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APAE em destaque

Publicação da FEAPAES-SP - Federação das APAEs do Estado de São Paulo

Ano 2019 • Edição 22

REVISTA APAE EM DESTAQUE

e

ANO 2019 • EDIÇÃO 22

FEAPAES-SP E CAIXA FIRMAM PARCERIA PARA BENEFICIAR AS APAES NOVO CICLO DO APAE EXCELÊNCIA COMEÇA COM NOVIDADES

ENTREVISTA: MÁRCIO ALVINO FALA SOBRE A FRENTE PARLAMENTAR EM DEFESA DAS APAES


A OPORTUNIDADE DE

CONHECIMENTO

CHEGOU O APLICATIVO DO ARGUS!

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SUMÁRIO

CAPA

FEAPAES-SP FECHA PARCERIA COM A CAIXA PARA BENEFICIAR APAES PAULISTAS

6 GALERIA DE FOTOS

8 NOTAS APAE

50 VALE CAP

52 ENTREVISTA MÁRCIO ALVINO

61 JURÍDICO INFORMA

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APAE EM DESTAQUE AMERICANA

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PARAGUAÇU

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DRACENA

13

DUARTINA

14

GUARUJÁ

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ITABERÁ

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ITAQUAQUECETUBA

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JAÚ

19

SOROCABA

20

LIMEIRA

22

POMPEIA

24

VALINHOS

25

JUNDIAÍ

26

PIRAJU

28

SÃO ROQUE

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ILHA COMPRIDA

32

FEAPAES EM REVISTA FRENTE PARLAMENTAR EM DEFESA DAS APAES

38

CURSO VOLTADO AO TERCEIRO SETOR

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SEGUNDO CICLO DO APAE EXCELÊNCIA

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FEAPAES‑SP É RECEBIDA POR SECRETÁRIOS ESTADUAIS

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VISITA À EMPRESA SOLLO CONTACT CENTER

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ARTIGO A APOSENTADORIA DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA

56

MARKETING DIGITAL INCLUSIVO: MUITO ALÉM DAS REDES SOCIAIS

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EXPEDIENTE

EDITORIAL

DIRETORIA EXECUTIVA Presidente Cristiany de Castro Vice-presidente José Marcelo Campos Alduíno 1º Diretor Secretário Paulo Rogério Geiger 2º Diretor Secretário Celso Roberto Pegorin 1º Dir. Financeiro Salvador Anésio Ruiz Aylon

CONSELHO FISCAL

C

Titulares Celso Bueno de Oliveira Carlos Eduardo Torres Vera Lúcia Ferreira Lima

om grande honra que lhe entregamos mais uma edição da revista APAE em Destaque. O seu conteúdo foi organizado com o intuito de repercutir inúmeros projetos desenvolvidos pelas APAES do Estado, destacando assim a relevância dos serviços pres-

tados por essas instituições, e de dar publicidade às ações realizadas pela Federação das APAES do Estado de São Paulo (FEAPAES-SP) em prol das 305 filiadas. Na matéria de capa,

2º Dir. Financeiro Luis Roberto Rozon Diretor Social Paulo Arantes Diretor de Patrimônio José Roberto Guimarães Autodefensor Stephanie Lima Ferreira Autodefensor Wellington Clementino

Suplentes Cézar Sousa Vilela Celso Fujioka Silvio Filippini

CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO Antônio Pio Francisco Innocencio Pereira Hélio Tadeu Zago Jorge Martins Salgado José Avanilson da Silva José Carlos da Silva Josiane Claudia da Silva Jacob Leila Barban Radaelli Lucia Helena Gonçalves Senteio Márcia Cardoso Luqueti Gianoti Márcio Anselmo Rodrigues de Oliveira Márcio Nardo

Maria Aparecida Gomes Sampaio Maria Carolina Paoliello Maria de Fátima Dalmédico de Godoy Maria José de Souza Nunes Meiri Aparecida Sant’ana Rodrigues Moacyr Fonseca Júnior Nelson Bassanetti Norma Tavares Vieira Consani Paulo César Zeni Sayma Pimentel Zeraik Viduedo Sonia Aparecida Martins Bento de Oliveira

PROCURADORIA JURÍDICA

destacamos a parceria realizada entre a FEAPAES-SP e a

Acir de Matos Gomes

Caixa, uma nova forma de mobilização de recursos que vai

EQUIPE TÉCNICA | FEAPAES-SP

beneficiar todas as APAES do Estado.

Superintendência Fernanda Peres Gomes superintendencia@feapaesp.org.br

Ainda nesta edição, dedicamos espaços para falar de outros projetos inovadores, como o lançamento do primeiro curso do UNIAPAE-SP — braço educacional da FEAPAES-SP —, Elaboração e Gestão de Projetos Sociais. Também abordamos nesta edição o início do segundo ciclo do APAE Excelência e suas novidades, que visam atender às mudanças no cenário que envolve as APAES. Já na sessão APAE em Destaque, o leitor poderá conferir o projeto da APAE de Limeira, que há 12 anos realiza uma campanha para alertar sobre os perigos do álcool na gestação. Também repercutimos nesta edição as atividades desenvolvidas pela APAE de Sorocaba em apoio à Luta Antimonicomial. Esta edição ainda traz uma entrevista com o deputado federal Márcio Alvino, que recentemente instalou e relançou na Câmara dos Deputados em Brasília a Frente Parlamentar Mista em Defesa das APAES, na qual ocupa o cargo de presidente. Nesse bate-papo ele conta como será a atuação da Frente, bem como sobre os pleitos para defender os direitos da pessoa com deficiência. Espero que gostem! Desejo uma excelente leitura! Thaís Demacq Jornalista – Mtb 44568/SP comunicacao@feapaesp.org.br

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APAE EM DESTAQUE • ANO 2019 • EDIÇÃO 22

Coordenação Técnica Administrativa: Roberta Piotto coordenadoratecnica@feapaesp.org.br Coordenação Financeira Lucas Almeida financeiro@feapaesp.org.br Financeiro Fátima Melo Eduardo Caloni Letícia Aparecida (estagiária) Comunicação Thaís Demacq - Mtb 44568/SP Débora Simões - Mtb 81427/SP Sabrina Aparecida (estagiária) Júlia Paiva (estagiária) comunicacao@feapaesp.org.br Jurídico Thiago Mellem Thales Araújo juridico@feapaesp.org.br

Equipe da Qualidade Cíntia Faccirolli Aline Lima Elaine Lemos Patrícia Dupim coordqualidade@feapaesp.org.br Ouvidoria Karla Pereira Bruno Faria Fábio Rodrigues Paulo José da Silva Nogueira Sílvio Balan auxiliaradm@feapaesp.org.br Administrativo Adriana Queiroz Amanda Cristina da Silva Souza Lucila Castro Lyvia Eduarda (jovem aprendiz) Kênia Santana faleconosco@feapaesp.org.br Mobilização de Recursos Camila Archetti Cláudia Fragoso institucional@feapaesp.org.br Cursos Lays Alves eventos01@feapaesp.org.br

Edição concluída em de agosto de 2019 Federação das APAES do Estado de São Paulo Rua Tomaz Pedro do Couto, 471 | Polo Industrial Abílio Nogueira | Franca/SP CEP: 14406-065 | Fone: 16 3403-5010 | Fax: 16 3403-5015 E-mail: feapaes@feapaesp.org.br www.feapaesp.org.br

Revista APAE em Destaque

Redação: Débora Simões e Thaís Demacq. Edição: Thaís Demacq Revisão e Diagramação: Zeppelini Publishers / Rede Filantropia


PALAVRA DA PRESIDENTE

A

segunda edição da Revista APAE em Destaque de 2019 chega recheada de boas notícias que faço questão de destacar. Lançamos no dia 17 de julho, o UNIAPAE-SP, o braço educacional da FEAPAES-SP, notícia que deve ser recebida pela APAES paulistas como uma grande conquista, pois trata-se de um canal focado em atender todas as demandas educacionais das APAES e demais organizações do terceiro setor nas áreas da assistência social, educação, saúde e gestão. A fim de permitir a diversificação nas fontes de mobilização de recursos das APAES, fechamos uma importante parceria com a CAIXA que irá beneficiar todas as APAES do estado de São Paulo. A parceria além de permitir o ingresso de novas receitas será um atrativo para que outras grandes empresas despertem para a importância dos serviços oferecidos pelas APAES e também se interessem em apoiar o movimento e atuar em prol da inclusão social da pessoa com deficiência. E reafirmo que continuaremos engajados em articular em favor das APAES, seja nas esferas privada ou pública, como poderão conferir nas páginas a seguir, nosso empenho em levar as demandas das APAES ao Governo. Fomos recebidos neste ano no Palácio dos Bandeirantes, pelo secretário de Desenvolvimento Regional do Estado de São Paulo, Marco Vinholi, que na ocasião representava o governador João Dória. Também estivemos com a secretária de Assistência Social, Célia Parnes, ocasião que informamos a ela a importância de estabelecermos uma parceria direta do governo com as APAES nos moldes da que já existe com a secretaria da educação. Assim, continuaremos realizando ações voltadas a construção de uma sociedade mais inclusiva, focados na missão de assessorar e articular em favor das APAES paulistas, oferecendo todo o suporte para que continuem aprimorando o atendimento prestado aos mais de 70 mil usuários atendidos em nosso Estado. Com o apoio de parceiros e de nossas filiadas, temos a certeza de que continuaremos colhendo bons frutos. Um grande abraço a todos! Cristiany de Castro Presidente da FEAPAES-SP APAE EM DESTAQUE • ANO 2019 • EDIÇÃO 22

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GALERIA DE FOTOS

EDIÇÕES REGIONAIS FESTIVAL NOSSA ARTE

TUBA ARAÇA

LENÇÓIS PAULISTA 6

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BATA TAIS


IS

NÓPOL

MARTI

LORE N

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R RUZ DO C A T N SA

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NOTAS APAE 1º ENCONTRO DE CONSCIENTIZAÇÃO DA SÍNDROME DE DOWN EM PIRANGI

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arço é o mês da Conscientização da Síndrome de Down e, contando com isso, a APAE Pirangi realizou o 1º Encontro de Conscientização da Síndrome de Down. Durante o evento, foram tratados temas referentes à Síndrome de Down, bem como a importância da estimulação precoce e do atendimento multiprofissional para o desenvolvimento dessas pessoas. O evento, organizado pela equipe da saúde da APAE, além de conscientizar a população sobre a deficiência, serviu para apresentar o trabalho realizado pela instituição. “Nesse encontro

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USUÁRIOS DA APAE MAUÁ VISITAM GABINETE DO PREFEITO

entar na cadeira de prefeito de Mauá foi uma experiência que ficará na memória de 15 usuários da APAE de Mauá, que visitaram o gabinete do prefeito Atila Jacomussi, na tarde do dia 21 de março. A visita foi uma iniciativa da APAE com a administração municipal, que, por sua vez, se comprometeu em ampliar o trabalho de parceria com a entidade. A visita do grupo ao governo ocorreu em celebração ao Dia Internacional da Síndrome de Down, comemorado anualmente em 21 de março. O encontro teve como finalidades conscientizar sobre como funciona o poder público e, mais importante, despertar em cada usuário o espírito de cidadania e reforçar para a sociedade a necessidade de respeito às diferenças. Durante a visita, cada convidado pôde ocupar a cadeira de prefeito de Mauá, em um gesto simbólico de que ali era um espaço de toda a população. Marcos Pereira David, de 38

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apresentamos todo o trabalho que desenvolvemos com eles na APAE”, conta a terapeuta ocupacional Andressa Laís De Grande. A fisioterapeuta Kemili Sanches Yaekashi relata que são atendidas no setor de Estimulação Precoce Especializado crianças de 0 a 3 anos, com risco ou atraso no desenvolvimento global. “Essa estimulação possibilita dar suporte no processo inicial do desenvolvimento”, explica. Também participaram da organização do encontro Angelita Bacalhau Vieira, fonoaudióloga, e Sabrina Silva, psicóloga. O encontro foi aberto para toda a população e rede de apoio. Os participantes receberam certificados de presença no fim do encontro.

anos, foi um dos visitantes e afirmou que a excursão ao gabinete do prefeito despertou ainda mais o seu desejo de ajudar as pessoas mais necessitadas. “Gostei muito da prefeitura e adoraria trabalhar aqui com o prefeito. Quero muito ajudar os moradores de rua e ajudar para que todas as crianças estejam nas escolas”, revelou.


APAE ICEM REALIZA PALESTRA SOCIOEDUCATIVA SOBRE DOENÇAS SEXUALMENTE TRANSMISSÍVEIS E DROGAS

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o dia 27 de fevereiro, na sede da APAE Icem, foi realizada uma palestra sobre prevenção de doenças sexualmente transmissíveis e uso abusivo de drogas. Participaram usuários, familiares e funcionários da APAE. Durante toda a tarde, os participantes foram orientados sobre o uso do preservativo como prevenção das doenças e a respeito do consumo abusivo de drogas lícitas e ilícitas e seus malefícios. Ao fim da palestra, de forma totalmente individual e particular, os usuários e familiares puderam tirar dúvidas. A palestra faz parte dos serviços que a APAE desenvolve com os usuários nos grupos de autodefensoria e de proteção social para a pessoa idosa com deficiência e suas famílias. Participam desses grupos a psicóloga Fabiana Fernandes Consolete, a assistente social Regiane de Carvalho Pereira e a monitora Mayara Aparecida Máximo Arruda.

E

APAE DE JALES REALIZA MOVIMENTO SOBRE O DIA MUNDIAL DA CONSCIENTIZAÇÃO DO AUTISMO

m alusão ao Dia Mundial da Conscientização do Autismo, comemorado no dia 2 de abril, a APAE de Jales promoveu no município um movimento com o objetivo de difundir informações para a população sobre o autismo e assim reduzir a discriminação e o preconceito que cercam os autistas. Durante a semana, os usuários realizaram diversas atividades sobre o assunto e confeccionaram cartazes, placas de jardim e faixas com o intuito de mobilizar a

comunidade sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA). A manifestação aconteceu na Praça João Mariano de Freitas, local de grande circulação de pessoas. Com o apoio dos profissionais, os usuários colocaram as plaquinhas de jardim nos canteiros, enfeitaram as árvores com tecido azul e fixaram os cartazes e as faixas informativas. Para finalizar as atividades, houve uma transmissão ao vivo, com o objetivo de convidar a população para participar do movimento.

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PROJETO DE CULINÁRIA DA APAE DE ANGATUBA DESPERTA HABILIDADES E POTENCIALIDADES DOS USUÁRIOS

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APAE de Angatuba desenvolve um importante projeto que visa despertar nos seus usuários habilidades e potencialidades importantes para o seu desenvolvimento e o pleno exercício da cidadania. Tratase do Nossa Culinária, que trabalha conteúdos e conceitos destinados à produção de pães, bolos e salgados. Além de ensinar a produção de vários alimentos, o Nossa Culinária ainda têm os seguintes objetivos: garantir a dignidade e a qualidade de vida, o respeito e o direito ao pleno exercício da cidadania, a busca por autonomia e independência nos cuidados pessoais, a percepção do outro, a colaboração, entre outros. Participam do projeto os usuários que estão na faixa etária dos 15 aos 30 anos e integram o Programa de Trabalho Socioeducacional. As atividades são desenvolvidas em salas ambientes que contemplam as necessidades do projeto e contam ainda com a participação da família, fator que contribui para o sucesso dos resultados.

APAE DE JARDINÓPOLIS REALIZA 1º FESTIVAL DE ATLETISMO ADAPTADO

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o dia 28 de junho a APAE de Jardinópolis realizou o 1º Festival de Atletismo Adaptado do município. O evento aconteceu no Centro Esportivo Milton Reis e contou com a participação de 183 atletas do Conselho Regional de Batatais. A competição teve por objetivo oferecer oportunidade de convivência social, em ambiente de cooperação entre os usuários e funcionários das APAES presentes. Participaram as APAES de Serrana, Cravinhos, São Joaquim da Barra, Ribeirão Preto, Pontal, Franca e Brodowski.  Ao todo 350 pessoas prestigiaram o festival, que teve o apoio da comunidade, de empresas e da Prefeitura de Jardinópolis.

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APAE EM DESTAQUE

APAE DE AMERICANA É CREDENCIADA PARA FORMAR JOVEM APRENDIZ PCD Entidade passará a inserir seus jovens no mercado de trabalho por meio do Programa Jovem Aprendiz

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reparar-se para o mercado de trabalho, passar por todas as fases que envolvem a formação de uma carreira profissional é essencial para os jovens que pretendem buscar sua independência e estabilidade financeira. Para os que possuem deficiência, não poderia ser diferente. Por isso, a APAE de Americana cadastrou-se no Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) para ser uma entidade formadora de jovem aprendiz PCD (pessoa com deficiência). Desde abril de 2019, a APAE está regularizada para exercer as atividades de entidade qualificadora e a desenvolver o Programa de Aprendizagem Profissional, conforme publicação no Cadastro Nacional de Aprendizagem Profissional (CNAP). O programa tem como objetivo a formação técnico-profissional de adolescentes e jovens para que se ampliem as possibilidades de inserção no mercado de trabalho e se torne mais promissor o futuro da nova geração. “A importância dessa capacitação é mostrar para esses jovens todo o entendimento do mundo organizacional. A capacitação facilitará muito o ingresso deles no mercado formal”, explica Iracema Aparecida dos Santos Ferreira, diretora do Centro de Formação Profissional da APAE de Americana. A pessoa com deficiência tem os mesmos direitos que uma pessoa sem deficiência de se qualificar para o mundo do trabalho. O aprendiz é o jovem com idade entre 14 e 24 anos, matriculado em curso de aprendizagem profissional e admitido por estabelecimentos de qualquer natureza que possuam empregados regidos pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Em relação aos aprendizes com deficiência, apenas não se aplica o limite idade. Por meio do programa, a APAE ofertará os cursos de operador de comércio em lojas e mercados e

de mensageiro. Tais cursos serão divididos em matérias teóricas básicas, teóricas específicas e atividades práticas, totalizando a carga horária de 1.280 horas. “As pessoas com deficiência precisam ser capacitadas para que no futuro tudo dê certo”, completa Iracema.

INSERÇÃO NO MERCADO PROFISSIONAL O sucesso do programa voltado à formação de jovem aprendiz já está garantido. Isso porque a APAE de Americana desenvolve há 20 anos o Programa Mercado de Trabalho. Atualmente são 323 pessoas com deficiência incluídas, de ambos os sexos, a partir dos 14 anos de idade. O objetivo é a geração de renda e de oportunidades de trabalho para pessoas com deficiência intelectual, física, auditiva, visual e/ou múltiplas da cidade de Americana. “Aqui o trabalho é fundamentado conforme a metodologia do emprego apoiado. Hoje estamos com mais de 320 pessoas incluídas por meio do programa. A pessoa com deficiência passa por um processo de avaliação aqui na APAE e, estando elegível para o programa, a gente faz a matrícula dele, e ele faz uma preparação enquanto aguarda a vaga. Após a inserção, continuamos acompanhando”, conclui Iracema.

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APAE EM DESTAQUE

APAE DE PARAGUAÇU PAULISTA REALIZA OFICINA ABERTA À POPULAÇÃO Evento foi realizado em comemoração ao Dia Internacional da Síndrome de Down

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radicionalmente, diversas APAES do estado de São Paulo realizam atividades no dia 21 de março, Dia Internacional da Síndrome de Down, deficiência presente na maioria das instituições. Em Paraguaçu Paulista não foi diferente. A  APAE realizou a Oficina Down: Vida Saudável e aproveitou que a data coincide com o mês de aniversário do município e a tornou parte das comemorações locais. A oficina foi aberta a toda a população. O convite foi feito por sete usuários da instituição que têm Síndrome de Down, por meio de vídeo divulgado nas redes sociais. Diversas atividades foram realizadas durante todo o dia, e todos os 98 usuários da APAE de Paraguaçu Paulista participaram delas. A programação contou com várias apresentações e oficinas de reciclagem. Um dos destaques foi a participação da instrutora de muay thai Simone Grilo e da atleta Thais Campos, que apresentaram alguns fundamentos da arte marcial. Thais tem Síndrome de Down e, segundo a coordenadora pedagógica da APAE Lucimara Salvalete, a apresentação estimulou os usuários da instituição a praticarem atividades físicas.

OFICINAS DE RECICLAGEM Durante o dia, também foram realizadas oficinas de reciclagem. Cada turma reciclou algum tipo de material e deu vida a novos produtos. Foram confeccionados desde jogos da velha, quebra-cabeças, bilboquês, até instrumentos de sopro. “O objetivo foi que cada material confeccionado trabalhasse alguma questão que melhorasse a qualidade de vida dos usuários, como coordenação motora e estimulação da respiração”, explica Lucimara. Após as oficinas, os usuários puderam levar os materiais confeccionados para casa.

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APAE EM DESTAQUE

COMER BEM PARA VIVER BEM!

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APAE de Dracena realiza projeto voltado à educação nutricional com usuários hipertensos, diabéticos, com sobrepeso e obesos

xistem várias pesquisas que comprovam que quem come bem vive mais e com mais saúde, basta uma breve pesquisa na internet. Pessoas que se alimentam corretamente têm mais disposição para as atividades diárias, dormem melhor, entre muitos outros benefícios. Diante disso, a APAE de Dracena desenvolveu o projeto Atendimento Nutricional: a Porta para Construir uma Alimentação Saudável. Além de ensinar hábitos alimentares saudáveis, o projeto, que teve início em 2016 e atende a 90 usuários hipertensos, diabéticos, com sobrepeso e obesos, trata da importância da higiene pessoal e dos alimentos, da prática de atividades físicas e da mastigação correta. E não para por aí, visa ainda prevenir doenças e/ou auxiliar no tratamento das existentes e trabalhar na diminuição do peso, permitindo a utilização imediata dos novos conhecimentos no sentido de preservar a saúde pessoal dos usuários e daqueles que vivem em seu círculo de convívio.

“A ACEITAÇÃO É MUITO POSITIVA E GRATIFICANTE, VISTO O INTERESSE QUE OS USUÁRIOS DESENVOLVERAM EM RELAÇÃO AO PROJETO E O ENVOLVIMENTO DELES NAS AULAS DE OFICINA CULINÁRIA, COM MOMENTOS DIVERTIDOS, PRAZEROSOS E DE APRENDIZAGENS.”

APRENDIZADO DIVERTIDO Para que o tema do projeto desperte a atenção dos usuários, a APAE utiliza ferramentas atrativas. O Livro de Atividades Nutrição & Diversão é um dos materiais de apoio. Nele há diversas atividades que auxiliam na descoberta de gostos particulares, com charadas e histórias. Também são utilizados alguns livros de histórias, como o Cuidando da Horta e Aprendendo com as Frutas. Fantoches de frutas, verduras e legumes também são incorporados ao projeto. Os objetos, lúdicos e divertidos, conquistam os usuários e despertam o interesse em aprender mais sobre as características de cada alimento. Ainda, são usados desenhos animados, que dão um toque especial a temas relacionados à educação nutricional, como: o que escolher para o café da manhã, de onde vêm a diabetes, o transtorno alimentar, entre outros. Segundo Edlaine Cristina de Brito Marques, nutricionista da APAE, o projeto tem sido bem aceito

pelos usuários, que interagem e mostram interesse durante as aulas. “A aceitação é muito positiva e gratificante, visto o interesse que os usuários desenvolveram em relação ao projeto e o envolvimento deles nas aulas de oficina culinária, com momentos divertidos, prazerosos e de aprendizagens”, conclui.

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UMA DOSE DE ATENÇÃO:

PROJETO DA APAE DE DUARTINA ESTIMULA O USO CORRETO DE MEDICAMENTOS A fim de estimular o tratamento adequado dos usuários, a iniciativa desperta a atenção ao uso dos remédios

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o começar um tratamento, é necessário que a pessoa siga a receita médica corretamente, para que tenha os resultados esperados. Foi no acompanhamento dos usuários na área da saúde que a equipe de enfermagem da APAE de Duartina observou as suas dificuldades com o uso das medicações, bem como a falta de adesão ao tratamento e queixas quanto aos efeitos colaterais causados pelos medicamentos. Por isso, desenvolveu o projeto Uma Dose de Atenção. Com início em agosto de 2015, o projeto, que atende cerca de 40 usuários, visa identificar as dificuldades individuais no uso dos remédios e, assim, criar caixas organizadoras personalizadas para fracionar as doses dos remédios de acordo com a necessidade de cada um, promovendo o uso correto das medicações.

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Uma Dose de Atenção tem por objetivo proporcionar qualidade de vida e assistência digna de saúde, respeitando e aplicando todos os princípios norteadores do Sistema Único de Saúde (SUS) aos usuários, além de oferecer condições para que estes realizem o tratamento corretamente, promover o fortalecimento entre eles, a família e a instituição, prevenir agravos de saúde e evitar o desperdício e o uso incorreto dos medicamentos. Os usuários que frequentam a APAE diretamente recebem os medicamentos na instituição durante a semana e nos fins de semana levam as dosagens corretas para o tratamento em casa. Já os usuários que frequentam a instituição algumas vezes por semana recebem dosagens semanais.

RESULTADOS Segundo a enfermeira da APAE de Duartina Fernanda Doretto André, os resultados do projeto já são percebidos. “Houve melhoras significativas no quadro clínico dos usuários, porque temos certeza da efetivação do tratamento. Também houve o fortalecimento no vínculo entre as famílias e a APAE”, conta Fernanda. Outro fator importante do projeto foi a personalização dos vidros e das caixas de medicamentos. Como algumas famílias não são alfabetizadas, a equipe da APAE sentiu a necessidade de criar formas de compreensão dos horários da medicação. Por isso, foram inseridos adesivos nas tampas, com desenhos que remetem ao horário, como o sol (para tomar o medicamento pela manhã), prato e talheres (para tomá-lo no horário do almoço) e a lua (para tomá-lo à noite). Segundo Fernanda, os recursos visuais ajudam na efetivação do tratamento.


APAE EM DESTAQUE

PROJETO CURTA CULTURA COM A GENTE LANÇA DOCUMENTÁRIO COM USUÁRIOS DA APAE GUARUJÁ Curta-metragem retrata a evolução dos alunos da APAE Guarujá durante as atividades promovidas pela iniciativa

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nclusão e superação. Essas foram as motivações para que o Projeto Curta Cultura com a Gente se tornasse realidade e, então, mudasse a vida de pessoas com deficiências múltipla e intelectual. Em 2018, a iniciativa envolveu 214 usuários da APAE Guarujá e, por meio da arte, possibilitou a eles expandir o conhecimento e desenvolver habilidades cognitivas e sociais. O curta-metragem já está disponível gratuitamente e traz para a comunidade um novo olhar sobre a inclusão e a transformação por intermédio de práticas culturais e artísticas.

Segundo Júlia Berwerth, produtora executiva do Curta Cultura com a Gente, o documentário permite ao público enxergar a deficiência intelectual além dos rótulos. “Quem assistir ao vídeo poderá compreender como a evolução pela arte é percebida pelos próprios usuários, professores e, principalmente, pelos familiares. O curta mostra a importância de fomentar a sociabilização e como o acesso à cultura pode mudar a realidade de muitas pessoas”, ressalta. A professora que acompanhou o projeto, Erika Liliane, comunga da mesma opinião de Júlia. “Eu achei de grande importância a apresentação e

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todo o trabalho executado ao longo do ano, afinal foi todo o empenho dos profissionais envolvidos que resultou em um produto final maravilhoso, em que pudemos ver o potencial de cada aluno”, fala.

GRAVAÇÕES DURANTE O ANO As captações de imagens do curta-metragem foram realizadas durante as oficinas de artes, dança, canto e coral, violão, teatro e contação de histórias, que aconteceram ao longo de 12 meses. As aulas proporcionaram condições para o autoconhecimento dos alunos, assim como para o desenvolvimento da comunicação, das habilidades motoras e da percepção do mundo afora. Além das oficinas, o documentário relata importantes conquistas do projeto, como a apresentação de fim de ano no Teatro Municipal Procópio Ferreira,

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no Guarujá, que alcançou a lotação máxima de público. Os alunos participaram de todo o processo de criação do espetáculo, desde a elaboração do cenário até a adaptação do roteiro, que foi inspirado no conto Humildes, de Vicente de Carvalho, um dos imortais da Academia Brasileira de Letras. “A importância do projeto foi poder ver nossos alunos expressando-se pela dança, pelo conto, pela música, expressando-se de várias formas livremente em um espaço familiarizado, que é a instituição”, conta a diretora da APAE Guarujá, Mônica Aparecida Campos Lima. Aprovado via Ministério da Cultura, por meio da Lei Rouanet, o projeto e o documentário Curta Cultura com a Gente foram realizados pela ComTexto Cultural, produtora especializada na gestão de projetos culturais e sociais, com o patrocínio da Cutrale, empresa que tem um núcleo no Guarujá e acompanhou de perto todo o trabalho desenvolvido pelos profissionais que acreditam no poder transformador da cultura. Depois do sucesso da primeira edição, o projeto Curta Cultura com a Gente foi renovado para 2019. “Esperamos que neste ano o projeto seja novamente recheado de experiências positivas”, diz Júlia. O documentário também está disponível nas mídias sociais da ComTexto Cultural, produtora responsável pelo desenvolvimento da ação.


APAE EM DESTAQUE

APAE DE ITABERÁ REALIZA FESTIVAL DE TALENTOS

Mostra reuniu cerca de 150 pessoas para prestigiar os usuários da instituição

N

o dia 18 de abril, a APAE de Itaberá foi palco do 1º Festival de Talentos da instituição. O evento contou com apresentações de musicalização, representação artística, canto e dança e teve a participação, ao todo, de 34 usuários da APAE. A preparação para o festival começou um mês antes com os usuários da educação. Os professores pediram para que eles sugerissem o que gostariam de apresentar, e assim montaram os espetáculos. Os ensaios foram realizados durante o horário de aula. Ao todo, seis produções foram apresentadas. O objetivo do festival foi incentivar os usuários a descobrir suas habilidades, a fim de levá-los a desenvolver a capacidade de conquistar sua autonomia e autoestima (diálogos, poemas, teatro, música, dança ou desfile). Enfim, aperfeiçoar suas habilidades de recepção de informações transmitidas pela linguagem oral e corporal.

O FESTIVAL O salão da APAE ficou lotado. Cerca de 150 pessoas, entre familiares e comunidade, prestigiaram o evento. Para abrir o show, os professores também entraram na festa e se apresentaram para o público. Em seguida, o grupo Turma Feliz apresentou a Dança das Cores. Na sequência, o grupo Unidos pelo Amor agitou o público com um musical com o tema do Mestre André (Galinha Pintadinha) e com a música Deus é Deus (Delino Marçal). Na sequência, foi a vez do grupo Os Incríveis, animando a plateia com as músicas O Bebê (Kevinho e Mc Kekel), Tijolinho por Tijolinho (Enzo Rabelo) e Raridade (Anderson Freire). Gigantes da Arte foi o quarto grupo a se apresentar, e o destaque da noite, Alda e José Wilson, protagonizou a famosa dança do filme Dirty Dancing. Além disso, Amarildo apresentou seus desenhos. Os três conquistaram o primeiro lugar do festival. A quinta equipe, OFI Arte, entrou no ritmo da valsa e do vanerão (dança tradicional do Rio Grande do Sul). Fechando a noite, o grupo Unidos pela Diferença apresentou as músicas

Como Zaqueu (Regis Danese), Nem Tchum (Maiara e Maraísa) e Couro de Boi (Sérgio Reis) e também dançaram Michael Jackson e a Dança do Sapinho. “Para a APAE, o festival foi gratificante, ver que o público compareceu em peso, pois pudemos mostrar que os usuários, apesar das dificuldades que a deficiência causa, são talentosos e fazem bonito. Nosso objetivo foi utilizar a arte como instrumento de inclusão social”, conta a coordenadora pedagógica da APAE Adriana Nunes. O júri foi composto pela primeira-dama de Itaberá Telma Garcia, pela secretária de Educação do município Alexandra Cristina da Silva, pelo comerciante Antônio Neto, da representante da indústria agrícola Ana Umbelino e pelo presidente da Câmara Municipal Agnaldo Edson Tristão. Os critérios para a votação foram: figurino, reação do público e performance. APAE EM DESTAQUE • ANO 2019 • EDIÇÃO 22

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APAE EM DESTAQUE

USUÁRIOS DA APAE DE

ITAQUAQUECETUBA

PRODUZEM JORNAL

O jornal Apaexonados News estimula o trabalho em equipe, ensina o manuseio com os computadores e coloca em prática o conhecimento adquirido

A

sala de informática transforma-se em uma redação, os alunos em jornalistas, e dali surge um jornal com notícias diversas, que vão desde os eventos realizados na instituição a temas de notoriedade na imprensa nacional. O Apaexonado News, que nasceu em agosto de 2018, mantém toda a APAE atualizada com relação aos acontecimentos internos e também aos fatos externos, além de permitir aos usuários a aprendizagem da informática. O jornal, idealizado pelo psicólogo André Novaes e pelo professor de informática Gabriel Fernandes, nasceu com os intuitos de tirar a teoria do papel e de transformar o que é ensinado nas aulas em realidade. Ou seja, o conhecimento adquirido é usado no presente e não apenas no futuro, quando, por exemplo, os usuários estiverem no mercado de trabalho. “Nós estávamos

planejando uma forma de nossos alunos terem cada vez mais uma aprendizagem adequada, somando a questão do dia a dia, algo que fosse de fato funcional para eles e que não ficasse somente na teoria”, explica André. Democrático, o jornal conta com a participação de todos os alunos da informática. Aproximadamente 80 pessoas ajudam em alguma etapa produtiva do periódico, que até o momento tem tiragem mensal, haja vista que se estuda a impressão bimestral em uma gráfica. “Estão envolvidos todos os alunos da informática. Cada um participa de acordo com sua potencialidade, alguns tiram fotos, alguns escolhem as reportagens. Enfim, vamos aproveitando cada um dos alunos”, conta Novaes. Ainda de acordo com Novaes, como a oficina acontece semanalmente, cada turma escolhe uma pauta para desenvolver. “Quando algumas turmas não conseguem redigir o texto, elas escolhem o assunto e a outra escreve a matéria. Recentemente teve aquele massacre em Suzano, então a turma resolveu escrever sobre a questão para conscientização”, fala.

JORNAL QUE ENGAJA

Usuários durante produção do jornal

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Após a conclusão do jornal, ele é distribuído impresso e compartilhado via aplicativo para o público-alvo, que são a diretoria e colaboradores da APAE, empresas parceiras e principalmente os familiares. “Nós enviamos o periódico para os pais. Foi uma maneira que encontramos de aproximar as famílias da instituição. Por meio do projeto de empregabilidade, as empresas também recebem o jornal e sabem tudo o que está acontecendo. Com isso, temos o potencial de atrair novas parcerias para a APAE, de pessoas que queiram investir de alguma maneira na instituição”, conclui o psicólogo.


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ESCOLA DE EDUCAÇÃO INFANTIL DA APAE DE JAÚ COMPLETA QUATRO ANOS Parceria permite o atendimento de crianças com deficiência intelectual e múltipla de 0 a 5 anos e 11 meses na área da educação

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o ano de 2015, a APAE de Jaú firmou parceria com a Secretaria de Educação do município para atender crianças de 0 a 5 anos e 11 meses com deficiência intelectual, múltipla e Transtorno do Espectro Autista (TEA). A parceria tem como objetivo dar atendimento especializado a 35 usuários, oferecendo atividades que estimulem o desenvolvimento das potencialidades individuais, proporcionando oportunidades de acesso à educação básica e ampliação das habilidades acadêmicas funcionais e das competências. Além disso, o atendimento também busca o desenvolvimento das habilidades motoras, cognitivas, afetivas e sociais, possibilitando a inclusão social e pedagógica. Até 2015, as crianças dessa faixa etária na APAE de Jaú recebiam apenas o atendimento na área da saúde, e, graças ao empenho da instituição, passaram a ter o atendimento também na área da educação. Todo o esforço da instituição tem sido reconhecido pelos pais e pela própria Secretaria de Educação do município, haja vista que a procura pelo atendimento cresceu de 10 usuários em 2015 para 35 em 2019. “Neste ano de 2019, nós conseguimos aumentar uma turma. A Secretaria de Educação está gostando, porque estão aumentando as vagas”, conta Maria Helena Polonio Lima, diretora pedagógica da APAE.

BRINCADEIRAS QUE ENSINAM O trabalho é realizado por meio de atividades lúdicas e sensoriais, fundamentais para o desenvolvimento da criança. Por meio do brincar as

crianças começam a agir, aprendem a aceitar as atividades propostas, interagem entre si e adquirem liberdade para se expressar. Além disso, participam de atividades físicas, capoeira, dança, teatro, música, integrando dessa forma as áreas da saúde e assistência social. Os 35 usuários têm apresentado avanços significativos em seu desenvolvimento, principalmente no que diz respeito à socialização e à oralidade. “As turmas são compostas de cinco alunos, e a pedagoga da sala trabalha individualmente enquanto a monitora fica com os demais em alguma atividade em grupo. Nos momentos de jogos, brincadeiras pedagógicas e recreação, todos trabalham juntos. Cada aluno tem seu Plano de Ensino Individualizado, elaborado pelos professores após avaliação inicial, contando com o apoio técnico da equipe multiprofissional”, conclui a coordenadora.

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APAE SOROCABA

REALIZA ATIVIDADES EM PROL DA LUTA ANTIMANICOMIAL

Sarau, lançamento de livro e bate-papo sobre combate à exploração sexual de crianças e adolescentes fizeram parte da programação

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dia 18 de maio é marcado pela Luta Antimanicomial, e, como forma de apoiar a causa que visa à redução de longa internação em hospitais psiquiátricos, a APAE Sorocaba promoveu durante o mês de maio, na sede da instituição, diversas atividades gratuitas e abertas ao público.

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A programação teve início no dia 9, em uma ação integrada na Universidade de Sorocaba (UNISO). Foi realizada a oficina prática de Cozinha Experimental com a participação dos alunos da universidade, e a ação foi mediada pelos usuários da APAE. A oficina é conduzida diariamente pela técnica em nutrição da APAE Sorocaba Gabriela Maria da Cruz Silva, em parceria com a empresa especializada em produtos  alimentícios, a AB Brasil.


“A nossa oficina está funcionando há dois anos, e, com todo o repertório que os usuários adquiriram no desenvolvimento das atividades culinárias, decidimos publicar um livro totalmente acessível, visual e com comunicação alternativa”, explica a coordenadora técnica da APAE Sorocaba, Cátia Rocha. No dia 24, às 18h30, foi realizado um Sarau Cultural, que contou com a presença de artistas da cidade e dos usuários da APAE, que realizaram apresentações de dança e declamações de poemas. Ao todo, 60 pessoas participaram em 16 apresentações. Além delas, durante o Sarau cerca de 30 obras de arte foram expostas na APAE. Na ocasião, houve também o lançamento do livro de receitas Misturando as Gostosuras do Comilão, produzido pelos usuários que participam da oficina Cozinha Experimental. O exemplar traz quatro receitas de deliciosos doces, que podem ser feitos por quem tem pouca ou muita experiência na cozinha, pois a linguagem é dinâmica e, ainda, direcionada para pessoas com deficiência. Cátia frisa que todas as receitas são autorais e foram testadas nas aulas práticas. “Estamos em busca de parceiros que queiram

“QUEREMOS QUE AS PESSOAS COM DEFICIÊNCIA TENHAM A GARANTIA DO DIREITO DE FREQUENTAR OS ESPAÇOS PÚBLICOS SEM SOFRER NENHUM TIPO DE PRECONCEITO.”

custear as impressões dos livros e nos ajudar na divulgação”, destaca Cátia. Já no dia 28 de maio, às 13h, a terapeuta ocupacional Suzana Pêgo e a assistente social Camila Jurado, ambas profissionais da APAE Sorocaba, realizaram um bate-papo sobre a Reforma Psiquiátrica, que inclui a importância do Movimento Antimanicomial, e o combate à exploração sexual de crianças e adolescentes. “Queremos que as pessoas com deficiência tenham a garantia do direito de frequentar os espaços públicos sem sofrer nenhum tipo de preconceito. Esse diálogo com a sociedade é muito importante! Traz a possibilidade de transformar o olhar da população em torno das potencialidades da pessoa com deficiência”, afirma Cátia.

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PREVENÇÃO: HÁ 12 ANOS APAE DE LIMEIRA REALIZA CAMPANHA PARA ALERTAR SOBRE OS PERIGOS DO

ÁLCOOL NA GESTAÇÃO

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Objetivo é alertar a comunidade quanto aos perigos do consumo de álcool durante o período gestacional

onsumir álcool durante a gravidez traz inúmeros prejuízos ao desenvolvimento dos bebês. Isso não é novidade e já foi até mesmo comprovado cientificamente. Não importa a quantidade, tampouco o período gestacional, o consumo de álcool é altamente prejudicial. Nesse sentido, a APAE Limeira, por intermédio do Programa Centro de Ações Preventivas, há 12 anos realiza no mês de maio uma campanha que visa alertar o maior número de pessoas sobre os perigos do consumo do álcool na gestação. Para mobilizar a comunidade, o assunto é abordado em diversos espaços e de várias formas. A equipe da APAE visita cursos da área da saúde e consultórios médicos. E não para por aí, a campanha ganha evidência na comunidade por meio da parceria com a mídia local e da distribuição de materiais impressos com orientações técnicas específicas. “A gente faz palestras em cursos de gestantes, de formação de enfermeiros. Hoje mesmo estávamos em um curso de enfermagem grande aqui, capacitando os futuros profissionais que vão estar nos postos, nas unidades básicas de saúde (UBSs), lidando com essas mães gestantes. Fazemos visitas aos consultórios obstétricos e ginecológicos deixando fôlderes informativos para que essas gestantes tenham acesso às informações. São fôlderes e folhetos produzidos pela própria APAE”, explica Luciana Benedeti Lavoura, coordenadora da equipe de prevenção da APAE Limeira.

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“Essa campanha nasceu para alertar o maior número possível de pessoas sobre o perigo do álcool na gestação e, principalmente, informar que, hoje, ele é a principal causa ambiental de Deficiência Intelectual, e essa causa todos nós podemos prevenir, é uma questão de consciência. Por isso, o diferencial desse trabalho é que ele acontece fora da entidade”, diz Luciana. “Nosso trabalho incide não só na identificação dessas crianças, garantindo a elas acompanhamento especializado, mas fazendo com que as

“PARA MOBILIZAR A COMUNIDADE, O ASSUNTO É ABORDADO EM DIVERSOS ESPAÇOS E DE VÁRIAS FORMAS. A EQUIPE DA APAE VISITA CURSOS DA ÁREA DA SAÚDE, CONSULTÓRIOS MÉDICOS, ALÉM DE PARTICIPAR DE PROGRAMAS DE TELEVISÃO E RÁDIO. E NÃO PARA POR AÍ, A CAMPANHA GANHA EVIDÊNCIA NA COMUNIDADE POR MEIO DA PARCERIA COM A MÍDIA LOCAL E DA DISTRIBUIÇÃO DE MATERIAIS IMPRESSOS COM ORIENTAÇÕES TÉCNICAS ESPECÍFICAS.”


informações cheguem até a comunidade e especialmente até as gestantes, para que compreendam que gerar uma vida é um dos momentos mais lindos de uma mulher e que ele deve vir acompanhado de conhecimento e responsabilidades”, finalizou.

CONSEQUÊNCIA PARA TODA A VIDA Um dos pesquisadores mais atuantes na área, João Monteiro de Pina Neto, do Departamento de Genética da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto e que já participou de um programa de mapeamento genético na APAE Limeira, explica que em 1973 foi publicado, pela primeira vez, nos Estados Unidos, dados sobre os efeitos do álcool na gestação. “O álcool é hoje considerado o agente mais tóxico para o sistema nervoso central (SNC) tanto de adultos como principalmente dos fetos. Quando o álcool cruza a placenta, ele vai direto para o sangue fetal e se distribui para todos os tecidos e órgãos do feto, agindo de forma a induzir a destruição neuronal, provocando extensas lesões”, explica o pesquisador. Entre os danos ocasionados pelo consumo do álcool na gestação, é possível destacar a grande incidência de abortos espontâneos, retardo de crescimento intrauterino, trabalho de parto prematuro, microcefalia, más-formações renais, ósseas, cardíacas, de cerebelo, hipocampo e córtex pré-frontal, além daquela que é considerada uma das doenças com maior comprometimento neuropsiquiátrico em bebês de mulheres que beberam em excesso na gestação, a Síndrome Alcoólica Fetal (SAF).

A SAF refere-se a um conjunto de características e atrasos no desenvolvimento de crianças nascidas de mães que consumiram álcool durante a gravidez e é caracterizada principalmente por: dismorfismos faciais, déficit de crescimento, alterações do SNC associado à deficiência intelectual, entre outras. “Os indivíduos afetados pelo consumo do álcool na gestação também podem apresentar problemas comportamentais e de aprendizagem, hiperatividade, problemas de memória, atenção, concentração, linguagem, audição, dificuldades em solucionar problemas e conflitos interpessoais”, detalha João. Por essa razão, a Organização Mundial da Saúde é inflexível e tem como recomendação acerca do consumo do álcool no período gestacional uma só: nenhuma dose da ingestão de qualquer tipo de álcool durante toda a gestação.

Gestantes sendo orientadas sobre os perigos do álcool na gestação

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PRIMEIRA TURMA DO PROJETO JOVEM EM AÇÃO DA APAE DE POMPEIA COMPLETA 10 ANOS NO MERCADO DE TRABALHO Há 10 anos, usuários da APAE trabalham em grupo multinacional brasileiro e, segundo a empresa, desempenham bem suas funções empresa criou um curso profissionalizante, por meio da Escola Chieko Nishimura, para treiná-los a fim de atuarem como auxiliares de montadores. Os primeiros selecionados para o treinamento foram aqueles que faziam parte do Projeto Jovem em Ação. “Com muito orgulho, estamos acompanhando essa jornada de sucesso desses grandes guerreiros, que em agosto de 2019 completaram 10 anos de contrato com

Funcionários atuam há 10 anos no Grupo Jacto

A

o grupo, e sempre estimulando as turmas sucessoras e as futuras”, comemora Nair. Após essa primeira turma, outras cinco já se formaram.

APAE Pompeia tem muito a

Atualmente 26 usuários da APAE estão no mercado de

comemorar em 2019. Isso por-

trabalho no Grupo Jacto, outros dois na empresa Jazam

que, no mês de agosto deste ano,

Alimentos e um em um supermercado local. O trabalho

parte da primeira turma de alu-

para inserir os usuários no mercado de trabalho conti-

nos do Projeto Jovem em Ação,

nua. Atualmente quem oferece os treinamentos no con-

que nasceu em 2004 com o in-

traturno da APAE é o Serviço Nacional de Aprendizagem

tuito de preparar os usuários da

Industrial (Senai) Shunji Nishimura.

APAE para o ambiente profissional, completou 10 anos inseridos no mercado de trabalho. Desde 2009, seis usuários

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FUNCIONÁRIOS EXEMPLARES

ainda atuam no mesmo grupo empresarial, o Grupo Jacto.

De acordo com o Grupo Jacto, a presença dos fun-

A iniciativa de inserir usuários da APAE na organização

cionários, Flávia Lourenço Alves (37 anos), Michele

partiu do próprio grupo, que tem por objetivo contribuir

Francislaine Barbosa dos Santos Heldt (31 anos), Helen

para o desenvolvimento de seus colaboradores e da socie-

Francine Pires Santos (29 anos), Valdirene Moraes da

dade e, na ocasião, viu na APAE uma ótima oportunidade

Silva (40 anos), Fabiana Fernandes Nascimento (35 anos)

de parceria. Na época, a entidade foi convidada para vi-

e Rodinei Dias dos Santos (28 anos) é muito importante

sitar o local e levantar as áreas em que os usuários pode-

dentro da empresa no que diz respeito à inclusão social.

riam atuar. “Na visita notamos que eles poderiam produ-

“Somos muito gratos por fazer parte desse importante

zir igual aos outros e competir do mesmo jeito”, conta a

projeto. Essa parceria permite-nos desenvolver e preparar

diretora escolar Nair Nakamura Sakuma, que na ocasião

nossos colaboradores para a inclusão, além de oferecer

integrou a comissão que visitou a empresa.

oportunidade para todos. Estamos muito felizes em co-

Questionada sobre o que seria mais difícil para os fu-

memorar os 10 anos dessa primeira turma e de constatar

turos profissionais, a APAE informou que seria neces-

o quanto são produtivos e capazes no ambiente de tra-

sário que conhecessem com mais detalhes as ferramen-

balho”, conclui Emerson Branco, diretor de desenvolvi-

tas e suas funções. Com base nessa análise, a própria

mento pessoas e cultura organizacional do Grupo Jacto.

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AMOR E RESPEITO:

INGREDIENTES DE UMA VIDA DE DEDICAÇÃO À APAE DE VALINHOS Cecília Nardi Costa conta sobre três décadas de trabalho na instituição

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omemorar 30 anos de trabalho dentro de uma mesma instituição ou empresa não é para qualquer pessoa. Esse é o caso da monitora especializada da APAE de Valinhos, Cecília Nardi Costa, que festejou o marco com muita alegria no dia 13 de março. Durante as comemorações, Cecília recebeu muito carinho de todos os colaboradores da instituição, especialmente dos usuários, por quem ela tem dedicado sua vida. “Comecei na APAE em 1989 como atendente pedagógica a convite da Lucila Carvalho. Eu trabalhava com um grupo de seis usuários com maior gravidade, ficávamos no quiosque na sede da APAE na rua Itália e desenvolvia atividades orientadas pelas técnicas: fonoaudiólogas e terapeutas ocupacionais. Nessa época eu era responsável pela alimentação e pelos trabalhos com materiais do método Montessori”. Por 16 anos, Cecília ficou com esse grupo. Depois, com a criação do Centro de Capacitação Profissional Padre Leopoldo, na década de 1990, e a convite da terapeuta ocupacional Raquel Nanuncio, passou a desenvolver a oficina de tear. Em 2002, o seu trabalho foi acompanhar os usuários encaminhados para o mercado de trabalho. “Foram muitas e boas experiências. A primeira a ser encaminhada foi Elaine, uma jovem com Síndrome de Down que foi trabalhar na empresa Aurelice. Depois, vieram outros, que foram trabalhar em supermercados, comércio e várias empresas do município. Uma grande parceria foi com o Restaurante da Nona. Neste, três usuários estão até hoje: Ricardinho, João Manoel e Anderson”. Cecília fala da sua alegria em trabalhar na APAE, onde nunca foi advertida e também nunca  teve nenhuma indisposição com os usuários. “Aqui precisa

de muito amor e respeito. O que faço por eles aprendi com eles. Esses jovens são muito cobrados, sofridos da vida, e eles cobram isto de todos nós: respeito!”. “Nesses 30 anos da APAE aprendi muito, tenho os usuários e toda a equipe técnica e diretores como uma família. Alguns estão aqui desde que comecei. Eles cresceram, estão mais velhos e querem a nossa atenção e retribuem com beijos e abraços, um carinho muito grande e espontâneo”. Ela ainda destaca: “Fazer 30 anos é um prêmio. Nunca esperava que ficaria tanto tempo na APAE. Foi uma caminhada gratificante. Sou feliz aqui”, completa Cecília.

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ATIVIDADE PROMOVE VIVÊNCIA ENTRE PAIS E FILHOS NA APAE DE JUNDIAÍ Programa aproximou pais e filhos e ainda permitiu a eles conhecerem os objetivos de cada atendimento

O

papel da família é fundamental para o progresso da pessoa com deficiência, que precisa ser estimulada também fora da instituição. Por isso, a APAE de Jundiaí promove bimestralmente o Pais no Atendimento, uma atividade do Programa Atendimento Complementar. Trata-se de uma oportunidade aos familiares de vivenciar um dia de atendimento com seus filhos, promovendo o fortalecimento de vínculos, além de propiciar aos familiares uma chance para tirarem suas dúvidas e entender o objetivo dos atendimentos.

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A atividade, que teve seu último encontro realizado em março deste ano, foi realizada nas especialidades de pedagogia, psicopedagogia e fonoaudiologia, e na ocasião foram abordados diversos temas de acordo com essas especialidades, como: deficiência intelectual, dificuldade de aprendizagem, a comunicação e a expressão no Transtorno do Espectro Autista (TEA), linguagem e autonomia. A equipe responsável pelas atividades é composta de duas psicopedagogas, Juliana Mazzeto e Maria Aparecida Ferreira, e da fonoaudióloga Sara Bragile. “Os objetivos da atividade são estreitar a parceria entre pais e filhos, abordar temas que possam


ser trabalhados com ambos, de modo a esclarecer dúvidas, provocar reflexões e promover a discussão de ações para a melhora das relações e, por consequência, o desenvolvimento do indivíduo na sua totalidade”, explica Tatiana Cruz, coordenadora da APAE de Jundiaí. Os temas abordados pela pedagogia tinham como propósitos estimular os pais a ajudar os filhos no autoconhecimento e entender a deficiência e suas particularidades. Durante  as atividades, foram utilizados alguns recursos para fomentar a participação de todos, como a aplicação de um questionário e o jogo Conversinha. Já os grupos da psicopedagogia trataram vários objetivos, entre eles: incentivar os pais a estimular os filhos a melhorar as habilidades sociais e de comunicação e o pensamento crítico e criativo, bem como refletir sobre suas dificuldades e esclarecer sobre a deficiência intelectual. Além disso, a dificuldade na comunicação e expressão dos autistas, tema de grande relevância, também foi trabalhada no encontro. O  objetivo proposto foi discutir de que forma é possível melhorar a comunicação usando expressões faciais, avançando também na importância delas para o desenvolvimento das habilidades sociais. “Uma das principais características no TEA é o déficit na comunicação, em maior ou menor grau e de formas diversas. A família, geralmente, constitui papel importante acerca do espaço de comunicação, por ser a primeira instituição por meio da qual a criança tem acesso ao meio social”, explica Tatiana. Em função da parceria (Termo de Colaboração) que a APAE possui com a Prefeitura de Jundiaí, os alunos que frequentam a rede municipal de ensino com diagnóstico de Deficiência Intelectual (DI), TEA e transtornos específicos do desenvolvimento das competências escolares foram incluídos nas atividades que visam expandir as habilidades pedagógicas, sociais e emocionais. Os  atendimentos são ofertados no contraturno escolar, nas especialidades de pedagogia, psicopedagogia e fonoaudiologia, além de atendimento médico em neurologia. “Dessa forma, foram passadas orientações de como os atendimentos e a família podem atenuar a dificuldade, incentivando e motivando o aluno a enfrentar esse desafio”, fala Tatiana.

“OS OBJETIVOS DA ATIVIDADE SÃO ESTREITAR A PARCERIA ENTRE PAIS E FILHOS, ABORDAR TEMAS QUE POSSAM SER TRABALHADOS COM AMBOS, DE MODO A ESCLARECER DÚVIDAS, PROVOCAR REFLEXÕES E PROMOVER A DISCUSSÃO DE AÇÕES PARA A MELHORA DAS RELAÇÕES E, POR CONSEQUÊNCIA, O DESENVOLVIMENTO DO INDIVÍDUO NA SUA TOTALIDADE.”

LINGUAGEM E COMUNICAÇÃO Os grupos de fonoaudiologia tinham como objetivos discutir a importância da linguagem para a autonomia e auxiliar os pais a estimular a linguagem em atividades práticas do convívio familiar. Para isso, foram utilizados como recursos: papel sulfite, lápis, cola, tesoura e diversas figuras (alimentos e brinquedos). Ainda de acordo com Tatiana, as famílias tiveram boa participação tanto na discussão inicial quanto na conclusão da atividade. Reconheceram que é necessário encontrar meios para estabelecer uma boa relação com seus filhos, seja por meio de atividades lúdicas, seja nas atividades diárias ou comportamentais. “Relataram a princípio apenas a fala como meio de comunicação. Ao término da atividade, identificaram outras formas e quão importantes e amplas são as formas de comunicação e que é por meio desta que entram em contato com os desejos e as vontades de seus filhos”, conclui.

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MÃE E USUÁRIO DA APAE DE PIRAJU SÃO HOMENAGEADOS NA CÂMARA MUNICIPAL DE SÃO PAULO Em função da inclusão social por meio da prática de muay thai, Ramon, Maristela e o treinador Boinha receberam a premiação na câmara paulistana

“ELE MELHOROU MUITO SUA COORDENAÇÃO MOTORA E SEU PREPARO FÍSICO, ALÉM DE ESTAR APRIMORANDO SUA INTERAÇÃO INTERPESSOAL.”

O

esporte pode transformar vidas. Foi o que aconteceu com Ramon Pozza, de 19 anos, usuário da APAE de Piraju. O jovem possui Síndrome de Down e há três anos começou a praticar a arte marcial muay thai. Desde então, além da rotina, a sua qualidade de vida também mudou. Tudo começou quando Ramon encontrou o atleta Luciano Lopes, conhecido como Boinha, em um

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casamento. Boinha é uma referência do muay thai brasileiro, detentor de dez cinturões e participou de 76 lutas nacionais e internacionais. Por causa desse currículo, Ramon era seu fã e quando o viu no casamento foi correndo abraçá-lo. “A mãe de Ramon, Maristela Pozza, sempre o levava nos meus treinos e em algumas lutas, mas não tínhamos muito contato. Quando nos encontramos no casamento, ela disse que ele era meu fã, e por isso eu ofereci uma bolsa para ele no meu centro de treinamento”, conta Boinha. O Centro de Treinamento Boinha (CTB) não é voltado para a prática de combates, o foco é na preparação física e no desenvolvimento de técnicas do muay thai. Ramon frequenta as aulas três vezes por semana e, segundo Boinha, seu desenvolvimento é notável. “Ele melhorou muito sua coordenação motora e seu preparo físico, além de estar aprimorando sua interação interpessoal”, conta Boinha.

MÃE Por trás do desenvolvimento de Ramon, existe uma personagem fundamental, Maristela Pozza, sua mãe. Desde o nascimento, ela sempre buscou oferecer o máximo de assistência para que, apesar da deficiência, seu filho pudesse ter uma vida autônoma e próspera. Quando nasceu, Ramon morava em São Paulo e com 2 meses começou a frequentar a APAE de São Paulo. Com 3 anos, ele se mudou para Piraju e passou a frequentar a APAE do município. “Eu dou trabalho para a APAE [risos], não saio de lá. Faço artesanato e tento ajudar no que posso. Ramon vai todos os dias, lá é nossa segunda casa”, conta Maristela. Segundo Maristela, o muay thai é fundamental na vida de Ramon. “Depois do esporte, ele


“DEPOIS DO ESPORTE, ELE COMEÇOU A SE SENTIR IMPORTANTE E SEU DESEMPENHO FÍSICO MELHOROU MUITO. BOINHA É UMA REFERÊNCIA PARA RAMON, ELE O ADORA.”

começou a se sentir importante e seu desempenho físico melhorou muito. Boinha é uma referência para Ramon, ele o adora”, explica a mãe. Para realizar o sonho do filho de praticar muay thai, Maristela tem de percorrer a pé, juntamente com o menino, cerca de 10 km por dia. Ela é toda orgulhosa do filho, filma todos os treinos, posta vídeos nas redes sociais e mostra-os sempre para os familiares.

HOMENAGEM No dia 23 de março, a Federação Paulista de Muay Thai foi homenageada pela Câmara Municipal de São Paulo. Entre os diretores da federação, está Boinha, treinador de Ramon. Boinha iria ser homenageado pela dedicação de uma vida ao esporte, e o presidente da federação que acompanha o trabalho do treinador resolveu estender as homenagens a Ramon e a sua mãe, Maristela, como reconhecimento da luta pela inclusão social da pessoa com deficiência. “O responsável de São Paulo (da Federação Paulista de Muay Thai) estava acompanhando minhas postagens no Facebook e, com isso, ele nos chamou para participar também. Quando Boinha me contou, fiquei paralisada. Já Ramon ficou muito animado”, conta Maristela. O evento aconteceu no salão nobre da Câmara Municipal de São Paulo. Além dos homenageados, também estavam presentes a presidente da APAE de Piraju, Elza Maria Scotti, e o assistente social da instituição, José Igor Vicente Maximiano. “Foi muito importante essa premiação, porque mostra que nossa entidade está no caminho certo para a inclusão, equidade, respeito e superação para com a pessoa com deficiência”, finaliza Elza.

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PROJETO DA APAE DE SÃO ROQUE TRABALHA EXPRESSÕES CULTURAIS AFRO-BRASILEIRAS: CAPOEIRA E MACULELÊ Além de cultural, o projeto auxilia no desenvolvimento físico e intelectual dos usuários da instituição 30

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“O PROJETO ESTIMULA O SENTIMENTO DE PERTENCIMENTO, O QUE FAVORECE O FORTALECIMENTO DOS VÍNCULOS FAMILIARES E A SOCIALIZAÇÃO E CONVIVÊNCIA COMUNITÁRIA.”

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xpressão cultural hoje, a capoeira surgiu no Brasil como uma forma de resistência dos escravos trazidos da África na época colonial e é caracterizada por seus movimentos ágeis e harmoniosos, em ritmo de música. Já foi vista como prática violenta, porém em 1930 o mestre Bimba fez uma apresentação da luta para o então presidente  Getúlio Vargas, que a transformou em esporte nacional brasileiro. Foi a fim de utilizar o esporte e a cultura brasileira para promover a inclusão social e ampliar a qualidade de vida e o desenvolvimento dos usuários da APAE de São Roque, que em 2001 o professor Valério da Silva Andrade, conhecido como Baiano, idealizou o projeto Capoeira Especial, iniciativa que procura ensinar as técnicas do esporte para os usuários da instituição. “O projeto Capoeira Especial é algo diferenciado no cotidiano de nossos usuários. Ele visa a promoção do trabalho social com as famílias, o resgate da cultura e habilidades. O projeto estimula o sentimento de pertencimento, o que favorece o fortalecimento dos vínculos familiares e a socialização e convivência comunitária”, conta a assistente social da APAE Marinalda de Andrade. Atualmente cerca de 300 usuários entre 9 e 65 anos participam do projeto, que acontece todas as segundas e quartas-feiras na quadra da instituição. “Quando eu comecei, eu era o único na região que ensinava a capoeira na APAE, para pessoas com deficiência. Com o tempo, percebemos que a prática da atividade física estava tendo resultados com os usuários. Alguns estavam conseguindo levantar mais a perna, outros passaram a ter mais jinga, e assim outras APAES da região começaram a adotar o esporte”, explica Valério.

EVENTOS Ao todo, hoje são três APAES da região que possuem professores de capoeira, e, segundo Valério, eles realizam festivais em conjunto.

Nos festivais, por meio de patrocínio, todos os participantes são premiados: cada atleta ganha uma medalha e cada equipe um troféu. Para Valério, assim todos se sentem parte do evento. “Quando é competição, eles ficam mais agitados e não participam como deveriam”, explica. Além dos festivais, também são realizados eventos em datas comemorativas. Este ano, em comemoração ao Dia Internacional da Síndrome de Down, 21 de março, ocorreu uma apresentação na praça central de São Roque, para que a população conhecesse o trabalho desenvolvido pela instituição.

MACULELÊ Além da capoeira, o maculelê, manifestação cultural afro-brasileira, também é trabalhado na APAE de São Roque. Originário de Santo Amaro da Purificação, cidade do estado da Bahia, berço também da capoeira, o maculelê é uma expressão teatral que conta, por intermédio da dança e de cânticos, a lenda de um jovem guerreiro que, sozinho, conseguiu defender sua tribo de outra tribo rival usando apenas dois pedaços de pau, tornando-se o herói da tribo.  A expressão teatral é encenada pelos usuários da APAE e apresentada em diversas escolas do município. “O maculelê é fantástico, as escolas solicitam bastante a apresentação da APAE. Vamos a diversas regiões do município”, finaliza Valério.

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APAE DE ILHA COMPRIDA INAUGURA PADARIA ARTESANAL MÃO NA MASSA O projeto faz parte do programa de qualificação profissional do Fundo Social de São Paulo

para a produção dos pães, como fornos e fogões industriais. Para realizar a instalação, a APAE adaptou o espaço ao lado da cozinha e do refeitório. “É uma alegria poder proporcionar aos usuários um espaço e instalações adequados para a produção dos pães. Para nós, é uma conquista muito grande, a realização de mais um sonho”, conta a presidente da instituição, Marilza Gomes da Rocha Nunes.

O PROJETO

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o dia 8 de maio a APAE de Ilha Comprida promoveu a cerimônia de inauguração da padaria artesanal Mão na Massa. O cerimonial foi realizado pelo usuário da instituição Feliphe John, de 19 anos. A viabilização do espaço foi uma iniciativa dos professores Thiago Cunha Baptista e Sandra Bianchini de La Fuente e da assistente social Flávia Denari e tornou-se realidade por meio do programa de qualificação profissional do Fundo Social de São Paulo e do apoio de verbas provenientes do poder judiciário, do município e de comerciantes de Ilha Comprida. A APAE já tinha o projeto de padaria, porém o espaço era amador. A mudança começou quando Flávia fez a inscrição dela e dos professores no curso de 8 horas de pães artesanais do Fundo Social. Com a certificação, eles solicitaram a instalação e o kit de padaria artesanal, que continha os equipamentos necessários

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A padaria artesanal Mão na Massa tem por objetivo, por meio da produção de pães, a elevação da autoestima dos usuários, pois ao produzirem os pães eles se sentem capazes e pertencentes à sociedade. “Acreditamos que a produção de pães pode desenvolver o gosto pelo empreendedorismo social, em que o maior objetivo não é gerar lucro financeiro, mas promover mais qualidade de vida das pessoas que estão envolvidas”, conta a assistente social. Atualmente 19 usuários de 14 a 46 anos participam do projeto. Eles fazem parte de todas as etapas da produção, desde higienização dos utensílios e da padaria até preparo da receita, embalagem dos pães e venda. O projeto acontece todas as quartas-feiras no período da manhã, e em média são produzidos 30 pães, que são comercializados dentro da APAE para familiares e funcionários e em estabelecimentos públicos municipais, como prefeitura e câmara municipal. “Para a venda, nós revezamos entre os usuários. Cada semana vão três ou quatro, para eles aprenderem a somar e também para promover a inclusão social. E acaba sendo divertido, pois eles saem da instituição e vão conversar com diversas pessoas, e isso também ajuda na desenvoltura deles”, afirma Flávia. Durante a oficina, são feitos pães diversos, rosca estrela e esfirras. A intenção é ampliar a


“É UMA ALEGRIA PODER PROPORCIONAR AOS USUÁRIOS UM ESPAÇO E INSTALAÇÕES ADEQUADOS PARA A PRODUÇÃO DOS PÃES.”

produção. Os responsáveis estão estudando a viabilidade de levar alguns usuários para participarem do curso de panetone, realizado também pelo Fundo Social de São Paulo. “Queremos levar os usuários no fim do ano para fazerem o curso de panetone, pois assim eles terão a certificação, e, além do pão ser inserido no nosso cardápio, também poderemos promover a inclusão no mercado de trabalho”, explica a assistente social. O cardápio preparado pelos usuários atualmente é baseado nas receitas da apostila do Fundo Social,

que os responsáveis receberam no curso realizado em São Paulo. Porém em algumas ocasiões eles produzem outros alimentos, como rocambole salgado. Segundo Flávia, os produtos são pensados com base na facilidade de produção. No momento, a receita total das vendas da padaria retorna ao custo de produção dos pães, objetivando a continuidade e a sustentabilidade do projeto, sendo fundamental para a produção. Com o tempo, a equipe da APAE pretende reservar uma porcentagem da receita em um fundo para levar os usuários para um passeio.

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CAPA

FEAPAES-SP FEAPAES-SP FECHA PARCERIA PARCERIA COM COM A CAIXA CAIXA PARA PARA A BENEFICIAR BENEFICIAR APAES PAULISTAS PAULISTAS APAES Facilidadeda dadoação, doação,que que não não solicitará solicitará Facilidade cadastramentoprévio prévio ao ao doador, doador, cadastramento estáentre entreas asvantagens vantagens da da parceria parceria está

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Cristiany de Castro com os representantes da CAIXA, Alexandre Nalon de Mattos e Cássio Ramos Neves

A

Federação das APAES do Estado de São Paulo (FEAPAES-SP) fechou uma importante parceria com a CAIXA, um dos maiores bancos da América Latina, para beneficiar as APAES paulistas. A assinatura do contrato aconteceu no dia 5 de junho, na sede da Federação Estadual. A nova forma de mobilização de recursos fortalecerá as APAES no que diz respeito ao custeio de seus serviços e na melhoria dos atendimentos. Além disso, a parceria permitirá que as pessoas com deficiência tenham mais qualidade de vida e seus direitos garantidos. “As APAES não conseguem sobreviver apenas com os repasses do governo, elas precisam buscar novas formas de recursos para pagarem seus funcionários e manter seus programas sociais. O próprio mercado tem exigido que sejamos criativos e inovadores na forma de mobilizar recursos. Não podemos depender de uma ou duas formas de mobilização, e a FEAPAES-SP tem se empenhado em buscar novos parceiros, garantindo assim a continuidade dos serviços de nossas APAES”, explica a presidente da FEAPAES-SP, Cristiany de Castro.

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De acordo com a superintendente da FEAPAES-SP, Fernanda Gomes, que esteve à frente das negociações para o fechamento da parceria, trata-se da associação de duas marcas fortes, APAE e CAIXA, unidas em prol da pessoa com deficiência. Graças a essa união de forças, milhares de pessoas terão suas vidas impactadas com a doação dos consumidores que utilizam a rede da Caixa. “Fechar essa parceria foi um avanço importante no que diz respeito à sustentabilidade das APAES. A Federação tem nos últimos anos concentrado grande energia na busca de parceiros fortes que venham a somar com o movimento apaeano paulista e estamos colhendo os frutos desse trabalho”, destaca Fernanda.

FORMAS DE DOAÇÃO A grande quantidade de canais de atendimento da CAIXA, presente em todo o território do estado de São Paulo, permitirá que mais pessoas tenham a oportunidade de colaborar com as APAES, sem ter de se deslocar até uma unidade. A doação poderá ser feita na rede lotérica, correspondentes CAIXA Aqui, internet banking CAIXA e terminais de autoatendimento (caixas eletrônicos). Além disso, o doador é quem decidirá o valor a ser doado para as APAES paulistas e não precisará fornecer nenhum


dado pessoal previamente. O Cadastro de Pessoa Física (CPF) é informado somente na hora, facilitando e desburocratizando o ato de doar. “Sabemos que muitas pessoas possuem o desejo de contribuir com as APAES, pois sabem do trabalho importante que realizamos em prol da pessoa com deficiência, e também conhecem a idoneidade da instituição, mas, na correria do dia a dia, acabam não conseguindo entrar em contato com uma unidade para informar-se sobre as maneiras de contribuir. Agora, ficará mais fácil, pois, além da grande quantidade de canais de atendimento disponíveis, a pessoa poderá fazer a doação da sua própria casa, por meio do internet banking CAIXA”, explica a superintendente da FEAPAES-SP. O superintendente regional da CAIXA Henrique Holtz Júnior também destacou a relevância social e negocial da parceria. “Com esse serviço, a APAE, além de potencializar a conquista de doadores não habituais, terá redução de custos na captação de recursos e por outro lado, os ganhos da Caixa são tanto em receita sobre a prestação de serviços quanto em imagem perante a sociedade”, destacou. As doações serão destinadas à APAE em que se localiza o canal. As APAES que atendem a mais de um município, após comprovação da FEAPAES-SP, também terão direito às arrecadações realizadas nesses municípios. Os recursos advindos de cidades que não são atendidas por APAES serão revertidos ao Fundo de Projetos, programa da FEAPAES-SP que destina recursos no valor de R$ 20 mil às APAES por meio da apresentação de projetos sociais.

A CAMPANHA DE DIVULGAÇÃO O departamento de comunicação da FEAPAES-SP preparou todo o material para a realização da divulgação da parceria, com o objetivo de mobilizar o maior número possível de doadores. Estão sendo produzidas peças para uso on-line e off-line. Todo o material será disponibilizado às APAES, que terão a responsabilidade de propagar a informação na sua região de atendimento, por meio de suas redes sociais, site e outros. O material de divulgação é composto de banner para site, capa e posts para mídias sociais, cartaz, fôlderes e release para a imprensa. Além disso, a FEAPAES-SP disponibilizará um manual, explicando detalhadamente como as APAES devem trabalhar cada um desses itens. “Vamos disponibilizar todo o material de divulgação para as APAES e as orientações de como utilizar cada peça publicitária. Será de extrema

“AS APAES NÃO CONSEGUEM SOBREVIVER APENAS COM OS REPASSES DO GOVERNO, ELAS PRECISAM BUSCAR NOVAS FORMAS DE RECURSOS PARA PAGAREM SEUS FUNCIONÁRIOS E MANTER SEUS PROGRAMAS SOCIAIS. O PRÓPRIO MERCADO TEM EXIGIDO QUE SEJAMOS CRIATIVOS E INOVADORES NA FORMA DE MOBILIZAR RECURSOS. NÃO PODEMOS DEPENDER DE UMA OU DUAS FORMAS DE MOBILIZAÇÃO, E A FEAPAES-SP TEM SE EMPENHADO EM BUSCAR NOVOS PARCEIROS, GARANTINDO ASSIM A CONTINUIDADE DOS SERVIÇOS DE NOSSAS APAES.”

importância que todas as nossas filiadas sigam corretamente as orientações para que a parceria gere, de fato, recursos para as APAES”, completa Fernanda.

BOAS EXPECTATIVAS As APAES receberam com entusiasmo a notícia de que terão uma nova forma de mobilização de recursos. Para Marcia Gianoti, presidente da APAE de Votuporanga, a parceria permitirá que as APAES conquistem um público a que eles não têm acesso por meio de suas promoções e eventos, por conta da penetração que a CAIXA tem no país. “Eles (CAIXA) têm todos os elementos possíveis para convencerem as pessoas a fazer a destinação. Eu acredito muito, acho extremamente positiva essa iniciativa e estou acreditando que vai ser muito bom para todas as APAE de modo geral”, explica. Além disso, a parceria dará às APAES novo fôlego no que diz respeito ao financiamento de seus projetos sociais e ao pagamento de mão de obra. “A parceria firmada entre a FEAPAES-SP e a CAIXA vem ao encontro das necessidades que as APAES enfrentam para manter os projetos e custear a folha de pagamento. Por meio dessa forte parceria, muitos benefícios serão revertidos às pessoas com deficiência, e as APAES serão fortalecidas. Só temos a agradecer a FEAPAES-SP, que tem tido grande empenho em buscar parcerias para garantir a continuidade e qualidade dos serviços das APAES”, conclui Maura Guerreiro, diretora da APAE de Catanduva.

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FRENTE PARLAMENTAR MISTA EM DEFESA DAS APAES É RELANÇADA NA CÂMARA DOS DEPUTADOS Presidente da FEAPAES-SP, Cristiany de Castro, atuará como secretária executiva da Frente Parlamentar, que irá trabalhar na defesa e garantia de direitos da pessoa com deficiência

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o dia 23 de maio, aconteceu em Brasília a solenidade de relançamento da Frente Parlamentar Mista em Defesa das APAES. A Frente Parlamentar, que é presidida pelo deputado federal Márcio Alvino (PR-SP), trabalhará nas articulações para defesa e garantia de direitos das pessoas com deficiência intelectual e múltipla no âmbito federal. O evento reuniu autoridades do movimento apaeano de todo o Brasil. O estado de São Paulo compareceu em peso, cerca de 30 pessoas representaram as regiões paulistas. O relançamento começou às 9h30 no Auditório Freitas Nobre, da Câmara dos Deputados. Durante a

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solenidade foram apresentadas as articulações que a Frente Parlamentar já está realizando e também ações futuras. Ao todo, a frente já possui adesão de 205 deputados federais e seis senadores, colegiado que buscará, entre outras ações, atuar na inclusão social da pessoa com deficiência e na fiscalização de políticas públicas nesse âmbito. No ato de relançamento, além da definição de Márcio Alvino como presidente da Frente Parlamentar, foi escolhido o deputado Eduardo Barbosa como coordenador e vice-presidente. “Eu estou muito feliz em poder participar da Frente Parlamentar, e, com o apoio do Dr. Eduardo Barbosa, que está há mais de 30 anos no movimento, vamos fazer a diferença nas articulações de defesa e garantia de direitos da pessoa com deficiência”, explica Marcio Alvino.

OBJETIVOS O relançamento da Frente Parlamentar Mista em Defesa das APAES foi pautado em cinco objetivos macros. São eles: 1. Promover as medidas necessárias para o apoio às ações das APAES; 2. Atuar na integração e na inclusão social da pessoa com deficiência, na elaboração e fiscalização de políticas públicas que atuem nesse âmbito;


3. Realizar debates, simpósios, seminários e outros eventos pertinentes, divulgando seus resultados; 4. Desempenhar esforço conjunto para que o trabalho das APAES possa alcançar seu objetivo, buscando também a viabilização de recursos para atender as suas demandas; 5. Contribuir para a integração da escola, da família e da comunidade no âmbito da atividade desempenhada pelas APAES.

REPRESENTAÇÃO DAS APAES PAULISTAS A presidente da FEAPAES-SP, Cristiany de Castro, foi indicada como secretária executiva da Frente Parlamentar por sua experiência no trabalho em prol da inclusão da pessoa com deficiência. Cristiany afirmou que vai utilizar toda a experiência adquirida na defesa das APAES e no seu trabalho como advogada e presidente da FEAPAESSP para dinamizar as atividades e obter conquistas que facilitem o trabalho de inclusão social e, principalmente, a manutenção das entidades que lutam com dificuldades para prestarem um serviço de qualidade para todos os usuários. Uma das grandes incentivadoras do relançamento da Frente Parlamentar, Cristiany de Castro declarou o empenho da frente em favor do movimento apaeano do Brasil para realizar as

“PROPOMO-NOS AQUI A DEFENDER PERMANENTEMENTE QUE O PRINCÍPIO CONSTITUCIONAL DA DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA ALCANCE TODAS AS PESSOAS COM DEFICIÊNCIA.”

defesas necessárias em prol das pessoas com deficiência intelectual e múltipla atendidas pelas mais de 2.100 APAES em todo o Brasil. “Se não fossem as APAES, muitas dessas 350 mil pessoas atendidas diariamente não teriam uma vida digna”, afirmou a presidente da FEAPAES‑SP, acrescentando conhecer os grandes desafios. “Propomonos aqui a defender permanentemente que o princípio constitucional da dignidade da pessoa humana alcance todas as pessoas com deficiência”. O deputado federal Márcio Alvino, que representa o estado de São Paulo na Câmara dos Deputados, assumiu o compromisso de trabalhar em prol das 305 APAES paulistas. “Eu coloquei como meta no meu segundo mandato ajudar as 305 APAES do estado de São Paulo e ajudar todas as APAES do Brasil em temas nacionais”, afirma o deputado.

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UNIÃO COM PESTALOZZIS E COIRMÃS A Frente Parlamentar incluiu também as Pestalozzis nas articulações de defesa e garantia de direitos das pessoas com deficiência. A Sociedade Pestalozzi do Brasil é uma instituição análoga às APAES, pois ambas trabalham em prol da inclusão social. “Eu conversei com Márcio e comunicamos a José Turozi, presidente da Federação Nacional das APAES (FENAPAES), que nós seremos Frente Parlamentar em Defesa das APAES e das Pestalozzis. Desde a fundação da primeira APAE, em 1954, sempre tivemos a parceria dos presidentes das federações das Pestalozzis, então não faria sentido não ter essa união”, conta o deputado federal Eduardo Barbosa.

ARTICULAÇÕES A Frente Parlamentar apresentou emendas constitucionais a respeito do texto da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) nº 6/2019, que diz respeito à reforma da previdência. As emendas são relacionadas às mudanças propostas ao Benefício de Prestação Continuada (BPC), aposentadoria especial, auxílio inclusão e pensão por morte. “O texto da reforma da previdência é muito complicado. Estou estudando-o, juntamente com meus assessores, já há algum tempo e ainda temos muito para compreender. Entendemos que, apesar de ela afetar privilegiados, também afeta a população mais pobre. Por isso, apresentamos as emendas que alteram quesitos que afetam as pessoas com deficiência”, afirma Eduardo Barbosa.

“SE NÃO FOSSEM AS APAES, MUITAS DESSAS 350 MIL PESSOAS ATENDIDAS DIARIAMENTE NÃO TERIAM UMA VIDA DIGNA.”

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FEAPAES-SP LANÇA PLATAFORMA DE CURSOS EAD, O UNIAPAE-SP

Instituto oferecerá formação complementar de excelência, ministrados por renomados profissionais do terceiro setor do cenário nacional e internacional.

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Federação das APAES do Estado de São Paulo (FEAPAES-SP), deu um importante passo no que diz respeito a capacitação de suas filiadas, isso porque no segundo semestre de 2019, lançou o UNIAPAE-SP com o intuito de difundir o conhecimento entre os profissionais das APAES, famílias e demais organizações sociais que atuam no terceiro setor, bem como a todos que se interessam por conteúdos voltados ao segmento social. O Instituto nasceu com o objetivo de servir de campo de formação, treinamento e fomentar os meios para a pesquisa científica e disseminar publicações que promovam o conhecimento acerca do universo da pessoa com deficiência e demais temas sociais. “Queremos que UNIAPAE-SP seja um importante canal de ampliação do conhecimento, do debate e também de acesso a conteúdos científicos, que abraçam os anseios do terceiro setor”, conclui Cristiany de Castro, presidente FEAPAES-SP e idealizadora do projeto no estado de São Paulo

“UMA OPORTUNIDADE DE APRENDER A ELABORAR UM PROJETO EFETIVO COM A GARANTIA DE TODO O CONHECIMENTO DA FEAPAES. UM CONTEÚDO FUNDAMENTAL PARA QUEM TRABALHA NO TERCEIRO SETOR ATUALMENTE.”

Cristiany de Castro afirma que o UNIAPAE-SP será um importante canal de ampliação do conhecimento para o terceiro setor

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“QUEREMOS QUE UNIAPAE-SP SEJA UM IMPORTANTE CANAL DE AMPLIAÇÃO DO CONHECIMENTO, DO DEBATE E TAMBÉM DE ACESSO A CONTEÚDOS CIENTÍFICOS, QUE ABRAÇAM OS ANSEIOS DO TERCEIRO SETOR.”

PRIMEIRO CURSO O primeiro curso do Instituto: Elaboração e Gestão de Projetos Sociais já está disponível no portal do UNIAPAE-SP. Trata-se de uma excelente oportunidade para as instituições conhecerem mais a fundo, as etapas para a elaboração de um projeto. “Uma oportunidade de aprender a elaborar um projeto efetivo com a garantia de todo o conhecimento da FEAPAES. Um conteúdo fundamental para quem trabalha no terceiro setor atualmente”, explica Taciana Lopes Bertholino, professora do curso. E não para por aí, outras capacitações já estão previstas para acontecer até o final deste ano, entre elas Avaliação Diagnóstica, Programa Emprego Apoiado – Implantação e Acompanhamento e Fundamentos da Educação Especial. Os cursos, oferecidos em uma plataforma de ensino à

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distância, possuem suas temáticas definidas por meio de pesquisas, que visam identificar as principais dificuldades e necessidades dos profissionais do terceiro setor. Segundo a coordenadora do Instituto UNIAPAESP, Adriana Ferreira, o conteúdo ofertado será sempre estruturado de acordo com as demandas do terceiro setor. “Nós vamos lapidar os temas de acordo com o que esse profissional vai precisar de aporte teórico e o que se tem de dificuldade no dia a dia para que ele consiga aplicar esse conhecimento na prática”, afirmou. Além das aulas gravadas por professores especializados no terceiro setor, o Instituto conta ainda com fóruns de discussão, acervo de informações, conteúdos informativos no site, parcerias de intercâmbio técnico-científico e acadêmico com instituições de ensino e pesquisa ao redor desse tema.


FEAPAES EM REVISTA

COMEÇA SEGUNDO CICLO DO APAE EXCELÊNCIA Programa tem como objetivo a melhoria contínua dos atendimentos das 305 APAES do estado de São Paulo

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programa APAE Excelência, uma ação da Federação das APAES do Estado de São Paulo (FEAPAES-SP), deu um importante passo no que diz respeito à busca pela qualidade do atendimento prestado pelas APAES. O programa entrou em 2019, no seu segundo ciclo, com algumas novidades que visam atender às mudanças no cenário que envolve as APAES. Para contribuir com o planejamento do novo ciclo do programa, a FEAPAES-SP formou uma comissão com os intuitos de estudar e propor melhorias para o programa. O grupo foi formado por profissionais da FEAPAES-SP e de algumas APAES paulistas: Eliane Trevisan (APAE Campinas), Simone Follador (APAE Monte Alto), Maria Thereza (APAE Nova Odessa), Ernestina Assunção (APAE Franca), Elizabeth Bueno (APAE Caieiras), Roseli Marinho (APAE Mogi Mirim), Flávia Catanante (FEAPAES-SP), Aline Lima (­FEAPAES-SP), Elaine Lemos (FEAPAES-SP), Lucila Castro (FEAPAESSP), Cíntia Faccirolli (FEAPAES-SP) e Fernanda Gomes (FEAPAES-SP). Para a presidente da FEAPAES-SP, Cristiany de Castro, o APAE Excelência é uma ferramenta importante no que diz respeito ao aperfeiçoamento contínuo dos serviços prestados pela rede APAE. “Somos referência no atendimento à pessoa com deficiência intelectual e múltipla, e para que continuemos nesse patamar de qualidade é preciso que estejamos sempre atentos, em constante estudo e aprimoramento”, afirma.

ETAPAS DO APAE EXCELÊNCIA A primeira etapa do programa, que se refere à aplicação do questionário, nas áreas da educação, assistência social, saúde e gestão, tem como objetivo realizar um diagnóstico dos serviços prestados pelas APAES, visando fortalecer o movimento

social e garantir o direito da pessoa com deficiência. Posteriormente à aplicação, o relatório do questionário aplicado, contendo as não conformidades e oportunidades de melhorias com notas explicativas, será disponibilizado de maneira eletrônica para as APAES. A segunda etapa será constituída da realização de eventos nos 23 conselhos, com o objetivo de capacitar os profissionais das APAES em assuntos específicos, contemplando a troca de experiências e realidades. A terceira e última etapa será o assessoramento. Nessa fase, a equipe da qualidade da FEAPAES-SP fará visitas in loco nas APAES que apresentarem nível abaixo da média ponderada referente aos dados levantados na primeira etapa. As visitas acerca da aplicação do questionário começaram no mês de fevereiro de 2019 e devem seguir até o primeiro semestre de 2020. No segundo semestre de 2020 começarão as capacitações, e em 2021 será realizada a fase do assessoramento.

MUDANÇAS NO SEGUNDO CICLO O atual ciclo será realizado em três etapas, enquanto o primeiro foi realizado em quatro:

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Equipe da qualidade da FEAPAES-SP em visitas realizadas na primeira etapa do programa. c­ hecklist, orientações técnicas, workshops e assessoramento. O período para a execução do programa também sofreu alterações, passando de seis para três anos. Outra alteração significativa foi com relação às capacitações, que não eram específicas e que no atual ciclo passaram a ser, de acordo com o levantamento das principais necessidades. Além disso, no atual ciclo foram acrescentados importantes itens para o melhor aproveitamento do APAE Excelência, como a articulação com os conselheiros, estudos de soluções e intervenções e a participação dos grupos de trabalho para o fortalecimento das estratégias. “O programa

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sofreu algumas modificações que o tornarão ainda mais eficiente. Entre as principais e mais relevantes, podemos citar a otimização do período do ciclo. Assim, as APAES poderão corrigir processos com mais agilidade, além de termos os conselheiros como pilares do programa”, explica Cíntia Faccirolli, coordenadora da equipe da qualidade. Ao final do ciclo, a FEAPAES-SP terá um diagnóstico apurado que permitirá à entidade fortalecer e inovar suas ações em benefício das APAES e de seus usuários, como capacitações, publicação de materiais de apoio e ferramentas para a articulação com os poderes público e privado.


FEAPAES EM REVISTA Presidente da FEAPAES-SP, Cristiany de Castro e coordenadoras na reunião com Célia Parnes

CÉLIA PARNES RECEBE PRESIDENTE DA FEAPAES-SP Secretária do Desenvolvimento Social se prontificou a analisar a demanda apresentada pela Federação Estadual

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o dia 25 de fevereiro, a Federação das APAES do Estado de São Paulo (FEAPAES-SP), representada por sua presidente, Cristiany de Castro, junto com as coordenadoras estaduais de assistência social e de autodefensoria, Tina Assunção e Catia Teixeira, reuniram-se com a secretária de assistência social, Célia Parnes para solicitar a sua intervenção junto ao governo estadual a fim de que sejam destinados recursos para o desenvolvimento de serviços socioassistenciais direcionados às pessoas com deficiência. No encontro, a presidente solicitou atenção especial com relação as tratativas juntos as Diretorias

Regionais de Assistência e Desenvolvimento Social (DRADS), haja vista que o mesmo apresenta pontos controversos no que diz respeito a eventual teto de 60% para aplicação de recursos oriundos de fundo de assistência social. Isso porque de um lado o Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS) resolvendo que o teto é de até 100%, em resolução posterior a citada pela resolução da Secretaria Estadual de Assistência e Desenvolvimento Social (SEDS), e de outro o artigo citado pela resolução estadual em que não obriga, mas dá preferência que o teto de aplicação de recursos seja de até 60%. “Diante disso, bem como em razão das dificuldades enfrentadas pelas entidades em manterem suas atividades, é que julgamos necessária a intervenção

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da Secretaria para que essa situação seja resolvida, com a deliberação de teto de até 100% para aplicação de recursos em pessoal pelas entidades do terceiro setor, de forma que os valores sejam devidamente investidos na Política de Assistência Social, evitando-se assim, a devolução de recursos fundamentais para a manutenção dos serviços prestados às pessoas com deficiência”, explica Cristiany de Castro. A solicitação de parceria para o atendimento de pessoas acima de 30 anos também foi feita a secretária de Desenvolvimento Social, Célia Parnes. O objetivo é que haja uma parceria direta do governo com as APAES nos moldes do que já existe com a secretaria da educação. “Na reunião com a Célia Parnes, pedimos que o Estado considere a possibilidade de realizar parceria diretamente com a Secretaria de Desenvolvimento Social para atendimento dos usuários com idade superior a trinta anos”, explica Cristiany.

FEAPAES-SP NO PALÁCIO DOS BANDEIRANTES A presidente da FEAPAES-SP, Cristiany de Castro, que também é secretária executiva da Frente Parlamentar Mista em Defesa das APAES, o diretor social Paulo Arantes, os conselheiros fiscais Vera Lúcia Ferreira Lima e Cézar Vilela, foram recebidos

Equipe da FEAPAES-SP no Palácio dos Bandeirantes

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no dia 29 de maio, no Palácio dos Bandeirantes pelo secretário de Desenvolvimento Regional do Estado de São Paulo, Marco Vinholi, que na ocasião representava o governador João Dória. Na audiência foram apresentados vários pleitos das APAES, como: a viabilização da parceria direta entre o Governo do Estado e as APAES para o atendimento das pessoas com deficiência acima dos 30 anos, ampliação de vagas para atendimento para alunos com TEA, atualização do valor per capita, considerando o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), entre outros. “Solicitamos ainda que na área da saúde nós tenhamos parceria para o atendimento dos autistas, que sejam abertas mais vagas na área da educação, que os per capitas da educação e assistência social sejam atualizados, e que possamos fazer valer a parceria para avaliação diagnóstica”, conclui a presidente.   Após esse encontro, a presidente da FEAPAES-SP ainda enviou dois ofícios no dia 10 de julho para o governador João Dória. O primeiro solicitando redução de horas trabalhadas a servidores públicos estaduais que tenham cônjuge, filho ou dependente com deficiência de qualquer natureza sem compensação de horário. No outro documento, foi solicitado passe livre às pessoas com deficiência nos sistemas de transportes coletivos intermunicipais.


FEAPAES EM REVISTA

FEAPAES LEVA APAES PARA CONHECER A EMPRESA SOLLO CONTACT CENTER Há mais de 11 anos a empresa realiza a captação de recursos por telemarketing do Projeto APAE Energia

P

ela primeira vez na história, a Federação das APAES do Estado de São Paulo (FEAPAES-SP) organizou uma visita de presidentes das APAES que compõem o Projeto APAE Energia à sede da empresa de telemarketing Sollo Contact Center, localizada em Vitória (ES). Os objetivos foram apresentar com detalhes a metodologia de trabalho da empresa, que capta recursos, bem como a sua estrutura, e, a partir disso, desenvolver novas formas de captação.  

A visita aconteceu no dia 26 de março, e durante todo o dia as APAES puderam conhecer a estrutura e os processos de captação de recursos da Sollo, trocar experiências e discutir novas formas para mobilização de recursos nas instituições. “Com a visita, nós percebemos o quanto a Sollo é uma empresa séria, que busca ter excelência em seus atendimentos, procurando sempre conhecer e aprender sobre a causa que divulga. Agradeço por fazerem a diferença na captação de recursos para as APAES”, conta Andreia Campos Sales Martins, presidente da APAE de Pindamonhangaba.

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“DURANTE A VISITA, TAMBÉM FOI POSSÍVEL CONHECER TODO O PROCESSO DA CAPTAÇÃO DE RECURSOS, DESDE A LIGAÇÃO ATÉ A CONVERSÃO E CHECAGEM.”

A equipe da Sollo apresentou todas as estratégias utilizadas para converter os clientes da EDP Bandeirantes em doadores das APAES. Durante a visita, também foi possível conhecer todo o processo da captação de recursos, desde a ligação até a conversão e checagem. “Foi com  enorme  prazer que recebemos a visita dos representantes das APAES de São Paulo. Um encontro muito especial para fortalecer ainda mais a nossa parceria de tantos anos. Ficamos felizes em apresentar para todos a nossa estrutura física, os nossos colaboradores e os nossos processos e a tecnologia de gestão da operação e de acompanhamento de indicadores de performance e resultados, visando ao alto rendimento operacional, à melhoria contínua de nossa atuação e à satisfação de nossos clientes e parceiros”, conta o presidente da Sollo, Amos Alves de Souza. Para a superintendente da FEAPAES-SP, Fernanda Gomes, foi uma ótima oportunidade para que as APAES conhecessem formas modernas e totalmente seguras de mobilizar recursos. “A Sollo consegue manter relacionamentos positivos e permanentes para as APAES, construindo assim instituições mais sustentáveis. Essa visita foi muito importante para fortalecermos ainda mais nossa parceria com a Sollo”, explica a superintendente.

APAE ENERGIA O Programa APAE Energia teve início em 2007 e é fruto da parceria entre a FEAPAES-SP e a concessionária de energia EDP Bandeirantes. O programa é uma importante ferramenta de captação de recursos para as APAES da região onde a concessionária atua. Por meio dela, os clientes da EDP Bandeirantes podem doar para a APAE via débito nas contas de energia. Atualmente 12 APAES participam da parceria, são elas: Biritiba Mirim, Caraguatatuba, Cruzeiro, Guaratinguetá, Guarulhos, Lorena, Mogi das Cruzes, Pindamonhangaba, Poá, Roseira, Suzano e Taubaté.

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SETEMBRO

2019

Mês oficial da inclusão social das pessoas com deficiência

1à7

Caminhada e corrida verde da inclusão

8 à 14

Tarde da inclusão com a família: do empoderamento das famílias, legislação e direitos da PCD

15 à 21 APAE/Instituição na empresa e na escola

22 à 30 Zumba na praça

Programação mensal Realização:

Patrocínio:

Apoio

Apoio institucional:

APAE Valinhos

Secretaria dos Direitos da Pessoa com Deficiência


VALE CAP

MAIS CLARIDADE! APAE DE TAQUARITINGA TROCA JANELAS COM RECURSOS DO FUNDO DE PROJETOS Fundo de Projetos incentivou a APAE a buscar outros parceiros para a realização da troca do piso e do telhado

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C

om o objetivo de oferecer ambientes mais claros e ventilados e que proporcionassem o bem-estar físico, mental e social dos usuários, a APAE de Taquaritinga, por meio do Fundo de Projetos — plataforma que patrocina projetos das APAES paulistas — substituiu as janelas pequenas e quebradas das salas de estimulação sensorial, multidisciplinar, fisioterapia e enfermagem por outras maiores e mais adequadas aos espaços. A reforma foi de extrema importância, principalmente no que diz respeito à ventilação, haja vista que a boa circulação do ar diminui os riscos de transmissão de doenças respiratórias, sejam elas de origem fúngica, bacteriana ou viral. Além disso, com a adequação dos espaços é possível desenvolver melhor as atividades pedagógicas específicas para o setor e promover condutas adequadas para cada usuário local. De acordo com Silvia Elena de Lima Rossi, gerente administrativa da APAE de Taquaritinga, o Fundo de Projetos, patrocinado com recursos do Vale Cap, foi muito importante, pois, além de permitir a troca das janelas, ainda serviu como incentivo para que a instituição buscasse novos parceiros e fizesse a reforma completa. “Eram janelas que já estavam quebradas, outras pequenas, não tinham boa ventilação, não permitiam a entrada da claridade. Então, o Fundo de Projetos permitiu tudo isso e incentivou o pessoal a fazer a obra toda, como a troca do piso, do telhado. Começou uma busca incessante por outros parceiros”, conta.

REINAUGURAÇÃO DOS ESPAÇOS Com o objetivo de apresentar os novos espaços para a comunidade local, a APAE realizou no dia 25 de março a inauguração das repaginadas salas de estimulação sensorial, fisioterapia, enfermagem e multidisciplinar. A solenidade contou com alguns membros da diretoria da APAE, autoridades municipais e colaboradores da instituição. Na ocasião, Fabio Ricardo da Costa, presidente da APAE, explicou que a reforma só foi possível graças ao sucesso do tradicional evento Porco no Rolete, da importante colaboração de voluntários, dos recursos da Nota Fiscal Paulista e do Fundo de Projetos, inciativa da FEAPAES-SP, que, além de tudo, permitiu que a ideia da reforma crescesse. “Foi um sonho planejado durante toda a nossa gestão. O valor investido nessa reforma foi de aproximadamente R$ 180 mil”, conclui o presidente.

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ENTREVISTA

“O GRANDE OBJETIVO DA FRENTE PARLAMENTAR MISTA É UNIR FORÇAS, PARA JUNTOS TRABALHARMOS PELA EFETIVAÇÃO DOS DIREITOS DAS PESSOAS COM DEFICIÊNCIA”, DIZ MÁRCIO ALVINO Duas vezes prefeito e em seu segundo mandato como deputado, Márcio Alvino destaca-se na luta pela defesa da pessoa com deficiência 52

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ascido em uma família de políticos, Marcio Alvino herdou o dom pela vida pública e o desejo de lutar pelo bem comum. Seu pai, Sebastião Alvino, foi prefeito duas vezes, enquanto sua mãe, Conceição Alvino, ocupou o mesmo cargo por três vezes. Não poderia ter sido diferente com o filho, que, a exemplo dos pais, esteve à frente da Prefeitura de Guararema por dois mandatos. Na sua primeira eleição conseguiu obter 67,03% dos votos válidos e na reeleição obteve a marca de 98,47% dos votos válidos. Quando prefeito, implantou um sistema de gestão da qualidade em toda a prefeitura, tendo recebido a certificação ISO 9001:2008. Realizou diversos investimentos, principalmente na área da educação. Entre suas principais obras, está a Escola Municipal de Educação Complementar, que teve como objetivos implementar e executar políticas de inclusão social a crianças e adolescentes com necessidades educacionais especiais, estreitando assim a sua relação com o trabalho desenvolvido pelas APAES. Em 2014, foi eleito deputado federal com 179.950 votos computados em 400 municípios do estado de São Paulo. Agora, em seu segundo mandato, instalou e relançou na Câmara dos Deputados em Brasília a Frente Parlamentar Mista em Defesa das APAES, na qual ocupa o cargo de presidente, juntamente com o vice-presidente e coordenador, o deputado federal por Minas Gerais Eduardo Barbosa, que tem mais de 40 anos de trabalho na defesa da pessoa com deficiência. Na primeira quinzena de junho, o deputado abriu espaço na sua agenda para atender à equipe de redação da APAE em Destaque e falou sobre os objetivos da Frente Parlamentar Mista em Defesa das APAES e dos Pestalozzis. Acompanhe.

1) Recentemente aconteceu o relançamento da Frente Parlamentar Mista em Defesa das APAES e dos Pestalozzis. Qual é a importância e qual é o objetivo da Frente? A Frente é muito importante, pois acompanhará a tramitação de matérias destinadas às pessoas com deficiência no Congresso Nacional e proporá políticas públicas voltadas à inclusão social do segmento, sugerindo medidas que impactem diretamente na melhoria da qualidade de vida dessas pessoas.

O grande objetivo da Frente Parlamentar Mista é unir forças, para juntos trabalharmos pela efetivação dos direitos das pessoas com deficiência, fortalecendo assim as APAES, Pestalozzis e demais entidades que atuam diariamente para garantir às pessoas com deficiência uma vida mais digna e justa.

2) Porque os Pestalozzis foram incluídos? Por sugestão da deputada Tereza Nelma, do Partido da Social Democracia Brasileira de Alagoas (PSDB-AL), que compõe a Frente e é atuante no movimento dos Pestalozzis, que tem o mesmo foco que as APAES, que é a defesa dos direitos das pessoas com deficiência intelectual e múltipla.

3) Na ocasião do relançamento da Frente, vocês, parlamentares, receberam do presidente da FENAPAES uma carta com propostas e sugestões de projetos. Algum projeto já está em pauta? Sim, já estamos estudando a melhor forma de viabilizar as propostas apresentadas. Destaco desde já que o objetivo maior é o fortalecimento das APAES de todo o Brasil, e nessa linha trabalharemos em conjunto e arduamente, para que as instituições sejam beneficiadas com mais recursos públicos e que tenhamos políticas públicas que garantam os direitos das pessoas com deficiência, promovendo assim a sua inclusão social.

4) Como você vê atualmente as políticas públicas para a defesa dos direitos das pessoas com deficiência? As políticas públicas precisam ser aprimoradas para que possamos de fato fazer parte de uma sociedade acessível em que as pessoas com deficiência

“DESTACO DESDE JÁ QUE O OBJETIVO MAIOR É O FORTALECIMENTO DAS APAES DE TODO O BRASIL, E NESSA LINHA TRABALHAREMOS EM CONJUNTO E ARDUAMENTE, PARA QUE AS INSTITUIÇÕES SEJAM BENEFICIADAS COM MAIS RECURSOS PÚBLICOS E QUE TENHAMOS POLÍTICAS PÚBLICAS QUE GARANTAM OS DIREITOS DAS PESSOAS COM DEFICIÊNCIA, PROMOVENDO ASSIM A SUA INCLUSÃO SOCIAL.”

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“NÓS DEFENDEMOS QUE A EDUCAÇÃO SEJA PRIORIDADE E TENHA MAIS RECURSOS DESTINADOS PARA ESSA POLÍTICA PÚBLICA TÃO RELEVANTE NA FORMAÇÃO DO CIDADÃO. NA EDUCAÇÃO ESPECIAL OS INVESTIMENTOS PRECISAM SER AINDA MAIORES, JÁ QUE AS PESSOAS COM DEFICIÊNCIA NECESSITAM DE MAIS ATENÇÃO E CUIDADOS.”

tenham condições de exercer a sua autonomia e a plena participação social. Hoje no Brasil, temos legislação avançada, mas que ainda não é aplicada em sua plenitude. Precisamos trabalhar muito para garantir a efetivação da Lei Brasileira de Inclusão (LBI) e das demais legislações que asseguram os direitos de as pessoas com deficiência viverem em uma sociedade que lhes garanta igualdade de oportunidades.

5) Quais são as propostas da Frente para defender os direitos das pessoas com deficiência e ampliar as políticas que beneficiem esse público? Trabalharemos arduamente para promover as medidas necessárias de apoio às APAES e demais entidades que trabalham em prol das pessoas com deficiência intelectual e múltipla, não apenas buscando investimentos, mas criando mecanismos para garantir qualidade nos atendimentos, de forma que possam ofertar uma vida mais digna para todos os usuários e suas famílias.

6) Como será a atuação da Frente em relação ao Benefício de Prestação Continuada (BPC) na reforma da previdência? Já estamos agindo nesse sentido, apoiamos a Emenda nº 88/2019, de autoria do nosso vice-presidente, deputado Eduardo Barbosa, defendendo a retirada do BPC da proposta da reforma da

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previdência, por não se tratar de um benefício previdenciário, e sim de um benefício assistencial.

7) Os repasses feitos pelo governo às Escolas Especiais das APAEs ainda estão muito aquém do gasto real por aluno. Como isso será trabalhado pela Frente? Nós defendemos que a educação seja prioridade e tenha mais recursos destinados para essa política pública tão relevante na formação do cidadão. Na educação especial os investimentos precisam ser ainda maiores, já que as pessoas com deficiência necessitam de mais atenção e cuidados. O recurso federal precisa chegar aos estados e municípios para que as parcerias realizadas com as APAES sejam remuneradas com valores justos. Tivemos alguns avanços no estado de São Paulo, quando conseguimos após diversas reuniões com a presidente da FEAPAES/SP, Cristiany de Castro, e o então secretário, João Cury, o aumento do número de parcelas e a atualização do valor per capita pelo valor do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (FUNDEB) do ano de 2019, contudo muito há que ser feito ainda, e todas as APAES podem contar com meu empenho e dedicação para que tenhamos sempre investimentos públicos destinados aos serviços de educação, saúde e assistência social.


Vem aí!

1ª JORNADA DA

assistência social


ARTIGO

A APOSENTADORIA DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA

A

o contrário do que muitas pessoas pensam, a aposentadoria da pessoa com deficiência não se confunde com a aposentadoria por invalidez, nem com o benefício assistencial (Lei Orgânica da Assistência Social — LOAS), porque os requisitos para ter direito a cada um desses benefícios são diferentes, a começar pela necessidade de pagar contribuições ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A aposentadoria da pessoa com deficiência é pouco conhecida e, por isso, pouco requerida pelos segurados do INSS, talvez porque somente no ano de 2005 nossa Constituição Federal passou a prever esse tipo de aposentadoria, e essa previsão só foi regulamentada por lei em 2013. Um dos requisitos para ter direito à aposentadoria da pessoa com deficiência é ser segurada do INSS. Ou seja, é necessário estar com o pagamento das contribuições em dia, seja pagando

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“A APOSENTADORIA DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA É POUCO CONHECIDA E, POR ISSO, POUCO REQUERIDA PELOS SEGURADOS DO INSS, TALVEZ PORQUE SOMENTE NO ANO DE 2005 NOSSA CONSTITUIÇÃO FEDERAL PASSOU A PREVER ESSE TIPO DE APOSENTADORIA, E ESSA PREVISÃO SÓ FOI REGULAMENTADA POR LEI EM 2013.” o carnê como dona de casa, seja por possuir emprego com registro na carteira de trabalho, ou ainda por ser empresário. Além de estar com as contribuições em dia, cada tipo de benefício exige um número mínimo de contribuições para que o segurado tenha direito ao benefício. Esse número mínimo de contribuições é chamado de carência, pois em nosso sistema


previdenciário só têm direito ao benefício aqueles que contribuem para o sistema. No caso da aposentadoria da pessoa com deficiência, na modalidade tempo de contribuição, a carência varia conforme o grau de deficiência, que pode ser leve, moderado ou grave. Por fim, é preciso que o segurado comprove ser pessoa com deficiência, e para a lei isso significa possuir impedimentos de longo prazo de natureza física, mental, intelectual ou sensorial, os quais, em interação com diversas barreiras, podem obstruir sua participação plena e efetiva na sociedade em igualdade de condições com as demais pessoas. Essa comprovação faz-se por meio de laudo médico. Outra questão importante é que a lei trata de forma diferente homens e mulheres, de forma que as mulheres se aposentam mais cedo que os homens, seja em função da idade, seja em função do tempo de contribuição. Colocadas essas questões, passamos a esclarecer as modalidades de aposentadoria a que a pessoa com deficiência pode ter direito: a aposentadoria por idade; e a aposentadoria por tempo de contribuição. Na aposentadoria por idade, a carência, ou seja, o tempo mínimo de contribuição, é de 15 anos, mas a lei cria uma condição especial: é necessário comprovar que esses 15 anos de contribuição são também 15 anos de pessoa com deficiência, o que se faz por meio de laudo médico. O outro requisito é a idade mínima, que para homens é de 60 anos, enquanto para as mulheres é de 55 anos. Portanto, comprovados o requisito da idade mínima e a carência de 15 anos na qualidade de pessoa com deficiência, o segurado tem o direito de se aposentar por idade. De outro lado, na aposentadoria por tempo de contribuição, há diferenças no caso de ser homem ou mulher e também em função do grau de deficiência. Como já destacado, o grau de deficiência pode ser leve, moderado ou grave, constatação que se faz por meio de perícia e laudo médicos. No caso da deficiência leve, homens podem se aposentar com 33 anos de contribuição, e mulheres com 28 anos. No caso da deficiência moderada, o tempo de contribuição diminui, passando para 29 anos para homens e 24 anos para mulheres. Por fim, em caso de constatada deficiência grave, homens aposentam-se

ALINE C. MANTOVANI GENOVEZ Advogada especialista em direito previdenciário. Professora universitária. Doutoranda pela Universidade de São Paulo (USP). Mestre pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Graduada na Faculdade de Direito de Franca.

com 25 anos de contribuição e mulheres com 20 anos. A lei também protege aquelas pessoas que passaram a se enquadrar na qualidade de pessoa com deficiência com o passar do tempo, ou que o grau de deficiência tenha se modificado. Nesses casos, a lei permite a conversão do tempo comum em tempo diferenciado, para que o segurado não seja prejudicado. É importante destacar que ninguém é obrigado a se aposentar nessa modalidade somente por se tratar de pessoa com deficiência. A lei garante que o segurado escolha sempre pelo benefício mais vantajoso, bastando que atenda aos requisitos do direito para ter acesso a ele. Além disso, depois de concedida a aposentadoria da pessoa com deficiência, a lei ressalva que o beneficiário poderá, a qualquer momento, ser convocado para análise quanto à permanência ou não da deficiência ou modificação do grau.

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ARTIGO XXXXX

MARKETING DIGITAL INCLUSIVO: MUITO ALÉM DAS REDES SOCIAIS

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erto dia, em 2009, assistimos no trabalho a um vídeo do programa Café Filosófico, da TV Cultura. Uma apresentação interessantíssima sobre o futuro do trabalho e a sociedade do conhecimento, com o professor Marcos Cavalcante, doutor em Informática pela Universidade de Paris e professor do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia (Coppe), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Uma frase marcou-me muito. Tanto que a cito em todas as minhas aulas, palestras e artigos: “Nós não estamos vivendo uma era de mudanças. E sim uma mudança de era”. Várias vezes me pego pensando que faço parte da última geração que viu o mundo analógico. Que sabe usar um telefone público, que usava mapas físicos para chegar a algum lugar. Que, para buscar um hotel, precisava chegar à cidade e procurar um por um, ou olhar um calhamaço de papel chamado lista telefônica. Isso não faz muito tempo. O primeiro iPhone foi lançado há 12 anos. O sistema de posicionamento global (GPS), há dez. Faz só sete anos que o Facebook ultrapassou o número de usuários do Orkut no Brasil. E 58% (121 milhões) da população brasileira está conectada. O que quero mostrar com toda essa introdução é que a internet deixou de ser um lugar — “vou entrar na internet” — para ser uma camada indissociável de nossas vidas. Estamos conectados o tempo inteiro, e só notamos isso de verdade quando a internet falta, assim como a energia elétrica! Portanto, como qualquer organização, com ou sem fins lucrativos, precisamos estar onde nosso público está. E o marketing digital, com todas as suas possibilidades, é hoje essencial para alcançar potenciais doadores, parceiros, empresas e a sociedade em geral. Um trabalho tão importante como o das APAEs precisa ser cada vez mais mostrado ao mundo. Então mostrem! Digam! Usem o poder do

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marketing digital (redes sociais, e-mail marketing, WhatsApp, sites, blogs, landing pages, anúncios em mídias sociais, influenciadores) para terem suas vozes ouvidas e seus trabalhos reconhecidos! Estabeleçam sua presença digital de forma profissional, falem com todos e para todos! Nesse ponto, quero deixar dois presentes: O primeiro, no QR Code ao lado, é o vídeo com uma das músicas mais lindas e empoderadoras que já ouvi, legendada em português. Pegue seu celular, aponte a câmera para o código e o YouTube dará conta do resto. Já o segundo é a participação da minha amiga e superprofissional Débora Brandão, que vem falando já há bastante tempo sobre marketing digital inclusivo: como se comunicar com todos no digital, incluindo pessoas com deficiência. Existem muitas ferramentas e técnicas que tornam o conteúdo digital acessível, e ninguém melhor do que Débora para explicar isso para vocês! Peguem um café, acomodem-se e tenham um excelente papo! Mais do que aplicações de conceitos de ­marketing digital, precisamos também trabalhar o alcance do máximo de pessoas possível. As redes sociais e as ferramentas assistivas facilitaram o acesso das pessoas às plataformas sociais e, com isso, o acesso às informações publicadas nas redes. Mais do que receber atualizações e informações, as redes contribuem para a socialização e o relacionamento e, com isso, a inserção do indivíduo na sociedade. Temos 25% da população com algum tipo de deficiência, número que aumentará nos próximos anos com o envelhecimento dos cidadãos, mais facilidade de diagnósticos e problemas relacionados ao modo de vida das pessoas. Precisamos utilizar meios de comunicação que atinjam o maior


DÉBORA BRANDÃO

DIANA PÁDUA

Formada em Gestão Empresarial, possui MBA em Marketing Digital para Redes Sociais, além de cursos como Planejamento Estratégico, Facebook Ads Avançado, Geração de Conteúdo e muitos outros.

Consultora de marketing digital. Professora do MBA de Comunicação e Marketing Digital da Universidade de Vila Velha (UVV).

número possível de indivíduos, facilitando o consumo do conteúdo divulgado. As redes sociais vêm acrescentando opções de acessibilidade. As ferramentas assistivas — como os leitores de tela — facilitam o acesso aos conteúdos, e os sites possuem infindáveis plug-ins que otimizam a propagação do conteúdo com ferramentas de inclusão. Mas não só as empresas, profissionais de marketing ou aqueles que trabalham com pessoas com deficiência usam tantas possibilidades, ainda que esteja definido em lei. A Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Lei nº 13.146, sancionada em 6 de julho de 2015) trouxe grandes avanços às pessoas com deficiência e em seu artigo 63 estabelece que é obrigatória a acessibilidade nos sites para uso da pessoa com deficiência, garantindo acesso às informações disponíveis, conforme as melhores práticas e diretrizes de acessibilidade adotadas internacionalmente. Existem várias iniciativas que visam propagar ferramentas e possibilidades de acessibilidade para conteúdos digitais, como o Manual de Acessibilidade Web, produzido pelo World Wide Web Consortium (W3C) Brasil, com explicação sobre diferentes tipos de deficiência, adaptações necessárias para conteúdo digital e como estas podem ajudar a todos. Ao criar conteúdos para as redes sociais, traga para o mundo digital princípios utilizados no ­design universal: • Perceptível: seu conteúdo é perceptível para o máximo de usuários?

• Operável: os usuários conseguem navegar facilmente pelo conteúdo, ou são necessárias interações constantes de cursor e toques? • Compreensível: seu conteúdo é de fácil compreensão e assimilação, evitando divergências de informações? • Robusto: o conteúdo pode ser acessado pela maior variedade possível de navegadores? Aceita tecnologias assistivas? Tenha atenção às imagens utilizadas nas redes, verifique se podem gerar dificuldade de interpretação, se o texto está legível e as cores com contraste adequado. Nas principais redes já está disponível a opção de acrescentar Texto Alternativo, que é a descrição da imagem que será dita pelos leitores de tela a quem tem deficiência visual. Os conteúdos em vídeo devem conter legendas e, conforme as possibilidades, descrição audiovisual e em libras. Os textos devem conter estrutura simples, frases e parágrafos curtos e sem figuras de linguagem. Outras inúmeras possibilidades de alterações nas ações de marketing para redes sociais podem ser realizadas, e a própria internet possui materiais que ensinam e dão as ferramentas necessárias para a adaptação do material. Adequar o meio digital e deixá-lo acessível à maior parte possível de usuários significa não só eliminar barreiras arquitetônicas, mas disponibilizar e facilitar a comunicação, o consumo de informações, novas formas de relacionamento e execução da autonomia.

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JURÍDICO INFORMA

GUARDA E CURATELA

COMPARTILHADA DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA

T

oda pessoa menor deve estar sob os cuidados dos pais ou de algum responsável. Os pais, no exercício do poder familiar, já são detentores da guarda dos filhos. Ocorre que, existindo separação ou divórcio, há necessidade de se fixar quem exercerá esse direito. Nesse ponto, surgem alguns problemas, pois infelizmente alguns pais não conseguem separar o término da relação conjugal e utilizam a guarda dos filhos como troféu ou instrumento de vingança. Nesse sentido, o Código Civil, pensando no melhor interesse da criança, criou a figura da guarda compartilhada, na qual há “responsabilização conjunta e o exercício de direitos e deveres do pai e da mãe” (BRASIL, 2002). A lei busca

manter o equilíbrio da convivência dos filhos com os pais e a preservar a situação existente antes da separação, tanto que a guarda compartilhada deve ser a regra, como pode ser compreendido pelo § 2.º do artigo 1.583 do Código Civil: “Quando não houver acordo entre a mãe e o pai quanto à guarda do filho, encontrando-se ambos os genitores aptos a exercer o poder familiar, será aplicada a guarda compartilhada, salvo se um dos genitores declarar ao magistrado que não deseja a guarda do menor” (BRASIL, 2002). Está claro que somente será fixada guarda unilateral se a compartilhada não for recomendada e se um dos pais não a desejar. Para fixar as atribuições dos pais na guarda compartilhada e os períodos de convivência, o juiz poderá basear-se em parecer técnico-profissional ou

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ACIR DE MATOS GOMES Procurador jurídico da FEAPAES-SP. Graduado em Direito pela Faculdade de Direito de Franca, mestre em Linguística, doutor em Língua Portuguesa, pós-graduado em Psicanálise Contemporânea e professor universitário.

de equipe multidisciplinar, que deverá considerar a divisão equilibrada do tempo com os pais. Nesse aspecto, destacamos que a guarda compartilhada da pessoa com deficiência pode ser extremamente benéfica, pois ambos os pais ficarão diretamente responsáveis pelos cuidados, enquanto na guarda unilateral, infelizmente, o detentor da guarda acaba tendo de responder sozinho a ela. Nota-se que, se a pessoa com deficiência que atingiu a maioridade, não está sujeita à guarda, mas à curatela. Contudo, sabiamente, o Código Civil, em razão da Lei Brasileira de Inclusão (Lei Nº 13.146, de 6 de julho de 2015), incluiu o artigo art. 1.775A, para prever a curatela compartilhada: “Na nomeação de curador para a pessoa com deficiência, o juiz poderá estabelecer curatela compartilhada a mais de uma pessoa” (BRASIL, 2002). Entendemos que a guarda e a curatela compartilhada da pessoa com deficiência também vão ao encontro dos princípios da dignidade humana e o da solidariedade, já que os pais são responsáveis pela existência humana dos filhos. Há afeto dos filhos com deficiência para com os pais e dos pais para com os filhos com deficiência, e não se mostra justo

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nem necessário dividir esse afeto em razão da separação do casal. O casal pode não ter dado certo, mas obrigatoriamente devem dar certo como pais, como responsáveis pelos filhos com deficiência. Importante ainda ressaltar que a guarda compartilhada não isenta do pagamento da pensão alimentícia. É perfeitamente possível a fixação da guarda compartilhada e a fixação dos alimentos. Por fim, destacamos que a pessoa com deficiência maior de idade tem todos os direitos civis, patrimoniais e existenciais garantidos, enquanto o incapaz é aquele cuja deficiência em razão de alguma enfermidade retira dele a condição de gerir os atos da vida. O importante é que os filhos com deficiência, independentemente de serem maiores ou menores de idade, de estarem sob curatela, tutela ou guarda, estejam protegidos e envoltos pelas pessoas que os amam, para que eles possam se desenvolver plenamente e com dignidade.

REFERÊNCIAS BRASIL. Presidência da República. Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002. Institui o Código Civil. Brasil, 2002.


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Ano 2019 • Edição 22

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FEAPAES-SP E CAIXA FIRMAM PARCERIA PARA BENEFICIAR AS APAES NOVO CICLO DO APAE EXCELÊNCIA COMEÇA COM NOVIDADES

ENTREVISTA: MÁRCIO ALVINO FALA SOBRE A FRENTE PARLAMENTAR EM DEFESA DAS APAES

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