Page 1

Aprender sempre para educar com qualidade

9 771981 314004

00042

Nov/Dez de 2008 - Ano VII - Nยบ 42


SECRETARIA MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO COORDENADORIA DE COMUNICAÇÃO SOCIAL

Editorial E

sta é a última edição de 2008 da revista Educando em Mogi. Com esse número, encerramos mais um ciclo de trabalho, em que podemos contabilizar vitórias e conquistas, mas sabemos que temos muito ainda o que caminhar. Nossa publicação é reflexo disso, como uma ferramenta de formação dos educadores, a revista Educando em Mogi traz nesta edição um especial sobre o amplo programa de formação contínua oferecido aos profissionais da Educação em Mogi das Cruzes. Escriturários, ajudantes gerais, técnicos da SME, auxiliares de desenvolvimento da educação (ADE), auxiliares de desenvolvimento infantil (ADI), professores, vicediretores, coordenadores pedagógicos, coordenadores do Cedic e diretores. Procuramos ao longo dos anos, oferecer capacitações que atendessem todos os mais de 1,7 mil funcionários da rede municipal. Apresentamos relatos sobre palestras, oficinas, cursos em diferentes áreas do conhecimento: artes, música, gestão, educação infantil, alfabetização, matemática, libras, entre tantos outros temas. Tutores e alunos demonstram o que estas capacitações acrescentaram no dia-a-dia da sala de aula e estimularam nossos profissionais a buscarem ainda mais conhecimento. Também trazemos um artigo sobre a inauguração do Bloco Didático do Centro Municipal de Formação Pedagógica Professor Boris Grinberg, uma festa inesquecível para todos. É importante ressaltar que o espaço é dos profissionais da Educação e todos podem usufruir deste importante instrumento de trabalho dedicado à formação dos educadores e funcionários. Parabéns a todos por mais este ano de trabalho e esperamos que 2009 seja mais um ano de realizações e avanços em nosso caminhar por uma educação de qualidade para todos os mogianos. 2

Av. Ver. Narciso Yague Guimarães, 277 Cep 08790-900 – Centro Cívico Mogi das Cruzes – SP Tel.: (11) 4798-5085 Fax: (11) 4726-5304 revistaeducando@pmmc.com.br www.mogidascruzes.sp.gov.br

• Conselho Editorial Maria Geny Borges Ávila Horle Anne Ivanovici Cláudia Helena Romanos Pereira Leni Gomes Magi Marilda Aparecida Tavares Romeiro Safiti

• Jornalistas Responsáveis Luiz Suzuki – MTB 22936 Kelli Correa Brito – MTB 40010

• Coordenação Editorial Bernadete Tedeschi Vitta Ribeiro Lilian Gonçalves Marinina Beatriz Leite

• Colaboraram nesta edição Marina Dias Nogueira Equipe de Supervisão da Secretaria Municipal de Educação Helaine Cristina Bio Margarido Kelen Cristiane S. Chacon Deise Cardoso Denise Cesare dos S. Roman Alves Vera Lúcia Rodrigues da Silva Rosely Aparecida Liguori Imbernon Edilamar Regiane C. Macedo Pazini Silvana Silva Maciel Miriam de Jesus Pinto Porcelli Wagna Suely Ribeiro dos Anjos Leslie Lohnhoff Carapinheiro Vanilda Aparecida dos Santos Oliveira Andréa Pereira de Souza Andrea Rodrigues Barbosa Marinho Maria Helena Cecin Resek Albernaz Equipe do Departamento Pedagógico da Secretaria Municipal de Educação Lilian Gonçalves Gracila Maria Grecco Manfré José Sebastião Witter

• Nossa Capa Ney Sarmento

• Fotos Arquivo das Escolas Municipais Kelli Correa Brito, Ney Sarmento e Taciano Segovia

• Fotolito, impressão e acabamento Rettec Artes Gráficas Rua Xavier Curado, 388 - Ipiranga 04210-100 - São Paulo - SP Tel.: (11) 2063-7000 Fax: (11) 2061-8709 rettec@rettec.com.br • www.rettec.com.br

• Editoração eletrônica Mauro Teles

• Tiragem

3.500 exemplares A Revista Educando em Mogi nº 42 é uma publicação da Secretaria Municipal de Educação de Mogi das Cruzes e não se responsabiliza por conceitos emitidos em

artigos assinados.


Sumário Projeto Artes Visuais - A importância da formação continuada

4

Formação

24 6

Formação de gestores da rede municipal de ensino de Mogi das Cruzes – Progestão

8

Educação: Mudar é preciso

10

I Ciclo de Estudos das Creches Municipais

I Jornada de Estudos sobre a Infância: Assentando as raízes e farfalhando as asas

12 14 16

Pró-Letramento: Alfabetização e Linguagem e Matemática em Mogi das Cruzes Materiais didáticos no ensino e para o ensino e aprendizagem da Matemática: Por quê? Para quê?

19

Quando a Universidade vai à Escola

22

Formação Contínua nas escolas municipais para o trabalho com a musicalização na infância

25

Libras Linguagem Brasileira de Sinais

26

Práticas Educativas: caminhos e desafios

27

Alimentação de qualidade e profissionais capacitados fazem o sucesso do Programa de Alimentação Escolar

28

Palestra reúne 600 profissionais da Educação no Cemforpe

29

Fazendo uso das Matrizes Curriculares Municipais para a Educação Básica

30

Cemforpe Centro Municipal de Formação Pedagógica

31

Mil educadores participam da inauguração do Bloco Didático do Cemforpe

34 36

Educação Uma longa caminhada

Educador 3


Marina Dias Nogueira

F

alar de formação é falar de olhares... Todos nós, indiscriminadamente, somos frutos de nossa genética, nosso contexto, nosso conhecimento, nossas vivências e muitos exemplos. Quando falamos em formação, imediatamente nos remetemos à idéia de que ela ocorre de fora para dentro, que depende de cursos, palestras... Porém, mais do que isso, a formação deve ser vista com outros olhos. Na verdade, é nosso interior que a busca... Sabemos que ao longo da vida, a nossa visão de mundo se amplia e o que vamos incorporando ao nosso ser, fruto da aprendizagem e vivências, faz com que as nossas atitudes se transformem e as relações adquiram novas nuances.

4

Nós, profissionais da educação, necessitamos hoje mais do que em outros tempos, acreditarmos que a nossa prática faz a diferença, precisamos enxergar com novos olhares a nossa realidade, nossos alunos, nossa comunidade... A formação é dinâmica, pois à medida que o meu ser se transforma, minhas atitudes adquirem novas maneiras de encarar o velho que se faz novo, ou seja, vejo que apesar de novos tempos, tecnologia avançada e novas relações sociais, em nossos alunos a essência é a mesma, percebo que só precisamos buscar novos ângulos e abordagens... A leitura de clássicos é imprescindível em nossa formação, pois eles falam das essências... O ensino


da música e da filosofia está voltando, saciando a fome de saber e sentir. Cada ser humano é único e sua maneira de enxergar o mundo é única. A formação nada mais é do que colocar lentes para ampliar nossos olhares... Para que seja efetiva, ela necessita de dois pontos essenciais: o ir e o vir, ou seja, conseguir fazer com que a teoria se torne prática e para isso é necessário que o aprendiz se disponha interiormente, acredite no que “o mestre” está revelando... Mais do que palavras, nossos alunos necessitam do exemplo de seus mestres e só se pode dar exemplos quando se coloca em prática aquilo em que se acredita... No final de 2007, a Secretaria Municipal de Educação realizou pesquisa junto aos professores e auxiliares de desenvolvimento infantil a fim de verificar o que esperavam no que se refere à formação e à oferta de cursos sobre a questão emocional do ser humano. Após o resultado, outras capacitações foram sendo oferecidas: escuta ativa, cuidando dos cuidadores, etc... A sensibilidade social torna-se uma das competências necessárias para ser um profissional da educação. A formação exige investimentos financeiros, disponibilidade de tempo e amor ao que se faz. Além das palestras oferecidas a toda a rede municipal no auditório do Centro Municipal de Formação Pedagógica Professor Boris Grinberg (Cemforpe), diversos cursos dedicados aos profissionais das creches subvencionadas foram oferecidos, por meio do Cemforpe: •

“Concepções pedagógicas e infância” - psicopedagoga Antonia Mascarenhas Silveira e psicólogo Valter Estevão Eitler;

“Cuidando do cuidador para trabalhar com situações difíceis” - psicóloga jurídica Lúcia Helena Souza Pinheiro;

“Oficinas criativas arte-terapêuticas para educadores” - comunicadora social Marcieli Cristine do Amaral Santos;

“Contos & Encantos – Prática de contar histórias como ferramenta educativa” – cientista jurídica e social Vânia Dohme, publicitário Walter Dohme, ludo-educadora Vanessa Dohme, dançarina de ballet clássico Samanta Dohme e o administrador de empresas Salvador Faria;

“Curso de teatro como ferramenta pedagógica” – agente cultural Carla Pozo e orientador teatral Marco Barbosa;

“Curso jogo de cena” - agente cultural Carla Pozo e orientador teatral Marco Barbosa;

Em continuidade ao ano passado, concluiu-se o curso de Progestão, uma parceria do Conselho Nacional dos Secretários de Educação (Consed) com a União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime), bem como tivemos a parceria de alguns profissionais voluntários de ONGs que fizeram as palestras: •

“Viva melhor! Programando sua mente” – padre Pedro Paulo;

“Formação ou formatação” – psicopedagogo Rodrigo Hernandez Giraldi

“Comportamento musical“ - psicopedagogo Rodrigo Hernandez Giraldi

A formação contínua vem sendo oferecida. Cabe a cada um de nós, se acostumar a utilizá-la e ampliar nossa maneira de enxergar a fim de que haja a mudança de paradigmas.

Marina Dias Nogueira é pedagoga com pós-graduação em Formação de Gestores para a Educação Básica, bacharel em Teologia e supervisora de escolas particulares da Secretaria Municipal de Educação.

5


Formação de gestores da rede municipal de ensino de Mogi das Cruzes – Progestão “A verdadeira missão do líder da escola é conciliar as demandas burocráticas e pedagógicas para garantir que os alunos progridam”. Julia Priolli Especial Gestão Escolar nº 1 – Revista Nova Escola

Equipe de Supervisão da Secretaria Municipal de Educação

A

construção de uma escola em que a participação seja uma realidade depende da ação de todos: gestores escolares, professores, alunos, funcionários, pais e comunidade local. Sabe-se ainda da importância do papel e do desempenho do gestor na dinamização, articulação e organização dos trabalhos da escola. Uma escola participativa deve contar com um gestor participativo. Pautada neste princípio, a rede municipal de ensino de Mogi das Cruzes aderiu ao Programa de Formação de Gestores – Progestão, organizado pelo Conselho Nacional dos Secretários de Educação (Consed), no intuito de oferecer espaços e tempos de análise para a reflexão e socialização de experiências e práticas de uma gestão de sucesso. A adesão foi significativa para a nossa rede de ensino: 86 cursistas, entre diretoras, coordenadoras pedagógicas e vice-diretoras, concluíram o curso após 12 meses de estudos (de agosto de 2007 a agosto de 2008). A carga horária do curso foi de 300 horas, distribuídas em 20 encontros presenciais de três horas ou dez encontros de seis horas com as tutoras. As demais horas foram organizadas em estudos individuais e em grupos. Os temas trabalhados nos nove módulos foram de grande valia para a confirmação da prática de muitos profissionais e a ampliação do campo de visão da gestão para outros. Estudamos a Partici-

A estrutura dos encontros pautou-se, principalmente, na exposição dos grupos quanto às atividades realizadas durante o período de estudo. Nestes espaços todos se fortaleceram, tanto quanto suas práticas frente aos trabalhos realizados pelos demais grupos.

6

Módulo Introdutório

Auto-avaliação do cursista

Módulo I

Função social da escola

Módulo II

Como promover, articular e envolver a ação das pessoas no processo de gestão escola?

Módulo III

Como promover a construção coletiva do Projeto Político-Pedagógico da escola?

Módulo IV

O sucesso exige acompanhamento

Módulo V

Como construir e desenvolver os princípios de convivência democrática na escola?

Módulo VI

Como gerenciar os recursos financeiros?

Módulo VII

Como gerenciar o espaço físico e o patrimônio da escola?

Módulo VIII

Como desenvolver a gestão dos servidores na escola?

Módulo IX

Como desenvolver a avaliação institucional da escola?


pação Democrática; Projeto Político-Pedagógico; Parcerias; Avaliações Educacionais e Institucionais; Prática Pedagógica, entre outros assuntos. Os temas foram aprofundados por meio do material de estudo composto por nove cadernos, sendo estes de fundamentação teórica e outros nove com atividades – exercícios práticos, tanto individuais como em grupo, proporcionando uma reflexão sobre a prática da organização da gestão da escola. A tutoria dos grupos foi realizada por três duplas de supervisoras da Secretaria Municipal de Educação de Mogi das Cruzes: Rosemeire Tonete de Carvalho e Arlete Sakai Beono, Aparecida Donizeti de M. Yamamoto e Lucy Ribeiro da Silva, Alice Dias Nogueira Ueno e Heliana Barbosa Corrêa. Vale ressaltar que os momentos vividos pelas tutoras com os grupos de estudo promoveram uma ampliação do olhar de todos; facilitando, inclusive, o trabalho da supervisão escolar nas escolas municipais. A tutoria disponibilizou plantões para os grupos tirarem suas dúvidas durante o período de estudo individual e coletivo, e, ainda, foi oferecida uma plataforma online em que as cursistas poderiam participar de um fórum de discussão sobre o módulo estudado. A equipe de tutoria percebeu um grande movimento e envolvimento de todos os grupos na organização de seus estudos. Conciliar o trabalho da gestão escolar com as atividades sugeridas pelo curso, por um lado não foi difícil, uma vez que o material foi organizado primando pela dinâmica interna da escola; por outro lado, muitos relatos sobre a dificuldade em organizar o tempo de estudo foram feitos pelas cursistas: “gostaria de ter mais tempo para estudar, porque o material é maravilhoso”, “não consegui ler como gostaria!”, “Fiz uma série de anotações para o próximo ano, tive muitas idéias após a leitura”, “após o término do curso vou retomar o material por ser de excelente qualidade”, “modificamos a prática avaliativa da aprendizagem mediante os estudos do material do Progestão”. O impor-

tante foi observar que o material acrescentou e poderá acrescentar ainda mais no processo da gestão de cada unidade escolar. Incorporar a proposta de formação de gestores às atribuições da equipe de supervisão também foi um desafio, porém gratificante e enriquecedor para aqueles que acreditam na educação enquanto processo de construção e transformação da realidade. Considerando a dimensão positiva do curso, enquanto momentos de reelaboração e consolidação de saberes e fazeres, podemos ressaltar que o processo de construção e reconstrução da escola pública, enquanto espaço de participação democrática, vem se consolidando e se reestruturando para que de fato seja uma prática democrática em nossas escolas e não só um discurso. Esse movimento só é possível pela disposição de cada gestor em ressignificar sua própria gestão escolar, superando as limitações geradas pela sua formação.

Equipe de Supervisão da Secretaria Municipal de Educação

Depoimentos de Cursistas EM Antonio Pedro Ribeiro Diretora: Ana Clara de Almeida Correa

EM Dr. Luiz Beraldo de Miranda Diretora: Rita Cristina Chavedar.

EM Profª Teresa Martins Pinhal Diretora: Márcia Valéria Cruz Vice-Diretora: Maria Teresa Watanabe Nakamura Coordenadora: Célia Regina de O. R. Pereira.

“O Progestão ajudou o gestor escolar a ter uma visão ampliada da necessidade e da importância de delegar funções para todos da equipe escolar e comunidade a fim de promover um trabalho de construção do Projeto Político-Pedagógico e da gestão” “Foi muito boa a elaboração do plano de aplicação de recursos financeiros que direcionou e reorganizou as ações do Projeto Político-Pedagógico. Implantei reuniões quinzenais com todos os servidores da escola, ora com professores nas OTES, ora com os funcionários, no sentido de avaliar o trabalho desenvolvido, ampliando a participação de todos”. “O Progestão nos proporcionou um momento de reflexão e avaliação. Ficamos felizes de estar no caminho, pois muito do que foi sugerido, nós já aplicamos há algum tempo: como a avaliação do trabalho de todos na escola feita pela comunidade e funcionários. Em relação à coordenadora pedagógica, Célia, o curso permitiu que ela conhecesse mais a fundo as questões administrativas da escola”.

7


Educação:

Mudar é preciso Fotos: Taciano Segovia

A

necessidade de rever velhos conceitos e ter coragem e disposição para mudar foram algumas das propostas do educador Mario Sergio Cortella apresentadas em sua palestra “Da oportunidade ao êxito: mudar é complicado? Acomodar é perecer!”. O evento, realizado em agosto no auditório do Centro Municipal de Formação Pedagógica Professor Boris Grinberg – Cemforpe, reuniu 1,5 mil profissionais da rede municipal e creches subvencionadas, entre professores, orientadores de informática, coordenadores do Cedic, coordenadores pedagógicos, vice-diretores e diretores. A palestra foi uma das grandes paradas de formação contínua realizadas em 2008. A revista Educando em Mogi registrou outros momentos importantes do programa de formação neste ano: em fevereiro, a palestra “Saúde e Bem-Estar – Prazer de Viver Bem” com o dr. Içami Tiba e em março, o III Encontro do Fórum Permanente de Educação Inclusiva Alto Tietê com a participação de representantes dos municípios de Arujá, Biritiba Mirim, Ferraz de Vasconcelos, Guararema, Itaquaquecetuba, Mogi das Cruzes, Poá, Salesópolis e Suzano. Os eventos também aconteceram no auditório do Cemforpe, reunindo profissionais da rede municipal e das escolas subvencionadas. A idéia de trazer o palestrante à Mogi surgiu na participação de representantes da Secretaria Municipal de Educação no 3º Fórum Nacional Extraordinário dos Dirigentes Municipais de Educação, realizado em Brasília (DF) de 24 a 27 de março. A abordagem feita pelo educador foi muito interessante e pela importância do tema, o encontro foi agendado para o mês de agosto em uma parada que atendeu a toda rede municipal. Confira abaixo uma entrevista com o professor Cortella para relembrar as dicas apresentadas na palestra.

8

O palestrante Mario Sergio Cortella é filósofo com Mestrado e Doutorado em Educação pela PUC-SP, na qual é professor-titular do Departamento de Teologia e Ciências da Religião e da Pós-Graduação em Educação (Currículo). O educador também é docente convidado da Fundação Dom Cabral e do GVpec da FGV-SP. Foi Secretário Municipal de Educação de São Paulo (1991-1992) e é autor de, entre outras obras, A Escola e o Conhecimento (Cortez), Nos Labirintos da Moral, com Yves de La Taille (Papirus), Não Espere Pelo Epitáfio: Provocações Filosóficas (Vozes), Não Nascemos Prontos! (Vozes), Sobre a Esperança: Diálogo, com Frei Betto (Papirus), O que é a Pergunta?, com Silmara Casadei (Cortez) e Qual é a tua Obra? Inquietações Propositivas sobre Gestão, Liderança e Ética (Vozes). Educando em Mogi - O que sua palestra procura transmitir aos professores? Cortella - A necessidade de uma reflexão sobre os riscos do “envelhecimento” das nossas práticas e a ameaça da sedimentação de ações pedagógicas ultrapassadas. O importante é ter humildade para saber que não sabemos tudo o que precisa se sabido e, ao mesmo tempo, partir da constatação da dificuldade em direção à ação concreta, com sentido de urgência e flexibilidade nas rotas. Educando em Mogi - O sr. fala em mudança. O que é preciso mudar na Educação e como os professores devem se preparar para esta mudança? Cortella - É preciso mudar tudo o que for arcaico no nosso cotidiano escolar: planejamento precário, ausência de integração entre as disciplinas, seleção de conteúdos ainda pouco significativos para o perfil discente hoje nas escolas,


condições de trabalho insuficientes. Por isso, preparar-se para a mudança não é esperar que ela chegue, mas, isso sim, ir buscá-la conjuntamente, organizadamente, firmemente.

os impulsos verbais ou incentivos animados. Criatividade para fazer melhor desponta quando as condições oferecidas ao docente o recompensam material e espiritualmente pelo o que deve fazer com plenitude de esforços.

Educando em Mogi - O professor tem medo de mudar? Como o senhor avalia a situação dos professores atualmente?

Educando em Mogi - Falta audácia na formação do professor? O professor está preparado para criar oportunidades?

Cortella - O hábito e a familiaridade resultantes do modo habitual como fazemos as coisas nos leva a encontrar conforto na repetição; por isso, a mudança exige coragem e disposição para alterar razões e ações, para que o nosso trabalho não resulte em inutilidade ou desencontro. Não só modo só por intenção, mas especialmente por necessidade, e essa está todo o tempo às nossas portas. Educando em Mogi - Que tipo de ensino oferece um professor acomodado e qual é o resultado desse tipo de atitude no desenvolvimento da criança? Cortella - Comodidade é diferente de acomodação; comodidade é estar bem postado e com uma circunstância acolhedora, enquanto que acomodação é conformar-se no modo como se está para não ter de sair daquele conforto imediato. Docentes acomodados apenas fazem mais do mesmo todos os dias e, por conseqüência, colidem com a vitalidade processual que no espaço escolar pulsa continuamente. Educando em Mogi - Como estimular a criatividade do professor para atender a crianças cada vez mais precoces e com tanto acesso à informação? Cortella - Estimulação é o resultado de uma compreensão da necessidade e do prazer na realização do que precisa ser feito; assim, a criatividade não aparece somente com

Cortella - Audácia é colocar a coragem em ação. Coragem não é ausência de medo ou de comodismo; coragem é a capacidade de enfrentar o medo ou o comodismo! A criação de oportunidades de melhoria não é somente um requisito profissional e se constitui em mecanismo para evitar o apodrecimento ético da nossa tarefa social. Educando em Mogi - Qual é a diferença entre novo e novidade? Por que isso deve ficar claro para o educador? Cortella - O Novo é aquilo que chega e implanta uma modificação positiva mais perene; por sua vez, a Novidade é mero modismo passageiro. Em Educação há muita sedução pelas novidades evanescentes, embaladas na lógica do pacote pronto e da mente vazia. Educando em Mogi - Mogi das Cruzes tem investido na formação e valorização de seus educadores, o que o sr. acha desta preocupação da Prefeitura? Como fazer estas ações resultarem em mudanças reais na sala de aula? Cortella - Uma prefeitura que não fizer isso está ameaçando a Cidadania e praticando estelionato, pois é sua tarefa constitucional e impõe um compromisso sincero e honesto com os munícipes. Para que as mudanças aconteçam é basilar a criação de estruturas de operação da educação escolar em bases mais eficazes e movidos pela decência política.

9


I Ciclo de Estudos das Creches Municipais

Helaine Cristina Bio Margarido

N

o Brasil, a creche surgiu no final do século XIX com a função única e exclusiva de ser assistencialista, tendo como objetivo principal cuidar das crianças órfãs e abandonadas e diminuir a taxa de mortalidade infantil. Em meados dos anos 60, crianças de diferentes grupos sociais eram submetidas a contextos de desenvolvimento diferentes e desiguais. Enquanto as crianças pobres eram atendidas em creches com propostas que partiam de uma idéia de carência e assistência, as mais favorecidas eram colocadas em ambientes estimuladores com propostas educacionais. Depois da segunda metade da década de 70, aumentou a reivindicação popular por creches nos grandes centros urbanos. Com a Constituição Federal de 1988, a creche foi reconhecida como instituição educativa, um direito da criança, uma opção da família e um dever do Estado. Em 1990, foi promulgado o Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA - Lei nº 8.069, que veio corroborar no que foi afirmado à respeito da Educação Infantil na Constituição Federal. Em 1996 com a Lei nº 9.394 – Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional foi reconhecida a importância do papel desempenhado pelas creches e pré-escolas no desenvolvimento e educação das crianças, uma vez que passam a fazer parte da Educação Básica. Em Mogi das Cruzes, somente a partir de 2000, as creches deixaram de pertencer à Secretaria Municipal de Assistência Social e integraram-se à Secretaria Municipal de Educação - SME. Estes aspectos legais mudaram a visão da creche, que deixou de ser apenas um espaço de cuidados assistencialistas para ser também um espaço de crescimento e desenvolvimento integral da criança. As doze creches municipais, Centros de Convivência Infantil Integrados – CCIIs, iniciam então, uma trajetória de grandes reivindicações. Atendendo em seus espaços crianças a partir de 3 meses de idade até 5 anos num período de 10 a 12 horas diárias, apenas a direção e professores contavam com períodos de planejamento pedagógico e formação em serviço, estando de fora (em sala de aula) os elementos mais importantes desta articulação EDUCAR e CUIDAR, as Auxiliares de Desenvolvimento Infantil – ADIs. O trabalho desenvolvido nas creches municipais, sempre à procura de uma melhor qualidade no atendimento, via-se sufocado sem poder contar com as ADIs em para-

10

“Quando se sonho sozinho é apenas um sonho. Quando se sonha juntos é o começo da realidade” Miguel de Cervantes y Saavedra em “Dom Quixote De La Mancha”

das para estudo, reflexão e planejamento. Diante de tantos argumentos colocados a SME a respeito desta necessidade, a partir de 2002, conquistamos a possibilidade da participação destas profissionais na semana de planejamento no início do ano e em cursos de qualificação a serem oferecidos pelo Cemforpe, possibilitando então um grande salto nas questões de organização pedagógica e administrativa das creches e mais, uma demonstração de reconhecimento desta categoria profissional – ADI. A partir desta conquista, os projetos político-pedagógicos dos CCIIs passaram realmente a ser construídos coletivamente, uma vez que o período de planejamento sem a presença dos alunos possibilitou não só a participação das ADIS, como também das Auxiliares de Desenvolvimento da Educação - ADEs e das ajudantes gerais. Quando a participação na construção das propostas é efetiva e verdadeira, o resultado positivo torna-se viável e mais rápido. O planejamento das aulas, elaborado pelas ADIs, progrediu visivelmente, os projetos propostos deslancharam e o ganho desta participação foi para o aluno, que passou a receber ainda mais qualidade no serviço prestado por sua creche. Mas ainda havia o que melhorar. Diretoras de CCIIs, comprometidas com a tamanha responsabilidade em gerir uma creche, continuaram com as solicitações junto à SME para possibilitar a participação das ADIs nas reuniões pedagógicas, pois além da necessidade de momentos de estudo e organização da escola, o que não dá para ser feito com a presença do aluno na escola; estas servidoras saíram em busca de aprimoramento. Muitas se formaram em Magistério, Pedagogia e algumas cursaram, inclusive, pós-graduação, tendo muito a colaborar nas reuniões pedagógicas de suas unidades escolares. A SME, preocupada com a comunidade de mães trabalhadoras que precisa das creches para deixar seus filhos e disposta a atender a necessidade das equipes dos CCIIs, possibilitou a participação das ADIS nas reuniões pedagógicas, desde que consultada a comunidade escolar em Assembléia Geral e esta não se opusesse, como também o Conselho de Escola deliberasse favoravelmente. E assim foi feito no início de 2008. Como resposta ao excelente trabalho já desenvolvido nas creches municipais, a comunidade de cada CCII apoiou e incentivou a iniciativa das diretoras, pois tinha certeza que o resultado estaria diretamente ligado ao aluno, melhoraria ainda mais o atendimento às crianças que passam o dia todo longe de seus lares, seus familiares e pertences.


Com muita alegria e com sentimento de satisfação, os CCIIs reuniram-se, levantaram as necessidades, tais como motivação, desenvolvimento da criança, curiosidade sexual, ludicidade e conhecimento de outras experiências bem sucedidas para programar um marco desta vitória: uma formação em serviço, denominada I Ciclo de Estudos das Creches Municipais - Primeira Infância: Novos olhares, Novas práticas, com a seguinte programação:

18/04

Espetáculo Teatral – “O Bosque das Belezas” Curiosidade Sexual na Primeira Infância, com Janete Torralbo de Carvalho

16/05 Desenvolvimento da Criança de 0 a 4anos, com Silvana Moraes de Oliveira Okuidara Agosto/ Setembro

Visita dos profissionais à Creche Oeste – USP

24/10

Jogos e Movimento: há necessidade do lúdico na construção dos saberes infantis?

Além deste Ciclo de Estudos envolvendo todos os CCIIs, cada creche municipal programou ainda, de acordo com suas necessidades, reuniões pedagógicas com palestrantes como bombeiros, psicopedagogas e especialistas em Arte e em Música. Além de visitar o Pró- Escolar, Escola Ambiental e a Escola de Música de Jundiaí, atendendo às necessidades de cada unidade escolar. . O resultado desta iniciativa já pode ser percebido no sentimento de reconhecimento profissional por parte das ADIs, no aperfeiçoamento e inovação de algumas práticas, na construção das propostas pedagógicas de cada CCII, na melhor integração da equipe escolar - ADIs e professores - e na parceria com a comunidade local, que vem acompanhando de perto as ações propostas e os efeitos positivos no dia-a-dia da escola. Comprovadamente com esta experiência das creches municipais mogianas é possível afirmar que somente com políticas públicas de investimento na formação e reconhecimento dos profissionais é possível cada vez mais melhorar a qualidade da educação oferecida a todas as crianças. Helaine Cristina Bio Margarido é pedagoga, licenciada em Letras e pós-graduada em Educação e Gestão Escolar. Atualmente é diretora do Centro de Convivência Infantil Integrado “Sebastião da Silva”

11


Kelen Cristiane S. Chacon Fotos: Kelli Correa Brito

H

á pouco mais de 35 mil anos, éramos apenas hominídeos de membros desproporcionais e avantajada caixa craniana com um sistema de comunicação rudimentar, baseado em gestos, guinchos, grunhidos e representações pictóricas. A necessidade de sobrevivência fez com que nossos ancestrais tenham ousado locomover-se apenas sobre seus dois pés, enquanto utilizavam-se das mãos para carregar sua prole ou alimentos recentemente colhidos, de modo a direcionarem seu olhar à linha do horizonte. Ao levantar seu olhar nas savanas, estepes ou pradarias por esse mundo afora, o Homem deve ter se perguntado: o que o esperava para além daquele horizonte? Alimentos mais fartos, saborosos ou pequenos frutos envenenados? Clima ameno e boas paragens ou frio atroz e escassos refúgios sob as rarefeitas folhagens das tundras? Povos amistosos e receptivos ou inimigos ferozes? O Homem almejou saber mais! Explorar, descobrir, cultivar, dominar, colonizar; enfim, saber mais motivou o início de sua jornada rumo à ocupação dos continentes. A surpreendente capacidade de superação do ser humano e sua criatividade sem limites foram capazes de fazê-lo adaptar-se às condições mais inóspitas e, posteriormente, modificar o meio em que vivia para atender suas necessidades físicas, psíquicas, sociais e, até mesmo, econômicas.

12

Os avanços e habilidades que erigiram civilizações suntuosas e refinadas, também foram responsáveis por extermínios brutais. Atualmente a humanidade chegou a um ponto de desenvolvimento irrefreável, que de acordo com Berman (1985), nos submeteu à perversa lógica do “progressofáustico”, relação na qual é necessário um grande sacrifício humano para obter sucesso. O mesmo passo que nos conduz na direção de descobertas científicas que extinguem a fome no planeta, também levam à destruição de recursos naturais, como a água e o solo. As novas tecnologias, em especial as de informação, são tão díspares que ensejam a sensação de conforto e comodidade, mas também, provocam o desconfortável vazio de quem, tal como o Fausto de Goethe, vendeu sua alma ao diabo para conquistar os prazeres do mundo High Tech. A mesma mídia que encanta os jovens e crianças enchendo seus olhos de magia e cores, esvazia a percepção crítica da realidade, transforma/reduz a linguagem escrita a ícones e naturaliza questões de gênero e raça. Tradicionalmente, todo fim de milênio traz certa desesperança e perda dos paradigmas sócio-culturais. De forma bem menos impactante que ao fim do ano mil, na última virada do milênio, assistimos a diferentes manifestações de angústia, medo e incertezas frente aos desafios colocados pelo século XXI.


É notório que educadores de todas as partes do mundo se depararam com conflitos inerentes a esse novo modus vivendi e para conhecer perspectivas e contributos de outras ciências sobre os desafios da educação para a infância no século XXI surgiu a urgência de se estruturar estudos na rede municipal de Mogi das Cruzes. O plano inicial envolvia apenas quatro escolas durante parte das reuniões de Organização do Trabalho Escolar, nas quais os grupos de estudos e debates seriam formados por seus docentes e equipe gestora. As temáticas apontadas foram apresentadas a todas as diretoras de escolas de educação infantil da rede municipal que foram convidadas a fazer parte de uma reunião organizacional na Escola Municipal Profª Vanda Constantino da Costa com o apoio da Secretária Municipal de Educação e da diretoria do Departamento Pedagógico (Deped). Ao principiarmos a 1ª Jornada de Estudos sobre a Infância e os Desafios para o século XXI, pudemos comprovar o quanto nossa ousadia, criatividade, criticidade e autonomia cresceram nos últimos anos. Inauguramos um novo processo de formação contínua de nossos profissionais de educação, no qual desenhamos e trilhamos, todos lado a lado, o mesmo caminho. O formato visou atender professores, ADIs e gestores em sete encontros para estudos, debates, oficinas e palestras, visando responder aos anseios das equipes gestoras e docentes sobre novos valores sociais que afetam as relações de aprendizagem e de convívio interpessoal no âmbito intra e extra-escolar. Da idealização à execução, passamos por caminhos repletos de obstáculos, que só superamos graças ao auxílio recebido de muitos braços e mãos que freneticamente fizeram de tudo e mais um pouco para contribuir com cada detalhe na organização dos encontros, fosse desenhando, cozinhando ou carregando, desde caixas pesadas a informações minuciosas.

Logo no segundo mês, passamos a refletir sobre a importância da alfabetização e letramento por meio da contextualização significativa do texto literário no cotidiano do educando. Em junho, observamos os múltiplos aspectos da negação da infância pela sociedade atual, principalmente em face dos conflitos inerentes às influências midiáticas e do impacto das tecnologias de informação sobre o processo educativo. Ao retornarmos do recesso, exploramos as facetas do currículo e suas manifestações concretas no processo educativo infantil, visando compreender e analisar como as culturas educam em diferentes tempos e locais. Numa feliz articulação entre Deped e Supervisão de Ensino, nosso quinto encontro seguiu a trilha em busca de conhecimento ao refletir sobre a origem e necessidade dos documentos norteadores da prática educativa em nosso município – Diretrizes e Matrizes Curriculares Municipais. Com muita propriedade e experimentação, vivenciamos a necessidade da construção lúdica dos saberes infantis num mágico encontro com mais de 500 participantes de escolas municipais de educação infantil, creches do sistema municipal de ensino e subvencionadas e a APAE.

Diversas bocas e ouvidos se especializaram em explicar e ouvir detalhadamente planos nos muitos contatos telefônicos e pessoais, necessários com participantes, parceiros e colaboradores para alinharmos as apresentações.

Como desfecho, prevemos a exibição de um filme cult e a formação de uma mesa redonda entre os participantes para discutirmos a intrincada relação entre pedagogia e educação para infância.

Contamos com muitos pares de pernas que caminharam e dirigiram incansavelmente, sempre em busca de materiais, custeio das parcerias, locomoção de palestrantes e doações.

O fôlego tantas vezes necessário para subir e descer a escada no auditório do Cemforpe, não nos faltou no trajeto e ousaria dizer que este sopro vital ainda nos exorbita ao final, pois começamos nosso caminho com muita garra e inquietação e temos o orgulho de encerrar este ciclo com muitas idéias frescas, umas tantas perguntas a cutucar a cabeça e a certeza absoluta de que o dramaturgo alemão estava certo, pois “seja qual for o sonho, comece. Ousadia tem genialidade, poder e magia”.

Somos ao longo desta jornada a mais fiel representação de coletividade unida em torno de um objetivo. Desta forma, pudemos contar com preciosas contribuições das especificidades científicas de áreas como: história, filosofia, psicologia, sociologia, psicopedagogia, artes, música, pedagogia, tecnologias de informação e lingüística, entre outras; que serviram para compor um panorama amplo sobre os desafios que nós, educadores, temos pela frente. Com o propósito claro de trilhar um caminho que não se encerra com o final de cada encontro ou mesmo do ano letivo, iniciamos os encontros em abril com uma abordagem histórico-filosófica sobre os aspectos que inventaram culturalmente a infância.

Kelen Cristiane S. Chacon é mestre em Semiótica, Tecnologia de Informação e Educação, especialista em Formação de Profissionais de Educação e Gestão Educacional. Com graduação em História e Pedagogia, é técnica em Museologia e Arqueologia e atualmente, diretora da Escola Municipal Profª Vanda Constantino da Costa e pesquisadora do Laboratório de Gestão da Unicamp (LAGE) e do grupo de estudos da Teoria Crítica Radical na USP.

13


Deise Cardoso

Por que formação continuada? A formação continuada é uma exigência da atividade profissional no mundo atual, não podendo ser reduzida a uma ação compensatória de fragilidades da formação inicial. O conhecimento adquirido na formação inicial se reelabora e se especifica na atividade profissional para atender a mobilidade, a complexidade e a diversidade das situações que solicitam intervenções adequadas. Assim, a formação continuada deve desenvolver uma atitude investigativa e reflexiva, tendo em vista que a atividade profissional é um campo de produção do conhecimento, envolvendo aprendizagens que vão além da simples aplicação do que foi estudado. A formação continuada de caráter reflexivo considera o professor sujeito da ação, valoriza suas experiências pessoais, suas incursões teóricas, seus saberes da prática e possibilita-lhe que, no processo, atribua novos significados a sua prática e compreenda e enfrente as dificuldades com as quais se depara no dia-a-dia. Ainda não se pode perder de vista, a articulação entre formação e profissionalização na medida em que uma política de formação implica em ações efetivas no sentido de melhorar a qualidade do ensino, as condições de trabalho e, ainda, contribuir para a evolução funcional dos professores.

14

Programa de Formação Continuada de professores das séries iniciais do Ensino Fundamental O Pró-Letramento - Mobilização pela Qualidade da Educação é um programa de formação continuada de professores voltado para a melhoria da qualidade da aprendizagem da leitura/escrita e matemática nas séries iniciais do Ensino Fundamental. Por meio de uma parceria firmada entre a Secretaria Municipal de Educação de Mogi das Cruzes com o Ministério da Educação e a UNESP, iniciou-se em 2007 as primeiras turmas do curso. Todos os professores que estão em exercício nas séries iniciais do ensino fundamental das escolas públicas podem participar. O Pró-Letramento funciona na modalidade à distância. Para isso, utiliza material impresso e vídeos, mas conta também com atividades presenciais acompanhadas por professores orientadores, também chamados tutores. Em Mogi, temos as professoras Sandra Nazareth de Paula Scutari e Josefa Marta Fernandes Freitas como tutoras do curso de Alfabetização e Linguagem e atualmente, eu sou tutora do curso de Matemática. O objetivo do curso é criar um espaço para que educadores possam estudar, refletir, trocar experiências e informações sobre Alfabetização e Linguagem e Matemática. A proposta é que os participantes queiram continuar aprendendo e transmitindo mais


conhecimentos sobre os conteúdos tratados e que possam acreditar e transmitir aos seus educandos que o aprender pode e deve ser simples e prazeroso. Os conteúdos tratados nos encontros de Alfabetização e Linguagem são: Capacidades lingüísticas da alfabetização e a avaliação, Alfabetização e letramento: questão sobre avaliação, A organização do Tempo Pedagógico e o planejamento de ensino, Organização e uso da biblioteca escolar e das salas de leitura, O lúdico na sala de aula: projetos e jogos, O livro didático em sala de aula: algumas reflexões e Modos de falar/Modos de Escrever. Nos encontros de Matemática são trabalhados os seguintes conteúdos: Números Naturais, Operações com Números Naturais, Espaço e Forma, Frações, Grandezas e Medidas, Tratamento da Informação, Resolver Problemas: o lado lúdico do ensino da matemática e Avaliação da aprendizagem em Matemática nos anos iniciais. O curso é realizado em encontros presencias e à distância (aplicação em sala de aula). Nos encontros presenciais, as cursistas estudam e discutem um pouco mais sobre diversos conteúdos, trocam experiências e socializam os resultados de seu trabalho pessoal e educacional, pois além de participar e registrar as aulas presenciais, elas desenvolvem diferentes atividades e trabalhos em suas escolas, o que tem resultado em belos e interessantes portfólios. Além dos conteúdos tratados nos fascículos, são realizadas diversas atividades como: Resgate de Memória Educacional, criação de atividades, elaboração de jogos matemáticos e a participação em dinâmicas de grupo que enriquecem e fazem valer a pena orientar e participar dos encontros. Ao final do curso as professoras recebem um certificado no total de 120 horas emitido pela Unesp/Bauru e o Ministério da Educação. Deise Cardoso é tutora do programa de Pró-Letramento Matemática na rede municipal de Mogi das Cruzes. Pedagoga com pós-graduação em Didática do Ensino Superior e professora da Escola Municipal Profª Emilie Nehme Affonso

Reflexão sobre o curso de Pró-Letramento Denise Cesare dos S. Roman Alves Este curso apontou-me várias reflexões que me pareceram relevantes para o estudo sobre o letramento do alfabetizador. Hoje, devemos reconhecer que o acesso às definições teóricas pela escuta não é mais um privilégio dos especialistas, mas, sim, do grande público de locais distintos, que estão ocupando espaços instituídos com a função de promover o acesso aos saberes e dos modos de textualização inerentes à escrita acadêmica. O que considera esse fato sem dúvida é a formação continuada que é uma ferramenta de apropriação do conhecimento para o educador em sua práxis. Em primeiro lugar, os educadores devem sempre questionar o ponto de conflito entre a escuta e oralidade e trazer cada vez mais à sala de aula, a função social da escrita. E este curso foi de grande valia para tais definições: visar o letramento a autonomia do professor como leitor e escritor e também proporcionar a sua inserção em prática de leitura e escrita para que novos conhecimentos sejam textualizados e socializados, tendo sempre em vista as mudanças que precisam acontecer no ensino e na escola. Mais efetivamente, percebi nas salas do Infantil V e III em que atuo, que as atividades mecânicas de coordenação motora não efetivam o aprendizado. Mas que com as propostas do curso, as aulas ficaram mais dinâmicas e pude interferir no aprendizado reflexivo das crianças possibilitando o avanço psicogenético de suas hipóteses silábicas. Assim este curso só agregou conhecimentos no qual contribuiu muito à prática escolar. Denise Cesare dos S. Roman Alves é pedagoga, pós-graduada em Educação Especial e professora de Educação Infantil da Escola Municipal Monteiro Lobato

15


Materiais didáticos no ensino e para o Por quê? Para quê? Vera Lúcia Rodrigues da Silva

C

onstruir procedimentos, técnicas, conceitos e atitudes positivas em relação à Matemática demanda, por parte do professor, um árduo trabalho. Inicialmente, o professor deve ter clareza de que a apreensão de conceitos e significados matemáticos é o fator mais importante para a compreensão dessa disciplina. Assim, não basta que conteúdos matemáticos sejam transmitidos e sistematizados — por alguém mais experiente — como se fossem construídos em laboratórios e desprovidos das necessidades sentidas pelo homem para impulsionar a própria sociedade. Num processo de construção de conteúdos e conceitos matemáticos, o professor deve evidenciar o processo histórico pelo qual o homem passou para a construção dessa ciência, a fim de que a Matemática não seja vista pelo aluno como se fosse uma ciência pronta e acabada, compreendida apenas por aqueles ditos “mais inteligentes, os chamados gênios...”. Confirmando esse tipo de representações acerca da Matemática, Silva nos aponta falas de alunos tais como: “Ela é a mais difícil do currículo; Detesto a Matemática, ela não tem explicação lógica, a gente faz sem saber o que está fazendo; Ela não é para qualquer um, é para alguns gênios;... e outras tantas” (SILVA, 2000, p. 2). E mais, acrescenta-se, ainda, a necessidade de o professor levar em conta os processos cognitivos pelos quais as crianças passam para a construção de conceitos e significados matemáticos para que possa desencadear uma ação pedagógica que esteja diretamente relacionada com a matriz teórica que acredita possa contribuir para uma aprendizagem significativa. Assim, não basta que se ensine à criança conteúdos matemáticos, por exemplo, por meio de sistematização de algoritmos, nomes de figuras, regras, fórmulas, propriedades e outros, dissociados de seus significados e processo de construção. Nesse sentido, aponta-nos Gaertner, Stopassoli e Oechslr, s/d: Há a necessidade do educando construir o conhecimento através de atividades dinâmicas em que é incentivado a pensar, analisar e fazer deduções, pois a aquisição de um conceito ou o domínio de algum significado em Matemática torna-se efetivo quando existe uma ação concreta do indivíduo sobre o objeto de seu aprendizado. (GAERTNER, STOPASSOLI e OECHSLR, s/d p. 01). Corroborando com essa idéia, encontramos nos Parâmetros Curriculares Nacionais – PCN de Matemática:

A aprendizagem da Matemática está ligada à compreensão, isto é, à apreensão do significado; apreender o significado de um objeto ou acontecimento pressupõe vê-lo em suas relações com outros objetos e acontecimentos. Assim, o tratamento dos conteúdos em compartimentos estanques e numa rígida sucessão linear deve dar lugar a uma abordagem em que as conexões sejam favorecidas e destacadas. O significado da Matemática para o aluno resulta das conexões que ele estabelece entre ela e as demais disciplinas, entre ela e seu cotidiano e das conexões que ele estabelece entre os diferentes temas matemáticos. (BRASIL, 1997, p.19 e 20). Levando em conta que a criança constrói conhecimentos, coordenando e estabelecendo relações entre diferentes objetos, cabe ao professor criar situações didáticas para que ela tenha tais possibilidades, evidenciando-se assim a importância de materiais didáticos para o ensino da Matemática. No entanto, jogos, brinquedos, brincadeiras, materiais didáticos e outros recursos, não devem ser utilizados apenas como “atividades à parte”. De nada adianta a utilização de recursos e materiais didáticos, se eles não estiverem atrelados a uma ação educativa contextualizada e previamente planejada. É sabido que, muitas vezes, eles são usados apenas no final de períodos de aulas como se fossem úteis somente como ferramentas para o desenvolvimento de atividades lúdicas e de recreação. Centrar um trabalho pedagógico na ação do aluno, possibilitando-lhe a utilização de materiais didáticos, sejam eles manipuláveis ou não, pode contribuir para a melhoria da qualidade do ensino — seja da Matemática ou de outras disciplinas que compõem o currículo escolar. Por outro lado, é conveniente lembrar que material didático por si só de nada adianta. Ainda segundo o PCN de Matemática: Recursos didáticos como jogos, livros, vídeos, calculadoras, computadores e outros materiais têm um papel importante no processo de ensino e aprendizagem. Contudo, eles precisam estar integrados a situações que levem ao exercício da análise e da reflexão, em última instância, à base da atividade matemática. (BRASIL, 2000, p. 20).


ensino e aprendizagem da Matemática: E o que é material didático? Para Santos (2001), citado por Paim, (2006), material didático é definido como “todo e qualquer recurso de apoio às interações pedagógicas no contexto de uma relação educativa, tenha sido ele desenvolvido com fins educativos ou não”. (SANTOS, 2001, apud PAIM, 2006). Assim, qualquer que seja a natureza do material didático, se for utilizado pelo professor numa ação pedagógica desprovida de intenções, contextualização e objetivos previamente planejados, ele passa a ser apenas um adereço no processo de ensino e aprendizagem e ao invés de facilitar a aprendizagem do aluno, acaba por prejudicá-lo. A contextualização e o planejamento prévio dos conteúdos a serem trabalhados são elementos fundamentais numa intervenção pedagógica mediada pelo uso de materiais didáticos. Cabe ao professor determinar o momento e a intensidade do seu emprego, os objetivos e as metas a serem atingidas, quantificar e qualificar o seu uso para que de fato haja um aprendizado significativo apoiado ou intermediado por tal material. Januário e Tinti (2008), lembrando Bezerra (1962) e Lorenzato (2006), fazem um alerta sobre o emprego de materiais manipuláveis no processo de ensino e aprendizagem. Segundo palavras dos próprios autores, “esses recursos não substituem o papel do professor”. E mais, para Bezerra (1962, p. 9), “[...] mesmo o material didático mais abundante, aperfeiçoado e bom, jamais suprirá as qualidades inatas de um verdadeiro educador”. (JANUÁRIO e TINTI, 2008, p. 6). Acreditando na importância da utilização de material didático em um processo contextualizado de ensino e aprendizagem da Matemática e na qualidade de seus profissionais de educação, a Prefeitura Municipal de Mogi das


d algumas operações lógicas, como a classificação e a valor de seriaçã fundamentais para o desenvolvimento do raciocíseriação, lóg nio lógico-matemático e consequentemente para a formação de con conceitos e significados matemáticos. E m, adotando-se uma concepção piagetiana de Enfi con construção do conhecimento, consideramos que as at atividades para o ensino e para a aprendizagem da M Matemática devem proporcionar experiências físicas ( (que compreendem a ação sobre os objetos) e experiê ências lógico-matemáticas (que envolvem a coorden nação das ações). E, mais uma vez, evidenciamos a i importância da utilização de materiais didáticos para o ensino e a aprendizagem da Matemática. Acreditam que ao manusear materiais o aluno desenvolve mos ha habilidades que o ajuda a progredir na construção de con conceitos e significados da Matemática, incluindo-se conc conceitos específicos da Geometria. Ass Assim, ao encerrarmos esse artigo, esperamos ter respondid as nossas indagações iniciais: Materiais Didáticos pondido ens no ensino e para o ensino e aprendizagem da Matemática: qu Para quê? Por quê? Rea rmando nossas conclusões podemos assim resReafi d Por quê? Acreditamos que numa ação pedagógica ponder: considerada significativa, a presença do Material Didático é fundamental para o desenvolvimento intelectual do aluno. Para quê? Para que ele, numa proposta didáticopedagógica instrumentalizada pelo uso de materiais didáticos possa, por meio da ação e da reflexão, abstraídas e coordenadas dos diferentes materiais, construir conceitos e significados matemáticos.

Cruzes investiu na aquisição do Laboratório de Matemática e está capacitando coordenadores e diretores — das escolas que receberam o Laboratório de Matemática — que se tornarão multiplicadores em suas unidades escolares. O trabalho de capacitação vem sendo desenvolvido em cursos realizados quinzenalmente, na sede da Escola Municipal Professor Adolfo Martini. Temos notícias de que os coordenadores e diretores participantes do curso já estão desenvolvendo atividades de repasse dos conteúdos matemáticos e dos materiais didáticos discutidos nesses enVera Lúcia Rodrigues da Silva é professora de Fundamentos da contros em suas reuniões de Organização do Trabalho EsPrática Docente em Matemática na Universidade de Mogi das Cruzes colar – OTE. São muitos os materiais didáticos existentes e Fundamentos Teóricos e Metodológicos do Ensino da Matemática no referido laboratório, porém, visando a um trabalho que na Universidade Braz Cubas. É Mestre em Educação: Psicologia da de fato pudesse melhor instrumentalizar os participantes Educação pela PUC – SP e professora de Matemática, pedagoga e — com conhecimentos específicos do modo como a crianpsicopedagoga.. ça desenvolve conhecimentos; dos modos como devem ser utilizados os diferentes materiais didáticos e com reflexões sobre conceitos e significados matemáticos propriamente Referências Bibliográficas: ditos — optou-se, para esse primeiro ciclo de encontros, BRASIL. Parâmetros Curriculares Nacionais: matemática. Secretaria pelo tema Geometria. Entre os muitos materiais existentes de Educação Fundamental. 2. ed. Rio de Janeiro: DP&A, 2000. no referido laboratório, está sendo utilizado para o desen- GARTNER, Rosinéte, STOPASSOLI, Márcia Aurélia e OECHSLER, Vanessa. Materiais Didáticos nas Aulas de Matemática no Ensino volvimento do tema materiais como: Blocos Lógicos, GeoMédio: uma possibilidade viável. Disponível em www.sbem.com.br/ plano, pranchas de polígonos, conjunto de sólidos geoméfiles/is_enem/minicurso/trabalhos/MC 41807910997T.doc. Acessado tricos, tangrans e outros. em 03 de agosto de 2008. Acredita-se que esse primeiro passo servirá para abrir as portas do “armário de matemática”, no seu sentido literal, não apenas para a utilização dos materiais didáticos nele contidos, mas, principalmente, para ajudar a desmistificar o mito de que a Geometria é difícil de ser ensinada e por essa razão, muitas vezes, não é trabalhada. Temos percebido, a cada encontro, que a utilização de materiais didáticos tem possibilitado um avanço em relação à construção de conceitos e significados geométricos. Nota-se na fala dos professores um novo vocabulário, esse, específico da Geometria. Palavras como poliedros, sólidos geométricos, icosaedros, prismas, pirâmides e outras já não os assustam mais. Os professores já perceberam a importância da ação do sujeito sobre o objeto e, da mesma forma, o

18

PAIM. Peterson Gustavo. A História da Borracha na Amazônia e a Química Orgânica: produção de um vídeo didático-educativo para o Ensino Médio. Dissertação de mestrado. Universidade de Brasília. Brasília-DF, 2006. Disponível em http://www.unb.br/ppgec/ dissertacoes/trabalhos/dissertacao_peterson.pdf. Acessado em 16 de setembro de 2008. JANUARIO, Gilberto; TINTI, Douglas da Silva. Manipulando materiais, (re)descobrindo a Matemática: possibilidades em sala de aula. In: II Jornada Nacional de Educação Matemática e XV Jornada Regional de Educação Matemática, 2008. Passo Fundo. Anais... II JNEM e XV JREM, Passo Fundo/RS: Universidade de Passo Fundo, 2008.v.único, p. 1-12. Disponível em www.diaadiaeducacao.pr.gov. br. Acessado em 03/08/2008. SILVA, Maria José de Castro e SCARPA, Rosilene Cristina. O ensino da Matemática e a utilização de materiais concretos para a sua aprendizagem. Disponível em www.uninhanguera.educ.br. Acessado em 02/08/08. SILVA, Vera Lúcia Rodrigues. Representações Sociais de Alunos e Professores do Ensino Médio Sobre a Matemática. Dissertação de Mestrado. Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, 2000.


Quando a Universidade vai à Escola... Rosely Aparecida Liguori Imbernon

D

esde 2007 a Escola de Artes, Ciências e Humanidade – EACH da Universidade de São Paulo, através do curso de Licenciatura em Ciências da Natureza - LCN, vem desenvolvendo um trabalho em parceria com a Escola Ambiental da Secretaria Municipal de Educação de Mogi das Cruzes. Em princípio, foram realizadas oficinas com a Experimentoteca, que são instrumentos para o desenvolvimento de atividades experimentais em áreas como Química, Biologia, Física, Matemática e Geologia, disponíveis na Estação Ciência da USP para os professores utilizarem em sala de aula. As atividades, realizadas sempre aos sábados, levaram mais de 50 professores por um período de dois meses à Escola Ambiental, envolvendo ainda temas como aquecimento global, evolução geológica do planeta Terra e história geológica da Vida em palestras seguidas de debates. A iniciativa, que na época representava ações do projeto em parceria com a Estação Ciência da USP e com financiamento da Fundação de Amparo ao Ensino e à Pesquisa – Fapesp, resultou em atividades que foram desenvolvidas pelos professores nas escolas da região utilizando parcial ou

totalmente o que foi apresentado nas palestras e oficinas. Aulas práticas, inserção dos temas desenvolvidos nas oficinas em projetos escolares, várias ações se destacaram na prática educativa dos docentes e levaram diretores de escolas e professores não-participantes das atividades a requererem novas ações de formação continuada por parte da Escola Ambiental. Em 2008, o grupo de docente de LCN da EACH/ USP, numa nova ação proposta como Formação Continuada, sugeriu que fossem realizados encontros em que a Educação Ambiental, a Educação Científica e a Alfabetização Infantil fossem priorizadas. A proposta, composta de atividades que juntas somariam 180 horas, envolveria aulas sobre diferentes temas das Ciências Naturais, principalmente aqueles apontados pelos professores como os que apresentavam maior grau de complexidade, como Astronomia, Geologia e Tempo Geológico; oficinas com atividades experimentais de fácil aplicação no cotidiano da sala de aula e a elaboração pelos professores participantes de um portfólio como registro das atividades realizadas na escola como resultado de sua participação na formação continuada.

19


Inicialmente proposto para um grupo de 50 professores participantes, o curso teve 80 inscritos e lista de espera da mesma ordem. A participação dos professores da Escola de Educação Especial Profª Jovita Franco Arouche - Emesp foi realizada com o conjunto de professores inscritos no curso, pois acreditamos que a Educação Científica deve também ser realizada na Educação Especial como forma de inclusão, pois o Conhecimento Científico é um importante elemento na formação de um cidadão que busca a melhoria da qualidade ambiental em sua comunidade. As atividades, todas ocorrendo aos sábados, basearam-se em uma (re)visão de conceitos básicos e formas de aplicação desses conceitos através de práticas experimentais, atividades em ambientes externos da sala de aula, projetos do professor e da escola e a elaboração de um portfólio do professor para registro das atividades que ele desenvolveria com os alunos. A iniciativa baseou-se no fato de que no tocante à Educação Científica, a escola não tem atingido os objetivos propostos para o ensino de Ciências. Segundo Sforni (2004), a escola, não necessariamente por omissão ou má-fé, mas principalmente por inadequação de conteúdo e método, tem dificuldade em tornar o conhecimento significativo para aqueles que por ela passam. O professor, neste cenário, não pode dar ao aluno aquilo que ele não possui e o ensino de Ciências requer desse professor um conhecimento das Ciências da Terra, do Universo, da Vida, da Física, da Química e da Matemática, que devem convergir para um objetivo maior, a ALFABETIZAÇÃO.

20

Compiani (2005) afirma que atualmente o desenvolvimento do profissionalismo do professor é mais complexo e não basta introduzir produtos acabados para aplicação pelos professores em suas escolas; agora é necessário que a introdução de estratégias e processos tenha como foco a formação dos professores, de maneira que eles elaborem seus métodos e produtos do ensino-aprendizagem de acordo com a realidade concreta de suas escolas. Imbernon et al. (2008) colocam que a prática educativa do professor deveria indicar a sua intencionalidade, no sentido de explicitar as finalidades educativas de sua práxis; isto é particularmente importante quando nos referimos ao ensino de Ciências. Pressupõem-se aulas mais interessantes, dentro de uma metodologia investigativa e colaborativa que possibilite a ação dos alunos no processo de ensinoaprendizagem, ação entendida também como atividade mental. Dentro deste contexto é que se inserem as propostas de uma prática fundamentada na “experimentação” e na interatividade como foram as intervenções ao longo da formação continuada. Diante desse cenário cabe perguntar: qual é o papel do professor no processo ensino-aprendizagem e na alfabetização? Através de uma aula de Ciências, embora a linguagem não seja o tema principal de estudo, o professor pode usar o processo de observação do real, a ação sobre o real, a leitura e a produção de textos variados conduzindo o aluno progressivamente a de-


senvolver competências de linguagem (orais, escritas, imagens, esquemas) ao mesmo tempo em que elabora seu raciocínio. Nesta ótica, consideramos que as principais atribuições do processo educativo são promover a apropriação do conhecimento acumulado historicamente e o compromisso político-pedagógico de democratização do saber que envolve não apenas a seleção de conteúdos, ou seja, “o que” deve ser ensinado, mas também o “como”, “quando”, “quanto”, “porque” e “para quê” se ensina e se aprende. Quando promovemos experiências significativas de aprendizagem da língua, por meio de trabalho com a linguagem oral e escrita, propiciamos espaços de ampliação das capacidades de comunicação, expressão e de acesso ao conhecimento, associado às quatro competências lingüísticas básicas: FALAR, ESCUTAR, LER e ESCREVER. O professor na sala de aula tem uma grande preocupação com o fazer da sala de aula, com o como trabalhar a teoria para poder refazer o fazer cotidiano. O professor em sala de aula está comprometido politicamente com os alunos, em função do papel social básico da Escola: fazer com que as crianças aprendam o que nela foram buscar, que as crianças se alfabetizem naquele sentido de penetrar no pensamento letrado, de ser um indivíduo letrado. A linguagem em Ciências, neste contexto, é mais especificamente utilizada para formular o conhecimento construído: nomear; rotular; organizar; comparar; elaborar referências; transmitir; interpretar; reorganizar; dar sentido; defender seu ponto de vista;

convencer; argumentar; interpretar documentos de referência; pesquisar; documentar; consultar. A expressão oral favorece o pensamento ponderado e espontâneo, divergente, flexível e propício à invenção. Escrever convida a objetivar, distanciar-se. Produzir escritos para outros requer que os textos sejam interpretáveis num sistema de referência que não seja apenas a do próprio autor e, para isso, é preciso esclarecer os saberes sobre os quais é fundamentado. A produção de escritos em aulas de Ciências não tem por objetivo principal mostrar que sabemos escrever. Mas sim, favorecer o aprendizado científico...

Profa. Dra. Rosely Aparecida Liguori Imbernon (Educação Ambiental - Licenciatura em Ciências da Natureza - LCN -EACH/USP)

Referências Bibliográficas: COMPIANI, M. (2005) Geologia/Geociências no Ensino Fundamental e a Formação de Professores. Revista do Instituto de Geociências – USP, v.3, p.13-30. IMBERNON R. A. L.; TOLEDO, M. C. M.; HONÓRIO, K. M.; TUFAILE, A. P. B.; VARGAS, R. R. S.; CAMPANA, P. T.; FALCONI, S.; INFANTE-MALACHIAS, M. E. (2008) Experimentação e interatividade (hand-on) no ensino de ciências: A Prática na praxis Pedagógica. Ver. EENCI (no prelo). SFORNI, M. S. F. (2004) Aprendizagem conceitual e organização de ensino: contribuições da teoria da atividade. Araraquara: JM Editora.

21


Edilamar Regiane C. Macedo Pazini e Silvana Silva Maciel

O

projeto de música da Secretaria Municipal de Educação de Mogi das Cruzes (SME) surgiu em decorrência de cursos dados pela professora de música Iveta Maria B. A. Fernandes em 2002 para professores e diretores das escolas municipais. No mesmo ano na Escola Municipal Dom Paulo Rolim Loureiro aconteceram alguns encontros, nascendo um projeto piloto de música. A unidade foi a pioneira no projeto que recebeu o nome de “Tocando e cantando... Fazendo música com crianças”, promovido pela SME. Em 2003, as escolas municipais Prof. Adolfo Cardoso, Prof. Sérgio Hugo Pinheiro e Antonio Paschoal Gomes de Oliveira ingressaram no projeto. Por necessidade das equipes escolares que não tinham em sua formação inicial a música, em 2003 recebemos a assessoria direta da profª Iveta, que tinha como desafio capacitar os profissionais nesta área, atendendo suas expectativas por meio de reuniões mensais com o estudo de textos de fontes variadas (revistas, livros) para embasar teoricamente as atividades, além de ampliar nosso repertório (músicas regionais, eruditas, brincadeiras infantis e de roda), propiciando mais segurança e suporte para o trabalho do professor na escola, local este ideal para a formação contínua naquele momento. Em 2004, mais escolas aderiram ao projeto. Para atender a necessidade desta nova demanda, iniciou-se o curso “Encontro de Prática Musical” no período noturno, tendo como sede a Escola Municipal Antonio Nacif Salemi. No curso, organizado pela professora Iveta, os profissionais trocavam experiências vivenciadas nas escolas. Nos anos seguintes, de 2005 a 2008, aconteceram workshops e os cursos “Vivências Musicais”, “Diversidades e Singularidades - Novas contribuições para o Projeto de Música”, “Estrutura dos Projetos e Montagem de Exposição de Projetos Pedagógicos”, “Educação Musical nas Escolas - Ampliando Horizontes - Módulos I e II”, todos ministrados por profissionais conhecidos nacionalmente, como: José Cerchi Fusari, Alberto Ikeda, Magda Pucci, Georgia Lengos,

22

Pedro Paulo Sales, Fernando Sardo, Josette Feres, Francisco Marques - “Chico dos Bonecos”, Grupo Barbatuques, Maria Berenice de Almeida, Hélio Ziskind, Teca Alencar de Brito, Cecília Cavalieri França, dentre outros. Concomitante aos cursos, houveram as saídas culturais teatros para apreciar as peças “O Fantasma da Ópera”, “A Bela e a Fera” e “A Flauta Mágica”, a shows dos grupos Mawaca e Palavra Cantada - “Mingau dançante”, além de visita à Sala São Paulo. As escolas receberam da Secretaria Municipal de Educação instrumentos musicais para um melhor desenvolvimento do projeto de música, além de livros, revistas e CDs. Contamos também desde 2004, com a presença do pesquisador-estagiário de música - atualmente em parceria com FUNDUNESP – para a capacitação da equipe escolar, visando um bom trabalho com as crianças. Neste momento são discutidas e respondidas questões como: “...como são produzidos os sons? Como podemos identificálos? Sempre os percebemos da mesma maneira? Todos os sons servem para fazer música?”(in, COLL. César e TEBEROSKY. Ana . “Aprendendo Arte - Conteúdos essenciais para o Ensino Fundamental”, pág 90, editora Ática, 2004). Neste ano, foram organizados pela direção das unidades escolares, OTEs integradas com a participação dos pesquisadores-estagiários e convidados, visando a formação contíinua em serviço, além da troca de experiências. A formação contínua tem trazido excelentes resultados no dia-a-dia escolar. O professor se tornou mais seguro para continuar sendo um pesquisador e, assim, atender as suas necessidades. Vale lembrar que cada escola tem sua especificidade e que a Secretaria Municipal de Educação dá suporte para que todos sejam atendidos. Os envolvidos no projeto já utilizam em seu vocabulário uma linguagem técnica musical, como: INTENSIDA-


DE, ALTURA, TIMBRE, DURAÇÃO, FRASE MUSICAL, PULSO e MELODIA, além do conhecimento de instrumentos, tais como: xilofone, metalofone, tambor de fendas, xilindró, ocean drum, termos antes desconhecidos por todos. “O prazer de ouvir e apreciar música pode ser desenvolvido ao longo de toda vida. Aprender a escutar a música é fundamental para apreciar sua forma, estilo, gênero, a interpretação vocal e instrumental...” (in, COLL. César e TEBEROSKY.Ana . “Aprendendo Arte - Conteúdos essenciais para o Ensino Fundamental”, pág 138, editora Ática, 2004). As escolas municipais Prof. Adolfo Cardoso e Dom Paulo Rolim Loureiro, situadas na região rural de Mogi das Cruzes, por conseqüência do projeto de música, percebem seus alunos mais atentos, concentrados e com respeito mútuo entre seus colegas, o que é reflexo do que se aprende a escutar/ouvir música em sua variedade de repertório desde Adoniram Barbosa - “Trem das Onze” a Mozart e Tchaikovsky. São crianças felizes, pois aprendem de um modo significativo a música, um eixo importante para o trabalho com as demais áreas do conhecimento. Os alunos apreciam as músicas do nosso universo cultural de modo a garantir a possibilidade de vivenciar e questionar num exercício sensível e expressivo, o que reflete em sua formação global em um contexto significativo. Durante os seis anos do projeto “Tocando e cantando... Fazendo música com crianças” nota-se a total aceitação dos pais e da comunidade, que se mostram interessados em participar das atividades escolares, respeitando a nova dinâmica das escolas. Edilamar Regiane C. Macedo Pazini é pedagoga, pós-graduada em Gestão da Educação Básica, Coordenação e Supervisão na Educação Infantil, Educação Especial e diretora da EM Dom Paulo Rolim Loureiro. Silvana Silva Maciel é pedagoga, pós-graduação em Gestão da Educação Básica, Psicopedagoga e diretora da EM Adolfo Cardoso.

Referências Bibliográficas: BRASIL. Ministério da Educação, Secretaria de Educação Fundamental. Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil.Brasília: MEC/SEF,1998. COLL.César/TEBEROSKY.Ana. “Aprendendo Arte - Conteúdos Essenciais para o Ensino Fundamental. Editora Ática, 2004. DIRETRIZES CURRICULARES Municipais para a Educação da Infância. Secretaria Municipal de Educação de Mogi das Cruzes/SP, 2007.

23


Projeto Artes Visuais A importância da formação continuada

Miriam de Jesus Pinto Porcelli e Wagna Suely Ribeiro dos Anjos

“Ninguém nasce educador ou marcado para ser educador. A gente se faz educador, a gente se forma, como educador, permanentemente, na prática e na reflexão da prática” (FREIRE, 1991: 58)

O

interesse em implantar um trabalho em Artes Visuais surgiu em nossas unidades por ocasião dos encaminhamentos dos projetos especiais das propostas político-pedagógicas e da necessidade da adequação ao Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil, do Ministério da Educação. Por que ensinar arte aos alunos? Porque senso de estética, sensibilidade e criatividade são habilidades que também se aprendem e é através do desenho e atividades artísticas que os alunos na infância são mais capazes de expressar suas idéias e sentimentos. Iniciamos o projeto sem um embasamento teórico, apenas com a perspectiva de proporcionar aos nossos alunos um contato com o mundo da arte. A pesquisa seria feita de acordo com as necessidades. No início do trabalho, entre 1999 e 2002, os profissionais envolvidos não dispunham de material diversificado ou de um referencial teórico adequado. A formação inicial dos professores não lhes deu ferramentas necessárias para esta área de conhecimento e, assim, tiveram que aprender na prática, estudando, pesquisando, observando e errando muitas vezes até chegarem aos profissionais competentes que hoje são. O principal resultado foi a quebra de paradigmas, descobrindo a arte como uma disciplina e não mais como um auxiliar para as outras . Mesmo tendo bons resultados em seus trabalhos, a curiosidade e a busca por novos conhecimentos através de pesquisas continuavam. Constantes reflexões e questionamentos surgiam a partir da prática. Foi assim que as escolas solicitaram à Secretaria Municipal de Educação (SME) uma assessoria especializada em Artes Visuais, por meio de formação continuada em serviço, pois a maior parte dos envolvidos não dispunha de tempo ou recursos para cursos oferecidos fora do seu horário de trabalho ou que não fossem gratuitos. A formação continuada é a saída

24

possível para a melhoria da qualidade de ensino, proporcionando independência e autonomia ao profissional que pode decidir sobre o seu trabalho e suas necessidades. Estudando com o grupo de trabalho, dentro de suas possibilidades e realidades, desaparece o individualismo pedagógico, em que todo processo é precedido de uma pesquisa de informações e de um diálogo entre parceiros, onde o crescimento e aperfeiçoamento são atingidos por todos. Fomos atendidas pela SME, através das ações do CEMFORPE em vários momentos nesta trajetória, o que proporcionou a ressignificação da nossa prática com um embasamento mais adequado, além da troca de experiências com outras escolas que também desenvolviam o projeto de Artes Visuais. Podemos dizer que a assessoria foi fundamental para reorganização do projeto e a ampliação do olhar para o ensino de Artes Visuais. Várias oportunidades de estudo foram oferecidas em cursos, palestras, entre outros, e, finalmente foi programada uma assessoria direcionada a cada escola nos dois últimos anos pelos professores de artes da Universidade Braz Cubas, Kátia C. de Mello Franco e Francisco Carlos Franco. Cada um dos especialistas nos ofereceu novas possibilidades de trabalho, novos olhares, mostrando como esta área é infinita de idéias, imagens e caminhos a serem percorridos na busca da melhoria da qualidade de ensino, através do desenvolvimento da inteligência criadora, crítica e expressiva dos nossos alunos.

Miriam de Jesus Pinto Porcelli é pedagoga, pós-graduada em Gestão Escolar e diretora da EM Dr. Milton Cruz Wagna Suely Ribeiro dos Anjos é pedagoga, pós-graduada em Gestão Escolar e diretora do CCII Profª Haydée Brasil de Carvalho


Libras – Linguagem Brasileira de Sinais Leslie Lohnhoff Carapinheiro e Vanilda Aparecida dos Santos Oliveira Uma construção coletiva

I

nformativo: A língua de sinais foi trazida pelo francês Hernest Huet em 1857, durante sua visita ao Brasil a convite de D. Pedro II para fundar a primeira escola para meninos surdos, o Imperial Instituto de Surdos-Mudos, conhecido atualmente como Instituto Nacional de Educação de Surdos (Ines), no Rio de Janeiro. Segundo a coordenadora da Associação NorteParanaense de Comunicação Infantil (Anpacin), Marielza Endrissi Sander, em publicação da Universidade Estadual de Maringá (PR) - UEM, apesar da influência francesa, a Língua de Sinais Brasileira - Libras é composta por sinais próprios da comunidade de nosso país. Ela segue o mesmo princípio das línguas orais. Absorve os aspectos culturais dos usuários, inclusive os regionalismos, as expressões típicas, as gírias. É uma língua viva, cada país tem a sua língua, ela não é universal. Libras: o reconhecimento A Lei nº 10.436, de abril de 2002, reconheceu a Língua Brasileira de Sinais - Libras. A mesma lei estipulou que fossem garantidas formas institucionalizadas de apoiar seu uso e difusão como meio de comunicação objetivo e de utilização corrente das comunidades surdas do Brasil. Determinou que as instituições públicas e empresas concessionárias de serviços públicos de assistência à saúde garantissem atendimento e tratamento adequado aos portadores de deficiência auditiva. Especificou que o sistema educacional garantisse a inclusão do ensino de Libras nos cursos de formação de Educação Especial, de Fonoaudiologia e de Magistério em seus níveis médio e superior. Essas questões só foram regulamentadas pelo Decreto nº 5.626, de dezembro de 2005, que elaborou um cronograma para que as instituições de ensino médio e superior incluíssem a disciplina de Libras no currículo, a partir da publicação do documento. Em até três anos, 20% dos cursos deverão oferecer a disciplina; em até cinco anos, 60%; em até sete anos, 80%; e em dez anos, 100% dos cursos de cada instituição deverão ter a disciplina no currículo. O processo de inclusão da Libras como disciplina curricular deve começar nos cursos de Educação Especial, Fonoaudiologia, Pedagogia e Letras, ampliando-se progressivamente para as demais licenciaturas.

Muitos dos profissionais envolvidos neste processo atuam com responsabilidade e buscam mecanismos e alternativas que possam vir a atenuar situações adversas. Com visão na ampliação de possibilidades, oportunidades e enriquecimento dos meios para os novos caminhos foi que surgiu o desejo em amparar de maneira mais adequada os alunos com surdez. Desta forma os profissionais da Escola Municipal de Educação Especial Profª Jovita Franco Arouche - Emesp direcionaram seus olhares para este público e buscaram se familiarizar com hábitos, códigos e sinais que facilitassem a comunicação e o aprendizado dos mesmos. Com o apoio da Secretaria Municipal de Educação foram realizados encontros e treinamentos, palestras e dinâmicas em busca da apropriação da Língua Brasileira de Sinais, eventos ministrados por Berenice de Fátima Barbosa, diretora da Associação de Apoio aos Surdos do Alto Tietê (AASAT). Torna-se necessário salientar que diante de uma sociedade que apresenta desigualdades de oportunidades em seus diversos setores que, ao mesmo tempo, se confrontam; se perde a cada instante o respeito pelo ser humano, o amor pela Pátria, o valor pela vida e a solidariedade, valores que estão cada vez mais esquecidos, mas que podem ser resgatados por meio da iniciativa coletiva em busca do conhecimento e, que de alguma, forma moldará o caráter do aluno que retornará para a sociedade com uma nova forma de olhar. Para tanto, faz–se necessário que os educadores repensem as práticas educacionais e os recursos utilizados no processo de ensino-aprendizagem para sua melhor adequação e aproveitamento. A realidade educacional brasileira representa hoje um enorme desafio. Sem enfrentá-lo de forma responsável, o país terá dificuldades em superar suas inaceitáveis desigualdades sociais e consolidar sua democracia.

Leslie Lohnhoff Carapinheiro é professora de Educação Especial na Emesp, pedagoga e pós-graduada em psicopedagogia, Novas Tecnologias Educacionais e Gestão em Novas Tecnologias Vanilda Aparecida dos Santos Oliveira é professora de Educação Especial na EMESP e pedagoga com especialização em Educação Especial direcionada ao Autismo. Referência Bibliográfica: Jornal da Universidade Estadual Maringá, disponível em: http:// www.jornal.uem.br/cms/index.php?option=com_content&task=vie w&id=260&Itemid=2 acessado em 19/10/2008

25


Andréa Pereira de Souza e Andrea Rodrigues Barbosa Marinho

A

primorar a prática pedagógica foi um dos enfoques de doze educadoras que se reuniram em 2004 baseando seus novos estudos em torno das obras de Paulo Freire. Esta proposta visava o aperfeiçoamento profissional continuado, conforme possibilita nossa legislação municipal (Lei nº30/2004). No entanto, as ações e reflexões conjuntas foram crescendo. Convites para participações em Seminário Internacional (Recife-2005), Fóruns Mundiais (2006 e 2008), Projetos de Pesquisas Internacionais (2005 a 2007) entre outros movimentos demonstravam o avanço do grupo, pois o reconhecimento de nossos estudos chamara a atenção de instituições governamentais e não governamentais de diversos locais. Durante estes quatro anos, estudos dos livros Educação como Prática da Liberdade, Pedagogia do Oprimido, Pedagogia da Esperança, Pedagogia da Autonomia visavam um caminhar para além da leitura, bem como a ressignificação e contextualização das obras, colocando-as em prática nas atividades escolares alinhando-as com outros textos, artigos e autores (Hegel, Marx, Habermas...) Estruturar ações e vontades estimuladas durante o percurso dos encontros levou à construção

26

do Fórum Mundial de Educação Alto Tietê (Educação: Protagonismo na Diversidade - 2007) juntamente com quase 70 entidades e participação de mais de 40 mil pessoas de 13 países e 12 estados brasileiros. Assim, como todo movimento, o grupo institucionalizou-se, após a realização do FME AT, no Centro de Estudos e Pesquisas em Educação Cátedra Paulo Freire de Mogi das Cruzes, o CEPEC, composto por um grupo de mais de 30 pesquisadoras. Neste ano, Edgar Morin também foi incorporado em nossa bibliografia com o intuito de traçar paralelos e análises pautadas nas visões de Paulo Freire e o autor supracitado a fim de contextualizá-los em nossa contemporaneidade.

Andréa Pereira de Souza é especialista em Lingüística Aplicada ao ensino de Línguas e em Educação Infantil, integrante da equipe do Departamento Pedagógico da Secretaria Municipal de Educação, professora na Universidade de Mogi das Cruzes e Coordenadora do CEPEC Paulo Freire. Andrea Rodrigues Barbosa Marinho é mestranda em Linguagem e Educação (USP) especialista em Educação no Ensino Superior, diretora da Escola Municipal Monteiro Lobato e Coordenadora do CEPEC Paulo Freire.


Alimentação de qualidade e profissionais capacitados fazem o sucesso do Programa de Alimentação Escolar Maria Helena Cecin Resek Albernaz Fotos: Kelli Correa Brito e Ney Sarmento

A

Secretaria Municipal de Educação, através do Departamento de Alimentação Escolar vem realizando um trabalho técnico e consistente, visando a melhoria da alimentação diária das crianças matriculadas nas escolas municipais e nas entidades subvencionadas. Atualmente oferecemos um cardápio composto, na sua grande maioria, de alimentos naturais, objetivando uma alimentação variada e promovendo novos hábitos alimentares. Para atender crianças com patologias especiais como diabetes, obesidade, alergia alimentar, intolerância a lactose, fenilcetonúria e etc., elaboramos cardápios modificados e adquirimos gêneros para a confecção dos mesmos. O trabalho é desenvolvido juntamente com o Conselho de Alimentação Escolar, onde os membros participam ativamente da seleção dos gêneros alimentícios a serem adquiridos e da aprovação dos cardápios a serem implantados. Recursos Humanos O Departamento de Alimentação Escolar possue em seu quadro 227 Auxiliares de Desenvolvimento da Educação (ADE) e 46 ajudantes de cozinha, que participaram do Curso de Capacitação realizado no Cemforpe. O curso teve duração de 4 horas e enfocou os temas: •

Segurança no Trabalho com Identificação dos Pontos Críticos – ministrado por Dolly Meth Simas, nutricionista da FCA-Consultoria, Assessoria e Treinamento. Doenças Ocupacionais e Aplicação de Ginástica

Laboral – ministrada pela professora de educação física da SME, Helaine de Souza. •

Auto-Estima e Humor no Ambiente de Trabalho - peça teatral apresentada pelo “Grupo Hilária Troupe”.

Esta parada para a formação contínua acontece todos os anos no mês de julho e durante o período letivo, as escolas recebem as visitadoras do Departamento, que realizam visitas técnicas de supervisão e orientação, contribuindo para a melhoria constante do serviço oferecido às crianças mogianas.

Números do Programa Crianças atendidas...................44.775 Unidades escolares atendidas.........212 Refeições por dia......................89.550

Consumo diário de alimentos Pão...........................40.000 unidades Carnes in natura....................1.200 kg Gêneros de mercearia............3.200 kg Frutas..................................1.600 kg Legumes e Verduras...............1.100 kg Ovos ...................................1.500 dz

Maria Helena Cecin Resek Albernaz é nutricionista com especialização em Nutrição Infantil e diretora do Departamento de Alimentação Escolar da Secretaria Municipal de Educação de Mogi das Cruzes.

27


Palestra reúne 600 profissionais da Educação no Cemforpe

Foto: Kelli Correa Brito

U

m encontro no Centro Municipal de Formação Pedagógica Professor Boris Grinberg (Cemforpe) marcou o Dia do Funcionário Público, comemorado no dia 28 de outubro. Cerca de 600 profissionais da rede municipal de ensino e creches subvencionadas assistiram à palestra “Transformando sonhos em realidade através do gerenciamento do tempo” com o escritor e consultor Jorge Lordello nos períodos da manhã e tarde. O trabalho realizado pela Administração Municipal foi comentado pelo palestrante. “Este é um investimento da Prefeitura para que seus profissionais estejam em um constante processo de melhoria. Estamos aqui para levantar reflexões internas e colocar metas no papel para realizar sonhos”, disse. A palestra faz parte do amplo programa de formação contínua realizado pela Administração Municipal. Somente neste ano, foram oferecidas 10.244 vagas em 101 cursos em horários livres e em serviço. O palestrante comentou sobre os problemas mais comuns das pessoas: a rotina e o hábito de reclamar. Os participantes receberam dicas de como reagir diante dos problemas. “Não importa o que

28

acontece com você, o que é importa é como você reage ao que acontece com você. Tudo é resultado da maneira como encaramos a realidade”, expôs Lordello. Escriturários, auxiliares de apoio administrativo, ajudantes gerais e auxiliares de desenvolvimento da educação (ADE) participaram do encontro. A inspetora de alunos Dinaura Soares dos Santos Piva comentou que pretende usar as ferramentas apresentadas por Lordello para concretizar seu grande sonho: viajar para Israel. “A partir de hoje vou começar a planejar minha viagem. A palestra foi muito boa. Daqui a um ano, como falei para o Dr. Lordello, estarei em Israel”, disse. Lordello é bacharel em Direito pela PUC/SP e autor dos livros “Momentos de Reflexão”, “Pensando em Você”, “Como Viver com Segurança”, “Como Conviver com a Violência” – escrito em parceria com Lair Ribeiro – e “Protejete”, seu primeiro livro publicado no exterior. Pesquisador criminalista ministra palestras e conferências sobre segurança, auto-estima, prevenção ao uso de drogas e desenvolvimento pessoal e profissional.


Fazendo uso das Matrizes Curriculares Municipais para a Educação Básica Lilian Gonçalves e Andréa Pereira de Souza

P

autada na filosofia da Lei de Diretrizes e Bases nº 9.394 de 20 de dezembro de 1996 que defende não mais a liberdade de ensino, mas sim o direito de aprender, surge a necessidade da organização curricular do Sistema Municipal de Educação de Mogi das Cruzes, que contemple um currículo fortalecido em competências e habilidades, considerando a coordenação de ações entre as áreas de conhecimento, o estímulo à vida cultural da escola e o fortalecimento de suas relações com a comunidade. Preocupada com o processo de construção democrática do currículo e não apenas com a arte final do documento, a Secretaria Municipal de Educação nomeia, em 2006, uma comissão que representaria os profissionais da rede de ensino, dando-lhes autonomia e liberdade para elaboração das Diretrizes Curriculares Municipais para a Educação da Infância, estabelecendo assim a identidade da educação municipal. Após um período de formação com diretores, coordenadores e supervisores, objetivando o entendimento e incorporação das concepções, as Diretrizes Curriculares foram implantadas no Sistema Municipal de Educação de Mogi das Cruzes. Assim, a Secretaria Municipal de Educação passa para a segunda etapa dos trabalhos referentes à organização curricular por meio da construção das “Matrizes Curriculares Municipais para a Educação Básica”. Novamente, dado o direito de representatividade, comissões foram formadas.

Estudos e discussões realizadas, posições consensuadas, concretiza-se a primeira versão de um documento, pautado nos Referenciais e Parâmetros Curriculares Nacionais, que orienta a prática pedagógica dos profissionais da educação sem engessá-la e que permite a cada Unidade Escolar contemplar seu contexto social. Passa-se para a etapa de análise do documento e percebe-se a necessidade de que este seja prático e sucinto tornando-o um instrumento facilitador no dia-adia da sala de aula. Portanto, o documento é reelaborado a partir de perguntas e respostas, dentro das áreas de conhecimento, estabelecendo os objetivos a serem alcançados (aonde chegar?), as ações necessárias para o alcance destes objetivos (como chegar e o que fazer para chegar?) e o direcionamento para a avaliação (ao chegar faz necessário saber se...). O documento foi disponibilizado em dois formatos: impresso e interativo. Este último traz em seu corpo “hiperlinks” com textos que embasam teoricamente o profissional em sua formação continuada.

Sabendo da necessidade de “dar vida ao documento” para que ele não fosse engavetado ou visto como cumprimento de normas do sistema, fora preparada uma formação considerando os seguintes aspectos: a importância do documento, o contexto histórico-político do Sistema Municipal de Educação, as concepções metodológicas, a movimentação não-linear, aprofundamentos teóricos necessários e mudanças de posturas dos profissionais. Para este primeiro momento, o público-alvo foi diretor, vice-diretor, coordenador-pedagógico e supervisor por acreditar em suas funções enquanto gestores de aprendizagem, responsáveis pela organização do projeto político-pedagógico da escola. Espera-se a continuidade desta formação estendida para todos os docentes do sistema com proposta de aprofundamento nas áreas de conhecimento a fim de que eles repensem e aprimorem suas práticas pedagógicas “FAZENDO USO DAS MATRIZES CURRICULARES MUNICIPAIS PARA A EDUCAÇÃO BÁSICA”.

MATRIZES CURRICULARES MUNICIPAIS PARA EDUCAÇÃO BÁSICA

AO CHEGAR FAZ NECESSÁRIO SABER SE... (alcançamos o que foi proposto?)

COMO CHEGAR? O QUE FAZER PARA CHEGAR? (novo olhar / novas reflexões/ novas ações) (novas ações)

AONDE CHEGAR? (aprofundamento)

Lilian Gonçalves é especialista em Psicopedagogia e Formação de Gestores em Educação Básica e chefe de divisão de Orientação Pedagógica da Secretaria Municipal de Educação de Mogi das Cruzes. Andréa Pereira de Souza é especialista em Lingüística Aplicada ao Ensino de Línguas e Educação Infantil, integrante da Divisão de Orientação Pedagógica da Secretaria Municipal de Educação de Mogi das Cruzes, professora na Universidade de Mogi das Cruzes e coordenadora do Centro de Estudos e Pesquisas em Educação Cátedra Paulo Freire de Mogi das Cruzes (Cepec).

29


Cemforpe – Centro Municipal de Formação Pedagógica Equipe do Departamento Pedagógico da Secretaria Municipal de Educação Sua história O Centro Municipal de Formação Pedagógica – Cemforpe foi proposto no Plano de Governo Participativo (PGP) do prefeito Junji Abe e visa ampliar as referências dos educadores e contribuir para seu desenvolvimento pessoal e profissional. Foi criado pela Lei Municipal Nº 5.232, de 02 de julho de 2001, com o objetivo de acompanhar, orientar e avaliar o desempenho global do sistema municipal de ensino nos diferentes níveis e modalidades de ensino - Educação Infantil, Ensino Fundamental, Educação de Jovens e Adultos e Educação para Portadores de Necessidades Educacionais Especiais. Neste ano, de acordo com a Lei nº 6.111 de 25 de fevereiro de 2008, o Centro passou a ser denominado Centro Municipal de Formação Pedagógica Professor Boris Grinberg – Cemforpe. Seu trabalho Desde sua criação, o Centro vem atuando junto às escolas municipais e subvencionadas com programas de formação contínua para educadores, propiciando seu aprimoramento e atualização por meio de: •

oficinas e cursos destinados a todos os educadores nas diversas áreas do conhecimento e os demais profissionais da educação nas áreas técnica e administrativa;

formação em serviço por meio de assessoria especializada a toda a equipe escolar no desenvolvimento dos projetos educacionais;

participação em palestras, seminários, congressos, simpósios, fóruns e encontros.

De 2001 a 2008, o Cemforpe proporcionou 603 eventos, oferecendo 51.727 vagas aos profissionais do sistema municipal de ensino. Proposta de construção de prédio próprio Por não contar com prédio próprio, esse extenso Programa de Formação vinha sendo desenvolvido desde 2001 com a utilização de espaços das escolas municipais, do Centro de Iniciação Profissional - CIP, locais gentilmente cedidos por escolas particulares e instituições de ensino superior locais: Universidade Braz Cubas, Universidade de Mogi das Cruzes e a Faculdade do Clube Náutico Mogiano. Em 03 de fevereiro de 2006, foi autorizada a construção do prédio para o Cemforpe, no bairro Nova Mogilar. O espaço tem 4.037,89 m2 de área construída com dois blocos e espaço de convivência, totalizando R$ 6,750 mi em investimentos da administração municipal.

30

Os blocos são compostos por: •

Bloco 1 - Auditório com capacidade 753 poltronas;

Bloco 2 - Bloco Didático com biblioteca multimídia com acesso a internet, videoteca, sala de música, sala de informática com 20 computadores, quatro salas de estudo, sala de reunião, café cultural e setor administrativo, em que está instalada a equipe do Departamento Pedagógico da Secretaria Municipal de Educação.

Numa primeira etapa foi construído o Bloco 1: o Auditório, inaugurado em 5 de setembro de 2007. Em outubro deste ano, foi entregue o segundo bloco, como mostra o artigo da página 31. Toda área construída é adaptada para portadores de necessidades especiais facilitando o acesso. Evolução e excelência na educação Evoluindo sempre e investindo continuamente na educação, a Prefeitura Municipal de Mogi das Cruzes transforma mais um sonho em realidade com a conclusão do Complexo do Cemforpe. O Cemforpe está aberto ao desenvolvimento e aprimoramento dos profissionais da educação das redes municipal, estadual e particular, além de ser um espaço de convivência para educadores. É com certeza uma verdadeira referência de excelência na educação para toda a região do Alto Tietê.

Equipe do Departamento Pedagógico da Secretaria Municipal de Educação de Mogi das Cruzes


Fotos: Ney Sarmento

Prefeito inaugura

Bloco Didático do Cemforpe U

ma noite de emoção e agradecimentos marcou a inauguração do Bloco Didático do Centro Municipal de Formação Pedagógica Professor Boris Grinberg (Cemforpe) no dia 29 de outubro. O prefeito Junji Abe, ao lado da secretária municipal de Educação, Maria Geny Borges Avila Horle, entregou, diante de um público de quase mil pessoas, o novo prédio que conclui um marco na Educação do Alto Tietê: o primeiro complexo da região dedicado à capacitação dos profissionais da Educação das redes municipal, estadual e particular. Construído ao lado do auditório, inaugurado em setembro de 2007, o Bloco Didático é um espaço dedicado ao estudo e à pesquisa dos educadores com uma infra-estrutura moderna e atualizada para melhorar ainda mais o ensino oferecido às crianças e jovens de Mogi. “Esta inauguração é a constatação fundamental do avanço da rede municipal de ensino. É uma alegria imensa receber os convidados, mas é uma honra e um privilégio estar com um público que representa grande parte dos 1.769 funcionários da Secretaria Municipal de Educação”, comentou Junji. Maria Geny parabenizou o prefeito por mais esta missão cumprida e o cumprimentou pelos bons re-

sultados. “Agradecemos a Deus por ter iluminado todos os integrantes da administração municipal nestes oito anos de intenso e frutífero trabalho, sob sua orientação”, disse.O presidente da Câmara em exercício, vereador Nabil Nahi Safiti corroborou as palavras da secretária. “A construção do Cemforpe é a concretização de um sonho dos educadores mogianos. Parabéns ao prefeito Junji pelo trabalho na Educação de nossos futuros cidadãos”. O prefeito ressaltou que o complexo é a concretização de um amplo programa que já ofereceu mais de 50 mil vagas em 500 eventos, como workshops, palestras, capacitações e encontros. “O Cemforpe é um programa que iniciamos em 2001, no primeiro ano do nosso governo, para capacitar e treinar todos os profissionais da educação, como diretores, professores, auxiliares de desenvolvimento infantil, merendeiras e escriturários. Antes usávamos a estrutura das universidades, escolas municipais e colégios particulares. Agora, o Cemforpe possui uma sede completa e própria”. Além do programa de formação, o Cemforpe atua no auxílio ás escolas na formulação de seus projetos pedagógicos, escolha e elaboração de materiais didáticos e novas metologias de ensino.

31


Fotos: Ney Sarmento

A construção do espaço próprio do Cemforpe só foi possível neste momento, devido à concentração dos investimentos em 25 novas escolas e na modernização e reforma dos prédios escolares da rede municipal. Em setembro do ano passado, foi inaugurado o auditório com 753 lugares, palco de eventos educacionais, artísticos e culturais. Construído ao lado do auditório, o Bloco Didático, com investimento de R$ 2,270 milhões, conclui o Complexo do Cemforpe, um marco da formação dos educadores na região do Alto Tietê. Ao todo, a Prefeitura investiu R$ 6,570 milhões. Na solenidade, Junji destacou uma série de avanços conquistados ao longo destes oito anos, como o aumento no orçamento da pasta, que em 2001 era de R$ 40 milhões e em 2008, foram direcionados mais de R$ 101 milhões. Além da ampliação dos recursos, o chefe do executivo comentou a boa avaliação dos professores, já que 95% são considerados ótimos ou bons pelos pais em pesquisa realizada em 2007. “Além disso, diferente do Estado de São Paulo, que ainda possui muitos alunos na quarta série do ensino fundamental que ainda não sabem ler e escrever, em Mogi, todas as crianças da rede municipal já estão alfabetizadas na segunda série, aos oito anos de idade”. Índices de qualidade O chefe do executivo apresentou também dados do Ministério da Educação que apontam a evolução do ensino em Mogi, como a redução da evasão escolar e o desempenho do município no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB). “Em 2000, o percentual de alunos que deixaram a escola era de 0,7%. Não temos dados mais atualizados, pois o Ministério só divulgou o índice até 2005, quando já reduzimos este número para 0,2%. Quero crer que neste ano, devemos estar bem próximo de zero”. Em 2008, o IDEB de Mogi das Cruzes foi de 4,8, superando a média nacional de 4,2. A nota máxima a ser alcançada é 6. “A previsão para que o Brasil alcance a nota 6 é 2022. Mogi está a frente desta previsão, chegaremos a esse número em 2015 e devemos isso a vocês, profissionais da Educação. Obrigado a vocês de coração”. O prefeito destacou ainda que os investimentos feitos nos últimos anos são frutos do desenvolvimento da cidade. “Por mais que quiséssemos avan-

32


çar na área educacional, precisamos de dinheiro e estes recursos são resultado da abertura da cidade desde 2001, com a ampliação dos negócios em Mogi e a chegada de novas empresas”, disse. Homenagens A noite foi marcada por homenagens. O prefeito fez uma surpresa para os profissionais da Educação que lotaram o auditório do Cemforpe. “Gostaria de passar às mãos da secretária Maria Geny, que representa todos os profissionais da Secretaria Municipal de Educação, um Diploma de Gratidão pelos magníficos resultados obtidos nestes oito anos que transformaram nossa Mogi em referência de excelência na Educação da região”. O chefe do executivo também foi homenageado sob aplausos dos presentes. Servidores de diferentes áreas da secretaria entregaram ao prefeito uma escultura que simbolizava um educador. Maria Geny leu a mensagem para todos. “Seu trabalho mereceu nota 10 com louvor. Por isto lhe conferimos o título de Prefeito Educador”. A placa da inauguração do Bloco Didático foi descerrada pelo prefeito, a secretária Maria Geny, os vereadores Nabil Nahi Safiti, presidente em exercício da Câmara, Odete Rodrigues, Protássio Nogueira, o reitor da Universidade Braz Cubas, Saul Grinberg, o representante da Universidade de Mogi das Cruzes, Laudicir Zamai, a dirigente regional de Ensino, Teresa Lúcia dos Anjos Brandão, e a ex-vereadora Marinês Piva, representando o deputado estadual e prefeito eleito de Mogi das Cruzes, Marco Aurélio Bertaiolli. Quase mil pessoas visitaram o Bloco Didático, que conta com cinco salas de aula, sala de música com isolamento acústico, sala de informática, biblioteca multimídia, salas administrativas, sala de reuniões e cantina. No local, ficará o Departamento Pedagógico da Secretaria Municipal de Educação. No auditório do Cemforpe, todos acompanharam o descerramento de uma placa em homenagem ao trabalho da Secretaria Municipal de Planejamento e Urbanismo, responsável pelos projetos arquitetônicos das grandes obras inauguradas em Mogi nos últimos anos, em nome do titular da pasta, João

Francisco Chavedar e sua equipe. “Esta homenagem ficará eternizada nesse espaço. Nós, mogianos, estamos orgulhosos de vocês pela capacidade de quebrar paradigmas, inovar e transformar prédios públicos em ícones de beleza e funcionalidade. O Complexo do Cemforpe é um exemplo dessa magnitude”, completou Junji. Após as homenagens foi servido um coquetel para os profissionais da Educação e convidados. Profissionais da Educação “Toda essa estrutura do Cemforpe é fantástica. É ótimo, vermos essa preocupação da Prefeitura em formar o professor e como temos à disposição diferentes cursos para atingir esse objetivo. A Prefeitura já oferecia muitas oportunidades nas universidades e colégios particulares e tínhamos dificuldade em encontrar espaço”, comentou a coordenadora pedagógica da Escola Municipal Profª Noemia Real Fidalgo, Naete da Conceição Rosendo de Lima. “Pude participar de vários eventos, o que me incentivou a melhorar cada vez mais o meu trabalho e buscar mais conhecimento. Esse espaço maravilhoso com certeza será usado para pesquisa e estudo de toda a rede municipal”, afirmou Claudinéia Ignácio Galocha, auxiliar de desenvolvimento da Educação, do CCII Profª Ignêz Maria de Moraes Pettená. “A Secretaria Municipal de Educação tem investido na formação para que nossa equipe crie novas atividades para os professores trabalharem com os alunos. Sempre estamos estudando para oferecer ainda mais recursos nas salas de informática”, comentou o orientador de informática da Escola Municipal Des. Armindo Freire Mármora, Luiz Gustavo Firveda de Almeida. “O Complexo do Cemforpe é de extrema importância. Por meio desse grande incentivo, nós temos mais vontade de trabalhar me sala de aula. Os nossos alunos merecem o melhor. Estou na rede municipal desde 1995 e esta administração é única, é 10. Só não estudou, só não aprendeu, quem não quis. Tivemos todas as oportunidades”, disse a professora de Educação Infantil, Luciana dos Anjos, da Escola Municipal Prof. Sérgio Hugo Pinheiro.

33


Educação - Uma longa caminhada... Gracila Maria Grecco Manfré José Sebastião Witter

E

ntre 1940 a 1990, a Educação Brasileira viveu profundas e drásticas transformações, desde leis que tentaram dar a ela uma diretriz até a inversão de valores dos finais do século XX. A grande mudança, no entanto, se prende aos sistemas de ensino.

É necessário lembrar como funcionavam as escolas públicas e as escolas particulares. Eram sistemas diferentes e diferenciados, porém, com orientação única do Ministério da Educação. Pode-se até afirmar que havia um sistema e dois subsistemas distintos e regulados por rígidas leis. Um sistema federal e dois subsistemas estaduais e municipais. Existiam poucas escolas municipais, muitas escolas estaduais e reduzido número de escolas federais. Todas sob orientação sólida do Governo Central. As escolas particulares, em número menor que as públicas, eram opções seguras para aqueles que não conseguiam vaga no ensino público. Estas, da mesma forma que as escolas públicas, eram orientadas pelo Ministério da Educação. Entretanto, a sociedade brasileira, na busca de sua própria identidade, perpassou por momentos de reflexão também na área de ensino. Estudiosos e especialistas de diversas áreas debruçaram-se num dos assuntos mais sérios, há muito classificado como “nosso primeiro problema nacional”. A título de exemplo, vejamos este artigo de Cecília Meireles, escrito em setembro de 1931, quando a escritora (e brilhante educadora), assinava suas crônicas na coluna “Comentário”, do Diário de Notícias (Rio de Janeiro): “Não sei se já chegou esse dia. Mas, um dia, Revolução tem de significar educação. Educação. Preparo do homem para a humana função de viver. Visão total da vida, a que nenhum problema pode ser indiferente, desconhecido ou estranho. Sentido de totalidade.(...) (...) Educação. Compreensão completa da humanidade, nas suas relações de homem a homem e de pátria a pátria. Espírito de fraternidade que permite um convívio sem limites, mas por isso mesmo, assenta em bases seguras de capacidade e de trabalho. (...) (...) Educação. Milagre da liberdade que se faz responsável. Aspiração de se bastar e de servir. Força consciente adquirida pela formação de uma estrutura sólida e harmoniosa apta a suportar e a dirigir o pequeno mundo de cada indivíduo dentro do imenso ambiente universal. (...)

34

Foto: Taciano Segovia

(...) Educação. Reaprendizagem da vida, deformada na rotina dos séculos e na teoria arbitrária dos interesses de cada doutrina. Reumanização do homem. Apreciação dos


valores fora dos moldes comuns da oportunidade transitória e das ambições sem idealismo”. Desta forma e a despeito de tantos questionamentos advindos de todos os setores da sociedade, até os anos 60 do século XX não se sentiam as grandes alterações pelas quais passava a orientação educacional do país. Além do aparecimento de muitos estabelecimentos de ensino particular, necessários para suprir a necessidade de vagas, havia o crescimento da população e a alteração das propostas de ensino. No final da década dos anos 50 e início do período de 1960 a 1970, a grande discussão passou pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, de autoria do então deputado Carlos Lacerda. Foi um tempo de muita polêmica e grandes debates. Estes dividiam os estudantes e professores da escola pública que a repudiaram e os defensores da lei, na sua maioria professores das Escolas Particulares e Confessionais (Mackenzie, as PUCs, etc). No final dos anos 60 e até 1990, a atuação do Ministério da Educação, as alterações produzidas pelo ministro Jarbas Passarinho e a decretação do Ato Institucional de 1968, o AI – 5, fizeram com que todo o país passasse por alterações profundas e vivesse quase duas décadas de uma ditadura forte e insuperável do ponto de vista da repressão. Nesse período, apesar da atuação intransigente das autoridades da repressão irrefreável, houve o fortalecimento dos movimentos estudantis e a busca da redemocratização. Tempos difíceis, caracterizados como “anos de chumbo”. Uma síntese necessária. Entre 1940 e 1990, o Brasil e Mogi das Cruzes, dentro do Estado de São Paulo, passaram por etapas distintas da História Universal e Brasileira. No primeiro momento, vivemos a II Guerra Mundial e tudo o que ela representou em termos universais. Vivemos, também, o final da ditadura Vargas e a redemocratização do país. Esta perdurou até uma nova ditadura, agora militar, desde 1964 até quase o final da década de 1980. Antes da nova ditadura, no entanto, alguns projetos vitoriosos, como a criação e a consolidação de Brasília e todas as suas implicações com o Governo Juscelino Kubischeck. A cidade de Mogi das Cruzes, como não poderia deixar de ser, passou por profundas alterações. Basta pensar nas boas escolas primárias, como o Grupo Escolar Cel. Almeida e o Grupo Escolar Aprígio de Oliveira, além de diversos estabelecimentos escola-

res da periferia como o Grupo Escolar da Vila Moraes e as escolas isoladas, tanto na cidade como no meio rural. Também o Instituto Dona Placidina, uma escola confessional de ótimo nível, além de outras instituições de ensino. Isto pensando no primeiro grau ou as chamadas “escolas primárias”. As Escolas Secundárias, de então, eram o Ginásio Estadual, a Escola Normal de Mogi das Cruzes e o Liceu Brás Cubas. O Ginásio era uma Escola Pública e o Liceu uma escola particular. Ambas, no entanto, de bom nível e verdadeiros patrimônios culturais da cidade. O Liceu cresceria muito mantendo as suas tradições e o Ginásio também evoluiria rumo ao “Instituto de Educação Dr. Washington Luis”. Ainda vivíamos a década de 1960, no século XX. A cidade e a Educação em Mogi das Cruzes passariam por uma transformação radical com a criação da OMEC (Organização Mogiana de Educação e Cultura) e, quase 11 anos depois, a fundação da Universidade Braz Cubas. Estas duas escolas de nível superior fariam de Mogi das Cruzes uma outra cidade e toda a região passaria por experiências educacionais responsáveis por mudar a fisionomia regional. Que passem os anos, que venham novos conhecimentos de teoria e práticas educacionais, mas que o ideário pedagógico e a formação básica do povo brasileiro não sejam relegados a patamares inferiores de vazias discussões! Como no dizer de outra crônica de Cecília Meireles: “Defender uma idéia nova é imensamente mais grave que apresentá-la. É garantir-lhe a vida, assegurar a sua esperança; é permitir, finalmente, que se possa realizar aquilo que deve constituir a parte profunda de qualquer reforma: a transformação necessária de um ambiente ou de uma época”. Gracila Maria Grecco Manfré é professora universitária e consultora educacional José Sebastião Witter é professor titular na área de História e professor emérito pela Universidade de São Paulo (USP) Referências Bibliográficas: Cruz Costa, João – Contribuição à História das idéias no Brasil; Rio de Janeiro: Ed. José Olimpio, 1956. Meireles, Cecília – Crônicas de educação, apresentação e planejamento editoria de Leodegário A de Azevedo Filho; Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, 2001. Prado Jr., Caio – Evolução Política do Brasil e outros estudos; São Paulo: Ed. Brasiliense, 1970.

35


Foto: Ney Sarmento

“O seu trabalho não é a pena que paga por ser homem, mas um modo de amar e de ajudar o mundo a ser melhor”. Thiago de Mello

Com esta frase nas paredes do Bloco Didático do nosso Cemforpe, vejo que a essência do trabalho do educador não mudou. Os mesmos sonhos dos meus tempos de curso normal continuam a marcar o caminho desta carreira que logo abracei e hoje, com mais de 40 anos de profissão, ainda vejo com paixão. A Educação é um meio para transformar e construir novos caminhos, criar novas oportunidades para pessoas, que muitas vezes não têm horizontes na vida, possam desenvolver todo o seu potencial. Nesta perspectiva também é um meio para nós, educadores, revermos nossos conceitos e apostarmos nossas fichas em mudanças para atender crianças e jovens cada vez mais ávidos por novidades. É preciso aprender, aprender sempre. Procuramos neste oito anos, disponibilizar uma ampla gama de capacitações com vários temas. Foram mais de 600 eventos, procurando oferecer uma formação de qualidade para alcançar nosso objetivo: uma educação pautada pela qualidade social a todos os mogianos. Esta publicação é o resultado do nosso empenho e demonstra, além do amplo trabalho que realizamos ao longo deste período: o amadurecimento da rede, que identificou suas necessidades e promoveu encontros de grupos importantes, como as creches e as escolas de Educação Infantil. E isto é importante: olhar as nossas necessidades, olhar com carinho a comunidade que nos recebe e ver que é possível encontrar novas ferramentas, novas possibilidades para ensinarmos e contribuirmos para a formação de novos cidadãos. Um abraço,

Maria Geny Borges Avila Horle

Educando em Mogi nº 42  

Nossa publicação é reflexo disso, como uma ferramenta de formação dos educadores, a revista Educando em Mogi traz nesta edição um especial s...

Advertisement