldeia do Roxico, onde existiam 5 casais do Mosteiro de Grijó e 2 de Santa Cruz de Coimbra. 3.3. JULGADO DE PARDELHAS Num documento sucedâneo das Inquirições de 1220 informa-se possuir o Mosteiro de Vila Cova 9 casais na Vila Marinha de Salgueiro, cuja localização tem sido atribuída à Saldida/Pardelhas. Nenhum outro documento do século XIII dá nota deste ou outros proprietários em Pardelhas até ao final do século XIII. Mas esta é a única localidade na região onde consta mais tarde ter tido propriedades este Mosteiro, sendo aliás o principal proprietário local. O Mosteiro do Salvador de Vila Cova de Sandim, ou das Donas (c. Vila Nova de Gaia), cuja existência está documentada desde 1081, era constituído por monjas beneditinas56 e pertenciam-lhe escassos bens. Em 1518 iniciou-se no Porto a construção do Mosteiro de S. Bento da Ave Maria (no local da actual estação dos caminhos-de-ferro), destinado a acolher as religiosas de quatro mosteiros da região (Rio Tinto, Tuías, Vila Cova das Donas e Tarouquela), que deram entrada na nova instituição em 153557. Por este motivo o Mosteiro de Vila Cova, e depois o de S. Bento, possuíam as terras de Pardelhas. 3.4. JULGADO DE ANTUÃ Dos tributos devidos ao Rei pelos homens de Antuã dão conta as Inquirições de 1220, onde há notícia de pagar-se a quarta do pão e do linho e a quinta do vinho, somando-se a renda acessória, ou direitura, constituída de vários bens de quantitativo certo. A Rainha D. Mafalda incluiu no seu testamento, datado de 1256, todas as éguas que possuía em Antuã, que é a mais antiga referência à criação de gado cavalar na região, talvez destinado à máquina de guerra do reino. No ano seguinte (1257) as terras de Antuã e Avanca foram coutadas por D.Afonso III e entregues ao Mosteiro de Arouca, que nas décadas posteriores fomentou a sua valorização, designadamente através de aforamentos colectivos. A fronteira do couto tinha a sua artificialidade, uma vez que na sua própria doação se refere haver herdades em Santiais de homens de Antuã e herdades em Antuã de homens de Santiais, do que cada qual ficou pagando de cada terra ao senhor respectivo. Por outro lado, embora fora dos limites do couto, eram devidos tributos ao Mosteiro de Arouca em Salreu e Canelas, que logo em 1284 seriam contestados58. As terras que hoje conhecemos como de alta produtividade agrícola e baixa altitude, próximas da Ria de Aveiro e principal repositório da sua biodiversidade, já estavam suficientemente emersas no século XIII para serem as mais valorizadas. Na verdade realizaram-se nesse século

56 - MATTOSO, José – “Documentos Beneditinos da Torre do Tombo”, Lusitânia Sacra, Tomo VIII (1967/1969), ed. 1970, p. 267; SOUSA, Bernardo Vasconcelos e (Dir.), PINA, Isabel Castro, ANDRADE, Maria Filomena, SANTOS, Maria Leonor Ferraz de Oliveira Silva – Ordens Religiosas em Portugal: Das origens a Trento – Guia Histórico, Livros Horizonte, 2005, p. 80. 57 - SOUSA, Bernardo Vasconcelos e (Dir.), cit., p. 87; MATTOSO, José, cit., pp. 261-264. 58 - Disso damos conta mais pormenorizadamente no capítulo respeitante ao julgado de Figueiredo.

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três aforamentos colectivos em Veiros e na Murtosa (1210/1250, 1274, 1286), dentro dos limites do couto de Antuã, e um quarto no campo de Salreu (1298). Este quarto, promovido pelo Rei, ficava fora dos limites de Antuã, e é único que determinava o número de foreiros a que era destinado. De resto, o facto dos aforamentos colectivos marinhões não designarem o número de courelas em que se dividiam os terrenos, indicia incluírem um elevado número de indivíduos59. Esta distribuição da terra através de aforamentos colectivos constitui um primeiro sinal da fragmentação da propriedade, que no século XX atingiria na região os mais altos índices do país. Já em 1210/1250 procurava o Rei tirar proveito das terras marinhoas, com o aforamento colectivo de Veiros e sua confirmação. No mesmo sentido continuou o Mosteiro de Arouca em 1274, com novo aforamento colectivo e instituição de uma póvoa no sul de Veiros, e em 1286, com novo aforamento colectivo na Murtosa, geograficamente contíguo aos dois primeiros. De referir a posição estratégica destas localizações, sempre na foz do rio Vouga (e confluência deste com o rio Antuã), terminal intermodal que une a navegação de cabotagem no litoral marítimo com a penetração fluvial para o interior. É de presumir que os aforamentos colectivos marinhões se tenham revestido de sucesso, pois só faria sentido realizar um segundo e um terceiro, em espaço contíguo, quando do primeiro e do segundo não existissem mais terras para distribuir. O primeiro aforamento colectivo foi promovido pelo Rei em Veiros, em Junho de 1210 e confirmado em 1250. Nele se faz referência ao juiz de Veiros e ao pagamento a título de renda principal da quanta parte de tudo o que fosse ali produzido. Somava-se, como renda acessória, de eiradiga um sesteiro e um almude de trigo, um capão, um cabrito médio, e uma terça parte de mbro (?). Os direitos régios aqui vertidos constituíram o paradigma seguido pelos aforamentos colectivos marinhões posteiores. Em 8 de Dezembro de 1274 realizou-se um segundo aforamento colectivo (e carta de povoação), desta feita no Sul de Veiros e promovido pela Abadessa do Mosteiro de Arouca, D. Mor Martins. Os limites físicos confrontavam com o rio Antuã (a Sul) e com a estrada que vinha da igreja de Beduído para Veiros (a Norte), logo nas proximidades da Ria. Ficavam dentro do espaço demarcado os lugares de Celeiró, Ninho de Águia, Cavalo (o único subsistente) e Faayga. E incluíam-se terras de cultivo e por arrotear, que o Mosteiro mandou dividir em courelas, para plantar vinha e árvores. A renda principal era agora a quinta parte dos frutos da terra, e os demais direitos os mesmos pagos até então pelos homens de Veiros, acrescidos de lutuosa. Uma originalidade: os que nessa póvoa fossem pescadores tinham que dar de cada barca um cambo de peixe, nem do maior nem do mais pequeno. O facto do limite Sul da demarcação estar na veia de Antuã poderá significar que ainda não existia o esteiro de Estarreja, que só mais tarde deve ter sido artificialmente construído, possivelmente na mesma altura em que a sede do concelho transitou de Antuã para Estarreja. Mudança do centro e construção do esteiro talvez se devam ao progressivo assoreamento do rio Antuã, antes eventualmente navegável até ao lugar homónimo. O terceiro aforamento colectivo, contíguo dos dois primeiros, data de 10 de Julho de 1286. Respeita a uma área sita no Sul da Murtosa, na fronteira com Veiros. Mais uma vez os foreiros ficavam com o encargo de pagar ao Mosteiro de Arouca a quinta parte do que produzissem, regulando-se no demais pelo foro de Veiros. E acrescenta-se uma terça de “moravidy” (maravidil?), um almude de trigo, um sesteiro de pão segundo, meio cabrito, meio capão, e lutuosa. O mordomo receberia o pão nas eiras em Setembro.

59 - GAMA BARROS, Henrique da – História da Administração Pública em Portugal, 2.º ed., vol. VIII, 1956, p. 162.

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Um quarto aforamento colectivo situa-se fora dos limites do couto de Antuã, sendo por isso outorgado pelo próprio Rei D. Dinis. Em 22 de Junho de 1298 o monarca aforou a 18 povoadores a Insoa de Seserelho (Norte do Campo de Salreu), no termo do concelho de Figueiredo. Resta referir o aforamento, singular e perpétuo, do casal da Refelia (f. Murtosa), promovido em 3 de Fevereiro de 1294 pelo Mosteiro de Arouca. As confrontações (porto da Jarreyra e mamoa de Arufo) revelam a posição no Sul da Murtosa e próxima de Veiros. Aparecem também o porto d’Area Alva, onde no século XIV se encontram salinas, e a marinha de Cucujães. Ficava pois próximo do aforamento colectivo realizado 8 anos antes na Murtosa. Alude-se agora como matriz o foro da Marinha (que o mesmo é dizer de Veiros), sendo devido a título de renda principal a quinta parte do que produzissem, mas dos arroteamentos apenas a oitava parte. De renda pagariam ainda 6 soldos e 8 dinheiros. Deviam mais um almude de trigo de espadoa, um sesteiro de pão segundo, meio cabrito e um capão, além da lutuosa. De resto, os foreiros deviam receber na eira o direito do pão do Mosteiro de Arouca. Na região marinhoa povoaram-se primeiro um conjunto de lugares na foz do Vouga. Já o século XIV ia alto quando surgiram as primeiras referências conhecidas ao Norte marinhão, de Pardilhó e Bunheiro. 3.5. JULGADO DE CABANÕES A longa duna que descia de Cabanões (f. e c. de Ovar) e em parte da qual assenta a actual freguesia da Torreira era conhecida na Idade Média pela designação de Gelfa. O primeiro documento escrito que menciona este território (e único do século XIII) é um contrato de emprazamento, com data de 4 de Fevereiro de 1283. Através dele o Rei D. Dinis entregou a Pedro Vermutes, pelo prazo da vida deste, o monte a que chamavam de Gelfa, no termo de Cabanões, onde havia montado de coelhos e pastagem para gados. Caso singular, além do aproveitamento pecuário (e não agrícola), que aliás muito mais tarde se vulgarizaria nas ilhas da Ria de Aveiro, é o facto da renda devida ser exclusivamente uma quantia certa em dinheiro, 5 libras em cada ano. Nessa época a ocupação da Gelfa devia ser apenas na faixa marginal da Ria, onde o solo é de aluviões actuais (e não areia de duna como na generalidade do cordão litoral), facilitando o aproveitamento económico que então se fazia, e longe da vista dos piratas que rondavam a costa60. Sucede que a imagem de duna deserta suscita a dúvida sobre como se poderia sustentar o gado, para lá das margens da Ria. O estorno (Ammophila arenaria) e outra vegetação local são o alimento de cavalos selvagens (embora de pequeno porte, por terem alimentação pouco nutritiva) nas ilhas “Sable Island” (Canadá Atlântico) e “Assateague Island” (E.U.A. Atlântico), similares à Torreira (ilhas delgadas constituídas por duna). Abundam os documentos sobre a Gelfa no século XIV, que dão nota de direitos reais, da exploração pecuária e do aproveitamento do estorno para cobertura das casas. Planta tão comum das dunas da Torreira e que possivelmente contribuiu na Idade Média para o sustento do gado que por ali circulava livremente.

60 - Referência à pirataria na costa em GAMA BARROS, Henrique da – História da Administração Pública em Portugal, 2.º ed., vol. X, 1956, p. 409.

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4. IGREJA (secular) A presença da Igreja fez-se sentir a dois níveis. Por um lado o clero regular, assumindo o papel de leigo, como senhor proprietário de terras e superintendendo a administração da justiça. Várias casas monásticas de fora de portas desempenharam este papel. A principal foi o Mosteiro de Arouca, senhor do couto e julgado de Antuã. Em Pardelhas o Mosteiro de Vila Cova foi senhor da terra e terá possivelmente patrocinado a existência de um pequeno e efémero concelho rural, que se destacou da autoridade do juiz da Feira, para décadas mais tarde perder a sua autonomia para o juiz de Figueiredo. Outros mosteiros possuíram alguns casais, aqui e ali, com relevo entre estes mais pequenos proprietários para o Mosteiro de Grijó. Despido da autoridade temporal, mas com interesses não puramente espirituais, o clero secular representa outra realidade. É a obediência ao bispo de uma ou outra diocese, uma rede paroquial menos fragmentada que na actualidade, o direito de padroado como interesse material e nas mãos de leigos, o que nos transporta para os tributos que lhe estavam associados, e enfim as primeiras alusões ao que poderão ser capelas. Dioceses. – Desde a definitiva restauração da diocese do Porto, no início do século XII, vinham disputando as dioceses do Porto e de Coimbra a soberania sobre a Terra de Santa Maria. A questão alongou-se no tempo, com sucessivos episódios em que, aparentemente, Coimbra alegava a força da razão, e o Porto contrapunha com a razão da força. Só em meados do século XIII a disputa dos limites diocesanos ficou definitivamente solucionada, através de duas Bulas de Inocêncio IV, uma de 1245 e outra de 1253, confirmando no curso do rio Antuã os limites das duas dioceses. Desde então, e pelos séculos que se seguiram, as igrejas a Norte do rio Antuã ficaram pertencendo à diocese do Porto61 (Avanca e Beduído, delas se destacando o Bunheiro, Pardilhó, Murtosa e Veiros), e as situadas a Sul do mesmo rio à diocese de Coimbra62 (Fermelã e Salreu, destacando-se de Fermelã as de Canelas e Angeja). Extensão das paróquias. – As paróquias do século XIII eram e menor número do que hoje, logo mais extensas territorialmente. Grosso modo pode-se dizer que as fronteiras paroquiais pouco deviam diferir dos nossos dias, embora agregando várias unidades actuais. Os limites de Avanca incluíam o Bunheiro e Pardilhó. Beduído abrangia a Murtosa e Veiros. Salreu era o único caso individualizado. Fermelã compreendia Canelas e Angeja. E enfim Cabanões (Ovar) prolongava-se pela Gelfa para Sul, abarcando aquilo que hoje é a Torreira. Padroados. – Do direito de padroado das igrejas, que em alguns casos estava nas mãos de particulares locais, foi o Rei lançando mão no século XIII, para depois redistribuir por novos padroeiros. D. Sancho II doou o padroado da igreja de Avanca, que era régio por alturas de 1220-1238, ao bispo do Porto, em 30 de Abril de 1245. Confirmou esta doação o Papa Inocêncio IV em 9 de Janeiro de 1254. Informam as Inquirições de 1220 que a vila de Antuã era reguenga, excepto o testamento da igreja. Deviam referir-se a Beduído, por onde se prolongava a maior parte de Antuã e que possuía a sua única igreja. Noutra passagem da mesma fonte identifica-se como clérigo de Beduído Pelágio Viegas (apelido de aparente origem árabe), mais se esclarecendo que os próprios

61 - No caso de Estarreja e Murtosa: Avanca, da qual se haveria de desmembrar o Bunheiro e Pardilhó; Beduído, daqui se desmembrando a Murtosa e Veiros; e Cabanões, que tomou depois o nome de Ovar, e tutelava a Gelfa, território que compreendia a actual Torreira. 62 - No caso de Estarreja: Salreu, Canelas e Fermelã.

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paroquianos possuem o padroado da igreja de Beduído. Refira-se que a Inquirição menciona ainda o nome de Pedro Mouro, numa possível referência à sua religião ou aos seus antepassados. Passou o padroado depois para as mãos do Rei, onde estava por 1220-1238, e foi o Rei que o doou ao bispo do Porto em 1238, sujeitando-se a doação à confirmação do papa, Gregório IX, em Maio do mesmo ano. Veio Inocêncio IV a confirmar essa doação, em 6 de Junho de 1254. Nas Inquirições de 1284, a propósito de Santiais, fez-se alusão ao nome de Paio Joanes, que foi abade de Beduído, sinal que o cargo era então temporário. Por outro lado verifica-se na mesma Inquirição um caso de acumulação de funções, em concreto João Pais, referido a propósito do Roxico como clérigo e juiz da abadessa no couto de Arouca. Salreu, que seria do padroado de uns herdadores no início do século XII, constava como pertencendo a Cedofeita nas Inquirições de 1220. Mas não terá tardado a que o Rei se assenhorasse desse direito, que lhe é atribuído entre 1220-1238. Resta Fermelã, onde nas Inquirições de 1220 identifica-se como prior Pelágio Peres, pertencendo o padroado ao clérigo e seus consanguíneos. Mais uma vez aparece o Rei como padroeiro a certa altura, entre 1220-1238. Curiosa informação nos dão a respeito de Fermelã as Inquirições de 1284, com a própria visita de D. Afonso III a esta igreja: «pousou y El Rey don Afonsso en essa igreja de Fermelaa e disserom-lhi que era sua e deytou ende o clérigo fora per três anos, e deu ela en garda ao juiz da terra e a cabo desses três anos entregou-lha o juiz da terra per carta d’el Rey de todos fruytos e esse creligo de Fermelaa». Tributos. – Faltando informações para o século XIII acerca dos rendimentos das igrejas, vamos encontrá-las nos finais do século anterior e no início do seguinte. Incluiu-se no Censual do Cabido da Sé do Porto63 uma lista de igrejas desta diocese, indicando os censos devidos pelas mesmas. Miguel de Oliveira atribuiu esta lista ao século XII, aludindo a autor que especifica o intervalo temporal de 1174-118564. Informa-se o seguinte, de Beduído e Avanca, no Censual do Cabido: «Ecclesia. Santi Iacobi de Bedoido De cera. mediam libram. De mortuarijs. três libras. et mediam. De tritico duos quartarios. De Auena. duos quartarios. De milio. duos quartarios. De censsu. L. libras. = Censsus et panem. istius. ecclesiae. Diuiditur inter presentes. Canonicos In processione. santae trinitatis = Ecclesia Santae Marinae. de Auanqua De cera. unam libram. De mortuarijs. quatuor. libras. De tritico. quinque. quartarios. De Auena. unum modium. De censsu. C.X. libras.»

63 - Censual do Cabido da Sé do Porto: códice membranáceo existente na Biblioteca do Porto, ed. Biblioteca Pública Municipal do Porto, Porto, Imprensa Portuguesa, 1924, p. 547. 64 - OLIVEIRA, Miguel de – Ovar na Idade Média, cit., p. 223.

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Publicou Fortunato de Almeida65 um catálogo de igrejas, datado de 1320 (diocese do Porto) e 1321 (diocese de Coimbra), e realizado a propósito da concessão do Papa João XXII, da décima parte das rendas eclesiásticas de Portugal a D. Dinis, como subsídio para a guerra contra os mouros. Na diocese do Porto encontra-se nessa fonte Avanca com 70 libras, e Beduído com 230 libras, o maior valor entre as igrejas da Terra de Santa Maria. Na diocese de Coimbra, Salreu com 190 libras, e Fermelã com 280 libras, entre os maiores valores do Arcediagado do Vouga. Capelas. – É debatida a localização de um mosteiro dedicado a Santa Marinha, nas margens do Antuã, que aparece num documento datado de 92266 e geralmente se pensa situar-se em Avanca. Talvez fosse um templo mais modesto do que o nome sugere, e se aproximasse do que hoje entendemos como uma simples capela, como os dois casos seguintes do século XIII. Na doação de Afonso III do couto de Antuã (1257), incluiu-se na demarcação feita que de Santiais se ia ter à encruzilhada de Moesteyroo. Numa demarcação do couto de Antuã realizada em 1695 ficou claro que o limite do couto passava pelo rocio da capela de Santo Amaro, que ficava do lado das terras do Mosteiro de Arouca. Talvez tenhamos, pois, em 1257 uma vaga referência toponímica à primitiva capela de Santo Amaro. O mesmo se poderá conjecturar acerca de duas passagens nas Inquirições de 1284. Concretamente a referência a homens de Mosteyroo (do couto de Antuã) a trabalhar terras de Santiais, e «huum casal in Moesteyroo que jaz dentro no couto». Nas mesmas Inquirições de 1284 refere-se em Santiais que «dam da eygreya da herdade da Galega XVIII dinheyros cada ano», possivelmente referência a uma capela particular. Analisando novamente a demarcação que se fez aquando da doação do couto de Antuã (1257), passamos em Avanca por um porto de Moesteyroo, perto de um rio. Corresponde eventualmente a uma antecessora da capela de S. Salvador de Arada, que é das mais antigas de Avanca. Miguel de Oliveira encontrou no século XIII, entre Avanca e Válega, por alturas de Poças do Gonde, uma porta de monasterio, e fez notar que as primitivas unidades paroquiais se estabeleceram junto dos rios67. 5. ECONOMIA Os tributos constantes nos aforamentos e nas Inquirições dão-nos notícia dos bens produzidos no século XIII, nas terras dos actuais concelhos de Estarreja e Murtosa. Informação mais circunstanciada desses bens, e com notas quantitativas, se pode ler nas tabelas atrás apresentadas, a propósito das rendas principais e acessórias. As actividades económicas conhecidas repartem-se pela agricultura, pecuária, caça, pesca e salicultura. Como a base da alimentação medieval era, no melhor e no pior, o trigo, este cereal representa o grosso da produção agrícola. Mesmo o pão que sempre consta das rendas principais deve referir-se, as mais das vezes, a este cereal. O trigo, junto com o vinho e o linho (com que se produzia o bragal, tecido grosseiro que era mais utilizado pelo homem comum), constituem a grande maioria da produção agrícola medieval. Encontram-se na documentação outros produtos

65 - ALMEIDA, Fortunato de, História da Igreja em Portugal, Porto, Portucalense Editora / Livr. Civilização Editora, vol. IV, 1971, pp. 93 (Avanca e Beduído), 123 (Salreu e Fermelã). OLIVEIRA, Miguel de, Ovar na Idade Média, cit., pp. 239 e 240, com Avanca e Beduído, da diocese do Porto. Milenário de Aveiro – Colectânea de Documentos Históricos, vol. 1 – 959/1516, ed. António Gomes da Rocha Madahil, 1959, p. 118: contabiliza algumas das igrejas do Arcediagado do Vouga, mas só em Aveiro, atribuindo o original ao Arquivo Nacional da Torre do Tombo, Livro Branco da Sé de Coimbra. 66 - Portvgaliae Monvmenta Histórica – Diplomara et Chartae , p. 16, doc. XXV, ano 922. 67 - OLIVEIRA, Miguel de, Válega – Memória Histórica e Descritiva, Câmara Municipal de Ovar, 1981, p. 27.

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agrícolas, mas com menor frequência, designadamente a cevada, o milho (miúdo) e os legumes, estes uma vez apenas (Água Levada, 1288). É particularmente significativo o aproveitamento que se começava a fazer das terras baixas, os “juncais” do Baixo-Vouga Lagunar. No que diz respeito a pecuária há notícias de ovelhas/cordeiros, cabritos (por vezes mencionados em substituição dos cordeiros), porcos/leitões, e frangos/galinhas/capões. Paralelamente surgem os derivados: queijo, manteiga e ovos. Atente-se na criação de gado cavalar em 1256 (as éguas do testamento da Rainha D. Mafalda), que deve ser o mesmo animal a que se destinavam as pastagens referidas na Gelfa (1283). Não se encontra caça grossa no século XIII, mas certamente existia, pois está documentada nos séculos posteriores a existência de porcos monteses e veados68. Caçados seriam igualmente os lobos, que o foram ainda no século XIX, pelos prejuízos que causavam. Deram estes origem a um topónimo (Mamoa de Fontão de Lobos), onde estava um dos marcos da delimitação do couto de Antuã em Salreu (1257). Nas dunas do litoral caçavam-se coelhos, pois alude-se a montado destes na Gelfa em 1283. Não se podem deixar de referir a propósito da caça as águias, que teriam o seu habitat nos mesmos lugares da Ria de Aveiro que hoje, sinal de que as condições naturais eram similares e a laguna em pouco diferiria da actualidade. No aforamento colectivo de 1274 encontramos no Sul de Veiros o topónimo “Ninho de Águia”, hoje desaparecido, mas subsistindo os topónimos “Aguieira” na Marinha de Ovar e “Falcão” em Avanca. Tratar-se-ia no Sul de Veiros da águia-sapeira (Circus aeruginosus), espécie hoje ameaçada mas ainda existente, cujo habitat característico são as zonas da sapal e caniçal. A águia-sapeira procura zonas pantanosas de caniços e juncos, afastadas dos aglomerados humanos, o que ontem como hoje se encontra em dois espaços da Ria de Aveiro: Sul de Veiros / Campo de Salreu; e Norte-Poente de Pardilhó / Marinha de Ovar. Outra actividade económica importante era a pesca69, que implicava a existência de embarcações, construídas localmente ou vindas de fora. Esta actividade figurou pela primeira vez na doação do couto de Antuã (1257), que incluiu direitos de pescado (cum piscariis). Pouco se sabe de tempos tão recuados quais seriam as espécies capturadas, sendo excepção a pescada, que se encontrava entre os direitos do Rei em Figueiredo, nas Inquirições de 1284. Aparentemente a pesca era uma actividade importante, pois individualizava-se a classe dos pescadores e temos notícia de se pescar em quantidades significativas. É o que se depreende em Veiros em 1274, quando se impôs o tributo a «quaisquer pescadores de cada barca hum Cambo de peixe, né do Mayor nem do may pequeno», ou na versão latina, mais elucidativa, «et illi, qui eadem poboa fuerint piscatores dent nobis quotiescumq venerint ad piscandum de qualibet Barca singulos cambos piscium, nom de melioribus, nec de peiroribus»70. Em último lugar, há que referir a salicultura, entretanto desaparecida do Norte da Ria de Aveiro, mas ainda presente na toponímia local (marinhas e talhos). As mais antigas marinhas de sal conhecidas da Ria de Aveiro, documentadas no ano de 929, situavam-se perto de Fontela71. Aparece depois

68 - PEREIRA, Marco – A Terra Marinhoa…, cit., p. 27. 69 - Vejam-se aos dados sobre a pesca e barcas na Ria de Aveiro, na Idade Média, em Miguel de Oliveira –Ovar na Idade Média, cit., pp. 67-69. 70 - Numa tradução livre, e pouco rigorosa: e aqueles que dessa póvoa sejam pescadores, dêem-nos de cada vez que forem pescar, de cada barca um cambo de peixe, nem do melhor nem do pior. 71 - ANTT, Mosteiro de S. Salvador de Moreira, maço 1, doc. 4; Portvgaliae Monvmenta Histórica – Diplomara et Chartae, doc. XXXV, p. 22.

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uma alusão a “marinhas” no Roxico (1078)72, que se presume de produção de sal. Propriamente do século XIII só temos duas vagas referências: a «villa de Mariña de Salgeiro» (1220), que devia situar-se na zona da Saldida (f. Murtosa, e actual f. do Monte), e uma marinha dita de Cucujães, que aparece no aforamento do casal da Refelia (1294, f. Murtosa). A partir do século XIV abundam as notícias de salinas, em regra acessíveis por barca73. CONCLUSÃO Embora o mais antigo documento onde é referido o nome de Antuã respeite ao ano de 569, só a partir do século XIII se começa a conhecer razoavelmente (ainda que com muitas limitações) o espaço onde hoje se situam os concelhos de Estarreja e Murtosa. Nessa época a laguna de Aveiro e terras circundantes pouco difeririam da actualidade, faltando apenas formar parte do cordão litoral. Poucas centenas de pessoas viveriam em habitações colmadas dispersas. Parece contudo que as terras alagadiças do Sul marinhão e do Sul do Antuã atraíam um crescente número de colonos, com a vantagem das boas acessibilidades proporcionadas pela foz do Vouga. Onde hoje estão Estarreja e Murtosa existia uma manta de retalhos de poderes e possuidores de terras. Os dois principais espaços integravam-se no julgado de Antuã (que D. Afonso III coutou e entregou em 1257 ao Mosteiro de Arouca) e no julgado de Figueiredo do Rei (Santiais, parte de Salreu, Canelas e Fermelã). Eram poderes menos significativos o do julgado da Feira (do Rei, a Norte de Avanca), do julgado de Pardelhas (que se autonomizou da Feira e cujas terras pertenciam ao Mosteiro de Vila Cova), e do julgado de Cabanões (que se estendia para Sul pela Gelfa). Diversos concelhos rurais foram surgindo (Antuã, Fermelã, Veiros e Pardelhas), parte deles efémeros. Na posse das terras encontravam-se, além do Rei, duas honras (a de Canelas, abrangendo Fermelã, e a do Roxico), o couto de Antuã (do Mosteiro de Arouca), vários casais de mosteiros (Grijó, Santa Cruz de Coimbra, Pedroso, Paço de Sousa, Vila Cova de Sandim, e Cedofeita), bens alodiais de herdadores (em Santiais, Canelas e Fermelã) e três póvoas (Veiros, do Carvalhal em Santiais e Ameal em Salreu). A contratualização da exploração das terras era titulada por aforamentos, boa parte dos quais colectivos, fomentando a adesão de novos povoadores. Pagava-se a título de renda, nos mais dos casos, a quarta ou a quinta parte da produção (pão, vinho e linho), e em casos mais raros e tardios a sexta ou a oitava parte. Os arroteamentos contavam-se também entre as terras de renda mais baixa, tendo em vista a expansão do espaço cultivado. Á renda parciária acrescia uma renda acessória, composta por pequenas quantidades certas de bens, designadas por direituras. Diferentes sectores compunham a economia local, que incluía a agricultura, a pecuária, a caça, a pesca e a salicultura. Em paralelo existia o poder secular da Igreja, representado pelas dioceses do Porto e de Coimbra, que estabeleceram em definitivo a sua fronteira no curso do rio Antuã. A Norte estavam as extensas paróquias de Avanca e Beduído, e a Sul as de Salreu e Fermelã. O direito de padroado destas igrejas, com elevado interesse material, foi sendo avocado pelo Rei, que depois o redistribuiu. Boa parte destas realidades constituíram-se no século XIII e duraram por séculos, nalguns casos até às reformas liberais do século XIX.

72 - «ipsa uilla que iam diximus riu siccu integra in montes in fontes pascuis padulibus exitum uel regressum et cum suas marinas» Portvgaliae Monvmenta Histórica – Diplomara et Chartae, doc. DLVII, pp. 338-339. 73 - Informação sobre as salinas existentes nos actuais concelhos de Estarreja e Murtosa daí em diante em Marco Pereira – A Terra Marinhoa na Idade Média, cit., pp. 31-33.

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Livro Preto da Sé de Coimbra, vol. 1, Arquivo da Universidade de Coimbra, 1977 “Memória Paroquial de Avanca (1758)”, ed. Eduardo Costa, O Jornal de Estarreja, n.º 3220, 10.09.1966, p. 3; n.º 3221, 25.09.1966, p. 3; n.º 3222, 10.11.1966, pp. 3 e 6 “Memória Paroquial de Beduído (1758)”, ed. Eduardo Costa, O Jornal de Estarreja, n.º 2935, 25.10.1954, pp. 1-2 “Memória Paroquial do Bunheiro (1758)”, ed. Eduardo Costa, O Jornal de Estarreja, n.º 3014, 10.2.1958, p. 1 “Memória Paroquial de Canelas (1721)”, ed. Eduardo Costa, O Jornal de Estarreja, n.º 2957, 25.09.1955, p. 1 “Memória Paroquial de Canelas (1758)”, ed. Eduardo Costa, O Jornal de Estarreja, n.º 2929, 25.07.1954, p. 1 “Memória Paroquial de Fermelã (1721)”, ed. Eduardo Costa, O Jornal de Estarreja, n.º 2933, 25.9.1954, p. 1 “Memória Paroquial de Fermelã (1758)”, ed. Eduardo Costa, O Jornal de Estarreja, n.º 3004, 10.9.1957, p. 1 “Memória Paroquial da Murtosa (1758)”, ed. Eduardo Costa, O Jornal de Estarreja, n.º 2936, 10.11.1954, p. 1; n.º 2937, 25.11.1954, p. 1; n.º 2938, 10.12.1954, p. 1; n.º 2939, 25.12.1954, p. 1; e n.º 2940, 10.1.1955, pp. 1-2 “Memória Paroquial de Pardilhó (1758)”, ed. Eduardo Costa, O Jornal de Estarreja, n.º 3017, 25.3.1958, p. 1 “Memória Paroquial de Salreu (1721)”, ed. Eduardo Costa, O Jornal de Estarreja, n.º 3217, 25.07.1966, p. 3 “Memória Paroquial de Salreu (1758)”, ed. Eduardo Costa, O Jornal de Estarreja, n.º 2931, 25.08.1954, p. 1 “Memória Paroquial de Veiros (1758)”, ed. Eduardo Costa, O Jornal de Estarreja, n.º 2930, 10.8.1954, p. 1 “Memórias Paroquiais do século XVIII – Freguesia de Santa Marinha de Avanca”, ed. Eduardo Costa, in Arquivo do Distrito de Aveiro, vol. XXXV, 1969, pp. 273-286 “Memórias Paroquiais do século XVIII – Freguesia de S. Cristóvão de Ovar”, ed. Eduardo Costa, in Arquivo do Distrito de Aveiro, vol. XXXIV, 1968, pp. 204-214 “Memórias Paroquiais do século XVIII – Freguesia de Santa Maria da Murtosa”, ed. Eduardo Costa, in Arquivo do Distrito de Aveiro, vol. XXXIV, 1968, pp. 288-300 Milenário de Aveiro – Colectânea de Documentos Históricos, António Gomes da Rocha Madahil, Vol. I 959-1516, Aveiro, Câmara Municipal de Aveiro, 1959 “Mosteiro de Arouca. Couto de Antuã e Avanca. Subsídios para a sua história”, ed. Manuel Rodrigues Simões Júnior, Arquivo do Distrito de Aveiro, XX, 1954 Ovar na Idade Média, ed. Miguel de Oliveira, Câmara Municipal de Ovar, 1967 Portugaliae monumenta historica : a saeculo octavo post Christum usque ad quintumdecimum... / iussu Academiae Scientiarum Olisiponensis edita – Diplomata et Chartae, ed. Alexandre Herculano, vol. I, Olisipone: typis Academicis, 1868-1878 Portvgaliae monvmenta historica : a saecvlo octavo post christvm vsqve ad qvintvmdecimvm ivssv academiae scientiarvm olisiponesis: edita – Inqvisitiones: inquirições gerais de D. Dinis, 1284, ed. José Augusto de Sotto Mayor Pizarro, Nova Série, vol. 3, Lisboa, Academia das Ciências de Lisboa, 2007, pp. 79-80, 82-92 Propriedade fundiária e rendas da coroa no reinado de D. Dinis, ed. Maria Rosa Ferreira Marreiros, FLUC (Dissertação de Doutoramento), I, 1990 “(A) Provedoria de Esgueira”, ed. Mário Alberto Nunes da Costa, Arquivo do Distrito de Aveiro, vol. XXIV, 1958, p. 72 Quando a nobreza traja de branco…, ed. Luís Rêpas, FLUC (Dissertação de Mestrado), vol. II, 2000

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TERRAS DE ANTUÃ | HISTÓRIAS E MEMÓRIAS DO CONCELHO DE ESTARREJA

Sancius Secundus Rex Portugalensis – A Chancelaria de D. Sancho II (1223-1248), ed. Sandra Virgínia Pereira Gonçalves Bernardino, FLUC (Diss. Mestrado) Coimbra, 2003 Subsídios para uma Monografia Histórica e Descritiva da Freguesia de Avanca, ed. Carlos Alfredo Resende dos Santos Cardoso, Câmara Municipal de Estarreja, 2000 (Dissertação de Licenciatura apresentada à FLUC em 1961)

III. CARTOGRAFIA Carta Geológica de Portugal, escala 1/50.000, Direcção Geral de Minas e Serviços Geológicos, Lisboa, folhas 13C (1963) e 16A (1975) Carta Militar de Portugal, escala 1/25.000, Instituto Geográfico do Exército, Lisboa, folhas 163 – Estarreja (1998) e 174 – Murtosa (2002) IV. ESTUDOS AMORIM, Aires de – “Para a história de Ovar. O Cabido da Sé do Porto defende os limites territoriais de Cabanões contra Válega, Beduído, Arada, Maceda, Cortegaça e Mira”, Aveiro e o Seu Distrito, n.º 6, 1968, pp. 21-33 AZEVEDO, Pedro de – “Cartas de Vila, de mudança de nome e do título de notável das povoações da Estremadura”, Boletim da Segunda Classe da Academia de Sciências de Lisboa, vol. XIII, 1918/1919 (ed. 1921) COELHO, Maria Helena da Cruz – O Mosteiro de Arouca do século X ao século XIII, 2.ª ed., Arouca, 1988 COSTA, Mário Júlio de Almeida – “Enfiteuse”, Dicionário de História de Portugal, dirig. por Joel Serrão, II, pp. 379-383 DURAND, Robert – Les campagnes portugaises entre Douro et Tage aux XIIe et XIIIe siecles, Paris, Fundação Calouste Gulbenkian / Centro Cultural Português, 1982 GAMA BARROS, Henrique da – História da Administração Pública em Portugal nos séculos XII a XV, 1.ª ed., 4+1 vols., 1885-1934 GAMA BARROS, Henrique da – História da Administração Pública em Portugal nos séculos XII a XV, 2.º ed. (dirig. por Torquato de Sousa Soares), 11 vols., 1945-1956 GONÇALVES, Iria – “O Entre Cávado e Minho , cenário da expansão senhorial no século XIII”, Revista da Faculdade de Letras, Lisboa, 4ª série, n.º 2, 1978, pp. 399-440 LEITE VASCONCELOS, José – “Excerto da Etnografia Portuguesa, Livro I, Parte II, Secção B, a publicar”, Biblos, vol. VII, 1931, p. 100 LOPES, David – “Os árabes nas obras de Alexandre Herculano”, Boletim da Segunda Classe da Academia de Sciências de Lisboa, vol. 3, 1909/1910 (ed. 1910) LOPES PEREIRA – Murtosa Gente Nossa, 3.ª ed., Câmara Municipal da Murtosa, 1995 LOPES PEREIRA – Murtosa Terra Nossa, 2.ª ed., Câmara Municipal da Murtosa, 1995 MARTINS, Alfredo Fernandes –“A configuração do litoral português no último quartel do século XIV – Apostila a um mapa”, Biblos, XXII, 1947, pp. 163-197 (mapa p. 186) MATTOSO, José – “Documentos Beneditinos da Torre do Tombo”, Lusitânia Sacra, Tomo VIII (1967/1969), ed. 1970, pp. 223-305 OLIVEIRA, Miguel de – “Inquirições de D. Afonso III na Terra de Santa Maria”, Lusitânia Sacra, tomo VII, 1964/66, pp. 95-133 OLIVEIRA, Miguel de – Ovar na Idade Média, Câmara Municipal de Ovar, 1967 OLIVEIRA, Miguel de – Válega – Memória Histórica e Descritiva, Câmara Municipal de Ovar, 1981 OLIVEIRA MARQUES, A. H. de – “Demografia”, Dicionário de História de Portugal, dirig. por Joel Serrão, II, pp. 281-286

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MARCO PEREIRA

OLIVEIRA MARQUES, A. H. de – “Foreiro”, Dicionário de História de Portugal, dirig. por Joel Serrão, III, p. 57 OLIVEIRA MARQUES, A. H. de – “Foro”, Dicionário de História de Portugal, dirig. por Joel Serrão, III, pp. 58-59 OLIVEIRA MARQUES, A. H. de – Guia do estudante de história medieval portuguesa, 3.ª ed., Editorial Estampa, Lisboa, 1988 OLIVEIRA MARQUES, A. H. de – “Herdadores”, Dicionário de História de Portugal, dirig. por Joel Serrão, III, pp. 213-214 OLIVEIRA MARQUES, A. H. de – “Inquirições”, Dicionário de História de Portugal, dirig. por Joel Serrão, III, pp. 328-330 PEREIRA, Marco – “Da cobertura de colmo à telha de Fontela”, Terras de Antuã, Câmara Municipal de Estarreja, IV, 2010, pp. 111-114 PEREIRA, Marco – A Terra Marinhoa na Idade Média, Junta de Freguesia de Veiros, 2010 RODRIGUES, Maria Teresa Campos – “Prédio Foreiro”, Dicionário de História de Portugal, dirig. por Joel Serrão, V, p. 171 SILVA, L. A., Rebello da – Memória sobre a população e a agricultura em Portugal, 1868, p. 80 SIMÕES JÚNIOR, Manuel Rodrigues – “Mosteiro de Arouca. Couto de Antuã e Avanca. Subsídios para a sua história”, Arquivo do Distrito de Aveiro, XX, 1954 SOARES, Torquato Sousa – “Notas para o estudo das instituições municipais da Reconquista”, Revista Portuguesa de História, II, 1943, pp. 264-291 SOARES, Torquato de Sousa – “Aforamento”, Dicionário de História de Portugal, dirig. por Joel Serrão, I, pp. 51-52 SOUSA, Bernardo Vasconcelos e (Dir.), PINA, Isabel Castro, ANDRADE, Maria Filomena, SANTOS, Maria Leonor Ferraz de Oliveira Silva – Ordens Religiosas em Portugal: Das origens a Trento – Guia Histórico, Livros Horizonte, 2005 VITERBO, Joaquim de Santa Rosa de – Elucidário das palavras, termos e frases que em Portugal antigamente se usaram e que hoje regularmente se ignoram…, 2.ª ed., Lisboa, A. J. Fernandes Lopes, 1865

Fig. 02 – 1210, JUNHO, meados, Feira – Carta de aforamento de Veiros (c. Estarreja), que Afonso III confirmou a 1 de Agosto de 1250. ANTT, Mosteiro de Arouca, g. 7, m. 1, n.º 2A.

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TERRAS DE ANTUÃ | HISTÓRIAS E MEMÓRIAS DO CONCELHO DE ESTARREJA

Fig. 03 – 1220 (atribuído) – Inquirições de 1220 (parte respeitante a Antuã e Fermelã, do actual c. de Estarreja). ANTT, Feitos da Coroa, Inquirições de D Afonso II, liv. 2, fl. 129.

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Fig. 04 – 1257, OUTUBRO, 25, Coimbra – D. Afonso III doa o Couto de Antuã (c. Estarreja) e Avanca (c. Estarreja) ao Mosteiro de Arouca. ANTT, Chancelaria de D. Afonso III, lv. 1, fl. 22.

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TERRAS DE ANTUÃ | HISTÓRIAS E MEMÓRIAS DO CONCELHO DE ESTARREJA

Fig. 05 – 1284, JULHO-AGOSTO – Inquirições Gerais ordenadas por D. Dinis nos julgados de Fermedo, Sever, Cambra e Figueiredo (incluindo várias localidades hoje pertencentes ao c. Estarreja), executadas por Estêvão Lourenço, clérigo e procurador régio. ANTT, Feitos da Coroa, Inquirições de D Afonso III, liv. 2, fl. 36.

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MARCO PEREIRA

APÊNDICE Relação sumária dos documentos respeitantes aos actuais concelhos de Estarreja e Murtosa no século XIII. Regista-se apenas a leitura utilizada de cada um, sem arrolar todos os manuscritos, publicações e referências. DOC. 1 1210, JUNHO, meados, Feira – Carta de aforamento deVeiros (c. Estarreja), que Afonso III confirmou a 1 de Agosto de 1250. AZEVEDO, Rui de, COSTA, P.e Avelino de Jesus da, e PEREIRA, Marcelino Rodrigues – Documentos de D. Sancho I (1174 – 1211), vol. I, 1979, Doc. n.º 192, p. 295 (ANTT, Mosteiro de Arouca, g. 7, m. 1, n.º 2A) DOC. 2 1217, JUNHO, Coimbra – Doação de cinco casais em Fermelã (c. Estarreja) e de um casal em Ancede a Gonçalo Gomes, homem do rei, em recompensa de serviços prestados. FORTE, Hélder Ferreira Pereira – D. Afonso II – Breve estudo da sua chancelaria – folhas 22 – 46v, FLUC (Dissertação de Licenciatura), 1968, pp. 29-31 (ANTT, Reg. Afonso II, fl. 39) DOC. 3 1220 (atribuído) – Inquirições de 1220 (parte respeitante a Antuã e Fermelã, do actual c. de Estarreja). BORRALHA, Conde da – “Inquirições de D. Afonso II no distrito de Aveiro”, Arquivo do Distrito de Aveiro, vol. II, n.º 8, 1936, p. 286 (ANTT, Inquirições de D. Afonso II, Lv. 2, fls. 129-129v) DOC. 4 1220 – Relação de propriedades de Mosteiros e Ordens, na diocese do Porto (considerada sucedânea das inquirições de 1220, abrangendo terras a Norte do rio Antuã, dos actuais c. de Estarreja e Murtosa). OLIVEIRA, Miguel de – Ovar na Idade Média, Câmara Municipal de Ovar, 1967, pp. 227-231 (ANTT, Gavetas, g. 1, m. 7, n.º 20) DOC. 5 1220-1238 – Caderno com o rol de várias igrejas de que el-Rei era padroeiro nos bispados do Porto, Lamego,Tui, Coimbra e Lisboa. MADAHIL, António Gomes da Rocha – Milenário de Aveiro – Colectânea de Documentos Históricos, Vol. I - 959-1516, Aveiro, Câmara Municipal de Aveiro, 1959, pp. 44-50 (ANTT, Gavetas, g. 19, m. 4., n.º 7) OLIVEIRA, Miguel de – Ovar na Idade Média, Câmara Municipal de Ovar, 1967, pp. 233-235 DOC. 6 1238, MAIO, Coimbra, na casa dos pregadores – D. Sancho II envia ao Papa Gregório IX, para confirmação, a composição feita com o bispo do Porto, D. Pedro Salvadores, em que o Rei doa a essa Sé as décimas que recebia dessa cidade e os padroados das igrejas de Soalhães e Beduído (c. Estarreja). BIBLIOTECA PÚBLICA MUNICIPAL DO PORTO – Censual do Cabido da Sé do Porto, Porto, Imprensa Portuguesa, 1924, pp. 271-278 (A.D.P., Censual do Cabido da Sé do Porto, fls. 71-72) DOC. 7 1238, MAIO-AGOSTO, 17 – Sancho II e o bispo do Porto, D. Pedro Salvadores, declaram que o monarca cumpriu a composição feita entre ambos sobre as décimas da cidade do Porto e os padroados das igrejas de Soalhães e Beduído (c. Estarreja). BERNARDINO, Sandra Virgínia Pereira Gonçalves – Sancius Secundus Rex Portugalensis – A Chancelaria de D. Sancho II (1223-1248), FLUC (Dissertação de Mestrado) , 2003, p. 307-308 (A.D.P., Livro 15 (1673))

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TERRAS DE ANTUÃ | HISTÓRIAS E MEMÓRIAS DO CONCELHO DE ESTARREJA

DOC. 8 1245, ABRIL, 30, Porto – D. Sancho II concede ao bispo e Sé do Porto o direito de padroado da igreja de Avanca (c. Estarreja). BIBLIOTECA PÚBLICA MUNICIPAL DO PORTO – Censual do Cabido da Sé do Porto, Porto, Imprensa Portuguesa, 1924, pp. 268-270 (A.D.P., Censual do Cabido da Sé do Porto, fl. 70) DOC. 9 1245, AGOSTO, 20 – Bula do Papa Inocêncio IV, sobre os limites das dioceses do Porto e Coimbra. DOC. 10 1250, AGOSTO, 1, Figueiredo – Carta de aforamento de Veiros (c. Estarreja), em 1210, que Afonso III confirmou a 1 de Agosto de 1250. Ver doc. 1, de 1210. DOC. 11 1253, SETEMBRO, 12, Perugia (Itália) – Bula Provisionis nostrae, de Inocêncio IV, confirmando no curso do rio Antuã os limites das dioceses do Porto e Coimbra. DOC. 12 1254, JANEIRO, 9, Latrão (Itália) – O Papa Inocêncio IV confirma a doação do padroado da igreja de Avanca (c. Estarreja), por D. Sancho II, à Sé do Porto. BIBLIOTECA PÚBLICA MUNICIPAL DO PORTO – Censual do Cabido da Sé do Porto, Porto, Imprensa Portuguesa, 1924, pp. 268-270 (A.D.P., Censual do Cabido da Sé do Porto, fl. 70) DOC. 13 1254, JUNHO, 6, Anagnie (Itália) – O Papa Inocêncio IV confirma a doação do padroado da igreja de Beduído (c. Estarreja), por D. Sancho II, à Sé do Porto. BIBLIOTECA PÚBLICA MUNICIPAL DO PORTO – Censual do Cabido da Sé do Porto, Porto, Imprensa Portuguesa, 1924, pp. 271-278 (A.D.P., Censual do Cabido da Sé do Porto, fls. 71-72) DOC. 14 1256 – Testamento da Rainha D. Mafalda, que inclui éguas em Antuã (c. Estarreja). COELHO, Maria Helena da Cruz, Arouca – uma terra, um mosteiro, uma santa, 1989, pp. 60-62 (ANTT, Mosteiro de Arouca, g. 3, m. 3, n. 2) DOC. 15 1257, SETEMBRO, 1, Coimbra – D. Afonso III dá ao Mosteiro de Arouca as dívidas de que era credora a Rainha D. Mafalda, sua tia, em Bouças (c. Matosinhos), Cabanões (c. Ovar) e Antuã (c. Estarreja). SOUSA, Gonçalo António Tavares de – Exame da questão sobre os foros do Convento de Arouca no Concelho de Estarreja, Porto, Typ. de J. L. de Souza, s/d (c. 1850), Apêndice, p. 6 (ANTT, Mosteiro de Arouca, g. 1, m. 1, n. 10) DOC. 16 1257, OUTUBRO, 7, Coimbra – D. Afonso III manda pôr marcos e padrões nos Coutos de Antuã (c. Estarreja) e Avanca (c. Estarreja). SOUSA, Gonçalo António Tavares de – Exame da questão sobre os foros do Convento de Arouca no Concelho de Estarreja, Porto, Typ. de J. L. de Souza, s/d (c. 1850), Apêndice, p. 6 (ANTT, Mosteiro de Arouca, g. 1, m. 1, n. 13) DOC. 17 1257, OUTUBRO, 25, Coimbra – D. Afonso III doa o Couto de Antuã (c. Estatreja) e Avanca (c. Estarreja) ao Mosteiro de Arouca. VENTURA, Leontina, e OLIVEIRA, António Resende de – Chancelaria de D. Afonso III, Livro I, Vol. I, 2006, pp. 129-131 (ANTT, Chancelaria D. Afonso III, lv. 1, fls. 22-22v)

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DOC. 18 1257, NOVEMBRO, 1, Arouca – O mosteiro de Arouca cede a Afonso III os seus direitos sobre o mosteiro de S. Salvador de Bouças (c. Matosinhos) e sobre os herdamentos de Bouças eVilar de Sande (c.VilaVerde) em troca dos herdamentos de Antuã (c. Estarreja), Avanca (c. Estarreja) e Arouca, e do padroado da igreja da Santa Eulália de Arouca, que o Rei lhe tinha dado e coutado. FARIA, Maria Eugénia Miranda Marques Couto – D. Afonso III – Breve estudo da sua Chancelaria – Livro I, folhas 111v – 137v, FLUC (Dissertação de Licenciatura), 1969, pp. 155-156 (ANTT, Chancelaria de D. Afonso III, Lv. 1, fl. 128v) DOC. 19 1266 – A abadessa do Mosteiro de Arouca (D. Mor Martins), onde há 110 monjas, queixa-se ao Papa (Clemente IV) das dificuldades tidas com o rei, a propósito da posse das terras de Antuã (c. Estarreja), Avanca (c. Estarreja) e Arouca. DOC. 20 1266, MARÇO 9, Perúgia (Itália) – Breve do Papa Clemente IV, nomeando juízes, a propósito do conflito entre o Rei e o Mosteiro de Arouca, sobre as terras de Antuã (c. Estarreja) e Avanca (c. Estarreja). SOUSA, Gonçalo António Tavares de – Exame da questão sobre os foros do Convento de Arouca no Concelho de Estarreja, Porto, Typ. de J. L. de Souza, s/d (c. 1850), Apêndice, pp. 7-8 (cota desconhecida) DOC. 21 1274, FEVEREIRO, 18, Santarém – Sentença a favor do mosteiro de Arouca no litígio entre este e o rei, sobre a posse dos coutos e herdamentos de Antuã (c. Estarreja), Arouca e Avanca (c. Estarreja). FARIA, Maria Eugénia Miranda Marques Couto – D. Afonso III – Breve estudo da sua Chancelaria – Livro I, folhas 111v – 137v, FLUC (Dissertação de Licenciatura), 1969, pp. 149-150 (ANTT, Chancelaria de D. Afonso III, Lv. 1, fl. 127v-128) DOC. 22 1274, Fevereiro, 20 – Rei manda entregar ao Mosteiro de Arouca os bens de Antuã (c. Estarreja), Avanca (c. Estarreja) e Arouca. DOC. 23 1274, Abril, 28 – Bula Sua nobis, de Gregório X, dirigida ao deão de Salamanca, a propósito do diferendo entre o Mosteiro de Arouca e o rei, sobre as terras de bouças, Antuã (c. Esatrreja), Avanca (c. Estarreja) e Arouca. DOC. 24 1274, DEZEMBRO, 8, Arouca – Carta de Povoação, respeitante a terras situadas em Veiros (c. Estarreja). CÓPIA 1) AUC, III-1.ªD-14-2-11 (Mosteiro de Arouca, Caixa 21, Documentos vários, II) – verba 8 (cópia de sentença que obtiveram os pescadores de Estarreja, 1776), sem paginação CÓPIA 2) AUC, III-1.ªD-14-1-16, fl. 1v (Index geral de todos os livros e mais papéis do cartório desta Quinta de Estarreja, n.º 346) DOC. 25 1279 – Referência a Salreu (c. Estarreja). DOC. 26 1279 – Demanda sobre casas e vinha em Antuã (c. Estarreja). DOC. 27 1283, FEVEREIRO, 4, Évora – D. Dinis afora a Pedro Vermudes a Gelfa (f.Torreira, c. Murtosa), onde há montado de coelhos e pastagem para gados.

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TERRAS DE ANTUÃ | HISTÓRIAS E MEMÓRIAS DO CONCELHO DE ESTARREJA

OLIVEIRA, Miguel de – Ovar na Idade Média, Câmara Municipal de Ovar, 1967, p. 77 (ANTT, Chancelaria de D. Dinis, Lv. I, fl. 64) DOC. 28 1284 – Domingos Peres de Salreu prometeu por intermédio de Estêvão Vicente, juiz de Figueiredo, dar foro ao Rei pelo casal do Ameal de Salreu (c. Estarreja). GODINHO, Alice Correia – D. Dinis – subsídios para o estudo da sua Chancelaria – fls. 87v. 1.a – 167, FLUC (Dissertação de Licenciatura) 1969, pp. 324-325 (ANTT, Chancelaria de D. Dinis, Lv. 1, fl. 104, 1.ª col.) DOC. 29 1284, JULHO, 18, Lisboa – Aforamento do casal do Ameal de Salreu (c. Estarreja) a Domingos Pedro. GODINHO, Alice Correia – D. Dinis – subsídios para o estudo da sua Chancelaria – fls. 87v. 1.a – 167, FLUC (Dissertação de Licenciatura) 1969, p. 109 (ANTT, Chancelaria de D. Dinis, fl. 105v, 2.ª col.) DOC. 30 1284, JULHO-AGOSTO – Inquirições Gerais ordenadas por D. Dinis nos julgados de Fermedo, Sever, Cambra e Figueiredo (incluindo várias localidades hoje pertencentes ao c. Estarreja), executadas por Estêvão Lourenço, clérigo e procurador régio. PIZARRO, José Augusto de Sotto Mayor – Portvgaliae monvmenta historica : a saecvlo octavo post christvm vsqve ad qvintvmdecimvm ivssv academiae scientiarvm olisiponesis: edita – Inqvisitiones: inquirições gerais de D. Dinis, 1284, Nova Série, vol. 3, Lisboa, Academia das Ciências de Lisboa, 2007, pp. 79-80, 82-92 (Julgado de Figueiredo) – (IAN/TT, Livro 2 de Inquirições de D. Afonso III, fls. 1-40v; cópia de 1301 (da mão de João Domingues); 160x215mm., B.c.) DOC. 31 1284 – Inquirição das Honras e Devassas dos Julgados de Gaia, Feira, Lamego, Zurara, Alafões, Castro Daire, Cabanões, Figiueiredo de Rei (incluindo várias localidades hoje pertencentes ao c. Estarreja), Fermedo e outros lugares (Sentenças das Inquirições de 1284). SARAIVA, José da Cunha – “Inquirições de D. Dinis”, Arquivo Histórico de Portugal, vol. II, pp. 122-123 (ANTT, Leitura Nova, Lv. 3 da Beira e Além Douro, fls. 18v-19, Julgado de Figueiredo) DOC. 32 1286, JULHO, 10, Arouca – A abadessa D. Luca Rodrigues e o convento do mosteiro de Arouca dão carta de foro aos moradores da Murtosa (c. Murtosa). RÊPAS, Luís – Quando a nobreza traja de branco…, FLUC (Dissertação de Mestrado), II, 2000, p. 242, doc. n.º 1 (ANTT, Mosteiro de Arouca, g. 7, m. 1, n. 1) DOC. 33 1287, MARÇO, 7 – D. Dinis manda que o Juiz da Feira não mande na terra de Pardelhas (c. Murtosa). B) ANTT, Mosteiro de S. Bento da Ave-Maria (Porto), Lv. 3, fl. 79v DOC. 34 1288, ABRIL, 14, Santarém – D. Dinis afora a Pedro Lourenço e mulher, Maria Peres, e André Peres e mulher, Maria Mijz, um reguengo sito em Água Levada (f. Avanca, c. Estarreja) CARDOSO, Carlos Alfredo Resende dos Santos – Subsídios para uma Monografia Histórica e Descritiva da Freguesia de Avanca, Câmara Municipal de Estarreja, 2000 (Dissertação de Licenciatura apresentada à FLUC em 1961), pp. 35-36 (ANTT, Chancelaria de D. Dinis, Lv. 4, fl. 8) DOC. 35 1291, MARÇO, 25, Coimbra – D. Dinis profere sentença em relação a um litígio surgido entre os mosteiros de Arouca e de Vila Cova sobre a demarcação de terras que confinavam (Pardelhas e Antuã, na actual

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MARCO PEREIRA

f. Murtosa, c. Murtosa). RÊPAS, Luís – Quando a nobreza traja de branco…, FLUC (Dissertação de Mestrado), II, 2000, pp. 365-366, doc. n.º 69 (ANTT, Mosteiro de Arouca, g. 1, m. 1, n. 29) DOC. 36 1294, FEVEREIRO, 3, Arouca – A abadessa D. Luca Rodrigues e o convento do mosteiro de Arouca aforam a Pedro Domingues e sua mulher Clara Miguéis o casal de Refelia (f. Murtosa, c. Murtosa). RÊPAS, Luís – Quando a nobreza traja de branco…, FLUC (Dissertação de Mestrado), II, 2000, pp. 424-425, doc. n.º 109 (ANTT, Mosteiro de Arouca, g. 7, m. 1, n. 8) DOC. 37 1298, JUNHO, 22, Coimbra – D. Dinis afora a 18 povoadores a título perpétuo e hereditário o herdamento reguengo da Insoa de Seserelho (f. Salreu, c. Estarreja), mediante a condição de o povoarem, cultivarem e arborizarem MARREIROS, Maria Rosa Ferreira – Propriedade fundiária e rendas da coroa no reinado de D. Dinis, FLUC (Dissertação de Doutoramento), I, 1990, pp. 168-169 DOC. 38 1298, DEZEMBRO, 1 – Osselóo. Demarcação. Refere mamoas e pedras (referência também à f. Fermelã, c. Estarreja). A) AUC, Pergaminho de Pedroso, g. 7, m. 1, n. 21

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PINTURAS DEVOCIONAIS DOS ALTARES-MORES DO CONCELHO DE ESTARREJA Maria Clara PaivaVide Marques*1 Sylvie Ferreira*2 Entre o final do século XII e a primeira metade do século XVIII, no período Barroco, assiste-se a uma grande produção de obras de talha, nomeadamente retábulos, em muitos das quais já se encontram presentes algumas das propostas estéticas que vinham a ser usadas no período proto-barroco, tais como a valorização da escultura em detrimento da pintura, o uso de uma gramática decorativa com elementos naturalistas, com destaque para a folha de acanto, as composições de corpo único e um ou três tramos e o aparecimento dos retábulos eucarísticos com uma tribuna ou camarim3, no tramo central, preenchida por um Trono e no centro do banco, um Sacrário. Arte ao serviço da Contra-Reforma e do Catolicismo Triunfante, o Barroco, nascido em Itália, rapidamente se difunde por todo o mundo católico. Assumindo características muito particulares em Portugal, este estilo divide-se em duas grandes fases: o barroco pleno e o barroco final, surgindo nas estruturas retabulares um elemento arquitectónico único na Europa católica de então, o Trono Eucarístico. Como refere Fausto Martins: A partir do século XVII constata-se na maioria dos retábulos portugueses, situados na capela-mor, a existência de uma estrutura escalonada a que uns chamam «pirâmide», outros preferem o nome de «tribuna» e que os textos oficiais apelidam de «trono», destinada a expor em Majestade o Santíssimo Sacramento. Estrutura genuinamente portuguesa, a sua origem está ligada ao movimento da Contra-Reforma, pós Concílio de Trento, relacionando-se directamente com a afirmação da presença real e verdadeira de Cristo nas espécies consagradas, negada pelos homens da Reforma, a que acresce todo um movimento de defesa e exaltação do culto ao Santíssimo Sacramento, que se reflecte num forte surto de devoção eucarística4. É atribuída à Companhia de Jesus, na Capela da Universidade de Coimbra, a introdução do trono nos retábulos das igrejas, cerca de 1680, constata-se que será a partir dos começos do século XVIII que este elemento ganhará foros de universalidade em todo o território nacional5. Destinado à exposição solene do Santíssimo Sacramento a sua origem entronca no culto ao milagre eucarístico, que embora gozando de elevado favor muito antes de Trento6, se viu reafirmado e

1 - Museóloga. 2 - Conservadora/Restauradora 3 - O camarim, ou tribuna, é um espaço aberto, de grandes dimensões, tipo uma pequena câmara, existente no meio dos altares, principalmente no altar-mor. Nos outros altares de menores dimensões, é designado por edícula ou nicho. 4 - MARTINS, Fausto Sanches - “Trono eucarístico do retábulo barroco português: origem, função, forma e simbolismo”, in AAVV, I Congresso Internacional do Barroco. Actas, IIVolume, Porto: Reitoria da Universidade do Porto/Governo Civil do Porto, 1991, pp. 17-58. 5 - MARTINS, Fausto Sanches - “Trono eucarístico do retábulo barroco português: origem, função, forma e simbolismo” …, 1991, p. 31. 6 - A festa do Corpo de Deus, por exemplo, fora instituída em 1246, em Liège, enquanto a devoção das Quarenta Horas teve início em Milão, em 1527. A primeira irmandade do SS.mo foi criada em Roma na Igreja dominicana de Santa Maria sopra Minerva, sendo aprovada pelo Papa Paulo III em 1539. (Cfr. MARQUES, João Francisco - “A renovação das práticas devocionais”, in AZEVEDO, Carlos Moreira (dir.), História Religiosa em Portugal, Vol. II, Lisboa, Círculo de Leitores, 2000, p. 568.

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reavivado em consequência das disposições exaradas por aquele concílio. De facto, a sessão XIII, realizada em 1551, estabeleceria a presença real de Cristo nas partículas consagradas, decretando a legitimidade do seu culto e da veneração do Santíssimo exposto no tabernáculo. Tal premissa - a presença sub species do divino - fora amplamente contestada pelo protestantismo durante o século XVI, representando um importante ponto de cisão em relação à doutrina católica. A recuperação desse fundamento e o renovado alento insuflado ao seu culto e veneração devem ver-se, portanto, no quadro da vocação disciplinar e catequética contrareformista e da afirmação doutrinal do próprio catolicismo, que enquadraria práticas e manifestações religiosas várias, como o culto das Quarenta Horas, as cerimónias do Corpus Christi ou os lausperenes. A eleição da Eucaristia como sacramento central da liturgia e da doutrina da Igreja terá inclusivamente ditado a revisão do espaço litúrgico e a forma assumida por algumas alfaias ligadas ao seu culto7. Papel incontornável assume naturalmente o sacrário, cuja existência decorre directamente da possibilidade de conservação das espécies eucarísticas destinadas seja à adoração ou à distribuição pelos fiéis. Expressão directa do objecto custodiado e do seu inefável valor, o sacrário8 integraria em si o simbolismo do mistério evocado, tomando a forma da própria hóstia ou de um pequeno templo, invocação do templo de Salomão ou mesmo do Santo Sepulcro, em alusão ao túmulo de Cristo. Colocado não mais em altares laterais, o sacrário converte o altar-mor no verdadeiro ponto focal de todo o templo. A firmar a axialidade do espaço litúrgico, dominado pelo sacrário, emergem os tronos eucarísticos, que florescem a partir de Trento e adquirem particular interesse na Península Ibérica9. Destinados à exposição do Santíssimo quer em ofícios regulares, quer em celebrações de carácter particular (lausperenes, desagravos, acções de graças, etc.), o trono eucarístico, patente de todos os ângulos da igreja, sublinha a direcção do espaço, erguendo-se perante os fiéis como verdade incontroversa da Igreja. Inserido na tribuna do retábulo verifica-se que em várias estruturas retabulares, com as funções eucarísticas e devocionais, quando não há a exposição solene do Santíssimo Sacramento a boca da tribuna é preenchida com uma tela que oculta o trono10. Estas telas, assumem na sua concepção particular relevo, constituindo-se como suporte de programas iconográficos significantes, capazes de prender a atenção dos fiéis. Regra geral nelas figura o orago ou uma decoração que remete para temáticas cristológicas ou de simbologia eucarística: temas da Paixão de Cristo, Cristo Ressuscitado, Última Ceia, entre outros, numa estreita ligação ao sacrário. Nas igrejas paroquiais do concelho de Estarreja, constata-se que todos os retábulos-mores, possuíam uma tela que ocultava o Trono quando não havia exposição solene do Santíssimo, a qual, como é comum, é retirada em determinadas ocasiões, por exemplo na Oração das quarenta horas, no Lausperene e outras. Presentemente dos sete templos, apenas na igreja de São Miguel de Fermelã a tela não se encontra colocada na tribuna, figurando exposta na parede esquerda da capela-mor. Das restantes, é de referir que a tela das estruturas retabulares da matriz de São Tiago de Beduído e de São Bartolomeu de Veiros, depois de intervenções realizadas, se encontram fixas, não podendo ser levantadas.

7 - Para além da construção de sacrários, todo um fabrico de objectos litúrgicos floresceu: custódias, navetas, turíbulos, etc. 8 - MARQUES, João Francisco - “A renovação das práticas devocionais”. … 2000, p. 562. 9 - MARTINS, Fausto Sanches - “Trono eucarístico do retábulo barroco português: origem, função, forma e simbolismo” …, 1991, pp. 17-58. 10 - LAMEIRA, Francisco – “O Retábulo em Portugal – das origens ao declínio”. Promotória Monográfica – História da Arte. Revista do Departamento de História, Arqueologia e Património da Universidade do Algarve, n.º1. Faro: Departamento de História, Arqueologia e Património da Universidade do Algarve e Centro de História de Arte da Universidade de Évora, 2005, p. 14.

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Em relação aos temas das pinturas aí representadas, como é comum, retractarem episódios bíblicos de temática cristológica e/ou eucarística nos casos de: Avanca (Última Ceia); Beduído (Transfiguração); Canelas (Paisagem de Jerusalém, que serve de enquadramento a uma imagem de Cristo crucificado); Pardilhó (Aparição de Cristo aos Onze Apóstolos); Veiros (Ressureição de Cristo). Na igreja paroquial de Salreu e na de Fermelã, as pinturas representam o orago, respectivamente São Martinho de Tours, que se apresenta numa figuração amplamente divulgada, a variante iconográfica do episódio em que reparte a capa com um mendigo e São Miguel Arcanjo, que na mesma linha de figuração muito difundida, é representado como Príncipe da milícia celeste, vencedor de Satanás e dos anjos rebeldes. O presente artigo pretende então dar a conhecer estas obras, parte integrante do património de matriz religiosa deste município, através da realização do seu inventário/estudo. Por fim, na concretização deste trabalho, deixamos aqui o nosso agradecimento aos párocos do município11, bem como a todos quantos nos forneceram importantes informações para a realização do mesmo.

IGREJA PAROQUIAL DE SANTA MARINHA Avanca

Última Ceia Séc. XX Portugal, autor desconhecido Pintura a óleo sobre tela Bom estado de conservação. Apresenta intervenções posteriores.

A igreja paroquial de Avanca, dedicada a Santa Marinha, guarda no seu interior um retábulomor que se insere no figurino neoclássico. De madeira entalhada, dourada e policromada, tem planta plana e compõe-se de embasamento com duplo registo, corpo único, três tramos e ático. No corpo, o tramo central é preenchido por uma tribuna, que alberga um trono piramidal para exposição do Santíssimo Sacramento, cuja boca é preenchida com uma tela que ilustra o episódio bíblico da Última Ceia, nome dado à última refeição que Jesus tomou com os seus discípulos, na véspera da sua morte, para celebrar a Páscoa. Numa composição clássica do tema a pintura apresenta Cristo ao centro, tendo à Sua esquerda o apóstolo Pedro e à direita o apóstolo João, distribuindo-se os restantes discípulos em redor da mesa por ambos os lados.Tratando-se de um dos temas maiores da arte cristã de todos os tempos, facilmente se pode compreender a sua escolha, uma vez que no banco, ao centro, pousado sobre a banqueta se encontra o sacrário, móvel destinado a guardar a Reserva Eucarística, cuja origem entronca no sacramento maior do Cristianismo, a Eucaristia, justamente instituída por Jesus Cristo na Última Ceia. A tela apresenta num interior de uma sala de modelo clássico, uma mesa oval, coberta por uma toalha branca, sobre a qual está pousado um cálice. Na parte central encontra-se a personagemprincipal, Cristo, representado com o rosto emoldurado por longo cabelo e barba, ligeiramente 11 - Avanca: José Henriques da Silva; Beduído: António Fragoso Tavares; Canelas e Fermelã: Júlio Franclim do Couto e Pacheco; Pardilhó: Filipe Manuel da Silva Coelho; Salreu: Arménio Pires Dias; Veiros: Tomás Marques Afonso.

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inclinado sobre o seu lado direito e de olhar dirigido para o Alto, que sustenta na mão, o Pão, transubstanciado no seu Corpo. Distribuídos de forma equitativa pela mesa, em redor do Mestre, figuram os discípulos, vendo-se do Seu lado direito o apóstolo Pedro reconhecível pelo rosto de feições maduras e, do esquerdo João, reclinado sobre o Seu ombro, identificável pelo seu manto de tonalidade vermelha e ar jovial. Judas Iscariotes encontra-se do lado esquerdo, facilmente reconhecível porque segura na mão a bolsa do dinheiro, um dos seus atributos peculiares, símbolo da sua traição. Pousados no chão são visível uma bacia e uma tolha, que aludem ao episódio do lava-pés, no qual Jesus no decorrer da ceia, num gesto de profunda humildade, se levanta da mesa e lava os pés aos discípulos (Jo. 13, 1-20). No plano superior, a encimar a ocorrência Serafins e Querubins, anjos da Primeira Hierarquia, presenciam a cena, sobre um turbilhão de nuvens. A presença dos anjos justifica-se por si mesma, sendo eles guardiães, mensageiros, soldados e companhia de Deus, de Cristo, da Virgem e dos Santos. A mais antiga referência a estes seres angélicos, encontra-se no caso dos Serafins na visão de Isaías, na qual o profeta vê os Serafins diante do trono de Deus (Is. 6, 1-7). Na sua representação iconográfica os artistas seguiram a descrição de Isaías, representando-os com seis asas. Por outro lado, na obra Hierarquia dos Anjos, de Pseudo Dionísio Areopagita, fica-se a compreender que os Serafins constituem a Primeira Ordem da Primeira Hierarquia angélica, cuja missão consiste em estarem constantemente diante de Deus, louvando-O e contemplando-O, sendo os que d’Ele se encontram mais próximos. A este propósito são esclarecedoras as palavras de Gregório Magno: “(…) serafins são chamados os ardentes e inflamados, os que estão tão próximos de Deus que, entre eles e Deus, não há algum outro espírito; ardem tanto mais quanto mais perto o vêm”. Quanto à sua designação, ela deriva, etimologicamente, do hebraico «saraph» (no plural seraphim), que significa, literalmente, «ardente», ou «seres semelhantes a fogo». Atendendo a estes conceitos se compreende a razão pela qual o vermelho corresponde à etimologia da sua designação e justifica-se pelo seu carácter de fogo, pois estão mais próximos de Deus transmitindo a luz, o calor e a pureza aqueles que estão em posição menos elevada12. Por sua vez, os Querubins, segundo Pesudo Dionísio Areopagita, constituem a Segunda Ordem da Primeira Hierarquia, cabendo-lhes, entre outras missões, a de guardiães, papel que já desempenhavam no Antigo Testamento. Com efeito, por indicação expressa de Deus, eram dois Querubins que estavam representados na Arca da Aliança (Ex. 25, 18-22). A arca era guardada num lugar muito especial no interior do Templo, no Santo dos Santos pois simbolizava a presença de Deus no Santuário. A representação iconográfica dos Querubins é feita atribuindo-lhes a cor azul e, normalmente, apenas quatro asas. No livro do profeta Ezequiel se refere, também, que os Querubins se encontravam vigiando o Santo dos Santos e o Templo (Ez. 41, 23). Assim, serão as figuras angélicas que detêm as funções de guardiães associados à presença de Deus. E, se a presença divina na Arca da Aliança, era meramente simbólica, nos sacrários trata-se, efectivamente, da presença real de Cristo, o Filho de Deus incarnado, apresentado sob a espécie de pão que constitui a reserva eucarística13. Numa ligação de profundo simbolismo, flanqueiam o Cordeiro Pascal que descansa sobre o livro dos sete selos, estabelecendo uma relação entre o momento da

12 - REBOCHO-CHRISTO, José António; CASIMIRO, Luís Alberto; MARQUES, Maria Clara de Paiva Vide – “CatálogoIgreja Matriz de Arões”, in MARQUES, Maria Clara de Paiva Vide (coordenação) – SACRÁRIOS DAS IGREJAS PAROQUIAIS DEVALE DE CAMBRA-Do Maneirismo ao Rococó. Vale de Cambra: Caixa Geral de Depósitos de Vale de Cambra e Paróquias do Concelho de Vale de Cambra, 2008, pp. 34-35. 13 - REBOCHO-CHRISTO, José António; CASIMIRO, Luís Alberto; MARQUES, Maria Clara de Paiva Vide – “CatálogoIgreja Matriz de Arões” …, 2008, pp. 34-35.

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Última Ceia e a missão redentora do Filho de Deus. A iconografia cristã representa frequentemente Jesus como sendo cordeiro, numa estreita ligação ao Seu reconhecimento por João Baptista como sendo o Cordeiro de Deus. Vendo Jesus, João Baptista exclama: “Eis o cordeiro de Deus, que vai tirar o pecado do Mundo” (Jo 1, 29). Jesus ao decidir morrer no preciso momento em que o cordeiro pascal devia ser sacrificado, torna-se o novo cordeiro pascal, que, pelo seu sangue, sela a nova aliança entre Deus e os homens. (…) Este cordeiro sacrificado tornar-se-á o cordeiro glorioso, vencedor da morte e das forças do mal, o juiz todo-poderoso evocado no Apocalipse14.

IGREJA PAROQUIAL DE SÃO TIAGO Beduído Transfiguração Séc. XX Portugal, autor desconhecido Pintura a óleo sobre tela Bom estado de conservação. Intervencionado pelo entalhador e dourador Domingos Rodrigues da Silva em 1975-76.

Tendo como orago São Tiago Apóstolo, a igreja paroquial de Beduído possui um retábulomor de madeira entalhada, dourada, policromada e marmoreada, que se enquadra no figurino neoclássico e é proveniente do Convento de S. Bernardo de Portalegre. Este móvel litúrgico foi adquirido por compra com dinheiro dos paroquianos, no ano de 1922 para substituir o retábulo-mor existente, destruído pelas chamas do incêndio ocorrido no edifício na noite de 26 para 27 de Março de 1922, como refere o então pároco de Beduído, Donaciano da Silva Bastos de Abreu Freire. No início da década 1970, no decurso da remodelação levada a efeito pelo pároco

14 - VV. AA. - Dicionário Cultural da Bíblia. Lisboa: Publicações Dom Quixote, 1996, p. 75.

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António Martins Belém, o retábulo-mor é removido e guardado. Poucos anos depois, nos anos de 1975/76, o reitor António Fragoso Tavares procede a uma nova reformulação do interior do edifício, mandando recolocar o retábulo-mor. Este trabalho foi executado pelo entalhador e dourador Domingos Rodrigues da Silva que na remontagem da estrutura retabular introduziu algumas diferenças, por exemplo, despojando a tribuna do trono piramidal para exposição do Santíssimo Sacramento, a ele se devendo igualmente o restauro da tela que reveste a boca da mesma15. Objecto de intervenções ao longo dos tempos, algumas das quais lhe imputaram mudanças ao nível das componentes estruturais e decorativas, o retábulo apresenta uma planta plana e compõese de embasamento com duplo registo, corpo único, três tramos e ático. No tramo central do corpo, possui uma tribuna com um perfil rectangular de remate circular, cuja boca é preenchida por uma tela com uma pintura da Transfiguração, que reproduz uma figuração do mesmo tema do pintor Rafael Sanzio16. A pintura ilustra a conjugação de dois episódios bíblicos da vida de Jesus: a Transfiguração, no registo superior e a Cura do jovem possesso e epiléptico, no registo inferior, que dá continuidade ao tema do registo superior, como se vê nos relatos evangélicos de S. Mateus (Mt. 17, 1-9 e 14-22), de S. Marcos (Mc. 9, 1-13 e 14-29) e de S. Lucas (Lc. 9, 28-36 e 37-43.), muito embora a pintura corresponda de modo mais fiel ao relato de Mateus e Marcos, onde os dois episódios se encontram seguidos, o que não acontece com Lucas que coloca a cura do jovem no dia seguinte ao da Transfiguração, portanto algo desfasado no tempo em relação ao que a pintura representa. A pintura, repartida em registos distintos, apresenta no plano superior, o plano Divino polarizado por Cristo, a visão Sua da transfiguração, ao centro. Cristo levitando, suspenso entre a Terra e o Céu, de braços abertos emanando uma luz resplandecente que é, em simultâneo, o reflexo da glória divina e a antecipação da sua glória de ressuscito17. Numa interpretação fidedigna do relato bíblico do episódio em que o Mestre sobe ao Monte Tabor e revela então aos Apóstolos a sua natureza divina, encontra-se ladeado ao mesmo nível por Moisés e Elias, cuja presença significa a continuidade entre a antiga e a nova Aliança18 e que Elias e Moisés, que haviam anunciado a transfiguração e aqui nela participam, surgem o primeiro a segurar as Escrituras, que aqui representam o sentido profético e, o segundo, as Tábuas da Lei, que são a incarnação da palavra de Deus. Erguendo-se acima do Mundo o plano intermédio é ocupado pelo Monte Tabor, sobre o qual se encontram os três apóstolos: Pedro, João e Tiago (Maior), que Cristo levou consigo para O acompanharem e testemunho daquela epifania e que protegem os olhos da forte e potente luz que emana da figura de Jesus, em consequência da visão da transfiguração do corpo de Jesus no corpo de Cristo – Corpo Glorioso, por meio da irradiação de luz própria.

15 - MARQUES, Maria Clara de Paiva Vide – “O retábulo-mor da Igreja Paroquial de Beduído”, in BISMARK, Delfim (coord.) – TERRAS DE ANTUÃ – Histórias e Memórias do Concelho de Estarreja, n.º 2, ano 2. Estarreja: Câmara Municipal de Estarreja, 2008, pp. 103-112. 16 - A pintura A Transfiguração (óleo sobre painel; 404 x 278 cm), que se encontra no Museu do Vaticano –Pinacoteca Vaticana - , é considerada a última e uma das mais importantes obras de Rafael Sanzio, um dos grandes pintores do Renascimento Italiano, célebre pela perfeição e serenidade das suas obras e baseia-se naTransfiguração de Jesus, conjugada com o episódio do jovem possesso e epiléptico narrado nos Evangelhos de Marcos, Mateus e Lucas. Encomendada em 1517, pelo Cardeal Giulio de Medici, posteriormente, Papa Clemente VII, a obra é executada entre os anos de 1518-1520 e desvia-se do estilo sereno e tranquilo de Rafael, característico da escola romana do Renascimento, apresentando uma nova sensibilidade de um mundo turbulento e dinâmico, tendente já em direcção a uma nova expressão – o Barroco. De acordo com o seu biógrafo, Giorgio Vasari, Rafael, nascido em Urbino, a 6 de Abril de 1483, morreu em Roma a 6 de Abril de 1520, no dia em que completava 37 anos. Sepultado no Panteão de Roma, foi honrado com um funeral público, no qual a pintura A Transfiguração precedeu o seu corpo durante a procissão fúnebre. 17 - VV. AA. - Dicionário Cultural da Bíblia …, 1996, p. 262. 18 - VV. AA. - Dicionário Cultural da Bíblia …, 1996, p. 262.

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No plano inferior da composição, no lado esquerdo, os nove Apóstolos a quem o pai tinha levado o jovem filho possuído pelos demónios para ser curado, e estes não o conseguem expulsar - agitando-se por se encontrarem em desacordo entre si e participarem dos problemas e receios da multidão que se apresenta - pois Cristo ainda não se encontra entre eles, dado não ter descido do monte. No lado direito, o pai segura o filho, um jovem adolescente epiléptico, com o corpo contorcido, olhos revirados, boca aberta e pernas e braços em descontrole, cercado por uma multidão que aponta e clama para o alto para Jesus, como que a salientar que apenas Ele o pode curar 19. Neste plano inferior somente o menino olha directamente, de baixo, a cena da transfiguração e estabelece uma verdadeira ligação entre os dois mundos.

A Transfiguração 1518-1520. Rafael Sanzio Pintura sobre madeira 410 x 279cm. Pinacoteca Vaticana – Vaticano.

19 - MARQUES, Maria Clara de Paiva Vide - “O retábulo-mor da Igreja Paroquial de Beduído”…, 2008, pp. 103-112

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IGREJA PAROQUIAL DE SÃO TOMÉ Canelas Paisagem de Jerusalém Séc. XX Portugal, autor desconhecido Pintura a óleo sobre tela Bom estado de conservação

Na igreja paroquial de São Tomé de Canelas, deparamos com um retábulo-mor que se insere no formulário neoclássico, evidente na sua planimetria e decoração. De madeira entalhada, dourada e policromada, esta máquina retabular possui uma planta plana composta por duplo embasamento, corpo único dividido em três tramos e ático. Destacando-se no tramo central do corpo possui uma tribuna, que acolhe o Trono do Santíssimo, com a boca preenchida por uma tela onde se encontra retratada uma paisagem, que serve de enquadramento à figura de Cristo crucificado, que aqui surge colocada de forma cenográfica, sob a forma de uma escultura de vulto pleno de grandes dimensões, aposta numa Cruz, que após a morte redentora de Cristo, se transformou de desonroso instrumento de morte e sinal de ignomínia e vergonha, no mais emblemático e sublime emblema cristão20, apresenta-se neste caso, sob a forma de cruz latina, figuração comum a estas representações. Na tela, à semelhança de outras pinturas alusivas ao tema, o pintor apresenta um céu plúmbeo, carregado de nuvens e como pano de fundo, criando um plano intermédio, a cidade de Jerusalém. Em primeiro plano, uma paisagem de penedos, alude ao monte Calvário ou monte Gólgota, lugar onde ocorreu a crucifixão de Jesus. A Crucificação de Cristo é o culminar da Paixão do Senhor, significando esta o sofrimento e os escárnios que Jesus recebeu, desde a prisão no Monte das Oliveiras até ao sepultamento, que vêm narrados nos quatro Evangelhos – S. Mateus (26-28), S. Marcos (14-16), S. Lucas (22-24) e S. João (18-20). Bastante antigo, o culto a Cristo Crucificado, do ponto de vista artístico, nasceu na arte bizantina, tendo até aos dias de hoje a cruz, atributo do martírio mas também do mistério salvífico de Cristo, como seu símbolo21. Do ponto de vista iconográfico e segundo Louis Réau, entre as representações da crucificação ligadas à «morte de Jesus na cruz», encontra-se a de Cristo morto22, na qual se insere a imagem em apreço, que se caracteriza pela figuração de Jesus morto, com os olhos cerrados, seminu, apenas vestido com um perizónium à cintura, com uma coroa de espinhos a cingir a cabeça, os pés e as mãos cravados na cruz, que no geral ostenta no topo um letreiro com a inscrição: I.N.R.J. – Jesus Nazareno Rei dos Judeus. Esta iconografia de Cristo Crucificado foi bastante influenciada pela forma como a Paixão do Senhor se encontra descrita por Tiago de Voragine na Legenda Áurea23, nos Apócrifos, nomeadamente no Evangelho de S. Pedro e no Novo Testamento: 20 - CHEVALIER, Jean; GHEERBRANT, Alain – Dicionário dos Símbolos, Lisboa: Editorial Teorema, 1994, p. 246. 21 - CHEVALIER, Jean; GHEERBRANT, Alain – Dicionário dos símbolos …, 1994, p. 246 22 - RÉAU, Louis – Iconografía del Arte Cristiano. Iconografía de la Bíblia /Nuevo Testamento. Barcelona: Ediciones del Serbal, 1996, nº5, Tomo I /vol. 2, p. 492-498. 23 - VORAGINE, Tiago de – Legenda Áurea, tomo I, Porto: Livraria Civilização Editora, 2004, pp. 210-213 e 224-226.

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Então Pilatos mandou levar Jesus e flagelá-lo. Depois os soldados entrelaçaram uma coroa de espinhos, cravaram-lha na cabeça (…) Jesus, levando a cruz às costas, saiu para o chamado Lugar da Caveira, que em hebraico se diz Golgóta, onde o crucificaram (…) Pilatos redigiu um letreiro e mandou pô-lo sobre a cruz. Dizia: «Jesus Nazareno, Rei dos Judeus». (…) Os soldados, depois de terem crucificado Jesus, pegaram na roupa dele (….), um dos soldados trespassou-lhe o peito com uma lança e logo brotou sangue e água. (Jo 19,1,17-19, 23, 34) O tema escolhido afigura-se em conexão com o local onde se insere, pois no retábulo-mor se acha a Trono, utilizada para adoração do Santíssimo Sacramento, e também o Sacrário, no interior do qual se encontra a hóstia consagrada, o “Pão da Vida” (Jo. 6, 57-58). Assim ao olharem para Cristo crucificado os fiéis fazem memória não apenas da Paixão e Morte redentora de Cristo, mas também da Sua gloriosa Ressureição, rememorando as próprias palavras de Jesus proferidas no decorrer da Última: “Eu sou a Ressurreição e a vida…”, palavras que complementam outras: “Eu sou o pão vivo... quem comer a minha carne e beber o meu sangue terá a vida eterna” (Jo 6, 51-54).

IGREJA PAROQUIAL DE SÃO MIGUEL ARCANJO Fermelã Arcanjo São Miguel Autor desconhecido Século XX Óleo sobre tela Mau estado de conservação

Consagrada ao Arcanjo São Miguel, a igreja paroquial de Fermelã, é a única matriz de Estarreja cuja tela devocional, destinada a cobrir a boca da tribuna do retábulo-mor, não se encontra aí colocada, figurando exposta na parede da capela-mor, do lado da Epístola.

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Numa situação recorrente neste tipo de telas devocionais e que em Estarreja encontramos, também, na matriz de Pardilhó (São Pedro) e Salreu (São Martinho), a pintura apresenta o orago do templo, São Miguel Arcanjo, aqui representado como chefe dos exércitos celestes e vencedor de Satanás, um tema que simbolicamente expressando a vitória do Bem sobre o Mal, foi amplamente difundido após o Concílio de Trento (1545 - 1563), constituindo um dos grandes temas da Contra-Reforma. A importância teológica e devocional do Arcanjo São Miguel, expressa no significado do seu nome “Quem como Deus”, bem como nas extraordinárias funções que lhe são atribuídas, reflectem-se na popularidade que adquiriu no decurso dos séculos, estimulada a partir do século XVII com a Contra-Reforma. Sem dúvida o mais popular dos arcanjos, o seu nome surge no Antigo e no Novo Testamentos. No Livro de David (10, 13-21; 12, 1), ele é designado como um dos primeiros príncipes que representa e protege Israel. No Livro do Apocalipse (12, 7), é um guerreiro que sai vitorioso, juntamente com os seus anjos, de um combate contra o Dragão, passagem que contribui para que fosse honrado como comandante da milícia celeste. O apóstolo Judas na sua epístola (9) também se refere a São Miguel como um guerreiro, aquele que sai vitorioso de um combate contra Satanás pela posse do corpo de Moisés, já que este arcanjo é igualmente aquele que conduz as almas para a chegada do dia do Juízo Final24, sendo também considerado o grande defensor das Almas do Purgatório. O culto de São Miguel começou no Oriente, alcançando no reinado do imperador Constantino, a sua magnitude. No Ocidente surge principalmente a partir do século V, em grande parte devido às aparições que lhe são atribuídas, em particular no monte Gárgano, (Itália), a partir de onde se espalhado pelo resto da península itálica, por França, Alemanha e Inglaterra e no monte Tombe (França), onde o seu santuário se tornará o mais importante centro medieval de culto. Posteriormente, no século XVII, o culto ao arcanjo ganhou um novo impulso devido à influência da Contra -Reforma. Durante este período, São Miguel surge-nos diferente, um chefe militar que triunfa contra Lúcifer e os anjos rebeldes, episódio o qual os Jesuítas consideram ser a vitória da Igreja contra a heresia protestante25. Na pintura em apreço, onde o Arcanjo surge com a sua tradicional iconografia de guerreiro pisando o demónio, é possível observar a proximidade a uma obra do pintor Rafael, denominada “S. Miguel esmagando o Demónio”, também conhecida como o “Grande São Miguel”26, que amplamente reproduzida em estampas, serviu inspiração a muitas obras. De autoria desconhecida e seguindo de perto o modelo de Rafael, a pintura mostra o Arcanjo entre nuvens, sobre uma base em forma de monte, pois Miguel sempre preferiu aparecer aos homens sobre montanhas27. Em pose inclinada e equilibrando-se nas costas de Lúcifer, São Miguel apresenta-se como um jovem anjo, nimbado e munido de asas. O rosto, de feições bem

24 - DAIX, Georges – Dicionário dos Santos. Do calendário romano e dos beatos portugueses. Lisboa: Terramar, 2000, p. 140. 25 - RÉAU, Louis – Iconografia del Arte Cristiano. Iconografía de la Bíblia /Antiguo Testamento, nº 4, Tomo I / vol. 1. Barcelona: Ediciones del Serbal, 1995, pp. 68 e 71. 26 - Este quadro de Rafael Sanzio (1483-1520), um dos maiores pintores do Renascimento Italiano, encontra-se actualmente no Museu do Louvre. 27 - CAMPOS, Adalgisa A. Campos - “São Miguel, as Almas do Purgatório e as balanças: iconografia e veneração na Época Moderna”. Memorandum. [Em linha]. 7 (2004), 102-127. Consultado em 17 de Julho de 2014, disponível em: http://www. fafich.ufmg.br/~memorandum/artigos07/campos01.htm

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delineadas e delicadas, é emoldurado por cabelos castanhos-claros encaracolados. Enverga as clássicas vestes de guerreiro, aqui compostas por túnica branca, sobre a qual enverga cota de malha azul e cáligas de tons rosa. Pendente sobre o seu lado esquerdo, ostenta à cintura uma espada. Ao alto, sustenta nas mãos a lança pronta a desferir o golpe sobre a hedionda criatura que, representado entre o humano e o animalesco, com as tradicionais asas de morcego verdes e cauda de cor também verde, está prostrada a seus pés, segurando um forcado, seu atributo peculiar. Envolta por um manto rosa revolto e esvoaçante e de amplas asas erguidas e abertas, a figura do comandante da milícia celeste releva a agitação própria do combate, bem como a atitude triunfante de quem prevalece contra Satanás subjugado a seus pés, que a expressão do rosto belo e sereno confirma28.

São Miguel derrota Satanás (O grande São Miguel) Rafael - 1518 Óleo sobre madeira transferido para tela - 268 × 160cm

A obra foi encomendada a Rafael pelo Papa Leão X e oferecida por seu sobrinho, Lorenzo de Médici, ao rei da França, Francisco I, Grão-Mestre da Ordem de São Miguel. A composição reflete o contexto das alianças diplomáticas seladas entre a França e o papado, como um símbolo da promessa de união para combater as forças do Império Otomano.

28 - Maria Clara de Paiva Vide Marques – “São Miguel Arcanjo – Padroeiro de Fermelã”. in BISMARK, Delfim (coord.) – TERRAS DE ANTUÃ – Histórias e Memórias do Concelho de Estarreja, n.º 4, ano 4. Estarreja: Câmara Municipal de Estarreja, 2010, pp. 115-116.

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IGREJA PAROQUIAL DE SÃO PEDRO APÓSTOLO Pardilho Aparição de Cristo Séc. XX Porto, Oficina Marques Pinto Pintura a óleo sobre tela Mau estado de conservação

O retábulo-mor da matriz de São Pedro Apóstolo de Pardilho é um exemplar de madeira entalhada, dourada e policromada que explana os cânones do figurino neoclássico. De planta plana é composto por embasamento duplo, corpo único, três tramos e ático, tendo no tramo central do corpo uma ampla tribuna, que acolhe o trono para a exposição solene do Santíssimo Sacramento, e ostenta a cobrir a sua boca uma tela com a representação do passo bíblico da Aparição de Cristo na Galileia, narrado no Evangelho segundo S. Mateus. Os onze discípulos partiram para a Galileia, para o monte que Jesus lhes havia designado. Quando O viram, adoraram-n’O; alguns, no entanto, duvidaram ainda. Aproximando-Se deles, Jesus disse-lhes: «Foi-me dado todo o poder no céu e na terra: ide, pois, ensinai todas as nações, baptizando-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, ensinando-as a cumprir tudo quanto vos tenho mandado. E Eu estarei sempre convosco, até ao fim do mundo». Mt. 28, 16-20 A aparição de Jesus aos onze apóstolos numa montanha na Galileia é um episódio de forte carga simbólica, nele estando representada a Missão Universal da Igreja. O acontecimento narra a instrução dada por Jesus Ressuscitado aos seus discípulos para que espalhassem os Seus ensinamentos por todas as nações do mundo, baptizando em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Apelidado de Grande Comissão na tradição cristã, este ensinamento de Jesus ressuscitado aos apóstolos, tornou-se um ponto fulcral da teologia cristã sobre a vocação e missão universais da Igreja. Na tela, uma pintura a óleo executada pela Ofícina Marques Pinto / Porto, figura tendo como pano de fundo uma paisagem, Cristo ressuscitado, de pé, envergando um manto vermelho, sinal da sua realeza e símbolo da ressurreição, a falar aos apóstolos, que se encontram agrupados. O episódio reporta-nos à narrativa bíblica de S. Lucas (Lc. 24 36, 40) ou Mateus (Mt 28 16-20), onde Jesus aparece aos onze, pois Judas que já havia traído cristã, não se encontrava entre eles. No grupo, é facilmente reconhecível João, pelo seu aspecto juvenil e manto vermelho e Pedro, que como primeiro dos apóstolos se encontra a liderar o grupo, ajoelhado diante do Mestre. Facilmente identificável Pedro surge como um homem de certa idade, envergando túnica azul e manto castanho, sustendo na mão as chaves que Cristo lhe confiou (Mt. 16, 19). As chaves, atributo do «Príncipe dos Apóstolos», indicia a autoridade suprema que Cristo lhe concedeu para governar Igreja, poder que é extensível aos seus sucessores. A composição é encimada pela figuração de olho dentro de um triângulo, representação simbólica da omnipresença da Santíssima Trindade, cujo mistério constitui o mistério central da fé cristã,

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pelo qual se professa a Fé num único Deus em três Pessoas distintas: Pai, Filho e Espírito Santo – Deus Trinitas – revelado por Jesus Cristo, entre outras, na passagem aqui representada: «ide, pois, ensinai todas as nações, baptizando-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo» (Mt 28:19).

IGREJA PAROQUIAL DE SÃO MARTINHO Salreu São Martinho 1955 Braga, Oficinas da Casa Fânzeres Pintura a óleo sobre tela Bom estado de conservação

Da invocação de São Martinho, este templo possui um retábulo-mor de estilo neoclássico, executado em madeira entalhada, dourada e policromada. Enquadrado numa tipologia frequente: a de corpo único e três tramos, esta máquina retabular e possui uma planta plana composta por duplo embasamento, corpo único dividido em três tramos e ático este móvel litúrgico apresenta uma planta plana e compõe-se de duplo embasamento, corpo único com três tramos e ático. No tramo central do corpo rasga-se uma tribuna que alberga no interior um trono piramidal para a exposição da Santíssimo Sacramento. A boca da tribuna é preenchida por uma tela com a representação do orago, numa composição que ilustra um dos mais conhecidos episódios da vida deste santo, executada, em 1955, pelas “Oficinas da Casa Fânzeres” de Braga29.

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Na cena, comum nas suas representações, São Martinho divide o seu manto com um pobre, uma imagem que se tornou uma das mais simbólicas da caridade cristã. Apóstolo das Gálias e bispo de Tours, a sua história, envolta em elementos legendários, foi narrada por Sulpício Severo na sua Vita S. Martini, por Gregório de Tours nos quatro livros De virtutibus S. Martini, e finalmente por Tiago de Voragine na sua Legenda Aurea30. Nascido na Panonia, actual Hungria, por volta do ano de 315, e criado em Pavia, no Norte da Itália, São Martinho era filho de um oficial do exército romano, pelo que muito jovem, seguindo as pisadas do pai, incorporou-se no exército romano, tendo sido durante anos soldado, primeiro em Itália e depois na Gália. Certo dia de Inverno, no ano 337, quando fazia parte da guarnição de Amiens e enquanto passava no seu cavalo, encontrou um mendigo com frio, que solicitava a caridade dos transeuntes para se agasalhar. Cheio de piedade Martinho tirou a sua clâmide militar cortou-a ao meio com a espada e deu metade ao mendigo. Nessa noite, Cristo aparece-lhe em sonhos vestido com a metade da capa que havia dado ao mendigo. Vendo nisso um sinal, decide abandonar a vida militar e baptizar-se. Baptizado por Santo Hilário, torna-se seu discípulo e viaja por toda a Europa, divulgando a Fé Cristã. Difundida rapidamente sua fama de taumaturgo, elegeram-no Bispo de Tours, em 370, cargo que aceitou. Durante o seu bispado, São Martinho não deixou de ser humilde, já que por vezes vivia nas periferias da cidade, ajudando sempre os mais necessitados. Chegou até mesmo a fundar inúmeras paróquias rurais em Candes, local onde acabou por falecer no ano de 397, tendo depois o seu corpo sido transferido até Tours31. O culto de S. Martinho de Tours foi imediato. Tours tornou -se rapidamente no principal centro de peregrinação de França, já que era lá onde restavam as suas relíquias, bem como o corpo do santo. De Tours o culto divulgou-se por toda a Europa: Itália, Espanha, Países Baixos, Inglaterra, Alemanha, Hungria e Portugal32. O episódio da divisão do manto com o pobre, fez de São Martinho uma das mais emblemáticas figuras da Caridade cristã e um dos santos mais cultuados no Ocidente, inspirando também a sua iconografia. Como refere Louis Réau, iconograficamente, este Santo é representado de duas maneiras: como legionário romano, a pé ou montado num cavalo branco dando a sua capa ao mendigo ou como bispo, paramentado com mitra e báculo33. Nesta tela, muito embora a figuração que podemos observar seja a primeira, a do santo dando metade da sua capa ao mendigo, nela está também assinalada a sua condição de bispo, iconograficamente retratada pelas mitra e báculo que os pequenos anjos ostentam. Em consonância com as narrativas, o ambiente criado pelo pintor está de acordo com a lenda, pelo que deparamos com um fundo de céu nublado e uma paisagem de neve, onde se destacam árvores despida de folhas, que acentuam o ambiente frio que a paisagem sugere. Enquadrado por

29 - Trata-se da oficina de arte religiosa fundada em 1890 por Domingos Alves Teixeira Fânzeres, instalada em Braga, vulgarmente conhecida por “Casa Fânzeres”. Sensivelmente da mesma época temos conhecimento de outras obras desta oficina, nomeadamente em Vale de Cambra, uma tela que cobre a boca da tribuna do retábulo-mor da igreja paroquial de S. Pedro de Castelões, representando a cena da entrega das Chaves por Cristo, a São Pedro. (MARQUES, Maria Clara de Paiva Vide – Retábulos das Igrejas Paroquiais do Concelho de Vale de Cambra. Vale de Cambra. Paróquias do Concelho de Vale de Cambra / Jornal A Voz de Cambra, 2011, p. 74). 30 - VV. AA. – Dicionário Cultural do Cristianismo. Lisboa: Publicações Dom Quixote, 1996, p. 179. 31 - HALLAM, Elizabeth – Os Santos, Lisboa: Centralivros, 1998, p. 97. 32 - RÉAU, Louis – Iconografia del Arte Cristiano. Iconografia de los santos, G-O, nº 7, Tomo II/ vol. 4. Barcelona: Ediciones del Serbal, 1997, pp. 351-352 33 - RÉAU, Louis – Iconografía de los Santos, G-O …, 1997, pp. 353 e 354.

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uma estrutura arquitectónica composta colunas que sustentam um arco, São Martinho, aparece disposto a três quatros, montado num cavalo branco, cuja postura sugere uma paragem rápida. De feições jovens, o Santo veste o traje de soldado romano e encontra-se representado no acto de dividir o manto com um mendigo, empunhando na mão direita a espada com que corta o manto, que segura com a mão esquerda o manto e na dextra a espada. O topo da representação, o plano do Alto, é ocupado por um grupo de pequenos anjos desnudos envoltos em panejamentos, representação habitual no Renascimento e no Barroco, dois dos quais, sentados num turbilhão de nuvens, sustentam nas mãos um báculo e uma mitra, atributos da condição de Martinho como bispo de Tours34. Dispostos em semicírculo, entre nuvens, os pequenos anjos envolvem uma pomba branca, representação zoomórfica do Espírito Santo. A presença divina da Terceira Pessoa da Santíssima Trindade simboliza, neste caso, a acção do Espírito Santo sobre São Martinho.

IGREJA PAROQUIAL DE SÃO BARTOLOMEU VEIROS Ressurreição de Cristo 1862 d.c. Portugal, autor desconhecido Pintura a óleo sobre tela Bom estado de conservação. Intervencionado em 2002-2003 por Catarina Silva

A igreja paroquial de Veiros, dedicada a São Bartolomeu Apóstolo, possui um retábulomor de estrutura e decoração neoclássicas, executado em finais do século XIX pelo Mestre 34 - RÉAU, Louis – Iconografía de los Santos, G-O …, 1997, pp. 353 e 354.

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José Custódio Santinho, após o incêndio que deflagrou no templo, na noite de 25 para 26 de Novembro de 1855, destruindo todo o recheio da igreja. Volvidos três anos, em Setembro de 1858, muito embora as obras de reconstrução do templo estivessem em fase de conclusão, não podia haver celebrações do ofício divino por não estarem edificados os altares. Face à situação, posteriormente, em Março de 1859, foi decidido mandar-se executar pelo menos a tribuna e o altar-mor, uma vez que não havia verba para a construção de todos os altares. Para este efeito foram convidados dois peritos: José Custódio Ferreira Santinho e António Lopes Ramos, a quem foi solicitado que dessem o seu orçamento para a execução dos referidos altar-mor e tribuna em conformidade com a planta apresentada. De acordo com esta, as escadas do trono seriam feitas com toda a segurança e perfeição, quer as que vão sair ao primeiro degrau do trono, quer as que vão dali para cima até ao alto do mesmo, com as competentes portas laterais no princípio do trono e uma no alto do mesmo pelo lado de trás do lugar onde se expõe o Santíssimo Sacramento. Os lugares destinados para os Santos serão feitos de forma a que seja possível tirá-los pelo lado de trás, levando para isso, uma porta, que se não conheça pela frente. O trono levará 38 tocheiros de latão amarelo seguros para as luzes por um parafuso cada um. O sacrário levará por cima um crucifixo. Toda esta obra seja feita de cerne de castanho sem veio e lavrado com toda a perfeição, e somente o supedâneo e os degraus das escadas serão de cerne de madeira de pinho35. Escolhido para executar a obra o Mestre José Custódio Santinho, em Novembro de 1861 a mesma estava concluída. No entanto, tal como era bastante comum, o douramento da talha era feito posteriormente, muitas vezes anos mais tarde, conforme houvesse verba disponível para tal. Em Veiros constata-se que em Julho de 1864 ainda faltava dourar, entre outras obras, a talha da tribuna, situação que ainda se mantém em Janeiro de 1865. Em Março de 1874 entregou-se o douramento da talha a Joaquim de Souza Reis da freguesia de S. Martinho de Argoncilhe, ficando a obra concluída em Novembro desse ano. Anos volvidos, em 1957 houve trabalhos de pinturas e douramentos no interior da igreja por Manuel Fernandes da Silva, oriundo de Carvalhal, Freamunde, que restaurou todos os altares, púlpito, sanefas, entre outros, pela quantia 16.500$0036. Ocupando toda a parede testeira da capela-mor, esta máquina retabular executada em madeira entalhada, dourada e policromada, insere-se no estilo neoclássico e possui planta plana, composta de embasamento com duplo, corpo único com três tramos e ático. Com uma composição tetrástila, no corpo evidencia-se no tramo central a tribuna, com uma boca de linha direita e remate semicircular, que alberga o Trono do Santíssimo, oculto por um painel devocional. A tela apresenta uma pintura a óleo com um tema cristológico: o passo bíblico da Ressurreição de Cristo, que à semelhança das suas congéneres analisadas, assume particular relevo constituindo-se como suporte de um programa iconográfico significante e capaz de prender a atenção dos fiéis.

35 - Dados fornecidos pelo Dr. Victor Bandeira, a quem agradecemos as informações prestadas. 36 - Dados fornecidos pelo Dr. Victor Bandeira, a quem uma vez deixamos o nosso obrigado.

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Seguindo modelos iconográficos e esquemas compositivos idênticos, a pintura apresenta Cristo ressuscitado, em corpo inteiro, elevando-se do túmulo, uma iconografia do Ressuscitado frequentemente representada, que pertence a uma tipologia específica designada por Christus supra sepulcrum37. Com ela se representa a saída de Jesus do túmulo, tal como é imaginada pelo artista, pois, de facto, os Evangelhos não fornecem pormenores sobre a Ressurreição de Jesus, embora essa realidade constitua o fundamento da fé cristã38. Tendo como fonte primária o Evangelho segundo João que narra a Ressureição e a aparição de Jesus a Maria Madalena. (Jo. 20 1-18), as representações do episódio da Ressureição de Cristo, elevando-se sobre o sarcófago na presença dos soldados retratados inconscientes, fascinados e/ou espantados diante do que observam tornou-se frequente na cultura pictórica do Renascimento. Na pintura da tela da matriz de Veiros verifica-se que a representação de Cristo ressuscitado corresponde a um modelo recorrente, com uma natural e forte carga simbólica, que vindo da época renascentista, podemos encontrar em gravados de Durer, em particular a Ressurreição de Cristo, datada de 1512, ou a do flamengo Jan Sadeler, o Velho39, as quais, amplamente divulgadas foram frequentemente como modelos para muitas obras. Na pintura, sobre um fundo composto por um turbilhão de nuvens, encima a composição no eixo central a figura de Cristo elevando-se sobre o sarcófago, envolto num halo dourado. Em posição frontal, tem a cabeça circundada por um nimbo dourado e o rosto, voltado para o lado esquerdo com o olhar dirigido em frente, emoldurado por barba e cabelo escuro. Um manto vermelho esvoaçante, sinal da sua realeza e da ressurreição, apoia-se sobre o ombro esquerdo e cobre parcialmente o Seu corpo glorioso. A postura gestual, com os braços abertos e as pernas flectidas sugerem a ideia de movimento, aspeto que é acentuado pelo dinamismo e agitação do manto. Nas mãos e nos pés são visíveis as marcas deixadas pelos cravos da Crucifixão. Sentado sobre o sarcófago encontra-se um anjo de amplas aças brancas, vestido com túnica branca e manto azul envolvendo a cintura. Com o olhar voltado para Cristo, a mão direita sobre o peito e a esquerda erguida presencia a cena. Junto ao túmulo vêem-se os soldados que o guardavam, os quais denotam nos seus rostos e nas suas posições a surpresa e a perturbação face ao acontecimento que presenciam. A postura contorcida e a gesticulação e espanto dos soldados contrastam com a serenidade do anjo e com a presença central e calma de Jesus. A tela, da qual não se encontraram registos no arquivo paroquial, estava fechada, como é comum, quando havia exposição solene do Santíssimo Sacramento, como por exemplo no dia do Corpo de Deus e também no último Domingo de Outubro, aquando da festa de Nossa Senhora do Rosário. Também durante o tempo quaresmal era enrolada, abrindo na Vigília Pascal. Nos últimos anos estava sempre enrolada até a Comissão Fabriqueira ter decidido restaura-la. Actualmente, desde a intervenção de conservação em 2002/2003 por Catarina Silva, encontra-se aberta ininterruptamente, fixa nos lados40.

37 - RÉAU, Louis – Iconografia del Arte Cristiano. Iconografia de l a Bíblia / Nuevo Testamento, nº 5, Tomo I / vol. 2. Barcelona: Ediciones del Serbal, 1996, p. 567. 38 - REBOCHO-CHRISTO, José António; CASIMIRO, Luís Alberto; MARQUES, Maria Clara de Paiva Vide – “CatálogoIgreja Matriz de Vila Chã”…, 2008, pp. 40-41 39 - MARQUES, Maria Clara de Paiva Vide; LEANDRO, António Cruz – “Retábulos da Igreja Paroquial de São Bartolomeu de Veiros”, in BISMARK, Delfim (coord.) – TERRAS DE ANTUÃ – Histórias e Memórias do Concelho de Estarreja, n.º 7, ano 7. Estarreja: Câmara Municipal de Estarreja, 2013, pp. 99-108. 40 - Relatório de intervenção de Catarina Silva, gentilmente cedido pelo Dr. Victor Bandeira.

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Albrecht Durer (1471-1528) – Ressurreição de Cristo, 1512 | Jan Sadeler (1550-1600) – Ressurreição de Cristo

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Laura Rodríguez Peinedo - “La Crucifixión”. GONZÁLEZ HERNANDO, Irene (dir.) - Revista Digital de Iconografía Medieval. [Em linha]. Volumen II, n.º 4 (2010), 29-40. Consultado em 18 de Julho de 2014, disponível em: https://www.ucm.es/bdiconografiamedieval/rdim SILVA 1924 Cónego António Bernardo da Silva (Coord.) – Relatório do Movimento Religioso na Diocese do Porto – Ano de 1922-23. Porto: Tip. Porto Medico, 1924. VORAGINE 2004 Tiago de Voragine – Legenda Áurea, Tomos I e II. Porto: Livraria Civilização Editora, 2004. VV. AA. 1974 BIBLÍA SAGRADA – Nova Edição Papal. Traduzida das Línguas Originais com uso Crítico de Todas as Fontes Antigas pelos Missionários Capuchinhos. Charlotte, North Carolina, USA: C. D. Stampley Enterprises, Inc., 1974. VV. AA 1996 Dicionário Cultural da Bíblia. Lisboa: Publicações Dom Quixote, 1996. WENDY 1999 Irmã Wendy – Livro de Santos. Lisboa: Livraria Civilização Editora, 1999. GUEDES 2004 Natália Correia Guedes – Thesaurus.Vocabulário de Objectos de Culto Católico. Vila Viçosa: Fundação da Casa de Bragança – Universidade Católica Portuguesa, 2004

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FRANCISCO AUGUSTO DA SILVA ROCHA E A CASA DE FRANCISCO MARIA SIMÕES EM SALREU UM NOVO PADRÃO DE BELEZA

Maria João Fernandes*

“ (...) não se trata de constatar, de transmitir uma informação neutra, mas de fazer vibrar, pela emoção, uma memória viva.”

Françoise Choay, L’Allégorie du Patrimoine

Le Corbusier

“A poesia está no coração do homem e é por isso que ele pode abrir-se às riquezas da natureza.”

Francisco Augusto da Silva Rocha é autor do mais importante núcleo de arquitetura Arte Nova em Portugal. Está por acontecer ainda, o seu justo reconhecimento em Aveiro, que viu nascer a sua obra, com a atribuição do seu nome ao Museu de Arte Nova, antiga casa de Mário Pessoa, do seu risco, com provas absolutamente irrefutáveis, não apenas as que resultam da evidência de um estilo inconfundível, mas aquelas de que dá testemunho em diversas ocasiões o Campeão das Províncias, jornal que guarda a história da cidade nesse período. A atribuição do seu nome ao Museu de Arte Nova de Aveiro, ex-libris da Arte Nova de Aveiro e de Portugal, como forma de justo reconhecimento `do seu trabalho e da sua obra foi subscrita num abaixo-assinado do qual tomou conhecimento o Presidente da República e recomendada por um conjunto de personalidades, portuguesas e estrangeiras, entre as quais se destacam José-Augusto França, José Carlos Vasconcelos, João Castel-Branco, Diretor do Museu Gulbenkian, Cruzeiro Seixas, António Ramos Rosa, José Luís Porfírio e Pedro Roseta, entre muitos outros.

* Maria João Fernandes, Crítica de arte (A.I.C.A. Associação Internacional de Críticos de Arte), ensaísta e poeta tem desenvolvido há cerca de trinta anos um diálogo com a obra de arte, incrementado no âmbito da sua atividade na Fundação de Serralves, Museu de Arte Contemporânea do Porto. Colaboradora permanente do Jornal de Letras Artes e Ideias, fez parte de diversos júris de Prémios de Artes Plásticas em Portugal e em Espanha. Como professora universitária na Faculdade de Letras de Lisboa, na Universidade de Paris X, Nanterre), na Universidade de Évora e na Universidade Aberta dedicou-se ao estudo da antropologia do imaginário, dos grandes arquétipos e dos mitos fundadores que estão na origem, tanto da literatura, como das artes plásticas, duas expressões sempre presentes na sua reflexão e na sua escrita. Em 1996 iniciou uma vasta campanha nacional de defesa da Arte Nova em Portugal, em 2000 defendeu na Faculdade de Letras do Porto a tese: Francisco Augusto da Silva Rocha Arquitetura Arte Nova em Portugal uma Primavera Eterna e em 2001 comissariou nos cursos da Arrábida o colóquio internacional: Arte Nova em Portugal e na Europa. Publicou diversos livros entre os quais se salientam em 2008, Francisco Augusto da Silva Rocha (1864-1957) Arquitetura Arte Nova em Portugal uma Primavera Eterna e o primeiro volume temático da sua crítica de arte: Caligrafias a Nascente dos Nomes e em 2013 o livro de poesia: Lettera Amorosa, prefaciado por Robert Bréchon e ilustrado com desenhos seus e do poeta Gonçalo Salvado. Em 2009 foi proposta para o Prémio Pessoa por Emília Nadal em nome da S. N. B. A. (Sociedade Nacional de Belas Artes) e por Eduardo Lourenço. Em 2013 organizou como comissário, a exposição: Artistas Poetas e Poetas Artistas, Arte e Visualidade no Século XX em Portugal, na Fundação Calouste Gulbenkian de Paris. Prepara a publicação, em co-autoria com Gonçalo Salvado, dos livros: O Cântico dos Cânticos na Poesia de Amor e na Cultura de Língua Portuguesa, com uma abertura de Agustina Bessa-Luís, de Deusa da Transparência (poesia), com prefácio de Robert Bréchon e de Em Busca do Amor Perdido Cartas de Amor de Desconhecidos no Bilhete-postal do Fim do Século XX aos Anos 20, com prefácios de Eduardo Lourenço e de Fernando Guimarães.

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Monografia de Silva Rocha por Maria João Fernandes, editada pela Câmara Municipal de Aveiro em 2008. Na capa, Silva Rocha em frente da Casa de Mário Pessoa (1908), de que é autor, atual Museu de Arte Nova em Aveiro.

O presente artigo que realizo a pedido da Câmara Municipal de Estarreja, sobre um edifício que é o seu verdadeiro ex-libris, a casa que pertenceu a meu bisavô Francisco Maria Simões, e foi projeto de Silva Rocha (também meu bisavô pelo lado de sua filha, os filhos de ambos, meus avós, Justino e Maria Luísa, casaram-se por ocasião da encomenda do projeto, e sua concretização), pretende uma vez mais lançar a luz sobre o génio do autor e a importância da sua obra e chamar a atenção para a pertinência da atribuição do seu nome ao Museu de Arte Nova de Aveiro, onde deveria ser colocado o seu espólio que para tal a família disponibiliza.

Maria João Fernandes com o medalhão em bronze de Sousa Caldas, Retrato de Silva Rocha, à porta da casa da Barra, projeto de Silva Rocha (demolida).

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O desejo de defender a obra de Francisco Augusto da Silva Rocha foi o ponto de partida de uma vasta campanha que desenvolvi a partir de 1996, no plano nacional, em prol da defesa deste estilo então ameaçado no nosso país. Este património que em 1994 começou a ser implacavelmente demolido, inspirou ao arquiteto Siza Vieira, em dossier apresentado em 1996 ao IPPAR, o seguinte testemunho que é também um resumo dessa situação: “Apoiando vivamente as iniciativas para a preservação do edifício da Capitania - uma obra de excecional qualidade arquitetónica e de valor histórico indiscutível - e em geral do caráter especialíssimo da arquitetura e do ambiente urbano de Aveiro, neste momento a sofrer atentados inaceitáveis. A obra de qualidade ímpar do arquiteto aveirense Francisco da Silva Rocha, está a ser destruída numa época em que isso já não é desculpável - nem pela ignorância.”

Silva Rocha por Lauro Corado, óleo s/tela.

O reconhecimento da qualidade desta obra e do conjunto em que se integra, a arquitetura Arte Nova de Aveiro, considerada por José-Augusto França capital deste estilo em Portugal 1, o perigo de destruição em que se encontrava, por desconhecimento público do seu valor e pela crescente especulação imobiliária, cega e alheia a valores culturais, deram o impulso inicial a uma investigação e a um estudo que pretenderam ser o mais eficaz e duradouro meio de defender este valioso património.

1 - França, José-Augusto, “Os Desastres do Património” in: Revista do Jornal Expresso, nº 1243, Lisboa,4 de Agosto de 1996, p. 42

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Recordarei algumas das etapas que conduziram à inauguração do primeiro Museu de Arte Nova em Portugal na mais bela casa de autoria de Silva Rocha, emblema deste estilo no nosso país e que deveria ter o seu nome, como forma de justa homenagem à cidade que marcou com a beleza do seu risco. Um abaixo-assinado reunindo personalidades de grande prestígio, incluindo o próprio Presidente da República, à data o Dr. Jorge Sampaio e uma vasta campanha de divulgação a nível nacional que promovi em 1996 e envolveu todos os meios de comunicação, a nível regional e nacional, da imprensa escrita, à rádio e à televisão. As duas primeiras e históricas visitas à Arte Nova de Aveiro a 23 e 24 de Maio de 1998 e a segunda à de Lisboa, a 21 de Novembro do mesmo ano, que guiei a pedido do Centro Nacional de Cultura e da então sua Diretora, Helena Vaz da Silva, uma das defensoras e a nível europeu, da Arte Nova Portuguesa. A sensibilização cultural como Presidente da ADERAV (Associação de Defesa do Património Natural e Cultural da Região de Aveiro), cargo que ocupei de 1997 a 2000 e no exercício do qual promovi e apresentei ao IPPAR dezenas de pedidos de classificação, infelizmente, em parte, ainda não concretizados. A organização juntamente com o Gabinete de Património Cultural da C. M. A. em Maio de 1999 do Encontro: Aveiro Cidade Arte Nova. Uma tese de Mestrado (que se seguiu a um inventário nacional) que defendi com sucesso em 2000 na Faculdade de Letras da Universidade do Porto. A divulgação internacional da Arte Nova portuguesa nos Cursos da Arrábida, em 2001, no colóquio: 1890-1914 As Décadas Prodigiosas Arte Nova em Portugal e na Europa que comissariei e decorreu a 20 e 21 de Setembro e numa mesa-redonda que teve lugar no então Museu da República de Aveiro a 22 do mesmo mês. Este curso, uma iniciativa conjunta da Comissão para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses e da Fundação Oriente, teve como objetivo o estudo e a divulgação do valioso património da arquitetura Arte Nova em Portugal, disperso, nunca apresentado no seu conjunto e que por essa razão estava a ser destruído. Em Outubro de 2006 participei no encontro internacional: Arte Nova, Porta para o Futuro. Em Janeiro de 2009 foi apresentada por Emília Nadal, Presidente da S. N. B. A. a monografia de minha autoria: Francisco Augusto da Silva Rocha (1864-1957) Arquitetura Arte Nova em Portugal uma Primavera Eterna, correspondente à já referida tese de Mestrado com esse tema, primeira monografia de um autor português à luz da Arte Nova. Ao mesmo tempo foi inaugurada pelo então Secretário de Estado da Cultura e pelo Vereador da Cultura da Câmara Municipal de Aveiro, no Museu de Arte Nova da cidade, a exposição: Francisco Augusto da Silva Rocha (1864-1957), Arquiteto Artista, que comissariei.

Casa de Mário Pessoa (1908) Museu de Arte Nova de Aveiro. Projeto de Silva Rocha.

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O projeto de uma exposição internacional sobre Arte Nova portuguesa há muito aconselhada por Siza Vieira e José-Augusto França aguarda ainda a sua concretização. Os frutos da tremenda batalha empreendida contra ventos e marés são hoje bem visíveis: a recuperação embora não em condições ideais, do edifício da antiga Escola Industrial, projeto de Silva Rocha, transformada em Assembleia Municipal, a criação do Museu de Arte Nova na casa que foi de Mário Pessoa. Em Maio de 1996 iniciei o inventário, primeiro da obra de Silva Rocha, depois da arquitetura Arte Nova de Aveiro e sua região, mais tarde em outras zonas do país, com vista a um levantamento nacional deste estilo e como necessário enquadramento da sua obra. Na região de Aveiro, concentrase um dos mais importantes núcleos de Arte Nova em Portugal, dado a conhecer pelo livro de Amaro Neves, publicado em 1997: A Arte Nova em Aveiro e seu Distrito. Esse primeiro grande levantamento e a qualidade que dele emergia, tanto no plano de uma arquitetura erudita, de origem geralmente urbana, como no de uma arquitetura regional, constituía um primeiro desmentido de um ponto de vista consagrado pela tradição e pela falta de um grande inventário da arquitetura moderna, inexistente em Portugal, o de que entre nós esse estilo não teve expressão significativa. Em consequência da falta de conhecimento e de divulgação do valor desse património, este vinha a ser progressivamente destruído ou jazia impotente, há décadas, sob a forma de admiráveis ruínas classificadas. O exemplo de Aveiro e sua região, é, desde há muito, para quem o conhece, um indicativo da extraordinária fortuna que no plano construtivo a arquitetura Arte Nova teve no nosso país. Tal facto foi por mim constatado, no primeiro momento do levantamento que fiz sistematicamente não só na região de Aveiro, como em Espinho, no Porto, onde aliás já Oriol Bohigas2 detetara interessante núcleo, em Leiria, cidade marcada pelo labor de mestre Korrodi, nas Caldas da Rainha onde viveu e trabalhou Bordalo Pinheiro, em Lisboa onde ainda sobrevive um extraordinário e arruinado conjunto, e em Setúbal. O inventário não foi, nem pretendia ser exaustivo, no entanto permitiume constatar o facto simples e novo de que existe Arte Nova em Portugal e isso, porque a vira e registara o seu eloquente testemunho em dezenas de imagens, catálogo de uma beleza inexplorada. Tal como José Fernandes Pereira afirma a propósito do Barroco3, trata-se de uma expressão mais no plano decorativo do que no plano estrutural, embora encontremos exemplos de grande coerência em ambos esses planos, uma característica que sem dúvida, constitui entre outras, a sua especificidade e que de modo nenhum justifica a desqualificação e a destruição. A obra de Francisco Augusto da Silva Rocha, a mais significativa do já reconhecido conjunto de Arte Nova em Aveiro, era então uma obra ameaçada, de cujo estudo e valorização parecia depender o reconhecimento do conjunto em que se integra. A linguagem criativa de Silva Rocha desenvolveu-se, de 1900, ano do seu primeiro projeto conhecido assinado, para o que foi o Hospital da Misericórdia de Aveiro, até 1927, ano em que projetou duas casas geminadas em Espinho, das quais existe igualmente desenho assinado, embora o destaque vá, no contexto do meu estudo sobre a arquitetura Arte Nova, para os projetos que realizou sensivelmente de 1890 a 1914, período que coincide rigorosamente com aquele em que este estilo se afirmou em toda a Europa. A reflexão sobre a arquitetura portuguesa do início do século equacionou-se, no plano do inventário nacional que referi, com o conceito de “ecletismo crítico” praticado por Domènech i Montaner e aplicado por Ignasi de Solà Morales4 à análise do modernismo catalão. Esse conceito revela-se muito eficaz no quadro de uma nova perspetiva sobre as criações realizadas entre 1900 e 1914, de alguns dos nomes consagrados da nossa arquitetura, que tiveram o seu «momento Arte Nova», apesar das reticências a esse respeito por vezes por estes publicamente afirmadas. A releitura das suas obras é possível, à base desse entre nós novo conceito e daí pode resultar um considerável alargamento do reportório da arquitetura Arte Nova em Portugal na sua vertente

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erudita. A vertente regional foi alvo no meu estudo, também, de algumas necessariamente sintéticas considerações, procurando realçar aspetos marcantes para a sua caracterização. Esteve em causa uma primeira definição da Arte Nova em Portugal, apresentada através da arquitetura de Silva Rocha, que ao conjugar o modelo clássico e o modelo barroco, fundadores da sua estética, aponta para um equilíbrio e para uma harmonia com dupla expressão no plano estrutural e no plano decorativo, a sua gramática ornamental recorrendo ao azulejo, com grande tradição na arquitetura portuguesa e à serralharia artística. Essa harmonia tem uma expressão também ao nível de uma gramática simbólica, integrável no contexto contemporâneo do simbolismo e do hermetismo europeus, a queYvette Centeno5 dedicou desenvolvido estudo, que justifica a nossa abordagem desse aspeto da arquitetura de Silva Rocha e presentemente, da Casa de Francisco Maria Simões em Salreu.

BREVES NOTAS SOBRE A VIDA E A OBRA DE SILVA ROCHA

Retrato de Silva Rocha por Cândido da Cunha, crayon s/papel, dedicado: “ao seu illustre amigo Silva Rocha”, datado 1903.

2 - Bohigas, Oriol, Reseña y Catalogo de la Arquitectura Modernista - Barcelona, Editorial Lumen, 1973, p. 74. 3 - Pereira, José Fernandes, “Assim, o barroco nacional é sobretudo decorativo, vivendo da excelência da talha e do azulejo, era mais exuberante e negro no Norte, mais clássico e claro no Sul; arte decorativa, um “eon” lusitano, anunciado no manuelino e sua janela-emblema de Tomar (D’Ors).” in: Arquitectura barroca em Portugal, Biblioteca Breve Vol. 103, Edição do Instituto de Cultura e Língua Portuguesa, Lisboa, 1992, p. 12. 4 - Solà-Morales, Ignasi, Arquitectura Modernista Fin de Siglo en Barcelona , Editorial Gustavo Gili, Barcelona, 1992, pp. 15 e 16. 5 - Centeno,Yvette K.,”À Propos Alphonse Moucha Simbolismo e Hermetismo em contexto Europeu”, Moucha e o Espírito Arte Nova, Catálogo da Exposição Alphonse Moucha, Museu Calouste Gulbenkian de 19 de Fevereiro a 4 de Maio de 1997 , Lisboa, Edição da Fundação Calouste Gulbenkian, pp. 15 a 23.

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Na biografia de Francisco Augusto da Silva Rocha devem ser realçados aspetos essenciais do seu percurso, como o seu papel de fundador do ensino técnico e industrial em Aveiro. A dimensão cultural do autor está implícita na referência ao seu círculo de amigos, à sua atividade no campo da pintura, mas ela sobressai naturalmente do conjunto da sua arquitetura cuja análise e interpretação deu origem à monografia publicada em 2009. Do seu risco, entre muitos outros magníficos edifícios, são a antiga Capitania do Porto de Aveiro, hoje Assembleia Municipal, a casa que foi de Mário Pessoa, atual Museu de Arte Nova ou a casa onde viveu o Dr. Lourenço Peixinho, hoje Fundação Jacinto de Magalhães. Plenamente reconhecido como uma das grandes personalidades do seu tempo pela elite intelectual de que fazia parte, foram seus amigos e admiradores o notável escritor e amigo de Tolstoi, Jaime de Magalhães Lima, o crítico António Arroio, o escultor António Teixeira Lopes com quem manteve larga correspondência, o arquiteto Ernesto Korrodi, o músico Viana da Mota.

Silva Rocha, António Teixeira Lopes, António Arroio e Alberto Souto.

Retrataram-no grandes artistas de quem foi Mestre, como Cândido da Cunha ou Lauro Corado ou ainda o escultor Sousa Caldas que o representou em esplêndido medalhão em bronze. Pintor e ilustrador, arquiteto artista, como Corbusier e como ele sem específica formação, autodidata, Silva Rocha foi igualmente o fundador do Ensino Industrial em Aveiro e o Diretor por várias décadas da Escola Industrial Fernando Caldeira que inaugurou em 1903 por ele projetada, sobre os arcos de antigos moinhos de maré, num terreno pertença do seu sogro João Pedro Soares, pai de Olinda Augusta Soares que em 1896 se tornou sua esposa. A 21 de Setembro de 1897 nasceu a sua única filha Maria Luísa que preservaria a sua memória e muitos dos essenciais documentos que devolveram à cidade de Aveiro uma obra intemporal.

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Silva Rocha e sua única filha, Maria Luísa.

Francisco Augusto da Silva Rocha, como arquiteto, é o criador de um padrão de beleza e totalidade que reflete simultaneamente a harmonia e a ordem da natureza, próprias de um modelo clássico (evocando o ideal da divina proporção, a regra de ouro praticada no Renascimento) e a fugacidade e o esplendor das suas formas, características de um modelo barroco. Estes modelos revelam-se em períodos distintos da sua obra, autonomizando-se e dialogando. A gramática dos símbolos está presente quer no agenciamento das formas e dos volumes dos seus edifícios, quer nos detalhes da sua linguagem ornamental. Manifestam a ligação a um modelo clássico, a Escola Industrial Fernando Caldeira (1903) e o Hospital da Misericórdia de Aveiro (1900). Em 1908, com o edifício desenhado para Mário Belmonte Pessoa, afirma-se a vertente barroca e ornamental da obra de Silva Rocha, não abandonando no entanto princípios classicizantes, a valorização de uma ordem estrutural e da harmonia das proporções. Uma e outra destas vertentes, em dinâmico diálogo contribuirão, numa fusão progressiva, para a criação do muito particular e original estilo de uma gramática Arte Nova, um novo padrão de beleza, presente na Casa de Francisco Maria Simões em Salreu e a que Silva Rocha deu forma, entre nós, no período exato em que esta floresceu no resto da Europa. Fusão de expressão simultaneamente simbólica e poética, alquimia interior, materializando-se, adquirindo uma expressão plástica, na sua arquitetura que apresenta no motivo das rosas em cruz, em dois dos seus edifícios (o Balneário de Espinho e a Casa de Francisco Maria Simões em Salreu), um dos mais belos símbolos da arquitetura Arte Nova. Silva Rocha que deixou a marca do seu talento e do seu génio criativo sobretudo na arquitetura afirmou-se igualmente como notável pintor e ilustrador. Neste plano destacam-se as ilustrações, a pedido de Rocha Peixoto e na Revista Portugália, do texto do seu amigo Luís de Magalhães: “Os Barcos da Ria de Aveiro” e os desenhos que realizou para a ementa do jantar de homenagem a D. Manuel II em Aveiro (27 de Novembro de 1908). A pintura de Silva Rocha situa-se entre a continuidade de uma tradição naturalista e uma modernidade emergente que luta por se afirmar, ainda muito próxima do modelo naturalista, mas ensaiando nos seus exercícios sobre a luz e a cor, os primeiros passos de uma poética impressionista. O artista dedicou-se com igual mestria ao retrato e à pintura de paisagem e dos tipos populares da região. À primeira categoria perten-

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cem os retratos do sogro João Pedro Soares, da filha Maria Luísa e do pai do seu genro Justino, Francisco Maria Simões, de todos o mais trabalhado e conseguido, nas belíssimas variações tonais de luz e sombras. Os retratos de tipos populares mostram uma grande sensibilidade para a expressão da paisagem que se revela plenamente nos grandes espaços despojados da terra ou do mar. É no profundo sentimento de comunhão com a natureza, verdadeira essência da poesia, que reside aliás o elo entre a pintura e a arquitetura de Silva Rocha. Céus ardentes sobre a terra acesa de um íntimo fulgor, o mar cintilante de todas as jóias da luz realizam a íntima alquimia do espaço que é igualmente sugerida na obra do pintor e do arquiteto.

“Pôr-do-Sol, Praia da Barra”, pintura de Silva Rocha, 1903, dedicada “ao seu querido amigo Luís de Magalhães”.

Essa expressão intemporal e alquímica da beleza revela-se justamente no conjunto da obra de Silva Rocha e num dos seus edifícios mais emblemáticos, a Casa que foi de Francisco Maria Simões em Salreu, que me cumpre hoje comentar, um verdadeiro Museu de Arte Nova, que inclui a arquitetura, o jardim, a decoração de interiores e as artes decorativas: azulejo, cerâmica e diversos objetos nela presentes. A minuciosa análise dos edifícios revela num segundo momento as características de um estilo, no plano estrutural e no plano decorativo e levou-me ao encontro de novas autorias, que através de uma leitura comparativa tentei demonstrar, dado não existir em alguns casos, qualquer documento, notícia de imprensa ou testemunho comprovativo das mesmas. Neste caso dispus-me a perscrutar verdadeiramente a linguagem silenciosa das formas. Aprendendo a ver com Walter Benjamin, para quem na arquitetura Arte Nova “o ornamento equivale à assinatura num quadro”6, encontrei no detalhe ornamental, não apenas a assinatura do autor, mas a chave simbólica do seu universo e talvez do universo poético da Arte Nova. A rosa e a cruz, símbolos rosacrucianos, esculpidas na pedra, no Balnerário de Espinho e na Casa de Francisco Maria Simões em Salreu duas excecionais criações de Silva Rocha, transmitem-nos o sentido místico de uma beleza revelada.

6 - «La Naissance du Pleinairisme à Partir de L’Esprit de L’Intérieur», Walter Benjamin à propos de l’Art Nouveau - Benjamin, Walter, citado por De Cauter, Lieven in: Horta Naissance et Dépassement de L’Art Nouveau, Catálogo da Exposição Horta, Europália 1996, de 4 de Outubro de 1996 a 5 de Janeiro de 1997. Bruxelas, Editora Ludion, 1996, p. 20.

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Motivo decorativo e escultural, emblema simbólico da obra de Silva Rocha e da Arte Nova sua contemporânea, presente nas fachadas do Balneário de Espinho e da Casa de Francisco Maria Simões em Salreu.

Tratava-se de reconstituir os fragmentos de uma unidade perdida, a totalidade do sentido estético de uma obra, envolvendo a sua dupla expressão plástica e poética. Tinha a consciência, de que ao reunir esses fragmentos esquecidos de um outrora vivo esplendor, hoje ainda em muitos casos macerado e diluído pelo tempo, estava a juntar os pedaços de uma também perdida identidade humana, a mais profunda, a intemporal, que a arte sempre transporta. Ao aventurar-me sem reservas no labirinto do património, sabia que no final veria a minha própria imagem refletida no espelho que o protege, uma inspirada alegoria de Françoise Choay7, de profundo sentido poético. Foi esse sentido poético, o autêntico sentido do conhecimento, que uma vez mais procurei, empenhando todos os recursos, sempre muito limitados, de que pude dispor. Ele é apenas sugerido e está presente no leit-motiv da Primavera Eterna, (ou Sagrada) uma imagem privilegiada pela Arte Nova (lembremo-nos de Ver Sacrum, título da revista da SecessãoVienense), com um eco em Rodin, em António Nobre e na Divina Comédia de Goethe. Uma imagem intemporal, ao encontro do conteúdo universal do símbolo, a que a cultura, em cada época, dá uma particular expressão. A linguagem plástica da Arte Nova na arquitetura e nas artes decorativas, no início do século, representou a vontade de criação de um novo estilo, inspirado nos coleantes ritmos da natureza, depurada segundo modelos mentais de extrema complexidade. O comentário plástico que elaborei, das principais obras de Silva Rocha, onde destaca a Casa de Salreu, revelou-me precisamente essa aliança entre o mental e o sensorial, na qual reside em grande parte o encanto do seu estilo. Longe de esgotar o assunto, desejei abrir alguns caminhos. Que outros os possam trilhar com o mesmo entusiasmo, sem tantas dúvidas e com menos obstáculos. Penso que a revelação de uma obra e de um autor, a chamada de atenção para o conjunto da arquitetura Arte Nova em Portugal, que ele neste momento é o primeiro a representar, poderá contribuir para a valorização de um património ainda ameaçado e para a sua recuperação que nos devolverá a imagem da eterna Primavera do espírito que a Arte Nova simboliza. 7 - Choay, Françoise, «Une allégorie du patrimoine historique architectural et urbain pourrait être figuré par un labyrinthe que dissimule la surface captivante d’un miroir.», L’Allégorie du Patrimoine , Éditions du Seuil, Paris, 1996, pp. 190 e 191.

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O PALACETE E O JARDIM DA CASA DE FRANCISCO MARIA SIMÕES NO LARGO DA IGREJA EM SALREU (1914). O ESPETÁCULO DA ARQUITETURA E O TEATRO DOS SÍMBOLOS “O quinto alfabeto é o da linguagem simbólica.”

Yvette K. Centeno

“(...) a interrogação da floresta simbólica do mundo permanecerá eternamente aberta. E quanto mais aberta for, tanto mais difícil será, fugidia, misteriosa, reservada a uns poucos.“

Umberto Eco, Arte e Beleza na Estética Medieval

O ESPETÁCULO DA ARQUITETURA

Palacete de Francisco Maria Simões em Salreu.

O Palacete que Silva Rocha projetou para Francisco Maria Simões em Salreu - existe desenho de alçado posterior, assinado e datado de 1914 na posse dos atuais proprietários, Silvério Tomás Pinaz e Maria Elisa Vidal Pinaz - é uma das suas obras mais espetaculares e mais elaboradas, pela imponência da construção, rodeada de vastos e belíssimos jardins que também desenhou e pela riqueza da linguagem ornamental, que revelam, quer os exteriores, quer os interiores do edifício.

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Projeto de Silva Rocha para a Casa de Francisco Maria Simões em Salreu (fachadas Norte e Poente). Assinado e datado (1914).

Francisco Maria Simões, enriquecido no Brasil, tinha-se estabelecido em Salreu, perto de Estarreja, onde fez construir para residência da família, este palacete. Existem além do alçado posterior, com a data de 1914, detalhes do alçado principal, bem como pormenores do jardim assinados por Silva Rocha, cuja filha única Maria Luísa, casaria em Dezembro de 19198 com seu filho Justino.

Maria Luísa, Filha de Silva Rocha e Justino, filho de Francisco Maria Simões.

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No local, como podemos observar em fotografias de arquivo cedidas pelo atual proprietário, havia um conjunto de casas baixas, mais tarde substituído por nova construção com rés-do-chão, primeiro piso e sótão, a que se seguiria a construção do novo palacete que lhe ficaria adjacente. Com a frente para o largo da Igreja, a entrada principal elevada e com acesso através de escadaria em pedra e serralharia artística de fino desenho, a casa definia o alto estatuto financeiro do proprietário cuja divisa inscrita sob retrato seu em painel de azulejos existente no jardim (da Fábrica Fonte Nova e datado 1904-1915 - período em que decorreram as obras do conjunto incluindo casa contígua - e assinado Francisco Pereira) era: “Labor Omnia Vincit

Retrato de Francisco Maria Simões por Silva Rocha. Óleo s/tela.

A fachada que revela um volume regular é animada pela dinâmica que lhe imprimem a ampla e bem desenhada escadaria em pedra e serralharia artística (ambas decoradas com motivos florais e com motivos geométricos) e a elegante loggia saliente (que avança atingindo o alinhamento da rua e prolongando-se verticalmente na varanda do primeiro piso). Enriquece-a uma linguagem decorativa de extraordinária exuberância e perfeito acabamento dos pormenores, versando suportes tão diversos como o azulejo polícromo (em friso junto à cimalha e frontão decorativo), a cantaria esculpida e a serralharia artística. À simetria definida a partir do corpo central, contrapõe-se a diversidade do desenho dos vãos e dos elementos salientes, em cada um dos pisos: a escadaria que vai ao encontro da espécie de pedestal que suporta a loggia, ampliando a cave no rés-do-chão, e a varanda no primeiro piso. A diferença é aliás acentuada pelos revestimentos empregues num e noutro caso, cantaria segmentada e azulejo verde-escuro, esquema utilizado pelo autor em 1909 na Serralharia de Manuel Ferreira. Um prolongamento lateral do edifício, harmoniza-se perfeitamente com a gramática aí desenvolvida, embora revelando uma linguagem mais depurada geometricamente. No rés-do-chão sobressaem a loggia e a escadaria, cujo desenho mereceu tratamento especial ao autor, introduzida por um portão em serralharia artística. As paredes do vão formado 8 - ACRCA, Livro de Registos da Freguesia da Glória. Nascimentos. Registo 88.

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pelo ângulo resultante da união da fachada com a escadaria, são preenchidas com azulejos azuis e brancos de pormenorizado desenho, com data de 1915 e assinados pelo artista da Fábrica Fonte Nova, Licínio Pinto. O pavimento é decorado com mosaicos de motivos geométricos, sobre fundo azul, muito elaborados, cruzes vermelhas dentro de círculos, intersetando quadrados, da união de cada círculo com os quatro quadrados que correspondem aos quatro ângulos formados pelos braços da cruz, resultando uma cruz maior no centro de cada círculo. O quadrado, representando a terra, o círculo, o céu e a cruz a sua união. Geometria simbólica cujo sentido está em sintonia com a gramática desenvolvida neste contexto, pelo autor. A loggia, elemento plástico e escultural, frequente no Renascimento italiano, apresenta duas pilastras e três colunas cilíndricas de capitéis decorados com motivos florais e geométricos, sustentando arcos abatidos com fechos geométricos, dois frontais e dois laterais que dão lugar a outros arcos em cantaria, com cheios e vazios, desta vez invertidos, da guarda da varanda do piso superior, ricamente decorada com volutas geometrizadas e luxuriantes e estilizados arabescos de inspiração floral. Estas guardas entram em correspondência com as que protegem as janelas simétricas, colocadas nos dois lados da loggia, janelas tripartidas, que, pela perfeição e originalidade do desenho e pela riqueza de ornamentação, detêm uma parte importante do fascínio da fachada.

Pormenores da Fachada Principal, da varanda, da Loggia e de uma das janelas.

A inspiração do desenho tripartido é talvez serliana, embora na biblioteca de Silva Rocha tenhamos encontrado uma publicação contemporânea que certamente lhe forneceu interessantes elementos de reflexão9. As janelas de composição ternária e caixilhos de inventivo desenho, são repartidas por duas pequenas pilastras terminando num frontão com volutas que se unem ao centro sobre folhas e flores esculpidas. As retas das pilastras intersetam o lintel único, também em cantaria, suavemente curvo e decorado com motivos vegetais. Dos painéis laterais junto dos cantos inferiores,

9 - Muhlau, Paul (Architekt), Tore, Turen, Fenster und Glasabschlusse Im Stile Der Neuzeit , C. Crudo & C. (Societá Italiana di Edizioni Artistiche) e Leipzig, Verlag Von Bernh. Friedr. Voigt, Turim, 1906.

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profusamente decorados com rosas esculpidas, partem bem desenhadas curvas, também com flores esculpidas, que emolduram lateralmente as janelas. Um pequeno varandim assente sobre o peitoril de cada uma, completa a decoração, a curva do suporte em cantaria, respondendo às curvas dos frontões, às curvas dos três vãos e do varandim, centrais, do primeiro piso, aos arcos da loggia. É nestas correspondências que reside parte do equilíbrio da fachada. A sua beleza está na exuberância contida dos detalhes, que parecem inesgotáveis, oferecendo-se em espetáculo ao deleite do olhar. A porta principal é sobrepujada por um arco abatido em cantaria, dividido por duas colunelas em três segmentos protegidos por serralharia decorada com motivos florais. Desenvolvendo-se em três módulos, pintada, é decorada com formas geométricas de requintado desenho, preenchidas com estilizados caules e folhas, na proximidade das linhas de acentuado grafismo que Mackintosh e Margaret Mcdonald revelaram nas suas decorações para interiores. Na instalação que ambos realizaram para a secção escocesa da Exposição Internacional de Artes Decorativas Modernas que decorreu em Turim em 1902, intitulada “The Rose Boudoir”, a rosa era o motivo condutor, como neste caso. Um delicado botão fecha a decoração em serralharia de cada uma das aberturas da porta tripartida. A função encontra o símbolo. Sobre um grelha decorativa, o caule enrolando-se num fino suporte, enquadrada por volutas, coroada pela folhagem, a rosa é aí bem o emblema da sedução e do interdito que se ligam à experiência do conhecimento, e da situação rara que representa, a união da natureza e da cultura. Os caules atravessando os volumes esculpidos, que se observam por exemplo nas mísulas da casa de Florentino Vicente Ferreira, ou como neste caso, saindo de um orifício simulado na parede e sustentando delicadas flores de cálice invertido, são não apenas a mais eloquente e original marca da estética de Silva Rocha, mas um sinal plástico, um signo privilegiado da sintaxe plástica e poética da Arte Nova. A metáfora caminha ao encontro da realidade do Cosmos, o ornamento não é aí artificialmente idêntico às formas da natureza, ele cria uma nova natureza, inspirada pela totalidade das forças vivas, alimentada pelos mais secretos desígnios, florescendo nas formas de uma intemporal primavera do espírito. Sobre o fundo de azulejo verde-escuro do primeiro piso destacam as janelas geminadas de elegante desenho (moldura única em cantaria, de linhas ondulantes, repartida ao centro e decorada com volutas, motivos florais e geométricos), simétricas e ladeando as três janelas centrais, também de moldura única, ondulante e com fechos geométricos, sobrepujadas por painel decorativo em azulejos polícromos, com motivos mitológicos, entre duas pilastras em cantaria. É precisamente na parte lateral do vão tripartido do primeiro piso que se inscreve o leitmotiv plástico e simbólico da linguagem ornamental deste edifício: a rosa, que explodirá em variantes, quer ao nível da pintura do azulejo, quer esculpida, em delicados frisos ou em exuberantes painéis, entre a eclosão da folhagem que a envolve num amoroso abraço, vista de face em preciosos botões, ligeiramente aberta, ou com o cálice invertido, característico da Arte Nova. Apresentase neste caso emoldurada pelos braços de uma cruz, os caules entrelaçados no topo, as três primeiras rosas ligeiramente abertas (duas no plano horizontal, a terceira no plano vertical, braço inferior da cruz) e formando os extremos de um triângulo invertido, cujo vértice se prolonga num botão suspenso. Um motivo simbólico, de grande beleza plástica, que nos permitirá reconhecer o estilo do seu autor no que foi o Balneário de Espinho cujo significado, nesse contexto, será desenvolvido. A notar a dimensão rosacruciana deste símbolo e a divulgação desta tradição ao tempo da Arte Nova, com a realização do primeiro Salão da Rosa-Cruz, que teve lugar em Paris, em Março de 1892, na Galeria Durand Ruel, promovido por um exótico escritor Joséphin Péladan (1859-1918), conhecedor das doutrinas esotéricas e das religiões orientais.

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Pormenor esculpido da fachada principal da Casa de Francisco Maria Simões em Salreu.

O TEATRO DOS SÍMBOLOS

“A promover a atribuição simbólica está portanto uma certa concordância, uma analogia esquemática, uma relação essencial.”

Umberto Eco, Arte e Beleza na Estética Medieval

“(...) qualquer ciência deste tipo sempre e em toda a parte se protegeu sob o segredo iniciático e por detrás de uma exposição efetuada através de símbolos.”

Julius Evola, A Tradição Hermética

Painel de Azulejos da fachada principal representando Mercúrio, “Pai” da alquimia que conduz todo o jogo de símbolos do edifício e seu jardim.

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O largo friso em azulejos polícromos, com motivos florais (rosas e narcisos), debruado por filetes de cantaria, destaca igualmente junto à cimalha, contrastando com o fundo verde-escuro do azulejo. Uma vez mais se unem na obra de Silva Rocha, compondo uma sinfonia com vários instrumentos, a pintura, a escultura e a arquitetura. Exemplo desse diálogo é o painel de azulejos polícromos da Fábrica da Fonte Nova (datados 1914), ao alto e ao centro e apresentando-se ao modo de um frontão, emoldurado por elementos esculturais, duas pilastras e um ondulante friso de cantaria e sobrepujado por barroquizantes ânforas. Sobre fundo dourado, entre grinaldas de rosas, um mítico Mercúrio (Hermes na mitologia grega), de sandálias e capacete alados, deus dos viajantes, dos comerciantes, guia dos mortos no além, empunhando um caduceu e um livro, símbolo do universo, da Sabedoria suprema e da grande obra alquímica10, enfrenta um querubim, ele também carregando livros. Cópia ou não de uma gravura antiga que não pudemos localizar, as figuras, o fundo em que se inserem, as flores que as emolduram, estão carregados de significado. A um nível mais imediato, a figura de Mercúrio relaciona-se com as atividades e as circunstâncias do proprietário, enriquecido com negócios realizados no Brasil. No plano mais profundo, de uma linguagem simbólica explorada pelo autor, esta figura mitológica que tem o mesmo nome do astro e da substância alquímica, recortando-se sobre um fundo dourado e empunhando emblemático caduceu, remete-nos precisamente para a esfera de um sentido alquímico. Mercúrio ou Hermes é o fundador da alquimia. O metal a que se associa e o signo que o representa, simbolizam “a matriz de todos os metais”, a prata por sua vez indicando “o estado virgem da matéria-prima em toda a sua pureza” e daí a explicação do facto de os alquimistas representarem “a matéria - feminino -, ora com o símbolo da Lua ou da prata, ora com o do mercúrio, pois este corresponde à força “geradora” da matéria, ao seu aspeto dinâmico, do mesmo modo que o enxofre - o contraponto do mercúrio - é a força ativa da essência solar ou masculina”11, força de libertação e de regeneração. O Mercúrio associa-se ao elemento água e ao dragão, outro símbolo alquímico, celeste e terrestre, guardião dos tesouros e da imortalidade, figura do élan espiritual, força criadora de vida e de manifestação12. Recordamos a este respeito que um pequeno friso de azulejos polícromos, com a figura do dragão, decora a fachada da casa que foi de Silva Rocha na Rua do Carmo nº 12, cujo simbolismo se aproxima do simbolismo das palmas, (cruzando-se no arco em cantaria sobre a entrada), universalmente consideradas como símbolo de vitória, ascensão, regeneração e imortalidade13. A dualidade Sol-Lua, que se projeta em toda a alquimia exprime as dualidades da existência, os seus pólos ativo e passivo manifestando-se nas grandes oposições Céu-Terra, Fogo-Água, uma polarização de correntes cósmicas que o caduceu, emblema de Mercúrio (Hermes), como aliás o dragão, também simbolizam14. Neste contexto como refere Burckhart, “o Sol - ou o ouro constitui, de certo modo, a representação do pólo ativo da existência, enquanto que a Lua - ou a prata - representa o pólo passivo, a matéria-prima. Assim, ouro ou sol é espírito, prata ou Lua é alma.”15 Animus e Anima , a razão e o sonho, a geometria e o lirismo estão sugeridos nas dualidades e no equilíbrio entre ambos os princípios na obra de Silva Rocha, encontrando um eloquente

10 - Chevalier, Jean e Cheerbrant, Alain, Dictionnaire des Symboles , vol. III pp. 138 e 139. 11 - Burckhardt, Titus, “Planetas e Metais”, Alquimia. Publicações Dom Quixote, Lisboa, 1991, p. 79. 12 - Chevalier, Jean e Cheerbrant, Alain, «Dragon», Dictionnaire des Symboles , op. cit., vol. II, pp. 212 e 213. 13 - “Palme”, Idem, vol. III, p. 350. 14 - “Caducée”, Idem, vol. I, pp. 244, 245 e 246. 15 - Burckhardt, Titus, “Planetas e Metais”, op. cit., p. 76.

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símbolo no elemento esculpido da fachada, a que já nos referimos: dentro de uma cruz, as três rosas formando um triângulo invertido, cujo vértice é prolongado por um quarto botão fechado. O triângulo invertido é na alquimia o símbolo da água, do princípio feminino, passivo, expresso pela direção horizontal, enquanto a verticalidade representa, o fogo, o princípio masculino, a reunião dos dois princípios, estando simbolizada pela cruz “síntese ativa entre as duas forças conjugadas criativamente”16. Esta harmonia é precedida ou pode ser acompanhada pela consciência da dualidade, na obra de Silva Rocha representada pela luta da águia e da serpente (na Casa de Mário Belmonte Pessoa), uma situação que o hermetismo também prevê17. A presença da rosa, dá-nos, neste caso, uma chave extraordinária para o símbolo, cujo sentido Goethe esclarece: «A cruz está intensamente enlaçada por rosas./ Quem pôs rosas na cruz?/ E do centro brota uma vida sagrada/ Um triplo raio emana de um único ponto (...)”. A rosa fechada no braço descendente da cruz representando o conhecimento não revelado, floresce finalmente nas três flores abertas, imagem do “reflexo da sabedoria divina sobre a terra” 18. Se a operação alquímica visa a solução dos contrários, através da transmutação dos metais e da obtenção do ouro19, este ouro como dizem os textos védicos é a imortalidade, a superação da condição material, a aquisição de um nova condição, espiritual, depois de se ter atingido o centro do mundo e o estado edénico. A mensagem dos símbolos está presente na obra de Silva Rocha, revela-se nos ritmos e nas figuras do seu imaginário. Neste caso essa mensagem que não se deve objetivar, o que aliás estaria em contradição com a sua natureza, é sugerida pelo fundo luminoso, esplendorosa radiação de um sol primaveril, pela figura alquímica do grande viajante Mercúrio, intermediário entre a terra e o céu, princípio de ligação, de mudança, de movimento e de adaptação20, empunhando o livro, simbolizando o mundo, junto do querubim sugerindo o imaginário da religião cristã, ambos emoldurados por grinaldas de rosas. A rosa, motivo plástico e simbólico que se associa neste edifício também à cruz, é a flor mística preferida dos alquimistas. A natureza une-se à cultura, o mito vai ao encontro da religião, configurando uma nova linguagem, “um quinto alfabeto”21 que transporta, transforma, o sentido da arquitetura a que se liga. Um sentido de regeneração cósmica e espiritual, simbolizada pela eclosão das flores lembrando os ritmos de renovação da natureza, o sentido de um equilíbrio, de uma conjunção alquímica entre pólos aparentemente contraditórios, que segundo Gustav René Hocke se traduzem em história de arte por dois princípios fundadores: o Classicismo e o Maneirismo22. O modelo de uma racionalidade clássica e o de uma exuberância fantasista comum ao Maneirismo e ao Barroco, unem-se numa mesma démarche plástica e simbólica na obra de Silva Rocha, de que este

16 - Evola, Julius, “O sal e a cruz”, A Tradição Hermética, Colecção Esfinge, Edições 70, Lisboa, 1979, p. 52. 17 - “É o lado negativo da individuação com raízes num estado de contraste entre os dois: “os dois inimigos”, os dois dragões que se devoram entre si, a águia que luta contra a serpente, e assim por diante, conforme a variedade da linguagem cifrada.”, Idem, ibidem. 18 - Goethe, Die Geheimnisse 1784-1786 citado por Roob, Alexander, Alquimia e Misticismo , Lisboa, Editora Taschen, 1997, p. 690. 19 - “Alchimie”, Idem, vol. I, p. 34. 20 - “Mercure”, Idem, vol. III, p. 206. 21 - Centeno,Yvette K., “À Propos Alphonse Moucha Simbolismo e Hermetismo em Contexto Europeu”, Catálogo da Exposição da Fundação Calouste Gulbenkian: Mucha e o Espírito Arte Nova, Edição da Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa, 1997, p. 20. 22 - Hocke, Gustav René - «Classicisme et maniérisme», Labyrinthe de l’Art Fantastique , op. cit., pp. 274 e 275.

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edifício representa um culminar, não um fecho. Na verdade continuará a expressar em muitas variações o modelo de uma harmonia feita de dinâmicas, contrastes, dissimetrias e dissonâncias, consonante com a estética da Arte Nova, de que foi entre nós extraordinário intérprete. Este modelo irá sofrer necessárias transformações, fruto da evolução do autor e do mundo das formas em que se integra, caminhando para uma arquitetura Art Deco ou do tipo “Casa Portuguesa” em simbiose com formulários da Arte Nova, mantendo embora as marcas do seu estilo.

OS INTERIORES ESPAÇO MUSEU Nos interiores, apesar de algumas alterações introduzidas, como novas casas de banho nos dois pisos, o desenho original mantém-se, bem como a quase totalidade do mobiliário então concebido ou adquirido, o que faz desta casa um potencial Museu da Arte Nova, não só do ponto de vista da arquitetura, como pelo riquíssimo espólio aí existente. Peças de museu, são por exemplo o bengaleiro de desenho geométrico e decorado com belíssimos azulejos com motivos florais, ou o relógio de parede em madeira, concebido em função de ritmos curvos e com flores gravadas. A divisão é simultaneamente racional, motivada pela funcionalidade, orgânica, tirando o máximo partido da circulação da luz e modular, com as várias dependências comunicando seja através do corredor, seja através de portas interiores como as que estabelecem a ligação entre o átrio e as duas grandes salas à entrada. No átrio, através do qual estas salas comunicam, uma grande porta com uma abertura em cada um dos lados, com vitrais e caixilhos muito segmentados, de inventivo desenho, repete o esquema ternário que preside à gramática dos vãos no edifício. Na sala de jantar ainda são visíveis os móveis com as iniciais do proprietário, um “F” e um “S” entrelaçados. Os lambrins são em estuque pintado com grinaldas e motivos florais estilizados e os tetos pintados e com relevos, formando figuras geométricas. Particularmente exuberante é a decoração do teto da sala em frente, com uma grande elipse, dentro de um retângulo com círculos em cada um dos vértices, o conjunto animado ao centro pelo voo de andorinhas e por uma explosão de flores que respeita os ritmos definidos pela geometria e se prolonga em precioso friso. Estas salas recebem a luz pelos amplos vãos da fachada. Pelo corredor acedemos às divisões voltadas para o jardim, com destaque para a cozinha e o escritório, todas elas também providas de janelas. Da cozinha podemos transitar para o jardim, por duas portas ladeando uma janela alongada, com único elegante e ondulante lintel em cantaria, esquema tripartido em harmonia com a gramática compositiva da fachada principal. Um pequeno óculo com volutas geometrizadas foi acrescentado ao projeto inicial que o não previa, como podemos verificar no desenho do alçado posterior. O mesmo alçado posterior mostra uma varanda correndo a todo o comprimento, que não chegou a ser introduzida. A obra realizou-se assim com algumas modificações, relativamente ao desenho de 1914. Ao fundo do corredor uma grande sala de estar estende-se a toda a largura, com janelas para o jardim e para a frente e com tetos em estuque decorado com maior sobriedade, relativamente às salas da entrada. Nessa sala, como nos quartos do primeiro piso, um lavatório é decorado com painel de azulejos polícromos com estilizados desenhos inspirados em formas da natureza. Noutros casos, como o do painel do lavatório junto à escada, querubins com fitas e grinaldas, entre frisos geometrizados, glosam um dos motivos da fachada, um trabalho do qual não existem provas de ter sido executado no nosso

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país. Certo é que, à funcionalidade, e nos mínimos detalhes, se associava um padrão de beleza em sintonia com uma estética contemporânea, o que faz desta casa, sobretudo se a considerarmos no conjunto que forma com o jardim, um verdadeiro símbolo da Arte Nova em Portugal. O rés-do-chão e o primeiro andar comunicam por uma escada bastante ampla, levemente espiralada, de apurado desenho, com balaustrada de madeira e recebendo a luz por janelas que acompanham a subida e por uma clarabóia de vidros coloridos. No primeiro andar repete-se o esquema do corredor central, com todos os quartos amplamente iluminados por rasgados vãos. No sótão, pequenas divisões partilham um espaço bem compartimentado segundo a dupla exigência do melhor aproveitamento possível da área e da sua racional e dinâmica divisão. A tudo isto acrescentava-se ainda uma cave, hoje totalmente modificada. Na casa vendida com todo o seu recheio, o tempo pareceria ter-se detido, não fora a degradação que infelizmente atingiu quer a fachada, quer os interiores. Uma coleção de postais do tempo da guerra foi tristemente para o lixo e com ela documentos preciosos desse período, mas quanto ao mais respeitou-se quase religiosamente o espólio existente. Insistimos no “quase”, pois um retrato de Francisco Simões e de seus familiares, achava-se entre teias de aranha numa arrecadação, situação que não deveria ter agradado ao orgulhoso e poderoso proprietário. Mas em contrapartida um álbum talhado em madeira, verdadeira peça de museu, guarda, no escritório, a memória de outros seus familiares. Numa das salas de entrada uma velha pianola, em perfeito estado, parece destinada a entoar de novo as antigas melodias e de um e de outro lado do átrio, sobre pedestais de pura linearidade Arte Nova, duas esculturais figuras femininas, irradiam sensualidade e suave encanto. O tempo não parou contudo, embora à chegada da estação de Salreu e subindo a velha ladeira que conduz ao largo da igreja ainda seja visível o velho moinho de eletricidade existente no jardim e que há mais de noventa anos identifica a propriedade. A velha casota em ferro, para o cão, ainda é a mesma. Tudo parece estar nos seus lugares, como se aqui a voragem da destruição que se associa ao “progresso”, tivesse respeitosamente detido os seus passos. Com justiça, visto tratar-se de um conjunto com valor museológico. Seria desejável que os proprietários, felizes com a classificação, soubessem, no futuro, em colaboração com entidades competentes, devolver-lhe todo o seu antigo esplendor, encontrando ao mesmo tempo um meio de o fazer partilhar com um público interessado.

Lavatório, painel de azulejos Arte Nova, Casa de Francisco Maria Simões em Salreu.

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O JARDIM E A CONFIGURAÇÃO SIMBÓLICA DO ÉDEN “O paraíso está ainda neste mundo, mas o homem está bastante longe dele, enquanto não se regenerar...” Bohme, De Signatura - VIII, 47-48. A sedução e a requintada beleza no todo e nos detalhes, da casa e dos interiores, prolongam-se no jardim, onde de um modo mais expressivo ainda, a relação entre natureza e cultura é cultivada. Os anexos da casa nas traseiras apresentam sobre as paredes exteriores dois enormes painéis de azulejos azuis e brancos, com cenas de pesca, assinados por Francisco Pereira, com a data de 1915 e no topo o retrato do proprietário, a que já nos referimos, certamente uma sua homenagem às tradicionais atividades da região. Ao centro, entre os dois painéis, sobre a porta, um pequeno painel de azulejos polícromos com estilizadas curvas e motivos florais (lírios e pequenas flores azuis). O todo, de grande plasticidade, constitui por assim dizer a antecâmara do jardim e enquadra dois conjuntos cerâmicos executados provavelmente nas fábricas da região: uma sereia, escultural e seminua, sobre um peixe, ao centro de um lago, associando a mulher à água e ao mundo marinho, a própria representação da anima, da sensualidade, das forças femininas da natureza e do psiquismo que alimentam o imaginário do autor e se exprimem na sua obra, e um casal de meninos, imagem dos amores juvenis e da inocência que os lírios no painel de azulejos, próximo, também representam.

Sereia, escultura em cerâmica do jardim da Casa de Francisco Maria Simões em Salreu.

A partir daí o jardim estende-se, cheio de sombras, a luz suavemente filtrada pelas ramagens de árvores e plantas raras, desenvolvendo o teatro de símbolos a que a casa já nos introduziu. Também neste aspeto a Arte Nova se aproxima do Barroco e as considerações que José Fernandes Pereira tece a propósito dos jardins do Palácio do Correio-Mor em Loures (séc. XVIII), mostram-no: “Na retaguarda os jardins delinearam-se geometricamente, sendo povoados de árvores, buxos, recantos pitorescos, azulejos e cascata, onde o eterno movimento da água proporciona animação sonora concorrendo para o espetáculo total que o barroco sempre persegue.”23 Se o jardim durante o período barroco se ordena geometricamente, revelando uma disciplina, não deixa por isso de se 23 - Pereira, José Fernandes - Arquitectura Barroca em Portugal , Biblioteca Breve, vol. 103, Edição do Instituto de Cultura e Língua Portuguesa, Lisboa, 1992 (2ª edição), p. 178.

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constituir como “um espaço de representação e fruição de prazeres”, alargando-se e conquistando espaços, num “longo processo iniciado no Renascimento e que culminará no sonho romântico quando a natureza surge como o grande refúgio. Então a disciplina barroca será substituída por uma natureza selvagem que se multiplica em liberdade24. Ainda segundo o mesmo autor, o Barroco revela a par de uma ordenação do espaço, “o encanto pela mãe natureza”, bem visível nos jardins da casa de Estói no Algarve (a mais notável residência do Sul), cuja descrição nos remete para o caso presente: a sua pequena gruta mostrando “o gosto pelo mistério”, enquanto o grande lago recebendo água de sereias lembra o perpétuo devir da vida assim enunciada simbolicamente”25. Também no contexto de uma poética Arte Nova aqui desenvolvida, a arquitetura e os jardins são um espetáculo total, um espaço de fruição para os sentidos e para a alma que se compraz aprofundando os mistérios da natureza, na sequência de uma genealogia que do Romantismo conduz ao Simbolismo, cujas tradições herdou. As origens da particular simbólica que a Arte Nova desenvolve, neste caso tão eloquentemente documentadas, remontam mais longe, a um pensamento tradicional, a uma tradição do hermetismo, o que Yvete K. Centeno já demonstrou no seu estudo sobre Mucha26 - no contexto da qual “a natureza era não “pensada”, mas sim vivida como um grande corpo animado e sagrado, “expressão visível do invisível”27. Nos jardins do Palacete de Salreu, as águas de um pequeno rio artificial cobriram-se de musgo, um verde feito da poalha do tempo, cor secreta de mil instantes suspensos e nas margens, espetadores silenciosos, atores também, figuras em cerâmica, da natureza, da mitologia e dos sonhos, que nos fitam ainda no espanto de um olhar que não vê senão o horizonte das fantasias de onde emergiram: uma figura feminina representando a terra e a agricultura e uma figura masculina com um recipiente de onde escorre um fio de água (também em cerâmica) evocando o elemento para onde se debruça, musgoso, tranquilo, acolhedor regaço, um menino cavalgando um peixe, outro sobre uma tartaruga.

Menino e Tartaruga, escultura em cerâmica do jardim da Casa de Francisco Maria Simões em Salreu

Centremo-nos no simbolismo da tartaruga, imagem do universo e da sua estabilidade, mediadora entre a terra e o céu, símbolo do Homem universal, das águas primordiais e da criação, é igualmente expressão das forças internas da terra. Curiosamente na mitologia grega a tartaruga associa-se a Hermes (Mercúrio) que fabricou uma cítara com a sua carapaça, cujo som encantou 24 - Idem, p. 179. 25 - Idem, ibidem. 26 - Centeno,Yvette K, “À Propos Alphonse Mucha Simbolismo e Hermetismo em Contexto Europeu”, op. cit. pp. 13 a 23. 27 - Evola, Julius, “Os Símbolos e a Doutrina”, A Natureza Vivente”, A Tradição Hermética , op. cit., p. 33.

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Apolo28. A terra e a água, as suas personificações, são figuras do Cosmos e as crianças associam-se ao estado edénico aqui encenado, a que as duas fantásticas grutas em cada um dos extremos, dão um sentido. Grutas com carantonhas esculpidas, com uma serpente de cuja boca escorria água, “imagem do psiquismo inferior, do psiquismo obscuro, do que é raro, incompreensível e misterioso”, do sagrado natural, “do ventre da terra onde se operará a alquimia da regeneração”29.

Maria Luísa, neta de Silva Rocha na “gruta da mãe”, jardim da Casa de Francisco Maria Simões em Salreu.

No coração da gruta, saindo da boca da serpente, a água escorre, figurando o metal líquido, mercúrio e a grande obra alquímica. Evoquemos a este respeito as expressivas associações que Julius Evola estabelece na tradição hermética: “entre os símbolos do princípio feminino e o das Águas - entre “Terra Mãe”, “Águas”, “Mãe das Águas”, “Pedra”, “Caverna”, “Casa da Mãe”, “Noite”, “Casa da Profundidade” ou da “Força” ou “da Sabedoria” - existe uma conexão que remonta aos tempos primordiais”, as águas, o elemento húmido, o caos, o mistério associando-se alquimicamente ao Mercúrio (“Tudo está composto de Mercúrio (ou Água Mercúrio) dizem os textos: é o que constitui, conforme eles afirmam, o princípio e o fim da Obra”) e à figura da serpente (ou do dragão), imagem do indiferenciado, princípio de morte e vida de cujo domínio resultam o Ouro e a Prata30.

Ponte no jardim da Casa de Francisco Maria Simões em Salreu. 28 - Chevalier, Jean e Cheerbrant, Alain, «Tortue», Dictionnaire des Symboles , op. cit. vol. IV, pp. 308 a 312. 29 - Idem, pp. 181 e 187. 30 - Evola, Julius, A Tradição Hermética , op. cit., pp. 44 e 45.

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A ponte concebida por Silva Rocha deveria sustentar ao centro um pombal, de que existe desenho de 1917 e que não chegou a ser construído. Também o simbolismo da ponte é universal, representa a passagem da terra ao céu, do estado humano aos estados supra-humanos, da contingência à imortalidade, do mundo sensível ao mundo supra-sensível31.

Desenho do Pombal, assinado e datado por Silva Rocha (1917) que ou não chegou a ser construído ou desapareceu.

Imaginamos (e felizmente que o acaso nos leva ao domínio da imaginação) as pombas, simbolicamente consumando a obra alquímica, voando sobre as grutas e as águas musgosas, sobre o pequeno Éden aqui inventado, imagens vivas de um espírito liberto para os tesouros da luz. A realidade encontrando o símbolo, dando-lhe forma. A exemplo do que realizara no edifício, Silva Rocha de uma forma aqui mais livre, encena os elementos de um teatro de símbolos, sob o signo da alquimia, envolvendo-os nas teias da própria natureza, depois de a ter envolvido a ela, a grande inspiradora, na sua arquitetura. O círculo completou-se para quem souber, para quem puder ver, antes que o tempo tudo apague, tudo reduza a cinzas. É o homem, o seu espírito, que está no centro da cultura, da metamorfose das formas. Preservar o património é preservar um legado universal e a sua expressão no tempo, a nossa expressão.

31 - Chevalier, Jean e Cheerbrant, Alain, «Pont», Dictionnaire des Symboles, op. cit., vol. IV, p. 97.

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OS ELEITOS DA CÂMARA DE ESTARREJA REFERÊNCIAS NAS ATAS (CONTINUAÇÃO) 1910 – 2013 Norvinda Leite * Eis-nos mais uma vez aqui para dar continuidade à apresentação de um trabalho de recolha de informação relativa aos eleitos locais. Desta vez será a partir do grande marco da história nacional – a Implantação da República, até ao ano de 2013. Mais de um século da história autárquica. Além da informação relativa aos membros da câmara, aproveitamos também para recolher informações sobre acontecimentos e temas abordados nas Reuniões de Câmara, que, na nossa perspetiva, consideramos pertinentes para futuras decisões administrativas e compreensão da história da administração local. O estudo aqui apresentado, inicialmente feito para realizarmos uma homenagem aos Presidentes de Câmara do município de Estarreja, irá ser também disponibilizado na página web do Arquivo para facilitar os munícipes nas suas pesquisas, já que muitas vezes se torna difícil para os cidadãos a leitura dos documentos manuscritos. Por este motivo foram consultados somente os livros de atas manuscritas, já que os que se encontram datilografados ou impressos serão futuramente digitalizados e disponibilizados ao público, em formato eletrónico, podendo ser pesquisáveis diretamente no documento por assunto. A informação relativa aos eleitos nos mandatos posteriores a 1981, foi recolhida a partir da Série Documental “Processos Eleitorais”, pelo que, não serão incluídas informações adicionais à lista ou eventuais alterações de membros eleitos durante os mandatos. Pretendemos com este artigo, não um estudo pormenorizado e minucioso dos eleitos da Câmara Municipal de Estarreja, mas apresentar uma recolha de pontos de referência indicativos aos interessados pela história e evolução da governação da Câmara, no sentido de melhor se orientarem nos seus estudos e investigações. A informação apresenta-se em listagem cronológica, seguindo a leitura sequencial dos livros de Atas da Câmara Municipal de Estarreja, com a descrição dos pontos de acesso/campos nomeadamente: nº do livro de atas, folhas, datas, nomes, cargo e informações adicionais de interesse, campos que consideramos essenciais para a localização exata do documento consultado. Mais uma vez, ressalvamos aqui eventuais lacunas ou erros de transcrição, devidas à difícil interpretação da escrita, pelo que, para um eventual estudo ou pesquisa em que se exija rigor informativo, a leitura do presente artigo não dispensa a consulta das fontes primárias de informação. Esperamos com isto vir a contribuir um pouco mais para o enriquecimento das fontes documentais que nos ajudam na contínua descoberta da nossa história.

* Arquivista do Arquivo Municipal de Estarreja. Agradece o contributo dado pelas colegas Maria Salazar, Carla Duarte, Carla Pereira e Fernanda Matos Cruz, ao tempo colaboradoras no Setor de Arquivo.

[ 241 ]


NORVINDA LEITE

LIVRO FOLHA

DATA

NOME

INFORMAÇÕES ADICIONAIS

CARGO

DE INTERESSE

Anunciam e saúdam a Implantação da República Portuguesa.

23

90

08-10-1910

António José de Oliveira Guerra

Presidentes

23

João de Quadros Corte Real

Vice-Presidente

23

Joaquim Gravato Júnior

Vereador

23

José de Andrade Júnior

Vereador

23

Joaquim de Resende

Vereador

23

Joaquim dos Santos Sobreira

Vereador

23

91

12-10-1910

António José de Oliveira Guerra

Presidente

23

João de Quadros Corte Real

Vice-Presidente

23

Joaquim Gravato Júnior

Vereador

23

José de Andrade Júnior

Vereador

23

Joaquim de Resende

Vereador

23

Francisco Maria Henriques

Vereador

Alberto Souto

Toma posse como Administrador do Conselho

23

Termo de juramento e posse conferidos à Comissão Municipal Republicana do Concelho de Estarreja, até ser legalmente substituída.

23

97

22-10-1910

António José de Oliveira Guerra

Presidente

23

António Tavares Afonso e Cunha

Vereador Efetivo

23

Manuel Valente de Almeida e Silva

Vereador Efetivo

23

Francisco de Oliveira Marques

Vereador Efetivo

23

Dr. António Vaz de Sá Pereira e Castro

Vereador Efetivo

23

Francisco Moura Coutinho D’ Almeida Eça

Vereador Efetivo

23

Filipe Augusto Soares D’ albergaria

Vereador Efetivo

23

Matheus António Soares Bello

Vereador Efetivo

23

Manuel Ferreira Condeço

Vereador Substituto

23

João Marques Tavares

Vereador Substituto

23

João Baptista Pinheiro

Vereador Substituto

23

António Rodrigues Souto

Vereador Substituto

23

Augusto de Castro e Silva

Vereador Substituto

[ 242 ]


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LIVRO FOLHA

DATA

NOME

INFORMAÇÕES ADICIONAIS

CARGO

DE INTERESSE

23

Francisco da Silva Miranda

Vereador Substituto

23

Joaquim Maria Bandeira

Vereador Substituto

23

99

22-10-1910

António Tavares Afonso e Cunha

Presidente

23

Francisco Moura Coutinho D’ Almeida Eça

Vice-Presidente

23

99V

26-10-1910

Francisco Silva Miranda

Vereador Efetivo

23

João Marques Tavares

Vereador Efetivo

23

116V 22-11-1910

23

131V 21-12-1910

Eleição do Presidente e do Vice-Presidente da Comissão Municipal Administrativa de Estarreja.

Nomeado pelo Governador Civil como Vogal da Comissão Municipal Administrativa de Estarreja.

António Souto Rodrigues António Tavares Afonso e Cunha

Presidente

Vogal

23

Francisco de Moura Coutinho D’ Almeida Eça

23

António Vaz de Sá Pereira e Castro

Vogal

23

Francisco de Oliveira Marques

Vogal

23

Filipe Soares D’ Albergaria

Vogal

23

Matheus Soares Bello

Vogal

23

Manuel Valente Almeida E Silva

Vogal

23

141

04-01-1911

Dr. António Tavares Afonso e Cunha

Presidente

23

Francisco de Moura Coutinho D’Almeida Eça

Vice-Presidente

23

António Vaz de Sá Pereira e Castro

Vogal

23

Francisco de Oliveira Marques

Vogal

23

Filipe Soares D’Albergaria

Vogal

23

Matheus Soares Bello

Vogal

23

Manuel Valente Almeida e Silva

Vogal

23

144V 04-01-1911

23

189

26-04-1911

Alberto Souto Ratolhe

Administrador do Concelho

Eleição do Presidente e Vice-Presidente da Comissão Municipal Administrativa para o ano de 1911.

Abandona o cargo de Administrador para ir frequentar a Universidade de Coimbra; a Assembleia acorda que Alberto Souto continue como administrador. Vice-Presidente com o cargo de Presidente nesta reunião.

[ 243 ]


NORVINDA LEITE

LIVRO FOLHA

DATA

NOME

CARGO

Administrador do Concelho

INFORMAÇÕES ADICIONAIS DE INTERESSE

Comunica que será o novo Administrador do Conselho.

23

191

03-05-1911

Luiz Maria Duarte Ferreira

Fim do livro que ficou com 2 folhas em branco.

14

184

17-05-1911

Só há minuta de atas nesta data.

De 17-5-1911 a 23-10-1912 não há atas nem minutas de atas.

86

86

1V

23-12-1912

Francisco de Moura Coutinho D’ Almeida Eça

Presidente

86

Joaquim Maria Bandeira

Vogal

86

Filipe Augusto Soares de Albergaria

Vogal

86

António Souto Rodrigues

Vogal

86

Serafim Carneiro Chicharro de Brito

Administrador

86

6

06-11-1912

Francisco de Moura Coutinho D’ Almeida Eça

Presidente

86

Filipe Augusto Soares D’ Albergaria

Vogal

86

Joaquim Maria Bandeira

Vogal

86

João Baptista Pinheiro

Vogal

86

António Souto Rodrigues

Vogal

86

João Marques Tavares

Vogal

86

Serafim Carneiro Chicharro de Brito

Administrador

86

15

04-12-1912

86

22

04-12-1912

86

22V

02-01-1913

Francisco de Moura Coutinho de Almeida Eça

Presidente

86

Joaquim Maria Bandeira

Vice - Presidente

86

24

08-01-1913

[ 244 ]

Livro de atas da Comissão Municipal Administrativa/ Executiva da Câmara Municipal.

A 5ª divisão de Executivo de Caminha agradece a instalação da carreira de tiro em Estarreja.

As mães ou patrões das empresas da pesca da sardinha da Costa da Torreira solicitando à Câmara para que não seja revogado o regulamento geral da pesca da sardinha; impedindo o departamento americano nas costas de Aveiro. Atribuições de nomes de ruas numa perspetiva mais republicana; Ex: rua 5 de outubro. Eleição do Presidente e Vice-Presidente. Resposta à 5ª divisão militar de Caminha que em Estarreja não há terreno adequado à carreira de tiro.


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LIVRO FOLHA

DATA

NOME

INFORMAÇÕES ADICIONAIS

CARGO

DE INTERESSE

86

40V

05-03-1913

Solicitação para reprimir os engajadores como meio eficaz de travar a emigração.

86

41

05-03-1913

Chamada de atenção aos Vogais que há meses faltam às sessões.

86

Francisco D’ Oliveira Marques

Cidadãos que foram exonerados dos seus cargos por faltarem muitas vezes.

86

Matheus António Soares Bello

86

Manuel Valente D’ Almeida E Silva

86

50

28-03-1913

86

51

02-04-1913

Serafim Carneiro Chicharro de Brito

86

61

07-05-1913

António Joaquim da Silva Gurgo

86

69

04-06-1913

86

81V

16-07-1913

86

85

06-08-1913

86

95

86

100V 29-10-1913

86

106V 03-12-1913

António Joaquim da Silva Gurgo

Aquisição de milho e centeio para o Mercado Municipal da Praça. Exonerado do cargo AdminisAdministrador do trador do Concelho o cidadão Serafim Carneiro Chicharro Concelho de Brito. Comunicação da Administração do Concelho sobre a tomada de posse do novo Administrador Novo Adminisdo Concelho em 02-05-1913, trador o cidadão Bacharel formado em Direito, António Joaquim da Silva Gurgo. Mais de 1806 crianças na freguesia da Murtosa sem acesso à escola. Falta de milho obriga a aquisição deste por parte da Câmara aos importadores para os revendedores não entrarem em abusos. Lei de 29 junho passa para as Câmaras Municipais a Administração dos Serviços de Instrução Primária. Pedido para que se crie uma Escola Feminina na Senhora do Monte. Presidente da Comissão Paroquial Administrativo de Salreu, a promover a criação de 1º Mercado de Gado no lugar da Senhora do Monte – Salreu - a realizar no dia 7 de cada mês; a Câmara vai pensar no assunto. Administrador do Concelho Bacharel António Joaquim da Exoneração do CarSilva Gurgo, informa de sua go Administrador exoneração do cargo de Administrador.

[ 245 ]


NORVINDA LEITE

LIVRO FOLHA

DATA

NOME

INFORMAÇÕES ADICIONAIS

CARGO

DE INTERESSE

Solicitando ao Governo da República a criação de 1ª Escola Móvel a instalar na Murtosa. Eleitos para a Câmara Municipal, os seguintes cidadãos à exceção de Francisco de Moura Coutinho D’ Almeida Eça.

86

110V 03-12-1913

86

112

31-12-1913

António Joaquim da Silva Gurgo

Vogal Efetivo

86

Joaquim Maria Bandeira

Vogal Efetivo

86

Joaquim Maria de Figueiredo

Vogal Efetivo

86

Joaquim Pereira de Matos

Vogal Efetivo

86

António Augusto Valente D’ Almeida

Vogal Efetivo

86

Manuel de Sousa Neves Júnior

Vogal Substituto

86

António Bernardino Ferreira Pinto

Vogal Substituto

86

José António Marques Vilar

Vogal Substituto

86

Eduardo Lopes Ramos

Vogal Substituto

86

112V 31-12-1913

86

114

02-01-1914

Dr. Joaquim Lívio de Assis Pereira de Mello

Presidente

86

Padre António Maria de Pinho

Vogais Efetivos

86

Dr. Artur Marques Figueira

Vogais Efetivos

86

José Domingues de Andrade Júnior

Vogais Efetivos

86

Joaquim Maria de Resende

Vogais Efetivos

86

António José D’ Oliveira Guerra

Vogais Efetivos

86

Joaquim Manuel da Silva Gravato Júnior

Vogais Efetivos

86

Vasco Marques Valente

Vogal Suplentes

86

Alberto de Mello Vilhegas

Vogal Suplentes

86

Manuel D’ Almeida Ramos

Vogal Suplentes

86

Agostinho Luiz Valente Amador

Vogal Suplentes

86

Júlio Pereira Baptista

Vogal Suplentes

86

António Nunes de Sousa E Silva

Vogal Suplentes

[ 246 ]

Decidem criar uma nova Feira ou Mercado mensal no largo da Senhora do Monte Salreu, a realizar dia 7 de cada mês. Posse e entrada em exercício da Comissão Executiva da Câmara Municipal do Concelho de Estarreja para o triénio de 1914 a 1916 até á sua legal substituição.


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LIVRO FOLHA

DATA

NOME

CARGO

INFORMAÇÕES ADICIONAIS DE INTERESSE

86

Francisco José Pais de Oliveira

Vogal Suplentes

86

Manuel Maria de Matos Tavares E Silva

Secretário

86

222

04-11-1914

Padre António Maria de Pinho

Vice - Presidente

86

Joaquim Maria de Resende

1º Secretário

86

Artur Marques Figueiredo

2º Secretário

Administrador do Concelho

86

236V 03-03-1915

Bacharel Artur Marques Figueira

86

238V 10-03-1915

86

241V 24-03-1915

Eleição do Presidente e Secretário para 1915.

O Administrador do Concelho passa a ser o Bacharel Artur Marques Figueira (Vogal de Comissão Executiva) O Vogal Suplente António Augusto Pinto Victor, é chamado a Exercício enquanto durar o impedimento do Bacharel Artur Marques Figueira. Termo de posse de António Augusto Pinto Victor como Vogal Efetivo de Comissão Executiva Reunião da Comissão Executiva para a eleição dos eleitos para o triénio de 1914 -1916.

24

3

02-01-1914

Francisco Barbosa do Couto Cunha Soto Maior

Presidente

24

Bacharel Joaquim Manuel Ruela Cirne

Vice - Presidente

24

Bacharel João Carlos Henriques Tavares de Souza

Secretário

24

Júlio Ferreira Batista

Vice - Secretário

24

4

Bacharel Joaquim Lívio D’Assis Pereira de Mello

Efetivo

24

Bacharel Artur Marques Figueira

Efetivo

24

Padre António Maria Pinho

Efetivo

24

José Domingues de Andrade Júnior

Efetivo

24

Joaquim Maria de Resende

Efetivo

24

António José de Oliveira Guerra

Efetivo

24

Joaquim Manuel Silva Gravato

Efetivo

24

Vasco Marques Valente

Suplente

24

Alberto de Melo Vilhegas

Suplente

24

Manuel de Almeida Ramos

Suplente

24

Agostinho Luiz Valente Amador

Suplente

24

Júlio Ferreira Batista

Suplente

[ 247 ]


NORVINDA LEITE

LIVRO FOLHA

DATA

NOME

CARGO

INFORMAÇÕES ADICIONAIS DE INTERESSE

24

António Nunes de Sousa e Silva

Suplente

24

Francisco José Pais de Oliveira

Suplente

24

4

02-01-1914

Bacharel Joaquim Lívio D’Assis Pereira de Mello

Presidente

24

Bacharel Artur Marques Figueira

Secretário

24

25

30-04-1914

Agostinho Vaz Pereira

Efetivo

24

Manuel Daniel Esteves de Sá e Santos

Efetivo

24

36V

José Marques de Oliveira e Silva

Vereador

24

43V

António Augusto Pinto Victor

Devido à ausência de alguns Vereadores que foram a banhos, é nomeado Vereador Substituto. Vereador Vasco Marques Valente pede exoneração por motivo de doença. O Presidente Dr. Francisco Barbosa lamenta o facto e aceita o pedido.

24

65V

23-12-1914

24

67

02-10-1915

Manuel Soares de Almeida

24

67V

Eleição dos Corpos Gerentes da Câmara para o ano de 1915 e da Comissão Executiva

24

89

28-04-1915

Francisco Maria Henriques

24

93

24

[ 248 ]

De Vereador Substi tuto passa a Efetivo No início de cada ano eram eleitos os novos corpos Gerentes da Câmara e da Comissão Executiva e estabelecida a data para a realização das sessões. Vereador Substituto   Instalação e posse da Comissão Administrativa do Município de Estarreja. A 15 de maio houve um “ato revolucionário”. Francisco de Moura Coutinho D’Almeida Eça, na qualidade de Administrador deste Concelho e como mandatário da Junta Constitucional deste Concelho, acompanhado de uma numerosa multidão de cidadãos representantes de todas as freguesias, que constituem o Concelho de Estarreja. Estes 8 foram unanimemente proclamados pela Assembleia presente como Vogais da Comissão Administrativa deste Concelho, que há-de gerir os negócios até ser legalmente substituída.

Joaquim Maria Bandeira - Estarreja; José Almeida Salgado - Fermelã; Joaquim Maria de Figueiredo - Salreu; António Joaquim da Cunha - Estarreja; José Pires Júnior - Canelas; Bel António da Fonseca - Salreu; João 17-05-1915 Lopes de Pinho - Pardilhó; João António Narciso Neves - Avanca; Manuel Ângelo Valente- Pardilhó; José Vaz de Oliveira Veiros; Francisco de Moura Coutinho D’Almeida Eça

João Batista Pinheiro

Eleição da Comissão Executiva para a eleição dos eleitos para o triénio de 1914 -1916

Substituto


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LIVRO FOLHA

DATA

NOME

CARGO

INFORMAÇÕES ADICIONAIS DE INTERESSE

24

António Joaquim da Cunha

Substituto

24

Abel António da Fonseca

Substituto

24

João Lopes de Pinho

Substituto

24

José Pires Júnior

Substituto

24

Francisco Maria da Silva Pais

Substituto

24

António João Bernardino Ferreira Pinto

Substituto

Presidente

24

Francisco de Moura Coutinho D’ Almeida Eça

24

Joaquim Maria Bandeira

Vice - Presidente

24

Manuel Ângelo Valente Sobreiro

1º Secretário

24

Joaquim Maria de Figueiredo

2º Secretário

24

95

20-05-1915

José Vaz de Oliveira

Vogal Efetivo

24

96

24

97

24

Substituição de Vogal Substituto, António João Bernardino Ferreira Pinto pelo Francisco António de Oliveira. Ofício de 17-05-1915, informa que toma posse como Administrador do Concelho, o cidadão Francisco de Moura Coutinho D’ Almeida Eça. De 17/05/1915 a 07/06/1915 é uma Comissão Administrativa que toma conta da Câmara. Ata sem assinaturas. A Comissão Executiva e a Câmara Municipal são impedidas de exercer funções. Retoma da Câmara Municipal a exercer as suas funções normalmente, passando o caso da tomada da Comissão Administrativa a ser esquecido (a Comissão Executiva regressa também à sua atividade).

24

99

24

99

09-06-1915

Francisco Barbosa do Couto Cunha Soto - Maior

Presidente

24

Manuel de Almeida Ramos

Vice- Presidente

24

Dr. Joaquim Lívio D’Assis Pereira de Mello

Vereador

Estes elementos também fazem parte da Comissão Executiva.

24

Padre António Maria de Pinho

Vereador

24

António José de Oliveira Guerra

Vereador

24

Joaquim Manuel da Silva Gravato

Vereador

[ 249 ]


NORVINDA LEITE

LIVRO FOLHA

DATA

NOME

CARGO

INFORMAÇÕES ADICIONAIS DE INTERESSE

24

Joaquim Maria de Resende

Vereador

24

José Domingues de Andrade Júnior

Vereador

24

Agostinho Luiz Valente Amador

Vereador

24

Manuel José de Pinho

Vereador

24

Francisco José de Pais Oliveira

Vereador

24

José Marque de Oliveira E Silva

Vereador

24

António José Tavares Rebimbas

Vereador

24

Manuel Daniel Esteves de Sá e Santos

Vereador

24

Manuel Soares de Almeida

Vereador

24

Francisco Maria Henriques

Vereador

24

Dr. Artur Marques Figueira

Vereador

24

José Joaquim Dias Pêgo

Vereador

24

Manuel Maria Leite

Secretário

24

101

Arnaldo Ribeiro

Administrador do Concelho

24

101V

Joaquim Dias Pêgo

24

105

04-08-1915

24

132V 03-01-1916

Vereador Substituto Presidente Francisco Barbosa ausenta-se para ir a banhos de mar, ficando a substituí-lo o Vereador Manuel de Almeida Ramos.

Francisco Barbosa

Presidente

Eleição da Câmara Municipal.

24

Manuel Almeida Ramos

Vice - Presidente

24

Manuel Maria Leite

1º Secretário

24

Joaquim Manuel Silva Gravato

2º Secretário

24

Eleição da Comissão Executiva: Efetivos

24

132V 03-01-1916

Padre António Maria de Pinho

Presidente

Eleição da Comissão Executiva.

24

António José Oliveira Guerra

Vice - Presidente

24

Dr. Artur Marques Figueira

1º Secretário

24

Joaquim Manuel Silva Gravato

2º Secretário

24

José Domingos Andrade Júnior

[ 250 ]


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LIVRO FOLHA

DATA

NOME

INFORMAÇÕES ADICIONAIS

CARGO

DE INTERESSE

24

Joaquim Maria de Resende

24

António Augusto Pinto Victor

24

Francisco Maria Henriques

Suplente

24

Francisco José Pais de Oliveira

Suplente

24

Francisco Maria Henriques

Suplente

24

Francisco Pais de Oliveira

Suplente

24

Francisco Pereira de Oliveira

Suplente

24

Manuel José de Pinho

Suplente

24

Manuel Daniel Esteves de Sá e Santos

Suplente

24

António Nunes de Sousa e Silva

Suplente

24

José Marques de Oliveira e Silva

Suplente

24

169

02-01-1917

24

188

02-01-1918

Dr. José Luciano da Costa Pires Corte - Real

Presidente

24

Padre António Maria de Pinho

Efetivo

24

Carlos Marques Rodrigues

24

António Maria de Sousa e Silva

24

Joaquim Manuel Silva Gravato Júnior

24

Ventura José de Campos

24

Joaquim Maria de Resende

24

António Marques Figueira

2º Secretário

24

Francisco Maria Henriques

1º Secretário

24

António José de Oliveira Guerra

24

Manuel Almeida Ramos

24

Joaquim Maria Bandeira

24

António Souto Rodrigues

24

Manuel Maria da Conceição

Eleição da Comissão para o ano de 1917. Mantem-se a mesma Comissão de 1916. Posse dos Vereadores que vão gerir e administrar os negócios do Concelho no triénio de 1918-1920, inclusive.

Vice - Presidente

[ 251 ]


NORVINDA LEITE

LIVRO FOLHA

24 24

INFORMAÇÕES ADICIONAIS

DATA

NOME

CARGO

Manuel Soares de Almeida

Substituto

Padre António Maria de Pinho

Presidente

189V 02-01-1918

DE INTERESSE

24

António José Oliveira Guerra

Vice - Presidente

24

Joaquim Manuel Silva Gravato Júnior

1º Secretário

24

Joaquim Maria Resende

2º Secretário

24

Francisco Maria Henriques

Substituto

24

José Maria da Silva de Matos

Substituto

24

Manoel Soares de Almeida

Substituto

24

Ventura José de Campos

Substituto

24

Manuel José de Pinho

Substituto

24

António Maria da Silva Rebelo

Substituto

24

José Marques de Oliveira d Silva

Substituto

24

Comissão Executiva:

24

António Nunes de Sousa e Silva

Vereador Efetivo

24

Carlos Marques Rodrigues

Vereador Efetivo

24

António Marques Figueira

Vereador Efetivo

Dr. José Maria de Abreu Freire

Presidente da Câmara

Termo de declaração ou compromisso conferido aos Vereadores que irão gerir os negócios do concelho de 13/08/1919 a 31/12/1922, nos termos da lei 849 de 02-08-1918 - há referência a eleições em 25-05-1919.

24

191 e 13-08-1919 192

24

Dr. Manuel Maria Vaz

Vice - Presidente

24

Capitão Manuel Maria Silva Abreu

1º Secretário

24

José Bernardino Pereira

2º Secretário

Dr. António Tavares Afonso e Cunha

Presidente da Comissão Executiva

24

192V 13-08-1919

24

José Fortunato do Amaral Cirne

Efetivo

24

Joaquim Maria de Resende

Efetivo

24

Joaquim Manuel da Silva Gravato

Efetivo

24

Capitão Manuel Maria da Silva Abreu

Efetivo

[ 252 ]


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LIVRO FOLHA

DATA

NOME

CARGO

INFORMAÇÕES ADICIONAIS DE INTERESSE

24

José Domingues de Andrade Júnior

Efetivo

24

Vitirino Tavares de Sousa

Efetivo

24

José Bernardino Pereira

Suplente

24

António Manuel de Sousa e Silva

Suplente

24

Francisco Xavier de Assis Pereira de Mello

Suplente

24

Vitorino José Ferreira

Suplente

24

Francisco Tavares de Azevedo

Suplente

24

Manuel Valente de Matos

Suplente

24

João Maria Amador

Suplente

Fazem referência à Comissão Administrativa que funcionou desde fevereiro a agosto de 1918, considerada “intrusa” e “censuradora”.

24

194V 05-11-1919

24

203V 07-01-1920

Dr. José Maria de Abreu Freire

Presidente da Câmara ou Senado

24

203V 07-01-1920

Dr. Manuel Maria Vaz

Vice - Presidente

24

203V 07-01-1920

Capitão Manuel Maria Silva Abreu

1º Secretário

24

203V 07-01-1920

José Bernardino Pereira

2º Secretário

Dr. António Tavares Afonso e Cunha

Presidente da Comissão Executiva

24

203V 07-01-1920

24

Capitão Manuel Maria Silva Abreu

Vice - Presidente

24

José Fortunato do Amaral Cirne

1º Secretário

24

Joaquim Maria de Resende

2º Secretário

24

Joaquim Manuel da Silva Gravato

Vogal

24

Vitorino Tavares de Sousa

Vogal

24

José Domingues de Andrade Júnior

Vogal

24

José Bernardino Pereira

Suplente

24

António Nunes de Sousa e Silva

Suplente

24

Francisco Xavier Assis Pereira de Mello

Suplente

24

Vitorino José Ferreira

Suplente

24

Francisco Tavares de Azevedo

Suplente

[ 253 ]


NORVINDA LEITE

LIVRO FOLHA

24

INFORMAÇÕES ADICIONAIS

DATA

NOME

CARGO

João Maria Amador

Suplente

Eleição da mesa para o ano de 1921.

DE INTERESSE

24

220

12-01-1921

Dr. José Maria de Abreu Freire

Presidente da Câmara

24

João Maria Amador

Vice - Presidente

24

Capitão Manuel Maria da Silva Abreu

1º Secretário

24

José Bernardino Pereira

2º Secretário

24

24

220

12-01-1921

Dr. António Tavares Afonso e Cunha

Presidente da Comissão Executiva

24

Joaquim Maria de Resende

Efetivo

24

Joaquim Manuel Silva Gravato

Efetivo

24

Capitão Manuel Maria da Silva Abreu

Efetivo

24

José Domingues de Andrade Júnior

Efetivo

24

Vitorino Tavares de Souza

Efetivo

24

José Bernardino Pereira

Efetivo

24

Francisco Xavier de Assis Pereira de Mello

Suplente

24

Francisco Tavares de Azevedo

Suplente

24

Manuel Daniel Esteves de Sá e Santos

Suplente

24

Manuel Soares Ferreira

Suplente

24

Manuel de Almeida Ramos

Suplente

Manuel Inácio de Sousa Valente

Vereador Efetivo

Tomada de posse dos Vereadores Efetivos.

Manuel Valente de Matos

Vereador Efetivo

Dr. José Maria de Abreu Freire

Presidente da Câmara

Eleição da mesa para 1922.

24 24 24

229V 16-11-1921

235V 02-01-1922

Eleição da Comissão Executiva para 1921.

24

João Maria Amador

Vice - Presidente

24

Capitão Manuel Maria Silva Abreu

1º Secretário

24

José Bernardino Pereira

2º Secretário

Dr. António Tavares Afonso e Cunha

Presidente da Comissão Executiva

Atas da Comissão Executiva

Capitão Manuel Maria Silva Abreu

Vice - Presidente

24 24

[ 254 ]

235V 02-01-1922


TERRAS DE ANTUÃ | HISTÓRIAS E MEMÓRIAS DO CONCELHO DE ESTARREJA

LIVRO FOLHA

DATA

NOME

CARGO

INFORMAÇÕES ADICIONAIS DE INTERESSE

24

Joaquim Maria de Resende

1º Secretário

24

Joaquim Manuel Silva Gravato

2º Secretário

24

José Domingues de Andrade Júnior

Vogal Efetivo

24

Vitorino Tavares Sousa

Vogal Efetivo

24

Manuel Valente de Matos

Vogal Efetivo

24

Manuel Sousa Pereira

Suplente

24

José Bernardino Pereira

Suplente

24

Manuel Inácio de Sousa Valente

Suplente

24

Francisco Tavares de Azevedo

Suplente

24

Vitorino José Ferreira

Suplente

24

Manuel Daniel Esteves Sá Santos

Suplente

25

22V

22-01-1923

Dr. José Luciano Pires de Castro Corte Real

Presidente da Câmara

25

Dr. António Tavares Afonso e Cunha

25

José Maria da Silva de Matos

25

Joaquim Manuel Silva Gravato

25

Francisco Maria Henriques

25

Camilo da Silva Pêgo

2º Secretário

25

Francisco de Moura Coutinho D’ Almeida Eça

Vice - Presidente

25

Francisco Maria Silva Paes

25

Manuel Joaquim Lopes Ramos

25

Manuel Domingues de Sá

25

José Maria de Oliveira

25

Manuel Marques Vidal

25

24

1923-1925

Dr. António Tavares Afonso e Cunha

Presidente da Comissão Executiva

25

Joaquim Manuel Silva Gravato

Efetivo

25

Joaquim Maria de Resende

Efetivo

1º Secretário

Posse e entrada em exercício da Câmara para os anos de 1923 a 1925, até ser legalmente substituída.

  Eleição da Comissão Executiva (por escrutínio secreto).

[ 255 ]


NORVINDA LEITE

LIVRO FOLHA

DATA

NOME

CARGO

INFORMAÇÕES ADICIONAIS DE INTERESSE

25

José Maria de Oliveira

Efetivo

25

António Augusto Valente Almeida

Efetivo

25

José Maria da Silva De Matos

Suplente

25

João Valente de Oliveira

Suplente

25

Camilo Silva Pêgo

Suplente

25

Francisco Maria Henriques

Suplente

25

Manuel Marques Vidal

Suplente

25

46

26-09-1923

Francisco de Moura Coutinho D’ Almeida Eça

Vereador

Apresentam-se a pedir renúncia dos respetivos mandatos de Vereadores. O presidente, Dr. José Luciano da Costa Pires Corte-Real também pede a renúncia. A ata não é assinada.

25

José Manuel de Oliveira

Vereador

25

Manuel Marques Vidal

Vereador

25

Manuel Domingues de Sá

Vereador

25

João Valente de Oliveira

Vereador

25

Dr. José Luciano da Costa Pires Corte-Real

Presidente

25

46V

26-09-1923

Dr. José Maria de Abreu Freire

Presidente

Comissão Executiva convoca reunião de Câmara.

25

Dr. António Tavares Afonso e Cunha

25

Francisco Tavares de Azevedo

25

Joaquim Maria de Resende

25

Joaquim Manuel da Silva Gravato

25

Vitorino José Ferreira

25

Manuel Valente de Matos

25

João Maria Amador

25

José Maria da Silva de Matos

25

Manuel Inácio de Sousa Valente

25

Manuel Maria da Silva Abreu

25

Capitão de Infantaria Manuel Soares Ferreira

[ 256 ]


TERRAS DE ANTUÃ | HISTÓRIAS E MEMÓRIAS DO CONCELHO DE ESTARREJA

LIVRO FOLHA

DATA

NOME

INFORMAÇÕES ADICIONAIS

CARGO

DE INTERESSE

Auto de Declaração e Compromisso de Honra prestados pelos Vereadores Eleitos para Administrar o Município de Estarreja, para biénio de 19241925 até sua legal substituição de 10-01-1924.

25

48

16-12-1923

Dr. José Marques Pereira Barata

25

Dr. João Carlos Henriques Tavares de Souza

25

Dr. Guilherme Eugénio Souto Alves

25

Dr. Manuel Tavares de Oliveira Lacerda

25

José Domingues de Andrade Júnior

25

Francisco de Moura Coutinho D’ Almeida Eça

25

José Nunes Antão

25

Manuel Domingues de Sá

25

José Manuel da Silva de Bastos Gurgo

25

Aníbal de Almeida Gouveia

25

Albino da Silva Tavares

25

Manuel Marques Vidal

25

50

10-01-1924

Dr. Manuel Tavares de Oliveira Lacerda

Presidente da Câmara

25

Francisco de Moura Coutinho D’ Almeida Eça

Vice-Presidente

25

Aníbal de Almeida Gouveia

1º Secretário

25

José Manuel Silva de Bastos Gurgo

25

José Domingues de Andrade Júnior

2º Secretário

25

Manuel Domingues de Sá

Suplente

25

50V

10-01-1924

Dr. Guilherme Eugénio Souto Alves

Presidente da Comissão Executiva

Eleição da Comissão Executiva, por escrutínio secreto.

25

Dr. José Marques Pereira Barata

Vice-Presidente

25

José Nunes Antão

1º Secretário

25

Dr. João Carlos Henriques Tavares de Sousa

2º Secretário

25

Albino da Silva Tavares

Vogal

25

José Domingues de Andrade Júnior

Substituto

[ 257 ]


NORVINDA LEITE

LIVRO FOLHA

DATA

NOME

CARGO

INFORMAÇÕES ADICIONAIS DE INTERESSE

25

José Manuel da Silva e Bastos Júnior

Substituto

25

Manuel Marques Vidal

Substituto

25

Aníbal de Almeida Gouveia

Substituto

25

Manuel Domingues de Sá

Substituto

25

64V

16-04-1924

25

73V

25

83

02-01-1925

Dr. Manuel Tavares Oliveira Lacerda

Presidente da Câmara

25

Francisco De Moura Coutinho D’ Almeida Eça

Vice

25

Aníbal Gouveia da Cunha

1ºSecretário

25

José Manuel Da Silva de Bastos Gurgo

1ºSecretário

25

83

02-01-1925

Dr. Guilherme Eugénio Souto Alves

Presidente da Comissão Executiva

25

Dr. José Marques Pereira Barata

Efetivo

25

Dr. João Carlos Henriques Tavares de Sousa

Efetivo

25

José Nunes Antão

Efetivo

25

Albino Silva Tavares

Efetivo

25

José Domingues de Andrade Júnior

Substituto

25

Manuel Marques Vidal

Substituto

25

José Maria Marques Figueira

Substituto

25

Manuel Domingues de Sá

Substituto

25

José Manuel da Silva de Bastos Gurgo

Substituto

Dr. José Maria de Abreu Freire

Presidente da Câmara

Eleição para o triénio de 19261928.

25

110V 02-01-1926

Posse efetiva do Vereador Substituto, o cidadão, António de Oliveira. Posse dos Vereadores substitutos, José Maria Marques Figueira e Francisco de Sousa Garganta para Vereadores Efetivos. Eleição da mesa de Câmara e da Comissão Executiva.

25

Padre António Maria de Pinho

Vice - Presidente

25

Francisco de Moura Coutinho D’ Almeida Eça

1º Secretário

25

António José de Oliveira Guerra

1º Secretário

[ 258 ]


TERRAS DE ANTUÃ | HISTÓRIAS E MEMÓRIAS DO CONCELHO DE ESTARREJA

LIVRO FOLHA

25

DATA

110V 02-01-1926

NOME

Dr. Guilherme Eugénio de Souto Alves

INFORMAÇÕES ADICIONAIS

CARGO

DE INTERESSE

Presidente Efetivo da Comissão Eleição de Comissão Executiva. Executiva

25

Dr. José Marques Pereira Barata

Vice - Presidente Efetivo

25

Dr. Manuel Tavares D’ Oliveira Lacerda

Secretário

25

Albino da Silva Tavares

Secretário

25

Manuel Tavares Gravato

Vogal

25

Francisco Xavier D’Assis Pereira de Mello

Substituto

25

Vitorino Tavares de Sousa

Substituto

25

Manuel Domingues de Sá

Substituto

25

João Pereira Marques Vilar

Substituto

25

Dr. João Carlos Henriques Tavares de Sousa

Substituto

25

25

91

Livro fica em branco, acabam as Câmaras Municipais - nota: o decreto 11.875, Diário do Governo nº 150, 1ª série de 13-07-1926. O Governador Civil de Aveiro com ofício apresentado pelo Administrados do Concelho, o capitão, Manuel Mariano da Silva Abreu, nomeia a Comissão Administrativa: ver também decreto 11.094 de 19-07-1926.

Nota: A Comissão Executiva e a Câmara Municipal foram dissolvidas pelo decreto 11.875 de 13-06-1926. Foi nomeada pelo Governador Civil e apresentada pela Administração do Concelho uma Comissão Administrativa que irá gerir e administrar os negócios do Município. Também existe uma Comissão Administrativa para as juntas de freguesia.

De 16/04/1926 a 14/07/1926 - Atas da Comissão Executiva

Nota: As atas da Comissão Executiva não foram consultadas quando existiam na mesma altura atas da Câmara Municipal.

129V 09-06-1926

[ 259 ]


NORVINDA LEITE

LIVRO FOLHA

DATA

NOME

INFORMAÇÕES ADICIONAIS

CARGO

DE INTERESSE

Nota: a Comissão Executiva e a Câmara Municipal foram dissolvidas pelo decreto 11.875 de 13-06-1926. Foi nomeada pelo governador civil e apresentada pela administração do Concelho, uma Comissão Administrativa que irá gerir e administrar os negócios do Município e também existe uma para as juntas de freguesia. Tomada de posse e Declaração de Compromisso de Honra prestado pela Comissão Administrativa Municipal do Concelho de Estarreja em 2807-1926.

91

De 28-07-1926 a 29/09/1926 – Atas da Comissão Administrativa

91

249

28-07-1926

Tomada de Posse da Comissão Administrativa

91

249

28-07-1926

Dr. Guilherme Eugénio Souto Alves

Presidente

91

251

04-08-1926

Dr. Eduardo de Almeida Silva de lima

Vice-Presidente

António José de Oliveira Guerra

Vogal Efetivo

João Pedro Marques Vilar

Vogal Efetivo

António Augusto de Abreu e Campos

Vogal Efetivo

Alberto da Maia Mendonça

Vogal Efetivo

Dr. Joaquim José Ferreira Baptista

Vogal Substituído

Dr. Gonçalo Vieira

Vogal Substituído

António de Abreu e Campos

Vogal Substituído

José Maria da Silva Tavares

Vogal Substituído

Camilo da Silva Prego

Vogal Substituído

93

31 V, 32 V

14-04-1928

Dr. Eduardo de Almeida e Silva de Lima

Presidente

Pe. António Maria Pinho

Vice-Presidente

Pe. João Rodrigues Marques Valente

Vogal Efetivo

Tenente Alberto da Maia Mendonça

Vogal Efetivo

93

33 V

18-04-1928

Tenente Manuel António da Silva Pereira

Vogal Efetivo

93

33 V

18-04-1928

Tenente Carlos Marques Rodrigues

93

340

01-02-1930

José Bernardino Pereira

Pe. João Mateus Morais

[ 260 ]

Vogal Substituído


TERRAS DE ANTUÃ | HISTÓRIAS E MEMÓRIAS DO CONCELHO DE ESTARREJA

LIVRO FOLHA

DATA

NOME

CARGO

INFORMAÇÕES ADICIONAIS DE INTERESSE

Augusto José Ferreira

Vogal Substituído

José Pereira Rodrigues Ferreira

Vogal Substituído

Alberto de Melo Vilhegas

Vogal Substituído

Manuel Domingues da Fonseca

Vogal Substituído

26

4

17-02-1930

Dr. Rafael António José Correia

Presidente

Pe. António Maria de Pinho

Vogal

Pe. João Rodrigues Marques Valente

Vogal

Carlos Marques Rodrigues

Vogal

José Bernardino Pereira

Vogal

Tenente Alberto da Maia Mendonça

Vogal

26

81

12-07-1930

José Marques de Oliveira e Silva

Vogal

26

122

25-10-1930

Dr. José Maria de Abreu Freire

Presidente

Pe. António Maria de Pinho

Vogal

Pe. João Rodrigues Marques Valente

Vogal

Tenente Alberto da Maia Mendonça

Vogal

Visconde de Baçar.

José Marques de Oliveira e Silva

Vogal

Vogal mais velho, servindo de Presidente na ausência e impedimento do próprio e ainda do Vice-Presidente.

José Bernardino Pereira

Vogal

26

228

20-06-1931

António Marques Tavares

Vogal

26

248

08-08-1931

Dr. António José Vaz da Silva Valente

Vogal

28

294 V

22-08-1936

Dr. Joaquim Alves Moreira

Vogal

95

68

28-01-1937

Pe. António Maria Pinho

Presidente

Pe. João Rodrigues Marques Valente

Vice- Presidente

Dr. Joaquim Alves Moreira

Vogal Efetivo

Dr. Alberto Ruela Ramos

Vogal Efetivo

Artur Baptista Beirão

Vogal Efetivo

António Marques de Oliveira e Silva

Vogal Efetivo

Posse e declaração de compromisso de honra prestado pela Comissão Administrativa da Câmara Municipal de Estarreja.

[ 261 ]


NORVINDA LEITE

LIVRO FOLHA

INFORMAÇÕES ADICIONAIS

DATA

NOME

CARGO

95

223 V

05-12-1937

Pe. António Maria de Pinho

Presidente

Dr. Albino Domingues de Sá

Vogal Efetivo

José Teixeira dos Reis

Vogal Efetivo

Ezequiel da Silva e Pinho

Vogal Efetivo

Albino da Silva Tavares

Vogal Substituto

António Maria Valente Rodrigues

Vogal Substituto

João Maria da Silva Moura

Vogal Substituto

95

238

29-12-1937

Pe. João Rodrigues Marques Valente

Presidente

Dr. Licínio Elísio de Abreu Freire

Presidente Substituto

95

245 V 07-01-1938

DE INTERESSE

Pe. António Maria Pinho

Vogal Efetivo

Ezequiel da Silva e Pinho

Vogal Efetivo

Dr. Albino Domingues de Sá

Vogal Efetivo

José Teixeira dos Reis

Vogal Efetivo

Albino da Silva Tavares

Vogal Substituto

António Maria Valente Rodrigues

Vogal Substituto

João Maria da Silva Moura

Vogal Substituto

31

212

Presidente

Alberto de Melo Vilhagas

Vogal Efetivo

Será o presidente em exercício de ausência e impedimento do Presidente

31

02-01-1942 Dr. Eduardo Câmara Carvalho e Silva

246 V 07-03-1942

32

5V

07-04-1942

Alberto de Melo Vilhagas

Vice-Presidente

32

140

23-11-1942

Dr. João Eduardo Ferraz de Abreu

Vice-Presidente

32

António Maria da Silva Pinho

Vice-PresidenteSubstituto Vice-PresidenteSubstituto

33

156

23-04-1945

Dr. António José Vaz da Silva Valente

Pe. Maria de Pinho

Vogal Efetivo

Eurico Carlos Teixeira da Costa Marques

Vogal Efetivo

Serafim Pires dos Santos

Vogal Efetivo

António Maria da Silva Pinho

Vogal Substituto

Américo de Almeida

Vogal Substituto

[ 262 ]


TERRAS DE ANTUÃ | HISTÓRIAS E MEMÓRIAS DO CONCELHO DE ESTARREJA

LIVRO FOLHA

INFORMAÇÕES ADICIONAIS

DATA

NOME

CARGO

João Rodrigues Carapinheira

Vogal Substituto

DE INTERESSE

António de Castro Corte Real

Vogal Substituto

Presidente

34

28 V

02-01-1946

Dr. Eduardo da Câmara Carvalho e Silva

34

117

08-08-1946

Dr. Jaime Ferreira da Silva

Presidente

34

117

08-08-1946

Vasco de Almeida Ribeiro

Vice-Presidente

António Maria da Silva Pinho

Vereador Efetivo

Eurico Carlos Teixeira da Costa Marques

Vereador Efetivo

Serafim Pires dos Santos

Vereador Efetivo

Ilídio José Rodrigues Espanha de Resende

Vereador Efetivo

Francisco Maria Afonso

Vereador Substituto

Francisco da Silva Costa

Vereador Substituto

Alfredo de Almeida e Silva

Vereador Substituto

José Fortunato Ferreira de Pinho

Vereador Substituto

37

147

02-01-1951

Dr. Jaime Ferreira da Silva

Presidente

Vasco de Almeida Ribeiro

Vice-Presidente

Eurico Carlos Teixeira da Costa Marques

Vereador Efetivo

António Maria da Silva Pinho

Vereador Efetivo

Serafim Pires dos Santos

Vereador Efetivo

Ilídio José Rodrigues Espanha de Resende

Vereador Efetivo

37

147

02-01-1951

Dr. Jaime Ferreira da Silva

Presidente

Vasco de Almeida Ribeiro

Vice-Presidente

Saída do mandato em 1953.

39

67

Vice-Presidente

Início do mandato em 09-071953.

Carlos Augusto de Pinho

Vereador Efetivo

Arlindo Gouveia da Cunha

Vereador Efetivo

José Marques da Cruz

Vereador Efetivo

Serafim Pires dos Santos

Vereador Efetivo

José Ferreira dos Reis

Vereador Efetivo

Miguel Marques de Lemos

Vereador Efetivo

09-07-1953 Eng.º Joaquim Armando da Silva Mendonça

Presentes na eleição para o mandato de 1951 a 1954

[ 263 ]


NORVINDA LEITE

LIVRO FOLHA

DATA

NOME

INFORMAÇÕES ADICIONAIS

CARGO

DE INTERESSE

António Marques Couto

Vereador Substituto

39

93

29-10-1953

António Marques Figueira

Camilo da Silva Rego

Vereador Substituto

Filipe Marques Correia

Vereador Substituto

Joaquim de Oliveira Carapinheira

Vereador Substituto

40

41

02-01-1955

Dr. Jaime Ferreira da Silva

Presidente

40

132

13-10-1955

Arlindo Gouveia da Cunha

Vice-Presidente

Carlos Augusto de Pinho

Vereador

António Marques Figueira

Vereador

José Marques da Cruz

Vereador

Artur Baptista Beirão

Vereador

José Ferreira dos Reis

Vereador

Miguel Marques de Lemos

Vereador

44

18

02-01-1959

Dr. Jaime Ferreira da Silva

Presidente

44

123

11-05-1959

Dr. Fernando Elísio Pinto Gomes

Presidente

Arlindo Gouveia da Cunha

Vice-Presidente

Artur Baptista Beirão

Vereador

António Marques Figueira

Vereador

Carlos Augusto de Pinho

Vereador

José Marques da Cruz

Vereador

José Ferreira dos Reis

Vereador

Miguel Marques de Lemos

Vereador

46

1

10-12-1959

Dr. Fernando Elísio Pinto Gomes

Presidente

Vice- Presidente

Vereador Substituto

Em 29-10-1953 passa a vereador efetivo.

Eleição para o mandato de 1955 a 1958

Substitui o Dr. Jaime Ferreira da Silva, que tomou posse do cargo de Governador Civil de Aveiro a 31/01/1959.

51

122

25-04-1963

Dr. Albino Alexandre Domingues Ataíde Saraiva de Refoios e Sá

Augusto Nunes Beirão

Vereador Efetivo

Carlos Augusto da Costa

Vereador Efetivo

[ 264 ]


TERRAS DE ANTUÃ | HISTÓRIAS E MEMÓRIAS DO CONCELHO DE ESTARREJA

LIVRO FOLHA

DATA

NOME

CARGO

INFORMAÇÕES ADICIONAIS DE INTERESSE

Dr. Eduardo Alberto da Costa

Vereador Efetivo

João da Silva Amaro

Vereador Efetivo

José da Silva Amaro

Vereador Efetivo

José Eduardo Soares de Quadros

Vereador Efetivo

José Marques da Cruz

Vereador Efetivo

53

49 e 49 V

Armando da Silva Vigário

Vice-Presidente

53

121 V

2-09-1964

54

156

Dr. Fernando Elísio Pinto Gomes

Presidente

54

168

29-07-1965

Boaventura Pereira de Melo

Presidente

56

99

15-Set

Armando da Silva Vigário

Vice-Presidente

56

129

05-11-1966

Dr. Casimiro da Silva Tavares

Vice-Presidente

Augusto Nunes Beirão

Vereador Efetivo

Dr. Eduardo Alberto da Costa

Vereador Efetivo

55

68 V

João da Silva Amaro

Vereador Efetivo

58

6

José Eduardo de Quadros

Vereador Efetivo

José Marques da Cruz

Vereador Efetivo

Sebastião Batista Ferreira Verga

Vereador Efetivo

58

6

Bernardino da Silva

Vereador Substituto

55

84 V

Camilo da Silva Rego

João Augusto da Costa

Vereador Substituto

Manuel Dias Martins da Silva

Vereador Substituto

Mário dos Reis de Castro Pires Corte Real

Vereador Substituto

Olímpio Dias da Costa

Vereador Substituto

Livro 53, pág. 49 e verso começa a exercer funções. Homenagem ao Dr. Jaime Ferreira da Silva, que foi presidente desta Câmara durante cerca 13 anos e governador civil do distrito quase 3 anos. À sua memória mandaram construir no cemitério da freguesia de Pardilhó, um mausoléu e o seu busto foi erguido no largo principal da mesma freguesia. Livro 54, pag.156, fim do seu mandato. Nesta data inicio das suas funções como Presidente. Livro 56, pág. 99 - a 15 setembro deixa de exercer funções. Livro 56, pág. 129 - início de funções em 5 novembro 1966.

Deixa de exercer funções em 16-12-1965. Deixa de exercer funções em 23-11-1967.

Passa a Vereador efetivo em 23-11-1967. Passa a Vereador efetivo em Vereador Substituto 06-01-1966.

[ 265 ]


NORVINDA LEITE

LIVRO FOLHA

DATA

NOME

INFORMAÇÕES ADICIONAIS

CARGO

DE INTERESSE

Eleição de 1968 A 1971 Deixa de exercer funções em 23-06-1969. Início das suas funções a 16/09/1969. O seu nome deixa de aparecer nas Atas.

58

15

10-12-1967

Sr. Boaventura Pereira de Melo

Presidente

60

104

16-09-1969

Sr. Francisco José Marques de Oliveira Pinto

Presidente

60

83

Sr. Dr. Casimiro da Silva Tavares

Vice-Presidente

60

83

19-08-1969

Sr. Vereador Manuel da Silva Pinho

Presidente e Vice-Presidente

60

104

16-09-1969

António Marques de Oliveira e Silva

Vice-Presidente

Início das suas funções em 1609-1969.

Augusto Nunes Beirão

Vereador Efetivo

Bernardino da Silva

Vereador Efetivo

Manuel Maria Marques da Silva

Vereador Efetivo

Manuel Rodrigues dos Santos Silva

Vereador Efetivo

Manuel da Silva Pinho

Vereador Efetivo

Substitui o Presidente e o Vice-Presidente (19-08-1969 a 16-09-1969).

Sebastião Baptista Ferreira Verga

Vereador Efetivo

Augusto Pinto Sousa

Vereador Substituto

Armando Valente de Matos

Vereador Substituto

João António Valente Matos

Vereador Substituto

João Maria Afonso

Vereador Substituto

Manuel Alberto de Pinho

Vereador Substituto

António Marques Valente

Vereador Substituto

63

128 V 10-12-1971

Eleição da Câmara Municipal, para o Mandato de 1972 a 1975

64

48

19-04-1972

Francisco José Marques de Oliveira Pinto

Presidente

64

49

26-04-1972

António Marques de Oliveira e Silva

Vice-Presidente

66

95 V

11-04-1974

António Marques de Oliveira e Silva

Presidente

66

95 V

02-05-1974

José Simões Ventura

Vice-Presidente

64

49 V

26-04-1972

Augusto da Rocha Ferreira

Vereador

João Maria Afonso

Vereador

Júlio Valente de Almeida Miranda

Vereador

Manuel Maria Marques da Silva

Vereador

[ 266 ]

Em 26-04-1972, assume a presidência como Vice-presidente. Exerce funções de Presidente em 11-04-1974. Em 02-05-1974 é Vice-Presidente. Deixou de exercer as suas funções em 26-04-1972.


TERRAS DE ANTUÃ | HISTÓRIAS E MEMÓRIAS DO CONCELHO DE ESTARREJA

LIVRO FOLHA

DATA

NOME

CARGO

Vereador

INFORMAÇÕES ADICIONAIS DE INTERESSE

Manuel da Silva Pinho

Albano da Silva

Vereador Substituto

Carlos Augusto da Graça e Sousa

Vereador Substituto

64

49 V

Custódio da Costa Rodrigues

Francisco Tavares de Matos

66

101 V 15-05-1974

Manuel Augusto Domingues Dias de Andrade

Vereador Substituto

Eleito para Vereador Efetivo em 26-04-1972.

Vereador Substituto 1974 A 1976 - Comissão Administrativa Provisória, Câmara Municipal de Estarreja - ata 8 de Maio de 1974. Presidente

Sr. Dr. José de Oliveira e Silva

Vice-Presidente

Apenas nesta data é que é o Vice-Presidente, na próxima Ata passa a vogal, e volta a ser Vice-Presidente em 19-02-1975 - livro 67- pág. 59).

Alcino Francisco Monteiro

Vogal

Alberto Augusto Linhares Vidal

Vogal

João Carlos da Fonseca Júnior

Vogal

Deixa de exercer as suas funções em 26-03-1975, livro 67 - pág. 80.

Joaquim da Silva Marques

Vogal

José Ferreira do Amaral

Vogal

José Manuel Sousa Costa

Vogal

Deixa de exercer funções em 19-02-1975.

José Maria de Pinho Resende

Vogal

Manuel Carvalho dos Santos

Vogal

Manuel Rodrigues Afonso

Vogal

António Maria Ferreira

Vogal

José Luís Marques Figueira Vidal

Vogal

Passa a vogal em 19-03-1975.

66

O dia 13 de Junho, dia em que, nesta Vila, se realizam os tradicionais festejos a Stº Amaro, mas a Comissão Administrativa deliberou deixar para melhor oportunidade o estudo e fixação do Feriado Municipal

107 V 22-05-1974

67

147

02-12-1975

José Luís Marques Figueira Vidal

Presidente

Aleixo Valente de Almeida

Vogal

[ 267 ]


NORVINDA LEITE

LIVRO FOLHA

DATA

NOME

CARGO

INFORMAÇÕES ADICIONAIS DE INTERESSE

Fernando Dias Pinto Valente

Vogal

João Marques Vaz

Vogal

Manuel Augusto Valente de Quadros

Vogal

Mário Caetano Rosa

Vogal

68

111 V 08-01-1977

1ª Eleição por Sufrágio Universal Direto a 12/12/1976.

Maria de Lurdes de Jesus Almeida Breu

Presidente

 

Aníbal Marcelino Gouveia

Vereador

69

131 V

António Emílio de Oliveira

Vereador

68

113

José Luís Marques Figueira Vidal

Vereador

Laerte Batista Freire

Vereador

Manuel Carvalho dos Santos

Vereador

70

48

Mário Caetano Rosa

Vereador

Substitui a Presidente nas suas faltas e impedimentos a 08-071978.

Manuel Marques Figueira

Vereador

71

141

04-01-1980

Maria de Lurdes de Jesus Almeida Breu

Presidente

71

149 V

Eduardo Jaime de Oliveira Mortágua

Vereador

Vereador Substituto da Presidente.

António Joaquim Alves Estrela

Vereador

José Manuel Carmona de Abreu Freire

Vereador

Eduardo Jaime de Oliveira Mortágua

Vereador

Rogério Ferreira de Oliveira

Vereador

Maria da Conceição Pereira de Sousa Marques

Vereador

Duarte Drumond Esmeraldo

Vereador

75

75

72

05-01-1983

Maria de Lurdes de Jesus Almeida Breu

Presidente

Eleição de 12-12-1982.

75

42

05-01-1983

Eduardo Jaime de Oliveira Mortágua

Vereador

Vereador Substituto da Presidente e em regime de permanência.

77

104

António Manuel Ferreira Lopes Rodrigues

Vereador

Deixa de exercer as suas funções em 18 - 07-1984.

[ 268 ]

Deixa de exercer as suas funções em 28-02-1978. Substitui a Presidente nas suas faltas e impedimentos.

Eleição de 16/12/1979.


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LIVRO FOLHA

DATA

NOME

CARGO

INFORMAÇÕES ADICIONAIS DE INTERESSE

Casimiro da Silva Tavares

Vereador

Duarte Drumond Esmeraldo

Vereador

Guilherme de Pinho Ferreira

Vereador

Sérgio de Almeida e Silva

Vereador

77

97 V

10-07-1984

77

71 e 142 V;

78

136 V 10-04-1985

Dário Matos de Almeida

Vereador

Maria da Conceição Pereira de Sousa Marques

Vereadora

Nesta data entra como Vereador Substituto da Presidente e em regime de permanência. Exerce novamente as suas funções como Vereador efetivo em 1906-1985. Em 06/06/1984, Prof. Maria de Lurdes Breu suspende mandato por 90 dias, renovados em setembro por mais 90 dias. Entra como Vereadora Substituta do Presidente e em regime de permanência.

79

105

08-01-1986

Maria de Lurdes de Jesus Almeida Breu

Presidente

Eleição de 15-12-1985.

79

112 V

Agostinho Luís Pereira Valente

Vice-Presidente

Vereador Substituto da Presidente e em regime de permanência.

Albino de Pinho Marques Ferreira

Vereador

Ângelo Manuel de Oliveira Couto

Vereador

Augusto da Rocha Ferreira

Vereador

82

50 V

Guilherme de Pinho Ferreira

Vereador

Deixa de exercer as suas funções em 12-05-1987.

Sérgio de Almeida e Silva

Vereador

82

59 V

António Teixeira da Silva

Vereador

Entra em funções em 19-051987, substituindo o Guilherme de Pinho Ferreira. Nota: A partir desta data a informação foi retirada dos respetivos processos eleitorais em arquivo, pelo facto não se encontram aqui referenciadas eventuais alterações ao longo dos mandatos.

Maria de Lurdes de Jesus Almeida Breu

Presidente

Vladimiro das Neves Rodrigues da Silva

Vereador

Norberto Eurico Valente da Costa

Vereador

Edgar Panão

Vice-Presidente

Eleição de 17-12-1989.

[ 269 ]


NORVINDA LEITE

LIVRO FOLHA

DATA

NOME

CARGO

António Teixeira da Silva

Vereador

António Augusto da Silva Rodrigues

Vereador

Joaquim da Silva Marques

Vereador

Vladimiro das Neves Rodrigues da Silva

Presidente

INFORMAÇÕES ADICIONAIS DE INTERESSE

Dário Matos Almeida

Vereador

António Teixeira da Silva

Vereador

Regina Maria Pinto da Fonseca Ramos Bastos

Vereador

Casimiro da Silva Tavares

Vereador

Fernando Manuel Mendonça Albergaria Matos

Vereador

Mário José Lopes Bandeira Simão

Vereador

Vladimiro das Neves Rodrigues da Silva

Presidente

José Eduardo Alves Valente de Matos

Vereador

António Teixeira da Silva

Vice-Presidente

António Manuel da Conceição Simões Pinto

Vereador

Fernando Manuel Mendonça Albergaria Matos

Vereador

António Augusto da Silva Rodrigues

Vereador

António Tavares Lamego

Vereador

José Eduardo Alves Valente de Matos

Presidente

Vladimiro das Neves Rodrigues da Silva

Vereador

Abílio José Ferreira da Silveira

Vice-Presidente

António Teixeira da Silva

Vereador

José Cláudio Vital

Vereador

Vereador

 

Eleição de 12-12-1993.

Eleição de 14-12-1997.

Eleição de 16-12-2001.

Fernando Manuel Mendonça Albergaria Matos

Armando Tavares Correia

Vereador

José Eduardo Alves Valente de Matos

Presidente

Abílio José Ferreira da Silveira

Vice-Presidente

Alexandre Oliveira da Fonseca

Vereador

[ 270 ]

Eleição de 09-10-2005.


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LIVRO FOLHA

DATA

NOME

CARGO

INFORMAÇÕES ADICIONAIS DE INTERESSE

Armando Tavares Correia

Vereador

Catarina Ascensão Nascimento Rodrigues

Vereador

João Carlos Teixeira Alegria

Vereador

Manuel de Pinho Ferreira

Vereador

11-10-2009

José Eduardo Alves Valente de Matos

Presidente

Eleição de 11-10-2009.

Abílio José Ferreira da Silveira

Vice-Presidente

Catarina Ascensão Nascimento Rodrigues

Vereador

Diamantino Manuel Sabina

Vereador

João Carlos Teixeira Alegria

Vereador

Manuel de Pinho Ferreira

Vereador

Rosa Maria Lopes Bandeira Simão Correia

Vereador

29-09-2013

Diamantino Manuel Sabina

Presidente

Fernando Manuel Mendonça Albergaria Matos

Vereador

João Carlos Teixeira Alegria

Vereador

Madalena Maria Trindade Coelho Balça

Vereador

Rosa Maria Lopes Bandeira Simão Correia

Vereador

Catarina Ascensão Nascimento Rodrigues

Vereador

Adolfo Figueiredo Vidal

Vice- Presidente

Eleição de 29-09-2013.

[ 271 ]


SÉRGIO PAULO SILVA

DEAMBULANDO PELAS RUAS

Sérgio Paulo Silva*

Instou-me por simpatia e amizade, a Dra. Rosa Maria para que escrevesse para as Terras de Antuã, como, de resto outras pessoas o têm feito para outras publicações. Não cuidam, porém, do mal que me fazem, a aflição em que me deixam por nada, por nenhum milho velho ter na arca e por há muito se ter esgotado a imaginação com que me iludia e, inopinadamente, enganava todos. Mas, enfim, seja. Não há muito, por um momento mau na minha vida, deambulei por instantes pelas ruas do cemitério da minha aldeia. E, à medida que ia passando pelas avenidas e ruelas do cemitério ia olhando para as campas, lendo os nomes de quantos lá jazem, vendo as fotografias e de algum modo emocionando-me com os meus pensamentos. Havia muitos mortos que há muito estavam sepultados na minha memória, como se jamais tivessem existido. E, no entanto, com mais ou menos proximidade eu tinha privado com aquelas pessoas. Estava ali muito do meu passado e, pelas circunstâncias, o presente que se agitava nos meus pensamentos. Em meios pequenos conhecemos toda a gente, mesmo quando desaparecem, e se nos referimos só necessitamos de mudar a conjugação dos verbos. Fui-me assim dando conta de pessoas que haviam sido simples e austeras e repousavam agora em jazigos ricos e faustosos. Havia o inverso também enfim, a diversidade campeia num sítio, no local onde todos se irmanam e igualizam. Posteriormente, deambulando pelas ruas da freguesia com a memória rejuvenescida de alguns nomes, apreciei as suas antigas residências e os locais onde tinham decorrido as suas vidas e dei comigo a pensar o quanto isto oferece de discussão a quem saiba, tenha imaginação e logre cruzar as linhas do atoalhado. Quando nasci, a aldeia estava lá, com as suas gentes, com gerações de famílias, a diversidade cultural, a desigualdade de teres e haveres e nesse carrossel urdida e urdindo-se e assim sempre e desde sempre. Mas como seriam as suas primeiras casas? De ordinário não se questiona uma coisa destas que nos é tão natural como usar uma camisa. E no entanto há fotografias que mostram espaços cultivados e onde hoje as habitações se sucedem – coisa que vendo, não demos fé. Deambulando pelas ruas da aldeia nas profundidades caladas da minha ignorância atrevo-me a observar como as posses de cada um, as necessidades dos tempos, as modas e até afectos determinam as construções e assim segue a música sendo que agora com imposições legais que já nem tudo permitem e a muito indesejável obrigam.

* Autor Estarrejense

[ 272 ]


TERRAS DE ANTUÃ | HISTÓRIAS E MEMÓRIAS DO CONCELHO DE ESTARREJA

Já num outro escrito chamei a atenção de como a actividade agrícola tinha pesado na construção das casas. Não havendo tractores os portões eram feitas à medida dos carros de vacas e a sua altura contemplava a altura de milhos, canízias e palhas que habitualmente carregavam. Podia também referir que eram feitos à face da estrada, sem jardins fronteiros por ser desperdício de terreno então precioso. As cozinhas em tempo de não haver gaz nem electridade fácil e em que tudo dependia do uso da lenha, eram grandes com largas lareiras, com lugar estimado para a fogueira, para as panelas de ferro, com forno, avantajadas chaminés e quartinhos pequenos… casa onde caibas, terra que não saibas… Por uma questão de memória e de afecto o Visconde edificou o seu palacete sobre a modestíssima casa paterna fazendo questão que as suas paredes fizessem parte do novo imóvel. O Palacete, como o conhecido edifício do largo da Igreja ou a casa do Santo, têm o selo do poderio económico, da ostentação e o mesmo se poderá pensar, embora noutras escalas e dimensões, de outros prédios que se têm prolongado no tempo, pelos azulejos que os revestem, janelas, algumas varandas… Assim mesmo se poderiam lançar à balança do juízo os materiais usados. É ainda possível encontrar paredes de celão, de adobes…ficando os granitos para outras terras que deles tinham abundância. Mas, se no correr dos séculos foi a vontade das pessoas que determinou quanto se conhece ou conheceu nos domínios da habitação, nos cemitérios não poderá ser entendido assim, salvo excepções que não pesam significativamente. Os mortos já não podem interferir nas decisões dos seus herdeiros que fazem ou modificam as campas sempre com um desfasamento geracional de monta. Com tudo quanto isto implica, passa além das questões monetárias. Deambulando pelo cemitério da minha terra, dei comigo a pensar que tudo, nos vagares do tempo, tinha sido feito pela multidão silenciosa que ali repousa que já não pode transmitir conhecimentos ou responder a perguntas. Devo-lhes a História que tenho e terei que explicar-me servindo-me da imaginação e da memória. Tarefa que se tornará leve em me lembrando, com nitidez, das primeiras camisas que vesti.

[ 273 ]


TERRAS DE ANTUÃ | HISTÓRIAS E MEMÓRIAS DO CONCELHO DE ESTARREJA

O CONCELHO DE ESTARREJA E OS SEUS EMIGRANTES ANO DE 1897 Trilhos do Amazonas Teresa Cruz* eValter Santos** A comercialização da borracha foi, sem dúvida, um dos aspectos mais relevantes da história económica do Brasil. As seringas ou seringueiras (Hevea brasiliensis), também designadas “árvores da fortuna”, extraordinariamente abundantes na úbere floresta amazónica, cuja seiva - borracha natural – era já conhecida e utilizada pelos índios, haveria de tornar-se alvo de encarniçada cobiça e mola propulsora do comércio externo. A partir do século XIX, mercê da sua imensa demanda na Europa e na América, ao atingir um elevado valor comercial, a borracha, qual indeclinável chamariz com lucro à vista, atraiu para a região amazónica muitos e ousados empreendedores adivinhando a fortuna e multidões de pobres trabalhadores em busca da ilusão duma melhoria das suas magras condições de vida. A extração do latex e consequente comércio da borracha teve o seu apogeu entre os anos de 1879 e 1912, ocupando imensa mão-de-obra – das 695 mil pessoas que habitavam a inóspita Amazónia, cerca de 260.000 eram provenientes do fenómeno migratório entretanto desencadeado – que, na sua esmagadora maioria, face à terrível situação a que estavam votados, carpia amargo arrependimento, a ponto de, na celebração anual da “Malhação de Judas”, caricaturarem-se com bonecos por si confeccionados e espancarem a sua própria imagem, em jeito de auto-flagelação. O valor da tonelada de goma que em 1870 era de 182 libras, em 1909 elevou-se às 512 libras esterlinas, moeda adoptada no comércio externo deste produto, gerando um considerável fluxo de divisas que estiveram na origem de um desenvolvimento geral acentuado, mais perceptível, contudo, nas cidades de Porto Velho (Rondonia), Belém (Pará) e Manaus (Amazónia), sendo as duas últimas, então, consideradas como as mais prósperas do Mundo. O facto de, já nessa época, se acharem equipadas com energia eléctrica, água canalizada, esgotos, edifícios ostentosos, bancos, mercados, teatros e modernas avenidas onde perpassavam os bondes (carros eléctricos) apinhados de passageiros, atesta veementemente o seu indubitável incremento civilizacional. Ingleses e holandeses, ao apoderarem-se das sementes da “árvore da fortuna»,astuciosamente promoveram plantações em grande escala em territórios africanos e asiáticos, logrando borracha a preços substancialmente inferiores, permitiram-se, dessa forma, chamar a si as rédeas do comércio mundial de látex, sujeitando a produção brasileira a uma crise tão gravosa e incontornável que conduziu os endinheirados e poderosos produtores brasileiros à deplorável falência. No ano de 1910, o Brasil ainda exportou 40 mil toneladas de borracha, mas a partir de 1913 o declínio foi tão saliente que os valores exportados não cobriam os gastos da produção.

* Investigadora, autora das obras Quinta e Casa da Botica, Banda de Música de S. João da Madeira 1860/2005; co-autora da obra A Misericórdia da Vila de Cucujães, 1937 – 2012. ** Investigador e jornalista, autor da obra Cucujães Antigo e Moderno; co-autor da obra A Misericórdia da Vila de Cucujães, 1937 – 2012.

[ 275 ]


TERESA CRUZ E VALTER SANTOS

A queda do preço no mercado internacional, a invenção da borracha sintética e a falta de políticas de protecção e incentivo por parte do governo, ditaram, inexoravelmente, o fim da era doirada da produção e comercialização da borracha amazónica. Em 1901, o governo boliviano concedeu a exploração do seu território do Acre ao Bolivian Syndicat, por um período de 30 anos. O governo brasileiro, por iniciativa do Barão de Rio Branco, ao tempo Ministro das Relações Exteriores, temendo que os norte-americanos, com isso, alcançassem uma indesejada liderança, negociou, em 1903, o Tratado de Petrópolis, através do qual o Brasil assegurou a jurisdição do Acre e suas seringueiras mediante uma indemnização de 200 mil dólares ao Bolivian Syndicat e o compromisso formal de construção de uma ligação ferroviária, numa extensão de 366 km, que permitisse à Bolívia um acesso ao Oceano Atlântico. A execução desta obra desencadeou novo movimento migratório, já que entre 1907 e 1912, deu ocupação a mais de 30 mil trabalhadores, dos quais 1 552 encontraram ali o final das suas vidas, conforme se constata dos registos oficiais (embora se acredite que tenha atingido números bem mais relevantes), devido à inimaginável falta de condições de higiene e salubridade e inexistência de cuidados de saúde naquele território selvagem e inóspito, onde o mosquito era inimigo letal, condenando tanta gente à morte, vítimas indefesas da beribéri, da malária, das pneumonias e doenças da bexiga. Esta linha férrea, perpetuada na memória popular pelos apelidos de «Ferrovia do Diabo» e «Maria Louca», que rompeu a selva virgem e trilhou pântanos, que custou ao governo do Brasil algo estimado em 28 toneladas de ouro (cerca de 62 mil contos da época), que sofreu inúmeros percalços na sua construção, pois que as frequentes chuvas tropicais, torrenciais e devastadoras, danificavam a cada passo a obra feita, que viu a primeiro troço, desde Porto Velho à fronteira boliviana, numa distância de apenas 90 km, ser aberto em 1910 e ser inaugurada em toda a sua extensão no dia 1 de Agosto de 1912, acabou por ter uma existência fugaz e inglória, pois, breves anos após os festejos inauguratórios, viu a maioria dos seus trilhos desactivados, restando hoje, transitáveis, uns meros e insignificantes 30 quilómetros. Em 1927, numa última e vã tentativa de contrariar a hegemonia asiática, surgiu no Pará uma nova plantação de um milhão de hectares, mas o fracasso foi inevitável e tanto os “barões da borracha” como as cidades amazónicas, outrora opulentas e florescentes, entraram em acelerada decadência. Joaquim Maria Amador Leite (13-03-1860, Murtosa/1932, Brasil) foi um dos protagonistas desta dramática novela de ascensão e queda. Muito jovem ainda, imigrou para o Brasil onde, dedicando-se ao negócio da borracha, chegou a ser proprietário de uma avultada frota de barcos a vapor. O seu enorme sucesso proporcionou-lhe um invejável poder económico que, entre nós, se traduziu na aquisição de inúmeras propriedades e na execução de diversas obras, tanto em Estarreja como nas terras circunvizinhas; adversamente, o fim da actividade seringueira constituiu, para o nosso patrício, uma verdadeira calamidade económica, a ponto de ter de ir vendendo todas as propriedades para assegurar a sua subsistência. Teresa Cruz

[ 276 ]


TERRAS DE ANTUÃ | HISTÓRIAS E MEMÓRIAS DO CONCELHO DE ESTARREJA

AVANCA ESCOLARIDADE E PROFISSÃO

NOME E ESTADO CIVIL

IDADE

Américo

22 meses

Ângelo da Costa e Silva, solteiro

25

Sabia escrever, lavrador

António Joaquim da Costa e Caetana de Jesus Resende

António Augusto Valente Martins, solteiro

12

Sabia escrever, lavrador

António Valente e Maria José Martins

António da Silva Matos, casado

38

Sabia escrever, trabalhador

Francisco de Matos e Joana Maria de Matos

António de Aguiar, solteiro

26

Sabia escrever, lavrador

João de Aguiar e Joana da Silva

António José dos Reis, solteiro

52

Analfabeto, proprietário

Gabriel José dos Reis e Maria de Oliveira

António Maria Valente, solteiro

21

Analfabeto, ferreiro

Manuel Valente e Joana Maria de Jesus

António Rodrigues Valente, solteiro

34

Analfabeto, lavrador

Manuel Rodrigues Valente e Maria Joaquina de Pinho

Celestino da Silva Petiz, solteiro

13

Analfabeto

Luís da Silva Petiz Rosa Soares

Fernando António, solteiro

28

Analfabeto, trabalhador

Manuel Alves e Rosa de Matos

João Alves, casado

53

Analfabeto, proprietário

António Alves da Silva e Verónica de Jesus

João António de Matos Almeida, casado

24

Analfabeto, lavrador

Manuel de Matos de Almeida e Joaquina de Abreu

João da Silva Castanheira, casado

25

Analfabeto, almocreve

Manuel da Silva e Maria de Jesus

João de Oliveira Rangel, casado

43

Sabia escrever, trabalhador

Manuel de Oliveira Rangel e Maria Rosa

João Pereira Aires1, casado

38

Sabia escrever, lavrador

Ana da Silva, solteira

Joaquim Belmiro

9

Analfabeto

Henrique António da Silva e Joaquina da Silva

FILIAÇÃO

Libório de Almeida e Luísa da Conceição Alpendres

DATA, DESTINO E Nº DE PASSAPORTE

09 de Novembro, Pará, Brasil nº 1237 13 de Outubro, Pelotas, Brasil, nº 1026 11 de Janeiro, Pelotas, Brasil, nº 2098 18 de Dezembro, Rio Grande do Sul, Brasil, nº 1446 18 de Dezembro, Rio Grande do Sul, Brasil, nº 1444 30 de Abril, Pará, Brasil, nº 249 18 de Dezembro, Rio Grande do Sul, Brasil, nº 1445 29 de Janeiro, Pará, Brasil, nº 2190 10 de Agosto, Rio de Janeiro, Brasil, nº 650 20 de Março, Rio de Janeiro, Brasil, nº 50 13 de Outubro, Pelotas, Brasil, nº 1025 09 de Novembro, Pará, Brasil, nº1236 18 de Dezembro, Rio Grande do Sul, Brasil, nº 1443 12 de Outubro, Pelotas, Brasil, nº 1021 26 de Maio, Pará, Brasil, nº 385 27 de Julho, Pelotas, Brasil, nº 616

1 - Vivia em Loureiro, Oliveira de Azeméis

[ 277 ]


TERESA CRUZ E VALTER SANTOS

Joaquim Maria da Costa

15

Sabia escrever, lavrador

José António da Costa e Maria Valente

Joaquim Maria da Silva, solteiro

20

Sabia escrever

João Alves

José Manuel de Oliveira Costa, solteiro

25

Sabia escrever, lavrador

Joaquim de Oliveira Bailas e Maria Joaquina de Matos

José Maria da Silva Petiz, casado

45

Sabia escrever, proprietário

Lázaro José da Silva e Joana Maria

José Maria Dias, solteiro

21

Sabia escrever, jornaleiro

Manuel Dias e Maria Pereira Martins

José Pereira, casado

29

Sabia escrever, lavrador

João Pereira e Mariana da Cunha

José dos Reis, casado

43

Analfabeto, trabalhador

António dos Reis e Maria Valente

29

Sabia escrever, proprietário

Manuel de Matos de Almeida e Joaquina de Abreu

41

Sabia escrever, proprietária

Manuel António Afonso Homem, solteiro

25

Sabia escrever, lavrador

Manuel Afonso Homem e Joana Maria da Silva

Manuel Caetano de Pinho Júnior, casado

39

Analfabeto, lavrador

Manuel Caetano de Pinho e Maria da Conceição

Manuel Augusto Valente de Abreu

20

Sabia escrever, lavrador

Manuel Valente de Abreu e Margarida de Bastos

Manuel Joaquim Soares, casado

24

Analfabeto, lavrador

José Manuel Soares e Antónia de Jesus

Manuel Maria da Cunha Pinto, casado

35

Sabia escrever, proprietário

Joaquim da Cunha Pinto e Joana Maria de Resende

Manuel Maria Nunes de Oliveira

13

Sabia escrever

João de Oliveira Rangel

Manuel Martins de Matos, casado

31

Analfabeto, lavrador

Francisco José de Matos e Joana Maria da Silva

Manuel Pereira

11

Sabia escrever

João Pereira Aires

Libório de Almeida casado com Luísa da Conceição Alpendres Luísa da Conceição Alpendres, casada com Libório de Almeida

[ 278 ]

12 de Outubro, Pelotas, Brasil, nº 1022 13 de Outubro, Pelotas, Brasil, nº 1025 29 de Janeiro, Pará, Brasil, nº 2192 27 de Julho, Pelotas, Brasil, nº 615 27 de Julho, Pelotas, Brasil, nº 614 03 de Maio, Rio de Janeiro, Brasil, nº 272 26 de Maio, Pará, Brasil, nº 387 09 de Novembro, Pará, Brasil, nº 1237 09 de Novembro, Pará, Brasil, nº 1237 07 de Dezembro, Lourenço Marques, Moçambique, nº 1410 06 de Abril, Pará, Brasil, nº 133 29 de Janeiro, Pará, Brasil, nº 2193 29 de Janeiro, Pará, Brasil, nº 2191 05 de Fevereiro, Pará, Brasil, nº 2226 12 de Outubro, Pelotas, Brasil, nº 1021 13 de Janeiro, Pelotas, Brasil, nº 2108 26 de Maio, Pará, Brasil, nº 385


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BEDUÍDO NOME E ESTADO CIVIL

IDADE

Agostinho Marques de Azevedo, solteiro

27

Albino Soares, viúvo

21

Álvaro de Albuquerque

21

António Augusto Soares de Albergaria, casado António de Oliveira2, casado com Maria Rodrigues da Silva

31 31

António Maria da Silva

15

Baltazar da Silva

13

Joaquim Caetano, casado

66

José Caetano, solteiro

20

José Maria de Carvalho, casado

51

José Maria Simões, casado

24

José Marques da Silva

12

Manuel da Silva Pereira, casado

33

Manuel Maria

13

Manuel Maria Soares, casado

32

ESCOLARIDADE E PROFISSÃO

FILIAÇÃO

DATA, DESTINO E Nº DE PASSAPORTE

29 de Setembro, Pelotas, Brasil, nº 931 Analfabeto, José Soares e 31 de Março, moleiro Ana Marques Pelotas, Brasil, nº109 22 de Janeiro, Manuel de Almeida Silva de Escrevente Lima e Margarida da Conceição Rio de Janeiro, Brasil, nº 2047 Lima 18 de Março, Sabia escrever, Tomás António Xavier Soares Luanda, Angola, jornalista de Albergaria nº 39 27 de Novembro, Sabia escrever, Izidoro de Oliveira e Joaquina Pará, Brasil, padeiro Caetana Pereira nº 1373 30 de Junho, Tomé da Silva Saramago e Estudante Rio de Janeiro, Brasil, Maria Genoveva da Silva3 nº 510 30 de Junho, Tomé da Silva Saramago e Estudante Rio de Janeiro, Brasil, Maria Genoveva da Silva3 nº 510 20 de Março, Analfabeto, Manuel Caetano e Joaquina Rio Grande do Sul, lavrador Marques Brasil, nº 46 30 de Março, Analfabeto Maria Marques Rio de Janeiro, Brasil, nº 94 27 de Novembro, Sabia escrever, Jerónimo Caetano e Maria do Rio de Janeiro, Brasil, carpinteiro Espírito Santo nº 1374 26 de Janeiro, Sabia escrever, José Simões e Pelotas, Brasil, lavrador Maria do Rosário nº 2176 29 de Janeiro, Sabia escrever Manuel Marques Pará, Brasil, nº2185 15 de Março, Sabia escrever, Tomé da Silva e Rio de Janeiro, Brasil, cocheiro Maria Bernarda nº 24 05 de Julho, Sabia escrever Mariana de Jesus Manaus, Brasil, nº 536 15 de Outubro, José Soares e Pelotas, Brasil, Analfabeto, moleiro Ana Marques de Oliveira nº 1068 Sabia escrever, lavrador

Aurélio Marques de Azevedo e Maria do Rosário

2 - Era natural de Avanca 3 - Da Praça da Vila e concelho de Estarreja

[ 279 ]


TERESA CRUZ E VALTER SANTOS

Manuel Marques, casado

38

Sabia escrever, sapateiro

Ana da Silva

Margarida Marques

9

Analfabeta

Maria Marques

Maria Marques, casada

43

Analfabeta, moleira

Manuel de Oliveira e Francisca Marques

Maria Marques, solteira

17

Analfabeta

Maria Marques

Maria Rodrigues da Silva, casada com António de Oliveira

28

Analfabeta

Rosa Marques

13

Analfabeta

29 de Janeiro, Pará, Brasil, nº 2185 30 de Março, Rio de Janeiro, Brasil, nº 94 30 de Março, Rio de Janeiro, Brasil, nº 94 30 de Março, Rio de Janeiro, Brasil, nº 94 27 de Novembro, Pará, Brasil, nº 1373

Maria Marques

30 de Março,Rio de Janeiro, Brasil, nº 94

DATA, DESTINO E Nº DE PASSAPORTE

BUNHEIRO NOME E ESTADO CIVIL

IDADE

ESCOLARIDADE E PROFISSÃO

FILIAÇÃO

António Agostinho da Silva, solteiro

26

Analfabeto, lavrador

José Lopes da Silva Bártolo e Maria Rosália de Oliveira

30

Analfabeto, moliceiro

Manuel Maria Rodrigues Pardal e Maria Rosaria Tavares

44

Sabia escrever, catraeiro

21

Analfabeto, lavrador

11

Sabia escrever

António Joaquim Nunes de Bastos

30

Sabia escrever, lavrador

João Valentim de Figueiredo e Antónia da Silva Pereira

Domingos Fernandes Ruela, solteiro

35

Analfabeto, proprietário

Rodrigo José Fernandes e Margarida André Martinho

Domingos Manuel Lopes Pereira, casado

26

Analfabeto, lavrador

Manuel António Lopes Pereira e Maria Rodrigues Cirne

Frutuoso Afonso Ramalho, casado

31

Sabia escrever, marítimo

João Afonso Ramalho e Clementina Pereira de Pinho

Gonçalo António Tavares, casado

37

Analfabeto, tecelão

Maria Luísa da Silva

António Augusto Rodrigues Pardal, casado António Joaquim Nunes de Bastos, casado António Maria de Oliveira, solteiro António Nunes de Bastos Custódio Tavares de Figueiredo, solteiro

[ 280 ]

Lázaro Nunes de Bastos e Sabina da Silva Domingos António de Oliveira e Maria Custódia da Silva

23 de Agosto, Pará, Brasil, nº 712 24 de Setembro, Pará, Brasil, nº 910 29 de Outubro, Pará, Brasil, nº 1172 08 de Março, Pará, Brasil, nº 2362 29 de Outubro, Pará, Brasil, nº 1172 18 de Outubro, Pará, Brasil, nº 1099 23 de Janeiro, Pelotas, Brasil, nº 2173 29 de Outubro, Pará, Brasil, nº 1171 20 de Maio, Pará, Brasil, nº 367 27 de Dezembro Pará, Brasil, nº 1466


TERRAS DE ANTUÃ | HISTÓRIAS E MEMÓRIAS DO CONCELHO DE ESTARREJA

João Augusto Rodrigues, casado

26

Sabia escrever, jornaleiro

António Joaquim Rodrigues e Maria Joana de Oliveira

João de Oliveira, solteiro

23

Sabia escrever, comerciante

Emílio José de Oliveira e Gertrudes Maria da Silva

26

Analfabeto, trabalhador

Manuel Joaquim Pereira e Maria Joana Antão dos Santos

31

Analfabeto, trabalhador

Francisco José Nunes da Fonseca e Maria Antónia da Silva

32

Sabia escrever, proprietário

Domingos Manuel Pinto e Rosa Maria da Silva

33

Analfabeto, marítimo

Manuel Maria Rodrigues Pardal e Maria Rosaria Tavares

25

Analfabeto, lavrador

José Lopes da Silva Bártolo e Maria Rosália de Oliveira

35

Sabia escrever, sapateiro

Basílio Manuel Pereira de Oliveira e Maria Joaquina Rodrigues

23

Analfabeto, alfaiate

Inácio Manuel de Oliveira e Maria Antónia da Silva

43

Analfabeto, jornaleiro

Maria Luísa

26

Analfabeto jornaleiro

Manuel Joaquim Lopes de Sousa e Ana Ermelinda da Silva

28

Analfabeto, jornaleiro

Manuel Joaquim de Oliveira e Maria Joana Pereira

Manuel José dos Santos, solteiro

25

Sabia escrever, marítimo

Manuel Maria Marques e Maria Rosa Rodrigues

Vicente de Oliveira Mendes, casado

25

Sabia escrever, alfaiate

Inácio Manuel de Oliveira e Maria Antónia da Silva

Joaquim Maria Pereira, casado Joaquim Nunes da Silva, casado José Manuel da Silva Pinto, casado José Maria Rodrigues Pardal, casado Manuel Agostinho Lopes da Silva Bártolo, solteiro Manuel Agostinho Rodrigues Pereira, viúvo Manuel de Oliveira Mendes, casado Manuel Joaquim dos Santos, casado Manuel Joaquim Lopes de Sousa, casado Manuel Joaquim Saldida da Silva, casado

21 de Outubro, Pará, Brasil, nº 1110 11 de Setembro, Pará, Brasil, nº 806 23 de Janeiro, Rio de Janeiro, Brasil, nº 2170 20 de Março, Pelotas, Brasil, nº 53 16 de Setembro, Rio de Janeiro, Brasil, nº 829 24 de Setembro, Pará, Brasil, nº 909 23 de Agosto, Pará, Brasil, nº 711 02 de Setembro, Pará, Brasil, nº 748 23 de Janeiro, Pelotas, Brasil, nº 2172 19 de Junho, Pará, Brasil, nº 478 19 de Janeiro, Pará, Brasil, nº 2154 21 de Janeiro, Pará, Brasil, nº 2167 19 de Janeiro, Pará, Brasil, nº 2153 23 de Janeiro, Pelotas, Brasil, nº 2171

[ 281 ]


TERESA CRUZ E VALTER SANTOS

CANELAS NOME E ESTADO CIVIL

IDADE

ESCOLARIDADE E PROFISSÃO

FILIAÇÃO

Adelino José Gomes, casado

36

Analfabeto, pescador

Gonçalves José Gomes e Maria Joaquina da Silva

Analfabeto, lavrador Analfabeto, lavrador

João da Silva e Joana Dias João da Silva e Joana Dias Sobrinho de Joaquim da Silva Tavares José Tavares Inácio e Joana da Silva Manuel Marques Dias e Margarida Marques Francisco Dias da Silva e Joana Tavares

António da Silva, casado António Joaquim da Silva Rebelo, solteiro João da Silva Joaquim da Silva Tavares, solteiro José Marques Dias, solteiro

47 41 10 40 33

Analfabeto, proprietário Sabia escrever, caixeiro

Manuel da Silva Rebelo, solteiro

48

Analfabeto, lavrador

Manuel de Almeida, solteiro

29

Sabia escrever, lavrador

José Joaquim Godinho e Maria Rosa

29

Sabia escrever, criada de servir

João Domingues Pinto e Ana Rodrigues da Cruz

33

Sabia escrever, carpinteiro

António Marques da Silva e Eva Maria

Maria Rosa Domingues Pinto, solteira Pelágio Marques da Silva, casado

DATA, DESTINO E Nº DE PASSAPORTE 16 de Fevereiro, Pará, Brasil, nº 2256 03 de Setembro, Pará, Brasil, nº 758 21 de Agosto, Pará, Brasil, nº 700 09 de Janeiro, Pará, Brasil, nº 2091 09 de Janeiro, Pará, Brasil, nº 2091 20 de Março, Pará, Brasil, nº 55 21 de Agosto, Pará, Brasil, nº 701 09 de Janeiro, Pará, Brasil, nº 2092 17 de Dezembro, Rio de Janeiro, Brasil, nº 1440 20 de Março, Pará, Brasil, nº 56

FERMELÃ NOME E ESTADO CIVIL

IDADE

ESCOLARIDADE E PROFISSÃO

António Joaquim Nunes Beirão, casado

29

Sabia escrever, lavrador

António Nunes de Bastos, casado

45

Analfabeto, proprietário

Augusto Rodrigues da Silva

15

Analfabeto, lavrador

Clorinda Pinto de Almeida, solteira

17

Sabia escrever

Elisa Halleday Pires casada com Vicente Carlos Pires

22

Sabia escrever, doméstica

[ 282 ]

FILIAÇÃO

DATA, DESTINO E Nº DE PASSAPORTE

24 de Março, Pará, Brasil, nº 66 Domingos de Bastos e Ana 30 de Outubro, Henriques Loureiro Pelotas, Brasil, nº 1187 09 de Outubro, Joaquim Rodrigues da Silva Pernambuco, e Antónia Domingues de Brasil, nº 1004 Oliveira 30 de Outubro, Luís José Rodrigues de Almeida Manaus, Brasil, nº 1186 20 de Agosto, Pernambuco, Brasil, nº 692 Manuel Joaquim Nunes Beirão e Teresa Jesus de Almeida


TERRAS DE ANTUÃ | HISTÓRIAS E MEMÓRIAS DO CONCELHO DE ESTARREJA

Luís José Rodrigues de Almeida

Euclides4

4

João dos Santos Capeleira, solteiro

18

Analfabeto, lavrador

António Maria dos Santos Capeleira e Maria Dias Capeleira

Luís José Rodrigues de Almeida5, casado

49

Sabia escrever

Exposto da freguesia de Sangalhos, Anadia

Manuel de Oliveira Tomásio, casado

33

Sabia escrever, mestre de farinhas

João de Oliveira Tomásio e Maria Rosa de Jesus

Vicente Carlos Pires, casado com Elisa Halleday Pires

33

Sabia escrever, negociante

Manuel António Esteves Sá Júnior e Ana Dias Capeleira

30 de Outubro, Manaus, Brasil, nº 1186 20 de Agosto, Pernambuco, Brasil, nº 693 30 de Outubro, Manaus, Brasil, nº 1186 30 de Outubro, Pelotas, Brasil, nº 1188 20 de Agosto, Pernambuco, Brasil, nº 692

MURTOSA NOME E ESTADO CIVIL

IDADE

ESCOLARIDADE E PROFISSÃO

FILIAÇÃO

Adelino José Nunes Calçado, solteiro

16

Sabia escrever

Agostinho António Nunes Calçado

36

Sabia escrever, carpinteiro

Manuel José da Silva Valente e Maria Luísa Henriques

52

Sabia escrever, carpinteiro

Manuel Nunes Calçado e Maria 08 de Outubro, Rosalina da Silva Manaus, Brasil, nº 990

29

Analfabeto, pescador

30

Sabia escrever, padeira

Agostinho da Silva Valente, solteiro Agostinho António Nunes Calçado, casado Agostinho Francisco Vaz da Silva Pisco, casado Ana Valente de Almeida, casada António Joaquim das Neves, solteiro António José Barbosa, casado António José Lopes Ramos, solteiro António José Soares dos Santos, solteiro

25 37 36 24

Analfabeto, pescador Analfabeto, pescador Analfabeto, pescador Sabia escrever, negociante

Francisco Vaz da Silva Pisco e Maria José Oliveira

DATA, DESTINO E Nº DE PASSAPORTE 08 de Outubro, Manaus, Brasil, nº 990 28 de Junho, Pará, Brasil, nº 504

22 de Outubro, Pará, Brasil, nº 1123

08 de Janeiro, Rio de Janeiro, Brasil, nº 2082 José Joaquim Soares dos Santos 11 de Maio, e Maria das Neves Pará, Brasil, nº 324 João Barbosa Milheiro e Maria 18 de Janeiro, Rosália da Rocha Pará, Brasil, nº 2148 João Lopes Ramos e Maria José 20 de Fevereiro, de Oliveira Pará, Brasil, nº 2269 27 de Dezembro, José Pedro Soares dos Santos e Pará, Brasil, Ana Joaquina nº 1469 José Valente de Almeida e Ana Valente

4 - Filho natural 5 - Vivia em Fermelã

[ 283 ]


TERESA CRUZ E VALTER SANTOS

António Maria da Cunha, viúvo António Maria da Silva, casado com Rosa Marcolina da Silva António Maria de Castro, casado António Maria Fernandes Rendeiro, casado António Maria Rebelo dos Santos, casado António Maria Tavares, solteiro António Maria Vieira, solteiro António Pereira, casado Arcângela de Jesus Sousa, solteira David José Esteves Ruela, casado Domingos Adão, casado Domingos António de Miranda, casado Domingos José da Costa Caravela, casado Domingos José de Campos, casado Domingos José Fidalgo, casado Domingos José Rendeiro, casado Domingos Manuel Gomes da Cruz, casado Flávia Francisco Maria de Pinho, casado Francisco Maria Nunes Calçado, solteiro

[ 284 ]

33

Analfabeto, lavrador

António Joaquim da Cunha e Ana Joaquina de Oliveira

46

Analfabeto, pescador

António Dias da Silva e Maria Luísa Lopes

22

Sabia escrever, marítimo

João José de Castro e Maria Bichinha

28

Sabia escrever, pescador

Domingos Fernandes Rendeiro e Maria Luísa

33

Sabia escrever, alfaiate

António Maria Rebelo dos Santos e Rosa Joana da Silva

23

Analfabeto, pescador

Venâncio António Tavares e Apolónia Maria Rebelo

21

Sabia escrever

30

Analfabeto, lavrador

17

Sabia escrever, costureira

29 24 29 28 30 25 36 26

Analfabeto, lavrador Analfabeto, moliceiro Analfabeto, pescador Analfabeto, marítimo Analfabeto, pescador Sabia escrever, carpinteiro Analfabeto, mercantel Sabia escrever, moliceiro

5 23

Sabia escrever, mercantel

28

Sabia escrever, carpinteiro

27 de Fevereiro, Pará, Brasil, nº 2313 08 de Janeiro, Pará, Brasil, nº 2084 22 de Março, Pará, Brasil, nº 59 05 de Agosto, Pará, Brasil, nº 634 15 de Janeiro, Pará, Brasil, nº 2129

21 de Junho, Pará, Brasil, nº 481 20 de Março, Gonçalo António Vieira e Joana Rio de Janeiro, Brasil, Maria Afonso nº 51 José Pereira e Ana Maria 31 de Dezembro, Valente Pará, Brasil,nº1488 08 de Janeiro, Manuel Joaquim Ferreira e Pará, Brasil, Francisca Emília nº 2083 Manuel Lourenço Esteves 27 de Fevereiro, Ruela Pará, Brasil, nº2314 Manuel Joaquim de Campos e 03 de Dezembro, Mariana Valente Pará, Brasil, nº 1396 António Maria de Miranda e 17 de Setembro, Maria Soares Pará, Brasil, nº 832 11 de Janeiro, José Bernardo de Matos Pará, Brasil, Caravela e Maria Rosa de nº 2100 Miranda Manuel Joaquim de Campos e 08 de Outubro, Mariana Soares Pará, Brasil, nº 992 Miguel Joaquim Fidalgo e 21 de Julho, Margarida de Jesus Pará, Brasil, nº 591 Inácio António Rendeiro e 19 de Julho, Maria Caetana Pará, Brasil, nº 586 21 de Junho, António Vieira e Maria Luísa Pará, Brasil, nº 482 08 de Janeiro, Ana Valente de Almeida Rio de Janeiro, Brasil, nº 2082 João Eusébio de Pinho e 09 de Outubro, Apolónia Maria Pará, Brasil, nº 1000 Agostinho António 29 de Setembro, Nunes Calçado Manaus, Brasil, nº 935 e Rosália Antónia da Silva


TERRAS DE ANTUÃ | HISTÓRIAS E MEMÓRIAS DO CONCELHO DE ESTARREJA

Analfabeto, marítimo

Manuel Luís Rebelo dos Santos e Apolónia Rosa de Oliveira

19 de Maio, Pará, Brasil, nº 360

Analfabeto, almocreve Sabia escrever, pescador Analfabeto, lavrador

Gonçalo Vieira e Antónia Francisca António Dias da Silva e Maria Luísa Lopes António Joaquim da Cunha e Ana Joaquina de Oliveira

18 de Setembro, Pará, Brasil, nº 851 26 de Maio, Pará, Brasil, nº 386 27 de Fevereiro, Pará, Brasil, nº 2312

43

Analfabeto, marítimo

Francisco António Pereira e Maria Rosária de Miranda

34

Sabia escrever, mercantel

Francisco Fernandes da Cunha e Maria Teresa

22

Analfabeto, pescador

Manuel José Fernandes Ruela e Joaquina Maria Rebela

19

Sabia escrever, alfaiate

40

Analfabeto, pescador

João António Afonso de Oliveira e Domingas dos Santos Valente Manuel José Dias da Silva e Ana Luísa

33

Analfabeto, moliceiro

Sebastião José de Oliveira e Maria Ana Lopes de Oliveira

19 de Maio, Pará, Brasil, nº 363 09 de Novembro, Pará, Brasil, nº 1240 31 de Dezembro, Pará, Brasil, nº 1486 18 de Novembro, Pará, Brasil, nº 1331 08 de Novembro, Pará, Brasil, nº1228 20 de Fevereiro, Pará, Brasil, nº 2270

João Agostinho Soares, casado

25

Analfabeto, pescador

Manuel Joaquim Soares e Rosa Antónia

18 de Janeiro, Pará, Brasil, nº2149

João António da Cunha, casado

56

Sabia escrever, jornaleiro

João José da Cunha e Maria Luísa de Oliveira

21 de Outubro, Pará, Brasil, nº 1109

Analfabeto, pescador Analfabeto, pescador

Manuel José Neno e Maria Antónia Camarôa Caetano José Marques e Cristina Maria da Silva

04 de Agosto, Pará, Brasil, nº 630 08 de Novembro, Pará, Brasil, nº 1230

Analfabeto, pescador Sabia escrever, carpinteiro Sabia escrever, carpinteiro Analfabeto, carpinteiro Analfabeto, pescador

António Joaquim Bicho e Maria Agostinha Ruela

José Maria Marques e Maria Inácia António Maria de Miranda e Maria Antónia da Silva João Bernardo Marques e Maria Rosária

05 de Agosto, Pará, Brasil, nº 635 15 de Dezembro, Pará, Brasil, nº 1430 18 de Setembro, Pará, Brasil, nº 852 09 de Janeiro, Pelotas, Brasil, nº 2090 19 de Maio, Pará, Brasil, nº 359

Francisco Maria Rebelo dos Santos, casado Francisco Maria Vieira, casado Gonçalo António Caixeiro, casado Gonçalo António da Cunha, casado Gonçalo António Pereira, casado Gonçalo Francisco Fernandes Rendeiro, casado Gonçalo Maria Fernandes Ruela, solteiro Henrique Afonso de Oliveira Valente, casado Jacinto António da Silva, casado João Agostinho Ligeiro, casado com Maria Joaquina Lopes de Oliveira

João Bernardes Neno, casado João Bernardo Marques, casado João Bicho, casado João da Silva Lopes, casado João Maria, casado João Maria de Miranda, solteiro João Maria Marques, casado

23 32 37 43

26 30 29 30 32 27 31

Maria Lopes da Silva

João Maria Marques Serrano, casado

33

Sabia escrever, fogueteiro

José Marque Serrano e Rosália Maria

18 de Outubro, Pará, Brasil, nº1077

João Maria Valente de Almeida, solteiro

30

Analfabeto, moliceiro

José Maria Valente de Almeida e Ana Rosa de Oliveira

28 de Junho, Pará, Brasil, nº 508

[ 285 ]


TERESA CRUZ E VALTER SANTOS

João Pedro Costeira, casado João Pedro de Azevedo, solteiro Joaquim da Silva Lopes, casado

30

Analfabeto, marítimo

Ventura José de Matos e Joana Rosa

30

Analfabeto, lavrador

Miguel José de Azevedo e Maria Rosaria da Silva

28

Sabia escrever, carpinteiro

Maria Lopes da Silva

Joaquim Elias Vaz da Silva Pisco, solteiro

22

Analfabeto, marítimo

Bernardo Vaz da Silva Pisco e Apolónia Fernandes Ruela

11 de Janeiro, Pará, Brasil, nº 2101

Joaquim Manuel Nunes da Silva, casado

33

Analfabeto, mercantel

Manuel Joaquim Nunes da Silva e Maria Delfina Vieira

24 de Agosto, Pará, Brasil, nº 724

Joaquim Manuel Soares Belo, casado

29

Analfabeto, pescador

Mateus António Belo e Rosa Joana da Silva

18 de Outubro, Pará, Brasil, nº 1088

Joaquim Maria, solteiro

24

Analfabeto, jornaleiro

Gonçalo António da Silva Fidalgo e Rosa Francisca da Cunha

31 de Dezembro, Pará, Brasil, nº 1487

Joaquim Maria de Miranda, casado

37

Analfabeto, pescador

Jerónimo José de Miranda e Josefa Antónia

22 de Outubro, Pará, Brasil, nº 1122

Analfabeto, pescador Sabia escrever, carpinteiro Sabia escrever, lavrador Sabia escrever, pescador Analfabeto, pescador

Manuel José da Silva e Inácia Rosa

José António da Silva, casado José Augusto Lopes, casado José Joaquim Lopes da Cunha, solteiro José Joaquim Valente da Silva, casado José Joaquim Vaz da Silva, casado José Manuel Cardoso da Cunha, viúvo José Manuel da Cruz, casado José Manuel de Oliveira, solteiro José Maria, solteiro José Maria da Costa, casado José Maria da Silva, casado

34 38 22 34 34

15 de Março, Pará, Brasil, nº 25 08 de Outubro, Mariana Luísa Pará, Brasil, nº 993 Manuel José Lopes da Cunha e 09 de Janeiro, Ana Joaquina Lopes da Cunha Pelotas, Brasil, nº 2089 Manuel Joaquim da Silva e 03 de Maio, Maria Luísa Valente Pará, Brasil, nº 273 Francisco António Vaz Pisco e 06 de Outubro, Maria José da Silva Pará, Brasil, nº 981

52

Analfabeto, pescador

Francisco Cardoso da Cunha e de Maria Luísa Lopes da Cruz

33

Sabia escrever, pescador

Filho de outro e Maria Antónia

30

Analfabeto, carpinteiro

Domingos António de Oliveira e Teresa Maria da Fonseca

Analfabeto, mercantel Analfabeto, marítimo Sabia escrever, pescador

David José Nunes e Maria José de Pinho Manuel Maria da Costa e Cristina Joaquina da Silva Manuel José da Silva e Domingas Antónia de Matos Domingos José da Silva Loureiro e Maria Rosália Pais da Silva

18 de Outubro, Pará, Brasil, nº 1085 07 de Junho, Rio Grande do Sul, Brasil, nº 443 17 de Novembro, Pará, Brasil, nº 1315 15 de Dezembro, Pará, Brasil, nº 1431 03 de Setembro, Pará, Brasil, nº 759 02 de Setembro, Pará, Brasil, nº 747

Francisco de Assis da Silva Valente e Maria Joana da Silva

29 de Setembro, Manaus, Brasil, nº 934

22 36 24

José Maria da Silva Loureiro6, casado

33

Analfabeto, jornaleiro

José Maria da Silva Valente, casado

41

Sabia escrever, carpinteiro

[ 286 ]

02 de Setembro, Pará, Brasil, nº 749 07 de Junho, Rio Grande do Sul, Brasil, nº 440 20 de Fevereiro, Pará, Brasil, nº 2267

01 de Outubro, Pará, Brasil, nº 949


TERRAS DE ANTUÃ | HISTÓRIAS E MEMÓRIAS DO CONCELHO DE ESTARREJA

José Maria Fernandes Rendeiro, casado

29

Analfabeto, pescador

João José Fernandes Rendeiro e Apolinária Maria Fernandes Carrada

José Maria Godinho7, casado com Rosália Soares de Oliveira

27

Sabia escrever, mercantel

Manuel Godinho e Joaquina Maria

José Maria Gonçalves, casado

26

Sabia escrever, moliceiro

João José Gonçalves e Maria Rita

39

Sabia escrever, negociante

14

Sabia escrever

José Maria Marques, casado José Maria Nunes Calçado José Maria Pereira, casado José Maria Rebelo, casado José Maria Rebelo Amador, casado

25 29 31

Analfabeto, pescador Sabia escrever, pescador Sabia escrever, pescador

24 de Agosto, Pará, Brasil, nº 723 04 de Agosto, Pará, Brasil, nº 631 28 de Junho, Pará, Brasil, nº 506

Pedro Marques e Maria 18 de Outubro, Custódia da Silva Pará, Brasil, nº 1098 Agostinho António Nunes 08 de Outubro, Calçado Manaus, Brasil, nº 990 Domingos José Pereira e Teresa 24 de Agosto, Maria da Silva Pará, Brasil, nº 722 Francisco José Rebelo e Maria 15 de Junho, Rosália da Silva Pará, Brasil, nº 463 Joaquim José Rebelo Amador e 13 de Janeiro, Perpétua Maria Pará, Brasil, nº 2109

José Maria Rebelo dos Santos

15

Analfabeto, moliceiro

Francisco Tomé Rebelo dos Santos e Ana Antónia Soares

16 de Fevereiro, Pará, Brasil, nº 2257

José Maria Ribeiro de Morais, solteiro

13

Sabia escrever, carpinteiro

Manuel Joaquim Ribeiro de Morais e Maria José

19 de Julho, Pará, Brasil, nº 587

Analfabeto, mercantel Sabia escrever, pescador Sabia escrever, alfaiate Sabia escrever, comerciante

28 de Junho, Pará, Brasil, nº 507 11 de Maio, Pará, Brasil, nº 323 09 de Novembro, Pará, Brasil, nº 1238 17 de Setembro, Pará, Brasil, nº 839 14 de Setembro, Pará, Brasil, nº 815 27 de Dezembro, Pará, Brasil, nº 1470 09 de Novembro, Pará, Brasil, nº 1239 27 de Setembro, Pará, Brasil, nº 929

José Maria Soares Carinha, solteiro José Maria Soares dos Santos, casado José Vicente da Silva Neno, solteiro Júlio Fernandes Chipelo, solteiro Luísa Augusta Tavares Manuel Jesus da Silva, solteiro Manuel João Afonso de Oliveira Manuel João da Silva Cravo, solteiro Manuel João Padinha, casado Manuel Joaquim da Silva, casado Manuel Joaquim Nunes, solteiro Manuel Joaquim Rebelo, solteiro Manuel José, casado

15

Sabia escrever

27

Sabia escrever, pescador

13

Sabia escrever

37

Sabia escrever, marítimo

António Maria Soares Carinha e Maria Luísa Rebela José Joaquim Soares dos Santos e Maria das Neves Agostinho José da Silva Neno e Joaquina Rosa de Miranda Manuel José Fernandes Chipelo e Rosa Bernarda António Luís Tavares e Beatriz de Jesus Mateus António da Silva e Rosa Joana da Silva Manuel José de Oliveira e Maria Lourenço Barbosa Francisco José da Silva e Ana Joaquina da Silva

Analfabeto, moliceiro Analfabeto, pescador

Domingos António Padinha e Maria Luísa da Silva João José da Silva e Antónia Maria

20 de Maio, Pará, Brasil, nº 369 26 de Abril, Pará, Brasil, nº 228

Sabia escrever, lavrador

Valentim Nunes Calçado e Rosa de Campos

04 de Outubro, Pará, Brasil, nº 976

Analfabeto, pescador Analfabeto, moliceiro

Agostinho José Rebelo e Maria Rosália da Silva Agostinho José Pita e Ana Joaquina

07 de Janeiro, Pará, Brasil, nº 2069 19 de Julho, Pará, Brasil, nº 589

17 28 23 22

23 58 35 29 28

[ 287 ]


TERESA CRUZ E VALTER SANTOS

Manuel José Amador Venturinha, casado

53

Analfabeto, marítimo

Manuel José Carinha, solteiro

21

Analfabeto, mercantel

27

Analfabeto, pescador

João José Amador Venturinha e Apolónia Maria Marques de Miranda Agostinho Soares Carinha e Maria Luísa Lopes Manuel Luís da Cruz e Maria Luísa Oliveira

11

Sabia escrever

Jacinto António da Silva

Analfabeto, pescador Sabia escrever, pescador Analfabeto, moliceiro Sabia escrever, mercantel

Gonçalo António da Silva e Isabel Engrácia Sebastião José de Matos e Ana Clara de Matos Pedro de Oliveira e Maria Josefa João Eusébio de Pinho e Apolónia Maria

19 de Maio, Pará, Brasil, nº 361 16 de Julho, Pará, Brasil, nº 573 18 de Outubro, Pará, Brasil, nº 1087 08 de Novembro, Pará, Brasil, nº 1228 02 de Outubro, Pará, Brasil, nº 959 18 de Novembro, Pará, Brasil, nº 1332 21 de Junho, Pará, Brasil, nº 483 09 de Outubro, Pará, Brasil, nº 1001

Sabia escrever, lavrador

José António Fidalgo e Maria Luísa Valente

21 de Junho, Pará, Brasil, nº 484

Sabia escrever. Marítimo Analfabeto, pescador Analfabeto, pescador

Manuel José Lopes e Domingas de Jesus Gonçalo António Pereira e Ana Rosa José Pedro Soares dos Santos e Ana Joaquina Rangel

33

Analfabeto, pescador

Francisco Fernandes Rendeiro e Joaquina Tavares

43

Sabia escrever, lavrador

Domingos António Alves Valente e Mariana Rosa Fidalga

19 de Julho, Pará, Brasil, nº 588 24 de Julho, Pará, Brasil, nº 603 17 de Setembro, Pará, Brasil, nº 833 18 de Novembro, Pará, Brasil, nº 1330 21 de Dezembro, Pará, Brasil, nº 1448

Analfabeto, carpinteiro Analfabeto, negociante

Sabia escrever, mercantel Analfabeto, mercantel

José Maria Marques e Maria Inácia Francisco António Pereira e Maria Rosaria de Miranda José Maria Godinho e Rosa Maria Soares de Oliveira António João da Conceição e Rosália Maria da Silva Manuel Joaquim Dias Cascais e Ana Ermelinda Fernandes da Cruz Joaquim Manuel da Silva Paiva e Maria Joana Agostinho Soares Carinha e Maria Luísa Lopes

Sabia escrever, negociante

José Maria Fernandes Tavares e Perpétua Rosa Afonso

Manuel José da Cruz, casado Manuel José da Silva, solteiro Manuel José da Silva, casado Manuel José de Matos, casado Manuel José de Oliveira, casado Manuel José de Pinho, casado Manuel José Fidalgo, solteiro Manuel José Lopes Júnior, casado Manuel José Pereira, solteiro Manuel José Soares, casado Manuel Lourenço Fernandes Rendeiro, casado Manuel Luís Alves Valente, casado Manuel Luís Marques, casado Manuel Luís Pereira, casado

40 28 22 35 27 24 20 33

39 32

Manuel Maria

2

Manuel Maria, solteiro

25

Sabia escrever, pescador

Manuel Maria Dias Cascais, viúvo

33

Analfabeto, pescador

Manuel Maria Soares Belo, casado Manuel Maria Soares Carinha, casado Manuel Maria Tavares, casado

[ 288 ]

28 24 22

21e Setembro, Pará, Brasil, nº 888 08 de Novembro, Pará, Brasil, nº 1229 04 de Agosto, Pará, Brasil, nº 631 17 de Setembro, Pará, Brasil, nº 831 18 de Outubro, Pará, Brasil, nº 1086 26 de Outubro, Pará, Brasil, nº 1143 19 de Julho, Pará, Brasil, nº 590 24 de Fevereiro, Rio de Janeiro, Brasil, nº 2279


TERRAS DE ANTUÃ | HISTÓRIAS E MEMÓRIAS DO CONCELHO DE ESTARREJA

20 de Fevereiro, Pará, Brasil, nº 2270

Maria Joaquina Lopes de Oliveira, casada com João Agostinho Ligeiro

31

Analfabeta, doméstica

Maria José da Silva

11

Sabia escrever

António Maria da Silva e Rosa Marcolina da Silva

08 de Janeiro, Pará, Brasil, nº 2084

Mateus António de Oliveira, solteiro

21

Sabia escrever, comerciante

Domingos de Oliveira e Maria Joana de Pinho

13 de Setembro, Pará, Brasil, nº 809

Miguel José da Silva, casado

26

Analfabeto, marítimo

Bernardo Joaquim da Cunha e Maria Teresa da Cruz

28 de Junho, Pará, Brasil, nº 503

Miguel José Pereira, casado

36

Analfabeto, pescador

Francisco António Pereira e Maria Rosaria de Miranda

19 de Junho, Pará, Brasil, nº 477

Miguel Maria de Oliveira, solteiro

22

Analfabeto, moliceiro

Joaquim José de Oliveira e Maria Luísa Esteves da Cruz

20 de Novembro, Pará, Brasil, nº 1338

Pedro José Nunes da Silva, casado

29

Sabia escrever, mercantel

Manuel Joaquim Nunes da Silva e Maria Delfina Vieira

20 de Fevereiro, Pará, Brasil, nº 2266

59

Analfabeto

António José Sardo e Mariana de Matos

53

Analfabeta, doméstica

26

Sabia Escrever, doméstica

32

Sabia escrever, proprietário

Alípio da Silva Paiva e Maria de Sousa

22

Analfabeto, pescador

Miguel José Evangelho e Domingas da Silva Pereira

32

Sabia escrever, catraieiro

Lázaro Joaquim Soares e Caetana Joaquina

20 de Maio, Pará, Brasil, nº 368 08 de Janeiro, Pará, Brasil, nº 2084 04 de Agosto, Pará, Brasil, nº 631 11 de Janeiro, Pará, Brasil, nº 2099 26 de Abril, Rio de Janeiro, Brasil, nº 229 27 de Fevereiro, Pará, Brasil, nº 2311

9

Estudante

António Joaquim Afonso Lopes e Maria Joaquina Valente

09 de Novembro, Pará, Brasil, nº 1241

Possidónio José Sardo, casado Rosa Marcolina da Silva, casada com António Maria da Silva Rosa Maria Soares de Oliveira, casada com José Maria Godinho Sebastião da Silva Paiva, casado Sebastião José Evangelho, casado Sebastião José Soares, solteiro Venâncio António Afonso Lopes

6 - Nasceu no Bunheiro 7 - Nasceu em Albergaria

[ 289 ]


TERESA CRUZ E VALTER SANTOS

PARDILHÓ IDADE

ESCOLARIDADE E PROFISSÃO

20

Sabia escrever, caixeiro

38

Sabia escrever, padeiro

António Ricardo Lopes da Silva Bento

15

Sabia escrever, proprietário

Artur de Almeida Baptista, casado

20

Sabia escrever, comerciante

Bernardo Valente de Almeida e Maria José Lopes Baptista

Bernardo Maria da Silva, solteiro

44

Sabia escrever, padeiro

João José da Silva e Rosa Maria da Silva

23

Sabia escrever, lavrador

Bernardo Nunes da Silva e Mariana Nunes

25

Sabia escrever, calafate

Manuel Joaquim Ferreira do Couto e Domingas Amador

28

Analfabeto, carpinteiro

José Nunes da Silva e Antónia da Silva

23

Sabia escrever, comerciante

João Maria Amador e Ana Rosa Valente Teixeira

35

Sabia escrever, calafate

Manuel Nunes de Matos e Ana Joaquina de Oliveira

NOME E ESTADO CIVIL

Álvaro Teotónio Amador, solteiro António Joaquim da Silva Tavares, casado

Feliciano Nunes da Silva, solteiro Joaquim Maria Ferreira Amador, solteiro José Nunes da Silva, solteiro Júlio Augusto Amador, solteiro Manuel Antunes Nunes de Matos, casado

FILIAÇÃO

João Maria Amador e Ana Rosa Valente Teixeira Manuel António da Silva Tavares e Ludovina da Silva Pereira Domingos Manuel Lopes da Silva Bento e Ana Rosa Valente de Almeida

DATA, DESTINO E Nº DE PASSAPORTE

15 de Outubro, Benguela, Angola, nº 1043 07 de Maio, Pará, Brasil, nº 294 19 de Maio, Pará, Brasil, nº 358 16 de Setembro, Benguela, Angola, nº 830 20 de Fevereiro, Pará, Brasil, nº 2268 22 de Julho, Pelotas, Brasil, nº594 29 de Dezembro, Manaus, Brasil, nº 1478 22 de Julho, Pelotas, Brasil, nº595 31 de Dezembro, Pará, Brasil, nº 1485 07 de Maio, Manaus, Brasil, nº 293

SALREU NOME E ESTADO CIVIL

IDADE

ESCOLARIDADE E PROFISSÃO

FILIAÇÃO

Abel Augusto da Costa, casado

27

Sabia escrever, carpinteiro

João Luís da Costa Lavoura e Joana Maria Freitas

António Augusto Félix de Almeida, casado

26

Sabia escrever, carpinteiro

António Félix de Almeida e Joana da Conceição

António Rodrigues Alves, casado

30

Sabia escrever, jornaleiro

José Rodrigues Alves e Ana de Almeida

[ 290 ]

DATA, DESTINO E Nº DE PASSAPORTE

03 de Fevereiro, S. Tomé e Príncipe, nº 2211 03 de Fevereiro, S. Tomé e Príncipe, nº 2212 30 de Junho, Rio de Janeiro, Brasil, nº 509


TERRAS DE ANTUÃ | HISTÓRIAS E MEMÓRIAS DO CONCELHO DE ESTARREJA

Bartolomeu de Figueiredo, solteiro Francisco António de Azevedo, solteiro Francisco Gomes da Luz, casado João António de Figueiredo, solteiro João Ferreira de Almeida, solteiro

20

Sabia escrever, lavrador

32

Analfabeto, jornaleiro

37

Sabia escrever, lavrador

24

Analfabeto, lavrador

17

Sabia escrever. Jornaleiro

João Fortunato de Quadros Corte Real, casado

30

Sabia escrever, proprietário

João Maria Alves, solteiro

23

Analfabeto, moleiro

João Rodrigues, casado

57

Analfabeto, lavrador

Joaquim Martins, solteiro

21

Analfabeto, lavrador

70

Analfabeto, proprietário

José da Silva Chanfrante, casado José Maria Marques Aleixo, solteiro Manuel Gomes da Luz, solteiro Manuel Maria Bandeira, casado Manuel Maria de Oliveira Pinto, casado Manuel Rodrigues, casado com Maria de Jesus Margarida Tavares da Silva, solteira Maria de Jesus, casada com Manuel Rodrigues Severiano da Silva Rebelo, casado

27 36

Sabia escrever, lavrador Sabia escrever, comerciante

30

Sabia escrever, alfaiate

30

Sabia escrever, lavrador

23

Analfabeto, lavrador

22

Sabia escrever, proprietária

20

Analfabeta

73

Sabia escrever, proprietário

João Francisco de Figueiredo e Feliciana Valente dos Anjos

19 de Junho, Pará, Brasil, nº 471 27 de Dezembro, Caetano António de Azevedo e Pará, Brasil, Ana Maria Rodrigues de Sousa nº 1467 04 de Março, Estêvão Gomes da Luz e Josefa Rio de Janeiro, Maria Figueira Brasil, nº 2329 03 de Julho, João Francisco Russo e Pará, Brasil, Felicidade Valente dos Anjos nº 522 28 de Junho, António Joaquim Ferreira e Rio de Janeiro, Brasil, Maria de Almeida nº 500 José Fortunato de Quadros 04 de Maio, Lourenço Corte Real e Maria Cândida Marques, Moçambique, Vilhegas nº 275 Pereira de Melo Francisco Alves e Antónia 16 de Setembro, Rodrigues Pará, Brasil, nº 823 14 de Dezembro, Manuel Rodrigues Santos, Brasil, e Ana Marques nº 1429 04 de Março, António Martins e Ana Rio de Janeiro, Marques Rebela Brasil, nº 2330 18 de Novembro, Francisco da Silva Chanfrante Pará, Brasil, e Maria de Jesus nº 1322 Francisco Marques Aleixo e 19 de Junho, Ana da Fonseca Pará, Brasil, nº 470 Estêvão Gomes e Josefa Maria 30 de Agosto, Figueira Pará, Brasil, nº 735 27 de Dezembro, Ricardo José Bandeira Pará, Brasil, e Joana Rodrigues nº 1468 06 de Fevereiro, José Maria Oliveira Manaus, Brasil, e Maria de Oliveira nº 2227 14 de Dezembro, João Rodrigues e Santos, Brasil, Maria Valente nº 1428 11 de Janeiro, José Tavares da Silva e Pará, Brasil, Margarida Tavares Valente nº 2103 14 de Dezembro, Santos, Brasil, nº 1428 04 de Janeiro, Lourenço Marques, Joaquim da Silva Rebelo Moçambique, e Maria da Silva nº 2051

[ 291 ]


TERESA CRUZ E VALTER SANTOS

VEIROS NOME E ESTADO CIVIL

Albino Francisco Correia casado com Genoveva Marques Correia António Dias Garcia casado com Luísa Correia Garcia António Joaquim António José de Freitas, casado António José Tavares, solteiro Augusto José da Costa, solteiro Conceição Moreira, solteira Domingos Luís Rebelo, solteiro

IDADE

ESCOLARIDADE E PROFISSÃO

FILIAÇÃO

DATA, DESTINO E Nº DE PASSAPORTE

47

Sabia escrever, capitalista

Manuel Francisco Correia e Maria de Oliveira

10 de Novembro, Rio de Janeiro, Brasil, nº 1244

38

Sabia escrever, negociante

Manuel Dias de Azevedo e Maria Rosa

11

Sabia escrever

Manuel Agostinho Tavares da Fonseca

40

Analfabeto, chapeleiro

José de Freitas e de Ana Maria de Resende

20

Sabia escrever, empregado comercial

António Joaquim Tavares de Matos e Maria Augusta da Silva

26

Sabia escrever, comerciante

José António da Costa e Maria Emília da Costa

Analfabeta, costureira Sabia escrever, negociante

Manuel de Oliveira e Ana Maria de Jesus

21 28

Manuel Luís e Maria Emília

Emília de Jesus, viúva

33

Analfabeta, costureira

Manuel José Valente e Maria Vitória

Francisco Marques Nunes

16

Analfabeto, alfaiate

João José Marques e Maria José Nunes

Francisco Pinto de Oliveira

12

Sabia escrever

Delfim Pinto de Oliveira e Emília de Jesus

Genoveva Marques Correia, casada com Albino Francisco Correia

46

Sabia escrever, capitalista

João Augusto, solteiro

25

Sabia escrever, lavrador

João José Pereira e Ana Rosa Marques Pires

36

Sabia escrever, alfaiate

20

Estudante

António José da Silva e Joana Antónia Tavares Domingos Ferreira de Oliveira e de Ana Emília de Jesus

José Valente da Silva

13

Sabia escrever

António José Valente da Silva e Joaquina Maria

Lucinda Valente de Pinho

15

Sabia escrever

Manuel Pereira Valente e Bernardina Rosa de Pinho

João José Nunes da Silva, casado José Ferreira de Oliveira, solteiro

[ 292 ]

10 de Novembro, Rio de Janeiro, Brasil, nº 1243 21 de Setembro, Rio Grande do Sul, Brasil, nº 873 23 de Agosto, Rio de Janeiro, Brasil, nº 714 23 de Dezembro, Manaus, Brasil, nº 1458 17 de Dezembro, Pará, Brasil, nº 1434 26 de Agosto, Pará, Brasil, nº 727 18 de Outubro, Pará, Brasil, nº 1091 14 de Outubro, Pará, Brasil, nº 1030 12 de Junho, Pará, Brasil, nº 456 08 de Novembro, Pará, Brasil, nº 1231 10 de Novembro, Rio de Janeiro, Brasil, nº 1244 14 de Junho, Rio de Janeiro, Brasil, nº 457 05 de Novembro, Pará, Brasil, nº 1204 08 de Outubro, Pará, Brasil, nº 994 14 de Outubro, Pará, Brasil, nº 1035 14 de Outubro, Pará, Brasil, nº 1031


TERRAS DE ANTUÃ | HISTÓRIAS E MEMÓRIAS DO CONCELHO DE ESTARREJA

Luísa Correia Garcia, casada com António Dias Garcia

19

Luísa Garcia

3

Luísa Pereira Marques

53

Sabia escrever

Manuel Agostinho Tavares da Fonseca, casado

37

Sabia escrever, lavrador

Manuel de Freitas

13

Sabia escrever

António José de Freitas

22

Sabia escrever, negociante

José Francisco dos Santos e Rosa Emília

36

Sabia escrever, proprietário

Luzia de Oliveira

23

Analfabeto, pescador

Manuel José Soares e Inocência Maria

Maria de Jesus

10

Analfabeta

Emília de Jesus

Maria Pedrina

40

Regina

7

Vitorino Gomes Correia

13

Sabia escrever

João Gomes Correia e Maria Rosa da Costa

Vitorino Gomes de Oliveira

16

Sabia escrever

António Gomes de Oliveira e Ana Maria de Jesus

Manuel José Pinho dos Santos, solteiro Manuel Maria de Oliveira, casado Manuel Maria Soares, casado

Sabia escrever António Dias Garcia e Luísa Correia Garcia Sogra de Albino Francisco Correia e Genoveva Marques Correia Mateus António Tavares da Fonseca e Maria Joaquina da Silva

Sabia escrever, criada dAlbino Francisco Correia Analfabeta, criada de António Dias Garcia e de Luísa Correia Garcia

10 de Novembro, Rio de Janeiro, Brasil, nº 1243 10 de Novembro, Rio de Janeiro, Brasil, nº 1243 10 de Novembro, Rio de Janeiro, Brasil, nº 1244 21 de Novembro, Rio Grande do Sul, Brasil, nº 873 23 de Agosto, Rio de Janeiro, Brasil, nº 714 01 de Dezembro, Rio de Janeiro, Brasil, nº 1382 11 de Março, Pará, Brasil, nº2386 06 de Fevereiro, Pará, Brasil, nº2230 14 de Outubro, Pará, Brasil, nº 1030 10 de Novembro, Rio de Janeiro, Brasil, nº 1244 10 de Novembro, Rio de Janeiro, Brasil, nº 1243 03 de Junho, Rio de Janeiro, Brasil, nº 423 08 de Junho, Rio de Janeiro, Brasil nº 445

………………………………………………………………………………………… Errata, Revista nº 7, Terras do Antuã, p. 177 Onde se lê NOME E ESTADO CIVIL

IDADE

ESCOLARIDADE E PROFISSÃO

FILIAÇÃO

DATA, DESTINO E Nº DE PASSAPORTE

Augusto Carlos Leite, casado

49

Sabia escrever, negociante

Manuel Joaquim Leite e de Ana Antónia Sousa

07-02-1896 Pará, Brasil, nº 484

49

Sabia escrever, negociante

Manuel Joaquim Leite e de Ana Antónia Mansa

07-02-1896 Pará, Brasil, nº 484

deverá ler-se: Augusto Carlos Leite, casado

[ 293 ]


Peixeira Albina Camola (14.06.1964). Foto: Ilda Amador


TERRAS DE ANTUÃ | HISTÓRIAS E MEMÓRIAS DO CONCELHO DE ESTARREJA

MERCADO MUNICIPAL DE ESTARREJA 50 Anos de Memórias João Alegria* As sociedades organizadas sempre tiveram lugares marcantes que eram o centro da sua vida e ponto de encontro das suas gentes. Na antiguidade grega (a ágora) e romana (o fórum), esses conceitos foram aprofundados e ganharam estatuto com o trazer para a praça pública e para lugares específicos a discussão e o debate de ideias. As praças centrais das nossas localidades desempenharam um pouco essa função: ponto de encontro de pessoas, de discussão da vida, onde se fazem e desfazem amizades e negócios. As marcas culturais e os valores sociais e económicos estão presentes e são eles, evidenciados no espaço público, que marcam a vida das populações. Em Estarreja, um dos lugares centrais, ou o mais central, é a Praça. E aí que se juntam pessoas e negócios. Foi aí que até há 50 anos se realizou o Mercado. O Mercado de Estarreja, que vem sendo realizado desde longa data, era designado, até meados do séc. XX, como o “Mercado da Praça”. O dia estabelecido era aos domingos, e estendia-se desde a PraçaVasco da Gama, (atual praça Francisco Barbosa), à praça Egas Moniz, Rua do Peixe, até à cadeia (atual rua Dr. Souto Alves) e parte da última placa da AvenidaVisconde de Salreu. À época, os artigos eram “colocados a esmo no chão e os géneros um pouco mais resguardados, sobre panos, dentro de cabazes, caixas, ou mesmo taboleiros, alguns dos quais abrigados por sumária cobertura. As condições de higiéne, que são oferecidas à venda dos géneros de 1ª necessidade, são precárias. Os terraplenos após o levantar do mercado, pejados de cascas, folhas e detritos de toda a espécie dão um mau aspecto aos locais mais centrais e concorridos da interessante vila de Estarreja. Tendo também condicionado o seu funcionamento pelas condições atmosféricas”. In Memória Descritiva do 1º Projeto de Construção do Mercado Municipal | 1943 |Arquivo Municipal de Estarreja. Para suprir essa falta de condições, e apesar da fama da Feira de Santo Amaro e da grandeza do Mercado da Praça, “dos melhores do Distrito de Aveiro”, cresce a ideia da necessidade de se construir um edifício coberto e com as devidas condições de salubridade. É então que surge, em 1943, o primeiro projeto do Mercado Municipal ou “Mercado do Peixe”, em frente à Praça Vasco da Gama, atual Praça Francisco Barbosa. Tratava-se de um projeto bastante ambicioso da autoria do Eng.º Manuel Quirino Pacheco de Sousa, desenhado dentro de um estilo a implementar a nível nacional, conhecido por Estilo Português Suave. Tinha como objetivo o funcionamento diário para os géneros de 1ª necessidade e semanal para os restantes produtos. Ao que se conseguiu apurar, o projeto não foi avante em virtude da sua localização e da sua grande dimensão, por ser constituída por 2 pisos.

* Vereador da Cultura da Câmara Municipal de Estarreja

[ 295 ]


JOÃO ALEGRIA

Face à impossibilidade de se construir o Mercado Municipal frente à Praça Vasco da Gama e à premente necessidade de se melhorarem as condições de venda dos produtos de primeira necessidade, a alternativa foi criar um novo espaço para a construção do Mercado Municipal, espaço esse que se pudesse conjugar também com a Feira bissemanal de Estarreja. Ao abrigo do Plano de Urbanização de 1958, o Mercado Municipal teria de se situar entre a E.N. 109 e a E.N. 109-5. No entanto, como em 1952 a Câmara Municipal de Estarreja tinha adquirido um grande terreno lateral ao núcleo urbano da Vila de Estarreja, denominado “Quinta dos Temudos”, foi para aí que se projetou a construção do atual Mercado Municipal. Embora com alguma resistência por parte da Direção Geral dos Serviços de Urbanização, relativamente à sua localização, a Câmara Municipal conseguiu a aprovação da construção do novo Mercado Municipal no local pretendido, argumentando que uma outra localização obrigaria a expropriações de elevado valor económico, difíceis de suportar pela Câmara, além de que, “a feira é frequentada e bem vista nos concelhos vizinhos de Oliveira de Azeméis, Albergaria, Ovar e Águeda”. In memória descritiva do processo de construção do Mercado Municipal de Estarreja| 1957 | Arquivo Municipal de Estarreja. O projeto de arquitetura é do Arquiteto António Linhares de Oliveira e o projeto de especialidade do Eng.º José Aires Rodrigues Pereira. Desta vez, o projeto, orçado em 2.270.000$00, foi aprovado em 1959, com a condição de se proceder também aos melhoramentos dos Acessos ao Mercado e ao Ajardinamento e Arborização das Zonas Exteriores. Em 14 de junho de 1964 é então inaugurado, com toda a pompa, o novo Mercado Municipal de Estarreja, pelo Secretário de Estado da Agricultura, Dr. Luís Le Cocq de Albuquerque de Azevedo Coutinho e o Subsecretário de Estado da Obras Públicas, Eng. Manuel Rafael Amaro da Costa. Entre outras figuras ilustres, estiveram também presentes o Governador Civil de Aveiro, Dr. Manuel dos Santos Lousada, e o Monsenhor Amador Fidalgo, representante do Bispo da Diocese de Aveiro, que abençoou as novéis instalações. Em ambiente de grande festa, foram recebidos os ilustres pelo então Presidente da Câmara, Dr. Fernando Elísio Pinto Gomes e por uma multidão de gente, que em ala compacta lhes dava a boas vindas e as crianças cantando lhes atiravam flores, que transformaram esse grandioso dia numa data histórica para o Município de Estarreja.

Memórias daqueles que o mantêm vivo Ao logo destes 50 anos o Mercado Municipal foi o centro de comércio tradicional da região, o local privilegiado para a comercialização de produtos de grande qualidade, o ganha-pão de famílias que, de geração em geração, lhes vão deixando a sua arte de herança e ainda um espaço de encontro e sociabilização das nossas gentes.

[ 296 ]


TERRAS DE ANTUÃ | HISTÓRIAS E MEMÓRIAS DO CONCELHO DE ESTARREJA

Para os agricultores e produtores era a oportunidade de vender os seus produtos, de ver o seu trabalho colher os rendimentos devidos e o dinheiro serviria para novos negócios e melhorar as suas condições de vida. Da terra, donde vinha quase tudo, nascia também a oportunidade de poder usufruir de outros produtos que nem todos semeavam ou plantavam, como também a possibilidade de comprar algum peixe, que não se encontrava nas canastras da venda porta a porta. A pé, de carro de bois, de bicicleta e, mais tarde, já de automóvel e camioneta, o “ir à Praça” era também uma festa. Arranjar-se, quase com a melhor vestimenta, era a oportunidade de pôr a conversa em dia, de olhar para os produtos do vizinho, de fazer novos negócios e também de poder comprar uma roupinha nova e outras novidades. Muito mudou nos últimos anos, sobretudo nas duas últimas décadas, com o advento das grandes superfícies comerciais, que alterou profundamente os padrões de consumo, e algumas regras, ainda que necessárias, algo castradoras. Muitos comerciantes desistiram da sua atividade, sente-se o vazio dos espaços. Em épocas mais especiais, como no Natal e no Verão com o regresso dos emigrantes, é vê-lo ressurgir de vida. Mas o Mercado Municipal continua a ser uma marca de forte simbolismo da cidade de Estarreja. E isso está enraizado na nossa cultura, tradição e memória. Todos nós vivemos com especial afeição o Mercado Antigo, recriando o ambiente em Estarreja entre os anos 20 a 40, no mesmo local do “Mercado da Praça”, fazendo dele um dos momentos altos das Festas de Santo António, da Cidade e do Município. E isto acontece porque os mais velhos vão passando às gerações mais novas estas tradições e vivências. E todos os anos, mais gente vai enchendo a Praça, com os seus pontos de venda, surgindo apelos para que se estenda o Mercado. Talvez esteja na hora de alargar a recriação do Mercado Antigo aos espaços que o “Mercado da Praça” ocupava até meados do séc. XX. No ano em que se comemora o seu cinquentenário, novos desafios se colocam ao Mercado Municipal de Estarreja. Há que acompanhar o evoluir das exigências comerciais, atuais e futuras, atrair ao mercado novos produtos, novos vendedores e novos clientes, repensando o seu formato de mercado municipal, conjugando a essência do mercado tradicional com as exigências das novas gerações, forças vivas do mercado. Para ajudar à concretização desta ambição vai a Câmara Municipal proceder à beneficiação do Mercado Municipal, lançando já em 2015, o procedimento de contratação da empreitada, num projeto a candidatar ao Quadro Comunitário Portugal 2020, integrada também na operação mais global de Reabilitação Urbana. Pretende-se, sem deslocalizar o espaço, torná-lo mais atrativo para o funcionamento do próprio mercado, mas também para uma utilização mais contínua por parte da população, potenciando a sua importância económica não só para o Concelho de Estarreja como para os Concelhos limítrofes. Essa requalificação, para além de incorporar uma componente de incentivo à dinamização económica tem, também, esta componente central de elemento catalisador da reabilitação urbana da cidade, qualificando o edifício e o espaço público adjacente, ligando-os ao Parque Municipal do Antuã e à Praça Francisco Barbosa. A história dos 50 anos aponta ao futuro e o Mercado Municipal cumpre assim o lugar central que desempenha na Cidade.

[ 297 ]


SAUDADES

Padeiras no Antigo Mercado da Praça de Estarreja (Inícios Séc. XX) Talho ao ar livre no Antigo Mercado da Praça de Estarreja (Inícios Séc. XX). Foto: Sérgio Paulo Silva

[ 298 ]


TERRAS DE ANTUÃ | HISTÓRIAS E MEMÓRIAS DO CONCELHO DE ESTARREJA

Inauguração do Mercado Municipal. Governador Civil de Aveiro, Dr. Manuel dos Santos Lousada Inauguração do Mercado Municipal

[ 299 ]


SAUDADES

Inauguração do Mercado Municipal

[ 300 ]


TERRAS DE ANTUÃ | HISTÓRIAS E MEMÓRIAS DO CONCELHO DE ESTARREJA

Inauguração do Mercado Municipal

[ 301 ]


SAUDADES

Inauguração do Mercado Municipal. Mons. Amador Fidalgo, Representante do Bispo de Aveiro Inauguração do Mercado Municipal. Presidente da Câmara, Dr. Fernando Elísio Pinto Gomes

[ 302 ]


TERRAS DE ANTUÃ | HISTÓRIAS E MEMÓRIAS DO CONCELHO DE ESTARREJA

Inauguração do Mercado Municipal. Presidente da Câmara, Dr. Fernando Elísio Pinto Gomes Inauguração do Mercado Municipal

[ 303 ]


SAUDADES

Peixeiras no dia da Inauguração do Mercado Municipal. Foto: António Carinhas Talho do Mercado no dia da Inauguração

[ 304 ]


TERRAS DE ANTUÃ | HISTÓRIAS E MEMÓRIAS DO CONCELHO DE ESTARREJA

Inauguração do Mercado Municipal Um dia de Mercado-Feira (1989)

[ 305 ]


TERRAS DE ANTUÃ | HISTÓRIAS E MEMÓRIAS DO CONCELHO DE ESTARREJA

N.º1 | Ano I | 2007

N.º2 | Ano II | 2008

N.º3 | Ano III | 2009

SUMÁRIO: HOJE, POR ONTEM, PARA AMANHÃ, José Eduardo de Matos; EDITORIAL, Delfim Bismarck Ferreira; ARTIGOS: EM SALREU, A “CASA DO SANTO” OU “A CASA DO FERRAZ”, Amaro Neves; O PATRIMÓNIO NAVAL NA FREGUESIA DE PARDILHÓ, Andreia Vidal Leite; CARTOFILIA ESTARREJENSE – A 1.ª metade do século XX, António Augusto Silva; DIVAGAÇÕES A PROPÓSITO DE UM VELHO RETRATO – Rostos da Fontinha, António Pedro de Sottomayor; MOINHOS E MOLEIROS DO CONCELHO DE ESTARREJA, Armando Carvalho Ferreira; A INTERVENÇÃO ARQUEOLÓGICA NA CAPELA DE SANTO AMARO, Beduído – Estarreja, Carlos A. Brochado de Almeida e Pedro Brochado de Almeida; OS REGEDORES DAS FREGUESIAS DO CONCELHO DE ESTARREJA, Delfim Bismarck Ferreira; UMA FAMÍLIA DE ESTARREJA – Notas genealógicas sobre o ramo materno da família de D. Frei Caetano Brandão, Bispo do Pará e Arcebispo Primaz de Braga, Francisco M. Ponces de Serpa Brandão; HISTÓRIA DO ENSINO PRIMÁRIO NO CONCELHO DE ESTARREJA, Marco Pereira; O COUTO DE ANTUÃ E AVANCA NO FINAL DA IDADE MÉDIA – O impacto da crise dos séculos XIV e XV segundo três cartas de sentença, Rafael MarquesVigário; A IMPORTÂNCIA DA REDE VIÁRIA NA ESTRUTURAÇÃO DA DIOCESE VISIGÓTICA DE COIMBRA: Antuane como uma das suas paróquias, Sónia Filipe; SAUDADES. SUMÁRIO: COMO É RICA A NOSSA HISTÓRIA, José Eduardo de Matos; EDITORIAL, Delfim Bismarck Ferreira; ARTIGOS: O BISPO DE COCHIM – Alguns apontamentos para o seu conhecimento, António Augusto Silva; LEITURA DE FEIRA E NÃO SÓ, António de Pinho Nunes; ESTARREJA NA IDADE MÉDIA – Documentação dos séculos X a XIII, Delfim Bismarck Ferreira; O LIVRO DE EXCOMUNGADOS E LEMBRANÇAS DA IGREJA DE SÃO MIGUEL DE FERMELÃ, Hugo Calão; OS MEUS ANTEPASSADOS DE ESTARREJA, José Manuel Nunes Liberato; OASSOCIATIVISMOAGRÁRIO NA SUB-REGIÃO DEAVEIRO (1854-1923) – Contributo para o seu estudo, Manuel Ferreira Rodrigues; MONARQUIA DO NORTE [ou Traulitânia] – Ocupação monárquica de Estarreja (24.1.1919-11.21919), Marco Pereira; O ESTÁBULO DA IGREJA PAROQUIAL DE BEDUÍDO, Maria Clara PaivaVide Marques; LIVROS PAROQUIAIS DE AVANCA – Uma fonte por explorar, Maria Palmira da Silva Gomes; BANDA BINGRE CANELENSE: PELA MÚSICA HÁ 140 ANOS, Teresa Bagão; O CONCELHO DE ESTARREJA E OS SEUS EMIGRANTES ENTRE OS ANOS DE 1900 E 1905, Valter Santos; SAUDADES, ADENDAS E CORRECÇÕES: Novos Subsídios para a História da Capela de Santo António, Marco Pereira. SUMÁRIO:A AVANTURA CONINUA, José Eduardo de Matos; EDITORIAL, Delfim Bismarck Ferreira; ARTIGOS: JORNAIS E JORNALISTAS NA TERRA DA MADEIRA ATÉ 1925, António Augusto Silva; A CONSTRUÇÃO NAVAL NO NORTE DA RIA DE AVEIRO: DA ÁREA DE INFLUÊNCIA DO CONCELHO DE ESTARREJA AO BICO DA MURTOSA, AntónioVítor N.de Carvalho; CASA DOS MORGADOS DE SANTO ANTÓNIO DA PRAÇA, EM ESTARREJA, Delfim Bismarck Ferreira; A CHEGADA DA ENERGIA ELÉCTRICA AO CONCELHO DE ESTARREJA: 1925-1930 – BREVES APONTAMENTOS HISTÓRICOS, Diana Cunha & Susana Temudo Silva; EPISÓDIO DA VIDA PLOÍTICA DE HÁ CEM ANOS, José Augusto Tavares Gurgo e Cirne; INVASÕES FRANCESAS NOS CONCELHOS DE ESTARREJA E MURTOSA, Marco Pereira; AS CONVERSAS COM A TIA ROSA, Margarida Castro; RETÁBULO DA CAPELA DE SANTA BÁRBARA EM BEDUÍDO, Maria Clara PaivaVide Marques; MANUEL FIRMINO D’ALMEIDA MAIA (18241897), Maria Manuel deVilhena Barbosa; EGAS MONIZ – O PRÉMIO NOBEL, Rosa Maria Rodrigues; FAMILIARES DO SANTO OFÍCIO RELACIONADOS COM ESTARREJA, Teresa Cruz Tubby; O CONCELHO DE ESTARREJA E OS SEUS EMIGRANTES ENTRE OS ANOS DE 1882 E 1887, Valter Santos; SAUDADES.

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MUNICÍPIO DE ESTARREJA

N.º4 | Ano IV | 2010

N.º5 | Ano V | 2011

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SUMÁRIO: CEM ANOS DA REPÚBLICA E MAIS DE MONARQUIA, José Eduardo de Matos; EDITORIAL, Delfim Bismarck Ferreira; ARTIGOS: ALBERTO FERREIRA VIDAL – Notável Estarrejense, António Augusto Silva; EGAS MONIZ, das origens telúricas à celebração internacional, António Macieira Coelho; “MULTIPLICAR OS PEIXES E POUPÁ-LOS QUANDO SE REPRODUZEM…” – O debute parlamentar de um filho de Estarreja, António Pedro de Sottomayor; O “RESTAURO” DA BANDEIRA DA MONARQUIA – Tratamento de Conservação e Restauro da bandeira da Câmara Municipal de Estarreja, Eva Armindo; OS INVENTÁRIOS DAS IGREJAS E CAPELAS DAS PARÓQUIAS DOS CONCELHOS DE ESTARREJA E MURTOSA, Hugo Calão; OS ÚLTIMOS TEMPOS DA MONARQUIA E A IMPLANTAÇÃO DA REPÚBLICA PORTUGUESA, com as suas consequências em Estarreja, de acordo com as memórias de Francisco de Moura Coutinho de Almeida d’Eça, Luís Augusto Eça de Matos; NOTAS PARA A HISTÓRIA DA PRIMEIRA REPÚBLICA NO DISTRITO DE AVEIRO: Alberto Souto administrador do concelho de Estarreja, Luís Souto de Miranda; DA COBERTURA DE COLMO À TELHA DE FONTELA, Marco Pereira; SÃO MIGUEL ARCANJO – PADROEIRO DE FERMELÃ, Maria Clara Paiva Vide Marques; OS CAMINHOS DA CIRES – o seu 50.º aniversário, Maria Elvira Callapez; DOMINGOS JOAQUIM DA SILVA, Visconde de Salreu (1854-1936) – Parte I, Maria de Jesus Sousa de Oliveira e Silva; INTERVENÇÃO DE CONSERVAÇÃO E RESTAURO DA PEDRA DE ARMAS DO BISPO DE COCHIM, Patrícia Mestre Marques de Carvalho; RECUPERAÇÃO DOS MOINHOS DE MEIAS – Quinta do Marinheiro, Casa-Museu Egas Moniz, Ricardo Matos, Luís Loureiro e Nuno Matos; AVANCA – DOS ÚLTIMOS ANOS DA MONARQUIA ATÉ À IMPLEMENTAÇÃO DA REPÚBLICA, Telma Marília Assunção Correia; O CONCELHO DE ESTARREJA E OS SEUS EMIGRANTES (1888-1892), Valter Santos; SAUDADES, ADENDAS E RECTIFICAÇÕES. SUMÁRIO: NÃO REFORMAMOS A HISTÓRIA!, José Eduardo de Matos; EDITORIAL, Delfim Bismarck Ferreira; ARTIGOS: A SAGA DO NAVIO MARIA DAS FLORES, O Lugre Maria das Flores – o bota-abaixo, Ana Maria Lopes; CAETANO FERREIRA – Notável Estarrejense, jornalista errante e viajante, António Augusto Silva; PASSADO PATRIMÓNIO E FUTURO – Primeiros elementos para uma carta arqueológica do concelho de Estarreja, António Manuel S. P. Silva & Gabriel Rocha Pereira; CASA DO OUTEIRO DE PAREDES EM AVANCA, Delfim Bismarck Ferreira e Maria Palmira da Silva Gomes; A ARQUEOLOGIA NA REDE PRIMÁRIA DE TRANSPORTE DE GÁS: A passagem pelo distrito de Aveiro, João Muralha; O FUNDADOR DE ESTARREJA, Joaquim Lagoeiro; ORIGEM DA CASA DO COUTO, SALREU, ESTARREJA, Jorge Barbosa Montenegro; CONSELHEIRO FRANCISCO LOURENÇO DE ALMEIDA – Participante na transição da Monarquia Absoluta para a Monarquia Liberal, na primeira metade do século XIX, Marco Pereira; OS VALENTES DE ALMEIDA DE PARDILHÓ, Maria Helena Valente Pinto; AS ELITES LOCAIS E SUA INFLUÊNCIA NOS FINS DO SÉCULO XIX E PRIMEIRAS DÉCADAS DO SÉCULO XX – UM EXEMPLO: Domingos Joaquim da Silva, Visconde de Salreu (1854-1936) – Parte II, Maria de Jesus Sousa de Oliveira e Silva; AFORAMENTOS DE SANTO AMARO, TORREIRA E OUTROS (1780 a 1950) – PROCESSOS EM ARQUIVO, Norvinda Leite; O PAPEL DAS MULHERES NA VIDA DE EGAS MONIZ, Rosa Maria Rodrigues; OS CINETRATOS NO DISTRITO DE AVEIRO – Materialização de um programa em Rodrigues Lima, Susana Constantino; O CONCELHO DE ESTARREJA E OS SEUS EMIGRANTES (1893-1894), Valter Santos e Teresa Cruz; SAUDADES; NOTAS SOLTAS: ORDENANÇAS E MILÍCIAS NO CONCELHO DE ESTARREJA (1866); ARQUITECTURA NA FEIRA DE SANTO AMARO; ADENDAS E RECTIFICAÇÕES


TERRAS DE ANTUÃ | HISTÓRIAS E MEMÓRIAS DO CONCELHO DE ESTARREJA

N.º6 | Ano VI | 2012

N.º7 | Ano VII | 2013

SUMÁRIO: A IMPORTÂNCIA DO RITUAL, José Eduardo de Matos; EDITORIAL, Delfim Bismarck Ferreira; ARTIGOS: EMBARCAÇÕES TRADICIONAIS DE CANELAS, Ana Maria Lopes; Dr. TAVARES DA SILVA – Figura incontornável do Desporto Nacional do séc. XX, António Augusto Silva; O PATRIMÓNIO CINÉFILO DO CONCELHO DE ESTARREJA, António Costa Valente; O CASTRO DE SALREU (ESTARREJA): RESULTADOS DA PRIMEIRA CAMPANHA DE ESCAVAÇÕES ARQUEOLÓGICAS, António Manuel S. P. Silva, Gabriel R. Pereira & Paulo A. P. Lemos; ANTÓNIO MOTA GODINHO MADUREIRA – Um esboço biográfico, Delfim Bismarck Ferreira; MIGRAÇÕES ARQUITECTÓNICAS – O popular e o histórico na hora de Francisco Farinhas, Domingos Tavares; O PATRIMÓNIO E O SEU PAPEL CULTURAL NO CONTEXTO LOCAL E REGIONAL, José Mattoso; FÁBRICAS DE LACTICÍNIOS NOS CONCELHOS DE ESTARREJA E MURTOSA, Marco Pereira; SACRÁRIOS DAS IGREJAS PAROQUIAIS DO CONCELHO DE ESTARREJA, Maria Clara Vide Marques; ESTARREJA – Sua origem como topónimo, Maurício António Fernandes; O CONCELHO DE ESTARREJA E OS SEUS EMIGRANTES (1895), Teresa Cruz Tubby e Valter Santos; SAUDADES; NOTAS SOLTAS: ESTARREJA E AS SUAS ACTUAIS FREGUESIAS (1853); CONCELHO DE ESTARREJA (1875); ESTADO ACTUAL DA INDÚSTRIA CERÂMICA (1905); ESTARREJA (1912); ANTUÃ: Paróquia Sueva; 8 DIAS DE “LIBERDADE” … CONDICIONADA; REVISTAS TERRAS DE ANTUÃ. SUMÁRIO: EU SOU QUE SEI, José Eduardo de Matos, A HISTÓRIA VAI-SE FAZENDO, Diamantino Sabina, EDITORIAL, Delfim Bismarck Ferreira, ARTIGOS: HENRIQUE LAVOURA – construtor naval de nomeada, Ana Maria Lucas, CÓNEGO REBELO DOS ANJOS – Capelão de militares e Civis, António Augusto Silva, O CÓNEGO BARBOSA E O DOGMA DA IMACULADA CONCEIÇÃO, António Pedro Sotto Mayor, O VINCULO DA CASA DO COUTO EM SALREU (1755), Delfim Bismarck Ferreira, MEMÓRIAS DO QUOTIDIANO – os Painéis dos Barcos Moliceiros, José Gurgo e Cirne, INVENTÁRIO DO ESPÓLIO DE CONSTRUÇÃO NAVAL DO MESTRE HENRIQUE LAVOURA – PARDILHÓ, Juliana Cunha, REVOLTAS POPULARES EM ESTARREJA E MURTOSA, Marco Pereira, FRANCISCO MARQUES RODRIGUES, Maria Almira de Oliveira Rodrigues Barata e Manuel Oliveira Rodrigues, RETÁBULOS DA IGREJA DE SÃO BARTOLOMEU DE VEIROS, Maria Clara Vide Marques e António Cruz Leandro, OS ELEITOS DA CÂMARA DE ESTARREJA REFERÊNCIAS NAS ATAS DE 1860-1910,Norvinda Leite, NOTA SOBRE A IDENTIFICAÇÃO DE UMA PEÇA ARQUEOLÓGICA DE VALE CASTANHEIRO, SALREU, Paulo Morgado, MEMÓRIAS DA CONSTRUÇÃO NAVAL, Sérgio Paulo Silva, A EMIGRAÇÃO NO CONCELHO DE ESTARREJA (1896), Teresa Cruz eValter Ramos, SAUDADES, REVISTAS “ TERRAS DE ANTUÔ

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MUNICÍPIO DE ESTARREJA

AUTORES

Alvaro Macieira Coelho Amaro Neves Ana Maria Lopes Andreia Tavares Andreia Vidal Leite António Augusto Silva António Costa Valente António Cruz Leandro António Macieira Coelho António Manuel S. P. Silva António de Pinho Nunes António Pedro de Sottomayor António Vítor N. Carvalho Armando Carvalho Ferreira Carlos A. Brochado de Almeida Delfim Bismarck Ferreira Diana Cunha Domingos Tavares Eva Armindo Francisco M. Pontes de Serpa Brandão Gabriel Rocha Pereira Hugo Cálão João Alegria João Muralha Joaquim Lagoeiro Jorge Barbosa Montenegro José Augusto Tavares Gurgo e Cirne José Manuel Nunes Liberato José Mattoso José Teixeira Valente Juliana Cunha Luís Augusto Eça de Matos

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TERRAS DE ANTUÃ | HISTÓRIAS E MEMÓRIAS DO CONCELHO DE ESTARREJA

AUTORES

Luís Loureiro Luís Souto de Miranda Manuel Ferreira Rodrigues Manuel de Oliveira Rodrigues Marco Pereira Margarida Castro Maria Almira de Oliveira Rodrigues Barata Maria Clara Paiva Vide Marques Maria Elvira Callpez Maria Helena Valente Pinho Maria de Jesus Sousa de Oliveira e Silva Maria João Fernandes Maria Manuel de Vilhena Barbosa Maria Palmira da Silva Gomes Maurício Antonino Fernandes Norvinda Leite Nuno Matos Paula A. P. Lemos Paulo Morgado Patrícia Mestre Marques de Carvalho Pedro Brochado de Almeida Rafael Marques Vigário Ricardo Montes Rosa Maria Rodrigues Sérgio Paulo Silva Sylvie Ferreira Sónia Filipe Susana Constantino Susana Temudo Silva Telma Marília Assunção Correia Telma Bagão Teresa Cruz Tubby Valter Santos

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Terras de Antuã - Histórias e Memórias do Concelho de Estarreja  

Revista nº 8